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4732040 #
Numero do processo: 36968.000959/2005-87
Turma: Sexta Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇCWS ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 09/03/2005 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO CONTRA DIRIGENTES DE ÓRGÃOS PÚBLICOS. ART. 41 DA LEI N° 8.212/1991. REVOGAÇÃO. CANCELAMENTO DAS PENALIDADES APLICADAS. Com a revogação do art. 41 da Lei n° 8.212/1991 pela MP n° 449/2008, as multas, em processos pendentes de julgamento, aplicadas com Mero no dispositivo revogado, devem ser canceladas, posto que a lei nova excluiu os dirigentes de órgãos públicos da responsabilidade pessoal por infrações à legislação previdenciária. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2806-000.127
Decisão: ACORDAM os membros da 6ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO

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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS . 4 .- SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO. .- . Processo n° 36968.000959/2005-87 Recurso n° 144.686 Voluntário Acórdão n° 2806-00.127 - V Turma Especial Sessão de 2 de junho de 2009 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente REGINALDO GOMES NETO Recorrida SRP-SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA AssuNio: OBRIGAÇCWS ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 09/03/2005 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO CONTRA DIRIGENTES DE ÓRGÃOS PÚBLICOS. ART. 41 DA LEI N° 8.212/1991. REVOGAÇÃO. CANCELAMENTO DAS PENALIDADES APLICADAS. Com a revogação do art. 41 da Lei n° 8.212/1991 pela MP n° 449/2008, as multas, em processos pendentes de julgamento, aplicadas com Mero no dispositivo revogado, devem ser canceladas, posto que a lei nova excluiu os dirigentes de órgãos públicos da responsabilidade pessoal por infrações à legislação previdenciária. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, rei ados - discutidos os presentes autos. ACO • n /' os membros da 6' Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimi e ade de *tos, em dar provimento ao recurso. ELIAS S • n ,"-;•-n P. - Presidente \OLkAL - at i \ KLEBER FERREIRA DE A • ' I'JO - - Relator N Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Freitas de Souza Costa e Rogério de Lellis Pinto. t Processo n° 36968.000959/2005-87 S2-TE06 Acém% n. 2806-00.127 Fl. 65 Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado contra a pessoa fisica acima identificada, à qual foi imputada multa pessoal, nos termos do art. 41 da Lei n.° 8.212/1991, em razão de descumprimento da legislação previdenciária no âmbito do órgão público em que atuava como dirigente. É o relatório. Processo n°36968.000959/2005-87 82-TE06 Acórdão n.° 2806-00.127 Fl. 66 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Por estarem presentes os pressupostos de admissibilidade, o recurso deve ser conhecido. I Para análise das autuações pessoais dos gestores de órgãos públicos deve-se hodiemamente considerar a revogação do art. 41 da Lei n.° 8.212/1991 pela MP n.° 449, de 04/12/2008. Era exatamente o dispositivo retirado do ordenamento que permitia ao fisco alcançar pessoalmente os dirigentes de órgãos públicos pelas infrações à legislação previdenciária. Assim, ao tratar da aplicação da lei tributária no tempo, o CTN dispõe: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: 1- em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: quando deixe de defini-lo como infração; (.) Vê-se que, para esses dirigentes, a lei deixou de definir as faltas relativas ao cumprimento das obrigações acessórias previdenciárias como ilícitos administrativos. Por conseguinte, deve-se aplicar a lei nova aos processos ainda não definitivamente julgados, que se refiram às autuações lavradas com fulcro no art. 41 da Lei n.° 8.212/1991, cancelando-se, assim, as penalidades decorrentes. Sobre essa questão não posso deixar de transcrever excerto do Parecer PGFN/CDA/CAT n.° 190/2009, de 02/02/2009, que dá o tom de qual entendimento é adotado pela Administração Tributária: 22.Inicialmente, entendemos que nesse caso aplica-se a regra do art. 106 do CT1V, uma vez que com a revogação do dispositivo legal que dava fundamento ao lançamento contra a pessoa do dirigente, a lei deixou de definir tal conduta como infração. Em consequência, a aplicação da penalidade deverá ser em face da pessoa jurídica de Direito Público dotada de personalidade jurídica. 23.Em consequência, para os atos não definitivamente julgados administrativamente, deve a lei retroagir, implicando no cancelamento de todas as penalidades aplicadas com base no art. 41 da Lei n.° 8.212/1991. Processo n°36963.000959/200547 S2-TE06 Acórdão n.° 2806-00.127 Fl. 67 Diante do exposto, voto pelo provimento do recurso. Sala das Sessões, em 2 de junho de 2009 \thkx,N - ICLEBER FERREIRA DE 1:1J0 - Relator 4 Page 1 _0021700.PDF Page 1 _0021800.PDF Page 1 _0021900.PDF Page 1

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Numero do processo: 10120.760025/2019-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Jun 30 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2014, 2015, 2016 ÁGIO. AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO COM RECURSOS FINANCEIROS CAPITALIZADOS POR CONTROLADORA ESTRANGEIRA. ACUSAÇÃO DE QUE NÃO HOUVE INCORPORAÇÃO ENTRE INVESTIDOR ORIGINAL E INVESTIDA. Não subsiste acusação fiscal que busque glosar despesas com amortização fiscal de ágio sob o argumento de que deveria ser considerada como real investidora a sociedade estrangeira de onde originaram os recursos financeiros utilizados na aquisição do investimento. A legislação tributária autoriza o registro do ágio pela pessoa jurídica que detém o investimento, podendo este ser amortizado a partir do momento em que tal sociedade incorpore a investida ou vice-versa. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o Imposto de Renda.
Numero da decisão: 1301-007.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA – Relator Assinado Digitalmente RAFAEL TARANTO MALHEIROS – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Iagaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Eduardo Monteiro Cardoso, Eduarda Lacerda Kanieski, Rafael Taranto Malheiros (Presidente).
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA

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AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO COM RECURSOS FINANCEIROS CAPITALIZADOS POR CONTROLADORA ESTRANGEIRA. ACUSAÇÃO DE QUE NÃO HOUVE INCORPORAÇÃO ENTRE INVESTIDOR ORIGINAL E INVESTIDA. Não subsiste acusação fiscal que busque glosar despesas com amortização fiscal de ágio sob o argumento de que deveria ser considerada como real investidora a sociedade estrangeira de onde originaram os recursos financeiros utilizados na aquisição do investimento. A legislação tributária autoriza o registro do ágio pela pessoa jurídica que detém o investimento, podendo este ser amortizado a partir do momento em que tal sociedade incorpore a investida ou vice-versa. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão proferida para o Imposto de Renda. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA – Relator Fl. 3106DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.760025/2019-71 2 Assinado Digitalmente RAFAEL TARANTO MALHEIROS – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Iagaro Jung Martins, Jose Eduardo Dornelas Souza, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Eduardo Monteiro Cardoso, Eduarda Lacerda Kanieski, Rafael Taranto Malheiros (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário apresentado contra o acórdão nº 16-95.880, proferido pela 7ª Turma da DRJ/SPO, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação do Contribuinte e dos respectivos Responsáveis Solidários, mantendo o crédito tributário exigido. Por bem descrever o ocorrido, valho-me do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito, complementando-o ao final: Relatório O processo versa acerca de autos de infração formulados em 23/12/2019, atinentes ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social DJ DRJ08 SP Fl. 2977 Original Processo 10120.760025/2019-71 Acórdão n.º 16-95.880 DRJ/SPO Fls. 6 6 sobre o Lucro Líquido apurado nos trimestres dos anos-calendário de 2014 a 2016, com o crédito tributário total de R$ 101.797.520,88 (cento e um milhões, setecentos e noventa e sete mil, quinhentos e vinte reais e centavos), composto de principal, multa qualificada de 150% e juros de mora vinculados, bem assim multas isoladas decorrentes da insuficiência de pagamento de débitos de estimativa mensal neles descritos: A lavratura das autuações fiscais decorreu de evidências observadas no curso de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte em epígrafe, consoante descrição dos fatos e enquadramentos legais impressos no corpo dos referidos atos, acrescidos das ponderações veiculadas nas conclusões do Termo de Verificação Fiscal (fls. 46/69) e seus anexos, todos Fl. 3107DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.760025/2019-71 3 indissociáveis entre si, motivações estas determinantes para tipificação da infração tributária, a saber: 1) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA: a) EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. INFRAÇÃO: Glosa de ágio indevidamente excluído. Fatos geradores ocorridos de 1º/01/2014 a 31/12/2014. Valor excluído indevidamente do lucro líquido do período na determinação do Lucro Real, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo. Enquadramento legal: art. 3º da Lei nº 9.249/95. arts. 247 e 250 do RIR/99 Artigos 385, 391 e 426 RIR/99, Lei 9.532/97 arts. 7º e 8º. Arts. 4º, 5º, 12 a 15, 16, §§ 2º e 3º, 26, 64, caput, 67, caput e parágrafo único, 68 e 69 da Lei nº 12.973/2014. b) EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. INFRAÇÃO: Glosa de ágio indevidamente excluído. Fatos geradores ocorridos de 1º/01/2015 a 31/12/2016. Valor excluído indevidamente do lucro líquido do período na determinação do Lucro Real, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo. Enquadramento legal: arts. 247, 250, 385, 391 e 426 RIR/99, Lei nº 9.532/97 arts 7º e 8º arts. 4º, 5º, 12 a 15, 16, parágrafos 2º e 3º, 26, 64, caput, 67, caput e parágrafo único, 68 e 69 da Lei nº 12.973/2014 c) MULTA OU JUROS ISOLADOS INFRAÇÃO: Falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada. Fatos geradores ocorridos de 01/02/2014 e 31/10/2015. Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, conforme detalhado no Termo de Verificação Fiscal e no Doc 24 – Multa Isolada IRPJ. Enquadramento legal: arts. 222 e 843 do RIR/99; art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07. 2) CONTRIBUIÇÃO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO: a) EXCLUSÕES INDEVIDAS DA BASE DE CÁLCULO AJUSTADA DA CSLL. INFRAÇÃO: Glosa de ágio indevidamente excluído. Fatos geradores ocorridos de 1º/01/2014 a 31/12/2014. Valor excluído indevidamente do lucro líquido do período na determinação da base de cálculo da CSLL, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo. Fl. 3108DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.760025/2019-71 4 Enquadramentos legais: Art. 2º da Lei nº 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90. Art. 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065/95. Art. 2º da Lei nº 9.249/95. Art. 1º da Lei nº 9.316/96; art. 28 da Lei nº 9.430/96. Artigos 385, 391 e 426 RIR/99, Lei 9.532/97 arts 7º e 8º. Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08. Art. 28 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 49 da Lei nº 12.715/2012. b) EXCLUSÕES INDEVIDAS DA BASE DE CÁLCULO AJUSTADA DA CSLL. INFRAÇÃO: Glosa de ágio indevidamente excluído. Fatos geradores ocorridos de 1º/01/2015 a 31/12/2016. Valor excluído indevidamente do lucro líquido do período na determinação da base de cálculo da CSLL, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo. Enquadramentos legais: Art. 2º da Lei nº 7.689/88 com redação dada pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90 Art. 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065/95. Art. 2º da Lei nº 9.249/95 Art. 1º da Lei nº 9.316/96. Artigos 385, 391 e 426 RIR/99. Lei 9.532/97 arts 7º e 8º. Art. 3º da Lei nº 7.689/88. Art. 28 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 49 da Lei nº 12.715/2012. c) MULTA OU JUROS ISOLADOS INFRAÇÃO: Falta de recolhimento da CSLL sobre a base de cálculo estimada. Fatos geradores ocorridos de 1º/03/2014 e 30/04/2016. Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, conforme detalhado no Termo de Verificação Fiscal e no Doc 25 – Multa Isolada CSLL. Enquadramentos legais: Art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/072007. Art. 28 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 49 da Lei nº 12.715/12 Concomitantemente, atribuiu-se a sujeição passiva da obrigação tributária principal à pessoa jurídica estrangeira Anglogold South América Ltd, CNPJ nº 05.710.842/0001-50 e do Hélcio Roberto Martins Guerra, CPF nº 401.427.606-68 ante as evidências de irregularidades correlatas à fatos descritos em excerto do respectivo Termo de Verificação Fiscal (fls. 66/68): Responsabilidade solidária: (i) Responsabilidade Solidária de Fato – Anglogold South América Ltd; e (ii) Responsabilidade Solidária por Excesso de Poderes, Infração de Lei, Contrato Social ou Estatuto - Hélcio Roberto Martins Guerra. Identificação dos responsáveis solidários: (i) Anglogold South América Ltd, CNPJ nº 05.710.842/0001-50; e (ii) Hélcio Roberto Martins Guerra, CPF nº 401.427.606- 68. Fl. 3109DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.760025/2019-71 5 Enquadramento legal: (i) art. 124, da Lei nº 5.172/66 (CTN) (Anglogold South América Ltd); e (ii) art. 135, da Lei nº 5.172/66 (CTN) com c/c art. 5º do Decreto- Lei nº 1.598/1977 (Hélcio Roberto Martins Guerra). Motivação: Vinculação de integrantes do quadro societário do contribuinte conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal. Supletivamente, a narrativa expressa nos termos de sujeição passiva acentua que as investigações demonstraram a configuração de evidências de prática ilícitas praticada em concurso com o contribuinte fiscalizado. Diante deste panorama, passa-se a desenvolver uma breve exposição, pautada nas informações relacionadas com as infrações tributárias tipificadas nas autuações fiscais controladas no presente processo. Da Acusação Fiscal Por ocasião da finalização da ação fiscal, a autoridade lançadora sintetizou que os trabalhos basearam-se nas orientações contidas no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 01.0.01.00-2018-00004-7 De acordo com a redação expressa no encerramento dos trabalhos, o procedimento de fiscalização instituiu-se com a lavratura do Termo de Início de Fiscalização datado de 03/08/2018 (fls. 765/766), cientificando por via postal em 10/08/2018 (fl. 768), por meio do qual se requereu a apresentação de acervo digital e documental inaugural da análise destinada ao atendimento do escopo dos trabalhos. Finalizado este intróito, passa-se a descrição das constatações resultantes do encerramento dos trabalhos adstritos à ação fiscal instaurada. No contexto dos apontamentos inseriu-se um breve apanhado do teor das intimações e das respostas efetuadas ao longo do procedimento para fins de averiguação da pertinência de despesas de amortização de ágio referente à aquisição de participação societária, computadas na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL nos anos de 2014 a 2016. Sob este aspecto, veicula que a instauração da fiscalização requisitou a apresentação do detalhamento dos valores lançados a título de "Outras Exclusões" nos registros M300 - Demonstração do Lucro Real e M350 - Demonstração da Base de Cálculo da CSLL das ECF’s. Na ocasião, a empresa fiscalizada para apresentou com dados consolidados e lançamentos no LALUR - Parte B (Doc. 1) com a descrição das respectivas exclusões originaram-se de aquisição de investimentos a partir de operação de incorporação de sua controladora, entidade denominada Anglogold Ashanti Brasil Mineração Ltda, CNPJ 40.164.964/0001-90, doravante AGABM, em valores mensais de R$ 2.995.889,40, totalizando R$ 35.950.672,80. Principiando-se deste dado, a autoridade lançadora passou a descrição de características de operações societárias que mostram um cenário que antecede as Fl. 3110DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.760025/2019-71 6 exclusões reportadas pela fiscalizada inseridas na apuração das bases imponíveis de IRPJ e da CSLL dos anos fiscalizados. Acentua que a AGABM era uma empresa plenamente operacional até meados de 2010, atuando na atividade de beneficiamento de minério de metais preciosos. A AGABM era controlada pela companhia estrangeira Anglogold South America LTD, CNPJ nº 05.710.842/0001-50, domiciliada no exterior (Ilhas Virgens Britânicas), doravante ANGLOGOLD e apresentava a seguinte composição do quadro societário desde o ano de 2008: Informa que, em 1º/06/2010, a AGABM cindiu grande parte de seu patrimônio líquido (mais de 85%) para a empresa Anglogold Ashanti Corrego Sitio Mineração, CNPJ 18.565.382/0001-66 (Ficha 62 da DIPJ AC 2010 - evento especial cisão), doravante AGACSM. A AGACSM, após versão do patrimônio advindo da AGABM, passou a ser igualmente, controlada pela ANGLOGOLD, consoante se observou no teor da Fichas 60 das DIPJ’s – AC 2010 (evento especial incorporadora e normal) e descrita nos quadros abaixo: Sob este contexto, a autoridade lançadora resgatou as DIPJ dos anos de 2006 a 2012 (doc 2) da AGABM com a evolução de determinados dados: Fl. 3111DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.760025/2019-71 7 Certificou que, até a data da cisão, as participações societárias da AGABM em coligadas ou controladas não ocupavam uma representação significativa no total do ativo, pois, ainda se encontrava em situação operacional. Por ocasião da operação de cisão, todo o acervo operacional é transferido para a sucessora (AGACSM), remanescendo apenas os investimentos permanentes e parcela de créditos com pessoas ligadas (Ficha 36A da DIPJ - AC 2010 - evento especial cisão): Salienta ainda que, ao final do ano de 2009, portanto, anteriormente à cisão, a AGABM mantinha as seguintes participações em coligadas e controladas (Ficha 62 da DIPJ -AC 2009), entre as quais na empresa fiscalizada: Fl. 3112DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.760025/2019-71 8 Da cisão em diante, a situação patrimonial da AGABM indicava a seguinte posição (Ficha 62 da DIPJ ac 2010 - evento especial cisão): A comparação revela um decréscimo relevante no valor da Mineração Morro Velho Ltda, doravante MORRO VELHO, pois, esta última, também foi objeto de cisão parcial e transferência de parcela de seu patrimônio (88,97%) para sua própria controladora AGABM em 1º/01/2010 (Ficha 66 da DIPJ ac 2010 -evento especial cisão): Assim sendo, após a cisão da AGABM, a posição do investimento permanente passou a ser composta conforme abaixo (Ficha 62 da DIPJ ac 2010 - normal): A autoridade lançadora notou ainda que, em relação ao ano de 2012, ocasião em que empresa fiscalizada incorporou a AGABM, aconteceu um acréscimo relevante em seu ativo total, pouco antes da incorporação; justificava-se em parte pela mais valia de suas participações societárias, mas, sobretudo, em decorrência de ágio em investimentos -rentabilidade futura, veiculado no valor de R$ 359.506.727,73 (Ficha 36A da DIPJ AC 2012 -evento especial incorporada): De acordo com Balanço Patrimonial levantado em agosto de 2012 (doc 5) para fins de mensuração do PL da AGABM, ante a iminência de sua incorporação pela empresa fiscalizada, identificou-se também que uma posição de investimento em empresas controladas (R$ 193.508.285,00) acrescido à reserva de ágio (R$ 359.506.728,00), cujo montante que representavam 99,42% do seu ativo total (R$ 556.213.896,00) e 99,49% do patrimônio líquido (R$ 556.118.946,00). Fl. 3113DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.760025/2019-71 9 Encerrada a breve síntese da evolução da situação patrimonial dos investimentos permanentes, passou a discorrer sobre a procedência do ágio gerado na AGABM e que mantém estrita conexão com a investigação. A empresa fiscalizada atua na área de pesquisa, prospecção, lavra e beneficiamento de ouro e seus minérios na região de Crixás-GO. Remonta há meados de 2012 para esclarecer que a fiscalizada, até então, era controlada na mesma proporção pela AGABM, companhia que representava o braço nacional de grupo econômico de procedência sul-africana e pela Newinco Comércio e Participações Ltda, CNPJ 31.565.625/0001-24, doravante NEWINCO, relacionada com o grupo canadense Kinross Gold Group (ficha 60 da DIPJ ac 2011): Certificou-se que, no mês de abril de 2012, a AGABM contratou a empresa BRN Perícia Auditoria e Avaliação Ltda para fins de elaboração de laudo de avaliação econômico-financeira da empresa fiscalizada e a projeção de seu valor de mercado baseado na expectativa de rentabilidade futura. (doc. 6 – Fls. 552/604). Por seu turno, em maio de 2012, ocorreu a celebração de contrato de compra e venda de ações entre as partes no montante de U$ 220.000,00 (doc 18); em 28/06/2012 a AGABM adquiriu a totalidade das ações da NEWINCO, efetuando o pagamento de R$ 456.214.000,00 à alienante (doc 7). Na mesma ocasião, realizou-se a Assembleia Geral Ordinária na empresa fiscalizada que aprovou a transferência da totalidade de suas ações, até então, detidas pelo NEWINCO para a AGABM (doc. 8). Noticia que os recursos empregados para o desembolso registrado pela AGABM para a compra das ações de seu então sócio advieram totalmente de integralização de capital de sua controladora ANGLOGOLD. Ressalta que a transação se deu no mesmo dia do pagamento das ações e em valor equivalente, conforme registrado no extrato bancário (doc. 7 – fls. 605). Salienta que a integralização foi aprovada pelos sócios da AGABM segundo expresso na "Décima primeira alteração do contrato social da sociedade limitada Anglogold Ashanti Brasil Mineração Ltda." datada de 26/06/2012 (doc 9). De posse de tais dados, veicula que promoveu a circularização na ANGLOGOLD, por intermédio de seu procurador residente no Brasil, o Sr. Camilo de Lelis Farace, CPF 551.782.946-53. Requisitou-se a documentação comprobatória da transferência bancária realizada a favor da sua então controlada AGABM no montante de US$ 220.000.000,00 no dia 28/06/2012, ocasião em que se apresentou o Contrato de Câmbio (doc 10), o comprovante de remessa de Fl. 3114DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.760025/2019-71 10 recursos advindos do exterior (doc. 11), a solicitação da AGABM dirigida ao Banco Itaú para que se efetuasse a transferência do montante de R$ 456.214.000,00 à NEWINCO referente à aquisição das ações alienadas (doc. 12) e, finalmente, o relatório SISBACEN de "Investimento Externo Direto" - "Relação dos recursos para integralização" (doc. 13). Neste cenário, a AGABM recebeu uma injeção de capital de sua subsidiária integral no exterior combinado com a operação de aquisição das ações da empresa fiscalizada, até então, de propriedade da NEWINCO. O valor de aquisição incluiu com ágio sob a expectativa de rentabilidade futura no montante de R$ 359.506.727,73, este passou a ser registrado em sua contabilidade. Entretanto, meses depois da transação, mais especificamente em 18/09/2012, a empresa fiscalizada promoveu a incorporação da AGABM, conforme descrito na ata da Assembleia Geral Extraordinária realizada no mesmo dia (doc. 14), que deliberou pela aprovação do Protocolo e Justificação de Incorporação celebrado entre ambas em 03/09/2012 (doc 15) e do Laudo de Avaliação contábil da incorporada (doc 16). Na mesma data, reuniram-se os sócios da AGABM (doc 17) para aprovação da incorporação da sociedade pela empresa fiscalizada e concomitante extinção. Dessa forma, baseado na operação de incorporação às avessas (incorporação da controlada pela empresa que, até então, era sua controladora), empresa fiscalizada passou a efetivar a amortização de ágio gerado de si mesma. Concluído o descritivo da operação e identificação da origem do ágio, a autoridade lançadora passa a interpretação da norma aplicável para fins de tratamento fiscal com ênfase de que arts 7° e 8° da Lei 9.532/97, alterada pela Lei 9.718/98 introduziram o tratamento vigente a ser dado em relação à despesa com o ágio sob a expectativa de rentabilidade futura. Acentua que a norma permitiu a sua dedutibilidade na apuração do lucro real, contudo, limitou tal procedimento às situações de a empresa real investidora, que tenha efetivamente suportado o dispêndio com o pagamento do ágio, juntamente com a investida, que deu causa ao referido ágio, se tornem uma única unidade econômica, ou seja, desaparecem as figuras das empresas investidora e investida para se tornarem uma única empresa, ocorrendo, por consequência, a chamada confusão patrimonial. No caso concreto, a autoridade lançadora interpreta que a real adquirente das ações da empresa fiscalizada detidas pela NEWWINCO não foi a AGABM mas sim a sua controladora ANGLOGOLD, companhia sediada no exterior. A AGABM, portanto, serviu tão somente de "passagem" dos recursos enviados pela ANGLOGOLD para a NEWWINCO. Nesse sentido, renova as circunstâncias materiais que respaldam a linha argumentativa, bem assim enfatiza que o recurso advindo do exterior tinha como destino exatamente a aquisição das ações detidas pela NEWWINCO, consoante se Fl. 3115DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.760025/2019-71 11 abstrai do item 1 "Décima primeira alteração do contrato social da sociedade limitada AGABM " (doc. 9). Sob esta perspectiva, acentua a inobservância das premissas básicas para dedução legal do ágio ante a total ausência de propósito negocial e substância econômica na incorporação da AGABM pela empresa fiscalizada 18/09/2012. Reforça a tese com citação de ementas de precedentes do CARF e Protocolo e Justificação de Incorporação celebrado entre as partes (doc 15) que versa sobre os propósitos reportados na incorporação da AGABM pela empresa fiscalizada. Neste sentido, compreende que a AGABM, após a cisão em 1º/06/2010, se tornou uma empresa "casca", sendo o seu ativo representado basicamente pelas participações societárias, sem quadro de funcionários e com receitas advindas em sua estrita maioria de juros sobre capital próprio e principalmente de resultados positivos decorrentes das citadas participações societárias. É nítido que sua incorporação não teve outro objetivo que não fosse a redução futura dos tributos federais por parte da sucessora. Assim sendo, deverão ser lançados o IRPJ e a CSSL decorrentes da glosa das amortizações, bem como as multas isoladas sobre as reduções indevidas das estimativas mensais. Na seqüência demonstra a composição das respectivas bases tributáveis nos anos-calendário de 2014 a 2016, bem assim as repercussões nos cálculos de estimativas mensais que implicaram na imposição da multa isolada por insuficiência de pagamento, conforme detalhamentos no doc. 24 (Multa isolada - IRPJ) e no doc. 25 -Multa isolada CSLL). Noutra via, desenvolve as razões que autorizam a tipificação de conduta dolosa com intuito de fraude (art. 72 da Lei 4.502/64), ou seja, desenvolvida de forma consciente e intencional, objetivando modificar a característica essencial do fato gerador da obrigação tributária principal e descumprimento dos pressupostos norteados no art. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. Logo, autorizando a imposição da multa qualificada de 150%. No plano da sujeição passiva retoma a descrição dos fatos enunciados nos parágrafos precedentes que acarretam na demonstração da incidência da responsabilidade solidária sobre o acionista majoritário (ANGLOGOLD), companhia domiciliada no exterior e ao acionista minoritário Sr. Hélcio Roberto Martins Guerra, CPF nº 401.427.606-68. No caso do acionista domiciliado no país, adverte que exercia a função de Direitor Presidente da AGABM e da empresa fiscalizada à época do realização das transações societárias examinadas pela fiscalização, possuindo amplos poderes de administração durante todo o período em questão (até o final de 2016). Nesse panorama, entende pertinente a imposição da responsabilidade solidária, consoante especificado nos respectivos termos de sujeição passiva. Fl. 3116DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.760025/2019-71 12 Diante disto, finalizada a exposição de motivos decorrentes da execução da ação fiscal, foram constituídos de ofício os créditos tributários (IRPJ e tributação reflexa da CSLL) proveniente da tipificação de infrações supracitadas com a imputação de multa de ofício de 150% e juros de mora, cumulada com a atribuição da responsabilidade solidária de dos representantes legais da pessoa jurídica. Da Impugnação Regularmente cientificado do teor dos sobreditos autos de infração, do Termo de Encerramento e do Termo de Verificação Fiscal, por via postal em 26/12/2019 (fls. 2.253/2.266), o advogado nomeado pelas entidades efetuou o protocolo eletrônico de peça impugnatória única em nome do contribuinte e dos responsáveis solidários, em 24/01/2020 (fls. 2.270/2.271 e 2.273/2.307), por intermédio da qual requer o cancelamento e decretação da insubsistência da autuação fiscal. Inaugura a peça de defesa com uma breve descrição das inferências firmadas pela autoridade lançadora, contudo, contrapondo-se com à glosa da exclusão de despesas de ágio proveniente da operação de aquisição de ações da empresa fiscalizada e que, até então, pertenciam à NEWINCO. Além disto, sintetiza as operações superveniente à aquisição da ações da companhia e as operações de reorganização societárias dentro conglomerado que autorizavam o reconhecimento de despesas oriundas da amortização em refêrencia, nos estritos termos dos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997, porquanto compreende totalmente pertinentes os atos societários. Instaura a divergência pormenorizando a síntese do regime jurídico e tratamento fiscal do ágio com detalhe de seus requisitos e precedentes do CARF. Na sequência, propugna que o caso concreto distingue de casos apreciados pelos órgãos de julgamento e julgados de forma desfavorável aos contribuintes. Assim sendo, passa desenvolver a evolução societária e o histórico operacional da AGABM desde a sua constituição (1991) para fins de se estabelecer em contraponto às inferências reportadas pela autoridade lançadora. Enfatiza que a AGABM centralizou as atividades de mineração e grande parte do patrimônio do Grupo Anglogold, com sede domiciliada no exterior até a extinção dada companhia, acontecida no ano de 2012. No plano do período alcançado pela fiscalização, a interessada salienta que, entre os anos de 2008 a 2011, a AGABM adquiriu os ativos da Mina de São Bento, em Santa Bárbara (MG), agregando-a ao Complexo Córrego do Sítio, que já era de sua titularidade. Enfatiza que a aquisição em referência, por questões logísticas, mostrou-se conveniente no âmbito do Grupo Anglogold Ashanti para fins de segregação das atividades minerárias em Minas Gerais. Fl. 3117DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.760025/2019-71 13 Na mesma ocasião, a São Bento Mineração S/A alterou a sua denominação social para Anglogold Ashanti Córrego do Sítio Mineração S/A (AGACSM). Sob este prisma, protesta que a estratégia objetiva um aproveitamento da infraestrutura existente nas instalações da antiga São Bento Mineração S/A, em Santa Bárbara, composta por planta metalúrgica, subestação de energia e barragem de rejeitos, bem como de viabilizar a implantação um novo polo produtor de ouro autônomo. Por seu turno, houve a cisão parcial da Anglogold Ashanti Brasil Mineração Ltda. (AGABM) com a versão do seu patrimônio para a Anglogold Ashanti Córrego do Sítio Mineração S/A em junho de 2010. Em suma, resumiu uma linha do tempo abaixo que permite a melhor visualização dos eventos narrados: A defesa enfatiza que a cisão da AGABM teve como propósito criar um pólo regional produtor de ouro em Minas Gerais, fato este demonstrado na medida em que continuou administrado a atividade da Mineração Serra Grande em Goiás, na qualidade de detentora de 50% de suas ações. Assim sendo, diverge do entendimento da fiscalização por intermédio do qual sugere que a AGABM representava uma empresa vazia e sem atividade operacional desde meados de 2010, pois, após a cisão, a companhia permaneceu com patrimônio líquido superior a 190 milhões de reais, conforme se extrai de sua DIPJ do exercício (anexa). Fl. 3118DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.760025/2019-71 14 Reclama ainda que a AGABM detinha a administração dos negócios imobiliários do Grupo Anglogold, composrto de uma participação de 100% no capital social da Mineração Morro Velho Ltda. Pondera também que a legislação minerária obrigava a posse de terra para o exercício das atividades de pesquisa e lavra do subsolo correspondente, com a manutenção da propriedade de imóveis nos municípios mineiros de Nova Lima, Rio Acima, Sabará e Raposos, razão pela qual o Grupo Anglogold desenvolveu um plano estratégico de Gestão Imobiliária para fins de gestão de novas destinações a esses domínios. Assevera que todas essas transações foram intermediadas pela AGABM, no regular desempenho do seu objetivo social, porquanto detentora de 100% do capital da Mineração Morro Velho, antes da sua extinção por incorporação pela empresa fiscalizada. Desta forma, em relação a este ponto, depreende evidenciada a relevância do papel desempenhado pela AGABM no Grupo Anglogold desde a sua constituição até a sua incorporação pela empresa fiscalizada. Noutra via, apresenta suas ponderações para demonstração da presença do propósito negocial em todas as operações analisadas pela fiscalização bem assim inocorrência de simulação. Sob este aspecto a estrutura da operação com aporte de capital na AGABM para compra de ações da empresa fiscalizada, porquanto em consonância com o objetivo de objetivo de expansão e consolidação das atividades do Grupo Anglogold no país, com repercussões em impactos nos dividendos e no reinvestimento de lucros gerados. Nesse sentido, compreende que esse modelo era totalmente consentâneo com a estrutura do Grupo Anglogold no Brasil, uma vez que a AGABM (e não a AGSA) já detinha 100% do capital social da Mineração Morro Velho Ltda. IV.2 - Presença do propósito negocial em todas as operações analisadas pela Fiscalização. Inocorrência de simulação. Conforme exposto, a Fiscalização justificou a glosa das despesas com ágio no caso concreto sob os seguintes enfoques: (i) suposta ocorrência de "operação simulada" envolvendo a compra, pela AGABM, das ações da Mineração Serra Grande de titularidade da NEWINCO, porque foi utilizado o capital aportado por sua acionista, (ii) aparente (e não fundamentada) ausência de propósito negocial na incorporação da AGABM pela companhia impugnante. Ocorre que, durante o processo de fiscalização, a Impugnante não foi intimada em momento algum para esclarecer as razões de cunho econômico e jurídico que embasaram as operações em questão, tendo o auto de infração sido lavrado com base na mera presunção de ocorrência de simulação e/ou ausência de propósito negocial. Fl. 3119DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.760025/2019-71 15 Com efeito, as operações desclassificadas pela Fiscalização foram concretizadas com evidentes e declarados propósitos negociais de organização das atividades de mineração do Grupo em Goiás e Minas Gerais, de forma que o aproveitamento fiscal do ágio é claramente amparado na Lei 9.532/97 e na jurisprudência do CARF. => Aporte de capital na AGABM para compra de ações da Impugnante (Mineração Serra Grande) A Fiscalização questionou a compra da parcela da Mineração Serra Grande (de titularidade da NEWINCO - Grupo Kinross) pela AGABM, apenas porque houve o aporte de capital por sua controladora no exterior (AGSA). A acusação fiscal nesse ponto chega a ser teratológica, pois desconsidera que investimentos de controladoras em controladas são da própria natureza e essência da relação societária, não existindo causa jurídica para a suposição de que o aporte ocorrido no caso concreto visasse apenas a possibilitar a futura dedução do ágio gerado na compra de ações detidas por empresa que não integra o Grupo Anglogold, e que, na verdade, é sua concorrente em âmbito nacional e internacional (NEWINCO - Grupo Kinross). De fato, a aquisição das ações da Mineração Serra Grande detidas pela NEWINCO (concorrente nacional e internacional) era estratégica dos pontos de vista econômico, concorrencial, geográfico e logístico para o Grupo Anglogold. Os altos níveis de pesquisa e exploração e as promissoras condições geológicas da região em que se encontra localizado o empreendimento da Mineração Serra Grande eram essenciais para a persecução do objetivo do Grupo de "Ser líder em desenvolvimento sustentável na indústria de mineração de ouro". Portanto, a compra das ações da Mineração Serra Grande pela AGABM, e não pela AGSA, sua controladora no exterior, refletia o objetivo de expansão e consolidação, no Brasil, das atividades do Grupo Anglogold, com impactos nos dividendos e no reinvestimento de lucros aqui gerados. Esse modelo também era totalmente consentâneo com a estrutura do Grupo Anglogold no Brasil, uma vez que a AGABM (e não a AGSA) já detinha 100% do capital social da Mineração Morro Velho Ltda. Seguindo nesta linha, prossegue com as assertivas que visam evidenciar a regularidade das transações corporativas à luz dos princípios e institutos do Direito Societário e que, a ser turno, não pretendiam falsear os propósitos das operações corporativas. Reclama, portanto, que o simples fato de a aquisição das ações da empresa fiscalizada, naquela ocasião, de titularidade da NEWINCO, não pode ser desqualificada com base em presunções e não comportam ilações fiscais de que o aporte de capital sob a ótica de pratica de simulação consoante disposto no art. 167, §1° no Código Civil. Fl. 3120DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.760025/2019-71 16 Assim sendo, entende perfeitamente lícito e comum a existência de empresas voltadas à administração de participações societárias em outras corporações, sendo consideradas, para todos os fins, como operacionais no âmbito da consecução de seu objeto social que, a seu turno, sempre compôs o objeto social da AGABM, ainda que de forma secundária. Salienta que o cumprimento do objeto social da AGABM na administração de investimentos e participações em outras sociedades foi reconhecido pela fiscalização, embora tenha chegado à conclusão paradoxal de que a empresa seria "vazia". Nada mais absurdo, com o devido respeito. Na data de sua incorporação, o capital social integralizado da AGABM correspondia a R$519.252.842,43, sendo detentora de participações de valor estimado em R$193.508.285,00, relativos a investimentos em outras sociedades. Assevera também que a holding (AGABM) houvesse incorporado a empresa fiscalizada, e não o contrário, a dedução do ágio estaria respaldada pela Lei n° 9.532/97, o que também comprova que a AGABM não era "empresa-veículo". Desse modo, entende superada qualquer possibilidade de que a AGABM seja considerada "empresa-veículo", passa-se à análise das razões que levaram à sua incorporação pela fiscalizada e ao legítimo propósito negocial dessa operação. Neste ponto, acentua que o Protocolo e Justificação de Incorporação, elaborado conjuntamente pela AGABM e pela Impugnante, esclarece que a incorporação se deu dentro de um processo de reorganização operacional e societária do Grupo Anglogold, com o expresso propósito de (i) simplificar e otimizar a estrutura societária, organizacional e de governança corporativa, (ii) incrementar a geração de caixa e os resultados, (iii) produzir maior lucratividade e eficiência operacional, administrativa e financeira. Além disto, entende afastado o entendimento da fiscalização no sentido de que as operações que resultaram no aproveitamento do ágio teriam sido simuladas ou desprovidas de propósito negocial, uma vez que: (i) a aquisição da parcela da Mineração Serra Grande, de titularidade de empresa corrente no Brasil e no mundo (NEWINCO), pela AGABM, foi estritamente necessária para o objetivo de expansão e crescimento das operações do Grupo Anglogold no Brasil; (ii) a incorporação da AGABM (holding) pela impugnante (operacional) já era desejada para fins de integração das atividades do Grupo, no entanto, somente foi possível após a aquisição da totalidade do capital da Mineração Serra Grande, posto que a NEWINCO era titular de 50% do capital da MSG, ou seja, a incorporação em momento anterior não teria sentido negocial. Fl. 3121DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.760025/2019-71 17 Diante do exposto, ficam cabalmente demonstrados o propósito negocial, o cumprimento dos requisitos legais para o aproveitamento do ágio e a ausência de qualquer ato simulado. Finalmente, apresenta seus argumentos que evidenciam o fundamento econômico do ágio baseada em expectativa de rentabilidade futura, amparada regularmente via laudo de avaliação do valor de mercado da empresa transacionada. Reforça o conjunto de teses com a menção de ementas de precedentes do CARF. Encerra a alegações repisando a legitimidade das transações societárias e ausência de motivação jurídica para imposição da multa qualificada, bem assim da atribuição da responsabilidade solidária baseada nos termos do art. 124, I e 135, III do CTN, sobretudo diante inocorrência pratica de conduta dolosa em cooperação para evasão tributária. Noutra via, desenvolve tese em contraposição com a incidência cumulada da multa isolada (estimativas mensais) e da multa de ofício ante a aplicação do princípio da consunção. Diante de todo o exposto, entende demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, bem assim a pertinência de exclusão do responsável tributário do pólo passivo da obrigação tributária. Ato contínuo, a unidade administrativa encaminha os autos do processo à DRJ/SPO para julgamento das respectivas impugnações. É o relatório Na seqüência, foi proferido o Acórdão recorrido, que julgou improcedente a impugnação apresentada, com o seguinte ementário: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2014, 2015, 2016 REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA E SEM PROPÓSITO NEGOCIAL. ÁGIO TRANSFERIDO MEDIANTE NEGÓCIO INTRAGRUPO POR MEIO DE MECANISMO DE NATUREZA ARTIFICIAL. A outorga da dedutibilidade da amortização do ágio de operação de incorporação inserida em um contexto de operações estruturadas e coordenadas em sequência no âmbito de reestruturação societária demanda que as transações estejam regularmente amparadas em atos empresariais não atingidos por manobras artificiais ou vícios sociais albergados por práticas abusivas entre companhias participantes do mesmo grupo societário. Demonstrada a irregularidade do arranjo societário ante a ausência de propósito negocial e da artificialidade de transações engendradas por meio de negócios intragrupo, torna imperativo a decretação da ineficácia para fins tributários das transações norteadoras dos processos de incorporação entre partes relacionadas Fl. 3122DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.760025/2019-71 18 levadas a efeito forçosamente em sequência e desprovidos de qualquer propósito negocial. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO GERADO MEDIANTE NEGÓCIO INTRAGRUPO. INCORPORAÇÃO ÀS AVESSAS. ÁGIO DE SI MESMA. EMPRESA VEÍCULO. REDUÇÃO INDEVIDA DA BASE TRIBUTÁVEL. NÃO OCORRÊNCIA DE CONFUSÃO PATRIMONIAL ENTRE O EFETIVO INVESTIDOR E A PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA ADQUIRIDO COM SOBREPREÇO. INDEDUTIBILIDADE. De acordo com os termos da legislação de regência, a dedutibilidade da amortização de ágio proveniente de aquisição de negócio empresarial mediante operação de incorporação demanda a plena observância dos seguintes requisitos essenciais: (i) a realização de operações entre partes não relacionadas e independentes; (ii) a prova do efetivo fluxo financeiro que evidencie o pagamento do custo aquisição celebrado entre as partes negociantes (incluindo-se o montante do ágio), bem assim a demonstração de que o adquirente, positivamente, suportou o ônus decorrente da transação; (iii) comprovação do respectivo fundamento econômico do ágio gerado na operação societária que norteou a deliberação em assembleia do corpo diretivo do conglomerado, respeitada as hipóteses prescritas na legislação de regência. As operações de arranjo societário entre companhias integrantes do mesmo grupo econômico cuja indução das transações revela-se tendente à redução imprópria da base imponível do imposto de renda, bem assim a obtenção vantagem tributária indevida desamparada de propósito negocial, são circunstâncias bastantes para determinar a perda da eficácia do sobrepreço avaliado e ratificar a negativa de dedutibilidade das parcelas de amortização de ágio computadas no resultado fiscal do impugnante. Outrossim, para fins de caracterização da hipótese prevista no art. 7º da Lei nº 9.532/1997, é imprescindível que o ágio tenha sido efetivamente suportado pelo investidor adquirente da participação societária. Configurada a inocorrência de confusão patrimonial entre o efetivo investidor e o investimento adquirido com sobrepreço, não resta configurada a subsunção do fato à norma para admissão dos efeitos fiscais decorrentes do reconhecimento da amortização do ágio. Evidenciado que o bojo das transações ilegítimas das companhias advém de centralização decisória da cúpula diretiva do conglomerado, bem assim desprovido de negociação em ambiente de livre mercado e independência entre as partes contratantes, retira-se a eficácia tributária para fins de outorga da dedutibilidade das despesas com amortização de sobrepreço negociado em operação societária pregressa ante a configuração da ocorrência de incorporação de uma companhia controladora (“empresa veículo”) por sua controlada. A perda da eficácia dos atos praticados mostra-se ainda mais impróprio na situação na qual a empresa veículo participa tão somente como intermediadora Fl. 3123DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.760025/2019-71 19 de natureza meramente formal tendente à geração benefícios fiscais insubsistentes e consequente redução indevida das respectivas bases tributáveis auditadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2014, 2015, 2016 EXCLUSÃO INDEVIDA DE ÁGIO NA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. EFEITOS REFLEXIVOS DA TRIBUTAÇÃO DE IRPJ. As hipóteses de negativa de dedutibilidade de despesas de ágio são, igualmente, aplicáveis à aferição da base de cálculo da CSLL. Outrossim, aplicam-se aos lançamentos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento principal (Imposto de Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ), em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos jurídicos ou elementos probatórios a ensejar conclusões com atributos distintos. ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. CABIMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO INCIDENTE SOBRE O TRIBUTO APURADO COM BASE NO LUCRO REAL ANUAL. Nos casos de lançamento de ofício, é aplicável a multa de 50%, isoladamente, sobre o valor de estimativa mensal que deixou de ser recolhido, mesmo após o encerramento do exercício, e ainda que seja apurado prejuízo fiscal e base de cálculo negativa para a CSLL no anocalendário correspondente. A hipótese normativa de imputação da multa isolada não se confunde com a motivação determinante de aplicação da multa de ofício, pois aquela é cabível defronte a constatação da falta de pagamento da importância devida da estimativa mensal de IRPJ e da CSLL aferida com base nos ditames do regime de apuração do lucro real anual. Tratam-se de infrações distintas e autônomas, razão pela qual ambas as sanções são passiveis atribuição concomitante em face do sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2014, 2015, 2016 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. ADMISSIBILIDADE DE ATRIBUIÇÃO DA SUJEIÇÃO PASSIVA DE ADMINISTRADOR DA SOCIEDADE E DE CONTROLADORA ESTRANGEIRA. ATOS PRATICADOS DE FORMA DISSIMULADA E INFRAÇÃO À LEI. EFEITOS DECORRENTES DA OCORRÊNCIA DE PRÁTICA DOLOSA. Admite-se a hipótese da atribuição de sujeição passiva dos administradores, de fato e de direito, respondendo solidariamente pelos créditos tributários autuados em face do sujeito passivo da obrigação tributária principal nas circunstâncias em que revelado o exercício de atos de gestão temerária pautada em condutas Fl. 3124DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.760025/2019-71 20 eivadas de simulação e infração à lei, caracterizadoras de evidências de práticas delituosas à ordem tributária. Da mesma forma, configurada a existência de interesse comum da controladora estrangeira de grupo societário domiciliado no país, ante a demonstração de conexão entre as situações fáticas e os fatos geradores das obrigações principais constituídas mediante procedimento de ofício, igualmente, torna imperioso a aplicação da solidariedade tributária estabelecida na forma da legislação de regência. Outrossim, comprovado o vínculo das infrações tipificadas na autuação fiscal gerada a partir da caracterização de transações ilícitas exercidas sob a gestão ativa de seus administradores, evidente a admissibilidade da respectiva de inserção no pólo passivo da obrigação tributária e mantença da eficácia dos termos de sujeição passiva firmados pela autoridade lançadora. Finalmente, os administradores e acionistas participantes do exercício coordenado de atos de gestão na companhia autuada, sejam formais ou de fato, configuradores da prática, comissiva ou omissiva, de sonegação e de fraude à ordem tributária, tipificados nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, avigora a atribuição da responsabilidade solidária, nos termos do art. 124, I combinado com o art. 135, III do Código Tributário Nacional (CTN). MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA OMISSIVA. SONEGAÇÃO FISCAL E PRÁTICA DE CONDUTA FRAUDULENTA. ADMISSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE SANÇÃO DE MAIOR GRAVAME. DELITO EM OFENSA À ORDEM TRIBUTÁRIA. DOLO. VEDAÇÃO DE APRECIAÇÃO DE DIVERGÊNCIA DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. SÚMULA CARF Nº 2. A prática de condutas delitivas de natureza dolosa em ofensa à ordem tributária, executada sob a gestão dos administradores da companhia, todas elas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a cognição por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias essenciais e materiais, norteia a legitimidade de aplicação da multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) ante a configuração de sonegação e de fraude à ordem tributária, tipificados nos arts. 71 e 72 da Lei n° 4.502/1964. A ocorrência de atos omissivos ou comissivos traduze-se diante da dissimulação da substância de evidências reportadas na contabilidade da entidade e no conteúdo de seus deveres instrumentais, gerando o ocultamento do fato gerador da obrigação tributária e a distorção da apuração das bases imponíveis e dos créditos tributários devidos nos respectivos períodos-base. A alegação dirigida em relação à pretensa inobservância de princípios constitucionais adstritos à multa aplicada no lançamento tributário não escapa de uma necessária avaliação de divergência de natureza estritamente constitucional acerca de norma tributária tipificadora de conduta infracional e da sanção fiscal Fl. 3125DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.760025/2019-71 21 correspondente, hipótese que não comporta juízo cognitivo no âmbito do órgão de julgamento na esfera administrativa. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. ALCANCE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. OFENSA DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Ressalvando-se as súmulas e/ou acórdãos prolatados em sede de Cortes Superiores que versem sobre a inconstitucionalidade de normas jurídicas de natureza tributária federal, os demais precedentes forenses inter-partes não vinculam as instâncias julgadoras de primeira instância, pois se restringem às matérias e partes envolvidas no respectivo litígio. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente intimado da decisão, o Contribuinte e os respectivos Responsáveis Solidários apresentaram, tempestivamente, Recurso Voluntário, através de representante legal, pugnando pelo provimento dos respectivos recursos. É o Relatório. VOTO Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. O recurso apresentado é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dele conheço. Síntese dos Fatos De acordo com o Termo de Verificação Fiscal constante nos autos, foram lavrados Autos de Infração para exigência de valores de IRPJ e CSLL, acrescidos de multa isolada pelo não recolhimento de estimativas mensais, multa de ofício qualificada e juros de mora, sob a acusação de que a Mineração Serra Grande (empresa autuada) teria deduzido indevidamente despesas com ágio nas bases de cálculo dos referidos tributos, nos anos-calendários de 2014, 2015 e 2016. Concluiu ainda a fiscalização que as operações teriam sido praticadas de forma fraudulenta e com suposta participação ativa dos acionistas da Mineração Serra Grande (MSG), e por essa razão, atribuiu responsabilidade solidária pelo crédito tributário à sua controladora estrangeira, AngloGold South America Limited (AGSA), e ao diretor, Hélcio Roberto Martins Guerra. Segundo a fiscalização, houve a configuração da prática de uso de empresa veículo, indicada pela controladora estrangeira (Anglogold) para fins de intermediação da operação de compra e venda de ações transacionadas com a Newinco. No contexto indicado pela fiscalização, a AGABM manteve-se praticamente na condição de inoperância desde o ano de 2010, bem assim que os recursos derivados de transferência de divisas do exterior (Anglogold) não transitaram no patrimônio da AGABM, mas, sim, foram transferidos, imediatamente após o fechamento da operação de câmbio, em favor da Newinco (alienante da participação societária da companhia Fl. 3126DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.760025/2019-71 22 fiscalizada) – fls. 639, não obstante o teor do Contrato de Câmbio n 105740259, de 26/06/2012 – RDE-IED nº IA0023088 – Investimento Externo Direto (fls. 635/636 e 640/642). Assim, no caso concreto, a Autoridade lançadora interpreta que a real adquirente das ações da empresa fiscalizada detidas pela Newinco não foi a AGABM, mas sim a sua controladora Anglogold, companhia sediada no exterior. A AGABM serviu tão somente de “passagem” dos recursos enviados pela Anglogold para a Newinco. Inconformada com o lançamento, o Contribuinte (e os responsáveis solidários) apresentou Impugnação, alegando que é sociedade empresária e atua na área de pesquisa, prospecção, lavra e beneficiamento de ouro e seus minérios na região de Crixás-GO. Aduz que até meados de 2012, a fiscalizada era controlada na mesma proporção pela AGABM, companhia que representava o braço nacional de grupo econômico de procedência sul- africana e pela Newinco Comércio e Participações Ltda, CNPJ 31.565.625/0001-24 (Newinco), relacionada com o grupo canadense Kinross Gold Group. Diz que em maio de 2012, ocorreu a celebração de contrato de compra e venda de ações entre as partes no montante de U$ 220.000,00 (doc 18); em 28/06/2012 a AGABM adquiriu a totalidade das ações da NEWINCO, efetuando o pagamento de R$ 456.214.000,00 à alienante. E que, na mesma ocasião, realizou-se Assembleia Geral Ordinária na empresa fiscalizada que aprovou a transferência da totalidade de suas ações, até então, detidas pela Newinco para AGABM. Confirma que os recursos empregados para o desembolso registrado pela AGABM para a compra das ações de seu então sócio advieram totalmente de integralização de capital de sua controladora Anglogold. Ressalta que a transação se deu no mesmo dia do pagamento das ações e em valor equivalente, conforme registro em extrato bancário (fls. 605). Salienta que a integralização foi aprovada pelos sócios da AGABM segundo expresso na “Décima primeira alteração do contrato social da sociedade limitada Anglogold, datada de 26/06/2012. Com a posse destes dados, a fiscalizada veicula que promoveu a circularização da Anglogold, por intermédio de seu procurador residente no Brasil, Sr. Camilo de Lelis Farace, CPF 551.782.946-53. Requisitou-se a documentação comprobatória da transferência bancária realizada a favor da sua então controlada AGABM no montante de US$ 220.000.000,00 no dia 28/06/2012, ocasião em que se apresentou o Contrato de Câmbio (doc. 10), o comprovante de remessa de recursos advindo do exterior (doc.11), a solicitação da AGABM dirigida ao Banco Itaú para que se efetuasse a transferência do montante de R$ 456.214.000,00 à Newinco referente à aquisição das ações alienadas (doc. 12) e, finalmente, o relatório SISBACEN de “Investimento Externo Direto” – “Relação dos recursos para integralização” (doc. 13). Nesse cenário, a AGABM recebeu uma injeção de capital de sua subsidiária integral no exterior combinado com a operação de aquisição das ações da empresa fiscalizada, até então, de propriedade da Newinco. O valor de aquisição incluiu o ágio sob a expectativa de rentabilidade futura no montante de R$ 359.506.727,73, em conformidade com Laudo de Avaliação, e este passou a ser registrado em sua contabilidade. Acentua ainda que, após a transação, notadamente em 18/09/2012, a empresa fiscalizada promoveu a incorporação da AGABM, conforme descrito na ata da Assembleia Geral Extraordinária realizada no mesmo dia (doc. 14), que deliberou pela aprovação do Protocolo e Justificação de Incorporação celebrado entre ambas em 03/09/2012 (doc. 15) e do Laudo de Avaliação contábil da incorporada (doc. 16). Fl. 3127DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.760025/2019-71 23 Na mesma data, reuniram-se os sócios da AGABM (doc. 17) para aprovação da incorporação da sociedade pela empresa fiscalizada e concomitante extinção. Enfatiza, por fim, que a cisão da AGABM teve como propósito criar um pólo regional produtor de ouro em Minas Gerais, fato este demonstrado na medida em que continuou administrando a atividade da Mineração em Serra Grande em Goiás, divergindo do entendimento da fiscalização, que a AGABM representava uma empresa vazia e sem atividade operacional desde meados de 2010, pois, após cisão, diz que a companhia permaneceu com patrimônio líquido superior a 190 milhões de reais, conforme se extrai de sua DIPJ do exercício. Assim, baseando-se em operação de incorporação às avessas, a empresa fiscalizada passou a efetivar a amortização de ágio, em conformidade com o que prevê a legislação de regência. Sobreveio a decisão da DRJ no sentido de julgar improcedente a Impugnação, mantendo o crédito tributário constituído no lançamento original, bem como a responsabilidade solidária atribuída. Em recurso, as Recorrentes renovam suas alegações, e aduzem que a DRJ não enfrentou minimamente as questões de fato e de direito trazidas na Impugnação, limitando-se a reproduzir os fundamentos do Termo de Verificação Fiscal. Assim, como a autoridade responsável pelo lançamento, o Acórdão baseou-se em suposições vazias, sem qualquer conteúdo fático ou jurídico, em uma clara tentativa de manter a autuação a qualquer custo. Dizem que, em diversas passagens do Acórdão, é possível constatar que a DRJ não considerou as especificidades do caso concreto e até tratou de matérias estranhas aos autos, que não constaram nem na defesa e nem na acusação fiscal, como é o caso de “ágio interno”. Mérito Amortização de Ágio Controverte-se nos autos glosa de despesas de amortização de ágio incorridas nos anos-calendário de 2014 a 2016, acrescidas de multa de ofício qualificada de 150%, multa isolada de 50% e juros de mora calculados pela taxa SELIC., bem como a atribuição de sujeição passiva à pessoa jurídica estrangeira Anglogold South América Ltd, CNPJ nº 05.710.842/0001-50 e ao sócio Hélcio Roberto Martins Guerra, CPF nº 401.427.606-68, com fulcro nos artigos 124 e 135 do CTN. Inexiste acusação de ágio interno, como também não se discute o pagamento, no caso, realizado em dinheiro, e a expectativa de rentabilidade futura refletida no preço pago, dimensionado, de acordo com os autos, por meio do Método de Avaliação pelo Fluxo de Caixa Descontado, conforme laudo de avaliação anexado aos autos. A fiscalização glosou as despesas de amortização de ágio, nestes anos-calendário, por entender que a AGABM teria sido utilizado apenas como passagem dos recursos da AGSA, que seria a real investidora na aquisição das ações da Newinco. Sustentou que os recursos aportados pela AGSA foram destinados especificamente para a aquisição da participação societária da Newinco, evidenciando, aos seus olhos, que toda negociação empresarial teria sido realizada para que a AGSA passasse a ter o controle societário absoluto da Mineração Serra Grande. O acórdão recorrido foi nessa mesma linha e afirmou que “a estratégia corporativa levada a efeito pautou-se no uso de uma sociedade do conglomerado (AGABM) desprovida de capacidade econômica na fase de negociação da aquisição da participação societária de titularidade da NEWINCO, e que a “AGABM manteve-se, praticamente, na condição de inoperância desde o ano de 2010” Penso que esta premissa não se sustenta. Fl. 3128DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.760025/2019-71 24 Inicialmente, veja-se o histórico empresarial desta empresa, previsto em Impugnação, ratificado no Recurso, e que, em nenhum momento, foi contraditado pela acusação fiscal: Conforme exposto na Impugnação, a AGABM foi formalmente constituída em 08/01/1991 e, ao longo de sua existência, foi responsável pela exploração direta de empreendimentos minerários e imobiliários em operação no País que datam de 1834. [...] Na verdade, a AGABM sucedeu uma operação de mineração que se iniciou em 1834, com a aquisição da “Mina Morro Velho” pela companhia inglesa Saint John Del Rey Mining Company. Relevantes investimentos foram empreendidos no projeto, até que em 1960 o controle acionário inglês foi transferido para um grupo brasileiro, que fundou, em 11/08/1966, a empresa Mineração Morro Velho Ltda. (MMV). Em 1999, a Mineração Morro Velho passou a integrar o Grupo Anglogold Ashanti. Paralelamente, em 1989, em Goiás, houve o início da operação da Mineração Serra Grande, que se constituía em uma joint venture formada pelo Grupo Anglogold Ashanti e o Grupo Kinross Gold Corporation. Em março de 2004, a Mineração Morro Velho Ltda. foi cindida parcialmente, com versão de parcela do patrimônio cindido para a Mineração Itajobi Ltda., que no mesmo ato alterou sua razão social para Mineração AngloGold Ltda. (7ª Alteração Contratual). Em outubro de 2004, a Mineração AngloGold Ltda. alterou sua razão social para AngloGold Ashanti Mineração Ltda. (10ª Alteração Contratual). Já em setembro de 2006, a AngloGold Ashanti Mineração Ltda. foi incorporada pela AngloGold Ashanti Brasil Mineração Ltda. (Ata de Reunião do Sócios das duas empresas datadas de 01/09/2006/Protocolo de Incorporação/Laudo de Avaliação/4ª alteração/Ata de eleição da diretoria). Referida denominação social foi mantida até a sua extinção, em 2012, e foi essa empresa, a AGABM, que centralizou as atividades de mineração e grande parte do patrimônio do Grupo Anglogold Ashanti no país. Entre os anos de 2008 e 2011, a Anglogold Ashanti Brasil Mineração Ltda. adquiriu os ativos da Mina de São Bento, em Santa Bárbara (MG), agregando-os ao Complexo Córrego do Sítio, que já era de sua titularidade. Quando da aquisição da Mina de São Bento, por questões logísticas, mostrou-se conveniente no âmbito do Grupo Anglogold Ashanti a segregação das atividades minerárias em Minas Gerais, ocasião em que a São Bento Mineração S/A alterou a sua denominação social para Anglogold Ashanti Córrego do Sítio Mineração S/A (AGACSM). Sendo assim, com a finalidade de aproveitar a infraestrutura pré-existente nas instalações da antiga São Bento Mineração S/A, em Santa Bárbara, composta por Fl. 3129DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.760025/2019-71 25 planta metalúrgica, subestação de energia e barragem de rejeitos, bem como de viabilizar a implantação um novo polo produtor de ouro autônomo, em junho de 2010 houve a cisão parcial da Anglogold Ashanti Brasil Mineração Ltda. (AGABM), com a versão do seu patrimônio para a Anglogold Ashanti Córrego do Sítio Mineração S/A (AGACSM). [...] O contexto ora delineado deixa claro que a AGABM não era uma empresa “sem nenhuma função empresarial efetiva” ou “desprovida de capacidade econômica”, como afirmou o Acórdão recorrido. Muito pelo contrário. Os Recorrentes demonstraram inclusive que, após a cisão ocorrida em 2010, a AGABM permaneceu com patrimônio líquido contábil superior a 190 milhões de reais, conforme se extrai de sua DIPJ do exercício (fls. 2.660 e seguintes). Além disso, como a AGABM também explorava os negócios imobiliários do Grupo Anglogold Ashanti, com participação de 100% no capital social da Mineração Morro Velho Ltda. (que é proprietária de vastas áreas de terra na região metropolitana de Belo Horizonte/MG, adquiridas no início da exploração de ouro no Brasil Saint John Del Rey Mining Company), Analisando a narrativa, parece-me claro a relevância do papel desempenhado pela AGABM no Grupo Anglogold Ashanti desde a sua constituição, como também me parece óbvio que a aquisição da participação da NEWINCO na MSG tenha ocorrido com o consentimento da AGSA. O consentimento da controladora estrangeira ou o prévio aporte de recursos na controlada não implicam dizer, contudo, que a real intenção por trás das operações fosse a aquisição da participação societária pela própria AGSA. Aliás, neste contexto, não há notícias nos autos de que a referida empresa estrangeira autuou diretamente no Brasil, o que reforça o entendimento, neste cenário, de que ela não teria propósito de adquirir diretamente o investimento, já que era controladora de empresa nacional. Ora, investimentos de controladoras em controladas são da própria natureza e essência da relação societária, não existindo causa jurídica para a suposição de que esse aporte visasse apenas a possibilitar a futura dedução do ágio gerado na compra de ações detidas por empresa que não integra o Grupo Anglogold, e que, como se apreende dos autos, é sua concorrente em âmbito nacional e internacional (NEWINCO). Parece-me razoável a alegação da Recorrente, no sentido de que a aquisição das ações da MSG detidas pela NEWINCO (concorrente nacional e internacional) era estratégica dos pontos de vista econômico, concorrencial, geográfico e logístico para o Grupo AngloGold Ashanti, inclusive, quando aduz que os altos níveis de pesquisa e exploração e as promissoras condições geológicas da região em que se encontra localizado o empreendimento da Mineração Serra Grande eram essenciais para a persecução do objetivo do Grupo de ser “líder em desenvolvimento sustentável na indústria de mineração de ouro. Com efeito, a compra das ações da Mineração Serra Grande pela AGABM (e não, pela AGSA, sua controladora no exterior) refletia o objetivo de expansão e consolidação, no Brasil, das atividades do Grupo, com impactos, sem dúvida, nos dividendos e nos lucros aqui gerados. Ora, o aporte de capital foi a forma definida pelo Grupo para financiar e viabilizar a aquisição das ações da Mineração Serra Grande no Brasil, e, diga-se mais, os recursos recebidos pela empresa no Brasil passaram a ser de titularidade dela, da Recorrente. Fl. 3130DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.760025/2019-71 26 Sendo a transferência dos recursos um ato jurídico, onde os bens ou direitos do investidor são transferidos à sociedade investida, cabe a esta última exercer seu legítimo direito de propriedade sobre o investimento, podendo usar, gozar ou dispor dos bens, valores ou direitos recebidos. A doutrina especializada1 já tratou do tema, de forma semelhante, concluindo que a subscrição do capital implica justamente a transferência de propriedade do bem ou direito. Confira-se: O ato de transferência de bens do subscritor para a companhia é de uma alienação, mas de natureza especial. Não caracteriza uma compra e venda propriamente dita, nem permuta, comunhão ou condomínio. Não é alienação propriamente dita porque falta o requisito essencial do preço que, na compra e venda, encerra a relação jurídica entre as partes; não é permuta, pelas mesmas razões, pois as ações que o subscritor recebe pelo valor de seus bens não extinguem as relações entre ele e a sociedade, ao contrário, pois surge um novo direito que é o de acionista, não se trata de caminhão ou condomínio porque os bens entram para o patrimônio da sociedade, que é juridicamente distinto do patrimônio dos acionistas De fato, o aporte de capital, quando ocorreu, passa a constituir patrimônio da pessoa jurídica, que não se confunde com o do acionista, que recebe apenas o direito de acionista materializado nas ações recebidas. A autonomia patrimonial é principal elemento apontado pela doutrina como identificador da personalidade jurídica. O aporte de dinheiro jamais poderia ser classificado como um elemento ensejador de confusão entre os patrimônios da controladora e controlada, ou muito menos retirar a autonomia jurídica e operacional desta última. Não vejo nenhuma patologia o controlador financiar e viabilizar a aquisição de ações por sua controlada, já que possui liberdade econômica e jurídica para definir o financiamento de sus operações e aquisições, no caso, no Brasil, podendo reinvestir lucros, captar recursos de sócios (como no caso) e/ou contrair dívidas de terceiros. Trata-se de avaliação econômica, que são influenciadas por fontes disponíveis, pelo custo do capital, pelas garantias exigidas, dentre outras condições inerentes ao financiamento empresarial. Não tem sentido algum, em meu ponto de vista, afirmar que a parte adquirente em um contrato de compra e venda não seria mais aquela que figura como comprador nesse contrato e paga o preço, mas aquele que em outra relação jurídica (totalmente distinta) indiretamente disponibilizou os recursos para a transação!! Ora, comumente possível, aliás, de nosso dia a dia, nos depararmos com aquisições de bens financiados por terceiros (a exemplo de instituições bancárias), e nem por isso seriam eles os detentores dos bens adquiridos Logo, não há como prosperar o entendimento da fiscalização, ratificado pela DRJ, de que a origem dos recursos deve prevalecer sobre os atos jurídicos efetivamente praticados, e que tiveram o intuito de implementar a aquisição do investimento no Brasil, e buscaram a efetiva motivação da aquisição ligada ao mercado e operações da Recorrente. Para que o fisco possa requalificar atos jurídicos legítimos para fins tributários, é fundamental que se identifique e comprove a presença de vícios patológicos, o que não ocorre no caso em análise. Assim, a qualificação pelo fisco da AGSA como “real adquirente” e “detentora” do ágio em questão é equivocada, vez que é contrária a realidade dos fatos. 1 EIZIRIK, Nelson. A lei das S/A Comentada. Volume I. São Paulo: Quartier Latin, 2011. pp. 114 e 115. Fl. 3131DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.736 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.760025/2019-71 27 Lançamentos Conexos O decidido acima aplica-se igualmente aos lançamentos conexos decorrentes do IRPJ, eis que possuem os mesmos elementos de prova. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para cancelar integralmente as exigências fiscais formalizadas nestes autos. Assinado Digitalmente JOSÉ EDUARDO DORNELAS SOUZA Fl. 3132DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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10957633 #
Numero do processo: 10410.901816/2013-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Mar 24 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Jun 30 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2010 a 31/12/2010 RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA E DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO CONHECIMENTO. ART. 118, § 6°, DO RICARF. Não se conhece de Recurso Especial diante da ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma, pois não resta demonstrada a divergência jurisprudencial suscitada.
Numero da decisão: 9303-016.660
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-016.659, de 28 de março de 2025, prolatado no julgamento do processo 10410.901809/2013-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Semíramis de Oliveira Duro, Vinicius Guimaraes, Tatiana Josefovicz Belisário, Dionisio Carvallhedo Barbosa, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green e Regis Xavier Holanda (Presidente).
Nome do relator: REGIS XAVIER HOLANDA

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AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA E DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO CONHECIMENTO. ART. 118, § 6°, DO RICARF. Não se conhece de Recurso Especial diante da ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma, pois não resta demonstrada a divergência jurisprudencial suscitada. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9303-016.659, de 28 de março de 2025, prolatado no julgamento do processo 10410.901809/2013-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Semíramis de Oliveira Duro, Vinicius Guimaraes, Tatiana Josefovicz Belisário, Dionisio Carvallhedo Barbosa, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green e Regis Xavier Holanda (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Fl. 3722DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.660 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10410.901816/2013-15 2 Trata-se de Recurso Especial interposto pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, em face do Acórdão n° 3301-012.402, de 23 de março de 2023, assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2010 a 31/12/2010 CONCEITO DE INSUMOS. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. A partir da interpretação adotada pelo Superior Tribunal de Justiça em relação ao conceito de insumos quando do julgamento do RESP n° 1.221.170/PR (sob o rito dos repetitivos), ã Receita Federal consolidou a matéria por meio do Parecer Normativo COSIT/RFB N° 05/2018. DESPESAS COM FRETES, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. No regime da não cumulatividade do PIS/COFINS são insumos os serviços tomados pelo contribuinte para o transporte de pessoal (área agrícola e indústria), e de matéria prima, são dedutíveis da base de cálculo das contribuições, de acordo com o inciso II, Art. 3o das Leis n° 10.833/2003 e 10.637/2002. Assim como a aquisição de peças e partes de peças essenciais ou relevantes a manutenção das máquinas e equipamentos da área agrícola e pátio industrial. Consta do respectivo acórdão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reverter às glosas com transporte de pessoal, matéria-prima, peças e partes de peças consideradas insumos (indicadas no tópico b, 1.3) e serviços (descritos no item c, 1.3). E, por voto de qualidade, manter a glosa concernente ao frete de produtos acabados entre os estabelecimentos do contribuinte. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL A Fazenda Nacional suscita divergência jurisprudencial em relação ao art. 3º, incisos I, II e IX da Lei n° 10.833/2003, quanto à possibilidade de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre o custo (i) da contratação de empresas para a execução do serviço de transporte de pessoal para as áreas agrícola e industrial (fretes), indicando como paradigma o Acórdão nº 9303-008.299, e (ii) dos fretes contratados para o transporte de matéria-prima (açúcar, cana-dentre outros), apontando os acórdãos nº 9303-005.553 e 3401-001.692 como paradigmas. Em Despacho de Admissibilidade foi dado seguimento parcial ao Recurso Especial, apenas quanto à matéria (ii). Fl. 3723DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.660 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10410.901816/2013-15 3 Em relação a “contratação de empresas para a execução do serviço de transporte de pessoal para as áreas agrícola e industrial (fretes)”, o r. Despacho consignou que: Cotejando os arestos confrontados, parece-me que não há possibilidade de extrair o dissídio interpretativo suscitado, já que não há, entre eles, a similitude fática mínima para que se possa estabelecer uma base de comparação para fins de dedução da divergência arguida. Veja-se que a decisão recorrida analisou hipótese em que o transporte de empregados era contratado a outra empresa, ao passo que não há notícia de que o caso analisado no Acórdão indicado como paradigma envolva essa mesma circunstância. Ao contrário, tudo leva a crer que se trate de transporte efetuado pelo próprio contribuinte, na medida em que o voto julgou tratar-se de verba trabalhista. Divergência não comprovada. Quanto aos fretes contratados para o transporte de matéria-prima (açúcar, cana- dentre outros), entendeu comprovada a divergência em relação ao paradigma n° 9303-005.553: De pronto, constato que o Acórdão nº 3401-001.692 é imprestável como paradigma da divergência jurisprudencial suscitada porque, ao contrário de divergir, alinha-se à decisão recorrida no entendimento de que os fretes de insumos entre os estabelecimentos da pessoa jurídica dão direito a créditos. Por outro lado, considerando a generalidade com que o Acórdão nº 9303-005.553 tratou da matéria, é impossível não vislumbrar a divergência de interpretação do art. 3°, inc. II, quanto a subsunção desses fretes no conceito de insumo. Divergência comprovada em face do Acórdão nº 9303-005.553. Em contrarrazões, o Contribuinte sustenta a negativa de provimento do Recurso Especial. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Especial é tempestivo. E, nos termos do art. 118 do RICARF, seu cabimento está relacionado à demonstração de divergência jurisprudencial, com relação a acórdão paradigma que, enfrentando questão fática semelhante, tenha dado à legislação interpretação diversa. Entendo que o Recurso Especial da Fazenda Nacional não comporta conhecimento, por duas razões. Fl. 3724DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.660 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10410.901816/2013-15 4 (i) Ausência de dialeticidade A peça recursal, item I, aponta como objeto: Insurge-se a UNIÃO (Fazenda Nacional) na parte do resultado do julgamento dos acórdãos em que se reverteu as glosas referentes aos seguintes itens: (1) contratação de empresas para a execução do serviço de transporte de pessoal para as áreas agrícola e industrial; e (2) fretes contratados para o transporte de matéria-prima (açúcar, cana-de-açúcar, dentre outros). No tópico II, “da comprovação da divergência jurisprudencial (cotejo analítico)”, apresenta os paradigmas em relação a essas duas matérias. Entretanto, no item seguinte, “fundamentos para reforma do acórdão recorrido”, consigna argumentos para afastamento de crédito sobre embalagens para transporte: A questão nuclear prende-se à definição de insumos considerados como crédito no regime de incidência não-cumulativa do PIS/COFINS. (...) Desse modo, entendeu o STJ que o conceito de insumos, para fins da não- cumulatividade aplicável às referidas contribuições, não corresponde exatamente aos conceitos de “custos e despesas operacionais” utilizados na legislação do Imposto de Renda. Não obstante a adoção de conceito indeterminado de insumos pelas mencionadas leis, delas é possível extrair balizas, na medida em que nem se poderia adotar conceituação demasiado ampla, como seria a da legislação do Imposto de Renda (IR), tampouco assaz restritiva, como a do IPI, a ponto de comprometer a sistemática da não-cumulatividade. (...) Nesse sentido, somente devem ser considerados insumos, para fins de creditamento, os bens utilizados no processo de produção da mercadoria destinada à venda e ao ato de prestação de um serviço dos quais decorram a receita tributada, ou seja, os custos relacionados com a atividade fim, diretamente ligados aos processos de prestação de serviços e de fabricação de bens a serem vendidos, dos quais decorrem o auferimento de uma receita é que podem ser considerados insumos. Considera-se, pois, inadequado entender por insumo os gastos ocorridos após a finalização do processo produtivo, não sendo passível de crédito os gastos com embalagem para transporte. Partindo, então, da premissa de que para se falar em insumo é necessária a vinculação do bem/serviço com a atividade fim da empresa e a aplicação deles ao processo produtivo dos bens destinados à venda é que se defende a manutenção das glosas realizadas pela fiscalização, segundo entendimento do CARF citado no cotejo da divergência. Logo, tem-se por evidente que a decisão ora recorrida, ao alargar o conceito de insumos dado pelo art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, em razão de uma interpretação equivocada, acabou por criar dispensa de pagamento de tributo não prevista em lei. Por este motivo, deve ser restabelecida a decisão de Fl. 3725DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.660 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10410.901816/2013-15 5 primeira instância a qual analisou a questão sob o prisma correto, restabelecendo- se as glosas relativas aos gastos com embalagens para transporte de produtos. Desta forma, diante de todo o exposto, deve ser mantida a decisão de primeira instância, mantendo-se a autuação fiscal, no que se refere à concessão de crédito de PIS/COFINS não cumulativo como insumos dos valores relativos às embalagens para transporte. Portanto, à luz de toda a argumentação acima exposta, merece reforma do acórdão recorrido, restabelecendo-se a decisão de primeira instância de modo a indeferir, em sua totalidade, o pleito do contribuinte interessado. Assim, a Fazenda Nacional suscitou divergência jurisprudencial, mas a fundamentação para a reversão da decisão recorrida fundou-se em tema diverso. O princípio da dialeticidade implica no dever de fundamentação das razões recursais em cotejo com os fundamentos do acórdão recorrido. Dessa forma, o Recurso Especial não pode ser conhecido, pois está vinculado à existência de divergência jurisprudencial. (ii) Distinção fática e jurídica entre os acórdãos recorrido e paradigma A decisão recorrida foi prolatada em 23 de março de 2023, tomando como conceito de insumo aquele dado pelo STJ, no julgamento em recurso repetitivo, do REsp nº 1.221.170/PR, como se vê do voto condutor: Portanto, a matéria de fundo permanece em torno do conceito de insumos para fins de creditamento de PIS e COFINS não cumulativos à luz do RESP nº 1.221.170/PR (julgado sob o regime de recursos repetitivos), consolidado na esfera Administrativa por meio do Parecer Normativo COSIT/RFB Nº 05/2018. Reproduzo o citado Parecer: 168. Como características adicionais dos bens e serviços (itens) considerados insumos na legislação das contribuições em voga, destacam-se: a) somente podem ser considerados insumos itens aplicados no processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços a terceiros, excluindo-se do conceito itens utilizados nas demais áreas de atuação da pessoa jurídica, como administrativa, jurídica, contábil, etc., bem como itens relacionados à atividade de revenda de bens; b) permite-se o creditamento para insumos do processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços, e não apenas insumos do próprio produto ou serviço comercializados pela pessoa jurídica; c) o processo de produção de bens encerra-se, em geral, com a finalização das etapas produtivas do bem e o processo de prestação de serviços geralmente se encerra com a finalização da prestação ao cliente, excluindo-se do conceito de insumos itens utilizados posteriormente à finalização dos referidos processos, salvo exceções justificadas (como ocorre, por exemplo, com os itens que a legislação específica exige aplicação pela pessoa jurídica para que o bem produzido ou o serviço prestado possam ser comercializados, os quais são considerados insumos ainda que aplicados sobre produto acabado); Fl. 3726DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.660 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10410.901816/2013-15 6 (...) e) a subsunção do item ao conceito de insumos independe de contato físico, desgaste ou alteração química do bem-insumo em função de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração ou durante a prestação de serviço; (...) h) havendo insumos em todo o processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços, permite-se a apuração de créditos das contribuições em relação a insumos necessários à produção de um bem-insumo utilizado na produção de bem destinado à venda ou na prestação de serviço a terceiros (insumo do insumo); Incontroverso, pois, que no regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS será insumo aquele bem ou serviço necessário na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Logo, conhecer o objeto social do contribuinte é essencial para avaliação da aplicação do bem ou serviço e, consequentemente, a possibilidade de apuração dos créditos. Em razão desse conceito dado pelo STJ, reverteu as glosas dos fretes contratados para o transporte de matéria-prima (açúcar, cana-de-açúcar, dentre outros). Por sua vez, o paradigma n° 9303-005.553 foi proferido em 16 de agosto de 2017, logo em período anterior à decisão do STJ, que foi publicada em 24/04/2018. A Fazenda Nacional suscitou a aplicação da IN SRF 247/2002 e da IN SRF 404/2004. É nítido que o paradigma adotou o conceito restrito de insumo, não admitindo o critério da “essencialidade”, como se vê do voto condutor: Em relação ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento da Cofins no regime da não cumulatividade previsto na Lei 10.833/2003. Como visto a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitá-los dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso especial da Fazenda Nacional é quanto à possibilidade de manutenção de créditos da não cumulatividade da Cofins sobre: I) os custos/despesas com aquisições de embalagens e etiquetas utilizadas no transporte de produtos acabados; e II) despesas com fretes para transporte de insumos e produtos inacabados entre os estabelecimentos do sujeito passivo e entre estes e os dos produtores rurais seus parceiros. Fl. 3727DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.660 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10410.901816/2013-15 7 (...) Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da essencialidade, adotados pelo acórdão recorrido e pela relatora do voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que trata das possibilidades de creditamento da Cofins: (...) Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição os custos com bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens destinados a venda ou outros expressamente elencados na referida lei. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. No presente caso é incontroverso que as embalagens e etiquetas que se discute foram utilizadas no transporte de produtos acabados e não como insumos na produção dos produtos industrializados e vendidos. Por sua vez, as despesas com fretes para transporte de insumos e produtos inacabados entre os estabelecimentos do sujeito passivo e entre estes e os dos produtores rurais seus parceiros também não foram incorridas com a industrialização dos produtos vendidos. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que os gastos com aqueles bens e serviços são necessários à produção dos produtos fabricados e vendidos pelo contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços e àqueles expressamente elencados nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, respectivamente. Portanto, considerando que tais gastos não se enquadram no conceito de insumos nem foram utilizados diretamente na fabricação dos produtos não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação. No julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, foram fixadas as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas n° 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não- cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Tal decisão é vinculante, nos termos do art. 99, do RICARF/2023 (art. 62, do RICARF/2015). Assim, o acórdão recorrido utilizou o critério essencialidade e relevância, ao passo que o paradigma analisou o tema foram do contexto do REsp 1.221.170/PR. Fl. 3728DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.660 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10410.901816/2013-15 8 Logo, se não há similitude fática entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma, não resta demonstrada a divergência jurisprudencial suscitada. Diante do exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer do Recurso Especial. Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Redator Fl. 3729DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 11516.722851/2014-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 22 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Jun 30 00:00:00 UTC 2025
Numero da decisão: 1402-001.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Alessandro Bruno Macêdo Pinto - Relator. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alessandro Bruno Macêdo Pinto, Alexandre Iabrudi Catunda, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Rafael Zedral, Ricardo Piza Di Giovanni e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: ALESSANDRO BRUNO MACEDO PINTO

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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Alessandro Bruno Macêdo Pinto - Relator. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alessandro Bruno Macêdo Pinto, Alexandre Iabrudi Catunda, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Rafael Zedral, Ricardo Piza Di Giovanni e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). RELATÓRIO 1. Trata-se de Recurso Voluntário único interposto por METROMIX ESTRUTURAS E EVENTOS – EIRELI – EPP (contribuinte) e JAIR JUNIOR DEMARCO (responsável solidário), em face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ08) que decidiu manter integralmente os Autos de Infração, relativos à IRPJ, CSLL, Contribuição para o PIS/Pasep e COFINS, acrescido de multa de ofício qualificada no percentual de 150% e juros de Fl. 588DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1402-001.889 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722851/2014-27 2 mora, referentes aos fatos geradores ocorridos no ano de 2010, no montante total de R$ 2.282.286,44. 2. Ademais disso, houve a responsabilização solidária do sócio administrador JAIR JUNIOR DEMARCO, nos termos do artigo 135, incisos II e III, do CTN. 3. Os Autos de Infração foram fundamentados nos seguintes termos: Fl. 589DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1402-001.889 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722851/2014-27 3 4. Para evitar repetições, colaciono o relatório do v. acórdão recorrido: [...] Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte acima identificada foi autuada em 03/10/2014 (fl. 433), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao IRPJ, CSLL, Contribuição para o PIS/Pasep, Cofins, multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2010. 2. Conforme descrito nos Autos de Infração (fls. 364 a 411) e no Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento de Fiscalização (fls. 413 a 430), a contribuinte cometeu a infração de omissão de receitas. Fl. 590DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1402-001.889 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722851/2014-27 4 3. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto n º 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: 3.1. IRPJ (fls. 364 a 378): 3.1.1. Omissão de Receita da Atividade – Receita Bruta Mensal de Prestação de Serviços em Geral - com base no artigo 537 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), e 3º da Lei nº 9.249, de 26/12/1995. 3.1.2. Omissão de Receita por Presunção Legal – Depósitos Bancários de Origem não Comprovada - com base no artigo 537, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, e 3º da Lei nº 9.249, de 26/12/1995. 3.1.3. O crédito tributário, com juros de mora calculados até 09/2014, totalizou o montante de R$ 1.329.493,33. 3.2. CSLL (fls. 379 a 393) – com base na fundamentação legal indicada à fl. 384. 3.2.1. O crédito tributário, com juros de mora calculados até 09/2014, totalizou o montante de R$ 419.572,11. 3.3. COFINS (fls. 394 a 402) - com base na fundamentação legal indicada à fl. 399. 3.3.1. O crédito tributário, com juros de mora calculados até 09/2014, totalizou o montante de R$ 438.263,79. 3.4. PIS/Pasep (fls. 403 a 411) - com base na fundamentação legal indicada à fl. 408. 3.4.1. O crédito tributário, com juros de mora calculados até 09/2014, totalizou o montante de R$ 94.957,21. 4. O enquadramento legal da multa de ofício qualificada aplicada (150,00%) é o artigo 44, inciso I, e § 1º, da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007; o enquadramento legal dos juros de mora aplicado é o artigo 61, § 3º, da mesma Lei nº 9.430/1996 (fls. 378, 393, 402 e 411). 5. À fl. 436 consta Termo de Apensação, com registro de que foi apensado aos autos o processo de Representação Fiscal para Fins Penais 11516.722853/2014-16. 6. No Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento de Fiscalização (fl. 429) consta informação de que o Arrolamento de Bens foi conduzido no processo 11516.722852/2014-71, sendo o Arrolamento de bens do Sujeito Passivo Solidário registrado no processo 11516.722854/2014-61. 7. Irresignada com os lançamentos, em 31/10/2014 a empresa e o sujeito passivo solidário Sr. Jair Junior Demarco apresentaram impugnação conjunta às fls. 439 a 469, instruída com os documentos às fls. 470 a 478, na qual alegam, em síntese, o seguinte (títulos e sequência de acordo com o apresentado pela recorrente): Os Fatos 7.1. Durante o período de fiscalização, foi reaberto, pela Lei 12.996/14, o prazo para inclusão de débitos fiscais federais no parcelamento previsto na Lei nº 11.941/09. A empresa fiscalizada optou, desse modo, pela adesão ao parcelamento. 7.2. Para realizar a citada adesão, fazia-se necessária a entrega de DCTF's retificadoras à Receita Federal do Brasil. Contudo, para a surpresa da Impugnante, o sistema da RFB recusou as DCTF's referentes ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, sob a alegação de que a empresa se encontrava em fiscalização. O sistema, contudo, aceitou a entrega das Declarações referentes aos demais Fl. 591DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1402-001.889 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722851/2014-27 5 tributos fiscalizados. Como o prazo para adesão ao parcelamento excepcional estava se exaurindo, não restou outra opção à Impugnante senão a impetração de Mandado de Segurança para garantir o seu direito à entrega de referidas declarações retificadoras. 7.3. Ao mencionado Mandado de Segurança foi atribuído o número 502680933.2014.404.7200, em trâmite na 4ª Vara Federal de Florianópolis, tendo sido deferido, em 22/08/2014, o pedido liminar pleiteado, garantindo-se, assim, à empresa Impugnante, a entrega das DCTF's e a conseqüente adesão ao parcelamento da Lei nº 11.941/09, o qual vem sendo adimplido até os dias atuais. Em sentença proferida no dia 22/09/2014, o pedido liminar foi confirmado, e a segurança mantida definitivamente (doc. Anexo – fls. 475 a 478). 7.4. Ao final da fiscalização, no entanto, para surpresa da empresa Impugnante, o auditor-fiscal da Receita Federal do Brasil desconsiderou completamente, de forma indevida, as Declarações cuja entrega fora assegurada pelo Poder Judiciário, efetuando o lançamento de ofício de todos os tributos sem as benesses garantidas pela Lei instituidora do parcelamento extraordinário, e aplicando as penalidades inerentes ao lançamento estritamente de ofício, como se não tivesse ocorrido qualquer lançamento por homologação. Do Direito Da Nulidade do Lançamento - Adesão ao Refis - Possibilidade de Constituição do Crédito Tributário após o Início do Procedimento de Fiscalização 7.5. Sendo o Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social e a Contribuição para o PIS/PASEP tributos declarados e constituídos pelo próprio contribuinte por meio de DCTF, conclui-se que se trata de hipóteses de lançamento por homologação, tendo em vista o enquadramento dos tributos no conceito exposto no art. 150, § 4º, do CTN. 7.6. A legislação é clara ao determinar que cabe à Fazenda Pública homologar, expressa ou tacitamente, a constituição do crédito tributário pelo contribuinte, ou, caso haja discordância, efetuar o lançamento de ofício do tributo. Em nenhum momento, contudo, impôs a legislação qualquer condição temporal para que fosse possibilitada ao contribuinte a constituição do tributo. É forçoso concluir, assim, que não existe qualquer previsão legal que inviabilize o lançamento por homologação durante a fiscalização pelo Fisco, dos tributos que o contribuinte pretende calcular e lançar por conta própria. 7.7. Inobstante esse fato, é incontroversa a existência de previsão legal de sanções para a entrega extemporânea de DCTF dos tributos que estão nela constituídos. De todo modo, cabe ao contribuinte, nesses casos, calcular, por conta própria, as penalidades aplicáveis e incluí-las no montante contido na Declaração. 7.8. Havendo discordância, pelo Fisco, dos cálculos efetuados pelo contribuinte, seja dos tributos, seja da penalidade aplicável, permanece, evidentemente, sua prerrogativa de efetuar o lançamento de ofício do tributo e/ou das multas e juros que entender devidos. 7.9. Nesse contexto, tendo em vista que a empresa Impugnante declarou e constituiu os créditos tributários abrangidos pela fiscalização (IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, todos referentes ao ano de 2010), durante o período fiscalizatório, tendo, inclusive, aderido ao REFIS e quitado regularmente as parcelas vencidas até o momento, torna-se evidente a invalidade do lançamento de ofício, sob pena de ocorrência do evento jurídico chamado pagamento "bis in idem", que consiste no duplo pagamento pelo mesmo débito, e que não é permitido pelo ordenamento pátrio. Fl. 592DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1402-001.889 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722851/2014-27 6 7.10. É importante frisar que a Impugnante nunca teve por objetivo ser beneficiada com o instituto jurídico da denúncia espontânea, inaplicável ao caso em tela (já que existia início de fiscalização, àquele tempo), mas apenas excluir da autuação os valores já declarados e pagos de acordo com os benefícios proporcionados pelo programa de parcelamento excepcional, sob pena, inclusive, de pagamento em dobro dos mesmos tributos, o que seria considerado, evidentemente, enriquecimento ilícito do Estado, fato jurídico inadmissível no direito positivo brasileiro. 7.11. Em relação ao quantum a ser calculado a título de multa, deve-se observar, no caso da Impugnante, as disposições legais previstas no art. 59 da Lei nº 8.383/91, tendo a empresa Impugnante calculado o valor constante nas DCTF's de acordo com os parâmetros legais (incluindo a multa de 20%); assim, não há qualquer motivo para irresignação por parte da autoridade Fiscal. 7.12. Entretanto, depreende-se da leitura do Termo de Encerramento de Fiscalização que o autuante desconsiderou completamente as Declarações entregues pela empresa no decorrer da fiscalização (transcreve trecho do referido Termo constante às fl. 418 e 419). 7.13. No entanto, após a impetração do mandado de segurança, o Poder Judiciário concedeu liminar autorizando a entrega das DCTF's e a conseqüente adesão ao parcelamento especial de débitos tributários federais, não havendo motivos, assim, para que o órgão administrativo em comento venha eventualmente a rejeitar, futuramente, as Declarações, e excluir a empresa Impugnante do Refis, já que se trata de procedimento embasado em decisão judicial. 7.14. Em relação à súmula nº 33, do CARF, entende-se pela sua completa inaplicabilidade ao caso concreto. Ora, ao afirmar que "a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício", o órgão fazendário apenas orienta a fiscalização, ao proceder ao lançamento de ofício, desconsiderar os efeitos das declarações apresentadas no decorrer do procedimento fiscal para (i) não aplicar o instituto da denúncia espontânea (grande maioria dos casos); e, em alguns casos específicos, (ii) não utilizar as declarações como provas para fins de justificação da origem de depósitos bancários. (transcreve jurisprudência). 7.15. Todos os acórdãos citados influenciaram na edição da súmula 33, do CARF. Desse modo, é evidente que o enunciado 33, na verdade, tem por intuito, principalmente, afirmar a imprestabilidade da entrega de declarações no decorrer de procedimento de fiscalização para fins de caracterização de espontaneidade do sujeito passivo, não servindo, contudo, como fundamento para rejeitar a adesão do contribuinte a programa de parcelamento tributário excepcional promovido pelo Governo Federal. 7.16. Conforme já mencionado, no caso concreto da presente impugnação, não se trata, absolutamente, de pretensão ligada à espontaneidade, mas tão somente à adesão, pela empresa Impugnante, ao parcelamento previsto na Lei nº 11.941/09 (reaberta temporariamente pela Lei 12.996/14 no curso do procedimento fiscal), referente aos tributos que estavam sob fiscalização no momento da reabertura do prazo (que se extinguiu muito antes do posterior lançamento de ofício). 7.17. É importante ressaltar, ainda, que o valor do débito tributário propriamente dito (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) constatado pela fiscalização, equivale exatamente ao montante declarado e incluído no parcelamento, conforme será demonstrado a seguir. Não há, portanto, nenhuma diferença a ser lançada de ofício pela administração pública, fato que apenas reforça a manifesta nulidade do lançamento ora impugnado. 7.18. Ou seja, a controvérsia fica limitada aos acréscimos legais aplicáveis à hipótese dos autos. A fiscalização aplicou juros de mora e multa punitiva de 150% sobre o valor do principal. Segundo os critérios utilizados pela empresa Impugnante (baseados na Lei e no entendimento judicial), seriam devidos apenas os juros, acrescidos de multa moratória de 20%. (transcreve jurisprudência). Fl. 593DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1402-001.889 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722851/2014-27 7 7.19. Realizada a análise desse importante precedente e da legislação aplicável à hipótese, chegam- se às seguintes conclusões: (i) não existe e nunca existiu qualquer impedimento, no ordenamento jurídico pátrio, para o contribuinte declarar e recolher tributo durante a fiscalização (tal óbice foi implementado sem qualquer respaldo legal pelo sistema eletrônico da Receita Federal do Brasil); (ii) não é devida nenhuma multa punitiva, seja de 75% ou de 150%; (iii) a multa de mora é devida no montante de 20%, porquanto as alíquotas majoradas (75%, 100%, ou 150%) se aplicam apenas após a realização do lançamento de ofício, pelo Fisco, o que não ocorreu no caso concreto, onde a constituição do crédito tributário foi feita pelo contribuinte, por meio de DCTF's entregues antes do término da fiscalização. 7.20. Destaque-se que, de acordo com os procedimentos previstos pela legislação tributária brasileira, mormente no que diz respeito ao lançamento por homologação, caso a fiscalização discorde das declarações entregues pelo contribuinte (que, conforme mencionado, são plenamente válidas, para todos os efeitos, ainda que entregues após o início da fiscalização, apenas não proporcionando direito à denúncia espontânea), deverá proceder ao lançamento de ofício, realizando os devidos procedimentos administrativos, fundamentando, inclusive, os motivos pelos quais discorda do que foi declarado pelo contribuinte, o que inocorreu no caso em análise. 7.21. No caso concreto, conforme demonstra a documentação em anexo, os valores incluídos no REFIS foram atualizados monetariamente, acrescidos de juros de mora e de multa moratória de 20%. Após a consolidação do valor total devido à União, a empresa aplicou as reduções previstas na legislação instituidora do programa de refinanciamento de débitos fiscais, Lei nº 11.941/09, na modalidade escolhida (parcelamento em 180 meses), conforme demonstra a tabela (colaciona tabela à fl. 448). 7.22. É possível perceber que o valor principal dos tributos apurados pela fiscalização, salvo a diferença proporcionada pela base de cálculo do IRPJ (38,40% no lucro arbitrado, contra 32% no lucro presumido, sistemática a qual estava submetida a Impugnante), é exatamente o mesmo que foi confessado pela empresa (em relação ao PIS, o valor confessado foi superior, inclusive), não havendo motivos para que seja mantida a autuação, que perdeu o seu objeto, portanto. 7.23. À fiscalização caberia apenas lançar de ofício eventuais diferenças que fossem apuradas (o que inexiste no caso concreto, como destacado acima), descontando do montante do débito o valor correspondente ao principal, multa e juros que já foram incluídos no parcelamento excepcional. Não há fundamento legal para desconsiderar a constituição do crédito tributário pela empresa Impugnante, que agiu dentro das previsões legais às quais está submetida. Da Impossibilidade de Lançamento de Ofício dos Tributos CSLL, Cofins e PIS 7.24. O AFRFB incluiu, ao término do procedimento fiscalizatório, a cobrança dos seguintes tributos: IRPJ, CSLL, COFINS e PIS. No entanto, depreende-se do Termo de Início do Procedimento Fiscal (Fl. 3 do processo administrativo), o "objeto do procedimento" é apenas o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. 7.25. Em que pese o fato gerador dos demais tributos administrados pela RFB seja semelhante ao do IRPJ, a autuação deve ser pautada pela estrita observância às delimitações realizadas no início do procedimento administrativo. 7.26. A única hipótese em que há previsão legal para a realização de autos de infração em relação a tributos distintos, sem que haja especificação expressa no termo de início de fiscalização, está contida no art. 92, § 5º, do Decreto 70.235/72. 7.27. Não estando a Impugnante sujeita à regime unificado de arrecadação de tributos, não há como ser mantida a autuação dos tributos que não foram objeto de fiscalização. Fl. 594DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1402-001.889 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722851/2014-27 8 7.28. Desse modo, requer a cancelamento dos lançamentos tributários relativos à CSLL, COFINS e PIS. Da impossibilidade de Inclusão do Responsável pela Empresa no Pólo Passivo da Autuação 7.29. A fiscalização enquadrou a situação vivenciada pela empresa e por seu representante na hipótese prevista no art. 135, II e III, do CTN. Ocorre, contudo, que o raciocínio e a interpretação do ilustríssimo fiscal foram, “data venia”, equivocados, senão vejamos. 7.30. O princípio da segregação entre pessoa física e pessoa jurídica existe justamente para que eventuais responsabilidades assumidas pela empresa não sejam estendidas aos seus sócios, com o intuito, inclusive, de incentivar a abertura de empresas e fomentar o empreendedorismo. 7.31. Dessa forma, entende-se que a desconsideração da personalidade jurídica deve ser efetivada apenas em hipóteses excepcionais. No direito tributário, inclusive, as hipóteses previstas nos incisos do art. 135, do CTN, são aplicáveis apenas nos casos estabelecidos no caput do dispositivo, quais sejam: aqueles praticados com (i) excesso de poderes; (ii) infração de lei, contrato social ou estatutos. 7.32. No caso concreto, não há que se falar, absolutamente, em atos praticados com excesso de poderes, porquanto a própria fiscalização apurou que o único responsável pelas decisões tomadas na empresa era o Impugnante, razão pela qual fica impossibilitada a caracterização do excesso de poder. 7.33. Quanto à infração de lei, é pacífico na doutrina que a hipótese ensejadora da responsabilidade diz respeito à infração cometida pelo próprio sócio, não estando, evidentemente, abrangido o simples não pagamento do tributo, visto que tal infração à lei instituidora do tributo é cometida pela pessoa jurídica, que é o contribuinte, e não o sócio. 7.34. Ademais, caso se interprete que o mero inadimplemento de tributo seja caracterizado como infração de lei, automaticamente todos os sócios com poderes de gestão das empresas seriam considerados responsáveis solidários por todas as autuações, o que foge à regra da separação entre pessoa jurídica e pessoa física, conforme já explanado. (transcreve doutrina). 7.35. É importante mencionar, ainda, que o ônus de demonstrar eventuais práticas ilícitas dos sócios das empresas é da Fazenda Pública, que possui a prerrogativa de fiscalizar. Ora, não seria razoável exigir que todos os sócios demonstrem que não praticaram irregularidades, pois, além de se tratar da chamada prova diabólica (impossível de ser produzida), a boa-fé, no ordenamento jurídico pátrio, sempre é presumida. (transcreve jurisprudência). 7.36. Na autuação em comento, não restou comprovada a prática de qualquer ato com excesso de poder ou de infração à lei pelo Impugnante. Há apenas a alegação genérica e desprovida de amparo probatório de que "Jair Júnior Demarco realizou e foi responsável por todos os atos e omissões que tiveram o intuito de eximir-se de maneira fraudulenta dos tributos ora lançados" e de que "a fraude existiu na prestação de declarações falsas em que a receita informada foi simplesmente zerada e na omissão de escriturar a receita". 7.37. O conceito de fraude, sob a ótica tributária, pode ser encontrado no art. 72, da Lei nº 4.502/64, sendo que não houve comprovação de que o sócio efetuou qualquer tentativa de redução do valor dos tributos devidos ou qualquer conduta que tivesse por objetivo retardar a ocorrência do fato gerador dos tributos. Ora, a conduta de "zerar" o faturamento, no caso da Impugnante, representa apenas divergência na interpretação dada à legislação dada ao Imposto de Renda, e no conceito de faturamento, mormente pelo fato de ter havido o repasse dos valores a terceiros, como será demonstrado a seguir. Fl. 595DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1402-001.889 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722851/2014-27 9 7.38. Ademais, a sistemática do lançamento por homologação é justamente a de permitir à administração pública fiscalizar e, eventualmente, lançar as diferenças apuradas, não podendo ser considerada como fraude toda e qualquer conduta que venha a ser considerada ilegítima pela Fazenda, sob pena de interpretação legal desfavorável ao contribuinte, conforme previsto no art. 112, do CTN. 7.39. Ainda que o exposto nos próximos tópicos da presente impugnação não seja aceito por este órgão administrativo julgador, o que se admite apenas a título de argumentação, concluir-se-á, no máximo, que a empresa deixou de recolher os tributos federais incidentes sobre o seu faturamento. Da Inexistência de Omissão de Receitas 7.40. Em que pese a Impugnante tenha emitido as declarações retificadoras com o único intuito de aderir ao parcelamento excepcional (o que efetivamente ocorreu), usufruindo, assim, dos benefícios por ele proporcionados e suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, torna-se necessária a consignação, nesta Impugnação, da argumentação a seguir exposta, até mesmo para o caso de as DCTF's realmente não serem aceitas por este órgão administrativo e/ou a empresa venha a ser indevidamente excluída do REFIS. 7.41. Embora as informações e tabelas a seguir já constem na resposta informada ao auditor fiscal responsável pelo procedimento que deu origem a presente Impugnação, entende-se pertinente frisar novamente os argumentos que comprovam a origem dos depósitos bancários que serviram de base para a fixação dos valores autuados. 7.42. A empresa fiscalizada é uma prestadora de serviços de locação e montagem de equipamentos para eventos. Além disso, contudo, ante o bom relacionamento que possui com diversos artistas, e também levando em consideração que para vender os seus serviços (locação e montagem de estruturas para eventos) é preciso que haja os artistas, a Metromix costuma obter, dos artistas, autorizações de comercialização, bem como cartas de exclusividade, possibilitando que a mesma realize contratações com o Poder Público, em que, usualmente, vende seus serviços (locação e montagem de estruturas) juntamente com os shows dos artistas. 7.43. Em vista disso, transitam pela sua conta muitos valores de cachês de artistas renomados, valores esses que, após recebidos, são repassados aos referidos profissionais e/ou às suas empresas, em dinheiro ou via transferências bancárias. 7.44. Portanto, e tendo em vista que seus blocos de notas extraviaram, bem como que a Impugnante sequer emite nota, na maioria dos casos, para os cachês dos artistas (já que o faturamento é destes, e não da empresa Impugnante), para atender à solicitação da fiscalização e comprovar a origem dos recursos, a Impugnante identificou, nos extratos bancários, as origens dos valores (usualmente vindos de Municípios), e solicitou, individualmente, a todos os municípios com os quais contratou, cópias dos referidos contratos, tendo obtido uma série de documentos (lista os Contratos à fl. 454). 7.45. Na prática, a Impugnante demonstra cabalmente, por meio da planilha discriminada a seguir (fls. 456 a 465), a origem dos ingressos em sua conta corrente naquele exercício (2010), apontando, individualmente, e com base nos contratos mencionados acima, e que seguem anexos, os valores que não correspondem ao seu faturamento. 7.46. Destaque-se que há muitos outros valores, dentre esses ingressos, que correspondem a cachês e/ou faturamento de terceiros, mas a intimada não logrou obter cópias dos referidos contratos junto aos diversos municípios mencionados na listagem, sendo impossível, por ora, comprovar que não se tratam de valores de serviços seus. Isso pode ocorrer, contudo, ainda dentro do curso deste processo administrativo fiscal, razão pela qual requer, desde já, a oportunidade de juntada posterior dos citados documentos (ainda que apenas em eventual recurso ao CARF). Fl. 596DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1402-001.889 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722851/2014-27 10 7.47. Após analisar os contratos e as informações prestadas pela empresa Impugnante, o auditor responsável pela fiscalização consignou observações no Termo de Encerramento de Fiscalização (transcreve trecho do T.V.F, constante à fl. 423). Tais alegações não devem, contudo, prosperar. 7.48. Inicialmente, destaque-se que, segundo o raciocínio exarado na fiscalização, ao considerar todo o valor repassado pelos Municípios à Impugnante como faturamento, o auditor fiscal quer fazer crer que todos os artistas, no ano de 2010, se apresentaram de graça, não tendo recebido nenhum cachê. É evidente que tal assertiva não é verdadeira, fato que indica claramente que a Impugnante repassava, sim, os valores discriminados na planilha aos artistas. 7.49. A alegada ausência de sustentação legal para que os repasses fossem excluídos da receita do contribuinte também não corresponde à realidade. Ora, a fundamentação legal para exclusão do repasse está na própria regra-matriz de incidência tributária do IRPJ, cujo critério material previsto no antecedente da norma jurídica instituidora do tributo estabelece o verbo "auferir renda", ou seja, vinculando a aplicação do critério quantitativo, no conseqüente da norma, à existência de faturamento ou receitas tributáveis. 7.50. Sendo assim, tendo a Impugnante demonstrado satisfatoriamente a origem dos débitos e os destinatários do repasse, não existe respaldo legal para a cobrança de IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS sobre os valores discriminados nas planilhas destacadas acima, tendo em vista a completa inexistência de subsunção do fato jurídico praticado pela Impugnante à hipótese de incidência dos tributos. Do Caráter Confiscatório da Multa de 150,00% 7.51. Uma das limitações ao poder de tributar estabelecidas pela Constituição Federal aos entes da federação é a vedação à utilização de tributo com efeito de confisco, conforme disposição do art. 150, IV, da Carta Magna. 7.52. O chamado "efeito de confisco" é atribuído aos tributos cujas alíquotas e/ou bases de cálculo são instituídas, pelos entes federativos, de forma desproporcional à capacidade do contribuinte, inviabilizando, por exemplo, a manutenção da atividade empresarial ou até mesmo a propriedade de bens móveis e imóveis, seja por pessoa física ou jurídica. 7.53. Ocorre, no entanto, que a doutrina e a jurisprudência vêm interpretando que a expressão contida no citado preceito constitucional abrange, também, todas as espécies de multas oriundas de relações jurídico-tributárias (transcreve doutrina e jurisprudência). 7.54. No caso concreto, a fiscalização aplicou multa de 150%, com fulcro no art. 44 da Lei n9 9.430/96, que é manifestamente inconstitucional. Desse modo, ainda que nenhum dos argumentos levantados pelos Impugnantes em relação à nulidade do lançamento tributário em epígrafe, deve ser ao menos reduzida a multa aplicada, de 150% para 75%, até mesmo porque, conforme fundamentado no item anterior, o mero inadimplemento do tributo não caracteriza fraude, fato jurídico que, por si só, já afasta a aplicabilidade da previsão do art. 44, § lº da Lei nº 9.430/96. Da Necessidade de Extinção do Arrolamento de Bens 7.55. A previsão do arrolamento de bens está contida na Lei nº 9.532/97. São dois os critérios estabelecidos em lei para que a Receita Federal utilize a sistemática do arrolamento de bens: (i) que o débito seja superior a R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais); (ii) que a dívida ultrapasse 30% do patrimônio conhecido do contribuinte. Ausentes um desses requisitos, o arrolamento não pode ser concretizado. 7.56. Na autuação em epígrafe, conforme disposto no item 01, supra, todo o débito tributário referente aos tributos equivocadamente lançados de ofício foram constituídos pelo próprio Fl. 597DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1402-001.889 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722851/2014-27 11 contribuinte, o que, forçosamente, implica no não cumprimento do requisito (i), exposto acima, visto que o débito apenas alcançou montante superior a 2.000.000,00 (dois milhões de reais) porque as declarações foram erroneamente desconsideradas. 7.57. Além disso, não fosse o arbitramento da multa confiscatória, conforme narrado no item 05, também não seria alcançado o valor mínimo para que fossem arrolados os bens, nos moldes do citado diploma normativo. Ora, a redução da multa, de 150% para 75%, importaria na redução da autuação total (principal + juros + multa) para R$ 1.687.681,07. Desse modo, requerem os Impugnantes a extinção do arrolamento de seus bens, que é manifestamente ilegal. 7.58. Sucessivamente, ainda que os argumentos suscitados acima não sejam acolhidos, e tendo em vista a fundamentação contida no item 02 desta Impugnação, deve ser, ao menos, extinto o arrolamento dos bens do Sr. Jair Júnior Demarco, tendo em vista sua ilegitimidade para figurar no polo passivo da exação estatal. 8. Ao final, os Impugnantes reiteram o pedido de juntada posterior aos autos de novos documentos que venham a comprovar a origem de eventuais depósitos que não esteja abrangida pela documentação em anexo. [...] (grifos nossos) 5. A DRJ/SP (DRJ08) proferiu o v. acórdão recorrido de fls. 486/522 julgando totalmente improcedente a Impugnação, mantendo integralmente os lançamentos e a sujeição passiva solidária do sócio administrador, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2010, 28/02/2010, 31/03/2010, 30/04/2010, 31/05/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 31/08/2010, 30/09/2010, 30/10/2010, 30/11/2010, 31/12/2010 APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. IMPUGNAÇÃO. Os documentos que fundamentam contestação a lançamento tributário devem ser apresentados juntamente com a impugnação administrativa. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE. Eventual vício em emissão, notificação, prorrogação, ou até mesmo a inexistência de Mandado de Procedimento Fiscal em nome do fiscalizado não causa nulidade do lançamento, porque não constitui requisito de validade do ato, mas mero instrumento de controle da administração tributária. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INFRAÇÃO DE LEI. SÓCIO DE DIREITO E DE FATO. É pessoalmente responsável pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, o sócio de fato e de direito da empresa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2010, 28/02/2010, 31/03/2010, 30/04/2010, 31/05/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 31/08/2010, 30/09/2010, 30/10/2010, 30/11/2010, 31/12/2010 DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Fl. 598DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1402-001.889 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722851/2014-27 12 Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas. RECEITA DA ATIVIDADE. NÃO DECLARAÇÃO. Receitas da atividade da empresa não declaradas constituem-se em receitas omitidas ao Fisco. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. NÃO APRESENTAÇÃO. O imposto será determinado com base nos critérios do Lucro Arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os Livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do Regulamento do Imposto de Renda. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2010, 28/02/2010, 31/03/2010, 30/04/2010, 31/05/2010, 30/06/2010, 31/07/2010, 31/08/2010, 30/09/2010, 30/10/2010, 30/11/2010, 31/12/2010 PERDA DE ESPONTANEIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Excluída a espontaneidade do sujeito passivo em face do início do procedimento fiscal, a irregularidade apurada fica sujeita ao lançamento de ofício, nos termos do art. 142 do CTN. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. A Declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício (Súmula CARF nº 33). Somente é possível cogitar da validade jurídica do lançamento por homologação quando o sujeito passivo antecipa o pagamento do tributo ou contribuição antes de a autoridade administrativa examinar a sua atividade, e não após nem durante o procedimento de ofício que realiza este exame, razão pela qual a Declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA QUALIFICADA. Em lançamento de ofício é devida multa qualificada, em percentual duplicado, calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido, quando demonstrada a presença de fraude nas ações do contribuinte. 6. Inconformados com o v. acórdão os Recorrentes interpuseram Recurso Voluntário único de fls. 549/578 visando sua reforma, arguindo, em síntese, que: (i) “DA NULIDADE DO LANÇAMENTO - ADESÃO AO REFIS - POSSIBILIDADE DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO”, afirmam que “(...) ao contrário do afirmado na decisão recorrida, a Lei nº 12.996/14, além de reabrir o prazo para inclusão de débitos no programa de parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.941/09 (REFIS), também possibilitou a inclusão de tributos vencidos até 31 de dezembro de 2013. Sendo todos os débitos apurados pela fiscalização que deu origem ao auto ora impugnado referentes ao exercício de 2010, conclui-se pela completa possibilidade de adesão, pela Primeira Recorrente, ao REFIS (...)”, acrescentam que “(...) a decisão administrativa recorrida desconsiderou por completo a Fl. 599DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1402-001.889 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722851/2014-27 13 decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 5026809- 33.2014.404.7200, em completa afronta ao Estado Democrático de Direito vigente no País. A Primeira Recorrente obteve decisão favorável para que a Receita Federal cessasse o ato coator inerente à recusa no recebimento das DCTF´s cujos débitos foram incluídos no REFIS. (...)”, arguiram ainda que “(...) Em relação à súmula nº 33, do CARF, entende-se pela sua completa inaplicabilidade ao caso concreto. (...) evidente que o enunciado 33, na verdade, tem por intuito, principalmente, afirmar a imprestabilidade da entrega de declarações no decorrer de procedimento de fiscalização para fins de caracterização de espontaneidade do sujeito passivo, não servindo, contudo, como fundamento para rejeitar a adesão do contribuinte a programa de parcelamento tributário excepcional promovido pelo Governo Federal (...)”, e concluíram aduzindo que “(...) É importante ressaltar, ainda, que o valor do débito tributário propriamente dito (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) constatado pela fiscalização, equivale exatamente ao montante declarado e incluído no parcelamento. Não há, portanto, nenhuma diferença a ser lançada de ofício pela administração pública, fato que apenas reforça a manifesta nulidade do lançamento ora impugnado. (...)”; (ii) “DA DEDUÇÃO DOS VALORES RECOLHIDOS PELO REFIS”, afirmam que “(...) a Primeira Recorrente vem adimplindo até os dias atuais as parcelas referentes ao parcelamento cuja adesão fora autorizada pelo Poder Judiciário. A decisão recorrida ignorou tal fato, deixando inclusive de deduzir os valores já recolhidos da autuação, que foi mantida na íntegra (...)”, acrescentam que “(...) Ocorre que a cobrança na íntegra dos valores apurados na fiscalização, sem o abatimento do que já foi recolhido pela Primeira Recorrente por meio do REFIS, enseja manifesto enriquecimento sem causa do Estado, caracterizando bis in idem, ou seja, duplo pagamento pelo mesmo fato, o que é vedado pelo ordenamento jurídico pátrio (...)”, e concluíram aduzindo que “(...) mesmo não sendo cancelado integralmente o crédito tributário, nos moldes requeridos no tópico anterior, deve ao menos ser reformada a decisão para que sejam deduzidos os valores já recolhidos à Receita Federal pela Primeira Recorrente (...)”; (iii) “DA IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DOS TRIBUTOS CSLL, COFINS E PIS”, afirmam que “(...) A única hipótese em que há previsão legal para a realização de autos de infração em relação a tributos distintos, sem que haja especificação expressa no termo de início de fiscalização, está contida no art. 9º, § 5º, do Decreto 70.235/72 (...)”, acrescentam que “(...) O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, contudo, incluiu, ao término do procedimento fiscalizatório, a cobrança dos seguintes tributos: IRPJ, CSLL, COFINS e PIS. No entanto, depreende-se do Termo de Início do Procedimento Fiscal (Fl. 3 do processo administrativo), o “objeto do procedimento” é apenas o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. (...)”, arguiram ainda que “(...) Não estando a Recorrente sujeita à regime unificado de arrecadação de tributos, não há como ser mantida a autuação dos tributos que não foram objeto de fiscalização, deve ser reformada a decisão proferida e cancelados os créditos tributários relativos Fl. 600DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1402-001.889 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722851/2014-27 14 à CSLL, COFINS e PIS. (...)”, e concluíram aduzindo que “(...) Alternativamente, mesmo que não fosse acatado o argumento acima, seria forçoso reconhecer que o procedimento fiscalizatório, até o momento da emissão das DCTF´s e adesão ao Parcelamento Excepcional, tratava apenas do IRPJ, de modo que, ao menos em relação aos demais tributos, não seria cabível a aplicação das multas punitivas e arbitramento de faturamento, por já haver expressa declaração do sujeito passivo. (...)”; (iv) “DA IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO DO RESPONSÁVEL PELA EMPRESA NO POLO PASSIVO DA AUTUAÇÃO”, afirmam que “(...) No caso concreto, não há que se falar, absolutamente, em atos praticados com excesso de poderes, porquanto a própria fiscalização apurou que o único responsável pelas decisões tomadas na empresa era o Recorrente, razão pela qual fica impossibilitada a caracterização do excesso de poder em relação a outros eventuais sócios. Quanto à infração de lei, é pacífico na doutrina que a hipótese ensejadora da responsabilidade diz respeito à infração cometida pelo próprio sócio, não estando, evidentemente, abrangido o simples não pagamento do tributo, visto que tal infração à lei instituidora do tributo é cometida pela pessoa jurídica, que é o contribuinte, e não o sócio. (...)”, acrescentam que “(...) caso se interprete que o mero inadimplemento de tributo seja caracterizado como infração de lei, automaticamente todos os sócios com poderes de gestão das empresas seriam considerados responsáveis solidários por todas as autuações, o que foge à regra da separação entre pessoa jurídica e pessoa física, conforme já explanado (...)”, arguiram ainda que “(...) É importante mencionar, ainda, que o ônus de demonstrar eventuais práticas ilícitas dos sócios das empresas é da Fazenda Pública, que possui a prerrogativa de fiscalizar. Ora, não seria razoável exigir que todos os sócios demonstrem que não praticaram irregularidades, pois, além de se tratar da chamada prova diabólica (impossível de ser produzida), a boa-fé, no ordenamento jurídico pátrio, sempre é presumida (...) No caso concreto, contudo, não houve comprovação de que o sócio efetuou qualquer tentativa de redução do valor dos tributos devidos ou qualquer conduta que tivesse por objetivo retardar a ocorrência do fato gerador dos tributos. Ora, a conduta de “zerar” o faturamento, no caso da Recorrente, representa apenas divergência na interpretação dada à legislação do Imposto de Renda, e no conceito de faturamento, mormente pelo fato de ter havido o repasse dos valores a terceiros, como será demonstrado a seguir. (...)”, e concluíram aduzindo que “(...) não restou caracterizado a prática (quanto mais o dolo), pelo responsável legal da empresa, de conduta ilícita, ou ainda a utilização de mecanismos fraudulentos para maquiar ou atrasar a ocorrência dos respectivos fatos geradores, razão pela qual requerem os Recorrentes a reforma da decisão proferida para que Jair Junior Demarco seja excluído da autuação. (...)”; (v) “DA INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITAS”, afirmam que “(...)conforme já mencionado nos autos do presente processo administrativo, a empresa fiscalizada é uma prestadora de serviços de locação e montagem de equipamentos para eventos. Além disso, contudo, ante o bom relacionamento Fl. 601DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1402-001.889 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722851/2014-27 15 que possui com diversos artistas, e também levando em consideração que para vender os seus serviços (locação e montagem de estruturas para eventos) é preciso que haja os artistas, a Metromix costuma obter, dos artistas, autorizações de comercialização, bem como cartas de exclusividade, possibilitando que a mesma realize contratações com o Poder Público, em que, usualmente, vende seus serviços (locação e montagem de estruturas) juntamente com os shows dos artistas. (...)”, acrescentam que “(...) transitam pela sua conta muitos valores de cachês de artistas renomados, valores esses que, após recebidos, são repassados aos referidos profissionais e/ou às suas empresas, em dinheiro ou via transferências bancárias. Portanto, e tendo em vista que seus blocos de notas extraviaram, bem como que a Recorrente sequer emite nota, na maioria dos casos, para os cachês dos artistas (já que o faturamento é destes, e não da empresa Recorrente), para atender à solicitação da fiscalização e comprovar a origem dos recursos, a Recorrente identificou, nos extratos bancários, as origens dos valores (usualmente vindos de Municípios), e solicitou, individualmente, a todos os municípios com os quais contratou, cópias dos referidos contratos. (...)”, arguiram ainda que “(...) ao considerar todo o valor repassado pelos Municípios à Recorrente como faturamento, o auditor fiscal quer fazer crer que todos os artistas, no ano de 2010, se apresentaram de graça, não tendo recebido nenhum cachê. É evidente que tal assertiva não é verdadeira, fato que indica claramente que a Recorrente repassava, sim, os valores discriminados na planilha aos artistas. (...)”, e concluíram aduzindo que “(...) a fundamentação legal para exclusão do repasse está na própria regra-matriz de incidência tributária do IRPJ, cujo critério material previsto no antecedente da norma jurídica instituidora do tributo estabelece o verbo “auferir renda”, ou seja, vinculando a aplicação do critério quantitativo, no consequente da norma, à existência de faturamento ou receitas tributáveis. Sendo assim, tendo os Recorrentes demonstrado satisfatoriamente a origem dos débitos e os destinatários do repasse, não existe respaldo legal para a cobrança de IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS sobre os valores discriminados nas planilhas destacadas acima, tendo em vista a completa inexistência de subsunção do fato jurídico praticado pela Recorrente à hipótese de incidência dos tributos. (...)”; (vi) “DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA DE 150%”, afirmam que “(...) Uma das limitações ao poder de tributar estabelecidas pela Constituição Federal aos entes da federação é a vedação à utilização de tributo com efeito de confisco, conforme disposição do art. 150, IV, da Carta Magna. (...)”, acrescentam que “(...) O chamado “efeito de confisco” é atribuído aos tributos cujas alíquotas e/ou bases de cálculo são instituídas, pelos entes federativos, de forma desproporcional à capacidade do contribuinte, inviabilizando, por exemplo, a manutenção da atividade empresarial ou até mesmo a propriedade de bens móveis e imóveis, seja por pessoa física ou jurídica (...)”, e concluíram aduzindo que “(...) Desse modo, ao contrário do afirmado na decisão recorrida, deve ser menos reduzida a multa aplicada, de 150% para 75%, até mesmo porque, conforme fundamentado no item anterior, o mero inadimplemento do tributo Fl. 602DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1402-001.889 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722851/2014-27 16 não caracteriza fraude, fato jurídico que, por si só, já afasta a aplicabilidade da previsão do art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/96 (...)”; e, (vii) “DA NECESSIDADE DE EXTINÇÃO DO ARROLAMENTO DE BENS”, afirmam que “(...) todo o débito tributário referente aos tributos equivocadamente lançados de ofício foram constituídos pelo próprio contribuinte, o que, forçosamente, implica no não cumprimento do requisito (i), exposto acima, visto que o débito apenas alcançou montante superior a R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais) porque as declarações foram erroneamente desconsideradas (...)”, acrescentam que “(...) Além disso, não fosse o arbitramento da multa confiscatória, conforme narrado no item 05, também não seria alcançado o valor mínimo para que fossem arrolados os bens, nos moldes do citado diploma normativo. Ora, a redução da multa, de 150% para 75%, importaria na redução da autuação total (principal + juros + multa) para R$ 1.687.681,07 (um milhão, seiscentos e oitenta e sete mil, seiscentos e oitenta e um reais e sete centavos). (...)”, e concluíram aduzindo que “(...) Desse modo, requerem os Recorrentes, como consequência do provimento do recurso em relação aos precitados tópicos, a extinção do arrolamento de seus bens, que é manifestamente ilegal. Sucessivamente, ainda que os argumentos suscitados acima não sejam acolhidos, e tendo em vista a fundamentação contida no item 02 desta Impugnação, deve ser, ao menos, extinto o arrolamento dos bens do Sr. Jair Junior Demarco, tendo em vista sua ilegitimidade para figurar no polo passivo da exação estatal. (...)”. É o relatório. VOTO Conselheiro Alessandro Bruno Macêdo Pinto – Relator 7. O Recurso Voluntário é tempestivo, conforme despacho de fl. 586, bem assim preenche os pressupostos de admissibilidade, nos termos do Decreto nº 70.235/72, razão pela qual dele conheço. 8. Cuida-se o feito de Autos de Infração para exigência de IRPJ, CSLL, Contribuição para o PIS/Pasep e COFINS, acrescido de multa de ofício qualificada no percentual de 150% e juros de mora, referentes aos fatos geradores ocorridos no ano de 2010, no montante total de R$ 2.282.286,44, tendo em vista o ocorrência das seguintes infrações: Omissão de Receita da Atividade – Receita Bruta Mensal de Prestação de Serviços em Geral (artigo 537 do Decreto nº 3.000/1999 e 3º da Lei nº 9.249/1995); e, Omissão de Receita por Presunção Legal – Depósitos Bancários de Origem não Comprovada (artigo 537 do Decreto nº 3.000/1999, 42 da Lei nº 9.430/1996, e 3º da Lei nº 9.249/1995). 9. Ademais disso, houve a responsabilização solidária do sócio administrador JAIR JUNIOR DEMARCO, nos termos do artigo 135, incisos II e III, do CTN. 10. Em sede de Recurso Voluntário único de fls. 549/578, os Recorrentes aduziram, em suma, que: Fl. 603DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1402-001.889 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722851/2014-27 17 (i) “DA NULIDADE DO LANÇAMENTO - ADESÃO AO REFIS - POSSIBILIDADE DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO”, afirmam que “(...) ao contrário do afirmado na decisão recorrida, a Lei nº 12.996/14, além de reabrir o prazo para inclusão de débitos no programa de parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.941/09 (REFIS), também possibilitou a inclusão de tributos vencidos até 31 de dezembro de 2013. Sendo todos os débitos apurados pela fiscalização que deu origem ao auto ora impugnado referentes ao exercício de 2010, conclui-se pela completa possibilidade de adesão, pela Primeira Recorrente, ao REFIS (...)”, acrescentam que “(...) a decisão administrativa recorrida desconsiderou por completo a decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 5026809- 33.2014.404.7200, em completa afronta ao Estado Democrático de Direito vigente no País. A Primeira Recorrente obteve decisão favorável para que a Receita Federal cessasse o ato coator inerente à recusa no recebimento das DCTF´s cujos débitos foram incluídos no REFIS. (...)”, arguiram ainda que “(...) Em relação à súmula nº 33, do CARF, entende-se pela sua completa inaplicabilidade ao caso concreto. (...) evidente que o enunciado 33, na verdade, tem por intuito, principalmente, afirmar a imprestabilidade da entrega de declarações no decorrer de procedimento de fiscalização para fins de caracterização de espontaneidade do sujeito passivo, não servindo, contudo, como fundamento para rejeitar a adesão do contribuinte a programa de parcelamento tributário excepcional promovido pelo Governo Federal (...)”, e concluíram aduzindo que “(...) É importante ressaltar, ainda, que o valor do débito tributário propriamente dito (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) constatado pela fiscalização, equivale exatamente ao montante declarado e incluído no parcelamento. Não há, portanto, nenhuma diferença a ser lançada de ofício pela administração pública, fato que apenas reforça a manifesta nulidade do lançamento ora impugnado. (...)”; (ii) “DA DEDUÇÃO DOS VALORES RECOLHIDOS PELO REFIS”, afirmam que “(...) a Primeira Recorrente vem adimplindo até os dias atuais as parcelas referentes ao parcelamento cuja adesão fora autorizada pelo Poder Judiciário. A decisão recorrida ignorou tal fato, deixando inclusive de deduzir os valores já recolhidos da autuação, que foi mantida na íntegra (...)”, acrescentam que “(...) Ocorre que a cobrança na íntegra dos valores apurados na fiscalização, sem o abatimento do que já foi recolhido pela Primeira Recorrente por meio do REFIS, enseja manifesto enriquecimento sem causa do Estado, caracterizando bis in idem, ou seja, duplo pagamento pelo mesmo fato, o que é vedado pelo ordenamento jurídico pátrio (...)”, e concluíram aduzindo que “(...) mesmo não sendo cancelado integralmente o crédito tributário, nos moldes requeridos no tópico anterior, deve ao menos ser reformada a decisão para que sejam deduzidos os valores já recolhidos à Receita Federal pela Primeira Recorrente (...)”; (iii) “DA IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DOS TRIBUTOS CSLL, COFINS E PIS”, afirmam que “(...) A única hipótese em que há previsão legal para a realização de autos de infração em relação a tributos distintos, sem que Fl. 604DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1402-001.889 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722851/2014-27 18 haja especificação expressa no termo de início de fiscalização, está contida no art. 9º, § 5º, do Decreto 70.235/72 (...)”, acrescentam que “(...) O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, contudo, incluiu, ao término do procedimento fiscalizatório, a cobrança dos seguintes tributos: IRPJ, CSLL, COFINS e PIS. No entanto, depreende-se do Termo de Início do Procedimento Fiscal (Fl. 3 do processo administrativo), o “objeto do procedimento” é apenas o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. (...)”, arguiram ainda que “(...) Não estando a Recorrente sujeita à regime unificado de arrecadação de tributos, não há como ser mantida a autuação dos tributos que não foram objeto de fiscalização, deve ser reformada a decisão proferida e cancelados os créditos tributários relativos à CSLL, COFINS e PIS. (...)”, e concluíram aduzindo que “(...) Alternativamente, mesmo que não fosse acatado o argumento acima, seria forçoso reconhecer que o procedimento fiscalizatório, até o momento da emissão das DCTF´s e adesão ao Parcelamento Excepcional, tratava apenas do IRPJ, de modo que, ao menos em relação aos demais tributos, não seria cabível a aplicação das multas punitivas e arbitramento de faturamento, por já haver expressa declaração do sujeito passivo. (...)”; (iv) “DA IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO DO RESPONSÁVEL PELA EMPRESA NO POLO PASSIVO DA AUTUAÇÃO”, afirmam que “(...) No caso concreto, não há que se falar, absolutamente, em atos praticados com excesso de poderes, porquanto a própria fiscalização apurou que o único responsável pelas decisões tomadas na empresa era o Recorrente, razão pela qual fica impossibilitada a caracterização do excesso de poder em relação a outros eventuais sócios. Quanto à infração de lei, é pacífico na doutrina que a hipótese ensejadora da responsabilidade diz respeito à infração cometida pelo próprio sócio, não estando, evidentemente, abrangido o simples não pagamento do tributo, visto que tal infração à lei instituidora do tributo é cometida pela pessoa jurídica, que é o contribuinte, e não o sócio. (...)”, acrescentam que “(...) caso se interprete que o mero inadimplemento de tributo seja caracterizado como infração de lei, automaticamente todos os sócios com poderes de gestão das empresas seriam considerados responsáveis solidários por todas as autuações, o que foge à regra da separação entre pessoa jurídica e pessoa física, conforme já explanado (...)”, arguiram ainda que “(...) É importante mencionar, ainda, que o ônus de demonstrar eventuais práticas ilícitas dos sócios das empresas é da Fazenda Pública, que possui a prerrogativa de fiscalizar. Ora, não seria razoável exigir que todos os sócios demonstrem que não praticaram irregularidades, pois, além de se tratar da chamada prova diabólica (impossível de ser produzida), a boa-fé, no ordenamento jurídico pátrio, sempre é presumida (...) No caso concreto, contudo, não houve comprovação de que o sócio efetuou qualquer tentativa de redução do valor dos tributos devidos ou qualquer conduta que tivesse por objetivo retardar a ocorrência do fato gerador dos tributos. Ora, a conduta de “zerar” o faturamento, no caso da Recorrente, representa apenas divergência na interpretação dada à legislação do Imposto de Renda, e no conceito de faturamento, mormente pelo fato de ter havido o repasse dos valores a terceiros, como será demonstrado a seguir. (...)”, e concluíram aduzindo que “(...) não restou caracterizado a prática (quanto mais Fl. 605DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1402-001.889 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722851/2014-27 19 o dolo), pelo responsável legal da empresa, de conduta ilícita, ou ainda a utilização de mecanismos fraudulentos para maquiar ou atrasar a ocorrência dos respectivos fatos geradores, razão pela qual requerem os Recorrentes a reforma da decisão proferida para que Jair Junior Demarco seja excluído da autuação. (...)”; (v) “DA INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITAS”, afirmam que “(...)conforme já mencionado nos autos do presente processo administrativo, a empresa fiscalizada é uma prestadora de serviços de locação e montagem de equipamentos para eventos. Além disso, contudo, ante o bom relacionamento que possui com diversos artistas, e também levando em consideração que para vender os seus serviços (locação e montagem de estruturas para eventos) é preciso que haja os artistas, a Metromix costuma obter, dos artistas, autorizações de comercialização, bem como cartas de exclusividade, possibilitando que a mesma realize contratações com o Poder Público, em que, usualmente, vende seus serviços (locação e montagem de estruturas) juntamente com os shows dos artistas. (...)”, acrescentam que “(...) transitam pela sua conta muitos valores de cachês de artistas renomados, valores esses que, após recebidos, são repassados aos referidos profissionais e/ou às suas empresas, em dinheiro ou via transferências bancárias. Portanto, e tendo em vista que seus blocos de notas extraviaram, bem como que a Recorrente sequer emite nota, na maioria dos casos, para os cachês dos artistas (já que o faturamento é destes, e não da empresa Recorrente), para atender à solicitação da fiscalização e comprovar a origem dos recursos, a Recorrente identificou, nos extratos bancários, as origens dos valores (usualmente vindos de Municípios), e solicitou, individualmente, a todos os municípios com os quais contratou, cópias dos referidos contratos. (...)”, arguiram ainda que “(...) ao considerar todo o valor repassado pelos Municípios à Recorrente como faturamento, o auditor fiscal quer fazer crer que todos os artistas, no ano de 2010, se apresentaram de graça, não tendo recebido nenhum cachê. É evidente que tal assertiva não é verdadeira, fato que indica claramente que a Recorrente repassava, sim, os valores discriminados na planilha aos artistas. (...)”, e concluíram aduzindo que “(...) a fundamentação legal para exclusão do repasse está na própria regra-matriz de incidência tributária do IRPJ, cujo critério material previsto no antecedente da norma jurídica instituidora do tributo estabelece o verbo “auferir renda”, ou seja, vinculando a aplicação do critério quantitativo, no consequente da norma, à existência de faturamento ou receitas tributáveis. Sendo assim, tendo os Recorrentes demonstrado satisfatoriamente a origem dos débitos e os destinatários do repasse, não existe respaldo legal para a cobrança de IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS sobre os valores discriminados nas planilhas destacadas acima, tendo em vista a completa inexistência de subsunção do fato jurídico praticado pela Recorrente à hipótese de incidência dos tributos. (...)”; (vi) “DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA DE 150%”, afirmam que “(...) Uma das limitações ao poder de tributar estabelecidas pela Constituição Federal aos entes da federação é a vedação à utilização de tributo com efeito de confisco, Fl. 606DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1402-001.889 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722851/2014-27 20 conforme disposição do art. 150, IV, da Carta Magna. (...)”, acrescentam que “(...) O chamado “efeito de confisco” é atribuído aos tributos cujas alíquotas e/ou bases de cálculo são instituídas, pelos entes federativos, de forma desproporcional à capacidade do contribuinte, inviabilizando, por exemplo, a manutenção da atividade empresarial ou até mesmo a propriedade de bens móveis e imóveis, seja por pessoa física ou jurídica (...)”, e concluíram aduzindo que “(...) Desse modo, ao contrário do afirmado na decisão recorrida, deve ser menos reduzida a multa aplicada, de 150% para 75%, até mesmo porque, conforme fundamentado no item anterior, o mero inadimplemento do tributo não caracteriza fraude, fato jurídico que, por si só, já afasta a aplicabilidade da previsão do art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/96 (...)”; e, (vii) “DA NECESSIDADE DE EXTINÇÃO DO ARROLAMENTO DE BENS”, afirmam que “(...) todo o débito tributário referente aos tributos equivocadamente lançados de ofício foram constituídos pelo próprio contribuinte, o que, forçosamente, implica no não cumprimento do requisito (i), exposto acima, visto que o débito apenas alcançou montante superior a R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais) porque as declarações foram erroneamente desconsideradas (...)”, acrescentam que “(...) Além disso, não fosse o arbitramento da multa confiscatória, conforme narrado no item 05, também não seria alcançado o valor mínimo para que fossem arrolados os bens, nos moldes do citado diploma normativo. Ora, a redução da multa, de 150% para 75%, importaria na redução da autuação total (principal + juros + multa) para R$ 1.687.681,07 (um milhão, seiscentos e oitenta e sete mil, seiscentos e oitenta e um reais e sete centavos). (...)”, e concluíram aduzindo que “(...) Desse modo, requerem os Recorrentes, como consequência do provimento do recurso em relação aos precitados tópicos, a extinção do arrolamento de seus bens, que é manifestamente ilegal. Sucessivamente, ainda que os argumentos suscitados acima não sejam acolhidos, e tendo em vista a fundamentação contida no item 02 desta Impugnação, deve ser, ao menos, extinto o arrolamento dos bens do Sr. Jair Junior Demarco, tendo em vista sua ilegitimidade para figurar no polo passivo da exação estatal. (...)”. 11. Pois bem. 12. Os Recorrentes asseveraram que “(...) ao contrário do afirmado na decisão recorrida, a Lei nº 12.996/14, além de reabrir o prazo para inclusão de débitos no programa de parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.941/09 (REFIS), também possibilitou a inclusão de tributos vencidos até 31 de dezembro de 2013. Sendo todos os débitos apurados pela fiscalização que deu origem ao auto ora impugnado referentes ao exercício de 2010, conclui-se pela completa possibilidade de adesão, pela Primeira Recorrente, ao REFIS (...)”. 13. Assiste razão aos Recorrentes, vez que a Lei nº 12.865, de 9 de outubro de 2013, com redação alterada pela Lei nº 12.973/2014, modificou os prazos previstos nas Leis nºs 11.941/2009 e 12.249/20101, reabrindo o prazo para parcelamento ou pagamento à vista de débitos vencidos até 30/11/2008, estendendo-o até o dia 31/12/2013, conforme artigo 17, in verbis: 1 https://planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/lei/l12865.htm Fl. 607DF CARF MF Original https://planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/lei/l12865.htm D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1402-001.889 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722851/2014-27 21 Art. 17. O prazo previsto no § 12 do art. 1º e no art. 7º da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, bem como o prazo previsto no § 18 do art. 65 da Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, passa a ser o do último dia útil do segundo mês subsequente ao da publicação da Lei decorrente da conversão da Medida Provisória nº 627, de 11 de novembro de 2013, atendidas as condições estabelecidas neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) 14. Ademais disso, é sabido que a adesão pelo contribuinte ao REFIS caracteriza na desistência dos recursos administrativos interpostos relativos aos processos indicados no Discriminativo de Processos e renúncia às alegações de direito sobre as quais se fundamentam os referidos recursos, bem como de confissão irrevogável e irretratável da condição de devedor dos débitos incluídos na transação. 15. Por fim, importante frisar que esta egrégia Turma Ordinária tem entendimento consolidado que privilegia a busca incansável da verdade material e enseja a valoração da prova com atenção ao formalismo moderado, em observância aos princípios da instrumentalidade e economia processuais, devendo ser considerados todos os fatos e provas novas e lícitas, em detrimento das presunções tributárias ou outros procedimentos que se atentem apenas à verdade formal dos fatos. 16. Portanto, havendo questionamentos acerca da adesão da contribuinte ao REFIS, torna-se necessária a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a unidade de origem da RFB esclareça os seguintes pontos: (i) Inicialmente, junte aos autos as DIPJs e DCTFs da contribuinte, originais e retificadoras, do ano-calendário de 2010; (ii) Informe se houve a adesão da contribuinte ao REFIS? Se sim, de forma integral ou parcial e de quais períodos? Se parcial, quais valores não foram incluídos? A adesão ao parcelamento foi dentro do período de prorrogação instituído pela Lei nº 12.865/2013?; (iii) Os débitos discutidos no feito foram objeto do REFIS? (iv) Que seja elaborado relatório circunstanciado, com as conclusões relacionadas aos questionamentos apresentados, bem como acrescentadas eventuais razões adicionais que auxiliem na solução do litígio; e, (v) Que seja dada ciência aos Recorrentes, com prazo de 30 (trinta) dias para manifestação caso tenham interesse. Findado o prazo, apresentada ou não a manifestação, os autos deverão retornar à esta Turma Julgadora para o prosseguimento do julgamento. Dispositivo 17. Por todo o exposto e por tudo que consta processado nos autos, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade de origem da RFB atenda ao contido nos itens (i) a (iv) acima dispostos. (documento assinado digitalmente) Alessandro Bruno Macêdo Pinto – Relator. Fl. 608DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1402-001.889 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.722851/2014-27 22 Fl. 609DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto

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Numero do processo: 11128.005273/2009-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 20 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2025
Numero da decisão: 3402-004.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar a apreciação do presente Recurso Voluntário, até a ocorrência do trânsito em julgado dos Recursos Especiais 2147578/SP e 2147583/SP, afetos ao Tema Repetitivo 1293 (STJ), nos termos do disposto no artigo 100, do RICARF/2023. Após retornem-se os autos, para julgamento do Recurso Voluntário interposto. Assinado Digitalmente Cynthia Elena de Campos – Relatora Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, Cynthia Elena de Campos, Leonardo Honório dos Santos, Mariel Orsi Gameiro, Mario Sergio Martinez Piccini (substituto integral) e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente).
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar a apreciação do presente Recurso Voluntário, até a ocorrência do trânsito em julgado dos Recursos Especiais 2147578/SP e 2147583/SP, afetos ao Tema Repetitivo 1293 (STJ), nos termos do disposto no artigo 100, do RICARF/2023. Após retornem-se os autos, para julgamento do Recurso Voluntário interposto. Assinado Digitalmente Cynthia Elena de Campos – Relatora Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, Cynthia Elena de Campos, Leonardo Honório dos Santos, Mariel Orsi Gameiro, Mario Sergio Martinez Piccini (substituto integral) e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente).

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Conversão do Julgamento em Diligência RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar a apreciação do presente Recurso Voluntário, até a ocorrência do trânsito em julgado dos Recursos Especiais 2147578/SP e 2147583/SP, afetos ao Tema Repetitivo 1293 (STJ), nos termos do disposto no artigo 100, do RICARF/2023. Após retornem-se os autos, para julgamento do Recurso Voluntário interposto. Assinado Digitalmente Cynthia Elena de Campos – Relatora Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, Cynthia Elena de Campos, Leonardo Honório dos Santos, Mariel Orsi Gameiro, Mario Sergio Martinez Piccini (substituto integral) e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 08-42.597, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação e manteve o lançamento de ofício. O acórdão recorrido foi proferido com a seguinte ementa: Fl. 354DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.137 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.005273/2009-77 2 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 17/01/2005 a 24/05/2006 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX. Aplica-se a multa regulamentar pelo atraso na prestação da informação prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto-Lei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833, no caso de registro intempestivo de dados de embarque marítimo no Siscomex. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Por bem descrever os fatos, reproduzo o relatório da r. decisão de primeira instância: DA AUTUAÇÃO Trata o presente processo sobre Auto de Infração (fls. 04-37) lavrado em 29/07/2009, contra a empresa COMPANHIA LIBRA DE NAVEGAÇÃO, doravante somente CIA LIBRA, com vistas à exigência do crédito tributário no valor total de R$ 845.000,00, referente à multa por embaraço à Fiscalização, conforme previsto na aliena “e” do inciso IV, art. 107, do Decreto-Lei no 37/66. Na descrição dos fatos do Auto de Infração (fls. 5/8), consta que: “Em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, foi(ram) apurada(s) infração(ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. 001 - NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÕES QUE EXECUTAR Concluído levantamento realizado na Equipe de Averbação de manifesto e Retificação de RE Averbado (EQMAX) do Setor de Exportação da Alfândega do Porto de Santos, através do qual se apurou informação dos dados de embarque no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), por parte da transportadora COMPANHIA LIBRA DE NAVEGAÇÃO no ano de 2005 em prazo superior a 07 (sete) dias em 413 embarques/SD realizados através de 169 navios/viagem por ela representados. Em anexo consta à planilha com a relação dos dados de embarque informados fora do prazo por DDE, a data de embarque de cada DDE, a data da informação no Siscomex dos respectivos dados de embarque e quantidade de dias informados fora do prazo, por navio. (...) O atraso na informação dos dados de embarque no Siscomex, de acordo com o art. 44 da IN 28/1994, constitui embaraço à fiscalização, e sujeita o Transportador Marítimo ao pagamento de multa no valor de R$ 5.000,00, conforme previsão legal do art. 107 do Decreto-Lei 37/1966, alterado pelo art. 77 da Lei 10.833/2003: "Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e §3° do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço A atividade de Fl. 355DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.137 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.005273/2009-77 3 fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decreto-lei n° 37/66 com a redação do art. 50 do Decreto-lei n° 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis." (IN n° 28/1994) O Decreto-Lei 37/1966, art. 107, nos traz em sua alínea c. que embaraçar, dificultar ou impedir a ação da fiscalização aduaneira por qualquer meio ou forma (omissiva ou comissiva) constitui embaraço à fiscalização. Nesse caso, a própria IN 28/2004, expressamente no art. 44, enquadra este descumprimento de prazo na informação dos dados de embarque como embaraço cabendo, portanto a multa de RS 5.000,00. Reforçando, no mesmo artigo 107, na alínea e está expresso que deixar de prestar informação nos prazos estabelecidos pela RFB sobre veículo transportador ou carga nele transportada ou suas operações enseja multa de R$ 5.000,00. Com isso, fica claro, por meio desses dois dispositivos legais a infração cometida pelo transportador marítimo. Diante do fundamento acima, a Fiscalização afirma que “fica clara a infração cometida pela COMPANHIA LIBRA DE NAVEGAÇÃO, por descumprimento do prazo na informação dos dados de embarque no Siscomex em relação a 413 embarques em 169 navios, ensejando a multa de R$ 5.000,00 por navio/viagem num total de R$ 8455.000,00”. A Autoridade Fiscal apresentou como prova a planilha de fls. 65-76, “discriminando os números das DDE, a data do embarque, data da informação do embarque e nome do navio, dados estes obtidos por meio eletrônico extraídos do sistema integrado de comercio exterior – SISCOMEX”. DA IMPUGNAÇÃO Devidamente cientificada, em 26/08/2008, e inconformada com a exigência fiscal, a empresa autuada apresentou, em 25/09/2009, a impugnação de fls. 102-136, onde, após um breve relato dos fatos, alega em síntese:  Ilegitimidade passiva: A autuada é agente de navegação enquanto que o transportador internacional é o interveniente. Não pode a fiscalização, devido à ausência de CNPJ do transportador, autuar terceiros sem qualquer embasamento legal;  Vício formal: No Auto de Infração a descrição dos fatos não foi realizada de forma clara e completa, violando o art. 10 do Decreto 70.235/1972. A fiscalização, tão somente, anexou uma planilha quando deveria ter descrito os fatos no próprio Auto de Infração;  Da não caracterização da infração: Não houve descumprimento da determinação legal, mas sim, o registro intempestivo. A impugnante não embaraçou o procedimento, tão logo lhe foi possível, prestou todas as informações. Para as DDE’s 2050037517/8, 2050373692/9 e 2050226971/5 os prazos foram respeitados, conforme determinação do art.5º do Decreto nº 70.235/72 (PAF) e art. 23 da Lei nº 9.784/99.  Atraso nas informações pelo exportador Fl. 356DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.137 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.005273/2009-77 4  Denúncia espontânea: alega denúncia espontânea, pois o transportador não deixou de prestar informações, mas sim adicionou o registro no SISCOMEX antes da lavratura do Auto de Infração. A Contribuinte foi intimada pela via eletrônica em 14/05/2018 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 242), protocolando o Recurso Voluntário em 13/06/2018 (Termo de Análise de Solicitação de Juntada de fls. 245) e, com os mesmos argumentos da peça de impugnação, preliminarmente arguiu sua ilegitimidade passiva e, no mérito, pediu a insubsistência do auto de infração, o cancelamento da multa exigida e arquivamento do processo. Após, o processo foi encaminhado para inclusão em lote e sorteio para julgamento. É o relatório. VOTO Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora 1.Pressupostos legais de admissibilidade O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. 2. Objeto do presente litígio Trata-se de auto de infração lavrado para exigência de multa no valor total de R$ 845.000,00, com fundamento legal no art. 107, IV, alínea “e”, do Decreto-Lei nº 37/1966, que assim dispõe: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a- porta, ou ao agente de carga. O lançamento teve por motivação a conclusão de que em relação a 413 embarques realizados em 169 navios/viagem, a Recorrente prestou informações após o prazo previsto pelo art. 44 da IN SRF nº 28/1994. Com isso, resta evidente que o presente litígio tem por objeto multa de natureza aduaneira, invocada como fundamento legal para o lançamento de ofício. Fl. 357DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.137 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.005273/2009-77 5 3. Do necessário sobrestamento do processo. Tema 1.293/STJ. Incidência do art. 100 do RICARF/2023. Assim prevê art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/99: Art. 1º Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado. § 1º Incide a prescrição no procedimento administrativo paralisado por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, cujos autos serão arquivados de ofício ou mediante requerimento da parte interessada, sem prejuízo da apuração da responsabilidade funcional decorrente da paralisação, se for o caso. (sem destaque no texto original) Cumpre esclarecer que recentemente o Egrégio Superior Tribunal de Justiça afetou o julgamento do REsp 2147578/SP (paradigma principal) e REsp 2147583/SP ao rito dos recursos repetitivos para delimitar o seguinte tema: Definir se incide a prescrição intercorrente prevista no art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/1999 quando paralisado o processo administrativo de apuração de infrações aduaneiras, de natureza não tributária, por mais de 3 anos. Em sessão realizada no dia 12/03/2025, foi julgado o mérito do recurso e, por unanimidade de votos, foi dado provimento ao Recurso Especial, com a fixação das seguintes teses no Tema Repetitivo 12931: 1. Incide a prescrição intercorrente prevista no art. 1º, §1º, da Lei 9.873/1999 quando paralisado o processo administrativo de apuração de infrações aduaneiras, de natureza não tributária, por mais de 3 anos. 2. A natureza jurídica do crédito correspondente à sanção pela infração à legislação aduaneira é de direito administrativo (não tributário) se a norma infringida visa primordialmente ao controle do trânsito internacional de mercadorias ou à regularidade do serviço aduaneiro, ainda que, reflexamente, possa colaborar para a fiscalização do recolhimento dos tributos incidentes sobre a operação. 3. Não incidirá o art.1º, §1º, da Lei 9.873/99 apenas se a obrigação descumprida, conquanto inserida em ambiente aduaneiro, destinava-se direta e imediatamente à arrecadação ou à fiscalização dos tributos incidentes sobre o negócio jurídico realizado. No presente processo, o Despacho de Encaminhamento de fls. 353 foi proferido em 18/07/2018, conforme abaixo colacionado: 1 Fonte: https://processo.stj.jus.br/processo/pesquisa/?tipoPesquisa=tipoPesquisaNumeroRegistro&termo=202400058975 Fl. 358DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.137 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.005273/2009-77 6 Por sua vez, em consulta ao andamento processual indicado no site deste CARF, consta que após a entrada no dia 18/07/2018 (data do Despacho de Encaminhamento), somente em 15/12/2022 o processo foi movimentado para aguardar a distribuição e sorteio, o que ocorreu em 17/03/2025. Vejamos: Portanto, considerando a natureza aduaneira da multa prevista pelo art. 107, inc. IV, alínea "e" do Decreto-lei nº 37/66 e, diante da paralização do processo por mais de 3 (três) anos, na forma acima demonstrada, constata-se que é possível a aplicação do § 1º do art. 1º, da Lei 9.873/99, na forma delimitada pela tese firmada no Tema 1293 pelo Superior Tribunal de Justiça. Fl. 359DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3402-004.137 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.005273/2009-77 7 Outrossim, o artigo 100 do RICARF, aprovado pela Portaria MF 1.634 de 21 de dezembro de 2023 assim dispõe: Art. 100. A decisão pela afetação de tema submetido a julgamento segundo a sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos não permite o sobrestamento de julgamento de processo administrativo fiscal no âmbito do CARF, contudo o sobrestamento do julgamento será obrigatório nos casos em que houver acórdão de mérito ainda não transitado em julgado, proferido pelo Supremo Tribunal Federal e que declare a norma inconstitucional ou, no caso de matéria exclusivamente infraconstitucional, proferido pelo Superior Tribunal de Justiça e que declare ilegalidade da norma. Parágrafo único. O sobrestamento do julgamento previsto no caput não se aplica na hipótese em que o julgamento do recurso puder ser concluído independentemente de manifestação quanto ao tema afetado. (sem destaque no texto original) Considerando as razões acima e, por força do artigo 100 do RICARF/2023, deve ser sobrestado o julgamento do recurso até o trânsito em julgado dos Recursos Especiais 2147578/SP e 2147583/SP, afetos ao Tema Repetitivo 1293 (STJ). Após, deverá o processo retornar a este Colegiado para inclusão em pauta e julgamento. É como voto. Assinado Digitalmente Cynthia Elena de Campos Fl. 360DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto

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Numero do processo: 10384.900393/2012-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Fri Jul 04 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/11/2008 DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. ARTIGO 373, INCISO I DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL É ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, devendo ser aplicado o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. RESTITUIÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do quanto alegado.
Numero da decisão: 3402-012.559
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-012.552, de 17 de abril de 2025, prolatado no julgamento do processo 10384.900358/2012-72, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, Cynthia Elena de Campos, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha (substituto integral), Mariel Orsi Gameiro, Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão (substituto integral) e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). Ausente o conselheiro Leonardo Honório dos Santos, substituído pelo conselheiro Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha.
Nome do relator: ARNALDO DIEFENTHAELER DORNELLES

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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-012.552, de 17 de abril de 2025, prolatado no julgamento do processo 10384.900358/2012-72, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, Cynthia Elena de Campos, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha (substituto integral), Mariel Orsi Gameiro, Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão (substituto integral) e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). Ausente o conselheiro Leonardo Honório dos Santos, substituído pelo conselheiro Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha.

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conteudo_txt : Metadados => date: 2025-07-04T12:06:54Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-07-04T12:06:54Z; Last-Modified: 2025-07-04T12:06:54Z; dcterms:modified: 2025-07-04T12:06:54Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-07-04T12:06:54Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-07-04T12:06:54Z; meta:save-date: 2025-07-04T12:06:54Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-07-04T12:06:54Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-07-04T12:06:54Z; created: 2025-07-04T12:06:54Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2025-07-04T12:06:54Z; pdf:charsPerPage: 1786; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-07-04T12:06:54Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10384.900393/2012-91 ACÓRDÃO 3402-012.559 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 17 de abril de 2025 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE DISTRIMED COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/11/2008 DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. ARTIGO 373, INCISO I DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL É ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, devendo ser aplicado o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. RESTITUIÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do quanto alegado. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-012.552, de 17 de abril de 2025, prolatado no julgamento do processo 10384.900358/2012-72, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, Cynthia Elena de Campos, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha (substituto integral), Mariel Orsi Gameiro, Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão (substituto integral) e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). Ausente o conselheiro Leonardo Honório dos Santos, substituído pelo conselheiro Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha. Fl. 132DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.559 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10384.900393/2012-91 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que não homologou o Pedido de PER/DCOMP apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/11/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Contribuinte foi intimada da decisão de primeira instância pela via eletrônica, protocolando o Recurso Voluntário com pedido de homologação integral da Declaração de Compensação, sustentando a legitimidade de seu direito creditório no princípio da verdade material e requerendo a conversão do julgamento em diligência para comprovação do crédito alegado. Através da Resolução nº 3402-002.622 o julgamento do recurso foi convertido em diligência nos seguintes termos: Assim, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, voto no sentido de determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem: a) Junte aos autos a comprovação da data de interposição do recurso voluntário; b) Intime a recorrente a, dentro de prazo razoável, apresentar cópias da escrituração contábil/fiscal do período de apuração do crédito alegado e outros documentos que entenda relevantes a fim de comprovar a veracidade das Fl. 133DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.559 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10384.900393/2012-91 3 informações constantes no Dacon e do erro apontado na DCTF que amparariam o direito creditório pleiteado; c) Em Relatório Conclusivo, manifeste-se acerca da documentação apresentada pela recorrente e da sua potencialidade para comprovar o direito creditório pleiteado e em que medida, independentemente da retificação da DCTF; d) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendo-lhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e e) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento. Realizada a diligência o processo retornou para julgamento. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Pressupostos legais de admissibilidade Conforme Despacho de Encaminhamento de fls. 78, o Recurso Voluntário é tempestivo. Considerando o preenchimento dos requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Mérito Conforme relatório, versa o presente litígio sobre Declaração de Compensação objeto do PER/DCOMP nº 31705.31098.291009.1.3.04-0502, mediante a qual pretende a contribuinte compensar débitos com supostos créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado por meio de DARF com código da receita 2172, de 20/08/2008, no valor R$ 2.856,32. No que concerne ao direito creditório, em análise das alegações da então manifestante, decidiu o julgador a quo no seguinte sentido: De fato, a Lei nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, reduziu a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita bruta de produtos especificados. Contudo, o manifestante não apresentou nenhum documento que ateste a ocorrência de erro na apuração de COFINS, que redundou no recolhimento do Darf objeto do PER/DCOMP tratado no Despacho Decisório contestado, sendo insuficiente como meio de prova uma mera planilha com a indicação de supostos valores corretos. (...) Fl. 134DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.559 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10384.900393/2012-91 4 Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. No caso, o recorrente não comprova erro que possa alterar o fundamento do despacho decisório. Na falta de comprovação do erro, a divergência entre os valores informados em Dacon e DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido de restituição ou da compensação. Tendo em vista a existência de informações divergentes nos sistemas da RFB entre a DCTF e o Dacon, para melhor esclarecimento e em homenagem ao princípio da verdade material, foi proferida a Resolução nº 3402-002.615, de relatoria da ilustre Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, com a seguinte determinação: Assim, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, voto no sentido de determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem: a) Junte aos autos a comprovação da data de interposição do recurso voluntário; b) Intime a recorrente a, dentro de prazo razoável, apresentar cópias da escrituração contábil/fiscal do período de apuração do crédito alegado e outros documentos que entenda relevantes a fim de comprovar a veracidade das informações constantes no Dacon e do erro apontado na DCTF que amparariam o direito creditório pleiteado; c) Em Relatório Conclusivo, manifeste-se acerca da documentação apresentada pela recorrente e da sua potencialidade para comprovar o direito creditório pleiteado e em que medida, independentemente da retificação da DCTF; d) Intime a recorrente do resultado da diligência, concedendo-lhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011; e e) Por fim, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento. Em cumprimento à diligência foi elaborado Relatório Conclusivo pela Unidade Preparadora com o seguinte resultado: Fl. 135DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.559 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10384.900393/2012-91 5 Constata-se que a Recorrente, apesar de ter apresentado as planilhas solicitadas, Balanço Patrimonial e DRE/2008, deixou de entregar à Autoridade Fiscal os balancetes contábeis, bem como notas fiscais referentes às vendas no período, impossibilitando a apuração correta do valor devido a título de COFINS de julho de 2008, especialmente em razão das divergências entre os demonstrativos elaborados pela própria Contribuinte, a exemplo dos valores indicados no Relatório de Diligência. Em se tratando de pedido de crédito, aplica-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito. Neste sentido, colaciono as decisões abaixo ementadas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 Fl. 136DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.559 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10384.900393/2012-91 6 RESSARCIMENTO DO IPI. COMPROVAÇÃO Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários a apreciação de pedido formulado, a demonstrar o direito do contribuinte, ele se obriga a apresentá-los para comprovar o seu direito, caso contrário se sujeita à análise de seu pedido destituída de provas. ÔNUS DA PROVA Cabe a defesa do ônus dos fatos que fundamentam o pedido de ressarcimento. Recurso voluntário negado. (Acórdão nº 3403-003.392 – PAF nº 13869.000095/00-40 – Relator: Conselheiro Antonio Carlos Atulim) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Data do Fato Gerador: 20/04/2007 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. (Acórdão nº 9303-007.218 – PAF nº 10840.909854/2011-86 – 3ª Turma da CSRF - Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Possas) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2004 COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO. (Acórdão nº 9303-002.562 – PAF nº 10120.904658/2009-26 – 3ª Turma da CSRF - Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Possas) Destaco a fundamentação que embasou o voto condutor do v. Acórdão nº 9303- 002.562, de relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, abaixo reproduzida: Aqui o ônus probante é daquele que pleiteia o direito creditório, nos exatos termos do art. 333 do CPC. A comprovação de uma das partes de determinado fato ou situação jurídica decorre da distribuição legal do ônus da prova. Há que se “convencer” o julgador da existência do direito e a parte contrária dos fatos impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do sujeito ativo. O que ocorre é a assunção dos riscos de uma decisão desfavorável de quem efetivamente tinha o ônus probatório, ou seja, o encargo jurídico de demonstrar Fl. 137DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.559 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10384.900393/2012-91 7 a veracidade de fatos ou a existência de situações jurídicas que ensejassem que os julgadores tomassem uma decisão que lhe fosse favorável. Não há a obrigatoriedade das partes em se produzir a prova. É interesse de ambas as parte em fazê-lo. Mas se o ônus decaí em uma parte e ela não o faz, assume os riscos e as consequências estabelecidos no arcabouço jurídico relacionado àquela matéria. O ônus da prova não é um dever e nem um comportamento necessário da parte interessada, mas um direito de a parte poder convencer os julgadores acerca da veracidade de suas alegações, aumentando as chances de uma decisão favorável. In casu, o titular do direito creditório, em tese, é que tem que provar, por meio de provas suficiente para demonstrar a certeza e liquidez do direito. A meu ver o contribuinte não se desincumbiu desse ônus. Destarte, apenas com a retificação da DCTF não gera direito creditório. Mesmo que haja uma retificação a destempo, o fato é que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem relativizando o entendimento da preclusão tanto da retificação da DCTF quanto ao momento da apresentação de provas, desde sejam provas cabais, necessárias e suficientes. A prova deve exaurir em si mesma, ou seja, a sua simples apresentação é suficiente para a comprovação do direito, não tendo que se fazer outras averiguações. Reforçando: quando demonstrado pelo contribuinte, que o seu direito creditório é líquido e certo, tudo em homenagem ao Princípio da Verdade Material, desde que sejam apresentadas as provas necessárias e suficientes para embasar a operação, tem-se relativizado a ocorrência da preclusão temporal. Nesse sentido, há diversos julgados, tais como: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2003 DCTF. RETIFICAÇÃO CONSIDERADA NÃO ESPONTÂNEA EM PROCESSO ANTERIOR. VERDADE MATERIAL. DCTF retificadora apresentada de forma não espontânea, em virtude de transmissão efetivada após a ciência de despacho decisório de não homologação de compensação, que não reconhecer o direito creditório alegado, viabiliza compensações posteriores, relativas a esse mesmo crédito se for comprovada através dos documentos fiscais competentes em virtude do princípio da verdade material. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento, como no caso, os dados da escrita fiscal do contribuinte, para a comprovação da existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido (Acórdão 130201.015– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 Fl. 138DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.559 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10384.900393/2012-91 8 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. A simples retificação, desacompanhada de suporte probatório, não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Acórdão3802001.550– 2ª Turma Especial) Observe-se que para que seja aceito o direito creditório, ainda que a DCTF não tenha sido retificada espontaneamente, deve ser comprovado de maneira cabal o direito creditório, mediante a comprovação dos valores pagos a maior pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam. É dizer, planilha confeccionada pela empresa, desacompanhada de quaisquer outros documentos, não se prestam à finalidade almejada. Aliás, a consulta ao banco de dados da jurisprudência deste Conselho, demonstra que há diversos pedidos de compensação da Recorrente, que foram denegados pela ausência de prova, como os Acórdãos 3802001.602, 3801001.660, 3801001.659, 3802001.598, 3802001.599, 3802001.593, entre outros. (sem destaques no texto original) Portanto, diante da impossibilidade de apuração do crédito, na forma esclarecida pela Unidade Preparadora e, uma vez não atendido o ônus probatório de encargo da Contribuinte, não há como reconhecer o direito creditório, devendo ser mantida a decisão recorrida. Ante o exposto, conheço e nego provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Redator Fl. 139DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10530.900272/2012-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Jun 30 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIMENTO O Recurso Especial não deve ser conhecido, pois os paradigmas indicados não guardam relação de similitude fática com o aresto recorrido, fato que torna inviável a aferição de divergência interpretativa entre os acórdãos confrontados.
Numero da decisão: 9303-016.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Sala de Sessões, em 16 de abril de 2025. Assinado Digitalmente Alexandre Freitas Costa – Relator Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan, Semíramis de Oliveira Duro, Vinicius Guimaraes, Tatiana Josefovicz Belisário, Dionísio Carvallhedo Barbosa, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green e Regis Xavier Holanda (Presidente)
Nome do relator: ALEXANDRE FREITAS COSTA

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AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIMENTO O Recurso Especial não deve ser conhecido, pois os paradigmas indicados não guardam relação de similitude fática com o aresto recorrido, fato que torna inviável a aferição de divergência interpretativa entre os acórdãos confrontados. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Sala de Sessões, em 16 de abril de 2025. Assinado Digitalmente Alexandre Freitas Costa – Relator Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan, Semíramis de Oliveira Duro, Vinicius Guimaraes, Tatiana Josefovicz Belisário, Dionísio Carvallhedo Barbosa, Alexandre Freitas Costa, Denise Madalena Green e Regis Xavier Holanda (Presidente) Fl. 717DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.793 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10530.900272/2012-19 2 RELATÓRIO Trata-se de recurso especial interposto pela Contribuinte em face do Acórdão n° 3301-009.461, de 16 de dezembro de 2020, fls. 357/376, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. Os recursos administrativos apresentados pela recorrente, demonstrando compreensão da descrição dos fatos contida na autuação e enfrentando as imputações que lhe são feitas, afastam a alegação de nulidade por cerceamento de defesa, não restando caracterizado óbice ao exercício do direito de defesa. Inexistindo qualquer das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 e observados todos os requisitos do artigo 10 do mesmo diploma legal, não há que se falar em nulidade da autuação. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. ATIVIDADES INTERMEDIÁRIAS. IMPOSSIBILIDADE. Não há possibilidade de creditamento em relação aos dispêndios com a contratação de serviços, quando sua prestação se dá em atividades intermediárias da pessoa jurídica. NÃO CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO AO CRÉDITO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Fl. 718DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.793 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10530.900272/2012-19 3 Conforme o estabelecido nos incisos III e IX, do art. 3º, respectivamente, da Lei nº 10.833/03 e da Lei nº 10.637/02, somente gera direito ao crédito a energia elétrica, efetivamente, consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Dessa forma, não são aptos a gerar o direito ao crédito os valores pagos a outros títulos, tais como: taxas de iluminação pública, demanda contratada, juros, multa, dentre outros. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. NECESSIDADE DE JUNTADA DE ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL COMPLETA. Na ausência de elementos probatórios que comprovem o pagamento a maior, torna-se mister atestar o inadimplemento dos requisitos de liquidez e certeza, insculpidos no art. 170 do CTN. É imperativa a juntada completa de elementos de escrituração contábil, apta a lastrear a compensação perquirida. PRODUÇÃO ADICIONAL DE PROVAS. DESNECESSIDADE. TRANSCURSO REGULAR DO PAF E EXERCÍCIO PLENO DO DIREITO DE DEFESA. Havendo hígido transcurso do PAF, oportunizando-se ao Contribuinte a plena demonstração de seu direito e juntada de acervo probatório, não há que ser deferido pleito de diligência posterior. Esta se presta apenas a casos de última necessidade, em que há demonstração de razoável dúvida quanto ao direito vindicado e seu apontamento. Se o Recorrente não juntou provas suficientes ao longo da instrução processual, o fez por conta e risco e pura liberalidade Consta do respectivo acórdão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Divergiram os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Salvador Candido Brandão Júnior e Liziane Angelotti Meira para reconhecer o direito de crédito sobre energia contratada. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo- lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-009.459, de 16 de dezembro de 2020, prolatado no julgamento do processo 10530.900269/2012-03, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Síntese do Autos Trata-se de processo em que se analisa Despacho Decisório que indeferiu o Pedido de Ressarcimento (PER) e homologou ou homologou parcialmente as Declarações de Compensação (DCOMP) apresentadas pela Contribuinte. Fl. 719DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.793 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10530.900272/2012-19 4 Na manifestação de inconformidade, a contribuinte, após fazer um breve relato dos fatos e alegar a tempestividade do recurso, apresentou a sua defesa. A DRJ julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, revertendo a glosa inerente aos serviços de transporte de ouro bruto. Cientificado da decisão de primeira instância, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou seu pedido, repisando os argumentos de defesa. Preliminarmente, alega ocorrer cerceamento do direito de defesa, pois em momento algum foi intimada a apresentar “esquema elétrico/memorial do local do consumo”, conforme requereu a DRJ. Ressalta que a DRF reconheceu o direito creditório sobre a energia elétrica e glosou apenas os créditos relativos às despesas com demanda contratada e utilização do sistema de distribuição elétrica. Nessa senda, aduz que “a única controvérsia suscitada pela Autoridade Fiscal se refere à possibilidade de tomada de crédito sobre os pagamentos realizados a título de demanda contratada e utilização do sistema de distribuição.” De arremate, sustenta que o princípio da verdade material conduz à necessidade de realização de diligências investigativas para dirimir eventuais questionamentos probatórios circundantes ao tema. Quanto ao mérito, contesta as glosas com despesas de alimentação e transporte de funcionários. Questiona, ainda, as glosas de despesas de energia elétrica e dos encargos de depreciação. Protesta, também, as glosas de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos. Por fim, requer seja subsidiariamente a conversão do julgamento em diligência, para fins de apresentação de provas adicionais aptas a corroborar a liquidez e certeza de seu direito vindicado. A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção, por maioria de votos, rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, negou provimento ao Recurso Voluntário. Inconformada com a decisão, a Contribuinte interpôs Recurso Especial (fls. 410/439), através do qual suscita divergência jurisprudencial de interpretação da legislação tributária referente (1) à nulidade da decisão de julgamento administrativo de primeira instância e da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa e (2) ao direito à tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre (2.1) os gastos com os serviços de alimentação e transporte de funcionários; (2.2) os gastos com energia elétrica, e (2.3.) os encargos de depreciação e alugueis de prédios, máquinas e equipamentos. Indica como paradigmas: Fl. 720DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.793 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10530.900272/2012-19 5 O recurso foi parcialmente admitido pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF por meio do Despacho de Admissibilidade (fls. 567/580), exclusivamente em relação à matéria direito à tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre gastos com energia elétrica a título de demanda contratada. Foi então interposto Agravo pela Contribuinte (fls. 603/617), o qual foi parcialmente acolhido pelo Despacho em Agravo de fls. 653/658) para determinar o retorno dos autos à 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, para que se prosseguisse no exame dos demais pressupostos de admissibilidade do recurso especial relativamente à matéria “gastos com os serviços de alimentação e transporte de funcionários”, antes da apreciação do agravo relativo às demais matérias recorridas. Desta forma, foi proferido o Despacho de Admissibilidade de fls. 660/664 por meio do qual a Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento à matéria gastos com os serviços de alimentação e transporte de funcionários. Diante deste novo despacho, foram então analisados os demais temas agravados por meio do Despacho em Agravo de fls. 666/676, por meio não foram acolhidos os argumentos da Contribuinte determinando o seguimento do recurso especial exclusivamente quanto àquelas matérias admitidas. Apresentou, então, a Contribuinte petição a qual denominou de Embargos de Declaração (fls. 685/687) por meio do qual alegava encontrar-se pendente de análise “a questão acerca da admissibilidade do Recurso Especial da Embargante sobre os gastos com energia elétrica pelo uso do sistema de distribuição”. Foi então proferido o Despacho em Requerimento de fls. 690/694 esclarecendo que “o despacho de agravo se restringiu às matérias em que o despacho de admissibilidade havia Fl. 721DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.793 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10530.900272/2012-19 6 negado seguimento ao recurso especial, considerando que o Presidente da 3ª Câmara reconheceu a existência de dissídio jurisprudencial em relação aos valores incluídos na fatura de elétrica a título de uso do sistema de distribuição”. Do Recurso Especial Foram admitidas exclusivamente as matérias (i) direito à tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre gastos com energia elétrica a título de demanda contratada, para a qual foi indicado como paradigma os Acórdãos n.º 3201-007.440 e 3302- 007.161; e (ii) gastos com os serviços de alimentação e transporte de funcionários, com a indicação do Acórdão n.º 3302-006.736 como paradigma. Em suas razões recursais sustenta, quanto às matérias admitidas, que:  direito à tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre gastos com energia elétrica a título de demanda contratada: o a demanda contratada é a potência ativa a ser disponibilizada pela concessionária ao consumidor, que pode ou não ser utilizada durante o período de faturamento; o os valores pagos a título de utilização do sistema de distribuição elétrica em alta tensão podem ser definidos como a tarifa cobrada pela Transmissora de energia elétrica do contribuinte, pela utilização da conexão e uso do sistema de transmissão, na entrada do estabelecimento do consumidor da energia elétrica conectado à rede básica de energia; o a energia elétrica adquirida pela Recorrente foi empregada em seu processo produtivo e as despesas com demanda contratada e uso do sistema fazem parte da mesma fatura da energia elétrica consumida; o são custos pagos pela Recorrente à concessionária para deixar disponível a rede (meio) para o consumo dessa mesma energia elétrica; o a energia elétrica adquirida pela Recorrente era destinada para uma estação de bombeamento de água utilizada no processo produtivo, para as instalações de lavra, tal como atestado pela DRF com base nos documentos analisados durante a ação fiscal;  gastos com os serviços de alimentação e transporte de funcionários; Fl. 722DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.793 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10530.900272/2012-19 7 o no caso em tela, o transporte de funcionários até o local das minas de extração é parte integrante do processo produtivo da Recorrente; o as despesas com serviços de fornecimento de alimentação, no caso específico da Recorrente, por se tratar de áreas praticamente isoladas, não podem ser consideradas dispensáveis. Intimada, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões (fls. 703/714) pugnando, em preliminar, pelo não conhecimento do recurso especial e, no mérito, que lhe seja negado provimento. É o relatório. VOTO Conselheiro Alexandre Freitas Costa, Relator OBS: MATÉRIA FOI JULGADA EM 10/10/2024 – Acórdão n.º 9303-016.159 Do conhecimento O recurso é tempestivo e, face aos argumentos trazidos pela Fazenda Nacional, deve ter sua admissibilidade mais bem analisada. i) Direito à tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre gastos com energia elétrica a título de demanda contratada O acórdão recorrido apresenta a seguinte ementa quanto à matéria: NÃO CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO AO CRÉDITO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Conforme o estabelecido nos incisos III e IX, do art. 3º, respectivamente, da Lei nº 10.833/03 e da Lei nº 10.637/02, somente gera direito ao crédito a energia elétrica, efetivamente, consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Dessa forma, não são aptos a gerar o direito ao crédito os valores pagos a outros títulos, Fl. 723DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.793 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10530.900272/2012-19 8 tais como: taxas de iluminação pública, demanda contratada, juros, multa, dentre outros. Os acórdãos indicados como paradigma consignam em suas ementas quanto à matéria, respectivamente: Acórdão n.º 3201-007.440 ENERGIA ELÉTRICA. CRÉDITO. DEMANDA CONTRATADA. O dispêndio com a demanda contratada, incluído na fatura de energia elétrica, tem caráter obrigatório, objetiva o efetivo funcionamento do estabelecimento e tem caráter social, tendo o sistema elétrico sido concebido de forma a atender satisfatoriamente toda a sociedade, razão pela qual ele deve ser incluído no desconto de crédito da contribuição não cumulativa. Acórdão n.º 3302-007.161 NÃO-CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. DISPÊNDIOS COM OS ENCARGOS PELO USO DOS SISTEMAS DE TRANSMISSÃO E DISTRIBUIÇÃO DA ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO AO CRÉDITO. Na apuração do PIS e Cofins não-cumulativos podem ser descontados créditos sobre os encargos pelo uso dos sistemas de transmissão e distribuição da energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros. Argumenta a Fazenda Nacional que o especial não deve ser admitido nesta matéria por ausência de similitude fática entre os acórdãos paragonados, uma vez que o acórdão n.º 3302- 006.376 cuidou de analisar empresa do setor agroindustrial, enquanto no presente caso se trata de uma empresa mineradora; e, quanto ao acórdão n.º 3201-007.440, que este foi reformado pelo acórdão n.º 9303-014.078. Analisando-se o acórdão paradigma n.º 3302-007.161, verifica-se que ele estava a tratar do “direito ao crédito das contribuições relativo às despesas com o uso e transmissão de rede de energia elétrica”, enquanto no acórdão recorrido, cuida-se da análise do direito à tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre gastos com energia elétrica a título de demanda contratada. Desta forma não há a similitude fática mínima necessária à admissão deste paradigma. Fl. 724DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.793 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10530.900272/2012-19 9 Da análise do acórdão paradigma n.º 3201-007.440, não assiste razão à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional por sua inadmissibilidade em razão da reforma realizada por meio do acórdão n.º 9303-014.078. Estabelece o inciso II do parágrafo 12 do art. 118 do RICARF que “não servirá como paradigma o acórdão que, na data da interposição do recurso, tenha sido reformado ou objeto de desistência ou renúncia do interessado na matéria que aproveitaria ao recorrente”. O acórdão 9303-014.078 foi proferido em sessão realizada em 20/06/2023, data esta posterior à interposição do recurso especial pela contribuinte (19/03/2021), razão pela qual é apto à condição de paradigma o acórdão 3201-007.440, uma vez que ele tratou da matéria. Entretanto, o acórdão recorrido se assenta em mais de um fundamento, todos autônomos e suficientes para sua e a parte não traz divergência jurisprudencial com relação a todos eles. O acórdão do recurso voluntário expôs argumento autônomo para negar provimento ao direito: a ausência de segregação da glosa sobre a energia elétrica consumida daquela contratada. Veja-se do voto condutor: Ressalto, outrossim, a ausência de elementos probatórios que fazem jus ao adimplemento da liquidez e certeza do direito creditório. Assim, além dos fatores acima descritos, o Contribuinte falhou em cumprir os ditames do art. 170 do CTN. E, por fim, assevero que não se debate sobre a possibilidade de limitar o crédito de energia elétrica ao setor produtivo ou comercial, tema este já abordado nesta Turma Ordinária (Acórdão 3301- 006.987, Rel. Cons. Salvador Cândido Brandão Junior, sessão de 23/10/2019); o que se discute em tela é a possibilidade de segregação da glosa sobre a energia elétrica consumida daquela contratada. De modo que adoto a hermenêutica da Lei nº 10.637/2002, art. 3º, inciso IX, e Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso III, segundo a qual só merece direito creditório tocante a energia elétrica efetivamente consumida. Desta forma, não tendo sido caracterizada a similitude fática mínima necessária ao conhecimento do recurso, voto pelo seu não conhecimento. ii) Gastos com os serviços de alimentação e transporte de funcionários Fl. 725DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.793 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10530.900272/2012-19 10 Entende a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional que o especial não deve ser admitido nesta matéria, uma vez que acórdão paradigma e recorrido não analisam o mesmo processo produtivo: neste se trata de uma mineradora; naquele, de uma agroindústria. Dispõem, respectivamente, as ementas do acórdão recorrido e paradigma quanto à matéria: Acórdão recorrido CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. [...] REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. ATIVIDADES INTERMEDIÁRIAS. IMPOSSIBILIDADE. Não há possibilidade de creditamento em relação aos dispêndios com a contratação de serviços, quando sua prestação se dá em atividades intermediárias da pessoa jurídica. Acórdão paradigma CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. [...] CRÉDITO SOBRE COMBUSTÍVEIS UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE PESSOAS. Geram créditos os combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que são empregados no transporte de trabalhadores e de produtos acabados. Fl. 726DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.793 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10530.900272/2012-19 11 Cotejando os acórdãos paragonados, verifica-se que ambos adotaram o mesmo conceito de insumo, qual seja, aquele trazido pelo REsp n.º 1.221.170/PR, divergindo apenas quando à consideração de admissibilidade do crédito em atividades intermediárias do processo produtivo, ou não. Entendeu o recorrido que a tomada de crédito dos gastos com os serviços de alimentação e transporte de funcionários não poderia ser reconhecido por duas razões: falha na demonstração do binômio essencialidade/relevância e por considerar que esses dispêndios são “atividades intermediárias”, não integrantes do processo produtivo: Conforme relatado, a DRJ manteve as glosas de despesas de alimentação e transporte de funcionários, por não ter relação com o processo produtivo da empresa. Noutro giro, o Contribuinte sustenta que tais despesas são essenciais e necessárias, enquadrada nos moldes do REsp n° 1.221.170/PR. Transcrevo alguns trechos da petição recursal: (...) A despeito da bem elaborada tese do Contribuinte, não vejo como acolhê-la. Ressalto que, como visto alhures, o conceito de insumo foi balizado pelo Parecer Normativo COSIT/RFB n° 05/2018, emitido com lastro no REsp n° 1.221.170/PR, que tem por conclusão: (...) Somando-se a isso, vejo que o Recorrente falhou em apontar o adimplemento ao binômio essencialidade/relevância, que é fundamental à pretendida reversão das glosas e em rebate ao teor do Parecer COSIT. Portanto, assiste razão à DRJ, quando em seu teor decisório explana que: Conforme já sintetizado, o novo entendimento de insumo — definido pelo STJ, por meio do Recurso Especial Repetitivo nº 1.221.170/PR (RESP), e delineado pela Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF e pelo Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018 — estabelece que, para serem considerados insumos geradores de crédito, não basta que os bens e serviços em discussão sejam empregados na consecução das atividades da empresa, como alegou o contribuinte, mas sejam utilizados no processo produtivo (direta ou indiretamente), e atendam os critérios de essencialidade ou relevância. (...) Portando, diante do entendimento acima, a glosa de créditos de PIS e COFINS, referentes às despesas incorridas com a contratação de serviços de transporte e alimentação de seus funcionários, merece ser mantida, pois não tem relação com o processo produtivo da empresa. (...) Além do mais, como não poderia ser diferente, cito precedente desta própria Turma Ordinária, de lavra do insigne Conselheiro Valcir Gassen (Acórdão n° 3301007.117, sessão de 20/11/2019), o qual destaca que as despesas com os serviços considerados como “atividades intermediárias” não conferem ao Contribuinte o direito a crédito: (...) Fl. 727DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9303-016.793 – CSRF/3ª TURMA PROCESSO 10530.900272/2012-19 12 Já o acórdão n.º 3302-006.376 reconheceu o direito a tal crédito por entender que sua glosa ocorrera em cadeia verticalizada, caracterizando-os como o “insumo do insumo”. Do voto condutor cabe a seguinte transcrição: Mantendo o entendimento já esposado no supra referido julgamento, admite-se que a glosa imposta pela fiscalização deve ser revertida em relação aos bens e serviços mencionados, eis que tratam-se de custos essenciais à fase agrícola da atividade industrial, exceto os bens ligados à "administração". "Contém despesas de notas fiscais de prestação de serviços pagas a fornecedores pessoas jurídicas, com atividades de transporte, fornecimento de mão de obra, máquinas e equipamentos utilizados no plantio, [...] [...] Conclusivamente, a fase agrícola do processo produtivo de cana de açúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos para a Contribuição em destaque. Precedentes deste CARF.” Embora não seja impeditivo ao conhecimento do recurso especial a divergência entre as atividades produtivas ora analisadas (agroindústria e mineração) por se tratar da análise de atividades de cadeia verticalizada com difícil acesso dos trabalhadores ao trabalho, não se deve conhecer do recurso uma vez existir, no acórdão recorrido, argumento autônomo suficiente à sua manutenção: não comprovação de essencialidade e relevância posto no acórdão recorrido. Desta forma, voto por não conhecer do Recurso Especial nesta matéria. Dispositivo Pelo exposto, voto por não conhecer o Recurso Especial interposto pela Contribuinte. Assinado Digitalmente Alexandre Freitas Costa Fl. 728DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10880.939000/2014-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 19 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de ressarcimento, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRAZO DE DECADÊNCIA PARA LANÇAMENTO. INAPLICABILIDADE. As regras de decadência para a efetivação do lançamento tributário (Art. 150, § 4º e Art. 173, ambos do CTN) não se aplicam à análise administrativa que visa apurar a liquidez e certeza do crédito solicitado em pedido de ressarcimento do contribuinte. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. A mera arguição de direito, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, não é suficiente para demonstrar a existência do crédito almejado. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No contexto da não cumulatividade das contribuições sociais, consideram-se insumos os bens e serviços adquiridos que sejam essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, observados os demais requisitos da lei. NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CRÉDITO. SERVIÇOS EDITORIAIS. Despesas relativas a contratos de cessão de direitos autoriais são necessários para a edição e produção de livros. Logo, quaisquer despesas relativas a compras e/ou locação de imagens, fotos, músicas, poemas, textos, desenhos, tiras de quadrinhos/jornais, gravuras, pinturas, e todas as demais obras, cuja propriedade não seja da contribuinte, são consideradas essenciais e relevantes a sua atividade. NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CRÉDITO. ALUGUEL DE PRÉDIOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CONDIÇÕES. No âmbito do regime não cumulativo de apuração do PIS e da Cofins, podem gerar direito ao crédito os aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, o que não contempla serviços de operações logísticas, movimentação de materiais, disponibilização de mão-de-obra para movimentação de bens ou pagamentos de horas extra e locação de pallets. NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CRÉDITO. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. CONDIÇÕES. Pode gerar direito ao crédito não cumulativo das contribuições (PIS e Cofins) a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica cuja respectiva despesa tiver sido devidamente registrada na contabilidade da empresa, com base em documentos que comprovem o pagamento entre as pessoas jurídicas. NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CRÉDITO. FRETE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTO. SÚMULA CARF N° 217. Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CRÉDITO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES. O direito ao crédito sobre os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, bem como de bens incorporados ao ativo intangível, somente é possível quando os ativos são adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços e quando a respectiva despesa esteja devidamente registrada na contabilidade da empresa com base em documentos que comprovem sua efetividade.
Numero da decisão: 3201-012.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, observados os requisitos da lei, nos seguintes termos: (I) por unanimidade de votos, para reverter a glosa de créditos em relação a (I.1) aluguéis de imóveis cujo pagamento encontra-se devidamente comprovado, observado o período de apuração alcançado, (I.2) gastos com energia elétrica consumida nos imóveis em que o pagamento do aluguel encontra-se devidamente comprovado, observado o período de apuração alcançado, e (I.3) depreciação do ativo imobilizado correspondente aos bens relacionados aos serviços de impressão gráfica; (II) por voto de qualidade, para manter a glosa de créditos em relação a (II.1) aluguéis de imóveis em relação aos quais não houve comprovação de pagamento, vencidos os conselheiros Flávia Sales Campos Vale (Relatora), Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow e Fabiana Francisco de Miranda, que revertiam parte das glosas, (II.2) gastos com energia elétrica consumida nos estabelecimentos alugados em que o pagamento dos aluguéis não se encontra comprovado, (II.3) gastos com serviços gráficos contratados por meio de industrialização por encomenda e (II.4) despesas com aluguel de bens móveis (serviços de operação logística e prestação de serviços de movimentação de materiais), vencidos, nos subitens II.2, II.3 e II.4, os conselheiros Flávia Sales Campos Vale (Relatora), Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow e Fabiana Francisco de Miranda, que revertiam as glosas; e, (III) por maioria de votos, para reverter a glosa de créditos em relação aos serviços editoriais, vencido o conselheiro Hélcio Lafetá Reis (Presidente), que negava provimento nesse item. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Enk de Aguiar. O conselheiro Hélcio Lafetá Reis (Presidente) manifestou interesse em apresentar declaração de voto. Assinado Digitalmente Flávia Sales Campos Vale – Relatora Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Assinado Digitalmente Marcelo Enk de Aguiar – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os julgadores Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Fabiana Francisco, Flavia Sales Campos Vale, Marcelo Enk de Aguiar, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Helcio Lafetá Reis (Presidente).
Nome do relator: FLAVIA SALES CAMPOS VALE

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PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de ressarcimento, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRAZO DE DECADÊNCIA PARA LANÇAMENTO. INAPLICABILIDADE. As regras de decadência para a efetivação do lançamento tributário (Art. 150, § 4º e Art. 173, ambos do CTN) não se aplicam à análise administrativa que visa apurar a liquidez e certeza do crédito solicitado em pedido de ressarcimento do contribuinte. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. A mera arguição de direito, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, não é suficiente para demonstrar a existência do crédito almejado. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No contexto da não cumulatividade das contribuições sociais, consideram- se insumos os bens e serviços adquiridos que sejam essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, observados os demais requisitos da lei. NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CRÉDITO. SERVIÇOS EDITORIAIS. Fl. 1269DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 2 Despesas relativas a contratos de cessão de direitos autoriais são necessários para a edição e produção de livros. Logo, quaisquer despesas relativas a compras e/ou locação de imagens, fotos, músicas, poemas, textos, desenhos, tiras de quadrinhos/jornais, gravuras, pinturas, e todas as demais obras, cuja propriedade não seja da contribuinte, são consideradas essenciais e relevantes a sua atividade. NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CRÉDITO. ALUGUEL DE PRÉDIOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CONDIÇÕES. No âmbito do regime não cumulativo de apuração do PIS e da Cofins, podem gerar direito ao crédito os aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, o que não contempla serviços de operações logísticas, movimentação de materiais, disponibilização de mão-de-obra para movimentação de bens ou pagamentos de horas extra e locação de pallets. NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CRÉDITO. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. CONDIÇÕES. Pode gerar direito ao crédito não cumulativo das contribuições (PIS e Cofins) a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica cuja respectiva despesa tiver sido devidamente registrada na contabilidade da empresa, com base em documentos que comprovem o pagamento entre as pessoas jurídicas. NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CRÉDITO. FRETE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTO. SÚMULA CARF N° 217. Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CRÉDITO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES. O direito ao crédito sobre os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, bem como de bens incorporados ao ativo intangível, somente é possível quando os ativos são adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços e quando a respectiva despesa esteja devidamente registrada na contabilidade da empresa com base em documentos que comprovem sua efetividade. ACÓRDÃO Fl. 1270DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, observados os requisitos da lei, nos seguintes termos: (I) por unanimidade de votos, para reverter a glosa de créditos em relação a (I.1) aluguéis de imóveis cujo pagamento encontra-se devidamente comprovado, observado o período de apuração alcançado, (I.2) gastos com energia elétrica consumida nos imóveis em que o pagamento do aluguel encontra-se devidamente comprovado, observado o período de apuração alcançado, e (I.3) depreciação do ativo imobilizado correspondente aos bens relacionados aos serviços de impressão gráfica; (II) por voto de qualidade, para manter a glosa de créditos em relação a (II.1) aluguéis de imóveis em relação aos quais não houve comprovação de pagamento, vencidos os conselheiros Flávia Sales Campos Vale (Relatora), Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow e Fabiana Francisco de Miranda, que revertiam parte das glosas, (II.2) gastos com energia elétrica consumida nos estabelecimentos alugados em que o pagamento dos aluguéis não se encontra comprovado, (II.3) gastos com serviços gráficos contratados por meio de industrialização por encomenda e (II.4) despesas com aluguel de bens móveis (serviços de operação logística e prestação de serviços de movimentação de materiais), vencidos, nos subitens II.2, II.3 e II.4, os conselheiros Flávia Sales Campos Vale (Relatora), Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow e Fabiana Francisco de Miranda, que revertiam as glosas; e, (III) por maioria de votos, para reverter a glosa de créditos em relação aos serviços editoriais, vencido o conselheiro Hélcio Lafetá Reis (Presidente), que negava provimento nesse item. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Enk de Aguiar. O conselheiro Hélcio Lafetá Reis (Presidente) manifestou interesse em apresentar declaração de voto. Assinado Digitalmente Flávia Sales Campos Vale – Relatora Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Assinado Digitalmente Marcelo Enk de Aguiar – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os julgadores Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Fabiana Francisco, Flavia Sales Campos Vale, Marcelo Enk de Aguiar, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Helcio Lafetá Reis (Presidente). Fl. 1271DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 4 RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que procedente em parte a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente e reconheceu o direito creditório em parte. Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: Trata o presente processo do pedido eletrônico de ressarcimento - PER nº 03491.63648.290110.1.1.11-4506, relativo ao crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins vinculado às receitas não cumulativas não tributadas do mercado interno do 4º trimestre de 2009, que solicita o valor de R$ 823.024,27. O processo trata, também, da declaração eletrônica de compensação (Dcomp) que se utilizou do crédito solicitado no mencionado pedido de ressarcimento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo DERAT-SP, após analisar o pleito da interessada (PER e Dcomp vinculada), emitiu, em 05/10/2015, o Despacho Decisório Eletrônico (rastreamento nº 109614278), o qual reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 535.599,17, e homologou parcialmente as compensações declaradas, até o limite do crédito reconhecido. Note-se que o referido ato administrativo teve por base a Informação Fiscal de fls. 574 a 595, a qual relata e encerra o procedimento fiscal de análise do direito creditório relacionado com o Mercado Interno Não Tributado (vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência) das contribuições para o PIS e para a COFINS do 4º trimestre de 2009 e de todos os trimestres dos anos de 2010, 2011, 2012 e 2013, com exceção da contribuição para o PIS do 1º trimestre de 2010. Em mencionada Informação Fiscal a autoridade a quo, como dito, relata, resumidamente, como a análise dos direitos creditórios foi realizada. Narra o procedimento fiscal, destacando, de forma cronológica, as intimações, reintimações e termos de constatações fiscais, bem como as respectivas respostas e documentos apresentados pela contribuinte. Descreve os procedimentos de apuração das bases de cálculo das contribuições devidas, das bases de cálculo dos créditos, e dos créditos não cumulativos reconhecidos. Menciona, também, tanto os documentos utilizados na análise quanto a legislação que fundamenta os ajustes e glosas efetivados (em relação às informações constantes dos Dacon) nos períodos auditados. Fl. 1272DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 5 No tocante à apuração das bases de cálculo das contribuições, a fiscalização relata que, por meio do Termo de Constatação Fiscal datado de 31/08/2015 e planilha denominada Receitas2009e2010rev2, promoveu a retificação dos valores informados nos Dacon no tocante ao PIS/Cofins a Recolher, ao PIS/Cofins a descontar, e aos percentuais de rateio (Receita não tributada/Receitas Totais e Receita Tributada/Receitas Totais) que foram aplicados sobre os custos, despesas e encargos comuns vinculados às receitas não cumulativas não tributadas e às receitas não cumulativas tributadas. Já no que diz respeito à apuração das bases de cálculo dos créditos, a informação fiscal da conta que a análise da autoridade a quo foi prejudicada e que (nas palavras da fiscalização, consoante item 2. Análise Prejudicada): a. Elementos da(s) planilha(s) do contribuinte que apresentaram dados insuficientes foram considerados DI - Dados Insuficientes para análise, e não puderam ser analisados: omissão na informação de CNPJ, número da Nota Fiscal, data da aquisição, nome Fornecedor, finalidade do bem/serviço), setor de localização do bem (para verificação da compatibilidade com a atividade da empresa). b. Notas Fiscais duplicadas, triplicadas, quadruplicadas, Xplicadas, com os mesmos ou não valores, foram consideradas NF Repetidas, não puderam ser analisadas, e não foram incluídas na base de cálculo de créditos PISCOFINS. c. CNPJs de fornecedores de bens/serviços informados com erros e, em consequência, não localizados na base de dados CNPJ/MF foram considerados CNPJNL – CNPJ Não Localizado, e não incluídos na base de cálculo de créditos PISCOFINS d. Cópias PDF de documentos ilegíveis, desfocadas, recortadas, montadas, remontadas, rasuradas, foram consideradas NA – Não Apresentadas e não incluídas na base de cálculo de créditos PISCOFINS. Ainda, relativamente à apuração das bases de cálculo dos créditos, observa-se na informação fiscal que a fiscalização efetivou os seguintes ajustes: - glosa das Notas Fiscais relativas às aquisições de livros e equiparados a livros e de papel, conforme planilhas denominadas SC_Bens2009 e SC_Bens2010. As glosas deram-se com os seguintes motivos: notas fiscais cujas mercadorias foram compradas (venda para a interessada) com alíquota zero; notas fiscais que não foram apresentadas para análise; aquisições para as quais existem divergência de valores na Declaração de Importação; e aquisições para as quais as Declarações de Importação não foram localizadas nos sistemas da RFB; - glosa dos créditos relativos aos serviços editoriais, consoante a Solução de Divergência Cosit nº 14, de 2011, e conforme a planilha denominada SC_ServiçosEditoriais2009; Fl. 1273DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 6 - glosa dos créditos relativos aos serviços gráficos, conforme a planilha denominada SC_ServiçosGráficos2009; - glosa dos créditos relativos à locações de móveis, uma vez que a contribuinte não apresentou quaisquer documentos relativos aos aluguéis de móveis do ano de 2009. - glosa dos créditos relativos aos aluguéis dos imóveis, conforme a relação e motivos dos quadros colacionadas na informação fiscal e conforme a planilha denominada SC_Aluguel Imóveis2009; - glosa dos créditos relativos às despesas de energia elétrica dos imóveis cujos valores de aluguéis não foram admitidos nas bases de cálculo de créditos PISCOFINS. Foram glosadas também as despesas, informadas nas planilhas da interessada, que tiveram a análise prejudicada em virtude de: constarem com dados insuficientes; constarem com valores divergentes dos apresentados nas faturas; cujas faturas/recibos de pagamentos não foram apresentados; e as que continham a informação de diversos valores para o mesmo mês e imóvel. Ressalta-se que as glosas efetivadas pela fiscalização constam da planilha denominadas SC_Energia2009; - glosa dos créditos relativos às despesas de fretes sobre vendas, por ausência de apresentação de documentação comprobatória; - glosa dos créditos relativos às despesas de depreciação de todos os bens/ativos informados nas planilhas apresentadas à fiscalização. As glosas deram-se pelos seguintes motivos: bens/ativos sem informação do número da Nota Fiscal de aquisição; bens/ativos sem informação do fornecedor e/ou CNPJ; bens/ativos não utilizados na produção de bens ativos destinados à venda ou não empregados no processo industrial do adquirente; programas de computador não utilizados diretamente para o funcionamento de máquinas da linha de produção; e bens/ativos relacionados com a impressão gráfica, uma vez que esse serviço foi realizado (no período analisado) fora da empresa. Nota-se que as glosas efetivadas pela fiscalização constam da planilha denominada SC_Depreciação2009e2010; Por fim, observa-se que, em razão dos ajustes/glosas acima, a autoridade a quo realizou a reapuração dos créditos não cumulativos de todo o período analisado, utilizando-se dos índices de rateio proporcional determinados no procedimento fiscal. Destacase ainda que, com base nesta reapuração e com a consideração das deduções informadas nos respectivos Dacon, foram determinados os valores mensais dos créditos vinculados ao mercado interno não tributado, bem como os créditos trimestrais, tanto do PIS quanto da Cofins de todos os períodos Fl. 1274DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 7 analisados (Planilha SC_Créditos2009e2010 – pasta Auditoria – subpasta 9Apuração Créditos). Manifestação de Inconformidade A interessada foi cientificada do despacho decisório em 05/11/2015 e apresentou, em 07/12/2015, manifestação de inconformidade, cujo conteúdo é resumido a seguir. Inicialmente, no tópico I. Dos fatos, a interessada faz um breve relato dos fatos, ressaltando que em nenhum momento foi afastado o seu direito à compensação do saldo credor vinculado ao Mercado Interno Não Tributado e que está, com a apresentação de sua manifestação, contestando o conceito de insumo e todas as glosas efetuadas. Destaca que o procedimento fiscal realizou a análise de diversos períodos de apuração, de ambas as contribuições (PIS e Cofins), e, nesse sentido, pede que os processos, relativos às análises realizadas, sejam anexados e julgados em conjunto. Fundamenta esse pedido na Portaria RFB nº 666, no §1º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, e no § 6º do art. 77 da IN RFB nº 1.300, de 2012. Reclama, também, que não tem como identificar quais são os documentos que estão ilegíveis ou incompletos e que caberia à fiscalização solicitar novas cópias dos mesmos. E ressalta que respondeu por completo todas as intimações recebidas e que as notas fiscais e documentos comprobatórios do crédito sempre estiveram à disposição para conferência. No tópico II Preliminarmente, e subtópicos II.1. Do Cabimento da Manifestação de Inconformidade e II.2 Da Tempestividade da Presente Manifestação de Inconformidade, a contribuinte defende o cabimento da manifestação de inconformidade, bem como sua tempestividade. Argumenta que a possibilidade de apresentação do recurso encontra respaldo no §9º do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e que a manifestação deve ser recebida no efeito suspensivo, conforme previsto no § 11 do mencionado art. 74 e no § 5º do art. 77 da Instrução Normativa SRF nº 1.300, de 2012. Diz, também, que foi cientificada do despacho decisório em 05/11/2005 e que a apresentação da manifestação de inconformidade, no dia 07/12/2015, é tempestiva, uma vez que foi realizada dentro do prazo legal de 30 dias. Prosseguindo nas preliminares, no subtópico II.3 - Da Homologação Tácita do Pedido de Compensação, a interessada argumenta que teria ocorrido a homologação tácita do pedido de ressarcimento/compensação. Alega que, como o seu pedido foi entregue em 29/01/2010 e a ciência do despacho decisório realizada em 05/11/2015, o prazo de 5 (cinco)anos a que se refere o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, teria sido extrapolado. Para defesa de sua tese colaciona ementas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF e da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF. Fl. 1275DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 8 Ainda dentro do tópico relativo às preliminares, subtópico II.4 – Da Decadência do Direito de o Fisco Analisar a Apuração do Saldo Credor Nulidade do Procedimento Adotado, Relativo ao Quarto Trimestre de 2009, até o 3º Trimestre de 2010, a interessada defende que o procedimento fiscal adotado é ilegítimo, uma vez que houve “o transcurso do prazo decadencial conferido ao Fisco para a análise de apuração do saldo credor utilizado para a compensação de débitos no presente processo.”. Na verdade, a contribuinte defende que, no presente caso, é aplicável o prazo de cinco anos do § 4º, art. 150 do CTN, para a revisão e lançamento dos contribuições analisadas. Ou seja, que no momento da ciência do despacho decisório já havia transcorrido o prazo legal de 5 (cinco) anos a que se refere o § 4º, art. 150 do CTN, e que, dessa forma, as contribuições objeto do procedimento fiscal já se encontravam homologadas tacitamente. Para defesa de sua tese colaciona doutrina e ementa de Acórdão do CARF, relativo à recomposição de saldo de prejuízo passível de compensação (IRPJ). Diz, também, que sua tese é corroborada pela própria fiscalização que, nº curso do mesmo procedimento administrativo, respeitou o prazo decadencial pertinente em relação à lavratura do auto de infração consubstanciado no processo administrativo nº 16692.729542/2015-41. Em relação ao mérito, a interessada inicia com o tópico III. Do Direito, subtópico III.1 – Da Efetividade e da Legitimidade dos Créditos Utilizados pela Requerente, por meio do qual registra características do sistema de não cumulatividade aplicado às contribuições (PIS e Cofins), bem como dos créditos autorizados pelo art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. Ademais, ressalta novamente que o direito ao ressarcimento do crédito pleiteado não foi contestadado pela Receita Federal, restando a discussão administrativa restrita ao conceito de insumo e à comprovação dos créditos pleiteados. Na seqüência, no subtópico III.2 – Do Vício na Apuração do Crédito nº Procedimento Fiscal: Nulidade em razão de Ausência de Apreciação da Totalidade dos Documentos Disponibilizados à Fiscalização, a contribuinte sustenta a nulidade do procedimento fiscal sob o argumento de que houve a desconsideração de diversos documentos e esclarecimentos apresentados à autoridade a quo. Destaca trechos da Informação Fiscal (que serviu de base para a emissão do despacho decisório contestado) relativos ao item “2 Análise prejudicada” e diz que não teve nova oportunidade de contestar, e ou apresentar documentos, em relação aos argumentos da fiscalização. Argumenta, também, que a fiscalização cometeu vício insanável ao efetivar glosas com base unicamente em dados de planilhas, ao generalizar glosas com base em um único documento e por não considerar os esclarecimentos relativos às ocorrências de duplicidade (ou triplicidades, quadruplicidades e xplicidades). No subtópico subseqüente, III.3 – Do Conceito de Insumo na Sistemática da Não Cumulatividade do PIS e da Cofins, a interessada insurge-se contra o conceito de Fl. 1276DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 9 insumo adotado pela administração tributária federal. Argumenta que o conceito restrito de insumo, advindo da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e veiculado nas Instruções Normativas nº 247, de 2002, e nº 404, de 2004, não se coaduna com o sistema de não cumulatividade das contribuições (PIS e Cofins), uma vez que a materialidade de incidência dessas contribuições é o faturamento e não a industrialização. Diz que conceito de insumo do IPI não é aplicável às contribuições não cumulativas e que, consoante excertos doutrinários e jurisprudenciais, administrativos e judiciais, colacionados em sua peça de defesa, o conceito de insumo a ser adotado está ligado à essencialidade dos bens e serviços aplicados na produção dos bens objetos de sua atividade empresarial. Nesse sentido, afirma que devem ser considerados como insumo, para efeitos de apuração de créditos não cumulativos das contribuições (PIS e Cofins), todos os bens e serviços que sejam imprescindíveis e que estejam diretamente relacionados com a obtenção do faturamento da empresa. Por fim, destaca que é uma das editoras mais importantes do mercado nacional de livros didáticos e faz um breve resumo de seu processo produtivo. Nos subtópicos a seguir, a contribuinte traz argumentações relativas aos créditos da não cumulatividade no tocante às seguintes rubricas: - Bens Utilizados como Insumo (III.4 – Despesas com Bens Utilizados como Insumos) -Contesta as duas glosas efetivadas pela fiscalização: a relativa às aquisições de Livros e equiparados a Livros, no valor de R$ 724.255,95; e a relativa às aquisições de bens que não foram considerados em razão de insuficiência de dados, no valor de R$ 471.648,37. No tocante a primeira, argumenta que as Notas Fiscais glosadas referem-se, na verdade, a serviços de industrialização por encomenda que concedem o direito ao crédito. Diz, também, que o erro nº destaque do CFOP das notas foi corrigido por meio de Comunicação fiscal, mas que a fiscalização desconsiderou sumariamente as explicações e documentos apresentados. Já no que diz respeito a segunda glosa, argumenta que não houve a alegada duplicidade na apuração do crédito. Ademais, solicita, que o processo retorne à fiscalização para seja realizada a coleta de documentos complementares que se entender pertinentes para a comprovação dos fatos alegados. - Serviços Utilizados como Insumo - Serviços Editoriais (III. 5 – Despesas com Serviços Utilizados como Insumos - III.5.1 – Serviços Editoriais). - Conceito de Insumo. Diz que é incontestável que as despesas relativas a textos, fotos e artes, denominadas genericamente pela fiscalização de Direitos Autorais, podem ser consideradas como insumo, até mesmo no conceito restrito do IPI, e que o entendimento contido na Solução de Divergência Cosit nº 14, de 2001, é totalmente equivocado, estando, inclusive em desacordo com o posicionamento do CARF. - Notas Fiscais em duplicidade. Argumenta que a fiscalização ignorou totalmente o fato, esclarecido durante o procedimento fiscal, de que a empresa realiza o controle, por centro de custo, de cada um dos itens das Notas Fiscais. Nesse Fl. 1277DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 10 sentido, demonstra, a exemplo da Nota Fiscal de nº 8295, a inconsistência dos argumentos da fiscalização quanto à ocorrência de duplicidades (ou triplicidades, quadruplicidades e xplicidades)de lançamento de créditos com os mesmos números de notas fiscais. - Notas fiscais não apresentadas. Destaca que atendeu por completo as intimações da fiscalização e que essa requereu a apresentação de apenas uma nota fiscal por fornecedor. - Notas fiscais sem indicação de CNPJ. Reclama que a fiscalização poderia sim ter averiguado a regularidade dos créditos informados, desde que não tivesse limitado o procedimento fiscal à avaliação das planilhas enviadas pela interessada. - Serviços Utilizados como Insumo - Serviços Gráficos (III.5.2 – Serviços Editoriais – Sic). Alega, com os mesmos argumentos do tópico anterior, que as glosas por duplicidade e em relação às notas fiscais não apresentadas são indevidas. Ademais, reclama das glosas relativas às notas fiscais com dados insuficientes. Diz que não houve intimação específica para que fossem realizados os devidos esclarecimentos e solicita a realização de diligência para que a fiscalização realize nova análise. - Aluguel de Máquinas e Equipamentos (III.6 – Despesas com Aluguel de Máquinas e Equipamentos). Argumenta que o embasamento para a efetivação dessas glosas está equivocado; primeiro porque a legislação não exige qualquer vinculação desse tipo de gastos com o processo produtivo (basta apenas que as máquinas e equipamentos sejam utilizados nas atividades da empresa); e segundo porque as soluções de consulta utilizadas pela fiscalização tratam de hipótese não relacionada ao caso concreto tratado nos autos, o que as torna imprestáveis para justificar as glosas. Em relação à alegação de dados insuficientes nas notas Processo 10880.939000/2014-09 Acórdão n.º 06-60.774 DRJ/CTA Fls. 9 9 fiscais, reitera que eventual intimação para o esclarecimento dos fatos poderia ter sanado os equívocos. Pugna, novamente, pela conversão do julgamento em diligência. - Aluguel de Imóveis (III.7 – Despesas com Aluguel de Imóveis). Argumenta que análise a fiscalização foi realizada de maneira perfunctória e que possui os comprovantes de pagamentos e/ou aditivos de contratos. Argumenta, também: - Imóvel da Avenida Maracanã, 592 – Diz que traz novamente os comprovantes de pagamentos (doc. 07). - Imóvel da Estrada Umuarama –Junta cópia dos aditivos dos anos de 2009 e 2010 (doc. 08)- Imóveis da Avenida Otaviano Alves de Lima, 4400, e da Avenida Nações Unidas – Defende que pertence ao Grupo Abril Educação e que nos anos de 2009 Fl. 1278DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 11 e 2010 celebrou contrato de sublocação dos imóveis com a Editora Abril, estando os pagamentos regularmente contabilizados (doc. 09). - Imóvel da Rua Galileu Gaia. Argumenta que os direitos sobre o referido imóvel foram cedidos à empresa Palmar Empreendimento Ltda., conforme o aditivo contratual nº 02, e que se falar, portanto, em pagamento efetuado a pessoa física. - Energia Elétrica (III.8 – Despesas com Energia Elétrica). Pugna pelo reconhecimento integral do crédito informado no Dacon e contesta o entendimento adotado pela fiscalização no sentido de que só podem ser consideradas as despesas de energia elétrica dos imóveis cujas as despesas de aluguel foram aceitas. Alega que o critério adotado não possui qualquer embasamento legal e pede que seja feita uma nova análise das faturas, em conjunto com os comprovantes de pagamento e com o Livro Razão. - Fretes sobre Vendas (III. 9 – Despesas com Fretes sobre Venda). Argumenta, novamente, que não houve o devido aprofundamento da ação fiscal e que, consoante jurisprudência administrativa, o ônus da prova cabe à fiscalização. Alega, também, que as afirmações da autoridade a quo não correspondem à realidade dos fatos, pois, além de terem sido baseadas em parte da documentação que foi apensada aos autos pela própria fiscalização, não refletem as informações que constam dessa documentação. Diz que a apresentação dos documentos por amostragem foi realizada por exigência da própria fiscalização e que o crédito foi tomado a partir dos valores líquidos dos fretes. Nesse sentido diz que entregou a documentação relativa às despesas de frete da Fatura nº 5281910, da Transportadora Real 2000 Ltda., e da Fatura nº 68507438010, da empresa Rent a Truck Operador Logístico Ltda. Destaca, por fim, que as soluções de consulta utilizadas para embasar as glosas não tem qualquer relação com os fatos apresentados (uma vez que não se tratam de despesas de locomoção de profissionais, de hotéis, de alimentação, e etc) e pede o imediato restabelecimento dos créditos glosados. - Depreciação do Ativo Imobilizado (III.10- Depreciação do Ativo Imobilizado). Alega, mais uma vez, que o procedimento foi realizado de forma precipitada, com a tomada de decisão sem considerar todos os documentos apresentados e as informações neles contidas. Argumenta que a reformatação procedida nas planilhas apresentadas prejudica de forma substancial a análise realizada, uma vez que não reflete os controles da empresa de forma fidedigna. Diz que as duplicidades não existem e que a fiscalização não apontou em quais bens/ativos teriam ocorrido informações de crédito em duplicidade, não sendo possível, portanto, averiguar suas supostas ocorrências. Em relação às inconsistências de NCM ou algum outro dado das Notas Fiscais, sustenta que as glosas foram baseadas nas planilhas e que eventual intimação à Processo 10880.939000/2014- 09 Acórdão n.º 06-60.774 DRJ/CTA Fls. 10 10 interessada seria suficiente para o esclarecimento dos fatos. Consoante jurisprudência que colaciona na peça de defesa, pugna pela possibilidade de crédito sobre as despesas de depreciação de Fl. 1279DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 12 bens relacionados à impressão gráfica e, também, pela possibilidade de crédito sobre as despesas de depreciação de todos os outros bens/ativos que não são utilizados diretamente na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. Questiona o critério utilizado pela autoridade fiscal para distinguir os bens/ativos utilizados na produção dos não utilizados na produção e afirma que, nos documentos elaborados durante o procedimento fiscal, em nenhum momento este fato foi esclarecido. Por último, pugna, mais uma vez, pela aplicação do conceito mais amplo de insumo, lembrando que os softwares, licenças e computadores são extremamente essenciais para o sistema produtivo da empresa. A seguir, no subtópico denominado IV – Da Multa, a interessada argumenta que, uma vez comprovada a improcedência das glosas, bem como o direito ao crédito e a homologação integral das compensações, a multa, que constitui acessório da exação principal, não pode ser exigida. Já no tópico V – Das Provas a contribuinte reforça que o procedimento de fiscalização foi complexo e volumoso, pois envolveu de forma simultânea duas empresas(Editora Ática e Editora Scipione) e também cinco exercícios de uma vez só. Diz, também, que, apesar do atendimento completo das solicitações da fiscalização, demonstrou-se a falta de aprofundamento do procedimento e a existência de diversas inconsistências. Assim, sustenta que a comprovação da efetividade de seus créditos deve ser realizada: ou por meio da validação das informações apresentadas pela empresa, com a utilização da amostragem; ou por meio da conversão do julgamento em diligência, de modo que se permita trazer aos autos os documentos relativos às glosas. Ademais, diz que não consegue identificar quais são as notas ilegíveis ou com os dados faltantes e que se encontra a inteira disposição para entregar a documentação que vier a ser requisitada. Por fim, no subtópico VI – Do Pedido, a interessada solicita: - que a manifestação de inconformidade seja recebida e provida, de modo a se deferir integralmente o pedido de ressarcimento de crédito e se homologar, também integralmente, a declaração de compensação vinculada ao primeiro pedido; - que seja determinada a apreciação conjunta de todos os processos relacionados ao procedimento de fiscalização, a saber: nº 10880.939000/2014-09; nº 10880.939001/2014-45; nº 10880.939002/2014-90; nº 10880.9390003/2014-34; nº 10880.939004/2014-89; nº 10880.939005/2014/23; nº 10880.939006/2014- 78; e nº 10880.939007/2014-12. - e, finalmente, para o caso de não ser acolhida a preliminar de nulidade do despacho decisório, que seja determinada a realização de diligências específicas para averiguação das inconsistências apontadas, de modo a se garantir o pleno exercício do direito de defesa da contribuinte. Fl. 1280DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 13 Petição Complementar Adicionalmente à manifestação acima, a contribuinte apresentou, em 06/05/2016, uma petição complementar que tem por objetivo reiterar o direito alegado e reforçar as provas trazidas anteriormente. Processo 10880.939000/2014-09 Acórdão n.º 06-60.774 DRJ/CTA Fls. 11 11 A interessada justifica a apresentação desse documento, bem como de novas provas, com o argumento de que o prazo para a apresentação do recurso foi exíguo, uma vez que recebeu no mesmo dia outros 8 (oito) despachos decisórios de créditos de PIS e Cofins. Justifica a apresentação, também, no princípio da verdade material, no art. 149 do CTN, nos princípios constitucionais da moralidade, legalidade e eficiência e no Parecer Normativo Cosit/RFB nº 08, de 2014, que trata da revisão de ofício. Quanto ao mérito das glosas, a interessada adiciona os seguintes argumentos: - serviços editoriais. Fala que no período de realização da fiscalização apresentou diversas notas fiscais que comprovam os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Explica, novamente, que os itens das notas fiscais são lançados (em seus controles) por centro de custos, o que fez com que o número de diversas notas fiscais constasse mais de uma vez nas planilhas apresentadas. Nessa direção, traz como exemplo a Nota Fiscal nº 3672, da empresa Avit S Estúdio Gráfico Ltda, de outubro de 2009, que possui três itens com valores distintos, o quais somados constituem, obviamente, o valor total da nota. Argumenta, também, que o simples aceite das respostas apresentadas pela interessada à fiscalização teria evitado a realização indevida das glosas com as supostas ocorrências de duplicidades ou xplicidades. Contesta, também, as glosas relativas às Notas Fiscais nº 2439 e 2442, dizendo que elas foram apresentadas durante o procedimento fiscal. - serviços gráficos que foram utilizados como insumo e cujos créditos foram glosados por ocorrência de duplicidade. Destaca o número das notas fiscais que foram juntadas durante o período de fiscalização e acrescenta que está juntando (consoante o doc. 01)cópia de notas fiscais que comprovam as alegações. - despesas com locação de móveis. Apresenta cópia da Nota Fiscal nº 192, emitida em 03/11/2009, no valor de R$ 10.522,24, pela empresa STN Comércio de Filmes, Lacres e Embalagens Ltda., de CNPJ nº 05.053.730/0001-74 (doc. 02), e cópia dos contratos, e respectivos aditamentos, estabelecidos com as empresas LSI Administração e Serviços Ltda e Gigacom do Brasil Ltda (doc. 02.1). No que diz respeito ao contrato firmado com a empresa Gigacom, ressalta que o custo a ele relativo, utilizado para a geração do crédito: foi repartido com a empresa Editora Ática S/A, uma vez que está última pertence ao mesmo grupo econônico da interessada; e que ele foi de R$ 2.250,00, conforme se verifica no 2º Termo Aditivo e conforme comprova a Fatura nº 1274, juntada ao processo durante o procedimento fiscal. No tocante ao contrato estabelecido com a empresa LSI, Fl. 1281DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 14 esclarece que ele foi firmado em conjunto com a Editora Ática S/A e que as despesas incorridas constam discriminadas nº Anexo II do contrato. - despesas de aluguéis de imóveis. Corrobora os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e traz argumentos/provas para os seguintes imóveis: - imóvel situado na Rua Ceno Sbrighi, nº 25/27, Água Branca – SP. Diz que juntou cópia do contrato de locação assinado em 2005, de dois termos aditivos e de Termo de Entrega das Chaves ao locador, datado de 14/05/2012 (que ora é reapresentado – doc. 03), que comprovam, por presunção, a permanência no imóvel e, conseqüentemente, o pagamento do aluguel; - imóvel situado na Estrada Umuarama, 300, Itaperica da Serra – SP. Pugna pela procedência do crédito sob o argumento de que no período Processo 10880.939000/2014-09 Acórdão n.º 06-60.774 DRJ/CTA Fls. 12 12 compreendido entre 30/06/2008 a 31/12/2010 o contrato teve vigência tácita, conforme se verifica na cláusula nº 2 do Termo Aditivo nº 4 (reproduzida na peça de defesa); - imóvel situado na Rua do Humaitá, 244, Rio de Janeiro – RJ. Argumenta que a pessoa física (signatária do contrato) é representada pela JTC Consultoria Imobiliária Ltda, CNPJ nº 07.019.716/0001-80, e que os pagamentos foram realizados para esta última, conforme os comprovantes de pagamentos já apresentados à fiscalização. - despesas de energia elétrica. Em relação ao imóvel situado na Av. Visconde de Suassuna, 634, Recife –PE: contesta a argumentação da fiscalização de que em todos os lançamentos existem divergência de valores; e traz como o exemplo o caso da fatura nº 757236, cujo valor de R$ 2.560,52 é exatamente igual ao que consta da planilha apresentada à fiscalização. E, em relação ao imóvel situado na Rua Emílio Henking, 551, Campinas – SP, esclarece que os valores das despesas estão vinculados ao imóvel da Rua Francisco Alves, 78, Campinas – SP, conforme demonstra a Nota Fiscal nº 2796790, já apresentada à fiscalização. - despesas com frete na operação de venda e com armazenagem de mercadorias. Junta cópia de Notas Fiscais (doc. 04) que, segundo ela, comprovam a procedência dos créditos informados. Por fim, a interessada reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e solicita, novamente, o reconhecimento integral do crédito pleiteado, bem como a homologação de todas as compensações vinculadas. A decisão recorrida reconheceu em parte o direito creditório e conforme ementa do Acórdão nº 06-60.774 apresenta o seguinte resultado: Fl. 1282DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 15 Acórdão 06-60.774 - 3ª Turma da DRJ/CTA Sessão de 25 de outubro de 2017 Processo 10880.939000/2014-09 Interessado EDITORA SCIPIONE S/A CNPJ/CPF 44.127.355/0001-11 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não tem competência para, em sede de julgamento, negar validade às normas vigentes. NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de ressarcimento, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRAZO DE DECADÊNCIA PARA LANÇAMENTO. INAPLICABILIDADE. As regras de decadência para a efetivação do lançamento tributário (Art. 150, § 4º e Art. 173, ambos do CTN) não se aplicam à análise administrativa que visa apurar a liquidez e certeza do crédito solicitado em pedido de ressarcimento do contribuinte. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. A mera arguição de direito, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, não é suficiente para demonstrar a existência do crédito almejado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. REQUISITOS LEGAIS. Considera-se não formulado o pedido de diligência que não atenda aos requisitos legais estabelecidos no processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Fl. 1283DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 16 Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da não-cumulatividade, o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. ESSENCIALIDADE. No âmbito do regime não cumulativo de apuração do PIS e da Cofins, somente geram créditos passíveis de utilização pela contribuinte aqueles custos, despesas e encargos expressamente previstos na legislação, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa. NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CRÉDITO. ALUGUEL DE PRÉDIOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CONDIÇÕES. No âmbito do regime não cumulativo de apuração do PIS e da Cofins, podem gerar direito ao crédito os aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, e cujas despesas tenham sido regularmente registradas na contabilidade, com sustentação em documentos que comprovem a efetividade das mesmas. NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CRÉDITO. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. CONDIÇÕES. Pode gerar direito ao crédito não cumulativo das contribuições (PIS e Cofins) a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica cuja respectiva despesa tiver sido devidamente registrada na contabilidade da empresa, com base em documentos que comprovem sua efetividade. NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CRÉDITO. FRETES NAS OPERAÇÕES DE VENDA. CONDIÇÕES. Para ter direito ao crédito não cumulativo sobre os dispêndios de frete nas operações de venda esses serviços devem ter sidos contratados de pessoa jurídica domiciliada no país, estar vinculados a operação de venda e ter o ônus suportado pelo contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CRÉDITO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES. O direito ao crédito sobre os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, bem como de bens incorporados ao ativo intangível, somente é possível quando os ativos são adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços e quando a respectiva despesa esteja devidamente Fl. 1284DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 17 registrada na contabilidade da empresa com base em documentos que comprovem sua efetividade. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Foi interposto de forma tempestiva Recurso Voluntário, discutindo em síntese, no mesmo sentido da Manifestação de Inconformidade:  nulidade em razão da ausência de apreciação da totalidade dos documentos disponibilizados à fiscalização e das incongruências no termo de informação fiscal e no despacho decisório  homologação tácita do pedido de ressarcimento  efetividade e legitimidade dos créditos utilizados pela recorrente  do conceito de insumo na sistemática da não cumulatividade do pis e da cofins – aplicação do recurso especial representativo da controvérsia nº 1.221.170  despesas com bens utilizados como insumos – aquisição de papel  despesas com serviços utilizados como insumos – “serviços gráficos” e “serviços editoriais”  despesas com aluguel de bens móveis  despesas com aluguel de imóveis  despesas com energia elétrica  depreciação do ativo imobilizado  multa  juros e sua inaplicabilidade sobre a multa, caso venha a ser mantida a glosa dos créditos e não homologação das compensações É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheira Flávia Sales Campos Vale, Relatora. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Conforme relatado, trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que julgou Fl. 1285DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 18 procedente em parte a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente e reconheceu o direito creditório em parte. Inicialmente requer a Recorrente o julgamento do presente Recurso Voluntário em conjunto com os demais processos de Pedido de Ressarcimento de crédito de PIS e COFINS envolvendo mesma matéria: Nesse sentido, sobre a vinculação entre processos para possível julgamento em conjunto, assim dispõe o art. 47 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023: Art. 47 Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando-se o disposto neste artigo. § 1º Os processos podem ser vinculados por: I - conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fatos idênticos, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II - decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III - reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Os processos poderão, observada a competência da Seção, ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. (...)§ 5º Na impossibilidade de distribuição, ao mesmo relator, dos processos principal e decorrente ou reflexo, será determinada a vinculação dos autos e o Fl. 1286DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 19 sobrestamento do julgamento do processo decorrente ou reflexo, até que seja proferida decisão de mesma instância relativa ao processo principal. (g.n.) Conforme se verifica dos dispositivos supra, a vinculação de processos, seja em razão de conexão, decorrência ou reflexo, é optativa, inexistindo obrigatoriedade de sua observância por parte do colegiado, em conformidade com os dispositivos do Decreto nº 70.235/1972, que disciplina o processo administrativo fiscal federal, em que a vinculação de processos também é definida como facultativa, verbis: Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. § 1º Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (g.n.) Apesar das disposições normativas facultativas, não se pode ignorar que, tratando- se de processos relativos ao mesmo contribuinte, ao mesmo tributo e decorrentes dos mesmos fatos e da mesma fundamentação legal, o julgamento em conjunto se justifica para se evitarem decisões conflitantes ensejadoras de insegurança jurídica e de contraditórios desnecessários, em conformidade com o art. 2º da Lei nº 9.784/1999, que disciplina o processo administrativo no âmbito federal, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, verbis: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) VI - adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII - indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; Fl. 1287DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 20 VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX - adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X - garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (...)XII - impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados; XIII - interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. (g.n.) Por outro lado, considerando que os processos 10.880.939.006/2014-78, 10.880.939.006/2014-23 citados pela Recorrente, foram sorteados para relatoria de conselheiro integrante da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção deste Conselho, não foi possível alocar todos os processos numa mesma sessão. Preliminares Preliminarmente alega a Recorrente em sede de Recurso Voluntário, a nulidade no procedimento de apuração dos créditos por parte da Autoridade Fiscal em razão da apuração anual dos créditos , ausência de apreciação da totalidade dos documentos disponibilizados à fiscalização e das incongruências no termo de informação fiscal e no despacho decisório, homologação tácita do pedido de ressarcimento e da necessidade de lançamento para glosa dos créditos objeto de pedido de compensação – decadência para analisar a apuração do saldo credor do 4º trimestre de 2009 até o 3º trimestre de 2010. Da análise das alegações apresentadas, fica evidente que a Recorrente reproduziu as razões recursais da Manifestação de Inconformidade não apresentando elemento novo no Recurso Voluntário acerca das preliminares suscitadas. Assim, por entender que a decisão proferida pela instância a quo em relação a matéria seguiu o rumo correto, utilizo sua ratio decidendi como se minha fosse, nos termos do §12° do art. 114 do RICARF, in verbis:. “Sustenta a nulidade do procedimento fiscal sob o argumento de que não houve o devido aprofundamento da ação fiscal e que o ônus da prova cabe à fiscalização. Fl. 1288DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 21 Argumenta, também, que o procedimento foi realizado de forma precipitada, com a tomada de decisão sem considerar todos os documentos apresentados e as informações neles contidas. Destaca trechos da Informação Fiscal (que serviu de base para a emissão do despacho decisório contestado), relativos ao item “2 Análise prejudicada”, e diz que não teve nova oportunidade de contestar ou apresentar documentos em relação aos argumentos da fiscalização. Ademais, sustenta que a fiscalização cometeu vício insanável ao efetivar glosas com base unicamente em dados de planilhas, ao generalizar glosas com base em um único documento e por não considerar os esclarecimentos relativos às ocorrências de duplicidade(ou triplicidades, quadruplicidades e xplicidades). A nulidade do procedimento fiscal é alegada, também, em razão de a fiscalização, supostamente, ter efetivado as glosas de forma anual. A contribuinte alega que o critério utilizado dificulta a identificação das glosas e torna o procedimento nulo. Acrescenta, ainda, que ele afronta as regras da não cumulatividade e, também, o art. 142 do Código Tributário Nacional. Argumenta que teria ocorrido a homologação tácita do pedido de ressarcimento/compensação. Alega que, como o seu pedido foi entregue em 24/09/2010 e a ciência do despacho decisório realizada em 05/11/2015, o prazo de 5 (cinco) anos a que se refere o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, teria sido extrapolado. E diz que o procedimento fiscal adotado é ilegítimo, uma vez que houve “o transcurso do prazo decadencial conferido ao Fisco para a análise de apuração do saldo credor utilizado para a compensação de débitos no presente processo.”. Na verdade, a contribuinte defende que, no presente caso, é aplicável o prazo de cinco anos do § 4º, art. 150 do CTN, para a revisão e lançamento dos contribuições analisadas. Ou seja, que no momento da ciência do despacho decisório já havia transcorrido o prazo legal de 5 (cinco) anos a que se refere o § 4º, art. 150 do CTN, e que, dessa forma, as contribuições objeto do procedimento fiscal já se encontravam homologadas tacitamente. No entanto, como se verifica a seguir, a contribuinte não possui razão em em suas argumentações e as três preliminares levantadas devem ser afastadas. Nulidade Em matéria de processo administrativo fiscal não há que se falar em nulidade caso não se encontrem presentes as circunstâncias previstas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 59. São nulos: I - Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” O despacho decisório contestado insere-se na categoria prevista nº transcrito inciso II do art. 59 (despachos e decisões), sendo Fl. 1289DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 22 nulo, portanto, apenas quando lavrado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa. Caso não influam na solução do litígio, também prescindirão de saneamento (art. 60 do Decreto nº 70.235, de 1972). No presente caso verifica-se que o ato administrativo foi lavrado por Auditor-Fiscal da Receita Federal em pleno exercício de suas atribuições, razão pela qual não há que se falar em incompetência da autoridade fiscal. Constata-se, também, que não houve qualquer limitação à possibilidade de defesa da autuada, já que ela teve livre acesso a todas as informações constantes do despacho decisório e que não houve qualquer restrição ao seu direito de apresentação da manifestação de inconformidade ou qualquer empecilho relativo à produção de provas. Nesse sentido, portanto, não há que se falar preterição do direito de defesa. No tocante às reclamações de que não foi dada a oportunidade de contestar ou apresentar documentos em relação aos argumentos da fiscalização, é de se destacar que inexiste ofensa ao direito de defesa durante a fase procedimental. O direito ao devido processo legal somente é aberto ao sujeito passivo após o lançamento, ou no caso, a emissão do Despacho Decisório, com a respectiva ciência. É nesse momento que os interessados são cientificados da decisão e informados para, se desejarem, apresentar manifestação de inconformidade, podendo então produzir as provas que entender de direito, inclusive a solicitação de perícias e diligências, na forma da lei. Após a ciência da decisão, e na hipótese de sua discordância, é que a contribuinte, respaldada pelas garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa, instaura o contencioso administrativo e participa ativamente do processo com a apresentação de suas razões e provas, referentes aos fatos constantes da decisão e sobre as quais está fundamentada a sua discordância. Ademais, é de se ressaltar que as argumentações da contribuinte, nº sentido de que o procedimento fiscal foi realizado de maneira perfunctória, de que a fiscalização cometeu vício insanável ao desconsiderar documentos ou esclarecimentos apresentados, e de que houve a apresentação de todos os dados ou documentos solicitados pela fiscalização, são falaciosas e tentam inverter a realidade dos fatos. A simples análise dos autos demonstra, de forma muito clara, que a fiscalização tentou, por mais de 6 (seis) meses e por meio de 8 (oito) intimações e reintimações, coletar os documentos e informações necessários à comprovação dos créditos pleiteados no pedido de ressarcimento. No entanto, a interessada preferiu a omissão, pois, mesmo após ser intimada e reintimada diversas vezes, deixou de corrigir as planilhas apresentadas e de Fl. 1290DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 23 entregar dos documentos solicitados. Conforme se verifica nos 8 (oito) termos (de Intimação e Reintimação), a contribuinte foi repetidamente cientificada dos problemas com a documentação entregue (planilhas com inconsistências e ausência de documentos) e, mesmo assim, optou por não fazer as correções necessárias e não entregar os documentos faltantes. Veja-se, aliás, que o trabalho de reformatação das planilhas apresentadas, ao contrário do afirmado pela interessada, foi, na verdade, benéfico para a contribuinte, uma vez que a fiscalização, mesmo diante das inconsistências, imperfeições e ausências, procurou, por meio da comparação dos dados informados nos Dacon com as planilhas e documentos apresentados, validar os créditos almejados. Nesse sentido, observe-se que no presente caso, a comprovação da existência de crédito junto à Fazenda Nacional é atribuição da contribuinte, cabendo à autoridade administrativa, por sua vez, examinar a liquidez e certeza do crédito, de acordo com a legislação pertinente, autorizando, após confirmação de sua regularidade, o ressarcimento ou compensação do crédito conforme vontade expressa da contribuinte. Por fim, no que diz respeito à nulidade em razão da apuração anual dos créditos, constata-se que a argumentação não se sustenta diante dos fatos. Isto porque as linhas de glosas (e de concessão de crédito) em cada uma das planilhas elaboradas pela fiscalização nada mais são do que a reprodução das linhas (com as respectivas datas e demais informações) das planilhas elaboradas pela interessada e entregues durante o procedimento fiscal. Portanto, não tem qualquer sentido a contribuinte afirmar que não consegue identificar (em cada data ou período de apuração) as glosas de linhas que ela mesma informou à fiscalização. Ademais, contrariamente ao afirmado pela interessada, apesar de as planilhas elaboradas pela fiscalização estarem organizadas e nominadas de forma anual (nos mesmos moldes das que foram apresentadas pela própria interessada à fiscalização), constatase que todas as rubricas (sem exceção) constam relacionadas e identificadas com datas e respectivos meses de competência. Homologação tácita Analisando-se a manifestação de inconformidade em relação a esse quesito constata-se, primeiramente, uma impropriedade nos argumentos trazidos: no título do subtópico a interessada refere-se à homologação tácita do Pedido de Compensação, mas em seus argumentos ela defende que a homologação tácita teria ocorrido em relação ao Pedido de Ressarcimento. Dito isso, deve-se dizer que as argumentações trazidas não tem qualquer fundamento, haja vista que a homologação tácita não é aplicável aos pedidos de restituição ou de ressarcimento, mas tão somente às declarações de compensação. Fl. 1291DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 24 A homologação tácita foi instituída pela Medida Provisória nº 135, de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, que alterou o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, bem como o §5º do referido artigo, nos seguintes termos: § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à declaração de compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos pedidos de restituição e ressarcimento. Na compensação, o contribuinte promove o encontro de contas e requer que o procedimento seja homologado pela Administração Tributária. Caso a homologação não ocorra, os valores compensados são imediatamente exigidos nos termos dos §§ 6º, 7º e 8º do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, supra. Esta operação está sujeita à homologação tácita para que se garanta o direito à segurança jurídica da contribuinte. Logo, é de se esperar que a lei que regulamenta o pedido de compensação também preveja um prazo para o Fisco decidir sobre o direito pleiteado, sob pena de homologar tacitamente a compensação. No ressarcimento (ou restituição), a situação é diferente, pois o contribuinte requer o pagamento de um crédito que alega possuir. Não se requer a homologação do procedimento de compensação realizado. Portanto, o indeferimento do pleito, mesmo que ocorrido após o decurso do prazo decadencial, não lhe atinge a segurança jurídica, pois, dos pedidos de ressarcimento (restituição), não decorrem cobranças de créditos tributários confessados. Verifica-se, assim, que não há previsão legal de prazo para que a Administração Tributária se pronuncie em pedidos de ressarcimento, nem de dispositivo legal que preveja a perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Veja-se, também, que, em relação às Declarações de Compensação, não há que se falar em homologação tácita, uma vez que a ciência do Despacho Decisório ocorreu dentro do prazo legal de 5 (cinco) anos. Decadência Em relação às alegações de decadência (impropriamente denominada pela interessada), é de se observar que o procedimento em tela refere-se à análise de pedido de ressarcimento (cumulado com pedidos de compensação), no qual a autoridade administrativa tem o poder/dever de examinar a liquidez e certeza do direito de crédito pleiteado, o que implica calcular/determinar créditos que, segundo a legislação, podem ser ressarcidos aos contribuintes. Fl. 1292DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 25 Logo, não se trata aqui de procedimento de revisão de débito declarado para fins de lançamento de ofício, mas sim de se verificar a existência de crédito líquido e certo passível de ser ressarcido para o sujeito passivo. A negativa do ressarcimento, em razão de ter sido apurado crédito em montante inferior ao que foi pleiteado pelo sujeito passivo, independe do lançamento de ofício. Fundamenta-se, como já dito, no fato de a Administração Tributária não poder deferir um crédito que sabe não ser líquido e certo. Assim, não importa se o procedimento de verificação do direito creditório se dá dentro ou fora do prazo decadencial de que trata do art. 150, § 4º, do CTN; a alteração da base de créditos não cumulativos pode se efetuar mediante despacho decisório, desde que essa modificação implique tão somente a redução ou mesmo a anulação do crédito postulado pelo sujeito passivo. Dessa forma, eventuais ajustes nos valores das bases de créditos não cumulativos informadas no respectivo Dacon, bem como nos valores de bases de crédito de períodos anteriores, que repercutam nos valores dos créditos ressarcíveis, não se caracterizam como exigência de tributo passível de lançamento. Tampouco há que se falar em prazo decadencial para a análise do direito creditório pleiteado. Na verdade, com o transcurso do prazo decadencial previsto nos arts. 150, § 4º ou 173, I, do CTN, apenas o dever/poder de formalizar o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário (art. 156, V e VII do CTN). Também é oportuno que se diga que a homologação tácita, prevista nº art. 150, § 4º do CTN, incide apenas sobre o pagamento do crédito tributário efetuado pelo sujeito passivo e vinculado a uma base de cálculo positiva sujeita à tributação. Não há previsão legal para que a homologação tácita se aplique à apuração de créditos sujeitos ao ressarcimento. Em resumo, portanto, o único prazo decadencial a ser levado em conta nº presente caso é aquele previsto para a compensação, instituído pelo § 5º, art. 74, da Lei 9.430/96, o qual, diga-se, não foi afrontado. No tocante à alegação de necessidade de auto de infração para efetuar as glosas, é de se repetir, como foi dito acima, que o ato administrativo próprio para a concessão(ou não) de direito creditório é o despacho decisório, sendo que dele pode resultar tão somente a redução ou mesmo a anulação do crédito postulado pelo sujeito passivo. Nesse mesmo sentido, a homologação, ou não, dos débitos declarados em Declaração de Compensação - Dcomp, deve ocorrer com a emissão de despacho decisório, consoante o previsto no § 7º, art. 74, da Lei 9.430, de 1996.” Dessa forma, rejeito as preliminares arguidas. Fl. 1293DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 26 Mérito Em relação a possível reversão das glosas mantidas pela DRJ, antes de enfrentar o mérito, necessário se faz analisar a legislação relativa apuração e desconto desses créditos e, nesse sentido estabelecem respectivamente a Lei nº 10.833/2003 e Lei nº 10.637/2002: Lei nº 10.833/2003 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V - valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)VII - edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII - bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. XI - bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito)I - dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II - dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de Fl. 1294DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 27 2014) (Vigência)IV - dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2º Não dará direito a crédito o valor: I - de mão de obra paga a pessoa física; II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição; e (Redação dada pela Lei nº 14.592, de 2023)§ 3º O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: I - aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II - aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III - aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Lei nº 10.637/2002 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V - valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII - edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII - bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; Fl. 1295DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 28 IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. XI - bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito)I - dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II - dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV - dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2º Não dará direito a crédito o valor: I - de mão de obra paga a pessoa física; II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição; e (Redação dada pela Lei nº 14.592, de 2023)§ 3º O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: I - aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II - aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III - aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. Também deve ser observado o Parecer Normativo COSIT nº 5, de 17 de dezembro de 2018, a saber: “Assunto. Apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: Fl. 1296DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 29 a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II.” Em suma, depreende-se da leitura do Parecer Normativo Cosit 05-2018 dever o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Dito isto, nos termos da legislação supracitada e a luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica, passo a análise das glosas mantidas pela DRJ. 1. Despesas com bens utilizados como insumos – aquisição de papel Conforme consta do Relatório, em relação as despesas classificadas como Bens utilizados como insumo, defende a Recorrente corresponderem a: - aquisições com divergência entre o valor informado pela interessada e o valor da Declaração de Importação – DI. No tocante as Notas Fiscais nº 330 e 369, emitidas pela empresa Copap Tranding Inc, esclarece que a divergência encontrada decorre da inclusão na própria base de cálculo das contribuições (PIS e Cofins) dos valores devidos a este título. Sustenta, também, que a fiscalização deveria ter considerado, no mínimo, o crédito apontado na DI e não ter glosado todo o valor do crédito. - aquisições desconsideradas por não terem sido confirmadas (nos sistemas da RFB) as informações relativas às importações. Diz que apresentou os documentos solicitados na amostragem e que glosas estão viciadas, uma vez que faltou aprofundamento no procedimento de apuração dos créditos. - Notas fiscais supostamente não apresentadas. Afirma a fiscalização solicitou a apresentação de somente duas notas fiscais por fornecedor e que atendeu por completo a todas as solicitações. Fl. 1297DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 30 - Bens utilizados como insumo. Notas fiscais repetidas. Acrescenta o exemplo específico da nota fisal nº 4445, da empresa CMPC Celulose do Brasil Ltda. Argumenta que a suposta duplicidade, consoante o contido no documento, é, na verdade lançamento redutor do valor original, ocasionado por uma perda no transporte da carga, que foi registrada e anotada no verso da nota fiscal. Ressalta, nesse sentido, que as perdas ocorridas no transporte são objetos de lançamentos retificadores, redutores do crédito, e que essa atitude demonstra o comportamento correto e transparente da contribuinte. - Bens utilizados como insumo. Entradas com aplicação da alíquota zero. Argumenta que as notas fiscais (nº 171441, 171719, 171730, 171789, 171790, 172409, 172497, 172507, 172521, 172525, 172542, 172545, 172706, 173028, 173087 e 173122), acostadas (conforme doc. 02), contém aquisições de produtos (NCM 4802.55.92) tributados. Contudo, em que pese as alegações apresentadas, razão não lhe assiste e por entender que a decisão proferida pela instância a quo em relação a matéria seguiu o rumo correto, nos termos do §12° do art. 114 do RICARF, adoto os fundamentos apresentados pela DRJ para manutenção das glosas, a saber: As glosas relativas aos bens utilizados como insumo foram resumidas e justificadas nos subitens 3 e 4, com detalhamento nas planilhas denominadas SC_Bens2009 e SC_Bens2010 (pasta Auditoria – Subpasta 1Bens). Os motivos apontados pela fiscalização para a efetivação das glosas foram os seguintes: Notas Fiscais cujas mercadorias foram compradas (venda para a interessada) com alíquota zero; Notas Fiscais que não foram apresentadas para análise; Notas Fiscais para as quais existem divergência de valores na Declaração de Importação; e Notas Fiscais para as quais as Declarações de Importação não foram localizadas nos sistemas da RFB. Primeiramente, é de se ressaltar, novamente, a omissão da contribuinte quando da realização do procedimento fiscal. Conforme se verifica nos 8 (oito) termos (de Intimação e Reintimação), a contribuinte foi repetidamente cientificada dos problemas com a documentação entregue (planilhas com inconsistências e ausência de documentos) e, mesmo assim, optou por não fazer as correções necessárias e não entregar os documentos faltantes. Processo 10880.939004/2014-89 Acórdão n.º 06-60.778 DRJ/CTA Fls. 22 22 Por segundo, é de se dizer que a interessada não possui razão em seus argumentos. Veja-se abaixo as justificativas para se manter as glosas: - Notas fiscais supostamente não apresentadas. Consoante a planilha SC_Bens2010, os documentos glosados com essa justificativa foram: o de nº 7.100, de maio de 2010, da empresa Eskenazi Indústria Gráfica Ltda., de CNPJ Fl. 1298DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 31 61.069.100/0001-69; e o de nº 237, de agosto de 2010, da empresa UPM – Kymmene Seve Seas Ltd., sem CNPJ. Note-se que as aquisições dessas empresas foram as únicas realizadas no ano. Assim, em conformidade com a argumentação trazida na manifestação, a interessada deveria ter apresentado a cópia de citados documentos, pois afinal a fiscalização requereu a apresentação de apenas uma nota fiscal por fornecedor. No entanto, além de não ter apresentado durante o procedimento fiscal, a interessada não as apresentou no contencioso administrativo. Nesse sentido, portanto, dada a falta de comprovação dessas aquisições, é de se manter as glosas efetuadas. - Valor de R$ 345,00 relativo à prestação de serviços gráficos que foram reclassificados e transferidos para a planilha de aquisição de bens. Consoante a planilha SC_Bens2010, em que pese a reclassificação efetuada (de Serviços Gráficos para compra de bens), o fato é que a nota fiscal indica a compra de livros, os quais eram tributados à alíquota zero das contribuições. Sem direito ao crédito portanto. - aquisições desconsideradas por não terem sido confirmadas (nos sistemas da RFB) as informações relativas às importações. Conforme se verifica na citada planilha, a interessada não forneceu dados suficientes para que a fiscalização pudesse realizar o aprofundamento almejado. Nota-se, também, que a ausência de dados permaneceu nº contencioso administrativo, restando, portanto, improcedente a argumentação de falta de investigação. - Notas fiscais nº 330 e 369, com divergência entre o valor informado pela interessada e o valor da Declaração de Importação – DI. Em que pese a plausabilidade dos argumentos, verifica-se que a interessada não fez comprovação dos fatos alegados. E por fim, em relação às outras glosas, nota-se que elas não dizem respeito ao período de apuração ora tratado, sendo, portanto, impertinente discuti-las nº presente processo. - As notas fiscais (nº 171441, 171719, 171730, 171789, 171790, 172409, 172497, 172507, 172521, 172525, 172542, 172545, 172703, 173028, 173087 e 173122), acostadas conforme doc. 02 da petição complementar, e que, segundo a contribuinte, contém aquisições de produtos tributados, referem-se a aquisições realizadas no mês de dezembro de 2010. - e as notas fiscais tidas como repetidas (nº 4445 e 4604 da empresa CMPC Celulose do Brasil Ltda. e nº 17815 da empresa Suzano Papel e Celulose) são relativas a abril e maio de 2010. Assim, mantenho as glosas efetuadas. 2. Despesas com serviços utilizados como insumos 2.1 Serviços gráficos Fl. 1299DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 32 Alega a Recorrente em relação as despesas correspondentes a serviços gráficos: 140. No tocante aos Serviços Gráficos, houve a glosa relativamente a Notas Fiscais omissas, Notas Fiscais repetidas, Serviço prestado por entidade imune/isenta, Notas Fiscais não apresentadas. 141. Para as Notas Fiscais tidas por repetidas, conforme já esclarecido pela Recorrente, tem-se que as notas que possuem dois ou mais itens tem seu registro realizado, isoladamente, para cada item, de modo que o número de uma mesma Nota Fiscal é indicado na exata razão do número de itens existentes, sem que isso qualquer prejuízo à apuração dos créditos, já que, se somados todos os itens, ter- se-á o valor total da Nota Fiscal correspondente. 142. Tal aspecto foi reconhecido pelo acórdão recorrido, nos seguintes termos: A argumentação da interessada, no sentido de que as repetições de número de notas fiscais constantes da planilha referem-se a itens dessas mesmas notas fiscais é confirmada com a amostragem de documentos (doc. 04) apresentada em conjunto com a petição complementar. Corrobora essa constatação, os históricos constantes das linhas relativas às Notas Fiscais tidas como repetidas das planilhas SC_ServiçosEditoriais2010 e SC_ServiçosGráficos2010. Em sua grande maioria, para o mesmo número de nota fiscal, eles são 46 distintos, confirmando que tratam-se, de fato, de itens da mesma nota fiscal. Nesse sentido, portanto, é de se reverter todas as glosas das notas fiscais tidas como repetidas conforme a Tabela 1 abaixo. 143. Neste passo, requer-se a manutenção do acórdão recorrido neste ponto, cancelando-se a glosa realizada pela autoridade fiscal. 144. Quanto às notas fiscais supostamente não apresentadas, da mesma forma em que ocorreu para os serviços editoriais, a fiscalização solicitou apenas a apresentação de uma nota. (...) 145. Ainda, também não devem prevalecer as glosas em relação às notas fiscais desconsideradas pela d. Autoridade Fiscal como aquisições de serviços com alíquota zero de PIS/COFINS. 146. De outro lado, em relação aos serviços de industrialização por encomenda, é essencial destacar que a tributação ou não pelo PIS e COFINS do serviço contratado fica a cargo do emitente da nota fiscal de serviço, sabendo-se que no presente caso não há nenhuma orientação específica que lhe assegure a não tributação por tais exações, e, por conseguinte, qualquer restrição aos créditos do contratante, no caso a Recorrente. Fl. 1300DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 33 147. Nesse caso, a lisura e regularidade das informações é de responsabilidade exclusiva do seu emitente, consoante disposto na Solução de Consulta COSIT nº 4/2014: 12. O fato gerador das contribuições é o faturamento ou a receita (conforme art. 195, I, “b”, da Constituição Federal), sendo suas bases de cálculo o faturamento, no regime de apuração cumulativa (conforme art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998) ou a receita auferida, no regime de apuração não cumulativa (conforme arts. 1º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). 13. A emissão de notas fiscais é obrigação acessória a ser cumprida pela pessoa jurídica quando da realização de diversas operações elencadas na legislação correlata, sendo necessária e fundamental para o funcionamento da fiscalização tributária. 14. Nesse contexto, constata-se que a relação entre a ocorrência do fato gerador das contribuições e a emissão de notas fiscais não é constitutiva, mas declaratória e instrumental, servindo esta como uma das formas de comprovação daquela. 15. Obviamente, sendo o documento fiscal uma das principais ferramentas de fiscalização à disposição da administração tributária, sua emissão ou não emissão geram, inevitavelmente, repercussões na esfera jurídica da pessoa jurídica emitente. 16. Emitido o documento fiscal para acobertar a operação, surgem contra o emissor diversas consequências, citando-se exemplificativamente a seguinte legislação (...) 17. Assim, constata-se que, entre outros efeitos, a emissão da nota fiscal gera contra o emissor presunção relativa de veracidade das informações e necessidade de escrituração contábil e fiscal correspondente, servindo como instrumento probatório para o Fisco ainda que haja irregularidades procedimentais em sua emissão. 18. Daí justifica-se o rigor com que a legislação específica trata a não emissão, a emissão e alteração das notas fiscais relativas às operações da pessoa jurídica. (...) 148. Com isso, quer se esclarecer que a responsabilidade pela tributação ou não de suas operações é única e exclusiva do prestador de serviços, não havendo que se restringir o direito da Recorrente ao crédito dos serviços de industrialização por encomenda tomados de pessoas jurídicas regularmente inscritas no cadastro da Receita Federal do Brasil e cuja aquisição do serviço e efetivo pagamento não é objeto de questionamento. 149. Deveras, sendo o regime de creditamento do PIS e COFINS o subtrativo indireto, que assegura o crédito por decorrência de Lei e não por Fl. 1301DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 34 transferência escritural, deve ser assegurado o crédito ao contribuinte adquirente do serviço, independentemente do tratamento fiscal dado pelo prestador emitente da nota fiscal de serviço ou de bens. Exatamente nesse sentido é o disposto na Solução de Consulta Cosit nº 22/2016: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: CRÉDITOS PARA DESCONTO DO PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Como regra geral, ressalvadas as exceções legais aplicáveis a cada caso concreto de acordo com a legislação pertinente, os créditos admissíveis para desconto dos valores devidos a título de contribuição para o PIS/Pasep, na sistemática de não-cumulatividade, serão calculados pela alíquota geral de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento), independentemente de verificação da alíquota efetivamente aplicada pelo fornecedor sobre a receita da venda ou da prestação do serviço. DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS EMENTA: CRÉDITOS PARA DESCONTO DA COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Como regra geral, ressalvadas as exceções legais aplicáveis a cada caso concreto de acordo com a legislação pertinente, os créditos admissíveis para desconto dos valores devidos a título de contribuição a Cofins, na sistemática de não-cumulatividade, serão calculados pela alíquota geral de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), independentemente de verificação da alíquota efetivamente aplicada pelo fornecedor sobre a receita da venda ou da prestação do serviço. DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. 150. Ou seja, como concluiu-se na aludida Solução de Consulta, (...) os créditos admissíveis para desconto dos valores devidos a título de contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, na sistemática de não- cumulatividade, serão calculados pelas alíquotas gerais de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), respectivamente, independentemente de verificação da alíquota efetivamente aplicada pelo fornecedor sobre a receita da venda ou da prestação do serviço. 151. No presente caso, não há nenhuma orientação específica no sentido de que a Receita da prestação de serviços de industrialização por encomenda esteja sujeita à alíquota zero de PIS e COFINS, não cabendo qualquer restrição aos créditos de serviços gráficos de industrialização por encomenda tomados pela Recorrente. Fl. 1302DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 35 152. Seja como for, como explicado anteriormente, e que desde já é reiterado para evitar a sua repetição desnecessária, o fato de a alíquota ter sido reduzida a zero não afasta o direito ao crédito da Recorrente, uma vez que o direito ao crédito somente não se manifesta nas situações de não tributação e de isenção, hipóteses que não se equiparam à alíquota zero. 153. Seja como for, como explicado anteriormente, e que desde já é reiterado para evitar a sua repetição desnecessária, o fato de a alíquota ter sido reduzida a zero não afasta o direito ao crédito da Recorrente, uma vez que o direito ao crédito somente não se manifesta nas situações de não tributação e de isenção, hipóteses que não se equiparam à alíquota zero. 154. Portanto, inquestionável que a isenção e não tributação definitivamente não se confundem com alíquota zero. Logo, não é possível equiparar tais situações para limitar o direito ao crédito da Recorrente, sem qualquer respaldo legal. Relativamente aos serviços prestados por entidade imune/isenta (serviços de industrialização por encomenda), como acertadamente ressalvado pela Recorrente, a tributação ou não pelo PIS e COFINS do serviço contratado fica a cargo do emitente da nota fiscal de serviço, sabendo-se que no presente caso não há nenhuma orientação específica que lhe assegure a não tributação por tais exações, e, por conseguinte, qualquer restrição aos créditos do contratante, dessa forma equivocado o entendimento adotado pela Autoridade Fiscal e mantido pela DRJ. Ademais, a própria Receita Federal do Brasil por meio de Solução de Consulta já exarou entendimento de que a pessoa jurídica encomendante pode descontar crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos valores pagos a título de serviços de industrialização por encomenda, pois esses são considerados insumos na produção/fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Nesse sentido, destaque-se: SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 631, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2017 Publicado(a) no DOU de 02/01/2018, seção 1, página 40 Multivigente Vigente Original ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: CRÉDITO. INSUMO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A pessoa jurídica encomendante pode descontar crédito da Contribuição para o PIS/Pasep em relação aos valores pagos a título de serviços de industrialização por encomenda, pois esses são considerados insumos na produção/fabricação de bens ou produtos destinados à venda. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.637, de 2002, com alterações, art. 3º, II. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS EMENTA: CRÉDITO. INSUMO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Fl. 1303DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 36 A pessoa jurídica encomendante pode descontar crédito da Cofins em relação aos valores pagos a título de serviços de industrialização por encomenda, pois esses são considerados insumos na produção/fabricação de bens ou produtos destinados à venda. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.833, de 2003, com alterações, art. 3º, II. Em relação as glosas mantidas classificadas serviços gráficos - notas fiscais omissas e notas fiscais não apresentadas, destaque-se que em pedidos de ressarcimento o ônus da prova (o dever de provar) recai sobre o contribuinte que faz o pedido, ou seja, o próprio contribuinte. A comprovação do direito creditório é de sua responsabilidade, que deve apresentar as provas necessárias para sustentar suas alegações. Ao contrário do que defende a Recorrente, mesmo diante das diversas oportunidades de realizar a demonstração do direito ao crédito (tanto na fase do procedimento fiscal quanto após o estabelecimento do contencioso), a Recorrente não trouxe aos autos informações capazes de elidir o feito fiscal. Assim, desde que observados os demais requisitos da lei, dentre os quais encontrarem-se tais dispêndios devidamente lastreados em documentação comprobatória, reverto as glosas relativas as despesas correspondentes a serviços gráficos contratados por meio de industrialização por encomenda. 2.2 Serviços editoriais Acerca das despesas correspondentes aos serviços editoriais, em resumo, foram apresentadas as seguintes razões recursais; Especificamente em relação aos Serviços a Autoridade Fiscal glosou valores referentes sob o fundamento de se tratar ou de direitos autorais ou de serviços utilizados na produção dos livros, tais como edição, diagramação, ilustração, cuja documentação foi considerada insuficiente. Como dito, a Recorrente tem como atividade principal a edição de livros e teve glosados créditos originados de valores pagos supostamente a título de direitos autorais, ou que incluiu também compra e/ou locação de imagens, fotos, músicas, poemas, textos, desenhos, tiras de quadrinhos/jornais, iconografia, entre outros, com fundamento na Solução de 50 divergência n.º 14, de 28/04/2011, da COSIT da RFB, que dispõe: “Os valores pagos em decorrência de contratos de cessão de direitos Autorais, ainda que necessários para a edição e produção de livros, não geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins e do PIS porque não se enquadram na definição de insumos na fabricação ou produção de bens destinados à venda.”. Fl. 1304DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 37 Com efeito, os direitos autorais objeto da glosa são, na realidade, valores pagos a Pessoas Jurídicas – quanto isso não houve qualquer questionamento – em contrapartida à cessão de direito de uso de imagens em publicações da Recorrente, ou, ainda, à autorização de utilização de obra musical em livros editados pela Recorrente. Parte de tais serviços está classificado como “iconografia”, “textos, fotos e artes”, os quais incluem, respectivamente, pesquisa e compra de fotos e autorização para uso de textos e músicas (planilha 2bServiçosEditoriais – aba denominada exclusões). Houve glosa, ainda, dos serviços de assessoria editorial, preparação e revisão de texto, edição criação e tradução, diagramação, dentre outros (planilha 2bServiçosEditoriais – aba denominada Análise 2). De início, cumpre ressaltar uma vez mais que a argumentação fiscal é genérica, não tratando especificamente de cada um dos serviços glosados, o que dificultou o exercício do direito de defesa. 159. De qualquer modo, da simples descrição acima, fica evidenciado que as despesas com os serviços em questão são essenciais à ora Recorrente. Não se imagina a edição de livros didáticos sem qualquer ilustração, tampouco sem a própria edição! Ou pior, como a Recorrente, comprometida com a difusão de conhecimento e cultura deixará de trazer em suas obras referências literárias e culturais? Evidente que para isso os autores devem ser remunerados, o que é regularmente feito pela Recorrente, que, em contrapartida, se utiliza dos créditos de PIS e COFINS decorrentes dessas aquisições Conforme Parecer Normativo Cosit 05-2018 deve o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Logo, os valores pagos em decorrência de contratos de cessão de direitos autoriais, como são necessários para a edição e produção de livros, quaisquer despesas relativas a compras e/ou locação de imagens, fotos, músicas, poemas, textos, desenhos, tiras de quadrinhos/jornais, gravuras, pinturas, e todas as demais obras, cuja propriedade não seja da contribuinte, devem ser consideradas essenciais e relevantes a sua atividade. Portanto, desde que observados os demais requisitos da lei, dentre os quais encontrarem-se tais dispêndios devidamente lastreados em documentação comprobatória, as glosas devem ser revertidas. 3. Despesas com aluguel de bens móveis Defende a Recorrente acerca das despesas com aluguel de bens móveis: Fl. 1305DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 38 Nesse sentido, o acórdão da DRJ entendeu que “devem ser revertidas as glosas constantes da planilha SC_AluguelMóveis2010 que concomitantemente: apontem, na coluna Finalidade/Descrição, para a locação de máquinas e equipamentos; e tenham sido glosadas, consoante coluna Análise Descrição, com a motivação Solução de Consulta Excludente”. No entanto, mesmo afastando o entendimento da autoridade fiscal, o acórdão da DRJ decidiu por manter a glosa sobre “outros tipos de locação ou para prestações de serviços (tais como Operação logística, pagamento de horas extras e prestação de serviços de movimentação de materiais)” Trata-se de uma incongruência na decisão, uma vez que as demais glosas também se referem a locação de máquinas imprescindíveis para a atividade da Recorrente, o que se verifica da própria descrição constante da planilha fiscal. A premissa da autoridade fiscal foi a mesma para todas as locações, razão pela qual este item deveria ser integralmente cancelado. Ademais, eventuais ausências de descrição dos bens ou ausência de localização das notas, deveria ter sido solucionada por intimação específica, o que não foi feito justamente em razão da premissa fiscal de não aceitar a integralidade das locações decorrente da equivocada interpretação da legislação. Portanto, seja como insumo, seja como aluguel de máquinas e equipamentos (autorização expressa do inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.637/02), não restam dúvidas sobre o direito da Recorrente ao creditamento de tais despesas. Em relação a este tipo de despesas, nos termos da legislação de regência da contribuição já destacada acima, a Recorrente somente pode descontar créditos calculados em relação a aluguéis de máquinas e equipamentos pagos a pessoa jurídica e utilizados nas atividades da empresa. No caso em apreço, a autoridade fiscal, no acórdão da DRJ manteve as glosas relativas as outras linhas de despesas relacionadas na planilha acostada aos autos glosadas com a motivação “solução de consulta excludente” que apontem para locação de móveis, prestações de serviços tais como operação logística, pagamento de horas extras e prestação de serviços de movimentação de materiais e glosas efetuadas com base nas motivações dados insuficientes – falta de informações, sem descrição e documentos não apresentados. Nesse sentido, quanto as glosas efetuadas com base nas motivações dados insuficientes – falta de informações, sem descrição e documentos não apresentados, importa destacar que em pedidos de ressarcimento, o ônus da prova (o dever de provar) recai sobre o contribuinte que faz o pedido, ou seja, o próprio contribuinte. A comprovação do direito creditório é de sua responsabilidade, que deve apresentar as provas necessárias para sustentar suas alegações. Ao contrário do que defende a Recorrente, mesmo diante das diversas oportunidades de realizar a demonstração do direito ao crédito (tanto na fase do procedimento fiscal quanto após o estabelecimento do contencioso), a Recorrente não trouxe aos autos informações capazes de elidir o feito fiscal. Nessa direção este Conselho já se manifestou, a saber: Fl. 1306DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 39 Numero do processo: 13656.000007/2005-81 Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção Câmara: Terceira Câmara Seção: Terceira Seção De Julgamento Data da sessão: Fri Sep 02 00:00:00 UTC 2011 Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS Período de Apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO PRESUMIDO - AGROINDÚSTRIA Apresentadas nos autos provas que levam a crer que a empresa realizava cumulativamente as atividades previstas no §6°, do art.8°, da Lei n° 10.925/2004, deve ser reconhecido o direito ao crédito presumido. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de Apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE ADQUIRIU CAFÉ A apresentação de documentos que demonstrem que a empresa efetivamente comprou café, em especial, seu pagamento, é indispensável para assegurar o direito ao crédito alegado. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o fato modificativo, extintivo ou impeditivo do direito. Não tendo o contribuinte apresentado qualquer elemento probatório do seu direito, deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou o pedido de ressarcimento. Numero da decisão: 3803-001.974 Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern que manteve a glosa do crédito presumido. Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE No que diz respeito a as glosas relativas as outras linhas de despesas relacionadas na planilha acostada aos autos glosadas com a motivação “solução de consulta excludente” que apontem para prestações de serviços tais como operação logística e prestação de serviços de movimentação de materiais, considerando a atividade desenvolvida pela Recorrente, bem como, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da contribuição à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica, de fato correspondem a despesas relativas imprescindíveis e devem ser revertidas. No tocante as despesas relacionadas na planilha acostada aos autos glosadas com a motivação “solução de consulta excludente” que apontem para locação de móveis e pagamento de horas extras, devem ser mantidas em razão de ausência de previsão normativa que autorize o Fl. 1307DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 40 desconto do crédito, bem como, por não se enquadrarem no conceito de insumo, nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 5, de 17 de dezembro de 2018. Assim, desde que observados os demais requisitos da lei, dentre os quais encontrarem-se tais dispêndios devidamente lastreados em documentação comprobatória, devem ser revertidas apenas as glosas relativas a operação logística e prestação de serviços de movimentação de materiais. 4. Despesas com aluguel de imóveis Alega a Recorrente em relação as despesas com aluguéis de imóveis: Veja-se que as alegações da Recorrente foram genericamente rechaçadas pela autoridade julgadora, sem que se apreciassem as razões que legitimam o creditamento dos aluguéis. A vasta documentação foi genericamente ignorada pela decisão recorrida. Com relação ao imóvel situado na Rua Ceno Sbrighi, n.º 25/27, Água Branca – SP, a Recorrente apresentou cópia do contrato de locação firmado no ano-calendário de 2005, além de dois termos aditivos de prorrogação do prazo da locação, bem como apresentou cópia do Termo de entrega das chaves do referido imóvel ao locador, em 14.05.2012, do que se presume que até referida data a Recorrente permaneceu no imóvel e, consequentemente, pagando o correspondente aluguel. Em relação ao imóvel situado na Estrada Umuarama, foram apresentados os comprovantes de pagamento da locação feitos pela Editora Scipione e pela outra empresa do grupo (Editora Ática), o que torna inequívoco o direito de creditamento de tal despesa (...) 193. Sobre o mesmo imóvel, cumpre destacar que no Termo Aditivo n.º 4, devidamente apresentado durante a fiscalização, a cláusula n.º 2 esclarece que do período compreendido entre 30 de junho de 2008 até 31 de dezembro de 2010 a locação estava vigente, conforme se comprova pelo trecho abaixo (...) Sobre as despesas de aluguel relativas ao imóvel situado na Avenida Maracanã, 592, a Recorrente apresentou Termo de aditivo contratual n.º 2, no qual o valor do aluguel foi reajustado, passando a ser, a partir de 1º de setembro de 2010, R$ 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais). (...) Nesse contexto, os pagamentos apresentados pela Recorrente foram de R$ 22.500,00 (vinte e dois mil e quinhentos reais), valor este correspondente a 50% Fl. 1308DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 41 do valor do aluguel pactuado, haja vista a utilização e divisão das despesas com a Editora Ática S.A., demonstra-se: (...) Portanto, inexiste a divergência apontada pela Autoridade Fiscal, sendo de rigor o reconhecimento dos créditos de PIS e de COFINS. Em relação aos imóveis situados na Avenida Otaviano Alves de Lima, 4400 e ao Imóvel situado na Avenida Nações Unidas, a fiscalização aponta não teriam sido comprovados os pagamentos de aluguel e apresentado o termo aditivo de locação. Entretanto, cabe destacar que a Recorrente pertencia, à época, ao Grupo Abril Educação, atualmente Somos Educação, e que, nos anos de 2009 e 2010 era diretamente relacionada ao Grupo 61 Abril que, por sua vez, tem relação com a Editora Abril S/A. Nessa medida, a fim de otimizar a utilização de espaços a Recorrente celebrou com a Editora Abril contrato de sublocação do imóvel e acertou o pagamento do preço. Todos os pagamentos efetuados foram contabilizados mensalmente, conforme documento trazido aos autos e ignorado pelo acórdão recorrido. Em relação aos imóveis situados na Rua Galileu Gaia, fora apresentado à fiscalização o aditivo contratual nº 2, por meio do qual os proprietários cedem seus direitos para a Pessoa Jurídica Palmar Empreendimentos Ltda. Inclusive, todos os comprovantes de pagamento apresentados pela Recorrente durante a fiscalização, atestam que os pagamentos foram realizados em favor da referida Pessoa Jurídica. Dessa forma, não há que se falar em pagamento efetuado a Pessoa Física. A documentação anexada aos autos comprova esse fato. Nesse contexto, em relação ao imóvel situado na Rua do Humaitá, 244 – RJ, cuja acusação fiscal é de que os pagamentos foram realizados a pessoa física, impõe esclarecer que há um equívoco por parte da Douta Fiscalização, na medida em que, a despeito de constar no contrato de locação o nome da proprietária do imóvel, fato é que esta é representada pela administradora JTC Consultoria Imobiliária Ltda., inscrita no CNPJ sob n.º 07.019.716/0001-80, para quem os pagamentos são realizados, conforme atestado pelos comprovantes de pagamento já apresentados durante o período de fiscalização, reproduzido abaixo (...) Portanto, devidamente comprovado os pagamentos e que os aluguéis estavam vigentes, de rigor o reconhecimento do crédito relativo às despesas com bens imóveis. Em relação a este tipo de despesas, nos termos da legislação de regência da contribuição já destacada acima, a Recorrente somente pode descontar créditos calculados em relação a aluguéis de prédios pagos a pessoa jurídica e utilizados nas atividades da empresa. Fl. 1309DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 42 Da análise das razões recursais e documentos acostados aos autos, presentes os requisitos para desconto dos créditos uma vez que devidamente comprovado os pagamentos e a vigência da locação dos imóveis, exceto em relação ao imóvel situado na Rua do Humaitá, 244 – RJ, cuja os pagamentos foram realizados a pessoa física. Assim, reverto as glosas relativas aos imóveis situados a Rua Ceno Sbrighi, n.º 25/27, Água Branca – SP, na Estrada Umuaram, imóvel situado na Avenida Maracanã, 592, Avenida Otaviano Alves de Lima, 4400 e ao Imóvel situado na Avenida Nações Unidas, Rua Galileu Gaia. 5. Despesas com energia elétrica Acerca das despesas com energia elétrica argumenta a Recorrente: Mais uma vez, é essencial destacar que o procedimento utilizado pela Autoridade Fiscal não analisou a fundo todas as despesas da Recorrente no que tange às despesas com energia elétrica para o período. Tal fato resta evidente na medida em que a Autoridade Fiscal entendeu que só deveria considerar as despesas com energia elétrica dos imóveis cujas locações foram admitidas. Vale dizer: elegeu como critério para respaldar o direito ao crédito à existência ou não de contrato ou de aditivo contratual de locação firmado com pessoa jurídica. Por essa razão, glosou oriundas das despesas que a Recorrente incorreu com o pagamento de energia elétrica sob o fundamento de que (i) a locação do imóvel correspondente teria sido avençada com pessoa física e (ii) não houve apresentação suficiente à demonstração da vigência da locação do imóvel. Com efeito, a Autoridade Fiscal, por absurdo, afirmou categoricamente que só aceitaria as despesas com energia elétrica daqueles imóveis que ela mesma aceitou como alugados pela Recorrente. Todavia, tal critério adotado não possui qualquer guarida na legislação que vincula à Autoridade Fiscal para o reconhecimento de créditos de PIS e de COFINS. Nem poderia, afinal, não há que se falar em aceitar despesas de energia elétrica somente para os imóveis locados pela Recorrente, tendo em vista que ela pode deter a propriedade de imóveis e neles utilizar energia elétrica. E mais: ao contrário do que tenta induzir a d. Autoridade Fiscal, ainda que os aluguéis tivessem sido pagos a pessoas físicas, esse fato não elide o direito ao crédito derivado do consumo de energia elétrica. A regra que concede crédito proveniente de aluguéis em nada se confunde com a norma que outorga o direito ao crédito pelo consumo de energia elétrica, tampouco existe qualquer previsão legal que condiciona este àquele! Fl. 1310DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 43 Ora, é inaceitável imaginar que uma Editora, do porte da Recorrente, não teria gastos com energia elétrica. O raciocínio fiscal foi reproduzido pelo acórdão recorrido, que entendeu não terem sido apresentados documentos suficientes à comprovação de tais crédito. No entanto, conforme demonstrado no tópico anterior, a glosa dos créditos decorrentes das despesas de energia elétrica dos imóveis também se mostra absolutamente descabido à medida que a glosa das despesas com aluguel dos imóveis se mostra descabida. Desta feita, ainda levado em consideração o deturpado critério escolhido pela d. Autoridade Fiscal e pelo acórdão recorrido, uma vez que restou comprovado desde a fiscalização ser legítimo o aluguel dos imóveis, é, portanto, igualmente legítimo o creditamento das despesas com energia elétrica. Aqui se reitera tudo o que já fora consignado acerca do precipitado e viciado procedimento de fiscalização. Inaceitável a glosa de créditos sem qualquer fundamento objetivo para ela. Desta forma, não há razão na glosa integral dos valores declarados pela Recorrente, sendo patente o reconhecimento integral dos valores gastos com energia elétrica. No caso concreto, a Autoridade Fiscal considerou apenas as despesas com energia elétrica dos imóveis cujas locações foram admitidas. Entretanto, nos termos da legislação de regência da contribuição já destacada acima, a Recorrente pode descontar créditos calculados em relação a energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Nesse sentido, como bem destacado pela Recorrente em suas razões recursais, restou comprovado nos autos que independente da locação ser firmada entre a Recorrente e pessoas físicas, os estabelecimentos são por ela utilizados fazendo jus ao desconto dos créditos por expressa previsão legal. Assim, reverto as glosas. 6. Despesas com frete Sustenta a Recorrente em relação as despesas com frete: Assim como já ocorrido para outras glosas, a Autoridade Fiscal desconsiderou parte da documentação apresentada pela Recorrente ao longo do período de fiscalização e glosou créditos decorrentes de despesas aferidas com frete na venda das mercadorias. Fl. 1311DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 44 O acórdão de 1ª instancia reconheceu o creditamento dos fretes relacionados diretamente à venda de mercadorias, tendo revertido parte da glosa fiscal neste ponto. No entanto, o acórdão indeferiu a Manifestação de Inconformidade no que tange “às despesas efetuadas com fretes contratados no país para a transferências de mercadorias entre os estabelecimentos da mesma pessoa jurídica ou para transferência de bens do ativo imobilizado (...), visto que elas não podem ser consideradas como operações de venda.”. entretanto, esse ponto da decisão não merece prosperar. Especificamente quanto ao frete entre estabelecimentos, a recente jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é uníssona sobre a possibilidade de creditamento, tendo a própria 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais se manifestado nesse sentido: CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. (Acórdão 9303- 005.152, sessão de 17/05/2017) “CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS-PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matérias-primas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matéria-prima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da 65 produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto”. (Acórdão 9303-005.151, sessão de 17.05.2017). “CRÉDITOS. GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE. SERVIÇO DE TRANSPORTE COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. Na sistemática de apuração não cumulativa do PIS, os gastos com frete por prestação de serviços de transporte de insumos entre estabelecimentos do próprio contribuinte propiciam a dedução de crédito como insumo de produção de bens destinados à venda”. (Acórdão 3402-003.520, sessão de 01.12.2016). “CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DE INSUMOS. Os custos com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte para o transporte de insumos a serem utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não-cumulativos”. (Acórdão 3302- 003.097, sessão de 15.03.2016). Fl. 1312DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 45 “CRÉDITOS. INSUMOS. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE DE TRANSFERÊNCIA. POSSIBILIDADE. Frete na transferência de produtos semielaborados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica integra o processo produtivo e configura insumo para o fim de creditamento na apuração da contribuição devida”. (Acórdão 3803-003.597, sessão de 23.10.2012). Trata-se de entendimento que se coaduna com o conceito de insumo recentemente adotado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial Representativo de Controvérsia e que, portanto, de aplicação obrigatório por este CARF. Por último, quanto às glosas motivadas pela não apresentação de documentos (notas fiscais e CTRC), ou ainda, com informações omissas (CNPJ), mais uma vez, a d. Autoridade Fiscal deveria ter intimado a Recorrente de forma específica para a apresentação do que fosse necessário. Dessa forma, não há razão para manutenção das glosas realizadas, sendo necessário o imediato restabelecimento dos créditos apurados pela Recorrente. Porém, em que pese os argumentos apresentados pela Recorrente, no âmbito administrativo já se encontra pacificado que os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. Transcreve-se a Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscal (CARF) sobre a matéria: Súmula CARF nº 217 Aprovada pelo Pleno da 3ª Turma da CSRF em sessão de 26/09/2024 – vigência em 04/10/2024 Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. Acórdãos Precedentes: 9303-014.190; 9303-014.428; 9303-015.015. Dessa maneira, como as Súmulas Carf são de observância obrigatória pelos membros dos colegiados do órgão, as glosas devem ser mantidas. 7. Depreciação do ativo imobilizado Sobre a depreciação do ativo imobilizado foram apresentadas as seguintes razões recursais: Fl. 1313DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 46 Sobre as despesas com ativo imobilizado, entendeu o acórdão recorrido por manter a glosa, sob o fundamento de não serem eles utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda ou prestação de serviços: Fica muito claro, portanto, a procedência das glosas relativas a todos os bens que não são utilizados diretamente na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. Incluem-se nesses: os bens relacionados aos serviços de impressão gráfica, que, consoante constatação fiscal, foram (no período analisado) realizados por outras empresas; e os programas (softwares) utilizados em máquinas e equipamentos não ligados diretamente à produção ou à prestação do serviço. Equivocado o entendimento do acórdão recorrido, uma vez desconsideradas despesas relacionadas diretamente no processo produtivo da Recorrente. De fato, as impressões gráficas foram terceirizadas pela Recorrente por um período. Entretanto, o fato de a Recorrente não ter realizado em determinado período a impressão gráfica em seu próprio estabelecimento em nada é alterado o direito ao crédito do PIS e da COFINS decorrente da depreciação de seus bens/ativos relacionados à sua gráfica, no período e que essa foi utilizada. Sobre os demais programas e máquinas, a Recorrente questiona qual critério utilizado pela Autoridade Fiscal e pelo acórdão da DRJ para distinção dos bens/ativos, utilizados na produção e não utilizados na produção? Efetivamente esta é uma pergunta que não tem resposta, já que sobre este aspecto, o acórdão recorrido manteve-se silente. Resta mais uma vez demonstrada a precariedade das glosas realizadas pela Autoridade Fiscal, que sem qualquer fundamento de fato e de direito desconsiderou o creditamento realizado pela Recorrente. Ainda que superada a precariedade demonstrada, as glosas não merecem guarida, vez que como já pretendido pela Autoridade Fiscal em relação aos créditos de bens/serviços (insumos), cuja intepretação transcende a materialidade dos PIS e da COFINS para alcançar o conceito de insumo de que trata a legislação do IPI, que por seu turno é excessivamente restritiva, conforme já decidido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial Representativo de Controvérsia. Deve ser afastada a interpretação do acórdão recorrido, haja vista a atual jurisprudência, administrativa e judicial, que caminha no sentido de se afastar dos conceitos de insumos próprios de outros tributos, como é o caso do IPI e do IRPJ, que se encontram em extremos opostos, sendo o primeiro excessivamente restritivo e o segundo excessivamente amplo. Para possibilitar o creditamento de PIS e de COFINS, o serviço ou bem utilizado na produção/venda deve ser revestido de essencialidade, isto é, deve ser imprescindível para alcançar o faturamento desejado. Fl. 1314DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 47 Destarte, ante o entendimento acima narrado, é de rigor seja provido o presente Recurso Voluntário para reconhecimento do direito creditório relacionado aos softwares da Recorrente. Portanto, mais uma vez demonstra-se a falha na fundamentação da glosa e dos indeferimentos do crédito objeto do presente processo. Nos termos da legislação de regência da contribuição já destacada acima, a Recorrente pode descontar créditos calculados em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços e bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. Nesse sentido, como bem destacado pela Recorrente, de fato equivocado o entendimento do acórdão recorrido, ao desconsiderar os bens relacionados aos serviços de impressão gráfica, pois o fato de a Recorrente não ter realizado em determinado período a impressão gráfica em seu próprio estabelecimento em nada é alterado o direito ao crédito do PIS e da COFINS decorrente da depreciação de seus bens/ativos relacionados à sua gráfica. Já em relação aos demais programas e máquinas, em que pese a Recorrente questione o critério utilizado pela Autoridade Fiscal, tal como, pela DRJ para distinção dos bens/ativos, utilizados na produção e não utilizados na produção, mesmo diante das diversas oportunidades de realizar a demonstração do direito ao crédito (tanto na fase do procedimento fiscal quanto após o estabelecimento do contencioso), ela também não trouxe aos autos de forma detalhada informações capazes de elidir o feito fiscal. Como já dito linhas acima, quando da análise de outras glosas mantidas pela DRJ, em pedidos de ressarcimento, o ônus da prova (o dever de provar) recai sobre o contribuinte que faz o pedido, ou seja, o próprio contribuinte. A comprovação do direito creditório é de sua responsabilidade, que deve apresentar as provas necessárias para sustentar suas alegações. Assim, reverto apenas as glosas relativas aos bens relacionados aos serviços de impressão gráfica. 8. Multa Sustenta a Recorrente restar claro o descabimento de qualquer cobrança decorrente da não homologação integral das compensações, inexistindo também fundamento para a imposição de qualquer multa, uma vez que a aludida penalidade pecuniária constitui acessório da exação principal. A multa, em si mesma, segue a sorte do tributo principal que, uma vez inexigível, acarreta inexigibilidade daquela. Fl. 1315DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 48 Contudo, razão não lhe assiste e por entender que a decisão proferida pela instância a quo em relação a matéria seguiu o rumo correto, utilizo sua ratio decidendi como se minha fosse, nos termos do §12° do art. 114 do RICARF, in verbis: Em sua manifestação a interessada insurge-se contra a aplicação de qualquer multa. Diz que a comprovação da improcedência das glosas, bem como do direito ao crédito e da necessária homologação integral das compensações, retira o fundamento para a imposição de qualquer multa, uma vez que essa penalidade pecuniária constitui acessório da cobrança principal. Impende ressaltar, no entanto, que o despacho decisório contestado não efetivou o lançamento de qualquer multa de ofício, uma vez que, como já dito, ele analisou pedido eletrônico de ressarcimento - PER e declaração(ões) eletrônica(s) de compensação (Dcomp) vinculadas ao crédito solicitado. Na verdade, o que o despacho decisório informa no Detalhamento da Compensação, e que os débitos declarados na(s) Dcomp que restaram homologados parcialmente, ou não homologados, deverão, por ocasião de seus pagamentos, ter seus saldos (não compensados) acrescidos dos devidos consectários legais (multa e juros de mora). Isto porque, consoante os §§ 2º e 6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, abaixo reproduzidos, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (...) Assim, uma vez que as Declarações de Compensação (mencionadas no Despacho Decisório) não foram homologadas (ou foram homologadas parcialmente), é evidente que os débitos (ou saldo de débitos) indevidamente compensados são Fl. 1316DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 49 exigíveis e que sobre eles devem ser aplicados multa e os juros de mora, conforme previsto no art. 61 da mencionada Lei nº 9.430, in verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” (...) Com efeito, portanto, como a questão foi levantada pela interessada de forma genérica, sem ataque ou especificação de quais multas estavam sendo contestadas, e como a aplicação da multa de mora ocorre por expressa disposição legal, não há que se falar em discutir o mérito da aplicação de multas no presente caso. 9. Juros e sua inaplicabilidade sobre a multa, caso venha a ser mantida a glosa dos créditos e não homologação das compensações Defende também a Recorrente que independentemente do enfoque atribuído ao litígio, os juros moratórios não podem ser aplicados sobre a multa de ofício lançada, caso mantida a não homologação, seja por falta de previsão legal, seja porque o enquadramento legal apontado no auto de infração não autoriza a imposição de juros sobre a multa de ofício, mas apenas sobre os tributos não pagos no prazo legal. Entretanto, no âmbito administrativo já se encontra pacificada a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício. Transcreve-se a Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscal (CARF) sobre a matéria: Súmula CARF nº 108 (DOU 11/09/2018): “Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício”. Fl. 1317DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 50 Portanto, como a multa faz parte do crédito juntamente com o tributo, a ela são aplicados os mesmos critérios de cobrança, devendo sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Conclusão Diante todo exposto, rejeito as preliminares arguidas, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário para reverter as glosas relativas: I. serviços gráficos contratados por meio de industrialização por encomenda; II. serviços editoriais; III. despesas com aluguel de bens móveis - serviços de operação logística e prestação de serviços de movimentação de materiais; IV. despesas com aluguel dos imóveis situados a Rua Ceno Sbrighi, n.º 25/27, Água Branca – SP, na Estrada Umuaram, na Avenida Maracanã, 592, Avenida Otaviano Alves de Lima, 4400, na Avenida Nações Unidas e Rua Galileu Gaia; V. despesas com energia elétrica; VI. depreciação do ativo imobilizado correspondentes aos bens relacionados aos serviços de impressão gráfica. Assinado Digitalmente Flávia Sales Campos Vale VOTO VENCEDOR Conselheiro Marcelo Enk de Aguiar, redator designado Os fatos já se encontram perfeitamente descritos na decisão da relatora e, não obstante a consistente argumentação, a turma decidiu seguir a divergência suscitada em temas específicos. Segue de modo agrupado por tópicos. Mantém-se aqui a numeração do item adotada no Voto da Relatora, embora só se trate dos itens em que restou vencedora a divergência. No item 2.1, adotei e reproduzi, em grande parte, a argumentação do Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, que restou vencedora e que também consta da Declaração de Voto do Conselheiro constante dessa decisão. Observa-se que, com relação aos serviços editoriais, restou vencedora a abordagem do voto da relatora, adotada também por este redator, uma vez, ao que Fl. 1318DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 51 posso compreender dos autos, se trata mais propriamente de serviços editoriais (diagramação, fotos, cessão de mapas etc.). Dessa forma, este item não consta deste voto vencedor, mas sim do voto da Relatora.  Item 2. Despesas com serviços utilizados como insumos  Item 2.1 Serviços gráficos Em relação às notas fiscais tidas pela fiscalização como repetidas, a Delegacia de Julgamento (DRJ) já reverteu as glosas de créditos correspondentes, restando, aqui, portanto, verificar os demais fundamentos da defesa. O Recorrente fundou sua defesa sobre as glosas remanescentes em alguns argumentos de natureza fática e outros de natureza jurídica, merecendo destaque as seguintes argumentações: III.4 – DESPESAS COM SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS – “SERVIÇOS GRÁFICOS” E “SERVIÇOS EDITORIAIS” (...) 144. Quanto às notas fiscais supostamente não apresentadas, da mesma forma em que ocorreu para os serviços editoriais, a fiscalização solicitou apenas a apresentação de uma nota. Veja-se: (...) 145. Ainda, também não devem prevalecer as glosas em relação às notas fiscais desconsideradas pela d. Autoridade Fiscal como aquisições de serviços com alíquota zero de PIS/COFINS. 146. De outro lado, em relação aos serviços de industrialização por encomenda, é essencial destacar que a tributação ou não pelo PIS e COFINS do serviço contratado fica a cargo do emitente da nota fiscal de serviço, sabendo-se que no presente caso não há nenhuma orientação específica que lhe assegure a não tributação por tais exações, e, por conseguinte, qualquer restrição aos créditos do contratante, no caso a Recorrente. 147. Nesse caso, a lisura e regularidade das informações é de responsabilidade exclusiva do seu emitente, consoante disposto na Solução de Consulta COSIT nº 4/2014: (...) 149. Deveras, sendo o regime de creditamento do PIS e COFINS o subtrativo indireto, que assegura o crédito por decorrência de Lei e não por transferência escritural, deve ser assegurado o crédito ao contribuinte adquirente do serviço, independentemente do tratamento fiscal dado pelo prestador emitente da nota fiscal de serviço ou de bens. Exatamente nesse sentido é o disposto na Solução de Consulta Cosit nº 22/2016: Fl. 1319DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 52 (...) 151. No presente caso, não há nenhuma orientação específica no sentido de que a Receita da prestação de serviços de industrialização por encomenda esteja sujeita à alíquota zero de PIS e COFINS, não cabendo qualquer restrição aos créditos de serviços gráficos de industrialização por encomenda tomados pela Recorrente. 152. Seja como for, como explicado anteriormente, e que desde já é reiterado para evitar a sua repetição desnecessária, o fato de a alíquota ter sido reduzida a zero não afasta o direito ao crédito da Recorrente, uma vez que o direito ao crédito somente não se manifesta nas situações de não tributação e de isenção, hipóteses que não se equiparam à alíquota zero. 154. Portanto, inquestionável que a isenção e não tributação definitivamente não se confundem com alíquota zero. Logo, não é possível equiparar tais situações para limitar o direito ao crédito da Recorrente, sem qualquer respaldo legal. (...) 157. Com efeito, os direitos autorais objeto da glosa são, na realidade, valores pagos a Pessoas Jurídicas – quanto isso não houve qualquer questionamento – em contrapartida à cessão de direito de uso de imagens em publicações da Recorrente, ou, ainda, à autorização de utilização de obra musical em livros editados pela Recorrente. Parte de tais serviços está classificado como “iconografia”, “textos, fotos e artes”, os quais incluem, respectivamente, pesquisa e compra de fotos e autorização para uso de textos e músicas (planilha 2bServiçosEditoriais – aba denominada exclusões). Houve glosa, ainda, dos serviços de assessoria editorial, preparação e revisão de texto, edição criação e tradução, diagramação, dentre outros (planilha 2bServiçosEditoriais – aba denominada Análise 2). (...) 162. As despesas glosadas da Recorrente relativas a direitos autorais, cartografia, ilustração, iconografia, assessoria editorial, textos, fotos, artes, edição, criação e tradução de textos, dentre outras, denominadas pela Autoridade Fiscal genericamente de DIREITOS AUTORAIS OU ATÉ MESMO CONSIDERADAS COMO SERVIÇOS NÃO RELACIONADOS À FABRICAÇÃO DE LIVROS, estão diretamente ligadas à sua atividade de produção e são absolutamente necessárias e imprescindíveis para esse fim. (...) 167. A d. Autoridade Fiscal também glosou créditos referentes a serviços a seguir mencionados, os quais entendeu que não estariam relacionados à fabricação de livros, classificando-os conforme a descrição da nota fiscal. Nessa esteira, fez menção à glosa em razão de desenvolvimento de softwares, produção de conteúdo digital, desenvolvimento de mídias e de jogos, seleção de vídeos, TI e Fl. 1320DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 53 ensaios e testes. Tais serviços, no entanto, fazem parte do processo de produção dos livros, enquadrando-se nas etapas de: assessoria editorial, diagramação, edição de textos, ilustração, cartografia e projeto gráfico. 168. Sobre este aspecto, de se lembrar das etapas do processo produtivo traçadas acima. Ora, limitar o processo produtivo da Recorrente à atividade da impressão de livros equivale a limitar a sua atividade como se de gráfica se tratasse e não de editora. Como se imaginar que uma editora produziria uma obra literária sem revisão de texto? Como publicar obras não diagramadas, editadas ou com as traduções devidas? Questionar a natureza desses créditos é afrontar a própria lógica de creditamento da contribuição ao PIS e da COFINS. (...) 170. Como dito, o direito ao crédito depende de sua necessidade e utilização com os elementos produtivos de determinada atividade. Em se tratando de atividade editorial, a impressão é apenas uma das etapas produtivas, mas jamais pode ser a única. Os itens acima transcritos são todos necessariamente e diretamente vinculados com a produção e, enfim, com o faturamento da Recorrente. Por essa razão, as atividades relacionadas aos itens complementares aos livros também constituem-se em insumos para a Recorrente, no que tange ao direito ao crédito de PIS e COFINS. (destaques nossos) Para se analisarem os argumentos de defesa supra, mister fazer referência aos dispositivos legais correlatos, o que se faz na sequência: Lei nº 10.833/2003 (dispositivos repetidos na Lei nº 10.637/2002) (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: I - de mão de obra paga a pessoa física; II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição; e Fl. 1321DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 54 (...) § 3º O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: I - aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; (g.n.) Nota-se dos dispositivos supra que o direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas não se ampara somente na essencialidade do bem ou serviço adquirido, mas, também, que se trate de aquisição tributada junto a pessoa jurídica domiciliada no País, além da exigência de se encontrarem tais aquisições devidamente demonstradas e comprovadas. Nesse sentido, tratando-se de aquisições que não se enquadram na previsão legal e que não se encontrem devidamente comprovadas, os créditos correspondentes devem ser, de pronto, desconsiderados. Chama atenção o argumento do Recorrente de que “o fato de a alíquota ter sido reduzida a zero não afasta o direito ao crédito da Recorrente, uma vez que o direito ao crédito somente não se manifesta nas situações de não tributação e de isenção, hipóteses que não se equiparam à alíquota zero”. Sem identificar a base legal dessa sua defesa, o Recorrente assegura que as aquisições de insumos submetidos à alíquota zero dão direito a crédito, pois, segundo ele, somente “nas situações de não tributação e de isenção” o direito a crédito deve ser afastado. De onde se extraiu tal interpretação, não se sabe, mas das leis instituidoras das contribuições não cumulativas não foi, pois tal comando delas não consta, nem mesmo indiretamente. Quanto à Solução de Consulta Cosit nº 22/2016 citada pelo Recorrente, ela cuida da definição das alíquotas de PIS/Cofins na apuração dos créditos a descontar, nos termos do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas essa disciplina não basta para se decidir quanto ao pleito ora apreciado, pois ela não dispensa o cumprimento dos demais requisitos para o referido desconto de créditos. Assim, não se sustenta a alegação de que “deve ser assegurado o crédito ao contribuinte adquirente do serviço, independentemente do tratamento fiscal dado pelo prestador emitente da nota fiscal de serviço ou de bens”, por fugir inteiramente da regência da matéria presente nas leis. Como diz a Lei, a aquisição de bens e serviços não sujeita ao pagamento das contribuições, no que se inclui aquisições com alíquota zero, não dará direito à crédito. Argui, ainda, o Recorrente que, quanto às notas fiscais supostamente não apresentadas, a fiscalização solicitara apenas a apresentação de uma nota; no entanto, conforme imagem reproduzida no Recurso Voluntário, tal pedido referia-se a uma nota fiscal por fornecedor, pois o que se pretendia, naquele momento do procedimento fiscal, era aferir a natureza jurídica do insumo adquirido. Tal solicitação do agente fiscal não dispensa o dever de quem alega ser detentor de um crédito de comprová-lo, sob pena de indeferimento peremptório. Assim, a glosa deve ser mantida com relação aos serviços gráficos. Fl. 1322DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 55  Item 3. Despesas com Aluguel de Bens Móveis - serviços de operação logística e prestação de serviços de movimentação de materiais. Uma parcela das glosas desse item foi revertida no âmbito da DRJ. Outras glosas, como as motivadas por falta de comprovação ou glosas referentes a prestações de serviços tais como operação logística, pagamento de horas extras e prestação de serviços de movimentação de materiais foram mantidas no julgamento. O voto da Relatora mantém os valores glosados por falta de comprovação, mas reverte as glosas relativas a operações logísticas e prestação de serviços de movimentação de materiais Na planilha de glosas, formulada com referência na planilha de comprovação apresentada pela empresa, verifica-se existirem inúmeros documentos sem descrição ou comprovação. Além destes, também há diversos pagamentos para empresas de logística como LSI – Logística LTDA e STN COMERCIO DE FILMES LACRE E EMBALAGENS LTDA. Nas descrições se observam muitos valores de locação de equipamentos para movimentação de materiais, prestação de serviços de movimentação de materiais e, inclusive, pagamentos de horas extras com relação a eles. A previsão legal para crédito de locação está com o seguinte texto na Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) (Vide Lei Complementar nº 214, de 2025) (...) IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Um dos argumentos da recorrente é o de que a legislação não exige qualquer vinculação do gasto de aluguel com o processo produtivo (basta apenas que as máquinas e equipamentos sejam utilizados nas atividades da empresa). No que tange a este ponto, a DRJ concordou com entendimento da empresa. De fato, no inciso em questão, as despesas de locação devem estar vinculadas à atividade geral da empresa. Portanto, com a classificação como locação, não se exige vinculação ao processo produtivo ou à prestação de serviços. Porém, não é qualquer gasto que pode assim ser qualificado. A locação é de máquinas e equipamentos. No caso, trata-se de serviços de operações logísticas, movimentação de materiais, mão-de-obra, inclusive com pagamentos acompanhados de pagamentos de horas extra. Mesmo que existam locação de pallets e esteiras, são basicamente bens utilizados ou auxiliares de transporte de mercadorias. No recurso, afora a previsão específica para a locação, busca a empresa também incluir a possibilidade de validação como bens e serviços adquiridos como insumo: Fl. 1323DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 56 187. Ademais, eventuais ausências de descrição dos bens ou ausência de localização das notas, deveria ter sido solucionada por intimação específica, o que não foi feito justamente em razão da premissa fiscal de não aceitar a integralidade das locações decorrente da equivocada interpretação da legislação. 188. Portanto, seja como insumo, seja como aluguel de máquinas e equipamentos (autorização expressa do inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.637/02), não restam dúvidas sobre o direito da Recorrente ao creditamento de tais despesas. Ora, se busca a empresa a validação de seu crédito, ainda alterando o critério antes apresentado, deve apresentar a comprovação do alegado. O art. 170 do CTN fixa pressuposto nuclear a ser atendido pelo contribuinte a fim de que possa ser efetivada a restituição pela Fazenda Nacional: que seus créditos estejam revestidos de liquidez e certeza. Cediço que o ônus de provar determinado crédito é do sujeito passivo. E para desincumbir-se desse direito, deve prová-lo em específico, de forma articulada e com arrimo em documento fiscal. Entende-se que a empresa não se desincumbiu adequadamente do oferecimento dessa prova. Ainda, a empresa exerce também atividade de comércio varejista de livros. As atividades de logística de transporte e auxiliares de transporte vinculadas à atividade comercial, assim como a mão-de-obra em atividades gerais da empresa não poderiam ser validadas, o que serve para reforçar a necessidade de comprovação e de escrituração detalhada e, se caso, apartada entre as atividades. Desse modo, deve ser negado integralmente o recurso nesse item.  4. Despesas com aluguel de imóveis A Relatora propôs reverter as glosas com as despesas com aluguel dos imóveis situados a Rua Ceno Sbrighi, n.º 25/27, Água Branca – SP, na Estrada Umuaram, na Avenida Maracanã, 592, Avenida Otaviano Alves de Lima, 4400, na Avenida Nações Unidas e Rua Galileu Gaia. Na falta, muitas vezes, dos contratos para o período e de pagamentos compatíveis, a recorrente apresenta variadas comprovações, como termo de entrega de chaves posterior (a indicar permanência do contrato até aquela data), pagamentos compostos com outra empresa do grupo, comprovante de quitação dos aluguéis conferido pela locadora, pagamentos efetuados por outra empresa do grupo etc. Em parte, teria ocorrido falta de formalização. Em parte, haveria acordos do grupo de que faz parte a empresa, de modo que a despesa foi escriturada e considerada quitada, mas sem ter todos os pagamentos em valores compatíveis. Porém, mesmo que exista racionalidade para o grupo a que pertence a empresa, não podem esses acordos privados serem opostos ao Fisco, assim como o grupo decidir livremente quem aproveitará, por exemplo, o crédito em discussão. Fl. 1324DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 57 Como existem pagamentos da recorrente, mesmo que parciais, também não parece o mais indicado a simples negativa do crédito in totum. Desse modo, voto por reconhecer o crédito na medida dos pagamentos de aluguéis efetuados pela recorrente às pessoas jurídicas.  5. Despesas com energia elétrica Este item possuí relação direta com o anterior. Considera-se que a Relatora já bem afastou a glosa fundada apenas no fato do aluguel do imóvel não ter sido admitido como base de cálculo dos créditos do PIS e Cofins. Como dito no voto, nos termos da legislação de regência da contribuição já destacada acima, a recorrente pode descontar créditos calculados em relação à energia elétrica e à energia térmica, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. A locação de um imóvel ser firmada com pessoa física, por exemplo, não é fundamento para o não reconhecimento do crédito de pagamento de energia elétrica à pessoa jurídica. Entretanto, a glosa foi fundada tanto no motivo acima citado, quanto na falta de comprovação (endereço não informado, pagamentos não apresentados, informações de diversos valores para o mesmo mês e imóvel). Por outro lado, não há indicativo no relatório fiscal de que a empresa não tenha ocupado os imóveis. Na situação que se apresenta, de forma vinculada ao item acima sobre a locação de imóveis, considera-se que devam ser reconhecidos os créditos para os quais tenham sido comprovados os pagamentos de forma vinculada às contas de energia. Conclusão Pelo exposto, o voto do relator deve ser alterado para manter a glosa: (1) com os serviços gráficos; (2) com créditos em relação às despesas com aluguel de bens móveis (serviços de operação logística e prestação de serviços de movimentação de materiais); (3) de aluguéis de imóveis em relação aos quais não houve comprovação de pagamento; e (4) de gastos com energia elétrica consumida nos estabelecimentos alugados em que o pagamento dos aluguéis não se encontra comprovado. Assinado Digitalmente Marcelo Enk de Aguiar DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheiro Hélcio Lafetá Reis De início, registre-se que, em relação ao voto divergente apresentado pelo conselheiro Marcelo Enk de Aguiar, este conselheiro o acompanha em toda a sua amplitude; Fl. 1325DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 58 contudo, o presente voto vai além na discordância com o voto da relatora, conselheira Flávia Sales Campos Vale, conforme demonstrado na sequência. SERVIÇOS GRÁFICOS E EDITORIAIS. As glosas de créditos a título de serviços gráficos e editoriais decorreram das seguintes constatações: (i) despesas realizadas com direitos autorais não concedem direito ao crédito das contribuições não cumulativas, (ii) inconsistências de dados apresentados pelo Recorrente e (iii) falta de apresentação de documentos comprobatórios, mesmo após oito intimações/reintimações. Em relação às notas fiscais tidas pela fiscalização como repetidas, a Delegacia de Julgamento (DRJ) já reverteu as glosas de créditos correspondentes, restando, aqui, portanto, verificar os demais fundamentos da defesa. O Recorrente fundou sua defesa sobre as glosas remanescentes em alguns argumentos de natureza fática e outros de natureza jurídica, merecendo destaque as seguintes argumentações: III.4 – DESPESAS COM SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS – “SERVIÇOS GRÁFICOS” E “SERVIÇOS EDITORIAIS” (...) 144. Quanto às notas fiscais supostamente não apresentadas, da mesma forma em que ocorreu para os serviços editoriais, a fiscalização solicitou apenas a apresentação de uma nota. Veja-se: (...) 145. Ainda, também não devem prevalecer as glosas em relação às notas fiscais desconsideradas pela d. Autoridade Fiscal como aquisições de serviços com alíquota zero de PIS/COFINS. 146. De outro lado, em relação aos serviços de industrialização por encomenda, é essencial destacar que a tributação ou não pelo PIS e COFINS do serviço contratado fica a cargo do emitente da nota fiscal de serviço, sabendo-se que no presente caso não há nenhuma orientação específica que lhe assegure a não tributação por tais exações, e, por conseguinte, qualquer restrição aos créditos do contratante, no caso a Recorrente. 147. Nesse caso, a lisura e regularidade das informações é de responsabilidade exclusiva do seu emitente, consoante disposto na Solução de Consulta COSIT nº 4/2014: (...) 149. Deveras, sendo o regime de creditamento do PIS e COFINS o subtrativo indireto, que assegura o crédito por decorrência de Lei e não por transferência escritural, deve ser assegurado o crédito ao contribuinte adquirente do serviço, independentemente do tratamento fiscal dado pelo prestador emitente da nota Fl. 1326DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 59 fiscal de serviço ou de bens. Exatamente nesse sentido é o disposto na Solução de Consulta Cosit nº 22/2016: (...) 151. No presente caso, não há nenhuma orientação específica no sentido de que a Receita da prestação de serviços de industrialização por encomenda esteja sujeita à alíquota zero de PIS e COFINS, não cabendo qualquer restrição aos créditos de serviços gráficos de industrialização por encomenda tomados pela Recorrente. 152. Seja como for, como explicado anteriormente, e que desde já é reiterado para evitar a sua repetição desnecessária, o fato de a alíquota ter sido reduzida a zero não afasta o direito ao crédito da Recorrente, uma vez que o direito ao crédito somente não se manifesta nas situações de não tributação e de isenção, hipóteses que não se equiparam à alíquota zero. 154. Portanto, inquestionável que a isenção e não tributação definitivamente não se confundem com alíquota zero. Logo, não é possível equiparar tais situações para limitar o direito ao crédito da Recorrente, sem qualquer respaldo legal. (...) 157. Com efeito, os direitos autorais objeto da glosa são, na realidade, valores pagos a Pessoas Jurídicas – quanto isso não houve qualquer questionamento – em contrapartida à cessão de direito de uso de imagens em publicações da Recorrente, ou, ainda, à autorização de utilização de obra musical em livros editados pela Recorrente. Parte de tais serviços está classificado como “iconografia”, “textos, fotos e artes”, os quais incluem, respectivamente, pesquisa e compra de fotos e autorização para uso de textos e músicas (planilha 2bServiçosEditoriais – aba denominada exclusões). Houve glosa, ainda, dos serviços de assessoria editorial, preparação e revisão de texto, edição criação e tradução, diagramação, dentre outros (planilha 2bServiçosEditoriais – aba denominada Análise 2). (...) 162. As despesas glosadas da Recorrente relativas a direitos autorais, cartografia, ilustração, iconografia, assessoria editorial, textos, fotos, artes, edição, criação e tradução de textos, dentre outras, denominadas pela Autoridade Fiscal genericamente de DIREITOS AUTORAIS OU ATÉ MESMO CONSIDERADAS COMO SERVIÇOS NÃO RELACIONADOS À FABRICAÇÃO DE LIVROS, estão diretamente ligadas à sua atividade de produção e são absolutamente necessárias e imprescindíveis para esse fim. (...) 167. A d. Autoridade Fiscal também glosou créditos referentes a serviços a seguir mencionados, os quais entendeu que não estariam relacionados à fabricação de livros, classificando-os conforme a descrição da nota fiscal. Nessa esteira, fez Fl. 1327DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 60 menção à glosa em razão de desenvolvimento de softwares, produção de conteúdo digital, desenvolvimento de mídias e de jogos, seleção de vídeos, TI e ensaios e testes. Tais serviços, no entanto, fazem parte do processo de produção dos livros, enquadrando-se nas etapas de: assessoria editorial, diagramação, edição de textos, ilustração, cartografia e projeto gráfico. 168. Sobre este aspecto, de se lembrar das etapas do processo produtivo traçadas acima. Ora, limitar o processo produtivo da Recorrente à atividade da impressão de livros equivale a limitar a sua atividade como se de gráfica se tratasse e não de editora. Como se imaginar que uma editora produziria uma obra literária sem revisão de texto? Como publicar obras não diagramadas, editadas ou com as traduções devidas? Questionar a natureza desses créditos é afrontar a própria lógica de creditamento da contribuição ao PIS e da COFINS. (...) 170. Como dito, o direito ao crédito depende de sua necessidade e utilização com os elementos produtivos de determinada atividade. Em se tratando de atividade editorial, a impressão é apenas uma das etapas produtivas, mas jamais pode ser a única. Os itens acima transcritos são todos necessariamente e diretamente vinculados com a produção e, enfim, com o faturamento da Recorrente. Por essa razão, as atividades relacionadas aos itens complementares aos livros também constituem-se em insumos para a Recorrente, no que tange ao direito ao crédito de PIS e COFINS. (destaques nossos) Para se analisarem os argumentos de defesa supra, mister fazer referência aos dispositivos legais correlatos, o que se faz na sequência: Lei nº 10.833/2003 (dispositivos repetidos na Lei nº 10.637/2002) (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: I - de mão de obra paga a pessoa física; II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como Fl. 1328DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 61 insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição; e (...) § 3º O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: I - aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; (g.n.) Nota-se dos dispositivos supra que o direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas não se ampara somente na essencialidade do bem ou serviço adquirido, mas, também, que se trate de aquisição tributada junto a pessoa jurídica domiciliada no País, além da exigência de se encontrarem tais aquisições devidamente demonstradas e comprovadas. Nesse sentido, tratando-se de aquisições que não se enquadram na previsão legal e que não se encontrem devidamente comprovadas, os créditos correspondentes devem ser, de pronto, desconsiderados. Chama atenção o argumento do Recorrente de que “o fato de a alíquota ter sido reduzida a zero não afasta o direito ao crédito da Recorrente, uma vez que o direito ao crédito somente não se manifesta nas situações de não tributação e de isenção, hipóteses que não se equiparam à alíquota zero.” Sem identificar a base legal dessa sua defesa, o Recorrente assegura que as aquisições de insumos submetidos à alíquota zero dão direito a crédito, pois, segundo ele, somente “nas situações de não tributação e de isenção” o direito a crédito deve ser afastado. De onde se extraiu tal interpretação, não se sabe, mas das leis instituidoras das contribuições não cumulativas não foi, pois tal comando delas não consta, nem mesmo indiretamente. Quanto à Solução de Consulta Cosit nº 22/2016 citada pelo Recorrente, ela cuida da definição das alíquotas de PIS/Cofins na apuração dos créditos a descontar, nos termos do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas essa disciplina não basta para se decidir quanto ao pleito ora apreciado, pois ela não dispensa o cumprimento dos demais requisitos para o referido desconto de créditos. Assim, mostra-se infundado a alegação de que “deve ser assegurado o crédito ao contribuinte adquirente do serviço, independentemente do tratamento fiscal dado pelo prestador emitente da nota fiscal de serviço ou de bens”, por fugir inteiramente da regência da matéria presente nas leis. Argui, ainda, o Recorrente que, quanto às notas fiscais supostamente não apresentadas, a fiscalização solicitara apenas a apresentação de uma nota; no entanto, conforme imagem reproduzida no Recurso Voluntário, tal pedido referia-se a uma nota fiscal por fornecedor, pois o que se pretendia, naquele momento do procedimento fiscal, era aferir a natureza jurídica do insumo adquirido. Tal solicitação do agente fiscal não dispensa o dever de quem alega ser detentor de um crédito de comprová-lo, sob pena de indeferimento peremptório. Fl. 1329DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 62 No que tange ao direito de desconto de créditos em relação a direitos autorais, este voto caminha no mesmo sentido da Solução de Consulta Cosit nº 117/2020, verbis: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. ROYALTIES. DIREITOS AUTORAIS. INSUMOS. IMPOSSIBILIDADE. O pagamento de despesas de royalties a pessoa jurídica domiciliada no País, em decorrência de contrato de licença de uso de marca e imagem, inclusive a chamada remuneração mínima, não permite a apuração de créditos da Cofins na modalidade aquisição de insumos, conquanto não se trata de aquisição de serviços. Dispositivos Legais: Lei nº 4.506, de 1964, arts. 22 e 23; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, caput, II. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. ROYALTIES. DIREITOS AUTORAIS. INSUMOS. IMPOSSIBILIDADE. O pagamento de despesas de royalties a pessoa jurídica domiciliada no País, em decorrência de contrato de licença de uso de marca e imagem, inclusive a chamada remuneração mínima, não permite a apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep na modalidade aquisição de insumos, conquanto não se trata de aquisição de serviços. Dispositivos Legais: Lei nº 4.506, de 1964, arts. 22 e 23; Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, caput, II. (...) 13. Os dispositivos legais a serem interpretados são os seguintes: (...) 14. Como consta dos dispositivos transcritos, a modalidade de creditamento em voga beneficia a aquisição de “bens e serviços”. Assim, como evidentemente não se trata de aquisição de bens, cumpre verificar se os royalties concernentes à obtenção de licenciamento de direitos autorais poderiam ser enquadrados como aquisição de serviços para fins dos referidos dispositivos. (...) 21. Destarte, percebe-se que na cessão de direito de uso não se visualiza a presença de obrigação de fazer, ou seja, não se trata de prestação de serviço. Assim, a simples cessão de licenciamento de direitos autorais não poderia ser enquadrada como prestação de serviços, pois lhe faltaria o elemento essencial, qual seja, a efetiva prestação do serviço. (...) Fl. 1330DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.369 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.939000/2014-09 63 23. Nessa esteira, adotando-se no caso em exame o entendimento usual acerca do conceito de serviços, conclui-se que o pagamento de royalties concernentes à obtenção de licenciamento de direitos autorais, bem como o pagamento de remuneração mínima no contrato de royalties não permitem a apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins na modalidade aquisição de insumos (inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003), porque não se tratam de aquisição de serviços. (g.n.) Considerando-se o entendimento supra, conclui-se que, para se caracterizar como insumo gerador de crédito das contribuições não cumulativas, o dispêndio deve se referir à aquisição de um bem ou a prestação de um serviço; logo, não se tratando o direito autoral nem bem e nem serviço, sua aquisição não gera direito ao crédito pretendido. Quanto às alegações do Recorrente de que, além dos direitos autorais, houve também o “desenvolvimento de softwares, produção de conteúdo digital, desenvolvimento de mídias e de jogos, seleção de vídeos, TI e ensaios e testes”, nada foi trazido aos autos que pudesse infirmar as conclusões da fiscalização acerca da não comprovação dos créditos correspondentes, razão pela qual nada há a prover aqui. O Recorrente traz em sua peça recursal apenar argumentos jurídicos, nada dizendo sobre a comprovação dos fatos aventados. Diante do exposto, voto por negar provimento nesses itens. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis Fl. 1331DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor Declaração de Voto

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Numero do processo: 13656.720257/2010-07
Turma: Quarta Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 05 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Fri Jul 04 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CONSÓRCIO CONSTITUÍDO PARA CRIAÇÃO DE PARQUE INDUSTRIAL. PREVISÃO DE LONGO PRAZO DE DURAÇÃO COM POSSIBILIDADE DE PRORROGAÇÃO. LEGITIMIDADE ATIVA DA PARTICIPANTE PARA CREDITAMENTO NA PROPORÇÃO DE SUA PARTICIPAÇÃO. O consórcio constituído com observância dos art. 278 e 279 da Lei nº 6.404/76 não é dotado de personalidade jurídica, e não perde essa condição em vista da grande extensão da duração do prazo e de sua possibilidade de prorrogação. Descabida, pois, a desconsideração do consórcio e a sua tipificação como sociedade de fato. Assim, integrante do consórcio tem legitimidade ativa para pleitear, em seu nome, a utilização de créditos de PIS, na proporção de sua participação. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR. O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade de PIS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. Assim, são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada. CRÉDITO. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI). POSSIBILIDADE. Gera direito a crédito de PIS a aquisição de equipamentos de proteção individual (EPI) essenciais para a produção industrial. FRETE PARA TRANSPORTE DE INSUMO OU PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para transporte de insumo e produtos intermediários integram o custo de produção dos produtos fabricados e, consequentemente, geram créditos de PIS.
Numero da decisão: 3004-000.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reverter as glosas identificadas no Anexo II do Despacho Decisório fundamentadas apenas no motivo “S1” (descaracterização do consórcio); as glosas das despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas e da COFINS paga na importação de insumos, contratados ou pagos no âmbito do referido consórcio; as glosas referentes a EPI; e as glosas dos fretes na aquisição de insumos (bauxita) e fretes na aquisição de alumina (produto intermediário do alumínio). A Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, em voto divergente, que se converte em declaração de voto, entendeu pelo provimento em maior extensão para reverter também as glosas relativas ao frete para retorno das embalagens big bag e acompanhou a relatora pelas conclusões quanto à manutenção das glosas relativas a despesas com sobrestadia. Assinado Digitalmente Semíramis de Oliveira Duro – Relatora Assinado Digitalmente Rosaldo Trevisan – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Dionísio Carvallhedo Barbosa, Semíramis de Oliveira Duro, Tatiana Josefovicz Belisário e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CONSÓRCIO CONSTITUÍDO PARA CRIAÇÃO DE PARQUE INDUSTRIAL. PREVISÃO DE LONGO PRAZO DE DURAÇÃO COM POSSIBILIDADE DE PRORROGAÇÃO. LEGITIMIDADE ATIVA DA PARTICIPANTE PARA CREDITAMENTO NA PROPORÇÃO DE SUA PARTICIPAÇÃO. O consórcio constituído com observância dos art. 278 e 279 da Lei nº 6.404/76 não é dotado de personalidade jurídica, e não perde essa condição em vista da grande extensão da duração do prazo e de sua possibilidade de prorrogação. Descabida, pois, a desconsideração do consórcio e a sua tipificação como sociedade de fato. Assim, integrante do consórcio tem legitimidade ativa para pleitear, em seu nome, a utilização de créditos de PIS, na proporção de sua participação. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR. O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade de PIS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. Assim, são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada. CRÉDITO. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI). POSSIBILIDADE. Gera direito a crédito de PIS a aquisição de equipamentos de proteção individual (EPI) essenciais para a produção industrial. Fl. 2457DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.015 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13656.720257/2010-07 2 FRETE PARA TRANSPORTE DE INSUMO OU PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para transporte de insumo e produtos intermediários integram o custo de produção dos produtos fabricados e, consequentemente, geram créditos de PIS. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reverter as glosas identificadas no Anexo II do Despacho Decisório fundamentadas apenas no motivo “S1” (descaracterização do consórcio); as glosas das despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas e da COFINS paga na importação de insumos, contratados ou pagos no âmbito do referido consórcio; as glosas referentes a EPI; e as glosas dos fretes na aquisição de insumos (bauxita) e fretes na aquisição de alumina (produto intermediário do alumínio). A Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, em voto divergente, que se converte em declaração de voto, entendeu pelo provimento em maior extensão para reverter também as glosas relativas ao frete para retorno das embalagens "big bag" e acompanhou a relatora pelas conclusões quanto à manutenção das glosas relativas a despesas com sobrestadia. Assinado Digitalmente Semíramis de Oliveira Duro – Relatora Assinado Digitalmente Rosaldo Trevisan – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Dionísio Carvallhedo Barbosa, Semíramis de Oliveira Duro, Tatiana Josefovicz Belisário e Rosaldo Trevisan (Presidente). RELATÓRIO Na origem, o Contribuinte transmitiu Pedido Eletrônico de Ressarcimento e Declaração de Compensação referentes a crédito de PIS não cumulativo - exportação do 1º trimestre de 2006, no montante total de R$ 1.733.314,02. A empresa ABALCO S/A foi sucedida por incorporação universal pela empresa ALCOA WORLD ALUMINA BRASIL LTDA, de CNPJ 06.167.730/0001-68, com efeitos a partir de 01/12/2008. O despacho decisório consignou que a Recorrente faz parte do Consórcio Alumar: Fl. 2458DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.015 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13656.720257/2010-07 3 5.1. Verificamos pela documentação apresentada que o contribuinte é membro integrante do Consórcio de Alumínio do Maranhão – Alumar, empreendimento que seria constituído de acordo com o disposto nos art. 278 e 279 da Lei º 6.404/76, reunindo as sociedades Alcoa Alumínio S/A, Alcoa World Alumina Brasil Ltda., BHP Billiton Metais S/A e Alcan Alumínio Ltda., e cujo objeto consistiria na “aquisição, montagem e construção de instalações para o refino de alumina e de instalações para a redução de alumínio, juntamente com instalações de apoio”, assim como a operação de tais instalações, com base em fornecimento proporcional de bauxita e outras matérias-primas, e a partilha dos produtos acabados (alumina e alumínio) entre as consorciadas. 5.2. O contribuinte participa no empreendimento de refino de alumina, na proporção de 18,9%. 5.3. A administração do Consórcio Alumar é responsável pelas aquisições, contabilização e escrituração em livros auxiliares próprios e subsequente rateio entre as sociedades consorciadas dos valores relativos a suprimentos, serviços, ativo fixo, folha de pagamento dos empregados, materiais intermediários e similares. O referido rateio se daria na exata fração ideal de participação da consorciada. O Contribuinte tem receitas decorrentes de vendas no mercado externo e interno, e apurou créditos com as seguintes origens:  Compra de bens utilizados como insumos (inciso II, do art. 3º c/c inciso I do § 1º do mesmo artigo da Lei 10.637/2002);  Serviços utilizados como insumos (inciso II, do art. 3º c/c inciso I do § 1º do mesmo artigo da Lei 10.637/2002);  Despesas de energia elétrica (inciso III do art. 3º, c/c inciso II, do § 1º, do mesmo artigo da Lei nº 10.637/2002);  Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas (inciso IV, do art. 3º c/c inciso I do § 1º do mesmo artigo da Lei 10.637/2002);  Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda (inciso V, do art. 3º c/c inciso I do § 1º do mesmo artigo da Lei 10.637/2002);  Encargos de Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado (inciso VI, do art. 3º c/c inciso III do § 1º do mesmo artigo da Lei 10.637/2002);  Encargos de Amortização de Edificações e Benfeitorias em Imóveis (inciso VII, do art. 3º c/c inciso III do § 1º do mesmo artigo da Lei 10.637/2002); e  Créditos a descontar do PIS/PASEP pagos na Importação (art. 15, inciso II da Lei n.º 10.865/2004). Fl. 2459DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.015 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13656.720257/2010-07 4 Quanto ao rateio, o Despacho Decisório informou que: 12. O interessado é empresa que, essencialmente, produz, refina e vende alumina, apurando receitas na sistemática não cumulativa da COFINS, no mercado interno e no mercado externo. 13. Conforme Ficha 06A do DACON referente ao 1º trimestre de 2006, o contribuinte havia considerado que, para todos os meses do referido trimestre, a totalidade dos créditos gerados no trimestre estariam relacionados com receitas auferidas em operações de exportação, contrariando a ficha 07A do mesmo DACON, onde informa receitas no mercado interno e no mercado externo. 14. Com base nos arquivos eletrônicos apresentados, refizemos o rateio para apurarmos o valor correto a ser apropriado do crédito de COFINS não cumulativo, relativo às receitas não cumulativas auferidas no mercado interno e no mercado externo, como previsto no § 3º, do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, combinado com o art. 3º do mesmo diploma legal: (...) Não consideramos para o rateio as receitas decorrentes da revenda de mercadorias para o exterior em que o interessado atuou como comercial exportador, e apenas revendeu mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação. Podemos concluir que a operação ocorreu dentro dessas características, devido ao “código fiscal de operações e prestações” – CFOP - constante de algumas das notas fiscais de exportação, que é o 7.501, que tem como descrição “exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação”. Nenhum dos custos vinculados a essa operação poderiam gerar direito ao crédito de COFINS não cumulativa, devido a expressa vedação do art. 6, § 4º, c/c art. 15, III da Lei nº 10.833/2003: (...) 16. Importante frisar que a vedação contida no dispositivo citado refere-se às operações realizadas pela pessoa jurídica que adquire mercadorias com o fim específico de exportação, e não à natureza jurídica formal da empresa. Além disso, repise-se que o próprio estatuto social da empresa permite que a mesma atue como empresa comercial exportadora. 17. Intimado, o sujeito passivo nos apresentou um demonstrativo dos percentuais de rateio utilizados. Ocorre que estes cálculos foram considerados incorretos, pois não foram consideradas as receitas do mercado interno. Recalculamos estes percentuais, conforme detalhamos na Planilha do Anexo I e sumarizamos os novos valores abaixo (tabela 1): (...) Em relação aos “bens e serviços utilizados como insumos”, a autoridade destacou: - Que a Alcoa considera que os seus principais insumos são: a matéria-prima bauxita, a soda cáustica, cal, carvão, óleo diesel e BPF, energia elétrica, floculante sintético, ácido sulfúrico e gás carbônico; - Que todo o processo é realizado em diversas etapas: moagem, digestão, clarificação, precipitação, calcinação etc. Fl. 2460DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.015 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13656.720257/2010-07 5 Esta descrição do processo produtivo, associada a imprecisa descrição dos insumos no Memorial descritivo apresentado, dificultou enormemente a realização dos trabalhos. A fiscalização glosou a integralidade dos bens e serviços adquiridos em nome do Consórcio Alumar, com a seguinte motivação: Por oportuno, transcrevemos abaixo os artigos 278 e 279 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 – Lei das Sociedades por Ações – LSA, que tratam das disposições relativas a consórcios de sociedades: “CAPÍTULO XXII - Consórcio Art. 278. As companhias e quaisquer outras sociedades, sob o mesmo controle ou não, podem constituir consórcio para executar determinado empreendimento, observado o disposto neste Capítulo. § 1º O consórcio não tem personalidade jurídica e as consorciadas somente se obrigam nas condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações, sem presunção de solidariedade. § 2º A falência de uma consorciada não se estende às demais, subsistindo o consórcio com as outras contratantes; os créditos que porventura tiver a falida serão apurados e pagos na forma prevista no contrato de consórcio. Art. 279. O consórcio será constituído mediante contrato aprovado pelo órgão da sociedade competente para autorizar a alienação de bens do ativo permanente, do qual constarão: I - a designação do consórcio se houver; II - o empreendimento que constitua o objeto do consórcio; III - a duração, endereço e foro; IV - a definição das obrigações e responsabilidade de cada sociedade consorciada, e das prestações específicas; V - normas sobre recebimento de receitas e partilha de resultados; VI - normas sobre administração do consórcio, contabilização, representação das sociedades consorciadas e taxa de administração, se houver; VII - forma de deliberação sobre assuntos de interesse comum, com o número de votos que cabe a cada consorciado; VIII - contribuição de cada consorciado para as despesas comuns, se houver. Parágrafo único. O contrato de consórcio e suas alterações serão arquivados no registro do comércio do lugar da sua sede, devendo a certidão do arquivamento ser publicada”. Fl. 2461DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.015 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13656.720257/2010-07 6 31. Merece destaque a condição de que o consórcio de sociedades deve, necessariamente, ter por objeto a execução de um determinado empreendimento. A esse respeito, vale transcrever a opinião do jurista Fran Martins, na obra “Comentários à Lei das S/A” - art. 278, vol. III, pág. 485. Ed. Forense, 1ª ed., 1979: “O emprego da palavra determinado conduz à fixação do empreendimento a ser realizado e, ao mesmo tempo, impede que o consórcio seja constituído para a execução de empreendimentos que não sejam certos. Não permite a lei que se constitua um consórcio, por exemplo, que tenha por objeto a construção de estradas em geral; esse só poderá se constituir para a construção de uma determinada estrada.” 33. Fica evidenciado, portanto, que o consórcio, a par de não possuir personalidade jurídica própria, não pode ser constituído por prazo indeterminado e/ou para a execução de um empreendimento que não seja único, sob pena de adquirir personalidade jurídica própria e ser tributado como “sociedade de fato”. 34. Para determinar se os bens e serviços adquiridos em nome do Consórcio Alumar podem efetivamente gerar créditos de Cofins para o interessado, torna-se necessário analisar se o contrato do Consórcio Alumar atende aos requisitos insculpidos na Lei das Sociedades Anônimas. 35. Conforme cópia do documento e, Alteração e Consolidação do Contrato do Consórcio Alumar, foi celebrado, em 1º de janeiro de 1995, contrato entre a ALCOA ALUMÍNIO SA, CNPJ nº 23.637.697/0001-01, a BILLITON METAIS SA, CNPJ nº 42.105.890/0001-46, a ALCAN ALUMÍNIO DO BRASIL SA, CNPJ 60.561.800/0001-03 e a ABALCO SA., CNPJ nº 00.434.317/0001-36, para formação de um consórcio com a finalidade de que a Alcoa, Billiton, Alcan e Abalco possuam e operem instalações para o refino de alumina e de que a Alcoa e a Billiton possuam e operem instalações de redução de alumínio no Município de São Luís, Estado do Maranhão. 36. O Consórcio Alumar, conforme trecho extraído do item 3.02 mencionado contrato, tem por objeto: “(...) O objeto do Consórcio e o objetivo das Consorciadas em constituí-lo são de dedicar-se aos Empreendimentos descritos no Artigo I deste instrumento, através de, entre outras atividades, processar bauxita, transformando-a em alumina no Empreendimento de alumina, e alumina em alumínio no Empreendimento de redução de Alumínio, utilizando-se de instalações construídas e/ou possuídas pelas Consorciadas ou em seu nome, no Estado do Maranhão, Brasil, (...)”. 37. Percebe-se, da leitura do trecho citado acima, que, dada a abrangência da finalidade da constituição do consórcio em discussão, qual seja, o processamento da bauxita, transformando-a em alumina e a alumina em alumínio, não se pode caracterizá-lo como um empreendimento determinado. Na verdade, é Fl. 2462DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.015 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13656.720257/2010-07 7 determinado apenas quanto à natureza do empreendimento, mas não quanto ao contrato ou negócio jurídico especificamente envolvido. O objeto do consórcio deve ser necessariamente identificado e limitado, sob o risco de configuração de uma sociedade de fato. 38. Além disso, o contrato do consórcio dispõe, em seu artigo XVIII, que “O presente contrato permanecerá em vigor até 31 de março de 2050 e, a partir desta data, será renovado por períodos de um ano”. Como o próprio contrato dispõe que o consórcio será renovado por prazo indeterminado, não há que se falar em empreendimento determinado. 39. Pelos motivos acima expostos, resta claro que o Consórcio Alumar deve ser caracterizado como sociedade de fato, e não como consórcio, de onde se conclui que o interessado não tem legitimidade para pleitear os créditos de Cofins de bens e serviços utilizados como insumos pelo consórcio. 40. Portanto, para determinar a base de cálculo dos créditos, a partir de planilhas eletrônicas fornecidas pelo interessado em resposta a intimação, selecionamos as notas fiscais de mercadorias adquiridas em nome do Consórcio Alumar (relação completa contida nas Planilhas mensais do Anexo II, denominadas “Alcoa – Anexo II – Detalhamento das Glosas Efetuadas”), e efetuamos a glosa dos respectivos créditos informados no DACON. 42. Para determinar a base de cálculo dos créditos relacionados a serviços utilizados como insumos, a partir de planilhas eletrônicas fornecidas pelo interessado em resposta a intimação, selecionamos as notas fiscais de serviços adquiridos em nome do Consórcio Alumar (relação completa contida no Anexo II), e efetuamos a glosa dos respectivos créditos. Em relação às glosas, o Despacho Decisório especifica que: 44. Em relação aos serviços utilizados como insumos, é importante ressaltar que a descrição dos serviços que constam na planilha enviada pelo contribuinte inclui diversos serviços que não poderiam ter sido considerados insumos. 45. Assim, as Glosas ocorreram por, pelo menos, um dos seguintes motivos: Motivo S1 – Pelo adquirente ter sido o Consórcio Alumar ou Motivo S2 – Pelo Insumo não ser passível de gerar créditos de PIS/COFINS. Estes motivos foram devidamente identificados na coluna “S” nas Planilhas mensais do Anexo II, denominadas “Alcoa – Anexo II – Detalhamento das Glosas Efetuadas”. (...) 47. Dos dispositivos acima transcritos, depreende-se claramente que um dos requisitos para uma prestação de serviço ser considerada como um insumo é que a mesma deve ser aplicada ou consumida diretamente na produção de um bem ou prestação de um serviço. Fl. 2463DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.015 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13656.720257/2010-07 8 48. Apenas a título exemplificativo, relacionamos alguns dos serviços tomados pelo Consórcio Alumar ou pela ABALCO que não se relacionam diretamente com a atividade fim do interessado, na tabela abaixo (tabela 4). 49. Além dos serviços relacionados na Tabela 4, também foram glosados outros serviços que não foram considerados insumos, por não se relacionar diretamente ao processo produtivo. A relação completa dos serviços glosados pode ser conferida no “Anexo II – Detalhamento das Glosas efetuadas”. Além disso, a fiscalização efetuou glosas de:  Despesas de Energia Elétrica de fevereiro de 2006, por falta de comprovação dos pagamentos;  Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos, locados de pessoas jurídicas, pois aluguéis foram contratados pelo Consórcio Alumar;  Despesas de Armazenamentos e Fretes na Operação de Vendas, por duas razões, a falta de detalhamento e a contratação pelo Consórcio Alumar; e  Créditos de PIS pago na Importação: os créditos apurados referiam-se às importações efetuadas pelo Consórcio Alumar e, portanto, foram desconsideradas na sua totalidade. O despacho decisório concluiu por deferir parcialmente o Pedido de Ressarcimento no montante e, consequentemente, homologar a Declaração de Compensação apresentada até o valor do crédito reconhecido para o período. Em manifestação de inconformidade, o Contribuinte aduziu, em síntese, os seguintes argumentos: (i) nos termos do artigo 142 do CTN e do artigo 9º do Decreto n° 70.235/72, a cobrança do crédito tributário deve, obrigatoriamente, ser formalizada por meio de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento. No caso, como a exação foi formalizada por meio de Despacho Decisório, com afronta ao disposto nos citados dispositivos e deve ser cancelada; (ii) nos termos dos artigos 142 do CTN, 9º e 10 do Decreto n° 70.235/72, e 50, inciso II, da Lei n° 9.784/99, a exigência fiscal deve descrever de forma clara a infração praticada pelo contribuinte, indicar precisamente os dispositivos legais infringidos, e ser instruída com todos os elementos de prova necessários à comprovação da ilicitude, o que não ocorreu no presente caso, gerando patente ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa; (iii) os insumos adquiridos pela Requerente nos meses de janeiro a março de 2006 foram utilizados para a produção de mercadorias posteriormente exportadas. Os insumos adquiridos pela Requerente em um determinado mês são utilizados para a produção de mercadorias que serão exportadas no mesmo mês ou em meses subsequentes. Ademais, o critério de rateio deve considerar apenas as receitas relativas à produção da Requerente, e não as vendas Fl. 2464DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.015 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13656.720257/2010-07 9 ou revendas feitas no mercado doméstico de mercadorias desvinculadas daquelas produzidas e destinadas à exportação; (iv) a Requerente faz jus aos créditos de PIS não-cumulativo, sendo indubitável a regularidade do Consórcio Alumar para esse fim, eis que preenche os requisitos legais necessários para ser considerado consórcio (propósito determinado - realização do empreendimento de refino de alumina e a redução de alumínio primário no Estado do Maranhão e prazo determinado - 31.03.2050), na linha do recente e específico entendimento do CARF adotado inclusive em casos da própria Requerente, não podendo o consórcio, portanto, ser considerado uma mera sociedade de fato ou irregular; (v) a Requerente utilizou créditos de PIS decorrentes da aquisição de mercadorias e serviços que, direta ou indiretamente, prestaram-se à fabricação de bens destinados à venda, motivo pelo qual esses créditos relativos a insumos devem ser integralmente validados (inclusive com relação, por exemplo, a custos relativos a EPIs); e (vi) especificamente com relação às despesas relativas a frete na aquisição de insumos (bauxita), frete no retorno de embalagens ("big bags"), sobrestadia e frete na aquisição de alumina para revenda, arcadas pela Requerente, deve ser assegurado o aproveitamento dos respectivos créditos de PIS pela técnica não-cumulativa, pois o frete (e seu acessório - sobrestadia) constitui serviço utilizado como insumo na fabricação de bens e é decorrente da aquisição de matérias-primas (bauxita), ou se configura como despesa relativa à revenda de bens (alumina). (vii) Requer seja deferido integralmente o pedido de ressarcimento formulado e sejam homologadas integralmente todas as compensações objeto das PER/DCOMPs tratadas nestes autos, com o consequente cancelamento da exigência fiscal. (viii) Requer a conversão do julgamento do presente pedido em diligência para o fim precípuo de exame de documentação que comprove a ausência de venda de produção do estabelecimento no mercado interno no período em questão, de forma a deixar claro que toda a aquisição de insumos se destinou a produzir mercadoria destinada à exportação. A 1ª Turma da DRJ/JFA negou provimento à manifestação de inconformidade, com decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo o ato atacado possibilitado o pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa, não prospera a alegação de nulidade, mormente em processo de direito creditório em favor do sujeito passivo, em que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto a fato constitutivo do seu direito. DÉBITO DECLARADO EM DCOMP. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO. Fl. 2465DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.015 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13656.720257/2010-07 10 Com a publicação, em 31/10/2003, da MP nº 135, convertida na Lei 10.833/2003, as Declarações de Compensação entregues a partir dessa data passaram a se constituir confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados. CRÉDITO DE PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVA. INADMISSIBILIDADE. CONSÓRCIO DE EMPRESAS. REQUISITOS LEGAIS. INOBSERVÂNCIA. O consórcio de empresas tem entre seus requisitos legais o objeto definido e o prazo de duração determinado, sem os quais se configura em sociedade de fato, não havendo, nesse caso, legitimidade ativa de participante do "consórcio" para pleitear, em nome próprio, créditos da não cumulatividade do PIS/Cofins. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeitos da apuração de créditos a serem descontados da contribuição pela sistemática da não cumulatividade, consideram-se insumos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL PARA DETERMINAÇÃO DOS CRÉDITOS VINCULADOS À EXPORTAÇÃO. APLICAÇÃO A CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS COMUMENTE A RECEITAS BRUTAS NÃO CUMULATIVAS DO MERCADO INTERNO E DA EXPORTAÇÃO. TOTALIDADE DAS RECEITAS BRUTAS SUBMETIDAS AO REGIME NÃO CUMULATIVO. O método de rateio proporcional utilizado na apuração dos créditos da Cofins e do PIS/PASEP vinculados à exportação: a) somente deve ser aplicado naqueles casos em que existam custos, despesas e encargos que sejam vinculados concomitantemente a receitas brutas do mercado interno e da exportação; b) consiste na aplicação sobre o montante de custos, despesas e encargos vinculados comumente a receitas brutas não cumulativas do mercado interno e da exportação, da proporcionalidade existente entre a Receita Bruta da Exportação Não Cumulativa e a Receita Bruta Total no Regime Não Cumulativo; e c) não permite a exclusão de qualquer valor da Receita Bruta da Exportação Não Cumulativa ou da Receita Bruta Total no Regime Não Cumulativo da proporção acima, devendo esses valores serem totais para efeitos de cálculo daqueles créditos. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de diligência ou perícia quando este se mostrar prescindível para a solução do litígio. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Proposto o Recurso Voluntário, a Recorrente reiterou, basicamente, os argumentos de defesa da manifestação de inconformidade, acrescentando tópico em relação à nulidade da Fl. 2466DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.015 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13656.720257/2010-07 11 decisão recorrida em razão da falta de investigação da DRJ sobre os créditos, com a necessária conversão em diligência. E no conceito de insumo, acrescentou a informação do julgamento do recurso repetitivo REsp nº 1.221.170. Assim, requer: 127. Como conclusão de todo o exposto, a Recorrente demonstrou, preliminarmente, (i) a insubsistência da cobrança formulada em razão da ausência de auto de infração; e (ii) a nulidade do V. Acórdão proferido, uma vez que desconsiderou a apuração dos créditos da Recorrente. Assim, a Recorrente pleiteia seja julgado nulo o V. Acórdão e nula a própria exigência fiscal em questão. 128. No mérito, a Recorrente primeiramente demonstrou a validade e regularidade do Consórcio Alumar e, em seguida, comprovou que os créditos de PIS foram indevidamente glosados pelas DD. Autoridades Administrativas, uma vez que decorrem (i) do conceito de insumo adotado pela doutrina e por esse E. CARF; pelo E. STJ (recurso repetitivo REsp nº 1.221.170); (ii) de despesas com aquisição de EPI; (iii) de despesas com frete. Portanto, devem ser integralmente homologadas as compensações objeto destes autos. 129. Diante disso, com base nos fundamentos de fato e de direito expostos acima, devidamente suportados pelos documentos comprobatórios de seu direito, a Recorrente requer se digne esse E. CARF julgar INTEGRALMENTE PROCEDENTE o presente Recurso Voluntário, para que, reformando-se o V. Acórdão recorrido, seja reconhecida a insubsistência da cobrança formulada e a nulidade da decisão ou, sucessivamente, o direito da Recorrente à integralidade do crédito de PIS pleiteado, com o consequente deferimento do pedido de ressarcimento e a consequente homologação integral das compensações pleiteadas. 130. Caso entendam Vossas Senhorias que seriam necessários novos elementos para que se demonstre o direito ora pleiteado, inclusive em respeito ao princípio da verdade material, a Recorrente reitera seu pedido para que haja a conversão do julgamento em diligência, assegurando-se a produção de provas por todos os meios em direito admitidos, bem como reitera seu protesto pela posterior juntada de eventuais documentos considerados necessários para a análise da validade dos créditos e percentual de rateio utilizado. Não anexou novos documentos. É o relatório. VOTO Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora Fl. 2467DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.015 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13656.720257/2010-07 12 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de interposição, devendo ser conhecido. PRELIMINAR DE NECESSIDADE DE FORMALIZAÇÃO DA COBRANÇA POR AUTO DE INFRAÇÃO OU NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO Sustenta, em síntese, que a Autoridade Administrativa, por meio do Despacho Decisório, homologou parte das compensações feitas pela Recorrente e, além disso cobrou o débito decorrente da referida compensação. Entende que a Autoridade Administrativa não pode cobrar débitos sem que tenham sido devidamente constituídos, seja por meio de um Auto de Infração ou por meio de uma Notificação de Lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. O art. 74, § 1o, da Lei n° 9.430/96, dispõe que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. E, no § 6°, que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Assim, a partir de outubro de 2002, edição da Medida Provisória n° 66, a apresentação da Declaração de Compensação (DCOMP) passa a ser requisito essencial da compensação, sem o qual se reputa como inexistente o procedimento. E a DCOMP tem caráter de confissão de dívida. Assim, caso não homologada a compensação ou homologada em parte, o sujeito passivo será intimado a pagar o débito confessado no prazo de 30 dias, contado da ciência do despacho decisório que não a homologou (ou a homologou parcialmente). Se não efetuado o pagamento, o débito será encaminhado à PGFN para inscrição em Dívida Ativa da União. Dessa forma, nos termos dos §§ 7º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, se não homologada a compensação, a Autoridade Administrativa deve exigir o pagamento dos débitos indevidamente compensados. Por isso, não há falar-se em lançamento de crédito tributário, nos termos do art. 142 do CTN. Nesse sentido: Súmula CARF nº 159 Não é necessária a realização de lançamento para glosa de ressarcimento de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, ainda que os ajustes se verifiquem na base de cálculo das contribuições. Logo, não acolho a preliminar arguida. PRELIMINAR DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO Fl. 2468DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.015 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13656.720257/2010-07 13 Defende que, ainda que se trate de pedido de ressarcimento e declarações de compensação apresentados pelo contribuinte, considerando que as Autoridades Fiscais contestaram os créditos da Recorrente e que a análise sobre sua existência depende da apuração de diversos documentos fiscais relativos a fatos geradores de mais de 12 (doze) anos, a DRJ deveria ao menos ter determinado a realização de perícia ou diligência para apuração dos referidos documentos. Dispõe do art. 59, do Decreto n° 70235/72 que: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não vislumbro nulidade na decisão recorrida, uma vez que a decisão foi proferida pela DRJ competente, bem como não houve preterição do direito de defesa, uma que suficientemente motivada. Por outro lado, nos termos do art. 170, do CTN, o crédito a ser compensado deve ser líquido e certo. E, como regra geral, a prova dos fatos constitutivos cabe a quem pretenda o nascimento da relação jurídica, enquanto a dos extintivos, impeditivos ou modificativos compete a quem os alega, nos termos do art. 373, do CPC/15. Logo, na compensação, é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como pré-requisito, cujo ônus de comprovar a liquidez e certeza do crédito é do contribuinte. Nesse sentido: Acórdão n° 3402-011.897, j. 23/05/2024, Relatora Cynthia Elena de Campos ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGO 373, INCISO I DO CPC. Não sendo homologada a Declaração de Compensação por constar, perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, o ônus da prova sobre o direito creditório recai sobre o contribuinte, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Deve o Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar de maneira inequívoca a liquidez e certeza de seu direito de crédito. Assim, não acolho a preliminar. MÉRITO LEGITIMIDADE DA RECORRENTE PARA APROVEITAR OS CRÉDITOS DE PIS NO ÂMBITO DO CONSÓRCIO ALUMAR Fl. 2469DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.015 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13656.720257/2010-07 14 O Acórdão recorrido manteve o entendimento do Despacho Decisório, consignando que o Consórcio Alumar seria uma sociedade de fato e, portanto, seria dele a legitimidade para pleitear os créditos de PIS. Logo, o aproveitamento desses créditos pela Recorrente equivaleria à apropriação de créditos de terceiro. Assim, o Consórcio Alumar não atenderia aos requisitos exigidos pela Lei nº 6.404/76 – Lei das S/A: existência de objeto/empreendimento e prazo determinados. Repise-se a argumentação da autoridade na origem, acolhida pela DRJ: 35. Conforme cópia do documento e, Alteração e Consolidação do Contrato do Consórcio Alumar, foi celebrado, em 1º de janeiro de 1995, contrato entre a ALCOA ALUMÍNIO SA, CNPJ nº 23.637.697/0001-01, a BILLITON METAIS SA, CNPJ nº 42.105.890/0001-46, a ALCAN ALUMÍNIO DO BRASIL SA, CNPJ 60.561.800/0001-03 e a ABALCO SA., CNPJ nº 00.434.317/0001-36, para formação de um consórcio com a finalidade de que a Alcoa, Billiton, Alcan e Abalco possuam e operem instalações para o refino de alumina e de que a Alcoa e a Billiton possuam e operem instalações de redução de alumínio no Município de São Luís, Estado do Maranhão. 36. O Consórcio Alumar, conforme trecho extraído do item 3.02 mencionado contrato, tem por objeto: “ (...) O objeto do Consórcio e o objetivo das Consorciadas em constituí-lo são de dedicar-se aos Empreendimentos descritos no Artigo I deste instrumento, através de, entre outras atividades, processar bauxita, transformando-a em alumina no Empreendimento de alumina, e alumina em alumínio no Empreendimento de redução de Alumínio, utilizando-se de instalações construídas e/ou possuídas pelas Consorciadas ou em seu nome, no Estado do Maranhão, Brasil, (...)”. 37. Percebe-se, da leitura do trecho citado acima, que, dada a abrangência da finalidade da constituição do consórcio em discussão, qual seja, o processamento da bauxita, transformando-a em alumina e a alumina em alumínio, não se pode caracterizá-lo como um empreendimento determinado. Na verdade, é determinado apenas quanto à natureza do empreendimento, mas não quanto ao contrato ou negócio jurídico especificamente envolvido. O objeto do consórcio deve ser necessariamente identificado e limitado, sob o risco de configuração de uma sociedade de fato. 38. Além disso, o contrato do consórcio dispõe, em seu artigo XVIII, que “O presente contrato permanecerá em vigor até 31 de março de 2050 e, a partir desta data, será renovado por períodos de um ano”. Como o próprio contrato dispõe que o consórcio será renovado por prazo indeterminado, não há que se falar em empreendimento determinado. 39. Pelos motivos acima expostos, resta claro que o Consórcio Alumar deve ser caracterizado como sociedade de fato, e não como consórcio, de onde se conclui que o interessado não tem legitimidade para pleitear os créditos de Cofins de bens e serviços utilizados como insumos pelo consórcio. Fl. 2470DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.015 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13656.720257/2010-07 15 A constituição de Consórcio está prescrita no art. 278 e 279 da Lei nº 6.404/76 – Lei das S/A: CAPÍTULO XXII - Consórcio Art. 278. As companhias e quaisquer outras sociedades, sob o mesmo controle ou não, podem constituir consórcio para executar determinado empreendimento, observado o disposto neste Capítulo. § 1º O consórcio não tem personalidade jurídica e as consorciadas somente se obrigam nas condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações, sem presunção de solidariedade. § 2º A falência de uma consorciada não se estende às demais, subsistindo o consórcio com as outras contratantes; os créditos que porventura tiver a falida serão apurados e pagos na forma prevista no contrato de consórcio. Art. 279. O consórcio será constituído mediante contrato aprovado pelo órgão da sociedade competente para autorizar a alienação de bens do ativo permanente, do qual constarão: I - a designação do consórcio se houver; II - o empreendimento que constitua o objeto do consórcio; III - a duração, endereço e foro; IV - a definição das obrigações e responsabilidade de cada sociedade consorciada, e das prestações específicas; V - normas sobre recebimento de receitas e partilha de resultados; VI - normas sobre administração do consórcio, contabilização, representação das sociedades consorciadas e taxa de administração, se houver; VII - forma de deliberação sobre assuntos de interesse comum, com o número de votos que cabe a cada consorciado; VIII - contribuição de cada consorciado para as despesas comuns, se houver. Parágrafo único. O contrato de consórcio e suas alterações serão arquivados no registro do comércio do lugar da sua sede, devendo a certidão do arquivamento ser publicada. A Recorrente sustenta que o Consórcio Alumar preenche os requisitos legais para regular constituição e operação, uma vez que seu propósito é a realização do empreendimento de refino de alumina e a redução de alumínio primário no Estado do Maranhão, com duração prevista (31/03/2050). Entendo que a Recorrente tem razão. O CARF em diversos processos da mesma Recorrente, em processos de mesma matéria, reconheceu que o Consórcio, constituído com observância dos art. 278 e 279 da Lei nº Fl. 2471DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.015 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13656.720257/2010-07 16 6.404/76, não tem personalidade jurídica e não perde essa condição pelo fato de seu prazo de duração ser longo (até 2050) e com possibilidade de prorrogação. Por conseguinte, não é possível a desconsideração do consórcio para qualificá-lo como sociedade de fato, devendo ser reconhecida a legitimidade ativa da participante do Consórcio para pleitear, em nome próprio, o ressarcimento, a restituição ou a compensação do crédito básico das contribuições na aquisição de insumos. Nesse sentido: Acórdão n° 9303-010.947. j. 10 de novembro de 2020, Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado: CRÉDITOS PRESUMIDOS DO IPI COMO RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS. CONSÓRCIO CONSTITUÍDO PARA CRIAÇÃO DE PARQUE INDUSTRIAL. PREVISÃO DE LONGO PRAZO DE DURAÇÃO COM POSSIBILIDADE DE PRORROGAÇÃO. LEGITIMIDADE ATIVA DA PARTICIPANTE PARA CREDITAMENTO. O consórcio constituído com observância dos artigos 278 e 279 da Lei nº 6.404/76 não é dotado de personalidade jurídica, e não perde essa condição em vista da grande extensão da duração do prazo e de sua possibilidade de prorrogação. Descabida, pois, a desconsideração do consórcio e a tipificação do negócio jurídico como sociedade de fato. O participante do consórcio tem legitimidade ativa para pleitear, em seu nome, a utilização de créditos presumidos do IPI, eis que produz em estabelecimento próprio, embora comum, e destina seus produtos para o exterior. Acórdão n° 3302-013.246, 23 de março de 2023, Relator José Renato Pereira de Deus CONSÓRCIO. PREVISÃO DE PRAZO DE DURAÇÃO LONGO E POSSIBILIDADE DE PRORROGAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE SOCIEDADE DE FATO. LEGITIMIDADE ATIVA PARA PEDIDO DE RESSARCIMENTO. O Consórcio, constituído com observância dos artigos 278 e 279 da Lei nº 6.404/76, não possui personalidade jurídica e não perde essa condição pelo fato de seu prazo de duração ser longo e com possibilidade de prorrogação. Dessarte, é descabida a desconsideração do consórcio para qualificá-lo como sociedade de fato, devendo ser reconhecida a legitimidade ativa da participante do Consórcio para pleitear, em nome próprio, o ressarcimento, a restituição ou a compensação do crédito básicos das contribuições na aquisição de insumos. Cita-se ainda os acórdãos n° 3402004.287; 3402001.160; 340300.818; 3401 003.413; 3402-002.218, dentre outros. Assim, o objeto e a descrição do consórcio é a seguinte: ARTIGO I OBJETO E DESCRIÇÃO DO CONSÓRCIO Pelo presente Contrato, a Alcoa, Biliton, Alcan e Abalco estabelecem um consórcio que tem por objeto a aquisição, montagem e construção de instalações para o Refino de Alumina, e de Instalações para a Redução de Alumínio, juntamente com Fl. 2472DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.015 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13656.720257/2010-07 17 instalações de apoio, nas vizinhanças de São Luís, Estado do Maranhão, República Federativa do Brasil, assim como a operação de tais instalações, com base em fornecimento proporcional de bauxita, a partilha da alumina produzida por Alcoa, Billiton, Alcan e Abalco, a partilha do alumínio produzido por Alcoa e Billiton e uma correspondente participação nos custos de produção da alumina e do alumínio. Em complemento à descrição do original "Escopo do Projeto São Luís" e mais especificamente, à original "Descrição das Instalações" de Refino ali contida assinado e feito em 1981, o ativo fixo pertencente ao Empreendimento de Refino de Alumina em sua atual capacidade é de aproximadamente 1.042.000 toneladas métricas por ano ("tmpa"), como resultado de condições otimizadas de processamento, índices de fluxo, utilização de equipamentos e outras variáveis operacionais, introduzidas para a obtenção de tal capacidade, encontra-se listado no "Anexo A". Da mesma maneira, as Instalações de Apoio (excluídas as Instalações Portuárias), são listadas no "Anexo B" e as Instalações Portuárias no "Anexo C" todos anexos ao presente instrumento, do qual fazem parte integrante, e que podem ser alterados de tempos em tempos, de acordo com dispositivos deste Contrato. Os demais ativos do Consórcio constituem as instalações de redução do Empreendimento de Redução de Alumínio. A atual capacidade anual das instalações de Refino de Alumina é de aproximadamente 1.042.000 toneladas métricas de alumina, com possível expansão para, pelo menos, 3.000.000 de toneladas métricas. A atual capacidade anual das instalações de redução de alumínio é de 360.000 toneladas métricas, a 215 IcA, com possível expansão para, pelo menos, 417.000 toneladas métricas, a 215 kA. 3.02. Objeto, Fiscalização e Poderes do Consórcio. (a) Objeto. O Objeto do Consórcio e o objetivo das Consorciadas em constituí-lo são de dedicar-se aos Empreendimentos descritos no Artigo I deste instrumento, através de, entre outras atividades, processar bauxita, transformando-a em alumina no Empreendimento de Refino de Alumina, e alumina em alumínio no Empreendimento de Redução de Alumínio, utilizando-se de instalações construídas e/ou possuídas pelas Consorciadas ou em seu nome, no Estado do Maranhão, Brasil, e assim, dando o direito a cada Consorciada de receber uma participação (se houver) da alumina e do alumínio produzidos, até o limite dos seus respectivos Direitos de Alumina e Direitos de Alumínio, com cada Consorciada responsabilizando-se por sua respectiva participação nos custos e despesas, determinados e alocados de acordo com os termos e condições do presente Contrato, incorridos com as referidas construção e propriedade, assim como com a produção da alumina e do alumínio. Já na cláusula 18.01, consta que o Consórcio permanecerá em vigor até 31 de março de 2050 e, a partir desta data, será renovado por períodos de um ano. Dessarte, no que concerne ao objeto do consórcio e à sua duração, a lei ressalta apenas que do Consórcio deverão constar, segundo o inciso II do art. 279, da Lei das S/A, o Fl. 2473DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.015 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13656.720257/2010-07 18 empreendimento que constitua o objeto do consórcio, e segundo o inciso III, a duração, endereço e foro". Dessa forma, a norma não condiciona ou limita o objeto e a sua duração. Além disso, ressalta-se que a própria Receita Federal reconheceu a existência do Consórcio Alumar em outros atos administrativos, para fins alfandegários. Trata-se de ato da Superintendência Regional da Receita Federal da 3ª Região, ADE nº 5/2006, publicado no DOU em 30/03/2006, que declarou alfandegado o “Terminal Portuário Alumar” e reconheceu “que a instalação portuária será administrada pelas empresas integrantes do Consórcio Alumínio do Maranhão (Consórcio Alumar)”. No mesmo sentido, o ADE SRRF03 nº 3, de 07/07/2017, publicado no DOU de 12/07/2017, seção 1, página 37, cuja ementa é a seguinte: “Requalifica o alfandegamento da instalação portuária de uso privativo misto, denominada Terminal Portuário Alumar, administrada pelas empresas integrantes do Consórcio de Alumínio do Maranhão.” Esses atos foram apresentados pelo Contribuinte na manifestação de inconformidade. Por conseguinte, se a Receita Federal reconhece formalmente a existência do Consórcio para fins aduaneiros, entender de forma diversa para fins de creditamento das contribuições PIS/COFINS não cumulativas é contraditório. Em rápida consulta ao Portal da Transparência, é também possível verificar o reconhecimento do Consórcio de Alumínio do Maranhão - ALUMAR com a natureza jurídica de “2151 - CONSÓRCIO DE SOCIEDADES EMPRESARIAIS” (vide https://portaldatransparencia.gov.br/pessoa-juridica/00655209000193). Assim, no sentido de que o Consórcio não é sociedade de fato, adoto as razões do voto condutor do acórdão n° 340201.160, nos termos do art. 50, §1º da Lei n° 9.784/1999, da mesma Recorrente: “Resta assentar se o consórcio ALUMAR, na forma como constituído, pode ser entendido como uma “extensão” da empresa Recorrente, sendo imperioso relembrar que é este estabelecimento quem “produz” ou “industrializa” o produto final a ser exportado. (...) entendo que o fato de o consórcio possuir cunho operacional (estabelecimento produtivo) não lhe tira o amparo jurídico na qual tenha sido constituído, pois que o mesmo possui específico termo de duração, bem como foi estabelecido para o cumprimento de um empreendimento, o qual, sabe-se ter sido aquisição de ativos de alto custo, indispensáveis à atividade de produção das consorciadas. O “empreendimento” requerido pelo art. 278, da Lei 6.404/1976, efetivamente é um estabelecimento industrial, cuja empresa é a produção de Alumina, a partir do Fl. 2474DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.015 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13656.720257/2010-07 19 processamento da bauxita. Portanto, o consórcio é de produção e não de venda conjunta. Não identifico vedação para esse desiderato para o qual foi criado o referido consórcio. No caso em tela, o Consórcio ALUMAR reveste-se da união e empreendimento das empresas que lhe deram vida, pois que, apesar de todas atuarem no mesmo ramo – e, portanto, concorrerem entre si – possuíam interesses comuns na viabilização de seus negócios, que por sua vez demandavam grande investimento de capital e infraestrutura, possível somente com o esforço conjunto de todas elas. Desta feita, sob a condição jurídica de um consórcio, as empresas ABALCO (Recorrente), ALCOA, RIO TINTO/ALCAN e BHP BILLITON, angariaram os fundos necessários para dar vazão ao empreendimento almejando, sendo este “estabelecimento” (composto pelos ativos que isoladamente nenhuma possuía condições de adquirir), o industrializador do produto comercializado por cada uma delas. Vislumbro que o Consórcio é, na proporção definida de participação de cada consorciada, tipicamente um estabelecimento produtor de cada uma das participantes, e não uma “sociedade de fato”, como entenderam a decisão da DRJ e o Ilustre Conselheiro Relator. Cada participante usa o estabelecimento filial seu, regularmente constituído e registrado no Cadastro Geral de Pessoas Jurídicas como tal, e efetivamente empregado para a industrialização de produtos tributados a alíquota zero, preenchendo, com isso, o conceito de estabelecimento industrial previsto na legislação de regência do IPI (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). Neste sentido, a diferenciação de um consórcio e de uma sociedade de fato, a qual se questiona se não é o caso da Recorrente, fica clara na lição de Fernando Facury Scaff e Daniel Coutinho Silveira, no Parecer: Tributação de Consórcio de Empresas. Incidência Fiscais Normais e Refis. Repercussões Fiscais. Normas Vigentes (in Revista Dialética de Direito Tributário nº. 153, pg. 103. Jun-2008). “Esses são os elementos principais da definição do consórcio: trata-se da coordenação de atividades individuais para a execução de provimento comum entre os consorciados. Diverge, assim, da regulação própria da sociedade em que os sócios exercem conjuntamente atividade para repartição dos lucros. Logo, não se trata de um “tipo societário”, mas de uma forma de organização empresarial composta por sociedades autônomas para a realização de um objetivo específico.” Nota-se que, diferentemente de uma sociedade de fato, o objetivo do consórcio não é a divisão de lucros, e sim a união para a consecução comum de um empreendimento, exatamente como é o caso da Recorrente, que uniu forças com outras sociedades para a execução de um empreendimento específico, neste caso Fl. 2475DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.015 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13656.720257/2010-07 20 o refino e a redução de alumínio, sendo o resultado de tal beneficiamento, comercializado individualmente por cada empresa consorciada. (...) Nota-se que, diferentemente de uma sociedade de fato, o objetivo do consórcio não é a divisão de lucros, e sim a união para a consecução comum de um empreendimento, exatamente como é o caso da Recorrente, que uniu forças com outras sociedades para a execução de um empreendimento específico, neste caso o refino e a redução de alumínio, sendo o resultado de tal beneficiamento, comercializado individualmente por cada empresa consorciada. É certo também que o estabelecimento gera gastos com insumos para a Recorrente, que trouxeram em si os custos das contribuições do Pis e da Cofins incidentes nas etapas do mercado interno, os quais, posteriormente, passaram a compor o custo dos produtos por ela fabricados e exportados, de modo que, finalisticamente, se deve franquear o acesso ao benefício do crédito presumido de IPI como ressarcimento de Pis e Cofins, sob pena de se fazer letra morta do disposto na Lei nº 9.363/96, permitindo a “exportação de tributos” que se deseja evitar com a referida legislação. No que diz respeito ao fato de o prazo de duração do consórcio ser previsto para o longínquo de 2050, e com permissão de renovação do prazo quando chegado o termo final, igualmente não considero fundamento para a desconsideração do Consórcio. Inicialmente porque não se pode confundir a “longevidade” de uma pessoa natural, com a de uma “empresa” ou “empreendimento”, estes quais feitos e criados para durar mais do que apenas a geração de seus fundadores. Não cessa uma “empresa” pela morte de seu fundador, ao contrário do que se dá com as pessoas naturais, cuja existência legal encerra-se com a morte. Além disso, por tratar-se de investimentos que, de modo público e notório, montam quantias extraordinárias para os padrões nacionais, é crível interpretar que o prazo de “retorno do investimento” igualmente seja elastecido, pois que em caso contrário, poderia restar inviabilizado o interesse da constituição do Consórcio, e com ele de se levar a cabo o empreendimento, deixando-se de gerar um empreendimento que gera e permite circular riquezas no local. Ademais disso, especificamente com relação a necessidade dos Consórcios terem prazo específico, nos moldes interpretados pela decisão recorrida, não é matéria pacífica na doutrina societária nacional. É dizer, embora tenha que prever um prazo, este não precisa ser uma data específica, mas pode ser um termo ou uma condição, e, ainda, não há nada que proíba a renovação do prazo de um consórcio. Ao contrário senso, igualmente a previsão de uma data certa e determinada para a existência do Consórcio, igualmente não garante que se o tome como uma sociedade de fato, se deturpados os demais objetivos do mesmo. Nesta linha de entendimento, filio-me à corrente que entende que o fato de o prazo de duração do Consórcio ser longo, ou mesmo de existir previsão para sua Fl. 2476DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.015 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13656.720257/2010-07 21 prorrogação, não o transmudaria, por si só, em sociedade de fato, de modo que no caso, entendo que o Consórcio não restou desconfigurado, e, portanto, tem ele, na condição de estabelecimento produtor (em condomínio com outras indústrias) e exportador, legitimidade para pleitear o benefício previsto na Lei n. 9.363/96. Concluo que não há razão legal para descaracterizar o consórcio objeto do litígio com base em indeterminação de seu objeto ou na sua suposta perenidade pelo fato de o prazo ser muito extenso (2050). A Recorrente pode pleitear, em nome próprio, o ressarcimento, a restituição ou a compensação do crédito básico das contribuições na aquisição de insumos decorrente de sua participação no Consórcio. Por conseguinte, todas as glosas do Anexo II do Despacho Decisório (Detalhamento das Glosas), cujo motivo decorreu apenas do fato de os insumos terem sido adquiridos no âmbito do Consórcio, devem ser revertidas. Ressalto que se reverte aqui as glosas por motivo único S1, como explicitado no Despacho Decisório: 45. Assim, as Glosas ocorreram por, pelo menos, um dos seguintes motivos: Motivo S1 – Pelo adquirente ter sido o Consórcio Alumar ou Motivo S2 – Pelo Insumo não ser passível de gerar créditos de PIS/COFINS. Estes motivos foram devidamente identificados na coluna “S” nas Planilhas mensais do Anexo II, denominadas “Alcoa – Anexo II – Detalhamento das Glosas Efetuadas”. Em suma, reverte-se as glosas identificadas no Anexo II apenas com o motivo “S1”. Na mesma toada, devem ser revertidas também as glosas das despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas e do PIS pago na importação de insumos, contratados ou pagos no âmbito do referido Consórcio. Isso porque o motivo da glosa foi exclusivamente em razão do Consórcio, como se observa do Despacho Decisório: Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos, locados de pessoas jurídicas. 52. Intimamos o interessado a apresentar relação, em meio digital, das máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas que tenham gerado créditos de PIS, no período em análise. 52.1. O interessado apresentou corretamente o arquivo solicitado. 53. Analisamos a planilha apresentada e verificamos que os aluguéis foram contratados pelo Consórcio Alumar. Os valores foram glosados na sua totalidade. (cópias dos DACON incluídas no processo). Créditos de PIS pago na Importação. 60. O interessado apresentou créditos de PIS pago na Importação, conforme previsto no art. 15 da Lei nº 10.865. O direito a tal crédito aplica-se somente às Fl. 2477DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.015 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13656.720257/2010-07 22 contribuições efetivamente pagas na importação, conforme § 1º da mesma lei: (...) 61. Os créditos apurados pelo interessado referiam-se às importações efetuadas pelo Consórcio Alumar e, portanto, foram desconsideradas na sua totalidade. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS DECORRENTES DE BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS: A NÃO CUMULATIVIDADE DO PIS No Despacho Decisório, a fiscalização utilizou o conceito restrito de insumo, segundo as IN SRF nº 404/2004 e nº 247/2002, entendimento da RFB anterior à prolação da decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1.221.170: Para efeito do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas tão somente aqueles bens ou serviços intrínsecos à atividade, adquiridos de pessoa jurídica e aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado. O mesmo entendimento foi seguido pela DRJ. Assim, adota-se, neste voto, o conceito estabelecido pelo STJ. No julgamento, foram fixadas as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas n° 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não- cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Os critérios da essencialidade ou relevância medem a dependência do bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela empresa. A atividade industrial foi assim descrita: “Abalco – São Luís - MA A atividade da filial de São Luís/MA consiste na produção de alumina, insumo básico para a obtenção do alumínio, extraída pelo processo de refino do minério chamado bauxita. Seu aspecto é o de um pó branco, seco, similar à areia fina de praia, e os detalhes de sua composição, bem como do seu fabrico, encontram-se no capítulo seguinte. Processo Produtivo / Fluxograma A primeira etapa na produção da alumina, produto intermediário para a obtenção do alumínio, é a extração das impurezas do minério denominado bauxita. Essa operação é conhecida como refino, e a técnica praticada é o Processo Bayer, patenteado em 1887 pelo austríaco Karl Joseph Bayer. A alumina, produto do referido refino, consiste em um pó branco seco, similar à areia fina de praia. Para Fl. 2478DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.015 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13656.720257/2010-07 23 extraí-la dos outros componentes da bauxita, emprega-se uma solução de soda cáustica aquecida, com o uso de grandes tanques, chamados digestores. Na última etapa do processo, o hidróxido de alumínio, ou alumina hidratada, resultante da digestão acima referida, é aquecido a 1.000°C em calcinadores, convertendo-se na alumina propriamente dita, que segue em parte para o porto, para ser embarcada e abastecer outras fábricas, e em parte para a transformação final em alumínio metálico, nas cubas eletrolíticas da chamada área de redução do complexo industrial da ALUMAR. Além da matéria-prima bauxita, a produção de alumina exige, como principais insumos, a soda cáustica já mencionada, cal, carvão, óleo diesel e BPF, energia elétrica, floculante sintético, ácido sulfúrico e gás carbônico. O processo permite ainda a reciclagem e o reaproveitamento do insumo de maior peso: a soda cáustica. Para uma plena compreensão do processo, cabe uma rápida menção às suas cinco etapas: moagem, digestão, clarificação, precipitação e calcinação. Na Moagem, reduz-se e uniformiza-se a granulometria da pasta do minério, favorecendo o ataque mais eficiente da soda cáustica, além de manter-se controlado o fluxo contínuo de pasta para a Digestão, com qualidade estável, e manter-se a concentração de sólidos entre 900 e 1.100 g/l. Na Digestão, com o uso de alta pressão e temperatura, e a reação com soda cáustica (licor usado), extrai-se a alumina tri-hidratada dos demais componentes da bauxita, como a sílica e o fosfato (este, por reação com leite de cal). A operação envolve quatro instâncias: aquecimento do licor de soda (licor usado) e da pasta, mistura desse licor, pasta e vapor, extração da alumina e resfriamento da pasta. Na Clarificação, prossegue a separação dos resíduos, contidos na pasta oriunda da Digestão, donde se extrai a maior quantidade possível de soda para reciclagem, constituindo-se o licor verde (solução com maior teor de soda cáustica em relação ao licor usado) e, posteriormente, são removidos os sólidos do licor verde, descartando os resíduos não aproveitáveis para o lago de decantação. Esse licor, antes de seguir para a Precipitação, troca calor com o licor usado, gerado na Precipitação. Na Precipitação, precipita-se a alumina solubilizada e controla-se a granulometria e a resistência das partículas, evitando-se contaminações que possam elevar o teor de impurezas metálicas na alumina (ferro, sílica e cálcio). E por último, na Calcinação, o hidróxido de alumínio recebido das etapas anteriores é filtrado, secado e calcinado, convertendo-se no óxido de alumínio, ou alumina calcinada, conclusão do processo. Nesta fase, a pasta úmida de alumina tri-hidratada tem eliminada a água livre, e em seguida as três moléculas de água da sua composição química, resultando no produto final da operação.” Fl. 2479DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.015 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13656.720257/2010-07 24 Com essas premissas, a seguir, analisa-se as glosas efetuadas sob o motivo S2, nos termos do Despacho Decisório: 45. Assim, as Glosas ocorreram por, pelo menos, um dos seguintes motivos: Motivo S1 – Pelo adquirente ter sido o Consórcio Alumar ou Motivo S2 – Pelo Insumo não ser passível de gerar créditos de PIS/COFINS. Estes motivos foram devidamente identificados na coluna “S” nas Planilhas mensais do Anexo II, denominadas “Alcoa – Anexo II – Detalhamento das Glosas Efetuadas”. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM AQUISIÇÃO DE EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI) O acórdão recorrido manteve a glosa dos créditos das despesas com aquisição de EPI, sob o argumento de que não se caracterizam como insumos, pois não sofreriam alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto fabricado: Especificamente quanto aos Equipamentos de Proteção Individual (EPI), estes não se caracterizam como produto intermediário, material de embalagem ou qualquer outro bem que sofra alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Portanto, não são considerados insumos para fins de gerar créditos da não cumulatividade das contribuições. Já a Recorrente defende o creditamento, nesses termos: 101. Ou seja, de acordo com os critérios da essencialidade ou relevância, os EPIs fornecidos pela Recorrente aos seus empregados não precisam sofrer alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto fabricado para ensejarem direito ao cômputo de créditos. 102. Os EPIs em questão se configuram, em linhas gerais, em camisa retardante de chama, óculos e lentes de proteção, botas e botinas de segurança e capacetes e cintos de segurança. As despesas com aquisições de equipamentos como esses são indispensáveis à segurança e proteção dos empregados da Recorrente, que manipulam produtos químicos para a produção de alumina. 103. Aliás, nos termos do artigo 19, §§ 1º e 2º, da Lei nº 8.212/91 e da Norma Regulamentadora do Trabalho nº 6 (NR6 - EPI) a empresa é responsável pela adoção e uso das medidas coletivas e individuais de proteção e segurança da saúde do trabalhador, e constitui contravenção penal, punível com multa, deixar a empresa de cumprir as normas de segurança e higiene do trabalho. Entendo que a glosa dos EPI decorreu do conceito de restrito de insumo utilizado pela fiscalização, não sendo controvertido a que o dispêndio se refere, como se observa no diagrama das glosas, anexo ao Despacho Decisório. São considerados como insumos essenciais e relevantes à atividade econômica da indústria de alumínio os dispêndios com EPI utilizados na produção. Nesse sentido: Fl. 2480DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.015 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13656.720257/2010-07 25 Acórdão n° 9303-015.681, j. 15 de agosto de 2024, Relator Gilson Macedo Rosenburg Filho CRÉDITO. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI). POSSIBILIDADE. Gera direito a crédito da contribuição não cumulativa a aquisição de equipamentos de proteção individual (EPI) essenciais para produção, exigidos por lei ou por normas de órgãos de fiscalização. E, acórdãos n° 9303-015.881; 9303-014.081 e 9303.015-685. Assim, dou provimento ao recurso voluntário para reverter as glosas de EPI. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS (BAUXITA), FRETE NO RETORNO DE EMBALAGENS (“BIG BAGS”), SOBRESTADIA E FRETE NA AQUISIÇÃO DE ALUMINA A - Frete na aquisição de insumos (bauxita) e frete na aquisição de alumina Trata-se dos serviços relativos ao transporte do minério bauxita, que é insumo para produção da alumina adquirida de fornecedor localizado no Estado do Pará até a planta industrial em São Luís/MA. E de frete para transporte da alumina, que é produto intermediário para a obtenção do alumínio. A Recorrente juntou em manifestação de inconformidade conhecimentos de transporte, que comprovam a movimentação de bauxita e alumina e a tributação do serviço. Os fretes de insumos e produtos intermediários no CARF não encontram resistência, já que o inciso II comporta o entendimento de que essas transferências integram o custo do processo produtivo (custo de aquisição, art. 289, §1º, RIR/1999 e art. 301, §1º do RIR/2018). Nesse sentido: Acórdão n° 9303-015.020, j. 09/04/2024, Relatora Tatiana Josefovicz Belisário “O frete de produtos em elaboração entre estabelecimentos industriais do contribuinte integra o conceito de insumo, posto que o subproduto obtido em determinado ponto industrial será utilizado como insumo no destino.” Acórdão n° 9303-015.245, j. 16/05/2024, Relator Alexandre Freitas Costa “Em consonância com o decidido pelo STJ ao apreciar o REsp n.º 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser diretamente ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, há de ser reconhecido o direito ao crédito das contribuições nos fretes de insumos e de produtos inacabados entre seus estabelecimentos.” Acórdão n° 9303-014.427, j. 19/10/2023, Rel. Vinícius Guimarães “O frete atinente ao transporte de insumos e produtos em elaboração dentro dos estabelecimentos do contribuinte são considerados insumos do processo Fl. 2481DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.015 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13656.720257/2010-07 26 produtivo, nos termos do inc. II dos art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003.” Assim, devem ser revertidas as glosas estampadas no Anexo II do Despacho Decisório (Detalhamento das Glosas), motivo S2, identificadas como: frete de alumina e de bauxita. B- Frete no retorno de embalagens (“big bags”) A Recorrente requer o crédito sobre o frete pago para transporte de embalagens (“big bag”): A esse respeito, vale explicar que a bauxita adquirida pela Recorrente é armazenada em embalagens reutilizáveis “big bags” e, após a entrega da matéria prima no estabelecimento, as embalagens retornam ao estabelecimento do remetente. Registre-se que é a Recorrente quem arca com o custo do frete de transporte dessas embalagens utilizadas para armazenagem da bauxita. Sendo assim e por se tratar de despesa com material de embalagem para transporte de insumo, não há dúvidas do direito creditório da Recorrente. As despesas incorridas com embalagens para transporte de produtos, destinadas à manutenção, preservação e qualidade do produto, enquadram-se na definição de insumos dada pelo STJ, no julgamento do REsp n. 1.221.170/PR. Contudo, no caso dos autos, entendo que não cabe o creditamento, uma vez que, por ser reutilizável, não consta informação suficiente de que as big bags não estariam sujeitas à ativação (ativo imobilizado da empresa). Além disso, o transporte foi das big bags vazias. C- Sobrestadia O crédito é defendido pelo Contribuinte nesses termos: 114. De forma semelhante, os valores pagos pelo Consórcio Alumar a título de demurrage, ou sobrestadia, em virtude do atraso na descarga das mercadorias do navio que as transportou, também fazem parte do custo de produção, tanto quanto o próprio frete. Ainda que eventualmente se entenda tratar de “multa entre as partes”, como indicado no Anexo II do r. despacho decisório, a sobrestadia se configura como valor pago em decorrência do transporte dos insumos, sendo despesa acessória e complementar ao preço do serviço de transporte (doc. nº 45 da Manifestação de Inconformidade). Entendo que demurrage ou sobrestadia são as taxas cobradas pelas empresas que fornecem aluguéis de contêineres para transporte de mercadorias após extrapolado o free time. A sua natureza indenizatória não se confunde com serviço prestado no âmbito do processo Fl. 2482DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.015 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13656.720257/2010-07 27 produtivo da Recorrente, logo não pode ter a natureza de insumo. O crédito, portanto, não pode ser admitido. PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA E PROTESTO PELA JUNTADA DE DOCUMENTOS Não houve juntada de documentos em sede de recurso voluntário. É sabido que o julgador administrativo, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, pode determinar, de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendê-las necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento. Há que se ter em conta, que tal disposição legal não se volta ao propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas. Assim, não cabe ao órgão julgador diligenciar ou determinar a realização de perícia para, de ofício, promover a produção de prova da legitimidade do crédito alegado pelo contribuinte. Síntese Reverto as glosas identificadas no Anexo II do Despacho Decisório apenas com o motivo “S1”; as glosas das despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas e do PIS pago na importação de insumos, contratados ou pagos no âmbito do referido Consórcio; as glosas referentes ao EPI e as glosas dos fretes na aquisição de insumos (bauxita) e frete na aquisição de alumina (produto intermediário do alumínio). Mantenho as glosas relacionadas a sobrestadia, fretes de big bags e as demais identificadas no Anexo II, do Despacho Decisório (Detalhamento das Glosas), com motivo S2, por falta de liquidez e certeza, ou seja, por ausência de comprovação da essencialidade e relevância, em cotejo com a planilha de glosas e documentação contábil e fiscal de suporte. Conclusão Do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas identificadas no Anexo II do Despacho Decisório fundamentadas apenas no motivo “S1” (descaracterização do consórcio); as glosas das despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas e da COFINS paga na importação de insumos, contratados ou pagos no âmbito do referido consórcio; as glosas referentes a EPI; e as glosas dos fretes na aquisição de insumos (bauxita) e fretes na aquisição de alumina (produto intermediário do alumínio). Assinado Digitalmente Semíramis de Oliveira Duro Fl. 2483DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.015 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13656.720257/2010-07 28 DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário “B- Frete no retorno de embalagens (“big bags”)” Manifesto meu posicionamento divergente quanto ao item “B- Frete no retorno de embalagens (“big bags”)”. Trata-se de custo de frete incorrido na devolução de embalagens tipo “big bag”, retornáveis, após a entrega da mercadoria ao adquirente. Entendo que, nos termos da legislação do PIS e da Cofins, consoante interpretação aferida pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Tema 779 (REsp nº 1.221.170)1, as embalagens do tipo “big bag” devem ser entendidas, por si só, como insumo à atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, na medida em que viabilizam o transporte sem perda do produto até o destinatário final. Sem a utilização das referidas big-bags, o minério transportado pode ser dissipado (perda). Nos termos do voto condutor do mencionado Recurso Especial, a não utilização das embalagens especiais “impossibilitariam ou, ao menos, diminuiriam o resultado final do produto”. É evidente, ainda, que, diante da natureza reutilizável do produto, o seu retorno ao produtor para reutilização de novas entregas é parte integrante da sua atividade econômica, se mostrando “essencial e relevante” por si só. Vale salientar que a Súmula CARF º 188 permite “o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos”, inclusive quando estes insumos não sejam onerados e também a pacífica jurisprudência administrativa no sentido de que o transporte de insumos e produtos em elaboração entre estabelecimentos do mesmo contribuinte geram direito ao creditamento (vide Acórdão nº 9303-015.078). É fato que a operação examinada não é uma “aquisição” – razão pela qual não é hipótese de aplicação da disposição sumulada. Contudo, tais precedentes evidenciam a importância que se deve dar ao fato de que a movimentação de insumos é parte integrante da atividade econômica do contribuinte, viabilizadora da sua produção. Desse modo, divirjo do entendimento da d. Relatora para dar provimento ao Recurso Voluntário para fins de reverter as glosas relativas ao custo com Frete no retorno de embalagens (“big bags”). “C- Sobrestadia” Pela presente declaração manifesto meu acompanhamento, pelas conclusões, quanto ao tópico “C- Sobrestadia”. 1 “O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando- se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.” Fl. 2484DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.015 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13656.720257/2010-07 29 Entendo que o principal fundamento para negativa do direito postulado é a ausência de demonstração / comprovação, por parte do recorrente, acerca da efetiva natureza das taxas de “demurrage” ou “sobrestadia” pagas. É cediça a enorme controvérsia em torno da natureza jurídica da referida cobrança, que pode assumir a natureza de adicional, de frete, adicional de armazenagem ou mesmo caráter meramente punitivo. Em face disso, entendo que competia ao Contribuinte realizar a devida identificação acerca da natureza da cobrança e, assim, defender o direito ao creditamento na condição de despesa com “insumo”, “frete” ou “armazenagem”, o que não foi feito no curso do procedimento fiscal e nem mesmo em sede de contencioso administrativo. Desse modo, meu voto é por negar provimento nesse ponto, mantendo as glosas realizadas, contudo, por fundamento diverso do utilizado pela d. relatora. Assinado Digitalmente Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 2485DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Declaração de Voto

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Numero do processo: 16349.000227/2010-34
Turma: Quarta Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 05 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Fri Jul 04 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CONSÓRCIO CONSTITUÍDO PARA CRIAÇÃO DE PARQUE INDUSTRIAL. PREVISÃO DE LONGO PRAZO DE DURAÇÃO COM POSSIBILIDADE DE PRORROGAÇÃO. LEGITIMIDADE ATIVA DA PARTICIPANTE PARA CREDITAMENTO NA PROPORÇÃO DE SUA PARTICIPAÇÃO. O consórcio constituído com observância dos art. 278 e 279 da Lei nº 6.404/76 não é dotado de personalidade jurídica, e não perde essa condição em vista da grande extensão da duração do prazo e de sua possibilidade de prorrogação. Descabida, pois, a desconsideração do consórcio e a sua tipificação como sociedade de fato. Assim, integrante do consórcio tem legitimidade ativa para pleitear, em seu nome, a utilização de créditos de COFINS, na proporção de sua participação. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR. O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade de COFINS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. Assim, são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada. NÃO-CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA DO SUJEITO PASSIVO. Nos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, o ônus da prova da liquidez e certeza dos créditos é do sujeito passivo.
Numero da decisão: 3004-000.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas das notas fiscais de entrada de mercadorias e de serviços glosadas, cujo fundamento único da glosa tenha sido a descaracterização do Consórcio Alumar. Assinado Digitalmente Semíramis de Oliveira Duro – Relatora Assinado Digitalmente Rosaldo Trevisan – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Dionísio Carvallhedo Barbosa, Semíramis de Oliveira Duro, Tatiana Josefovicz Belisário e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CONSÓRCIO CONSTITUÍDO PARA CRIAÇÃO DE PARQUE INDUSTRIAL. PREVISÃO DE LONGO PRAZO DE DURAÇÃO COM POSSIBILIDADE DE PRORROGAÇÃO. LEGITIMIDADE ATIVA DA PARTICIPANTE PARA CREDITAMENTO NA PROPORÇÃO DE SUA PARTICIPAÇÃO. O consórcio constituído com observância dos art. 278 e 279 da Lei nº 6.404/76 não é dotado de personalidade jurídica, e não perde essa condição em vista da grande extensão da duração do prazo e de sua possibilidade de prorrogação. Descabida, pois, a desconsideração do consórcio e a sua tipificação como sociedade de fato. Assim, integrante do consórcio tem legitimidade ativa para pleitear, em seu nome, a utilização de créditos de COFINS, na proporção de sua participação. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR. O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade de COFINS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. Assim, são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada. NÃO-CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA DO SUJEITO PASSIVO. Nos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, o ônus da prova da liquidez e certeza dos créditos é do sujeito passivo. Fl. 1161DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3004-000.021 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16349.000227/2010-34 2 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas das notas fiscais de entrada de mercadorias e de serviços glosadas, cujo fundamento único da glosa tenha sido a descaracterização do Consórcio Alumar. Assinado Digitalmente Semíramis de Oliveira Duro – Relatora Assinado Digitalmente Rosaldo Trevisan – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Dionísio Carvallhedo Barbosa, Semíramis de Oliveira Duro, Tatiana Josefovicz Belisário e Rosaldo Trevisan (Presidente). RELATÓRIO Na origem, o Contribuinte transmitiu Pedido Eletrônico de Ressarcimento e Declaração de Compensação referentes a crédito de COFINS não cumulativa - exportação do 4º trimestre de 2005, no montante total de R$ 1.611.207,54. A empresa ABALCO S/A foi sucedida por incorporação universal pela empresa ALCOA WORLD ALUMINA BRASIL LTDA (AWAB), de CNPJ 06.167.730/0001-68, com efeitos a partir de 01/12/2008. O despacho decisório consignou que a Recorrente faz parte do Consórcio Alumar: O contribuinte é membro integrante do Consórcio de Alumínio do Maranhão – Alumar, empreendimento que seria constituído de acordo com o disposto nos art. 278 e 279 da Lei º 6.404/76, reunindo as sociedades Alcoa Alumínio S/A, Alcoa World Alumina Brasil Ltda., BHP Billiton Metais S/A e Alcan Alumínio Ltda., e cujo objeto consistiria na “aquisição, montagem e construção de instalações para o refino de alumina e de instalações para a redução de alumínio, juntamente com instalações de apoio”, assim como a operação de tais instalações, com base em fornecimento proporcional de bauxita e outras matérias-primas, e a partilha dos produtos acabados (alumina e alumínio) entre as consorciadas. O contribuinte participa no empreendimento de refino de alumina, na proporção de 18,9%. A administração do Consórcio Alumar é responsável pelas aquisições, contabilização e escrituração em livros auxiliares próprios e subsequente rateio entre as sociedades consorciadas dos valores relativos a suprimentos, serviços, Fl. 1162DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3004-000.021 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16349.000227/2010-34 3 ativo fixo, folha de pagamento dos empregados, materiais intermediários e similares. O referido rateio se daria na exata fração ideal de participação da consorciada. O Contribuinte tem receitas decorrentes de vendas no mercado externo e interno, e apurou créditos com as seguintes origens:  Compra de bens utilizados como insumos (inciso II, do art. 3º c/c inciso I do § 1º do mesmo artigo da Lei n° 10.833/2003);  Serviços utilizados como insumos (inciso II, do art. 3º c/c inciso I do § 1º do mesmo artigo da Lei n° 10.833/2003);  Despesas de energia elétrica (inciso III do art. 3º, c/c inciso II, do § 1º, do mesmo artigo da Lei nº 10.833/2003);  Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas (inciso IV, do art. 3º c/c inciso I do § 1º do mesmo artigo da Lei n° 10.833/2003);  Encargos de Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado (inciso VI, do art. 3º c/c inciso III do § 1º do mesmo artigo da Lei n° 10.833/2003);  Encargos de Amortização de Edificações e Benfeitorias em Imóveis (inciso VII, do art. 3º c/c inciso III do § 1º do mesmo artigo da Lei n° 10.833/2003); e  Créditos a descontar de Cofins pagas na Importação (art. 15, inciso II da Lei nº 10.865/2004). Quanto ao rateio, o Despacho Decisório informou que: 22. O interessado é empresa que, essencialmente, produz, refina e vende alumina, atuando inclusive como empresa comercial exportadora, conforme discriminado no objeto social da mesma (fl. 175), apurando receitas na sistemática não cumulativa da Cofins, no mercado interno e no mercado externo. 23. Conforme Ficha 12 do DACON referente ao 4º trimestre de 2005 (fls. 135/137), o contribuinte havia considerado que, para todos os meses do referido trimestre, a totalidade dos créditos gerados no trimestre estariam relacionados com receitas auferidas em operações de exportação, contrariando a ficha 13 do mesmo DACON, onde informa receitas no mercado interno e no mercado externo. 24. Com base nos arquivos eletrônicos apresentados, refizemos o rateio para apurarmos o valor correto a ser apropriado do crédito de Cofins não cumulativo, relativo às receitas não cumulativas auferidas no mercado interno e no mercado externo, como previsto no § 3º, do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, combinado com o art. 3º do mesmo diploma legal: (...) 25. Não consideramos para o rateio as receitas decorrentes da revenda de mercadorias para o exterior em que o interessado atuou como comercial Fl. 1163DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3004-000.021 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16349.000227/2010-34 4 exportador, e apenas revendeu mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação. Podemos concluir que a operação ocorreu dentro dessas características, devido ao “código fiscal de operações e prestações” – CFOP - constante de algumas das notas fiscais de exportação (fls. 63, 65/68), que é o 7.501, que tem como descrição “exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação”. Nenhum dos custos vinculados a essa operação poderiam gerar direito ao crédito de Cofins não cumulativa, devido a expressa vedação do art. 6, § 4º, c/c art. 15, III da Lei nº 10.833/2003: (...) 26. Importante frisar que a vedação contida no dispositivo citado refere-se às operações realizadas pela pessoa jurídica que adquire mercadorias com o fim específico de exportação, e não à natureza jurídica formal da empresa. Além disso, repise-se que o próprio estatuto social da empresa permite que a mesma atue como empresa comercial exportadora (fl. 166). 27. Conforme cálculos às fls. 432 do presente processo, os novos percentuais que encontramos para o cálculo do valor dos custos que devem ser apropriados proporcionalmente às receitas originadas de venda no mercado interno e no mercado externo são (tabela 1): (...) A fiscalização glosou a integralidade dos bens e serviços adquiridos em nome do Consórcio Alumar, com a seguinte motivação: BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS 32. Conforme informado pelo interessado (fls 48/49), este é membro integrante do Consórcio de Alumínio do Maranhão – Alumar, sendo que parte dos bens e serviços utilizados como insumos teria sido adquirida em nome do consórcio, cabendo ao interessado uma parcela do crédito relativo a aquisições de acordo com sua participação no empreendimento. 33. Intimamos o interessado a apresentar, então, o contrato constitutivo do consórcio e planilhas indicando quais aquisições foram realizadas em nome do consórcio e quais foram feitas diretamente pelo interessado (conforme relatado nos itens 8.2, 8.7 e 8.8 do presente despacho). 34. O interessado apresentou corretamente o documento e os arquivos solicitados. 35. Por oportuno, transcrevemos abaixo os artigos 278 e 279 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 – Lei das Sociedades por Ações – LSA, que tratam das disposições relativas a consórcios de sociedades: "CAPÍTULO XXII- Consórcio Art. 278. As companhias e quaisquer outras sociedades, sob o mesmo controle ou não, podem constituir consórcio para executar determinado empreendimento, observado o disposto neste Capítulo. Fl. 1164DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3004-000.021 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16349.000227/2010-34 5 § 1º O consórcio não tem personalidade jurídica e as consorciadas somente se obrigam nas condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações, sem presunção de solidariedade. § 2º A falência de uma consorciada não se estende às demais, subsistindo o consórcio com as outras contratantes; os créditos que porventura tiver a falida serão apurados e pagos na forma prevista no contrato de consórcio. Art. 279. O consórcio será constituído mediante contrato aprovado pelo órgão da sociedade competente para autorizar a alienação de bens do ativo permanente, do qual constarão: II - o empreendimento que constitua o objeto do consórcio; III - a duração, endereço e foro;" 36. Merece destaque a condição de que o consórcio de sociedades deve, necessariamente, ter por objeto a execução de um determinado empreendimento. A esse respeito, vale transcrever a opinião do jurista Fran Martins, na obra "Comentários à Lei das S/A" - art. 278, vol. III, pág. 485. Ed. Forense, I ª ed. 1979: "O emprego da palavra determinado conduz à fixação do empreendimento a ser realizado e, ao mesmo tempo, impede que o consórcio seja constituído para a execução de empreendimentos que não sejam certos. Não permite a lei que se constitua um consórcio, por exemplo, que tenha por objeto a construção de estradas em geral; esse só poderá se constituir para a construção de uma determinada estrada." 37. Embora a lei não atribua eficácia normativa às decisões prolatadas pelo Conselho de Contribuintes, ..., convém mesmo assim transcrever parte da ementa do Acórdão n° 101-86.540, de 18/05/94, do Primeiro Conselho de Contribuintes: "CONSÓRCIO NATUREZA OBJETO. Por consórcio se denomina a sociedade não personificada, cujo objeto é a execução de determinado e específico empreendimento. Inocorrendo a unicidade do empreendimento, como também constatado que o contrato é por prazo indeterminado, o acordo firmado entre as sociedades não pode ser reconhecido como de natureza consorcial. Trata-se, na essência, de Sociedade de Fato." 38. Fica evidenciado, portanto, que o consórcio, a par de não possuir personalidade jurídica própria, não pode ser constituído por prazo indeterminado e/ou para a execução de um empreendimento que não seja único, sob pena de adquirir personalidade jurídica própria e ser tributado como “sociedade de fato”. 39. Para determinar se os bens e serviços adquiridos em nome do Consórcio Alumar podem efetivamente gerar créditos de Cofins para o interessado, torna-se necessário analisar se o contrato do Consórcio Alumar (fls. 211/332) atende aos requisitos insculpidos na Lei das Sociedades Anônimas. Fl. 1165DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3004-000.021 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16349.000227/2010-34 6 40. Conforme cópia do documento de fl. 211 e seguintes, Alteração e Consolidação do Contrato do Consórcio Alumar, foi celebrado, em 1º de janeiro de 1995, contrato entre a ALCOA ALUMÍNIO SA, CNPJ nº 23.637.697/0001-01, a BILLITON METAIS SA, CNPJ nº 42.105.890/0001-46, a ALCAN ALUMÍNIO DO BRASIL SA, CNPJ 60.561.800/0001-03 e a ABALCO SA., CNPJ nº 00.434.317/0001-36, para formação de um consórcio com a finalidade de que a Alcoa, Billiton, Alcan e Abalco possuam e operem instalações para o refino de alumina e de que a Alcoa e a Billiton possuam e operem instalações de redução de alumínio no Município de São Luís, Estado do Maranhão. 41. O Consórcio Alumar, conforme trecho extraído do item 3.02 mencionado contrato, tem por objeto (fls. 223/224): “(...) O objeto do Consórcio e o objetivo das Consorciadas em constituí-lo são de dedicar-se aos Empreendimentos descritos no Artigo I deste instrumento, através de, entre outras atividades, processar bauxita, transformando-a em alumina no Empreendimento de alumina, e alumina em alumínio no Empreendimento de redução de Alumínio, utilizando-se de instalações construídas e/ou possuídas pelas Consorciadas ou em seu nome, no Estado do Maranhão, Brasil, (...)”. 42. Percebe-se, da leitura do trecho citado acima, que, dada a abrangência da finalidade da constituição do consórcio em discussão, qual seja, o processamento da bauxita, transformando-a em alumina e a alumina em alumínio, não se pode caracterizá-lo como um empreendimento determinado. Na verdade, é determinado apenas quanto à natureza do empreendimento, mas não quanto ao contrato ou negócio jurídico especificamente envolvido. O objeto do consórcio deve ser necessariamente identificado e limitado, sob o risco de configuração de uma sociedade de fato. 43. Além disso, o contrato do consórcio dispõe, em seu artigo XVIII (fl. 317), que “O presente contrato permanecerá em vigor até 31 de março de 2050 e, a partir desta data, será renovado por períodos de um ano”. Como o próprio contrato dispõe que o consórcio será renovado por prazo indeterminado, não há que se falar em empreendimento determinado. 44. Pelos motivos acima expostos, resta claro que o Consórcio Alumar deve ser caracterizado como sociedade de fato, e não como consórcio, de onde se conclui que o interessado não tem legitimidade para pleitear os créditos de Cofins de bens e serviços utilizados como insumos pelo consórcio. 44.1. Cumpre ressaltar que o mesmo entendimento foi aplicado, em relação ao mesmo contribuinte, pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento (DRJs) de Juiz de Fora (DRJ/JFA) e de Belém (DRJ/BEL), nos Acórdãos nº 01-9.032 - 3ª Turma da DRJ/BEL, nº 01-9.282 - 3ª Turma da DRJ/BEL e nº 09-19.296 - 2ª Turma da DRJ/JFA (cópias nas fls. 435/468), em julgamentos de manifestações de inconformidade frente a glosas de créditos de Cofins e de IPI na análise de Declarações de Compensação. Fl. 1166DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3004-000.021 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16349.000227/2010-34 7 45. Portanto, para determinar a base de cálculo dos créditos relacionados a bens utilizados como insumos, a partir de planilhas eletrônicas fornecidas pelo interessado em resposta a intimação (fl. 151/153), selecionamos as notas fiscais de mercadorias adquiridas em nome do Consórcio Alumar (relação completa à fls 469/480), e efetuamos a glosa dos respectivos créditos. 46. Após a glosa, chegamos aos valores abaixo (tabela 2), como base de cálculo dos créditos relativos a bens utilizados como insumos: (...) 47. Para determinar a base de cálculo dos créditos relacionados a serviços utilizados como insumos, a partir de planilhas eletrônicas fornecidas pelo interessado em resposta a intimação (fl. 151/153), selecionamos as notas fiscais de serviços adquiridos em nome do Consórcio Alumar (relação completa à fls 481/491), e efetuamos a glosa dos respectivos créditos. 48. Após a glosa, chegamos aos valores abaixo (tabela 3), como base de cálculo dos créditos relativos a serviços utilizados como insumos: (...) A autoridade fiscal complementa, em relação às glosas, o seguinte: 49. Em relação aos serviços utilizados como insumos, é importante ressaltar que, mesmo que não fosse feita a glosa referente a serviços prestados ao Consórcio Alumar, a descrição dos serviços que constam na planilha enviada pelo contribuinte inclui diversos serviços que não poderiam ser considerados insumos. (...) 51. Dos dispositivos acima transcritos, depreende-se claramente que um dos requisitos para uma prestação de serviço ser considerada como um insumo é que a mesma deve ser aplicada ou consumida diretamente na produção de um bem ou prestação de um serviço. 52. Apenas a título informativo, relacionamos às fls. 492/506 uma lista de notas fiscais de serviços tomados pelo Consórcio Alumar que não se relacionam diretamente com a atividade fim do interessado, incluindo a respectiva classificação que atribuímos ao serviço, agrupando-as na tabela abaixo (tabela 4), de acordo com o tipo da prestação de serviço. Repise-se que este quadro é meramente informativo, já que tais notas fiscais de serviço já foram glosadas por terem sido serviços tomados pelo Consórcio Alumar. No que tange às demais despesas que receberam as seguintes denominações, "Despesas de Energia Elétrica", "Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos, locados de pessoas jurídicas", "Encargos de Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado" e "Encargos de Amortização de Edificações e Benfeitorias em Imóveis", foram aceitos todos os valores declarados no DACON do trimestre em apreço. Em relação aos créditos de Cofins paga na Importação, o crédito apurado se referiria à importação de software da Intergraph Corporation. No entanto, conforme informado Fl. 1167DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3004-000.021 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16349.000227/2010-34 8 pela própria empresa, tal crédito foi apropriado indevidamente, e, portanto, foi glosado completamente. O despacho decisório concluiu por deferir parcialmente o Pedido de Ressarcimento no montante e, consequentemente, homologar a Declaração de Compensação apresentada até o valor do crédito reconhecido para o período. Em manifestação de inconformidade, o Contribuinte aduziu, em síntese, os seguintes argumentos: VI. CONCLUSÃO E O PEDIDO 64. Como conclusão do exposto, restou demonstrada a regularidade dos procedimentos adotados pela Requerente no pedido de restituição e nas declarações de compensação objeto destes autos, bem como que: (i) a Requerente faz jus aos créditos de COFINS não cumulativa, sendo indubitável a regularidade do Consórcio Alumar para esse fim, eis que preenche os requisitos necessários para ser considerado consórcio (propósito determinado - realização do empreendimento de refino de alumina e a redução de alumínio primário no Estado do Maranhão e prazo determinado — 31.03.2050), na linha do recente e especifico entendimento do E. CARF, não podendo ser considerado uma mera sociedade de fato ou irregular; e (ii) a Requerente utilizou créditos de COFINS decorrentes de serviços que, direta ou indiretamente, se prestaram A sua produção, motivo pelo qual devem ser considerados insumos e, consequentemente, constituir créditos de COFINS. 65. Assim sendo, diante de tudo o que foi exposto, a Requerente requer seja a presente Manifestação de Inconformidade julgada INTEGRALMENTE PROCEDENTE, para que seja deferido integralmente o pedido de ressarcimento formulado e sejam homologadas integralmente todas as compensações objeto das PER/DCOMPs tratadas nestes autos, com o consequente cancelamento da exigência fiscal. 66. Ad cautelam, a Requerente desde já requer a conversão do julgamento do presente pedido em diligência para o fim precípuo de exame de documentação que comprove a ausência de venda de produção do estabelecimento no mercado interno no período em questão, de forma a deixar claro que toda a aquisição de insumos destinou-se a produzir mercadoria destinada à exportação. 67. Nestes termos, tendo como certo que, enquanto não houver julgamento final do presente Processo Administrativo, o débito em apreço não poderá obstar a expedição da certidão que atesta a regularidade fiscal ("CND") da Requerente, em respeito aos artigos 151, inciso III, do CTN, 74, § 110, da Lei nº 9.430/96 (com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 10.833/2003). A 1ª Turma da DRJ/JFA negou provimento à manifestação de inconformidade, com decisão assim ementada: Fl. 1168DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3004-000.021 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16349.000227/2010-34 9 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO DE PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVA. INADMISSIBILIDADE. CONSÓRCIO DE EMPRESAS. REQUISITOS LEGAIS. INOBSERVÂNCIA. O consórcio de empresas tem entre seus requisitos legais o objeto definido e o prazo de duração determinado, sem os quais se configura em sociedade de fato, não havendo, nesse caso, legitimidade ativa de participante do "consórcio" para pleitear, em nome próprio, créditos da não cumulatividade do PIS/Cofins. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para efeitos da apuração de créditos a serem descontados da contribuição pela sistemática da não cumulatividade, consideram-se insumos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de diligência ou perícia quando este se mostrar prescindível para a solução do litígio. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Proposto o Recurso Voluntário, a Recorrente reiterou, basicamente, os argumentos de defesa da manifestação de inconformidade: (i) necessidade de formalização da cobrança por auto de infração ou notificação de lançamento; (ii) legitimidade da recorrente para aproveitar os créditos de COFINS no âmbito do Consórcio Alumar; (iii) conceito de insumo e sua abrangência e (iv) pedido de realização de diligência e protesto pela juntada de documentos. Acrescentou argumento quanto à nulidade do acórdão recorrido. Ao final, requer a homologação integral das compensações: 109. Como conclusão de todo o exposto, a Recorrente demonstrou, preliminarmente, (i) a insubsistência da cobrança formulada em razão da ausência de auto de infração; e (ii) a nulidade do V. Acórdão proferido, uma vez que desconsiderou a apuração dos créditos da Recorrente. Assim, a Recorrente pleiteia seja julgado nulo o V. Acórdão e nula a própria exigência fiscal em questão. 110. No mérito, a Recorrente primeiramente demonstrou a validade e regularidade do Consórcio Alumar e, em seguida, comprovou que os créditos de COFINS foram indevidamente glosados pelas DD. Autoridades Administrativas, uma vez que decorrem do conceito de insumo adotado pela doutrina e por esse E. CARF; pelo E. STJ (recurso repetitivo REsp nº 1.221.170). Portanto, deve ser integralmente homologada a compensação objeto destes autos. Fl. 1169DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3004-000.021 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16349.000227/2010-34 10 111. Diante disso, com base nos fundamentos de fato e de direito expostos acima, devidamente suportados pelos documentos comprobatórios de seu direito, a Recorrente requer se digne esse E. CARF julgar INTEGRALMENTE PROCEDENTE o presente Recurso Voluntário, para que, reformando-se o V. Acórdão recorrido, seja reconhecida a insubsistência da cobrança formulada e a nulidade da decisão ou, sucessivamente, o direito da Recorrente à integralidade do crédito de COFINS pleiteado, com o consequente deferimento do pedido de ressarcimento e a consequente homologação integral da compensação pleiteada. 112. Caso entendam Vossas Senhorias que seriam necessários novos elementos para que se demonstre o direito ora pleiteado, inclusive em respeito ao princípio da verdade material, a Recorrente reitera seu pedido para que haja a conversão do julgamento em diligência, assegurando-se a produção de provas por todos os meios em direito admitidos, bem como reitera seu protesto pela posterior juntada de eventuais documentos considerados necessários para a análise da validade dos créditos e percentual de rateio utilizado. Não anexou novos documentos. É o relatório. VOTO Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de interposição, devendo ser conhecido. PRELIMINAR DE NECESSIDADE DE FORMALIZAÇÃO DA COBRANÇA POR AUTO DE INFRAÇÃO OU NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO Sustenta, em síntese, que a Autoridade Administrativa, por meio do Despacho Decisório, homologou parte das compensações feitas pela Recorrente e, além disso cobrou o débito decorrente da referida compensação. Entende que a Autoridade Administrativa não pode cobrar débitos sem que tenham sido devidamente constituídos, seja por meio de um Auto de Infração ou por meio de uma Notificação de Lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. O art. 74, § 1o, da Lei n° 9.430/96, dispõe que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. E, no § 6°, que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Assim, a partir de outubro de 2002, edição da Medida Provisória n° 66, a apresentação da Declaração de Compensação (DCOMP) passa a ser requisito essencial da Fl. 1170DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3004-000.021 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16349.000227/2010-34 11 compensação, sem o qual se reputa como inexistente o procedimento. E a DCOMP tem caráter de confissão de dívida. Assim, caso não homologada a compensação ou homologada em parte, o sujeito passivo será intimado a pagar o débito confessado no prazo de 30 dias, contado da ciência do despacho decisório que não a homologou (ou a homologou parcialmente). Se não efetuado o pagamento, o débito será encaminhado à PGFN para inscrição em Dívida Ativa da União. Dessa forma, nos termos dos §§ 7º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, se não homologada a compensação, a Autoridade Administrativa deve exigir o pagamento dos débitos indevidamente compensados. Por isso, não há falar-se em lançamento de crédito tributário, nos termos do art. 142 do CTN. Nesse sentido: Súmula CARF nº 159 Não é necessária a realização de lançamento para glosa de ressarcimento de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, ainda que os ajustes se verifiquem na base de cálculo das contribuições. Logo, não acolho a preliminar arguida. PRELIMINAR DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO Defende que, ainda que se trate de pedido de ressarcimento e declarações de compensação apresentados pelo contribuinte, considerando que as Autoridades Fiscais contestaram os créditos da Recorrente e que a análise sobre sua existência depende da apuração de diversos documentos fiscais relativos a fatos geradores de mais de 12 (doze) anos, a DRJ deveria ao menos ter determinado a realização de perícia ou diligência para apuração dos referidos documentos. Dispõe do art. 59, do Decreto n° 70235/72 que: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não vislumbro nulidade na decisão recorrida, uma vez que a decisão foi proferida pela DRJ competente, bem como não houve preterição do direito de defesa, uma que suficientemente motivada. Por outro lado, nos termos do art. 170, do CTN, o crédito a ser compensado deve ser líquido e certo. Fl. 1171DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3004-000.021 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16349.000227/2010-34 12 E, como regra geral, a prova dos fatos constitutivos cabe a quem pretenda o nascimento da relação jurídica, enquanto a dos extintivos, impeditivos ou modificativos compete a quem os alega, nos termos do art. 373, do CPC/15. Logo, na compensação, é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como pré-requisito, cujo ônus de comprovar a liquidez e certeza do crédito é do contribuinte. Nesse sentido: Acórdão n° 3402-011.897, j. 23/05/2024, Relatora Cynthia Elena de Campos ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGO 373, INCISO I DO CPC. Não sendo homologada a Declaração de Compensação por constar, perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, o ônus da prova sobre o direito creditório recai sobre o contribuinte, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Deve o Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar de maneira inequívoca a liquidez e certeza de seu direito de crédito. Assim, não acolho a preliminar. MÉRITO LEGITIMIDADE DA RECORRENTE PARA APROVEITAR OS CRÉDITOS DE COFINS NO ÂMBITO DO CONSÓRCIO ALUMAR O Acórdão recorrido manteve o entendimento do Despacho Decisório, consignando que o Consórcio Alumar seria uma sociedade de fato e, portanto, seria dele a legitimidade para pleitear os créditos de COFINS. Logo, o aproveitamento desses créditos pela Recorrente equivaleria à apropriação de créditos de terceiro. Assim, o Consórcio Alumar não atenderia aos requisitos exigidos pela Lei nº 6.404/76 – Lei das S/A: existência de objeto/empreendimento e prazo determinados. Repise-se a argumentação da autoridade na origem, acolhida pela DRJ: Conforme cópia do documento e, Alteração e Consolidação do Contrato do Consórcio Alumar, foi celebrado, em 1º de janeiro de 1995, contrato entre a ALCOA ALUMÍNIO SA, CNPJ nº 23.637.697/0001-01, a BILLITON METAIS SA, CNPJ nº 42.105.890/0001-46, a ALCAN ALUMÍNIO DO BRASIL SA, CNPJ 60.561.800/0001-03 e a ABALCO SA., CNPJ nº 00.434.317/0001-36, para formação de um consórcio com a finalidade de que a Alcoa, Billiton, Alcan e Abalco possuam e operem instalações para o refino de alumina e de que a Alcoa e a Billiton possuam e operem instalações de redução de alumínio no Município de São Luís, Estado do Maranhão. O Consórcio Alumar, conforme trecho extraído do item 3.02 mencionado contrato, tem por objeto: Fl. 1172DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3004-000.021 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16349.000227/2010-34 13 “(...) O objeto do Consórcio e o objetivo das Consorciadas em constituí-lo são de dedicar-se aos Empreendimentos descritos no Artigo I deste instrumento, através de, entre outras atividades, processar bauxita, transformando-a em alumina no Empreendimento de alumina, e alumina em alumínio no Empreendimento de redução de Alumínio, utilizando-se de instalações construídas e/ou possuídas pelas Consorciadas ou em seu nome, no Estado do Maranhão, Brasil, (...)”. Percebe-se, da leitura do trecho citado acima, que, dada a abrangência da finalidade da constituição do consórcio em discussão, qual seja, o processamento da bauxita, transformando-a em alumina e a alumina em alumínio, não se pode caracterizá-lo como um empreendimento determinado. Na verdade, é determinado apenas quanto à natureza do empreendimento, mas não quanto ao contrato ou negócio jurídico especificamente envolvido. O objeto do consórcio deve ser necessariamente identificado e limitado, sob o risco de configuração de uma sociedade de fato. Além disso, o contrato do consórcio dispõe, em seu artigo XVIII, que “O presente contrato permanecerá em vigor até 31 de março de 2050 e, a partir desta data, será renovado por períodos de um ano”. Como o próprio contrato dispõe que o consórcio será renovado por prazo indeterminado, não há que se falar em empreendimento determinado. Pelos motivos acima expostos, resta claro que o Consórcio Alumar deve ser caracterizado como sociedade de fato, e não como consórcio, de onde se conclui que o interessado não tem legitimidade para pleitear os créditos de Cofins de bens e serviços utilizados como insumos pelo consórcio. A constituição de Consórcio está prescrita no art. 278 e 279 da Lei nº 6.404/76 – Lei das S/A: CAPÍTULO XXII - Consórcio Art. 278. As companhias e quaisquer outras sociedades, sob o mesmo controle ou não, podem constituir consórcio para executar determinado empreendimento, observado o disposto neste Capítulo. § 1º O consórcio não tem personalidade jurídica e as consorciadas somente se obrigam nas condições previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigações, sem presunção de solidariedade. § 2º A falência de uma consorciada não se estende às demais, subsistindo o consórcio com as outras contratantes; os créditos que porventura tiver a falida serão apurados e pagos na forma prevista no contrato de consórcio. Art. 279. O consórcio será constituído mediante contrato aprovado pelo órgão da sociedade competente para autorizar a alienação de bens do ativo permanente, do qual constarão: I - a designação do consórcio se houver; II - o empreendimento que constitua o objeto do consórcio; Fl. 1173DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3004-000.021 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16349.000227/2010-34 14 III - a duração, endereço e foro; IV - a definição das obrigações e responsabilidade de cada sociedade consorciada, e das prestações específicas; V - normas sobre recebimento de receitas e partilha de resultados; VI - normas sobre administração do consórcio, contabilização, representação das sociedades consorciadas e taxa de administração, se houver; VII - forma de deliberação sobre assuntos de interesse comum, com o número de votos que cabe a cada consorciado; VIII - contribuição de cada consorciado para as despesas comuns, se houver. Parágrafo único. O contrato de consórcio e suas alterações serão arquivados no registro do comércio do lugar da sua sede, devendo a certidão do arquivamento ser publicada. A Recorrente sustenta que o Consórcio Alumar preenche os requisitos legais para regular constituição e operação, uma vez que seu propósito é a realização do empreendimento de refino de alumina e a redução de alumínio primário no Estado do Maranhão, com duração prevista (31/03/2050). Entendo que a Recorrente tem razão. O CARF em diversos processos da mesma Recorrente, em processos de mesma matéria, reconheceu que o Consórcio, constituído com observância dos art. 278 e 279 da Lei nº 6.404/76, não tem personalidade jurídica e não perde essa condição pelo fato de seu prazo de duração ser longo (até 2050) e com possibilidade de prorrogação. Por conseguinte, não é possível a desconsideração do consórcio para qualificá-lo como sociedade de fato, devendo ser reconhecida a legitimidade ativa da participante do Consórcio para pleitear, em nome próprio, o ressarcimento, a restituição ou a compensação do crédito básico das contribuições na aquisição de insumos. Nesse sentido: Acórdão n° 9303-010.947. j. 10 de novembro de 2020, Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado: CRÉDITOS PRESUMIDOS DO IPI COMO RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS. CONSÓRCIO CONSTITUÍDO PARA CRIAÇÃO DE PARQUE INDUSTRIAL. PREVISÃO DE LONGO PRAZO DE DURAÇÃO COM POSSIBILIDADE DE PRORROGAÇÃO. LEGITIMIDADE ATIVA DA PARTICIPANTE PARA CREDITAMENTO. O consórcio constituído com observância dos artigos 278 e 279 da Lei nº 6.404/76 não é dotado de personalidade jurídica, e não perde essa condição em vista da grande extensão da duração do prazo e de sua possibilidade de prorrogação. Descabida, pois, a desconsideração do consórcio e a tipificação do negócio jurídico como sociedade de fato. O participante do consórcio tem legitimidade ativa para pleitear, em seu nome, a utilização de créditos presumidos do IPI, eis que produz Fl. 1174DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3004-000.021 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16349.000227/2010-34 15 em estabelecimento próprio, embora comum, e destina seus produtos para o exterior. Acórdão n° 3302-013.246, 23 de março de 2023, Relator José Renato Pereira de Deus CONSÓRCIO. PREVISÃO DE PRAZO DE DURAÇÃO LONGO E POSSIBILIDADE DE PRORROGAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE SOCIEDADE DE FATO. LEGITIMIDADE ATIVA PARA PEDIDO DE RESSARCIMENTO. O Consórcio, constituído com observância dos artigos 278 e 279 da Lei nº 6.404/76, não possui personalidade jurídica e não perde essa condição pelo fato de seu prazo de duração ser longo e com possibilidade de prorrogação. Dessarte, é descabida a desconsideração do consórcio para qualificá-lo como sociedade de fato, devendo ser reconhecida a legitimidade ativa da participante do Consórcio para pleitear, em nome próprio, o ressarcimento, a restituição ou a compensação do crédito básicos das contribuições na aquisição de insumos. Cita-se ainda os acórdãos n° 3402004.287; 3402001.160; 340300.818; 3401 003.413; 3402-002.218, dentre outros. Assim, o objeto e a descrição do consórcio é a seguinte: ARTIGO I OBJETO E DESCRIÇÃO DO CONSÓRCIO Pelo presente Contrato, a Alcoa, Biliton, Alcan e Abalco estabelecem um consórcio que tem por objeto a aquisição, montagem e construção de instalações para o Refino de Alumina, e de Instalações para a Redução de Alumínio, juntamente com instalações de apoio, nas vizinhanças de São Luís, Estado do Maranhão, República Federativa do Brasil, assim como a operação de tais instalações, com base em fornecimento proporcional de bauxita, a partilha da alumina produzida por Alcoa, Billiton, Alcan e Abalco, a partilha do alumínio produzido por Alcoa e Billiton e uma correspondente participação nos custos de produção da alumina e do alumínio. Em complemento à descrição do original "Escopo do Projeto São Luís" e mais especificamente, à original "Descrição das Instalações" de Refino ali contida assinado e feito em 1981, o ativo fixo pertencente ao Empreendimento de Refino de Alumina em sua atual capacidade é de aproximadamente 1.042.000 toneladas métricas por ano ("tmpa"), como resultado de condições otimizadas de processamento, índices de fluxo, utilização de equipamentos e outras variáveis operacionais, introduzidas para a obtenção de tal capacidade, encontra-se listado no "Anexo A". Da mesma maneira, as Instalações de Apoio (excluídas as Instalações Portuárias), são listadas no "Anexo B" e as Instalações Portuárias no "Anexo C" todos anexos ao presente instrumento, do qual fazem parte integrante, e que podem ser alterados de tempos em tempos, de acordo com dispositivos deste Contrato. Os demais ativos do Consórcio constituem as instalações de redução do Empreendimento de Redução de Alumínio. A atual capacidade anual das instalações de Refino de Alumina é de aproximadamente 1.042.000 toneladas métricas de alumina, com possível expansão para, pelo menos, 3.000.000 de Fl. 1175DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3004-000.021 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16349.000227/2010-34 16 toneladas métricas. A atual capacidade anual das instalações de redução de alumínio é de 360.000 toneladas métricas, a 215 IcA, com possível expansão para, pelo menos, 417.000 toneladas métricas, a 215 kA. 3.02. Objeto, Fiscalização e Poderes do Consórcio. (a) Objeto. O Objeto do Consórcio e o objetivo das Consorciadas em constituí-lo são de dedicar-se aos Empreendimentos descritos no Artigo I deste instrumento, através de, entre outras atividades, processar bauxita, transformando-a em alumina no Empreendimento de Refino de Alumina, e alumina em alumínio no Empreendimento de Redução de Alumínio, utilizando-se de instalações construídas e/ou possuídas pelas Consorciadas ou em seu nome, no Estado do Maranhão, Brasil, e assim, dando o direito a cada Consorciada de receber uma participação (se houver) da alumina e do alumínio produzidos, até o limite dos seus respectivos Direitos de Alumina e Direitos de Alumínio, com cada Consorciada responsabilizando-se por sua respectiva participação nos custos e despesas, determinados e alocados de acordo com os termos e condições do presente Contrato, incorridos com as referidas construção e propriedade, assim como com a produção da alumina e do alumínio. Já na cláusula 18.01, consta que o Consórcio permanecerá em vigor até 31 de março de 2050 e, a partir desta data, será renovado por períodos de um ano. Dessarte, no que concerne ao objeto do consórcio e à sua duração, a lei ressalta apenas que do Consórcio deverão constar, segundo o inciso II do art. 279, da Lei das S/A, o empreendimento que constitua o objeto do consórcio, e segundo o inciso III, a duração, endereço e foro". Dessa forma, a norma não condiciona ou limita o objeto e a sua duração. Além disso, ressalta-se que a própria Receita Federal reconheceu a existência do Consórcio Alumar em outros atos administrativos, para fins alfandegários. Trata-se de ato da Superintendência Regional da Receita Federal da 3ª Região, ADE nº 5/2006, publicado no DOU em 30/03/2006, que declarou alfandegado o “Terminal Portuário Alumar” e reconheceu “que a instalação portuária será administrada pelas empresas integrantes do Consórcio Alumínio do Maranhão (Consórcio Alumar)”. No mesmo sentido, o ADE SRRF03 nº 3, de 07/07/2017, publicado no DOU de 12/07/2017, seção 1, página 37, cuja ementa é a seguinte: “Requalifica o alfandegamento da instalação portuária de uso privativo misto, denominada Terminal Portuário Alumar, administrada pelas empresas integrantes do Consórcio de Alumínio do Maranhão.” Esses atos foram apresentados pelo Contribuinte na manifestação de inconformidade. Por conseguinte, se a Receita Federal reconhece formalmente a existência do Consórcio para fins aduaneiros, entender de forma diversa para fins de creditamento das contribuições PIS/COFINS não cumulativas é contraditório. Fl. 1176DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3004-000.021 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16349.000227/2010-34 17 Em rápida consulta ao Portal da Transparência, é também possível verificar o reconhecimento do Consórcio de Alumínio do Maranhão - ALUMAR com a natureza jurídica de “2151 - CONSÓRCIO DE SOCIEDADES EMPRESARIAIS” (vide https://portaldatransparencia.gov.br/pessoa-juridica/00655209000193). Assim, no sentido de que o Consórcio não é sociedade de fato, adoto as razões do voto condutor do acórdão n° 3402-01.160, nos termos do art. 50, §1º da Lei n° 9.784/1999, da mesma Recorrente: “Resta assentar se o consórcio ALUMAR, na forma como constituído, pode ser entendido como uma “extensão” da empresa Recorrente, sendo imperioso relembrar que é este estabelecimento quem “produz” ou “industrializa” o produto final a ser exportado. (...) entendo que o fato de o consórcio possuir cunho operacional (estabelecimento produtivo) não lhe tira o amparo jurídico na qual tenha sido constituído, pois que o mesmo possui específico termo de duração, bem como foi estabelecido para o cumprimento de um empreendimento, o qual, sabe-se ter sido aquisição de ativos de alto custo, indispensáveis à atividade de produção das consorciadas. O “empreendimento” requerido pelo art. 278, da Lei 6.404/1976, efetivamente é um estabelecimento industrial, cuja empresa é a produção de Alumina, a partir do processamento da bauxita. Portanto, o consórcio é de produção e não de venda conjunta. Não identifico vedação para esse desiderato para o qual foi criado o referido consórcio. No caso em tela, o Consórcio ALUMAR reveste-se da união e empreendimento das empresas que lhe deram vida, pois que, apesar de todas atuarem no mesmo ramo – e, portanto, concorrerem entre si – possuíam interesses comuns na viabilização de seus negócios, que por sua vez demandavam grande investimento de capital e infraestrutura, possível somente com o esforço conjunto de todas elas. Desta feita, sob a condição jurídica de um consórcio, as empresas ABALCO (Recorrente), ALCOA, RIO TINTO/ALCAN e BHP BILLITON, angariaram os fundos necessários para dar vazão ao empreendimento almejando, sendo este “estabelecimento” (composto pelos ativos que isoladamente nenhuma possuía condições de adquirir), o industrializador do produto comercializado por cada uma delas. Vislumbro que o Consórcio é, na proporção definida de participação de cada consorciada, tipicamente um estabelecimento produtor de cada uma das participantes, e não uma “sociedade de fato”, como entenderam a decisão da DRJ e o Ilustre Conselheiro Relator. Cada participante usa o estabelecimento filial seu, regularmente constituído e registrado no Cadastro Geral de Pessoas Jurídicas Fl. 1177DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3004-000.021 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16349.000227/2010-34 18 como tal, e efetivamente empregado para a industrialização de produtos tributados a alíquota zero, preenchendo, com isso, o conceito de estabelecimento industrial previsto na legislação de regência do IPI (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). Neste sentido, a diferenciação de um consórcio e de uma sociedade de fato, a qual se questiona se não é o caso da Recorrente, fica clara na lição de Fernando Facury Scaff e Daniel Coutinho Silveira, no Parecer: Tributação de Consórcio de Empresas. Incidência Fiscais Normais e Refis. Repercussões Fiscais. Normas Vigentes (in Revista Dialética de Direito Tributário nº. 153, pg. 103. Jun-2008). “Esses são os elementos principais da definição do consórcio: trata-se da coordenação de atividades individuais para a execução de provimento comum entre os consorciados. Diverge, assim, da regulação própria da sociedade em que os sócios exercem conjuntamente atividade para repartição dos lucros. Logo, não se trata de um “tipo societário”, mas de uma forma de organização empresarial composta por sociedades autônomas para a realização de um objetivo específico.” Nota-se que, diferentemente de uma sociedade de fato, o objetivo do consórcio não é a divisão de lucros, e sim a união para a consecução comum de um empreendimento, exatamente como é o caso da Recorrente, que uniu forças com outras sociedades para a execução de um empreendimento específico, neste caso o refino e a redução de alumínio, sendo o resultado de tal beneficiamento, comercializado individualmente por cada empresa consorciada. (...) Nota-se que, diferentemente de uma sociedade de fato, o objetivo do consórcio não é a divisão de lucros, e sim a união para a consecução comum de um empreendimento, exatamente como é o caso da Recorrente, que uniu forças com outras sociedades para a execução de um empreendimento específico, neste caso o refino e a redução de alumínio, sendo o resultado de tal beneficiamento, comercializado individualmente por cada empresa consorciada. É certo também que o estabelecimento gera gastos com insumos para a Recorrente, que trouxeram em si os custos das contribuições do Pis e da Cofins incidentes nas etapas do mercado interno, os quais, posteriormente, passaram a compor o custo dos produtos por ela fabricados e exportados, de modo que, finalisticamente, se deve franquear o acesso ao benefício do crédito presumido de IPI como ressarcimento de Pis e Cofins, sob pena de se fazer letra morta do disposto na Lei nº 9.363/96, permitindo a “exportação de tributos” que se deseja evitar com a referida legislação. No que diz respeito ao fato de o prazo de duração do consórcio ser previsto para o longínquo de 2050, e com permissão de renovação do prazo quando chegado o termo final, igualmente não considero fundamento para a desconsideração do Consórcio. Inicialmente porque não se pode confundir a “longevidade” de uma Fl. 1178DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3004-000.021 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16349.000227/2010-34 19 pessoa natural, com a de uma “empresa” ou “empreendimento”, estes quais feitos e criados para durar mais do que apenas a geração de seus fundadores. Não cessa uma “empresa” pela morte de seu fundador, ao contrário do que se dá com as pessoas naturais, cuja existência legal encerra-se com a morte. Além disso, por tratar-se de investimentos que, de modo público e notório, montam quantias extraordinárias para os padrões nacionais, é crível interpretar que o prazo de “retorno do investimento” igualmente seja elastecido, pois que em caso contrário, poderia restar inviabilizado o interesse da constituição do Consórcio, e com ele de se levar a cabo o empreendimento, deixando-se de gerar um empreendimento que gera e permite circular riquezas no local. Ademais disso, especificamente com relação a necessidade dos Consórcios terem prazo específico, nos moldes interpretados pela decisão recorrida, não é matéria pacífica na doutrina societária nacional. É dizer, embora tenha que prever um prazo, este não precisa ser uma data específica, mas pode ser um termo ou uma condição, e, ainda, não há nada que proíba a renovação do prazo de um consórcio. Ao contrário senso, igualmente a previsão de uma data certa e determinada para a existência do Consórcio, igualmente não garante que se o tome como uma sociedade de fato, se deturpados os demais objetivos do mesmo. Nesta linha de entendimento, filio-me à corrente que entende que o fato de o prazo de duração do Consórcio ser longo, ou mesmo de existir previsão para sua prorrogação, não o transmudaria, por si só, em sociedade de fato, de modo que no caso, entendo que o Consórcio não restou desconfigurado, e, portanto, tem ele, na condição de estabelecimento produtor (em condomínio com outras indústrias) e exportador, legitimidade para pleitear o benefício previsto na Lei n. 9.363/96. Concluo que não há razão legal para descaracterizar o consórcio objeto do litígio com base em indeterminação de seu objeto ou na sua suposta perenidade pelo fato de o prazo ser muito extenso (2050). A Recorrente pode pleitear, em nome próprio, o ressarcimento, a restituição ou a compensação do crédito básico das contribuições na aquisição de insumos decorrente de sua participação no Consórcio. Por conseguinte, todas as glosas, cujo motivo decorreu apenas do fato de os insumos terem sido adquiridos no âmbito do Consórcio, devem ser revertidas. Com exceção das glosas com fundamento duplo indicado pela fiscalização no Despacho Decisório: 45. Portanto, para determinar a base de cálculo dos créditos relacionados a bens utilizados como insumos, a partir de planilhas eletrônicas fornecidas pelo interessado em resposta a intimação (fl. 151/153), selecionamos as notas fiscais de mercadorias adquiridas em nome do Consórcio Alumar (relação completa à fls. 469/480), e efetuamos a glosa dos respectivos créditos. (...) Fl. 1179DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3004-000.021 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16349.000227/2010-34 20 47. Para determinar a base de cálculo dos créditos relacionados a serviços utilizados como insumos, a partir de planilhas eletrônicas fornecidas pelo interessado em resposta a intimação (fl. 151/153), selecionamos as notas fiscais de serviços adquiridos em nome do Consórcio Alumar (relação completa à fls 481/491), e efetuamos a glosa dos respectivos créditos. (...) 49. Em relação aos serviços utilizados como insumos, é importante ressaltar que, mesmo que não fosse feita a glosa referente a serviços prestados ao Consórcio Alumar, a descrição dos serviços que constam na planilha enviada pelo contribuinte inclui diversos serviços que não poderiam ser considerados insumos. (...) 51. Dos dispositivos acima transcritos, depreende-se claramente que um dos requisitos para uma prestação de serviço ser considerada como um insumo é que a mesma deve ser aplicada ou consumida diretamente na produção de um bem ou prestação de um serviço. 52. Apenas a título informativo, relacionamos às fls. 492/506 uma lista de notas fiscais de serviços tomados pelo Consórcio Alumar que não se relacionam diretamente com a atividade fim do interessado, incluindo a respectiva classificação que atribuímos ao serviço, agrupando-as na tabela abaixo (tabela 4), de acordo com o tipo da prestação de serviço. Repise-se que este quadro é meramente informativo, já que tais notas fiscais de serviço já foram glosadas por terem sido serviços tomados pelo Consórcio Alumar. Assim: (i) Reverto as glosas das notas fiscais de entrada referentes às aquisições do Consórcio Alumar (notas fiscais de mercadoria glosadas - 4° trimestre de 2005), que constam nas e-fls. 469/480, pois são referentes às compras para industrialização (CFOP 2101). O fundamento da glosa foi único: a aquisição do Consórcio Alumar. (ii) Reverto as glosas das notas fiscais de entrada referentes às aquisições do Consórcio Alumar (notas fiscais de serviço glosadas – 4° trimestre de 2005): que constam nas e-fls. 481/491, cujo fundamento da glosa tenha sido único: a aquisição do Consórcio Alumar. (iii) Entretanto, exclui-se do item (ii) acima as glosas listadas na planilha “Serviços que não podem ser considerados insumos – 4° trimestre de 2005” que consta nas e-fls. 492/506, que devem ser mantidas, uma vez que houve motivo duplo para a glosa, conforme posto no Despacho Decisório: 52. Apenas a título informativo, relacionamos às fls. 492/506 uma lista de notas fiscais de serviços tomados pelo Consórcio Alumar que não se relacionam diretamente com a atividade fim do interessado, incluindo a respectiva classificação que atribuímos ao serviço, agrupando-as na tabela abaixo (tabela 4), de acordo com o tipo da prestação de serviço. Repise-se que este quadro é Fl. 1180DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3004-000.021 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16349.000227/2010-34 21 meramente informativo, já que tais notas fiscais de serviço já foram glosadas por terem sido serviços tomados pelo Consórcio Alumar. REGULARIDADE DO APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS DECORRENTES DE INSUMOS ADQUIRIDOS PELO CONSÓRCIO ALUMAR No Despacho Decisório, a fiscalização utilizou o conceito restrito de insumo, segundo as IN SRF nº 404/2004 e nº 247/2002, entendimento da RFB anterior à prolação da decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1.221.170. O mesmo entendimento foi seguido pela DRJ. Sobreveio o conceito estabelecido pelo STJ. No julgamento do nº 1.221.170, foram fixadas as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas n° 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não- cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Os critérios da essencialidade ou relevância medem a dependência do bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela empresa. A atividade industrial foi assim descrita: “Abalco – São Luís - MA A atividade da filial de São Luís/MA consiste na produção de alumina, insumo básico para a obtenção do alumínio, extraída pelo processo de refino do minério chamado bauxita. Seu aspecto é o de um pó branco, seco, similar à areia fina de praia, e os detalhes de sua composição, bem como do seu fabrico, encontram-se no capítulo seguinte. Processo Produtivo / Fluxograma A primeira etapa na produção da alumina, produto intermediário para a obtenção do alumínio, é a extração das impurezas do minério denominado bauxita. Essa operação é conhecida como refino, e a técnica praticada é o Processo Bayer, patenteado em 1887 pelo austríaco Karl Joseph Bayer. A alumina, produto do referido refino, consiste em um pó branco seco, similar à areia fina de praia. Para extraí-la dos outros componentes da bauxita, emprega-se uma solução de soda cáustica aquecida, com o uso de grandes tanques, chamados digestores. Na última etapa do processo, o hidróxido de alumínio, ou alumina hidratada, resultante da digestão acima referida, é aquecido a 1.000°C em calcinadores, convertendo-se na alumina propriamente dita, que segue em parte para o porto, para ser embarcada e abastecer outras fábricas, e em parte para a transformação Fl. 1181DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3004-000.021 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16349.000227/2010-34 22 final em alumínio metálico, nas cubas eletrolíticas da chamada área de redução do complexo industrial da ALUMAR. Além da matéria-prima bauxita, a produção de alumina exige, como principais insumos, a soda cáustica já mencionada, cal, carvão, óleo diesel e BPF, energia elétrica, floculante sintético, ácido sulfúrico e gás carbônico. O processo permite ainda a reciclagem e o reaproveitamento do insumo de maior peso: a soda cáustica. Para uma plena compreensão do processo, cabe uma rápida menção às suas cinco etapas: moagem, digestão, clarificação, precipitação e calcinação. Na Moagem, reduz-se e uniformiza-se a granulometria da pasta do minério, favorecendo o ataque mais eficiente da soda cáustica, além de manter-se controlado o fluxo contínuo de pasta para a Digestão, com qualidade estável, e manter-se a concentração de sólidos entre 900 e 1.100 g/l. Na Digestão, com o uso de alta pressão e temperatura, e a reação com soda cáustica (licor usado), extrai-se a alumina tri-hidratada dos demais componentes da bauxita, como a sílica e o fosfato (este, por reação com leite de cal). A operação envolve quatro instâncias: aquecimento do licor de soda (licor usado) e da pasta, mistura desse licor, pasta e vapor, extração da alumina e resfriamento da pasta. Na Clarificação, prossegue a separação dos resíduos, contidos na pasta oriunda da Digestão, donde se extrai a maior quantidade possível de soda para reciclagem, constituindo-se o licor verde (solução com maior teor de soda cáustica em relação ao licor usado) e, posteriormente, são removidos os sólidos do licor verde, descartando os resíduos não aproveitáveis para o lago de decantação. Esse licor, antes de seguir para a Precipitação, troca calor com o licor usado, gerado na Precipitação. Na Precipitação, precipita-se a alumina solubilizada e controla-se a granulometria e a resistência das partículas, evitando-se contaminações que possam elevar o teor de impurezas metálicas na alumina (ferro, sílica e cálcio). E por último, na Calcinação, o hidróxido de alumínio recebido das etapas anteriores é filtrado, secado e calcinado, convertendo-se no óxido de alumínio, ou alumina calcinada, conclusão do processo. Nesta fase, a pasta úmida de alumina tri-hidratada tem eliminada a água livre, e em seguida as três moléculas de água da sua composição química, resultando no produto final da operação.” Ainda que se adote o conceito de insumo pós-julgamento do REsp nº 1.221.170, na apuração de Cofins não-cumulativa, a prova da existência do direito de crédito indicado na DCOMP incumbe ao contribuinte, de maneira que, não havendo tal demonstração, as glosas são legítimas. Por imperativo do art. 170, do CTN, o crédito a ser compensado deve ser líquido e certo, por isso é matéria vinculada à produção de prova. Fl. 1182DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3004-000.021 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16349.000227/2010-34 23 Como regra geral, a prova dos fatos constitutivos cabe a quem pretenda o nascimento da relação jurídica, enquanto a dos extintivos, impeditivos ou modificativos compete a quem os alega, nos termos do art. 373, do CPC/15. Na compensação, é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como pré-requisito, que passa por documentos contábeis/fiscais e outros aptos a comprovar a liquidez e certeza do crédito do contribuinte. Nesse sentido: Acórdão n° 3402-011.897, j. 23/05/2024, Relatora Cynthia Elena de Campos ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGO 373, INCISO I DO CPC. Não sendo homologada a Declaração de Compensação por constar, perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, o ônus da prova sobre o direito creditório recai sobre o contribuinte, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Deve o Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar de maneira inequívoca a liquidez e certeza de seu direito de crédito. Então, a comprovação da liquidez e certeza dar-se-á pelos documentos comprobatórios do crédito, que são aqueles que evidenciam a origem, natureza do crédito e correta quantificação. Observa-se no item “IV.2.1.” do recurso voluntário, que a Recorrente defende a íntegra do crédito, apenas com alegações genéricas: 97. De acordo com a planilha anexada, as despesas geradoras de créditos decorrem de serviços de manutenção de equipamentos, frete/transporte, e equipamentos de proteção individual, todos utilizados no processo produtivo. 98. Reitere-se que o E. STJ E. STJ firmou entendimento no julgamento do recurso repetitivo REsp nº 1.221.170 de que “o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte.” 99. Ou seja, de acordo com os critérios da essencialidade ou relevância, os EPIs fornecidos pela Recorrente aos seus empregados não precisam sofrer alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto fabricado para ensejarem direito ao cômputo de créditos. 100. Portanto, tais dispêndios devem ensejar a apuração dos créditos de COFINS por se tratarem de custos relacionados à atividade de aquisição de insumos e de venda dos produtos fabricados ou revendidos (artigo 3º incisos II e IX, da Lei nº 10.833/2003). (...) 102. Como conclusão, por serem despesas necessárias à produção e comercialização das mercadorias da Recorrente, deve ser assegurado o direito ao Fl. 1183DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 3004-000.021 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16349.000227/2010-34 24 creditamento da COFINS, nos termos do artigo 3º, incisos I, II e IX, da Lei nº 10.833/2003. Entendo que, no Recurso Voluntário, era necessária a individualização de cada insumo, com as razões para reversão das glosas. Logo, por falta de liquidez e certeza, ou seja, por ausência de comprovação da essencialidade e relevância, em cotejo com a planilha de glosas e documentação contábil e fiscal de suporte, não há novas reversões de glosas a serem feitas neste tópico. As únicas reversões são as elencadas no tópico anterior. PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA E PROTESTO PELA JUNTADA DE DOCUMENTOS Não houve juntada de documentos em sede de recurso voluntário. É sabido que o julgador administrativo, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, pode determinar, de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendê-las necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento. Há que se ter em conta, que tal disposição legal não se volta ao propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas. Assim, não cabe ao órgão julgador diligenciar ou determinar a realização de perícia para, de ofício, promover a produção de prova da legitimidade do crédito alegado pelo contribuinte. Conclusão Do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas das notas fiscais de entrada de mercadorias e de serviços glosadas, cujo fundamento único da glosa tenha sido a descaracterização do Consórcio Alumar. Assinado Digitalmente Semíramis de Oliveira Duro Fl. 1184DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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