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10547854 #
Numero do processo: 11080.732425/2018-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 13 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 03/07/2015 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.
Numero da decisão: 1201-006.525
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE

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COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Fl. 81DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.525 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.732425/2018-92 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Na origem, trata-se de Auto de Infração que veiculou a cobrança de Multa Isolada decorrente da não homologação de declarações de compensação transmitidas pelo contribuinte. O Acórdão Recorrido manteve o auto de infração alegando que o lançamento seria mera decorrência da não homologação das compensações, razão pela qual deveria seguir a mesma sorte. Em Recurso Voluntário, o Contribuinte defende: 1. Nulidade do lançamento pois somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva do processo de crédito; 2. Insubsistência do lançamento por inconstitucionalidade decorrente da violação ao direito de petição; 3. Retroação benigna da Lei nº 13.137/15, a qual revogou o § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que previa a aplicação da multa de 50% em caso de indeferimento do pedido de restituição; 4. Impossibilidade de concomitância da multa de mora com a multa isolada; 5. Necessidade de sobrestamento do feito até o julgamento em definitivo do RE nº 796.939/RS (Tema STF nº 736). É a síntese do necessário. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Inicialmente, reconheço a competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do Regimento Interno do CARF, e verifico que o recurso é tempestivo. No mais, o recurso preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 82DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.525 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.732425/2018-92 3 Preliminar de nulidade O Recorrente suscita como preliminar a nulidade do lançamento, alegando que somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva no processo de crédito nº 10880-911.566/2018-91. Alega que o lançamento em questão é regido pelo art. 116, II do CTN, pois o fato gerador da multa isolada seria situação jurídica que, como tal, só poderia ser reputada ocorrida após a constituição definitiva do crédito tributário. Penso, entretanto, que o fato gerador da multa isolada decorrente da não homologação de compensação é situação de fato, regida pelo inciso I do art. 116 do CTN. Desde a transmissão da declaração de compensação reputada indevida, produzem-se os efeitos a ela inerentes, notadamente a extinção do crédito tributário, embora sob condição resolutória de ulterior homologação, justificando-se a imposição da multa isolada desde então, muito embora sua exigibilidade seja suspensa caso interposta Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório proferido no Processo de Crédito (§18, art. 74, Lei nº 9.430/96). Não vislumbro portanto qualquer nulidade. Mérito No mérito, a alegação de inconstitucionalidade passa a ter novos efeitos perante o CARF diante do julgamento definitivo da contenda pelo STF no tema de repercussão geral nº 736 e da e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, que produz efeitos vinculantes aos membros deste colegiado, nos termos do inciso I, do §1º, do art. 62, RICARF anterior, correspondente ao art. 98, II, “b” do atual RICARF, que agora exige o já verificado trânsito em julgado da matéria. Vejamos a redação anterior: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016)” E a redação atual: “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou Fl. 83DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.525 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.732425/2018-92 4 II - fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103- A da Constituição Federal; b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária;” (grifo nosso) O Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 796939, com repercussão geral (Tema 736) e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo 17 do artigo 74 da Lei 9.430/1996 que prevê a incidência de multa isolada no caso de não homologação de pedido de compensação tributária pela Receita Federal. No voto pelo desprovimento do recurso da União, o ministro Edson Fachin, relator, observou que a simples não homologação de compensação tributária não é ato ilícito capaz de gerar sanção tributária, razão pela qual a aplicação automática da sanção, sem considerações sobre a intenção do contribuinte, tacharia de ilícito o próprio exercício do direito de petição constitucionalmente assegurado. A tese de repercussão geral fixada foi a seguinte: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. Portanto, tendo o STF decidido pela inconstitucionalidade da multa isolada, ora em discussão, torna-se inafastável o entendimento da Suprema Corte, devendo- se afastar integralmente a penalidade aplicada. Restam assim prejudicados os demais argumentos apresentados pelo Recorrente. Pelo exposto, conheço o Recurso Voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento integral. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Fl. 84DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.525 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.732425/2018-92 5 Fl. 85DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Preliminar de nulidade Mérito

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10548918 #
Numero do processo: 13855.001500/2010-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DESISTÊNCIA AÇÃO JUDICIAL. O Contribuinte que temnegadopedidoadministrativoderestituiçãoem razão de ação judicial em curso, ao desistirdareferidaação judicial com oobjetivodedar seguimento à análise do direito creditório administrativamente,nãopodeterapetiçãopelaqualinformaadesistênciadaação judicial interpretada como novo pedido de ressarcimento, em especial para fins de contagem do prazodecadencial. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. SÚMULA CARF Nº 157. Nos termos da Súmula CARF Nº 157, o percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. TAXA SELIC. TERMO INICIAL. TEMA 1003. STJ. No ressarcimento do PIS e da Cofins não cumulativos aplica-se a taxa Selic, a partir do 361º dia, a contar da data do protocolo do pedido.
Numero da decisão: 3302-014.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a prejudicial de prescrição e, no mérito, reconhecer o direito à apuração dos créditos presumidos à alíquota de 60% e à incidência da correção monetária pela taxa Selic, a partir do 361º dia subsequente ao da protocolização do Pedido de Ressarcimento realizado em 04/11/2009. Sala de Sessões, em 18 de junho de 2024. Assinado Digitalmente Marina Righi Rodrigues Lara – Relatora Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mario Sergio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Francisca Elizabeth Barreto (suplente convocada), Francisca das Chagas Lemos, Jose Renato Pereira de Deus e Lazaro Antônio Souza Soares (Presidente).
Nome do relator: MARINA RIGHI RODRIGUES LARA

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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DESISTÊNCIA AÇÃO JUDICIAL. O Contribuinte que temnegadopedidoadministrativoderestituiçãoem razão de ação judicial em curso, ao desistirdareferidaação judicial com oobjetivodedar seguimento à análise do direito creditório administrativamente,nãopodeterapetiçãopelaqualinformaadesistênciadaação judicial interpretada como novo pedido de ressarcimento, em especial para fins de contagem do prazodecadencial. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. SÚMULA CARF Nº 157. Nos termos da Súmula CARF Nº 157, o percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. TAXA SELIC. TERMO INICIAL. TEMA 1003. STJ. No ressarcimento do PIS e da Cofins não cumulativos aplica-se a taxa Selic, a partir do 361º dia, a contar da data do protocolo do pedido.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a prejudicial de prescrição e, no mérito, reconhecer o direito à apuração dos créditos presumidos à alíquota de 60% e à incidência da correção monetária pela taxa Selic, a partir do 361º dia subsequente ao da protocolização do Pedido de Ressarcimento realizado em 04/11/2009. Sala de Sessões, em 18 de junho de 2024. Assinado Digitalmente Marina Righi Rodrigues Lara – Relatora Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mario Sergio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Francisca Elizabeth Barreto (suplente convocada), Francisca das Chagas Lemos, Jose Renato Pereira de Deus e Lazaro Antônio Souza Soares (Presidente).

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RECORRIDA FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DESISTÊNCIA AÇÃO JUDICIAL. O Contribuinte que tem negado pedido administrativo de restituição em razão de ação judicial em curso, ao desistir da referida ação judicial com o objetivo de dar seguimento à análise do direito creditório administrativamente, não pode ter a petição pela qual informa a desistênci a da ação judicial interpretada como novo pedido de ressarcimento, em especial para fins de contagem do prazo decadencial. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. SÚMULA CARF Nº 157. Nos termos da Súmula CARF Nº 157, o percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. TAXA SELIC. TERMO INICIAL. TEMA 1003. STJ. No ressarcimento do PIS e da Cofins não cumulativos aplica-se a taxa Selic, a partir do 361º dia, a contar da data do protocolo do pedido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 576DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.507 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13855.001500/2010-30 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a prejudicial de prescrição e, no mérito, reconhecer o direito à apuração dos créditos presumidos à alíquota de 60% e à incidência da correção monetária pela taxa Selic, a partir do 361º dia subsequente ao da protocolização do Pedido de Ressarcimento realizado em 04/11/2009. Sala de Sessões, em 18 de junho de 2024. Assinado Digitalmente Marina Righi Rodrigues Lara – Relatora Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mario Sergio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Francisca Elizabeth Barreto (suplente convocada), Francisca das Chagas Lemos, Jose Renato Pereira de Deus e Lazaro Antônio Souza Soares (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão de nº 12-65.215, proferido pela 16ª Turma da DRJ/RJ1, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte. Ne origem, a contribuinte apresentou Pedido de Ressarcimento de crédito presumido de Cofins- exportação apurado no 2º tri/2006, no valor de R$ 6.690.323,81, formalizado no processo administrativo nº 13852.000569/2006-90. A fiscalização, naquela oportunidade, reconheceu apenas parte dos créditos pleiteados, no montante de R$ 3.289.542,23, tendo sido o valor de (i) R$ 535.090,13 indeferido e (ii) R$ 2.865.691,45 considerado como não passível de Ressarcimento, nos termos dos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004. Posteriormente, com a edição da Lei nº 12.058/2009, a contribuinte protocolou em 10/11/2009, novo Pedido de Ressarcimento do crédito presumido da agroindústria referente ao valor de R$ 2.865.691,45, que deu origem aos presentes autos. O referido pedido não foi, contudo, conhecido, em razão da existência de ação judicial que pudesse interferir no valor a ser ressarcido, conforme o teor e a inteligência do § 3º do art. 28 da IN RFB 900/2008 e do ADN Cosit 03/96. Fl. 577DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.507 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13855.001500/2010-30 3 Diante de tal decisão, a contribuinte apresentou nova petição demonstrando ter desistido do referido litígio judicial, e, requerendo, assim, o deferimento do Pedido de Ressarcimento dos créditos apurados na forma da Lei nº 10.925/2004 e autorizado pela Lei 12.058/2009, no valor de R$ 2.865.691,45. A autoridade fiscal de origem, ao analisar o referido pedido, entendeu por indeferi- lo, por concluir que a contribuinte não possuiria direito creditório referente ao período analisando, assim como deveria ter glosado o montante de R$ 71.689,10 do direito creditório deferido no processo n° 13852.000569/2006-90. Isso porque, a contribuinte teria aplicado erroneamente o percentual de 60% previsto no inciso I, do art. 8º, §3º, da Lei nº 10.925/04, quando o correto para as aquisições de gado para o abate seria a alíquota de 35%. A alíquota a ser aplicada seria em função do que se fabrica e não do que se adquire. Inconformada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, sustentando que o crédito presumido de 60%, previsto no art. 8º, §3º, da Lei nº 10.925/04, aplica- se às pessoas jurídicas que produzem mercadorias de origem animal. Isto é, que adquirem o animal (gado) e que o transforma no produto (carne bovina). A 16ª Turma da DRJ/RJ1, contudo, por meio do Acórdão de nº 12-65.215, por unanimidade de votos, julgou improcedente a referida Manifestação de Inconformidade, em razão da decadência do direito a eventual ressarcimento de crédito presumido de Cofins, apurado no 2º tri/2006. O referido Acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COFINS NÃO CUMULATIVA - CRÉDITO PRESUMIDO - RESSARCIMENTO - PRAZO DECADENCIAL - O prazo decadencial para aproveitamento de crédito presumido da Cofins não cumulativa para fins de ressarcimento/compensação é de cinco anos, a contar da data do ato ou fato que originou o direito creditório. COFINS NÃO CUMULATIVA - CRÉDITO PRESUMIDO - RESSARCIMENTO - PEDIDOS DIVERSOS - Para cada pedido de ressarcimento específico formulado pelo contribuinte, fundamentado em legislação e/ou fatos diversos, deve ser proferida decisão específica pela autoridade originalmente competente para apreciar o pedido, passível de contestação por meio dos recursos previstos nas normas administrativas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em síntese, aquele colegiado entendeu que, tendo sido o Pedido de Ressarcimento formulado em 23/08/2011, somente poderia ser reconhecido o crédito apurado até agosto de 2006, de modo que se encontrariam alcançados pela decadência os períodos objeto do presente Fl. 578DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.507 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13855.001500/2010-30 4 pedido, quais sejam, abril, maio e junho de 2006. Isso porque, não se poderia considerar os pedidos de ressarcimento formulados pelo contribuinte em 04/11/2009 e 23/08/2011 como meras reiterações do pedido original, formulado em 2006, nem tampouco aquele apresentado em 28/08/2011 como mera repetição do anterior. Cada pedido teria sido apresentado com uma fundamentação fática e/ou legal distinta e devidamente analisado pela autoridade competente. Intimada em 20/08/2014, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, em 18/09/2014, alegando, preliminarmente, a não caracterização da decadência. No mérito, reiterou os fundamentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. VOTO Conselheira Marina Righi Rodrigues Lara, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. 1. Da preliminar de decadência Como relatado, a presente controvérsia versa a respeito da ocorrência ou não de decadência do direito da Recorrente de ter seus créditos ressarcidos. No entender da DRJ, a petição protocolada em 28/08/2011 se caracterizaria como um novo pedido de ressarcimento, de modo que os créditos pleiteados naquela oportunidade estariam fulminados pela decadência. É que, como relatado anteriormente, em 04/11/2009, a Recorrente já havia apresentado um Pedido de Ressarcimento do crédito, que não tinha sido, contudo, conhecido, em razão da existência de ação judicial. A Recorrente, por sua vez, defende que a petição protocolada em 28/08/2011 não poderia de forma alguma ser considerada como um novo pedido, já que representaria tão somente uma comunicação de desistência da ação judicial, condição para que se pudesse dar prosseguimento à análise do direito creditório objeto do pedido protocolado em 04/11/2009. Com razão a Recorrente. Compulsando os autos, não há dúvida que de que a petição protocolada em 28/08/2011 teria natureza meramente informativa, objetivando tão somente informar a desistência do óbice – existência de ação judicial em curso – à análise do Pedido de Ressarcimento apresentado em 04/11/2009. Esse é o entendimento que vem sendo adotado por este CARF, inclusive em casos paradigmáticos da própria Recorrente. A título exemplificativo, o Acórdão nº 3302-006.053, por meio do qual, esta 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, embora com outra composição, Fl. 579DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.507 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13855.001500/2010-30 5 entendeu, por maioria de votos, por afastar a decadência declarada e devolver os autos à primeira instância para pronunciamento de mérito quanto às demais matérias. O referido Acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O Contribuinte que tem negado pedido administrativo de restituição de tributos, p osteriormente ajuíza ação judicial com o objetivo e ver assegurado este direito, mas q ue em seguida tem este direito reconhecido por norma jurídica, ao desistir da refe rida ação judicial com o objetivo de extinguir a concomitância, não pode ter a petiç ão pela qual informa a desistência da ação judicial interpretada como novo pedido d e ressarcimento, mormente em detrimento de prazo decadencial. (Acórdão nº 3302006.053 - 2ª Turma Ordinária/3ª Câmara / 3ª Seção de Julgamento - Sessão de 24/10/ 2018) Considerando, portanto, que o Pedido de Ressarcimento ora analisado foi protocolado no dia 04/11/2009, é possível concluir que, nos termos do art. 1º do Decreto nº 20.910/32,1 apenas os créditos apurados antes de 04/11/2004 estariam decaídos. No caso dos autos, tratando de créditos referentes ao 4º Trimestre de 2005 (outubro, novembro e dezembro de 2005), não há dúvida a respeito da incorrência de decadência do eventual direito da Recorrente em ver tais valores ressarcidos. Importa destacar que, apesar da DRJ não ter enfrentado as outras questões de mérito alegadas pela contribuinte em sua Manifestação de Inconformidade, tratando-se de matéria sumulada por este Conselho, aplica-se ao presente caso o disposto no art. 111, § 6º do Ricarf, segundo o qual fica dispensado o retorno do processo para julgamento em 1ª instância, quando a matéria remanescente for objeto de Súmula do CARF e versar exclusivamente sobre aplicação de direito. É o que se passa a analisar. 2. Do mérito 2.1. Do percentual de crédito presumido Como relatado anteriormente, entendeu a autoridade fiscal de origem que a contribuinte teria aplicado erroneamente o percentual de 60% previsto no inciso I, do art. 8º, §3º, inciso I, da Lei nº 10.925/04, quando o correto para as aquisições de gado para o abate seria a alíquota de 35%, conforme inciso III, considerando tratar-se de aquisições de animais vivos da espécie bovina, classificados na NCM 01.02. A alíquota a ser aplicada seria em função do que se fabrica e não do que se adquire. 1 Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Fl. 580DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.507 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13855.001500/2010-30 6 A contribuinte, por sua vez, sustenta que o crédito presumido de 60%, previsto no art. 8º, §3º, da Lei nº 10.925/04, aplica-se às pessoas jurídicas que produzem mercadorias de origem animal. Isto é, que adquirem o animal (gado) e que o transforma no produto (carne bovina). Como mencionado, a questão já foi definitivamente superada por este Conselho, por meio da Súmula CARF nº 157, redigida nos seguintes termos: Súmula CARF nº 157 O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. Acórdãos Precedentes: 9303-003.331, 9303-003.812, 3301-004.056, 3401-003.400, 3402-002.469 e 3403- 003.551. Vinculante, conforme Portaria ME nº 410, de 16/12/2020, DOU de 18/12/2020 No presente caso, a requerente adquire gado para o abate, calculando o crédito correspondente no percentual de 60% (inciso I), sendo incabível, portanto, a glosa efetuada pela fiscalização, já que que o produto fabricado pela requerente (carnes de animais da espécie bovina) está classificado no Capítulo 2, incluindo-se, em consequência, no inciso I, e não no inciso III. 2.2. Da aplicação da taxa Selic Por fim, requereu a Recorrente a aplicação da taxa Selic, desde a data do pedido de ressarcimento. Destaco que a questão já foi devidamente abordada pelo STJ, em julgamento proferido na sistemática dos recursos repetitivos (Tema Repetitivo nº 1003), que deu origem à tese no sentido de que “[o] termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco (art. 24 da Lei n. 11.457/2007).” Por essa razão, no ressarcimento do PIS e da Cofins não cumulativos, apenas não incide correção monetária ou juros, enquanto não for configurada uma resistência ilegítima por parte do Fisco, isto é, antes de decorrido o prazo de 360 dias previsto para a análise do pedido administrativo pelo Fisco. 3. Dispositivo Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a prejudicial de prescrição e, no mérito, reconhecer o direito à apuração dos créditos presumidos à alíquota de 60% e à incidência da correção monetária pela taxa Selic, a partir do 361º dia subsequente ao da protocolização do Pedido de Ressarcimento realizado em 04/11/2009. Fl. 581DF CARF MF Original http://idg.carf.fazenda.gov.br/jurisprudencia/portaria-me-410.pdf D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.507 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13855.001500/2010-30 7 Assinado Digitalmente Marina Righi Rodrigues Lara Fl. 582DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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10543270 #
Numero do processo: 10768.002697/2009-81
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 GLOSADEIRRF.GLOSADEDEDUÇÕESINDEVIDAS. Não compete à Delegacia de Julgamento da Receita Federal apreciar impugnaçãocontramatériasubmetidaàdecisãodoPoderJudiciário. AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITOS JUDICIAIS INTEGRAIS. LANÇAMENTO DE OFICIO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. EFEITOS. CABIMENTO Não há nulidade no lançamento que objetiva constituir crédito tributário referente a tributo, com a exigibilidade suspensa, em que os depósitos judiciais correspondentes, tomados em sua integralidade, sejam suficientes à cobertura do montante apurado e consequente garantia da suspensão da exigibilidade. O depósito judicial no montante integral suspende a exigibilidade do crédito tributário, não ficando, entretanto, a União Federal impedida de constituí-lo pelo lançamento de ofício a fim de prevenir a decadência.
Numero da decisão: 2002-008.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Andre Barros de Moura – Relator Assinado Digitalmente Marcelo de Sousa Sateles – Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros Joao Mauricio Vital, Andre Barros de Moura, Carlos Eduardo Avila Cabral, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente).
Nome do relator: ANDRE BARROS DE MOURA

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GLOSA DE DEDUÇÕES INDEVIDAS. Não compete à Delegacia de Julgamento da Receita Federal apreciar i mpugnação contra matéria submetida à decisão do Poder Judiciário. AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITOS JUDICIAIS INTEGRAIS. LANÇAMENTO DE OFICIO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. EFEITOS. CABIMENTO Não há nulidade no lançamento que objetiva constituir crédito tributário referente a tributo, com a exigibilidade suspensa, em que os depósitos judiciais correspondentes, tomados em sua integralidade, sejam suficientes à cobertura do montante apurado e consequente garantia da suspensão da exigibilidade. O depósito judicial no montante integral suspende a exigibilidade do crédito tributário, não ficando, entretanto, a União Federal impedida de constituí-lo pelo lançamento de ofício a fim de prevenir a decadência. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Andre Barros de Moura – Relator Fl. 51DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.425 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10768.002697/2009-81 2 Assinado Digitalmente Marcelo de Sousa Sateles – Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros Joao Mauricio Vital, Andre Barros de Moura, Carlos Eduardo Avila Cabral, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente). RELATÓRIO Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: 1. Trata-se de impugnação apresentada pelo contribuinte acima identificado, contra a Notificação de Lançamento de fls. 12/16, resultante de alterações em sua Declaração de Ajuste Anual, exercício de 2007, ano-calendário de 2006, que implicou apuração de imposto de renda pessoa física, receita 0211, no valor de R$ 14.468,05, sujeito à multa de mora e juros legais, em face da constatação da infração de compensação indevida de IRRF, no valor tributável de R$ 14.468,05, relativo a rendimentos pagos pela FUNDAÇÃO PETROBRÁS DE SEGURIDADE SOCIAL PETROS. 2. Cientificado em 17/03/2009 (fls. 23), o interessado apresentou impugnação (fls. 2/4), recepcionada na unidade local da RFB 03/04/2009. No mérito, aduz que o IRRF glosado foi descontado de seus proventos e encontra-se depositado judicialmente, em face do processo judicial nº 2004.51.0102.0017-7, 2ª Vara Federal, Seção Judiciária RJ, visando o reconhecimento da isenção do imposto de renda em relação aos rendimentos recebido da Petros, a título de complementação de aposentadoria. Cientificado da decisão de primeira instância em 07/05/2013, o sujeito passivo interpôs, em 29/05/2013, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) os valores de IRRF foram retidos e o seu recolhimento está sub judice, conforme documentos juntados aos autos d) Inexistência de concomitância administrativa e judicial - o recurso deve ser conhecido. É o relatório. Fl. 52DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.425 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10768.002697/2009-81 3 VOTO Conselheiro Andre Barros de Moura, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O litígio recai sobre a glosa de IRRF efetuada pela fiscalização, no valor de R$ 14.468,05 referente ao imposto depositado judicialmente, incidente sobre rendimentos sujeitos ao ajuste anual, no valor tributá vel de R$ 84.393,60, os quais tiveram a exigibilidade suspensa, vide informe de rendimentos de fls. 9, corroborados pela DIRF de fls. 29. A questão discutida no recurso manifestado refere-se à possibilidade (ou não) do lançamento de ofício (Auto de Infração) quando o tributo esteja com a exigibilidade suspensa por força de depósito judicial. O depósito judicial, ainda que correspondente ao valor devido a título de IRRF, não representa pagamento de crédito tributário, e pode ser levantado pelo sujeito passivo em razão de decisão judicial, ainda que o Fisco seja vitorioso na demanda, na medida em que representa valor a disposição do juízo, cuja destinação está a critério de sua deliberação. Assim, ao contrário do entendimento do contribuinte, o valor depositado equivale ao pagamento do imposto discutido, não havendo óbice para que a Fiscalização lavre o Auto de Infração como ocorrido no presente caso, O dispositivo que autoriza a lavratura de Auto de Infração é o art. 142 do CTN, que o determina em todas as hipóteses, sob pena de responsabilidade funcional, independentemente da situação da exigibilidade do Auto de Infração, nos seguintes termos: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Frise-se também que, de acordo com o art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, é possível sim a constituição de crédito tributário para prevenir a decadência, com o acertado afastamento de multa de ofício. Assim prescreve o dispositivo legal: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa Fl. 53DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.425 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10768.002697/2009-81 4 na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) (Grifei) Nessa toada, a manutenção do lançamento como instrumento de formalização do crédito tributário correspondente é medida conservadora e justificada, de maneira a garantir que, ao final do processo judicial, acaso venha a Fazenda Nacional lograr êxito no todo ou em parte da discussão, não seja frustrado o exercício do direito pela ausência de constituição do crédito. Saliente-se que o lançamento torna o crédito exigível, enquanto o depósito suspende essa exigibilidade, evitando, portanto, a impossibilidade de se promover a inscrição do débito em Dívida Ativa e a execução judicial. Desta forma, não há que se falar, em cancelar o lançamento efetuado pela Fiscalização em razão de depósito judicial, uma vez que, como visto, este não tem o condão de impedir a constituição do crédito tributário. Nestes termos, é possível o lançamento com a existência do depósito judicial, não havendo qualquer nulidade. Não existe qualquer prejuízo ao Contribuinte, pois se vencer a demanda judicial, evidentemente que o Auto de Infração não será dele exigido e, caso perca a demanda judicial, os depósitos judiciais serão convertidos em renda para a União. Não havendo qualquer possibilidade de cerceamento do seu direito de defesa neste caso. Por fim, como reforço às razões de decidir, entendo que cabe manter o Auto de Infração, uma vez que foi a forma como o débito foi constituído, pois se o lançamento fosse cancelado, o débito deixaria de existir, possibilitando a ocorrência de eventuais discussões quanto à conversão em renda da União dos depósitos efetuados, no caso de julgamento final em desfavor do Sujeito Passivo. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito negar- lhe provimento. Assinado Digitalmente Andre Barros de Moura Fl. 54DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 15165.722415/2021-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 28/12/2020 a 15/04/2021 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. MERO INCONFORMISMO. O mero inconformismo do contribuinte com o entendimento exarado no Auto de Infração não gera por si só a sua nulidade, quando devidamente expostos os fundamentos de fato e direito que embasam a autuação. Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 28/12/2020 a 15/04/2021 IMPORTAÇÃO. CESSÃO DE NOME. OCULTAÇÃO DO REAL BENEFICIÁRIO. A pessoa jurídica que ceder seu nome com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita à multa equivalente a 10% sobre o valor da operação acobertada
Numero da decisão: 3102-002.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e afastar as preliminares, e, por maioria, para negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues (relator) e Karoline Marchiori de Assis. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fábio Kirzner Ejchel. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Presidente (documento assinado digitalmente) Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues – Relator (documento assinado digitalmente) Fabio Kirzner Ejchel - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fabio Kirzner Ejchel, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Luiz Carlos de Barros Pereira, Karoline Marchiori de Assis, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SCHWERTNER ZICCARELLI RODRIGUES

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RECORRIDA FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 28/12/2020 a 15/04/2021 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. MERO INCONFORMISMO. O mero inconformismo do contribuinte com o entendimento exarado no Auto de Infração não gera por si só a sua nulidade, quando devidamente expostos os fundamentos de fato e direito que embasam a autuação. Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 28/12/2020 a 15/04/2021 IMPORTAÇÃO. CESSÃO DE NOME. OCULTAÇÃO DO REAL BENEFICIÁRIO. A pessoa jurídica que ceder seu nome com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita à multa equivalente a 10% sobre o valor da operação acobertada ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e afastar as preliminares, e, por maioria, para negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues (relator) e Karoline Marchiori de Assis. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fábio Kirzner Ejchel. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Presidente (documento assinado digitalmente) Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues – Relator Fl. 3812DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.503 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 2 (documento assinado digitalmente) Fabio Kirzner Ejchel - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fabio Kirzner Ejchel, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Luiz Carlos de Barros Pereira, Karoline Marchiori de Assis, Pedro Sousa Bispo (Presidente). RELATÓRIO Por bem narrar os fatos ocorridos, adoto o relatório contido na decisão proferida pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 09: Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 02 a 08) lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 63.486.894,05, referente à multa prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/2007, pelo fato de haver a empresa BASOLI COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., (doravante denominada BASOLI) cedido seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários nas operações de importação, sendo que o registro das operações no papel de importador por encomenda, foi para o fim de ocultar o real importador e adquirente nos negócios. Em sede de atividade interna de gerenciamento do risco ao controle aduaneiro, foram apurados/levantados os seguintes fatos indicadores da existência de irregularidade que motivaram a da instauração de procedimento de fiscalização utilizado no combate às fraudes aduaneiras previsto na Instrução Normativa RFB n° 1986, de 29/10/2020: 1. ao longo do período de 01/2020 a 04/2021 BASOLI se apresentou na condição de importador por encomenda (pressupõe a disponibilidade de recursos próprios para efetivação das operações) que totalizou um impressionante dispêndio de R$ 714.575.669,86, sendo que detinha um capital social de apenas R$ 300.000,00 e, nas últimas Escriturações Contábeis Fiscais (ECF) disponíveis - anos calendário de 2017, 2018 e 2019 - declarou PATRIMÔNIO LÍQUIDO NEGATIVO que chegou a R$ 3.410.314,24 (2019). 2. Tal volume de importações também se mostrava completamente incompatível quando comparado ao limite/estimativa que foi estabelecido/computado para tanto por ocasião da habilitação do contribuinte para atuar no comércio exterior. Tal fato serve de parâmetro relevante e imprescindível para fins de acompanhamento e monitoramento da atuação do operador, sendo sua extrapolação - pronunciada, constante e evidente - claro indício de ocultação de pessoas que, nesse contexto, são as reais fontes dos recursos que deram causa e suportaram tal volume muito acima da capacidade financeira demonstrada. Fl. 3813DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.503 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 3 3. Adicionalmente, analisando-se os dados de tributos federais efetivamente pagos pelo sujeito passivo apresentado como importador entre 01/2020 e 04/2021, constata-se que, do imenso montante total de R$ 102.325.199,47, apenas R$ 23.346,23 - 0,023% - NÃO se referem a tributos recolhidos via débito automático quando do registro de declarações de importação (DI), desproporção que, historicamente, está ligada ao fato do operador ostensivo, de fato, ser mero intermediário - não declarado como tal - colocado entre a Fiscalização Aduaneira e o(s) real(is) interessado(s) no resultado das operações A autoridade aduaneira encontrou diversos elementos de provas após análise dos documentos apresentados no decorrer da fiscalização, tais como i) incoerências no INSTRUMENTO PARTICULAR DE COMPRA E VENDA DE MERCADORIAS IMPORTADAS POR ENCOMENDA, totalmente convergentes na direção de que o Contrato em comento não teve outra função além a de simular relação entre entes que, assim e por tal meio, ocultaram seus verdadeiros papéis nas operações aduaneiras, além da conclusão que a ocultação de papéis envolve ainda outra entidade, a ASTER; ii) e-mail da COPAPE, encaminhado por funcionária da ASTER, dando orientações à BASOLI acerca de procedimentos logísticos a serem adotados na descarga do navio; iii) email encaminhado pela BASOLI para COPAPE solicitando numerário para seguir com o registro de importação. Tal email foi encaminhado pela COPAPE, através de funcionária da ASTER, para EVERTON VENANCIO DA SILVA, que atua na área financeira da ASTER, determinando a disponibilização de recursos para a BASOLI; iv) sequência de mensagens relacionadas às mercadorias do navio HUEMUL, que operou no Porto de Paranaguá em 20/12/2020, onde o mesmo EVERTON VENÂNCIO DA SILVA é apresentado dissimuladamente como Financeiro da BASOLI (financeiro@basolitrading.com.br), que àquele momento - 14/01/2021 - só tinha WILLIAN MARCONDES DA SILVA - e ainda sim de modo meramente formal - como empregado contratado; v) os domínios de internet basolitrading.com.br e cppf.com.br (relacionado à entidade COPAPE PRODUTOS DE PETRÓLEO LTDA.), utilizados por pessoas físicas nas mensagens impressas apresentadas, foram AMBOS registrados pela ASTER. Em seguida, conclui a fiscalização: No conjunto, o extenso conteúdo das trocas de mensagens impressas apresentadas, cujos pequenos excertos mais elucidativos foram apresentados e comentados no presente subtópico, bem como a distribuição - ainda que tácita - de atribuições de funções e os participantes ali envolvidos, além de qualquer dúvida razoável reforçam as evidências de irregularidades já cristalizadas no subtópico antecedente e deixam clara e indubitável a participação e o interesse da entidade ASTER PETRÓLEO LTDA. (CNPJ 02.377.759) nas operações de comércio exterior. Não por outro motivo e reforçando tal quadro, no período considerado ela aparece como O ÚNICO DESTINO da totalidade das vendas do dito encomendante, conforme se verifica da consolidação de valores presentes Fl. 3814DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.503 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 4 em Notas Fiscais expedidas pela COPAPE PRODUTOS DE PETRÓLEO LTDA. (CNPJ 01.428.174). Por todo o exposto nos itens anteriores, conclui-se que a atuação da pessoa jurídica BASOLI COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. (CNPJ 13.918.607), elaborando e apresentando declarações, documentos contábeis e comerciais, bem como efetivando o registro das operações no papel de importador por encomenda, foi toda ela direcionada para o fim de ocultar o real importador e adquirente nos negócios. Tal proceder sujeita a pessoa jurídica, além das demais consequências inerentes à conduta, à multa de 10% sobre o valor da mercadoria importada, prevista no Art. 33 da Lei n° 11488, de 15/06/2007, regulamentada, atualmente, pelo Art. 727 do Decreto n° 6759, de 05/02/2009, Cientificado, no próprio auto de infração, em 01/10/2021 (fls. 3.670), o contribuinte apresentou, em 03/11/2021, a impugnação juntada às fls. 3.716 e ss., alegando em síntese que: PRELIMINARMENTE. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. ENQUADRAMENTO LEGAL INCONGRUENTE. A exigência seria nula pois encontrar-se-ia maculada de vício formal insanável, com a incorreta tipificação legal da suposta infração que teria sido praticada pela impugnante. DA INEXISTÊNCIA DE OCULTAÇÃO. Não teria havido qualquer ocultação de pessoas, inexistiria qualquer intenção de camuflar a origem dos recursos empregados na importação, os pagamentos ao fornecedor estrangeiro, teriam sido realizados com valores recebidos do encomendante predeterminado, possibilidade autorizada por força legal contida na própria IN n° 1.861/2018. A fiscalização teria afirmado ter havido ocultação comprovada, mas para embasar sua fundamentação teria apenas a "justificativa" de que o capital social da Impugnante seria incompatível com o valor das operações e que teria havido adiantamento de recursos da COPAPE, assim teria restado devidamente comprovado que a incompatibilidade contábil ou diferença entre capital social e valor de operação não seria suficiente para caracterizar ocultação. DOS VÍCIOS DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não teria havido sequer adequação das condutas narradas ao tipo infracional atribuído à impugnante, já que as condutas narradas, de antecipação de receitas pelo encomendante e a capacidade econômica reduzida frente ao vulto das operações não são condutas infracionais (pelo contrário, são autorizadas pela IN e por decisões do próprio CARF). Não poderiam ser admitidas acusações abertas, genéricas, sob pena de violação ao direito à ampla defesa e ao contraditório. Fl. 3815DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.503 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 5 DA INEXISTÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO Teria havido recolhimento integral dos tributos, sendo forçoso concluir que não teria havido qualquer prejuízo financeiro ao erário. DOS PEDIDOS I - Que seja acolhida a PRELIMINAR de NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO em razão do enquadramento legal utilizado ser contraditório (razões e tipificação/penalidade) com incongruente tipificação legal da suposta infração que teria sido praticada pela impugnante; II. O reconhecimento da correta operação de importação por encomenda, nos termos autorizados pela IN n° 1861/18 em sua redação atual; III. O reconhecimento do vício de legalidade e motivação, conforme fundamentação; IV. O reconhecimento de que a Impugnante cumpriu com todas as obrigaçõestributárias incidentes à espécie, e, por consequência lógica, que sejam afastadas asmultas que se amparam em suposta diferença de recolhimento tributário, bem comoos juros moratórios, uma vez que as obrigações foram devidamente adimplidas; V. No mérito a procedência in totum da presente impugnação, uma vez que não se concretizou qualquer conduta infracional e não houve comprovação de qualquer modalidade de ocultação, bem como não houve comprovação de qualquer dano ao erário ou a bem jurídico tutelado pela autoridade fiscal, devendo se observar a legalidade estrita como vinculativa da atuação da administração pública. É o relatório. A Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 08, por meio do Acórdão nº 108-032.507, de 18 de novembro de 2022, julgou improcedente a impugnação, conforme entendimento resumido na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 28/12/2020 a 15/04/2021 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. IMPORTAÇÃO. CESSÃO DE NOME. OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO DANO AO ERÁRIO. A ocultação do sujeito passivo da importação, por pessoa jurídica que ceder seu nome, com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários configura dano ao erário, caracterizando interposição fraudulenta de terceiros, ficando sujeita à multa equivalente a 10% sobre o valor da operação acobertada. PROVA INDICIÁRIA. POSSIBILIDADE. Diversas constatações que, apesar de isoladamente não serem suficientes para provar a cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de Fl. 3816DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.503 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 6 terceiros, pois podem ser consideradas indícios, analisadas em conjunto, e concluindo que são homogêneas e conduzem a um mesmo resultado, evidenciam uma convicção segura da ocorrência da cessão de nome, fazendo prova da ocorrência da infração. DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PREJUÍZO AO ERÁRIO. O dano ao Erário é presumido quando se configura as infrações tipificadas no art. 23 do Decreto lei n° 1.455/76, não havendo necessidade de se comprovar o efetivo prejuízo ao Erário. Tendo ocorrido o cometimento da infração de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, - mediante comprovada simulação que levou à interposição fraudulenta de terceiros na importação -, veiculada pelo art. 23, V do Decreto lei n° 1.455/76, está caracterizado o dano ao Erário. DECISÕES JUDICIAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. EFEITOS. As decisões judiciais, excetuando-se as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, bem como os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquele objeto da decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos expostos na Impugnação e alegando, em breve síntese, preliminarmente, nulidade do auto de infração, por vício de motivação e cerceamento de defesa, e, no mérito, inocorrência de ocultação do real importador e, por conseguinte, inexigibilidade da multa prevista no artigo 33 da Lei n° 11.488/07. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e cumpre com os requisitos formais de admissibilidade, devendo, por conseguinte, ser conhecido. 1 DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Em seu Recurso Voluntário, a recorrente sustenta que “[...] é evidente a nulidade do auto de infração fiscal que não descreve a conduta ou circunstância necessária para vincular a Fl. 3817DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.503 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 7 recorrente à referida hipótese legal de ocultação mediante fraude e simulação, como também viola a necessidade constitucional e legal de motivação importando evidente prejuízo por cerceamento de defesa”. Com a devida vênia, discordo da recorrente, por entender que houve a devida exposição dos fatos e fundamentos que embasam a autuação, como pode ser verificado, especialmente, da Descrição dos Fatos Relacionados à Infração do Auto de Infração de fls. 3 a 5 e do Relatório Fiscal de fls. 9 a 52. Ressalta-se que as informações constantes da autuação são suficientemente completas a ponto de permitir à recorrente, tanto em sede de impugnação quanto no Recurso Voluntário, suscitar uma ampla discussão acerca do mérito, o que vai de encontro com a tese de nulidade por ausência de motivação e cerceamento de defesa. Cumpre observar também que, no âmbito do processo administrativo fiscal, o exercício pleno do direito à ampla defesa e ao contraditório está assegurado aos sujeitos passivos na faculdade de que dispõem de impugnar o lançamento tributário, sendo descabido propugnar pelo seu exercício prévio. Neste sentido, Alberto Xavier leciona que: Em matéria de lançamento tributário a garantia de ampla defesa não atua necessariamente pela via do direito de audiência prévia à pratica do ato primário (pretenninatio hearing), mas no 'direito de recurso' deste mesmo ato, pelo qual o particular toma a iniciativa de uma impugnação em que seu direito de audiência assumirá força plena (posttenninatio hearing)1. Assim, após a lavratura do Auto de Infração, a recorrente foi devidamente notificada, podendo se insurgir sobre todos os fundamentos da autuação, inexistindo, portanto, qualquer nulidade ou cerceamento de defesa. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração. 2 DA CESSÃO DE NOME PARA OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE A ação fiscal teve início com a verificação de inconsistências de informações apuradas preliminarmente em sede de atividade interna de pesquisa/seleção de operações de importação, o que justificou a instauração do procedimento de fiscalização utilizado no combate às fraudes aduaneiras previsto na IN RFB n° 1986, de 29/10/2020 em face da empresa importadora das mercadorias, ora recorrente Basoli. Nos termos do Relatório Fiscal, foram apurados os seguintes fatos indicadores da existência de irregularidades motivadoras da instauração do procedimento de fiscalização: 1 Do Lançamento - Teoria do Ato. do Procedimento e do Processo Tributário, Ed. Forense, 2a ed.. 1997 Fl. 3818DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.503 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 8 - constatou-se que o contribuinte, apresentado na condição de importador por encomenda - que pressupõe a disponibilidade de recursos próprios para efetivação das operações, ainda que para um encomendante predeterminado - na(s) declaração(ões) de importação (DI) registrada(s) ao longo do período de 01/2020 a 04/2021 e que totalizou(aram) um impressionante dispêndio de R$ 714.575.669,86, detinha um capital social de apenas R$ 300.000,00 e, nas últimas Escriturações Contábeis Fiscais (ECF) disponíveis - anos-calendário de 2017, 2018 e 2019 - declarou PATRIMÔNIO LÍQUIDO NEGATIVO que chegou a R$ 3.410.314,24 (2019), fatos que, ainda que de modo preliminar, indicavam a incompatibilidade entre sua capacidade econômico-financeira evidenciada e o volume de operações de comércio exterior em seu nome registrado na condição de importador por encomenda; e - tal volume de importações também mostrava-se completamente incompatível quando comparado ao limite/estimativa que foi estabelecido(s)/computado para tanto por ocasião da habilitação do contribuinte para atuar no comércio exterior conforme sintetizado em gráfico abaixo; apesar do referido limite/estimativa ter por utilidade, de início, permitir o enquadramento nas diferentes modalidades de habilitação - nos termos das normativas relacionadas ao tema - é inafastável a conclusão de que, por consequência, serve de parâmetro relevante e imprescindível para fins de acompanhamento e monitoramento da atuação do operador, sendo sua extrapolação - pronunciada, constante e evidente - claro indício de ocultação de pessoa(s) que, nesse contexto, é(são) a(s) real(is) fonte(s) dos recursos que deram causa e suportaram tal volume muito acima da capacidade financeira demonstrada. - Adicionalmente, analisando-se os dados de tributos federais efetivamente pagos pelo sujeito passivo apresentado como importador entre 01/2020 e 04/2021, constata-se que, do imenso montante total de R$ 102.325.199,47, apenas R$ 23.346,23 - 0,023% (!!!) - NÃO se referem a tributos recolhidos via débito automático quando do registro de declarações de importação (DI), desproporção que, historicamente, está ligada ao fato do operador ostensivo, de fato, ser mero intermediário - não declarado como tal - colocado entre a Fiscalização Aduaneira e o(s) real(is) interessado(s) no resultado das operações. Encerrado o procedimento fiscal de investigação, a autoridade autuante concluiu que “[...] a atuação da pessoa jurídica BASOLI COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. (CNPJ 13.918.607), elaborando e apresentando declarações, documentos contábeis e comerciais, bem como efetivando o registro das operações no papel de importador por encomenda, foi toda ela direcionada para o fim de ocultar o real importador e adquirente nos negócios. Tal proceder sujeita a pessoa jurídica, além das demais consequências inerentes à conduta, à multa prevista no Art. 33 da Lei n° 11488, de 15/06/2007, regulamentada, atualmente, pelo Art. 727 do Decreto nº 6759, de 05/02/2009”. Para chegar a tal conclusão, a autoridade autuante indicou no tópico C.1.1 Do contrato, do Relatório Fiscal, os seguintes fatos caracterizadores da infração apurada: Fl. 3819DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.503 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 9 (1) antes do contrato de compra e venda de mercadorias importadas por encomenda ter sido formalizado entre a importadora e a encomendante, em 07/12/2020, já haviam sido praticados atos que demonstram a evolução das negociações comerciais com o exportador estangeiro, entre eles, registro de despacho de exportação, junto à Aduana do país de origem; fechamento de câmbio, no Brasil, de Contrato de Câmbio para pagamento - em parte - de mercadorias; e embarque de mercadorias no navio transportador; (2) em 14/09/2020, a empresa Basoli formulou Consulta sobre a interpretação da legislação tributária e aduaneira, na qual expõe que está realizando estudos iniciais e preliminares visando a possibilidade fiscal, econômica e financeira de realizar trabalhos de importação, não tendo ainda nenhum contrato firmado com nenhuma empresa, e indaga o seguinte: 1) Na importação por ENCOMENDA, a consulente na condição de IMPORTADOR e levando em consideração que na importação por encomenda, para o IMPORTADOR contratado tem os mesmos efeitos fiscais de uma importação própria, indaga: Qual a alíquota de Pis-importação e Cofins-Importação deve considerar na importação dos produtos mencionados 2710.12.49 (Nafta Outras) e 2710.12.41 (Nafta Petroquímica) que serão vendidos ao cliente (encomendante) enquadrado no CNAE 19.22-5-99 - Fabricação de outros produtos derivados do petróleo, exceto produtos do refino? 2) Na apuração das contribuições sociais Pis/Pasep e Cofins incidentes sobre a receita de venda de tais produtos importados e vendidos ao ENCOMENDANTE, qual aliquota deve considerar levando em consideração que na importação por encomenda, para o IMPORTADOR contratado tem os mesmos efeitos fiscais de uma importação própria? (3) No que se refere ao conteúdo do contrato, apontou-se que: a) apesar do contrato firmado entre as partes prever pedido formal de mercadorias pela encomendante e aceitação formal pela importadora, em sede de fiscalização não foram apresentados quaisquer documentos cumprindo tais formalidades; b) a cláusula sétima prevê a obrigação da importadora “[...] concluir a compra internacional mediante o fechamento de câmbio com os exportadores e atender todas as demais condições para a efetivação da compra no exterior, inclusive vias de transporte e porto/aeroporto de destino das mercadorias no Brasil, sendo a única responsável pelo emprego de recursos financeiros para o pagamento da operação realizada”, sendo que, no entendimento da autoridade fiscalizadora, “[...] não faria qualquer sentido a imposição expressa à importadora de uma obrigação, em princípio, estranha ao papel do encomendante, que seria o de apenas pagar o preço, no mercado interno, de bens cujo processo de importação estaria praticamente todo afetado à importadora, ainda que se considere regular a participação do encomendante na negociação no exterior”; c) a cláusula oitava prevê a obrigação da encomendante em ressarcir a importadora dos valores correspondentes a diferenças cambiais apuradas desde o fechamento do câmbio até o efetivo faturamento das mercadorias importadas, o que, no entendimento da autoridade autuante, comprovaria que “[...] não se está tratando de uma relação importador/encomendante, mas sim de importador/adquirente, na Fl. 3820DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.503 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 10 qual o importador, em essência, nada mais é que um prestador de serviços aduaneiros e não assume/suporta nenhuma responsabilidade financeira”; d) apesar das cláusulas décima segunda e décima terceira do contrato preverem o pagamento das arras, após realização conjunta de estimativa de valores, com o desconto dos valores adiantados do saldo devedor apurado, segundo a autoridade fiscal, os documentos apresentados durante a fiscalização “[...] mostram claramente que os recursos financeiros envolvidos nas operações de importação sob análise JAMAIS tiveram qualquer natureza de sinal, entrada, caução, garantia de negócio ou equivalente; restou claro e evidente que, além de inexistir comprovantes da realização conjunta de estimativa de valores ali prevista, as movimentações foram determinadas única e exclusivamente para fazer frente ao pagamento pronto e imediato dos custos de nacionalização envolvidos, tendo os recursos literalmente apenas transitado momentaneamente pelas contas correntes do dito importador por encomenda (vide tela seguinte), que de fato revelou-se assim agindo, na melhor das hipóteses, no papel de importador por conta e ordem”; (4) O planilhamento da movimentação financeira apresentada demonstra que todos e quaisquer custos/despesas/tributos diretos - e indiretos - relacionados às operações analisadas – foram direta e integralmente suportados pela encomendante Copape, que teria apenas utilizado as contas correntes da importadora Basoli, como mero ponto de passagem dos vultosos valores envolvidos; Ademais, para reforçar a ocorrência da ocultação do real adquirente e demonstrar que a ocultação de papéis envolvia também outra entidade, a empresa Aster, no tópico C.1.2. Dos participantes/interessados nas operações, do Relatório Fiscal, a autoridade atuante apresentou outras considerações, que podem assim ser sintetizadas: (1) O contrato firmado entre importador e encomendante teve como testemunhas duas pessoas físicas: (i) Gunar Marcondes da Silva, que não possui ligação aparente com as empresas signatárias e já teve vínculo anterior com a empresa Aster, que tem exatamente a mesma estrutura societária formal da Copape; e (ii) Maria Cecília Alonso Braga, que, não obstante já houvesse sido formalmente vinculada à Copape, entre 2014 e 2015, no momento da assinatura do instrumento contratual que testemunhou estava ligada à ASTER. Com base nisto, a autoridade autuante apresenta a seguinte conclusão: “A existência, no dito instrumento contratual, de pessoas que não guardam relação aparente com os participantes ostensivos é fato que por si só chama a atenção, e se por um lado não pode ser tomado como algo irregular, é certo também que evidencia claro interesse, e eventual participação, de tais pessoas naquele ato”. (2) Em relação à pessoa física WILLIAN MARCONDES DA SILVA - identificada como sendo responsável pelas transações internacionais e comerciais praticadas pela Basoli – foram indicados como relevantes ao contexto os seguintes fatos: a) Foi formalmente contratado pelo estabelecimento filial da Basoli apenas em 06/01/2021, caracterizando mais uma inconsistência cronológica, uma vez que antes de tal data já haviam sido registradas as 04 (quatro) primeiras DI nas quais se declarou a modalidade de importação por encomenda da Copape; Fl. 3821DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.503 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 11 b) Da análise da movimentação financeira apresentada constata-se que sequer seu salário era pago propriamente pela sua suposta empregadora; c) Não obstante formalmente contratado por estabelecimento sediado na cidade de Mundo Novo-MS, seu cadastro fiscal indica que é pessoa que residiu, entre 2004 e 05/2021, na cidade de Carapicuíba-SP e, a partir de então, na cidade Cotia-SP, ambas na região metropolitana da cidade de São Paulo-SP e distantes quase 1.000 km do seu local de trabalho; d) Não bastasse, outro fato significativo é que WILLIAN MARCONDES DA SILVA é irmão de GUNAR MARCONDES DA SILVA, o já antes identificado signatário, como testemunha, do instrumento contratual comentado no subtópico anterior; Com base nisto, conclui que: “[o]s fatos acima relatados e relacionados a pessoas-chave nas operações de importação sob análise obviamente não são fruto de mera coincidência, e só podem ser tomados como evidências explícitas de que elas - as pessoas - NÃO TEM NENHUMA LIGAÇÃO REAL com a entidade apresentada em documentos e declarações aduaneiras como sendo o importador por encomenda, que assim, de fato, NÃO PARTICIPOU das mesmas, sendo simples e literalmente interposta irregularmente para encobrir/mascarar o verdadeiro papel de terceiros, que realmente conduziram e detinham o efetivo comando de tais operações”. (3) Dos documentos apresentados a título de comprovar o efetivo contato comercial da Basoli com o exportador/fornecedor no exterior, verifica-se o interesse e participação direta e relevante de funcionários da Copape e da Aster; (4) Destaca mensagem relacionada à importação específica, da qual extrai as seguintes conclusões: (a) “as negociações/compras no exterior não são decididas pelo dito importador por encomenda, indo contra as características da modalidade declarada”; (b) das 03 cargas ali listadas e que, conforme a mensagem, supostamente haviam sido "negociadas" pela Basoli, apenas a primeira foi em seu nome registrada, tendo sido as restantes objeto de outras DIs nas quais o importador dito por encomenda foi entidade diversa, não obstante apresentando o mesmo dito encomendante; e (c) não obstante tratar-se do mesmo produto, a NAFTA da importação realizada pela Basoli foi tributada utilizando-se de alíquotas ad valorem INCORRETAS para o COFINS-Importação e para o PIS/PASEP-Importação, diferentemente das alíquotas específicas declaradas no caso de uma das outras importações realizadas por importador diverso, sistemática que causou uma grande diferença a menor no recolhimento de tais tributos; (5) Indica sequência de e-mails que, no seu entendimento, evidenciam que “[...] as transferências financeiras NÃO GUARDAM QUALQUER SEMELHANÇA com ARRAS/SINAL/GARANTIA de negócio, sendo claramente meras movimentações entre contas correntes por conta de necessidades imediatas”; (6) Os domínios de internet basolitrading.com.br e cppf.com.br (relacionado à Copape) utilizados por pessoas físicas nas mensagens apresentadas, foram ambos registrados pela Aster, não obstante a tentativa de se ocultar/descaracterizar tal fato em relação àquele - basolitrading.com.br - mediante a atribuição do custo envolvido à entidade Basoli, mais uma vez de forma meramente formal/simulada e com o uso de recursos nominalmente oriundos da Copape; Fl. 3822DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.503 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 12 (7) no período considerado a Aster apercerece como o único destino da totalidade das vendas do dito encomendante, conforme se verifica da consolidação de valores presentes em Notas Fiscais expedidas pela Copape; (8) Os estabelecimentos apresentados como vendedor (Copape) e comprador (Aster) são geograficamente muito próximos, conforme informações cadastrais e imagens destacadas, deixando ainda mais evidente a íntima ligação entre as entidades, mesmo operacionalmente. Ao apreciar a presente controvérsia, o v. acórdão recorrido entendeu pela manutenção da autuação, com base nos seguintes fundamentos: Da análise dessas importações juntamente com os documentos e declarações apresentados no curso do procedimento, a fiscalização concluiu que a destinatária das mercadorias, ASTER, era a real interessada nas importações e permaneceu oculta nas operações mediante simulação, pois a empresa COPAPE se fez passar como encomendante predeterminado nas Declarações de Importação que ampararam as importações. (...) Nesse sentido, ressalto ponto inconteste apontado pela fiscalização em seu relatório, que faz prova cabal da participação do encomendante predeterminado declarado nas DI (COPAPE) e da empresa que foram direcionados os produtos no mercado interno (ASTER) na execução e gerenciamento da compra no exterior. Trata-se de e-mails apresentados a título de comprovar o EFETIVO contato comercial com o(s) exportador(es)/fornecedor(es) no exterior, em atendimento a exigência constante no Termo de Início de Fiscalização. Transcrevo trechos do Relatório fiscal de fls. 40 a 43. (...) No conjunto, o extenso conteúdo das trocas de mensagens impressas apresentadas, conforme juntado aos autos nos Documentos Comprobatórios - outros - n° 7 - Parte 5 até os Documentos Comprobatórios - outros - n° 7 - Parte 9, cuja fiscalização destacou pequenos excertos mais elucidativos em seu relatório, demonstram a execução e o gerenciamento financeiro e logístico da COPAPE e da ASTER nas operações comerciais relativas à aquisição da mercadoria no exterior. A questão de ser a COPAPE formuladora de combustíveis e a ASTER distribuidora de combustíveis líquidos com as competências e limitações imposta pela ANP, na verdade reforçam mais ainda que ambas devem ter total independência na execução de suas atividades, independente de fazerem parte do mesmo grupo econômico. Não é isso que se conclui das mensagens acima, onde há a intervenção de uma na atividade da outra. As empresas não devem existir pelo simples fato de se adequar a restrições impostas pelo órgão regulador. As atividades por elas exercidas é que devem efetivamente obedecer ao que determina a ANP, não ultrapassando os limites autorizados para exercerem suas atribuições e competências. Fl. 3823DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.503 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 13 Ressalto, mais uma vez, que a importação por encomenda deve ser realizada pelo importador, em seu nome e com recursos próprios. O fato de a legislação permitir o recebimento pelo importador de valores do encomendante predeterminado a título de pagamento, total ou parcial, da obrigação, mesmo antes da realização da operação de importação ou da efetivação da transação comercial de compra e venda, não invalida o fato de o importador ter a capacidade de suportar as importações, independente de tais recebimentos. E, nesse ponto, a fiscalização também logrou comprovar que o capital social e o patrimônio líquido da BASOLI são insuficientes para suportar tal ônus, não fosse os aportes de recursos dos destinatários das mercadorias. Ao contrário das alegações feitas nas impugnações, a contabilidade da empresa faz prova da capacidade econômica/financeira da entidade. (...) Tais fatos até aqui expostos, por si só, já descaracterizam as operações em pauta como uma importação por encomenda, nos moldes que foram declaradas, provando assim, que ocorreu a ocultação do real adquirente das mercadorias importadas. Não satisfeito com isso, a fiscalização detalhou outros fatos que, mesmo que isoladamente sejam indícios, no conjunto, fazem prova e robustece o auto de infração. (...) Por isso, entendo tais fatos como indícios de ocultação do sujeito passivo, que analisados em conjuntos, são indícios homogêneos e conduzem a um mesmo resultado, evidenciando uma convicção segura acerca da ocorrência da ocultação do sujeito passivo nas operações de importação em pauta. Há também alegações de pronunciamento recente da RFB na Solução de Consulta Cosit n° 158/2021, onde admite a presença de um terceiro envolvido - o encomendante do encomendante predeterminado. Porém, a própria Solução de Consulta adverte que essa permissão não é absoluta. (...) No decorrer da análise, a Solução de Consulta em pauta ressalta que a Coordenação-Geral de Administração Aduaneira (Coana) da RFB se manifestou de maneira didática sobre o tema, quando questionada sobre aperfeiçoamentos na legislação, na Nota Coana n° 76, de 25 de maio de 2020. Essa Nota também pondera premissas para licitude da operação de importação onde haja a figura do encomendante do encomendante predeterminado, quais sejam: i) todas as partes envolvidas sejam independentes umas das outras, e ii) as relações estabelecidas entre elas representem efetivas operações de compra e venda de mercadorias. 2.6. É importante destacar, para que não haja uma má interpretação da matéria, que as conclusões expressas nos parágrafos precedentes em relação Fl. 3824DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.503 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 14 às importações por encomenda partem das premissas de que todas as partes envolvidas sejam independentes umas das outras e que as relações estabelecidas entre elas representem efetivas operações de compra e venda de mercadorias. Assim, diante de todos os fatos antes destacados, não há outra conclusão senão a de que as partes envolvidas não são independentes uma da outra e a relação estabelecida entre elas não representam efetiva operação de compra e venda de mercadorias. Conclui-se, então, pela comprovação da ocultação do real adquirente nas operações em pauta e, por conseguinte, na improcedência das alegações, mantendo a multa equivalente ao valor de 10% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada, pelo fato do impugnante haver cedido seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros. Por sua vez, a recorrente sustenta a inocorrência de cessão de nome para ocultação do real importador, pleiteando, por conseguinte, o afastamento da multa equivalente ao valor de 10% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada É o que passo a apreciar. A presente autuação trata da infração e penalidade previstas no artigo 33 da Lei nº 11.488/07, abaixo transcrito: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Ressalte-se, incialmente, que a referida infração trata da cessão de nome para ocultação, mediante fraude ou simulação, do real comprador das mercadorias importadas, ou seja, infração subjetiva cuja apuração exige robusta comprovação. Neste sentido, bem leciona Paulo de Barros Carvalho: [...] no setor das infrações subjetivas, em que penetra o dolo ou a culpa na compostura do enunciado descritivo do fato ilícito, a coisa se inverte, competindo ao Fisco, com toda a gama instrumental dos seus expedientes administrativos, exibir os fundamentos concretos que revelem a presença do dolo ou da culpa, como nexo entre a participação do agente e o resultado material que dessa forma se produziu. Os embaraços dessa comprovação, que nem sempre é fácil, transmudam-se para a atividade fiscalizadora da Administração, que terá a incumbência intransferível de evidenciar não só a materialidade do evento como, também, o elemento volitivo que propiciou ao infrator atingir seus fins contrários às disposições da ordem jurídica vigente2. 2 CARVALHO, Paulo de Barros, Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2012. p. 597-598 Fl. 3825DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.503 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 15 Assim, para caracterização da infração prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/07, deve restar devidamente comprovada a ocultação do real adquirente, bem como, ser identificado o dolo dos partícipes, por se tratar de infração grave em substância e não uma infração meramente formal. Cumpre observar que, no caso de interposição fraudulenta, a fraude não está relacionada apenas a uma ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou a excluir ou modificar suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, evitar ou diferir o seu pagamento, envolvendo também situações atinentes à fiscalização e ao controle sobre o comércio exterior. Justamente por isso que o legislador, no artigo 23, inciso V, do Decreto-lei nº 1.455/78, elencou a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, como infração que configura dano ao erário, deixando claro que o direito tutelado não se refere apenas à arrecadação tributária, mas ao controle aduaneiro e à segurança da sociedade. De qualquer modo, apesar de, em tais situações, se tornar inócua a discussão quanto ao dano ao erário, vez que há expressa disposição legal neste sentido, a intenção dolosa de praticar a fraude ou simulação, com a finalidade de interposição de terceiro na operação de comércio exterior, é imprescindível para a configuração da infração, vez que a fraude ou simulação não comportam a figura culposa. Em breve síntese, a responsabilização pela infração depende da comprovação da ocorrência e da intenção de cessão de nome para ocultação dos partícipes da operação, mediante a utilização de meios fraudulentos ou simulados, prescindindo, por sua vez, da demonstração do resultado obtido/pretendido com a conduta. Ainda, é pertinente relembrar a diferenciação estabelecida por Paulo de Barros Carvalho entre fatos e objetos da experiência ou eventos. Os fatos seriam os enunciados linguísticos sobre as coisas e os acontecimentos, sobre as pessoas e suas manifestações. Por sua vez, os objetos da experiência são aquilo acerca do que faremos afirmações, aquilo sobre que emitimos enunciados3. Pela clareza e didática, merecem referência também as lições de Tércio Sampaio Ferraz Jr.: É preciso distinguir entre fato e evento. A travessia do Rubicão por Cesar é um evento. Mas ‘Cesar atravessou o Rubicão’ é um fato. Quando, pois, dizemos que ‘é um fato que Cesar atravessou o Rubicão’ conferimos realidade ao evento. ‘Fato’ 3 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2015. p.342 Fl. 3826DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.503 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 16 não é pois algo concreto, sensível, mas um elemento linguístico capaz de organizar uma situação existencial como realidade4. Tal distinção é relevante para percebermos que “[...] acontecido o evento, não há como entrar em contato direto com ele, pois se esvaiu no tempo e no espaço. Sobram, apenas, vestígios, marcas deixadas por aquele evento, as quais servem como base para construção do fato jurídico e adequado desenvolvimento do processo de positivação”5. E mais, “[...] ou a mutação ocorrida na vida real é contada, fielmente, de acordo com os meios de prova admitidos pelo sistema positivo, consubstanciando a categoria dos fatos jurídicos (lícitos ou ilícitos, pouco importa) e da eficácia que deles se irradia; ou nada terá acontecido de relevante para o direito, em termos de propagação de efeitos6. Neste sentido, é importante compreendermos que (i) infelizmente, a verdade real é inalcançável, por pertencer apenas ao mundo fenomênico – dos eventos -, se esvaindo no tempo e no espaço; e (ii) não há como se afastar a subjetividade na análise das provas, uma vez que, como toda e qualquer linguagem, o fato jurídico é constituído a partir do seu relato em linguagem competente, sendo tal relato uma atividade humana e, por conseguinte, dotada de valores e inerentemente subjetiva. No caso das infrações praticadas mediante fraude ou simulação, justamente por existir uma intenção de ocultar a ocorrência da conduta efetivamente praticada, os documentos oficiais geralmente corroboram a suposta ocorrência do fato fraudado ou simulado. Nestas situações, cabe às autoridades investigadoras e julgadoras analisarem os demais elementos de prova existentes, para verificar, a uma, se há indícios de uma conduta fraudulenta ou simulada, e, a duas, qual teria sido o ato ou negócio jurídico efetivamente praticado; para, após formada a sua convicção, articulada em consonância com a teoria das provas, relatar com precisão o fato jurídico tido como ocorrido e os efeitos dele decorrentes. Quanto aos indícios, é oportuno ponderar que toda investigação se inicia com base em indícios, sendo que, a partir destes, pode-se chegar ou não a comprovação da ocorrência de determinada infração ou irregularidade. Indício é aquilo que indica, com probabilidade, a existência de algo. Nada impede que um indício seja utilizado como prova, afinal, toda prova é, antes, um indício. Tudo depende da força probante, ou seja, da consistência e da coerência da unidade lógica que aponta para o fato que se quer provar. Ademais, é comum que a prova seja constituída por um conjunto de indícios que, ao se confirmarem e se completarem, convergem para a formação da convicção do julgador e, por conseguinte, para a constituição do fato jurídico. 4 FERRAZ JR, Tércio Sampaio. Introdução ao estudo do direito. São Paulo: Atlas, 1991, p. 253. 5 TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no Direito Tributário. In Derecho Tributário – Tópicos Contemporâneos. Tradución de Juan Carlos Panez Solórzano. Lima: Grijley, 2010 6 CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. São Paulo: Noeses, 2008. p. 824 Fl. 3827DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.503 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 17 De qualquer forma, não se olvida que, nos termos do artigo 112, do Código Tributário Nacional – CTN, a lei tributária que define infrações se interpreta da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; e quanto à autoria, imputabilidade, ou punibilidade. Assim, para configuração do ilícito de ocultação do real adquirente da mercadoria importada, há que se caracterizar, de forma inequívoca, uma evidente incompatibilidade entre o negócio declarado e sua efetivação no plano fático, uma vez que, caso os indícios apurados possam conduzir também à ocorrência de uma conduta lícita, não restará configurada a infração. No presente caso, a autoridade autuante entendeu comprovada a ocorrência de ocultação do real adquirente, com base nas seguintes constatações: 1) incompatibilidade entre a capacidade econômico financeira evidenciada pela importadora e o volume de operações de comércio exterior em seu nome registrado na condição de importador por encomenda; 2) volume de importações incompatível com o limite/estimativa estabelecido na habilitação do contribuinte para atuar no comércio exterior; 3) quase a integralidade dos tributos federais recolhidos pelo sujeito passivo foi pago via débito automático quando do registro de declarações de importação; 4) a Basoli já estava praticando atos que indicam negociações comerciais com o exportador estrangeiro antes da formalização do contrato de importação de encomenda com a Copape; 5) em período anterior às importações, a Basoli formulou Consulta à Receita Federal onde expôs sua intenção de realizar importações por encomenda e demonstrou dúvida acerca da alíquota de Pis-importação e Cofins-Importação aplicável às importações dos produtos que veio a importar; 6) o contrato assinado entre a importadora e a encomendante prevê a formalização dos pedidos – o que não restou comprovado – e apresenta cláusulas que preveem a obrigação da importadora pela efetivação da compra no exterior e a obrigação da encomendante em ressarcir a importadora dos valores correspondentes a diferenças cambiais apuradas desde o fechamento do câmbio até o efetivo faturamento das mercadorias importadas; 7) todos e quaisquer custos/despesas/tributos diretos - e indiretos - relacionados às operações analisadas – foram direta e integralmente suportados pela encomendante Copape, que teria apenas utilizado as contas correntes da importadora Basoli, como mero ponto de passagem dos vultosos valores envolvidos; 8) o contrato firmado teve como testemunha pessoas físicas ligadas à empresa Aster e a funcionário da Basoli; 9) inconsistências relacionadas à residência e remuneração do funcionário da Basoli, Willian, que teria sido indicado como responsável pelas transações internacionais e comerciais; Fl. 3828DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.503 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 18 10) Nos documentos apresentados a título de comprovação do efetivo contato comercial da Basoli com o exportador/fornecedor no exterior, verifica-se o interesse e participação direta e relevante de funcionários da Copape e da Aster; 11) existência de importações por encomenda da Copape com o mesmo fornecedor no exterior, mas através de outro importador; 12) os domínios de internet basolitrading.com.br e cppf.com.br (relacionado à Copape) foram ambos registrados pela Aster; 13) no período considerado, a Aster aparece como a única destinatária da totalidade das vendas da dita encomendante; 14) os estabelecimentos apresentados como vendedor (Copape) e comprador (Aster) são geograficamente muito próximos, deixando ainda mais evidente a íntima ligação entre as entidades, mesmo operacionalmente. Com a devida vênia, entendo que a autuação não merece subsistir. No que se refere à importação por encomenda, cumpre transcrever os seguintes dispositivos da Instrução Normativa RFB nº 1861/18, que estabelece requisitos e condições para a realização de operações de importação por conta e ordem de terceiro e por encomenda: Art. 3º Considera-se operação de importação por encomenda aquela em que a pessoa jurídica importadora é contratada para promover, em seu nome e com recursos próprios, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria de procedência estrangeira por ela adquirida no exterior para revenda a encomendante predeterminado. § 1º Considera-se encomendante predeterminado a pessoa, física ou jurídica, que contrata o importador por encomenda referido no caput para realizar a transação comercial de compra e venda de mercadoria de procedência estrangeira a ser importada, o despacho aduaneiro de importação e a revenda ao próprio encomendante predeterminado. § 2º O objeto principal da relação jurídica de que trata este artigo é a transação comercial de compra e venda de mercadoria nacionalizada, mediante contrato previamente firmado entre o importador por encomenda e o encomendante predeterminado, podendo este participar ou não das operações comerciais relativas à aquisição da mercadoria no exterior. § 3º Consideram-se recursos próprios do importador por encomenda os valores recebidos do encomendante predeterminado a título de pagamento, total ou parcial, da obrigação relativa à revenda da mercadoria nacionalizada, ainda que ocorrido antes da realização da operação de importação ou da efetivação da transação comercial de compra e venda da mercadoria de procedência estrangeira pelo importador por encomenda. § 4º O importador por encomenda poderá solicitar prestação de garantia, inclusive mediante arras, sem descaracterizar a operação referida no caput. Fl. 3829DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.503 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 19 § 5º O pagamento ao fornecedor estrangeiro pela aquisição da mercadoria importada deve ser realizado exclusivamente pelo importador por encomenda. Em breve síntese, na importação por encomenda, o importador é contratado para promover, em seu nome e com recursos próprios, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria de procedência estrangeira por ele adquirido no exterior para revenda a encomendante predeterminado. Ademais, é expressamente permitido pela legislação que o encomendante predeterminado participe das operações comerciais relativas à aquisição da mercadoria no exterior, assim como, consideram-se recursos próprios do importador os valores recebidos do encomendante a título de pagamento, total ou parcial, da obrigação relativa à revenda da mercadoria nacionalizada, ainda que ocorrido antes da realização da operação de importação ou da efetivação da transação comercial de compra e venda da mercadoria de procedência estrangeira pelo importador por encomenda. Desta forma, de antemão, já se verifica que os indícios apontados nos tópicos (7) – custos relacionados às importações foram custeados com recursos antecipados pela Copape - e (10) - interesse e participação direta e relevante de funcionários da Copape e da Aster nas tratavas com o fornecedor no exterior -, não são vedados pela legislação que disciplina a matéria. Na verdade, para a desconsideração da importação por encomenda, deve restar demonstrado que a transação comercial de compra e venda da mercadoria no exterior e o despacho aduaneiro de importação não foram efetivamente praticados pela importadora, o que, salvo melhor juízo, não ocorreu. Neste sentido, fatos apontados pela fiscalização como indícios de ocultação do real adquirente, a meu ver, corroboram a ocorrência de uma importação por encomenda, senão vejamos. Em período anterior às importações, a Basoli formulou Consulta à Receita Federal onde expôs sua intenção de realizar importações por encomenda e demonstrou dúvida acerca da alíquota de Pis-importação e Cofins-Importação aplicável às importações dos produtos que veio a importar (4). Somado a isto, antes mesmo de formalizar o contrato com a Copape, a Basoli já estava praticando atos que indicam negociações comerciais com o exportador estrangeiro (5). Por ser bastante elucidativo, merece transcrição trecho do Relatório Fiscal no qual a autoridade fiscal aponta inconsistência entre a data de formalização do contrato de importação por encomenda e fatos preparatórios já realizados pela Basoli no exterior, corroborando a efetiva atuação da empresa na transação comercial: Antes mesmo de se tratar do seu conteúdo, de plano há que se destacar a evidente e insuperável inconsistência cronológica, para o caso das operações objeto das DI nº 20/2114138-0 e nº 20/2124906-8 (SEQ. 1 e 2 da Tabela A.1), em relação à modalidade de importação de que tratava o referido contrato e que foi declarada em tais despachos aduaneiros. Não obstante registradas em 28 e Fl. 3830DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.503 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 20 29/12/2020, sendo as primeiras da lista de operações que adotaram a mesma modalidade, fatos prévios/preparatórios a tais registros - que indubitavelmente demonstram a evolução de negociações comerciais que já vinham transcorrendo com o exportador estrangeiro - foram praticados nas seguintes datas: - 27/11/2020 (10 (dez) dias ANTES da assinatura do instrumento particular): registro do despacho de exportação nº 20057ES02000058A, correspondente à mercadoria da DI nº 20/2114138-0, junto à Aduana do país de origem (Argentina); - 02/12/2020 (05 (cinco) dias ANTES da assinatura): fechamento de câmbio, no Brasil, do Contrato de Câmbio nº 00025413641227 (BANCO BRADESCO S/A) no valor de US$ 1.000.000,00 para pagamento - em parte - das mercadorias objeto das DI nº 20/2114138-0 e nº 20/2124906-8 ao exportador estrangeiro declarado LATIN OIL S.A.; e - 04/12/2020 (03 (três) dias ANTES da assinatura): embarque das mercadorias objeto das DI nº 20/2114138-0 e nº 20/2124906-8 no navio transportador HUEMUL no Porto General San Martin – Santa Fé, conforme data de expedição dos B/L (Bill of Lading) nº 1 e nº 2 instrutivos. Da mesma forma, para as operações objeto das DI nº 20/2132133-8 e nº 21/0004027-7 (SEQ. 3 e 4 da Tabela A.1) e nas quais, apesar de registradas em 30/12/2020 e 04/01/2021, também houve fato prévio/preparatório incompatível cronologicamente com a modalidade declarada, sendo: - 04/12/2020 (03 (três) dias ANTES da assinatura): fechamento de câmbio, no Brasil, do Contrato de Câmbio nº 000254294706 (BANCO BRADESCO S/A) no valor de US$ 1.010.610,00 para pagamento - em parte - das mercadorias objeto das DI nº 20/2132133-8 e nº 21/0004027-7 ao exportador estrangeiro declarado LATIN OIL S.A.. Tais fatos prévios/preparatórios ao registro das declarações aduaneiras, caracterizadores de inconsistência temporal absoluta, posto que efetivamente ocorridos ANTES da formalização do referido instrumento particular, apontam - já de plano e ao menos para as 04 (quatro) primeiras operações analisadas – a inexorável conclusão lógica que as correspondentes transações comerciais de compra e venda - no exterior – que lhes deram causa, ainda que a BASOLI COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. os tivesse realmente praticado/efetivado/conduzido, os fez EM DESACORDO com a norma reguladora, restando evidente e inapelavelmente indevida, nos termos da legislação, sua apresentação no papel de importador por encomenda em tais declarações aduaneiras. (Grifamos) Vejam que a fiscalização reconhece que os atos relacionados à transação comercial no exterior, registro de exportação no país exportador, fechamento de contrato de câmbio para pagamento do exportador, embarque e transporte da mercadoria, foram conduzidos pela Basoli, sendo que a “inconsistência” supostamente evidenciada se refere apenas ao fato do contrato Fl. 3831DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.503 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 21 firmado entre importador e encomendante ter sido formalizado em data posterior à ocorrência de tais fatos. Neste ponto, é oportuno destacar que o dever previsto no artigo 5º, inciso II, da IN RFB nº 1861/18, de, ao registrar a DI, anexar cópia do contrato previamente firmado com o encomendante predeterminado, foi devidamente cumprido pela importadora, não havendo de se falar em desacordo com a norma reguladora. Ressalte-se também não ser incomum a existência de pactuações prévias à efetiva formalização do contrato, que já confirmam a intenção e vontade das partes, independentemente de forma especial, nos termos do artigo 107 do Código Civil7, de modo que, ao meu ver, restam superadas as supostas inconsistências temporais. Ademais, em nenhum momento, a fiscalização consegue afastar a efetiva participação da importadora Basoli nas tratativas comerciais com o fornecedor no exterior, sendo que os e-mails colacionados ao Relatório Fiscal revelam apenas a participação conjunta - mas não principal - da encomendante, o que, como visto, é admitida em tais operações. No que se refere às inconsistências indicadas nos itens (1) – incompatibilidade financeira -, (2) – volume de importações incompatível com o limite habilitado e (3) – tributos federais pagos via débito automático -, não se discorda que podem indicar indícios de uma eventual ocultação e, até mesmo, de outras infrações aduaneiras. Mas, no presente caso, jamais foi ocultado que as importações tinham encomendante pré-determinado, assim como, não é vedada a antecipação de recursos pela encomendante. Informação de grande relevância para a desconsideração da operação como importação por encomenda seria a incompatibilidade entre os preços praticados entre as partes, com a demonstração de inexistência de lucro ou lucro abaixo daquele praticado no mercado, o que, salvo melhor juízo, não foi trazido pela fiscalização. Tal informação poderia ser obtida pela simples confrontação entre os valores discriminados na nota fiscal de entrada, emitida após o desembaraço aduaneiro das mercadorias, e na nota fiscal de venda, emitida na data da saída das mercadorias do estabelecimento do importador por encomenda ou do recinto alfandegado em que realizado o despacho aduaneiro; obrigações acessórias exigidas do importador por encomenda no artigo 8º da IN RFB nº 1861/188 e 7 Art. 107. A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir. 8 Art. 8º Para cada operação de importação por encomenda, o importador por encomenda deverá emitir, observada a legislação específica: I - nota fiscal de entrada, após o desembaraço aduaneiro das mercadorias, na qual deverão ser informados: a) as quantidades e os valores unitários e totais das mercadorias, assim entendidos os valores aduaneiros utilizados para base de cálculo do imposto de importação; e b) o valor de cada tributo incidente na importação; II - nota fiscal de venda, na data da saída das mercadorias do estabelecimento do importador por encomenda ou do recinto alfandegado em que realizado o despacho aduaneiro, que terá por destinatário o encomendante predeterminado, na qual deverão ser informados: Fl. 3832DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.503 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 22 que poderiam ter sido solicitadas durante a fiscalização e, até mesmo, comparadas com o fluxo financeiro entre as partes. Quanto às inconsistências indicadas nos itens (8), (12), (13) e (14) relacionadas à Aster, além das duas primeiras tratarem de informações extremamente precárias que não guardam pertinência com a matéria em litígio – testemunhas que assinaram o contrato firmado entre as partes e registro de domínio de internet -, verifica-se que o fato da Aster ter adquirido o combustível formulado pela Copape após industrialização dos insumos importados (Nafta) pela Basoli em nada podem implicar sua vinculação às importações em tela. Ainda, fato incontroverso é que a Copape e a Aster são empresas do mesmo grupo econômico, sendo natural a “íntima ligação entre as entidades, mesmo operacionalmente”, assim como, a proximidade geográfica decorrente da própria atividade exercida por ambas. Neste sentido, merecem ser tecidas algumas considerações que ressaltam, ao meu ver, a insubsistência da conclusão adotada pela fiscalização. Conforme reconhecido no Relatório Fiscal, a Copape é uma das 03 únicas formuladoras nacionais de combustíveis em operação autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – ANP, e, nessa condição, vem efetivamente executando tal atividade, fato também confirmado pela descrição dos produtos presentes nos documentos fiscais de venda por ela emitidos, que apontam a venda de Gasolina A. Neste cenário, a Resolução ANP n° 5, de 26/01/2012, que regula a atividade de formulação de combustíveis, que abrange a construção, modificação, ampliação de capacidade e operação de plantas de formulação de combustíveis, condicionada à prévia e expressa autorização da ANP, assim dispõe acerca da referida atividade: Art. 16.O formulador de combustíveis autorizado deverá: I - adquirir correntes de hidrocarbonetos exclusivamente para a formulação de gasolina A e óleo diesel, mediante importação direta, após prévia autorização da ANP para exercer a atividade de importação das correntes apropriadas de acordo com a legislação em vigor; II - adquirir correntes de hidrocarbonetos exclusivamente para a formulação de gasolina A e óleo diesel, no mercado interno, dos seguintes agentes autorizados: a) refinarias de petróleo; b) centrais de matéria-prima petroquímica; c) importadores de derivados de petróleo. III - comercializar gasolina A exclusivamente com: a) as quantidades e os valores unitários e totais das mercadorias, assim entendidos o preço de venda das mercadorias ao encomendante predeterminado; c) o IPI incidente sobre o valor da operação de saída. Fl. 3833DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.503 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 23 a) distribuidores de combustíveis adimplentes com a contratação do Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis (PMQC); b) refinarias de petróleo; c) centrais de matéria-prima petroquímica; d) exportadores de derivados de petróleo. (Grifamos) Por sua vez, a Aster é distribuidora de combustíveis líquidos, com estabelecimentos devidamente autorizados para tal atividade, que somente pode adquirir tais produtos - combustíveis líquidos, e não os insumos para sua formulação – de produtores específicos, entre eles, formuladores autorizados pela ANP, como a Copape, conforme estabelecido na Resolução ANP n° 58, de 17/10/2014, que estabelece os requisitos necessários à autorização para o exercício da atividade de distribuição de combustíveis líquidos e a sua regulamentação, e assim dispõe: Art. 18. O distribuidor somente poderá adquirir combustíveis líquidos: I - de refinaria autorizada pela ANP; II - de central de matéria-prima petroquímica; III - de formulador autorizado pela ANP; IV - de importador autorizado pela ANP, de acordo com a regulamentação vigente; V - de outro distribuidor de combustíveis líquidos autorizado pela ANP, observado o disposto no art. 30; VI - de fornecedor de etanol cadastrado ou autorizado pela ANP; ou VII - de produtor de biodiesel autorizado pela ANP, observado o disposto nos arts. 19 e 20. VIII - no mercado externo, quando autorizado pela ANP ao exercício da atividade de comércio exterior. (Grifamos) Desta forma, além de restar evidenciado que se trata de atividade extremamente regulada e que deve ter suas peculiaridades levadas em consideração na apreciação do caso concreto, especialmente no que se refere à participação das adquirentes nas negociações com os fornecedores (seja na relação Fornecedor no exterior - Basoli, seja na relação Basoli – Copape), fato é que a Aster jamais poderia ser considerada real adquirente da mercadoria importada, conforme entendimento exposto pelo v. acórdão recorrido, uma vez que só adquire a gasolina formulada pela Copape, mercadoria totalmente distinta daquela importada pela Basoli (Nafta). Neste sentido, a fragilidade da autuação é corroborada pela conclusão contraditória adotada pelo v. acórdão recorrido no sentido de que “[...] a fiscalização concluiu que a destinatária das mercadorias, ASTER, era a real interessada nas importações e permaneceu oculta Fl. 3834DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.503 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 24 nas operações mediante simulação, pois a empresa COPAPE se fez passar como encomendante predeterminado nas Declarações de Importação que ampararam as importações”. Isto porque, enquanto a autuação concluiu que a Basoli ocultou comprovadamente a Copape, com interferência direta da Aster na condução/gerência/controle das operações de comércio exterior e por ser a única destinatária dos produtos vendidos pela Copape, o v. acórdão recorrido entendeu que a fiscalização teria concluído pela ocorrência de ocultação da Aster e que a Copape teria se passado por encomendante, contradição esta que ressalta, ao meu ver, a inconsistência da autuação em comprovar o fato imputado. Neste cenário, as inconsistências relativas a ausência de pedidos formalizados e obrigação contratual da encomendante em ressarcir a importadora de eventuais diferenças cambias apuradas desde o fechamento do câmbio até o efetivo faturamento das mercadorias importadas (6), e a existência de importações por encomenda da Copape com o mesmo fornecedor no exterior, mas através de outro importador (11), apesar de configurarem indícios, não foram objeto de maior investigação pela fiscalização a ponto de confirmar uma ocultação no caso concreto. Da mesma forma, as inconsistências relacionadas à residência e remuneração do funcionário da Basoli, Willian, que teria sido indicado como responsável pelas transações internacionais e comerciais (9), também não são o bastante para deslegitimar as operações realizadas pela Basoli, ainda mais numa época em que o país enfrentava estado de calamidade pública decorrente da pandemia da Covid-19, e que se tornou cada vez mais comum a prática do home office. Frise-se: não se está a negar a existência de irregularidades evidenciadas pela fiscalização, tampouco a existência de indícios de práticas fraudulentas e, até mesmo, outras infrações aduaneiras. Ocorre que, ao meu ver, não restou devidamente comprovada a ocorrência de cessão de nome para ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação, especialmente, (i) por se tratar de importação por encomenda - sendo informado em todas as DIs a Copape como encomendante pré-determinada -, na qual é permitida a participação da encomendante nas operações comerciais relativas à aquisição da mercadoria no exterior e são considerados recursos próprios do importador os valores recebidos do encomendante a título de pagamento, total ou parcial, da obrigação relativa à revenda da mercadoria nacionalizada, ainda que ocorrido antes da realização da operação de importação ou da efetivação da transação comercial de compra e venda da mercadoria de procedência estrangeira pelo importador por encomenda; (ii) em razão das provas trazidas pela própria fiscalização confirmarem – e não afastarem - a atuação direta da Basoli na transação comercial no exterior; e (iii) da ausência de aprofundamento da investigação acerca dos preços praticados entre as partes, com eventual demonstração de inexistência de lucro ou lucro abaixo daquele praticado no mercado, e da capacidade comercial e logística da empresa importadora. Fl. 3835DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.503 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 25 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, por entender que não restou devidamente caracterizada a ocorrência da infração imputada, prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/07, devendo, por conseguinte, ser anulada integralmente a multa lançada. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, para dar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues VOTO VENCEDOR Conselheiro Fábio Kirzner Ejchel Superadas as questões preliminares nos termos do voto do Relator, a maioria do Colegiado entendeu por bem, em que pesem os argumentos trazidos no voto vencido, negar provimento ao recurso voluntário. Como Conselheiro designado para redigir o voto vencedor, passo a esclarecer as razões de decidir abordadas pelo Colegiado. A fiscalização entendeu que, por ter ocorrido a ocultação do real importador e adquirente em operações de importação efetuadas pela recorrente, aplica-se a multa prevista no Art. 33 da Lei n° 11.488, de 15/06/2007, regulamentada, atualmente, pelo Art. 727 do Decreto nº 6.759, de 05/02/2009, nos termos abaixo transcritos. “LEI Nº 11.488, DE 15 DE JUNHO DE 2007 ... Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ...” “DECRETO Nº 6.759, de 05/02/2009. Fl. 3836DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.503 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 26 TÍTULO III ... DAS MULTAS ... CAPÍTULO III ... DAS MULTAS COMUNS À IMPORTAÇÃO E À EXPORTAÇÃO Art. 727. Aplica-se a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 1º A multa de que trata o caput não poderá ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais) (Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 2º Entende-se por valor da operação aquele utilizado como base de cálculo do imposto de importação ou do imposto de exportação, de acordo com a legislação específica, para a operação em que tenha ocorrido o acobertamento. § 3º A multa de que trata o caput não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias na importação ou na exportação (Redação dada pelo decreto nº 7.213, de 2010).” Irresignada com a aplicação da multa e com a manutenção do lançamento pela autoridade de primeira instância, a recorrente apresentou, em seu recurso voluntário, as seguintes questões de mérito relativas a esse item: a.1) Não restou comprovada nenhuma descrição e demonstração, pela fiscalização, de conduta dolosa que tenha sido praticada pela recorrente, baseando-se o lançamento em meras presunções. a.2) As importações foram classificadas com a NCM 2710.12.49 e a fiscalização entendeu que a classificação aplicável ao caso seria a NCM 2710.12.41. Alega que “tanto o NCM final 41 quanto o NCM final 49 englobam produtos que podem ser utilizados na produção de combustível, sendo certo que diferença entre os dois é puramente a destinação dada à nafta. Da mesma forma - e principalmente - tanto NCM final 41 quanto o NCM final 49 englobam produtos que podem ser utilizados na produção de combustível - NÃO ENSEJOU QUALQUER ALTERAÇÃO PROCEDIMENTAL QUANTO AO CONTROLE ADUANEIRO, como exige o art. 711, III para que se possa falar em incidência de multa”. Fl. 3837DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.503 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 27 a.3) Como ponto mais importante, tratam-se de importação por encomenda com pagamentos ao fornecedor estrangeiro realizados com valores recebidos do encomendante predeterminado, não existindo ocultação de pessoas. a.4) Inconsistências contábeis não servem como fundamento para se chegar à conclusão de irregularidade na importação. Argumenta que a tipificação do ilícito de interposição fraudulenta ou ocultação do sujeito passivo, realizada na lei, foi inserida para coibir tipos penais realizados por empresas “fantasma” ou “de fachada”. a.5) Por conta da pandemia da Covid-19, o “home-office” foi praticado por quase todas as empresas do país, não existindo, assim, nenhum problema a empresa possuir um funcionário em sistema remoto de trabalho. Não assiste razão à recorrente. Diversamente do afirmado pela recorrente, existem vários aspectos levantados pela fiscalização que não são meras presunções, mas fatos comprovados documentalmente que descrevem a conduta pela empresa. Abaixo, pequenos excertos do Relatório Fiscal que trazem tais informações: ...em que se torna evidente que a relação - de fato - entre as partes, que se pretende ajustar em tal expediente, assemelha-se muito mais à modalidade de importação por conta e ordem do que a de importação por encomenda: caso se tratasse desta última, no qual, relembre-se, o objeto da relação jurídica é a transação comercial de compra e venda de mercadoria nacionalizada, não faria qualquer sentido a imposição expressa à importadora de uma obrigação, em princípio, estranha ao papel do encomendante, que seria o de apenas pagar o preço, no mercado interno, de bens cujo processo de importação estaria praticamente todo afetado à importadora, ainda que se considere regular a participação do encomendante na negociação no exterior. ...nesta é explicitado, de forma surpreendente, que o risco cambial do negócio internacional NÃO É DE QUEM, em tese, teria efetivado tal negócio e assumido referido risco; não há outra interpretação possível a respeito de tal cláusula que não a confirmação que, de fato, não se está tratando de uma relação importador/encomendante, mas sim de importador/adquirente, na qual o importador, em essência, nada mais é que um prestador de serviços aduaneiros e não assume/suporta nenhuma responsabilidade financeira. ...os documentos/informações apresentados (Documentos Comprobatórios - outros - nº 7 - Parte 1 a Documentos Comprobatórios - outros - nº 7 - Parte 11) mostram claramente que os recursos financeiros envolvidos nas operações de importação sob análise JAMAIS tiveram qualquer natureza de sinal, entrada, caução, garantia de negócio ou equivalente; restou claro e evidente que, além de inexistir comprovantes da realização conjunta de estimativa de valores ali prevista, as Fl. 3838DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.503 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 28 movimentações foram determinadas única e exclusivamente para fazer frente ao pagamento pronto e imediato dos custos de nacionalização envolvidos, tendo os recursos literalmente apenas transitado momentaneamente pelas contas correntes do dito importador por encomenda (vide tela seguinte), que de fato revelou-se assim agindo, na melhor das hipóteses, no papel de importador por conta e ordem ...DE FATO, TODOS E QUAISQUER custos/despesas/tributos diretos - e indiretos - relacionados às operações analisadas FORAM DIRETA E INTEGRALMENTE SUPORTADOS pelo dito encomendante COPAPE PRODUTOS DE PETRÓLEO LTDA. (CNPJ 01.428.174), que efetiva e literalmente apenas usou as contas correntes da BASOLI COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. (CNPJ 13.918.607), dito importador, como mero ponto de passagem dos vultosos valores envolvidos; esclarecedor e bastante exemplificativo do fato, veja-se, nas linhas finais do detalhe acima mostrado, que mesmo os custos das perícias realizadas nas mercadorias objeto das DI nº 21/0728196-2 e nº 21/0730747-337, solicitadas pela Fiscalização Aduaneira, foram arcados diretamente pela empresa apresentada como encomendante, ocorrendo apenas o trânsito pela conta do pagador formal; é IMPOSSÍVEL que se considere ou que se acoberte tal “passeio” financeiro sob o manto de arras contratuais ...Os fatos acima relatados e relacionados a pessoas-chave nas operações de importação sob análise obviamente não são fruto de mera coincidência, e só podem ser tomados como evidências explícitas de que elas - as pessoas - NÃO TEM NENHUMA LIGAÇÃO REAL com a entidade apresentada em documentos e declarações aduaneiras como sendo o importador por encomenda, que assim, de fato, NÃO PARTICIPOU das mesmas, sendo simples e literalmente interposta irregularmente para encobrir/mascarar o verdadeiro papel de terceiros, que realmente conduziram e detinham o efetivo comando de tais operações. Nessa linha, conforme já explicitado no subtópico anterior - que destacou o não cumprimento de condições expressas no próprio instrumento contratual e analisou o fluxo financeiro envolvido - e reforçado no presente, já resta mais que evidente que a COPAPE PRODUTOS DE PETRÓLEO LTDA. (CNPJ 01.428.174) teve ocultada/dissimulada sua condição de real adquirente das mercadorias mediante a utilização dessa sistemática enganatória. ...é evidente que as negociações/compras no exterior NÃO são decididas pelo dito importador por encomenda, indo contra as características da modalidade declarada; (2) o importador dito por encomenda nas operações em que o dito encomendante COPAPE PRODUTOS DE PETRÓLEO LTDA. (CNPJ 01.428.174) se apresenta como tal, é peça completamente irrelevante no processo: das 03 cargas ali listadas e que, conforme a mensagem, supostamente haviam sido “negociadas” pela BASOLI COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., apenas a primeira - B/L 1 - foi em seu nome registrada (DI nº 21/0385155-1, de 26/02/2021), tendo sido as restantes objeto das DI nº 21/0519870-7 e nº 21/0540776-4, nas quais o importador dito por encomenda foi entidade diversa52 53, não obstante apresentando o mesmo dito encomendante; e (3) aparentemente a COPAPE PRODUTOS DE PETRÓLEO LTDA. decidiu “descarregar”, por assim dizer, apenas no importador dito por encomenda BASOLI COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. as suas operações “polêmicas”: não obstante tratar-se do mesmo produto, a NAFTA do B/L 1 (DI nº 21/0385155-1 / BASOLI) Fl. 3839DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.503 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 29 foi tributada utilizando-se de alíquotas ad valorem INCORRETAS para o COFINS- Importação e para o PIS/PASEP-Importação, diferentemente das alíquotas específicas declaradas no caso do B/L 2 (DI nº 21/0519870-7 / importador diverso), sistemática que causou uma grande diferença a menor - R$ 10.774.715,73 (!!) - no recolhimento de tais tributos A discussão sobre a classificação das mercadorias, envolvendo a NCM, é totalmente fora do contexto. Nas 44 folhas do relatório fiscal não há uma única referência ou questionamento sobre esse tema. Efetivamente, o enquadramento legal e a autuação não têm nada a ver com a classificação fiscal utilizada para as mercadorias. Também fora de contexto é a discussão sobre “home-office” em tempos de pandemia de Covid-19. O relatório fiscal e o lançamento não trataram disso. Relativamente à argumentação de que tratava-se de importação por encomenda, não procede pois todo o trabalho justamente foi o de descaracterizar as operações como importação por encomenda, mostrando que tratava-se, na verdade, de ocultação do real adquirente das mercadorias e, nesse contexto, BASOLI teria cedido seu nome para realização de operações de comércio exterior com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes. A IN RFB nº 1861, de 27/12/2018, norma que estabelece requisitos e condições para a realização de operações de importação por encomenda, explicita o conceito da operação e define o papel do importador por encomenda e do encomendante predeterminado: CAPÍTULO II DA IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA Art. 3º Considera-se operação de importação por encomenda aquela em que a pessoa jurídica importadora é contratada para promover, em seu nome e com recursos próprios, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria estrangeira por ela adquirida no exterior para revenda a encomendante predeterminado. § 1º Considera-se encomendante predeterminado a pessoa jurídica que contrata o importador por encomenda referido no caput para realizar a transação comercial de compra e venda de mercadoria estrangeira a ser importada, o despacho aduaneiro de importação e a revenda ao próprio encomendante predeterminado. § 2º O objeto principal da relação jurídica de que trata este artigo é a transação comercial de compra e venda de mercadoria nacionalizada, mediante contrato previamente firmado entre o importador por encomenda e o encomendante predeterminado, podendo este participar ou não das operações comerciais relativas à aquisição da mercadoria no exterior. § 3º Consideram-se recursos próprios do importador por encomenda os valores recebidos do encomendante predeterminado a título de pagamento, total ou parcial, da obrigação, ainda que ocorrido antes da realização da operação de importação ou da efetivação da transação comercial de compra e venda. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1937, de 15 de abril de 2020) (Vide Instrução Normativa RFB nº 1937, de 15 de abril de 2020) Fl. 3840DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.503 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 30 § 4º O importador por encomenda poderá solicitar prestação de garantia, inclusive mediante arras, sem descaracterizar a operação referida no caput. § 5º O pagamento ao fornecedor estrangeiro pela aquisição da mercadoria importada deve ser realizado exclusivamente pelo importador por encomenda. § 6º As operações de montagem, acondicionamento ou reacondicionamento que tenham por objeto a mercadoria importada pelo importador por encomenda em território nacional não modificam a natureza da transação comercial de revenda de que trata este artigo. Conforme bem colocado no Relatório Fiscal: 1. Importação por encomenda é assim considerada a operação em que a pessoa jurídica importadora é contratada para promover, em seu nome e com recursos próprios, o despacho aduaneiro de mercadoria estrangeira POR ELA ADQUIRIDA NO EXTERIOR para revenda a encomendante predeterminado; 2. O encomendante predeterminado É A PESSOA JURÍDICA QUE CONTRATA O IMPORTADOR POR ENCOMENDA PARA REALIZAR A TRANSAÇÃO COMERCIAL DE COMPRA E VENDA NO EXTERIOR, o despacho aduaneiro de importação e a revenda ao próprio encomendante predeterminado; 3. O objeto principal da relação jurídica é a TRANSAÇÃO COMERCIAL DE COMPRA E VENDA DE MERCADORIA NACIONALIZADA, podendo o encomendante predeterminado PARTICIPAR ou não das operações comerciais relativas à aquisição da mercadoria no exterior; e 4. São considerados recursos próprios do importador por encomenda os valores recebidos do encomendante predeterminado A TÍTULO DE PAGAMENTO, total ou parcial, DA OBRIGAÇÃO, ainda que ocorrido antes da realização da operação de importação ou da efetivação da transação comercial de compra e venda. O acórdão recorrido traz que: O objeto principal da relação jurídica é a TRANSAÇÃO COMERCIAL DE COMPRA E VENDA DE MERCADORIA NACIONALIZADA, podendo o encomendante predeterminado PARTICIPAR ou não das operações comerciais relativas à aquisição da mercadoria no exterior. Além disso, define a citada IN que são considerados recursos próprios do importador por encomenda os valores recebidos do encomendante predeterminado A TÍTULO DE PAGAMENTO, total ou parcial, DA OBRIGAÇÃO, ainda que ocorrido antes da realização da operação de importação ou da efetivação da transação comercial de compra e venda. A norma é clara que se trata de uma relação jurídica de transação comercial de compra e venda de mercadoria nacionalizada. O fato de a norma admitir a participação do encomendante predeterminado nas operações comerciais relativas à aquisição da mercadoria no exterior não o autoriza ser o executor da transação comercial de compra e venda no exterior. Essa atribuição é exclusiva do importador por encomenda. Fl. 3841DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.503 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.722415/2021-65 31 No entendimento desse julgador, a participação do encomendante predeterminado tem o cunho de dar a ele a oportunidade de certificar que as especificações e quantidade das mercadorias nacionalizadas que deseja adquirir são condizentes com as que estão sendo importadas e serão revendidas a ele por força de um contrato previamente firmado. Nesse sentido, ressalto ponto inconteste apontado pela fiscalização em seu relatório, que faz prova cabal da participação do encomendante predeterminado declarado nas DI (COPAPE) e da empresa que foram direcionados os produtos no mercado interno (ASTER) na execução e gerenciamento da compra no exterior. Trata-se de e-mails apresentados a título de comprovar o EFETIVO contato comercial com o(s) exportador(es)/fornecedor(es) no exterior, em atendimento a exigência constante no Termo de Início de Fiscalização. Transcrevo trechos do Relatório fiscal de fls. 40 a 43. ... Tais fatos até aqui expostos, por si só, já descaracterizam as operações em pauta como uma importação por encomenda, nos moldes que foram declaradas, provando assim, que ocorreu a ocultação do real adquirente das mercadorias importadas. Esse ponto é crucial. Os documentos acostados ao processo demonstram que COPAPE e ASTER faziam a execução e gerenciamento das compras no exterior, descaracterizando assim a típica importação por encomenda que, como visto, é aquela em que a importadora deve adquirir a mercadoria e fazer a execução e gerenciamento das compras para, aí sim, fazer a revenda para a encomendante predeterminada. Fica, assim, caracterizada não uma importação por encomenda – mas uma ocultação do real adquirente das mercadorias importadas. E BASOLI cede seu nome para efetivação dessa ocultação, cabendo, assim, a aplicação da presente multa. Finalmente, a alegação de que a tipificação de interposição fraudulenta ou ocultação do sujeito passivo, realizada na lei, caberia apenas para empresas “fantasma” ou “de fachada” não tem nenhum embasamento. Muito pelo contrário – a lei vale para todos. Sempre que se verificar a ocorrência de fato previsto na lei, ela deve ser aplicada, independentemente de quem seja o envolvido. O voto é, assim, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fábio Kirzner Ejchel Fl. 3842DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido 1 DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO 2 DA CESSÃO DE NOME PARA OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE Voto Vencedor

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10542953 #
Numero do processo: 10830.720564/2012-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 Com o advento da Lei Complementar n° 109/2001, somente no regime fechado de previdência complementar, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade de seus empregados e dirigentes. Tratando-se de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá o empregador eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, não incidindo contribuição previdenciária, desde que a vantagem não seja caracterizada como instrumento de incentivo ao trabalho e não esteja vinculada a produtividade.
Numero da decisão: 2301-011.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Fez sustentação oral o Dr. José Luiz Crivelli Filho, OAB/SP 306.831. Assinado Digitalmente Diogo Cristian Denny – Presidente Assinado Digitalmente Vanessa Kaeda Bulara de Andrade – Relatora Participaram da sessão de julgamento os julgadores Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Diogo Cristian Denny (Presidente).
Nome do relator: VANESSA KAEDA BULARA DE ANDRADE

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RECORRIDA FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NÃO INCIDÊNCIA. REQUISITOS. Com o advento da Lei Complementar n° 109/2001, somente no regime fechado de previdência complementar, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade de seus empregados e dirigentes. Tratando-se de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá o empregador eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, não incidindo contribuição previdenciária, desde que a vantagem não seja caracterizada como instrumento de incentivo ao trabalho e não esteja vinculada a produtividade. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Fez sustentação oral o Dr. José Luiz Crivelli Filho, OAB/SP 306.831. Assinado Digitalmente Diogo Cristian Denny – Presidente Assinado Digitalmente Vanessa Kaeda Bulara de Andrade – Relatora Fl. 885DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.175 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10830.720564/2012-95 2 Participaram da sessão de julgamento os julgadores Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Diogo Cristian Denny (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de autos de infração lavrados para cobrança do INSS sobre plano de previdência complementar privada em regime aberto. Foram lavradas duas DEBCADs sendo a primeira de nºs 51.014.216-8, no valor de principal R$ 420:314,01, juros: 82.452,27, multa de ofício: 315.235,55, perfazendo o total de R$ 818.001,83 e a segunda DEBCAD 51.014.217-6, no valor principal de R$ 85.623,15, juros: 16.843,47, multa de ofício 64.217,39, perfazendo o total de R$ 166.684,01 A autuação se refere às competências : 01/2009 a 12/2010. Consta Relatório fiscal – REFISC de fls. 22/44. O lançamento se baseia na Lei 8.212/1991 que estabeleceu que a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, integra o conceito de salário-de-contribuição e está sujeita à incidência de contribuições destinadas à Seguridade Social e a outras entidades e fundos. Na autuação, o cerne da questão está no fato de os valores das contribuições pagas por pessoa jurídica referentes a programa de previdência complementar, não integrarem o salário-de-contribuição desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. Às fls. 235/251 foi juntado contrato de Plano de previdência complementar da recorrente com a empresa Real Vida e Previdência S.A. (CNPJ 04.884.104/0001-67, incorporada em 06/10/2011 pela empresa Santander Seguradora S.A. (CNPJ 87.376.109/0001-06), esclarecendo se tratar de plano de previdência complementar em regime aberto. Fls. 252/254 refere-se ao Manual de Previdência privada da contribuinte. Fls. 311 consta informação de que a contribuinte sofreu transformação de Ltda. Para S.A. aberta: Fl. 886DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.175 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10830.720564/2012-95 3 “A Anhanguera Educacional Participações S.A. ou “Companhia”, com sede em Valinhos - SP, foi constituída em 10 de janeiro de 2001, tendo seu registro como companhia aberta deferido pela Comissão de Valores Mobiliários - CVM em 8 de junho de 2001 e tem por objetivo, diretamente ou mediante a participação em outras sociedades, alcançando todos Estados brasileiros e o Distrito Federal, de oferecer ensino de nível superior e de pós-graduação através de cursos presenciais e à distância, além de cursos profissionalizantes, cursos preparatórios para concursos e cursos de extensão. A Companhia tem suas ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo - BOVESPA, na forma de Units, sob o código AEDU11.” Destaco parte do relatório fiscal (fls. 34/35): “(...) 6.8 As referidas Notas Explicativas foram anexadas ao presente processo. 6.9 Como claramente apontado pela controladora nas Notas Explicativas acima reproduzidas, os valores pagos pela pessoa jurídica a título de previdência privada não foram disponibilizados à totalidade de seus empregados e dirigentes. Portanto, não se aplica a hipótese de não incidência sobre valores relativos a programa de previdência complementar prevista na alínea “p” do § 9° do artigo 28 da Lei 8.212/1991. 6.10 Desse modo, pela não disponibilização à totalidade de seus empregados e dirigentes dos valores pagos pela pessoa jurídica relativos a programa de previdência complementar, conclui-se que estão incorretas as informações prestadas pelas pela Companhia nas Notas Explicativas de 2008 e de 2010 de não há valor devido e não recolhido, uma vez que as referidas importâncias não compuseram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e das destinadas a outras entidades e fundos, também não tendo sido informadas nas Guias de Recolhimentos do FGTS e Informações à Previdência – GFIP do período de apuração determinado pelo MPF.” Destaco fls. 439: “28 Plano de previdência privada Em 1º de janeiro de 2005 a AESA firmou contrato de adesão com a Real Vida e Previdência S.A., entidade aberta de previdência privada, para oferecer plano de previdência na modalidade Contribuição Definida (PGBL) para determinados empregados e diretores, sendo os custos assumidos integralmente pela Companhia. Durante o ano de 2009, a Companhia contribuiu com R$ 900 ao Plano de Previdência Privada e em 31 de dezembro de 2009 existem 176 participantes neste plano de previdência privada. A Companhia não disponibiliza o plano de previdência a todos os seus empregados e dirigentes, apenas para um grupo de executivos. Nesse tipo de Fl. 887DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.175 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10830.720564/2012-95 4 plano, não há risco ou obrigação atuarial para a Companhia, sendo o risco dos investimentos integralmente assumidos pelos participantes.” A impugnação e o acórdão n.º05 38.844 que referem a este PAF 10830.720564/2012 95, encontram-se juntados no processo apenso de PAF 10.830.720.563/2012-41 (fls. 861/871 e fls. 929/934, respectivamente). A decisão de piso julgou improcedente a impugnação relativa ao Processo nº 10830.720564/2012 95 (Autos de Infração nº 51.014.216 8 e nº 51.014.217 6), mantendo-se os créditos previdenciários por meio dele constituídos. Recurso voluntário de fls. 857/867 alegando: (i) que a legislação que regulamenta o regime de previdência complementar, Lei Complementar n° 109/2001, em seu artigo 68, em harmonia com o texto constitucional, dispõe que as contribuições do empregador a plano de previdência complementar não integram o contrato de trabalho e a remuneração dos participantes; (ii) que a norma do artigo 28, §9°, alínea "p", da Lei n° 8.212/91 não deve ser aplicada in casu, pois traz condicionantes não previstas em norma hierarquicamente superior, qual seja, a Lei Complementar n° 109/2001, bem como foi revogada pela referida Lei Complementar, haja vista que a Lei Complementar n° 109/2001 foi promulgada posteriormente à Lei n° 8.212/91. É o relatório. VOTO Conselheira Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Relatora. O recurso voluntário protocolado é tempestivo , razão pela qual dele conheço. Passo a análise. Inicialmente noto que não vislumbrei, da leitura de fls. 252/254 que trata do Manual de Previdência privada da contribuinte, nenhuma regra específica para a elegibilidade dos participantes que seja atrelada a performance ou bônus ou meritocracia. Assim, nos termos da LC 109 ,entendo não incidir INSS sobre os valores referentes ao plano de previdência complementar em regime aberto, para beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, desde que a vantagem não seja caracterizada como instrumento de incentivo ao trabalho e não esteja vinculada a produtividade. Nesse sentido, destaco recentes decisões deste Conselho o sentido da não obrigatoriedade de oferta do plano de previdência complementar em regime aberto a todos os seus empregados, contrariando a decisão de piso. Fl. 888DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.175 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10830.720564/2012-95 5 Neste sentido transcrevo decisão da 2ª Turma da CSRF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NÃO INCIDÊNCIA. REQUISITOS. Com o advento da Lei Complementar n° 109/2001, somente no regime fechado de previdência complementar, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade de seus empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá o empregador eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, desde que a vantagem não seja caracterizada como instrumento de incentivo ao trabalho e não esteja vinculada a produtividade. (Acórdão: 9202-009.256 PAF: 13896.722270/2014-93 Data da sessão: Nov 19 2020 Data da publicação: Jan 12 2021) Cito também recente caso julgado por esta 2ª Seção, sobre plano de previdência privada ABERTA: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. ENUNCIADO SÚMULA CARF. Súmula CARF Nº2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de leis. Tema objeto de reserva jurisdicional. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NÃO INCIDÊNCIA. REQUISITOS. Com o advento da Lei Complementar n° 109/2001, somente no regime fechado de previdência complementar, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade de seus empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá o empregador eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria. Afastada, no presente caso, a incidência de contribuição sobre o plano de regime aberto e mantida a exigência relativa ao plano de regime fechado, uma vez que o reembolso da participação foi restrito aos diretores da RECORRENTE. Recurso provido parcialmente. (Acórdão: 2402-012.327 PAF:16682.720015/2012-48 Data da sessão: Nov 06 2023 Data da publicação: Jan 16 2024)” A decisão de piso merece reforma, pelas considerações acima. Conclusão Fl. 889DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.175 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10830.720564/2012-95 6 Por todo o exposto, conheço do recurso e julgo procedente para cancelar os autos de infração DEBCAD: 51.014.216-8 e DEBCAD: 51.014.217-6. Assinado Digitalmente Vanessa Kaeda Bulara de Andrade Fl. 890DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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10549570 #
Numero do processo: 10646.720081/2015-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2024
Numero da decisão: 3101-000.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Sabrina Coutinho Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Jose Schini Norbiato (suplente convocado(a)), Sabrina Coutinho Barbosa, Laura Baptista Borges, Marcos Roberto da Silva (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Renan Gomes Rego, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Joao Jose Schini Norbiato.
Nome do relator: SABRINA COUTINHO BARBOSA

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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Sabrina Coutinho Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Jose Schini Norbiato (suplente convocado(a)), Sabrina Coutinho Barbosa, Laura Baptista Borges, Marcos Roberto da Silva (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Renan Gomes Rego, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Joao Jose Schini Norbiato. Relatório Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida - Acórdão nº 16-72.088: Trata o presente de auto de infração lavrado contra interessada em face de reclassificação fiscal. Conforme consta do relatório da fiscalização (fls. 309 e ss), a empresa TILIBRA PRODUTOS DE PAPELARIA LTDA., operou, no período compreendido entre 14/08/2013 e 17/12/2014, como importador em operações de importação de mercadorias para revenda por ela descritas como “estojo escolar”, de diversos modelos. Foram auditadas 51 (cinqüenta e uma) declarações de importação, com 53 (cinqüenta e três) adições contendo estojos escolar de diversos tipos/modelos, todos similares ou iguais entre si, conforme descrições constantes das respectivas adições das declarações de importação, reproduzidas na planilha de fls. 40 e ss. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 46 .7 20 08 1/ 20 15 -1 1 Fl. 815DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 3101-000.429 - 3ª Sejul/1ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10646.720081/2015-11 O importador, em relação às mercadorias por ele descritas como “estojo escolar”, classificou-as utilizando a NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul), 4202.32.00, sendo que a fiscalização concluiu que a classificação correta seria NCM 4202.92.00. Instada pela fiscalização, a interessada revelou a existência Ação Ordinatória Declaratória nº 0000185-71.2013.4.03.61.08, junto a 3ª Vara da Justiça Federal de Bauru, impetrada em razão da reclassificação fiscal das mercadorias, objeto do processo administrativo fiscal nº 10646.720142/2013-88, que se refere a 106 declarações de importação e 108 adições de estojos escolares, no período compreendido entre 27/10/2010 e 19/12/2012, A fiscalização constatou também que a empresa realizou depósitos judiciais nos autos daquela ação declaratória, relativos à diferença de tributos apurada em decorrência de eventuais erros de classificação fiscal (da NCM 4202.32.00 para a NCM 4202.92.00) para as mercadorias descritas como “estojo escolar” e constantes das DI’s ora analisadas, registradas entre 14/08/2013 e 17/12/2014. Em face da reclassificação, procedeu-se ao lançamento dos tributos constantes do auto de infração nº 0810300.2015.00197-4, acrescidos das atualizações monetárias devidas com base na taxa de juros selic, tudo com o intuito de prevenir eventual decadência do crédito tributário, face o contido na Ação Ordinária Declaratória nº 0000185- 71.2013.403.6108. Cientificada da autuação em 18/05/2015 (fls. 318), a interessada apresentou impugnação tempestiva (fls. 355 e ss), alegando, em síntese que: a) da classificação fiscal: alega que a leitura sistêmica da notas explicativas da subposições 4202.31; 4202.32 e 4202.39 ao dispor "entre outros" referiu-se a outros itens semelhantes à aqueles exemplificados no texto da nota. b) alega que o estojo é próprio para acondicionamento de canetas, lápis e outros materiais escolares e a nota explicativa da posição 4202 deixa claro que a expressão "artefatos semelhantes" engloba os estojos escolares. c) contesta a interpretação do Fisco que diferenciou mochila e bolsa, afirmando que são sinônimos. d) informa que a legislação estadual (de SP, RS, MG, RJ, SC, MA e BA) adota para estojo escolar a classificação 4202.3 e) que a classificação indicada pelo fisco afronta os princípios da isonomia e da livre concorrência porque onera a carga tributária federal. f) apresenta solução de consulta nº 403/09 da 9ª RF, que dá resultado divergente, indicando a classificação 4202.32.00 para estojos g) informa que protocolizou consulta junto à RFB, e obteve resultado diverso da consulta nº 403/2009, indicando pelo Fisco a classificação 420239, o que onera seu produto em 16,92%, solução de consulta DIANA SRRF/8ª RF nº 43/2012. h) em face do resultado da consulta interpôs Ação Declaratória, efetuando depósito judicial dos valores envolvidos, bem como dos valores das diferenças de tributo incidentes nas importações posteriores entre as classificações 4202.32.00 (da empresa) e 4202.92.00 (do fisco), sendo que para as DI's objeto deste processo, todas possuem depósito judicial. Informa que referida ação teve desfecho em primeira instância, onde o juízo concluiu pela classificação na posição 3926.10.00. i) ao final requer a improcedência da Ação. É o relatório. Fl. 816DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 3101-000.429 - 3ª Sejul/1ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10646.720081/2015-11 Passo ao voto. Ato contínuo, a 11ª Turma da DRJ/SPO, por unanimidade de votos, decidiu pelo conhecimento parcial da impugnação da Recorrente, porquanto declarada a concomitância de parte das razões recursais, e na parte conhecida, decidiu pela improcedência: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 14/08/2013 a 17/12/2014 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO JUDICIAL. Não se toma conhecimento da impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. Parecer Normativo nº 7, de 22/0/2014. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 14/08/2013 a 17/12/2014 CLASSIFICAÇÃO FISCAL Estojo escolar de material têxtil sintético para acondicionamento de material escolar, classifica-se na posição 4202.3200. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Mediante Recurso Voluntário, a Recorrente busca a reforma do decisum arguindo, especialmente, a inocorrência de renúncia à esfera administrativa, invocando a independência das esferas; a nulidade do auto de infração com base na existência de ação judicial que alcança todas as importações discutidas no presente processo administrativo; contesta a classificação fiscal adotada pela fiscalização e mantida pelo juízo a quo; e, por fim, discute a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Ao final pleiteia: Posteriormente, atravessou petição veiculando o resultado da Ação Ordinatória Declaratória nº 0000185-71.2013.4.03.61.08, na qual restou confirmada a classificação fiscal NCM nº 3926.10.00 para os produtos importados. É o relatório. Fl. 817DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 3101-000.429 - 3ª Sejul/1ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10646.720081/2015-11 VOTO. Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa, Relatora. Conheço do Recurso Administrativo Voluntário, eis que atendidas as formalidades legais necessárias para o seu processamento. Em síntese, ainda na fase inicial do voto, após abordagem sobre o não conhecimento dos fundamentos da recorrente envolto ao estojo escolar PVC, por esbarrar com o objeto da nº 0000185-71.2013.4.03.61.08, mas mantida a discussão em torno do estojo têxtil sintético, iniciou-se discussão no colegiado em relação ao alcance da ação judicial, levando-se em conta que o auto de infração, ora analisado, foi lavrado com o propósito de prevenir a decadência. Assim, buscando sanar dúvidas em torno dos fatos, causa de pedir e pedidos da ação judicial, e eventual concomitância com o presente processo administrativo, que o Colegiado decidiu pela conversão do julgamento em diligência determinando o retorno dos autos a Unidade de Origem com fins de intimar a recorrente para que em 30 dias: a) Informe quais produtos estão em discussão na ação judicial; b) Apresente cópias: a. das declarações de importação e planilhas anexas a petição inicial com a indicação dos produtos importados; b. das petições das partes requerendo perícia técnica e apresentando quesitos, inclusive quesitos do juízo; c. das petições com manifestações das partes sobre o laudo técnico pericial; d. das decisões e/ou despachos proferidas em relação a perícia técnica (deferimento, intimações para quesitos e demais determinações/manifestações); e. do laudo técnico judicial; e, f. da certidão de objeto e pé. (documento assinado digitalmente) Sabrina Coutinho Barbosa Fl. 818DF CARF MF Original

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10544352 #
Numero do processo: 16327.720118/2020-67
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 19/09/2018 a 27/06/2019 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO POR AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista que os acórdãos recorrido e paradigmas foram proferidos em diferentes contextos normativos.
Numero da decisão: 9202-011.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Vencidos os conselheiros Leonam Rocha de Medeiros (relator) e Fernanda Melo Leal, que conheciam. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Maurício Nogueira Righetti. Sala de Sessões, em 18 de junho de 2024. Assinado Digitalmente Leonam Rocha de Medeiros – Relator Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Assinado Digitalmente Mauricio Nogueira Righetti – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os julgadores Mauricio Nogueira Righetti, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Leonam Rocha de Medeiros, Mario Hermes Soares Campos, Fernanda Melo Leal, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Regis Xavier Holanda (Presidente).
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 19/09/2018 a 27/06/2019 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO POR AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista que os acórdãos recorrido e paradigmas foram proferidos em diferentes contextos normativos.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Vencidos os conselheiros Leonam Rocha de Medeiros (relator) e Fernanda Melo Leal, que conheciam. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Maurício Nogueira Righetti. Sala de Sessões, em 18 de junho de 2024. Assinado Digitalmente Leonam Rocha de Medeiros – Relator Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Assinado Digitalmente Mauricio Nogueira Righetti – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os julgadores Mauricio Nogueira Righetti, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Leonam Rocha de Medeiros, Mario Hermes Soares Campos, Fernanda Melo Leal, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Regis Xavier Holanda (Presidente).

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RECORRIDA FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 19/09/2018 a 27/06/2019 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO POR AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista que os acórdãos recorrido e paradigmas foram proferidos em diferentes contextos normativos. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Vencidos os conselheiros Leonam Rocha de Medeiros (relator) e Fernanda Melo Leal, que conheciam. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Maurício Nogueira Righetti. Sala de Sessões, em 18 de junho de 2024. Assinado Digitalmente Leonam Rocha de Medeiros – Relator Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Assinado Digitalmente Mauricio Nogueira Righetti – Redator designado Fl. 676DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.323 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 16327.720118/2020-67 2 Participaram da sessão de julgamento os julgadores Mauricio Nogueira Righetti, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Leonam Rocha de Medeiros, Mario Hermes Soares Campos, Fernanda Melo Leal, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Regis Xavier Holanda (Presidente). RELATÓRIO Cuida-se, o caso versando, de Recurso Especial de Divergência do Contribuinte (e- fls. 442/458) ― com fundamento legal no inciso II do § 2.º do art. 37 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, estando suspenso o crédito tributário em relação a matéria admitida pela Presidência da Câmara em despacho prévio de admissibilidade parcial (e-fls. 652/657) interposto pelo sujeito passivo, devidamente qualificado nos fólios processuais, sustentado em dissídio jurisprudencial no âmbito da competência deste Egrégio Conselho, inconformado com a interpretação da legislação tributária dada pela veneranda decisão de segunda instância proferida, em sessão de 1º/02/2023, pela 1.ª Turma Ordinária da 2.ª Câmara da 2.ª Seção, que negou provimento ao recurso voluntário, no que foi conhecido, para manter o lançamento, consubstanciada no Acórdão n.º 2201-010.128 (e-fls. 379/391), o qual, no ponto para rediscussão, tratou da matéria (i) “necessidade de aplicação do quanto decidido no RE nº 796.939”, cuja ementa do recorrido e respectivo dispositivo no essencial seguem: EMENTA DO ACÓRDÃO RECORRIDO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 19/09/2018 a 27/06/2019 (...) NÃO HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MULTA ISOLADA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DA CONDUTA INFRACIONAL. INEXIGÊNCIA DE AVALIAÇÃO DA CONDUTA DOLOSA DO AGENTE. A não homologação de compensação declarada está sujeita à sanção prevista no artigo 74, § 17 da Lei nº 9.430 de 1996, independentemente de má-fé, pois intenção do agente não é requisito previsto em lei. (...) DISPOSITIVO: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer em parte do recurso voluntário, por este tratar de temas estranhos ao litígio administrativo instaurado com a impugnação ao lançamento. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. Em face do acórdão recorrido foi interposto embargos de declaração (e-fls. 399/406), porém teve seguimento negado por entender não configurado omissão (e-fls.429/434). Dos Acórdãos Paradigmas Fl. 677DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.323 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 16327.720118/2020-67 3 Objetivando demonstrar a alegada divergência jurisprudencial, o recorrente indicou como paradigma decisão da 2.ª Turma Ordinária da 4.ª Câmara da 1.ª Seção, consubstanciada no Acórdão n.º 1402-006.452, Processo n.º 11080.733770/2018-43 (e-fls. 488/494), cujo aresto contém a seguinte ementa no essencial: Tema (1): EMENTA DO ACÓRDÃO PARADIGMA (1) ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2015 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário (RE) nº 796.939, com repercussão geral reconhecida (Tema 736), e a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 4905, declarou a inconstitucionalidade do §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo fixado a seguinte tese: "É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária". Também, indicou-se como paradigma decisão da 2.ª Turma Ordinária da 3.ª Câmara da 1.ª Seção, consubstanciada no Acórdão n.º 1302-006.487, Processo n.º 10435.720777/2014-41 (e-fls. 497/501), cujo aresto colaciona a seguinte ementa no essencial: Tema (1): EMENTA DO ACÓRDÃO PARADIGMA (2) ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2011 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. Conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE nº 796.939, com repercussão geral, o §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 é inconstitucional, de forma que não há suporte legal para a exigência da multa isolada (50%) aplicada pela negativa de homologação de compensação tributária realizada pelo contribuinte. Do resumo processual antecedente ao recurso especial O contencioso administrativo fiscal foi instaurado pela impugnação do contribuinte (e-fls. 105/141), após notificado em 21/02/2020, insurgindo-se em face do lançamento de ofício, especialmente descrito em breve Termo de Verificação Fiscal (e-fls. 7/8). O lançamento se efetivou por meio de Auto de Infração de outras multas administrativas da RFB, referente à multa isolada de 50% aplicada em decorrência de declaração de compensações não homologadas de contribuições previdenciárias recolhidas pela empresa, referentes a reclamatórias trabalhistas (GPS Código 2909) do período de 01 a 12/2014, realizadas por meio de Perdcomps transmitidos nos meses de 09/2018, 10/2018, 11/2018, 01/2019, Fl. 678DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.323 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 16327.720118/2020-67 4 02/2019, 03/2019 e 06/2019. A decisão denegatória da homologação foi exarada em Despacho Decisório, no Processo n.º 16327.720997/2019-93. A não homologação do direito creditório acarretou, por si só, o lançamento de ofício da Multa Isolada de 50% dos débitos indevidamente compensados, nos termos do Art. 74, § 1.º, I, da IN RFB 1.717/2017 (art. 74, § 17, da Lei n.º 9.430/1996, com redação dada pelo art. 8.º da Lei n.º 13.097, de 2015; e anteriormente pela Lei nº 12.249, de 2010). Não houve lançamento de multa isolada por falsidade de declaração (fato específico), que geraria multa isolada de 150% (Lei 8.212, art. 89, §10). Não há relato de falsidade de declaração. A multa isolada aplicada e controvertida foi a de 50% (art. 74, § 17, da Lei n.º 9.430, com suas posteriores alterações). Em decisão colegiada de primeira instância, a Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil (DRJ), conforme Acórdão n.º 108-002.404 – 14.ª TURMA DA DRJ08 (e-fls. 227/266), decidiu, em resumo, por unanimidade de votos, julgar improcedente o pedido deduzido na impugnação e manter a exigência fiscal, concordando com a autoridade lançadora. Após interposição de recurso voluntário pelo sujeito passivo (e-fls. 274/316), sobreveio o acórdão recorrido do colegiado de segunda instância no CARF, anteriormente relatado quanto ao seu resultado, ementa e dispositivo, no essencial, objeto do recurso especial de divergência ora em análise. Do contexto da análise de Admissão Prévia Em exercício de competência inicial em relação a admissão prévia, a Presidência da 2.ª Câmara da 2.ª Seção de Julgamento do CARF admitiu o recurso especial para a matéria preambularmente destacada com os paradigmas preteritamente citados, assim estando indicada a matéria para rediscussão e os precedentes quanto a correta interpretação da legislação tributária. A referida autoridade considera, em princípio, para o que foi admitido, ter sido demonstrado o dissídio jurisprudencial entre julgados. Na sequência, determinou-se o seguimento, inclusive com a apresentação de contrarrazões pela parte interessada. Doravante, competirá a este Colegiado decidir, em definitivo, pelo conhecimento, ou não do recurso, na forma regimental, para a matéria admitida, quando do voto. Todavia, registro que a admissão foi parcial, uma vez que a matéria “afronta ao direito de petição, à proporcionalidade e à vedação ao confisco” não foi admitida. Não houve interposição de agravo. Do pedido de reforma e síntese da tese recursal admitida O recorrente requer que seja conhecido o seu recurso e, no mérito, que seja dado provimento para reformar o acórdão recorrido e cancelar o lançamento. Fl. 679DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.323 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 16327.720118/2020-67 5 Em recurso especial de divergência, com lastro nos paradigmas informados alhures, o recorrente pretende rediscutir a matéria (i) “necessidade de aplicação do quanto decidido no RE nº 796.939”. Argumenta, em apertadíssima síntese, que há equívoco na interpretação da legislação tributária, especialmente porque a norma do art. 74, § 17, da Lei n.º 9.430, de 1996, com redação dada pelo art. 8.º da Lei n.º 13.097, de 2015 (e anteriormente pela Lei nº 12.249, de 2010), a qual sustenta a multa Isolada de 50% da compensação não homologada, é inconstitucional, devendo-se aplicar as razões de decidir do Supremo Tribunal Federal (STF) exaradas no julgamento do RE n.º 796.939. Em posterior petição (e-fls. 664/666) sustenta que o STF encerrou o julgamento, em sede de Repercussão Geral, do RE n.º 796.939 – Tema 736 –, e da Ação Declaratória de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, que declaram inconstitucional a multa isolada normatizada no art. 74, §§ 15 e 17, da Lei n.º 9.430, de 1996, com suas posteriores alterações, aplicada quando da não homologação das declarações de compensação de créditos perante a Receita Federal do Brasil (RFB). Informa que é a multa do caso dos autos. Das contrarrazões Em contrarrazões (e-fl. 673) a parte interessada (Fazenda Nacional), exclusivamente, manifesta-se pelo não conhecimento do recurso alegando ausência de prequestionamento, necessário ainda que em se tratando de matéria de ordem pública, bem como em razão da ausência de similitude fática com os arestos paradigmas. Encaminhamento para julgamento Os autos foram sorteados e seguem com este relator para o julgamento. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando, primeiramente, o juízo de admissibilidade para conhecer ou não do recurso no que foi previamente admitido e, se superado este, enfrentar o juízo de mérito para, posteriormente, finalizar com o dispositivo. VOTO VENCIDO Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator. Da análise do conhecimento O recurso especial de divergência do Contribuinte, para reforma do Acórdão CARF n.º 2201-010.128, tem por finalidade hodierna rediscutir a matéria seguinte com os seus respectivos paradigmas: Fl. 680DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.323 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 16327.720118/2020-67 6 (i) Matéria: “Necessidade de aplicação do quanto decidido no RE nº 796.939” (i) Paradigma (1): Acórdão 1402-006.452 (i) Paradigma (2): Acórdão 1302-006.487 O exame de admissibilidade exercido pela Presidência da Câmara foi prévio, competindo a este Colegiado a análise acurada e definitiva quanto ao conhecimento, ou não, do recurso especial de divergência interposto. O Decreto n.º 70.235, de 1972, com força de lei ordinária, por recepção constitucional com referido status, normatiza em seu art. 37 que “[o] julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais far-se-á conforme dispuser o regimento interno. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).” Neste sentido, importa observar o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Dito isso, passo para a específica análise. O Recurso Especial de Divergência, para a matéria e precedentes previamente admitidos, a meu aviso, na análise definitiva de conhecimento que ora exerço e submeto ao Colegiado, atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos, relativos ao direito de recorrer, e extrínsecos, relativos ao exercício deste direito, sendo caso de conhecê-lo. Especialmente, quanto aos pressupostos extrínsecos, observo que o recurso se apresenta tempestivo, como indicado no despacho de admissibilidade da Presidência da Câmara, que adoto como integrativo apenas neste específico ponto (§ 1.º do art. 50 da Lei n.º 9.784, de 1999, com aplicação subsidiaria na forma do art. 69), tendo respeitado o prazo de 15 (quinze) dias, na forma exigida no § 2.º do art. 37 do Decreto n.º 70.235, de 1972, bem como resta adequada a representação processual, inclusive contando com advogado regularmente habilitado, a despeito de ser necessário anotar que, conforme a Súmula CARF n.º 110, no processo administrativo fiscal é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, sendo a intimação destinada ao contribuinte/sujeito passivo. Outrossim, observo o atendimento dos requisitos regimentais. Especialmente em relação a divergência jurisprudencial, ela restou demonstrada, conforme bem destacado no despacho de admissibilidade da Presidência da Câmara. Os casos fático-jurídicos, tanto os paradigmas, como também o acórdão recorrido, estão no âmbito de aplicação de multa isolada de 50% por não homologação de compensação, tendo por incidência norma veiculada no art. 74, § 17, da Lei n.º 9.430 (ou o refletido inciso I § 1.º do art. 74 da IN 1.717, de 2017). Por um lado, o acórdão recorrido entende que a multa é devida, uma vez que, por outras palavras, a norma em espécie prescreve que a não homologação de compensação declarada está, por si só, sujeita à sanção prevista no art. 74, § 17, da Lei n.º 9.430 de 1996, Fl. 681DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.323 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 16327.720118/2020-67 7 independentemente de má-fé, pois a intenção do agente não é requisito previsto em lei para a incidência da sanção. Especificamente, o acórdão recorrido assenta que a multa isolada aplicada é definida por lei e não merece endosso as alegações do contribuinte de ofensa aos princípios constitucionais e a aplicação da multa se caracterizar uma sanção que pune o contribuinte de boa- fé de buscar na esfera administrativa o reconhecimento do seu direito creditório, constrangendo o contribuinte a deixar de exercer seu direito de petição para insurgir-se contra pagamento de tributo ou contribuição realizado de forma indevida. Lado outro, os acórdãos paradigmas entendem que, conforme definiu o STF, a norma não pode implicar em sanção (multa isolada de 50%) sem uma conduta que se possa imputar intencional pelo contribuinte que declara a compensação e observa ela não ser homologada, sem que tenha agido com qualquer culpa, dolo, má-fé ou praticado falsidade. Os paradigmas informam que o STF declarou o § 17 do art. 74 da Lei n.º 9.430 inconstitucional e que deve ser observado pelo CARF. As teses jurídicas, portanto, são antagônicas e o conjunto fático se equivale. O recorrente consegue demonstrar o prequestionamento e as divergências são perceptíveis. Aliás, importa anotar que o debate envolve normas de administração tributária relacionadas com a multa isolada de 50% por não homologação de compensação, que era aplicada para quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), não importando ao debate à espécie tributária específica, bastante que se trate de tributo administrado pela RFB. Por conseguinte, é evidente a similitude fática no que importa ao tema. As ementas dos julgados já demonstram a nítida divergência. Ora, a ementa do recorrido exige intenção do agente e as ementas dos paradigmas atestam que não se admite imputação de sanção pelo só fato de não se homologar. Interessante que o STJ há muito possui sólido entendimento no sentido de que controvérsia nítida independe de maiores demonstrações da dissidência, de prequestionamento explícito, sendo caso de conhecimento. Ademais, em temática com precedente representativo, deve-se, igualmente, flexibilizar os requisitos formais do recurso especial. Vejam-se passagens de ementas de julgados do Colendo STJ: “Divergência notória porquanto o que se debate é a incidência de índices na ação de repetição de indébito, restando demonstrada a dissintonia jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os paradigmas, indicados por ementas auto-explicativas, a revelar a desnecessidade de confronto analítico” (AgRg no Ag n. 766.948/RS, Relator Ministro José Delgado, Relator para acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 21/11/2006, DJ de 2/4/2007, p. 238). “Admite-se a demonstração do dissídio jurisprudencial pela mera transcrição de ementas quando se tratar de questão acerca da qual o STJ possua divergência Fl. 682DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.323 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 16327.720118/2020-67 8 notória. Precedentes: EDcl no AgRg no Resp 1.330.229/DF, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/12/2013, Dje 03/02/2014; AgRg no Ag 1.095.255/GO, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 17/04/2012, Dje 24/04/2012” (AgRg no Resp n. 1.517.756/SP, Relator Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 24/3/2015, Dje de 30/3/2015). “A existência de dissídio notório autoriza a mitigação das exigências de natureza formal para o conhecimento do recurso especial interposto (...).” (AgRg nos Edcl no Resp n. 1.257.530/RJ, Relatora Ministra Nancy Andrighi, relator para acórdão Ministro João Otávio de Noronha, Terceira Turma, julgado em 12/11/2013, Dje de 10/2/2014) Adicionalmente, a temática em curso se tornou matéria de ordem pública e de replicação obrigatória no CARF (RICARF/2023, art. 99), vez que fixada à luz da interpretação constitucional em precedente vinculante da Excelsa Corte (STF, Tema 736, RE n.º 796.939, com trânsito em julgado em 20/06/2023), o que torna o conhecimento necessário para que ocorra o dever de sua declaração, se verificada a conformação plena ao precedente qualificado. De fato, o RICARF/2023, então vigente, disciplina: “Art. 99. As decisões de mérito transitadas em julgado, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, ou pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Então, a meu sentir, deve-se conhecer o recurso especial para aplicar o Tema 736, da Repercussão Geral, do RE n.º 796.939, além da decisão conjunta tomada na Ação Declaratória de Inconstitucionalidade (ADI) n.º 4.905, por terem declarado inconstitucional a multa isolada normatizada no art. 74, §§ 15 e 17, da Lei n.º 9.430, de 1996, com suas posteriores alterações (ou, por arrastamento, o inciso I do § 1.º do art. 74 da Instrução Normativa RFB n.º 1.717/2017), que é aplicada quando da não homologação de declaração de compensação de créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, sancionando-se o contribuinte pelo só fato de não ter sido homologada a compensação declarada, independentemente de intenção do sujeito passivo. Não conhecer do recurso, penso, afastaria a competência do próprio Colegiado para ordenar o cumprimento da decisão do STF. O Tema 736 da Repercussão Geral do STF está assim cadastrado e solucionado no acervo jurisprudencial da Excelsa Corte: Tema 736 – Constitucionalidade da multa prevista no art. 74, §§ 15 e 17, da Lei 9.430/1996 para os casos de indeferimento dos pedidos de ressarcimento e de não homologação das declarações de compensação de créditos perante a Receita Federal. Fl. 683DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.323 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 16327.720118/2020-67 9 Relator: MIN. EDSON FACHIN. Leading Case: RE 796.939. Descrição: Recurso extraordinário em que se discute, à luz do postulado da proporcionalidade e do art. 5º, XXXIV, “a”, da Constituição federal, a constitucionalidade dos §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei federal 9.430/1996, incluídos pela Lei federal 12.249/2010, que preveem a incidência de multa isolada no percentual de 50% sobre o valor objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou de declaração de compensação não homologada pela Receita Federal. Tese: É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. A ementa do RE n.º 796.939 foi assim lavrada: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. NEGATIVA DE HOMOLOGAÇÃO. MULTA ISOLADA. AUTOMATICIDADE. DIREITO DE PETIÇÃO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. BOA-FÉ. ART. 74, §17, DA LEI 9.430/96. 1. Fixação de tese jurídica para o Tema 736 da sistemática da repercussão geral: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. 2. O pedido de compensação tributária não se compatibiliza com a função teleológica repressora das multas tributárias, porquanto a automaticidade da sanção, sem quaisquer considerações de índole subjetiva acerca do animus do agente, representaria imputar ilicitude ao próprio exercício de um direito subjetivo público com guarida constitucional. 3. A matéria constitucional controvertida consiste em saber se é constitucional o art. 74, §§15 e 17, da Lei 9.430/96, em que se prevê multa ao contribuinte que tenha indeferido seu pedido administrativo de ressarcimento ou de homologação de compensação tributária declarada. 4. Verifica-se que o §15 do artigo precitado foi derrogado pela Lei 13.137/15; o que não impede seu conhecimento e análise em sede de Recurso Extraordinário considerando a dimensão dos interesses subjetivos discutidos em sede de controle difuso. 5. Por outro lado, o §17 do artigo 74 da lei impugnada também sofreu alteração legislativa, desde o reconhecimento da repercussão geral da questão pelo Plenário do STF. Nada obstante, verifica-se que o cerne da controvérsia persiste, uma vez que somente se alterou a base sobre a qual se calcula o valor da multa isolada, isto é, do valor do crédito objeto de declaração para o montante do débito. Nesse sentido, permanece a potencialidade de ofensa à Constituição da Fl. 684DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.323 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 16327.720118/2020-67 10 República no tocante ao direito de petição e ao princípio do devido processo legal. 6. Compreende-se uma falta de correlação entre a multa tributária e o pedido administrativo de compensação tributária, ainda que não homologado pela Administração Tributária, uma vez que este se traduz em legítimo exercício do direito de petição do contribuinte. Precedentes e Doutrina. 7. O art. 74, §17, da Lei 9.430/96, representa uma ofensa ao devido processo legal nas duas dimensões do princípio. No campo processual, não se observa no processo administrativo fiscal em exame uma garantia às partes em relação ao exercício de suas faculdades e poderes processuais. Na seara substancial, o dispositivo precitado não se mostra razoável na medida em que a legitimidade tributária é inobservada, visto a insatisfação simultânea do binômio eficiência e justiça fiscal por parte da estatalidade. 8. A aferição da correção material da conduta do contribuinte que busca à compensação tributária na via administrativa deve ser, necessariamente, mediada por um juízo concreto e fundamentado relativo à inobservância do princípio da boa-fé em sua dimensão objetiva. Somente a partir dessa avaliação motivada, é possível confirmar eventual abusividade no exercício do direito de petição, traduzível em ilicitude apta a gerar sanção tributária. 9. Recurso extraordinário conhecido e negado provimento na medida em que inconstitucionais, tanto o já revogado § 15, quanto o atual § 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996, mantendo, assim, a decisão proferida pelo Tribunal a quo. (RE 796.939, Relator EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 18/03/2023, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO DJe-s/n DIVULG 22/05/2023 PUBLIC 23/05/2023) Por sua vez, a ementa da ADI 4905 restou assim consignada: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. DIREITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. SANÇÕES TRIBUTÁRIAS. MULTA ISOLADA. LEI 9.430/96. LEI 12.249/2010. LEI 13.097/2015. IN RFB 1.717/2017. PROPORCIONALIDADE. DIREITO DE PETIÇÃO. 1. Perda superveniente do objeto da ação quanto ao § 15 do artigo 74 da Lei 9.430/96, alterado pela Lei 12.249/2010, tendo em vista a sua revogação pela Lei 13.137/2015. 2. Atendidos os requisitos previstos em lei, a compensação tributária se traduz em direito subjetivo do sujeito passivo, não estando subordinada à apreciação de conveniência e oportunidade da administração tributária. 3. A declaração de compensação é um pedido lato sensu, no exercício do direito subjetivo à compensação, submetido à Administração Tributária, que decide de forma definitiva sobre a matéria, homologando, de forma expressa ou tácita, a declaração. Fl. 685DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.323 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 16327.720118/2020-67 11 4. É inconstitucional a aplicação de multa isolada em razão da mera não homologação de declaração de compensação, sem que esteja caracterizada a má- fé, falsidade, dolo ou fraude, por violar o direito fundamental de petição e o princípio da proporcionalidade. 5. Ação direta de inconstitucionalidade parcialmente conhecida e, nessa parte, julgada procedente para declarar a inconstitucionalidade do § 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996 – incluído pela Lei 12.249/2010, alterado pela Lei 13.097/2015 –, bem como do inciso I do § 1º do art. 74 da Instrução Normativa RFB 1.717/2017, por arrastamento. (ADI 4905, Relator GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 18/03/2023, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 17/05/2023 PUBLIC 18/05/2023) Por conseguinte, reiterando o RICARF/2023, em sua específica norma disposta no art. 99, reconheço o dissenso jurisprudencial para conhecer do recurso especial de divergência com a finalidade de ordenar a aplicação do Tema 736 da Repercussão Geral do STF. É como voto. Assinado Digitalmente Leonam Rocha de Medeiros VOTO VENCEDOR Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Redator Designado. Não obstante o, como de costume, muito bem fundamentado voto do Relator, peço-lhe licença para dele divergir. A divergência está voltada ao conhecimento do recurso no que tange à aplicação da multa outrora prevista no § 17 do artigo 74 da Lei 9.430/96. O ponto é que não se consegue afirmar haja, de fato, uma divergência interpretativa entre os acórdãos recorrido e paradigmas de nº 1402.006.452 e 1302.006.487, prolatados nas sessões de 20/6/23 e 22/6/23, respectivamente. Logo, em data posterior ao trânsito em julgado do RE 796939 (20/6/23), Leading Case para o tema 736 de Repercussão Geral, diferentemente do acórdão recorrido, que foi prolatado em 01/2/23. Com isso, penso que não foi demonstrada a divergência interpretativa apta a suscitar pronunciamento desta Turma. Registro, outrossim, que caberá a unidade de origem da RFB a aplicação dos efeitos daquele julgado vinculante ao caso concreto, por ocasião da execução deste Decisum. Forte no exposto, VOTO por NÃO CONHECER do recurso. (documento assinado digitalmente) Fl. 686DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9202-011.323 – CSRF/2ª TURMA PROCESSO 16327.720118/2020-67 12 Mauricio Nogueira Righetti Fl. 687DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor

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Numero do processo: 14098.000396/2009-12
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONHECIMENTO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. APRECIAÇÃO DOS ASPECTOS CONSTITUCIONAIS DA LEGISLAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE LEGAL. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A RECEITA BRUTA. LEI Nº 10.256, DE 2001. CONSTITUCIONALIDADE É constitucional a contribuição à seguridade social, a cargo do empregador rural pessoa jurídica, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, prevista no art. 25, incisos I e II, da Lei 8.870/1994, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001; ALEGAÇÕES SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte apresentar, na impugnação, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir.
Numero da decisão: 2002-008.462
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade (Súmula Carf nº 2) e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e negar provimento.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL

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ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. APRECIAÇÃO DOS ASPECTOS CONSTITUCIONAIS DA LEGISLAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE LEGAL. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A RECEITA BRUTA. LEI Nº 10.256, DE 2001. CONSTITUCIONALIDADE É constitucional a contribuição à seguridade social, a cargo do empregador rural pessoa jurídica, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, prevista no art. 25, incisos I e II, da Lei 8.870/1994, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001; ALEGAÇÕES SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte apresentar, na impugnação, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 206DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.462 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 14098.000396/2009-12 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade (Súmula Carf nº 2) e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e negar provimento. (documento assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles - Presidente (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Barros de Moura, Carlos Eduardo Ávila Cabral, Henrique Perlatto Moura, João Maurício Vital, Rodrigo Duarte Firmino (suplente convocado) e Marcelo de Sousa Sáteles (Presidente). RELATÓRIO Tratam-se de lançamentos de contribuição previdenciária incidente sobre a comercialização da produção rural própria, inclusive a contribuição ao SAT/RAT (Debcad nº 37.228.623-2), do período de 01/2005 a 12/2005. O lançamento foi impugnado (fls. 75 a 100) e a impugnação foi considerada improcedente (fls. 153 a 158). Manejou-se recurso voluntário (fls. 163 a 194) em que se arguiu: a) preliminarmente, a nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa e ofensa a outros princípios de Direito porque a legislação previdenciária seria confusa e o lançamento foi impreciso e pouco claro quanto aos dispositivos legais infringidos; b) preliminarmente, que mesmo os questionamentos de índole constitucional deveriam ser apreciados no âmbito do contencioso administrativo, sob pena de cerceamento do direito de defesa; c) que a as disposições do art. 25 da Lei 8.870, de 15 de abril de 1994, com a redação dada pela Lei 10.256, de 9 de julho de 2001, são inconstitucionais; d) que na base de cálculo apurada pela Autoridade Lançadora haveria, também, receitas de vendas equiparadas a exportação, que seriam imunes à exação; e) a inconstitucionalidade e a ilegalidade da exigência de juros com base na Selic. É o relatório. VOTO Conselheiro João Maurício Vital, Relator. Fl. 207DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.462 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 14098.000396/2009-12 3 1 CONHECIMENTO O recurso é tempestivo. Entretanto, dele não é possível conhecer das alegações de inconstitucionalidades e ofensa a princípios constitucionais, o que inclui as alegações relativas aos juros aplicados, por força da Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 2 PRELIMINAR Quanto à alegação de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, porquanto a legislação previdenciária seria confusa e de complicada aplicação pelo contribuinte médio, rejeito-a. O lançamento descreveu detalhadamente os fatos geradores e critérios de apuração (fls. 27 a 32), as bases de cálculo (fls. 12 a 14), a legislação aplicável (fls. 8 e 9) e todos os demais elementos da regra matriz. Não há, pois, que se falar em prejuízo à defesa, pois na impugnação o contribuinte contestou os fatos que lhe foram imputados no lançamento. Registre-se que eventual complexidade da legislação, o que nem é o caso em tela, não é fundamento a justificar o seu descumprimento. Quanto ao inconformismo do recorrente acerca da impossibilidade de apreciação de fundamentos constitucionais no âmbito do contencioso administrativo, registro que a lei impede que se faça o controle de constitucionalidade no processo administrativo fiscal. É o que determina o art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Rejeito, pois, as preliminares. 3 MÉRITO O Supremo Tribunal Federal – STF, ao apreciar o RE 700.922, com repercussão geral, Tema 651, declarou constitucionais as contribuições incidentes sobre a receita bruta prevista nos inc. I e II do art. 25 da Lei nº 8.870, de 1994, com a redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001, e a contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Senar. A tese foi assim fixada: I - É inconstitucional a contribuição à seguridade social, a cargo do empregador rural pessoa jurídica, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, prevista no artigo 25, incisos I e II, da Lei nº 8.870/1994, na redação anterior à Emenda Constitucional nº 20/1998; II - É Fl. 208DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.462 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 14098.000396/2009-12 4 constitucional a contribuição à seguridade social, a cargo do empregador rural pessoa jurídica, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, prevista no art. 25, incisos I e II, da Lei 8.870/1994, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001; III - É constitucional a contribuição social destinada ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), de que trata o art. 25, § 1º, da Lei nº 8.870/1994, inclusive na redação conferida pela Lei nº 10.256/2001. (Sem grifo no original.) Portanto, as declarações de inconstitucionalidade do Funrural proferidas nos recursos extraordinário nº 363.852 e nº 596.177, que declararam inconstitucional a contribuição recolhida com base na redação do art. 25 da lei nº 8.212, de 1991, com redação dada pela Lei nº 8.540, de 22 de dezembro de 1991, não se aplica à contribuição estabelecida com base na redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001, promulgada após a Emenda Constitucional nº 20. Quanto à alegação de que teria havido incidência de contribuição sobre vendas equiparadas a exportação, o colegiado antecedente refutou-a porque o impugnante não apresentou provas do alegado (fl. 112): A Impugnante alega que os valores levantados alguns se referem as vendas equiparadas à exportação, pois o lançamento foi fundado nos livros contábeis e este não considerou essas vendas. Constata-se que o lançamento fundou-se nos documentos apresentados pela contribuinte, nos seus livros contábeis e estão discriminados no RL - RELATÓRIO DE LANÇAMENTOS,fls. 11/13. Em virtude disso a contribuinte poderia ter demonstrado mês a mês os valores indevidos, consubstanciados em documentos, mas não o fez, portanto a simples alegação da impugnante não elide o lançamento, pois o ônus da prova cabe a esta. Logo, não se acolhe a alegação da impugnante. Não há como reparar o acórdão recorrido. Cabe ao contribuinte, quando da impugnação, apresentar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância do lançamento e as razões e provas que possuir, como determina o inc. III do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. De fato, analisando a impugnação, percebe-se que o contribuinte não juntou prova alguma de que, na base de cálculo apurada pela Autoridade Lançadora, estariam contidos valores de receitas de vendas para exportação. No recurso voluntário, alegou que realizou, no período fiscalizado, vendas para exportação no montante de R$ 3.341.643,78 (fl. 136), mas não juntou uma única nota fiscal ou contrato de câmbio para justificar sua alegação. Quanto à ilegalidade da aplicação da taxa Selic para cálculo dos juros de mora, invoco a Súmula Carf nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no Fl. 209DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-008.462 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 14098.000396/2009-12 5 período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Conclusão Voto por conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade (Súmula Carf nº 2) e, na parte conhecida, rejeitar as preliminares e negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente João Maurício Vital Fl. 210DF CARF MF Original

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Numero do processo: 12571.720319/2012-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. ISENÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. SOCIEDADES COOPERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. ATO COOPERADO. Conforme entendimento pacífico do Poder Judiciário, as exclusões da base de cálculo das contribuições, permitidas pelo art. 15 da Medida Provisória nº 2.158-35/01 e pelo art. 17 da Lei nº 10.684/2003, não se enquadram como uma “isenção parcial” nem como hipótese de “não incidência tributária”. Não é possível apurar créditos relacionados a estes valores recebidos pelas sociedades cooperativas, porém excluídos da base de cálculo, tornando inaplicável ao caso o art. 17 da Lei nº 11.033/2004. O contribuinte não faz jus a créditos da não cumulatividade sobre os custos de aquisição incorridos nos atos cooperativos típicos (aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais), da mesma forma que não deve incluir os valores referentes a estas operações no cálculo do rateio dos créditos, tendo em vista que o ato cooperativo típico não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, conforme preceitua o art. 79 da Lei 5.764/71 e já decidido no REsp nº 1.141.667/RS. Logo, não gera “receitas de vendas” mas meros ingressos financeiros. Aplicação imediata e direta da tese fixada no REsp nº 1.141.667/RS: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, nos termos da lei nº 10.833/2003. DIREITO DE CRÉDITO SOBRE AQUISIÇÃO DE SEMENTES E MUDAS. TRIBUTAÇÃO À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL. Nos termos do artigo 1º da Lei nº 10.925/2004, ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de sementes e mudas destinadas à semeadura e plantio, em conformidade com o disposto na Lei nº 10.711/2003. A Lei nº 10.711/2003 não estabelece como requisito para fruição do benefício fiscal a indicação de “registro das sementes” na nota fiscal, mas sim o número de inscrição do produtor no RENASEM. O descumprimento de qualquer dos requisitos previstos na Lei nº 10.711/2003 torna a respectiva operação comercial, bem como fornecedores e adquirentes, sujeitos às penalidades e responsabilidades previstas na legislação, e não autoriza a tomada de crédito das contribuições. BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS. IPI RECUPERÁVEL. O IPI, quando recuperável, não compõe o custo de aquisição e, portanto, não integra a base de cálculo dos créditos das contribuições. O fato do IPI ser recuperável não depende do tratamento a ele conferido pelo contribuinte, mas sim do que fora estabelecido pela legislação, pois a lei não exclui o “IPI efetivamente recuperado”, mas sim o “IPI recuperável”. A lei confere ao contribuinte o direito a recuperar esse valor de IPI na aquisição de insumos; se o contribuinte opta por não faze-lo, isso não altera a natureza jurídica do tributo. Tem o contribuinte direito de pleitear a restituição do IPI pago a maior por conta de não ter, eventualmente, escriturado a crédito o IPI incidente em suas aquisições, desde que dentro do prazo prescricional. BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS. ICMS – SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA (ICMS-ST). O ICMS-ST não sofre tributação pelas contribuições, pois não se configura como receita do substituto tributário, que age como mero arrecadador/intermediário do ICMS devido pelo substituído, para repassá-lo ao Estado. Se não houve tributação na etapa anterior, não há como considerar esta parcela do custo de aquisição no cálculo dos créditos da não-cumulatividade. Nesse sentido é a posição pacífica da 2ª Turma do STJ. CONCEITO DE INSUMOS. MATERIAIS DE EMBALAGEM. Os sacos de polipropileno são essenciais à atividade econômica de fabricação e comercialização de ração animal, na medida em que são utilizados como embalagem deste produto. CONCEITO DE INSUMOS. LENHA. ENERGIA TÉRMICA. BENS PARA REVENDA. A lenha utilizada para alimentar as caldeiras que produzirão vapor para secagem de grãos pode ser classificada como insumo do processo de obtenção de grãos secos para armazenagem ou como energia térmica, gerando créditos das contribuições, desde que não seja adquirida de pessoas físicas. CONCEITO DE INSUMOS. SERVIÇOS. Os serviços de corte, baldeação de lenhas e visitas técnicas, realizados nas florestas, são essenciais e relevantes para o processo produtivo de obtenção de lenha para alimentar as caldeiras que irão gerar vapor para secagem dos grãos. CRÉDITO. FRETE DE PRODUTOS ENTRE A COOPERATIVA E OS COOPERADOS. A remessa de produtos entre a cooperativa e seus cooperados, com a utilização de frete contratado junto a terceiros não cooperados, tem natureza jurídica de ato cooperativo típico, ou seja, não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, logo não há incidência das contribuições, nos termos do quanto decidido no julgamento do REsp 1.141.667/RS, julgado sob o rito previsto para os recursos repetitivos. O frete entre a cooperativa e seus cooperados não pode ser considerado como insumo da cooperativa, nos termos do art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, pois este dispositivo legal trata da prestação de serviços e da produção de bens destinados à venda, que é operação de mercado, com natureza jurídica distinta do ato cooperativo típico. Inaplicável, na espécie, a hipótese do inciso IX do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/03, que trata de frete na operação de venda, uma vez que não ocorreu venda alguma, mas tão somente uma operação entre cooperados e cooperativa, ato cooperativo típico. CRÉDITO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. É cabível a tomada de créditos sobre encargos de depreciação de itens como balanças, costuradora, carro plataforma, máquinas de limpeza, sistema de captação, filtros de impurezas, secadores e transportadoras, utilizados em estabelecimentos onde é feita a secagem de grãos, desde que não tenham sido adquiridos de pessoas físicas ou não sejam bens usados.
Numero da decisão: 3302-014.533
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em (i) rejeitar a preliminar de “nulidade do acórdão da DRJ por ausência de motivação” e, (ii) no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reverter a glosa de créditos referentes a (ii.1) material de embalagens e etiquetas; (ii.2) aquisição de lenha de pessoas jurídicas, exceto em relação ao creditamento sobre notas fiscais de emissão da própria contribuinte; (ii.3) serviços aplicados nas fazendas de lenha e na produção de bovinos; (ii.4) fretes nas operações de venda para terceiros não cooperados/associados e/ou que não se caracterizam como cooperativas; e (ii.5) encargos de depreciação, exceto aqueles relacionados à aquisição de bens usados ou adquiridos de pessoas físicas. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Francisca Elizabeth Barreto (suplente convocada), Francisca das Chagas Lemos, José Renato Pereira de Deus e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente).
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. ISENÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. SOCIEDADES COOPERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. ATO COOPERADO. Conforme entendimento pacífico do Poder Judiciário, as exclusões da base de cálculo das contribuições, permitidas pelo art. 15 da Medida Provisória nº 2.158-35/01 e pelo art. 17 da Lei nº 10.684/2003, não se enquadram como uma “isenção parcial” nem como hipótese de “não incidência tributária”. Não é possível apurar créditos relacionados a estes valores recebidos pelas sociedades cooperativas, porém excluídos da base de cálculo, tornando inaplicável ao caso o art. 17 da Lei nº 11.033/2004. O contribuinte não faz jus a créditos da não cumulatividade sobre os custos de aquisição incorridos nos atos cooperativos típicos (aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais), da mesma forma que não deve incluir os valores referentes a estas operações no cálculo do rateio dos créditos, tendo em vista que o ato cooperativo típico não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, conforme preceitua o art. 79 da Lei 5.764/71 e já decidido no REsp nº 1.141.667/RS. Logo, não gera “receitas de vendas” mas meros ingressos financeiros. Aplicação imediata e direta da tese fixada no REsp nº 1.141.667/RS: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, nos termos da lei nº 10.833/2003. DIREITO DE CRÉDITO SOBRE AQUISIÇÃO DE SEMENTES E MUDAS. TRIBUTAÇÃO À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL. Nos termos do artigo 1º da Lei nº 10.925/2004, ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de sementes e mudas destinadas à semeadura e plantio, em conformidade com o disposto na Lei nº 10.711/2003. A Lei nº 10.711/2003 não estabelece como requisito para fruição do benefício fiscal a indicação de “registro das sementes” na nota fiscal, mas sim o número de inscrição do produtor no RENASEM. O descumprimento de qualquer dos requisitos previstos na Lei nº 10.711/2003 torna a respectiva operação comercial, bem como fornecedores e adquirentes, sujeitos às penalidades e responsabilidades previstas na legislação, e não autoriza a tomada de crédito das contribuições. BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS. IPI RECUPERÁVEL. O IPI, quando recuperável, não compõe o custo de aquisição e, portanto, não integra a base de cálculo dos créditos das contribuições. O fato do IPI ser recuperável não depende do tratamento a ele conferido pelo contribuinte, mas sim do que fora estabelecido pela legislação, pois a lei não exclui o “IPI efetivamente recuperado”, mas sim o “IPI recuperável”. A lei confere ao contribuinte o direito a recuperar esse valor de IPI na aquisição de insumos; se o contribuinte opta por não faze-lo, isso não altera a natureza jurídica do tributo. Tem o contribuinte direito de pleitear a restituição do IPI pago a maior por conta de não ter, eventualmente, escriturado a crédito o IPI incidente em suas aquisições, desde que dentro do prazo prescricional. BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS. ICMS – SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA (ICMS-ST). O ICMS-ST não sofre tributação pelas contribuições, pois não se configura como receita do substituto tributário, que age como mero arrecadador/intermediário do ICMS devido pelo substituído, para repassá-lo ao Estado. Se não houve tributação na etapa anterior, não há como considerar esta parcela do custo de aquisição no cálculo dos créditos da não-cumulatividade. Nesse sentido é a posição pacífica da 2ª Turma do STJ. CONCEITO DE INSUMOS. MATERIAIS DE EMBALAGEM. Os sacos de polipropileno são essenciais à atividade econômica de fabricação e comercialização de ração animal, na medida em que são utilizados como embalagem deste produto. CONCEITO DE INSUMOS. LENHA. ENERGIA TÉRMICA. BENS PARA REVENDA. A lenha utilizada para alimentar as caldeiras que produzirão vapor para secagem de grãos pode ser classificada como insumo do processo de obtenção de grãos secos para armazenagem ou como energia térmica, gerando créditos das contribuições, desde que não seja adquirida de pessoas físicas. CONCEITO DE INSUMOS. SERVIÇOS. Os serviços de corte, baldeação de lenhas e visitas técnicas, realizados nas florestas, são essenciais e relevantes para o processo produtivo de obtenção de lenha para alimentar as caldeiras que irão gerar vapor para secagem dos grãos. CRÉDITO. FRETE DE PRODUTOS ENTRE A COOPERATIVA E OS COOPERADOS. A remessa de produtos entre a cooperativa e seus cooperados, com a utilização de frete contratado junto a terceiros não cooperados, tem natureza jurídica de ato cooperativo típico, ou seja, não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, logo não há incidência das contribuições, nos termos do quanto decidido no julgamento do REsp 1.141.667/RS, julgado sob o rito previsto para os recursos repetitivos. O frete entre a cooperativa e seus cooperados não pode ser considerado como insumo da cooperativa, nos termos do art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, pois este dispositivo legal trata da prestação de serviços e da produção de bens destinados à venda, que é operação de mercado, com natureza jurídica distinta do ato cooperativo típico. Inaplicável, na espécie, a hipótese do inciso IX do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/03, que trata de frete na operação de venda, uma vez que não ocorreu venda alguma, mas tão somente uma operação entre cooperados e cooperativa, ato cooperativo típico. CRÉDITO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. É cabível a tomada de créditos sobre encargos de depreciação de itens como balanças, costuradora, carro plataforma, máquinas de limpeza, sistema de captação, filtros de impurezas, secadores e transportadoras, utilizados em estabelecimentos onde é feita a secagem de grãos, desde que não tenham sido adquiridos de pessoas físicas ou não sejam bens usados.

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ISENÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. SOCIEDADES COOPERATIVAS. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. ATO COOPERADO. Conforme entendimento pacífico do Poder Judiciário, as exclusões da base de cálculo das contribuições, permitidas pelo art. 15 da Medida Provisória nº 2.158-35/01 e pelo art. 17 da Lei nº 10.684/2003, não se enquadram como uma “isenção parcial” nem como hipótese de “não incidência tributária”. Não é possível apurar créditos relacionados a estes valores recebidos pelas sociedades cooperativas, porém excluídos da base de cálculo, tornando inaplicável ao caso o art. 17 da Lei nº 11.033/2004. O contribuinte não faz jus a créditos da não cumulatividade sobre os custos de aquisição incorridos nos atos cooperativos típicos (aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais), da mesma forma que não deve incluir os valores referentes a estas operações no cálculo do rateio dos créditos, tendo em vista que o ato cooperativo típico não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, conforme preceitua o art. 79 da Lei 5.764/71 e já decidido no REsp nº 1.141.667/RS. Logo, não gera “receitas de vendas” mas meros ingressos financeiros. Aplicação imediata e direta da tese fixada no REsp nº 1.141.667/RS: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, nos termos da lei nº 10.833/2003. Fl. 836DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 2 DIREITO DE CRÉDITO SOBRE AQUISIÇÃO DE SEMENTES E MUDAS. TRIBUTAÇÃO À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL. Nos termos do artigo 1º da Lei nº 10.925/2004, ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de sementes e mudas destinadas à semeadura e plantio, em conformidade com o disposto na Lei nº 10.711/2003. A Lei nº 10.711/2003 não estabelece como requisito para fruição do benefício fiscal a indicação de “registro das sementes” na nota fiscal, mas sim o número de inscrição do produtor no RENASEM. O descumprimento de qualquer dos requisitos previstos na Lei nº 10.711/2003 torna a respectiva operação comercial, bem como fornecedores e adquirentes, sujeitos às penalidades e responsabilidades previstas na legislação, e não autoriza a tomada de crédito das contribuições. BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS. IPI RECUPERÁVEL. O IPI, quando recuperável, não compõe o custo de aquisição e, portanto, não integra a base de cálculo dos créditos das contribuições. O fato do IPI ser recuperável não depende do tratamento a ele conferido pelo contribuinte, mas sim do que fora estabelecido pela legislação, pois a lei não exclui o “IPI efetivamente recuperado”, mas sim o “IPI recuperável”. A lei confere ao contribuinte o direito a recuperar esse valor de IPI na aquisição de insumos; se o contribuinte opta por não faze-lo, isso não altera a natureza jurídica do tributo. Tem o contribuinte direito de pleitear a restituição do IPI pago a maior por conta de não ter, eventualmente, escriturado a crédito o IPI incidente em suas aquisições, desde que dentro do prazo prescricional. BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS. ICMS – SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA (ICMS-ST). O ICMS-ST não sofre tributação pelas contribuições, pois não se configura como receita do substituto tributário, que age como mero arrecadador/intermediário do ICMS devido pelo substituído, para repassá- lo ao Estado. Se não houve tributação na etapa anterior, não há como considerar esta parcela do custo de aquisição no cálculo dos créditos da não- cumulatividade. Nesse sentido é a posição pacífica da 2ª Turma do STJ. Fl. 837DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 3 CONCEITO DE INSUMOS. MATERIAIS DE EMBALAGEM. Os sacos de polipropileno são essenciais à atividade econômica de fabricação e comercialização de ração animal, na medida em que são utilizados como embalagem deste produto. CONCEITO DE INSUMOS. LENHA. ENERGIA TÉRMICA. BENS PARA REVENDA. A lenha utilizada para alimentar as caldeiras que produzirão vapor para secagem de grãos pode ser classificada como insumo do processo de obtenção de grãos secos para armazenagem ou como energia térmica, gerando créditos das contribuições, desde que não seja adquirida de pessoas físicas. CONCEITO DE INSUMOS. SERVIÇOS. Os serviços de corte, baldeação de lenhas e visitas técnicas, realizados nas florestas, são essenciais e relevantes para o processo produtivo de obtenção de lenha para alimentar as caldeiras que irão gerar vapor para secagem dos grãos. CRÉDITO. FRETE DE PRODUTOS ENTRE A COOPERATIVA E OS COOPERADOS. A remessa de produtos entre a cooperativa e seus cooperados, com a utilização de frete contratado junto a terceiros não cooperados, tem natureza jurídica de ato cooperativo típico, ou seja, não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, logo não há incidência das contribuições, nos termos do quanto decidido no julgamento do REsp 1.141.667/RS, julgado sob o rito previsto para os recursos repetitivos. O frete entre a cooperativa e seus cooperados não pode ser considerado como insumo da cooperativa, nos termos do art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, pois este dispositivo legal trata da prestação de serviços e da produção de bens destinados à venda, que é operação de mercado, com natureza jurídica distinta do ato cooperativo típico. Inaplicável, na espécie, a hipótese do inciso IX do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/03, que trata de frete na operação de venda, uma vez que não ocorreu venda alguma, mas tão somente uma operação entre cooperados e cooperativa, ato cooperativo típico. CRÉDITO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. É cabível a tomada de créditos sobre encargos de depreciação de itens como balanças, costuradora, carro plataforma, máquinas de limpeza, Fl. 838DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 4 sistema de captação, filtros de impurezas, secadores e transportadoras, utilizados em estabelecimentos onde é feita a secagem de grãos, desde que não tenham sido adquiridos de pessoas físicas ou não sejam bens usados. ACÓRDÃO Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em (i) rejeitar a preliminar de “nulidade do acórdão da DRJ por ausência de motivação” e, (ii) no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reverter a glosa de créditos referentes a (ii.1) material de embalagens e etiquetas; (ii.2) aquisição de lenha de pessoas jurídicas, exceto em relação ao creditamento sobre notas fiscais de emissão da própria contribuinte; (ii.3) serviços aplicados nas fazendas de lenha e na produção de bovinos; (ii.4) fretes nas operações de venda para terceiros não cooperados/associados e/ou que não se caracterizam como cooperativas; e (ii.5) encargos de depreciação, exceto aqueles relacionados à aquisição de bens usados ou adquiridos de pessoas físicas. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Francisca Elizabeth Barreto (suplente convocada), Francisca das Chagas Lemos, José Renato Pereira de Deus e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente). RELATÓRIO Trata-se do Pedido de Ressarcimento nº 42862.74534.180311.1.1.10-1208 (fls. 2/6), no valor de R$ 68.758,39, referente a créditos na apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep relativos a mercado interno, auferidos no 2º trimestre de 2008. O fundamento para o indeferimento de parte do crédito pleiteado foi exposto no referido despacho decisório, e decorre de glosas de créditos sobre (i) aquisições de bens para revenda, (ii) aquisições de bens e serviços não enquadrados como insumos, (iii) despesas de armazenagem de mercadorias e frete na operação de venda, (iv) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado; bem como em razão da reapuração feita pela fiscalização do índice de rateio proporcional aplicado aos custos, despesas e encargos comuns (relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total). Fl. 839DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 5 A decisão contida no Despacho Decisório foi exarada nos seguintes termos, em síntese: RESUMO DO CRÉDITO O contribuinte apurou um crédito total, conforme Dacon, no valor de R$291.003,22 tendo descontado o valor referente ao PIS a pagar no montante de R$ 83.548,27, resultando em um crédito total de R$ 207.454,95. Em virtude das glosas o montante do crédito apurado pelo contribuinte teve uma redução no valor de R$ 72.045,26, sendo apurado um montante no trimestre de R$218.957,96. Considerando o saldo do crédito de aquisição no mercado interno, no valor de R$ 357.057,01, referente ao trimestre anterior, conforme demonstrativo acima, e após as devidas deduções da própria contribuição a pagar, no montante de R$ 83.548,27, temos um saldo remanescente ao final do trimestre, no valor de R$ 492.466,70, sendo que R$ 454.019,04, a título de mercado interno tributado, sendo o mesmo passível de compensação somente com débitos da própria contribuição para o PIS; e R$38.447,66 a título de mercado interno não tributado, em razão de vendas efetuadas com alíquota zero, não incidência, isenção, ou suspensão das contribuições, passível de ressarcimento/compensação. 3. DECISÃO Com base no parecer retro, que aprovo, faço uso da competência delegada pela Portaria DRF/PTG n°28, de 11 de março de 2010, publicada no Diário Oficial da União - DOU - no dia 15 de março de 2010, para deferir parcialmente o pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS não cumulativo, mercado interno não tributado, do 2° trimestre de 2008, no valor de R$ 38.447,66 (Trinta e oito mil quatrocentos e quarenta e sete reais e sessenta e seis centavos), passível de ressarcimento/compensação, sem atualização monetária, conforme disposto no § 5° do art. 72 da IN/SRF n° 900/08, bem como para homologar às compensações até o limite do crédito reconhecido. Regularmente cientificada, a empresa apresentou MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE às fls. 602/643. Em julgamento datado de 20/05/2019, a DRJ-Ribeirão Preto (DRJ-RPO) exarou o Acórdão nº 14-91.899, às fls. 745/764, através do qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, com a seguinte Ementa: RESSARCIMENTO. RATEIO. MERCADO INTERNO NÃO TRIBUTADO. Para a apuração do índice de rateio no caso de ressarcimento, as exclusões da base de cálculo às quais as cooperativas têm direito segundo o art. 15 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, não podem ser consideradas como se fossem relativas a receitas do mercado interno não tributadas. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. Fl. 840DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 6 Somente há que se falar em insumos para geração de créditos a descontar na apuração do PIS/Pasep devido segundo a modalidade não cumulativa quando se tratar de bem que integre o processo produtivo ou de fabricação. IPI. RECUPERÁVEL. CRÉDITO. O valor do IPI incidente na aquisição quando recuperável não integra o valor do custo dos bens para efeito de apuração de créditos a descontar no cálculo do PIS/Pasep devido segundo a modalidade não cumulativa, ainda que, no caso concreto, a contribuinte opte por não aproveitar o crédito relativo a esse imposto. ICMS-SUBSTITUIÇÃO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. No cálculo do PIS/Pasep devido segundo a modalidade não cumulativa, a contribuinte não pode descontar créditos apurados sobre a parcela do ICMS- Substituição. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado em pedido de ressarcimento é da contribuinte. CRÉDITOS. DEPRECIAÇÃO. ATIVO IMOBILIZADO. O desconto de créditos no cálculo do PIS/Pasep não cumulativo decorrentes de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado só é possível quando esses bens são adquiridos novos e utilizados na produção dos bens destinados à venda, na prestação de serviços ou para locação a terceiros. O contribuinte, tendo tomado ciência da decisão da DRJ em 24/08/2020 (conforme TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM, à fl. 767), apresentou Recurso Voluntário em 22/09/2020, às fls. 771/832. É o relatório. VOTO Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator. I - ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. II – DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO Fl. 841DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 7 Sustenta o recorrente que, apesar de ter cumprido com seu ônus de apresentar provas do seu direito ao crédito, os julgadores de piso mantiveram o indeferimento parcial sob a alegação de carência probatória. Em seu entender, a DRJ não analisou os documentos juntados aos autos e, assim, seria evidente a ausência de motivação na decisão, com a sua consequente nulidade. Apresenta os seguintes fundamentos, em apertada síntese: Em outras palavras: houve vasta dilação probatória, pela qual se gerou justa e fundada expectativa à Recorrente de que seu direito de crédito estava devidamente comprovado nos autos, pois grande parte da documentação foi exigida pela própria Ilma. autoridade administrativa, por duas ocasiões, somada a diligências na própria sede da empresa. Logo, os fundamentos do acórdão recorrido teriam cabimento, quando muito, nas hipóteses em que o contribuinte, mesmo devidamente intimado, se nega ao fornecimento de informações e documentos, o que, repita-se, não resta configurado no presente caso. O que se infere no presente caso, portanto, é uma mera recusa dos Ilmos. julgadores de primeira instância de analisarem as provas produzidas nos autos, que asseguravam o direito de crédito da Recorrente, sob o pretexto da alegada ausência de prova nos autos. Ora, uma vez apresentada a documentação exigida, caberia à Administração Pública a análise da documentação fiscal alusiva ao direito creditório da Recorrente, ainda que por amostragem, deferindo-o acaso constatada a conformidade do pedido com a sistemática da não-cumulatividade particular das contribuições sociais. Em não tendo agido desse modo, a decisão recorrida violou as normas contidas no artigo 31 do Decreto n.º 70.235/72 e artigos 2.º e 50 da Lei 9.784/99, que convergem, necessariamente, com a máxima contida no art. 93, IX da CF/88. E a deferência obrigatória à regra de motivação das decisões é preceito inafastável no âmbito processual administrativo, como bem ressalta a doutrina nacional: (...) Assim, comprovada a ausência de motivação da decisão objurgada, impõe-se a decretação de nulidade do acórdão recorrido por vício material, de sorte que seja confirmada, via de consequência, a higidez do crédito que se pretende ver ressarcido. Examinando o acórdão da DRJ, às fls. 745/764, verifiquei que todos os argumentos do contribuinte foram devidamente analisados, assim como toda a documentação apresentada. Deve-se ter em conta que não basta a simples apresentação de documentos para que se obtenha uma decisão favorável; é necessário que façam prova do que se alega. Assim como o contribuinte apresentou sua defesa, o Fazenda Nacional também apresentou suas acusações, com as provas que entendia necessárias. Fl. 842DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 8 A DRJ fez a devida fundamentação para sua decisão de negar provimento ao Recurso Voluntário, analisando tanto as provas e argumentos do contribuinte quanto da União. O contribuinte pode discordar da solução dada pelo Colegiado a quo, e ter razão em parte ou na totalidade das matérias, mas não há como concordar que a DRJ não tenha motivado sua decisão, ressaltando que, ao contrário do que afirma o recorrente, o resultado do julgamento não foi apenas em razão de carência probatória, mas também porque os argumentos do contribuinte não estavam de acordo com o que consta da legislação, ao menos na interpretação dada por aquela Turma julgadora. Mesmo quando o colegiado identificou uma ausência de produção de provas, ou produção insuficiente, mantinha a glosa com base também em argumentos “de direito”, ou descrevia a prova apresentada, demonstrando que os documentos juntados faziam prova contrária ao que pretendia o recorrente. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de “nulidade do acórdão da DRJ por ausência de motivação”. III – DA COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO GLOSADO – APLICAÇÃO AO CASO DA SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 342/2010 Alega o recorrente que fez constar em sua apuração a rubrica “Receitas da Solução de Consulta”, relacionadas à Solução de Consulta nº 342/2010, pela qual a Receita Federal lhe garantiu o enquadramento de parte de suas receitas decorrentes de ato cooperado como isentas. Afirma que a referida consulta teve por objetivo esclarecer à Recorrente quanto à possibilidade de equiparar à isenção as receitas decorrentes do ato cooperado, nos termos dos art. 17 da Lei n.º 11.033/2004 e art. 16 da Lei nº 11.116/2005. Vejamos. O objetivo do contribuinte neste tópico, ao defender a equiparação das receitas decorrentes do ato cooperado à isenção, nos termos dos art. 17 da Lei n.º 11.033/2004, é garantir o seu cálculo de rateio original, permitindo assim um maior percentual de créditos passíveis de ressarcimento, tendo em vista que o Despacho Decisório contestou esse cálculo nos seguintes termos: Na apresentação do rateio utilizado no preenchimento da DACON a contribuinte considerou as receitas da revenda de bens a associados e receita da prestação de serviços aos associados, conforme quadro abaixo: (...) Conforme DACON, o referido rateio foi apropriado com as receitas tributadas à alíquota zero menos às receitas financeiras, mais as receitas tributadas à alíquota zero — revenda de produtos sujeitos à tributação monofásica. (...) Fl. 843DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 9 Efetuadas às adequações retro mencionadas, a apuração dos créditos passa a ser a seguinte: (...) Em virtude das glosas o montante do crédito apurado pelo contribuinte teve uma redução no valor de R$ 72.045,26, sendo apurado um montante no trimestre de R$218.957,96. Considerando o saldo do crédito de aquisição no mercado interno, no valor de R$ 357.057,01, referente ao trimestre anterior, conforme demonstrativo acima, e após as devidas deduções da própria contribuição a pagar, no montante de R$ 83.548,27, temos um saldo remanescente ao final do trimestre, no valor de R$ 492.466,70, sendo que R$ 454.019,04, a título de mercado interno tributado, sendo o mesmo passível de compensação somente com débitos da própria contribuição para o PIS; e R$38.447,66 a título de mercado interno não tributado, em razão de vendas efetuadas com alíquota zero, não incidência, isenção, ou suspensão das contribuições, passível de ressarcimento/compensação. 3. DECISÃO Com base no parecer retro, que aprovo, faço uso da competência delegada pela Portaria DRF/PTG n°28, de 11 de março de 2010, publicada no Diário Oficial da União - DOU - no dia 15 de março de 2010, para deferir parcialmente o pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS não cumulativo, mercado interno não tributado, do 2° trimestre de 2008, no valor de R$ 38.447,66 (Trinta e oito mil quatrocentos e quarenta e sete reais e sessenta e seis centavos), passível de ressarcimento/compensação, sem atualização monetária, conforme disposto no § 5° do art. 72 da IN/SRF n° 900/08, bem como para homologar às compensações até o limite do crédito reconhecido. O recorrente analisa o fundamento invocado pela DRJ para negar provimento a este pedido, rejeitando-o pelos seguintes argumentos, verbis: Assim, as receitas descritas nas hipóteses acima foram devidamente segregadas das demais receitas do ato cooperado, passando a compor o cálculo do rateio juntamente com outras receitas desoneradas da contribuição. E, dentre os bens adquiridos para revenda nesses termos, encontram-se as sementes, adubos, defensivos agropecuários, produtos químicos orgânicos, todos indevidamente glosados pela Ilma. autoridade administrativa de primeira instância, em desacordo com o que prevê a referida Solução de Consulta n.º 342/2010. Impugnada essa questão por meio da manifestação de inconformidade apresentadas nos autos, a argumentação trazida no acórdão recorrido foi no sentido de que (fl. 754]): “[...] em nenhum momento ela vinculou expressamente ao art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, os valores relativos às receitas de revenda de bens a associados e a receita de prestação de serviços aos associados. De igual Fl. 844DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 10 modo, em nenhum momento essa solução de consulta tratou da possibilidade de ressarcimento dos créditos e muito menos da forma de rateio cabível”. Porém, tal entendimento não merece prosperar, deflagrando o primeiro ponto de reforma do entendimento adotado em primeira instância. Ora, ao contrário do que consignado no acórdão recorrido, a Consulta em questão teve por objeto central justamente solucionar se a “exclusão da base de cálculo” aludida no art. 15 da Medida Provisória n.º 2.158-35/2001, se enquadraria nas hipóteses dispostas no art. 17 da Lei n.º 11.033/2004. E as conclusões lá adotadas, consoante transcrito linhas acima, deixa clara a vinculação das “receitas de revenda de bens a associados” e “receita de prestação de serviços aos associados” ao mencionado art. 17 da Lei n.º 11.033/2004, ao contrário do que consignado no acórdão recorrido. É o que também se pode observar a partir da fundamentação apresentada na Solução de Consulta em referência, consoante abaixo transcrito: 7. Na realidade, o primeiro ponto a ser enfrentado é o seguinte: art. 17 da Lei n.º 11.033, de 2004, autoriza manter os créditos vinculados às operações de venda nele descritas [...] 11. Já o art. 15, inciso II, da Medida Provisória n.º 2.158-35, de 2001, fala em: “receita de venda de bens e mercadorias a associados”. A cooperativa poderá descontar créditos (ainda não se está falando de ‘mantê-los’) nos termos do art. 3.º, inciso I, das Leis n.º 10.637, de 2002, e n.º 10.833, de 2003 [...] 12. o art. 15, inciso III, da Medida Provisória n.º 2.158, de 2001, trata de: “receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural [...]”. A cooperativa poderá descontar créditos (repisa-se: ainda não se está falando de ‘mantê-los’) nos termos do art. 3.º, inciso II, das Leis n.º 10.637, de 2002, e n.º 10.833, de 2003 [...] 15. Em primeiro lugar o art. 17 da Lei n.º 11.033, de 2004, fala em vendas [...] 17. O inciso II do art. 15 da Medida Provisória n.º 2.158, de 2001, fala em “receita de vendas”, o que não gera discussão. Mas o inciso III fala em prestação de serviço, daí a questão: o art. 17 da Lei n.º 11.033, de 2004, abrange também as prestações de serviços? [...] Em suma, fora da interpretação literal, não há motivos para restringir o art. 17 da Lei n.º 11.033, de 2004, às vendas de mercadorias, de modo que ele se aplica também às prestações de serviços. E, ainda que referida Solução de Consulta não tenha tratado especificamente “forma de rateio cabível”, cuja regra advém da literalidade da lei, a irresignação da Recorrente exposta em sua manifestação de inconformidade está relacionada à completa desconsideração do Ilmo. auditor fiscal às previsões constantes em tal Consulta, para fins de realização da forma de rateio. (...) Fl. 845DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 11 Portanto, é cogente a aplicação da Solução de Consulta n.º 342/2010 ao presente caso, de modo a afastar, quando do rateio proporcional, a desconsideração pela Ilma. autoridade fiscal das receitas incluídas pela Recorrente, por força do entendimento externado pela própria Receita Federal do Brasil que respaldou a sua conduta. Apesar do inconformismo do recorrente, observo que tem razão o colegiado de piso ao afirmar que a referida Solução de Consulta não tem qualquer relação com o critério de rateio dos custos, despesas e encargos, que é baseado (i) na apropriação direta por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração ou (ii) no rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. É o que determina o art. 3º, § 8º, da Lei nº 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I - apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II - rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não- cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. A Solução de Consulta n° 342 - SRRF09/Disit possui a seguinte ementa: COOPERATIVAS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. Entre outras hipóteses e respeitados os requisitos do art. 23 da IN SRF n° 635, de 2006, a cooperativa pode descontar, do valor das contribuições incidentes sobre sua receita bruta, bem como manter, créditos calculados em relação a: a) bens para revenda a associados, adquiridos pela cooperativa e de não associados; b) aquisições efetuadas no mês, de não associados, de bens e serviços especializados utilizados como insumo na prestação de serviços aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural formação profissional e assemelhadas e na industrialização da produção do associado; e c) armazenagem da produção do associado. Todavia, a cooperativa não pode descontar, do valor das contribuições incidentes sobre sua receita bruta, tampouco manter, os créditos calculados em relação a: a) repasse de valores aos associados, decorrentes da comercialização Fl. 846DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 12 de produto por eles entregue à cooperativa; e b) receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras. A dúvida apresentada e a conclusão foram redigidas nos seguintes termos, litteris: Relatório A interessada, acima identificada, fórmula consulta a esta Superintendência sobre a Contribuição para o PIS/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). 2. Em síntese, pergunta se, em termos de créditos, as saídas beneficiadas com exclusão da base de cálculo das referidas contribuições merecem o mesmo tratamento das saídas beneficiadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não- incidência desses mesmos tributos. Fundamentos 3. A consulente informa que suas saídas são beneficiadas pela exclusão da base de cálculo da as contribuições em comento, em função do art. 15 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001: (...) 4. Basicamente, a dúvida é se essa "exclusão da base de cálculo" se enquadra no art. 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004: (...) Conclusão 36. À vista do exposto, conclui-se que: 36.1. Entre outras hipóteses e respeitados os requisitos do art. 23 da IN SRF n° 635, de 2006, a cooperativa pode descontar, do valor das contribuições incidentes sobre sua receita bruta, bem como manter, créditos calculados em relação a: a) bens para revenda a associados, adquiridos pela cooperativa e de não associados; b) aquisições efetuadas no mês, de não associados, de bens e serviços especializados utilizados como insumo na prestação de serviços aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas e na industrialização da produção do associado; e c) armazenagem da produção do associado. 36.2. Todavia, a cooperativa não pode descontar, do valor das contribuições incidentes sobre sua receita bruta, tampouco manter, os créditos calculados em relação a: a) repasse de valores aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; e b) receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras. Essa conclusão tem por fundamento as exclusões da base de cálculo previstas no art. 15 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 24/08/2001: Fl. 847DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 13 Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I - os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II - as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III - as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV - as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V - as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § 1º Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. Logo, correta a decisão de piso, no sentido de que a referida Solução de Consulta não trata do critério de rateio. No entanto, sendo dever deste Conselho verificar a legalidade dos atos administrativos, inclusive de ofício, deve-se verificar se a legislação permite que o rateio seja calculado da forma pretendida pelo contribuinte, ou se o Auditor-Fiscal estava com a razão em sua apuração. O objetivo do legislador ao estabelecer critérios de rateio no art. 3º, § 8º, da Lei nº 10.833/2003, foi garantir que apenas os insumos efetivamente utilizados em produtos ou serviços sujeitos ao regime não-cumulativo gerassem créditos. Esse rateio se faz necessário pois o contribuinte, por exemplo, pode adquirir insumos através de uma única nota fiscal e utilizá-los para gerar receitas vinculadas tanto à cumulatividade quanto à não-cumulatividade. Além disso, o rateio é necessário porque nem todos os créditos gerados são passíveis de compensação ou ressarcíveis em dinheiro, mas tão somente aqueles vinculados a receitas de exportação ou apurados na forma do art. 17 da Lei nº 11.033/2004, conforme preceitua a legislação: LEI Nº 10.637/2002 Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I - exportação de mercadorias para o exterior; II - prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III - vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Fl. 848DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 14 § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I - dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. LEI Nº 11.116/2005 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II - pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. O art. 17 da Lei nº 11.033/2004 estabelece que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Se os valores recebidos por conta de atos cooperativos típicos puderem ser considerados como “vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência”, como pretende o contribuinte, teremos duas consequências: a primeira, a possibilidade de que os custos associados a estes ingressos de valores possa gerar créditos; a segunda, a alteração do rateio, de forma que um percentual maior dos créditos apurados possa ser utilizado para ressarcimento, seja através de compensação ou recebimento em dinheiro. Ocorre que o Poder Judiciário vem decidindo, de forma reiterada, que as exclusões da base de cálculo das contribuições devidas pelas sociedades cooperativas não possuem natureza jurídica de “isenções parciais” ou sejam “casos de não incidência”. Nesse sentido, os seguintes precedentes: i) Recurso Especial nº 2.076.664/RS, Relatora Ministra REGINA HELENA COSTA, julgamento em 23/06/2023: Fl. 849DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 15 Trata-se de Recurso Especial interposto por COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL NOVA ALIANÇA LTDA, contra acórdão prolatado, por unanimidade, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementado (fl. 340e): TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. DIREITO AO APROVEITAMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO. ART. 17 DA LEI 11.033/04 E ART. 16 DA LEI 11.116/05. 1. O STJ reconheceu, em acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC, a não incidência do PIS e da COFINS sobre os atos cooperativos típicos (REsp n. 1.164.716/MG, Primeira Seção, julgado em 27/4/2016, DJe de 4/5/2016). 2. As exclusões da base de cálculo do PIS/COFINS, previstas no art. 15 da MP 2.158/01 e no art. 16 da Lei 10.684/03, não podem ser equiparadas à não incidência ou isenções parciais para fins de apuração de créditos de PIS/COFINS com base no art. 17 da Lei 11.033/04, e não geram direito ao aproveitamento do saldo credor respectivo, amparado no art. 16 da Lei 11.116/05. (...) Feito breve relato, decido. (...) O Tribunal de origem, por sua vez, não afastou completamente a tributação sobre todos os atos da ora Recorrente, mas tão somente sobre os atos cooperativos típicos, "[...] aqueles realizados entre a cooperativa e seus associados, e vice-versa e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais, sendo todos os outros atos sujeitos à tributação. São os chamados atos cooperativos típicos ou próprios" (fls. 343e). Assim, concluiu que as exclusões questionadas são apenas ajustes para delimitar a incidência das contribuições sobre as receitas que não decorram de atos cooperativos típicos (fl. 344e): as exclusões da base de cálculo do PIS/COFINS previstas em lei para as cooperativas de produção agropecuária têm o objetivo de limitar a materialidade da incidência das contribuições sobre as receitas que não decorram de atos próprios da cooperativa, tanto é assim que o inciso II do §2º do art. 15 da MP 2.158/01 dispôs que tais operações deveriam ser contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. A Corte de origem compreendeu, portanto, que tais exclusões não se enquadram no conceito de suspensão, não incidência, isenção ou alíquota zero, previstas no art. 17 da Lei n. 11.033/2004, para efeito de aproveitamento de créditos (fls. 346/347e): [...] Fl. 850DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 16 Conclui-se, dessa maneira, que a manutenção de créditos prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e o correspondente direito ao ressarcimento estabelecido no art. 16 da Lei nº 11.116/2005 não guardam qualquer relação com as hipóteses de ajustes da base de cálculo das cooperativas agroindustriais. [...] as exclusões da base de cálculo do PIS/COFINS, previstas no art. 15 da MP 2.158/01 e no art. 16 da Lei 10.684/03, não podem ser equiparadas à não incidência ou isenções parciais para fins de apuração de créditos de PIS/COFINS com base no art. 17 da Lei 11.033/04, e não geram direito ao aproveitamento do saldo credor respectivo, amparado no art. 16 da Lei 11.116/05. [...] A análise de tais exclusões e deduções permite concluir que não se caracterizam como suspensão, não incidência, isenção ou alíquota zero. Essa separação resta clara na IN 635/2006, que prevê separadamente as referidas exclusões e deduções da base de cálculo (art. 11), em relação às suspensões (art. 34), não incidências (art. 35) e isenções (art. 36). Com efeito, o tribunal a quo asseverou que "as exclusões da base de cálculo do PIS/COFINS previstas em lei para as cooperativas de produção agropecuária têm o objetivo de limitar a materialidade da incidência das contribuições sobre as receitas que não decorram de atos próprios da cooperativa, tanto é assim que o inciso II do §2º do art. 15 da MP 2.158/01 dispôs que tais operações deveriam ser contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas" (fl. 343e). (...) Consoante se observa, a Corte de origem busca efetivamente demonstrar que o procedimento de exclusão questionado está relacionado, exclusivamente, com a separação do faturamento da cooperativa para definir o que pode ou não ser tributado, enquanto a Recorrente defende, apenas genericamente, que tal entendimento estaria permitindo a tributação sobre ato cooperativo típico. Desse modo, verifica-se que as razões recursais apresentadas se encontram dissociadas daquilo que restou decidido pelo tribunal de origem, o que caracteriza deficiência na fundamentação do recurso especial e atrai, por analogia, os óbices das Súmulas 283 e 284, do Supremo Tribunal Federal, as quais dispõem, respectivamente: “É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles”; e “É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia”. Fl. 851DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 17 ii) Recurso Especial nº 2.073.859/PR, Relator Ministro HERMAN BENJAMIN, julgamento em 29/05/2023: Trata-se de Recurso Especial interposto, com fulcro no art. 105, III, "a", da Constituição da República, contra acórdão assim ementado: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGROINDUSTRIAL. ATOS PRÓPRIOS OU TÍPICOS. NÃO INCIDÊNCIA. DIREITO AO APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. ART. 17 DA LEI 11.033/04 E ART. 16 DA LEI 11.116/05. NÃO CONFIGURADO. 1. O STJ reconheceu, em acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC, a não incidência do PIS e da COFINS sobre os atos cooperativos típicos (REsp n. 1.164.716/MG, Primeira Seção, julgado em 27/4/2016, DJe de 4/5/2016). 2. Por ocasião do julgamento dos Recursos Especiais nº 1.894.741/RS e n° 1.895.255/RS (tema 1.093), sob o regime dos recursos repetitivos, o STJ pacificou o entendimento no sentido de que a não-cumulatividade do PIS/COFINS não se aplica em situações nas quais não existe dupla ou múltipla tributação. Inaplicabilidade ao caso do art. 17, da Lei 11.033/2004. (...) É o relatório. Decido. (...) Ao dirimir a controvérsia, a Corte regional consignou (fls. 315-318, e-STJ): (...) O STJ reconheceu, em acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC, a não incidência do PIS e da COFINS sobre os atos cooperativos típicos, pois não implicam operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, nos seguintes termos: (...) Com relação à incidência do PIS sobre os atos cooperativos próprios, o STJ também já decidiu que esses atos "não geram faturamento ou receita para a sociedade cooperativa. Ausência de base imponível para o PIS. Não-incidência pura e simples. Já os atos não cooperativos revestem-se de nítida feição mercantil e geram receita à sociedade, razão pela qual devem ser tributados" (STJ, EDcl nos EDcl no REsp 718.001/MG, SEGUNDA TURMA, DJe de15/05/2009). Portanto, como bem ponderou a sentença de primeira instância, a jurisprudência está pacificada no sentido de que os atos cooperados não geram receita ou faturamento tributável pelo PIS e pela COFINS, caracterizando hipótese de não incidência das contribuições. Fl. 852DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 18 Apuração de créditos de PIS/COFINS. A impetrante pretende obter o reconhecimento do direito à compensação ou ressarcimento dos créditos, com fundamento nas Leis nºs 11.033/04 e 11.116/05. Como visto alhures, não há incidência de PIS e COFINS sobre os atos cooperativos próprios praticados pela apelante. Deste modo, não há que se falar em direito ao creditamento, pois este pressupõe, fática e juridicamente, incidências múltiplas, que não existem conforme a legislação aplicável ao setor de atividade econômica da parte impetrante. Por ocasião do julgamento dos Recursos Especiais nº 1.894.741/RS e n° 1.895.255/RS (tema 1.093), sob o regime dos recursos repetitivos, o STJ pacificou o entendimento no sentido de que a não-cumulatividade do PIS/COFINS não se aplica em situações nas quais não existe dupla ou múltipla tributação. (...) No caso dos autos, considerando que sequer resta configurada receita ou faturamento nos atos próprios praticados pela impetrante, não há como reconhecer a existência do direito ao creditamento por ela pleiteado. (...) Da leitura atenta do Voto condutor, vê-se que o Colegiado originário se manifestou de maneira clara e embasada acerca das questões relevantes para o deslinde do conflito, inclusive daquelas que a recorrente alega terem sido omitidas. Ademais, observa-se que a questão foi decidida após percuciente apreciação dos fatos e das provas relacionados à causa. Diante do arcabouço documental colacionado aos autos, o órgão julgador reconheceu que a recorrente sequer possuía direito ao creditamento do PIS e da COFINS, porque praticados atos cooperativos próprios, os quais não geram receita ou faturamento ─ ou seja, não há incidência de contribuição. Para modificar o entendimento firmado no aresto recorrido, seria necessário exceder as razões nele colacionadas, o que demanda incursão no contexto fático- probatório dos autos, vedada em Recurso Especial conforme dispõe a Súmula 7/STJ: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". Os fatos são aqui recebidos tais como estabelecidos pelo Tribunal a quo, senhor na análise probatória. E, se a violação do dispositivo legal invocado perpassa pela necessidade de fixar premissa diversa da que consta do decisum impugnado, inviável o apelo nobre. iii) AgInt no Recurso Especial nº 1.239.600/RS, Relator Ministro SÉRGIO KUKINA, julgamento em 04/02/2021: Fl. 853DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 19 Trata-se de recurso especial fundado no CPC/73, manejado por Cooperativa Agrícola Mista General Osório Ltda., com base no art. 105, III, a, da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementado (fls. 421/422): (...) Opostos embargos declaratórios, foram acolhidos, sem efeitos modificativos, para sanear erro material, em acórdão assim sumariado (fl. 445): (...) As exclusões de base de cálculo da contribuição da COFINS e do PIS previstas no art. 15 da MP n° 2.158-35/2001 e no art. 17 da Lei n° 10.684/2003 e arroladas no art. 11 da IN n° 635/2006, não se afiguram "isenções parciais". O artigo 17 da Lei n° 11.033/04 restringe-se ao regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária (REPORTO). (...) É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. (...) Com relação aos arts. 17 da Lei 11.033/2004; e 16 da Lei 11.116/2005, nota-se que os referidos dispositivos legais não contêm comando capaz de sustentar a tese recursal de que "as exclusões de base de cálculo do PIS e da COFINS ora em análise são, inegavelmente, hipóteses de isenção parcial" (fl. 459), ou mesmo de "não incidência tributária" (fl. 464) nem de infirmar o juízo formulado pelo acórdão recorrido, de maneira que se impõe ao caso concreto a incidência da Súmula 284/STF ("É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia."). Por oportuno, destacam-se os seguintes precedentes: AgRg no AREsp 161.567/RJ, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 26/10/2012; REsp 1.163.939/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2011. iv) Recurso Especial nº 1.253.174/RS, Relatora Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, julgamento em 31/08/2018: Trata-se de Recurso Especial, interposto por COOPERATIVA DOS SUINOCULTORES DO CAÍ LTDA, em 23/11/2010, mediante o qual se impugna acórdão, promanado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementado: "TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA. PIS E COFINS. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15 DA MP: Nº 2.158-35/01, 17 DA LEI Nº 10.684/03 E 11 DA IN SRF Nº 635/06. ISENÇÃO PARCIAL. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/04. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 854DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 20 1. As exclusões de base de cálculo das contribuições PIS e COFINS previstas no art. 15 da MP nº 2.158-35/01 e no art. 17 da Lei nº 10.684/03 e arroladas no art. 11 da IN nº 635/06, não se afiguram 'isenções parciais'. 2. O âmbito de incidência do art. 17 da Lei nº 11.033/04 restringe-se ao Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária - REPORTO, como decorre do texto do diploma legislativo onde inserido tal artigo. 3. Sentença reformada para denegar a segurança" (fl. 181e). No Recurso Especial, manejado com base na alínea a do permissivo constitucional, alega-se violação aos arts. 17 da Lei 11.033/2004 e 16 da Lei nº 11.116/2005. (...) Recurso Especial admitido (fls. 216/217e). O presente recurso não merece prosperar. Encontra-se pacificado, na jurisprudência do STJ, o entendimento de que inexiste direito a creditamento do PIS e da COFINS, no regime não-cumulativo, caracterizado pela incidência monofásica do tributo, porquanto inocorrente, nesse caso, o pressuposto lógico da cumulação. À guisa de mero exemplo, as seguintes ementas: (...) Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4°, II, do RISTJ, nego provimento ao Recurso Especial. Como destacado nos precedentes acima colacionados, por ocasião do julgamento dos Recursos Especiais nº 1.894.741/RS e n° 1.895.255/RS (tema 1.093), sob o regime dos recursos repetitivos, o STJ pacificou o entendimento no sentido de que a não-cumulatividade do PIS/COFINS não se aplica em situações nas quais não existe dupla ou múltipla tributação: EMENTA: 1. Há pacífica jurisprudência no âmbito do Supremo Tribunal Federal, sumulada e em sede de repercussão geral, no sentido de que o princípio da não cumulatividade não se aplica a situações em que não existe dupla ou múltipla tributação (v.g. casos de monofasia e substituição tributária), a saber: (...) 2. O art. 17, da Lei n. 11.033/2004, muito embora seja norma posterior aos arts. 3º, § 2º, II, das Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003, não autoriza a constituição de créditos de PIS/PASEP e COFINS sobre o custo de aquisição (art. 13, do Decreto- Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica, contudo permite a manutenção de créditos por outro modo constituídos, ou seja, créditos cuja constituição não restou obstada pelas Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003. (...) Fl. 855DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 21 10. Teses propostas para efeito de repetitivo: 10.1. É vedada a constituição de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre os componentes do custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica (arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003). 10.2. O benefício instituído no art. 17, da Lei 11.033/2004, não se restringe somente às empresas que se encontram inseridas no regime específico de tributação denominado REPORTO. 10.3. O art. 17, da Lei 11.033/2004, diz respeito apenas à manutenção de créditos cuja constituição não foi vedada pela legislação em vigor, portanto não permite a constituição de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre o custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica, já que vedada pelos arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003. 10.4. Apesar de não constituir créditos, a incidência monofásica da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não é incompatível com a técnica do creditamento, visto que se prende aos bens e não à pessoa jurídica que os comercializa que pode adquirir e revender conjuntamente bens sujeitos à não cumulatividade em incidência plurifásica, os quais podem lhe gerar créditos. 10.5. O art. 17, da Lei 11.033/2004, apenas autoriza que os créditos gerados na aquisição de bens sujeitos à não cumulatividade (incidência plurifásica) não sejam estornados (sejam mantidos) quando as respectivas vendas forem efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, não autorizando a constituição de créditos sobre o custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica. No presente caso, não há tributação em fase alguma, em consequência das regras estabelecidas no art. 79 da Lei nº 5.764/71, no art. 15 da MP nº 2.158-35/01 e no art. 17 da Lei nº 10.684/03, deixando ainda mais evidente a impossibilidade do creditamento pleiteado: Lei nº 5.764, de 1971 Art. 79. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. MP nº 2.158-35, de 2001 Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: Fl. 856DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 22 I - os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II - as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III - as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV - as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V - as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. Lei nº 10.684/03 Art. 17. Sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, e no art. 1º da Medida Provisória nº 101, de 30 de dezembro de 2002, as sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. Embora o texto legal seja expresso nesse sentido, o STJ já confirmou, no julgamento do REsp nº 1.141.667/RS, sob o regime dos recursos repetitivos, a não incidência das contribuições nos atos cooperativos, portanto, nas relações desta cadeia de negócios, envolvendo os atos praticados entre as cooperativas e seus associados, bem como entre estes e aquelas. O ato cooperativo sequer pode ser considerado operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria: 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhe-se da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus Fl. 857DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 23 próprios associados (fls. 124), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O Parecer do douto Ministério Público Federal é pelo provimento parcial do Recurso Especial. 5. Recurso Especial parcialmente provido para excluir o PIS e a COFINS sobre os atos cooperativos típicos e permitir a compensação tributária após o trânsito em julgado. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixando-se a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. Assim sendo, aplica-se ao caso o art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que veda a constituição de créditos na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Conforme as teses fixadas em repetitivo pelo STJ, o art. 17, da Lei 11.033/2004, apenas autoriza que os créditos gerados na aquisição de bens sujeitos à não cumulatividade (incidência plurifásica) não sejam estornados (sejam mantidos), não autorizando a constituição de créditos sobre o custo de aquisição de bens sujeitos à tributação monofásica, e diz respeito apenas à manutenção de créditos cuja constituição não foi vedada pela legislação em vigor. Assim, conclui-se que o contribuinte não faz jus a créditos da não cumulatividade sobre os custos incorridos nos atos cooperativos típicos, da mesma forma que não deve incluir os valores referentes a estas operações no cálculo do rateio dos créditos, tendo em vista que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, logo não gera “receitas de vendas”, mas meros ingressos financeiros. Pelo exposto, voto por negar provimento a este pedido. IV – DA GLOSA RELATIVA A AQUISIÇÕES DE BENS PARA REVENDA Fl. 858DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 24 IV.1 – DA AQUISIÇÃO DE BENS SUBMETIDOS À ALÍQUOTA ZERO E ADQUIRIDOS EM BONIFICAÇÃO, DOAÇÃO OU BRINDE Alega o recorrente que as aquisições de bens cujas saídas do fornecedor tenham sido escrituradas à alíquota zero não estão abarcadas pelas hipóteses de vedação ao creditamento de PIS/COFINS elencadas no art. 3°, §2º, II das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, notadamente porque a submissão da receita à alíquota zero não se equipara ao não pagamento do tributo, nem sequer à isenção. Afirma que o mesmo raciocínio pode ser utilizado para os casos de bonificações, doações ou brindes. Vejamos os fundamentos destas alegações, in litteris: Não obstante o entendimento exarado no acórdão, é mister destacar que a proibição ao creditamento prevista art. 3.º, §2.º, II da Lei n.º 10.833/2003, não se aplica às operações submetidas à incidência do PIS e da COFINS, como aquelas tributadas à alíquota zero. A sistemática não-cumulativa das contribuições sociais busca fundamento no artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que autoriza o desconto de créditos calculados em relação à aquisição de bens para revenda: (...) Outrossim, consta no mesmo dispositivo a restrição ao aproveitamento de crédito apontada pela autoridade julgadora, vide o seu § 2º, inciso II: § 2º Não dará direito a crédito o valor: [...] II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (...) Da interpretação da norma supratranscrita, infere-se que é vedada a apuração de crédito em relação a duas hipóteses de aquisição de bens ou serviços, quais sejam: (i) a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, assim entendida as hipóteses de não incidência e imunidade; (ii) a aquisição de bens ou serviços isentos, desde que a posterior saída seja tributada à alíquota zero, isenta ou não alcançada pela contribuição. No caso presente, muito embora os produtos em referência tenham sido gravados como operações sujeitas à alíquota zero – inclusive por força do que dispõe o art. 1.º da Lei n. 10.925/2004 – tal não significa que essas operações não sofreram a incidência das contribuições, sendo, por isso, inaplicável o preceito contido no § 2.º, II do artigo 3.º da Lei n.º 10.833/03. (...) Fl. 859DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 25 É importante salientar, todavia, que não obstante seja a consequência prática - o resultado econômico – de todos esses institutos jurídicos o não recolhimento do tributo, há que distinguir as peculiaridades que permeiam cada um deles. Isso porque, enquanto nas hipóteses de imunidade e isenção o não recolhimento decorre de ação direta de comando constitucional ou legal; no caso da alíquota zero o não recolhimento decorre de mera operação matemática, dado que a operação sofre a incidência das contribuições e é efetivamente tributada à alíquota de 0% (zero por cento). (...) Por conseguinte, a vedação contida no artigo 3º, §2º, II da respectiva lei de regência não atinge a hipótese relatada, mas apenas aquela decorrente da aquisição de bens que não se encontram sujeitos ao pagamento do tributo (como a não incidência, isenção ou imunidade) – evento diverso do não recolhimento. Situação semelhante à alíquota zero, são os produtos adquiridos de bonificação, doação ou brinde (5910), em que há a incidência do PIS/COFINS, porém o resultado financeiro encontrado é zero, em decorrência da desoneração da base de cálculo. (...) E, caso entendido que as remessas em bonificação não estariam interligadas com as demais aquisições pela Recorrente, deve ser destacar que o entendimento adotado pela Receita Federal do Brasil é o de que aquela configuraria receita de doação do adquirente, sobre a qual haveria a incidência do PIS/COFINS. Ora, tributada a denominada receita de doação, não há como negar o desconto do crédito de PIS/COFINS em relação à aquisição de produtos pela Recorrente, sob pena de obstar a não cumulatividade do tributo. E vale repisar que tal sistemática para as contribuições em questão muito se distancia daquela idealizada para o ICMS e IPI, de modo que o seu recolhimento na “etapa” anterior em nada influi o direito de crédito na situação sob análise. Não assiste razão ao recorrente. O art. 3°, §2º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 é expresso ao vedar o creditamento sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Ora, se os bens adquiridos eram tributados à alíquota zero, obviamente não ocorreu qualquer pagamento algum. A essência da não-cumulatividade é justamente impedir a incidência de nova tributação sobre os tributos pagos na etapa anterior da cadeia de produção, deduzindo-se do tributo apurado na etapa posterior aquele pago na etapa anterior. O próprio contribuinte confirma que a consequência prática de todos esses institutos jurídicos é o não recolhimento do tributo, mas advoga a tese de que “não pagamento” é diferente de “não recolhimento”, apesar de ser óbvio que se está a tratar de expressões sinônimas. Fl. 860DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 26 Igualmente improcedente é a sua alegação de que os valores ou bens recebidos em doação se caracterizam como receitas, são tributadas pelas contribuições e, portanto, geram direito ao creditamento. Ora, o que gera direito ao creditamento é a tributação das aquisições, e não das vendas. Pelo exposto, voto por negar provimento a este pedido. IV.2 – DA AQUISIÇÃO DE SEMENTES – PRODUTOS NÃO SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO Alega o recorrente que teria direito ao creditamento porque grande parte das sementes por ele adquiridas não estavam registradas no RENASEM e, portanto, não estavam submetidas à alíquota zero, pois o art. 1º, III, da Lei nº 10.925/2004 dispõe que apenas terá esse benefício as sementes em conformidade com a Lei nº 10.711/2003, ou seja, que tenham registro e certificação no Sistema Nacional de Sementes e Mudas. Apresenta as seguintes razões para sua irresignação, verbis: Nesses termos, a ora Recorrente pautou sua análise com base nos termos dos referidos artigos, quando da aquisição de sementes, com a verificação das notas fiscais de saída dos estabelecimentos produtores, para fins de verificação de sua conformidade no Registro Nacional de Sementes e Mudas – RENASEM. Entretanto, as suas alegações foram afastadas pela DRJ de Ribeirão Preto, mantendo-se a glosa em relação às sementes sem a certificação em questão, sob o argumento que “[...] a manifestante não trouxe aos autos nenhum documento que corroborasse sua alegação de que somente se apropriou de créditos referentes a aquisições de sementes não certificadas” (fl. 762 - grifou-se). Essa conclusão, todavia, merece reforma. Ora, nos presentes autos, a ora Recorrente juntou todas as notas fiscais de saída do estabelecimento produtor, pelas quais é possível verificar a efetiva segregação entre aquelas sementes em conformidade com o RENASEM e outras que não atenderam aos critérios da referida Lei n.º 10.711/2003. De fato, basta uma simples análise das notas fiscais anexas ao presente processo administrativo, para constatar a inexistência de registro das sementes adquiridas, principalmente diante da responsabilidade do produtor de indicá-lo, como acima mencionado. A título exemplificativo, confira-se as seguintes notas fiscais: (...) Infere-se que as Notas Fiscais n.º 84932 e 17771 não possuem qualquer menção a respeito da certificação das sementes ali descritas e tampouco qualquer indicação precisa acerca do Termo de Convênio e registro no RENASEM. Tal situação que forçosamente faz concluir que as sementes relacionadas às referidas Notas Fiscais Fl. 861DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 27 não possuíam qualquer certificação e, assim, não estariam submetidas à alíquota 0% de PIS/COFINS. Por outro lado, a NF 1262 apenas indica de que se trata de sementes “certificadas”, mas igualmente não há na aludida NF qualquer indicação acerca do Termo de Convênio e registro no RENASEM. Vejamos, inicialmente, o que consta da Lei nº 10.925/2004: Art. 1º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: (...) III - sementes e mudas destinadas à semeadura e plantio, em conformidade com o disposto na Lei nº 10.711, de 5 de agosto de 2003, e produtos de natureza biológica utilizados em sua produção; A Lei nº 10.711/2003, por sua vez, estabelece as seguintes regras: Art. 1º O Sistema Nacional de Sementes e Mudas, instituído nos termos desta Lei e de seu regulamento, objetiva garantir a identidade e a qualidade do material de multiplicação e de reprodução vegetal produzido, comercializado e utilizado em todo o território nacional. (...) Art. 3º O Sistema Nacional de Sementes e Mudas - SNSM compreende as seguintes atividades: I - registro nacional de sementes e mudas - Renasem; (...) Art. 7º Fica instituído, no Mapa, o Registro Nacional de Sementes e Mudas - Renasem. Art. 8º As pessoas físicas e jurídicas que exerçam as atividades de produção, beneficiamento, embalagem, armazenamento, análise, comércio, importação e exportação de sementes e mudas ficam obrigadas à inscrição no Renasem. (...) Art. 18. O Mapa promoverá a organização do sistema de produção de sementes e mudas em todo o território nacional, incluindo o processo de certificação, na forma que dispuser o regulamento desta Lei. Art. 19. A produção de sementes e mudas será de responsabilidade do produtor de sementes e mudas inscrito no Renasem, competindo-lhe zelar pelo controle de identidade e qualidade. Parágrafo único. A garantia do padrão mínimo de germinação será assegurada pelo detentor da semente, seja produtor, comerciante ou usuário, na forma que dispuser o regulamento desta Lei. Fl. 862DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 28 Art. 20. Os padrões de identidade e qualidade das sementes e mudas, estabelecidos pelo Mapa e publicados no Diário Oficial da União, serão válidos em todo o território nacional. Art. 21. O produtor de sementes e de mudas fica obrigado a identificá-las, devendo fazer constar da respectiva embalagem, carimbo, rótulo ou etiqueta de identificação, as especificações estabelecidas no regulamento desta Lei. Art. 22. As sementes e mudas deverão ser identificadas com a denominação "Semente de" ou "Muda de" acrescida do nome comum da espécie. Parágrafo único. As sementes e mudas produzidas sob o processo de certificação serão identificadas de acordo com a denominação das categorias estabelecidas no art. 23, acrescida do nome comum da espécie. Art. 23. No processo de certificação, as sementes e as mudas poderão ser produzidas segundo as seguintes categorias: I - semente genética; II - semente básica; III - semente certificada de primeira geração - C1; IV - semente certificada de segunda geração - C2; V - planta básica; VI - planta matriz; VII - muda certificada. (...) Art. 30. O comércio e o transporte de sementes e de mudas ficam condicionados ao atendimento dos padrões de identidade e de qualidade estabelecidos pelo Mapa. Parágrafo único. Em situações emergenciais e por prazo determinado, o Mapa poderá autorizar a comercialização de material de propagação com padrões de identidade e qualidade abaixo dos mínimos estabelecidos. Art. 31. As sementes e mudas deverão ser identificadas, constando sua categoria, na forma estabelecida no art. 23 e deverão, ao ser transportadas, comercializadas ou estocadas, estar acompanhadas de nota fiscal ou nota fiscal do produtor e do certificado de semente ou do termo de conformidade, conforme definido no regulamento desta Lei. Art. 32. A comercialização e o transporte de sementes tratadas com produtos químicos ou agrotóxicos deverão obedecer ao disposto no regulamento desta Lei. (...) Art. 37. Estão sujeitas à fiscalização, pelo Mapa, as pessoas físicas e jurídicas que produzam, beneficiem, analisem, embalem, reembalem, amostrem, certifiquem, Fl. 863DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 29 armazenem, transportem, importem, exportem, utilizem ou comercializem sementes ou mudas. § 1º A fiscalização de que trata este artigo é de competência do Mapa e será exercida por fiscal por ele capacitado, sem prejuízo do disposto no art. 5o. § 2º Compete ao fiscal exercer a fiscalização da produção, do beneficiamento, do comércio e da utilização de sementes e mudas, sendo-lhe assegurado, no exercício de suas funções, livre acesso a quaisquer estabelecimentos, documentos ou pessoas referidas no caput. (...) Art. 39. Toda semente ou muda, embalada ou a granel, armazenada ou em trânsito, identificada ou não, está sujeita à fiscalização, na forma que dispuser o regulamento. (...) Art. 41. Ficam proibidos a produção, o beneficiamento, o armazenamento, a análise, o comércio, o transporte e a utilização de sementes e mudas em desacordo com o estabelecido nesta Lei e em sua regulamentação. Parágrafo único. A classificação das infrações desta Lei e as respectivas penalidades serão disciplinadas no regulamento. (...) Art. 43. Sem prejuízo da responsabilidade penal e civil cabível, a inobservância das disposições desta Lei sujeita as pessoas físicas e jurídicas, referidas no art. 8º, às seguintes penalidades, isolada ou cumulativamente, conforme dispuser o regulamento desta Lei: (...) Parágrafo único. A multa pecuniária será de valor equivalente a até 250% (duzentos e cinquenta por cento) do valor comercial do produto fiscalizado, quando incidir sobre a produção, beneficiamento ou comercialização. (...) Art. 45. As sementes produzidas de conformidade com o estabelecido no caput do art. 24 e denominadas na forma do caput do art. 22 poderão ser comercializadas com a designação de "sementes fiscalizadas", por um prazo máximo de 2 (dois) anos, contado a partir da data de publicação desta Lei. A tese da defesa é de que existem (i) sementes e mudas vendidas com alíquota zero para o PIS/Cofins, caso possuam registro e certificação no Sistema Nacional de Sementes e Mudas e (ii) sementes e mudas vendidas com alíquota normal para o PIS/Cofins, caso não possuam tal registro e certificação. Nesse contexto, o recorrente teria adquirido parte de suas sementes e mudas sem registro e certificação, o que lhe permitiria o creditamento sobre o valor de aquisição de tais produtos. Fl. 864DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 30 Contudo, ao analisar a analisar a Lei nº 10.711/2003, observa-se que não existe tal opção. O art. 8º determina que todas as pessoas físicas e jurídicas que exerçam as atividades de produção, beneficiamento, embalagem, armazenamento, análise, comércio, importação e exportação de sementes e mudas ficam obrigadas à inscrição no Renasem; e o art. 21 estabelece que o produtor de sementes e de mudas fica obrigado a identificá-las, devendo fazer constar da respectiva embalagem, carimbo, rótulo ou etiqueta de identificação, as especificações estabelecidas no regulamento da Lei nº 10.711/2003. O art. 31, por sua vez, determina que as sementes e mudas deverão ser identificadas, constando sua categoria, e deverão, ao ser transportadas, comercializadas ou estocadas, estar acompanhadas de nota fiscal ou nota fiscal do produtor e do certificado de semente ou do termo de conformidade. Como se verifica, não há qualquer dispositivo legal que estabeleça a obrigatoriedade de constar na nota fiscal o registro das sementes. O art. 31 da Lei nº 10.711/2003 estabelece apenas que as sementes e mudas deverão, ao ser transportadas, comercializadas ou estocadas, “estar acompanhadas de nota fiscal ou nota fiscal do produtor e do certificado de semente ou do termo de conformidade”. O documento comprobatório do atendimento às regras estabelecidas na Lei nº 10.711/2003 e em seu regulamento é o “certificado de semente” ou o “termo de conformidade”. Em verdade, sequer existe um “registro das sementes”; o que a Lei nº 10.711/2003 determina, em seu art. 8º, é a obrigatoriedade de o fornecedor estar inscrito no Renasem, e no art. 21 impõe que o produtor de sementes e de mudas fica obrigado a identificá-las, devendo fazer constar da respectiva embalagem, carimbo, rótulo ou etiqueta de identificação (e não na nota fiscal), as especificações estabelecidas no regulamento desta Lei. A tese do contribuinte também não se sustenta porque a Lei nº 10.711/2003 proíbe a produção, venda, transporte etc., de sementes e mudas que não estejam em conformidade com as regras lá estabelecidas, conforme consta dos arts 30 e 41, que transcrevo mais uma vez: Art. 30. O comércio e o transporte de sementes e de mudas ficam condicionados ao atendimento dos padrões de identidade e de qualidade estabelecidos pelo Mapa. (...) Art. 41. Ficam proibidos a produção, o beneficiamento, o armazenamento, a análise, o comércio, o transporte e a utilização de sementes e mudas em desacordo com o estabelecido nesta Lei e em sua regulamentação. Ora, não há como interpretar que o descumprimento de uma obrigação legal, à qual o adquirente também está submetido, por força do disposto nos arts. 37 e 41, possa lhe beneficiar com o direito ao crédito de PIS/Cofins enquanto outros contribuintes que cumprem com as referidas regras ficam impedidos de tal creditamento. Observe-se que o art. 41 determina Fl. 865DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 31 expressamente que “fica proibida a utilização de sementes e mudas em desacordo com o estabelecido nesta Lei e em sua regulamentação”. Tal situação iria se constituir numa violação ao princípio geral de direito segundo o qual “ninguém pode se beneficiar da própria torpeza” – nemo auditur propriam turpitudinem allegans. Se realmente o recorrente adquiriu sementes em desconformidade com as regras da Lei nº 10.711/2003, a consequência não é a obtenção do direito ao creditamento, mas sim sua sujeição à multa pecuniária de valor equivalente a até 250% do valor comercial do produto, sem prejuízo da responsabilidade penal e civil cabível, tudo nos termos do art. 43 da Lei nº 10.711/2003. O Decreto nº 5.123, de 23/07/2004, regulamentou em seu anexo a Lei nº 10.711/2003. Analisando os dispositivos do referido decreto, verifica-se de imediato a inexistência de qualquer regra determinando que deva constar da nota fiscal algum tipo de “atestado de conformidade” nem muito menos algum “registro das sementes”. Tal comprovação de conformidade com a Lei nº 10.711/2003 se dá através de outros elementos, no caso, a embalagem e/ou os já referidos “certificado de semente” ou o “termo de conformidade”. Senão vejamos na literalidade do Decreto nº 5.123/2004: CAPÍTULO V DA PRODUÇÃO E DA CERTIFICAÇÃO DE SEMENTES OU DE MUDAS Art. 24. O sistema de produção de sementes e de mudas, organizado na forma deste Regulamento e de normas complementares, tem por finalidade disponibilizar materiais de reprodução e multiplicação vegetal, com garantias de identidade e qualidade, respeitadas as particularidades de cada espécie. Art. 25. A produção de sementes e de mudas deverá obedecer às normas e aos padrões de identidade e de qualidade, estabelecidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, publicados no Diário Oficial da União. Art. 26. As atividades de produção e certificação de sementes e de mudas deverão ser realizadas sob a supervisão e o acompanhamento do responsável técnico, em todas as fases, inclusive nas auditorias. Parágrafo único. A emissão do termo de conformidade e do certificado de sementes ou de mudas será, respectivamente, de responsabilidade do responsável técnico e do certificador. Art. 27. A certificação do processo de produção de sementes e de mudas será executada por certificador ou entidade certificadora, mediante o controle de qualidade em todas as etapas da produção, incluindo o conhecimento da origem genética e o controle de gerações, com o objetivo de garantir conformidade com o estabelecido neste Regulamento e em normas complementares. Art. 28. A certificação da produção será realizada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, pela entidade de certificação ou certificador de produção própria, credenciados na forma do art. 7º deste Regulamento. Fl. 866DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 32 (...) Art. 30. As sementes e as mudas deverão ser identificadas com a denominação: "Semente de" ou "Muda de", acrescida do nome comum da espécie ou, quando for o caso, do nome científico. Parágrafo único. As sementes e as mudas produzidas sob o processo de certificação serão identificadas de acordo com a denominação das categorias estabelecidas, respectivamente, nos arts. 58 e 60 deste Regulamento, acrescidas do nome comum da espécie ou, quando for o caso, do nome científico. Art. 31. A identificação do certificador deverá ser expressa na embalagem, diretamente ou mediante fixação de etiqueta, contendo: nome, CNPJ ou CPF, endereço e número do credenciamento no RENASEM. (...) Seção I Da Produção de Sementes (...) Art. 39. A identificação das sementes deverá ser expressa em lugar visível da embalagem, diretamente ou mediante rótulo, etiqueta ou carimbo, escrito no idioma português, contendo, no mínimo, as seguintes informações: (...) § 1º Deverão também constar da identificação o nome, CNPJ ou CPF, endereço e número de inscrição no RENASEM do produtor de semente, impressos diretamente na embalagem. § 2º Quando se tratar de embalagens de tipo e tamanho diferenciados, as exigências previstas no § 1º poderão ser expressas na etiqueta, rótulo ou carimbo. (...) CAPÍTULO VII DO COMÉRCIO INTERNO DE SEMENTES E DE MUDAS (...) Art. 89. Na comercialização, no transporte ou armazenamento, a semente ou muda deve estar identificada e acompanhada da respectiva nota fiscal de venda, do atestado de origem genética, e do certificado de semente ou muda ou do termo de conformidade, em função da categoria ou classe da semente ou da muda. (...) Art. 91. No que se refere a este Regulamento, a nota fiscal deverá apresentar, no mínimo, as seguintes informações: I - nome, CNPJ ou CPF, endereço e número de inscrição do produtor no RENASEM; Fl. 867DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 33 II - nome e endereço do comprador; III - quantidade de sementes ou de mudas por espécie, cultivar e porta-enxerto, quando houver; e IV - identificação do lote. (...) Seção V Do Processo de Produção e de Certificação (...) Art. 163. A identificação das sementes e das mudas das espécies previstas neste Capítulo, sem prejuízo do estabelecido nos arts. 39 e 53 deste Regulamento e normas complementares, dar-se-á em lugar visível da embalagem, por rótulo, etiqueta ou carimbo, contendo as seguintes informações em língua portuguesa: (...) CAPÍTULO XIII DAS PROIBIÇÕES E DAS INFRAÇÕES (...) Art. 181. Além das proibições previstas nos arts. 176, 177 e 178 deste Regulamento, as pessoas referidas no seu art. 4o estão sujeitas às seguintes proibições, que serão consideradas infrações de natureza gravíssima: (...) III - alterarem, subtraírem ou danificarem a identificação constante da embalagem de sementes ou de mudas, em circunstâncias que caracterizem burla à legislação; IV - alterarem ou fracionarem a embalagem de sementes, ou substituírem as sementes ou as mudas, em circunstâncias que caracterizem burla à legislação; O art. 91 do Decreto, acima transcrito, especifica quais os elementos obrigatórios que devem constar da nota fiscal: (i) nome, CNPJ ou CPF, endereço e número de inscrição do produtor no RENASEM; (ii) nome e endereço do comprador; (iii) quantidade de sementes ou de mudas por espécie, cultivar e porta-enxerto, quando houver; e (iv) identificação do lote. Não há qualquer menção a um suposto “registro das sementes”, “referência à certificação das sementes” ou “atestado de conformidade”. Quanto à alegação de que houve tributação pelo PIS/COFINS em relação as algumas operações, devo ressaltar que, ao contrário do que ocorre com o IPI e o ICMS, as contribuições não tem o seu valor destacado em nota fiscal. Os pagamentos destas não ocorre por conta de valores destacados, mas sim por conta da inclusão do valor da operação no faturamento da empresa, base de cálculo sobre a qual deverão incidir as respectivas alíquotas. Fl. 868DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 34 Logo, a existência de qualquer menção à incidência do PIS/COFINS em nada altera a sua natureza jurídica e não traz qualquer certeza de que o fornecedor tenha realmente feito incidir as contribuições. Para tanto, seria necessário intimá-lo a apresentar sua escrituração contábil-fiscal e refazer sua apuração destes tributos, o que não se justifica nem mesmo em sede de diligência, face à total ausência de provas neste sentido. Além disso, deve-se ter em mente que a nota fiscal é um instrumento que, regra geral, formaliza uma operação comercial entre vendedor e comprador; trata-se de uma convenção particular estipulada entre essas partes. Contudo, o art. 123 do CTN não permite que regras definidoras da sujeição passiva sejam alteradas por acordos entre as partes interessadas. Se o vendedor não é sujeito passivo de uma obrigação tributária, não pode passar a ser em decorrência de cláusulas contratuais ou estipulações feitas em documentos fiscais: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Quanto às notas fiscais citadas como exemplo no Recurso Voluntário, verifico que algumas estão sim submetidas à alíquota zero, mesmo sem constar o número do RENASEM (que, como visto, não é obrigatório). É o caso da NF 17771, fl. 254: Pelo exposto, voto por negar provimento ao pedido. V – DA DIFERENÇA DE CLASSIFICAÇÃO E A NECESSIDADE DE SE ASSEGURAR O DIREITO DE CRÉDITO DA RECORRENTE Alega o recorrente que as glosas foram motivadas unicamente pela escrituração errônea das notas de saída, equívoco imputável unicamente ao remetente da mercadoria, pois indicou NCMs equivocados nas Notas Fiscais de saída, em desconformidade com o produto objeto daquelas operações. Afirma que a diferenciação entre o NCM constante nas Notas Fiscais (3105) e aquele escriturado pela Recorrente (3824.90) diz respeito exclusivamente à composição de cada um dos produtos. E seria precisamente isto, a composição do produto, e não a classificação indicada na Nota Fiscal, que é efetivamente relevante. Destaca que a situação acima se repete em Fl. 869DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 35 relação aos demais produtos indicados no despacho decisório, os quais são soluções de produtos que contém manganês e zinco, o que implica a sua classificação na NCM 3824.90.77. Trouxe aos autos o seguinte exemplo: No Despacho Decisório consta o seguinte fundamento: 2.2.1. Aquisições de bens para revenda O inciso I do artigo 3°. da Lei n° 10.833/2003, autoriza o creditamento sobre bens adquiridos para revenda, adquiridos no mês, que assim dispõe: (...) Em relação a alguns insumos ocorreram divergências de classificação fiscal, como por exemplo: Adubo F. Flu Fertilis (fis. 236 e 237), classificação na Nota Fiscal 3105.90.90, e nos arquivos digitais 3824.90.77. Em relação aos produtos 3105 não há possibilidade de creditamento em virtude de aquisição de produto com alíquota zero, conforme lei 10.925/2004. Já em relação aos produtos 3824 a princípio deveria ocorrer o direito ao creditamento, no entanto, os mesmos foram glosados em virtude da informação errônea da classificação fiscal, conforme notas fiscais elencadas. O simples erro material, sem alterar a característica do produto como insumo do processo produtivo, não pode ser motivo para sua glosa. Como exemplo, o adubo (fertilizante) é insumo para o recorrente, pouco importando se ele contém “zinco ou manganês” ou “nitrogênio (azoto), fósforo e potássio”. Por outro lado, em relação aos produtos classificados na NCM 3105, não há possibilidade de creditamento em virtude de aquisição de produto com alíquota zero. Quanto ao produto classificado na NCM 3824, apesar de superada a questão meramente formal, esbarra na dúvida sobre o correto enquadramento. Tivesse o recorrente trazido aos autos provas de que o produto em questão era o 3824.90.77, como um laudo técnico, seria possível superar a questão referente ao erro material no preenchimento das notas fiscais (ou dos arquivos digitais). O laudo técnico deveria determinar, em primeiro lugar, se os adubos adquiridos são “foliares” ou “minerais/químicos”. A simples indicação de composição química não é suficiente para definir a correta classificação, como alegado pelo recorrente. Vejamos um texto extraído através do link “https://www.petz.com.br/blog/plantas/o-que-e-adubo-foliar/”, acesso em 29/08/2023, para observarmos as diferenças: Fl. 870DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 36 No geral, existem três tipos diferentes de adubação mais utilizados: a orgânica, a mineral e a organo-mineral. Devido à baixa fertilidade da grande maioria dos solos brasileiros, adubar a terra é parte importante do processo de plantação, a fim de garantir qualidade para a planta. O uso de fertilizantes e adubos faz com que as plantas passem a atender às exigências do solo e, consequentemente, a interferir no crescimento delas. Para saber qual é o principal tipo de produto a ser utilizado, é importante realizar a análise do solo. Confira a seguir o que é adubo foliar e como aplicá-lo na sua plantação. O que é adubo foliar? Mas afinal, o que é adubo foliar e no que ele se difere dos outros? Ao contrário da grande maioria de fertilizantes utilizados, que devem ser aplicados no solo, a fertilização foliar ocorre nas folhas e é recomendada também quando a planta apresenta deficiências nutricionais. Assim, os nutrientes do adubo foliar são absorvidos pelas partes aéreas das plantas, como as folhas, e não pelas raízes. Esse processo é considerado uma prática complementar na nutrição dos vegetais, garantindo a adição de micronutrientes essenciais para as plantas. Para fazer a aplicação foliar, deve-se dissolver os fertilizantes em água e, com a mistura homogênea obtida, aplicá-la diretamente nas folhas das plantas. O processo de adubação das plantas é indispensável para melhorar a resistência das plantas a pragas e a qualquer tipo de doença que pode acometê-las. Além de saber o que é adubo foliar, se você está se perguntando se fertilizante foliar pode ser usado no solo, a resposta é não. Esse tipo de produto é voltado apenas para a aplicação nas folhas. Para a adubação convencional, é importante analisar a qualidade do solo e obter o produto mais adequado para os cuidados. Na ausência de tal prova, entretanto, persiste a dúvida sobre qual a correta classificação fiscal entre as duas NCMs em questão, sendo que a 3105 é tributada à alíquota zero, enquanto a 3824 é tributada com alíquota positiva. Uma vez que, nos termos do art. 170 do CTN, a homologação da compensação depende da utilização de créditos líquidos e certos, e considerando que o art. 373, I, do CPC determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, voto por negar provimento a esse pedido. VI – DA INCLUSÃO DO IPI E DO ICMS-ST NA BASE DE CRÉDITO DO PIS/COFINS Alega o recorrente que sempre tratou o IPI incidente sobre suas industrializações como imposto não recuperável, uma vez que não se aproveitava dos créditos vinculados às aquisições de produtos tributados pelo referido imposto, ainda que recuperável, e essa situação permitiria, em seu entender, a inclusão desses valores de IPI dentro da base de crédito das contribuições PIS e COFINS. Fl. 871DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 37 Em relação ao ICMS-ST, o recorrente alega que o fato de ser permitida a exclusão, da base de cálculo das contribuições, do valor referente ao ICMS-ST, não significa que automaticamente estará vedada, ao adquirente da mercadoria, a apropriação de crédito relativo a esse custo. Não assiste razão ao recorrente em nenhuma das matérias. No que diz respeito ao IPI, o contribuinte, em momento algum, questiona o fato de que, quando recuperável, este tributo não compõe o custo de aquisição e, portanto, não integra a base de cálculo dos créditos de Cofins. Sua tese é a de que, a despeito deste fato, como não tratava este tributo como recuperável, uma vez que não o utilizava para deduzir ou compensar o IPI devido em suas próprias saídas de produtos, isso lhe permitiria incluir tais valores de IPI dentro da base de cálculo dos créditos de PIS e COFINS. Ocorre, entretanto, que a lei não permite ao contribuinte fazer tal opção. O fato do IPI ser recuperável não depende do tratamento a ele conferido pelo contribuinte, mas sim do que fora estabelecido pela legislação. E a lei não exclui o “IPI efetivamente recuperado”, mas sim o “IPI recuperável”. A lei confere ao contribuinte o direito a recuperar esse valor de IPI na aquisição de insumos; se o contribuinte opta por não fazê-lo, isso não altera a natureza jurídica do tributo. Observe-se, inclusive, que o contribuinte tem o direito de pleitear a restituição do IPI pago a maior por conta de não ter, eventualmente, escriturado a crédito o IPI incidente em suas aquisições, desde que dentro do prazo prescricional. Quanto ao ICMS-ST, a tese do contribuinte de que seu valor representa custo de aquisição e, por isso, possibilita a tomada de créditos, parte de uma premissa equivocada. O indeferimento do pedido de crédito não tem qualquer suporte na questão sobre o ICMS-ST compor ou não o custo de aquisição; a questão que ressalta se refere ao fato de esta parcela do custo não é tributada pelo PIS/Cofins e, portanto, não pode compor a base de cálculo dos créditos. As leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 tratam expressamente dessa questão no art. 3º, § 2º, II: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Esta norma legal decorre diretamente da própria essência do regime da não- cumulatividade, cuja finalidade é impedir a incidência de tributo sobre tributo, ou tributação “em Fl. 872DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 38 cascata”, ao longo da cadeia produtiva. Para tanto, compensa-se o tributo devido em uma etapa com o tributo incidente na etapa anterior. No caso do ICMS-ST, esta parcela não sofre tributação, pois não se configura como receita do substituto, que age como mero arrecadador/intermediário do ICMS devido pelo substituído, para repassá-lo ao Estado. Ora, se não houve tributação na etapa anterior, não há como considerar esta parcela no cálculo dos créditos da não-cumulatividade, o que teria por consequência desvirtuar o regime. Nesse sentido é a posição pacífica da 2ª Turma do STJ, conforme o seguinte precedente: Recurso Especial nº 2.046.771–PE, Relator Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, publicação em 21/03/2023: EMENTA TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. VALORES REFERENTES A ICMS-SUBSTITUIÇÃO (ICMS-ST). IMPOSSIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO (ART. 932, IV, CPC/2015 C/C ART. 255, § 4º, II, RISTJ). (...) Alega a recorrente que houve violação aos seguintes dispositivos legais: art. 301, §3º do RIR (Dec. 9580/19); art. 3°, incisos I e II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Alega que, na condição de substituída, possui direito líquido e certo à apropriação de créditos de PIS e COFINS sobre as parcelas pagas a título de ICMS-ST pelo substituto, porquanto entende que o reembolso do imposto estadual faz parte do custo de aquisição dos produtos que adquire do substituto para revenda. Procura demonstrar o dissídio (e-STJ fls. 259/287). Sem contrarrazões nas e-STJ fls. 315/317. Recurso regularmente admitido na origem (e-STJ fls. 361). É o relatório. Passo a decidir. 1 - Do creditamento de valores referentes ao ICMS-SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA (ICMS- ST) pelo substituído, dentro da sistemática das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS não - cumulativas. Devidamente prequestionados os dispositivos legais tidos por violados, conheço do especial quanto ao tema epigrafado. No mérito que se examina, pretende o PARTICULAR, em síntese, ver reconhecido o direito de creditamento de PIS e COFINS, na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, sobre os valores que, na qualidade de contribuinte substituído, destinados ao vendedor - contribuinte substituto - a título de reembolso do ICMS por esse recolhido em regime de substituição tributária "para frente", sustentando tratar-se de custos com a aquisição de mercadorias para revenda. Fl. 873DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 39 Sem razão o contribuinte. Esta Segunda Turma tem precedentes formados sobre a matéria onde restou consignado que o contribuinte não tem direito ao creditamento, no âmbito do regime não- cumulativo do PIS e COFINS, dos valores que, na condição de substituído tributário, paga ao contribuinte substituto a título de reembolso pelo recolhimento do ICMS-substituição. Segue: (...) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. VALORES REFERENTES A ICMS-SUBSTITUIÇÃO (ICMS- ST). IMPOSSIBILIDADE. 1. A Segunda Turma do STJ entende que, "não sendo receita bruta, o ICMS-ST não está na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS não cumulativas devidas pelo substituto e definida nos arts. 1º e §2º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003" (REsp 1.456.648/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 2/6/2016, DJe 28/6/2016). 2. Recurso Especial não provido (REsp. n. 1.461.802 - RS, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 22.09.2016). TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E À COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONSIDERAÇÃO DOS VALORES REFERENTES A ICMS-SUBSTITUIÇÃO (ICMS-ST) RECOLHIDO EM OPERAÇÃO ANTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Segunda Turma do STJ firmou entendimento de que, "não sendo receita bruta, o ICMS-ST não está na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS não cumulativas devidas pelo substituto e definida nos arts. 1º e § 2º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003" (REsp 1.456.648/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, julgado em 2/6/2016, DJe 28/6/2016). 2. A situação fática delineada pela própria agravante leva a compreender que sobre os valores despendidos a título de ICMS-ST não incidiram o PIS nem a COFINS. O fato de a sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS não se adequar com exatidão àquela metodologia adotada no creditamento de IPI e ICMS não autoriza fechar os olhos para situações em que nas operações anteriores não tenha havido incidência tributária e, mesmo assim, admitir creditamento fictício não previsto em lei. 3. Agravo interno a que se nega provimento (AgInt no REsp. n. 1.417.857 - RS, Segunda Turma, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 21.09.2017). Outro ponto de relevo é que os precedentes utilizados são específicos para o caso e não são isolados na Segunda Turma deste STJ, pois inaugurada linha jurisprudencial que tem sido rigorosamente seguida na Segunda Turma, consoante os precedentes citados na decisão monocrática, dentre outros: AgInt no REsp 1937431 / SC, Segunda Turma, Rel. Min. Assusete Magalhães, julgado em 09.11.2021; AgInt nos EDcl no REsp 1881576 / SC, Segunda Turma, Rel. Min. Fl. 874DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 40 Mauro Campbell Marques, julgado em 15.03.2021; AgInt no REsp 1885048 / RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 16.12.2020. (...) Ante o exposto, com fulcro no art. 932, IV, do CPC/2015 c/c o art. 255, § 4º, II, do RISTJ, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial. Pelo exposto, voto por negar provimento a estes pedidos. VII – DA AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS ENQUADRADOS COMO INSUMO Alega o recorrente que a autoridade administrativa, no despacho decisório, com base em conceito completamente restritivo de insumo e contrário ao que prevê o STJ, procedeu à glosa de créditos relacionados à aquisição de bens e serviços por ele tidos como insumo. Em seguida, apresenta argumentos específicos para cada insumo glosado. VII.1 – DOS MATERIAIS DE EMBALAGEM Alega o recorrente que os sacos de polipropileno são essenciais à sua atividade econômica, na medida em que permitem a armazenagem e transporte das rações por ela produzidas, principalmente no momento de destinação à venda. Sustenta ainda que, conforme Laudo apresentado, muitas das matérias-primas por ela utilizada na produção de ração também são destinadas ao “ensacamento”. A DRJ negou provimento ao pedido sob os seguintes fundamentos: No que tange aos materiais de embalagem, a manifestante alega que os sacos de polipropileno seriam essenciais não apenas para a armazenagem, mas também para a consecução da atividade de venda, razão pela qual, segundo ela, sua aquisição deveria gerar direito ao desconto de crédito na apuração da contribuição devida. Para ela, a classificação da embalagem como destinada a transporte ou ao aformoseamento do produto nada importa para fins de seu enquadramento enquanto insumo. Contudo, conforme acima dito, os critérios da essencialidade e da relevância são aplicados para a determinação dos insumos no processo produtivo. E a distinção entre embalagem de transporte e de apresentação do produto é necessária justamente para definir se ela integra ou não o processo produtivo. No caso concreto, os materiais de embalagem cujos créditos foram glosados são utilizados para transporte da mercadoria e, portanto, não integram o processo produtivo porque são utilizadas após o término deste e, por isso, não podem ser enquadrados como insumo, não importando que sejam essenciais a etapas posteriores. Logo, sua aquisição não gera direito a desconto de créditos. Fl. 875DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 41 O Despacho Decisório, por sua vez, motivou a glosa das embalagens nos seguintes termos: Abaixo, relacionamos os itens glosados em virtude ao não enquadramento como "insumos" como prediz a legislação: a) Material de Embalagens e Etiquetas: saco poliprop 40 Kgs, 60 x 95 cms, conforme fl. 189; (...) Neste sentido, como a Batavo Cooperativa Agroindustrial se dedica ao comércio atacadista de cereais e leguminosas beneficiados e fabricação de alimentos para animais, entre outras atividades, obtém-se que dão direito a crédito os bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos mesmos. As instruções normativas mencionadas definem como insumos os "bens aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado". Os itens relacionados acima não se agregam aos produtos produzidos ou a nenhum serviço que pudesse ser vendido pela empresa, não se configuram como aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação dos produtos (ação direta sobre o mesmo). Representam, na verdade, gastos normais inerentes ou não à atividade, não sendo, todavia, computados como insumos, razão pela qual não geram direito ao crédito da contribuição para o PIS/COFINS não cumulativo. Em diligência a empresa, no dia 16 de agosto de 2012, verificou-se que as embalagens apresentadas como saco poliprop 40 kgs, entre outros, são utilizadas exclusivamente para o transporte das mercadorias. Não compõem o processo de industrialização as embalagens que se destinam precipuamente ao transporte dos produtos elaborados. São assim entendidos os acondicionamentos feitos em caixas, caixotes, engradados, barricas, latas, tambores, sacos, embrulhos e semelhantes, sem acabamento e rotulagem de função promocional e que não objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional, bem assim o acondicionamento feito em embalagem de capacidade superior àquela em que o produto é comumente vendido. (Decreto n° 4.544/2002, art. 40, IV, e art. 6°). Como se verifica pelos fundamentos acima colacionados, no presente caso concreto o Auditor-Fiscal não demonstrou, de forma inequívoca, que os sacos de polipropileno de 40 kg e as etiquetas se prestam exclusivamente para o transporte de mercadorias, sem desempenhar qualquer função que os torne essenciais e relevantes ao processo produtivo. Ao que consta do Despacho Decisório, “Em diligência a empresa, no dia 16 de agosto de 2012, verificou-se que as embalagens apresentadas como saco poliprop 40 kgs, entre outros, são utilizadas exclusivamente para o transporte das mercadorias”. Não há nenhuma outra Fl. 876DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 42 informação, nem foram juntadas pelo Auditor-Fiscal provas dessa alegação, como fotografias das embalagens e dos produtos vendidos. Não se nega a presunção de veracidade dos atos administrativos. Contudo, a simples afirmação de um fato pela autoridade fiscal não pode ser tomada como verdade absoluta, ou prescindir de razoável conjunto probatório. Da mesma forma, apesar do art. 373, I, do Código de Processo Civil, determinar que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, isso não significa que determinado crédito possa ser glosado sem a devida motivação e/ou desacompanhada de provas do quanto alegado. O contribuinte informa que seu produto “ração” é vendido à granel, em caminhões, conforme fotografia acima, ou embalada em sacos. No sítio da empresa na internet, em https://lojas.frisia.coop.br/racao-pro-cavalo-mel-40-kg/p (acesso em 10/08/2023) consta foto de um destes produtos: Pelo que se pode verificar a partir destes elementos de prova, os sacos de polipropileno de 40 kg são dos tipos normalmente usados para venda de ração. São bens essenciais e relevantes para o processo produtivo do recorrente pois, conforme o “teste de subtração” proposto pelo STJ quando do julgamento do REsp 1.170.221/PR, sob o rito previsto para os recursos repetitivos, sem essas embalagens a única possibilidade de venda da ração seria “à granel”, por meio de caminhões. A alegação de que estes sacos são utilizados unicamente para transporte e armazenagem não são suficientes para justificar a glosa, pois é evidente que toda e qualquer embalagem irá conter em seu interior o produto fabricado, o qual deverá ficar armazenado até o momento de sua venda. Da mesma forma, todas as embalagens possuem a função de possibilitar o transporte do bem produzido até o cliente/adquirente ou consumidor final. Como seria possível imaginar a venda de um refrigerante se não for possível transportá-lo por meio de latas ou garrafas, que se constituem em sua embalagem? O recorrente, além da venda à granel, também comercializa ração em porções de 40 kg, acondicionadas em sacos de polipropileno, no qual constam informações essenciais e Fl. 877DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 43 mesmo obrigatórias para essa comercialização. Não é possível sequer imaginar a venda de ração em porções específicas sem uma embalagem para conter o produto. Da mesma forma, as etiquetas são utilizadas para apresentar informações como data de validade do produto, estabelecimento fabricante etc. Pelo exposto, voto por dar provimento ao pedido. VII.2 – DA LENHA Alega o recorrente que utiliza referido material para secagem de seus grãos e na fabricação de rações. Quanto à fabricação de rações, a lenha é empregada no processo de “Condicionamento e peletização”, onde é utilizada como combustível para alimentação da caldeira que gera o vapor úmido – aquecimento da água em caldeira –, com o fim de reduzir possíveis microrganismos contaminantes no processo produtivo da ração, facilitando, assim, o consumo para o animal e evitando uma possível segregação dos nutrientes, conforme se infere do Laudo apresentado. Informa também que a lenha é empregada na atividade de secagem de grãos, fundamental para a conservação e correto armazenamento destes, evitando o perecimento do produto, situação intimamente ligada à atividade econômica por ele exercida. Argumenta que a secagem dos grãos é atividade econômica da Recorrente e, independentemente de processo produtivo, a lenha é essencial para o exercício de sua atividade, sem a qual não será possível o correto e necessário armazenamento dos grãos. Ressalta que, ao contrário dos fundamentos do acórdão recorrido, o CARF já entendeu, em outros julgamentos, que a referida atividade está atrelada à processo produtivo. A DRJ, por sua vez, negou provimento ao pedido com base nos seguintes fundamentos: Quanto à lenha, foram dois os motivos da glosa do auditor-fiscal: 1. ela é utilizada indiretamente no processo de fabricação da ração, o que contraria o disposto na Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004; e 2. ela é utilizada na atividade de cerealista exercida pela contribuinte, atividade essa que não se enquadra como industrialização. O primeiro motivo deve ser afastado em face do conceito de insumo estabelecido pelo STJ, uma vez que, embora aplicada indiretamente, a lenha utilizada na alimentação das caldeiras que geram vapor para redução de possíveis micro- organismos é essencial ao processo produtivo, pois a sua falta priva a ração produzida da necessária qualidade. Todavia, o segundo motivo, que não foi diretamente contestado pela manifestante, permanece válido, ou seja, a aquisição de lenha utilizada na Fl. 878DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 44 atividade de cerealista exercida pela contribuinte não pode gerar direito a desconto de créditos, pois essa atividade não se enquadra como industrialização, razão pela qual não há que se falar em insumos. Noutros termos, só se pode falar em insumos quando se trata de processo produtivo, e, como a atividade de cerealista não envolve nenhum processo produtivo ou de fabricação, a lenha utilizada simplesmente para secar os grãos que serão revendidos não pode gerar direito a desconto de créditos na apuração da contribuição devida. Diante disso, e tendo em conta que os documentos carreados aos autos não permitem fazer a necessária distinção entre as finalidades da lenha adquirida, não há como acatar as alegações da contribuinte, devendo ser mantidas as glosas efetuadas pelo auditor-fiscal de todo o crédito decorrente da aquisição de lenha. Observe-se que, ao contrário do que crê a manifestante, nos termos do art. 373 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015, Código de Processo Civil, o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito. No caso concreto, o ônus da prova do crédito tributário pleiteado no pedido de ressarcimento é sempre da interessada. A ela cabe comprovar a certeza e liquidez de seu direito. Não sendo essa prova produzida nos autos, indefere-se o pleito. Assim, cabia à contribuinte fazer a segregação entre a lenha utilizada no secador de grãos e a lenha utilizada na fabricação de rações. Em relação ao argumento de que a atividade de cerealista não se enquadra como industrialização e/ou não envolve nenhum processo produtivo ou de fabricação, razão pela qual não haveria que se falar em insumos, devo discordar da Fiscalização e da DRJ. Com efeito, resta evidente o equívoco cometido tanto no Despacho Decisório quanto no acórdão de piso, pois a atividade do recorrente não se limita pura e simplesmente à revenda de grãos no mesmo estado em que adquiridos, uma vez que necessita realizar a secagem destes para que possam ser armazenados e posteriormente revendidos. O entendimento do Auditor-Fiscal e da DRJ é de que o contribuinte somente teria direito a crédito presumido sobre os bens adquiridos para revenda, caso dos grãos. A meu ver, contudo, se algum tipo de processo químico ou físico foi realizado sobre tais produtos adquiridos, não se pode falar em mera revenda, mas sim na produção de grãos secos a partir de grãos contendo umidade. Observe-se que a situação é bastante distinta de um supermercado que adquire produtos prontos para o consumo e os expõe para revenda, ou de uma loja esportiva que revende camisas, tênis, bolas, bicicletas e demais produtos também adquiridos no mesmo estado em que serão revendidos, sem sofrerem qualquer tipo de modificação. Nestes casos, sequer a embalagem é alterada. De qualquer sorte, caso não seja esse o entendimento desde Conselho, devo ressaltar que a lenha é utilizada para gerar energia térmica, conforme consta do Despacho Decisório, in litteris: Fl. 879DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 45 Um item classificado erroneamente como bem para revenda, a lenha é utilizada indiretamente no processo de fabricação da ração, por meio da geração de vapor úmido para redução de possíveis microorganismos contaminantes da ração. A adição do vapor úmido se dá por meio do aquecimento da água em caldeiras alimentados por lenha, conforme fl. 92. Verificou-se também o creditamento sobre notas fiscais de emissão da própria contribuinte, possivelmente, aquisições de pessoas físicas, conforme fls. 193 a 204 e 225 a 227. Sendo tal procedimento indevido em relação ao crédito básico de PIS/COFINS não cumulativo Uma das atividades senão a principal atividade é o recebimento, padronização, classificação, guarda e posterior comercialização da produção de seus associados, conforme Estatuto, sendo que tais atividades são exclusivamente de cerealista. Em virtude da atividade de cerealista (secagem dos grãos), na matriz e em algumas unidades (filiais), o item lenha é utilizado nos secadores, no entanto, referida atividade não se enquadra como industrialização, não restando outra alternativa a não ser a glosa do referido item. Logo, apesar de ter classificado erroneamente parte desse crédito como sendo referente a “bem para revenda”, ou seja, no art. 3º, inciso I, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, esse não pode ser um fundamento para a sua glosa, mas tão somente para sua reclassificação como insumo de produção (art. 3º, inciso II) ou como energia térmica (art. 3º, inciso III). Destacando, por oportuno, que a energia térmica não necessita ser consumida, obrigatoriamente, em “processos produtivos ou de fabricação”, pois o texto legal estabelece o creditamento sobre energia térmica “consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica”. Nesse contexto, voto por dar provimento ao pedido, exceto em relação ao creditamento sobre notas fiscais de emissão da própria contribuinte. VII.3 – DOS SERVIÇOS RELACIONADOS À LENHA E DOS SERVIÇOS APLICADOS NA PRODUÇÃO DE BOVINOS Alega o recorrente que o mesmo fundamento utilizado para manter as glosas relacionadas à aquisição de lenhas também foi indicado no acórdão da DRJ para negar seu direito de crédito em relação à despesa de serviço de baldeação de lenhas, sob o argumento de que: “(...) seria preciso fazer a distinção entre as finalidades da lenha, uma vez que, como visto, se ela for utilizada na atividade de cerealista não gera direito a desconto de créditos na apuração da contribuição devida”. Sustenta que lhe compete, ainda, a “extração de florestas” - conforme se infere do art. 2º, I, de seu Estatuto Social – do que resultaria a necessidade de manter as fazendas de lenha para a posterior venda, onde são empregados tanto os serviços de baldeação de lenhas, quanto de visitas técnicas. Fl. 880DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 46 Informa que, à época, a empresa Florestal Mueller era responsável pela execução dos serviços de plantio, combate e controle de pragas, desbaste da floresta, bem como de visitas técnicas - conforme contrato anexo às fls. 272/734 e fluxograma apresentado às fls. 99/100 - serviços imprescindíveis para possibilitar a sequência do processo produtivo de fabricação de lenha, com a venda ou emprego nas atividades de fabricação de ração ou secagem dos grãos. A DRJ, por sua vez, negou provimento ao pedido com base no seguinte fundamento: O mesmo entendimento acima é aplicado à questão das glosas referentes a despesas com a prestação de serviço pela empresa Florestal Mueller em fazendas de lenha da interessada. Isso porque, também em relação a esses custos, seria preciso fazer a distinção entre as finalidades da lenha produzida, uma vez que, como visto, a lenha utilizada na atividade de cerealista não gera direito a desconto de créditos na apuração da contribuição devida. Dessa forma, também nesse ponto, devem ser mantidas as glosas efetuadas pelo auditor-fiscal. Quanto ao Despacho Decisório, seus fundamentos foram assim delineados: Entretanto na relação de notas fiscais de aquisições de mercadorias que geraram créditos de PIS/COFINS, foram incluídos serviços que não encontram enquadramento no referido inciso. Tratam-se, na verdade de despesas gerais, necessárias as operações industriais e comerciais normais de qualquer estabelecimento industrial/comercial, sem direito a crédito das contribuições relativas ao Pis e a Cofins. Abaixo, relacionamos os itens glosados em virtude ao não enquadramento como "insumos" ou que não geram créditos de PIS/COFINS não cumulativo como prediz a legislação: (...) b) Prestação de serviços: serviço aplicado na produção de bovinos e serviço aplicado nas fazendas de lenha, fls. 354 a 363. (...) Em relação às prestações de serviços na produção de bovinos e nas fazendas de lenha, trata-se de serviços não aplicados diretamente na fabricação de bens ou produtos destinados à venda, como a comercialização de cereais ou fabricação de rações. Neste sentido, glosa-se os referidos serviços. Tendo em vista que no tópico anterior já foi demonstrada a desnecessidade de “fazer a distinção entre as finalidades da lenha”, como exigido pela DRJ, com a conclusão de que tanto na fabricação de rações quanto na produção dos grãos a lenha pode gerar crédito: (i) como insumo no processo de secagem dos grãos ou (ii) como energia térmica, o mesmo resultado deve ser aplicado nesta matéria. Fl. 881DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 47 Com efeito, os serviços de corte, plantio, combate e controle de pragas, desbaste da floresta e baldeação de lenhas são essenciais e relevantes para o processo produtivo da recorrente, que se inicia com a obtenção de lenha de suas florestas para as utilizações já descritas. Sem os serviços acima descritos, prestados em suas florestas, o contribuinte poderia incorrer em perda na qualidade e/ou quantidade da lenha. Em relação aos serviços aplicados na produção de bovinos, sustenta o contribuinte que o acórdão recorrido se fundamentou apenas no sentido de que teria apenas reiterado os argumentos referentes ao conceito de insumos. Todavia, diversamente do alegado, na Manifestação de Inconformidade a Recorrente impugnou de forma específica todas as glosas de créditos efetuadas no despacho decisório, dentre as quais se destaca aquela relativa aos serviços aplicados na produção de bovinos. Destaca que uma simples análise do seu Estatuto Social levaria à constatação que, além da extração de florestas, ela também exerce a atividade pecuária de leite e de corte. O leite constitui um dos principais produtos fabricados pelos seus cooperados que, inevitavelmente, está atrelado à produção de bovinos, motivo pelo qual as despesas decorrentes desses serviços devem compor a sua base de créditos. A DRJ negou provimento ao pedido com base no seguinte fundamento: Quanto à glosa referente à despesa com prestação de serviços aplicados na produção de bovinos, o auditor-fiscal a fundamentou no fato de que se trata de serviços não aplicados diretamente na fabricação de bens ou produtos destinados à venda, como a comercialização de cereais ou fabricação de rações. A manifestante, por sua vez, somente reitera os argumentos sobre o conceito de insumo e diz que um dos principais produtos fabricados por seus cooperados é justamente o leite. No entanto, a produção de leite dos cooperados não pode ser justificativa para que ela desconte créditos sobre serviços aplicados na produção própria de bovinos. Ela deveria ter demonstrado que a sua produção de bovinos tem finalidade de venda de produto final, o que ela não faz. O valor muito baixo desses serviços não permite inferir que se trate de uma produção com finalidade de venda de produto final. Note-se, ainda, que o auditor-fiscal glosou expressamente porque esses serviços não são aplicados na fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Para uma correta decisão, faz-se necessário verificar os exatos termos do Despacho Decisório (fl. 559): O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas tão somente aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na fabricação ou produção e prestação de serviços. Fl. 882DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 48 Em relação às prestações de serviços na produção de bovinos e nas fazendas de lenha, trata-se de serviços não aplicados diretamente na fabricação de bens ou produtos destinados à venda, como a comercialização de cereais ou fabricação de rações. Neste sentido, glosa-se os referidos serviços. Conforme se verifica, no Despacho Decisório não há qualquer detalhamento sobre a razão da glosa. O Auditor-fiscal limita-se a afirmar que os serviços não foram aplicados diretamente na fabricação de bens ou produtos destinados à venda, sem explicar como chegou a essa conclusão. O recorrente, por sua vez, afirma que exerce a atividade pecuária de leite e de corte, o que se comprova do art. 2º, caput e § 1º, do seu Estatuto Social, anexado aos autos. Da mesma forma, as notas fiscais anexadas demonstram os serviços realizados: fotografia dos bovinos e tatuagens (serviços necessários para a identificação dos animais) e aplicação de vacina contra aftosa, que além de ser essencial para a saúde dos animais, decorre também de obrigação legal. Pelo exposto, voto por dar provimento a este pedido, revertendo as glosas de créditos relacionados aos serviços aplicados nas fazendas de lenha e na produção de bovinos. VII.4 – DAS DESPESAS COM FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA Alega o recorrente que todos os custos desconsiderados pela fiscalização neste tópico estão relacionados a fretes essenciais para o exercício da sua atividade econômica. Especificamente quanto aos fretes relacionados nas Notas Fiscais anexadas aos autos às fls. 404, 406, 407, 408, 409, 410, 411, 412, 424, 425, 426 e 427, sustenta que todos têm como finalidade a remessa pelo seu estabelecimento industrial (CFOP 5352) de ração animal e óleo diesel aos seus cooperados, cujos transportes foram realizados por terceiros não cooperados e com a indicação do custo da operação. Afirma que os referidos fretes tiveram por objetivo atingir o fim social da Recorrente, como cooperativa agrícola, mediante o suporte aos seus cooperados de insumos às suas atividades econômicas, situação que acaba por se confundir com o exercício da sua própria atividade econômica. Considerando que o presente tópico trata da possibilidade de incluir os gastos com fretes (serviços de transporte) no conceito de insumos aptos a gerar créditos das contribuições, faz-se relevante trazer à colação os termos do acórdão do STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, onde ficou estabelecido o conceito de insumos para os fins das leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. O referido REsp nº 1.221.170/PR, representativo da controvérsia, foi afetado para julgamento sob o rito dos Recursos Repetitivos, e tratava de um caso concreto de empresa do ramo alimentício que pleiteava o creditamento sobre os valores relativos às despesas efetuadas com "Custos Gerais de Fabricação", englobando: água, combustíveis e lubrificantes, veículos, Fl. 883DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 49 materiais e exames laboratoriais, equipamentos de proteção individual - EPI, materiais de limpeza, seguros, viagens e conduções, "Despesas Gerais Comerciais" ("Despesas com Vendas", incluindo combustíveis, comissão de vendas, gastos com veículos, viagens, conduções, fretes, prestação de serviços - PJ, promoções e propagandas, seguros, telefone e comissões). O STJ, após definir, em abstrato, como deveria ser aferido o conceito de insumo, aplicou a tese jurídica ao caso concreto em julgamento, determinando o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custos e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual (EPI), excluindo a possibilidade de creditamento do frete, nos termos do voto-vogal do Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, págs. 38/39 do REsp nº 1.221.170/PR: EMENTA (...) 1. Discute-se nos autos o conceito de insumos previsto no art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 para fins de dedução de créditos da base de cálculo do Pis e da Cofins na sistemática não cumulativa. (...) 4. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Assim caracterizadas a essencialidade, a relevância, a pertinência e a possibilidade de emprego indireto através de um objetivo “teste de subtração”, que é a própria objetivação da tese aplicável do repetitivo, a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 5. Segundo o conceito de insumo aqui adotado não estão a priori incluídos os seguintes "custos" e "despesas" da recorrente: gastos com veículos, ferramentas, seguros, viagens, conduções, comissão de vendas a representantes, fretes (salvo na hipótese do inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/03), prestações de serviços de pessoa jurídica, promoções e propagandas, telefone e comissões. É que tais "custos" e "despesas" (“Despesas Gerais Comerciais”) não são essenciais, relevantes e pertinentes ao processo produtivo da empresa que atua no ramo de alimentos, de forma que a exclusão desses itens do processo produtivo não importa a impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção e nem, ainda, a perda substancial da qualidade do serviço ou produto e não há obrigação legal para sua presença. Fl. 884DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 50 (...) 7. ACOMPANHO O RELATOR e proponho o seguinte dispositivo: Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido para determinar o retorno dos autos à origem para que a Corte a quo analise a possibilidade de dedução de créditos em relação aos custos e despesas com água, combustível, materiais de exames laboratoriais e materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual - EPI conforme o conceito de insumos definido acima, tudo isso considerando a estreita via da prova documental do mandado de segurança. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08 (ementa já alterada na conformidade dos dois aditamentos). Em outro trecho do REsp nº 1.221.170/PR, o Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, à pág. 144, esclarece o resultado do julgamento: Registro que o provimento do recurso deve ser parcial porque, tanto em meu voto, quanto no voto da Min. Regina Helena, o provimento foi dado somente em relação aos "custos" e "despesas" com água, combustível, materiais de exames laboratoriais, materiais de limpeza e, agora, os equipamentos de proteção individual - EPI. Ficaram de fora gastos com veículos, ferramentas, seguros, viagens, conduções, comissão de vendas a representantes, fretes (salvo na hipótese do inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/03), prestações de serviços de pessoa jurídica, promoções e propagandas, telefone e comissões. Originalmente o meu voto havia sido no sentido de "DIVERGIR PARCIALMENTE do Relator para CONHECER PARCIALMENTE do recurso especial e, nessa parte, DAR- LHE PARCIAL PROVIMENTO, com o retorno dos autos à origem". Assim o fiz na vocalização original de meu voto e no primeiro aditamento. Ocorre que, com o realinhamento do voto do Relator, Min. Napoleão Nunes Maia Filho, à tese que propusemos eu e a Min. Regina Helena, meu voto resta mantido, contudo com a observação de que agora ACOMPANHO o Relator para CONHECER PARCIALMENTE do recurso especial e, nessa parte, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, com o retorno dos autos à origem, conforme o explicitado (alterações já realizadas na ementa proposta no voto-vogal). Ou seja, no próprio REsp nº 1.221.170/PR, representativo da controvérsia e julgado sob o rito previsto para os Recursos Repetitivos, foi decidido que ficam de fora gastos com fretes, salvo na hipótese do inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Vejamos o que consta neste dispositivo legal, específico para a Cofins, cujo texto é reproduzido na Lei nº 10.637/2002, específica para o PIS: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 885DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 51 IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Observe-se que a lei concede, no inciso IX do caput do art. 3º, o creditamento sobre o frete especificamente na operação de venda, mas silencia em relação ao frete na operação de compra, de movimentação interna, ou qualquer outro tipo de operação, o que indica, à toda evidência, que seu creditamento não está permitido, como já decidido expressamente no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Inicialmente, com relação aos fretes relacionados nas Notas Fiscais anexadas aos autos, o recorrente informa que se trata de uma operação realizada entre a cooperativa e seus cooperados, consistente na remessa de ração animal e óleo diesel daquela para estes, remessa esta que necessitou da contratação de frete a junto a terceiros não cooperados. Ocorre que esta operação consiste num ato cooperativo típico, ou seja, não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, logo não há incidência das contribuições, nos termos do quanto decidido no julgamento do REsp 1.141.667/RS, com publicação em 04/05/2016, Relator Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, sob o rito previsto para os recursos repetitivos: EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543-C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhe-se da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 124), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O Parecer do douto Ministério Público Federal é pelo provimento parcial do Recurso Especial. Fl. 886DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 52 5. Recurso Especial parcialmente provido para excluir o PIS e a COFINS sobre os atos cooperativos típicos e permitir a compensação tributária após o trânsito em julgado. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixando-se a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. Assim sendo, conclui-se que não ocorreu, no caso concreto, a hipótese do inciso IX do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/03, que trata de frete na operação de venda, uma vez que não ocorreu venda alguma, mas tão somente uma operação entre cooperados e cooperativa. Entendo também que este frete não pode ser considerado como insumo do recorrente, nos termos do art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, cuja redação é a seguinte: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Ora, tanto a prestação de serviços quanto a produção de bens destinados à venda são operações de mercado e, conforme acima transcrito REsp 1.141.667/RS, o ato cooperativo não implica operação de mercado. Portanto, não há sequer que se falar em “não-cumulatividade”. Nesse sentido vem julgando o Poder Judiciário, conforme se extrai dos precedentes indicados a seguir, nos quais decidiu-se que os créditos associados às exclusões da base de cálculo das cooperativas não geram direito ao creditamento: i) Recurso Especial nº 2.076.664/RS, Relatora Ministra REGINA HELENA COSTA, julgamento em 23/06/2023: Trata-se de Recurso Especial interposto por COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL NOVA ALIANÇA LTDA, contra acórdão prolatado, por unanimidade, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementado (fl. 340e): TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. DIREITO AO APROVEITAMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO. ART. 17 DA LEI 11.033/04 E ART. 16 DA LEI 11.116/05. 1. O STJ reconheceu, em acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC, a não incidência do PIS e da COFINS sobre os atos cooperativos típicos (REsp n. 1.164.716/MG, Primeira Seção, julgado em 27/4/2016, DJe de 4/5/2016). Fl. 887DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 53 2. As exclusões da base de cálculo do PIS/COFINS, previstas no art. 15 da MP 2.158/01 e no art. 16 da Lei 10.684/03, não podem ser equiparadas à não incidência ou isenções parciais para fins de apuração de créditos de PIS/COFINS com base no art. 17 da Lei 11.033/04, e não geram direito ao aproveitamento do saldo credor respectivo, amparado no art. 16 da Lei 11.116/05. (...) Feito breve relato, decido. (...) O Tribunal de origem, por sua vez, não afastou completamente a tributação sobre todos os atos da ora Recorrente, mas tão somente sobre os atos cooperativos típicos, "[...] aqueles realizados entre a cooperativa e seus associados, e vice-versa e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais, sendo todos os outros atos sujeitos à tributação. São os chamados atos cooperativos típicos ou próprios" (fls. 343e). Assim, concluiu que as exclusões questionadas são apenas ajustes para delimitar a incidência das contribuições sobre as receitas que não decorram de atos cooperativos típicos (fl. 344e): as exclusões da base de cálculo do PIS/COFINS previstas em lei para as cooperativas de produção agropecuária têm o objetivo de limitar a materialidade da incidência das contribuições sobre as receitas que não decorram de atos próprios da cooperativa, tanto é assim que o inciso II do §2º do art. 15 da MP 2.158/01 dispôs que tais operações deveriam ser contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. A Corte de origem compreendeu, portanto, que tais exclusões não se enquadram no conceito de suspensão, não incidência, isenção ou alíquota zero, previstas no art. 17 da Lei n. 11.033/2004, para efeito de aproveitamento de créditos (fls. 346/347e): [...] Conclui-se, dessa maneira, que a manutenção de créditos prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e o correspondente direito ao ressarcimento estabelecido no art. 16 da Lei nº 11.116/2005 não guardam qualquer relação com as hipóteses de ajustes da base de cálculo das cooperativas agroindustriais. [...] as exclusões da base de cálculo do PIS/COFINS, previstas no art. 15 da MP 2.158/01 e no art. 16 da Lei 10.684/03, não podem ser equiparadas à não incidência ou isenções parciais para fins de apuração de créditos de PIS/COFINS com base no art. 17 da Lei 11.033/04, e não geram direito ao aproveitamento do saldo credor respectivo, amparado no art. 16 da Lei 11.116/05. Fl. 888DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 54 [...] A análise de tais exclusões e deduções permite concluir que não se caracterizam como suspensão, não incidência, isenção ou alíquota zero. Essa separação resta clara na IN 635/2006, que prevê separadamente as referidas exclusões e deduções da base de cálculo (art. 11), em relação às suspensões (art. 34), não incidências (art. 35) e isenções (art. 36). Com efeito, o tribunal a quo asseverou que "as exclusões da base de cálculo do PIS/COFINS previstas em lei para as cooperativas de produção agropecuária têm o objetivo de limitar a materialidade da incidência das contribuições sobre as receitas que não decorram de atos próprios da cooperativa, tanto é assim que o inciso II do §2º do art. 15 da MP 2.158/01 dispôs que tais operações deveriam ser contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas" (fl. 343e). (...) Consoante se observa, a Corte de origem busca efetivamente demonstrar que o procedimento de exclusão questionado está relacionado, exclusivamente, com a separação do faturamento da cooperativa para definir o que pode ou não ser tributado, enquanto a Recorrente defende, apenas genericamente, que tal entendimento estaria permitindo a tributação sobre ato cooperativo típico. Desse modo, verifica-se que as razões recursais apresentadas se encontram dissociadas daquilo que restou decidido pelo tribunal de origem, o que caracteriza deficiência na fundamentação do recurso especial e atrai, por analogia, os óbices das Súmulas 283 e 284, do Supremo Tribunal Federal, as quais dispõem, respectivamente: “É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles”; e “É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia”. ii) Recurso Especial nº 2.073.859/PR, Relator Ministro HERMAN BENJAMIN, julgamento em 29/05/2023: Trata-se de Recurso Especial interposto, com fulcro no art. 105, III, "a", da Constituição da República, contra acórdão assim ementado: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGROINDUSTRIAL. ATOS PRÓPRIOS OU TÍPICOS. NÃO INCIDÊNCIA. DIREITO AO APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. ART. 17 DA LEI 11.033/04 E ART. 16 DA LEI 11.116/05. NÃO CONFIGURADO. Fl. 889DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 55 1. O STJ reconheceu, em acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC, a não incidência do PIS e da COFINS sobre os atos cooperativos típicos (REsp n. 1.164.716/MG, Primeira Seção, julgado em 27/4/2016, DJe de 4/5/2016). 2. Por ocasião do julgamento dos Recursos Especiais nº 1.894.741/RS e n° 1.895.255/RS (tema 1.093), sob o regime dos recursos repetitivos, o STJ pacificou o entendimento no sentido de que a não-cumulatividade do PIS/COFINS não se aplica em situações nas quais não existe dupla ou múltipla tributação. Inaplicabilidade ao caso do art. 17, da Lei 11.033/2004. (...) É o relatório. Decido. (...) Ao dirimir a controvérsia, a Corte regional consignou (fls. 315-318, e-STJ): (...) O STJ reconheceu, em acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC, a não incidência do PIS e da COFINS sobre os atos cooperativos típicos, pois não implicam operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, nos seguintes termos: (...) Com relação à incidência do PIS sobre os atos cooperativos próprios, o STJ também já decidiu que esses atos "não geram faturamento ou receita para a sociedade cooperativa. Ausência de base imponível para o PIS. Não-incidência pura e simples. Já os atos não cooperativos revestem-se de nítida feição mercantil e geram receita à sociedade, razão pela qual devem ser tributados" (STJ, EDcl nos EDcl no REsp 718.001/MG, SEGUNDA TURMA, DJe de15/05/2009). Portanto, como bem ponderou a sentença de primeira instância, a jurisprudência está pacificada no sentido de que os atos cooperados não geram receita ou faturamento tributável pelo PIS e pela COFINS, caracterizando hipótese de não incidência das contribuições. Apuração de créditos de PIS/COFINS. A impetrante pretende obter o reconhecimento do direito à compensação ou ressarcimento dos créditos, com fundamento nas Leis nºs 11.033/04 e 11.116/05. Como visto alhures, não há incidência de PIS e COFINS sobre os atos cooperativos próprios praticados pela apelante. Deste modo, não há que se falar em direito ao creditamento, pois este pressupõe, fática e juridicamente, incidências múltiplas, que não existem conforme a legislação aplicável ao setor de atividade econômica da parte impetrante. Fl. 890DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 56 Por ocasião do julgamento dos Recursos Especiais nº 1.894.741/RS e n° 1.895.255/RS (tema 1.093), sob o regime dos recursos repetitivos, o STJ pacificou o entendimento no sentido de que a não-cumulatividade do PIS/COFINS não se aplica em situações nas quais não existe dupla ou múltipla tributação. (...) No caso dos autos, considerando que sequer resta configurada receita ou faturamento nos atos próprios praticados pela impetrante, não há como reconhecer a existência do direito ao creditamento por ela pleiteado. (...) Da leitura atenta do Voto condutor, vê-se que o Colegiado originário se manifestou de maneira clara e embasada acerca das questões relevantes para o deslinde do conflito, inclusive daquelas que a recorrente alega terem sido omitidas. Ademais, observa-se que a questão foi decidida após percuciente apreciação dos fatos e das provas relacionados à causa. Diante do arcabouço documental colacionado aos autos, o órgão julgador reconheceu que a recorrente sequer possuía direito ao creditamento do PIS e da COFINS, porque praticados atos cooperativos próprios, os quais não geram receita ou faturamento ─ ou seja, não há incidência de contribuição. Para modificar o entendimento firmado no aresto recorrido, seria necessário exceder as razões nele colacionadas, o que demanda incursão no contexto fático- probatório dos autos, vedada em Recurso Especial conforme dispõe a Súmula 7/STJ: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". Os fatos são aqui recebidos tais como estabelecidos pelo Tribunal a quo, senhor na análise probatória. E, se a violação do dispositivo legal invocado perpassa pela necessidade de fixar premissa diversa da que consta do decisum impugnado, inviável o apelo nobre. iii) AgInt no Recurso Especial nº 1.239.600/RS, Relator Ministro SÉRGIO KUKINA, julgamento em 04/02/2021: Trata-se de recurso especial fundado no CPC/73, manejado por Cooperativa Agrícola Mista General Osório Ltda., com base no art. 105, III, a, da CF, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementado (fls. 421/422): (...) Opostos embargos declaratórios, foram acolhidos, sem efeitos modificativos, para sanear erro material, em acórdão assim sumariado (fl. 445): (...) Fl. 891DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 57 As exclusões de base de cálculo da contribuição da COFINS e do PIS previstas no art. 15 da MP n° 2.158-35/2001 e no art. 17 da Lei n° 10.684/2003 e arroladas no art. 11 da IN n° 635/2006, não se afiguram "isenções parciais". O artigo 17 da Lei n° 11.033/04 restringe-se ao regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária (REPORTO). (...) É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. (...) Com relação aos arts. 17 da Lei 11.033/2004; e 16 da Lei 11.116/2005, nota-se que os referidos dispositivos legais não contêm comando capaz de sustentar a tese recursal de que "as exclusões de base de cálculo do PIS e da COFINS ora em análise são, inegavelmente, hipóteses de isenção parcial" (fl. 459), ou mesmo de "não incidência tributária" (fl. 464) nem de infirmar o juízo formulado pelo acórdão recorrido, de maneira que se impõe ao caso concreto a incidência da Súmula 284/STF ("É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia."). Por oportuno, destacam-se os seguintes precedentes: AgRg no AREsp 161.567/RJ, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 26/10/2012; REsp 1.163.939/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2011. iv) Recurso Especial nº 1.253.174/RS, Relatora Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, julgamento em 31/08/2018: Trata-se de Recurso Especial, interposto por COOPERATIVA DOS SUINOCULTORES DO CAÍ LTDA, em 23/11/2010, mediante o qual se impugna acórdão, promanado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementado: "TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA. PIS E COFINS. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. ARTS. 15 DA MP: Nº 2.158-35/01, 17 DA LEI Nº 10.684/03 E 11 DA IN SRF Nº 635/06. ISENÇÃO PARCIAL. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/04. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 1. As exclusões de base de cálculo das contribuições PIS e COFINS previstas no art. 15 da MP nº 2.158-35/01 e no art. 17 da Lei nº 10.684/03 e arroladas no art. 11 da IN nº 635/06, não se afiguram 'isenções parciais'. 2. O âmbito de incidência do art. 17 da Lei nº 11.033/04 restringe-se ao Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária - REPORTO, como decorre do texto do diploma legislativo onde inserido tal artigo. 3. Sentença reformada para denegar a segurança" (fl. 181e). No Recurso Especial, manejado com base na alínea a do permissivo constitucional, alega-se violação aos arts. 17 da Lei 11.033/2004 e 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 892DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 58 (...) Recurso Especial admitido (fls. 216/217e). O presente recurso não merece prosperar. Encontra-se pacificado, na jurisprudência do STJ, o entendimento de que inexiste direito a creditamento do PIS e da COFINS, no regime não-cumulativo, caracterizado pela incidência monofásica do tributo, porquanto inocorrente, nesse caso, o pressuposto lógico da cumulação. À guisa de mero exemplo, as seguintes ementas: (...) Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4°, II, do RISTJ, nego provimento ao Recurso Especial. Como destacado nos precedentes acima colacionados, por ocasião do julgamento dos Recursos Especiais nº 1.894.741/RS e n° 1.895.255/RS (tema 1.093), sob o regime dos recursos repetitivos, o STJ pacificou o entendimento no sentido de que a não-cumulatividade do PIS/COFINS não se aplica em situações nas quais não existe dupla ou múltipla tributação: EMENTA: 1. Há pacífica jurisprudência no âmbito do Supremo Tribunal Federal, sumulada e em sede de repercussão geral, no sentido de que o princípio da não cumulatividade não se aplica a situações em que não existe dupla ou múltipla tributação (v.g. casos de monofasia e substituição tributária), a saber: (...) 2. O art. 17, da Lei n. 11.033/2004, muito embora seja norma posterior aos arts. 3º, § 2º, II, das Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003, não autoriza a constituição de créditos de PIS/PASEP e COFINS sobre o custo de aquisição (art. 13, do Decreto- Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica, contudo permite a manutenção de créditos por outro modo constituídos, ou seja, créditos cuja constituição não restou obstada pelas Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003. (...) 10. Teses propostas para efeito de repetitivo: 10.1. É vedada a constituição de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre os componentes do custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica (arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003). 10.2. O benefício instituído no art. 17, da Lei 11.033/2004, não se restringe somente às empresas que se encontram inseridas no regime específico de tributação denominado REPORTO. Fl. 893DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 59 10.3. O art. 17, da Lei 11.033/2004, diz respeito apenas à manutenção de créditos cuja constituição não foi vedada pela legislação em vigor, portanto não permite a constituição de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre o custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica, já que vedada pelos arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003. 10.4. Apesar de não constituir créditos, a incidência monofásica da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não é incompatível com a técnica do creditamento, visto que se prende aos bens e não à pessoa jurídica que os comercializa que pode adquirir e revender conjuntamente bens sujeitos à não cumulatividade em incidência plurifásica, os quais podem lhe gerar créditos. 10.5. O art. 17, da Lei 11.033/2004, apenas autoriza que os créditos gerados na aquisição de bens sujeitos à não cumulatividade (incidência plurifásica) não sejam estornados (sejam mantidos) quando as respectivas vendas forem efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, não autorizando a constituição de créditos sobre o custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica. Tal situação, no entanto, é totalmente distinta daquela na qual o recorrente realiza vendas para terceiros não cooperados/associados e/ou que não se caracterizam como cooperativas, ou seja, quando não realiza ato cooperativo típico. Nessas hipóteses, o valor referente ao frete na venda deve gerar créditos da não cumulatividade, em obediência ao que determina o art. 3º, inciso IX, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/03. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial a este pedido, para reverter as glosas sobre fretes nas operações de venda para terceiros não cooperados/associados e/ou que não se caracterizam como cooperativas. VII.5 – DOS CRÉDITOS DO ATIVO IMOBILIZADO Alega o recorrente que a glosa desses créditos foi equivocada, e analisa cada um dos fundamentos apresentados no despacho decisório e no acórdão recorrido: (i) equipamentos que não são utilizados na produção de bens destinados à venda, como balanças, costuradora, carro plataforma, máquinas de limpeza, sistema de captação, dentre outros, apenas por se encontrarem em unidades da Recorrente que, em tese, não seriam produtoras de alimentos animais destinados à venda, não estando ligados diretamente à produção Em relação a este fundamento do acórdão da DRJ, o recorrente afirma que a noção restritiva de insumo empregada no acórdão recorrido acabou por afastar, de forma indevida, o seu direito de crédito pois, no exercício de sua atividade econômica, depende inteiramente de balança para pesagem dos caminhões, silos de secagem, dentre outros vários maquinários necessários à consecução de seu fim social. Fl. 894DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 60 Entretanto, referidos bens teriam sido desconsiderados pela Fiscalização tão somente por supostamente não serem utilizados na produção de bens destinados à venda. Contudo, entende que o “processo produtivo” para fins de apuração de créditos do PIS/COFINS alcança todos os fatores necessários para, além da produção de bem/serviço, a obtenção de receita tributável. Em suas palavras: Ainda que não integrantes do estabelecimento industrial da Recorrente, os bens desconsiderados pela fiscalização são imprescindíveis para o correto exercício de suas várias atividades econômicas. Basta imaginar como seria a produção de ração, secagem e armazenagem de grãos em silos, se não houvesse uma balança de precisão. Ora, é essencial precisar a quantidade carregada ou descarregada nos caminhões, por exemplo, principalmente porque a informação do peso da carga deve constar nas notas fiscais, sob pena de sanções caso ausente ou imprecisas. Tanto é que a pesagem é etapa imprescindível e que aparece em vários momentos do processo produtivo, consoante do descritivo de fls. 82/83 e 90, o que justifica, por exemplo, o crédito sobre a depreciação das balanças rodoviárias/ferroviárias, de precisão, dentre outras. De igual modo, o mesmo problema ocorreria na ausência de filtros de impurezas no armazenamento dos produtos destinados à venda, haja vista o rigor a que está submetida à Recorrente em relação aos controles e padrões de higiene e saúde. No mesmo sentido, os silos para armazenagem; os secadores para o necessário e correto armazenamento dos grãos, como já anteriormente demostrado; transportadoras utilizadas para transferência de matérias-primas e produtos acabados, conforme consta do Laudo apresentado pela Recorrente (fl. 89): (...) Fl. 895DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 61 Ora, verifica-se que os bens desconsiderados pela fiscalização não só são empregados diretamente na produção realizada pela Recorrente, como também são essenciais à sua atividade econômica. O que se verifica, no presente caso, é a glosa dos créditos pela fiscalização sem qualquer fundamento que demonstrasse que cada um dos bens não está inserido no processo produtivo da Recorrente. E ainda que assim não se entendesse, deve ser destacado que no estabelecimento matriz da Recorrente estão alocados tanto a fábrica de ração, quanto alguns armazéns secadores, sem que houvesse a devida segregação por parte da fiscalização, o que apenas evidencia a ausência de fundamentação do acórdão em referência, devendo-se garantir o direito de crédito da Recorrente em relação à depreciação de máquinas e equipamentos essenciais à sua atividade econômica. Com razão o recorrente. Conforme já analisado no tópico “VII.2 – DA LENHA”, a atividade econômica do contribuinte não está restrita apenas à fabricação de ração, mas também à produção de grãos secos, a partir de grãos contendo umidade, adquiridos dos cooperados. Este fundamento para a glosa se refere exclusivamente ao fato dos equipamentos listados nos anexos V e VI estarem localizados em estabelecimentos do contribuinte que, segundo a Fiscalização, não realizam qualquer atividade industrial, conforme consta do Despacho Decisório: Em diligência a empresa, no dia 16 de agosto de 2012, foi verificado que a unidade de fabricação de alimentos animais está instalada na matriz, CNPJ: 76.107.770/0001-08, conjuntamente, com uma unidade de secagem e armazéns. Abaixo a descrição das unidades e respectivas atividades desenvolvidas: (...) Conforme os arquivos apresentados: Item 03 - Imobilizado.xls, foi verificado o creditamento de bens adquiridos de pessoa física, e também sobre diversos equipamentos que não são utilizados na produção de bens destinados à venda, como por exemplo: balanças, costuradora, carro plataforma, máquinas de limpeza, sistema de captação, entre outros. Os referidos bens encontram-se em unidades não produtoras de alimentos animais destinados à venda, neste caso é um equipamento incorporado ao ativo imobilizado não ligado diretamente a produção, razão pela qual efetuou-se a glosa dos bens relacionados nos Anexos V e VI. Observe-se que o Auditor-Fiscal não glosou os equipamentos em razão de sua utilização individual na empresa, mas pelo fato de estarem sendo utilizados em unidades que se destinam meramente à revenda de grãos, nas quais não ocorre nenhum processo produtivo. Tendo em vista que esse argumento já foi refutado neste voto, devem ser revertidas as glosas em questão, com exceção daquelas referentes a encargos de depreciação de bens usados ou adquiridos de pessoas físicas. (ii) bens/edificações adquiridos de pessoas físicas, o que seria vedado pela literalidade do art. 3.º das Leis n.ºs 10.833 e 10.637 Fl. 896DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 62 Em relação a este fundamento do acórdão da DRJ, o recorrente afirma que o colegiado se limitou a indicar que não haveria impugnação específica, deixando, portanto, de demonstrar o acerto/desacerto da fiscalização nessa conclusão. Contudo, afirma que, por meio de sua Manifestação de Inconformidade, realizou a impugnação da totalidade das glosas relacionadas ao seu ativo imobilizado – “Tópico – Dos créditos do ativo imobilizado”. Sustenta, ainda, que merecem ser revertidas as glosas com esse fundamento, haja vista que as referidas leis nada dispõe a respeito da impossibilidade de aproveitamento de crédito de bens do ativo imobilizado adquiridos de pessoas física. O entendimento do recorrente mostra-se equivocado. O art. 3°, §2º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, é expresso ao vedar o creditamento sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. E o art. 1º destas mesmas leis definem que a incidência destes tributos somente ocorre com contribuintes pessoa jurídica: Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, com a incidência não-cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nesse contexto, deve ser negado provimento a este pedido. (iii) “Apropriação de crédito de edificações/bens usados referente ao contrato de compra e venda com a empresa Com. Ind. Brasileira Coimbras S/A”, o que seria vedado pelo inciso II, §3.º, art. 1.º da IN/SRF n.º 457/2004 – Código de Bens 10077 a 10105 Em relação a este fundamento do acórdão da DRJ, o recorrente afirma que o art. 3º das citadas Leis nº 10.833 e 10.637, não faz qualquer distinção quanto à condição do bem incorporado - se usado ou novo. Nesse sentido, o que se verifica, é a ilegal restrição pela referida Instrução Normativa nº 457/2004, em completo desacordo com o citado artigo das referidas leis. Sustenta ainda que, em relação ao argumento de que a operação de venda de bens usados do ativo imobilizado não está sujeita ao pagamento da contribuição em questão, nos termos do §2º do art. 3º da Lei nº 10.833/2002, “remete-se aos fundamentos já apresentados no tópico “5.2.2” das presentes razões recursais”, no qual entende ter demonstrado que a aquisição de bens submetidos à alíquota zero não obsta o direito de crédito, uma vez que, por representar tributação, não é restringido pelo referido dispositivo legal. Apesar da irresignação do contribuinte, não lhe assiste razão nesta matéria. Como já esclarecido em outros tópicos, o art. 3°, §2º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, é expresso ao vedar o creditamento sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. E o art. 1º, § 3º, inciso II, dos mesmos diplomas legais, define que as receitas não operacionais decorrentes da venda de ativo permanente não integram a base de cálculo das contribuições: Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, com a incidência não-cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim Fl. 897DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.533 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720319/2012-10 63 entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (...) § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...) II - não-operacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; Nesse contexto, deve ser negado provimento a este pedido. VIII - DISPOSITIVO Pelo exposto, voto por (i) rejeitar a preliminar de “nulidade do acórdão da DRJ por ausência de motivação” e, (ii) no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reverter a glosa de créditos referentes a (ii.1) material de embalagens e etiquetas; (ii.2) aquisição de lenha de pessoas jurídicas, exceto em relação ao creditamento sobre notas fiscais de emissão da própria contribuinte; (ii.3) serviços aplicados nas fazendas de lenha e na produção de bovinos; (ii.4) fretes nas operações de venda para terceiros não cooperados/associados e/ou que não se caracterizam como cooperativas; e (ii.5) encargos de depreciação, exceto aqueles relacionados à aquisição de bens usados ou adquiridos de pessoas físicas. (documento assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Fl. 898DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 11080.735079/2017-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 13 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 27/04/2012 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.
Numero da decisão: 1201-006.594
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE

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conteudo_txt : Metadados => date: 2024-07-18T13:05:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-07-18T13:05:48Z; Last-Modified: 2024-07-18T13:05:48Z; dcterms:modified: 2024-07-18T13:05:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-07-18T13:05:48Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-07-18T13:05:48Z; meta:save-date: 2024-07-18T13:05:48Z; pdf:encrypted: false; modified: 2024-07-18T13:05:48Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-07-18T13:05:48Z; created: 2024-07-18T13:05:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2024-07-18T13:05:48Z; pdf:charsPerPage: 1396; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-07-18T13:05:48Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 11080.735079/2017-13 ACÓRDÃO 1201-006.594 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 13 de maio de 2024 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE REED EXHIBITIONS ALCANTARA MACHADO LTDA RECORRIDA FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 27/04/2012 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Fl. 97DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.594 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.735079/2017-13 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Na origem, trata-se de Auto de Infração que veiculou a cobrança de Multa Isolada decorrente da não homologação de declarações de compensação transmitidas pelo contribuinte. O Acórdão Recorrido manteve parte do auto de infração. Em Recurso Voluntário, o Contribuinte defende: 1. Nulidade do lançamento pois somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva do processo de crédito; 2. Insubsistência do lançamento por inconstitucionalidade decorrente da violação ao direito de petição; 3. Retroação benigna da Lei nº 13.137/15, a qual revogou o § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que previa a aplicação da multa de 50% em caso de indeferimento do pedido de restituição; 4. Impossibilidade de concomitância da multa de mora com a multa isolada; 5. Necessidade de sobrestamento do feito até o julgamento em definitivo do RE nº 796.939/RS (Tema STF nº 736). É a síntese do necessário. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Inicialmente, reconheço a competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do Regimento Interno do CARF, e verifico que o recurso é tempestivo. No mais, o recurso preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 98DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.594 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.735079/2017-13 3 Preliminar de nulidade O Recorrente suscita como preliminar a nulidade do lançamento, alegando que somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva no processo de crédito nº 10880-911.566/2018-91. Alega que o lançamento em questão é regido pelo art. 116, II do CTN, pois o fato gerador da multa isolada seria situação jurídica que, como tal, só poderia ser reputada ocorrida após a constituição definitiva do crédito tributário. Penso, entretanto, que o fato gerador da multa isolada decorrente da não homologação de compensação é situação de fato, regida pelo inciso I do art. 116 do CTN. Desde a transmissão da declaração de compensação reputada indevida, produzem-se os efeitos a ela inerentes, notadamente a extinção do crédito tributário, embora sob condição resolutória de ulterior homologação, justificando-se a imposição da multa isolada desde então, muito embora sua exigibilidade seja suspensa caso interposta Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório proferido no Processo de Crédito (§18, art. 74, Lei nº 9.430/96). Não vislumbro portanto qualquer nulidade. Mérito No mérito, a alegação de inconstitucionalidade passa a ter novos efeitos perante o CARF diante do julgamento definitivo da contenda pelo STF no tema de repercussão geral nº 736 e da e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, que produz efeitos vinculantes aos membros deste colegiado, nos termos do inciso I, do §1º, do art. 62, RICARF anterior, correspondente ao art. 98, II, “b” do atual RICARF, que agora exige o já verificado trânsito em julgado da matéria. Vejamos a redação anterior: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016)” E a redação atual: “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou Fl. 99DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.594 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.735079/2017-13 4 II - fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103- A da Constituição Federal; b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária;” (grifo nosso) O Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 796939, com repercussão geral (Tema 736) e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo 17 do artigo 74 da Lei 9.430/1996 que prevê a incidência de multa isolada no caso de não homologação de pedido de compensação tributária pela Receita Federal. No voto pelo desprovimento do recurso da União, o ministro Edson Fachin, relator, observou que a simples não homologação de compensação tributária não é ato ilícito capaz de gerar sanção tributária, razão pela qual a aplicação automática da sanção, sem considerações sobre a intenção do contribuinte, tacharia de ilícito o próprio exercício do direito de petição constitucionalmente assegurado. A tese de repercussão geral fixada foi a seguinte: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. Portanto, tendo o STF decidido pela inconstitucionalidade da multa isolada, ora em discussão, torna-se inafastável o entendimento da Suprema Corte, devendo- se afastar integralmente a penalidade aplicada. Restam assim prejudicados os demais argumentos apresentados pelo Recorrente. Pelo exposto, conheço o Recurso Voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento integral. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Fl. 100DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.594 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.735079/2017-13 5 Fl. 101DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Preliminar de nulidade Mérito

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