Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,521)
- Primeira Turma Ordinária (16,450)
- Primeira Turma Ordinária (16,356)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,557)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,953)
- Terceira Câmara (68,506)
- Segunda Câmara (57,351)
- Primeira Câmara (21,646)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,647)
- Segunda Seção de Julgamen (116,088)
- Primeira Seção de Julgame (77,943)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,140)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,432)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,201)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,769)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,673)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,299)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,523)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10880.911050/2006-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/12/1993 a 07/01/1994
COFINS - DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA - O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008 declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua
Numero da decisão: 3301-002.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por UNANIMIDADE de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos do voto da relatora.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Fábia Regina Freitas - Relatora.
EDITADO EM: 02/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antonio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martinez Lopez, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora).
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/12/1993 a 07/01/1994 COFINS - DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA - O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008 declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10880.911050/2006-11
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5452430
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3301-002.067
nome_arquivo_s : Decisao_10880911050200611.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : FABIA REGINA FREITAS
nome_arquivo_pdf_s : 10880911050200611_5452430.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por UNANIMIDADE de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos do voto da relatora. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Fábia Regina Freitas - Relatora. EDITADO EM: 02/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antonio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martinez Lopez, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora).
dt_sessao_tdt : Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5887471
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705409814528
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2011; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.911050/200611 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.067 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2013 Matéria COFINS Recorrente CENTRO OTICO COMERCIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/12/1993 a 07/01/1994 COFINS DECADÊNCIA NÃO CONFIGURADA O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008 declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por UNANIMIDADE de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos do voto da relatora. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fábia Regina Freitas Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 10 50 /2 00 6- 11 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 EDITADO EM: 02/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antonio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martinez Lopez, Bernardo Motta Moreira e Fábia Regina Freitas (Relatora). Relatório Cuida a presente discussão de, entre outros adendos vergastados, prazo prescricional e/ou decadencial que recairá ou não sobre o pedido de compensação de débitos próprios mediante apresentação de crédito advindo de COFINS. De acordo com a Manifestação de Inconformidade encontrada às fls. 15 a 30, endereçada à DRJ de São Paulo 1, interposta contra o despacho decisório (fl. 02) que não homologou a Declaração de Compensação da recorrente, cujo período relativo à apuração é datado de 31 de dezembro de 1993 e o débito de COFINS dataria de 07/01/1994 perfazendo o valor de R$ 2.225.225,75. Em sequência explica que a declaração de compensação foi efetivada em 12/09/2003 tendo o valor de R$ 65.726,57, isso porque, relata, à época vigorava a Lei 8.212/91 que permitia a constituição de crédito tributário “no prazo de 10 (dez) anos anteriores à data em que o crédito poderia ter sido efetivamente constituído”; sobre isso diz, ademais, que somente com o advento da Súmula Vinculante nº 08 do STF afastouse tal entendimento passando a vigorar o ensinamento de que o crédito teria um prazo de 5 (cinco) anos para ser constituído. Ainda nessa esteira diz que em decorrência do verbete retro, estaria o crédito decaído em janeiro de 2000. Relata inobservância ao art. 37 da CF porquanto terseia havido ilegalidade na formação do crédito tributário, vez que o mesmo deuse tão somente por ocasião de sua declaração de compensação entregue ao FISCO, não tendo havido, assim, a via administrativa precípua para formação do instrumento creditício. Por fim, alega não ter tido o pleito de retificação do PER/DCOMP atendido, o que contrariaria a IN SRF 600/2005 que entabula duas formas de entrega da referida declaração, a saber, mecânica e eletronicamente. Subsequentemente em acórdão da Receita lavrado em 28/01/2010 e juntado às fls. 69 – 75, julgouse improcedente a Manifestação de Inconformidade sob o fundamento de que o item 3 do Despacho Decisório que indeferiu o pleito do contribuinte, o fez pois o DARF que comprovaria o recolhimento a maior/indevido não foi localizado, ao que transcreveu: “analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF a seguir, discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal”. Quanto à decadência, informa haver confusão entre os institutos da decadência e compensação, pelo que o primeiro, ao darse o fato gerador em 24/06/03, com o pagamento a maior/indevido e por ter sido apresentada a PER/DCOMP em 12/09/13, não se efetuaria. Ainda no que pertine aos débitos informados em PER/DCOMP, não diz não haver decadência, pois foram informados em DCTF que seria “instrumento de confissão e Fl. 111DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10880.911050/200611 Acórdão n.º 3301002.067 S3C3T1 Fl. 3 3 cobrança de dívida”. Ainda nesse ínterim, informa que a prescrição não teria se operado em razão da apresentação de Manifestação de Inconformidade. Cumpre registrar que a Receita declara não haver no sistema “SINAL08” nenhum pagamento da empresa, e que não teria sido juntado, também, o DARF comprobatório. Quanto à alegação de que o crédito não poderia ter sido constituído por ocasião de sua declaração ao FISCO, diz o órgão fiscalizador que a DCOMP é sim instrumento hábil para cobrança nos termos da MP 135/03 convertida na Lei 10.833/03. E, ainda nesse diapasão, o Decreto 70.235/72 dá ao fisco diversas modalidades de intimação. Faz juntar às fls. 7677 a Certidão de Intimação nº 1697/10 e cópia do AR, respectivamente. Do referido acórdão interpôs o contribuinte o Recurso Voluntário (fls. 84) onde reitera, em suma, o pleito da Manifestação de Inconformidade, aduzindo que a petição onde solicitou a retificação do PER/DCOMP não fora suficientemente analisada por ocasião do julgamento da Manifestação de Inconformidade, sendo a mesma tratada como “estranha ponderação do interessado”. Além disso, diz que a PER/DCOMP teria se efetivado em 12/09/03 e a Lei 10.833/03 somente entraria em vigor em 30/10/03, suscitando, nesse item, a irretroatividade da Lei como princípio aplicável. É o relatório. Voto Conselheira FÁBIA REGINA FREITAS O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. Da Questão Preliminar Preliminarmente, alega a recorrente em seu recurso voluntário que “antes de se analisar qualquer matéria de maior complexidade, necessário esclarecer que a alegada estranha ponderação acerca da possibilidade de se instrumentalizar a PER/DCOMP com documento escrito, torna forçoso admitir que o julgamento da manifestação de inconformidade não se levou em consideração a petição apresentada pela recorrente em 10/01/2008”. No acórdão da DRJ, o trecho que consta a expressão “estranha ponderação”, encontrase acostado na fl. 74. O relator a quo, se expressou dessa forma por estranhar a alegação do contribuinte de que havia sido apresentado documento escrito para instrumentalizar PER/DCOMP, já que como pode ser verificado na fl. 7, consta o pedido transmitido eletronicamente e não há qualquer indicio nos autos que comprovariam a alegação de houve pedido transmitido manualmente. Com base nessa singela análise, rejeito a preliminar suscitada. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Do Mérito Como observado no relatório, a contribuinte se insurgiu em seu Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/SP1, sob o argumento de que houve a extinção do crédito tributário em observância ao disposto na Súmula Vinculante n° 08 do STF e da inobservância do preceituado no artigo 37 da Constituição Federal. Da análise dos autos, resta claro que o pretenso “pagamento a maior” havia ocorrido em 24/06/2003 e a PER/DCOMP transmitida em 12/09/2003 cujo pedido de compensação seria para o débito de COFINS ocorridos em 07/01/1994. De inicio, afirmo que foi acertado o entendimento da DRJ de declarar a não ocorrência da decadência dos créditos devidos, senão vejamos: O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, in verbis: “Art.103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por consequência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10880.911050/200611 Acórdão n.º 3301002.067 S3C3T1 Fl. 4 5 Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federais, estaduais e municipais, devem adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal”. Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. É importante lembrar que a discussão da decadência dos tributos lançados por homologação é uma questão complicada, que vinha dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há anos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no atual CARF, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a questão não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se Fl. 114DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 tornar definitivo a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Pacificando essa discussão, o Superior Tribunal de Justiça – STJ firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrasse regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observando o acórdão do REsp nº 973.733/SC, verificase que essa decisão foi submetida ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10880.911050/200611 Acórdão n.º 3301002.067 S3C3T1 Fl. 5 7 No mesmo sentido, temos que o Supremo Tribunal Federal, valendose da sistemática prevista no art. 543B, do CPC, pacificou, no RE 566.621, o entendimento de que inconstitucional a atribuição de feitos retroativos ao art. 3º da Lei Complementar nº 118/05, devendo sua aplicação plena se restringir às ações ajuizadas a partir de 09.06.05: DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/05. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) Destarte, devese aplicar ao presente caso o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Passado a análise jurisprudencial, podemos concluir o caso, fazendo as seguintes afirmações: 1 – Deve ficar claro ao contribuinte, que o lançamento tributário é ato documental de cobrança, por meio do qual se declara a obrigação tributária nascida do fato gerador. Tratase Fl. 116DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 então, de ato administrativo vinculado, uma vez que deve ser balizado pela lei, e não por oportunidade ou conveniência. 2 – As espécies de lançamento previstas no CTN limitamse as seguintes: a) Lançamento Direto ou de Ofício: que é aquele em que o fisco, dispondo de dados suficientes para efetuar a cobrança, realizao, dispensando o auxílio do contribuinte. Ex: IPTU. b) Lançamento Misto ou "Por Declaração": aquele representado pela ação conjugada entre o FISCO e o contribuinte, restando àquele o trabalho privativo de lançar. Ex: Imposto de Importação. c) Lançamento por Homologação: que é justamente o caso em análise, em que o contribuinte auxilia a Fazenda Pública na atividade do lançamento, cabendo ao fisco, no entanto, homologálo. Ex: ICMS, IR, PIS, IPI, COFINS, CSLL, entre tantos outros, correspondendo o maior volume da arrecadação. 3 – Ao analisar o caso, não restam dúvidas que o contribuinte transmitiu o PER/DCOMP em 12/09/2003, pedindo a compensação de débitos de COFINS referentes à 07/01/1994, ou seja, o contribuinte basicamente queria a aplicação do que hoje se entende por tese dos “5+5”. Entretanto, após a RF analisar o pedido, verificouse no sistema “SINAL08”, que não houve pagamento referente ao período correspondente a 07/01/1994 (destacase que o contribuinte NÃO COMPROVOU O PAGAMENTO). Com isso, o FISCO não homologou o pedido de compensação, fazendo a exigência do recolhimento referente ao período já informado. Por sua vez, o contribuinte alegou que o fisco não poderia utilizarse da mesma tese, arguindo que esse entendimento a favor do FISCO esbarraria na Súmula 08 do STF. 4 – No presente caso, não se pode simplesmente afirmar que não se aplicaria ao FISCO a tese dos 5+5. Tornase importante afirmar, que a utilização da jurisprudência do STF e do STJ acima mencionada, é aplicada para ambas as partes (FISCO e CONTRIBUINTE). Ao fazer isso, o julgador esta cumprindo fielmente o art. 37 da CF, que trata dos princípios norteadores da Administração Pública. Dessa forma, correto o entendimento prolatado pela DRJ a quo, que ratificou o Despacho Decisório no sentindo de não homologar o pedido de compensação e de efetuar o lançamento correspondente a 07/01/1994, pois entre o momento da transmissão de PER/DCOMP e o período a ser compensado, teria se passado apenas 9 anos. Dessa forma, constatase que não se configura a decadência do direito de constituição dos créditos lançados sobre o período de 07/01/1994. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 26 de setembro de 2013. FÁBIA REGINA FREITAS Relatora Fl. 117DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10880.911050/200611 Acórdão n.º 3301002.067 S3C3T1 Fl. 6 9 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10580.727421/2009-06
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
RECURSO PARCIAL
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
EDUCAÇÃO
Não integra o salário de contribuição o valor relativo à educação desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo.
Numero da decisão: 2403-001.974
Decisão: Recurso Voluntário provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão do levantamento DES e por maioria de votos , determinar a exclusão da multa. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari(relator) e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Designado para redigir o voto o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Marcelo Magalhães Peixoto
Relator designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201304
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 RECURSO PARCIAL Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. EDUCAÇÃO Não integra o salário de contribuição o valor relativo à educação desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10580.727421/2009-06
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5441087
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2403-001.974
nome_arquivo_s : Decisao_10580727421200906.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
nome_arquivo_pdf_s : 10580727421200906_5441087.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Recurso Voluntário provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão do levantamento DES e por maioria de votos , determinar a exclusão da multa. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari(relator) e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Designado para redigir o voto o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Marcelo Magalhães Peixoto Relator designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
id : 5859110
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705447563264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1725; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.727421/200906 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403001.974 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 16 de abril de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente COLÉGIO APOIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 RECURSO PARCIAL Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. EDUCAÇÃO Não integra o salário de contribuição o valor relativo à educação desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Recurso Voluntário provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão do levantamento DES e por maioria de votos , determinar a exclusão da multa. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari(relator) e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Designado para redigir o voto o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 74 21 /2 00 9- 06 Fl. 499DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Marcelo Magalhães Peixoto Relator designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.727421/200906 Acórdão n.º 2403001.974 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, Acórdão 1528.339 da 5ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Tratase de Auto de Infração (AI), Debcad nº 37.255.3770, lavrado em 17/11/2009, para constituição do crédito tributário correspondente às contribuições sociais do empregador, da empresa ou da entidade a ela equiparada na forma da lei, para financiamento da seguridade social, incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, relativas ao período de 01/01/2005 a 31/12/2005, com consolidação em 06/11/2009, no montante de R$ 31.328,65 (trinta e um mil trezentos e vinte e oito reais e sessenta e cinco centavos), ao que se somam multa e juros moratórios totalizando, à data de consolidação, R$ 71.530,62 (setenta e um mil, quinhentos e trinta reais e sessenta e dois centavos). O contribuinte foi cientificado pessoalmente do Auto de Infração (AI) sob julgamento em 17/11/2009 (fl. 2) e apresentou impugnação em 17/12/2009 (fl. 430). Os lançamentos incluem as contribuições a cargo da empresa: 1) de 20% sobre as remunerações dos segurados empregados; 2) de 1% sobre as remunerações dos segurados empregados, para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho; 3) de 20% sobre as remunerações dos segurados contribuintes individuais. O lançamento está estruturado nos levantamentos relacionados no Discriminativo do Débito (DD), às fls. 5 a 13, com descrição no Relatório Fiscal (fls. 71 a 92). O Relatório Fiscal registra que o lançamento foi baseado na análise de documentos apresentados pelo contribuinte, tais como folha de pagamento, acordos e convenções coletivas, notas fiscais de pagamento a contribuintes individuais, livro Fl. 501DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 diário, livro razão e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf). Informa que as bases de cálculo apuradas não foram declaradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP). Esclarece que o Auto de Infração sob julgamento encontra se estruturado nos códigos de levantamento seguintes: · FPN Folha pagamento de empregado não declarada em GFIP; · DES Desconto na mensalidade dos filhos dos empregados não declarado em GFIP; · CI Contribuintes individuais contidos na contabilidade e não declarados em folha de pagamento nem em GFIP; · APF Ajuda pagamento de faculdade concedido a um funcionário (Simone Antonio Maneira). Quanto a este último código de levantamento, relata que a empresa forneceu, no dia 30/09/2009, uma declaração onde afirma que a empregada Simone Antonio Maneira, apesar de estar presente na planilha de beneficiários da bolsa escola para filhos de empregados, na verdade é beneficiária de ajuda para pagamento de faculdade, isto é, a empresa pagalhe uma quantia mensal para custeio de seu curso de nível superior. Não foi apresentado acordo ou convenção coletiva de trabalho onde constasse a concessão desse tipo de “Ajuda de pagamento” a todos os funcionários. A empresa teria informado que não possuía tal norma, já que o benefício fora oferecido exclusivamente para a empregada aqui nominada. O sujeito passivo apresentou peça impugnatória, às fls. 430 a 444, alegando, em síntese: · Que o art. 458 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), ao excluir as bolsas de estudo do conceito de "salário" (in natura), não teria excluído a educação dos dependentes do empregado, abarcando tanto as bolsas de estudo conferidas ao próprio trabalhador diretamente, quanto aquelas concedidas aos seus dependentes; · que as cláusulas existentes nas convenções coletivas para a concessão de bolsas de estudo aos filhos de professores e de auxiliares da administração escolar constituemse em cláusulas de caráter eminentemente social, obrigatório, impositivo e coercitivo para o estabelecimento de ensino; Fl. 502DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.727421/200906 Acórdão n.º 2403001.974 S2C4T3 Fl. 4 5 · que a correta inteligência dos artigos 22, inciso I, 28 e 30, da Lei n° 8.212/91 é de que o fato gerador da contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salários e demais rendimentos e a contribuição do empregado ocorrem com a efetiva prestação do serviço, quando então surge para a organização ou empresa o dever de remunerar o trabalhador. As bolsas de estudo aos dependentes do trabalhador não se constituem contraprestação aos serviços prestados, enquadrando se no conceito de remuneração para o trabalho e não pelo trabalho. Requer o julgamento de total improcedência do Auto de Infração, em face dos fundamentos fáticos e jurídicos alegados. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · As bolsas de estudos foram fornecidas aos dependentes dos funcionários nos termos das Convenções Coletivas. · As bolsas de estudos não correspondem à contraprestação de serviço e portanto não se sujeitam à tributação. · Segundo o art. 458 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a educação concedida pelo empregador não é considerada salário, sem distinção entre empregado e dependente. É o relatório Fl. 503DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. O lançamento tem por base, segundo a fiscalização, valores presentes nas folhas de pagamento que deveriam ser tributados e não o foram, remunerações a contribuintes individuais, descontos nas mensalidades dos filhos dos empregados e pagamento de faculdade a uma funcionária. Foram utilizados os seguintes códigos para os levantamentos: · FPN Folha pagamento de empregado não declarada em GFIP; · DES Desconto na mensalidade dos filhos dos empregados não declarado em GFIP; · CI Contribuintes individuais contidos na contabilidade e não declarados em folha de pagamento nem em GFIP; · APF Ajuda pagamento de faculdade concedido a um funcionário (Simone Antonio Maneira). O recurso atémse à questão da educação fornecida aos empregados e dependentes, portanto, é um recurso parcial. Por definição legal (Decreto 70.235) não se estabelece o contencioso sobre matéria não expressamente contestada. Art. 17.Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. EDUCAÇÃO TRIBUTAÇÃO Conforme o Relatório Fiscal, o Levantamento DES destinase à apuração das contribuições patronais incidentes sobre a remuneração indireta concedidas na forma Fl. 504DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.727421/200906 Acórdão n.º 2403001.974 S2C4T3 Fl. 5 7 de bolsa de estudo a filhos de empregados. As referidas bolsas têm como característica o desconto na mensalidade escolar de filhos de empregados da empresa. A tese apresentada pela recorrente é que as bolsas de estudos não se sujeitam à tributação. Entendo que cabe razão à recorrente e que o levantamento DÊS deve ser excluído do lançamento. O acórdão recorrido fundamentou sua decisão na alínea “t” do §9º do artigo 28 da Lei 8.212/91, sustentando que a não incidência alcança apenas os gastos com educação dos empregados, não podendo estes ser estendidos a seus dependentes sem a devida tributação. A Lei nº 8.212, de 24/07/1991, discorrendo a respeito das parcelas não integrantes do saláriodecontribuição, dispõe, na alínea "t" do parágrafo 9º do art. 28, a respeito do tema. Vejase: Lei nº 8212/1991 (...) Art. 28. (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) t)o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). (Grifos do relator). Conforme determinação legal (Lei nº 8.212, de 1991, em seu art. 28, parágrafo 9º, alínea “t”), a não incidência alcança apenas os gastos com educação dos empregados, não podendo estes ser estendidos a seus dependentes sem a devida tributação. Não entendo que a alínea “t” exclui bolsas concedidas a dependentes. Além disso, mesmo ciente que o CTN estabelece como regra geral que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação (no caso, o ano 2005) e regese pela lei então vigente, observo que a Lei nº 12.513, de 2011, deu nova redação à alínea “t”, acima citada, incluindo expressamente na não incidência da tributação o valor Fl. 505DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes. t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos daLei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e:(Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) O outro levantamento associado à educação é o “AFP Ajuda Pagamento de Faculdade Concedido a Um Funcionário”. A tese apresentada pela recorrente é que a educação fornecida não deve ser tributada. Entendo que o benefício, por ser disponibilizado a apenas 1 funcionário não se enquadra na hipótese legal de não incidência. O Relatório Fiscal informa que o benefício de ajuda pagamento de faculdade foi concedido exclusivamente a Simone Antonio Moreira e que em resposta à intimação para apresentação de acordo ou convenção coletiva ou norma da própria empresa sobre o assunto, foi informado que a empresa não possuía norma para concessão desse benéfico aos demais trabalhadores. A fundamentação legal para o lançamento foi a alínea “t” do §9º do artigo 28 da Lei 8.212/91, destacando que deveria ser educação básica e que todos deveriam ter acesso. § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) t)o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998) Registro a concordância com a decisão de primeira instância. Neste ponto, cumpre salientar a especificidade do levantamento intitulado “APF Ajuda pagamento de faculdade concedido a um funcionário”. Conforme relatado, o benefício era concedido apenas para uma Fl. 506DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10580.727421/200906 Acórdão n.º 2403001.974 S2C4T3 Fl. 6 9 empregada, o que descaracteriza a exigência legal de extensão à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Ressaltase que o art. 111, II, do Código Tributário Nacional CTN (Lei n° 5.172/66), impõe que, em matéria de outorga de isenção tributária, a legislação deve ser interpretada de forma literal. Portanto, os pressupostos básicos para a não incidência de contribuição previdenciária da alínea "t" são necessariamente os seguintes: a) o plano educacional vise à educação básica ou o curso de capacitação e qualificação profissional se vincule às atividades desenvolvidas pela empresa; e b) todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao plano educacional básico ou ao curso de capacitação e qualificação vinculado às atividades desenvolvidas pela empresa. MULTA A multa aplicada continha em seu cálculo os valores relativos ao levantamento DES, que eu voto por excluir do lançamento. Por coerência, devo me posicionar também pelo recálculo da multa, agora sem o levantamento DÊS. CONCLUSÃO Voto pelo provimento parcial do recurso, determinando a exclusão do levantamento DES e o recálculo da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 507DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Voto Vencedor Não obstante os fundamentos expostos pelo Ilmo. Relator, discordo, data venia, dos fundamentos expostos apenas no que concerne à questão da multa aplicada. A atuação se refere ao anocalendário de 2005 e trata de diferenças de recolhimentos, pelos motivos expostos acima, tendo o lançamento sido efetuado em novembro de 2009. A fiscalização ao aplicar a multa, aplicou a multa de ofício no importe de 75% em razão da infringência da norma disposta no art. 32, IV e parágrafo 5º da Lei 8.212/91, conforme o item de aplicação da multa constante do Relatório Fiscal do Auto de Infração. Ocorre que a multa por descumprimento de obrigação acessória, após a Lei 11.941/2009, se dá em comparativo ao disposto no art. 32A, da Lei 8.212/91, que não foi o procedimento adotado pelo auditor autuante para justificativa da aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. Dessa forma, ante o erro na aplicação da multa incidente no presente caso, entendo que a multa deva ser cancelada. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 508DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10850.721446/2012-66
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. PROVA DOCUMENTAL
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-004.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração capitulada como omissão de rendimentos, no valor de R$ 8.570,30, e a infração capitulada como classificação indevida de rendimentos, no importe de R$ 77.174,88, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. PROVA DOCUMENTAL Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10850.721446/2012-66
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5454248
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2801-004.015
nome_arquivo_s : Decisao_10850721446201266.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
nome_arquivo_pdf_s : 10850721446201266_5454248.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração capitulada como omissão de rendimentos, no valor de R$ 8.570,30, e a infração capitulada como classificação indevida de rendimentos, no importe de R$ 77.174,88, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
id : 5891264
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705457000448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2105; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 89 1 88 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.721446/201266 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801004.015 – 1ª Turma Especial Sessão de 10 de março de 2015 Matéria IRPF Recorrente MARIA NEUZA PÁDUA DINIZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. PROVA DOCUMENTAL Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração capitulada como omissão de rendimentos, no valor de R$ 8.570,30, e a infração capitulada como classificação indevida de rendimentos, no importe de R$ 77.174,88, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 14 46 /2 01 2- 66 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10850.721446/201266 Acórdão n.º 2801004.015 S2TE01 Fl. 90 2 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi lavrada Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, do ano calendário de 2008, exercício de 2009, onde foi exigido imposto no valor de R$ 3.772,15, crescido de multa proporcional, no percentual de 75%, importando em R$ 2.829,11 e mais juros de mora calculados com base na taxa Selic. Na autuação, narra a Autoridade Fiscal, em resumo, que constatou três infrações, a partir da análise da DIRPF/2009 da contribuinte, dos documentos apresentados e de informações constantes nos sistemas da RFB: 1 omissão de rendimentos recebidos do INSS R$ 8.570,30. O comprovante de rendimentos está na folha 19; 2 classificação indevida de rendimentos, considerados como isentos ou não tributáveis por ser portadora de moléstia grave R$ 77.174,88, pagos pelo Fundo Banespa de Seguridade Social. Não fora apresentado Laudo médico com as especificações do art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995. O comprovante de rendimentos está na folha 20, e 3 omissão de rendimentos recebidos por resgates de VGBL R$ 4.665,66. Observou que além de não ter apresentado o Laudo, supracitado, este tipo de rendimento não se enquadra na isenção concedida aos portadores de moléstia grave. Irresignada, a Contribuinte apresentou Impugnação que consta da folha 2, dizendo em suma que "apresenta 01 laudo pericial emitido por serviço médico oficial da Prefeitura Municipal de São José do Rio Preto/SP" e pedindo que o mesmo seja considerado para enquadrar seus rendimentos como isentos por ser portadora de moléstia grave, definida em lei. A DRJ/SP1 analisou a manifestação de inconformidade, concluindo, em resumo, assim (fl. 59): Em que pese toda a documentação juntada ao processo, verifica se que a contribuinte recebeu proventos decorrentes de pensão do Instituto Nacional do Seguro Social e complementação do BANESPREV – Fundo Banespa de Seguridade Social (fls. 19/20). No que tange à comprovação da moléstia grave, a contribuinte apresentou documentos de fls. 21/22, emitido por médico da Prefeitura Municipal de São José do Rio Preto, que comprova que a contribuinte era portadora de Neoplasia Maligna de Mama (CID 10 C50), desde julho de 2000. Porém, conforme “Exposição das observações, estudos, exames efetuados e registros das conclusões” do Laudo de fls. 21/22, consta que “Paciente operada em 03 de julho de 2000 de neoplasia maligna de mama esquerda conforme laudo laboratório IAPC nº 86596/00, fez quimioterapia e radioterapia Fl. 90DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10850.721446/201266 Acórdão n.º 2801004.015 S2TE01 Fl. 91 3 na época e hormonioterapia. Atualmente sem doença mensurável em acompanhamento oncológico. Os documentos de fls. 39 e 43/44 foram emitidos por serviço privado e não atendem à legislação. Conforme MANUAL PARA OS SERVIÇOS DE SAÚDE DOS SERVIDORES PÚBLICOS CIVIS FEDERAIS, Portaria MOG Nº 1.675, de 06/10/2006 (DOU de 10/10/2006), que estabelece orientação a ser adotada como referência aos procedimentos periciais em saúde, temse a seguinte determinação para os casos de Neoplasia Maligna: “Não serão considerados portadores de Neoplasia Maligna, os periciados submetidos a tratamentos cirúrgicos, radioterápicos e/ou quimioterápicos, que após acompanhamento clínico e laboratorial, não apresentarem evidência de atividade neoplásica.” Assim, com base nas orientações acima, os documentos apresentados comprovam que a interessada apresentava neoplasia maligna em 03/07/2000, porém não comprovam ser a impugnante portadora de moléstia grave no ano calendário de 2008. Em relação ao rendimento de VGBL, dispôs o Julgador de 1ª instância que: O código de IRRF constante na DIRF é utilizado quando o fato gerador do imposto é o pagamento de importâncias a pessoa física a título de benefícios ou resgates relativos a planos de seguro de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência, quando o contribuinte não optar pelo regime de tributação de que trata o art. 1º da Lei nº 11.053, de 21 de dezembro se 2004. (...) Por conseguinte, são tributáveis os rendimentos auferidos a título de resgate de VGBL. E assim decidiu o Acórdão recorrido pela improcedência da impugnação. Cientificada dessa decisão em 10/07/2012 (fl. 66), a contribuinte interessada apresentou Recurso voluntário em 01/08/2012 (protocolo na folha 68). Em sede de recurso, descreve a moléstia da qual é portadora e assinala que existe "desde julho de 2000". Diz que além do laudo oficial existe laudo fornecido por médico particular, que o complementa. Argumenta que a controvérsia gravita em torno da prescindibilidade ou não de que os sintomas na neoplasia maligna sejam contemporâneos com a percepção dos rendimentos. Passa a tratar então de hermenêutica jurídica. Cita jurisprudência do STJ. REQUER que seja acolhido seu recurso para ser cancelado o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10850.721446/201266 Acórdão n.º 2801004.015 S2TE01 Fl. 92 4 Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. DA ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. Verificase que existem duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: uma é ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios e outra é os rendimentos serem provenientes de aposentadoria ou reforma. Lei nº 7.713/1988 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: ... XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;(destaquei) É de ser observada também a Súmula CARF Nº 63, abaixo transcrita: “Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios”. Na Notificação de Lançamento, a Autoridade Fiscal consignou que não acataria a isenção dos rendimentos pela não apresentação do Laudo Pericial, conforme o artigo 30 da Lei nº 9.250, de 1995: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10850.721446/201266 Acórdão n.º 2801004.015 S2TE01 Fl. 93 5 § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Juntamente com a Impugnação, a contribuinte apresentou o Laudo cuja cópia consta da folha 21, emitido por médico oncologista da Prefeitura de São José do Rio Preto/SP, onde se lê que a contribuinte é portadora de doença que o perito afirma tratarse de "CID C 50 neoplasia maligna". Afirma ainda que a paciente fora operada em 03 de julho de 2000, quando se constatou a doença, fez quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia e estava "atualmente sem doença mensurável em acompanhamento oncológico". Tal laudo diz ainda que "a doença é passível de controle" e determina seu prazo de validade até 16/04/2014, ou seja, dois anos após a emissão. O Julgador recorrido, entendendo que o laudo não especificava se a contribuinte apresentava sintomas da doença em 2008, concluiu, com base em uma Portaria do MPOG, que não fazia jus à isenção pretendida. Para ilustrar a discussão, colho a jurisprudência do STJ: AgRg no REsp 1403771 / RS AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2013/03082133 TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. NEOPLASIA MALIGNA. ISENÇÃO. CONTEMPORANEIDADE DOS SINTOMAS. DESNECESSIDADE. 1. Hipótese em que agrava o Ministério Público Federal de decisão que deu provimento ao recurso especial para reconhecer indevida a incidência do imposto de renda sobre os proventos de aposentadoria auferidos pelo autor. 2. A par de ser admitida a valoração da prova em sede especial, a jurisprudência desta Corte Superior não exige a demonstração de contemporaneidade dos sintomas ou a comprovação de recidiva da enfermidade para a manutenção da regra isencional. 3. "Há entendimento jurisprudencial desta Primeira Seção no sentido de que, após a concessão da isenção do Imposto de Renda sobre os proventos de aposentadoria ou reforma percebidos por portadores de moléstias graves, nos termos art. 6º, inciso XIV, da Lei 7.713/88, o fato de a Junta Médica constatar a ausência de sintomas da doença pela provável cura não justifica a revogação do benefício isencional, tendo em vista que a finalidade desse benefício é diminuir o sacrifícios dos aposentados, aliviandoos dos encargos financeiros" (MS 15.261/DF, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe 5/10/2010). Bem, existe o Laudo emitido por serviço médico oficial. No caso da dúvida quanto ao estado de latência da moléstia, entendo que se deva considerar outros documentos complementares que constam dos autos, como o atestado e o laudo emitidos por médico Fl. 93DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10850.721446/201266 Acórdão n.º 2801004.015 S2TE01 Fl. 94 6 particular, também oncologista, que atestam que a contribuinte encontravase, em 27.02.2012, "em acompanhamento oncológico desde 12.07.2000"(fl. 43). Neste caso, na valoração das provas e formação da livre convicção, entendo que os documentos emitidos por médico especialista, apesar de em serviço particular, complementam o Laudo médico oficial e devam ser considerados, e destaco que a Portaria do MPOG que serviu como fundamento para a negativa da isenção pretendida, dirigese efetivamente a profissionais da área médica, ao realizarem as perícias e tratamentos nos servidores civis da União. A lei não veda que doenças passíveis de controle sejam enquadradas como "moléstia grave" para fins de isenção do imposto, como se pode observar no § 1º do artigo 30, acima transcrito. Nesses casos, o que se exige é que o perito fixe a data de validade do Laudo. No Laudo oficial sob análise, emitido em 2012, o médico perito disse que a contribuinte possuía a neoplasia desde 2000, e fixou como data de validade 2014. Em complemento, temse o Atestado particular, que, também em 2012, afirmou que a contribuinte era "sintomática para a doença" e o laudo particular de fl. 39. Transcrevo ainda recente jurisprudência deste CARF, que vem ao encontro do meu entendimento: Acórdão 2802003.178 – 2ª Turma Especial Sessão de 08 de outubro de 2014 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. Reconhecese a condição de portador de moléstia grave nos termos da legislação, mediante a apresentação de laudo médico oficial, mormente quando corroborado por documentos adicionais que evidenciem tal condição.(sulinhei) Recurso Voluntário Provido. (...) A instância de primeiro grau manteve a autuação, considerando que as provas trazidas pela contribuinte de que era portadora de moléstia grave, a saber, cópias de atestado médico assinado por médico credenciado do IPE e histórico da doença assinado por membros do IPE de fls. 26/37, não atendem ao requisito legal de que o laudo pericial deve ser emitido por serviço médico oficial. (...) E, em que pese a ausência do CID10 e de maior detalhamento no laudo no que diz respeito à descrição da moléstia, a referida está suficientemente identificada como neoplasia maligna coloretal, constatação essa corroborada pelo teor dos documentos anteriormente apresentados junto com a impugnação (fls. 26/37). Assim, em relação aos rendimentos percebidos a título de pensão, aposentadoria ou reforma e sua complementação, entendo que estão satisfeitos os requisitos Fl. 94DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10850.721446/201266 Acórdão n.º 2801004.015 S2TE01 Fl. 95 7 para fruição da isenção, tendo sido apresentado o laudo médico oficial que se complementa com os demais elementos do conjunto probatório. Em relação, entretanto, aos rendimentos de seguro de vida (VGBL), apesar de ser portadora de moléstia grave, a natureza dos rendimentos não os enquadra na norma isentiva, como aqui transcrito e reputo correto o disposto pelo Julgador de 1ª instância, devendo ser mantido. É que não é "qualquer" rendimento percebido por portador de moléstia grave que é isento, mas apenas aqueles especificados na lei. CONCLUSÃO Em conclusão, VOTO por dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração capitulada como omissão de rendimentos, no valor de R$ 8.570,30, e a infração capitulada como classificação indevida de rendimentos, no importe de R$ 77.174,88. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 95DF CARF MF Impresso em 09/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13854.000020/2005-02
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO.
Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL.
No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluem-se as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras.
ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO.
A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime não-cumulativo de apuração.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Shappo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 NÃO-CUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da não-cumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluem-se as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime não-cumulativo de apuração. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13854.000020/2005-02
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5431271
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3801-004.609
nome_arquivo_s : Decisao_13854000020200502.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : PAULO SERGIO CELANI
nome_arquivo_pdf_s : 13854000020200502_5431271.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Shappo.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
id : 5827458
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705460146176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2213; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13854.000020/200502 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801004.609 – 1ª Turma Especial Sessão de 11 de novembro de 2014 Matéria COFINS DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente PITANGUEIRAS AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 NÃOCUMULATIVIDADE. GASTOS COM BENS E SERVIÇOS. INSUMO. Gastos com bens e serviços não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL. No cálculo do rateio proporcional para atribuição de créditos no regime da nãocumulatividade da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, no valor da receita bruta total incluemse as receitas da vendas de bens e serviços e todas as demais receitas, inclusive as financeiras. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. INCIDÊNCIA CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO. A receita de venda de álcool para fins carburantes não pode ser incluída no cálculo de receitas de exportação para apuração da relação percentual a ser aplicada à soma dos gastos que dão direito a crédito presumido mercado externo, porque se enquadra no regime nãocumulativo de apuração. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Quem alega um direito deve provar os fatos em que ele se fundamenta. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 00 20 /2 00 5- 02 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000020/200502 Acórdão n.º 3801004.609 S3TE01 Fl. 3 2 Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Shappo. Relatório Adoto o relatório do acórdão recorrido, por retratar suficientemente a lide. “A interessada pleiteia, por meio de Declaração de Compensação, o crédito relativo à contribuição da COFINS, mercado externo, do mês de junho de 2004, apurado de conformidade com o art. 6° da Lei n° 10.833/2003, que após a dedução com a COFINS devida, nos termos do art. 6°, §1°, Inciso I da mesma Lei, resultou, segundo entendimento da empresa, em um remanescente a compensar de R$ 297.496,05. O Serviço de Fiscalização, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto procedeu à fiscalização e por meio da Informação Fiscal (fls.84/90), constatou créditos indevidos de bens que não foram utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; despesas indevidas de depreciação de máquinas e equipamentos; apuração incorreta do crédito presumido relativo aos estoques de abertura; inclusão indevida na base de cálculo de receita de álcool para fins carburante e receita de variação cambial. O Auditorfiscal juntou à informação fiscal, além da cópia do DACON entregue pele empresa via internet (fls. 39/43) e cópia parcial dos balancetes mensais analíticos contábil (fls. 44/45), os seguintes demonstrativos: Fl. 179DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000020/200502 Acórdão n.º 3801004.609 S3TE01 Fl. 4 3 I Demonstrativo de Apuração da Proporcionalidade entre as Vendas de Álcool para Fins Carburantes e as Receitas de Vendas no Mercado Interno e Externo (fl. 77); II Demonstrativo de Apuração do Crédito da Contribuição para a COFINS não Cumulativa (fl. 78); III Demonstrativo de Apuração do Débito da Contribuição para a COFINS não Cumulativa (fl. 79); IV Demonstrativo de Apuração da Contribuição Devida a COFINS não Cumulativa (fl. 80); V Demonstrativo Mensal de Vendas Equiparadas à Exportação (fls.47/48). VI – Demonstrativo de Receitas de Exportação de Produtos de Fabricação Própria (fls. 47/49) Por fim, foi reconhecido o crédito de R$ 151.194,44., para compensação, conforme a legislação vigente. Cientificada do Despacho Decisório de fls. 91/92, e inconformada, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade, de fls. 101/112. Preliminarmente, disserta sobre a sistemática da não cumulatividade e alega cerceamento ao direito de defesa, tendo em vista que “referida informação fiscal faltalhe especificações fáticas, no sentido de demonstrar a conduta adotada pelo fiscal e de como se chegou aos resultados informados, faltandolhes substâncias.” Na mesma esteira, alega “ausência de elementos substanciosos” na apuração das despesas de depreciação de máquinas e equipamentos. No mérito, a contribuinte afirma que tem direito ao regime não cumulativo quanto ao álcool comercializado no mercado interno e externo e tem direito ao crédito de todos os insumos, inclusive canadeaçúcar, por estarem inseridos no artigo 149 da Constituição Federal. Defende o direto à totalidade do crédito dos estoques de abertura de bens destinados à venda e de bens e serviços utilizados como insumos. Por fim, alega inconstitucionalidade na aplicação das normas e pede o deferimento da manifestação de inconformidade.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade conforme ementa a seguir: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da Cofins nãocumulativa, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os Fl. 180DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000020/200502 Acórdão n.º 3801004.609 S3TE01 Fl. 5 4 produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. ESTOQUE DE ABERTURA. Na determinação da Cofins nãocumulativa, a pessoa jurídica tem direito a desconto de crédito correspondente ao estoque de abertura dos bens referidos nos incisos I e II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, existentes na data de início da incidência da Cofins nãocumulativa, calculado na forma prevista no art. 12 da citada Lei. ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. REGIME. A receita de venda de álcool para fins carburantes teve mantida sua forma de tributação, cumulativa, mesmo após a instituição do regime nãocumulativo de apuração. CRÉDITOS. CRITÉRIO DE DETERMINAÇÃO. Inexistindo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, a apropriação dos créditos deve ser feita por rateio proporcional. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional” Contra esta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual repete as alegações da impugnação, com exceção da preliminar de nulidade da decisão da DRF e da questão sobre os estoques de abertura, que não foram abordadas. É o relatório. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000020/200502 Acórdão n.º 3801004.609 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Mérito No mérito, a contribuinte argumenta em relação à interpretação do termo “insumo” e alega inconstitucionalidade da norma aplicável. Trata especificamente dos itens combustíveis, lubrificantes e depreciação. Quanto a outros bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo mais restrito, não foram abordados, tendo sido defendido que todos deveriam ser considerados insumo, segundo o entendimento de que este não se equipararia ao conceito de insumo obtido da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados. A DRF deixou claro o entendimento sobre o conceito do termo “insumo” adotado, o mesmo do IPI, e que os gastos com aquisições de bens e serviços que não se enquadrassem neste conceito não ensejam o direito ao crédito. Se a contribuinte apenas argumenta contra o entendimento adotado pela fiscalização quanto ao conceito em questão e nada diz contra o enquadramento naquele conceito de vários itens, aceita as conseqüências de restar vencido na única discussão proposta. O Decreto nº 70.235, de 6/3/1972, em seus artigos 16 e 17 ampara esta conclusão. Cito: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).” Fl. 182DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000020/200502 Acórdão n.º 3801004.609 S3TE01 Fl. 7 6 Insumo e a Cofins sob a regência da Lei nº 10.833, de 2003. No recurso voluntário, os gastos especificamente abordados pela recorrente são os mesmos tratados na manifestação de inconformidade: óleo diesel, lubrificantes e depreciação. Os demais foram tratados como se atendessem a um conceito de insumo mais amplo do que o adotado pela DRF de origem e pela DRJ. A primeira questão a se tratar é, pois, o conceito de insumo na legislação da Cofins. A Lei nº 10.833, de 2003, determina: “Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (negritei) Para gerarem crédito, os gastos glosados pela fiscalização deveriam enquadrarse no conceito de insumo previsto no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002, pois não se enquadram em nenhum dos demais incisos deste artigo. Tendo em vista que a recorrente alega justamente isto, pois, segundo ela, todos os gastos necessários ao processo produtivo poderiam ser incluídos no cálculo dos créditos a serem deduzidos dos valores a recolher, seja da COFINS, seja da Contribuição para o PIS/Pasep, tratemos do conceito de insumo. Conforme o art. 153, IV, § 3º II, da CF/88, o imposto sobre produtos industrializados (IPI), de competência da União, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. E, segundo o art. 155, II, §2º, I, da CF/88, o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS), de competência dos Estados e do Distrito Federal, será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelos Estados ou pelo Distrito Federal. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000020/200502 Acórdão n.º 3801004.609 S3TE01 Fl. 8 7 Até pouco tempo atrás, apenas a estes dois tributos, classificados no CTN como impostos sobre a produção e a circulação, aplicavase a nãocumulatividade. Muito se discutiu sobre que bens e serviços, uma vez adquiridos, ensejariam crédito para compensar com o que seria devido nas operações tributadas por estes impostos, de modo que o que se entende por “insumo” está atrelado à materialidade deles. Vale dizer, o conteúdo do conceito de “insumo” decorre dos entendimentos firmados sobre quais bens e serviços seriam alcançados pela nãocumulatividade própria de impostos incidentes sobre a produção e a circulação. É este conteúdo que o legislador tinha em mente, quando se referiu a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda como aqueles que dariam direito a créditos para abatimento da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP a serem recolhidas. Ao não elucidar o que deveria ser entendido por “insumo”, o legislador, por certo, admitiu que aquilo que se tinha como o seu conteúdo deveria servir para nortear a concretização do comando legal bem como as condutas das pessoas a quem a norma se destinava. Fosse intenção do legislador que o termo “insumo” tivesse um alcance maior do que o já consolidado, teria ele expressado um conceito de insumo diferente. Assim, devem ser rechaçados argumentos segundo os quais o conceito de “insumo” somente poderia ser igual ao utilizado pela legislação do IPI se a lei assim determinasse. Pelo contrário, por serem, COFINS e PIS/Pasep, contribuições instituídas por lei federal, a legislação do IPI, que também é tributo federal nãocumulativo, pode e deve ser utilizada para obtenção do conceito de “insumo”. Também não deve ser aceito argumento segundo o qual todos os gastos dedutíveis na apuração da base de cálculo do imposto sobre a renda incluirseiam no conceito de insumo para fins de abatimento dos valores a serem recolhidos como COFINS e contribuição para o PIS/PASEP, pois, isto implicaria considerar letra morta muitos dos dispositivos das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, que apresentam rol de bens, cujas aquisições podem ser incluídas na apuração de créditos a serem descontados destas contribuições. Quisesse o legislador que todos os gastos necessários à produção, fabricação ou prestação de serviços ensejassem o direito ao crédito, não usaria o termo “insumo”; reproduziria legislação do IRPJ ou evidenciaria que todos os gastos dedutíveis em relação ao IRPJ dariam aquele direito. Assim, da leitura dos dispositivos que trataram da nãocumulatividade da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP, com base no que foi dito acima, aos bens conceituados como insumo à luz da legislação do IPI, a saber, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem consumidos na produção industrial de produtos, em decorrência de contato direto com estes, devem ser acrescentados: os serviços utilizados na prestação de serviços e na produção e fabricação de bens ou produtos destinados à venda; Fl. 184DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000020/200502 Acórdão n.º 3801004.609 S3TE01 Fl. 9 8 outros bens utilizados na prestação de serviços e na produção, ainda que não industrial, de bens destinados à venda; outros gastos expressamente citados nas Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003. Em reforço a tal entendimento, vejamse alguns trechos da Exposição de Motivos da MP nº 66, de 26/08/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002: “2. A proposta, de plano, dá curso a uma ampla reestruturação na cobrança das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento. Após a instituição da cobrança monofásica em vários setores da economia, o que se pretende, na forma desta Medida Provisória, é, gradualmente, procederse à introdução da cobrança em regime de valor agregado – inicialmente com o PIS/Pasep para, posteriormente, alcançar a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). 3. O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep. ... 7. Para fins de controle do crédito presumido, a Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. ... 9. A alíquota foi fixada em 1,65% e incidirá sobre as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, admitido o aproveitamento de créditos vinculados à aquisição de insumos, bens para revenda e bens destinados ao ativo imobilizado, ademais de, entre outras, despesas financeiras. ... 44. Com relação ao atendimento das condições e restrições estabelecidas pelo art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, cumpre esclarecer que: a) a introdução da incidência não cumulativa na cobrança do PIS/Pasep, prevista nos arts. 1º a 7º, é rigorosamente neutra do ponto de vista fiscal, porquanto a alíquota estabelecida para esse tipo de incidência foi projetada, precisamente, para compensar o estreitamento da base de cálculo; ... ...” E, na Mensagem de Veto nº 1.243, de 30/12/2002, a razão que levou o Presidente da República a vetar dispositivos, por meio dos quais se tentava alterar a MP, foi que, se fossem sancionados, romperseia a premissa sobre a qual foi construída a nova modalidade de incidência da contribuição, devidamente acertada com a comissão especial Fl. 185DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000020/200502 Acórdão n.º 3801004.609 S3TE01 Fl. 10 9 constituída no âmbito da Câmara dos Deputados para tratar da matéria, a qual previa neutralidade sob o ponto de vista da arrecadação. Havia, pois, preocupação quanto ao atendimento às condições e restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal, de modo que o equilíbrio das contas públicas não seria posto em risco pela introdução da cobrança nãocumulativa, e a carga tributária correspondente ao que se arrecadava com a cobrança do PIS/PASEP seria mantida. Assim, caberia à RFB, para fins de controle do crédito presumido, estabelecer limites, por espécie de bem ou serviço, para o valor das aquisições realizadas. É razoável acreditar que, segundo expectativas da época, se fossem incluídos todos os gastos na apuração do crédito a ser descontado, a arrecadação tributária não se manteria, o que nos leva a concluir que o conceito de insumo não poderia ser alargado em relação àquele então aceito. Por tudo isso, correto o entendimento expressado pela RFB órgão responsável pela administração tributária da União, a quem compete interpretar e aplicar a legislação tributária federal, ao editar os atos normativos e as instruções necessárias à sua execução que, ao expedir a Instrução Normativa nº 247/2002, com redação dada pela IN SRF nº 358/03, e a IN SRF nº 404/2004, adotou interpretação para o conceito de insumo, com base na concepção tradicional da legislação do IPI: Cito a IN/SRF nº 404/04, que dispôs “sobre a incidência nãocumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social na forma estabelecida pela Lei nº 10.833, de 2003, [...]”: “Art. 7º Sobre a base de cálculo apurada conforme art. 4º, aplicase a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) [...]; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais Fl. 186DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000020/200502 Acórdão n.º 3801004.609 S3TE01 Fl. 11 10 como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. O conteúdo da IN nº 247/2002, com redação dada pela IN SRF nº 358/03, aplicável à contribuição para o PIS/Pasep, é o mesmo. Esta turma decidiu no mesmo sentido, por voto de qualidade, conforme acórdão nº 3801002.668, de 29/01/2014, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, de cujo voto extraio a seguinte passagem, com grifos no original: “Com efeito, o conceito de insumo no âmbito do direito tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo. Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumo corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Nesse sentido, recentemente o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial 1.020.991 RS, assim se pronunciou: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF Fl. 187DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000020/200502 Acórdão n.º 3801004.609 S3TE01 Fl. 12 11 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 3. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 4. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 5. Recurso especial a que se nega provimento. (STJ, 1ª Turma, REsp 1.020.991RS, Dje 14/05/2013, rel. Sérgio Kukina) Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto do voto proferido pelo Ministro Relator no julgamento deste recurso especial: No mais, não houve a alegada restrição do conceito de insumo com a edição das Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04, mas apenas a explicitação da definição deste termo, que já se encontrava previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Nesses instrumentos normativos, o critério para a obtenção do creditamento é que os bens e serviços empregados sejam utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Logo, não se relacionam a insumo as despesas decorrentes de mera administração interna da empresa. Assim, a parte recorrente não faz jus à obtenção de créditos de PIS e COFINS sobre todos os serviços mencionados como necessários à consecução do objeto da empresa, como pretende relativamente aos valores pagos à empresas pela representação comercial (comissões), pelas despesas de marketing para divulgação do produto, pelos serviços de consultoria prestados por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial, jurídica, contábil, comércio exterior, etc), pelos serviços de limpeza, pelos serviços de vigilância, etc., porque tais serviços não se encontram abarcados pelo conceito de insumo previsto Fl. 188DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000020/200502 Acórdão n.º 3801004.609 S3TE01 Fl. 13 12 na legislação, visto não incidirem diretamente sobre o produto em fabricação. Quando a lei entendeu pela incidência de crédito nesses serviços secundários, expressamente os mencionou, a exemplo do creditamento de combustíveis e lubrificantes previsto nos dispositivos legais questionados (...) (grifouse)” Mercadorias e Serviços não aplicados no sistema produtivo da empresa Rateio proporcional É incontroverso que o critério a se adotar é o de rateio proporcional. Esta turma já se deparou com questão semelhante, no processo 11075.000705/200754, de relatoria do Conselheiro Flávio de Castro Pontes, que assim se manifestou: “Não se pode perder de vista que a recorrente somente tem direito ao ressarcimento de créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados às receitas sujeitas à incidência não cumulativa, observados os critérios previstos no § 8º do art. 3º da Lei 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a (...) § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (Vide Lei nº 10.865, de 2004) § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I – apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II – rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês.(grifouse) O dispositivo legal acima estabelece uma proporção entre receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total. Por analogia, neste caso concreto estabelecese uma proporção entre receitas de alíquota zero e/ou exportação e a receita bruta total. Destacase que não existe uma norma específica regulamentando essa matéria. Como amplamente demonstrado, o conceito de receita bruta total está estabelecido no art. 1º, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, abaixo transcrito: Fl. 189DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000020/200502 Acórdão n.º 3801004.609 S3TE01 Fl. 14 13 Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. §1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.(grifouse) Assim, no conceito de [receita] bruta incluemse as receitas da venda de bens e serviços e todas as demais receitas. Desta forma, no item receita bruta, como acertadamente procedeu a autoridade fiscal, incluemse as receitas financeiras, as receitas decorrentes dos créditos presumidos de ICMS e de recuperação de custos. Vale o mesmo para a Cofins. Concluise que todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, inclusive as receitas financeiras, devem compor a receita bruta total, denominador da relação percentual a ser aplicada aos custos, despesas e encargos comuns; porém, no numerador desta relação, devemse incluir apenas as receitas das exportações de bens e serviços que não se enquadrem no regime cumulativo da contribuição. Falta de demonstração da utilização de bens e serviços no processo produtivo. Com base no exposto nas seções acima sobre a preliminar de nulidade e sobre o conceito de insumo, tendo em vista que o conceito aqui adotado é o mesmo adotado pelas unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil que já decidiram neste processo; que é ônus daquele que alega o direito provar os fatos em que se fundamenta, conforme art. 333 do Código de Processo Civil; que, no Processo Administrativo Fiscal Federal, a prova deve ser feita na impugnação ou, excepcionalmente, no recurso voluntário; que a contribuinte, até o presente, não alegou nem demonstrou que outros gastos com bens ou serviços, além daqueles aceitos pela fiscalização, poderiam se enquadrar neste conceito restritivo; devese manter a decisão, quanto aos gastos com bens e serviços a ser incluídos nos custo, encargos e despesas comuns. Gastos com óleo diesel e lubrificantes. A lei permite que se incluam no cálculo do crédito as aquisições de insumos utilizados na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens destinados à venda. Logo, não são apenas os insumos da indústria que ensejam o crédito; os utilizados na produção agropecuária também são alcançados pela norma. Incluem o custo dos insumos, os gastos com o transporte destes insumos, os gastos com combustíveis e lubrificantes utilizados neste transporte, e com aqueles utilizados nas máquinas e equipamentos empregados em contato direto com os produtos agropecuários. Canadeaçúcar é produto agrícola e é insumo da indústria de açúcar e álcool. Máquinas e equipamentos utilizados no corte da canadeaçúcar são utilizados no processo produtivo deste produto; máquinas e equipamento utilizados no carregamento da canade açúcar para as instalações industriais de fabricação de açúcar e álcool são utilizados no processo produtivo destes bens. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000020/200502 Acórdão n.º 3801004.609 S3TE01 Fl. 15 14 Assim, combustíveis e lubrificantes utilizados nestas máquinas e equipamentos são utilizados como insumos na produção ou fabricação de açúcar e álcool destinado à venda. Por isso, dão direito ao crédito, desde que tenha havido a cobrança da contribuição na sua aquisição, por força do art. 3º, §2º, inc. II, da Lei nº 10.637, de 2002, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, ressalvandose os casos de álcool carburante, tratado na seqüência deste voto. Concluindo, as aquisições tributadas de lubrificantes utilizados no transporte de canadeaçúcar até a usina dão direito ao crédito e devem ser integrar os custos, encargos e despesas comuns. Porém, uma vez que no caso em discussão a recorrente não apontou exclusões de gastos com aquisição destes bens, não há nenhum reparo a fazer na decisão administrativa. Depreciação As pessoas jurídicas sujeitas à incidência nãocumulativa da Cofins e da contribuição para o PISPasep, em relação aos serviços e bens adquiridos no País ou no exterior a partir de 1º de maio de 2004, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (artigo 3º, inciso VI e §1º, inc. III, da Lei nº.10.637/2002, e art. 3º, inc. VI e §1º, inc. III, da Lei nº 10.833, de 2003). Tratandose de empresa que produz açúcar e álcool, valores de depreciação com veículos e equipamentos utilizados para transporte e colheita de canadeaçúcar devem ser incluídos no cálculo dos gastos que dão direito ao crédito presumido. Também neste caso, não foi apontada nenhuma exclusão na apuração dos custos, despesas e encargos passíveis de gerarem crédito da contribuição social, motivo pelo qual não há que se alterar o despacho decisório. Receita da exportação de álcool combustível. A fiscalização excluiu do cálculo do rateio do regime não cumulativo receitas de exportações de álcool combustível que foram descritos em documentos e especificados em contrato como álcool etílico hidratado padrão ANP, sob o fundamento de que a venda de álcool para fins carburantes, tanto no mercado interno quanto no externo, não integra a base de cálculo da apuração da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas, representando receitas cumulativas, não podendo aumentar o percentual dos créditos não cumulativos. A receita de venda de álcool para fins carburantes sujeitavase à incidência não cumulativa da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep antes da entrada em vigor da Lei nº 10.865, de 2004. A Lei nº 9.718, de 1999, dispôs: “Art. 5º As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social – Fl. 191DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000020/200502 Acórdão n.º 3801004.609 S3TE01 Fl. 16 15 Cofins devidas pelas distribuidoras de álcool para fins carburantes serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: (Redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000) I – um inteiro e quarenta e seis centésimos por cento e seis inteiros e setenta e quatro centésimos por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de álcool para fins carburantes, exceto quando adicionado à gasolina; (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000) II – sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente das demais atividades. (Incluído pela Lei nº 9.990, de 2000.)” A Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, reduziu a zero a alíquota das contribuições sobre a receita de vendas de álcool para fins carburantes auferida por varejistas e concentrou a tributação nos distribuidores em substituição a esses dois. E as Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, determinaram: Art. 1º ... § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...) IV de venda dos produtos de que tratam as Leis no 9.990, de 21 de julho de 2000, no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e no 10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; “Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: (...) VII – as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3o do art. 1o; Uma vez que o álcool para fins carburantes é um dos produtos de que trata a Lei nº 9.990, sua receita não integra a base de cálculo prevista no art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, e, nos termos do seu art. 8º, VII, “a”, a receita de venda de álcool para fins carburantes permaneceu fora da sistemática nãocumulativa das contribuições. A alteração efetuada pela Lei nº 10.865, de 2004, apenas deu maior especificidade ao inciso IV do §3º dos arts. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 18.833, de 2003, excluindo as vendas dos outros produtos de que tratam as Leis nº 9.990, de 2000, e as outras submetidas à incidência monofásica da contribuição, mantendo apenas a venda de álcool para fins carburantes. O mesmo entendimento está expresso no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 1, de 2005: Fl. 192DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13854.000020/200502 Acórdão n.º 3801004.609 S3TE01 Fl. 17 16 “Artigo único. As receitas auferidas pelas pessoas jurídicas produtoras (usinas e destilarias) com as vendas de álcool para fins carburantes continuam sujeitas à incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), às alíquotas de 0,65% (zero vírgula sessenta e cinco por cento) e de 3% (três por cento), respectivamente, por não terem sido alcançadas pela incidência nãocumulativa das referidas contribuições de que tratam as Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Assim, com relação à receita de exportação de álcool, mantémse a decisão recorrida. Estoque de abertura Esta matéria não foi abordada no recurso voluntário, logo, mantémse a decisão recorrida. Conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13502.900763/2013-76
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Sorocaba SP (unidade do domicílio tributário da Recorrente), para que, com base nos documentos apensados aos autos às fls. 259/1.384 e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e, após analisar se os dispêndios com os itens indicados são passíveis de apropriação de créditos de PIS conforme alegado e de acordo com o contido no voto, elaborar parecer e demonstrativo, concluindo se as informações lançadas pela Recorrente refletem a realidade dos fatos apontados.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente temporariamente o Conselheiro Solon Sehn.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13502.900763/2013-76
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5449185
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3802-000.394
nome_arquivo_s : Decisao_13502900763201376.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 13502900763201376_5449185.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Sorocaba SP (unidade do domicílio tributário da Recorrente), para que, com base nos documentos apensados aos autos às fls. 259/1.384 e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e, após analisar se os dispêndios com os itens indicados são passíveis de apropriação de créditos de PIS conforme alegado e de acordo com o contido no voto, elaborar parecer e demonstrativo, concluindo se as informações lançadas pela Recorrente refletem a realidade dos fatos apontados. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente temporariamente o Conselheiro Solon Sehn. Relatório
dt_sessao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
id : 5883906
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705474826240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2033; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 1.389 1 1.388 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.900763/201376 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3802000.394 – 2ª Turma Especial Data 18 de março de 2015 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente BRASIL KIRIN INDUSTRIA DE BEBIDAS S/A (INCORPORADORA DE PRIMO SCHINCARIOL IND. DE CERV. E REFRIG. DO NORDESTE S/A, CNPJ nº 01.278.018/000112). Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à DRF de Sorocaba – SP (unidade do domicílio tributário da Recorrente), para que, com base nos documentos apensados aos autos às fls. 259/1.384 e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03 e, após analisar se os dispêndios com os itens indicados são passíveis de apropriação de créditos de PIS conforme alegado e de acordo com o contido no voto, elaborar parecer e demonstrativo, concluindo se as informações lançadas pela Recorrente refletem a realidade dos fatos apontados. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente temporariamente o Conselheiro Solon Sehn. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .9 00 76 3/ 20 13 -7 6 Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900763/201376 Resolução nº 3802000.394 S3TE02 Fl. 1.390 2 Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a decisão do Acórdão nº 0646.386, da 3ª Turma da DRJ de Curitiba (PR) fls. 205/210, que não homologou a compensação constante do PER/DCOMP nº 34335.94787.230410.1.3.046972, nos termos do despacho decisório emitido em 03/07/2013 pela DRF Sorocaba (rastreamento nº 56416052). Na aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 23/04/2010, a contribuinte indicou um crédito de R$ 494.350,70 (que corresponde a uma parte do pagamento efetuado em 20/08/2007, sob o código 6912, no valor de R$ 926.805,86) e débitos de sua responsabilidade no valor total de R$ 631.483,58. Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007 DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO DESPACHO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL. Se a contribuinte, intimada, não apresenta documentos contábeis capazes de comprovar a ocorrência de erro de fato em sua DCTF e em seu Dacon (retificadores), apresentados, ainda que previamente à emissão do despacho decisório, não há como reconhecer direito creditório, devendose manter a não homologação da compensação pleiteada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos contidos nos autos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em 14/08/2013, em face da não homologação da compensação declarada por meio do Per/Dcomp nº 34335.94787.230410.1.3.046972, nos termos do despacho decisório emitido em 03/07/2013 pela DRF Sorocaba (rastreamento nº 56416052). Na aludida Dcomp, transmitida eletronicamente em 23/04/2010, a contribuinte indicou um crédito de R$ 494.350,70 (que corresponde a uma parte do pagamento efetuado em 20/08/2007, sob o código 6912, no valor de R$ 926.805,86) e débitos de sua responsabilidade no valor total de R$ 631.483,58. Segundo o despacho decisório, cientificado em 15/07/2013, a compensação não foi homologada porque, apesar de o pagamento ter sido localizado, não foi apurado saldo para fins de compensação. Na manifestação apresentada, a interessada discorre sobre os fatos havidos, diz que antes da emissão do despacho decisório foi intimada a Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900763/201376 Resolução nº 3802000.394 S3TE02 Fl. 1.391 3 apresentar documentos que comprovassem a origem do pagamento indevido, consoante processo administrativo nº 10855.722095/201261, e que tais documentos foram apresentados. Aduz, ainda, que a origem dos créditos foi considerada não comprovada pela fiscalização e que a compensação não foi homologada. Discorda da decisão e afirma que tanto a DCTF quanto o Dacon foram retificados antes da ciência do despacho decisório. Salienta que a declaração retificadora substitui integralmente a que foi retificada e, por considerar espontânea a transmissão da declaração, pede que a mesma seja acolhida. Transcreve jurisprudência do CARF e, ao final, pede a homologação da compensação. Às fls. 169 a 204, juntaramse extratos de consulta aos sistemas de controle de DCTF e Dacon. É o relatório. Em 05/05/2014, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância, conforme consta às fls. 214 (ciência eletrônica – abertura do Portal eCAC). Inconformada com a decisão da DRJ/CTA, em 04/06/2014 (recibo do SVA, fl. 216), apresentou recurso voluntário a este CARF (fls. 217/237), argumentando em suas razões que: 1) Dos fatos e decisão recorrida Em síntese, defende a recorrente que, com base no art. 3° da lei nº 10.833/2003, apropriouse de créditos de PIS/PASEP que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos, o que acarretou a revisão da apuração de PIS relativa ao período de julho/2007. E, consequentemente, a constatação de que o montante devido para referido período de PIS/PASEP era de R$ 594.294,89 (para o código de receita 6912) e não de R$ 1.088.645,59 (pagos, integralmente, através dos DARFs (R$ 161.839,73 e R$ 926.805,86), conforme anteriormente ela havia informado no DACON e na DCTF, ensejou uma diferença passível de restituição/compensação na quantia de R$ 494.350,70 (R$ 1.088.645,59 R$ 594.294,89 = R$ 494.350,70). Uma vez retificadas as DCTF e DACON de forma espontânea, ou seja, antes da ciência do despacho decisório, as declarações retificadas (DACON e DCTF) têm a mesma natureza das declarações originais, substituindoas integralmente. Da análise do acórdão recorrido revela que o reconhecimento do direito ao crédito está condicionado à comprovação, por meio da apresentação de provas materiais (documentos contábeis), das alterações por ela feitas na DCTF e no DACON. 2) Das razões da reforma da Decisão Recorrida 2.1 Da revisão da apuração da COFINS e do PIS realizada pela recorrente Tal revisão se fez necessária ante o objetivo almejado pela recorrente de adequar o processo de apuração do PIS e da COFINS, centralizandoo em seu estabelecimento matriz, haja vista que, as referidas apurações eram realizadas em cada um de seus estabelecimentos filiais, com a utilização de critérios que divergiam com o praticado pela matriz. Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900763/201376 Resolução nº 3802000.394 S3TE02 Fl. 1.392 4 A realização da revisão tinha como escopo criar critérios únicos para apuração do PIS e da COFINS, ajustando eventuais equívocos. Conforme demonstra a tabela abaixo, que corresponde às fichas l6A e 16B da DACON, a base de cálculo do crédito apurado, no valor total de R$ 20.109.568,88, foi composta por valores referentes aos bens para revenda, bens utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos, despesas de energia elétrica, despesas de aluguéis, fretes, encargos de depreciação e valor de aquisição sobre bens do ativo, devolução de vendas, créditos por unidade de medida de produto, outros créditos e bens utilizados como insumos – importação (quadro demonstrativo elaborado no recurso): Alega que tal composição encontra respaldo nos documentos fiscais/contábeis da recorrente, anexados ao presente recurso. A fim de comprovar referida afirmação, a recorrente junta aos autos as planilhas anexas elaboradas de acordo com os valores contidos nos resumos dos livros de registro de apuração do IPI e do ICMS entradas de cada estabelecimento (doc. n° 1), os CFOPS de cada operação (doc. n° 2), os rótulos de linha (doc. nº 3) as notas fiscais de entrada daquele estabelecimentos (doc. n° 4). Ressaltase que tais demonstrativos foram feitos com espeque nos registros efetuados nos livros de apuração do IPI e do ICMS entradas e saídas e nas notas fiscais de entrada de cada estabelecimento, motivo pelo qual, nesta oportunidade, juntamse aos autos as cópias daqueles registros (doc. n° 5). Por conseguinte, algumas destas operações de entrada ensejaram à recorrente, com base no art. 3° da lei nº 10.833/2003, a tomada de créditos de COFINS, a qual por ela foi devidamente efetuada, nos termos da tabela supramencionada. A fim de elucidar que tais créditos foram corretamente encontram respaldo nos documentos fiscais/contábeis, juntamse os demonstrativos anexos (doc. nº 1 ao 16 – fls. 259/1.384). 2.2) Do direito ao crédito da COFINS e do PIS sobre materiais e serviços adquiridos Na época da revisão realizada, a recorrente contratou a empresa PricewaterhouseCoopers Contadores Públicos para a realização de um estudo, cuja cópia se encontra acostadas aos autos (fls. 434/456). Amparada pelo estudo desenvolvido pela PwC, a recorrente apropriouse de créditos de COFINS que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos anteriormente, com relação a materiais e serviços adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo e despesas de frete relacionadas à aquisição dos materiais adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos. Cita e transcreve várias Soluções de Consulta elaborada pela Receita Federal do Brasil. 3) Do pedido Fl. 1392DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900763/201376 Resolução nº 3802000.394 S3TE02 Fl. 1.393 5 Ante todo o exposto, requer o provimento do recurso voluntário de forma a homologar integralmente a declaração de compensação em discussão. Caso entendam que os documentos ora apresentados não são suficientes à confirmação da integralidade do crédito, pedese a conversão deste julgamento em diligência, a fim de que a verdade material seja enfim demonstrada. Por fim, solicita a sustentação oral de suas razões, requer ainda que seja intimada por via postal e, por fim, também intimado de todos os atos processuais, por via postal, o seu advogado, conforme nome e endereço acostado no recurso. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Da admissibilidade do recurso Como visto, em 05/05/2014, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (fl. 214 – data da abertura dos arquivos no link Portal eCAC). Em 04/06/2014 (fl. 216 – recibo entrega pelo SVA), apresentou recurso voluntário a este CARF (fls. 217/237). Portanto, o recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Da análise do processo No caso sob análise, temos que a controvérsia trata que a Recorrente, após intimada em processo específico, não apresentou documentos contábeis capazes de comprovar a ocorrência de erro de fato em sua DCTF e em seu Dacon (retificadores), apresentados, ainda que previamente à emissão do despacho decisório. No caso, além dos Dacon retificadores e da Solução de Consulta, nenhuma outra prova foi apresentada, concluindo a decisão recorrida que “resta inegável que o direito não pode ser reconhecido”. Segundo o despacho decisório, cientificado em 15/07/2013 (fls. 10 e 11), a compensação não foi homologada porque, apesar de o pagamento ter sido localizado, não foi apurado saldo para fins de compensação. Consta dos autos que, em relação ao mês de julho de 2007, a Recorrente transmitiu 04 declarações DCTF (em 10/09/2007, 30/07/2008, 24/03/2010 e 01/08/2011). Nelas, a contribuinte alterou o débito sob análise de R$ 1.088.645,59 para R$ 594.294,89. Por sua vez, quanto aos Dacon, vêse que apresentou dois demonstrativos (em 10/09/2007 e 22/02/2010) com alterações nos débitos apurados. Ressaltese que o despacho decisório em questão foi cientificado no dia 15/07/2013 (fls.10 e 11) e, portanto, antes de sua emissão (e da ciência), nos dias 22/02/2010 e 01/08/2011, respectivamente, o DACON e a DCTF (fls. 169/204 extratos de consultas sistemas DCTF e Dacon), foram retificados pela Recorrente, afim de alterar o valor do PIS devida no período de apuração de julho de 2007. Fl. 1393DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900763/201376 Resolução nº 3802000.394 S3TE02 Fl. 1.394 6 Quanto a esses ocorridos, a decisão a quo, analisando os autos a luz dos fatos constantes na manifestação de inconformidade, concluiuse da seguinte maneira: (...) Tais alterações, é válido ressaltar, decorreram da mudança nos valores de diversos outros itens do Dacon, tais como: bens para revenda, bens utilizados como insumos, despesas de energia elétrica, despesas de aluguéis de prédios locados de pessoas jurídicas, despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas, despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, devolução de vendas, ajustes positivos e negativos de créditos, receitas financeiras, outras receitas, receitas isentas, etc. Aludidos ajustes, como pode ser verificado, ocorreram previamente à ciência do despacho decisório que concluiu pela inexistência do direito ao crédito. Apesar de haver decisões administrativas, como a citada na manifestação de inconformidade, acolhendo tais retificações quando ocorridas antes de a contribuinte ser cientificada de algum despacho/decisão envolvendo os créditos tributários tratados nessas retificações, não há como perder de vista que a contribuinte foi intimada em processo específico (nº 10855.722095/201261), acerca da necessidade de comprovar o motivo das alterações por ela inseridas em suas DCTF e em seus Dacon (Intimação DRF/SOR/SEORT nº 1912/2011 – ESK, recebida em 15/12/2011): (...). (...) Pois bem, na medida em que houve uma intimação prévia acerca dos créditos pleiteados, a discussão acerca da existência do crédito passa, necessariamente, para a comprovação dessas alterações, ou seja, antes de se avaliar a questão da espontaneidade das retificações, devese constatar se, nos termos da legislação – e nesse ponto o § 1º do art. 147 do CTN é esclarecedor – houve efetivamente algum erro de fato que, tendo sido comprovado, mereça ser corrigido. Noutras palavras, o fato de a contribuinte ter retificado espontaneamente sua DCTF e seu Dacon, não tem o condão, por si só, de gerar o direito creditório pretendido, afinal, uma vez que ela foi intimada a justificar (apresentando provas materiais) as alterações efetuadas na DCTF e no Dacon, a discussão acaba se deslocando justamente para a comprovação dessas alterações (grifo nosso). Por outro giro, a Recorrente aduz em seu recurso que, com base no art. 3° da lei nº 10.833/2003, apropriouse de créditos de Pis/Pasep que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos, o que acarretou a revisão da apuração de PIS relativa ao período de julho/2007. Que uma vez retificadas as DCTF e DACON de forma espontânea, ou seja, antes da ciência do despacho decisório, as declarações retificadas (DACON e DCTF) têm a mesma natureza das declarações originais, substituindoas integralmente. Destaca que a origem do crédito pretendido está amparada pelo estudo desenvolvido pela empresa PwC (fls. 434/456), concluindo que a recorrente apropriouse de créditos de PIS/Pasep que não haviam sido, por equívoco, reconhecidos anteriormente, com relação a materiais e serviços adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13502.900763/201376 Resolução nº 3802000.394 S3TE02 Fl. 1.395 7 utilizados no processo produtivo e despesas de frete relacionadas à aquisição dos materiais adquiridos para a manutenção de máquinas e equipamentos. Ressalta que tal revisão se fez necessária ante o objetivo almejado de adequar o processo de apuração do PIS e da COFINS, centralizandoo em seu estabelecimento matriz, haja vista que referidas apurações eram realizadas em cada um de seus estabelecimentos filiais, com a utilização de critérios que divergiam com o praticado pela matriz. Enfatiza ainda, que a recomposição demonstrada no recurso encontrase respaldada pelo demonstrativo e documentos fiscais e contábeis que estão anexados aos presentes autos. Pois bem. Neste passo, considerando os dados e informações registrados nos documentos anexo aos autos (fls. 259/1.384), visto que os mesmos foram trazidos extemporaneamente pelo contribuinte e, portanto, não foram analisados pelo agente fazendário da origem do processo, não resta dúvida de que a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal consiste em uma providência que resulta na melhor aplicação do Direito e da Justiça e por isso deve sempre ser perseguida. Com base nessas considerações, devido às particularidades do caso concreto e antes do julgamento do mérito, com fundamento no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (PAF), voto pela conversão do julgamento em diligência, devendo os autos retornarem à DRF de Sorocaba – SP (domicílio tributário da Recorrente), para que: 1) com base nos documentos apensados aos autos às fls. 259/1.384 (planilha de cálculo, informações e cópia de documentos, demonstrativos e extrato de livros contábeis e fiscais), levandose em conta a DCTF e DACON, retificados, e considerando as disposições contidas no artigo 3º das Leis nº 10.833/03, analisar se os dispêndios alegados pela recorrente são passíveis de apropriação de créditos do PIS, conforme demonstrativo de apuração elaborado às fl. 225 do recurso voluntário; após, 2) elaborar parecer e demonstrativo, concluindo se as informações lançadas pela Recorrente refletem a realidade dos fatos apontados. Após a conclusão da diligência, devem ser intimados sucessivamente a Recorrente e a Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestaremse sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial/3ª Seção, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10218.720996/2007-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
A possibilidade do arbitramento do preço da terra nua consta especificamente no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Logo, não caracteriza cerceamento do direito de defesa o arbitramento do VTN, mormente quando o contribuinte, intimado, apresenta Laudo de Avaliação que não demonstra o VTN declarado.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO.
O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o laudo de avaliação do imóvel apresentado pelo contribuinte, para contestar o lançamento, não seja elaborado nos termos da NBR-ABNT 14653-3.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA INTEMPESTIVO.
Comprovada a existência da área de preservação permanente, o ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR.
ERRO DE FATO. PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. ÁREA DE RESERVA LEGAL.
Incabível o lançamento motivado por erro no preenchimento da Declaração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Deve-se reconhecer, para fins de cálculo do ITR devido, a área de reserva legal averbada e informada em ADA, que fora originalmente declarada como área de preservação permanente.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-003.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por maioria de votos em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a área de preservação permanente de 10,5 ha e a área de reserva legal de 1.233,8 ha. Vencida a Conselheira Dayse Fernandes Leite que dava provimento em menor extensão apenas para reconhecer a área de reserva legal.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Presidente Substituta e Relatora.
EDITADO EM: 02/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Dayse Fernandes Leite, João Bellini Junior, Livia Vilas Boas e Silva, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A possibilidade do arbitramento do preço da terra nua consta especificamente no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Logo, não caracteriza cerceamento do direito de defesa o arbitramento do VTN, mormente quando o contribuinte, intimado, apresenta Laudo de Avaliação que não demonstra o VTN declarado. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o laudo de avaliação do imóvel apresentado pelo contribuinte, para contestar o lançamento, não seja elaborado nos termos da NBR-ABNT 14653-3. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA INTEMPESTIVO. Comprovada a existência da área de preservação permanente, o ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. ERRO DE FATO. PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. ÁREA DE RESERVA LEGAL. Incabível o lançamento motivado por erro no preenchimento da Declaração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Deve-se reconhecer, para fins de cálculo do ITR devido, a área de reserva legal averbada e informada em ADA, que fora originalmente declarada como área de preservação permanente. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10218.720996/2007-66
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5435103
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2102-003.256
nome_arquivo_s : Decisao_10218720996200766.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : NUBIA MATOS MOURA
nome_arquivo_pdf_s : 10218720996200766_5435103.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por maioria de votos em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a área de preservação permanente de 10,5 ha e a área de reserva legal de 1.233,8 ha. Vencida a Conselheira Dayse Fernandes Leite que dava provimento em menor extensão apenas para reconhecer a área de reserva legal. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA Presidente Substituta e Relatora. EDITADO EM: 02/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Dayse Fernandes Leite, João Bellini Junior, Livia Vilas Boas e Silva, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
id : 5838411
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705481117696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2203; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 182 1 181 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10218.720996/200766 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102003.256 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de fevereiro de 2015 Matéria ITR Área de preservação permente, área de reserva legal e VTN Recorrente CARLOS ALBERTO TOZZE MILANEZE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A possibilidade do arbitramento do preço da terra nua consta especificamente no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Logo, não caracteriza cerceamento do direito de defesa o arbitramento do VTN, mormente quando o contribuinte, intimado, apresenta Laudo de Avaliação que não demonstra o VTN declarado. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o laudo de avaliação do imóvel apresentado pelo contribuinte, para contestar o lançamento, não seja elaborado nos termos da NBRABNT 146533. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA INTEMPESTIVO. Comprovada a existência da área de preservação permanente, o ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. ERRO DE FATO. PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. ÁREA DE RESERVA LEGAL. Incabível o lançamento motivado por erro no preenchimento da Declaração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Devese reconhecer, para fins de cálculo do ITR devido, a área de reserva legal averbada e informada em ADA, que fora originalmente declarada como área de preservação permanente. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 09 96 /2 00 7- 66 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10218.720996/200766 Acórdão n.º 2102003.256 S2C1T2 Fl. 183 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por maioria de votos em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a área de preservação permanente de 10,5 ha e a área de reserva legal de 1.233,8 ha. Vencida a Conselheira Dayse Fernandes Leite que dava provimento em menor extensão apenas para reconhecer a área de reserva legal. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Presidente Substituta e Relatora. EDITADO EM: 02/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Dayse Fernandes Leite, João Bellini Junior, Livia Vilas Boas e Silva, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra CARLOS ALBERTO TOZZE MILANEZE foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 02/07, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do imóvel denominado Fazenda Mutum II, com área total de 1.542,3 ha (NIRF 1.830.4478), relativo ao exercício 2004, no valor de R$ 23.020,16, incluindo multa de ofício e juros de mora. As infrações imputadas ao contribuinte foram glosa total da área de preservação permanente, por falta de apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) e arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), com utilização de dados extraídos do Sistema de Preços de Terras (SIPT), conforme quadro a seguir: ITR 2004 Declarado Apurado na Notificação 02Área de Preservação Permanente 1.493,9 ha 0,0 ha 17Valor da Terra Nua R$ 38.558,00 R$ 120.669,55 Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/BSA nº 0346.446, de 14/12/2011, fls. 145/154. Cientificado da decisão, acima referida, por via postal, em 23/08/2013, Aviso de Recebimento (AR), fls. 156, o contribuinte apresentou, em 18/09/2013, recurso voluntário, fls. 158/177, trazendo as seguintes alegações: Fl. 183DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10218.720996/200766 Acórdão n.º 2102003.256 S2C1T2 Fl. 184 3 Das áreas de utilização limitada – Reserva Permanente e Reserva Legal – No Laudo de Tipologia Vegetal, que foi elaborado com base em cartas digitais, detectouse que, a área parcial de 10,56 ha de preservação permanente do total de 50,40 ha encontrase fora da área de reserva legal, o que eleva para 1.244,40 ha a área total protegida por lei no imóvel. Na certidão de inteiro teor do RGI consta a averbação da área de reserva legal, limitando em 80% a sua exploração. Sendo que em 12/12/2000 foi averbada 50% da área e em 31/01/2001, foi complementada mais a averbação de 30% para atender a legislação vigente. O laudo Técnico é suficiente para comprovar a existência das áreas de utilização limitada para fins de não tributação do ITR, não dependendo exclusivamente do ADA e nem mesmo da prévia averbação no RGI, conforme decisão proferida pelo Terceiro Conselho de Contribuintes. Assim requer a consideração da área de 1.244,40 ha como área isenta por lei de tributação do ITR. Valor da Terra Nua Declarado – Cerceamento de Defesa – A autoridade fiscal arbitrou o VTN, desconsiderando o Laudo de Avaliação Agronômica, que avaliou o imóvel em R$ 100.374,06, para o exercício 2004. Os valores constantes da tabela IncraSIPT visam avaliações e pagamentos de áreas em processo de desapropriação feitos em TDA, com prazo de resgate em até 20 anos. Para valorar a terra nua de imóveis rurais através do SIPT é imprescindível que sejam informadas as fontes e valores utilizados, bem como, a verificação física das áreas existentes na propriedade para viabilizar e definir o VTN. Da maneira como procedeu a autoridade fiscal, o contribuinte não tem como verificar a fidedignidade das informações utilizadas, restando caracterizado o flagrante cerceamento do direito de defesa. Referente ao ADA – O § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, dispõe que as áreas de que tratam as alíneas “a” e “d” do inciso II, § 1º, deste artigo, não estão sujeita à prévia comprovação por parte do declarante. Somente se restar comprovado que os dados declarados não são verdadeiros é que serão pagos o imposto suplementar correspondente, com juros e multa. Selic – Procedeuse o cálculo dos juros atualizando desde a origem do fato gerador, utilizandose a taxa Selic, que é ilegal e inconstitucional, posto que não previsto em Lei. É o Relatório. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10218.720996/200766 Acórdão n.º 2102003.256 S2C1T2 Fl. 185 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Preliminarmente, devese examinar a alegação da defesa de que o lançamento foi lavrado com base nos dados extraídos do Sistema de Preços de Terras (SIPT), os quais não foram franqueados ao contribuinte, caracterizando cerceamento do direito de defesa. A possibilidade do arbitramento do preço da terra nua consta especificamente no art. 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, a partir de sistema a ser instituído pela Secretaria da Receita Federal. Utilizando tal autorização legislativa, a Secretaria da Receita Federal, pela Portaria SRF nº 447, de 28 de março de 2002, instituiu o SIPT, o qual seria alimentado com informações das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, bem como com os valores da terra nua da base de declarações do ITR. Vêse, portanto, que a instituição do SIPT está prevista em lei, não havendo qualquer violação ao princípio da legalidade tributária, sendo certo que, no caso vertente, a autoridade fiscal utilizou o valor da terra nua constante no sistema, já que considerou que o Laudo de Avaliação, fls. 57/69, apresentado pelo contribuinte, não atendia aos requisitos para sua confecção, de acordo com a NBR nº 14.6533 da ABNT, com a fundamentação e graus de precisão II, conforme solicitado no Termo de Intimação Fiscal, lavrado durante o procedimento fiscal. Assim, devese rejeitar a nulidade suscitada, posto que não caracterizado qualquer cerceamento do direito de defesa. No mérito, o arbitramento do VTN deve ser mantido, nos termos em que perpetrado pela autoridade fiscal, posto que, durante o procedimento fiscal, o contribuinte, intimado a comprovar o VTN declarado, apresentou Laudo de Avaliação, fls.57/69, onde está especificado que o VTN, para o exercício em questão é de R$ 100.374,06. Tal valor, destaque se é superior ao VTN declarado de R$ 38.557,50. A autoridade fiscal corretamente rechaçou o Laudo de Avaliação, posto que o mesmo não atende ao disposto na NBR/ABNT 14653 – parte 3, já que não trouxe nenhum dado de mercado efetivamente utilizado e arbitrou o VTN, utilizando para tal as informações contidas no SIPT. Nesse ponto, vale destacar que, segundo a NBR/ABNT 146533, que tem por objetivo detalhar as diretrizes e padrões específicos de procedimentos para a avaliação de imóveis rurais, é requisito obrigatório dos laudos, seja qual for o grau de fundamentação, no mínimo, três dados de mercado, efetivamente utilizados, sendo que nos graus II e III são obrigatórios no mínimo cinco dados de mercado efetivamente utilizados, sendo certo que o Fl. 185DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10218.720996/200766 Acórdão n.º 2102003.256 S2C1T2 Fl. 186 5 Laudo de Avaliação apresentado pela defesa não traz nenhum dado de mercado efetivamente utilizado e não justifica de onde retirou o VTN indicado para o exercício em questão. Digase, ainda, que para elidir o arbitramento do VTN bastaria ao contribuinte apresentar Laudo de Avaliação do imóvel, elaborado nos termos da NBR 14.6533 da ABNT. Assim, considerando que o Laudo de Avaliação, apresentado pelo contribuinte não atende aos requisitos da NBR 14.6533 da ABNT e que o valor ali especificado é bastante superior àquele declarado, devese manter o arbitramento do VTN, calculado a partir de valor extraído do SIPT, conforme autorizado pelo art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, e pela Portaria SRF nº 447, de 2002. Quanto à glosa total da área de preservação permanente a defesa afirma que no Laudo de Tipologia Vegetal, fls. 41/53, detectouse a área parcial de 10,56 ha de preservação permanente do total de 50,40 ha. Diz, ainda, que na certidão de inteiro teor do RGI consta a averbação da área de reserva legal, limitando em 80% a sua exploração, sendo que em 12/12/2000 foi averbada 50% da área e em 31/01/2001, foi complementada a averbação de mais 30% para atender a legislação vigente. De pronto, cumpre dizer que o contribuinte não declarou área de reserva legal e que a área de preservação permanente declarada de 1.493,9 ha foi totalmente glosada, sob a justificativa de apresentação intempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Aqui esclareçase, de pronto, que o ADA, fls. 29, foi apresentado em 27/08/2007, sendo informada área de preservação permanente de 10,5 ha e área de reserva legal de 1.233,8 ha. Digase, ainda, que conforme Certidão, fls. 91/93, emitida pelo Cartório Elciria Oliveira do Estado do Pará, foi averbada área de reserva legal de 800,0 ha em 12/12/2000 e de mais 462,7 ha em 31/01/2001, de modo que a área de reserva legal total averbada é 1.262,7 ha. Nesse aspecto, importante dizer que esta Turma vem consolidando o entendimento de que a apresentação intempestiva do ADA, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. Nesse sentido, temse voto proferido no Acórdão 210200.528, de 14/04/2010, do Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, que fez brilhante estudo da questão, cuja conclusão abaixo se transcreve: Mais uma vez, entretanto, como a Lei nº 6.938/81 não fixou prazo para apresentação do ADA, parece descabida a exigência feita pelo fisco federal de apresentação do ADA contemporâneo à entrega da DITR, sendo certo apenas que o sujeito passivo deve apresentar o ADA, mesmo extemporâneo, desde que haja provas outras da existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. De fato, o prazo de até seis meses para a apresentação do ADA, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR, somente veio a ser fixado na Instrução Normativa SRF nº 43, de 7 de maio de 1997, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 67, de 1 de setembro de 1997. Tal prazo permanece nas redações das Instruções SRF nºs 73, de 18 de junho de 2000, 60, de 6 de junho de 2001 e 256, de 11 de dezembro de 2002, que posteriormente foi alterada pela Instrução Normativa RFB nº 861, de Fl. 186DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10218.720996/200766 Acórdão n.º 2102003.256 S2C1T2 Fl. 187 6 17 de julho de 2008, de sorte que o referido prazo deixou de existir, no âmbito das Instruções Normativas da SRF, conforme se infere da atual redação do parágrafo 3º do art. 9º da IN SRF nº 256, de 2002: § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) observada a legislação pertinente; (Redação dada pela IN RFB nº 861, de 17 de julho de 2008) II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VIII do caput em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR, observado o disposto nos arts. 10 a 14A. (Redação dada pela IN RFB nº 861, de 17 de julho de 2008) Nessa conformidade, há de se reconhecer que a entrega intempestiva do ADA não pode ensejar a glosa de áreas de preservação permanente. Assim, devese restabelecer, para fins de cálculo do ITR, a área de preservação permanente de 10,5 ha, conforme informado no ADA. Todavia, considerando que restou devidamente comprovado que na data do fato gerador do exercício em questão constava averbação de área de reserva legal de 1.262,7 ha e que no ADA está informada área de reserva legal de 1.233,8 ha, devese acolher a hipótese de erro de fato no preenchimento da DITR e reconhecer, para fins de cálculo do ITR devido, a área de reserva legal de 1.233,8 ha, conforme consignado no ADA e solicitado no recurso pela defesa. Destaquese que a área de reserva legal estava originalmente informada como área de preservação permanente na DITR/2004. Quanto aos juros Selic, a matéria já foi pacificada neste CARF, que editou súmula, aplicável ao caso, que cristaliza o entendimento de que é legítima a aplicação dessa taxa, a saber: Súmula 1º CC nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. (publicadas no DOU, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006) Ante o exposto, VOTO por DAR PARCIAL provimento ao recurso, para reconhecer a área de preservação permanente de 10,5 ha e a área de reserva legal de 1.233,8 ha. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 187DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10218.720996/200766 Acórdão n.º 2102003.256 S2C1T2 Fl. 188 7 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.729721/2011-30
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2008
MULTA DE MORA. RECÁLCULO.
A multa de mora aplicada até a competência 11/2008 deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. MULTA GFIP.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
A multa deverá ser recalculada, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO.
O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade.
Considerar-se-á como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72.
DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO.
Em caso de simulação aplica-se a regra do artigo 173, I do CTN.
Numero da decisão: 2403-002.313
Decisão: Recurso Voluntário provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, em Preliminar, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso na questão da decadência. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza e Marcelo Freitas de Souza Costa. No Mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para o recálculo da multa do AI 37.334.8398 de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº11,941/2009 prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Por maioria de votos, em dar provimento parcial para o recálculo da multa de mora do AI 37.334.8401, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei nº 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Pelo voto de qualidade, em reconhecer devida a tributação. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza e Marcelo Freitas de Souza Costa.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas De Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Maria Anselma Coscrato Dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2008 MULTA DE MORA. RECÁLCULO. A multa de mora aplicada até a competência 11/2008 deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. MULTA GFIP. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A multa deverá ser recalculada, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Considerar-se-á como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO. Em caso de simulação aplica-se a regra do artigo 173, I do CTN.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 11080.729721/2011-30
anomes_publicacao_s : 201502
conteudo_id_s : 5431309
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2403-002.313
nome_arquivo_s : Decisao_11080729721201130.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
nome_arquivo_pdf_s : 11080729721201130_5431309.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Recurso Voluntário provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em Preliminar, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso na questão da decadência. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza e Marcelo Freitas de Souza Costa. No Mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para o recálculo da multa do AI 37.334.8398 de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº11,941/2009 prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Por maioria de votos, em dar provimento parcial para o recálculo da multa de mora do AI 37.334.8401, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei nº 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Pelo voto de qualidade, em reconhecer devida a tributação. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza e Marcelo Freitas de Souza Costa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas De Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Maria Anselma Coscrato Dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 17 00:00:00 UTC 2013
id : 5827817
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:36:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705526206464
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 38; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1920; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.729721/201130 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.313 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 17 de outubro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2008 MULTA DE MORA. RECÁLCULO. A multa de mora aplicada até a competência 11/2008 deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. MULTA GFIP. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A multa deverá ser recalculada, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Considerarseá como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO. Em caso de simulação aplicase a regra do artigo 173, I do CTN. Recurso Voluntário provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 97 21 /2 01 1- 30 Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em Preliminar, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso na questão da decadência. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza e Marcelo Freitas de Souza Costa. No Mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para o recálculo da multa do AI 37.334.8398 de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº11,941/2009 prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Por maioria de votos, em dar provimento parcial para o recálculo da multa de mora do AI 37.334.8401, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei nº 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Pelo voto de qualidade, em reconhecer devida a tributação. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza e Marcelo Freitas de Souza Costa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas De Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Maria Anselma Coscrato Dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.729721/201130 Acórdão n.º 2403002.313 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, Acórdão 1042.336 da 7 ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Dos Lançamentos Em decorrência de ação fiscal levada a efeito na empresa em epígrafe, foram lavrados os seguintes Autos de Infração: a) Auto de Infração – AI Debcad nº 37.334.8401, no valor de R$ 5.428.450,35 (cinco milhões, quatrocentos e vinte e oito mil e quatrocentos e cinqüenta reais e trinta e cinco centavos), consolidado em 03/11/2011, relativo à contribuição previdenciária da empresa incidente sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, não declaradas em GFIP, nas competências 10/2006 a 12/2008. b) Auto de Infração – AI Debcad nº 37.334.8398, no valor de R$ 792.703,60 (setecentos e noventa e dois mil, setecentos e três reais e sessenta centavos), consolidado em 03/11/2011, decorrente da apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 10/2006 a 11/2008. Consigna a autoridade lançadora, em síntese, que a autuada opera, atualmente, sob a forma jurídica de sociedade simples com responsabilidade limitada. Sua origem, no entanto, está vinculada à Associação dos Médicos do Hospital Mãe de Deus AMEMD/RS, entidade sem fins lucrativos, constituída em 29/06/1998. Tal entidade, nos termos estatutários, tinha como principais finalidades congregar os associados, promovendo o convívio e o aprimoramento profissional, intermediar eventuais negociações entre seus associados e o Hospital Mãe de Deus, bem como representálos na celebração de contratos de prestação de serviços médicos. Conforme disposto no artigo 9°, inciso V do Estatuto da AMEMD/RS, os associados deveriam prestar atendimento aos beneficiários dos planos de saúde dentro do horário e disciplina de seus consultórios e/ou instalações, recebendo a remuneração pelos serviços prestados diretamente das Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 empresas administradoras dos planos de saúde. Tal remuneração, efetivamente, constituiria base de cálculo para fins de incidência da contribuição previdenciária na condição de contribuinte individual, prevista no art. 22, inciso III, da Lei 8.212, de 24/07/1991, incluído pela Lei 9.876, de 26/11/1999. A partir de 11/10/2002, em decorrência de alteração no seu tipo jurídico, a associação passou a atuar como uma sociedade de médicos, com fins lucrativos e por cotas de responsabilidade limitada ao capital social integralizado, adotando a denominação social AMEMD SAÚDE LTDA., passando, posteriormente, para AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA., em razão do disposto no Código Civil Brasileiro de 2002. Em 15/01/2003, a AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA. passou a atuar na condição de sócio ostensivo de uma sociedade em conta de participação denominada AMEMD SAÚDE HMD SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO (AMEMD SCP), comparecendo, na condição de sócios participantes, os mesmos médicos e pessoas jurídicas prestadoras de serviços médicos que, anteriormente, integravam o quadro de associados da ASSOCIAÇÃO DOS MÉDICOS DO HOSPITAL MÃE DE DEUS. Na condição de sócia ostensiva da AMEMD SAÚDE HMD SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO (AMEMD SCP), a AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA. passou a celebrar contratos para fins de prestação de serviços médicos com inúmeras instituições administradoras de planos de saúde, comprometendose, por meio de seu quadro social, médicos e pessoas jurídicas contratadas ou autorizadas, a prestar serviços médicos aos beneficiários dos respectivos planos de saúde, percebendo, em contrapartida, a remuneração acordada para cada modalidade de atendimento. Na Sociedade em Conta de Participação os sócios participantes são aqueles que não atuam, apenas fornecem fundos para a atuação do ostensivo, que executa a atividade econômica objeto do contrato e, ao final, presta contas aos investidores. E, mesmo sendo sócios da conta de participação onde a AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA. é sócia ostensiva, esses profissionais devem ser remunerados especificamente pela prestação de serviços médicos, devendo tal remuneração ser considerada como base de incidência de contribuição previdenciária. Entretanto, os serviços médicos prestados diretamente ao sócio ostensivo eram tratados como distribuição de lucros provenientes da sociedade em conta de participação, muito embora a remuneração se efetivasse na proporção da quantidade e modalidade dos serviços correspondentes a cada participante individualmente, e não em face do montante investido, como previsto nas sociedades em conta de participação. Mesmo considerandose que a conta de participação, dada as suas características próprias, envolve diretamente um contrato Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.729721/201130 Acórdão n.º 2403002.313 S2C4T3 Fl. 4 5 de investimento, no caso em tela, não houve intenção de investir, já que o recurso aportado foi de apenas R$ 40,00 (quarenta reais) por sócio, conforme demonstra a cláusula 5ª do Instrumento Particular de Constituição da AMEMD SAÚDE HMD SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. Embora o objetivo do negócio fosse ampliar a celebração de contratos de prestação de serviços médicos para lucro de seus integrantes, a partir de um acordo entre as partes, houve a criação de uma relação jurídica simulada para encobrir a mera prestação de serviços médicos à AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA., conferindo às autoridades fiscais, a impressão de uma sociedade em conta de participação com efetiva distribuição de lucros. Pelos elementos constatados na ação fiscal, concluiu a autoridade lançadora que os valores repassados pela contribuinte autuada aos sócios da conta de participação AMEMD SAÚDE HMD não constituem distribuição de lucros e, sim, pagamentos por serviços prestados na condição de contribuintes individuais, integrando o salário de contribuição para todos os fins e efeitos, não havendo motivos que justifiquem a não incidência da contribuição previdenciária sobre os valores recebidos. Da Impugnação A ciência dos autos de infração ocorreu em 10 de novembro de 2011. A empresa apresentou impugnação, dentro do prazo legal, em 09 de dezembro de 2011. Inicialmente, descreve as principais conclusões do fisco que determinaram a lavratura dos autos de infração, concluindo que as divergências apontadas são contrárias à lei e procedidas por inadvertência do ente fiscalizador. Apresenta um histórico da Associação dos Médicos do Hospital Mãe de Deus (Associação), onde consta a finalidade, objetivos e atividades exercidas. Posteriormente, em decorrência de suas práticas empresariais, foi deliberada a sua transformação em sociedade simples de responsabilidade limitada, cuja denominação atual é AMEMD Saúde Sociedade Simples Ltda (AMEMD). Também descreve a criação da AMEMD SAÚDE HMD – Sociedade em Conta de Participação (SCP), seus sócios e objetivos. Acrescenta que o contrato estabelece que os sócios participantes podem assumir obrigações em nome individual e em seu próprio endereço, além de responderem individualmente por erro médico e qualquer responsabilidade civil ou criminal decorrente de seus atos profissionais. Registra também que, apesar de todos os sócios possuírem o mesmo número de quotas, o contrato da SCP prevê a distribuição desproporcional do resultado, calculado com base na receita proporcionada por cada sócio, independentemente de sua contribuição para o patrimônio Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 especial da SCP, e que é creditado ao sócio como distribuição de lucros da SCP. Da Preliminar de nulidade Depois de transcrever os artigos 142 do CTN e 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, refere que a autuação não observou o disposto no artigo 10, inciso IV, c/c, inciso III do artigo 11 do citado decreto, porquanto a constituição da SCP e a distribuição de resultados aos seus participantes, não infringe qualquer disposição de lei tributária ou civil, sendo ilação do fisco a ocorrência de simulação na constituição dessa SCP. Transcrevendo entendimentos da doutrina e jurisprudência sobre o tema, registra que o lançamento é um ato essencialmente formal, não admitindo erros, omissões e supressões de etapas, tornandose nulo ou anulável quando isso acontece. Dessa forma, aponta que não havendo fundamentação jurídica para embasar a descaracterização da SCP, constatase excessiva carga de discricionariedade do ente tributante, seguida de infundada atribuição de simulação, que não vieram acompanhadas de fundamento jurídico. Do direito Além da preliminar de nulidade do auto de infração, entende que por razões de direito a exação não merece prosperar, pelos seguintes argumentos: 1. Da sociedade em conta de participação SCP Com fundamento no artigo 981 do Código Civil (CC) e na organização e funcionamento da SCP, conclui que, se o sócio participante exercer o objeto social dessa sociedade, simplesmente assume o risco de ter sobre si os efeitos do artigo 993, parágrafo único, do CC, mas em nada contribui para a “suposta desconsideração” da sociedade. Em outras palavras, expõe apenas a si, não a sociedade. Em apoio a suas alegações, juntou parecer de juristas sobre o tema (doc. 06). 2. Desconsideração dos efeitos da SCP pelo Fisco Afirma que, na SCP em questão, era a AMEMD, na qualidade de sócia ostensiva, que contratava com os planos de saúde, emitia faturas e notas fiscais, recolhia os tributos devidos e assumia toda a parte negocial perante terceiros. Entretanto, o atendimento aos pacientes, simples beneficiários dos planos de saúde (contratantes), era realizado pelos sócios participantes da SCP. Dessa forma, não há razão para descaracterizar a SCP por tais práticas, na medida em que não é vedada a prestação de serviços pelos sócios participantes, sendo apenas estes responsáveis solidários pelo cumprimento das obrigações assumidas pela AMEMD com terceiros em nome da SCP quando exercerem, em nome próprio, a atividade objeto da SCP. Observa que os sócios participantes não realizavam o objeto da SCP pelo razoável entendimento de não ter o médico, que é técnico na área isolada que atua, nenhuma afinidade com os Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.729721/201130 Acórdão n.º 2403002.313 S2C4T3 Fl. 5 7 negócios a cargo da sócia ostensiva. A atividade praticada pelo sócio participante é unicamente o atendimento do beneficiário de plano de saúde. Por outro lado, o objeto da SCP não era o atendimento a pacientes, mas apenas congregar os interesses dos médicos associados em suas relações com hospitais e planos de saúde. Dessa forma, citando doutrina, reclama que a Receita Federal do Brasil não pode descaracterizar a SCP e tratar a operação como uma simulação. A impugnante também alega que não prospera o entendimento do fisco sobre a inexistência de affectio societatis entre os sócios ostensivo e participantes, pois o objeto da SCP está em sintonia com o exato conceito de SCP trazido pelo renomado jurista J. X. Carvalho de Mendonça (“trabalhando um, alguns ou todos os associados em seu nome individual para lucro comum”). Entende que os valores pagos a título de participação nos resultados ou lucros da empresa gozam da isenção prevista no artigo 28, parágrafo 9º , alínea “j", da Lei n° 8.212/91, tendo em vista a clara existência de affectio societatis, assim como a consecução do objeto social da SCP e, ainda, que a distribuição de resultado se deu nos termos do Contrato de Constituição da SCP, cláusula 20ª (“Os sócios da sociedade em conta de participação convencionam, expressamente, que os lucros serão distribuídos independente da contribuição para o patrimônio especial , de acordo com a receita proporcionada pelos negócios viabilizados por cada um dos sócios ou entre eles ajustados”). Ressalta que o fundamental para esta autuação fiscal é o fato de os médicos associados receberem, por meio da SCP, rendimentos decorrentes do atendimento aos beneficiários dos planos de saúde e hospitais (atividade do sócio participante, não da SCP), viabilizados pelos contratos firmados pelo sócio ostensivo em nome da SCP, e não rendimentos decorrentes de esforços próprios engendrados na ampliação dos negócios firmados pela SCP (atividade do sócio ostensivo e da SCP). Acrescenta, ainda, que não há fundamento fático para a alegação da fiscalização de que a SCP estaria desnaturada por violação ao artigo 991 do CC, vez que não há provas no Termo de Constatação Fiscal de que os sócios participantes teriam contribuído pessoalmente para ampliar a celebração de contratos de prestação de serviços médicos, quando agiriam, então, como sócios ostensivos no exercício da atividade social da SCP. Ademais, entende que, desconsiderar a forma de constituição de sociedade em conta de participação é afastar, em última análise, as leis, normas e princípios que a regem e que o STF não mais aceita o afastamento da aplicação da lei impositiva, nos termos enunciados na Súmula Vinculante n° 10. Transcreve ementa de julgado sobre o tema. Prossegue questionando o outro argumento utilizado pelo Fisco para descaracterizar a SCP que a distribuição dos resultados era feita de forma desproporcional à contribuição de cada sócio Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 à formação do patrimônio da SCP. Alega que não pode ser aceito, pois há amparo no artigo 1007 do CC. Assim sendo, afirma que não havendo vedação em dispositivos próprios do capítulo das sociedades em conta de participação, e diante da previsão de distribuição desproporcional de lucros no contrato de constituição da SCP pelo uso de critério diverso, é certo que não há nenhuma ilegalidade ou irregularidade ao se efetuar os pagamentos aos sócios participantes tal como dispõe o Contrato Social da SCP, em relação direta aos atendimentos realizados e não ao investimento na SCP. Não há fundamento suficiente, portanto, na utilização deste fato como mote para a desconsideração do negócio jurídico seja qual for a finalidade (tributária ou não). Inexistente relação causaefeito entre a distribuição desproporcional de resultados e a descaracterização de uma sociedade em conta de participação, como tentou impor o Fisco. Destaca que, no caso, a conta de receita bruta total amealhada por todos os sócios, ostensivo e participantes, é tributada pelo lucro presumido, e, após, abatidos tributos incidentes, as despesas administrativas, despesas operacionais, encargos, desembolsos necessários a manutenção da sociedade, o saldo positivo é distribuído aos sócios de acordo e proporcionalmente com a receita proporcionada pelos negócios viabilizados por cada sócio, independente da cota societária, tal como previsto do Contrato de Constituição da SCP. Destaca, nesse sentido, jurisprudência administrativa, da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife, Acórdão n° 1129266 de 25 de Março de 2010. Refere que os lucros ou dividendos quando pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, estão isentos do imposto de renda na fonte e na declaração de rendimentos dos beneficiários, pessoa física ou jurídica, por força do artigo 10 da Lei 9.249, de 1995 c/c arts. 654, 662 e 666 do RIR/99. Assim, igualmente, os valores pagos a título de participação nos resultados ou lucros da empresa gozam da isenção prevista no artigo 28, parágrafo 9º , alínea " j " , da Lei n° 8.212/91. Destaca que o fato de os sócios participantes terem supostamente outorgado "procurações sem objeto definido" para o sócio ostensivo constituir a SCP revela nítida congruência de interesses entre estes, evidenciando a presença do affectio societatis. Acrescenta que as procurações outorgadas efetivamente tinham objeto definido e limitado, que era o de constituir a SCP, A atuação do sócio ostensivo, por ser dinâmica, não poderia, em sua totalidade, estar prevista em um instrumento de mandato, não havendo nesse particular nenhum indício de simulação de negócio jurídico, mas mera questão pragmática que não detém força jurídica alguma de descaracterizar a SCP regularmente constituída. Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.729721/201130 Acórdão n.º 2403002.313 S2C4T3 Fl. 6 9 Aduz, por fim, ainda que por um absurdo se mantivesse desconsiderada a SCP para fins tributários ou para quaisquer outros fins a par da eventual responsabilidade solidária dos sócios participantes, não se anula a existência clara da sociedade em si (fato incontornável) no mínimo sob a égide de uma "sociedade em comum", artigo 986 do CC, cuja tributação se daria como qualquer outra pessoa jurídica, que inclusive exerceu a opção pelo lucro presumido e assim cumpriu a tempo e modo sua obrigação tributária. Ao final desse tópico, conclui que está demonstrada nos autos a efetiva existência da sociedade. 3. Da simulação Afirma que o Fisco presumiu que haveria uma subcontratação dos médicos pela AMEMD para que estes executassem o objeto dos contratos firmados em nome desta com os planos de saúde e o Hospital, razão pela qual os valores pagos aos sócios participantes da SCP constituirseiam em serviços individuais prestados e, portanto, passíveis de tributação. Refere que de acordo com o artigo 167 do CC e entendimentos doutrinários, negócio jurídico simulado é aquele praticado com o intuito de enganar terceiros através de uma relação jurídica que, na verdade, não existe, porque não representa a vontade real dos envolvidos. Destaca que com a constituição da SCP, não ocorreu a ocultação de nenhum traço da relação jurídica entre as partes: a SCP expande os negócios, com contratos, associações, parcerias, na qualidade de sócia ostensiva, e os médicos, então sócios participantes, prestam os serviços em nome próprio diretamente aos pacientes. Registra que o simples fato de os sócios da SCP prestarem serviços não descaracteriza a natureza da sociedade ou seja, não autoriza o Fisco afastar os seus efeitos para afirmar que haveria uma subcontratação, posto que não existe essa figura jurídica nem exposta nem oculta, ou seja, uma "vontade real" por parte dos profissionais de quererem possuir uma relação jurídica da subcontratação, mas sim deliberar e definir os rumos da própria sociedade então formada (SCP). Afirma que também não se pode alegar que a SCP foi criada unicamente para que os seus sócios participantes recebessem rendimentos isentos, ocultando a verdadeira natureza dos pagamentos. Na realidade, o motivo principal da transformação da ASSOCIAÇÃO na AMEMD e constituição da SCP foi a adaptação da sua estrutura societária à atividade então desenvolvida pela entidade, que, com o decorrer do tempo, acabou se tornando incompatível com a forma de associação sem fins lucrativos. Simulação alguma existiu. Ao contrário, simulação e mesmo intenção de lesar o fisco existiria se a autuada seguisse atuando Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 como associação sem fins lucrativos, tributando pelo regime do lucro presumido, e distribuindo resultados aos seus associados. Acrescenta que perde força a imputação de simulação descrita nos autos, pois é possível verificar claramente a existência de motivação suficiente para a organização das atividades da AMEMD e dos médicos associados da forma em que “engendrada” (SCP) sem que o único objetivo fosse não tributar sobre os pagamentos efetuados. Assim, havendo motivo justo, não há simulação. O suposto dolo para evitar a lei tributária não está presente, pois a maioria dos pagamentos efetuados aos sócios participantes, aproximadamente 80%, está abaixo do limite de isenção do IR. Consigna que não seria plausível que constituíssem uma SCP com o objetivo de simular uma situação jurídica para que 20% de todos os recebimentos não estivessem sujeitos à retenção do IR. Também se demonstrou nulo e abusivo o Auto de Infração que aplicou multa sobre valores que estão abaixo dos valores mínimos de isenção seja, como dito, da tabela de imposto de renda da pessoa física, seja em relação aos sócios participantes ou pessoas jurídicas (RIR/99). Salienta que nenhuma prova cabal de atuação lesiva aos interesses do fisco (conduta dolosa) como motivador principal da constituição da SCP se mostrou presente. Pelo contrário, todos os fatos apontados anteriormente justificam de forma inconteste a opção pela constituição de sociedade em conta de participação da qual os profissionais estão plenamente conscientes de que fazem parte de uma sociedade e para a qual firmaram contrato social. Ao final, destaca que todos os atos realizados pelas partes observam a legislação vigente, não havendo qualquer discordância entre a vontade e declaração. “Os efeitos jurídicos do negócio realizado correspondem ao pretendido e ao formalizado pelas partes”. Ressalta que por estas razões não estão presentes os elementos que caracterizam a simulação de um negócio jurídico e, por conseguinte, o seu afastamento para fins tributários. A boafé é presumida. A máfé deve ser demonstrada, tornando desaconselhável qualquer inversão do ônus probatório, impondo ao contribuinte a prova da escorreita atividade no desenvolvimento dos seus negócios. Entende, assim, que à falta de evidências concretas, 'dolus mains', fraude ou excesso de poderes não há que se falar, também por essa razão, em simulação. 4. Da Multa Afirma, quanto à multa aplicada, que não houve nenhuma conduta do contribuinte para reduzir a carga fiscal, pois toda a forma de exercício de suas atividades foi mantida tal qual antes da constituição da SCP. Salienta que o patamar quantitativo da multa aplicada foi de 75% sobre o valor do débito corrigido o Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.729721/201130 Acórdão n.º 2403002.313 S2C4T3 Fl. 7 11 que, além de inviabilizar qualquer tipo de pagamento, chega a um verdadeiro confisco. A aplicação da referida multa é característico ato de excessiva penalização, incidindo em confisco, que é vedado pela Constituição Federal em seu art. 150, IV. Ademais, tendo em vista a nova redação do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, dada pela Medida Provisória n° 449, de 03.12.2008, o novo percentual aplicável à multa de mora passou a ser aquele constante no artigo 61 da Lei n° 9.430/96, que, sendo mais benéfico ao sujeito passivo, deve ser aplicado, com fulcro no artigo 106, inciso II, alínea 'c', do CTN, que estabelece a retroatividade da lei mais benéfica ao contribuinte. Portanto, ainda que seja mantido o Auto de Infração, impõemse a redução da multa para uma natureza mais branda, uma vez que mais compatível com o caso em tela. 5. Da Decadência A impugnante afirma que, na remota hipótese em que remanescer a cobrança de qualquer exação, impõese, então, o reconhecimento da decadência em relação as exações e consectários legais imputados para os meses de janeiro a outubro de 2006, considerando que o Auto de Infração deuse em 10.11.2011. Isto porque a contribuição a cargo da empresa que ora se exige “se dá sobre fatos geradores ocorridos no decorrer de cada mês (art. 22, inciso I, Lei 8.212/91 e art. 201 do Decreto 3048/99), sendo certo que a Impugnante declarou e pagou mensalmente, através de GFIP, os valores ao INSS que entendeu devidos.” Refere o entendimento dado à matéria pelo STF Súmula Vinculante nº 08 e observa que deve ser aplicado à espécie o artigo 150, parágrafo 4° do CTN, contandose o prazo decadencial a partir do fato gerador ou, admitindose, a partir do momento em que a autoridade já poderia ter procedido o lançamento (mês posterior ao do fato gerador). Observa, ainda, que considerando que o artigo 150, parágrafo 4º do CTN, traz em seu bojo regra de decadência, não há como negar que, havendo prazo para pagamento do tributo, a decadência é de cinco anos, devendo, por conseguinte, à semelhança do que ocorre com o prazo prescricional, ser considerado como termo inicial da decadência o derradeiro momento do fato gerador. Entende, também, que a existência ou não do pagamento é irrelevante para fins de aplicação do prazo decadencial previsto no parágrafo 4°., consoante entendimento da jurisprudência administrativa da RFB e publicações sobre o tema. Conclui, afirmando, ainda, que dos elementos probatórios e informativos do feito, restou afastada a intenção dolosa da contribuinte, o que afasta, igualmente, o deslocamento das Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 regras de contagem de prazo para o artigo 173 do CTN. Portanto, o dies a quo de contagem do prazo de decadência deve ser o último dia do mês seguinte ao do fato gerador. 6. Conclusões Em razão do exposto, a impugnante conclui que: (a) os argumentos em que se fundou a RFB para desconsiderar os efeitos fiscais da SCP são totalmente improcedentes, na medida em que a única conseqüência da suposta prestação de serviços pelo sócio participante seria a sua responsabilidade solidária perante terceiros, assim como também não é vedada a distribuição desproporcional dos resultados obtidos pela SCP em relação ao capital investido; (b) não houve ato dissimulado praticado pelas partes, pois a vontade real correspondente perfeitamente à vontade formalizada nos atos de constituição da SCP; (c) desde a transformação da Associação em sociedade simples, com a criação da SCP, os sócios participantes e ostensivo sempre visaram ao objetivo comum da SCP; (d) há claro affectio societatis entre sócio ostensivo e participantes da SCP, sendo que tal medida conjunta, inclusive, permitiu a regularização da atuação da então Associação, que não poderia estar praticando atos negociais na qualidade de entidade sem fins lucrativos; (e) a demonstração de que 80% dos pagamentos sequer resultou em tributação (conforme demonstra tabela que cobre período de 5 anos) torna evidente que o intuito da SCP nunca foi o de obter vantagem indevida em detrimento do Fisco; (f) ainda que prevaleça a simulação imputada à AMEMD, a multa deve ser reduzida para patamar mais brando, tendo em vista não ter restado caracterizado o evidente intuito de fraude ou qualquer das hipóteses dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964; e (g) ainda, há que se reconhecer a decadência parcial das exações no período de janeiro a agosto de 2006. Requer a realização de perícia, indica assistente técnico e formula quesitos, fl. 553/555, pois entende que há necessidade de produção de provas para aferição da regular existência da SCP e da natureza jurídica dos resultados distribuídos quando dos pagamentos feitos aos sócios participantes. Sendo a receita bruta a base de cálculo dos tributos exigidos, forçoso que, frente a demonstração preliminar de que existem divergências e equívocos no auto de infração, se proceda na perícia contábil para se cotejar as informações e se alcançar a imprescindível segurança jurídica. Dos Requerimentos A impugnante requer a) sejam acolhidas as preliminares suscitadas de nulidade dos procedimentos e do próprio auto de infração, desconstituindose o lançamento fiscal e cancelandose o débito reclamado; b) caso não acolhidas, no todo ou em parte, as preliminares, no mérito, seja desconstituído o auto de infração, tornando inexigíveis as importâncias nele lançadas, por absoluta iliquidez e incerteza e, ainda, diante das conclusões acima apontadas. Em caso de entendimento diverso, requer seja retificado o auto de infração, a fim de excluir ou reduzir de seu conteúdo os Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.729721/201130 Acórdão n.º 2403002.313 S2C4T3 Fl. 8 13 valores indevidos, decaídos referente a período superior a 5 anos anteriores ao auto de infração, também reduzindo a multa cobrada, além de recalcular os valores eventualmente devidos, de acordo com as respectiva natureza. Requer, ainda, a substituição da taxa SELIC como fator de correção, recalculando os valores eventualmente devidos com outro índice que venha a substituíla. Não sendo acatados os requerimentos anteriores, requer seja o processo convertido em diligência, a fim de que possa a fiscalização, com maior segurança, aferir a verdadeira natureza jurídica da SCP. Por fim, requer a prova pericial já solicitada em tópico específico da impugnação, em atendimento aos requisitos previstos no artigo 16 do Decreto 70.235/72, e a produção de todas as provas em direito admitidas, em especial a “documental, declarações, testemunhas etc”. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega/questiona, em síntese: · Os valores pagos correspondem a distribuição de lucros. · O lucro não é tributado pela previdência. · Nulidade. Ausência de fundamentos jurídicos para o lançamento. · Indeferimento da perícia. · Numa Sociedade em Conta de Participação SCP, quando o sócio participante toma parte nas relações com terceiros, a única conseqüência é a responsabilidade solidária pelas obrigações que intervier. · O Fisco está distante da verdade real. · Questiona o entendimento do Fisco de que houve simulação. · Não é vedada a prestação de serviço pelos sócios participantes diretamente aos clientes da SCP. · Os médicos não realizavam o objeto da SCP (celebrar contratos de prestação de serviços médicos) · Defende que todo procedimento, por meio da SCP, está correto. Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 · A transformação de uma associação para uma Sociedade Simples Ltda, seguida de uma SCP, se deu de boa fé. · Questiona a multa aplicada. · Questiona SELIC. · Decadência. É o relatório Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.729721/201130 Acórdão n.º 2403002.313 S2C4T3 Fl. 9 15 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. O presente processo é constituído por dois créditos, um decorrente de obrigação principal e outro decorrente de obrigação acessória. A obrigação acessória em questão é a declaração dos fatos geradores, objeto da obrigação principal, de modo que, para a questão da incidência, o que se resolver na obrigação principal, define a obrigação acessória. NULIDADE A recorrente pleiteia a nulidade do lançamento por entender que efetivamente distribuiu lucro, que não existe fundamentação para o lançamento e que é ilação do fisco a ocorrência de simulação na constituição dessa SCP. Não concordo com a recorrente. Entendo que os lançamentos fiscais preenchem todos os requisitos formais e materiais estabelecidos pela legislação. A questão da simulação, central para entender e julgar o processo, será tratada adiante. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO A sociedade em conta de participação(direito brasileiro) é uma sociedade empresária que vincula, internamente, os sócios. É composta por duas ou mais pessoas, sendo que uma delas necessariamente deve ser empresário ou sociedade empresária. Atualmente, os artigos de 991 a 996 do Código Civil brasileiro dispõem sobre essa modalidade societária. Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 Da Sociedade em Conta de Participação Art. 991. Na sociedade em conta de participação, a atividade constitutiva do objeto social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, participando os demais dos resultados correspondentes. Parágrafo único. Obrigase perante terceiro tãosomente o sócio ostensivo; e, exclusivamente perante este, o sócio participante, nos termos do contrato social. Art. 992. A constituição da sociedade em conta de participação independe de qualquer formalidade e pode provarse por todos os meios de direito. Art. 993. O contrato social produz efeito somente entre os sócios, e a eventual inscrição de seu instrumento em qualquer registro não confere personalidade jurídica à sociedade. Parágrafo único. Sem prejuízo do direito de fiscalizar a gestão dos negócios sociais, o sócio participante não pode tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros, sob pena de responder solidariamente com este pelas obrigações em que intervier. Art. 994. A contribuição do sócio participante constitui, com a do sócio ostensivo, patrimônio especial, objeto da conta de participação relativa aos negócios sociais. § 1oA especialização patrimonial somente produz efeitos em relação aos sócios. § 2oA falência do sócio ostensivo acarreta a dissolução da sociedade e a liquidação da respectiva conta, cujo saldo constituirá crédito quirografário. § 3oFalindo o sócio participante, o contrato social fica sujeito às normas que regulam os efeitos da falência nos contratos bilaterais do falido. Art. 995. Salvo estipulação em contrário, o sócio ostensivo não pode admitir novo sócio sem o consentimento expresso dos demais. Art. 996. Aplicase à sociedade em conta de participação, subsidiariamente e no que com ela for compatível, o disposto para a sociedade simples, e a sua liquidação regese pelas normas relativas à prestação de contas, na forma da lei processual. Parágrafo único. Havendo mais de um sócio ostensivo, as respectivas contas serão prestadas e julgadas no mesmo processo. A constituição da Sociedade em Conta de Participações (SCP) não está sujeita às formalidades legais prescritas para as demais sociedades, não sendo necessário o registro de seu contrato social na Junta Comercial. O empreendimento é realizado por dois tipos de sócios: o sócio ostensivo e o sócio participante (esta denominação surgiu com o CC/2002, antes esse sócio era conhecido como sócio oculto). Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.729721/201130 Acórdão n.º 2403002.313 S2C4T3 Fl. 10 17 Na Sociedade em Conta de Participação, o sócio ostensivo é o único que se obriga para com terceiro; os outros sócios ficam unicamente obrigados para com o mesmo sócio por todos os resultados das transações e obrigações sociais empreendidas nos termos precisos do contrato. Unicamente o sócio ostensivo (necessariamente empresário ou sociedade empresária) realiza em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade os negócios jurídicos necessários para ultimar o objeto do empreendimento e responde pelas obrigações sociais não adimplidas. O sócio participante, em contraposição, não tem qualquer responsabilidade jurídica relativa aos negócios realizados em nome do sócio ostensivo, participando dos resultados correspondentes. O sócio participante não pode tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros, sob pena de responder solidariamente com este pelas obrigações em que intervier. Os resultados das SCP devem ser apurados pelo sócio ostensivo, que também é responsável pela declaração de rendimentos e pelo recolhimento dos tributos e contribuições devidos pela SCP. SIMULAÇÃO A recorrente argumenta que o Fisco está distante da verdade real, questiona o entendimento do Fisco de que houve simulação, afirma que não é vedada a prestação de serviço pelos sócios participantes diretamente aos clientes da SCP, que os médicos não realizavam o objeto da SCP (celebrar contratos de prestação de serviços médicos) e defende que todo procedimento, por meio da SCP, está correto. Iniciarei apresentando dados do Relatório Fiscal, na seqüência doa decisão recorrida e concluo com entendimento próprio. O fisco, conforme Relatório Fiscal, considerou que houve simulação. 9.10. Configurase, assim, uma situação que ultrapassa os limites da legislação, na medida em que resta evidente que a celebração do negócio jurídico sob a forma de sociedade em conta de participação, tinha por finalidade a reinserção dos médicos e pessoas jurídicas prestadoras de serviços integrantes da ASSOCIAÇÃO DOS MÉDICOS DO HOSPITAL MÃE DE DEUS, que buscavam evitar o risco de uma eventual responsabilidade civil decorrente de erro médico praticado por qualquer um dos demais integrantes do quadro social, Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 conforme declaração prestada pela AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA. (doc. n.° 5662), abaixo transcrita: "Foi quando a SCP se mostrou como uma alternativa para manter os médicos congregados, sem que, no entanto, entre eles se estabelecesse uma sociedade limitada já que uma questão levantada na época a impedir tal associação regular foi de que os médicos não queriam responder por eventuais indenizações por erros médicos causados individualmente por seus colegas aos respectivos pacientes." 9.11. Ademais disso, buscavam tratar os serviços médicos prestados diretamente ao sócio ostensivo como distribuição de lucros provenientes da sociedade em conta de participação, muito embora a remuneração se efetivasse na proporção da quantidade e modalidade dos serviços correspondentes a cada participante individualmente, e não em face do montante investido, como previsto nas sociedades em conta de participação. Releva acentuar, sobretudo, que mesmo considerandose que a conta de participação, dada as suas características próprias, envolve diretamente um contrato de investimento, no caso em tela, não houve intenção de investir, já que o recurso aportado foi de apenas R$ 40,00 (quarenta reais) por sócio (...). 9.12. Por todo o exposto, resta evidente que, muito embora o objetivo do negócio fosse ampliar a celebração de contratos de prestação de serviços médicos para lucro de seus integrantes, a partir de um acordo entre as partes, houve a criação de uma relação jurídica simulada para encobrir a mera prestação de serviços médicos à AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA., conferindo às autoridades fiscais, a impressão de uma sociedade em conta de participação com efetiva distribuição de lucros. Comprovase, assim, a existência de um negócio jurídico contrário à realidade, destinado a produzir um efeito diverso do ostensivamente indicado, seja por não existir negócio de fato, seja por existir um negócio diferente daquele que se apresenta. 9.13. Nesses termos, fica caracterizada, portanto, a presença inequívoca dos requisitos essenciais à simulação: a divergência intencional entre a vontade e a declaração, emanada do acordo entre os contraentes, com o intuito de enganar ou iludir terceiros. Não há dúvida de que o motivo para o qual foi criado o negócio jurídico simulado mediante a constituição da AMEMD SAÚDE HMD SCP foi a supressão da incidência previdenciária sobre a remuneração de serviços prestados pelos supostos sócios participantes ao suposto sócio ostensivo, buscando, ainda, a preservação de seus patrimônios individuais. Em verdade, o interesse das partes era atuar de forma isolada e não em sociedade. 10. Cumpre destacar, sobretudo, que a Fiscalização não pretende contestar a existência ou a validade do negócio jurídico, mas somente os efeitos por ele produzido. Se o contribuinte, tendo praticado um ato ou negócio que configure a Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.729721/201130 Acórdão n.º 2403002.313 S2C4T3 Fl. 11 19 hipótese de incidência de uma norma tributária, pretender, de maneira dissimulada, ocultar sua realização, poderá o fisco desqualificar o ato ou negócio aparente para buscar a realidade subjacente, a fim de cobrar o tributo efetivamente devido. 10.1. Nesse sentido, é válido salientar o que dispõe o artigo 118 do Código Tributário Nacional CTN, in verbis: "Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos." 10.2.De feito, a obrigação tributária surge no momento em que é praticado o ato jurídico ou celebrado o negócio que a lei tributária erigiu como fato gerador do tributo. Para a lei tributária não importa que o verdadeiro ato jurídico ou negócio tenha sido ocultado pelas partes; o que interessa é apurar se ocorreu ou não a hipótese de incidência. Esta ocorrida, ainda que mascarada sua existência, incide o tributo correspondente. Se o negócio simulado encobrir um outro negócio jurídico, este último é que terá relevância para efeitos de tributação, já que, no direito tributário, não interessa a divergência entre vontade negocial simulada ou séria, mas sim entre o resultado econômico simulado e o efetivo. Atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária encaixamse perfeitamente em uma das hipóteses do artigo 102 do Código Civil Brasileiro. 11. Por todo o exposto, resta claro que os valores repassados pelo contribuinte autuado aos sócios da conta de participação AMEMD SAÚDE HMD não constituem distribuição de lucros e, sim, pagamentos por serviços prestados na condição de contribuintes individuais, integrando o salário de contribuição para todos os fins e efeitos, não havendo motivos que justifiquem a não incidência da contribuição previdenciária sobre o mesmo. 12. Os valores apurados neste lançamento fiscal destinamse à Previdência Social e referemse ao descumprimento das obrigações principais e acessórias, conforme dispõe a Lei 8.212, de 24/07/1991, capítulo X artigos 30, 31 e 32, regulamentados pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999, Livro III, capítulo VIII, Seções I, II e III, com alterações feitas pela Lei 11.941, de 27/05/2009. Também o julgamento de primeira instância, por unanimidade de votos, entendeu que houve simulação. Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 Da simulação O artigo 167 e seu parágrafo 1º, do Código Civil de 2002 (Lei nº 10.406, de 10/01/2002), assim estabelecem: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira ; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados Além do texto legal, também é importante ter em vista a posição da doutrina a respeito do significado e do alcance desse ato. De Plácido e Silva, no livro Vocabulário Jurídico, Volume IV, pág. 235, Editora Forense, 1993, assim leciona: SIMULAÇÃO. Do latim simulatio, de simulare (usar fingimento, usar artifício), a simulação é o artifício ou o fingimento na prática ou na execução de um ato, ou contrato, com a intenção de enganar ou de mostrar o irreal como verdadeiro, ou lhe dando aparência que não possui. [...]Simulação. No sentido jurídico, sem fugir ao sentido normal, é o ato jurídico aparentado enganosamente ou com fingimento, para esconder a real intenção ou para subversão da verdade. Na simulação, pois, visam sempre os simuladores a fins ocultos para engano e prejuízo de terceiros. Praticamente, a simulação resulta da substituição de um ato jurídico por outro, ou da prática de um ato sob aparência de um outro, como com a alteração de seu conteúdo ou de sua data, para esconder a realidade do que se pretende. [...] A simulação poderá ser definida como a declaração de vontade irreal, emitida conscientemente, mediante acordo entre as partes, objetivando a aparência de um negócio jurídico que não existe ou que, se existe, é distinto daquele que efetivamente se realizou, com o objetivo de enganar terceiros. No ato simulado ocorre a divergência entre a declaração exteriorizada, pelo sujeito ou sujeitos, que pretendem seja visível em relação a terceiros, e a vontade ou declaração interna, que pretendem seja a vigente entre elas, declaração essa necessária para que tenha eficácia a real intenção das partes, escondida por trás da declaração aparente. No processo de simulação há uma deformação da declaração de vontade das partes, conscientemente desejada, com o objetivo de induzir terceiros (inclusive o Fisco) ao erro ou engano. No caso em apreço, mediante a situação verificada pela fiscalização, caracterizada no Relatório do Procedimento Fiscal, concluise, claramente, que ocorreu uma inadequação entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta e a substância ou natureza do fato gerador efetivamente realizado. Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.729721/201130 Acórdão n.º 2403002.313 S2C4T3 Fl. 12 21 Conseqüentemente, tratandose da verificação dos fatos geradores das contribuições objeto da ação fiscal, ao contrário do que entende a Impugnante, o fato dos atos formais ostentarem legalidade não garante a legitimidade do conjunto de operações. O artigo 118 do CTN reforça a dicotomia entre os planos de validade e da eficácia, ressaltando que o direito tributário pode não se preocupar com a validade dos atos, mas tão somente com os efeitos dentro de seu espectro de incidência: Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I – da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II – dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Portanto, comprovada a simulação, cabe à Fazenda Pública desconsiderar os efeitos dos atos viciados para que se operem conseqüências no plano da eficácia tributária, independentemente, inclusive, de prévia manifestação judicial a respeito da validade do ato viciado. Os elementos probatórios da simulação. O caso dos autos Dos autos, extraise, em síntese, o seguinte: A pessoa jurídica fiscalizada, atualmente, opera sob a forma jurídica de sociedade simples com responsabilidade limitada. Sua origem, entretanto, encontrase vinculada à Associação dos Médicos do Hospital Mãe de Deus, entidade sem fins econômicos, constituída em 29 de junho de 1998. Segundo consta no seu estatuto a associação tinha por finalidades congregar os associados, promovendo o convívio e o aprimoramento profissional, intermediar eventuais negociações de seus associados com o Hospital Mãe de Deus e, ainda, representar os associados na celebração de contratos de prestação de serviços médicos. Conforme dispõe o artigo 9°, inciso V do Estatuto da Associação dos Médicos do Hospital Mãe de Deus, os associados deveriam prestar atendimento aos beneficiários dos planos de saúde dentro do horário e disciplina de seus consultórios e/ou instalações, recebendo a remuneração pelos serviços prestados diretamente das empresas administradoras dos planos de saúde. Em 11 de outubro de 2002, foi aprovada uma modificação do tipo jurídico da associação, que passou a atuar como uma sociedade de médicos, com fins econômicos e responsabilidade limitada ao capital social, cuja razão social passou a ser AMEMD Saúde Ltda, a qual, posteriormente, em razão da disciplina de sociedades estabelecida no Código Civil Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 Brasileiro de 2002, passou para AMEMD Saúde Sociedade Simples Ltda. Posteriormente, foi constituída a AMEMD Saúde HMD Sociedade em Conta de Participação (SCP), sendo que a conjuntura social da referida sociedade em conta de participação foi fixada de modo que a AMEMD Saúde Sociedade Simples Ltda (AMEMD) ocupou a posição de sócia ostensiva desta, passando a celebrar os contratos de prestação de serviços médicos com as empresas administradoras de planos de saúde e através do seu quadro social ou de médicos e pessoas jurídicas autorizadas, passou a prestar serviços médicos aos beneficiários dos respectivos planos, destacandose o fato de que todos os médicos integrantes do quadro social da autuada que, antes, integravam o quadro de associados da Associação dos Médicos do Hospital Mãe de Deus AMEMD/ RS, são os sócios participantes. Observese que, as Cláusulas 2ª e 3ª do instrumento particular de constituição da SCP, estabelecem que os sócios participantes executam procedimentos médicos em seu nome individual e que também respondem individualmente por erros médicos e, ao final, como remuneração por esses serviços, devem receber “lucros”. Os valores repassados aos sócios participantes (pessoas físicas) da sociedade em conta de participação, a titulo de “lucros”, foram efetivados conforme planilhas de fls. 884/979, e estão registrados na contabilidade da autuada, conforme depreendese dos itens 14 e 15 do Relatório do Procedimento Fiscal. Os sócios da SCP convencionaram que os lucros são distribuídos independentemente da contribuição para o patrimônio especial ( R$ 40,00 por sócio), de acordo com a receita proporcionada pelos negócios viabilizados por cada um dos sócios ou entre eles ajustadas (Cláusula 20 do Instrumento de Constituição da SCP): Cláusula 20ª : Os sócios da sociedade em conta de participação convencionam, expressamente, que os lucros serão distribuídos independente da contribuição para o patrimônio especial, de acordo com a receita proporcionada pelos negócios viabilizados por cada um dos sócios ou entre eles ajustadas. Ademais, não se vislumbra como poderá ser obtido o lucro comum, previsto na Cláusula 2ª do instrumento de constituição da SCP, fl. 275, pois não há previsão de rateio entre os sócios. A SCP não é uma verdadeira sociedade, no sentido mais técnico da expressão, na medida em que não possui personalidade jurídica, não contraindo obrigações e direitos em nome próprio. Dessa forma, quando os sócios participantes da conta de participação designada AMEMD SAÚDE HMD prestam serviços de atendimento a pacientes beneficiários de planos de saúde, em virtude de contratos celebrados pela AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA., sócia ostensiva, eles, com efeito, não estão prestando serviços para a sociedade em conta de participação, já que, apesar do seu Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.729721/201130 Acórdão n.º 2403002.313 S2C4T3 Fl. 13 23 título, ela não tem personalidade jurídica e, portanto, não contrai obrigações e direitos em nome próprio, mas apenas o faz seu sócio ostensivo, a quem incumbe gerir o negócio como se a conta de participação não existisse aos olhos dos terceiros com quem contrata. Notese, então, que mesmo sendo sócios da conta de participação onde a AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA. é sócia ostensiva, esses profissionais devem ser remunerados especificamente pela prestação de serviços médicos, devendo tal remuneração ser considerada como base de incidência de contribuição previdenciária. Nos termos do artigo 996 do Código Civil, as normas aplicáveis às sociedades simples também o são às sociedades em conta de participação, mas, como bem salientado no artigo em referência: “subsidiariamente e no que com ela for compatível”. Nesse contexto citase as razões expostas no item 9.9 do Relatório do Procedimento Fiscal, que justificam o entendimento ora exposto: Também é claro que os dispositivos que normatizam as sociedades simples podem ser aplicados às sociedades em conta de participação, mas o legislador é preciso ao complementar, "subsidiariamente e no que com ela for compatível". E justamente isso, de modo proposital, foi deixado de lado pelo fiscalizado; Assim, aplicase à sociedade em conta de participação, por exemplo, o sistema de deliberação por maioria, e suas exceções, a necessária participação nos lucros, as responsabilidades do sócio ostensivo por atos de gestão, o direito de retirada, etc., previstos para as sociedades simples. Por outro lado, a possibilidade de contribuição dos sócios participantes em serviços é algo completamente contrário à natureza jurídica da sociedade em conta de participação, e jamais poderá ser admitida; Ou seja, a inteligência do código civil é evidente ao intérprete de boafé: tomadas as regras previstas para as sociedades simples, podemos e devemos considerálas aplicáveis às SCP, desde que não sejam contrárias a própria natureza do instituto conta de participação; E sendo a natureza jurídica da SCP uma sociedade de investimento, onde os sócios participantes entregam recursos ao ostensivo a fim de que este, de forma exclusiva e isolada, empreenda e, posteriormente, retorne lucros aos investidores, admitir a aplicação do artigo 997, inciso V, do Código Civil à SCP é o mesmo que desfigurála irremediavelmente; Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 24 imaginar que pessoas não integrantes do quadro de sócios ou empregados da AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA., que atendiam pacientes enviados pelos planos de saúde, poderiam ser tratadas como se fossem sócios participantes da AMEMD SAÚDE HMD, prestando serviços em nome da sociedade em conta de participação (que sequer é dotada de personalidade), e ainda remunerados diretamente pela distribuição de lucros, contrasta as normas civis e tributárias que regulam essa forma de sociedade.’ Aceitase, assim, pelos elementos dos autos, a conclusão da autoridade lançadora acerca da situação verificada na ação fiscal, constante dos itens 9.10, 9.11 e 9.12, do Relatório do Procedimento Fiscal: 9.10. Configurase, assim, uma situação que ultrapassa os limites da legislação, na medida em que resta evidente que a celebração do negócio jurídico sob a forma de sociedade em conta de participação, tinha por finalidade a reinserção dos médicos e pessoas jurídicas prestadoras de serviços integrantes da ASSOCIAÇÃO DOS MÉDICOS DO HOSPITAL MÃE DE DEUS, que buscavam evitar o risco de uma eventual responsabilidade civil decorrente de erro médico praticado por qualquer um dos demais integrantes do quadro social, conforme declaração prestada pela AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA. (doc. n.° 5662), abaixo transcrita: "Foi quando a SCP se mostrou como uma alternativa para manter os médicos congregados, sem que, no entanto, entre eles se estabelecesse uma sociedade limitada já que uma questão levantada na época a impedir tal associação regular foi de que os médicos não queriam responder por eventuais indenizações por erros médicos causados individualmente por seus colegas aos respectivos pacientes." 9.11. Ademais disso, buscavam tratar os serviços médicos prestados diretamente ao sócio ostensivo como distribuição de lucros provenientes da sociedade em conta de participação, muito embora a remuneração se efetivasse na proporção da quantidade e modalidade dos serviços correspondentes a cada participante individualmente, e não em face do montante investido, como previsto nas sociedades em conta de participação. Releva acentuar, sobretudo, que mesmo considerandose que a conta de participação, dada as suas características próprias, envolve diretamente um contrato de investimento, no caso em tela, não houve intenção de investir, já que o recurso aportado foi de apenas R$ 40,00 (quarenta reais) por sócio(...). 9.12. Por todo o exposto, resta evidente que, muito embora o objetivo do negócio fosse ampliar a celebração de contratos de prestação de serviços médicos para lucro de seus integrantes, a partir de um acordo entre as partes, houve a criação de uma relação jurídica simulada para Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.729721/201130 Acórdão n.º 2403002.313 S2C4T3 Fl. 14 25 encobrir a mera prestação de serviços médicos à AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA., conferindo às autoridades fiscais, a impressão de uma sociedade em conta de participação com efetiva distribuição de lucros. Comprovase, assim, a existência de um negócio jurídico contrário à realidade, destinado a produzir um efeito diverso do ostensivamente indicado, seja por não existir negócio de fato, seja por existir um negócio diferente daquele que se apresenta. Quanto à falta de execução material da vontade exteriorizada, é de se ver que esta circunstância é decisiva para caracterizar um negócio como simulado. Na execução apenas formal do negócio jurídico, este leva a mutações jurídicas que só se manifestam no campo do direito, comportandose os contraentes, de fato, de acordo com outro negócio jurídico ou como se não tivesse negócio algum. Assim, devese verificar se o contrato produziu mutação nas relações jurídicas apenas no campo do direito, ou se os contratantes continuam a agir como antes. No presente caso, evidenciase que as partes atuam de forma isolada, é o que está ajustado no Instrumento Particular de Constituição da SCP, cláusulas 2ª e 3ª, a seguir reproduzidas. Cláusula 2ª : Os sócios participantes devem sempre assumir obrigações em seu nome individual, em seu respectivo endereço, haja vista que a sociedade em conta de participação não possuirá razão social, nem sede. Cláusula 3ª :Os sócios respondem individualmente e exclusivamente por erro médico, responsabilidade ético, civil e criminal oriundas de seus atos profissionais. Ademais disso, a remuneração dos sócios é proporcional à quantidade e modalidade dos serviços prestados individualmente e não em face do montante investido, como previsto nas sociedades em conta de participação, conforme consignado no item 9.11 do Relatório do Procedimento Fiscal. 9.11. Ademais disso, buscavam tratar os serviços médicos prestados diretamente ao sócio ostensivo como distribuição de lucros provenientes da sociedade em conta de participação, muito embora a remuneração se efetivasse na proporção da quantidade e modalidade dos serviços correspondentes a cada participante individualmente, e não em face do montante investido, como previsto nas sociedades em conta de participação. Releva acentuar, sobretudo, que mesmo considerandose que a conta de participação, dada as suas características próprias, envolve diretamente um contrato de investimento, no caso em tela, não houve intenção de investir, já que o recurso aportado foi de apenas R$ 40,00 (quarenta reais) por sócio, conforme demonstra a cláusula 5ª do Instrumento Particular de Constituição da AMEMD SAÚDE HMD SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. Certamente, que tal valor Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 26 não constitui um verdadeiro aporte para a formação de um fundo social. Tais elementos evidenciam que o interesse das partes é agir de forma isolada e não como uma sociedade. Na verdade, os contratantes continuam a agir como operavam quando estavam vinculados à Associação, que foi extinta, resultando, em conseqüência, numa prestação de serviços dos sócios participantes à autuada. A impugnante, por sua vez, alega que a partir do Código Civil de 2002, a simulação passou a caracterizarse pela presença de um dos elementos objetivos do artigo 167: a) por interposta pessoa; b) quanto à natureza ou o conteúdo do negócio; e c) quanto à falsidade da data. Ainda, diz a impugnante, que na constituição da SCP não existe vontade de enganar terceiros e que o simples fato de os sócios participantes prestarem serviços não autoriza o fisco a interpretar que estaria ocorrendo a contratação desses sócios pela autuada, determinando, por conseqüência, a descaracterização da sociedade. Tais argumentos não prosperam, pois, reiterese, a ação do fisco é tão somente de busca da verdade material dos fatos e para tanto não precisam ser anulados os atos jurídicos simulados pelo contribuinte. No âmbito do Direito Tributário, a conseqüência atribuída ao ato simulado é diferente da anulabilidade – que opera efeitos no plano da validade; ela acontece no plano da eficácia: os atos simulados não tem eficácia contra o fisco. Observese, mais uma vez, que não ocorreu a alegada descaracterização da sociedade em conta de participação, mas a identificação da real natureza dos valores repassados aos sócios participantes desta sociedade. Quanto à discrepância entre os atos praticados e a conduta das partes, neste aspecto, evidenciase a ficção do negócio jurídico. No caso dos autos, para as autoridades fiscais, a sócia ostensiva e os sócios participantes simulavam e informavam a existência de uma sociedade em conta de participação, entretanto, o que realmente acontecia era a mera prestação de serviços médicos pelos sócios participantes diretamente à AMEMD, sócia ostensiva. A impugnante argumenta, também, que não há a simulação indicada nos autos, pois é possível verificar claramente a existência de motivação suficiente para a organização das atividades da AMEMD e dos médicos associados da forma em que “engendrada” (SCP) sem que o único objetivo fosse a não tributação sobre os pagamentos efetuados. Tal argumento não pode ser aceito, pois os elementos já expostos demonstram a celebração de negócio jurídico por meio do qual, perante as autoridades fiscais, os contratantes apresentam uma sociedade em conta de participação, que efetuava a distribuição de lucros, no entanto, restou evidenciada a prestação de serviços à AMEMD Saúde Sociedade Simples Ltda que, na verdade, remunerava a prestação de serviços médicos como se distribuição de lucros fosse. Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.729721/201130 Acórdão n.º 2403002.313 S2C4T3 Fl. 15 27 Isto porque a sociedade em conta de participação não é dotada de personalidade, assemelhandose a um mero contrato de investimentos. Em razão disso, ela não tem aptidão para exercer direitos ou assumir obrigações na ordem jurídica. Tanto é assim que, conforme previsão contida no artigo 991 do Código Civil Brasileiro, a atividade constitutiva do objeto social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, participando os demais sócios somente dos resultados correspondentes. Os sócios participantes, por terem confiado em habilidades empresariais do sócio ostensivo, simplesmente entregamlhe recursos. Este último, executa a atividade econômica objeto do contratado e presta contas aos investidores. Portanto quando os sócios participantes atendem pacientes enviados pelos planos de saúde em razão de contratos celebrados entre as empresas administradoras desses planos e a AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA (sócia ostensiva), eles, em verdade, estão prestando serviços para esta última, pois foi ela que, em nome individual, assumiu o compromisso contratual de atender aqueles pacientes. Observese, assim, que, muito embora sejam sócios da conta de participação onde a AMEMD Saúde Sociedade Simples Ltda é sócia ostensiva, essas pessoas devem ser remuneradas especificamente pelo fato da prestação de serviços médicos, que corresponde a rendimento sujeito à incidência da contribuição previdenciária. Nesse contexto importa aduzir, novamente, que as pessoas físicas autorizadas a atender os beneficiários dos planos de saúde eram sempre os sócios participantes da conta de participação onde a AMEMD Saúde Sociedade Simples Ltda aparecia como sócia ostensiva. Esta última, após receber a remuneração paga pelos tomadores de serviços, apurava e recolhia os tributos incidentes diretamente sobre suas receitas. Depois, efetuava a retenção de uma taxa administrativa e, então, pagava diretamente aos sócios participantes da SCP, de acordo com o volume e modalidade de serviços prestados. Este pagamento, entretanto, não era realizado a título de remuneração por serviços prestados para a própria AMEMD Saúde Sociedade Simples Ltda, mas sim, diretamente, como distribuição de lucros decorrentes da conta de participação. Diante de tais elementos, constatase que o negócio jurídico simulado de constituição da conta de participação (que era aparente para o fisco), seguido do pagamento de “lucros” que teriam sido aderidos naquele investimento, dissimulava (acobertava) a efetiva natureza dos pagamentos efetuados pela AMEMD Saúde Sociedade Simples Ltda às pessoas físicas, contribuintes individuais da Previdência Social, que lhe prestavam serviços médicos. Observese, ainda, que, em sendo verificado no procedimento fiscal que a efetiva natureza dos valores pagos pela AMEMD Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 28 Saúde Sociedade Simples Ltda aos segurados contribuintes individuais era de remuneração pelos serviços prestados, não prosperam os argumentos de que os valores em questão estariam isentos da contribuição previdenciária com fundamento na previsão do artigo 28, parágrafo 9º , alínea " j ", da Lei n° 8.212/91, já que tal isenção trata da participação do empregado nos lucros ou resultados das empresas. Minha conclusão é que houve simulação. Pesquisando nos autos, constatei que a recorrente tem como objeto social a prestação de serviços na área da saúde. AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA OBJETO SOCIAL Cláusula 3ª: O objetivo da sociedade é de prestação de serviços na área da saúde, tratamento de pacientes, conveniados ou não, podendo associarse, parcerizarse com outros médicos e clínicas para o bem estar pleno dos pacientes e clientes. Nome de fantasia: AMEMD (CLÁUSULA 2ª) 05/08/2003 A AMEMD SAÚDE SCP, foi constituída em 15/01/2003, com 368 sócios participantes, que evoluiu gradativamente até atingir 693 sócios participantes em 18/05/2008 e tinha como condição para participar da sociedade ser médico credenciado ou contratado para prestar serviço no Hospital Mãe de Deus. Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.729721/201130 Acórdão n.º 2403002.313 S2C4T3 Fl. 16 29 A recorrente alega que o objeto social da AMEMD SAÚDE SCP era somente celebração de contratos de prestação de serviços médicos. Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 30 É evidente que ao contratar prestação de serviços, a prestação de serviço deve acontecer (objeto social da recorrente) e, conforme visto, essa prestação de serviço era efetuada pelos sócios participantes. Numa SCP legalmente constituída, conforme visto acima, unicamente o sócio ostensivo realiza em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade os negócios jurídicos necessários para ultimar o objeto do empreendimento e responde pelas obrigações sociais não adimplidas. O sócio participante, em contraposição, não tem qualquer responsabilidade jurídica relativa aos negócios realizados em nome do sócio ostensivo, participando dos resultados correspondentes. O sócio participante não pode tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros, sob pena de responder solidariamente com este pelas obrigações em que intervier. Na Sociedade em Conta de Participação, o sócio ostensivo é o único que se obriga para com terceiro; os outros sócios ficam unicamente obrigados para com o mesmo sócio por todos os resultados das transações e obrigações sociais empreendidas nos termos precisos do contrato. Resumindo os fatos: a recorrente firmou contratos de prestação de serviço médico, em seu nome, e os médicos prestaram o serviço contratado e pelo seu trabalho foram remunerados. Por meio da SCP, a sócia ostensiva (recorrente) e os sócios participantes simulavam e informavam a existência de uma sociedade em conta de participação. Entendo que efetivamente as bases de cálculo correspondem à remuneração pelos serviços prestados e não a lucro distribuído. DECADÊNCIA A recorrente requer a aplicação da regra do § 4º do artigo 150 do CTN para a definição do prazo decadencial. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.729721/201130 Acórdão n.º 2403002.313 S2C4T3 Fl. 17 31 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Com base na conclusão acerca da simulação, acima apresentada, entendo que a regra a prevalecer deve ser a do artigo 173, I. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Os fatos geradores compreendem o período de 10/2006 a 12/2008/. A ciência do lançamento ocorreu em 10/11/2011. Entendo o lançamento não foi atingido pela decadência. PERÍCIA. A recorrente questiona o indeferimento da perícia requerida quando da impugnação. Está claro na decisão recorrida que a resposta aos quesitos formulados se daria pela juntada de documentos da própria recorrente ao processo. A recorrente não juntou provas à impugnação e pretendeu juntálas por meio de perícia. No presente caso, examinandose os quesitos propostos, observase que as informações desejadas pela impugnante poderiam ter sido por ela providenciadas no prazo que a legislação tributária lhe garante para a impugnação do lançamento, nos termos dos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações, sem exceção, pois estão nos documentos/registros contábeis/fiscais em poder da própria autuada ou dependem de simples cálculos ou demonstrativos. Não impõem a realização de perícia e elaboração de laudos; dependem, simplesmente, de providências da interessada. Senão, vejamos: Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 32 Quesito a): Para identificar o regime tributário adotado pela AMEMD, é só juntar a cópia da declaração anual entregue à RFB, que está com a autuada. Quesitos b) e c): Quanto a indicação, mês a mês, dos resultados líquidos da sociedade e, em comparação, dos valores que foram efetivamente pagos, em cada mês, ao sócios participantes, discriminadamente, bem como a identificação de eventuais discrepâncias na apuração dos valores exigidos, a autuada poderia ter elaborado relações/demonstrativos já que dispõe de todas as informações e registros contábeis/fiscais. Observese que, segundo consta do item 13, do Relatório do Procedimento Fiscal: 13. Serviram de base para a apuração do crédito, consoante o disposto no item 3 supra, todos os elementos fornecidos pelo autuado quando da realização do MPF 10.1.01.002010000190, quais sejam:. (...) i) informação de que todos os valores pagos aos sócios da SCP AMEMD SAÚDE LTDA., a título de distribuição de lucros constam nos registros contábeis da AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA.; j) plano de contas contábeis; k) balancetes; l) livros contábeis Diário e Razão; m) arquivos magnéticos contendo a escrituração contábil; n )relação de valores repassados aos médicos sócios da sociedade em conta de participação AMEMD SAÚDE HMD correspondente ao período de 2006 a 2009. Ademais disso, acompanha o Relatório do Procedimento Fiscal, “Discriminativo de Rendimentos Pagos a Contribuintes Individuais”, identificando, por competência e contribuinte individual, os valores considerados como base de cálculo das contribuições lançadas. Quesitos d) e g): O registro sobre a que título estão contabilizados os pagamentos aos sócios participantes está na contabilidade e nos documentos da autuada; bem como informações sobre a existência da sociedade em conta de participação na contabilidade da AMEMD podem ser provadas com cópia da escrituração da autuada. As informações em questão são de fácil obtenção. Quesito e): “A distribuição de resultados efetivamente feita aos sócios, em regime de caixa, observou a proporcionalidade prevista nas Cláusulas 17ª e 20ª do Contrato de Constituição da SCP?” Segundo o item 14 do Relatório do Procedimento Fiscal, os valores constantes nos documentos/arquivos fornecidos pelo contribuinte, foram cotejados com os registros contábeis, não tendo sido constatadas distorções relevantes, razão pela qual foram considerados base razoável, segura e confiável para Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.729721/201130 Acórdão n.º 2403002.313 S2C4T3 Fl. 18 33 apuração da matéria tributável. Reiterese que os valores distribuídos aos sócios participantes, caracterizados pela autoridade lançadora como remuneração paga a contribuintes individuais e fatos geradores de contribuição previdenciária, estão elencados individualmente nos autos (“Discriminativo de Rendimentos Pagos a Contribuintes Individuais”, fls. 884/979). Portanto, não há porque ser produzida a prova pericial para a constatação de elementos claramente identificados nos documentos apresentados pela autuada à fiscalização e também demonstrados no Relatório do Procedimento Fiscal. Quesito f): “Existe relação de subordinação, emprego ou contratação entre os sócios participantes e a sócia ostensiva?” Quanto ao quesito em questão, vêse que as informações desejadas pela autuada não impõem a realização de perícia e elaboração de laudos; dependem, simplesmente, de providências da interessada, pois os fundamentos fáticos e jurídicos para as autuações foram suficientemente demonstrados nos autos, com a indicação dos elementos examinados e em poder da própria empresa. Assim sendo, constatase que, no caso, a demonstração pretendida pela empresa por meio da prova pericial poderia ter sido trazida aos autos mediante simples juntada de documentos em poder da própria empresa, vez que a perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado nos autos. Acrescentese que a pretendida prova pericial não pode substituir a produção de prova material/documental a cargo da autuada e que a adoção do procedimento de perícia objetiva, única e tão somente, dirimir dúvidas com relação às provas anteriormente carreadas ao processo, não se prestando, portanto, a suprimir o encargo que cabe ao sujeito passivo da relação tributária processual, quanto à formação da demonstração probatória que lhe compete. Indeferese, portanto, a prova pericial requerida. Concordo com o indeferimento. SELIC Quanto à aplicação da taxa SELIC nos juros moratórios, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 34 Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 3. “Súmula nº 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. MULTA – AI 37.334.8401 A recorrente questiona a multa aplicada. Neste lançamento foi imputada multa de mora até a competência 11/2008 no percentual de 24% e multa de ofício de 75% para a competência 12/2008. Entendo que a multa de mora deve ser revista. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.729721/201130 Acórdão n.º 2403002.313 S2C4T3 Fl. 19 35 c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea e decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 36 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos até 11/2008, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 11/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. MULTA – AI 37.334.8398 9 (CFL 68) A recorrente também questiona essa multa. Neste lançamento foi aplicada multa correspondente a 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada, até a competência 11/2008.. Entendo necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no §3o; e Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.729721/201130 Acórdão n.º 2403002.313 S2C4T3 Fl. 20 37 II de R$ 20,00 (vinte reais)para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento §2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação §3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos”. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 38 § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa do AI 37.334.8398 de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 e o recálculo da multa de mora do AI 37.334.8401 com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e, nos dois casos, a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 24/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 4/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721705/2010-14
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. COTA PATRONAL E DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. INCIDÊNCIA. INCISOS I, II E III DO ART. 22 DA LEI Nº 8.212, DE 1991. NÃO INCLUSÃO EM GFIP E FALTA DE PAGAMENTO VIA GPS. FATOS GERADORES. COMPROVAÇÃO.
A empresa foi autuada por não ter cumprido as disposições contidas nos incisos I, II e III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991. Ou seja, a empresa não pagou o devido relativamente à cota patronal, incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, bem como aos contribuintes individuais que lhes prestaram serviços.
Nos dados investigados pela fiscalização (GFIP / GPS), restou amplamente evidenciada a não inclusão de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências referidas nestes autos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-004.148
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. COTA PATRONAL E DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. INCIDÊNCIA. INCISOS I, II E III DO ART. 22 DA LEI Nº 8.212, DE 1991. NÃO INCLUSÃO EM GFIP E FALTA DE PAGAMENTO VIA GPS. FATOS GERADORES. COMPROVAÇÃO. A empresa foi autuada por não ter cumprido as disposições contidas nos incisos I, II e III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991. Ou seja, a empresa não pagou o devido relativamente à cota patronal, incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, bem como aos contribuintes individuais que lhes prestaram serviços. Nos dados investigados pela fiscalização (GFIP / GPS), restou amplamente evidenciada a não inclusão de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências referidas nestes autos. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10580.721705/2010-14
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5442430
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2803-004.148
nome_arquivo_s : Decisao_10580721705201014.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10580721705201014_5442430.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
id : 5863827
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:38:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705552420864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2004; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.721705/201014 Recurso nº 10.580.721705201014 Voluntário Acórdão nº 2803004.148 – 3ª Turma Especial Sessão de 10 de março de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente RM CONTABILIDADE E ASSESSORIA S/C LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. COTA PATRONAL E DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. INCIDÊNCIA. INCISOS I, II E III DO ART. 22 DA LEI Nº 8.212, DE 1991. NÃO INCLUSÃO EM GFIP E FALTA DE PAGAMENTO VIA GPS. FATOS GERADORES. COMPROVAÇÃO. 1. A empresa foi autuada por não ter cumprido as disposições contidas nos incisos I, II e III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991. Ou seja, a empresa não pagou o devido relativamente à cota patronal, incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, bem como aos contribuintes individuais que lhes prestaram serviços. 2. Nos dados investigados pela fiscalização (GFIP / GPS), restou amplamente evidenciada a não inclusão de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências referidas nestes autos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 17 05 /2 01 0- 14 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10580.721705/201014 Acórdão n.º 2803004.148 S2TE03 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10580.721705/201014 Acórdão n.º 2803004.148 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social, correspondentes a parte patronal incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e aos contribuintes individuais. No exame das folhas de pagamento foram identificados fatos geradores de natureza contributiva sem o correspondente registro de pagamento. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 18 de julho de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 COTA PATRONAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. É devida a cota patronal dos segurados empregados e contribuintes individuais consoante preceituam os incisos I, II e III, do art. 22, da lei nº 8.212/91. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia quando não preenchidos os requisitos previstos no Decreto nº 70.235, de 1972. Ademais, há de se indeferir o pedido de prova pericial ou diligência quando se mostram desnecessários e protelatórios. Estando presentes nos autos os elementos para a formação da convicção do julgador, tal pretensão não pode ser acatada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A empresa é tributada com base no lucro real, sujeitandose ao recolhimento de tributos e contribuições em conformidade com o disposto na Lei nº 8.212/91 e alterações posteriores. O aludido dispositivo legal assegura ao contribuinte o direito de pedir uma Perícia Contábil, para apreciação por parte da autoridade julgadora de corrigir as distorções devidas ao sistema. Das razões expendidas no julgamento, na instância administrativa, em momento algum foi questionado a qualidade do sistema contábil do contribuinte, o que implica dizer que ele bom e confiável, portanto, quanto às questões de que foram compensados os recolhimentos das parcelas em acordos trabalhistas de acordo com Atas de conciliação, não cabe ao contribuinte tal responsabilidade. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10580.721705/201014 Acórdão n.º 2803004.148 S2TE03 Fl. 5 4 O pedido de perícia contábil formulada, foi no intuito de corrigir distorções que não foram levadas em consideração pela fiscalização. Diante do exposto pedese: 1) Uma perícia contábil, diligência ou uma exibição da documentação contábil/fiscal suporte antes do julgamento pelo CARF, para demonstrar que os valores contabilizados estão suportados por documentação hábil e idônea, baseado e comprovantes de pagamento, nomeado desde logo, o Sr. José Antônio Neris de Oliveira, brasileiro, solteiro, portador do CPF nº 543.058.02520, estabelecido à Rua Chile, nº 22, 5º andar, sala 510, no bairro do Sé, em Salvador, Bahia, CEP 40020000, Contador inscrito no CRCBA sob o nº 027753/00, protestando desde logo pelas seguintes quesitações: a) Pode o Sr. Perito afirmar, à luz da documentação contábil o montante das contribuições previdenciárias no período em discussão (AC2006)? b) Pode o Sr. Perito afirmar se a contabilidade seguiu os seus princípios, notadamente ao da competência? c) Pode o Sr. Perito afirmar se a documentação contábil é hábil e idônea? d) Pode o Sr. Perito afirmar se a contribuinte, tem direito de pedido de perícia? 2) O reconhecimento de que os valores compensados não estão submetidos ao regime de prescrição quinquenal puro e simples, porquanto a eles o prazo prescricional só se computa a partir da homologação, expressa ou tácita, conforme preceituam os arts. 168, 165, I e 150, § 4º do CTN, não tendo sido os valores requeridos alcançados pela prescrição que o Fisco pretende opor ao exercício de seu direito, em função do pedido de compensação ter sido dentro do convite prescricional. 3) Pelo exposto e os precedentes transcritos, requer que o presente recurso seja acolhido, por ser esta uma medida de Justiça. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10580.721705/201014 Acórdão n.º 2803004.148 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A empresa foi autuada por não ter cumprido as disposições contidas nos incisos I, II e III do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991. Ou seja, a empresa não pagou o devido relativamente à cota patronal, incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, bem como aos contribuintes individuais que lhes prestaram serviços. Nos dados investigados pela fiscalização (GFIP / GPS), restou amplamente evidenciada a não inclusão de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências referidas nestes autos. Os levantamentos que ensejaram o lançamento são: PL: PróLabore não declarado em GFIP e ND: Folha de empregados não declarada em GFIP. Em seu recurso, o contribuinte se ateve apenas a prestar esclarecimentos a respeito á forma em que a empresa é tributada, bem como que em momento algum foi questionado a qualidade do seu sistema contábil. Além dos argumentos referidos no parágrafo anterior, a empresa insiste no pedido de perícia (já indeferido na instância a quo), indicando perito e formulando quesitos. Como já decidido anteriormente, apesar da insistência, não vislumbro a necessidade de dar provimento ao pedido, tendo em vista que a matéria de fundo está muito clara e o processo maduro para julgamento final na segunda instância. Aliás, no que diz respeito ao mérito, aplico a regra do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, que estabelece: “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Por último, destaco que na constituição do crédito tributário, a autoridade administrativa observou regiamente as regras do art. 142 do CTN, bem como as do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, motivo pelo qual mantenho o lançamento pelos seus próprios e jurídicos fundamentos. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10580.721705/201014 Acórdão n.º 2803004.148 S2TE03 Fl. 7 6 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 16682.900919/2010-93
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 28/02/2007
ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO POR ESTIMATIVA MENSAL. ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP.
Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do ano-calendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 1802-002.514
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa , Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira.
Nome do relator: NELSO KICHEL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 28/02/2007 ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO POR ESTIMATIVA MENSAL. ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP. Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do ano-calendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF nº 84).
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 16682.900919/2010-93
anomes_publicacao_s : 201504
conteudo_id_s : 5451404
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1802-002.514
nome_arquivo_s : Decisao_16682900919201093.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : NELSO KICHEL
nome_arquivo_pdf_s : 16682900919201093_5451404.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa- Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa , Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
id : 5887417
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:39:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705631064064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2114; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 119 1 118 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.900919/201093 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1802002.514 – 2ª Turma Especial Sessão de 04 de março de 2015 Matéria DCOMP Eletrônica Recorrente BTG PACTUAL SERVIÇOS FINANCEIROS S/A DISTRIBUÍDORA DE TÍTULOS E VALORES IMOBILIÁRIOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 28/02/2007 ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO POR ESTIMATIVA MENSAL. ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP. Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do anocalendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF nº 84). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 09 19 /2 01 0- 93 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900919/201093 Acórdão n.º 1802002.514 S1TE02 Fl. 120 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José de Oliveira Ferraz Correa , Ester Marques Lins de Sousa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano e Luis Roberto Bueloni dos Santos Ferreira. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900919/201093 Acórdão n.º 1802002.514 S1TE02 Fl. 121 3 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de fls. 82/105 contra decisão da 7ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I (efls. 69/75) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos: que, em 31/01/2008, a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, declaração de compensação tributária nº 15366.48973.310108.1.3.041760 (efls. 02/06), onde consta: a) débito informado (confessado): IRPJ – Entidades Financeiras/Estiamtiva Mensal, código de receita 2319, do PA dezembro/2007, data de vencimento 31/01/2008, assim especificado na DCOMP: principal: R$ 143.150,07; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 143.150,07. b) crédito utilizado: aproveitamento de pretenso direito creditório de R$ 128.776,82 (valor original), referente pagamento supostamente indevido ou a maior do IRPJ estimativa mensal, código de receita 2319, do PA janeiro/2007, DARF no valor de R$ 179.449,62, data do recolhimento, arrecadação, 28/02/2007. Cópia do comprovante de arrecadação (efl.53 ). Valor crédito na data de transmissão (valor original): R$ 128.776,82. Em 06/09/2010, a DEMAC/Rio de Janeiro, mediante a emissão do Despacho Decisório de efls. 07 e 48, denegou o direito creditório pleiteado, nos seguintes termos: (...). Limite de crédito analisado, correspondente ao valor do credito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 128.776,82. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Socíaí sobre o Lucro Líquido (CSLLJ devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. (...) Fl. 121DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900919/201093 Acórdão n.º 1802002.514 S1TE02 Fl. 122 4 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art . 10 da Instrução Normativa SRF n° 600 , de 2005. Art. 74 da Lei 9.430 , de 2 7 de dezembro de 1996, (...) Ciente desse despacho decisório em 22/09/2010 por via postal – Aviso de Recebimento – AR (efls 11 efls.49/50), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 22/10/2010 (efls. 12/37), juntando ainda documentos (efls. 38/66), pedindo a reforma da referida decisão monocrática, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que, por evidente erro de fato, indicou e recolheu o montante de R$ 179.449,62,15 a título de IRPJ –Estimativa Mensal do PA janeiro/2007, quando o certo seria indicar o montante de apenas R$ 50.682,80, recolhendo a maior, portanto, R$ 128.766,82; que se trata de mero erro na transposição das informações fiscais, não se justificando exigir da contribuinte determinado valor que foi recolhido indevidamente por mero erro de fato, conforme entendimento dos Tribunais Regionais Federais; que o não reconhecimento do direito à compensação, pelo simples fato de ter se equivocado no preenchimento do DARF que culminou no recolhimento/pagamento indevido ou a maior, viola o princípio da legalidade estrita; que é evidente o direito ao crédito, razão pela qual a compensação deve ser homologada; que não concorda com o entendimento de que só poderia utilizar o crédito no final do ano calendário; que apura o IRPJ por meio de estimativas antecipadas mensalmente e que, por força do que dispõe o artigo 2º, § 4º, IV da Lei nº 9.430/96, somente os valores corretamente calculados e recolhidos com base nas regras de estimativa mensal devem aguardar a apuração do lucro real no final do anocalendário para que possam ser utilizados ou para compor o saldo negativo do período; que hipóteses diametralmente opostas são aquelas que, embora a estimativa mensal tenha sido corretamente apurada segundo as regras aplicáveis, houve recolhimento incorreto e a maior não relacionado com os valores registrados na escrituração contábil, em decorrência de mero equívoco no preenchimento do DARF; que, nesses casos, a lei não obriga que o contribuinte aguarde o término do anocalendário para utilizar os créditos em compensação; que o montante, excedente àquele apurado com base na estimativa mensal, é um crédito decorrente de pagamento a maior e indevido, passível de ser utilizado em compensações nos termos do artigo 165, I e II do CTN; Fl. 122DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900919/201093 Acórdão n.º 1802002.514 S1TE02 Fl. 123 5 que, no caso em discussão, o direito à compensação surgiu imediatamente após constatado o erro de fato cometido que gerou o indébito tributário e traz julgados, precedentes, do então Conselho de Contribuintes, atual CARF; que o artigo 10 da IN SRF nº 600/2005 não veda a compensação efetivada pela interessada, pois tem aplicação restrita para recolhimentos do imposto estimado, antecipação de pagamentos à luz da legislação de regência, que não é caso; que, ademais, a IN SRF nº 900/2008 revogou o art. 10 da IN SRF nº 600/2005, implicando inexistência de vedação; que pugna pela aplicação retroativa da IN 900/2008, por força do artigo 106, inciso II, alíneas a e b do CTN; que não cabe mais a cobrança da estimativa de dezembro de 2007 após o encerramento do anocalendário (caso a compensação não seja aceita, ficando o débito em aberto),, devendo prevalecer o valor do tributo efetivamente devido no final do período; que caberia, no caso de estimativas não recolhidas, a cobrança da multa isolada, conforme dispõe o artigo 44, II, b da Lei nº 9.430/96; que o ordenamento jurídico atual veda a cobrança da estimativa após o encerramento do anobase; que agiu pautado na boa fé, não havendo dano ao Erário, já que o valor recolhido a maior do PA janeiro/2007 será utilizado para quitar débito do IRPJ do PA dezembro do mesmo ano; que o fisco foi beneficiado pois o montante de R$ 128.766,82, que seria pago apenas após a apuração da estimativa do PA dezembro/2007, foi pago antecipadamente, no PA janeiro/2007 (recolhimento em fev/2007), possuindo a sua disponibilidade; que ignorar a existência de crédito implica o enriquecimento indevido da Fazenda Pública, o que não é admitido pelo Direito; que a não homologação da compensação não poderia vir acompanhada da cobrança da multa e juros moratórios, em razão da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 74, §11, da Lei nº 9.430/96; que cabe multa e juros moratórios quando o contribuinte esteja em atraso (em mora), que tenham transcorridos 30 (trinta) dias contados da data em que teve ciência da decisão que não homologou os seus pedidos de compensação, o que não ocorreu no presente caso; que ainda, caso não fosse homologada a compensação, a interessada observou todas as normas e atos normativos, de acordo com o artigo 100, I, § único, do CTN, devendo ser excluído a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e atualização do valor monetário; que não pode ser aplicada a taxa SELIC, sob pena de violação aos artigos 5º, II e 150, I , ambos da CF/88. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900919/201093 Acórdão n.º 1802002.514 S1TE02 Fl. 124 6 A DRJ/Rio de Janeiro I (7ª Turma), sem adentrar no mérito quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado em face de óbice na legislação infralegal para restituição de mera antecipação do IRP – Estimativa Mensal (IN SRF nº 600/2005, art. 10), julgou, de plano, a manifestação de inconformidade improcedente, conforme Acórdão de 04/10/2011 (efls. 69/75), cuja ementa transcrevo a seguir: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 28/02/2007 COMPENSAÇÃO. APROVEITAMENTO DOS VALORES RECOLHIDOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. Na vigência da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que tivesse efetuado recolhimento indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderia utilizar o valor do indébito na dedução do IRPJ ou CSLL devido ao fim do anocalendário ou para compor o saldo negativo do período em questão. COMPENSAÇÃO APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO É pacífico o entendimento que se aplica aos procedimentos de compensação a legislação vigente à época da apresentação da DCOMP. COMPENSAÇÃO ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS Cabe a cobrança dos acréscimos moratórios dos débitos cuja compensação não foi homologada. COBRANÇA TAXA SELIC A cobrança dos juros de mora com base na taxa SELIC tem previsão legal, não podendo esta autoridade julgadora afastar a sua aplicação. CANCELAMENTO DE DÉBITO DE ESTIMATIVA Esta autoridade julgadora não tem competência para cancelar débitos devidamente confessados em DCTF ou DCOMP, cabendo à unidade jurisdicionante do contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Fl. 124DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900919/201093 Acórdão n.º 1802002.514 S1TE02 Fl. 125 7 Ciente dessa decisão em 26/04/2012– Aviso de Recebimento AR(efls. 79 e 114), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 25/05/2012 (efls.82/105), juntando ainda os documentos de efls. 106/114, pedido a reforma da decisão recorrida, reiterando as razões constantes da defesa apresentada na instância a quo e já resumidas neste relatório, acrescentando: Da regularidade da compensação efetuada: pediu o reconhecimento do crédito e a extinção do débito confessado na DCOMP pela homologação; que os vínculos obrigacionais em Direito Tributário decorrem da subsunção do fato à norma, não se justificando exigir do contribuinte determinado valor que foi recolhido indevidamente por mero erro de fato; que, nesse sentido, cita precedentes dos Tribunais Regionais Federais; Da possibilidade de utilizar créditos decorrentes de recolhimentos indevidos do IRPJ para extinguir débitos em compensações antes do término do ano calendário (Acórdão nº 105.16205): que inaplicável o art. 10 da IN SRF 460/2004 e IN SRF 600/2005 (Acórdão nº 140100.420, de 26/01/2011); da aplicação retroativa da IN RFB 900/2008 (Acórdão nº 120200.466, de 25/01/2011); Da impossibilidade de lançamento e cobrança de crédito tributário apurado após o término do anocalendário , e a inexistência de prejuízo ao fisco no caso concreto (cita precedentes do CARF): que, se inocorrer a homologação da compensação por não reconhecimento do crédito, o débito de estimativa mensal não pode ser exigido após o término do respectivo anocalendário, devendo prevalecer a apuração com base no Lucro Real; Da indevida exigência de multa moratória e juros de mora ; que, tecnicamente, não estaria em mora, enquanto não houver decisão final irrecorrível administrativametne, em seu desfavor; que é ilegal/inconstitutcional a exigência dos juros mora com supedâneo na taxa SELIC. Por fim, com base nesses argumentos, a recorrente pediu provimento ao recurso para reconhecimento do crédito e exinção do débito pela homologação da compensação tributária informada, objeto dos autos. É o relatório. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900919/201093 Acórdão n.º 1802002.514 S1TE02 Fl. 126 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de compensação tributária, pedido de reconhecimento do direito creditório (crédito pleiteado contra o fisco) no valor de R$ 128.766,82 (valor original), e utilização/aproveitamento desse crédito, caso reconhecido, para quitação/extinção do débito confessado na DCOMP, mediante homologação da compensação. Vale dizer, em 31/08/2008 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP a compensação tributária nº 15366.48973.310108.1.3.041760 (efls. 02/06), onde informou: a) débito compensado: IRPJ – Estimativa Mensal do PA dezembro/2007, sob condição resolutória, R$ 143.150,07 (principal); b) crédito utilizado: R$ 128.766,82 (valor original), referente pagamento supostamente indevido ou a maior do IRPJ estimativa mensal, código de receita 2319, do PA janeiro/2007, DARF no valor de R$ 179.449,62, data do recolhimento, arrecadação, 28/02/2007. Cópia do comprovante de arrecadação (efl.53). A decisão a quo, na mesma esteira do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório pleiteado, pois não seria possível a restituição do IRPJ Estimativa Mensal, mas sim apenas seu aproveitamento no ajuste (encerramento do anocalendário) ou para compor o saldo negativo do anocalendário, na declaração de ajuste anual. Nas razões do recurso a contribuinte rebelase contra a decisão a quo, pleiteando sua reforma, argumentando: que efetuou pagamento indevido, por erro de fato; que, por evidente erro de fato, indicou e recolheu o montante de R$ 179.449,62,15 a título de IRPJ –Estimativa Mensal do PA janeiro/2007, quando o certo seria indicar o montante de apenas R$ 50.682,80, recolhendo a maior, portanto, R$ 128.766,82; que o valor recolhido a maior, na verdade, é indevido, pois não está relacionado com a legislação de regência, conforme demonstra escrituração contábil do período; que a restrição constante do art. 10 da IN nº 600/2005 seria ilegal, pois tal óbice não consta do art. 74 da Lei nº 9.430/96; que, ademais, o art. 10 deixou de existir a partir da edição da IN RFB 900/2008, devendo ser aplicada retroativamente; que tem direito à restituição e à compensação tributária do que pagara indevidamente, ou a maior. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900919/201093 Acórdão n.º 1802002.514 S1TE02 Fl. 127 9 Nesta instância recursal, compulsando os autos, observase que no ano calendário 2007 a contribuinte estava submetida ao regime de apuração do IRPJ e da CSLL com base no Lucro Real anual, com obrigação de efetuar antecipação de pagamento dessas exações por estimativa mensal. À luz da legislação tributária federal, sempre que há, comprovadamente, pagamento indevido ou maior, é cabível a repetição do indébito tributário (CTN, art. 165, I). No caso de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal da CSLL, cabe observar o seguinte: a) os contribuintes que fizeram opção, para determinado anocalendário, pelo lucro real anual têm obrigação de antecipar pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal com base na receita bruta mensal ou com base em balancete mensal de suspensão/redução, independentemente de eventual apuração de prejuízo no final do ano calendário (encerramento do exercício), exigindose a apresentação de declaração de ajuste anual; b) não há falar ou objetar recolhimentos mensais indevidos (pagamentos por antecipação), quando efetuados em estrita observância da legislação de regência e em estrita observância da base de cálculo (receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão/redução); c) eventual recolhimento a maior do imposto ou contribuição será deduzido do valor apurado no encerramento do anocalendário ou irá compor o saldo negativo; Não obstante, considerase pagamento indevido o excesso de recolhimento de estimativa mensal quando, de plano, observase que ele não tem relação com a receita bruta mensal ou com o balanço de suspensão/redução mensal. Nessa situação, é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento do excesso indevido do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração (pagamento não relacionado com a receita bruta ou com balancete de suspensão ou redução) e sem necessidade de leválo para o ajuste anual ou para compor o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN RFB 900/2008. Esse ato normativo tem efeito ou aplicação retroativa. Nesse sentido, é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Como o despacho decisório e a decisão a quo não adentratam na análise do mérito do direito creditório pleiteado pela contribuinte na DCOMP, pois se limitaram a consignar que o pagamento por antecipação de estimativa mensal não se devolve em qualquer caso, mas apenas saldo negativo no ajuste anual, sem fazer a distinção suscitada pela recorrente (Súmula CARF nº 84) e, ainda, pelo fato da contribuinte, nas duas oportunidades que teve nos autos (por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário) não ter produzido prova cabal do alegado erro de fato que levara ao recolhimento indevido do IRPJ do PA janeiro/2007 (deixou de juntar prova de escrituração contábil/fiscal, como cópia dos livros Diário, Razão, Balancentes de suspensão/redução, livro Lalur etc, para confrontar a DIPJ e a DCTF), entendo cabível, no caso, afastar o óbice do saldo negativo, uma vez que eventual pagamento em excesso (pagamento indevido) por erro de base de cálculo Fl. 127DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900919/201093 Acórdão n.º 1802002.514 S1TE02 Fl. 128 10 estimada do imposto ou contribuição ou por erro com base em balancete de suspensão/redução, é possível o aproveitamento/restituição ainda no decorrer do próprio anocalendário sem necessidade de leválo para o saldo negativo. Porém, como dito, há falhas na instrução do processo; salta aos olhos a falta de elementos de prova para formação de convicção do julgador quanto ao mérito da lide (quanto ao fato constitutivo do crédito pleiteado e à liquidez e certeza), pois quanto ao pretenso direito creditório do IRPJ do PA janeiro/2007: a) sequer há cópia completa, nos autos, da DIPJ 2008, anocalendário 2007 quanto à apuração do IRPJ (se há saldo a pagar ou a restituir), pois contribuinte juntou apenas fragmento de suposta DIPJ, ou seja, cópia da Ficha 11, que trata das estimativas apuradas (efl. 52). Há dúvida, fundada, se a contribuinte utilizou, ou não, todas as estimativas recolhidas na apuração do imposto, na declaração de ajuste anual; b) não há comprovante de entrega da DIPJ 2008 (data de entrega, transmissão eletrôncia da DIPJ); b) não há comprovante de entrega da DCTF relativo ao débito do IRPJ Estimativa Mensal do PA janeiro/2007, pois a contribuinte juntou apenas fragmento, uma folha, que seria de suposta DCTF (efl. 51); c) ainda não consta dos autos cópia da escrituração contábil: embora a recorrente alegue pagamento em excesso (pagamento indevido), não consta dos autos cópia da escrituração contábil do anocalendáro 2007 que pudesse comprovar, de forma cabal, a existência do alegado erro de fato, erro de base de cálculo estimada do IRPJ do PA janeiro/2007 ou na apuração com base em balancete de suspensão/redução, e que pudesse justificar a formação e existência do direito creditório pleiteado. Para alteração de débito informado em DCTF (redução ou subtração de débito confessado) após ciência do despacho decisório, somente mediante comprovação do alegado erro de fato. Para confrontação da DCTF primitiva e da DIPJ, é necessário a juntada da escrituração contábil. Tendo por escopo a busca da verdade material, afasto a questão prejudicial, ou seja, afasto o óbice constante do despacho decisório e da decisão recorrida de que somente seria possível a restituição do saldo negativo, pois, diversamente, é possível sim a devolução de direito creditório decorrente de pagamento em excesso (pagamento antecipado indevido), por erro de fato ou material na base de cálculo estimada ou na apuração da exação fiscal com base em balancete de suspensão/redução, sem necessidade de levar referido excesso de pagamento para o saldo negativo na declaração de ajuste anual, conforme Súmula CARF nº 84. Ainda, para evitar supressão de instância de julgamento (pois não houve análise de mérito pelas decisões anteriores nos presentes autos quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado) e para evitar prejuízo à ampla defesa e ao contraditório (há necessidade de saneamento – instrução processual complementar), devem ser devolvidos os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso à DEMAC/Rio de Janeiro, para que enfrente, no mérito, o direito creditório pleiteado e a compensação efetuada pela recorrente, tomando, antes, as seguintes providências: Fl. 128DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 16682.900919/201093 Acórdão n.º 1802002.514 S1TE02 Fl. 129 11 a) intime a contribuinte a comprovar, à luz da escrituração contábil/fiscal, o alegado erro de fato na apuração do IRPJ sobre a receita bruta ou com base em balancete de suspensão/redução quanto ao PA janeiro/2007, que teria culminado no pagamento indevido ou maior dessa exação fiscal (apresentar a escrituração contábil/fiscal livros Diário, Razão, Balancentes de suspensão/redução, livro Lalur etc para confrontar a DIPJ, DCTF, Comprovante de Arrecadação, quanto aos dados de apuração do IRPJ do referido PA objeto do crédito pleiteado); b) verificar, à luz da escrituração contábil e fiscal, se houve, ou não, o alegado erro material na determinação do valor da base tributável ou na apuração da exação fiscal, quanto ao PA janeiro/2007 que teria gerado o suposto pagamento indevido, excesso; c) na hipótese de excesso de antecipação de pagamento de exação fiscal do mencionado PA por erro material (pagamento indevido), verificar se o valor do direito creditório pleiteado compôs ou não o saldo negativo na declaração de ajuste do anocalendário 2007; Vale dizer, quanto ao PA janeiro/2007 apurar, verificar, se é hipótese de restituição de excesso de antecipação de pagamento por erro de fato na base de cálculo estimada ou erro de fato com base em balancete de suspensão/redução (pagamento indevido, excesso) ou se trata de hipótese de mera devolução de saldo negativo por antecipação de pagamento efetuada na forma da legislação de regência, ou se é nenhuma dessas hipóteses (inexistência de valor a restituir). Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar o óbice do art. 10 da IN SRF 600/2005, e determinar a devolução dos autos à unidade de origem da RFB, no caso à DEMAC/Rio de Janeiro, para que enfrente, proceda julgamento de mérito quanto ao credito pleiteado na DCOMP, ou seja, quanto à lide objeto dos autos. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 129DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 10660.720701/2013-71
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
LUCRO PRESUMIDO. ÍNDICE. INDUSTRIALIZAÇÃO. SERVIÇO.
O armazém que, além de prestar o serviço de armazenamento, se obriga a limpar, selecionar e ensacar o café em grão, ainda exerce atividade de prestação de serviço, sujeito à determinação do lucro presumido pelo índice de 32%.
Numero da decisão: 1801-002.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Alexandre Fernandes Limiro (Relator) e Fernando Daniel de Moura Fonseca, que deram provimento em parte ao recurso para aplicar o coeficiente de apuração de lucro presumido em 8% para as atividades de beneficiamento do café. Designado o Conselheiro Neudson Cavalcante Alburquerque para redigir o Voto Vencedor.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Fernandes Limiro Relator
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 LUCRO PRESUMIDO. ÍNDICE. INDUSTRIALIZAÇÃO. SERVIÇO. O armazém que, além de prestar o serviço de armazenamento, se obriga a limpar, selecionar e ensacar o café em grão, ainda exerce atividade de prestação de serviço, sujeito à determinação do lucro presumido pelo índice de 32%.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10660.720701/2013-71
anomes_publicacao_s : 201503
conteudo_id_s : 5439388
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1801-002.133
nome_arquivo_s : Decisao_10660720701201371.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO
nome_arquivo_pdf_s : 10660720701201371_5439388.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Alexandre Fernandes Limiro (Relator) e Fernando Daniel de Moura Fonseca, que deram provimento em parte ao recurso para aplicar o coeficiente de apuração de lucro presumido em 8% para as atividades de beneficiamento do café. Designado o Conselheiro Neudson Cavalcante Alburquerque para redigir o Voto Vencedor. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Relator (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
id : 5850063
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:37:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047705638404096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1941; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 741 1 740 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.720701/201371 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801002.133 – 1ª Turma Especial Sessão de 24 de setembro de 2014 Matéria IRPJ E CSLL ÍNDICE DO LUCRO PRESUMIDO Recorrente ARMAZENS GERAIS SÃO JOÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 LUCRO PRESUMIDO. ÍNDICE. INDUSTRIALIZAÇÃO. SERVIÇO. O armazém que, além de prestar o serviço de armazenamento, se obriga a limpar, selecionar e ensacar o café em grão, ainda exerce atividade de prestação de serviço, sujeito à determinação do lucro presumido pelo índice de 32%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Alexandre Fernandes Limiro (Relator) e Fernando Daniel de Moura Fonseca, que deram provimento em parte ao recurso para aplicar o coeficiente de apuração de lucro presumido em 8% para as atividades de beneficiamento do café. Designado o Conselheiro Neudson Cavalcante Alburquerque para redigir o Voto Vencedor. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Alexandre Fernandes Limiro – Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 07 01 /2 01 3- 71 Fl. 741DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE FER NANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.720701/201371 Acórdão n.º 1801002.133 S1TE01 Fl. 742 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Tratase de Autos de Infração de IRPJ e CSLL (fls. 02/38) lavrados no dia 21/03/2013 em decorrência da falta ou insuficiência de valores informados nas DCTF’s e/ou pagamento do imposto/contribuição devido a menor, em função da utilização errada dos percentuais de 8% e 12%, respectivamente, quando o correto seria 32% sobre a receita bruta dos serviços prestados. O Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo (fl. 02) informa que os autos de infração lavrados, depois de formalizados, totalizaram o montante de R$ 798.875,74, incluídos os valores devidos a título de tributo, de multa de ofício e de juros de mora. O enquadramento legal, a descrição do fato jurídico, o Termo de Verificação Fiscal (fls. 39/44) e as planilhas (fls. 45/54) constam do processo. Em resumo, depreendese do Termo de Verificação Fiscal (fls. 39/44) que a fiscalização apurou que a atividade desenvolvida pelo contribuinte não trata de industrialização, mas apenas de prestação de serviços, o que enseja aplicação da alínea “a”, do item III, do parágrafo 1º, do artigo 519, do RIR/99 (base de cálculo, no lucro presumido, determinada mediante aplicação do percentual de 32% sobre a receita bruta auferida no período de apuração e não o percentual de 8%). Transcrevese a fundamentação: “Já os procedimentos de beneficiamento e depósitos acima descritos, não caracterizam industrialização, pois deles não resultam produtos alcançados pelo campo de incidência do IPI. Inocorre o fato gerador do IPI quando da saída do café, não torrado em grão (produto "NT"). Qualquer procedimento em produto final "NT" não caracteriza industrialização. Nesse entendimento a ementa da Solução de Consulta 277/2005 da 8ª RF dispõe: "Não é equiparado a estabelecimento industrial o comerciante de café, não torrado em grão (produto "NT"), ainda que o produto comercializado seja o resultante de processos (de descascar e limpar e de separar por tamanho, forma e cor) a que o produto, "in natura" (café em coco ou em grão) tenha sido submetido, em estabelecimento de terceiro, sob encomenda do próprio comerciante, com fornecimento do café "in natura", tendo em vista que o produto resultante desses processos é não tributado pelo IPI (“NT”). O executor das operações não é considerado estabelecimento industrial, independentemente de as mesmas serem ou não caracterizadas como industrialização, pois delas não resulta produto alcançado pelo campo de incidência do IPI. Inocorre o fato gerador do IPI quando da saída do café, não torrado em grão, do executor da encomenda." Por outro lado devemos destacar que a atividade desenvolvida pelos armazéns gerais é de prestação de serviços. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE FER NANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.720701/201371 Acórdão n.º 1801002.133 S1TE01 Fl. 743 3 As empresas de prestação de serviço com a opção pelo pagamento do IRPJ e da CSLL com base no Lucro Presumido, no caso do IRPJ, a alíquota é 15% sobre o coeficiente aplicável de 32% sobre a receita bruta da empresa, nos termos da alínea “a”, do item III, do parágrafo 1º, do artigo 519, do RIR/99, e não 8% conforme alegações da interessada. As planilhas de apuração demonstram as diferenças mensais apuradas, resultantes do percentual de 32% sobre a receita bruta tanto para o IRPJ como para a CSLL, e não 8%, no caso do IRPJ, ou 12%, no caso da CSLL, então demonstrados na apuração da interessada. Os pagamentos identificados nos controles internos da RFB demonstram que, de fato, foram efetuados a menor.” (fl. 41) Em 22/04/2013 o contribuinte apresentou Impugnação aos Autos de Infração (fls. 301/330). Todavia, a DRJ manteve o lançamento para exigir a totalidade do crédito tributário constituído. Em princípio, a decisão recorrida ressaltou que a “análise e a solução das questões referentes à autuação se deu através de atos normativos e interpretativos válidos, e exarados pela Receita Federal [...].” Outrossim, verificou que o cerne do litígio se consubstancia em verificar se há industrialização ou não nos processos realizados pelo contribuinte com o café depositado em seus armazéns, uma vez que tal definição influencia a porcentagem aplicada na apuração da base de cálculo dos tributos. Sobre o tema, citou os Pareceres Normativos nº 421, de 1970 e 398, de 1971 da Receita Federal, que definiu o conceito de beneficiamento, tendo consignado que o processo aplicado pela autuada ao café não se enquadra nos quesitos impostos por tais pareceres. Trouxe ainda a Solução de Consulta SRRF 8ª RF nº 277, de 2005, que é específica sobre o produto café. Outrossim, argumentou que “o fato do produto saído do processo ser “NT”, como no presente caso, é decisivo na controvérsia, pois, a notação “NT” na TIPI significa “não tributado” pelo Imposto sobre Produtos Industrializados.” Invocou, assim, o parágrafo único do art. 2º do RIPI. Lado outro, apontou que a embalagem que acondiciona o café não é aquela descrita no inciso IV do art. 4º do RIPI, pois visa ao transporte da mercadoria, tendo citado também o art. 6º do RIPI. Deste modo, concluiu a DRJ: “como não houve industrialização e com base no art. 15, § 1º, inciso III da Lei nº 9.249, de 1995, forçoso manter a alíquota de 32% sobre a receita bruta e, como consequência, manter a totalidade dos créditos tributários consubstanciados nos autos de infração.” Ao final, consignou ainda a impossibilidade do órgão administrativo perquirir a ofensa a princípios constitucionais, cabendolhe apenas a aplicação da legislação positivada, bem como a ausência de subordinação à doutrina. O acórdão apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 Fl. 743DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE FER NANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.720701/201371 Acórdão n.º 1801002.133 S1TE01 Fl. 744 4 As atividades desenvolvidas em relação ao café “in natura” (em coco e em grão) de descascar e limpar, separar os grãos por tamanho e forma, por meio de peneiras e ventiladores, e por cor, através de processo mecânico, não se caracteriza como industrialização. Desta forma, às empresas de prestação de serviço com a opção pelo pagamento da IRPJ com base no Lucro Presumido, é aplicável o coeficiente de 32% sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo da contribuição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009 As atividades desenvolvidas em relação ao café “in natura” (em coco e em grão) de descascar e limpar, separar os grãos por tamanho e forma, por meio de peneiras e ventiladores, e por cor, através de processo mecânico, não se caracteriza como industrialização. Desta forma, às empresas de prestação de serviço com a opção pelo pagamento da CSLL com base no Lucro Presumido, é aplicável o coeficiente de 32% sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo da contribuição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 DOUTRINA. A doutrina trazida ao processo, não é texto normativo, não ensejando, pois, subordinação administrativa. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 17/09/2013 (fls. 668/702) com base nos seguintes argumentos: 01) Inicialmente, invocou os arts. 107, 108 e 112 do CTN para demonstrar conclusões doutrinárias acerca de métodos e percurso de interpretação e hermenêutica. Posteriormente, afirma que os Autos de Infração desclassificaram a escrituração contábil da autuada. 02) Afirma que as “atividades da empresa Armazéns Gerais São João Ltda., dentre outras, é de beneficiamento de café (...)”. Para tanto, exemplifica que “as atividades da empresa Recursante, nos termos do item 11.04, da Lista de Serviços anexa à Lei Complementar n° 116, de 31 de julho de 2003, são "Armazenamento, depósito, carga, descarga, arrumação e guarda de bens de qualquer espécie.” Posteriormente, descreve seu processo produtivo nos seguintes termos: “Processo Produtivo: Para consecução da atividade de industrialização do café, através de beneficiamento a empresa segue as seguintes etapas: 1. Compra do café em grão em estado bruto, de diversos fornecedores nacionais; Fl. 744DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE FER NANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.720701/201371 Acórdão n.º 1801002.133 S1TE01 Fl. 745 5 2. Transferência do café para Armazém Geral, onde se inicia a industrialização por beneficiamento, conforme segue: a) Beneficiamento fase 1 classificação criteriosa dos grãos, exigida pelos compradores do mercado interno e externo, que consiste em separar os grãos por peneira – de 9 a 19 – de acordo com o tamanho dos mesmos, através de maquinário; b) Beneficiamento fase 2 processo de beneficiamento que ocorre após a separação por peneira no qual o café é ventilado para retirar defeitos tais como grãos leves, grãos quebrados, pós, paus, casca, café em coco, brocados, conchas, chochos, marinhos (grãos com pergaminho) e demais impurezas. A ventilação é realizada de forma mecânica que utiliza ventiladores específicos para atividade. c) Catação Eletrônica catação eletrônica dos grãos que consiste na retirada de grãos pretos, grãos ardidos, grãos verdes, pedras e impurezas remanescentes do processo de ventilação. O processo é realizado com máquina específica para o processo de industrialização do café. A ventilação e catação objetivam separar os grãos. d) Liga consiste na mistura de vários lotes anteriormente catados e ventilados que serão agrupados por tipo de grãos, dimensão e qualidade (café e bebida), cujo objetivo é formar lotes específicos para exportação e/ou venda no mercado interno de acordo com a solicitação do cliente. e) Embalagem consiste em acondicionar o produto em sacarias (embalagens), sendo que, para tanto, são usadas sacaria nova para o produto com o fim de exportação e sacaria usado quando destinado ao mercado interno. 3. Principais insumos / matérias primas utilizados no beneficiamento café em grãos, materiais de embalagem, ambos fornecidos pelo proprietário do café. Desta forma, conforme dispõe o inciso II, do artigo 4°, do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002, caracterizase industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, o aperfeiçoe para consumo tal como a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento).” Assim, conclui que por se tratar de processo de industrialização, “não há que se falar em aplicação do percentual de 32%, previsto na alínea "a", do inciso III, do artigo 519, do RIR/1999, que trata de atividades de prestação de serviços em geral, mas tão somente com referência à prestação de serviços que encontrase discriminada os valores neste auto de impugnação e na documentação aqui acostada.” Pelo exposto, considera aplicável o disposto no art. 15, § 2° da Lei n° 9.249/1995. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE FER NANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.720701/201371 Acórdão n.º 1801002.133 S1TE01 Fl. 746 6 03) Aponta erro na decisão recorrida, porquanto “os produtos classificados pela notação "NT" estão no campo da incidência do IPI, uma vez que previstos na referida tabela TIPI;”, tendo enumerado alguns produtos industrializados que consta da Tabela TIPI como “NT”. 04) Reconhece a caracterização de dois tipos de receitas advindas das atividades operacionais: “a) Prestação de serviços descritos no item 11.04 da Lista de Serviços anexa à Lei complementar n° 116/2003, tributados pelo ISSQN; b) Beneficiamento de mercadorias descrito no inciso II do artigo 4º, do Decreto n° 4.544/2002, verbis: "Art. 4o Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei n° 4.502, de 1964, art. 3o, parágrafo único, e Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I(...); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); tributados pelo IPI.” Com base neste reconhecimento, requer aplicação do §3º do art. 519 do RIR, argumentando que apenas as receitas advindas da prestação de serviços podem ser tributadas pelo coeficiente de 32% e que apenas as receitas advindas da “industrialização (beneficiamento)” podem ser tributadas pelo coeficiente de 8%, observandose a segregação de receitas prevista no §2º do art. 15 da Lei nº 9.249/1995. Para tanto, elaborou planilha demonstrando a referida segregação (Exercício 2008: fls. 366/371; Exercício 2009: fls. 530/534), ressaltando que tal apuração resultou no recolhimento a menor dos tributos apenas no que tange aos serviços praticados, cuja diferença foi recolhida na Impugnação, conforme documentos anexados aos autos, o que teria demonstrado a boafé da autuada. 05) Invocou o Ato Declaratório Interpretativo nº 26 RFB/2008 que, “para fins de apuração das bases de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, consideramse industrialização as operações definidas no artigo 4º do Decreto 4.544, de 26122002 Regulamento do IPI (Informativo 53/2002 do Colecionador de IPI e Portal COAD), observadas as disposições do artigo 5º c/c o artigo 7º do referido Decreto, (...)”. Posteriormente, conceitua o que é serviço e prestação de serviço e tece longos comentários sobre a origem do processo de industrialização. Colacionou ainda a CONSULTA N° 127/2008 e a SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 30, DE 10 DE SETEMBRO DE 2009. 06) Por fim, alega que “fora do campo da definição e limitação de competência tributária é livre a atuação do legislador tributário para adotar a conceituação que bem lhe aprouver quando for utilizar as categorias de direito civil para fins tributários; se o legislador não der uma definição diferenciada devese concluir que houve a Fl. 746DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE FER NANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.720701/201371 Acórdão n.º 1801002.133 S1TE01 Fl. 747 7 adoção da definição ou conceito de direito privado que passa a ser vinculante na seara do direito tributário.” Posteriormente, colaciona algumas opiniões. Com fulcro nestes argumentos, o contribuinte requer o cancelamento dos débitos lançados nos Autos de Infração impugnados, bem como o acolhimento dos comprovantes de recolhimentos da diferença dos tributos devidos nos anoscalendários de 2008 e 2009. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro, Relator. Presentes os pressupostos recursais, conheço do presente recurso. Inicialmente, ressalto que não coaduno com o posicionamento adotado pela fiscalização de que a determinação do percentual legal para apuração da base de cálculo do lucro presumido, seja de 32% pelo “fato do produto saído do processo ser “NT”. Não é isso que se depreende do art. 15 da Lei n° 9.249/95, verbis: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de13 de maio de 2014)(Vide art. 119 da Lei nº 12.973/2014) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004 ) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) Note, portanto, que na definição legal, é totalmente desimportante o fato do produto resultante de uma atividade do contribuinte se enquadrar, na TIPI, como tributado ou não. O que se tem, é uma regra geral – determinação da base de cálculo mediante aplicação do percentual de 8%, independentemente de tratarse de atividade de industrialização ou não excepcionado por regras aplicáveis em casos específicos, como, por exemplo, o caso da “prestação de serviços em geral”. No caso presente, releva ter o legislador adotado o conceito “serviços em geral”, de matiz civilista, para determinar a forma de apuração da base de cálculo do imposto de renda e CSLL. Consoante preconiza o Art. 109 do CTN, neste espectro, poderia ter o legislador definido efeitos próprios quando da utilização deste conceito de direito privado; Fl. 747DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE FER NANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.720701/201371 Acórdão n.º 1801002.133 S1TE01 Fl. 748 8 todavia, limitandose apenas em reproduzilo, devese, para o fim de se determinar o alcance do dispositivo tributário analisado, considerar seu conceito em conformidade com o posto pelo direito civil. Nesse sentido: É corriqueira a utilização de conceitos do Direito Civil na seara tributária, tal como encontramos no CTN: obrigação (art. 113); bem imóvel (art. 130); pagamento (art. 157 e seguintes); compensação (art. 170), transação (art. 171); remissão (art. 172) etc. É igualmente comum a utilização pela lei tributária de tais conceitos sem os explicar ou os definir. É que o conceito deve ser buscado em seu nascedouro, isto é, no Direito Privado, valendose de uma interpretação “sistemática”, cuja definição se pôde apreender no tópico precedente. Tal utilização sistêmica de conceitos é tratada no art. 109 do CTN. [...] Com efeito, os elementos do direito privado podem ocorrer na seara tributária, no entanto, o intérprete, no trabalho de bem entendêlos quando incorporados no plexo de normas atinentes ao Direito Tributário, há de ingressar na seara jurídica privatística e de lá extrair a concepção originária. Ainda que de lá provenham, tal imigração não os descaracteriza na essência, uma vez que continuam sendo institutos, conceitos e formas de puro direito privado. (Manual de direito tributário. SABBAG, Eduardo. São Paulo: Saraiva, 2012. pg. 656/7) É o que ocorre no presente caso. O legislador bem poderia adotar o conceito de industrialização, da legislação do IPI, para afastar a configuração de serviço no presente caso, ou, até mesmo, adotar o conceito de serviço para fim do ISS, relegando a aplicação do percentual de 32% apenas àqueles incluídos na lista anexa à Lei Complementar 116/2003. Todavia, não foi isso o que ocorreu. Assim, deve prevalecer o conceito original de serviço posto pelo Direito Civil, qual seja de que tratase de obrigação de fazer, não se confundindo com obrigação de dar: Para AIRES F. BARRETO, “serviço é esforço de pessoas desenvolvido em favor de outrem, com conteúdo econômico, sob regime de direito privado, em caráter negocial, tendente a produzir uma utilidade material ou imaterial”. Podese dizer que se trata de um fazer em favor de terceiros, específico, como objeto mesmo de um negócio jurídico, ou seja, um fazer como fim colimado e não como simples meio para outra prestação. Ademais, deve ser prestado a título oneroso, mediante contraprestação. (Curso de direito tributário: completo. PAULSEN, Leandro. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2012. pg. 435) É recorrente a divergência interpretativa na caracterização ou não como serviço, quanto à atividade de beneficiamento. Essa dúvida resta evidenciada na própria legislação tributária, quando, por exemplo, ao tempo que o identifica como atividade de industrialização (Art. 4º, II do RIPI – Decreto 7.212/2010), também o põe como materialidade passível de compor a hipótese de incidência do ISS (Item 14.05 da LC 116/2003). O Supremo Tribunal Federal tem sido pródigo em enfrentar este tema, quando solicitado a esclarecer a incidência do ISS ou ICMS nessas operações. Para tanto, tem concluído que o que se mostra relevante para diferenciar a configuração de uma operação em serviço ou industrialização é, de fato, a preponderância da obrigação de dar ou de fazer. Vejamos: Fl. 748DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE FER NANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.720701/201371 Acórdão n.º 1801002.133 S1TE01 Fl. 749 9 EMENTA Agravo regimental no recurso extraordinário. Serviço de composição gráfica com fornecimento de mercadoria. Conflito de incidências entre o ICMS e o ISSQN. Serviços de composição gráfica e customização de embalagens meramente acessórias à mercadoria. Obrigação de dar manifestamente preponderante sobre a obrigação de fazer, o que leva à conclusão de que o ICMS deve incidir na espécie. 1. Em precedente da Corte consubstanciado na ADI nº 4.389/DFMC, restou definida a incidência de ICMS “sobre operações de industrialização por encomenda de embalagens, destinadas à integração ou utilização direta em processo subsequente de industrialização ou de circulação de mercadoria”. 2. A verificação da incidência nas hipóteses de industrialização por encomenda deve obedecer dois critérios básicos: (i)verificar se a venda operase a quem promoverá nova circulação do bem e (ii) caso o adquirente seja consumidor final, avaliar a preponderância entre o dar e o fazer mediante a averiguação de elementos de industrialização. 4. À luz dos critérios propostos, só haverá incidência do ISS nas situações em que a resposta ao primeiro item for negativa e se no segundo item o fazer preponderar sobre o dar. 5. A hipótese dos autos não revela a preponderância da obrigação de fazer em detrimento da obrigação de dar. Pelo contrário. A fabricação de embalagens é a atividade econômica específica explorada pela agravante. Prepondera o fornecimento dos bens em face da composição gráfica, que afigurase meramente acessória. Não há como conceber a prevalência da customização sobre a entrega do próprio bem. 6. Agravo regimental não provido.(STF :AI 803296 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 09/04/2013, PROCESSO ELETRÔNICO DJe107 DIVULG 06062013 PUBLIC 07062013) Um excelente critério para tal determinação é se o produto beneficiado terá seu destino relegado a um processo produtivo, sendo consumido em uma linha de produção. Nesse caso, fica patente que na atividade de beneficiamento, o “fazer” aplicado ocorreu simplesmente como meio para efetivação da verdadeira prestação, de dar, para que o produto fosse reinserido em uma nova linha produtiva. Tal situação fática restou caracterizada no Termo de Verificação Fiscal à efl. 41: Efetivamente a empresa pratica serviço de beneficiamento e outros relacionados com as mercadorias depositadas nos armazéns gerais. Cabe esclarecer que o processo de beneficamento compreende o conjunto de operações que retira do café, em “coco”, seco, impurezas, posterior eliminação de grãos defeituosos, classificação do café de acordo como tamanho dos grãos, ensaque, costura e blocamento dos volumes e formação de lotes. A separação das impurezas e a classificação são efetuadas através de peneiras, ventilação, catadores de pedras e separadores magnéticos. O rebenefício e a separação dos grãos de acordo como seu tamanho. O café beneficiado é ensacado e guardado em armazéns de alvenaria que condicionam os fatores indispensáveis à conservação do produto. Os sacos são colocados em pilhas, que formam vários blocos divididos por diversos corredores. Até a etapa descrita no item acima o café não está pronto para o consumo, mantém suas característica originais, não houve mudança de classificação fiscal, não houve modificação das qualidades físicoquímicas do produto, o produto é “NT” não tributado, ou seja, não foi submetido a nenhum processo de industrialização. Fl. 749DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE FER NANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.720701/201371 Acórdão n.º 1801002.133 S1TE01 Fl. 750 10 O que levou à autoridade fiscal justificar que o resultado da atividade de beneficiamento praticado pela recorrente se enquadraria na categoria “NT”, do RIPI – o que, como outrora demonstrado é irrelevante para fins de determinação do percentual de apuração da base de cálculo do IRPJ presumido – é justamente o motivo que demonstra que as atividades sob análise não se enquadram no conceito de serviços. Ora, se o resultado entregue é café que ainda “...não está pronto para o consumo...”, é por que, para tanto, deverá ser aperfeiçoado para tanto, ou seja, submetido a posterior processo de industrialização. Resta, portanto, caracterizado a preponderância da obrigação de dar, sobre a de fazer, nas atividades analisadas. Não se configurando como serviços, resta, portanto, infirmada, por ilegalidade, a motivação da peça vestibular dos presentes autos. É interessante ressaltar que o ADI n° 26, de 260408, invocado pelo contribuinte, lhe socorre. Isso porque, para efeitos do Art. 15 da Lei nº 9.249/1995, identifica como industrialização – diferenciandoa de serviço, na apuração da base de cálculo presumida do IRPJ e CSLL – não a classificação trazida na TIPI, bem como não apenas as operações que se encaixem no art. 4 º do Decreto n º 4.544, de 26 de dezembro de 2002, mas determinando que também fossem observadas as disposições do art. 5 º c/c o art. 7 º do referido decreto. Esses dois últimos dispositivos do Decreto n° 4.544, de 2002 (RIPI) – que, digase de passagem, continuam com a mesma redação no vigente RIPI, Decreto 7.212/2010, também evidenciam que a situação ora analisada se enquadra no conceito de industrialização e não na de serviço. Vejamos: Decreto n° 7.212/2010 Art. 5.° Não se considera industrialização: I ............................................................ IV O preparo de produto, por encomenda direta do consumidor ou usuário, na residência do preparador ou em oficina, desde que, em qualquer caso, seja preponderante o trabalho profissional. [...] Art. 7.° Para efeitos do art. 5.°: III nos casos dos seus incisos IV e V: a) oficina é o estabelecimento que empregar, no máximo, cinco operários e, caso utilize força motriz, não dispuser de potência superior a cinco quilowatts; b) trabalho preponderante é o que contribuir no preparo do produto, para formação de seu valor, a título de mãodeobra, no mínimo com sessenta por cento. Os Atos Declaratórios Interpretativos possuem força normativa, pois em seu preâmbulo, se verifica ter sido o mesmo editado pelo Secretário da Receita Federal do Brasil, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 95, de 30 de abril de 2007: Art. 224. Ao Secretário da Receita Federal do Brasil incumbe: Fl. 750DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE FER NANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.720701/201371 Acórdão n.º 1801002.133 S1TE01 Fl. 751 11 [...] III expedir atos administrativos e tributários de caráter normativo sobre assuntos de competência da RFB; Como tal, são alçados à condição de “Normas Complementares” (CTN, Art. 100) e, portanto, a conclusão nele trazida de que se considera industrialização as operações definidas no art. 4º do então vigente Decreto n° 4.544, de 2002 (RIPI), observadas as disposições do art. 5º c/c o art. 7° do referido decreto, haveria, no mínimo, de ter sido considerada pela autoridade fiscal para fins de não exigência de multa ou ainda atualização da base de cálculo do valore devido (Art. 100, par. único do CTN). A autoridade fiscal, entretanto, não observou, para formular sua conclusão de que a atividade de beneficiamento de café praticada pelo contribuinte se enquadrava como serviço, tais requisitos. Ao final, cumpre ressaltar que às efls. 366640 o contribuinte apresentou planilha e documentos (notas fiscais) demonstrando a influência, na composição da receita bruta auferida no período autuado, da atividade de beneficiamento de café. Às efls. 347361, por sua vez realiza o pagamento de parte da autuação, em que reconhece pagamento à menor quanto às receitas de serviços. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Alexandre Fernandes Limiro relator (assinado digitalmente) Voto Vencedor Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Redator Designado Conforme bem relatado pela muito digno Relator, a presente lide reside na correta determinação do índice de apuração do lucro presumido em relação à atividade de beneficiamento de café, assim descrita pelo contribuinte (fl. 312): a) Beneficiamento fase 1 classificação criteriosa dos grãos, exigida pelos compradores do mercado interno e externo, que consiste em separar os grãos por peneira de 9 a 19 de acordo com o tamanho dos mesmos, através de maquinário; b) Beneficiamento fase 2 processo de beneficiamento que ocorre após a separação por peneira no qual o café é ventilado para retirar defeitos tais como grãos leves, grãos quebrados, pós, paus, casca, café em coco, brocados, conchas, chochos, marinhos (grãos com pergaminho) e demais impurezas. A ventilação é realizada de forma mecânica que utiliza ventiladores específicos para atividade. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE FER NANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.720701/201371 Acórdão n.º 1801002.133 S1TE01 Fl. 752 12 c) Catação Eletrônica catação eletrônica dos grãos que consiste na retirada de grãos pretos, grãos ardidos, grãos verdes, pedras e impurezas remanescentes do processo de ventilação. O processo é realizado com máquina específica para o processo de industrialização do café. A ventilação e catação objetivam separar os grãos. d) Liga consiste na mistura de vários lotes anteriormente catados e ventilados que serão agrupados por tipo de grãos, dimensão e qualidade (café e bebida), cujo objetivo é formar lotes específicos para exportação e/ou venda no mercado interno de acordo com a solicitação do cliente. c) Embalagem consiste em acondicionar o produto em sacarias (embalagens), sendo que, para tanto, são usadas sacaria nova para o produto com o fim de exportação e sacaria usado quando destinado ao mercado interno. 3. Principais insumos / matérias primas utilizados no beneficiamento café em grãos, materiais de embalagem, ambos fornecidos pelo proprietário do café. O contribuinte entende que exerce atividade industrial, na modalidade de industrialização por encomenda, ao que se aplicariam os índices de 8% e 12% para a apuração do lucro presumido, respectivamente para o IRPJ e para a CSLL. A fiscalização entende que a atividade em tela é prestação de serviço, ao que se aplicaria o índice de 32% para a apuração do lucro presumido, em relação a ambos os tributos. A questão é, de fato, controversa. Há precedente deste CARF que considerou essa atividade como industrialização, ao mesmo tempo em que há precedente em sentido oposto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE PESSOA JURÍDICA OU DE COOPERATIVA QUE EXERÇA A ATIVIDADE DE PREPARAR O BLEND DO CAFÉ OU DE SEPARAR OS GRÃOS POR DENSIDADE, COM REDUÇÃO DOS TIPOS DE CLASSIFICAÇÃO. REALIDADE QUE NÃO SE SUBSUME ÀS HIPÓTESES DE APURAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO PREVISTAS NA LEI Nº 10.925/04. Ainda que o pleito abordasse hipótese de apuração do crédito presumido das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, não se subsume à possibilidade legal de pleitear aludido direito creditório a aquisição de insumos de pessoa jurídica ou de cooperativa que exerça a atividade cumulativa de “padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial” (inciso II do § 1º do artigo 9º da Lei nº 10.925/04). [Acórdão nº 3802002.383, de 26 de fevereiro de 2008] Fl. 752DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE FER NANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.720701/201371 Acórdão n.º 1801002.133 S1TE01 Fl. 753 13 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N° 9.363/96. INDUSTRIALIZAÇÃO. REQUISITO BÁSICO PARA FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO. A fruição do crédito presumido do IPI, como ressarcimento das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pagas nas etapas anteriores, está condicionada, dentre outras, a que a empresa produza (industrialize) e exporte as mercadorias nacionais. No caso, houve apenas a aquisição de café cru, sua limpeza e envasamento em sacas, operação esta que não se enquadra no conceito de industrialização estabelecido na legislação do IPI. [Acórdão nº 20312.792, de 8 de abril de 2008] O Relator conduziu o seu voto no sentido de considerar a atividade acima descrita como industrialização, por um raciocínio de exclusão, uma vez que considera haver prestação de serviço apenas quando: (i) a venda operase a quem não promoverá nova circulação do bem e (ii) caso o adquirente seja consumidor final, exista preponderância da obrigação de fazer em relação à obrigação de dar, mediante a averiguação de elementos de industrialização. Peço permissão para discordar desse entendimento. Na espécie, o produtor de café deposita a sua produção no estabelecimento do contribuinte e o remunera para que este limpe, cate, separe e ensaque os grãos. Penso que, ao ser contratado, o contribuinte não se obriga a dar algo, mas sim a fazer algo. Portanto, há preponderância da obrigação de fazer, o que é característico da prestação de serviço. Para haver obrigação de dar, seria necessário que houvesse a agregação de matéria, de energia ou de esforço suficiente para modificar a natureza do café depositado. Na espécie, a atividade exercida pelo contribuinte não agrega matéria ou energia ao café e não modifica a sua natureza. Quero dizer, o grão que sai do estabelecimento do recorrente é o mesmo que lá ingressou. É certo que o fato de estar desacompanhado de impurezas e estar ensacado junto a grãos de mesma qualidade agrega valor econômico a esse grão, mas a agregação de valor não é critério de determinação de industrialização, pois a realização de um serviço também pode agregar valor. Nesse raciocínio, eu acompanho a manifestação de voto da Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, que também afastou a possibilidade de industrialização, conforme o entendimento de que a industrialização é caracterizada pela utilização de insumos, o que não ocorre na espécie. Prosseguindo em minha fundamentação, também afasto a possibilidade de uma industrialização por encomenda, uma vez que a atividade de limpar, selecionar e ensacar o café é, na verdade, atividades de manejo da produção agrícola, o que não se confunde com a produção industrial. Assim, se o próprio produtor estivesse praticando a atividade em questão, isso não seria razão suficiente para equiparálo a industrial, conforme o artigo 2º, V, da lei nº 8.023, de 1990: Fl. 753DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE FER NANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.720701/201371 Acórdão n.º 1801002.133 S1TE01 Fl. 754 14 Art. 2º Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) Não é o fato de o produtor rural terceirizar parte do manejo de sua produção agrícola que vai tornálo um industrial, realizando industrialização por encomenda. O contribuinte é uma empresa destinada a prestar o serviço de armazenamento da produção agrícola. O cliente do contribuinte é um produtor agrícola. O fato de o contribuinte se obrigar a realizar parte do manejo da produção agrícola de seus clientes não é razão suficiente para fazer surgir uma cadeia de produção industrial. Tudo aqui se trata de produção agrícola e da prestação de serviços a ela relacionada Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 754DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por ALEXANDRE FER NANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
