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4602007 #
Numero do processo: 19515.003470/2007-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 Ementa: LANÇAMENTO. PERÍODO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO COM ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. DECISÃO DO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C, DO CPC. Conforme decisão do STJ no julgamento do Resp. nº 973.733, apreciado como recurso repetitivo, quando há a antecipação de pagamento em tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo para constituição do crédito é de cinco anos, contados da data do fato gerador, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. LANÇAMENTO INDEVIDO. RECOLHIMENTO COMPROVADO. Devem ser cancelados do auto de infração os lançamentos relativos aos fatos geradores, cujo recolhimento tenha sido comprovadamente efetuado. PROCESSO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA SE PRONUNCIAR QUANTO À INCONSTITUCIONALIDADE DA NORMA LEGAL. O CARF não tem competência para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade da norma legal, conforme determinação expressa da Súmula nº 02, cuja redação é a seguinte: “O CARF não é competente para se pronunciar quanto a inconstitucionalidade de leis” JUROS CALCULADOS PELA TAXA SELIC. A aplicação da Taxa SELIC sobre os juros dos créditos tributários tem previsão legal no art. 61, §3º, da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 3401-001.817
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária do terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de voto, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA

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ementa_s : Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 Ementa: LANÇAMENTO. PERÍODO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO COM ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. DECISÃO DO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C, DO CPC. Conforme decisão do STJ no julgamento do Resp. nº 973.733, apreciado como recurso repetitivo, quando há a antecipação de pagamento em tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo para constituição do crédito é de cinco anos, contados da data do fato gerador, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. LANÇAMENTO INDEVIDO. RECOLHIMENTO COMPROVADO. Devem ser cancelados do auto de infração os lançamentos relativos aos fatos geradores, cujo recolhimento tenha sido comprovadamente efetuado. PROCESSO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA SE PRONUNCIAR QUANTO À INCONSTITUCIONALIDADE DA NORMA LEGAL. O CARF não tem competência para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade da norma legal, conforme determinação expressa da Súmula nº 02, cuja redação é a seguinte: “O CARF não é competente para se pronunciar quanto a inconstitucionalidade de leis” JUROS CALCULADOS PELA TAXA SELIC. A aplicação da Taxa SELIC sobre os juros dos créditos tributários tem previsão legal no art. 61, §3º, da Lei nº 9.430/96.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /06/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA     2 A  aplicação  da  Taxa  SELIC  sobre  os  juros  dos  créditos  tributários  tem  previsão legal no art. 61, §3o, da Lei nº 9.430/96.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  da  4ª  câmara  /  1ª  turma  ordinária  do  terceira   SSEEÇÇÃÃOO   DDEE   JJUULLGGAAMMEENNTTOO,  por  unanimidade  de  voto,  em  dar  parcial  provimento  ao  Recurso  Voluntário interposto    JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS  Presidente    JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA  Relator    Participaram,  ainda,  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros:  Júlio  César  Alves Ramos, Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas  de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.    Relatório  Trata o presente processo de dois autos de infração lavrados em 11/12/2007  (fls.413/435),  lançando  diferenças  encontradas  entre  o  valor  apurado  e  o  valor  declarado  do  PIS e da COFINS, cujos fatos geradores ocorreram entre junho de 2002 e outubro de 2007.  A Autuada  impugnou  o  lançamento  (fls.449/453),  e  a DRJ  São  Paulo  I/SP  reconheceu que a Contribuinte pagou o PIS e a COFINS referente ao mês de outubro de 2007,  mas excluiu somente parte das multas relativas a esse mês (fls.485/493).  A  Contribuinte  foi  intimada  do  acórdão  da  DRJ  em  06/04/2009  (fl.517)  e  interpôs Recurso Voluntário em 14/04/2009 (fls. 526/530).   Em  seu  Recurso  Voluntário  a  Recorrente  insurgiu­se  somente  quanto  à  alíquota da taxa SELIC aplicada, pedindo que os juros fossem calculados com a Taxa SELIC  atual;  além  de  combater  a  multa  aplicada,  alegando  que  ela  é  exorbitante  e  tem  efeito  confiscatório. No pedido, acrescentou o requerimento para que sejam excluídos do lançamento  os valores comprovadamente já recolhidos.    É o Relatório.  Fl. 537DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /06/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 19515.003470/2007­38  Acórdão n.º 3401­001.817  S3­C4T1  Fl. 533          3 Voto             Conselheiro JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, Relator  O Recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade,  razão pela qual dele tomo conhecimento.  Como  verificado  pelo  relatório,  a  Recorrente  não  nega  o  recolhimento  a  menor nem contesta a base de cálculo e alíquotas aplicadas, mas recorre somente do percentual  da Taxa SELIC, da multa aplicada e do valor que alega já ter recolhido.  Além dessas matérias,  ainda há uma matéria preliminar que não  foi  tratada  neste processo, mas deve ser  conhecida de ofício por  se  tratar de matéria de ordem pública,  qual seja: a decadência de parte do lançamento.    1­  Decadência parcial do Lançamento  Os  autos  de  infração  tratam  dos  fatos  geradores  ocorridos  entre  junho  de  2002  e  outubro  de  2007.  A  lavratura  do  auto  de  infração  se  deu  em  11/12/2007,  conforme  informação de fls. 113 e 419.  Como  se  trata  de  tributo  sujeito  ao  lançamento  por  homologação,  e  considerando que houve parte do  recolhimento antecipado  (haja vista que o auto de  infração  trata de diferença entre valor escriturado e valor pago e não de falta de recolhimento), o prazo  decadência é de cinco anos, contados da data do fato gerador, nos termos do art. 150, §4o, do  CTN.  Dessa forma, como os fatos geradores ocorridos até 11/12/2002 já contavam  cinco  anos  na  data  do  lançamento,  estão  decaídos  os  lançamentos  relativos  a  esses  fatos  geradores ocorridos até essa data, ou seja, os ocorridos entre junho e novembro de 2002.    2­  Dos pagamentos efetuados  Alega  a  Recorrente  que,  dos  períodos  lançados,  alguns  já  estavam  com  pagamento efetuado, mas não foram abatidos do auto de infração.  Analisando o demonstrativo de  fl.406, nota­se que o único período no qual  não foi abatido o valor  já pago foi o mês de outubro de 2007. O documento de recolhimento  está  nos  DARF’s  acostados  às  fls.  467  a  470,  que  demonstram  vários  recolhimentos  da  COFINS para este mesmo período (outubro de 2007) que totaliza R$ 19.838,72, devendo ser  verificado o seu real ingresso no sistema da Receita Federal do Brasil na execução.  Assim, para o mês de outubro de 2007, do valor lançado como principal (R$  128.597,19) a título de COFINS deve ser abatido o valor já recolhido (R$ 19.838,72), restando  um saldo a recolher, a título de COFINS, no valor de R$ 108.758,47. Os juros e multa relativos  ao lançamento de outubro de 2007 devem ser recalculados sobre este novo valor.  Fl. 538DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /06/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA     4   3­   Da multa aplicada  Alega a Recorrente que a multa aplicada é exorbitante e que fere o Princípio  do Não­confisco.  A multa foi aplicada com fundamento no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de  27 de dezembro de 1996. Além dessa norma estar em pleno vigor, o Princípio do Não­confisco  é  um  princípio  constitucional,  de  modo  que  o  afastamento  da  multa  seria  com  base  em  inconstitucionalidade,  situação  não  é  permitida  em  face  da  falta  de  competência  do  CARF,  como disposto expressamente na Súmula nº 02, in verbis:    “O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de legislação tributária”.    Portanto,  estando  a  multa  baseada  em  norma  vigente,  não  cabe  ao  CARF  afasta­la com base em inconstitucionalidade.    4­   Da Taxa SELIC  A Recorrente  alega que  a Taxa SELIC  está  sendo aplicada  “mês a mês,  de  forma composta”.  Em primeiro  lugar,  cabe  destacar  que  a  aplicação  da Taxa SELIC  sobre  os  créditos tributários tem previsão legal no art. 61, § 3o, da Lei nº 9.430/96, lei esta que está em  pleno vigor, conforme já esclarecido acima.  Assim, os juros devem ser calculados a cada mês pela respectiva Taxa SELIC  vigente, não havendo previsão  legal para a pretensão da Recorrente de recalcular os  juros de  todos os meses, desde o lançamento, com base na taxa vigente atualmente.  Pelo que se entende, a Recorrente reclama de suposto anatocismo, quando o  juro  é  calculado  sobre  juros. Apesar  das  alegações,  a Recorrente  não  apresentou  sequer  um  cálculo para contrariar o cálculo feito pela Fazenda, de modo que esse argumento não passa de  mera  alegação  sem  qualquer  prova,  devendo­se,  pois,  ser mantido  o  cálculo  na  forma  como  está.  Ex  positis,  dou  provimento  parcial  ao  Recurso  Voluntário  interposto,  para  declarar a decadência dos fatos geradores ocorridos entre junho e novembro de 2002, diminuir  o valor referente ao lançamento principal da COFINS de outubro de 2007 para R$ 108.758,47,  após verificação no sistema da receita federal da sua real existência, devendo os juros e a multa  serem recalculados sobre este novo valor e manter o lançamento integral nos demais períodos.  É como voto.   Sala das Sessões, em 24 de maio de 2012.    JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA  Fl. 539DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /06/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 19515.003470/2007­38  Acórdão n.º 3401­001.817  S3­C4T1  Fl. 534          5                               Fl. 540DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 21 /06/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA

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10516506 #
Numero do processo: 16682.902890/2011-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2005 RETENÇÃO NA FONTE. PROVA. COMPROVAÇÃO. A prova de retenção na fonte não se faz apenas com informes de rendimento, mas com outros documentos hábeis a demonstrar claramente a retenção assim como a tributação da receita. Súmula 143 do CARF. Apresentando o contribuinte documentação robusta a comprovar por outros meios a retenção sofrida, é de se reconhecer a possibilidade de seu cômputo.
Numero da decisão: 1101-001.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o retorno do processo à Receita Federal do Brasil, a fim de que reaprecie o pedido formulado pelo contribuinte, levando em consideração os documentos juntados aos autos, especificamente notas fiscais, extratos bancários e planilhas apresentadas, podendo intimar a parte para apresentar documentos adicionais, devendo ser emitida decisão complementar contra a qual caberá eventual manifestação de inconformidade do interessado, retomando-se o rito processual. (documento assinado digitalmente) Efigênio de Freitas Junior - Presidente (documento assinado digitalmente) Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, Jeferson Teodorovicz, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Efigenio de Freitas Junior (Presidente).
Nome do relator: DILJESSE DE MOURA PESSOA DE VASCONCELOS FILHO

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PROVA. COMPROVAÇÃO. A prova de retenção na fonte não se faz apenas com informes de rendimento, mas com outros documentos hábeis a demonstrar claramente a retenção assim como a tributação da receita. Súmula 143 do CARF. Apresentando o contribuinte documentação robusta a comprovar por outros meios a retenção sofrida, é de se reconhecer a possibilidade de seu cômputo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o retorno do processo à Receita Federal do Brasil, a fim de que reaprecie o pedido formulado pelo contribuinte, levando em consideração os documentos juntados aos autos, especificamente notas fiscais, extratos bancários e planilhas apresentadas, podendo intimar a parte para apresentar documentos adicionais, devendo ser emitida decisão complementar contra a qual caberá eventual manifestação de inconformidade do interessado, retomando-se o rito processual. (documento assinado digitalmente) Efigênio de Freitas Junior - Presidente (documento assinado digitalmente) Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, Jeferson Teodorovicz, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Efigenio de Freitas Junior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 28 90 /2 01 1- 65 Fl. 1160DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1101-001.315 - 1ª Sejul/1ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.902890/2011-65 Relatório Trata-se de recurso voluntário (e-fls. 1123-1129) interposto contra acórdão da 5ª Turma da DRJ/SPO (e-fls. 1094-1104) que julgou procedente em parte manifestação de inconformidade (e-fls. 130-133) apresentada pelo contribuinte contra despacho decisório (e-fl. 116) que indeferiu parcialmente direito creditório e não homologou as compensações decorrentes. Como se depreende de referido despacho decisório, o crédito pleiteado é relativo a Saldo Negativo de CSLL, Exercício 2005, formado unicamente por retenções na fonte, que não foram integralmente confirmadas. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte defendeu a existência do seu crédito, bem como pugnou pela juntada de documentos. Em petição apresentada em seguida, fez a juntada de planilhas demonstrativas, notas fiscais e extratos bancários , agrupados por fonte pagadora (e-fls. 169-747). Em seguida, ainda antes do julgamento pela DRJ, promoveu o contribuinte a juntada de novos documentos: planilhas demonstrativas, notas fiscais e extratos bancários (e-fls. 760-945). A DRJ julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, nos seguintes termos (nossos destaques): No presente caso, não foram cumpridos os requisitos para apresentação posterior de provas, tão pouco para a realização de diligência ou perícia. Ademais, entende-se incabível a realização de diligência ou perícia em se tratando de matéria passível de prova documental a ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade. (...) Em relação ao IRRF/CSRF informado no PER/DCOMP analisado e não confirmado nos sistemas da RFB, o meio probatório adequado para comprovar a retenção do imposto/contribuição incidente sobre rendimentos pagos ou creditados é o Comprovante de Rendimentos Pagos ou Creditados, a teor dos seguintes dispositivos: (...) Não se olvida que a responsabilidade pela apresentação da DIRF e fornecimento do "Comprovante de Rendimentos Pagos ou Creditados e do Imposto de Renda Retido na Fonte" é da fonte pagadora, a teor dos artigos 929 e 942 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 - RIR/99. Porém, o contribuinte tem o dever de exigir da fonte pagadora o Comprovante de Rendimentos Pagos ou Creditados, cuja obrigação de fornecimento é prevista nas normas de regência (art. 733 do RIR/99), ou em caso de a própria empresa beneficiada efetuar o recolhimento do IRRF, é necessária a apresentação dos DARF de recolhimento do tributo. Frise-se que documentos da própria emissão do contribuinte não fazem prova a seu favor, havendo-se que recorrer às empresas participantes da transação para confirmação dos valores constantes das faturas e/ou notas fiscais. (...) Fl. 1161DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1101-001.315 - 1ª Sejul/1ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.902890/2011-65 Diante disso, cumpre concluir que as Notas Fiscais - NF emitidas pelo contribuinte, não se mostram hábeis a comprovar a retenção incidente sobre os pagamentos recebidos. Destarte, não é possível confirmar o CSRF destacado na(s) NF(s) apresentada(s) pelo contribuinte. No entanto verifica-se no relatório "DIRF - Resumo do Beneficiário", elaborado com dados extraídos dos arquivos eletrônicos da RFB, através do sistema DWDIRF, que no ano calendário de 2004 a requerente consta como beneficiária de retenções sintetizadas a seguir: (...) Assim apesar de os valores de retenção relacionados pelo contribuinte no PER/DCOMP não coincidir de forma exata com os montantes informados na DIRF pela fonte pagadora dos rendimentos, em atenção ao princípio da verdade material é possível validar, para fins de formação do saldo negativo de CSLL apurado no ano calendário de 2004, a totalidade da retenção confirmada em DIRF. Ao final, a DRJ reconheceu crédito adicional de R$ 309.488,05. Inconformado, o contribuinte apresenta recurso voluntário em que defende a nulidade do acórdão recorrido, em virtude da “não apreciação da documentação acostada pela ora Recorrente após a apresentação da manifestação de inconformidade”. No mérito, defendeu a legitimidade da documentação acostada aos autos para comprovação da retenção e a subsistência do seu crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Inicialmente, em relação à alegação de nulidade da decisão recorrida formulada pelo Recorrente a título de preliminar, entendo que seu fundamento confunde-se com a própria alegação de mérito, uma vez que em ambos os tópicos o contribuinte defende, basicamente, que os documentos acostados aos autos posteriormente à manifestação de inconformidade deveriam ter sido apreciados pela DRJ e, no seu conteúdo, seriam aptos a comprovar a retenção na fonte. O mais adequado é, portanto, apreciar o recurso do contribuinte em sua inteireza. Discute-se nestes autos direito creditório oriundo de saldo negativo de IRPJ cuja composição é formada por retenções na fonte. A matéria litigiosa restringe-se à comprovação das retenções na fonte, matéria de cunho eminentemente probatório, à luz inclusive do entendimento deste Conselho. Nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional, a liquidez e certeza do crédito são condições para o ressarcimento e compensação: Fl. 1162DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1101-001.315 - 1ª Sejul/1ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.902890/2011-65 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Nesse ponto, como se depreende do art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da administração pública federal, bem como do art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em sentido semelhante, o art. 16 do Decreto 70.235/1972 (aplicável às manifestações de inconformidade e recurso voluntários decorrentes, por força do art. 74 da Lei 9.430/1996) estabelece que a impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em específico sobre as retenções, como bem reconhece a jurisprudência deste Conselho, sua prova admite razoável flexibilidade, não se esgotando no comprovante de retenção, a teor da Súmula CARF n. 143: A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Tal entendimento ratifica os princípios da verdade material e do formalismo moderado, recorrentemente homenageados neste Conselho. Assim, admite-se que a prova da retenção seja feita de forma ampla pelo contribuinte. A título exemplificativo, veja-se o posicionamento deste Conselho em casos semelhantes: RETENÇÃO NA FONTE - PROVA A prova de retenção na fonte não se faz apenas com informes de rendimento, mas com outros documentos hábeis a demonstrar claramente a retenção assim como a tributação da receita. Documentos contábeis, extratos bancários e documentos fiscais se prestam a esses fins. Súmulas 80 e 143 do CARF. (CARF - Acórdão nº 1201-005.911 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Sessão de 21 de junho de 2023 No caso em tela, o reconhecimento de crédito adicional pela DRJ se deu unicamente através da análise da DIRF, uma vez que a decisão recorrida entendeu não ser viável – à luz do entendimento daquele colegiado à época do julgamento, anterior à Súmula CARF 143 – a comprovação por outros meios. Portanto, a documentação acostada pelo contribuinte não foi analisada. Assim, assiste razão ao Recorrente no que diz respeito à possibilidade de comprovação das retenções por outros meios, que não o Informe de Rendimentos emitido pela fonte pagadora, à luz da Súmula CARF 143, que ora adoto como razão de decidir. Embora a decisão recorrida não tenha adotado o entendimento ora defendido, o fez com base em fundamentação suficiente, a partir de entendimento legítimo da legislação e condizente com a época da prolação do acórdão recorrido (anterior à Súmula em questão). A decisão encontra-se, pois, devidamente fundamentada, de forma que não há que se falar em sua nulidade. Fl. 1163DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1101-001.315 - 1ª Sejul/1ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16682.902890/2011-65 Resta analisar o que efetivamente consta dos autos a título de comprovação do IRRF. E, neste ponto, verifico verossimilhança na pretensão creditória do contribuinte, a partir de análise das maiores fontes pagadoras, por amostragem. A título exemplificativo, veja-se a fonte pagadora CENTRAIS ELETRICAS DO NORTE DO BRASIL – CNPJ 00.357.038/0018-64. Constou no PER/DCOMP retenção de R$14.094,26. Nenhum valor foi confirmado, seja no despacho decisório, seja na DIRF. No entanto, o contribuinte juntou demonstrativo acompanhado de documentos, capaz de provar a retenção, inclusive em valor maior do que o originalmente informado. Nesses documentos, o contribuinte apresenta planilha em que lista todas as notas fiscais emitidas para aquele contratante, com indicação do IRPJ retido. Em seguida, junta as notas fiscais, bem como extrato de seu sistema de Contas a Receber, e extrato bancário demonstrando o recebimento do valor líquido de IRRF, demonstrando compatibilidade entre os documentos. Nesse contexto, entendo que o melhor caminho processual é a reanálise da documentação por parte da autoridade de origem, a fim de que sejam efetiva e precisamente quantificadas as retenções, a partir dos documentos trazidos pelo contribuinte ainda antes do julgamento da DRJ. Diante do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o retorno do processo à Receita Federal do Brasil, a fim de que reaprecie o pedido formulado pelo contribuinte, levando em consideração os documentos juntados aos autos, especificamente notas fiscais, extratos bancários e planilhas apresentadas, podendo intimar a parte para apresentar documentos adicionais, devendo ser emitida decisão complementar contra a qual caberá eventual manifestação de inconformidade do interessado, retomando-se o rito processual. É como voto. (documento assinado digitalmente) Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho Fl. 1164DF CARF MF Original

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Numero do processo: 13855.000091/2004-14
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2005
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. Se a matéria de um determinado processo vincula-se a de outro, sendo deste complemento, o mesmo órgão julgador deve julgar ambos processos. Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 204-00.719
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara dp. Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade votos, em não conhecer do recurso, para declinar competência à Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes.
Nome do relator: JORGE FREIRE

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I:~-:-'" . - .~' .. ,. O DA FAZENDA M\N\~ l~~~:de Contribuintes SOClunt.lo \..:OlIS~I~.? O~. . I da União " Ol"no llClapublicado no '" ~~ De_~I.J Q8 O$.- - VIST,'O", .~- 13855.000091/2004-14 127.725 204-00.719 ~NDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES MINERVA LTDA. DRJ em Ribeirão Preto - SP Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes. Processo nº Recurso nº Acórdão nº Recorrente Recorrida '.. ."~IN. DA. f AZE~. 29 CC CONFERE COM O ORIGINAL BRASluA ..Q-t ..I_~_'__ .JA.4- 4 NORMAS PROCESSUAIS. Se a matéria de um determinado processo vincula-se a de outro, sendo deste complemento, o mesmo órgão julgador deve julgar ambos processos. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES MINERV A LTDA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara dp. Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade votos, em não conhecer do recurso, para declinar competência à Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. '"';<..:. Sala das Sessões, em 08 de novembro de 2005. /?....'/:----.(?....4~'-W ~.~ 7Henri e Pinheiro Torres Presi te Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Flávio de Sá Munhoz, Nayra Bastos Manatta, Rodrigo Bemardes de Carvalho, Júlio César Alves Ramos, Sandra Barbon Lewis e Adriene Maria de Miranda. 1 Processo nº Recurso nQ Acórdão nQ Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 13855.000091/2004-14 127.725 204-00.719 r•••IN. DA FAZEl''')A . 2~ CC-....-..- ..,,-~- CC'NFERE COM O ORIGINAL~R:S~L'~~:#~~1L6_. ~ ~ Recorrente INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES MINERV A LTDA. RELATÓRIO Versam os autos lançamento de ofício IPI relativo aos períodos de apuração do exercíco de 2000, com base na assertiva fiscal de que o contribuinte epigrafado se beneficou indevidamente de crédito presumido de IPI pago em março e abril de 2001. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 12/20) informa o Fisco (fl. 13) que resultaram da ação fiscal no contribuinte, vários autos de infração decorrentes da constatação de omissão de receita pela falta de escrituração em seus livros de notas fiscais emitidas pela autuada. Decorrente da constatação de que o contribuinte escriturou notas fiscais em valor inferior ao nelas constantes (fls. 27/36), a fiscalização reviu os valores ressarcidos a título de crédito presumido nos Processos Administrativos nOs13852.000206/00-42, 13852.000207/00-13, 13852.000007/2001-31 e 13852.000007/2001-86, relativos, respe~tívamente, aos primeiro a quarto trimestre de 2000, concluindo que houve pagamento a maiç>fque o devido a título desse incentivo, conforme quadro à fl. 18, lavrando, em conseqüência, ai:Itode infração para cobrança do pago em excesso no Processo n° 13855.001980/2003-18, de 23/11/2003. Contudo, posteriormente, foi constatada nova omissão o que resultou em novos valores de receita operacional bruta, consoante quadro à fl. 37, o que ensejou o refazimento dos cálculos do crédito presumido (fl. 38) e a conclusão de que ainda havia valores a sere,m cobrados por conta do excesso de ressarcimento deste benefício fiscal (fl. 39), dando ensejo, então, a presente exação com aplicação da multa de ofício, exacerbado seu percentual a 150 %, com base no entendimento que houve intenção de fraudar a legislação fiscal. A DRJ em Ribeirão Preto - SP julgou (fls. 211/216) o lançamento procedente. Não resignada com a r. decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, no qual, em suma, a empresa não contesta "a insuficiência de registro de receitas nos anos de 1998, 2000 e 2002", porém se insurge contra a r. decisão que desconsiderou sua postulação no sentido de que os processos deveriam ser julgados simultaneamente, vez que ela averbou que os julgamentos de IPI competem a turma específica, não havendo disposição legal para julgamento de todos processos referente a todos tributos serem julgados pelo mesmo órgão julgador. Em verdade, o que a empresa não concorda é que não seja excluído do cálculo os valores relativos às notas fiscais emitidas pelas interpostas pessoas que tiveram sua documentação declarada inidônea por ato administrativo da SRF, pelo que, reitera, o julgamento deste processo deve levar em conta o julgamento do outro processo no qual se cobra o IPI pela revisão dos valores ressarcidos a título de crédito presumido. Por fim, insurge-se quanto à glosa das aquisições feitas de cooperativas rurais e de pessoas físicas produtoras rurais, em longa argumentação. Houve arrolamento de bens (fls. 288/292) para recebimento e processamento do recurso. É °relatóri0Yl! 2 Processo nº Recurso nº Acórdão nº ---- .. ,~ - -, -. - -" (t (','1' r 1. O" FA7l7'I\H)1I • ?- v'., ., r,r.IN. 1.'" .. . -.';:.:••-,,~-----t MinistériodaFazenda }:----:~-:.-E. -'o~r"1 O OHtGINIlL ccr\irEH'. L " SegundoConselhode Contribuinte,I B~r...3\UJI,.£lz..' ~ ..~ .._...-'f2L.... 13855.000091/2004-14 \ ---~-v.~-__ . 127.725 o,, .. 204-00.719 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR JORGE FREIRE ~ ~ Emerge do relatado que o presente processo está umbilicalmente vinculado ao Processo de n° 13852;00;1.980/2003-18, uma vez que este processo decorre da constatação de novas omissões de re'é:eitas, e nada mais, conforme se dessume da planilha "Crédito Presumido Pago a Maior Irlcluindo Novas Omissões", a qual parte dos valores lançados no referido processo, calculando o presente lançamento com base nos valores detectados naqueles autos. Assim, não há como neste processo sequer conhecermos do pleito do contribuinte no sentido de que não deviam ser incluídas as operações de interpostas pessoas que tiveram sua documentação considerada inidônea pelo Fisco e nem tão-pouco a glosa das aquisições de pessoas físicas e cooperativas, eis que tais questões são estranhas a est~ lançamento. CONCLUSÃO Por tais questões, entendo que o presente processo Cteva ser remetido à Primeira Câmara deste Conselho, para a qual, segundo pesquisa na INTERNET, foi distribuído aquele processo, uma vez que a solução deste vincula-se e depende da solução versada naqueles autos. É como voto. JORGE FREIRE 3 00000001 00000002 00000003

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Numero do processo: 10480.734536/2012-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2024
Numero da decisão: 3402-003.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Marina Righi Rodrigues Lara, Jorge Luis Cabral, Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Marina Righi Rodrigues Lara, Jorge Luis Cabral, Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo (Presidente).

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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Marina Righi Rodrigues Lara, Jorge Luis Cabral, Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 34 53 6/ 20 12 -7 2 Fl. 70420DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 3402-003.983 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.734536/2012-72 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão nº 08-052.864, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade, conforme Ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 PRODUÇÃO DE ESPECÍFICO RELATÓRIO PARA CADA PEDIDO DE RESSARCIMENTO Não há obrigatoriedade legal para que a autoridade fiscal faça específico relatório para cada trimestre e tributo relacionados ao pedido de ressarcimento. É contraproducente e afrontosa ao princípio constitucional da eficiência, que rege toda a atuação da administração pública, a repetição desnecessária, em vários relatórios, das razões das glosas efetivadas, especialmente quando os livros contábeis que servem de prova ao registro das operações do contribuinte se referem a período superior ao trimestre analisado. Assim, estando devidamente detalhados e especificados os motivos das glosas realizadas, não há impedimento à produção de apenas um relatório fiscal para mais de um pedido de ressarcimento, não havendo que se falar em prejuízo ao contraditório e à ampla defesa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 ARQUIVOS SEF/SINTEGRA. RESULTADO DA DILIGÊNCIA No tocante às notas fiscais identificadas nos arquivos SEF/Sintegra, foram restabelecidos os créditos relativos às notas que não foram glosadas pelos motivos expressos no Relatório de Diligência. ERRO NA APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA Quando o pleito sob análise se refere a direito creditório, o trabalho da fiscalização se restringe à verificação sobre a procedência ou não dos créditos invocados pelo contribuinte, sob as entradas escrituradas e comprovadas. Eventual erro na escrituração ou apuração dos débitos, como alegado pelo contribuinte, deve ser objeto de inequívoca comprovação. FRETE NA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS Se o frete pago em decorrência da aquisição de mercadorias para revenda integra o custo de aquisição dessas mercadorias, a possibilidade de apropriação de eventual crédito que venha a ser calculado sobre a aludida despesa de frete deve ser determinada em função da também possibilidade ou não de apropriação de crédito em relação ao próprio bem transportado. Dito de outro modo, somente o frete pago nas aquisições de insumos ou mercadorias passíveis de creditamento é que pode ser considerado para tal fim. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO Quando o §1° do art. 3° das Leis nº. 10.637/2002 e nº 10.833/2003 determina que os créditos da não-cumulatividade sejam apurados sobre o valor dos bens e serviços adquiridos no mês ou sobre o valor das despesas incorridas no mês, confina o cálculo de créditos aos respectivos períodos de apuração, para que tanto a existência quanto a Fl. 70421DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 3402-003.983 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.734536/2012-72 natureza do crédito possam ser devidamente aferidas dentro do período específico de geração. CRÉDITO SOBRE COMBUSTÍVEIS O dispêndio com combustível utilizado em frota própria de veículos, para envio do produto final aos clientes, não se enquadra no conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições para o PIS e a Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Conforme detalhado na planilha de análise de créditos de que trata o DOC. 54, os itens para os quais o contribuinte calculou créditos não estão posicionados nos capítulos e códigos da NCM especificados no referido inciso I do §3º do art. 8º da Lei nº. 10.925/2004, estando correta a reclassificação adotada pela autoridade fiscal, com a concessão do crédito presumido à alíquota de 35%, nos termos do inciso III do mesmo §3º do art. 8º da Lei nº. 10.925/2004. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 DECISÕES NÃO VINCULANTES. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Em relação às decisões administrativas proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF citadas pela impugnante com o intuito de demonstrar posição daquele colegiado favorável à sua tese, cabe esclarecer que são ineficazes para conformar o julgamento de primeira instância, porque não constituem normas complementares de Direito Tributário, nos termos do art. 100, II, do CTN, aplicando-se apenas aos casos concretos em que foram proferidas. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte O Despacho Decisório (fls. 68814/68817) foi proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife/PE, que deferiu parcialmente o crédito pleiteado no Pedido de Ressarcimento da Cofins Não-Cumulativa – Mercado Interno, relativo ao 2º Trimestre de 2011, formalizado no PER/DComp nº 02031.83640.290711.1.1.11-6017, consoante quadro abaixo, homologando até o limite do crédito reconhecido as declarações de compensação vinculadas. A fundamentação das glosas de créditos consta no Relatório Fiscal (fls. 68766/68799), disponibilizado ao contribuinte em conjunto com o Despacho Decisório referido acima. A requerente foi cientificada eletronicamente, em 15/05/2014, por decurso de prazo, do Despacho Decisório, Relatório Fiscal e demais termos do processo, conforme Termo de Ciência por Decurso de Prazo à fl. 68825. Não obstante, apresentou sua Manifestação de Inconformidade em 08/05/2014, conforme data aposta à folha primeira do documento recursal. Conforme exposto no Relatório Fiscal (fls. 68766/68799), para verificação da procedência do direito creditório solicitado, a autoridade fiscal analisou e comparou as seguintes informações: 1 - Valores das rubricas de créditos utilizados nos DACON; 2 - Valores dos Pedidos de Ressarcimento; Fl. 70422DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 3402-003.983 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.734536/2012-72 3 - Legislação base para os créditos solicitados; 4 - Valores das memórias de cálculo dos créditos solicitados nos DACON apresentados pelo contribuinte; 5 - Valores dos arquivos SEF/Sintegra, apresentados pelo contribuinte, e do sistema ReceitanetBx (Sped Fiscal); 6 - Valores dos arquivos contábeis, obtidos no Sistema ReceitanetBx; e 7 - Informações sobre importações do sistema DW Aduaneiro e de pagamentos feitos referentes a importações, no sistema Sinal. Diante da análise de tais informações, a auditoria apresentou suas conclusões demonstrando as glosas com relação aos seguintes itens: (i) Bens para revenda; (ii) Bens utilizados como insumos (iii) Despesas de Energia Elétrica; (iv) Devoluções de Vendas; (v) Outras Operações com Direito a Crédito (Reposições); (vi) Outros Créditos a Descontar, que se subdivide em:  Créditos sobre Bens do Ativo Imobilizado (Depreciação)  Importações  Créditos Presumidos – Atividades Agroindustriais. A Contribuinte foi intimada do v. acórdão de primeira instância (03/03/2021), apresentando tempestivamente (01/04/2021) o Recurso Voluntário e documentos de fls. 69.628 a 70.415, pelo qual pediu o provimento e a reforma parcial da decisão, o que fez com os seguintes requerimentos: a) conforme regra legal, seja determinada a distribuição por dependência, para julgamento concomitante, do presente recurso, também com os Processos Administrativos que tratam dos pedidos de compensação formalizados através dos PER/DCOMP nº 05250.80268.011111.1.1.10-4806 (e-processo nº 10480.734.539/2012-14), 23658.38936.030212.1.1.10-6067 (e-processo nº 10480.734.540/2012-31), 02031.83640.290711.1.1.11-6017 (e-processo nº 10480.734.536/2012-72), 30995.89214.011111.1.1.11-7356 (e-processo nº 10480.734.538/2012-61), 29500.66313.030212.1.1.11-6914 (e-processo nº 10480.734.537/2012-17), em virtude da intrínseca relação de causa e efeito entre a decisão definitiva do processo de reconhecimento do crédito passível de compensação; b) ainda preliminarmente, o reconhecimento da nulidade do Despacho Decisório, em razão da sua obscuridade, pois não explicita de forma detalhada, aplicável a cada trimestre de 2011, os motivos de glosa dos créditos de Contribuição ao PIS e da COFINS, objeto dos PER/DCOMPs apresentados pela RECORRENTE; mas apenas cita os motivos das glosas de forma genérica e incluindo todo o período fiscalizado (abril/2011 a dezembro/2011), impedindo o Fl. 70423DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 3402-003.983 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.734536/2012-72 pleno exercício do direito de defesa da RECORRENTE, em desrespeito ao art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal; c) acaso não aceita a preliminar supra, o que apenas se admite a título de argumentação, no mérito, seja julgada inteiramente procedente o presente RECURSO VOLUNTÁRIO e reconhecidos os créditos de COFINS não- cumulativo - Mercado Interno, objeto da PER/DCOMP nº 02031.83640.290711.1.1.11-6017, referente ao 2º trimestre/2011, nos termos da presente manifestação. Após, através dos despachos de fls. 70.410 a 70.419, o processo foi encaminhado para inclusão em lote e sorteio para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora. 1. Pressupostos legais de admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. 2. Da necessária conversão do julgamento do recurso em diligência Versa o presente litígio sobre pedido de créditos de Contribuição ao PIS e da COFINS informados nos Pedidos de Ressarcimento (PER) de nº 32028.49908.130912.1.1.10- 0943, 05250.80268.011111.1.1.10-4806, 23658.38936.030212.1.1.10- 6067, 02031.83640.290711.1.1.11-6017, 30995.89214.011111.1.1.11-7356 e 29500.66313.030212.1.1.11-6914. Consta em razões recursais que a Contribuinte tem por atividade industrial no setor de alimentos, voltada à fabricação de frango, derivados de frango, rações e ovos, atuando na cadeia produtiva no setor avícola, com processos desde a produção de rações, incubação de pintos, produção de matrizes, criação de aves, abate, conservação de produto e distribuição. Chama a atenção o argumento da defesa de que durante o procedimento de fiscalização, enviou diversos documentos e fluxogramas à autoridade fiscal, para que esta compreendesse com detalhes o desenvolvimento de suas atividades, tanto no que diz respeito ao ciclo produtivo, quanto à extensão de suas atividades de venda dos produtos, centros de distribuição, dentre outros. Todavia, tais elementos não foram trazidos aos autos pela fiscalização, o que prejudica a análise do direito creditório. A Recorrente trouxe em Recurso Voluntário o fluxograma e descrição das etapas de seu processo produtivo, bem como abordou sobre a relevância, essencialidade e demais critérios que argumenta atendidos para fazer jus ao direito creditório. Igualmente é objeto deste litígio créditos presumidos originados de atividades agroindustriais glosados pela Fiscalização, indicando a defesa que há erro na aplicação do percentual sobre as aquisições dos insumos adquiridos, tendo em vista que o percentual do crédito presumido deveria ser de 60% (sessenta por cento) e não de 35% (trinta e cinco) como foi Fl. 70424DF CARF MF Original Fl. 6 da Resolução n.º 3402-003.983 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.734536/2012-72 feito pela fiscalização, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Argumentou, ainda, que não teria o Auditor Fiscal elencado quais produtos não fora aceito o percentual de 60% (sessenta por cento) de crédito presumido, impedindo o direito de defesa da Recorrente. Concluiu o ilustre julgador de primeira instância que (i) Consta relação, por mês, de todas as notas fiscais objeto das glosas de crédito presumido sobre atividades agroindustriais com identificação da data, número da nota, CFOP, NCM, descrição do produto, valor da nota, alíquota utilizada pelo contribuinte, alíquota considerada pela fiscalização, valores dos créditos deferidos, identificação dos fornecedores e motivo da glosa, com base no Relatório Fiscal; (ii) Os itens para os quais calculou-se os créditos não estão posicionados nos capítulos e códigos da NCM especificados no referido inciso I do §3º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, estando correta a reclassificação adotada pela autoridade fiscal, com a concessão do crédito presumido à alíquota de 35%, nos termos do inciso III do mesmo §3º do art. 8º da Lei nº. 10.925/2004. Argumentou a defesa que o § 10 do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, determina que o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos e, com isso, deveria ter sido aplicada a alíquota de 60% de crédito presumido sobre todas as aquisições dos insumos destinados à fabricação dos produtos, de origem animal, elencados no inciso I do § 3º do art. 8º da mencionada Lei nº 10.925/2004. Portanto, temos neste litígio a controvérsia sobre o direito creditório originado tanto da atividade agroindustrial, na forma prevista pela Lei nº 10.925/2004, quanto sobre os critérios incidentes sobre as despesas indicadas como insumos pela Contribuinte. Fato notório que o Superior Tribunal de Justiça decidiu em julgamento ao Recurso Especial nº 1.221.170/PR, processado em sede de recurso representativo de controvérsia, que o conceito de insumo, para efeito de tomada de crédito das contribuições na forma do artigo 3º, inciso II das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando a imprescindibilidade ou a importância de determinado item (bem ou serviço) para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Diante dos esclarecimentos apresentados detalhadamente pela Recorrente em razões recursais, corroborados por vasta documentação acostada aos autos, entendo que, em respeito ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, na busca da verdade real no processo administrativo tributário, é cabível oportunizar à defesa uma melhor análise pela Unidade de Origem quanto ao crédito pleiteado. Da mesma forma, considerando os documentos comprobatórios trazidos aos autos pela Contribuinte, é imprescindível a análise da Unidade Preparadora sobre a participação dos itens identificados como partes e peças indicadas como bens do ativo imobilizado utilizados no processo produtivo da empresa, bem como o tempo de vida útil de tais itens, esclarecendo se há alguma contribuição quanto ao aumento de vida útil das máquinas ou equipamentos aos quais são aplicados e cujas manutenções são realizadas. Fl. 70425DF CARF MF Original Fl. 7 da Resolução n.º 3402-003.983 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.734536/2012-72 Para tanto, nos termos permitidos pelos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72 cumulados com artigos 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, proponho a conversão do julgamento do recurso em diligência, para que a Unidade de Origem tome as seguintes providências: a) Intimar a Recorrente para, dentro de prazo razoável: a.1) Demonstrar, de forma detalhada e com a devida comprovação, o processo produtivo desempenhado com relação às mercadorias classificadas nos Capítulos abrangidos pelo caput do art. 8º da lei 10.925/2004, comprovando os requisitos para que faça jus ao respectivo crédito presumido, inclusive com relação aqueles adotados pela Instrução Normativa SRF nº 660/2006; a.2) Demonstrar, de forma detalhada e com a devida comprovação, o enquadramento das despesas (bens e serviços) que deram origem aos créditos glosados pela Fiscalização e mantidos pela DRJ, bem como a utilização em seu processo produtivo, considerando o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, delimitados no r. voto da Eminente Ministra Regina Helena Costa em julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, bem como na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, e Parecer Normativo Cosit nº 5, de17 de dezembro de 2018; a.3) Demonstrar, de forma detalhada e com a devida comprovação, a participação dos itens identificados como bens (partes e peças) e serviços de manutenção em cada etapa do processo produtivo, bem como o tempo de vida útil de tais itens, esclarecendo sobre a necessidade e se há alguma contribuição quanto ao aumento de vida útil das máquinas ou equipamentos aos quais são aplicados e cujas manutenções são realizadas (em quanto tempo); b) Realizar eventuais diligências que julgar necessárias para a constatação especificada nesta Resolução; c) Elaborar Relatório Conclusivo acerca da apuração das informações solicitadas no Item “a”, manifestando sobre os documentos apresentados pela Recorrente, bem como apurando a certeza e liquidez dos créditos pleiteados: c.1) Com relação ao Item “a.1”, em sendo comprovado o direito creditório pela Recorrente, proceder à revisão e quantificação do crédito presumido, elaborando planilha e demonstrando os limites de aproveitamento e a metodologia de cálculo adotada, com a respectiva fundamentação legal; c.2) Com relação ao Item “a.2”, deverá ser analisando o enquadramento de cada bem e serviço no conceito de insumo delimitado em julgamento ao REsp nº 1.221.170/PR, bem como na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN- MF, e Parecer Normativo Cosit nº 5, de17 de dezembro de 2018, se for o caso; c.3) Com relação ao Item “a.3”, elaborar planilha de cálculo da depreciação equivalente a parcela de cada bem ou serviço, indicando detalhadamente a metodologia de cálculo adotada para cada bem e a respectiva fundamentação legal; d) Recalcular as apurações e resultado da diligência; Fl. 70426DF CARF MF Original Fl. 8 da Resolução n.º 3402-003.983 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10480.734536/2012-72 e) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Após cumprida a diligência, com ou sem manifestação da parte, retornem os autos para julgamento. É a proposta de resolução. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Fl. 70427DF CARF MF Original

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Numero do processo: 12266.721263/2015-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 10/11/2010 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. OMISSÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte em virtude da ausência de motivação conforme determina o art. 59 do Decreto nº 70.235/1972
Numero da decisão: 3401-013.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, tendo em vista a verificação de cerceamento de defesa, em razão de não ter sido analisado o argumento relativo às retificações. (assinado digitalmente) Ana Paula Pedrosa Giglio – Presidente-substituta (assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior – Relator e Vice-presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Celso Jose Ferreira de Oliveira, Laercio Cruz Uliana Junior, Mateus Soares de Oliveira, Catarina Marques Morais de Lima (suplente convocado(a)), George da Silva Santos, Ana Paula Pedrosa Giglio (Presidente).
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR

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conteudo_txt : Metadados => date: 2024-06-20T18:36:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-06-20T18:36:38Z; Last-Modified: 2024-06-20T18:36:38Z; dcterms:modified: 2024-06-20T18:36:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-06-20T18:36:38Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-06-20T18:36:38Z; meta:save-date: 2024-06-20T18:36:38Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-06-20T18:36:38Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-06-20T18:36:38Z; created: 2024-06-20T18:36:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2024-06-20T18:36:38Z; pdf:charsPerPage: 1702; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-06-20T18:36:38Z | Conteúdo => S3-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 12266.721263/2015-17 Recurso Voluntário Acórdão nº 3401-013.075 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2024 Recorrente MAERSK BRASIL BRASMAR LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 10/11/2010 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. OMISSÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte em virtude da ausência de motivação conforme determina o art. 59 do Decreto nº 70.235/1972 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, tendo em vista a verificação de cerceamento de defesa, em razão de não ter sido analisado o argumento relativo às retificações. (assinado digitalmente) Ana Paula Pedrosa Giglio – Presidente-substituta (assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior – Relator e Vice-presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Celso Jose Ferreira de Oliveira, Laercio Cruz Uliana Junior, Mateus Soares de Oliveira, Catarina Marques Morais de Lima (suplente convocado(a)), George da Silva Santos, Ana Paula Pedrosa Giglio (Presidente). Relatório Trata-se de aplicação de multa pela suposta infração prevista no art. 107, IV, “e”, do Dec.-lei 37/66, com a redação da Lei 10.833/03. Assevera a fiscalização que o interessado registrou o conhecimento eletrônico de modo intempestivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 6. 72 12 63 /2 01 5- 17 Fl. 545DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-013.075 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.721263/2015-17 A contribuinte apresentou sua defesa, combate o Auto de Infração, após, seguindo a marcha processual normal, foi julgada improcedente a defesa apresentada pela contribuinte por entender que diante da Ação Coletiva ajuizada pela associação que pertence a contribuinte, devendo ser reconhecida a concomitância. Inconformada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário repisando os mesmos argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior, Relator. Trata-se de recurso de voluntário interposto e merece ser conhecido. Inicialmente é a lide é travada no atraso de prestação de informação de carga decorrentes da operação no comércio exterior. 1 NULIDADE E CERCEAMENTO DE DEFESA Nota-se por meio de excertos extraídos do seu relatório uma imprecisão nas informações concernentes aos argumentos constantes da impugnação e aqueles ali reproduzidos Já no voto condutor da decisão, percebe-se que em sua defesa a contribuinte alegou que houve prestação de informação tempestivas e posteriormente ao atraque no navio, retificou tais informações. O voto condutor em linhas gerais se conduziu em dar concomitância diante do ajuizamento de ação coletiva por associação que a contribuinte faz parte. O tema lá debatido foi tão somente referente a denúncia espontânea. Ocorre, que o cerceamento de defesa resta claro quando a fiscalização deixa de analisar os argumentos de que houve prestação de informação tempestiva e a retificação ocorrendo após o atraque do navio. Pois, se partimos da premissa que houve a prestação de informação em tempo não há que se falar em denúncia espontânea. Pois a informação a prestação foi prestada em tempo nos termos da súmula 154 do CARF. Assim, deve-se ser analisado se houve ou não a prestação das informações tempestivas, em caso da intempestividade, daí sim, estaria em discussão a questão da denúncia espontânea. Nesse sentido: Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2009 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. OMISSÃO. AUSÊNCIA DE Fl. 546DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-013.075 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12266.721263/2015-17 MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte em virtude da ausência de motivação conforme determina o art. 59 do Decreto nº 70.235/1972 Numero da decisão: 3301-013.786 Constata-se, portanto, a caracterização do vício instransponível de motivação específica nos termos constantes do voto condutor da decisão recorrida. Resta-se, portanto, configurada a nulidade da citada decisão em virtude da preterição do direito de defesa segundo o entendimento deste relator, conforme dispõe o art. 59 do Decreto no 70.235. Reconheço a preliminar de cerceamento de defesa, por conseguinte decretar a nulidade do acórdão recorrido e, por conseguinte, determinar o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão em que sejam analisados os argumentos constantes da impugnação apresentada. Assim, restam prejudicados os demais argumentos da contribuinte. 2 CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por acatar a preliminar de cerceamento de defesa, por conseguinte decretar a nulidade do acórdão recorrido. (documento assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior, Relator Fl. 547DF CARF MF Original

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Numero do processo: 10983.900060/2008-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO RECONHECIDO EM DILIGÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO. É cabível a compensação de indébito reconhecido em diligência, mesmo quando a DCTF é retificada após a entrega da Declaração de Compensação, porque a confissão de débito contida na primeira é relativa e admite provas em contrário.
Numero da decisão: 3401-001.781
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.900060/2008­27  Acórdão n.º 3401­001.781   S3­C4T1  Fl. 107          2 Compensação  (PER/DCOMP)  nº  41236.47940.200104.1.7.04­8902,  transmitido  em  20/01/2004, que retifica uma DCOMP anterior, de modo a informar um crédito de PIS no valor  original de R$ 1.489,73 (fl. 13), recolhido em 15/01/2003 e referente a pagamento no período  de  apuração  12/2002.  Os  débitos  compensados  são  do  próprio  PIS,  regime  não­cumulativo,  períodos 06/2003 e 09/2003.   Na  Manifestação  de  Inconformidade  a  contribuinte  afirma  que  errou  ao  declarar o valor do débito do PIS de 12/2002, ocasionando divergências com o crédito utilizado  no  PER/DCOMP.  Com  o  intuito  de  regularizar  a  situação,  apresentou  em  28/03/2008  a  retificação  da  referida  DCTF,  ocasião  em  que  corrigiu  os  valores  do  débito  e  do  crédito  vinculado  ao  tributo  citado,  de  modo  que  foi  gerado  um  crédito  utilizado,  em  parte,  no  PER/DCOMP em questão.  A 4ª Turma da DRJ manteve o indeferimento, por não considerar para efeito  da compensação pleiteada a retificação da DCTF.   No Recurso Voluntário,  tempestivo,  a  contribuinte  insiste  na  compensação,  argüindo  que  a  circunstância  de  a  DCTF  retificadora  ter  sido  encaminhada  após  o  PER/DCOMP não invalida os créditos a que tem direito.  Ressalta  que  a  Instrução Normativa SRF nº  482/2004,  no  seu  art.  10,  § 1º,  considera  a  DCTF  originária  totalmente  substituída  pela  retificadora,  cita  doutrina  e  jurisprudência  relacionadas com a argumentação  levantada e, ao final,  requer a homologação  da compensação.  Este colegiado determinou diligência visando análise da DCTF retificadora,  retornando os autos com as seguintes informações (fls. 102/103):  ­  a  DCTF  retificadora  foi  acatada  e  substituiu  a  anterior,  de  modo  que  o  débito do PIS do período de apuração 12/2002 nela declarado foi reduzido para R$ 349,22;  ­ o crédito decorrente do pagamento indevido foi utilizado em duas DCOMP,  sob os nºs 41236.47940.200104.1.7.04­8902 (a deste processo) e  40507.84436.140104.1.3.04­ 2537 (a do processo nº 10983.901712/2008­41);  ­ como foram realizados dois recolhimentos, nos valores de R$ 3.328,69 e R$  1.489,73,  e  o  primeiro  é  suficiente  à  quitação  do  débito,  o  DARF  de  R$  1.489,73  (valor  original informado na DCOMP deste processo) constitui pagamento a maior.  Cientificada do resultado da diligência a Recorrente não se manifestou, como  informado à fl. 105.  É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado.  Voto             Após  a  realização  da  diligência  ­  segundo  “a  qual  DCTF  retificadora,  referente  ao  4º  trimestre/2002,  apresentada  em  28/03/2008,  foi  acatada,  substituindo  a  declaração anterior” (fl. 105) ­, a solução do litígio ficou deveras facilitada.   Fl. 109DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.900060/2008­27  Acórdão n.º 3401­001.781   S3­C4T1  Fl. 108          3 Não  tendo  havido  contestação  ao  resultado  da  diligência,  restou  certo  um  indébito no montante de R$ 1.489,73,  decorrente de pagamento a maior do PIS no período de  apuração  12/2002  e  que  utilizado  na  liquidação  dos  débitos  das  duas DCOMP detectadas:  a  41236.47940.200104.1.7.04­8902  (deste  processo)  e  a  40507.84436.140104.1.3.04­2537  (do  processo nº 10983.901712/2008­41).   O  processo  nº  10983.901712/2008­41  foi  julgado  por  este  Colegiado  em  10/11/2011, dando­se provimento  ao  recurso voluntário  “para  reconhecer o  indébito  apurado  pela  diligência,  a  ser  utilizado  na  compensação  requerida”  (Acórdão  nº  3401­001.635).  Naquele, o crédito de PIS informado é igual a R$ 248,98.   Diante  das  duas  DCOMP  cabe  aproveitar  o  indébito  reconhecido  para  liquidar os débitos nelas declarados, liquidando­se primeiro o informado na primeira DCOMP  e, em seguida, utilizando­se o saldo credor na quitação (total ou parcial) do outro débito.  Como bem observado pelo Auditor­Fiscal que realizou a diligência, as duas  DCOMP deviam ser  tratadas num único processo  (ou então devia  ser apensado este àquele).  Todavia, diante do julgamento já realizado o importante é considerar na liquidação do acórdão  deste  que parte  do  crédito  reconhecido,  no  valor  original  de R$ 1.489,73  e  referente  ao PIS  recolhido em 15/01/2003, já foi utilizado.  Quanto à questão da retificação tardia da DCTF, após determinada DCOMP,  cabe repetir aqui o já disse naquele processo:  a DRJ, ao interpretar que só caberia homologar a  compensação caso a retificação da DCTF fosse anterior, desprezou que a confissão de dívida  contida na primeira é relativa.  Como se sabe, a dispensa da constituição do crédito  tributário de ofício, na  esteira  da  jurisprudência  do  Supremo  Tribunal  Federal  e  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  encontra amparo no instituto da confissão,  tratada nos 348, 353, 354 e 585,  II, do Código de  Processo Civil. Segundo esses dispositivos há confissão quando uma parte (sujeito passivo da  obrigação  tributária  principal)  admite  a  verdade  de  um  fato  (ser  devedora  do  tributo  confessado), contrário ao seu interesse e favorável à outra parte (Fisco), o que pode ser feito de  forma  judicial  ou  extrajudicial.  A  confissão  extrajudicial  feita  por  escrito  à  parte  contrária,  como se dá mediante a DCTF, ou se deu por meio da DIPJ até o ano­calendário 1998, tem o  mesmo  efeito  da  judicial. Assim,  em  sede  tributária  a  confissão  de  dívida  serve  como  título  executivo extrajudicial que admite provas contrárias, especialmente a de não ocorrência do fato  gerador ou a de extinção do crédito tributário confessado.   Na  presente  situação  restou  demonstrado  que  a  confissão  posta  na  DCTF  original  merece  reforma,  à  luz  do  levantado  pela  diligência,  incluindo  os  recolhimentos  efetuados  pela  contribuinte.  Daí  ter  sido  acatada  a  DCTF  retificadora,  de  modo  que  restou  comprovado pagamento a maior.  Pelo exposto, dou provimento parcial ao Recurso para reconhecer o indébito  apurado  pela  diligência,  no  valor  original  de  R$  1.489,73  e  relativo  ao  PIS  recolhido  em  15/01/2003,  ser  utilizado  na  liquidação  dos  débitos  da  DCOMP  deste  processo  (nº  41236.47940.200104.1.7.04­8902)  e  do  processo  nº  10983.901712/2008­41  (DCOMP  nº  40507.84436.140104.1.3.04­2537), quitando­se inicialmente o débito da primeira DCOMP.    Emanuel Carlos Dantas de Assis   Fl. 110DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.900060/2008­27  Acórdão n.º 3401­001.781   S3­C4T1  Fl. 109          4                                 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS

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Numero do processo: 11052.000128/2010-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou rendimentos já tributados exclusivamente na fonte. SALDO EM ESPÉCIE. Valores declarados como dinheiro em espécie no final de um ano-calendário só poderão ser considerados como origem de recursos para o ano-calendário seguinte mediante prova inconteste de sua existência. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aplicam a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão.
Numero da decisão: 2102-003.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Jose Marcio Bittes - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles (suplente convocado(a)), Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Jose Marcio Bittes (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO ALEXANDRE LAZARO PINTO

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou rendimentos já tributados exclusivamente na fonte. SALDO EM ESPÉCIE. Valores declarados como dinheiro em espécie no final de um ano-calendário só poderão ser considerados como origem de recursos para o ano-calendário seguinte mediante prova inconteste de sua existência. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aplicam a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão.

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SALDO EM ESPÉCIE. Valores declarados como dinheiro em espécie no final de um ano- calendário só poderão ser considerados como origem de recursos para o ano-calendário seguinte mediante prova inconteste de sua existência. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aplicam a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Jose Marcio Bittes - Presidente (documento assinado digitalmente) Fl. 114DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.359 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11052.000128/2010-64 2 Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles (suplente convocado(a)), Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Jose Marcio Bittes (Presidente). RELATÓRIO Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Trata o presente processo de crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração (fls. 15/20) relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2006 (ano 2005), no valor total de R$ 14.480,91. A Fiscalização apurou a omissão de rendimentos, tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, em decorrência da verificação de excesso de aplicações sobre origens de recursos da Contribuinte e de seu cônjuge Ricardo Barbosa Silveira de Souza – CPF 361.458.90720 – processo no 11052.000020/201071,não respaldado por rendimentos declarados ou comprovados, e tributados na proporção de 50% para cada cônjuge, conforme demonstrado abaixo: Fato Gerador Valor Tributável Multa(%) 31/01/05 R$ 18.772,34 75,00 28/02/05 R$ 5.157,64 75,00 O Termo de Verificação Fiscal se encontra às fls. 21/24 e os fluxos financeiros mensais que apuraram o acréscimo patrimonial a descoberto constam às fls. 25/28. Cientificada do Auto de Infração em 21/06/10 (fl. 30), a Interessada apresentou, em 21/07/10, a impugnação de fls. 33/40, acompanhada dos documentos às fls. 41/69, na qual expôs as alegações a seguir reproduzidas, em síntese. Alega que o saldo de dinheiro em espécie no valor de R$ 250.000,00, não considerado como origem de recursos pela falta de comprovação da efetiva existência desse numerário, foi devidamente declarado na tempestiva Declaração de Ajuste Anual do exercício anterior de 2005 de seu cônjuge (fls. 65/67), não tendo sido contestado pela RFB. Alega que cabe ao Fisco provar de forma inconteste a inexistência do numerário, o que não ocorreu, pois a Autoridade Lançadora inverteu equivocadamente o ônus da prova. Afirma que desconsiderar arbitrariamente esse valor é tornar sem efeito prático seu campo correspondente na Declaração de Bens e Direitos, e que a prova da existência do numerário é praticamente impossível. Reproduz ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes. A decisão de piso foi desfavorável à pretensão impugnatória, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 115DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.359 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11052.000128/2010-64 3 Exercício: 2006 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou rendimentos já tributados exclusivamente na fonte. SALDO EM ESPÉCIE. Valores declarados como dinheiro em espécie no final de um ano-calendário só poderão ser considerados como origem de recursos para o ano-calendário seguinte mediante prova inconteste de sua existência. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aplicam a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Cientificado da decisão de primeira instância em 23/01/2015, o sujeito passivo interpôs, em 24/02/2015, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) a Autoridade Fiscal não refutou as informações trazidas na Declaração de Ajuste Anual (DAA), mas se limitou a exigir da recorrente a comprovação da existência de valores que lhe eram disponíveis há 5 anos a qual além da própria declaração, já havia apresentado extratos bancários, informes de todos os seus rendimentos e, principalmente, o Livro Diário da empresa Integrar Climatização; b) caberia a D. Autoridade Fiscal provar a inexistência dos valores declarados sobretudo na hipótese em que contribuinte acosta aos autos extratos bancários, informe de rendimentos e o Livro Diário da empresa Integrar Climatização; c) a Autoridade Fiscal não comprovou a inexistência dos numerários declarados no valor de R$ 250.000,00 declarados em “dinheiro em espécie” na DAA anterior É o relatório. VOTO Conselheiro(a) Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O litígio recai sobre a comprovação de inexistência de acréscimo patrimonial a descoberto de pessoa física e a prova da existência de saldo em espécie para fazer frente ao citado acréscimo patrimonial a descoberto. Como bem demonstrou o autor do feito fiscal, em relação ao dinheiro em espécie, não foi comprovada a existência do recurso (R$ 250.000,00), mas levou em conta um valor Fl. 116DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.359 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11052.000128/2010-64 4 superior de R$ 268.240,03, proveniente de resgates de aplicações financeiras não declarados pelo cônjuge nos anos de 2004 e 2005. A contribuinte não pode transferir o saldo de um ano para o seguinte apenas por registrá-lo na declaração, sendo necessário provar a efetiva disponibilidade dos recursos. A exigência é reforçada pela detecção de imprecisões nas declarações de bens do cônjuge, incluindo a falta de registro de aplicações financeiras e discrepâncias nos saldos de dinheiro em espécie. A fiscalização apontou que a contribuinte não apresentou documentos comprovativos da existência do numerário alegado, e, portanto, o lançamento de omissão de rendimentos deve ser confirmado devido à falta de comprovação da variação patrimonial. Tendo em vista que a recorrente trouxe em sua peça recursal basicamente os mesmos argumentos deduzidos na impugnação, nos termos do art. 57, § 3º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 04/06/2017, reproduzo no presente voto a decisão de 1ª instância com a qual concordo e que adoto: Conforme se verifica, o lançamento que aqui se aprecia tem por base acréscimo patrimonial a descoberto. A tributação do acréscimo patrimonial a descoberto está expressamente especificada no Código Tributário Nacional CTN, art. 43, II, e no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, aprovado pelo Decreto no 3.000/99, arts. 58, XIII, 806 e 807: CTN Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. RIR/99 Art. 58. São também tributáveis (Lei no 7.713/88, art. 3o, § 4o); ................................................................................................................................... XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não-tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. .................................................................................................................................. Art. 806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio. (Lei no 4.069/1962, art. 51, § 1o). Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física será tributado mediante recolhimento mensal obrigatório (art. 115, § 1o, e), quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que Fl. 117DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.359 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11052.000128/2010-64 5 aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. (Lei no 4.069/1962, art. 52) Da leitura da legislação acima, verifica-se que a Autoridade Fiscal pode exigir da Contribuinte esclarecimentos acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, cabendo à segunda o ônus de provar que o acréscimo patrimonial teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. Trata-se de uma presunção legal juris tantum, ou relativa, que provoca a chamada “inversão do ônus da prova”, tocando à Interessada, neste caso, afastar os valores apurados pela Fiscalização nos fluxos financeiros. Nesse ponto, a Impugnante alega que a omissão de rendimentos seria afastada pela consideração do saldo de dinheiro em espécie no valor de R$ 250.000,00, devidamente declarada por seu cônjuge no exercício anterior de 2005 (fls. 66). Acerca desse valor, vejamos as considerações feitas pela Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal (fls. 23/24): Quanto ao dinheiro em espécie, no valor de R$ 250.000,00, deixamos de considerá- lo como recursos a esse titulo, "Dinheiro em espécie", uma vez que não foi comprovada a existência dos mesmos. Todavia, verificamos que essa quantia acoberta as aplicações financeiras mantidas nos bancos Unibanco e Citibank cujos saldos em 31.12.2004 superavam essa quantia, valores esses que foram resgatados em janeiro de 2005, sendo os valores de resgates Unibanco, utilizados na compra, a vista, do apartamento já citado, bem como de despesas complementares, constantes do instrumento de aquisição. Conforme constatamos, os valores constantes dos instrumentos de aquisição do imóvel coincidem em datas e valores com os cheques emitidos, conta UNIBANCO, compensados após resgates das referidas aplicações. Verificamos através dos extratos bancários apresentados, que o contribuinte tinha saldos, em 31.12.2004, de aplicações no banco Unibanco, resgatados em 24.01.2005, nos valores de R$ 147.240,04 e R$ 54.999,99, valores esses, com os quais, acobertou a compra do apto 909, BL 1, da rua Mario Agostinelli n° 150, no valor de R$ 180.545,61 e mais R$ 7.600,00, referente à despesas complementares, conforme cheques de n° 0301073 e 0301080, compensados no Unibanco nos dias 27.01.2005 e 31.01.2005, respectivamente. Observamos que o contribuinte não declarou os saldos das contas (conta-corrente e aplicação no fundo CitiMark AdvPrime) mantidas no CITIBANK, cujo valor de R$ 66.000,00, foi resgatado do fundo em 27.01.2005, o qual consideramos como recursos no quadro demonstrativo da evolução patrimonial mensal, com base nos extratos bancários apresentados pelo contribuinte. Também não foram declarados pelo contribuinte os saldos em aplicações financeiras, referentes à conta mantida no UNBANCO. Dessa forma, entendemos já terem sido considerados os recursos declarados pelo contribuinte, como dinheiro em espécie, no valor de R$ 250.000,00, uma vez que não constou de suas declarações de ajuste dos exercícios de 2005 e 2006, anos-calendário de 2004 e 2005, respectivamente, quaisquer saldo em aplicações financeiras no Unibanco e no Citibank, embora conste dos extratos bancários por ele apresentados, que são os seguinte saldos em 31.12.2004: Poupança inteligente, R$ 79.582,45; Superpoupe, R$ 116.011,72; e CitiMark Fl. 118DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.359 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11052.000128/2010-64 6 AdvPrime, R$ 82.818,52, dos quais, R$ 66.000,00, foi resgatado em 27.12.2005, conforme extrato apresentado. Observamos que o contribuinte declarou saldo zero na conta-corrente Unibanco em 31.12 2004, porém, consta do extrato bancário, um saldo de R$ 13.118,36, o qual consideramos como recursos, conforme se verifica no quadro demonstrativo da evolução patrimonial mensal, anexo ao presente termo. Dessa forma, fica evidenciado que incluímos no quadro demonstrativo de análise da evolução patrimonial mensal (fluxo financeiro) recursos não constantes da declaração de ajuste do ano calendário de 2005, proveniente do ano anterior, conforme acima descrito, cujos resgates comprovados foram considerados, com base em extratos bancários apresentados pelo contribuinte. Constata-se, assim, que a Fiscalização não considerou como recursos o valor declarado em espécie de R$ 250.000,00 pela falta de comprovação de sua existência, considerando, porém, o valor de R$ 268.240,03, isto é, superior ao pleiteado, correspondente a resgates de aplicações financeiras não declarados pelo cônjuge, tanto no ano de 2005 em análise quanto no ano anterior de 2004. Não se pode acatar simplesmente a pretensão da Contribuinte em transferir o saldo de recursos apurados no final de um ano para o ano seguinte somente pelo seu registro na declaração de ajuste. Isto porque, vale lembrar que a passagem de recursos de um exercício financeiro para outro só é admitida na hipótese de haver provas da efetiva disponibilidade do quantum requerido, a teor do que determina a Lei no 4.069/1962, art. 51, §1o. Esta exigência é reforçada quando se detectam imprecisões nas informações prestadas nas declarações de bens de titularidade do cônjuge dos anos em foco, a iniciar pela ausência de qualquer registro quanto às aplicações financeiras do Unibanco e do Citibank analisadas pela Fiscalização em valor semelhante ao pleiteado. Note-se, também, que em 2004 o cônjuge informa ter iniciado o ano com o saldo de dinheiro em espécie de R$ 250.000,00 e encerrado com o saldo de R$ 500.000,00 (fl. 311). Já no início de 2005, declara divergentemente apenas o saldo de R$ 250.000,00 (fl. 6), resultando na diferença de relevantes R$ 250.000,00. Outra imprecisão, esta apontada pela Fiscalização, é a referente ao saldo inicial de sua conta corrente do Unibanco em 2005, declarado em valor menor que o constante na declaração do ano de 2004 e no extrato bancário, mas devidamente ajustado na planilha de autuação. Quanto aos saldos totais dos bens e direitos em cada ano, verificamos as seguintes divergências: Ano Saldo inicial Saldo final 2004 918.219,05 1.023.822,49 2005 767.621,40 1.141.331,27 Assim, contata-se que não basta a simples consignação de valores na declaração de rendimentos, pois, em se tratando de matéria tributária, os fatos devem ser devidamente comprovados com elementos que não deixem margem a dúvida quanto à sua consistência. Compete à Interessada e a seu cônjuge o ônus de provar que não se consignou inadvertidamente os saldos de dinheiro em espécie, justificando também as imprecisões Fl. 119DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.359 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11052.000128/2010-64 7 verificadas, quando intimados pela Fiscalização, que tem a atribuição legal para verificar a autenticidade de todos os fatos declarados. Na impugnação, a Interessada não trouxe sequer um documento que comprove a real existência do numerário alegado e, portanto, não há como considera-lo como origem dos depósitos bancários. Não tendo a Interessada conseguido comprovar a variação patrimonial a descoberto apurada, merece ser confirmado o lançamento de omissão de rendimentos. Por fim, no que tange às decisões administrativas às quais a Contribuinte se refere em sua petição, há que se esclarecer que o entendimento exposto porventura nessas decisões fica restrito às partes de tais processos, não se cogitando da extensão de seus efeitos jurídicos ao presente caso. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar- lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto Fl. 120DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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4685478 #
Numero do processo: 10909.002300/2003-12
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2005
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. RENÚNCIA. O ajuizamento de ação judicial anterior ou posterior ao procedimento fiscal importa renúncia à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, uma vez que o ordenamento jurídico brasileiro adota o princípio da jurisdição una, estabelecido no inciso XXXV do artigo 5º da Carta Magna. Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 204-00.713
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por opção pela via judicial.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ADRIENE MARIA DE MIRANDA

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Ministério da Fazenda -fp-ti:e < Segundo Conselho de Contribuintes fri ti> Publicado no Diário Oficial da União Processo n' : 10909.002300/2003-12 IDe .3.1 / Lag- Recurso n2 : 127.979 Acórdão : 204-00.713 VISTO jefa"--9 Recorrente : INLOGS LOGÍSTICA LTDA. Recorrida : DRJ em Juiz de Fora - MG NORMAS PROCESSUAIS. RENÚNCIA. O ajuizamento de MIN. DA FA7EN OA - 2" CC ação judicial anterior ou posterior ao procedimento fiscal CONFERE COM O ORtGiNA L importa renúncia à apreciação da mesma matéria na esfera BRASIL» ojj_ administrativa, uma vez que o ordenamento jurídico brasileiro adota o princípio da jurisdição una, estabelecido no inciso XXXV do artigo 5° da Carta Magna. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos ,cle recurso interposto por INLOGS LOGÍSTICA LTDA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara tdo, Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por opção pela via judicial. Sala das Sessões, em 08 de novembro de 2005. a 4 ,east' ta/ r• -feique Pinheiro To-Werr Presidente teu. ' - ato Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Flávio de Sá Munhoz, Nayra Bastos Manatta,1 Rodrigo Bemardes de Carvalho, Júlio César Alves Ramos e Sandra Barbon Lewis. 1 * • , $ CC-MF ra Ministério da Fazenda % Segundo Conselho de Contribuintes MIN. GA rAntin n • 2" cc n. comr€RE Com o OSUGINAL. Processo ti* : 10909.002300/2003-12 09.0e 3,2(gRASILI A — '— Recurso ng : 127.979 Acórdão : 204-00.713 v. TC Recorrente : 1NLOGS LOGÍSTICA LTDA. RELATÓRIO • Trata-se de pedido de ressarcimento do crédito-prêmio de IPI previsto no art. 1° do Decreto-Lei n°491/69 apurado nos anos de 2001 a 2003. A DRF em Cuiabá - MT indeferiu liminarmente o pleito com fulcro no disposto no art. 1° da IN SRF 226/2002. Insurgiu-se a contribuinte apresentando a manifestação de inconformidade de fls. 28/44, a qual foi indeferida por acórdão assim ementado: RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRÊMIO DE IPI. Indefere-se, liminarmente, a solicitação de ressarcimentzér. . de crédito prêmio, em atendimento à determinação do artigo V da IN SRF 226,2002. Solicitação Indeferida. (fl. 46) Inconformada, reagiu a contribuinte interpondo o recurso voluntário de fls. 51/73, no qual sustenta, em suma, que tem direito ao benefício, porquanto aí portarias do Ministério da Fazenda que extinguiram o crédito-prêmio são inconstitucionais. Haja vista o julgamento na sessão no dia 20 de outubro do Recurso Voluntário n° 130.243, no qual foi noticiado que a autuada ajuizou ação judicial questionando a mesma exação objeto do presente pedido de ressarcimento, foi requerida a juntada aos autos de cópia do acórdão ali proferido, bem como dos documentos a que se referia. Juntados os documentos solicitados, os autos foram-me novamente entregues para julgamento. É o relatório. (9V 2 • • r • CC-MF Ministério da Fazenda rvt rrun-,?,,nn r n. - Segundo Conselho de Contribuintes ';;;Pfitf5 cwori- in ;AM O Oriv.ent BRASIL-I A o Processo n2 : 10909.00230012003-12 Recurso n2 : 127.979 — ---- - Acórdão n2 204-00.713 VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA ADR1ENE MARIA DE MIRANDA Apesar de preencher os requisitos mínimos de admissibilidade, o recurso não merece conhecimento: Isso porque a matéria nele abordada encontra-se submetida ao crivo do Poder Judiciário através do Mandando de Segurança n°2003.72.08.008199-6, o que obsta o seu exame pela esfera administrativa por força do princípio da jurisdição una, estabelecido no inciso XXXV do artigo 5° da Carta Magna. Com efeito, no presente feito pleiteia a contribuinte do crédito-prêmio de IPI previsto no art. 1° do Decreto-Lei n° 491/69 apurado nos anos de 2Q01 a 2003. E, conforme se verifica pela sentença acostada aos autos proferida no citado mandado de segurança, pede exatamente "o reconhecimento do direito ao crédito-prêmio de expèrtação de que trata o artigo 1°, do Decreto-lei n°491/69, relativo às operações promovidas no-período não abrangido pela prescrição, conforme jurisprudência do CoL STI. do Eg. 7RF da 2° Região, materializada no acórdão unânime proferido na Apelação Cível n° 2000.02.01.066971-8/RJ, valores esses que deverão ser atualizado monetariamente, com inclusão dos expurgos inflacionários havidos no período, pacificamente reconhecidos pela STF e STJ e acrescidos &Juros calculados pela Taxa SELIC, na forma do artigo 39, § 4°, da Lei n°9.250/95, sendo-lhes &segurada a sua utilização de acordo e nas hipóteses legalmente previstas e regulamentodor nos artigos 8°, 12 e 15 da 1N/SRF n°21/97, com as alterações introduzidas pelas IN /SRF es 37/97 e 73/97.". Diante do exposto, voto por não conhecer o recurso voluntário interposto. É COMO voto. Sala das Sessões, em 08 de novembro de 2005. 111 6.1 • . • • Lir% • 415e õ Yr) DE IA 3 Page 1 _0009500.PDF Page 1 _0009600.PDF Page 1

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Numero do processo: 13162.720082/2015-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Uma vez não supridas as deficiências probatórias apontadas na peça fiscal como motivadoras do lançamento ora em lide, há se manter integralmente as respectivas exigências.
Numero da decisão: 2102-003.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Jose Marcio Bittes - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles (suplente convocado(a)), Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Jose Marcio Bittes (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO ALEXANDRE LAZARO PINTO

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PENSÃO ALIMENTÍCIA. Uma vez não supridas as deficiências probatórias apontadas na peça fiscal como motivadoras do lançamento ora em lide, há se manter integralmente as respectivas exigências. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Jose Marcio Bittes - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles (suplente convocado(a)), Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Jose Marcio Bittes (Presidente). RELATÓRIO Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Fl. 61DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.333 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13162.720082/2015-96 2 Para o contribuinte, já qualificado nos autos, foi lavrada em 22/06/2015, Notificação de Lançamento de fls. 16/21, que lhe exige o recolhimento de um crédito tributário no valor de R$ 7.654,68, assim discriminado: R$ 4.073,59 de imposto de renda pessoa física – suplementar (sujeito à multa de ofício); R$ 3.055,19 de multa de ofício (passível de redução); e R$ 525,90 de juros de mora (calculados até junho de 2015). Decorreu o citado lançamento da revisão efetuada na Declaração de Ajuste Anual – DAA – entregue pelo contribuinte, em 24/04/2014, relativa ao exercício financeiro de 2014, ano-calendário de 2013, quando foi apontada a infração, conforme a Descrição dos Fatos de fl. 18: · Dedução Indevida de Pensão alimentícia, no valor de R$ 16.272,00. Com a seguinte complementação: Cientificado em 02/07/2015 (AR de fl. 23), apresentou impugnação (fl. 03), em 27/07/2015, com a seguinte argumentação: Anexou documentação. É o relatório. Os membros da 6ª Turma de Julgamento da DRJ/JFA, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a impugnação (Acórdão 09-71.670), mantendo o crédito tributário exigido. Cientificado da decisão de primeira instância em 19/08/2019, o sujeito passivo interpôs, em 11/09/2019, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) o acordo homologado judicialmente para o pagamento de pensão alimentícia está comprovado nos autos; b) os pagamentos de pensão alimentícia estão comprovados nos autos. É o relatório. Fl. 62DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.333 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13162.720082/2015-96 3 VOTO Conselheiro(a) Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O litígio recai sobre a ausência de prova do efetivo pagamento de pensão alimentícia. No processo eletrônico de número 10100.008043/0515-60, nas páginas 08 a 10, estão documentos provenientes de caixas eletrônicos que indicam a entrega de um envelope de depósito. No entanto, é importante destacar que esses recibos de entrega de envelopes não constituem prova de depósito, pois o contribuinte pode facilmente obter os comprovantes reais de depósitos efetuados, se tais depósitos de fato ocorreram. Tendo em vista que o recorrente trouxe em sua peça recursal basicamente os mesmos argumentos deduzidos na impugnação, nos termos do art. 114, § 12, inciso I do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1634/2023, reproduzo no presente voto a decisão de 1ª instância com a qual concordo e que adoto: Sobre a dedução de pensão alimentícia, necessário se faz transcrever a legislação que trata do assunto, na espécie, o art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) vigente, cuja matriz legal é o art. 4º, inciso II, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que dispõe: Art.78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). (destaquei) §1ºA partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. §2ºO valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. §3ºCaberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. §4ºNão são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §3º). §5ºAs despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na Fl. 63DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.333 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13162.720082/2015-96 4 declaração anual, a título de despesa médica (art. 80)ou despesa com educação (art. 81)(Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §3º). Infere-se do dispositivo transcrito que em relação à dedução dos pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, está condicionada a ser instituída com observância das normas de direito de família, terem natureza de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e necessitam de comprovação mediante documentos hábeis. O contribuinte restringiu-se a apresentar cópia da decisão que homologou o acordo de separação. No qual consta, literalmente, que os pagamentos devem ser realizados através de "depósito em conta corrente em nome da autora". Ora, no dossiê eletrônico nº 10100.008043/0515-60, fl.s 08/10, consta documentos emitidos por caixa-eletrônico constando a entrega de envelope de depósito. Esses comprovantes de entrega de envelopes não são comprovantes de depósito. Até porque, o contribuinte tem plenas possibilidades de obter os comprovantes dos efetivos depósitos, caso tenham sidos de fato realizados. Desse modo, o lançamento deve ser mantido, pela falta de comprovação dos efetivos pagamentos dos valores declarados como pagos a título de pensão alimentícia. Esclareça-se, por oportuno, que, uma vez efetuada a constituição do crédito tributário, cabe à parte interessada, que com ele não concordar, apresentar impugnação, no prazo de trinta dias, instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando as razões e provas que possuir, nos termos dos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (…) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1o da Lei no 8.748/93) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (Grifou-se) Acerca de provas, por pertinente, traz-se o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): Fl. 64DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.333 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13162.720082/2015-96 5 “(…) o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos, mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Grifou-se) Assim, a prova da contrariedade suscitada na impugnação, cujo prazo esgotou-se trinta dias após a ciência do lançamento, deve ser produzida pela parte interessada. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar- lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto Fl. 65DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 11020.723094/2013-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE - SÚMULA CARF 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade/ilegalidade de lei vigente. O controle de legalidade efetivado pelo CARF, dentro da devolutividade que lhe compete frente à decisão de primeira instância, analisa a conformidade do ato da administração tributária em consonância com a legislação vigente. O CARF falece de competência para se pronunciar sobre alegação de ilegalidade de ato normativo vigente, uma vez que sua competência resta adstrita a verificar se a RFB bem utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar o lançamento. Neste sentido, compete ao Julgador Administrativo verificar se o ato administrativo de lançamento atendeu aos requisitos de validade e observou corretamente os elementos da competência, finalidade, forma e fundamentos de fato e de direito que lhe dão suporte, não havendo permissão para declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de atos normativos. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. SUMULA CARF 163 Vez que todos os atos que ampararam a ação fiscal ocorreram em conformidade com as disposições normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e tendo a ação fiscal sido conduzida por servidor competente, em obediência aos requisitos do Decreto nº 70.235/1972, e inexistindo prejuízo à defesa, não se há de falar em nulidade do auto de infração ou da Decisão Recorrida. Súmula CARF nº 163 Aprovada pelo Pleno em sessão de 06/08/2021 - vigência em 16/08/2021 O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. ELEMENTOS NECESSÁRIOS. INDEFERIMENTO. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO À DEFESA. A prova documental deve ser sempre apresentada na impugnação, admitidas exceções somente nos casos expressamente previstos. Cabe ao contribuinte o ônus da comprovação de que incidiu em algumas dessas hipóteses previstas no art. 16, do PAF. A deficiência da defesa na apresentação de provas, sob sua responsabilidade, não implica a necessidade de realização de diligência ou o deferimento de novo prazo para provas, não podendo ser utilizada para suprir a ausência de provas que já poderiam ter sido juntadas à impugnação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. REDUÇÃO AO PISO LEGAL. REITERAÇÃO DA INFRAÇÃO. Não demonstrados nos autos que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas nos art. 71, 72, 73 da Lei nº 4.502, de 1964, não se justifica-se a imposição da multa qualificada de 150%. No caso de deduções indevidas, a reiteração da infração, por si só, não enseja a qualificação da penalidade, ausente a prova de ocorrência de uma das hipótese dos artigos 71, 72 ou 73 da Lei 4.502/64. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PESSOAL. SOLIDARIEDADE. INDIVIDUALIZAÇÃO DA CONDUTA O artigo 135, III, do CTN responsabiliza os administradores por atos por eles praticados em excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Para que se possa ter como caracterizada tal hipótese é imprescindível que a autoridade lançadora individualize a conduta praticada por cada administrador. Ausente tal identificação, por descrição insuficiente no auto de infração, é de ser excluída a responsabilidade. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. A responsabilidade solidária por interesse comum decorrente de ato ilícito demanda que a pessoa a ser responsabilizada tenha vínculo com o ato e com a pessoa do contribuinte ou do responsável por substituição. Deve-se comprovar o nexo causal em sua participação comissiva ou omissiva, mas consciente, na configuração do ato ilícito com o resultado prejudicial ao Fisco dele advindo. São atos ilícitos que ensejam a responsabilidade solidária: (i) abuso da personalidade jurídica em que se desrespeita a autonomia patrimonial e operacional das pessoas jurídicas mediante direção única ("grupo econômico irregular"); (ii) evasão e simulação e demais atos deles decorrentes; (iii) abuso de personalidade jurídica pela sua utilização para operações realizadas com o intuito de acarretar a supressão ou a redução de tributos mediante manipulação artificial do fato gerador (planejamento tributário abusivo). O interesse econômico, pode servir de indício para a caracterização de interesse comum, mas, isoladamente considerado, não constitui prova suficiente para aplicar a solidariedade. E também não é suficiente que a pessoa tenha tido participação furtiva como interveniente num negócio jurídico, ou mesmo que seja sócio ou administrador da empresa contribuinte, para que a solidariedade seja validamente estabelecida PAGAMENTOS PELO SIMPLES QUE DEVERIAM TER OCORRIDO NA SISTEMÁTICA REGULAR DAS EMPRESAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DEDUÇÃO DOS RECOLHIMENTO NO LIMITE E OBSERVANDO A MESMA NATUREZA. Na determinação dos valores a serem lançados de ofício, após não acolhimento da sistemática do SIMPLES, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. A apropriação de pagamentos de tributos da mesma natureza pode e deve ser conduzida pela Autoridade Lançadora. Não há dúvidas que diante do pagamento parcial do tributo, a Autoridade Autuante deve considerar os recolhimentos, e levar para a base de cálculo do imposto apenas o rendimento não tributado. Nestes casos, o Julgador Administrativo, instado pela defesa, deverá expurgar do lançamento os recolhimentos comprovadamente feitos, de forma a que não ocorra tributação ou pagamento duplicado. Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada.
Numero da decisão: 2202-010.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, exceto das alegações relativas a ilegalidades e inconstitucionalidades, e, na parte conhecida, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: (i) afastar a qualificadora da multa, reduzindo-a ao piso legal, (ii) afastar do polo passivo os responsáveis solidários JAIR ANTONIO GIALDI, CARMILA NOELI GIALDI e VINISSIUS CAGOL GIALDI, e (iii) determinar a dedução, no AI n.º Debcad 51.022.220-0, de eventuais recolhimentos de contribuição previdenciária sob a sistemática do regime simplificado de tributação, efetuados no período lançado, observando-se os percentuais previstos em lei e o limite da natureza do recolhimento, vencidos os Conselheiros Sara Maria de Almeida Carneiro Silva e Robison Francisco Pires que davam provimento parcial em menor extensão, mantendo as responsabilizações solidárias. (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ana Claudia Borges de Oliveira, Robison Francisco Pires, Andre Barros de Moura (Conselheiro Suplente Convocado), Thiago Buschinelli Sorrentino e Sonia de Queiroz Accioly (Presidente)
Nome do relator: SONIA DE QUEIROZ ACCIOLY

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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE - SÚMULA CARF 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade/ilegalidade de lei vigente. O controle de legalidade efetivado pelo CARF, dentro da devolutividade que lhe compete frente à decisão de primeira instância, analisa a conformidade do ato da administração tributária em consonância com a legislação vigente. O CARF falece de competência para se pronunciar sobre alegação de ilegalidade de ato normativo vigente, uma vez que sua competência resta adstrita a verificar se a RFB bem utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar o lançamento. Neste sentido, compete ao Julgador Administrativo verificar se o ato administrativo de lançamento atendeu aos requisitos de validade e observou corretamente os elementos da competência, finalidade, forma e fundamentos de fato e de direito que lhe dão suporte, não havendo permissão para declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de atos normativos. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. SUMULA CARF 163 Vez que todos os atos que ampararam a ação fiscal ocorreram em conformidade com as disposições normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e tendo a ação fiscal sido conduzida por servidor competente, em obediência aos requisitos do Decreto nº 70.235/1972, e inexistindo prejuízo à defesa, não se há de falar em nulidade do auto de infração ou da Decisão Recorrida. Súmula CARF nº 163 Aprovada pelo Pleno em sessão de 06/08/2021 - vigência em 16/08/2021 O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. ELEMENTOS NECESSÁRIOS. INDEFERIMENTO. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO À DEFESA. A prova documental deve ser sempre apresentada na impugnação, admitidas exceções somente nos casos expressamente previstos. Cabe ao contribuinte o ônus da comprovação de que incidiu em algumas dessas hipóteses previstas no art. 16, do PAF. A deficiência da defesa na apresentação de provas, sob sua responsabilidade, não implica a necessidade de realização de diligência ou o deferimento de novo prazo para provas, não podendo ser utilizada para suprir a ausência de provas que já poderiam ter sido juntadas à impugnação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. REDUÇÃO AO PISO LEGAL. REITERAÇÃO DA INFRAÇÃO. Não demonstrados nos autos que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas nos art. 71, 72, 73 da Lei nº 4.502, de 1964, não se justifica-se a imposição da multa qualificada de 150%. No caso de deduções indevidas, a reiteração da infração, por si só, não enseja a qualificação da penalidade, ausente a prova de ocorrência de uma das hipótese dos artigos 71, 72 ou 73 da Lei 4.502/64. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PESSOAL. SOLIDARIEDADE. INDIVIDUALIZAÇÃO DA CONDUTA O artigo 135, III, do CTN responsabiliza os administradores por atos por eles praticados em excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Para que se possa ter como caracterizada tal hipótese é imprescindível que a autoridade lançadora individualize a conduta praticada por cada administrador. Ausente tal identificação, por descrição insuficiente no auto de infração, é de ser excluída a responsabilidade. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. A responsabilidade solidária por interesse comum decorrente de ato ilícito demanda que a pessoa a ser responsabilizada tenha vínculo com o ato e com a pessoa do contribuinte ou do responsável por substituição. Deve-se comprovar o nexo causal em sua participação comissiva ou omissiva, mas consciente, na configuração do ato ilícito com o resultado prejudicial ao Fisco dele advindo. São atos ilícitos que ensejam a responsabilidade solidária: (i) abuso da personalidade jurídica em que se desrespeita a autonomia patrimonial e operacional das pessoas jurídicas mediante direção única ("grupo econômico irregular"); (ii) evasão e simulação e demais atos deles decorrentes; (iii) abuso de personalidade jurídica pela sua utilização para operações realizadas com o intuito de acarretar a supressão ou a redução de tributos mediante manipulação artificial do fato gerador (planejamento tributário abusivo). O interesse econômico, pode servir de indício para a caracterização de interesse comum, mas, isoladamente considerado, não constitui prova suficiente para aplicar a solidariedade. E também não é suficiente que a pessoa tenha tido participação furtiva como interveniente num negócio jurídico, ou mesmo que seja sócio ou administrador da empresa contribuinte, para que a solidariedade seja validamente estabelecida PAGAMENTOS PELO SIMPLES QUE DEVERIAM TER OCORRIDO NA SISTEMÁTICA REGULAR DAS EMPRESAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DEDUÇÃO DOS RECOLHIMENTO NO LIMITE E OBSERVANDO A MESMA NATUREZA. Na determinação dos valores a serem lançados de ofício, após não acolhimento da sistemática do SIMPLES, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. A apropriação de pagamentos de tributos da mesma natureza pode e deve ser conduzida pela Autoridade Lançadora. Não há dúvidas que diante do pagamento parcial do tributo, a Autoridade Autuante deve considerar os recolhimentos, e levar para a base de cálculo do imposto apenas o rendimento não tributado. Nestes casos, o Julgador Administrativo, instado pela defesa, deverá expurgar do lançamento os recolhimentos comprovadamente feitos, de forma a que não ocorra tributação ou pagamento duplicado. Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada.

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E OUTROS IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE - SÚMULA CARF 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade/ilegalidade de lei vigente. O controle de legalidade efetivado pelo CARF, dentro da devolutividade que lhe compete frente à decisão de primeira instância, analisa a conformidade do ato da administração tributária em consonância com a legislação vigente. O CARF falece de competência para se pronunciar sobre alegação de ilegalidade de ato normativo vigente, uma vez que sua competência resta adstrita a verificar se a RFB bem utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar o lançamento. Neste sentido, compete ao Julgador Administrativo verificar se o ato administrativo de lançamento atendeu aos requisitos de validade e observou corretamente os elementos da competência, finalidade, forma e fundamentos de fato e de direito que lhe dão suporte, não havendo permissão para declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de atos normativos. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. SUMULA CARF 163 Vez que todos os atos que ampararam a ação fiscal ocorreram em conformidade com as disposições normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e tendo a ação fiscal sido conduzida por servidor competente, em obediência aos requisitos do Decreto nº 70.235/1972, e inexistindo prejuízo à defesa, não se há de falar em nulidade do auto de infração ou da Decisão Recorrida. Súmula CARF nº 163 Aprovada pelo Pleno em sessão de 06/08/2021 - vigência em 16/08/2021 O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. ELEMENTOS NECESSÁRIOS. INDEFERIMENTO. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO À DEFESA. A prova documental deve ser sempre apresentada na impugnação, admitidas exceções somente nos casos expressamente previstos. Cabe ao contribuinte o ônus AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 30 94 /2 01 3- 08 Fl. 1165DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 da comprovação de que incidiu em algumas dessas hipóteses previstas no art. 16, do PAF. A deficiência da defesa na apresentação de provas, sob sua responsabilidade, não implica a necessidade de realização de diligência ou o deferimento de novo prazo para provas, não podendo ser utilizada para suprir a ausência de provas que já poderiam ter sido juntadas à impugnação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. REDUÇÃO AO PISO LEGAL. REITERAÇÃO DA INFRAÇÃO. Não demonstrados nos autos que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas nos art. 71, 72, 73 da Lei nº 4.502, de 1964, não se justifica-se a imposição da multa qualificada de 150%. No caso de deduções indevidas, a reiteração da infração, por si só, não enseja a qualificação da penalidade, ausente a prova de ocorrência de uma das hipótese dos artigos 71, 72 ou 73 da Lei 4.502/64. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PESSOAL. SOLIDARIEDADE. INDIVIDUALIZAÇÃO DA CONDUTA O artigo 135, III, do CTN responsabiliza os administradores por atos por eles praticados em excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Para que se possa ter como caracterizada tal hipótese é imprescindível que a autoridade lançadora individualize a conduta praticada por cada administrador. Ausente tal identificação, por descrição insuficiente no auto de infração, é de ser excluída a responsabilidade. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. A responsabilidade solidária por interesse comum decorrente de ato ilícito demanda que a pessoa a ser responsabilizada tenha vínculo com o ato e com a pessoa do contribuinte ou do responsável por substituição. Deve-se comprovar o nexo causal em sua participação comissiva ou omissiva, mas consciente, na configuração do ato ilícito com o resultado prejudicial ao Fisco dele advindo. São atos ilícitos que ensejam a responsabilidade solidária: (i) abuso da personalidade jurídica em que se desrespeita a autonomia patrimonial e operacional das pessoas jurídicas mediante direção única ("grupo econômico irregular"); (ii) evasão e simulação e demais atos deles decorrentes; (iii) abuso de personalidade jurídica pela sua utilização para operações realizadas com o intuito de acarretar a supressão ou a redução de tributos mediante manipulação artificial do fato gerador (planejamento tributário abusivo). O interesse econômico, pode servir de indício para a caracterização de interesse comum, mas, isoladamente considerado, não constitui prova suficiente para aplicar a solidariedade. E também não é suficiente que a pessoa tenha tido participação furtiva como interveniente num negócio jurídico, ou mesmo que seja sócio ou administrador da empresa contribuinte, para que a solidariedade seja validamente estabelecida Fl. 1166DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 PAGAMENTOS PELO SIMPLES QUE DEVERIAM TER OCORRIDO NA SISTEMÁTICA REGULAR DAS EMPRESAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DEDUÇÃO DOS RECOLHIMENTO NO LIMITE E OBSERVANDO A MESMA NATUREZA. Na determinação dos valores a serem lançados de ofício, após não acolhimento da sistemática do SIMPLES, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. A apropriação de pagamentos de tributos da mesma natureza pode e deve ser conduzida pela Autoridade Lançadora. Não há dúvidas que diante do pagamento parcial do tributo, a Autoridade Autuante deve considerar os recolhimentos, e levar para a base de cálculo do imposto apenas o rendimento não tributado. Nestes casos, o Julgador Administrativo, instado pela defesa, deverá expurgar do lançamento os recolhimentos comprovadamente feitos, de forma a que não ocorra tributação ou pagamento duplicado. Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, exceto das alegações relativas a ilegalidades e inconstitucionalidades, e, na parte conhecida, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para: (i) afastar a qualificadora da multa, reduzindo-a ao piso legal, (ii) afastar do polo passivo os responsáveis solidários JAIR ANTONIO GIALDI, CARMILA NOELI GIALDI e VINISSIUS CAGOL GIALDI, e (iii) determinar a dedução, no AI n.º Debcad 51.022.220-0, de eventuais recolhimentos de contribuição previdenciária sob a sistemática do regime simplificado de tributação, efetuados no período lançado, observando-se os percentuais previstos em lei e o limite da natureza do recolhimento, vencidos os Conselheiros Sara Maria de Almeida Carneiro Silva e Robison Francisco Pires que davam provimento parcial em menor extensão, mantendo as responsabilizações solidárias. (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ana Claudia Borges de Oliveira, Robison Francisco Pires, Andre Barros de Moura (Conselheiro Suplente Convocado), Thiago Buschinelli Sorrentino e Sonia de Queiroz Accioly (Presidente) Relatório Fl. 1167DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 Trata-se de recursos voluntários (fls. 836 e ss; 917 e ss; 999 e ss; e 1078 e ss) interpostos contra R. Acórdão proferido pela 7ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (fls. 805 e ss) que manteve os Autos de Infração: a) AI n.º Debcad 51.022.220-0, no valor de R$ 379.347,83 (trezentos e setenta e nove mil, trezentos e quarenta e sete reais e oitenta e três centavos), consolidado em 25 de setembro de 2013, referente à contribuição previdenciária da empresa, inclusive aquela destinada para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre as remunerações dos segurados empregados, nas competências janeiro de 2009 a dezembro de 2009, inclusive décimo terceiro salário; e contribuição previdenciária da empresa, incidente sobre as remunerações de contribuintes individuais, nas competências janeiro de 2009 a dezembro de 2009; e, b) AI n.º Debcad 51.044.392-3, no valor de R$ 68.561,79 (sessenta e oito mil, quinhentos e sessenta e um reais e setenta e nove centavos), consolidado em 25 de setembro de 2013, referente a contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos (SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SEST, SENAT, e SEBRAE), incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, nas competências janeiro de 2009 a dezembro de 2009, inclusive décimo terceiro salário. Segundo o Acórdão: TRANSPORTES MOBILINE LTDA. E OUTROS tiveram lavrados contra si os seguintes Autos de Infração - AIs: a) AI n.º Debcad 51.022.220-0, no valor de R$ 379.347,83 (trezentos e setenta e nove mil, trezentos e quarenta e sete reais e oitenta e três centavos), consolidado em 25 de setembro de 2013, referente à contribuição previdenciária da empresa, inclusive aquela destinada para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre as remunerações dos segurados empregados, nas competências janeiro de 2009 a dezembro de 2009, inclusive décimo terceiro salário; e contribuição previdenciária da empresa, incidente sobre as remunerações de contribuintes individuais, nas competências janeiro de 2009 a dezembro de 2009; e, b) AI n.º Debcad 51.044.392-3, no valor de R$ 68.561,79 (sessenta e oito mil, quinhentos e sessenta e um reais e setenta e nove centavos), consolidado em 25 de setembro de 2013, referente a contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos (SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SEST, SENAT, e SEBRAE), incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, nas competências janeiro de 2009 a dezembro de 2009, inclusive décimo terceiro salário. De acordo com o Relatório Fiscal do Processo, fls. 240 a 251, constituem fatos geradores das contribuições lançadas as remunerações pagas devidas ou creditadas aos segurados empregados, e as remunerações pagas ou creditadas aos contribuintes individuais (sócios administradores e transportadores rodoviários autônomos). Consigna a Autoridade Autuante que, conforme consulta realizada nos sistemas da Receita Federal do Brasil (extratos – Anexo X), a empresa apresentou Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica dos anos-calendários 2008 e 2009, constando a forma de tributação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica com base no Lucro Real. Porém, no período de janeiro de 2009 a dezembro de 2009, declarou indevidamente em Guias de Recolhimento de FGTS e de Informações à Previdência Social – GFIP, de forma reiterada (12 vezes), ser optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidas pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123/2006, e, conseqüentemente omitiu valores de contribuições devidas a cargo da empresa. Fl. 1168DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 Registra que a empresa já havia sido autuada no ano de 2009, conforme determinado pelo Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 10.1.06.00-2009-00475-3, referente ao período de janeiro de 2005 a dezembro de 2008, sendo que nesta ação fiscal foi constatada idêntica situação, qual seja, declaração indevida em GFIP, de ser empresa optante pelo Simples Federal (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), no período de janeiro de 2005 a junho de 2007 (48 meses), e ser optante pelo Simples Nacional, no período de julho de 2007 a dezembro de 2008. Ressalta que os débitos decorrentes do referido procedimento fiscal foram parcelados, conforme extrato do sistema de cobrança (anexo XI), de modo que a contribuinte insistiu na conduta que sabia ser indevida, não tendo sequer retificado as GFIPs correspondentes. Dessa forma, a fiscalização procedeu ao lançamento das contribuições previdenciárias patronais de que tratam os incisos I, II, do artigo 22, da Lei nº 8.212/91, bem assim das contribuições devidas a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados, e das contribuições previdenciárias patronais de que tratam o inciso III, do mesmo diploma legal, incidente sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais. Registra que para os fatos geradores apurados foram criados os seguintes códigos de levantamentos: 6.1.1. Levantamento FP - Folha de Pagamento Empregados GFIP Mobiline 6.1.1.1. Este levantamento engloba as contribuições destinadas à Seguridade Social, a cargo da empresa, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, bem como das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e, as destinadas a outras entidades e fundos - Salário-Educação, INCRA, SEST, SENAT e SEBRAE. 6.1.1.2. Salienta-se que as remunerações dos segurados empregados foram declaradas em GFIP. Porém, as contribuições previdenciárias incidentes sobre as mesmas não o foram, face a empresa ter indevidamente informado em GFIP ser optante pelo SIMPLES NACIONAL. 6.1.1.3. As bases de cálculo, bem como as competências, encontram-se relacionadas no Anexo VI-Relatório de Lançamentos. Os documentos que serviram de base para o lançamento foram as folhas de pagamentos, as GFIP’S, as relações mensais de verbas e totais da folha e os extratos informatizados do Sistema GFIP-WEB (referente ao processamento dos dados informados em GFIP pelo próprio sujeito passivo – Anexo I e II), relativos à matriz e aos estabelecimentos vinculados (filiais). 6.1.2. Levantamento CI - Remuneração Contribuinte Individual – Pró-Labore 6.1.2.1. Este levantamento engloba as contribuições destinadas a Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, sobre os valores pagos ou creditados a título de pró-labore para os segurados contribuintes individuais (administradores). Os documentos que serviram de base para os lançamentos foram as GFIP’S, relações mensais de verbas e totais das folhas e Telas do Sistema GFIP-WEB, referente à matriz. As contribuições previdenciárias ora lançadas não foram declaradas em GFIP. 6.1.2.2. As bases de cálculo, bem como as competências, encontram-se listadas no anexo Relatório de Lançamentos. 6.1.3. Levantamento FA - Base Freteiros Autônomos CI cfe. GFIP 6.1.3.1. Este levantamento engloba as contribuições destinadas à Seguridade Social (art. 22, III da Lei n° 8.212/91 – redação da Lei n° 9.876/99), a cargo da empresa, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos transportadores rodoviários autônomos, referente aos serviços de transporte de mercadorias, denominados fretes, sendo que as “remunerações” são reconhecidas e foram declaradas pela empresa em GFIP. Fl. 1169DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 6.1.3.2. Serviram de base para o lançamento os valores das remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais (freteiros autônomos) constantes das GFIP’S. As contribuições previdenciárias lançadas não foram declaradas em GFIP, embora as bases de cálculo das mesmas, conforme já citado acima, tenham sido declaradas no referido documento. 6.1.3.3. A base de cálculo lançada para fins de incidência da contribuição previdenciária corresponde a 20% (vinte por cento) do valor total do frete (rendimento bruto), conforme definido no art. 201, § 4º do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999 (na redação do Decreto nº 4.032/2001). Consigna a aplicação de multa em percentual duplicado, pois a conduta dolosa do sujeito passivo enquadra-se no conceito de sonegação, previsto no artigo 71 da Lei nº 4.502/64, uma vez que de maneira reiterada, durante um período de 5 anos (60 meses), prestou informação indevida em GFIP, mesmo após ter sido autuado no final de 2009, referente à omissão de contribuições em GFIP de 01/2005 a 12/2008, justamente por se declarar indevidamente como optante do Simples Federal e Simples Nacional, não retificou as Gfips do período de janeiro de 2009 a dezembro de 2009, mantendo a omissão das contribuições lançadas. Registra ainda que, por constatação da ocorrência, em tese, de Crime de Sonegação de contribuição previdenciárias, previsto no art. 337-A, inciso III, do Código Penal Brasileiro, Crime contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, inciso I, II e IV, da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, foram formalizados processos de Representação Fiscal para Fins Penais. Foram considerados como responsáveis solidários, nos termos dos artigos 124, I e 135, inciso III, do Código Tributário Nacional – CTN, pelo crédito tributário aqui lançado Vinissius Cagol Gialdi, CPF 919.507.320-53; Carmila Noele Gialdi, CPF 013.411.140- 07; e, Jair Antônio Gialdi, CPF 255.166.390-34. A autuada foi cientificada do lançamento em 21 de outubro de 2013, tendo apresentado sua impugnação em 29 de outubro de 2013, conforme peça de fls. 442 a 516, subscrita por seu representante legal, na qual, após breve relato dos fatos, alega em resumo o que segue. Preliminarmente, aponta a nulidade do auto de infração por violação ao contraditório e à ampla defesa, pela exigüidade do prazo concedido para apresentação de impugnação. Cita o artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, e afirma que por força do princípio constitucional da hierarquia das normas, através do qual todas as demais disposições legais devem, necessariamente, adequar-se aos ditames constitucionais, deve ser afastada a previsão legal contida no artigo 15 do Decreto nº 70.235/72, pois, no caso concreto, o prazo de 30 dias é nitidamente insuficiente para permitir a elaboração de uma defesa satisfatória, diante do grande volume de documentos. Alternativamente, requer que, até a decisão administrativa final, seja garantida a juntada de quaisquer documentos ou impugnações, em nome do princípio da verdade material. Refere que a própria Lei nº 9.784/99, em seu artigo 3º, inciso III, prevê a possibilidade de juntada de documentos ou impugnações até o encerramento na esfera administrativa, e postula a concessão de prazo à apresentação de defesa ou documentos, a qualquer tempo. Apresenta, ainda, diversos argumentos acerca da possibilidade de aditamento da peça impugnatória de acordo com o princípio da verdade material. No mérito, sustenta o dever que tem a autoridade administrativa de afastar e deixar de aplicar ato normativo ao constatar a sua evidente inconstitucionalidade. Em extenso arrazoado sustenta a ilegalidade e inconstitucionalidade da cobrança das contribuições destinadas ao SEBRAE e INCRA. Afirma ser inexigível, por manifesta inconstitucionalidade/ilegalidade a contribuição previdenciária incidente sobre o terço constitucional de férias, horas extras (adicional), aviso prévio indenizado e sobre os valores pagos aos trabalhadores afastados de suas atividades nos primeiros quinze dias do auxílio-doença. Entende que os valores em Fl. 1170DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 questão não constituem verbas remuneratórias e, portanto, estão fora do campo de incidência da contribuição previdenciária. Impugna a aplicação da multa qualificada, pela ausência de comprovação válida de conduta dolosa pelo contribuinte. Alega ainda que os valores exigidos a título de multa são flagrantemente ilegais e inconstitucionais. Quanto aos juros aplicados, entende que é ilegal a utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros moratórios a partir de abril/95, por excedente ao limite máximo fixado no artigo 161 do CTN. Afirma que uma vez demonstrada a ilegalidade dos índices aplicados, deve prevalecer para cálculo de juros moratórios sobre débitos tributários a taxa de 1% ao mês. Requer a amortização dos pagamentos realizados a modo de SIMPLES, pelo menos em relação às contribuições previdenciárias devidas ao INSS, no período lançado, tudo sobre a evitar enriquecimento sem causa do Estado. Pugna pela produção de todos os meios de prova, em especial a pericial, apresentando quesitos a serem respondidos e assistente técnico. Os responsáveis solidários, Carmila Noele Gialdi, Vinissius Cagol Gialdi e Jair Antônio Gialdi, apresentam impugnações, fls. 535 a 621, 622 a 714, e 715 a 800, na qual, após relato dos fatos, repisam os argumentos da impugnação e acrescentam em suas defesas alegações relativas a impossibilidade da sujeição passiva pretendida pela fiscalização. Carmila Noele Gialdi defende sua exclusão como sujeito passivo solidário pelos argumentos a seguir sintetizados: a) não existe comprovação de qualquer ilegalidade, fraude ou simulação, capaz de gerar obrigação tributária à Impugnante; b) a peça fiscal foi incapaz de individualizar qualquer conduta apta a fazer nascer obrigação tributária a ser suportada solidária ou subsidiariamente pela Impugnante; c) a Impugnante não tomou parte em nenhum dos atos ou condutas em que a Fiscalização baseou sua ‘tese’ de simulação para redução da carga tributária; d) a empresa Transportes Mobiline Ltda. possui patrimônio capaz de suportar a integralidade da pretensão fiscal, trata-se de empresa solvente. Tal assertiva decorre do montante do patrimônio arrolado conforme Arrolamento Administrativo realizado pela Autoridade Fiscal; e) a pretensão da Fiscalização de impor sujeição passiva solidária é ato privativo da PGFN no âmbito do processo judicial; f) não sendo a Impugnante sócia administradora, impossível lhe imputar quaisquer condutas insertas no artigo 135 do CTN; e, g) não possui qualquer relação com as empresas com as quais a Mobiline manteve ou mantém relações comerciais. Vinissius Cagol Gialdi, em sua impugnação tece as mesmas considerações, acrescentando que a sua conduta não está tipificada no artigo 124, I, nem no artigo 135, III, do CTN, na medida em que não foram praticados atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, e muito menos houve qualquer tipo de benefício pessoal com a suposta economia tributária. Jair Antônio Gialdi defende sua exclusão como sujeito passivo solidário pelos mesmos argumentos, acrescentando que é impossível a imputação de responsabilidade tributária a não sócio. Cita o artigo 135, III, do CTN, e sustenta que referida norma atinge tão somente os sócios administradores, isto é, aqueles capazes de praticar os atos de gestão, não sendo possível a atribuição de responsabilidade para pessoa estranha à sociedade, pelo simples fato de ser pai dos sócios da empresa. Ao final requerem o cancelamento da responsabilização que lhes foi imputada nos termos do inciso III do artigo 135 e inciso I do artigo 124, ambos do CTN. É o relatório. Fl. 1171DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 O R. Acórdão foi proferido com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação vigente, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. EXIGÜIDADE DO PRAZO DE DEFESA. A nulidade do lançamento em função de suposto cerceamento de defesa pela exigüidade do prazo de que a empresa dispunha para impugnar os lançamentos esbarra nas previsões normativas que fixam esse prazo, descabendo à esfera administrativa alterá- los, em observância ao princípio da legalidade. PEDIDO DE PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. A oportunidade para a apresentação de provas é na impugnação, somente sendo admitida a juntada extemporânea quando comprovada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refira-se a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. A incidência de contribuição previdenciária se dá sobre a remuneração total do segurado empregado, com exclusão, apenas, daquelas parcelas expressamente definidas em lei. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que caracterizada a prática de ato com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pela autoridade fazendária. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. É correta a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tenham interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas e que tenham praticado atos com infração a lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de 1ª Instância, aos 01/12/2014 (fls. 827), o Contribuinte apresentou recurso voluntário em 31/12/2014 (fls.1078 e ss), insurgindo-se, contra o R Acórdão, ao enfoque de que: 1 – a decisão recorrida é nula por não ter enfrentado as alegações de inconstitucionalidades, cerceando-lhe a defesa – cerceamento à defesa pelo indeferimento de perícia; Fl. 1172DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 2 – os lançamentos são nulos, por violação ao contraditório e ampla defesa, na medida em que a Autoridade Fiscal conferiu prazo exíguo de 30 dias para apresentação de provas; pede a concessão de prazo para apresentação de documentos e que lhe seja garantida a apresentação de provas até o julgamento – pede concessão de prazo para aditamento da impugnação em nome do princípio da verdade material; 3 – a ilegalidade e inconstitucionalidade da contribuição ao Sebrae e Incra; 4 – a inconstitucionalidade da contribuição patronal incidente sobre auxílio doença, aviso prévio indenizado, terço de férias e horas extras. 5 – ausência de comprovação de dolo – pede o afastamento da qualificadora da multa – alega a inconstitucionalidade da multa qualificada; 6 – a ilegalidade da utilização da taxa Selic para cálculo dos juros moratórios. Pede seja determinada realização de perícia técnica contábil. Busca o aproveitamento dos pagamentos na sistemática simplificada de tributação. Juntou documentos. VINISSIUS CAGOL GIALDI, cientificado aos 02/12/2014 (fls. 833) apresentou recurso, a fls. 999 e ss, aos 31/12/2014. JAIR ANTONIO GIALDI, cientificado aos 02/12/2014 (fls. 831) apresentou recurso aos 31/12/2014 (fls. 917 e ss). CARMILA NOELI GIALDI, cientificada aos 02/12/2014 (fls. 829) apresentou recurso aos 31/12/2014 (fls. 836). Alegam que: 1 – a decisão recorrida é nula por não ter enfrentado as alegações de inconstitucionalidades, cerceando-lhe a defesa – cerceamento à defesa pelo indeferimento de perícia; 2 – os lançamentos são nulos, por violação ao contraditório e ampla defesa, na medida em que a Autoridade Fiscal conferiu prazo exíguo de 30 dias para apresentação de provas; pede a concessão de prazo para apresentação de documentos e que lhe seja garantida a apresentação de provas até o julgamento – pedem concessão de prazo para aditamento da impugnação em nome do princípio da verdade material; 3 – a ilegalidade e inconstitucionalidade da contribuição ao Sebrae e Incra; 4 – a inconstitucionalidade da contribuição patronal incidente sobre auxílio doença, aviso prévio indenizado, terço de férias e horas extras. 5 – ausência de comprovação de dolo – pede o afastamento da qualificadora da multa – alega a inconstitucionalidade da multa qualificada; 6 – a ilegalidade da utilização da taxa Selic para cálculo dos juros moratórios. 7 – a não comprovação do interesse comum ensejador da responsabilização solidária, bem como ausência de provas da produção de ato ilegal ou com excesso de poder da sua parte, capaz de conduzir à solidariedade – afirmam a desnecessidade da responsabilização solidária ante a solvência do Contribuinte autuado. 8 – descabida a responsabilização solidária pela RFB diante da competência apenas da PGFN – ato ilegal e descabido. Fl. 1173DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 Pedem seja determinada realização de perícia técnica contábil. JAIR ANTONIO GIALDI acrescenta alegações de impossibilidade de imputação de solidariedade a terceiro que não seja sócio do autuado. CARMILA NOELI GIALDI acrescenta alegações a cerca da impossibilidade de imputação de solidariedade a sócio que não seja administrador do autuado. Juntaram documentos. Esse, em síntese, o relatório. Voto Conselheira Sonia de Queiroz Accioly, Relatora. Sendo tempestivos e preenchidos os pressupostos de admissibilidade, conheço parcialmente dos recursos e passo ao exame. Isto em razão do fato de que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, sendo vedado ainda ao órgão julgador administrativo negar a vigência a normas jurídicas por motivo de alegada ilegalidade de lei, salvo nos casos previstos no art. 103-A da CF/88 e no Regimento Interno do CARF , consoante Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O controle de legalidade efetivado pelo CARF, dentro da devolutividade que lhe compete frente à decisão de primeira instância, analisa a conformidade do ato da administração tributária em consonância com a legislação vigente. Ressalta-se que o CARF falece de competência para se pronunciar sobre alegação de ilegalidade de ato normativo vigente, uma vez que sua competência resta adstrita a verificar se a RFB bem utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar o lançamento. Neste sentido, compete ao Julgador Administrativo verificar se o ato administrativo de lançamento atendeu aos requisitos de validade e observou corretamente os elementos da competência, finalidade, forma e fundamentos de fato e de direito que lhe dão suporte, não havendo permissão para declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de atos normativos. Assim, não cabe conhecer das insurgências:  ilegalidade e inconstitucionalidade da contribuição ao Sebrae e Incra;  inconstitucionalidade da contribuição patronal incidente sobre auxílio doença, aviso prévio indenizado, terço de férias e horas extras.  inconstitucionalidade da multa qualificada;  a ilegalidade da utilização da taxa Selic para cálculo dos juros moratórios. Fl. 1174DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 Mas mesmo que assim não fosse, as alegações de não incidência tributária de contribuição previdenciária sobre auxílio doença, aviso prévio indenizado, terço de férias e horas extras., não seriam conhecidas, na medida em que as matérias são estranhas a presente lide administrativa, já que a autuação decorre de diferenças apuradas e as regras matrizes de incidência tributária não tratam de rubricas específicas. A lide administrativa restringe-se às matérias de defesa que guardam relação direta e estrita com a regra matriz de incidência tributária. Desta forma, se não conhecida pela aplicação da Sumula CARF 02, seria não conhecida por fugir aos contornos da lide administrativa tributária. Relativamente ao SEBRAE, mesmo que assim não fosse, importa destacar que no julgamento do RE 635682/RJ, com repercussão geral, o STF concluiu pela constitucionalidade da contribuição para o SEBRAE, entendendo a desnecessidade de lei complementar e de contraprestação direta em favor do contribuinte. Acórdão com a seguinte ementa: Recurso extraordinário. 2. Tributário. 3. Contribuição para o SEBRAE. Desnecessidade de lei complementar. 4. Contribuição para o SEBRAE. Tributo destinado a viabilizar a promoção do desenvolvimento das micro e pequenas empresas. Natureza jurídica: contribuição de intervenção no domínio econômico. 5. Desnecessidade de instituição por lei complementar. Inexistência de vício formal na instituição da contribuição para o SEBRAE mediante lei ordinária. 6. Intervenção no domínio econômico. É válida a cobrança do tributo independentemente de contraprestação direta em favor do contribuinte. 7. Recurso extraordinário não provido. 8. Acórdão recorrido mantido quanto aos honorários fixados. (STF – RE: 635682/RJ, Relator: Min. Gilmar Mendes, Data de Julgamento: 25/04/2013, Tribunal Pleno) Ademais, insta ressaltar que o STF analisou em sede de repercussão geral a constitucionalidade da contribuição destina ao INCRA (RE 630898, que discutia a referibilidade e natureza jurídica da contribuição, em face da Emenda Constitucional nº 33/2001). Nesse julgamento, o Ministro Relator destacou, que o INCRA é uma contribuição de intervenção no domínio econômico – CIDE, de natureza extrafiscal, que tem por finalidade promover a reforma agrária e da colonização, objetivando assegurar a função social da propriedade e diminuir as desigualdades regionais e sociais. Foi firmada a seguinte tese de repercussão geral: “É constitucional a contribuição de intervenção no domínio econômico destinada ao Incra devida pelas empresas urbanas e rurais, inclusive após o advento da EC nº 33/2001”. O tema também foi objeto de expressas manifestações dos tribunais superiores, quanto à legalidade da exação incidente sobre atividades urbanas ou rurais, vez que de interesse de toda a coletividade dos trabalhadores (RE’s nºs 225.368, Rel. Min. Ilmar Galvão, 263.208, Rel. Min. Néri da Silveira, 254.634, Rel. Min. Sydney Sanches). Veja as ementas abaixo reproduzidas: PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA EMPRESA URBANA LEGALIDADE ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF RECURSO NÃO ADMITIDO SÚMULA 168/STJ AGRAVO REGIMENTAL AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA MERA REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. Fl. 1175DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 1. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, é legítimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os fundamentos da decisão recorrida, limitando-se a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. 3. Tratando-se de agravo interno manifestamente infundado, impõe-se a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos termos do art. 557, § 2º, do Código de Processo Civil. 4. Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. (AgRg nos EREsp 530802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p. 291) (sem grifos no original). INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. LEIS 7.789/89 E 8.212/91. DESTINAÇÃO DIVERSA. I - Este Superior Tribunal de Justiça, após diversos pronunciamentos, com base em ampla discussão, reviu a jurisprudência sobre o assunto, chegando à conclusão de que a contribuição destinada ao INCRA não foi extinta, nem com a Lei n° 7.787/89, nem pela Lei n° 8.212/91, ainda estando em vigor. II - Tal entendimento foi exarado com o julgamento proferido pela Colenda Primeira Seção, nos EREsp n° 770.451/SC, Rel. p/ac. Min. CASTRO MEIRA, sessão de 27/09/2006. Naquele julgado restou definido que a contribuição ao INCRA é uma contribuição especial de intervenção no domínio econômico, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares. Assim, a supressão da exação para o FUNRURAL pela Lei n° 7.787/89 e a unificação do sistema de previdência através da Lei n° 8.212/91 não provocaram qualquer alteração na parcela destinada ao INCRA. III - Agravo regimental improvido. (STF - AgRg no Resp - AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 841598/RS. Processo 2006/0084114-0. Decisão 19/04/2007.) Acrescente-se que as empresas urbanas e rurais estão sujeitas ao recolhimento da contribuição ao INCRA, constante entendimento já pacificado pelo STJ no seguinte enunciado sumular, publicado em 2/3/2015: Súmula 516 STJ – A contribuição de intervenção no domínio econômico para o Incra (Decreto-Lei n. 1.110/1970), devida por empregadores rurais e urbanos, não foi extinta pelas Leis ns. 7.787/1989, 8.212/1991 e 8.213/1991, não podendo ser compensada com a contribuição ao INSS. E, por fim, importa consignar que a alegação relativa à taxa SELIC, se conhecida seria afastada, com aplicação de entendimento sumulado no CARF. Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). NULIDADES Os Recorrentes pedem a declaração de nulidade ao fundamento que: Fl. 1176DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 1 – a decisão recorrida é nula por não ter enfrentado as alegações de inconstitucionalidades, cerceando-lhe a defesa – cerceamento à defesa pelo indeferimento de perícia; 2 – os lançamentos são nulos, por violação ao contraditório e ampla defesa, na medida em que a Autoridade Fiscal conferiu prazo exíguo de 30 dias para apresentação de provas; pede a concessão de prazo para apresentação de documentos e que lhe seja garantida a apresentação de provas até o julgamento – pede concessão de prazo para aditamento da impugnação em nome do princípio da verdade material; Antes de examinar as teses trazidas pela defesa, impõe-se destacar o artigo 142 do Código Tributário Nacional e os artigos 10 e 11 do Decreto 70.235/72, que estabelecem os requisitos de validade do lançamento, além daqueles previstos para os atos administrativos em geral: Código Tributário Nacional Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Decreto 70.235/72 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do notificado; II - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III - a disposição legal infringida, se for o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Também importa ressaltar os casos que acarretam a nulidade do lançamento, previstos no art. 59, do Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 1177DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo.(...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Da leitura dos dispositivos legais transcritos, depreende-se que ensejam a nulidade do lançamento os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Analisando o tema nulidades, a Professora Ada Pellegrini Grinover (As Nulidades do Processo Penal, 6° ed., RT, São Paulo, 1997, pp.26/27) afirma que o “princípio do prejuízo constitui, seguramente, a viga mestra do sistema de nulidades e decorre da idéia geral de que as formas processuais representam tão somente um instrumento para correta aplicação do direito”. Feita a abordagem preliminar, vejamos as alegações. FASE OFICIOSA DO PROCEDIMENTO FISCAL. É de se observar que o procedimento fiscal é uma fase oficiosa em que a fiscalização atua com poderes amplos de investigação, tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe para efetuar o lançamento. Nessa fase, o Fisco submete-se à regra geral do ônus da prova prevista no Processo Civil – que serve como fonte subsidiária ao processo administrativo fiscal. Como, ainda, não há processo instaurado, mas tão-somente procedimento, não cabe falar em direito de defesa. Antes da impugnação não há litígio, não há contraditório ou direito à ampla defesa e o procedimento é levado a efeito, de ofício, pelo Fisco. O ato do lançamento é privativo da autoridade, e não uma atividade compartilhada com o sujeito passivo (CTN, art.142). Nesse sentido, a Autoridade Fiscal pode valer-se de algumas peças processuais e sobrepô-las, sem que com isso advenha qualquer irregularidade, arbitrariedade ou nulidade ao feito. Soma-se a isso, o entendimento sumulado do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Cumpre observar, objetivamente, que a atividade do agente do fisco é absolutamente vinculada, ou seja, deve estrita obediência à lei e às normas infralegais. Desde que haja norma formalmente editada, encontrando-se em vigor, cabe o seu fiel cumprimento, em Fl. 1178DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 homenagem ao princípio da legalidade objetiva que informa o lançamento e o processo administrativo fiscal, sob pena de responsabilidade funcional. Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador. Depois de formulada a norma, sua aplicação se impõe de forma objetiva, sem espaço para juízos discricionários por parte de quem a ela deve obediência. O Auto de Infração descreveu, de maneira inequívoca, os fatos geradores da autuação. Analisando-se o dispositivo inserto no art. 142, do CTN, conclui-se que o lançamento, ora guerreado, preencheu todos os requisitos essenciais elencados na lei. Cumpre observar, outrossim, que a atividade do Agente Administrativo encontra- se vinculada à lei, não podendo ele furtar-se à sua aplicação por força da consideração de fatores ou princípios que extrapolem o direito positivo materializado. Assim sendo, o ato administrativo tributário não pode ser maculado pela alegação de violação de princípios constitucionais, já que atendeu aos preceitos legalmente estabelecidos e exigiu tributo resultante da apuração de infrações bem descritas. Mesmo que assim não fosse, cumpre mencionar que a descrição dos fatos constantes do auto de infração indicam, de forma inequívoca, que a autoridade fiscal considerou que a sujeição passiva da regra matriz de incidência tributária, relativa às infrações, era afeta ao Recorrente, motivo pelo qual intimou o sujeito passivo para que apresentasse justificativas quanto à origem dos valores percebidos. Como bem explicou o Colegiado de Piso: Com relação à alegação de exigüidade do prazo para apresentação de impugnação, merece ser destacado que os atos processuais, por força do disposto no artigo 177 do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao contencioso administrativo fiscal, realizar-se-ão nos prazos previstos em lei. No caso dos lançamentos de contribuições previdenciárias, o prazo para impugnação é de 30 (trinta) dias, nos termos do artigo 243, parágrafo 2º, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, com alteração promovida pelo Decreto nº 6.103/2007, e dos artigos 14 e 15 do Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União (PAF). O contribuinte também postula a concessão de prazo à apresentação de defesa ou documentos, até a decisão administrativa final, com base no princípio da verdade material e na determinação contida no inciso III, do artigo 3º, da Lei nº 9.784/99. Quanto ao dispositivo legal em referência, segundo o qual é direito do administrado “formular alegações e apresentar documentos antes da decisão”, não se vislumbra qualquer afronta a esse direito na medida em que foi regularmente aberto o prazo de impugnação, conforme previsto na legislação que disciplina a matéria (RPS e PAF), não se verificando, in concreto, qualquer prejuízo ao contraditório e à ampla defesa. Ademais disso, a Lei nº 9.784/99 é norma de incidência geral, aplicada subsidiariamente aos preceitos normativos do RPS e do PAF. Nesse sentido podemos referir o artigo 69 da própria Lei nº 9.784/992 Assim, a pretensão do sujeito passivo de ver reconhecida a nulidade do lançamento em função de suposto cerceamento de defesa pela “exigüidade do prazo de que dispunha para impugnar”, esbarra nas previsões normativas que fixam esse prazo, razão pela qual, nesse ponto, a pretensão deve ser rejeitada, descabendo à esfera administrativa alterar os prazos legalmente previstos, em observância ao princípio da legalidade estrita, ao qual a Administração está sujeita. E, não se diga que tal circunstância seria cabível em nome Fl. 1179DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 do princípio da verdade material, pois, no caso, não se vislumbra nos autos, até a presente data, qualquer aditamento à peça impugnatória ou juntada de documentos. A respeito da oportunidade de instrução probatória dos autos, ressalte-se que, conforme referido anteriormente, nos termos da legislação em vigor, a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, instaura a fase litigiosa do procedimento, devendo ser apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), é ainda mais explícito ao consignar que a impugnação deve mencionar não apenas os motivos de fato e de direito em que se fundamentam, os pontos de discordância e as razões, mas também as provas que possuir A oportunidade para a apresentação de provas, portanto, é no prazo de impugnação, somente sendo admitida a juntada extemporânea, nos termos dos parágrafos 4º e 5º do mesmo dispositivo, na hipótese de ficar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Sem a comprovação da ocorrência de uma dessas condições, não pode prevalecer a produção de provas em momento diferente da impugnação. Correta a R. Decisão de 1ª Instância. Os Recorrentes tiveram oportunizado direito à defesa com lastro no ordenamento vigente, de forma regular. As robustas peças de defesa apresentadas, por si só demonstram a ausência de ofensa à ampla defesa. Sem razão os Recorrentes neste ponto. DILIGÊNCIA/PERÍCIA Os Recorrentes alegam nulidade da decisão que indeferiu pedido de perícia e pedem novamente seu deferimento. Relativamente ao pedido de perícia, insta considerar que o momento oportuno para sua apresentação das provas é por ocasião da impugnação, sob pena dos argumentos de defesa tornarem-se meras alegações , ocorrendo preclusão, conforme disposto no art. 15, do Decreto nº. 70.235, de 1972: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. A prova documental deve ser sempre apresentada na impugnação, admitidas exceções somente nos casos expressamente previstos. Cabe ao contribuinte o ônus da comprovação de que incidiu em algumas dessas hipóteses previstas no art. 16, do PAF. No presente caso, não foram comprovados os motivos que pudessem autorizar a juntada de documentos após a impugnação ou a determinação de necessárias diligências ou perícias. A deficiência da defesa na apresentação de provas, sob responsabilidade do contribuinte, não implica a necessidade de realização de diligência/perícia com o objetivo de produzir essas provas, eis que tanto a diligência quanto a perícia destinam-se à formação da convicção do julgador, devendo limitar-se ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo ou ao confronto de elementos de prova também já incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir a ausência de provas que já poderiam ter sido juntadas à impugnação. No que diz respeito à perícia, prescreve o art. 18, do Decreto 70.235/72 que: Fl. 1180DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Da leitura do dispositivo, verifica-se que o deferimento de pedido de perícia somente ocorrerá se comprovada a necessidade à formação de convicção. Nesse sentido, não basta que o sujeito passivo deseje a realização da perícia. O sujeito passivo deverá comprovar o caráter essencial da perícia para o deslinde da questão pela autoridade administrativa, nos termos da legislação aplicável. Ocorre que o Recorrente não logrou demonstrar, minimamente, a imprescindibilidade da perícia à compreensão dos fatos nem na impugnação, nem agora em grau recursal. E nem se diga que o pedido deva ser deferido em nome do preceito conhecido como verdade material. Os princípios de direito tem a finalidade de nortear os legisladores e juízes de direito na análise da constitucionalidade de lei. Não obstante, essa finalidade não alcança os aplicadores da lei, adstritos à legalidade, como são os julgadores administrativos. Assim é que o conhecido princípio da verdade material não tem o condão de derrogar ou revogar artigos do ordenamento legal , enquanto vigentes. Relativamente à temática, o R. Acórdão Recorrido assinala que: A autuada solicita, ao final de suas razões, produção de provas, especialmente a realização de perícia, conforme quesitos abaixo transcritos: 1) Diga o Sr. Perito qual seria o valor do lançamento fiscal realizado uma vez excluídas as rubricas de SEBRAE. 2) Diga o Sr. Perito qual seria o valor do lançamento fiscal realizado, uma vez excluídas as rubricas exigidas pelo INCRA. 3) Aponte o Sr. Perito qual o valor do lançamento, uma vez desconsideradas da parte patronal (20%) as rubricas correspondentes: a) auxílio doença; b)aviso prévio indenizado; c) 1/3 constitucional de férias; d) horas extras; e, e) adicional de horas extras. 4) Diga o Sr. Perito qual o valor pago referente ao SIMPLES no período que compreende o presente Auto de Infração. 4.1) Informe Sr. Perito se houve qualquer abatimento dos pagamentos realizados pela ora Impugnante à guisa de SIMPLES. 4.2) Se não deduzidos, como ficaria o lançamento com sua devida amortização. Nos termos do caput do art. 18 do Decreto 70.235/72, que estabelece regra básica da perícia no processo administrativo fiscal: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A realização de perícia pressupõe, portanto, a pesquisa de fatos, efetuada por pessoas de reconhecido saber, habilidade e experiência, visando à solução de dúvidas que não possam ser resolvidas pelo julgador. Tem por fim oferecer esclarecimento em torno de questão não elucidada pela análise documental ou dependente de conhecimentos técnicos específicos. Fl. 1181DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 A perícia sugerida pela contribuinte não reúne os pressupostos para sua realização. Dois quesitos propostos trazem questionamento sobre valores que estão contidos no processo, a fiscalização demonstrou as bases de cálculo e as alíquotas para o cálculo da contribuição do SEBRAE e INCRA. Assim, entendo essa perícia como desnecessária ao deslinde das questões do processo. Quanto demais outros quesitos, relativos aos valores pagos a título de auxilio-doença, aviso prévio indenizado, 1/3 constitucional de férias, horas extras e adicional de horas extras, e valores pagos referentes ao SIMPLES e amortização destes valores, todas as questões foram decididas neste voto, não havendo quaisquer pontos de dúvida a serem dirimidos por perícia técnica. Diante disso, o pedido de perícia é desnecessário e deve ser indeferido. Soma-se entendimento sumulado no CARF, abaixo reproduzido, que afasta alegação de nulidade da Decisão de Piso: Súmula CARF nº 163 O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Como se observa, parte dos questionamentos dos Recorrentes tratam de matéria nem mesmo conhecida em sede recursal. Afastada esta alegação de nulidade, restam indeferidos os pedidos de perícia com os fundamentos declinados. NULIDADES ALEGADAS É de se ressaltar que o direito de ampla defesa foi devidamente garantido aos Recorrentes com abertura de prazo para apresentação de defesas ao lançamento, assim como o fez, bem como pela ciência de todos os demais atos processuais. A autuação encontra-se plenamente motivada em todos os seus aspectos. Desta forma, uma vez que todos os atos que ampararam a ação fiscal ocorreram em conformidade com as disposições normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e tendo a ação fiscal sido conduzida por servidor competente, em obediência aos requisitos do Decreto nº 70.235/1972, e inexistindo prejuízo à defesa, não se há de falar em nulidade do auto de infração ou do R. Acórdão Recorrido. Rejeito, sob esses fundamentos, as preliminares de nulidade. MÉRITO O Recorrente/Contribuinte foi autuado pelo não recolhimento de contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais, nas competências janeiro de 2009 a dezembro de 2009; e de contribuições destinadas ao FNDE, INCRA, SEST, SENAT e SEBRAE, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, nas competências janeiro de 2009 a dezembro de 2009. Segundo o Relato Fiscal: 5.1. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas: - as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados; Fl. 1182DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 - as remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais (sócios administradores e transportadores rodoviários autônomos). 5.2. Conforme consulta realizada nos sistemas da Receita Federal do Brasil (extratos – Anexo X), a empresa apresentou as Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica dos anos-calendários 2008 e 2009, constando a forma de tributação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica com base no Lucro Real. 5.3. Porém, a empresa declarou indevidamente em GFIP (Guia de Recolhimento de FGTS e de Informações à Previdência Social), de forma reiterada (12 vezes), referente ao período fiscalizado (01/2009 a 12/2009), ser optante do SIMPLES NACIONAL (Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, instituído pela Lei Complementar nº 123/2006). 5.4. Pelo fato de ter sido informado em GFIP como “optante do Sistema SIMPLES”, houve a omissão dos valores de contribuições devidas, a cargo da empresa, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, não tendo sido efetuado, também, o recolhimento dessas contribuições. 5.5. A empresa em questão já havia sido fiscalizada, no ano de 2009, conforme determinado pelo Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 10.1.06.00-2009-00475- 3, referente ao período de 01/2005 a 12/2008, sendo identificada a mesma situação, isto é, o sujeito passivo já havia declarado indevidamente em GFIP, durante 48 meses, ser optante pelo SIMPLES FEDERAL(Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) de 01/2005 até 06/2007, e ser optante pelo SIMPLES NACIONAL de 07/2007 a 12/2008. Importante ressaltar que o contribuinte parcelou os débitos decorrentes do referido procedimento fiscal, conforme extrato do sistema de cobrança, através da tela “Consulta Processos Parcelamento Especial”(Anexo XI), de modo que insistiu na conduta que sabia ser indevida, não tendo sequer retificado as GFIPS correspondentes. Sobre este fato, não houve apresentação de inconformismo, restando inconteste. MULTA QUALIFICADA Os Recorrentes buscam a desqualificação da multa imposta, ao argumento da ausência de dolo. Segundo o Relato Fiscal: 7.1. No que diz respeito às contribuições previdenciárias e àquelas destinadas a outras entidades e fundos, a MP nº 449, de 03 de dezembro de 2008, depois convertida na Lei nº 11.941, de 2009, acrescentou à Lei nº 8.212, de 1991, o art. 35-A, alterando a fundamentação legal da multa em lançamento de ofício, a qual passou a ser regida pelo art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A multa prevista no inciso I do referido dispositivo corresponde a 75% do tributo, cujo percentual de multa será duplicado, conforme previsto abaixo, sendo que o contribuinte, tendo sido anteriormente autuado em 2009 pela mesma infração, manteve igual conduta em não declarar em GFIP as contribuições previdenciárias correspondentes, configurando, em tese, a prática de crime de Sonegação de Contribuições Previdenciárias. A multa aplicada visa a penalizar, de forma conjunta, tanto o não pagamento quanto a inexatidão da declaração apresentada, como se vê abaixo: (...) 7.4. A multa aplicada é a prevista no inciso I c/c o § 1º, ambos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, ou seja, 150%, pois a conduta dolosa do contribuinte enquadra-se no conceito de sonegação, previsto na lei 4.502/64, artigo 71, conforme analisado. 7.5. Saliente-se que não há como afastar a conduta dolosa do sujeito passivo, que de maneira reiterada, durante um período de 5 anos (60 meses), prestou MENSALMENTE Fl. 1183DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 (60 VEZES) informação indevida em GFIP, conforme já disposto no item 5.5 mencionado acima. E mesmo após ter sido autuado no final de 2009, referente à omissão de contribuições em GFIP de 01/2005 a 12/2008, justamente por se declarar indevidamente no referido documento como optante do SIMPLES FEDERAL e SIMPLES NACIONAL, não retificou as GFIP’S do período de 01 a 12/2009, mantendo a omissão das contribuições ora lançadas. Examinado a instrução processual, o Colegiado de Piso assinalou que: Em relação à multa de ofício de 150%, há que se observar, antes de mais nada, que a constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública, sendo defeso à autoridade julgadora administrativa afastar a sua aplicação, por inconstitucionalidade, ressalvados, somente, os casos previstos no parágrafo 6.º do artigo 26-A do Decreto n.º 70.235, de 06 de março de 1972, incluído pela Lei n.º 11.941, de 27 de maio de 2009. (...) No caso em tela, restou constatado que a impugnante de forma sistemática e intencional, declarou no período ser optante pelo Simples, com a finalidade específica de evitar o pagamento das contribuições previdenciárias patronais e daquelas destinadas a outras entidades e fundos, devidas e incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, conforme relatado nos itens 5.1 a 5.5 do Relatório do Processo, a seguir transcrito. 5.1. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas: - as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados; - as remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais (sócios administradores e transportadores rodoviários autônomos). 5.2. Conforme consulta realizada nos sistemas da Receita Federal do Brasil (extratos – Anexo X), a empresa apresentou as Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica dos anos-calendários 2008 e 2009, constando a forma de tributação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica com base no Lucro Real. 5.3. Porém, a empresa declarou indevidamente em GFIP (Guia de Recolhimento de FGTS e de Informações à Previdência Social), de forma reiterada (12 vezes), referente ao período fiscalizado (01/2009 a 12/2009), ser optante do SIMPLES NACIONAL (Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, instituído pela Lei Complementar nº 123/2006). 5.4. Pelo fato de ter sido informado em GFIP como “optante do Sistema SIMPLES”, houve a omissão dos valores de contribuições devidas, a cargo da empresa, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, não tendo sido efetuado, também, o recolhimento dessas contribuições. 5.5. A empresa em questão já havia sido fiscalizada, no ano de 2009, conforme determinado pelo Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 10.1.06.00-2009-00475- 3, referente ao período de 01/2005 a 12/2008, sendo identificada a mesma situação, isto é, o sujeito passivo já havia declarado indevidamente em GFIP, durante 48 meses, ser optante pelo SIMPLES FEDERAL(Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) de 01/2005 até 06/2007, e ser optante pelo SIMPLES NACIONAL de 07/2007 a 12/2008. Importante ressaltar que o contribuinte parcelou os débitos decorrentes do referido procedimento fiscal, conforme extrato do sistema de cobrança, através da tela “Consulta Processos Parcelamento Especial”(Anexo XI), de modo que insistiu na conduta que sabia ser indevida, não tendo sequer retificado as GFIPS correspondentes. Vislumbra-se, assim, a ocorrência de sonegação, como definida no artigo 71, inciso I, da Lei n.º 4.502/64, na medida em que o procedimento adotado pela impugnante, levou a Receita Federal do Brasil a acreditar que a impugnante estava em dia com suas Fl. 1184DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 obrigações tributárias, mascarando a situação irregular em que se encontrava, somente identificada após o trabalho de fiscalização. Observe-se que não se está julgando se houve, ou não, a prática de crime, competência essa atribuída ao Poder Judiciário, mas tão-somente se foram preenchidos os requisitos estabelecidos em lei, para a aplicação do aumento de multa previsto no parágrafo 1.º do artigo 44 da Lei n.º 9.430/96. Correta, portanto, a aplicação da multa de ofício de 150%, incidente sobre as contribuições devidas. A prática infratora tributária e a estratégia de defesa, por si só, não são suficientes para comprovar a existência de fraude, simulação e dolo. É preciso que a autoridade fiscal descreva o comportamento doloso, a fraude/simulação em todas as suas vertentes e demonstre a sua utilização para a prática infratora específica. Assim restaria justificada a qualificadora da multa. Em julgamento no CARF, o Conselheiro Relator (Acórdão n.º 1201-003.590 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, julgado em 12/02/2020, Processo nº 10280.723086/2009- 43 54) considerou que: Como se vê, tanto na sonegação quanto na fraude há uma ação ou omissão dolosa por parte do contribuinte vinculada ao fato gerador da obrigação principal. Tal conduta visa impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autorizada fazendária, no caso da sonegação, ou da ocorrência do próprio fato gerador, no caso da fraude. No conluio tem-se a pratica tanto da fraude ou de sonegação mediante ajuste entre duas ou mais pessoas. Importante observar, porém, que para a caracterização da sonegação, não basta uma simples conduta para impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Faz-se necessária uma conduta qualificada por evidente intuito de fraude. Ademais, os fatos devem estar minuciosamente descritos no lançamento tributário (Termo de Verificação Fiscal) e acompanhado de robusto lastro probatório. Em resumo, para a qualificação multa são necessários os seguintes requisitos: i) conduta qualificada por evidente intuito de fraude do sujeito passivo, tais como, documentos inidôneos, informações falsas, interposição de pessoas, declarações falsas, atos artificiosos, dentre outros; ii) conduta típica minuciosamente descrita no lançamento tributário (Termo de Verificação Fiscal); iii) conjunto probatório robusto da conduta praticada pelo sujeito passivo e demais envolvidos, se for o caso. 55. O CARF tem se posicionado na linha do racional exposto acima, inclusive com a edição de súmulas, no sentido de que para fins de qualificação da multa não basta a simples omissão de receita ou rendimentos, faz-se necessário a comprovação do evidente intuito de fraude na conduta do sujeito passivo. ´ A propósito, veja-se a inteligência das Súmulas CARF nº 14, 25 e 34: Súmula CARF nº 14 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25 A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de14/07/2010) Fl. 1185DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 Súmula CARF nº 34 Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de14/07/2010) Não pode o julgador presumir o elemento doloso na conduta do agente, tampouco aplicar a qualificadora em sentido amplo. As provas precisam materializar condutas adicionais perpetradas pelo contribuinte com o intuito de ocultar, como é o caso da emissão de notas subfaturadas, apresentação de documentos falsos, interposição de pessoas, dentre outras. Doutro lado, a legislação aplicável ao fato gerador não considerou a reiteração da conduta como situação bastante à qualificação da multa. A C. CSRF, em recente julgado (Acórdão nº 9202-009.488, de 28/04/2021) a respeito da temática, em lançamento de Imposto Sobre a Renda, observou que: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEDUÇÕES INDEVIDAS. MULTA QUALIFICADA No caso de omissão de rendimentos e deduções indevidas, a reiteração da infração, por si só, não enseja a qualificação da penalidade, ausente a prova de ocorrência de uma das hipótese dos artigos 71, 72 ou 73 da Lei 4.502/64. No mesmo sentido, o Acórdão 9202-007.639, de 27/02/2019. Da fundamentação deste julgado, extrai-se que: Já a aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada, decorrente do art. 44, § 1º, da Lei n° 9.430, de 1996, deve obedecer toda cautela possível e ser aplicada, tão somente, nos casos em que ficar nitidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, respeitando assim o princípio da legalidade e a vontade do legislador. Uma vez que a literalidade do dispositivo legal ressaltou expressamente que para que a multa de lançamento de ofício se transforme de 75% em 150% é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude. Este mandamento se encontra no inciso II do artigo 957 do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999. Ou seja, para que ocorra a incidência da hipótese prevista no dispositivo legal referendado, é necessário que esteja perfeitamente caracterizado o evidente intuito de fraude. Para tanto, se faz necessário sempre ter em mente o princípio de direito de que a “fraude não se presume”, devem existir, sempre, dentro do processo, provas evidentes do intuito de fraude. (...) Pensar diferente levaria a ideia de que (...), ou que a simples reiteração em anos subsequentes seriam caso de aplicação de multa qualificada, e se assim fosse, o próprio dispositivo legal deveria trazer essa previsão, contudo não o fez, justamente por que a simples realização da conduta (...) não caracteriza o intuito de fraudar. (...) A qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma prática identificada de (...), aos fatos delituosos mais ofensivos à ordem legal, nos quais o agente sabe estar praticando o delito e o deseja, a exemplo: da adulteração de comprovantes, da nota fiscal inidônea, movimentação de conta bancária em nome fictício, movimentação bancária em nome de terceiro (“laranja”), movimentação bancária em nome de pessoas já falecidas, da falsificação documental, do Fl. 1186DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 documento a título gracioso, da falsidade ideológica, da nota fiscal calçada, das notas fiscais de empresas inexistentes (notas frias), das notas fiscais paralelas, do subfaturamento na exportação (evasão de divisas), do superfaturamento na importação (evasão de divisas), etc. (...) O intuito de fraudar referido não é todo e qualquer intuito, tão somente por ser intuito, e mesmo intuito de fraudar, mas há que ser intuito de fraudar que seja evidente, pois, quando a lei se reporta à evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder, desta ou daquela forma, para alcançar, tal ou qual, finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista ao agir. Considero que o intuito de fraude aparece de forma clarividente em casos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc. É de se ressaltar, que não basta que atividade seja ilícita para se aplicar à multa qualificada, deve haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. E ainda que restassem dúvidas quanto ao sentido a ser atribuído à disposição legal, em reforço argumentativo, deve destacar o art. 112 do CTN, que impõe interpretações mais benéfica aos infratores da lei tributária: (...) Tomando o art. 112 do CTN como diretriz da aplicação de penalidades tributárias, insta salientar que a aplicação da multa agravada não deve ser tida como regra, mas sim como exceção nos casos de exclusiva comprovação fraude Conforme se observa, o relato fiscal não descreve suficientemente uma conduta qualificada por evidente intuito doloso e ação simulatória praticada pelo Recorrente. Desta forma, ao meu enfoque, cumpre afastar a qualificadora da multa. RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA A respeito da temática, vejamos os termos da autuação: 12.1.2. A conduta reiterada adotada pelo sujeito passivo de ter informado indevidamente em GFIP como se fosse “empresa optante do Sistema SIMPLES”, no período fiscalizado (01/2009 a 12/2009), havendo a omissão dos valores de contribuições devidas, a cargo da empresa, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, e, também, não ter sido efetuado o recolhimento das mesmas contribuições, caracteriza a Sujeição Passiva Solidária em relação aos administradores a seguir relacionados, nos termos dos artigos 124, I e 135, III, da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Tal conduta configura inclusive, em tese, Crime de Sonegação de contribuição previdenciária e Crime contra a ordem tributária. 12.1.2.1. Identificamos a mesma situação referida no item anterior, quando de fiscalização efetuada no ano de 2009, em que o sujeito passivo já havia declarado indevidamente em GFIP, ser optante pelo SIMPLES FEDERAL, de 01/2005 até 06/2007, e ser optante pelo SIMPLES NACIONAL de 07/2007 a 12/2008, omitindo as Fl. 1187DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 contribuições previdenciárias e as contribuições destinadas a Outras entidades ou Fundos, fato esse já anteriormente mencionado através do item 5.5. do presente relatório. 12.1.3. Diante disso, os administradores da empresa são, também, responsáveis solidários, posto que tem interesse comum na situação que constitui o fato gerador, sendo que 02 deles (Vinissius Gialdi e Carmila Gialdi) inclusive, além de administradores, são sócios da empresa, bem como agiram com infração à lei, a teor das disposições legais contidas no Código Tributário Nacional – CTN, artigo 124, inciso I,como prevê abaixo, e o artigo 135 inciso III: (...) 12.1.4. Importa esclarecer que o Sr. Jair Gialdi é pai de Vinissius e Carmila, sendo a família Gialdi dona do Grupo Econômico Móbile(Transportes Mobiline Ltda; Posicargo Transportes e Logística Ltda; Mobilog Cargas Expressas Ltda; Pro Service Transportes Ltda e Movelsul Transportes Ltda). 12.2. DO GRUPO ECONÔMICO MÓBILE 12.2.1. A administração do grupo é exercida em Bento Gonçalves, onde residem e trabalham os Srs. Jair, Vinissius e Carmila. Os estabelecimentos matriz da Transportes Mobiline Ltda; Posicargo Transportes e Logística Ltda e Mobilog Cargas Expressas Ltda são todos na Rua Giovani Grando Filho, 106 – BG, conforme a seguir explicitado. 12.2.1.1. As empresas, acima mencionadas, possuem relação em comum, quer pelos sócios, quer pelos endereços ou atividades comuns. 12.2.1.2. No centro de todas as empresas está a família GIALDI, que tem em sua composição: o Sr. Jair Antônio Gialdi (PAI), que é casado com a Sra. Romilda Cagol Gialdi (MÃE), juntamente com Vinissus Cagol Gialdi(FILHO) e Carmila Noele Gialdi(FILHA). 12.2.2. O Sr. Jair Gialdi - CPF nº 255.166.390-34 (pai de Vinissius e Carmila) participa da administração da Transportes Mobiline Ltda, conforme Procurações com amplos poderes (nº12.050-533 emitida em 01/09/2006) e (nº 38.950-768 emitida em 29/11/2011), conforme Anexo IV. 12.2.2.1. Participa ainda da empresa Posicargo Transportes e Logistica Ltda – CNPJ 03.035.359/0001-92 (antiga razão social: Móbile Transportes de Móveis Ltda), como Sócio Administrador com a designação de Diretor Administrativo e Financeiro, conforme Alterações nºs 17 e 18 e Consolidação Contratual (Anexo V). 12.2.2.2. A participação do Sr.Jair (pai) na administração e/ou quadro societário, ou como procurador, nas empresas do Grupo Econômico MOBILE, juntamente com Sr. Vinissius Gialdi e Sra. Carmila Gialdi, evidencia o interesse comum quanto ao desenvolvimento do Empreendimento Familiar, bem como quanto à situação que constitui o fato gerador das contribuições ora lançadas. 12.3. Faz-se necessário, portanto, para fins de garantia do crédito tributário, que os administradores da empresa, abaixo elencados, sejam nomeados sujeitos passivos solidários, nos termos dos artigos 124, I e 135, inciso III, do CTN, com o objetivo de evitar o NÃO pagamento da totalidade das contribuições patronais previdenciárias e daquelas destinadas a outras entidades e fundos, pelo que lavramos os respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária. Examinado o teor da responsabilização solidária, o R. Acórdão Recorrido assinala que: Inicialmente, é preciso esclarecer que a responsabilidade tributária atribuída a Vinissius Cagol Gialdi, à Carmila Noele Gialdi e a Jair Antônio Gialdi, tem por fundamento não apenas o art. 124, I, da Lei 5.172/66 – Código Tributário Nacional - CTN, mas também o art. 135, III, deste mesmo diploma normativo, conforme atestam os Termos de Sujeição Passiva Solidária nº 01, 02 e 03 – Anexos VII, VIII e IX. Fl. 1188DF CARF MF Original Fl. 25 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 A atribuição de responsabilidade solidária, nos termos do art. 124, I, do CTN, exige a demonstração de interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. A autoridade autuante demonstrou sobejamente que Vinissius Cagol Gialdi, Carmila Noele Gialdi, bem como o Jair Antônio Gialdi, tinham interesses comuns com as atividades desenvolvidas pela Transportes Mobiline Ltda., tendo inclusive participação ativa na administração da empresa e na prática dos ilícitos tributários apurados. Vinissius Cagol Gialdi, sócio-administrador da empresa Transportes Mobiline Ltda. juntamente com Carmila Noele Gialdi. Carmila Noele Gialdi, apesar de não constar como sócia-administradora, possui o cargo de Diretora Administrativa, recebendo remuneração pela sua atividade. Jair Gialdi, embora não sócio participou ativamente da administração, pelos amplos poderes outorgados pela empresa, conforme Procurações Públicas nº 12.050-533 (Livro nº 87, fl. 174) e 38.950-768 (Livro 187, fl. 192), respectivamente, do 2º Tabelionato de Notas de Bento Gonçalves e do 1º Tabelionato de Notas de Bento Gonçalves. (...) A responsabilidade tributária prevista no art. 135, III, do CTN, é aplicável nas hipóteses em que diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado praticam atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Registre-se também o item 12.1.2 que fundamenta a responsabilidade solidária. (...) Assim, há fundamentos fáticos suficientes para a atribuição de responsabilidade ao Sr. Vinissius Cagol Gialde, Carmila Noele Gialde e Jair Antônio Gialdi, seja em razão das disposições do art. 124, I, ou do art. 135, III, do CTN, e diante das evidências expostas no trabalho fiscal, está correto o procedimento no que diz respeito à identificação dos responsáveis tributário solidários. Quanto a desnecessidade de sujeição passiva solidária a terceiros, em razão da solvência da empresa, não há fundamento para sustentar tal argumento, diante da literalidade do Código Tributário Nacional em determinar as pessoas que respondem solidariamente pelos atos da empresa. Relativamente à impossibilidade da Receita Federal do Brasil imputar responsabilidade a terceiros, competência essa que seria exclusiva da PGFN no âmbito de Ação Executiva Fiscal, o que ocorre é exatamente o contrário, ou seja, o entendimento é que deva ser oportunizado o contraditório desde que constituído o crédito, vindo isso em favor dos próprios envolvidos. Realmente o tema era por demais discutido e antigamente entendia-se que as DRJs não deveriam apreciar no julgamento administrativo de 1ª instância as defesas apresentadas pelos responsáveis solidários. Tal questão, porém, foi vencida através da Portaria Conjunta PGFN/RF nº 8/2012 e pela Nota GT Responsabilidade Tributária nº 1, de 17/12/2010, onde é disposto claramente que quando do lançamento de ofício devem constar todos os responsáveis tributários. Vejamos: “... O lançamento de ofício deve ser efetuado contra o contribuinte e todos os responsáveis tributários sempre que, no procedimento de constituição do crédito tributário, forem identificadas hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos ...”. Aliás, o Parecer PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009 já dispunha que a autoridade administrativa do Fisco poderia declarar essa obrigação do responsável, fosse ou não constituída através do lançamento: “ ... a responsabilidade do administrador não tem natureza de obrigação tributária em sentido estrito, porquanto não decorre de fato lícito, mas sim ato ilícito (art. 3º, CTN); logo sua obrigação não precisa ser “constituída” por lançamento, bastando que seja Fl. 1189DF CARF MF Original Fl. 26 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 “declarada”, seja por autoridade administrativa do Fisco, seja pelo Procurador da Fazenda (por meio da CDA), seja pela autoridade judicial ...” A jurisprudência do STF também é firme e categórica em entender que em nome dos princípios do contraditório e da ampla defesa deva ser oportunizada pela autoridade fiscal a manifestação dos responsáveis solidários desde a constituição do crédito tributário: AG. RG no Recurso Extraordinário 608.426 – Paraná Relator: Ministro Joaquim Barbosa “Os princípios do contraditório e da ampla defesa aplicam-se plenamente à constituição do crédito tributário em desfavor de qualquer espécie de sujeito passivo, irrelevante sua nomenclatura legal (contribuintes, responsáveis, substitutos, devedores solidários, etc.)”. Portanto, sem reparos a serem feitos quanto a esse aspecto. Observa-se que a atribuição da responsabilização solidária deu-se pelos art. 124, I, II e 135, III, ambos do CTN, para os três solidários. Relativamente ao art. 135, III, cumpre observar a autuação não descreve condutas individuais, trazendo apenas a responsabilidade em razão de os imputados responsáveis serem administradores do Contribuinte. Ora, o artigo 135, III, do CTN, responsabiliza pessoalmente os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de "atos praticados" com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Trata-se de responsabilidade tributária que ocorrerá se houver atuação do administrador ou procurador contrária ao contrato/estatuto ou à lei. Ou seja, para a configuração da responsabilidade tributária solidária, prevista no art. 135, III, do CTN, é imprescindível que o auto de infração descreva especificamente a conduta praticada em excesso de poder ou de infração de lei ou contrato social e identifique o agente para cada ato infrator, no que o auto de infração em questão foi falho. Nesse sentido, o R. Acórdão da C. CSRF nº 9101-005.502, de 12/07/2021, com ementas abaixo reproduzidas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. DIVERGÊNCIA DEMONSTRADA. (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN. PODERES DE GESTÃO/ADMINISTRAÇÃO. I - O art. 135 do CTN, ao dispor no caput, sobre os atos praticados, diz respeito aos atos de gestão para o adequado funcionamento da sociedade, exercidos por aquele que tem poderes de administração sobre a pessoa jurídica. A plena subsunção à norma que trata da sujeição passiva indireta demanda constatar se as obrigações tributárias, cujo surgimento ensejaram o lançamento de ofício e originaram o crédito tributário, foram resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Fala-se em conduta, acepção objetiva (de fazer), não basta apenas o Fl. 1190DF CARF MF Original Fl. 27 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 atendimento de ordem subjetiva (quem ocupa o cargo). Ou seja, não recai sobre todos aqueles que ocupam os cargos de diretores, gerentes ou representantes de pessoa jurídica de direito privado, mas apenas sobre aqueles que incorreram em atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. II - O fundamento da responsabilização tributária do art. 135 do CTN repousa sobre quem pratica atos de gerência, podendo o sujeito passivo indireto ser tanto de um “sócio-gerente”, quanto um diretor contratado, ou ainda uma pessoa que não ocupa formalmente os cargos de diretores, gerentes ou representantes de pessoa jurídica de direito privado, mas que seja o sócio de fato da empresa. Não basta a pessoa integrar o quadro societário, deve restar demonstrado que possui poderes de gestão, seja mediante atos de constituição da sociedade empresária (contratos sociais, estatutos, por exemplo), ou, quando se tratar de sócio de fato, em provas demonstrando a efetiva atuação em nome da empresa. (...). Não é possível admitir a responsabilização de pessoas físicas com base em mera suposição. A Autoridade Fiscal afirma, mas não descreve a participação ou conduta do responsável solidário. Desta forma, cumpre afastar a responsabilização solidária pelo art. 135, III, do CTN. Entretanto, a Autoridade Fiscal lançadora descreveu na autuação a existência de interesse comum entre os responsabilizados e Autuado. A respeito da responsabilização solidária calcada no art. 124, I do CTN, a RFB emitiu o Parecer Normativo COSIT nº 04/2018, vinculante para a RFB. O Parecer Normativo COSIT nº 04/2018 assim descreve o entendimento: 7. A sujeição passiva decorrente de responsabilidade tributária (inciso II do parágrafo único do art. 121 do CTN) é tema sensível no ordenamento jurídico tributário. Sua regulação no CTN não foi precisa. Atualmente, a responsabilização tributária ocorre em regra, mas não necessariamente, em dois momentos: no lançamento tributário ou no redirecionamento da execução fiscal. Na primeira, a atuação é efetuada, em âmbito federal, pelo Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil. É fundamental, assim, que no âmbito da administração tributária federal haja uniformidade nesta seara, em prol do princípio da segurança jurídica. (...) 9. A consulta que originou o presente Parecer Normativo trata da responsabilidade tributária a que se refere o art. 124, I, do CTN, a seguir transcrito: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II - as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (grifou-se) (...) 16. Não é qualquer interesse comum que pode ensejar a aplicação do disposto no inciso I do art. 124 do CTN. O interesse deve ser no fato ou na relação jurídica relacionada ao fato jurídico tributário, como visto acima. Assim, o mero interesse econômico, sem comprovação do vínculo com o fato jurídico tributário (incluídos os atos ilícitos a ele vinculados) não pode caracterizar a responsabilização solidária, não obstante ser indício Fl. 1191DF CARF MF Original Fl. 28 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 da concorrência do interesse comum daquela pessoa no cometimento do ilícito. Transcreve-se elucidativo trecho de julgado do CARF [CARF, Acórdão nº 1201- 001.974, Rel. Luis Henrique Marotti Toselli]: O interesse comum de que trata o artigo 124, inciso I, do CTN é sempre jurídico, não devendo ser confundido com "interesse econômico", "sanção", "meio de justiça" etc. O interesse econômico, reconhecemos, até pode servir de indício para a caracterização de interesse comum, mas, isoladamente considerado, não constitui prova suficiente para aplicar a solidariedade. E também não é suficiente que a pessoa tenha tido participação furtiva como interveniente num negócio jurídico, ou mesmo que seja sócio ou administrador da empresa contribuinte, para que a solidariedade seja validamente estabelecida. Pelo contrário, a comprovação de que o sujeito tido por solidário teve interesse jurídico, o que se faz com a demonstração cabal da relação direta e pessoal dele com a prática do ato ou atos que deram azo à relação jurídico tributária, é requisito fundamental para fins de aplicação de responsabilidade solidária. 17. Ao caracterizar o interesse comum como sendo aquele relacionado com algum vínculo ao fato jurídico tributário, pode-se criar a falsa impressão de que neste parecer se alinharia à tese de que o interesse comum seria o que se denominou interesse jurídico, o que não é verdade. 17.1. Em muitas situações, mormente quando se está diante de cometimento de atos ilícitos, estes se configuram na medida em que a essência do verdadeiro fato jurídico esteve artificialmente escondida ou manipulada por determinadas pessoas. Não haveria, assim, propriamente um vínculo jurídico formalizado. Há, isso sim, um vínculo que se torna jurídico, ao menos em âmbito tributário, no momento em que háa imputação de responsabilidade. (...) 18. Na linha até aqui desenvolvida, deve-se ter o cuidado de avaliar qual ilícito pode ensejar a responsabilização solidária, pois ele deve repercutir em âmbito tributário. Conforme Andréa Darzé: No que se refere à responsabilidade tributária, o que se nota é que não é qualquer ilícito que poderá ensejar a atribuição de sanção dessa natureza; deve ser fato que representa obstáculo à positivação da regra-matriz de incidência, nos termos inicialmente fixados. Descumprido dever que, direta ou indiretamente, dificulte ou impeça a arrecadação de tributos, irrompe uma relação jurídica de caráter sancionatório, consubstanciada na própria imputação da obrigação que inclui no seu objeto o valor do tributo. Com isso, o ordenamento positivo pune o infrator e desestimula a prática de atos dessa natureza [DARZÉ, Andréa M. Responsabilidade tributária Solidariedade e Subsidiariedade. São Paulo: Noeses, 2010, p. 96] 19. Destarte, além do cometimento em conjunto do fato jurídico tributário, pode ensejar a responsabilização solidária a prática de atos ilícitos que englobam: (i) abuso da personalidade jurídica em que se desrespeita a autonomia patrimonial e operacional das pessoas jurídicas mediante direção única ("grupo econômico irregular"); (ii) evasão e simulação fiscal e demais atos deles decorrentes, notadamente quando se configuram crimes; (iii) abuso de personalidade jurídica pela sua utilização para operações realizadas com o intuito de acarretar a supressão ou a redução de tributos mediante manipulação artificial do fato gerador (planejamento tributário abusivo). Grupo econômico irregular 20. O primeiro questionamento da consulta interna que ensejou o presente Parecer Normativo foi: "o art. 124, do CTN, admite a responsabilização solidária por débitos tributários entre componentes do mesmo grupo econômico quando restar comprovada a existência de liame inequívoco entre as atividades desempenhadas por seus integrantes mediante comprovação de confusão patrimonial ou de outro ato ilícito contrário às regras societárias?". Fl. 1192DF CARF MF Original Fl. 29 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 20.1. Na jurisprudência e na doutrina, a hipótese mais tratada para a responsabilização solidária é para o que se denominou "grupo econômico", especificamente quando há abuso da personalidade jurídica em que se desrespeita a autonomia patrimonial e operacional das pessoas jurídicas mediante direção única. (...) Síntese conclusiva 40. De todo o exposto, conclui-se: a) a responsabilidade tributária solidária a que se refere o inciso I do art. 124 do CTN decorre de interesse comum da pessoa responsabilizada na situação vinculada ao fato jurídico tributário, que pode ser tanto o ato lícito que gerou a obrigação tributária como o ilícito que a desfigurou; b.1) a responsabilidade solidária por interesse comum decorrente de ato ilícito demanda que a pessoa a ser responsabilizada tenha vínculo com o ato e com a pessoa do contribuinte ou do responsável por substituição; deve-se comprovar o nexo causal em sua participação comissiva ou omissiva, mas consciente, na configuração do ato ilícito com o resultado prejudicial ao Fisco dele advindo; b.2) o mero interesse econômico, sem comprovação do vínculo com o fato jurídico tributário (incluídos os atos ilícitos a ele vinculados) não pode caracterizar a responsabilização solidária, não obstante ser indício da concorrência do interesse comum daquela pessoa no cometimento do ilícito; b.3) são atos ilícitos que ensejam a responsabilidade solidária: (i) abuso da personalidade jurídica em que se desrespeita a autonomia patrimonial e operacional das pessoas jurídicas mediante direção única ("grupo econômico irregular"); (ii) evasão e simulação e demais atos deles decorrentes; (iii) abuso de personalidade jurídica pela sua utilização para operações realizadas com o intuito de acarretar a supressão ou a redução de tributos mediante manipulação artificial do fato gerador (planejamento tributário abusivo); c.1) não é a caracterização em si do grupo econômico que enseja a responsabilização solidária, mas sim o abuso da personalidade jurídica; os grupos econômicos formados de acordo com os Capítulos XX e XXI da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, em que há pleno respeito à personalidade jurídica de seus integrantes (mantendo-se a autonomia patrimonial e operacional de cada um deles), não podem sofrer a responsabilização solidária, salvo cometimento em conjunto do próprio fato gerador c.2) o grupo econômico irregular decorre da unidade de direção e de operação das atividades empresariais de mais de uma pessoa jurídica, a qual demonstra a artificialidade da separação jurídica de personalidade; esse grupo irregular realiza indiretamente o fato gerador dos respectivos tributos e, portanto, seus integrantes possuem interesse comum para serem responsabilizados; c.3) uma variável para a criação do grupo irregular é a corriqueira situação de confusão patrimonial com o intuito de fraude a credores, principalmente a Fazenda Nacional; seu objetivo é não só a manipulação da ocorrência dos fatos geradores futuros, mas também ocultar os reais sócios do empreendimento e/ou esvaziar o patrimônio referente ao passivo tributário; c.4) deve-se comprovar o cometimento do ilícito societário, mesmo que por prova indireta ou indiciária, pois mero interesse econômico no lucro não é passível de responsabilização solidária; não obstante, cabe observar que a distribuição disfarçada de lucros a que se referem os arts. 60 e 61 do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, denota a existência de abuso de personalidade jurídica a caracterizar grupo econômico irregular; Na descrição dos fatos, A D. Autoridade Lançadora descreve a existência de grupo econômico, mas não descreve abuso na personalidade jurídica ou confusão patrimonial. Nem ao menos descreve, enfaticamente, a existência de grupo econômico irregular. Fl. 1193DF CARF MF Original Fl. 30 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 Sob a minha ótica, a descrição contida no lançamento indica a existência de interesse econômico, mas como bem indicou o Parecer Normativo Cosit nº 4/2018: [CARF, Acórdão nº 1201-001.974, Rel. Luis Henrique Marotti Toselli]: O interesse comum de que trata o artigo 124, inciso I, do CTN é sempre jurídico, não devendo ser confundido com "interesse econômico", "sanção", "meio de justiça" etc. O interesse econômico, reconhecemos, até pode servir de indício para a caracterização de interesse comum, mas, isoladamente considerado, não constitui prova suficiente para aplicar a solidariedade. E também não é suficiente que a pessoa tenha tido participação furtiva como interveniente num negócio jurídico, ou mesmo que seja sócio ou administrador da empresa contribuinte, para que a solidariedade seja validamente estabelecida. Ante a ausência de demais elementos, deve ser afastada a responsabilidade solidária por interesse comum. Mas a Autoridade Fiscal também indicou a responsabilização solidária com lastro no art. 124, II, do CTN. Em que pese os Recorrentes não tenham apresentado insurgência específica este respeito, ao meu sentir apresentaram, genericamente, inconformismo que alcança também a fundamentação do inciso II, do art.124, do CTN, motivo pelo qual passamos à análise do seu alcance legal. Veja-se que a legislação prevê a solidariedade pela obrigação tributária diante da existência de grupo econômico de fato (inciso I) ou de direito (inciso II): "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II - as pessoas expressamente designadas por lei. Neste sentido, IN RFB 2110/2022, que dispõe que: Art. 275. No momento do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do inciso I do caput do art. 136 serão cientificadas da ocorrência. § 1º Caracteriza-se grupo econômico quando uma ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de outra, ou ainda quando, mesmo guardando cada uma sua autonomia, integrem grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. (CLT, art. 2º, § 2º) A Lei 8212/91 determina que: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX - as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Há jurisprudência no Carf nesta direção, conforme Acórdão 9202-007.679, de 26/03/2010, com ementas abaixo reproduzidas: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 30/04/2007 (...) Fl. 1194DF CARF MF Original Fl. 31 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas integrantes de grupo econômico respondem entre si, solidariamente, pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária. Ocorre que, no presente caso, as empresas do grupo econômico não foram responsabilizadas. Foram responsabilizadas apenas as pessoas físicas. Assim é que não restou configurada situação ensejadora da aplicação do inciso II, do art. 124, do CTN. Por todos estes motivos, deve-se afastar a responsabilização solidária de JAIR ANTONIO GIALDI, CARMILA NOELI GIALDI e do VINISSIUS CAGOL GIALDI As demais alegações a respeito da responsabilidade solidária restam prejudicadas. APROPRIAÇÃO DE PAGAMENTOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES Os Recorrentes pedem a apropriação dos pagamentos na sistemática simplificada de tributação. Vejamos o que constou do Acórdão Recorrido a este respeito: Em relação à contestação quanto ao não aproveitamento, pela fiscalização, das contribuições recolhidas no âmbito do sistema tributário SIMPLES, cumpre esclarecer que a Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) n.º 900, de 30/12/2008 (DOU de 31 de dezembro de 2008), veda expressamente a compensação de contribuições sociais previdenciárias com valores recolhidos indevidamente para este regime tributário simplificado, conforme abaixo: § 6.º É vedada a compensação de contribuições previdenciárias com o valor recolhido indevidamente para o Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar n.º 123, de 2006, e o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), instituído pela Lei n.º 9.317, de 05 de dezembro de 1996. Assim também consoante o disposto no artigo 56, parágrafo 6.º, da Instrução Normativa RFB n.º 1.300, de 20 de novembro de 2012 (DOU de 21 de novembro de 2012). Não há, destarte, que se falar em compensação das contribuições previdenciárias recolhidas pela sistemática do Simples, instituído pela Lei Complementar n.º 123/2006, com os valores das contribuições previdenciárias patronais apontados como devidos no AI n.º DEBCAD 51.022.220-0. (...) Em verdade, não se trata aqui de pedido de compensação, mas de solicitação de apropriação de pagamentos feitos a menor, de contribuições previdenciárias de mesmo período, no lançamento tributário. Fosse compensação, esta instância recursal restaria impedida por falta de competência. A compensação tributária constitui direito subjetivo do contribuinte e conta rito procedimental e normativo próprios, diversos dos afetos aos processos administrativos que tratam de autuação fiscal - inclusive no que toca à competência para análise e elaboração de despacho decisório, neste caso da Administração Tributária da RFB e não da Autoridade Lançadora (vide art. 64, da Instrução Normativa RFB nº 2.055/2018). Além disso, os pedidos de compensação podem decorrer da constituição de crédito tributário, mas não dizem respeito, de forma direta, à descrição da regra matriz de incidência tributária narrada na autuação. Por este motivo, a compensação tributária é matéria alheia ao processo administrativo fiscal de lançamento. Fl. 1195DF CARF MF Original Fl. 32 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 Mas aqui, claramente, o pedido é de apropriação de pagamentos a menor feitos pelo contribuinte, de tributo da mesma natureza e em igual período. A apropriação de pagamentos de tributos da mesma natureza pode e deve ser conduzida pela Autoridade Lançadora. Não há dúvidas que diante do pagamento parcial do tributo, a Autoridade Autuante deve considerar os recolhimentos, e levar para a base de cálculo do imposto apenas os valores não tributados. E claro que, nestes casos, o Julgador Administrativo, instado pela defesa, deverá expurgar do lançamento os recolhimentos comprovadamente feitos, de forma a que não ocorra tributação ou pagamento duplicado. A apropriação de pagamentos (que, de fato, traduz-se na redução da base de cálculo) busca impedir o pagamento a maior ou indevido, ensejador de restituição/compensação em procedimento próprio, a ser apresentado pelo contribuinte perante a Administração Tributária da RFB. Há um fato gerador que resulta no pagamento de um único tributo. Ou seja, a situação pressupõe tributos da mesma natureza jurídica. Esta Turma já decidiu anteriormente no sentido do deferimento destas apropriações, em julgamento semelhante, conforme ementas e fundamentação abaixo reproduzidas (Acórdão 2202-010.138, de 12/07/2023 – Relatoria do Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 01/09/2012 SIMPLES NACIONAL. SERVIÇOS DE VIGILÂNCIA, LIMPEZA OU CONSERVAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. A sociedade empresária no ramo de serviço de portaria, limpeza ou conservação, pode se enquadrar no Simples Nacional, entretanto está sujeita a Contribuição Patronal Previdenciária - CPP, segundo o § 5º-C, do art. 18, da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, não ficando dispensada do recolhimento das contribuições previdenciárias patronais na forma das demais pessoas jurídicas. VALORES RECOLHIDOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES QUANDO DEVERIA TER SIDO EFETIVADO O RECOLHIMENTO NA FORMA DAS DEMAIS EMPRESAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DEDUÇÃO DO QUE FOI RECOLHIMENTO NA SISTEMÁTICA UNIFICADA NO LIMITE E OBSERVANDO A MESMA NATUREZA. Na determinação dos valores a serem lançados de ofício, após não acolhimento da sistemática do SIMPLES para as receitas de serviços não abrangidos pelo recolhimento unificado, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar que sejam deduzidos recolhimentos na sistemática simplificada de tributação, decorrentes de contribuições previdenciárias no limite e extensão da mesma natureza, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. (...) [Voto] Pois bem. Neste ponto, relacionado com a dedução ou abatimento do que foi pago pela autuada como contribuições previdenciárias, na forma dos percentuais legais do SIMPLES, conforme apurado nas guias pertinentes de recolhimento na forma do Anexo Fl. 1196DF CARF MF Original Fl. 33 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 que ensejou o recolhimento, entendo que, no lançamento de ofício dos autos, que tem natureza suplementar, para apurar a forma correta de recolher, revisando o procedimento feito pelo contribuinte, deve-se apropriar o que foi pago e exigir apenas as diferenças, sendo essa a forma correta de mensuração do crédito tributário, sob pena de locupletamento da Fazenda Nacional, inclusive porque os recolhimentos ocorreram desde longa data e, lado outro, faz parte do procedimento de lançamento e de sua revisão pela autoridade fiscal apurar a realidade dos fatos, a base tributável e o montante devido, de modo a poder considerar os recolhimentos para fins da efetiva e correta tributação sem excessos. Logo, o que foi recolhido a título de mesma natureza precisa ser apropriado para a correta mensuração. Isso, ao meu sentir, é intrínseco ao procedimento de lançamento na forma do art. 142 do CTN e de sua revisão pela autoridade fiscal. Adicionalmente, aplica-se, ainda que por analogia, o enunciado na Súmula CARF nº 76: “Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada.” (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Importante anotar que a dedução deve se dar no limite da natureza do recolhimento, conforme percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Isto porque, por exemplo, não há no pagamento do SIMPLES valores destinados para terceiros, de modo que não terá o que se aproveitar a tal título, a despeito de que no caso deste autos não se tem mais o lançamento das rubricas de terceiro, afastado pela DRJ. Os valores recolhidos para o SIMPLES são rateados conforme percentuais indicados em lei, de forma que só se aproveitará o que for de mesma natureza do lançamento. Aliás, em caso similar decidiu este Colegiado, conforme Acórdão CARF n.º 2202- 009.952, sessão de 13/06/2023, in verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 SIMPLES NACIONAL. SERVIÇOS DE VIGILÂNCIA, LIMPEZA OU CONSERVAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL. A empresa optante pelo regime do Simples Nacional instituído pela Lei Complementar 123/2006 que se dedique às atividades de vigilância, limpeza ou conservação não fica dispensada do recolhimento das contribuições previdenciárias patronais na forma das demais pessoas jurídicas. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RETENÇÃO DE 11% PELO TOMADOR DE SERVIÇOS. COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. A empresa prestadora de serviços que sofreu retenção de contribuições previdenciárias no ato da quitação da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços que não optar pela compensação dos valores retidos, ou, se após a compensação, restar saldo em seu favor, poderá requerer a restituição do valor não compensado, desde que a retenção esteja destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços e declarada em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). VALORES RECOLHIDOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES QUANDO DEVERIA TER SIDO EFETIVADO O RECOLHIMENTO NA FORMA DAS DEMAIS EMPRESAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DEDUÇÃO DO QUE FOI Fl. 1197DF CARF MF Original Fl. 34 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 RECOLHIMENTO NA SISTEMÁTICA UNIFICADA NO LIMITE E OBSERVANDO A MESMA NATUREZA. Na determinação dos valores a serem lançados de ofício, após não acolhimento da sistemática do SIMPLES para as receitas de serviços não abrangidos pelo recolhimento unificado, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Sendo assim, com parcial razão a recorrente unicamente para que, em relação ao lançamento, se proceda com a dedução dos valores recolhidos ao SIMPLES a título de contribuição previdenciária patronal observando no abatimento a mesma natureza, observando-se, ainda, os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Soma-se entendimento sumulado neste Conselho: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Acolhida a fundamentação acima como razão de decidir, resta acolher o pleito dos Recorrentes para determinar a apropriação e, portanto, a dedução de eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados no período lançado, observando-se os percentuais previstos em lei e o limite da natureza do recolhimento. CONCLUSÃO. Pelo exposto, por conhecer parcialmente do recurso, exceto das alegações relativas a ilegalidades e inconstitucionalidades, e, na parte conhecida, por dar provimento parcial ao recurso para: (i) afastar a qualificadora da multa, reduzindo-a ao piso legal, (ii) afastar do polo passivo os responsáveis solidários JAIR ANTONIO GIALDI, CARMILA NOELI GIALDI e VINISSIUS CAGOL GIALDI, e (iii) determinar a dedução, no AI n.º Debcad 51.022.220-0, de eventuais recolhimentos de contribuição previdenciária sob a sistemática do regime simplificado de tributação, efetuados no período lançado, observando-se os percentuais previstos em lei e o limite da natureza do recolhimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly Fl. 1198DF CARF MF Original Fl. 35 do Acórdão n.º 2202-010.839 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.723094/2013-08 Fl. 1199DF CARF MF Original

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