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Numero do processo: 13603.724611/2011-61
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3802-000.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 1a Turma da DRJ Belo Horizonte, que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade formalizada contra o não reconhecimento integral do direito creditório pleiteado mediante as declarações de compensação objeto dos autos, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de Apuração: 01/01/2008 a 31/01/2008 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .7 24 61 1/ 20 11 -6 1 Fl. 1478DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724611/201161 Resolução nº 3802000.236 S3TE02 Fl. 1.479 2 REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. A contribuição não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior. O reconhecimento de direito ao ressarcimento ou à compensação demanda a comprovação, pela contribuinte, da existência de crédito líquido e certo contra a Fazenda Pública. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Geram créditos os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observadas as ressalvas legais. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer fator que onere a atividade econômica, mas tãosomente como aqueles bens ou serviços que sejam diretamente empregados na produção de bens ou na prestação de serviços. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS COM TRANSPORTES. As despesas efetuadas com fretes para transferência da matériaprima ou do produto acabado entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, com fretes de bens ou mercadorias não identificadas e com fretes de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado, não utilizadas diretamente na produção, ou ao uso e consumo da pessoa jurídica, não geram direito ao creditamento. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS COM SEGUROS. Desde que suportado pela pessoa jurídica compradora, o seguro pago pelo transporte, assim como o frete, integra o custo de aquisição de bens ou mercadorias adquiridas. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS SOBRE IMPORTAÇÃO VINCULADOS A RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. A possibilidade de compensação, ou de ressarcimento em espécie, do saldo credor apurado em decorrência de operações de importação, autorizada pelo art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, alcança tãosomente os créditos previstos no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004. REGIME NÃOCUMULATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. APURAÇÃO. A autoridade competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento, restituição ou compensação de créditos poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, sendo que somente são passíveis de compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza para serem utilizados. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte O presente processo diz respeito a declarações de compensação – DCOMP relativas a saldo credor de PIS/PASEP apurado no período de 01/01/2008 a 31/01/2008, no valor total de R$ 699.163,45, em conformidade com o artigo 5º da Lei nº 10.637, de 2002. Desse montante, a unidade jurisdicionante do contribuinte já reconhecera o direito sobre a parcela de R$ 605.170,46. Por seu turno, a DRJ recorrida entendeu que deverão ser também restabelecidos os créditos apropriados sobre a utilização de água e esgoto das filiais “Contagem” e “Curitiba”, bem como os créditos relativos aos seguros pagos pelos fretes de bens ou mercadorias adquiridas pela interessada. Fl. 1479DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724611/201161 Resolução nº 3802000.236 S3TE02 Fl. 1.480 3 Assim, com base nos cálculos elaborados posteriormente pela DRF Contagem em conseqüência da decisão da DRJ, segundo os quais a quantia adicional a ser creditada em favor do sujeito passivo corresponde a R$ 280,70 (ressalvado o desconto de alguma parcela outrora compensada evidenciada em alguns processos da empresa sobre a mesma matéria), temse que o montante em litígio corresponde a R$ 93.712,29. Segue, abaixo, o relato dos fatos transcrito da decisão recorrida, o qual é padrão em todos os processos da empresa sobre essa matéria: Com o intuito de verificar a apuração do IPI, bem como o PIS e a Cofins da pessoa jurídica, foi emitido, em 11/05/2011, o Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF n.º: 06.1.10.002011004273). Em decorrência, a autoridade fiscal lavrou o Termo de Início de Fiscalização, intimando o sujeito passivo a apresentar, dentre outros elementos, arquivos digitais referentes aos itens 4.3.1, 4.3.2, 4.3.3, 4.3.4, 4.9.1 e 4.9.5 do Anexo Único do Ato Declaratório SRF/Cofis nº 15, de 2001, escrituração contábil digital, nos termos da Instrução Normativa RFB nº 787, de 2007, relação dos produtos fabricados pelo estabelecimento, certidão de objeto e pé de ações judiciais referentes ao IPI, PIS e Cofins, relação das contas contábeis referentes a créditos, receitas e exclusões da base de cálculo do PIS e da Cofins, memoriais de apuração das bases de cálculo utilizadas no preenchimento dos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon e demonstrativo dos fretes de compras de bens utilizados como insumos. De acordo com a fiscalização, a contribuinte admitiu a ocorrência de erros no preenchimento dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon. Sendo assim, os créditos foram apurados de acordo com os memoriais de apuração das bases de cálculo dos Dacon e demais documentos apresentados pela contribuinte a pedido da autoridade fiscal. Em seguida, a autoridade fiscal elaborou demonstrativo das glosas de créditos de PIS, conforme abaixo (valores em reais): P.A. 3.1. 3.2. 3.3. 3.4. 3.5. 3.6. 3.7. TOTAL ME/FAT MI ME jan/08 3,26 2.845,44 1.367,77 0,00 0,00 36,02 127.836,13 132.088,62 20,23% 105.371,64 26.716,98 fev/08 3,26 5.381,60 1.515,51 0,00 0,00 38,86 91.338,39 98.277,62 14,25% 84.274,71 14.002,91 mar/08 3,26 5.967,74 1.390,14 0,00 0,00 29,65 71.482,90 78.873,69 18,07% 64.623,36 14.250,33 abr/08 3,26 4.719,18 1.627,64 0,00 38,13 186,26 180.784,88 187.359,35 16,34% 156.741,83 30.617,52 mai/08 49,44 8.261,21 1.586,73 0,00 159,52 496,78 125.875,75 136.429,43 19,55% 109.752,61 26.676,82 jun/08 49,44 5.983,14 2.042,36 0,00 50,27 191,73 108.912,17 117.229,11 16,40% 98.001,10 19.228,01 jul/08 151,12 9.659,18 1.909,71 26,51 150,14 587,80 121.509,41 133.993,87 16,20% 112.289,14 21.704,73 ago/08 151,12 7.179,43 1.921,09 3,76 132,18 1.291,51 118.778,39 129.457,48 22,26% 100.645,30 28.812,18 set/08 168,13 3.074,82 1.883,11 6,96 217,27 1.647,18 104.600,83 111.598,30 24,00% 84.811,15 26.787,15 out/08 241,91 6.252,08 1.770,70 0,00 136,81 1.219,34 122.203,64 131.824,48 23,59% 100.727,26 31.097,22 nov/08 318,76 8.491,53 1.719,92 8,63 91,80 1.456,49 70.934,88 83.022,01 22,87% 64.032,81 18.989,20 dez/08 532,25 4.150,69 1.471,63 0,20 112,63 1.467,26 131.074,08 138.808,74 37,59% 86.634,00 52.174,74 jan/09 532,25 5.385,90 1.179,67 0,00 173,76 1.879,16 51.684,90 60.835,64 14,79% 51.837,44 8.998,20 fev/09 532,25 11.673,37 1.262,98 33,26 104,68 3.510,75 64.575,01 81.692,30 15,53% 69.008,40 12.683,90 Fl. 1480DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724611/201161 Resolução nº 3802000.236 S3TE02 Fl. 1.481 4 mar/09 532,25 10.388,31 441,21 7,40 25,91 2.776,46 44.105,65 58.277,19 16,48% 48.672,38 9.604,81 abr/09 532,25 2.838,07 1.572,35 1.164,99 40,14 3.401,09 24.839,83 34.388,72 9,90% 30.983,35 3.405,37 mai/09 532,25 5.261,01 874,84 2.569,55 27,06 3.012,90 45.330,66 57.608,27 7,28% 53.414,17 4.194,10 jun/09 532,25 3.246,92 958,43 0,00 14,04 2.405,55 50.649,08 57.806,27 18,59% 47.059,37 10.746,90 jul/09 532,25 7.110,54 720,28 2.897,56 59,09 3.385,00 34.676,13 49.380,85 17,15% 40.912,30 8.468,55 ago/09 532,25 1.953,83 1.175,60 92,21 46,59 1.767,91 33.182,54 38.750,93 8,12% 35.604,80 3.146,13 set/09 532,25 5.565,34 445,25 1.389,50 25,96 4.099,24 17.784,73 29.842,27 14,27% 25.583,88 4.258,39 out/09 532,25 4.171,09 2.445,14 1.917,99 14,83 2.016,65 29.949,93 41.047,88 7,37% 38.023,58 3.024,30 nov/09 532,25 5.999,82 1.378,43 1.289,05 20,70 4.449,68 33.600,99 47.270,92 9,53% 42.765,50 4.505,42 dez/09 532,25 3.670,03 1.580,37 4.930,84 37,09 11.126,51 39.091,41 60.968,50 8,26% 55.933,91 5.034,59 jan/10 532,25 3.502,79 2.203,49 20,65 27,72 1.117,50 14.467,59 21.871,99 8,45% 20.023,98 1.848,01 fev/10 532,25 7.916,35 1.523,09 0,00 18,55 3.337,67 90.260,30 103.588,21 6,86% 96.482,90 7.105,31 mar/10 532,25 1.633,53 1.589,22 299,59 33,98 3.206,79 54.032,80 61.328,16 13,04% 53.333,25 7.994,91 abr/10 532,25 18.149,44 1.551,72 474,12 33,89 3.384,16 213.636,74 237.762,32 14,80% 202.585,29 35.177,03 mai/10 532,25 6.014,24 1.054,57 190,05 46,59 5.760,11 52.717,10 66.314,91 7,27% 61.493,82 4.821,09 jun/10 532,25 8.552,18 1.487,26 72,44 41,18 2.397,81 93.602,34 106.685,46 11,08% 94.864,71 11.820,75 jul/10 532,25 8.892,22 1.229,17 3.311,98 44,16 6.016,23 64.426,44 84.452,45 13,12% 73.372,29 11.080,16 ago/10 532,25 10.200,72 1.366,51 2.038,99 41,63 1.732,96 37.199,94 53.113,00 10,40% 47.589,25 5.523,75 set/10 532,25 7.053,10 1.284,13 5.068,86 61,18 5.531,16 43.200,69 62.731,37 7,76% 57.863,42 4.867,95 LEGENDA: P.A. PERÍODO DE APURAÇÃO; 3.1. AQUISIÇÕES DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO; 3.2. AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS NÃO UTILIZADOS DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO; 3.3. AQUISIÇÕES DE ÁGUA E ESGOTO NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO; 3.4. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A TRANSPORTE DE PRODUTOS FINAIS ENTRE ESTABELECIMENTOS; 3.5. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A TRANSPORTE DE BENS PARA USO, CONSUMO OU IMOBILIZADO; 3.6. AQUISIÇÕES DE SEGUROS PARA FRETES; 3.7. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A MERCADORIAS NÃO IDENTIFICADAS. MI. MERCADO INTERNO ME. MERCADO EXTERNO ME/FAT. RELAÇÃO PERCENTUAL MERCADO EXTERNO/FATURAMENTO Como resultado, foram obtidos os valores dos créditos vinculados ao mercado externo, sendo que, a fim de se apurar os saldos passíveis de ressarcimento ou de compensação antecipada, a autoridade fiscal executou alguns ajustes. O primeiro deles, segundo ela, deriva do fato de que, em virtude do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, apenas os créditos de importação elencados no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, são passíveis de ressarcimento ou compensação. Durante a auditoria, constatouse que a contribuinte importou, para fins de revenda, diversas máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01 e 87.04 da Nomenclatura Comum do Mercosul, previstos no art. 17 da Lei nº 10.865, de 2004, enquanto que os créditos de PIS/Cofins foram submetidos indevidamente ao rateio proporcional entre mercado externo e interno. Assim, apurou a fiscalização o crédito mensal a ser reclassificado como não ressarcível. Já o segundo ajuste diz respeito, conforme a fiscalização, à possibilidade de compensação, antes do encerramento do trimestre, de créditos de importação Fl. 1481DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724611/201161 Resolução nº 3802000.236 S3TE02 Fl. 1.482 5 vinculados à receita de exportação. Aduz que, apesar do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, permitir o ressarcimento dos créditos de importação, a compensação antecipada possibilitada pelo art. 42 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, menciona apenas aqueles créditos oriundos de aquisições no mercado interno. Por créditos de importação, entende aqueles do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, inclusive aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado. Referese ao caput do art. 34 desta Instrução Normativa e conclui que o contribuinte não observou o regramento exposto no preenchimento das PER/Dcomp, de modo que elabora demonstrativos que indicam quais créditos devem ser reposicionados no último mês do trimestre para fins de pedido de ressarcimento. Assim, após efetuados os ajustes, prossegue a fiscalização, a contribuinte teria direito ao ressarcimento dos valores de Cofins e de PIS nos valores que demonstra. Afirma a autoridade fiscal que a reapuração dos saldos de PIS e Cofins não altera os valores passíveis de ressarcimento indicados, porém, o saldo credor total, ou montante disponível após a última PER/Dcomp para desconto das contribuições a recolher, é de R$ 9.048.196,92, de PIS e de R$ 12.349.027,24, de Cofins, respectivamente. Esclarece que não foram apurados valores a recolher no período auditado. Por fim, calcula os créditos passíveis de ressarcimento, elabora demonstrativos e sugere o deferimento parcial dos diversos pedidos de ressarcimento e compensações efetuados, de acordo com os valores que indica no Termo de Verificação Fiscal. As glosas efetuadas bem como as justificativas estão detalhadas no Termo de Verificação Fiscal e no demonstrativo “Glosas de Compensações e Ressarcimento” para as contribuições PIS/Cofins elaborado pela autoridade fiscal. Diante desses fatos, a DRF/Contagem emitiu Despacho Decisório, em 27/12/2011, por meio do qual foi parcialmente homologada a Dcomp. Como resultado foi reconhecido o crédito no valor de R$ 594.742,57. Como base legal são citados, entre outros, os seguintes dispositivos: Lei nº 10.637, de 2002; Lei nº 10.833, de 2003; Instrução Normativa RFB nº 600, de 2005 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Cientificada em 27/02/2012, a contribuinte apresentou, em 28/03/2012, a manifestação de inconformidade às fls. 69 a 101 e 155, acompanhada dos documentos às fls. 102 a 154 e 156 a 1369, alegando, em síntese, que: A matéria objeto de recurso não foi submetida à apreciação judicial, com o que se atende ao disposto no art. 16, inciso V, do Decreto nº 70.235, de 1972; As três supostas irregularidades apontadas pela fiscalização fizeram com que os créditos de PIS/Cofins fossem recalculados mensalmente. Obtidos os novos valores passíveis de ressarcimento e compensação, as compensações foram homologadas até esse limite, indeferindo, integral ou parcialmente, aqueles que o superaram; Desse trabalho, 198 PER/Dcomp foram deferidos, 42 o foram apenas em parte e 34 receberam resposta negativa. Por sua vez, os respectivos despachos decisórios, em que tais entendimentos foram apresentados, constaram de 51 processos administrativos de crédito, dos quais 41 trouxeram resultados contrários aos interesses da requerente. A decisão recorrida, para que se Fl. 1482DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724611/201161 Resolução nº 3802000.236 S3TE02 Fl. 1.483 6 apresenta a presente manifestação de inconformidade, é um desses. Como todos esses 41 processos se referem a uma mesma matéria, advém de um mesmo procedimento de fiscalização, é desejável que as correspondentes defesas sejam julgadas conjuntamente, o que desde já se requer; Segundo a fiscalização, a recorrente não estava autorizada a se creditar sobre as seguintes bases: ativo imobilizado – inclusão indevida de bens não utilizados na produção (item 3.1 do TVF), serviços não empregados diretamente na industrialização (item 3.2 do TVF), utilização de água e esgoto em processos industriais (item 3.3 do TVF), fretes – transporte de produtos finais entre estabelecimentos da pessoa jurídica (item 3.4 do TVF), fretes – inclusão indevida do transporte de mercadorias destinadas ao imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF), fretes inclusão indevida do seguro pago (item 3.6 do TVF) e fretes – falta de identificação das mercadorias transportadas (item 3.7 do TVF). Mas ela estava, na verdade, haja vista a legislação e jurisprudência acerca da matéria; Item 3.1 do TVF. A DRF entendeu que as despesas com veículos e com móveis para salas de treinamento de funcionários não poderiam compor a base de cálculo dos créditos por não serem diretamente destinadas às atividades de industrialização. Entretanto, consoante art. 3o das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, tal creditamento é permitido. No caso, não há como dizer que os bens não se prestam ao exercício da indústria. Os equipamentos destinados à capacitação de empregados, por exemplo, são essenciais a curso regular das atividades da recorrente, a qual se destaca por sua atuação inovativa e comprometida com o desenvolvimento tecnológico; Item 3.2 do TVF. Esses serviços, ao contrário do que sustenta a fiscalização, são, sim, utilizados de forma direta na atividade industrial, sobretudo porque são a ela essenciais. Os insumos, na sistemática do PIS/Cofins, são aquelas despesas, custos ou encargos essenciais ao desempenho da atividade econômica da contribuinte, seja ela qual for. São, de acordo com doutrinadores, todos os elementos físicos ou funcionais (...) que sejam relevantes para o processo de produção ou fabricação, ou para o produto. Jurisprudência administrativa do CARF apresenta o mesmo posicionamento, a exemplo dos Acórdãos nº 320200.226, de 08/02/2010 e nº 930301.035, de 23/08/2010. Julgados dos Tribunais Regionais Federais e Superior Tribunal de Justiça também vão no mesmo sentido. No caso, os serviços são essenciais. Aqueles prestados pela GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda., por exemplo, são vitais para o processo de industrialização, que depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time. (“produção enxuta, por demanda”). Conforme se afere dos contratos ora anexados (doc. 5), tais serviços consistem na gestão inteligente do fornecimentos de bens a serem aplicados no processo produtivo. Não se trata, pois, de meros serviços de movimentação e controle de estoques, como pareceu entender a fiscalização. O que essa pessoa jurídica fornece é a otimização do processo industrial, serviço diretamente ligado à produção e cujo fator intelectual é preponderante. Esse tipo de serviço, sobretudo no setor econômico em que atua a contribuinte, é fundamental. Portanto, não há como afastar a sua natureza de insumo e, via de conseqüência, de gasto passível de creditamento, eis que se trata de serviço essencial e diretamente vinculado à produção, inclusive qualificado como verdadeiro custo de produção para as quais a jurisprudência administrativa permite, há muito, o desconto de créditos; Item 3.3 do TVF. Somente foram admitidas para efeito de creditamento a água aplicada nos processos industriais de “têmpera” e “lavagem e prova Fl. 1483DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724611/201161 Resolução nº 3802000.236 S3TE02 Fl. 1.484 7 hídrica”, pois somente nesses casos haveria o contato direito com o bem produzido. A água empregada nos outros dois processos industriais, os de “pintura” e “usinagem”, não teria tal natureza. Contudo, a fiscalização glosou os créditos não apenas quanto aos dois últimos processos, mas em relação a todos eles, sob o argumento de que a contribuinte não soube precisar a quantidade de água empregada em cada um desses processos, o que intensifica o absurdo da autuação. É que não há dúvida que a água empregada em todos esses quatro processos permite o aproveitamento de créditos de PIS/Cofins, porque se encaixa no conceito de insumo e é empregada, de forma essencial, na produção, descabendo a exigência de contato físico direto com os produtos fabricados, consoante jurisprudência do CARF e julgados dos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça; Item 3.4 do TVF. O fato de a transferência de bens entre estabelecimentos da pessoa jurídica não se caracterizar, propriamente, como uma operação de venda, nada tem a ver com a sua aptidão a gerar créditos de PIS/Cofins, sendo relevante apenas a sua qualificação como insumo, isto é, a sua essencialidade para o processo de produção, conforme já reiterado. E transportar as mercadorias entre os diversos estabelecimentos é fundamental para o curso regular das operações da pessoa jurídica principalmente por dois motivos: (a) A contribuinte possui um variado portfólio, provendo máquinas e equipamentos de marcas distintas (“Case”, “New Holland”, “Kobelco” e “Steyr”, por exemplo) para setores do mercado também díspares (de agricultura e construção civil, sobretudo), mas suas plantas industriais não estão preparadas para fabricarem todos esses produtos, até porque, aliás, isso demandaria investimentos de elevadíssima monta. Mormente pela variedade de estabelecimentos em todo o país, que também operam como centros de venda, fornecendo todos os produtos da marca, há necessidade de manutenção de estoques, segundo as condições do mercado, mesmo para aquelas mercadorias que não são fabricadas no próprio estabelecimento, de modo que valores consideráveis são gastos no transporte de mercadorias entre os estabelecimentos da pessoa jurídica e (b) São produzidas máquinas e equipamentos pesados, os quais gozam de particularidades quanto à sua estocagem, sobretudo pelos grandes e diferenciados tamanhos. É possível, por isso, que devido a uma queda nas vendas, por exemplo, determinado estabelecimento fique sem espaço para alocar a sua produção, o que tornará necessária a busca por outras unidades. Nessas situações é desejável que seja feita a transferência para outro estabelecimento, pois a locação de espaços para tal pode se mostrar excessivamente onerosa muito em virtude das elevadas dimensões dos bens produzidos. Além disso, os fretes em exame são despesas vinculadas ao processo de produção, o que reforça a possibilidade de creditamento. De fato, até que as mercadorias produzidas sejam efetivamente alienadas não há falar em encerramento da atividade industrial, mesmo porque o objetivo de qualquer pessoa jurídica é vender (obter receitas). Com efeito como este é o fato gerador de PIS/Cofins (as receitas), todo gasto com os produtos até que elas sejam auferidas deve ser considerado insumo. Julgados do CARF e do Superior Tribunal de Justiça corroboram essa tese; Item 3.5 do TVF. Ainda que não goze de previsão legal, é assente na jurisprudência administrativa que o frete pago na aquisição de bens necessários ao desenvolvimento da atividade industrial permite o creditamento. Cita a Solução de Consulta nº 156, de 19/09/2008, da SRRF/6a RF. Deveras, considerando a materialidade do PIS/Cofins, bem assim o atual entendimento jurisprudencial sobre o tema, quaisquer custos de aquisição devem autorizar o desconto de créditos; Fl. 1484DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724611/201161 Resolução nº 3802000.236 S3TE02 Fl. 1.485 8 Item 3.6 do TVF. Entendeu o fisco que o seguro, normalmente destacado, que compõe o frete pago na aquisição de insumos deveria ter sido descontado da apuração dos créditos, de sorte que a recorrente não poderia ter se creditado com base no valor total do Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas CTRC, como ocorreu. O seguro do transporte não é custeado pela recorrente, mas sim pela própria transportadora, a verdadeira e única contratante desse serviço. O destaque no CTRC é apenas uma exigência legal instituída para permitir a identificação da composição do frete. O RICMS/MG, em seu art. 81, inciso XIII, trata o seguro como “valores dos componentes do frete”. O seguro, portanto, foi avençado pela transportadora, que apenas informa o seu respectivo valor em atendimento ao regramento legal. No caso, a recorrente pagou apenas pelo transporte e, sendo o frete na aquisição de insumos passível de creditamento, agiu de forma acertada ao calcular seus créditos sobre o valor total do CTRC, que é o efetivo valor do frete. Ainda que se entenda o contrário, o crédito afigurase legítimo em virtude de equivaler ao “custo de aquisição”. O art. 289 do RIR autoriza o aproveitamento do crédito em relação a quaisquer custos de aquisição. Cita a Solução de Consulta nº 156, de 19/09/2008, da SRRF/6a RF. Assim, sendo os seguros, igualmente, um “custo de aquisição”, conforme art. 289, § 1o do RIR, cabível o creditamento quanto a eles; Item 3.7 do TVF. Essa glosa decorreu da ausência de vinculação de boa parte dos fretes aos respectivos insumos adquiridos. Estornouse, então, praticamente todo o crédito de fretes do período, exceto aqueles tratados nos itens anteriores, que tiveram análise própria e apartada. Para que não haja dúvidas quanto ao seu direito a recorrente requer, desde já, a realização de diligência fiscal e perícia contábil para que tal vinculação seja verificada. Para tanto, comprometese, inclusive, a trazer aos autos todas as informações e documentos correspondentes, o que apenas não faz agora, com esta defesa, e não fez durante o procedimento fiscal, em razão do seu extensíssimo volume – entre janeiro de 2008 e setembro de 2010 foram realizadas quase 800 mil operações de aquisição de mercadorias. De qualquer forma, por ocasião de suas respostas à fiscalização, demonstrou, para aproximadamente 20% das referidas operações (mais um menos 140 mil), que quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de insumos. Por isso, na eventualidade de não se permitir a juntada desses documentos, propugna pela homologação proporcional desses créditos, sob pena de perpetuação de exigência fiscal claramente desproporcional e ilegítima; Item 4.2 do TVF. Os créditos utilizados como base dos PER/Dcomp ora examinados, e também daqueles outros apresentados no período fiscalizado, decorreram de aquisições realizadas no mercado interno e no exterior. No entanto, para a fiscalização, os créditos advindos da importação de mercadorias citadas no art. 17 da Lei nº 10.865, de 2004, não poderiam ter sido utilizados para efeito de ressarcimento e compensação, segundo a qual apenas as importações amparadas pelo art. 15 da aludida lei é que permitiriam tais procedimentos, haja vista a literalidade do art. 16. Porém, não há regramentos distintos para os créditos de importações, que estariam nos mencionados arts. 15 e 17. Na verdade, todo o creditamento de PIS/Cofins – Importação deriva do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, que seria o equivalente funcional dos arts. 3o das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, que tratam de créditos no mercado interno. O art. 17 é apenas uma complementação ao art. 15 e será aplicado somente em alguns casos, e em conjunto com o art. 15. A função do art. 17 é, exclusivamente, tratar das situações em que o recolhimento de PIS/Cofins nãocumulativo deixa de ser feito com base nas alíquotas de 1,65% e 7,6% e Fl. 1485DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724611/201161 Resolução nº 3802000.236 S3TE02 Fl. 1.486 9 passa a contemplar alíquotas diferenciadas, nos casos de aplicação do “regime monofásico” ou alíquotas específicas para alguns derivados de petróleo. A contrario sensu, a única situação em que o art. 15 não se aplica aos produtos e serviços tratados no art. 17 é, justamente, quando cuida da quantificação do crédito. Ou seja, o art. 17 não vem trazer regulação especial para os créditos de produtos específicos, de forma a excluir a aplicação do art. 15. Tanto que do seu § 8o consta que “(...) disposto neste artigo alcança somente as pessoas jurídicas de que trata o art. 15 desta Lei...”. Portanto, o art. 15 fundamenta e se aplica a todo crédito decorrente de importações, incidindo o art. 17, eventual e conjuntamente, apenas para tratar de sua quantificação. Assim, havia direito de utilização de créditos dos bens mencionados no art. 17 em PER/Dcomp, alterando apenas a alíquota do crédito, que será maior em razão da natureza do produto. A própria Secretaria da Receita Federal do Brasil abona essa conclusão (Acórdão nº 3803000.885, de 27/10/2010, do CARF). Interpretação distinta representaria grave ofensa à isonomia tributária, uma vez que importadoras e pessoas jurídicas em geral estariam submetidas a tratamentos fiscais distintos, sem qualquer justificação. Na verdade, a situação das importadoras de bens regulados pelo art. 17 ficaria ainda pior: além de arcarem com alíquotas majoradas (em razão do regime monofásico), teriam o seu direito de crédito excessivamente limitado. Essa violação é desconfortavelmente contraditória, uma vez que o objetivo da Lei nº 10.865, de 2004, foi justamente, segundo sua exposição de motivos, introduzir “(...) um tratamento tributário isonômico entre os bens e serviços produzidos internamente e os importados...” Daí advém ainda o desrespeito às regras da proporcionalidade e razoabilidade, afinal, qual seria a razão jurídica para se permitir a utilização de créditos de importação em PER/Dcomp e excluir, ao mesmo tempo, esse direito daquelas operações abarcadas pelo art. 17? Razão não há, estando claro que o exame da legislação não autoriza a exegese levada a efeito pela autoridade fiscal, pelo que deve ser descartada; Item 4.3 do TVF. Foram reposicionados parcelas dos créditos de importação aproveitados em PER/Dcomp ao argumento de que estes, por se originarem do mercado externo, somente poderiam ser utilizados no final do respectivo trimestrecalendário. O procedimento teve efeito nefasto e desproporcional: vários dos débitos compensados, no período autuado, ficaram descobertos, passando a ser exigidos, integral ou parcialmente, com o acréscimo de juros e multa. Entretanto, como os créditos foram deslocados para o último mês do trimestre correspondente, neste terceiro mês havia saldo suficiente para homologar, ainda que em parte, as compensações realizadas nos dois primeiros meses. Desse modo, caso se entenda por validar tal procedimento, os acréscimos legais somente se referem ao atraso de um ou dois meses, isto é, aquele decorrente da espera até o fim do trimestre; Erros de cálculo. Em cada mês em que os créditos foram recalculados ocorreram impropriedades na quantificação desses créditos, consoante exemplos a seguir. (a) Ressarcimento de Cofins abril a junho de 2008 (PER/Dcomp nº 41058.12544.220708.1.1.099018 e nº 33371.36444.290710.1.7.098945). Somente foi considerado o montante ressarcível de junho de 2008 e não o total da parcela relativa ao trimestre. Ou seja, não foi feita a recomposição do crédito relativo ao ressarcimento (não foi feito o reposicionamento). Caso tivesse sido feita a recomposição, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 3.267.967,06 e não R$ 3.075.278,21, o que gerou uma diferença de R$ 192.688,85, que é superior ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período. Além disso, no quadro “Créditos de Compensação Utilizados (CCU)/CTs – Valor utilizado valorado de Fl. 1486DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724611/201161 Resolução nº 3802000.236 S3TE02 Fl. 1.487 10 acordo com o tipo de crédito” há valores que divergem daqueles cuja compensação foi solicitada por meio de PER/Dcomp originais. Todos esses PER/Dcomp foram retificados o que leva a crer que a última versão sobrepôs a primeira, fazendo com que os débitos fossem compensados com multa e juros. É de se notar que a data da transmissão original estava dentro do período para recolhimento (antes da data de vencimento) e que não houve aumento do débito compensado, somente redução (fl.139). (b) Ressarcimento de Cofins outubro a dezembro de 2008 (PER/Dcomp nº 11240.95939.300109.1.5.090408). Somente foi considerado o montante ressarcível de dezembro de 2008 e não o total da parcela relativa ao trimestre. Ou seja, não foi feita a recomposição do crédito relativo ao ressarcimento (não foi feito o reposicionamento). Caso tivesse sido feita a recomposição, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 7.642.847,66 e não R$ 6.352,123,81, o que gerou uma diferença de R$ 1.290.723,85, que é superior ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período (fl. 140). (c) Ressarcimento de Cofins julho a setembro de 2010 (PER/Dcomp nº 19382.21408.281010.1.1.090687). Não foi feita a recomposição do crédito relativo ao ressarcimento (não foi feito o reposicionamento). Caso tivesse sido feita a recomposição, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 6.541.682,26 e não R$ 6.201.733,66, o que gerou uma diferença de R$ 339.948,90, que é superior ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período (fl. 141). (d) Ressarcimento de Cofins abril de 2010 (PER/Dcomp nº 02755.47816.300610.1.3.094563). O fisco partiu de montante de créditos de mercado externo diferente daquele que consta no PER/Dcomp, sendo considerado o montante de R$ 3.153.956,33, enquanto que o valor solicitado é de R$ 5.916.155,44. Caso tivesse usado o valor constante do PER/Dcomp, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 5.511.341,71 e não R$ 2.749.142,61, o que gerou uma diferença de R$ 2.762.199,10, que é superior ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período (fl. 141). Esses erros, que são verificados em todas as competências, são inclusive bastantes para que se decrete a nulidade do procedimento fiscal e do TVF ora contestado. De todo modo, caso assim não se entenda, requerse, desde já, a realização de diligência fiscal e perícia contábil para que os referidos equívocos sejam definitivamente comprovados. Para tanto, comprometese, inclusive, a trazer aos autos todas as informações e documentos correspondentes, o que apenas não faz agora, com esta defesa, em razão do exíguo tempo para recorrer, posto que são mais de 200 PER/Dcomp envolvidos, que devem ser revistos em todos os critérios apontados pela fiscalização, alguns deles complexos; Em 20/08/2012, a contribuinte juntou aos autos mídia em CD com o que entende ser as informações necessárias para que seja verificada a vinculação dos fretes autuados no item 3.7 do TVF com a compra de insumos, de modo a comprovar a legitimidade dos créditos aproveitados sobre tais despesas (fretes na aquisição de insumos). Ao final, requer a contribuinte: a) o julgamento conjunto dos processos, haja vista a identidade da argumentação de defesa; b) a nulidade do procedimento fiscal e de seus correspondentes frutos, o TVF e os despachos decisórios proferidos neste e nos demais processos que tratam do mesmo assunto; c) a realização de diligência fiscal e perícia contábil com o objetivo de vincular os fretes pagos às mercadorias a esses correspondentes ou, caso assim não se entenda, ao menos o reconhecimento proporcional das vinculações, conforme demonstrado; d) o reconhecimento da existência de todos os créditos de PIS/Cofins utilizados pela interessada nos pedidos de ressarcimento e compensação vinculados ao MPFF n.º: 06.1.10.002011004273, transmitidos entre janeiro de 2008 e setembro de 2010, com o conseqüente deferimento e Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724611/201161 Resolução nº 3802000.236 S3TE02 Fl. 1.488 11 homologação de todos os PER/Dcomp objetos deste processo; e) a realização de diligência fiscal e perícia contábil com o objetivo de comprovação dos equívocos e erros de cálculo mencionados; f) caso os argumentos anteriores não sejam acatados, que os erros expressamente apontados sejam definitivamente corrigidos e g) subsidiariamente, sejam decotados os juros e multas decorrentes do reposicionamento de créditos efetuados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A ciência da decisão que manteve em parte a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 24/01/2014 (fls. 1446). Inconformada, a mesma apresentou, em 28/01/2014, o recurso voluntário de fls. 1448/1475, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância na parte em que seu pleito não foi deferido, requerendo, ao final: a) o julgamento conjunto deste com os demais processos da empresa, haja vista a identidade da argumentação de defesa, nos termos do artigo 58, § 8º, do Regimento Interno do CARF; b) seja determinada a realização de diligência para os esclarecimentos referentes à glosa de créditos calculados sobre fretes (item 3.7 do TVF), diligência cuja necessidade seria reforçada diante do reconhecimento, pela DRJ, de equívocos nos cálculos promovidos; c) seja o recurso conhecido e provido, com a reforma do acórdão para que sejam restabelecidos os créditos glosados nos itens 3.1, 3.2, 3.4, 3.5 e 3.7 do TVF, bem como reconhecida a regularidade da utilização dos créditos de PIS/COFINS tratados pelo artigo 17 da Lei nº 10.865/04 (item 4.2 do TVF), e, finalmente, sejam descontados juros e multa calculados quando do reposicionamento dos créditos (item 4.3 do TVF), de modo que se refiram tãosomente ao atraso de um ou dois meses (i. é, aquele decorrente da espera até o fim do trimestre). É o relatório. Voto Da admissibilidade do recurso O recurso é tempestivo, posto que apresentado (em 28/01/2014) dentro do prazo legal de 30 dias contados da data da ciência da decisão de primeira instância (que ocorreu em 24/01/2014 conf. fls. 1446). Quanto aos demais requisitos de admissibilidade os mesmos se encontram presentes. Conheço, portanto, do recurso formalizado pelo sujeito passivo. Da matéria em litígio Conforme relatado, vêse que a contenda envolve a homologação parcial de pedidos de compensação da interessada onde o direito creditório reclamado diz respeito a saldo credor de PIS/PASEP, direito o qual foi glosado em parte, permanecendo em litígio as questões relativas ao cômputo de créditos calculados sobre: Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724611/201161 Resolução nº 3802000.236 S3TE02 Fl. 1.489 12 a) bens destinados ao ativo imobilizado e não utilizados na produção (item 3.1 do Termo de Verificação Fiscal – TVF); b) serviços não empregados diretamente na industrialização (item 3.2 do TVF); c) fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada (item 3.4 do TVF); d) fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF); e, e) fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas (item 3.7 do TVF). Também necessita ser analisada a reclassificação de créditos objeto do item 4.2 do Termo de Verificação Fiscal, segundo o qual, em virtude do artigo 16 da Lei nº 11.116/20051, apenas os créditos de importação elencados no art. 15 da Lei nº 10.865/2004 seriam passíveis de ressarcimento ou de compensação. Assim, em relação aos créditos enquadrados no artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004 – que remete às importações de produtos objeto do § 3º do artigo 8º da Lei em tela2 (dentre outros) – estes, por falta de previsão legal, não poderiam ser objeto de ressarcimento ou de compensação, apesar da possibilidade de desconto em relação aos débitos. Por fim, a lide envolve também a análise quanto à possibilidade ou não de compensação de créditos de importação vinculados a receita de exportação antes do encerramento do trimestre. Todas essas questões são comuns em relação a todos os processos da empresa trazidos à pauta, razão pela qual serão examinadas em conjunto, o que atende, nessa parte, ao pleito do sujeito passivo. 1 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Lei nº 11.033, de 21/12/2004, Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. 2 Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º desta Lei, das alíquotas de: [omitido] § 3º Na importação de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, as alíquotas são de: I 2% (dois por cento), para o PIS/PASEPImportação; e II 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), para a COFINSImportação. Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724611/201161 Resolução nº 3802000.236 S3TE02 Fl. 1.490 13 Nessa linha, ao analisar a lide, verificamos a necessidade de conversão do julgamento em diligência no tocante ao item 3.7 do Termo de Verificação Fiscal – TVF, nos termos tratados abaixo. Das glosas objeto do item 3.7 do TVF: fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas – Necessidade de diligência Quanto às glosas em vista dos fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas, reproduzo, abaixo, trechos do item 3.7 do Termo de Verificação Fiscal: Como demonstrado anteriormente, a possibilidade de creditamento nos casos em que se entende a despesa com frete como um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem (inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833/2002), depende da identificação do insumo transportado. Em outras palavras, apenas os fretes associados a bens tidos como insumos no âmbito do PIS e da COFINS é que dão direito a créditos; assim, caso a pessoa jurídica adquira um bem de pessoa física, o transporte deste bem, mesmo feito por pessoa jurídica domiciliada no país, não gera direito a crédito; do mesmo modo, caso o bem transportado não dê direito a crédito, também não haverá créditos relacionados com as despesas de fretes. Não havendo informação, na Escrituração Fiscal, das notas fiscais dos bens considerados como insumos associados aos fretes, lavrouse em 14/09/2011, o Termo de Intimação nº 0617/2011, a fim de que o contribuinte associasse, nota fiscal por nota fiscal, os fretes com as mercadorias transportadas, mediante a elaboração de três arquivos distintos, devendose observar layout específico para tanto. Vencido o prazo inicial em 04/10/2011, o contribuinte solicitou prazo adicional de vinte dias, por nós deferido. Em 24/10/2011, a empresa apresentou apenas dados parciais, e requereu mais algum tempo para terminar a feitura dos arquivos. Numa última oportunidade, estendemos por mais quinze dias o prazo final. Na data aprazada, o sujeito passivo entregou os arquivos, os quais, porém, não possuíam todos os vínculos necessários à identificação das mercadorias conduzidas em cada serviço de transporte. [...] No caso em tela, essencial era a vinculação entre as despesas de frete e os insumos pretensamente adquiridos, o que deveria ser possível por intermédio do arquivo de vínculos, que possuía tanto a identificação das notas fiscais de fretes como a identificação das notas fiscais de compra ou venda de mercadorias. Entretanto, nos arquivos entregues em 08/11/2011, anexos ao processo, duas falhas foram observadas: por um lado, notas fiscais de transporte relacionadas no arquivo “Arquivo de CTRC.txt” não foram encontradas no “Arquivo de Vínculos.txt”; por outro, notas fiscais de mercadorias indicadas no arquivo de vínculos não foram encontradas no “Arquivo de NF.txt”, nem na Escrituração Fiscal. Estas duas irregularidades foram relacionadas, respectivamente, nos demonstrativos “Notas Fiscais de Fretes não Associadas à Tabela de Vínculos” e “Notas Fiscais de Mercadorias não Encontradas na Escrituração Fiscal”, em anexo. A título de exemplo, tomemos uma das diversas notas fiscais não encontradas, de forma a verificar a necessidade de se realizar o elo entre as notas fiscais de transporte e as notas fiscais de mercadorias: o Conhecimento Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724611/201161 Resolução nº 3802000.236 S3TE02 Fl. 1.491 14 de Transporte Rodoviário de Cargas nº 005595, série única, emitido pela Transportadora Rodomeu Ltda, em anexo. Tratase de um documento relativo ao transporte de mercadorias importadas da CNH America LLC, do porto de Santos até a filial de Curitiba, cujo valor total somava R$ 65.741,50. Tal creditamento é vedado pela RFB, conforme dispõem várias consultas emitidas pelo órgão, entre as quais a Solução de Consulta nº 84, da SRRF 07/DISIT, de 20/08/2010, cuja ementa reproduzimos abaixo: “CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS IMPORTADOS. O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplicase, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. O desconto de créditos, no caso de importações sujeitas ao pagamento da CofinsImportação, sujeitase ao disposto nos arts. 7º e 15, § 3º, da Lei nº 10.865, de 2004, que determinam que a base de cálculo desses créditos corresponde ao valor aduaneiro acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição. Assim, o frete pago para transportar bens importados, empregados como insumos em processo produtivo, do local do desembaraço até o estabelecimento fabril do contribuinte não gera direito a crédito da COFINS, por não fazer parte de sua base de cálculo, nos termos da legislação em vigor.” (grifo nosso) Deste modo, é forçoso concluir que a falta de vinculação entre os fretes e as mercadorias transportadas impede a constatação não só da irregularidade acima descrita, mas de quaisquer outras que a empresa porventura tenha cometido. [...] Cabe registrar que tais créditos foram lançados a débito das contas 144238 PIS a recuperar insumos e 144239 COFINS a recuperar – insumos, e que, no caso do demonstrativo “Notas Fiscais de Mercadorias não Encontradas na Escrituração Fiscal”, todo o valor das contribuições creditadas a um determinado CTRC deve ser glosado, visto que a falta de determinada associação impede o cálculo do valor creditado proporcionalmente. (os destaquem em negrito não constam do original) Extraise dos trechos destacados acima (em negrito) que a motivação adotada pela fiscalização para a glosa dos créditos calculados sobre os fretes foi, essencialmente, a impossibilidade de vinculação “entre as despesas de frete e os insumos pretensamente adquiridos”, ou seja, entre os CTRC (Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas) e as notas fiscais de entrada dos insumos. A ausência desse vínculo impediu a autoridade administrativa de examinar se referidas despesas com fretes poderiam realmente ser admitidas como “um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem”. Decerto, “apenas os fretes associados a bens tidos como insumos no âmbito do PIS e da COFINS é que dão direito a créditos”, muito embora a autoridade administrativa tenha afirmado, posteriormente, que é vedado o creditamento pelo frete pago para transportar bens importados empregados como insumos do processo produtivo. Segundo a defesa apresentada pelo sujeito passivo: “[...] se há créditos de insumos, por exemplo, já reconhecidos para o período, é corolário lógico que haja, também, créditos referentes a seus correlatos fretes”. Ressalta ainda a reclamante que “a maioria Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724611/201161 Resolução nº 3802000.236 S3TE02 Fl. 1.492 15 esmagadora de tais fretes se refere a notas ficais cujos CFOPs são os seguintes: [...] 1.101: Compra para industrialização ou produção rural [...] 2.101: Compra para industrialização ou produção rural. [...] 5.101: SAÍDAS OU PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS PARA O ESTADO”. Ainda segundo a recorrente: Os CFOPs das notas fiscais são provas cabais de que os correspondentes fretes autorizavam o creditamento. Os CFOPs ns. 1.101 e 2.101 se referem, como se pôde verificar, à aquisição de insumos, caso em que, tendose em vista os termos do art. 3º, inciso II, das Leis ns. 10.637/02 e 10.833/03, o crédito é indubitavelmente permitido. É como se posiciona a própria Receita Federal, aliás. Vejase um exemplo: “(...) FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O valor do frete pago a pessoa jurídica domiciliada no País na aquisição de matéria prima, material de embalagem e produtos intermediários compõe o custo destes insumos para fins de cálculo do crédito a ser descontado da Cofins.” (Solução de Consulta n. 197, de 16 de Agosto de 2011 – sem destaques no original) Já quanto ao CFOP n. 5.101, o creditamento ainda é mais evidente: segundo o inciso IX do citado art. 3º, o “frete na operação de venda” autoriza o desconto de créditos das mencionadas contribuições sociais. É importante reiterar que a Recorrente, logo após a Impugnação, fez a prova que havia sido reclamada pela DRF e que a DRJ afirmou ter sido realizada. A Recorrente elaborou, como dito, planilha detalhada, com mais de 50 mil linhas, na qual indicou, uma a uma, nota fiscal autuada e respectivo CTRC. É por meio dessa planilha, pois, que se poderia ver que a maior parte dos fretes autuados se referia a situações em que o creditamento estava claramente autorizado. Sobre a planilha reportada e demais argumentos suscitados pelo sujeito passivo, asseverou a instância recorrida, verbis: 9. FRETES. FALTA DE IDENTIFICAÇÃO DAS MERCADORIAS TRANSPORTADAS. ITEM 3.7 DO TVF. Diante da ausência de informação, na escrituração fiscal, das notas fiscais dos bens considerados insumos associados ao frete, a contribuinte foi intimada a associar, nota fiscal de compra ou venda por nota fiscal de frete, os fretes com as mercadorias transportadas, mediante a elaboração de três arquivos distintos. Após algumas prorrogações, a recorrente apresentou a documentação solicitada, que, contudo, não apresentava todos os vínculos necessários à identificação das mercadorias transportadas. Ponderou a autoridade fiscal que a falta de vinculação entre fretes e mercadorias transportadas, além de impedir o creditamento, também impede a constatação de apropriações irregulares de crédito feitas pela interessada, a exemplo de frete pago para transporte de bens importados, empregados como insumos, do local de desembaraço até o estabelecimento fabril. Suscita a interessada, quanto ao tema, que a glosa decorreu da ausência de vinculação de boa parte dos fretes aos respectivos insumos adquiridos, estornandose, então, praticamente todo o crédito de fretes do período, exceto aqueles tratados nos itens anteriores, que tiveram análise própria e apartada. Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724611/201161 Resolução nº 3802000.236 S3TE02 Fl. 1.493 16 Solicita, para que não hajam dúvidas quanto ao seu direito a realização de diligência fiscal e perícia contábil para que tal vinculação seja verificada. Para tanto, comprometese, inclusive, a trazer aos autos todas as informações e documentos correspondentes, o que apenas não faz agora, com esta defesa, e não fez durante o procedimento fiscal, em razão do seu extensíssimo volume – entre janeiro de 2008 e setembro de 2010 foram realizadas quase 800 mil operações de aquisição de mercadorias. De qualquer forma, afirma, por ocasião de suas respostas à fiscalização, demonstrou, para aproximadamente 20% das referidas operações (mais ou menos 140 mil), que quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de insumos. Por fim, na eventualidade de não se permitir a juntada desses documentos, a recorrente propugna pela homologação proporcional desses créditos, sob pena de perpetuação de exigência fiscal claramente desproporcional e ilegítima. A contribuinte juntou aos autos mídia em CD, incluindo as informações que entendeu necessárias para o restabelecimento desses créditos, a qual foi convertida em documentos anexados aos autos. Examinando esses documentos, podese observar que se trata de planilha contendo dados dos CTRC objetos da fiscalização (código CTRC, CTRC, data de emissão, data fiscal, código, ID, razão social e CNPJ) e dados da nota fiscal vinculada (número, série, data de emissão, data fiscal, código e CNPJ). Não obstante, do exame dessa planilha não resta comprovada a vinculação pretendida pela recorrente. Para tanto, faziase necessário que fossem juntados, além da própria planilha, ao menos cópias dos documentos fiscais nela mencionados. Isso, entretanto, não se fez. Em adição, podese observar que a aludida planilha apresenta mais de 50.000 linhas com dados para verificação, enquanto que a interessada, ao trazêla aos autos, limitouse a requerer fosse verificada a vinculação dos fretes autuados no item 3.7 com a compra de insumos. Ocorre que o ônus de prova do direito ao creditamento é da contribuinte, como adiante se melhor verá, a quem competia, no mínimo, apontar ou indicar as linhas das operações que entende serem passíveis de dedução e não simplesmente pretender transferir esse ônus, que é seu, para o fisco. Ressaltese que, para fins de creditamento, a legislação exige que o crédito seja líquido e certo. Não obstante, também não restou comprovada a alegação de que para aproximadamente 20% das referidas operações, quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de insumos. Por conseguinte, cumpre manter as glosas quanto a este item. (grifos nossos) Sobre a questão, com a devida vênia, penso que a DRJ não caminhou da melhor forma. A leitura que faço dos argumentos acima reproduzidos, proferidos pela instância a quo, é a de que esta não examinou adequadamente a documentação e os argumentos apresentados pelo sujeito passivo. Isso porque a planilha “[...] de mais de 50.000 linhas com dados para verificação [...]”, onde a interessada alega que “[...] para aproximadamente 20% das referidas operações, quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13603.724611/201161 Resolução nº 3802000.236 S3TE02 Fl. 1.494 17 compra de insumos [...]”, não foi efetivamente apreciada pela instância recorrida, como se vê dos trechos grifados no excerto reproduzido acima. Como a própria DRJ afirma, o documento acostado aos autos pela reclamante “trata de planilha contendo dados dos CTRC objetos da fiscalização (código CTRC, CTRC, data de emissão, data fiscal, código, ID, razão social e CNPJ) e dados da nota fiscal vinculada (número, série, data de emissão, data fiscal, código e CNPJ)”. Tais informações, entendo, podem sim subsidiar o necessário exame para verificar se existe ou não vínculo entre os fretes e as mercadorias transportadas. No mais, não me parece razoável exigir a apensação aos autos de cópia de mais de 800 mil documentos e, dada a não anexação deles, concluir que o sujeito passivo negligenciou com o ônus probatório. Da conclusão Diante do exposto, voto para converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem, diante dos registros apresentados pelo sujeito passivo e os correspondentes documentos neles referenciados, apure os créditos do PIS e da COFINS nos casos em que os mesmos, realmente, correspondem a fretes pela aquisição de insumos, conforme metodologia que entender mais adequada para tanto. Sala de Sessões, em 19 de agosto de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10865.901234/2009-04
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
No caso de desistência manifestada em petição nos autos do processo, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, nos termos do que dispõe o artigo 78 do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3801-004.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. No caso de desistência manifestada em petição nos autos do processo, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, nos termos do que dispõe o artigo 78 do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 12 34 /2 00 9- 04 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10865.901234/200904 Acórdão n.º 3801004.064 S3TE01 Fl. 8 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 4ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação (DCOMP) eletrônica, transmitida, por meio da qual a contribuinte solicita a compensação de débito com crédito decorrente de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de contribuição para O Programa de Integração Social (PIS). Na apreciação do pleito, manifestouse a D elegacia da Receita Federal do Brasil em LimeiraSP pela homologação da compensação declarada, mediante Despacho decisório, fazendo o com base na contestação da inexistência do crédito informado, uma vez que o Darf, descriminado na Dcomp, não foi localizado no sistema. Inconformada com a nãohomologação da compensação, contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega que o Darf não foi localizado porque, à época, o programa gerador da Dcomp não possibilitava informar a real data da arrecadação. Esclarece que a data da arrecadação é a data do vencimento informada, a qual poderá ser consultada nos sistemas da Receita Federal, confirmando o crédito pretendido. Informa que junta aos autos a cópia do Darf informado na Dcomp, para análise. A contribuinte passa, então, a apresentar os fundamentos legais e tecer considerações sobre o prazo para pleitear restituição. Defende a interessada que tratandose de contribuição sujeita a lançamento por homologação, o prazo decadencial só começa a fluir após decorridos 5 (cinco) anos da data do fato gerador, somados mais 5(cinco) anos se a homologação se der de forma não expressa. Assim, argumenta, dispõe de 10ª nos para pleitear a restituição, sem prejuízo dos acréscimos e demais cominações. A DRJ de Florianópolis (SC) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, cuja ementa do acórdão está assim redigida: Fl. 117DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10865.901234/200904 Acórdão n.º 3801004.064 S3TE01 Fl. 9 3 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADÊNCIAL O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo decadencial de cinco anos, contados da data do pagamento indevido. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não tendo sido localizado o Darf com as características indicadas pelo contribuinte como origem do crédito, ratificase o despacho decisório que não homologou a compensação. Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de Recurso Voluntário, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Contudo, a contribuinte vem aos autos, consoante requerimento, juntando ainda documentos comprobatórios de capacidade postulatória, requerer o cancelamento do processo. É o sucinto relatório. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10865.901234/200904 Acórdão n.º 3801004.064 S3TE01 Fl. 10 4 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Muito embora o Recurso Voluntário apresentado tenha sido tempestivo, não deve ser conhecido em decorrência do pedido de desistência apresentado posteriormente pela Recorrente. Como relatado, a Recorrente apresentou requerimento de cancelamento do pedido de compensação. Foi encaminhado a este relator o presente processo com o seguinte Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Considerando que o contribuinte apresentou requerimento de desistência da compensação, que o mesmo apresentou Recurso Voluntário referente ao crédito objeto de Restituição e que não houve o cumprimento da Intimação para comprovação da representatividade do signatário do Recurso Voluntário, encaminho o processo ao CARF/MF/DF para julgamento O pedido foi formulado pelo sócioadministrador da empresa, consoante pode ser verificado no art. 8º do contrato social da empresa. Deste modo, entendo que o requerimento de cancelamento do pedido formulado pela contribuinte configurase claramente como desistência do pedido a qual ele se funda. Logo, compreendo que ocorreu desistência, de forma irrevogável, do recurso voluntário ora em julgamento. Assim, entendo que no caso de desistência manifestada através de petição nos autos do processo, resta configurada a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, nos termos do que dispõe o artigo 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (Portaria MF nº 256, de 2009) em seu Anexo II, in verbis: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso §1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. §2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fl. 119DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10865.901234/200904 Acórdão n.º 3801004.064 S3TE01 Fl. 11 5 Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. §3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Desse modo, estão configurados todos os requisitos do não conhecimento do Recurso, quais sejam: apresentação de pedido expresso por escrito, sob a forma de petição, em qualquer tempo por representante legítimo do contribuinte. Logo, operamse de imediato e irrevogavelmente todos os efeitos do pedido de desistência: renúncia à pretensão do direito e não conhecimento do recurso. Ante ao exposto, em observância ao disposto no art. 78 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/7/2009, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto pelo Contribuinte. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 120DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10314.723418/2013-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 21/08/2008 a 13/10/2010
DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA.
Considera-se dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, infração punível com a pena de perdimento. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie.
Numero da decisão: 3202-001.276
Decisão: Recursos voluntários negados.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntários. Ausente, justificadamente, a Conselheira Tatiana Midori Migiyama.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 21/08/2008 a 13/10/2010 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considera-se dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, infração punível com a pena de perdimento. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie.
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decisao_txt : Recursos voluntários negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntários. Ausente, justificadamente, a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Adriene Maria de Miranda Veras.
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PERDIMENTO Recorrente RHENEN DO BRASIL INDÚSTRIA DE MOLAS LTDA., ANTÔNIO CARLOS ALVES LAVOURAS E INTERCOMPANY COMERCIAL IMP. EXP. E ASSESSORIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 21/08/2008 a 13/10/2010 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, infração punível com a pena de perdimento. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. Recursos voluntários negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos recursos voluntários. Ausente, justificadamente, a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 34 18 /2 01 3- 31 Fl. 1840DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.723418/201331 Acórdão n.º 3202001.276 S3C2T2 Fl. 1.841 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, que não reconheceu o direito de crédito apresentado pela Recorrente: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$12.269.490,87 (doze milhões duzentos e sessenta e nove mil, quatrocentos e noventa reais e oitenta e sete centavos), referente à multa prevista no § 3º do art. 23 do Decreto Lei nº 1.455/1976. Consta do Relatório do Auto de Infração que, através de uma Representação Fiscal vinda da Alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos, verificouse que a empresa INTERCOMPANY COMERCIAL IMP. EXP. E ASSESSORIA LTDA, doravante denominada INTERCOMPANY, estava importando, na ocasião, mercadorias, naquele caso próteses mamárias de silicone que haviam sido negociadas por outra empresa. Deste procedimento resultou o PAF 19482.720056/201106 de Representação Fiscal onde se encontra o Auto de Infração de Perdimento das mercadorias aqui mencionadas. De posse dessa representação, decidiuse pela abertura do Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência (MPFD), emitido em 12 de março de 2012, para coleta de mais informações para averiguar se as informações da Representação Fiscal eram recorrentes. A INTERCOMPANY foi intimada a prestar esclarecimentos e apresentar documentos. Da análise dos documentos entregues e do termo de depoimento do Sr. Lauri Afonso de Oliveira Rocha (doravante Lauri), sócio majoritário da INTERCOMPANY, o procedimento de diligência foi convertido em fiscalização através do MPFF 08155002012006700. Concluiu a fiscalização que a INTERCOMPANY importava mercadorias para clientes prédeterminados, neste caso a empresa RHENEN DO BRASILINDÚSTRIA DE MOLAS LTDA, doravante denominada RHENEN, e em muitos casos esses clientes adiantavam recursos para pagamentos das despesas de importação. Os documentos apresentados pela INTERCOMPANY comprovaram o seguinte. • a INTERCOMPANY não possui depósitos ou armazéns; • o objetivo social da INTERCOMPANY é disperso, propositadamente, para que seja mantido um grande “leque” de opções de produtos para comercialização, o que significa que quem “manda” na operação de importação são os clientes da INTERCOMPANY; Fl. 1841DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.723418/201331 Acórdão n.º 3202001.276 S3C2T2 Fl. 1.842 3 • os extratos mostram pagamentos dos clientes antes dos registros das Declarações de Importações (DIs) e em muitos casos antes mesmo do pagamento dos contratos de cambio; • a posição contábil dos estoques da INTERCOMPANY, ao final dos exercícios 2009 e 2010, é sempre igual a ZERO; • as mercadorias entram e saem da contabilidade da INTERCOMPANY em poucos dias; • parte das notas fiscais foram emitidas de forma “casada”, seqüencialmente; • para cada DI objeto deste auto de infração, há sempre uma única empresa destinatária, o que demonstra que essas mercadorias já tinham destinatários predeterminados, antes mesmo do registro da DI; • para os casos em que não foi possível verificar o adiantamento, por não possuir os extratos bancários ou outro fato, ficou demonstrado o mesmo “modus operanti” das importações. Através da analise do cadastro da empresa RHENEN nos sistemas da Receita Federal, verificouse que a empresa se encontra INAPTA por INEXISTÊNCIA DE FATO, desde 03/06/2008. Um fato surpreendente levandose em consideração que a empresa continuava operando, conforme se verifica nas notas fiscais de saída emitida pela INTERCOMPANY para RHENEN, de 2008 a 2010. Esta inaptidão decorreu de um procedimento especial de combate á interposição fraudulenta sob égide da IN 228/02, iniciado em 13/02/2008, e que culminou nos processos administrativos n.° 12749.000072/200858 de Inaptidão e n° 12749.000014/200913 de Auto de Infração de perdimento das importações realizadas pela RHENEN entre 2003 a 2007. Ao cabo do mencionado procedimento especial foi apurado o cometimento de interposição fraudulenta de terceiros e ocultação dos verdadeiros responsáveis pelas operações de importação, com base, em síntese, nas seguintes constatações: • A empresa RHENEN DO BRASIL, constituída em novembro de 2001, teve o seu capital social integralizado pelos sócios apenas em 2006, qual seja, cinco anos após o inicio das atividades da empresa, sendo que as importações foram realizadas já a partir de 2003; • Os sócios da empresa RHENEN DO BRASIL são a RHENEN COMPANY S/A (CNPJ n.° 07.982.797/000119), empresa sediada no Uruguai, e Roberto Gomes Ruivo (CPF n.° 703.199.957/04), que é cunhado de Antônio Carlos Alves Lavouras que, por sua vez, juntamente com o irmão José Ricardo Alves Lavouras, é sócio da empresa CIMOBRAS — INDÚSTRIA DE MOLAS BRASILEIRAS LTDA, empresa essa que firmou contrato de arrendamento industrial com a empresa fiscalizada RHENEN DO BRASIL; • Roberto Gomes Ruivo, muito embora figure como sócio da RHENEN DO BRASIL, declarouse empregado da empresa CIMOBRAS, em suas declarações de ajuste para calculo do imposto de renda da pessoa física relativas aos anoscalendário de 2000 a 2002, sendo que só a partir de 2003 assou a declarar a empresa RHENEN DO BRASIL como sua principal fonte pagadora, mas nunca como sócio, e sim como gerente ou supervisor da empresa; • Foram encontrados cartões de assinaturas de contas bancárias pertencentes a RHENEN DO BRASIL contendo assinaturas dos sócios da Fl. 1842DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.723418/201331 Acórdão n.º 3202001.276 S3C2T2 Fl. 1.843 4 empresa CIMOBRAS, além de procurações emitidas pela RHENEN DO BRASIL conferindo poderes de representação aos sócios da empresa CIMOBRAS; • A presença dos sócios da CIMOBRAS na empresa RHENEN DO BRASIL lhes permite o controle administrativo e financeiro dessa empresa, além do que a RHENEN DO BRASIL, mediante o citado contrato de arrendamento, não só compartilhou matériasprimas, mas também pessoal, equipamentos e o próprio endereço e marca da CIMOBRAS, o que autoriza a conclusão de que o contrato de arrendamento teve por finalidade esconder os verdadeiros proprietários da empresa RHENEN DO BRASIL; • A empresa RHENEN DO BRASIL — INDÚSTRIA DE MOLAS LTDA ,foi, portanto, declarada pessoa jurídica interposta com a finalidade de esconder os reais beneficiários das operações de comércio exterior, visto que a integralização tardia do capital social fez com que a empresa operasse com patrimônio liquido negativo e utilizasse por completo toda a estrutura física, financeira e até a marca da empresa CIMOBRAS — INDÚSTRIA DE MOLAS BRASILEIRAS LTDA. Nos termos do § 1º do art. 23 do Decreto Lei nº 1.455/76, aplicouse a pena de perdimento às mercadoria importadas e, em função de as mesmas já terem sido consumidas em seu processo produtivo, conforme informação da empresa RHENEN, fls. 1159/1160, prestada em resposta a Intimação SEFIA III nº 75/2013 de nº fl. 1152/1155 , foi aplicada a multa pela conversão nos termos do § 3º do mesmo art. 23. Tendo em vista o disposto no art. 95, V, do Decreto Lei nº 37/66 (art. 603, V, do RA/2002), a empresa INTERCOMPANY, o Sr. JOSE RICARDO ALVES LAVOURAS e o Sr. ANTONIO CARLOS ALVES LAVOURAS foram considerados responsáveis solidários pelo créditos apurados. Intimados do Auto de Infração, fls. 1253, 1254, 1256, 1257, ingressaram com impugnação: RHENEN DO BRASIL INDÚSTRIA DE MOLAS LTDA (fls. 1271/1287); JOSÉ RICARDO ALVES LAVOURAS CPF nº 787.974.037/68 (fls. 1349/1365, ANTONIO CARLOS ALVES LAVOURAS, CPF nº 682.880.687/91, (fls. 1423/1439); e INTERCOMPANY COMERCIAL IMP. EXP. E ASSESSORIA LTDA (fls. 1497/1554). As impugnações da empresa RHENEN e dos Srs. JOSE RICARDO ALVES LAVOURAS e ANTONIO CARLOS ALVES LAVOURAS, apresentam, mutatis mutandis as mesmas alegações, inclusive o mesmo representante legal. São as Alegações: não houve interposição de terceiro, seja ela lícita ou ilícita, visto que as importações de mercadorias foram feitas em nome da INTERCOMPANY, em seu Interesse e com recursos próprios, sendo revendidas em seguida no mercado interno para a Impugnante, acompanhada das respectivas notas fiscais de venda, já acostadas ao presente processo; não houve qualquer dano ao erário, eis que todos os tributos decorrentes dessas operações foram efetivamente recolhidos aos cofres públicos; as conclusões do fiscal autuante de que houve uma interposição fraudulenta é lastreada em meras presunções, as quais são por completo refutadas pela ora Impugnante; como exemplo de que se trata de meras presunções, cita a autoridade lançadora que as notas fiscais de saída seriam emitidas pela INTERCOMPANY poucos dias após a emissão das notas fiscais de entrada, e que a respectiva numeração era sucessiva, o que supostamente indicaria que as notas são emitidas de forma casada; na qualidade de adquirente de boafé dessas Fl. 1843DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.723418/201331 Acórdão n.º 3202001.276 S3C2T2 Fl. 1.844 5 mercadorias, a Impugnante desconhece por completo o modus operandi da remetente, tendo realizado operações comerciais da mesma forma que o faz com todos os seus fornecedores, ou seja, realiza o pedido, aguarda o recebimento da mercadoria e efetua o pagamento; o que a Impugnante pode afirmar com convicção é que jamais, em hipótese alguma, cedeu recursos financeiros para que as importações fossem realizadas ou tratou de negociar tais operações diretamente com o fornecedor estrangeiro; para que a fiscalização impute ao contribuinte qualquer infringência exceto aquelas em que se aplica a presunção legal deve ela reunir provas robustas da conduta dolosa do autuado, o que não se constata neste caso concreto; restou comprovado acima que a presente autuação não merece prosperar, pois as operações de importação não contaram com participação da Impugnante, nem dos responsáveis solidários, tendo sido efetivadas pela própria INTERCOMPANY, em seu nome e com recursos próprios; no entanto, caso assim não entenda essa autoridade julgadora, o que se admite a título de argumentação, ainda assim o lançamento não se sustenta; como fundamento para a referida conclusão, aduz fatos levantados nos autos dos processos administrativos de nºs 12749.000072/200858 e 12749.000014/200913, nos quais restou supostamente comprovado que a Impugnante foi declarada pessoa jurídica interposta com a finalidade de esconder os reais beneficiários das suas operações, que seriam os sócios da CIMOBRÁS; é que findo o trâmite na esfera administrativa, a Impugnante ajuizou as ações cautelar, ordinária (indenizatória) e ordinária (principal), processos de nºs 2008.51.10.0021216, 2008.51.10.0045671 e 2009.51.10.0043976, com o escopo de que seu CNPJ fosse reabilitado, processos hoje conclusos ao Ministro Napoleão Nunes Maia, aguardando julgamento de mérito no Superior Tribunal de Justiça (Recursos Especiais de nºs 1342591 e 1334668 – doc 03); por ter trazido como fundamento para o lançamento combatido argumentos que estão em análise pelo Poder Judiciário, verificase que passa a existir uma questão prejudicial ao julgamento da aplicação das multas cobradas neste processo, pelo que impõese a suspensão do caso até o fim do processo judicial; outro processo utilizado como fundamento para autuação é de nº 12749.000014/200913, pendente de apreciação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (doc.04), por meio do qual busca a Receita Federal do Brasil a constituição definitiva de crédito tributário decorrente da conversão da pena de perdimento em multa, por ter a Impugnante supostamente cedido seu nome para operações cujos reais responsáveis seriam os sócios da sociedade da CIMOBRÁS, Srs. José Ricardo Alves Lavouras e Antônio Carlos Alves Lavouras; Ou seja, cingese a controvérsia em saber a Impugnante efetuou operações em nome próprio ou em nome de terceiro, que seriam os responsáveis solidários; esta discussão, da mesma forma, é prejudicial ao tema ora aqui tratado, haja vista que sequer há posicionamento final na esfera administrativa que conclua que os reais responsáveis pelas operações da Impugnante eram os sócios da CIMOBRÁS, de modo que eles não podiam ter sido arrolados como responsáveis solidários; muito embora não haja, na legislação que rege o processo administrativo, previsão expressa de sobrestamento do julgamento de processo de exigência fiscal, a subsunção de alguns princípios ao caso concreto não induz a outra conclusão; uma vez julgados o processo administrativo e o processo judicial, a Impugnante Fl. 1844DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.723418/201331 Acórdão n.º 3202001.276 S3C2T2 Fl. 1.845 6 poderá comprovar, de maneira cabal e definitiva, o equívoco perpetrado pela autoridade lançadora ao incluir os responsáveis solidários no pólo passivo; pelo exposto, importa dizer que se faz necessária a suspensão do presente processo até o julgamento final do processo administrativo n 2 12749.000014/200913 e dos Recursos Especiais de nºs 1342591 e 1334668, sob pena de ofensa ao princípio da eficiência e ao princípio da verdade material; no entanto, caso não se entenda que o julgamento do presente caso depende do julgamento daqueles processos, importante salientar que os responsáveis solidários não são, nem nunca foram, os reais responsáveis pelas operações da Impugnante; a única relação entre as partes decorre do fato de a Impugnante ter celebrado um contrato de arrendamento de todo o parque industrial da sociedade CIMOBRÁS que passava por enorme dificuldade financeira, mediante o compromisso de aproveitar todos os seus empregados; á época, as negociações foram absolutamente sigilosas visando dar continuidade ao processo produtivo e à manutenção dos empregados; a Impugnante jamais concretizaria o negócio se tivesse que adquirir participação no capital social da CIMOBRÁS ou mesmo para adquirir todo o negócio, pois isso permitiria que os administradores da CIMOBRÁS recebessem os valores da transação e ficassem livres para promover consultorias no mesmo segmento de atividade, ou mesmo se tornassem concorrentes da Impugnante; por meio de meros indícios lá criados e aqui reproduzidos, sustentou a Receita Federal do Brasil que houve interposição de pessoas, entendendo ser a Impugnante a pessoa jurídica que cedeu o nome para a realização de operações de comércio exterior realizadas pelos sócios da CIMOBRÁS; entretanto, por meio do contrato de arrendamento, que comprova a real relação comercial entre as partes (doc. 05), e através das notas fiscais de venda, as quais demonstram que a Impugnante efetuava vendas diretas ao consumidor final, sem passar pela CIMOBRÁS, não resta qualquer dúvida que não se vislumbra a interposição de pessoas, agindo a Impugnante exclusivamente em nome próprio e em interesse próprio; no presente caso, tendo em vista o já suscitado no deslinde desta peça, inarredável admitir que não se vislumbra o interesse comum entre a Impugnante e os responsáveis, posto que eles são terceiros que apenas possuem relação comercial com por serem sócios da sociedade CIMOBRÁS. Nada além disso! conforme mencionado alhures e refutado por completo no tópico acima, sustenta a autoridade fiscal que os reais adquirentes das mercadorias São os Srs. José Ricardo Alves Lavouras e Antônio Carlos Alves Lavouras, sócios da CIMOBRAS, utilizandose da Impugnante como uma empresa oculta; com o advento do art .33 da Lei nº 11.488/2007, foi criada a hipótese de previsão de multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada à pessoa jurídica que ceder seu nome para a realização de negócios de comércio exterior em que se acobertem os reais intervenientes ou beneficiários, vedada a aplicação da inaptidão do CNPJ: dessa forma, restou claro que para o real responsável pela operação continuou a incidir a pena de perdimento ou multa no valor total da mercadoria, enquanto a conduta do importador, aquele que cede o nome, estaria enquadrada na multa de 10% (dez por cento) do valor da operação, proibindose a aplicação da inaptidão do seu CNPJ. (Cita Acórdãos da DRJ São Paulo II); noutras palavras, para cada conduta passou a existir uma penalidade Fl. 1845DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.723418/201331 Acórdão n.º 3202001.276 S3C2T2 Fl. 1.846 7 específica, sendo inadmissível a aplicação da multa por coautoria, ou seja, por responsabilidade solidária; por tais razões, tornase claro que não poderia ser aplicada em face dela a penalidade constante do Dec. Lei 1.455/76, mas sim, caso comprovados os fatos presumidos pela fiscalização, aquela prevista no art. 33 da Lei n9 11.488/2007, uma que vez que a Impugnante teria apenas cedido o seu nome para os reais adquirentes; por fim, requer a Impugnante que: a) seja conhecida a presente Impugnação e julgada procedente para acolhe os fundamentos, a fim de declarar insubsistente o lançamento que almeja a cobrança de pena de perdimento; b) caso assim não se entenda, que o julgamento do recurso seja suspenso até resolução definitiva do processo administrativo nº 12749.000014/200913 e dos Recursos Especiais de nº 1342591. Por sua vez a Intercompany Comercial Importadora e Exportadora e Assessoria Ltda, alegou, as fls. 1497/1554. no exercício de parte das atividades acima descritas a Impugnante importa e comercializa uma grande variedade de mercadorias, possuindo clientes em diversos Estados da Federação; A Impugnante funciona como uma distribuidora de produtos diversos, contando assim como estoque próprio para atendimento de seus clientes e tendo também vendas pulverizadas; além do presente auto ora impugnado, houve mais dois em que a Impugnante foi colocada como solidária em penas de perdimento convertidas em multas pelo valor aduaneiro, todas elas, com o devido respeito à fiscalização, de forma incorreta e absurda; absurdo que se nota do presente Auto de Infração é que a fiscalização entendeu que as vendas a dois clientes pela Impugnante seriam de fato efetuadas para a ocultação destes que seriam os reais adquirentes, mas não notou que, apesar de serem eles os maiores clientes da Impugnante, ela também tem outros, conforme atestam as notas fiscais juntadas; também não notou a fiscalização que a Impugnante adquire mercadorias de forma que não exclusivamente por importação. Neste sentido, as notas fiscais apresentadas pela Impugnante à fiscalização em 16 de outubro de 2012, juntadas nestes autos às fls. 273 e seguintes, demonstram a aquisição de aço junto a empresas no mercado nacional, especialmente as notas juntadas às fls. 278, 279, 285 até 305, juntadas novamente apenas para que fique clara a visualização; inexiste qualquer infração fiscal na operação realizada pela Impugnante, não resultando ocultação do real adquirente ou responsável pela operação, nem utilização de documentos falsos, devendo ser julgado improcedente o presente Auto de Infração; a fiscalização tem o poder efetivo de acabar com a vida de uma empresa e, no caso da Impugnante, o auto de infração lavrado contra seus clientes gerará a ela nefastas conseqüências; de acordo com o Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o Processo Administrativo Federal, há que se argumentar a nulidade dos autos de infração que cobram as multas do valor aduaneiro em razão da conversão das penas de perdimento, pois estes foram lavrados contra os clientes da Impugnante, constando o seu nome como responsável solidário; naqueles casos, há a necessidade de autos de infração distintos para cada contribuinte, conforme artigo 9º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72; tais autos devem ser cancelados por falha procedimental, o que por cento vai atingir ao presente; Fl. 1846DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.723418/201331 Acórdão n.º 3202001.276 S3C2T2 Fl. 1.847 8 a revisão aduaneira tem por finalidade apurar a regularidade no pagamento de tributos e demais gravames, e não aplicar pena de perdimento de mercadoria já desembaraçada e comercializada no país; tendo em vista o correto recolhimento dos tributos no despacho de importação, não cabe procedimento de revisão aduaneira para imputar pena de perdimento, posteriormente convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro; tal penalidade seria desproporcional por imputar uma pena de 110% do valor aduaneiro das mercadorias, acrescido do valor de todos os tributos incidentes na :n\ «lação e na comercialização no mercado nacional; não há como decretar o perdimento de mercadoria já comercializada, pois a conversão do perdimento em multa somente é admitida no caso de mercadoria não localizada ou que tenha sido consumida; a fiscalização atuou com abuso de autoridade e de forma ilegal, ao efetuar a ação fiscal e intimações ao contribuinte baseadas no Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização cujo objeto seria a revisão tributária, nos termos do mesmo Mandado de Fiscalização expedido e, ainda, em razão de estar este vencido sem a devida prorrogação válida quando da autuação. Vide fls. 1507; não pode, agora, a fiscalização, utilizar documentação entregue para confirmar o pagamento de tributos como supostos indícios de adiantamento de recursos. A uma, por que isso não existiu, conforme abaixo esclarecido. A duas, porque seria de fato deslealdade do ente fiscal que, induziu a Impugnante a erro, fazendo com que ela abrisse mão do seu direito de sigilo bancário, para depois dizer que as provas produzidas lhe são desfavoráveis; o artigo 7o da Portaria RFB 3.014/11 determina os requisitos obrigatórios do MPF (inclusive MPFD), que incluem prazo para realização do procedimento fiscal, tributo e período de apuração (MPFF), a descrição sumária das verificações a serem realizadas (MPFD), etc. Nada disso foi atendido no presente processo; as três modalidades de importação, coexistem e não são excludentes, ou seja, uma empresa pode executar qualquer uma das três formas de operação, inclusive de forma concomitante, para clientes ou em situações diferentes; para que uma operação seja considerada como uma importação por conta e ordem de terceiros, OBRIGATORIAMENTE deve obedecer aos requisitos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Consubstanciados nas Instruções Normativas SRF 75/01 e 98/01, posteriormente consolidadas nas IN SRF 225/02 e IN SRF 247/02 que, em conjunto com o ADI SRF 07/02, representam a legislação federal atualmente existente sobre tal forma de importação; nesta modalidade, a empresa comercial importadora, em razão de um contrato firmado com a empresa adquirente e registrado na Receita Federal, realiza a importação por conta e ordem desse terceiro, promovendo o desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas, atuando como agente (prestador de serviços) do adquirente, sem adquirir a propriedade do bem importado, respondendo pelo pagamento dos tributos inerentes a tal operação, ressalvada a responsabilidade solidária do adquirente; embora, neste caso, a trading realize o despacho aduaneiro em seu nome, em nenhum momento detém a propriedade das mercadorias, sendo a titularidade passada diretamente do exportador para o adquirente; a empresa comercial importadora deverá emitir nota fiscal de serviços, documento que também diferencia a importação por conta e ordem da importação por conta própria, o que não ocorreu no presente caso; Fl. 1847DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.723418/201331 Acórdão n.º 3202001.276 S3C2T2 Fl. 1.848 9 pois bem, com relação às DI listadas as fls 1516, a seguir relacionadas, a Impugnante era a adquirente e a trading correspondente funcionou como importadora, configurandose a operação de conta e ordem. Para a realização destas operações, a Impugnante firmou contrato com a empresa PROIMPORT BRASIL LTDA., empresa esta com sede em Vitória, houve a devida vinculação junto ao SISCOMEX e todos os desembaraços aduaneiros foram por ela efetuados, na modalidade de conta e ordem de terceiros; com relação a estas DIs mesmo que houvesse a venda prédeterminada a terceiro, o que se admite apenas para argumentar, não se verificaria, de forma alguma, a possibilidade de informação de tais dados à fiscalização. Ou seja, mesmo que a Impugnante quisesse, não teria como informar para quem ela viria a efetuar suas vendas, vez que o SISCOMEX prevê apenas as informações do importador, que era a Proimport e do adquirente, neste caso a própria Impugnante; nas demais importações, àquelas que foram efetuadas diretamente pela Impugnante, não há também o preenchimento dos requisitos quanto à existência de terceiro adquirente previsto, especialmente aqueles informados pela fiscalização. Isto porque, toda a operação comercial sempre foi efetuada pela Impugnante, não havendo a mínima influência de ditas empresas, seja na negociação junto ao exportador, seja na escolha da modalidade de importação, porto de entrada e mesmo no timing de sua realização; esquecendose da figura da PROIMPORT nas Dl's acima relacionadas e concentrandose na Impugnante e nas empresas Renhen e Brasil Comex, a operação em análise pela fiscalização classificasse como "importação por contra própria", e não como importação por conta e ordem de terceiros; tratandose de compra e venda de mercadorias importadas, não existe fundamento legal ou infra legal para exigir do importador ou do adquirente (ora Impugnante) a indicação de seu futuro cliente comprador na DI; todas as notas fiscais emitidas pela Impugnante às empresas supostamente destinatárias da importação trazem como objeto o aço utilizado nos seus processos de fabricação. Pois bem, se o que a Impugnante vendeu a elas fo matériaprima e se elas são empresas industriais (molas e auto peças) não há o que se falar em "quebra" da cadeia do IPI, pois as empresas destinatárias são contribuintes; o saldo bancário médio da Impugnante sempre foi superior às necessidades de fundos para a realização das nacionalizações, o que demonstra que não havia a necessidade de fundos das empresas supostamente mencionadas como efetivas importadoras; afirma o agente fiscal que a "real operação" seria a destinação de parte destas mercadorias para a empresa Rhenen e outra parte para a empresa Brasil Comex, tudisso porque ambas as empresas são clientes da Impugnante e, de outro lado, tiveram problemas com o controle aduaneiro, o que supostamente justificativa a sua ocultação; não houve qualquer contrato de câmbio entre as supostas importadoras e as exportadoras estrangeiras, não fora localizado nenhum indício de destinação das mercadorias àquelas empresas ou, ainda, qualquer mera desconfiança de que haveria alguma negociação entre as supostas adquirentes e os fornecedores; mais do que isso, foi a Impugnante quem contratou a empresa Proimport para funcionar como trading, foi ela quem efetuou todos os pagamentos de tributos e demais custos incidentes na operação; portanto, resta claro pela análise da documentação juntada no presente processo administrativo e utilizada no despacho aduaneiro de importação Fl. 1848DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.723418/201331 Acórdão n.º 3202001.276 S3C2T2 Fl. 1.849 10 (faturas comerciais. Declaração de Importação, contrato de câmbio, conhecimento de transporte, packina list, notas fiscais), que a Impugnante promoveu a importação em nome e com recursos próprios, sendo a real adquirente das mercadorias importadas, visando revendelas no mercado nacional. foram preenchidos todos os requisitos do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 07, de 13 de junho de 2002; o dolo ou a máfé devem ser PROVADOS, não simplesmente presumidos com base em fracos indícios levantados pela fiscalização, quando a Impugnante apenas cumpriu os ditames do ordenamento jurídico vigente, não tendo nada a ocultar das autoridades competentes, como se comprova pelas informações prestadas, pelos documentos apresentados e, principalmente, pelo histórico de operações dessa empresa; caso não afastada a aplicação da pena ora impugnada, não pode a Impugnante deixar de alternativamente impugnar a própria obrigação legal de informação supostamente sonegada, vez que não há a obrigação do importador informar os dados do adquirente na DI, numa suposta importação por conta e ordem de terceiros por fato de amparo legal; tanto a Medida Provisória n° 2.15835/01, quanto a sua subsequente Lei n° 10.637/02 não determinaram tal obrigação, vindo esta "obrigação" a aparecer apenas na IN SRF 225/02; a exigência de informação do adquirente sem a correspondente determinação da informação pela Lei fere o princípio da legalidade (artigos 5o, M e XXXIX, e 150, I, da Constituição Federal, além dos artigos 97 e 115 do Código Tributário Nacional) e o princípio da interpretação mais favorável ao contribuinte da legislação tributária sobre penalidades e infrações (artigo 112 do Código Tributário Nacional); a fiscalização apenas identificou suposto adiantamento casado de recursos nos caso das Dl acima mencionada, sendo que o "conta corrente" que se seguiu a cada uma das descrições em nada pode ser admitido, vez que antecipados justamente pela mesma observação; sendo assim, na remota hipótese de ser entendido como tendo havido algum adiantamento, vez que estes são identificados penas na Dl acima demonstrada, apenas a ela deve ser imputada a multa ora cobrada; assim, ainda que houvesse dúvida quanto à não aplicação do §3° do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76 ao presente caso, esta deveria de qualquer forma ser dirimida em favor do contribuinte, por expressa disposição legal, concluindo então pela inaplicabilidade da multa substitutiva da pena de perdimento; desse modo, mesmo que a presente operação se enquadrasse em um dos casos sujeitos à pena de multa equivalente a 100% do valor aduaneiro das mercadorias importadas (o que se admite somente por amor à argumentação), de acordo com a nova legislação, apenas a multa de 10% seria aplicável à Impugnante, O que já ocorreu pela autuação correspondente ao processo administrativo n° 10314.723.279/201346. por mais esse motivo, devem ser anulados os autos de infração nº 10314.723.418/201331 e 10314.723.416/201342, tendo em vista ser incabível a pretensa multa equivalente a 100% (cem por cento) do valor aduaneiro das mercadorias importadas e já comercializadas; neste sentido, inclusive, é maciça o posicionamento dos julgamentos administrativos, conforme se nota pelas ementas (cita Acórdãos da então DRJ II – 2ª Turma de Julgamento); Fl. 1849DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.723418/201331 Acórdão n.º 3202001.276 S3C2T2 Fl. 1.850 11 requer provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente pela juntada de prova documental e sustentação oral. É o Relatório. A decisão de fls. 1631 e seguintes, proferida pela DRJ de São Paulo I, foi assim ementada: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. A importação de mercadorias destinadas a terceiro oculto, o real responsável pela operação, dá ensejo à pena de perdimento, ou sua conversão em multa, aplicável ao importador, pela caracterização de interposição fraudulenta na importação. (DecretoLei nº 1.455/76, artigo 23, V). RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal – artigo 124 do Código Tributário Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente protocolou recurso voluntário reiterando suas alegações. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator Os Recursos oras analisados são tempestivos e preenchem os pressupostos de admissibilidade. Desta forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões de mérito. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA A importação de mercadorias por adquirente que age de forma a ocultar terceiro, que por sua vez é o real adquirente, configura dano ao erário público. A Lei 10.637/02, resultado da conversão da Medida Provisória nº 66/02, elenca em seu art. 23, V, e § 2º, os requisitos para que seja presumida por fraudulenta em função de interposição de terceiro a operação em questão. Vejamos: Fl. 1850DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.723418/201331 Acórdão n.º 3202001.276 S3C2T2 Fl. 1.851 12 “Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002); § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)”. Àqueles que praticam o ilícito supracitado, é atribuída a pena de perdimento, que implica em pagamento de multa de igual valor ao da mercadoria importada fraudulentamente que entregaram para consumo. Para a constatação da infração praticada e que gerou o auto de infração, nos socorremos do relatório anexo ao Auto de Infração autuado. Muito sagaz foi o raciocínio do Fiscal da Receita Federal ao repassar para os autos, em síntese, conclusões acerca da entrevista realizada com o Sr. Lauri Afonso de Oliveira Rocha, que corroborou, por sua vez, para que os julgadores da DRJ de São Paulo entendessem que a INTERCOMPANY COMERCIAL IMP. EXP. E ASSESSORIA LTDA, doravante INTERCOMPANY, realizava importações para clientes prédeterminados, como, neste caso, a RHENEN DO BRASIL—INDÚSTRIA DE MOLAS LTDA, doravante RHENEN, senão vejamos: “6.2 – DO DEPOIMENTO DO SR. LAURI Em sua entrevista, o Sr. Lauri mostrouse conhecedor do seu negócio. Soube esclarecer vários pontos do funcionamento da empresa, como por exemplo seus principais clientes, a logística de pagamento de clientes e o estoque de mercadorias. Alguns pontos foram bem esclarecedores para essa fiscalização, entre eles o item em que fala sobre a operação da empresa. O Sr. Lauri esclarece que na maioria das vezes os produtos que importa já tem um cliente determinado. Ora, se já existem clientes determinados, que não são declarados nas Declarações de Importação, podemos concluir, então, que esses estão sendo ocultos do Controle Aduaneiro. Nos bastava então verificar quais as empresas estão se beneficiando e quem arca com essas despesas, se o próprio importador ou se há adiantamento desses clientes para que essas operações possam ocorrer. O senhor Lauri também afirma que trabalha apenas ele e sua secretaria na empresa. Um ponto curioso se formos ver que essa empresa importou nos últimos 4 anos mercadorias pertencentes a mais de 50 códigos de posição NCM, ou seja, um leque um tanto quanto diversificado para apenas uma pessoa administrar. Uma outra questão interessante é quando ele afirma que não possui depósitos ou armazéns. Isso comprova que a empresa não necessita de estoque ou deposito uma vez que as mercadorias importadas já tinham destino certo, seus Reais Adquirentes. Fl. 1851DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.723418/201331 Acórdão n.º 3202001.276 S3C2T2 Fl. 1.852 13 Como será visto mais adiante, as notas fiscais de saída da INTERCOMPANY são emitidas, em muitos casos, antes mesmo do desembaraço das mercadorias. As mercadorias apenas transitam pela INTERCOMPANY contabilmente e por um curto período de tempo (elas jamais transitam fisicamente pela INTERCOMPANY). Ao realizar leitura do Contrato Social da INTERCOMPANY, também verificou a fiscalização no sentido de asseverar a ideia de que esta não era a destinatária final das mercadorias: “Na 10ª Alteração Contratual de seu contrato social, datado de 27/03/2012, o objetivo social da INTERCOMPANY é apresentado como: “comércio de importação, exportação de produtos; Assessoria e locação de veículos automotores sem condutores e de bens próprios; Transportes rodoviários de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, municipais; Obras de terraplanagem; Aluguel de máquinas e equipamentos para construção sem operador, exceto andaimes e; Transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, intermunicipal, interestadual e internacional.”. Como se pode ver, a INTERCOMPANY tem como objeto social operações das mais diversas possíveis. Somente o item de importações e exportações de produtos, envolveria os mais variados tipos de produtos (qualquer capítulo da Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM), o que indica que ela não é a destinatária final das mercadorias importadas por ela (na qualidade de adquirente). Afinal, não é uma prática nada comum do mercado que as empresas estendam sua área de atuação por ramos tão distintos, a não ser que sejam meras intermediárias entre o exportador e uma outra empresa (a real adquirente). Aliás, isso vai ao encontro do relatório extraído do DW Aduaneiro (vide em anexo DOCUMENTOS DOS SISTEMAS DA RFB) contendo as importações da INTERCOMPANY, pois, ali, encontramos mercadorias constantes dos mais diversos capítulos da NCM (capítulos 30, 34, 37, 39, 40, 42, 48, 49, 54, 56, 58, 61, 62, 63, 65, 66, 71, 72, 73, 74, 82, 83, 84, 85, 87, 90, 91, 95 e 96). Isso é um forte indício de que as importações da INTERCOMPANY são por encomenda ou por conta e ordem terceiros, afinal uma empresa desse porte, com apenas 1 empregado, conforme depoimento do Sr. Lauri e a GFIP (vide em anexo DOCUMENTOS INTERCOMPANY), no caso, o próprio Sr. Lauri, não teria capacidade de administrar um leque tão extenso de produtos importados: buscar fornecedores no exterior, negociar preço, pesquisar frete e seguro e buscar clientes no mercado interno. Quem estaria negociando essas compras não seria a INTERCOMPANY e sim as importadoras de fato.” Por fim, destaco também o quadro comparativo à fls. 33/36 do Auto de Infração, que relaciona os dados contidos no Livro de Registro de Entradas com aqueles no Livro de Registro de Saídas, sobre o qual tanto a fiscalização quanto os julgadores da DRJ de Fl. 1852DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.723418/201331 Acórdão n.º 3202001.276 S3C2T2 Fl. 1.853 14 São Paulo traçaram conclusões incisivas para a constatação de que houve a interposição de terceiros situando a RHENEN como real adquirente das mercadorias importadas. Ao se observar a numeração das notas fiscais de saída, por vezes esta é “casada” com aquela da nota fiscal de entrada. Outrossim, também verificase que as notas fiscais de saída são emitidas poucos dias depois da emissão da nota fiscal de entrada correspondente ao produto, quando não verificamos que o espaço de tempo foi menor que 24 horas. Acertou a instância de piso ao prolatar que a passagem dos produtos pelo estoque da INTERCOMPANY é meramente contábil, estando este, como observado pelo agente fiscal, quase sempre zerado. Vale dizer também que para cada número de DI analisado, havia apenas um real adquirente (uma vez que os produtos nem sequer transitavam pela empresa, indo diretamente ao estabelecimento de terceiro). Mas não é tudo. Analisando o quadro de lançamentos contábeis, constato que, por muitas vezes, os lançamentos de recebimento ocorriam antes da emissão da nota fiscal de saída do produto. E verificando os lançamentos da conta “Adiantamento de Clientes”, mantida pela INTERCOMPANY, é possível inferir também o recebimento antecipado das mercadorias por parte da RHENEN. Concluo, então, que é inegável a configuração de Importação por Conta e Ordem de Terceiros, na qual a RHENEN elidia a fiscalização do Controle Aduaneiro e a INTERCOMPANY emprestava seu nome para fins de ocultação, configurando interposição fraudulenta de terceiros. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Quanto à responsabilidade da INTERCOMPANY, e importante transcrever o seguinte trecho da decisão da DRJ que elucida o tema: Nos termos do decretolei nº 37/1996, comete infração toda a pessoa física ou jurídica que, por ação ou omissão, voluntária ou involuntária, não observe norma estabelecida no decretolei, em seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completalos. Segundo tais normas é, portanto, imputável a infração em tela a importador e adquirente da mercadoria importada, pois ambos atuam conjuntamente. O antigo Terceiro Conselho de Contribuintes já decidiu nesse sentido (acórdão 30238170, de 8/11/2006): “IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DAS MERCADORIAS. CARACTERIZAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DAS MERCADORIAS. Nos termos da legislação de regência, considerase Fl. 1853DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.723418/201331 Acórdão n.º 3202001.276 S3C2T2 Fl. 1.854 15 dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo da obrigação tributária, em operações de importação (realizadas por conta e ordem de terceiros), infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro caso as mercadorias não sejam localizadas ou houverem sido consumidas. ..................................................................................................... RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. Responde pelas infrações, conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.” O artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 trouxe inovação à matéria em exame: “Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Segundo esse dispositivo, foi criada nova penalidade nos casos de interposição fraudulenta: multa de 10% do valor da operação, aplicada ao importador ou exportador ostensivo (o interveniente em cujo nome é realizada a importação ou a exportação). Para terminar de delinear a responsabilidade solidária da INTERCOMPANY, cito novamente trecho da decisão da DRJ que, por sua vez, alude ao trabalho detalhista do agente fiscal no AI: Apesar dos contratos de câmbio estarem em nome da INTERCOMPANY e do pagamento ser feito através de sua conta bancária, quem realmente pagava por esses contratos de câmbio era a RHENEN. A fiscalização demonstrou através da tabela Contratos de Câmbio X Pagamento de Clientes, de fls. 40/50. Também através dos extratos bancários de 2008 a 2010, entregues pela INTERCOMPANY (vide anexo – DOCUMENTOS ENTREGUES PELA INTERCOMPANY), encontramos as informações de pagamentos de seus clientes. Os extratos mostram que em grande parte das negociações feitas Fl. 1854DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.723418/201331 Acórdão n.º 3202001.276 S3C2T2 Fl. 1.855 16 entre a INTERCOMPANY e seus clientes, existiu sim adiantamento de recursos. Logo, não há controvérsia a respeito do fato de que a empresa RHENEN era de fato a real adquirente dos produtos importados, suportando todos os encargos financeiros da operação. Mas as relações se mostram ainda mais insidiosas. Neste emaranhado contábil e tributário, temos ainda a presença da CIMOBRÁS – INDÚSTRIA DE MOLAS BRASILEIRAS LTDA. A CIMOBRÁS é sociedade constituída pelos Srs. José Ricardo Alves Lavouras e Antônio Carlos Alves Lavouras, que figuram no polo passivo do Auto de Infração que originou o PAF. Curiosamente, é sócio da RHENEN o Sr. Roberto Gomes Ruivo, cunhado de Antônio Carlos Alves Lavouras, que também se declarava funcionário da CIMOBRÁS em determinado período, situação que foi alterada posteriormente, quando passou a declarar que a RHENEN era sua empregadora (gerente ou supervisor), mas nunca declarou que era sócio desta última. Por fim, para comprovar a relação de solidariedade dos sócios da CIMOBRÁS para com as outras duas partes (INTERCOMPANY E RHENEN), transcrevo trecho da decisão da DRJ à fl. 1654: Os documentos juntados pelo Fisco às fls. 322/331, 332/346 e 358/425, demonstram a participação ativa que referidos sócios da CIMOBRÁS exerciam na empresa autuada, eis que se constituem de: informações dos seguintes bancos: UNIBANCO, BRADESCO e o banco ABN AMRO REAL S/A, fornecendo os cartões de assinaturas de Roberto Gomes Ruivo (pretenso sócio na empresa RHENEN) e José Ricardo Alves Lavouras, relativamente a contas correntes da empresa RHENEN DO BRASIL; procuração lavrada no 10.º Ofício de Nova Iguaçu em que a RHENEN DO BRASIL confere a José Ricardo Alves Lavouras amplos poderes para representala; além de procuração em que Roberto Gomes Ruivo constitui como seus procuradores José Ricardo Alves Lavouras e Antônio Carlos Alves Lavouras para representálo junto a instituições bancárias, financeiras e de factoring, no que tange a contas correntes da empresa RHENEN DO BRASIL. Com efeito, demonstrado o efetivo controle financeiro e administrativo que os mencionados sócios da CIMOBRÁS exerciam na empresa RHENEN DO BRASIL, é o quanto basta para reconhecerse como correta a responsabilização desses sócios na farma da disposição contida no inciso I do art. 124 do CTN, como demonstrado no início deste voto. Considero, então, que está suficientemente comprovada a relação de solidariedade entre a INTERCOMPANY E RHENEN, uma vez que a primeira empresta seu Fl. 1855DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.723418/201331 Acórdão n.º 3202001.276 S3C2T2 Fl. 1.856 17 nome a fim de ocultar a segunda, real adquirente. Além disso, a CIMOBRÁS, através de JOSÉ RICARDO ALVES LAVOURAS e ANTÔNIO CARLOS ALVES LAVOURAS, exercia o controle financeiro da RHENEN. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO aos recursos voluntários interposto pelos Recorrentes. É como voto Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 1856DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10855.000258/2005-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2004
IPI. INCIDÊNCIA. OPERAÇÃO MENCIONADA NA LISTA ANEXA AO DECRETO-LEI 406/68 E NA ANEXA À LEI COMPLEMENTAR 116/2003. CABIMENTO
Consoante a melhor dicção do art. 156 da Carta Política, apenas está constitucionalmente impedida a incidência sobre a mesma operação, conceituada como serviço, do ISS e do ICMS. Assim, tanto o decreto-lei nº 406/68, recepcionado como Lei Complementar até a edição da Lei Complementar nº 116/2003, quanto esta última, ao regularem tal dispositivo, apenas estão afastando a incidência cumulativa de ISS e ICMS, nada regulando quanto ao IPI. Para a incidência deste último, basta que a operação realizada se enquadre em um dos conceitos de industrialização presentes na Lei 4.502/64.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Nanci Gama, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Júlio César Alves Ramos - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2004 IPI. INCIDÊNCIA. OPERAÇÃO MENCIONADA NA LISTA ANEXA AO DECRETOLEI 406/68 E NA ANEXA À LEI COMPLEMENTAR 116/2003. CABIMENTO Consoante a melhor dicção do art. 156 da Carta Política, apenas está constitucionalmente impedida a incidência sobre a mesma operação, conceituada como serviço, do ISS e do ICMS. Assim, tanto o decretolei nº 406/68, recepcionado como Lei Complementar até a edição da Lei Complementar nº 116/2003, quanto esta última, ao regularem tal dispositivo, apenas estão afastando a incidência cumulativa de ISS e ICMS, nada regulando quanto ao IPI. Para a incidência deste último, basta que a operação realizada se enquadre em um dos conceitos de industrialização presentes na Lei 4.502/64. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Nanci Gama, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 02 58 /2 00 5- 21 Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIR ANDA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Rodrigo Cardozo Miranda Relator Júlio César Alves Ramos Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Cuidase de recurso especial interposto por Inferteq Indústria e Comércio de Etiquetas Ltda. (fls. 779 a 844) contra o v. acórdão proferido pela Colenda 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF (fls. 732 a 756), que, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento de IPI. No presente caso a contribuinte adquire, no mercado interno, películas plásticas autoadesivas e sobre elas imprime, após cortálas nos tamanhos adequados, dizeres e expressões indicados pelos seus clientes. Desse modo, defende que sua atividade se enquadra na definição de “composição gráfica por encomenda” prevista no DecretoLei nº 406/68 e na Lei Complementar nº 116/2003 como sujeitas “apenas ao imposto sobre serviços”. Em vista disso, defende estar afastada a incidência do IPI. O v. acórdão ora recorrido, da relatoria da Ilustre Conselheira Nayra Bastos Manatta, restou assim ementado na parte que interessa: “(...) IPI. SERVIÇOS DE ARTES GRÁFICAS PERSONALIZADOS. Os serviços de composição e impressão gráficas, personalizados, previstos no 8°, § 1°, do DL n°406, de 1968, estão sujeitos à incidência do IPI e do ISS. Em seu voto, a Ilustre relatora entendeu ser inaplicável a Súmula 146 do extinto TFR, bem como a Súmula 156 do STJ, porquanto esta última apenas afasta a incidência cumulativa de ISS e ICMS e, no entender da relatora, teria substituído a anterior. Ademais, procurou demonstrar que a atividade exercida pela autuada configura industrialização e não corresponde a qualquer uma das hipóteses de exclusão previstas no art. 5º da Lei nº 4.502/64. O recurso especial interposto pela contribuinte, ao seu turno, reiterou os termos da sua impugnação e do seu recurso voluntário, propugnando pela impossibilidade de se tributar o mesmo fato pelo ISS e pelo IPI, além de defender que a atividade por ela exercida não configura industrialização, sendo “nítida prestação de serviço”. Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIR ANDA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10855.000258/200521 Acórdão n.º 9303002.623 CSRFT3 Fl. 980 3 O recurso especial foi admitido através do r. despacho de fls. 980 a 983. Contrarrazões da Fazenda Nacional às fls. 986 a 1005, onde se defendeu a manutenção do v. acórdão recorrido. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o recurso merece ser conhecido. Quanto ao mérito, da mesma forma, o recurso especial do contribuinte deve ser acolhido. Deveras, notadamente em face da jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, penso que não há industrialização para fins de incidência do IPI em hipóteses como a presente, em que a contribuinte adquire, no mercado interno, películas plásticas autoadesivas e sobre elas imprime, após cortálas nos tamanhos adequados, dizeres e expressões indicados pelos seus clientes. Com efeito, não há como se negar que há trabalho gráfico nas operações do contribuinte em razão do contido nos próprios autos. Apontouse no voto relator do v. acórdão recorrido, todavia, que nos termos da legislação do IPI há industrialização e, por conseqüência, o referido tributo é devido. Pois bem, a primeira observação relevante para se dirimir a presente controvérsia é que pouco importa saber se pode ser separada ou não a atividade industrial da atividade de prestação de serviço gráfico personalizado. O que cabe indagar, efetivamente, para se perquirir a incidência ou não do IPI, ou ainda, de ISS, é se há ou não prestação de serviço gráfico personalizado. Pelo conteúdo dos autos, há serviço gráfico personalizado na atividade da contribuinte. A sua produção se limita à obtenção de produtos decorrentes do corte e impressão de dizeres e expressões indicados pelos clientes da contribuinte sobre películas plásticas auto adesivas adquiridas no mercado. Cabe indagar, então, o seguinte: a contratação do contribuinte se dá pela sua atividade industrial, ou seja, pelo corte das películas plásticas autoadesivas adquiridas no mercado, ou pela sua atividade gráfica, o rótulo ou etiqueta personalizada? O que é mais importante para o contratante? Pareceme, com todas as vênias daqueles que comungam de entendimento diverso, que o serviço gráfico, no caso, é nitidamente preponderante. Não se nega que, em tese, há industrialização – produção de etiquetas mas isso, por si só, não significa que deva incidir o IPI. De fato, uma empresa como a CocaCola, por exemplo, antes de solicitar apenas um rótulo plástico adesivo devidamente cortado, quer a sua marca perfeitamente estampada nele, o que configura serviço gráfico personalizado. Da mesma forma, a fabricante de fraldas Cremer, Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIR ANDA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 por exemplo, espera que a sua marca e todos os dizeres necessários estejam aplicados na embalagem das suas fraldas, de nada valendo a embalagem plástica sem a aplicação gráfica. Portanto, a entrega de embalagens, rótulos ou etiquetas, fabricados ou adquiridos pela contribuinte, não é determinante para a incidência do IPI. De fato, com a prestação do serviço gráfico personalizado e, por conseqüência, da sua previsão como serviço tributado pelo ISS, por constar da lista do Decreto Lei nº 406/68, não há incidência de IPI. Essa linha de entendimento já é adotada há muito tempo pela jurisprudência pátria, sendo de se destacar, neste sentido, as próprias súmulas do antigo Tribunal Federal de Recursos e do Superior Tribunal de Justiça sobre a matéria: Súmula nº 143 (TFR) Serviços de Composição e Impressão Gráficas ISS e IPI. Os serviços de composição e impressão gráficas, personalizados, previstos no artigo 8º, par. 1º, do DecretoLei nº 406, de 1968, com as alterações introduzidas pelo Decreto Lei nº 834, de 1969, estão sujeitos apenas ao ISS, não incidindo o IPI. Súmula nº 156 (STJ) A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS. O Egrégio Superior Tribunal de Justiça, de fato, já tratou por diversas vezes de situações, se não idênticas, bastante semelhantes às dos presentes autos, nos casos em que se discutiu a incidência de IPI sobre embalagens e rótulos. Destacamse os seguintes julgados: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IPI. CONFECÇÃO DE CARTÕES MAGNÉTICOS E DE CRÉDITO. NÃO INCIDÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA 156/STJ. 1. O Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que em casos como o dos autos, de empresa que produz cartões magnéticos personalizados, não há incidência de IPI. Aplicação, in casu, da Súmula 156/STJ: "a prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." 2. Agravo Regimental não provido. (AgRg no REsp 966184/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/04/2008, DJe 19/12/2008) (grifos nossos) TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EMBALAGENS. SERVIÇO DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA. INCIDÊNCIA DO ISS. PRECEDENTES. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. REEXAME DE PROVA. SÚMULA N. 7/STJ. 1. Revelase improcedente argüição de ofensa ao art. 535 do Código de Processo Civil na hipótese em que o Tribunal de origem tenha adotado fundamentação suficiente para decidir de Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIR ANDA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10855.000258/200521 Acórdão n.º 9303002.623 CSRFT3 Fl. 981 5 modo integral a controvérsia, atentandose aos pontos relevantes e necessários ao deslinde do litígio. 2. O recurso especial não é sede própria para rever as premissas ensejadoras de julgamento se, para tanto, fazse necessário o revolvimento dos elementos fáticoprobatórios considerados ao longo do feito. Inteligência da Súmula n. 7/STJ. 3. É iterativa a orientação do STJ de que impressos encomendados e personalizados, como rótulos, embalagens e etiquetas, são considerados serviços de composição gráfica, razão pela qual estão sujeitos ao ISS, e não ao ICMS. Incidência da Súmula n. 156/STJ. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e parcialmente provido. (REsp 578466/SP, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/03/2007, DJ 19/03/2007, p. 303) (grifos nossos) PRODUÇÃO DE EMBALAGENS, SERVIÇOS PERSONALIZADOS. INCIDÊNCIA DO ISS. SÚMULA 156/STJ. ICMS. NÃOINCIDÊNCIA. I A atividade de composição gráfica, entre as quais, a confecção de embalagens folhetos e etiquetas, não descaracteriza a natureza de prestação de serviços. Aplicação da Súmula 156/STJ:"A prestação de serviço de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS." Precedentes: REsp nº 542.242/SP, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 08.11.2007; REsp nº 578.466/SP, JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 19.03.2007 e REsp nº 493.749/SP, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 28.02.2005. II Não há se falar em incidência da súmula 7/STJ, quando se encontram apresentados no acórdão recorrido os dados factuais necessários à avaliação da questão de direito vinculada. III Agravo regimental improvido.” (AgRg no REsp 937803/SP, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/12/2007, DJe 12/03/2008) (grifos nossos) Além disso, é de se ressaltar que a própria jurisprudência administrativa também já corroborou esse entendimento, conforme se depreende dos seguintes julgados: “IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO DE ADESIVOS POR ENCOMENDA. Os serviços gráficos personalizados, ainda quando envolvam o fornecimento de mercadorias, ficam sujeitos apenas ao ISS, não incidindo o IPI. In casu, a atividade de elaboração de películas adesivas sob encomenda desenvolvida pela Recorrente não se enquadra na hipótese de incidência do IPI, posto que é nítida a prestação de serviço. Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIR ANDA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Recurso provido. (RV 219196, Processo 11080.011458/9638, Acórdão 202 15523, rel. Cons. Marcelo Marcondes MeyerKozlowski) (grifos nossos) IPI. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO. SERVIÇO DE COMPOSIÇÃO GRÁFICA. A elaboração dos cartões com as características requeridas pelo destinatário, que é aquele que encomenda o serviço, tais como a logomarca, a cor, eventuais dados e símbolos, indica de pronto a prestação de um serviço de composição gráfica, enquadrado no item 77 da Lista de Serviços anexa ao DecretoLei nº 406/68. Considerada a circunstância de se tratar de serviço personalizado, destinados os cartões, de pronto, ao consumidor final, que neles inserirá os dados pertinentes e não raro sigilosos, concluise que a atividade não é fato gerador do IPI. Recurso provido.” (RV 110313, Processo 13603.000708/9837, Acórdão 201 78.520, rel. Cons. Gustavo Vieira de Melo Monteiro) (grifos nossos) Por conseguinte, em face de todo o exposto, e com todas as vênias aos que comungam de posicionamento contrário, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial para reformar o v. acórdão recorrido e considerar insubsistente o lançamento consubstanciado no auto de infração. Rodrigo Cardozo Miranda Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator Designado Designoume o Presidente para redigir o acórdão provavelmente porque o Colegiado ratificou, nesta assentada, posição que defendi em processo1 da mesma empresa sobre o mesmo assunto que relatei. Sendo absolutamente idênticas as situações, reproduzo na seqüência o voto ali proferido e que foi acolhido também por qualidade. A admissibilidade do recurso especial foi, a meu ver, bem reconhecida, na medida em que se têm dois acórdãos que, debruçandose sobre os mesmos fatos, a eles deram interpretações diametralmente opostas. Dele conheço. Como relatado, a questão a ser dirimida é única: cabe IPI sobre atividade que conste na lista de serviços anexa ao Decretolei 406/68 e na Lei Complementar 116/2003? Entendo que sim. 1 Processo nº, 10855.000135/200591, votado em 09 de maio de 2013, acórdão nº 9303002.265 Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIR ANDA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10855.000258/200521 Acórdão n.º 9303002.623 CSRFT3 Fl. 982 7 É que, a meu ver, ditas listas – e isso fica claro ao menos depois da promulgação da Carta Política de 1988 – destinamse exclusivamente a dirimir conflitos de competência entre os Estados e Municípios no que tange à incidência do ISS e do ICMS, dado que a Constituição expressamente impediu sua cumulação. Nada nela há, contudo, que impeça a cumulação de IPI com ISS, assim como não há para evitar que se tribute o IPI numa atividade já submetida ao ICMS. Essa consideração inicial já é suficiente para afastar a pretensão da recorrente de que se aplique hoje a Súmula 143 do extinto Tribunal Federal de Recursos: embora ela, de fato, mencione o IPI, foi editada na vigência da Carta anterior. Nela, como aliás reconhecido pelos renomados doutrinadores citados pela i. relatora que me antecedeu, havia dúvidas quanto à possibilidade de cumulação do IPI com o ISS. Realmente, faço coro com as abalizadas considerações expendidas pelas autoridades julgadoras de primeiro grau que peço vênia para transcrever O que se debate nos autos consiste em saber se existe alguma incompatibilidade entre a incidência do IPI, do ISS e do ICMS numa operação econômica em que para se prestar um serviço é necessário industrializar um produto e entregar uma mercadoria, tal como se dá no caso do serviço de artes gráficas. Tendo em conta que o debate versa sobre competência tributária, a investigação deve principiar pela Constituição Federal, pois os âmbitos de incidência dos tributos estão predefinidos na Carta pelos respectivos arquétipos constitucionais. O art. 153 da CF/88 ao dizer que "...Compete à União instituir impostos sobre: ... IV produtos industrializados;"e que o IPI não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior;" revela que o critério material da hipótese de incidência tributária é a execução de uma operação de industrialização. Esta é também o critério quantitativo da regra matriz de incidência, porquanto, ao estabelecer que o IPI "...será nãocumulativo, compensando se o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores;" o dispositivo constitucional nada mais fez do que dizer que a base de cálculo do imposto é o valor de cada operação da qual resulte num produto industrializado. O art. 155 da CF/88, por seu turno, ao fixar a regramatriz de incidência do ICMS estabelece que "Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, (...)". Depreendese daí que o aspecto material da hipótese de incidência do imposto estadual é a realização de operações relativas à circulação de mercadorias Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIR ANDA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 ou sobre a prestação dos serviços indicados. O imposto não incide sobre a mercadoria e nem sobre a circulação, incide sobre operações relativas à circulação, ou seja, negócios jurídicos de natureza mercantil que importem a transferência de domínio sobre a mercadoria. Estas operações relativas à circulação de mercadorias, consubstanciando negócios jurídicos de natureza mercantil, encerram duas obrigações de dar (entregar a mercadoria e pagar o preço). Relativamente ao ISS, sua regramatriz insculpida no art. 156 da CF/88 estabelece que ".... Compete aos Municípios instituir impostos sobre: (...) III serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, II, definidos em lei complementar."Ou seja, o imposto municipal incide sobre todos os serviços não inseridos na órbita de incidência do imposto estadual. (...) Conforme o termo de verificação, os clientes do autuado, ao encomendarem as etiquetas mediante o envio das especificações técnicas, estão em verdade encomendando uma prestação de serviço, consistente na execução personalizada de etiquetas impressas em suportes de plástico (art. 8° do DL n° 406/68). Para que a encomenda possa ser executada, o autuado é obrigado a adquirir insumos no mercado interno e a transformá los em um novo produto que, posteriormente, sairá do estabelecimento no momento da entrega ao cliente (arts. 4°, I e 32, II do RIPI/98). Finalmente, ao consumar a prestação do serviço, mediante a tradição da coisa e do recebimento do preço, promove a circulação de uma mercadoria (art. 2°, I, da LC n° 87/96). Inequívoco, portanto, que neste caso, a prestação de serviço (obrigação de fazer algo) não pode existir sem a execução de uma operação de industrialização, seguida da entrega de uma mercadoria (obrigação de dar). Logo, para poder prestar o serviço o autuado pratica os fatos geradores dos três impostos, IPI, ISS e ICMS, tudo dentro de uma mesma operação econômica. Resta verificar se existe alguma vedação constitucional para esta tríplice incidência tributária. A CF/69, quando tratava da competência dos Municípios para instituir impostos, excluía expressamente a competência municipal, diante de fatos sujeitos às competências da União e dos Estados, conforme se pode verificar em seu art. 25, verbis: Art 25 Compete aos Municípios decretar impostos sobre: ' I— (omissis); II serviços de qualquer natureza não compreendidos na competência tributária da União ou dos Estados, definidos em lei complementar. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIR ANDA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10855.000258/200521 Acórdão n.º 9303002.623 CSRFT3 Fl. 983 9 Como na CF/88 esta exclusão de competência foi mantida apenas em relação ao ICMS (art. 156, III, da CF88), a conseqüência jurídica disto é que nos casos como no dos autos, quando a obrigação de fazer consistente na prestação do serviço se consubstanciar numa operação de industrialização, é perfeitamente possível a incidência do IPI e do ISS, á. luz das respectivas regrasmatrizes de incidência fixadas na constituição vigente Portanto, uma vez promulgada a Constituição vigente, tal cumulação só é expressamente impedida entre o ISS e o ICMS. Outra não é, a propósito, a razão para que a Súmula 156 do STJ, esta sim já editada na vigência da atual Carta Política, apenas faça referência ao ICMS, nenhuma menção havendo ao IPI. Nesse primeiro ponto, pois, não divirjo das decisões proferidas nos autos: não há Súmula oriunda de tribunal superior que indique a impossibilidade de cumulação pretendida. Superado esse argumento, imprescindível examinar se a atividade desenvolvida configura ou não industrialização nos termos da legislação do IPI. E a resposta também é afirmativa. Isso porque, nos dizeres da própria recorrente, ela adquire um determinado insumo (películas autoadesivas de plástico) e com elas elabora um novo produto: etiquetas personalizadas mediante a aposição de dizeres do interesse do seu cliente. Ela mesma ressalta que não recebe do seu cliente a etiqueta para, sobre ela, apenas apor os dizeres convenientes. Entendo que apenas nessa última hipótese é que se poderia cogitar da discussão proposta aqui pela recorrente, e ainda assim se além das etiquetas todos os demais insumos necessários fossem remetidos pelo seu cliente. Nesse caso, e só nele, a mesmíssima operação constitui, a um só tempo, serviço para efeito do ISS e industrialização para efeito do IPI. Na hipótese, se tem a industrialização por encomenda com remessa de insumos (todos) em que a atividade exercida pelo industrial apenas consiste no emprego de mãodeobra para obtenção da mudança no objeto fornecido. No caso dos autos, porém, sequer é isso que ocorre. É a própria recorrente quem adquire os insumos necessários e, com eles, modifica as películas, deixandoas no formato e com as demais características requeridas pelo seu cliente. Não vejo como se possa dizer não se tratar de industrialização no conceito previsto na Lei 4.502. Registro que diversas decisões, tanto administrativas quanto judiciais, afirmaram que a atividade ora analisada – e outras assemelhadas – não seriam industrialização em face de ser exercida por encomenda e ter na mãodeobra o seu principal elemento. Também quanto a isso peço vênia para divergir. Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIR ANDA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 É que, como muito bem afirmado no voto atacado, a exclusão do conceito de industrialização que se poderia cogitar exige, cumulativamente, que a atividade seja exercida na residência do confeccionador ou em oficina e que o trabalho seja preponderante. Nenhuma dessas condições é comprovadamente preenchida pela recorrente. Com efeito, cediço que não se trata de residência, a condição relativa ao estabelecimento exigiria que se tratasse de uma mera oficina. Mas ela é precisamente definida na legislação do IPI: tratase de estabelecimento que empregue, no máximo, cinco operários e, caso utilize força motriz, não disponha de potência superior a cinco quilowatts. Não se tem tal informação nos autos, mas parece improvável que uma indústria (como a própria empresa se denomina) o atenda. De todo modo, há mais uma condição: que o trabalho seja preponderante. O é aquele que contribuir no preparo do produto, para formação de seu valor, a título de mãodeobra, no mínimo, com sessenta por cento. Ambas as definições constam de todos os Regulamentos do IPI. Destarte, bem ao contrário do que supõem várias das decisões trazidas à colação pela recorrente, longe está de ser “nítido que não se trata de industrialização porque é serviço”. Em verdade, é de industrialização que se cuida e, como tal, sujeita ao imposto que a ela grava. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso ofertado. Júlio César Alves Ramos Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 06/08/2 014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por RODRIGO CARDOZO MIR ANDA, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001192/2009-24
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
CRÉDITO. DESPESA DE ALUGUEL. APURAÇÃO. DILIGÊNCIA. COMPROVAÇÃO.
Comprovados, por meio de diligência, a existência do contrato de aluguel e respectivos pagamentos, deve ser revertida a glosa que fora efetuada sobre sua falta de comprovação.
Numero da decisão: 3803-006.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CRÉDITO. DESPESA DE ALUGUEL. APURAÇÃO. DILIGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. Comprovados, por meio de diligência, a existência do contrato de aluguel e respectivos pagamentos, deve ser revertida a glosa que fora efetuada sobre sua falta de comprovação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório Tratase de processo com retorno de diligência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 11 92 /2 00 9- 24 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu o Pedido de Ressarcimento nº 07885.03086.300306.1.1.088267, fls. 2/6, de PIS Não Cumulativo relativo ao 2º. trimestre do anocalendário de 2004, no valor de R$ 5.908,50, que utilizou como crédito na Declaração de Compensação DComp nº 01523.49728.270406.1.3.088428, fls. 7/10. Ancorada na Informação Fiscal de fls. 147/154, a DRF/Florianópolis, por meio do Despacho Decisório de fl. 155, homologou parcialmente a compensação reconheceu parcialmente o crédito no valor de R$ 5.616,72, deixando de considerar na base de cálculo dos créditos os valores de ‘aluguéis pagos à pessoa física e outros valores', sem o respaldo de notas fiscais de entrada’. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 1/5, a Interessada alegou, em síntese, que houve equívoco na conclusão da autoridade fiscal, no tocante à análise da documentação apresentada pela empresa, haja vista que os pagamentos de aluguéis foram feitos à empresa Garantia Administradora de Bens e Serviços Ltda., pessoa jurídica, conforme documentação em anexo. Requereu, por fim, que fosse revisto o direito creditório de R$ 261,24. Em julgamento da lide, acórdão de fls. 183/186, a DRJ/Florianópolis: a) verificou que a Defesa anexou um aditivo ao contrato de locação, de data anterior ao período de que trata o presente processo, por meio do qual o locador passou a ser pessoa jurídica; b) considerou, em tese, a possibilidade do desconto de créditos em relação a pagamentos de despesas de aluguel de prédios locados de pessoas jurídicas e utilizados nas atividades da empresa, conforme a Lei nº 10.637, de 2002. Todavia, deixou de deferir a solicitação contida na manifestação de inconformidade pelo fato de a Contribuinte ter deixado de apresentar as notas fiscais emitidas pela empresa locadora, visando à comprovação dos pagamentos feitos nos montantes que constam do Dacon. Recurso voluntário apresentado, a Recorrente sustentou a impropriedade e equívoco da decisão recorrida de indeferir a solicitação de inclusão dos valores de aluguéis na base de cálculo dos créditos, por falta de apresentação das notas fiscais a eles correspondentes; afirma não haver base legal para tal exigência e que o contrato de locação já apreciado pelo Colegiado de primeira instância faz prova, por si, da despesa incorrida. Esta Turma, converteu o julgamento em diligência, para que a Repartição de origem certifique junto à Contribuinte, e anexe aos autos, a escrituração das despesas de aluguel do período em foco e intime o locador para que informe se tem conhecimento da existência do contrato de locação e a finalidade do uso do imóvel. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator Conforme referido no relatório, consta do Dacon relativo ao segundo trimestre de 2004, registro de Despesas de Aluguéis de Prédios Locados e Pessoas Jurídicas, subsequentemente, nos meses de abril maio e junho, os valores de R$ 4.788,08 mais R$ Fl. 231DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11516.001192/200924 Acórdão n.º 3803006.448 S3TE03 Fl. 231 3 489,79, R$ 2.684.85 mais R$ 2.593,02 e R$ 3.965,26 mais R$ 1.312,61, cujas somas parciais resultam para cada m}es o valor de R$ 5.277,87. A Interessada foi intimada para, além da ciência do resultado do julgamento, que interviesse junto ao locador, para que informasse se tinha conhecimento da existência do contrato de locação e a finalidade do uso do imóvel. À fl. 212 está anexada a Declaração do locador dando conta da relação contratual com a Plasson, tendo como objeto a locação do prédio onde instalada a indústria. Ás fls. 223/227 consta folhas do Diário, com respectivos Termos de Abertura e Encerramento, correspondentes ao segundo trimestre de 2004, extraído em 30/06/2004, com registro de três pagamentos de aluguel, no valor de R$ 5.277,87. Dessarte, foi cumprido o objeto da diligência e comprovados a existência do contrato do aluguel e respectivos pagamentos, correspondentes ao valor escriturado no Dacon. Assim, sendo esta a única controvérsia do processo, deve ser revertida a glosa e reconhecido o crédito pleiteado. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso. Sala das sessões, 21 de agosto de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 232DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10882.002981/2010-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1285; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.002981/201085 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.379 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 16 de julho de 2014 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente REDE DE EDUCAÇÃO ROSSELLO REDUCAR Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .0 02 98 1/ 20 10 -8 5 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA Processo nº 10882.002981/201085 Resolução nº 2401000.379 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.198.3274, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, no período de 01/2006 a 12/2007, apurados sobre os valores pagos ou creditados aos segurados empregados e contribuintes individuais. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 89 a 95, o contribuinte declarou em GFIP o código FPAS 639, e embora seja possuidora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social/CEBAS, teve a isenção cancelada pelo Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais de n° 21.428/002/2005, de 07/11/2005, com efeitos retroativos a 16/01/1996, não fazendo jus, em tese, à isenção de contribuições previdenciárias. A empresa alega estar abarcada pela Imunidade prevista no art. 195, §7° da Constituição Federal, e para tanto, impetrou ação ordinária em âmbito judicial, com pedido de tutela antecipada, por meio do Processo 2006.61.00.0027574, que se encontra atualmente na fase de Apelação / Reexame Necessário, conforme consulta ao sítio do Tribunal Regional Federal da 3a Região na internet (WWW.TRF3.JUS.BR), para o qual ainda não há decisão definitiva pronunciada. Contudo, ainda conforme o relatório, ao constituir o crédito COM SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE, estáse prevenindo a decadência, sem constranger o contribuinte pela cobrança do crédito, e mantendo o seu direito na obtenção de Certidão Negativa de Débitos, caso seja esta a razão de sua restrição. Ou seja, caso o contribuinte necessite comprovar a sua regularidade fiscal, o presente Lançamento Fiscal não obsta a emissão por parte da Receita Federal da Certidão Positiva com Efeitos de Negativa, que já é emitida em função do questionamento da NFLD DEBCAD 35.698.5296. Ainda em respeito à decisão judicial em tela, liminar concedida em 31/05/2007, portanto anterior ao início dos procedimentos fiscais, os créditos tributários estão sendo constituídos sem a imposição de multa, bem como não está sendo constituído o Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória e nem a Representação Fiscal para Fins Penais. Importante, destacar que a lavratura do AIOP deuse em 19/11/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 29/11/2010. Foi anexada sentença em ação judicial movida pela recorrente, Processo n. 2006.61.00.002.7574, fl. 117 e seguintes Posto isto, presente os pressupostos legais, extingo o processo com julgamento do mérito e J U L G O PARCIALMENTE PROCEDENTE O PEDIDO, para reconhecer a imunidade tributária e para declarar a inexistência de relação jurídicotributária da obrigação da parte autora de recolher as contribuições previdenciárias, SAT e as contribuições destinadas a terceiros a partir de outubro do 2005, convalidando a tutela anteriormente concedida. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA Processo nº 10882.002981/201085 Resolução nº 2401000.379 S2C4T1 Fl. 4 3 Tendo em vista a sucumbência recíproca, as partes deverão arcar com os honorários dos seus patronos, não havendo custas processuais a serem reembolsadas.O processo foi convertido em diligência pela DRJ, fl. 815 a 845, pra que fossem prestados esclarecimentos, com vistas a propiciar a adequada análise do processo de débito decorrente do AI e ensejar atributo de liquidez e certeza a uma futura execução fiscal. Não concordando com o lançamento, a entidade apresentou impugnação, fls. 132 a 138, onde pugna pelo cancelamento da NFLD em tela, sob pena de crime de desobediência, considerando a existência de ação judicial. A Decisão de Primeira Instância administrativa julgou procedente o lançamento, fls. 235 a 243. Segue ementa do acordão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 AÇÃO JUDICIAL. CONCESSÃO EFEITO SUSPENSIVO AO ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO. A concessão de segurança para interposição de recurso à segunda instância administrativa contra Ato Cancelatório de Reconhecimento de Isenção, não implica vedação ao lançamento de crédito previdenciário. A suspensão da exigibilidade do crédito não impede o Fisco de proceder ao lançamento eis que este decorre de atividade vinculada e obrigatória e visa impedir a ocorrência da decadência. AÇÃO JUDICIAL. RECONHECIMENTO DE IMUNIDADE.REEXAME NECESSÁRIO. A sentença que reconhece imunidade da entidade beneficente tem sua eficácia postergada quando pendente de reexame necessário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, fls. 260 a 275 , onde em geral traz o recorrente os mesmos argumentos já apresentados na impugnação, quais sejam: 1. Afirma que obteve em tutela antecipada provimento judicial para suspender a exigibilidade da contribuição previdenciária, SAT e aquelas devidas a terceiros, a partir de outubro de 2005. 2. A tutela foi confirmada por sentença de 1ª instância que ainda reconheceu a imunidade tributária e declarou a “inexistência de relação jurídico tributária da obrigação da parte autora de recolher as contribuições previdenciárias, SAT e as contribuições destinadas a terceiros a partir de outubro de 2005”. 3. Sustenta que os efeitos da sentença mantêmse hígidos, ainda que interposta apelação no referido processo, além disto a impossibilidade de lavratura do presente auto provem da ação judicial nº 2006.61.00.0035662, interposta perante a 16ª Vara Federal em São Paulo, em que concedido o direito de ser recebido, com efeito suspensivo e devolutivo, o Recurso interposto contra o ato cancelatório nº 21.428/002/2005, que motivou a lavratura do presente auto. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA Processo nº 10882.002981/201085 Resolução nº 2401000.379 S2C4T1 Fl. 5 4 4. Isto quer dizer que o benefício da imunidade/isenção ainda opera seus efeitos, diante da concessão de efeito suspensivo ao recurso interposto contra o ato cancelatório, afastando a disposição contida no artigo 206, § 9º, do Decreto nº 3.048/99, não se sustentando a lavratura do auto de infração. 5. A lavratura do presente auto sujeita a autoridade fiscal a crime de desobediência. 6. Ou seja, enquanto não definitivamente julgado o Recurso interposto pelo Conselho de Recursos da Previdência Social hoje Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não poderia a autoridade fiscal efetuar qualquer lançamento contra a recorrente através de Auto de Infração, isso porque a decisão judicial atribuiu efeito suspensivo ao Recurso, ou seja, o ato cancelatório não tem reconhecida sua eficácia até que se resolva por definitivo a questão perante o órgão colegiado. 7. Acrescenta que os argumentos quanto a prevenção dos efeitos da decadência devem ser suportados pelo próprio órgão tributante, já que o risco de perder o crédito só se dá pela inércia do poder tributante por ter lançado a destempo, não podendo o fisco se beneficiar da própria torpeza, pois a desídia do próprio órgão exator em julgar o recurso não pode beneficiálo. 8. Requereu ao final o cancelamento do auto de infração. A unidade descentralizada da DRFB encaminhou o processo a este CARF. É o relatório. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA Processo nº 10882.002981/201085 Resolução nº 2401000.379 S2C4T1 Fl. 6 5 VOTO Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 304. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Considerando que o lançamento em questão versa sobre contribuições previdenciárias não recolhidas na época própria, tendo em vista auto enquadrarse a autuada como isenta, porém tendo sido emitido anteriormente “ato Cancelatório”, entendo pertinente sejam prestadas informações acerca do andamento do citado processo. Conforme pude extrair da decisão de primeira instância o processo que descreve o ato cancelatório é o nº 37317.007788/200544, contudo ao procurar no sistema Eprocesso não identifiquei nenhum processo com esse número no CARF. Até mesmo realizando a pesquisa pelo CNPJ da entidade, os únicos processo da empresa no CARF são os ora em julgamento. O que há de concreto nos autos, é que por ora, a Decisão que determinou a emissão do Ato Cancelatório de Isenção, emitido com fulcro no artigo 55, inciso I, da Lei nº 8.212/91, encontrase pendente de julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais/CARF (protocolo nº 37317.007788/200544) e somente teve seu seguimento por ordem judicial nos autos do processo nº 2006.61.00.0035662, que afastou o disposto no artigo 206, §9° do RPS/99, verbis: Assim, embora tenham sido apresentados e rebatidos diversos argumentos em sede de recurso, entendo haver uma questão prejudicial a continuidade do presente julgamento. À decisão da procedência ou não do presente autodeinfração está ligado à sorte da decisão do Ato Cancelatório”, que possui correlação direta com o mesmo. Assim, para evitar decisões discordantes fazse imprescindível primeiro a análise do Resultado do ato cancelatório, para só então julgarse a procedência da presente autuação e de todas as suas correlatadas. – Processo 10.882.002983/201074. Dessa forma, entendo que o melhor encaminhamento é determinar o retorno do processo à DRFB jurisdicionante, para que sejam prestadas informações acerca do andamento do processo contendo o ato cancelatório, ou mesmo se o mesmo recebeu outro número de protocolo. Caso o referido processo já tenha sido julgado, favor colacionar aos autos o acórdão do julgamento, cientificando o recorrente dos termos da diligência para só então retornar o processo ao CARF. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA Processo nº 10882.002981/201085 Resolução nº 2401000.379 S2C4T1 Fl. 7 6 CONCLUSÃO: Voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, para que sejam prestadas informações acerca do andamento do julgamento do Ato Cancelatório que ensejou a lavratura do presente Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL VA VIEIRA
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Numero do processo: 13133.000047/2008-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IRPF. ISENÇÃO SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Após convertido o julgamento em diligência, a fim de que a interessada acostasse aos autos o contrato de serviços firmado com o Organismo Internacional, e não logrando êxito em comprovar que exercia cargo de Técnico(a) à serviço das Nações Unidas, é de ser negado provimento ao recurso.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2102-003.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ISENÇÃO SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Após convertido o julgamento em diligência, a fim de que a interessada acostasse aos autos o contrato de serviços firmado com o Organismo Internacional, e não logrando êxito em comprovar que exercia cargo de Técnico(a) à serviço das Nações Unidas, é de ser negado provimento ao recurso. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 13 3. 00 00 47 /2 00 8- 75 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento nº 2005/601435168352075, lavrada em 16/07/2007 (fls. 29/32), contra a contribuinte acima qualificada, em decorrência de Omissão de Rendimentos, relativo ao Exercício 2005, que exige crédito tributário no valor de R$ 13.893,17, acrescida multa de ofício e juros de mora, calculados até 16/07/2007. O contribuinte apresentou SRL que restou indeferida (fl. 33), mantendose o lançamento fiscal. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal à fl. 30, que o Fisco confrontando o valor dos Rendimentos Recebidos do Exterior declarados, com o valor informado por Órgão/Entidade da Administração Pública Federal, em Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), para a contribuinte, constatou omissão de rendimentos no valor de R$ 41.250,00, recebidos de Organismo Internacional – Instituto Bras. do Meio Ambien. e dos Rec. Nat. Renováveis, CNPJ nº 03.659.166/000102. Cientificada da exigência tributária na data de 16/10/2007 (fl. 21), e, inconformada com o lançamento lavrado pelo Fisco, a autuada apresentou impugnação em 14/11/2007 (fls. 01/14), acompanhada dos documentos de fls. 15/19, alegando, em suma, que: a) que era funcionária do Organismo Internacional, com o qual mantinha vínculo empregatício e, de acordo com as leis internas e as convenções e tratados internacionais promulgados pelo Brasil, os rendimentos auferidos eram isentos e não tributáveis. b) não houve omissão, e requer a extinção do lançamento, por ausência de legitimidade passiva da impugnante e de interesse de agir da Receita Federal. c) que os rendimentos auferidos foram informados na DIRPF/2005 como isentos e nãotributáveis em respeito à legislação vigente e à jurisprudência do Conselho de Contribuintes. d) transcreve, em seu auxílio textos legais e doutrinários e jurisprudência administrativa e judicial. A Turma de primeira instância, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme excertos do voto transcritos abaixo: “[...] a contribuinte não goza de isenção de Imposto de Renda sobre os vencimentos recebidos, devido ao fato de ser técnica contratada residente no País e não funcionária do Organismo Internacional. Assim, o fato de haver informado os rendimentos pagos pelo PNUD como isentos e não tributáveis na DIRPF/2005 não a exime do cometimento da infração, sujeitandoa ao lançamento de ofício. Não bastasse o disposto na legislação interna e nos tratados e convênios internacionais, recentemente foi editada a Portaria MF n° 383, de 12/07/2010, publicada no DOU de 14/07/2010, Fl. 104DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13133.000047/200875 Acórdão n.º 2102003.077 S2C1T2 Fl. 104 3 atribuindo efeito vinculante à Súmula CARF n° 39 em relação à administração tributária federal. A Súmula CARF n° 39 é transcrita a seguir: Súmula CARF nº 39: Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. [...]No caso em análise, a contribuinte era residente no País à época do fato gerador e prestava serviços com vínculo contratual ao Organismo Internacional, por conseguinte, concluise que os rendimentos recebidos no valor de R$ 41.250,00 não gozavam de isenção do Imposto de Renda, por falta de previsão legal, e estavam sujeitos à tributação na DIRPF/2005. [...]”A contribuinte foi cientificada do Acórdão n° 0342.009 da 6ª Turma da DRJ/BSB em 04/08/2011. Sobreveio Recurso Voluntário em 05/09/2011 (fls. 78/79), desacompanhado de documentos. Em síntese, a Recorrente arguiu que: “A recorrente foi contratada por organismo internacional PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) para execução de tarefas que estão previstas no Termo de Referência, cujo contrato de consultoria padrão foi renovado inúmeras vezes, por aditivos. Ao longo de todo o tempo, realizou trabalhos e serviços pela qual foi contratada. De forma efetiva e continuada, resta demonstrado o vínculo empregatício do contribuinte com o Organismo Internacional. Ante o exposto, fica comprovada a necessidade de extinção do lançamento suplementar, tendo em vista o que segue: Não houve omissão da Recorrente, uma vez que declarou seus rendimentos percebidos do PNUD como Isento/Não – tributáveis em respeito à legislação vigente e há decisões do Conselho de Contribuintes que, por unanimidade, deu provimento a recursos impetrados por diversos Impugnantes sobre questões análogas nos exercícios de 1994 e 1995 e outros tantos.” Requer a improcedência do lançamento suplementar, declarando a incidência da isenção nos rendimentos auferidos pela Recorrente por seu contrato de serviços com o Organismo Internacional, cancelandose a exigência fiscal. O presente recurso foi convertido em diligência, a fim de que a interessada fosse intimada a apresentar o(s) Contrato(s) de Serviço relativos ao Anocalendário 2004, Exercício 2005, com a fonte pagadora (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis PNUD CNPJ nº 03.659.166/000102), esclarecendo o cargo/função ocupado pela recorrente. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Cientificada da Resolução nº 2102000.180 em 09/05/2014 (fl. 92) , a contribuinte apresentou petição em fl. 95, esclarecendo que à época dos serviços prestados a referida instituição, não ficou de posse do contrato, razão pela qual, deixou de atender a solicitação dessa Repartição. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheiro Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Conforme já relatado anteriormente, o cerne da controvérsia consiste em saber se incide imposto de renda sobre os rendimentos de trabalho recebidos por técnicos residentes no Brasil em decorrência de contrato celebrado com Organismo Internacional (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – PNUD CNPJ nº 03.659.166/000102), para o exercício de atividades no âmbito de projeto de interesse da referida Agência Internacional. A matéria de direito aqui versada foi submetida ao procedimento estabelecido no art. 75 do Regimento Interno deste Conselho, resultando na edição da Súmula CARF nº 39, com efeito vinculante para toda a administração tributária federal (Portaria MF nº 383, de 12/07/2010): Súmula CARF nº 39 Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Contudo, a 1ª Seção do STJ, em recente julgado submetido ao rito do art. 543C do CPC (acórdão publicado em 07/11/2012), decidiu, por unanimidade, de forma contrária ao entendimento pacificado administrativamente pela Súmula CARF nº 39, em acórdão assim ementado: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C DO CPC). ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS, CONTRATADOS NO BRASIL PARA ATUAR COMO CONSULTORES NO ÂMBITO DO PNUD/ONU. 1. A Primeira Seção do STJ, ao julgar o REsp 1.159.379/DF, sob a relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, firmou o posicionamento majoritário no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Fl. 106DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13133.000047/200875 Acórdão n.º 2102003.077 S2C1T2 Fl. 105 5 Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. 2. Considerando a função precípua do STJ – de uniformização da interpretação da legislação federal infraconstitucional –, e com a ressalva do meu entendimento pessoal, deve ser aplicada ao caso a orientação firmada pela Primeira Seção. 3. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08. (RESP nº 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012) Examinando a divergência de entendimentos, verificouse que para o deslinde da presente controvérsia dependiase da análise do Contrato de Serviço firmado entre a autuada e o Organismo Internacional (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis PNUD), que não consta dos autos, já que o STJ entendeu que os "peritos de assistência técnica" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, também estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Neste sentido, foi proposto a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a interessada fosse intimada a apresentar o(s) Contrato(s) de Serviço relativos ao Ano calendário 2004, Exercício 2005, com a fonte pagadora (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis PNUD CNPJ nº 03.659.166/000102), esclarecendo o cargo/função ocupado pela recorrente. Da análise dos autos, verificase que a recorrente foi cientificada da diligência e intimada a apresentar o contrato de serviço especificado acima, em 09/05/2014, conforme carta AR de fl. 92, no entanto, limitouse a informar em petição de fl. 95, que “na época não fiquei de posse do Contrato, razão pela qual deixo de atender a solicitação dessa Repartição”. Assim, considerando que a autuada não apresentou o contrato de serviços firmado com a fonte pagadora (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis PNUD CNPJ nº 03.659.166/000102), o qual é imprescindível para o devido deslindo do feito, e não tendo esta apresentado outros meios de provas à corroborar suas alegações, é de ser negado provimento ao recurso. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 107DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 03/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10783.907990/2010-82
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2004
COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO.
Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ).
Numero da decisão: 1803-002.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito creditório de R$ 933.942,33, homologando as compensações até o limite do direito creditório reconhecido. Vencida a Conselheira Cármen Ferreira Saraiva, que negava provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva e Ricardo Diefenthaeler.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 79 90 /2 01 0- 82 Fl. 335DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.907990/201082 Acórdão n.º 1803002.269 S1TE03 Fl. 336 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito creditório de R$ 933.942,33, homologando as compensações até o limite do direito creditório reconhecido. Vencida a Conselheira Cármen Ferreira Saraiva, que negava provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva e Ricardo Diefenthaeler. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.907990/201082 Acórdão n.º 1803002.269 S1TE03 Fl. 337 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 254 e 255 – numeração digital ND): Trata o presente processo das declarações de compensação, a seguir relacionadas, apresentadas com utilização do direito creditório de R$ 936.595,89, oriundo do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003: . PER/DCOMP nº 31002.35927.130308.1.7.025380 (fls. 0320): compensação dos débitos de R$ 459.415,68 e R$ 165.612,85 de estimativas de IRPJ e CSLL, respectivamente, do mês de janeiro/2004, com utilização da parcela de R$ 617.190,21 do direito creditório; . PER/DCOMP nº 39642.97350.130308.1.7.027081: compensação dos débitos de PIS (R$ 44.649,98) e Cofins (R$ 200.922,00) do mês de fevereiro/2004; . PER/DCOMP nº 00809.18470.130308.1.7.020085: compensação do débito de PIS (R$ 81.979,77) de março/2004; . PER/DCOMP nº 24779.88297.130308.1.7.025690: compensação do débito de Cofins (R$ 873,36) de janeiro/2004 e dos de PIS (R$ 1.579,96) e Cofins (R$ 721,41) de fevereiro/2004. 2. A DRF/Vitória, por meio de despacho decisório eletrônico proferido em 01/11/2010 (rastreamento nº 893918205, à fl. 02), não reconheceu o direito creditório indicado em face de o montante das parcelas de composição do crédito confirmadas (R$ 5.971.551,15) ser inferior ao valor do IRPJ devido (R$ 24.401.645,89): Fl. 337DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.907990/201082 Acórdão n.º 1803002.269 S1TE03 Fl. 338 4 3. Em consequência, as compensações declaradas nos autos não foram homologadas por inexistência do direito creditório indicado. 4. Regularmente cientificada por via postal em 16/11/2010 (AR à fl. 18), a reclamante, por intermédio de seu representante legal (mandato às fls. 2527), apresentou, em 03/12/2010, a tempestiva manifestação de inconformidade de fls. 19 23, instruída com os documentos de fls. 28105, cujo teor é sintetizado a seguir: a) argui que a apresentação da presente manifestação de inconformidade busca fundamento no § 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996; b) que o art. 151, III, do CTN prevê a suspensão da exigibilidade do débito na pendência de defesa administrativa; c) que o IRRF de R$ 3.725,10 foi retido pela Dresdner Bank Brasil S/A. (doc. 05); d) com relação às estimativas cuja compensação declarada não foi homologada, informa que desistiu do recurso voluntário (fls. 98100) e incluiu os débitos correspondentes no parcelamento da Lei nº 11.941, de 2009 (fls. 102105). 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 253): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PARCELA DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO. DÉBITOS DE ESTIMATIVA INCLUÍDOS EM PEDIDO DE PARCELAMENTO. A parcela do saldo negativo de IRPJ composta por débitos de estimativa incluídos no parcelamento, instituído pela Lei nº 11.941, de 2009, somente poderá ser restituída ou compensada à medida em que forem sendo pagas as prestações do parcelamento, e desde que o valor original das prestações pagas somado ao valor das estimativas efetivamente pagas e às demais deduções admitidas exceda o valor do imposto devido em 31 de dezembro. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PARCELA DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO. IRRF. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.907990/201082 Acórdão n.º 1803002.269 S1TE03 Fl. 339 5 O valor confirmado do IRRF somado com as demais parcelas de composição do crédito deve ser superior ao valor do imposto devido para possibilitar a apuração de saldo negativo de IRPJ. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 3. Cientificada da referida decisão em 19/10/2013 (fls. 264 ND), a tempo, em 18/11/2013, apresenta a interessada Recurso de fls. 267 a 279 (ND), instruído com os documentos de fls. 280 a 327 (ND), nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.907990/201082 Acórdão n.º 1803002.269 S1TE03 Fl. 340 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Glosa de estimativas 4. No presente caso, conforme se observa do quadro abaixo, as estimativas glosadas, componentes do saldo negativo de IRPJ apurado pela Recorrente no anocalendário de 2003, são decorrentes de “compensações não homologadas”, uma vez que procedidas, todas elas, em 30/09/2004, anteriormente à edição da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, que passou a prever a figura da “compensação não declarada” (fls. 66 e 67 – ND): 5. Posteriormente, em 30/11/2009, conforme informa a decisão recorrida, a Recorrente formulou adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, e nele indicou, em 28/06/2011, os débitos de IRPJ devido por estimativa nos meses de janeiro a abril e agosto a dezembro/2003 (fls. 224 a 251 ND). 6. Entendeu a decisão recorrida que (fls. 256 ND): No entanto, cabe destacar que o parcelamento apenas suspendeu a exigibilidade dos créditos tributários de estimativa de IRPJ dos meses de janeiro a abril e agosto a dezembro/2003, nos termos do artigo 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 340DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.907990/201082 Acórdão n.º 1803002.269 S1TE03 Fl. 341 7 Como o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003 foi formado por estimativas mensais objeto do parcelamento da Lei nº 11.941, de 2009, e tendo em vista que tais antecipações não estavam extintas na forma do artigo 156 do CTN, não há que se falar em crédito líquido e certo passível de ser utilizado na compensação de crédito tributários, conforme exigido pelo caput do artigo 170 do CTN, in verbis: [...]. 7. Porém, como foi dito anteriormente, as estimativas glosadas, componentes do saldo negativo de IRPJ apurado pela Recorrente no anocalendário de 2003, posteriormente objeto de parcelamento de débitos, são decorrentes de “compensações não homologadas”. 8. Sendo essa a situação, aplicase ao presente caso, o entendimento manifestado pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio da Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit n° 18, de 13 de outubro de 2006, assim ementada: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Glosa de IRRF 9. Foram glosadas, pelo despacho decisório não homologatório, as seguintes retenções na fonte (fls. 66ND): 10. A Recorrente questiona, apenas, o IRRF glosado de R$ 3.725,10, pelo que, tacitamente, admite a glosa da parcela de IRRF de R$ 2.653,56. 11. Quanto a esse item, assim se manifestou a decisão recorrida (fls. 257 ND): 20. Cabe razão à reclamante no que se refere à retenção de R$ 3.725,10 de imposto de renda com código de receita 3426 (aplicação de renda fixa) retido pela fonte pagadora Bresdner Brando Brasil S/A Banco Múltiplo (CNPJ nº 29.030.467/0001 66) sobre rendimentos pagos à filial CNPJ nº 22.266.175/0013 11, conforme confirmado em pesquisa no sistema DIRF (fl. 252). 21. Contudo, o valor desse IRRF é insuficiente para possibilitar a apuração de saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2003. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10783.907990/201082 Acórdão n.º 1803002.269 S1TE03 Fl. 342 8 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para RECONHECER o direito creditório de R$ 933.942,33 (R$ 936.595,89 – R$ 2.653,56), HOMOLOGANDO as compensações até o limite do direito creditório reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 342DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 13807.002668/2003-17
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1988 a 29/02/1996
APURAÇÃO DO VALOR RESTITUÍVEL/COMPENSÁVEL DE PIS. DEDUÇÃO DAS DIFERENÇAS NEGATIVAS. CABIMENTO.
Nos períodos de apuração em que o pagamento efetuado pelo contribuinte é maior que o calculado com a LC n° 7/70, a respectiva diferença positiva é somada ao valor a restituir. Isonomicamente, nos períodos de apuração em que o pagamento efetuado é menor que o calculado com a LC n° 7/70, a respectiva diferença negativa é subtraída do valor a restituir. Não se pode confundir a decadência do direito de lançar o tributo devido com a análise da certeza e liquidez do direito creditório e apuração do valor a ser restituído/compensado de PIS dos períodos de apuração em questão. A autoridade administrativa não está constituindo um crédito tributário, mas tão somente apurando o valor restituível/compensável relativo aos pagamentos de PIS efetuados no período discutido.
ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DE EXPURGOS INFLACIONÁRIOS RESOLUÇÃO N° 561 DO CONSELHO DE JUSTIÇA FEDERAL.
A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n° 10/2008 é cabível a aplicação, como índices de atualização monetária nos pedidos de restituição/compensação objeto de deferimento na via administrativa, dos expurgos inflacionários previstos na Resolução n° 561 do Conselho da Justiça Federal. Precedentes do STJ e deste Conselho.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-002.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto no sentido de reconhecer que sejam aplicados os índices de correção monetária indevidamente expurgados. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que davam provimento integral. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Sidney Eduardo Stahl que se declarou impedido. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Alissiano Francisco Miotto, OAB/SC 33.760. Adiado o julgamento para o dia 26 de fevereiro no período matutino a pedido da Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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DEDUÇÃO DAS DIFERENÇAS NEGATIVAS. CABIMENTO. Nos períodos de apuração em que o pagamento efetuado pelo contribuinte é maior que o calculado com a LC n° 7/70, a respectiva diferença positiva é somada ao valor a restituir. Isonomicamente, nos períodos de apuração em que o pagamento efetuado é menor que o calculado com a LC n° 7/70, a respectiva diferença negativa é subtraída do valor a restituir. Não se pode confundir a decadência do direito de lançar o tributo devido com a análise da certeza e liquidez do direito creditório e apuração do valor a ser restituído/compensado de PIS dos períodos de apuração em questão. A autoridade administrativa não está constituindo um crédito tributário, mas tão somente apurando o valor restituível/compensável relativo aos pagamentos de PIS efetuados no período discutido. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DE EXPURGOS INFLACIONÁRIOS RESOLUÇÃO N° 561 DO CONSELHO DE JUSTIÇA FEDERAL. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n° 10/2008 é cabível a aplicação, como índices de atualização monetária nos pedidos de restituição/compensação objeto de deferimento na via administrativa, dos expurgos inflacionários previstos na Resolução n° 561 do Conselho da Justiça Federal. Precedentes do STJ e deste Conselho. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 26 68 /2 00 3- 17 Fl. 1788DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13807.002668/200317 Acórdão n.º 3801002.925 S3TE01 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto no sentido de reconhecer que sejam aplicados os índices de correção monetária indevidamente expurgados. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que davam provimento integral. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Sidney Eduardo Stahl que se declarou impedido. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Alissiano Francisco Miotto, OAB/SC 33.760. Adiado o julgamento para o dia 26 de fevereiro no período matutino a pedido da Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 1789DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13807.002668/200317 Acórdão n.º 3801002.925 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 1630.007, de 02 de março de 2011, da 9ª. Turma da DRJ de São Paulo I (DRJ/SP1), referente ao processo administrativo n° 13807.002668/200317, em que foi julgada procedente a manifestação de inconformidade apresentada. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante da decisão recorrida, in verbis: Os débitos controlados no presente processo, constavam originariamente do processo administrativo n° 11610.000689/9988, sendo transferidos e formalizados no presente, conforme fl. 1141. 1 DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Analisandose o processo n° 11610.000689/9988, verificamos que a empresa acima qualificada protocolizou em 14/12/99 Pedido de Restituição (conforme cópia anexada à folha 165) oriundo de ação judicial n° 88.00439063 em que pleiteia créditos oriundos da diferença entre o pagamento do PIS, calculado com base no disposto nos DL's n°s 2.445 e 2.449, ambos de 1988, julgados inconstitucionais, em comparação com os recolhimentos devidos na forma estipulada de conformidade com a LC n° 7/1970. Com base em decisão judicial, o contribuinte procedeu à compensação de débitos da COFINS constante do processo de parcelamento n° 10880.019994/9829, (conforme cópia do Pedido de Compensação anexado à folha 166). Contudo, em 14/03/2001, houve o encerramento do mencionado processo de parcelamento por quitação integral dos débitos, conforme demonstra os comprovantes de pagamento às folhas 66/106 e pesquisa ao sistema à folha 1141. Após encerramento do processo de parcelamento e tendo em vista que, à época, possuía débitos da COFINS dos períodos de apuração jan/2000 a julho/2000, fevereiro/2001 e março/2001 suspensos por medida judicial n° 1999.61.00.0318197 (fls. 1374/1376) o interessado protocolizou Pedidos de Compensação dos mesmos (fls. 378/380), conforme relacionamos a seguir: Tabela 01 Pedidos de Compensação, , em fls. xxxx O processo n° 1999.61.00.0318197 trata de mandado de segurança, com pedido de liminar, objetivando o recolhimento da contribuição ao PIS e da COFINS nos moldes preconizados pela LC n" 7/70, Lei n" 9.715/98 e LC n° 70/91, respectivamente, Fl. 1790DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13807.002668/200317 Acórdão n.º 3801002.925 S3TE01 Fl. 5 4 afastadas a ampliação da base de cálculo e a majoração de alíquota, impostas pelos arts. 3°, §l°e8°, da Lei n°9718/98. Verificamos que o impetrante renunciou à parte do direito postulado, correspondente à majoração da alíquota da COFINS com respectiva concordância da União Federal (fls. 1374) A folha 504, o contribuinte apresentou relação de todas as compensações efetuadas com o crédito pleiteado, comprovando, inclusive que foram lançados na escrita fiscal (fls. 505, 507, 508, 511 e 513) conforme relacionamos a seguir: Tabela 02 — Débitos compensados conforme informado pelo contribuinte, em fls. xxxx Em pesquisa ao sistema DCTFger v. 4.8, verificamos que, embora lenha protocolizado Pedidos de compensação nos valores demonstrados na Tabela 01, constam outros valores em DCTF (fls. 1334/1342 e 1409/1410). Para fins de comparação, relacionamos na tabela a seguir, os valores constantes dos Pedidos de Compensação e das DCTF do período e valores inscritos em divida ativa n° 80.6.03.04842866: Tabela 03 Débitos compensados tabela comparativa, em fls. xxxx II DA DECISÃO DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL. Em 21/11/2002, a Delegacia da Receita Federal em São Paulo/SP, por meio do Despacho Decisório de fls. 1377/1380, concluiu, cipós cálculos, pela inexistência de quantum a restituir, apurando inclusive, saldo devedor da contribuição ao PIS. III DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Cientificada da decisão da DRF em 30/dezembro/2002 (fl. 1381/13882), a interessada apresentou, em 29/jan/2003, Manifestação de Inconformidade de fls. 1383/1400. III DA INSCRIÇÃO EM DÍVIDA A T1VA Em 23/04/2003, os débitos ora compensados foram enviados para inscrição em dívida ativa (fls. 14/20), procedimento este que o interessado considerou ilegal e abusivo. Equivocado, contudo, seu entendimento, conforme demonstraremos adiante na Fundamentação legal. IVDA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Em 28/09/2004, a, Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP proferiu o Acórdão DRJ/SPO n° 5977 (fls. 1401/1406), assim ementado: "Ementa: DESPACHO DECISÓRIO INOCORRÉNCIA DE NULIDADE Não se configurando quaisquer das situações Fl. 1791DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13807.002668/200317 Acórdão n.º 3801002.925 S3TE01 Fl. 6 5 previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72, não há que se falar em anulação ou invalidação do Despacho Decisório. PIS PRAZO DE PAGAMENTO Desde a edição da Lei n° 7691, em 15.12.88, o prazo para pagamento deixou de ser o de seis meses, contados do fato gerador. " V DO RECURSO AO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Cientificada da decisão em 29/10/2004 (fl. 1407/1408), a interessada apresentou,em 25/11/2004, recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes. Por meio do Acórdão n" 20178.810 (fls. 268/271) foi dado provimento ao recurso da interessada, conforme transcrevemos a seguir: 'Ementa: PIS/Faturamento. Semestralidade. Com a declaração de. inconstitucionalidade dos DecretosLeis n°s 2.445 e 2.449, de 1988, a base de cálculo da contribuição para o P/S, eleita pela LC n° 7/70, art. 6°, parágrafo único, permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição da MP n° 1.212/95. Recurso Provido Por seu turno, antes que o processo fosse analisado por esta Equipe, conforme oficio à folha 277/281 e cópia da contrafé às folhas 282/288, a empresa impetrou Mandado de Segurança n°2007.61.00.0025272, objetivando, em síntese, a emissão de Certidão Positiva com Efeitos de Negativa, impossibilitada pela existência de inscrições em dívida ativa n° 80.6.03.048.42866 conforme formalizado no presente processo. Alega,em síntese, indevidas tais inscrições, seja porque tais débitos foram pagos, seja porque foram compensados ou mesmo porque constam suspensos. (...) Por meio do despacho decisório da DIORT/DERAT/SPO (fls. 14111415) foi deferido o Pedido de Restituição, reconhecendo o valor de R$ 9.944.793,57, referente ao montante atualizado até 30.11.1999, e homologada as compensações ate o limite do crédito reconhecido, em síntese, com base nos seguintes fundamentos: i) Verificouse os efetivos recolhimentos com base nos DARF apresentados às fls. 189/248 com base nas certificações de fls. 251/255 e 1126/1129; ii) Foi confrontado os valores apresentados pelo contribuinte (fls. 1332/1333) e os constantes da Declaração de Imposto de Renda (fls. 1143/1282 e 1285/1328). Do confronto desses valores, foram relacionados na última coluna a direita da Tabela 04 (fls. 1413/1414) os valores considerados no despacho decisório para cálculo do débito do PIS/PASEP, conforme determinado pelo Conselho de Contribuintes; Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13807.002668/200317 Acórdão n.º 3801002.925 S3TE01 Fl. 7 6 iii) Recalculouse os débitos de PIS/PASEP com o auxílio do programa CTSJ e Tabela 04 referente à base de cálculo considerada, e procedeuse às vinculações dos novos valores aos respectivos pagamentos, obtendose o relatório de fls. 1361/1371 e resumida na Tabela 05 (fls. 1414 verso) que se refere aos saldos credores de pagamentos após todas as ajustadas; iv) Por fim, foram atualizados os mencionados saldos de pagamentos conforme índices utilizados pela Fazenda Nacional (Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08/97), cujo demonstrativo anexo às fls. 1372/1373 e resumido na Tabela 06 (fl. 1415), perfazendo o montante de R$ 9.944.793,57 atualizado até 30.11.1999; v) Mesmo considerando a base de cálculo do 6o mês anterior ao fato gerador, em alguns meses, observouse que os pagamentos efetuados no código 3885 não foram suficientes para amortizar os débitos apurados, conforme demonstra o relatório de fls. 1356/1360, tendo sido amortizados mediante compensação com DARF (fls. 1361/1371). 7. O contribuinte, inconformado com despacho decisório de fls. 14111415, apresentou manifestação de inconformidade em 13.12.2007 (fls. 1422 a 1443), acompanhada de documentos de fls. 1444 a 1456, na qual argumenta, em síntese, que: 7.1 A impugnante contesta a dedução das diferenças negativas, ocorridas em períodos onde a contribuição recolhida é menor que a efetivamente devida, quando apurada nos termos da LC n° 07/70. A Requerente entende que para a apuração do indébito dc PIS que lhe restou assegurado deve ser realizado o confronto entre a contribuição recolhida com base nos decretos inconstitucionais e a devida, em relação a cada mês de apuração, com base na Lei Complementar n° 07/70, desprezandose do cálculo do credito da empresa os períodos de apuração nos quais se verificaria a existência dc supostos pagamentos insuficientes da contribuição (com base na aplicação retroativa dessa última norma). Que de acordo com as decisões (judicial e administrativa) que asseguraram o direito à repetição do indébito e as normas legais aplicáveis à matéria, os períodos de apuração com saldo devedor (suposta insuficiência de pagamentos com base na LC n° 7/1970) devem ser desprezados pela empresa sem a pretensão de qualquer crédito/indébito em relação aos mesmos e sem que haja qualquer obrigação de indenizar ou de pagar diferenças à Fazenda. Os eventuais recolhimentos a menos somente poderiam ser cobrados mediante regular constituição do crédito tributário, por meio do competente lançamento pela autoridade administrativa, consoante determina o artigo 142 do Código Tributário Nacional. No entanto, no caso em apreço já transcorreu o prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4 o c/c o artigo 156, V do CTN, para que tal providência fosse tomada; 7.2 Os pagamentos indevidos apurados pela Delegacia da Receita Federal cm São Paulo SP foram atualizados Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13807.002668/200317 Acórdão n.º 3801002.925 S3TE01 Fl. 8 7 monetariamente de acordo com os seguintes critérios previstos na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08, de 27/06/97. Porem, a Norma administrativa referida não considera os efetivos índices inflacionários nos meses de janeiro/89 (42,72%), fevereiro/89 (10,14%), março/90 (84,32%), abril/90 (44,80%) e maio/90 (7,87%). Com o que a autoridade fiscal acabou por atualizar parcialmente sua dívida para com a Requerente. A utilização dos referidos índices inflacionários (expurgos) encontra amparo em ampla construção jurisprudencial. Por estes motivos, merece reforma o despacho decisório ora atacado também neste sentido, para que haja a correção monetária plena, considerandose inclusive os expurgos inflacionários dos meses de janeiro/89 e de março, abril e maio de 1990; 7.3 O critério de imputação proporcional das compensações adotado pela autoridade fiscal consiste em deflacionar o débito compensado até a data de 31/12/1995, imputando o valor deflacionado ao valor principal do indébito. A diferença entre o total da compensação e o valor deflacionado do débito compensado corresponde aos juros SELIC. A Requerente discorda do critério de imputação proporcional utilizado pelo fisco. Pretende a Recorrente, na condição de credora da União, que primeiro haja quitação dos juros do SELIC (gerados pelo valor principal da dívida) e somente após pagos os juros, que se amortize o valor do principal, aplicandose à espécie o artigo 354 do Código Civil, já que não há na legislação tributária, nem ordinária e nem regulamentar, norma específica regulando a hipótese; 7.4 Não obstante o deferimento do direito creditório e a homologação das compensações vinculadas ao presente processo, não pode a REQUERENTE, "data máxima vênia", concordar com a determinação contida no item 3 do Despacho Decisório da DIORT/DERAT/SPO: "proceder a compensação dos débitos relacionados na Tabela 3, lembrando que os débitos foram devidamente inscritos em divida ativa, devendo portanto, ser compensados os valores cobrados a título de multa e juros de mora."; 7.5 Os débitos da COFINS relativos aos Períodos de Apuração JANEIRO A JULHO DL 2000, conforme constou das respectivas DCTF, estavam com sua exigibilidade suspensa por conta de segurança concedida nos autos do Mandado de Segurança na 1999.61.00.0318197. Portanto, tendo a REQUERENTE renunciado ao direito de discutir a legalidade, ou não, da majoração da alíquota da COFINS de 2% para 3%, obrigouse a recolher o débito correspondente com acréscimo somente de juros de mora, eis que o não recolhimento, até aquela data, estava amparado por ordem judicial; 7.6 Já os débitos da COFINS dos meses de janeiro e fevereiro de 2001, bem como os débitos do PIS dos meses de fevereiro e março de 2001, foram compensados através das respectivas DCTF, ou seja, os débitos da COFINS foram compensados com Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13807.002668/200317 Acórdão n.º 3801002.925 S3TE01 Fl. 9 8 créditos oriundos do Processo Administrativo na 11.610.000689/9988 e os débitos do PIS, com créditos oriundos do Processo Judicial na 88.00439063, que deu origem ao PA n° 11610.000 89/9988. Requer a exclusão da determinação de compensação de valores cobrados a titulo de multa e juros de mora, quando de sua inscrição em dívida ativa, porquanto são indevidos. 8. Em 11.02.2011 foi recebido pela DRJ/SP1 Ofício da Justiça Federal (fls. 1482/1483) com o seguinte teor: "Senhor(a) Delegado(a) Determino a Vossa Senhoria as providências necessária para que apresente a este Juízo, no prazo de 30 dias, de forma conclusiva, sua análise solve o exame do processo administrativo de n. 13807.002668/200317. 9. É o relatório. A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgado parcialmente procedente o pedido. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, a fls. 1591/1606, alegando que devem ser utilizados os expurgos inflacionários no cálculo de atualização monetária, bem como que os valores dos créditos detidos pela contribuinte sejam realizados mês a mês, apurandose as diferenças positivas, desprezando do cálculo os meses em que o cotejo entre os valores pagos da contribuição com base nos DL n o s 2.445 e 2.449 e aqueles que seriam devidos com base na LC n° 7/70 não se mostrem positivos. Vejamos: “Face ao exposto, a Contribuinte requer que seja julgado procedente o presente recurso, para reformar o Acórdão n° 16 30.007, de 02/03/2011, proferido pela 9° Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP1 para, além do que já restou requerido em cada item do presente recurso: a) Os valores dos créditos detidos pela Contribuinte (indébito) sejam realizados mês a mês, apurandose as diferenças positivas, desprezando do cálculo os meses em que o cotejo entre os valores pagos da contribuição com base nos DL n o s 2.445 e 2.449 e aqueles que seriam devidos com base na LC n° 7/70 não se mostrem positivos, respeitando a decadência do direito da Fazenda de constituílos na atualidade gerando débitos não constituídos na época oportuna; b) Que o indébito de PIS seja atualizado da seguinte forma: • No período de julho/88 a dezembro/91, pela aplicação dos índices e critérios previstos na Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/ COSAR n° 08, de 27/06/97, acrescidos dos expurgos inflacionários de janeiro/89 (42,72%), fevereiro/89 (10,14%), março/90 (84,32%), abril/90 (44,80%) e maio/90 (7,87%); Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13807.002668/200317 Acórdão n.º 3801002.925 S3TE01 Fl. 10 9 • No período de janeiro/92 a dezembro/95, pela variação da UFIR; • A partir de 01/01/96, até a data da efetiva restituição, além da correção das alíneas supra, a aplicação de juros equivalentes: • À taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC até o mês anterior à efetiva restituição / compensação; • À taxa de 1%, referentes ao mês da ocorrência da restituição/compensação. Requer, ainda, que seja restituído imediatamente o saldo remanescente, após dedução das devidas compensações, no montante de R$ 10.550.937,98 (conforme demonstrativo em anexo) e homologadas, integral e definitivamente, as compensações vinculadas a este processo.” Acostou jurisprudência deste Conselho – Acórdão nº 30130691, da Primeira Câmara , bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais – Acórdão CSRF nº 92091713 , da Segunda Turma. É o relatório. Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13807.002668/200317 Acórdão n.º 3801002.925 S3TE01 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A divergência entre o cálculo efetuado pelo Contribuinte e aquele produzido pela DRF, está na utilização dos expurgos inflacionários no cálculo de atualização monetária, bem como que os valores dos créditos detidos pela contribuinte sejam realizados mês a mês, apurandose as diferenças positivas, desprezando do cálculo os meses em que o cotejo entre os valores pagos da contribuição com base nos DL n o s 2.445 e 2.449 e aqueles que seriam devidos com base na LC n° 7/70 não se mostrem positivos. Quanto aos expurgos inflacionários, ocorre que, face à edição do Ato Declaratório PGFN 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução n° 561 do Conselho da Justiça Federal. Assim, no que atine ao critério a ser utilizado para cálculo da correção monetária, firmouse orientação no sentido de que os índices a serem aplicados na compensação ou repetição do indébito tributário são os constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n. 561 do Conselho da Justiça Federal, de 2.7.2007, a saber: a) jan/89, IPC/IBGE, de 42,72% (em substituição ao BTN); b) fev/89, IPC/IBGE, de 10,14% (em substituição ao BTN); c) de mar/89 a fev/90, BTN; d) de mar/90 a fev/91, IPC/IBGE (em substituição ao BTN e ao INPC de fev/91); e) de mar/91 a nov/91, INPC; f) em dez/91, IPCA série especial (art. 2º, § 2º, da Lei n. 8.383/91); g) de jan/92 até jan/96, utilizar a UFIR (Lei n. 8.383/91); h) a partir de jan/96, taxa SELIC e 1% na data do pagamento art. 39, § 4º, da Lei n. 9.250, de 26.12.95. Neste sentido, alguns arestos que expressam a jurisprudência firmada no Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13807.002668/200317 Acórdão n.º 3801002.925 S3TE01 Fl. 12 11 TRIBUTÁRIO. FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO. TAXA SELIC. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. ALEGAÇÃO DE NÃO OCORRÊNCIA DA PRESCRIÇÃO. INOVAÇÃO À LIDE. ANÁLISE. IMPOSSIBILIDADE. ÍNDICES APLICÁVEIS NO PERÍODO DESIGNADO PELO ACÓRDÃO A QUO. I Esta Corte firmou entendimento de que, com o advento da Lei nº 9.250/95, a partir de 1º de janeiro de 1996, os juros de mora passaram a ser devidos pela taxa SELIC, afastandose a aplicação dos arts. 161 c/c 167, parágrafo único, do CTN. De se observar, por conseguinte, que não é possível a cumulação da taxa SELIC com juros de mora de 1%, devendo haver a incidência apenas da primeira, já reconhecida pelo Tribunal a quo. Precedentes: REsp nº 755.447/PR, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 01/09/2006 e REsp 446.046/RJ, Rel.Min. CASTRO MEIRA , DJ de 12/09/2005. II Resulta dos precedentes desta Corte, conjugados com a tabela única da Justiça Federal, que são aplicáveis os seguintes índices na correção monetária do indébito tributário: a) o IPC, nos meses de janeiro/89 (42,72%) e fevereiro/89 (10,14%) e de março/90 a fevereiro/91; b) o BTN, de março/89 a fevereiro/90. Precedente: EREsp 912.359/MG, Primeira Seção, Relator Ministro HUMBERTO MARTINS, DJU de 03/12/2007. III O argumento de não ocorrência da prescrição, ante o ajuizamento de cautelar, nesta altura, constitui inovação à lide, impossível e incabível de ser analisada neste momento processual e sede recursal. IV Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 935.594/SP, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04.03.2008, DJ 23.04.2008 p. 1) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. CORREÇÃO MONETÁRIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. 1. Na assentada de 11.07.2007, a 1ª Seção desta Corte, apreciando os ERESP 912.359/MG, da relatoria do Ministro Humberto Martins, dirimiu a controvérsia atinente aos índices utilizados para o cálculo da correção monetária na repetição do indébito tributário, decidindo pela adoção do atual Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos da Justiça Federal, aprovado pelo Conselho da Justiça Federal, através da Resolução n. 561/CJF, de 02.07.2007, que prevê a aplicação dos seguintes índices: (a) IPC, de março/1990 a janeiro/1991; (b) INPC, de fevereiro a dezembro/1991; (c) UFIR, a partir de janeiro/1992; (d) taxa SELIC, exclusivamente, a partir de janeiro/1996; com observância dos seguintes índices: janeiro/1989 (42,72%), fevereiro/1989 (10,14%), março/1990 (84,32%), abril/1990 (44,80%), maio/90, (7,87%) e Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13807.002668/200317 Acórdão n.º 3801002.925 S3TE01 Fl. 13 12 fevereiro/1991 (21,87%). 13. Não é cabível, em recurso especial, examinar nem a justiça do valor fixado a título de honorários, nem o grau de sucumbência de cada parte, diante do enunciado da Súmula 7/STJ e da Súmula 389/STF, aplicada analogicamente. 2. Embargos de declaração acolhidos para, atribuindolhes efeitos infringentes, sanar omissão. (EDcl no REsp 773.265/SP, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13.05.2008, DJ 21.05.2008 p. 1) “TRIBUTÁRIO – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – EXPURGOS INFLACIONÁRIOS – JANEIRO E FEVEREIRO DE 1989 – IPC – CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO EMBARGADO ENTRE A FUNDAMENTAÇÃO E A PARTE DISPOSITIVA”. 1. Da análise detida dos autos e da minuciosa leitura da decisão embargada verificase que procede a afirmação da embargante acerca da existência de contradição entre a fundamentação e a parte dispositiva. 2. Aplicação da Tabela Única da Justiça Federal, editada por meio da Resolução 561 do Conselho da Justiça Federal, de 2.7.2007, atrelada à jurisprudência da Primeira Seção do STJ, que determina os indexadores e expurgos inflacionários a serem aplicados na repetição de indébito: IPC para os meses de janeiro e fevereiro de 1989, além da aplicação para os meses de março de 1990 a fevereiro de 1991. Embargos de declaração acolhidos, para explicitar o nãoprovimento dos embargos de divergência. (EDcl nos EREsp 912.359/MG, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27.02.2008, DJ 10.03.2008 p. 1) TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO SOCIAL EXPURGOS INFLACIONÁRIOS JANEIRO E FEVEREIRO DE 1989 IPC. 1. Aplicação da Tabela Única da Justiça Federal, editada por meio da Resolução 561 do Conselho da Justiça Federal, de 2.7.2007, atrelada à jurisprudência da Primeira Seção do STJ, que determina os indexadores e expurgos inflacionários a serem aplicados na repetição de indébito: IPC para os meses de janeiro e fevereiro de 1989. Embargos de divergência providos. (EREsp 912.359/MG, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14.11.2007, DJ 03.12.2007 p. 256) Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13807.002668/200317 Acórdão n.º 3801002.925 S3TE01 Fl. 14 13 A Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais ao apreciar a matéria (Recurso nº 203116520) em sessão de 13/09/2004 – Acórdão CSRF/0201.713, deu provimento ao recurso da contribuinte, conforme ementa que a seguir se reproduz: CORREÇÃO MONETÁRIA – RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO – PRINCÍPIO DA MORALIDADE – CONSTITUIÇÃO FEDERAL, ARTIGO 37 – EXPURGOS INFLACIONÁRIOS – STJ – 1990 – IPC – PRECEDENTES – Na vigência de sistemática legal geral de correção monetária, a correção de indébito tributário há de ser plena, mediante a aplicação dos índices representativos da real perda de valor da moeda, não se admitindo a adoção de índices inferiores expurgados, sob pena de afronta ao princípio da moralidade administrativa e de se permitir enriquecimento ilícito do Estado. Recurso provido. Da mesma similitude, a Terceira Turma, por meio do Acórdão da CSRF/0304.462 (Processo n° 13674.000107/9990) se manifestou de forma a reconhecer a Jurisprudência pacífica dos Tribunais judiciários. A ementa dessa decisão possui a seguinte redação: RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO CORREÇÃO MONETÁRIA. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO INCLUSÃO DOS EXPURGOS INFLACIONÁRIOS – No cálculo do valor a ser restituído ao Contribuinte devem ser inseridos os expurgos inflacionários correspondentes. Precedentes do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Em igual sentido foi o Acórdão nº 9303002.130, da 3ª Turma do CSRF, julgado na sessão de 16 de outubro de 2012, consoante se verifica pela ementa abaixo: UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. (ART. 543B E 543C DO CPC). NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62ª DO RICARF). PIS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL/ PRESCRICIONAL. IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. VIGÊNCIA DA TESE DOS 10 ANOS. RE 566.621. CORREÇÃO MONETÁRIA. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA MORALIDADE. CONSTITUIÇÃO FEDERAL, ART. 37. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. STJ 1990. IPC. JURISPRUDÊNCIA PACIFICADA NO STJ. Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13807.002668/200317 Acórdão n.º 3801002.925 S3TE01 Fl. 15 14 Na vigência de sistemática legal geral de correção monetária, a correção do indébito tributário há de ser plena, mediante a aplicação dos índices representativos da real perda de valor da moeda, não se admitindo a adoção de índices inferiores expurgados, sob pena de afronta ao princípio da moralidade administrativa e de se permitir enriquecimento ilícito do Erário. Recursos Especiais do Procurador Provido em Parte e do Contribuinte Provido. Por oportuno, cabe lembrar que a própria Procuradoria da Fazenda Nacional instada a se manifestar sobre a matéria, por meio do PARECER PGFN/CRJ/Nº 2601/2008, DOU de 8/12/2008, assim se manifestou: Tributário. Correção Monetária. Inclusão de índices expurgados de planos econômicos para atualização dos créditos tributários. Jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. Diante disto, entendo que merece provimento o pedido de que o indébito de PIS seja atualizado utilizandose dos expurgos inflacionários, nos termos da fundamentação exposta. Por outro lado, quanto ao pedido de que “os valores dos créditos detidos pela Contribuinte (indébito) sejam realizados mês a mês, apurandose as diferenças positivas, desprezando do cálculo os meses em que o cotejo entre os valores pagos da contribuição com base nos DL n o s 2.445 e 2.449 e aqueles que seriam devidos com base na LC n° 7/70 não se mostrem positivos, respeitando a decadência do direito da Fazenda de constituílos na atualidade gerando débitos não constituídos na época oportuna”, entendo que estes não procedem. Ocorre que a recorrente contesta a dedução das diferenças negativas, ocorridas em períodos onde a contribuição recolhida é menor que a efetivamente devida, quando apurada nos termos da LC n° 07/70. Que de acordo com as decisões (judicial c administrativa) que asseguraram o direito à repetição do indébito e as normas legais aplicáveis à matéria, os períodos de apuração com saldo devedor (suposta insuficiência dc pagamentos com base na LC n° 7/1970) devem ser desprezados pela empresa sem a pretensão dc qualquer crédito/indébito em relação aos mesmos e sem que haja qualquer obrigação de indenizar ou de pagar diferenças à Fazenda. A recorrente sustenta que para a apuração do indébito dc PIS que lhe restou assegurado deve ser realizado o confronto entre a contribuição recolhida com base nos decretos inconstitucionais e a devida, em relação a cada mês de apuração, com base na Lei Complementar n° 07/70, desprezandose do cálculo do crédito da empresa os períodos dc apuração nos quais se verificaria a existência de supostos pagamentos insuficientes da contribuição (com base na aplicação retroativa dessa última norma). Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13807.002668/200317 Acórdão n.º 3801002.925 S3TE01 Fl. 16 15 O fundamento do pedido de restituição/compensação (fls. 165, 378/380) é a sentença transitada em julgado proferida nos autos da ação ordinária n° 88.00439063. Segue transcrição da parte dispositiva da referida sentença (fl. 183): Isto posto, julgo PROCEDENTE O PEDIDO para declarar a inexistência de relação jurídica entre a(s) autora(s) e a União Federal que obrigue(m) a(s) primeira(s) a recolher(em) aos órgão próprios, sob a fiscalização da segunda, as contribuições ao PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIALPIS, nos termos dos Decretosleis 2.445/88 e 2.449/88, assegurando à(s) autora(s) o direito de efetuar (em) tais pagamentos, nos termos da Lei Complementar n° 7/70, ..." Por sua vez o então Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão n° 201 8.810 (fls. 268/271), reconheceu que a base de cálculo para o PIS é a de seis meses antes do fato gerador (tese da semestralidade), até a edição da MP n° 1.212/95. Ao apreciar as demandas o juiz e o Conselho de Contribuintes afirmam que subsiste a obrigação do PIS pela LC n° 7/70 e legislação superveniente. Os comandos da sentença e do Acórdão do Conselho de Contribuintes são gerais, e o critério de cálculo do saldo a restituir/compensar defendido pela empresa não consta da parte dispositiva da sentença judicial nem da decisão do Conselho de Contribuintes. A DIORT/DERAT, observando a decisão judicial e a do Conselho de Contribuintes, aplicou a Lei Complementar n° 7/70 e o critério da semestralidade no encontro de contas para apurar o valor a restituir/compensar. O contribuinte pleiteou a restituição/compensação dos valores recolhidos a maior de PIS com base nos DL n° 2.445/88 e 2.449/88 nos períodos de apuração compreendidos entre 07.88 a 02.96. Assim, o valor a restituir foi apurado cotejandose os pagamentos efetuados pelo contribuinte com o PIS recalculado com base na LC n° 7/70 (considerando a semestralidade). Nos períodos de apuração em que o pagamento efetuado pelo contribuinte é maior que o calculado com a LC n° 7/70, a respectiva diferença positiva somada ao valor à restituir. Por sua vez, isonomicamente, nos períodos de apuração cm que o pagamento efetuado é menor que o calculado com a LC n° 7/70, a respectiva diferença negativa é subtraída do valor à restituir. Assim, compartilho do entendimento exarado no acórdão ora recorrido de que: “nos procedimentos de apuração do valor à restituir não se está realizando qualquer lançamento ou revisão de lançamento relativo ao PIS dos períodos de apuração de 07.88 a 02.96, visto que em nenhum momento constitui ou cobra valores relativos a fatos geradores ocorridos neste período. Somente se está efetuando cálculos, observandose a decisão judicial (LC° 7/70) e do Conselho de Contribuintes (semestralidade), para apurar o correto valor à restituir do período em análise. Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 13807.002668/200317 Acórdão n.º 3801002.925 S3TE01 Fl. 17 16 Não se pode confundir a decadência do direito de lançar o tributo devido nestes períodos de apuração com a análise da certeza e liquidez do direito creditório e apuração do valor a ser restituído/compensado de PIS dos períodos de apuração de 07.88 a 02.96. A autoridade administrativa não está constituindo crédito tributário, mas tão somente apurando o valor restituível/compensável relativo aos pagamentos de PIS efetuados no período discutido.” Por fim, merece relevo que a própria contribuinte apresentou planilha de fls. 159/161, anexa ao recurso voluntário interposto ao 2° Conselho de Contribuintes contra o Acórdão da DRJ/SP1 n° 05.944/2004 (fls. 135/158), na qual, na ocasião, deduziu as diferenças negativas ocorridas em períodos onde a contribuição recolhida é menor que a efetivamente devida, quando apurada nos termos da LC n° 07/70. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, no sentido de reconhecer que sejam aplicados os índices de correção monetária indevidamente expurgados. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10935.907133/2011-82
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/03/2004
PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3803-005.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou-se provimento ao recurso.
(Assinado Digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negouse provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 71 33 /2 01 1- 82 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues. Relatório O Despacho Decisório eletrônico (Rastreamento nº 015070475), indeferiu o Per/DComp transmitida em 15/03/2004, sob a alegação de que, a partir do DARF apresentado, o crédito nele informado foi integralmente utilizado no pagamento de outros débitos, não restando saldo credor para a restituição pleiteada. Manifestando a sua inconformidade a contribuinte alegou que apurou as contribuições ao PIS e à Cofins, com base no art. 3º da então vigente Lei nº 9.718/98; que ampliou o conceito de base de cálculo dessas contribuições e que o Supremo Tribunal Federal, por meio do RE 346.084, julgou inconstitucional a ampliação da base de cálculo trazido por esse dispositivo legal; que a comprovação do recolhimento efetuado a maior se dá através de planilhas de apuração do PIS, as quais demonstram que compuseram a base de cálculo a receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços e outras receitas – financeiras, aluguéis, recuperação de despesas, bem assim dos DARF’s correspondentes anexos, que comprovam o pagamento do valor apurado. Ao final postula pela restituição dos valores pagos a maior a título de PIS, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional e art. 2º, III, ‘c’, da IN RFB 900/08, acrescidos de juros com base na taxa Selic. Em julgamento realizado em 18/04/2013, por meio do Acórdão nº 0640.379, a decisão proferida pela 3ª Turma DRJ/CTA indeferiu a manifestação de inconformidade aviada, consoante transcrição da ementa a seguir ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/03/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de Fl. 42DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907133/201182 Acórdão n.º 3803005.632 S3TE03 Fl. 7 3 cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas, posto que a decisão não foi em ADIN, mas em Recurso Extraordinário. Em apertada síntese a decisão de primeira instância limitouse à alegação de que a declaração de inconstitucionalidade do STF não gerou efeito erga omnes, porém apenas inter partes; que até a edição da Lei nº 11.941, DOU de 29/05/09, que revogou tal dispositivo inconstitucional contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, o mesmo era perfeitamente aplicável; e que as condições para o afastamento da aplicação da norma julgada inconstitucional, não se coadunaram com o disposto nos artigos 1º e 4º do Decreto nº 2.346/97, o que fez em observância ao disposto no artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pela Lei nº 11.941/09. Por tal razão deixou o voto condutor de reconhecer o direito creditório pleiteado, consoante consta da fl. 03 da decisão vergastada. No que atine à questão probatória a referida decisão entendeu que não há nos autos provas do direito alegado, eis que a contribuinte não demonstrou fazer parte de ação judicial na qual foi declarada a inconstitucionalidade do dispositivo informado na peça inaugural, bem assim não trouxe aos autos documentos e livros fiscais, que demonstrassem de forma inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN, eis que incumbe à interessada trazer aos autos junto à peça contestatória, o direito em que se fundamenta e as provas a que se alude, em conformidade ao art. 16, III, do Dec. Nº 70.235/72. Cientificado do teor da decisão de primeira instância por meio de AR em 29/04/2013 e, com ela irresignado, o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 17/05/2013, reiterando os termos expendidos na exordial, de forma minudente, para pugnar pela reforma da decisão hostilizada. É o relatório. Voto Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 43DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. O apelo devolvido a esta Corte versa acerca da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, bem assim acerca da liquidez e certeza do crédito, cuja restituição foi suscitada pela contribuinte, com a devida atualização de acordo com a taxa Selic. O Supremo Tribunal Federal – STF, reconheceu a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, e em decisão unânime, o Plenário resolveu a questão de ordem constitucional no sentido de reconhecer a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Confirase: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). Nos julgamentos realizados no âmbito do CARF a regulação acerca deste tema encontra supedâneo no disposto artigo 62A do RICARF/09, que assim estabelece: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Reiteradas vezes como julgador, ao deparar com o tema sob exame, tenho me pronunciado de forma a observar o contido no artigo 62A do Regimento Interno do CARF/09, e igualmente o faço nesta oportunidade, com o fito de solucionar a questão atinente ao reconhecimento do direito alegado pela Recorrente. No que atine à questão probatória, bem se vê que a decisão a quo esteve silente em relação à eficácia da planilha e dos DARF’s correspondentes, colacionados aos autos pela Recorrente, quando da sua manifestação de inconformidade. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907133/201182 Acórdão n.º 3803005.632 S3TE03 Fl. 8 5 Quanto a este aspecto o aresto recorrido limitouse a indicar a ausência nos autos de documentos “inominados” e de livros fiscais, que demonstrassem de forma inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN. Logo, a conclusão a que chegou a referida decisão é que os documentos apresentados pela Recorrente foram considerados insuficientes para demonstrar a legitimidade de sua pretensão. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, sobre as quais a contribuinte não se manifestou. Os juros de mora apurados com base na taxa Selic, por força de norma legal vigente, Conforme Dispõe o art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995, c/c o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, são devidos, entretanto deles não fará proveito a Recorrente pelas razões explicitadas. Com tais observações oriento o meu voto para NEGAR provimento ao recurso interposto. É assim que voto. Sala de Sessões, em 27 de fevereiro de 2014. Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 45DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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