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Numero do processo: 10540.720146/2007-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Verificada a existência de contradição no julgado é de se acolher os Embargos de Declaração apresentados pela autoridade executora.
Embargos acolhidos.
Acórdão rerratificado.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-002.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos para, rerratificando o acórdão embargado, corrigir a conclusão do voto condutor do acórdão Acórdão n.º 2202-001.504, de 29/11/2011, para "dar provimento ao recurso", alterando igualmente a decisão constante no dispositivo do acórdão embargado.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada).
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Verificada a existência de contradição no julgado é de se acolher os Embargos de Declaração apresentados pela autoridade executora. Embargos acolhidos. Acórdão rerratificado. Recurso provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos para, rerratificando o acórdão embargado, corrigir a conclusão do voto condutor do acórdão Acórdão n.º 2202-001.504, de 29/11/2011, para "dar provimento ao recurso", alterando igualmente a decisão constante no dispositivo do acórdão embargado. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada).
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Embargos acolhidos. Acórdão rerratificado. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos para, rerratificando o acórdão embargado, corrigir a conclusão do voto condutor do acórdão Acórdão n.º 2202001.504, de 29/11/2011, para "dar provimento ao recurso", alterando igualmente a decisão constante no dispositivo do acórdão embargado. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente Convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 01 46 /2 00 7- 04 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 01/06/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentado pela Autoridade Executora, relativo ao Acórdão nº 2202001.504, de 29/11/2011. Aduz a Embargante, que notase que o lançamento só tem uma infração a alteração do valor da terra nua, e o acórdão se manifesta só sobre esse ponto, sendo favorável ao contribuinte. Entretanto a conclusão é pelo provimento parcial do recurso, sendo assim nota se que não há manifestação quanto a parte não provida. São esses os fatos, em síntese, passo a examinálos. Registrese que o voto do acórdão embargado foi por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer o Valor da Terra Nua – VTN declarado pela Recorrente. O relator ao apreciar o embargo, propôs o acolhimento do embargo pelo fato da contradição ser evidente. A presidência da Câmara, solicitou que o processo fosse encaminhado ao Conselheiro para inclusão em pauta. É o relatório. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 01/06/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10540.720146/200704 Acórdão n.º 2202002.610 S2C2T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Os presentes Embargos foram opostos objetivando a manifestação desta C. Câmara quanto a contradição no acórdão, pois a conclusão é pelo provimento parcial do recurso, sendo assim notase que não há manifestação quanto a parte não provida. São esses os fatos, em síntese, passo a examinálos. Assiste razão a Autoridade Executora, ocorreu a contradição apontada. A conclusão do voto condutor é no sentido de dar provimento, mas por lapso ficou consignado dar provimento parcial. Na verdade o acórdão dá provimento ao recurso restabelecendo o valor declarado pelo recorrente como valor da terra nua – VTN. Em razão de todo o exposto, voto no sentido de acolher os Embargos para, rerratificando o acórdão embargado, corrigir a conclusão do voto condutor do acórdão Acórdão n.º 2202001.504, de 29/11/2011, para "dar provimento ao recurso", alterando igualmente a decisão constante no dispositivo do acórdão embargado.. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 301DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 01/06/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 13602.000398/2010-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
AFASTAMENTO DE PRELIMINAR. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO PARA JULGAMENTO DO MÉRITO.
Afastada a alegação de decadência suscitada pela primeira instância, deve a manifestação do contribuinte ser recebida como manifestação de inconformidade original, afastando-se, destarte, todos os efeitos da decisão anterior na análise do mérito do pedido formulado pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em ANULAR a decisão recorrida, nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 25/05/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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DEVOLUÇÃO DO PROCESSO PARA JULGAMENTO DO MÉRITO. Afastada a alegação de decadência suscitada pela primeira instância, deve a manifestação do contribuinte ser recebida como manifestação de inconformidade original, afastandose, destarte, todos os efeitos da decisão anterior na análise do mérito do pedido formulado pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em ANULAR a decisão recorrida, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 25/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 2. 00 03 98 /2 01 0- 27 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13602.000398/201027 Acórdão n.º 2102002.581 S2C1T2 Fl. 3 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi expedida Notificação de Lançamento de fls. 06/09, com exigência de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, multa e juros de mora calculados até 31/03/2010, no montante de R$ 4.654,28, correspondente a Dedução Indevida de Contribuição para Previdência Oficial referente a Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica e Dedução Indevida de Incentivos conforme enquadramento legal especificado em fls. 07. Inconformado com a presente exigência fiscal, da qual teve ciência em 15/04/2010, conforme documento de fls. 19, o autuado apresentou, em 28/09/2010, a peça impugnatória de fls. 01, alegando resumidamente que não foi analisada a impugnação constante da SRL n° 200820000004460, protocolada na ARF desta Cidade em 07/05/2010 cujo documento comprobatório de recolhimento ao INSS no valor impugnado foi anexado. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, considerou a impugnação de fl. 01 apresentada em 28/09/2010 como intempestiva e sem análise do mérito indeferiu o pleito do contribuinte. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 38 a 39, pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, insistindo que deve ser analisada a sua SRL, entregue tempestivamente com as provas que demonstram a improcedência da notificação de lançamento. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Da análise da referida SRL n° 200820000004460, protocolada na ARF em 07/05/2010, fl. 02, verifico que a mesma faz menção a notificação de lançamento n° 2008/786648597535067. Ainda juntamente com essa SRL á fl.03 foram juntados documentos que comprovariam justamente o recolhimento da contribuição glosada. De outro lado, não constam nos autos qualquer resposta a essa SRL e tampouco o acórdão recorrido se manifestou acerca dessa SRL. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13602.000398/201027 Acórdão n.º 2102002.581 S2C1T2 Fl. 4 3 Ora, considerando que a SRL foi entregue dentro do prazo dos 30 dias da ciência da Notificação de Lançamento e que essa SRL faz menção justamente ao inconformismo da cobrança, objeto do lançamento, não vejo como não se acatar essa SRL. Dessa forma, voto por anular a Decisão da DRJ que avaliou equivocadamente a tempestividade, uma vez que, a data inicial seria a ciência do resultado da SRL que não consta nos autos. Por tudo, entendo que a decisão anterior incorreu em cerceamento do direito de defesa do impugnante e voto pela NULIDADE do Acórdão 0231.196 – 2 ª Turma da DRJ/BH, determinando à unidade de origem que: a) faça constar o resultado da SRL, incluindo o apontamento da data da ciência desse resultado ao contribuinte e com posterior encaminhamento à DRJ para nova decisão. b) caso a SRL não tenha sido analisada que isso seja feito e que se dê o seguimento do processo de acordo com o rito determinado pelo Processo Administrativo Fiscal (PAF).. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001439/2007-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Período de apuração: 02/01/2002 a 02/12/2005
Decadência.
Na hipótese em que o pagamento e o autolançamento deixam de ser efetuados no prazo legal, a possibilidade de promover o correspondente lançamento de ofício extingue-se após decorridos cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que tal lançamento poderia ser efetuado. Aplicação do art. 62-A do RICARF e da orientação jurisprudencial assentada no REsp 973.733-SC, submetido ao art. 543-C do CPC.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-002.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Adriana Oliveira e Ribeiro e Nanci Gama. Fez sustentação oral a advogada Haisla Rosa da Cunha Araújo. OAB/SP 267.452
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Adriana Oliveira e Ribeiro, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente, justificadamente, a Conselheira Andréa Medrado Darzé, que foi substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro..
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Adriana Oliveira e Ribeiro e Nanci Gama. Fez sustentação oral a advogada Haisla Rosa da Cunha Araújo. OAB/SP 267.452 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Adriana Oliveira e Ribeiro, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente, justificadamente, a Conselheira Andréa Medrado Darzé, que foi substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro..
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Na hipótese em que o pagamento e o autolançamento deixam de ser efetuados no prazo legal, a possibilidade de promover o correspondente lançamento de ofício extinguese após decorridos cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que tal lançamento poderia ser efetuado. Aplicação do art. 62A do RICARF e da orientação jurisprudencial assentada no REsp 973.733SC, submetido ao art. 543C do CPC. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Adriana Oliveira e Ribeiro e Nanci Gama. Fez sustentação oral a advogada Haisla Rosa da Cunha Araújo. OAB/SP 267.452 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Adriana Oliveira e Ribeiro, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Ausente, justificadamente, a Conselheira Andréa Medrado Darzé, que foi substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro.. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 39 /2 00 7- 91 Fl. 655DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16327.001439/200791 Acórdão n.º 3102002.064 S3C1T2 Fl. 656 2 Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Tratase de Auto de Infração do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros, fls. 45/211, que constituiu o crédito tributário total de R$ 21.614.916,38, somados o principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 31/07/2007. No Termo de Verificação de Infração IOF de fls. 213/225, a autoridade autuante contextualiza da seguinte forma o lançamento: (...) constatouse que Banco Itaú S/A manteve relacionamento comercial com Interbrazil Seguradora AS para cobrança de boletos de seguro e não procedeu à retenção e recolhimento do IOF relativo às operações de seguro. Banco Itaú S/A alegou que operava em modalidade de cobrança em que o banco não se responsabilizava pelo recolhimento do IOF. No ofício (...) do Banco Itaú S/A apresentado em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 1 (...), Banco Itaú S/A declarou que não há contrato entre as partes que formalize a mencionada modalidade de cobrança e que comprove a dispensa de Banco Itaú S/A quanto à retenção e recolhimento do IOF. Na resposta ao Termo de Intimação fiscal nº 2 (...), Banco Itaú S/A apresentou os seguintes valores de prêmio cobrados para os anos de 2002 a 2005: [segue tabela] Os valores dos prêmios cobrados diariamente no período de 2002 a 2004 foram apresentados por Banco Itaú S/A em forma analítica (...) em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 1 (...). Os valores referentes ao período de 2005 foram apresentados (...) em resposta do Termo de Intimação Fiscal nº 05 (...). Banco Itaú, intimado a informar os ramos e modalidades de seguro relativos aos valores de prêmio cobrados e recebidos (...), respondeu (...) que operava o serviço de cobrança através de carteira denominada ‘carteira sem registro’, cujo gerenciamento ficava por conta da própria empresa contratante e sendo assim, não consta nos registros as modalidades de seguros cobradas. Por outro lado, Interbrazil seguradora foi reiteradamente intimada a comprovar o recolhimento de IOF e apresentar documentação que instruiu a cobrança bancária, sendo que em todas suas respostas declarou não ter encontrado quer seja comprovantes de recolhimento quer seja documentação de suporte à cobrança (...). Fl. 656DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16327.001439/200791 Acórdão n.º 3102002.064 S3C1T2 Fl. 657 3 No último ofício acima mencionado, Interbrazil Seguradora S/A afirma categoricamente ser impossível atender à solicitação de comprovação de recolhimento do IOF devido por Interbrazil Seguradora ou de qualquer documentação relativa à apuração do imposto, conforme determinado como obrigações acessórias na legislação que regula a matéria. Afirma ainda que considera esgotadas as diligências no tocante à localização dos mencionados documentos. Nos sistemas da Receita Federal não foram encontradas quaisquer informações relativas ao recolhimento do IOF (DCTF e SINAL08) por parte de Interbrazil Seguradora S/A. II – O DIREITO No Decreto nº 4.494, de 3 de dezembro de 2002, verificase: Art.20.Contribuintes do IOF são as pessoas físicas ou jurídicas seguradas (DecretoLei nº 1.783, de 1980, art. 2º). Dos Responsáveis §1ºSão responsáveis pela cobrança do IOF e pelo seu recolhimento ao Tesouro Nacional as seguradoras ou as instituições financeiras a quem estas encarregarem da cobrança do prêmio (DecretoLei nº 1.783, de 1980, art. 3º, inciso II, e DecretoLei nº 2.471, de 1º de setembro de 1988, art. 7º). (grifo nosso) Desta forma, verificase que a legislação estipula duas possibilidades para definir o responsável pela cobrança do IOF: Num primeiro momento, as seguradoras seriam os responsáveis, no entanto deixam de ser responsáveis na situação em que encarregarem instituições financeiras para proceder à cobrança do prêmio, estas então passam a ser os responsáveis. Aliás não poderia ser de outra forma. O fato gerador do IOF sobre operações de seguro é o recebimento do prêmio, conforme Decreto nº 4.494/2002 (...). Verificase ainda que ocorre o fato gerador e tornase devido o IOF no ato do recebimento do prêmio. Quando a seguradora transfere para uma instituição financeira a cobrança do prêmio, então o ato do recebimento do prêmio ocorre quando a instituição financeira cobra o prêmio e o segurado efetua o pagamento. Neste momento tornase devido o IOF, conforme o § 2º do artigo 19 acima transcrito. O responsável, portanto, é aquele que tem disponibilidade financeira do montante devido, quando este se torna devido. Observese que dados os atos correspondentes de pagar e receber, a lei elegeu o ato de receber como o definidor da ocorrência do fato gerador, ato que foi praticado pela Instituição Financeira ao executar os serviços de cobrança de prêmio. Assim, cabe à instituição financeira que foi o agente primário na determinação da ocorrência do fato gerador, e que assim passou Fl. 657DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16327.001439/200791 Acórdão n.º 3102002.064 S3C1T2 Fl. 658 4 a ter a disponibilidade financeira do numerário, responsabilizar se pela retenção e recolhimento do IOF, uma vez que se tornou devido no momento do recebimento, tendo o dever de repassar à seguradora somente o valor recebido descontado o IOF. Banco Itaú S/A alega que havia acordo verbal, e que não há contrato escrito formalizado com Interbrazil Seguradora S/A para proceder desta forma. Portanto, não há comprovação documental do alegado acordo. No entanto, devese observar que mesmo que houvesse contrato formalizando e comprovando tal circunstância, o que não é o caso, prevalece o princípio de que acordos particulares não podem sobreporse à legislação tributária, conforme o CTN: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Portanto, o ato de Banco Itaú S/A cobrar e receber prêmios de seguro, em nome de Interbrazil Seguradora S/A, não reter e recolher o IOF, constitui infração ao previsto na legislação acima mencionada. Para efetuar o lançamento de ofício relativo à infração cometida, devese examinar o prazo de decadência relativo ao imposto não pago. ... Verificase que para consubstanciarse o lançamento por homologação é necessário que a autoridade administrativa tome conhecimento da atividade (de pagamento do tributo) exercida pelo sujeito passivo (que tem o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame), conforme o caput do artigo 150 acima transcrito. Portanto, na ausência de pagamento, que é o caso presente, não há que se cogitar da hipótese de lançamento por homologação, uma vez que não foi exercida a atividade que a autoridade deve tomar conhecimento e expressamente homologar. Desta forma, no caso em análise, para determinação do prazo de decadência, aplicase o artigo 173, incido I, do CTN. ... III – Valor Tributável Com base nos dados diários apresentados por Banco Itaú S/A, relativos aos prêmios cobrados e recebido, apurouse o valor de prêmio recebido consolidado diariamente por Banco Itaú S/A, de janeiro de 2002 a dezembro de 2005, valores estes discriminados no Anexo 1, que é parte integrante e indissociável deste Termo de Verificação. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16327.001439/200791 Acórdão n.º 3102002.064 S3C1T2 Fl. 659 5 Para apurar o imposto devido tornase necessário identificar as modalidades de seguro que foram operadas por Interbrazil Seguradora no período em análise. (...) A legislação aplicável para determinação das alíquotas no período é: Decreto nº 2.888/98, Decreto nº 4.357/02, Decreto nº 4.494/02 e Decreto nº 5.172/2004. Com base nesta legislação verificase que aplicase a alíquota de 7% (...) sobre o prêmio recebido para as modalidades de seguro operadas por Interbrazil Seguradora S/A, exceto para as modalidades a seguir que apresentam alíquotas diferenciadas: ... Para aplicarse as alíquotas (0%, 2%, 4% ou 7%) sobre os valores de prêmio recebidos por Banco Itaú S/A é necessário identificar quanto de prêmio foi recebido em cada modalidade. No entanto, como já exposto anteriormente, na seção I – Descrição dos Fatos, não há, quer na documentação apresentada por Banco Itaú S/A, quer na documentação apresentada por Interbrazil Seguradora S/A, possibilidade de identificarse a modalidade de seguro que corresponde aos valores de prêmio recebidos apresentados por Banco Itaú S/A. ... Diante desta circunstância de impossibilidade fática de se determinar a alíquota efetiva aplicável, dada a condição lacunosa da documentação fornecida (...), optouse por considerar a hipótese que seja menos gravosa ao contribuinte, uma vez que não há elementos de prova para considerarse qualquer outra alternativa de alíquota, aplicandose desta forma as determinações do artigo 112, inciso II do CTN. Sendo assim, considerouse que o prêmio recebido por Banco Itaú corresponde sempre aos prêmios emitidos por Interbrazil S/A de menor alíquota. Assim, considerouse que os prêmios recebidos de 2002 a 2005, fornecidos a esta fiscalização por Banco Itaú S/A contém todos os valores emitidos por Interbrazil Seguradora S/A com alíquota 0% nos ramos Transporte Internacional e Aeronáutico, sendo os respectivos valores deduzidos dos prêmios recebidos, conforme planilhas no Anexo II (...). Cientificado do lançamento em 30/08/2007, o sujeito passivo apresentou impugnação em 27/09/2007, fls. 246/252, alegando, em síntese: 5. Primeiramente, cumpre salientar que o presente auto de infração é nulo, uma vez que a fiscalização não trouxe nenhuma prova de que a responsabilidade pela retenção do IOF é do Impugnante. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16327.001439/200791 Acórdão n.º 3102002.064 S3C1T2 Fl. 660 6 6. Conforme se verifica do presente auto de infração, a fiscalização fundamentou a exigência no artigo 20, § 1º, do Decreto nº 4.494/02 (...). ... 7. Com o objetivo de demonstrar a responsabilidade do Impugnante na retenção e recolhimento do IOF, a fiscalização invoca o artigo 19, § 2º do Decreto nº 4.494/02 para esclarecer que o fato gerador do IOF sobre operações de seguro seria o ato do recebimento total ou parcial do prêmio e que, portanto, como o Impugnante foi o ‘agente primário na determinação da ocorrência do fato gerador’, ele seria o responsável tributário. 8. Assim, pelas razões apresentadas pela fiscalização, verificase que o lançamento é reticente, já que confunde conceitos legais do direito tributário, interpreta a norma que define a hipótese de incidência do tributo como se dispusesse sobre responsabilidade e atribui o pagamento do IOF ao Impugnante pelo simples fato de ele ter sido ‘o agente primário na determinação da ocorrência do fato gerador’. 9. Todavia, o argumento apresentado pela fiscalização não possui fundamento! Primeiro porque o segurado poderia efetuar o pagamento do boleto de seguro em qualquer instituição financeira e, posteriormente, tais valores seriam remetidos para a instituição financeira contratada por meio de compensação. Nesse caso, o agente primário recebedor do prêmio seria a instituição financeira escolhida para pagamento do boleto pelo segurado, mas nem por isso ela seria responsável pela retenção e recolhimento do IOF. 10. Assim, a atribuição da responsabilidade tributária ao Impugnante pelo simples fato de ele ser o agente primário na determinação do fato gerador (o que, conforme acima demonstrado, nem sempre ocorre) é situação não prevista em lei, o que demonstra a discricionariedade da fiscalização. 11. Por outro lado, é importante salientar que o fato gerador previsto no § 2º do artigo 19 do Decreto nº 4.494/02 não determina quem é o sujeito recebedor do prêmio. Portanto, o fato de a instituição financeira prestar serviço de cobrança de prêmio e a responsabilidade tributária pelo recolhimento do IOF permanecer com a seguradora em nada afeta a verificação do momento da ocorrência do fato gerador. 12. No que tange ao § 1º do artigo 20 do Decreto nº 4.494/02, verificase que ele elegeu dois possíveis responsáveis pela retenção do IOF. O primeiro deles é a Seguradora responsável pela apólice. O segundo é a Instituição Financeira encarregada pela Seguradora pela cobrança do prêmio e IOF. 13. Vale dizer, a norma legal impôs à Seguradora a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do IOF. Portanto, com acerto o legislador elegeu a pessoa jurídica vinculada ao fato gerador do IOF. Não obstante, permitiu que as Fl. 660DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16327.001439/200791 Acórdão n.º 3102002.064 S3C1T2 Fl. 661 7 empresas de seguro encarregassem as Instituições Financeiras da cobrança do IOF. 14. A aplicação da norma exige que a Instituição Financeira seja encarregada pela Seguradora para reter e recolher o IOF, na hipótese de ter sido contratada para a cobrança do prêmio de seguro. 15. Assim, não havendo manifestação expressa entre as partes, essa responsabilidade foi atribuída, pela Lei, à seguradora pois, independentemente de quem realiza a cobrança (ou recebe o prêmio), é ela quem tem condições de individualizar cada contribuinte, cada fato gerador a fim de apurar o montante da base de cálculo e alíquota aplicável para o cálculo do tributo a ser recolhido aos cofres públicos. Tanto isso é verdade que, ao afirmar que a ‘seguradora é responsável pelos dados constantes da documentação remetida para a cobrança’ o § 2º reconhece que a seguradora é quem possui todos os dados necessários para a retenção e recolhimento do IOF. 16. É por essa razão que o simples fato de uma instituição financeira prestar serviços de cobrança de prêmios não implica, necessariamente, na sua imediata responsabilidade tributária pelo recolhimento do IOF. No caso de IOF incidente sobre seguros, a seguradora é a responsável tributária e, em conformidade com o acordo expresso entre as partes contratantes (seguradora e instituição financeira), ela poderá encarregar a instituição financeira que efetua a cobrança dos prêmios do recolhimento do IOF. 17. Diante disso, a aplicação da responsabilidade tributária à instituição financeira que efetua a cobrança dos prêmios, no caso o Impugnante, depende de disposição contratual expressa no sentido de que a instituição financeira contratada para a cobrança do prêmio seja encarregada também do recolhimento do IOF. 18. Nem se alegue que o entendimento acima contraria o disposto no artigo 123 do CTN (...). 19. Não há contrariedade ao artigo acima transcrito pois ninguém estaria se furtando dos seus deveres tributários com apoio num simples contrato privado. Isso porque, o próprio § 1º do artigo 20 do Decreto 4.494/02 prevê a possibilidade de as partes contratantes determinarem quem será o responsável tributário naquela relação contratual. ... 21. Assim, diante da inexistência de prova de que o Impugnante foi encarregado do recolhimento do IOF, o presente auto de infração deve ser julgado nulo. ... Fl. 661DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16327.001439/200791 Acórdão n.º 3102002.064 S3C1T2 Fl. 662 8 26. Ainda que por hipótese se admitisse que a retenção e recolhimento do IOF fossem de responsabilidade do Impugnante, mesmo assim o presente auto de infração não poderia prosperar. 27. Isso porque, do § 2º do artigo 20 do Decreto 4.494/02 que determina que a seguradora é responsável pelos dados constantes da documentação remetida para a cobrança, deflui que a responsabilidade da instituição financeira que efetua a cobrança do prêmio depende dos dados informados pela seguradora. Ou seja, a própria norma impõe condição para a atribuição da responsabilidade da instituição financeira. ... 29. Portanto, se o Impugnante (por hipótese considerado responsável pelo recolhimento do IOF), não obteve informações necessárias para proceder à retenção e recolhimento do imposto, não pode vir a ser considerado responsável pelo pagamento do IOF. 30. A ausência de informações no caso em tela é clara, tanto que a fiscalização, visando a possibilitar o cálculo do suposto crédito tributário, foi obrigada a diligenciar junto à seguradora para tentar obter informações a respeito das espécies de seguros contratados no período de 2001 até 2005, e que foram objeto de cobrança pelo Impugnante. Nesse caso, a própria seguradora, que tinha a responsabilidade de prestar as informações pertinentes ao IOF a ser retido e recolhido, não conseguiu a correspondência entre as espécies de seguro e o valor do prêmio recebido pelo Impugnante. ... 32. Ora, diante da constatação explícita de que a Seguradora não dispõe de elementos que permitam a apuração do IOF e, portanto, de que esta deixou de atender ao comando trazido pelo § 2º do art. 20 do Decreto 4.494/02, ainda assim a fiscalização preferiu ignorar o citado dispositivo e exigir o imposto do Impugnante. 33. Portanto, o presente auto de infração deve ser julgado improcedente em razão do descumprimento do § 2º do artigo 20 do Decreto nº 4.494/02 por parte da Interbrazil Seguradora S/A. 34. Acrescentese a isso o fato de que, se o serviço foi prestado sem que o Impugnante tenha recebido informações sobre o que se cobra, a situação mais se aproxima do serviço de recebimento, e não de cobrança. Em suma, o serviço prestado pelo Impugnante seria idêntico àquele prestado por qualquer instituição financeira escolhida pelo segurado para pagamento do seu boleto de seguro – hipótese em que, não há dúvidas, essa instituição não seria responsável pelo recolhimento do IOF. Portanto, esse argumento também afasta a aplicação da responsabilidade tributária do Impugnante. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16327.001439/200791 Acórdão n.º 3102002.064 S3C1T2 Fl. 663 9 35. De qualquer sorte, prestando a Instituição Financeira o serviço de cobrança ou de recebimento do prêmio, cabialhe, em atendimento às normas do BACEN (Circular 3001 – doc. 03), creditar todo o valor na conta corrente do cliente contratante, o que mais uma vez prova que, para que pudesse descontar o IOF, teria de haver obrigação contratual expressa nesse sentido. A impugnante pleiteia ainda o reconhecimento do transcurso do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional para a parcela da autuação compreendida entre 01/01/2002 e 29/08/2002. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 02/01/2002 a 02/12/2005 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. ARTS. 150,§ 4º, E 173, I, DO CTN . Na hipótese em que o recolhimento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação não ocorre ou ocorre em desconformidade com a legislação aplicável e, por conseguinte, procedese ao lançamento de ofício (CTN, art. 149), o prazo decadencial de 5 (cinco) anos, nos termos do art. 173, I, do CTN, tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que esse lançamento de ofício poderia haver sido realizado. (Precedente STJ RESP 182241/SP). IOF. SEGUROS. PRÊMIO. COBRANÇA. RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE. A responsabilidade pela retenção e recolhimento do IOF incidente sobre as operações de seguro está diretamente ligada ao agente responsável pela efetivação da cobrança do prêmio. Tendo realizado a cobrança de prêmios de seguros comercializados por seguradora, cabe à instituição financeira a responsabilidade pela retenção/recolhimento do tributo correspondente. Lançamento Procedente Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Em 26/02/2012, a recorrente apresenta pedido de desistência parcial do recurso voluntário, pugnando pelo prosseguimento do recurso no que se refere à alegação de decadência, afeta aos fatos geradores ocorridos entre janeiro de 2002 e agosto de 2002, que julga decaídos em razão da regra fixada no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16327.001439/200791 Acórdão n.º 3102002.064 S3C1T2 Fl. 664 10 Adotadas as providências a cargo do órgão preparador, retornaram os autos ao CARF, para prosseguimento. Em face da nomeação de conselheiro titular e consequente devolução dos autos pelo conselheiro originalmente designado para relatar o feito, que atuava neste Colegiado como substituto, os autos foram redistribuídos a este relator em 25/04/2013, mediante novo sorteio. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que preenche os requisitos de admissibilidade e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção. O único aspecto que demanda manifestação deste Colegiado, como já antecipado, é a prejudicial de decadência, que, na opinião da recorrente, atingiria os fatos geradores ocorridos entre janeiro e agosto de 2002. Com relação a esse aspecto, há que se destacar, em primeiro lugar, que o auto de infração litigioso, aperfeiçoouse em 30/08/2007, data em que o procurador da recorrente tomou ciência da exigência1. De se destacar, noutro giro, que, segundo afirmado pela autoridade fiscal e não contestado pela autuada, as pesquisas no sistemas que controlam o recolhimento de tributos e contribuições e as declarações de débitos (Sinal e DCTF) não foi identificado qualquer recolhimento ou confissão relativos aos débitos litigiosos, decorrentes da condição de responsável tributário do Banco Itaú. Dentro desse contexto, não vejo como acolher a prejudicial. De fato, como é cediço, a partir da edição da Portaria MF nº 586, de 2010, que introduziu o art. 62A no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 256, de 20092, os julgamentos deverão obserar as decisões proferidas em sede de Repercussão Geral e de Recursos Repetitivos, proferidas, respectivamente, pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Nessa senda, é imperioso que se observe a orientação jurisprudencial assentada no REsp 973.733SC3, em cuja ementa se lê: EMENTA 1 Termo de ciência à fl. 45 (47, se considerada a numeração digital) 2 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 3 Ministro Luiz Fux, julgado em 12/08/2009. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16327.001439/200791 Acórdão n.º 3102002.064 S3C1T2 Fl. 665 11 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege Fl. 665DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16327.001439/200791 Acórdão n.º 3102002.064 S3C1T2 Fl. 666 12 de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. Assim sendo, em face da orientação jurisprudencial, afastase a regra do § 4º do art. 150 e aplicase a sistemática do art. 173, I do CTN4. Seguindo essa regra, o dia inicial do prazo decadencial relativo ao lançamento de ofício que busca formalizar a exigência do IOF que deixou de ser recolhido entre janeiro e agosto de 2002 é 1º de janeiro de 2003 e o final, 31 de dezembro de 2007. Se o lançamento aperfeiçoouse em 30 de agosto de 2007, nenhum período foi atingido pela decadência. Com efeito, apesar de terem sido apresentados recolhimentos relativos ao IOF devido por outros contribuintes, não vejo como considerar que tais recolhimentos possam ser considerados como autolançamento, passível de homologação nos termos do § 4º do art. 150 do CTN. Na hipótese, o que se verifica é o recolhimento (e não o autolançamento), relativos a fatos geradores diversos e, consequentemente, obrigações tributárias diversas. Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 22 de outubro de 2013 Luis Marcelo Guerra de Castro 4 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 666DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 16327.001439/200791 Acórdão n.º 3102002.064 S3C1T2 Fl. 667 13 Fl. 667DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 5/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 13888.916047/2011-61
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 30/04/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO.
Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-002.818
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: Francisco José Barroso Rios
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 30/04/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 30/04/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 60 47 /2 01 1- 61 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4a Turma da DRJ Ribeirão Preto (fls. 30/52 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face do indeferimento de restituição no valor de R$ 346,96, referente a suposto recolhimento a maior que o devido de PIS de competência do mês de abril de 2001. A DRF Piracicaba/SP indeferiu o pedido de restituição porque o pagamento supostamente recolhido a maior havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando, portanto, nenhum saldo disponível para restituição. Inconformada, a interessada aduziu que o crédito decorre do indevido cômputo das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição, isso diante da declarada inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que previa a incidência da contribuição para o PIS e para a COFINS sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Ressalta ainda que referido dispositivo fora revogado pelo artigo 79, inciso XII, da Lei nº 11.941/2009. A título comprobatório do direito creditório o sujeito passivo juntou uma planilha discriminando os valores recolhidos a maior em cada período de apuração. A primeira instância não reconheceu o direito creditório com base nos seguintes fundamentos: a) que, diante da não retificação da DCTF, o pagamento estava integralmente vinculado ao débito declarado, de sorte que não havia crédito a ser ressarcido; Fl. 99DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916047/201161 Acórdão n.º 3802002.818 S3TE02 Fl. 87 3 b) que a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo artigo 79, inciso XII, da Lei nº 11.941/09 não tem efeitos retroativos e, portanto, não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise; c) que a autoridade administrativa não poderia afastar a norma declarada inconstitucional uma vez que a contribuinte não figurara como postulante nas ações julgadas pelo STF, e que ao referido julgado não fora dado efeito erga omnes; e, d) que o contribuinte não apresentou provas documentais discriminando as receitas financeiras que alegou compor a base de cálculo do tributo no período em questão, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 03/07/2013 (fls. 57 Termo de Ciência por Decurso de Prazo). Inconformado, o sujeito passivo apresentou, em 11/07/2013 (fls. 84), o recurso voluntário de fls. 59/76, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito sob o argumento de que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e que isso deveria ser reconhecido pela Administração ainda que tal decisão houvesse sido prolatada no controle difuso. Ressalta que, por força do disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, uma vez reconhecida a repercussão geral do tema pelo STF. Concernente à produção de provas, ressalta que, juntamente com a manifestação de inconformidade, apresentou a cópia do DARF, a cópia do PER/DCOMP e o demonstrativo do crédito, não havendo que se falar em preclusão do direito de apresentação de prova documental em vista dos princípios da instrumentalidade e da verdade material. Requer, ao final, seja deferida a restituição pleiteada. Além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos, às fls. 82/83, cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período. É o relatório. Voto O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Do direito subjetivo arguido A discussão envolve crédito decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98. Como se sabe, o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98 ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. O aumento da carga tributária daí decorrente foi contestado na justiça, tendo o Poder Judiciário, por diversas vezes, entendido que a amplitude de faturamento referida no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, na redação anterior à Emenda Fl. 100DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 Constitucional – EC nº 20, de 1998, não legitimava a incidência de tais contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas contribuintes, advertindo, ainda, que a superveniente promulgação da EC no 20, de 1998, publicada no dia 16 de dezembro de 1998, “não teve o condão de validar a legislação ordinária anterior, que se mostrava originariamente inconstitucional” (Ag.Reg. RE 546.3273/SP, Rel. Min. Celso Mello). Assim, entendeu o Poder Judiciário que o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718, de 1998, ao alargar o conceito de faturamento, criara exação nova, assunto o qual deveria ter sido objeto de lei complementar, por força do disposto no artigo 195, § 4o, c/c artigo 154, inciso I, da Constituição Federal. Portanto, o alargamento da base de cálculo objeto da Lei no 9.718, de 27/11/1998 (decorrente da conversão da MP no 1.724, de 29/10/1998 – antes, ressaltese, da EC no 20, de 15/12/1998), estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu no seguinte sentido (relator Ministro Marco Aurélio): CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. A decisão teve a seguinte votação: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie Plenário, 09.11.2005. Posteriormente, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.235 1/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema, conforme ementa do acórdão em tela, que teve a relatoria do Ministro Cezar Peluso: Fl. 101DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916047/201161 Acórdão n.º 3802002.818 S3TE02 Fl. 88 5 EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do mesmo Regimento veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais a de que trata a hipótese objeto de seu inciso I, qual seja, afastar preceito “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”, como na hipótese presente. Aliás, segundo o artigo 62A do RICARF (inserido pela Portaria MF no 586/2010), As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Além disso, o parágrafo único do artigo 4o do Decreto no 2.346, de 10/10/1997, dispõe que, Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. Sobre tal dispositivo, vale ressaltar, a título de informação, que o mesmo foi posteriormente revogado pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009. Consequentemente, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 19981. 1 Com efeito, referida Emenda Constitucional, como já citado, unificou os conceitos de receita bruta e de faturamento, o que se deu somente após a edição da Lei nº 9.718/98, cujo § 1º do artigo 3º, ampliador do conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, ainda não estava respaldado pelo alicerce constitucional decorrente da reportada EC no 20/98. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 Logo, de fato, é indevida, em tese, a exigência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas pelo sujeito passivo, que tem como atividade principal o “aluguel de imóveis próprios”, código 68.10202, conforme consta na sua ficha cadastral junto ao CNPJ, que está em sintonia com o artigo 3º de seu Estatuto Social, publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo em 12/04/1995 (cópia acostada aos autos). Do direito material É verdade que o sujeito passivo não retificou a DCTF do período nem apresentou, na primeira instância, documentação suficiente para a comprovação do direito creditório reclamado. Com efeito, naquela ocasião trouxe apenas demonstrativo de cálculo do aduzido crédito, além da cópia do DARF com o pagamento do tributo. Agora, além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período (ver fls. 82/83). Todavia, permanece sem apresentar a DCTF retificadora, o mesmo podendo ser dito em relação à DIPJ retificadora e ao DACON retificador. Ou seja, mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados –, entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados, não se pode olvidar da necessidade de apresentação dos documentos comprobatórios do reclamado indébito, dentre os quais o DACON retificador, imprescindível para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras do sujeito passivo, fonte do direito creditório reclamado. Sem a devida comprovação não há como afirmar que o crédito reclamado é indevido, ainda que admitidas as novas provas acostadas aos autos (Livro Razão) em homenagem ao princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, que deságua na busca pela verdade material. Mas esta há que ser harmonizada com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas, não se podendo transferir para o Fisco o ônus de comprovar o direito creditório alegado, que é do sujeito passivo, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC. Portanto, penso que a realidade em exame não se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido indevidamente, uma vez não demonstrado nos autos o alegado recolhimento indevido, não obstante a legitimidade da tese relacionada à inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 26 de março de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916047/201161 Acórdão n.º 3802002.818 S3TE02 Fl. 89 7 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 13808.001902/99-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1994
RECURSO DE OFÍCIO. ÍNDICE DE CORREÇÃO DO BALANÇO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. PREJUÍZO FISCAL E SALDO NEGATIVO ACUMULADO. COMPENSAÇÃO.
Definida por decisão judicial o correto índice de correção do balanço, o crédito tributário deve ser recalculado, compensando-se o prejuízo fiscal e base de cálculo negativo acumulado à época.
Numero da decisão: 1302-001.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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ÍNDICE DE CORREÇÃO DO BALANÇO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. PREJUÍZO FISCAL E SALDO NEGATIVO ACUMULADO. COMPENSAÇÃO. Definida por decisão judicial o correto índice de correção do balanço, o crédito tributário deve ser recalculado, compensandose o prejuízo fiscal e base de cálculo negativo acumulado à época. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 19 02 /9 9- 97 Fl. 2DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso de ofício. Na origem foi lavrado auto de infração em razão do indevido aproveitamento integral da diferença da correção monetária das contas do balanço de 1989 na determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL no exercício encerrado em 31/12/94, fato que motivou a constituição do IRPJ (R$ 1.271.766,21) e CSLL (R$ 331.458,24) – (fl. 18/26). Em resumo, na origem do presente processo administrativo, o AFRFB convenceuse pela ocorrência dos seguintes fatos, consoante narra o Termo de Verificação Fiscal (fl. 15/17): (i) Que a empresa ingressou em juízo em 19/12/1994 buscando a dedução relativa a correção monetária (plano verão), da ordem de 51,82%, expurgada da BTNF de janeiro de 1989, nas constas do balanço de 1989, na determinação da base de cálculo do IRPJ e CSLL do ano de 1994. A liminar foi indeferida; (ii) A empresa então impetrou Mandado de Segurança em 05/1/1995, através do qual conseguiu liminar que assegurasse a dedução da indigitada correção monetária; (iii) Posteriormente, a empresa ingressou com ação declaratória para que fosse reconhecido o direito de aproveitar a dedução do valor atualizado da despesa referente à parcela da correção monetária, na ordem de 51,82%, expurgada da BTN de jan/89; (iv) A ação declaratória foi julgada procedente, para reconhecer a existência da relação jurídica entre e empresa e a União com relação à aplicação do índice de 42,72% sobre os balanços de 1990 (anocalendário de 1989), correspondente ao IPC de jan/89, facultando à empresa a dedução imediata e integral de seu lucro o saldo da correção monetária, decorrente da aplicação do índice supra sobre as demonstrações financeiras relativas ao ano calendário de 1989; (v) A União recorreu da sentença proferida na ação declaratória, sendo que, na época da lavratura do auto de infração, o recurso encontravase em fase de julgamento; (vi) Ao mesmo tempo, o AFRFB coletou documentos e informações da empresa fiscalizada, verificando que esta deduziu a diferença, por ela apurada, da conta de correção monetária do balanço de 1999, no montante de R$ 1.418.575,04; (vii) Logo, o AFRFB realizou a lavratura do auto de infração combatido e o devido lançamento de IRPJ e CSLL sobre o valor de R$ 1.418.575,04. Registou que realizou o lançamento para evitar a decadência, uma vez que existia a discussão judicial que tratava da obrigação tributária, declarando desde aquele momento a suspensão do crédito tributário conforme o art. 151, II e IV, do CTN. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.001902/9997 Acórdão n.º 1302001.358 S1C3T2 Fl. 170 3 Encerrada a fiscalização, a recorrida teve ciência do auto de infração em 25/11/1999 (fl. 26). Na sequência, apresentou impugnação em 22/12/1999 (fl. 30/38), alegando, em síntese: (i) Que o imposto sobre a renda somente pode recair sobre riquezas novas; pressupõe ganho efetivo do contribuinte; (ii) Que os efeitos da inflação devem ser neutralizados relativamente aos valores constantes na contabilidade; (iii) Que, em 1989, era possível a correção monetária do balanço; Que o índice utilizado deve ser suficiente para refletir a perda do poder aquisitivo da moeda no período; (iv) “Ora, o IPC na ocasião era o índice oficial que efetivamente demonstrava a perda do valor aquisitivo da moeda, mas devido a uma inaceitável distorção veiculada pela Lei 7.730/89 alterouse seu critério e apuração para o mês de janeiro daquele ano, em valor inferior ao que deveria ser, caso fosse computado o índice real de desvalorização da moeda.” (fls. 35); (v) Que o referido índice restou imprestável para o fim que se propunha, causando “sérias distorções na apuração do lucro e dos impostos relativos ao anobase de 1989.”. (fl. 35); (vi) “Essas distorções influenciaram os resultados da Impugnante, pois seu balanço apresentava correção monetária devedora no anobase de 1989, vale dizer, o valor do patrimônio líquido era superior ao do ativo permanente, visto que sem o IPC real de janeiro de 1989 na atualização do balanço surgiu um lucro contábil artificial e os tributos incidentes sobre esse lucro recaíram também sobre o patrimônio da impugnante.” (fls. 35); (vii) Em suma, tributouse um lucro fictício, fato que, em verdade, representa a tributação do patrimônio da contribuinte, e não do acréscimo patrimonial. Essas razões justificaram a apropriação em 1994 da “correção monetária suplementar de 1989” (fl. 36); (viii) Além disso, “a Impugnante, ao tempo da apropriação dessa correção suplementar, possuía prejuízos fiscais acumulados, motivo pelo qual dela não pode ser exigido o imposto (demonstrativo anexo docs. 2 e 3).” (fl. 36); (ix) O mesmo raciocínio deve ser aplicado à CSLL. Apreciando os argumentos acima sintetizados, a Delegacia da Receita Federal de Julgamentos (DRJ) proferiu acórdão em 06/10/2004 julgando a impugnação parcialmente procedente, nos termos da ementa adiante transcrita (fl. 85/90): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ. Anocalendário: 1994. CONCOMITÂNCIA ENTRE O PROCESSO ADMINISTRATIVO E O JUDICIAL. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário acarreta a renúncia ao litígio na esfera Fl. 4DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 administrativa, impedindo a apreciação da matéria objeto de ação judicial. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. É de ser acatada a solicitação do sujeito passivo, relativa à compensação do valor tributável com o saldo remanescente de prejuízos fiscais de períodosbase anteriores, a ser efetivada se a decisão final da ação judicial for desfavorável ao sujeito passivo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL. Anocalendário: 1994. CONCOMITÂNCIA ENTRE O PROCESSO ADMINISTRATIVO E O JUDICIAL. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário acarreta a renúncia ao litígio na esfera administrativa, impedindo a apreciação da matéria objeto de ação judicial. COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. Acata se a solicitação do sujeito passivo, relativa à compensação do valor tributável com o saldo remanescente de base de cálculo negativa da CSLL, correspondente a períodosbase anteriores, a ser efetivada se a decisão final da ação judicial for desfavorável ao sujeito passivo. Lançamento Procedente. Em razão de a procedência parcial da impugnação resultar em exoneração de crédito tributário em valor superior , a autoridade julgadora determinou, à fls. 86, o recurso de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.001902/9997 Acórdão n.º 1302001.358 S1C3T2 Fl. 171 5 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso de ofício apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. Retomando os fatos do processo, temse que a impugnação apresentada pela contribuinte combate o índice de correção do balanço determinado pela Lei n. 7.730/89. Em seguida, comunica que, ainda que se mantenha o índice oficial de correção monetária do balanço de 1989, o crédito tributário em combate não prospera, uma vez que ao tempo do lançamento existia prejuízo fiscal não aproveitado. De fato, a DRJ consignou que o tema da correção monetária do balanço é objeto de ação judicial proposta pela contribuinte antes mesmo da lavratura do auto de infração e TVF, fato confirmado na impugnação. Segundo a DRJ, a concomitância entre as instâncias administrativa e judicial importa renúncia da esfera administrativa. Desse modo, a DRJ interpôs recurso de ofício em razão de ter determinado a compensação do crédito tributário com o prejuízo fiscal, o que representaria exoneração do crédito. Efetivamente, o Tribunal Regional Federal da 3a Região decidiu da seguinte forma a ação ajuizada pela contribuinte (fls. 102): TRIBUTÁRIO – CORREÇÃO MONETÁRIA – IPC – DIFERENÇA APURADA NAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS DE 1989 – IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA – LEIS N. 7730/89. 1 – O IPC é o indexador aplicável às demonstrações financeiras do exercício de 1989. Em relação aos meses de janeiro e fevereiro, o percentual a ser utilizado são 42.72% e 10,14%, respectivamente. Precedentes do STJ. 2 – Apelação e remessa oficial, parcialmente provida. Em face do exposto, foi feito novo cálculo para reajustar o crédito tributário aos índices determinados pelo Poder Judiciário, consoante se percebe das fls. 104 a 107. Nos termos comunicados pela equipe técnica desta RFB, o valor devido passou a ser de 231.681,85 UFIR relativamente ao IRPJ e de 60.826,37 UFIR de CSLL (v. fl.109). Na sequência, a contribuinte foi cientificada dos novos cálculos por meio do edital n. 263/2009, uma vez que estaria em lugar incerto (fls. 117). Em 07/12/2009, a RFB de origem foi comunicada sobre a conversão do pedido de concordata da contribuinte em falência (fls. 118). Em 23/09/2010, foi dado cumprimento ao acórdão da DRJ, consoante se percebe do teor do despacho da autoridade administrativa (fl. 155): Fl. 6DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Senhor Chefe, Tratase o presente processo de auto de infração IRPJ e CSLL, em razão da dedução indevida, em dezembro de 1994, de despesa de correção monetária decorrentes da diferença do IPC/BTNF de janeiro de 1989 (Plano Verão). Conforme disposto no Acórdão DRJ/SPO I 5.990/2004, na hipótese de a decisão definitiva da ação judicial 95.95.0002586 8, ser desfavorável, ao menos em parte, ao sujeito passivo, o contribuinte possuir saldo remanescente de prejuízos fiscais e base de Cálculo negativa da CSLL, deverá ser efetuada a compensação requerida na impugnação. Diante do exposto, e considerando a existência de saldos passíveis de compensação e o trânsito em julgado parcialmente favoráveis ao interessado, conforme despacho Dicat/Eqamj de fls. 100/104. Foi elaborada Minuta de Cálculo juntada às fls. 148/150. Isto posto, proponho a adoção das providências cabíveis quanto a atualização do sistema Sapli, nova ciência ao interessado (administrador judicial) e posterior encaminhamento ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento do Recurso de Oficio. Em ato contíguo, foi comunicado o administrador judicial da contribuinte acerca do novo cálculo do crédito tributário devido e da compensação deste com o prejuízo fiscal identificado, nos termos determinados pela DRJ (fls. 166). Em razão dos fatos acima expostos, entendo que o recurso de ofício deve ser julgado improcedente, uma vez que transitou em julgado acórdão proferido pelo Poder Judiciário reconhecendo o correto índice de correção do balanço. De outro lado, na esfera administrativa, resta claro que a contribuinte possuía saldo negativo e prejuízo fiscal a ser utilizado. A correta interpretação da decisão da DRJ autoriza concluir que a procedência parcial parcialmente da ação judicial promovida pela contribuinte, conduziu à obrigatoriedade de realizar novo cálculo do crédito tributário, e, incontinenti, a compensação deste com o prejuízo fiscal existente em 1994. Ante ao exposto, voto pelo conhecimento e desprovimento do recurso de ofício, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 7DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13808.001902/9997 Acórdão n.º 1302001.358 S1C3T2 Fl. 172 7 Fl. 8DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 12466.000915/2008-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrente Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração por meio do qual é feita a exigência de R$ 1.103.385,00, a título de Multa Proporcional ao Valor Aduaneiro, de que trata o artigo 23, inciso V, (e seus parágrafos) do DecretoLei 1.455 de 07 de abril de 1976, com as modificações introduzidas pela Lei 10.637 de 30 de dezembro de 2002 (conversão da Medida Provisória n°.66 de 29 de agosto de 2002). Leiase: 001 — CONVERSÃO DO PERDIMENTO EM MULTA — IMPOSSIBILIDADE DE APREENSÃO DA MERCADORIA Conforme Relatório de Ação Fiscal em anexo (fIs. 05/14), o qual passa a fazer parte integrante de forma inseparável deste Auto de Infração, foi detectado que a empresa Gama Comercial Importadora e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 66 .0 00 91 5/ 20 08 -9 2 Fl. 2852DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.000915/200892 Resolução nº 3202000.189 S3C2T2 Fl. 2.862 2 Exportadora Ltda não é a real adquirente das mercadorias importadas em seu nome e que a mesma operava como interposta pessoa. Face ao que determina o art. 23, inciso V, § 3 0 do DecretoLei n° 1.455 de 07 de abril de 1976, estamos emitindo o presente Auto de Infração para a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias, conforme Demonstrativo das Mercadorias Consumidas ou Não Localizadas em anexo (f Is 15). Face A interposição detectada, verificouse, conforme Demonstrativo das Notas Fiscais de Saídas e Demonstrativo dos Depósitos Efetuados em anexo (f Is 16/17), que o valor do crédito tributário apurado no presente Auto de Infração referese ao valor aduaneiro das mercadorias cujo real adquirente é a empresa TCL TELECOMUNICACOES COMERCIAL LTDA (CNPJ 05.872.953/000163), a qual passa a figurar no pólo passivo como devedor solidário, conforme determina o art. 27 da Lei n° 10.637 de 30 de dezembro de 2002. Ficam a autuada e os respectivos devedores solidários (reais adquirentes das mercadorias importadas) cientificados de que foi promovida REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS por meio do processo administrativo n° 12466.000912/200859. Data Valor Aduaneiro (R$) 10/03/2008 1.103.385,00 ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 602, 604, inciso IV, 618 e § 1 do Decreto n° 4.543/02 e art. 73, §§ 10 e 2° da Lei n° 10.833/03 Intimadas, as empresas, Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda. e a TCL TELECOMUNICACOES COMERCIAL LTDA., apresentaram impugnações, as quais foram julgadas improcedentes pela DRJ. Contra o acórdão recorrido, a empresa Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda. interpôs recurso voluntário, defendendo especialmente que: i) a decisão seria nula por ter alterado o critério jurídico do lançamento, que acusou a empresa de ter insuficiência de recursos, e não de ocultação do real adquirente; ii) seria nulo o lançamento por tese se baseado em Relatório tornado insubsistente pelo Parecer n° 991/07 elaborado pelo SEORT/Alfândega/Porto de Vitória, referendado pelo Inspetor da Alfândega, não tendo havido motivação para contrapor as conclusões deste; iii) não houve interposição fraudulenta. A contribuinte solidário TCL Telecomunicações Comercial Ltda. foi intimada às fls. 1237, verso, e não apresentou recurso, motivo pelo qual foi realizado termo de perempção, fls. 1402. Iniciado o julgamento do recurso voluntário, a ilustre Turma do CARF decidiu, através da Resolução, converter o julgamento em diligência, pelos seguintes fundamentos: Conselheira MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Fl. 2853DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.000915/200892 Resolução nº 3202000.189 S3C2T2 Fl. 2.863 3 [...] Considerando que a recorrente argumenta que a decisão, a quo, não enfrenta as alegações do Parecer 991/2007. Temse que, a citada decisão, dispõe: "Importante registrar, por oportuno, que a apuração dos fatos e as provas concernentes do presente processo são autônomas em relação àqueles que embasaram o Parecer n° 991/07 elaborado pelo SEORT/Alfândega/Porto de Vitória." Ou seja, por todas as alegações acima, solicito que baixe em diligência • Inspetoria de origem para: 1) anexar cópia do processo de n° 12466.000172/200770 referente ao processo de inaptidão (principalmente todo o teor do Parecer n° 991/2007); 2) esclarecer período abrangido do Parecer n° 991/2007 (20/12/2007); e 3) explicar se o Auto de Infração teve como base o relatório conclusivo, conforme alegações da recorrente. Em resposta a citada Resolução, a autoridade preparadora afirmou que, de fato, o Relatório Fiscal que baseou o presente auto de infração é o mesmo que foi julgado insubsistente pela Parecer n° 991/07, elaborado pelo SEORT/Alfândega/Porto de Vitória e referendado pelo Inspetor Aduaneiro. Não foi juntada a cópia do processo de n° 12466.000172/200770. Em seguida, depois de intimadas as recorrentes para se manifestarem sobre o resultado da diligência, o processo foi distribuído e encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Observo, de logo, que não foi cumprida integralmente as solicitações da Resolução proferida nestes autos, porquanto não foi juntada aos autos a cópia do Processo de n° 12466.000172/200770, no qual foi indeferida a representação de inaptidão do CNPJ da recorrente, Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda. A cópia integral do Processo de n° 12466.000172/200770 é importante, porque possui provas com base nas quais o Inspetor da Alfândega considerou demonstrada a capacidade econômica da Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda., o que, em tese, constitui forte motivo para afastar a interposição fraudulenta presumida, imputada pela fiscalização às recorrentes. Efetivamente, como se lê do Parecer n° 991/07, elaborado pelo SEORT/Alfândega/Porto de Vitória, o Relatório Fiscal em que se baseou a autuação teria se equivocado, quando considerou irrelevante a existência da conta "Câmbio Exterior Próprio", na Fl. 2854DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.000915/200892 Resolução nº 3202000.189 S3C2T2 Fl. 2.864 4 qual se demonstraria expressivos pagamentos, em razão de empréstimos realizados no exterior, demonstrados pela recorrente através de contratos de câmbio, na forma do artigo 46 da IN/RFB n° 748/2007, juntados às fls. fls. 1.287 a 1.680 dos autos do citado Processo n° 12466.000172/200770. Confirase: Não há realmente conta representativa da existência de fornecedores a demonstrar a obtenção de empréstimos, entretanto, a própria fiscalização reconhece a existência da conta "Câmbio Exterior Próprio" em que se demonstra expressivos pagamentos realizados ao exterior. Resta indagar se esta contabilização se reveste de ilegalidade a demonstrar a falta de comprovação de recursos apontada pela fiscalização. A parte sustenta que esta conta referese a obrigação constituída no exterior decorrente de financiamento externo, que seriam honrados após a negociação das mercadorias no mercado interno. Bastante razoável que a empresa possa se valer empréstimos internos ou externos para custear suas importações, entretanto, necessário se faz que tais operações estejam devidamente registradas em sua contabilidade. No caso, presente pareceme muito mais a existência de possível omissão de receitas, com reflexos na pessoa física dos sócios, do que inexistência de fato da empresa. [...] Nessa esteira, cumpre registrar que o artigo 46 da IN/RFB n° 748/2007, estabelece as condições de prova no que pertine comprovação dos recursos, cujo teor abaixo transcrevemos: [...] A parte comprova que todos os contratos de câmbio foram fechados pela mesma, trazendo agora aos autos os documentos de fls. 1.287 a 1.680 demonstrando o efetivo fechamento de câmbio na forma disciplinada na IN acima mencionada. Ressai, desta forma, ressalvadas as vênias de estilo, atendido ao que prescreve a norma atinente comprovação que se pretende demonstrar. Em que pese as constatações da fiscalização acerca dos lançamentos contábeis da empresa, que repito, deve ser objeto de representação, visando a fiscalização na empresa com reflexos em seus sócios, os autos não demonstram que a empresa tenha sido constituída para sistematicamente fraudar o fisco mediante interposição fraudulenta. [...] Do exame da representação impugnada, obviamente respeitando os posicionamentos divergentes, não ficou caracterizado de forma inequívoca a interposição fraudulenta. Constatase que a recorrente não só recolheu os tributos incidentes na importação, mas repito, também se moveu no sentido de reparar recolhimento feito a menor, no que tange aos tributos internos, mediante retificação de DCTF. Fl. 2855DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.000915/200892 Resolução nº 3202000.189 S3C2T2 Fl. 2.865 5 A divergência contábil apontada pela fiscalização, a nosso entendimento não causou prejuízo algum a Fazenda Nacional. Em tal contexto, presumese, pois, de boafé a conduta da empresa representada, mesmo porque não restou comprovada nem a inexistência de fato, nem a falta de comprovação da origem dos recursos empregados. Ademais, inexiste comprovação de que o contribuinte tenha utilizado algum meio fraudulento objetivando burlar os encargos tributários, de modo que se afigura exorbitante a decretação de inaptidão do CNPJ da mesma. O principio da segurança jurídica consubstanciase na necessidade e adequação dos meios empregados para que atinja os desideratos que a lei almeja. In casu, não se configurando a interposição fraudulenta, bem como havendo possibilidade da determinação de providência extremamente gravosa ao contribuinte, novamente menciono que se afiguraria demasiada a pena imposta. Desta forma, do quanto foi exposto, ressalvandose as vênias cabíveis, e, considerando que os fatos levantados pela fiscalização não configuraram as irregularidades previstas na legislação para caracterização da declaração de inaptidão, manifesto entendimento de que deva ser acolhido o pleito sobre a insubsistência da representação, tornandoa sem efeito, haja vista as razões expendidas no presente parecer. Forte nessas razões, voto para converter o julgamento em diligência para que seja: a) juntada aos autos a cópia integral do Processo de n° 12466.000172/200770, especialmente a documentação de fls. 1.287 a 1.680 deste, onde consta os contratos de câmbio que comprovariam a capacidade econômica da recorrente, Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda., de acordo com o Parecer n° 991/07; b) intimada a unidade preparadora para analisar se a documentação de fls. 1.287 a 1.680 do Processo de n° 12466.000172/200770, onde consta os contratos de câmbio a que alude a conta contábil "Câmbio Exterior Próprio", comprovariam ou não a capacidade econômica da recorrente, Gama Comercial Importadora e Exportadora Ltda. Ao fim da instrução processual, as contribuintes deverão ser intimadas para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias sobre os documentos juntados aos autos em decorrência da diligência. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 2856DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11543.000590/2010-30
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONFRONTO DE INFORMAÇÕES.
É legítimo o lançamento baseado em omissão de rendimentos apurada pelo confronto das informações prestadas pela fonte pagadora com os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte.
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. LAUDO PERICIAL. REQUISITO LEGAL.
É imprescindível para o reconhecimento de direito à isenção por moléstia grave a sua comprovação mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-003.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a multa de ofício em face dos recolhimentos espontâneos constantes dos extratos de fls. 44/51, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Carlos César Quadros Pierre que negavam provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente
Assinado digitalmente
José Valdemir da Silva Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: JOSE VALDEMIR DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONFRONTO DE INFORMAÇÕES. É legítimo o lançamento baseado em omissão de rendimentos apurada pelo confronto das informações prestadas pela fonte pagadora com os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. LAUDO PERICIAL. REQUISITO LEGAL. É imprescindível para o reconhecimento de direito à isenção por moléstia grave a sua comprovação mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a multa de ofício em face dos recolhimentos espontâneos constantes dos extratos de fls. 44/51, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Carlos César Quadros Pierre que negavam provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada.
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CONFRONTO DE INFORMAÇÕES. É legítimo o lançamento baseado em omissão de rendimentos apurada pelo confronto das informações prestadas pela fonte pagadora com os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. LAUDO PERICIAL. REQUISITO LEGAL. É imprescindível para o reconhecimento de direito à isenção por moléstia grave a sua comprovação mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a multa de ofício em face dos recolhimentos espontâneos constantes dos extratos de fls. 44/51, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Carlos César Quadros Pierre que negavam provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente Assinado digitalmente José Valdemir da Silva – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 05 90 /2 01 0- 30 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 11543.000590/201030 Acórdão n.º 2801003.458 S2TE01 Fl. 57 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3a Turma da DRJ/BSB. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Contra a contribuinte acima identificada foi expedida por Auditor Fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em VitóriaES notificação de lançamento referente ao imposto de renda pessoa física, exercício 2008. Foi apurado crédito tributário no valor de R$ 2.508,58, já acrescido de multa de oficio juros de mora de acordo com a legislação aplicável. O lançamento originouse da revisão da Declaração de Ajuste Anual, quando foram alterados os dados nela informados, em razão da omissão de rendimentos tributáveis percebidos do JPAMV Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores Municipais de Vitória ES no valor de R$ 58.500,44. a contribuinte não apresentou Laudo Pericial emitido por Serviço Médico Oficial, conforme Art. 30 da Lei 9250/1995. Encontramse identificados nos demonstrativos de íls. 3/6 o enquadramento legal das infrações, as alterações na base de cálculo, bem como o valor do imposto suplementar apurado. Em 19/02/2010, a contribuinte foi cientificada da notificação de lançamento (AR de fl. 12) e em 15/03/2010 apresentou impugnação acompanhada dos documentos de fls. 2/11 onde alega resumidamente que os rendimentos são isentos em virtude moléstia grave, conforme documentos que anexa. A impugnação apresentada foi julgada improcedente, conforme acórdão de ( fls.22/26numeração digital), assim ementado a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU REFORMA. ISENÇÃO. Constituem rendimentos isentos e não tributáveis os proventos de aposentadoria ou reforma percebidos pelos portadores de moléstia grave especificada em lei, comprovada mediante laudo pericial emitido por serviços médicos oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Impugnação Improcedente Fl. 57DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 11543.000590/201030 Acórdão n.º 2801003.458 S2TE01 Fl. 58 3 Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de 1a instância em 22.03.2011(fl.31), a contribuinte, representado por seu advogado, apresentou recurso em 13.04.2011,(fls.32). Em sua defesa argumentou em síntese o seguinte: • Alega que apresentou a DIPF ano calendário 2007, em18.04.2008, com imposto a pagar no valor de R$2.154,30 e pagou em seis parcelas no valor de R$ 269,28, , cada. • Que equivocadamente retificou a DIPF em 27.11.2009, orientado por seu contador para colocar os rendimentos recebidos da IPAMV como rendimento isento, em face de ser portadora de doença grave. • Requer a desconstituição da DIPFretificadora enviada em 27.11.2009. • Ao final diz que em razão da Declaração original entregue em 18.04.2008(fl.39) o imposto foi devidamente quitado conforme demonstrado as (fls.44/51) É o Relatório Voto Conselheiro José Valdemir da Silva, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A controvérsia cingese no lançamento de omissão de rendimentos tributáveis das fonte pagadora.IPAMUInstituto de Previdência e Assistência dos Servidores, o valor de R$ 58.500,44, a totalizar um crédito tributário de R$. 2.508,58 acréscido de multa de ofício Alega a Recorrente que entregou sua Declaração de Ajuste Anual de 2008, em 18.04.2008, tendo lançado como rendimentos tributáveis os rendimentos recebidos do IPMAV Instituto Previdenciário e Assistência dos Servidores, no valor de R$ 58.500,44 e imposto devido no valor de R$ 2.154,30, parcelado em oito (08) parcelas no valor de R$ 269,28, cada. Em 27.11.2009 às (fls.42/45) a Recorrente foi orientada a apresentar Declaração Retificadora, lançando os rendimentos recebidos como isento, tendo em vista ser portadora de doença considerada grave. Na impugnação e na fase recursal, a Recorrente reconheceu o equívoco, que a doença que era portadora não estava previsto inciso XIV, do art. 6º, da Lei nº 7.713, de 1988 e alterações. Alega, ainda, que pagou o imposto devido no valor de R$ 2.154,30, em parcelas nos prazos consignados na Declaração Original entregue em 18.04.2008. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 11543.000590/201030 Acórdão n.º 2801003.458 S2TE01 Fl. 59 4 Percebese dos autos, em consulta ao sistema informatizado da RFB às ( fls. 44/51), comprova que a recorrente quitou o imposto devido em oito (08) parcelas iguais e sucessivas, antes do procedimento fiscal Neste caso, o imposto de renda devido foi pago rigorosamente no prazo legal, incabível a multa de ofício tendo em vista que não restou imposto a pagar. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para cancelar a multa de ofício em face dos recolhimentos espontâneos constantes dos extratos de fls. 44/51. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Fl. 59DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA
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Numero do processo: 13603.004767/2007-45
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§ 1º e 2º, do Regimento do CARF, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis. Ausente, Justificadamente, Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§ 1º e 2º, do Regimento do CARF, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis. Ausente, Justificadamente, Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º, do Regimento do CARF, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis. Ausente, Justificadamente, Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 9ª Turma da DRJ/BHE (Fls. 145), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Trata o presente de Auto de Infração (fls. 02/14) decorrente de ação fiscal levada a efeito contra o contribuinte em epígrafe, no qual foi apurado Imposto de Renda Pessoa Física no valor de R$ 93.757,84, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .0 04 76 7/ 20 07 -4 5 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13603.004767/200745 Resolução nº 2801000.136 S2TE01 Fl. 182 2 acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo aos anoscalendário 2002, 2003 e 2004. Em procedimento de fiscalização, foi apurada a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no valor de R$ 103.785,26, relativo ao anocalendário de 2002, R$ 103.133,02, relativo ao anocalendário de 2003 e R$174.423,73 relativo ao anocalendário de 2004, conforme Descrição dos Falos e Enquadramento Legal de fls. 05/08 e Termo de Verificação Fiscal de fls. 15/21. Relata a autoridade lançadora que o contribuinte foi intimado a comprovar mediante apresentação de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a origem dos recursos relacionados e creditados no ano calendário 2002, 2003 e 2004, na conta corrente n° 007273, administrada pela agência 2605 do Banco Itaú, consoante extratos apresentados pelo contribuinte. Informa que o contribuinte atendeu aos Termos de Intimação Fiscal apresentando em 21/08/2007 esclarecimento, planilha com relação de lançamentos bancários, comprovantes de depósitos, comprovantes de pagamento de contas, cópia da Declaração de Ajuste Anual Simplificada do exercício 2003, Comprovante de Rendimentos da empresa FL Brasil S/A ano calendário 2001, Declaração de Ajuste Anual Simplificada do exercício 2004, Declaração de Ajuste Anual do Exercício 2005, e os extratos bancários contendo 29 folhas da conta 007273 agência 2605 do Banco Itaú S.A. Transcreve o auditor fiscal os esclarecimentos prestados pelo contribuinte que são os seguintes: "Nos anos em questão, como sócio de uma empresa sediada em Betim/MG (Bairro Bandeirinhas) e estando trabalhando em Divinópolis/MG necessitava, para efeito de segurança e agilidade, efetuar determinados pagamentos por intermédio da minha conta particular. Por se tratar de um posto de gasolina e uma vez que a empresa estava sediada em um local de difícil acesso e extremamente vulnerável a assaltos, (inclusive já tendo ocorrido cerca de 20 assaltos à mão armada), entendia ser mais seguro. Assim, alguns valores eram depositados diretamente em minha conta corrente e eu pessoalmente fazia os pagamentos, buscando resguardar a empresa. Fatos que se repetiram até que foi instalado nas proximidades do um Posto de Policiamento, trazendonos um pouco mais de segurança, nos permitindo operar cem por cento na conta corrente do próprio Posto em Betim e Contagem. Certo de sua compreensão estou à disposição para quaisquer esclarecimentos que se fizerem necessários. " Face a não comprovação através de documentação hábil e idônea da origem dos recursos no valor de R$381.342,01 relacionados e creditados em sua conta, foi considerado que o contribuinte omitiu rendimentos à vista da legislação seguinte: arts.1º a 3º da Lei n° 8.134/90, arts. 1º a 3º e § da Lei n°7.713/88, arts. 37,38,43,55, incisos I a IV, IX a XII, XIV A XIX, 56 e 83 do RIR/99, art. 1º da Medida Provisória n°22/2002 convertida na Lei n° 10.451/2002. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13603.004767/200745 Resolução nº 2801000.136 S2TE01 Fl. 183 3 Da Impugnação Devidamente cientificado do lançamento em 13 de dezembro de 2007, conforme Aviso de Recebimento de fls. 132, o contribuinte, apresentou em 10/01/2008 a impugnação de fls. 134/135, na qual expõe suas razões de contestação. Informa que no ano de 2002 era representante de um dos sócios do Posto Bandeirinhas Ltda. O referido comércio situavase na cidade de Betim que foi vendido pelo antigo proprietário por não conseguir conter os constantes assaltos que ocorriam no local. Quando o novo proprietário assumiu, adotou estratégias diversas para conter as ações dos marginais: mudança no horário de funcionamento, vigias, circuito interno de tv. Porém, os assaltos continuaram. Ressalta que era sócio no arrendamento de um ponto comercial na cidade de Divinópolis e não era possível estar no posto todos os dias. Como os assaltos continuaram, resolveu solicitar ao funcionário do escritório do Posto que tão logo tivesse em seu caixa um valor igual ou superior a R$1.000,00 depositasse em sua conta corrente no Banco Itaú. A Agência 2605 do Banco Itaú está situada dentro de uma empresa onde trabalhou, a empresa FL Brasil S/A. Pelo fato de ter trabalhado lá, amigos efetuavam os pagamentos referentes às atividades do Posto. Ressalta que o Posto tinha uma venda de combustível muito pequena pois o bairro onde estava situado era de poder aquisitivo muito baixo. As vendas eram efetuadas na sua maioria em dinheiro viabilizando ainda mais as ações dos marginais. Algum tempo depois tornouse sócio do Posto Bandeirinhas mas nunca comprou nada pois não tinha recursos. Contratou uma pessoa mais qualificada e melhor preparada para lá ficar no dia a dia e então parou de movimentar os recursos do Posto na sua conta corrente. Não tendo conseguido coibir os assaltos e devido a outros fatores, fecharam o Posto. Caso necessário, poderá solicitar à PM de Betim cópia dos boletins de ocorrências lavrados por aquele Batalhão. Salienta que tem hoje 55 anos, nunca deu prejuízo para alguém e nem logrou o fisco. Qualquer documento que se julgue necessário, o apresentará imediatamente. Passo adiante, a 9ª Turma da DRJ/BHE entendeu por julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13603.004767/200745 Resolução nº 2801000.136 S2TE01 Fl. 184 4 Para os fatos geradores ocorridos a partir de I o de janeiro de 1997, o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários cuja origem dos recursos não for comprovada pelo titular. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, quando devidamente intimado, mormente se os rendimentos declarados não pode justificar a movimentação financeira. Cientificado em 15/06/2011 (Fls. 155), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 13/07/2011 (fls. 156 a 176); reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação e acrescentando: II. DA INCONSTITUCIONALIDADE DO ACESSO DOS DADOS BANCÁRIOS PELO FISCO, CARENTE DE SUPORTE JUDICIAL E APLICAÇÃO DO PRINCIPIO DA CONTAMINAÇÃO. 2.1.Consoante se infere das disposições contidas no Auto de Infração de fl. 02/14, o procedimento fiscal foi realizado por amostragem, de mais a mais, pelo que se extrai do Termo de Verificação Fiscal de fl. 15/21, as informações relativas as movimentações bancarias do contribuinte foram dirigidas pelas instituições financeiras diretamente aquele órgão administrativo de fiscalização, sem previa autorização judicial. 2.2. Nesse passo, entendese que o procedimento de fiscalização possui, desde o seu pórtico, vicio de ilegalidade e, em grau mais profundo, de inconstitucionalidade, os quais desnaturam o lançamento tributário. (...) 2.8. De mais a mais, não se há de argumentar em favor da quebra do sigilo bancário o fluido e vago conceito de "sigilo fiscal", em que haveria somente uma transferência de informações bancarias do contribuinte, por intermédio das instituições financeiras, diretamente ao Fisco. 2.9. Isso porque o direito a inviolabilidade da intimidade, privacidade e de dados não se opõe somente em face de algumas pessoas, mas de toda a coletividade, onde se inclui, por certo, a administração fazendária. Não se pode olvidar, ainda, que essas garantias fundamentais de primeira geração foram erigidas para sua oposição direta ao Poder Publico, historicamente o principal transgressor das mesmas. 2.10. Por essas razoes, vertendo para o caso em julgamento, e de se concluir que o procedimento de fiscalização encontrase eivado pelo vicio de inconstitucionalidade desde o seu pórtico, o que desnatura os atos administrativos posteriores, tornando sem efeito o próprio lançamento de oficio. 2.11. Recordese que a autoridade fazendária deixa bem claro no Termo de Verificação Fiscal de fl. 15/21 que o procedimento de Fl. 184DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13603.004767/200745 Resolução nº 2801000.136 S2TE01 Fl. 185 5 fiscalização foi deflagrado, em face do contribuinte, como resultado da confrontação entre as Declarações de Ajuste Anual e as informações bancarias remetidas diretamente pelas instituições financeiras ao Fisco, sem previa autorização judicial. (...) 2.15. Nesse passo, vertendo para o presente caso, todo o procedimento iniciado a partir da violação do sigilo bancário do contribuinte, bem como o Auto.de Infração, são nulos de pleno direito. Afinal, a obtenção ilícita dos dados contamina todo o procedimento fiscal ulterior. (...) 1° DAS IMPROPRIEDADES E PATENTE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 42 DA LEI 9.430/96. (...) 3.9. E de se consignar que, muito embora este órgão julgador não possua competência para a declaração em concreto de inconstitucionalidade de normas jurídicas, ainda que manifestamente inconstitucionais, não ha vedação a que se figa uma interpretação conforme os ditames constitucionais, em consonância aos articulados adiante aventados, afastandose a exação patentemente viciada. 2º DOS VÍCIOS DO ATO ADMINISTRATIVO: LANÇAMENTO BASEADO EM MERA PRESUNÇÃO E INEXISTÊNCIA DE ELEMENTOS PROBATÓRIOS. (...) 3.16. Isso posto, simplesmente o Fisco, baseado no permissivo do art. 42 da Lei 9.430/96, tendo acesso as movimentações bancarias do contribuinte, carreou a este o pesado ônus de justificar e comprovar cada uma das movimentações e depósitos bancários e/ou cheques emitidos e não declarados, sob pena de se reconhecer como fatos que se encartam como fatos geradores do IR (art. 43 do CTN) e autuação por sonegação de receitas. 3.17. Como resultado, por se tratar o contribuinte, AMAURY DOUGLAS ROCHA, de pessoa física, o qual não possui registro contábil de sua movimentação financeira, tornouse impossível a realização da prova negativa de que todos aqueles depósitos e movimentações não representam riqueza própria, mas sim valores de terceiro já devidamente declarados e tributados. (...) 3.19. Todavia, inexiste possibilidade de se concluir que toda aquela movimentação bancaria seja considerada como renda, não havendo um sequer elemento a mais produzido pelo Fisco que aponte nesse sentido. Ou seja, a autoridade fazendária realiza a exação tributaria baseando se tãosomente na presunção legal de omissão do art. 42 da Lei n. 9.430/96. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13603.004767/200745 Resolução nº 2801000.136 S2TE01 Fl. 186 6 3.20. Nessa vereda, a mera alegação do Fisco de que os valores não declarados se encartam na qualidade de renda, cuja ocorrência não e provada, baseada exclusivamente em presunção que não possui esteio em outros elementos que indicam o acréscimo patrimonial do contribuinte, obviamente não possui o condão de obrigar a este. (...) 3.27. Por fim, resta explicitar que o § 1Q do art. 6Q da Lei n. 8.021/90 determina que o lançamento arbitrado de rendimentos com base na renda presumida farseá mediante os sinais exteriores de riqueza e gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. 3.28. Em outras palavras, para que haja o lançamento de oficio por arbitramento fazse necessária a existência de elementos probatórios outros a se aferir o fato gerador do IR, alem das simples presunções legais de omissão de rendimentos, decorrentes da não comprovação pelo contribuinte dos valores creditados em sua conta bancaria. 3.29. Referida disposição normativa possui, inclusive, aplicação prevalente sobre o lançamento por arbitramento autorizado pelo art. 42 da Lei n. 9.430/96, uma vez que o § 6s do art. 6B da Lei n. 8.021/903 estabelece a primazia pela modalidade de arbitramento que seja mais favorável ao contribuinte. 3.30. Em suma do exposto, não se admite o lançamento de oficio do IRPF baseado tão somente na presunção não elidida pelo contribuinte de que créditos bancários consubstanciam renda, sendo, pois, imprescindível que haja elementos outros suficientes a comprovar a ocorrência do fato gerador e a respectiva orrt&sao de rendimentos, comprovando o Fisco que houve efetivo acréscimo patrimonial. (...) 3e DOS INDÍCIOS FAVORÁVEIS AO CONTRIBUINTE: DAS PROVAS PRODUZIDAS, DA IMPOSSIBILIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVA NEGATIVA E VEDAÇÃO AO "BIS IN IDEM". (...) 3.38. Por derradeiro, pelo disposto no § 5e da Lei n. 9.430/96, em se constatando que os valores creditados na conta bancaria pertencem a terceiros, a determinação dos rendimentos ou receitas devera ser efetuada em relação a estes, na ' condição de efetivo titular da conta de deposito ou de investimento. 3.39. Nesse passo, consignese que efetivamente os valores correspondentes na conta bancaria de titularidade do contribuinte pertencem a sociedade empresarial "Posto Bandeirinhas", tanto e assim que os mesmos foram devidamente declarados nos respectivos ajustes anuais relativamente aquela sociedade. 3.40. Portanto, a pretensão do Fisco em consignar tais valores como renda do contribuinte incide em inaceitável "bis in idem", em que se pretende, por decorrência de um mesmo fato, realizar dupla exação, o que não se admite. Como elementos de prova, a administração devera Fl. 186DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13603.004767/200745 Resolução nº 2801000.136 S2TE01 Fl. 187 7 ser valer do permissivo do art. 37 da Lei 9.784/99, porquanto as declarações daquela pessoa jurídica se encontram em poder da mesma. 3.41. Por essas razoes, havendo elementos probatórios consistentes que indicam que os valores creditados na conta bancaria pertencem a terceiro, realizase uma interpretação favorável ao contribuinte, considerandose insubsistente o lançamento tributário, o que enseja a nulidade do ato administrativo de lançamento. E finaliza o recorrente: 1. Seja dado provimento ao presente recurso, para que se reconheça a nulidade absoluta do Auto de Infração e do respectivo lançamento de oficio do IRPF, da multa de oficio de 75% e dos juros de mora, referentes ao contribuinte, AMAURY DOUGLAS ROCHA, cancelando se o debito fiscal reclamado, sob o fundamento de ofensa as normas constitucionais, porquanto iniciado o procedimento de fiscalização a partir da violação indevida do sigilo bancário do contribuinte, consoante as razoes expostas; 2. Subsidiariamente, em sendo ultrapassado o pedido anterior, seja declarada a nulidade do Lançamento de Oficio, cancelandose o debito fiscal, em razão dos vícios constantes do ato administrativo, consoantes os fundamentos expostos no Capitulo III da presente. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. De início, verifico que o lançamento objeto do presente processo versa sobre depósitos bancários de origem não comprovada. Compulsando os autos, também observo que a fiscalização, com base no art. 6° da Lei Complementar 105/2001, requisitou das instituições bancárias os extratos bancários o contribuinte. Cabe salientar que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 6° da Lei Complementar 105/2001, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: RE 601314 RG/SP Relator: Min. RICARDO LEWANDOWSKI Julgamento: 22/10/2009 Publicação: DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20112009 EMENT VOL 0238307 pp – 01422 Partes: ADV.: PROCURADOR GERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.: FAZENDA NACIONAL ADV.: RICARDO LACAZ MARTINS E OUTRO RECTE.: MARCIO HOLCMAN Fl. 187DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13603.004767/200745 Resolução nº 2801000.136 S2TE01 Fl. 188 8 EMENTA CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, §1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 6° da Lei Complementar 105/2001, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal, conforme disposto no art. 62 A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ante o acima exposto, VOTO por SOBRESTAR o julgamento do presente recurso voluntário, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 188DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Numero do processo: 10950.720067/2012-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CARACTERIZAÇÃO.
Demonstrado de forma inequívoca pelos elementos de prova carreados pela fiscalização, congruentes e convergentes, que a sociedade é formalmente constituída por interpostas pessoas, os sócios de fato, com amplos poderes de administração da sociedade, devem arrolados como responsáveis tributários pelo crédito tributário constituído.
MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO.
Na hipótese da comprovada interposição de pessoas, que culminou na exclusão do contribuinte do Simples Federal e do Simples Nacional, não há se falar em simples omissão de receita a atrair a incidência da Súmula CARF nº 14. A utilização dos denominados sócios laranjas basta para justificar a qualificação da multa de ofício nos termos do art.44 da Lei nº 9.430/96, c/c o art.71 da Lei nº 4.502/64.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS
Sendo as exigências reflexas decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, impõe-se a adoção de igual orientação decisória.
Numero da decisão: 1103-001.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado não conhecer das razões de recurso da contribuinte Olho da Águia Comércio de Calçados Ltda, por unanimidade, e conhecer das razões de recurso dos responsáveis tributários Ângela Fernandes Viotto e João Roberto Viotto para rejeitar as preliminares de nulidade, por unanimidade, e, no mérito, dar-lhes parcial provimento para limitar a responsabilidade aos créditos tributários apurados após a exclusão, das bases de cálculo, dos depósitos bancários atribuídos ao contribuinte pelo critério de rateio realizados nas contas de titularidade da Central Gehring, por maioria, vencido o Conselheiro André Mendes de Moura, que negou provimento.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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Omissão de receitas. Recorrente OLHO DA ÁGUIA COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA (Responsáveis tributários: João Roberto Viotto, CPF: 591.069.21949 e Ângela Fernandes Viotto, CPF: 535.357.74934) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 PARCELAMENTO DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA EXPRESSA. NÃO CONHECIMENTO. O pedido de parcelamento pelo contribuinte e a confissão irretratável de dívida configura renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo contribuinte (art.78 do Anexo II do Regimento Interno do CARF), a implicar o seu não conhecimento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, com origem comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas. CONTA CORRENTE UTILIZADA POR VÁRIAS PESSOAS JURÍDICAS. CRITÉRIO DE RATEIO EMPREGADO PELA FISCALIZAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. No caso concreto, a fiscalização identificou que determinada contacorrente era utilizada por diversas pessoas jurídicas, tendo empregado como critério de “rateio” para determinação da omissão o valor da receita bruta declarada por cada uma delas no período, sem, contudo, apontar o dispositivo legal que autorizasse tal metodologia. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária pode valerse da analogia, desde que não resulte na exigência de tributo não previsto em lei. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 00 67 /2 01 2- 21 Fl. 19623DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720067/201221 Acórdão n.º 1103001.026 S1C1T3 Fl. 19.624 2 Sendo as exigências reflexas decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento principal de IRPJ, impõese a adoção de igual orientação decisória. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CARACTERIZAÇÃO. Demonstrado de forma inequívoca pelos elementos de prova carreados pela fiscalização, congruentes e convergentes, que a sociedade é formalmente constituída por interpostas pessoas, os sócios de fato, com amplos poderes de administração da sociedade, devem arrolados como responsáveis tributários pelo crédito tributário constituído. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Na hipótese da comprovada interposição de pessoas, que culminou na exclusão do contribuinte do Simples Federal e do Simples Nacional, não há se falar em simples omissão de receita a atrair a incidência da Súmula CARF nº 14. A utilização dos denominados sócios “laranjas” basta para justificar a qualificação da multa de ofício nos termos do art.44 da Lei nº 9.430/96, c/c o art.71 da Lei nº 4.502/64. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado não conhecer das razões de recurso da contribuinte Olho da Águia Comércio de Calçados Ltda, por unanimidade, e conhecer das razões de recurso dos responsáveis tributários Ângela Fernandes Viotto e João Roberto Viotto para rejeitar as preliminares de nulidade, por unanimidade, e, no mérito, darlhes parcial provimento para limitar a responsabilidade aos créditos tributários apurados após a exclusão, das bases de cálculo, dos depósitos bancários atribuídos ao contribuinte pelo critério de rateio realizados nas contas de titularidade da Central Gehring, por maioria, vencido o Conselheiro André Mendes de Moura, que negou provimento. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 19624DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720067/201221 Acórdão n.º 1103001.026 S1C1T3 Fl. 19.625 3 Relatório O processo trata de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, relativos aos anoscalendário 2007 a 2009 (fls.19.291/19.359), no valor total de R$400.442,92 (quatrocentos mil, quatrocentos e quarenta e dois mil e noventa e dois centavos), sobre o qual incide multa de ofício no percentual de 150% e juros de mora. O contribuinte foi cientificado em 16/5/12 (fl.19.371) No campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)” as infrações foram assim descritas: “001 – OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE – A PARTIR DO AC 93. Receitas declaradas submetidas à tributação por sistemática inadequada, conforme os fatos descritos no Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante do presente Auto de Infração. ..... 002 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Valor referente a depósitos e investimentos, realizados junto a instituições financeiras, em que o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme os fatos descritos no Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante do presente Auto de Infração. ..... 003 – RECEITA OPERACIONAL OMITIDA (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA). Receita declaradas e tributadas indevidamente pelo SIMPLES (Federal)/SIMPLES Nacional. ..... 004 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Valor referente a depósitos e investimentos, realizados junto a instituições financeiras, em que o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme os fatos descritos no Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante do presente Auto de Infração.” Conforme Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls.19.197/19.281), o autuado foi excluído do SIMPLES Federal e do SIMPLES Nacional, conforme processo nº Fl. 19625DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720067/201221 Acórdão n.º 1103001.026 S1C1T3 Fl. 19.626 4 10950.720616/201186, o que levou a fiscalização a abandonar a apuração com base em tais regimes tributários simplificados. As autoridades fazendárias ainda consignaram, em resumo: realizouse auditoria nas pessoas jurídicas CP Sete Comércio de Calçados Ltda, Filho da Águia Comércio de Calçados Ltda, Jorrovi Comércio de Calçados Ltda, Nega Va Comércio de Calçados Ltda, Ninho da Águia Comércio de Calçados Ltda, Olho da Águia Comércio de Calçados Ltda e Voo da Águia Comércio de Calçados Ltda, que formavam o Grupo Jorrovi Calçados; as sete sociedades foram excluídas do Simples Federal e do Simples Nacional, “...vez que se encontravam constituídas por interpostas pessoas, ocultando o sócios de fato, JOÃO ROBERTO VIOTTO e ANGELA FERNANDES VIOTTO”; na fiscalização perante a Central de Arrecadação Gehring Ltda, apurouse que a vultosa movimentação financeira de duas contas bancárias de sua titularidade, mantidas em SICREDI Maringá e SICOOB Paranavaí, seria, de fato, de titularidade das pessoas que compõem o Grupo Jorrovi Calçados; de acordo com o art.42, §5º, da Lei nº 9.430/96, e diante da ausência de resposta das sete pessoas do Grupo Jorrovi Calçados quanto aos depósitos, não restou outra alternativa senão realizar o devido rateio dos valores creditados nas contas nº 415723 e 10561, nos seguintes termos: “A fim de realizar o rateio dos valores líquidos creditados não comprovados, a fiscalização utilizouse dos percentuais obtidos mediante a divisão da receita bruta mensal declarada de cada uma das empresas pela soma da receita bruta mensal declarada de todas as empresas que compõem o Grupo Jorrovi Calçados, conforme planilha denominada ‘Demonstrativo do Cálculo do Percentual da Receita Declarada pela Olho da Águia em Relação ao Total de Receitas Declaradas por Todas as Empresas do Grupo Jorrovi Calçados’. Os percentuais mensais obtidos para cada uma das empresas do Grupo Jorrovi Calçados foram aplicados, mês a mês, sobre os totais líquidos creditados não comprovados, com a finalidade de obter os valores líquidos não comprovados cabíveis a cada uma das empresas do Grupo Jorrovi Calçados, conforme demonstrado na planilha denominada ‘Demonstrativo do Rateio dos Valores Líquidos Creditados Não Comprovados nas Contas da Central Gehring entre as Empresas do Grupo Jorrovi Calçados’” tendo em vista as exclusões do Simples Federal e do Simples Nacional, as receitas declaradas não poderiam ter sido submetidas à tributação por tais regimes; o contribuinte, à exceção dos valores relativos a determinadas transferências bancárias, não comprovou com documentação hábil, mesmo após ter sido regularmente intimado, a origem dos valores creditados nas suas próprias contas bancárias; as receitas declaradas estão inseridas nos créditos bancários, de forma que foram excluídas da apuração da infração que representa a omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada; Fl. 19626DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720067/201221 Acórdão n.º 1103001.026 S1C1T3 Fl. 19.627 5 quanto ao período em que estava enquadrado no Simples Federal, a opção pelo lucro presumido não era possível, dada a ausência de manifestação por esse regime de tributação à época própria; restou caracterizada a imprestabilidade da escrituração, razão pela qual o lucro foi arbitrado quanto aos 1º e 2º trimestres do anocalendário 2007; “...diferentemente do que ocorre com o SIMPLES (Federal) da Lei nº 9.317, de 1996, na hipótese de exclusão do SIMPLES Nacional, o contribuinte pode optar pela tributação com base no lucro presumido ou real (com apuração anual ou trimestral), consoante o artigo 32, §2º, da Lei Complementar nº 123, de 2006”, tendo o contribuinte, após intimado, optado pelo lucro presumido, razão pela qual, do 3º trimestre de 2007 ao 4º trimestre de 2009, adotouse tal forma de apuração do lucro; as parcelas dos recolhimentos a título de SIMPLES (Federal) quanto ao 1º semestre de 2007, relativas aos percentuais de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, foram deduzidas das respectivas apurações; quanto à multa de ofício, aplicouse no percentual de 150% com base nos seguintes fundamentos: “[...] no presente procedimento fiscal, constatouse a constituição das 07 (sete) empresas que compõem o Grupo Jorrovi Calçados em nome de interpostas pessoas, com a finalidade de que tais empresas aderissem indevidamente ao SIMPLES (Federal) e ao SIMPLES Nacional e, por conseguinte, se beneficiassem de tributação mais favorecida, como também para transferirlhes fraudulentamente a responsabilidade tributária e penal pelas infrações cometidas. Além disso, constatouse a utilização de contas bancárias de titularidade de direito de outra pessoa jurídica (Central Gehring) para ocultar numerários passíveis de tributação que de fato pertencem às 07 (sete) empresas do Grupo Jorrovi Calçados. Portanto, face o evidente intuito de sonegação, fraude e conluio, revelados na vontade consciente e desejada de lesar a Fazenda, causandolhes prejuízos, de acordo com as definições contidas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, combinados com o comando legal plasmado no artigo 44, §1º, da Lei nº 9.430, de 1996, aplicarseá a multa de 150% (cento e cinquenta por cento) sobre o montante dos tributos apurados.” Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária (fls.19.362/19.365), em face de João Roberto Viotto, CPF nº 591.069.21949 e Angela Fernandes Viotto, CPF nº 535.357.74934, “...em conformidade com o art.124, inciso I, c/c o art.135 da Lei nº 5.172, de 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional)”. Tais pessoas físicas foram cientificadas das autuações e de tais Termos em 16/5/12 (fls.19.374 e 19.377). Os lançamentos foram considerados parcialmente procedentes pela Segunda Turma da DRJ – Curitiba (PR), tendo sido apenas reduzidos os valores dos créditos tributários em razão do aproveitamento de pagamentos realizados sob a sistemática do Simples Nacional, conforme acórdão de fls.19.495/19.542: Fl. 19627DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720067/201221 Acórdão n.º 1103001.026 S1C1T3 Fl. 19.628 6 “Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade, em: i) quanto aos autos de infração, rejeitar a preliminar de nulidade e a prejudicial de decadência, e, no mérito: julgar procedente em parte os lançamentos, para reduzir a exigência de IRPJ para R$76.593,36, de CSLL para R$63.458,65, de PIS para R$37.858,81, de Cofins para R$174.068,46, todos com respectivas multas e juros de mora; ii) quanto aos Termos de Sujeição Passiva Solidária contra João Roberto Viotto e Ângela Fernandes Viotto, julgar procedente a atribuição da responsabilidade tributária.” O contribuinte e os responsáveis tributários interpuseram conjuntamente recurso voluntário em 6/5/13 (fls.19.551/19.608), em que sustentam, em síntese: Das preliminares relação de prejudicialidade com o processo fiscal que trata da exclusão do Simples Federal, de forma que apenas quando tal situação restar definitiva poderiam os créditos tributários ter sido constituídos, o que fulminaria de nulidade os lançamentos, haja vista a sua incontroversa inexigibilidade; nulidade da responsabilização solidária na esfera administrativa, pois “...o eventual responsável tributário não deve ser notificado do lançamento tributário, sendo que em caso de notificação, este deverá ser excluído do referido ato administrativo, uma vez que o ambiente próprio para a imputação de responsabilidade solidária é a execução fiscal”; Do mérito teria havido decadência quanto aos períodos de apuração anteriores a 15/5/07; a movimentação bancária não seria de titularidade do contribuinte, sendo que a prestadora de serviços “Central Gehring” atuara como correspondente bancário, ainda que em desacordo com as regulamentações do Banco Central do Brasil; toda a movimentação financeira seria de titularidade e responsabilidade da “Central Ghering”, de sorte que os lançamentos estariam maculados por identificação errônea do sujeito passivo; a base de cálculo não poderia ter sido obtida por critério de rateio, pois caso contrário “...seria aplaudir a incerteza, insegurança e a ilicitude na exigência do tributo”; para e escorreita constituição do crédito tributário deveria a fiscalização ter, nos termos do art.142 do CTN, constatado “...a efetiva ocorrência fática ou jurídica descrita na norma, qual seja: exteriorização de riqueza e realização de gastos incompatíveis com a renda disponível, [...] sem a qual inexiste obrigação a ser cumprida, consoante estatuem os comandos do RIR/99”; depósitos bancários não poderiam ser considerados como sinônimos de renda; “Não tendo o Auditor fiscal logrado provar inequivocamente o fato tributável (base de cálculo extraídas sobre rendas e acréscimos de capital/exteriorização de riquezas), falece a constituição do crédito tributário, restando descumprido o contido no art.142 do CTN, diante da inexistência de “renda” comprovada individualizadamente, onde a exigência em apreço atenta contra o princípio da legalidade (arts. 97 CTN c/c art.150, I CF/88), sobretudo, porque, assentase em DEPÓSITOS BANCÁRIOS”; a presunção do art.42 da Lei nº 9.430/96 seria relativa, obrigando a quem alega a veracidade dos fatos; Fl. 19628DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720067/201221 Acórdão n.º 1103001.026 S1C1T3 Fl. 19.629 7 em se tratando de penalidade, deve incidir a interpretação mais benigna, conforme art.112 do CTN c/c art.923 do RIR/99; a qualificação da multa de ofício seria ilegal, vez que os lançamentos decorreram de presunção de omissão de receitas, devendo incidir a Súmula CARF nº 15. Além do mais, não seria cabível sobre a parcela declarada pelo regime simplificado; não haveria fundamento para a validação da solidariedade prevista no art.124, I, do CTN, que não poderiam decorrer de atitudes e condutas comerciais. “...Não desincumbindo o agente fiscal PROVAR a existência de atos contrários à sociedade importando em excesso de poder e infração à lei, não há se falar em extensão da responsabilidade contra os Recorrentes”, sendo a jurisprudência pacífica em tal sentido. “...a solidariedade passiva do art.124, I do CTN, supõe necessariamente a convergência de comunhão de interesses entre os devedores que realizam e participam da situação base [...]. Para se tornar devedor solidário, o sujeito passivo, obrigatoriamente, tem que ter participado da ocorrência do fato típico”. Às fls.19.611/19.616 consta petição protocolizada em 16/1/14, em que o contribuinte noticia a adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941, de 27/5/09, tendo ao final requerido “seja o presente auto de infração extinto” por perda de objeto. Anexou “Recibo de Pedido de Parcelamento da Reabertura da Lei nº 11.941” e DARF da primeira parcela. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Inicialmente, é necessário fixar que a controvérsia relacionada ao contribuinte deixou de existir a partir de sua adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09, formalizada nos seguintes termos: “OLHO DA ÁGUIA COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA já qualificados nos Autos retro epigrafados vem respeitosamente a presença de V.Sa Comunicar que utilizandose dos favores legais da Lei 11.941/2009, procedeu o parcelamento dos créditos constantes do auto de infração retro consoante requerimentos e comprovantes de pagamento da 1ª parcela em anexo. Com efeito, o parcelamento de um lado, representou confissão irretratável por parte da autuada e, de outro a renúncia do direito de manutenção do auto de infração. Requer, diante disso, seja o presente auto de infração extinto, vez que com o parcelamento do crédito o mesmo perdeu seu objeto, havendo de ser extinto.” Dispõe o Regimento Interno do CARF (Anexo II): “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. Fl. 19629DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720067/201221 Acórdão n.º 1103001.026 S1C1T3 Fl. 19.630 8 § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse.” (destaquei) Assim, ao aderir ao mencionado parcelamento e confessar de forma irretratável a dívida, o contribuinte renunciou ao direito sobre o qual se fundava o recurso voluntário por ele interposto. Equivocase quando entende que o efeito de sua opção seria a “extinção” dos autos de infração, até mesmo porque por meio destes a Administração tributária constituiu os créditos tributários. Em caso de rescisão do parcelamento, os lançamentos tributários fundamentarão, em conjunto com a confissão irretratável, não apenas a existência e validade dos créditos tributários, mas também a sua cobrança. Por tais razões, não conheço do recurso voluntário do contribuinte. Quanto aos responsáveis tributários solidários, o parcelamento requerido pelo contribuinte não afeta a análise de seus recursos voluntários. Apenas em caso de pagamento, a extinção dos créditos tributários representaria perda superveniente de interesse recursal dos coobrigados, ou, nos termos do CTN, serlhesia aproveitável: “Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; II a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo; III a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais.” (destaquei) Na Lei nº 11.941/07 inexiste disposição no sentido de que a adesão ao parcelamento pelo contribuinte implicaria, por exemplo, renúncia ao direito sobre o qual se fundam os recursos dos responsáveis. Sendo assim, preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário interposto conjuntamente pelos responsáveis tributários, dele se toma conhecimento. Das preliminares Fl. 19630DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720067/201221 Acórdão n.º 1103001.026 S1C1T3 Fl. 19.631 9 A aludida relação de prejudicialidade com o processo administrativo que tratou das exclusões do Simples Federal e do Simples Nacional (nº 10950.720616/201186), já analisado neste mesma assentada, em que pese ser procedente, o que se confirmou com o reconhecimento da conexão por parte do Presidente da Primeira Seção de Julgamento, não têm o condão de fulminar os lançamentos. Também não pode ser acolhida a pretensão dos Recorrentes, no sentido de que necessariamente se deveria aguardar o desfecho final daquele processo. Estando os dois processos em condição de julgamento na mesma fase processual, a única exigência lógica é que a análise concernente às exclusões daqueles regimes simplificados precedam à apreciação dos autos de infração delas decorrentes. Se ao final, na Câmara Superior de Recursos Fiscais ou mesmo na esfera judicial, as exclusões forem consideradas indevidas, muito provavelmente, os autos de infração serão considerados improcedentes por arrastamento. Quanto à impossibilidade de notificação dos responsáveis tributários para fins de apresentação de suas defesas e conseqüente exclusão do polo passivo dos autos de infração, como defende o Recorrente, vez que a responsabilidade tributária seria matéria restrita à execução fiscal, tal tese não se coaduna com a jurisprudência consolidada no CARF, que prestigia a participação dos sujeitos passivos indiretos no processo administrativo tributário, conforme Enunciado nº 71 da súmula de sua jurisprudência: “Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade”. Rejeito, portanto, as preliminares de nulidade dos autos de infração. Do mérito Os lançamentos tributários decorreram inicialmente do fato de o contribuinte ter sido excluído de ofício do Simples Federal e do Simples Nacional, devidamente confirmado por este colegiado nessa mesma assentada, conforme acórdão nº 1103001.025, em que foram expostos os seguintes elementos de convicção: “[...] Da leitura da “Representação Fiscal” (fls.683/721) e respectivas provas, concluise que o contribuinte realmente foi constituído por interpostas pessoas, com ocultação dos sócios de fato. Os elementos de prova carreados aos autos não se tratam de meras ilações. Ao contrário, constituem um sólido e convergente acervo probatório rumo à comprovação da tese da fiscalização. Os principais fatos levantados, que conduzem a tal conclusão, são os seguintes: após recebimento do Ofício nº 560/10, encaminhado pela Vara de Família, Infância, Juventude e Anexos de Paranavaí (PR), para verificação da repercussão fiscal de determinados fatos narrados na petição inicial de Ação Cautelar de Arrolamento de Bens e Alimentos Provisionais, ajuizada por Ângela Fernandes Viotto contra João Roberto Viotto, seu excônjuge, o que ocasionou a instauração de procedimento fiscal nas pessoas jurídicas Jorrovi Comércio de Calçados Ltda, CP Sete Comércio de Calçados Ltda, Olho da Águia Comércio de Calçados Ltda, Fl. 19631DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720067/201221 Acórdão n.º 1103001.026 S1C1T3 Fl. 19.632 10 Voo da Águia Comércio de Calçados Ltda, Filho da Águia Comércio de Calçados Ltda, Nega Va Comércio de Calçados Ltda e Ninho da Águia Comércio de Calçados Ltda; o Sr. Sauro Artur Gehring, profissional contador das sete sociedades, não mencionou os respectivos sócios, “...apenas se referindo ao Sr. JOÃO ROBERTO VIOTTO, CPF 591.069.219 49, deixando a entender como o responsável pela tomada de decisões que envolvem o grupo de empresas”; existência de diversas procurações padronizadas, em que são conferidos “amplos, gerais e ilimitados poderes para gerir e administrar os negócios e interesses”, “irrevogáveis e irretratáveis poderes para gerir e administrar todos os negócios”, conforme relação de fls.680/682. Quanto à Olho da Águia Comércio de Calçados Ltda, vale mencionar as seguintes procurações: a) firmada em 14/3/05, em que os outorgantes Flavien Augusto Pereira, sóciogerente, e Aufa Ferreira Bitar Pereira constituem como procuradores o Sr. João Roberto Viotto e a Sra. Angela Fernandes Viotto, conferindolhes, “...para individualmente ou em conjunto, poderes amplos, gerais e ilimitados, para onde com esta se apresentar, gerir e administrar todos os negócios e interesses da firma [...] em caráter essencialmente irrevogável e irretratável” (fls.602/603); b) firmada em 13/4/05, em que Flavien Augusto Pereira, sóciogerente, constitui como procuradora a Sra. Angela Fernandes Viotto, conferindolhe “...poderes para abrir, movimentar e encerrar a conta corrente nr. 32.1745, junto à Cooperativa de Crédito Rural de Maringá – SICREDI” (fls.604/605); c) firmada em 31/3/10, em que João Roberto Viotto Júnior e Vera Lúcia Fernandes Torres constituem como procurador o Sr. João Roberto Viotto, conferindolhe “...irrevogáveis e irretratáveis poderes, para onde com esta se apresentar, tratar de todos os negócios e interesses da outorgante, possuídos ou que venha a possuir a qualquer título [...], agindo enfim com os mais amplos e ilimitados poderes na gestão dos negócios e interesses da outorgante” (fls.606/608); João Roberto Viotto Júnior, filho de João Roberto Viotto e Angela Fernandes Viotto, tornouse sócio do contribuinte a partir de 10/10/07, com 2% das quotas do capital social; Vera Lúcia Fernandes Torres, irmã de Angela Fernandes Viotto, tornouse sócia do contribuinte a partir de 10/12/09, com 98% das quotas do capital social; Neise Joice Aparecida Coelho, empregada da Jorrovi Comércio de Calçados Ltda, constou como sócia do contribuinte Fl. 19632DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720067/201221 Acórdão n.º 1103001.026 S1C1T3 Fl. 19.633 11 no período de 30/3/09 a 9/12/09, com 98% das quotas do capital social; Flavien Augusto Pereira, empregado da Jorrovi Comércio de Calçados Ltda, constou como sócio do contribuinte no período de 18/02/05 a 29/3/09, com 98% das quotas do capital social; o quadro societário do contribuinte e da demais sociedades, considerandose as relações de parentesco como João Roberto Viotto e Angela Fernandes Viotto, bem como os vínculos empregatícios, indica que os “sócios” figuraram ou figuram em mais de uma delas, tomandose o cuidado para que os percentuais de participação não acarretasse a exclusão do Simples Federal e do Simples Nacional (mais de 10% do capital de outra empresa); quando intimados os sócios ou exsócios para que apresentassem documentação comprobatória da integralização do capital ou o pagamento pela aquisição das quotas, manifestaramse por meio de um único procurador, Sr. Miguel Iwamoto, que afirmou, sem apresentar as respectivas provas, que a integralização ou aquisição das quotas foram realizadas em moeda corrente; o ínfimo valor pelo qual os sócios transferem participações quando comparados com o valor da receita bruta, estoques existentes etc. Quanto à Olho da Águia Comércio de Calçados Ltda, vale destacar: a) em 30/3/09 o Sr. Flavien Augusto Pereira transferiu para o Sra. Neise Joice Aparecida Coelho sua participação societária de 98% das quotas do Capital Social pelo valor de R$ 24.500,00, conforme registrado na Segunda Alteração do Contrato Social; b) a receita bruta de vendas escriturada, somente em março/09, era de R$ 60.607,04; c) em março/09, possuía vinte e quatro empregados registrados; d) em 10/12/09 a Sra. Neise Joice Aparecida Coelho transferiu para o Sra. Vera Lucia Fernandes Torres sua participação societária de 98% das quotas do Capital Social pelo valor de R$ 24.500,00, conforme registrado na Terceira Alteração do Contrato Social; e) a receita bruta de vendas escriturada, somente em dezembro/09, era de R$ 140.782,55; f) em dezembro/09, possuía trinta empregados registrados; g) a receita bruta de vendas escriturada, no ano de 2009, é de R$ 990.818,89; Fl. 19633DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720067/201221 Acórdão n.º 1103001.026 S1C1T3 Fl. 19.634 12 h) em 31/12/09, o estoque final escriturado era de R$162.814,64. o endereço do contribuinte consta no sítio eletrônico na internet da Jorrovi Comércio de Calçados, como sendo o de uma das unidades desta sociedade; reportagens com a informação de que o Sr. João Roberto Viotto é o proprietário da “rede de lojas” Jorrovi, inclusive as que instruíram a Ação Cautelar de Arrolamento de Bens e Alimentos Provisionais; vídeo institucional, com relatos de funcionários no sentido de que o Sr. João Roberto Viotto gerenciava as sociedades do grupo, inclusive o contribuinte; informações obtidas na Ação Cautelar de Arrolamento de Bens e Alimentos Provisionais nº 133/10, movida pela Sra. Angela Fernandes Viotto contra seu excônjuge, Sr. João Roberto Viotto, em que consta expressamente: ‘Ocorre que a administração de todos os negócios do casal (imóveis, veículos, lojas, estoques, lucros créditos, etc) desde a separação de fato está totalmente nas mãos do requerido....’ ‘A ameaça faz no sentido, ainda, em se tratando de bens que estão em nome de terceiros (Lojas, contas em Banco) ou trataremse de créditos, não obstante sempre pertencerem ao casal.’ ‘Salientese que a Autora tem conhecimento destes fatos porque participava do departamento financeiro das lojas (conforme o próprio Requerido reconhece em reportagem da Revista Grande Noroeste de março/2008), não obstante todas as ordens partirem do Requerido.’ ‘Diversas procurações (anexas), com amplos e ilimitados poderes, conferidas pelos sócios, comprovam que anteriormente a administração das lojas era feita pelo casal. De outro giro, destaquese que recentemente (poucos dias atrás) o Requerido efetivou novas procurações das empresas, onde a administração permanece somente com ele...’ ‘A propósito, além de possíveis outros, o casal possui os seguintes bens a serem partilhados: ..... b) Lojas Hangar em Paranavaí, com estoque e mobiliário: 1) Loja Hangar 3377, razão social “Olho da Águia Comércio de Calçados Ltda.” (CNPJ nº 07.241.948/0001 88) ...’ Fl. 19634DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720067/201221 Acórdão n.º 1103001.026 S1C1T3 Fl. 19.635 13 fatura do contribuinte contabilizada como paga por Jorrovi Comércio de Calçados Ltda. Assim, de acordo com as mencionadas procurações, notase que, realmente, a administração do contribuinte foi transferida para o Sr. João Roberto Viotto e a Sra. Angela Fernandes Viotto, sendo esta a responsável principalmente pelas movimentações financeiras de diversas contas bancárias. Não se tratou da outorga de poderes pontuais, mas de todos aqueles inerentes à administração da sociedade, de forma irrevogável e irretratável, hipótese impensável em uma situação de normalidade, o que só confirma a mera formalidade dos sócios de direito.” A fiscalização apurou duas infrações. Uma, relacionada à tributação indevida pelo regime simplificado das receitas por ela declaradas na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – SIMPLES e na Declaração Anual do Simples Nacional DASN; outra, decorrente da presunção de omissão de receitas em razão de depósitos bancários sem comprovação da origem, em suas contas correntes e nas da Central Gehring, cuja titularidade de fato seria das sociedades que compõem o Grupo Jorrovi Calçados. Quanto a está última, as bases de cálculo consistiram nas diferenças entre o somatório dos valores líquidos creditados nas contas correntes sem comprovação e as receitas declaradas. A respeito da presunção de omissão de receitas, a fiscalização fundamentou o lançamento no art.42 da Lei nº 9.430, de 27/12/96: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). Fl. 19635DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720067/201221 Acórdão n.º 1103001.026 S1C1T3 Fl. 19.636 14 §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Tendo sido, em mais de uma oportunidade, regularmente intimado a comprovar a origem de alguns depósitos bancários, o contribuinte permaneceu inerte, de sorte que não restou alternativa às autoridades fazendárias senão considerálos, com base no dispositivo acima transcrito, como receitas omitidas e proceder às autuações. Para afastar tal presunção legal relativa, bastaria que os Recorrentes apresentassem a documentação relacionada à origem dos depósitos bancários. O ônus da prova, em tais situações, invertese, não se cogitando, por conseguinte, da necessidade de a fiscalização comprovar real aumento patrimonial, capacidade contributiva ou mesmo a exteriorização de riqueza pelo contribuinte. Cabe lembrar, que a jurisprudência do CARF é firme no sentido da plena aceitação da tributação a partir de depósitos bancários, conforme os seguinte enunciados de súmula de jurisprudência dominante: Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. nº 30: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando Fl. 19636DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720067/201221 Acórdão n.º 1103001.026 S1C1T3 Fl. 19.637 15 constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Na apuração do IRPJ e da CSLL procedeuse ao arbitramento dos lucros quanto aos 1º e 2º trimestres de 2007 e à apuração do lucro presumido quanto aos demais, o que não foi objeto de contestação pelos responsáveis tributários, sendo, portanto, matéria incontroversa. De igual forma, também não se insurgiram a respeito dos valores declarados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – SIMPLES e na Declaração Anual do Simples Nacional – DASN, bem como, repitase, não apresentaram as devidas comprovações quanto aos recursos depositados em suas contas correntes e nas de titularidade, ao menos de direito, da Central Gehring. Em que pese a vasta fundamentação constante do Termo de Verificação Fiscal (fls.19.197/19.281), que aporta aos autos indícios de que os recursos depositados nas contas correntes nº 415723 (mantida na SICREDI Maringá) e 10561 (mantida na SICOOB Paranavaí) seriam de titularidade das sete pessoas jurídicas que compõem o Grupo Jorrovi Calçados, os responsáveis tributários limitaramse a afirmar que os recursos não transitaram pelo contribuinte e que seriam de exclusiva titularidade da Central Gehring. Da leitura do Termo de Verificação Fiscal, vêse, ao contrário do que entenderam os Recorrentes, que a conclusão da fiscalização não se baseou apenas na quitação de boletos bancários com recursos depositados em tais contas correntes. Abaixo seguem alguns indícios de que realmente por aquelas contas transitaram recursos das sete sociedades do Grupo Jorrovi Calçados: o Sr. Sauro Artur Gehring, que a partir de 8/10/07 passou a constar do quadro societário da Central Gehring, é o contador de todas as pessoas jurídicas que compõem o Grupo Jorrovi Calçados e desde 18/5/07 detinha, conforme procuração outorgada por Rozeli Tescaro Gehring e Sérgio Roberto Gehring, “...amplos, gerais e ilimitados poderes para movimentar todas as contas correntes de titularidade da Central Gehring, sobretudo as de nº 415723 (mantida no SICREDI Maringá PR) e nº 10561 (mantida no SICOOB Paranavaí)”; na conta nº 374202, de titularidade da Central Gehring, esta sociedade movimenta os recursos advindos do exercício de suas atividades (comércio varejista de artigos para presentes e prestação de serviços de cobrança); de 2007 a 2009, a Central Gehring possuía, conforme informação por ela prestada, somente quatro tomadores de serviços: Cooperativa de Crédito de Livre Admissão União – SICREDI; CECM – Pequenas Empresas, Microempresas e Microempreendedores de Paranavaí – SICCOB Paranavaí; Companhia Paranaense de Energia – COPEL, e Companhia de Saneamento do Paraná SANEPAR; existência de depósitos na conta nº 10561 Londrina (R$2,674.373,85), Apucarana (R$2.283.859,11), Umuarama (R$2.085.946,24), Arapongas (R$2.551.412,70) , realizados em agências localizadas em cidades paranaenses distintas do município de sua sede em Paranavaí, mas de sede da Voo da Águia, Nega Va, CP Sete e Filho da Águia; Fl. 19637DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720067/201221 Acórdão n.º 1103001.026 S1C1T3 Fl. 19.638 16 no campo “documento” de vários depósitos/créditos bancários da conta nº 10561 havia a identificação das pessoas jurídicas do Grupo Jorrovi Calçados; grande quantidade de cheques emitidos pelas sociedades do Grupo Jorrovi Calçados, depositados na conta nº 10561; todas as autorizações de débito do mês abril/07, relativas à conta nº 415723, foram utilizadas para quitação dos boletos bancários das componentes do Grupo Jorrovi Calçados; as pessoas indicadas como Sacados nos boletos bancários “autenticados” com recursos das contas mantidas pela Central Gehring no SICREDI Maringá (PR) e no SICOOB Paranavaí (PR) em sua maioria foram pessoas jurídicas do Grupo Jorrovi Calçados e pessoas físicas ligadas direta ou indiretamente àquele Grupo. Por sua vez, os Cedentes foram sociedades do ramo de fabricação ou comércio de calçados (v.g., Adidas do Brasil Ltda, Dakota Nordeste S.A, Grendene S.A, Calçados Azaléia Nordeste S/A, Vulcabrás Nordeste S/A e São Paulo Alpargatas S.A), relacionadas, portanto, com o mesmo ramo de atuação das pessoas jurídicas do Grupo Jorrovi Calçados, o que permite concluir que a maioria dos boletos bancários, quitados/autenticados mediante débito automático das referidas contas, referiase à aquisição de mercadorias e de produtos por tais sociedades do Grupo; a maioria dos pagamentos dos boletos bancários não foi escriturada pelo contribuinte, o que indica que as contas nº 41.5723 e 10561 eram utilizadas como uma espécie de segundo Caixa das pessoas do Grupo Jorrovi Ltda; a Central Gehring não possuía qualquer contrato de prestação de serviços firmado com as instituições financeiras SICREDI e SICOOB, especificamente para que realizassem os procedimentos administrativos de autenticação dos boletos bancários a elas encaminhados, de forma que não atuava como correspondente bancário nos moldes da Resolução BACEN nº 3.100, de 31/7/03, conforme admitido pelos próprios Recorrentes De acordo com o art.42, §5º, da Lei nº 9.430/96, “quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento”. Acontece que as contas nº 41.5723, mantida no SICREDI Maringá PR, e nº 10561, mantida no SICOOB Paranavaí, serviam indevidamente às sociedades do Grupo Jorrovi Calçados, o que dificulta sobremaneira a individualização das receitas omitidas por cada uma das sete sociedades. A saída encontrada pelas autoridades fazendárias foi realizar o rateio dos valores líquidos creditados sem comprovação da origem. Tal metodologia foi assim descrita no TVF (item 04.2.2): “[...] A fim de realizar o rateio dos valores líquidos creditados não comprovados, a fiscalização utilizouse dos percentuais obtidos mediante a divisão da receita bruta mensal declarada de cada uma das empresas pela soma da receita bruta mensal declarada de todas as empresas que compõem o Grupo Jorrovi Calçados, conforme planilha denominada ‘Demonstrativo do Cálculo do Percentual da Receita Declarada pela Olho da Águia Fl. 19638DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720067/201221 Acórdão n.º 1103001.026 S1C1T3 Fl. 19.639 17 em Relação ao Total de Receitas Declaradas por Todas as Empresas do Grupo Jorrovi Calçados’. Os percentuais mensais obtidos para cada uma das empresas do Grupo Jorrovi Calçados foram aplicados, mês a mês, sobre os totais líquidos creditados não comprovados, com a finalidade de obter os valores líquidos não comprovados cabíveis a cada uma das empresas do Grupo Jorrovi Calçados, conforme demonstrado na planilha denominada ‘Demonstrativo do Rateio dos Valores Líquidos Creditados Não Comprovados nas Contas da Central Gehring entre as Empresas do Grupo Jorrovi Calçados’” Acontece que a fiscalização não apontou a base legal para tal procedimento. O art.42 da Lei nº 9.430/96 contempla uma presunção que necessariamente se utiliza de um juízo de certeza quanto à titularidade dos valores creditados nas contas de depósito ou de investimento. Pela metodologia adotada (rateio com base na receita declarada pelo contribuinte no período), não é possível afirmar, com a segurança necessária, que o percentual dos depósitos considerados realmente eram de titularidade da Olho da Águia Comércio de Calçados Ltda. Até mesmo a regra prevista no §6º do art.42 da Lei nº 9.430/96 (“o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares”), de divisão do total dos rendimentos pela quantidade de titulares de fato, o que poderia abrir a discussão no presente caso, não foi adotada. A propósito, na decisão de primeira instância salientouse que tal parágrafo sexto foi pensado para pessoas físicas, em que pese ter sido chancelada a metodologia empregada pela fiscalização: “[...] 80. Ora, se cada uma das sete empresas fiscalizadas auferiu receitas decorrentes de depósitos bancários (na condição de terceiro) e se a soma dessas receitas é conhecida, a questão do quantum atribuído a cada uma resumese a uma questão de critério de rateio. Essa situação em tudo se assemelha ao caso de conta conjunta, de titularidade de duas ou mais pessoas físicas, em que se sabe que a totalidade dos recursos pertence aos cotitulares, mas a repartição exata é desconhecida. Esse caso foi vislumbrado pelo legislador, que elegeu o critério de rateio simples, ou seja, total de depósitos dividido pelo número de titulares, conforme a seguinte redação do §6° do artigo 42 da Lei n°9.430/96: §6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) 81. É verdade que o citado dispositivo foi pensado para pessoas físicas. No entanto, não vejo empecilho algum na idéia de rateio Fl. 19639DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720067/201221 Acórdão n.º 1103001.026 S1C1T3 Fl. 19.640 18 também para pessoas jurídicas. A lacuna não deve ser interpretada como se o legislador pretendesse vedar a noção do rateio para o IRPJ, sendo mais razoável acreditar que a previsão limitada ao IRPF devese à circunstância de ser corriqueira a existência de contas conjuntas, sobretudo entre casais, e de não ser nada usual várias empresas compartilharem de uma mesma conta bancária. Tanto assim que, em pesquisa efetuada na base de decisões do CARF, nenhuma ocorrência similar ao presente caso foi encontrada. Em suma, não é razoável exigir que o legislador discipline todas as matérias, em minúcias, a ponto de imaginar situações inusitadas, como a de sete pessoas jurídicas utilizandose de conta bancária de outrem para dar andamento a suas transações.” Com a devida vênia, em se tratando de direito tributário, não pode o intérprete e aplicador da legislação tributária, à vista de suposta lacuna, implementar uma integração que resulte em exigência de tributo, conforme dispõe o Código Tributário Nacional: “Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. § 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido.” A opção adequada ao caso concreto, relativa aos depósitos nas contas de titularidade da Central Gehring seria a realização do lançamento contra esta pessoa jurídica, até mesmo porque a fiscalização não chegou a um juízo de certeza, mas de verossimilhança, de que todos os depósitos seriam relativos às movimentações das sociedades do Grupo Jorrovi Calçados. Dada a confusão de titularidade dos recursos, ainda que parcial, o crédito tributário estaria garantido com a responsabilização solidária das demais sociedades do grupo Jorrovi Calçados e dos sócios de fato. Sendo assim, apenas para fins de apuração da responsabilidade tributária das pessoas físicas arroladas como sujeitos passivos indiretos, vez que não se conheceu do recurso interposto pelo contribuinte, não pode prevalecer a inclusão na base de cálculo dos valores líquidos creditados nas contas da Central Gehing. Considerando as informações constantes do Demonstrativo de Apuração acostado aos autos (fls.19.287/19.289), a omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada deve se limitar aos seguintes valores: Fl. 19640DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720067/201221 Acórdão n.º 1103001.026 S1C1T3 Fl. 19.641 19 Anocalendário 2007 Total Líquido Creditado (A) Valor nas Contas da Central Gehring (B) Receita Declarada (C) Omissão (A B C) Jan 123.407,82 64.875,97 36.259,55 22.272,30 Fev 67.776,14 45.868,25 36.286,00 14.378,11 Mar 101.102,58 53.850,05 44.489,19 2.763,34 Abr 160.896,83 108.361,53 87.509,29 34.973,99 Mai 121.271,26 60.862,30 54.914,71 5.494,25 Jun 160.894,42 142.265,36 56.089,71 37.460,65 Jul 91.434,23 48.043,62 53.596,95 10.206,34 Ago 88.780,31 21.746,96 49.389,48 17.643,87 Set 114.044,34 66.707,28 51.166,16 3.829,10 Out 140.637,97 90.533,79 55.134,30 5.030,12 Nov 71.000,33 52.827,40 49.782,86 31.609,93 Dez 172.698,63 100.987,05 86.713,65 15.002,07 Anocalendário 2008 Total Líquido Creditado (A) Valor nas Contas da Central Gehring (B) Receita Declarada (C) Omissão (A B C) Jan 161.579,48 126.749,44 43.362,03 8.531,99 Fev 166.490,11 129.709,42 46.891,26 10.110,57 Mar 153.548,00 127.215,09 58.442,89 32.109,98 Abr 185.972,09 133.519,87 63.583,10 11.130,88 Mai 224.638,35 169.397,30 81.165,95 25.924,90 Jun 111.727,93 61.768,29 58.418,08 8.458,44 Jul 141.488,88 115.372,16 52.329,40 26.212,68 Ago 222.023,00 156.250,44 62.709,85 3.062,71 Set 191.294,07 142.988,83 49.354,43 1.049,19 Out 285.914,30 255.229,03 101.509,37 70.824,10 Nov 117.256,16 58.310,49 42.245,71 16.699,96 Dez 435.391,65 310.509,39 169.348,84 44.466,58 Anocalendário 2009 Total Líquido Creditado (A) Valor nas Contas da Central Gehring (B) Receita Declarada (C) Omissão (A B C) Jan 178.335,61 116.300,34 47.235,08 14.800,19 Fev 160.598,90 103.771,05 38.152,15 18.675,70 Mar 258.793,06 172.956,41 60.607,04 25.229,61 Abr 227.721,20 126.600,37 57.790,44 43.330,39 Mai 409.039,10 156.021,33 148.867,46 104.150,31 Jun 203.003,76 157.793,51 109.212,62 64.002,37 Jul 270.728,24 159.298,43 90.460,82 20.968,99 Ago 223.732,02 145.517,74 76.674,64 1.539,64 Set 228.390,85 165.478,01 71.430,54 8.517,70 Out 229.017,51 176.880,74 76.182,23 24.045,46 Nov 234.910,48 176.896,67 73.423,32 15.409,51 Dez 370.077,32 256.640,58 140.782,55 27.345,81 Consequentemente, a responsabilidade dos sujeitos passivos indiretos devem limitarse aos créditos tributários apurados a partir das BASES DE CÁLCULO do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, constantes das tabelas abaixo: Fl. 19641DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720067/201221 Acórdão n.º 1103001.026 S1C1T3 Fl. 19.642 20 IRPJ e CSLL Total Líquido Creditado (A) Valor nas Contas da Central Gehring (B) Receita Declarada (C) Base de Cálculo Jan/07 123.407,82 64.875,97 36.259,55 Fev/07 67.776,14 45.868,25 36.286,00 Mar/07 101.102,58 53.850,05 44.489,19 1º Trim 292.286,54 164.594,27 117.034,74 10.657,53 Abr/07 160.896,83 108.361,53 87.509,29 Mai/07 121.271,26 60.862,30 54.914,71 Jun/07 160.894,42 142.265,36 56.089,71 2º Trim 443.062,51 311.489,19 198.513,71 0,00 Jul/07 91.434,23 48.043,62 53.596,95 Ago/07 88.780,31 21.746,96 49.389,48 Set/07 114.044,34 66.707,28 51.166,16 3º Trim 294.258,88 136.497,86 154.152,59 3.608,43 Out/07 140.637,97 90.533,79 55.134,30 Nov/07 71.000,33 52.827,40 49.782,86 Dez/07 172.698,63 100.987,05 86.713,65 4º Trim 384.336,93 244.348,24 191.630,81 0,00 Jan/08 161.579,48 126.749,44 43.362,03 Fev/08 166.490,11 129.709,42 46.891,26 Mar/08 153.548,00 127.215,09 58.442,89 1º Trim 481.617,59 383.673,95 148.696,18 0,00 Abr/08 185.972,09 133.519,87 63.583,10 Mai/08 224.638,35 169.397,30 81.165,95 Jun/08 111.727,93 61.768,29 58.418,08 2º Trim 522.338,37 364.685,46 203.167,13 0,00 Jul/08 141.488,88 115.372,16 52.329,40 Ago/08 222.023,00 156.250,44 62.709,85 Set/08 191.294,07 142.988,83 49.354,43 3º Trim 554.805,95 414.611,43 164.393,68 0,00 Out/08 285.914,30 255.229,03 101.509,37 Nov/08 117.256,16 58.310,49 42.245,71 Dez/08 435.391,65 310.509,39 169.348,84 4º Trim 838.562,11 624.048,91 313.103,92 0,00 Jan/09 178.335,61 116.300,34 47.235,08 Fev/09 160.598,90 103.771,05 38.152,15 Mar/09 258.793,06 172.956,41 60.607,04 1º Trim 597.727,57 393.027,80 145.994,27 58.705,50 Abr/09 227.721,20 126.600,37 57.790,44 Mai/09 409.039,10 156.021,33 148.867,46 Jun/09 203.003,76 157.793,51 109.212,62 2º Trim 839.764,06 440.415,21 315.870,52 83.478,33 Jul/09 270.728,24 159.298,43 90.460,82 Ago/09 223.732,02 145.517,74 76.674,64 Set/09 228.390,85 165.478,01 71.430,54 3º Trim 722.851,11 470.294,18 238.566,00 13.990,93 Out/09 229.017,51 176.880,74 76.182,23 Nov/09 234.910,48 176.896,67 73.423,32 Dez/09 370.077,32 256.640,58 140.782,55 4º Trim 834.005,31 610.417,99 290.388,10 0,00 Fl. 19642DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720067/201221 Acórdão n.º 1103001.026 S1C1T3 Fl. 19.643 21 PIS e Cofins Total Líquido Creditado (A) Valor nas Contas da Central Gehring (B) Base de Cálculo (A B) jan/07 123.407,82 64.875,97 58.531,85 fev/07 67.776,14 45.868,25 21.907,89 mar/07 101.102,58 53.850,05 47.252,53 abr/07 160.896,83 108.361,53 52.535,30 mai/07 121.271,26 60.862,30 60.408,96 jun/07 160.894,42 142.265,36 18.629,06 jul/07 91.434,23 48.043,62 43.390,61 ago/07 88.780,31 21.746,96 67.033,35 set/07 114.044,34 66.707,28 47.337,06 out/07 140.637,97 90.533,79 50.104,18 nov/07 71.000,33 52.827,40 18.172,93 dez/07 172.698,63 100.987,05 71.711,58 jan/08 161.579,48 126.749,44 34.830,04 fev/08 166.490,11 129.709,42 36.780,69 mar/08 153.548,00 127.215,09 26.332,91 abr/08 185.972,09 133.519,87 52.452,22 mai/08 224.638,35 169.397,30 55.241,05 jun/08 111.727,93 61.768,29 49.959,64 jul/08 141.488,88 115.372,16 26.116,72 ago/08 222.023,00 156.250,44 65.772,56 set/08 191.294,07 142.988,83 48.305,24 out/08 285.914,30 255.229,03 30.685,27 nov/08 117.256,16 58.310,49 58.945,67 dez/08 435.391,65 310.509,39 124.882,26 jan/09 178.335,61 116.300,34 62.035,27 fev/09 160.598,90 103.771,05 56.827,85 mar/09 258.793,06 172.956,41 85.836,65 abr/09 227.721,20 126.600,37 101.120,83 mai/09 409.039,10 156.021,33 253.017,77 jun/09 203.003,76 157.793,51 45.210,25 jul/09 270.728,24 159.298,43 111.429,81 ago/09 223.732,02 145.517,74 78.214,28 set/09 228.390,85 165.478,01 62.912,84 out/09 229.017,51 176.880,74 52.136,77 nov/09 234.910,48 176.896,67 58.013,81 dez/09 370.077,32 256.640,58 113.436,74 Após a apuração dos tributos devidos, devem ser ainda aproveitados os recolhimentos indicados na decisão de primeira instância para fins de delimitação da responsabilidade tributária. Quanto à qualificação da multa de ofício, foi fundamentada pela constituição do contribuinte por interpostas pessoas e na utilização de contas bancárias de titularidade de outra pessoa jurídica (Central Gehring), o que, no conjunto caracterizaria “...o evidente intuito de sonegação, fraude e conluio, revelados na vontade consciente e desejada de lesar a Fazenda, causandolhes prejuízos, de acordo com as definições contidas nos artigos 71, 72 e Fl. 19643DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720067/201221 Acórdão n.º 1103001.026 S1C1T3 Fl. 19.644 22 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, combinados com o comando legal plasmado no artigo 44, §1º, da Lei nº 9.430, de 1996”. Por sua vez, os responsáveis solidários sustentam que incidiria na espécie a Súmula CARF nº 14 e o art.112 do CTN, bem como entendem que ao menos quanto aos créditos tributários constituídos a partir das receitas declaradas pelos regimes simplificados não se justificaria a qualificação da penalidade. Rejeitase a pretensão de aplicação do art.112 do CTN, pelo simples fato de que inexiste dúvida quanto “à capitulação legal do fato”, “à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos”, “à autoria, imputabilidade, ou punibilidade”, ou “à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação”, consideradas as infrações remanescentes (indevida tributação das receitas declaradas e omissão de receitas decorrente da não comprovação de depósitos bancários em contas correntes de titularidade do contribuinte). Quanto à Súmula CARF nº 14, não há se falar em simples omissão de receitas diante da comprovada interposição de pessoas que culminou, inclusive, na exclusão do contribuinte do Simples Federal e do Simples Nacional, razão pela qual não se aplica na espécie. Entendo que a utilização dos denominados sócios “laranjas” basta para justificar a qualificação da multa de ofício nos termos do art.44 da Lei nº 9.430/96, c/c o art.71 da Lei nº 4.502/64, haja vista a ação dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária das circunstâncias materiais do fato gerador e das condições pessoais do contribuinte, inserido no contexto o evidente intuito de fraude para se furtar à tributação: Lei nº 4.502/64 Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Como se já não bastasse a situação aqui tratada amoldarse perfeitamente aos incisos do art.71, a conduta dolosa também buscou modificar as características essenciais do fato gerador, razão pela qual a fiscalização também poderia fundamentar a qualificação no art.72 da mesma lei: Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Ademais, o fato de a infração relacionada aos depósitos efetuados nas contas da Central Gehring ter sido afastada neste voto, somente por razões de impropriedade no critério adotado pela fiscalização (“reateio”), não implica que o contribuinte não se valeu de tais contas para movimentar seus recursos. Ao contrário, os indícios sólidos e convergentes já apontados indicam exatamente tal situação. Fl. 19644DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720067/201221 Acórdão n.º 1103001.026 S1C1T3 Fl. 19.645 23 Mantémse, portanto, a multa de ofício qualificada. A respeito da alegação de decadência, concernente aos períodos anteriores a 15/5/07, não deve ser acolhida. O art.150, §4º, do CTN apenas se aplica quando não restar comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme dicção de sua parte final: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Incide na espécie, portanto, considerandose a fraude empregada, a regra estatuída no art.173, I, do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Assim, para os fatos geradores a partir de 31/1/07, o dies a quo do prazo decadencial iniciouse em 1/1/08, razão pela qual o Fisco federal poderia ter constituído os créditos tributários até 31/12/12. Considerando a ciência dos autos de infração em 16/5/12, não se acolhe a alegação de decadência. Sobre a responsabilidade tributária, não há dúvidas, conforme decidido nesta mesma assentada (acórdão nº 1103001.025 processo nº 10950.720616/201186), quando foram explicitados e acolhidos pelo colegiado os fundamentos que levaram às exclusões dos regimes simplificados, em parte transcritos no início deste voto, que restou caracterizada a sujeição passiva do Sr. João Roberto Viotto e da Sra. Angela Fernandes Viotto, nos termos do art.124, I, e 135 do CTN. Quanto a esta última, o fato de ter constituído, em conjunto com seu ex cônjuge, a pessoa jurídica ora autuada, a partir de “laranjas”, já justifica a sua responsabilidade com fulcro no art.135, dada a evidente infração à lei. Conforme consta da informação fiscal do processo nº 10950.720616/201186, também detinha poderes “...para individualmente ou em conjunto, poderes amplos, gerais e ilimitados, para onde com esta se apresentar, gerir e administrar todos os negócios e interesses da firma [...] em caráter essencialmente irrevogável e irretratável”, bem como para “...para abrir, movimentar e encerrar a conta corrente nr. 32.1745, junto à Cooperativa de Crédito Rural de Maringá – SICREDI”. Fl. 19645DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720067/201221 Acórdão n.º 1103001.026 S1C1T3 Fl. 19.646 24 A manutenção da condição de responsáveis tributários foi corretamente mantida pela decisão recorrida com base nos seguintes fundamentos, dentre outros: “[...] 93. O exame dos fatos revela que os Termos de Sujeição Passiva foram devidamente lavrados. É que os autos contêm provas robustas e contundentes de que João Roberto Viotto e Angela Fernandes Viotto arquitetaram a manobra societária conhecida como “interposição de pessoas”, pela qual o agente insere pessoas estranhas à sociedade para compor o quadro societário, com o fim de ocultar seu vínculo com a pessoa jurídica, para, a um só tempo, obter benefícios econômicos e eximirse de qualquer responsabilidade, na exploração da atividade da empresa. ..... 98. Outra prova cabal de que João Roberto Viotto e Angela Fernandes Viotto são os sócios de fato de todas as sete empresas fiscalizadas é a constatação de várias procurações outorgadas por todas elas, ora em favor de um, ora em favor da outra, às fls. 528/679 [...].O alcance dos poderes conferidos por cada uma das sete empresas do grupo ao casal comprova o poder de mando, de ditar os rumos dos negócios, típicos de quem é dono do empreendimento. 99. Essa constatação de que o casal eram os verdadeiros proprietários dos negócios tocados pelo Grupo Jorrovi, e que os sócios de cada empresa do conglomerado eram interpostas pessoas, também é confirmada pelos contatos que a autoridade fiscal manteve durante a ação fiscal. Conforme narrado na representação fiscal, todas as comunicações eram feitas pela pessoa que era o contador de todas as sete empresas fiscalizadas, Sr. Sauro Artur Gehring, sócioadministrador da Central Gehring, a mesma empresa que emprestou suas contas bancárias para o Grupo Jorrovi. O auditor fiscal relata que o contador nunca mencionava o nome dos sócios das empresas, passando a idéia de que era João Roberto Viotto quem tomava todas as decisões. Além disso, nenhum dos sócios demonstrou qualquer interesse em acompanhar os trabalhos da fiscalização. ..... 102. O emprego de interposição de pessoas constitui um artifício fraudulento que, inegavelmente, configura ato praticado com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatutos. É esse o entendimento que prevalece no CARF, conforme os seguintes precedentes: Decisão: Acórdão 10808467 ..... Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA demonstrado de forma inequívoca que a sociedade é formalmente constituída por interpostas pessoas e identificados os sócios de fato, devem os mesmos ser Fl. 19646DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720067/201221 Acórdão n.º 1103001.026 S1C1T3 Fl. 19.647 25 arrolados como responsáveis solidários pelo crédito tributário constituído a teor dos artigos 124, I e 135, III, do C.T.N. (Grifouse). ..... Decisão: ACÓRDÃO 20311330 ..... RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LARANJAS, TESTASDEFERRO OU INTERPOSTAS PESSOAS. SOCIEDADE DE FATO. SOLIDARIEDADE. CTN, ART. 124, I. Comprovada a utilização de pessoa jurídica de modo fraudulento, por pessoas físicas e outra pessoa jurídica que dela se utilizaram como meio de fugirem da tributação, cabe responsabilizar, de modo solidário e sem benefício de ordem, todos os proprietários de fato, nos termos do art. 124, I, do CTN. (Grifouse) ..... Decisão: Acórdão 10809617 ..... RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Comprovado nos autos como verdadeiro sócio da pessoa jurídica, pessoa física, acobertada por terceiras pessoas (“laranjas”) que apenas emprestavam o nome para que este realizasse operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contas correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal.” Assim, é de rigor a manutenção da responsabilidade tributária solidária atribuída ao Sr. João Roberto Viotto e à Sra. Ângela Fernandes Viotto, nos limites acima estabelecidos. Por fim, aplicase as conclusões acima aos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, haja vista a íntima relação de causa e efeito. Dispõe a Lei nº 9.249/95: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. ..... §2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Fl. 19647DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10950.720067/201221 Acórdão n.º 1103001.026 S1C1T3 Fl. 19.648 26 COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita. No mesmo sentido, mencionese, ainda o Decreto nº 4.524/02, que regulamenta a contribuição para o PIS/PASEP e a Cofins devidas pelas pessoas jurídicas em geral: Art. 91. Verificada a omissão de receita ou a necessidade de seu arbitramento, a autoridade tributária determinará o valor das contribuições, dos acréscimos a serem lançados, em conformidade com a legislação do Imposto de Renda (Lei n° 8.212, de 1991, art. 33, Caput e §§ 3° e 6º, Lei Complementar n° 70, de 1991, art. 10, parágrafo único, Lei n° 9.715, de 1998, arts. 9° e 11, e Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 24). Por todo o exposto, voto no sentido de: (a) não conhecer das razões do recurso do contribuinte; (b) conhecer das razões do recurso dos responsáveis tributários para rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, darlhes PARCIAL PROVIMENTO para limitar a responsabilidade aos créditos tributários apurados após a exclusão, das bases de cálculo, dos depósitos bancários atribuídos ao contribuinte pelo critério de rateio, efetuados nas contas de titularidade da Central Gehring. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 19648DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10111.000427/2004-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA.
Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração quando não demonstrada a omissão no acórdão embargado.
Numero da decisão: 3102-01.245
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração quando não demonstrada a omissão no acórdão embargado Embargos Rejeitados Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Luis Marcelo Guerra de Castro – Presidente Ricardo Paulo Rosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Conforme consta, contra a decisão proferida, a União interpôs embargos de declaração, por entender ter ocorrido omissão na falta de pronunciamento da Câmara acerca “normas complementares estabelecidas no Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias”. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento relatou a matéria de maneira adequada. Contra o sujeito passivo de que trata o presente processo foram lavrados os autos de infração a seguir relacionados: Fl. 309DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10111.000427/200446 Acórdão n.º 310201.245 S3C1T2 Fl. 186 2 I. Imposto sobre Produtos Industrializados, fls. 01/04, no valor total de R$ 256.285,70, incluindo encargos legais. II. Multa Regulamentar, fls. 05/07, no valor total de R$ 51.257,14. III. Pis/Pasep Importação e Cofins Importação, fls. 08, nos valores de R$ 353,44 e R$ 1.627,98, respectivamente. IV. Multas sobre o Pis/Pasep Importação e Cofins Importação, fls. 09, nos valores de R$ 265,08 e R$ 1.220,99, respectivamente. De acordo com a Descrição dos Fatos 'e Enquadramento Legal, fls. 02 e 06 os lançamentos decorreram da infração indicada a seguir. 1. Falta de Recolhimento. O Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI foi pago com base na alíquota de 15%, relativo a NCM 8525.20.13. Entretanto, considerando o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 014, de 02/09/2003 e, levandose em consideração também o acórdão da turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, DRJ, n° 6.607, de 23/04/2004, a correta classificação na NCM para a mercadoria em tela é 8526.91.00, a qual apresenta aliquota de 20% do IPI. Portanto, cobrase a diferença de IPI relativa à nova classificação NCM. Enquadramento legal: Arts. 2°, 15, 16, 17, 21, 24, 30, 32, 34, 122, 123, 125, 127, 130, 131, 138, 200, 201, 202, 465, 466, 467, 469, 470, 471, 472; 473, 474, 476, 478 e 488 do Decreto n°4.544/2002 RIPI/2002. 2. Mercadoria Classificada Incorretamente na Nomeclatura Comum do Mercosul O contribuinte, quando do registro da Declaração d' e Importação, DI, classificou a mercadoria em tela na NCM 8525.20.13. Entretanto, considerando o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 014, de 02/09/2003 e, levandose em consideração também o acórdão da 1' turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, DRJ, n° 6.607, de 23/04/2004, a correta classificação na NCM para a mercadoria em tela é 8526.91.00. Portanto, considerandose o erro na classificação fiscal cobrase a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria, de acordo com o art. 84 da Medida Provisória n° 2.45835/2001. A essa multa não se aplica a redução prevista no art. 6° da Lei n°8.218/91, conforme art. 81, IV, da Lei n° 10.833/2003. Enquadramento legal: Arts. 2°, 97, 482 a 485, 489, 491, 504, 602, 603, inciso I e IV, 604, inciso IV, 636, inciso I, e §§ 3° a 5 0, e 684 do Decreto h° 4.543/2002; art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 2.158/2001. Inconformado com as exigências, das quais tomou ciência em 17/08/2004, fls. 27, apresentou o contribuinte impugnação em 16/09/2004, I fls. 30/51, contrapondo se ao lançamento com base nos argumentos a seguir sintetizados. Nulidade por Inépcia e no que tange à descrição fato, o auto de infração é extremamente lacônico, limitandose a afirmar que o IPI foi 4agoi7c2m base na alíquota de 15%, relativo à NCM 8525.20.13, mas que a correta classificaçãoma N'èM para amercadoria em tela é 8526.91.00, com a alíquota de 20% de IPI. Não especifica'tddavia, qual a mercadoria em tela, nem a razão explícita pela qual a NCM adotada pela impugnante seria incorreta. Quanto à disposição LEGAL infringida, de menção Obrigatória no auto de infração, cita o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 014, de 02/09/2003, que não Fl. 310DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10111.000427/200446 Acórdão n.º 310201.245 S3C1T2 Fl. 187 3 tem força de disposição legal e o acórdão da ia turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, DRJ, n° 6607, de 23.04.2004, sem indicação do processo administrativo no qual foi proferido e igualmente sem força de lei; já os artigos do decreto n° 4.544/02, nos quais enquadra a exigência, cujo conteúdo é anexado a esta impugnação, não mostram qualquer relação com o fato descrito no auto de infração, o mesmo ocorrendo com os dispositivos legais citados para justificar a exigência dos acessórios com exceção do art.16, que ratifica os fundamentos de defesa da Impugnante, dispondo que será feita a classificação DOS PRODUTOS de conformidade com as Regras Gerais para interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares (NC), todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), integrantes do seu texto (Decretolei n° 1.154, de 1° de março de 1971, art. 3°), e não em conformidade com Atos Declaratórios Interpretalivos ou com precedentes decisórios adotados no julgamento de casos específicos. Diante do exposto, requer a Impugnante, em preliminar, que seja julgado nulo o auto de infração ora impugnado. No Mérito No mérito, que se discute por cautela, a exigência é totalmente improcedente; com efeito, a Impugnante importou, dos Estados Unidos da América do Norte, através da Declaração de Importação no 04/07215730, os equipamentos que nela assim descreveu: Descrição Detalhada da Mercadoria. Máquina móvel para sistema de controle e acesso dos serviços móveis de processamento de texto e posicionamento de veículos P/N do sistema 10J15371, constituído por antena móvel de transmissão e recepção por satélite, de sistema de posicionamento GPS, unidade de controle receptor GPS P/N 10J14621 e acionador de veículo com tela de cristal (unidade de display) teclado P/N CV90531522, e acessórios antenas móvel de transmissão e recepção por satélite de sistema de posicionamento GPS, unidade de controle, receptor GPS P/N 10J15371 cujos os NRS são: (...) De acordo com a seção XX do Manual de Instalação do MCT, ou IMCT abreviatura que designa a máquina móvel acima descrita, suas características são as seguintes: O Terminal de Comunicações Móveis (IMCT) é a parte móvel do sistema OminTRACS que é instalado no veículo do cliente. Ela dá ao motorista a habilidade de enviar mensagens para a central de despacho e recebêlas do mesmo. O IMCT também envia informação de localização para a central da Autotac (NMF). O IMCT consiste nos seguintes componentes: Unidade de comunicaçãoantena (ACU) contém a antena que se comunica com o satélite e contém circuitos de operações e memória. Dispositivo de interface de usuário Este pode ser um teclado (DU), teclado expandido (EDU) ou um MVÍ.PC. MVPc Um computador de bo.rdoc. om uma tecla sensitiva a toque, teclado integrado, microfone e altofalante que pode rodar progranias próprios ou comerciais. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10111.000427/200446 Acórdão n.º 310201.245 S3C1T2 Fl. 188 4 Teclado (DU) Consiste em um Teclado e um display que o motorista usa para se comunicar com o despachante. Teclado estendido (EDU) A versão mais nova do DU que consiste em um teclado e um display que o motorista usa para se comunicar com o despachante. Cada IMCT tem o seu próprio endereço de unidade que é o serial number do ACU. Esse endereço é usado pelo NMC para rotear as mensagens para o veículo correto. O endereço de unidade de um caminhão em particular vai mudar se o ACU do caminhão for trocado. O operador do IMCT usa as telas do display para criar, mandar e ler mensagens, verificar o sistema e descobrir problemas. A máquina cuja importação se constituiria no fato gerador do imposto é utilizada exclusivamente integrada a um sistema denominado OminSat, cuja função é propiciar a comunicação de mensagens e textos entre um ponto fixo e um ponto móvel, basicamente entre a administração de uma empresa ou entidade e seus veiados. Informações do manual do fabricante transcritas às págs. 06/07 (fls. 35/36). Encontramse enumeradas no manual as várias funções, desempenhadas pelo Sistema, todas derivadas de Telecomunicação. Ora, é evidente que a “máquina móvel” tem destinação específica definida, qual seja a de se integrar ao Sistema Ominisat em conjunto, com ele constituindo um corpo único, para realizar funções diferentes, mas complementares, entre as quais predomina (como principal) a de telecomunicações que caracteriza e define o sistema. A Impugnante, ao buscar o correto enquadramento fiscal da máquina importada para efeito de recolhimento dos tributos devidos, seguiu a orientação constante da seção XVI e respectivas notas da tabela de incidência do II e do IPI aprovada pelo Decreto n° 4.542, de 26/12/2002, em especial as notas 3, 4 e 5, que definem os seguintes parâmetros para a identificação das posições e códigos da NCM: 3. Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal que caracteriza o conjunto. 4. Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capitulo 84 ou do Capitulo 85, o conjunto classificase na posição correspondente à função que desempenha. 5. Para aplicação destas notas, a denominação máquinas compreende quaisquer máquinas, aparelhos, dispositivos, instrumentos e materiais' diversos citados nas posições dos Capítulos 84 a 85. Associadas as características técnicas e a destinação funcional da máquina importada com a orientação legal para a respectiva classificação, codificação e tributação de acordo com a NCM adotada para efeito de incidência do IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO e do IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSRIALIZADOS Fl. 312DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10111.000427/200446 Acórdão n.º 310201.245 S3C1T2 Fl. 189 5 (JS, chegase necessariamente ao Código 8525.20.13, que descreve aparelho com características rigorosamente iguais ao MCT, conforme se vê do respectivo texto: 8525 APARELHOS TRÂNSMISSORES (EMISSORES) PARA RADIOTELEFONIA, RADIOTELEGRAFIA;: RADIODIFUSÃO/OU TELEVISÃO, MESMO INCORPORANDO UM APARELHO DE RECEPÇÃO OU UM APARELHO DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE SOM; CÂMARAS DE TELEVISÃO; CÂMARAS DE VIDEO DE F IMAGENS FIXAS E OUTRAS CÂMARAS ("CAMCORDERS"). 852520 — Aparelhos transmissores (emissores) com aparelho receptor incorporado. 85.25.20.1 — De telecomunicações por satélite. 85.25.20.13 — Digital, para transmissão de voz ou dados operando em banda C, Ku ou L(2). Repetindose que o equipamento importado é uma máquina móvel para sistema de controle e acesso dos serviços móveis de processamento de texto com um acessório para posicionamento de veículos através do GPS, transmitindo' e recebendo mensagens por satélite, não há, data vênia, como encontrar classificação mais adequada na NCM. A Impugnante já vem sendo constrangida há algum tempo pelas autoridades fiscais a adotar a classificação do equipamento na NCM por elas definida arbitrária e aleatoriamente, assim se afirmando diante da necessidade de um exame técnico da mercadoria, necessário para subsidiar os parâmetros legais orientadores da correta classificação. Na falta do exame técnico do MCT por parte das Autoridades Alfandegárias do Aeroporto Internacional de Brasília, procedimento elementar para a legalidade do ato e que seria necessário e imprescindível para a exigência da alteração da N.C.M. após 10 anos de desembaraços mensais regulares envolvendo valores significativamente elevados, a Impugnante procurou a Universidade de Brasília UnB, terceira parte independente e detentora de corpo técnico reconhecidamente com notório saber, para elaboração de laudo técnico do MCT e do Sistema OmniSAT, com vistas a esclarecer às Autoridades Alfandegárias a classificação correta do MCT, definitivamente, de forma clara, neutra, inconteste e documental. O laudo anexo não deixa dúvidas acerca da correção do entendimento da impugnante sobre a matéria. A defesa transcreveu às págs. 11/14 (fls. 40/43) trechos de alguns quesitos e respectivas respostas. Não bastasse o laudo, os serviços prestados pela Impugnante, através do Sistema OmniSAT, são objeto de outorga do Minicom/Anatel, nos termós da Portaria 904/93 (doc. de fl. 53 anexo) e processos complementares, classificados na Portaria como serviços de comunicação, recolhendo a Impugnante todos os impostos de telecomunicações, tais como ICMS, FUST, FUNTEL, TFF, TFI e outros. Ou seja, o próprio órgão máximo regulador das telecomunicações brasileiras definiu, através do ato da outorga, portaria 904/93, que os serviços prestados pela Impugnante são de comunicação. Ressaltese que os serviços de comunicação são prestados através do Sistema OmniSAT, do qual o MCT é parte integrnnte, sendo, conseqüentemente, o MCT, um equipamento de comunicação. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10111.000427/200446 Acórdão n.º 310201.245 S3C1T2 Fl. 190 6 Ainda com o objetivo de não pairar dúvidas sobre a questão, solicitou a Impugnante declarações do fabricante e fornecedor do MCT e da erriDreo , de Auditoria Externa Independente que subscreveu anualmente as Demonstrações Financeiras da Autotrac (docs. de fls. 54 e 55), com vistas a identificar e comprovar, respectivamente, o custo de importação do GPS embutido no preço FOB do MCT e a participação da receita gerada pelo uso do GPS na receita total de comunicação. A defesa fez às págs. 15/16 (fls. 44/45) transcrição de ambas as declarações. Está, pois, demonstrado e comprovado que, pelo critério de engenharia, com ase nas características, funções, aplicações e utilidades, conforme comprovado pelo laudo emitido pela Universidade de BrasíliaUnB, a função principal do MCT é1a de comunicação, sendo acessória a de posicionamento viabilizada pelo GPS, bem como que o GPS é opcional no MCT. Está igualmente demonstrado e comprovado que, 'pelo critério econômico e financeiro, conforme certificado pelas declarações do fornecedor externo do PACT, Qualcomm Incorporated, e da empresa de Auditoria Independente, Moore Stephens, a composição do GPS no custo e na receita da Autotrac é irrelevante, representando apenas 4% do custo FOB do MCT e 11,7% do total da receita de comunicação gerada, bem corno que a própria Anatel já classificou os serviços prestados pela Autotrac como de comunicação (doc. de fl. 53), sendo, conseqüentemente, o MCT, um equipamento de comunicação. Concluise, pois, que razão não assiste às Autoridades Alfandegárias do Aeroporto Internacional de Brasília ao exigirem que o MCT seja claSsificado na N.C.M. 8526.91.00 e que a classificação correta é a que a Autotrac vem praticando há 10 anos, ou seja, a 8525.20.13. O agente fiscal, todavia, embora não explicitando a razão pela qual estaria incorreta a classificação do equipamento na NCM 8525.20.13, indicou como correta a NCM 8526.91.00, também sem explicar porque esta seria a correta, menciona como justificativa o Ato Declaratório lnterpretativo SRF n° 014, fazendo presumir que, no 'seu entendimento, o equipamento seria caracterizado como de rádio navegação, uma vez que é esta a espécie descrita no Código 8526.9100, por ele reputada correta. Este entendimento, no entanto, é totalmente desprovido de suporte técnico e de amparo legal. Em 04 de setembro de 2003 foi publicado o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 14, de 02 de setembro de 2003, que dispõe em seu artigo único: "Artigo único: Os aparelhos e equipamentos que fazem uso do Sistema de Posicionamento Global (Global Positioning System GPS), desempenhando a função de auto localização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, classificamse como aparelhos de radionavegação no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul", (doc. de fl. 01) anexo. O referido Ato Declaratório teve como origem a "Nota n° 244 Coana/Cotac/Dinom", que dispõe, na segunda parte de seu parágrafo n° 2: "Por trinta votos (quorum de 32 votantes) o GPS foi classificado na posição 85.26, como aparelho de radionavegação, considerando que desempenha a única e bem determinada função de autolocalização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, por meio de sinais de rádio emitidos por uma constelação de satélites" (docs. de fls. 02 e 03) anexo. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10111.000427/200446 Acórdão n.º 310201.245 S3C1T2 Fl. 191 7 Pela simples leitura dos instrumentos normativos acima citados, ato declaratório n° 14 e nota número 244, constatase de forma clara e inconteste que o ato declaratório ultrapassou a orientação contida na Nota, possuindo abrangência muito superior à nota que lhe deu origem, senão vejamos: Diz a Nota: "Por trinta vátos, (quorum de 32 votantes) o GPS foi classificado na posição 85.26, como aparelho de radionavegação, considerando que desempenha a única e bem determinada função de auto localização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, por meio de sinais de rádio emitidos por uma constelação de satélites, (grifouse). Diz o Ato: os aparelhos e equipamentos que fazem uso do Sistema de Posicionamento Global (Global Positioning Sustem — GPS), desempenhando a função de autolocalização em coordenadas de altitude, latitude e longitude, classificamse como aparelhos de radionavegação no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul ". (grifouse) A Nota n° 244 Coana/Cotac/Dinom concluiu, expressamente, que o GPS deve ser classificado na posição 85.26. Não trata a nota de aparelhos ou equipamentos que façam uso ou contenham o GPS, mas do GPS em si. Essa é a única conclusão que se pode extrair do claro texto da mencionada Nota. No entanto, o Ato Declaratório Interpretativo combatido, fundamentandose expressamente na Nota n° 244, conferiu a esta interpretação muito mais extensa, incluindo na posição 85.26 também os "aparelhos e equipamentos que fazem uso do GPS" que se trata, evidentemente, de conceito distinto. Ou seja, o ato interpretativo foi além do conteúdo da Nota, ao classificar na posição 8526.91.00 os aparelhos que fazem uso do GPS pára o desempenho genérico da função de autolocalização, quando só poderia fazêlo para os aparelhos que desempenham a função especifica de autolocalização, como faz concluir a expressão "única e bem determinada função de autolocalização", contida na Nota. Está demonstrada e comprovada, pois, uma inconsistência técnica relevante (erro material) entre o Ato Declaratório e a Nota que lhe deu origem, merecedora de imediata correção (retificação do ato), sob pena de elevados prejuízos ao contribuinte importador, como está ocorrendo com a Autotrac. Corrobora a necessidade da correção, o fato da interpretação literal do ato declaratório levar a situações inusitadas e absurdas, inclusive para abranger na classificação os aparelhos e máquinas dotados do GPS para funções acessórias e complementares das funções básicas, tais como veículos e colheitadeiras, telefones celulares (doc. de fl. 57 anexo) e outros aparelhos fabricados com o GPS embutido para fazer uso dessa tecnologia já integrada no cotidiano das atividades empresariais e até pessoais, que nem por isso são classificáveis na posição determinada pelo ato interpretativo. É importante salientar que as gritantes incorreções no Ato Declaratório Interpretativo n° 14, conduziramno a revogação pelo Ato Declaratório Interpretativo n° 22, de 20/08/2004, publicado no DOU de 23/08/2004. A ora Impugnante vem promovendo a importação 'dos MCT's desde o inicio de suas operações na década passada. Durante todo esse período, o desembaraço das importações da Impugnante ocorreu sem nenhuma contestação por parte dos fiscais da alfândega. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10111.000427/200446 Acórdão n.º 310201.245 S3C1T2 Fl. 192 8 Também importante notar que, por diversas vezes, o desembaraço da mercadoria importada se deu através do chamado canal vermelho. Coimo se sabe, nesses casos o produto importado e detidamente examinado pelos fiscais alfandegários. Reforçando seus argumentos, a defesa transcreve às págs. 141 (4is. 4,9 o art. 20 da Instrução Normativa n° 206/02. A título de exemplo, a impugnante, listou às págs. 20 (fls. 49) algumas das DI's da autuada que foram submetidas a essa detida análise (canais amarelo e, em especial, vermelho) e, posteriormente, liberadas sem qualquer restrição por parte da Receita. Desta forma, verificase que a Autoridade Alfandegária vem, reiteradamente, mormente nos casos de canal vermelho, em que obrigatoriamente há a vistoria aduaneira da mercadoria, confirmando como corretas as classificações utilizadas pela Impugnante para a importação dos produtos em questão, tendo o presente auto sido lavrado tão somente em razão de evidente desconhecimento do Sr. Fiscal acerca do produto importado e suas características. Tamanha a incúria do Agente Fiscal, que não atentou para o fato de que, em casos de práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas, como a ora debatida, haveria que se afastar pelo menos as penalidades, os juros de mora e a atualização monetária dos tributos, de acordo com o parágrafo único do artigo 100 do CTN. Esse também é o entendimento do Eg. Conselho de Contribuintes e do C. STJ (ementas transcritas às págs. 21 fls. 50). Do Pedido Em conclusão, nem o Ato Declaratório / Interpretativo SRF n° 014, norma de qualificação hierárquica inferior, já revogado por inconsistência jurídica através do ADI número 22, de 20/08/2004, nem qualquer regra legal que sirva/de parâmetro para a classificação fiscal de mercadorias na NCM, apresentase como apta para dar suporte ao auto de infração ora impugnado, pelo que requer: 1. A declaração de NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO ora impugnado, por s ausência dos requisitos legais e formais para sua subsistência; 2. Se ultrapassada a preliminar, no mérito, seja julgada improcedente a exigência, por falta de amparo na legislação tributaria, já que os documentos anexos (laudo técnico, manual do equipamento, declaração do fabricante, declaração dos auditores da impugnante e a outorga MINICOM/ANATEL expressa na portaria N° 904/93) comprovam a inexistência do fato gerador da diferença do imposto e das contribuições (PIS/COFINS), por ser tratar, na espécie, de equipamento de comunicação e não de radionavegação, como entendeu a autoridade fiscal. 3. Para o caso de serem rejeitados os pedidos anteriores, hipótese aventada pela impugnante em atenção ao principio da eventualidade, fica requerida a exclusão das penalidades, representadas pela atualização monetária, multas e juros, em obediência ao artigo 100, do CTN. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento assim sintetizou sua decisão na ementa correspondente. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2004 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10111.000427/200446 Acórdão n.º 310201.245 S3C1T2 Fl. 193 9 CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA DE MERCADORIAS. MCT. "Máquina móvel para sistema de controle e acesso dos serviços móveis de processamento de texto e posicionamento de veículos, constituído por antena móvel de pro transmissão e recepção de satélite, de sistema de posicionamento GPS, unidade de controle receptor. acionador de veículo com tela de cristal líquido" designado comercialmente como MCT Terminal Móvel de Comunicação e que se 4 caracteriza como hardware transmissor com receptor incorporado, digital, de telecomunicação por satélite, em banda C, o qual é integrante do Sistema OmniSAT e faz uso do sistema GPS, classificase no 411 código NCM 8526.91.00. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Improcede a argüição de nulidade do auto de infração, por cerceamento do direito de defesa, quando o peticionante, na impugnação, demonstra pleno conhecimento da infração apontada pelo fisco. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, o recurso voluntário foi analisado e votado por este colegiado, recebendo a seguinte ementa. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MCT. Máquina móvel para sistema de controle e acesso dos serviços móveis de processamento de texto e posicionamento de veículos, constituído por antena móvel de transmissão e recepção de satélite, de sistema de posicionamento GPS, unidade de controle receptor GPS, acionador de veículo com tela de cristal, designada comercialmente como MCT Terminal Móvel de Comunicação, classificase no código TEC 8525.20.13. Recurso Voluntário Provido. É o relatório. Voto A Douta Procuradoria da Fazenda Nacional considera ter havido omissão no acórdão embargado. A seguir os termos nos quais manifestase a i. Procuradora. Pois bem. Conforme se fará demonstrar, o acórdão embargado padece de omissão, no que concerne às normas complementares estabelecidas no Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, assim como na Nomenclatura Comum do Mercosul e na própria TEC — Tarifa Externa Comum e TIPI — Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados. É de se lembrar que a NCM passou a vigorar no Brasil a partir da edição do Decreto n" 1343/94, e a TIPI a partir do Decreto n° 2092/96. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10111.000427/200446 Acórdão n.º 310201.245 S3C1T2 Fl. 194 10 A leitura do inteiro teor do embargo de declaração apresentado revela tratar se, segundo meu entendimento, de objeção à decisão tomada pelo colegiado e aos fundamentos que lhe deram suporte, restando não identificada a alegada omissão. Isso fica claro do excerto a seguir transcrito, que contém a essência do protesto veiculado pela Douta Procuradoria. Com efeito o cerne da questão diz respeito à classificação fiscal por ele adotada quanto à mercadoria denominada MCT — Terminal de Comunicação Móvel, haja vista que entende a União estar ela em desconformidade com as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, visto que o referido terminal tem a função de, uma vez instalado em veiculo e integrado no sistema OnmiSAT, via satélite, transmitir e recepcionar dados, ou seja, função de telecomunicação, inclusive com a finalidade de localização do veiculo. Assim sendo, acaba por desempenhar, entre outras funções, também a função que se caracteriza como a de radionavegação, razão pela qual a Fiscalização a enquadrou como máquina móvel de telecomunicação ou MCT (Terminal Móvel de Comunicação) por fazer uso do sistema de posicionamento com base em satélites, de modo que a situação de ser parte integrante do sistema OmniSAT, ou não, foi considerada irrelevante para o deslinde da presente questão. Induvidosa a característica principal da referida mercadoria, qual seja a de propiciar a localização do veículo no qual ela é instalada, conforme se depreende das explicações acostadas aos autos, tanto pela impugnante, quanto pela Fiscalização. Asseverase ainda que o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (...) é uma nomenclatura concebida com o objetivo de permitir a elaboração de tarifas aduaneiras, como também de admitir a sua utilização por transportadores, estatísticos com fins de uma maior facilitação do comércio internacional, aperfeiçoando a coleta e a análise de dados estatísticos e buscando uma diminuição de gastos e encargos, através da adoção de um sistema único de designação e de codificação de mercadorias. Com advento do MERCOSUL, restou criada nomenclatura própria, baseada no citado Sistema Harmonizado, e que, no caso específico trazido nos autos, a classificação devese reger pala RGI n° 1, conforme Nota de Seção XVI nos 4 e 5 que nos remete — quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capítulo 84 ou do Capítulo 85, o conjunto se classifica em uma posição correspondente à função que desempenha. Não por outra razão, andou bem a fiscalização ao entender que como o MCT tem a função de transmitir e recepcionar dados, sua função é a de telecomunicação com a finalidade de localização do veículo utilizandose do sistema GPS. Portanto, inconteste que para efeito de classificação fiscal, "a existência do GPS deve ser considerada como função principal, desconsiderandose aspectos comerciais ou financeiros e que a utilização do usuário é irrelevante, levandose em consideração apenas o aspecto técnico." Em assim sendo, como a existência do GPS se faz imprescindível, e é este que localiza e monitora os veículos nos quais são instalados o MCT que processará a comunicação realizada pelos dados obtidos pelo citado GPS, correto o procedimento fiscal, haja vista que norteado pelas regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10111.000427/200446 Acórdão n.º 310201.245 S3C1T2 Fl. 195 11 Nestes termos, resta inequivocamente passível de reforma o v. acórdão administrativo nos pontos aqui guerreados. Data máxima vênia, sequer reconheço o momento ou o ponto no qual o Acórdão terseia omitido. O que percebo são divergências em relação à função do GPS e à forma de considerar aspectos comerciais, técnicos e financeiros e de utilização dos bens importados na classificação do produto. Assim, VOTO POR REJEITAR os Embargos, tendo em vista não ter ocorrido a omissão acusada pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 10 de novembro de 2011. Ricardo Paulo Rosa Fl. 319DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 28/08/2012 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 23/07/2012 por RICARDO PAULO ROSA
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