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Numero do processo: 10166.720918/2011-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado ao contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente. Ademais, não restou justificada as alegações trazidas pela contribuinte que ensejasse a nulidade do auto de infração.
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS OMITIDOS. Constitui omissão de rendimentos deixar o declarante de informar valores tributáveis na declaração de ajuste anual recebidos de pessoa jurídica. A forma de pagamento não descaracteriza o fato gerador e não altera o sujeito passivo da obrigação tributária.
Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2301-005.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Joao Bellini Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Relatora Juliana Marteli Fais Feriato
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Freitas de Souza Costa, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente).
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado ao contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente. Ademais, não restou justificada as alegações trazidas pela contribuinte que ensejasse a nulidade do auto de infração. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS OMITIDOS. Constitui omissão de rendimentos deixar o declarante de informar valores tributáveis na declaração de ajuste anual recebidos de pessoa jurídica. A forma de pagamento não descaracteriza o fato gerador e não altera o sujeito passivo da obrigação tributária. Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 09 18 /2 01 1- 09 Fl. 274DF CARF MF 2 Joao Bellini Junior Presidente. (assinado digitalmente) Relatora Juliana Marteli Fais Feriato Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Freitas de Souza Costa, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl. 238 e ss.) interposto em face da decisão da DRJ (fls. 222) proferida pela 4ª Turma da DRJ/POA, Acórdão 1056.237 de 06/04/2016, que indeferiu a Impugnação e determinou a procedência do lançamento, cuja Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007, 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Constitui omissão de rendimentos deixar o declarante de informar valores tributáveis na declaração de ajuste anual recebidos de pessoa jurídica. A forma de pagamento não descaracteriza o fato gerador e não altera o sujeito passivo da obrigação tributária. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Estando o lançamento amparado por farta documentação, de pleno conhecimento do contribuinte, e que lhe permite amplas condições de conhecer os fundamentos da exigência e, portanto, exercer o amplo direito ao contraditório, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. ERRO DE MATERIAL. Não carece de maior exame para detectar que há um flagrante desacordo entre a vontade e o que de fato foi expressado no documento. Não há necessidade de recorrer a interpretação de conceito, estudo ou exame mais acurado para detectar esse tipo de erro, ele é percebido por qualquer pessoa. É um erro grosseiro, manifesto, que não deve viciar o documento e, neste caso, é passível de reparação. VICIO FORMAL. O vício processual de forma só deve conduzir ao reconhecimento da invalidade do ato quando a própria finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida. As nulidades de forma são, por natureza, relativas, exceto se houver previsão legal. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10166.720918/201109 Acórdão n.º 2301005.518 S2C3T1 Fl. 270 3 Impugnação improcedente Crédito Tributário Mantido Conforme consta do Auto de Infração de fls.181 e ss., o Contribuinte foi condenado ao pagamento de crédito tributário na importância correspondente a R$ 50.496,77, sendo R$23.527,08 de imposto a pagar, R$9.324,38 de juros e R$17.645,31 de multa proporcional calculada sobre o principal. Na justificativa apresentada pelo Relatório da Ação Fiscal (fls. 194 e ss.), o Contribuinte atua como Corretor Autônomo de imóveis, sendo que, durante o período analisado, prestou seus serviços à Via Engenharia S/A e à Via Empreendimentos Imobiliários S/A, sendo que em suas DIRF, neste período, declarou que recebeu valores apenas de Pessoas Físicas, enquanto que ambas as empresas declararam que efetuaram pagamentos ao Contribuinte, sendolhe imputada a omissão de rendimentos. Na Impugnação juntada nas fls. 207/218, o Contribuinte alega cerceamento de defesa, por não ter tido acesso aos documentos que embasaram o lançamento; que os pagamentos não foram efetuados pelas empresas, mas sim por pessoas físicas (compradores); que as planilhas apresentadas pela fiscalização (fls. 200 a 202) não é prova suficiente para imputar ao impugnante a omissão de rendimentos; que a fiscalização não disponibilizou o “CD” com as informações sobre a fiscalização das empresas o que o leva a questionar se são fidedignos os documentos que embasam o lançamento e que caberia a ela comprovar a existência do fato jurídico tributário e ao autuado a prova em contrário e que por conta disso necessária a declaração de nulidade do PAF, nos termos do inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235/72; requer que os valores apurados pela fiscalização sejam deduzidos o percentual de 20% referente a parcela repassada à gerente Maria Moreira Neves Barreto (CPF nº 210.308.12187) e 10% ao Diretor Comercial Ney Robston Mariano de Almeida (CPF nº 340.680.15104), ambas em espécie e sem a contrapartida de recibos; por fim, aduz que não foram excluídos os valores já informados nas DAA dos exercícios 2007 a 2009, anos calendário 2006 a 2008, não sendo observado o artigo 142 do CTN. Nos termos da decisão da DRJ, fls. 222/228, a Autoridade Fiscal entendeu pela improcedência da impugnação, na seguinte razão: · Não se vislumbra nulidade, visto que a autuação foi realizada por pessoa competente (auditor), não houve cerceamento de defesa, visto que o processo administrativo se instaura apenas com a impugnação, portanto, foi proporcionado devidamente o contraditório e a ampla defesa, sendo que cabia ao Contribuinte juntar prova com a Impugnação do que alega, de forma a demonstrar o equívoco da Autuação; · Com relação à nulidade suscitada, não se verifica qualquer vício formal capaz de tornar o ato de lançamento nulo, sendo que o vício apontado pelo impugnante erro na capitulação legal pela não submissão do lançamento as hipóteses dos incisos do artigo 55 do RIR remetem às questões de mérito e devem ser analisadas como tal, sendo que o tratamento dado aos rendimentos omitidos pela fiscalização é o de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício Fl. 276DF CARF MF 4 recebido de pessoas jurídicas, conforme inciso V do artigo 45 e, por esta razão, não há que se falar em fundamentação legal incorreta; · Com relação ao fato que os valores não eram recebidos da Via Engenharia S/A e Via Empreendimentos Imobiliários S/A, mas sim, das pessoas físicas que adquiriram os imóveis, verificase que o contribuinte recebia cheques emitidos pelos adquirentes o que não significa que os valores eram pagos pelas pessoas físicas, apenas identifica que a forma de pagamento pelos serviços de corretagem era feito através de cheques entregues as empresas como parte do pagamento dos imóveis (sinal). Ou seja, o valor do imóvel vendido inclui a comissão do corretor e, portanto, não é paga pelo adquirente, mas pelo vendedor, no caso as empresas Via Engenharia S/A e Via Empreendimentos Imobiliários S/A, sendo indevida a alegação do autuado de que as comissões eram pagas por pessoas físicas. · Quanto à alegação de que a comissão era repartida com a gerente Maria Moreira Neves Barreto (20%) e com o Diretor Comercial Ney Robston Mariano de Almeida (10%) cujos valores eram repassados em espécie e sem a contrapartida dos recibos, impossível acatar sem documentação para comprovar o alegado; · Quanto a exclusão dos valores informados como recebidos de pessoas físicas nas Declarações de Ajuste Anual dos anoscalendário 2006 a 2008 verificase que alguns depósitos na conta corrente nº 600.3796 da Agência nº 15075 do Banco do Brasil S/A correspondem aos valores das comissões descritas nas planilhas (fls. 200 a 202), anexas ao Relatório Fiscal do Auto de Infração – IRPF, porém visto que os créditos na conta são muito superiores aos rendimentos declarados, não é possível identificar se os valores informados na DAA são os mesmos lançados pela fiscalização. Nas fls. 238/266, o Contribuinte junta seu Recurso Voluntário alegando: · Cerceamento de defesa, visto que não teve acesso à documentação que embasou a planilha apresentada pela Fiscalização no Auto de Infração, devendo os autos serem julgados nulos; · Insubsistência do lançamento por vício formal, por incompatibilidade da capitulação legal com a descrição dos fatos; · Nulidade do Lançamento, alegando, novamente, que não teve acesso à documentação que instruiu a planilha elaborada pela Autoridade Fiscal a qual imputou a omissão de rendimentos recebidos pelo Contribuinte durante o período analisado, reafirmando que recebeu comissões pagas apenas por pessoas físicas, e, no caso de permanência do entendimento por este Conselho do entendimento dado pela DRJ, ou seja, constatação da omissão, pede que os valores declarados e pagos de Imposto de Renda durante o período analisado devem ser excluídos da exação; Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10166.720918/201109 Acórdão n.º 2301005.518 S2C3T1 Fl. 271 5 Nas fls. 261, junta com o Recurso Voluntário uma “Declaração”, na qual informa que compareceu perante a Via Engenharia S/A e a Via Empreendimento Imobiliários S/A para solicitar a emissão do Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda nos anoscalendário de 2006/2007/2008 o qual afirma que o Diretor Contábil Sr. Becatini informou que não encontrou nenhum registro no nome do Contribuinte. Nas fls. 262 verifica a carta emitida pelo Contribuinte à Via Engenharia S/A, requerendo as informações supracitadas. Este é o relatório. Voto Conselheira Relatora Juliana Marteli Fais Feriato Admissibilidade Conforme consta das fls. 232, o Contribuinte tomou ciência da decisão em 28/04/2016, apresentando Recurso Voluntário em 30/05/2016 (fls. 238). Tendo em vista que dia 30/05/2016 era domingo, sem expediente, nos termos do Parágrafo Único do Art. 5º do Decreto 70.235/1972 em que determina que “os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato”, reconheço a tempestividade do Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte, passando à análise de seu mérito. Preliminares Tratase de Recurso Voluntário do indeferimento da impugnação apresentada pelo Contribuinte referente à revisão do Imposto de Renda do mesmo, durante o período apurado, diante da omissão de recebimento de rendimentos de pessoa jurídica sem vínculo empregatício que culminou no lançamento de crédito tributário correspondente a R$ 50.496,77, sendo R$23.527,08 de imposto a pagar, R$9.324,38 de juros e R$17.645,31 de multa proporcional calculada sobre o principal. O lançamento do imposto suplementar teve origem valores recebidos pelo Contribuinte e omitido em sua Declaração de Imposto de Renda, à título de Comissão pela corretagem prestada, durante o período de apuração, às empresas Via Engenharia S/A e a Via Empreendimento Imobiliários S/A. Com relação à alegação preliminar de nulidade do Auto de Infração trazida no Recurso Voluntário, observa que o mesmo foi elaborado por Auditor competente e sendo Fl. 278DF CARF MF 6 narrado corretamente no Relatório da Ação Fiscal (fl. 194 e ss) a infração imposta ao Contribuinte, assim como, seu enquadramento legal. A suscitação de que não foi feito o correto enquadramento legal no Auto de Infração, verificase nas fls. 188 que a Autoridade Fiscal o enquadrou nos art. 37, 38, 45, 55 do RIR/99 e do Art. 1º da Lei 11.119/2005, os quais indicam a necessidade do profissional autônomo declarar todo rendimento recebido, mesmo que sem vínculo empregatício. Portanto, não vislumbro a alegação do Contribuinte no presente caso. Por fim, ainda sobre as preliminares acostada pelo Contribuinte, com relação ao cerceamento de defesa, observase que: · No início da investigação fiscal, embora o Contribuinte tivesse sido intimado para apresentação da documentação exigida pela Autoridade Fiscal (Termo de Início do Procedimento Fiscal – TIPF) em que tomou ciência em 21/12/2010, solicitou prorrogação do prazo, sendo aceito a sua documentação e informação, mesmo depois de decorrido o prazo; · Não foram indeferidos o acesso, do contribuinte, aos documentos que embasaram o procedimento fiscal, sendo, inclusive, aceitos todas as suas manifestações, impugnação e Recurso Voluntário, juntamente com as documentações que os instruíram; A planilha que sustenta o Auto de Infração juntada no Relatório da Ação Fiscal (fls. 200/202) foram extraídas do Banco de Dados do FISCO, das Declarações de Pagamento realizadas pelas empresas Via Engenharia S/A e a Via Empreendimento Imobiliários S/A em suas DIRPJ, sendo que o Contribuinte, tendo acesso à planilha, deveria ele comprovar que tais valores dizem respeito aos valores declarados como rendimento recebido de Pessoa Jurídica, para comprovar o que alega. Ademais, as DIRPJ das empresas Via Engenharia S/A e a Via Empreendimento Imobiliários S/A são dados fiscais e sigilosos, sendo inviável seu acesso ao Contribuinte, entretanto, a planilha, extraída dessa documentação de acesso ao FISCO, esta sim o Contribuinte tem que ter acesso para não ser caracterizado o Cerceamento de Defesa. Como se observa, o Contribuinte teve acesso à planilha, a qual identifica os valores declarados pelas empresas ao FISCO. Portanto, cabia ao Contribuinte demonstrar o equívoco da Autuação, ou seja, deveria comprovar em sua impugnação ou Recurso Voluntário, que tais valores dizem respeito à comissão paga pela Pessoa Física. Ante ao exposto, não se vislumbra a nulidade alegada, nem o cerceamento de defesa. Sobre o tema, verificase certos julgados deste Conselho: (...) PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado ao contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente. Ademais, não Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10166.720918/201109 Acórdão n.º 2301005.518 S2C3T1 Fl. 272 7 restou justificada as alegações trazidas pela contribuinte que ensejasse a nulidade do auto de infração. CARF. Autos 13433.720980/201183. Acórdão 1301002.934. 1ª Seção de Julgamento. 3ªCâmara/1ªTurmaOrdinária. Sessão 10/04/2018. (...) NULIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A nulidade de um lançamento fiscal pressupõe a existência de um ato administrativo lavrado por autoridade incompetente ou que não se franqueie à parte adversária o amplo direito de se defender. Caso isto não ocorra ou não se prove , impendese afastar o pedido de nulidade do lançamento. CARF. Autos 10935.723840/201622. Acórdão 1401002.354. 1ª Seção de Julgamento. 4ªCâmara/1ªTurmaOrdinária. Sessão 10/04/2018 Portanto, não reconheço que ao Contribuinte foi cerceada sua defesa. Eliminadas as preliminares, passase à análise do mérito do Recurso, ou seja, se houve ou não a omissão imposta. Mérito Alega o Contribuinte que houve equívoco do Fisco, visto que as comissões eram pagas por Pessoas Físicas e não pelas empresas (Via Engenharia S/A e a Via Empreendimento Imobiliários S/A), tendo declarado corretamente na sua Declaração de Imposto de Renda. Em contrapartida, observase que o Contribuinte sequer foi capaz de comprovar que os valores por ele declarados estavam corretos. Isto, pois, há nos autos prova documental contrária a sua alegação. Nas fls. 165, a Autoridade Fiscal junta as DIRPF do Contribuinte durante o período analisado. Apenas à exemplo aos membros deste Conselho da prova documental que utilizo para julgar o presente voto, observase que no AnoCalendário de 2007, o Contribuinte declarou em sua DIRPF que recebeu em janeiro de 2007, rendimento pago por pessoa física a quantia de R$2.500,00. Em contrapartida, o próprio Contribuinte junta nas fls. 35, um recibo do qual afirma que recebeu em 31/01/2007 a quantia de R$4.800,00 de Comissão paga por Marcelo Negrão de Oliveira (CPF 385.200.80153). Portanto, apenas para este mês que utilizo como exemplo e justificativa para demonstrar as inverdades ditas e não comprovadas pelo Contribuinte neste Recurso Voluntário, observase que o Contribuinte omitiu ao FISCO o recebimento da diferença de R$2.300,00. E assim continua com os demais meses. Fl. 280DF CARF MF 8 Assim sendo, resta comprovado que o Contribuinte omitiu, durante o período analisado, rendimentos, sendo que o próprio FISCO poderia ter imputado, além do imposto suplementar a pagar proveniente de rendimentos pagos por Pessoa Jurídica, a diferença dos valores recebidos de pessoa física, comprovados pelos recibos juntados pelo Contribuinte. Além disto, descabida a alegação de que os valores declarados na planilha pelo FISCO dizem respeito aos valores declarados pelo Contribuinte em sua DIRPF do período analisado como recebidos de pessoa física. Isto, pois, conforme se observa na planilha de fls 200/292 e nas DIRPF de fls 154/165 e ss., os valores recebidos pela Pessoa Jurídica na planilha são superiores aos valores declarados nas DIRPF, não havendo qualquer congruência entre os mesmos. Por ex., em março de 2007, o Contribuinte declarou que recebeu R$1850,00 (fl. 165), enquanto que na planilha (fl. 200) há o lançamento de que ele recebeu R$6.915,00. Portanto omitiu o valor da diferença. Descabida também a alegação de que dividia a comissão com terceiros, não recebendo tais valores cheios. Cabia ao Contribuinte a prova do alegado, ou seja, comprovante de transferência, contrato com o terceiro entre outras formas. As provas demonstram que o Contribuinte omitiu a renda recebida durante o período analisado. O Imposto de Renda e sua Declaração são obrigações personalíssimas do Contribuinte, sendo sua responsabilidade única as informações prestadas quando do preenchimento de sua declaração anual de ajuste. Art. 787. As pessoas físicas deverão apresentar anualmente declaração de rendimentos, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário (Lei nº 9.250, de 1995, art. 7º). Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. A responsabilidade pela exatidão/inexatidão do conteúdo consignado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda é do próprio beneficiário dos rendimentos, que não pode desconhecêlos e deixar de oferecêlos à tributação. Quanto ao pedido de exclusão dos valores informados como recebidos de pessoas físicas nas Declarações de Ajuste Anual dos anoscalendário 2006 a 2008, retomo o entendimento da DRJ, visto que se verifica que alguns depósitos na conta corrente nº 600.379 6 da Agência nº 15075 do Banco do Brasil S/A correspondem aos valores das comissões descritas nas planilhas (fls. 200 a 202), anexas ao Relatório Fiscal, porém visto que os créditos na conta são muito superiores aos rendimentos declarados, não é possível identificar se os valores informados na DAA são os mesmos lançados pela fiscalização. O contribuinte deveria ter trazido uma planilha explicativa com os valores que declarou e prova documental da referência que diz respeito este valor. Inclusive, como dito anteriormente, observase que o contribuinte, nas folhas 19/20, comprova comissões que não foram objeto de lançamento, portanto, não há como definir quais foram oferecidas a tributação na DAA e quais não foram. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10166.720918/201109 Acórdão n.º 2301005.518 S2C3T1 Fl. 273 9 Diante do exposto, voto por negar provimento ao pedido. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato – Relatora. Fl. 282DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.723929/2013-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA
O Princípio da Retroatividade Benigna não afasta a cobrança da multa isolada ou mesmo reduz o seu valor, pois não deixou de existir no ordenamento jurídico e, no caso em tela, tampouco reduziria o valor lançado.
MULTA ISOLADA. BOA-FÉ. AUSÊNCIA DE DOLO OU CULPA
O §17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96 descreve a conduta infracional e a multa, a despeito da intenção do agente ou de constatação de culpa ou conduta dolosa.
MULTA ISOLADA. MULTA DE MORA. BIS IN IDEM
Não ocorreu o "Bis in Idem". São condutas infracionais distintas (compensação indevida e atraso no pagamento), sobre as quais incidem multas distintas
MULTA ISOLADA. IMPOSIÇÃO, ANTES DA CONCLUSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO
O dispositivo legal estabelece que a simples e isolada ocorrência de não homologação de compensação acarreta em lançamento de ofício da multa isolada. Não obstante, a cobrança da multa isolada estará subordinada à conclusão dos processos em que se discutem as legitimidades do respectivos PER/DCOMP.
MULTA ISOLADA. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE
Não cabe ao CARF afastar penalidade prevista em dispositivo legal que esteja plenamente em vigor.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA ISOLADA
Em sendo parte integrante da obrigação tributária, é lícita a incidência de juros sobre a multa de ofício não recolhida no prazo.
Numero da decisão: 3301-004.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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RETROATIVIDADE BENIGNA O Princípio da Retroatividade Benigna não afasta a cobrança da multa isolada ou mesmo reduz o seu valor, pois não deixou de existir no ordenamento jurídico e, no caso em tela, tampouco reduziria o valor lançado. MULTA ISOLADA. BOAFÉ. AUSÊNCIA DE DOLO OU CULPA O §17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96 descreve a conduta infracional e a multa, a despeito da intenção do agente ou de constatação de culpa ou conduta dolosa. MULTA ISOLADA. MULTA DE MORA. BIS IN IDEM Não ocorreu o "Bis in Idem". São condutas infracionais distintas (compensação indevida e atraso no pagamento), sobre as quais incidem multas distintas MULTA ISOLADA. IMPOSIÇÃO, ANTES DA CONCLUSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO O dispositivo legal estabelece que a simples e isolada ocorrência de não homologação de compensação acarreta em lançamento de ofício da multa isolada. Não obstante, a cobrança da multa isolada estará subordinada à conclusão dos processos em que se discutem as legitimidades do respectivos PER/DCOMP. MULTA ISOLADA. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE Não cabe ao CARF afastar penalidade prevista em dispositivo legal que esteja plenamente em vigor. JUROS DE MORA SOBRE MULTA ISOLADA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 39 29 /2 01 3- 40 Fl. 732DF CARF MF Processo nº 11516.723929/201340 Acórdão n.º 3301004.908 S3C3T1 Fl. 733 2 Em sendo parte integrante da obrigação tributária, é lícita a incidência de juros sobre a multa de ofício não recolhida no prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de Auto de Infração lavrado para fins de imposição de multa isolada no valor de R$ 42.490,81, pela não homologação da Compensação nº 13161.73205.231110.1.7.098329 de 23/11/2010, vinculada ao Pedido de Ressarcimento tratado no processo nº 11516.721887/201141. A penalidade aplicada corresponde a 50% (cinquenta por cento) do valor do crédito não compensado, nos termos do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, com a redação dada pelo art. 62 da Lei nº 12.249/2010. A impugnante contesta a autuação alegando, inicialmente, a impossibilidade da aplicação da penalidade com base na tese de que não se aplica ao caso o artigo 136 do Código Tributário Nacional. Defende que a responsabilidade por infração tributária não é objetiva, como entende a fiscalização, mas subjetiva e que, portanto, a culpa do contribuinte (ou o dolo, em alguns casos) deve ser provada pela Fiscalização. Acrescenta que, mesmo que se admitisse a objetividade da responsabilidade em matéria tributária, à Fiscalização cabia comprovar que o exercício regular do direito à compensação da Impugnante, pautado na boafé, causou qualquer dano ao Erário ou à Administração Pública. Alega que a multa em questão não poderia ter sido lançada em concomitância com a multa de mora já exigida pela Fiscalização, ao não homologar a compensação, por caracterizar bis in idem. Defende que a penalidade aplicada deve ser cancelada, vez que somente poderia ser exigida depois de encerrado o processo administrativo relativo a não homologação da compensação. Fl. 733DF CARF MF Processo nº 11516.723929/201340 Acórdão n.º 3301004.908 S3C3T1 Fl. 734 3 Com argumentos de variada ordem, aduz que a multa aplicada ofende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade. Por fim, suscita a ilegalidade da incidência de juros moratórios sobre a multa isolada, com base no argumento de que o artigo 61 da Lei n.° 9.430/1996, resta evidente que somente são admitidos os acréscimos moratórios referentes aos débitos decorrentes de tributos e contribuições, mas não sobre as penalidades pecuniárias. Diante de todo o exposto, pede que seja dado provimento à sua impugnação e cancelado o auto de infração. Da revisão do acórdão Verificada inexatidão material devido a erro no cálculo do crédito passível de ressarcimento, o processo retornou à DRJ para prolação de acórdão revisor, em substituição do Acórdão nº 0735.253, de 30 de julho de 2014. É o relatório." A ADJ em Florianópolis (SC) julgou a impugnação procedente em parte e o Acórdão n° 0736.187, de 10/12/14, foi assim ementado: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 28/03/2009 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA ISOLADA. A partir da vigência da Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, deve ser lavrado Auto de Infração para a aplicação da multa isolada no valor correspondente a 50% (cinquenta por cento) do valor do crédito objeto de compensação não homologada. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA ISOLADA. INTENÇÃO DO CONTRIBUINTE. Os dispositivos instituidores da multa isolada aplicável nos casos de compensação não homologada não condicionam sua aplicação à intenção do contribuinte ao apresentar a declaração. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos contidos na impugnação e adicionou o tópico "Da revogação da Multa Isolada Retroatividade Benigna". Com este novo argumento, requer que a multa isolada seja cancelada, pois teria sido revogada, quando da alteração da redação do § 17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96 na data da autuação, dispunha que a multa seria calculada sobre o valor do crédito, e, atualmente, sobre o valor do débito. Com a revogação da multa, o lançamento de ofício deve ser cancelado, por força da aplicação do Princípio da Retroatividade Benigna", esculpido no art. 106 do CTN É o relatório. Fl. 734DF CARF MF Processo nº 11516.723929/201340 Acórdão n.º 3301004.908 S3C3T1 Fl. 735 4 Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recuso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de auto de infração para cobrança de multa isolada por compensação (DCOMP) considerada indevida, em razão de ter sido instruída por Pedido de Ressarcimento (PER), cujos créditos foram glosados, em sede do processo n° 11516.721887/201141, que se encontra nesta pauta para julgamento. Em preliminar,a recorrente lista processos administrativos que reputa que devem ser julgados em conjunto, pois são conexos. Está correta: todos estão nesta pauta para julgamento. Passemos à análise dos argumentos de defesa. "III 1 Da revogação da Multa Isolada Retroatividade Benigna" Aduz que a infração teria deixado de existir no ordenamento jurídico, com a alteração na redação do § 17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, onde foi capitulada a autuação: na data da autuação, dispunha que a multa seria calculada sobre o valor do crédito, e, atualmente, sobre o valor do débito. Sendo assim, aplicarseia o princípio da retroatividade benigna (art. 106 do CTN) e, por conseguinte, deverseia cancelar o lançamento de ofício. Reproduzo, com os destaques necessários, as redações do citado dispositivo legal que estavam em vigor na data da autuação e atual, bem como do art. 106 do CTN: Redação na data da autuação § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Redação atual, após a alteração promovida pela Lei n° 13.097/15 § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Art. 106 do CTN Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 735DF CARF MF Processo nº 11516.723929/201340 Acórdão n.º 3301004.908 S3C3T1 Fl. 736 5 a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A meu ver, não assiste razão à recorrente. É cediço que deve ser adotada a legislação que se encontrava em vigor na data da ocorrência da infração. Não obstante, em se tratando de penalidade pelo cometimento de infração, recorrese ao Princípio da Retroatividade Benigna, quando a conduta compensação indevida deixa de ser tratada como infração ou ainda na hipótese de a pena (multa isolada) ser reduzida. Neste último caso, o menor valor passaria a ser o devido. Contudo, da leitura da nova redação do §17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, verificase que a compensação continua sendo tipificada como infração. E, no caso em tela, o cálculo da multa sobre o valor do débito também não produz efeito no valor do lançamento de ofício, uma vez que o crédito foi integralmente utilizado para compensação com débitos (vide Termo de Verificação Fiscal, fls. 207 a 210). Isto posto, nego provimento aos argumentos da recorrente. "III . 2 Da Impossibilidade de Aplicação da Multa Isolada no Presente Caso" "III.2.1 Da Correta Interpretação do Artigo 136 do CTN Da Boafé da Recorrente Impossibilidade de Penalização da Boafé" Alega que a multa em comento somente poderia ser exigida, quando restasse comprovado que o contribuinte agira com dolo ou culpa, o que não ocorreu. Não se pode punir a boafé do contribuinte. E afirma ainda que: "23. Nesse particular, importante a análise do artigo 136 do Código Tributário Nacional ("CTN"), cuja leitura desatenta poderia levar a essa conclusão: "'Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislacão tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.' 24. Uma análise acurada do dispositivo mostra que o artigo 136 do CTN não introduz a responsabilidade objetiva em matéria de infrações tributárias. Localizar nele o fundamento para a responsabilização objetiva decorre além da inobservância do sistema tributário como um todo de equívocos na interpretação das expressões Fl. 736DF CARF MF Processo nº 11516.723929/201340 Acórdão n.º 3301004.908 S3C3T1 Fl. 737 6 'salvo disposição de lei em contrário' e 'independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato'". O acima transcrito §17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96 descreve a conduta infracional e a multa, a despeito da intenção do agente ou de constatação de culpa ou conduta dolosa. E, ao contrário do que entende a recorrente, entendo que este posicionamento encontra respaldo no art. 136 do CTN. Assim, nego provimento. "III.2.2 Da Ilegalidade da Concomitância da Multa Isolada com a Multa de Mora Ocorrência de Bis in Idem" O título é autoexplicativo e dispensa maiores explicações. Nego provimento, pois entendo que não ocorreu o "Bis in Idem". São condutas infracionais distintas (compensação indevida e atraso no pagamento), sobre as quais incidem multas distintas. "III.2.3 Da Impossibilidade de Imposição da Multa Antes do Término da Discussão na Esfera Administrativa" Aduz que a multa isolada somente poderia ser lançada, após o término do processo que trata do PER (processo n° 11516.721887/201141). Antes disto, configurase como uma antecipação de aplicação de penalidade, o que não encontra respaldo legal. Nego provimento ao argumento, posto que: i) o dispositivo legal estabelece que a simples e isolada ocorrência de não homologação de compensação acarreta em lançamento de ofício da multa isolada; e ii) em se constituindo litígios administrativos, tal qual na situação em questão, a cobrança da multa isolada estará subordinada à conclusão dos processos em que se discutem as legitimidades do respectivos PER/DCOMP. "III.2.4 Da Ofensa aos Princípios da Proporcionalidade e da Razoabilidade" Invoca os princípios esculpidos no art. 2° da Lei n° 9.784/99 para obter o cancelamento da multa isolada. Não cabe ao CARF afastar penalidade prevista em dispositivo legal que esteja plenamente em vigor. Portanto, nego provimento. "III.2.5 Da Ilegalidade da Incidência de Juros sobre a Multa Isolada" Fl. 737DF CARF MF Processo nº 11516.723929/201340 Acórdão n.º 3301004.908 S3C3T1 Fl. 738 7 A Recorrente requer que seja afastada a incidência dos juros de mora sobre a multa isolada, quando da eventual cobrança do crédito lançado, sob a alegação de que não há base legal para tanto. Argumenta ainda que a multa não se presta a "repor o capital alheio, mas sim punir o não cumprimento da norma", ao contrário dos os juros que "possuem natureza essencialmente indenizatória". Tratase de matéria em relação à qual controversa já foram proferidas decisões favoráveis (Acórdãos n° 3402002.856 e 3402002.901 da 2° Turma da 4° Câmara da 3° Seção) e desfavoráveis (Acórdãos n° 1402002.065 da 2° Turma da 4° Câmara da 1° Seção e 9303003.385 da 3° Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais) aos contribuintes. Consigno que discordo da interpretação da Recorrente. Dispõe o art. 113 do CTN: " Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (. . .)" (grifo nosso) A redação do art. 113 do CTN já foi objeto de inúmeras críticas por parte de conceituados tributaristas, que repudiam o fato de o conceito de obrigação tributária compreender tributo e penalidade. Contudo, não deixar de aplicálo. Assim, o conceito de obrigação tributária abrange tributos e multa. Sobre a incidência dos juros, temos o art. 161 do CTN: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (. . .)" (grifo nosso) Portanto, é lícita a incidência de juros sobre a obrigação tributária, consistente em tributo e/ou penalidade pecuniária. Neste sentido, apresentouse o entendimento do STJ no AgRg no REsp n° 1335688/PR (DJ de 10/12/2012): "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Fl. 738DF CARF MF Processo nº 11516.723929/201340 Acórdão n.º 3301004.908 S3C3T1 Fl. 739 8 Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido." (grifo nosso) Sobre a taxa de juros a ser aplicada, reportome à Súmula CARF n° 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Nego provimento às alegações concernentes à ausência de base legal para a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício não recolhida no prazo. Conclusão Nego provimento ao recurso voluntário. Para fins de liquidação do acórdão, deve ser observada a decisão proferida em sede do processo n° 11516.721887/201141. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 739DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000024/2010-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/2010-57, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de PIS/Pasep mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.637/2002. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 71 .0 00 02 4/ 20 10 -5 3 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 12571.000024/201053 Resolução nº 3301000.743 S3C3T1 Fl. 173 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.520 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000024/2010 53, 12571.000025/201006, 12571.000026/201042, 12571.000027/201097, 12571.000028/201031, 12571.000029/201086, 12571.000030/201019, 12571.000031/201055, 12571.000032/201008, 12571.000033/201044, 12571.000034/201099, 12571.000035/201033, 12571.000036/201088, 12571.000037/201022, 12571.000038/201077, 12571.000039/201011, 12571.000040/201046, 12571.000041/201091, 13931.000368/200874, 13931.000948/200861, 13931.000949/200814, 13931.000950/200831, 13931.000951/200885, 13931.000952/200820, 13931.000953/200874, 13931.000954/200819, 13931.000955/200863, 13931.000956/200816 e 13931.000957/200852, que tratam da análise de créditos de PIS (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.520, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que Fl. 174DF CARF MF Processo nº 12571.000024/201053 Resolução nº 3301000.743 S3C3T1 Fl. 174 3 tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins mercado interno e exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim, entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16098.000113/2007-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Ementa: COMPENSAÇÃO – IRPJ PAGO INDEVIDAMENTE – COMPROVAÇÃO
– Comprovado nos autos que houve efetivamente pagamento indevido do
IRPJ relacionado a dezembro de 2004, a existência e liquidez do crédito do contribuinte fica assente, demonstrando também formalmente correto o pedido de compensação.
Numero da decisão: 1302-000.446
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante.
Nome do relator: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL COMPENSAÇÃO – IRPJ PAGO INDEVIDAMENTE – COMPROVAÇÃO – Comprovado nos autos que houve efetivamente pagamento indevido do IRPJ relacionado a dezembro de 2004, a existência e liquidez do crédito do contribuinte fica assente, demonstrando também formalmente correto o pedido de compensação. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante. “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello(presidente), Irineu Bianchi (vicepresidente), Wilson Fernandes Guimarães, Eduardo de Andrade, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU 2 Relatório Trata o presente processo de Declarações de Compensação eletrônicas para extinção de débitos tributários com crédito de pagamento indevido ou a maior que o devido, feito em 28/09/2006, a título de estimativa de IRPJ, no valor de R$ 2.677.993,09. Conforme Despacho Decisório, as compensações não foram homologadas. Consta do Despacho Decisório, em síntese, a impossibilidade de homologação das compensações, uma vez que, a época, estava em vigor a Instrução Normativa SRF nº. 460/04, que somente permitia a utilização do valor pago na dedução do “IRPJ devido, ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do IRPJ do período”. Cientificado em 23/12/2008, o contribuinte apresentou, em 22/01/2009, a manifestação de inconformidade (fls. 30/40) cujos argumentos se encontram aqui sintetizados. (i) O contribuinte, tendo optado pelo lucro real anual, apurou no mês de dezembro de 2004 a estimativa de IRPJ no valor de R$ 10.671.136,78, conforme demonstra sua DIPJ (fls. 23). (ii) Como evidente em fls. 28 e 29, os pagamentos relacionados a IRPJ do mês de dezembro de 2004 somaram o montante de R$ 13.349.129,86 (R$ 9.500.000,00 fls 28 e R$ 3.849.129,86). (iii) O interessado entendeu que a diferença entre o pagamento feito e a estimativa devida e declarada do mês de dezembro consiste em pagamento indevido/a maior e efetuou a compensação do valor correspondente. (iv) O indeferimento da compensação não conta com fundamentação, apenas se presumiu que “o pagamento indevido ou a maior realizado seria melhor identificado nos PER/DCOMP’s como saldo negativo”. Em outras palavras, a autoridade entendeu que o contribuinte errara a identificação da natureza do crédito na PER/DCOMP e por esse erro formal indeferiu a compensação. (v) A exigência dos débitos não compensados, feita com base em tal presunção, suprime o procedimento de fiscalização, através do qual o Fisco deve buscar a realidade concreta dos fatos. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU Processo nº 16098.000113/200798 Acórdão n.º 1302000.446 S1C3T2 Fl. 140 3 (vi) A natureza jurídica do tributo é determinada pelo fato gerador, sendo irrelevante a denominação adotada pela legislação tributária, pagamento indevido ou a maior ou ainda saldo devedor de IRPJ. O que importa é que a contribuinte detém o crédito tributário envolvido. (vii) Assim, inferiu a autoridade que o pagamento a maior ou indevido de IRPJ tem a mesma natureza de crédito de IRPJ a compensar, pelo que a decisão é nula. (viii) Em observância aos dispositivos legais citados, efetuara a compensação do pagamento a maior de IRPJ com débitos de IRPJ e COFINS, por meio de PER/DCOMP, reconhecendo ter se equivocado quando da DIPJ 2005, uma vez que não informara o saldo negativo de IRPJ apurado em 2004. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas acordou, por unanimidade de votos, por não reconhecer o direito creditório e não homologar a compensação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos do voto aqui sintetizado. (i) Cumpre ao contribuinte fazer prova do direito creditório, quando do pedido e no momento da apresentação da manifestação de inconformidade. (ii) Embora de fato o contribuinte tenha tentado demonstrar por meio de PER/DCOMP a compensação de saldo de IRPJ pago a maior, deveria ter declarado saldo negativo na DIPJ 2005 (fls. 14/15), pois o recolhimento das estimativas não configura pagamento extintivo de crédito tributário, mas mera antecipação do tributo devido. (iii) Assim não há que se falar em nulidade, mesmo porque não se verifica no caso em análise nenhuma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº. 70.235. (iv) Não é possível admitir a retificação da declaração de compensação em sede de manifestação de inconformidade, vez que os pedidos devem ser apreciados, em primeira vez, pela DRF jurisdicionante da contribuinte. (v) Também, qualquer esclarecimento apresentado posteriormente a decisão da Delegacia configuraria um novo pedido, visto que para cada espécie de crédito destinado a compensação, a autoridade administrativa procede a análise adequada. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU 4 Cientificado da decisão em 23/03/2010, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário protocolado em 22/05/2010, inconformado, trazendo à análise deste conselho reforço aos argumentos despendidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Pelo confronto dos documentos constantes de fls. 1, 23, 28 e 29 deste processo verifico que efetivamente a contribuinte possui o crédito de imposto de renda pago indevidamente no seguinte montante: Descrição R$ Estimativa devida relacionada a dezembro de 2004, conforme DIPJ, que foi incluída no saldo devedor de IRPJ de 2004 (fls. 23) (10.671.136,78) Pagamento 1 (fls. 28) 9.500.000,00 Pagamento 2 (fls. 29) 3.849.129,86 Saldo de Crédito de IRPJ pago indevidamente 2.677.993,08 Valor do Crédito Inicial objeto de PER/DCOMP (compensado apenas parcialmente neste processo) (fls. 1) 2.677.993,08 Nessa medida, verificase que a classificação da natureza do crédito está correta no PER/DCOMP como IRPJ pago indevidamente ou a maior. Verificase ainda que ficou comprovada nos autos, nos termos acima demonstrados, a existência do crédito de IRPJ pago indevidamente, líquido, certo e plenamente passível de compensação. A DRJ entendeu que o despacho decisório não é nulo e que caberia à contribuinte comprovar a adequação de suas declarações ou a existência de erros bem como a existência dos créditos compensados. No caso, tudo isso ficou devidamente comprovado: o crédito compensado existe, sendo que a declaração de compensação está correta. Não se trata de saldo devedor de IRPJ mas sim de pagamento de IRPJ indevidamente. Nesses termos, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório do contribuinte, para as devidas providências da repartição de origem. “documento assinado digitalmente” Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Relatora Fl. 154DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU Processo nº 16098.000113/200798 Acórdão n.º 1302000.446 S1C3T2 Fl. 141 5 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU
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Numero do processo: 11020.720511/2009-76
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda.
Numero da decisão: 9303-007.315
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas e tratores (v) medicamentos e fertilizantes, mantendo a decisão recorrida quanto às despesas com empilhadeiras, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento parcial em menor extensão, para restabelecer a glosa apenas com relação aos medicamentos e fertilizantes.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RASIP AGRO PASTORIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas e tratores (v) medicamentos e fertilizantes, mantendo a decisão recorrida quanto às despesas com empilhadeiras, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento parcial em menor extensão, para restabelecer a glosa apenas com relação aos medicamentos e fertilizantes. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 05 11 /2 00 9- 76 Fl. 308DF CARF MF Processo nº 11020.720511/200976 Acórdão n.º 9303007.315 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL, com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 3803003.727 proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 27 de novembro de 2012, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 INSUMOS. CRÉDITOS NA INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA O conceito de insumo para a apuração de créditos a descontar do PIS não cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. AQUISIÇÕES. ALÍQUOTA ZERO Descabe crédito em relação as aquisições de produtos sujeitos a alíquota zero, tendo em vista que prevalece a interpretação de que o art. 153, IV, da CF adota a técnica de cobrança própria dos impostos sobre valor agregado, permitindo a compensação do imposto devido na operação subsequente com a importância recolhida na operação antecedente. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. EQUIPAMENTOS Afastase a glosa dos créditos em relação a despesas de manutenção de empilhadeiras, tratores e pulverizadores e retroescavadeiras, uma vez que no dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade do PIS, o contribuinte possui direito subjetivo ao benefício, tendo em vista que esta despesa está vinculada ao processo produtivo. O Colegiado a quo entendeu por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito e autorizar o ressarcimento tão somente quanto aos seguintes itens: despesas com empilhadeiras (custos de aquisição de GLP e manutenção de empilhadeiras); despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes gastos com viveiros e pomares; despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; despesas com conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes e despesas com embalagem de transporte (material de transporte). Não resignada em parte com a decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao conceito de insumos para fins de utilização de créditos das contribuições para o PIS e a COFINS na sistemática da não cumulatividade. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 11020.720511/200976 Acórdão n.º 9303007.315 CSRFT3 Fl. 4 3 Visando à comprovação do dissenso interpretativo indicou o Acórdão n.º 20312.448, segundo o qual apenas podem ser considerados insumos para fins de cálculo do crédito do PIS nãocumulativo aqueles elencados no art. 3º da Lei nº 10.637/2002 combinado com o art. 66 da IN SRF nº 464/2004, adotando a tese da definição de “insumos” prevista na legislação do IPI. Nos termos do despacho de exame de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. A Recorrente aduz, em síntese, que os insumos aptos a serem considerados como créditos de PIS/Pasep e COFINS no regime nãocumulativo foram tratados de foram taxativa no art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. Portanto, para efeitos de crédito do tributo, incluemse no conceito de insumo, além de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, os itens que sejam incorporados ao bem produzido, e os bens que, mesmo não se integrando à mercadoria, sejam consumidos e/ou alterados no processo de industrialização em função da ação exercida diretamente sobre o produto, com exceção daqueles compreendidos no ativo permanente. Segundo a Fazenda Nacional, tais requisitos não são atendidos pelos itens admitidos como insumos pelo acórdão recorrido, merecendo o mesmo ser reformado. Cientificada a Contribuinte, não foram apresentadas contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.304, de 15/08/2018, proferido no julgamento do processo 11020.003571/200921, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.304): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito Do Direito ao Crédito de PIS e COFINS nãocumulativos – Conceito de insumos No mérito, adentrase à análise do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes de: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte Fl. 310DF CARF MF Processo nº 11020.720511/200976 Acórdão n.º 9303007.315 CSRFT3 Fl. 5 4 (material de embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; despesas com conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. De início, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 311DF CARF MF Processo nº 11020.720511/200976 Acórdão n.º 9303007.315 CSRFT3 Fl. 6 5 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, Fl. 312DF CARF MF Processo nº 11020.720511/200976 Acórdão n.º 9303007.315 CSRFT3 Fl. 7 6 buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 11020.720511/200976 Acórdão n.º 9303007.315 CSRFT3 Fl. 8 7 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra Fl. 314DF CARF MF Processo nº 11020.720511/200976 Acórdão n.º 9303007.315 CSRFT3 Fl. 9 8 amparo no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". No caso dos autos, conforme já afirmado, a Contribuinte RASIP AGROPASTORIL S/A é pessoa jurídica que desenvolve a atividade econômica principal do cultivo de maçãs. No seu Estatuto Social (fl. 213), art. 3º, como objeto social são listadas as seguintes atividades: "(a) a produção agrícola e pastoril, a fruticultura e apicultura; (b) a criação de rebanhos de diversas espécies; (c) a indústria, o comércio, a importação e a exportação de produtos alimentícios, de produtos da agricultura, da fruticultura e da pecuária, inclusive derivados do leite; (d) a elaboração e execução de projetos e atividades de fruticultura, florestamento e reflorestamento; (e) a produção e comercialização de produtos agrícolas, sementes e mudas; e (f) a prestação de serviços inerentes a essas atividades." Importa ter em perspectiva referida atividade econômica desenvolvida pela Recorrida, pois ao se adotar o critério da pertinência, relevância e essencialidade para a definição do conceito de insumos, tais parâmetros devem ser analisados frente ao processo produtivo do Sujeito Passivo em referência. A Fazenda Nacional, por meio de recurso especial, confronta o acórdão do recurso voluntário no que tange à possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS não cumulativos pela Contribuinte decorrentes dos seguintes itens, divididos em dois grupos: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. Na perspectiva do conceito de insumos segundo o critério da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo, entendese não assistir razão à Recorrente quanto ao pedido de restabelecimento das glosas, pois as despesas em testilha têm relação direta com a atividade econômica principal da empresa contribuinte – o cultivo de maçãs. Para elucidar a assertiva, passase à análise individual dos bens e serviços: (a) despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção): no Relatório de Verificação Fiscal (fl.96), após visitas da Fiscalização à sede da empresa, foi consignado que as empilhadeiras são utilizadas para diversos fins: “descarregamento da fruta vinda dos pomares, carregamento/descarregamento da fruta nas câmaras frias, movimentação pelo packing (local onde a maçã é selecionada, limpada e embalada), bem como no carregamento das caixas de maçãs na saída dos produtos do estabelecimento”. Entendeu a Autoridade Fiscal que, ante a falta de segregação dos custos, despesas e respectivos créditos vinculados às empilhadeiras pela Contribuinte, não haveria direito ao crédito, por inexistência de previsão legal, já que as mesmas seriam utilizadas para “mero transporte da fruta dentro do processo produtivo (não há transformação ou ação direta sobre a maçã)” e, ainda, “após a finalização do processo produtivo, em suma, no início da operação de venda – carregamento da fruta na saída do estabelecimento (expedição)”. O entendimento da Fiscalização – que também é defendido pela Fazenda Nacional – é pautado pelo critério do conceito de insumos da legislação do IPI, exigindo o contato, desgaste, modificação do bem ou serviço no processo produtivo, bem como que o mesmo entre em contato com a mercadoria a ser produzida. No entanto, à luz da posição intermediária para definição do conceito de insumos, a utilização das empilhadeiras para o transporte das frutas nos pomares e para o seu carregamento na saída do estabelecimento, denota pertinência, relevância e essencialidade, com o processo produtivo do cultivo de maçãs. As empilhadeiras foram utilizadas pela Contribuinte na produção, ainda que de forma indireta, e se mostram indispensáveis à consecução do seu objeto social de produção e venda das maçãs. Além disso, não se pode Fl. 315DF CARF MF Processo nº 11020.720511/200976 Acórdão n.º 9303007.315 CSRFT3 Fl. 10 9 imaginar que não conte a empresa com o auxílio de máquinas para o transporte do seu produto, em grandes quantidades, ao longo da produção e na saída para a venda, pois hipótese contrária inviabilizaria o próprio cultivo e escoamento da produção. Portanto, deve ser mantido o reconhecimento do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos com relação às despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção). " (...)3 "(e) Conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes: Com relação aos medicamentos e fertilizantes, têmse que deve ser reformada a decisão para excluílos da possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS não cumulativos. Isso porque, consoante apontado no Relatório de Verificação Fiscal, estavam sujeitos à alíquota zero na operação anterior de aquisição dos mesmos, possibilidade de crédito que foi afastada pelo próprio acórdão recorrido ao tratar do tópico específico da “alíquota zero”. Por essa razão, nesse ponto dáse provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para restabelecer a glosa com relação aos medicamentos e fertilizantes." (...) "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões, quanto ao direito de se aproveitar créditos sobre despesas que não integram o custo do produto industrializado. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade previsto nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Como visto, a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso da Fazenda Nacional, como bem relatado, referese ao aproveitamento de créditos assim separados: 1) Despesas com empilhadeiras 2) combustíveis e lubrificantes; 3) Bens diversos; 4) Materiais utilizados para embalagens de transporte; 5) Serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e 6) Conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes 3 Não se transcreveu, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que analisou o direito de crédito de insumos cujos entendimentos resultaram vencidos na votação, e que, portanto, não se aplicam à solução do presente litígio. Contudo, a íntegra do voto consta do Acórdão 9303007.304. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 11020.720511/200976 Acórdão n.º 9303007.315 CSRFT3 Fl. 11 10 Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da necessidade e da essencialidade, adotado pelo voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º das Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que trata das possibilidades de creditamento do PIS e da Cofins: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (...). 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando Fl. 317DF CARF MF Processo nº 11020.720511/200976 Acórdão n.º 9303007.315 CSRFT3 Fl. 12 11 revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...). Ora, segundo estes dispositivos legais, somente geram créditos das contribuições os custos com bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda. Note que os dispositivos legais descrevem de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitariam ter sido elaborados desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não haveria necessidade de ter descido a tantos detalhes. No presente caso, é incontroverso que as referidas despesas são necessárias para a atividade econômica do contribuinte. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que os gastos com aqueles bens e serviços estão vinculados às atividades econômicas do contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços. Portanto, considerando esse conceito de que os insumos devem ser utilizados diretamente na fabricação do produto destinado a venda, passemos à análise de cada item objeto do recurso especial. 1) Despesas com empilhadeiras (combustíveis e peças de manutenção) Nesse ponto só vou justificar as razões porque acompanhei a relatora pela possibilidade de tal creditamento. Verificase pelo relatório fiscal que essas empilhadeiras são usadas dentro do processo fabril de beneficiamento das maças, produto final do contribuinte. Ou seja, os combustíveis e as peças de manutenção, não ativáveis, são consumidas diretamente no processamento das maças, que são efetivamente os produtos destinados à venda. 2) Combustíveis e lubrificantes Na análise do direito ao crédito efetuada pela autoridade fiscal, foi negado o crédito nas aquisições de combustíveis não utilizados diretamente no processo produtivo. De acordo com a fiscalização a maior parte dos créditos pleiteados eram referentes a combustíveis e lubrificantes utilizados em tratores agrícolas. Em seu recurso voluntário, o contribuinte sustenta que o processo produtivo de maçãs é amplo e iniciase desde o cultivo da terra. Ou seja, um retorno ao conceito de essencialidade, não em relação à sua atividade produtiva direta, mas em relação à sua atividade econômica como um todo. Inclusive, como esclarecido no relatório da fiscalização, boa parte desses combustíveis eram levados ao ativo imobilizado pela própria empresa, em razão da vida útil dos pomares. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 11020.720511/200976 Acórdão n.º 9303007.315 CSRFT3 Fl. 13 12 Porém, como já frizado, as leis da não cumultatividade não trazem essa ampliação toda como pretende o contribuinte e como entende a ilustre relatora do presente voto. Como abordo no item seguinte, não há possibilidade legal do aproveitamento de créditos de insumos de insumos. 3) Bens Diversos Nessa rubrica, o acórdão recorrido negou o creditamento de vários itens e concedeu o crédito sobre alguns itens com a seguinte justificativa: Por sua vez, tomando por vista que a Interessada também é produtora de queijo e derivados do leite, e portanto necessita de todo um cuidado quanto ao gado, para que o produto comercializado e fornecido ao consumidor final seja de boa qualidade, despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos e manutenção de laboratório dado seu contato direto com o produto e participação efetiva no processo produtivo devem ser aproveitadas pela empresa. Não concordo com essa assertiva e não vejo que são insumos, da forma como genericamente descritos, utilizados no processo industrial do produto destinado a venda. O fato, por si só, de que ele tenha a atividade de produção de queijo e leite, significa concluir o seu uso diretamente em sua fase industrial. Notoriamente a cerca para rebanhos, além de não ser insumo, pois provavelmente deve ser um item do ativo imobilizado, jamais teria alguma utilidade direta na fabricação de queijo e leite. Da mesma forma, há que ser comprovado que as despesas com limpeza e higienização não se referem à fase pré industrial. Em que momento foram aplicadas essas despesas. Manutenção de laboratório, também é um termo muito genérico para ser acatado como despesas aplicadas no processo industrial. Importante relembrar que a legislação não prevê possibilidade de creditamento de insumos de insumos e esse colegiado tem tido o entendimento de que não é possível o creditamento de insumos utilizados na fase agrícola, ou préindustrial. 4) Materiais utilizados para embalagens de transporte Tomo da transcrição de trecho do voto da decisão recorrida, sobre que elementos está se discutindo tal creditamento. Constam na glosa itens como Cantoneiras – utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte do produto; Pallets e seus acessórios – pregos e etiquetas – utilizados para o empilhamento de caixas para armazenamento e transporte; Fitas/Amarras – usadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets. Observe que são todos itens utilizados após o encerramento do processo produtivo. São utilizados para acondicionamento de transporte da produção. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive, que em maior ou menor grau, a depender do produto final, esta é a finalidade mesmo da embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela Lei) ou alguém seria capaz de dizer que o frete na operação de venda, suportado pelo contribuinte, não é um item essencial à sua atividade econômica. Se bastasse isso não seria necessária a excepcionadade constante da Lei. 5) Serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 11020.720511/200976 Acórdão n.º 9303007.315 CSRFT3 Fl. 14 13 Pela característica dos bens, evidente que sua utilização é feita na etapa pré industrial. Na manutenção das lavouras que faz parte da etapa agrícola, em relação aos quais nego provimento pelas mesmas razões do item 3, supra analisado. 6) Conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes Em relação aos itens medicamentos e fertilizantes manifesto minha concordância com o voto da ilustre relatora que neste ponto proveu o recurso especial da Fazenda Nacional. Em relação aos demais confirmo o entendimento do colegiado de que sobre tais itens não há previsão legal para autorizar o creditamento, por fugirem do conceito legal de insumos estabelecido pela legislação de regência. Como dito nos itens 3 e 5 anteriores, tratamse de despesas relevantes para atividade econômica do contribuinte, porém aplicadas nas fases antecendentes ao processo produtivo propriamente dito. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para reestabelecer as glosas de crédito em relação aos seguintes itens: (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores e (v) conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para reestabelecer as glosas de crédito em relação aos seguintes itens: (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores e (v) conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 320DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12268.000026/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/1998
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Declarou-se impedida a conselheira Renata Toratti Cassini.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/1998 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Declarou-se impedida a conselheira Renata Toratti Cassini. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Gregório Rechmann Júnior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1619; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12268.000026/200861 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 2402006.377 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de julho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO BANESTADO S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/1998 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Declarouse impedida a conselheira Renata Toratti Cassini. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 00 26 /2 00 8- 61 Fl. 431DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4 ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 – 4 ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 – 4 ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4 ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Admissibilidade. Fl. 432DF CARF MF Processo nº 12268.000026/200861 Acórdão n.º 2402006.377 S2C4T2 Fl. 3 3 Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I – exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II – deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Fl. 433DF CARF MF 4 Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 434DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.000984/2009-31
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar, suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar, suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
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CONSTITUIÇÃO DE SOCIEDADE POR INTERPOSTAS PESSOAS ANOCALENDÁRIO 2002 Correta a exclusão do Simples quando os fatos narrados demonstram que a empresa não existe de modo independente, subordinandose em todos os aspectos a outra empresa, da qual funciona como um departamento. Os fatos verificados autorizam a conclusão de que a empresa excluída foi constituída por interpostas pessoas. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS DO ATO DE OFÍCIO Os efeitos da exclusão da pessoa jurídica constituída por interpostas pessoas retroagem à data de constituição da empresa.É de se excluir do Simples Nacional a empresa cujos sócios participam da administração de outras empresas e cuja receita bruta total ultrapassa o limite lega. A prática de SIMULAÇÃO de uma situação, para beneficiarse indevidamente de regime especial de tributação, caracterizandose como prática reiterada de infração à legislação tributária, é causa de exclusão do simples. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. O CARF não é competente para julgar constitucionalidade de norma legal cabendo ao Poder Judiciário esta faculdade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar, suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 09 84 /2 00 9- 31 Fl. 548DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Ato Declaratório Executivo DRF/SDR nº 08, de 11 de maio de 2009, que excluiu a empresa Sabão Rey – Corte e Embalagem Ltda. do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), com efeito a partir de 30 de abril de 2002, por ter sido constatada a situação excludente prevista no art. 14, IV da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996. De acordo com a representação fiscal juntada às fls. 01 a 06, no curso de procedimento fiscal instaurado junto à empresa NEVE INDUSTRIA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., CNPJ nº 15.675.101/000130, foi aberta diligência fiscal na sociedade SABÃO REY – CORTE E EMBALAGEM LTDA., empresa de pequeno porte, para a apuração de situações que, em tese, configuram ofensa ao inciso IV do art. 14 da Lei nº 9.317, de 1996. A NEVE INDÚSTRIA, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. tem como objeto social a indústria, comércio, exportação de sabão, velas, óleo de coco, água sanitária e importação de matérias primas. Em 03/06/2002, transferiu todo o seu parque fabril para a SABÃO REY – CORTE E EMBALAGEM LTDA., sociedade aberta em 30/04/2002, cujo objeto social é a prestação de serviços de informações não especificadas, design e salas de acesso à internet e que tem como sócios Adriano José Araújo Oliveira e Carlos Alberto Franco dos Santos, ambos ex empregados da NEVE INDÚSTRIA, nos termos da tabela abaixo: NOME DO SÓCIO. PERÍODO DE ATUAÇÃO E SITUAÇÃO NA NEVE. PERÍODO DE ATUAÇÃO COMO SÓCIO NA SABÃO REY. ADRIANO JOSE ARAÚJO OLIVEIRA. CPF: 549.768.12553 EMPREGADO: de 03/02/1992 a 01/08/1995. Sócio Gerente desde a constituição da empresa, em 01/02/2002 contrato social. CARLOS ALBERTO FRANCO DOS SANTOS. CPF: 527.947.50500 EMPREGADO: de 03/08/1992 a 31/07/2002. Sócio Gerente desde a constituição da empresa 01/02/2002 contrato social . Como se vê na tabela, o sócio Carlos Alberto Franco dos Santos constituiu a SABÃO REY enquanto ainda mantinha vínculo empregatício com a NEVE INDÚSTRIA. A SABÃO REY teve as suas atividades iniciadas em 31/07/2002, data em que foi emitida a Nota Fiscal n° 0001. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10530.000984/200931 Acórdão n.º 1001000.778 S1C0T1 Fl. 3 3 Todos os empregados da NEVE INDÚSTRIA, tanto aqueles que trabalham na atividade fim, quanto aqueles que trabalham na atividade meio, foram transferidos para a SABÃO REY, sem rescisão contratual e mediante acordo, conforme informações que foram passadas à fiscalização pelos empregados. A NEVE INDÚSTRIA apresentou à fiscalização uma declaração afirmando que não possuía empregados, pois todos os seus serviços eram terceirizados. As duas empresas funcionam no mesmo endereço. O sr. Roberto Carlos assinou as declarações das duas empresas, pois exerce as funções de gerente administrativo de ambas, assim como todos os outros empregados que atenderam à fiscalização estão prestando serviços para ambas as sociedades empresárias, a exemplo da sra. Joselita Amorim auxiliar de contabilidade, e do sr. Sinfrônio chefe do setor de pessoal. A representação fiscal afirma que o Capital Social da SABÃO REY (R$ 2.000,00) é incompatível com o risco por ela assumido na sua atividade econômica. Ela possui uma massa salarial média mensal de R$ 32.265,97. A transferência do parque fabril da NEVE INDÚSTRIA foi efetuada por meio de contrato de comodato, datado de 03 de junho de 2002, sem que tenha sido estipulado um prazo para a concessão de uso. Como as duas empresas funcionam no mesmo endereço, não houve transferência física das máquinas. Verificouse que as despesas de manutenção do maquinário encontramse registradas na contabilidade da NEVE INDÚSTRIA, o que contraria o art. 584 da Lei n° 10.406, de 2002. Não há registro contábil na comodatária (SABÃO REY) das máquinas e equipamentos recebidos em comodato. Consta o pagamento de R$ 500,00 mensais a título de aluguel com o histórico aluguel mês máquinas. Este valor, entretanto, não se encontra contabilizado como receita na NEVE INDÚSTRIA. Verificouse ainda que a atividade de prestação de serviços da SABÃO REY é prestada exclusivamente para a NEVE INDÚSTRIA, que é a sua única cliente. Além disso, constatouse por meio dos registros efetuados na conta n° 216.01.001 Antecipação de clientes, que, do ponto de vista financeiro, a SABÃO REY somente consegue produzir mediante antecipação de recursos feita pela NEVE INDÚSTRIA, por meio de empréstimos diários, cujos valores totalizam a receita bruta mensal auferida pela SABÃO REY. De acordo com a fiscalização, a NEVE INDÚSTRIA envia a matéria prima pelo valor de custo, como remessa para industrialização, e a recebe de volta pelo mesmo valor, como mercadoria industrializada. O custo do serviço prestado pela SABÃO REY é rateado entre as notas fiscais emitidas, que totalizam a receita de vendas da SABÃO REY e que são registradas, na NEVE INDUSTRIA, como despesas na conta Serviços de Terceiros 912.01.001. Os motoristas que foram transferidos para a SABÃO REY continuaram prestando serviços à NEVE INDÚSTRIA, mediante adiantamento de valores como diárias para viagens registrados na conta 114.05.0003 Adiant. Desp. de viagem. Durante o mês são feitas algumas prestações de conta e os valores excedentes são lançados como despesa na conta 415.01.001 Viagens. Foram registrados na contabilidade da NEVE INDÚSTRIA, na conta 421.02.0008, valores referentes a acordo judicial firmado perante a Justiça do Trabalho decorrente de ação judicial movida por Mario Vivas de Souza Barreto contra a SABÃO REY, no montante de R$ 16.000,00, o que representa ofensa ao princípio contábil da entidade e evidencia a confusão patrimonial entre ambas as empresas. Fl. 550DF CARF MF 4 Ambas as sociedades apresentaram os seus livros Diário sem o registro e autenticação na junta comercial, observandose ainda que, apesar de reiteradas solicitações, não foram apresentadas informações que identificassem o responsável contábil no ano de 2005. Ainda que as empresas mantenham cadastros com endereços diferentes, ficou constatado que ambas funcionam no mesmo endereço. A SABÃO REY não tem nenhum custo ou despesa de aluguel. Além disso, as contas de energia e telefone são pagas e contabilizadas na NEVE INDÚSTRIA. A SABÃO REY foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das empresas de pequeno Porte SIMPLES no exercício de 2007. Além disso, não aderiu ao SIMPLES Nacional, pois possuía débitos. A partir de 01/07/2007 a Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica foi apresentada como optante pelo lucro real, conforme documento acostado aos autos. Entretanto, a empresa continuou apresentando GFIP como optante pelo SIMPLES. Devido aos fatos anteriormente mencionados, concluiu a fiscalização que a SABÃO REY foi criada com o objetivo de obter o enquadramento indevido no SIMPLES de toda a atividade exercida pela NEVE INDÚSTRIA. Em adição, afirma que restou evidenciada relação de hierarquia entre as duas empresas, na qual a NEVE INDÚSTRIA mantém rígido e minucioso controle sobre as atividades realizadas pela SABÃO REY, existindo uma relação de dominação da segunda pela primeira. Por estas razões, a fiscalização considerou que as empresas SABÃO REY CORTE E EMBALAGEM LTDA. e NEVE INDÚSTRIA, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. compõem um mesmo grupo econômico, no qual a administração, a produção e as demais atividades operacionais são realizadas pelas mesmas pessoas. Além disso, concluiu que a empresa SABÃO REY CORTE E EMBALAGEM LTDA. foi constituída por interpostas pessoas que não são os seus verdadeiros sócios ou acionistas, incorrendo em infração ao inciso IV do art. 14 da Lei n° 9.317, de 1996. Após receber a representação fiscal, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Feira de Santana emitiu o Ato Declaratório Executivo n° 8, de 11 de maio de 2009, que excluiu a empresa Sabão Rey Corte e Embalagem Ltda. do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), com efeito a partir de 30 de abril de 2002. O contribuinte foi cientificado do Ato Declaratório Executivo por via postal em 04/09/2009. Em 30/09/2009, apresentou Manifestação de Inconformidade, juntada às fls. 126 a 133, na qual alega em síntese o seguinte: Alega que a manifestação de Inconformidade suspende os efeitos do ato de exclusão do SIMPLES, de modo que fica impossibilitada a prática de atos tendentes a fiscalizar e cobrar supostos débitos. Em seguida, afirma que o Ato Declaratório Executivo n° 08, de 11 de maio de 2009, está eivado de nulidade, pois não houve ofensa ao inciso IV do art. 14 da Lei n° 9.317/1996. Além disso, houve cerceamento do direito de defesa, em face da inexistência de fundamentos fáticos à autuação, impossibilitando a apresentação de defesa técnica. Alega que os efeitos da exclusão do SIMPLES não podem retroagir. Argumenta também que os efeitos da exclusão são limitados até o advento da Lei Complementar n° 123, de 2006, não produzindo efeitos a partir de 01/01/2007. Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10530.000984/200931 Acórdão n.º 1001000.778 S1C0T1 Fl. 4 5 Afirma a manifestante que, durante o período em que esteve submetida à Lei n° 9.317, de 1996, cumpriu integralmente os requisitos exigidos, tais como escrituração de livros, pagamento dos tributos e apresentação da declaração anual simplificada. Argumenta que, com base no § 2° do art. 26 da Lei Complementar n° 123, de 2006, somente escriturou o livro Caixa. Afirma que os documentos anexados à impugnação demonstram o intuito negocial e a finalidade lucrativa dos sócios, que sempre participaram do resultado da manifestante. Afirma que a Receita Federal do Brasil alega que a manifestante foi constituída por interpostas pessoas, mas não apresenta os elementos de prova que a fizeram chegar a esta conclusão. O Ato Declaratório, portanto, apresenta vício na motivação. Aduz que o Ato Administrativo não pode alcançar situações pretéritas, sob pena de violar o princípio da irretroatividade. Em seguida, afirma que os efeitos da exclusão devem ser limitados até a entrada em vigor da Lei Complementar n° 123, de 2006. Por fim, requer o reconhecimento da nulidade/improcedência do Ato Declaratório n° 08, de 2009. Cientificada da decisão de primeira instância em 22/02/2013 (fl 528) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 21/03/2005 (fl 531), Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A recorrente faz, basicamente, as mesmas alegações que o fizera quando da manifestação de inconformidade. I DOS FATOS: NULIDADE, pelas razões abaixo: I primeiro porque não há ofensa ao artigo 14, IV da Lei n.° 9317/96; II porque houve cerceamento de defesa em face da inexistência fundamento fático que levou à violação do artigol4, IV da Lei 9.317/96, impossibilitando a apresentação de defesa técnica; II porque os efeitos da Exclusão do Simples não podem retroagir, conforme entendimento Pacifico; Fl. 552DF CARF MF 6 III porque os efeitos da Exclusão do Simples são limitados até o advento da Lei Complementar n° 123 de 2006, que mudou o regime de SIM PLES para SIMPLES NACIONAL, tendo a Impugnante feito a opção por esta nova sistemática, não estando a partir sujeita aos efeitos do Simples da Lei anterior desde 01.01.2007. · II DO DIREITO · A) DO REGIME SIMPLIFICADO DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS SIMPLES X SIMPLES NACIONAL · Conforme já exposto nos fatos, a Recorrente é uma sociedade empresária constituída sob a forma de limitada, que tem como objetivo social nos termos da Cláusula Terceira a prestação de serviços para terceiros na Administração, confecção, corte e embalagem em sabão, sabonetes e produtos de limpeza, tendo como únicos sócios desde a constituição os Srs. Adriano José Araújo de Oliveira e Carlos Alberto Franco dos Santos. · A Sabão Rey, portanto, sempre teve como sócios os Senhores citados acima, que em 2002 fez a opção pelo Simples Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e empresas de Pequeno Porte), oportunidade na qual passou a atender todas as obrigações previstas na Lei n° 9.317/96, mediante o pagamento dos Tributos devidos mês a mês, bem como com o cumprimento dos deveres instrumentais dispostos na legislação. · Durante o período em que esteve submetida à lei mencionada, o Recorrente cumpriu integralmente com os requisitos exigidos, tal como escrituração de livros, pagamento/recolhimento dos tributos, bem como Declaração anual simplificada, atendendo in totum as obrigações acessórias e principais. · Em 2007, por sua vez, com a alteração da legislação e, conseqüente, surgimento do SIMPLES NACIONAL, mediante a Lei Complementar n° 123/2006, a Recorrente passou, por meio de opção, a se submeter ao novo regime simplificado. · O artigo citado para o fim de excluir a Recorrente do SIMPLES não observou a realidade fática da empresa, violando uma série de princípios: legalidade, verdade material, contraditório e ampla defesa. · II B) DA ALEGAÇÃO DE OFENSA AO ARTIGO 14, IV. DA LEI 9.317/96 AUSÊNCIA DE FUNDAMENTO FÁTICO ESCLARECEDOR DA INFRAÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO NULIDADE DO ATO · A recorrente afirma: · O Inciso VII do parágrafo único do artigo 2o da Lei 9.784/99, estabelece, por sua vez, que nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão. Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10530.000984/200931 Acórdão n.º 1001000.778 S1C0T1 Fl. 5 7 · Como se observa na redação da Lei que rege o processo administrativo federal, é dever da Administração motivar o ato administrativo, indicando, para tanto, os pressuposto de fato e de direito que o embasa, sob pena de NULIDADE por acarretar cerceamento de defesa ante a ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa. · Com base no artigo 15, §3°, da Lei 9.317/96, o processo administrativo de exclusão do simples observará a legislação do processo administrativo fiscal, razão pela qual além de obedecer os ditames da Lei 9.784/99 deve também seguir os preceitos do Decreto 70.235/1972. Segundo o Decreto, o lançamento (ATO de EXCLUSÃO) deve conter o fundamento legal e o fundamento fático relativo à infração. · II C) DA INEXISTÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR MOTORISTAS À NEVE INEXISTÊNCIA DE CONFUSÃO PATRIMONIAL: · Quanto aos argumentos constante no Acórdão, em que pese somente agora ter sido apresentada a motivação, cumpre aduzir que a Neve firmou contrato com a Sabão Rey com vistas a executar todo o trabalho de logística quanto à entrega dos produtos da Neve, inclusive quanto ao transporte das mercadorias, mediante utilização de motoristas contratados pela própria SABÃO REY. · Não caberia afirmar a existência de confusão patrimonial, pois a NEVE se localiza em sede distinta da SABÃO REY, bem como possui escrituração contábil diversa e administração autônoma. Ou seja, não formam as empresas uma espécie de grupo econômico, pois não há qualquer relação de dominação, de controle ou de administração única. · II D) DA IRRETROATIVIDADE DO ATO DE EXCLUSÃO EFEITO A PARTIR DA CIÊNCIA DO ATO: · II E) DA LIMITAÇÃO DOS EFEITOS DO ATO DE EXCLUSÃO ATÉ A ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR 123 DE 2006 QUE REVOGOU A LEI 9.317/96: · III CONCLUSÃO: · Ex positis, a recorrente requer que essa Colenda Corte se digne de DAR TOTAL PROVIMENTO ao presente recurso, determinando a reforma do acórdão recorrido para que seja reconhecida decretada a ineficácia/nulidade/improcedência do Ato Declaratório Executivo DRF/SDR n° 08/2009. Entendo não assistir razão à recorrente. O PAF contém diversos indícios que levam a conclusão chegada pela DRJ. Fl. 554DF CARF MF 8 Todos os argumentos da recorrente foram devidamente analisados pela DRJ e, portanto, peço a devida vênia para adotar o relatório para fins de economia processual. De acordo com o Ato Declaratório nº 08, de 2009, a exclusão da empresa SABÃO REY – CORTE E EMBALAGEM LTDA. se deu por ofensa ao inciso IV do art. 14 da Lei nº 9.317, de 1996. De acordo com o referido dispositivo legal, a pessoa jurídica será excluída de ofício do SIMPLES quando for verificado que a sua constituição se deu por interpostas pessoas, que não sejam os seus verdadeiros sócios ou acionistas. A representação fiscal relaciona os fatos que levaram a fiscalização à conclusão acima. Inicialmente, demonstra que os sócios Adriano José Araújo Oliveira e Carlos Alberto Franco dos Santos são exempregados da NEVE INDÚSTRIA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. O sócio Carlos Alberto Franco dos Santos ainda era empregado da NEVE INDÚSTRIA quando da constituição da SABÃO REY. Em seguida, a representação fiscal menciona que todos os empregados da NEVE INDÚSTRIA foram transferidos para a SABÃO REY. Tanto assim, que a NEVE INDÚSTRIA apresentou à fiscalização uma declaração afirmando que não possuía empregados, pois todos os seus serviços eram terceirizados. Verificouse também que os motoristas, embora tenham sido transferidos para a SABÃO REY, continuaram prestando serviços à NEVE INDÚSTRIA. Além disso, foram encontrados na contabilidade da NEVE INDÚSTRIA, na conta 421.02.0008, o registro de valores referentes a acordo judicial firmado perante a Justiça do Trabalho decorrente de ação judicial movida por Mario Vivas de Souza Barreto contra a SABÃO REY, no montante de R$ 16.000,00. Como afirmado na petição inicial, este fato representa ofensa ao princípio contábil da entidade. Mais do que isso, a confusão patrimonial evidencia que, de fato, não existiam duas empresas, mas apenas uma. A confusão entre as duas empresas se reforça pelo fato de que ambas funcionam no mesmo endereço. A SABÃO REY, entretanto, não tem nenhum custo ou despesa de aluguel. Também as contas de energia e telefone são pagas e contabilizadas na NEVE INDÚSTRIA. Para desenvolver as suas atividades, a SABÃO REY não comprou sequer uma máquina, uma vez que todo o parque fabril da NEVE INDÚSTRIA lhe foi transferido por meio de contrato de comodato, datado de 03 de junho de 2002, sem que tenha sido estipulado um prazo para a concessão de uso. Tendo em vista que as empresas funcionam no mesmo endereço, as máquinas sequer foram transferidas fisicamente. Além disso, como verificado pela fiscalização, as despesas de manutenção do maquinário encontramse registradas na contabilidade da NEVE INDÚSTRIA. Ou seja, a criação da empresa SABÃO REY não representou nenhuma mudança no processo produtivo, pois as mesmas pessoas continuaram realizando a produção dos mesmos produtos, utilizandose das mesmas máquinas. Os sócios da SABÃO REY, para assumirem a titularidade do processo produtivo não precisaram fazer investimento algum. As máquinas, como visto, foram cedidas sem custo, por meio de contrato de comodato. Até mesmo as despesas de manutenção do maquinário eram bancadas pela NEVE INDÚSTRIA. O Capital Social da SABÃO REY, no valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais), é incompatível com o risco por ela assumido na sua atividade econômica. Apenas com o pagamento de salários, ela desembolsa mensalmente uma média de R$ 32.265,97. Fl. 555DF CARF MF Processo nº 10530.000984/200931 Acórdão n.º 1001000.778 S1C0T1 Fl. 6 9 Verificouse ainda que a atividade de prestação de serviços da SABÃO REY é prestada exclusivamente para a NEVE INDÚSTRIA, que é a sua única cliente. Além disso, a fiscalização constatou que, do ponto de vista financeiro, a SABÃO REY somente consegue produzir mediante antecipação de recursos feita pela NEVE INDÚSTRIA, por meio de empréstimos diários, cujos valores totalizam a receita bruta mensal auferida pela SABÃO REY. De acordo com a fiscalização, a NEVE INDÚSTRIA envia a matériaprima pelo valor de custo, como remessa para industrialização, e a recebe de volta pelo mesmo valor, como mercadoria industrializada. O custo do serviço prestado pela SABÃO REY é rateado entre as notas fiscais emitidas, que totalizam a receita de vendas da SABÃO REY e que são registradas, na NEVE INDÙSTRIA, como despesas na conta Serviços de Terceiros – 912.01.001. Os fatos acima narrados demonstram que a SABÃO REY não existe de modo independente. Em todos os aspectos, o seu funcionamento se subordina à NEVE INDÚSTRIA. Em verdade, a SABÃO REY é apenas uma parte do todo, funcionando como um departamento da NEVE INDÚSTRIA. Neste sentido, os fatos verificados autorizam a conclusão de que a empresa SABÃO REY foi constituída por interpostas pessoas. A manifestação de inconformidade não questiona os fatos apontados na representação fiscal. Limitase a afirmar que não houve ofensa ao inciso IV do art. 14 da Lei nº 9.317, de 1996, e a alegar que não foram apontados os fundamentos fáticos da decisão. Como já demonstrado nesta decisão, a representação fiscal apresenta rico conteúdo probatório, demonstrando os fatos que levaram à conclusão de que houve ofensa ao referido dispositivo legal. Também se encontram nos autos elementos comprobatórios dos fatos alegados. Não há que se falar, portanto, em cerceamento ao direito de defesa. Em seguida, alega o manifestante a impossibilidade de se retroagirem os efeitos do ato de exclusão. Sobre o tema, o inciso V do art. 15 da Lei nº 9.317, de 1996, assim dispõe: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: ... V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. § 3º A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.1998) Como se vê, o Ato Declaratório cumpriu rigorosamente a disposição legal, uma vez que a exclusão se deu por ofensa ao inciso IV do art. 14 da Lei nº 9.317, de 1996. O fato que originou a exclusão, portanto, foi a própria forma como se deu a constituição da sociedade, razão pela qual os efeitos da exclusão a ela retroagem. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Não se pode, em sede administrativa, declarar Fl. 556DF CARF MF 10 ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, uma vez que à Administração Pública cabe tãosomente dar aplicação aos comandos legais. A instância administrativa está adstrita a verificar se os dispositivos legais foram corretamente aplicados ao caso. Ou seja, importa verificar se os fatos verificados amoldamse à previsão legal. O Poder Judiciário é o órgão competente para afastar a aplicação de lei ou ato normativo. Exatamente neste sentido é a disposição contida no art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, inserida pela MP nº 449, de 2008, que assim determina: Art. 26 A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou. c) pareceres do Advogado Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (NR) Assim, deixo de examinar as alegações de inconstitucionalidade da retroação dos efeitos da exclusão do SIMPLES, por extrapolarem os limites da competência do julgador administrativo. A Lei nº 9.317, de 1996, foi expressamente revogada pela Lei Complementar nº 123, de 2006. A referida Lei Complementar instituiu novo regime diferenciado de tributação para as microempresas e empresas de pequeno porte, conhecido como SIMPLES Nacional, cuja vigência teve início, nos termos do art. 88 da referida lei complementar, em 01/07/2007. O SIMPLES Nacional, portanto, substituiu o SIMPLES Federal, previsto na Lei nº 9.317, de 1996, a partir de 01/07/2007. Os efeitos da exclusão do SIMPLES Federal, portanto, valem até 30/06/2007. A empresa Sabão Rey Ltda., entretanto, teve indeferido o seu pedido de opção pelo SIMPLES Nacional, por conta de pendências referentes a débitos não previdenciários com a Receita Federal do Brasil. Posteriormente, as pendências foram solucionadas por meio de parcelamentos (processos nº 10530.401916/200995 e 10530.501034/200929, este último junto à Procuradoria da Fazenda Nacional). Uma vez solucionadas as pendências, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Feira de Santana emitiu o Despacho decisório DRF/FSA nº 1.463, de 27 de outubro de 2011, por meio do qual foi deferido o pedido de inclusão no Simples Nacional com efeitos a partir de primeiro de janeiro de 2008. No que toca ao ano calendário 2007, em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, verificouse que a empresa apresentou declaração simplificada em 19/05/2008. Logo em seguida, no dia 10/07/2008, apresentou nova declaração, na qual informa a tributação pelo Lucro Real. Portanto, no ano Fl. 557DF CARF MF Processo nº 10530.000984/200931 Acórdão n.º 1001000.778 S1C0T1 Fl. 7 11 calendário 2007 a empresa reconheceu a sua não inclusão no SIMPLES Nacional e efetuou a tributação com base no lucro real. Por todo o exposto, voto por considerar a manifestação de inconformidade improcedente, mantendo a exclusão do Simples nos termos do Ato Declaratório Executivo DRF/SDR nº 08, de 11 de maio de 2009. Além do disposto no artigo 26 A, do Decreto 70.235/72, já transcrito acima, acrescento o fato de que, a este CARF, não cabe julgar constitucionalidade de normas, por força da súmula CARF n° 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pelos motivos já expostos na decisão da DRJ, quais sejam: A manifestação de inconformidade não questiona os fatos apontados na representação fiscal. Limitase a afirmar que não houve ofensa ao inciso IV do art. 14 da Lei nº 9.317, de 1996, e a alegar que não foram apontados os fundamentos fáticos da decisão. Como já demonstrado nesta decisão, a representação fiscal apresenta rico conteúdo probatório, demonstrando os fatos que levaram à conclusão de que houve ofensa ao referido dispositivo legal. Também se encontram nos autos elementos comprobatórios dos fatos alegados. Não há que se falar, portanto, em cerceamento ao direito de defesa. Estes argumentos foram mantidos no Recurso voluntário, portanto, nada há acrescentar neste tópico. Consequentemente, rejeito a preliminar de cerceamento do direito de defesa para, no mérito, negar provimento ao presente recurso mantendose a exclusão do Simples, consoante o Ato Declaratório Executivo DRF/SDR nº 08, de 11 de maio de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 558DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.724629/2011-62
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2009 a 30/11/2009
PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, o conceito de insumos pode ser interpretado dentro do conceito da essencialidade, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade produtiva.
PIS E COFINS. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE.
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.
Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
Numero da decisão: 9303-007.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIREITO DE CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Recorrente CNH INDUSTRIAL LATIN AMÉRICA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2009 a 30/11/2009 PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, o conceito de insumos pode ser interpretado dentro do conceito da essencialidade, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade produtiva. PIS E COFINS. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 46 29 /2 01 1- 62 Fl. 3910DF CARF MF Processo nº 13603.724629/201162 Acórdão n.º 9303007.250 CSRFT3 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo Contribuinte, ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, em face do Acórdão nº 3301002.817, de 29/01/2016. Na parte de interesse ao presente julgamento, o colegiado a quo negou ao contribuinte o direito de creditamento quanto às despesas com fretes na transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada. A Contribuinte apresentou Recurso Especial aduzindo divergência de interpretação da legislação tributária referente a quatro matérias: 1) creditamento dos valores despendidos com o treinamento de funcionários; 2) crédito relativo a serviços terceirizados nas áreas de planejamento e gestão de sistemas de controles deve ser reconhecido; 3) crédito referente ao transporte de produtos acabados entre os estabelecimentos da Recorrente e 4) possibilidade de juntada e da análise das provas apresentadas pelo contribuinte a qualquer tempo. Para comprovar a divergência, aponta os acórdãos nºs 3401002.857, 3402 001.982, 3401002.075. O Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, mediante despacho de admissibilidade, deu seguimento parcial ao Recurso, admitindo apenas a rediscussão referente ao transporte de produtos acabados entre os estabelecimentos. Inconformada com o seguimento parcial de seu recurso, a Contribuinte apresentou agravo no qual alega que as matérias referentes ao aproveitamento dos custos Fl. 3911DF CARF MF Processo nº 13603.724629/201162 Acórdão n.º 9303007.250 CSRFT3 Fl. 4 3 com treinamento de pessoal, com serviços terceirizados nas áreas de planejamento e gestão de sistemas de controle e com a juntada e análise de provas a qualquer tempo, foram prequestionadas e que as respectivas divergências foram devidamente demonstradas. O Presidente do CARF entendeu estar correto o despacho de admissibilidade, e não conheceu do Agravo por ausência de prequestionamento, nos termos do inciso V, do §3º, do art. 71, do RICARF. No essencial, é o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.068, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 13603.724491/201100, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.068): "Os recursos foram apresentados com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, deles tomo conhecimento e passo a decidir. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Passo ao julgamento. "1. Interpretação do termo "insumo" previsto na legislação do PIS e da COFINS, de que trata o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 Fl. 3912DF CARF MF Processo nº 13603.724629/201162 Acórdão n.º 9303007.250 CSRFT3 Fl. 5 4 Com efeito, já consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumos no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o total das despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Neste quadro, para corroborar com minha interpretação, invoco as lições do Prof. Lenio Streck (p.242) que bem esclarece os limites de uma correta interpretação jurídica: “Então, ao contrário do que se diz na dogmática jurídica, não interpretamos para, só depois, compreender. Na verdade, compreendemos para interpretar, sendo a interpretação a explicitação de compreendido, para usar as palavras de Gadamer, em seu Wahrheit und Method. Essa explicitação (justificação do compreendido) necessita sempre de uma estruturação no plano 1argumentativo (é o que se pode denominar de o “como apofântico”). A explicitação da resposta de cada caso deverá estar sustentada em consistente justificação, contendo a reconstrução do direito, doutrinária e jurisprudencialmente, confrontando tradições, enfim, colocando a lume a fundamentação jurídica que, ao fim e ao cabo, 1 Fl. 3913DF CARF MF Processo nº 13603.724629/201162 Acórdão n.º 9303007.250 CSRFT3 Fl. 6 5 legitimará a decisão no plano do que se entende por responsabilidade política do interprete no paradigma do Estado Democrático de Direito2”. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. Em que pese esta E. Câmara Superior já ter definido o conceito de insumos, a matéria foi levada ao poder judiciário e, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 2 STRECK, Lenio Luiz. Hermenêutica, Estado e Política: uma visão do papel da Constituição em países periféricos. In CADEMARTORI, Daniela Mesquita Leutchuk e GARCIA, Marcos Leite (org.). Reflexões sobre Política e Direito – Homenagem aos Professores Osvaldo Ferreira de Melo e Cesar Luiz Pasold. Florianópolis: Conceito Editorial, 2008; p. 242. Fl. 3914DF CARF MF Processo nº 13603.724629/201162 Acórdão n.º 9303007.250 CSRFT3 Fl. 7 6 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (Resp n.º Nº 1.221.170 PR (2010/0209115 0), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Como visto, a Relatora Ministra Regina Helena Costa, reiterou os conceitos do que já vínhamos decidindo, definiu como conceito a essencialidade e relevância. Vejamos: Essencialidade considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Deste modo, inferese do voto da Ministra Regina Costa que o conceito de insumo deve “ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou ainda a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”, ou seja, caracterizase insumos, para fins das contribuições do PIS e da COFINS, todos os bens e serviços, empregados direta ou indiretamente na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens ou produtos e que se caracterizem como essenciais e/ou relevantes à atividade econômica da empresa. Sem embargo, restou ainda decidido ilegais as IN´s nºs 247/2002 e 404/2004, que tratam de conceito de muito restritivo de insumo para as contribuições em pauta, uma vez que somente se enquadrariam os bens e serviços “aplicados ou consumidos” diretamente no processo produtivo. Desta forma, o STJ adotou conceito intermediário de insumo para fins da apropriação de créditos de PIS e COFINS, o qual não é tão restrito como definido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, nem tão amplo como estabelecido no Regulamento do Imposto de Renda, mas que privilegia a essencialidade e/ou relevância de determinado bem ou serviço no contexto das especificidades da atividade empresarial de forma particularizada. Neste aspecto, observase que se trata de matéria essencialmente de prova de ônus do contribuinte. Em que pese a matéria estar parcialmente decidida pelo Poder Judiciário, pelo menos ao meu juízo, mantenho meus critérios de julgamento para análise de caso a caso, para que se possa aferir de fato se os insumos são essenciais atividade empresária. (...)3 3 Deixouse de transcrever, do acórdão do paradigma (9303007.068), a parte do voto na qual foi julgado o recurso especial da Fazenda Nacional, interposto naquele processo, tendo em vista que, no presente processo, o litígio restringese ao recurso especial do contribuinte. Fl. 3915DF CARF MF Processo nº 13603.724629/201162 Acórdão n.º 9303007.250 CSRFT3 Fl. 8 7 Recurso da Contribuinte Créditos inerentes aos fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos Conforme depreendese do despacho de admissibilidade a matéria aceita como divergente diz respeito ao direito de crédito de fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos. Em homenagem ao princípio da Colegiabilidade, a matéria referente ao direito de crédito de PIS e COFINS em operações de frete na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, foi julgado por esta E. Câmara Superior pela sistemática dos recursos repetitivos previsto nos §§ 1º e 2º do artigo 47 do RICARF, na sessão de 17 de maio de 2017, acórdão nº 9303005.132, de Relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, cujo voto acompanhei, de forma que peço vênia para transcrevêlo, o qual utilizo como fundamento para minhas razões de decidir por se tratar de matéria idêntica, que passa a fazer parte integrante do presente voto: "O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.116, de 17/05/2017, proferido no julgamento do processo 11686.000082/200811, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.116): "Eis que, pela leitura do acórdão recorrido e do indicado como paradigma, é de se constatar a divergência jurisprudencial, pois, no acórdão recorrido, entendeuse que não há previsão legal para crédito de PIS e Cofins não cumulativos sobre valores de fretes de produtos acabados realizados entre os estabelecimentos da mesma empresa, somente tendo direito de crédito o frete contratado para entrega de mercadorias aos clientes, na venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Enquanto, no acórdão indicado como paradigma, concluiuse que as despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos, pagas e/ou creditadas às pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos de PIS e Cofins, passiveis de dedução da contribuição devida e/ou de ressarcimento/compensação. Quanto às Contrarrazões apresentadas, não se devem ignorálas, pois foram apresentadas tempestivamente pela Fazenda Nacional. Ventiladas tais considerações, importante, a priori, discorrer sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e de Cofins trazida pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, bem como para a aplicação do art. 3º, inciso IX, das referidas Leis (“IX – armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”). Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Eis que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. Fl. 3916DF CARF MF Processo nº 13603.724629/201162 Acórdão n.º 9303007.250 CSRFT3 Fl. 9 8 O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêseque na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, notase que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, em respeito a segurança jurídica das jurisprudências emitidas pelo Conselho e pelo Tribunal Superior, é de se atestar a observância do princípio da essencialidade para a adoção do conceito de insumo, afastando o entendimento restritivo dado pela autoridade fazendária na IN SRF 247/02. Não obstante a esses pontos, ressurgindome à questão posta, passo a discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao Fl. 3917DF CARF MF Processo nº 13603.724629/201162 Acórdão n.º 9303007.250 CSRFT3 Fl. 10 9 concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse,portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. É de se lembrar ainda que o IPI é um imposto que onera efetivamente o consumo, diferentemente do PIS e da Cofins que são contribuições que incidem sobre a receita, nos termos da legislação vigente. E nessa senda, haja vista que o IPI onera efetivamente o consumo, a não cumulatividade relacionase ao conceito de insumo como sendo o de bens que são consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos. Enquanto a sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS e a Cofins está diretamente relacionada às receitas auferidas com a venda desses produtos. Fl. 3918DF CARF MF Processo nº 13603.724629/201162 Acórdão n.º 9303007.250 CSRFT3 Fl. 11 10 Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, constatase que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admitese também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio do ilustre Prof. Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: ∙ O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) Fl. 3919DF CARF MF Processo nº 13603.724629/201162 Acórdão n.º 9303007.250 CSRFT3 Fl. 12 11 I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]” ∙ art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus):“Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima,o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. A Receita Federal do Brasil extrapolou sua competência administrativa ao “legislar” limitando o direito creditório a ser apurado pelo sujeito passivo. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; Fl. 3920DF CARF MF Processo nº 13603.724629/201162 Acórdão n.º 9303007.250 CSRFT3 Fl. 13 12 f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Nesse ínterim, cabe trazer que a observância do critério de se aplicar o conceito de “despesa necessária” para a definição de insumo, tal como preceituado no art. 299 do RIR/99 não seria a mais condizente, pois direciona a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições à sistemática de dedutibilidade aplicada para o imposto incidente sobre o lucro. O que, entendo que não há como se conferir que os custos ou despesas destinadas à aferição e lucro possam ser considerados como insumos necessários para o aferimento da receita. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: ∙ Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. Fl. 3921DF CARF MF Processo nº 13603.724629/201162 Acórdão n.º 9303007.250 CSRFT3 Fl. 14 13 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/ Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. ” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: Fl. 3922DF CARF MF Processo nº 13603.724629/201162 Acórdão n.º 9303007.250 CSRFT3 Fl. 15 14 COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. ” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Dessa forma, para fins de se elucidar a atividade do sujeito passivo, importante recordar que é pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz. Os fretes de produtos acabados em discussão, para sua atividade de comercialização, são essenciais para a sua atividade de “comercialização”, eis que: Sua atividade impõe a transferência de seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade; caso contrário, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradoresdas Regiões Sudeste, Centro Oeste e Nordeste do país; Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; O que, impõese para fins de comercialização e sobrevivência da empresa, os Centros de Distribuição; O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, considerando a localidade dos maiores demandantes de seus produtos. Considerando, então, a atividade do sujeito passivo, devese considerar os fretes como essenciais e, aplicandose o critério da essencialidade, é de se dar provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Não obstante à essa fundamentação e ignorandoa, cabe trazer que, tendo em vista que: Fl. 3923DF CARF MF Processo nº 13603.724629/201162 Acórdão n.º 9303007.250 CSRFT3 Fl. 16 15 A maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos e são realizados com a demora usual de 15 dias até a chegada do produto, para conseguir atender a sua demanda de pedidos, o sujeito passivo, devido à demora no trânsito das mercadorias, já transacionou as mercadorias, sendo que ao chegarem as mercadorias ao destino muitas já se encontram vendidas; A mercadoria já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento. "Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento. Rodrigo da Costa Pôssas". Dispositivo Ex positis, nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional e dou provimento ao Recurso da Contribuinte. " No presente processo houve interposição de recurso especial apenas pelo contribuinte, de sorte que o decidido no paradigma quanto ao recurso da Fazenda Nacional em nada afeta o presente litígio. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 3924DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10540.721212/2014-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
RECURSO VOLUNTÁRIO. MOTIVOS DE FATO E DE DIREITO. ART. 15 A 17 DO DECRETO-LEI N° 70.235/1972. CONHECIMENTO.
Nos termos dos art. 15 a 17 do Decreto-Lei n° 70.235/1972, os recursos administrativos devem mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentam e as provas que se contrapõem ao lançamento, tudo de forma clara e precisa. Logo, na ausência de tais elementos, o recurso voluntário não deve ser conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3301-004.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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MOTIVOS DE FATO E DE DIREITO. ART. 15 A 17 DO DECRETOLEI N° 70.235/1972. CONHECIMENTO. Nos termos dos art. 15 a 17 do DecretoLei n° 70.235/1972, os recursos administrativos devem mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentam e as provas que se contrapõem ao lançamento, tudo de forma clara e precisa. Logo, na ausência de tais elementos, o recurso voluntário não deve ser conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 12 12 /2 01 4- 84 Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10540.721212/201484 Acórdão n.º 3301004.730 S3C3T1 Fl. 274 2 Relatório Adoto o relatório da decisão recorrida, por economia processual: Tratase de auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe, referente aos períodos de apuração janeiro/2010 a dezembro/2012, relativo à falta/insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep (fls. 4/11), no montante total de R$ 2.107.879,83. No Relatório Fiscal (fls. 15/17), o autuante informa que apurou o PIS/Pasep nos termos do art. 2º, inciso III, § 3º, e art. 7º da Lei nº 9.715, de 1998, deduziu os valores retidos na fonte pelo Banco do Brasil e os valores declarados em DCTF e/ou recolhidos por meio de DARF e lançou de ofício as diferenças encontradas. Cientificado do auto de infração em 22/10/2014 (fl. 88), o contribuinte apresentou impugnação em 21/11/2014 (fls. 92/115), na qual, de início, com respeito aos documentos apresentados por meio de cópias, solicita que sejam considerados os princípios e as disposições das normas que regulam o Programa Nacional de Desburocratização do Governo Federal, assim como o que se encontra disposto no art. 20 da Lei nº 9.469, de 1997, e na Medida Provisória nº 1.360, 1996. A seguir alega que a multa aplicada é ilegal, pois a Lei nº 11.941, de 2009, autorizou a retirada do dispositivo que permitia ao Fisco alcançar pessoalmente os dirigentes de órgãos públicos. Segundo ele, a partir disso essa lei deixou de definir a falta de cumprimento das obrigações acessórias previdenciárias como ilícitos para esses dirigentes, devendose aplicar essa lei às autuações lavradas com fulcro no art. 41 da Lei nº 8.212, de 1991. Cita ainda o Parecer PGFN/CDA/CAT nº 190, de 2009. O autuado se reporta também a um pleito de parcelamento de débitos previdenciários que remontaria aos idos de 2008, quando o Supremo Tribunal Federal apreciou a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 1991. Após isso, o impugnante requer que seja reconhecida a nulidade do procedimento fiscal desde o início, em razão de erro na qualificação do autuado, pois conforme consta das fls. 190, 191, 192 do auto de infração, o sujeito passivo é o MUNICÍPIO DE JEQUIÉ CNPJ 13.894.878/000160, inclusive o próprio número do processo no COMPROT 10540.720661/2014 13 corresponde a um processo do Município de Jequié, conforme prova a cópia da movimentação do COMPROT em anexo (...). No mérito, o contribuinte tece longo arrazoado contestando a legislação que instituiu o Fator Acidentário de Prevenção FAP, que é um multiplicador das alíquotas da contribuição previdenciária destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Alega expressamente Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10540.721212/201484 Acórdão n.º 3301004.730 S3C3T1 Fl. 275 3 a inconstitucionalidade do Decreto nº 6.957, de 2009, que regulamentou a aplicação do FAP, e sua retroatividade ao anocalendário de 2007. A seguir, o autuado alega que é ilegal a aferição indireta da base de cálculo, pois a desclassificação da escrita contábil para legitimar lançamento por arbitramento apenas deve ser feita quando efetivamente restar inviável a correta mensuração da base de cálculo das contribuições devidas. No caso em apreço, segundo ele, é forçoso reconhecer que a NFLD 35.443.6139 foi lavrada com o emprego da técnica da aferição indireta computandose a exação à base da alíquota apontada na competência em questão e abatendo se apenas os valores da folha de pagamentos então escriturada, como se vê por conta de irregularidades que não influenciam diretamente a idoneidade da escrituração própria dos fatos geradores e correspectiva base de cálculo referentes àquela matrícula, ao menos na competência a que se refere o lançamento em análise. O impugnante alega também que: são ilegais as Resoluções MPS/CNPS nº 1308 e 1309, ambas de 2009; o Superior Tribunal de Justiça possui entendimento pacífico no sentido de que, no caso de haver estabelecimentos com CNPJs distintos, o grau de risco deve ser apurado em cada qual, e não pela atividade geral preponderante; as divergências geradas entres as GFIPs e GPS fruto dos recolhimentos a menor das competências da Prefeitura Municipal e da Câmara Municipal, foram exigidas para liberação da CPDEM (art. 206 do CTN), que encontrase regular até a presente data; compulsando o termo de parcelamento firmado pelo Município, representado pelo seu Prefeito Municipal, e a Receita Federal do Brasil, percebese que as pendências exigidas por aquele órgão da administração pública federal são inexigíveis, posto que as competências cobradas estão prescritas e encontramse devidamente inseridas no pedido de parcelamento formalizado, nos termos da Lei 11960. Caso não acolhidas suas alegações, o contribuinte solicita que sejam os débitos incluídos no parcelamento em tramitação, citando a Lei nº 12.810, de 2013, e a Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. O impugnante conclui sua impugnação nos seguintes termos: As ideias da Lei de Responsabilidade Fiscal norteiam as condutas dos entes públicos, fato que implica na necessidade que a administração municipal tem de, inicialmente, pleitear administrativamente os direitos inerentes aos propósitos da Lei 12.810/2013. Comparando a RLC atual com os valores cobrados no AI temos a demonstração da impossibilidade de quitação do referido AI. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10540.721212/201484 Acórdão n.º 3301004.730 S3C3T1 Fl. 276 4 Detalhar os valores do AI com as despesas correntes para demonstra se que a quitação do AI irá paralisar o Governo Municipal prejudicando os munícipes. Comparandose os valores do AI com a arrecadação própria Municipal temos que essa comuna tem estrita dependência com as transferências constitucionais e voluntárias portanto, comprovase a necessidade do ente manterse adimplente com a RFB. Mais ainda, comparandose os valores do AI com a arrecadação da DRFB/Feira de Santana demonstrase a insignificância dos valores exigidos do ente municipal em relação ao total arrecadado pela Delegacia, chegamos ao histórico arrecadado pelo ente dos últimos cinco anos, que teve forte impacto nas mordidas da RFB para incrementar a arrecadação com contribuições previdenciárias. Nessa trilha temos que a RCL do contribuinte sofre um verdadeiro confisco, acaso não sejam acolhidas as presentes razões. A 6ª Turma da DRJ/SPO, acórdão nº 1672.375, negou provimento à impugnação, com decisão assim ementada: BASE DE CÁLCULO. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. A base de cálculo do PIS/Pasep devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno é composta pelo valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ATIVIDADE VINCULADA E OBRIGATÓRIA. A constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício é atividade administrativa vinculada e obrigatória, não restando margem de discricionariedade na aplicação da legislação. Impugnação Improcedente. Em seu recurso voluntário, o Recorrente repisa parte de sua impugnação, em seus exatos termos. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10540.721212/201484 Acórdão n.º 3301004.730 S3C3T1 Fl. 277 5 O recurso voluntário não reúne os pressupostos legais de interposição, dele, não tomarei conhecimento, conforme se justificará a seguir. À decisão de piso foi possível manifestarse sobre apenas dois argumentos da impugnação: erro na qualificação do autuado e aferição indireta da base de cálculo, ainda que se observe o extremo esforço do julgador para analisar tais matérias. Sobre esses dois pontos, a DRJ assim se manifestou: Também não procede a alegação de que haveria erro na qualificação do autuado. Com efeito, a análise dos autos permite verificar que o sujeito passivo foi devidamente identificado como Município de Itapetinga, seja no auto de infração, seja no relatório fiscal ou mesmo na ficha de identificação do processo administrativo. Aqui, na verdade, parece que o contribuinte se equivoca, pois até cita em sua alegação um número de processo administrativo (10540.720661/201413) que não é o destes autos. (...) Apesar de a alegação de aferição indireta da base de cálculo também se referir a débitos previdenciários, vale destacar que, no caso em tela, a base de cálculo do PIS/Pasep não foi apurada por arbitramento, mas, como está devidamente descrito no relatório fiscal, diretamente dos dados fornecidos pelo próprio contribuinte, especificamente dos valores escriturados nas contas 1.0.00.00.00 Receitas Correntes e 2.4.00.00.00 Transferências de Capital, em conformidade exata com a base de cálculo estabelecida pelo art. 2º, inciso III, da Lei nº 9.715, de 1998. Quanto aos demais pontos da impugnação, todos se referiam à autuação de contribuições previdenciárias, dessa forma a DRJ consignou que os argumentos não eram objeto destes autos. O Termo de Verificação de efl.15 informou que o contribuinte foi submetido a procedimento sumário de auditoria fiscal, MPF nº 0510300.2014.00040, visando ao cumprimento das obrigações tributárias relativas às contribuições sociais previstas no art. 11, parágrafo único, alíneas "a" e "c", da Lei n° 8.212/1991, e no art. 2º, II, alínea a, da Lei Complementar nº 08, de 03/12/1970. Entretanto, neste presente processo, foi constituída apenas a exigência de PASEP e não de contribuição previdenciária. Confirase as informações do termo de verificação fiscal: 2. BASE LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS CONTRIBUIÇAO PARA O PASEP Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10540.721212/201484 Acórdão n.º 3301004.730 S3C3T1 Fl. 278 6 2.1 SOBRE A BASE DE CÁLCULO: a Lei nº. 9.715, de 25 de novembro de 1998, dispõe: "Art. 2º. A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: ... III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. ... § 3º. Para determinação da base de cálculo, não se incluem, entre as receitas das autarquias, os recursos classificados como receitas do Tesouro Nacional nos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União. ... Art. 7º. Para os efeitos do inciso III do art. 2º, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas." 2.2 Tratando de normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, a Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, em seus artigos 11 e 12 (com a redação alterada pelo DecretoLei nº. 1.939, de 20 de maio de 1982), define: "Art.11 (omissis) § 1º São Receitas Correntes as receitas tributárias, de contribuições, patrimonial, agropecuária, industrial, de serviços e outras e, ainda, as provenientes de recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, quando destinadas a atender despesas classificáveis em Despesas Correntes. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 1.939, de 20.5.1982)" . 2.3 A base de cálculo do PASEP é apurada pelo somatório dos valores escriturados nas contas 1.0.00.00.00 – Receitas Correntes e 2.4.00.00.00 – Transferências de Capital. As exclusões à base de cálculo correspondem às Transferências de Recursos da Complementação da União ao FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação). 2.4. Não foram identificadas transferências efetuadas a outras Entidades de Direito Público Interno. 2.5 À luz das normas acima transcritas, o valor do PASEP devido foi apurado aplicandose, sobre a base de cálculo, a Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10540.721212/201484 Acórdão n.º 3301004.730 S3C3T1 Fl. 279 7 alíquota de 1% (um por cento), prevista no art. 73 do Decreto nº 4.524, de 2002. 2.6 Dos valores referentes ao “PASEP Apurado” são subtraídos, para fins de lançamento (vide planilha Demonstrativo de Apuração Mensal do PASEP anexa ao termo de intimação): os valores de PASEP retidos pela União, conforme Demonstrativos de Distribuição da Arrecadação obtidos no site do Banco do Brasil www.bb.com.br (em anexo); os valores previamente declarados em DCTF, conforme visualizado no sistema da RFB. 2.7 Deste modo, o valor de PASEP lançado neste auto de infração corresponde à coluna “Saldo Devedor” da planilha Demonstrativo de Apuração Mensal do PASEP, anexa ao Termo de Constatação, Reintimação e Intimação Fiscal nº 02. O saldo devedor é a diferença entre o PASEP devido e os valores retidos pela União, declarados em DCTF e ou recolhidos mediante Guias DARF código de Receita 3703 (valores originais). Entre os valores declarados e os recolhidos, por ocorrência, foram considerados os maiores em cada mês. 2.8 Na apuração do PASEP devido foram utilizados os demonstrativos de receitas, fornecidos pelo autuado à fiscalização, em meio papel (anexo cópia de páginas dos demonstrativos das receitas referentes ao mês de dezembro de cada ano fiscalizado com o valor total consolidado no ano). 2.9 Intimado a prestar esclarecimentos sobre as divergências encontradas, o Ente não apresentou argumento suficiente para evitar o lançamento do saldo devedor das contribuições apuradas. 3. DISPOSIÇÕES FINAIS 3.1. Os valores retidos, declarados ou recolhidos foram abatidos (vide planilha anexa), restando saldo devedor do PASEP em todos os meses do período fiscalizado (janeiro 2010 a dezembro de 2012). 3.2 Integram o Auto de Infração, além deste relatório, os seguintes documentos: (...) Em petição denominada recurso voluntário, todas as alegações do Município se referem à autuação de contribuição previdenciária. Transcrevese alguns trechos: Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10540.721212/201484 Acórdão n.º 3301004.730 S3C3T1 Fl. 280 8 Ressaltese que a Lei n° 12.810/2013, dentre outras prescrições, disciplinou o parcelamento de débitos com a Fazenda Nacional de responsabilidade dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, relativos às contribuições sociais do parágrafo único do art. 11 da Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10540.721212/201484 Acórdão n.º 3301004.730 S3C3T1 Fl. 281 9 Lei nº 8.212/1991, alíneas a (“as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço”) e c (“as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriodecontribuição”). Diante disso, observase que o Recorrente não se insurgiu contra a autuação de PASEP. Assim, nos termos dos art. 15 a 17 do DecretoLei n° 70.235/1972, os recursos administrativos devem mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentam e as provas que se contrapõem ao lançamento, tudo de forma clara e precisa. Logo, na ausência de tais elementos, o recurso voluntário não deve ser conhecido. Do exposto, voto por não conhecer o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 281DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.916929/2011-51
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010
IPI. SALDO CREDOR PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO.
O montante do saldo credor passível de ressarcimento num trimestre depende de eventual saldo credor remanescente de período anterior, assim como dos débitos do imposto incorridos no próprio trimestre analisado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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SALDO CREDOR PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. O montante do saldo credor passível de ressarcimento num trimestre depende de eventual saldo credor remanescente de período anterior, assim como dos débitos do imposto incorridos no próprio trimestre analisado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 69 29 /2 01 1- 51 Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10983.916929/201151 Acórdão n.º 3002000.393 S3C0T2 Fl. 134 2 Relatório Por bem retratar as vicissitudes do presente processo, reproduzse o relatório do Acórdão recorrido: "Em exame no presente processo o PER nº 42200.65554.230311.1.5.0176522, ao qual foi vinculada a DCOMP nº 17231.15136.230311.1.7.0114233, por intermédio dos quais a pessoa jurídica retro identificada pretendeu utilizar o saldo credor do IPI apurado ao final do 4º trimestre 2010, da ordem de R$ 25.776,57, para a extinção de débitos de igual montante, com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779/99. Da análise eletrônica do pleito, realizada pelo SCC – Sistema de Controle de Créditos e Compensação, resultou o Despacho Decisório de fl. 18, que concluiu pelo reconhecimento parcial do direito creditório, da ordem de R$ 24.892,19 e pela homologação parcial da DCOMP. A motivação do reconhecimento parcial encontrase indicada no referido ato decisório, nos seguintes termos: Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatou se o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 25.776,57 Valor do crédito reconhecido: R$ 24.892,19 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Cientificado do despacho decisório em 18/01/2012 [fls. 19/20], manifestou a contribuinte a sua inconformidade em 08/02/2012 por intermédio do arrazoado de fls. 21/26, no qual: alega que o próprio programa do PER/DCOMP apontou como passível de ressarcimento o valor R$ 25.776,57, depois de proceder as deduções das compensações anteriormente efetuadas e demonstrar um valor de R$ 68.324,70 como saldo credor ajustado do período; acrescenta que não pode ser penalizado por uma análise equivocada no referido despacho decisório e, que a glosa não tem fundamentação legal nem detalhamento de onde foram extraídos os supostos valores não ressarcíveis que haviam sido apontados pelo próprio programa gerador como passíveis de ressarcimento; Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10983.916929/201151 Acórdão n.º 3002000.393 S3C0T2 Fl. 135 3 Requer, ao final, a revisão do despacho decisório para homologação integral da compensação declarada." Em seqüência, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juíz de Fora (DRJ/JFA) julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 SALDO CREDOR PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. REDUÇÃO EM VIRTUDE DE UTILIZAÇÃO PARCIAL NA ESCRITA FISCAL PARA ABATER DÉBITOS. Ratificase o procedimento adotado pelo processamento eletrônico quando restar demonstrado que parte dos créditos passíveis de ressarcimento acumulados no trimestrecalendário a que se refere o pedido (Saldo Credor Passível de Ressarcimento) foi utilizada para abater débitos informados no RAIPI/PGD no trimestrecalendário a que se refere o crédito utilizado na DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 77/81), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10983.916929/201151 Acórdão n.º 3002000.393 S3C0T2 Fl. 136 4 Como relatado anteriormente, a ora recorrente trouxe em seu Voluntário os mesmos argumentos já apresentados na Manifestação de Inconformidade. Basicamente, a recorrente se insurgiu contra o deferimento parcial do seu pedido de ressarcimento no PER/DCOMP nº 42200.65554.230311.1.5.017652 e, conseqüentemente, com a homologação parcial das compensações declaradas no PER/DCOMP nº 17231.15136.230311.1.7.011423 alegando que o saldo credor passível de ressarcimento foi calculado pelo próprio programa da Receita Federal, assim, segundo ela, não restaria razão plausível para a mudança de critério e, ainda, que tal fato gera enorme insegurança jurídica nos contribuintes. Primeiramente, devese esclarecer que o PGD PER/DCOMP se constitui num programa offline gerador de documentos, no qual o sujeito passivo elabora o seu pedido de restituição/ressarcimento e suas declarações de compensação. Contudo, o resultado apresentado pelo programa, por um lado, é meramente informativo, pois depende para a sua confirmação de um processamento realizado posteriormente, que confronta os dados informados nessa declaração com os dados de outras declarações apresentadas pelo contribuinte, assim como com outras informações presentes no banco de dados da Receita Federal. Por outro, o resultado mostrado pelo PGD depende dos dados alimentados pelo próprio contribuinte, ou seja, o resultado será mais confiável, quanto mais fidedignas forem as informações prestadas. No caso ora analisado, a diferença entre o resultado apresentado pelo programa no momento da transmissão da declaração e o crédito passível de ressarcimento reconhecido através do Despacho Decisório acostado aos autos deveuse a inconsistência da informação sobre o saldo credor do período anterior, como bem demonstrado no voto condutor do Acórdão recorrido: "O programa apura os valores partindo dos dados informados pelo próprio contribuinte, de modo que, se a entrada de dados é falha, o resultado apontado também será falho. Registrese a propósito, que o contribuinte ao informar no PGD o saldo credor advindo de período anterior sequer tomou o cuidado de transcrever o saldo apurado ao final do trimestre anterior. Note se que o saldo credor de período anterior informado no PER 42200.65554.230311.1.5.017652 [do 4º trimestre/2010, em análise no presente processo], da ordem de R$ 69.603,03, é muito superior ao saldo credor apurado ao final do 3º trimestre/2010, no valor de R$ 49.817,97, conforme consulta realizada no PER 25500.06721.220311.1.5.017221, transmitido para utilização do saldo daquele trimestre de apuração. E o mínimo que se poderia esperar é que o saldo de partida do trimestre subseqüente fosse igual ao saldo apurado ao final do trimestre imediatamente anterior. Tal fato resultou, mesmo depois do ajuste dos saldos do RAIPI mediante estorno do valor utilizado do saldo credor do 3º trimestre/2010 [R$ 26.170,52], na transferência indevida de R$ 43.432,51 [R$ 69.603,03 menos R$ 26.170,52] a título de saldo credor advindo do 3º trimestre/2010 para o 4º trimestre/2010. Referido saldo de partida, embora se trate de crédito não ressarcível, pode ser utilizado para a amortização de débitos escriturados no período. Foi o que aconteceu, como relatado no parágrafo anterior do Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10983.916929/201151 Acórdão n.º 3002000.393 S3C0T2 Fl. 137 5 presente voto: todos os débitos escriturados no 4º trimestre/2010 foram amortizados pelo saldo credor advindo do trimestre anterior, resultando na indicação, pelo PGD, de todos os créditos escriturados no trimestre como saldo credor passível de ressarcimento." Dessa forma, não há que se falar em alteração de critérios ou de insegurança jurídica, porquanto o crédito reconhecido no trimestre em questão decorreu do processamento das informações prestadas pelo próprio sujeito passivo tanto na declaração correspondente, como nas declarações referentes aos trimestres anteriores. Ademais, repisese que a recorrente não teceu nenhum comentário em seu Recurso Voluntário sobre as explicações trazidas no Acórdão recorrido. Assim, não há motivos para não se reconhecer a pertinência e justeza da decisão da instância a quo. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 137DF CARF MF
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