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Numero do processo: 10920.911365/2012-85
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei. (Súmula CARF nº 2). Não configurada nenhuma das exceções à regra. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 13 65 /2 01 2- 85 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911365/201285 Acórdão n.º 3803005.652 S3TE03 Fl. 51 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito decorreria da falta de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Segundo o então Manifestante, tratarseia o ICMS de um ônus fiscal que não se confundiria com o faturamento, pois este decorreria de um negócio jurídico consistente na venda de mercadorias ou na prestação de serviços. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório e de documentos societários. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório, arguindo que, ainda que se superasse a questão de direito relativamente à inexistência de previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos fiscais que demonstrassem a quantificação do suposto crédito. Cientificado da decisão em 19 de novembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de dezembro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, alegando (i) ausência de previsão legal exigindo a retificação da DCTF como condição para a restituição, (ii) ofensa aos princípios da legalidade tributária, da verdade material e do formalismo moderado e (iii) inconstitucionalidade e ilegalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, conforme teor do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio de Mello no julgamento do RE 240.7852. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911365/201285 Acórdão n.º 3803005.652 S3TE03 Fl. 52 3 Requereu também o Recorrente, com base no art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF, o sobrestamento do julgamento dos presentes autos até o pronunciamento definitivo do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do RE 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, registrese que não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei, nos termos contidos no art. 26A e parágrafo único do Decreto n° 70.235/1972 (PAF), com redação dada pela Lei n° 11.941/2009, bem como no art. 62 e parágrafo único do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RI/CARF. O presente caso não se subsume em nenhuma das exceções que autorizam o afastamento da aplicação de lei, tratado internacional ou decreto por parte dos julgadores administrativos, exceções essas previstas nos atos normativos identificados no parágrafo anterior. Além disso, temse que, de acordo com a Súmula CARF nº 2, “[o] CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” No mérito, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, 1 ADC n° 18/DF Fl. 52DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911365/201285 Acórdão n.º 3803005.652 S3TE03 Fl. 53 4 inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal (grifei). Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911365/201285 Acórdão n.º 3803005.652 S3TE03 Fl. 54 5 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias ou da prestação de serviços configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo incluso na receita bruta de vendas, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998, as contribuições para o PIS e a Cofins incidem sobre o faturamento, encontrandose previstas no § 2º do art. 3º da mesma lei as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão do ICMS (inciso I do art. 2º da Lei nº 9.718, de 1998) quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Por outro lado, ainda que direito houvesse ao Recorrente de excluir da base de cálculo da contribuição o valor do ICMS, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois nenhum elemento de prova hábil e idôneo foi apresentado para comprovar o direito arguido. O despacho decisório de não homologação da compensação decorreu da constatação de que todo o valor pago por meio de DARF já havia sido alocado na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte, não tendo este demonstrado e comprovado o seu direito, com base na escrituração contábilfiscal e documentos que a lastreiam, independentemente da retificação da DCTF. Destaquese que a Delegacia de Julgamento já havia alertado o contribuinte da necessidade de comprovação do direito pleiteado, não tendo ele se desincumbido de tal ônus nem mesmo na presente fase recursal, não tendo trazido aos autos qualquer elemento de prova. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória se desenvolve nos limites do pedido formulado pelo sujeito passivo. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911365/201285 Acórdão n.º 3803005.652 S3TE03 Fl. 55 6 Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova só pode ser produzida pelo próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, a ele cabe o ônus de provar a efetiva existência do indébito reclamado. A não apresentação de provas efetivas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 19722, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF). O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações presentes em seus sistemas internos, muitas delas declaradas pelo próprio sujeito passivo, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 55DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911365/201285 Acórdão n.º 3803005.652 S3TE03 Fl. 56 7 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10930.904533/2012-67
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 45 33 /2 01 2- 67 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904533/201267 Acórdão n.º 3803004.883 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904533/201267 Acórdão n.º 3803004.883 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904533/201267 Acórdão n.º 3803004.883 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 11060.002282/2010-71
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2006
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. FUNRURAL. AUSÊNCIA DE DECISÃO TRANSITA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
Diante da existência de ação judicial, na qual se discute a existência do crédito do contribuinte, não se afigura lícito à autoridade administrativa autorizar a compensação dos créditos questionados antes de decisão transitada em julgado.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE.
Após o advento da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002, é vedada a compensação de créditos auferidos por terceiros por estrita vedação legal.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.024
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2006 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. FUNRURAL. AUSÊNCIA DE DECISÃO TRANSITA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Diante da existência de ação judicial, na qual se discute a existência do crédito do contribuinte, não se afigura lícito à autoridade administrativa autorizar a compensação dos créditos questionados antes de decisão transitada em julgado. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. Após o advento da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002, é vedada a compensação de créditos auferidos por terceiros por estrita vedação legal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2006 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. FUNRURAL. AUSÊNCIA DE DECISÃO TRANSITA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Diante da existência de ação judicial, na qual se discute a existência do crédito do contribuinte, não se afigura lícito à autoridade administrativa autorizar a compensação dos créditos questionados antes de decisão transitada em julgado. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. Após o advento da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002, é vedada a compensação de créditos auferidos por terceiros por estrita vedação legal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 22 82 /2 01 0- 71 Fl. 484DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11060.002282/201071 Acórdão n.º 2803003.024 S2TE03 Fl. 485 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11060.002282/201071 Acórdão n.º 2803003.024 S2TE03 Fl. 486 3 Relatório 1. Cuidase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte COOPERATIVA AGRICOLA CACHOEIRENSE LTDA. em face da decisão do colegiado de primeira instância que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação interposta e manteve o crédito tributário (DEBCAD n° 37.228.9355). 2. De acordo com o relatório fiscal (fls. 76/79), o contribuinte efetuou compensação tributária declarada nas Guias de Recolhimento do Fundo de garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social) GFIP.. 3. Por oportuno, transcrevo excertos do referido relatório fiscal (fls. 76 e ss), in verbis: “(...). 2. Conforme os registros contábeis do contribuinte, os lançamentos foram efetuados a débito da conta 2.1.1.01.11.001 – Inss a recolher e a crédito das contas 1.1.2.01.09.007 Crédito Tributário INSS, relativamente as competências 07/2205 a 11/2005 e 1.2.1.01.13.003 () INSS Compensado, relativamente as competências 12/2005 a 09/2006. 3. No que se refere a conta 1.1.2.01.09.007 Crédito Tributário INSS, informamos que se trata de crédito resultante da compra de Precatório de Terceiros, intermediado pela empresa CWM Administração de Bens LTDA e, no que diz respeito a conta 1.2.1.01.13.003 () INSS Compensado, tratase de conta retificadora da conta 1.2.1.01.12.014 Depósito Judicial Funrural na qual registra os valores depositados relativamente a discussão judicial referente a contribuição previdenciária incidente sobre a comercialização da produção rural na qual é subrogada na obrigação dos produtores rurais a ela associados. 4. Quanto ao processo 2002.71.11.0002272, que tramita por dependência ao processo 200071000019840 no qual vinculamse os depósitos judiciais efetuados e no qual objetiva afastar, na condição de subrogada, a exigência de recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural, pleiteando também a restituição/compensação das contribuições recolhidas no decênio que antecedeu a sua propositura, o contribuinte obteve sentença favorável em primeiro instância (JFRS). Ocorre que o INSS à época recorreu da decisão e o Tribunal Regional da 4ª Região reformou a decisão, entendendo que sempre teve base legal para a exigência da contribuição, sem solução de continuidade. (...). Fl. 486DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11060.002282/201071 Acórdão n.º 2803003.024 S2TE03 Fl. 487 4 5. Quanto ao andamento do referido processo, informamos que a cooperativa interpôs Recurso Extraordinário que se encontra sobrestado até a presente data. 6. Diante do exposto, verificase que ambas as situações não se enquadram na legislação permissiva de compensação à o época dos fatos (Lei 8.212/91, art. 89, na redação dada pela Lei nº 9.129, de 20/11/95), no primeiro caso porque se referem a crédito de terceiros e no segundo porque o depósito judicial foi efetuado para suspensão do crédito tributário relativamente à contribuição sobre a produção rural, cujo processo se encontra pendente de Trânsito em Julgado (fls. 76 e 77). (...).” 4. Lavrado o auto de infração, o contribuinte foi dele cientificado em 24.11.2009, conforme comprovante de fl. 02, tendo apresentado Impugnação às fls. 81/130. 5. Ao analisar os argumentos apresentados pela contribuinte, o Colegiado de primeira instância não acolheu as teses apresentadas. O acórdão (fls. 411/426) restou lavrado com a ementa abaixo transcrita: “AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CESSÃO DE CRÉDITO. GLOSA. Serão glosados pelo Fisco os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. E vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. As compensações de contribuições sociais previdenciárias devidas pelo sujeito passivo com crédito de terceiros, esbarram em inequívoca disposição legal. A Administração Pública está sujeita ao princípio da legalidade, à obrigação de cumprir e respeitar as leis em vigor. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. SEDE ADMINISTRATIVA. VEDAÇÃO À APRECIAÇÃO. Às instâncias administrativas não competem apreciar vícios de ilegalidade ou de inconstitucionalidade das normas tributárias, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário, motivo pelo qual descabe o julgamento destes argumentos na esfera administrativa. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11060.002282/201071 Acórdão n.º 2803003.024 S2TE03 Fl. 488 5 A falta de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, em julgamentos do pleno, impede a apreciação de inconstitucionalidade alegada. JUROS. SELIC. Os juros incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custodia SELIC estão previstos na legislação de regência e em plena vigência no mundo jurídico. Impugnação Improcedente. Credito Tributário Mantido.” (fls. 411/3121). 6. Inconformado com a decisão proferida, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 430/480), no qual, aduz a reforma dos pontos que seguem: a) Sob diversos argumentos sustenta a inexigibilidade da contribuição social FUNRURAL e a validade da compensação efetuada, uma vez que o RE 363.852/MG teve seu julgamento transitado em julgado em 06.05.2011; b) Deve ser declarada a extinção do débito, haja vista já ter sido declarada a inconstitucionalidade do tributo objeto da compensação; c) Requer o reconhecimento da validade da compensação com precatórios, haja vista que restou comprovado a aquisição dos créditos por meio de cessão de direito mediante instrumento público; d) Sustenta a validade do procedimento tendo em vista que tanto as cessões de direito, quanto as compensações com os mesmos, foram convalidados pela emenda constitucional n. 62; e) Argui que os créditos adquiridos por cessão de direito não são créditos de terceiros e sim créditos próprios da recorrente; f) Por fim, considera ilegal e onerosa ao contribuinte a aplicação da taxa SELIC; 7. Sem contrarrazões fiscais, os autos foram remetidos a esse Conselho. É o relatório. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11060.002282/201071 Acórdão n.º 2803003.024 S2TE03 Fl. 489 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DO “FUNRURAL” ANTES DE DECISÃO TRANSITA EM JULGADO 2. Neste ponto, válido mencionar que o Código Tributário Nacional em seu art. 170A prevê que: “é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”. 3. Em contrassenso à norma, defende a recorrente que inexiste a necessidade de prévio reconhecimento judicial para realização do procedimento compensatório, ante a posição jurisprudencial favorável, determinando a inexigibilidade da contribuição social sobre comercialização rural desde o ano de 1991. 4. De fato, à época dos fatos, existia o questionamento quanto a constitucionalidade da contribuição em comento, no entanto, corretamente ponderou o julgador a quo ao considerar que tal inconstitucionalidade, ainda não havia sido declarada pelo Supremo Tribunal Federal. “O Recurso Extraordinário 363.852 MG, tomado pelo pleno do Supremo Tribunal Federal – STF, declarou “a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigo 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição”. Ocorre que, verificando o andamento do citado processo judicial (recurso Extraordinário 363.852 MG) através do “acompanhamento processual – STF – Supremo Tribunal Federal”, nesta data, ainda encontrase em andamento.(fl. 420).” 5. Vêse que inexiste o direito de compensação do contribuinte, por ausência de pronunciamento definitivo do judiciário quanto a matéria. A propósito, peço vênia para trazer a baila os ensinamentos do Professor James Marins em sua obra “Direito processual Fl. 489DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11060.002282/201071 Acórdão n.º 2803003.024 S2TE03 Fl. 490 7 tributário brasileiro: administrativo e judicial. 6ª ed.” no sentido de manter a autuação efetuada pelo fisco dada a impossibilidade de ratificação a compensação pela autoridade fiscal: “Com efeito, diante da existência de ação judicial em cujo o bojo se discute a existência ou não do crédito do contribuinte, não se afigura lícito à autoridade administrativa autorizar a compensação, pois semelhante juízo compete exclusivamente ao magistrado no âmbito do processo, por força do regime de prevalência da tutela jurisdicional sobre a administrativa, próprio do sistema brasileiro.(pg. 347)” 6. Por fim, ressalto que o contribuinte, ao efetuar procedimento semelhante de compensação de tributos (Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS) antes da decisão transitada em julgado do litígio, já obteve reprimenda do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, no processo 11060.001608/201314, no qual buscouse a compensação decorrente de créditos que pleiteava junto ao poder judiciário (sem decisão transitada em julgado). 7. Naquele caso, o posicionamento administrativo fiscal não foi diferente. Considerou, os créditos que o contribuinte alegava possuir em seu favor ilíquidos e incertos e concluiu que “a compensação não pode ser admitida pela inexistência de créditos a serem compensados” e manteve o lançamento. O acórdão restou ementado nos seguintes termos: “COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A compensação com créditos ilíquidos e incertos rende ensejo ao lançamento de oficio para a exigência do tributo que não foi pago. Recurso negado.” 8. Assim, quanto a esse ponto, mantenho o crédito tributário em favor da fazenda, nos termos da decisão de primeira instância. DA IMPOSSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DE TERCEIROS 9. Da análise da documentação apresentada pela recorrente resta inconteste a existência do crédito adquirido mediante cessão de direitos, bem como ficou comprovado a validade do transito em julgado das decisões que culminaram no crédito de terceiros (precatórios) perante a Fazenda. 10. Não obstante ao arrazoado apresentado pela recorrente em suas razões recursais, entendo que, mesmo existindo o referido crédito, não há possibilidade de compensação pela recorrente, face o disposto na legislação de regência, senão vejamos. 11. A lei no 9.430/96 em seu artigo 74, com a redação dado pela lei no 10.637 de 30/12/2002, versa sobre a compensação de créditos e assim se pronuncia: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos Fl. 490DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11060.002282/201071 Acórdão n.º 2803003.024 S2TE03 Fl. 491 8 e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002)” (grifei). 12. Resta evidente a limitação à compensação de créditos, haja vista que as compensações devem ser efetuadas a débitos do próprio contribuinte que apurou o crédito, vedando a utilização de créditos de terceiros, como pretende o contribuinte. 13. Ademais, a alínea “a”, do inciso II, do §12 do art. 74 da Lei 9.430 introduzida pela Lei 11.051 de 29/12/2004, corrobora tal vedação e considera não declarada a compensação em que o crédito seja de terceiro, in verbis: “§12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (...). II em que o crédito: a) seja de terceiros;” 14. A controvérsia também já foi objeto de decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme emenda que colaciono a seguir: “PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. SENTENÇA CONDENATÓRIA DO DIREITO À COMPENSAÇÃO DO INDÉBITO. CESSÃO DE CRÉDITOS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS DISTINTAS. IMPOSSIBILIDADE. LEI 9.430/96. PROIBIÇÃO DA COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. 1. A Lei n° 9.430/96, no artigo 74, utilizandose da faculdade que lhe foi conferida pelo CTN, proíbe a compensação de débitos tributários com créditos de terceiros, in verbis: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão." (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) 2. In casu, tratas e de decisão transitada em julgado reconhecendo o direito de compensação da cedente em face da Fazenda Nacional. Não obstante a admissibilidade da cessão de créditos na seara tributária, verifica se a existência de óbice legal à efetivação da compensação nos moldes requeridos pelas recorrentes (com créditos de terceiros), qual seja, o mandamento inserto no art. 74 da Lei 9.430/96, o que conduz à ineficácia da cessão de créditos perante o fisco e, consectariamente, à inoperosidade da substituição processual almejada. (Precedentes: REsp 1121045/RS, DJe 15/10/2009; REsp 939.651/RS, DJ 27/02/2008) (...). Fl. 491DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11060.002282/201071 Acórdão n.º 2803003.024 S2TE03 Fl. 492 9 8. Recurso especial desprovido.” Grifei.( REsp 993925 / RS, Relator Min. Luiz Fux, de 05/08/2010). 15. A clara conclusão alcançada é no sentido de que é vedada, por força da disposição do artigo 74 da lei nº 9.430/96, a compensação de créditos de terceiros com débitos próprios. 16. Quanto à cessão de créditos, entendemos valida, porém, o direito tributário pode dispor efeitos próprios na seara tributária e é exatamente isto que faz ao estabelecer as limitações do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. 17. Insta mencionar, a jurisprudência desse Conselho ao analisar a matéria: COMPENSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE PRECATÓRIOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal autorizando a compensação de contribuições sociais com créditos de precatórios adquirido de terceiros. OMISSÃO DE CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO Apresentar a GFIP sem a totalidade das contribuições previdenciárias devidas caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. (grifei) (Proc. nº 11020.724496/201150. Ac. 2401002.983, da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento. Data do julgamento: 29.11.2012. Rel. Kleber Ferreira de Araújo). COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS.GLOSA A compensação, sem a observância do que consta no art. 89 da lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei nº 9.129/95, autoriza a glosa correspondente. Inexiste autorização para compensação de valores devidos a seguridade social com créditos advindos da compra de precatórios de terceiros. Recurso Voluntário Negado (Proc. nº 11065.001319/200961. Ac. 2803001.948, da 3ª Turma especial da 2ª Seção de Julgamento. Data do julgamento: 21.11.2012. Rel. Oséas Coimbra). 18. Ante o exposto, entendo eu ambas as situações fáticas que resultaram nas autuações fiscais não se enquadram na legislação permissiva de compensação à época dos fatos (Lei nº 8.212, art. 89, na redação dada pela Lei nº 9.129, de 20/11/95). Fl. 492DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11060.002282/201071 Acórdão n.º 2803003.024 S2TE03 Fl. 493 10 19. A uma por que no caso que se referem às compensações a crédito de terceiros, a duas por que o depósito judicial que a recorrente pretende promover a compensação é referente à contribuição sobre a produção rural, cujo processo, ao qual o Recurso Extraordinário da recorrente estava vinculado, aguardando julgamento (RE 363.852/MG), encontravase pendente de transito em julgado, decisão essa que, como bem reconheceu a própria recorrente em suas razões recursais, somente ocorreu em 06/05/2011. DA TAXA DE JUROS SELIC 20. Não prosperam os argumentos da recorrente quanto a ilegalidade da aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC). São devidas e legais a aplicação dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, bem como, a aplicação da taxa SELIC, conforme dispõem enunciados de súmulas desse Conselho, in verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. CONCLUSÃO 21. Dessa forma, em razão do exposto conheço do recurso voluntário apresentado, para no mérito negarlhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 26/0 2/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 15504.005841/2010-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.333
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do Julgamento os Conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do Julgamento os Conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1213; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.005841/201090 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.333 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 23 de janeiro de 2013 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente ASSOCIAÇÃO HUMUNA DIVINA PROVIDÊNCIA Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator Participaram do Julgamento os Conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .0 05 84 1/ 20 10 -9 0 Fl. 616DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15504.005841/201090 Resolução nº 2402000.333 S2C4T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto ASSOCIAÇÃO PROMOÇÃO HUMANA DIVINA PROVIDENCIA em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.273.5932, lavrado para cobrança de multa por ter deixado a recorrente de informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias a seu cargo. O período apurado compreende a competência 01/2006 a 12/2007, tendo o contribuinte sido cientificado em 20/04/2010 (fls. 93). Consta do relatório fiscal que a recorrente declaravase como empresa isenta ao pagamento das contribuições previdenciárias parte patronal por entender preencher todos os requisitos determinados em Lei para fazer jus a benesse, enviando a GFIP com o código FPAS 639. Todavia, a fiscalização apurou que tal benesse não lhe deveria ser conferida, em razão da mesma ter deixado de observar aquilo o que descrito no art. 55, § 1o da Lei 8.212/91, por não possuir o Ato Declaratório de Isenção emitido pelo INSS, já que não efetuou o requerimento para que tal documento fosse emitido em seu favor, de modo que o código do FPAS correto deveria ser o 515. Ainda em sede de ação fiscal a empresa alegou não ter apresentado o documento em razão de ter impetrado junto à Justiça Federal do Distrito Federal o processo 2001.38.00.0359419, que aguardava decisão a ser proferida pelo Tribunal Regional da 1a Região, o qual teria transitado em julgado em 17/12/2009 em favor da Fazenda Nacional. Quanto ao trânsito em julgado a recorrente esclareceu ao fiscal que este havia sido proferido equivocadamente, de modo que o processo ainda teria os seus trâmites normais a serem realizados. O fiscal autuante, ao comparar as multas a serem aplicadas, verificou que a mais benéfica, de acordo com as determinações do art. 106 do CTN, foi a anterior as alterações levadas a efeito pela Lei 11.941/09, tendo aplicadoa ao caso. Julgada improcedente a impugnação, foi interposto o competente recurso voluntário, através do qual, sustenta a recorrente: 1. que o presente Auto de Infração foi lavrado considerandose que a impugnante não teria direito à imunidade contida no artigo 195, § 7o da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 CR/88 por não cumprir com os requisitos contidos no artigo 55 da Lei n° 8.212/1991; 2. que apesar do texto constitucional ter se utilizado a expressão "isenção" no artigo 195, § 7 o na realidade tratase de imunidade; 3. que dessa forma, as instituições beneficentes de assistência social são imunes desde que acatem as Fl. 617DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15504.005841/201090 Resolução nº 2402000.333 S2C4T2 Fl. 4 3 exigências contidas em lei. Disserta sobre o conceito de entidade beneficente e sobre o conceito de assistência social acatado pelo Supremo Tribunal Federal; 4. que coaduna com entendimento de que as exigências contidas no artigo 55 da Lei n° 8.212/1991, "observada a desconsideração de alguns requisitos conforme prescreve a liminar na ADIn 2.0285/DF" está em sintonia com o artigo 14 do CTN 5. que pelos dispositivos contidos em seu estatuto e pela documentação ora acostada demonstra que cumpre todos os requisitos estabelecidos no artigo 55 da Lei n° 8.212/1991 quanto os requisitos do artigo 14 do CTN; 6. que "o direito à imunidade prevista no artigo 195, § 7o da CF/88 é regra e, portanto, não depende de decisão discricionária de qualquer autoridade administrativa [...] uma vez cumpridos todos os requisitos previstos em lei, o gozo é automático". Disserta acerca de suas atividades e projetos; 7. que era detentora nos anos de 2006 e 2007 de Declaração de Utilidade Pública Federal, Declaração de Utilidade Pública Estadual de Minas Gerais e Declaração de Utilidade Pública do Município de Belo Horizonte (cópias de fls. 29 a 32 do Anexo I); 8. que nos anos de 2006 e 2007, obteve do Conselho Nacional de Assistência Social o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social e o Certificado de Entidade sem Fins Lucrativos (cópias de fls. 34/36 do Anexo I) 9. que todos os anos publica seu Balanço Patrimonial "validado" por auditoria externa e comprova que seus diretores conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, não percebem remuneração e não usufruem vantagens ou benefícios a qualquer título e que aplica integralmente o resultado operacional no desenvolvimento de seu objeto institucional (cópias de fls. 38 a 200 do Anexo I e de 01 a 72 do Anexo II); 10. que a Lei 12.101/09 revogou a necessidade do requerimento para expedição do Ato Declaratório de Isenção pelo INSS, devendo ser aplicada ao caso, de acordo com as regras do art. 106 do CTN; 11. que a decisão de primeira instância deixou de analisar o cumprimento dos requisitos insertos no art. 55 da Lei 8.212/91, conforme apontado na defesa da contribuinte; Fl. 618DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15504.005841/201090 Resolução nº 2402000.333 S2C4T2 Fl. 5 4 Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15504.005841/201090 Resolução nº 2402000.333 S2C4T2 Fl. 6 5 VOTO Antes mesmo de adentrar ao mérito da demanda, entendo haver questão preliminar a ser esclarecida nos autos para que o julgamento do presente recurso seja levado a efeito diante da certeza de todas as informações trazidas aos autos. Conforme consta do relatório fiscal do presente Auto de Infração a fiscalização informou a existência de uma ação judicial impetrada pelo contribuinte, de n. 2001.38.00.0359419, cuja última indicação era tramitar junto ao TRF da 1a Região. Sobre referida ação, apontou a fiscalização que esta havia transitado em julgado em favo do INSS, ao passo em que a recorrente sustenta que a informação do trânsito em julgado era equivocada. Vejamos o que dispõe o relatório fiscal sobre o assunto: Ao ser intimada a apresentar o referido ato (Termo de Intimação Fiscal, em 24/09/2009, cópia anexa), a instituição alegou que não o apresentava devido ao faro da instituição ter proposto (contra o INSS) Ação Declaratória de Imunidade das contribuições previdenciárias da parte patronal e o processo encontrase aguardando julgamento no TRF da 1a Região, conforme consta da cópia da documentação acostada. A referida documentação acostada se resume a um certificado emitido pelo TRF da 1 a Região descrevendo um breve histórico referente ao processo n° 2001.38.00.0359419 e a impressão do histórico de suas movimentações extraída do site do referido Tribunal através de consulta processual eletrônica. Analisandose esses documentos, verificouse que não estavam devidamente atualizados (certificado datado de 07/05/2009 e consulta processual em 18/11/2009). Após solicitada sua atualização, a instituição apresentou consulta processual atualizada em 29/03/2010 (cópia anexa), onde consta que o processo em epígrafe, após sucessivos recursos e embargos legais, transitou em julgado em 17/12/2009, cuja sentença foi favorável ao INSS/PGFN. A instituição apresentou cópia de ofício dirigido à mesma e remetido por empresa de advocacia, com data de 29/03/2010 (cópia anexa), onde alega que o referido processo transitou em julgado indevidamente e que, embora conste no sistema de consulta do TRF da 1a Região que o mesmo transitou em julgado, houve um equívoco que torna sem validade a publicação realizada. Dessa forma, diante da divergência de informações até então não comprovadas nos autos mediante documentação hábeil, verifico que alguns pontos relacionados a ação judicial devem ser esclarecidos antes mesmo do julgamento do presente recurso voluntário. Ante todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, determinando a baixa dos autos à origem, para que a fiscalização se manifeste, mediante inclusive a obtenção de documentos pertinentes, acerca de (i) qual é o objeto da ação judicial n. 2001.38.00.0359419 impetrada pelo contribuinte, juntando aos autos o teor de sua petição inicial, bem como para que esclareça se (ii) referida ação atulamente Fl. 620DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15504.005841/201090 Resolução nº 2402000.333 S2C4T2 Fl. 7 6 transitou em julgado ou não e em que sentido, juntando aos autos as respectivas decisões e a certidão de trânsito em julgado, se for o caso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10925.001567/2009-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2004 a 01/12/2008
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO.
A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que identificada uma das situações referidas no § 4o do art. 16 do Decreto no 70.235/1972.
Numero da decisão: 3403-002.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2004 a 01/12/2008 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que identificada uma das situações referidas no § 4o do art. 16 do Decreto no 70.235/1972.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
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SEGREGAÇÃO NA ESCRITURAÇÃO. AUSÊNCIA. APURAÇÃO DE OFÍCIO. Não tendo segregado em sua escrituração os atos cooperativos dos não cooperativos (ou comprovado posteriormente à fiscalização especificamente o discernimento entre tais atos), cabível a ação de ofício do fisco para promover a segregação, à luz de documentos emitidos nas operações da empresa, e de dados de sistemas informatizados (não refutados objetivamente). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 01/12/2008 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que identificada uma das situações referidas no § 4o do art. 16 do Decreto no 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 15 67 /2 00 9- 71 Fl. 1581DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vicepresidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti. Relatório Versa o presente processo sobre Auto de Infração (fls. 3 a 211) lavrado em 23/07/2009 para exigência da COFINS, em virtude de falta/insuficiência de recolhimento, no período de julho de 2004 a dezembro de 2008, no valor de R$ 2.863.620,70 (a título de principal). No Relatório de Atividade Fiscal de fls. 740 a 773, a fiscalização sustenta que: (a) na Lei Complementar no 70/1991, as sociedades cooperativas eram isentas de COFINS em relação aos atos cooperativos; (b) com a entrada em vigor da Lei no 9.718/1998, ampliouse o campo de incidência da contribuição, sendo que o benefício estabelecido pela Medida Provisória no 1.8587/1999 (art. 16), foi excluído pela Medida Provisória no 18589, de 24/09/1999, voltando a incidir a COFINS nas operações com cooperados; (c) em relação às cooperativas de transporte (como é o caso da fiscalizada), a normatização específica surge somente em 21/11/2005, com a Lei no 11.196/2005 (art. 46), sendo complementada pela Instrução Normativa SRF no 635/2006; (d) as cooperativas devem apurar a COFINS sob o regime cumulativo; (e) a empresa não possui caminhões, sendo os serviços de fretes realizados pelos cooperados e por outras pessoas físicas ou jurídicas; (f) a empresa começou a apresentar DACON somente a partir de janeiro de 2005 (para o período anterior há somente DCTF); (g) de julho a dezembro de 2004, e de janeiro a novembro de 2005, foram indevidamente abatidas das bases de cálculo as receitas tidas como de atos cooperados, motivando glosa pela fiscalização (demonstrada na planilha de fl. 22); (h) como não foram segregados na contabilidade os serviços prestados pela cooperativa de transporte realizados por cooperados e por não cooperados, a fiscalização tentou fazêlo, a partir dos CTR (Conhecimentos de Transporte Rodoviários), digitais (para os anos de 2007 e 2008) e em papel (2005 e 2006), e da lista de cooperados (do Livro de Matrículas), o que foi parcialmente possível, tendo em vista que também tais documentos, por vezes, não identificavam o prestador de serviço (nos casos em que não constava o prestador, mas havia a informação da placa do veículo, a fiscalização efetuou consulta ao sistema RENAVAM, identificando o proprietário, e cotejando com a lista de cooperados); (i) nos CTR em papel (2005 e 2006 cerca de 75 mil documentos), sem a indicação do prestador de serviço, a fiscalização aceitou ainda como prestador de serviço aquele CPF/CNPJ que constasse como prestador em outro CTR com veículo de mesma placa; (j) a fiscalização percebeu que os CTR em arquivo digital (2007 e 2008) representavam cerca de 50% do registrado nos livros contábeis, intimando a empresa a complementar as informações, sem sucesso, pelo que foram considerados atos não cooperados os serviços registrados na contabilidade sem segregação cooperado/ não cooperado, e sem CTR; (k) ao final dos trabalhos, a fiscalização gravou duas planilhas (uma com os CTR identificados, e 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1582DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.001567/200971 Acórdão n.º 3403002.741 S3C4T3 Fl. 1.582 3 outra com os não identificados), intimando a empresa a se manifestar (tendo esta informado que era impossível vincular a placa do veículo ao associado); (l) a empresa apresentou “listagem paralela” de cooperados, divergente da constante do Livro de Matrículas, mas este é que foi tomado em conta, por ter validade legal (em que pese não ser substancial a diferença no resultado final da autuação); e (m) foram glosadas as exclusões indevidas no período de dezembro de 2005 a dezembro de 2008 (mantendose as exclusões de atos cooperados cf. tabela de fls. 26 a 39, ICMSsubstituição, FATES e sobras líquidas). Cientificada da autuação, a recorrente apresenta impugnação em 26/08/2009 (fls. 776 a 782), argumentando que: (a) a fiscalização invadiu a sede da empresa e desrespeitou seus funcionários, configurando abuso de poder e gerando a nulidade da autuação; e (b) todas as prestações de serviços realizadas pela empresa foram feitas por cooperados. A decisão de primeira instância (indeferimento unânime das pretensões da autuada) é proferida em 15/06/2012 (fls. 1378 a 1385), concluindo, em síntese, que os procedimentos de fiscalização obedeceram à legislação pertinente, e que as sociedades cooperativas têm o dever de segregar em sua contabilidade dos atos cooperados dos não cooperados, sendo ônus delas a demonstração da ocorrência dos atos cooperativos para fins de exclusão da base de cálculo dos repasses dos ingressos relativos aos cooperados. Cientificada da decisão da DRJ em 04/10/2012 (AR à fl. 1390), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 05/11//2012 (fls. 1471 a 1497), no qual argumenta que: (a) embora somente com a redação dada pela Lei no 11.196/2005 à Lei no 11.051/2004 as sociedades cooperativas de transporte tenham sido autorizadas a excluir ingressos oriundos de atos cooperados da base de cálculo da COFINS, a recorrente entende que esses ingressos não devem ser submetidos à tributação nem mesmo no período que antecede a vigência da referida Lei, porque não há receita bruta, ou faturamento, pela própria natureza jurídica da operação, como já entendeu o STJ, não havendo necessidade expressa de isenção em lei; (b) ainda que exista necessidade de norma isentiva, estarseia, como tratamento desigual, ferindo o princípio da isonomia, constitucionalmente assegurado, e a matéria seria de competência de lei complementar, sendo inconstitucional a Medida Provisória disciplinadora; (c) a partir da Lei no 11.196/2005, a ausência de segregação contábil não é motivo para a fiscalização desconsiderar integralmente os registros, nem para tributar toda a receita operacional da recorrente; (d) registrava no Livro de Matrícula de cooperados pelo nome da pessoa física até 2008 (embora estes tivessem já constituído empresas), sendo que a informação desatualizada, nestes casos, não pode acarretar prejuízos à recorrente, e foi corrigida em novembro de 2008, fato ignorado pela fiscalização (na época da fiscalização, o Livro de Matrículas ainda não havia sido alterado pela contribuinte); (e) a fiscalização ignorou ainda o procedimento adotado pela contribuinte no que diz respeito aos CTRC (todo frete realizado por intermédio da contribuinte é acobertado por CTRC emitido por ela, sendo que, ao final de cada mês, cada cooperado emite um CTRC para a recorrente com o valor total dos serviços por ele prestados naquele período, para lastrear a operação, o que se alega comprovar por amostragem), o que mostra que não são seguras as conclusões a que chegou o fisco; (f) a argumentação e os documentos apresentados comprovam cabalmente que as receitas operacionais da recorrente decorrem apenas de atos cooperativos, que, por expressa determinação legal, não são tributados pela COFINS; e (g) embora seja na motivação que devam ser expostos os motivos de fato e de direito, devese acolher a apresentação posterior em atenção aos princípios da verdade real, da oficialidade e do informalismo. Pedese, por fim, o julgamento conjunto com o processo de no 10925.001566/200927, relativo à Contribuição para o PIS/PASEP, para o mesmo período. Fl. 1583DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. De início, é de se destacar que se acolhe a solicitação para análise do presente recurso em conjunto com o apresentado no processo de no 10925.001566/200927, relativo à Contribuição para o PIS/PASEP lançada em relação ao mesmo período, basicamente pelas mesmas razões de fato e de direito. Compulsandose os autos do presente processo, percebese que há diametral alteração da defesa, da impugnação para o recurso voluntário. Na impugnação eram trazidos basicamente dois argumentos (abuso de poder e alegação, sem elementos de prova, de que todas as prestações de serviços realizadas pela empresa foram feitas por cooperados). Essa matéria de defesa, apreciada pela DRJ, ensejou a decisão recorrida. No recurso voluntário, contudo, a empresa discute uma série de questões de fato e de direito que sequer havia ventilado em sede de impugnação, e, ciente da absoluta inovação argumentativa, alega (fls. 1494 a 1497) que: “A argumentação e os documentos ora apresentados e juntados pela Contribuinte comprovam cabalmente que as receitas operacionais da Recorrente decorrem apenas de atos cooperativos, que, por expressa determinação legal, (Lei no 11.051/04, na redação que lhe foi dada pela Lei no 11.196/05), não são tributadas pela COFINS. Embora seja certo que “é na impugnação que o sujeito passivo expõe os motivos de fato e de direito, em que se fundamenta, instruindoa com os documentos comprobatórios das suas alegações”, não menos correto é considerar e analisar os fatos e documentos ora apresentados, em atenção aos princípio da verdade real, da oficialidade e do informalismo”. (...) Segundo o princípio da verdade real, a Autoridade Administrativa deve sempre e obrigatoriamente verificar aquilo que é realmente verdadeiro e interessante para desvelar o direito do contribuinte. (...) Assim, demonstrado que o Fisco tributou indevidamente receitas oriundas de atos cooperativos pela COFINS, o acórdão recorrido deve ser reformado, a fim de cancelar integralmente o Fl. 1584DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.001567/200971 Acórdão n.º 3403002.741 S3C4T3 Fl. 1.583 5 Auto de Infração lavrado contra a recorrente.” (grifos no original) É preciso, no entanto, ter uma coerente compreensão do que se entende por verdade material. Como ensina JAMES MARINS, a verdade material é ladeada pelo dever de investigação (da Administração tributária, que encontra limitações de ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de terceiros): “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.” 2 Recordese que a ação fiscal teve início em 13/02/2009, com ciência do responsável pela cooperativa, e intimação para apresentação de documentos. Analisandose a contabilidade da empresa, verificouse que não havia segregação das atividades em serviços prestados por cooperados e por não cooperados, em que pese a obrigação legal (arts. 87 e 111 da lei que rege as cooperativas Lei no 5.764/1971): “Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. (...) Art. 85. As cooperativas agropecuárias e de pesca poderão adquirir produtos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou suprir capacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possuem. Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 88. Poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos e 2 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). 6.ed. São Paulo: Dialética, 2012, p.154. Fl. 1585DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 de outros de caráter acessório ou complementar (redação dada pela MP no 2.15835/2001). (...) Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei.” (grifo nosso) A inexistência de segregação na escrituração contábil (ou de detalhamento, quando solicitado pelo fisco), impossibilitando a apuração efetiva do valor a ser lançado, já motivou entendimento unânime desta turma no sentido do cabimento da autuação pela totalidade do valor das receitas: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CONTESTAÇÃO GENÉRICA. CARÊNCIA DE PROVA. DISTINÇÃO ENTRE ATOS. DEDUÇÕES LEGALMENTE ADMITIDAS. Não tendo segregado em sua escrituração os atos cooperativos dos não cooperativos (ou comprovado posteriormente à fiscalização especificamente o discernimento entre tais atos), nem detalhado ou comprovado em seu recurso as deduções às quais entende fazer jus, sujeitase o contribuinte à tributação sobre a totalidade das receitas.” 3 Contudo, no presente caso, como a cooperativa é prestadora de serviços de transporte, e são emitidos conhecimentos de carga a cada operação, o Fisco, norteado pelo dever de investigar, demandou à interessada a apresentação dos conhecimentos relativos ao período fiscalizado. O objetivo era cotejar os prestadores de serviço indicados nos conhecimentos com a lista de cooperados, permitindo as exclusões para todos os conhecimentos em que o prestador fosse um cooperado. Em resposta, a fiscalizada disponibilizou caixas de documentos em papel (mais de 75.000 documentos), para os anos de 2005 e 2006 (pois informou não possuir registros digitais para o período), e, depois de reintimada, registros digitais (para os anos de 2007 e 2008) e relação de cooperados. Contudo, na investigação, a fiscalização apurou, ao digitar manualmente os conhecimentos em papel entregues pela empresa, que grande parte deles sequer se indicava o prestador do serviço ou o valor da operação. Em relação aos registros digitais, verificou ainda que correspondiam a cerca da metade das operações contabilizadas, como a própria empresa reconhece (alegando que era o início da implantação do sistema). Na hercúlea tarefa de vincular cada um dos milhares de conhecimentos, buscando tão somente a verdade material, permitindo as exclusões lícitas, o fisco intimou ainda a cooperativa a apresentar relação com os veículos dos cooperados (e respectivas placas), possibilitando a exclusão das operações em que o conhecimento de carga, apesar de não indicar o prestador do serviço, contivesse a placa do veículo. Em resposta, obteve da recorrente (fl. 712) que a solicitação: “foge completamente aos preceitos da materialidade e do bom senso. A cooperativa não tem motivo algum em ter controle de placas por associado. Essa informação é colocada no CTRC para evitar multas nos postos fiscais de competência dos estados, onde os caminhões trafega, nada mais. 3 Acórdão n. 3403001.987, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 20/03/2013. Fl. 1586DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.001567/200971 Acórdão n.º 3403002.741 S3C4T3 Fl. 1.584 7 É de costume no setor de transporte, a constante troca de veículos. O transportador seguidamente troca um veículo usado por um mais novo haja vista a necessidade de renovação de frota. Então, esses veículos que realizaram o transporte no período solicitado, certamente já mudaram de proprietário. A cooperativa não tem esse controle de placas por proprietário, por isso, é impossível fornecer essa informação”. Ainda assim, o fisco acabou por considerar as exclusões relativas às placas de veículos para as quais houvesse outros conhecimentos com idêntica placa, mas com o prestador de serviço (cooperado) identificado. E efetuou consultas individualizadas de mais de duas mil placas no sistema RENAVAM, acolhendo as exclusões em relação aos conhecimentos contendo placas para as quais o proprietário fosse um cooperado. E, por fim, concluída a análise fiscal, as planilhas resultantes foram apresentadas à cooperativa, que foi intimada a analisálas, e se pronunciar, por escrito, sobre eventuais incorreções, apresentando documentação que comprovasse o erro, em 22/06/2009 (fl. 733. Em resposta (fls. 735 e 736), há questionamentos quanto à lista de cooperados (divergências entre a lista que a cooperativa considera correta e aquela que utiliza em obediência ao art. 22 da Lei das Cooperativas / Livro de Matrículas), e informação de que é impossível vincular a placa do veículo ao associado. Se há algo que resta muito claro na leitura do processo, é a intensa atividade do fisco em seu dever de investigação, mesmo diante da deficiente conduta da empresa em seu dever de colaboração. O fisco chega a digitar manualmente milhares de documentos, e realizar consultas em sistemas informatizados como o RENAVAM, tão somente em nome da verdade material, para evitar autuar operações que eventualmente tivessem sido realizadas com cooperados. E a empresa evasivamente afirma que todas suas atividades são realizadas por cooperados, quando a própria documentação que apresenta não sustenta a afirmação. Imperioso destacar que a norma de estatura legal que rege o processo administrativo fiscal, o Decreto no 70.235/1972, dispõe, em seu artigos, 16 e 17: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4o A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 1587DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)” Relevante aqui recordar que na impugnação apresentada a empresa limitase a discutir abuso de poder pelo Fisco (alegação rechaçada a contento pelo julgador a quo), e a afirmar (sem amparo probatório a refutar o resultado da fiscalização) que todas as prestações de serviços realizadas pela empresa foram feitas por cooperados. Assim, os argumentos (e documentos) inovadores apresentados no recurso voluntário encontram obstáculo de ordem legal, e não logram transpor a barreira dos arts. 16 e 17 do Decreto no 70.235/1972. É de se reconhecer que este CARF, nos casos em que há evidência de exigência de tributo indevido, ou prova de não ocorrência de situação tributável, tem analisado argumentos (e documentos) de ofício, sem que constem necessariamente de peças de defesa de recorrentes (ou mesmo os extemporâneos que nelas constem). No presente processo não se encontra tal evidência ou prova. O Fisco buscou por todos os meios legalmente possíveis e permitidos discernir os atos praticados com cooperados dos praticados com não cooperados, para efeito de tributação. E o fez da melhor maneira, diante das informações prestadas pela recorrente. Nessa linha, atenta contra a credibilidade do recurso voluntário a alegação (fl. 1488) de que: “o fato de a Recorrente não segregar em seus registros contábeis as receitas operacionais decorrentes de serviços de transporte realizados por cooperados e por não cooperados não é motivo para a Fiscalização desconsiderar integralmente tais registros e tributar a totalidade das receitas” Como visto (e revisto) aqui, a fiscalização não se contentou com o fato de a empresa não segregar as operações em sua escrituração, seguindo com numerosas tentativas de identificar a verdade real, acolhendo exclusões que a empresa sequer havia documentado, mas que o fisco, em consulta ao RENAVAM, ou em cruzamento de informações de planilhas por ele digitadas (a partir de documentos em papel fornecidos pela recorrente) apurou. Recordese ainda que foram acolhidas pelo fisco as exclusões de atos cooperados cf. tabela de fls. 26 a 39, ICMSsubstituição, FATES e sobras líquidas. Ao afirmar que a fiscalização não analisou adequadamente os registros contábeis, ou que deveria ter considerado a “lista paralela” de cooperados, e não o Livro de Matrícula estabelecido em Lei (e retificado posteriormente à fiscalização), a recorrente não produz prova, mas apresenta dados esparsos, sem conexão direta com os detalhamentos da autuação, sem refutar o lançamento objetivamente. E a documentação anexada no Recurso Voluntário segue o mesmo destino, ao não contrapor especificamente as alegações da autuação. A simples apresentação de uma extensa lista de planilhas e documentos com extensão “pdf”, Fl. 1588DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10925.001567/200971 Acórdão n.º 3403002.741 S3C4T3 Fl. 1.585 9 listados às fls. 1560 a 1578, está longe de refutar individualizadamente as alegações da autuação. O que parece desejar a recorrente é um reexame, tendo em vista fatos que não são novos, e só traz à tona em sede de recurso voluntário. Pelo exposto, não se vê aqui evidência de exigência de tributo indevido, ou prova de não ocorrência de situação tributável. Atenta ainda contra o lógica a argumentação de que “embora somente com a redação dada pela Lei no 11.051/04 (na redação dada pela Lei no 11.196/05) as sociedades cooperativas de transporte tenham sido autorizadas a excluir ingressos oriundos dos atos cooperativos da base de cálculo da COFINS, a recorrente entende que esses ingressos não devem ser submetidos à tributação nem mesmo no período que antecede a vigência da referida Lei”. A empresa faz um apanhado histórico da evolução legislativa sobre a matéria, para ao final, informar que discorda da Lei, porque não há receita bruta em tais atividades ou porque, havendo, ferese a isonomia, ou estáse diante de matéria reservada a lei complementar. Percebase que todas as linhas encontram obstáculo na Súmula no 2 deste CARF (no que se refere ao afastamento da norma de ordem legal em nome de princípios/disposições constitucionais), e que seria absolutamente avesso à lógica uma lei dispor sobre isenção a um segmento específico se o benefício fiscal fosse extensível a todos os demais. Assim, a ausência de adequada escrituração pela recorrente, nos termos da lei, acabou por dificultar (mas não impedir) o fisco de precisar o quantum relativo à base de cálculo da contribuição, e tal tarefa foi levada a cabo a partir das informações disponibilizadas pela recorrente e de ação de ofício do fisco (confeccionando planilhas e extraindo informações de sistemas). E não foi objeto de questionamento objetivo ou refutação específica pela recorrente. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Fl. 1589DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 13931.000656/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
AUTO DE INFRAÇÃO. HIPÓTESES DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Descabe decretar nulidade do auto de infração quando a descrição dos fatos e a pertinente fundamentação legal permitem a plena compreensão da imputação fiscal e oferta de defesa eficaz, não se verificando qualquer das hipóteses do art. 59 do Decreto nº 70.235/72.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DATA DO FATO GERADOR.
O fato gerador do IRPJ apurado anualmente somente se aperfeiçoa no último dia do período de apuração, quando se inicia o lustro decadencial. Os balanços/balancetes de suspensão ou redução dos tributos, elaborados ao longo do ano-calendário, não assinalam o momento de ocorrência do fato gerador, não se prestando a antecipar o início da contagem do prazo decadencial.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APURAÇÃO DO TRIBUTO. DEDUÇÃO DA DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO.
O marco inicial para a contagem do prazo decadencial é a data em que foi cometida a infração, consistente na indevida amortização do ágio como despesa, reduzindo o resultado tributável, e não o momento em que o ágio foi constituído. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS.
Para ser considerada uma despesa dedutível, o ágio suportado pela empresa com a aquisição de participação societária deve ter como origem, concomitantemente, um propósito negocial, compreendido este como a motivação para adquirir um investimento por valor superior ao custo original, bem como um efetivo substrato econômico, decorrente da aquisição de negócio comutativo entre partes independentes, com dispêndio de recursos e previsão de ganho.
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO GERADO INTERNAMENTE. INDEDUTIBILIDADE DA DESPESA.
Nos casos de ágio gerado internamente, a artificialidade está na conduta de majorar o patrimônio apesar da inexistência de efetivo desembolso de recursos e de efetiva mudança de controle acionário, sendo incabível a apropriação de despesas que não foram incorridas, vez que não há aquisição de nova propriedade quando não há transferência de controle entre as empresas.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplica-se ao lançamento decorrente, no que couber, o quanto decidido em relação ao lançamento matriz.
Numero da decisão: 1202-000.883
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência e, quanto ao mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno acompanharam a relatora pelas suas conclusões.
Nome do relator: Viviane Vidal Wagner
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. HIPÓTESES DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Descabe decretar nulidade do auto de infração quando a descrição dos fatos e a pertinente fundamentação legal permitem a plena compreensão da imputação fiscal e oferta de defesa eficaz, não se verificando qualquer das hipóteses do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DATA DO FATO GERADOR. O fato gerador do IRPJ apurado anualmente somente se aperfeiçoa no último dia do período de apuração, quando se inicia o lustro decadencial. Os balanços/balancetes de suspensão ou redução dos tributos, elaborados ao longo do ano-calendário, não assinalam o momento de ocorrência do fato gerador, não se prestando a antecipar o início da contagem do prazo decadencial. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APURAÇÃO DO TRIBUTO. DEDUÇÃO DA DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO. O marco inicial para a contagem do prazo decadencial é a data em que foi cometida a infração, consistente na indevida amortização do ágio como despesa, reduzindo o resultado tributável, e não o momento em que o ágio foi constituído. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS. Para ser considerada uma despesa dedutível, o ágio suportado pela empresa com a aquisição de participação societária deve ter como origem, concomitantemente, um propósito negocial, compreendido este como a motivação para adquirir um investimento por valor superior ao custo original, bem como um efetivo substrato econômico, decorrente da aquisição de negócio comutativo entre partes independentes, com dispêndio de recursos e previsão de ganho. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO GERADO INTERNAMENTE. INDEDUTIBILIDADE DA DESPESA. Nos casos de ágio gerado internamente, a artificialidade está na conduta de majorar o patrimônio apesar da inexistência de efetivo desembolso de recursos e de efetiva mudança de controle acionário, sendo incabível a apropriação de despesas que não foram incorridas, vez que não há aquisição de nova propriedade quando não há transferência de controle entre as empresas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplica-se ao lançamento decorrente, no que couber, o quanto decidido em relação ao lançamento matriz.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2223; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 2 1 1 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13931.000656/200918 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1202000.883 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 3 de outubro de 2012 Matéria Glosa de despesas com ágio Recorrente EXPRESSO PRINCESA DOS CAMPOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 AUTO DE INFRAÇÃO. HIPÓTESES DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Descabe decretar nulidade do auto de infração quando a descrição dos fatos e a pertinente fundamentação legal permitem a plena compreensão da imputação fiscal e oferta de defesa eficaz, não se verificando qualquer das hipóteses do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DATA DO FATO GERADOR. O fato gerador do IRPJ apurado anualmente somente se aperfeiçoa no último dia do período de apuração, quando se inicia o lustro decadencial. Os balanços/balancetes de suspensão ou redução dos tributos, elaborados ao longo do anocalendário, não assinalam o momento de ocorrência do fato gerador, não se prestando a antecipar o início da contagem do prazo decadencial. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APURAÇÃO DO TRIBUTO. DEDUÇÃO DA DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO. O marco inicial para a contagem do prazo decadencial é a data em que foi cometida a infração, consistente na indevida amortização do ágio como despesa, reduzindo o resultado tributável, e não o momento em que o ágio foi constituído. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 93 1. 00 06 56 /2 00 9- 18 Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 3 2 Para ser considerada uma despesa dedutível, o ágio suportado pela empresa com a aquisição de participação societária deve ter como origem, concomitantemente, um propósito negocial, compreendido este como a motivação para adquirir um investimento por valor superior ao custo original, bem como um efetivo substrato econômico, decorrente da aquisição de negócio comutativo entre partes independentes, com dispêndio de recursos e previsão de ganho. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO GERADO INTERNAMENTE. INDEDUTIBILIDADE DA DESPESA. Nos casos de ágio gerado internamente, a artificialidade está na conduta de majorar o patrimônio apesar da inexistência de efetivo desembolso de recursos e de efetiva mudança de controle acionário, sendo incabível a apropriação de despesas que não foram incorridas, vez que não há aquisição de nova propriedade quando não há transferência de controle entre as empresas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase ao lançamento decorrente, no que couber, o quanto decidido em relação ao lançamento matriz. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência e, quanto ao mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno acompanharam a relatora pelas suas conclusões.. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Viviane Vidal Wagner. Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face de decisão de primeira instância que manteve integralmente o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, num total de R$ 14.816.286,01, incluindo juros moratórios calculados até 30/11/2009 (fls. 361380). De acordo com o termo de verificação fiscal (fls.326/337), foram glosadas as apropriações de despesas de amortização de ágio por rentabilidade futura na aquisição de investimento em outras sociedades por meio de incorporação, em síntese, porque, como constou da decisão recorrida, o ágio não resulta de operação onerosa com terceiros, envolvendo pagamento, e sim de operação dos sócios com eles mesmos, em que houve mera reavaliação de ações, além de não se referir a investimento em outra empresa, e sim na própria autuada. Na impugnação (fls. 385442), a defesa argumentou, preliminarmente, que: (i) seus procedimentos seguiram as diretrizes do pensamento doutrinário e jurisprudencial dominante à época dos fatos e do art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 7º e 8º, “b”, da Lei nº 9.532/97, tendo adquirido o direito à dedutibilidade do ágio, ficando a receita ou ganho de capital correspondente controlada no LALUR, parte B, da investidora, diferido para tributação futura, à medida da sua realização. (ii) a autoridade fiscal não logrou apontar, de forma clara e objetiva, qual a disposição legal infringida; (iii) o lançamento, apesar de obscuro quanto a essa parte, pretendeu abranger a glosa de despesas com amortização de ágios de duas operações acontecidas em anos distintos: a da empresa SCELTA S/A, no ano 2000, e a da empresa VEPAL, em 2004; (iv) a glosa relativa à amortização do ágio originário da incorporação da SCELTA S/A, acontecida no ano 2000, ficou carente de fundamentação específica, não tendo constado do auto de infração a descrição do fato e a disposição legal infringida; (v) como somente teve ciência do lançamento em 22/12/2009, houve a decadência dos fatos geradores referentes aos meses de janeiro a novembro de 2004, já que foi utilizado o sistema de balanços mensais, com balancetes de suspensão e redução, havendo a cada mês a apuração e liquidação do IRPJ e da CSLL, sujeitos ao lançamento por homologação; (vi) houve a decadência com relação à amortização do ágio que teve origem na incorporação que aconteceu no ano 2.000, mesmo que posteriores a 22/12/2004; Quanto ao mérito, após discorrer sobre as razões da reorganização societária, afirmou que não teve como fim único suprimir fatos geradores do IRPJ e da CSLL; que todas as operações de constituição e registro do ágio na PRINCETUR, na VEPAL e na própria impugnante (PRINCESA) foram embasadas no que dispõem os diplomas legais transcritos às fls. 404406; e que o ganho de capital previsto no art. 36 da Lei nº 10.637/2002 ocorreu na Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 5 4 holding PRINCETUR, foi diferido, está sendo controlado na parte B do LALUR, e seria oferecido à tributação quando ocorressem as hipóteses previstas nos incisos I e II do mencionado art. 36. Afirmou, ainda, que o ágio foi constituído na empresa VEPAL no momento em que a PRINCETUR subscreveu capital e o integralizou com a entrega das “ações que possuía na PRINCESA”, e que, na VEPAL, o desdobramento do custo de aquisição foi feito de acordo com o que dispõe o art. 385, inciso I (investimento) e inciso II (ágio) do RIR/99, tendo sido, após o desdobramento, registrado com o fundamento econômico baseado em previsão dos resultados nos exercícios futuros da empresa investida. Justificou que quatro horas foram suficientes para a confecção do laudo devido à dinâmica empresarial e que as reestruturações societárias normalmente demandam sucessivas alterações contratuais. Sustentou que o laudo de avaliação da rentabilidade futura considerou os riscos envolvidos; que as licitações podem ser oportunidades de aumento da rentabilidade futura, e não sua negação; e que o sentido econômico foi a razão de ser maior da reestruturação societária; e que não houve violação à legislação tributária; Discorreu sobre a dedutibilidade do ágio no caso concreto, estabelecendo correlação entre os art. 386 e 391, ambos do RIR/99 e sustentando que se tratam de ágios diferentes; que não existia conflito entre os art. 385 e 386 do RIR/99, e que, na hipótese de dúvida, a autoridade fiscal deveria se pautar pela norma do art. 112 do CTN. A 1ª Turma da DRJ/Curitiba julgou improcedente a impugnação, prolatando o Acórdão nº 0626.414, que teve a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 DESCRIÇÃO DOS FATOS. Quando a exaustiva descrição dos fatos e a pertinente fundamentação legal permitem plena compreensão da imputação fiscal e oferta de defesa eficaz, não padece o lançamento de qualquer vício com relação a tais aspectos. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O fato gerador do IRPJ e da CSLL apurados anualmente, termo de início do lustro decadencial, somente se aperfeiçoa no último dia do período de apuração. Os balanços/balancetes de suspensão ou redução dos tributos, elaborados ao longo do ano calendário, não assinalam o momento de ocorrência do fato gerador. DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. O lançamento versa sobre o período em que foi cometida a infração, consistente na indevida amortização de ágio. Assim, esse é o momento relevante para a contagem do prazo decadencial, e não o momento em que o ágio foi constituído. Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 6 5 ÁGIO CONSTITUÍDO SOBRE AÇÕES DA PRÓPRIA EMPRESA E DECORRENTE DE TRANSAÇÃO DOS SÓCIOS COM ELES MESMOS. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza (ágio) em decorrência de uma transação dos sócios com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável, do ponto de vista econômico, tais transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes para merecer registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. Deve ser glosada eventual despesa lançada em função de ágio constituído nessas condições, dada a sua não oposição contra o Fisco, mormente se foi escriturada na própria sociedade sobre a qual o ágio foi constituído (ágio de si mesmo). DECORRÊNCIA. Aplicase ao lançamento decorrente, no que couber, o que restar decidido com relação ao lançamento matriz. Cientificado da decisão em 10/05/2010 (fl.543), o contribuinte, inconformado, interpôs recurso voluntário ao CARF, em 08/06/2010 (fls.548 e ss), manifestandose, em suma, pela: (i) nulidade do acórdão recorrido, por falta de fundamentação legal e violação aos princípios vinculadores da atividade administrativa (Lei nº 9.784/99, art. 20), pois não apreciou devidamente as alegações apresentadas pela impugnante, não indicou quais dispositivos legais determinaram sua conclusão, não apresentou a devida fundamentação fática, e, por isso, não observou as formalidades essenciais à garantia dos direitos da administrada; (ii) nulidade do lançamento por ausência de elementos essenciais, em ofensa ao art. 3º do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), pois o auto de infração pretendeu abranger a glosa de despesas com amortização de ágios de duas operações de incorporação ocorridas nos anos de 2000 e 2004, mas foi omisso quanto à incorporação da empresa Scelta S.A, ocorrida no ano de 2000; (iii) decadência dos créditos tributários, com base no art. 150, §4° do CTN, sob o argumento de que a "consideração dos fatos geradores mês a mês no caso, mais se impõe, porque a recorrente usa o sistema de balanços mensais, com balancetes de suspensão e redução, havendo a cada mês a apuração e liquidação dos tributos" (fls. 556); e, ainda, em relação às amortizações do ágio que teve origem na incorporação que aconteceu no ano 2000, mesmo que posteriores a 22/12/2004; (iv) conformidade das operações perpetradas entre as pessoas jurídicas PRINCESA, VEPAL e PRINCETUR e seus acionistas com os preceitos dos arts. 132, 464 e 465 do RIR/99, visto que não há norma proibindo a realização de negócio jurídico entre pessoas ligadas; (v) validade da reorganização societária realizada, a qual pretendeu demonstrar ao mercado o real valor da empresa, tendo sido realizadas operações de Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 7 6 combinação de negócios dentro de um mesmo grupo econômico, conforme autorizado pela Lei n° 10.637/2002, não havendo lei obrigando ou proibindo que determinada pessoa, física ou jurídica proceda ou não à reavaliação dos seus ativos, desde que observadas as regras estabelecidas, o que ocorreu no caso concreto; (vi) dedutibilidade da despesa de ágio originado pela reestruturação societária com base no art. 36 da Lei nº 10.637/2002, o qual não se caracterizou como "ágio de si mesmo", sendo derivado de uma operação de reavaliação incentivada por lei. Em contrarrazões (fls.631 e ss), a PGFN pede a manutenção da autuação, após rebater os argumentos da defesa com os fundamentos a seguir sintetizados: (i) improcede a preliminar de nulidade do lançamento, pois a ausência de demonstração em concreto de qualquer cerceamento do direito de defesa não tem o condão de desconstituir o ato administrativo de lançamento, consoante jurisprudência pacificada do CARF. Ademais, de acordo com os itens 52 e 53 do TVF (fls.334), a fiscalização expõe de forma nítida a disposição legal infringida, atendendo ao disposto no art. 10, IV, do PAF; (ii) improcede a preliminar de nulidade da decisão da DRJ, pois o julgador explicitou de forma bastante clara os motivos de seu convencimento ao afastar a arguição de nulidade do lançamento, como se vê do trecho de fls.532 e verso; (iii) inocorreu decadência dos créditos lançados, nos termos definidos no Recurso Especial repetitivo n° 973.733/SC, já que não houve recolhimento antecipado ou em desconformidade com a legislação tributária. Ademais, como ressaltou a decisão recorrida, no ano calendário de 2004, o contribuinte se sujeitou à tributação com base no lucro real, logo, o fato gerador respectivo ocorreu no dia 28/12/2004, enquanto a ciência do lançamento ocorreu em 22/12/2009; (iv) quanto ao mérito, a criação de um ágio fictício, que não apresenta qualquer propósito negocial e substrato econômico, a justificar a sua existência real, não permite a dedução da despesa com sua amortização, nos termos previstos pela legislação tributária, já que, conforme verificado pela fiscalização, “nas integralizações de capital feitas nas sucessivas alterações sociais nos dias 13 (PRINCETUR), 20 (VEPAL) e 28/12/2004 (PRINCESA), não houve qualquer aporte de bens ou moeda em espécie, mas apenas declarações de integralização de quotas de capital e/ou subscrição de ações por meio de entrega de direitos representativos de quotas ou ações de outras sociedades”. No caso, “o que ocorreu foi apenas a mudança formal de titularidade das 3.981.028.192 ações da PRINCESA, ora recorrente. Primeiro, as ações foram transferidas para a PRINCETUR e destas para a VEPAL, retornando ao fim à própria recorrente, porém acrescidas do ágio gerado artificialmente na segunda operação de reorganização societária” e inexistiu qualquer propósito negocial e substrato econômico a fundamentar as operações realizadas, exigidos pelos arts. 385 e 386 do RIR/99, para fins de dedutibilidade do IRPJ e da CSLL, consoante jurisprudência pacífica do CARF. É o relatório. Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 8 7 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Presentes os pressupostos recursais, inclusive o temporal, o recurso merece ser conhecido. PRELIMINARES I De nulidade da decisão recorrida A recorrente aponta falta de fundamentação legal e violação aos princípios vinculadores da atividade administrativa pela decisão de primeira instância, contrariando o art. 20 da Lei nº 9.784/99, causando prejuízo à defesa pela apreciação indevida e superficial de suas alegações. Todavia, improcede a alegação da recorrente, haja vista que, em diversos trechos do voto, o julgador a quo explicita detalhadamente os fatos e fundamentos jurídicos que o levaram a determinada conclusão, como era de se esperar num julgamento administrativo, pautado pelo respeito aos princípios do devido processo legal e do livre convencimento motivado. Cito como exemplo os seguintes trechos: De sua parte, a contribuinte aduz que seu procedimento encontra respaldo na “legislação autorizativa e recomendativa dos procedimentos adotados”, por ela transcrita às fls. 404406, ou seja, artigos 36 da Lei nº 10.637, de 2002, e artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1.997. [...] Logo, o que se tem a fazer é investigar se o ágio cuja amortização foi glosada corresponde, em alguma medida, à diferença entre valores de custo e patrimônio líquido da empresa, aludida pelo citado inciso II. Por esse motivo, afasto a primeira preliminar. II De nulidade do lançamento A Recorrente, repisando as razões manifestadas na impugnação, requer novamente a nulidade do lançamento, pautandose na suposta inclusão, no mesmo lançamento, dos efeitos da amortização de ágios de duas operações de incorporação distintas, ocorridas nos anos de 2000 (da empresa SCELTA) e 2004 (da empresa VELPE), sem, contudo, detalhar precisamente a primeira operação, em ofensa ao art. 3º do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). O direito de defesa é princípio fundamental nas relações jurídicas e, no caso do processo administrativo, sua falta enseja a nulidade do lançamento, consoante o disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Cabe à recorrente demonstrar o prejuízo à sua defesa em razão de incompletude na fundamentação da autuação. Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 9 8 O Termo de Verificação Fiscal (fls. 334 e ss) é bem detalhado e especifica minuciosamente a sequência de operações ensejadoras do ágio glosado. A autoridade fiscal fez constar de seu relatório (fl.334): 52. Alem da incorporação da VEPAL pela PRINCESA em 28/12/2004, houve também outra incorporação acompanhada de ágio no AC 2000. Tratase da alegada incorporação da empresa SCELTA S.A. PARTICIPACOES E ADMINISTRACOES, CNPJ 04.213.042/000161, doravante apenas SCELTA, coincidentemente também situada no mesmo endereço da PRINCESA, com sobreposição de sócios e acionistas entre as duas empresas (vide relatório do CNPJ). Na data da incorporação pela PRINCESA o capital realizado da SCELTA era de R$ 13.636.979,93. Na mesma data, por expectativa de rentabilidade futura, os investimentos tinham um "ágio" de R$ 23.498.167,44 totalizando um patrimônio liquido de R$37.135.147,37. 53. A obrigação de adição ao lucro real (art. 391 do RIR/1999) foi ignorada pela empresa nos AC 2004 a 2008; uma vez verificada, pela Fiscalização, esta irregularidade foi remediada por meio deste Termo fiscal e anexos de n° 01 a 15, consumandose nos Autos de Infração de IRPJ e CSLL dos AC 2004 a 2008 em anexo. (destaque no original) A autoridade julgadora observou, a partir da resposta dada ao Termo de Intimação Fiscal nº 194/2009 (fls. 133139), que a recorrente conhecia a acusação, como se vê do seguinte trecho da decisão recorrida: Como se vê, a própria impugnante equipara os dois ágios, não estabelecendo qualquer diferenciação entre eles. Por outro lado, a documentação fornecida deixa claro que ambos os ágios foram constituídos pelo mesmo fundamento: “Ágio sobre rentabilidade futura da empresa Expresso Princesa dos Campos S/A”, ou seja, a própria impugnante, conforme se vê na Oitava Alteração de Contrato Social da empresa VEPAL – Veículos, Pneus e Acessórios Ltda (fls. 154, 178), e no Protocolo de Incorporação da empresa SCELTA S/A Participações e Administrações (fls. 193). A documentação também autoriza concluir que se tratou de operação também circunscrita aos próprios acionistas da impugnante. Ademais, consoante o Termo de aprovação do laudo de avaliação (fls.203/210), firmado em 30/12/2000, como apontou a autoridade fiscal, ambas as empresas, incorporada (SCELTA) e da incorporadora (recorrente), funcionavam no mesmo endereço (Av. Anita Garibaldi n° 861, Ponta Grossa, Paraná) e seus acionistas eram as mesmas pessoas e os principais acionistas da incorporadora (recorrente) atuavam como diretores representantes da incorporada (SCELTA), e todos assinaram por ambas as empresas. Diante disso, resta evidenciado que a acusação de que o ágio por expectativa de rentabilidade futura configurado em 2000 foi gerado entre empresas do mesmo grupo (ágio interno) é a mesma da que justificou a glosa das despesas com o ágio gerado em 2004. Nesse caso, todas as considerações da autoridade fiscal para justificar a glosa das despesas com Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 10 9 amortização do ágio gerado internamente alcança ambas as operações. A defesa da recorrente, por sua vez, tratou de rebater as acusações fiscais em relação ao tema. Além disso, sobre a glosa decorrente do ágio de 2000, a recorrente se manifestou especificamente pelo reconhecimento da decadência. Sem prejuízo não há nulidade. Logo, essa preliminar é também improcedente por inexistir o alegado cerceamento do direito de defesa. III De decadência A recorrente sustenta, inicialmente, que os créditos tributários lançados estariam decaídos, com base no art. 150, §4° do CTN, considerando que a apuração dos fatos geradores ocorreu mensalmente, pois utilizava o sistema de balanços mensais, com balancetes de suspensão e redução, havendo apuração e liquidação dos tributos a cada mês. No caso concreto, a infração consiste na utilização indevida de ágio na apuração anual do resultado tributável a partir do anocalendário de 2004. O fato gerador, em se tratando de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, consoante o disposto na Lei nº 9.430/96, ocorre no momento da apuração do respectivo lucro, como regra, ao final de cada trimestre (art.1º) ou, opcionalmente, ao final do ano calendário (art.2º), como se depreende da leitura dos respectivos artigos: Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. [...] Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (Regulamento) [...] § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. Ao final do período, o imposto recolhido mensalmente poderá ser deduzido na determinação do saldo a pagar ou a compensar, nos termos do parágrafo quarto do mesmo artigo: Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 11 10 § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: [...] IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destaquei) Verificase, assim, que a apuração do lucro real sob a forma anual independe dos recolhimentos antecipados a título de estimativa, ainda que com base em balancetes de suspensão ou redução, os quais servem apenas para apurar a base mensal estimada, sem deslocar o momento da constituição do crédito tributário devido no período. Inexistindo apuração mensal de tributo, na forma da lei, não há que se falar início de prazo decadencial ao final de cada mês. Como a infração fiscal em análise constituise na dedução indevida de despesas de amortização de ágio fictício, gerado internamente, a contagem do prazo para a decadência do direito de lançar iniciase a partir da data do fato gerador, no caso, em 31 de dezembro de cada ano calendário. Como a ciência ocorreu dentro do quinquídio legal (31/12/2004 – 31/12/2009), não há que se falar em decadência. Sobre o segundo ponto levantado pela recorrente, com relação à decadência do direito de glosar as amortizações do ágio que teve origem na incorporação que aconteceu no ano 2000 (da SCELTA), cabe observar que o ágio pode ser gerado por diversos motivos e ser reconhecido na contabilidade. Enquanto essa constituição não afetar o resultado, inexiste motivo para questionamento por parte do Fisco. A partir do momento em que o ágio passa a ser aproveitado para reduzir o lucro tributável, iniciase para o Fisco o prazo decadencial de constituição do crédito tributário. O lançamento ora contestado referese ao momento do aproveitamento indevido de despesas com a amortização do ágio fictício para fins de redução da base tributável, quando, em tese, se deu a ocorrência do fato gerador, em razão da acusação fiscal de que a obrigação de adição ao lucro real, prevista no art. 391 do RIR/99, foi ignorada pela recorrente nos anoscalendário 2004 a 2008. Diante disso, e considerando que o auto de infração foi cientificado à recorrente em 22/12/2009, restou observado o lapso quinquenal do art. 150, §4º, do CTN, mesmo em relação ao período de apuração mais remoto, considerandose a apuração pelo lucro real anual (31/12/2004). Assim, rejeitase também essa preliminar de decadência, por lhe faltar suporte fático e jurídico. MÉRITO Diante dos fatos relatados e elementos juntados aos autos, cumpre perquirir sobre o efetivo direito à amortização do ágio gerado pela integralização de participações societárias e posterior incorporação realizada, considerando os argumentos da defesa. Inicialmente, porém, cabe tecer algumas considerações sobre o tema ágio. O ágio é formado na aquisição de uma participação societária por valor superior ao valor do patrimônio líquido. Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 12 11 Na época das privatizações das empresas públicas brasileiras, o legislador criou norma para beneficiar as adquirentes, as quais, na maioria das vezes, adquiriam as participações societárias nas empresas privatizadas por valor superior ao do patrimônio líquido, gerando um ágio, seguido de uma operação de incorporação, fusão ou cisão. A Lei nº 9.532/97 disciplinou os efeitos fiscais do ágio posteriormente à realização das operações societárias, nos seguintes termos: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 13 12 a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Do texto legal se extrai que se houver uma efetiva aquisição e o patrimônio líquido da adquirida se mostrar menor que o custo de aquisição do investimento, surgirá o ágio passível de amortização com efeitos na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, desde que a pessoa jurídica detentora da participação societária adquirida com ágio incorpore a investida ou viceversa, segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, que prevê: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 14 13 a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Como se vê, de acordo com o art. 20, § 2º, do Decretolei nº 1.598, de 1977, o ágio pode ter fundamento econômico nas seguintes hipóteses: (a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ao custo registrado na sua contabilidade, (b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros ou (c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. A transação onerosa com terceiros, ou seja, entre empresas não ligadas entre si, é pressuposto da geração de ágio e decorre da lei. A leitura que se faz do art. 7° da Lei n° 9.532/97, combinado com o art. 20 do DecretoLei n° 1.598/77, implica a verificação de ágio dedutível apenas quando formado entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido na época da aquisição. Assim, para ser considerada despesa dedutível, o ágio suportado pela empresa com a aquisição de uma participação societária deve ter como origem, concomitantemente, um propósito negocial, compreendido este como a motivação para adquirir um investimento por valor superior ao custo original, bem como um efetivo substrato econômico, decorrente da aquisição de negócio comutativo entre partes independentes, com dispêndio de recursos e previsão de ganho. No presente caso, a fiscalização glosou as despesas de ágio após concluir que o ágio deduzido pela Recorrente não resultou de operação onerosa com terceiros, envolvendo pagamento, e sim de operação dos sócios com eles mesmos, em que houve mera reavaliação de ações, além de não se referir a investimento em outra empresa, e sim na própria Recorrente. A autoridade fiscal fez constar de seu relatório (fl.326) que “entre os dias 13 e 28/12/2004 houve algumas operações de reorganização societária cujo fim último, senão único, era suprimir fatos geradores do IRPJ e da CSLL durante cinco anos”. Foram descritas as seguintes operações: em 13/12/2004: a) os sócios pessoas físicas da Recorrente subscrevem ações da PRINCETUR e as integralizam por meio da entrega de ações da Recorrente, no montante de R$ 38,7 milhões, passando aquela a deter cerca de 97% do capital da Recorrente; em 20/12/2004: a) a Kochana Participações e Empreendimentos Imobiliários Ltda e os sócios pessoas físicas da Recorrente, à exceção de José Gulin, que cede todas as suas quotas a PRINCETUR, menos uma, retiramse da sociedade; b) a PRINCETUR ingressa na VEPAL, aumentando o capital social desta de R$ 145.423,11 para R$ 70.2125.878,23, por meio de subscrição de ações ordinárias e Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 15 14 preferenciais da Recorrente, avaliadas em R$ 69.980.455,12 (ágio) e a VEPAL vira controladora da Recorrente; em 28/12/2004: a) a VEPAL, representada pelos sócios JOSE GULIN (0,01%) e PRINCETUR (99,99%), cujo único ativo eram as próprias ações que detinha na Recorrente, é incorporada pela Recorrente; A autoridade fiscal verificou, todavia, que nas integralizações de capital feitas nas sucessivas alterações sociais nos dias 13/12/2004 (PRINCETUR), 20/12/2004 (VEPAL) e 28/12/2004 (Recorrente), não houve qualquer aporte de bens ou moeda em espécie, mas apenas declarações de integralização de quotas de capital e/ou subscrição de ações por meio de entrega de direitos representativos de quotas ou ações de outras sociedades (fls. 326/337). Em relação ao ingresso da PRINCETUR na VEPAL (em 20/12/2004), observou o fiscal que “com esta operação, as pessoas físicas anteriormente acionistas da PRINCESA intentaram burlar o Fisco alienando suas ações da PRINCESA à VEPAL e para isso se utilizaram da PRINCETUR como intermediária. Desta forma, o ganho auferido na operação de venda de ações da PRINCESA à VEPAL foi "descarregado" na PRINCETUR e não nas pessoas físicas acionistas da PRINCESA.” Conclui que, “ao final, a PRINCESA "incorporou" a VEPAL cujo maior (e único) ativo era a participação da VEPAL na própria PRINCESA. Não há qualquer sentido econômico, jurídico e contábil nesta operação de incorporação da VEPAL pela PRINCESA”. Como se vê, a fundamentação da autuação se concentra na irregularidade fiscal decorrente da utilização de um artifício contábil sem suporte econômico, representado pelo ágio gerado internamente, com o fim de se enquadrar no tratamento tributário previsto para o verdadeiro ágio. Notase dos elementos constantes dos autos, que restou demonstrado que os sócios da Recorrente apenas transitaram com suas ações entre as empresas, sem ter havido qualquer desembolso ou recebimento financeiro, ou seja, as ações circularam sem a respectiva circulação da riqueza correspondente. Inicialmente, os acionistas depositaram as ações na PRINCETUR e, num segundo momento, as transferiram à VEPAL por valor significativamente superior, dando origem a um ágio por expectativa de rentabilidade futura da Recorrente. Ocorre que, ao final do ciclo, as ações da Recorrente, que integravam o patrimônio da VEPAL, retornaram à própria Recorrente, como resultado da incorporação da VEPAL (controladora) pela Recorrente (controlada), representando o que se convencionou designar de “incorporação reversa”, tendo ocorrido, como bem observou a DRJ, o “ágio de si mesmo”. Caracterizada a operação entre partes relacionadas, temse o ágio gerado internamente, cujo reconhecimento não é admitido pela Teoria da Contabilidade. Sobre o tema, vale mencionar a posição da Comissão de Valores Mobiliários — CVM, embora destinada às sociedades de capital aberto, com a emissão do Oficio Circular/CVM/SNC/SEP IV 01/2007 visando esclarecer dúvidas sobre a aplicação das Normas Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 16 15 Gerais de Contabilidade. No texto, abaixo transcrito, são destacadas situações semelhantes ao do presente caso, em que empresas de um mesmo grupo econômico geram ágio artificialmente, sem que haja o dispêndio de efetiva despesa (financeira ou patrimonial), o que é rechaçado: OFICIOCIRCULAR/CVM/SNC/SEP IV 01/2007 Rio de Janeiro, 14 de fevereiro de 2007 Aos Senhores Diretores de Relações com Investidores e Auditores Independentes ASSUNTO: Orientação sobre Normas Contábeis pelas Companhias Abertas Prezados Senhores, Os OficiosCirculares emitidos pela área técnica da CVM tem como objetivo principal divulgar os problemas centrais e esclarecer dúvidas sobre a aplicação das Normas de Contabilidade pelas Companhias Abertas e das normas relativas aos Auditores Independentes. Esse oficiocircular também procura incentivar a adoção de novos procedimentos e divulgações, bem como antecipar futura regulamentação por parte da CVM e, em alguns casos, esclarecer questões relacionadas as normas internacionais emitidas pelo IASB. A CVM vem, ao longo dos anos da sua atuação, buscando aperfeiçoar e manter atualizado o seu arcabouço normativo contábil, sempre com a participação de segmentos interessados do mercado ou da profissão contábil. Cumpre destacar a importante colaboração recebida da Comissão Consultiva de Normas Contábeis da CVM, que conta com representantes da ABRASCA, APIMEC, CFC, IBRACON, FIPECAFI/USP e colaboradores especialmente nomeados pela CVM, além dos professores Ariovaldo dos Santos (USP), Jose Augusto Marques (UFRJ) e Natan Szuster (UFRJ) e, agora, do Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC, recentemente instalado. [...] 20.1.7 "Ágio" gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de "ágio". Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato continuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 17 16 Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando hit o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como "arm's length". Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. (destaquei) Ainda nesse sentido, registrese o item 50 da Orientação Técnica CPC 02/2008 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis: [...] só pode ser reconhecido o ativo intangível ágio por expectativa de rentabilidade futura se adquirido de terceiros, nunca o gerado pela própria entidade (ou mesmo conjunto de empresas sob controle comum). E o adquirido de terceiros só pode ser reconhecido, no Brasil, pelo custo, vedada completamente sua reavaliação. Logo, a necessidade de uma aquisição onerosa de terceiros para formação do ágio deve ser considerada no exame das operações de reorganização societária, para fins de incidência tributária, já que tais operações podem ser utilizadas como instrumento de planejamento tributário, desde que demonstrem os fundamentos econômicos da operação (benefícios operacionais), o que não ocorre quando se adquire de partes interligadas. No presente caso, verificase que a geração do ágio glosado se deu dentro de grupo econômico, cuja definição passa pelo controle societário de umas pelas outras. Por lhe faltar fundamentação econômica, a reestruturação entre empresas do mesmo grupo econômico, engendrada com o objetivo de reduzir a tributação, como é o caso dos autos, não pode ser oponível ao Fisco. Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 18 17 Neste ponto, a jurisprudência do CARF é pacífica. Como fundamento subsidiário, cabe transcrever as conclusões do voto do ilustre Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães quando apreciou a questão do ágio interno gerado mediante reorganização societária envolvendo apenas empresas sob controle comum, no Acórdão n° 130100.058, decidido à unanimidade pela lª Turma Ordinária da 3ª Câmara da lª Seção de Julgamento do Carf, em sessão de 13 de maio de 2009, litteris: O que se observa é que os administradores da Recorrente e de outras empresas a ela ligadas, em um prazo de cinco dias, tomando por base uma avaliação discutível do seu patrimônio, aproveitaramse de uma reorganização societária para fazer surgir uma despesa vultosa, classificada como AGIO, e, a partir dai, reduzir o lucro tributável. O planejamento tributário engendrado pela Recorrente, que ao menos no que tange aos seus efeitos fiscais revela o lado perverso das práticas adotadas sob esse manto, representou, em síntese, a criação de uma despesa que tem por base a própria mais valia do seu patrimônio, isto é, a contribuinte, a partir de uma avaliação encomendada por ela própria, fez refletir no seu ativo os resultados de uma suposta rentabilidade futura e, por meio de uma reorganização societária, sem despender um único centavo, transformou essa mais valia em uma despesa. Como salientado pela autoridade fiscal, o ágio objeto de amortização por parte da Recorrente, na forma como foi criado, representa a sua própria expectativa de lucro, nascida em decorrência da avaliação solicitada da empresa ERNST & YOUNG. O que salta aos olhos é que, como bem ressaltou a autoridade fiscal, a intenção da Recorrente foi, paralelamente aos interesses estritamente societários, forjar a existência de um ágio para, a partir da conseqüente redução da incidência tributária, propiciar ganhos para os seus acionistas. Notese que a autoridade fiscal, ainda que tenha tratado o ágio apropriado como fruto de artificialismo, não questionou os motivos alegados pela Recorrente para promover as operações aqui tratadas, ou seja, diferentemente do arguido por ela, não se imiscuiu em seus negócios, declarandoos ilegais ou ilegítimos. Apenas e tãosomente demonstrou que os efeitos fiscais buscados pela empresa, a luz da legislação do imposto de renda, não poderiam ser admitidos. A meu ver, outra não poderia ser a conclusão, pois, no caso vertente, em que a despesa apropriada decorreu de mais valia do patrimônio daquela que almeja beneficiarse de sua dedutibilidade, não há que se falar em ágio decorrente de aquisição de participação societária. Assim, a presença concomitante dos requisitos propósito negocial real, assim como um efetivo substrato econômico é imprescindível ao reconhecimento da existência de ágio suportado por uma empresa com a aquisição de uma participação societária. Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 19 18 Em sua defesa, a recorrente limitase a tentar enquadrar o procedimento adotado nos dispositivos legais. Todavia, as alegações são insuficientes para afastar os elementos apontados pela autoridade fiscal como indicativos da artificialidade das operações. Quanto aos laudos de avaliação apresentados pela recorrente, cabe referir que, diante dos dispositivos legais referidos, sua validade se restringe às partes, sustentando a reavaliação das participações societárias, mas são inócuos para a formação de ágio passível de ser dedutível na apuração do resultado tributável. O papel do laudo de avaliação não é relevante, nesse caso, pois não é o documento que gera o ágio. A rentabilidade futura deve ser passível de ser verificada no caso concreto, o que fica prejudicado quando se tratam de empresas vinculadas. Nesse sentido, as operações realizadas em datas muito próximas, além de denotar ausência de propósito negocial e de substrato econômico, reforçam o vínculo entre as envolvidas no processo de reestruturação societária que deram ensejo ao ágio sob exame. O presente caso envolve ágio formado a partir de operação entre empresas do mesmo grupo, com a participação de empresa veículo, sem dispêndio de recursos e tendo como rentabilidade futura os lucros da própria empresa incorporada. Acrescentese a isso a ausência de um intervalo mínimo entre as operações e se está diante de um ágio formado sem qualquer propósito negocial e sem substrato econômico. Logo, indedutível, por ausência dos requisitos de dedutibilidade. Cumpre, ainda, afastar a alegação de validade do procedimento na vigência do art. 36, da Lei nº 10.637, de 2002. Até sua revogação, a partir de 1º de janeiro de 2006, o referido dispositivo previa: Art. 36. Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. (Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o O valor da diferença apurada será controlado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: (Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) I na alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da participação subscrita, proporcionalmente ao montante realizado;(Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) II proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título.(Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 20 19 § 2o Não será considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação, observadas as condições do § 1o.(Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) Notase que o ágio previsto pelo art. 36 da Lei nº 10.637/2002, assim como pelos arts. 385 e seguintes do RIR/99, não visa refletir a reavaliação de uma participação societária por equivalência patrimonial, mas decorre da mais valia embutida no preço pago por um investimento. À vista disso, o acréscimo patrimonial correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital e o valor contábil dessa participação societária, deverá ser levado à tributação somente por ocasião da alienação, liquidação, baixa, ou conferência de capital em outra pessoa jurídica, nas condições estabelecidas no dispositivo. Em não havendo interesse em alienar, liquidar ou baixar a participação societária em jogo no caso concreto, por pertencer às mesmas pessoas, nunca haverá tributação. Nesse sentido, é precisa a fundamentação contida no voto da ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa dado no processo administrativo n° 10980.017339/200878, que, embora vencido, representa a melhor interpretação da norma: Do disposto no art. 36 da Lei n° 10.637/2002 inferese que o legislador instituiu ali um beneficio na tributação do ganho auferido na transferência de participação societária por valor superior ao patrimonial, na medida em que, verificandose esta transferência em sede de integralização de capital de outra sociedade, aquela participação pertenceria ao mesmo titular que inicialmente a detinha, mas agora de forma indireta. Diferiu, assim, sua tributação para momento futuro, no qual esta participação indireta deixasse de existir. E, se esta transferência se dá sem a participação de terceiros, ou seja, de forma que a titularidade da participação societária, ao final, permaneça com as mesmas pessoas que inicialmente as detinham, há, tão só, reavaliação do investimento, e não ágio por expectativa de rentabilidade futura. Neste sentido, inclusive, são as lições de Hiromi Higuchi et alli, em sua obra Imposto de Renda das Empresas — Interpretação e prática (Editora IR Publicações, 290 edição, p. 360) ao tratar da reavaliação de participações societárias: 0 art. 438 do RIR/99 dispõe que será computado na determinação do lucro real o aumento de valor resultante de reavaliação de participação societária que o contribuinte avaliar pelo valor de patrimônio liquido, ainda que a contra partida do aumento do valor do investimento constitua reserva de reavaliação. Se a pessoa jurídica reavaliar investimento avaliado pela equivalência patrimonial não poderá diferir a tributação da contrapartida. 0 diferimento da tributação só é possível na reavaliação de participação societária avaliado pelo custo de aquisição. Neste caso, após a reavaliação se o investimento passar a ser avaliado pela equivalência patrimonial, o diferimento cessará. Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 21 20 A Receita Federal teve a infelicidade de incluir o art. 39 da MP n° 66, de 2908 2002, convertido no art. 36 da Lei n° 10.637, de 30 122002, dispondo: 1...1 A aplicação daquele artigo dá ensejo a planejamento tributário para aumentar o patrimônio liquido nas duas empresas, para cálculo de juros sobre o capital próprio. A empresa A que tem investimento na empresa B transfere o investimento como integralização de capital na empresa C, por valor bem superior ao contábil. A empresa A escritura a contrapartida da mais valia no resultado mas faz exclusão na determinação do lucro real e base de cálculo da CSLL, aumentando o patrimônio liquido com diferimento da tributação. A empresa C também aumentou o seu patrimônio liquido sem tributação. A única forma de a Receita Federal corrigir a infelicidade é, por ato normativo, dizer que o art. 36 da Lei n° 10.637/2002 é aplicável somente para os investimentos avaliados pelo custo de aquisição. Isso porque, para os investimentos avaliados pela equivalência patrimonial existe a vedação do art. 438 do RIR/99, que por ser lei especifica não foi revogado. Diante de todos os argumentos até aqui expostos, considerase que o aproveitamento de ágio gerado internamente para fins tributários deve ser rechaçado. Nesse sentido se incluem os ágios decorrentes da incorporação da empresa SCELTA (ano 2000) e da empresa VELPE (ano 2004). Em complemento à posição aqui demonstrada, cabe, ainda, tecer algumas considerações sobre o recente julgado que se afastou da jurisprudência sedimentada nessa matéria, consubstanciado na decisão proferida no acórdão nº 110100708, de 11/04/2012, aprovado por maioria de votos, no processo mencionado anteriormente, devido à sua grande repercussão. Entendese, com a devida vênia da maioria daquele colegiado, que os fundamentos apontados no voto vencedor verificamse frágeis, como se demonstrará. Sobre o tema de interesse, ficou consignado na ementa: ÁGIO INTERNO. A circunstância de a operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico não descaracteriza o ágio, cujos efeitos fiscais decorrem da legislação fiscal. A distinção entre ágio surgido em operação entre empresas do grupo (denominado de ágio interno) e aquele surgido em operações entre empresas sem vinculo, não é relevante para fins fiscais. Como um dos principais argumentos favoráveis à tese da possibilidade de amortização do ágio interno, foi referido o artigo “Incorporação reversa com ágio gerado internamente: consequências da elisão fiscal sobre a contabilidade”, de autoria dos professores Eliseu Martins e Jorge Vieira da Costa Junior, disponível no endereço da Internet http://www.congressousp. fipecafi.org/artigos42004. Os autores desse estudo, renomados profissionais da área contábil, abordaram a modalidade de incorporação reversa que toma por base o ágio gerado internamente, analisando e concluindo que, contabilmente, referido evento, do ponto de vista estritamente técnico, não é admissível, mas, do ponto de vista tributário, haveria previsão legal para sua Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 22 21 consecução de acordo com o art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002. As conclusões do referido trabalho, literalmente, foram: O surgimento do ágio em operações de combinação de negócios, realizadas dentro de um mesmo grupo societário, não tem sentido econômico. A Contabilidade, sabiamente, expurga essa informação ao considerar o grupo societário uma entidade única, quando reporta suas demonstrações consolidadas. O correto, contabilmente, é fazer o mesmo nas demonstrações individuais também. Entretanto, o respaldo em legislação tributária para o fenômeno – ágio gerado internamente – dá sentido econômico à operação. Há de fato riqueza sendo gerada pelo grupo societário nesses arranjos só que, no caso, está sendo transferida do Estado para o grupo via renúncia fiscal. É bem verdade que referido respaldo legal concorre, ainda que indiretamente, para o retrocesso do estágio avançado de desenvolvimento em que se encontra a Contabilidade Brasileira. A bem da verdade, pavimenta um caminho tortuoso: o fomento à indústria do ágio. Enquanto desenvolviam o assunto dentro de sua área de especialização, a contabilidade, os doutrinadores reconheceram categoricamente que o ágio gerado internamente não tem sentido econômico. De outro lado, ao adentrarem no campo tributário, concluíram que a legislação tributária, mais especificamente, o art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002, é que dá sentido econômico à operação de geração de ágio interno. Todavia, a interpretação dada pelos ilustres contabilistas é passível de críticas, quando analisada sob a ótica tributária. Por oportuno, transcrevese outro trecho do voto vencido no acórdão nº 110100.708, em que a ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa aponta a contradição presente no referido artigo: Consignou esta Relatora a contradição presente em referido artigo, que de um lado conceitua ágio como resultado econômico obtido em um processo de compra e venda de ativos líquidos (net assets), quando estiverem envolvidas partes independentes não relacionadas, e repudia o reconhecimento de resultado derivado de transações entre entidades sob o mesmo controle, ou seja, sob a mesma vontade, concluindo ser inadmissível o surgimento de ágio em uma operação realizada dentro de um mesmo grupo econômico, mas de outro infere que a Fazenda Pública admite a dedução as amortizações deste valor como sendo ágio. Dizem Eliseu Martins e Jorge Vieira da Costa Junior que o artigo 36 da Lei no 10.637/2002 permite que grupos econômicos, em operações de combinação de negócios, criem, artificialmente, ágios internamente, por intermédio da constituição de "sociedades veiculo", que surgem e são extintas em curto lapso temporal, ou pela utilização de sociedades de participação denominadas "casca", com finalidade meramente elisiva. Mas, como visto, o art. 36 da Lei n° 10.637/2002 deixa claro que não há renda tributável nestas operações, e determina o diferimento de eventual ganho de capital contabilizado. Para manter a coerência com este entendimento, o ágio eventualmente Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 23 22 contabilizado em razão desta mesma operação não pode ser classificado como tal, nem ter os mesmos efeitos de uma mais valia paga pela aquisição de um investimento entre partes não relacionadas. Repudiase, portanto, a afirmação contida naquele artigo, no sentido de que a Fazenda Pública perde porque permite a dedutibilidade da quota de ágio amortizada para fins de IRPJ e base de cálculo da CSLL, pois nenhum ato normativo da Receita Federal admite tal dedução. A resposta dada pela Fazenda Pública a estas ocorrências está expressa em reiterada jurisprudência administrativa deste Conselho, citada pela Procuradoria da Fazenda Nacional em suas contrarrazões, a qual manteve, até agora, todas as exigências formalizadas em razão da glosa do ágio gerado neste tipo operações. Na medida em que o lucro real tem por base o lucro contábil, devese aplicar aqui o entendimento doutrinário acerca do que pode ser admitido conceitualmente como ágio, até porque, o art. 110 do CTN não permite à lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. E, como extensamente demonstrado neste voto, não so o artigo em destaque, como também a mais abalizada doutrina contábil, reafirmada pela Comissão de Valores Mobiliários, sempre repudiou a classificação da maisvalia gerada em operações intragrupo como ágio. Em síntese, como dito por esta Relatora durante a sessão de julgamento, não há o que se falar, aqui, em operações envolvendo entidades "A", "B" e "C", na medida em que o resultado final desta reorganização é a manutenção do controle de "A" sobre "B", que apenas transitoriamente passou a indireto, sob a titularidade da empresa veiculo "C". Inexiste aquisição entre "A" e "C", inexiste ágio. Assim, verificase que não há que se falar em ágio quando não existe alteração patrimonial decorrente de aquisição. Ainda no voto vencedor do referido acórdão, a artificialidade da conduta foi descrita como uma expressão genérica, a qual seria insuficiente para caracterizar a irregularidade da operação de criação de ágio, por se considerar que o tudo o que é realizado de modo intencional (pelo contribuinte) é artificial e que “o fato de sua conduta ser intencional (artificial), não traz qualquer vicio” [à operação]. A afirmação de que tudo que é intencional é artificial parece se espelhar na tese do escritor inglês Thomas Browne, que, no século XVII, escreveu: “tudo é artificial, uma vez que a Natureza é a arte de Deus”. Em outras palavras, tudo o que o homem constrói, seja de ordem material ou imaterial, é artificial. Sob esse prisma, a equiparação entre conduta intencional e conduta artificial faz sentido. Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 24 23 Ocorre que, dentro do ordenamento jurídico pátrio vigente no século XXI, intencionalidade não se confunde com artificialidade. Para fins tributários, é artificial a conduta (intencional, obviamente), mas que busca subterfúgios ou caminhos alternativos para escapar à tributação correta. Corresponde à intenção de se evadir à tributação criando mecanismos irregulares. Vejase o exemplo do art. 285 do RIR/99: Art. 285. É facultado à autoridade tributária utilizar, para efeito de arbitramento a que se refere o artigo anterior, outros métodos de determinação da receita quando constatado qualquer artifício utilizado pelo contribuinte visando a frustrar a apuração da receita efetiva do seu estabelecimento (Lei nº 8.846, de 1994, art. 8º). (destaquei) Nesse caso, como em tantos outros, o termo “artifício” utilizado pelo legislador referese a um procedimento em desacordo com o que seria esperado na situação, com vistas a obter indevida desoneração tributária. Em outras palavras, a busca pela redução da carga tributária não pode se dar “a qualquer preço”. Distinguese, contudo, conduta artificial de conduta dolosa, pois nesta se configura a presença do ilícito. Nos casos de ágio gerado internamente, a artificialidade está na conduta de majorar o patrimônio apesar da inexistência de efetivo desembolso de recursos e de efetiva mudança de controle acionário, com o único propósito de reduzir a base tributável pelo aproveitamento de despesas de amortização do respectivo ágio. Todavia, é incabível a apropriação de despesas que não foram incorridas, pois, como não há transferência de controle entre as empresas, logicamente, não há aquisição de nova propriedade. A lei não permite ágio interno, porque deve ser interpretada de modo a se evitar a conduta abusiva, tendo em conta as exigências do bem comum e a função social da empresa, prevista no art. 170 da Constituição Federal. A segurança jurídica, no caso, decorre da interpretação racional e lógica do ordenamento jurídico, pautado em orientações consistentes de órgãos normativos e na jurisprudência consolidada deste órgão de julgamento. Como a Recorrente, em sua defesa, não logrou desconstituir os argumentos da autoridade fiscal, e diante da evidente caracterização de ágio formado internamente, outra não pode ser a conclusão senão pela indedutibilidade das despesas de ágio na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL devidas no período fiscalizado. Diante de todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13931.000656/200918 Acórdão n.º 1202000.883 S1C2T2 Fl. 25 24 Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 05/02/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 13931.000953/2008-74
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converteu-se o julgamento em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que sejam proferidas as decisões nos processos nº 12571.000200/2010-57 e 12571.000201/2010-00 as quais devem ser informadas em seu inteiro teor neste processo.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converteuse o julgamento em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que sejam proferidas as decisões nos processos nº 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000 as quais devem ser informadas em seu inteiro teor neste processo. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório. Retornam os autos diligência à repartição de origem para onde foram encaminhados por meio da Resolução nº 3803000.175, com a finalidade de obtenção do inteiro teor das decisões prolatadas nos processos de nº 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, respectivamente, haja vista a possibilidade de influência do resultado daquelas demandas em face desta, uma vez detectada que são conexas. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 31 .0 00 95 3/ 20 08 -7 4 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13931.000953/200874 Resolução nº 3803000.431 S3TE03 Fl. 4 2 Do Relatório anexo podese inferir que os acórdãos referentes a esses processos foram providos, para a anulação dos respectivos autos de infração, sob o fundamento de que as declarações de compensação constituem instrumentos de confissão de dívida bastante e suficiente para a exigência dos débitos e, que vindo a ser objeto de lançamento, ensejariam a duplicidade de cobrança entre os valores lançados e aqueles objeto das compensações não homologadas. Vale dizer que nos referidos acórdãos não foram analisadas a matéria atinente ao mérito das querelas, a saber: o pedido de ressarcimento de crédito relacionado à Cofins não cumulativa mercado externo 3º trimestre/2004. Outra informação relevante constante do citado relatório é que os acórdãos inda não são definitivos, pois em face do acórdão proferido nos autos do PAF 12571.000201/2010 00 foram interpostos embargos de declaração pela representação da Fazenda Nacional, o que se presume por conter matéria e decisão semelhante, deverá ocorrer em relação ao outro processo. A conclusão a que chegou o referido relatório é que os dois processos retrocitados deveriam ser reunidos ao presente e demais correlatos para análise em conjunto. É o relatório. VOTO. Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator. O código de Processo Civil, utilizado subsidiariamente nos julgamentos de processos administrativos tributários pelos órgãos julgadores do CARF/MF, preceitua em seu artigo 103, que há conexão entre duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir, havendo sido tal situação reconhecida pela Turma e convertido o julgamento em diligência, de onde retornaram os autos para este Juízo. Isto posto e considerando a pesquisa previamente realizada acerca dos autos, bem assim a conclusão a que chegou o relatório e, voto pela conversão em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que sejam proferidas as decisões definitivas nos processos nºs 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, as quais devem ser informadas em seu inteiro teor neste processo. É como voto. Sala de sessões em 30 de janeiro de 2014. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13931.000953/200874 Resolução nº 3803000.431 S3TE03 Fl. 5 3 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/03/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10680.012990/2007-55
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1997 a 31/07/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. Não se caracteriza a divergência jurisprudencial suscitada, quando o paradigma, aplicando a mesma lógica do acórdão recorrido, adota solução diversa em função da ausência de similitude fática entre os julgados em confronto. Tampouco há que se falar em dissídio interpretativo, quando o paradigma encampa tese que colide frontalmente com aquela defendida no apelo, e que aproveitaria ao Recorrente.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade e votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Relatora
EDITADO EM: 07/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Elias Sampaio Freire e Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/1997 a 31/07/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. Não se caracteriza a divergência jurisprudencial suscitada, quando o paradigma, aplicando a mesma lógica do acórdão recorrido, adota solução diversa em função da ausência de similitude fática entre os julgados em confronto. Tampouco há que se falar em dissídio interpretativo, quando o paradigma encampa tese que colide frontalmente com aquela defendida no apelo, e que aproveitaria ao Recorrente. Recurso especial não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade e votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora EDITADO EM: 07/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Elias Sampaio Freire e Susy Gomes Hoffmann.
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. Não se caracteriza a divergência jurisprudencial suscitada, quando o paradigma, aplicando a mesma lógica do acórdão recorrido, adota solução diversa em função da ausência de similitude fática entre os julgados em confronto. Tampouco há que se falar em dissídio interpretativo, quando o paradigma encampa tese que colide frontalmente com aquela defendida no apelo, e que aproveitaria ao Recorrente. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade e votos, em não conhecer do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 29 90 /2 00 7- 55 Fl. 612DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO 2 (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora EDITADO EM: 07/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Elias Sampaio Freire e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, por descumprimento de obrigação principal, tendo em vista o pagamento/fornecimento de alimentação sem as condições legais para a não integração ao SaláriodeContribuição (SC), relativamente ao período de apuração de 01/06/1997 a 31/07/2003. A ciência do lançamento ocorreu em 04/10/2006 (fls. 01). Em sessão plenária de 22/02/2010, foi julgado o Recurso Voluntário 148.494, prolatandose o Acórdão 240200.525 (fls. 464 a 467), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1997 a 31/07/2003 DECADÊNCIA. 0 Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. Incide contribuição previdenciária sobre os valores relativos ao auxílioalimentação, mesmo que concedido aos empregados sob a forma "in natura", caso o sujeito passivo não seja inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. SALÁRIO INDIRETO. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. Entendese por saláriodecontribuição (SC) a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, Fl. 613DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO Processo nº 10680.012990/200755 Acórdão n.º 9202003.104 CSRFT2 Fl. 26 3 destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) nas preliminares, em dar provimento ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, com fundamento no artigo 173, I do CTN, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram em aplicar o §4°, Art. 150 do CTN. II) Por unanimidade de votos: a) no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.” Cientificada do acórdão em 29/04/2010, a Fazenda Nacional não interpôs Recurso Especial (fls. 468). Intimada do acórdão em 25/05/2010 (AR – Aviso de Recebimento de fls. 500), a Contribuinte interpôs, em 09/06/2010, com fundamento nos artigos 64, II, e 67, do Anexo II, da Portaria MF nº 256, de 2009, o Recurso Especial de fls. 501 a 537, visando rediscutir a decadência. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho 2400 013/2011, de 18/01/2011 (fls. 542 a 544). As razões de recurso trazidas pela Contribuinte confundemse com os argumentos acerca da admissibilidade, a saber: despiciendo dizer que, à evidência, as bases fáticas tratadas nos invocados acórdãos são absolutamente idênticas àquelas versadas no presente feito; ou seja, para os acórdãos trazidos a confronto com a tese encampada por maioria pela 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o recolhimento insuficiente das contribuições previdenciárias, hábil a fazer incidir a regra do §4° do artigo 150 do CTN, é identificado tomandose em consideração o salário de contribuição e o total das remunerações pagas ou creditadas, enquanto valores empregados na mensuração das exações, nos termos em que disposto nos artigos 11, inciso II e parágrafo único, alíneas "a" e "c"; 22, incisos I e II; e 28, inciso I, todos da Lei n° 8.212, de 1991; a base de cálculo dos recolhimentos previdenciários, ora discutidos, compreende o salário de contribuição e o total da remuneração paga ou creditada, razão pela qual não é legitima a consideração individual, por rubrica que os compõem, para efeito de Fl. 614DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO 4 análise da configuração das hipóteses de ausência de recolhimento ou de insuficiência, com a consequente definição da regra de decadência disposta no Código Tributário Nacional (CTN); por óbvio, as premissas em que se fundamentam os entendimentos confrontados são opostas – fato corroborado pela demonstração analítica da divergência jurisprudencial – havendo de subsistir, data venia, a tese esposada pelas Quinta e Sexta Câmaras do pretérito Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, porquanto melhor adequada à solução da controvérsia travada neste processo. Ao final, a Contribuinte pede o conhecimento e o provimento do recurso, reconhecendose a decadência parcial do crédito tributário, com a aplicação do § 4°, do artigo 150, do CTN. Cientificada do Recurso Especial da Contribuinte e do despacho que lhe deu seguimento em 23/02/2011 (fls. 545), a Fazenda Nacional ofereceu, na mesma data, as Contra Razões de fls. 547 a 573, contendo os seguintes argumentos, em resumo: Da admissibilidade do recurso para que o Recurso Especial seja conhecido, é necessária a demonstração da existência de teses divergentes adotadas por órgãos julgadores diversos; mas não é só isso, é também imprescindível que os casos confrontados estejam assentados sobre as mesmas premissas fáticas; um breve relance de vista é o suficiente para comprovar que esse requisito não restou demonstrado de forma adequada pelo recorrente, senão vejamos: Acórdão recorrido “POR NÃO HAVER RECOLHIMENTOS A HOMOLOGAR, a regra relativa decadência – que deve ser aplicada ao caso – encontrase no art. 173, I: o direito de constituir o crédito extinguese em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento". Acórdão n° 20501073 Relatório “O notificado não concordando com a Decisão de primeira instância emitida pelo órgão fazendário interpôs recurso, fls. 140 a 152, alegando em síntese: I. Parte do crédito foi atingida pela decadência; II. A cobrança de diferença na competência maio de 2002 é indevida, pois os valores foram recolhidos corretamente; III. A diferença em relação à competência maio de 2005 está sendo recolhida juntamente com a de junho de 2005;” Voto “As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4º do CTN. Havendo, então o pagamento Fl. 615DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO Processo nº 10680.012990/200755 Acórdão n.º 9202003.104 CSRFT2 Fl. 27 5 antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. SE NÃO HOUVER PAGAMENTO ANTECIPADO SOBRE A RUBRICA há que ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 40 do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. (...) NA HIPÓTESE CONCRETIZADA, HOUVE PAGAMENTO ANTECIPADO, AINDA QUE PARCIAL, SOBRE OS VALORES LANÇADOS, CONFORME RELATÓRIO FISCAL (DAD). Assim, aplicase o previsto no art. 150, parágrafo 4º do CTN; desse modo, a contar dos fatos geradores, a fiscalização federal teria o prazo de cinco anos para efetuar o lançamento fiscal. Se fosse o caso de se caracterizar dolo, fraude ou simulação, a par do pagamento parcial, o prazo de cinco anos seria para notificar o contribuinte da medida preparatória para investigação e apuração da fraude, do dolo ou da simulação. A partir dessa notificação da medida preparatória o Fisco possui o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário". Acórdão n° 20601219 "No REsp 879.058/PR, DJ 22.02.2007, a 1a Turma do STJ pronunciouse nos termos da seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO RECORRIDO ASSENTADO SOBRE FUNDAMENTAÇÃO DE NATUREZA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º). PRECEDENTES DA 1a SEÇÃO. 1. omissis. 2. omissis. 3. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art.173, I, do CTN, segundo o qual 'direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 4. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação – que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade Fl. 616DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO 6 administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' – há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4° do art. 150 do CTN. Precedentes da lª Seção: ERESP 101.407/SP, Min. An Pargendler, DJ de 08.05.2000; ERESP 278.727/DF, Min.Franciulli Netto, DJ de 28.10.2003; ERESP 279.4731SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 11.10.2004; AgRg nos ERESP 216.758/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 10.04.2006. 5. No caso concreto, todavia, não houve pagamento. Aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 6. Recurso especial a que se nega provimento." (...) NO CASO EM EXAME, OCORREU A ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO PELO SUJEITO PASSIVO. Razão pela qual se aplica a regra do art. 150, § 4°, do CTN, ou seja, contase o prazo decadencial a partir do fato gerador.” novamente, repitase, por um mero relance de vista, é facilmente perceptível que a tese encampada pelos acórdãos indicados como parâmetro de divergência é idêntica à tese adotada pelo acórdão recorrido, portanto não há divergência quanto à interpretação da norma jurídica; nos acórdãos declinados como paradigmas apenas foi adotado o disposto no § 4°, do CTN, porque os casos ali indicados estavam baseados em premissas fáticas diversas, pois os contribuintes promoveram a antecipação, ainda que parcial, do tributo, situação diversa da encontrada neste feito, ausente, também, a similitude das situações fáticas confrontadas; não há nos acórdãos citados como paradigmas pelo contribuinte qualquer sinalização no sentido de que foi adotada a tese de que “a base de cálculo dos recolhimentos previdenciários ora discutidos, compreende o salário de contribuição e o total da remuneração paga ou creditada, razão pela qual não é legitima a consideração individual, por rubrica que os compõem, para efeito de análise da configuração das hipóteses de ausência de recolhimento ou de insuficiência, com a conseqüente definição da regra de decadência disposta no CTN”. não foi endossado pelos paradigmas, de forma expressa, a permitir a constatação da divergência de teses, o entendimento de que "o recolhimento insuficiente das contribuições, hábil a fazer incidir a regra do § 4° do artigo 150 do CTN, é identificado tomandose em consideração o salário de contribuição e o total das remunerações pagas ou creditadas, enquanto valores empregados na mensuração das exações”; somente segundo esse entendimento é que o recurso especial poderia ser conhecido e admitido, pois o acórdão recorrido constatou a ausência de pagamento antecipado do tributo e o recurso especial se presta à uniformização de teses e não à rediscussão de fatos e provas; Fl. 617DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO Processo nº 10680.012990/200755 Acórdão n.º 9202003.104 CSRFT2 Fl. 28 7 ademais, ainda que comprovada essa tese – de que a base de cálculo dos recolhimentos previdenciários compreende o salário de contribuição e o total da remuneração paga ou creditada, sendo ilegítima a consideração individual, por rubrica que os compõem, para efeito de análise da configuração das hipóteses de ausência de recolhimento ou de insuficiência – o que somente poderseia admitir por amor ao debate – o pagamento antecipado não restou comprovado nestes autos, o que impediria de qualquer forma a incidência do art. 150, § 4°, do CTN à espécie; não se pode presumir o pagamento, e também não se pode perder de vista que a decadência é matéria de defesa, pois consiste em fato impeditivo ao direito de lançar do fisco, logo sua prova é ônus do sujeito passivo; inobstante a ausência de divergência de teses, a falta de semelhança das situações fáticas, verificase que também o recurso especial não deveria ter sido admitido em face do disposto no art. 62A do RICARF; com efeito, assim dispõe o art. 62A do RICARF: "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, C6digo de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1° Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2° 0 sobrestamento de que trata o § 1° será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” nessa esteira, cabe registrar que a matéria concernente ao termo inicial de contagem do prazo decadencial de tributos foi objeto do procedimento de recurso especial representativo de controvérsia, nos termos do art. 543C do CPC, verbis: “Art. 543C. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o recurso especial será processado nos termos deste artigo. (Incluído pela Lei n° 11.672, de 2008). § 1°. Caberá ao presidente do tribunal de origem admitir um ou mais recursos representativos da controvérsia, os quais serão encaminhados ao Superior Tribunal de Justiça, ficando suspensos os demais recursos especiais até o pronunciamento definitivo do Superior Tribunal de Justiça. (Incluído pela Lei n° 11.672, de 2008). § 2°. Não adotada a providência descrita no § lo deste artigo, o relator no Superior Tribunal de Justiça, ao identificar que sobre a controvérsia já existe jurisprudência dominante ou que a matéria já está afeta ao colegiado, poderá determinar a suspensão, nos tribunais de segunda instância, dos recursos nos Fl. 618DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO 8 quais a controvérsia esteja estabelecida. (Incluído pela Lei n° 11.672, de 2008). § 3°. 0 relator poderá solicitar informações, a serem prestadas no prazo de quinze dias, aos tribunais federais ou estaduais a respeito da controvérsia. (Incluído pela Lei n° 11.672, de 2008). § 4°. 0 relator, conforme dispuser o regimento interno do Superior Tribunal de Justiça e considerando a relevância da matéria, poderá admitir manifestação de pessoas, órgãos ou entidades com interesse na controvérsia. (Incluído pela Lei n° 11.672, de 2008). § 5°. Recebidas as informações e, se for o caso, após cumprido o disposto no § 4º deste artigo, terá vista o Ministério Público pelo prazo de quinze dias. (Incluído pela Lei n°11.672, de 2008). § 6°. Transcorrido o prazo para o Ministério Público e remetida cópia do relatório aos demais Ministros, o processo será incluído em pauta na seção ou na Corte Especial, devendo ser julgado com preferência sobre os demais feitos, ressalvados os que envolvam réu preso e os pedidos de habeas corpus. (Incluído pela Lei n° 11.672, de 2008). § 7°. Publicado o acórdão do Superior Tribunal de Justiça, os recursos especiais sobrestados na origem: (Incluído pela Lei n°11.672, de 2008). I terão seguimento denegado na hipótese de o acórdão recorrido coincidir com a orientação do Superior Tribunal de Justiça; ou (Incluído pela Lei n° 11.672, de 2008). II serão novamente examinados pelo tribunal de origem na hipótese de o acórdão recorrido divergir da orientação do Superior Tribunal de Justiça. (Incluído pela Lei n° 11.672, de 2008). § 8° Na hipótese prevista no inciso II do § 7o deste artigo, mantida a decisão divergente pelo tribunal de origem, farseá o exame de admissibilidade do recurso especial. (Incluído pela Lei n° 11.672, de 2008). § 9° O Superior Tribunal de Justiça e os tribunais de segunda instancia regulamentarão, no âmbito de suas competências, os procedimentos relativos ao processamento e julgamento do recurso especial nos casos previstos neste artigo. (Incluído pela Lei n° 11.672, de 2008)”. no acórdão proferido no Recurso Especial n° 973.733SC, autos nº 2007/01769940, admitido nos termos do dispositivo legal acima transcrito, o STJ entendeu que: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR 0 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, Fl. 619DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO Processo nº 10680.012990/200755 Acórdão n.º 9202003.104 CSRFT2 Fl. 29 9 DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4°, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatacão de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 38 ed., Max Limonad, Sao Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. 0 dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 40, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 38 ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10° ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3a ed., Max Limonad, Sao Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponiveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Fl. 620DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO 10 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) o entendimento acima sedimentado e agora pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça não deixa espaços para outras divagações ou interpretações senão a amplamente exposta e defendida pela Fazenda Pública: ainda que se trate de tributo sujeito ao lançamento sob a modalidade por homologação, não ocorrendo a antecipação do pagamento do tributo apurado, para aferição do prazo decadencial, deverá ser aplicada a regra prevista no artigo 173, inciso I, do CTN, independentemente da constatação de ocorrência de fraude, dolo ou simulação na espécie; cabe observar que, no andamento processual do Recurso Especial em epígrafe, consta o trânsito em julgado do acórdão alhures transcrito em 22/10/2009; é cediço que as normas regimentais consignam como necessária admissibilidade do recurso especial a demonstração da existência de divergência entre as INTERPRETAÇÕES adotadas em torno da legislação tributária pelo acórdão recorrido e qualquer outro acórdão de quaisquer das Câmaras dos Conselhos de Contribuintes ou da própria Câmara Superior de Recursos Fiscais; portanto, para caracterização do dissídio jurisprudencial, é imprescindível a demonstração de interpretações jurídicas que se mostrem contrárias, devidamente demonstrada a similitude fática entre os acórdãos confrontados; Como visto, o ora recorrente não logrou êxito em demonstrar a existência do dissídio jurisprudencial para fins de admissibilidade de seu recurso especial, por todos os motivos acima expostos; notadamente, o juízo de admissibilidade recursal decompõese em várias etapas, razão pela qual os requisitos necessários ao prosseguimento do recurso são avaliados em mais de um momento, seja pela autoridade a quo, seja, até mesmo, pela CSRF, que pode conhecêlo ou não; o Poder Judiciário, ao enfrentar questão similar dentro deste âmbito dos recursos de uniformização de posicionamento, assevera que a decisão acerca da admissibilidade não está congelada no tempo, renovandose diante da modificação das circunstâncias que a embasavam.; o Superior Tribunal de Justiça, por exemplo, não promoveria novo juízo de admissibilidade se fosse suficiente ao processamento do recurso a mera análise do paradigma, pelo julgador a quo, no ato da interposição; a propósito, verificamse duas súmulas neste sentido: “Não cabem embargos de divergência quando a jurisprudência do tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado. (CORTE ESPECIAL, julgado em 16.10.1996, DJ 22.10.1996 p. 40503).” Fl. 621DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO Processo nº 10680.012990/200755 Acórdão n.º 9202003.104 CSRFT2 Fl. 30 11 “Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida. (CORTE ESPECIAL, julgado em 18.06.1993, DJ 02.07.1993 p. 13283).” por todas as razões acima expostas, não demonstrado o cumprimento dos requisitos regimentais para interposição e admissão do recurso especial de fls. 501/516, requer seja negado seguimento ao mesmo. Da decadência caso ultrapassadas as digressões tecidas no tópico anterior, o que se admite apenas por amor ao debate, passase à análise da matéria objeto do recurso de fls. 501/516; é de conhecimento amplo e geral que o STF, em 11/06/2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91 nos autos dos RE 560626 556664 559882 — 559943, tendo, incontinenti, editado a súmula de n° 08, publicada no DOU de 20/06/2008 (após proferido o acórdão de fls. 142/164 e antes da interposição do recurso especial), segundo a qual: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do DecretoLei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” por outro lado, o Parecer PGFN/CAT nº 1.617/2008, aprovado pelo Excelentíssimo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, sintetizou as orientações a serem seguidas pelos Órgãos do Ministério da Fazenda tendo concluído que: “49. Lembrando que nem toda a Lei n° 6.830, de 22 de setembro de 1980, cuida somente de créditos tributários, e que, portanto, para efeitos daquela norma devese atentar à especificidade dos créditos, as observações aqui elencadas promovem síntese pontual, da forma que segue: a) A Súmula Vinculante n° 8 não admite leitura que suscite interpretação restritiva, no sentido de não se aplicar efetivamenteo prazo de decadência previsto no Código Tributário Nacional; é o regime de prazos do CTN que deve prevalecer, em desfavor de quaisquer outras orientações normativas, a exemplo das regras fulminadas; b) apresentada a declaração pelo contribuinte (GFIP ou DCTF, conforme o tributo) não ha necessidade de lançamento pelo fisco do valor declarado, podendo ser lançado apenas a eventual diferença a maior não declarada (lançamento suplementar); c) na hipótese do subitem anterior, caso o Fisco tenha optado por lançar de oficio, por meio de NFLD, as diferenças declaradas e não pagas em sua totalidade, aplicase o prazo decadencial dos arts. 150, § 4°, ou 173 do CTN, conforme tenha havido antecipação de pagamento parcial ou não, respectivamente o prazo prescricional, ainda, e por sua vez, contase da constituição definitiva do crédito tributário; Fl. 622DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO 12 d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. . 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4° do art. 150 do CTN; f) para fins de cômputo do prazo de decadência, todas as vezes que comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação deve se aplicar o modelo do inciso I, do art. 173, do CTN; g) Para fins de cômputo do prazo de prescrição, nas declarações entregues antes do vencimento do prazo para pagamento devese contar o prazo prescricional justamente a partir do dia seguinte ao dia do vencimento da obrigação; quando a entrega se faz após o vencimento do prazo para pagamento, o prazo prescricional é contado a partir do dia seguinte ao da entrega da declaração; h) A súmula em apreço, em princípio, qualificaria interpretação literal: todo o art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, estaria alcançado pela inconstitucionalidade. Porém, por tratarse de matéria do mais amplo alcance público, o intérprete deve buscar resposta conciliatória, que não menoscabe expectativas de alcance de benefícios; principalmente, e do ponto de vista mais analítico, devese observar que há excertos do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, que não seriam substancialmente alcançados pela decisão do Supremo Tribunal Federal.” inobstante as considerações acima expostas, cumpre observar também que, caso constatada a existência de nulidade de lançamento anterior por vicio formal, a regra a ser seguida para a contagem do prazo decadencial deve ser a preconizada pelo artigo 173, inciso II, do CTN, assim como, tratandose de cancelamento de isenção não se pode olvidar o disposto no artigo 175 do citado Código: no que concerne à decadência, o §4° do art. 150 do CTN explicita a modalidade de lançamento por homologação, segundo a qual o sujeito passivo apura o montante tributável e antecipa o pagamento; logo, para que se possa cogitar de lançamento por homologação a ensejar a aplicação do artigo 150, § 4° do CTN, o contribuinte deve ter procedido à antecipação do pagamento do tributo; não ocorrendo a antecipação do pagamento, nada há a homologar, ocorrendo, em verdade, lançamento de oficio, o qual rende ensejo, para determinação do termo inicial da contagem do prazo de decadência, à aplicação da norma contida no art. 173, I, do CTN; desse modo, o Col. Superior Tribunal de Justiça, ao interpretar a combinação entre os dispositivos do art. 150, § 4° e 173, I, do CTN, entende que, não se verificando recolhimento de exação e montante a homologar, nem havendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação segue, respectivamente, a disciplina normativa do art. 173, inciso I e parágrafo único, do CTN. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO Processo nº 10680.012990/200755 Acórdão n.º 9202003.104 CSRFT2 Fl. 31 13 e, nesse sentido, já decidiu o Superior Tribunal de Justiça, conforme ementa abaixo: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ACÓRDÃO RECORRIDO. FUNDAMENTO INATACADO. SÚMULA 2831STF. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMBARGOS A EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. ART. 150, § 4° E 173, I, AMBOS DO CTN. 1. Impede o conhecimento do recurso especial, quando o recorrente deixa de atacar fundamento central adotado pelo acórdão recorrido, ante o óbice sumular de n° 283 do Pretório Excelso. 2. Se não houve pagamento antecipado pelo contribuinte, não há o que homologar nem se pode falar em lançamento por homologação. Surge a figura do lançamento direto substitutivo, previsto no art. 149, V do CTN, cujo prazo decadencial regese pela regra geral do art. 173, I do CTN. (Resp 614833, Min. Rel. Castro Meira, 2a Turma, julgado em 21/03/2006 , DJ de 30/03/2006) — Grifei. registrese que a matéria concernente ao termo inicial de contagem do prazo decadencial de tributos foi recentemente objeto do procedimento de recurso especial representativo de controvérsia, nos termos do art. 543C do CPC, verbis: "Art. 543C. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o recurso especial será processado nos termos deste artigo. (Incluído pela Lei n° 11.672, de 2008). § 1°. Caberá ao presidente do tribunal de origem admitir um ou mais recursos representativos da controvérsia, os quais serão encaminhados ao Superior Tribunal de Justiça, ficando suspensos os demais recursos especiais ate o pronunciamento definitivo do Superior Tribunal de Justiça. (Incluído pela Lei n° 11.672, de 2008). § 2°. Não adotada a providência descrita no § lº deste artigo, o relator no Superior Tribunal de Justiça, ao identificar que sobre a controvérsia já existe jurisprudência dominante ou que a matéria já está afeta ao colegiado, poderá determinar a suspensão, nos tribunais de segunda instancia, dos recursos nos quais a controvérsia esteja estabelecida. (Incluído pela Lei n° 11.672, de 2008). § 3°. O relator poderá solicitar informações, a serem prestadas no prazo de quinze dias, aos tribunais federais ou estaduais a respeito da controvérsia. (Incluído pela Lei n° 11.672, de 2008). § 4°. O relator, conforme dispuser o regimento interno do Superior Tribunal de Justiça e considerando a relevância da matéria, poderá admitir manifestação de pessoas, Órgãos ou entidades com interesse na controvérsia. (Incluído pela Lei n° 11.672, de 2008). Fl. 624DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO 14 § 5°. Recebidas as informações e, se for o caso, após cumprido o disposto no § 4º deste artigo, terá vista o Ministério Público pelo prazo de quinze dias. (Incluído pela Lei n° 11.672, de 2008). § 6°. Transcorrido o prazo para o Ministério Público e remetida cópia do relatório aos demais Ministros, o processo será incluído em pauta na seção ou na Corte Especial, devendo ser julgado com preferência sobre os demais feitos, ressalvados os que envolvam réu preso e os pedidos de habeas corpus. (Incluído pela Lei n° 11.672, de 2008). § 7°. Publicado o acórdão do Superior Tribunal de Justiça, os recursos especiais sobrestados na origem: (Incluído pela Lei n° 11.672, de 2008). I terão seguimento denegado na hipótese de o acórdão recorrido coincidir com a orientação do Superior Tribunal de Justiça; ou (Incluído pela Lei n° 11.672, de 2008). II serão novamente examinados pelo tribunal de origem na hipótese de o acórdão recorrido divergir da orientação do Superior Tribunal de Justiça. (Incluído pela Lei n° 11.672, de 2008). § 8° Na hipótese prevista no inciso ll do § 7o deste artigo, mantida a decisão divergente pelo tribunal de origem, farseá o exame de admissibilidade do recurso especial. (Incluído pela Lei n° 11.672, de 2008). § 9° 0 Superior Tribunal de Justiça e os tribunais de segunda instância regulamentarão, no âmbito de suas competências, os procedimentos relativos ao processamento e julgamento do recurso especial nos casos previstos neste artigo. (Incluído pela Lei n° 11.672, de 2008)". no acórdão proferido no Recurso Especial n° 973.733SC, autos n° 2007/01769940, admitido nos termos do dispositivo legal acima transcrito, o STJ entendeu que: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE 0 FISCO CONSTITUIR 0 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4°, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. 0 prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ Fl. 625DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO Processo nº 10680.012990/200755 Acórdão n.º 9202003.104 CSRFT2 Fl. 32 15 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. E que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3° ed., Max Limonad, Sao Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte A ocorrência do fato imponivel, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 40, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3° ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10° ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3° ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponiveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) o entendimento acima sedimentado e agora pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça não deixa espaços para outras divagações ou interpretações senão a amplamente exposta e defendida pela Fazenda Pública: ainda que se trate de tributo sujeito ao Fl. 626DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO 16 lançamento sob a modalidade por homologação, não ocorrendo a antecipação do pagamento do tributo apurado, para aferição do prazo decadencial, deverá ser aplicada a regra prevista no artigo 173, inciso I, do CTN, independentemente da constatação de ocorrência de fraude, dolo ou simulação na espécie; assim, diante do entendimento agasalhado pelo STJ acerca da matéria decadência em sede de recurso repetitivo, é necessário voltar a atenção para o disposto no art. 62A do RICARF, verbis: "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1° Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2° 0 sobrestamento de que trata o § 1º serÁ feito de ofÍcio pelo relator ou por provocação das partes." cabe observar que, no andamento processual do Recurso Especial em epígrafe, consta o trânsito em julgado do acórdão alhures transcrito em 22/10/2009; registrese que o recolhimento antecipado do tributo deve estar devidamente comprovado nos autos e que declaração não equivale necessariamente à antecipação de pagamento; noutros termos, a constatação de que ocorreu o recolhimento antecipado do tributo deve derivar de provas carreadas aos autos e não advir de mera presunção por parte do julgador; ademais, a antecipação do pagamento do tributo deve estar lastreada em prova hábil e idônea à comprovação desse fato (DARF's, relatório e/ou planilhas elaboradas pela auditoria fiscal, etc.); cabe destacar que a alegação de decadência é matéria de defesa que contém a afirmação de fato impeditivo do direito da União de exigir o crédito tributário; assim, nos termos do art. 333, inciso II, do Código de Processo Civil, o ônus da prova do pagamento é do contribuinte para fins de aplicação do art. 150, § 4°, do CTN na contagem do prazo decadencial segundo a tese aqui esposada (cita doutrina de Luciano Amaro); oriundos deste Conselho de Contribuintes, também se destacam inúmeros julgados que deram aplicação ao art. 173, I, do CTN, ante a constatação de que o contribuinte não havia antecipado o pagamento do tributo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ementa: TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CREDITO. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO Processo nº 10680.012990/200755 Acórdão n.º 9202003.104 CSRFT2 Fl. 33 17 E inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n.° 08 do STF. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°). Recurso Especial do Sujeito Passivo Negado (Recurso n° 202 126930, SEGUNDA TURMA do CSRF, Relator Antônio José Praga de Souza, Acórdão: CSRF/0203.331); Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 30/05/1997 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. ENTENDIMENTO DO STJ. ART. 173, INCISO I, DO CTN. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Assim, deve ser seguida a interpretação adotada pelo STJ no julgamento proferido pela 1ª Seção no Recurso Especial de n ° 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 40 do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, assim caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo assim ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Embargos Conhecidos. Recurso Voluntário Provido (Recurso 150228, QUINTA CÂMARA DO 2° CC, Marco André Ramos Vieira, ACÓRDÃO 20500754). aliás, conforme já alinhavado alhures, até mesmo os paradigmas declinados pelo contribuinte em seu recurso especial esposaram idêntico entendimento (acórdãos n° 206 01219 fls. 530/537 e n° 20501073 fls. 519/529); portanto, levandose em conta a superveniência da Súmula Vinculante n° 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal, de caráter cogente, impõese a sua observância, à luz das considerações tecidas no Parecer PGFN/CAT n° 1.617/2008; no caso em apreço, devese ter em mira que o lançamento referese aos períodos de apuração compreendidos entre 06/1997 e 07/2003, conforme, sendo que não Fl. 628DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO 18 houve, em nenhuma competência, a antecipação ainda que parcial do tributo devido, nos termos do Discriminativo Analítico de Débito de fls. 04/35, do Relatório Fiscal de fls. 88/92 e dos demais elementos colacionados aos autos; não se pode perder de vista que a presente NFLD teve como fatos geradores diversas rubricas de remuneração contidas nas folhas de pagamento e não consideradas pela empresa como incidentes de contribuição; o sujeito passivo foi cientificado do teor do lançamento em 04/10/2006 (fls. 01), logo, para fins de analise acerca da decadência dos períodos lançados, sobretudo para determinarse a regra de contagem aplicável, cumpre voltar os olhos para o Discriminativo Analítico de Débito (fls. 04/35), o qual fornece, para cada período de apuração, uma comparação entre o crédito tributário apurado, os valores eventualmente recolhidos e os débitos lançados pela auditoria, relativamente ao valor principal, sem olvidar as informações contidas no Relatório Fiscal de fls. 88/92; reparese que o sujeito passivo sequer reconhece a incidência das contribuições previdenciárias na hipótese, consoante registrado no Relatório Fiscal, e conforme se pode perceber pelo teor de sua impugnação e de seu recurso voluntário; não se pode olvidar que o disposto no artigo 150, § 4°, do CTN não deve ser aplicado indistintamente a todas as competências e levantamentos, devendose perquirir acerca de cada período de apuração e cada lançamento (rubricas), se houve antecipação de pagamento do tributo devido, ainda que parcial, por parte do contribuinte; caso não haja antecipação do pagamento na competência especifica, conforme esclarecido alhures, nada há a homologar, devendo a regra de contagem, para esse particular período de apuração na qual ocorra essa hipótese, observar o prescrito no artigo 173, inciso I, do CTN; para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora colimados, afigurase óbvia a necessidade de verificarse se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos; exemplificando: não faz sentido dizer que houve pagamento parcial na hipótese em que seja cobrada contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos a título de seguro de vida, quando o pagamento realizado cingiuse apenas à contribuição incidente sobre pagamento do salário propriamente dito, pago em espécie e em valor fixo; nessa situação, é inadmissível dizer que houve adimplemento parcial quanto à contribuição previdenciária cobrada, qual seja, aquela incidente sobre o citado seguro de vida; nessa linha, cumpre considerar ademais que não há nos autos qualquer prova no sentido de que o contribuinte procedeu ao regular recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre as folhasdesalário normal; pagamento não se presume, ainda mais em sede de recurso especial, cuja finalidade não é a rediscussão do conjunto fáticoprobatório; aqui se afigura conveniente trazer à colação as lúcidas palavras da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, exaradas em seu voto no bojo do Acórdão n.° 20601.033 e do Acórdão n° 20601.352, in litteris: Fl. 629DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO Processo nº 10680.012990/200755 Acórdão n.º 9202003.104 CSRFT2 Fl. 34 19 "Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173, ou art. 150, do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, s6 assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 40, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar crédito pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. Entendo que atribuir esse mesmo raciocínio a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias é no mínimo abrir ao contribuinte possibilidades de beneficiarse pelo seu "desconhecimento ou mesmo interpretação tendenciosa" para sempre escusarse ao pagamento de contribuições que seriam devidas. De forma sintética, podemos separar duas situações: em primeiro, aquelas em que não ha por parte do contribuinte o reconhecimento dos valores pagos como salário de contribuição, é o caso, por exemplo, dos salários indiretos não reconhecidos (PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS, PRÉMIOS, ALIMENTAÇÃO EM DESACORDO COM O PAT, ABONOS, AJUDAS DE CUSTO, GRATIFICAÇÕES, ETC). Nestes casos, incabível considerar que houve pagamento antecipado, simplesmente, porque caso não ocorresse a atuação do fisco, nunca haveria referido recolhimento. Tal fato pode ainda ser ratificado, pela não informação, por parte do contribuinte do salário de contribuição em GFIP. Nesse caso, toda a máquina administrativa, em especial a fiscalização federal terá que ser movida para identificar a existência pontual de contribuições a serem recolhidas. Não 6 algo que se possa determinar pelo simples confronto eletrônico de declarações e guias de recolhimento. Dessa forma, em sendo desconsiderada a natureza tributária de determinada verba, como poderseia considerar que houve antecipação de pagamento de contribuições. Entendo que s6 se antecipa, aquilo que se considera. Como considerar que houve antecipação de pagamento de algo que o contribuinte nunca pretendeu recolher(?). [...] A acepção do termo remuneração não pode ser, para fins de definição do salário de contribuição una, tanto o é, que a doutrina e jurisprudência trabalhistas não admitem o pagamento Fl. 630DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO 20 aglutinado das verbas trabalhistas, o denominado salário complexivo ou complessivo. Considerar que os fatos geradores são únicos, e, portanto, a remuneração deva ser considerada como algo global, é desconsiderar a complexidade das contribuições previdenciárias, bem como a natureza da relação laboral. Até poderíamos aceitar tal conclusão, em uma analise simplória, acerca do faturamento das empresas e as contribuições que incidam sobre esta base de cálculo, mas o mesmo raciocínio não pode ser atribuído às contribuições previdenciárias, onde existe até mesmo, documento próprio para que o contribuinte indique mensalmente e por empregado o que é devido e realize o recolhimento das contribuições correspondentes a estes fatos geradores.” o raciocínio exposto apresentase irretocável, no sentido de que a simples circunstância de integrarem a base de cálculo (remuneração) da contribuição previdenciária não tem o condão de conferir a fatos diversos e autônomos a mesma natureza jurídica; na rota desse pensamento, cumpre averbar que se determinado fato relevante ao direito tributário gera contribuição previdenciária a cargo da empresa, nos termos da lei, o pagamento parcial antecipado estaria configurado tãosomente se houvesse recolhimento de valores atinentes àquele especifico fato, caso contrário, se o pagamento refere se a outras situações fáticas também previstas em lei como geradoras do tributo, temse hipótese diversa e não há como se sustentar a existência de antecipação de pagamento; comentado entendimento encontrase pacificado na 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF (antiga 5ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes), segundo depreende se do votocondutor do Acórdão n.° 20501.257, da lavra do Conselheiro Júlio César Vieira Gomes, in verbis: “Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei nº 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional se aplicar ao caso concreto. Compulsando os autos, constatase através do Discriminativo Analítico do Débito que o recorrente não efetuou pagamento parcial de suas obrigações as quais se refere o lançamento. Daí, deve prevalecer a regra trazida pelo artigo 173, I, do CTN.” além dos fundamentos até aqui expendidos, é preciso ter em mente que a indevida aplicação do art. 150, § 4.°, do CTN, em detrimento da regra encartada no art. 173, I, daquele diploma legal, tem normalmente como efeito imediato a liberação de exações relativas a diversas competências, já que a decadência vai corroer créditos da União em interstícios nos quais não deveria operar nenhum efeito; por todas essas razões, considerando que o contribuinte sequer reconheceu os valores cobrados como salários de contribuição, ou seja, não reconheceu a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias lançadas na espécie, e com isso não efetuou qualquer antecipação de pagamento, ainda que parcial, é imperativa a aplicação do art. 173, I, do CTN ao caso dos autos, para a contagem da decadência; ante todo o exposto, pugna a Fazenda Nacional pela manutenção do acórdão recorrido que aplicou corretamente ao caso concreto a Súmula Vinculante n° 08 e o Parecer PGFN/CAT n° 1.617/2008, ao determinar que o prazo decadencial fosse contado nos estreitos Fl. 631DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO Processo nº 10680.012990/200755 Acórdão n.º 9202003.104 CSRFT2 Fl. 35 21 limites preconizados pelo artigo 173, inciso I. do CTN, considerandose individualmente cada rubrica componente do lançamento. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja negado seguimento ao recurso especial, interposto pelo contribuinte e, caso contrário, o que admite apenas por amor ao debate, postula pela manutenção do acórdão recorrido, que aplicou ao caso concreto a Súmula Vinculante n° 08 e o Parecer PGFN/CAT n° 1.617/2008, ao determinar que o prazo decadencial fosse contado nos estreitos limites preconizados pelo artigo 173, I, do CTN. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial interposto pela Contribuinte é tempestivo, restando perquirir acerca do cumprimento dos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase de NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, por descumprimento de obrigação principal, tendo em vista o pagamento/fornecimento de alimentação sem as condições legais para a não integração ao SaláriodeContribuição (SC), relativamente ao período de apuração de 01/06/1997 a 31/07/2003. A ciência do lançamento ocorreu em 04/10/2006 (fls. 01). No acórdão recorrido, declarouse a decadência até a competência 11/2000, aplicandose o art. 173, inciso I, do CTN. No Recurso Especial, a Contribuinte visa ampliar a decadência, invocando o art. 150, § 4º, do mesmo Código. Em sede de ContraRazões, a Fazenda Nacional pede o não conhecimento do Recurso Especial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas. Ademais, argumenta que os julgados em confronto adotaram o mesmo entendimento, de sorte que não se demonstrou a alegada divergência jurisprudencial. A Contribuinte indicou como paradigmas os Acórdãos nºs 20601.219 e 205 01.073. Antes de analisar os paradigmas, importa salientar que se trata de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, à luz do mesmo ordenamento jurídico. No caso do acórdão recorrido, o entendimento foi no sentido de que, não se verificando pagamento, deveria ser aplicado o art. 173, I, do CTN. Confirase: Ementa “DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO.” Fl. 632DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO 22 Voto condutor “Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4°, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. Por não haver recolhimentos a homologar, a regra relativa à decadência – que deve ser aplicada ao caso encontrase no art. 173, I: o direito de constituir o crédito extinguese em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. (...) Destarte, como no lançamento, a ciência do sujeito passivo, momento da constituição do crédito, ocorreu em 10/2006 e o período do lançamento referese a fatos geradores ocorridos nas competências 06/1997 a 07/2003 todas as contribuições apuradas até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, devem ser excluídas do presente lançamento.”(grifei) Quanto ao primeiro paradigma – Acórdão nº 20601.219 – como foi efetuado pagamento antecipado, foi aplicado o art. 150, § 4°. Confirase: Ementa “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO UTILIDADE. SALÁRIO INDIRETO AUXÍLIO CRECHE. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n.° 8 do STF. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°). No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 4° do CTN. Recurso Voluntário Provido.” Voto condutor “No caso em exame, ocorreu a antecipação do pagamento pelo sujeito passivo. Razão pela qual se aplica a regra do art. 150, § 4°, do CTN, ou seja, contase o prazo decadencial a partir do fato gerador. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO Processo nº 10680.012990/200755 Acórdão n.º 9202003.104 CSRFT2 Fl. 36 23 Portanto, na data da ciência da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, que se deu em 12/12/2006, todas as contribuições (período de 01/01/1996 a 31/12/1998), já se encontravam fulminadas pela decadência.” Com efeito, não se vislumbra onde residiria a alegada divergência, já que o acórdão recorrido e esse primeiro paradigma encontramse em total sintonia, aplicando a mesma lógica: ausente o pagamento, aplicase o art. 173, inciso I, do CTN; por outro lado, se foi feito pagamento, utilizase o art. 150, § 4º, do mesmo Código. Ocorre que, no caso do paradigma ocorreu a antecipação do pagamento, o que não se verificou no caso do acórdão recorrido, daí as soluções diversas. Releva notar que não consta deste primeiro paradigma qualquer menção à tese defendida pela Contribuinte em suas razões de recurso, no sentido de que “a base de cálculo dos recolhimentos previdenciários ora discutidos, compreende o salário de contribuição e o total da remuneração paga ou creditada, razão pela qual não é legitima a consideração individual, por rubrica que os compõem, para efeito de análise da configuração das hipóteses de ausência de recolhimento ou de insuficiência, com a conseqüente definição da regra de decadência disposta no CTN”. Tampouco há qualquer discussão acerca de que “o recolhimento insuficiente das contribuições, hábil a fazer incidir a regra do § 4° do artigo 150 do CTN, é identificado tomandose em consideração o salário de contribuição e o total das remunerações pagas ou creditadas, enquanto valores empregados na mensuração das exações”.Tais considerações foram trazidas pela Contribuinte apenas como razões de Recurso Especial, porém o cotejo dos julgados não permite extrair tais conclusões à guisa de divergência. Por oportuno, esclareçase que o ônus de demonstrar a divergência é do Recorrente, conforme o art. 67, §§ 3º e 6º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, que assim dispõe: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. (...) § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido.” Quanto ao segundo paradigma – Acórdão 20501.073 – a decadência foi assim abordada: Ementa Fl. 634DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO 24 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1999 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. ENTENDIMENTO DO STJ. ART. 150, PARÁGRAFO 4º DO CTN. DECADÊNCIA PARCIAL. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4° do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. No caso, houve pagamento antecipado, ainda que parcial, sobre as rubricas lançadas, conforme relatório fiscal (DAD). Assim, aplicase a regra prevista no art. 150, parágrafo 4° do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido em Parte.” (grifei) Voto condutor “As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4° do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Se não houver pagamento antecipado sobre a rubrica há que ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4° do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Além da verificação da ocorrência ou não do pagamento antecipado, há que se analisar se a fiscalização notificou ou não o contribuinte de medida preparatória necessária ao lançamento, quando da aplicação do disposto no art. 173, incisos I ou II. Nessa hipótese, o prazo de cinco anos para constituição do crédito contarseia da notificação da medida preparatória para a realização do lançamento. Da mesma forma é aplicado o disposto no art. 173, parágrafo único do CTN, nos casos de necessidade de apuração de dolo, fraude ou simulação, quando o lançamento for por homologação e tiver havido pagamento parcial. Na hipótese concretizada, houve pagamento antecipado, ainda que parcial, sobre os valores lançados, conforme relatório fiscal (DAD). Assim, aplicase o previsto no art. 150, parágrafo Fl. 635DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO Processo nº 10680.012990/200755 Acórdão n.º 9202003.104 CSRFT2 Fl. 37 25 4° do CTN; desse modo, a contar dos fatos geradores, a fiscalização federal teria o prazo de cinco anos para efetuar o lançamento fiscal. Se fosse o caso de se caracterizar dolo, fraude ou simulação, a par do pagamento parcial, o prazo de cinco anos seria para notificar o contribuinte da medida preparatória para investigação e apuração da fraude, do dolo ou da simulação. A partir dessa notificação da medida preparatória o Fisco possui o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário. Seguindo a interpretação da I a Seção do STJ, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4°, do artigo 150 do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador.” (grifei) Cotejandose esse segundo julgado com o acórdão recorrido, também não se vislumbra onde residiria a divergência, eis que no paradigma não só ocorreu o pagamento antecipado, como dito pagamento foi efetuado sobre os valores lançados, conforme o relatório fiscal DAD. Na ementa do paradigma, inclusive, encontrase expresso o entendimento no sentido de que a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, requer a antecipação de pagamento por rubrica, o que colide frontalmente com a tese encampada pela Contribuinte em seu Recurso Especial. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial, interposto pela Contribuinte. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 636DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 07/04/2014 por MARIA HELENA COTTA C ARDOZO
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Numero do processo: 10650.001062/2004-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
PIS. DIVERGÊNCIA ENTRE DIPJ E DCTF. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONFISSÃO.
Nos termos da IN/SRF nº 127/98, a partir do ano-calendário de 1999 a Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ, tem caráter meramente informativo, sendo o único instrumento de confissão de dívidas a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO - Relator.
(Assinado Digitalmente)
EDITADO EM: 21/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO - Relator. (Assinado Digitalmente) EDITADO EM: 21/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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DIVERGÊNCIA ENTRE DIPJ E DCTF. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONFISSÃO. Nos termos da IN/SRF nº 127/98, a partir do anocalendário de 1999 a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, tem caráter meramente informativo, sendo o único instrumento de confissão de dívidas a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Relator. (Assinado Digitalmente) EDITADO EM: 21/01/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 00 10 62 /2 00 4- 70 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda “Trata o processo de lançamento de Imposto de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, no montante de R$ 5.959,73, acrescido de multa de oficio e juros de mora (fls. 6 a 12). Em 03/06/2004, a interessada foi intimada a apresentar, dentre outros, demonstrativo da base de cálculo do tributo referente ao período de 01/00 a 03/2004 (fls. 15 a 26 e AR A fl. 82). Em atendimento, apresentou a resposta de fls. 27/28, acompanhada de demonstrativos mensais referentes aos meses de janeiro/2000 a dezembro de 2003 e planilha de apuração de impostos (fls. 29 a 80). Em 12/08/2004, foi intimada a justificar ou confirmar as divergências verificadas entre as bases de cálculo informadas nos demonstrativos encaminhados e as declaradas nas DCTF (fls. 81). Em atendimento, apresentou a resposta de fls. 83/84. Conforme a descrição dos fatos que consta do Auto de Infração, durante o procedimento de verificações obrigatórias foram apuradas divergências entre os valores declarados nas DCTF e os admitidos pelo contribuinte mediante demonstrativo assinado (e declarados na DIPJ). Dessa forma, foi efetuado o lançamento da diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago. As fl. 13/14, encontrase demonstrativo elaborado pela fiscalização com a consolidação dos valores. O enquadramento legal encontrase As fls. 7/8. No que se refere A atualização monetária, o enquadramento legal correspondente encontrase a fl. 11. Cientificada do Auto de Infração em 18/08/2004, a interessada apresentou, em 17/09/2004, a impugnação de fls. 127 a132, na qual alega, em síntese: as divergências mencionadas pela fiscalização foram denunciadas pelo próprio contribuinte, seja por intermédio das declarações e demonstrativos apresentados à fiscalização, seja pela denúncia formal efetuada por ocasião da entrega tempestiva das Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ); as informações prestadas nas DIPJ configuram a boafé e a clara pretensão de estar cumprindo as determinações legais; Fl. 242DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10650.001062/200470 Acórdão n.º 3302001.908 S3C3T2 Fl. 238 3 a denúncia dos valores em que se baseou os autuantes forma o crédito declarado e reconhecido pelo contribuinte, portanto passível de recolhimento integral ou por parcelamento devidamente autorizado pelas autoridades fiscais; dessa forma, por ocasião da permissão do Programa de Recuperação Fiscal — REFIS, Lei n° 9.964/2000, firmou o Termo de Opção, posteriormente confirmado pela SRF, e passou a recolher os tributos nas condições impostas, na expectativa de ter a consolidação total dos tributos devidos e consolidação dos créditos da União, com base nas informações prestadas SRF; posteriormente, em 30/07/2003, efetuou a opção ao novo REFIS (PAES), instituído pela Lei n° 10.694/2003; com a entrega e apresentação das DIPJ nos anos calendário de 2000, 2001, 2002 e 2003, os valores foram integralmente informados e confessados ao Fisco, de acordo com as normas vigentes; o lançamento contrapõe a vontade do contribuinte em regularizar a sua situação perante o Fisco; a determinação chega como uma "penalização" injusta e incabível, com a aplicação de multas acima da possibilidade permitida pela legislação; com o cumprimento das obrigações perante o PAES, a interessada tem aguardado o pronunciamento do Fisco em relação A consolidação dos valores para que a situação fique regularizada.” Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento. Intimada do acórdão supra em 21.12.2007, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 18.01.2008. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Tratase de recurso voluntário interposto em face do acórdão n.° 1215.133, da lª Turma da DRJ/RJO I, que julgou procedente o lançamento relativo a contribuição para o IS, no valor total de R$ 5.959,73, acrescido de multa de oficio e de juros de mora (fls. 206/210). Fl. 243DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO 4 A exigência fiscal consubstanciada no auto de infração de fls. 06/08 decorre de ação fiscal promovida pela DRF de Uberaba — MG, que verificou a existência de divergências entre os valores declarados nas DCTF´s e os admitidos e declarados na DIPJ pelo contribuinte, com relação ao Programa de Integração Social — PIS nos anoscalendário de 2000, 2001, 2002 e 2003. A DIPJ apresentada pelo contribuinte está com os dados divergentes da DCTF. Nos termos da IN/SRF nº 127/98, a partir do anocalendário de 1999 a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, tem caráter meramente informativo, sendo o único instrumento de confissão de dívidas a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF. Sendo a DCTF único instrumento que caracteriza a confissão de dívida, caberia ao Contribuinte declarar os valores divergentes na DCTF correspondente ao período fiscalizado, encerrando a divergência encontrada entre a DIPJ e a DCTF, regularizando, assim sua confissão de dívida. Cumpre salientar que a mera existência de débitos informados à autoridades fiscais, não autoriza a inclusão dos mesmos em programas especiais de parcelamento, tais como Refis e Paes. Vale dizer que, cabia à Recorrente, com exclusividade, indicar quais os débitos que pretendia ver incluídos nos pedidos de parcelamento, para só então, nos termos da lei que os instituiu, confessálos de forma irretratável. A DCTF — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, instituída pela IN 126/98, deve ser apresentada trimestralmente a partir do ano calendário 1999 com informações sobre IRPJ e CSLL entre outros tributos (art. 4º). A fiscalização deve ponderar a declaração de dívida do contribuinte na DCTF, bem como as compensações, com auxílio das informações prestadas em DIPJ, e eventuais diferenças devem integrar o lançamento de oficio. Assim, os saldos a pagar, informados na DCTF, devem ser enviados para inscrição em Dívida Ativa, nos termos do § lº do art. 7º da IN 126/98. Para a solução desta questão caberia ao contribuinte juntar à sua defesa a documentação contábil que deu suporte ao preenchimento das declarações, bem como que os valores verificados pelo Fisco, foram incluídos nos programas de recuperação fiscal, todavia, em momento algum foi feito. Assim, considerando que a confissão da dívida do tributo é formalizada com a DCTF e devido ao fato da DIPJ possuir apenas o caráter informativo, deve ser mantido o acórdão proferido pela DRJ. Por todo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 29 de novembro de 2012. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10650.001062/200470 Acórdão n.º 3302001.908 S3C3T2 Fl. 239 5 GILENO GURJÃO BARRETO Relator (Assinado Digitalmente) Fl. 245DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 03/02/201 4 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por GILENO GURJAO BARRETO
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Numero do processo: 10980.905655/2008-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), WALDIR VEIGA ROCHA, MARCIO RODRIGO FRIZZO, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), WALDIR VEIGA ROCHA, MARCIO RODRIGO FRIZZO, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
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Recorrente COTRASA COMERCIO DE TRANSPORTES E VEICULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), WALDIR VEIGA ROCHA, MARCIO RODRIGO FRIZZO, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 05 65 5/ 20 08 -0 7 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.905655/200807 Resolução nº 1302000.278 S1C3T2 Fl. 198 2 Relatório Tratase de recurso voluntário. Na origem, a recorrente transmitiu PER/DCOMP n. 21707.04402.150704.1.3.039060, alegando ter crédito decorrente de “saldo negativo” de CSLL e requerendo a compensação destes com débito de IRPJ e CSLL relativos ao mês de junho de 2004. Em face do indigitado pedido, foi proferido despacho decisório (fl. 2): Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 77.091,67 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 169.135,38 CSLL devida: R$ 92.043,71 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas nu DIPJ) (CSLL devida), observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 0,00 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. (grifo não original) Em razão da não homologação da compensação apresentada, foi constituído crédito tributário de CSLL no valor de R$ 83.544,24 (valor do principal). Após ter ciência do despacho decisório, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade em 15/08/2008 (fls. 13 e ss.), na qual alega, em resumo, o seguinte: (i) Que apurou crédito de R$ 77.091,67, cujo valor atualizado na data o pedido de compensação era R$ 83.544,24; (ii) Que a autoridade fiscal confirmou o crédito no valor de R$ 57.413,46. Logo, o valor do crédito não reconhecido atinge a soma de de R$ 19.678,21; (iii) Que, além de não reconhecer parcela dos créditos, a autoridade também verificou que o crédito declarado é insuficiente para cobrir o débito de CSLL, nos termos do seguinte quadro: Descrição Valor – R$ Parcelas de crédito confirmadas 57.413,46 () CSLL devida – conforme DIPJ (92.043,71) Saldo disponível (34.630,25) (iv) Que houve equívoco no preenchimento da PER/Dcomp, pois a recorrente entendeu que “deveriam ser demonstrados [...] apenas os pagamentos/compensações suficientes a compor o valor do saldo negativo apurado, no caso em tela, no valor de R$ 77.091.67 [...].” (fl. 15). Apresenta a composição do crédito por meio dos valores recolhidos apurados em abril, maio, setembro, outubro e novembro de 2003; Fl. 203DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.905655/200807 Resolução nº 1302000.278 S1C3T2 Fl. 199 3 (v) Que a recorrente recolheu mais estimativas além das referidas acima, consoante comprova a DIPJ apresentada em 28/06/2004, donde se depreende que a CSLL recolhida mensalmente com base no balanço de redução/suspensão atinge o valor de R$ 169.135,38; (vi) Que a ficha 17 da DIPJ de 2004 (AC 2003), apresenta a seguinte formação do saldo negativo de CSLL: Descrição Valor – R$ 38. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Total 92.043,71 41. () CSLL mensal paga por Estimativa (169.135,38) 48. CSLL a pagar 77.091,67 (vii) Anexa à manifestação de inconformidade o PER/Dcomp, comprovantes de recolhimento e DIPJ, além dos documentos de praxe; (viii) Ao fim, protesta pela procedência da manifestação de inconformidade, para que os créditos sejam reconhecidos e as compensações homologadas. Por seu turno, a DRJ entendeu pela total improcedência dos argumentos da recorrente, nos termos do acórdão de fls. 99, cuja ementa transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Ano calendário: 2003, DESCUMPRIMENTO À INTIMAÇÃO PARA RETIFICAR O PER/DCOMP. Não se homologa a compensação quando o contribuinte, intimado, abstémse de promover no PER/DCOMP as retificações necessárias ao exame da consistência de seu crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em síntese, a DRJ argumentou que a recorrente foi intimada em 27/09/2006 a retificar a DIPJ ou apresentar PER/Dcomp retificadora para detalhar corretamente o crédito utilizado para compor o saldo negativo do período, mas não realizou as diligências necessárias. Assim, somente em 18/07/2008 foi proferido o despacho decisório em combate, razão pela qual deve ser mantido, pois a recorrente não adotou as providências tendentes a demonstrar a consistência de seu crédito. Intimada da decisão supratranscrita em 27/07/2010 (fl. 105), a recorrente apresentou, então, recurso voluntário em 26/08/2010 (fl. 106), para repisar o que foi dito na manifestação de inconformidade e acrescentar o seguinte, em resumo: (i) Que o art. 170 do CTN prevê o direito de compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos; Que a Lei n. 9430/96, art. 74, regulamentou o instituto; Que o Dec. 70.235/72 é fonte supletiva do pedido de compensação; Que a IN 460/2004 previa as regras sobre a compensação, na época dos fatos; (ii) Que nenhuma das normas citadas estabelece a “perda do direito à compensação”, caso não se atenda à prévia internação para realizar correções. Portanto, o entendimento da DRJ não tem fundamento legal, razão pela qual o entendimento afronta o princípio da legalidade; Fl. 204DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.905655/200807 Resolução nº 1302000.278 S1C3T2 Fl. 200 4 (iii) Que há ofensa ao princípio da verdade material, o qual, inclusive, consta no art. 4º da IN SRF 460/04, que autoriza a realização de diligências em face dos contribuintes para verificar, “mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas.”; (iv) Apresenta decisões deste Conselho e, ao final, pede a reforma da decisão em ataque. Remetido o processo para este Conselho, esta Turma entendeu pela conversão do julgamento em diligência, nos termos da ementa adiante transcrita (fls. 183): COMPENSAÇÃO – ERRO DE DECLARAÇÃO DILIGÊNCIA. A DRJ negou provimento à recorrente por erro na listagem de pagamentos que compuseram o saldo negativo na PER/DCOMP, considerando que tais informações constam de DARF, DCOMP, DCTF e DIPJ. Eventual erro formal isolado no preenchimento da PER/DCOMP não prejudica o direito ao crédito da CSLL paga a maior, desde que seja efetivamente apurada a existência dos pagamentos e inexistência de outras compensações correspondentes, para o que se pede diligência. Especificamente, foi determinado que a autoridade de origem realizasse as seguintes verificações: 1 – Verifique o andamento das Declarações de Compensação de folhas 33 e 34 nos sistemas da Receita Federal, verificando se as compensações foram homologadas ou não. Anexe ao processo as evidências dessa verificação. 2 Caso as compensações não tenham sido homologadas, anexe a este processo o despacho decisório, a manifestação de inconformidade e a última decisão disponível a respeito do litígio instaurado. 3 – Intime a contribuinte para se manifestar sobre os documentos 1 e 2 por escrito em 30 (trinta) dias, retornando o processo a este Conselho para decisão. Por fim, em cumprimento à resolução mencionada, foram oferecidas as informações constante no documento de fls. 194, o qual, em síntese, relata o seguinte: 1. Em atendimento à demanda da Sra. Conselheira Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, conforme fl. 186, informo que os débitos constantes das Declarações de Compensação em formulário, constantes das fls. 34 e 35, cadastrados, respectivamente, nos processo nºs 10980.002116/200300 e 10980.002668/200318, foram extintos conforme comprovantes de fls. 190 a 193. 2. Uma vez atendido o solicitado, proponho seja o processo encaminhado para o CARF. 3. À consideração superior. (grifo não original) É o relatório. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.905655/200807 Resolução nº 1302000.278 S1C3T2 Fl. 201 5 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O juízo de admissibilidade do recurso voluntário foi feito por ocasião da Resolução de fls. 183. Passase a apreciar, portanto, os esclarecimentos prestados pela autoridade administrativa. A recorrente reclama em seu recurso voluntário que preencheu equivocadamente sua Per/Dcomp, pois, ao invés de apontar todas as estimativas pagas no anocalendário de 2003, fez menção apenas àquelas que seriam suficientes para pagar seus débitos. Nesse contexto, e após conhecer da integralidade do processo, esta Turma entendeu necessário, em um primeiro momento, converter o julgamento em diligência para o específico fim de que fosse esclarecido se as estimativas apuradas nos meses de janeiro e fevereiro de 2003 foram efetivamente pagas. Isto porque o contribuinte, para comprovar que pagou mais estimativas no AC 2003 do que o informado na Per/Dcomp, juntou documentos demonstrando que (i) as estimativas de janeiro e fevereiro de 2003 foram pagas por meio de compensação (v. docs. fls. 34 e 35); (ii) as demais estimativas foram pagas por meio de DARF (v. docs. fls. 37 a 42). Como dito acima, a autoridade fiscal constatou (e juntou documentos), comprovando que o pedido de compensação de créditos com os débitos relativos às estimativas de janeiro e fevereiro de 2003 foram homologadas (fls. 190 a 194). Todavia, nada se afirma relativamente às estimativas de março, abril, maio, setembro, outubro e novembro de 2003, muito embora a recorrente tenha juntado as DARF referentes aos pagamentos e, em alguns casos, apresente também extrato dos pagamentos agendados em sua conta bancária. Ademais, o tema recursal se restringe a discutir se é possível que a contribuinte comprove, de modo superveniente, que sua PER/Dcomp contém erros quanto à matéria de fato, e, em logrando êxito em comprovar a verdade de sua situação, possa alterar o despacho decisório não homologatório. Portanto, é preciso que sejam prestadas informações adicionais, razão pela qual converto o julgamento em diligência para que autoridade preparadora esclareça o que segue: a) Se todas as estimativas realmente foram recolhidas e qual seu montante; b) Qual o saldo negativo existente, considerando todos os pagamentos efetuados, bem como o valor do IRPJ apurado; c) Se está correto o saldo negativo informado na Dcomp e na DIPJ. Concluída a diligência, que seja intimado o contribuinte a se manifestar no prazo de 30 dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto 7.574/2011. (assinado digitalmente) MÁRCIO RODRIGO FRIZZO Relator Fl. 206DF CARF MF Impresso em 26/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 14/01/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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