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Numero do processo: 10840.002777/2005-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
Ementa:
RATEIO PROPORCIONAL. DETERMINAÇÃO DA RELAÇÃO ENTRE A RECEITA NÃO CUMULATIVA E RECEITA BRUTA TOTAL. INTELIGÊNCIA DO INCISO II, DO §8º DO ART. 3º DA LEI 10.833/2003.
As receitas provenientes de vendas de produtos ao exterior, que ocasionem receitas rotuladas como receitas financeiras, devem compor a receita bruta (numerador) quando decorrer de venda de produtos sujeitos a não cumulatividade, e, em qualquer hipótese (vendas de produtos sujeitos ou não à não cumulatividade), devem compor a receita bruta total da pessoa jurídica (denominador).
NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE.
A Lei nº. 12.058/2009 permitiu o ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004.
Numero da decisão: 3402-002.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para admitir a inclusão dos custos com combustíveis, com transporte de pessoal e de cana-de-açúcar no valor a ser descontado da contribuição devida na forma da sistemática da não cumulatividade e para admitir o ressarcimento e a compensação desses créditos com outros tributos administrados pela RFB. Votou pelas conclusões o conselheiro João Carlos Cassuli Junior.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Winderley Morais Pereira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luis Carlos Shimoyama (Suplente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 Ementa: RATEIO PROPORCIONAL. DETERMINAÇÃO DA RELAÇÃO ENTRE A RECEITA NÃO CUMULATIVA E RECEITA BRUTA TOTAL. INTELIGÊNCIA DO INCISO II, DO §8º DO ART. 3º DA LEI 10.833/2003. As receitas provenientes de vendas de produtos ao exterior, que ocasionem receitas rotuladas como receitas financeiras, devem compor a receita bruta (numerador) quando decorrer de venda de produtos sujeitos a não cumulatividade, e, em qualquer hipótese (vendas de produtos sujeitos ou não à não cumulatividade), devem compor a receita bruta total da pessoa jurídica (denominador). NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. A Lei nº. 12.058/2009 permitiu o ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004.
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DETERMINAÇÃO DA RELAÇÃO ENTRE A RECEITA NÃO CUMULATIVA E RECEITA BRUTA TOTAL. INTELIGÊNCIA DO INCISO II, DO §8º DO ART. 3º DA LEI 10.833/2003. As receitas provenientes de vendas de produtos ao exterior, que ocasionem receitas rotuladas como “receitas financeiras”, devem compor a receita bruta (numerador) quando decorrer de venda de produtos sujeitos a não cumulatividade, e, em qualquer hipótese (vendas de produtos sujeitos ou não à não cumulatividade), devem compor a receita bruta total da pessoa jurídica (denominador). NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. A Lei nº. 12.058/2009 permitiu o ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos apurados na forma do § 3º do art. 8º da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 27 77 /2 00 5- 93 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.002777/200593 Acórdão n.º 3402002.166 S3C4T2 Fl. 296 2 ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para admitir a inclusão dos custos com combustíveis, com transporte de pessoal e de canadeaçúcar no valor a ser descontado da contribuição devida na forma da sistemática da não cumulatividade e para admitir o ressarcimento e a compensação desses créditos com outros tributos administrados pela RFB. Votou pelas conclusões o conselheiro João Carlos Cassuli Junior. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Winderley Morais Pereira, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Luis Carlos Shimoyama (Suplente). Relatório Para elucidar os fatos ocorridos nos autos transcrevo o relatório do Acórdão nº 3402001543, de 06 de outubro de 2011, que anulou o Acórdão da DRJ/Ribeirão Preto nº 1432.182, in verbis: Trata o presente processo de Declaração de Compensação com o aproveitamento de crédito da contribuição para a Cofins não cumulativa. referente ao período de apuração setembro/2005, no valor de R$ 355.096,35, fls.1/2. Efetuada a verificação fiscal junto ao interessado, foi lavrado o termo de Informação Fiscal, fls. 29/33, onde se relata as divergências encontradas na apuração efetuada, quais sejam: a) Cálculo do crédito presumido da agroindústria para desconto das contribuições para o Cofins não cumulativo. Os valores dos créditos de Cofins não cumulativo apurados sobre aquisições de canadeaçúcar de pessoa física e jurídica não são passíveis de compensação. Ressalta que, a partir do período de apuração agosto de 2004. os créditos relativos à agroindústria só podem ser utilizados para abater os débitos do Cofins não cumulativo, devendo ser somados aos créditos relativos ao mercado interno, pois não podem ser compensados ou ressarcidos, com base no disposto no art. 8º , § 3º, II, da Instrução Normativa SRF n° 660, de 17 de julho de 2006. b) Bens e produtos não incluídos no conceito de insumos utilizados no processo produtivo da empresa, conforme o disposto no inciso II do artigo 3º da Lei n° 10.637/2002 e no artigo 8º , inciso I, alínea "b" e "b1" e nos parágrafos 4º , item I, alínea "a", e 9º , inciso I do mesmo artigo 8º da Instrução Normativa n° 404, de 12 de março de 2004. Aquisição de Fl. 235DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.002777/200593 Acórdão n.º 3402002.166 S3C4T2 Fl. 297 3 produtos não considerados como insumos pela legislação vigente, para a fabricação/produção de bens destinados à venda. Destaca que a empresa descontou crédito indevido sobre o valor do combustível utilizado no transporte de canadeaçúcar, bem este não incluído no conceito de insumo utilizado no processo produtivo da empresa, nos termos do disposto nos dispositivos acima citados. c) Inclusão indevida nas receitas de exportações, de valores correspondentes a acréscimos decorrentes de variação cambial, que correspondem, na realidade, a receitas operacionais financeiras, não podendo compor o cálculo do demonstrativo de apuração da relação percentual entre receitas. A partir das divergências encontradas, foram refeitos os cálculos do crédito da empresa, conforme planilha de fls. 286, onde foi apurado credito no valor de R$ 153.651,46. Através do Despacho Decisório de fls. 34/35, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto, reconheceu o direito creditório da empresa ao valor apurado na Informação; Fiscal,que aprovou, e homologou a compensação até o limite do crédito reconhecido. Cientificado, o interessado, através da manifestação de inconformidade, fls. 39/65, inicialmente descreve os fatos e os motivos da glosa e, sobre as divergências encontradas, que geraram a glosa do valor pretendido, alega, em breve síntese, o seguinte: PRIMADO CONSTITUCIONAL DA NÃO CUMULATIVIDADE Faz longa exposição a respeito do conceito constitucional da não cumulatividade pretendendo que os créditos sejam apurados sobre todas as despesas necessárias e/ou insumos incorridos para a formação das receitas tributáveis, "... sob o pressuposto lógico de que tais despesas/insumos, em relação às quais está se concedendo o crédito, foram outrora receita para a pessoa jurídica "da etapa anterior" e, por conseqüência, já foram tributadas pelo PIS e pela COFINS”. RATEIO DE CUSTOS. DESPESAS E ENCARGOS. Quanto ao rateio de custos, despesas e encargos, alega que interpretou corretamente o disposto nos §§ 7º e 8º , do art. 3º, da Lei n° 10/833, de 2003, utilizandose do método de rateio proporcional; Destaca que a legislação determina a apuração da relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita total, "... sem especificar que qualquer um dos indicadores a ser utilizado no cálculo esteja, necessariamente, atrelado aos custos, despesas e encargos que dão direito ao crédito da COFINS não cumulativa”. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.002777/200593 Acórdão n.º 3402002.166 S3C4T2 Fl. 298 4 Entende que o conceito de receita bruta compreende receitas além daquelas advindas da venda de bens e serviços e que a lei não pretendeu que o cálculo do rateio de custos, despesas e encargos compreendesse apenas as receitas relacionadas à determinada atividade da empresa ou a receitas relacionadas aos custos, despesas e encargos que geram créditos da COFINS, e que interpretar o dispositivo legal de maneira diversa significa desnaturar a própria sistemática da não cumulatividade da COFINS. COMBUSTÍVEL UTILIZADO NO TRANSPORTE Quanto ao combustível utilizado no transporte, alega que na sua atividade de fabricação de álcool, açúcar e outros derivados de canadeaçúcar é imprescindível a observância de todas as etapas, que abrangem o plantio, corte, carregamento, transporte, pesagem e amostragem, produção e distribuição e vendas dos produtos, e que o transporte de materiais utilizados no plantio e cultivo da cana, dos trabalhadores, das mudas e da cana colhida, caracterizase como uma despesa incorrida numa etapa da produção da empresa, cujo resultado será tributado pela COFINS e pelo PIS não cumulativa. Continua, alegando que a IN SRF n° 404, de 2004, restringiu o direito de aproveitamento de crédito sobre as despesas que formam a receita e limitou o conceito de insumo passível a gerar direito ao crédito previsto no § 4º do art. 8º da Lei n° 10.833, de 2003, que transcreve. Assim, alega tal ato normativo extrapolou a previsão contida na lei. UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO NA COMPENSAÇÃO. Quanto à possibilidade de utilização do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei n° 10.925, de 2004, para compensação com outros débitos, alega que está embasada nesse próprio dispositivo legal e no disposto no art. 5º , § 1º , II, da Lei n° 10.637, de 2002. Que o crédito presumido previsto no art. 8º da Lei n° 10.925, de 2004 não pode ser afastado haja vista sua referência ao art. 3º das leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, sendo impossível "desvincular referido crédito dos dispositivos legais de ressarcimento com outros tributos federais". Que a compensação efetuada é anterior à edição da IN SRF n° 660, de 2006, sendo vedado a aplicação de norma retroativa a fim de vedar forma de compensação e que não há qualquer vedação na Lei n° 10.925, de 2004 em relação à possibilidade de utilização do crédito presumido para compensação com débitos de outros tributos. VARIAÇÃO CAMBIAL Quanto às receitas decorrentes de complemento de preços de exportação, tratadas pelo fisco como sendo receitas financeiras, Fl. 237DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.002777/200593 Acórdão n.º 3402002.166 S3C4T2 Fl. 299 5 alega que o açúcar é pago em data posterior à sua entrega, de forma que o manifestante não tem como emitir a nota fiscal de venda com destino á exportação já no valor efetivo dessa comercialização, uma vez que o contrato é celebrado em dólares que é convertido em reais na data do pagamento, posterior a data de entrega do produto. Assim, emite uma nota fiscal quando de sua efetiva saída e emite nota fiscal complementar para ajustar o valor da operação ao efetivo preço pago. Assim, entende que tais valores correspondem a complemento de preço das mercadorias vendidas, não se tratando de receitas financeiras propriamente ditas. Transcreve várias ementas e trechos de julgamentos judiciais no sentido de embasar seu entendimento. Requer o reconhecimento integral do direito creditório pleiteado e a homologação das compensações declaradas. A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto considerou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PROPORCIONALIDADE. Na apuração da proporcionalidade entre a receita sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, considerando se esta como o total das receitas, cumulativa e nãocumulativa, que tenham custos, despesas e encargos comuns. CRÉDITO PRESUMIDO.COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. O valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins apuradas no regime de incidência não cumulativa, vedada o seu ressarcimento ou compensação. DEDUÇÃO. INSUMOS. COMBUSTÍVEL NÃO UTILIZADO NA FABRICAÇÃO DO PRODUTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Entendemse como insumos, para efeito de dedução do valor apurado da contribuição, a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O combustível utilizado em fases que não a fabricação do produto não pode ser considerado insumo para efeito de dedução do valor da contribuição apurada, por falta de previsão legal. VENDAS AO EXTERIOR. VARIAÇÃO CAMBIAL.CLASSIFICAÇÃO. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.002777/200593 Acórdão n.º 3402002.166 S3C4T2 Fl. 300 6 Os valores referentes a ganhos ou perdas monetárias em função da variação cambial dos valores das vendas ao exterior são considerados receitas ou despesas financeiras. Descontente com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou o recurso voluntário no qual argumenta, em síntese, que: a) a decisão da DRJ deve ser anulada em vista a omissão quanto a análise da matéria referente a possibilidade de creditamento dos custos com serviços de transporte; b) é possível a utilização do crédito presumido da agroindústria para compensação com débitos relativos a tributos federais que não seja a Cofins apurada na sistemática da não cumulatividade; c) a recorrente faz jus ao aproveitamento de créditos sobre todos os gastos incorridos na geração da receita tributável (não cumulatividade); d) deve ser afastada a IN SRF nº 404/2004 por representar clara transgressão a sistemática da não cumulatividade, pois tende a restringir e mitigar os gastos passíveis de gerar crédito da exação; e e) as receitas de variação cambial decorrentes de contratos de exportação devem ser consideradas como receitas de exportação e não como receitas financeiras. Assim, tais receitas devem compor o cálculo do demonstrativo de apuração da relação percentual entre receitas A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF anulou a decisão da primeira instância administrativa, em vista da falta de análise de matéria trazida aos autos na manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 3402001543, de 06/10/2011, cuja ementa abaixo reproduzo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ementa: ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO. A omissão relativa a fato relevante para o deslinde da causa caracteriza cerceamento do direito de defesa, a demandar anulação do acórdão recorrido para que outro seja produzido com apreciação de todas as razões de inconformidade. Decisão Anulada. Os autos retornaram a primeira instância que proferiu nova decisão mantendo a improcedência da manifestação de inconformidade. O sujeito passivo teve ciência desta nova decisão e apresentou novo recurso voluntário, onde alega, em breve síntese que: Fl. 239DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.002777/200593 Acórdão n.º 3402002.166 S3C4T2 Fl. 301 7 1) A recorrente faz jus ao aproveitamento de créditos referentes aos custos com combustíveis e com transporte de pessoas e de canadeaçúcar; 2) É possível a utilização do crédito presumido da agroindústria para compensação com débitos relativos a tributos federais que não seja a Cofins apurada na sistemática da nãocumulatividade; 3) Todos produtos que comercializa têm origem nas mesmas matériasprimas, insumos e demais custos, que a receita derivada da comercialização desses produtos parte fica sujeita ao regime cumulativo e parte ao regime não cumulativo da Cofins, e que a empresa não possui centros de custos apartados, logo, não resta alternativa senão o cálculo dos créditos mediante o critério do rateio proporcional. A Lei nº 10.833/2003 ao tratar da receita bruta sujeita à incidência não cumulativa da Cofins e da receita bruta total, não pretendeu que o cálculo do rateio de custos, despesas e encargos compreendesse apenas as receitas relacionadas a determinadas atividades da empresa ou as receitas relacionadas aos custos, despesas e encargos que geram créditos da Cofins. É o caso das receitas provenientes da comercialização de sucatas e das receitas financeiras que, submetidas ao regime nãocumulativo, ficam sujeitas à tributação pela Cofins à alíquota de 7,6%, mas não podem, no entender do Fisco, compor o cálculo do rateio de custos, despesas e encargos para apuração dos créditos a serem descontados pela recorrente; Termina sua petição recursal requerendo integral provimento de seu recurso para possibilitar a compensação/ressarcimento de todos os créditos discutidos nestes autos. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. CONCEITO DE INSUMO A pedra angular do litígio posta nos autos cingese na interpretação das Leis que instituíram o PIS e a Cofins nãocumulativos. A celeuma que embasa a maior parte dos processos envolvendo o tema diz respeito ao alcance do termo “insumo” para fins de obtenção do valor do crédito das exações a serem compensadas/ressarcidas Fl. 240DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.002777/200593 Acórdão n.º 3402002.166 S3C4T2 Fl. 302 8 O Conselheiro Mauricio Taveira e Silva, no processo nº 16707002127/2005 69 de sua relatoria, enfrentou o tema com maestria, profundidade e didática, de sorte que reproduzo seu voto para embasar minha razão de decidir, in verbis: O tema em questão enseja as maiores polêmicas acerca do PIS e Cofins não cumulativos em decorrência do termo “insumo” utilizado pelo legislador, sem a devida definição de sua amplitude, ou seja, se o insumo a ser considerado deva ser somente o “direto” ou se o termo deve abarcar, também, os insumos “indiretos”. Nesse contexto, tornase necessária uma maior reflexão sobre o tema. Os arts 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, dispõem sobre a possibilidade de a pessoa jurídica descontar créditos relacionados a bens e serviços, utilizados como “insumo” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Visando normatizar o termo “insumo” a Receita Federal editou as Instruções Normativas, IN SRF nº 247/02, art. 66, § 5º, no caso do PIS e IN SRF nº 404/04, art. 8º, § 4º para a Cofins. Nelas, o fisco limitou a abrangência do termo “insumos” utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, à matériaprima, ao produto intermediário, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Em se tratando de serviços, os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços. Necessário, ainda, que os bens não estejam incluídos no ativo imobilizado, bem assim, os serviços sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, sendo aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto ou prestação do serviço. De modo a esclarecer o alcance de tais normas em relação a casos concretos, foram editadas diversas Soluções de Consultas, por vezes conflitantes, as quais acabaram por ensejar a elaboração de inúmeras Soluções de Divergência. Na sequência dos acontecimentos, decorridos alguns anos desde a edição das leis criadoras do PIS e da Cofins na sistemática não cumulativa, percebese ser cada vez mais intenso o coro a rejeitar a não cumulatividade dessas contribuições de modo tão restritivo, nos moldes do IPI. Nesse sentido, na doutrina preconizada por Fábio Pallaretti Calcini, a não cumulatividade vinculada ao produto (IPI) ou mercadoria (ICMS) não se presta a fundamentar a não cumulatividade do PIS e da Cofins, cujo pressuposto é a receita, ensejando, assim, uma maior amplitude para a obtenção dos créditos. A falta de pertinência se evidencia em se tratando de prestador de serviços. As restrições legalmente impostas cingemse ao art. 3º, § 2º, incisos I e II, das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, que tratam de vedação de crédito decorrente de mão de obra paga a pessoa Fl. 241DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.002777/200593 Acórdão n.º 3402002.166 S3C4T2 Fl. 303 9 física e aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Releva observar, em conformidade com o art. 3º, § 3º, incisos I e II, dos mesmos diplomas legais, a necessidade de que, tanto os bens e serviços adquiridos, como também os custos e despesas incorridos, pagos ou creditados, tenham como destino pessoa jurídica domiciliada no País. Desse modo, proclama o referido autor; vez que as restrições, com caráter de excepcionalidade, estão expressamente consignadas em lei, os demais dispositivos normativos não poderiam ser elaborados de forma restritiva. Conforme assevera Natanael Martins, levando em consideração o fato de que no caso das contribuições para o PIS e para a Cofins pelo regime não cumulativo a materialidade é a receita e não somente a atividade fabril, mercantil ou de serviços, constata que há a eleição de ‘outras hipóteses creditórias desvinculadas da atividade desenvolvida pelo contribuinte como é o caso das despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil’48, razão pela qual constata que, diante deste contexto, a noção de insumo ‘erigido pela nova sistemática do PIS e da Cofins não guarda simetria com aquele delineado pelas legislações do IPI e do ICMS, visto não estar limitado apenas a operações realizadas com mercadorias ou produtos industrializados, sendo, inclusive, aplicado aos prestadores de serviços. Nessa linha registra Pallaretti Calcini que as limitações à utilização do crédito são exaustivamente descritas nas duas leis, não comportando acréscimos. Assim, sustenta que a expressão insumo deve estar vinculada aos dispêndios relizados pelo contribuinte que, de forma direta ou indireta, contribuam para o pleno exercício de sua atividade econômica (indústria, comércio ou serviços) visando à obtenção de receita. Logo, os parâmetros trazidos pela Receita Federal seriam claramente restritivos, não se coaduando com o disposto nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03. No âmbito do CARF as decisões têm caminhado no sentido de se flexibilizar o entendimento acerca do que deva ser considerado como insumo. Nesse contexto, relevantes as considerações do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres no voto condutor, na CSRF, do acórdão nº 930301.035 de 23/08/2010, processo nº 11065.101271/200647, conforme se observa de sua transcrição: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de Pis/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para Fl. 242DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.002777/200593 Acórdão n.º 3402002.166 S3C4T2 Fl. 304 10 a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessa contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Julio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: “Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Pis/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como “insumo” combustível e lubrificante, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do Pis/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrario, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.002777/200593 Acórdão n.º 3402002.166 S3C4T2 Fl. 305 11 Vejamos o dispositivo citado: (...) As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no País, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de Pis/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional”. Mais recentemente fora prolatado o acórdão nº 320200.226, em 08/12/2010, processo nº 11020.001952/200622, de relatoria do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior que, após fazer diversas referências e citações doutrinárias, além de colacionar decisões administrativas, todas no sentido de que o conceito de “insumo” deve ser entendido em sentido menos restritivo do que o preconizado pelas normas editadas pelo Fisco Federal, arremata: É de se concluir, portanto, que o termo "insumo" utilizado para o cálculo do PIS e COFINS não cumulativos deve necessariamente compreender os custos e despesas operacionais da pessoa jurídica, na forma definida nos artigos 290 e 299 do RIR/99, e não se limitar apenas ao conceito trazido pelas Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 (embasadas exclusivamente na (inaplicável) legislação de IPI). No caso dos autos foram glosados pretendidos créditos relativos a valores de despesas que a Recorrente houve por bem classificar como insumos (materiais utilizados para manutenção de máquinas e equipamentos), em virtude da essencialidade dos mesmos para a fabricação dos produtos destinados à venda. Ora, constatase que sem a utilização dos mencionados materiais não haveria a possibilidade de a Recorrente destinar seus produtos à venda, haja vista a inviabilidade de utilização das máquinas. Frisese que o material utilizado para manutenção sofre, inclusive, desgaste com o tempo. Em virtude doa argumentos expostos, em que pese o respeito pela I. decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), ao não admitir a apuração de créditos sobre os bens adquiridos pela Recorrente, entendo que tal glosa não deve prosperar, uma vez que os equipamentos adquiridos caracterizamse como despesas necessárias ao desenvolvimento de suas atividades, sendo certo o direito ao crédito sobre tais valores para desconto das contribuições para o PIS e COFINS. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.002777/200593 Acórdão n.º 3402002.166 S3C4T2 Fl. 306 12 Em relação ao tema, o referido acórdão restou assim ementado: [...] REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Feitas estas colocações, passo a expressar meu posicionamento acerca da matéria. Conforme dito anteriormente, o cerne da questão reside no significado e abrangência do termo “insumo” consignado nos arts 3º, inciso II das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, cuja semelhante redação assim dispõem: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (destaquei) Em que pese a judiciosa motivação apresentada pelo conselheiro relator em seu brilhante voto condutor do aresto precitado, ouso discordar de sua conclusão assinalada na ementa, como segue: “O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ...” Travase aqui, a mesma discussão do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, ou seja, se o insumo deve ser compreendido em seu sentido lato, abrangendo, portanto, toda e qualquer matériaprima e produto intermediário, cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final, ou não. O art. 290 do RIR/99 mencionado no acórdão referencia o método de custeio por absorção o qual apropria todos os custos de produção dos bens, sejam diretos ou indiretos, variáveis ou fixos. Assim, o custo de produção dos bens ou serviços deverá compreender o custo de aquisição das matériasprimas e Fl. 245DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.002777/200593 Acórdão n.º 3402002.166 S3C4T2 Fl. 307 13 secundárias, o custo de mão de obra direta e indireta e os gastos gerais de fabricação, inclusive os custos fixos tais como os encargos de depreciação dos bens utilizados na produção. Já o art. 299, também do RIR/99, trata das despesas operacionais dedutíveis na determinação do lucro real como sendo as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora de receitas. Suas matrizes legais são: DecretoLei nº 1.598/77, art. 13, §§ 1º e 2º (art. 290 do RIR/99), que assim dispõe: Art. 13 O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; b) o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; c) os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; d) os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; e) os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. § 2º A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda de 5% do custo total dos produtos vendidos no exercício social anterior, poderá ser registrada diretamente como custo. Por outro lado, o art. 299 do RIR/99 tem como matriz legal o art. 47, §§ 1º e 2º, da Lei nº 4.506/64, com o seguinte teor: Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.002777/200593 Acórdão n.º 3402002.166 S3C4T2 Fl. 308 14 Tendo em vista a extensa redação levada a efeito no caso do Imposto de Renda, não posso compreender que o simples termo “insumo” utilizado na norma tenha a mesma amplitude do citado imposto. Acaso o legislador pretendesse tal alcance do referido termo teria aberto mão deste vocábulo, “insumo”, assentando que os créditos seriam calculados em relação a “todo e qualquer custo ou despesa necessários à atividade da empresa ou à obtenção de receita”. Dispondo desse modo o legislador, sequer, precisaria fazer constar “inclusive combustíveis e lubrificantes”. Creio que o termo “insumo” foi precisamente colocado para expressar um significado mais abrangente do que MP, PI e ME, utilizados pelo IPI, porém, não com o mesmo alcance do IRPJ que possibilita a dedutibilidade dos custos e das despesas necessárias à atividade da empresa. Precisar onde se situar nesta escala é o cerne da questão. De se registrar que o próprio fisco vem flexibilizando seu conceito de insumo. Como exemplo temse que, em relação ao citado acórdão, o qual tratou de créditos de aquisições de materiais para manutenção de máquinas e equipamentos, a própria administração tributária já havia se manifestado favoravelmente à utilização de tais créditos, por meio da Solução de Divergência nº 35/08. Nela a Cosit registra a desnecessidade de contato direto com os bens que estão sendo fabricados, conforme segue: 17. Isso posto, chegase ao entendimento, de que todas as partes e peças de reposições utilizadas em máquinas e equipamentos diretamente responsáveis pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, aqui descritos ou exemplificados, que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida em todo o processo de produção ou de fabricação, independentemente, de entrarem ou não contato direto com os bens que estão sendo fabricados destinados à venda, ou seja, basta que referidas partes e peças sejam incorporadas às máquinas e equipamentos que estejam atuando no processo de fabricação ou produção dos referidos bens, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, desde que não estejam escriturados no ativo imobilizado. (grifei) Em conclusão a Solução registra: 18.Diante do exposto, solucionase a presente divergência dandose provimento ao recurso interposto, orientando à recorrente que as despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição, que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de dezembro de 2002, e a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Fl. 247DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.002777/200593 Acórdão n.º 3402002.166 S3C4T2 Fl. 309 15 Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, respectivamente, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Destarte, entendo que o termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. Com base nas brilhantes linhas traçadas pelo Conselheiro Mauricio Taveira, entendo que em todo processo administrativo que envolver créditos referentes a não cumulatividade do PIS ou da Cofins, deve ser analisado cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo, para então definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. Regressando aos autos, constato que as glosas efetuadas pelo Fisco foram relativas aos dispêndios havidos no transporte e plantio de canadeaçúcar. A Autoridade Fiscal entendeu que o combustível, o serviço de transporte de trabalhadores e o serviço de transporte da canadeaçúcar não se subsumiam ao conceito de insumo instituído pela Lei nº 10.822/2003. Tenho uma interpretação diferente para o caso, senão vejamos: A recorrente exerce atividade agroindustrial, cujo objeto consiste na fabricação de açúcar e álcool. Para a produção do açúcar e do álcool necessário se faz o corte, o carregamento e transporte da canadeaçúcar até o estabelecimento industrial para que nele, parque fabril, haja a transformação da matériaprima em produto final que será oportunamente comercializado. Portanto, na operação de fabricação de álcool e açúcar, o combustível para os veículos de transporte de pessoal e de canadeaçúcar, e os próprios serviços de transporte estão diretamente envolvidos no processo produtivo da empresa. Fato que possibilita o creditamento dos referidos custos. AGROINDÚSTRIA – RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO A lide passa necessariamente pelas irradiações das modificações impostas pela Lei nº 10.925/2005 ao regime da nãocumulatividade do PIS e da Cofins. Diante desse quadro convém identificar as respectivas mudanças e seus reflexos no caso em questão. A Lei nº 10.637/2002, assim dispõe sobre o assunto: Fl. 248DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.002777/200593 Acórdão n.º 3402002.166 S3C4T2 Fl. 310 16 Art. 2o Para determinação do valor do PIS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65. (...) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) (...) § 10.Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. § 11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) Iseu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2o; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (Revogado pela Lei nº 10.925, de 2004) II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal. Assim, a agroindústria poderia aproveitar os créditos presumidos para dedução do valor a recolher resultante de operações no mercado interno, compensar com débitos próprios de tributos administrados pela SRF e, caso não conseguisse utilizálos até o final de cada trimestre, pleitear seu ressarcimento. Ocorre que os §§ 10 e 11 do art. 3º supra foram revogados pela Medida Provisória nº 183, de 30 de abril de 2004 (publicada nessa mesma data em Edição extra do Diário Oficial da União), verbis: Art.3° Os efeitos do disposto nos arts. 1º e 5o darseão a partir do quarto mês subseqüente ao de publicação desta Medida Provisória. Art. 4° Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.002777/200593 Acórdão n.º 3402002.166 S3C4T2 Fl. 311 17 Art.5° Ficam revogados os §§ 10 e 11 do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e os §§ 5º, 6º, 11 e 12 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. A partir de agosto de 2004 produziria efeitos, portanto, a revogação desses créditos presumidos da agroindústria. Sobreveio a conversão dessa Medida Provisória na Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004 (Diário Oficial de 26/07/2004), reinstituindo os créditos presumidos da agroindústria com alterações, conforme arts. 8º e 15: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). (...) Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) Art. 17. Produz efeitos: (...) II na data da publicação desta Lei, o disposto: a) nos arts. 1o, 3o, 7o, 10, 11, 12 e 15 desta Lei; (...) III a partir de 1o de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8o e 9o desta Lei Fl. 250DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.002777/200593 Acórdão n.º 3402002.166 S3C4T2 Fl. 312 18 Observe que a Lei nº 10.925/2004 instituiu novas hipóteses de créditos presumidos com vigência a partir de 01/08/2004, tanto nas especificidades de seu cálculo quanto na forma de seu aproveitamento. Importa notar que, quanto ao aproveitamento, essa Lei dispôs apenas sobre a possibilidade da pessoa jurídica, indicada no caput dos arts. 8º e 15, “deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física.” De outro lado, a mesma Lei nº 10.925 manteve as revogações promovidas pela MP nº 183, verbis: Art. 16. Ficam revogados: I a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subseqüente ao da publicação da Medida Provisória no 183, de 30 de abril de 2004: a) os §§ 10 e 11 do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002; e b) os §§ 5o, 6o, 11 e 12 do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; Assim, como os créditos previstos no art. 3º, §§ 10 e 11 da Lei nº 10.637/2002 e no art. 3º, §§ 11 e 12 da Lei nº 10.833/2003 foram expressamente revogados pelo art. 16 da Lei nº 10.925/2004, não sendo mais apurados na forma do art. 3º daquelas leis, não há mais possibilidade de efetuar compensação ou pedido de ressarcimento em dinheiro em relação a aqueles créditos, por falta de previsão legal. Pelo mesmo motivo, não é possível a compensação e o ressarcimento em relação aos créditos estabelecidos pelos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004. Em função da revogação promovida pela Medida Provisória nº 183 não ter produzido efeitos antes da reinstituição dos créditos presumidos da agroindústria pela Lei nº 10.925, podese concluir que o aproveitamento de tais créditos não sofreu solução de continuidade. Deste modo, em que pese a reinstituição de créditos presumidos para a agroindústria pela Lei 10.925, não houve mudanças nas formas de aproveitamento para dedução, compensação e ressarcimento previstas nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que contemplam apenas os créditos apurados “na forma do art. 3º e não esses “novos” créditos. Com efeito, não é despiciendo reiterar que a compensação e o ressarcimento admitidos pelo art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, respeitam unicamente aos créditos apurados na forma do art. 3º das mesmas Leis: Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]; Fl. 251DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.002777/200593 Acórdão n.º 3402002.166 S3C4T2 Fl. 313 19 § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I – dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II – compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o credito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...]; (grifos acrescidos) Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]; § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...]; (grifos acrescidos) Neste diapasão, a IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, dispõe seu art. 21, caput: “Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: Como se pode notar o legislador não fez tal alteração, nem previu na própria Lei n° 10.925/2004 outra forma de aproveitamento desse crédito presumido que não a dedução da Fl. 252DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.002777/200593 Acórdão n.º 3402002.166 S3C4T2 Fl. 314 20 própria contribuição devida em cada período. Portanto, desejou que apenas essa forma de aproveitamento fosse possível. Por derradeiro, ao analisarmos o caput do art. 16, da Lei nº 11.116/2005, notamos que este dispositivo trata especificamente do saldo credor apurado na forma do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, senão vejamos: “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de:(grifo nosso) I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.” Noutro giro, não se pode perder de vista que a vedação do art. 8º, § 4º, da Lei nº 10.925, de 2004, constitui norma especial, porquanto se refere unicamente à situação específica ali descrita. Destarte, apenas excepciona, sem, contudo, conflitar com a norma geral do art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, que permite ao vendedor manter os créditos vinculados às operações de venda efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição ao PIS, previsão esta genérica e atinente às operações em geral. Observese, ainda, que a previsão contida no caput dos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925, de 2004, admite que as pessoas jurídicas aludidas “poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP, devidas em cada período de apuração” o crédito presumido ali tratado. Neste passo, entendo que prevalecem as vedações contidas no § 4º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, em relação às situações específicas previstas naquele artigo. Posteriormente, a Lei nº. 12058, de 13 de outubro de 2009 aduziu importantes modificações no tema, a saber: a) Permitiu a compensação dos saldos dos créditos presumidos em discussão com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB; b) Autorizou o ressarcimento em dinheiro destes mesmos créditos, sob a ressalva de que o pedido só poderia ser efetuado para créditos apurados nos anoscalendário de 2004 a 2007, a partir do mês subseqüente ao da publicação da lei. E o pedido referente aos créditos apurados no anocalendário de 2008 e no período compreendido entre 01/2009 e o mês de publicação da lei, a partir de 01/01/2010. Por fim, a Lei nº. 12.350, de 20 de dezembro de 2010, ratificou os direito concedidos pela Lei nº. 12058/2009, no sentido de manter a permissão ao ressarcimento e a Fl. 253DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.002777/200593 Acórdão n.º 3402002.166 S3C4T2 Fl. 315 21 compensação dos créditos presumidos apurados na forma do §3º do art. 8º da Lei 10.925, de 23 de julho de 2004. Não se pode esquecer que o art. 106 do CTN autoriza a aplicação de lei nova a ato não definitivamente julgado, quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo. Pelas assertivas feitas, afluem razões jurídicas para as seguintes conclusões: 1 A Lei nº 10.925/2004 instituiu novas hipóteses de créditos presumidos com vigência a partir de 01/08/2004, tanto nas especificidades de seu cálculo quanto na forma de seu aproveitamento; 2 A partir de agosto de 2004, a legislação deixa de possibilitar a compensação ou o ressarcimento de créditos presumidos de agroindústria de PIS/COFINS de operações de exportação, podendo apenas servir para abater o PIS/Cofins devido na sistemática da não cumulatividade. Ou seja, o valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, art. 8º, somente pode ser utilizado para deduzir da contribuição para o PIS/Cofins apurado no regime de incidência nãocumulativa; 3 A partir de 13/10/2009, a legislação retornou com a possibilidade de ressarcir ou compensar os créditos referentes à agroindústria. Após esse singelo passeio pela legislação da não cumulatividade aplicada às agroindústrias, retornando ao caso em questão, conforme consta nos autos, a sociedade buscou compensar créditos presumidos de agroindústria da Cofins em operações de exportação com débitos de outros tributos. Partindo das premissas acima cravadas, não é necessário empreender qualquer esforço de interpretação para concluir que os créditos adquiridos de agroindústria são considerados créditos presumidos, podendo ser objeto de pedido de ressarcimento. Portanto o ressarcimento pretendido pelo contribuinte deve prosperar sendo imperiosa a reforma da decisão proferida em primeira instância. RATEIO de CUSTOS Esse tema já foi amplamente discutido por esse Colegiado e foi matéria do Acórdão nº 3402001986, de 29 de janeiro de 2013, da lavra do Ilustre Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, que aceitou os argumentos do recorrente e deu provimento ao Recurso. Na ocasião ratifiquei o entendimento, de sorte que peço vênia para utilizálo como razão de decidir, verbis: Outra questão que se apresenta sob litígio, reside no “refazimento” dos cálculos procedidos pela Autoridade Fiscal, que entendeu que o percentual do rateio entre as receitas de venda de produtos sujeitos ao regime cumulativo e os não cumulativos, para fins de apropriação de créditos sobre os custos, despesas e encargos comuns a ambos, deveria levar em consideração apenas as receitas que estiverem relacionadas aos referidos custos, despesas e encargos, e não a receita bruta total da pessoa jurídica. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.002777/200593 Acórdão n.º 3402002.166 S3C4T2 Fl. 316 22 Por seu turno, a Recorrente sustenta que o cálculo do percentual do rateio deve levar em consideração a receita bruta proveniente da venda dos produtos sujeitos ao regime não cumulativo pela receita bruta total da pessoa jurídica, não efetuando a segregação intencionada pelo Fisco. Nesse sentido, tenho que assiste razão à Recorrente, pois a letra da lei faculta às empresas que possuam parte de suas receitas sujeitas ao regime não cumulativo da COFINS/PIS, a apuração dos créditos de duas formas diferentes, quais sejam, pela apropriação direta, ou então pelo rateio proporcional, previstos respectivamente nos incisos I e II do §8º do artigo 3º da Lei 10.833/03. Desta forma, da análise dos autos, observase que os produtos (açúcar e álcool), que a Recorrente comercializa têm origem nas mesmas matériasprimas e que a receita derivada destes dois únicos produtos recai parte no regime cumulativo (álcool) e parte no regime não cumulativo (açúcar), e, considerando que o contribuinte afirma não possuir sistema integrado e coordenado de estoques, restalhe a opção de proceder à apropriação dos créditos pelo método do rateio proporcional, previsto no inciso II do já mencionado artigo, que se concretiza “pela relação existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês”. Como dito, o referido dispositivo é expresso em determinar esta relação de rateio (acima destacada), não fazendo a menção desejada pela Autoridade Administrativa, de que a relação percentual utilizada no rateio deve ser ater aos limites dos custos, despesas e encargos comuns, vinculados à receita não cumulativa. Não vislumbro, da leitura do comando legal ora em voga, que a expressão “receita bruta” trazida pelo legislador, possa ter sua interpretação modificada para qualquer outro tipo de “receita” que não a “receita total” da pessoa jurídica, pois que, em sentido estrito, receita bruta é, conforme definição extraída do próprio sítio da Receita Federal na internet: “A receita bruta compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido na operações de conta alheia, excluídas as vendas canceladas, as devoluções de vendas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente do comprador ou contratante, e dos quais o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário” Desta feita, cumpre frisar que o comando legal no qual baseiase a regulamentação do rateio levado a efeito pela Recorrente designa a relação percentual entre as receitas sujeitas à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, tão somente. Não se denota nenhuma espécie derivada do conceito de receita bruta total, na qual se pudesse entender que dali caberia a Fl. 255DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.002777/200593 Acórdão n.º 3402002.166 S3C4T2 Fl. 317 23 interpretação de receitas apenas relacionadas a uma determinada atividade da empresa, ou adstrita aos custos, despesas ou encargos que geram os créditos. Deve ficar registrado, portanto, que no tocante às receitas provenientes de vendas de produtos ao exterior, que ocasionem receitas rotuladas como “receitas financeiras”, como quer a Administração”, ou como “complemento de preço”, como sustenta a recorrente, na realidade deverá compor a receita bruta (numerador), quando decorrer de venda de produtos sujeitos a não cumulatividade, e em qualquer hipótese (vendas de produtos sujeitos ou não à não cumulatividade), deverá compor a receita bruta total da pessoa jurídica (denominador). Assim, tenho que a forma como procedida ao rateio pelo contribuinte recorrente obedece a legislação, pelo que, no contexto do acima exposto, dou provimento ao recurso voluntário. Agora digo eu. No caso em questão, a reclamação é pela inclusão das receitas provenientes da comercialização de sucatas, das receitas financeiras e da variação cambial ativa no cálculo do rateio de custos, despesas e encargos para apuração dos créditos a serem por ele descontados, que ao meu sentir devem fazer parte do cálculo do rateio. Ressalto apenas que as receitas financeiras só devem fazer parte da receita bruta (numerador) quando decorra de venda de produtos sujeitos a não cumulatividade. Ex positis, dou provimento parcial ao recurso voluntário para: a) admitir a inclusão dos custos com combustível, transporte de pessoal e de canadeaçúcar no cálculo do valor a ser descontado da contribuição devida na forma da sistemática da não cumulatividade; b) determinar que a receita com venda de sucata e receita financeira, esta quando decorra de venda de produtos sujeitos a não cumulatividade, componham a receita bruta (numerador); c) determinar que a receita com venda de sucata e receita financeira componham a receita bruta total (denominador) em qualquer hipótese, nos termos da fundamentação; e d) admitir a utilização dos créditos presumidos do PIS e da Cofins apurados na sistemática da não cumulatividade seja objeto de pedido de ressarcimento ou compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. É como voto. Sala das Sessões, em 22/08/2013 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10840.002777/200593 Acórdão n.º 3402002.166 S3C4T2 Fl. 318 24 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 257DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 2 4/09/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 18471.003272/2008-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Sun Mar 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - COTA DO SEGURADO.
As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração.
REMUNERAÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Os valores pagos pela empresa aos segurados, por intermédio de cartão salário, se constituem em fato gerador de contribuição previdenciária. Estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
ALIMENTAÇÃO PAGA EM PECÚNIA SOFRE A INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. A alimentação fornecida em pecúnia sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária.
VALETRANSPORTE
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba -Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, para excluir do lançamento os valores relativos ao vale-transporte em obediência à Súmula n.º 60, da Advocacia Geral da União - AGU, de 08/12/2011. Vencidos os Conselheiros Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes que entenderam que também deveriam ser excluídos do lançamento os fatos geradores relativos ao fornecimento de alimentação em pecúnia/ticket sem a inscrição no PAT.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA - COTA DO SEGURADO. As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração. REMUNERAÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores pagos pela empresa aos segurados, por intermédio de cartão salário, se constituem em fato gerador de contribuição previdenciária. Estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. ALIMENTAÇÃO PAGA EM PECÚNIA SOFRE A INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. A alimentação fornecida em pecúnia sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. VALETRANSPORTE Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba -Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA COTA DO SEGURADO. As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração. REMUNERAÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores pagos pela empresa aos segurados, por intermédio de cartão salário, se constituem em fato gerador de contribuição previdenciária. Estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. ALIMENTAÇÃO PAGA EM PECÚNIA SOFRE A INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. A alimentação fornecida em pecúnia sem a devida inscrição no PAT sofre a incidência da contribuição previdenciária. VALETRANSPORTE Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011, DOU de 09/12/2011. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 32 72 /2 00 8- 46 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, para excluir do lançamento os valores relativos ao valetransporte em obediência à Súmula n.º 60, da Advocacia Geral da União AGU, de 08/12/2011. Vencidos os Conselheiros Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes que entenderam que também deveriam ser excluídos do lançamento os fatos geradores relativos ao fornecimento de alimentação em pecúnia/ticket sem a inscrição no PAT. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18471.003272/200846 Acórdão n.º 2302002.608 S2C3T2 Fl. 249 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal lavrado em 27/10/2008 e cientificado ao sujeito passivo em 04/12/2008, referese às contribuições previdenciárias relativas à parte dos segurados, incidentes sobre a remuneração dos empregados e contribuintes individuais, no período de 01/2004 a 12/2004. Conforme consta do relatório fiscal de fls.23/32, a autuada regularmente intimada a apresentar as folhas de pagamento, não o fez, sendo a base de cálculo do débito apurada através dos registros contábeis, onde se verificou que os valores declarados em GFIP eram inferiores aos valores contabilizados referentes à remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativamente a pagamentos efetuados através de “cartão salário”. Aduz também o relatório, que foram tomados como base de incidência contributiva os valores referentes a alimentação e valetransporte pagos em pecúnia. A autuada não apresentou adesão ao PAT. Após a impugnação, os autos baixaram em diligência para esclarecimentos quanto aos lançamentos contábeis utilizados e informação fiscal de fls. 188/189, se pronunciou pela retificação do crédito lançado para as alegações da autuada que se mostraram procedentes, conforme discriminativo de fls. 190. O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência, com regular prazo para manifestação, após o que, Acórdão de fls. 259/266, julgou o lançamento procedente em parte, para excluir das bases de cálculo apuradas os lançamentos contábeis relativos a salário família, valetransporte e valealimentação, feitos a crédito da conta 52.101.9 Salários. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) que demonstrou na diligência que o contador utilizou metodologia que foge aos padrões habituais lançando o pagamento de valores na conta “prestação de serviços”, quando deveria lançar na conta “adiantamento de salários a pagar”; b) que os pagamentos de salário foram devidamente contabilizados e pagas as contribuições; c) que os valores levantados se tratam de adiantamento de salários; d) que por medida de segurança realiza o pagamento de valealimentação e valetransporte em dinheiro, o que foi permitido por Acordo Coletivo; Fl. 250DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 e) que o STF considerou inconstitucional a cobrança da contribuição previdenciária sobre o valetransporte em pecúnia. Requer a revisão do Acórdão, para considerar a impugnação procedente em seu todo. É o relatório. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18471.003272/200846 Acórdão n.º 2302002.608 S2C3T2 Fl. 250 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. Compulsando os autos é de se ver que o crédito lançado referese exclusivamente às contribuições relativas à cota do segurado e que tiveram como base de incidência valores apurados através da contabilidade da recorrente pagos através de “cartão salário”, alimentação e vale transporte em pecúnia. Em que pesem os argumentos da recorrente quanto a métodos não convencionais de contabilização e por isso não haveria incidência de contribuição previdenciária sobre os valores lançados na conta prestação de serviço, informo à recorrente que a diligência efetuada após a impugnação, se deteve sobre o assunto e inclusive se pronunciou pela retificação do crédito lançado para aquelas alegações que se mostraram procedentes na análise da contabilidade. Todavia, os valores que permaneceram no Auto de Infração referentes a pagamentos efetuados através de cartãosalário devem integrar a base contributiva previdenciária, porque não houve qualquer demonstração por parte da recorrente de que não se subsumem ao conceito de salário de contribuição exposto no artigo 28, inciso I, da Lei n.º 8.212/91: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Quanto ao fornecimento de alimentação em pecúnia aos empregados, a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador é requisito essencial para que o benefício não integre a base de cálculo das contribuições previdenciárias. A par do conceito de salário de contribuição, acima transcrito, a Lei nº 8.212/91 em sua alínea “c”, do §9º do artigo 28; exceptuou da base de incidência contributiva o fornecimento de alimentação somente para as empresas inscritas no Programa de Alimentação do Trabalhador: Fl. 252DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Os fatos geradores das contribuições lançadas estão descritos no relatório fiscal e se referem ao fornecimento de alimentação em pecúnia aos segurados sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. A empresa que fornece alimentação aos segurados sem inscrição no PAT não pode gozar da isenção concedida pela legislação, como vedado pela Lei n.º 6.321, de 14.04.76, regulamentada pelo Decreto n.º 78.676, de 08.11.76 (DOU de 09.11.76). e Decreto n.º 5, de 14/01/1991: Lei n. ° 6.321, de 14 de abril de 1976: "Art. 30 • Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. " (original sem destaque) Decreto nº 5, de 14 de janeiro de 1991 Regulamenta a L 006.3211976 Regulamenta a Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, que Trata do Programa de Alimentação do Trabalhador, Revoga o Decreto nº 78.676, de 8 de novembro de 1976 e dá outras providências. Art. 3º Os Programas de Alimentação do Trabalhador deverão propiciar condições de avaliação do teor nutritivo da alimentação. Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (redação dada pelo D00 2.1011996) Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Art. 5º A pessoa jurídica que custear em comum as despesas definidas no Art. 4, poderá beneficiarse da dedução prevista na Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976, pelo critério de rateio do custo total da alimentação. Art. 6º Nos Programas de Alimentação do Trabalhador PAT, previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a parcela paga "in natura" pela empresa não tem natureza salarial, não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos, não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo Fl. 253DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18471.003272/200846 Acórdão n.º 2302002.608 S2C3T2 Fl. 251 7 de Serviço e nem se configura como rendimento tributável do trabalhador. Inferese da regulamentação citada que a adesão ao PAT não constitui mera formalidade. É através do conhecimento da existência do programa em determinada empresa que o Ministério do Trabalho e Emprego, através de seu órgão de fiscalização, verificará o cumprimento do disposto no artigo 3° acima transcrito. Ao incentivo fiscal há uma contraprestação por parte da empresa: fornecimento de alimentação com teor nutritivo adequado em ambiente que atenda as condições aceitáveis de higiene. No caso sob exame, está demonstrado nos autos que durante o período a que se refere o lançamento da rubrica, a recorrente não estava inscrita no programa e, portanto, o lançamento não deve ser retificado. Muito embora a recorrente alegue que o pagamento de alimentação em pecúnia esteja ao abrigo do Acordo Coletivo de Trabalho, tal instrumento não tem força de lei para impor a isenção das contribuições previdenciárias sobre determinada rubrica. Ademais, o acordo tem valor entre as partes, mas não pode ser aposto à Fazenda Nacional. Quanto ao valetransporte, merece acolhida a argüição da recorrente e deve ser obedecida a Súmula n.º 60, da Advocacia Geral da União – AGU, de 08/12/2011, publicada no DOU em 09/12/2011, pág.32, que desonerou a verba da incidência contributiva previdenciária, quando paga em pecúnia: "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba" . Destarte, é de se ver que, por expressa determinação legal, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração e recolher o produto arrecadado no dia 2 do mês seguinte ao da competência (art. 30, inciso I, letras “a” e “b” da Lei n.º 8.212/91), sendo que o crédito também tem suporte no artigo 20 da Lei n.º 8.212/91, que trata da contribuição dos segurados empregados. Sobre a remuneração dos contribuintes individuais a alíquota é de 11%, e deve ser arrecadada e recolhida pela empresa, nos termos da Lei n.º 10.666, de 08/05/2003: Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 10 (dez) do mês seguinte ao da competência. Por todo o exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso, para excluir do lançamento os valores relativos ao valetransporte em obediência aà Súmula n.º 60, da Advocacia Geral da União – AGU, de 08/12/2011, publicada no DOU em 09/12/2011, pág.32. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 254DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10820.900019/2006-51
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME.
O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
Numero da decisão: 1803-001.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman e Marcelo de Assis Guerra.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman e Marcelo de Assis Guerra.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1636; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 52 1 51 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10820.900019/200651 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803001.805 – 3ª Turma Especial Sessão de 7 de agosto de 2013 Matéria PER/DCOMP Recorrente ARTTEL ARAÇATUBA TRABALHO TEMPORARIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman e Marcelo de Assis Guerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 90 00 19 /2 00 6- 51 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório ARTTEL ARAÇATUBA TRABALHO TEMPORARIO LTDA, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de n.º 04883.66895.140803.1.3.040000, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLLestimativa, código de arrecadação 2484), concernente ao período de apuração 11/2002. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando o seguinte: " 1 O DD. Auditor Fiscal retro nomeado declara que "Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a Compensação declarada." 2 Verificando o PER/DCOMP. em referência objeto da ação fiscalizadora, a Contribuinte Intimada notou no Campo Tipo de Crédito: Pagamento Indevido ou a Maior, entretanto a Intimada afirma que, declarou este tipo de Crédito, porque foi ele que primeiro gerou o Tipo de Crédito SALDO NEGATIVO DE CSLL. 3 A Intimada tentou retificar o PER/DCOMP. em questão com a mudança do Tipo de Crédito, para o correto SALDO NEGATIVO DE CSLL., deparandose com a mensagem: "Descrição do erro Tipo de Crédito informado neste documento diferente do tipo de crédito informado no PER/DCOMP." Ademais, tentou ainda criar um novo PER/DCOMP. informando o Tipo de Crédito SALDO NEGATIVO DE CSLL. Não conseguindo sucesso diante da mensagem "Descrição do Erro Período de Apuração do Saldo Negativo com mais de cinco anos em relação à data de Transmissão (Art.168 do CTN.)". 4 Cumpre acrescentar que o Saldo Negativo de CSLL foi demonstrado e provado na Declaração de Informações EconômicoFiscal da Pessoa Jurídica DIPJ do Exercício de Fl. 53DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10820.900019/200651 Acórdão n.º 1803001.805 S1TE03 Fl. 53 3 2003 AnoCalendário 2002, tempestivamente apresentada, porém posteriormente retificada, conforme cópia ora juntada. 5 Não procede a mensagem "Descrição do Erro Período de Apuração do Saldo Negativo com mais de cinco anos" porque a transmissão do PER/DCOMP. em referência foi feita muito antes dos alegados cinco anos, a Receita Federal abriu o Processo de Crédito retro referenciado, pela sua numeração, no Ano Calendário de 2006 o que interrompeu o decurso do prazo de cinco anos e somente agora decidiu pela NÃO HOMOLOGAÇÃO. 6 Reportandose às afirmações contidas no item 02 (dois) retro, convém observar que o tipo de Crédito escolhido como Pagamento Indevido ou a Maior, é procedente porque se refere a pagamentos feitos conforme os respectivos DARFs. de parcelas mensais de Contribuição Social s / o Lucro Líquido, recolhidas a maior POR ESTIMATIVA, gerando assim, SALDO NEGATIVO a favor da Intimada da DIPJ. mencionada no item 04 (quatro) retro. 7 A Intimada, neste ato, faz juntada de cópias de Novo PER/DCOMP. para melhor verificação de V.Exa. e chegar à conclusão da tardia e imprópria "NÃO HOMOLOGAÇÃO", que conduziu à falsa idéia fiscal de "Inexistência do Crédito". O Crédito existe, quer seja como "Pagamento Indevido ou a Maior" ou como "Saldo Negativo de CSLL.", comprovadamente não prescrito. 8 Diante das Razões de direito e comprovações apresentadas pela Contribuinte Intimada, é o presente para vir REQUERER de V.Exa. a remessa de todo o Expediente para a DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO, para os devidos fins e efeitos. Termos em que, R. Deferimento." A DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), através do acórdão nº 1439.522, de 14 de dezembro de 2012 (fls. 27/30), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Ciente da decisão em 18/02/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 32), apresentou o recurso voluntário em 14/03/2013 fls. 34/35, onde reitera as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10820.900019/200651 Acórdão n.º 1803001.805 S1TE03 Fl. 54 5 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de PER/DCOMP eletrônico, cujo direito creditório informado decorre de pagamento a maior ou indevido de estimativa de CSLL relativo ao fato gerador 11/2002. Alega a recorrente em síntese: a) Que o pagamento a maior de estimativa de CSLL integra o saldo negativo de CSLL do ano calendário 2002 e a este título deve ser reconhecido; b) Que a DIPJ do ano calendário 2002, aponta o saldo negativo; c) Que houve erro de fato no preenchimento da PER/DCOMP mas que tal fato não pode ser impeditivo de seu direito à homologação da compensação. Assiste parcial razão à interessada. Com efeito, conforme DIPJ 2003, Ano Calendário 2002, constante das fls. 17/18 a contribuinte apurou saldo negativo de CSLL no valor de R$ 608,82, fato este indicador de que detém em tese direito creditório a ser compensado com quaisquer outros débitos nos períodos subseqüentes. Considerando outrossim, que não houve apreciação do direito creditório por parte da unidade de origem, impõese a análise do saldo negativo de CSLL verificando a sua liquidez e certeza para efeito de compensação com o débito apontado na DCOMP. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo de CSLL. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 56DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 6 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 10120.001745/2005-04
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA - ANTES AÇÃO FISCAL. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
Tratando-se de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente demonstrando a averbação junto à matrícula do imóvel, ainda que posteriormente ao fato gerador do tributo, mas antes ao início da ação fiscal, impõe-se o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo e Henrique Pinheiro Torres.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 13/09/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ÁREA DE RESERVA LEGAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA ANTES AÇÃO FISCAL. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Tratandose de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente demonstrando a averbação junto à matrícula do imóvel, ainda que posteriormente ao fato gerador do tributo, mas antes ao início da ação fiscal, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo e Henrique Pinheiro Torres. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 17 45 /2 00 5- 04 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 13/09/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gustavo Lian Haddad, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório ALBERTO RODRIGUES DA CUNHA ESPÓLIO, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 30/03/2005 (AR fl. 44) exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2000, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Moderninha”, localizado no município de Chapadão do Céu/GO, cadastrado na RFB sob o nº 7441550, conforme peça inaugural do feito, às fls. 30/37, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, consubstanciada no Acórdão n° 0318.498/2006, às fls. 66/75, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2a Turma Ordinária da 2ª Câmara, em 26/07/2010, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 2202 00.622, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 AREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO. A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA, fazendo se, também, necesSária a sua averbação h margem da matrícula do imóvel até a data do fato gerador do imposto. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.001745/200504 Acórdão n.º 9202002.880 CSRFT2 Fl. 196 3 AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). IMPRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. RECOLHIMENTO A MENOR DE IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL PRATICADO PELO DE CUJUS. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO EM NOME DO ESPOLIO. MULTA QUE CONSTITUA SANÇÃO POR ATO ILÍCITO. INAPLICABILIDADE. Na constituição de credito tributário, através de auto de infração, em nome do espólio, por irregularidades fiscais praticado pelo de cujus, inaplicável as multas de oficio estabelecidas nos incisos I e II do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, por constituir sanção por ato ilícito, não transferível para o espólio, em virtude do principio constitucional de que nenhuma pena passará da pessoa do infrator. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n° 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATORIOS. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, A. taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custodia SELIC para títulos federais (Súmula CARF n° 4). Recurso parcialmente provido.” Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Especial, às fls. 124/133, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, defendendo ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras dos Conselhos/CARF e da própria Câmara Superior de Recursos Fiscais respeito da mesma matéria, conforme se extrai dos Acórdãos nºs CSRF/0304.770 e CSRF/0304.476, dentre outros, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência argüida. Sustenta que os Acórdãos encimados, ora adotados como paradigmas, divergem do decisum guerreado, na medida em que impõem que a comprovação da existência de área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, independe de prévia averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel, ao contrário do que restou decidido pela Turma recorrida. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Em defesa de sua pretensão argumenta que a legislação de regência estabelece ser suficiente apenas a declaração feita pelo contribuinte quanto à existência das áreas de reserva legal no seu imóvel para se beneficiar com o instituto da isenção do imposto territorial rural. Aduz que o entendimento esposado no Acórdão recorrido malfere, igualmente, a jurisprudência consagrada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, como se extrai da decisão exarada nos autos do Resp nº 969.091SC, de Relatoria do Ministro Luiz Fux, com sua ementa transcrita na peça recursal. Por fim, repisa os argumentos lançados em sede de recurso voluntário, requerendo o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial do contribuinte, sob o argumento de que o recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes a propósito da mesma matéria, qual seja, a necessidade de averbação da reserva legal junto à matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador, para fins de não incidência do tributo (ITR), conforme Despacho nº 220000.145/2011, às fls. 185/187. Instada se manifestar a propósito do Recurso Especial do Contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, às fls. 190/194, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF a divergência suscitada pelo Contribuinte, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende o recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões das demais Câmaras dos Conselhos/CARF e, bem assim, da Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito da mesma matéria. A fazer prevalecer sua pretensão, infere que o entendimento consubstanciado nos Acórdãos nºs CSRF/0304.770 e CSRF/0304.476, ora adotados como paradigmas, determinam que a comprovação da existência de área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, não depende de prévia averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel, ao contrário do que restou decidido pela Turma recorrida. Em defesa de seu pleito, argumenta que a legislação de regência estabelece ser suficiente apenas a declaração feita pelo contribuinte quanto à existência das áreas de reserva legal no seu imóvel para se beneficiar com o instituto da isenção do imposto territorial rural. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.001745/200504 Acórdão n.º 9202002.880 CSRFT2 Fl. 197 5 Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da necessidade de averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel, ou seja, antes da ocorrência do fato gerador do tributo, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão do contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, em consonância com a farta e mansa jurisprudência administrativa, impondo a reforma do Acórdão recorrido com o fito de restabelecer a ordem legal nesse sentido, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de assentamento nos registros cartorários, de reserva legal em imóvel rural, não é, em si, condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo à gleba de terra destinada à proteção ambiental, ao revés do entendimento inscrito no Acórdão recorrido. Melhor elucidando, a norma concessiva do beneficio fiscal em apreço, acima transcrita, sequer fala em necessidade de comprovação por parte do declarante, para fins de afastar a tributação do ITR da parcela destinada à reserva ambiental. Apenas reconhece que a simples declaração do contribuinte, no sentido de que determinada gleba destinase a proteção, é suficiente para assegurar o direito à isenção, sem prejuízo, é obvio, de eventual constatação contrária. Tratase, pois, do conhecido lançamento por homologação, promovido pelo contribuinte sujeito a posterior exame da autoridade fazendária. Com efeito, a partir do momento em que a norma isentiva não exige sequer a comprovação da existência da reserva legal propriamente dita, não há sentido lógico que sustente a exigência do prévio assentamento no Cartório de Registro de Imóveis – CRI, como condição para exclusão da incidência do ITR. Destarte, não sendo legalmente viável exigir a comprovação da existência da área destinada à proteção ambiental, muito menos poderá condicionar a isenção a prévio assentamento cartorário. É preciso reconhecer que ao desvincular a isenção em comento, da necessidade de comprovação da existência da área de reserva legal, a legislação de regência prestigia a destinação ambiental a ser dada à gleba destacada da propriedade rural, em clara preterição a procedimentos burocráticos, que apenas frustrariam o objetivo legal maior, consubstanciado no alcance da exploração consciente e adequada do meio rural, preservando se as condições mínimas para o saudável equilíbrio do meio ambiente. Sob o enfoque da análise de uma norma concessiva de isenção fiscal, a interpretação conferida pela autoridade lançadora, corroborada pela decisão recorrida e defendida pela PFN, no sentido de condicionar a isenção do ITR a prévio registro em cartório da área de proteção ambiental, criando exigências onde a própria Lei instituidora não as criou, apenas limita o alcance da norma de isenção em apreço, mediante interpretação extensiva de uma condição não legalmente prevista, o que em letras frias significa clara afronta ao artigo 111, I e II do CTN, que exige uma interpretação literal de tais normas. Não se pode perder de vista ainda o fato de que a isenção, a teor do artigo 176 do CTN, e na esteira da previsão contida no § 6º do artigo 150 da Constituição Federal, decorre da lei que a instituiu, e que especificará, dentre outros aspectos, as condições e os requisitos exigidos para sua concessão, ou seja, a lei instituidora da isenção será especifica e trará todos os elementos necessários para o gozo do beneficio fiscal que está concedendo. Ao que nos parece, o texto codificado lança o alerta de que a isenção reporta se apenas a legislação que a contemplou, estando vinculada aos eventuais requisitos e condições nela expressamente delimitados, marcando sua natureza exclusiva. Tal alerta, vale lembrar, tem dois focos distintos, um direcionado ao sujeito passivo, assegurandolhe o beneficio fiscal se comprovada à observância das condicionantes previstas na legislação que o concedeu, e outro voltado ao sujeito ativo, no sentido de reforçalhe a certeza de que apenas ao legislador especifico é outorgado o direito de condicionar a isenção por ele instituída. Essa natureza exclusiva da norma que concede a isenção fiscal é passo fundamental para bem compreendermos que leis diversas, reguladoras de matérias estranhas à isenção propriamente dita, tais como Direito Civil, Penal, Florestal, etc., não podem servir de Fl. 6DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.001745/200504 Acórdão n.º 9202002.880 CSRFT2 Fl. 198 7 fundamento legal nem para o seu gozo, assim como para criar obrigação ou condição que frustre o usufruto do seu direito1. A Lei que concede a isenção, e apenas ela, pode condicionar a sua fruição. Por essas razões, merece ressalvas o voto condutor do Acórdão ora guerreado, ao rechaçar o entendimento do contribuinte, escorando sua tese no Código Florestal, para se exigir prévio registro da área de reserva ambiental no competente CRI, como condição para isenção do ITR, porquanto tal exigência não se reporta à legislação que instituiu o favor fiscal, mas outra que lhe é entranha. Somente a título elucidativo, não sendo o prévio assentamento da reserva legal em Cartório condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no recurso, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação exigisse a comprovação por parte do contribuinte, ad argumentandum tantum, o reconhecimento da inexistência de reserva legal decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, a mera inscrição em Cartório ou ainda o requerimento do ADA, não se perfazem nos únicos meios de se comprovar a existência ou não de reserva legal. Assim, realizado o lançamento de ITR decorrente da glosa de reserva legal, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pelo não assentamento prévio em cartório ou requisição do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à reserva legal. Aliás, a jurisprudência Judicial que se ocupou do tema, notadamente após a edição da Lei n° 10.165/2000, corrobora o entendimento encimado, ressaltando, inclusive, que a MP n° 2.166/2001, por ser posterior ao primeiro Diploma Legal, o revogou, fazendo prevalecer, assim, a verdade material. Ou seja, ainda que não apresentado e/ou requerido o ADA no prazo legal ou procedida a averbação tempestiva, conquanto que o contribuinte comprove a existência das áreas declaradas como de preservação permanente e/ou reserva legal, mediante documentação hábil e idônea, quando intimado para tanto ou mesmo autuado, devese admitilas para fins de apuração do ITR, consoante se extrai dos julgados assim ementados: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. LEI N. 9.393/96 E CÓDIGO FLORESTAL (LEI N. 4.771/65). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP. 2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106 DO CTN. 1. "Ilegítima a exigência prevista na Instrução Normativa SRF 73/2000 quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental 1 Misabel Derzi, Comentários de atualização da 11ª Edição da Obra Direito Tributário Brasileiro, do mestre Aliomar Baleeiro, a sua pág. 932. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 ADA comprovando as áreas de preservação permanente e reserva legal na área total como condição para dedução da base de cálculo do Imposto Territorial Rural ITR, tendo em vista que a previsão legal não a exige para todas as áreas em questão, mas, tãosomente, para aquelas relacionadas no art. 3º, do Código Florestal" (AMS 2005.35.000112067/GO, Rel. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, DJ de 10.05.2007). 2. A Lei n. 10.165/00 inseriu o art. 17O na Lei n. 6.938/81, exigindo para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da área tributável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). 3. Consoante a jurisprudência do STJ, a MP 2.16667/2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art. 106 do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior, dispensando a apresentação prévia do Ato Declaratório Ambiental no termos do art. 17O da Lei n. 6.938/81, com a redação dada pela Lei n. 10.165/00. 4. Apelação provida.” (8ª Turma do TRF da 1ª Região AMS 2005.36.00.0087250/MT eDJF1 p.334 de 20/11/2009) “EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. APRESENTAÇÃO ADA. AVERBAÇÃO MATRÍCULA. DESNECESSIDADE. ÁREAS DE PASTAGENS. DIAT DOCUMENTO DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO. DEMOSTRAÇÃO DE EQUÍVICO. ÔNUS DO FISCO. 1. Não se faz mais necessária a apresentação do ADA para a configuração de áreas de reserva legal e consequente exclusão do ITR incidente sobre tais áreas, a teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 (redação da MP 2.16667/01). Tal regra, por ter cunho interpretativo (art. 106, I, CTN), retroage para beneficiar os contribuintes. 2. A isenção decorrente do reconhecimento da área não tributável pelo ITR não fica condicionada à averbação, a qual possui tão somente o condão de declarar uma situação jurídica já existente, não possuindo caráter constitutivo. 3. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo art. 16 da Lei nº 4.771/65. 4. Cabe ao Fisco demonstrar que houve equívoco no DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR, passível de fundamentar o lançamento do débito de ofício, de conformidade com o art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, o que não restou evidenciado na hipótese dos autos. 5. Apelação e remessa oficial desprovidas.” (2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região APELAÇÃO CÍVEL Nº 2008.70.00.0062742/PR 28 de junho de 2011) Como se observa, em face da legislação posterior (MP n° 2.166/2001) mais benéfica, dispensando o contribuinte de comprovação prévia das áreas declaradas em sua Fl. 8DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.001745/200504 Acórdão n.º 9202002.880 CSRFT2 Fl. 199 9 DITR, não se pode exigir a averbação à margem da matrícula do imóvel para fins do benefício fiscal em epígrafe, mormente em homenagem ao princípio da retroatividade benigna da referida norma, em detrimento a alteração introduzida anteriormente pela Lei n° 10.165/2000. Mais a mais, com esteio no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. In casu, o que torna ainda mais digno de realce e se apresenta determinante ao deslinde da controvérsia, em vista deste evidente conflito entre as normas que regulamentam a matéria, impõese privilegiar a verdade real, ou seja, a comprovação material da área declarada pela contribuinte como de reserva legal, o que se constata na hipótese dos autos, como se verifica da Matrícula do Imóvel, às fls. 05/07, onde consta a averbação da área de reserva legal de 2.051,4 ha, datada de 06/12/2002, posteriormente à ocorrência do fato gerador, mas antes do início da ação fiscal, corroborada pelo Termo de Compromisso e Ajustamento de Conduta para Cumprimento da Legislação Ambiental, firmado em 08/11/1997, afastando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento eleito pelo autuado. Nesse sentido, o certo é que a Averbação da Área de Reserva Legal apresentada pela contribuinte, ocorrida em 06/12/2002, se presta a comprovar a existência de aludida área, rechaçando de uma vez por todas o entendimento encampado no Acórdão recorrido, bem como a pretensão da Fazenda Nacional, mormente em homenagem ao princípio da verdade material. Partindo dessas premissas, impõese restabelecer a ordem legal no sentido de reconhecer a área de reserva legal declarada pelo contribuinte, circunstanciadamente demonstrada nos autos, estando fora, portanto, da tributação do ITR. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 9DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/10/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 11080.006817/2006-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2002 a 28/02/2002, 01/06/2002 a 30/06/2002
Para que seja classificado no ativo imobilizado o bem imóvel deve ser destinado à manutenção das atividades da empresa. Caso contrário, a receita de sua venda encaixa-se no conceito de faturamento, sendo base de cálculo do PIS, nos termos da Lei nº 9.718/98.
PERMUTA.VENDA DE IMÓVEIS .
A empresa que se dedica a compra e venda, permuta, desmembramento, incorporação, construção e comercialização de unidades imobiliárias que permutar terreno por unidades residenciais que nele irá edificar deve computar o valor total da venda das unidades comercializadas, a fim de determinar a base de cálculo do PIS, não havendo previsão legal para o desconto do valor do terreno onde ocorreu a edificação.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3301-002.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2002 a 28/02/2002, 01/06/2002 a 30/06/2002 Para que seja classificado no ativo imobilizado o bem imóvel deve ser destinado à manutenção das atividades da empresa. Caso contrário, a receita de sua venda encaixa-se no conceito de faturamento, sendo base de cálculo do PIS, nos termos da Lei nº 9.718/98. PERMUTA.VENDA DE IMÓVEIS . A empresa que se dedica a compra e venda, permuta, desmembramento, incorporação, construção e comercialização de unidades imobiliárias que permutar terreno por unidades residenciais que nele irá edificar deve computar o valor total da venda das unidades comercializadas, a fim de determinar a base de cálculo do PIS, não havendo previsão legal para o desconto do valor do terreno onde ocorreu a edificação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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Caso contrário, a receita de sua venda encaixase no conceito de faturamento, sendo base de cálculo do PIS, nos termos da Lei nº 9.718/98. PERMUTA.VENDA DE IMÓVEIS . A empresa que se dedica a compra e venda, permuta, desmembramento, incorporação, construção e comercialização de unidades imobiliárias que permutar terreno por unidades residenciais que nele irá edificar deve computar o valor total da venda das unidades comercializadas, a fim de determinar a base de cálculo do PIS, não havendo previsão legal para o desconto do valor do terreno onde ocorreu a edificação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 68 17 /2 00 6- 69 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 10/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 11080.006817/200669 Acórdão n.º 3301002.053 S3C3T1 Fl. 218 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 10/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 11080.006817/200669 Acórdão n.º 3301002.053 S3C3T1 Fl. 219 3 Relatório Por economia processual e por bem relatar os fatos até aquele momento processual, adoto o relatório constante do Acórdão da DRJ, abaixo transcrito. Trata o presente processo de auto de infração relativo ao PIS dos períodos de apuração janeiro, fevereiro e junho de 2002, perfazendo um crédito tributário de R$ 45.235,69. De acordo com o Relatório de Ação Fiscal, a autuada deixou de incluir na base de cálculo da contribuição operações com imóveis denominadas permutas. Também teria deixado de tributar a venda de um imóvel por classificálo como operação com bem do ativo imobilizado. A empresa impugna, tempestivamente, o lançamento, alegando, inicialmente, que por expressa disposição legal o PIS e Cofins não incidem sobre valores recebidos em decorrência de alienação de bens do ativo permanente imobilizado. Os fundamentos apontados pela Fiscalização para "desclassificação" da operação seriam: não utilização nas atividades da empresa, ausência de baixa de despesas de depreciação e a atividade fim da autuada ser a compra, venda e construção de imóveis. Alega que o imóvel não foi utilizado para atividades da empresa por estar em construção entre o período em que foi adquirido do sócio Renato Rizzo, em 02/05/2001, e a data em que foi vendido, em 01/02/2002. Assim não havia possibilidade para depreciar prédio que sequer fora concluído, já que depreciação supõe desgaste pelo uso. Tenta justificar a destinação do imóvel relatando a história da empresa. A sede da construtora na rua Félix da Cunha, 1215 foi tombada pelo Patrimônio Histórico, necessitando reformas. Mudouse então temporariamente para um conjunto comercial localizado na rua Felipe Néri, 148, 4º andar. Durante a construção por administração de edifício na rua Félix da Cunha n° 1009, permutou a antiga sede (Félix da Cunha 1215) pelos conjuntos comerciais n° 401 e 801, ali localizados, registrando as unidades recebidas no ativo imobilizado, assim demonstrando a intenção de lá, após concluída a construção, instalar os departamentos da empresa. Alega que alguns meses depois, antes da finalização da obra, a crise que atingiu o setor imobiliário teria forçado a redução de sua estrutura e alienação de um dos conjuntos comerciais, o de número 801, pela necessidade de caixa. A "Carta de Habitação" teria sido expedida em junho de 2002 e em julho promoveu sua mudança para o conjunto 401 na Rua Félix da Cunha n° 1009, desenvolvendo as atividades de administração da empresa neste local até a data de apresentação da presente impugnação. Entende que dessa forma estaria comprovado que o imóvel alienado destinavase às futuras instalações da sede social da empresa e, portanto, adequada sua classificação no ativo imobilizado. Com relação à não inclusão na base de cálculo da contribuição de receitas oriundas de permuta de imóveis, acredita trataremse de casos de aquisição de terreno para construção de imóveis. Não haveria qualquer alienação na transação. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 10/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 11080.006817/200669 Acórdão n.º 3301002.053 S3C3T1 Fl. 220 4 Relata que na primeira aquisição datada de 28/01/2002 adquiriu fração ideal de terreno no município de Porto Alegre onde seria construído o empreendimento "Edifício II Villagio". O pagamento teria ocorrido por meio de entrega futura de unidades no próprio empreendimento. À fração adquirida atribuise o valor de R$ 1.524.156,86. A segunda aquisição, datada de 05/06/2002, referente à fração ideal de área de terras no município de Gramado, onde seria construído o empreendimento "Edifício Alpen Haus", a fração ideal adquirida para pagamento futuro, também mediante unidades determinadas no próprio empreendimento, foi no valor de R$ 679.888,62. A terceira aquisição ocorreu nos mesmos moldes das anteriores, em 20/12/2002, sendo adquirida fração ideal de terrenos, novamente na cidade de Porto Alegre, para construção do empreendimento "Edifício Moinhos Hall", com pagamento futuro mediante unidades no próprio empreendimento no valor de R$ 1.700.000,00. Afirma que nas três aquisições o custeio e a conclusão das obras deu se em datas posteriores e o valor dos custos incorridos teria sido muito diferente daquele atribuído em contrato como valor para a fração ideal adquirida. Considera absurda a tributação desses valores por entender que nada estaria sendo alienado, bem como por ocorrer em data futura a permuta implementada, com custos incorridos na construção rateados entre as demais unidades. Entende que nas operações de "permuta por área", em que a construtora assume o custo da área construída das unidades destinadas ao proprietário do terreno, os valores pagos para o seu custeio são custos e não receitas. Alega que a IN n° 107/1988 em seu item 1.5 estabeleceria que somente a torna deveria ser considerada como receita e assim lançada nos livros contábeis e fiscais. Os custos de construção do imóvel prometido "construir" em permuta pela área recebida não seria receita, mas custo de aquisição, distribuído entre as demais unidades que pertenceriam à construtora/incorporadora. Eventual receita só seria obtida quando ocorresse a venda das demais unidades do empreendimento. Estaria demonstrado não haver auferimento de receita sobre custos incorridos. Acredita que, acaso vencedor o entendimento da Fiscalização, o fato gerador só ocorreria após a conclusão da obra, com a expedição da Carta de Habitação e outorga da escritura ou averbação da construção. Outra barreira intransponível seria o regime de caixa, onde a tributação somente ocorreria quando houvesse disponibilidade financeira, que no caso seria a substituição patrimonial de um bem imóvel por outro. Afirma que na permuta pura e simples não há pagamento ou recebimento de dinheiro, mas troca de bens. Alega ausência de capacidade contributiva. Não havendo receita, não haveria recebimento de dinheiro, não haveria capacidade econômica. Não teria havido qualquer vantagem para a empresa relativamente ao custeio de unidades prometidas construir. Alega que teriam sido desobedecidos vários pareceres expedidos pela COSIT Coordenação de Tributação da Receita Federal do Brasil. Cita os Pareceres n° 124/1989, 62/1991, 76/191, 627/1991,1043/1991,143/1992,144/1992, 1367/1992. Ao final, requer que seja declarado totalmente insubsistente o auto de infração, cancelandose a exigência em questão. A DRJ/Porto AlegreRS julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário lançado, proferindo acórdão cuja ementa transcreve se abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/Pasep Fl. 247DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 10/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 11080.006817/200669 Acórdão n.º 3301002.053 S3C3T1 Fl. 221 5 Período de apuração: 01/01/2002 a 28/02/2002, 01/06/2002 a 30/06/2002 ATIVO IMOBILIZADO. VENDA Necessário que o bem seja destinado à manutenção das atividades da empresa para que seja registrado como ativo imobilizado e assim a receita de sua alienação estará excluída da base de cálculo do PIS. PERMUTA.VENDA DE IMÓVEIS . A empresa que se dedica a compra e venda, permuta, desmembramento, incorporação, construção e comercialização de unidades imobiliárias que permutar terreno por unidades residenciais que nele irá edificar deve computar o valor total da venda das unidades comercializadas, a fim de determinar a base de cálculo do PIS, não havendo previsão legal para o desconto do valor do terreno onde ocorreu a edificação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com referida decisão, o contribuinte apresentou recurso voluntário, por meio do qual repete exatamente os mesmos argumentos utilizados na impugnação, acrescentando somente o pedido, em sede de preliminar, de que teria ocorrido a prescrição intercorrente, em face da paralisação do feito por mais de cinco anos. É o relatório. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 10/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 11080.006817/200669 Acórdão n.º 3301002.053 S3C3T1 Fl. 222 6 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso é tempestivo, atende aos demais pressupostos legais, sendo matéria de competência desta 3ª Seção de Julgamento, por isto dele tomo conhecimento. PRELIMINAR DE PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE A prescrição intercorrente não ocorre no âmbito do processo administrativo fiscal. Esta matéria está pacificada no âmbito deste tribunal administrativo, tendo em vista a edição da Súmula Carf nº 11, cuja orientação é de seguimento obrigatório pelas turmas julgadoras, em conformidade com o art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Eis o teor da súmula: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Diante do exposto afasto a preliminar suscitada de prescrição intercorrente. MÉRITO Analisemos primeiramente a questão da venda de um imóvel que estaria classificado como bem pertencente ao ativo imobilizado. De acordo com a autuação este imóvel não pode ser classificado como sendo do ativo imobilizado pois: não foi utilizado na manutenção das atividades da empresa; na apuração de resultado não consta baixa de despesas de depreciação; a empresa tem como atividade fim a compra/venda/construção de imóveis. Por sua vez, a recorrente alega que este imóvel foi adquirido para ser a futura sede da empresa, fato que não se confirmou em decorrência de uma crise financeira no setor de construção civil, fazendo com que a empresa alterasse seus planos. Quanto ao fato de que não houve registro de despesas com depreciação devese ao fato de que o imóvel estava em construção e não teria sido concluída até a data da alienação. Entendo não haver razão ao contribuinte. Em conformidade com o seu Contrato Social, fl. 135, constatase que ele tem como objeto social a “construção civil, a incorporação imobiliária, administração de bens móveis e imóveis, projetos e instalações elétricas e hidráulicas, empreendimentos imobiliários, comércio e representação de materiais de construção e a locação, compra e venda de bens imóveis. Está registrado em seu Livro Diário, fls. 116/125, que este imóvel deu entrada em sua contabilidade no mês de agosto de 2000, pelo valor de R$ 527.000,00, em Fl. 249DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 10/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 11080.006817/200669 Acórdão n.º 3301002.053 S3C3T1 Fl. 223 7 seguida em abril/2001 foi efetuada sua baixa e já em maio/2001 ocorreu a sua reinserção contábil. Ocorrendo nova baixa, esta definitiva e objeto da tributação em fevereiro/2002. Este imóvel permaneceu em seu patrimônio pelo curto prazo de 18 meses, sendo que neste intervalo ainda está registrada uma baixa e uma reaquisição. Esta operação intermediária mesmo que tenha sido realizada entre o contribuinte e um sócio, no meu entender, ante ao princípio contábil da entidade, não pode ser descartada como uma operação comercial. Todos estes fatos constatados pela fiscalização e não afastados pelo contribuinte em sua defesa, são reveladores de que o referido imóvel efetivamente teria sido adquirido no exercício do seu objeto social, qual seja, compra, venda e incorporação de imóveis, e neste caso elemento do seu ativo circulante ou realizável a longo prazo. Neste sentido dispõe a legislação comercial, art. 179, IV da Lei nº 6.404/76: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: (...) IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) (...) Redação anterior do inciso IV: IV no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens destinados à manutenção das atividades da companhia e da empresa, ou exercidos com essa finalidade, inclusive os de propriedade industrial ou comercial; Portanto, correta a autuação, pois para que o bem seja considerado e classificado no ativo imobilizado, é necessário que ele seja destinado à manutenção das atividades da empresa. A empresa não logrou comprovar esta destinação, sendo que os fatos apresentados pela fiscalização, inclusive considerando que a própria empresa era responsável pela construção que estava sendo edificada no imóvel, nos levam à convicção de que efetivamente este imóvel tinha como destinação uma das atividades decorrentes do objeto social da empresa. A outra questão objeto de divergência é se as operações de permuta de imóveis realizadas pela contribuinte, constituem fato gerador do PIS. De acordo com o contribuinte está incorreto o lançamento tributário pois não teria havido percepção de receita, sendo que estas operações de permuta “em que a construtora ou o condomínio de construção, conforme o caso, assumem o custo da área construída das unidades destinadas ao(s) proprietário(s) do terreno, referentes à reserva de fração, os valores pagos para o seu custeio são custos, e não receitas”. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 10/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 11080.006817/200669 Acórdão n.º 3301002.053 S3C3T1 Fl. 224 8 Observase que o contribuinte, neste ponto, repetiu exatamente a mesma redação de sua impugnação. Não rebateu portanto os argumentos utilizados no acórdão da DRJ. Esclareço que concordo com a decisão recorrida em todos os seus termos a respeito deste assunto. Portanto por economia processual, transcrevo abaixo a parte do voto condutor do Acórdão da DRJ da lavra da relatora, AFRFB Ana Cristina Schneider Martins, adotandoo como razões de decidir. (...) O outro ponto de divergência referese a operações de permuta de bens imóveis implementados pela empresa. A autuada entende que essas operações não seriam tributadas pelo PIS. Invoca o disposto na IN SRF n° 107/88. A Instrução Normativa SRF n° 107, de 14 de junho de 1988, "dispõe sobre os procedimentos a serem adotados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas e do lucro imobiliário das pessoas físicas, nas permutas de bens imóveis". Trata da dedução do valor de imóvel recebido em permuta na transação com outro imóvel, para fins de determinação do resultado fiscal da transação. A IN define três limites de aplicabilidade: só é cabível para o IRPJ e CSLL; alcança exclusivamente períodos em que a tributação segue a sistemática de apuração pelo lucro real; e produz efeitos tãosomente sobre o valor de imóveis recebidos em permuta. As orientações da IN 107/88 não se referem à Contribuição para o PIS. O fato gerador da contribuição não é o lucro, mas o faturamento (art. 2º da Lei n° 9.718/1998). Os custos não são dedutíveis de sua base de cálculo e não lhe interessa a forma através da qual o faturamento foi pago, se em bens ou em espécie. Observese, entretanto, que a IN SRF n° 107/88 ao estabelecer que no caso de permuta sem pagamento de torna não há resultado a apurar, não está dispondo que na operação de permuta sem torna inexiste receita. Está claro que não há resultado a tributar no lucro real por que o valor contábil do imóvel que entra (receita) é igual ao valor do imóvel que sai (despesa). Porém, há receita e, conseqüentemente, há repercussão na apuração da base de cálculo do PIS. Como nesse regime só a receita importa, é improcedente o argumento de que a autuada não auferiu receita porque o valor venal do lote corresponderia ao custo das unidades a serem entregues. Reafirmase: do valor da receita não se pode deduzir a despesa para determinar a base de cálculo do PIS, porque só a receita auferida interessa para determinar a sua base de cálculo. A autuada alega que nas operações de permuta adquiriu terrenos para construção de imóveis, comprometendose em custear unidades em pagamento aos proprietários, não alienando absolutamente nada. A operação comercial de permuta não é citada expressamente na legislação tributária. Assim, nos termos do art. 109 do Código Tributário Nacional CTN (Lei 5.172, de 25 de outubro de 1.966), socorremonos na legislação comercial: "Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. " Ou seja, devemos aplicar os princípios do direito privado para pesquisa da definição, do conteúdo e dos conceitos de seus institutos. A definição de permuta, Fl. 251DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 10/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 11080.006817/200669 Acórdão n.º 3301002.053 S3C3T1 Fl. 225 9 nos termos do direito comercial, é de uma operação dupla de venda, como explicitado no art. 221 do Código Comercial (Lei n° 556, de 25 de junho de 1950): "Art. 221. O contrato de troca ou escambo comercial opera ao mesmo tempo duas vendas, servindo as coisas trocadas de preço e compensação recíproca. Tudo o que pode ser vendido pode ser trocado. " Por sua vez, o Código Civil (Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002) preceitua: Permuta "Art. 533. Aplicamse à troca as disposições referentes à compra e venda, com as seguintes modificações: I salvo disposição em contrário, cada um dos contratantes pagará por metade as despesas com o instrumento da troca; II é anulável a troca de valores desiguais entre ascendentes e descendentes, sem consentimento dos outros descendentes e do cônjuge do alienante. " De acordo com a legislação retrocitada, é inequívoco que tanto o direito civil quanto o direito comercial tratam a troca como uma operação de compra e venda, na qual as mercadorias trocadas servem como preço uma da outra, cujo valor deverá ser incluído na apuração da receita bruta da pessoa jurídica. Sendo assim, inferese que a permuta estará sujeita à incidência de PIS e Cofins, uma vez que a base de cálculo dessas contribuições é o faturamento, entendido como a totalidade de receitas auferidas pela pessoa jurídica, não se admitindo que uma operação equiparada à compra e venda não esteja abrangida nesse total. Já no que se refere ao momento em que deverá ser tributada essa receita, uma vez que a autuada afirma estar submetida ao regime de caixa para o IRPJ, deve ser observado que em relação ao PIS/Pasep e à Cofins, assim determina o Decreto n° 4.524, de 17 de dezembro de 2002, que regulamenta essas contribuições, quando devidas pelas pessoas jurídicas em geral: Art. 14. As pessoas jurídicas optantes pelo regime de tributação do Imposto de Renda com base no lucro presumido poderão adotar o regime de caixa para fins da incidência do PIS/Pasep e da Cofins (Medida Provisória n 2.15835, de 2001, art. 20). Parágrafo único. A adoção do regime de caixa, de acordo com o caput, está condicionada à utilização do mesmo critério em relação ao Imposto de Renda e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). [...] Art. 16. Na hipótese de atividade imobiliária relativa a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem assim a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, a receita bruta corresponde ao valor efetivamente recebido pela venda da unidade imobiliária, de acordo com o regime de reconhecimento de receitas previsto, para o caso, pela legislação do Imposto de Fl. 252DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 10/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 11080.006817/200669 Acórdão n.º 3301002.053 S3C3T1 Fl. 226 10 Renda (Medida Provisória n2 2.221, de 4 de setembro de 2001, art. 22, e Lei n2 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 30). Percebese assim que se aplica ao PIS/Pasep e à Cofins o mesmo regime de reconhecimento de receitas previstos pela legislação do imposto de renda. Na hipótese em análise (atividade imobiliária), o regime previsto pela legislação do IRPJ, por disposição do art. 30 da Lei n° 8.981, de 1995, prevê que a receita seja reconhecida quando de sua realização efetiva, ou seja, o da concretização da negociação de permuta dos imóveis. Essa determinação não implica dizer que deve haver o recebimento em dinheiro, mas sim o adimplemento da obrigação, que pode se dar em bens ou dinheiro. Dessa forma, para essas contribuições o valor de venda do imóvel deve ser reconhecido integralmente como receita, ainda que parte ou a integralidade dela seja recebida em outro bem. Com relação aos Pareceres COSIT citados pela empresa em sua impugnação, deve ser esclarecido que nenhum deles está em desacordo com o presente julgamento, uma vez que não tratam da tributação pelo PIS e pela Cofins das operações de permuta sob a égide da Lei n° 9.718/1998. A alegada ausência de capacidade contributiva também não é fator impeditivo para a tributação em questão. O fato de não haver recebimento em moeda na operação não tem o condão de impossibilitar a tributação. A empresa ao optar por receber terrenos como forma de pagamento pela venda de unidades construídas fez uma escolha e deve arcar com todas as conseqüências deste ato. Não se configura na operação a alegada ausência de capacidade contributiva sob alegação de não haver recebido o preço em moeda corrente, já que essa foi uma opção da própria empresa. (...) Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de prescrição intercorrente e no mérito negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 253DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 10/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 13864.000493/2010-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2007
REMUNERAÇÃO - CONCEITO
Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho.
PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS
A Participação nos Resultados (PPR) é extensiva aos ocupantes de cargo de liderança, pois estes contribuem diretamente para o resultado da empresa, não havendo razão para distinção entes eles e os empregados subordinados.
Os acordos coletivos demonstram que os pagamentos efetuados respeitaram a periodicidade de 02 (duas) parcelas ao ano, dentro de limite de um semestre civil. Inexistência de incidência de contribuições previdenciárias.
ABONO ÚNICO - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os abonos únicos, previstos em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 16/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN.
ABONO ESPECIAL DE FÉRIAS
A rubricas intitulada Abono Especial de Férias paga em desacordo com a legislação previdenciária, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial.
LISTA DE CO-RESPONSÁVEIS
Os diretores ou sócios somente poderão constar na lista de co-responsáveis do lançamento fiscal como mera indicação nominal de representação legal, mas não para os efeitos de atribuição imediata de responsabilidade solidária, visto que deverão ser observadas as condições previstas no artigo 135, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de manter no lançamento somente os valores pagos a ocupantes de cargo de liderança, nas rubricas PPR, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, no argumento do pagamento em período inferior a um semestre civil ou duas vezes ao não, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; d) em negar provimento ao recurso, na questão do abono especial de férias, nos termos do voto da Relatora, vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, no argumento do pagamento com base me aferição de lucros, nos termos do voto da Relatora; b) em excluir do lançamento os valores referentes a abono único, nos termos do voto da Relatora; c) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de decidir que a Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o "Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa; d) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Damião Cordeiro de Moraes. Declaração: Damião Cordeiro de Moraes.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Redator designado e Declaração de Voto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2007 REMUNERAÇÃO - CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas habitualmente pelo empregado pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador ou de terceiros, decorrentes do contrato de trabalho. PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS A Participação nos Resultados (PPR) é extensiva aos ocupantes de cargo de liderança, pois estes contribuem diretamente para o resultado da empresa, não havendo razão para distinção entes eles e os empregados subordinados. Os acordos coletivos demonstram que os pagamentos efetuados respeitaram a periodicidade de 02 (duas) parcelas ao ano, dentro de limite de um semestre civil. Inexistência de incidência de contribuições previdenciárias. ABONO ÚNICO - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os abonos únicos, previstos em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 16/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN. ABONO ESPECIAL DE FÉRIAS A rubricas intitulada Abono Especial de Férias paga em desacordo com a legislação previdenciária, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. LISTA DE CO-RESPONSÁVEIS Os diretores ou sócios somente poderão constar na lista de co-responsáveis do lançamento fiscal como mera indicação nominal de representação legal, mas não para os efeitos de atribuição imediata de responsabilidade solidária, visto que deverão ser observadas as condições previstas no artigo 135, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de manter no lançamento somente os valores pagos a ocupantes de cargo de liderança, nas rubricas PPR, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, no argumento do pagamento em período inferior a um semestre civil ou duas vezes ao não, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; d) em negar provimento ao recurso, na questão do abono especial de férias, nos termos do voto da Relatora, vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, no argumento do pagamento com base me aferição de lucros, nos termos do voto da Relatora; b) em excluir do lançamento os valores referentes a abono único, nos termos do voto da Relatora; c) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de decidir que a Relação de Co-Responsáveis - CORESP", o "Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa; d) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Damião Cordeiro de Moraes. Declaração: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Bernadete De Oliveira Barros - Relator. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes - Redator designado e Declaração de Voto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes.
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PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS A Participação nos Resultados (PPR) é extensiva aos ocupantes de cargo de liderança, pois estes contribuem diretamente para o resultado da empresa, não havendo razão para distinção entes eles e os empregados subordinados. Os acordos coletivos demonstram que os pagamentos efetuados respeitaram a periodicidade de 02 (duas) parcelas ao ano, dentro de limite de um semestre civil. Inexistência de incidência de contribuições previdenciárias. ABONO ÚNICO NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os abonos únicos, previstos em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 16/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN. ABONO ESPECIAL DE FÉRIAS A rubricas intitulada “Abono Especial de Férias” paga em desacordo com a legislação previdenciária, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. LISTA DE CORESPONSÁVEIS Os diretores ou sócios somente poderão constar na lista de coresponsáveis do lançamento fiscal como mera indicação nominal de representação legal, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 04 93 /2 01 0- 40 Fl. 690DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 mas não para os efeitos de atribuição imediata de responsabilidade solidária, visto que deverão ser observadas as condições previstas no artigo 135, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de manter no lançamento somente os valores pagos a ocupantes de cargo de liderança, nas rubricas PPR, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em dar provimento ao recurso, no argumento do pagamento em período inferior a um semestre civil ou duas vezes ao não, nos termos do voto do Redator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; d) em negar provimento ao recurso, na questão do abono especial de férias, nos termos do voto da Relatora, vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento ao recurso, no argumento do pagamento com base me aferição de lucros, nos termos do voto da Relatora; b) em excluir do lançamento os valores referentes a abono único, nos termos do voto da Relatora; c) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de decidir que a Relação de CoResponsáveis CORESP", o "Relatório de Representantes Legais RepLeg e a Relação de Vínculos VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa; d) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator: Damião Cordeiro de Moraes. Declaração: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Bernadete De Oliveira Barros Relator. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Redator designado e Declaração de Voto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Mauro Jose Silva, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13864.000493/201040 Acórdão n.º 2301003.385 S2C3T1 Fl. 691 3 Relatório Tratase de crédito lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições sociais devidas aos Terceiros. Conforme Relatório Fiscal (fls. 38), o fato gerador das contribuições lançadas é o pagamento, pela empresa a seus empregados, de verbas intituladas “Abono Especial de Férias” (apenas para os empregados da filial de Betim), “Abono Salarial”, ambos constantes de Acordo Coletivo de Trabalho, e “Participação nos Resultados em desacordo com a legislação específica, verbas estas consideradas pela fiscalização como remuneração indireta e sobre a quais a empresa não fez incidir contribuição previdenciária. Integram ainda o AI as contribuições incidentes sobre a diferença constatada entre as remunerações constantes em Folhas de Pagamento apresentadas e as declaradas em GFIP. O agente autuante informa que a empresa pagou valores a título de PPR sem, contudo, ter obtido lucro a ser distribuído, mas sim prejuízo, conforme Demonstrações de Resultados de Exercício. Esclarece, ainda, que nos Acordos Coletivos que tratam da Participação nos lucros, não constam os requisitos previstos no § 1o, do art. 2o, da Lei 10.101/2000, para os empregados ocupantes de cargos de confiança, quais sejam, diretores, gerentes e coordenadores. Segundo ainda relato fiscal, para o estabelecimento Betim foram pagos PPR nas competências 02/2006 e 07/2006, 02/2007 e 07/2007, ou seja, em periodicidade inferior a um semestre civil, contrariando o disposto no art. 3o, § 2o, do mesmo diploma legal. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0536.113, da 6a Turma da DRJ/CPS (fls. 791 do processo 13864.000491/201051 ), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 980 do processo 13864.000491/201051), repetindo as alegações trazidas na impugnação. Preliminarmente, insiste na nulidade do AI por não ter sido indicada, no relatório FLD, a Lei 10.101/00, o que, segundo entende, afronta o art. 142, do CTN, e art. 37, da CF, pois retira da recorrente a certeza dos efetivos fundamentos da autuação, já que o relatório fiscal não está em consonância com o relatório de fundamentos legais. No mérito, discorre sobre a natureza da PR ou PLR, trazendo a posição dos tribunais superiores sobre a matéria, na tentativa de demonstrar que somente o pagamento denominado PLR, em comprovada fraude da lei, é que deve ser descaracterizado, o que não ocorreu no presente caso, já que a fiscalização não apontou a fraude no pagamento da PLR feita pela recorrente aos seus empregados. Qualifica de absurda a afirmação da fiscalização no sentido de que a PR só poderia ser paga caso a empresa demonstrasse lucro e/ou superávit no final do exercício, pois Fl. 692DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 isto significaria restringir o conceito de resultado, algo que não foi feito pelo constituinte e pelo legislador ordinário. Esclarece que, tanto para os trabalhadores da unidade de Arujá, quanto para os de Betim, os documentos anexos demonstram claramente que se trata de um Programa de Participação nos Resultados, estando o pagamento da participação atrelado a metas globais e individuais, claramente especificadas no referido documento, deixando claro que, em nenhum momento, há menção de necessidade de alcance de lucro ou de resultado financeiro. Quanto à alegação de inexistência de regras claras e objetivas para cargos de confiança, alega que a fiscalização se intrometeu com opiniões subjetivas no conteúdo das metas eleitas pelas partes, e reafirma a intenção que a recorrente possuía de criar um programa para diferenciar o pagamento da participação para os chamados “cargo de confiança” e que, como tal programa não foi criado, toda essa categoria de empregados recebeu seus valores relativos ao PPR de acordo com as metas globais e individuais aplicáveis aos demais empregados. Entende que, nada obstante não ter sido criada a nova forma de apuração estabelecida na “cláusula 6.1” dos programas de 2006 e 2007, não pode a fiscalização simplesmente retirar a natureza jurídica do pagamento da PR aos ocupantes de cargos de confiança, sob pena de descaracterizar o PPR da empresa, o que seria absurdo. Relativamente à alegação de existência de pagamentos em período inferior a um semestre civil, explica que os pagamentos relativos aos programas de participação de Betim, para os anos de 2006 e 2007, possuem previsão de pagamentos em 02/2007 e 02/2008 respectivamente, ou seja, os valores relativos ao PR possuem data de pagamento sempre para o mês de fevereiro do ano seguinte, mas o programa também prevê um adiantamento a ser pago sempre em julho do ano vigente, razão pela qual, em relação ao plano de 2006, houve um adiantamento em 07/2006 e o pagamento da efetiva PR em 02/2007, o que ocorreu também para a PPR de 2007. Conclui que não há que se falar em pagamento de PR em período inferior a um semestre civil, haja vista que a recorrente efetua pagamento de uma parcela em julho e a outra somente em fevereiro do outro ano, ou seja, 07 meses após o pagamento do adiantamento, restando claro que os valores relativos à 02/2006 referemse à PR de 2005, e os valores de 07/2006 e 02/2007, referemse à PR de 2006, assim por diante. Assevera que em nenhum dos anos objeto do AI houve violação da regra de pagamento da PLR e, mesmo que assim não se entenda, o fato de a recorrente haver pago em 02/2006 e 07/2006 não teria o condão de transformar a PR em parcela salarial, pois mesmo que os pagamentos da PR não obedecessem a periodicidade prevista no art. 3o, § 2o, da Lei 10.101/00, tal fato não transmudaria a natureza jurídica da verba participativa em verba de caráter salarial, uma vez que, consoante o disposto no art. 7o, inc. XI, da CF, a PR está desvinculada da remuneração, não havendo que se falar em incidência de contribuição previdenciária. Ressalta que, se o executivo, por decreto, pode alterar essa condição contida no art. 3o, § 4o, da Lei 10.101/00, quanto mais um acordo coletivo, que tem força de lei, e muito mais ainda quando se fala de situações excepcionais e justificadas, e traz julgado do CRPS nesse sentido Em relação aos Abonos, salienta que a PGFN expediu Ato Declaratório nº 16/2011, autorizando a dispensa de apresentação de contestação e interposição de recursos, e a Fl. 693DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13864.000493/201040 Acórdão n.º 2301003.385 S2C3T1 Fl. 692 5 desistência dos já interpostos, quando o objeto for a incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de abono único previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, como no caso dos presentes autos. Quanto ao Abono de Férias, salienta que foi pago em razão das Convenções Coletivas e não substitui o abono de férias constitucional, tratandose de um abono pago pela recorrente ao empregado que, durante o período aquisitivo das férias, não possuir mais de 7 faltas justificadas ou não. Transcreve o art. 144 da CLT, com a redação vigente antes da Lei 9.528/97, para demonstrar que a natureza jurídica de tal verba sempre foi desvinculada do salário, para todos os efeitos legais, especialmente trabalhistas e previdenciários. Traz o entendimento de que, por não ser uma verba paga decorrente do trabalho realizado, mas sim do empenho e dedicação do empregado em cumprir seu horário, os valores pagos a título de “Premio Assiduidade”, equiparado ao presente “Abono de Férias”, não deve integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Espera, caso as razões expostas não sejam acatadas, que os abonos pagos em valores iguais ou correspondentes a 10 dias de salário de cada trabalhador sejam excluídos das bases de cálculo, remanescendo apenas os valores excedentes a esse parâmetro, nos termos do art. 144, da CLT, e art. 28, § 9o, alínea d, da Lei 8.212/91. Sobre o Abono Especial, observa que a Magna Carta restringiu a incidência de contribuições aos rendimentos do trabalho, de modo que não integram a base de cálculo das aludidas contribuições quaisquer pagamentos cuja natureza não seja de contraprestação de serviço/trabalho realizado por pessoa física, sendo que tal verba não corresponde a qualquer hora trabalhada, sendo apenas um estímulo para o cumprimento do ofício a ser realizado pelo empregado, de modo que não deveria integrar os respectivos salários de contribuição.. No que se refere às divergências citadas no relatório fiscal entre valores declarado em GFIP e efetivamente recolhidos em GPS, afirma que os resumos das folhas de pagamento, as GFIPs e a GPS anexadas ao processo demonstram que tais divergências não existem e, por esse motivo, devem ser excluídas da autuação. Requer, por fim, que sejam excluídos, da autuação, o presidente e os diretores listados no relatório de vínculos, a fim de se evitar futuros prejuízos, uma vez que o art. 13, da Lei8.620/93 foi expressamente revogado com a publicação da Lei 11.941/2009. É o relatório. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 Voto Vencido Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a autuada alega nulidade do AI por não ter sido indicada, no relatório FLD, a Lei 10.101/00, o que, segundo entende, afronta o art. 142, do CTN, e art. 37, da CF. Contudo, o Decreto 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, estabelece, em seu art. 59, que são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso presente, não houve a ocorrência de nenhuma das hipóteses de nulidade elencadas acima já que o AI foi lavrado por autoridade competente e não ficou configurada a preterição do direito de defesa, pois foi dada ciência ao contribuinte do Auto de Infração, juntamente com todos os relatórios que a compõem, inclusive o Relatório Fiscal que, juntamente com o Relatório de Fundamentos Legais do Débito, encerram toda a fundamentação legal necessária para proporcionar a empresa, ampla defesa. Conforme afirmado pela própria recorrente, a fiscalização mencionou diversas vezes, no Relatório Fiscal, que houve descumprimento da Lei 10.101/00. E sendo o Relatório Fiscal parte integrante do AI, conforme expresso na própria folha de rosto do AI, o presente lançamento, ao contrário do que entende a autuada, se encontra revestido de todas as formalidades legais, vez que não houve omissão dos fundamentos legais que amparam o procedimento adotado pela fiscalização. Assim, todos os elementos necessários ao exercício da ampla defesa pela recorrente se encontram no presente documento de constituição do crédito previdenciário, AI. Nesse sentido, rejeito a preliminar de nulidade do AI. No mérito, a recorrente tenta demonstrar que as verbas pagas a título de PPR, “Abono Especial de Férias” e “Abono Salarial” não possuem natureza salarial e, portanto, não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. Todavia, a condição de se tratar ou não de salário não está vinculada ao interesse da fonte pagadora em, com aquele pagamento, assalariar ou não seu empregado. Ou seja, não é o nome do pagamento ou a vontade da empresa em si que vai determinar sua natureza jurídica. O que irá afastar as verbas pagas da incidência tributária é a estreita observância à legislação específica que trata da matéria. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13864.000493/201040 Acórdão n.º 2301003.385 S2C3T1 Fl. 693 7 Portanto, no caso presente, impõe verificar se no pagamento das parcelas pagas pela empresa autuada foram observados os critérios e regras estabelecidos pela Lei 8.212/91 e Lei 10.101/00. PLANO DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS PPR A fiscalização entendeu que os valores pagos pela empresa a título de PPR se enquadram no conceito legal de remuneração, pois não houve observância do disposto na lei 10.101/00. Constatou, inicialmente, que a empresa efetuou pagamento a esse título sendo que houve prejuízo no exercício. Já a recorrente alega que a empresa pode distribuir resultados mesmo não havendo lucro. De fato, analisando a legislação que trata da matéria, não se verifica a exigência de “lucro” no exercício ou “resultado contábil positivo” para que se possa realizar o pagamento a título de participação nos resultados. O art. 2o, § 1o, da Lei 10.101/00 determina que podem ser considerados, para fins de pagamento do PPR, os critérios de produtividade, qualidade, programas de metas, resultados pactuados previamente, entre outros. Ou seja, a meta pactuada pode não ser o alcance de lucro, e sim, por exemplo, o aumento de produtividade de cada trabalhador ou de um determinado setor da empresa. E como, no caso presente, os acordos coletivos trazidos aos autos demonstram que a PPR da empresa estava condicionada ao atingimento de resultados, e não de lucro, e como não há, nos autos, informações de que não tenham sido implementadas as condições pactuadas no acordo coletivo, entendo que a existência de prejuízo não configura descumprimento da Lei 10.101/00, conforme afirmou a autoridade lançadora. Contudo, entendo que o crédito deva ser mantido, em razão das demais irregularidades apontadas pela fiscalização. Constatase, dos documentos juntados aos autos, que as metas ali definidas não são aplicáveis aos trabalhadores ocupantes de cargos de liderança, que, de acordo com o item 6.1 dos acordos anexados, tais empregados teriam sua participação nos resultados, prevista em programa de avaliação especifica. Ocorre que tal programa não foi implementada, o que foi confirmado pela própria recorrente em sua peça recursal. Portanto, tal categoria de trabalhadores recebeu PPR sem que houvesse um acordo com a participação do sindicato, contendo “regras claras e objetivas quanto afixação dos direitos substantivos da participação”, ou mecanismos de aferição para o cumprimento do acordado, uma vez que eles foram expressamente excluídos dos acordos firmados entre empresa e sindicato representante dos trabalhadores para os exercícios de 2006 e 2007. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 Assim, quanto aos ocupantes de cargos de liderança, houve o descumprimento do art. 2o, § 1o, da Lei 10.101/00, devendo o crédito lançado a esse título ser mantido em sua integralidade. Da mesma forma, a fiscalização constatou o descumprimento do § 2°, do art. 3°, da Lei n° 10.101/2000, já que houve pagamentos de PPR nos meses de fevereiro e julho dos anos de 2006 e 2007, ou seja, em periodicidade inferior a um semestre civil. A recorrente não nega tal fato, mas apenas esclarece que a empresa efetua pagamento de uma parcela em julho e a outra somente em fevereiro do outro ano, ou seja, 07 meses após o pagamento do adiantamento, restando claro que os valores relativos à 02/2006 referemse à PR de 2005, e os valores de 07/2006 e 02/2007, referemse à PR de 2006, assim por diante. Todavia, a Lei no 10.101/2000 é clara ao vedar o pagamento ou antecipação da PPR em “periodicidade inferior a um semestre civil", não fazendo qualquer ressalva quanto ao período de apuração. Dessa forma, entendo que houve descumprimento do art. 3o, da Lei 10.101/00, devendo os valores pagos a esse título integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária. A recorrente alega, ainda, que, mesmo que se entenda que houve violação ao disposto na Lei 10.101/00, tal fato não teria o condão de transformar a PR em parcela salarial, já que não transmudaria a natureza jurídica da verba participativa em verba de caráter salarial, uma vez que, consoante o disposto no art. 7o, inc. XI, da CF, a PR está desvinculada da remuneração, não havendo que se falar em incidência de contribuição previdenciária. Entretanto, para que não incida a contribuição social, a empresa deve, sim, observar o disposto na Lei 10.101/00. Esse também é o entendimento da ministra Eliana Calmon, do STJ, que se manifestou no sentido de que, para ocorrer a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação específica sobre a questão. Para a ministra, ao ocorrer o descumprimento da Lei 10.101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária. Cumpre observar que a não vinculação da participação nos lucros à remuneração não é auto aplicável, já que a Constituição Federal remeteu à lei a função de estabelecer critérios e regras para desvincular a participação nos lucros da remuneração, o que, entendo, foi feito com muita propriedade pelo legislador, ao editar a Lei 10.101/00. Assim, reiterase, não é a simples previsão em acordo coletivo ou o pagamento de parcelas intituladas pelo empregador de PPR é que vai retirar a natureza salarial da verba em comento. O que irá afastar a verba paga a título de Participação nos Lucros e Resultados da incidência tributária é a estreita observância à legislação específica que trata da matéria. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13864.000493/201040 Acórdão n.º 2301003.385 S2C3T1 Fl. 694 9 A Lei 10.101/00 estabelece os critérios para o pagamento do PRL e a Lei 8.212/91 determina que apenas não integra o salário de contribuição a participação nos lucros paga de acordo com o estabelecido na lei específica. Quanto ao argumento de que um acordo coletivo tem força de lei, e muito mais ainda quando se fala de situações excepcionais e justificadas, cumpre assinalar que, conforme consignado no artigo 611 da CLT, a convenção coletiva de trabalho é um instrumento normativo em nível de categoria, aplicável, no âmbito das respectivas representações, às relações individuais de trabalho; ou seja, essa normatização da relação de trabalho, pactuada entre o sindicato da categoria profissional e o sindicato da categoria econômica, como é própria da relação contratual, só pode ser aplicada às partes. Nesse sentido, ORLANDO GOMES e GOTTSCHALK, sobre o limite subjetivo das negociações coletivas e sentenças normativas, assinalam, in verbis: (...) Tal regência não é uma norma jurídica, no sentido estrito da expressão, mas,simplesmente, disposição negocial, destinada a regular relações concretas das partes que se submeterem, ou venham a submeterse, às condições estipuladas.(...)(Curso de Direito do Trabalho, Rio de Janeiro, Editora Forense, 2001, pp.635/636) Destaquese ainda que o artigo 100 do Código Tributário Nacional – CTN estabelece quais são as normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos, in verbis: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa,a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Desse modo, a convenção coletiva de trabalho, por ser relação contratual estabelecida entre partes (sindicato da categoria profissional e o sindicato da categoria econômica), não está arrolada, nem poderia, pelo CTN, no conceito de legislação tributária, não podendo as cláusulas nela celebradas serem estendidas a terceiros. Existe, neste sentido, inclusive, disposição expressa no Código Tributário Nacional: Fl. 698DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Dessa forma, concluo que os efeitos indenizatórios pactuados em acordos coletivos somente repercutem na esfera da relação de emprego, não atingindo terceiros estranhos à relação laboral, entre os quais, a Previdência Social. Nesse sentido, nos ensina Adriana Hilgenberg de Araújo (Direito do trabalho e direito processual do trabalho: temas atuais, Editoria Juruá, p 55 e 56) : “ Como visto, as convenções e acordos coletivos são fontes do Direito do Trabalho, cujas cláusulas serão aplicadas a todos os pertencentes a uma determinada categoria ou empresa (no caso dos acordos). As cláusulas, tanto as obrigatórias (CLT artigo 616), facultativas, obrigatórias ou normativas, devem respeitar o ordenamento legal, não podendo ferir preceitos, sejam eles constitucionais ou infraconstitucionais, salvo expressa autorização .” (grifei). Assim, a observância ao ordenamento jurídico infraconstitucional não agride a garantia constitucional do reconhecimento das convenções e acordos coletivos, prevista no inciso XXVI, art. 7º, da Constituição Federal, vez que se encontra insculpida, em toda a Constituição, o respeito ao princípio da legalidade. Em conseqüência, os acordos coletivos não têm a força de alterar disposições legais, em especial, as inseridas na Lei 8.212/91 e Lei 10.101/00. E, sendo o lançamento um ato vinculado, a fiscalização, ao constatar o pagamento da PPR em desacordo com o disposto na Lei 10.101/00, lavrou o competente AI, em estrita observância aos ditames legais, lançando as contribuições incidentes sobre esses valores pagos. Nesse sentido, concluo que o levantamento relativo ao PPR deve ser mantido no débito lançado. ABONO SALARIAL Tratase de levantamento referente ao pagamento de abono único, para os empregados da filial 0001/89, previsto em acordo coletivo de trabalho. Conforme observado pela recorrente, a ProcuradoriaGeral da Fazenda NacionalPGFN emitiu o Ato Declaratório nº 16/2011, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011 pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011, autorizando a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária”, Diante do citado Ato, e considerando que o Decreto 70.235/72 estabelece que o disposto no caput do art. 26A não se aplica aos casos de lei ou ato normativo que fundamente crédito tributário objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, e que a Lei 10.522/2002, citada no art. 26A, determina que os créditos tributários já constituídos relativos à matéria de que trata o seu artigo 19 devem ser revistos de ofício pela autoridade lançadora, entendo que devam ser excluídos do débito, por provimento, a contribuição lançada Fl. 699DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13864.000493/201040 Acórdão n.º 2301003.385 S2C3T1 Fl. 695 11 incidente sobre o pagamento da verba intitulada Abono Salarial, por não integrar o salário de contribuição, uma vez que foi objeto de acordo coletivo e pago sem habitualidade. ABONO ESPECIAL DE FÉRIAS. A fiscalização constatou o pagamento de verba intitulada “abono especial de férias”, para os empregados da filial /000693 (Betim), quando em gozo de férias, a titulo de prêmio por assiduidade, baseado em Acordo Coletivo de Trabalho. A recorrente não nega tal pagamento ou que ele se equipara a “Premio Assiduidade”, pago ao empregado que, durante o período aquisitivo das férias, não possuir mais de 7 faltas justificadas ou não. Ela apenas alega que a natureza jurídica de tal verba sempre foi desvinculada do salário, e que a Magna Carta restringiu a incidência de contribuições aos rendimentos do trabalho, de modo que não integram a base de cálculo das aludidas contribuições quaisquer pagamentos cuja natureza não seja de contraprestação de serviço/trabalho realizado por pessoa física, sendo que tal verba não corresponde a qualquer hora trabalhada, sendo apenas um estímulo para o cumprimento do ofício a ser realizado pelo empregado, de modo que não deveria integrar os respectivos salários de contribuição.. Contudo, a Constituição Federal, preceitua, no § 4º do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, o seguinte: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüentemente repercussão em benefícios, nos casos e na \forma da lei. (grifei) A Lei 8.212/91 consubstanciou o disposto na Constituição Federal, ao estabelecer, no inciso I, do art. 28 da Lei 8.212/91, que salário de contribuição é“...a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma,...” (grifei). Restou claro, nos autos, tais verbas possuem a natureza de prêmio. E, segundo Amauri Mascaro Nascimento: "A natureza jurídica do prêmio não sofre, praticamente, contestações. É uma forma de salário vinculado a um fator de ordem pessoal do empregado ou geral de muitos empregados, via de regra a sua produção. Daí falar se, também, em salário por rendimento ou salário por produção. Caracterizase, também, pelo seu aspecto condicional. Uma vez verificada a condição de que resultam, devem ser pagos". (In “Teoria Jurídica do Salário”, Editora LTR, 1994, pg. 256). Assim, prêmio é remuneração. Esse também é o entendimento do TST: “Prêmio é gratificação, e gratificação é salário, se ajustada expressa ou tacitamente, porque a CLT não exige o ajuste expresso" TST pleno ERR 1943/82 DJU 06/12/85 pág. 22644” . E a CLT discrimina as parcelas que compõem a remuneração do empregado, conforme seu art. 457: Fl. 700DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário, não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagem e abonos pagos pelo empregador.(grifei) Assim as gratificações, que podem ser eventuais, integram a remuneração do empregado por expressa previsão legal. A fiscalização constatou, o que foi confirmado pela recorrente em sua peça recursal, que tais valores são pagos para premiar alguns de seus empregados, pela sua assiduidade. Conforme art. 176 do CTN, “a isenção, ainda que prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão...”. No presente caso, não resta dúvida que o Abono Especial de Férias não está incluído nas hipóteses legais de isenção previdenciária, previstas no § 9º, art. 28, da Lei 8.212/91. Resta claro que o pagamento feito pela recorrente a esse título em favor dos empregados da filial de Betim, nas competências 02/2006, 02/2007, 08/2007 e 12/2007, não se trata de fornecimento de meio para que esses trabalhadores possam exercer suas funções, e sim uma vantagem que representa um acréscimo indireto à sua remuneração, devendo, portanto, sofrer incidência de contribuição previdenciária. É inegável, no caso presente, o acréscimo patrimonial do empregado ao receber as quantias correspondentes a tais “prêmios assiduidade”. Em que pese o esforço argumentativo da recorrente, verificase que os pagamentos em tela realmente se a amoldam ao figurino legal que delimita a basedecálculo da contribuição previdenciária, como bem entendeu a fiscalização e os julgadores de primeira instância. Dessa forma, os valores recebidos pelos empregados da recorrente a título de Abono Especial de Férias integram o salário de contribuição, conforme inciso I, art 28, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória nº 1.59614/1997, convertida na Lei 9.528/97. A recorrente sustenta a não incidência de contribuição previdenciária sobre o pagamento essas verbas denominadas “Abono Especial de Férias”, argumentando que os valores foram pagos conforme previsto no art. 144 da CLT, e espera, caso as razões expostas não sejam acatadas, que os abonos pagos em valores iguais ou correspondentes a 10 dias de salário de cada trabalhador sejam excluídos das bases de cálculo, remanescendo apenas os valores excedentes a esse parâmetro, nos termos do art. 144, da CLT, e art. 28, § 9o, alínea d, da Lei 8.212/91. Contudo, conforme constatase, a verba paga pela empresa autuada não é aquele abono de que trata o art. 144, da CLT, pois a própria recorrente admite que, em alguns Fl. 701DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13864.000493/201040 Acórdão n.º 2301003.385 S2C3T1 Fl. 696 13 casos, houve o pagamento de um valor superior ao equivalente a 10 dias de salário do trabalhador. Portanto, a rubrica “Abono Especial de Férias” não se encontra nas hipóteses de isenção do art. 28, § 9o, da Lei 8.212/91, e deve integrar o salário de contribuição do empregado. DIVERGÊNCIAS FOLHA X GFIP A fiscalização verificou, ainda, algumas divergências entre as remunerações constantes das folhas de pagamentos e as declaradas em GFIP. A recorrente afirma que, quanto às divergências citadas no relatório fiscal entre valores declarado em GFIP e efetivamente recolhidos em GPS, afirma que os resumos das folhas de pagamento, as GFIPs e a GPS anexadas ao processo demonstram que tais divergências não existem e, por esse motivo, devem ser excluídas da autuação. Contudo, conforme restou claro no REFISC e no Acórdão recorrido, a divergência apurada não foi entre GFIP x GPS, mas sim entre remuneração constante da folha e remuneração declarada em GFIP. Conforme bem esclarecido pelo relator do acórdão recorrido, os resumos das folhas trazidos aos autos na impugnação não comprovam a inexistência das divergências, que estão discriminadas, por competência e por empregados, no anexo III, às fls. 133. Assim, conforme esclarecido no acórdão combatido, a recorrente poderia ter trazido, nem que fosse por amostragem, a folha analítica para comprovar que os valores apurados e discriminados no anexo III estão equivocados. Contudo não o fez, se limitando a afirmar que não há divergências entre GFIP e GPS, e juntando o resumo das folhas, as GFIPs e as GPS que, segundo se observa do RDA, já foram aproveitadas para a apuração da contribuição devida. Portanto, não há como acatar a pretensão da recorrente, devendo tais valores serem mantidos no lançamento. CORESPONSÁVEIS A autuada requer, por fim, que sejam excluídos, da autuação, o presidente e os diretores listados no relatório de vínculos, a fim de se evitar futuros prejuízos, uma vez que o art. 13, da Lei8.620/93 foi expressamente revogado com a publicação da Lei 11.941/2009. Todavia, cumpre esclarecer que a inclusão do nome dos coresponsáveis é um dos requisitos necessários para a constituição do crédito. O sujeito passivo que deve suporta o ônus contido no AI em tela é a própria empresa, sendo ela, em primeira análise, a responsável pelo crédito ora discutido, não podendo se afirmar que sejam as pessoas arroladas no relatório de coresponsáveis, neste momento, o sujeito passivo da obrigação inadimplida. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 Desse modo, a indicação dos sócios e administradores no anexo denominado de CORESP nada mais representa do que documento instrutório do AI, previsto na legislação previdenciária. Como o art. 79, inciso VII, da Lei n.º 11.941/2009, revogou o art. 13 da Lei n.º 8.620/93, a simples indicação dos representantes legais da empresa por meio do CORESP não implica a sua inscrição de imediato em dívida ativa. Registrese que a lista nominal serve apenas como uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo fisco, já que posteriormente servirá de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional. Porém, para deixar claro que o fisco não pode incluir as pessoas físicas relacionadas no CORESP de pronto na certidão da dívida ativa, este colegiado vem decidindo reiteradamente deixar consignado o provimento parcial do recurso, eis que necessário para o dispositivo final do julgado. Ademais, cumpre informar que tal matéria é objeto da Súmula nº 88, do Conselho Pleno do CSRF, transcrita a seguir: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Nesse sentido, acato o requerimento formulado pela recorrente, para aplicar a súmula 88 do CSRF. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; VOTO por CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do débito, por improcedência, os valores relativos ao ABONO SALARIAL e para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo fisco, podendo servir, posteriormente, de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional É como voto. Bernadete De Oliveira Barros – Relatora Voto Vencedor Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE Fl. 703DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13864.000493/201040 Acórdão n.º 2301003.385 S2C3T1 Fl. 697 15 1. O recurso é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual CONHEÇO do recurso voluntário. 2. Peço vênia à nobre Conselheira Relatora para divergir de seu posicionamento, trazendo minhas ponderações para elevar o debate. DA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDÊNCIÁRIA SOBRE “PPR” 3. No tocante à não incidência das contribuições previdenciárias sobre os pagamentos efetuados pela empresa recorrente aos ocupantes de cargo de liderança, sob a rubrica de Participação nos Resultados (PPR), pareceme que razão assiste ao contribuinte. 4. Entendo que a aplicação da previsão constitucional de participação nos resultados da empresa pelos seus empregados é perfeitamente extensiva àqueles que ocupam cargos de liderança dentro da incorporação, visto que a legislação de regência da matéria não colocou qualquer amarra (art. 7º, XI da CF; Lei 10.101/2000). 5. Salientase, outrossim, que não se sustenta a posição do fisco de que não haveria lei específica desonerando a PPR para os diretores, pois a previsão da participação destes na empresa já vem sufragada na legislação societária antes mesmo da entrada em vigor da Carta Cidadã. A Lei das S.A. (Lei n. 6.404/76) sempre desvinculou do conceito de remuneração dos administradores as eventuais participações nos resultados por eles recebidas, demonstrando a existência de caráter não retributivo. Eis o dispositivo citado: Art. 152. A assembléiageral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) § 1º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor. § 2º Os administradores somente farão jus à participação nos lucros do exercício social em relação ao qual for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202 (...) Art. 190. As participações estatutárias de empregados, administradores e partes beneficiárias serão determinadas, sucessivamente e nessa ordem, com base nos lucros que remanescerem depois de deduzida a participação anteriormente calculada. Parágrafo único. Aplicase ao pagamento das participações dos administradores e das partes beneficiárias o disposto nos parágrafos do artigo 201. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 16 6. Forçoso é concluir que o fisco promoveu o lançamento da contribuição no equivocado entendimento de que a PPR deve ser paga exclusivamente aos trabalhadores empregados. Em nenhum momento considerou que os resultados auferidos pela empresa para distribuição foram decorrentes do esforço mútuo de todos, seja empregado ou diretor estatutário, não devendo existir qualquer distinção pelo vínculo dos trabalhadores. 7. Ademais, o benefício é notadamente conhecido como um plano de incentivo coletivo, em que o desempenho de cada trabalhador, seja celetista ou estatutário, afeta o rendimento de todos, criase um incentivo à cooperação de modo a maximizar o desempenho do grupo como um todo, não soando lógico, ao menos ao meu ver, que somente os trabalhadores com vínculo empregatícios sejam por ela agraciados. 8. No tocante à periodicidade do pagamento, observo que os instrumentos coletivos colacionados demonstram que os pagamentos relativos ao PPR foram previstos para fevereiro de 2007 e fevereiro de 2008, respeitando sempre o período inferior ao semestre civil. Ademais, por acordo com os sindicatos o contribuinte efetuou a antecipação de parte desse pagamento, mas, mesmo assim, limitouse a fazer a totalidade do pagamento em 02 (duas) parcelas, e dentro do período legalmente exigido. 9. Diante desses elementos, entendo que, neste tópico, o recurso voluntário do Contribuinte deve ser provido, com a exoneração do crédito tributário aqui imputado. DO ABONO ESPECIAL DE FÉRIAS 10. No tocante aos valores pagos a título de abono especial de férias, também não compartilho o entendimento da Relatora, pois entendo que não integram o salário, ante sua natureza indenizatória. 11. Antes de discorrer sobre o caso concreto, lembro os doutos conselheiros que o gênero abono de férias abarca as possibilidades que o empregado tem um valor pago pela empresa sem, contudo, integrar a remuneração. São as seguintes espécies: abono pecuniário e o chamado abono especial de férias ou abono celetista de férias. 12. A Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), no art. 143, previu a conversão de até um terço do seu período de férias em abono pecuniário. No art. 144, permitiu a concessão do abono de férias, caso haja essa previsão expressa em documento que reflita o intuito das partes: Art. 143 É facultado ao empregado converter 1/3 (um terço) do período de férias a que tiver direito em abono pecuniário, no valor da remuneração que lhe seria devida nos dias correspondentes. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.535, de 13.4.1977 § 1º O abono de férias deverá ser requerido até 15 (quinze) dias antes do término do período aquisitivo. (Incluído pelo Decretolei nº 1.535, de 13.4.1977 Art. 144. O abono de férias de que trata o artigo anterior, bem como o concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de vinte dias do salário, não integrarão a remuneração do empregado para os efeitos da legislação do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1998) Fl. 705DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13864.000493/201040 Acórdão n.º 2301003.385 S2C3T1 Fl. 698 17 13. Não se confunde, portanto, o abono pecuniário, quando o empregado converte até 10 (dez) dias de suas férias em pecúnia, com o abono especial de férias, quando o empregador paga, em razão das férias, parcela suplementar, em valor não excedente a 20 (vinte) dias do salário, concedido em razão de previsão expressa que pode constar no contrato de trabalho, no regulamento da empresa, em negociação coletiva de trabalho. 14. Inclusive, essa distinção foi destacada pelo doutrinador Arnaldo Süsseking (em Instituições do Direito do Trabalho, vol. 2, pp. 827 e 828), cujo trecho ora colaciono: O abono de férias instituído pelo art. 143 não tem natureza salarial, não integrando, assim, a remuneração do empregado para efeitos da legislação do trabalho e da previdência social. E o mesmo ocorre com a gratificação de férias resultante seja de ajuste contratual inclusive de norma ou regulamento da empresa em convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de 20 dias de salários. Neste sentido é expresso o art. 144. 15. Ressalto que esses abonos não possuem natureza salarial, não sendo exigível o recolhimento previdenciário sobre tais valores, tanto que a Lei 8.212, em seu artigo 28, parágrafo 9 º, alínea e, item 6, determinou que as importâncias pagas sob título de abono de férias na forma descrita nos artigos 143 e 144 da CLT não compõem o saláriodecontribuição para fins de incidência de contribuição social previdenciária: Art. 28. (...): § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 16. No caso deste processo administrativo fiscal, verifico que o abono especial de férias concedido estava descrito nas Cláusulas 13ª (Convenção Coletiva de 2004/2005 e de 2005/2006) e 14ª (Convenção Coletiva de 2007/2008), previsões essas que se adequam ao disposto no art. 144 da CLT, o que certamente assegura ao contribuinte o afastamento da contribuição social previdenciária sobre esses valores:. ABONO DE FÉRIAS (...) Fl. 706DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 18 Ao empregado que durante o período aquisitivo de férias, não tiver mais de 7 (sete) faltas ao serviço, justificadas ou não, quando sair em gozo de férias, será pago um abono nos seguintes valores e condições: (...) § 8º O abono previsto nesta cláusula não se incorporará ao salário par quaisquer efeitos e não sofrerá incidências trabalhistas e previdenciárias, conforme expressamente previsto no art. 144 da CLT e no art. 28,§ 9º, “e”, da Lei 8.212, de 24/07/1991, respectivamente. 17. Essa não incidência tributária também foi reconhecida pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil 5 a Região Fiscal, por meio da Solução de Consulta 61, de 12 de dezembro de 2012: EMENTA: Por força do § 2º, do art. 22, c/c o § 9º, 'e', item 6, do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, o abono de férias, quando estabelecido na forma do art. 144 da CLT, não integra o salário de contribuição do empregado. O prazo para repetição de indébito é de cinco anos contados do pagamento antecipado do tributo, de acordo com o CTN, art. 168, I, c/c a Lei Complementar nº118, de 2005, art. 3º. DISPOSITIVOS LEGAIS: Arts. 22, § 2º, e 28, § 9º, 'e', item 6, da Lei nº 8.212, de 1991; art. 144 da Consolidação das Leis do Trabalho; art. 168, I, do Código Tributário Nacional; art. 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005. 18. A seu turno, entendo presente o caráter indenizatório do abono, visto que está diretamente vinculado à concessão de férias do empregado, momento em que entendese que ele gozará de descanso em virtude do trabalho prestado à empresa durante todo o ano. 19. Ademais, não há de se falar em habitualidade dessas parcelas, pois o abono especial de férias é pago apenas uma única vez, no momento em que o empregado irá usufruir desse período, não sendo o caso previsto no parágrafo 11, do art. 201 da Constituição Federal, que fala que "os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão nos benefícios, nos casos e na forma da lei" 20. Assim, dou provimento ao recurso voluntário nesta parte por entender que a legislação trabalhista combinada com a previdenciária é precisa quanto à impossibilidade de incidência de contribuição social previdenciária sobre o abono especial de férias pago aos empregados da empresa recorrente por não integrar a remuneração para tal finalidade e, destaco oportunamente, por ser pago em caráter eventual, dizimando de vez qualquer possibilidade de incidência desse tributo. DA MULTA APLICADA 21. Sobre a multa aplicada, dou provimento ao recurso também nesta parte. Em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 22. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei 8.212/1991 que assim dispõe: Fl. 707DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13864.000493/201040 Acórdão n.º 2301003.385 S2C3T1 Fl. 699 19 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 23. E o supracitado art. 61, da Lei 9.430/96, por sua vez, assevera que: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. 24. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 25. Assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/1996, com a redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/1991, até 11/2008, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 26. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário do contribuinte, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, nos termos supra alinhavados. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Redator e Declaração de Voto Fl. 708DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/08 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, As sinado digitalmente em 31/05/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10630.902939/2009-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 05/02/2001
ADMINISTRAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. LEIS.
Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 28/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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CONSTITUCIONALIDADE. LEIS. Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 28/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 90 29 39 /2 00 9- 94 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10630.902939/200994 Acórdão n.º 3302002.337 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório No dia 13/09/2006 a empresa Recorrente transmitiu PER/DCOMP pleiteando a restituição integral da Cofins do período de apuração de 31/10/2000, paga no dia 05/02/2001, e declarando a compensação de débito de CSLL do 4º trimestre de 2004. A DRF de origem indeferiu o pedido de restituição, e não homologou a compensação declarada, alegando que o Darf indicado no Pedido de Restituição fora integralmente aproveitado para liquidar débito regularmente declarado em DCTF, conforme Despacho Decisório de 25/05/2009. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade, cujas alegações foram resumidas pela decisão recorrida nos seguintes termos: a decisão emanada pela Delegacia de origem é contrária à legislação, em face de inexistência de instância intermediária, concluindose pela nulidade dessa decisão; o art. 6º da Lei Complementar n° 70/91 isentou do pagamento da Cofins as sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos a profissão legalmente regulamentada, não podendo a lei ordinária, qual seja, a Lei n° 9.430/96. revogar tal isenção; sobre o assunto o STJ editou a Súmula n° 276: "As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da COFINS, sendo irrelevante o regime tributário adotado"; a isenção de tais sociedades, como a interessada, são reconhecidas tanto judicialmente como administrativamente, não havendo ainda no presente processo julgamento em última instância; segundo a legislação que rege a matéria, a compensação com outros tributos e contribuições administrados pela RFB é direito inarredável, uma vez que legítimo o direito da recorrente de se apropriar do crédito decorrente do pagamento indevido ou a maior; diante do fato de as compensações e os pedidos de restituição que as originou terem sido protocoladas anteriormente à publicação da Lei Complementar n.° 118/2005, não resta dúvida quanto ao direito à restituição da Cofins, recolhida nos últimos 10 anos pela contribuinte, uma vez que o tributo estava sujeito ao lançamento por homologação; o débito levado à compensação é inexigível em face do implemento de condição suspensiva de exigibilidade do crédito tributário, sendo ilegal qualquer atitude do Fisco no sentido de coagir a contribuinte a proceder o recolhimento de tais valores, seja por meio de cobrança, ou impossibilitando a mesma de obter a CND, fundamental para seus negócios; não olvidando que o direito ora pleiteado é líquido e certo, requer, provimento integral da manifestação de inconformidade, para reformar a decisão da Delegacia de origem, conforme demonstradas as decisões favoráveis aos contribuintes, homologando todas as compensações efetuadas. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10630.902939/200994 Acórdão n.º 3302002.337 S3C3T2 Fl. 4 3 A 1a Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora MG indeferiu a solicitação da Recorrente, nos termos do Acórdão no 0934.934, de 12/05/2011, cuja ementa está abaixo reproduzida. CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. Falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para a apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias, tarefa privativa do Poder Judiciário. ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO. A isenção da Cofins que beneficiava as sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, prevista na Lei Complementar n° 70. de 1991, deixou de vigorar com a publicação da Lei n° 9.430. de 1996. DCOMP. CRÉDITO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi integralmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, não se homologam as compensações declaradas. A empresa Recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 30/05/2012, conforme AR, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 25/06/2012, com Recurso Voluntário, no qual discorre sobre princípios constitucionais aplicáveis à administração pública e sobre a inconstitucionalidade da revogação da isenção da Cofins por meio de lei ordinária. Com relação ao débito, cuja compensação não foi homologada, a Recorrente noticia que o mesmo foi incluído no parcelamento regido pela Lei nº 11.941/09. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende às demais disposições legais. Dele se conhece. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10630.902939/200994 Acórdão n.º 3302002.337 S3C3T2 Fl. 5 4 Como relatado, o presente processo trata de pedido de restituição de Cofins, combinado com declaração de compensação de débito de CSLL. O crédito pleiteado não foi reconhecido porque o pagamento está alocado a débito regularmente declarado em DCTF. Conseqüentemente, a compensação declarada não foi homologada. Na Manifestação de Inconformidade a Recorrente alega inconstitucionalidade da Lei nº 9.430/96, que revogou a isenção da Cofins das sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos a profissão legalmente regulamentada, prevista na Lei Complementar nº 70/91. A decisão recorrida não conheceu dos argumentos de inconstitucionalidade e manteve o Despacho Decisório que não reconheceu o crédito pleiteado e, conseqüentemente, não homologou a compensação declarada. No Recurso Voluntário, a empresa Recorrente discorre sobre princípios constitucionais aplicáveis à administração pública para concluir pelo direito ao crédito pleiteado e, ainda, informa que o débito foi incluído no parcelamento da Lei nº 11.941/09. Quanto aos argumentos de inconstitucionalidade da Lei nº 9.430/96 e da obrigação da Administração Tributária de os apreciar, a decisão recorrida disse bem que o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF), em sessão realizada no dia 08/12/2009, decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário (Constituição Federal, art. 102, I, “a” e III, “b”, art. 103, § 2o; Emenda Constitucional no 3/1993). Tal decisão resultou na edição da Súmula no 2, abaixo reproduzida, cuja adoção é obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do § 4º do art. 72 do Regimento Interno do CARF1: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sobre o direito ao crédito propriamente dito, a empresa Recorrente não trouxe outro argumento, além da suposta inconstitucionalidade da Lei nº 9.430/96. Quanto à notícia do parcelamento do débito de CSLL, cuja compensação foi declarada e não foi homologada, diferentemente do entendimento esposado em outros recursos da mesma empresa Recorrente, e com o mesmo objeto, proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, a exemplo do Acórdão nº 3802001.513, de 29/01/2013 (Processo nº 10630.902947/200931), entendo que não ocorreu renúncia ao recurso voluntário, relativamente ao crédito pleiteado. Isto porque a discussão do direito ao crédito pleiteado não depende do débito que foi compensado e declarado à RFB. O pagamento ou o parcelamento deste não afeta o direito ao crédito. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. [...] § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10630.902939/200994 Acórdão n.º 3302002.337 S3C3T2 Fl. 6 5 No caso dos autos, está provado a inexistência do crédito pleiteado, razão pela qual não há reformas a fazer na decisão recorrida, cujos fundamentos adoto supletivamente (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19992). Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/09/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.932872/2009-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1401-000.220
Decisão: Por unanimidade de votos, CONVERTERAM o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias
Assinado digitalmente
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Mauricio Pereira Faro.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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decisao_txt : Por unanimidade de votos, CONVERTERAM o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Mauricio Pereira Faro.
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Ausente, momentaneamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva – Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Mauricio Pereira Faro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 32 87 2/ 20 09 -2 7 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10680.932872/200927 Resolução nº 1401000.220 S1C4T1 Fl. 3 2 Tratase de pedido de compensação que foi julgado improcedente, por bem resumir a questao adoto o relatório do órgão julgador a quo: Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP), mediante utilização de pretenso "Pagamento Indevido/a Maior" no valor de R$ 9.757.090,95. A análise do documento protocolizado pelo contribuinte foi efetuada pela DRF através do Despacho Decisório n° 848544476 anexado à fl. 29, exarado aos 07/10/2009, que assim se manifestou: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o Saldo Negativo de IRPJ ou CSLL do período". Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de1966 (CTN), art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005 e art. 74 da Lei n° 9.430, de1996. Tendo em vista as razões acima expendidas, a DRF WO HOMOLOGA a compensação declarada pelo contribuinte na DCOMP identificada no item 2. O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 20/10/2009, conforme documento A fl. 54. Irresignado, o contribuinte apresenta em 18/11/2009 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 01 a 09, onde, em síntese, argumenta: ▪ A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade. ▪ Informa que apurou o IRPJEstimativa Mensal no Tries de maio/2005 no montante de R$ 45.312.581,13, informou o valor apurado em DCTF e efetuou o recolhimento da importância correspondente. ▪ Acrescenta que, posteriormente, constatou erro na apuração do valor do IRPJ (estimativa mensal) para o período, encontrando uma "nova estimativa de IRPJ no valor de R$33.706.168,28. (...) o que acabou por gerar o recolhimento indevido de parte do montante anteriormente recolhido no valor de R$ 11.606.412,85" (grifo e negrito do original) A DCTF originalmente apresentada foi retificada e os valores apurados como devidos estão em conformidade com as informações prestadas em DIPJ. O indébito apurado foi utilizado em compensações de débito declaradas em DCOMP. A autoridade fiscal não Homologou a compensação declarada, exigindo do contribuinte o principal, multa e juros referentes ao débito compensado. "Todavia, a Requerente demonstrará ser totalmente ilegal a cobrança do saldo devedor acima referido, pleiteando pela Fl. 174DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10680.932872/200927 Resolução nº 1401000.220 S1C4T1 Fl. 4 3 homologação das compensações declaradas e a anulação do despacho decisório (.)". Tendo em vista a motivação apresentada pela DRF argumenta que "o entendimento da autoridade fiscal destoa do entendimento do Conselho de Contribuintes sobre o assunto, não atendendo aos ditames da Lei n°9.430, de 1996". Invoca os arts. 2° e 74 da Lei n° 9.430, de 1996 para alegar que "não há qualquer impedimento legal à compensação pleiteada". Afirma que a única restrição existente está prevista no art. 10 da IN SRF n° 600, de 2005. Ilustra com acórdãos e voto do Conselho de Contribuintes. Argumenta que "a Requerente efetuou recolhimento antecipado de IRPJ e, em função de ter constatado erro na apuração da base de cálculo mensal, apurou antecipação superior à que seria efetivamente devida dentro do próprio mês." Informa a retificação da DCTF, "tornando perfeitamente identificável o mês de geração do indébito tributário". Ressalta que a Instrução Normativa n° 900, de 2008, que revogou a IN SRF n° 600, de 2005 revogou "a hipótese de vedação a compensação dentro do próprio ano, o que demonstra uma mudança de entendimento dentro da própria RFB, em relação ao tema objeto da presente impugnação". Em outra linha argumentativa, o manifestante "requer que seja preservado o direito à restituição do indébito tributário, tendo em vista que a Declaração de Compensação e a presente impugnação, tempestivamente apresentada, são provas do cumprimento do prazo prescricional de 05 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN). Destaca ainda que "na hipótese de o despacho decisório em epígrafe não for reformado, considerase resguardado o seu direito de contestação na esfera judicial em até dois anos contados da decisão administrativa que denegar a compensação, por força do art. 169 do Código Tributário Nacional". Por fim, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade para reformar o Despacho Decisório prolatado pela DRF e a homologação da compensação, além da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Diante da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, o processo foi encaminhado a esta DRJ para manifestação acerca da lide (fl.55). Em face de tais argumentos, entendeu a 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade, considerar improcedente a manifestação de inconformidade para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito não homologar a compensação em litígio neste processo, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ • Data do fato gerador: 30/06/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA As estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da Fl. 175DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10680.932872/200927 Resolução nº 1401000.220 S1C4T1 Fl. 5 4 lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição/compensação. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o ajuste anual a apuração do possível indébito, quando ocorre a efetiva apuração do imposto devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Irresignada, vem a interessada, em face do referido acórdão, apresentar Recurso Voluntário perante o Conselho de Contribuintes. Analisando o que foi anteriormente exposto, verificase que a decisão recorrida abstevese de verificar a existência do suposto pagamento a maior efetuado pela contribuinte a título de recolhimento de estimativa sob o argumento que as estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição/compensação. Dessa forma, e considerando a observância ao princípio da verdade material, determina o retorno do processo para que seja verificado expressamente a ocorrência e ovalor efetivamente recolhido a maior pelo contribuinte. Após a referida verificação intimese o contribuinte para se manifestar sobre o resultado da diligência. assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator De acordo: assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva Presidente Fl. 176DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por MAURICIO PEREIRA FARO
score : 1.0
Numero do processo: 10283.721157/2008-62
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004, 2005
RECURSO VOLUNTÁRIO. ARRAZOADO. FATOS COMPROVADAMENTE INOCORRENTES NO PROCEDIMENTO FISCAL. REJEIÇÃO.
Rejeita-se Recurso Voluntário cujo extenso arrazoado se baseia em fatos comprovadamente inocorrentes no procedimento fiscal.
CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA.
Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
Numero da decisão: 1803-001.912
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Marcos Antônio Pires.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2004, 2005 RECURSO VOLUNTÁRIO. ARRAZOADO. FATOS COMPROVADAMENTE INOCORRENTES NO PROCEDIMENTO FISCAL. REJEIÇÃO. Rejeita-se Recurso Voluntário cujo extenso arrazoado se baseia em fatos comprovadamente inocorrentes no procedimento fiscal. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
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NUNES ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004, 2005 RECURSO VOLUNTÁRIO. ARRAZOADO. FATOS COMPROVADAMENTE INOCORRENTES NO PROCEDIMENTO FISCAL. REJEIÇÃO. Rejeitase Recurso Voluntário cujo extenso arrazoado se baseia em fatos comprovadamente inocorrentes no procedimento fiscal. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 11 57 /2 00 8- 62 Fl. 981DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10283.721157/200862 Acórdão n.º 1803001.912 S1TE03 Fl. 982 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidentesubstituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Marcos Antônio Pires. Fl. 982DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10283.721157/200862 Acórdão n.º 1803001.912 S1TE03 Fl. 983 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 932 e 933): Versa o presente processo sobre auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, no valor total de R$ 46.224,57, incluídos os acréscimos legais, referente aos anoscalendário de 2003 e 2004. A autuação fiscal arbitrou o lucro com base na receita bruta conhecida e fundamentouse nos depósitos bancários não comprovados, embora tendo sido o contribuinte devidamente intimado. Cientificado do lançamento em 19/11/2008, apresenta impugnação em 19/12/2008, onde alega, em síntese, que: 1. o auto de infração não contém a descrição do fato, infringindo ordem legal e prejudicando o devido processo legal, bem como os princípios da ampla defesa e do contraditório; 2. o valor arbitrado afastase, por completo, do princípio da razoabilidade, com tal cobrança está por ocorrer verdadeiro confisco no exíguo patrimônio da impugnante; 3. não ficou demonstrado, na descrição dos fatos, narrados no auto de infração, o porquê de não ter sido acatada a informação prestada e provada, desconsiderando as provas deduzidas, a exemplo da indicação do valor de R$ 3,00 por caixa de ovo vendida. Já que não foi aceito o valor indicado para tal gasto, por que também, não se arbitrou o valor dessa despesa?; 4. o estabelecimento de multas fiscais não pode induzir a violação ao princípio do confisco, plasmado na Carta Maior; 5. o STF, no julgamento da ADIn nº 10751/DF, se posicionou que a multa em valor elevado tem caráter confiscatório; 6. houve vício formal, por não observar o que determina o art. 10 do Decreto 70.235/72, e que sua motivação/fundamentação está em desacordo com a legislação vigente, em especial, a CF, destacandose a não observância de princípios constitucionais. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 931 e 932): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 983DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10283.721157/200862 Acórdão n.º 1803001.912 S1TE03 Fl. 984 4 Não há que se falar em nulidade do lançamento, se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram, de forma clara e precisa, a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, não apresentar os livros e documentos de sua escrituração. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações são caracterizados como omissão de receitas. ENCARGOS LEGAIS. MULTA DE OFÍCIO 75%. ASPECTO CONFISCATÓRIO. A cobrança dos acessórios juntamente com o principal decorre de previsão legal nesse sentido, não merecendo prosperar a tese de que é confiscatória, por estar a autoridade lançadora aplicando tão somente o que determina a lei tributária. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. JUDICIAIS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos e judiciais trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INOCORRÊNCIA. Não há de se cogitar da materialização de hipótese de ofensa a princípios constitucionais, quando os lançamentos se pautaram nos pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, e fáticos, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte. CSLL, PIS E COFINS. DECORRÊNCIA. Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das Contribuições Sociais, aplicase, no que couber, o que foi decidido em relação àquele. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Cientificada da referida decisão em 03/05/2012 (fls. 944 numeração digital ND), a tempo, em 01/06/2012, apresenta a interessada Recurso de fls. 9541 a 968 (ND), instruído com os documentos de fls. 969 a 977 (ND), nele argumentando, em síntese: 1 Os documentos de fls. 945 a 953 (ND) Termo de Perempção e Carta/aviso de Cobrança foram emitidos indevidamente, tendo em vista a apresentação de recurso voluntário pelo interessado, e desentranhados do processo pelo despacho de fls. 979 (ND). Fl. 984DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10283.721157/200862 Acórdão n.º 1803001.912 S1TE03 Fl. 985 5 a) que os depósitos bancários justificamse pela receita eminentemente advinda da venda de ovos de galinha, tudo devidamente comprovado por meio de documentos outrora apresentados; b) que a fiscalização houve por bem desconsiderar toda a contabilidade apresentada pela Recorrente, tornandoa imprestável para a apuração do lucro real, bem como adicionou os depósitos bancários como não contabilizados, considerando estes como omissão de receita; c) que a escrituração do livro Diário por partidas mensais, combinado com a escrituração do livro Caixa auxiliar, por onde passaram todos os comprovantes de pagamentos e recebimentos, nos anosbase de 2003 e 2004, de forma diária, não permitem o arbitramento do lucro, conforme jurisprudência transcrita; d) que, na presente investigação fiscal, não caberia o arbitramento do lucro, em face do desmembramento da conta “Caixa” em livros auxiliares, os quais permitem facilmente identificar a movimentação financeira da Recorrente; e) que, para se passar de lançamentos mensais e resumidos para lançamentos diários e desmembrados dos anoscalendário de 2003 e 2004, o prazo exíguo concedido pela fiscal era humanamente impossível de ser cumprido pela estrutura contábil do contribuinte; f) que empresas pequenas, como a da ora Recorrente, não dispõem de recursos financeiros e humanos para executar tarefas de tal magnitude em tão curto espaço de tempo, ou seja, 24 (vinte e quatro) meses de contabilidade diária jamais conseguiriam ser executados em poucos dias de trabalho; g) que o tempo deferido pela fiscalização foi insuficiente para se abrir e especificar todas as movimentações financeiras e bancárias apontadas, por maior boa vontade que se tenha; h) que somente mediante uma devida especificação de todas as documentações é que se estará fazendo homenagem à verdade material; i) que, do contrário, estarseá fazendo a exiguidade de tempo a arma, a mola mestra, justificadora do arbitramento, e não a efetiva imprestabilidade da contabilidade, como deve em tese ocorrer; j) que a jurisprudência tem entendido que o pouco tempo deferido para atualizar os livros contábeis e fiscais, dado pelas autoridades nas suas respectivas intimações, onde geralmente o contribuinte não consegue cumprir o prazo, não podem servir como base de fato para propor o arbitramento; k) que, em não tendo sido dado tempo hábil à Recorrente para a atualização e especificação da escrita contábil, resta improcedente o auto de infração exarado; Fl. 985DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10283.721157/200862 Acórdão n.º 1803001.912 S1TE03 Fl. 986 6 l) que, no caso concreto, a simples presunção de omissão de renda tributável, com base apenas nos depósitos bancários de origem não comprovada, não pode levar à conclusão da existência de fato gerador do imposto de renda; m) que, para tanto deverá existir outros elementos, decorrentes da atividade fiscalizatória, que corroborem com a presunção; n) que a simples presunção, sem lastro em prova cabal de existência de auferimento de renda tributável, por si só, não significa a ocorrência do fato gerador do imposto devido; o) que a fiscalização não constatou nenhuma omissão real de receita na contabilidade – até porque não existe a dita ocultação de fatos econômicos à tributação de IRPJ/PIS/COFINS/CSLL, conforme resta provado nos registros constantes do livro auxiliar, que explicitam a origem e as aplicações dos depósitos; p) que tais depósitos bancários foram reconhecidos e escriturados, de forma indireta, na conta “Caixa”, sem ter registro na contabilidade; q) que, sendo mais claro, isto quer dizer que a contabilidade pecou por uma irregularidade de ordem formal, e não material, como quis demonstrar a autoridade fiscal; r) que o não registro contábil das contascorrentes, no presente caso, não representa uma omissão de receita (prevista no art. 42 da Lei 9.430/96), mas sim, mero erro de formalidade quanto ao procedimento, já que as mesmas, de forma indireta foram reconhecidas pelos livros auxiliares da contacaixa; s) que esta checagem poderia ter sido realizada pelo agente fiscalizador, mas este preferiu o arbitramento; t) que, pelas diligências realizadas pela Recorrente, vêse que os depósitos bancários representam um ingresso de receita/numerário por conta de venda de caixas de ovos, respaldado no faturamento, conforme se atesta pelos lançamentos diários; u) que tais depósitos não podem ser considerados ou taxados como “omissão de Receita”, já que os mesmos são lastreados em inúmeras operações comerciais devidamente oferecidas à tributação do IR/CSLL/PIS/COFINS; v) que resta claro que os depósitos não se encontram não justificados, como diz no auto de infração; w) que, na realidade, os valores de tais depósitos são as próprias receitas declaradas e devidamente tributadas pelo fisco federal, ou seja, estes valores estão embutidos dentro do valor já tributado, não constituindo em receita nova ou oculta da tributação; e Fl. 986DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10283.721157/200862 Acórdão n.º 1803001.912 S1TE03 Fl. 987 7 x) que tal procedimento de arbitramento acabou por tributar duas vezes a mesma grandeza econômica, o que é inaceitável. Em mesa para julgamento. Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. O Recurso Voluntário apresentado fundamentase, basicamente, na assertiva de que não seria cabível o arbitramento dos lucros, uma vez que teria sido efetuada a escrituração em livro Diário, por partidas mensais, e em livro Caixa auxiliar, de forma diária, tendo sido desconsiderada toda a contabilidade apresentada, por imprestável para apuração do lucro real. 5. Porém, não é este o presente caso. 6. Consta, de fls. 80 e 82, a seguinte resposta dada pela pessoa física, posteriormente equiparada a pessoa jurídica, por ocasião do atendimento ao Termo de Intimação Fiscal nº 0003, de fls. 71, dirigido àquela, no qual se solicitou a escrituração contábil da atividade comercial exercida: 2. A escrituração contábil nunca foi feita, pois fazemos um comércio informal, com uma renda anual abaixo do valor tributável, igual a grande parte da população brasileira. [...]. Como afirmei anteriormente, não trabalhávamos com escrituração contábil, então, vou responder a este quesito (cheques listados) mediante as anotações dos canhotos dos cheques e os 03 (três) cadernos de anotações: [...]. 7. Por conseguinte, não procede o extenso arrazoado apresentado pela Recorrente, no sentido de que teria sido desconsiderada toda a contabilidade por ela supostamente apresentada, por irregularidade de ordem formal e não material; ou de que teria havido escrituração do livro Diário, por partidas mensais, combinada com a escrituração do livro Caixa auxiliar, de forma diária, que explicitariam a origem e as aplicações dos depósitos, permitindo facilmente identificar a sua movimentação financeira; ou, ainda, de que não teria sido dado tempo hábil a ela para a atualização e a especificação da escrita contábil. 8. Em resumo, o arbitramento decorreu, não da pretensa imprestabilidade da contabilidade apresentada, mas da completa inexistência de escrituração. 9. Observase, por outro lado, que não se está diante de “depósitos bancários de origem não comprovada” (fls. 964 – ND), mas sim, de omissão de receita de revenda de Fl. 987DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10283.721157/200862 Acórdão n.º 1803001.912 S1TE03 Fl. 988 8 mercadorias (fls. 4, 24, 35 e 46 dos autos de infração lavrados), haja vista que a pessoa física, equiparada a pessoa jurídica, não apresentou declaração de rendimentos nos anoscalendário de 2003 e 2004 (fls. 64, item 1). 10. Ou seja, não se está perante “presunção de omissão de renda tributável” (fls. 964 ND), senão diante de apuração direta de omissão de receitas.2 11. Vejase que a própria fiscalização admite expressamente a comprovação da origem dos depósitos bancários (fls. 5, 7 e 60): Comprovou que, com exceção dos três depósitos abaixo discriminados, os DEMAIS DEPÓSITOS constantes nos anexos do Termo de Intimação Fiscal nº 0003 correspondiam à receita da revenda de ovos de galinha. [...]. A pessoa física realizou, no período em questão, exploração de atividade econômica, habitual e profissional, com o objetivo de lucro, mediante a venda a terceiros de ovos adquiridos de terceiros; A pessoa física não exerce, além da atividade discriminada acima, outra atividade; [...]. As diligências efetuadas pelo sujeito passivo comprovam a prática da atividade de venda de ovos de galinha, mas são insuficientes para suprir a falta da escrita e demonstrar o montante do lucro real auferido em cada trimestre. Sobre o primeiro aspecto, cabe observar que o sujeito passivo estaria obrigado à tributação com base no lucro real trimestral, pois a opção por forma de tributação diversa (lucro real anual ou lucro presumido) seria manifestada com o primeiro pagamento do imposto, o que não ocorreu no caso em questão. Sobre o segundo ponto, as diligências do sujeito passivo apresentaram falhas insanáveis, como a impossibilidade de se comprovar a afirmação de que o lucro líquido por caixa de ovo foi de R$ 3,00, frente à não emissão de nota fiscal de venda; bem como a falta de comprovação das despesas com combustíveis, apontadas no valor anual de R$ 11.520,00. 2 De se registrar que a própria decisão recorrida também incorre nesse equívoco, ao fazer referência, em diversos pontos de seu conteúdo, a "depósitos bancários não comprovados", e ao discorrer sobre "presunções legais" (fls. 931, 932, 935 e 936). Fl. 988DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10283.721157/200862 Acórdão n.º 1803001.912 S1TE03 Fl. 989 9 Procedeuse, então, à apuração dos tributos devidos pelo sujeito passivo considerando o Lucro Arbitrado com base na receita bruta conhecida, que corresponde ao somatório dos depósitos bancários relacionados no anexo “DEPÓSITOS BANCÁRIOS IDENTIFICADOS COMO RECEITA OPERACIONAL”, mensalmente. [...]. No curso do procedimento fiscal em desfavor de ADILAMAR ZANY DA SILVA NUNES, CPF: 137.913.54272, MPF nº 02.2.01.00200700657, restouse comprovado que a pessoa física realizou, nos anoscalendário de 2003 e 2004, exploração de atividade econômica, habitual e profissional, mediante a venda a terceiros de ovos de galinha adquiridos de terceiros, com lucro não declarado. 12. Por conseguinte, em nenhum momento, é dito, nos autos de infração, que os depósitos se encontrariam não justificados, como afirmado pela Recorrente em sua defesa. 13. Portanto, é de se rejeitar Recurso Voluntário cujo extenso arrazoado se baseia em fatos comprovadamente inocorrentes no procedimento fiscal. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 989DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 16327.001867/2005-52
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002, 2003
OMISSÃO. INOCORRÊNCIA.
Tendo sido o voto embargado claro, ao se pronunciar sobre a incidência da CSLL sobre receitas advindas dos atos cooperativos previstos no art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971, tratando exatamente da motivação exposta pela autoridade autuante e fundamentando adequadamente a decisão, não há que se falar em omissão.
Numero da decisão: 1103-000.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, rejeitar os embargos da Fazenda Nacional.
Assinado Digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado Digitalmente
André Mendes de Moura - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva (Presidente), André Mendes de Moura (Relator), Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Fábio Nieves Barreira. Ausente o Conselheiro Hugo Correia Sotero.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2002, 2003 OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Tendo sido o voto embargado claro, ao se pronunciar sobre a incidência da CSLL sobre receitas advindas dos atos cooperativos previstos no art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971, tratando exatamente da motivação exposta pela autoridade autuante e fundamentando adequadamente a decisão, não há que se falar em omissão.
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INOCORRÊNCIA. Tendo sido o voto embargado claro, ao se pronunciar sobre a incidência da CSLL sobre receitas advindas dos atos cooperativos previstos no art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971, tratando exatamente da motivação exposta pela autoridade autuante e fundamentando adequadamente a decisão, não há que se falar em omissão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, rejeitar os embargos da Fazenda Nacional. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva (Presidente), André Mendes de Moura (Relator), Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Fábio Nieves Barreira. Ausente o Conselheiro Hugo Correia Sotero. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 18 67 /2 00 5- 52 Fl. 586DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001867/200552 Acórdão n.º 1103000.874 S1C1T3 Fl. 587 2 Relatório Os autos tratam de embargos de declaração (fls. 580/581) interpostos pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 1103000.828, de 07 de março de 2013 (fls. 573/576). Tratase de autuação fiscal, cujos resultados encontramse apresentados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 07/09, o qual informa que a contribuinte, ao exercer atividades próprias relacionadas no art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971, na qualidade de cooperativa de crédito, não teria recolhido a CSLL, conforme disposição do art. 2º e §§ da Lei nº 9.249, de 1995. Nesse sentido, a autoridade autuante lavrou o Auto de Infração de CSLL referente ao período fiscalizado. Foi apresentada impugnação de fls. 443/458, apreciada pela DRJ/São Paulo I, cuja decisão que manteve o entendimento da Fiscalização, no sentido de que a Contribuição Social sobre o Lucro seria devida por todas as sociedades cooperativas, e incidiria sobre todos os seus resultados, fossem eles relativos a operações com associados ou não. Cientificada da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário, julgado por esta 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, cuja decisão deu provimento ao recurso nos termos da ementa com o seguinte teor: CSLL — SOCIEDADES COOPERATIVAS — OPERAÇÕES COM COOPERADOS — SOBRAS LÍQUIDAS — NÃO INCIDÊNCIA A base de cálculo da Contribuição Social é o lucro líquido ajustado. Se a fiscalização não demonstra que a cooperativa auferiu receitas em operações com não cooperados, não há lucros passíveis de incidência da contribuição. A Fazenda Nacional, cientificada do resultado em 26/04/2013 (Termo de Intimação de fls. 577), interpôs os embargos de declaração de fls. 580/581 em 30/04/2013, no qual discorre sobre as seguintes razões: o auto de infração não se subsume tão somente aos atos cooperados, e que a partir da leitura do Termo de Verificação Fiscal (fls. 05/07), poderseia inferir que a fiscalização incluiu todos os atos realizados pela Cooperativa; o acórdão embargado entendeu que "se a fiscalização não demonstra que a cooperativa auferiu receitas em operações com não cooperados, não há lucros passíveis de incidência da contribuição", ou seja, pela leitura do referido trecho, poderseia concluir que todo o lançamento restou maculado pela ausência de indicação dos atos não cooperados; ocorre que tal discriminação não se mostrava necessária momento da lavratura do auto de infração, já que a fiscalização não teria consciência da eventual exoneração dos valores relativos a atos cooperados, e não se poderia exigir que o auditor vislumbrasse a possibilidade de exoneração parcial do crédito lançado no sentido de segregar os valores de receitas oriundas de atos cooperados e atos não cooperados; Fl. 587DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001867/200552 Acórdão n.º 1103000.874 S1C1T3 Fl. 588 3 para sanar a omissão apontada, requer a Fazenda Nacional a retificação do julgado para determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal para que se possa proceder com a segregação dos valores. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura Os embargos interpostos pela Fazenda Nacional são tempestivos. Portanto, cabe prosseguir com o exame de admissibilidade. O art. 65, caput, do mencionado Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), dispõe que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Reclama a embargante que teria havido omissão, vez que o acórdão embargado não teria considerado o fato de que a autuação fiscal não poderia prever a ocorrência de atos não cooperados, e que tais atos são submetidos à tributação regular e, assim, caberia uma diligência no sentido de segregar as receitas advindas dos atos cooperados e não cooperados. Ocorre que não assiste razão à embargante. Vale verificar como a autoridade autuante motivou o lançamento fiscal, no Termo de Verificação de fls. 05/07: Nos períodos de referencia da ação fiscal, o contribuinte, como cooperativa, exerceu atividades próprias relacionadas no art. 79 da Lei 5.764 de 16 de dezembro de 1971, na qualidade de cooperativa de credito resultantes operações assistência financeira, empréstimos, crédito, poupança. A lei impõe a apuração e o recolhimento da CSLL Contribuição Social S. Lucro Líquido, conforme o prescrito no artigo 2°e §§ da Lei n 7.689 de 15 de dezembro de 1988. De maneira bastante concisa, a autoridade fiscal presumiu que, como a contribuinte era uma cooperativa, teria auferido receitas o advindas de atos cooperados, cujo conceito é aquele disposto no art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.001867/200552 Acórdão n.º 1103000.874 S1C1T3 Fl. 589 4 Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Por conseguinte, considerou que todas as receitas percebidas, por serem decorrentes de atos cooperativos, seriam submetidas á tributação da CSLL. Registrese que, em nenhum momento, a Fiscalização preocupouse em apurar se a contribuinte teria praticado atos não cooperados. Mesmo a apreciação da primeira instância administrativa restringiuse à questão de direito, ao considerar que a contribuinte, ao praticar atos cooperativos, teria auferido receitas não protegidas da incidência da CSLL. Nesse contexto, o acórdão embargado, ao se pronunciar sobre a incidência da CSLL sobre receitas advindas dos atos cooperativos previstos no art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971, mostrouse correto e preciso, ao tratar exatamente da motivação exposta pela autoridade autuante. Repitase, a Fiscalização, em nenhum momento, conduziu os trabalhos na fase inquisitória no sentido de averiguar se a contribuinte teria auferido receitas decorrentes de atos não cooperados, previstos nos artigos 85, 86 e 88 do mencionado dispositivo legal. O voto foi claro, citou jurisprudência consolidada no CARF e a Súmula nº 83, para esclarecer que o resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas em operações realizadas com os seus cooperados não integra a base de cálculo da contribuição em debate. Pronunciarse, na fase contenciosa, no sentido de promover diligência para apurar se teriam ocorrido atos não cooperados, é atitude incoerente com a motivação apresentada pela autoridade autuante, que deixou claro que todos os atos praticados pela contribuinte estariam enquadrados no conceito do art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971, e caracterizaria inovação no lançamento de ofício. Não há que se falar, portanto, em omissão. Diante do exposto, voto no sentido rejeitar os embargos declaratórios. Assinatura Digital André Mendes de Moura Fl. 589DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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