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Numero do processo: 12571.720192/2017-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Fri Jan 30 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2013
OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE. VALORES RECEBIDOS DO FIES. GRUPO UNIESP.
Verificado o recebimento de valores de FIES não declarados e, mesmo após intimação, não tem a fiscalizada comprovado a alegação de que se trataria de receitas de outros integrantes do grupo econômico; ao contrário, havendo confessado não ter efetuado os repasses financeiros, com incorporação dos valores ao seu patrimônio; bem como ante a inexistência da prova da contabilização, pelas instituições indicadas como as titulares dos recursos, de tais importâncias, há de ser mantida a presunção de omissão de receitas, não ilidida pela fiscalizada, que não se desincumbiu do seu ônus probatório.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2013
CSLL. PIS. COFINS.
Considerando que os lançamentos de CSLL, PIS e COFINS defluem do reconhecimento do acerto da autuação do IRPJ, quando à existência de omissão de receitas da atividade, devem ser integralmente mantidos tais lançamentos, pelas mesmas razões.
Numero da decisão: 1202-002.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos acima identificados.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo e a solicitação de perícia/diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado Digitalmente
LIANA CARINE FERNANDES DE QUEIROZ – Relatora
Assinado Digitalmente
LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mauricio Novaes Ferreira, Andre Luis Ulrich Pinto, Jose Andre Wanderley Dantas de Oliveira, Fellipe Honorio Rodrigues da Costa, Liana Carine Fernandes de Queiroz, Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LIANA CARINE FERNANDES DE QUEIROZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2013 OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE. VALORES RECEBIDOS DO FIES. GRUPO UNIESP. Verificado o recebimento de valores de FIES não declarados e, mesmo após intimação, não tem a fiscalizada comprovado a alegação de que se trataria de receitas de outros integrantes do grupo econômico; ao contrário, havendo confessado não ter efetuado os repasses financeiros, com incorporação dos valores ao seu patrimônio; bem como ante a inexistência da prova da contabilização, pelas instituições indicadas como as titulares dos recursos, de tais importâncias, há de ser mantida a presunção de omissão de receitas, não ilidida pela fiscalizada, que não se desincumbiu do seu ônus probatório. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2013 CSLL. PIS. COFINS. Considerando que os lançamentos de CSLL, PIS e COFINS defluem do reconhecimento do acerto da autuação do IRPJ, quando à existência de omissão de receitas da atividade, devem ser integralmente mantidos tais lançamentos, pelas mesmas razões.
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VALORES RECEBIDOS DO FIES. GRUPO UNIESP. Verificado o recebimento de valores de FIES não declarados e, mesmo após intimação, não tem a fiscalizada comprovado a alegação de que se trataria de receitas de outros integrantes do grupo econômico; ao contrário, havendo confessado não ter efetuado os repasses financeiros, com incorporação dos valores ao seu patrimônio; bem como ante a inexistência da prova da contabilização, pelas instituições indicadas como as titulares dos recursos, de tais importâncias, há de ser mantida a presunção de omissão de receitas, não ilidida pela fiscalizada, que não se desincumbiu do seu ônus probatório. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2013 CSLL. PIS. COFINS. Considerando que os lançamentos de CSLL, PIS e COFINS defluem do reconhecimento do acerto da autuação do IRPJ, quando à existência de omissão de receitas da atividade, devem ser integralmente mantidos tais lançamentos, pelas mesmas razões. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos acima identificados. Fl. 986DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.245 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720192/2017-35 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo e a solicitação de perícia/diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente LIANA CARINE FERNANDES DE QUEIROZ – Relatora Assinado Digitalmente LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mauricio Novaes Ferreira, Andre Luis Ulrich Pinto, Jose Andre Wanderley Dantas de Oliveira, Fellipe Honorio Rodrigues da Costa, Liana Carine Fernandes de Queiroz, Leonardo de Andrade Couto (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto por CESUNE - CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DE NOVA ESPERANCA LTDA em face do Acórdão n. 10-63.226 - 5ª Turma da DRJ/POA, que julgou improcedente a Impugnação, mantendo integralmente os Autos de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 833 a 844), Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 857 a 863), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (fls. 864 a 869) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 845 a 856), ante a omissão de receitas da atividade, apurada a partir das informações sobre o percebimento de recursos do FIES, não declarados nas escriturações fiscais, relativos ao ano-calendário 2013; os lançamentos totalizaram o valor de R$ 10.753.382,01, calculado até 17/11/2017. Consta, do Termo de Verificação Fiscal, que a empresa foi fiscalizada por ser beneficiária de repasses de recursos do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (FIES); que, a partir do cruzamento das informações do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (SIAFI) e das declarações fornecidas pela empresa (DIPJ, DIMOF e DCTF, identificou-se uma série de indícios de omissão de receitas: a) Através do cruzamento das informações do SIAFI com a DIPJ do ano-calendário 2013, verificou-se que, enquanto no SIAFI informava recebimento de recursos dos FIES, pela fiscalizada, no valor de R$ 13.756.411,78, a receita bruta declarada na DIPJ foi de somente R$ 4.857.876,00; Fl. 987DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.245 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720192/2017-35 3 b) a receita bruta informada, para todos os trimestres, foi exatamente a mesma, no valor de R$ 1.214.469,00; c) que, para todos os trimestres, o lucro real apurado foi idêntico, em R$ 327.325,75; d) também, em todos os trimestres, a fiscalizada procedia ao Ajuste do Regime Tributário de Transição – RTT, no valor de R$ 327.325,75, de forma a zerar o resultado tributário; e) não houve declaração de valores a pagar de IRPJ, CSLL, COFINS ou PIS, nas DCTF entregues, relativas ao referido ano (fls. 83 a 109); f) a partir das Declarações de Informações sobre Movimentação Financeira (DIMOF, fls. 114), constatou-se créditos bancários no valor total de R$ 18.993.133,31, relativos ao referido ano-calendário. A empresa foi intimada a apresentar, entre outros documentos, cópias das demonstrações contábeis, demonstrativos analíticos de apuração do IRPJ e CSLL, LALUR, e demonstrativos de recolhimentos (DARF), conforme Termo de Início de Ação Fiscal, de fls. 115- 117. Embora intimada, conforme AR de fl. 118, a fiscalizada não apresentou resposta. Expedido termo de reintimação (fls. 119-122), a fiscalizada apresentou resposta, nas fls. 123-187, juntando parte da documentação requisitada (Balanço Patrimonial de fl. 135, DRE de fl. 136, Balancetes analíticos de fls. 137-180), e postulando pela prorrogação de prazo para a entrega dos demais documentos. Nas fls. 207-699, a fiscalizada juntou diversos documentos, entre os quase, os livros Diário e Razão, LALUR, balanço patrimonial, plano de contas, balancetes mensais, documentos contratuais sociais, documentos pessoais dos sócios, demonstrativos de recebimentos do FIES, relacionando os valores recebidos a cada uma das unidades vinculadas ao Grupo UNIESP (fls. 519), de que é parte. Além disso, apresentou cópia de Termo de Ajustamento de Conduta que teria firmado com o Ministério Público Federal (fls. 498-518), em 16 de abril de 2014, em vista da existência de diversas irregularidades constatadas nos contratos de prestação de serviços educacionais firmados com as instituições do GRUPO UNIESP. Entrega também declaração assinada pelo procurador afirmando que apesar de apurados tributos devidos no AC de 2013, tais valores não foram confessados, nem recolhidos aos cofres públicos. Refere que "a entrega da DIPJ foi efetuada de forma não representar a real situação fiscal da empresa, sendo este feito por fator desconhecido". Ressalta que, apesar disto, a maior parte da receita bruta se refere a outras sete unidades operacionais do Grupo UNIESP, e que devido ao fato de ter ocorrido o recebimento do FIES em nome da CESUNE – valores estes Fl. 988DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.245 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720192/2017-35 4 referentes aos alunos matriculados em outras unidades do grupo –, foi formalizado o referido TAC com o MPF. Ainda, nas fls. 710-770, procedeu à juntada de informações relacionadas ao cumprimento do TAC, cópia de contrato padrão de prestação de serviços educacionais, além de “planilhas FIES de outras unidades GRUPO UNIESP” e “Relatórios Razão de outras unidades GRUPO UNIESP”. Após, a fiscalização intimada a autuada, nos seguintes termos (Temo de Intimação Fiscal de fls. 771-776): Fl. 989DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.245 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720192/2017-35 5 Em resposta, a fiscalizada afirmou que, apesar do informado na planilha de participação das unidades do Grupo UNIESP nos valores de FIES recebidos pela CESUNE, não ter havido o repasse financeiro de quaisquer importância às unidades integrantes do Grupo: Fl. 990DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.245 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720192/2017-35 6 Nas fls. 784-786, consta DRE ajustada pela fiscalização, demonstrativo de apuração do IRPJ e da CSLL, além do demonstrativo do PIS e da COFINS, regime cumulativo. Termo de Verificação Fiscal de fls. 787-832 e Autos de Infração nas fls. 833-869. Os valores lançados restaram da seguinte forma discriminados, incluindo-se multa de ofício, em 75% do valor dos tributos objetos dos lançamentos: Inconformada com os lançamentos, a autuada apresentou Impugnação (fls. 881- 893), arguindo, preliminarmente, a sua ilegitimidade passiva, tendo em vista que, na forma da Cláusula Primeira do TAC firmado com o MPF, o “O Grupo UNIESP/COMPROMISSÁRIO transferirá a mantença de todas as suas instituições de educação superior para uma única mantenedora, já constituída como UNIESP S/A, apresentando ao SEGUNDO COMPROMITENTE todos os Fl. 991DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.245 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720192/2017-35 7 documentos necessários para a efetivação da medida”, e, na forma do § 3º da sobredita Cláusula, “Para todos os fins legais, inclusive trabalhistas e tributários, a UNIESP S/A é a sucessora de todas as mantenedoras informadas nos termos do § 1°”, de modo que os autos haveriam de ter sido lavrados unicamente contra a UNIESP S/A. Quanto ao mérito, que há insuficiência probatória para os lançamentos por suposta omissão de receitas, fundada exclusivamente no suposto recebimento de valores do FIES, apontados pelo sistema SIAFI, devendo-se aplicar, ao caso, o art. 112 do CTN. Pediu, ao final, o cancelamento dos autos de infração lavrados em seu desfavor; subsidiariamente, a realização de perícia e o deferimento de apresentação de documentos suplementares. O acórdão recorrido (fls. 926-943), que julgou improcedentes os pedidos, restou da seguinte forma ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2013 LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. ILEGITIMIDADE PASSIVA. NÃO CABIMENTO. Incabível a alegação de ilegitimidade passiva se constatado que a autuada explorava a atividade econômica, da qual decorreu o recebimento de receitas omitidas. OMISSÃO DE RECEITAS. A comprovação de que a empresa auferiu receitas da atividade e não as submeteu à tributação autoriza o lançamento pela prática de omissão de receitas, exigência que se mantém naqueles casos em que a parte que alega, - no caso, o Fisco -, faz prova sólida do auferimento de tais receitas. PEDIDO DE PERÍCIA. DESCONHECIMENTO. PROVA DOCUMENTAL SUPLEMENTAR. Não se conhece de pedido de perícia se o interessado não indica os quesitos que pretende ver respondidos. Incabível, por inoportuna, a manifestação quanto a pedido de apresentação de documentação suplementar em momento posterior. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS/PASEP E COFINS. Fl. 992DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.245 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720192/2017-35 8 Aplicam-se aos lançamentos da CSLL, do PIS/Pasep e da Cofins os mesmos argumentos esposados para o IRPJ, naquilo em que há similitude dos motivos do lançamento e das razões de impugnação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com o acórdão de impugnação, interpôs Recurso Voluntário (fls. 952- 964), sustentando, em apertada síntese: a) que cumpriu com os requisitos para o deferimento do seu pedido de produção de prova pericial, de modo que o indeferimento da prova caracteriza cerceamento de defesa; b) que o TAC juntado ao processo demonstra o erro na sua sujeição passiva para os lançamentos efetuados; e c) que não restou comprovada a efetiva existência de omissão de receitas, eis que comprovado que os valores recebidos do FIES não eram exclusivamente receita bruta da autuada, mas também de outras instituições integrantes do Grupo UNIESP. Por fim, inovando em sede recursal, afirma que gozava, no ano-calendário 2013, da isenção do PROUNI par o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, de modo que não haveria crédito tributário a ser lançado ante a norma isentiva, na forma do documento comprobatório de fl. 967-978. É o relatório. VOTO Conselheira Liana Carine Fernandes de Queiroz (Relatora): Preenchidos os requisitos de admissibilidade, inclusive quanto à tempestividade, conheço do recurso voluntário. 1 PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA, FUNDADA NO TERMO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA FIRMADO COM O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL Sustenta a recorrente sua ilegitimidade passiva para os lançamentos, eis que, de acordo com Termo de Ajustamento de Conduta firmado com o Ministério Público Federal, seria de responsabilidade da UNIESP S/A as obrigações relacionadas ao FIES de todo o Grupo UNIESP, Fl. 993DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.245 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720192/2017-35 9 como sucessora de todas as suas mantenedoras, inclusive da autuada, para os efeitos “trabalhistas e fiscais”, nos termos de sua Cláusula Primeira, caput e parágrafo terceiro. Certo, contudo, que, apesar da relevância do referido instrumento de acordo, firmado com o Ministério Público, dotado de fé pública e efeito vinculante para as partes, consubstanciando, na forma da lei processual civil, título executivo extrajudicial, não é capaz, por óbvio, de opor-se à lei tributária para afastar a sujeição passiva prevista no CTN. Com efeito, a sujeição passiva tributária, prevista nos arts. 121 e ss. do CTN, não pode ser modificada ou presumida pela convenção particular. Até é possível que, com base no referido acordo, possa a recorrente pleitear algum direito reparatório em face da UNIESP S/A, mas jamais opor-se ao lançamento fiscal por esta razão. Ainda, sequer é o caso de se adjudicar a responsabilidade à UNIESP S/A como sucessora do CESUNE, posto que a sucessão efetivamente não ocorreu, conforme se vê das informações cadastrais do CNPJ da recorrente, destacadas no acórdão de impugnação e abaixo reveladas nos prints: Portanto, a empresa, que continuou ativa, sujeita-se à responsabilização pelo descumprimento de suas obrigações fiscais, sem que haja quaisquer eventos caracterizadores de sucessão, seja fusão, cisão ou incorporação. Ademais, o lançamento em questão ocorreu ante a comprovação de que houve, por parte do CESUNE, o recebimento dos valores relativos ao pagamento de FIES, como uma das Fl. 994DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.245 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720192/2017-35 10 mantenedoras do Grupo UNIESP, e que, conforme declarado pela própria recorrente, não foram repassados financeiramente a nenhuma integrante do GRUPO, embora tais recebimentos não tenham sido declarados em suas escriturações contábeis e fiscais. Desse modo, rejeito a preliminar de ilegitimidade arguida, reconhecendo a sujeição passiva da recorrente para os autos de infração em questão. 2 MÉRITO 2.1 DA (IN)EXISTÊNCIA DE PROVA DA OMISSÃO DE RECEITAS EM QUE FUNDADOS OS LANÇAMENTOS DE IRPJ, CSLL, PIS E COFINS A recorrente sustenta que os lançamentos se baseiam em mera presunção mediante “a utilização de indícios que não convergem entre si, não logrando a fiscalização constituir um conjunto probatório robusto, que pudesse cabalmente comprovar a existência da omissão dos rendimentos.” Alterca que a própria existência do “TAC, por si só é suficiente para por em dúvida a presunção na qual se apóia o Fisco.” Não há como se dar guarida, contudo, à pretensão recursal. Adoto os fundamentos do acórdão recorrido como razões de decidir, bastantes a infirmar o quanto alegado pela recorrente, em reiteração ao quanto afirmado em sede de impugnação; assim procedo a par do permissivo no art. 114, § 12, do RICARF: Os indícios de irregularidade que levaram ao início do procedimento fiscal, observados na comparação das declarações do contribuinte com o sistema SIAFI, sistema de controle da execução financeira do Governo Federal, culminaram com a constatação da omissão de receitas, já que os recebimentos (repasses do FIES) são incontestáveis e em momento algum foram negados pelo contribuinte. Intimado, o contribuinte apresenta a documentação requerida, confessa o não recolhimento dos tributos devidos, mas reconhece apenas parte da receita como tributável. Justifica tal procedimento pelo fato de que a maior parte da receita bruta teria sido recebida pela CESUNE, mas que, em realidade, era referente a alunos matriculados em outras unidades do grupo. O procedimento estaria amparado no TAC realizado com o Ministério Público. Fl. 995DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.245 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720192/2017-35 11 Trabalhando com a hipótese de o repasse ter sido transferido a outras unidades educacionais, a fiscalização intima o contribuinte para esclarecer de que forma era feito esta transferência. Neste momento, a fiscalizada reconhece o percentual de apenas 12,44% de rendimentos tributáveis e apresenta resumo (fls. 519) com a participação respectiva a cada unidades. Conclui a fiscalização, após análise contábil, que os recursos, após lançamentos atípicos, em verdade, permanecem no ativo da empresa fiscalizada, sendo que apenas parte passa pelo resultado. Para melhor compreensão dos lançamentos, nas contas de ativo e de resultado envolvidas, apresentamos exemplificativamente abaixo os lançamentos no Razão da operação do mês janeiro, que se repetem em todos os demais meses, com algumas variações, e o lançamento derradeiro de final de ano. Os lançamentos estão numerados conforme descritos no relatório desta decisão: Fl. 996DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.245 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720192/2017-35 12 A operação, como se vê, tem como finalidade levar para o resultado apenas uma pequena parte da receita no decorrer do ano (R$ 66.957,86, em janeiro). A operação se repete nos demais meses do ano calendário, com algumas pequenas variações, e foram demonstradas pela fiscalização às fls. 811 a 821. Ao final do ano a empresa elimina o saldo credor da conta "duplicatas a receber", contabilizando a débito o valor acumulado no exercício, e tendo como contrapartida um crédito de igual valor na conta de ativo "Soc Adm Gest Patr", encerrando assim o ciclo e os saldos das contas utilizadas, sem a alegada transferência dos repasses do FIES a terceiros. A partir desta conclusão a fiscalização intima a empresa a comprovar documentalmente os repasses, a despeito de contabilmente não conseguir localizá-los. Então, em derradeira manifestação, a empresa, constituindo já o terceiro procurador, declara que "diante do informado anteriormente (planilha FIES Resumo Geral de Participação das Unidades), a mesma seria apenas para controle interno, não houve o efetivo repasse desses valores às filiais descritas na mesma, não havendo assim, documentos para serem enviados. Finalizando, esperamos ter contribuído para os esclarecimentos que esse caso necessita, colocamo- nos à disposição desta Justiça para outras informações”. Ao se analisar a cronologia dos fatos não se pode afirmar que o conjunto de indícios inicialmente apurados não se tornam congruentes na medida em que desenvolve a fiscalização. Partiu o Fisco de informações declaradas, para após mergulhar na contabilidade da empresa e concluir pela permanência dos valores no patrimônio da empresa. Ainda que contabilizados de forma não usual e atípica, foi dado oportunidade ao contribuinte de demonstrar, a partir de documentação idônea, que o efetivo acréscimo patrimonial ocorreu em outras unidades do grupo, aproximando assim a tese inicial dos fatos. Porém o contribuinte não só não logrou comprovar com base em sua contabilidade, como confessou que a transferência nunca existiu, o que confirma que a receita permaneceu no Fl. 997DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.245 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720192/2017-35 13 patrimônio da CESUNE e não foi levada ao resultado, sendo, portanto, omitida. Os lançamentos na contabilidade entre contas do Ativo, utilizadas em lançamentos atípicos para não levar ao resultado os repasses do FIES, combinado com um lançamento único no fim do ano calendário, que faz desaparecer os saldos acumulados nestas contas, consubstancia a omissão de receitas. Acrescente-se que a recorrente não produziu prova em contrário, para elidir a omissão de receitas afirmada pela autoridade fiscal, apesar das inúmeras oportunidades de resposta às intimações fiscais. Limita-se a afirmar a insuficiência das provas colhidas pela fiscalização para a comprovação da omissão de receitas; contudo, diante da comprovação do recebimento financeiro dos valores destinados pelo FIES, cumpria à fiscalizada comprovar a parcela desses valores que pertencia a cada uma das integrantes do grupo, demonstrando ter efetuado a sua transferência, para regular contabilização na entidade titular das receitas; ao contrário, há nos autos a sua confissão de que tais valores permaneceram em seu patrimônio, não sendo efetivadas as transferências financeiras às outras entidades do grupo. Vale ressaltar que, em se tratando de empresas do mesmo grupo econômico, a comprovação das transferências e contabilização, em cada uma das envolvidas, de sua parcela de receitas, seria prova necessária e de fácil obtenção; ao não se desincumbir de tal ônus, aliado ao contexto contábil revelado e, ainda, por tudo quanto foi desvelado, nos diversos procedimentos fiscalizatórios, do período, relacionado ao Grupo UNIESP, estar-se diante de conjunto robusto e convergente para a conclusão sobre a omissão de receitas, objeto das autuações. Rejeita-se, por esses fundamentos, a alegação atinente à inexistência de provas suficientes a confirmar a omissão de receitas. 4 PEDIDO DE PRODUÇÃO PROBATÓRIA - REALIZAÇÃO DE PERÍCIA TÉCNICA Quanto ao pedido de produção de prova técnica pericial, apesar de o acórdão da DRJ ter se equivocado ao considerar não apresentados os quesitos e, portanto, não formulado o pleito, nos termos do art. 16, § 1º do PAF, eis que a quesitação em referência constou no anexo da impugnação, especificamente na fl. 904, sorte diversa do indeferimento não lhe socorrerá, embora se deva negar a pretensão, dessarte por outro fundamento: a desnecessidade da prova postulada. Fl. 998DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.245 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720192/2017-35 14 Com efeito, cumpre ao julgador indeferir as diligências ou perícias desnecessárias, na forma do art. 18 do Decreto n. 70.235/72. No caso, da simples leitura dos quesitos formulados, se dessume a desimportância da prova postulada, dado que as respostas aos quesitos, por tudo quanto já esposado, não teriam qualquer implicação nas conclusões deste julgamento. Abaixo, print dos questionamentos propostos pela ora recorrente, que pede sejam submetidos à prova pericial: A primeira das questões é de ordem jurídica, referente à própria interpretação da norma de sujeição passiva tributária, não sendo fato a ser submetido a tratamento pericial; a segunda, igualmente, não é fato a ser submetido à perícia, eis que sequer coligidos pela autuada os documentos comprobatórios de ditas transferências, a serem periciados; ao contrário, consta confissão, nos autos, da própria autuada, por seu representante legal, de que tais valores não foram objeto de repasses para as outras entidades de ensino. Portanto, a postulação é meramente protelatória e descabida, incapaz de infirmar os autos de infração objeto de exame. 5 PRETENDIDO CANCELAMENTO DA AUTUAÇÃO, ANTE A ISENÇÃO DO PROUNI Em sede recursal, inova a recorrente em seus fundamentos de defesa, arguindo que os lançamentos dos tributos federais não poderiam ter sido realizados, eis que fora reconhecida, em seu favor, para os dois semestres letivos do ano-calendário 2013, a isenção do PROUNI, juntando documento comprobatório nas fls. 967-978. A esse respeito, apesar de entender esta Relatora pela possibilidade de exame da matéria, embora inaugurada nesta instância – suplantando um possível óbice atinente à ausência de invocação da matéria defensiva na origem –, uma vez que se trata de circunstância que implicaria o bloqueio da incidência normativa, sobre as materialidades abrangidas pela isenção, e que, portanto, devem ser consideradas, em qualquer grau de jurisdição, pela autoridade Fl. 999DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.245 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720192/2017-35 15 julgadora, a consideração do pleito não implica na sorte de revisão e/ou cancelamento dos lançamentos. O documento comprobatório de adesão ao PROUNI diz respeito a bolsas estudantis vinculadas à Faculdade FANP, que sequer consta entre as indicadas pela própria autuada como destinatária dos recursos FIES que foram considerados como receitas omitidas pela fiscalização, vejamos: Ainda, o documento foi coligido de modo completamente dissociado de qualquer outra comprovação, atinente às receitas que estariam vinculadas ao Programa e, portanto, sobre as quais não poderia haver a tributação pelo IRPJ, CSLL, PIS ou COFINS. Há de se rejeitar, portanto, também nessa parte, o pleito recursal. 6 QUANTO AOS LANÇAMENTOS DE CSLL, PIS E COFINS Considerando que os lançamentos de CSLL, PIS e COFINS defluem do reconhecimento do acerto da autuação do IRPJ, quando à existência de omissão de receitas da atividade, devem ser integralmente mantidos tais lançamentos, pelas mesmas razões acima esposadas. Ademais, à mingua de outras razões existentes no recurso, que digam respeito especificamente aos lançamentos dos referidos tributos, devem ser mantidos, nos termos dos autos respectivos. 7 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto pelo conhecimento do recurso voluntário, rejeição das preliminares de ilegitimidade passiva e cerceamento de defesa e, no mérito, pelo desprovimento do recurso, mantendo integralmente os autos de infração em debate. É como voto. Fl. 1000DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.245 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720192/2017-35 16 Assinado Digitalmente LIANA CARINE FERNANDES DE QUEIROZ Fl. 1001DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 10320.720165/2010-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
COFINS. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei n.º 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade ou relevância, devendo ser considerada a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para a atividade econômica realizada pelo Contribuinte. Referido conceito foi consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos autos do REsp n.º 1.221.170, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. A NOTA SEI PGFN MF 63/18, por sua vez, ao interpretar a posição externada pelo STJ, elucidou o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não- cumulativas, no sentido de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO SUJEITO PASSIVO.
Nos pedidos de compensação ou ressarcimento o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento.
Numero da decisão: 3201-012.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
Flávia Sales Campos Vale – Relatora
Assinado Digitalmente
Hélcio Lafetá Reis – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco, Helcio Lafetá Reis (Presidente).
Nome do relator: FLAVIA SALES CAMPOS VALE
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CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei n.º 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade ou relevância, devendo ser considerada a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para a atividade econômica realizada pelo Contribuinte. Referido conceito foi consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos autos do REsp n.º 1.221.170, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. A NOTA SEI PGFN MF 63/18, por sua vez, ao interpretar a posição externada pelo STJ, elucidou o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não- cumulativas, no sentido de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO SUJEITO PASSIVO. Nos pedidos de compensação ou ressarcimento o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 368DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.711 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720165/2010-12 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Flávia Sales Campos Vale – Relatora Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco, Helcio Lafetá Reis (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente e reconheceu em parte o direito creditório. Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: Trata-se de Manifestação de Inconformidade interposta contra Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o crédito de ressarcimento formulado no PER nº 08556.94646.111208.1.1.08-9193, relativo a crédito da contribuição do PIS/Pasep Não-Cumulativo, oriundo da aquisição de bens e serviços utilizados na fabricação de bens exportados para o mercado externo, referente ao 3º trimestre de 2007 (art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002). Do crédito pleiteado de R$ 151.391,44, foi reconhecido o valor de R$ 8.600,34. Por conseguinte, foram homologadas parcialmente as compensações declaradas. 2. Conforme Relatório Fiscal (fls 126/128), no qual se baseou o Despacho Decisório (fls 143/150), o reconhecimento parcial do crédito se deu em virtude de vários fatores, compreendendo cômputo de outras receitas registradas na escrituração contábil (livro razão) e fiscal (livros registro de entradas, saídas, apuração de IPI, inventário, entre outros) não informadas pelo contribuinte no Dacon, bem como glosa de créditos informados no Dacon, mas não respaldados na contabilidade, incidentes sobre gastos ou despesas: Fl. 369DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.711 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720165/2010-12 3 3. Cientificado do decisório em 07.03.2012 (fl 151), o contribuinte manifestou inconformidade em 09.04.2012 (fls 153/171), instruída com cópia do balancete de verificação(fls 172/188), na qual solicita o reconhecimento integral do direito creditório. Para tanto, aduz preliminar de nulidade do despacho, por não haver identificado as outras receitas acrescentadas à base de cálculo da contribuição, prejudicando, dessa forma, o seu direito de defesa. No mérito, sustenta, em síntese, a legalidade dos créditos demonstrados no Dacon e no PER, na forma do quadro: Fl. 370DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.711 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720165/2010-12 4 4. Por fim, o manifestante protesta pela juntada posterior de novos documentos e requer a realização de perícia, indicando o seu assistente técnico e formulando os quesitos a serem respondidos. A decisão recorrida reconheceu em parte o direito creditório e conforme ementa do Acórdão nº 08-31.233 apresenta o seguinte resultado: Acórdão 08-31.233 - 4ª Turma da DRJ/FOR Sessão de 7 de outubro de 2014 Processo 10320.720165/2010-12 Interessado COSIMA - SIDERÚRGICA DO MARANHÃO LTDA CNPJ/CPF 10.431.245/0001-27 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PEDIDO DE PERÍCIA. CARÁTER TÉCNICO DA PROVA. A perícia é meio de prova destinado a exames que requeiram conhecimento técnico específico. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. A partir de dezembro de 2002, a base de cálculo da contribuição é o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. RECEITA FINANCEIRA. ALÍQUOTA ZERO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir de agosto de 2004, estão sujeitas à alíquota zero as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas submetidas ao regime nãocumulativo. Fl. 371DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.711 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720165/2010-12 5 As receitas submetidas à alíquota zero não integram a base de cálculo da contribuição. FALTA DE PROVA. UTILIZAÇÃO COMO INSUMO. Incumbe ao manifestante comprovar que determinado bem ou serviço, sobre o qual pleiteia creditamento, foi utilizado como insumo na fabricação de produtos destinados à venda. RESSARCIMENTO. INSUMO CORPÓREO. Para configurar insumos para os fins de creditamento na forma do disposto no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, utilizados na fabricação de bens destinados à venda, devem sofrer alterações, tais como o desgaste, o dano, ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, e, ainda, não podem representar acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. RESSARCIMENTO. SERVIÇO. INSUMO. Na apuração do PIS/Pasep e da Cofins, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre gastos incorridos com serviços utilizados como insumo, desde que pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. RESSARCIMENTO. COMBUSTÍVEIS. O gasto com combustíveis utilizados como insumos na fabricação de produtos gera crédito na apuração da Cofins e do PIS/Pasep Não-Cumulativos, ainda que submetidos à tributação monofásica com base em alíquota diferenciada, sendo os créditos calculados, todavia, com base nas alíquotas padrões. FRETE NA COMPRA DE INSUMOS. Não há previsão legal para apurar créditos de frete nas operações de compra. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Foi interposto de forma tempestiva Recurso Voluntário reproduzindo em síntese os mesmos os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. Requer: (a) o afastamento da declaração de preclusão do direito à apresentação de documentos probatórios; Fl. 372DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.711 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720165/2010-12 6 (b) o afastamento do critério físico na apuração do PIS e da COFINS não cumulativos, com a utilização dos conceitos de custos necessários à obtenção de receita, conforme legislação do Imposto de Renda; (c) a autorização para a apropriação de créditos sobre a aquisição de carvão de pessoas físicas, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004; (d) a autorização para apropriação de créditos decorrentes da aquisição de insumos, ainda que não escriturados corretamente em DACON (erro material), bem como pela negativa imposta de comprovação da sua essencialidade; (e) a autorização para apropriação de créditos em decorrência da aquisição de energia elétrica, consumida no processo produtivo, devendo ser afastadas eventuais inconsistências verificadas em DACON; (f) a legitimidade da apropriação de créditos sobre aquisição de fretes, seja nas operações de venda, seja nas aquisições; (g) autorização para a apropriação de créditos diversos decorrentes da aquisição de insumos (bens ou serviços) essenciais ao seu processo produtivo; (h) requer a conversão do feito em diligência para a realização de perícia contábil para a verificação dos alegados erros de declaração e, também, da essencialidade dos insumos adquiridos; (i) por fim, requer seja determinada a aplicação da correção monetária sobre o crédito tributário a ser ressarcido. Vieram os autos para julgamento desta Turma, que em outra composição, por meio de Resolução decidiu pela conversão do feito em diligência para que a Autoridade Lançadora intime a Recorrente para, no prazo de 60 (sessenta) dias, prorrogável por mais 30 (trinta) dias: (i) apresentar, de forma detalhada, quais os erros de declaração existentes em suas DACONs, indicando, com o devido lastro probatório, os corretos valores a serem observado, podendo a Autoridade lançadora solicitar especificamente os documentos que entenda necessários para tal comprovação; (ii)apresentar laudo descritivo da sua atividade operacional, indicando, para cada um dos itens (insumos) objeto de glosa, sua aplicação e essencialidade ao seu processo produtivo. Após, deverá a Autoridade Lançadora se manifestar acerca das informações e documentos apresentados pela Contribuinte, notadamente no que se refere aos alegados erros de preenchimento das DACONs e respectivos documentos probatórios, apresentando relatório conclusivo. Concluído, abra se novo prazo de (30) trinta dias para que a Recorrente se manifeste acerca do Relatório Fiscal. Em resposta a diligência a Autoridade lançadora emitiu Relatório de Diligência: Fl. 373DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.711 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720165/2010-12 7 II – HISTÓRICO 1. O “Termo de Ciência e Intimação Fiscal” (TDPF 0320100-2019-00125), de 02.09.2019 (Doc.01), formalizando a solicitação do estipulado nas Resoluções do CARF, não foi recebido pela Diligenciada (Doc.02). Como se infere dos referidos Documentos Anexos, a ciência intentada o foi por via postal, ao Domicílio Tributário de Eleição consignado no respectivo CNPJ. É que a Diligenciada, em 14.02.2019, solicitou o cancelamento do “Termo de Opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico”, ao qual havia aderido em 22.10.2014 (Doc.03). 2. Em 02.10.2019, a Diligenciada seguia sem Domicílio Tributário Eletrônico [DTE] (Doc.04). 3. Alternativamente, em momentos variados, foram feitas tentativas de contato aos telefones (98) 3067-8200, (98) 3678-2001, (81) 3421-3535, (98) 3678-2011, entre outros, todos atribuídos à Diligenciada, à vista de consultas a sítios de cadastros empresarias na internet. Do mesmo modo se deu quanto às Procuradoras da Diligenciada que, no passado, compareciam à DRF de São Luís- MA para tratar dos assuntos de sua Outorgante, as Senhoras Ivanilza Gomes Lins e Flaviane Amorim (Doc.05). O canal de internet mantido por “Queiroz Galvão”, grupo empresarial da Diligenciada, também foi instado (Doc.06). Em todos os casos, e noutros, cujos registros ainda não foram localizados ou não mais existem, não houve sucesso. 4. Mantendo-se (03.02.2020) a Diligenciada sem DTE (Doc.07), o “Termo de Ciência e Intimação Fiscal” (de 06.02.2020), análogo ao seu precedente (02.09.2019), também foi devolvido, por inacolhimento, na esteira de sua postagem ao Domicílio Tributário de Eleição da Fiscalizada (Doc.08). 5. Em 26.08.2020, a Diligenciada permanecia sem readesão ao DTE (Doc.09). 6. Após quase 2,5 anos, em 30.03.2023 (Doc.10), a Diligenciada continuava sem DTE, e, postado, com Aviso de Recebimento ao seu Domicílio Tributário de Eleição, outro “Termo de Ciência e Intimação Fiscal” (30.03.2023) (Doc.11) retornou não recebido (Doc.12). 7. Em 16.11.2023, chegou ao Signatário mensagem de correio eletrônico da Ouvidoria da 3ª Região Fiscal (circunscrição competente para tratar dos Processos em causa). Em seu teor está a transcrição do que manifestou, em nome de COSIMA - SIDERÚRGICA DO MARANHÃO, CNPJ 10.431.245/0004-70, a Senhora Taciana Stanislau Afonso Bradley Alves, CPF 865.883.114-00, como segue (Doc.13): “Prezados Senhores, bom dia, a empresa COSIMA - SIDERURGICA DO MARANHAO LTDA. (CNPJ 10.431.245/0004-70) possui um conjunto de 36 processos conexos que discutem Per/Dcomps de créditos de PIS e COFINS apurados pelo regime não cumulativo nos anos calendário de 2003 a 2008. O CARF, em 25/09/2018, ao julgar esse conjunto de 36 processos, baixou todos em diligência, ocorre que, passados 5 (cinco) anos, os processos estão parados sem Fl. 374DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.711 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720165/2010-12 8 que as Resoluções tenham sido cumpridas, sequer a intimação da empresa para juntar documentos foi realizada. Em que pese ter que obedecer a ordem cronológica dos processos, 5 (cinco) anos para cumprir uma diligência não é um prazo razoável, Dessa forma, requer seja dado prosseguimento a esses feitos, pois estão parados há mais de 5 (cinco) anos aguardando o cumprimento de diligência determinada pelo CARF. A lista dos processos segue em anexo.” Em atenção ao asseverado na retro Manifestação, pouco tempo depois, foram prestadas as seguintes informações: “O Domicílio Tributário de Eleição do Contribuinte, reiteradamente instado por via postal, resultou em todas as vezes improfícuo. Com efeito, em todas as ocasiões, a correspondência postada, contendo a íntegra da Resolução e Termo de Informação correlato, retornou sem ter sido procurada pelo Contribuinte. O Contribuinte não é optante do Domicílio Tributário Eletrônico. Os elementos da escrituração do Contribuinte são essencialmente necessários aos exames definidos pela Resolução, não sendo exequíveis de outra forma. As tentativas de contato telefônico com o Contribuinte (em seu domicílio tributário de eleição e Escritório no Recife-PE) foram sem êxito (ligações não atendidas). Igualmente, com resultado equivalente, buscou-se contato telefônico com Procuradores que, no passado, acompanhavam as ações fiscais do Contribuinte (Senhoras Ivanilza e Flaviane).” 8. A consulta ao CNPJ da Diligenciada, em 16.11.2023 (Doc.14), data da Manifestação à Ouvidoria tratada acima, não mostra solução de continuidade na ausência de DTE. 9. Face à Manifestação à Ouvidoria, a Diligenciada assenhorou-se da ineficácia do seu Domicílio Tributário de Eleição e da impossibilidade de contorná-la com o DTE, do qual está desligada. Não obstante, após 16.11.2023 (quando se expediu a Resposta àquela Manifestação), não se modificou o status do DTE da Diligenciada, tampouco, tornou-se efetivo seu Domicílio Tributário de Eleição. De fato, a consulta ao CNPJ, em 05.12.2023 (Doc.15) mostra que segue mantida a falta de DTE. Por outro lado, antes do envio doutro “Termo de Ciência Fiscal” (23.02.2024), a verificação de DTE (Doc.16) também não mostrou alteração. E, postado, tal Termo voltou sem acolhimento do Domicílio Tributário de Eleição da Fiscalizada (Doc.17). 10. Nesta data, 30.08.2024, mais de seis meses após a anterior consulta ao CNPJ da Diligenciada, esta segue sem DTE (Doc.18). Quase um lustro desde a expedição (02.09.2019) do primeiro “Termo de Ciência e Intimação Fiscal”, subsiste ineficaz o Domicílio Tributário de Eleição da Diligenciada e ausente o seu DTE. Fl. 375DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.711 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720165/2010-12 9 11. O atendimento ao demandado no Acórdão sobredito imprescinde do pronunciamento satisfatório e bastante da Diligenciada e, bem assim, da apreciação de seus itens escriturais (Diário/Razão, Registro de Apuração do IPI, Registro de Entradas e Registro de Saídas, se outros não se derem por necessários, conforme o caso concreto). Na matéria, eis que o período de apuração incidente é muito anterior ao Sistema Público de Escrituração Digital. III – CONCLUSÃO E ENCAMINHAMENTO Do quanto expendido, evidenciando-se a impossibilidade de concluir as medidas dispostas no precitado Acórdão, à sua emanante Repartição, se encaminha este Processo. Por meio de Edital Eletrônico foi a Recorrente intimada a tomar ciência do Relatório de Diligência Fiscal. A ciência do Relatório de Diligência Fiscal foi dada pelo decurso de prazo de 15 dias a contar da publicação do edital no sítio da RFB na internet. Devidamente intimada por meio do Edital Eletrônico a Recorrente não se manifestou. Posteriormente, retornaram os autos para julgamento desta Turma. É o relatório. VOTO Conselheira Flávia Sales Campos Vale, Relatora. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Conforme relatado, trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente e reconheceu em parte o direito creditório. 1. Da conversão do julgamento em diligência No caso em exame, verifica-se que, em observância ao princípio da verdade material e como requerido pela Recorrente, este Colegiado, em outra composição, determinou a conversão do julgamento em diligência com o objetivo de oportunizá-la apresentação de documentação complementar que pudesse comprovar a efetiva existência, a liquidez e a certeza dos valores pleiteados a título de crédito. Regularmente intimada, contudo, a Recorrente quedou-se inerte, não apresentando qualquer manifestação nos autos, tampouco os elementos probatórios requisitados, Fl. 376DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.711 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720165/2010-12 10 o que dificulta e até inviabiliza a verificação da origem e da legitimidade dos créditos objeto das compensações realizadas. Ressalte-se que, nos termos do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil, e em conformidade com o art. 170 do Código Tributário Nacional, o ônus da prova quanto à existência do crédito tributário apto a ensejar compensação recai sobre o contribuinte. No mesmo sentido, a jurisprudência consolidada deste Conselho e dos Tribunais Superiores é firme ao reconhecer que a homologação de créditos e compensações demanda prova robusta e inequívoca da liquidez e certeza do crédito alegado, não sendo possível presumir sua existência ou validade. 2. Da base legal e definição de insumo para fins de creditamento das contribuições Em relação a possível reversão das glosas mantidas pela DRJ e contestadas pela Recorrente necessário se faz analisar a legislação relativa apuração e desconto desses créditos. Pois bem, estabelecem respectivamente a Lei nº 10.833/2003 e Lei nº 10.637/2002: Lei nº 10.833/2003 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos)b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V - valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 377DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.711 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720165/2010-12 11 VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII - edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII - bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. XI - bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito)I - dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II - dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência)IV - dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2º Não dará direito a crédito o valor: I - de mão de obra paga a pessoa física; II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição; e (Redação dada pela Lei nº 14.592, de 2023)§ 3º O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: I - aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II - aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III - aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Lei nº 10.637/2002 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 378DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.711 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720165/2010-12 12 I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos)b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V - valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII - edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII - bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. XI - bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito)I - dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II - dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de Fl. 379DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.711 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720165/2010-12 13 2014) (Vigência)IV - dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2º Não dará direito a crédito o valor: I - de mão de obra paga a pessoa física; II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição; e (Redação dada pela Lei nº 14.592, de 2023)§ 3º O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: I - aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II - aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III - aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (destaques não constam do original) Também deve ser observado o Parecer Normativo COSIT nº 5, de 17 de dezembro de 2018, a saber: “Assunto. Apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; Fl. 380DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.711 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720165/2010-12 14 a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II.” Em suma, depreende-se da leitura do Parecer Normativo Cosit 05-2018 dever o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. 3. Glosas mantidas pela DRJ Dito isto, nos termos da legislação e do Parecer Normativo Cosit 05-2018 supracitados, e considerando exercer a Recorrente atividades de industrialização, importação, comercialização e exportação de produtos siderúrgicos em geral, notadamente ferro-gusa, bem como florestamento, reflorestamento e transporte de produtos perigosos, passo a analisar as glosas mantidas pela DRJ. 3.1 Dos serviços prestados por pessoa jurídica Acerca das glosas relativas aos serviços prestados por pessoa jurídica, a DRJ as manteve pelos seguintes fundamentos: 39. A primeira glosa tem por objeto despesas incorridas com serviços prestados por pessoa jurídica, declaradas pelo contribuinte no Dacon como utilizados como insumo, mas não verificadas na sua escrituração (fls 69/74) (art. 3º, caput, II, da Lei nº 10.637, de 2002). 40. De outra parte, o manifestante alude que os serviços geradores do crédito glosado foram aplicados ou consumidos como insumo, fazendo menção a uma planilha discriminatória dos serviços tomados e ao balancete de verificação, que estariam em consonância com o Dacon. 41. A fiscalização constatou, no livro razão e no registro de entrada, ausência de aquisição de serviços prestados por terceiro, consoante planilhas demonstrativas. Nesse ponto, o requerente limita-se a afirmar a conformidade entre o Dacon e o livro razão e o balancete de verificação, sem, no entanto, evidenciar especificadamente o ponto de sua discordância. Ademais, verificam-se várias inconsistências entre os registros escriturais e entre estes e o que se alega, a ponto de não se poder afastar a glosa. Fl. 381DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.711 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720165/2010-12 15 Em defesa a Recorrente sustenta: Segundo o despacho decisório, as despesas com serviços prestados por pessoa jurídica, declaradas no DACON como utilizadas como insumo, não foram verificadas em sua escrituração contábil. Justifica a glosa sob o argumento de que não haveria registro de despesas com servicos no Livro Razão e no Livro de Registro de Entrada da Recorrente, existindo no DACON,contas pretensamente integrantes da despesa que não constariam do balancete de verificacão. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente demonstrou através da planilha discriminatória dos serviços tomados, que as informações contidas no Livro Razão e no Balancete de Verificação estavam em perfeita consonância com o DACON. Restou devidamente demonstrado que as inconsistências apontadas na decisão recorrida não passam de mero erro material, insuscetível de justificar a manutenção das glosas, posto que, em consonância com o princípio da verdade material, pode ser facilmente constatada a realização das despesas justificadoras do crédito pleiteado,diante dos documentos apresentados. Os eventuais erros e omissões no preenchimento do DACON ou dos documentos de escrituração contábil, são, portanto, insuscetíveis de justificar a manutencão das referidas glosas. Ressalte-se, ainda, para agravar a situação, que a decisão recorrida incorreu na nulidade de indeferir o protesto por produção de novas provas e de realização de perícia,cuja flagrante necessidade é incontestável. Inobstante, a decisão atacada ainda pretende justificar a manutenção da glosa sob o pretexto de que "[...] o contribuinte não procurou demonstrar que os servicos tomados se inserem no conceito funcional de insumo”. Ora, o que se verifica é a imperativa necessidade de se reiterar o pedido de decretacão de nulidade do vergastado acórdão, posto que proferido com nítida pretericão do direito de defesa da Recorrente, contrariando o principal escopo do processo administrativo fiscal, qual seja, a busca da verdade real. Por outro lado, é de conhecimento notório que o procedimento de auditoria érealizado mediante a confrontação, por amostragem, entre as informações registradas na contabilidade e no DACON, com aquelas contidas nos arquivos de memória de cálculo e nas notas fiscais de entradas, fornecidos pela empresa. Ocorre que, para fins de caracterização de um servico como insumo e o consequente creditamento, à luz da jurisprudência do CARF, faz-se necessário ultrapassar a formalidade dos documentos apresentados e adentrar-se ao efetivo conhecimento do processo produtivo da empresa, posto que, conforme aduzido,é a realidade fática que vai demonstrar a sua necessidade e essencialidade. Fl. 382DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.711 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720165/2010-12 16 É justamente em observância ao princípio da verdade material que à autoridade fiscal é conferida a faculdade de solicitar informações e provas acerca do crédito pleiteado, na hipótese de verificar qualquer insuficiência ou inconsistência nos elementos oferecidos pelo contribuinte. Na verdade, a autoridade fiscal deveria ser a primeira interessada em verificar o que de fato estaria relacionado com a produção da empresa,o que, infelizmente, não acontece, sendo indevidamente negado aos contribuintes o creditamento a que fazem jus. De fato, caso se dispusesse a verificar in loco o estabelecimento empresarial da Recorrente, ou, ainda, deferido o pleito de perícia, teria a Autoridade facilmente verificado a essencialidade dos bens e servicos declarados como insumos no processo produtivo da contribuinte. Assim é que, à luz do entendimento jurisprudencial do CARF acerca da definicão do conceito de insumo, tem-se evidente a necessidade e essencialidade dos serviços objeto da glosa, restando imperativa a reforma da decisão Nesse sentido, como já dito linhas acima, em observância a jurisprudência do STJ, deve o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Nesse sentido e na busca pela verdade material, como requerido pela Recorrente, este Colegiado, em outra composição, determinou a conversão do julgamento em diligência com o objetivo de oportunizá-la apresentação de documentação complementar que pudesse comprovar a efetiva existência, a liquidez e a certeza dos valores pleiteados a título de crédito. Regularmente intimada, contudo, a Recorrente quedou-se inerte, não apresentando qualquer manifestação nos autos, tampouco os elementos probatórios requisitados, inviabilizando a verificação da origem e da legitimidade dos créditos em análise. Sendo assim, como ônus da prova é da Recorrente, nenhuma modificação a ser feita na decisão de primeira instancia sobre esta matéria. 3.2 Despesas com armazenagem e frete A Recorrente alega: Novamente, em relação às despesas com armazenagem e frete, o reconhecimento do crédito encontra óbice apenas no excesso de formalismo adotado na decisão recorrida, em nítido confronto com os princípios regentes do processo administrativo fiscal. Fl. 383DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.711 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720165/2010-12 17 De fato, enquanto a fiscalização considerou as despesas registradas nas contas 3.1.3.01.09.00014 (frete) e 3.1.3.01.09.00028 (frete na venda), integrantes do grupo de contas “outras despesas comerciais”, não verificando em relação a estas o lançamento de despesa correspondente, reporta-se a Recorrente, para fins de reconhecimento do seu crédito, também às despesas lançadas nas contas 3.1.3.01.09.00015 (embarque) e 3.1.3.02.09.00028 (frete na venda), entendendo a decisão recorrida que esta última pertence ao grupo “outras despesas administrativas", pelo que afasta automaticamente a possibilidade de tal gasto estar relacionado a frete na operação de venda. Ora, a realidade dos fatos, juntamente com os documentos colacionados, comprova tratar-se efetivamente de frete na operação de venda, cujo creditamento está sendo rechaçado em virtude de um singelo erro cometido no momento do lançamento contábil, tendo-se por demais demonstrada a contrariedade ao princípio da verdade material. Ainda, que as despesas contidas na conta 3.1.3.01.09.00015 correspondem a despesas com frete na operação de compra dos insumos utilizados na fabricação de produtos vendidos, e, por não se enquadrarem na restrita hipótese de creditamento prevista no art. 3°, caput, inciso IX,, c/c art. 15, caput, II, da Lei 10.833/2003, não gerariam o direito ao crédito pleiteado, ora por não serem suportados pela Recorrente, ora por não constituírem despesas de frete na operação de venda. Ocorre que, conforme se depreende dos documentos entregues à fiscalização, as despesas com frete, que geraram direito ao crédito, dizem, sim, respeito à operação de vendas, com ônus suportado pelo vendedor, enquadrando-se, por conseguinte, no art.3°, inciso IX, da Lei n° 10.833/2003, que prevê expressamente o benefício, nos seguintes termos: 3° Do valor apurado na forma do art.2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX-armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda,nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Entretanto, mesmo que se cuidasse de frete na operação de compra, o que se admite para argumentar, ainda assim faria jusa Recorrente ao respectivo crédito, tendo em vista a essencialidade de tais despesas em sua atividade produtiva, integrando o valor dos custos de produção. De fato, as despesas com frete nas operações de venda, o frete na aquisição de insumos e os custos com armazenagem podem, em tese, gerar direito ao crédito das contribuições Fl. 384DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.711 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720165/2010-12 18 ao PIS e à COFINS, desde que devidamente comprovadas, nos termos da legislação de regência e da jurisprudência consolidada do CARF. No entanto, no caso concreto, as informações e documentos apresentados pela Recorrente não se mostram suficientes para demonstrar a liquidez e a certeza dos créditos pretendidos. Ressalte-se que o ônus de comprovar a efetiva realização das despesas e sua correlação com a atividade geradora de receitas é da Recorrente, que, embora regularmente instada a se manifestar e a apresentar elementos probatórios, quedou-se silente, razão pela qual não há como reconhecer o direito creditório pleiteado. 3.3 Aquisição de insumos (bens ou serviços) essenciais ao seu processo produtivo Sobre a glosa relativa aquisição de insumos (bens ou serviços) essenciais ao seu processo produtivo, destaque-se trecho da decisão da DRJ: 63. Por fim, a fiscalização glosou o valor informado na linha do Dacon correspondente a “outras operações com direito a crédito” (art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002)(fls 99/106). A autoridade decisória assevera que a escrituração do contribuinte não contempla outras operações com direito a crédito, além das relacionadas no Dacon. 64. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte relaciona os bens e serviços que comporiam o crédito glosado e que seriam comprovados pelo balancete, a saber: EPI, combustíveis, fretes, manutenção, materiais (contas nº 4...). 65. Tal como posta a questão, mantém-se a glosa efetuada. 66. A princípio, verifica-se que o contribuinte não juntou o balancete de verificação(só das contas nº 3...). 67. Nada obstante, observa-se que alguns dos itens relacionados constituem bens e serviços em geral; outros não são caracterizados como insumo sob o aspecto físico (bens corpóreos) ou funcional (serviços). Com efeito, os itens EPI e material de uso e consumo sequer se inserem no conceito funcional, muito menos no conceito físico de insumo. 68. Quanto à despesa com frete, há previsão específica na lei para o creditamento(art. 3º, caput, IX, c/c art. 15, caput, II, ambos da Lei nº 10.833, de 20033); entretanto, o manifestante não comprova que o frete se deu na operação de venda. Ademais, esse item de despesa tem campo próprio para ser indicado no Dacon, como examinado em ocasião anterior. Se o contribuinte incorrera em equívoco ao prestar a informação, cumprir-lhe-ia enforcar esse ponto na sua manifestação. Fl. 385DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.711 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720165/2010-12 19 69. O mesmo se diga em relação a serviços de manutenção, que, ressalte-se, não foi objeto de maior detalhamento pelo manifestante, na tentativa de caracterizá- los como insumo. 70. No tocante aos combustíveis e lubrificantes, informa que são utilizados diretamente no processo produtivo (Solução de Consulta nº 81, de fevereiro de 2011). 71. A Lei nº 10.637, de 2002, autoriza a dedução de gastos com combustíveis e lubrificantes, desde que “utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda” (art. 3º, II). Dessa forma, podem ser deduzidos os créditos sobre gastos com “combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos do processo produtivo, na condição de insumos à fabricação de produtos destinados à venda”, tal como concluiu a Solução de Consulta. 72. Consoante se depreende, a proibição de descontar crédito sobre combustíveis, enquanto submetidos à tributação monofásica e diferenciada na origem produtora ou importadora, alcança apenas o empresário comercial distribuidor ou varejista desses produtos. Por outro giro, o empresário industrial que os utilizar como insumo para a fabricação de produtos destinados à venda pode se creditar da contribuição sobre a aquisição desses insumos, mediante a aplicação da alíquota padrão (1,65% para o PIS/Pasep e 7,6% para a Cofins). Por se tratar de empresário industrial, a princípio é cabível o creditamento sobre a aquisição de combustível, desde que utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. 73. Antes de examinar a prova e os argumentos apresentados, convém lembrar que o item do crédito glosado (linha 13 da ficha 6A do Dacon) não comporta informação relativa a crédito de serviços e combustíveis e lubrificantes, porquanto possuírem campo próprio para serem informados (linhas 2 e 3 do Dacon). 74. Se o contribuinte se equivocou ao prestar a informação, cumprir-lhe-ia especificar, por tipo e quantidade, os insumos que compuseram o crédito glosado, respondendo aos seguintes questionamentos: qual serviço, combustível e lubrificante? quanto de serviço, combustível e lubrificante? para que o serviço, combustível e lubrificante? No entanto, o manifestante não elaborou um demonstrativo sequer, de modo que inviável se apresenta qualquer incursão com o escopo de certificar a veracidade dos argumentos. 75. Dessa forma, é procedente a glosa do crédito incidente sobre “outros valores com direito a crédito”. Fl. 386DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.711 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720165/2010-12 20 Assim como nos itens anteriores, verifica-se que a Recorrente permaneceu inerte, deixando de apresentar manifestação nos autos e de atender à diligência regularmente determinada para a comprovação dos fatos alegados. A ausência de documentação hábil inviabiliza a verificação da origem, da natureza e da legitimidade dos créditos pleiteados, impossibilitando a aferição de seu enquadramento legal. Considerando que o ônus da prova quanto à existência e validade dos créditos é da Recorrente, não há elementos que autorizem a revisão da decisão recorrida, razão pela qual deve ser mantida integralmente a glosa efetuada em primeira instância. Por fim, ante a manutenção das glosas e por conseguinte o não reconhecimento do direito creditório pleiteado, desnecessária análise da possibilidade de correção monetária. Conclusão Diante todo o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Flávia Sales Campos Vale Fl. 387DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10320.720177/2010-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
COFINS. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei n.º 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade ou relevância, devendo ser considerada a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para a atividade econômica realizada pelo Contribuinte. Referido conceito foi consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos autos do REsp n.º 1.221.170, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. A NOTA SEI PGFN MF 63/18, por sua vez, ao interpretar a posição externada pelo STJ, elucidou o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não- cumulativas, no sentido de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO SUJEITO PASSIVO.
Nos pedidos de compensação ou ressarcimento o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento.
Numero da decisão: 3201-012.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
Flávia Sales Campos Vale – Relatora
Assinado Digitalmente
Hélcio Lafetá Reis – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco, Helcio Lafetá Reis (Presidente).
Nome do relator: FLAVIA SALES CAMPOS VALE
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CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei n.º 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade ou relevância, devendo ser considerada a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para a atividade econômica realizada pelo Contribuinte. Referido conceito foi consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos autos do REsp n.º 1.221.170, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. A NOTA SEI PGFN MF 63/18, por sua vez, ao interpretar a posição externada pelo STJ, elucidou o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não- cumulativas, no sentido de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO SUJEITO PASSIVO. Nos pedidos de compensação ou ressarcimento o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 329DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.721 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720177/2010-47 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Flávia Sales Campos Vale – Relatora Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco, Helcio Lafetá Reis (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente e não reconheceu o direito creditório. Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: Trata-se de Manifestação de Inconformidade interposta contra Despacho Decisório que não reconheceu o crédito de ressarcimento formulado no PER nº 38457.29515.290808.1.1.09-1548, no valor de R$ 265.082,79, relativo a crédito da Cofins Não-Cumulativa, oriundo da aquisição de bens e serviços utilizados na fabricação de bens exportados para o mercado externo, referente ao 2º trimestre de 2007 (art. 6º, caput, I, e §§1º e 2º da Lei nº 10.833, de 2003). Por conseguinte, não foram homologadas as compensações declaradas. 2. Conforme Relatório Fiscal (fls 98/100), no qual se baseou o Despacho Decisório(fls 103/110), o não reconhecimento do crédito se deu em virtude de vários fatores, compreendendo cômputo de outras receitas registradas na escrituração contábil (livro razão) e fiscal (livros registro de entradas, saídas, apuração de IPI, inventário, entre outros) não informadas pelo contribuinte no Dacon, bem como glosa de créditos informados no Dacon, mas não respaldados na contabilidade, incidentes sobre gastos ou despesas: Fl. 330DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.721 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720177/2010-47 3 3. Cientificado do decisório em 15.03.2012 (fl 111), o contribuinte manifestou inconformidade em 09.04.2012 (fls 114/130), instruída com cópia do balancete de verificação(fls 131/156), na qual solicita o reconhecimento integral do direito creditório. Para tanto, aduz preliminar de nulidade do despacho, por não haver identificado as outras receitas acrescentadas à base de cálculo da contribuição, prejudicando, dessa forma, o seu direito de defesa. No mérito, sustenta, em síntese, a legalidade dos créditos demonstrados no Dacon e no PER, na forma do quadro: 4. Por fim, o manifestante protesta pela juntada posterior de novos documentos e requer a realização de perícia, indicando o seu assistente técnico e formulando os quesitos a serem respondidos. A decisão recorrida não reconheceu o direito creditório e conforme ementa do Acórdão nº 08-30.938 apresenta o seguinte resultado: Acórdão 08-30.938 - 4ª Turma da DRJ/FOR Sessão de 3 de setembro de 2014 Processo 10320.720177/2010-47 Fl. 331DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.721 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720177/2010-47 4 Interessado COSIMA - SIDERURGICA DO MARANHAO LTDA CNPJ/CPF 10.431.245/0001-27 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PEDIDO DE PERÍCIA. CARÁTER TÉCNICO DA PROVA. A perícia é meio de prova destinado a exames que requeiram conhecimento técnico específico. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. A partir de dezembro de 2002, a base de cálculo da contribuição é o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. RECEITA FINANCEIRA. ALÍQUOTA ZERO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir de agosto de 2004, estão sujeitas à alíquota zero as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas submetidas ao regime não cumulativo. As receitas submetidas à alíquota zero não integram a base de cálculo da contribuição. FALTA DE PROVA. UTILIZAÇÃO COMO INSUMO. Incumbe ao manifestante comprovar que determinado bem ou serviço, sobre o qual pleiteia creditamento, foi utilizado como insumo na fabricação de produtos destinados à venda. RESSARCIMENTO. INSUMO CORPÓREO. Para configurar insumos para os fins de creditamento na forma do disposto no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, utilizados na fabricação de bens destinados à venda, devem sofrer alterações, tais como o desgaste, o dano, ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, e, ainda, Fl. 332DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.721 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720177/2010-47 5 não podem representar acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. RESSARCIMENTO. SERVIÇO. INSUMO. Na apuração do PIS/Pasep e da Cofins, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre gastos incorridos com serviços utilizados como insumo, desde que pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. RESSARCIMENTO. COMBUSTÍVEIS. O gasto com combustíveis utilizados como insumos na fabricação de produtos gera crédito na apuração da Cofins e do PIS/Pasep Não-Cumulativos, ainda que submetidos à tributação monofásica com base em alíquota diferenciada, sendo os créditos calculados, todavia, com base nas alíquotas padrões. FRETE NA COMPRA DE INSUMOS. Não há previsão legal para apurar créditos de frete nas operações de compra. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Foi interposto de forma tempestiva Recurso Voluntário reproduzindo em síntese os mesmos os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. Requer: (a) o afastamento da declaração de preclusão do direito à apresentação de documentos probatórios; (b) o afastamento do critério físico na apuração do PIS e da COFINS não cumulativos, com a utilização dos conceitos de custos necessários à obtenção de receita, conforme legislação do Imposto de Renda; (c) a autorização para a apropriação de créditos sobre a aquisição de carvão de pessoas físicas, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004; (d) a autorização para apropriação de créditos decorrentes da aquisição de insumos, ainda que não escriturados corretamente em DACON (erro material), bem como pela negativa imposta de comprovação da sua essencialidade; (e) a autorização para apropriação de créditos em decorrência da aquisição de energia elétrica, consumida no processo produtivo, devendo ser afastadas eventuais inconsistências verificadas em DACON; (f) a legitimidade da apropriação de créditos sobre aquisição de fretes, seja nas operações de venda, seja nas aquisições; Fl. 333DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.721 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720177/2010-47 6 (g) autorização para a apropriação de créditos diversos decorrentes da aquisição de insumos (bens ou serviços) essenciais ao seu processo produtivo; (h) requer a conversão do feito em diligência para a realização de perícia contábil para a verificação dos alegados erros de declaração e, também, da essencialidade dos insumos adquiridos; (i) por fim, requer seja determinada a aplicação da correção monetária sobre o crédito tributário a ser ressarcido. Vieram os autos para julgamento desta Turma, que em outra composição, por meio de Resolução decidiu pela conversão do feito em diligência para que a Autoridade Lançadora intime a Recorrente para, no prazo de 60 (sessenta) dias, prorrogável por mais 30 (trinta) dias: (i) apresentar, de forma detalhada, quais os erros de declaração existentes em suas DACONs, indicando, com o devido lastro probatório, os corretos valores a serem observado, podendo a Autoridade lançadora solicitar especificamente os documentos que entenda necessários para tal comprovação; (ii)apresentar laudo descritivo da sua atividade operacional, indicando, para cada um dos itens (insumos) objeto de glosa, sua aplicação e essencialidade ao seu processo produtivo. Após, deverá a Autoridade Lançadora se manifestar acerca das informações e documentos apresentados pela Contribuinte, notadamente no que se refere aos alegados erros de preenchimento das DACONs e respectivos documentos probatórios, apresentando relatório conclusivo. Concluído, abra se novo prazo de (30) trinta dias para que a Recorrente se manifeste acerca do Relatório Fiscal. Em resposta a diligência a Autoridade lançadora emitiu Relatório de Diligência: II – HISTÓRICO 1. O “Termo de Ciência e Intimação Fiscal” (TDPF 0320100-2019-00125), de 02.09.2019 (Doc.01), formalizando a solicitação do estipulado nas Resoluções do CARF, não foi recebido pela Diligenciada (Doc.02). Como se infere dos referidos Documentos Anexos, a ciência intentada o foi por via postal, ao Domicílio Tributário de Eleição consignado no respectivo CNPJ. É que a Diligenciada, em 14.02.2019, solicitou o cancelamento do “Termo de Opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico”, ao qual havia aderido em 22.10.2014 (Doc.03). 2. Em 02.10.2019, a Diligenciada seguia sem Domicílio Tributário Eletrônico [DTE] (Doc.04). 3. Alternativamente, em momentos variados, foram feitas tentativas de contato aos telefones (98) 3067-8200, (98) 3678-2001, (81) 3421-3535, (98) 3678-2011, entre outros, todos atribuídos à Diligenciada, à vista de consultas a sítios de cadastros empresarias na internet. Do mesmo modo se deu quanto às Fl. 334DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.721 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720177/2010-47 7 Procuradoras da Diligenciada que, no passado, compareciam à DRF de São Luís- MA para tratar dos assuntos de sua Outorgante, as Senhoras Ivanilza Gomes Lins e Flaviane Amorim (Doc.05). O canal de internet mantido por “Queiroz Galvão”, grupo empresarial da Diligenciada, também foi instado (Doc.06). Em todos os casos, e noutros, cujos registros ainda não foram localizados ou não mais existem, não houve sucesso. 4. Mantendo-se (03.02.2020) a Diligenciada sem DTE (Doc.07), o “Termo de Ciência e Intimação Fiscal” (de 06.02.2020), análogo ao seu precedente (02.09.2019), também foi devolvido, por inacolhimento, na esteira de sua postagem ao Domicílio Tributário de Eleição da Fiscalizada (Doc.08). 5. Em 26.08.2020, a Diligenciada permanecia sem readesão ao DTE (Doc.09). 6. Após quase 2,5 anos, em 30.03.2023 (Doc.10), a Diligenciada continuava sem DTE, e, postado, com Aviso de Recebimento ao seu Domicílio Tributário de Eleição, outro “Termo de Ciência e Intimação Fiscal” (30.03.2023) (Doc.11) retornou não recebido (Doc.12). 7. Em 16.11.2023, chegou ao Signatário mensagem de correio eletrônico da Ouvidoria da 3ª Região Fiscal (circunscrição competente para tratar dos Processos em causa). Em seu teor está a transcrição do que manifestou, em nome de COSIMA - SIDERÚRGICA DO MARANHÃO, CNPJ 10.431.245/0004-70, a Senhora Taciana Stanislau Afonso Bradley Alves, CPF 865.883.114-00, como segue (Doc.13): “Prezados Senhores, bom dia, a empresa COSIMA - SIDERURGICA DO MARANHAO LTDA. (CNPJ 10.431.245/0004-70) possui um conjunto de 36 processos conexos que discutem Per/Dcomps de créditos de PIS e COFINS apurados pelo regime não cumulativo nos anos calendário de 2003 a 2008. O CARF, em 25/09/2018, ao julgar esse conjunto de 36 processos, baixou todos em diligência, ocorre que, passados 5 (cinco) anos, os processos estão parados sem que as Resoluções tenham sido cumpridas, sequer a intimação da empresa para juntar documentos foi realizada. Em que pese ter que obedecer a ordem cronológica dos processos, 5 (cinco) anos para cumprir uma diligência não é um prazo razoável, Dessa forma, requer seja dado prosseguimento a esses feitos, pois estão parados há mais de 5 (cinco) anos aguardando o cumprimento de diligência determinada pelo CARF. A lista dos processos segue em anexo.” Em atenção ao asseverado na retro Manifestação, pouco tempo depois, foram prestadas as seguintes informações: “O Domicílio Tributário de Eleição do Contribuinte, reiteradamente instado por via postal, resultou em todas as vezes improfícuo. Com efeito, em todas as ocasiões, a correspondência postada, contendo a íntegra da Resolução e Termo de Informação correlato, retornou sem ter sido procurada pelo Contribuinte. Fl. 335DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.721 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720177/2010-47 8 O Contribuinte não é optante do Domicílio Tributário Eletrônico. Os elementos da escrituração do Contribuinte são essencialmente necessários aos exames definidos pela Resolução, não sendo exequíveis de outra forma. As tentativas de contato telefônico com o Contribuinte (em seu domicílio tributário de eleição e Escritório no Recife-PE) foram sem êxito (ligações não atendidas). Igualmente, com resultado equivalente, buscou-se contato telefônico com Procuradores que, no passado, acompanhavam as ações fiscais do Contribuinte (Senhoras Ivanilza e Flaviane).” 8. A consulta ao CNPJ da Diligenciada, em 16.11.2023 (Doc.14), data da Manifestação à Ouvidoria tratada acima, não mostra solução de continuidade na ausência de DTE. 9. Face à Manifestação à Ouvidoria, a Diligenciada assenhorou-se da ineficácia do seu Domicílio Tributário de Eleição e da impossibilidade de contorná-la com o DTE, do qual está desligada. Não obstante, após 16.11.2023 (quando se expediu a Resposta àquela Manifestação), não se modificou o status do DTE da Diligenciada, tampouco, tornou-se efetivo seu Domicílio Tributário de Eleição. De fato, a consulta ao CNPJ, em 05.12.2023 (Doc.15) mostra que segue mantida a falta de DTE. Por outro lado, antes do envio doutro “Termo de Ciência Fiscal” (23.02.2024), a verificação de DTE (Doc.16) também não mostrou alteração. E, postado, tal Termo voltou sem acolhimento do Domicílio Tributário de Eleição da Fiscalizada (Doc.17). 10. Nesta data, 30.08.2024, mais de seis meses após a anterior consulta ao CNPJ da Diligenciada, esta segue sem DTE (Doc.18). Quase um lustro desde a expedição (02.09.2019) do primeiro “Termo de Ciência e Intimação Fiscal”, subsiste ineficaz o Domicílio Tributário de Eleição da Diligenciada e ausente o seu DTE. 11. O atendimento ao demandado no Acórdão sobredito imprescinde do pronunciamento satisfatório e bastante da Diligenciada e, bem assim, da apreciação de seus itens escriturais (Diário/Razão, Registro de Apuração do IPI, Registro de Entradas e Registro de Saídas, se outros não se derem por necessários, conforme o caso concreto). Na matéria, eis que o período de apuração incidente é muito anterior ao Sistema Público de Escrituração Digital. III – CONCLUSÃO E ENCAMINHAMENTO Do quanto expendido, evidenciando-se a impossibilidade de concluir as medidas dispostas no precitado Acórdão, à sua emanante Repartição, se encaminha este Processo. Por meio de Edital Eletrônico foi a Recorrente intimada a tomar ciência do Relatório de Diligência Fiscal. A ciência do Relatório de Diligência Fiscal foi dada pelo decurso de prazo de 15 dias a contar da publicação do edital no sítio da RFB na internet. Fl. 336DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.721 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720177/2010-47 9 Devidamente intimada por meio do Edital Eletrônico a Recorrente não se manifestou. Posteriormente, retornaram os autos para julgamento desta Turma. É o relatório. VOTO Conselheira Flávia Sales Campos Vale, Relatora. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Conforme relatado, trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente e não reconheceu o direito creditório. Da conversão do julgamento em diligência No caso em exame, verifica-se que, em observância ao princípio da verdade material e como requerido pela Recorrente, este Colegiado, em outra composição, determinou a conversão do julgamento em diligência com o objetivo de oportunizá-la apresentação de documentação complementar que pudesse comprovar a efetiva existência, a liquidez e a certeza dos valores pleiteados a título de crédito. Regularmente intimada, contudo, a Recorrente quedou-se inerte, não apresentando qualquer manifestação nos autos, tampouco os elementos probatórios requisitados, o que dificulta e até inviabiliza a verificação da origem e da legitimidade dos créditos objeto das compensações realizadas. Ressalte-se que, nos termos do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil, e em conformidade com o art. 170 do Código Tributário Nacional, o ônus da prova quanto à existência do crédito tributário apto a ensejar compensação recai sobre o contribuinte. No mesmo sentido, a jurisprudência consolidada deste Conselho e dos Tribunais Superiores é firme ao reconhecer que a homologação de créditos e compensações demanda prova robusta e inequívoca da liquidez e certeza do crédito alegado, não sendo possível presumir sua existência ou validade. 1. Da base legal e definição de insumo para fins de creditamento das contribuições Em relação a possível reversão das glosas mantidas pela DRJ e contestadas pela Recorrente necessário se faz analisar a legislação relativa apuração e desconto desses créditos. Pois bem, estabelecem respectivamente a Lei nº 10.833/2003 e Lei nº 10.637/2002: Fl. 337DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.721 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720177/2010-47 10 Lei nº 10.833/2003 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos)b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V - valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII - edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII - bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. XI - bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o Fl. 338DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.721 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720177/2010-47 11 valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito)I - dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II - dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência)IV - dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2º Não dará direito a crédito o valor: I - de mão de obra paga a pessoa física; II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição; e (Redação dada pela Lei nº 14.592, de 2023)§ 3º O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: I - aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II - aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III - aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Lei nº 10.637/2002 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos)b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Fl. 339DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.721 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720177/2010-47 12 V - valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII - edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII - bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. XI - bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito)I - dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II - dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência)IV - dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2º Não dará direito a crédito o valor: I - de mão de obra paga a pessoa física; II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição; e (Redação dada pela Lei nº 14.592, de 2023)§ 3º O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: I - aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II - aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III - aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (destaques não constam do original) Fl. 340DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.721 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720177/2010-47 13 Também deve ser observado o Parecer Normativo COSIT nº 5, de 17 de dezembro de 2018, a saber: “Assunto. Apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II.” Em suma, depreende-se da leitura do Parecer Normativo Cosit 05-2018 dever o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. 2. Glosas mantidas pela DRJ Fl. 341DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.721 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720177/2010-47 14 Dito isto, nos termos da legislação e do Parecer Normativo Cosit 05-2018 supracitados, e considerando exercer a Recorrente atividades de industrialização, importação, comercialização e exportação de produtos siderúrgicos em geral, notadamente ferro-gusa, bem como florestamento, reflorestamento e transporte de produtos perigosos, passo a analisar as glosas mantidas pela DRJ. 3.1 Dos serviços prestados por pessoa jurídica Acerca das glosas relativas aos serviços prestados por pessoa jurídica, a DRJ as manteve pelos seguintes fundamentos: 39. A primeira glosa tem por objeto despesas incorridas com serviços prestados por pessoa jurídica, declaradas pelo contribuinte no Dacon como utilizados como insumo, mas não verificadas na sua escrituração (fls 85/89) (art. 3º, caput, II, da Lei nº 10.883, de 2003). 40. De outra parte, o manifestante alude que os serviços geradores do crédito glosado foram aplicados ou consumidos como insumo, fazendo menção a uma planilha discriminatória dos serviços tomados e ao balancete de verificação, que estariam em consonância com o Dacon. 41. A fiscalização constatou, no livro razão e no registro de entrada, ausência de aquisição de serviços prestados por terceiro, consoante planilhas demonstrativas. Nesse ponto, o requerente limita-se a afirmar a conformidade entre o Dacon e o livro razão e o balancete de verificação, sem, no entanto, evidenciar especificadamente o ponto de sua discordância. Ademais, verificam-se várias inconsistências entre os registros escriturais e entre estes e o que se alega, a ponto de não se poder afastar a glosa. 42. Em primeiro lugar, a fiscalização fundamentou a inexistência de despesa com serviços no livro registro de entrada do contribuinte e no livro razão (fls 87/89). 43. Em segundo lugar, eventual desconformidade entre registros escriturais do contribuinte deve ser por ele esclarecida, tarefa essa de que não se ocupou. 44. Por fim, o contribuinte não se deteve em demonstrar que os serviços tomados se inserem no conceito funcional de insumo, de modo que se conserva a glosa efetuada. 45. Por fim, a fiscalização glosou o valor informado na linha do Dacon correspondente a “outras operações com direito a crédito” (art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003)(fls 90/97). A autoridade decisória assevera que a escrituração do contribuinte não contempla outras operações com direito a crédito, além das relacionadas no Dacon. 46. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte relaciona os bens e serviços que comporiam o crédito glosado e que seriam comprovados pelo balancete, a saber: EPI, combustíveis, fretes, manutenção, materiais (contas nº 4...). Fl. 342DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.721 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720177/2010-47 15 47. Tal como posta a questão, mantém-se a glosa efetuada. Em defesa a Recorrente sustenta: Segundo o despacho decisório, as despesas com serviços prestados por pessoa jurídica, declaradas no DACON como utilizadas como insumo, não foram verificadas em sua escrituração contábil. Justifica a glosa sob o argumento de que não haveria registro de despesas com servicos no Livro Razão e no Livro de Registro de Entrada da Recorrente, existindo no DACON,contas pretensamente integrantes da despesa que não constariam do balancete de verificacão. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente demonstrou através da planilha discriminatória dos serviços tomados, que as informações contidas no Livro Razão e no Balancete de Verificação estavam em perfeita consonância com o DACON. Restou devidamente demonstrado que as inconsistências apontadas na decisão recorrida não passam de mero erro material, insuscetível de justificar a manutenção das glosas, posto que, em consonância com o princípio da verdade material, pode ser facilmente constatada a realização das despesas justificadoras do crédito pleiteado,diante dos documentos apresentados. Os eventuais erros e omissões no preenchimento do DACON ou dos documentos de escrituração contábil, são, portanto, insuscetíveis de justificar a manutencão das referidas glosas. Ressalte-se, ainda, para agravar a situação, que a decisão recorrida incorreu na nulidade de indeferir o protesto por produção de novas provas e de realização de perícia,cuja flagrante necessidade é incontestável. Inobstante, a decisão atacada ainda pretende justificar a manutenção da glosa sob o pretexto de que "[...] o contribuinte não procurou demonstrar que os servicos tomados se inserem no conceito funcional de insumo”. Ora, o que se verifica é a imperativa necessidade de se reiterar o pedido de decretacão de nulidade do vergastado acórdão, posto que proferido com nítida pretericão do direito de defesa da Recorrente, contrariando o principal escopo do processo administrativo fiscal, qual seja, a busca da verdade real. Por outro lado, é de conhecimento notório que o procedimento de auditoria érealizado mediante a confrontação, por amostragem, entre as informações registradas na contabilidade e no DACON, com aquelas contidas nos arquivos de memória de cálculo e nas notas fiscais de entradas, fornecidos pela empresa. Ocorre que, para fins de caracterização de um servico como insumo e o consequente creditamento, à luz da jurisprudência do CARF, faz-se necessário ultrapassar a formalidade dos documentos apresentados e adentrar-se ao efetivo Fl. 343DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.721 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720177/2010-47 16 conhecimento do processo produtivo da empresa, posto que, conforme aduzido,é a realidade fática que vai demonstrar a sua necessidade e essencialidade. É justamente em observância ao princípio da verdade material que à autoridade fiscal é conferida a faculdade de solicitar informações e provas acerca do crédito pleiteado, na hipótese de verificar qualquer insuficiência ou inconsistência nos elementos oferecidos pelo contribuinte. Na verdade, a autoridade fiscal deveria ser a primeira interessada em verificar o que de fato estaria relacionado com a produção da empresa,o que, infelizmente, não acontece, sendo indevidamente negado aos contribuintes o creditamento a que fazem jus. De fato, caso se dispusesse a verificar in loco o estabelecimento empresarial da Recorrente, ou, ainda, deferido o pleito de perícia, teria a Autoridade facilmente verificado a essencialidade dos bens e servicos declarados como insumos no processo produtivo da contribuinte. Assim é que, à luz do entendimento jurisprudencial do CARF acerca da definicão do conceito de insumo, tem-se evidente a necessidade e essencialidade dos serviços objeto da glosa, restando imperativa a reforma da decisão Nesse sentido, como já dito linhas acima, em observância a jurisprudência do STJ, deve o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Nesse sentido e na busca pela verdade material, como requerido pela Recorrente, este Colegiado, em outra composição, determinou a conversão do julgamento em diligência com o objetivo de oportunizá-la apresentação de documentação complementar que pudesse comprovar a efetiva existência, a liquidez e a certeza dos valores pleiteados a título de crédito. Regularmente intimada, contudo, a Recorrente quedou-se inerte, não apresentando qualquer manifestação nos autos, tampouco os elementos probatórios requisitados, inviabilizando a verificação da origem e da legitimidade dos créditos em análise. Sendo assim, como ônus da prova é da Recorrente, nenhuma modificação a ser feita na decisão de primeira instancia sobre esta matéria. 3.2 Aquisição de insumos (bens ou serviços) essenciais ao seu processo produtivo Sobre a glosa relativa aquisição de insumos (bens ou serviços) essenciais ao seu processo produtivo, destaque-se trecho da decisão da DRJ: Fl. 344DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.721 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720177/2010-47 17 45. Por fim, a fiscalização glosou o valor informado na linha do Dacon correspondente a “outras operações com direito a crédito” (art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003)(fls 90/97). A autoridade decisória assevera que a escrituração do contribuinte não contempla outras operações com direito a crédito, além das relacionadas no Dacon. 46. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte relaciona os bens e serviços que comporiam o crédito glosado e que seriam comprovados pelo balancete, a saber: EPI, combustíveis, fretes, manutenção, materiais (contas nº 4...). 47. Tal como posta a questão, mantém-se a glosa efetuada. 48. Nesse passo, observa-se que alguns dos itens relacionados constituem bens e serviços em geral; outros não são caracterizados como insumo sob o aspecto físico (bens corpóreos) ou funcional (serviços). Com efeito, os itens EPI e material de uso e consumo sequer se inserem no conceito funcional, muito menos no conceito físico de insumo. 49. Quanto à despesa com frete, há previsão específica na lei para o creditamento(art. 3º, caput, IX, da Lei nº 10.833, de 20032); entretanto, o manifestante não comprova que o frete se deu na operação de venda. Ademais, esse item de despesa tem campo próprio para ser indicado no Dacon. Se o contribuinte incorrera em equívoco ao prestar a informação, cumprirlhe-ia enforcar esse ponto na sua manifestação. 50. O mesmo se diga em relação a serviços de manutenção, que, ressalte-se, não foi objeto de maior detalhamento pelo manifestante, na tentativa de caracterizá- los como insumo. 51. No tocante aos combustíveis e lubrificantes, informa que são utilizados diretamente no processo produtivo (Solução de Consulta nº 81, de fevereiro de 2011). 52. A Lei nº 10.833, de 2003, autoriza a dedução de gastos com combustíveis e lubrificantes, desde que “utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda” (art. 3º, II). Dessa forma, podem ser deduzidos os créditos sobre gastos com “combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas e equipamentos do processo produtivo, na condição de insumos à fabricação de produtos destinados à venda”, tal como concluiu a Solução de Consulta. 53. Consoante se depreende, a proibição de descontar crédito sobre combustíveis, enquanto submetidos à tributação monofásica e diferenciada na origem produtora ou importadora, alcança apenas o empresário comercial distribuidor ou varejista desses produtos. Por outro giro, o empresário industrial que os utilizar como insumo para a fabricação de produtos destinados à venda pode se creditar da contribuição sobre Fl. 345DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.721 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10320.720177/2010-47 18 a aquisição desses insumos, mediante a aplicação da alíquota padrão (1,65% para o PIS/Pasep e 7,6% para a Cofins). Por se tratar de empresário industrial, a princípio é cabível o creditamento sobre a aquisição de combustível, desde que utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. 54. Antes de examinar a prova e os argumentos apresentados, convém lembrar que o item do crédito glosado (linha 13 da ficha 16A do Dacon) não comporta informação relativa a crédito de serviços e combustíveis e lubrificantes, porquanto possuírem campo próprio para serem informados (linhas 2 e 3 do Dacon). 55. Se o contribuinte se equivocou ao prestar a informação, cumprir-lhe-ia especificar, por tipo e quantidade, os insumos que compuseram o crédito glosado, respondendo aos seguintes questionamentos: qual serviço, combustível e lubrificante? quanto de serviço, combustível e lubrificante? para que o serviço, combustível e lubrificante? No entanto, o manifestante não elaborou um demonstrativo sequer, de modo que inviável se apresenta qualquer incursão com o escopo de certificar a veracidade dos argumentos. 56. Dessa forma, é procedente a glosa do crédito incidente sobre “outros valores com direito a crédito”. Assim como nos itens anteriores, verifica-se que a Recorrente permaneceu inerte, deixando de apresentar manifestação nos autos e de atender à diligência regularmente determinada para a comprovação dos fatos alegados. A ausência de documentação hábil inviabiliza a verificação da origem, da natureza e da legitimidade dos créditos pleiteados, impossibilitando a aferição de seu enquadramento legal. Considerando que o ônus da prova quanto à existência e validade dos créditos é da Recorrente, não há elementos que autorizem a revisão da decisão recorrida, razão pela qual deve ser mantida integralmente a glosa efetuada em primeira instância. Por fim, ante a manutenção das glosas e por conseguinte o não reconhecimento do direito creditório pleiteado, desnecessária análise da possibilidade de correção monetária. Conclusão Diante todo o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Flávia Sales Campos Vale Fl. 346DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13674.000029/2001-08
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 203-00.720
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligencia, nos termos do voto do Relator
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA
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Miranda Relator DA FA2':-.1:‘: CONFERE COM 0, BRASiL1A Ministirio da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes CC-MF Fl. Processo n9 : 13674.000029/2001-08 Recurso n9 : 124.971 Recorrente • CALCINAÇÃO NOSSA SENHORA DA GUIA LTDA Recorrida : DRJ em Belo Horizonte - MG RESOLUÇÃO n2 203-00.720 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: CALCINAÇÃO NOSSA SENHORA DA GUIA LTDA RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligencia, nos termos do voto do Relator. Sala das Sessões, em 23 de maio de 2006. Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Cesar Piantavigna, Silvia de Brito Oliveira, Antonio Ricardo Accioly Campos (Suplente), Mônica Garcia de Los Rios (Suplente) e Eric Moraes de Castro e Silva. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Valdemar Ludvig e Odassi Guerzoni Filho. Eaal/mdc Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes CC-MF FL Processo n2 : 13674.000029/2001-08 Recurso ni) : 124.971 Recorrente : CALCINAÇÃO NOSSA SENHORA DA GUIA LTDA. RELATÓRIO 0 processo ora analisado tem origem em pedido de restituição formulado, pela interessada, em 15/2/2001, em decorrência de autorização judicial deferida nos autos do Processo n° 2000.38.00.029890-1, originário da Sétima Vara da Circunscrição Judiciária Federal em Belo Horizonte. Tal pleito foi indeferido, inicialmente, sob o argumento de que aludida ação judicial ainda estava em trâmite no Poder Judiciário. Inconformada, a interessada impugna tal indeferimento, argumentando que o mesmo não deveria ocorrer, pois seu pedido foi posterior ã edição da LC n° 104/2001, que trouxe nova redação ao artigo 170 do CTN, vedando pedidos nos moldes em que por ela — interessada — formulado. A Primeira Turma da DRJ não conheceu da impugnação vez que a "... submissão de matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário importa em renúncia ou desistência da via administrativa." (Acórdão DIU/ME 4.420 - fl. 177). Inconformada, a interessada interpôs o tempestivo recurso de fls. 185 e seguintes, no qual repisa seus argumentos de impugnação. Em memorando (fl. 255) a este Conselho de Contribuintes, a Saort/DRF/Divinópolis (MG) requer o encaminhamento deste processo a fim de regularizar a situação de créditos tributários "com pendências de compensação". E assim procedeu a autoridade de origem em estrito cumprimento de determinação judicial (fl. 253). Os autos retornam para minha relatoria com manifestação de fl. 471, informando que em cumprimento aos termos da ação judicial, "... esta Seção efetuou a operacionalização das compensações, conforme Demonstrativo de fls. 358/359, entretanto, o crédito apurado pelo contribuinte, na referida ação, foi insuficiente para guitar todos os débitos arrolados para compensação, o que resultou em débitos remanescentes conforme Demonstrativo de fls. 470 ...". o relatório. OA FAXEN - CONFERE CO;;,1 O • I / 2 MIN OA FAZE. - CONFERE COM O O..L I BRASILIA OS/ 2. CORDEIRO DE MIRANDA Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes CC-MF Fl. Processo n2 : 13674.000029/2001-08 Recurso n9- : 124.971 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA Como relatado, trata-se de pedido de restituição/compensação levado a efeito, em face de discussão judicial inicialmente instada pela ora recorrente. Considerando as apurações contábeis promovidas pela autoridade originária, friso, em cumprimento a determinação judicial especifica, entendo que em estrita observação aos princípios da ampla defesa e do contraditório, necessário se faz converter o presente recurso em diligência para que se conceda oportunidade e prazo hábil à recorrente para se manifestar exclusivamente e a propósito da manifestação de fl. 471; bem como em relação aos Demonstrativos de fls. 358/469 e 470 que, supostamente, apontam débitos remanescentes da recorrente para com o Fisco. Ao final, cumpre consignar que da análise dos autos, consta a expedição de AR recorrente, dando-lhe ciência dos termos da mencionada manifestação de fl. 471. 0 AR teria sido recebido em 6/3/2006, sendo que os autos, em 9/3/2006, já teriam sido encaminhados a este Colegiado. Tal forma de proceder, a meu sentir, pode gerar futura impugnação pela nulidade de futuros atos administrativos a se praticar nestes autos. como voto. Sala das Sessões, em 23 de maio de 2006 3
score : 1.0
Numero do processo: 10166.730196/2012-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO DE ALEGAÇÕES SUSCITADAS EM RECURSO QUE NÃO FORAM APRESENTADAS EM IMPUGNAÇÃO.
Estabelece o art. 17 do Decreto nº 70.235/72 que se considerará não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Consideram-se, portanto, preclusas as alegações do contribuinte em recurso voluntário que não integraram a impugnação do lançamento.
DEDUÇÕES. PENSÃO JUDICIAL.
No caso de coabitação entre o contribuinte-alimentante e seus filhos alimentados, o acordo entre eles com o objetivo de reduzir a tributação do imposto de renda, abrindo mão da dedução com dependente para se utilizar do instituto da pensão alimentícia, não guarda consonância com o ordenamento jurídico. Tratando-se, pois, de sociedade conjugal, exige-se também sua dissolução (separação de direito ou divórcio) como condição para autorizar a dedutibilidade da referida pensão.
Indedutível o pagamento de pensão para filhos maiores, sem comprovação de incapacidade para prover a própria mantença e/ou a incapacidade física ou mental, para o trabalho.
DESPESAS MÉDICAS. FILHO ALIMENTADO MAIOR.
Indedutíveis as despesas médicas com filhos maiores, sem comprovação de incapacidade para prover a própria mantença e/ou de incapacidade física ou mental para o trabalho.
As despesas médicas dedutíveis em DIRPF restringem-se àquelas cujos pagamentos foram efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes informados em DIRPF.
As deduções de despesas médicas não se aplicam àquelas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA.
Nos casos de lançamento de ofício, será aplicada multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.
Numero da decisão: 2402-013.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, não conhecer da inovação recursal e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado Digitalmente
João Ricardo Fahrion Nüske – Relator
Assinado Digitalmente
Rodrigo Duarte Firmino – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Gregorio Rechmann Junior, Joao Ricardo Fahrion Nuske, Luciana Vilardi Vieira de Souza Mifano, Marcus Gaudenzi de Faria, Ricardo Chiavegatto de Lima (substituto[a] integral), Rodrigo Duarte Firmino (Presidente)
Nome do relator: JOAO RICARDO FAHRION NUSKE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO DE ALEGAÇÕES SUSCITADAS EM RECURSO QUE NÃO FORAM APRESENTADAS EM IMPUGNAÇÃO. Estabelece o art. 17 do Decreto nº 70.235/72 que se considerará não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Consideram-se, portanto, preclusas as alegações do contribuinte em recurso voluntário que não integraram a impugnação do lançamento. DEDUÇÕES. PENSÃO JUDICIAL. No caso de coabitação entre o contribuinte-alimentante e seus filhos alimentados, o acordo entre eles com o objetivo de reduzir a tributação do imposto de renda, abrindo mão da dedução com dependente para se utilizar do instituto da pensão alimentícia, não guarda consonância com o ordenamento jurídico. Tratando-se, pois, de sociedade conjugal, exige-se também sua dissolução (separação de direito ou divórcio) como condição para autorizar a dedutibilidade da referida pensão. Indedutível o pagamento de pensão para filhos maiores, sem comprovação de incapacidade para prover a própria mantença e/ou a incapacidade física ou mental, para o trabalho. DESPESAS MÉDICAS. FILHO ALIMENTADO MAIOR. Indedutíveis as despesas médicas com filhos maiores, sem comprovação de incapacidade para prover a própria mantença e/ou de incapacidade física ou mental para o trabalho. As despesas médicas dedutíveis em DIRPF restringem-se àquelas cujos pagamentos foram efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes informados em DIRPF. As deduções de despesas médicas não se aplicam àquelas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. Nos casos de lançamento de ofício, será aplicada multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO DE ALEGAÇÕES SUSCITADAS EM RECURSO QUE NÃO FORAM APRESENTADAS EM IMPUGNAÇÃO. Estabelece o art. 17 do Decreto nº 70.235/72 que se considerará não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Consideram-se, portanto, preclusas as alegações do contribuinte em recurso voluntário que não integraram a impugnação do lançamento. DEDUÇÕES. PENSÃO JUDICIAL. No caso de coabitação entre o contribuinte-alimentante e seus filhos alimentados, o acordo entre eles com o objetivo de reduzir a tributação do imposto de renda, abrindo mão da dedução com dependente para se utilizar do instituto da pensão alimentícia, não guarda consonância com o ordenamento jurídico. Tratando-se, pois, de sociedade conjugal, exige-se também sua dissolução (separação de direito ou divórcio) como condição para autorizar a dedutibilidade da referida pensão. Indedutível o pagamento de pensão para filhos maiores, sem comprovação de incapacidade para prover a própria mantença e/ou a incapacidade física ou mental, para o trabalho. DESPESAS MÉDICAS. FILHO ALIMENTADO MAIOR. Indedutíveis as despesas médicas com filhos maiores, sem comprovação de incapacidade para prover a própria mantença e/ou de incapacidade física ou mental para o trabalho. Fl. 441DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.304 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.730196/2012-73 2 As despesas médicas dedutíveis em DIRPF restringem-se àquelas cujos pagamentos foram efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes informados em DIRPF. As deduções de despesas médicas não se aplicam àquelas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. Nos casos de lançamento de ofício, será aplicada multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, não conhecer da inovação recursal e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente João Ricardo Fahrion Nüske – Relator Assinado Digitalmente Rodrigo Duarte Firmino – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Gregorio Rechmann Junior, Joao Ricardo Fahrion Nuske, Luciana Vilardi Vieira de Souza Mifano, Marcus Gaudenzi de Faria, Ricardo Chiavegatto de Lima (substituto[a] integral), Rodrigo Duarte Firmino (Presidente) RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto nos autos do processo nº 10166.730196/2012-73, em face do acórdão nº 08-40.223, na qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: Fl. 442DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.304 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.730196/2012-73 3 O processo trata de impugnação contra o Auto de Infração, fls. 84/111, emitido nos seguintes termos. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO JUDICIAL (...) Abaixo transcrevem-se alguns trecho do Relatório Fiscal, apenas para que se entenda a questão sob análise, podendo ser lido detalhadamente às fls. 112/142: O presente relatório compõe peça expositiva cujo tópico nuclear referente à imposição fiscal levada a termo frente aos equívocos tributários cometidos em relação ao Imposto de Renda da Pessoa Física - IRPF funda-se na premissa de haver ocorrido a prática, mesmo ainda que de forma involuntária, de sonegação fiscal desse importante tributo para o custeio do Estado, uma vez que se refere a deduções com pensões alimentícias em benefício do cônjuge e de seus filhos, os quais vivem sob o mesmo teto com o alimentante, e — sem desfazimento da relação marital deste com a genitora dos alimentando, qual seja, a promoção de separação judicial e/ou divórcio. Essa situação não está contemplada em lei para os fins a que foi utilizada. (grifei) (...) Após análise da documentação acostada aos autos pelo intimado, em confronto com o contido em suas Declarações de Renda dos anos-calendário 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011, e, ainda, das informações disponíveis dos sistemas eletrônicos de dados da Receita Federal, chegou-se à conclusão de que o contribuinte só logrou êxito em comprovar pequena parte das deduções buscadas, sendo, por conseguinte, glosadas a maioria das deduções inscritas em suas DIRPFs dos últimos cinco anos, mormente as deduções auferidas a título de pensão alimentícia. (...) a) — quanto à fundamentação legal e motivação fática do pedido serão transcritos excertos da Petição Inicial: Neste tipo de Acordo Alimentar consta em regra que o contribuinte e sua esposa são casados, convivem normalmente no mesmo lar, mas convencionam o pagamento de valores, por parte do marido, para a esposa e os filhos, ao argumento de que as obrigações de alimentá-los não vêm sendo cumprida "convenientemente", ou que visa à proteção do(s) filho(s) diante de alguma vicissitude futura por desavença do casal, ou ainda, simplesmente, para prevenir hipotético futuro litígio. Fl. 443DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.304 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.730196/2012-73 4 (...) O autuado usufrui deduções indevidas no percentual de 45% de seus rendimentos do TCDF, desde meados de 1988. A despeito da falta de amparo legal para tais deduções, o contribuinte vem se utilizando dessas deduções com infringência também de outro instituto: o que limita o desconto pelo atingimento da maioridade, uma vez que seus filhos se encontram com as idades de 31 anos e 32 anos, respectivamente. c)— quanto às deduções de gastos com planos de saúde: Utilizou-se do total dos valores correspondentes aos gastos com os planos de saúde, a despeito de haver auferido o reembolso de 80% desses dispêndios. A situação acabou agravada uma vez que o contribuinte arca com os dispêndios dos planos de saúde de seus genitores na condição de dependentes. ANO-CALENDARIO 2007 Deduções Indevidas de Despesas com Pensões Alimentícias: (...) A despeito da falta de amparo legal para as deduções auferidas, os filhos do autuado incidiram em outra causa de impedimento ao benefício, pois além de atingirem a maioridade: 26 anos e 27 anos, ambos se encontram trabalhando, conforme suas respectivas DIRPFs. (...) b) Deduções Indevidas de Despesas com Planos de Saúde :(...)Para este ano- calendário o contribuinte apresentou declaração consolidada de toda a família. ANO-CALENDARIO 2008 a) Deduções Indevidas de Despesas com Pensões Alimentícias(...) b) Deduções Indevidas de Despesas com Planos de Saúde (...) Para este ano-calendário o contribuinte apresentou declaração consolidada da família. Os valores declarados referem-se, respectivamente, ao titular e aos seus genitores. A porcentagem reembolsada foi de 80% do total declarado. c) Deduções Indevidas de Despesas Médicas (...) As despesas glosadas referem-se a gastos com serviços médicos na área de psiquiatria prestados às pessoas de seus filhos, os quais não mais fazem jus aos benefícios, uma vez que ao tempo dos fatos já haviam atingido a maioridade: respectivamente, 27 anos e 28 anos. ANO-CALENDÁRIO 2009 a) Deduções Indevidas de Despesas com Pensões Alimentícias: Fl. 444DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.304 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.730196/2012-73 5 O autuado declarou a pensão alimentícia apenas em nome do cônjuge, responsável pela administração dos haveres destinados aos filhos, os quais estariam sob seu pátrio poder, não fosse a maioridade alcançada e a falta de direito ao benefício, conforme já dissertado. b) Deduções Indevidas de Despesas com Planos de Saúde: Os valores declarados referem-se, respectivamente, ao titular e aos seus genitores. A porcentagem reembolsada foi de 80% do total declarado. ANO-CALENDÁRIO 2010 a) Deduções Indevidas de Despesas com Pensões Alimentícias (..) O autuado declarou a pensão alimentícia apenas em nome do cônjuge e da filha, com o total que deveria ser destinado a todos. O cônjuge seria responsável pela administração dos haveres destinados aos filhos, os quais estariam sob seu pátrio poder, não fosse a maioridade alcançada e a falta de direito ao benefício. (...) b) Deduções Indevidas de Despesas com Planos de Saúde (...) Os valores declarados referem-se, respectivamente, ao titular e aos seus genitores. A porcentagem reembolsada foi de 80% para os meses de jan/outubro, e 95% para nov/dez, do total declarado. ANO-CALENDÁRIO 2011 a) Deduções Indevidas de Despesas com Pensões Alimentícias: (...) O autuado declarou a pensão alimentícia apenas em nome do cônjuge e da filha, com o total que deveria ser destinado a todos. O cônjuge seria responsável pela administração dos haveres destinados aos filhos, os quais estariam sob seu pátrio poder, não fosse a maioridade alcançada e a falta de direito ao benefício. b) Deduções Indevidas de Despesas com Planos de Saúde: O valor inscrito na primeira linha refere-se ao valor pago em nome do titular; a segunda linha a do cônjuge; as duas seguintes aos genitores e a última à sua filha, Fernanda Raquel Costa Barbosa, a qual não faz jus ao benefício, seja porque detinha a condição de alimentanda (sem determinação do encargo nº acordo), seja porque já atingiu a maioridade: tem 32 anos de idade. (...) O autuado destinou parte substancial de seus rendimentos bruto, a título de pensões alimentícias a seu cônjuge e a seus dois filhos, 45% (quarenta e cinco por cento). Fl. 445DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.304 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.730196/2012-73 6 Em resumo, usufruiu deduções indevidas desde meados de 1988, no percentual de 45%; de seus vencimentos do TCDF, além de deduções indevidas com despesas dos planos de saúde. Em julgamento a DRJ firmou a seguinte posição: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 DEDUÇÕES. PENSÃO JUDICIAL. No caso de coabitação entre o contribuinte-alimentante e seus filhos alimentados, o acordo entre eles com o objetivo de reduzir a tributação do imposto de renda, abrindo mão da dedução com dependente para se utilizar do instituto da pensão alimentícia, não guarda consonância com o ordenamento jurídico. Tratando-se, pois, de sociedade conjugal, exige-se também sua dissolução (separação de direito ou divórcio) como condição para autorizar a dedutibilidade da referida pensão. Indedutível o pagamento de pensão para filhos maiores, sem comprovação de incapacidade para prover a própria mantença e/ou a incapacidade física ou mental, para o trabalho. DESPESAS MÉDICAS. FILHO ALIMENTADO MAIOR. Indedutíveis as despesas médicas com filhos maiores, sem comprovação de incapacidade para prover a própria mantença e/ou de incapacidade física ou mental para o trabalho. As despesas médicas dedutíveis em DIRPF restringem-se àquelas cujos pagamentos foram efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes informados em DIRPF. As deduções de despesas médicas não se aplicam àquelas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro. ATIVIDADE VINCULADA. Aos Julgadores das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento compete cumprir as determinações legais de forma plenamente vinculada à legislação. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea da infração deve ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Fl. 446DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.304 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.730196/2012-73 7 Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. Nos casos de lançamento de ofício, será aplicada multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. INTIMAÇÃO DO ADVOGADO DOS ATOS PROCESSUAIS, No âmbito do processo administrativo fiscal não cabe a intimação dos atos processuais por correspondência endereçada aos advogados. Somente quando a escolha do órgão preparador for a intimação pessoal e estando o advogado munido do instrumento de mandato, há a possibilidade da intimação perante ele. A escolha recaindo nas formas previstas no art. 23, II, do Decreto nº 70.235/1972, o envio dar-se-á para o domicílio tributário do sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Sobreveio Recurso Voluntário alegando, em síntese 1) Nulidade da decisão recorrida por vício de motivação; 2) a dedutibilidade das parcelas. É o relatório. VOTO Conselheiro João Ricardo Fahrion Nüske, Relator Sendo tempestivo e preenchidos parcialmente os demais requisitos, conheço em parte do recurso voluntário. 1. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA – INOVAÇÃO RECURSAL Sustenta o recorrente a ocorrência de nulidade da decisão recorrida por ausência de motivação. Por mais que o recorrente faça referência à nulidade como sendo da decisão recorrida, o ato atacado em realidade é o de lançamento, que careceria de fundamento. Ocorre que esta alegação de nulidade não foi objeto de impugnação, precluindo o direito do contribuinte de o fazê-lo em sede recursal. Fl. 447DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.304 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.730196/2012-73 8 Portanto, diante da preclusão consumativa, o crédito correspondente ao reportado tópico torna-se incontroverso e definitivamente constituído, não se sujeitando a Recurso na esfera administrativa, nos termos dos arts. 16, III, e 17 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Confirma-se: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n' 9.532/97). Ainda, neste mesmo sentido é a posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Número do processo: 10183.723840/2013-20 Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS Câmara: 1ª SEÇÃO Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais Data da sessão: Fri May 10 00:00:00 UTC 2024 Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2009, 2010 RECURSO ESPECIAL CONTRA ACÓRDÃO QUE ADOTA ENTENDIMENTO DE SÚMULA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO. Não cabe conhecer de recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Na hipótese, o acórdão recorrido adota o mesmo entendimento das Súmulas CARF nº 108, 116 e 178 nas matérias recorridas correlatas. RECURSO ESPECIAL. VERDADE MATERIAL. ALEGAÇÃO DE ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. MATÉRIA CONHECIDA POR DETERMINAÇÃO JUDICIAL. REEXAME DE PROVAS. NÃO CABIMENTO. A despeito de a matéria suscitada nº recurso ter sido conhecida em face de determinação judicial, não cabe à instância especial responsável pela solução de divergências jurisprudenciais adentrar ao reexame de provas já devidamente apreciadas pela instância a quo tanto em sede de apreciação do recurso voluntário, quanto em exame de embargos de declaração opostos pela contribuinte. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. Correta a decisão que reconhece a preclusão de Fl. 448DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.304 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.730196/2012-73 9 matéria não impugnada, apresentada somente em grau recursal, sob pena de afronta ao devido processo legal e ofensa ao duplo grau de jurisdição. NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO NOS FUNDAMENTOS DA AUTUAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Inocorre a nulidade da decisão de primeira instância se há convergência entre o entendimento do acórdão da DRJ com os próprios fundamentos da autuação, inexistindo qualquer inovação e muito menos alteração de critério jurídico do lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2009, 2010 TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO PARA EMPRESA VEÍCULO SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para fruição do tratamento fiscal previsto nos arts. 7º e 8° da Lei nº 9.532/1997 nos casos em que ocorre transferência do ágio pago pela adquirente para outra empresa que será posteriormente extinta por incorporação reversa. MULTA QUALIFICADA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. CONDUTA FRAUDULENTA NÃO CARACTERIZADA. INAPLICABILIDADE. A amortização de ágio mediante a transferência da adquirente do investimento para uma empresa-veículo que é subsequentemente incorporada com vistas a propiciar ao seu aproveitamento fiscal antecipado não encontra amparo nas normas legais, mas tal conduta não enseja, por si só, a aplicação da multa qualificada, quando os atos praticados revelam interpretação equivocada por parte do contribuinte quanto à legislação de regência. MULTA ISOLADA SOBRE ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA SOBRE OS TRIBUTOS APURADOS NO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE A multa isolada é cabível na hipótese de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ ou de CSLL, mas não há base legal que permita sua cobrança de forma cumulativa com a multa de ofício incidente sobre o IRPJ e CSLL apurados no final do período de apuração. Deve subsistir, nesses casos, apenas a exigência da multa de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2009, 2010 CSLL. NEUTRALIDADE DE DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A neutralidade de despesas com amortização de ágio na base de cálculo da CSLL possui amparo nas próprias normas que regem a exigência da referida contribuição. Número da decisão: 9101-006.971 Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Desta forma, não conheço da inovação recursal. 2. DA LEGALIDADE DAS DESPESAS DEDUTÍVEIS Sustenta o recorrente a legalidade das despesas dedutíveis. Fl. 449DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.304 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.730196/2012-73 10 Em se tratando de repetição dos argumentos trazidos em sede de impugnação e, estando a decisão recorrida de acordo com meu entendimento, mantenho-a. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL Conforme já relatado trata-se de glosa, procedida pela Autoridade Fiscal, das despesas com pensão alimentícia judicial. A questão está principalmente centrada na possibilidade ou não de dedução da pensão alimentícia judicial da base de cálculo do IRPF, no caso de os alimentados serem os filhos e esposa do declarante, sem que tenha havido a separação legal dos pais (casal)ou ainda no caso de alimentante e alimentados residirem sob o mesmo teto. A questão que se apresenta já foi tratada pela Receita Federal quando da análise pela Coordenação Geral de Tributação – Cosit, na Solução de Consulta Interna nº 3, de 8 de fevereiro de 2012 - SCI nº 3/2012, sobre o direito ou não à dedução na base de cálculo para fins de IRPF, na circunstância de homologação de pensão alimentícia a diversos parentes, no caso de cônjuge e filhos menores, sem a respectiva separação legal do casal, decidida judicialmente. Coordenação-Geral de Tributação Solução de Consulta Interna nº 3 – Cosit Data 8 de fevereiro de 2012 Origem SRRF03/DISIT. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Para efeitos da aplicação da dedução da base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), de que tratam os arts. 4º, inciso II, e 8º, inciso II, alínea “f”, ambos da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, e considerando-se o disciplinamento contido na Instrução Normativa SRF nº 15, de 6 de fevereiro de 2001: I - as importâncias pagas relativas ao suprimento de alimentos, em face do Direito de Família, serão aquelas em dinheiro e somente a título de prestação de alimentos provisionais ou a título de pensão alimentícia. II - tratando-se de sociedade conjugal, a dedução somente se aplica quando o provimento de alimentos for decorrente da dissolução daquela sociedade; III - não alcança o provimento de alimentos decorrente de sentença arbitral, de que trata a Lei nº 9.307, de 23 de setembro de 1996, por ausência de condição expressa na norma tributária. Dispositivos Legais: Constituição Federal de 1988; Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código Civil; Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, arts. 4º, inciso II, e 8º, inciso II, alínea “f”; Lei nº 9.307, de 23 de setembro de 1996, arts 1º e 31; Instrução Normativa SRF nº 15, de 6 de fevereiro de 2001, art. 15, inciso I, art. 21, inciso IV, e art. 49. (Protocolo Gedoc nº 11.941/2010).” Fl. 450DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.304 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.730196/2012-73 11 (...) Ao analisarmos os trabalhos que foram desenvolvidos em face dos vultosos valores a título de dedução indevida de pensão judicial, verifica-se que o autuado cometeu um considerável engano ao supor que acordos de vontade, como os praticados entre ele, seus filhos e sua esposa pudessem produzir reflexos tributários favoráveis no que concerne ao imposto de renda da pessoa física. De acordo com o disposto supra, não existe amparo na norma tributária e nem mesmo nas jurisprudências judicial e administrativa para a dedução dos valores a que o autuado supunha que teria direito, tendo o interessado se apegado apenas ao fato de que sua esposa e seus filhos, por não possuírem renda, teriam o direito de receber alimentos. (Acordo de Alimentos – fls. 165/167). O motivo que levou ao Acordo de Alimentos não encontra ressonância nº direito tributário, para a finalidade buscada e auferida pelo contribuinte, ou seja, um acordo entre ele, seus filhos e sua esposa com o único fito de deduzir de suas declarações de ajuste anual enormes quantias financeiras, que o impugnante supostamente repassava aos alimentados para suas mantenças. Retorne-se, mais uma vez à SCI nº 3/2012 – Cosit, no trecho abaixo transcrito: Para fins da legislação do imposto, considerando-se a citada autonomia, difícil imaginar que em sociedade conjugal acordante da necessidade de que um pensione alimentos ao outro, sem objetivo de dissolução da sociedade, que mantém, inclusive, coabitação, consiga apartar os valores da pensão alimentícia daqueles inerentes às despesas rotineiras da família. Tomando-se, por hipótese, que a esposa receba pensão alimentícia do marido, e que, conforme já observado, tal pensão se destinaria a suprir necessidades da existência, tais como habitação, alimentação, saúde, vestimenta. Como se daria a segregação da alimentação? A segregação da habitação? E assim em diante. Se a esposa já recebe a pensão alimentícia para corresponder tais necessidades, ela ainda participaria da alimentação conjunta da família? Do lazer conjunto? Das despesas pela coabitação? Para fins tributários, entende-se pouco provável que tal reengenharia doméstica possa ocorrer, mantendo-se a autonomia de quem fornece em relação a quem recebe o rendimento. Tribunais já têm mantido entendimento que tal situação (pensão alimentícia sem dissolução da sociedade conjugal) acaba por ter objetivo meramente de alcance de benefício fiscal nº universo do IRPF. É um ato por demais digno arcar com as despesas de subsistência de seus entes queridos, contudo, não possui a mesma excelência querer dividir com o erário os gastos com os filhos e esposa, ou seja, objetivar que o restante da sociedade assuma uma parte das despesas que o contribuinte praticou em comum acordo com seus filhos e sua esposa. Os gastos praticados pelo contribuinte para com seus filhos e sua esposa não ensejam isenção do imposto de renda, mas, tão somente, as reduções asseguradas a todos os contribuintes, ou seja, a dedução com dependentes, Fl. 451DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.304 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.730196/2012-73 12 despesas médicas, entre outras (quanto à esposa e aos filhos menores de 21 ou até 24 anos cursando estabelecimento de nível superior)Observe-se que a jurisprudência, supradita, deixa bem claro que restando patenteado nos autos que o objetivo da alimentante se revestiu do nítido desejo de benefício tributário, não deve (ou pelo menos não deveria) nem sequer o Judiciário homologar acordo de alimentos nesses moldes. Quanto à alegação da defesa de que se o crédito tributário ora impugnado for mantido ocorrerá a “bitributação”, há algumas considerações a serem feitas: Bitributação “é o fenômeno pelo qual o mesmo fato jurídico vem a ser tributado por duas ou mais pessoas políticas” (CARRAZZA, Roque Antônio. Curso de Direito Constitucional Tributário - 19ª edição. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 525). Portanto, na espécie, não há se falar em bitributação, tendo em vista que a tributação do IRPF é sempre exercida por apenas uma pessoa política, é dizer, a União. Se o contribuinte estava se referindo à tributação do mesmo fato jurídico também contra os alimentados, o impugnante não tem interesse processual para aduzir tal alegação, mas apenas os próprios alimentados em processo distinto. Apenas para argumentar (“ad argumentandum tantum”), o administrado e seus alimentados, ao executarem planejamento tributário de forma abusiva, assumiram o risco de sofrer as consequências tributárias estampadas no presente processo. Observe-se ainda que, nos termos da Portaria RFB nº 3.222/2011, as Soluções de Consulta Interna (SCI) elaboradas pela Cosit e as por ela aprovadas terão efeito vinculante em relação às unidades da RFB, a partir de sua publicação no sítio da RFB na Internet. Assim sendo, este Acórdão fica também vinculado ao que dispõe a Solução de Consulta Interna nº 3 – Cosit de 8 de fevereiro de 2012, cuja ementa já foi transcrita anteriormente. Quanto à argumentação do contribuinte de que “o Impugnante aproveita a oportunidade para anexar às declarações de imposto de renda relativas aos anos calendários de 2007/2011 dos referidos beneficiários (doc. 05), bem como todos os comprovantes de pagamentos relativos à declaração de ajuste anual de todos os exercícios(doc. 06), comprovando a ausência de prejuízo ao erário da Fazenda Nacional”, parece querer fazer crer que não houve prejuízos ao Erário com o procedimento adotado pelo autuado. Esclarece-se que, mesmo que os alimentados ofereçam à tributação os valores recebidos a título de pensão alimentícia, como ocorreu no presente caso, o valor do imposto a ser pago é bem inferior ao que seria obtido se todos os rendimentos estivessem concentrados na declaração do contribuinte autuado. Observe-se, utilizando a título de exemplo o Ano-Calendário de 2011, que MARIA CANDIDA DA SILVA COSTA (ESPOSA-alimentada) declarou os rendimentos recebidos na DIRPF/modelo Simplificado fazendo jus ao desconto simplificado e Fl. 452DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.304 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.730196/2012-73 13 ainda a uma alíquota de 22,5%, o que não ocorreria se toda a tributação ocorresse na declaração do autuado, onde não haveria a dedução o desconto simplificado e a tributação ocorreria à alíquota de 27,5%. Fazer declarações em separado, na grande maioria das vezes, traz benefícios aos contribuintes, e tal procedimento pode ser utilizado pelo casal, desde que não se trate de um planejamento tributário abusivo, como é o caso aqui observado. Há ainda outro fator a ser considerado: No ano-calendário de 2007 os filhos do impugnante, FERNANDA RAQUEL COSTA BARBOSA e MARCOS CESAR COSTA BARBOSA, estavam com 27 e 26 anos respectivamente (certidões de nascimento, fls. 11/12). Tal fato também foi observado pela Autoridade Lançadora no Relatório Fiscal. Vejamos o que dispõe o inciso II do artigo 4º da Lei n.º 9.250 de 26/12/1995 e o artigo 78 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000 de 1999: Art. 4 - Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II - as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). A legislação do Imposto de Renda é bem clara ao permitir a dedução das importâncias efetivamente pagas a título de pensão quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública e somente quando o valor da pensão estiver estipulado. De acordo com a Autoridade Fiscal, não existe previsão legal para a dedução das pensões alimentícias pagas à FERNANDA RAQUEL COSTA BARBOSA e a MARCOS CESAR COSTA BARBOSA. Saliente-se, mais uma vez, que os filhos eram maiores de idade já no ano-calendário de 2007 (mais de 25 anos). Não há como se interpretar a legislação que autoriza a dedução do pagamento de pensão alimentícia judicial de forma isolada do restante sistema legal vigente. Sua interpretação há de ser feita de forma sistemática, levando em conta a totalidade do texto legal em que se situa, o que leva à análise do que dispõe inclusive o Código Civil, que trata da obrigação de pensionamento. Fl. 453DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.304 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.730196/2012-73 14 Neste ponto, cabe destacar a existência de duas modalidades de obrigações alimentares vigentes no Direito pátrio: a primeira decorre do poder familiar, impondo aos pais o dever de sustento, guarda e educação dos filhos durante a menoridade, cujo fundamento se encontra no inciso IV do art. 1.566 da Lei nº 10.406/2002 – Código Civil Brasileiro, abaixo transcrito: Art. 1.566. São deveres de ambos os cônjuges: (...)IV – Sustento, guarda e educação dos filhos; No entanto, com o advento da maioridade, a obrigação alimentar dos pais com relação aos filhos passa a ter natureza diversa, com fundamento nos artigos nº 1.694 e 1.695 do referido diploma legal: Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender as necessidades de sua educação. Art. 1.695. São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode fornecê-los, sem desfalque do necessário ao seu sustento. Assim, no caso de obrigação alimentar, fundada nos artigos 1694 e 1695 do Novo Código Civil, que inclui a prestação de alimentos aos filhos maiores, necessário se faz a comprovação da necessidade do alimentado e possibilidade do alimentante. É condição imprescindível que os alimentos sejam devidos quando o pretendente não tenha bens e nem possa prover, pelo trabalho, a própria mantença, existindo um caráter obrigacional claro de sustento. Essa impossibilidade de prover a própria mantença não foi provada nos autos. O contribuinte não traz provas de que seus filhos não eram capazes de prover pelo trabalho suas próprias mantenças. Cabe ressaltar que o Código Civil, em seu art. 1.635, determina a extinção do poder familiar pela maioridade dos filhos. O dever de sustento originado do poder familiar diferencia-se da obrigação de prestar alimentos prevista nos arts 1.694 e 1.695 acima transcritos, que se sujeita aos requisitos da necessidade do alimentado e possibilidade do alimentante. Deste modo, atingida a maioridade, modifica-se o fundamento do pagamento da pensão, que passa a ser a necessidade de prestar alimentos aos filhos que não possuem condições de prover sua própria subsistência, de forma que os pagamentos efetuados pelo interessado não mais encontram justificativa em acordos fundados no dever de sustento dos filhos menores. Por sua vez, o inciso II, §1º do art. 35 da Lei nº 9.250/95 informa que: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea "c", poderão ser considerados como dependentes: Fl. 454DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.304 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.730196/2012-73 15 (...)III - a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; (...)§ 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. Em suma, interpretando-se as normas civis do Direito de Família acima citadas conjuntamente com as normas tributárias relativas à pensão judicial e à relação de dependência contidas nos artigos 4º e 35 da Lei nº 9.250/95, é possível concluir que os valores pagos pelo contribuinte a título de pensão alimentícia somente deveriam ser considerados como dedutíveis, para fins de tributação do IRPF, até que seus filhos completassem a maioridade, ou excepcionalmente, até os 24 anos de idade, caso os mesmos ainda estivessem cursando algum estabelecimento de ensino superior/escola técnica de segundo grau, tendo em vista o dever de educação dos pais para com os filhos, insculpido no inciso IV do art. 1.566 do Código Civil. Ressalva-se, outrossim, a possibilidade da dedução dos pagamentos efetuados àquele título com seus filhos em qualquer idade, desde que incapacitados para o trabalho, hipótese em que o fundamento para o custeio dos alimentos seriam as condições físicas/psíquicas desfavoráveis, que lhes impedissem de prover seu próprio sustento. Ainda sob esse prisma, podemos inferir que, a partir da maioridade dos filhos, qualquer repasse de numerário efetuado pelos pais em favor daqueles se equipara aos repasses efetuados pelos demais pais, que nunca estiveram obrigados a efetuar pagamentos a título de pensão alimentícia. Trata-se de uma mera liberalidade, um ato neutro em face das normas que regem a dedutibilidade do Imposto de Renda. Entender o contrário seria conceder um benefício não isonômico aos pais que estão na situação do interessado, em detrimento aos demais pais, que jamais pagaram pensão alimentícia e nunca puderam abater os repasses em dinheiro realizados a seus filhos da base de cálculo do Imposto de Renda. (...) Assim, entendo que a homologação judicial do acordo em referência nenhum respaldo dá à dedução das pensões alimentícias pretendida pelo contribuinte. À luz da legislação tributária acima transcrita e dos fundamentos expostos, as despesas informadas são indedutíveis, uma vez que FERNANDA RAQUEL COSTA BARBOSA e MARCOS CESAR COSTA BARBOSA já tinha, no AC 2007, idades superiores a 24 anos. (...) Repise-se que o dever de sustento que se origina do poder familiar, é o dever de criar e educar os filhos, e diferencia-se da obrigação de alimentos, fundada no Fl. 455DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.304 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.730196/2012-73 16 artigo 1694 do Novo Código Civil, que se sujeita aos requisitos da necessidade do alimentado e possibilidade do alimentante. Assim, após completar a maioridade, modifica-se o fundamento do pagamento da pensão alimentícia, de sorte que os pagamentos efetuados pelo contribuinte aos filhos maiores, não encontram mais fundamento na decisão judicial anexada. Conclui-se, pois, que o montante deduzido pelo impugnante a título de pensão alimentícia para com os alimentados FERNANDA RAQUEL COSTA BARBOSA e MARCOS CESAR COSTA BARBOSA, que estavam com 27 e 26 anos, respectivamente, nº AC 2007, não pode ser aceito para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda. A Lei nº 6.515/77, que regula os casos de dissolução da sociedade conjugal e do casamento, seus efeitos e respectivos processos, e dá outras providências, dispõe, em seu art. 16, que as disposições relativas à guarda e à prestação de alimentos aos filhos menores estendem-se aos filhos maiores inválidos, concluindo-se, pois, que, eventuais repasses financeiros efetuados aos filhos que atingiram a maioridade decorrem de liberalidade e não de cumprimento do acordo judicial. Então, no presente caso, os pagamentos de pensão alimentícia aos filhos maiores caracterizam-se liberalidade do declarante e não o cumprimento do acordo homologado judicialmente. Pelo exposto, no caso concreto, somente seriam dedutíveis do rendimento bruto, para fins de incidência do Imposto de Renda, as pensões pagas aos filhos maiores desde que incapacitados para o trabalho e sem meios para proverem a própria subsistência, o que, conforme já explanado, não restou comprovado. Portanto, considero que os seguintes fatos são os mais relevantes para a conclusão do presente item (glosa de pensão alimentícia judicial): 1) Não ter havido a dissolução da sociedade conjugal entre WANDER MAURICIO COSTA (impugnante - alimentante) e MARIA CANDIDA DA SILVA COSTA(ESPOSA - alimentada). 2) Alimentante (Impugnante) e alimentados (esposa e filhos) viverem sob o mesmo teto. 3) Os filhos alimentados MARCOS CESAR COSTA BARBOSA e FERNANDA RAQUEL COSTA BARBOSA já contarem com mais de 25 anos no ano calendário de 2007. Assim, considero que agiu corretamente a Autoridade Fiscal ao proceder à glosa dos valores deduzidos a título de pensão alimentícia judicial pelo autuado nas DIRPFs dos anos-calendário 2007 a 2011. DESPESAS MÉDICAS (exceto plano de saúde) Quanto às despesas médicas (exceto plano de saúde), houve glosa de R$ 2.500,07 referente ao AC 2008. Fl. 456DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.304 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.730196/2012-73 17 A Autoridade Lançadora justifica da seguinte forma a glosa procedida (Relatório Fiscal – fl. 117): As despesas glosadas referem-se a gastos com serviços médicos na área de psiquiatria prestados às pessoas de seus filhos, os quais não mais fazem jus aos benefícios, uma vez que ao tempo dos fatos já haviam atingido a maioridade: respectivamente, 27 anos e 28 anos. Em sua defesa o impugnante apresenta a seguinte argumentação: DA GLOSA DAS DESPESAS MÉDICAS DOS DEPENDENTES Outro ponto que merece ser contestado de plano, é a glosa injustificada das despesas médicas dos dependentes do Impugnante, no presente caso os seus genitores, Teobaldo da Costa Barbosa, CPF n° 028.861.621-91 e Maria Alves de Sousa. (...) Observando-se a DIRPF do contribuinte, referente ao ano-calendário 2008, verifica-se que a despesa decorreu de pagamentos do serviço prestado pelo Dr. Milton Rodrigues Paixão, conforme abaixo (cópia do quadro de declaração do autuado): Os recibos emitidos pelo referido profissional de saúde constam às fls. 37/42, e referem-se a consultas a Fernanda Raquel C. Barbosa e a Marcos Cesar C. Barbosa. Tal despesa não é dedutível do imposto de renda por dais motivos: 1) os filhos, como já dito, eram maiores que 24 anos em todo o período sob análise e 2) Não constam como dependentes na DIRPF do impugnante. Observe-se o que dispõe a legislação sobre o assunto: DECRETO Nº 3.000, DE 26 DE MARÇO DE 1999. Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas nº País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 457DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.304 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.730196/2012-73 18 III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (...)(grifei) Assim, mantém-se a glosa referente à despesa médica (exceto plano de saúde, que será apreciada no próximo item) DESPESA MÉDICA COM PLANO DE SAÚDE Observe-se que, em nenhuma das declarações o contribuinte informou valor de “Parcela não Dedutível”, que corresponde ao reembolso dos valores pagos a título de despesa de saúde. Conforme comprovantes de rendimentos emitidos pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal, o contribuinte recebe um elevado percentual de reembolso de suas despesas com plano de saúde. (...) Consta ainda, fl. 27, a seguinte declaração emitida pela Seção de Pagamento de Pessoal do Tribunal de Contas do Distrito Federal: (...) Observe-se o que dispõe a legislação sobre o assunto: DECRETO Nº 3.000, DE 26 DE MARÇO DE 1999. Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas nº País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; Fl. 458DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.304 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.730196/2012-73 19 II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; (...) Como se constata da legislação supratranscrita, as deduções previstas para o imposto de renda não se aplicam aos valores de despesas reembolsados. Como já informado, o contribuinte deduziu os valores totais pagos ao plano de saúde Assefaz, sem informar qualquer parcela não dedutível que corresponderia aos reembolsos pagos pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal. Assim, estão corretas as glosas procedidas pela Autoridade Fiscal, que considerou em seus cálculos das glosas o percentual de reembolso informado na tabela constante da Declaração 029/2010 Sepag (anteriormente copiada). Observe-se que, apenas para o ano-calendário de 2011, foi glosada totalmente o valor da despesa com plano de saúde de Fernanda Raquel Costa Barbosa, filha do declarante, maior de idade, não havendo previsão legal para a sua dedução, conforme já explicado no item anterior (DESPESAS MÉDICAS - exceto plano de saúde). Observe-se que para os anos-calendário de 2007 e 2008 caberia até a glosa total do valor declarado a título de plano de saúde, já que os comprovantes emitidos pela Assefaz não discriminam o pagamento por titular e dependentes e nem o declarante discriminou em DIRPF, mas o Auditor não levou isso em consideração. Portanto, ficam mantidas as glosas referentes às despesas com plano de saúde. ENCARGOS E ACRÉSCIMOS O contribuinte alega que “O lançamento está acrescido de juros de mora e multa de ofício que merecem sejam também excluído do lançamento uma vez que o contribuinte declarou espontaneamente à RFB e, portanto, não se trata de omissão ou elementos que não foi colocado à disposição da fiscalização” e que “Dessa forma, na ausência de dolo ou má-fé não cabe a multa de ofício e tampouco o Lançamento (Auto de Infração), porque trata-se de declaração apresentada espontaneamente ao Fisco”. Observe-se o que dispões a legislação sobre denúncia espontânea: Fl. 459DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.304 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.730196/2012-73 20 Código Tributário Nacional Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Lei 9.430/1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)(...) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) . Conforme se verifica, pelo que dispõe o art. 138 do CTN, não há o que se falar, no presente caso, em denúncia espontânea do impugnante uma vez que, em nenhum momento, o contribuinte denunciou espontaneamente as infrações apuradas conforme Auto de Infração (fls. 84/111). Observando-se ainda que não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração (embora nem esta tentativa tenha ocorrido por parte do contribuinte). Sobre a multa de ofício, há de se cumprir o que dispõe a Lei 9430/1996 , art. 44 supratranscrito. Há que se considerar ainda que os Julgadores das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento devem cumprir as determinações legais de forma plenamente vinculada à legislação. Portanto, não procedem as argumentações do contribuinte sobre a não incidência de acréscimos legais sobre os valores lançados. Conclusão Ante o exposto voto por não conhecer da inovação recursal e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente João Ricardo Fahrion Nüske Fl. 460DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2402-013.304 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10166.730196/2012-73 21 Fl. 461DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 12571.720064/2012-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Sun Jan 18 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2011 a 30/09/2011
NULIDADE POR FUNDAMENTAÇÃO GENÉRICA. INOCORRÊNCIA.
Não há nulidade quando o auto de infração está acompanhado de FLD, relatório fiscal detalhado e discriminativo do débito, permitindo plena compreensão dos fatos e do enquadramento jurídico.
NULIDADE POR VIOLAÇÃO AOS ARTS. 9º E 10 DO DECRETO N. 70.235/72. NÃO CONFIGURAÇÃO.
Contribuições distintas foram objeto de autos de infração próprios, reunidos em um único processo pela identidade probatória. Quando a descrição dos fatos é suficiente, embora suscinta, não há violação ao art. 10, III, do Decreto n. 70.235/72.
NULIDADE POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Não há nulidade quando presente motivação suficiente, com indicação da metodologia de aferição, das áreas consideradas e do enquadramento da obra.
NULIDADE POR ERRO NA METRAGEM DA ÁREA. IMPROCEDÊNCIA.
Eventuais divergências nas áreas do lançamento constituem matéria de mérito, não nulidade.
NULIDADE POR OFENSA À LEGALIDADE. NÃO VERIFICADA.
A responsabilidade do proprietário da obra decorre diretamente da lei. A IN RFB n. 971/2009 limita-se a regulamentar critérios de aferição autorizados pelo art. 33, § 4º, da Lei n. 8.212/91.
MÉRITO. AFERIÇÃO INDIRETA. AUSÊNCIA DE CONTABILIDADE.
Declarada pelo contribuinte a inexistência de contabilidade regular, correta a adoção da aferição indireta, conforme legislação previdenciária pertinente.
REDUTOR DE 50%. ÁREAS DE LOCAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
As áreas de salas e lojas não se enquadram nas hipóteses taxativas do art. 357 da IN RFB n. 971/2009, sendo inviável a extensão do redutor aplicável às áreas acessórias, como garagens e estacionamentos.
Numero da decisão: 2401-012.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado Digitalmente
Leonardo Nuñez Campos – Relator
Assinado Digitalmente
Miriam Denise Xavier – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Elisa Santos Coelho Sarto, Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Leonardo Nuñez Campos, Marcio Henrique Sales Parada, Wilderson Botto (substituto integral), Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO NUNEZ CAMPOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2011 a 30/09/2011 NULIDADE POR FUNDAMENTAÇÃO GENÉRICA. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade quando o auto de infração está acompanhado de FLD, relatório fiscal detalhado e discriminativo do débito, permitindo plena compreensão dos fatos e do enquadramento jurídico. NULIDADE POR VIOLAÇÃO AOS ARTS. 9º E 10 DO DECRETO N. 70.235/72. NÃO CONFIGURAÇÃO. Contribuições distintas foram objeto de autos de infração próprios, reunidos em um único processo pela identidade probatória. Quando a descrição dos fatos é suficiente, embora suscinta, não há violação ao art. 10, III, do Decreto n. 70.235/72. NULIDADE POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade quando presente motivação suficiente, com indicação da metodologia de aferição, das áreas consideradas e do enquadramento da obra. NULIDADE POR ERRO NA METRAGEM DA ÁREA. IMPROCEDÊNCIA. Eventuais divergências nas áreas do lançamento constituem matéria de mérito, não nulidade. NULIDADE POR OFENSA À LEGALIDADE. NÃO VERIFICADA. A responsabilidade do proprietário da obra decorre diretamente da lei. A IN RFB n. 971/2009 limita-se a regulamentar critérios de aferição autorizados pelo art. 33, § 4º, da Lei n. 8.212/91. MÉRITO. AFERIÇÃO INDIRETA. AUSÊNCIA DE CONTABILIDADE. Declarada pelo contribuinte a inexistência de contabilidade regular, correta a adoção da aferição indireta, conforme legislação previdenciária pertinente. REDUTOR DE 50%. ÁREAS DE LOCAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As áreas de salas e lojas não se enquadram nas hipóteses taxativas do art. 357 da IN RFB n. 971/2009, sendo inviável a extensão do redutor aplicável às áreas acessórias, como garagens e estacionamentos.
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INOCORRÊNCIA. Não há nulidade quando o auto de infração está acompanhado de FLD, relatório fiscal detalhado e discriminativo do débito, permitindo plena compreensão dos fatos e do enquadramento jurídico. NULIDADE POR VIOLAÇÃO AOS ARTS. 9º E 10 DO DECRETO N. 70.235/72. NÃO CONFIGURAÇÃO. Contribuições distintas foram objeto de autos de infração próprios, reunidos em um único processo pela identidade probatória. Quando a descrição dos fatos é suficiente, embora suscinta, não há violação ao art. 10, III, do Decreto n. 70.235/72. NULIDADE POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade quando presente motivação suficiente, com indicação da metodologia de aferição, das áreas consideradas e do enquadramento da obra. NULIDADE POR ERRO NA METRAGEM DA ÁREA. IMPROCEDÊNCIA. Eventuais divergências nas áreas do lançamento constituem matéria de mérito, não nulidade. NULIDADE POR OFENSA À LEGALIDADE. NÃO VERIFICADA. A responsabilidade do proprietário da obra decorre diretamente da lei. A IN RFB n. 971/2009 limita-se a regulamentar critérios de aferição autorizados pelo art. 33, § 4º, da Lei n. 8.212/91. MÉRITO. AFERIÇÃO INDIRETA. AUSÊNCIA DE CONTABILIDADE. Fl. 405DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.436 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720064/2012-87 2 Declarada pelo contribuinte a inexistência de contabilidade regular, correta a adoção da aferição indireta, conforme legislação previdenciária pertinente. REDUTOR DE 50%. ÁREAS DE LOCAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As áreas de salas e lojas não se enquadram nas hipóteses taxativas do art. 357 da IN RFB n. 971/2009, sendo inviável a extensão do redutor aplicável às áreas acessórias, como garagens e estacionamentos. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Leonardo Nuñez Campos – Relator Assinado Digitalmente Miriam Denise Xavier – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Elisa Santos Coelho Sarto, Jose Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Leonardo Nuñez Campos, Marcio Henrique Sales Parada, Wilderson Botto (substituto integral), Miriam Denise Xavier (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto pelo contribuinte contra o acórdão n. 10- 56.022 da 6ª Turma da DRJ/POA, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada. A ação fiscal é bem descrita no relatório da decisão recorrida: DO LANÇAMENTO Trata-se de regularização parcial de obra de construção civil, localizada na Avenida Vicente Machado, 170, Centro, município de Ponta Grossa, Paraná, de propriedade de Vicente Barbur Empreendimentos Imobiliários Ltda, CNPJ nº Fl. 406DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.436 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720064/2012-87 3 80.218.142/0001-69 e identificada perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil sob a matrícula CEI nº 50.022.58161/79. O processo abrange o Auto de Infração Debcad nº 51.008.396-0, o Auto de Infração Debcad nº 51.008.397-8 e o Auto de Infração Debcad nº 51.008.398-6. 1) O Auto de Infração Debcad nº 51.008.396-0 é relativo à contribuição previdenciária a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, devidas à Seguridade Social incidentes sobre a remuneração da mão-de-obra aferida, utilizada na edificação da obra de construção civil. O crédito tributário relativo a este Auto de Infração atingiu o montante de R$ 807.157,46 (oitocentos e sete mil, cento e cinqüenta e sete reais e quarenta e seis centavos), consolidado em 08/03/2012 (fls. 02). 2) O Auto de Infração Debcad nº 51.008.397-8 é relativo à contribuição do segurado empregado, devida à Seguridade Social, incidente sobre a remuneração da mãode-obra aferida utilizada na edificação de obra de construção civil. O crédito tributário relativo a este Auto de Infração atingiu o montante de R$ 300.337,65 (trezentos mil, trezentos e trinta e sete reais e sessenta e cinco centavos), consolidado em 08/03/2012 (fls. 08). 3) O Auto de Infração Debcad nº 51.008.398-6 é relativo à contribuição devida a terceiros, incidente sobre a remuneração da mão-de-obra aferida, utilizada na edificação de obra de construção civil. O montante deste crédito é de R$ 217.744,80 (duzentos e dezessete mil, setecentos e quarenta e quatro reais e oitenta centavos), consolidado em 08/03/2012 (fls. 14). DISO – Declaração de Informação sobre Obra O Relatório Fiscal de fls. 25/30 consigna que em 08/07/2011 o contador da empresa e procurador dos sócios solicitou regularização parcial de obra de construção civil relativa a 26.622,64 m² e 08 pavimentos constituída por um prédio comercial em alvenaria. A área total do projeto é de 38.315,70 m² e 23 pavimentos. As informações foram prestadas pelo contribuinte na Declaração de Informação sobre Obra - DISO de 08/07/2011 (fls. 26 e 42/47). Na ocasião o contribuinte declarou que a empresa não possuía contabilidade regular, conforme formulário intitulado “Requerimento de Regularização de Obra por Aferição”, às fls. 99, solicitando a regularização da obra através de aferição indireta. A obra foi objeto do Alvará de Licença de Construção nº 120/2006 (fls. 71 e 73) e do Habite-se nº 594/2011, ambos emitidos pela Prefeitura Municipal de Ponta Grossa/PR. O proprietário da obra declarou o seu início como sendo em 10/02/2006 e o seu término em 10/03/2011. ARO – Aviso de Regularização de Obra Fl. 407DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.436 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720064/2012-87 4 As contribuições devidas para a obra foram apuradas por aferição indireta e lançadas na competência 09/2011 através do ARO nº 873770, de 13/09/2011 (fls. 34/38). A Seção de Orientação e Análise Tributária – SAORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ponta Grossa/PR manifestou-se através da Informação Fiscal nº 216 de 14/09/2011 (fls. 40/41) acerca do pedido de regularização de obra do contribuinte, datado de 08/07/2011 explicando os procedimentos e as informações que utilizou para a emissão do cálculo das contribuições previdenciárias e de terceiros devidas. O cálculo consta às fls. 35/38. Para fins de cálculo perante a RFB e definição do CUB correspondente, a edificação foi enquadrada como obra nova, comercial/salas e lojas, padrão normal, com área total de 38.315,70 m² e regularização parcial de 26.622,64 m². Da metragem a regularizar, 11.705,25 m2 tiveram a redução de 50% em razão da aplicação dos redutores previstos no art. 357, incisos IV (garagem, abrigo para veículos e pilotis), XIV (caixa d’água) e XV (casa de máquinas) da IN RFB nº 971/2009, por se tratar de área de garagem, casa de máquinas/ar condicionado e caixa d’água/gás. A descrição das áreas reduzidas está demonstrada no Relatório Fiscal, às fls. 26. Em razão da aplicação dos redutores, a área para cálculo ficou reduzida e foi obtida da seguinte forma, conforme constou no item “Quadro de Áreas e Remunerações” do ARO (fls. 34): Áreas do projeto - Área total do projeto: 38.315,70 m²; - Área a regularizar 26.622,64 m²; - Área com redução de 50% : 11.705,25 m² (reduzida = 5.852,25 m²) Áreas para fins de cálculo - Área total do projeto: 32.463,08 m² (38.315,70 – 5,852,25) - Área para cálculo: 20.770,02 m² (26.622,64 – 5.852,25) Para este cálculo foi utilizado o CUB no valor de R$ 971,24 (PR-1), enquadramento CSL (08). A remuneração da mão-de-obra a regularizar importou em R$ 2.092.537,04 (fls. 39) e o total a recolher de R$ 770.053,63, com vencimento em 20/10/2011, conforme Guia da Previdência Social às fls. 39. O contador/procurador do sujeito passivo foi cientificado pessoalmente deste ARO e do valor devido para a regularização da obra em 13/09/2011 (fls. 38). Decorrido o prazo de vencimento expresso na GPS, não houve recolhimento do valor correspondente, razão pela qual foi comandada ação fiscal através do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0910400.2012-00030-8, emitido em 03/02/2012. Áreas do projeto Fl. 408DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.436 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720064/2012-87 5 Consta nos autos declaração da Prefeitura Municipal de Ponta Grossa de 04/03/2011 informando que em 10/02/2006 foi concedida autorização para a construção de um prédio em alvenaria, para fins comerciais, com 23 pavimentos e área de 38.315,70 m² (fls. 101). As áreas do projeto aprovado estão descritas no anexo do alvará e são as seguintes (fls. 103): - 1ª etapa (lojas 8.306,60 m²); - 2ª etapa (lojas 3.636,41 m² + adm. Shopping 116,46 m² + lojas/garagens: 3.636,41m² + 3.324,52 m² + garagens: 3.636,41m² + 3.636,41m² + caixa d’água/gás 329,42m²); - 3ª etapa (centro de convenções 2.853,56 m²); - 4ª etapa (torre 15 pavimentos, comercial /hotel – 589,30m² cada). A vistoria de conclusão para concessão do habite-se nº 594/2011 certifica em 10/03/2011 a conclusão de 26.622,64 m² de imóvel comercial, observando que a certificação é referente à 1ª etapa (8.297,74 m²) e à 2ª etapa (18.324,90 m²). O contribuinte, então, apresentou impugnação que foi julgada procedente em parte pela DRJ, conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2011 a 30/09/2011 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. O Auto de Infração que observa o regramento administrativo próprio à espécie, garante o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, não gera a nulidade do lançamento. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, quando não comprovada nenhuma das hipóteses de exceção previstas na legislação. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. O pedido de diligência é indeferido quando a autoridade julgadora considerá-lo prescindível para a solução do litígio. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2011 a 30/09/2011 Debcad nº 51.008.396-0 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA INCIDENTES SOBRE A MÃO-DE-OBRA EMPREGADA NA EDIFICAÇÃO DE CONSTRUÇÃO CIVIL. Debcad nº 51.008.397-8 Fl. 409DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.436 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720064/2012-87 6 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO EMPREGADO INCIDENTE SOBRE A MÃO-DE-OBRA EMPREGADA NA EDIFICAÇÃO DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/2011 a 30/09/2011 Debcad nº 51.008.398-6 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS, INCIDENTES SOBRE A MÃO-DE-OBRA EMPREGADA NA EDIFICAÇÃO DE CONSTRUÇÃO CIVIL. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. FALTA DE PROVA REGULAR E FORMALIZADA. AFERIÇÃO INDIRETA. A base de cálculo das contribuições sociais relativas à mão de obra utilizada na execução de obra de construção civil será aferida indiretamente quando não houver apresentação de escrituração contábil. APLICAÇÃO DE REDUTOR. LOJA COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE. Aplica-se o redutor de 50% (cinqüenta por cento) para área coberta destinada a estacionamento, para fins de regularização de obra de construção civil perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil. Não há previsão legal que ampare a aplicação de redutor para a área de lojas. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ENQUADRAMENTO. PADRÃO. O enquadramento de obra de construção civil, para fins de sua regularização perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, será realizado de ofício, de acordo com a destinação do imóvel, o número de pavimentos, o padrão e o tipo da obra, e tem por finalidade definir o CUB aplicável à obra e o procedimento de cálculo a ser adotado. O enquadramento de obra não leva em conta os materiais ou técnicas utilizados na edificação. O proprietário/dono da obra é o responsável pela sua regularização não podendo utilizar contratos firmados com terceiros para reduzir o custo da remuneração da mão-de-obra utilizada na edificação. REVISÃO DO LANÇAMENTO. O lançamento pode ser revisado à vista de elementos probantes que tenham vinculação inequívoca à obra. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, articulando os seguintes argumentos: Argui a nulidade do PAF devido ao enquadramento genérico, o que ofenderia os princípios da ampla defesa e do contraditório. A indicação de Fl. 410DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.436 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720064/2012-87 7 uma multiplicidade de dispositivos legais para embasar o lançamento prejudica a subsunção dos fatos à norma. Defende que o auto de infração é nulo por descumprimento aos arts.9 º e 10º do Decreto n. 70.235/72, pois estão sendo cobradas contribuições diferentes no mesmo AIIM e que a conduta ilícita praticada pelo recorrente não estaria suficientemente descrita, em violação ao art. 10, III da referida norma. Assevera que não há motivação expressa nos AIIM’s. Aponta que há erro na metragem da área a ser regularizada, o que torna nulo o lançamento por ofensa ao art. 142 do CTN, pois alterada a base de cálculo dos tributos. Diz que há a tentativa de imputação de responsabilidade tributária com base na IN RFB n. 971/2009, o que representa ofensa aos princípios da legalidade. Defende que houve mudanças no projeto arquitetônico original do empreendimento, e que houve atualizações no projeto e nas técnicas construtivas no período e que embora tenha optado pelo método de aferição indireta das contribuições, “o rigor utilizado nos demonstrativos contábeis formou importante e decisivo elemento de prova inequívoca dos verdadeiros custos envolvidos na obra em análise”. Assim, seria plausível o reenquadramento da CEI para o método de apuração com base na escrituração contábil. Argumenta que a área de locação tem padrão similar à área de estacionamento, pelo que deveria receber também a redução de 50% na base de cálculo para efeito de incidência das contribuições previdenciárias. Que o acórdão que não reconheceu esse direito feriria o princípio da isonomia. É o relatório. VOTO Conselheiro Leonardo Nuñez Campos – Relator 1. Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72. Dele, portanto, conheço. 2. Preliminares 2.1. Nulidade por fundamentação genérica e ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório Fl. 411DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.436 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720064/2012-87 8 O contribuinte sustenta que o enquadramento jurídico seria genérico, porque o Auto de Infração menciona diversos dispositivos legais. Afirma que isso dificultaria a subsunção dos fatos à norma. Não lhe assiste razão. O acórdão recorrido demonstrou, com precisão, que os dispositivos aplicáveis às contribuições previdenciárias e a terceiros variam conforme o período de apuração e o tributo envolvido. A fiscalização anexou aos autos o FLD – Fundamentos Legais do Débito, contendo a indicação clara da legislação aplicável e o Relatório Fiscal descreveu de forma suficiente o procedimento de aferição indireta, a base normativa utilizada e a composição da base de cálculo. A mera extensão da fundamentação legal não configura genericidade, tampouco cerceamento de defesa, sobretudo quando o contribuinte demonstra pleno domínio dos fatos e das normas debatidas, como demonstra a própria peça recursal, repleta de alegações de mérito específicas. Rejeito a preliminar. 2.2. Nulidade por ofensa aos arts. 9º e 10 do Decreto n. 70.235/72 O recorrente afirma que haveria nulidade porque “contribuições diversas teriam sido cobradas no mesmo auto de infração” e que não teria sido descrita a conduta ilícita. Não procede. Conforme registrado pela DRJ, cada contribuição (empresa, segurados e terceiros) foi objeto de Auto de Infração próprio, reunidos apenas em um mesmo processo pela identidade probatória. O Relatório Fiscal e os DD – Discriminativos do Débito descrevem: (i) a obra objeto da aferição indireta; (ii) a área total e a área a regularizar; (iii) a metodologia de aferição; (iv) a base de cálculo final; (v) as alíquotas e rubricas de cada contribuição. A narrativa dos fatos é completa e atende ao art. 10, III, do Decreto n. 70.235/72. A conduta ilícita, qual seja, não recolhimento das contribuições calculadas sobre a mão de obra aferida, está descrita de forma clara. Rejeito a preliminar. 2.3. Ausência de motivação dos Autos de Infração O recorrente alega que não há motivação expressa nos autos de infração. Também sem razão. O FLD, o Relatório Fiscal e os anexos descrevem detidamente o procedimento de aferição indireta, as áreas utilizadas, a origem dos dados, o enquadramento da obra, o cálculo do CUB, o redutor aplicado e as razões pelas quais não foi aplicada redução às áreas de lojas. Fl. 412DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.436 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720064/2012-87 9 Há motivação expressa e suficiente. O contribuinte teve plena compreensão da acusação, tanto que impugnou cada ponto de forma detalhada. Rejeito a preliminar. 2.4. Erro na metragem da área regularizada e nulidade do lançamento Afirma o contribuinte que a área parcial de 26.622,64 m² estaria incorreta, o que afetaria a base de cálculo. O acórdão recorrido demonstrou que essa área consta da Vistoria de Conclusão para o Habite-se nº 594/2011, documento municipal e o contribuinte informou essa mesma área na DISO. Ainda, a redução de 50% incide apenas para fins de cálculo, não podendo ser subtraída integralmente da área total. A área utilizada (20.770,02 m² para cálculo) está correta e decorre da aplicação objetiva da IN RFB n. 971/2009. Não há vício. Além disso, eventual erro na metragem ou no cálculo seria um elemento a ser analisado no mérito do recurso, assim a preliminar deve ser rejeitada. 2.5. Ofensa à legalidade pela imputação de responsabilidade com base em instrução normativa O contribuinte sustenta que a IN RFB n. 971/2009 não poderia fundamentar responsabilidade tributária. A alegação distorce o que ocorreu. A responsabilidade do proprietário decorre diretamente da lei (art. 33, § 4º, da Lei n. 8.212/91). A IN apenas regulamenta o critério técnico de aferição indireta e o enquadramento das obras, conforme autoriza a própria lei. Não há qualquer inovação ilegítima. Preliminar rejeitada. 3. Mérito 3.1. Pretensão de reenquadramento do método de apuração para escrituração contábil O contribuinte argumenta que houve modificações no projeto, utilização de novos materiais e que seus demonstrativos contábeis refletiriam melhor o custo real. Pede o reenquadramento para cálculo pela contabilidade. O pleito não merece acolhida. Conforme declaração expressa do próprio contribuinte, a empresa informou não possuir contabilidade regular, motivo pelo qual requereu a regularização pela aferição indireta. O art. 33, §4º, da Lei n. 8.212/91 estabelece que, na falta de prova regular e formalizada, a remuneração da mão de obra deve ser apurada por aferição indireta. Fl. 413DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.436 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720064/2012-87 10 A atividade de lançamento é vinculada. Não cabe ao contribuinte, após solicitar a aferição indireta, pretender a substituição retroativa do método ou a introdução tardia de custos alegadamente comprovados. Assim, acertada a decisão recorrida, fundamentada nos seguintes termos: O sujeito passivo requereu na impugnação que a regularização da obra fosse efetuada com base na contabilidade ao invés do procedimento de aferição indireta. Alega que este pleito também teria sido manifesto no processo administrativo nº 10940.000997/2011- 01. Ocorre que à época em que o contribuinte, espontaneamente, solicitou a regularização da obra, mediante a protocolização da Declaração e Informação Sobre Obra - DISO, na unidade de atendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil, também, segundo o Relatório Fiscal, declarou à RFB através de seu representante legal e contador que a empresa não possuía contabilidade regular e em razão desse fato solicitou a regularização da obra através do procedimento de aferição indireta (fls. 99). O amparo legal para efetuar a aferição indireta na construção civil, encontra-se especialmente disposto no art. 33, § 4º da Lei nº 8.212/1991: (...) O 234 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, ao regulamentar a matéria estabelece que: (...) O art. 386 da IN RFB nº 971/2009, na redação vigente à época da regularização, dispõe que quando a empresa não apresentar escrituração contábil no momento da regularização da obra, a CND será liberada mediante o recolhimento integral das contribuições sociais, apuradas por aferição. Portanto, o pedido do impugnante para que o cálculo das contribuições sobre a mão de obra venha a ser feito pela contabilidade não pode ser atendido, pois quando de seu pedido de regularização não apresentou contabilidade e, segundo relatou o AFRFB no Relatório Fiscal (fls. 25 dos autos), a empresa teria declarado que não possuía contabilidade regular, motivo pelo qual foi preenchido o formulário de “Regularização de Obra de Pessoa Jurídica Sem Contabilidade Regular” (fls. 32/33). Como se vê, o próprio sujeito passivo declarou que não possuía contabilidade, autorizando o procedimento de aferição indireta. A escolha do procedimento a ser adotado não é uma liberalidade do contribuinte ou do fisco. Na ausência de prova regular e formalizada o montante dos salários pagos pode ser obtido mediante aferição indireta para a apuração do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil. Diante da declaração do contribuinte/proprietário de que não possuía contabilidade para a obra, correta a aplicação da aferição indireta. Fl. 414DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.436 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720064/2012-87 11 A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória pelo que é defeso ao agente público a aplicação de entendimentos contrários às orientações estabelecidas na legislação tributária de regência, sob pena de responsabilidade funcional, consoante disposição do parágrafo único do art. 142 do CTN. Portanto, ao aplicar a aferição indireta face à declaração do sujeito passivo à época, de que não possuía contabilidade, a autoridade lançadora agiu nos contornos da lei, devendo ser mantido este procedimento. Assim, mantenho o entendimento da DRJ e rejeito o pedido. 3.2. Da inaplicabilidade do redutor de 50% às áreas de locação (salas e lojas) No que concerne ao pleito de aplicação do redutor de 50% às áreas de locação destinadas a lojas comerciais, tenho que a pretensão não encontra qualquer respaldo na legislação de regência. O contribuinte sustenta que tais áreas teriam padrão construtivo semelhante ao estacionamento, o que justificaria a extensão do benefício. Todavia, a disciplina normativa aplicável à regularização de obras de construção civil perante a Receita Federal do Brasil é inequivocamente objetiva e taxativa quanto às hipóteses de redução de área para fins de cálculo da remuneração de mão de obra. O art. 357 da IN RFB n. 971/2009 não apenas enumera as áreas que admitem redutor, como também evidencia o caráter exaustivo do rol, circunscrito a espaços nitidamente acessórios — garagens, estacionamentos térreos, pilotis, casas de máquinas, caixas d’água, telheiros, varandas, terraços, jardins e áreas análogas. Em momento algum o dispositivo inclui salas ou lojas comerciais, tampouco áreas destinadas à exploração econômica do empreendimento: Art. 357. Será aplicado redutor de 50% (cinquenta por cento) para áreas cobertas e de 75% (setenta e cinco por cento) para áreas descobertas, desde que constatado que as mesmas integram a área total da edificação, definida no inciso XVII do art. 322, nas obras listadas a seguir:: I – quintal; II – playground; III – quadra esportiva ou poliesportiva; IV – garagem, abrigo para veículos e pilotis; V – quiosque; VI – área aberta destinada à churrasqueira; VII – jardim; VIII – piscinas; IX – telheiro; Fl. 415DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.436 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720064/2012-87 12 X – estacionamento térreo; XI – terraços ou área descoberta sobre lajes; XII – varanda ou sacada; XIII – área coberta sobre as bombas e área descoberta destinada à circulação ou ao estacionamento de veículos nos postos de gasolina; XIV – caixa d’água; XV – casa de máquinas O regime do art. 357 foi concebido para ajustar o custo global da obra quando determinadas áreas, pela sua natureza funcional, possuem estrutura simplificada ou custo médio inferior ao da área principal. A sistemática normativa não autoriza ao julgador proceder a juízos de valor casuísticos sobre o “padrão real” das áreas, justamente porque o legislador infralegal optou por critérios de mensuração padronizados, evitando debates subjetivos e a necessidade de perícias individualizadas sobre elementos construtivos. Essa diretriz é reforçada pelo art. 348, § 1º, da própria IN RFB n. 971/2009, que determina que o enquadramento padrão das obras comerciais se faz no “padrão normal”, independentemente dos materiais ou técnicas utilizados na construção. Reitere-se que se o contribuinte desejasse que o cálculo das contribuições previdenciárias se desse com base no custo efetivamente incorrido com a mão de obra utilizada, bastaria ter a contabilidade regular e ter realizado esta opção, porém, como visto no tópico anterior, não foi o caso. Não bastasse isso, a alegação de “isonomia” tampouco se sustenta. A área de estacionamento, seja na forma de garagem, abrigo para veículos ou estacionamento térreo, possui previsão expressa de redução. Já as áreas de lojas, ao contrário, são o núcleo econômico do empreendimento, destinadas à atividade comercial propriamente dita e, por isso, tratadas pela legislação com critério próprio na determinação do CUB aplicável. Situações desiguais, portanto, recebem tratamento desigual, em estrita consonância com o princípio da legalidade tributária. Ressalte-se, ademais, que eventual simplificação ou ausência de acabamento nas lojas não altera a natureza jurídica da área para fins de enquadramento. A responsabilidade pelo acabamento assumida contratualmente pelos lojistas não produz efeitos perante o Fisco, uma vez que convenções particulares não vinculam a Administração, nos termos do art. 123 do CTN. A obra permanece, para fins fiscais, enquadrada como “projeto comercial — salas e lojas”, sujeita ao CUB correspondente, e o proprietário/dono da obra continua responsável pelos tributos incidentes sobre a construção. Diante desse conjunto normativo e fático, é inequívoco que as áreas de locação destinadas a lojas comerciais não integram as hipóteses legalmente previstas para aplicação do redutor de 50%. Fl. 416DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.436 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12571.720064/2012-87 13 Assim, rejeito integralmente o pleito de redução das áreas de locação, mantendo-se o cálculo da metragem e da base de cálculo exatamente como procedido pela fiscalização e confirmado pela decisão de primeira instância. 4. Conclusão Ante o exposto, conheço do recurso voluntário, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, nego-lhe provimento. Assinado Digitalmente Leonardo Nuñez Campos Relator Fl. 417DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 14817.720028/2020-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2016 a 30/06/2016
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se cogitar em nulidade de lançamento ou decisão administrativa: (i) quando o ato preenche os requisitos legais, apresentando clara fundamentação normativa, motivação e caracterização dos fatos; (ii) quando inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 59 do Decreto 70.235/1972; (iii) quando, no curso do processo administrativo, há plenas condições do exercício do contraditório e do direito de defesa; (iv) quando a decisão aprecia todos os pontos essenciais da contestação.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
MPF E TDPF. NULIDADE.
Irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do MPF não acarreta a nulidade do lançamento. (SÚMULA CARF 171).
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2016 a 30/06/2016
BASE DE CÁLCULO. NÃO-CUMULATIVIDADE. TOTAL DAS RECEITAS.
Para fins de apuração do valor tributável no regime da não cumulatividade, computa-se o total das receitas, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas da atividade auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.
DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXIGÊNCIA DE QUE CONSTEM DA NOTA FISCAL.
Os descontos incondicionais consideram-se parcelas redutoras do preço quando constarem da nota fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. Somente os descontos considerados incondicionais podem ser excluídos da base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS apurados no regime não cumulativo.
RECEITA FINANCEIRA. CONCEITO.
Receita financeira é aquela decorrente de uma aplicação (lato sensu) financeira, sendo uma das formas o pagamento antecipado. Não se enquadram nesta categoria os descontos puramente comerciais.
DESCONTOS COMERCIAIS PRÉACORDADOS CONCEDIDOS PARA CUSTEIO INDIRETO DAS ATIVIDADES DO ADQUIRENTE. RECEITAS TRIBUTÁVEIS.
Compõem a base de cálculo da contribuição, por representarem receitas do adquirente, os descontos, não constantes das Notas Fiscais, préacordados em negociações com fornecedores, para custeio indireto da sua atividade operacional, o que se dá mesmo quando se pressupõe uma contraprestação, se não houver a correspondência econômica entre o valor pago e o serviço prestado.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. DECISÃO DO STJ. EFEITO VINCULANTE PARA A RFB.
No regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, aplica-se o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, julgado em 22/02/2018 sob a sistemática dos recursos repetitivos, no qual restou assentado que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Ou o bem ou serviço creditado deve se constituir em elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço realizado pelo contribuinte; ou, em sua finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, deve integrar o processo de produção do sujeito passivo, pela singularidade da cadeia produtiva ou por imposição legal.
REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. ATIVIDADE COMERCIAL.
Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Assim, para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens. Não podem ser aferidos créditos, inclusive, sobre despesas comerciais pagas a administradoras de cartões de crédito.
REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. APROVEITAMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS.
O aproveitamento extemporâneo de créditos das contribuições não cumulativas requer a devida retificação das obrigações acessórias demonstrando o pertinente registro na contabilidade das rubricas respectivas e dos valores envolvidos na operação.
NÃO-CUMULATIVIDADE. IPTU E TAXAS CONDOMINIAIS. CONTRATO DE LOCAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Os encargos de locação relacionados aos contratos de aluguel (IPTU e Taxas Condominiais) têm natureza distinta de “aluguel”, de forma que seu creditamento não encontra amparo no art. 3°, IV, das Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003.
REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. CONSTRUÇÃO. DESPESAS COM MANUTENÇÃO PREDIAL.
Os gastos de construção civil e beneficiamento de prédios podem gerar créditos quando se tratar de bens ativados, através da depreciação, atendidas as condições. Não geram direito a crédito os valores relativos a gastos com despesas de manutenção predial, segurança, centrais telefônicas por não configurarem pagamento de bens ou serviços enquadrados como insumos utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.
INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. UTILIZAÇÃO GERAL OU MISTA.
Para aproveitamento de créditos, no caso de bens ou serviços mistos ou de uso geral, é necessário que o contribuinte mantenha registros separados e escrituração que permitam ou identificar o item em questão e sua utilização no processo produtivo ou na prestação de serviço ou rateio fundamentado.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2016 a 30/06/2016
BASE DE CÁLCULO. NÃO-CUMULATIVIDADE. TOTAL DAS RECEITAS.
Para fins de apuração do valor tributável no regime da não cumulatividade, computa-se o total das receitas, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas da atividade auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.
DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXIGÊNCIA DE QUE CONSTEM DA NOTA FISCAL.
Os descontos incondicionais consideram-se parcelas redutoras do preço quando constarem da nota fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. Somente os descontos considerados incondicionais podem ser excluídos da base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS apurados no regime não cumulativo.
RECEITA FINANCEIRA. CONCEITO.
Receita financeira é aquela decorrente de uma aplicação (lato sensu) financeira, sendo uma das formas o pagamento antecipado. Não se enquadram nesta categoria os descontos puramente comerciais.
DESCONTOS COMERCIAIS PRÉACORDADOS CONCEDIDOS PARA CUSTEIO INDIRETO DAS ATIVIDADES DO ADQUIRENTE. RECEITAS TRIBUTÁVEIS.
Compõem a base de cálculo da contribuição, por representarem receitas do adquirente, os descontos, não constantes das Notas Fiscais, préacordados em negociações com fornecedores, para custeio indireto da sua atividade operacional, o que se dá mesmo quando se pressupõe uma contraprestação, se não houver a correspondência econômica entre o valor pago e o serviço prestado.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. DECISÃO DO STJ. EFEITO VINCULANTE PARA A RFB.
No regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, aplica-se o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, julgado em 22/02/2018 sob a sistemática dos recursos repetitivos, no qual restou assentado que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Ou o bem ou serviço creditado deve se constituir em elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço realizado pelo contribuinte; ou, em sua finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, deve integrar o processo de produção do sujeito passivo, pela singularidade da cadeia produtiva ou por imposição legal.
REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. ATIVIDADE COMERCIAL.
Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Assim, para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens. Não podem ser aferidos créditos, inclusive, sobre despesas comerciais pagas a administradoras de cartões de crédito.
REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. APROVEITAMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS.
O aproveitamento extemporâneo de créditos das contribuições não cumulativas requer a devida retificação das obrigações acessórias demonstrando o pertinente registro na contabilidade das rubricas respectivas e dos valores envolvidos na operação.
NÃO-CUMULATIVIDADE. IPTU E TAXAS CONDOMINIAIS. CONTRATO DE LOCAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Os encargos de locação relacionados aos contratos de aluguel (IPTU e Taxas Condominiais) têm natureza distinta de “aluguel”, de forma que seu creditamento não encontra amparo no art. 3°, IV, das Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003.
REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. CONSTRUÇÃO. DESPESAS COM MANUTENÇÃO PREDIAL.
Os gastos de construção civil e beneficiamento de prédios podem gerar créditos quando se tratar de bens ativados, através da depreciação, atendidas as condições. Não geram direito a crédito os valores relativos a gastos com despesas de manutenção predial, segurança, centrais telefônicas por não configurarem pagamento de bens ou serviços enquadrados como insumos utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.
INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. UTILIZAÇÃO GERAL OU MISTA.
Para aproveitamento de créditos, no caso de bens ou serviços mistos ou de uso geral, é necessário que o contribuinte mantenha registros separados e escrituração que permitam ou identificar o item em questão e sua utilização no processo produtivo ou na prestação de serviço ou rateio fundamentado.
Numero da decisão: 3201-012.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
MARCELO ENK DE AGUIAR – Relator
Assinado Digitalmente
HÉLCIO LAFETÁ REIS – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Enk Aguiar, Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Fabiana Francisco de Miranda, Flávia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow e Hélcio Lafetá Reis (Presidente).
Nome do relator: MARCELO ENK DE AGUIAR
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Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2016 a 30/06/2016 BASE DE CÁLCULO. NÃO-CUMULATIVIDADE. TOTAL DAS RECEITAS. Para fins de apuração do valor tributável no regime da não cumulatividade, computa-se o total das receitas, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas da atividade auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXIGÊNCIA DE QUE CONSTEM DA NOTA FISCAL. Os descontos incondicionais consideram-se parcelas redutoras do preço quando constarem da nota fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. Somente os descontos considerados incondicionais podem ser excluídos da base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS apurados no regime não cumulativo. RECEITA FINANCEIRA. CONCEITO. Receita financeira é aquela decorrente de uma aplicação (lato sensu) financeira, sendo uma das formas o pagamento antecipado. Não se enquadram nesta categoria os descontos puramente comerciais. DESCONTOS COMERCIAIS PRÉACORDADOS CONCEDIDOS PARA CUSTEIO INDIRETO DAS ATIVIDADES DO ADQUIRENTE. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. Compõem a base de cálculo da contribuição, por representarem receitas do adquirente, os descontos, não constantes das Notas Fiscais, préacordados em negociações com fornecedores, para custeio indireto da sua atividade operacional, o que se dá mesmo quando se pressupõe uma contraprestação, se não houver a correspondência econômica entre o valor pago e o serviço prestado. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. DECISÃO DO STJ. EFEITO VINCULANTE PARA A RFB. No regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, aplica-se o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, julgado em 22/02/2018 sob a sistemática dos recursos repetitivos, no qual restou assentado que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Ou o bem ou serviço creditado deve se constituir em elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço realizado pelo contribuinte; ou, em sua finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, deve integrar o processo de produção do sujeito passivo, pela singularidade da cadeia produtiva ou por imposição legal. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. ATIVIDADE COMERCIAL. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Assim, para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens. Não podem ser aferidos créditos, inclusive, sobre despesas comerciais pagas a administradoras de cartões de crédito. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. APROVEITAMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. O aproveitamento extemporâneo de créditos das contribuições não cumulativas requer a devida retificação das obrigações acessórias demonstrando o pertinente registro na contabilidade das rubricas respectivas e dos valores envolvidos na operação. NÃO-CUMULATIVIDADE. IPTU E TAXAS CONDOMINIAIS. CONTRATO DE LOCAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Os encargos de locação relacionados aos contratos de aluguel (IPTU e Taxas Condominiais) têm natureza distinta de “aluguel”, de forma que seu creditamento não encontra amparo no art. 3°, IV, das Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. CONSTRUÇÃO. DESPESAS COM MANUTENÇÃO PREDIAL. Os gastos de construção civil e beneficiamento de prédios podem gerar créditos quando se tratar de bens ativados, através da depreciação, atendidas as condições. Não geram direito a crédito os valores relativos a gastos com despesas de manutenção predial, segurança, centrais telefônicas por não configurarem pagamento de bens ou serviços enquadrados como insumos utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. UTILIZAÇÃO GERAL OU MISTA. Para aproveitamento de créditos, no caso de bens ou serviços mistos ou de uso geral, é necessário que o contribuinte mantenha registros separados e escrituração que permitam ou identificar o item em questão e sua utilização no processo produtivo ou na prestação de serviço ou rateio fundamentado. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2016 a 30/06/2016 BASE DE CÁLCULO. NÃO-CUMULATIVIDADE. TOTAL DAS RECEITAS. Para fins de apuração do valor tributável no regime da não cumulatividade, computa-se o total das receitas, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas da atividade auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXIGÊNCIA DE QUE CONSTEM DA NOTA FISCAL. Os descontos incondicionais consideram-se parcelas redutoras do preço quando constarem da nota fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. Somente os descontos considerados incondicionais podem ser excluídos da base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS apurados no regime não cumulativo. RECEITA FINANCEIRA. CONCEITO. Receita financeira é aquela decorrente de uma aplicação (lato sensu) financeira, sendo uma das formas o pagamento antecipado. Não se enquadram nesta categoria os descontos puramente comerciais. DESCONTOS COMERCIAIS PRÉACORDADOS CONCEDIDOS PARA CUSTEIO INDIRETO DAS ATIVIDADES DO ADQUIRENTE. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. Compõem a base de cálculo da contribuição, por representarem receitas do adquirente, os descontos, não constantes das Notas Fiscais, préacordados em negociações com fornecedores, para custeio indireto da sua atividade operacional, o que se dá mesmo quando se pressupõe uma contraprestação, se não houver a correspondência econômica entre o valor pago e o serviço prestado. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. DECISÃO DO STJ. EFEITO VINCULANTE PARA A RFB. No regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, aplica-se o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, julgado em 22/02/2018 sob a sistemática dos recursos repetitivos, no qual restou assentado que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Ou o bem ou serviço creditado deve se constituir em elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço realizado pelo contribuinte; ou, em sua finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, deve integrar o processo de produção do sujeito passivo, pela singularidade da cadeia produtiva ou por imposição legal. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. ATIVIDADE COMERCIAL. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Assim, para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens. Não podem ser aferidos créditos, inclusive, sobre despesas comerciais pagas a administradoras de cartões de crédito. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. APROVEITAMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. O aproveitamento extemporâneo de créditos das contribuições não cumulativas requer a devida retificação das obrigações acessórias demonstrando o pertinente registro na contabilidade das rubricas respectivas e dos valores envolvidos na operação. NÃO-CUMULATIVIDADE. IPTU E TAXAS CONDOMINIAIS. CONTRATO DE LOCAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Os encargos de locação relacionados aos contratos de aluguel (IPTU e Taxas Condominiais) têm natureza distinta de “aluguel”, de forma que seu creditamento não encontra amparo no art. 3°, IV, das Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. CONSTRUÇÃO. DESPESAS COM MANUTENÇÃO PREDIAL. Os gastos de construção civil e beneficiamento de prédios podem gerar créditos quando se tratar de bens ativados, através da depreciação, atendidas as condições. Não geram direito a crédito os valores relativos a gastos com despesas de manutenção predial, segurança, centrais telefônicas por não configurarem pagamento de bens ou serviços enquadrados como insumos utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. UTILIZAÇÃO GERAL OU MISTA. Para aproveitamento de créditos, no caso de bens ou serviços mistos ou de uso geral, é necessário que o contribuinte mantenha registros separados e escrituração que permitam ou identificar o item em questão e sua utilização no processo produtivo ou na prestação de serviço ou rateio fundamentado.
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INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar em nulidade de lançamento ou decisão administrativa: (i) quando o ato preenche os requisitos legais, apresentando clara fundamentação normativa, motivação e caracterização dos fatos; (ii) quando inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 59 do Decreto 70.235/1972; (iii) quando, no curso do processo administrativo, há plenas condições do exercício do contraditório e do direito de defesa; (iv) quando a decisão aprecia todos os pontos essenciais da contestação. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. MPF E TDPF. NULIDADE. Irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do MPF não acarreta a nulidade do lançamento. (SÚMULA CARF 171). Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2016 a 30/06/2016 BASE DE CÁLCULO. NÃO-CUMULATIVIDADE. TOTAL DAS RECEITAS. Para fins de apuração do valor tributável no regime da não cumulatividade, computa-se o total das receitas, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas da atividade auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 4854DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 2 DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXIGÊNCIA DE QUE CONSTEM DA NOTA FISCAL. Os descontos incondicionais consideram-se parcelas redutoras do preço quando constarem da nota fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. Somente os descontos considerados incondicionais podem ser excluídos da base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS apurados no regime não cumulativo. RECEITA FINANCEIRA. CONCEITO. Receita financeira é aquela decorrente de uma aplicação (lato sensu) financeira, sendo uma das formas o pagamento antecipado. Não se enquadram nesta categoria os descontos puramente comerciais. DESCONTOS COMERCIAIS PRÉ-ACORDADOS CONCEDIDOS PARA CUSTEIO INDIRETO DAS ATIVIDADES DO ADQUIRENTE. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. Compõem a base de cálculo da contribuição, por representarem receitas do adquirente, os descontos, não constantes das Notas Fiscais, pré-acordados em negociações com fornecedores, para custeio indireto da sua atividade operacional, o que se dá mesmo quando se pressupõe uma contraprestação, se não houver a correspondência econômica entre o valor pago e o serviço prestado. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. DECISÃO DO STJ. EFEITO VINCULANTE PARA A RFB. No regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, aplica-se o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, julgado em 22/02/2018 sob a sistemática dos recursos repetitivos, no qual restou assentado que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Ou o bem ou serviço creditado deve se constituir em elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço realizado pelo contribuinte; ou, em sua finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, deve integrar o processo de produção do sujeito passivo, pela singularidade da cadeia produtiva ou por imposição legal. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. ATIVIDADE COMERCIAL. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Assim, para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na Fl. 4855DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 3 atividade de revenda de bens. Não podem ser aferidos créditos, inclusive, sobre despesas comerciais pagas a administradoras de cartões de crédito. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. APROVEITAMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. O aproveitamento extemporâneo de créditos das contribuições não cumulativas requer a devida retificação das obrigações acessórias demonstrando o pertinente registro na contabilidade das rubricas respectivas e dos valores envolvidos na operação. NÃO-CUMULATIVIDADE. IPTU E TAXAS CONDOMINIAIS. CONTRATO DE LOCAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Os encargos de locação relacionados aos contratos de aluguel (IPTU e Taxas Condominiais) têm natureza distinta de “aluguel”, de forma que seu creditamento não encontra amparo no art. 3°, IV, das Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. CONSTRUÇÃO. DESPESAS COM MANUTENÇÃO PREDIAL. Os gastos de construção civil e beneficiamento de prédios podem gerar créditos quando se tratar de bens ativados, através da depreciação, atendidas as condições. Não geram direito a crédito os valores relativos a gastos com despesas de manutenção predial, segurança, centrais telefônicas por não configurarem pagamento de bens ou serviços enquadrados como insumos utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. UTILIZAÇÃO GERAL OU MISTA. Para aproveitamento de créditos, no caso de bens ou serviços mistos ou de uso geral, é necessário que o contribuinte mantenha registros separados e escrituração que permitam ou identificar o item em questão e sua utilização no processo produtivo ou na prestação de serviço ou rateio fundamentado. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2016 a 30/06/2016 BASE DE CÁLCULO. NÃO-CUMULATIVIDADE. TOTAL DAS RECEITAS. Para fins de apuração do valor tributável no regime da não cumulatividade, computa-se o total das receitas, que compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as Fl. 4856DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 4 demais receitas da atividade auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXIGÊNCIA DE QUE CONSTEM DA NOTA FISCAL. Os descontos incondicionais consideram-se parcelas redutoras do preço quando constarem da nota fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. Somente os descontos considerados incondicionais podem ser excluídos da base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS apurados no regime não cumulativo. RECEITA FINANCEIRA. CONCEITO. Receita financeira é aquela decorrente de uma aplicação (lato sensu) financeira, sendo uma das formas o pagamento antecipado. Não se enquadram nesta categoria os descontos puramente comerciais. DESCONTOS COMERCIAIS PRÉ-ACORDADOS CONCEDIDOS PARA CUSTEIO INDIRETO DAS ATIVIDADES DO ADQUIRENTE. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. Compõem a base de cálculo da contribuição, por representarem receitas do adquirente, os descontos, não constantes das Notas Fiscais, pré-acordados em negociações com fornecedores, para custeio indireto da sua atividade operacional, o que se dá mesmo quando se pressupõe uma contraprestação, se não houver a correspondência econômica entre o valor pago e o serviço prestado. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. DECISÃO DO STJ. EFEITO VINCULANTE PARA A RFB. No regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, aplica-se o entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, julgado em 22/02/2018 sob a sistemática dos recursos repetitivos, no qual restou assentado que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Ou o bem ou serviço creditado deve se constituir em elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço realizado pelo contribuinte; ou, em sua finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, deve integrar o processo de produção do sujeito passivo, pela singularidade da cadeia produtiva ou por imposição legal. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. ATIVIDADE COMERCIAL. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de Fl. 4857DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 5 bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Assim, para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens. Não podem ser aferidos créditos, inclusive, sobre despesas comerciais pagas a administradoras de cartões de crédito. REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. APROVEITAMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. O aproveitamento extemporâneo de créditos das contribuições não cumulativas requer a devida retificação das obrigações acessórias demonstrando o pertinente registro na contabilidade das rubricas respectivas e dos valores envolvidos na operação. NÃO-CUMULATIVIDADE. IPTU E TAXAS CONDOMINIAIS. CONTRATO DE LOCAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Os encargos de locação relacionados aos contratos de aluguel (IPTU e Taxas Condominiais) têm natureza distinta de “aluguel”, de forma que seu creditamento não encontra amparo no art. 3°, IV, das Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. CONSTRUÇÃO. DESPESAS COM MANUTENÇÃO PREDIAL. Os gastos de construção civil e beneficiamento de prédios podem gerar créditos quando se tratar de bens ativados, através da depreciação, atendidas as condições. Não geram direito a crédito os valores relativos a gastos com despesas de manutenção predial, segurança, centrais telefônicas por não configurarem pagamento de bens ou serviços enquadrados como insumos utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. UTILIZAÇÃO GERAL OU MISTA. Para aproveitamento de créditos, no caso de bens ou serviços mistos ou de uso geral, é necessário que o contribuinte mantenha registros separados e escrituração que permitam ou identificar o item em questão e sua utilização no processo produtivo ou na prestação de serviço ou rateio fundamentado. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 4858DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 6 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente MARCELO ENK DE AGUIAR – Relator Assinado Digitalmente HÉLCIO LAFETÁ REIS – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Enk Aguiar, Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Fabiana Francisco de Miranda, Flávia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário contra decisão da DRJ03 que julgou procedente em parte a impugnação. Aproveita-se o relatório da decisão em questão: Trata-se de impugnação (fls. 3716 a 3798) apresentada pela interessada acima qualificada, empresa dedicada ao comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância para produtos alimentícios (supermercado), contra Autos de Infração de Cofins (fls. 3645 a 3652) e de PIS (fls. 3653 a 3660), relativos ao período de apuração de janeiro a junho de 2016, no valor total de R$ 12.215.135,06, na data da autuação, conforme demonstrado no quadro seguinte: (...) DA FISCALIZAÇÃO Segundo consta no Relatório Fiscal (RF) de fls. 3661/3703, em síntese, a autuação decorreu das seguintes irregularidades apontadas pela autoridade fiscal: i) Vendas indevidamente não tributadas, sobre: ii) Receitas relativas a acordos comerciais não oferecidas à tributação; iii) Valores referentes a ingressos decorrentes do Contrato Manual – Rebaixa de Custo – Preventivo, incorretamente classificados como receitas financeiras, com indevida aplicação de alíquotas reduzidas para o PIS e a Cofins; iv) Créditos sem previsão legal, calculados sobre: a. Despesas com taxas de cartão; b. Gastos gerais com manutenção; Fl. 4859DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 7 c. Estorno de débitos vinculados a acordos comerciais; d. Depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado, não utilizados na produção; v) Aproveitamento de créditos extemporâneos, sem comprovação adequada; A especificação dos itens e dos valores de receitas e despesas sobre as quais a fiscalização apontou as irregularidades acima referidas consta em planilha juntada aos autos (Termo de Anexação de Arquivo Não-paginável de fl. 3704). DA IMPUGNAÇÃO Preliminarmente, após aduzir a tempestividade de sua peça de defesa, pleiteia a nulidade do procedimento fiscalizatório diante de: i) Ausência de cientificação quanto à prorrogação do Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal (TDPF), pois a autoridade fiscal não teria cientificado o contribuinte sobre as prorrogações da vigência do procedimento fiscal, que teria perdurado entre 23/03/2020 (início da fiscalização) e 06/01/2021 (data de lavratura da autuação). Citando legislação e jurisprudência, a impugnante defende a imprescindibilidade da intimação do contribuinte sobre as prorrogações dos procedimentos fiscais, de modo que, ausente tais intimações, haveria evidente cerceamento do direito de defesa da recorrente, devendo ser declarada a nulidade de todo o procedimento fiscal. ii) Incompetência da autoridade fazendária, pois conduziu o procedimento sendo lotada na DRF Novo Hamburgo/RS, enquanto a empresa tem sede em Maringá/PR. No mérito, a impugnante contraditou as razões do auto de infração em lume com base nos argumentos a seguir sintetizados. i) Dos valores relativos a acordos comerciais não oferecidos à tributação a) Dos descontos concedidos em contratos de fornecimento Alega que se referem a descontos incondicionais obtidos dos fornecedores, conforme cláusula contratual que cita, a qual demonstraria a ausência de condição para o recebimento dos valores a título de redução de custos. Aduz que o desconto incondicional sobre o valor das compras realizadas teria o objetivo de reduzir o custo de aquisição das mercadorias objeto da negociação realizada no momento da compra, cujo desconto não se encontraria destacado na nota fiscal por questão de sigilo comercial. Para a hipótese dos julgadores entenderem pela tributação de referidos valores, pugna pela consideração deles como receitas financeiras, nos termos do art. 9º da Lei nº 9.718/98, de forma que se sujeitem às alíquotas reduzidas para o PIS e a Cofins, conforme definido pelo Decreto nº 8.426/2015. Fl. 4860DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 8 b) Dos descontos recebidos em razão do aniversário da loja Do mesmo modo que em relação ao item anterior, citando os termos de cláusula de contrato com fornecedor, aventa que os descontos recebidos em razão do aniversário da loja se tratam de descontos incondicionais. Para a hipótese dos julgadores entenderem pela tributação de referidos valores, pugna pela consideração deles como receita financeira, nos termos do art. 9º da Lei nº 9.718/98, de forma que se sujeitem às alíquotas reduzidas para o PIS e a Cofins, conforme definido pelo Decreto nº 8.426/2015. c) Dos descontos recebidos em razão de eventos de inauguração e reinauguração de loja Quanto aos descontos sob tais títulos, com base em cláusula contratual citada, também defende não se sujeitarem a qualquer condição, motivo pelo qual entende que, sendo descontos incondicionais, não se sujeitam à tributação do PIS e da Cofins. Para a hipótese dos julgadores entenderem pela tributação de referidos valores, pugna pela consideração deles como receita financeira, nos termos do art. 9º da Lei nº 9.718/98, de forma que se sujeitem às alíquotas reduzidas para o PIS e a Cofins, conforme definido pelo Decreto nº 8.426/2015. d) Dos descontos recebidos por rebaixe de custo repressivo e depressivo A impugnante explica que o desconto do tipo repressivo se refere a valores recebidos do fornecedor para enfrentamento da redução de preço de produto por rede de supermercado concorrente, enquanto que o desconto do tipo preventivo se destinaria à aceleração da venda de produtos de demanda sazonal ou de rápida perecibilidade, a exemplo de ovos, aves natalinas, panetone, etc. Quanto ao desconto do tipo repressivo, o supermercado solicitaria junto ao fornecedor uma redução do custo de aquisição das mercadorias para fazer frente à redução do preço da mesma mercadoria pelo supermercado concorrente. Que seria faculdade do fornecedor a concessão de tal desconto, mas que não seria condicionado a um evento futuro, tratando-se, portanto, de um desconto incondicional, pois poderia ser concedido ou não e teria seu valor livremente estipulado pelo fornecedor. Já a redução de custo do tipo preventiva teria como diferença em relação ao repressivo o fato da negociação ocorrer anteriormente à efetiva venda. Alega que, nada obstante entender que ambos os descontos (repressivo e preventivo), classificariam-se como claros descontos incondicionais, a impugnante teria tributado os valores recebidos a título de Rebaixe de Custo Preventivo como receitas financeiras, às alíquotas definidas pelo Decreto nº 8.426/2015. e) Dos descontos relativos ao Marketing Para a recorrente, os valores recebidos a título de Marketing seriam reembolsos de despesas; não receitas, não sendo, portanto, tributáveis pelo PIS e a Cofins. Fl. 4861DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 9 Considerando a hipótese dos julgadores entenderem por classificar referidos valores como receitas, alega que teria direito ao crédito sobre as despesas de marketing realizadas, configurando-se como insumos, pois seriam despesas essenciais para a atividade da empresa. Ressalta que não teria utilizado créditos das despesas com marketing porque os valores utilizados para tanto decorreram dos descontos firmados em acordos comerciais, sob os quais não fez incidir as contribuições. Para a contribuinte, o lançamento seria indevido pois a autoridade fiscal, considerando os valores recebidos a título de reembolso de despesas com marketing como receitas, não oportunizou ao contribuinte o aproveitamento de créditos de PIS e Cofins sobre as despesas com marketing, as quais representariam valores significativos, conforme extrato da conta contábil de despesa com marketing colacionada. Entretanto, para a situação dos julgadores não declararem a nulidade da autuação no pertinente à matéria em questão, pleiteia pela realização de diligência para que seja oportunizado à contribuinte a comprovação das despesas com marketing com vistas ao aproveitamento de créditos sobre tais despesas como insumos. Nesse sentido, cita decisões do CARF favoráveis ao creditamento do PIS e da Cofins sobre despesas com marketing, quando essenciais e relevantes à atividade do contribuinte. f) Dos estornos de débitos vinculados a acordos comerciais A contribuinte ainda pugna pela incorreção das glosas sobre os estornos de débitos vinculados a acordos comerciais, realizados pela impugnante sobre débitos de PIS e Cofins indevidamente considerados como receitas, uma vez que se tratariam de descontos incondicionais obtidos, conforme defendido em relação aos itens anteriores. ii) Dos descontos incondicionais Quanto a todos os itens mencionados no item anterior, sobre os quais a autoridade fiscal considerou que se tratariam de descontos condicionais obtidos, que deveriam ter sido oferecidos à tributação do PIS e da Cofins, a impugnante apresenta tese sobre a conformação dos descontos recebidos em razão de acordos comerciais como descontos incondicionais, sobre os quais não incidiriam as contribuições para o PIS e a Cofins, nos termos do art. 1º, § 3º, V, a, das Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003. A recorrente reforça a natureza incondicional dos descontos relativos aos acordos comerciais informando que seriam registrados em sua contabilidade já no momento da compra a que estariam vinculados, conforme excerto de lançamento contábil no livro Diário, colacionado à impugnação. Faz ainda correlação entre a redação do art. 121 do Código Civil de 2002 e as cláusulas dos contratos colacionadas em sua peça de defesa, aduzindo que os descontos não estariam sujeitos a qualquer condição, pois se refeririam a eventos certos. Cita ainda decisões de DRJ e do CARF no sentido de que a natureza Fl. 4862DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 10 incondicional do desconto não necessariamente deveria vir registrada em nota fiscal, como teria aduzido a fiscalização para o fim de considerar os valores recebidos como descontos condicionais. iii) Da ausência de receita Em reforço à tese de que os descontos recebidos não se enquadrariam como receita, alega que em decorrência deles não houve qualquer aumento patrimonial para a impugnante, inexistindo qualquer acréscimo de receita que justificasse o argumento da fiscalização para a incidência do PIS e da Cofins sobre a alegada redução de custo concedida pelos fornecedores à contribuinte. Critica alegado erro da fiscalização, que teria confundido os conceitos de receita e de lucro, desconsiderando que as reduções de custo obtidas com os descontos incondicionais obtidos poderiam causar aumento no lucro sem que isso correspondesse a acréscimo patrimonial classificável como receita – base das contribuições para o PIS e a Cofins. Citando excertos de decisões judiciais, defende que os valores recebidos como descontos incondicionais corresponderiam a redução de custos, sem qualquer acréscimo patrimonial ou aumento de riqueza, motivo pelo qual não se encaixariam no conceito de receita. iv) Das alíquotas aplicáveis às receitas financeiras Para a eventualidade de julgamento pela improcedência dos argumentos anteriormente apresentados, defende a natureza de receita financeira para os descontos recebidos em razão de acordos comerciais. Aduz que se considerados como descontos condicionais, os valores recebidos devem ser enquadrados como variações monetárias decorrentes de disposição contratual, nos termos do art. 9º da Lei nº 9.718/98, que dispõe: (...) Cita ementa da Solução de Consulta COSIT nº 531/2017, que no seu entender definiria a natureza de receita financeira para os valores decorrentes de descontos condicionais obtidos. Desse modo, alegando erro no enquadramento das receitas financeiras como se decorrentes de operações comerciais, pleiteia a nulidade do auto de infração, por erro material não sanável, por afronta ao art. 142 do Código Tributário Nacional. v) Do erro na base de cálculo Para a hipótese de julgamento improcedente quanto aos argumentos anteriores, alega erro da autoridade fiscal na definição da base de cálculo do lançamento. Aduz que a fiscalização teria considerado apenas os lançamentos a crédito das contas contábeis que refere em sua impugnação, desconsiderando os lançamentos de estorno referentes às operações canceladas. vi) Dos créditos extemporâneos sem comprovação adequada Fl. 4863DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 11 Em relação à glosa de créditos extemporâneos realizada pela fiscalização sob o argumento de que não teriam sido adequadamente comprovados, a recorrente alega que referidos créditos se referem ao período de janeiro a dezembro de 2015 e que, tratando-se de períodos decaídos, os documentos a eles relacionados seriam de difícil localização. Por tal motivo, requer a juntada posterior de referidos documentos. vii) Das glosas de créditos Citando precedentes do STJ e do CARF, a recorrente defende uma acepção mais ampla ao conceito de insumo, a ser aferido à luz dos critérios da essencialidade e da relevância. Assim, alega que as despesas sob as quais calculou créditos para as contribuições do PIS e da Cofins não foram analisadas pela fiscalização com a mesma sensibilidade apresentada na jurisprudência citada e nas orientações da RFB (Parecer Normativo COSIT nº 05/2018) e da PGFN (Nota Técnica nº 63/2018), pois as glosas efetivadas pela autoridade fiscal não teriam considerado a imprescindibilidade ou relevância de determinadas despesas para a realização do objeto social da empresa, conforme sintetizado nos itens seguintes: a) Das glosas sobre os gastos gerais com manutenção Alega que utiliza vários equipamentos para a realização de seu objeto social, apresentando imagens de máquinas e equipamentos de açougue e de panificação, assim como imagens de computadores utilizados nos caixas de supermercado. A partir de imagem de seu Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral, afirma que além do comércio de alimentos, também realiza atividades industriais, como a fabricação de produtos de carne e de padaria, onde referidas máquinas e equipamentos seriam utilizados. Assim, considerando que a utilização dessas máquinas e equipamentos seria essencial a exercício de suas atividades, aduz que as despesas com a manutenção dessas máquinas e equipamentos se enquadrariam no conceito de insumo, determinando o restabelecimento dos créditos glosados. Na mesma linha, defende a caracterização como insumo para as despesas relacionadas aos demais gastos com manutenção glosadas pela fiscalização, como as referentes à manutenção da rede elétrica, de geradores de energia elétrica, da rede hidráulica, de móveis e utensílios, de carrinhos de compra e de PDV (pontos de venda – caixa). b) Das glosas de créditos calculados sobre depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado não utilizados no processo produtivo Alega que os supermercados, sendo empresas varejistas de mercadorias em geral, em que pese atuem majoritariamente realizando a venda de objetos adquiridos de terceiros ao consumidor final, por vezes realizam a fabricação de diversos produtos, como os relacionados à panificação, a açougue e a restaurante. Assim, defende que as máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo desses itens, como assadeiras, esteiras, bancadas, pias, armários, etc, listadas nos Fl. 4864DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 12 anexos XV a XX do Relatório Fiscal, como ativos imobilizados utilizados nas atividades produtivas da empresa, possibilitam o aproveitamento de créditos sobre as despesas com depreciação de referidos bens. c) Das glosas de créditos calculados sobre despesas com taxas de administração de cartão A impugnante aduz a essencialidade das despesas com taxa de administração de cartão de crédito e de débito para a realização de seu objeto social, pois seriam imprescindíveis para a viabilização das vendas de produtos, uma vez que sem a disponibilização dessas formas de pagamento a seus clientes, suas vendas ficariam estagnadas. DA DILIGÊNCIA Após cotejo entre os termos do Relatório Fiscal e os da Impugnação, identificou- se a necessidade de diligência para confirmação, pela unidade de origem, da alegação do contribuinte quanto a erro na definição da base de cálculo do lançamento, assim como em relação à efetiva realização das atividades industriais ou de prestação de serviços alegadas. Assim, por meio da Resolução nº 103-000.127 – 4ª Turma da DRJ03, de 06 de agosto de 2021, converteu-se o feito em diligência, com retorno dos autos à unidade de origem, para que: - A unidade preparadora providencie a cobrança imediata, em autos apartados, da parte não litigiosa do crédito tributário, conforme ressaltado na seção desta Resolução denominada DELIMITAÇÃO DO LITÍGIO; - A autoridade lançadora aprecie a alegação da impugnante sobre erro na definição da base de cálculo do lançamento, em virtude de eventual desconsideração de lançamentos de estorno referente a operações canceladas; e - A autoridade fiscal intime a impugnante para comprovar a efetiva realização das atividades industriais ou de prestação de serviços alegadas, assim como a associação das despesas glosadas às atividades produtivas porventura comprovadas. Do mesmo modo, identificar os itens do imobilizado, relacionados nos anexos XV a XX do Relatório Fiscal, sobre os quais recaíram as glosas sobre encargos de depreciação, que foram utilizados nas atividades produtivas eventualmente comprovadas. - Comprove a efetiva realização de atividades industriais alegadas pelo contribuinte e que, em caso procedente, inste a impugnante a comprovar, de forma individualizada, o montante das despesas glosadas (relacionadas no anexo XIV do Relatório Fiscal) que estiveram associadas a ditas atividades produtivas. Do mesmo modo, deve-se também identificar os itens do imobilizado, relacionados nos anexos XV a XX do Relatório Fiscal, sobre os quais recaíram as glosas sobre encargos de depreciação, que seriam utilizados nas alegadas atividades produtivas do contribuinte. Fl. 4865DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 13 A autoridade deve elaborar relatório circunstanciado quanto aos trabalhos e conclusões decorrentes da diligência, o qual deverá especificar e totalizar, por anexo do Relatório Fiscal e período de apuração, os valores atrelados aos estornos eventualmente comprovados e não considerados, assim como as despesas e bens do ativo imobilizado vinculados a eventual comprovação de atividades industriais e de prestação de serviços efetivamente exercidas pelo contribuinte. O resultado da diligência deve ser cientificado ao contribuinte, facultando-lhe apresentar contrarrazões no prazo de 30 (trinta) dias, com posterior retorno a esta DRJ, para julgamento. DO RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL Em atendimento à Resolução supracitada, após intimações e respostas da impugnante, foi elaborado o Relatório de Diligência Fiscal de fls. 4.395/4.437, por meio do qual, em suma, a autoridade administrativa informa o seguinte em relação aos tópicos solicitados: Da cobrança da parte não litigiosa do crédito tributário Relativamente â solicitação de cobrança da parte não controversa do crédito tributário em autos apartados, encaminhamos o presente processo para o setor competente para saneamento da providência citada, o qual efetivou a transferência dos créditos tributários referidos para o processo nº 17830.729139/2021-00, de acordo com o Termo de Transferência de Débitos de fls. 3.925 e 3.926. Posteriormente, o contribuinte se manifestou contrariamente à cobrança dos créditos tributários em referência, de acordo com manifestação juntada ao processo de cobrança e anexada ao presente processo às fls. 3.946 a 3.951 Do erro na definição da base de cálculo do lançamento [...] Relativamente à afirmação de que a fiscalização desconsiderou os estornos decorrentes de operações canceladas, verifica-se que esta não corresponde à realidade, já que praticamente a totalidade dos estornos foram considerados. Ante tal alegação, e em atendimento à solicitação trazida pela DRJ03, revisamos os lançamentos que compuseram a base de cálculo lançada a título de receitas de acordos comerciais e verificamos que os seguintes lançamentos compuseram indevidamente o débito lançado, muito provavelmente devido ao erro na grafia do histórico do lançamento: Por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 003 – Diligência (fls. 4.390 a 4.392), questionamos o interessado sobre a eventual existência de outros lançamentos, dentre aqueles que compuseram os Autos de Infração questionados (Anexos III ao XI do Relatório de Ação Fiscal), além dos indicados no quadro acima, que representem estornos e cujos históricos não indicaram se tratar de cancelamento de operação. Fl. 4866DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 14 Entretanto, o contribuinte não apresentou resposta ao Termo referido. Assim, os valores acima deverão ser excluídos do lançamento aqui tratado. Da comprovação da efetiva realização de atividades industriais. Na Resolução em análise, a autoridade julgadora solicitou que a impugnante fosse intimada a “comprovar a efetiva realização das atividades industriais ou de prestação de serviços alegadas”, o que fizemos por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 001 – Diligência (fls. 3.931 a 3.933). Em resposta, o contribuinte apresentou documento com o detalhamento das atividades da empresa as quais pretende ver reconhecidas como industriais, dividindo-as entre açougue, confeitaria e padaria, industrialização de hortifruti, industrialização de frios, centro de distribuição e rotisseria (fls. 4.147 a 4.179). Das atividades listadas acima, verifica-se a efetiva industrialização somente naquelas relacionadas à padaria e à confeitaria, sobre as quais já se manifestou a Coordenação Geral de Tributação – Cosit nas Soluções de Consulta cujas ementas reproduziremos a seguir. As Soluções de Consulta em referência também tratam das atividades de açougue e rotisseria em supermercados, a respeito das quais esclarece sobre a impossibilidade de cálculo de créditos de Pis e Cofins sobre às aquisições de bens incorporados ao ativo imobilizado aplicados nessas atividades: [...] Ante todo o exposto, verifica-se que, dentre as atividades alegadas, pode ser considerada como atividade industrial aquelas relacionadas à padaria e à confeitaria Da associação das glosas de encargos de depreciação sobre itens do ativo imobilizado utilizados nas atividades produtivas comprovadas A Resolução aqui tratada solicitou que fosse intimado o contribuinte para que fosse comprovada a “associação das despesas glosadas às atividades produtivas porventura comprovadas”, além de comprovada “de forma individualizada, o montante das despesas glosadas (relacionadas no anexo XIV do Relatório Fiscal) que estiveram associadas a ditas atividades produtivas”. Por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 001 – Diligência, intimamos conforme descrito acima. Em resposta, o interessado informou que “elaborou planilha com a discriminação das despesas e a relação com as atividades produtivas (Anexo V – arquivo não paginável)” (fls. 4.070 a 4.071). Da análise da planilha em referência (fls. 4.180), verificamos que ali não constavam as informações solicitadas. Assim, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 002 – Diligência (fls. 4.264 a 4.266), reintimamos a referida exigência. Em resposta, foi apresentada nova planilha, na qual o contribuinte informa em qual dos processos produtivos supostamente estaria vinculada parte das despesas glosadas, num total de R$120.928,97, dos R$3.536.877,58 de despesas glosadas. Afirmou ainda que “a ora Manifestante segue diligenciando para localização dos setores em que foram utilizados todos os Fl. 4867DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 15 serviços constantes do anexo XIV do Relatório Fiscal para o fim de complemento da presente Resposta à Intimação”. Tal resposta ocorreu em 04/02/2022, e até o presente momento não obtivemos a complementação prometida. Lembrando que o Termo de Intimação Fiscal nº 001 – Diligência, em que originalmente solicitamos as referidas informações, foi cientificado ao Original Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo – RS Equipe Regional de Fiscalização de PIS/Cofins da 10ª RF Pág. 9 de 10 contribuinte no dia 25/10/2021. Ainda assim, reintimamos o referido pedido de esclarecimentos, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 003 – Diligência, ao qual não houve respostas. Não bastasse que a resposta apresentada represente ínfima parte daquilo que necessitamos ver esclarecido, nota-se que mesmo para esses poucos itens a informação trazida foi insuficiente, já que ali não há o esclarecimento de como cada uma das despesas se relaciona com a alegada atividade produtiva. Por todo o exposto, não conseguimos lograr êxito na aferição das supostas despesas relacionadas com as atividades produtivas da empresa (padaria e confeitaria), as quais, se existentes, deveriam ser excluídas do lançamento ora analisado. Da associação das glosas de encargos de depreciação sobre itens do ativo imobilizado utilizados nas atividades produtivas comprovadas Por intermédio do Termo de Intimação Fiscal nº 001 – Diligência, intimamos o interessado a identificar os itens do imobilizado sobre os quais recaíram as glosas sobre encargos de depreciação, que seriam utilizados nas alegadas atividades produtivas do contribuinte. Em resposta, o contribuinte apresentou planilha “com a reunião de todos os itens dos anexos XV a XX do Relatório Fiscal, com a devida identificação do setor em que foram utilizados”. Da análise da planilha apresentada, e considerando as informações relativas às atividades produtivas da empresa (padaria e confeitaria), infere-se que os valores constantes do Anexo a esse Relatório de Diligência deverão ser retirados do lançamento original, conforme consolidado na tabela abaixo: Da conclusão da diligência Ante todo o exposto, respondemos às solicitações da 4ª Turma da DRJ03, conforme explicitado nos subitens acima, da leitura dos quais infere-se que deverão ser descontados do lançamento os valores consolidados na tabela abaixo: Fl. 4868DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 16 DAS CONTRARRAZÕES AO RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL Em consideração ao Relatório de Diligência Fiscal, a impugnante apresentou os argumentos abaixo sintetizados: Da cobrança da parte não litigiosa do crédito tributário A contribuinte alega que diante de sua insurgência quanto à legalidade do procedimento administrativo fiscal que deu origem à autuação, apresentou contestação em face da integralidade dos créditos tributários objeto da autuação. Da indevida apuração da base de cálculo de lançamento Segundo a recorrente, os valores a serem ajustados na base cálculo vão além dos indicados pela autoridade fiscal no relatório de diligência. Conforme tabela abaixo colacionada em sua manifestação, os valores do razão contábil demonstrariam que a base de cálculo apurada pela fiscalização não se coadunaria com os registros de sua contabilidade. (...) A fim de comprovar o erro da fiscalização, solicitou juntada aos autos do razão de cada conta contábil indicada na tabela acima colacionada, argumentando que por meio da análise de tais documentos (arquivos não pagináveis) seria possível verificar a procedência de sua alegação. Da efetiva realização de atividades industriais. Da inaplicabilidade das Soluções de Consulta ao caso concreto. Critica o entendimento da fiscalização que, invocando posicionamentos da RFB exarados em Soluções de Consulta, limitou a análise de créditos das contribuições para o PIS e a Cofins sobre as atividades industriais de padaria e confeitaria. Sustenta que as Soluções de Consulta indicadas pela autoridade fiscal não se aplicariam integralmente à situação do contribuinte, pois trataria de casos distintos e específicos. Transcreve ementas das Soluções de Consulta utilizadas pela fiscalização, argumentando a distinção entre seu caso e os que foram objeto de referidas decisões. Ademais, cita jurisprudência em reforço a seu pleito. Por fim, ratifica todos os argumentos de defesa apresentados em sede de Impugnação. Fl. 4869DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 17 A DRJ03 considerou parcialmente procedente a impugnação. A ementa foi assim redigida: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/01/2016 a 30/06/2016 REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, nos termos da decisão proferida pelo STJ nos autos do REsp nº 1.221.170/PR. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. ATIVIDADE COMERCIAL. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Assim, para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda (inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003). REGIME NÃO CUMULATIVO. DESCONTOS INCONDICIONAIS OBTIDOS. Os descontos incondicionais são aqueles que constam da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependem de evento posterior à emissão desses documentos. Somente os descontos considerados incondicionais podem ser excluídos da base de cálculo do PIS/PASEP e da COFINS apurados no regime não cumulativo. DESCONTOS CONDICIONAIS. NATUREZA DA RECEITA RESULTANTE. Para fins de determinação da alíquota da contribuição incidente sobre o desconto condicional, deve-se determinar a natureza da receita resultante desse desconto, a qual depende da caracterização do negócio jurídico firmado entre as partes, nos termos das condições contratuais pactuadas. Os descontos comerciais não destacados em notas fiscais, e que dependam de evento posterior à emissão destas, devem ser considerados descontos condicionais, cuja receita deles resultante não tem natureza financeira, aplicando-se as alíquotas regularmente incidentes sobre as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica. REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. TAXA DE ADMINISTRAÇÃO DE CARTÃO DE CRÉDITO OU DÉBITO. DESPESAS OPERACIONAIS COM VENDAS. O pagamento de taxas de administração para pessoas jurídicas administradoras de cartões de crédito ou débito não gera direito à apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ausência de previsão legal. Fl. 4870DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 18 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2016 a 30/06/2016 MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento da Cofins, mutatis mutandis, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo ao PIS, em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias objeto de lançamento. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2016 a 30/06/2016 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Tendo em vista que o procedimento fiscal foi instaurado conforme a legislação vigente, e o lançamento fiscal foi efetuado por autoridade competente e encontra-se devidamente motivado, com descrição precisa e detalhada dos fatos, trazendo todas as informações necessárias para a sua devida compreensão e o exercício do contraditório e da ampla defesa, inexiste nulidade dos lançamentos efetuados. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS AOS AUTOS. REQUISITOS. A prova documental será apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. A DRJ considerou procedente em parte a impugnação para adequar o lançamento na forma do resultado da diligência, que corrigiu erros na base de cálculo a partir do alegado e reconsiderou as glosas sobre gastos de manutenção e sobre depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado relacionados às atividades de padaria e confeitaria, devidamente comprovados pela impugnante. A empresa foi cientificada em 01/12/2022. Em 23/12/2022, apresentou recurso voluntário. Apresenta seu relato dos fatos. Requer, em preliminar: Nulidade do acórdão da DRJ por fundamentos não analisados em sua integralidade e fundamentação genérica. Aduz que a DRJ reproduz os mesmos argumentos do outro PAF e reproduz entendimento fiscal. Também não tratou das seguintes matérias contestadas: “DOS VALORES RELATIVOS A ACORDOS COMERCIAIS NÃO OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO – (subitem “b” Aniversário); DOS VALORES RELATIVOS A ACORDOS COMERCIAIS NÃO OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO – (subitem “c” Inauguração e Reinauguração); DOS VALORES RELATIVOS A ACORDOS COMERCIAIS Fl. 4871DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 19 NÃO OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO – (subitem “d” Rebaixe de Custo Repressivo e Rebaixe de Custo Preventivo); DOS VALORES RELATIVOS A ACORDOS COMERCIAIS NÃO OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO – (subitem “f” Ajustes de acréscimo de créditos relativos a estorno de débitos vinculados a acordos comerciais); DA ALÍQUOTA APLICÁVEL ÀS RECEITAS FINANCEIRAS (DESCONTOS CONDICIONAIS). DA INSUBSISTÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO (pleito alternativo). Cerceou, portanto, a defesa. Persistente nulidade do procedimento por ausência de cientificação de prorrogação do TDPF: Ainda que seja permitida a prorrogação, deve ser dado ciência da sua autorização ao contribuinte, sob pena de cerceamento de defesa e patente ilegalidade. Nulidade por incompetência da autoridade fazendária. O fiscal responsável é lotado em Novo Hamburgo (RS) e a empresa é de Maringá (PR). A DRJ não se posicionou sobre as disposições do art. 11 da Lei 9.784/1999. No mérito, mantém os questionamentos da impugnação, sob os títulos seguintes (resumo): IV.I. DO VALORES RELATIVOS A ACORDOS COMERCIAIS NÃO OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO o A) Dos Descontos Concedidos em Contratos de Fornecimento o B) Aniversário o C) Inauguração e Reinauguração o D) Rebaixe de Custo Repressivo e Preventivo o E) Marketing o F) Ajustes de acréscimo de créditos relativos a estorno de débitos vinculados a acordos comerciais IV.I.I. DESCONTOS INCONDICIONAIS IV.I.II. DA TRIBUTAÇÃO INDEVIDA IV.I.III. DA AUSÊNCIA DE RECEITA IV.I.IV. DA ALÍQUOTA APLICÁVEL ÀS RECEITAS FINANCEIRAS. DA INSUBSISTÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO IV.I.V DO ERRO NA BASE DE CÁLCULO IV.II. DOS ALEGADOS AJUSTES DE ACRÉSCIMO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEO SEM COMPROVAÇÃO ADEQUADA (a – da presunção de boa-fé; b – da submissão para análise de períodos decaídos) IV.III. DAS GLOSAS DE CRÉDITOS IV.III.I ASPECTOS INERENTES À CONSTITUIÇÃO DA EMPRESA E SUA TRIBUTAÇÃO (a – objeto social e atividades desempenhadas; b – regime de tributação; c – apuração e utilização de créditos de PIS e Cofins) Fl. 4872DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 20 IV.III.II. DA CONTESTAÇÃO DAS GLOSAS (i) DAS GLOSAS REFERENTES AOS AJUSTES DE CRÉDITOS RELATIVOS A GASTOS GERAIS DE MANUTENÇÃO (ii) DEPRECIAÇÃO DE BENS INCORPORADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E SUPOSTAMENTE NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO (iii) DOS CRÉDITOS RELATIVOS A DESPESAS COM TAXAS DE CARTÃO DE CRÉDITO Destaca-se, ainda, trechos: Repisa-se, de um modo ou de outro, as contribuições já foram recolhidas e deverão ser consideradas pelo Fisco, à medida que inexiste receita a ser oferecida para tributação neste momento da cadeia de vendas, sob pena de se incorrer em enriquecimento ilícito do ente estatal. (...) INSISTIMOS, não houve em decorrência dos descontos concedidos, qualquer acréscimo patrimonial da Contribuinte! Houve mera redução de custo das mercadorias em razão da concessão dos descontos, o que poderá significar no máximo aumento de LUCRO, mas jamais de acréscimo de receita (tampouco receita tributável). (...) Disserta sobre o conceito de insumos. Cita legislação respectiva a cada tópico, como na impugnação, e o acórdão 9303-013.338 CSRF (sobre desconto incondicional) e decisões do Carf, como as proferidas nos processos 19515.721360/2017-23 e 10540.721182/2016-78 (marketing). Requer: PRELIMINARMENTE a) Conhecer o manejado Recurso, provendo-o para anular o acórdão em debate, posto que deixa de analisar a completude dos fundamentos esposados na Recorrente do contribuinte., nos termos do item, III.I; b) Reformar o Acordão vergastado com o fito de declarar a nulidade do lançamento em debate em razão da ausência de intimação quanto à prorrogação do Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal, nos termos do item III.II; c) Reformar o Acordão vergastado com o fito de declarar a nulidade do lançamento em razão da incompetência territorial da autoridade fiscal, haja vista que a sede da Recorrente se localiza em Maringá/PR, nos termos do item III.III; QUANTO AO MÉRITO d) Reformar o Acordão vergastado com o fito de determinar a exclusão das verbas referentes à Acordos Comerciais realizados pela Recorrente da base de cálculo do PIS/Cofins, em razão da sua natureza de Desconto Incondicional – Redutor de Custo, conforme exposto no item IV.I.I; Fl. 4873DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 21 e) Subsidiariamente ao pedido “d)”, caso então se entenda que os acordo comerciais não possuem natureza de descontos incondicionais, que seja reformado o acórdão em debate, adequando-se o valor da alíquota a ser aplicada, pois estes deverão ser considerados receitas financeiras, com fulcro no artigo 9°, da Lei nº 9.718/98, nos termos expostos no item IV.I.IV, deste Recurso. f) Reformar o Acordão vergastado com o fito de declarar a nulidade do auto de infração, em razão da ausência de prejuízo do Fisco, haja vista que, ao contrário do que alega a auditora-fiscal, houve a devida tributação dos produtos adquiridos pela Recorrente, nos termos do item IV.I.II; g) Reformar o Acordão vergastado com o fito de declarar a insubsistência do lançamento de PIS e COFINS sobre os valores Acordo Comercial firmado com fornecedores, haja vista que não se caracterizam como receita, conforme exposto no item IV.I.III; h) Subsidiariamente ao pedido supra, reformar o Acordão vergastado com o fito de declarar a nulidade parcial do lançamento por erro na base de Cálculo, nos termos do item IV.I.V i) Reformar o Acordão vergastado com o fito de cancelar as glosas sobre os ajustes de acréscimo de créditos relativos a estorno de débitos vinculados a acordos comerciais, vez que estes, de fato, não integram a base de cálculo do PIS/Cofins, conforme item IV.I; j) Reformar o Acordão vergastado com o fito de cancelar a glosa sobre os créditos extemporâneos fiscalizados, em atenção ao princípio da verdade material, nos termos do item IV.II; k) Reformar o Acordão vergastado com o fito de cancelar a glosa sobre créditos relativos aos bens e serviços utilizados como insumo, especialmente quanto à serviços de manutenção de máquinas e equipamentos utilizados na produção, nos termos do item IV.III.II; l) Reformar o Acordão vergastado com o fito de cancelar a glosa sobre créditos relativos a bens do ativo imobilizado utilizados no processo produtivo, nos termos do item IV.III.II; m) Reformar o Acordão vergastado com o fito de cancelar a glosa sobre créditos relativos à despesa referente ao pagamento de taxa de administração de cartão de crédito, nos termos do item IV.III.II. Posteriormente, apresenta petição (fls. 4768 em diante). Indica que, de acordo com a previsão, aderiu ao Programa de Redução de Litigiosidade Fiscal da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1/2023 e desistiu parcialmente do presente litígio. Informa a desistência do recurso quanto ao seguinte: PRODUTOS DE PADARIA (Anexo I e III) PÃO DE QUEIJO (Anexos I eIII) TEMPERO PRONTO (Anexos I e III) Fl. 4874DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 22 AVES OU CARNES SUÍNAS TEMPERADAS (Anexos I e II) ATIVO IMOBILIZADO (Anexos VI a XX) Mantém o recurso quanto ao demais. A unidade de jurisdição providenciou a transferência do crédito tributário respectivo. É o relatório. VOTO Conselheiro MARCELO ENK DE AGUIAR, Relator Segue a análise, começando pelas preliminares. 1 PRELIMINARES DE NULIDADE 1.1 Nulidade da Decisão da DRJ. A recorrente postula a declaração de nulidade da decisão recorrida por fundamentos não analisados em sua integralidade e fundamentação genérica. A impugnação teria descido aos pormenores e a decisão reproduziu o entendimento fiscal, sem atentar quanto à superficialidade. Também teria deixado de apreciar contestações: Para melhor visualizarmos, atinemos para as matérias não tratadas pela DRJ julgadora no acórdão guerreado. A decisão da DRJ, porém, foi expressa em apresentar o seu entendimento, não sendo vedado reproduzir trechos do relatório fiscal cujo entendimento é adotado. Com relação à matéria, a decisão contestada apreciou os acordos comerciais sob o título: DO MÉRITO Fl. 4875DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 23 DOS VALORES RELATIVOS A ACORDOS COMERCIAIS NÃO OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO. DOS DESCONTOS INCONDICIONAIS. DA AUSÊNCIA DE RECEITA. DAS RECEITAS FINANCEIRAS. Foram citadas soluções de consulta e a fundamentação foi apresentada. O texto da decisão deixa claro a prática adotada e mantém a tributação, seja qual for o item ou motivo contratual adotado para a redução dos valores a pagar aos fornecedores. Se há item discrepante da sistemática objeto de julgamento, a litigante poderia apresentar suas razões no recurso. Com relação aos lançamentos de estorno, o processo foi, inclusive, baixado em diligência. O entendimento da DRJ foi apresentado e validou alterações a partir do suscitado. Com relação às alíquotas aplicáveis às receitas financeiras, não havia sentido a DRJ tratar do tema, uma vez que não foram verificadas receitas financeiras. Na impugnação, as receitas financeiras são itens subsidiários do argumento: Assim, caso mantido o entendimento fiscal de que os descontos descritos nos contrato comerciais acostado ao PAF não são incondicionais, restará manifesta a inaplicabilidade da alíquota lançada na autuação fiscal, pois estaremos então a tratar de receitas financeiras, às quais possuem alíquota reduzida, pelo que estaremos diante, também por esta razão, de integral nulidade do auto de infração por erro material incorrigível que afronta o art. 142, do CTN, o qual trata sobre a obrigação da autoridade administrativa de calcular o montante devido de imposto. Porém, não foi o entendimento da DRJ por afastar a incidência sobre as receitas autuadas, considerando-as como descontos condicionais com natureza financeira. Importa acrescentar que não se verificou temas do recurso não tratados. Com relação aos argumentos, o julgador não está obrigado a rebater todos os pontos do recurso quando já houver elementos suficientes para formação da sua decisão. Nesse sentido é o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. INCIDENTE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CONCLUSÃO NO SENTIDO DA VIABILIDADE DA INCLUSÃO DOS INSURGENTES NO POLO PASSIVO DA LIDE. SÚMULA 7/STJ. CONTEXTO FÁTICO QUE EVIDENCIA ATUAÇÃO ABUSIVA DOS SÓCIOS E OCORRÊNCIA DE CONFUSÃO PATRIMONIAL. SÚMULA 7/STJ. ACÓRDÃO EM HARMONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR. SÚMULA 83/STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Não há nenhuma omissão, carência de fundamentação ou mesmo nulidade a ser sanada no julgamento ora recorrido. A decisão desta relatoria dirimiu a controvérsia com base em fundamentação sólida, sem tais vícios, tendo apenas resolvido a celeuma em sentido contrário ao postulado pela parte insurgente. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a responder a questionamentos das Fl. 4876DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 24 partes, mas tão só a declinar as razões de seu convencimento motivado, como de fato ocorreu nos autos. (...) (AgInt no REsp 1920967/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 03/05/2021, DJe 05/05/2021) Dessa forma, não se caracteriza omissão do julgado da DRJ. Ainda, assim dispõe o processo administrativo fiscal em seu artigo 59 (Decreto nº 70.235/1972): Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. No caso concreto, necessário ressaltar de antemão, o auto de infração foi lavrado por Auditora-Fiscal da RFB. O procedimento de verificação teve transcurso com a utilização da Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita (EFD-Contribuições), assim como dos elementos apresentados pelo contribuinte. O relatório fiscal descreve os passos do trabalho fiscal e entendimento adotado, assim como transcreve textos legais em itens específicos. O auto de infração aponta a fundamentação legal. As contribuições sociais para a seguridade, entre as quais as ora estudadas encontram-se assim previstas na CF: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (Vide Emenda Constitucional nº 20, de 1998) I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Fl. 4877DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 25 (gn). Cumpre ainda referir, sobre o acima, que é determinado que o custeio da seguridade social deverá ser financiado por toda a sociedade. Assim, a universalidade do custeio, por todos os ramos e setores, é intenção expressa do legislador constitucional, não podendo ser mitigada. Isso, por certo, não significa que poderá a União instituir contribuição sobre quaisquer fatos, diferentes das hipóteses previstas. As Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 criaram a sistemática não-cumulativa para as contribuições em questão. Ao contrário do IPI e do ICMS, “... a não-cumulatividade das contribuições sociais é norma de eficácia limitada de princípio institutivo facultativo ...” (Moreira, 2012, p. 4281). Os valores de PIS e Cofins são apurados em relação à receita ou ao faturamento (nos termos das Leis), depois deduzidos os créditos permitidos. Estes, não são obtidos diretamente do PIS e Cofins devidos nas compras, uma vez que as contribuições não são apuradas em cada operação ou destacados em nota fiscal. São obtidos com a aplicação da alíquota básica das contribuições (7,6% para Cofins e 1,65% para o PIS, mesma devida sobre a receita da empresa), sobre as aquisições de bens e serviços passíveis de creditamento. É, assim, similar à sistemática usualmente chamada “imposto contra imposto”, utilizada no ICMS e IPI, mas com contornos próprios2. Assim, determinado o núcleo de incidência constitucional, é a empresa ou entidade que obtiver faturamento ou auferir receita que estará sujeita a tributação pelo PIS e pela Cofins, na medida das suas expressões econômicas definidas em lei. Na Lei 10.833/2003, assim constou: Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (Vide Lei Complementar nº 214, de 2025) § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do Decreto-Lei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica com os seus respectivos valores decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) 1 MOREIRA, André Mendes. A não-cumulatividade dos tributos. 2ª ed. São Paulo: Noeses, 2012. 2 Assim colocou Marco Aurélio Greco (Não-Cumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (coord). Não-cumulatividade do PIS e da COFINS. São Paulo: IOB Thompson; Porto Alegre: Instituto de Estudos Tributários, 2004, p. 110): “... em parte, se assemelha ao “base sobre base” – na medida em que relevante é o valor dos itens enumerados e não o valor das contribuições incidentes – e ao “imposto sobre imposto”, pois o montante não é excluído da base sobre a qual incidirá a alíquota, mas sim do próprio valor das contribuições, apurado pela aplicação da alíquota sobre a base de cálculo (= “receita”)”. Fl. 4878DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 26 § 2º A base de cálculo da Cofins é o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme definido no caput e no § 1º. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) Caso comprovado que a autuação se afastou da hipótese, o lançamento poderia ser revertido. A recorrente impugnou a exação demonstrando pleno conhecimento do entendimento que a fundou. Discutiu o conceito de receita e a inexistência, no seu entender, de prejuízo à Fazenda Nacional. Além do que, a divergência de entendimento quanto à prática adotada pela recorrente e outros do ramo de supermercados não é nada nova, sendo anterior à própria sistemática não cumulativa de apuração, como se verá melhor. Entende-se inexistir mácula no lançamento, que atendeu às formalidades legais. Cabe citar algumas ementas de julgamentos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) referentes à nulidade, na direção do entendimento adotado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. AFRONTA AOS PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS DA RAZOABILIDADE E EFETIVIDADE INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade de despacho decisório por afronta aos princípios administrativos da razoabilidade e efetividade, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, pois a interessada teve acesso a todos os elementos constantes do despacho decisório e demonstrou ter pleno conhecimento de todos os fatos relativos à não homologação das compensações, além de ter apresentado sua defesa de forma ampla e pormenorizada, com as provas que entendeu necessárias. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. (...) (Acórdão 3801-01.015; Processo: 10580.720665/2007-98; Sessão: 14/02/2012; 1ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento). ..................................... ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2004 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não tendo ocorrido quaisquer das causas de nulidade previstas no art. 59 do Decreto 70.235/1972 e presentes os requisitos elencados no art. 10 do mesmo Fl. 4879DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 27 diploma legal, não há que falar em cerceamento de defesa e nulidade do auto de infração. FIXAÇÃO DA MULTA. VÍCIOS DE CONSTITUCIONALIDADE. CONFISCO. RAZOABILIDADE. CONSERVAÇÃO DA EMPRESA. SUPOSTO PARÂMETRO STJ. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO. Carece de interesse recursal o pedido de redução de multa aplicada conforme dispositivo legal e em valor abaixo do valor aduzido pela recorrente como imposto por suposto parâmetro jurisprudencial. (Acórdão: 2202-006.758; Processo 19515.005005/2008-12; Sessão: 03/06/2020; 2a. Turma da 2a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Carf). ..................................... ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2014 a 31/12/2014 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade por cerceamento de defesa se a parte pôde conhecer a acusação, contraditá-la e teve seus argumentos devidamente considerados por um novo despacho decisório, após atendido o pleito da própria recorrente, que teve sua petição apreciada. (...) (Acórdão: 3201-011.854; processo 10930.720946/2016-14; sessão: 17/04/2024; 1a Turma da 2a Câmara da 3a Seção de Julgamento do Carf). Por fim, como visto no art. 60 do PAF, supratranscrito, podem ser sanadas eventuais irregularidades, se caso. O detalhamento na impugnação/recurso demonstra o pleno conhecimento dos fatos e o direito à defesa foi devidamente exercido. 1.2 Nulidade por Ausência de cientificação de prorrogação do TDPF. Aduz a recorrente que “Ainda que seja permitida a prorrogação, deve ser dado ciência da sua autorização ao contribuinte, sob pena de cerceamento de defesa e patente ilegalidade”. Não tem razão a recorrente. Foi dada a ciência do Termo de Início em conjunto com o TDPF. O instrumento permite a confirmação da designação para o trabalho fiscal. Não há necessidade de prorrogação, ou ainda mais da ciência da empresa. Assim como não está definido o prazo do trabalho fiscal. O que ocorre é que, não prorrogado o trabalho, pode readquirir a espontaneidade o contribuinte. A recuperação da espontaneidade só tem sentido e efeitos se a interessada promover ações como de retificação de declaração e pagamento de tributos, nos termos do art. 138 do CTN. Nada foi feito. Fl. 4880DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 28 No mesmo diapasão, as disposições contidas no Decreto n.º 70.235/1972, não fixam prazo para a conclusão do procedimento fiscal, disciplinando apenas o seu início e prosseguimento para os efeitos de exclusão da espontaneidade do sujeito passivo, na forma de seu artigo 7º: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I - o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II - a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III - o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Além do mais, o procedimento fiscal tem natureza inquisitória, de modo que apenas após com a cientificação da exigência fiscal é que se assegura ao contribuinte o exercício dos direitos ao contraditório e à ampla defesa. Assim, não há que se falar em preterição do direito de defesa em relação ao procedimento de fiscalização, previamente à cientificação do contribuinte sobre o auto de infração, o qual deve preencher todos os requisitos de validade dispostos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72. Da análise dos autos, verifica-se a presença de todos os pressupostos de validade do auto de infração exigidos no dispositivo legal. Ademais, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) tem entendimento pacífico no sentido de que o TDPF (antigo Mandado de Procedimento Fiscal – MPF) é um mero ato de controle interno da RFB e que eventuais falhas na sua emissão ou prorrogação não contaminam o lançamento tributário efetuado com observância da legislação de regência. Veja-se o entendimento vinculante abaixo: Súmula CARF nº 171 Aprovada pelo Pleno em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 Irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do MPF não acarreta a nulidade do lançamento. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Os seguintes julgados podem ser citados em apoio: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2017 (...) Fl. 4881DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 29 PRELIMINAR DE NULIDADE. PRAZO PARA CONCLUSÃO DE PROCEDIMENTO FISCAL. DESNECESSIDADE DE MOTIVO PARA A SUA CONTINUIDADE. VÍCIO. INEXISTÊNCIA. A legislação não fixa prazo para a conclusão de procedimento fiscal, disciplinando apenas o seu início e prosseguimento, nem exige a exposição de um motivo para que se dê continuidade ao procedimento fiscalizatório, uma vez que todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, estão sujeitas à ação fiscal. (...) (Acórdão 2102-003.394; Processo: 10380.733269/2021-35; Sessão: 04/06/2024; 2ª Turma, 1ª Câmara da Terceira Seção do Carf) ---------------- ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/12/2006 TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL (TDPF). MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). PRORROGAÇÃO. AUSÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A ausência do termo de início de ação fiscal ou de sua prorrogação não se equipara à falta de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), atual Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal (TDPF), e não torna necessariamente nulo o lançamento de ofício quando não demonstrado o prejuízo ou a preterição ao direito de defesa da contribuinte. O enunciado da Súmula CARF nº 46 estabelece que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Acórdão 1003-001.140; Processo: 10410.005713/2006-95; Sessão: 06/11/2019; 3ª Turma Extraordinária da Primeira Seção de Julgamento). 1.3 Nulidade por Incompetência da Autoridade Fazendária. A empresa alega também a incompetência da autoridade fazendária, uma vez que o fiscal responsável é lotado em Novo Hamburgo (RS) e a empresa é de Maringá (PR). Fica claro nos autos que a empresa foi cientificada do início do procedimento fiscal, sendo que existia TDPF emitido (Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal). Havia, portanto, a formalidade e autorização da RFB para o trabalho realizado. Não há qualquer comando normativo que obrigue a indicar auditores da unidade de jurisdição. As equipes de trabalho regional e nacional são, inclusive, a realidade atual, por fatores cuja discussão descabe aqui. Tal disposição já era expressa no PAF (Decreto 70.235/1972, com força de lei) há longa data: Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para Fl. 4882DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 30 cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) De todo o modo, existe Súmula vigente do Carf tratando desse aspecto: Súmula CARF nº 27 Aprovada pelo Pleno em 08/12/2009 É valido o lançamento formalizado por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Embora trate de questionamento sobre a decisão da DRJ, cumpre desde já comentar que, conforme o acima, torna-se sem sentido questionar a DRJ por não ter se posicionado sobre as disposições do art. 11 da Lei 9.784/1999. Tal disposição foi assim redigida: Art. 11. A competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos administrativos a que foi atribuída como própria, salvo os casos de delegação e avocação legalmente admitidos. No caso, não só a fiscalização foi realizada por auditora-fiscal da RFB, como havia a designação pelo órgão competente. 2 O REGIME NÃO-CUMULATIVO: BASE DE CÁLCULO E CRÉDITOS. Necessário tratar brevemente do PIS e Cofins não cumulativos antes de adentrar na questão da omissão de receitas dos acordos comerciais. Com as alterações determinadas pelos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/1998, cujos efeitos produziram-se a partir de 1º de fevereiro de 1999, passou-se a adotar uma base universal para efeito de incidência do PIS e da Cofins, abrangendo, em princípio, todas as receitas da empresa, independentemente da classificação contábil adotada. Diz-se em princípio porque a legislação pode, desde que o faça expressamente, excluir dessa incidência algumas receitas. A situação foi alterada bastante com a introdução da sistemática não-cumulativa, que permitiu o abatimento dos créditos apurados. Entretanto, as Leis nº 10.637/2002 (PIS não-cumulativo) e Lei no 10.833/2003 (Cofins não-cumulativa), já com a previsão da incidência sobre a receita introduzida na CF, mantiveram como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, sendo que o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela Fl. 4883DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 31 pessoa jurídica. Constata-se que a opção do legislador foi a generalização do alcance da incidência das contribuições em tela. Veja-se o texto da Lei 10.833/2003 (sem alterações relevantes em relação a Lei 10.637/2002 no que é pertinente ao presente processo): Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do Decreto-Lei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica com os seus respectivos valores decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014). § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput e no § 1º. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I - isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II - de que trata o inciso IV do caput do art. 187 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, decorrentes da venda de bens do ativo não circulante, classificado como investimento, imobilizado ou intangível; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) III - auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV - de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) V - referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; (...) (grifou-se). Decreto-Lei no 1.598 Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I - o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) II - o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) Fl. 4884DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 32 III - o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) IV - as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) § 1º - A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. § 1º A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) I - devoluções e vendas canceladas; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) II - descontos concedidos incondicionalmente; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) III - tributos sobre ela incidentes; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) IV - valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações vinculadas à receita bruta. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) Portanto, na modalidade não-cumulativa das contribuições, a base de cálculo é a receita em sentido amplo, independentemente da classificação contábil adotada. A partir da adoção de uma base universal para as referidas contribuições, as próprias leis trataram das hipóteses de exclusão da base de cálculo. Na sistemática não-cumulativa a empresa deduzirá como créditos os valores dos bens adquiridos para revenda, insumos, entre outros listados na legislação de regência (arts. 3os das já citadas Leis 10.637/02 e 10.833/03). Como, pelas diferentes características da tributação do PIS e Cofins em relação ao IPI, por exemplo, não seria possível criar uma sistemática de tributação do tipo “imposto contra imposto”, optou-se por um sistema bastante semelhante ao modelo “base contra base” (pelo qual a base de cálculo seria determinada pela subtração, do valor da receita bruta, do total de custos, encargos e despesas relacionados à atividade do sujeito passivo). As aquisições efetuadas, pelo valor atestado nas notas fiscais, servirão de base de cálculo para a apuração do crédito, a ser descontado do valor da contribuição apurado com base na receita bruta. Volta-se ao conceito de receita bruta no título a seguir. 3 MÉRITO: RECEITAS DE ACORDOS COMERCIAIS Em apertada síntese, foram lançados valores cobrados de fornecedores e não incluídos na base de cálculo das contribuições. Os valores referem-se a percentuais estabelecidos em contratos e implementados por meio de redução dos valores efetivamente pagos aos fornecedores. Fl. 4885DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 33 Para ficar claro, é de se recuperar rapidamente algumas informações do relatório fiscal. Foram investigadas uma série de contas contábeis com o prisma do entendimento do parágrafo anterior. A empresa, a partir de intimação, informou sobre a natureza das contas, o que foi agrupado no quadro: Fl. 4886DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 34 As receitas de determinadas contas, incluídas no último quadro, já foram objeto de tributação das contribuições pela empresa. O trabalho fiscal identificou as seguintes contas que deveriam ter sido tributadas por se referirem a receitas e não o foram: O trabalho fiscal verificou ainda que conta contábil tributada como receita financeira. No caso, foram aplicadas as alíquotas correspondentes a diferença 1,65% - 0,65% = 1% para a Contribuição para o PIS/Pasep e 7,6% - 4% = 3,6% para a Cofins. Veja-se: Destarte, de tudo quanto se expôs, a conclusão inevitável é a de que a bonificação “Rebaixe de Custo Preventivo" não se consubstancia como receita financeira e, portanto, tais receitas também estão sujeitas à tributação pelas alíquotas normais da não cumulatividade, previstas na Lei nº 10.637, de 2002, e na Lei nº 10.833, de 2003, sistemática adotada pela contribuinte. Assim, efetuaremos o lançamento de ofício dos valores relativos à aplicação sobre a base de cálculo correspondente da diferença das alíquotas: 1,65% - 0,65% = 1% para a Contribuição para o PIS/Pasep e 7,6% - 4% = 3,6% para a Cofins. No Anexo XIII ao presente Relatório, relacionamos os lançamentos contábeis que comporão a base de cálculo das contribuições devidas e a tabela abaixo resume os valores a Fl. 4887DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 35 serem lançados referentes à diferença de alíquota das verbas recebidas registradas na conta contábil 3.1.05.06.03.0005 -Contrato Manual - Rebaixa de Custo – Preventivo (valores expressos em reais): Como visto no relatório, a empresa se insurgiu contra referida tributação in totum. Apenas para repisar, em síntese, considera que o desconto concedido, perante a espécie de Fornecimento, possui a natureza de redução de custo, sendo previsto expressamente no acordo comercial firmado junto ao fornecedor, que não depende de evento posterior à venda. Diz ser um desconto “absolutamente incondicionado”, uma vez que com o objetivo de reduzir o custo de aquisição das mercadorias objeto da negociação realizada no momento da compra, cujo desconto não se encontra destacado na nota fiscal por sigilo comercial, não existindo qualquer obrigação ou condição de fazer por parte da Companhia. Cita e apresenta detalhe das situações, como no caso dos contratos de fornecimento e aniversário: (...) Ambos (fornecimento e aniversário) são incondicionais, líquidos e certos, já no momento da emissão da nota fiscal. A única diferença entre os dois é que o fornecimento é calculado nota a nota e cobrado mensalmente, ao passo que o aniversário é calculado nota a nota e cobrado anualmente, todavia, tal detalhamento sequer fora abordado no acordão guerreado. Este desconto adicional (aniversário) é utilizado para as promoções de mercadorias e produtos no mês de festejo de aniversário, porém não é condicionado a nenhum fato ou contraprestação, apenas tem seu lapso de tempo para cobrança anual. Ressalta-se que seu computo e fato gerador já se dá na emissão da nota, podendo inclusive constar nela, porém não o é por questões de sigilos comerciais. Não é possível a análise sem um breve histórico. Tal tipo de situação, efetivamente, nem é exclusiva nem nova no mercado, especialmente no ramo de supermercado/hipermercado. Tais práticas foram usualmente denominadas genericamente de “RAPEL/PEDÁGIO” (imposição pelas grandes redes de supermercados de diversas exigências aos fornecedores, retribuída em dinheiro ou em mercadorias, sobre as compras que aqueles fazem dos seus produtos; melhor disposição da mercadoria dentro da loja – prateleira, publicidade, etc). A tributação desses valores tem sido questionada pelos integrantes do ramo. Era bastante comum, inclusive, anteriormente, a utilização de contas contábeis com os nomes “rapel”, “pedágio”, “receitas de pedágio” etc. Ressalte-se que, de acordo com o relatório fiscal, grande parte das contas identificadas relacionadas à situação não foram submetidos à tributação, sendo que pequena parcela foram tributadas ou tributadas parcialmente. Em algumas contas examinadas, não se apurou lançamentos do período de que trata o presente processo. A empresa registra que a prática é comum no ramo, uma vez altamente concorrencial. Visa redução de preço. A negociação é comercial e exige sigilo, não sendo Fl. 4888DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 36 registrada na nota fiscal. A relação é estabelecida de antemão entre comprador e fornecedor, não dependendo de evento futuro. De fato, não caberia aqui adentrar nos méritos ou propósitos das relações da empresa com seus fornecedores. Não caberia questionar o teor sinalagmático das relações celebradas. Interessa aqui a natureza dos valores envolvidos em relação às repercussões fiscais. Os termos utilizados não são fundamentais, sejam chamadas trade marketing, pedágio, bonificações em descontos, reduções de passivo, recuperação de custos, receita de promoção publicidade ou o que for. Interessa aqui a natureza dos valores em questão e a forma de contabilização adotada, no sentido de verificar a ocorrência de hipótese de incidência tributária. Embora os fornecedores e contratos/acordos sejam inúmeros, assim como as operações realizadas, a prática comum é estabelecer percentuais sobre compras a serem cobrados dos fornecedores. Assim, a compra da mercadoria é feita e há um passivo com o fornecedor. Esse passivo não será integralmente pago. Os motivos, percentuais e momento da ocorrência são variados e já descritos, envolvendo aumento de vendas com redução de custo, evento de aniversário da loja, inauguração/reinauguração, variação de preços das concorrentes, aumentar volume de compras, marketing, ponto extra, entre outros. Os valores reduzem o passivo e não transitam, ou são excluídos, das contas submetidas à tributação do PIS e Cofins. No título anterior já se abordou a tributação das contribuições em apreço na sistemática não-cumulativa, bem como a hipótese de incidência. Para acrescentar, interessa citar a definição de receita de Solon Sehn, com base na tradição de Baleeiro acerca da receita pública, e de Hugo de Britto Machado: (...) receita constitui um ingresso de soma em dinheiro ou qualquer outro bem ou direito susceptível de apreciação pecuniária decorrente de ato, fato ou negócio jurídico apto a gerar alteração positiva do patrimônio líquido da pessoa jurídica que a aufere, sem reservas, condicionamentos ou correspondências no passivo3. O STF também adotou tal conceito no RE 606.107/RS, nos seguintes termos: “Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas e condições” (gn – STF, RE 606.107, ementa, relatora Min. Rosa Weber). No caso presente, na forma como opera a empresa, é difícil interpretar que não ocorra acréscimo em seu patrimônio. Há diferença óbvia na situação patrimonial entre uma empresa que recebe a remuneração dos fornecedores e outra que não recebe. A receita corresponde ao fato modificativo aumentativo, na contabilidade. Difere do resultado, que contrapõe o fato modificativo diminutivo. Conceitualmente, a receita difere do lucro, de fato. Mas aqui, o ganho ocorre na implementação do desconto. 3 Sehn, Solon. Não-incidência do PIS/Pasep e da Cofins sobre reembolso e indenizações. Revista Dialética de Direito Tributário. SP, nº 162, 2009, p. 63. Fl. 4889DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 37 É de se pontuar que existe o benefício para os fornecedores, que não darão "desconto de graça". Isso por certo não significa dizer que os acordos que resultam redução de preço não são salutares ou necessários em um mercado competitivo. Ocorre que, em decorrência dos acordos comerciais, por certo foi auferida receita, independentemente de denominada de serviços, comissionamento de vendas, ou o que for. Resta evidente que a empresa compradora tem efeito patrimonial positivo, o que pode ser percebido facilmente se fosse feita a comparação tanto com quem não teve o desconto, e pagou integralmente o fornecedor, quanto com quem forneceu desconto incondicional ou, de qualquer forma, registrou a compra por valor menor. A empresa apresentou contratos como amostragem em resposta à intimação (fls. 2287-2315). Efetivamente, constam previsões de pagamento a cada nota fiscal e explicação de motivos de desconto onde consta a observação “... não existindo qualquer obrigação ou condição de fazer por parte da Compradora”. Mas também constam descrições como a de “Ponto Extra – Concessão de desconto para exposição privilegiada de mercadorias do Fornecedor”, onde a contrapartida é evidente. Também há descontos que o próprio quadro de periodicidade indica que se darão “no evento”, e não a cada nota. Observa-se, também, contratos com opção de operacionalizar o desconto por pagamento do fornecedor, e não apenas compensação com o valor a pagar das notas. Por exemplo, no Contrato com Oxford Porcelanas S/A, o Quadro V indica a forma de pagamento como Depósito em Conta Corrente. Consta das observações as opções, a saber: Quadro V O Quadro V determina a compensação como forma padrão de pagamento do desconto, sendo ainda possível, mediante critério da COMPRADORA, ocorrer o pagamento do desconto por meio de depósito bancário, mercadoria em bonificação, desconto em duplicata ou boleto bancário. De toda a forma, a existência de previsão contratual, mesmo que de modo alternativo, para o recebimento de boletos, em caso de não ser possível operacionalizar por descontos nas duplicatas, pode ser mencionada como elemento indicativo da reciprocidade e da relação estabelecida. A forma e o momento da tributação decorrem da própria sistemática de relacionamento com os fornecedores adotada pela empresa, seja por questões de mercado ou outras, e que dissociou o retorno acordado com os fornecedores do momento de emissão da nota fiscal e do ingresso das mercadorias adquiridas. Como sabe-se, as aquisições efetuadas, pelo valor atestado nas notas fiscais, servirão de base de cálculo para a apuração do crédito, a ser descontado do valor da contribuição apurado com base na receita bruta. Assim, na argumentação Fl. 4890DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 38 de simples redução de custo, o curioso é que a mercadoria adquirida é registrada pelo valor da nota fiscal, para fins de verificar a base de cálculo do crédito aproveitado da não-cumulatividade, mas que o valor de aquisição é outro, quando da operação contábil que reduz o respectivo passivo. Neste momento, não há mais vinculação com o custo na entrada, assim há repercussão sobre as receitas. No entendimento da empresa, os descontos não dependem de evento posterior e são incondicionais. Os descontos incondicionais são redutores de custo (não contabilizada receita) e os condicionais são tratados como receitas financeiras. O desconto incondicional, por sua vez, não precisaria obrigatoriamente constar da nota fiscal. Tal argumento não pode ser aceito. Como visto, o contribuinte obteve resultado patrimonial com a redução do passivo, ou não pagamento aos fornecedores. A forma de atuação da empresa é que fez com que o momento desse ganho fosse dissociado da compra. Os ganhos obtidos dos fornecedores estão relacionados intrinsecamente às atividades da empresa, sendo elemento novo e positivo sobre o patrimônio, vinculado às atividades operacionais. A previsão da legislação é para a exclusão dos descontos incondicionais, conforme art. 1º, § 3º, inciso V.a. das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Apenas estes são admitidos. O desconto para ser incondicional deve estar consignado nota a nota, não se admitindo seu cálculo a partir de percentuais ou estimativas sobre um conjunto de compras ou operações. Entende a empresa que, como existe a previsão contratual prévia, já se sabe de antemão o valor que será objeto de desconto e, desse modo, teria natureza de incondicional. Os valores já seriam de conhecimento. Ora, se assim fosse, por que não aplicar o desconto no documento fiscal? Não pode ser usado contra o Fisco o argumento de que o desconto não possa ser aplicado por questões de sigilo comercial. O conceito de descontos incondicionais e a necessidade de eles constarem na nota fiscal de venda vem de longa data, desde a Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, no seu item 4.2: 4.2 – Descontos incondicionais são as parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. (grifou-se). Tal orientação vem se repetindo para as empresas, o que pode ser obtido no Perguntas e Respostas para o preenchimento da DIPJ4. No mesmo sentido diversos Manuais orientadores de sociedades ou institutos tributários ou contábeis, em especial com orientações para os contribuintes. Veja-se, também o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, da Fipecafi, 3ª edição, na página 501, onde se explica que: 24.2.2 Abatimentos 4 Capítulo VIII, pergunta 06 para a DIPJ 2012: O que são descontos incondicionais? Somente são consideradas, como descontos incondicionais, as parcelas redutoras do preço de venda quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem, para sua concessão, de evento posterior à emissão desses documento. Fl. 4891DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 39 A conta Abatimentos deve abrigar os descontos concedidos a clientes, posteriormente à entrega dos produtos, por defeitos de qualidade apresentados nos produtos entregues, ou por defeitos oriundos do transporte ou desembarque etc. Dessa forma, os abatimentos não se referem a descontos financeiros por pagamentos antecipados, que são atualmente tratados como despesas financeiras, e não incluem também descontos de preço dados no momento da venda, que são deduzidos diretamente nas notas fiscais. (...). O contrato estabeleceu obrigações mútuas, cabendo aos fornecedores pagar valores ao comprador varejista, apartados na própria escrituração. A utilização de uma espécie de sistema de conta corrente de controle de valores com relação aos fornecedores não afeta a questão colocada no presente processo. Se os documentos fiscais escriturados não forem confiáveis para aferir a operação cairíamos em situação de forte insegurança. Por isso mesmo, a escrituração faz prova em favor da empresa. Na redação do Regulamento do Imposto de Renda (RIR - Decreto 3.000/99): Art.800. Os bens serão declarados discriminadamente pelos valores de aquisição em Reais, constantes dos respectivos instrumentos de transferência de propriedade ou da nota fiscal, observado o disposto nos arts. 119, § 3º, e 125 a 136 (Lei nº 9.250, de 1995, art. 25, §2º e Lei nº 9.532, de 1997, arts. 23, §3º, e 24). (...) Da Prova Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Não é possível aceitar que o documento contábil/fiscal possa servir ou não para aferir os valores da operação de acordo com a conveniência. Ora, argumenta-se que reduzem o custo daquele bem adquirido, mas o crédito já foi apropriado na escrita devidamente a partir da nota fiscal. Agora seria outro o custo anterior? Há, isto sim, dissociação da implementação do desconto no tempo em relação ao documento fiscal, sendo agora ingresso de elemento novo, receita, resultado da própria forma adotada pela empresa. A questão dos descontos dos fornecedores, repita-se, já foi discutida em outras esferas. Não interessa aqui se reflete poder das grandes redes de varejo em relação aos fornecedores, ou se, no fim, a ganhos para o consumidor. O fato é que o varejista que implementa esse modelo, claramente pagará menos imposto relativo em relação a outro comerciante que não o faça, ou que não tenha uma rede contínua de fornecedores que permita usar da prática. Não há como desviar a questão para a imposição da cadeia como um todo, pois faltariam elementos. Há clara vantagem para o contribuinte em questão em não registrar os descontos no documento fiscal. Fl. 4892DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 40 O exemplo abaixo procura mostrar o efeito do não registro da receita quando da efetivação e escrituração da receita obtida com o desconto dos fornecedores. Parte-se da origem, a compra das mercadorias para revenda. Não é o caso de discutir o crédito da não cumulatividade, uma vez que já foi registrado antes dos descontos, mas sim de clarear o ganho patrimonial, e, assim, a receita obtida. Caso não tributada, restaria prejudicada a aplicação do princípio da não cumulatividade e a isonomia de tratamento entre casos análogos. Digamos, como ilustração, e por melhor visualização, que as alíquotas do PIS e Cofins somassem 10%. Veja-se o caso em que o custo de aquisição total, ao fim da operação, foi de R$ 900,00 (valor efetivamente pago aos fornecedores). Em três hipóteses equivalentes em termos financeiros: (a) uma hipótese, foi registrada a aquisição por 1.000,00, com desconto incondicional na nota fiscal de 100; (b) na segunda hipótese, o valor de aquisição foi 900; (c) na terceira, foi registrado 1.000,00 na aquisição e, posteriormente, foi registrado um desconto, reduzindo a dívida com o fornecedor para 900. Considerando vendas dos bens no valor de 1.200,00, em um modelo simples, a situação do PIS e Cofins não cumulativo poderia ser registrada como a do quadro abaixo: Hipótese 1 – desconto incondicional Hipótese 2 – Nota com valor pago Hipótese 3- desconto dos fornecedores Valor de Aquisição 1.000,00 900,00 1.000,00 Desconto Incondicional NF 100,00 Crédito 90,00 90,00 100,00 Valor das Vendas 1.200,00 1.200,00 1.200,00 PIS/Cofins sobre Vendas 120,00 120,00 120,00 PIS/Cofins a pagar 30,00 30,00 20,00 Digamos as operações de compra, desconto e venda fossem no mesmo mês. A empresa, na hipótese 3, ao operacionalizar o desconto de R$ 100,00, poderia registrar um estorno ou ajuste para reduzir o crédito em R$ 10,00 (10%), tendo em vista que havia registrado crédito sobre R$ 1.000,00, e estaria resolvida a diferença. Caso contrário, deve-se registrar como acréscimo de receita o valor de R$ 100,00 (com acréscimo de R$ 10,00 no valor a pagar), correspondente ao ganho patrimonial incorporado de forma definitiva em função de ter operado desconto com o fornecedor, seja por exposição privilegiada, divulgação do produto em propaganda, não recolhimento de produtos vencidos ou qualquer das condições estabelecidas no contrato. Fl. 4893DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 41 O conceito de receita do Decreto-Lei 1.598/1977, atualizado, já foi transcrito no item 2 deste voto. Cumpre repisar através da transcrição do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 9.580/2018): TÍTULO V DA RECEITA BRUTA Art. 208. A receita bruta compreende (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 12, caput): I - o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II - o preço da prestação de serviços em geral; III - o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV - as receitas da atividade ou do objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas no inciso I ao inciso III do caput. Deve-se, ainda, guardar a ideia de que a receita equivale a um aumento da situação líquida da empresa, permanente, decorrente do seu esforço produtivo, da sua atividade empresarial. Como visto, tal é o conceito amplo validado pelo STF para as leis que implementaram a sistemática não cumulativa das contribuições. Em qualquer dos casos objeto de autuação, seja contrato check stand, aniversário, fornecimento, inauguração/reinauguração, ponto extra, crescimento/atingimento de compras, deve ser mantida a autuação. Não se vislumbra diferença possível no caso das contas de “rebaixa custo”, seja repressivo ou preventivo. Seja para viabilizar ou acelerar a venda, foi implementado um benefício advindo do fornecedor, desvinculado da nota fiscal em função da prática adotada. Se fosse por desconto incondicional, o custo e crédito seria menor. Para o contribuinte, o desconto, seja implementado por um depósito em conta corrente ou por redução do passivo, deverá ser registrado como receita. Estas contas, foram classificadas pela empresa como receitas financeiras. Pelo já referido acima, tal classificação não poderia ser aceita. Veja-se que mesmo o desconto puramente comercial de vendas não é receita financeira. Receita financeira é aquela decorrente de algum investimento financeiro. Pode ser uma aplicação em um fundo de investimentos, um empréstimo (mútuo) ou um pagamento antecipado. Tudo é decorrente da disponibilidade financeira e da decisão de utilizá-la em uma aplicação (lato sensu) financeira. Tratando-se de receita de vendas aos clientes, ou decorrentes, elas deverão fazer parte da base de cálculo do regime não cumulativo, normalmente. Tais receitas, não se enquadram entre as receitas financeiras, abaixo delimitadas: Decreto nº 9.580/2018 (Novo RIR) Dos outros resultados operacionais Fl. 4894DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 42 Subseção I Das receitas e das despesas financeiras Receitas Art. 397. Os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos ou os lucros de aplicações financeiras de renda fixa ou variável, que tenham sido ganhos pelo contribuinte, serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos de renda fixa com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem ( Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 17, caput ; Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, § 2º ; e Lei nº 9.249, de 1995, art. 11, § 3º ). Por fim, é relevante a decisão do STJ no REsp 1.498.326, que não conheceu do Recurso Especial, assim como reproduzir a seguinte ementa de decisão do STJ, citada em outros julgados também: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. RECEITAS FINANCEIRAS (JUROS, CORREÇÃO MONETÁRIA, MULTA E ENCARGOS POR ATRASO) PROVENIENTES DE CONTRATOS DE VENDA E SERVIÇOS. RECEITAS ORIUNDAS DO EXERCÍCIO DAS ATIVIDADES EMPRESARIAIS PORQUE INERENTES AOS CONTRATOS. CONCEITO DE FATURAMENTO. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. A jurisprudência entende que a correção monetária e os juros, bem como multas e encargos recebidos por atraso em pagamento, decorrentes diretamente das operações realizadas pelas empresas constantes de seus objetos sociais, configuram rendimentos e devem ser considerados como um produto da venda de bens e/ou serviços. Logo, por constituírem faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, são receitas inerentes e acessórias aos referidos contratos e devem seguir a sorte do principal. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1.461.557/CE, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/9/2014, DJe 23/9/2014.) [gn]. Não submeter tais valores à incidência das contribuições fere a não cumulatividade e implica tratamento diferenciado em relação a outros revendedores com idêntico resultado financeiro ou econômico. Dessa forma, há resultado patrimonial sem contrapartidas, observado no curso das atividades ordinárias da entidade, inexistindo hipótese para exclusão de tais valores da base de cálculo das contribuições. É possível citar decisões do Carf na direção dos fundamentos adotados. Veja-se ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 COBRANÇA DE “PEDÁGIO” VIA BONIFICAÇÃO NA FORMA DE DESCONTO. COMISSÃO DE VENDAS. RECEITA TRIBUTÁVEL. A conhecida prática da cobrança de “pedágio” pelas grandes redes varejistas para que passem a fazer pedidos a determinado fornecedor, acertada previamente em contrato, via bonificação na forma de desconto não constante da Fl. 4895DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 43 Notas Fiscais, tem natureza, lato sensu, de comissionamento de vendas, sendo, portanto, receita tributável. DESCONTOS COMERCIAIS PRÉ-ACORDADOS CONCEDIDOS PARA CUSTEIO INDIRETO DAS ATIVIDADES DO ADQUIRENTE. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. Compõem a base de cálculo da contribuição, por representarem receitas do adquirente, os descontos, não constantes das Notas Fiscais, pré-acordados em negociações com fornecedores, para custeio indireto da sua atividade operacional, o que se dá mesmo quando se pressupõe uma contraprestação, se não houver a correspondência econômica entre o valor pago e o serviço prestado. (CSRF; Recurso Especial do Procurador e do Contribuinte; Acórdão 9303-008.247 – 3ª Turma; sessão de 19/03/2019). ------------------------ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. (...) DESCONTOS INCONDICIONAIS. NATUREZA. PROVA. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. A prova de que se trata de fato de descontos incondicionais, conforme apurado pela Fiscalização com base na escrituração, deve ser apresentada pelo contribuinte na impugnação. (...). (Acórdão 3302-001.160; sessão de 10/08/2011; 2a Turma, 3a Câmara, 3a Seção do Carf, proc. 10909.001469/2005-17). ------------------------ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/08/2008 a 31/12/2009 DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXIGÊNCIA DE QUE CONSTEM DA NOTA FISCAL. Os descontos incondicionais consideram-se parcelas redutoras do preço quando constarem da nota fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. RECEITA FINANCEIRA. CONCEITO. Receita financeira é aquela decorrente de uma aplicação (lato sensu) financeira, sendo uma das formas o pagamento antecipado. Não se enquadram nesta categoria os descontos puramente comerciais. COBRANÇA DE “PEDÁGIO” VIA BONIFICAÇÃO NA FORMA DE DESCONTO. COMISSÃO DE VENDAS. RECEITA TRIBUTÁVEL. A conhecida prática da cobrança de “pedágio” pelas grandes redes varejistas para que simplesmente passem a fazer pedidos (em qualquer quantidade, à sua revelia) a determinado fornecedor, acertada previamente em contrato, via Fl. 4896DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 44 bonificação na forma de desconto não constante da Notas Fiscais, tem natureza, lato sensu, de comissionamento de vendas, sendo, portanto, receita tributável. DESCONTOS COMERCIAIS PRÉ-ACORDADOS CONCEDIDOS PARA CUSTEIO INDIRETO DAS ATIVIDADES DO ADQUIRENTE. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. Compõem a base de cálculo da contribuição, por representarem receitas do adquirente, os descontos, não constantes das Notas Fiscais, pré-acordados em negociações com fornecedores, para custeio indireto (em explícita opção, prevista em contrato, ao direto, em dinheiro) da sua atividade operacional, o que se dá mesmo quando se pressupõe uma contraprestação, se não houver a necessária correspondência econômica entre o valor pago e o serviço prestado. ACORDO DE NÃO-DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS IMPRESTÁVEIS PARA A VENDA. CONTRATO DE SEGURO. PRÊMIO. RECEITA TRIBUTÁVEL. Os descontos concedidos em troca do compromisso do comprador de não exigir do fornecedor, até certo limite, indenização pelas mercadorias em estoque defeituosas/danificadas, são tributáveis, pois têm natureza de prêmio de seguro. (Acórdão 9903-005.849; sessão de 17/10/2017; 3a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, proc. 11080.736093/2012-94). (grifou-se). ------------------------ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/03/2004 a 31/12/2005 DESCONTO INCONDICIONAL. CONCEITO. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, apenas quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços, e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. RECEITA FINANCEIRA. CONCEITO. Receita financeira é aquela decorrente de uma aplicação (lato sensu) financeira, sendo uma das formas o pagamento antecipado. Não se enquadram nesta categoria as decorrentes da atividade empresarial definida no objeto social da contribuinte, tais como os descontos e bonificações relativos ao comércio das mercadorias. RECEITA. CONCEITO. Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade, decorrentes do seu objeto social, e que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários. Neste conceito enquadram-se os descontos obtidos juntos a fornecedores, decorrentes das práticas de pedágio ou "rappel", devidas aos descontos obtidos, às mercadorias bonificadas e às recuperações com propaganda e marketing. (Acórdão 9903-010.101; sessão de 11/02/2020; 3a Turma, Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, proc. 16682.720467/2013-19). ------------------------ Fl. 4897DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 45 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 DESCONTO INCONDICIONAL. CONCEITO. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, apenas quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços, e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. RECEITA. CONCEITO. Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade, decorrentes do seu objeto social, e que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários. Neste conceito enquadram-se os descontos obtidos juntos a fornecedores, decorrentes das práticas de pedágio ou "rappel", devidas aos descontos obtidos e às mercadorias bonificadas. (CSRF; Recurso Especial do Procurador e do Contribuinte; Acórdão 9303-013.807 – 3ª Turma; sessão de 15/03/2023) (grifou-se). A empresa argumenta também que, caso mantida a tributação dos descontos da conta de Marketing como receitas, os dispêndios devem ser deduzidos como créditos. O que foi descontado seria reembolso das despesas. Apresenta o extrato da conta contábil de despesa com marketing. Há jurisprudência do Carf em desfavor do pleiteado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2019 (...) DESCONTO INCONDICIONAL. CONCEITO. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, apenas quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços, e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. COMÉRCIO VAREJISTA. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Para fins de apuração de créditos da contribuição, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda. Fl. 4898DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 46 A modalidade de creditamento pela aquisição de insumos é a regra geral aplicável às atividades de produção de bens e de prestação de serviços no âmbito da não cumulatividade da contribuição, sem prejuízo das demais modalidades de creditamento estabelecidas pela legislação, que naturalmente afastam a aplicação da regra geral nas hipóteses por elas alcançadas. (...) NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. DESPESAS DE MARKETING As despesas de marketing não geram direito a crédito da Cofins, em razão de não configurarem insumos nem se enquadrarem em qualquer outra hipótese de creditamento prevista em lei que permita o enquadramento dessas despesas. (...) (Acórdão 3402-012.371; sessão de 28/11/2024; 2a Turma, 4a Câmara, 3a Seção do Carf; processo 11000.727904/2021-35). ------------------------ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 VERBA DE PROPAGANDA COOPERADA. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. DESCONTO INCONDICIONAL. Os descontos incondicionais concedidos posteriormente e que não constavam discriminados nas Notas Fiscais não podem ser excluídos das receitas auferidas. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. DESCONTO INCONDICIONAL. As bonificações, sejam concedidas mediante abatimento de preço, em mercadorias, ou ainda em moeda enquanto "rebaixe de preço", somente terão o valor correspondente excluído, na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins, quando revestirem a forma de desconto concedido incondicionalmente. (...) (Acórdão 3401-006.208; sessão de 22/05/2019; 1a Turma, 4a Câmara, 3a Seção do Carf; processo 10480.726349/2015-68). ------------------------ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 (...) DESCONTOS COMERCIAIS PRÉ-ACORDADOS CONCEDIDOS PARA CUSTEIO INDIRETO DAS ATIVIDADES DO ADQUIRENTE. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. Fl. 4899DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 47 Compõem a base de cálculo da contribuição, por representarem receitas do adquirente, os descontos, não constantes das Notas Fiscais, pré-acordados em negociações com fornecedores, para custeio indireto da sua atividade operacional, o que se dá mesmo quando se pressupõe uma contraprestação, se não houver a correspondência econômica entre o valor pago e o serviço prestado. (CSRF; Recurso Especial do Procurador e do Contribuinte; Acórdão 9303-008.247 – 3ª Turma; sessão de 19/03/2019). (grifos nossos) O último acórdão já havia sido citado antes, em maior extensão. A empresa ressalta que os serviços de marketing e propaganda estão previstos no objeto social da Contribuinte, conforme consta no item “n”, do art. 2º, parágrafo 1º, do estatuto social, acostado ao Anexo I, da Impugnação manejada. Com efeito, além da atividade de comércio varejista, do ramo de supermercado, em que atua, incluem-se um grande rol de atividades entre as quais a publicidade em geral. Assim, por um lado, o contribuinte estaria apenas se reembolsando das despesas para os fornecedores, por outro, teria créditos caso consideradas as receitas de propaganda e marketing. Existe, de fato, dispositivo que prevê a primeira situação, porém direcionado às agências de publicidade e propaganda, o que não é o caso, a saber: Lei 10.925/2004 Art. 13. O disposto no parágrafo único do art. 53 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, aplica-se na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS das agências de publicidade e propaganda, sendo vedado o aproveitamento do crédito em relação às parcelas excluídas. (Vide Lei Complementar nº 214, de 2025) Lei 7.450/1985 Art 53 - Sujeitam-se ao desconto do imposto de renda, à alíquota de 5% (cinco por cento), como antecipação do devido na declaração de rendimentos, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas: (Vide Lei nº 9.064 de 1995) I - a título de comissões, corretagens ou qualquer outra remuneração pela representação comercial ou pela mediação na realização de negócios civis e comerciais; Il - por serviços de propaganda e publicidade. Parágrafo único - No caso do inciso Il deste artigo, excluem-se da base de cálculo as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de rádio, televisão, jornais e revistas, atribuída à pessoa jurídica pagadora e à beneficiária responsabilidade solidária pela comprovação da efetiva realização dos serviços. (gn). Fl. 4900DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 48 A empresa cita julgado do Carf em seu favor, para creditamento das despesas de marketing e propaganda: Igualmente, há de se dar o devido destaque ao caso do processo da empresa Ricardo Eletro (PAF 10540.721182/2016-78), julgado em 29/01/2020, pela 2ª Turma da 3ª Câmara da 3ª Seção do Carf, que foi amplamente noticiada1 2 decidiu manter a decisão favorável ao contribuinte da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de Juiz de Fora, de modo a confirmar que a verba utilizada para fomentar ações de marketing e propaganda, por serem essenciais à atividade da empresa devem gerar direito à créditos tributários de PIS/COFINS. Há decisões também em contrário, como visto. No julgado citado, o Carf manteve a decisão da DRJ que concedeu os créditos. Ressalte-se que, no caso, os créditos haviam sido glosados. Também que, na decisão citada, se seguiu o mesmo entendimento aqui adotado quanto aos descontos dos fornecedores. É possível considerar que existe fundamento ao pleito, de modo geral. Entretando, uma vez que o contribuinte não submeteu as receitas à sistemática não cumulativa e não escriturou os créditos, deveria ter oferecido comprovação minudente da relação entre os descontos dos fornecedores e os gastos. Não se estaria falando, aqui, de todos os gastos da rede em propaganda e marketing, mas sim de uma atividade acessória da comerciante. A empresa apresentou no Anexo III da impugnação o Demonstrativo de Resultados do Exercício de 2017, em que consta a conta e as despesas para o ano. Porém, deveria existir uma escrituração em separado ou, pelo menos, demonstrativos indicando quais despesas se vinculam aqueles valores descontados ou cobrados dos fornecedores. Não se está tratando de todas as despesas de publicidade e marketing, mas sim das alegadas despesas relacionadas às receitas dos serviços em questão. O apresentado não permite aferir créditos ou justifica uma diligência. Com relação aos ajustes de acréscimo de crédito em relação aos acordos comerciais, segue-se a mesma linha. O recorrente informa que realizou ajustes em função das receitas em questão não serem tributadas, tidas por desconto incondicional. A situação já foi apreciada acima. Como a receita deve ser tributada, tais ajustes são indevidos. É de se citar Acórdãos do Carf na mesma direção: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. ...................................... DESCONTOS INCONDICIONAIS. NATUREZA. PROVA. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. A prova de que se trata de fato de descontos incondicionais, conforme apurado pela Fiscalização Fl. 4901DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 49 com base na escrituração, deve ser apresentada pelo contribuinte na impugnação. (...). (Acórdão 3302-001.160; sessão de 10/08/2011; 2a Turma, 3a Câmara, 3a Seção do Carf, proc. 10909.001469/2005-17). (grifou-se). ---------------- ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/08/2008 a 31/12/2009 DESCONTOS INCONDICIONAIS. EXIGÊNCIA DE QUE CONSTEM DA NOTA FISCAL. Os descontos incondicionais consideram-se parcelas redutoras do preço quando constarem da nota fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. RECEITA FINANCEIRA. CONCEITO. Receita financeira é aquela decorrente de uma aplicação (lato sensu) financeira, sendo uma das formas o pagamento antecipado. Não se enquadram nesta categoria os descontos puramente comerciais. COBRANÇA DE “PEDÁGIO” VIA BONIFICAÇÃO NA FORMA DE DESCONTO. COMISSÃO DE VENDAS. RECEITA TRIBUTÁVEL. A conhecida prática da cobrança de “pedágio” pelas grandes redes varejistas para que simplesmente passem a fazer pedidos (em qualquer quantidade, à sua revelia) a determinado fornecedor, acertada previamente em contrato, via bonificação na forma de desconto não constante da Notas Fiscais, tem natureza, lato sensu, de comissionamento de vendas, sendo, portanto, receita tributável. DESCONTOS COMERCIAIS PRÉ-ACORDADOS CONCEDIDOS PARA CUSTEIO INDIRETO DAS ATIVIDADES DO ADQUIRENTE. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. Compõem a base de cálculo da contribuição, por representarem receitas do adquirente, os descontos, não constantes das Notas Fiscais, pré-acordados em negociações com fornecedores, para custeio indireto (em explícita opção, prevista em contrato, ao direto, em dinheiro) da sua atividade operacional, o que se dá mesmo quando se pressupõe uma contraprestação, se não houver a necessária correspondência econômica entre o valor pago e o serviço prestado. ACORDO DE NÃO-DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS IMPRESTÁVEIS PARA A VENDA. CONTRATO DE SEGURO. PRÊMIO. RECEITA TRIBUTÁVEL. Os descontos concedidos em troca do compromisso do comprador de não exigir do fornecedor, até certo limite, indenização pelas mercadorias em estoque defeituosas/danificadas, são tributáveis, pois têm natureza de prêmio de seguro. (Acórdão 9903-005.849; sessão de 17/10/2017; 3a Turma, Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, proc. 11080.736093/2012-94). (grifou-se). Fl. 4902DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 50 Vê-se, assim, que tais abatimentos não se confundem com descontos incondicionais, pois estes são concedidos no momento da venda e constam dos documentos fiscais. Repise-se, mais uma vez, que, na sistemática não-cumulativa, as compras, notas fiscais, servem de base para a apuração de créditos. Tais valores, em todos os casos/acordos contemplados na autuação são tributáveis pelo PIS e Cofins, como receitas da atividade operacional. 4 DOS ERROS NAS BASES DE CÁLCULO DOS ACORDOS COMERCIAIS A empresa alega erro em 3 (três) contas tributadas pela fiscalização. Apresenta os valores das diferenças de saldo nas contas: 3.1.05.0.01.0001 – Contrato Automático – Fornecimento; 3.1.05.06.02.0001 – Contrato Manual – Fornecimento; e 3.1.05.06.03.0003 – Contrato Manual – Marketing. A alegação foi um dos objetos da diligência realizada pela DRJ, tendo constado na resolução: - A autoridade lançadora aprecie a alegação da impugnante sobre erro na definição da base de cálculo do lançamento, em virtude de eventual desconsideração de lançamentos de estorno referente a operações canceladas; A autoridade fiscal assim expôs no relatório de diligência: Relativamente à afirmação de que a fiscalização desconsiderou os estornos decorrentes de operações canceladas, verifica-se que esta não corresponde à realidade, já que praticamente a totalidade dos estornos foram considerados. Ante tal alegação, e em atendimento à solicitação trazida pela DRJ03, revisamos os lançamentos que compuseram a base de cálculo lançada a título de receitas de acordos comerciais e verificamos que os seguintes lançamentos compuseram indevidamente o débito lançado, muito provavelmente devido ao erro na grafia do histórico do lançamento: Por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 003 – Diligência (fls. 4.390 a 4.392), questionamos o interessado sobre a eventual existência de outros lançamentos, dentre aqueles que compuseram os Autos de Infração questionados (Anexos III ao XI do Relatório de Ação Fiscal), além dos indicados no quadro acima, que representem estornos e cujos históricos não indicaram se tratar de cancelamento de operação. Entretanto, o contribuinte não apresentou resposta ao Termo referido. Assim, os valores acima deverão ser excluídos do lançamento aqui tratado Fl. 4903DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 51 Vê-se que na intimação da fiscalização constou o pedido para identificar os lançamentos de estorno e apresentar documentação. A empresa em sua resposta informou o resumo das diferenças e argumentos apresentados na impugnação. Também traz aos autos em arquivo não paginável o Razão de cada conta contábil, com o fim de demonstrar o saldo acumulado do período. No recurso, a empresa segue a mesma linha, se insurgindo contra a adoção do que seriam “dois pesos e duas medidas”. Assim expressa no recurso: Veja que, a Contribuinte traz aos autos os arquivos não pagináveis já anexados nestes autos, com o Razão de cada conta contábil acima mencionada, com a demonstração do saldo acumulado do período. E sendo assim, diferente do exposto pelo Agente Lançador, o Razão das contas contábeis se mostra mais que suficiente para comprovar a insubsistência da base de cálculo do lançamento realizado pela fiscalização, ao passo que, para fins de apuração do suposto crédito tributário devido, a autoridade fiscal utilizou tão somente a contabilidade da empresa. Isto é, não pode existir dois pesos e duas medidas com o fito de privilegiar o Agente Fiscal, de modo que, se o Fisco utilizou como suporte probatório apenas a contabilidade da empresa, no mesmo sentido (ou seja, com o mesmo parâmetro), a contribuinte demonstrou de forma pormenorizada que o método utilizado pelo fiscal estava eivado de vício, e isso precisa ser considerado, e não afastado como fez a DRJ julgadora ponderando que a empresa produzisse uma prova diabólica para que só assim, seus argumentos fossem considerados Como indica o relatório de diligência fiscal, adotado pela DRJ, o lançamento a crédito corresponde aos descontos dos fornecedores. As contrapartidas a débito poderiam ser estornos, ao inverso, por exemplo, de erros nos lançamentos, ou outras transferências entre contas. Uma vez identificado que os valores lançados a crédito nas contas não foram reconhecidos como receitas, caberia à recorrente comprovar o fato modificativo alegado, demonstrando do que se tratava. 5 AJUSTES DE ACRÉSCIMO DE CRÉDITOS: Créditos extemporâneos A empresa se creditou de ajustes de acréscimos de crédito nos Blocos M100 e M500 da EFD-Contribuições, dentre eles muitos nos quais a descrição constava apenas “Tese Despesas e Insumos”. Os créditos apresentados se referiam a aquisições ocorridas em período pretérito de 2011 e 2012. A empresa assim se justifica no recurso voluntário: Importante fazermos o caminho traçado na impugnação, a fim de bem relembrarmos que a Contribuinte, após intimação pelo Fisco, apresentou planilha com a composição de créditos, com a identificação de rubricas sob o termo Fl. 4904DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 52 “SIMPLES”, em março de 2016 relativos às compras de produto alíquota zero, realizadas nos meses de maio e junho de 2011, efetuadas de fornecedores optantes pelo Simples Nacional. (...) Portanto, o primeiro ponto a ser elucidado de forma insistente é que a Contribuinte comprovou a existência do direito creditório. (...) Ora, a glosa dos referidos créditos deu-se de maneira completamente indevida, uma vez que, restou demonstrado durante a fiscalização, pela própria Receita Federal que apurou através dos comprovantes de transferências para os fornecedores optantes do SIMPLES, a existência dos créditos tomados e compensados pelo contribuinte. (...) Em que pese o lapso temporal, inexiste qualquer previsão ou vedação para a compensação em momento posterior ao da aquisição. Inclusive, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), tem-se posicionado quanto à inexistência de necessidade de retificação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) e/ou da Escrituração Fiscal Digital Contribuições (EFD Contribuições) de períodos anteriores. (...) Contudo, persistimos no argumento já delineado, por se tratar de períodos decaídos, por certo que a Contribuinte sequer teria a obrigação de mantê-los arquivados e organizados, contudo, na busca pelo melhor atendimento à fiscalização solicitou acréscimo de prazo para apresentação de documentos, já que necessitaria revolver seu acervo físico de registros contábeis de 5 (cinco anos). Por variados motivos não cabe prover o pleito da empresa. Primeiro, como a apuração dos créditos para ressarcimento ou dedução depende, no mais dos casos, da prévia confrontação entre créditos e débitos dentro do período de apuração, inevitável é que o reconhecimento do direito creditório deva se dar por períodos de apuração. Importa destacar que o trimestre de apuração tem influência no rateio dos dispêndios passíveis de consideração na base de cálculo dos créditos. Tais disposições são encontradas, de forma clara, nas instruções normativas que regularam a matéria (IN SRF 600/2005, IN RFB 900/2008, IN RFB 1.300/2012, IN RFB 1.717/2017 e seguintes). A legislação se reporta, para fins de determinação do crédito, ao mês de aquisição do bem ou serviço ou mês em que a despesa for incorrida, e, caso o crédito não seja aproveitado no próprio mês de sua apuração, poderá sê-lo nos seguintes. O cerne da questão não é o momento em que o crédito é utilizado, mas sim para qual período ele é apurado. A utilização do saldo de créditos de meses anteriores é uma Fl. 4905DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 53 faculdade da contribuinte, não podendo a autoridade fiscal incluir tais créditos, de ofício, em um Perdcomp que versou unicamente a respeito dos créditos de um período de apuração específico. Ou seja, os arts. 3º, § 4º, das Leis nº 10.637/2002, e 10.833/2003, permitem que um crédito já apurado em um determinado mês, e não utilizado, possa ser aproveitado em meses posteriores. Porém, não permite que se aproveite um crédito não apurado no mês incorrido, para escrituração direta em outro período de apuração. No caso, a escrituração foi realizada como ajuste, dispensando a alimentação das correspondentes notas fiscais. Importa observar o comando presente no art. 74, § 14, da Lei nº 9.430/1996, a saber: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal - SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. É de se pontuar, também, a questão relativa à obrigatoriedade dos contribuintes de apresentação de obrigações acessórias definidas pelo órgão fazendário, nos termos consignados nos artigos 113 e 115 do Código Tributário Nacional (CTN)5. Antes, deveria o controle ser feito pelo interessado através do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004. O Dacon retificador seria obrigatório para a situação, atendendo ao art. 11 da IN SRF 590/2005. Após, o controle passou para a EFD-Contribuições que, conforme disciplina a IN RFB nº 1.252/2012 (que revogou a IN RFB 1.015/2010), em relação às pessoas jurídicas sujeitas à tributação do Imposto sobre a Renda com base no Lucro Real, restando obrigatória em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2012. Na EFD-Contribuições, os esclarecimentos e ajuda já firmavam a necessidade de retificação da escrituração a cujo período se refere o crédito. Com a extinção do DACON pela Instrução Normativa RFB nº 1.441, de 20/01/2014, a partir de 01/01/2014 o controle dos créditos permaneceu na EFD-Contribuições, a 5 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Fl. 4906DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 54 qual também previu a retificação da referida escrituração fiscal digital para alteração dos créditos: Art. 11. A EFD-Contribuições, entregue na forma desta Instrução Normativa, poderá ser substituída, mediante transmissão de novo arquivo digital validado e assinado, para inclusão, alteração ou exclusão de documentos ou operações da escrituração fiscal, ou para efetivação de alteração nos registros representativos de créditos e contribuições e outros valores apurados. § 1º O arquivo retificador da EFD-Contribuições poderá ser transmitido até o último dia útil do ano-calendário seguinte a que se refere a escrituração substituída. § 1º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da EFD-Contribuições extingue-se em 5 (cinco) anos contados do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte àquele a que se refere a escrituração substituída. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1387, de 21 de agosto de 2013) § 2º O arquivo retificador da EFD-Contribuições não produzirá efeitos quanto aos elementos da escrituração, quando tiver por objeto: I - reduzir débitos de Contribuição: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na escrituração retificada, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) cujos valores já tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; II - alterar débitos de Contribuição em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal; e III - alterar créditos de Contribuição objeto de exame em procedimento de fiscalização ou de reconhecimento de direito creditório de valores objeto de Pedido de Ressarcimento ou de Declaração de Compensação. § 3º A pessoa jurídica poderá apresentar arquivo retificador da escrituração, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1387, de 21 de agosto de 2013) I - na hipótese prevista no inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao escriturado no arquivo original, desde que o débito tenha sido também declarado em DCTF; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1387, de 21 de agosto de 2013) II - na hipótese prevista no inciso III do § 2º, decorrente da não escrituração de operações com direito a crédito, ou da escrituração de operações geradoras de Fl. 4907DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 55 crédito em desconformidade com o leiaute e regras da EFD-Contribuições. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1387, de 21 de agosto de 2013) § 4º A pessoa jurídica que transmitir arquivo retificador da EFD-Contribuições, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora, observadas as disposições normativas quanto à retificação desta.” (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1387, de 21 de agosto de 2013) (Destaques acrescidos) (gn). Os dispositivos não extrapolam ou ferem nenhum dispositivo legal, estando em consonância com o art. 74 da Lei 9.430/1996, já citado. Desta forma, cabe ao contribuinte manter controle de todas as operações que influenciem a apuração do valor devido das contribuições e dos respectivos créditos a serem descontados, informando seus débitos e créditos de forma a permitir que os valores respectivos sejam objeto de verificação e comprovação, se caso. O “Perguntas e Respostas” da EFD-Contribuições também registra (consulta feita em 20/05/2024, http://sped.rfb.gov.br/arquivo/show/3024): 90) Como informar um crédito extemporâneo na EFD-CONTRIBUIÇÕES? O crédito extemporâneo deverá ser informado mediante a retificação da escrituração cujo período se refere o crédito. As empresas devem observar os seguintes procedimentos: 1. Retificar a EFD-Contribuições do correspondente período de apuração, para constituir os créditos decorrentes de documentos não considerados na apuração inicial. Os saldos de créditos das EFDs-Contribuições dos meses posteriores à constituição do crédito devem ser retificados para evidenciar o novo crédito, nos registros 1100 (PIS/Pasep) e 1500 (Cofins); 2. Retificar a DIPJ/ECF, para ajustar o custo/despesa considerado na apuração do lucro líquido, caso os documentos fiscais não considerados na apuração de crédito na EFD-Contribuições original tenham sido computados pelo seu valor bruto; 3. Retificar a DCTF, caso seja apurado valor suplementar de PIS, Cofins, IRPJ e de CSLL a recolher, decorrente do ajuste referido nos itens acima. Procedimento semelhante deverá ser adotado com relação aos períodos anteriores à obrigatoriedade da EFD-Contribuições, qual seja, retificação do DACON, DIPJ e DCTF, quando for o caso. Atentar para o fato que a retificação de DACON pode também ensejar ainda a retificação da EFD-Contribuições de períodos posteriores. Em decisões recentes, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) do Carf dispôs: EMENTA: Fl. 4908DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 56 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 ................................... ENERGIA ELÉTRICA. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON NÃO RETIFICADO. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos está condicionado à apresentação dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais, bem como das respectivas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificadoras. (CSRF 3a. Turma; Processo: 10925.905144/2010-66; Sessão 16/10/2019). (gn). ----------------------------------- EMENTA: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON NÃO RETIFICADO. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos está condicionado à apresentação dos Demonstrativos de Apuração (DACON) retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais, bem como das respectivas Declarações de Débitos e Créditos (DCTF) retificadoras. (gn). (CSRF 3a. Turma; Processo: 11080.725590/2010-31; Sessão 13/04/2022). ----------------------------------- ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2006 CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON NÃO RETIFICADO. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos está condicionado à apresentação dos Demonstrativos de Apuração (DACON) retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais. (gn). (CSRF 3a. Turma; Processo: 10783.720619/2011-99; Sessão 14/03/2024). Não obstante a empresa cite decisão da CSRF pela possibilidade de apropriação dos créditos, a jurisprudência mais recente se consolidou em sentido contrário. Fl. 4909DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 57 Segundo, cabe ao contribuinte guardar a devida comprovação. Nesse ponto, a decisão da DRJ parece suficiente: Conforme dispõe o art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, é na impugnação/manifestação de inconformidade que o sujeito passivo expõe suas razões de fato e de direito, instruindo-a com os documentos que comprovem suas alegações. A produção posterior de provas somente é admissível em casos específicos e devidamente comprovados, de acordo com o que determina a legislação processual administrativa, nos §§ 4º e 5º do art. 16 do mesmo Decreto. Não consta nos §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 a possibilidade de produção posterior de provas motivada pela extensa quantidade de documentos ou diante do lapso de tempo entre a data dos documentos e o momento de apresentação deles como prova de um direito alegado. Tratando-se de direito creditório (aproveitamento de saldo creditório não utilizado em período anterior), cabe ao contribuinte a guarda dos documentos que embasaram o crédito, assim como a comprovação de não utilização da totalidade do crédito em períodos subsequentes aos da apuração, ainda que transcorrido o prazo decadencial concernente ao período em que apurado o crédito. Ademais, ainda que se admitisse a juntada posterior de demonstrativos e documentos tendentes à comprovação da regularidade dos créditos extemporâneos aproveitados pelo contribuinte, compulsando os autos, não se identificou a juntada desses documentos. Assim, improcedente o pleito do contribuinte quanto à glosa de créditos extemporâneos. A empresa indica que comprovou transferência para fornecedores do Simples e a própria Receita Federal apurou a existência das transferências. Sobre o crédito, eventualmente, embora careça de explicação, a referência pode estar na Solução de Consulta Cosit/RFB nº 58/2016. A ementa da referida SC é a seguinte: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins EMENTA: SUSPENSÃO DO PAGAMENTO. ALÍQUOTA ZERO. SIMPLES NACIONAL. INAPLICABILIDADE. A suspensão do pagamento da Cofins prevista no art. 32, I, da Lei nº 12.058, de 2009, e no art. 54, III, da Lei nº 12.350, de 2010, bem como a alíquota zero da referida contribuição prevista no art. 1º, XIX, da Lei nº 10.925, de 2004, são inaplicáveis a pessoas jurídicas optantes pelo Simples Nacional. AQUISIÇÕES DE BENS DE PESSOA JURÍDICA OPTANTE PELO SIMPLES NACIONAL. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Cofins, observadas as vedações previstas e demais disposições da legislação aplicável, podem apurar créditos referentes às aquisições de bens de pessoas jurídicas optantes pelo Simples Nacional. Fl. 4910DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 58 DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 24; Lei nº 10.925, de 2004, art. 1º, XIX; Lei nº 12.058, de 2009, arts. 32 e 34; Lei nº 12.350, de 2010, arts. 54 e 56; Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 15, de 26 de setembro de 2007. Igual é o texto para o PIS. Nos fundamentos, assim consta: Assim, ao tempo da consulta, de fato havia o direito ao crédito presumido quando, por exemplo, os produtos classificados nos códigos 02.01, 02.02, 02.03 e 02.07 da Tipi (carne bovina fresca ou refrigerada; carne bovina congelada; carne suína fresca, refrigerada ou congelada; e carnes e miudezas comestíveis das aves da posição 01.05, frescas, refrigeradas ou congeladas, respectivamente) eram adquiridos com suspensão do pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, já que a revenda dessas carnes era tributada normalmente. Desde 8 de março de 2013, porém, o supermercado revende esses produtos com alíquota 0 (zero), não mais havendo se falar em direito a crédito presumido. (...) As pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, observadas as vedações previstas e demais disposições da legislação aplicável, podem apurar créditos referentes às aquisições de bens de pessoas jurídicas optantes pelo Simples Nacional Instado a comprovar, contribuinte apresentou uma parte de notas fiscais, uma parte de pagamentos aos fornecedores e outra parte não logrou êxito na comprovação. No caso, foi constatado aproveitamento de créditos nessas condições também em períodos anteriores, o que reforça a necessidade da devida apuração por período de apuração, refazendo o declarado. Por fim, recentemente, foi publicada a súmula Carf na mesma direção: SÚMULA CARF Nº 231 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 05/09/2025 – vigência em 16/09/2025 O aproveitamento de créditos extemporâneos da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS exige a apresentação de DCTF e DACON retificadores, comprovando os créditos e os saldos credores dos trimestres correspondentes. Assim, deve ser negado provimento ao recurso voluntário com relação aos créditos extemporâneos. 6 CRÉDITOS DAS CONTRIBUIÇÕES: Glosas A empresa desistiu do litígio com relação aos créditos com base na depreciação de bens do ativo imobilizado (Anexos XXI a XXXVII do relatório fiscal). Fl. 4911DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 59 Assim como constou na peça recursal, cabem algumas observações sobre o conceito de insumos das contribuições, o que será feito de modo bem objetivo. 6.1 CONCEITO DE INSUMOS Cumpre uma digressão inicial sobre o conceito de insumo a ser utilizado, uma vez que abordado tanto na decisão de primeiro grau quanto no recurso. É de se delimitar, então, o que se entende por insumo, nos termos da legislação de regência. Em sua origem, a sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins estava basicamente regrada no art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que tratam sobre quais créditos poderão ser descontados, inclusive dos bens e serviços utilizados como insumos. As previsões legais foram disciplinadas, no âmbito da RFB, inicialmente, pelas Instruções Normativas, nºs 247/2002, 358/2003 e 404/2004. Mais recentemente, o julgamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial (REsp) nº 1.221.170/PR, submetido à sistemática dos recursos repetitivos de que tratam os arts. 1.036 e seguintes do NCPC, fixou entendimento aplicável à matéria. Em tal julgado, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) assentou as seguintes teses “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte”. O entendimento fixado pelo STJ foi intermediário entre o adotado pela RFB em suas instruções normativas e o pleiteado por muitas empresas. Assim, não se poderia limitar os créditos aos gastos com o aplicado diretamente na fabricação, bem como ao que sofre desgaste na produção. Tampouco, por outro lado, abrangeria gastos necessários à manutenção da atividade empresarial, mas sim os dispêndios vinculados ao processo produtivo apenas, em suas fases, afastando outras despesas. Ou seja, não é o conceito adotado para o IPI. Tampouco para o IRPJ. Após, foram publicados a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF e o Parecer Normativo (PN) Cosit/RFB nº 05, de 17/12/2018. Este esclareceu aspectos do julgado para fins de sua adoção administrativa. Observe-se, ainda, que a mudança de entendimento acima abordada não afasta a necessidade de comprovação de que os dispêndios, para efeitos de classificação como insumos, estejam relacionados intrinsecamente ao exercício das atividades-fim da empresa e não correspondam a meros gastos operacionais. A referida mudança também não implica que o novo entendimento sobre o conceito de insumos se sobreponha às vedações e limitações de creditamento previstas em lei. E mais, mantém-se, inclusive em decorrência de critério lógico, a necessidade de delimitação e escrituração apartada, para o aproveitamento como crédito, no caso de gastos em bens e serviços aproveitados tanto em áreas de produção como em outras atividades da empresa. Fl. 4912DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 60 6.2 GASTOS GERAIS DE MANUTENÇÃO O relatório fiscal indica terem sido informados ajustes de acréscimos de créditos na EFD-Contribuições. A empresa justifica com notas fiscais de despesas entre setembro de 2015 e junho de 2016, parte relacionada à manutenção de máquinas, equipamentos e outros bens do ativo imobilizado. O relatório fiscal indica: Assim, os valores creditados relativos a gastos com manutenção de máquinas e equipamentos, manutenção de edificações, equipamentos de vigilância e monitoramento, instalações telefônicas, manutenções em geral, dentre outros, adquiridos tanto de pessoa física quanto de pessoa jurídica, creditadas nos campos destinados a ajustes de acréscimos de créditos da EFD-Contribuições de maio e junho de 2016, de acordo com a planilha denominada “Insumos” apresentada pelo contribuinte em resposta ao Termo de Início de Fiscalização, serão glosadas por essa fiscalização, de acordo com o Anexo XIV ao presente Relatório que lista as despesas aqui glosadas, consolidado na tabela abaixo (valores expressos em reais): A DRJ considerou procedente em parte a impugnação para adequar o lançamento na forma do resultado da diligência, que corrigiu erros na base de cálculo a partir do alegado e reconsiderou as glosas sobre gastos de manutenção e sobre depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado relacionados às atividades de padaria e confeitaria, devidamente comprovados pela impugnante. A controvérsia se direciona ao resultado da solução de consulta da RFB abaixo citada, utilizada no relatório de diligência e pela decisão a quo: SC Cosit/RFB nº 37/2021 Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃO CUMULATIVIDADE CRÉDITOS. INSUMOS E BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. SUPERMERCADO QUE MANTÉM PADARIA, AÇOUGUE E ROTISSERIA. ATIVIDADES COMERCIAIS E ADMINISTRATIVAS. INSUMOS E BENS DO ATIVO IMOBILIZADO COM UTILIZAÇÃO MISTA. COMBUSTÍVEIS UTILIZADOS EM VEÍCULOS NA ENTREGA DE BENS COMERCIALIZADOS. Os supermercados, para a padaria e outras atividades de produção de bens e de prestação de serviços, podem descontar créditos da Contribuição para o PIS/Pasep: a) em relação aos insumos aplicados nessas atividades; b) em relação às aquisições de bens incorporados ao ativo imobilizado aplicados nessas atividades; Fl. 4913DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 61 c) em relação aos serviços de manutenção e às peças de reposição de bens do ativo imobilizado aplicados nessas atividades e que repercutam num aumento de vida útil do bem de até um ano; e d) com base na depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado, em relação aos serviços de manutenção e às peças de reposição de bens do ativo imobilizado aplicados nessas atividades e que repercutam num aumento de vida útil superior a um ano. Os supermercados, para o açougue, rotisseria e demais atividades comerciais (revenda de bens), administrativas, contábeis e jurídicas, não podem descontar créditos da Contribuição para o PIS/Pasep: a) em relação aos insumos aplicados nessas atividades; b) em relação às aquisições de bens incorporados ao ativo imobilizado aplicados nessas atividades; e c) em relação aos serviços de manutenção e às peças de reposição de bens do ativo imobilizado aplicados nessas atividades; Quando os insumos e os bens incorporados ao ativo imobilizado utilizados em atividades de produção de bens ou prestação de serviços também forem utilizados em outras atividades, os supermercados podem descontar créditos da Contribuição para o PIS/Pasep com base em rateio fundamentado em critérios racionais e devida demonstração em sua contabilidade da atribuição proporcional do crédito às atividades de produção de bens e de prestação de serviços. Os supermercados não podem descontar créditos da Contribuição para o PIS/Pasep em relação ao GLP e a outros combustíveis utilizados no deslocamento de mercadorias, seja em deslocamentos internos aos estabelecimentos da pessoa jurídica (GLP utilizado em empilhadeiras e combustíveis utilizados em veículos), seja na entrega de mercadorias comercializadas. SOLUÇÃO DE CONSULTA PARCIALMENTE VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 183, DE 17 DE MARÇO DE 2017, PUBLICADA NO DOU DE 27 DE MARÇO DE 2017. SOLUÇÃO DE CONSULTA PARCIALMENTE VINCULADA AO PARECER COSIT/RFB Nº 5, DE 17 DE DEZEMBRO DE 2018, PUBLICADO NO DOU DE 18 DE DEZEMBRO DE 2018. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, incisos II e VI, com redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005; Lei nº 11.774, de 2008, art. 1º, inciso XII e § 2º, incluídos pela Lei nº 12.546, de 2011; Instrução Normativa RFB nº 1.911, de 2019, art. 172, § 1º, incisos VII e VIII, e § 2º, incisos VI a VIII; e Parecer Normativo Cosit/RFB nº 5, de 2018. Não se transcreveu a ementa para a Cofins, com igual texto e adaptações na legislação. Fl. 4914DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 62 Repise-se que a empresa desistiu do recurso no que tange aos créditos de depreciação de bens do ativo imobilizado. Não há menção expressa aos gastos de manutenção, embora muitos estejam relacionados. Caso os serviços de manutenção e as peças de reposição de bens incorporados ao ativo imobilizado e utilizados no processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços repercutirem num aumento de vida útil do bem superior a um ano, o valor despendido com a manutenção deverá ser ativado e poderá ser descontado como crédito com base na depreciação do bem a título de bem incorporado ao ativo imobilizado (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso VI e § 1º, inciso III, com redação dada pela Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso VI, com redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014). Nesses casos, não há que se falar em créditos como despesa. Primeiro, é necessário frisar que para se caracterizar um gasto como com “insumos”, na modalidade não cumulativa das contribuições, é necessário atender aos requisitos indicados no item 6.1 acima. Em consonância com a literalidade do inc. II do caput do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, e nos termos decididos pela Primeira Seção do STJ, só podem ser considerados insumos itens aplicados no processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços a terceiros, excluindo-se do conceito itens utilizados nas demais áreas de atuação da pessoa jurídica, como administrativa, jurídica, contábil, entre outras. O processo de produção de bens encerra-se, em geral, com a finalização das etapas produtivas do bem e o processo de prestação de serviços se encerra com a finalização da prestação ao cliente, excluindo- se do conceito de insumos itens utilizados posteriormente à finalização dos referidos processos, salvo exceções justificadas (itens “a” e "c" das conclusões do Parecer Normativo COSIT/RFB nº 05/2018, transcritas acima). Também, a atividade comercial não contempla insumos, no caso do tema em apreço. As despesas ligadas a segurança patrimonial, manutenção predial e de carrinhos de compras no prédio comercial, centrais telefônicas e atividades gerais de elétrica não podem ser contempladas. Embora reconheça-se que tais despesas são importantes para a empresa, não se admite que sejam essenciais ou relevantes à sua área produtiva, não fazendo jus a crédito. Na mesma linha o mencionado pela empresa no recurso, quanto a manutenção de extintores, manutenção hidráulica, equipamentos de transporte das mercadorias para a venda, carrinhos de compra. Cumpre mencionar as seguintes decisões do Carf: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Data do fato gerador: 28/02/2009 CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ART.99, DA PORTARIA CARF nº1.634/2023 (NOVO RICARF). Fl. 4915DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 63 O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste Conselho. Assim, em consonância com o julgado do STJ e por não se enquadrarem na definição de insumos, não geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor calculado sobre o faturamento mensal e/ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral, as seguintes despesas: gastos com saúde, fretes na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos, despesas com propaganda e marketing, gastos com saúde dos funcionários, gastos com informática, gastos com limpeza, conservação e manutenção, gastos com representantes comerciais, gastos com recrutamento e seleção, serviços temporários, locação de mão de obra, gastos com jardinagem, gastos com auditoria e consultoria, gasto com estudo e treinamento, serviços de transporte externo de funcionários, fretes na transferências de produtos acabados, despesas com locação de veículos, aquisições de papel, envelopes, canetas, serviços de correios, serviços gráficos, impressões, cartuchos de tinta para impressora, confecção de placas e painéis (exemplos: indicando acesso para rodovia; proibindo entrada; sinalizando ponto de coleta; vias internas; brigada de emergência, regras de segurança, gastos com advocacia, serviços de telefonia e internet, viagens e hospedagens. (...) (Processo 16682.904907/2017-12; acórdão: 3102-002.729; sessão: 18/09/2024; 2a. Turma da 1ª Câmara da 3ª Seção do Carf). (gn). ------------------- ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2014 a 30/06/2014 (...) DESPESAS NÃO LIGADAS À PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO COMO INSUMO. Não podem ser descontados créditos, por pessoa jurídica que exerça a atividade de fabricação de celulose, em relação a serviços de vigilância e segurança patrimonial e limpeza, serviços de manutenção na estrada, serviços doação, serviços de construção civil, apoio cartográfico e topográfico -materiais/serviços para aumento da capacidade operacional, estradas púbicas, gastos relacionados à construção civil e serviços de tecnologia florestal, Materiais de tecnologia da informação, materiais de monitoramento de sistemas, gastos com consultoria e assistência técnica, serviços de limpeza, despesas com combustível utilizado no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos, transporte de pessoal, serviços diversos (serviços outros gastos administrativos, serviços de apoio Fl. 4916DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 64 administrativo, serviços médicos, serviços de iluminação, serviços de Desenhista/Projetista, elaboração de etiquetas de controle - serviço gráfico, gastos com manutenção de equipamentos de telecomunicação para transmissão de sinais ópticos de voz e dados classificados como “”serviço energia demanda”, manutenção de ar-condicionado para atender a escritórios e salas elétricas, por não serem aplicados no processo de fabricação. (gn) (Processo 13558.901078/2017-45; acórdão: 3402-011.408; sessão: 28/02/2024; 2a. Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do Carf) ------------------- ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 (...) NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. DESPESAS COM MANUTENÇÃO PREDIAL. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Não é possível a concessão de créditos sobre despesas com manutenção predial, pois nem são insumos de produção e nem são encargos de depreciação. (Acórdão: 9303-006.595; processo 11065.003772/2003-16; sessão: 10/04/2018; 3ª Turma / CSRF). --------------- ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 (...) CRÉDITOS DE DESPESAS COM MANUTENÇÃO PREDIAL. Não geram direito a crédito os valores relativos a gastos com despesas de manutenção predial por não configurarem pagamento de bens ou serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. (Acórdão: 3402-011.156; processo: 10925.721990/2011-14; sessão: 24/10/2023; 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do Carf). --------------- ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 Fl. 4917DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 65 (...) NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. DESPESAS COM MANUTENÇÃO PREDIAL. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Não é possível a concessão de créditos sobre despesas com manutenção predial, pois nem são insumos de produção e nem são encargos de depreciação. (Acórdão: 9303-006.595; processo 11065.003772/2003-16; sessão: 10/04/2018; 3ª Turma / CSRF). (grifos nossos). Por fim, a empresa alega gastos que seriam de preparo de alimentos, vinculados ao açougue ou fiambres. A diligência e DRJ analisaram sob a ótica dos bens do ativo imobilizado e concederam crédito apenas no caso do setor de padaria. Seria possível pensar em serviços para o consumidor, uma vez que a empresa possui registro de atividade de preparo de alimentos. Porém, no recurso, não há menção de caso específico de manutenção que não se encaixe em gastos passíveis de ativação, referentes a bens do imobilizado. Quanto aos créditos respectivos aferidos a partir da depreciação, a matéria é definitiva em função da desistência, como visto. Por último, como consta em ementa citada no início desse item, bens e serviços genéricos, comuns ou simplesmente classificados sem detalhamento, não poderiam ser objeto de validação. Na hipótese de utilização mista, é necessário que o contribuinte mantenha registros separados e escrituração que permitam identificar o item em questão e sua utilização. Veja-se o já citado PN Cosit/RFB nº 05/2018: 14. RATEIO EM CASO DE UTILIZAÇÃO MISTA 164. Em diversas hipóteses apresentadas neste Parecer Normativo é possível que o mesmo bem ou serviço seja considerado insumo gerador de créditos para algumas atividades e não o seja para outras. 165. Nessa hipótese, a pessoa jurídica deverá realizar rateio fundamentado em critérios racionais e devidamente demonstrado em sua contabilidade para determinar o montante de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurável em relação a cada bem, serviço ou ativo, discriminando os créditos em função da natureza, origem e vinculação, observadas as normas específicas (exemplificativamente, art. 35 da Lei nº 12.058, de 13 de outubro de 2009) e as obrigações acessórias aplicáveis. Mantém-se a glosa, portanto. Fl. 4918DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 66 6.3 GLOSAS DE TAXAS DE CARTÃO DE CRÉDITO As despesas com as taxas de administração de cartões de crédito foram glosadas. A empresa apresenta dados de compras e entende ser fácil de verificar a essencialidade de tais despesas. É de se reconhecer a importância da despesa em questão para o comércio varejista e atividade de supermercado, pelo menos no Brasil. Porém, na direção do já visto acima, despesas com taxa de administração de cartões de crédito não guardam relação com o conceito de insumo, tendo, sim, a natureza de despesa operacional, que com aquele não se confunde. Tendo em vista que a Impugnante exerce a atividade de comércio varejista e atacadista, não há que se falar em utilização de bens ou serviços como insumos, visto que, neste caso, não há produção de bens ou prestação de serviços. Seguem julgados do Carf na direção do entendimento adotado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2010 a 31/12/2011 (...) INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITOS. TAXAS PAGAS A ADMINISTRADORAS DE CARTÕES. IMPOSSIBILIDADE. As despesas relativas a serviços prestados por administradoras ou operadoras de cartões de crédito e/ou débito, incorridas por pessoa jurídica no exercício de atividade comercial, não geram direito a crédito, no regime não-cumulativo do PIS e da Cofins, por falta de previsão legal. (...) (Processo 10540.721182/2016-78; Acórdão: 3302-008.120; Sessão: 29/01/2020; 2ª Turma, 3ª Câmara, 3ª Seção do Carf). ------------------------------ Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2019 (...) NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. COMÉRCIO VAREJISTA. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Para fins de apuração de créditos da contribuição, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda. Fl. 4919DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.764 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14817.720028/2020-29 67 A modalidade de creditamento pela aquisição de insumos é a regra geral aplicável às atividades de produção de bens e de prestação de serviços no âmbito da não cumulatividade da contribuição, sem prejuízo das demais modalidades de creditamento estabelecidas pela legislação, que naturalmente afastam a aplicação da regra geral nas hipóteses por elas alcançadas. (...) (Acórdão 3402-012.371; sessão de 28/11/2024; 2a Turma, 4a Câmara, 3a Seção do Carf; processo 11000.727904/2021-35). Devem ser mantidas as glosas. 6.4 DEMAIS AJUSTES: descontos. Para os ajustes efetuados de acréscimo de crédito, vale, por óbvio, o mesmo entendimento adotado quanto ao mérito do crédito ou tributação da receita. Em se tratando de matéria não passível de crédito ou passível de tributação como receita, os ajustes efetuados para compensar receitas tidas como tributadas indevidamente também não podem ser validados. 7 CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente MARCELO ENK DE AGUIAR Fl. 4920DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 preliminares de nulidade 1.1 Nulidade da Decisão da DRJ. 1.2 Nulidade por Ausência de cientificação de prorrogação do TDPF. 1.3 Nulidade por Incompetência da Autoridade Fazendária. 2 O Regime Não-Cumulativo: base de cálculo e créditos. 3 mérito: receitas de acordos comerciais 4 dos erros nas bases de cálculo dos acordos comerciais 5 ajustes de acréscimo de créditos: Créditos extemporâneos 6 créditos das contribuições: glosas 6.1 Conceito de insumos 6.2 gastos gerais de manutenção 6.3 glosas de taxas de cartão de crédito 6.4 Demais ajustes: descontos. 7 Conclusão
score : 1.0
Numero do processo: 10840.005327/92-02
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 1998
Numero da decisão: 203-00.721
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: FRANCISCO SERGIO NALINI
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Sala das Sessões, em 08 de dezembro de 1998 O.tacíli~ Cartaxo presid~n~S ~sco /' Relator Crnfi'mas/fclb 1 Processo Diligência Recurso Recorrente: MINISTERIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10840.005327/92-02 203-00.721 105.126 ZENIITI OKADA RELATÓRIO •• Por entender esclarecedor, adoto e transcrevo o relatório contido na Decisão de fls. 34 e seguintes: "Contra o contribuinte acima identificado, residente em Ribeirão Preto-SP, foi emitida a Notificação de Pagamento, de fls. 14, para exigir-lhe o Crédito Tributário relativo ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, taxa de cadastro e contribuições sindicais, exercicio de 1992, no montante de CR$ 2.811.488,00, com vencimento em 04/12/92, incidentes, sobre o imóvel cadastrado na SRF sob o código nO0.257.370-9 e no INCRA sob o código nO 901.091.140.260-0, com área de 270,0 ha, denominado Fazenda Okada, localizado no municipio de Alta Floresta-MT. A exigência fundamenta-se na Lei n° 4.504/64, alterada pela Lei nO6.746/79, Decreto-Lei nO57/66 c/c o Decreto-lei nO1.989/82, Decreto-lei n° 1.146/70 c/c o Decreto-lei nO1.989/82 e Decreto-lei nO1.166/71, Decreto n° 84.685/80 e IN SRF 119/92. o interessado interpôs, em 04/12/92, a petição de fls. 01 a 13, requerendo, em sintese, o seguinte: a. Reconhecimento da isenção de pagamento do ITR da propriedade, uma vez que, toda a área de gleba está coberta por matas naturais de preservação permanente; b. Caso não seja reconhecida a isenção pleiteada no item a., que se reconheça ao menos que metade da área da gleba é isenta, por se tratar de reserva legal, isenta por lei; c. Se reconhecido que pelo menos metade da área é isenta, que seja reavaliado o Valor da Terra Nua - VTN, já que o valor tributado para o VTN está muito acima do declarado, indicando que houve erro de fato na atribuição de tal valor; d. Definido o novo valor por hectare, que pelo menos seja reduzida a aliquota de incidência \.. tributo, já que não se tratam de áreas 2~ Processo Diligência MINISTERIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10840.005327/92-02 203-00.721 improdutivas e sim de áreas de florestas preservadas. Para instruir o processo, foram juntados aos autos, além dos documentos já citados, a procuração de fls. 15 e cópia da DITR/92 do imóvel de fls. 16." • A autoridade singular acolheu parcialmente os argumentos da recorrente com as seguintes razões apresentadas na ementa: "RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO - INAPLICABILIDADE - A retificação de declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir tributo só e admissível antes de notificado o lançamento. RETIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO - INAPLICABILIDADE Mantém-se o lançamento feito com base na declaração do contribuinte e na legislação da regência. VTN/BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTOIRETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO DE 1992. O valor da terra nua, contestado pelo contribuinte e reconhecido pela administração tributária corno inadequado, é passivel de revisão, para que se adote reavaliação posterior, que corrigiu aquelas distorções." Às fls. 43/49, intenta a interessada tempestivamente o recurso voluntário, onde são reiterados os argumentos da sua peça inicial e, ainda, que: 1. recolheu o principal (DARF de fls. 50), visando a isenção dos juros, multas e demais cominações; 2. o recolhimento do valor do imposto não importa em reconhecimento de ser devido o mesmo; e 3. não caberia juros e multas urna vez que, além de outras razões apresentadas, a impugnação foi tempestivamente apresentada. Atendendo o disposto na Portaria n.o 260, de 24 de outubro de 1995, e modificações posteriores, apresenta a Procuradoria da Fazenda Nacional de Minas Gerais, suas Contra-Razões ao Recurso (fls. 54/55), requerendo que seja mantida a decisão recorrida. • É o relatório . 3 ~\ , MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo Diligência 10840.005327/92-02 203-00.721 • • VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR FRANCISCO SÉRGIO NALINI O recurso voluntário foi manifestado dentro do prazo legal. Dele tomo conhecimento. Consoante o relatado, a matéria sob exame é pedido de revisão do Valor da Terra Nua, envolvendo questões relativas ás reservas legal e permanente. Por outro lado, verifico que o contribuinte, às fls. 50, efetuou o pagamento do tributo. Nestes termos, transformo o presente julgamento do recurso em diligência para que a repartição de origem, via DRJ de Ribeirão Preto, ateste se o pagamento que consta no DARF de fls. 50 cobre o imposto devido na oportunidade (principal). E o meu voto. Sala das Sessõe, m 08 de dezembro de 1998 4 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720180/2024-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 09 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Fri Jul 03 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2019 a 31/05/2020
DECISÃO JUDICIAL INDIVIDUAL.PROVIMENTO. NÃO VINCULAÇÃO
Decisão judicial individual, que não está entre os casos do art. 98 do Anexo do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), não vincula os conselheiros do CARF, não permitindo o afastamento da aplicação da Lei
NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, a fundamentação da decisão pode ser atendida mediante declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida, nos termos do artigo 114, §12, I da Portaria MF n.º 1.634/2023.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO. EFEITOS.
A PLR integra a base de cálculo das contribuições devidas quando paga aos segurados empregados em desacordo com a legislação.
ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE. DESCABIMENTO.
Não cabe aplicação retroativa das alterações legislativas posteriores aos fatos geradores, ausente o caráter interpretativo de tais regramentos.
Numero da decisão: 2201-012.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado Digitalmente
Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator
Assinado Digitalmente
Marco Aurelio de Oliveira Barbosa - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Weber Allak da Silva, Luana Esteves Freitas, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernando Gomes Favacho(substituto[a] integral), Thiago Alvares Feital, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa(Presidente),
Nome do relator: CLEBER FERREIRA NUNES LEITE
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NÃO VINCULAÇÃO Decisão judicial individual, que não está entre os casos do art. 98 do Anexo do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), não vincula os conselheiros do CARF, não permitindo o afastamento da aplicação da Lei NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, a fundamentação da decisão pode ser atendida mediante declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida, nos termos do artigo 114, §12, I da Portaria MF n.º 1.634/2023. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO. EFEITOS. A PLR integra a base de cálculo das contribuições devidas quando paga aos segurados empregados em desacordo com a legislação. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE. DESCABIMENTO. Não cabe aplicação retroativa das alterações legislativas posteriores aos fatos geradores, ausente o caráter interpretativo de tais regramentos. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1423DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.790 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720180/2024-33 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Cleber Ferreira Nunes Leite – Relator Assinado Digitalmente Marco Aurelio de Oliveira Barbosa – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Weber Allak da Silva, Luana Esteves Freitas, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernando Gomes Favacho(substituto[a] integral), Thiago Alvares Feital, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa(Presidente), RELATÓRIO Trata de autos de infração, fls. 67 a 75 e 76 a 88, decorrentes do pagamento de valores aos empregados da autuada a título de PLR (Participação nos Lucros ou Resultados) em desacordo com a legislação. Cientificada do lançamento, em 12/03/2024, folha 282, a contribuinte, em 10/04/2024, (fls. 288 a 320), apresentou impugnação, com as seguintes alegações de acordo com o Relatório do Acórdão da Impugnação: I - Tempestividade. II - Desde meados dos anos 2000, os planos de PLR são adotados pela Impugnante com sucesso, concretizando a garantia constitucionalmente prevista. III - Quanto ao registro dos acordos coletivos, a impugnante foi intimada a apresentar os Acordos Coletivos de PLR para o exercício de 2019, oportunidade em que forneceu todos os documentos que demonstram a efetiva participação dos Sindicatos nas negociações que, inclusive, contou com a assinatura dos Presidentes dos Sindicatos. IV- No tema, a autoridade autuante deixou de se atentar para o fato de que a mera ausência de arquivamento do acordo não tem o condão de descaracterizar a isenção quanto aos pagamentos realizados a título de PLR, especialmente porque, conforme se infere dos Acordos firmados relativos ao exercício de 2019, os Fl. 1424DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.790 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720180/2024-33 3 Sindicatos efetivamente participaram das negociações, tal como vinha fazendo em todos os anos anteriores. V- Conforme o acordo firmado demonstra (Anexo III), ele foi assinado pelos Presidentes dos Sindicatos, que tinham pleno conhecimento dos seus termos. Ocorre que se trata de formalismo excessivo imposto pela Autoridade Fiscal, utilizado justamente por não encontrar argumentos materiais para invalidar o pagamento realizado, feito em estrita observância às determinações legais. VI- O segundo fundamento, utilizado incorretamente pela fiscalização para descaracterização dos pagamentos, acusa que as regras para implementação da PLR deveriam ter sido formalizadas, mediante assinatura do respectivo plano, até 01/01/2019. VII - Ocorre que a autoridade autuante deixou de observar que o referido requisito foi cumprido uma vez que as regras para o exercício de 2019 eram idênticas às dos anos anteriores, de modo que os trabalhadores já tinham o prévio conhecimento dos critérios definidos para exercício autuado. VIII - A pactuação prévia se cristaliza quando o plano atual é reprodução/ continuidade dos planos anteriores. IX - Gize-se que a despeito de o plano de PLR ter sido assinado no curso de 2019, desde o início do exercício estavam consolidadas as negociações prévias entre a Impugnante, os Sindicatos e os empregados. X - A autoridade fiscal criou indevidamente um requisito não previsto no texto legal: o Acordo deveria ter sido assinado anteriormente ao exercício de aferição, ou seja, 01/01/2019. XI - Traz os seguintes comunicados como prova de suas teses: (...) XII- O § 1º, II, do art. 2º, da Lei n.º 10.101/2005 traz à tona a omissão – proposital – do legislador quanto à periodicidade para a formalização do Plano de PLR. XIII - A Impugnante promoveu o ajuizamento de Mandado de Segurança, registrado sob o n.º 1014367-92.2020.4.01.3800, relativamente aos valores pagos a título de PLR aos seus funcionários entre o período de 01/2013 a 12/2014 (Processo Administrativo n.º 15504.724488/2017-17). XIV - Novel entendimento (interpretação) trazido na Lei 14.020/2020, vai de encontro à motivação fiscal para descaracterizar o PLR em pauta, devendo, ser aplicado ao caso o art. 106, I do CTN XV - No presente caso, conforme demonstrado nas páginas 12 e 13 da presente Impugnação, os acordos com os sindicatos envolvidos foram assinados em junho e julho de 2019. Para o sindicato cujo acordo foi assinado em 25 de junho de 2019, o pagamento dos funcionários vinculados a ele foi feito em julho/2019. Para Fl. 1425DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.790 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720180/2024-33 4 os funcionários vinculados ao sindicato cuja assinatura foi feita em 11 de julho/2019, o pagamento foi realizado em agosto/2019. XVI - A Lei n.º 13.467/2017 inseriu o art. 611-A na CLT para determinar que o acordo coletivo de trabalho prevaleça sobre a lei quando dispuser sobre a Participação nos Lucros ou Resultados. XVII- Requer, adicionalmente, juntada posterior de documentos que possam comprovar suas alegações. O defendente juntou, na mesma data, documentos e demonstrativos de fls. 321 a 1292, com objetivo de demonstrar suas alegações. Consta, fls.1303 a 1307, petição de juntada de parecer (fls. 1308 a 1345), datada de 18/07/2024, com fulcro no §4º do art. 16 do Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972. A DRJ considerou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário, decisão com a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2019 a 31/05/2020 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO. EFEITOS. A PLR integra a base de cálculo das contribuições devidas quando paga aos segurados empregados em desacordo com a legislação. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2019 a 31/05/2020 DILAÇÃO DE PRAZO. REQUISITOS. A juntada de novos documentos e a produção de provas, em momento posterior à apresentação da impugnação, devem observar as condições/hipóteses legalmente estabelecidas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2019 a 31/05/2020 ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE. DESCABIMENTO. Não cabe aplicação retroativa das alterações legislativas posteriores aos fatos geradores, ausente o caráter interpretativo de tais regramentos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão, em 26/08/2025, o sujeito passivo apresentou, em 24/09/2025, folhas 1367/1415, recurso voluntário onde reitera substancialmente os argumentos da respectiva impugnação. Informa, ainda, da existência da sentença favorável obtida no Mandado de Fl. 1426DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.790 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720180/2024-33 5 Segurança nº 1014367 92.2020.4.01.3800 impetrado pela Recorrente em matéria idêntica, do qual reproduzimos, abaixo, o excerto: Em situação idêntica à presente, a Recorrente foi autuada pela RFB para exigência de contribuições patronal e de terceiros, relativamente aos valores pagos a título de PLR aos seus funcionários entre o período de 01/2013 a 12/2014. A Autoridade Fiscal se pautou igualmente no fundamento de que as regras para implementação da PLR deveriam estar formalizadas, mediante assinatura do Plano de PLR, no exercício anterior (2012), ou seja, previamente ao ano- calendário em que seriam aferidas as metas, resultados e/ou lucro objeto do pagamento da PLR. Após a manutenção (equivocada) do julgamento em primeira instância administrativa, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, tendo este e. Conselho provido o recurso para cancelar integralmente o lançamento. O voto condutor esclareceu que a Lei n.º 10.101/2020 não determina o momento exato para a assinatura do Plano de PLR, além de as metas terem sido efetivamente pactuadas previamente – não tendo qualquer desconformidade com a previsão legal. (...) Submetidos os autos a julgamento do juiz sentenciante, foi proferida sentença (Anexo I), concedendo integralmente a segurança para cancelar o crédito consubstanciado nas autuações de contribuição patronal e terceiros, controladas pelo Processo Administrativo n.º 15504.724488/2017-17. É o relatório VOTO Conselheiro Cleber Ferreira Nunes Leite, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade Conforme relatado trata-se de autos de infração, decorrentes do pagamento de valores aos empregados da autuada a título de PLR (Participação nos Lucros ou Resultados) em desacordo com a legislação. A recorrente informa da existência de sentença favorável obtida no Mandado de Segurança nº 1014367 92.2020.4.01.3800, impetrado pela Recorrente em matéria idêntica, da seguinte forma: (...) Fl. 1427DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.790 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720180/2024-33 6 Nos autos dessa ação mandamental, a Recorrente demonstrou que o fundamento utilizado pelo Fisco não possui qualquer embasamento legal, uma vez que a Lei n.º 10.101/2020 apenas determina que as condições devem ser pactuadas previamente, sem estabelecer qualquer prazo específico. Além disso, a legislação não prevê que a assinatura do acordo deva ser formalizada no ano-calendário anterior ao pagamento, conforme sugerido pela Autoridade Fiscal e que, em termos práticos, impossível se cumprir tão requisito (criado unicamente pelo Fisco). Submetidos os autos a julgamento do juiz sentenciante, foi proferida sentença (Anexo I), concedendo integralmente a segurança para cancelar o crédito consubstanciado nas autuações de contribuição patronal e terceiros, controladas pelo Processo Administrativo n.º 15504.724488/2017-17. Trata-se de processo com matéria similar a discutida no presente processo, mas com competências anteriores, cuja decisão do CARF foi favorável ao contribuinte ao dar provimento ao recurso do mesmo, sendo que Recurso Especial da Procuradoria reverteu , na Câmara Superior de Recurso Fiscais, para negar provimento. O crédito foi então cancelado por decisão no mandado de segurança em questão. Quando a esta questão, há que se verificar que se trata de decisão judicial individual, que não vincula os conselheiros do CARF, não permitindo o afastamento da aplicação da Lei, pois nos termos do art. 98 do Anexo do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), são as seguintes os casos que devem ser observados pelos membros das Turmas do CARF: “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou II - fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103- A da Constituição Federal; b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) dispensa legal de constituição, Ato Declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional ou parecer, vigente e aprovado pelo Procurador-Geral da Fl. 1428DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.790 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720180/2024-33 7 Fazenda Nacional, que conclua no mesmo sentido do pleito do particular, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e, e) Súmula da Advocacia-Geral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Assim, verifica-se que o caso em tela, não se amolda nas hipóteses de exceção nas quais tem o julgador administrativo o dever de reconhecer a inconstitucionalidade e afastar a norma que dela padece, restando completamente hígido o crédito tributário neste aspecto. Do Mérito Para as questões de mérito, tendo em vista que a Recorrente aduz em recurso os mesmos argumentos apresentados na Impugnação, adoto os fundamentos do voto condutor do Acórdão de Impugnação recorrido, nos termos do artigo 114, §12, I da Portaria MF n.º 1.634/2023, para manter a decisão de primeira instância: DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS No tema, deve-se historiar que a PLR foi contemplada no artigo 7º, XI da Constituição Federal e representa exceção à regra insculpida no artigo 28. I da Lei 8.212/91, pela qual constituem salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, aos empregados, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Dispõe o artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei 8.212/91: (...) § 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Deste regramento, conclui-se que desde que paga em conformidade com as regras legais, dispostas em lei específica, a PLR não está sujeita à incidência das contribuições destinadas ao custeio do Regime Geral da Previdência Social. Neste início, cumpre afastar a tese que busca trazer ao debate o art. 611-A d CLT, por não ser esta consolidação a lei específica estabelecida como instrumento para afastamento da incidência previdenciária. Neste caminho, a matéria encontrava-se assim disciplinada na Lei 10.101/2000, à época dos fatos em mesa: “Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o Fl. 1429DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.790 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720180/2024-33 8 trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7º, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I - comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (Redação dada pela Lei nº 12.832, de 2013) II - convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I - índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II - programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Da conjugação dos dispositivos acima, conclui-se que a participação nos lucros ou resultados não integra o salário de contribuição dos empregados, desde que esteja em consonância com o estabelecido na Lei nº 10.101/2000. O espírito da lei é propiciar às empresas um estímulo à produtividade de seus empregados, recompensando-os pecuniariamente, quando as metas previamente estabelecidas tiverem sido atingidas e, adicionalmente, em benefício da empresa e dos obreiros, afastando a incidência previdenciária sobre tais verbas. Passemos a seguir, a verificar o cumprimento das condições estabelecidas na lei específica. Primeiramente, dentre as exigências da Lei nº 10.101/2000, a empresa não cumpriu o que determina o § 2º, do art. 2º, pois deixou de arquivar na entidade sindical dos trabalhadores os Acordos Coletivos Específicos sobre a PLR 2019. No ponto, vale destacar que a autuada reconhece a conduta que lhe foi imputada, trazendo em sua defesa apenas as alegações de ter demonstrado efetiva participação dos Sindicatos nas negociações, que contaram com a assinatura dos Presidentes dos Sindicatos, e da atuação excessivamente formal do Fisco. A despeito de suas alegações, sorte não lhe socorre pois o mandamento legal (§ 2º, do art. 2º da Lei nº 10.101/2000), vigente e cogente, é explícito no sentido da obrigatoriedade de arquivamento na entidade sindical dos trabalhadores, Fl. 1430DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.790 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720180/2024-33 9 possibilitando, assim, amplo conhecimento de seus termos, inclusive o Fisco. Justificado, assim, o formalismo previsto em lei. Resta caracterizado, corretamente, o descumprimento deste requisito legal. Em um segundo registro do autuante, consta que a defendente assinou apenas em 25/06/2019 e em 11/07/2019 seu pacto de metas cuja vigência era de 01/01/2019 a 31/12/2019. Em sua defesa, o contribuinte tampouco negou a conduta que lhe foi imputada. No entanto, cuidou de se justificar alegando que havia conhecimento prévio das condições do PLR 2019, por ser igual aos anteriores e por terem os empregados participado das discussões antes da assinatura. Acresce em seu favor, que a lei não estabelece o marco temporal deste requisito. Nesta seara, cabe uma análise com mais vagar. Vejamos: Quanto ao alegado conhecimento prévio das condições do PLR 2019, por contas dos anteriores que seriam de igual teor, tal conclusão não se mostra verossímil, pois se há um novo plano a ser pactuado, inexiste obrigatoriedade que o contexto econômico-financeiro e empresarial se mantenha, implicando iguais interesses a serem incentivados. Os comunicados citados pela defesa (rodadas de negociação do plano, demonstração da proposta) indicam exatamente a necessidade de explicação/discussão deste plano; inexistente qualquer mudança, não haveria motivo para tais etapas. Noutro giro, quando a lei trata de pactuação prévia de metas, prazos e resultados para um período de vigência, no caso reconhecido como sendo de 01/01/2019 a 31/12/2019, é lógico se imaginar que os seus efeitos só possam ser efetivos se os combinados forem anteriores ao início do intervalo temporal, possibilitando influenciar/orientar a conduta dos obreiros envolvidos. Tendo tudo isso em conta, a pactuação efetivada no presente caso, após transcorridos vários meses após o marco inicial do período de apuração, revela-se claramente prejudicada nos fins para os quais se destinaria. Desvirtuado, assim, resta qualquer planejamento/incentivo à produção em período sem regramento formalizado e antecedente, motivo pelo qual cristaliza-se o descumprimento acusado pela autoridade autuante. Reconhecidas as condutas apontadas pelo Fisco e constatado o descumprimento dos requisitos legais acima, agiu com acerto o Fisco, descaracterizando, para efeitos de isenção previdenciária, a PLR em mesa. Quanto à tese acerca do Processo Administrativo n.º 15504.724488/2017-17, diga se que se trata de lançamento distinto em período diverso ao da presente exação, motivo pelo qual não será discutida nestes autos. Há precedentes acerca do julgamento da matéria no CARF, veja-se como exemplo a recentíssima decisão: Acórdão 2301-012.038 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA, 13/03/2026, relator, Carlos Eduardo Ávila Cabral: Fl. 1431DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.790 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720180/2024-33 10 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2017 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI N° 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. Integra o salário-de-contribuição a parcela recebida a título de Participação nos Lucros ou Resultados, quando paga ou creditada em desacordo com lei específica. Constitui requisito legal que as regras do acordo sejam estabelecidas previamente ao exercício a que se referem, já que devem constituir-se em incentivo à produtividade. As regras estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional. A turma decidiu por unanimidade de votos, por negar provimento ao recurso voluntário. CONCLUSÃO Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Cleber Ferreira Nunes Leite Fl. 1432DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 10845.722805/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 11 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Jul 02 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
PIS E COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. LIQUIDEZ E CERTEZA. INOCORRÊNCIA. GLOSA MANTIDA.
A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda. No caso, parte dos créditos reclamados não tiveram sua liquidez e certeza comprovadas, uma vez que sua obtenção, bem como a de outros períodos, está cingida por fraudes comprovadas, somadas a aproveitamentos de créditos incompatíveis com a legislação vigente.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. MODALIDADES DE APROVEITAMENTO. EXPORTAÇÃO DE CAFÉ.
Até o advento do art. 7ºA da Lei nº 12.599/2012 o crédito presumido da agroindústria só podia ser aproveitado pelos exportadores de café para a dedução das contribuições devidas. A autorização para o aproveitamento do crédito presumido para compensação ou ressarcimento, contida no art. 7ºA da Lei nº 12.599/2012 se aplica somente ao saldo credor apurado em 1º de janeiro de 2012 e não aos saldos corredores eventualmente existentes nos trimestres calendários anteriores.
DIREITO CREDITÓRIO. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. APÓS ESCOAMENTO DO PRAZO DE 360 DIAS PARA ANÁLISE DO PEDIDO. TAXA SELIC.
O termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco (art. 24 da Lei n. 11.457/2007), nos termos do julgamento do REsp nº 1.767.945, em sede de Recurso Repetitivo, pelo STJ.
Numero da decisão: 3101-004.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito à correção monetária do crédito reconhecido, pela Taxa Selic, a partir do primeiro dia seguinte ao escoamento do prazo de 360 dias para análise do pedido administrativo pelo Fisco.
Assinado Digitalmente
Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues – Relator
Assinado Digitalmente
Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Renan Gomes Rego, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Ramon Silva Cunha, Luciana Ferreira Braga, Eduardo Gargiulo Ornelas Santiago, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SCHWERTNER ZICCARELLI RODRIGUES
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 PIS E COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. LIQUIDEZ E CERTEZA. INOCORRÊNCIA. GLOSA MANTIDA. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda. No caso, parte dos créditos reclamados não tiveram sua liquidez e certeza comprovadas, uma vez que sua obtenção, bem como a de outros períodos, está cingida por fraudes comprovadas, somadas a aproveitamentos de créditos incompatíveis com a legislação vigente. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. MODALIDADES DE APROVEITAMENTO. EXPORTAÇÃO DE CAFÉ. Até o advento do art. 7ºA da Lei nº 12.599/2012 o crédito presumido da agroindústria só podia ser aproveitado pelos exportadores de café para a dedução das contribuições devidas. A autorização para o aproveitamento do crédito presumido para compensação ou ressarcimento, contida no art. 7ºA da Lei nº 12.599/2012 se aplica somente ao saldo credor apurado em 1º de janeiro de 2012 e não aos saldos corredores eventualmente existentes nos trimestres calendários anteriores. DIREITO CREDITÓRIO. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. APÓS ESCOAMENTO DO PRAZO DE 360 DIAS PARA ANÁLISE DO PEDIDO. TAXA SELIC. O termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido Fl. 1410DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 2 administrativo pelo Fisco (art. 24 da Lei n. 11.457/2007), nos termos do julgamento do REsp nº 1.767.945, em sede de Recurso Repetitivo, pelo STJ. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito à correção monetária do crédito reconhecido, pela Taxa Selic, a partir do primeiro dia seguinte ao escoamento do prazo de 360 dias para análise do pedido administrativo pelo Fisco. Assinado Digitalmente Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues – Relator Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Renan Gomes Rego, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Ramon Silva Cunha, Luciana Ferreira Braga, Eduardo Gargiulo Ornelas Santiago, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). RELATÓRIO Por bem narrar os fatos ocorridos, adoto o relatório contido na decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF): Cuidam os autos de Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento de créditos de PIS/Cofins Não-Cumulativos-Exportação, obtidos nos trimestre de 2010. O Despacho Decisório deferiu parcialmente os pedidos apresentados, homologando as compensações declaradas até o limite dos créditos deferidos. Inconformada, a empresa apresentou manifestação de inconformidade sob os seguintes argumentos, em síntese: DO DIREITO AO CRÉDITO GLOSADO Veremos que os créditos decorrentes de fornecedores posteriormente declarados inidôneos devem ser deferidos na sua integralidade (9,25%). Fl. 1411DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 3 Ainda assim, embora permaneça controvertido a diferença entre o crédito integral de 9,25% e o crédito presumido de 3,24%, ou seja, o percentual de 6,01%, fato é que foi validado ao menos o crédito presumido de 3,24% no relatório de encerramento da fiscalização. É incontroverso e imediatamente devido o ressarcido desta parcela, permanecendo contraditório apenas a diferença de 6,01%. A despeito, portanto, da glosa, a fiscalização atestou que o café foi comprado, pago e exportado, conforme ampla documentação fiscal disponibilizada para a fiscalização. No mais, a parte da glosa relativa às compras com supostas suspensões merece igualmente reforma para deferimento do valor pleiteado, consoante se segue. 1 - FORNECEDOR INIDÔNEO O trabalho de fiscalização foi pautado basicamente pelo trabalho policial, o que acabou influenciando indevidamente a análise dos pleitos de ressarcimento. Em que pese o longo trabalho da fiscalização e de provável ocorrência de atividade criminosa na cadeia do café, é fora de dúvida que a Requerente, especificamente, não praticou crime algum. A Requerente tem total interesse em ver apuradas as condutas dos agentes envolvidos nos prováveis ilícitos, pois sua atividade econômica depende de pessoas físicas e jurídicas regularmente habilitadas para produzir e comercializar o café. Assim, podemos concluir que a Requerente: i) tinha conhecimento de que o setor tinha pessoas jurídicas de idoneidade duvidosa, conforme prática que remonta à fraude com o FUNRURAL, época em que a Requerente sequer existia, daí abordar o assunto com corretores de café por meio de seu preposto; ii) que não sabia exatamente quem seriam estas pessoas jurídicas, coisa que as gravações reproduzidas inclusive ajuda a comprovar; iii) que realizava pesquisa de tudo que estava ao seu alcance, tal como regularidade de inscrição perante o CNPJ, SINTEGRA, certidões negativas (exemplificativamente, Doc. 1 da Defesa), sendo tal precaução totalmente legítima e jamais levada a efeito para fins outros que não a tentativa de evitar transacionar com a empresas inidôneas; iv) que jamais participou destas sociedades ou teve vantagens econômicas decorrentes da interposição destas empresas na cadeia do café, o que sequer é sugerido no Termo de Verificação, muito ao reverso, atesta que o dinheiro é direcionado para a PJ fornecedora, que após transfere para seus sócios que nenhum relacionamento têm com a Requerente; v) que o preço pago pelo café era de mercado e nunca sequer se cogitou em repassar os "lucros" obtidos por estas empresas referidas como de fachada; vi) que ao pagar o preço cotado para o café estava embutido o PIS e a COFINS, de forma que houve o custo que legitima o crédito à adquirente, sem benefício algum com a alegada ilicitude de terceiros, inclusive este crédito de PIS/COFINS gerava reflexos em seu resultado, pelo que se pagou enorme quantia de imposto de renda e contribuição social sobre o lucro; Fl. 1412DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 4 vii) que a falta de pagamento de PIS e COFINS por fornecedores não implica em ausência do direito de crédito ao adquirente - o crédito se dá pelo custo de aquisição e não pela comprovação do pagamento na operação anterior da cadeia comercial; viii) que se há falta de pagamento de tributo pelo fornecedor, a Receita Federal e a Procuradoria dispõem de meios próprios de cobrar tais tributos, incluindo a execução fiscal e a desconsideração da personalidade jurídica em caso de irregularidades, mas jamais poderiam glosar o crédito do exportador ao final da cadeia comercial; ix) inclusive há cobrança de PIS e COFINS de fornecedoras (Doc . 5 da defesa), o que indica que a glosa é indevida, já que isso implica em enriquecimento sem causa do erário. . . ., tem-se que o Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já teve a oportunidade de apreciar caso em tudo semelhante ao presente, tratando inclusive do mesmo produto, o café. Ou seja, lá como aqui rejeitou-se o direito ao crédito em razão de suposta irregularidade na pessoa jurídica fornecedora do café ao exportador. Ocorre que o entendimento jurídico adotado pelo v. acórdão foi no sentido de que as glosas devem ser mantidas quando não demonstrados o efetivo pagamento pelo café e o recebimento do produto. Ocorre que diferentemente do acórdão paradigma, no presente caso não há que se discutir sobre possível ausência dessa comprovação. A própria Fiscalização atestou a realização do pagamento e a efetiva exportação, pela Requerente, do produto adquirido. Nessa medida, comprovado o pagamento - a preço de mercado, diga-se - e o recebimento do produto, está demonstrada sua aquisição de boa-fé e a necessidade de que os documentos que lastrearam as aquisições pela Requerente produzam os efeitos tributários relativos ao direito do creditamento, nos termos do parágrafo único do artigo 82 da Lei n° 9.430/96. É inútil para fins do procedimento em questão todas as páginas do Termo de Verificação Fiscal que tratam de demonstrar a inidoneidade de diversos fornecedores, ou seja, quase todo o relatório em questão. Disto a Requerente não tem absolutamente nada para falar. Nunca soube da inidoneidade na época das transações, e nesse sentido se forem mesmo inidôneos não faz diferença para a Requerente. O próprio trabalho fiscal lista a época em que as pessoas jurídicas foram declaradas inidôneas. Como o crédito é de 2009, todas as inidoneidades reconhecidas após 2009, ou seja, 2010 em diante, evidentemente ocorreram após a transação com a Requerente. Já as inidoneidades detectadas ao longo de 2009, poderiam causar dúvida sobre terem sido declaradas antes ou depois das operações da Requerente, de forma que para evitar qualquer dúvida neste sentido, junta-se aqui cópia das NOTAS FISCAIS, CNPJ, SINTEGRA, RQMANEIO, e PAGAMENTOS, referentes às operações com cada fornecedor declarado inidôneo, de forma a provar que tal inidoneidade ocorreu após cada operação, conforme se verifica no CNPJ ativo e situação do Sintegra. (Vide documento 1 - com resumo geral de glosas contendo Fl. 1413DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 5 especificamente fornecedores declarados antes de 2010, e jogo de documentos de cada operação). A situação fiscal de centenas de fornecedores da Requerente, conquanto pesquisada pela mesma, não lhe era possibilitado visualizar. Jamais houve sequer alegação de que a Requerente tenha sido financeiramente favorecida pela conduta de seus fornecedores. Quanto ao crédito de PIS/COFINS, como dito, é decorrência de lei e jamais poderia ser entendido como artifício. Isso se daria no caso de inexistência de exportação ou simulação de compra e venda, sendo que tais ocorrências não são sustentadas pela Polícia Federal, e na verdade são validadas pela fiscalização. Verifica-se, antes de mais nada, que a matéria está intrinsecamente relacionada com a atividade cafeeira no Brasil. Por essa razão, e para que seja possível analisar as conseqüências tributárias da operação, são aprofundadamente analisadas as relações comerciais e civis das pessoas envolvidas na cadeia comercial e produtiva do café (item 2.1.2 – Da cadeia de produção e venda do café brasileiro). De todo exposto naquele item 2.1.2, é fora de questão a necessidade de entender a cadeia comercial do café e todos os elos (agentes) que a compõe para analisar as premissas levantadas pela acusação, dentre as quais de plano devem ser afastadas: a) Não se pode afirmar que, necessariamente, por ser uma pessoa jurídica comercializando com a Requerente a mesma seria de "fachada". Dificilmente seria possível à indústria exportadora adquirir todo o café de que precisa apenas e diretamente dos produtores rurais, e até onde a Requerente tinha conhecimento de detalhes das empresas das quais adquiriu o café, as mesmas eram operacionais e regulares perante os órgãos públicos à época das transações. É plenamente normal que um corretor negocie o café de um determinado produtor rural, em estágio no qual esse café que já não é de propriedade nem deste produtor, nem do corretor, sendo naquele momento, de direito e de fato, já de propriedade de uma empresa cerealista. São negócios jurídicos lícitos e usuais ao mercado de café, decorrente da classificação brasileira do produto e o seu concorrido e tradicional mercado de compra e venda; b) Não se concluiu pela falsidade ideológica das notas fiscais de pessoas jurídicas em virtude de nelas constar indicação do produtor rural de origem. Este fato não implica na desconsideração dos negócios jurídicos subjacentes. Não se trata, por exemplo, da compra de soja, em que a origem do grão não tem influência para o restante da cadeia comercial. Aqui existe toda uma sofisticada análise e prova do produto, que respalda o seu preço com base em sua origem, sua qualidade e tipo do café. Basta visitai- a Associação Comercial de Santos ou a BM&F em São Paulo para desmistificar estas premissas. Se existe empresa de fachada seria necessário, a nosso ver, realizar esta prova do ponto de vista do direito comercial, e sem repercussão para o adquirente que com ela transaciona licitamente (sem dolo de favorecimento indevido). Assim, para o fim pretendido pela autoridade fiscal, não se pode agir com desprezo das operações típicas do setor cafeeiro, desde que legalmente entabuladas e efetivamente praticadas. Fl. 1414DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 6 Ainda que se cogite que as Empresas estejam sujeitas aos riscos oriundos da atividade comercial, como por exemplo, receber cheque sem fundo, sofrer com a inadimplência de seus distribuidores, vender para empresa em estágio pré- falimentar, receber dinheiro falso, não há que se equiparar em nenhum momento com o risco do Contribuinte de receber créditos de tributos decorrentes de compra junto à fornecedor declarado posteriormente inidôneo. Qualquer irregularidade na emissão do documento fiscal pode ensejar ao seu emitente multa formal, não, contudo, a proibição de crédito para o seu destinatário. Corrobora este entendimento a Súmula 571 do Supremo Tribunal Federal, ao tratar do aproveitamento do crédito independente da expedição de nota fiscal. Das colocações doutrinárias, duas são as linhas de argumentação que se pode sustentar. A primeira de que não pode haver limitação do direito do creditamento em função de eventuais irregularidades do documento fiscal. E a segunda, se não é aceita a primeira, no sentido de que a vedação legal ao crédito, quando houver irregularidade no documento fiscal, não pode se confundir com irregularidade do contribuinte. Esta última dificilmente pode ser verificada pelo adquirente das mercadorias, seja porque sua ocorrência não é patente, visível, seja porque não é papel do adquirente fazer as vezes de fiscal e se imiscuir na vida fiscal do vendedor da mercadoria. Isto posto, verifica-se que a circunstância de o remetente das mercadorias estar em situação irregular perante o fisco não pode de forma alguma afetar o direito do adquirente. Da mesma maneira, o fato de os documentos serem considerados inidôneos a posteriori não pode afetar o creditamento ou qualquer outro direito do contribuinte. Uma vez ocorrida a circulação da mercadoria, concretiza-se a hipótese de incidência e nasce o direito ao crédito do adquirente, que nenhuma relação ilícita tenha mantido com o fornecedor. Pode-se concluir que as operações mercantis da Requerente na compra de café, segundo as regras do direito comercial e civil, foram legalmente celebradas. O café foi entregue, processado e exportado, de forma que o crédito é legítimo. Ausência de Fundamentação para a Descaracterização e Vícios de Procedimentos. A fiscalização não trouxe aos autos sequer os elementos necessários para respaldar suas graves acusações, visto que a não indicação dos produtores rurais corresponde à falha insanável que macula o procedimento fiscal de vício de nulidade absoluta, na medida em que prejudica a contribuinte em seu regular e legítimo direito de defesa. Mesmo que se admitisse a aplicação do parágrafo único, do art. 116 do CTN, a desconsideração do atos e negócios realizados com as pessoas jurídicas indicadas no Termo de Verificação Fiscal deveria, ser precedido de procedimento próprio e exclusivo para este fim. 2 - FORNECEDOR COM ERRO NA NOTA - INEXISTÊNCIA DE SUSPENSÃO No que diz respeito à suspensão indicada em parte das operações, fato é que se tratava de erro a ser apurado nos fornecedores, e não oponível ao direito de crédito da Requerente. Fl. 1415DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 7 E inaplicável a suspensão ao café por força de lei corroborada por sua regulamentação, tendo inclusive a Requerente fornecido a declaração pertinente, necessária à época, nos termos do artigo 4º, da IN/SRF 660/2006. Nas notas fiscais em que consta como causa da suspensão o disposto no artigo 9º da Lei 10.925/2004, temos que as operações a que se referem não podem ser efetuadas com suspensão por força do inciso II, do parágrafo 1°, do artigo 9º, da Lei 10.925/2004. Diferentemente do que se possa imaginar, o café cru em grão, ou o café verde, que são largamente adquiridos pela Recorrente e objeto destas indigitadas notas fiscais, não é o mesmo que café in natura. O café cru em grão, ou o verde, certamente foram submetidos à atividade agroindustrial, por passar por padronização, beneficiamento, mistura etc. Ele não é o café moído ou torrado, mas está longe de ser um café in natura, que a Recorrente não adquiriu, e que jamais teria a suspensão informada por alguns fornecedores. Basta confirmar nas notas fiscais que indicam erroneamente a suspensão que se trata de café cru em grão ou café verde. Se contém esta especificação necessariamente a operação é tributada. Se preciso, que baixa em diligencia para conferir cada uma dessas notas à luz do que ora se aduz. No mesmo sentido, as notas ficais de fornecedores que incluíram por conta e risco a informação sistêmica de CST da operação discrepante da realidade das operações. 3 - CONCLUSÃO E PEDIDOS Diante do acima exposto, requer: - que a parte incontroversa de créditos presumidos sejam imediatamente ressarcidos no que tange às compras de fornecedores considerados inidôneos, conforme Termo de Verificação Fiscal, e planilha dela decorrente (doc. 02). - a reforma do Despacho Decisório, para o fim de cancelar as glosas efetuadas quanto aos créditos de PIS e COFINS apurados na compra perante fornecedores presumidos como inidôneos, bem como perante compras de fornecedores que equivocadamente indicaram suspensão da tributação em operações legalmente tributadas. - No mais, é aplicável a atualização dos créditos pela Selic. - homologação das respectivas compensações, quando for o caso. Caso essa D. Delegacia de Julgamento entenda necessário, que se baixe o processo em diligência para as devidas regularizações, de forma a se aproveitar o procedimento em questão, trazendo maior eficiência, economia, razoabilidade nos atos da administração pública, inclusive para confirmar a natureza de café cru em grão e café verde nas notas equivocadamente mencionando uma inexistente suspensão da tributação para fornecedores específicos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), por meio do Acórdão nº 03-081.884, de 27 de setembro de 2018, decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para manter a decisão da autoridade Fl. 1416DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 8 administrativa que deferiu em parte o pedido de ressarcimento do crédito solicitado, conforme entendimento resumido na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2010 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. ARGÜIÇÃO REJEITADA. Não há que se falar em cerceamento da defesa quando a decisão da autoridade administrativa se sustenta em processo instruído com todas as peças indispensáveis e não se vislumbra nos autos que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender. PIS E COFINS NÃO-CUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITO. EXIGÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda. No caso, parte dos créditos reclamados não tiveram sua liquidez e certeza assegurados, uma vez que sua obtenção, bem como a de outros períodos, está cingida por fraudes comprovadas, somadas a aproveitamentos de créditos incompatíveis com a legislação vigente. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ENTENDIMENTO DA RFB EXPRESSO EM ATOS NORMATIVOS. Cabe ao Poder Judiciário se manifestar sobre a ilegalidade das normas, por força do princípio da unidade jurisdicional. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, o julgador deve observar o entendimento da RFB expresso em atos normativos. DECISÕES DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. EFEITOS. As Decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF são normas complementares das leis quando a lei atribui eficácia normativa e as decisões judiciais, no caso, só tem efeito inter partes e não erga omnes. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo demonstrar, por meio de provas hábeis, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DO CRÉDITO. A compensação de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o pretenso crédito da empresa é insuficiente para homologar integralmente a compensação declarada. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Fl. 1417DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 9 A autoridade julgadora de primeira instância determinará a realização de diligência e/ou perícia, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente Olam Agrícola Ltda. (atual denominação de Outspan Brasil Importação e Exportação Ltda.) interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos expostos na manifestação de inconformidade, e pleiteando, em breve síntese, o seguinte: 131. Diante do acima exposto, requer, a conversão do feito em diligência para que a unidade de origem aprofunde os trabalhos de análise da situação específica de cada fornecedor da Recorrente (inidôneo/inativo/inexistente de fato ou ativas/existente/regulares etc...), bem como a data em que declarada a correspondente situação e, dentre aquelas inidôneas, em quais há menção de suposta participação ou conhecimento por parte da Recorrente (Colúmbia, WR da Silva, Agrosanto, Celba e Trarbach). 132. Tal medida se faz necessária, pois se entende que haverá de ser reconhecido, no mínimo, o direito ao crédito referente às aquisições relativas aos fornecedores (pessoas jurídicas) ativos, existentes e regulares, bem como aqueles cuja inidoneidade não tenha sido demonstrada nos autos pela fiscalização ou tenha sido declarada em data posterior às aquisições, desde que inexista qualquer menção de suposta participação ou conhecimento por parte da Recorrente. 133. Além disso, requer-se seja reconhecido o direito de crédito nas operações de aquisição de café junto a fornecedores Cooperativas e, por fim, na hipótese do acolhimento de qualquer dos pedidos acima, a atualização do crédito pela Taxa Selic. É o relatório. VOTO Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e cumpre os requisitos formais de admissibilidade, devendo, por conseguinte, ser conhecido. 1 DA SÍNTESE DAS MATÉRIAS CONTROVERTIDAS E DAS ALEGAÇÕES DA RECORRENTE Em seu Recurso Voluntário, a recorrente assim sintetiza a matéria controvertida nos presentes autos e as suas razões para reforma do v. acórdão recorrido: Fl. 1418DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 10 2. Trata-se na espécie de pedido de ressarcimento de crédito de PIS e COFINS, no sistema não-cumulativo, referente ao ano-calendário de 2010, decorrentes de operações de exportação de café adquiridos i) de fornecedores pessoas jurídicas que foram (apenas algumas delas) declaradas inidôneas posteriormente às aquisições; e ii)fornecedores cooperativas que estão sujeitos à incidência integral do PIS e da Cofins, mas aplicaram indevidas reduções da base de cálculo e declararam determinadas operações como suspensas. 3. A discussão, portanto, circunscreve-se às seguintes matérias: i) aproveitamento dos créditos de PIS/COFINS (não-cumulatividade) por parte da Recorrente, na condição de adquirente de produtos fornecidos por PESSOAS JURÍDICAS, em face da comprovação do pagamento e recebimento das mercadorias, nos termos do artigo 82, parágrafo único da Lei nº 9.460/96; ii) aproveitamento dos créditos de PIS/COFINS (não-cumulatividade) na condição de adquirente de produtos fornecidos por COOPERATIVAS, em virtude da legislação de regência que submete a comercialização dessas mercadorias (café) ao recolhimento das mencionadas contribuições, mesmo que as cooperativas declarem as operações como sujeitas a suspensão ou abatimento da base de cálculo; iii) atualização dos créditos pela aplicação da taxa SELIC, por se tratar de pedido de ressarcimento e não de créditos escriturais. 4. Inicialmente, deve-se ressaltar que não obstante o amplo trabalho da fiscalização no levantamento de apuração da existência de fraudes do mercado do café, as conclusões das autoridades fiscais não podem ser aplicadas de forma indistinta, sem a devida verificação da situação de cada fornecedor da Recorrente, para determinar-se a validade ou não dos créditos pleiteados. 5. Em outras palavras, embora tenham sido verificadas situações que possam ensejar a glosa de créditos decorrentes de operações realizadas com determinados fornecedores que sejam comprovadamente envolvidos na aludida fraude apurada pela fiscalização, não procede a glosa integral dos créditos pleiteados pela Recorrente, como realizado pelas autoridades julgadoras da origem. 6. Especialmente no presente caso onde em um universo de centenas de fornecedores pessoas jurídicas da Recorrente: nem todas tiveram sua inidoneidade declarada; e a declaração de inidoneidade se deu posteriormente às operações que geraram os créditos; apenas 5 (cinco) fornecedores (Colúmbia, WR da Silva, Agrosanto, Celba e Trarbach) são indicados pela fiscalização como tendo feito referência ao nome da Recorrente. 7. A existência de centenas de fornecedores da Recorrente e a ausência de análise da situação de cada um deles sob alegada impossibilidade se encontra escancarada no item 7 do Termo de Verificação Fiscal do P.A. Fl. 1419DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 11 15983.720092/2014-11 que serviu de fundamento para as glosas perpetradas na espécie, como se verifica pelo seguinte trecho, verbis (fls. 20.849): “O número de fornecedores da fiscalizada chega a casa de centenas, é impossível verificar um a um cada um deles, sobretudo tendo em vista os prazos decadenciais para Secretaria da Receita Federal do Brasil se pronunciar a respeito dos créditos pleiteados via restituição.” 8. Assim, houve a glosa dos créditos relativos a todos os fornecedores i) em nítida presunção de inidoneidade de número relevante de fornecedores; e ii) em nítida presunção de efetiva participação da Recorrente na fraude com relação a outras centenas de fornecedores. 9. Além disso, as verificações efetuadas pelas autoridades fiscais com relação a fornecedores situados no Estado do Espírito Santo foram também estendidas indistintamente a outros fornecedores situados nos Estados de Minas Gerais e Paraná. 10. Mais ainda, nota-se que o Termo de Verificação Fiscal do P.A. 15983.720092/2014-11 (usado como fundamento do v. acórdão recorrido), se refere a apurações de aquisições ocorridas em 2009 e não em 2010, o que já demonstra um vício na análise dos fatos específicos do ano calendário em questão. 11. Além do apontado TVF, existe outro VTF juntado aos autos que faz referência ao ano de 2010, mas onde se nota o seguinte (fls. 341 e seguintes): [...] 12. Como se nota na tabela acima, que lista os principais fornecedores da Recorrente no ano de 2010 (valores acima de R$ 1.000.000,00), diversas empresas, à época da elaboração do TVF (2014) se encontravam ATIVAS. Ou seja, mesmo após 4(cinco) anos das aquisições (ocorridas em 2010) grande parte das fornecedoras consideradas inidôneas pela fiscalização ainda estavam plenamente ativas perante a própria RFB no ano de 2014, muito após a deflagração das operações “Tempo de Colheita”, “Broca” e “Robusta”. 13. Isso apenas considerando as empresas que forneceram valores acima de R$ 1 Milhão para a Recorrente. 14. O que se verifica, em verdade, é que a fiscalização se utilizou em larga escala da presunção de inidoneidade, negando o direito ao crédito integral pleiteado pela Recorrente com relação a todos os seus fornecedores pessoas jurídicas, com base em trabalho fiscal e provas relativas a outras empresas e, ainda pior, outros períodos investigados pelas citadas operações. 15. A ampla utilização da presunção de inidoneidade é também expressamente reconhecida no mesmo Termo de Verificação Fiscal, como se observa pelos itens 7.1 e 7.2 do referido documento (fls. 638 e seguintes): [...] Fl. 1420DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 12 16. E prossegue o referido Termo de Verificação Fiscal com o método adotado pela fiscalização: [...] 17. Como restou bem claro nos trechos acima, nota-se que a fiscalização seguiu os seguintes passos: 1) Investigou e declarou a inidoneidade de uma determinada quantidade de empresas, mesmo que posteriormente às aquisições tratadas na espécie; 2) Durante as investigações, identificou que a relativamente a 5 (cinco) fornecedores (Colúmbia, WR da Silva, Agrosanto, Celba e Trarbach), haviam indícios e provas suficientes que levariam à conclusão da ciência de pelo menos um preposto da Recorrente, o que afastaria a sua boa-fé; 3) Estendeu a inidoneidade (mesmo a posteriori) a diversas outras empresas, por presunção, por concluir que estariam presentes os indícios de inexistência de fato; 4) Ao analisar os pedidos de ressarcimento da Recorrente, identificou que os grupos acima corresponderiam a mais de 50% dos fornecedores da Recorrente e simplesmente glosou a integralidade dos créditos, mesmo havendo reconhecido que houve o efetivo pagamento e recebimento das mercadorias. 18. Nota-se, portanto, que a fiscalização pressupõe que a Recorrente teria conhecimento de que todos os seus fornecedores eram inidôneos e, por isso, se municiava de documentos, para uma futura alegação de boa-fé. 19. Não considera, por outro lado, que ante a notória existência de empresa de fechada no mercado de café do Brasil inteiro, o que foi escancarado pelas citadas operações, mas que há muito já era noticiado, desde a época do extinto Finsocial, a exigência de documentação que comprovasse a situação regular das empresas e a realização de pagamentos em contas específicas destas, eram as únicas medidas possíveis de serem tomadas pela Recorrente para resguardar seu direito. 20. Isso porque, o parágrafo único do artigo 82 da Lei nº 9.430/96 prevê expressamente que, uma vez comprovado o efetivo pagamento pelas mercadorias e o correspondente recebimento destas no estabelecimento da adquirente, deve ser preservado o direito de crédito da adquirente ainda que seja declarada a inidoneidade. [...] 22. Importante ressaltar que não se desconhece os precedentes desse CARF nº sentido do afastamento da aplicação do citado dispositivo (Acórdão nº 3102- 002.343(Unicafé) e Acórdão nº 3302-003.388 (Realcafé). Todavia, mesmo a aplicação desse entendimento deve se restringir apenas aos fornecedores (pessoas jurídicas) em que tenha havido a efetiva comprovação de atuação com fraude na relação com a Recorrente e de conhecimento desta o que, considerando-se o universo de todos os seus fornecedores, se restringiriam, quando muito, a apenas 5 (cinco) empresas, quais sejam: Colúmbia, WR da Silva, Agrosanto, Celba e Trarbach, sendo que apenas uma delas (WR da Silva) figura dentre as listadas Fl. 1421DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 13 para as aquisições do ano-calendário 2010, objeto do presente processo de ressarcimento. 23. Isso porque, repita-se, a Recorrente transaciona com centenas, talvez milhares de fornecedores, dos mais diversos tipos, sejam pessoas jurídicas, pessoas físicas, cooperativas. Além disso, a Recorrente não adquire apenas café, mas também algodão, cacau, milho, temperos e cereais de uma forma geral. 24. Aliás, no tocante às 5 (cinco) empresas acima citadas, nota-se que a Recorrente parou de adquirir café junto as mesmas, à medida que foi tomando conhecimento da situação de irregularidade, conforme se verifica pela tabela abaixo de demonstra a quantidade de aquisições ao longo dos anos. 25. Como se verifica pela tabela acima, já no ano de 2011 nenhum produto foi adquirido das citadas empresas e em 2010 o valor adquirido (R$ 3.134.869,60) era menor de que 8% do valor das compras feitas em 2005 a 2007 (R$ 39.370.372,03). Aliás, o período de 2005 a 2007 foi exatamente o período do primeiro pedido de ressarcimento realizado pela Recorrente, relativo ao início de suas operações no Brasil e a intimação sobre o indeferimento do pleito em face das operações realizadas pela RFB se deu em 2012. 26. Ou seja, antes mesmo de tomar ciência formal da operação realizada pela RFB a Recorrente já tinha parado de comprar das citadas empresas, o que evidentemente comprova sua intenção de não prosseguir adquirindo produtos de empresas que tomou conhecimento sobre a situação de inidoneidade, antes de qualquer ação por parte das autoridades fiscais. 27. Nesse ponto cumpre ressaltar que o próprio TVF do P.A. 15983.720230/2014- 53 (no qual se fundamenta o Despacho Decisório e, portanto, também as glosas realizadas na espécie) trata em sua imensa maioria apenas de aquisições ocorridas até 2008, como se observa pelas seguintes tabelas elaboradas pela fiscalização: Fls. 20.417 Fl. 1422DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 14 Fls. 20.459 28. Como se verifica, a autoridade fiscal não buscou apurar a medida exata da participação da Recorrente, bastando-se em considerar todas as aquisições como viciadas, sem realizar a devida apuração das correspondentes situações específicas. 29. Mas além disso, nota-se que a Recorrente: demonstrou haver verificado que o SINTEGRA e o CNPJ de todos os fornecedores estavam ativos à época das operações (ou seja, eventual inidoneidade foi declarada em momento posterior e apenas para alguns fornecedores); Fl. 1423DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 15 fez o efetivo pagamento, a preço de mercado, e recebeu as mercadorias. 30. O direito de crédito na espécie, portanto, deve ser reconhecido inclusive pela aplicação obrigatória (pelo art. 62, § 2º do RI/Carf) do entendimento consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Repetitivo nos autos do RESP 1.148.444/MG que reconhece a manutenção do direito de crédito do adquirente quando a situação de inidoneidade é declarada em momento posterior à aquisição. 31. Assim, restando comprovado o efetivo pagamento e recebimento das mercadorias, mesmo nos casos de fornecedores declarados inidôneo, deve ser reconhecido o crédito em favor da Recorrente quando tal declaração de inidoneidade ocorreu em momento posterior às aquisições. 32. No presente caso, além de não reconhecer o crédito em tais situações (fornecedores declarados inidôneos posteriormente às aquisições) a autoridade fiscal ainda presumiu a inidoneidade de uma série de outros fornecedores, que inclusive se encontram ativos perante a Receita Federal do Brasil, o que confirma a extrema generalização realizada pelas autoridades fiscais. 33. Com as devidas homenagens, não há como se sustentar uma glosa baseada em presunção de inidoneidade, como realizada na espécie, nem tampouco exigir que a Recorrente prove inexistir a inidoneidade presumida pelas autoridades fiscais. 34. Isso porque uma vez comprovada a efetividade da transação (pagamento do preço e recebimento da mercadoria) e que o fornecedor não era inidôneo na época da aquisição, a Recorrente tem direito ao crédito como reconhecido pelo citado parágrafo único do artigo 82 da Lei nº 9.430/96, na linha do entendimento desse próprio CARF acima citado e também do Egrégio Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Repetitivo nos autos do RESP 1.148.444/MG de aplicação obrigatória nesse CARF em face do disposto no artigo 62, § 2º do RI/Carf) . [...] 37. Verifica-se, portanto, que não se trata de ausência de apresentação de provas, mas sim de uma questão de direito (aplicação do parágrafo único do artigo 82 da Lei nº 9.430/96 e do entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Repetitivo nos autos do RESP 1.148.444/MG, de aplicação obrigatória nesse CARF, conforme artigo 62, § 2º do RI/Carf). 38. O pedido de diligência se justifica exatamente para que sejam segregadas as aquisições realizadas junto as empresas Colúmbia, WR da Silva, Agrosanto, Celba e Trarbach para as quais teriam sido apresentadas provas sobre o conhecimento da situação de inidoneidade por parte da Recorrente e, portanto, afastaria a presunção de boa-fé prevista na citada legislação, bem como no precedente repetitivo do STJ. Fl. 1424DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 16 39. As razões que ensejaram a presente autuação demonstram que a Autoridade Fiscal simplesmente aproveitou um detalhado trabalho de fiscalização envolvendo operações realizadas entre 2005 e 2007 e apropriou-se de tais constatações para estender tais graves presunções às operações realizadas em 2010. 40. Isto é, a imensa maioria dos depoimentos, notas fiscais, documentos e planilhas apresentadas no Termo de Verificação Fiscal do P.A. 15983.720230/2014-53 (nº qual se fundamenta o Despacho Decisório e, portanto, também as glosas realizadas na espécie) não dizem respeito a operações ocorridas no ano de 2010. 41. Apenas nas últimas páginas do Termo de Verificação Fiscal é que foram tratadas de forma mais específica as operações realizadas no ano de 2010, sem ter sido fixada correlação objetiva entre tais fatos geradores e as provas e elementos colhidos em relação aos fatos geradores anteriores. 42. No tópico 3.3 do Termo de Verificação Fiscal (fl. 389), por exemplo, denominado “elementos referentes à fiscalizada – OUTSPAN”, mais uma vez se faz referência a fatos e documentos que tratam de fatos geradores ocorridos em períodos anteriores aos que foram indicados na presente autuação, confira-se: [...] 43. Como se vê, as provas que ampararam a presunção de “simulação” são, em verdade, documentos e demonstrativos de operações dos anos de 2005 a 2008, que em nada guardam relação com os fatos geradores deste auto. 44. Dessa forma, nota-se que as “robustas provas apresentadas” se tratam, em verdade, de gravíssima generalização acerca da presunção sobre o papel de cada uma das pessoas envolvidas nas operações referentes aos fatos, sendo certo que eventual constatação de “simulação” para fins de desconstituição das relações jurídicas apenas poderia estar amparada em documentos contemporâneos aos fatos geradores. 45. Cumpre ressaltar que a Colenda 3ª Seção desse CARF já reconheceu a plena nulidade de um Auto de Infração em situação praticamente idêntica à da espécie, em que as autoridades fiscais embasaram a cobrança de tributos relativos aos anos-calendário de 2010 e 2011 em elementos probatórios de anos anteriores na mesma situação de aquisição de café junto a empresas tidas por inidôneas. Veja- se: [...] 47. Muito embora se entenda que as conclusões acima se apliquem perfeitamente ao presente caso concreto, por óbvio pode essa Turma concluir de forma diversa, mas em todo o caso resta evidenciada a necessidade de análise do tema que como visto foi fundamental para o cancelamento da exigência em outra situação completamente similar à presente. Fl. 1425DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 17 48. Nessa toada, há a necessidade premente de que esse Colegiado se pronuncie de forma expressa e objetiva sobre as seguintes questões, resumidamente: 1) Os dispositivos em questão (artigo 82, parágrafo único, da Lei nº 9.430/96 e artigo 118 do Código Tributário Nacional) e o referido precedente vinculativo (RESP 1.148.444/MG) asseguram o direito ao crédito da Recorrente em todas as operações? 2) Caso negativo, eles asseguram o direito ao crédito ao menos nas operações em que não houve declaração de inidoneidade ou em que esta ocorreu posteriormente à aquisição? 3) Em que medida as alegações de que a Recorrente tinha conhecimento da fraude e que prepostos seus teriam participado do esquema, extraídas a partir de depoimentos relacionados a somente 5 (cinco) fornecedores pessoas jurídicas (mais precisamente: Colúmbia, WR da Silva, Agrosanto, Celba e Trarbach) podem afastar a sua boa-fé e o direito de crédito no tocante às demais operações realizadas com os outras centenas de fornecedores? 4) Se as “provas robustas colacionadas aos autos” se referem a períodos distintos dos tratados na espécie, mais precisamente a fatos geradores ocorridos entre 2005 e 2007 em sua imensa maioria, como podem tais documentos comprovar o alegado pela fiscalização relativamente a anos posteriores (2009)? 49. As questões acima se relacionam diretamente com a aplicação e extensão dos citados dispositivos e do referido precedente vinculativo e, portanto, também merecem atenção desse Colegiado. 50. Além disso, também deve ser reconhecido o direito ao crédito relativo às cooperativas que se sujeitam à incidência das referidas contribuições (PIS e Cofins) pela legislação de regência e aplicaram indevidamente reduções da base de cálculo ou declararam as operações como “suspensas”. 51. Neste ponto, esse Tribunal Administrativo vem reconhecendo a sua legitimidade em diversos precedentes (v.g. Acórdão nº 3102-002.343 – Unicafé - e Acórdão nº 3302-003.388 – Realcafé), inclusive da própria Recorrente. Veja-se: [...] 52. Em referidos precedentes reconheceu-se o direito ao creditamento mesmo nas hipóteses de a cooperativa anotar na NF a suspensão da incidência dos tributos na venda, ou de promover a exclusão dos valores repassados aos cooperados de suas bases de cálculo. Isso porque se tratam de situações que são sujeitas à tributação normal e, portanto, geradoras do crédito básico integral e não apenas o presumido, na linha dos precedentes acima citados. 53. Finalmente, uma vez reconhecido o direito ao crédito integral, deve ser aplicada a correção monetária pela SELIC, conforme já reconhecido por esse CARF. Utilizando-nos da divisão proposta pela própria recorrente, passamos a analisar de forma individualizada as três matérias controvertidas no Recurso Voluntário. Fl. 1426DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 18 1.1 DAS GLOSAS RELATIVAS ÀS AQUISIÇÕES DE EMPRESAS DECLARADAS INIDÔNEAS OU COM INDÍCIOS DE INIDONEIDADE Por se tratar de questão eminentemente fático-probatória, reproduzimos os fundamentos de fato e de direito expostos pelo v. acórdão recorrido para manter as glosas efetuadas pela fiscalização e afastar as alegações tecidas pela recorrente: De início, vamos seguir na esteira dos argumentos despendidos no Despacho Decisório e nas informações constantes do Termo de Verificação Fiscal, cujos fatos servirão de base para formação de convicção sobre o deslinde da questão de reconhecimento do direito creditório pleiteado pela contribuinte: Foi realizada Ação fiscal, visando apurar a procedência dos créditos requeridos de PIS e COFINS, relativos aos períodos de apuração de 07/2009 a 12/2009, cujo resultado encontra-se no Termo de Verificação Fiscal do presente processo e disponível no e-processo, bem como no processo 15983.720092/2014-11, vinculado ao presente processo. De acordo com as conclusões do Ilmo. Sr. Auditor Fiscal, responsável pela ação fiscal consubstanciadas no Termo de Verificação Fiscal do presente processo. No Termo de Verificação Fiscal, que passa a integrar a presente decisão e que se encontra disponível no e-processo, parte dos créditos reclamados não tiveram sua liquidez e certeza assegurados, uma vez que sua obtenção, bem como a de outros períodos, está cingida por fraudes comprovadas, somadas a aproveitamentos de créditos incompatíveis com a legislação vigente, conforme muito bem detalhado no referido relatório. Tendo em vista o conhecimento da situação descrita acima, a nova ação fiscal desenvolveu seu trabalho de forma a aproveitar as provas colhidas nas operações “TEMPO DE COLHEITA” e “BROCA” bem como na operação “ROBUSTA”. Tais operações, que contaram com a colaboração da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, investigaram diversos “atacadistas” de café na Região Sudeste, concluindo que muitas dessas empresas foram constituídas apenas com o fito de encobrir os verdadeiros fornecedores do café, pessoas físicas, e burlar a administração tributária, pela produção de créditos integrais das contribuições do Pis/Pasep e da Cofins, os quais, de outro modo, seriam créditos presumidos, consistentes em 35% do crédito cheio. As “empresas” envolvidas no esquema apresentam características de inexistentes de fato, já que, nãa condizem com os valores comercializados, não entregam as declarações exigidas pela RFB, tais como DIPJ, Dacon, ou DCTF, ou se apresentam como inativas ou entregam as declarações com valores de receita quase zerados ou mesmo zerados. Além disso, não recolhem os tributos ou, o fazem em montantes diminutos, totalmente em desconformidade com a magnitude do negócio realizado. Entre outros fatos e testemunhos, foi comprovado que, nas notas fiscais emitidas, o nome do verdadeiro produtor/vendedor era identificado, tratando-se de pessoa física. O “modus operandi” dos fraudadores consistia na emissão de notas fiscais, compradas por unidade pelos comerciantes cafeteiros, de modo a gerar créditos Fl. 1427DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 19 cheios de Pis/Pasep e Cofins, nos termos do art. 9º da Lei nº10.925/04. As emissoras foram chamadas de “noteiras”. Como fartamente comprovado nas operações desencadeadas, a contribuinte não só utilizou-se do esquema, como também tinha pleno conhecimento de seu funcionamento, participando e lucrando com a fraude, da qual resultou créditos indevidos, todos glosados. 1 – Da Ação Fiscal A presente ação fiscal foi aberta para verificar, entre outros procedimentos e períodos os de pedidos de ressarcimentos (PER/DCOMP) de supostos créditos de PIS/COFINS do contribuinte em epígrafe, referente ao período de 07/2009 a 12/2009. Os principais fornecedores de operações que deram origem aos créditos pleiteados são compras de café. Os valores foram extraídos dos arquivos digitais fornecidos pelo contribuinte durante o procedimento de fiscalização, e os dados cadastrais são os constantes do Cadastro da Receita Federal (CNPJ). Como se percebe, a quantidade de fornecedores é bastante extensa sendo que no total existem centenas de fornecedores a serem analisados. Chama a atenção na tabela acima, a existência de um grande número de empresas com sua situação cadastral INAPTA, NULA, SUSPENSA, BAIXADA que refletem a situação de um fornecedor incompatível com o volume de vendas assinalado. Observe-se que mais de 50% dos fornecedores encontram-se com problemas. Verificamos que muitas empresas estão em situação cadastral de INAPTAS e BAIXADAS, por motivo de INEXISTÊNCIA DE FATO, em conseqüência de diversas diligências e de trabalho realizado pela DRF Vitória/ES, na operação denominada “TEMPO DE COLHEITA”, cujo relatório foi anexado ao presente como “Documentos Comprobatórios – Outros – Resumo do Relatório Tempo de Colheita 1 e 2”. Dentre as empresas que teriam fornecido insumos para a OUTSPAN durante o ano- calendário de 2009, gerando créditos de PIS e Cofins, ainda que em outros períodos, estavam com a situação de INAPTAS, SUSPENSAS e BAIXADAS por INEXISTÊNCIA DE FATO. A situação cadastral das empresas é colocada pela Receita Federal após a verificação da idoneidade da empresa, o que é um procedimento demorado, consiste em diligências à “sede” da empresa, muitas vezes localizadas em cidades longínquas de difícil acesso, tomada de depoimentos, investigações, análise da origem dos valores do capital da empresa (se é que existem), enfim, é um trabalho complexo e lento, que vem sendo feito. Entretanto, o número de empresas é muito grande e eram geradas mais e mais empresas justamente para dificultar o rastreamento das mesmas. Além das empresas que tiveram sua situação de “INEXISTÊNCIA DE FATO” constatadas através de procedimentos de diligência, houve uma operação especial denominada “Tempo de Colheita”, na qual foram analisadas várias empresas supostamente de fornecedoras de café. Fl. 1428DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 20 A partir do conhecimento do trabalho realizado por Auditores Fiscais da DRF Vitória/ES, relativamente à operação “Tempo de Colheita”, efetuamos pesquisa de dados nos sistemas internos da Receita Federal e constatamos o mesmo modus operandi em outros Estados da Federação, produtores de Café, tais como Rondônia, Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro, onde existem empresas com o mesmo padrão das investigadas no Espírito Santo. Ou seja, com os seguintes indícios de inexistência de fato: Sócios sem patrimônio e capacidade financeira; Pessoa jurídica com elevada movimentação financeira; Falta de entrega da DIPJ ou entregue na condição de inativa ou zerada; Recolhimentos pífios de tributos administrados pela Receita Federal ou Inexistência de recolhimentos; Número ínfimo de funcionários; Falta de entrega de DACON e DCTF; Declaração de débitos muito pequenas. Como resultado desse trabalho, selecionamos outras empresas que, juntamente com as investigadas na operação “Tempo de colheita”, teriam fornecido a OUTSPAN milhões de reais de insumos (café), no período de 2005 a 2011. OBS: chamaremos estas pessoas jurídicas inexistentes de fato de “noteiras”. Cabe ressaltar, aliás, que não foi somente para a OUTSPAN que essas empresas teriam fornecido insumos. Com efeito, a movimentação financeira dessas “fornecedoras” somou, nos anos- calendário de 2005 a 2011, na ordem de bilhões de reais com recolhimentos pífios de tributos. 2 – Desenvolvimento dos Trabalhos A operação “Tempo de Colheita” resultou da constatação de existência de um grande número de “atacadistas” de café com movimentações financeiras altíssimas que praticamente não recolhiam tributos. Investigando algumas dessas empresas, foi verificado que as mesmas eram empresas de fachada que passaram a funcionar como fornecedora de notas fiscais para “guiar” o café produzido por pessoas físicas, que não geram crédito de PIS/COFINS. Conforme comprovado por depoimentos de muitas pessoas que trabalham no mercado de café (corretores, produtores, motoristas, maquinistas etc.) tal prática se institucionalizou no mercado. Segundo diversos relatos, as grandes empresas torrefadoras e exportadoras de café eram poucas e poderosas e impunham as condições do mercado, qual seja: Adquirir café somente de pessoa jurídica. Foram encontradas, ainda dentro da operação “Tempo de Colheita”, diversas provas demonstrando que o café era produzido por determinado produtor e era encaminhado para o grande adquirente. Só que o café era “guiado” pela “noteira”, o que significa que para uma venda do produtor para a exportadora, havia a Fl. 1429DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 21 emissão de uma nota para a “noteira” e em seguida uma emissão da “noteira” em favor do grande adquirente. Existem diversas provas documentais demonstrando que a fiscalizada, Outspan também executava e se beneficiava com a prática. Como desdobramento da operação “Tempo de Colheita” foi desenvolvida em conjunto com a Polícia Federal e Ministério Público, a “Operação Broca”. Dentre os resultados obtidos, verificou-se, claramente, que a fiscalizada tinha consciência da existência das empresas “de fachada” chamada de “laranjas”. Diversos diálogos extraídos do computador, Sr. Fabrício Tristão, demonstram tais assertivas. (Tópico 3.4). Posteriormente, foi aberta a operação “Robusta”, através da qual se investigou mais algumas empresas “noteiras” e foram obtidas provas de movimentação financeira das empresas “noteiras” para os produtores, comprovando a veracidade dos depoimentos prestados pelos produtores (Tópicos 4 e 5). Além disso, foi juntado ao presente diversas investigações referente a inúmeras outras “noteiras” fornecedoras da fiscalizada no período que se localizavam no estado de Minas Gerais. Tais elementos comprovam que o esquema fraudulento estava implantado por todo o Brasil (Tópico 6). No item 7 foram analisados todas as notas fiscais emitidas por fornecedores não cooperativas, indicando-se para cada qual a possibilidade de aproveitamento de qual tipo de crédito, levando-se em conta a existência de grande número de empresas inidôneas e demais constatações da fiscalização. Também analisamos as cooperativas que através de intimações informaram se suas operações se caracterizam como agroindustriais ou agropecuaristas, o que gera efeito sobre o direito ao crédito de PIS/COFINS referente as suas vendas. Tudo detalhado no item 8. Por fim, no item 9 foram elaborados os demonstrativos dos créditos aproveitáveis pelo contribuinte com o cotejamento com as DACON e PER/DCOMP. 3 – Da Operação “Tempo de Colheita” A operação denominada “TEMPO DE COLHEITA” foi deflagrada pela DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM VITÓRIA, em 22/10/2007. Segundo o relatório produzido nesse trabalho, os resultados das investigações comprovaram a existência de esquema de venda de nota fiscal para que as empresas compradoras pudessem se apropriar integralmente do crédito do PIS/COFINS de 9,25% sobre o valor indicado na nota fiscal. Inicialmente foram investigadas as empresas COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO, L & L, V. MUNALDI - ME e J. C. BINS – CAFEEIRA COLATINA, que apresentam os seguintes dados nos sistemas da Receita Federal do Brasil: Inativas ou zeradas na DIPJ, Dacon e DCTF, recolhimentos zerados e número médio de funcionários zero. Algumas dessas empresas apesar de terem “fornecido” milhões de reais em café, somente a Outspan, apresentam uma série de dados incompatíveis com tal movimento: Número ínfimo de funcionários; Recolhimentos pífios, Omissa nas Declarações etc. Observe-se, por oportuno, todas as empresas acima relacionadas “forneceram” café à Outspan em algum período. Fl. 1430DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 22 Na operação “Tempo de Colheita” foram efetuados depoimentos de produtores e/ou maquinistas que expuseram, em detalhes, como se dava o transporte do café até as grandes exportadoras, a troca no caminho da nota do produtor pela da pseudo-atacadista e o pagamento a esta pelo fornecimento da nota. Os corretores corroboraram as afirmações dos produtores e/ou maquinistas. Reconheceram que o café adquirido pelas empresas exportadoras e indústrias provém de vendas de produtores e/ou maquinistas. Do mesmo modo, reconheceram que os adquirentes são informados de como se dão as operações: café de pessoa física (produtor e/ou maquinista guiado em nome de uma pseudo- empresa atacadista e desta para a compradora). Fizeram revelações surpreendentes de vínculos diretos de algumas exportadoras/indústrias com o esquema. Ao final, a própria COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO e L & L descortinaram todo o esquema engendrado, e a conclusão do modus operandi é descrito a seguir. Segue, um resumo das declarações prestadas na operação “Tempo de Colheita”, que serviram de base para a demonstração da inexistência de fato das pessoas jurídicas “noteiras”, bem como o esquema fraudulento implementado com o objetivo de aumentar, indevidamente, crédito apurado sobre as aquisições de café por parte das grandes indústrias e exportadores. Com efeito, os Auditores Fiscais de Vitória/ES relatam que o primeiro indício da existência de um ardil deu-se no dia 30/11/2007, por ocasião da ciência do Termo de Início de Fiscalização ao representante da COLÚMBIA, Antônio Gava. Questionado pelo Auditor Fiscal quanto ao objeto da fiscalizada, Antônio Gava asseverou que “a COLUMBIA funciona como recebedora da nota fiscal do produtor e emissora da nota fiscal de saída”. Nas declarações prestadas por Altair Braz Alves, titular de fato da firma V. MUNALDI – ME, em 28/02/2008, revelou que a V. MUNALDI-ME “nunca foi atacadista de café” e que “sequer atuou no seguimento de compra e venda de café”, sendo “criada unicamente com o objetivo de fornecer notas fiscais para os verdadeiros compradores (destinatários finais) de café”. Suas declarações também descortinaram o modus operandi do esquema. Assim, restou exaustivamente comprovado ao longo deste termo que as pseudo pessoas jurídicas relatadas são “noteiras”, ou seja, foram constituídas com um único propósito: vender notas fiscais (“guiar” o café adquirido pelas indústrias e torrefadoras junto aos produtores rurais e cerealistas/maquinistas). Também foi demonstrado que o modus operandi destas “noteiras” não diverge: - constituição da “noteira” em nome de interpostas pessoas; - falta de capacidade patrimonial (ativos imobilizados) e gerencial (recursos humanos) para gerir e administrar uma empresa atacadista; - falta ou recolhimentos ínfimos de tributos federais; - Omissão na entrega das declarações (DIRPF, DIPJ, DCTF, DACON, DIRF etc.) ou entrega com valores “zerados” ou indevidos; - Falta de escrituração contábil e fiscal; Fl. 1431DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 23 - Contas bancárias movimentadas por procuração; - Contas bancárias de passagem (servem apenas para receber o depósito feito pelas indústrias e o repasse aos produtores rurais/maquinistas); - Conhecimento do mercado de café (corretores e indústrias/torrefadores) da condição de “noteiras” das citadas empresas – fornecedoras de nota fiscal; - Desconhecimento, por parte dos produtores rurais, das “noteiras” e seus sócios; - Surgimento e utilização das “noteiras” a mudança na legislação das contribuições PIS/COFINS não cumulativo. Como conseqüência dos graves elementos trazidos a luz por conta da operação “Tempo de Colheita”, foi realizada uma nova operação, desenvolvida agora em conjunto pela Secretaria da Receita Federal, do Ministério Público Federal e da Polícia Federal para continuar a apuração dos delitos verificados. Esse trabalho foi denominado “Operação Broca” e consistiu de aprofundamento das investigações iniciadas na operação “Tempo de Colheita”. Foram efetuadas diversas apreensões entre as quais uma que em que se apreendeu um “notebook” de propriedade da Outspan que estava em poder de seu Comprador Fabrício Tristão. A análise de tal elemento resultou no “RELATÓRIO DE ANALISE DE MÍDIA APREENDIDA” do qual extraímos diversos elementos que comprovam, a saciedade, que a Outspan estava profundamente envolvida no esquema das pessoas jurídicas de fachada. Tinha consciência que as empresas inexistiam de fato e que não recolhiam nenhum tributo. Esses fatos estão em perfeita sintonia com aqueles narrados, sejam pelos produtores/maquinistas, sejam pelos corretores, de que “o exportador e/ou indústria em hipótese alguma compra café sem saber a sua procedência, em outras palavras, quem efetivamente está atuando na outra ponta como vendedor (produtor rural ou maquinista); que é o próprio corretor ou o próprio maquinista quem passa a informação sobre a origem do café” (declarações do corretor Gerson Coser). Tais fatos descaracterizam de forma cabal qualquer alegação de boa-fé que venha a ser apresentada pela fiscalizada. 4 - MODUS OPERANDI DO ESQUEMA FRAUDULENTO – TROCA DE NOTAS FISCAIS E DEPÓSITO IDENTIFICADO NA CONTA BANCÁRIA DA “NOTEIRA” Também restou demonstrado o ardil utilizado na execução da fraude: troca de notas fiscais em locais próximos (postos de combustíveis, etc.) ou até mesmo dentro das indústrias e exportadoras. Já relatamos que para dar a aparência da boa fé, as indústrias e exportadoras, em toda operação de aquisição de café guiado com nota fiscal de pessoa jurídica “noteira”, procedia da seguinte forma: a) Verificava a situação cadastral da “noteira” perante a Receita Federal do Brasil, imprimindo a certidão negativa de débito expedida por este órgão; Fl. 1432DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 24 b) Imprimia a situação cadastral da empresa perante o ICMS – SINTEGRA; c) Efetuava o pagamento identificando a remetente dos recursos (indústrias/exportadoras) na conta bancária das “noteiras”. Os “cuidados” tomados pelas indústrias são justificados, já que sabiam, de antemão, que poderiam ter problemas futuros com estes “fornecedores”. Se muniram, desta forma, de todas as provas possíveis, para tentar ilidir, no futuro, provável ação dos entes de fiscalização contra o esquema criminoso utilizado. Já demonstramos, em diversos depoimentos (mormente dos corretores), que para a indústria, tanto faz se o café adquirido é guiado com nota fiscal da empresa “a”, “b” ou “c” (“noteiras”). O que a indústria necessita é do produto (café), independentemente de quem for o real vendedor (produtor rural/maquinista), e de nota fiscal de uma pseudo-atacadista, com o claro objetivo de auferir créditos de PIS e Cofins não cumulativos indevidos. Também demonstramos que é a indústria quem dá o aval para o corretor fechar o negócio com o produtor rural/maquinista, e este “ok” é dado apenas após a consulta da situação cadastral da empresa perante os órgãos de fiscalização (Receitas Estadual e Federal). Portanto, está mais do que claro que a indústria tem pleno conhecimento das aquisições efetuadas junto a estas pseudo-atacadistas. Ainda restou comprovado que após o recebimento dos recursos enviados pelas indústrias, as “noteiras” repassavam os recursos aos proprietários rurais/maquinistas, ou a quem estes indicavam (fornecedores, postos de combustíveis, revendas de veículos etc.). Inclusive, identificamos diversos recursos creditados nas contas bancárias dos produtores rurais, supridos pelas contas das empresas “noteiras”, o que corrobora as informações prestadas pelos produtores/maquinistas. Portanto, não resta dúvida que as indústrias e exportadoras utilizaram-se de falsas pessoas jurídicas (“noteiras”) com o objetivo de obter vantagem indevida. 5 - DA PARTICIPAÇÃO DA FISCALIZADA (OUTSPAN) NO PROCESSO Nos depoimentos colacionados anteriormente, diversos operadores do mercado, entre eles produtores e corretores, resta demonstrado que os clientes compradores do café, inclusive a fiscalizada Outspan, tinham plena consciência do esquema fraudulento em andamento. Além disso, no caso específico da fiscalizada existem inúmeros documentos denominados “confirmação de compra” nos quais são evidentes os conhecimentos plenos da empresa em relação à origem do café. No item 3.3 do presente termo (correspondente à transcrição dos itens 7.6.5 a 7.7 do Relatório da operação “Tempo de Colheita”) fica claro tais assertivas. Finalmente, com os diálogos transcritos no presente termo obtidos com a apreensão de equipamentos de computador da empresa, no âmbito da operação “Broca”, fica evidenciado a participação direta da fiscalizada no esquema armado. Além da consciência da origem do café houve PARTICIPAÇÃO DIRETA, sugerindo empresas “laranjas” para guiar o café dos produtores pessoas físicas – vide item “3.4.14 – Diálogo e entre Vivek e Fabrício Tristão”. Fl. 1433DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 25 Também ficou confirmado que a fraude estava generalizada por todos os estados e em todas as filiais da empresa, o que fica comprovado nos diversos diálogos reproduzidos nos itens 3.4 acima. Enfim, todos os elementos acima transcritos comprovam a saciedade que a fiscalizada nunca agiu de boa-fé, sempre soube que seus fornecedores pessoas jurídicas eram “laranjas” e até participava nas decisões logísticas referentes às trocas das notas fiscais. 6 - DA OPERAÇÃO “ROBUSTA” Tendo em vista os fatos constatados na operação “Tempo de Colheita” foi criado um novo grupo de trabalho, para uma nova operação de fiscalização, denominada “Operação Robusta” com o intuito de continuar e ampliar as investigações. Inicialmente, observamos que há um complicador nesse tipo de investigação, que é a figura do terceiro de boa fé. Ou seja, o adquirente de insumos acobertados por notas fiscais inidôneas, emitidas por empresas inexistentes de fato (pessoas jurídicas interpostas), sempre alega que não sabia que essas empresas não existiam de fato e que, portanto, estaria de “boa fé”. Isso porque a legislação tributária protege o terceiro de boa fé, ao definir, no art. 45, § 5º da Instrução Normativa nº 1.005/2010, o seguinte: Art. 48. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não poderão ser: I - deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); II - deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF); III - utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; e IV - utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela RFB. (...) § 5º O disposto no § 1º não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. (grifo nosso) Como se observa, da norma acima, em regra, as notas fiscais emitidas por pessoa jurídica, cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta, não produzem efeitos tributários em favor de terceiro interessado. Entretanto, quando o adquirente age de boa-fé o seu direito é preservado, mesmo que o fornecedor seja inidôneo. E a norma tributária está correta em proteger o adquirente de boa-fé. O problema é que os fraudadores de plantão se aproveitam desse dispositivo legal pra fraudar a administração tributária, já que cabe a esta provar os casos de má-fé. Entretanto, com relação à presente fiscalização, já foi amplamente comprovado que a OUTSPAN não teve boa-fé em suas aquisições. Fl. 1434DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 26 Os pagamentos foram comprovados, o que já era de se esperar, pois os contribuintes, cientes da condição de inexistência de fato das empresas, fazem o pagamento nas contas bancárias de titularidade destas, visando, no futuro, a alegação de terceiro de boa fé, com a intenção de ser beneficiada por uma decisão administrativa ou judicial. Portanto, mesmo com todos os indícios de que a OUTSPAN não adquiriu insumos das referidas empresas (inexistentes de fato), a Fazenda Pública corre o risco de ter que pagar os créditos indevidos porque cabe à administração tributária provar que o contribuinte agiu de má-fé (dolosamente). Ressalte-se que, nos Processos Administrativos em que foi suspenso o CNPJ de algumas empresas, os elementos encontrados são fortes, precisos e convergentes no sentido da inexistência de fato das referidas pessoas jurídicas. Contudo, foram rastreadas (por amostragem) algumas operações financeiras realizadas pelas “noteiras” demonstrando a interposição das pessoas jurídicas inexistentes de fato, bem como os titulares de fato das operações realizadas. Ou seja, para se comprovar, de forma cabal, essas fraudes, rastreou-se, ainda que por amostragem, os pagamentos efetuados pelas indústrias, de forma a possibilitar a identificação dos reais beneficiários das aquisições suspeitas. Destarte, antes da deflagração da operação Robusta, elaboramos Representação ao Delegado da Receita Federal do Brasil para que solicitasse ao Ministério Público Federal local que aquele órgão propusesse medida judicial visando o afastamento do sigilo bancário de diversas pessoas jurídicas inidôneas (inexistentes de fato) e a sua transferência para a Receita Federal do Brasil. Ao receber a representação propondo medida judicial visando o afastamento do sigilo bancário das pessoas jurídicas inidôneas, o Procurador da República requisitou a instauração de Inquérito Policial à Policia Federal local. Relacionamos abaixo as empresas selecionadas, além das já acompanhadas na operação “Tempo de Colheita” e que foram fornecedoras da Outspan em algum momento. Mais uma vez, verificam-se presentes diversos indícios materiais de inexistência de fato. Tirando o caso da Nova Brasília, todas as outras empresas acima apresentam os mesmos elementos indicadores de fraude: poucos funcionários, recolhimentos pífios, falta de entrega de declarações etc. Ao iniciarmos a análise dos extratos bancários das empresas sob investigação, verificamos uma situação peculiar: depósitos efetuados pelas indústrias e exportadoras de café, de forma identificada, para as empresas sob investigação (com fortes indícios de se tratarem de empresas inexistentes de fato) e saídas dos recursos das contas bancárias dessas empresas, logo em seguida, por meio de transferências (TED) e cheques, muitos desses emitidos ao próprio titular da conta bancária. Conforme previsto anteriormente, as contas bancárias movimentadas pelas “noteiras” servem apenas de “passagem” dos recursos transferidos dos compradores (exportadores/indústrias) para os vendedores de café (produtores rurais, maquinistas e cerealistas), mediante interposição fraudulenta, visando Fl. 1435DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 27 induzir a administração tributária em erro, bem como para futura alegação de “boa-fé” por parte dos compradores. Destarte, com o objetivo de demonstrar materialmente essa interposição fraudulenta, elaboramos novas requisições de movimentação financeira – RMF aos bancos, desta feita solicitando cópia de cheques e de comprovantes de transferências bancárias (TED). Esses comprovantes de transferências de recursos das contas bancárias das “noteiras” foram importantes pra identificar os verdadeiros vendedores de café para as indústrias (produtores rurais, maquinistas e cerealistas), conforme veremos adiante. 7 - OUTRAS EMPRESAS DE FACHADA QUE FIGURAM COMO FORNECEDORAS DA OUTSPAN. Provou-se nas investigações, de forma irrefutável, a existência de pessoas jurídicas utilizadas para o fim específico de venda de notas fiscais. Tais notas fiscais foram interpostas nas operações de aquisição de café entre o real comprador e o produtor rural/maquinista. Também ficou claro o objetivo do citado esquema: Geração de créditos da não-cumulatividade do PIS e da COFINS. Novas pseudo-empresas atacadistas de café foram detectadas no curso das investigações. Foram criadas para atender a demanda crescente por nota ou suceder aquelas abandonadas pelos seus “donos” ou indesejadas pelas empresas compradoras, pois já estavam muito tempo no “mercado”. Tudo para a conveniência do esquema e com o consentimento de seus participantes/operadores: compradoras (atacadistas, exportadoras e indústrias), proprietários das pseudo-empresas atacadistas, maquinistas e corretores. Nesse esquema, há ganhos para as empresas que se apropriam de créditos fictos e também para os proprietários das pseudo-empresas que vendem notas fiscais. A perda fica para o Erário Público. Dentre as pseudo-empresas atacadistas que participaram do esquema de venda de notas fiscais, destacamos algumas que, em algum momento, emitiram notas fiscais para interpor operações de compra de café entre a OUTSPAN e os produtores rurais e/ou maquinistas. Pode ser observado, novamente o padrão de comportamento visto nas outras “noteiras”, inexistência de pagamento de tributos, poucos funcionários, falta de entrega de declarações, enfim: o mesmo roteiro de comportamento verificado em outras empresas fraudulentas. [...] 9 - DAS NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESAS INIDÔNEAS Com base no arquivo digital e diversas conclusões registradas nos itens anteriores do presente termo, foram relacionadas todas as notas fiscais emitidas por empresas inidôneas e que não se prestam para comprovar pedidos de crédito de PIS/COFINS. [...] Fl. 1436DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 28 A contribuinte requer, em essência, a declaração de nulidade substancial da decisão administrativa que lhe concedeu parte do crédito solicitado, com fulcro no inciso II do art. 59 do Decreto 70.235/1972 (cerceamento do direito de defesa). Em que pese os bem fundados dizeres da contribuinte, sua pretensão não pode prosperar. Para verificação da legitimidade dos créditos alegados foi instaurado procedimento fiscal através do Termo de Início do Procedimento Fiscal e Intimação Fiscal, cientificando-se o contribuinte do feito. De outra forma, conforme itens precedentes, os documentos apresentados (notas fiscais) foram analisadas, constatando-se divergência entre os valores dos créditos solicitados e os autorizados pela legislação específica que dá direito ao crédito, elaborando planilhas demonstrando a apuração. Portanto, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa, visto que o contribuinte foi cientificado de todo processo de apuração do pretenso crédito solicitado e foi cientificado de todas as intimações, inclusive apresentou manifestação de inconformidade no prazo legal. Nota-se, ainda, que não se sustenta a intenção da manifestante em pretender tornar nulo o despacho decisório de homologação parcial da compensação por falta de fundamentação, tendo em vista que consta do relatório daquele despacho a razão e os fundamentos legais e normativos em que se baseou a decisão de homologação parcial. Assim, não há que se falar em cerceamento da defesa quando a decisão da autoridade fiscal sustenta-se em processo instruído com todas as peças indispensáveis e não se vislumbra nos autos que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender. Ademais, a referência a não indicação dos produtores rurais corresponderia à falha insanável que macula o procedimento fiscal de vício de nulidade absoluta simplesmente não procede, visto que ficou comprovada a inidoneidade das “noteiras”, reproduzo aqui o já relatado em itens anteriores: Nos depoimentos colacionados anteriormente, diversos operadores do mercado, entre eles produtores e corretores, resta demonstrado que os clientes compradores do café, inclusive a fiscalizada Outspan, tinham plena consciência do esquema fraudulento em andamento. Além disso, no caso específico da fiscalizada existem inúmeros documentos denominados “confirmação de compra” nos quais são evidentes os conhecimentos plenos da empresa em relação à origem do café. No item 3.3 do presente termo (correspondente à transcrição dos itens 7.6.5 a 7.7 do Relatório da operação “Tempo de Colheita”) fica claro tais assertivas. Finalmente, com os diálogos transcritos no presente termo obtidos com a apreensão de equipamentos de computador da empresa, no âmbito da operação “Broca”, fica evidenciado a participação direta da fiscalizada no esquema armado. Fl. 1437DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 29 Além da consciência da origem do café houve PARTICIPAÇÃO DIRETA, sugerindo empresas “laranjas” para guiar o café dos produtores pessoas físicas – vide item “3.4.14 – Diálogo e entre Vivek e Fabrício Tristão”. Também ficou confirmado que a fraude estava generalizada por todos os estados e em todas as filiais da empresa, o que fica comprovado nos diversos diálogos reproduzidos nos itens 3.4 acima. Enfim, todos os elementos acima transcritos comprovam a saciedade que a fiscalizada nunca agiu de boa-fé, sempre soube que seus fornecedores pessoas jurídicas eram “laranjas” e até participava nas decisões logísticas referentes às trocas das notas fiscais. Destarte, não se trata de aplicação do parágrafo único, do art. 116 do CTN,:desconsideração do atos e negócios realizados com as pessoas jurídicas indicadas no Termo de Verificação Fiscal, a qual deve ser precedida de procedimento próprio e exclusivo para este fim. ÔNUS DA PROVA Na espécie, o crédito reconhecido não foi suficiente para quitar todos os débitos declarados em Dcomp pela contribuinte. Há que se registrar que, nos termos do art. 156, II, do Código Tributário nacional (CTN), a compensação tributária é uma modalidade de extinção do crédito tributário, mediante a qual se promove o encontro de duas relações jurídicas: (i) a relação jurídica de indébito tributário, na qual o contribuinte tem o direito de exigir, e o Estado tem o dever de restituir determinada quantia ao contribuinte; e (ii) a relação jurídica tributária, na qual o Estado tem o direito de exigir, e o contribuinte o dever de recolher determinada quantia aos cofres públicos (crédito tributário). O art. 170 do CTN, por seu turno, dispõe que “a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda”. Portanto, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto direito de crédito, cujo ônus probatório recai sobre o contribuinte interessado. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972: [...] Faz prova a favor do sujeito passivo a escrituração mantida com observância das disposições legais, contudo deve estar embasada em documentos hábeis, segundo sua natureza. Veja-se o Decreto 7.574/2011, artigos 26 a 27, transcrito a seguir: Fl. 1438DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 30 [...] Assim, neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábil-fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a existência do crédito pleiteado. Ainda, neste caso, o ônus da prova recai sobre a contribuinte interessada, que deve trazer aos autos elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. A respeito do tema, dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 373: [...] Portanto, uma vez não comprovada nos autos a existência de crédito líquido e certo do contribuinte (no valor total do pleiteado) contra a Fazenda Pública passível de compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. Em seu Recurso Voluntário, a recorrente contesta a conclusão adotada, com base nos argumentos transcritos no tópico anterior, e, ainda, requer, a conversão do feito em diligência para que a unidade de origem aprofunde os trabalhos de análise da situação específica de cada fornecedor da Recorrente (inidôneo/inativo/inexistente de fato ou ativas/existente/regulares etc...), bem como a data em que declarada a correspondente situação e, dentre aquelas inidôneas, em quais há menção de suposta participação ou conhecimento por parte da Recorrente (Colúmbia, WR da Silva, Agrosanto, Celba e Trarbach). Justifica que tal medida se faz necessária, pois se entende que haverá de ser reconhecido, no mínimo, o direito ao crédito referente às aquisições relativas aos fornecedores (pessoas jurídicas) ativos, existentes e regulares, bem como aqueles cuja inidoneidade não tenha sido demonstrada nos autos pela fiscalização ou tenha sido declarada em data posterior às aquisições, desde que inexista qualquer menção de suposta participação ou conhecimento por parte da Recorrente. Com a devida vênia, entendo que não assiste razão à recorrente. Cumpre destacar, inicialmente, que o presente processo trata de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER), no qual a recorrente alega a existência de um direito creditório em face do fisco, pleiteando o seu ressarcimento. Em tais situações, quando há o indeferimento do direito creditório e o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, passam a valer as regras do processo administrativo fiscal previstas no Decreto nº 70.235/72, cabendo ao contribuinte o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que comprovem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Tal conclusão se extrai do previsto no § 11 do art. 74, da Lei nº 9.430/96, abaixo transcrito: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Fl. 1439DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 31 Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifamos) Do disposto nos artigos 15 e 16, do Decreto nº 70.235/72: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (...) (Grifamos) E do disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Grifamos) No presente caso, não se está avaliando a efetiva ocorrência ou não das infrações imputadas (as quais exigiriam, para sua comprovação, prova incontestável de sua ocorrência, com base no princípio do in dubio pro reo, insculpido em matéria tributária no artigo 112 do CTN), mas a higidez do direito creditório pleiteado, a qual demanda a efetiva comprovação da liquidez e certeza do crédito a ser ressarcido. Com base nos indícios apresentados, que envolvem tanto as empresas fornecedoras quanto a própria recorrente, não é possível admitir a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, uma vez que se demonstrou, com elevado grau de probabilidade, que as operações em relação às quais a recorrente pretende apropriar os créditos pleiteados não ocorreram, seja pela incapacidade operacional, técnica ou patrimonial das supostas fornecedoras para operar no mercado de café, seja diante da conduta da recorrente – comprovada nos autos – de não só ter Fl. 1440DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 32 consciência da origem do café e saber que os seus fornecedores pessoas jurídicas eram “laranjas”, como participar diretamente das operações, sugerindo empresas “laranjas” para guiar o café dos produtores pessoas físicas, participar nas decisões logísticas referentes às trocas das notas fiscais e estender tal modus operandi para todos os estados e em todas as filiais da empresa. É certo que tais indícios impedem o reconhecimento da recorrente como adquirente de boa-fé, mesmo diante da comprovação do pagamento do preço respectivo e do recebimento dos bens, vez que, em tais situações, ocorre a interposição fraudulenta e artificial de intermediários pessoas jurídicas, no mercado de compra de café, com o fim único e exclusivo de gerar créditos fictícios das contribuições ao PIS e da Cofins na sistemática da não-cumulatividade, ou seja, a aquisição do café realmente ocorre, assim como, o preço é efetivamente pago. Entretanto, conforme restou demonstrado nos autos, a aquisição ocorre diretamente dos produtores rurais, sendo que o pagamento apenas transita nas contas das supostas fornecedoras, as quais se limitam a reter percentual ínfimo para “remunerar” a sua atividade, direcionando o pagamento aos produtores rurais. No que se refere à principal alegação da recorrente no Recurso Voluntário – de que deveria ser realizada diligência para afastar as glosas sobre os créditos relativos às aquisições de empresas em que não se comprovou a participação ou conhecimento da recorrente na operação -, entendo que não merece deferimento, uma vez que, como já exposto, a comprovação do modus operandi somada à situação de incapacidade operacional, técnica ou patrimonial das supostas fornecedoras para operar no mercado de café, derrui a higidez e certeza do direito creditório pleiteado, não sendo exigida a comprovação da participação/conhecimento da recorrente acerca de cada nota emitida ou empresa contratada. Frise-se, neste sentido, que, conforme consta do item 9 do Termo de Verificação Fiscal, só foram objeto de glosa as notas fiscais emitidas por empresas com características que caracterizam inidoneidade, sendo reconhecido o crédito apropriado sobre aquisições de fornecedoras que não apresentaram indícios de irregularidades. Assim, não há que se falar na glosa de créditos com base em suposições, uma vez que a fiscalização glosou apenas os créditos apropriados sobre transações comerciais que se coadunam com o modus operandi fraudulento praticado na cadeia exportadora do agronegócio do café, com indícios convergentes de participação tanto da fornecedora quanto da adquirente. Por pertinente, cumpre destacar que, este e. CARF tem reiteradamente reconhecido a ilegitimidade dos créditos pretendidos pela recorrente, inclusive, em relação ao mesmo período do presente processo, como se verifica exemplificativamente dos seguintes julgados: DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo demonstrar, por meio de provas hábeis, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fl. 1441DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 33 FRAUDE NA VENDA DE CAFÉ EM GRÃO. COMPROVADA A SIMULAÇÃO DA OPERAÇÃO DE COMPRA. DESCONSIDERAÇÃO DONEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO. MANUTENÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO DISSIMULADO. POSSIBILIDADE. Uma vez comprovada, com provas robustas colacionadas aos autos, a existência da fraude nas operações de aquisição de café em grão mediante simulação de compra realizadas de pessoas jurídicas inexistentes de fato (“pseudoatacadistas” ou “noteiras”) e a dissimulação da real operação de compra do produtor rural, pessoa física, como fim exclusivo de se apropriar do valor integral do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, desconsidera-se operação de compra simulada e mantém-se a operação de compra dissimulada, por ser válida na substância e na forma. PIS E COFINS NÃO-CUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITO. EXIGÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda. No caso, parte dos créditos reclamados não tiveram sua liquidez e certeza assegurados, uma vez que sua obtenção, bem como a de outros períodos, está cingida por fraudes comprovadas, somadas a aproveitamentos de créditos incompatíveis com a legislação vigente. (Processo nº 10845.720176/2010-83; Acórdão nº 3302-012.434; Relator Conselheiro Raphael Madeira Abad; sessão de 24/11/2021) FRAUDE NA VENDA DE CAFÉ EM GRÃO. COMPROVADA A SIMULAÇÃO DA OPERAÇÃO DE COMPRA. DESCONSIDERAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO SIMULADO. MANUTENÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO DISSIMULADO. POSSIBILIDADE. Uma vez comprovada, com provas robustas colacionadas aos autos, a existência da fraude nas operações de aquisição de café em grão mediante simulação de compra realizadas de pessoas jurídicas inexistentes de fato (“pseudoatacadistas” ou “noteiras”) e a dissimulação da real operação de compra do produtor rural, pessoa física, com o fim exclusivo de se apropriar do valor integral do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, desconsidera-se operação de compra simulada e mantém-se a operação de compra dissimulada, por ser válida na substância e na forma. REGIME NÃO CUMULATIVO. REAL AQUISIÇÃO DE CAFÉ EM GRÃO DE PESSOA FÍSICA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOA JURÍDICA INIDÔNEA. COMPROVADA A SIMULAÇÃO DA OPERAÇÃO DE INTERMEDIAÇÃO. GLOSA DA PARCELA DO CRÉDITO NORMAL EXCEDENTE AO CRÉDITO PRESUMIDO. POSSIBILIDADE. Não é admissível a apropriação do valor integral do crédito normal da Contribuição para o PIS/Pasep, mas apenas da parcela do crédito presumido agropecuário, se comprovado nos autos que o negócio jurídico real de aquisição Fl. 1442DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 34 do café em grão foi celebrado entre o produtor rural, pessoa física, e a contribuinte e que as operações de compra entre as pessoas jurídicas inidôneas e a contribuinte, acobertadas por notas fiscais “compradas” no mercado negro do referido documento, foram simuladas com a finalidade exclusiva de gerar crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. (Processo nº 15987.000237/2009-58; Acórdão nº 3302-004.617; Relator Conselheiro Jose Fernandes Do Nascimento; sessão de 26/07/2017) CAFÉ. GLOSAS. CRÉDITOS BÁSICOS. OPERAÇÕES SIMULADAS. Demonstrada a existência da fraude nas operações de aquisição de café em grão mediante simulação de compra realizada de pessoas jurídicas inexistentes de fato, quando a operação real foi de compra do produtor rural, pessoa física, com o fim apropriação do valor integral do crédito da PIS e COFINS, deve ser mantida a glosa dos créditos ilegitimamente descontados pelo contribuinte. (Processo nº 10845.720177/2010-28; Acórdão nº 3301-003.200; Relatora Conselheira Semiramis De Oliveira Duro; sessão de 21/02/2017) Por fim, no que se refere aos créditos presumidos reconhecidos pela fiscalização, cumpre informar que inexistia à época dos pedidos formulados a possibilidade de compensação com débitos próprios ou ressarcimento em dinheiro, o que só surgiu com o disposto no artigo 7ª-A da Lei nº 12.599/12, incluído pelo artigo 23 da Lei nº. 12.995/14: Art. 7º-A. O saldo do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, apurado até 1º de janeiro de 2012 em relação à aquisição de café in natura poderá ser utilizado pela pessoa jurídica para: (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) I - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos; ou (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) II - pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos. (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) Conforme se verifica do dispositivo legal supratranscrito, o art. 7ºA se refere ao saldo apurado até 1º de janeiro de 2012. Em outras palavras, apenas o saldo credor que foi sendo acumulado na escrita até 1º de janeiro de 2012 é que pode ser aproveitado na compensação ou no ressarcimento em dinheiro e não o saldo credor existente em cada um dos trimestres calendário anteriores. Isso porque, a partir de 2012, em relação aos exportadores, o legislador vedou o aproveitamento de crédito “cheio” nas aquisições de café, uma vez que, ao mesmo tempo em que instituiu a suspensão da incidência das contribuições não cumulativas sobre o café (art. 4º da Lei Fl. 1443DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 35 nº 12.599/2012), instituiu também um novo crédito presumido específico para o setor (artigos 5º e 6º da Lei nº 12.599/2012). Em outros termos, em relação aos exportadores de café, a partir da Lei nº 12.599/2012, houve uma ruptura em relação ao regime jurídico anterior, pois o legislador substituiu o crédito “cheio” de PIS e COFINS por um crédito presumido específico para o setor, autorizando a tríplice forma de aproveitamento desse novo crédito presumido e estendendo a mesma possibilidade de aproveitamento ao saldo de crédito presumido da agroindústria que estava acumulado na escrita em 01/01/2012. Ou seja, o dia 01/01/2012 é um marco para o setor de exportação de café, pois foi o dia em que desapareceram o crédito cheio e o crédito presumido da agroindústria e nasceu o direito ao crédito presumido específico do setor. E como consequência dessa ruptura, o legislador permitiu que o saldo de crédito presumido da agroindústria existente em 01/01/2012 fosse utilizado da mesma forma que o novo crédito presumido que acabara de criar. Neste sentido, cito os seguintes julgados deste e. CARF: CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. MODALIDADES DE APROVEITAMENTO. EXPORTAÇÃO DE CAFÉ. Até o advento do art. 7ºA da Lei nº 12.599/2012 o crédito presumido da agroindústria só podia ser aproveitado pelos exportadores de café para a dedução das contribuições devidas. A autorização para o aproveitamento do crédito presumido para compensação ou ressarcimento, contida no art. 7ºA da Lei nº 12.599/2012 se aplica somente ao saldo credor apurado em 1º de janeiro de 2012 e não aos saldos corredores eventualmente existentes nos trimestres calendários anteriores. (Processo nº 15987.000267/2009-64; Acórdão nº 3302-013.727; Relatora Conselheira Denise Madalena Green; sessão de 27/09/2023) CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. MODALIDADES DE APROVEITAMENTO. EXPORTAÇÃO DE CAFÉ. Até o advento do art. 7ºA da Lei nº 12.599/2012 o crédito presumido da agroindústria só podia ser aproveitado pelos exportadores de café para a dedução das contribuições devidas. A autorização para o aproveitamento do crédito presumido para compensação ou ressarcimento, contida no art. 7ºA da Lei nº 12.599/2012 se aplica somente ao saldo credor apurado em 1º de janeiro de 2012 e não aos saldos credores eventualmente existentes nos trimestres calendários anteriores. (Processo nº 16366.000285/2010-50; Acórdão 3402-004.144; Relator Conselheiro Antônio Carlos Atulim; Sessão de 24/05/2017) CRÉDITO PRESUMIDO ART. 8º DA LEI 10.925/2004. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ACÚMULO EM RAZÃO DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. Fl. 1444DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 36 O crédito presumido de PIS para a agroindústria apurado conforme o que estabelece o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 só pode ser compensados com débitos próprios da contribuição. A Lei nº 12.995/2014, art. 7º-A, permitiu que fosse objeto de pedido de ressarcimento o saldo de crédito presumido apurado até 01/01/2012. O legislador escolheu um momento no tempo, como um incentivo fiscal, permitindo que o saldo de crédito presumido apurado e existente na escrita fiscal em 01/01/2012 pode ser objeto de pedido de ressarcimento ou para compensar com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Impossibilidade de ressarcir créditos apurados em outra data, na medida em que a lei escolheu uma data específica. (Processo nº 10930.721698/2014-67; Acórdão 3301-005.430; Relator Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior; Sessão de 25/10/2018) Por tais razões, voto por indeferir o pedido de diligência e negar provimento ao recurso neste tópico, no sentido de manter as glosas combatidas. 1.2 DO DIREITO AO CRÉDITO SOBRE AQUISIÇÕES DE FORNECEDORES COM ERRO NA NOTA FISCAL – USO INCORRETO DO CÓDIGO CST, EM ESPECIAL COOPERATIVAS Em seu Recurso Voluntário, a recorrente requer seja reconhecido o direito de crédito nas operações de aquisição de café junto a fornecedores Cooperativas. Para tanto, apresenta os seguintes argumentos de fato e de direito: [...] glosou-se créditos de PIS/COFINS para notas fiscais que a fiscalização pôde observar um Código da Situação Tributária equivocadamente utilizado pelo fornecedor. Ao invés de autuar o fornecedor por cumprimento incorreto da obrigação acessória, seguiu na linha indevida de glosa dos créditos. 117. Veja-se que as notas fiscais eletrônicas (doc. 08 DA Manifestação de Inconformidade), sem exceção, em suas vias impressas DANFE, contém a informação de que a operação é tributada pelo PIS/COFINS, e nem poderia ser de outra forma segundo a legislação em questão. Assim, se tem erro de CST inserido no sistema pela fornecedora, este erro não justifica a glosa do adquirente, e deve ser coibido no âmbito do fornecedor pelo erro em sua obrigação acessória, e não da forma como pretende a fiscalização. 118. A Danfe, inclusive, não contém na sua impressão, sequer, o CST aplicado pelo emitente, de forma que o destinatário do referido documento consegue ver claramente que a operação é tributada, mas não consegue visualizar o erro do CST indicado sistemicamente pelo fornecedor. 119. Diz-se que alguns fornecedores ao transmitir notas fiscais eletrônicas indicaram CST nº 07, 08, 09, 99, respectivamente de operações isentas, com suspensão etc., sendo que o correto, segundo a realidade demonstrada nas operações, seria de 01(tributada integral). Visto que foi um erro do fornecedor na medida em que ele mesmo confirma ser a operação tributada com a frase Fl. 1445DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 37 inequívoca: “operação com incidência do PIS e da COFINS”, ou algo do gênero, não tem cabimento praticar-se a glosa. 120. Em situação de erro de documento fiscal do fornecedor o órgão consultivo já teve oportunidade de dizer não ser cabível a “glosa”, sendo de rigor a correção perante o fornecedor: Titulo Processo de Consulta nº 41/09 órgão Superintendência Regional da Receita Federal - SRRF / 1a. RF Decisão: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF. Ementa. RETENÇÃO DE TRIBUTOS. BASE DE CÁLCULO. VALOR CONSTANTE DA NOTA FISCAL. INADMISSÍVEL REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO EM DECORRÊNCIA DE GLOSA. A retenção na fonte, do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o PIS/Pasep, de que trata o art. 1º da IN/SRF nº 480, de 2004, tem por base de cálculo o valor a ser pago, entendido este como o valor constante da nota fiscal ou fatura, não se admitindo sua redução em decorrência de "glosa". Havendo erro material no documento fiscal, caberá ao fornecedor efetuar as correções devidas, observada a legislação vigente, previamente ao pagamento. DISPOSITIVOS LEGAIS: IN SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004; art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 64, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 34 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003; arts. 115, 116,128 e 165 do Código Tributário Nacional - CTN. MIRZA MENDES REIS - Chefe da Divisão Data de decisão: 06/04/2009 Data de publicação: 18/06/2009 121. Importante dizer que parte considerável desta glosa decorre de fornecimento de Cooperativas, sendo que estas claramente cometeram erro, pois acusam na nota ser uma operação tributada, e esta questão de Cooperativas já foi pacificada pela COSIT, PGFN e conta com inúmeros precedentes do CARF, ou seja, DÃO direito a crédito, não importando erros de obrigação acessória e forma de apuração nº fornecedor cooperativa. 122. Portanto, tal como na questão dos fornecedores inidôneos, é preciso dar provimento ao presente Recurso Voluntário para conceder integralmente o crédito de PIS e de COFINS apurado de acordo com as aquisições efetuadas de fornecedores que equivocadamente incluíram por conta e risco a informação sistêmica de CST da operação discrepante da realidade das operações. 123. O direito pleiteado na espécie já restou reconhecido por esse CARF nº acórdão 3802-002.382 onde se analisa situação análoga a dos presentes autos, ou seja, o fornecedor aplica uma suspensão inexistente à operação de fornecimento, quando a operação, pela lei, seria tributável, vejamos como se decidiu: COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE PESSOA JURÍDICA OU DE COOPERATIVA QUE EXERÇA A ATIVIDADE DE PREPARAR O BLEND DO CAFÉ OU Fl. 1446DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 38 DE SEPARAR OS GRÃOS POR DENSIDADE, COM REDUÇÃO DOS TIPOS DE CLASSIFICAÇÃO. REALIDADE QUE NÃO SE SUBSUME ÀS HIPÓTESES DE APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO PREVISTAS NA LEI Nº 10.925/04. Ainda que o pleito abordasse hipótese de apuração do crédito presumido das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, não se subsume à possibilidade legal de pleitear aludido direito creditório a aquisição de insumos de pessoa jurídica ou de cooperativa que exerça a atividade cumulativa de “padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial” (inciso II do § 1º do artigo 9º da Lei nº 10.925/04). (...) Fls. 1070 Em resumo, e no tocante ao âmbito restrito ao presente processo (reitero, acaso estivéssemos diante de hipótese de crédito presumido do PIS e da COFINS), temse que o crédito presumido para dedução do PIS e da COFINS sobre a aquisição de insumos utilizados na industrialização do café (código NCM 09.01), quando proveniente de pessoa jurídica ou cooperativa, não se sujeita à suspensão da incidência do PIS e da COFINS se inerente à atividade de “padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial”. Porém, tal suspensão é obrigatória relativamente ao “cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01 [...]”. Consequentemente, a aquisição de insumos de pessoa jurídica ou de cooperativa que exerça a atividade cumulativa de “padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial” não se subsume à possibilidade legal de pleitear o crédito presumido do PIS e da COFINS de que trata a Lei nº 10.925/04; todavia, pode se beneficiar do direito ao crédito básico pela aquisição de insumos previsto nos artigos 3º, inciso II, das Lei nos 10.637/02 e 10.833/03. Não sem razão os §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925/04 (que se referem às pessoas jurídicas e cooperativas que exercem as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e elaborar o blend do café) foram posteriormente revogados pela Lei nº 12.599/12. E é justamente o direito ao crédito básico pela aquisição de insumos o objeto da contenda. (...) Fls. 1074 Como se vê, a fiscalização, embora, a meu ver, tenha conseguido demonstrar que todo o café adquirido pela recorrente é posteriormente submetido a novo processo industrial previamente à exportação, não logrou êxito em descaracterizar processo Fl. 1447DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 39 de industrialização realizado por seus fornecedores. Aliás, chega até a afirmar a existência prévia de industrialização quando, no item 4 do relatório em resposta à diligência solicitada pela DRJ Juiz de Fora (fls. 691), assevera o seguinte: 4. Ou seja, o café mesmo já previamente industrializado, sempre passa pelo processo de industrialização [...] (grifo nosso)Faço referência a essa questão – irrelevante para a lide – apenas para ressaltar que ainda que o problema estivesse relacionado ao crédito presumido para dedução do PIS e da COFINS (artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925/04), não está provado nos autos que as vendas realizadas pelos fornecedores da interessada deveriam estar sujetas à suspensão das referidas contribuições. Com efeito, nos autos não há nenhuma prova de que os fornecedores não se enquadrariam nas hipóteses de exceção à obrigatoriedade de suspensão do PIS e da Cofins na venda estabelecidas pelo inciso II do § 1º do artigo 9°, o qual se refere aos parágrafos 6º e 7º do artigo 8º, todos da Lei nº 10.925/04. Tais dispositivos, como já ressaltado, tratam da não aplicação da obrigatoriedade de suspensão do PIS e da COFINS em relação às vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas e cooperativas produtoras do blend do café (§ 6º do artigo 8º), bem como pelas pessoas jurídicas e cooperativas que separavam “por densidade os grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial”. Quando a essa última atividade – de “separar por densidade os grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial” –, a fiscalização também não descarta seu exercício pelos fornecedores da recorrente. Pelo contrário, no mesmo relatório em resposta à diligência solicitada pela DRJ Juiz de Fora, item “a” (“DA NATUREZA DAS OPERAÇÕES”) (fls. 690/691) leva a crer que a mercadoria adquirida passou previamente, ao menos, por fino processo de classificação do produto. Descaracterizada a obrigatoriedade de suspensão nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas e cooperativas (fornecedores) que tinham como atividade a produção do blend do café (§ 6º do artigo 8º) ou que separavam “por densidade os grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial”, resta afirmar que, nº regime do crédito presumido para dedução do PIS e da COFINS, aludida suspensão só seria obrigatória nas vendas de café, dentre outros produtos, por “cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01 [...]”. Contudo, a própria fiscalização, em resposta ao pedido de diligência da DRJ (item 10 do relatório – fls. 692), faz a subsunção do caso ao inciso III do artigo 9º da Lei n 10.925/04 – em sintonia com seu entendimento de que todo o produto adquirido pela interessada é insumo – e descarta literalmente a aplicação do caso ao inciso I do mesmo artigo, que diz respeito, exatamente, às empresas cerealistas mencionadas no inciso I do § 1º do art. 8º da mesma Lei nº 10.925/04. (...) Em conclusão, para encerrar a análise frente ao regime de que tratam os artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925/04, resta claro que as vendas realizadas pelos fornecedores do sujeito passivo, ainda que se encontrassem submetidas ao citado mecanismo de crédito presumido para dedução do PIS e da COFINS, não estavam sujeitas à suspensão das referidas contribuições. Fl. 1448DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 40 124. Para se exemplificar, a Recorrente anexou aos autos algumas notas fiscais em que o problema ocorreu, e que já estavam também anexadas nos autos pela fiscalização. Como se verifica das notas fiscais apresentadas pela fiscalização, todos os produtos a elas relacionadas tiveram a redução dos tipos determinados pela classificação oficial. Ou seja, houve tratamento do café. 125. Como o destaque da suspensão consiste em erro das fornecedoras ante a atividade agroindustrial evidenciado nas notas, há que de ser concedido o crédito integral, e eventualmente fiscalizar tais fornecedoras. 126. Diferentemente do que se possa imaginar, o café cru em grão, ou o café verde, que são largamente adquiridos pela Recorrente e objeto destas indigitadas notas fiscais, não é o mesmo que café in natura. O café cru em grão, ou o verde, certamente foram submetidos à atividade agroindustrial, por passar por padronização, beneficiamento, mistura etc. Ele não é o café moído ou torrado, mas está longe de ser um café in natura, que a Recorrente não adquiriu, e que jamais teria a suspensão informada por alguns fornecedores. 127. As agroindústrias que inicialmente adquire o grão in natura, esta sim, nº primeiro elo da cadeia comercial, recebe com suspensão de tributos, mas jamais ao repassar o café cru ou verde para o Exportador adquirente. 128. Ocorre que o v. acórdão recorrido incorre em um grande erro, pois o tema das cooperativas não se confunde com o tema das notas fiscais objeto de glosa por ter constado suspensão da tributação nas mesmas. Aqui a questão é apenas o fato de que tendo havido beneficiamento a operação era tributada e o fornecedor apôs, com erro, a informação de que haveria suspensão. Diferentemente do que prevaleceu na decisão recorrida, no paradigma é feito este esclarecimento. 129. Basta confirmar nas notas fiscais que indicam erroneamente a suspensão que se trata de café cru em grão ou café verde, certamente foram submetidos à atividade agroindustrial, por passar por padronização, beneficiamento, mistura, etc. Ele não é o café moído ou torrado, mas está longe de ser um café in natura, que a Recorrente não adquiriu e que jamais teria a suspensão informada por alguns fornecedores. 130. Portanto, tal como na questão dos fornecedores inidôneos, deve-se reconhecer o direito ao crédito integral das referidas contribuições (PIS e Cofins) É o que passamos a apreciar. Quanto à tributação da operação de aquisição, cumpre destacar que, com a publicação da MP nº 1.8586, de 1999 (atual MP nº 2.15835, de 2001) e do Ato Declaratório SRF no 88, de 1999, desde 01/11/1999, as sociedades cooperativas são sujeitos passivos das contribuições ao PIS e da COFINS da mesma forma que as demais pessoas jurídicas, e, a partir de 01/08/2004, também passaram a sujeitar-se ao regime da não cumulatividade das contribuições sociais. Fl. 1449DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 41 Ademais, compulsando a Lei nº 10.925/2004, verifica-se os casos em que a venda de mercadorias estava sujeita à suspensão das contribuições sociais, bem como, os casos em que a suspensão não se aplicava, conforme estabelecido em seu artigo 9º: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I - de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; II - de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e III - de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. § 1º O disposto neste artigo: I - aplica-se somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e II - não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei. § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicar-se-á nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal - SRF. (Grifamos) Quanto às pessoas jurídicas de que tratam os §§6º e 7º, do artigo 8º, da Lei nº 10.925/2004, assim estava disposto nos referidos dispositivos à época dos fatos: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) § 6º Para os efeitos do caput deste artigo, considera-se produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. Fl. 1450DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 42 § 7º O disposto no § 6º deste artigo aplica-se também às cooperativas que exerçam as atividades nele previstas. (Grifamos) Em breve síntese, o artigo 8º, §§6º e 7º, atribuía às empresas e cooperativas que realizam produção de café – entendida como o “exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial” – direito a crédito presumido sobre as suas aquisições de café cru junto a pessoa física ou cooperado pessoa física. Por sua vez, a venda de café pelas empresas e cooperativas que exerçam atividade de produção de café não estava sujeita à suspensão legal prevista no artigo 9º, da Lei nº 10.925/2004, por força do disposto no §1º, inciso II, do mesmo artigo, estando, por conseguinte, submetida à incidência das contribuições ordinárias ao PIS e da COFINS. Diante disto, sendo reconhecida a incidência das contribuições ao PIS e da COFINS sobre a venda de café pelas empresas e cooperativas que exerçam atividade de produção de café, deve ser reconhecido o direito ao crédito integral pelo adquirente, desde que atendidos os requisitos legais. Neste sentido, cumpre transcrever a ementa da Solução de Consulta COSIT nº 65, de 10 de março de 2014: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. Pessoa jurídica, submetida ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, não está impedida de apurar créditos relativos às aquisições de produtos junto a cooperativas, observados os limites e condições previstos na legislação. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.637/2002, art. 3º ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins EMENTA: REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. Pessoa jurídica, submetida ao regime de apuração não cumulativa da Cofins, não está impedida de apurar créditos relativos às aquisições de produtos junto a cooperativas, observados os limites e condições previstos na legislação. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.833/2003, art. 3º. Merece transcrição também o seguinte excerto dos fundamentos expostos na referida Solução de Consulta: Até o ano-calendário de 2011, enquanto vigiam para o café os artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004, os exportadores de café não podiam descontar créditos em relação às aquisições do produto com as suspensões previstas nos incisos I e III do art. 9º. Também não havia direito à apuração de créditos nas aquisições do produto com o fim específico de exportação, nos termos do art. 6º, § 4º, e 15, III, Fl. 1451DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 43 da Lei nº 10.833, de 2003, combinado com o art. 39, § 2º, da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Por outro lado, havia direito ao creditamento nas aquisições de café já submetido ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, tendo em vista que sobre a receita de venda do café submetido a esta operação não se aplicava a suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (art. 9º, § 1º, II, da Lei nº 10.925, de 2004).(Grifamos) Assim, restando demonstrada a subsunção do fato à norma insculpida § 1º, inciso II, do artigo 9º, da Lei nº 10.925/2004, no caso, a aquisição de café de empresa ou cooperativa que realiza a produção de café, situação em que não há previsão de suspensão legal e, por conseguinte, há a incidência das contribuições, deve ser reconhecido o direito ao correspondente crédito integral das contribuições ao PIS e da COFINS ao adquirente. No presente caso, o v. acórdão recorrido entendeu pela manutenção das glosas por se tratar de créditos incompatíveis com a legislação vigente, mencionando os seguintes excertos do Termo de Verificação Fiscal: 8 - DAS NOTAS FISCAIS COM SUSPENSÃO DO PIS/COFINS O contribuinte apresentou um arquivo digital contendo detalhes e informações das notas fiscais que deram suporte ao seus pedidos de compensação. As notas fiscais que mais geraram créditos de PIS/COFINS referem-se a compras de café, e, quando emitidas por pessoas jurídicas cerealistas dão direito ao crédito de PIS/COFINS integral se não houver a observação de suspensão do PIS/COFINS. Nesse último caso há direito a crédito presumido. Ocorre que, durante os trabalhos de fiscalização, foram encontradas notas fiscais com a observação de suspensão do PIS/COFINS arroladas nos cálculos dos créditos integrais das contribuições. [...] 10 -DA COMPARAÇÃO COM AS NOTAS FISCAIS ELETRÔNICAS A partir de setembro de 2009, grande parte das notas fiscais emitidas em papel foram substituídas por notas fiscais eletrônicas. Além disso, foi instituída a obrigação de inclusão do Código de Situação Tributária tanto para a COFINS como para a Contribuição para o PIS. Ocorre que, dependendo da operação de saída, o CST vai ser tal que não há direito a créditos de PIS/COFINS. Existem várias operações que, de acordo com o Código de Situação Tributária – CST PIS /COFINS, não geram direito a crédito. Em vermelho, itens “A”, “B” e “C” destacamos algumas dessas entradas de mercadoria que não darão direito a crédito. A legislação que trata dessa questão é o § 2° do art. 3° das Leis nº 10.637/02 x 10.833/03 e Alterações Posteriores: Fl. 1452DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 44 “§ 2° Não dará direito a crédito o valor: I - de mão-de-obra paga a pessoa física; e II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação dada pelo art. 37 da Lei nº 10.865/04 – Efeitos a partir de 01/08/2004, conforme art. 46, Inc. IV)” Por exemplo, as notas fiscais eletrônicas com CST 7 são isentas, logo não geram direito a crédito de PIS e COFINS. O mesmo podemos dizer das operações de CST 8 (“Sem Incidência de PIS e COFINS”) e CST 9 (“Suspensão do PIS e COFINS”). Assim, será proposta glosa de todos os créditos originários de notas fiscais eletrônicas com CST 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 99. Em seu Recurso Voluntário, a recorrente se limita a afirmar que houve erro por parte dos fornecedores na indicação dos CSTs e que tais operações de aquisição estavam sujeitas à tributação pelas contribuições ao PIS e da COFINS. Ocorre que, como vimos, não são todas as vendas de cooperativas que estão sujeitas à incidência das contribuições, devendo restar demonstrada a subsunção à norma insculpida no § 1º, inciso II, do artigo 9º, da Lei nº 10.925/2004, no caso, a aquisição de café de empresa ou cooperativa que realiza a produção de café, situação em que não há previsão de suspensão legal e, por conseguinte, há a incidência das contribuições, o que não restou demonstrado no presente caso. Ressalte-se, por oportuno, que, por se tratar de direito creditório, o ônus da prova é da recorrente que pleiteia o reconhecimento de um crédito em face da Fazenda Nacional, o qual deve ser dotado de liquidez e certeza para possibilitar o seu reconhecimento. Também foi este o entendimento adotado pela 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 3ª Seção deste e. CARF, ao proferir o v. acórdão nº 3302-012.434, cuja decisão foi replicada em processos relativos ao mesmo período que o ora em análise, ex vi: A Recorrente insurge-se contra a decisão no que diz respeito a erro nas notas fiscais, especialmente emitidas por cooperativas, que não teria o condão de gerar as glosas. Pelo que se pode interpretar da Manifestação de Inconformidade a fornecedora teria utilizado códigos de operações não tributadas quando na verdade teriam sido objeto de tributação. Requer que seja o processo convertido em diligência para a análise das notas. No Recurso Voluntário a Recorrente alega que houve erro na Situação Tributária CST. Partindo-se da premissa de que tratam-se de processos por meio do qual pleiteam-se créditos, a Recorrente definitivamente não deveria ter se limitado a requerer a conversão em diligência, mas sim demonstrar a liquidez e certeza do Fl. 1453DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 45 crédito alegado, e que o erro dependeria de provas, que não foram produzidas, razão pela qual voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. No Recurso Voluntário a Recorrente não refuta especificamente o fato de que não provou a existência dos créditos, limitando-se a atacar o sistema, apontando-lhe incongruências que não podem ser analisadas nesta instância, razão pela qual nego provimento a este capítulo. Cumpre destacar que, nos casos em que a recorrente obteve êxito perante este e. CARF (v.g., 3101-002.028 e 3301-003.200), analisou-se a possibilidade de aproveitamento dos créditos das contribuições ao PIS e da COFINS sobre aquisições de cooperativas incontroversamente agroindustriais, nos casos em que a cooperativa excluía das bases de cálculo das contribuições os valores repassados aos associados, o que já foi reconhecido pela própria Receita Federal na Solução de Consulta Cosit nº 65, de 10 de março de 2014. Portanto, trata-se de matéria distinta da ora em apreciação. Por tais razões, voto por negar provimento ao recurso neste tópico, para manter as glosas combatidas. 1.3 DA ATUALIZAÇÃO DOS CRÉDITOS RECONHECIDOS PELA TAXA SELIC Quanto à atualização monetária, pela Taxa Selic, do direito creditório reconhecido, merece provimento o pleito da recorrente, nos termos da Tese fixada pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.767.945/PR, em sede de Recurso Repetitivo, abaixo transcrita: O termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco (art. 24 da Lei n. 11.457/2007). Destaque-se que, em 22 de setembro de 2022, foi aprovada a Portaria CARF/ME nº 8451/2022, que, considerando o julgamento do REsp nº 1.767.945/PR e a Nota Técnica SEI n° 42950/2022/ME, revogou a Súmula CARF nº 125, que estabelecia que “[n]o o ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003”. Neste sentido, cito os seguintes julgados deste e. CARF: COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA APLICAÇÃO DA SELIC. POSSIBILIDADE. Conforme decidido no julgamento do REsp 1.767.945/PR, realizado sob o rito dos recursos repetitivos, é devida a correção monetária no ressarcimento de crédito escritural da não cumulatividade acumulado ao final do trimestre, após escoado o prazo de 360 dias para a análise do correspondente pedido administrativo pelo Fisco. (Processo nº 10954.000050/2004-11; Acórdão nº 9303-014.843; Relator Conselheiro Alexandre Freitas Costa; sessão de 14/03/2024) Fl. 1454DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.968 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.722805/2011-91 46 PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. JUROS/ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC. POSSIBILIDADE. Conforme decidido no julgamento do REsp 1.767.945/PR, realizado sob o rito dos recursos repetitivos, é devida a correção monetária no ressarcimento de crédito escritural da não cumulatividade acumulado ao final do trimestre, depois de decorridos 360 (trezentos e sessenta) do protocolo do respectivo pedido, em face da resistência ilegítima do Fisco, inclusive, para o ressarcimento de saldo credor trimestral do PIS e da Cofins sob o regime não cumulativo. (Processo nº 15987.000267/2009-64; Acórdão nº 3302-013.727; Relatora Conselheira Denise Madalena Green; sessão de 27/09/2023) Pelo exposto, deve ser dado provimento ao recurso neste tópico, para reconhecer o direito à correção monetária do crédito reconhecido, pela Taxa Selic, a partir do primeiro dia seguinte ao escoamento do prazo de 360 dias para análise do pedido administrativo pelo Fisco. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, para indeferir o pedido de diligência e dar-lhe parcial provimento, apenas a fim de reconhecer o direito à correção monetária do crédito reconhecido, pela Taxa Selic, a partir do primeiro dia seguinte ao escoamento do prazo de 360 dias para análise do pedido administrativo pelo Fisco. Assinado Digitalmente Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues Fl. 1455DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 DA SÍNTESE DAS MATÉRIAS CONTROVERTIDAS E DAS ALEGAÇÕES DA RECORRENTE 1.1 DAS GLOSAS RELATIVAS ÀS AQUISIÇÕES DE EMPRESAS declaradas inidôneas ou com indícios de inidoneidade 1.2 DO DIREITO AO CRÉDITO SOBRE AQUISIÇÕES DE FORNECEDORES COM ERRO NA NOTA FISCAL – USO INCORRETO DO CÓDIGO CST, EM ESPECIAL COOPERATIVAS 1.3 Da atualização dos créditos RECONHECIDOS pela taxa SELIC
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