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Numero do processo: 10880.685729/2009-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo (suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo (suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Cássio Schappo (suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Reproduzo relatório de primeira instância: Cuida o presente processo de Despacho Decisório, emitido no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo, no que toca à apreciação da Declaração de Compensação (DCOMP) eletrônica do sujeito passivo em epígrafe. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 85 72 9/ 20 09 -8 4 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.685729/200984 Resolução nº 3201001.297 S3C2T1 Fl. 143 2 2. Consoante a decisão que consta à fl. 5, o pagamento indicado como indevido ou a maior não oferece saldo disponível para compensação, haja vista que foi integralmente utilizado para quitação de débito da Contribuinte relativamente ao fato gerador ocorrido em 28/02/2007, código de Receita 6912 (PIS – NÃO CUMULATIVO – Lei n.º 10.637, de 2002). 2.1. Consta, no referido documento oficial, que assim decidiu o Auditor –Fiscal da RFB, Autoridade a quo: [...] A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. [...]Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. 3. Inconformada com o Despacho Decisório, apresentou a Contribuinte Manifestação de Inconformidade às fls. 8 e 9, acompanhada de documentos anexos, por meio da qual argumenta, em síntese, o que segue: a) afirma a Contribuinte que teria verificado erro na contabilização de fato gerador de PIS ocorrido em fevereiro de 2007, que teria implicado eventual pagamento indevido [...] no valor de R$ 642.478,98 (sic), tal qual consta à fl. 8; b) alega que, posteriormente, teria sido realizada compensação de suposto crédito de PIS – havido por pagamento indevido – com débito de IRRF; c) assevera que teriam sido entregues DCTF e DACON referentes a fevereiro de 2007, havendo sido informado o valor incorreto de PIS. Alega que não haveria valores de PIS a pagar. Informa que tais declarações seriam retificadas; d) por fim, requer a Contribuinte que a Manifestação de Inconformidade seja recebida com efeito suspensivo e que, acolhidas suas alegações, seja homologada a compensação. A DRJ/São Paulo I/SP – 9ª Turma, por meio do Acórdão 1634.862, de 23/11/2011, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2007 DESPACHO ELETRÔNICO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A ausência de valor disponível para eventual restituição ou compensação é circunstância apta a fundamentar a nãohomologação de compensação. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.685729/200984 Resolução nº 3201001.297 S3C2T1 Fl. 144 3 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. PROVAS. MOMENTO PARA SUA APRESENTAÇÃO. As provas devem ser apresentadas pelo contribuinte juntamente com sua impugnação ou manifestação de inconformidade, para serem apreciadas no julgamento de primeira instância, em observância ao disposto no art. 15 do Decreto n.º 70.235, de 1972, a menos que haja atendimento do disposto no parágrafo 4º do art. 16 desse mesmo diploma legal. A empresa então interpôs Recurso Voluntário, onde sustenta: que teria constatado, em junho de 2007, valores pagos indevidamente de Pis em fevereiro de 2007; que procedera à retificação da DCTF para constar o valor correto; reitera diversas vezes que o crédito existe; invoca o princípio da verdade material, e os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. É o relatório. Voto A motivação do Fisco para a não homologação foi que o Darf reclamado como indébito já havia sido utilizado para liquidação de débito confessado em DCTF. O Despacho Decisório foi eletrônico, com a mera conferência de dados em sistema de computação. A recorrente apresenta justificativas adicionais para o direito, na Manifestação de Inconformidade. A decisão recorrida nega o pedido, por falta de apresentação de provas, tais como a escrituração contábil/fiscal. Com efeito, o lançamento/confissão feita em DCTF somente poderia ser desconstituída com prova suficiente, do que não havia se desincumbido a recorrente até a Manifestação de Inconformidade. A escrituração contábil/fiscal difere de meras alegações e planilhas quanto à confiabilidade, posto que possuem requisitos de registros e temporalidade. Além disso, a própria contabilidade não prescinde de ser lastreada em documentos do relacionamento da empresa com terceiros, tais como notas fiscais e contratos, a conferir veracidade ao registro. Esses aspectos da força probante dos documentos são tratados nos artigos 219 e 226 do Código Civil: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.685729/200984 Resolução nº 3201001.297 S3C2T1 Fl. 145 4 (...) Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos. A obrigação de conservar os registros até que prescrevam os direitos reclamados com base neles, consta do Código Tributário Nacional, §único do artigo 195: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Fechando o arcabouço legal pertinente, temse ainda que, em se tratando de pedido de restituição e consequente compensação, o ônus da prova é do contribuinte, conforme art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I do CPC2. Desse modo, é insofismável que a recorrente, até a Manifestação de Inconformidade, não trouxe elementos suficientes para a comprovação do alegado, no que tange aos períodos não homologados. Não obstante, no Recurso Voluntário, a recorrente trouxe demonstrativos e balancetes contábeis. Ainda que não tenha trazido os respectivos lastros, entendo que a nova prova encontra abrigo na dialética processual, como exigência decorrente da decisão recorrida, e por homenagem ao princípio da verdade material, em vista da plausibilidade dos registros dos balancetes. Assim, e com base no artigo 293, combinado com artigo 16, §§4º e 6º4, do PAF – Decreto 70.235/72, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que o Fisco 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 3 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. 4 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.685729/200984 Resolução nº 3201001.297 S3C2T1 Fl. 146 5 tenha a oportunidade de aferir a idoneidade dos balancentes apresentados no Recurso Voluntário, em confronto com os respecivos livros e lastros, conforme o Fisco entender necessário e/ou cabível, e produção de relatório conclusivo sobre as bases de cálculo corretas. Após, a recorrente deve ser cientificada, com oportunidade para manifestação, e o processo deve retornar ao Carf para prosseguimento do julgamento. Marcelo Giovani Vieira Relator b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.904204/2011-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1301-003.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Relator
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2021; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.904204/201117 Recurso nº 1 Embargos Acórdão nº 1301003.090 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2018 Matéria Embargos de Declaração Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado IMAGEMAMA DIAGNÓSTICO POR IMAGEM LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolatase nova decisão para suprila, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, concluise pela alteração no resultado do julgado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 42 04 /2 01 1- 17 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10380.904204/201117 Acórdão n.º 1301003.090 S1C3T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10380.904204/201117 Acórdão n.º 1301003.090 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Transcrevo os trechos de interesse do despacho quando da admissão dos embargos: No julgamento do recurso do processo em epígrafe, entendeu o colegiado em superar os óbices de direito, elencados preliminarmente, pela unidade de origem para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Ato contínuo, entendeuse por bem converter julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem, superadas as questões de direito, procedesse às análises de fato a fim de verificar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Ao final, deveria elaborar relatório circunstanciado, abrindose vista ao contribuinte para que esse, querendo, se manifestasse a respeito das conclusões da autoridade fiscal, e a seguir encaminhasse os autos novamente ao CARF para que pudesse, enfim, decidir sobre o mérito da exigência. Pois bem, assim deliberando, o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. Por essas razões, nos termos do inciso I, do art. 65, do Anexo II do RICARF, oponho os presentes embargos de declaração em razão de omissão, no acórdão embargado, de ponto sobre qual deveria pronunciarse a turma. E, a fim de se evitar burocracia absolutamente desnecessária, tendo em vista que compete ao Presidente do colegiado analisar a admissibilidade dos embargos, já o admito de plano, determinandose o encaminhamento dos autos ao relator do acórdão embargado para relato e inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10380.904204/201117 Acórdão n.º 1301003.090 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.088, de 17.05.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10380.904202/201110, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.088): "Conforme já relatado, no acórdão embargado o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. De fato, no acórdão embargado, o colegiado entendeu por bem superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância. Contudo, ao se determinar, superada a citada preliminar, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. Por essas razões, entendo que o resultado mais adequado para o julgado seria dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para analise o mérito do pedido. Caberá à DRF de origem analisar o mérito do crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas. Saliento que a autoridade fiscal deverá considerar que o IRPJ e a CSLL devem ser apurados mediante aplicação dos coeficientes, respectivamente, de 8% e de 12%, nos termos do acórdão no REsp 1.116.399/BA, decidido sob a sistemática de Recurso Repetitivo do Superior Tribunal de Justiça. Nessa hipótese, eventual indeferimento do pleito do contribuinte, ainda que parcial, poderá ensejar nova apresentação de manifestação de inconformidade, e, se, for o caso, interposição Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10380.904204/201117 Acórdão n.º 1301003.090 S1C3T1 Fl. 6 5 de novo recurso voluntário, garantindo ao contribuinte o pleno exercício de sua defesa. CONCLUSÃO Isso posto, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002165/2010-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1997 a 30/06/1998
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1997 a 30/06/1998 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 65 /2 01 0- 24 Fl. 194DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 19515.002149/201031, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constituiu crédito tributário relativo à contribuição a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT) apuradas com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado." Fl. 195DF CARF MF Processo nº 19515.002165/201024 Acórdão n.º 2201004.175 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018, proferido no julgamento do processo n° 19515.002149/201031, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018: Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre, porém, que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Fl. 196DF CARF MF 4 Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito à defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 19515.002165/201024 Acórdão n.º 2201004.175 S2C2T1 Fl. 4 5 A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. Fl. 198DF CARF MF 6 O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski – Relatora" Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11242.000598/2009-57
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2002 a 31/03/2003
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2002 a 31/03/2003 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 24 2. 00 05 98 /2 00 9- 57 Fl. 184DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11242.000598/200957 Acórdão n.º 9202006.733 CSRFT2 Fl. 183 3 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do Fl. 186DF CARF MF 4 tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11242.000598/200957 Acórdão n.º 9202006.733 CSRFT2 Fl. 184 5 a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de Fl. 188DF CARF MF 6 falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11242.000598/200957 Acórdão n.º 9202006.733 CSRFT2 Fl. 185 7 qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de Fl. 190DF CARF MF 8 dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32 A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11242.000598/200957 Acórdão n.º 9202006.733 CSRFT2 Fl. 186 9 § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 192DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.720575/2014-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2011
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO.
A recusa ou apresentação deficiente de documentos à fiscalização enseja o lançamento de ofício por arbitramento, cabendo à autuada o ônus de apresentar elementos impeditivos, extintivos ou modificativos do direito do fisco de constituir o crédito tributário.
APOSENTADORIA ESPECIAL. ADICIONAL. 13º SALÁRIO
A empresa com atividade que exponha o trabalhador a agentes nocivos químicos, físicos ou biológicos, ou associação desses agentes está sujeita ao pagamento da alíquota adicional do SAT/RAT, em virtude da existência de riscos no ambiente de trabalho.
O adicional ao SAT/RAT incide sobre os valores pagos a título de 13º Salário.
AGENTE NOCIVO. BENZENO. RUÍDO.
A avaliação de riscos do agente nocivo do benzeno é qualitativa e presumida, independente de mensuração, constatada pela simples presença do agente no ambiente de trabalho.
É devida a cobrança de adicional para custeio da aposentadoria especial quando inexistente ou deficiente o gerenciamento dos riscos ocupacionais relacionados à exposição aos agentes nocivos Benzeno e Ruído.
Numero da decisão: 2201-004.405
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO. A recusa ou apresentação deficiente de documentos à fiscalização enseja o lançamento de ofício por arbitramento, cabendo à autuada o ônus de apresentar elementos impeditivos, extintivos ou modificativos do direito do fisco de constituir o crédito tributário. APOSENTADORIA ESPECIAL. ADICIONAL. 13º SALÁRIO A empresa com atividade que exponha o trabalhador a agentes nocivos químicos, físicos ou biológicos, ou associação desses agentes está sujeita ao pagamento da alíquota adicional do SAT/RAT, em virtude da existência de riscos no ambiente de trabalho. O adicional ao SAT/RAT incide sobre os valores pagos a título de 13º Salário. AGENTE NOCIVO. BENZENO. RUÍDO. A avaliação de riscos do agente nocivo do benzeno é qualitativa e presumida, independente de mensuração, constatada pela simples presença do agente no ambiente de trabalho. É devida a cobrança de adicional para custeio da aposentadoria especial quando inexistente ou deficiente o gerenciamento dos riscos ocupacionais relacionados à exposição aos agentes nocivos Benzeno e Ruído.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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BASE DE CÁLCULO. ARBITRAMENTO. A recusa ou apresentação deficiente de documentos à fiscalização enseja o lançamento de ofício por arbitramento, cabendo à autuada o ônus de apresentar elementos impeditivos, extintivos ou modificativos do direito do fisco de constituir o crédito tributário. APOSENTADORIA ESPECIAL. ADICIONAL. 13º SALÁRIO A empresa com atividade que exponha o trabalhador a agentes nocivos químicos, físicos ou biológicos, ou associação desses agentes está sujeita ao pagamento da alíquota adicional do SAT/RAT, em virtude da existência de riscos no ambiente de trabalho. O adicional ao SAT/RAT incide sobre os valores pagos a título de 13º Salário. AGENTE NOCIVO. BENZENO. RUÍDO. A avaliação de riscos do agente nocivo do benzeno é qualitativa e presumida, independente de mensuração, constatada pela simples presença do agente no ambiente de trabalho. É devida a cobrança de adicional para custeio da aposentadoria especial quando inexistente ou deficiente o gerenciamento dos riscos ocupacionais relacionados à exposição aos agentes nocivos Benzeno e Ruído. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 05 75 /2 01 4- 64 Fl. 6323DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório O presente processo trata de Recurso Voluntário em face do Acórdão nº 12 088.930 14ª Turma da DRJ/RJO, fl. 6154 a 6212. O litígio administrativo tem origem em ação fiscal desenvolvida na PETROBRÁS TRANSPORTE SA TRANSPETRO, CNPJ 02.709.449/000159, subsidiária integral da empresa PETRÓLEO BRASILEIRO SA PETROBRÁS, ora recorrente. No decorrer da ação fiscal, constatouse que, no período fiscalizado, havia diversos segurados empregados da PETROBRÁS, cedidos a dois estabelecimentos da TRANSPETRO, expostos, habitual e permanentemente, aos agentes nocivos RUÍDO e BENZENO, do que resultou programação fiscal com vistas a apurar a contribuição adicional para custeio da aposentadoria especial a seu cargo. Do procedimento fiscal instaurado, resultou a lavratura dos autos de infração abaixo descritos: Al n° 51.065.6757 Auto de Infração que apura, por ARBITRAMENTO, a contribuição adicional para custeio de aposentadoria especial, relativamente aos empregados próprios da PETROBRAS cedidos ao estabelecimento 02.709.449/0011 20 Terminal de Cabiúnas TECAB que, no período de 07/2009 a 12/2011, trabalhavam expostos ao agente nocivo RUÍDO acima do Limite de Tolerância e/ou ao agente nocivo BENZENO. (fl. 07) 20.2. Al n° 51.065.6765 Auto de Infração que apura, por ARBITRAMENTO, a contribuição adicional para custeio de aposentadoria especial, relativamente aos empregados próprios da PETROBRAS cedidos à DTM (estabelecimento 02.709.449/000149), que, no período de 07/2009 a 12/2011, exerceram suas atividades nos navios da Frota Nacional de Petroleiros FRONAPE com exposição ao agente nocivo RUÍDO acima do Limite de Tolerância e/ou ao agente nocivo BENZENO. 20.3. Al n° 51.065.6773 Auto de Infração lavrado em decorrência de infração ao disposto no artigo 58, § 4°, da Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991 (publicada no DOU de 25 de julho de 1991), com a redação dada pela Lei n°9.528, de 10 de dezembro de 1997 (publicada no DOU de 11 de dezembro de Fl. 6324DF CARF MF Processo nº 16682.720575/201464 Acórdão n.º 2201004.405 S2C2T1 Fl. 6.324 3 1997), combinado com o artigo 32, inciso III, da Lei n°8.212/1991, com a redação dada pela Lei n° 11.941/2009, combinado com o artigo 68, §§ 6° 9o e 10° do RPS, ou seja, ter deixado a autuada de manter atualizado perfil profissiográfico abrangendo as atividades desenvolvidas pelo trabalhador (Código de Fundamentação Legal CFL 89). Cientificada do lançamento em 26 de agosto de 2014, fl. 07, 95 e 214, inconformado, o contribuinte apresentou, em 25 de setembro de 2014, a impugnação de fl. 5895 a 5978, em que informou o pagamento débito fiscal correspondente ao AI nº 51.065.677 3 e estruturou sua defesa em relação dos demais Autos estruturada nos seguintes temas: Da Ausência de Responsabilidade direta pelos empregados cedidos à empresa subsidiária TRANSPETRO; afirma que não participa absolutamente de nada neste processo, limitandose a endossar as informações que lhes são prestadas pela TRANSPETRO, real responsável pelos empregados cedidos; Da nulidade material dos autos de infração: alega que a autuação foi baseada na análise de documentos fornecidos pela TRANSPETRO, sem que o Agente fiscal estendesse seu trabalho às instalações físicas onde eram desenvolvidas as atividades, nos quais não houve uma única visita, o que seria um imperativo, já que apenas a verificação in loco. do ambiente de trabalho possibilitaria o cumprimento das normas de segurança no trabalho. Com isso, a Autoridade fiscal deixou de perseguir a verdade material dos fatos, lastreando a exigência fiscal na aparência e não no seu efetivo conteúdo, produzindo um auto de infração sem a necessária motivação e sem a certeza da efetiva ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente; Da ilegalidade da base de cálculo arbitrada no caso concreto: sustenta que é ilegal arbitrar uma base de cálculo sem uma análise efetiva das alegadas exposições a ruído e ao benzeno; que a aferição indireta só é possível se a documentação da empresa se mostre inábil para comprobação da ocorrência de fatos geradores, o que não teria ocorrido; Da não obrigatoriedade de recolhimento da contribuição adicional ao SAT no caso concreto: afirma que, no presente caso, inexistem condições ambientais de trabalho que justifiquem a necessidade de pagamento do adicional para financiamento de aposentadoria especial; Do gerenciamento do ambiente de trabalho (inexistência de exposição efetiva): sustenta que a TRANSPETRO não produz Benzeno e seus empregados, inclusive os cedidos, não estão expostos ao Benzeno; que a necessidade do recolhimento do adicional para financiamento de aposentadoria especial não depende da presença de agentes nocivos, mas da efetiva exposição dos trabalhadores a tais agentes; e que a autuação deve comprovar a efetiva exposição dos empregados aos agentes nocivos. Da impossibilidade de adoção de critério qualitativo para Benzeno (aplicação do critério quantitativo): afirma que, como regra, a avaliação da exposição deve ser feita com bale em elementos quantitativos, sendo um equívoco utilizar o critério qualitativo para o agente nocivo Benzeno, já que há regulamentação específica que especifica limites de tolerância; Fl. 6325DF CARF MF 4 Período de docagem dos navios claros e dos seus efeitos à suposta exposição ao agente Benzeno: que não pode prosperar o critério utilizado pela fiscalização de excluir sa autuação referente ao Benzeno apenas os períodos de docagem do navio que tenha durado mais da metade do mês, já que a concessão de aposentadoria especial depende da demonstração de trabalho permanente, não ocasional nem intermitente, em condições especiais que prejudiquem a saúde; que o fato gerador da contribuição adicional é mensal e não poderia o fiscal cobrar a referida contribuição nos meses em que já a interrupção da suposta exposição ao Benzeno, seja esta interrupção igual ou inferior à metade do mês; Da não exposição dos empregados cedidos à TRANSPETRO (TECAM e DMT) ao agente ruído: sustenta que mesmo havendo, caso não fosse adotada nenhuma medida de controle, Grupos Homogêneos de Exposição (GHE) apontados em relatório como sujeitos a ruído acima do limite de 85 Db, os mesmos relatórios indicavam que os funcionários cedidos pela PETROBRÁS tinham sua exposição atenuada para abaixo do limite com a utilização da menor atenuação encontrada em cada GHE; Da inconstitucionalidade da contribuição ao SAT: afirma que tal contribuição somente poderia ser instituída por lei complementar, restando inconstitucional sua criação por lei ordinária; Do erro na determinação da alíquota do adicional de SAT: alega que a autuação equivocouse a apurar a contribuição supostamente devida a partir de uma alíquota nominal de 6%, ao contrário de utilizar este mesmo percentual como adicional à alíquota original do SAT; Da não incidência da contribuição adicional sobre o décimo terceiro salário: sustenta que é inaplicável a exigência da contribuição adicional sobre as parcelas do 13º salário, já que o valor em tela se destina exclusivamente para finalidade de sua instituição, financiar as aposentadorias especiais Da indevida aplicação das multas de ofício em razão da limitação em 20%: Sustenta que, ante a limitação condita na nova redação do art. 35 da Lei 8.521/91, não há que se falar na aplicação de multa de ofício de 75%; Do descabimento de juros sobre multa de ofício: insurgese contra a incidência de juros de mora sobre a penalidade de ofício; Da exclusão da responsabilidade tributária dos responsáveis legais, sócios, diretores, etc: requer a exclusão dos referidos agentes do pólo passivo da autuação. Debruçada sobre os termos da Impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ, julgoua improcedente, lastreada nas razões que podem ser assim resumidas: Das multas aplicadas: (...) O dispositivo citado pela impugnante referese aos recolhimentos espontâneos. Não se aplica aos lançamentos de ofício, regidos pelo art. 35A da Lei 8.212/1991 (...) Dos juros (...) A multa de ofício é regulada por dispositivo específico: artigo 44 da Lei 9.430/1996. Não obstante, aplicamse a ela o Fl. 6326DF CARF MF Processo nº 16682.720575/201464 Acórdão n.º 2201004.405 S2C2T1 Fl. 6.325 5 artigo 61 e seu parágrafo terceiro da Lei 9.430/1996, no que se refere aos juros. (...) Do pedido de exclusão da responsabilidade tributária dos sócios (...) O documento Relatório de Vínculos tem por objetivo apenas listar todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente. (...) Da caracterização da nocividade do ambiente de trabalho e da apuração do crédito fiscal (...) As constatações da Auditoria caracterizam de forma contundente a precariedade do gerenciamento dos riscos ocupacionais. (...) A precariedade do gerenciamento dos riscos fica plenamente caracterizada quando se constata que apesar de o RT 310 indicar em 2004 a presença de benzeno nas atividades de vários trabalhadores em Cabiúnas (alguns com situação crítica de exposição), apenas em 2010 foi realizada nova avaliação de exposição ocupacional ao benzeno no estabelecimento no qual foi identificada situação crítica de exposição. (...) Como visto, embora o RT 309 de31/05/2005 tenha informado a existência de exposição acima do limite de tolerância em diversos GHE, somente foram realizadas novas avaliações de exposição ao agente Ruído em 31/01/2011 a 21/02/2011. Os enormes intervalos entre os exames de exposição ao agente Ruído, constituem eloqüente demonstração de que as informações prestadas pela Transpetro não são confiáveis, vez que baseadas em um número de avaliações extremamente baixo. Além disso, não foi demonstrada a inviabilidade da adoção de medidas de ordem coletiva, para neutralizar os efeitos negativos do agente nocivo. (...) Em virtude do até aqui exposto, fica plenamente caracterizada a exposição ao risco RUÍDO, uma vez que: A utilização de EPI somente é permitida em situações de inviabilidade técnica, insuficiência ou interinidade à implementação do EPC ou em caráter complementar ou emergencial. Desde que registrada no PPP a observância da hierarquia estabelecida no item 9.3.5.4 da NR09 do TEM. Nada disso foi observado. (...) Em virtude do até aqui exposto, também fica caracterizada a exposição ao risco BENZENO, uma vez que: Foi comprovada a presença de benzeno nos navios, e em se tratando de substância sujeita a avaliação qualitativa isso é suficiente para caracterizar a ação daquele agente nocivo sobre os tripulantes. Fl. 6327DF CARF MF 6 Há que se considerar ainda que não foi devidamente comprovado pela Transpetro que o nível da presença de benzeno no ambiente de trabalho é aquele indicado pela Transpetro, uma vez que o número de avaliações realizadas está abaixo daquele considerado conveniente pela própria Transpetro. (...) A Impugnante questionou a constitucionalidade da contribuição adicional ao SAT (os questionamentos constam do item 14 e respectivos subitens de meu relatório). Tratamse de argumentos cuja apreciação é incabível na esfera administrativa, em virtude do disposto no Decreto 70.235 de 06 de março de 1972. (...) Não procede o argumento da Impugnante de que a Auditoria estava inexoravelmente obrigada a inspecionar as instalações da Transpetro, realizando vistorias em seus equipamentos e sistemas de segurança. Em primeiro lugar, deve ser ressaltado que seria absolutamente desnecessária e infrutífera a inspeção física das instalações por parte da Auditoria Fiscal, como sugere a Impugnante. (...) A Auditoria comprovou, através do exame da documentação da Transpetro, o ineficaz gerenciamento dos riscos ocupacionais, bem como que as informações constantes da referida documentação não são confiáveis, o que justifica plenamente o arbitramento, que foi efetuado com estrita observância da decisão trazida aos autos pela Impugnante (...) Interpreto o item 384 do relatório fiscal (acima transcrito pela Impugnante) de forma diametralmente oposta à interpretação da empresa. Percebo que a Auditoria está esclarecendo que considerou para exclusão da exposição ao agente benzeno o mês integral, ou seja, se o período de docagem do navio ultrapassou metade do mês, naquele mês a embarcação não foi considerada na apuração do crédito fiscal. Assim sendo, a Autuada foi beneficiada, pois se em determinado mês uma embarcação ficou 16 dias na doca, aquele navio foi considerado como excluído da exposição ao benzeno durante todo o mês. Em vista do exposto, considero a alegação improcedente. (...) Entende a Impugnante que só cabe a cobrança do adicional de SAT quando houver exposição permanente ao agente nocivo. (...) Para fazer jus à aposentadoria especial o trabalhador deve exercer, de forma não ocasional ou intermitente, função que o exponha a agente nocivo. Por outras palavras, quando comparecer ao serviço, o trabalhador irá necessariamente ser exposto ao agente nocivo, em razões da função que exerça. Nessa hipótese caberá a cobrança do adicional de SAT, ainda que exerça outras funções não sujeitas à nocividade, e isto porque o legislador jamais impôs que o trabalhador permaneça durante toda a jornada de trabalho exposto ao agente nocivo: a condição é que exposição ao agente nocivo seja indissociável da produção do bem ou da prestação do serviço. (...) Fl. 6328DF CARF MF Processo nº 16682.720575/201464 Acórdão n.º 2201004.405 S2C2T1 Fl. 6.326 7 Isto posto, há que ser assinalado que o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula 688 referendando a incidência de contribuição previdenciária sobre o décimo terceiro salário.(...) A Impugnante também questionou as alíquotas aplicadas no cálculo da contribuição adicional ao SAT (...) O termo acrescer significa ajuntar, aditar, adicionar. Assim, na hipótese de ser cabível uma contribuição para o SAT de 3%, sobre a remuneração paga a trabalhador que exerça função que enseje aposentadoria especial com vinte e cinco anos, aquela alíquota de SAT será acrescida (aditada) em seis por cento, resultando na cobrança de uma alíquota total de nove por cento. (...) O entendimento da Impugnante de que o risco BENZENO deve ser apurado mediante critério quantitativo não condiz com a legislação, como demonstro em seguida. (...) A Instrução Normativa INSS 20, de 10 de outubro de 2007, ato normativo vinculante de observância obrigatória na esfera administrativa dispõe expressamente que o benzeno é agente nocivo qualitativo, o que já seria suficiente para rejeitar o argumento do caráter quantitativo do benzeno. No entanto, não me furto de assinalar que a proibição da utilização do benzeno pelas empresas cujas atividades não se enquadrem no item 3 do Anexo XIIA, é absolutamente incompatível com a interpretação de que a nocividade do benzeno deva ser avaliada por critério quantitativo. Cientificado do Acórdão de 1ª Instância administrativa em 10 de juLho de 2017, conforme Termo de Ciência de fl. 19.858, o contribuinte, ainda inconformado, apresentou, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fl. 6223 a 6264, no qual, basicamente, reitera argumentos já expressos em sede de impugnação, os quais serão detalhados no curso do voto a seguir. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por preencher as condições de admissibilidade, conheço do recurso voluntário. PRELIMINARES Ausência de responsabilidade direta pelos empregados cedidos à empresa subsidiária TRANSPETRO A recorrente alega que os empregados citados pela fiscalização teriam sido cedidos, mediante Termo de Cooperação com a TRANSPETRO, objetivando que esta completasse seu quadro de funcionários e adquirisse expertise no ramo de abastecimento. Fl. 6329DF CARF MF 8 Afirma que, pelo instrumento, cedeu os empregados, mas a responsabilidade pelos devidos recolhimentos previdenciários ficou a cargo da cessionária, a TRANSPETRO. Pontuadas as razões da defesa, a Lei 8.212/91 estabelece, em seu artigo 12, que as pessoas físicas que prestam serviços de natureza urbana ou rural, de natureza não eventual, sob subordinação e mediante remuneração são empregados e, nessa condição, integram o rol de segurados obrigatórios da Previdência Social. Já o art. 22 do mesmo diploma legal estabelece a contribuição à Seguridade Social a cargo da empresa, dentre elas aquela destinada ao financiamento do benefício previsto no artigos 57 e 58 da Lei 8.213,91 (aposentadoria especial) e aquele concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Portanto, sendo os trabalhadores empregados da PETROBRÁS, as contribuições decorrentes de tal relação é da empregadora, independentemente dos termos convencionados no citado Termo de Cooperação, já que, salvo disposição em lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes1. Improcedentes os apelos recursais. Rejeito a preliminar arguida. Nulidade por cerceamento de defesa em virtude de indeferimento do pedido de realização de perícia Afirma que o indeferimento do pedido de perícia deixou de considerar princípio de regência obrigatória no processo administrativo fiscal, o da verdade material, cuja observância está vinculada à garantia da estrita legalidade da tributação, já que o tributo somente é devido se o fato da vida real se identificar perfeitamente com alguma hipótese de incidência prevista em lei, razão pela qual não poderiam as autoridades fiscais limitar suas análises em aspectos meramente formais relacionados à apuração de obrigações tributárias. Alega que a Autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos, podendo se valer da realização de diligência sempre quando for necessária a complementação da prova ou o esclarecimento de dúvida relativa aos fatos trazidos no processo. Sustenta que, em nenhum momento, o responsável pela fiscalização foi até ao local onde supostamente os empregados estariam expostos a agentes nocivos, limitandose a analisar documentos apresentados mediante intimações fiscais, não comprovando fato constitutivo do direito de exigir o recolhimento da contribuição previdenciária. Continua a defesa ressaltando que o fato gerador da exigência em tela é a efetiva exposição ao agente nocivo que ensejaria a aposentadoria especial, a qual somente poderia ser aferida com a realização de uma vistoria no local, já que a fiscalização objetivava o atendimento de normas de segurança no trabalho. Resumidas as razões da defesa, temse que não foi o procedimento fiscal instaurado para verificação do cumprimento de normas de segurança no trabalho. Tal ato não compõe a rol de competências da Receita Federal do Brasil e o próprio Relatório Fiscal aponta, 1 Lei 5.172/66 (CTN) Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Fl. 6330DF CARF MF Processo nº 16682.720575/201464 Acórdão n.º 2201004.405 S2C2T1 Fl. 6.327 9 em seu item 4, fl. 216, que o objeto da fiscalização foi a verificação do cumprimento da legislação previdenciária nos estabelecimentos que cita. O agente fiscal, por sua vez, em nada poderia contribuir para a busca da verdade material comparecendo aos locais em que os trabalhadores exercem suas funções, em particular em razão de que a fiscalização, como regra, trata dos fatos geradores ocorridos em momento pretérito e, além disso, como dito, não compete à RFB tal avaliação. Daí a necessidade de socorrerse aos documentos de controle fornecidos pela própria instituição fiscalizada. Veja que o art. 58 da lei 8.213/91 atribui à empresa a obrigação de manter laudos atualizados com referências aos agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho de seus empregados, cujas atividades desenvolvidas devem ser acompanhadas mediante a elaboração e manutenção, sempre atualizada, de perfil profissiográfico. De fato, nos termos da legislação citada pela própria defesa, a Autoridade julgadora pode se valer de diligências ou perícias, mas isso é uma faculdade, podendo ser indeferido o pleito neste sentido se este for julgado desnecessário. Assim, a autuada pode até não concordar com as conclusões a que chegou o Agente fiscal a partir das análises dos documentos apresentados ou mesmo o Julgador, mas não se pode buscar refúgio na alegação de cerceamento do direito de defesa, já que, neste caso, estando regularmente formalizado o lançamento, a obrigação de apresentar elementos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do Fisco de constituir o crédito tributário é do contribuinte. Improcedentes os apelos recursais. Rejeito a preliminar arguida. Da ilegalidade do arbitramento da base de cálculo Afirma a recorrente que o arbitramento realizado para fins de apuração da exigência lançada, motivado pela suposta deficiência da documentação apresentada é ilegal, porque a fiscalização não se desincumbiu de seu ônus probatório de avaliar in loco o estabelecimento fiscalizado. Alega que os estabelecimentos fiscalizados contam com prédios e outros setores onde não há qualquer risco ambiental decorrente de exposição a agentes nocivos e, mais uma vez, em violação à verdade material, a fiscalização pretendeu tributar uma presunção, quando a legislação é clara ao exigir a efetiva exposição do trabalhador ao agente nocivo para configuração da incidência do tributo em questão. Afirma que documentos apresentados pela empresa comprovam que nenhum funcionário estava efetivamente exposto a agente nocivo. Após resumidos os argumentos do recurso neste tema, vêse que Decisão recorrida o enfrentou e indicou, mediante a transcrição parcial do Relatório Fiscal, que restou caracterizada a precariedade do gerenciamento da atividade de risco por parte da TRANSPETRO, justificando o arbitramento do crédito fiscal. Foram citados pelo Julgador de 1ª Instância muitas considerações da Autoridade lançadora, dentre as quais merecem destaque: Fl. 6331DF CARF MF 10 após a análise da documentação e dos esclarecimentos da TRANSPETRO, concluiuse que havia empregados da PETROBRÁS cedidos à TRANSPETRO com exposição habitual e permanente aos agentes nocivos RUÍDO e/ou BENZENO; no período fiscalizado, em relação aos riscos ocupacionais, havia distinção no estabelecimento de empregados atuantes na Sede Administrativa e aqueles embarcados nos navios, com demonstrações ambientais distintas para a TRANSPETRO Sede Administrativa e para a TRANSPETRO DTM foram analisados três conjuntos distintos de documentos: os da Sede Administrativa, os da DTM e os do Terminal de Cabiúnas. nos três conjuntos de demonstrações ambientais apresentados estavam incluídos os empregados próprios da TRANSPETRO e os empregados cedidos pela PETROBRÁS. A partir da análise de tais demonstrações, verificouse que havia empregados da PETROBRAS expostos de forma habitual e permanente na DTM e em Cabiunas, não tendo sido constatada exposição habitual e permanente aos agentes nocivos RUÍDO acima do Limite de Tolerância e/ou BENZENO de empregados da PETROBRAS cedidos à Sede Administrativa; que foram apresentados os Programas de Proteção aos Riscos Ambientais PPRA e o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional PCMSO dos anos base de 2009 a 2011; que o PPRA de 2009 constituiuse de documento genérico que limitouse a reproduzir o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais objeto da Norma Regulamentadora nº 9 NR9 e que, ademais, trouxe uma relação de Grupos Homogêneos de Exposição sem a necessária vinculação dos mesmos aos agentes nocivos envolvidos na atividade, tipo e frequência; que o PPRA de 2010, Cabiunas, tinha texto bastante genérico e apresentava anexo como GHE com a mesma deficiência citada no item precedente; que o PPRA de 2011 era idêntico ao de 2010, inclusive quanto a erros de remissão que cita, apontando que não houve revisão do documento de um ano para o outro; que o PCMO Cabiunas de 2009 trazia a deficiência do PPRA do mesmo período, apresentandose demasiadamente genérico, sem referência a exames e periodicidade dos mesmos por GHE e sem indicação da realização de exame tradicionalmente indicado para trabalhadores expostos ao agente químico Benzeno, embora, em 2004, já haviam sido realizadas avaliações de exposição dos trabalhadores a tal agente nocivo em Cabiunas, nas quais foi identificada situação crítica de exposição ao Benzeno, como apontado para CEMOV ÁREA DE ÓLEO ABERTURA DE CANHÃO; que embora o PCMSO mencionasse integração com co PPRA, verificouse que os exames realizados em um ano não serviram, como seria esperado, para se implementar alterações no ambiente de trabalho no PPRA do ano subsequente; que documentos apresentados à fiscalização tratando sobre o Planejamento Anual de Atividades do PPRA Cabiúnas/Barra do Furado indicavam que apenas 10% das avaliações relativas à caracterização da porcentagem de Benzeno na fase líquida foi concluída e que foram concluídas apenas 20% das avaliações a exposição ocupacional ao Benzeno e a outros agente químicos e que 0% das medidas de controle foram aplicadas, por ter a empresa entendido que não havia evidência de risco ocupacional no TECAB; Fl. 6332DF CARF MF Processo nº 16682.720575/201464 Acórdão n.º 2201004.405 S2C2T1 Fl. 6.328 11 que o relatório de Reconhecimento e Avaliação da Exposição Ocupacional ao Benzeno de junho de 2010, é integrado por uma planilha cuja coluna "média geométrica" aponta que, em todos os GHE analisados (do A ao H), havia exposição ao agente nocivo Benzeno; que relatório apresentado pela empresa indica que foram detectados níveis de ruído superiores a 85db no período de 11/2004 a 03/2005, e que mesmo que fossem utilizados protetores auriculares, para alguns GHE, a exposição permaneceria acima do limite de tolerância; e que, a despeito de tal constatação, novas avaliações somente ocorreram no estabelecimento cabiúnas em janeiro/fevereiro de 2011; que, mesmo diante de tal cenário, identificouse que há setores em que apenas um trabalhador foi submetido a audiometrias, ou mesmo índices de incidência de anormalidade alcançando 40%, 75%, 100% de anormalidades, o que indica que os percentuais não representam uma amostra razoável a conferir confiabilidade de suas conclusões Desnecessário continuar citando as conclusões das Autoridades lançadoras e julgadoras sobre o tema, que, frisese, não foram contestadas pelo recurso voluntário. Afinal, evidente a existência dos agentes nocivos Benzeno e Ruído no ambiente de trabalhado em que os empregados da recorrente executam suas atividades, bem assim evidente a ineficiência e precariedade da gestão dos riscos ambientais por parte da empresa, o que legitima o lançamento por arbitramento, nos termos da IN RFB 971/99, que assim dispõe: Art. 296. A contribuição adicional de que trata o art. 292, será lançada por arbitramento, com fundamento legal previsto no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, combinado com o art. 233 do RPS, quando for constatada uma das seguintes ocorrências: I a falta do PPRA, PGR, PCMAT, LTCAT ou PPP, quando exigíveis, observado o disposto no inciso V do art. 291; II a incompatibilidade entre os documentos referidos no inciso I; III a incoerência entre os documentos do inciso I e os emitidos com base na legislação trabalhista ou outros documentos emitidos pela empresa prestadora de serviços, pela tomadora de serviços, pelo INSS ou pela RFB. Parágrafo único. Nas situações descritas neste artigo, caberá à empresa o ônus da prova em contrário. Improcedentes os apelos recursais. Rejeito a preliminar arguida. MÉRITO Das hipótese de exigência da contribuição adicional de SAT Após citar a legislação correlata, o recorrente afirma que o adicional de contribuição ao SAT se destina ao financiamento de aposentadoria especial, a qual somente fazem jus os trabalhadores que comprovem tanto o tempo de trabalho permanente (não ocasional ou intermitente) em condições especiais que prejudiquem sua saúde ou integridade Fl. 6333DF CARF MF 12 física, como a efetiva exposição aos agentes químicos por meio de apresentação de laudos emitidos por empresa indicando as condições ambientais de trabalho. Com isso, conclui que a concessão de aposentadoria especial, bem assim a necessidade de recolhimento do adicional para o seu financiamento, não depende unicamente da presença de agentes nocivos, mas também da efetiva exposição dos trabalhadores a esses agentes. Como se vê, neste tema, o recorrente busca na legislação uma forma de igualar a obrigação de contribuição das empresas aos requisitos que devem ser comprovados pelos trabalhadores para gozar do benefício previdenciário. Os artigos 57 e 58 da Lei 8.213/91 tratam da matéria e estabelecem obrigações para a empresa e requisitos para reconhecimento do direito para os trabalhadores. Para os trabalhadores, há a previsão de que a concessão da aposentadoria especial dependerá de comprovação pelo segurado, perante o Instituto Nacional do Seguro Social–INSS, do tempo de trabalho permanente, não ocasional nem intermitente, em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante o período mínimo fixado(art. 57, § 3º).. Ademais, prevê o mesmo dispositivo que a comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante formulário, na forma estabelecida pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação trabalhista (art. 58, § 1º). Ou seja, pelo entendimento do recurso, não tendo o trabalhador comprovado que esteve exposto a agentes nocivos, não haveria direito a aposentadoria especial e, consequentemente, a empresa não estaria obrigada ao recolhimento do adicional ao SAT. Ocorre que o empregado somente terá como comprovar o direito ao benefício se o empregador cumprir as exigências que lhe são impostas pela legislação visando à preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, através da antecipação, reconhecimento, avaliação e conseqüente controle da ocorrência de riscos ambientais existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho, tendo em consideração a proteção do meio ambiente e dos recursos naturais2. Naturalmente, o não cumprimento por parte do empregador não afasta a possibilidade de que o empregado, no futuro, recorra ao judiciário para ver reconhecido o seu direito. Assim, para evitar que somente após decorridos, por exemplo, 25 anos, no momento em que, a partir de provocação do aspirante ao benefício da aposentadoria especial, o Estado tenha ciência de que havia trabalhadores sendo submetidos a condições especiais de trabalho sem que o seu empregador contribuísse para o financiamento, devidamente previsto 2 NR 9 9.1.1 Esta Norma Regulamentadora NR estabelece a obrigatoriedade da elaboração e implementação, por parte de todos os empregadores e instituições que admitam trabalhadores como empregados, do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais PPRA, visando à preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, através da antecipação, reconhecimento, avaliação e conseqüente controle da ocorrência de riscos ambientais existentes ou que venham a existir no ambiente de trabalho, tendo em consideração a proteção do meio ambiente e dos recursos naturais. Fl. 6334DF CARF MF Processo nº 16682.720575/201464 Acórdão n.º 2201004.405 S2C2T1 Fl. 6.329 13 em lei, do benefício da aposentadoria diferenciada, é que se justifica que o poder estatal se faça presente para, de forma coercitiva, impor o cumprimento das obrigações dos empregadores, seja pela fiscalização do cumprimento da legislação trabalhista ou da previdenciária. No âmbito previdenciário, é que se desenvolveu a fiscalização ora sob análise, em que, como visto alhures, foi possível identificar a baixa preocupação do empregador com o controle dos riscos ambientais a que estavam submetidos seus funcionários. Mesmo tendo identificado, em algum momentos, a presença de agentes nocivos como o Benzeno ou o Ruído nos locais em que eram exercidas as atividades, não controlou, não avaliou e não antecipou medidas que pudessem promover e preservar a saúde de seus colaboradores. Portanto, diante das constatações fiscais, fica evidente que o contribuinte não demonstrou, como deveria, que o ambiente de trabalho de seus funcionários o desobrigava ao recolhimento do adicional, ressaltando que é seu o ônus da prova, nos termos do § único do art. 296 da IN RFB 971/99. Assim, nego provimento ao recurso voluntário no presente tema. Agente Benzeno Da inexistência de exposição específica Afirma que a TRANSPETRO não produz Benzeno. Com isso, nem seus funcionários próprios nem aqueles cedidos pela PETROBRÁS estão expostos a tal agente. Sustenta, por outro lado, que a mera existência de agentes nocivos não é causa suficiente para ensejar a concessão de aposentadoria especial e a obrigatoriedade de recolhimento do adicional ao SAT e que para efetivo gerenciamento dos riscos do ambiente de trabalho deve ser considerado não só a existência de agentes nocivos, mas as medidas tomadas pela empresa para seu controle e monitoramento. Alega que a IN RFB 971/99, no § 2º do art. 2933, reconhece a inexistência de obrigatoriedade de recolhimento da contribuição adicional ao SAT nas hipóteses em que o contribuinte comprovar a adoção de medidas de proteção que neutralizem ou reduzam a exposição do empregado aos limites legais de tolerância de modo a afastar a concessão de aposentadoria especial. Por fim, a defesa apresenta algumas considerações sobre a legislação relativa às limitações legais de exposição ao agente Benzeno. É inequívoco que, não se configurando direito à concessão de aposentadoria especial, seja em razão das característica da atividade, seja em razão da atenuação dos fatores de risco à saúde e integridade física do trabalhador, não há que se falar em incidência do adicional em tela. 3 IN RFB 971/09 Art. 293. (...) § 2º Não será devida a contribuição de que trata este artigo quando a adoção de medidas de proteção coletiva ou individual neutralizarem ou reduzirem o grau de exposição do trabalhador a níveis legais de tolerância, de forma que afaste a concessão da aposentadoria especial, conforme previsto nesta Instrução Normativa ou em ato que estabeleça critérios a serem adotados pelo INSS, desde que a empresa comprove o gerenciamento dos riscos e a adoção das medidas de proteção recomendadas, conforme previsto no art. 291. Fl. 6335DF CARF MF 14 Entretanto, a autuação sob análise decorre exatamente da inexistência ou imprestabilidade dos documentos apresentados pelo contribuinte para comprovar a sua obrigação de gerenciar os riscos ambientais identificados nos locais em que seus empregados exerciam suas atribuições. Assim, mais uma vez, diante das constatações fiscais, fica evidente que o contribuinte não demonstrou, como deveria, que o ambiente de trabalho de seus funcionários o desobrigava ao recolhimento do adicional, ressaltando que é seu o ônus da prova, nos termos do § único do art. 296 da IN RFB 971/99. Valendo mais uma vez destacar, como visto alhures, foi possível identificar a baixa preocupação do empregador com o controle dos riscos ambientais a que estavam submetidos seus funcionários. Mesmo tendo identificado, em algum momentos, a presença de agentes nocivos como o Benzeno ou o Ruído nos locais em que eram exercidas as atividades, não controlou, não avaliou e não antecipou medidas que pudessem promover e preservar a saúde de seus colaboradores. Da impossibilidade do critério qualitativo para Benzeno. Após considerações sobre a legislação e apresentação de opiniões expressas em pareceres técnicos, o recorrente ressalta que, como regra geral, a avaliação da exposição dos agentes nocivos deve ser feita com base em elementos quantitativos, não se afigurando acertada a utilização do elemento qualitativo para o agente Benzeno. Sustenta que o próprio Ministério da Previdência social, pela Nota Técnica CGMB/DPSSO/SPPS nº 006/2012, externou entendimento de que a presença do agente Benzeno, por si só, não seria prova suficiente para comprovar a existência de exposição/risco ao empregado. Cita entendimentos diversos sobre a matéria, bem assim legislação que estabelece limites de tolerância para o agente nocivo em comento. Assim dispõe a Nota Técnica citada pelo contribuinte em sua defesa: ... a presença do agente Benzeno, por si só, não determina o fator de risco, pois é possível que ele exista no processo produtivo mas não haja fator de risco, porquanto exista um aparato tal de prevenção e proteção que autorize ao responsável técnico pelo PPRA/PPEOB asseverar nesse sentido, juntamente com as evidências epidemiológicas extraídas do Programa de Controle Médito de Saúde Ocupacional PCMSO. Ora, como se vê, nessa questão específica de que trata a NT 006/12, voltamos ao tema tratado no item anterior. A presença do elemento nocivo não é, em si, um problema no caso em tela. O problema é que a empresa não demonstrou aparato de prevenção ou proteção que ateste a eliminação dos efeitos nocivos do agente à saúde dos trabalhadores. Quanto à utilização do critério qualitativo para benzeno, adoto como razão de decidir as conclusões do Conselheiro Cleberson Alex Fries, expressas no Acórdão 2401 000.411, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste CARF: e.2) Agente benzeno (...) 146. A seu turno, a nocividade gerada por agentes químicos não requer, necessariamente, a análise quantitativa de sua Fl. 6336DF CARF MF Processo nº 16682.720575/201464 Acórdão n.º 2201004.405 S2C2T1 Fl. 6.330 15 concentração no ambiente do trabalho, bastando a simples exposição do trabalhador a agentes cancerígenos. 147. O critério qualitativo do risco, ou seja, sem haver exposição efetiva a limite de tolerância, já estava reconhecido pela Instrução Normativa INSS/PRES nº 11, de 20 de setembro de 2006, aplicável no ano de 2007. Reproduzo o conteúdo do seu art. 157: "Art. 157. O núcleo da hipótese de incidência tributária, objeto do direito à aposentadoria especial, é composto de: I nocividade, que no ambiente de trabalho é entendida como situação combinada ou não de substâncias, energias e demais fatores de riscos reconhecidos, capazes de trazer ou ocasionar danos à saúde ou à integridade física do trabalhador; II permanência, assim entendida como o trabalho não ocasional nem intermitente, durante quinze, vinte ou vinte cinco anos, no qual a exposição do empregado, do trabalhador avulso ou do cooperado ao agente nocivo seja indissociável da produção do bem ou da prestação do serviço, em decorrência da subordinação jurídica a qual se submete. § 1º Para a apuração do disposto no inciso I, há que se considerar se o agente nocivo é: I apenas qualitativo, sendo a nocividade presumida e independente de mensuração, constatada pela simples presença do agente no ambiente de trabalho, conforme constante nos Anexos 6, 13, 13A e 14 da Norma Regulamentadora nº 15 (NR15) do Ministério do Trabalho e Emprego MTE, e no Anexo IV do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, para os agentes iodo e níquel; (grifouse) II quantitativo, sendo a nocividade considerada pela ultrapassagem dos limites de tolerância ou doses, dispostos nos Anexos 1, 2, 3, 5, 8, 11 e 12 da NR15 do MTE, por meio da mensuração da intensidade ou da concentração, consideradas no tempo efetivo da exposição no ambiente de trabalho." (...) 148. O Decreto nº 8.123, de 16 de outubro de 2013, ao alterar o art. 68 do RPS, passou a conter expressamente a previsão de aposentadoria especial pela simples exposição do trabalhador a agentes nocivos reconhecidamente cancerígenos em humanos: "Art. 68. (...) § 2º A avaliação qualitativa de riscos e agentes nocivos será comprovada mediante descrição: I das circunstâncias de exposição ocupacional a determinado agente nocivo ou associação de agentes nocivos presentes no ambiente de trabalho durante toda a jornada; Fl. 6337DF CARF MF 16 II de todas as fontes e possibilidades de liberação dos agentes mencionados no inciso I; e III dos meios de contato ou exposição dos trabalhadores, as vias de absorção, a intensidade da exposição, a frequência e a duração do contato. § 3º A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante formulário emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho § 4º A presença no ambiente de trabalho, com possibilidade de exposição a ser apurada na forma dos §§ 2º e 3º, de agentes nocivos reconhecidamente cancerígenos em humanos, listados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, será suficiente para a comprovação de efetiva exposição do trabalhador." (grifouse) (...) 149. No caso do benzeno, o Anexo 13A da NR nº 15 tratao como substância comprovadamente cancerígena, para a qual não existe limite seguro de exposição: "Benzeno 1. O presente Anexo tem como objetivo regulamentar ações, atribuições e procedimentos de prevenção da exposição ocupacional ao benzeno, visando à proteção da saúde do trabalhador, visto tratarse de um produto comprovadamente cancerígeno. (...) 6. Valor de Referência Tecnológico VRT se refere à concentração de benzeno no ar considerada exeqüível do ponto de vista técnico, definido em processo de negociação tripartite. O VRT deve ser considerado como referência para os programas de melhoria contínua das condições dos ambientes de trabalho. O cumprimento do VRT é obrigatório e não exclui risco à saúde. 6.1. O princípio da melhoria contínua parte do reconhecimento de que o benzeno é uma substância comprovadamente carcinogênica, para a qual não existe limite seguro de exposição. Todos os esforços devem ser dispendidos continuamente no sentido de buscar a tecnologia mais adequada para evitar a exposição do trabalhador ao benzeno. (grifouse) (...) 7. Os valores estabelecidos para os VRTMPT são: 1,0 (um) ppm para as empresas abrangidas por este Anexo (com exceção das empresas siderúrgicas, as produtoras de álcool anidro e aquelas que deverão substituir o benzeno a partir de 1º.01.97). 2,5 (dois e meio) ppm para as empresas siderúrgicas." Fl. 6338DF CARF MF Processo nº 16682.720575/201464 Acórdão n.º 2201004.405 S2C2T1 Fl. 6.331 17 150. O direito á aposentadoria especial, no caso da exposição ocupacional ao benzeno, não tem relação com o Valor de Referência Tecnológico (VTR), como quer a recorrente, cujo índice foi construído com a finalidade de subsidiar programas de melhoria contínua das condições dos ambientes de trabalho, não significando a exclusão do direito ao benefício previdenciário nas hipóteses em que houver a exposição inferior a 2,5 ppm, quando mensurado em empresas siderúrgicas. 151. Sem razão, portanto, a recorrente. Assim, tendo em vista que o Julgador de 1ª Instância decidiu neste mesmo sentido e considerando que, nos termos do § único do art. 142 da |Lei 5.172/66 (CTN), a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, julgo irretocável a autuação fiscal bem assim a Decisão recorrida. Do período de docagem dos navios claros e dos seus efeitos quanto à suposta exposição ao agente Benzeno. Afirma o Auto de Infração referente aos empregados cedidos à DTM deve ter a sua base de cálculo retificada na parte atinente à exposição ao Benzeno Alega que, conforme se verifica nos itens 382 a 384 do Relatório Fiscal, a fiscalização reconhece que, durante os períodos de docagem dos navios claros, ainda que a tribulação tenha permanecido a bordo das embarcações, não eram realizadas atividades que gerassem quaisquer níveis de exposição a agentes químicos. No entanto, sustenta que somente foram excluídos da autuação os casos em que os períodos de docagem dos navios claros ultrapassaram à metade do respectivo mês. Sustenta que tal critério não pode prosperar, já que a concessão da aposentadoria especial demanda a comprovação do trabalho permanente, não ocasional ou intermitente, em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física do trabalhador. Sintetizadas as razões do recurso, mister ressaltar que os trabalhadores da autuada, ou mesmo da TRANSPETRO, não são contratados para acompanhamento de uma ou outra navio durante seu período de docagem. O que se pode inferir, em particular do que consta do item 73.2 do Relatório Fiscal, fl. 242, é que o trabalhador atua nas dependências da empresa e, "durante o período de docagem, exercem suas atividades de acompanhamento da manutenção e reparo a bordo dos navios" e que, no curso deste período, não há exposição a agentes químicos. Assim, o raciocínio da Autoridade Lançadora foi no sentido de que, ficando o trabalhador, por mais de 15 dias do mês, à bordo de uma navio claro, haveria de ser esse período desconsiderado em relação à exposição ao Benzeno. Ao contrário, estando o trabalhador embarcado por período inferior à metade do mês, inferese que, no restante do mês, ou seja, na maior parte deste, esteve este mesmo trabalhador exposto ao agente nocivo, já que apenas as dependência internas do navio mostravamse livres do agente nocivo. Assim, entendo que o critério utilizado pela fiscalização é razoável, não havendo motivos que justifiquem a alteração do lançamento. Fl. 6339DF CARF MF 18 Especificamente em relação ao navio DILYA, o recorrente alega que, ainda que mantido o critério de exclusão apenas para os períodos de docagem dos navios claros que tenham durado mais da metade do mês, houve erro na informação do citado navio, pois, ao contrário do período de docagem considerado, 26/07 a 03/11/2010, conforme comprovado pela TRANSPETRO, este período estendeuse até 29/01/2011. Sobre o tema, além do entendimento pessoal do Relator do voto condutor do Acórdão recorrido, o julgador de 1ª Instância acrescentou que "a impugnante alegou que a TRANSPETRO comprovou período de docagem do navio Dilya diverso do indicado pela Auditoria, porém não indicou qual seria a prova apresentada pela Transpetro, e não trouxe aos autos qualquer documento para comprovar o referido período (item 21 do relatório que indica a documentação que acompanha a impugnação)". Mesmo ciente de tal observação, o recurso voluntário não especificou que provas são estas. Assim, considerando que não obtive êxito em localizála no processo, que soma mais de 6000 páginas, entendo irretocável o lançamento e a decisão recorrida. Agente Ruído Da não exposição dos empregados cedidos à TRANSPRETO (TECAB E DTM) Alega a empresa autuada que a fiscalização tomou como base os relatórios técnicos apresentados pela TRANSPETRO. Assegura que, de fato, estes relatórios técnicos apontam níveis de ruído acima do limite de 85db, caso não fosse adotada nenhuma medida de controle. Os mesmos relatórios teriam asseverado que, utilizandose protetores auriculares, mesmos os mais simples, a exposição seria atenuada e retornaria para valores inferiores ao limite estabelecido. Questiona a conclusão da fiscalização de que os protetores auriculares fornecidos pela TRANSPETRO aos empregados cedidos pela PETROBRÁS não poderiam ser aceitos, por não ter sido comprovada a inviabilidade técnica de adoção de medidas proteção coletivas. A Delegacia da RFB de Julgamento indicou todos os pontos do relatório fiscal que apontavam alguma impropriedade no gerenciamento do agente Ruído, das quais, além de algumas já citadas no curso do presente voto, merecem destaque: reduzido número de exames de audiometrias realizados, mesmo em setores que apontam índices elevados de anormalidades; não observação da hierarquia estabelecida no item 9.3.5.4 da NR09 do MTE4 atribuição ao empregado do dever de comunicar ao seu superior que seu EPI estava impróprio para uso e que o critério de substituição baseavase em inspeções visuais; falta de monitoramento das condições de uso do EPI e substituição em periodicidade inadequada; 4 NR 09 9.3.5.4 Quando comprovado pelo empregador ou instituição a inviabilidade técnica da adoção de medidas de proteção coletiva ou quando estas não forem suficientes ou encontraremse em fase de estudo, planejamento ou implantação, ou ainda em caráter complementar ou emergencial, deverão ser adotadas outras medidas, obedecendose à seguinte hierarquia: a) medidas de caráter administrativo ou de organização do trabalho; b) utilização de equipamento de proteção individual EPI. Fl. 6340DF CARF MF Processo nº 16682.720575/201464 Acórdão n.º 2201004.405 S2C2T1 Fl. 6.332 19 falta de treinamento sobre a forma adequada na utilização do EPI; precariedade de gerenciamento dos riscos ocupacionais, identificada a partir reconhecimento da empresa de que não é feito novo reconhecimento de riscos quando ocorrem alterações significativas no ambiente de trabalho. Segue abaixo as conclusões da Auditoria Fiscal sobre a questão: Em face de todas as falhas no gerenciamento dos riscos do estabelecimento Cabiúnas acima apontadas, firmouse convicção de que, no período de 07/2009 a 12/2011, em razão do ineficiente gerenciamento do risco RUÍDO no referido estabelecimento, ocorreu real exposição de diversos empregados próprios da TRANSPETRO e cedidos pela PETROBRAS, que nele atuavam, ao agente físico RUÍDO acima do Limite de Tolerância, de forma habitual e permanente. Portanto, o arbitramento do adicional ao SAT para os funcionários não decorre de uma constatação isolada, mas da convicção já diversas vezes ressaltada no presente voto acerca da precariedade ou inexistência do gerenciamento de riscos ocupacionais. Desta forma, não há razões para se alterar o lançamento ou a decisão recorrida. Do erro na determinação da alíquota do adicional do SAT Sustenta a defesa que as aposentadorias especiais relativas aos trabalhadores sujeitos às condições especiais de trabalho serão financiadas por meio de um adicional de 12, 9 ou 6 pontos percentuais incidentes sobre as alíquotas de 1, 2 e ou 3%. Cita entendimento do Professor Sérgio Brito Martins de que a referida contribuição não é somada à já existente, mas é acréscimo de um percentual sobre os já existentes, exemplificando que, no caso de uma empresa sujeita a uma alíquota de 3% a título de SAT e com agentes que justificariam a concessão de aposentadoria especial em 25 anos, sujeitaria o empregador a uma alíquota de 3,18% [ 3 + (3% x 6%)]. Sobre tais argumentos, agiu bem a Decisão expressamente citar o texto legal que prevê tal adicional. Lei 8.213/91 Art. 57 (...) § 6º O benefício previsto neste artigo será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso II do art. 22 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, cujas alíquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) Não restam dúvidas de que, neste caso, a alíquota originária sofrerá um acréscimo DE doze, nove ou 6 pontos percentuais. Assim, se a alíquota originária, como no Fl. 6341DF CARF MF 20 exemplo citado pelo contribuinte, for de 3%, o acréscimos de 6 pontos percentuais representará uma nova alíquota de 9%. Assim, improcedentes os argumentos recursais. Da não incidência da contribuição adicional sobre o 13º salário. Neste ponto, o recorrente afirmar que a contribuição adicional somente pode incidir sobre parcelas que repercutirão no benefício da aposentadoria especial, pois tratase de um tributo especificamente destinado a custear o pagamento desse benefício. Alega que, segundo o § 3º do art. 29 da Lei 8.21/91, o 13º salário não é considerado no cálculo de qualquer benefício, previsão que, segundo seu entendimento estaria corroborada pelo § 7º do art. 28 da Lei 8.212/91. As alegações do contribuinte, que, em síntese, estão retratadas no parágrafo precedente, encontram neste Relator alguma dificuldade de compreensão. Afinal, pelo argumento expresso, dá a impressão de que o trabalhador beneficiado pela aposentadoria especial não terá direito ao abono natalino. E não é este o caso. Assim como qualquer outro trabalhador, seus rendimentos, inclusive os do 13º, são alcançados pela contribuição previdenciária. Exatamente por resultarem, no futuro, em um direito a aposentadoria que, da mesma forma, pagará ao seu beneficiário 13 parcelas anuais. O citado art. 29, § 3º da Lei 8.213/91 trata do que considera salário benefício, nada tendo a ver com o conceito de salário de contribuição, este sim uma grandeza sobre a qual incide a contribuição devida pelas empresas, nos termos do art. 22 da Lei 8.212/91, que excepciona apenas as parcelas elencadas taxativamente no § 9º do art. 28 do mesmo diploma. O citado § 7º do art. 28 da Lei 8.212/91, ao contrário de corroborar as alegações da defesa, encerram o assunto em seu desfavor, ao prever que o décimoterceiro salário (gratificação natalina) integra o saláriodecontribuição, exceto para o cálculo de benefício, na forma estabelecida em regulamento. Ademais, a Lei nº 8.620/93, prevê: “Art. 7º O recolhimento da contribuição correspondente ao décimoterceiro salário deve ser efetuado até o dia 20 de dezembro ou no dia imediatamente anterior em que haja expediente bancário. (...) 2° A contribuição de que trata este artigo incide sobre o valor bruto do décimo terceiro salário, mediante aplicação, em separado, das alíquotas estabelecidas nos arts. 20 e 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991.” Portanto, não procedem as razões recursais. Da indevida aplicação das multas de ofício em razão da limitação em 20% Retroatividade benigna. Aduz o contribuinte a impossibilidade de aplicação de multa de ofício de 75% nas competências lançadas, antes à expressa limitação contida na nova redação do art. 35 da Lei 8.212/91, com a redação data pela Lei 11.941/09. Fl. 6342DF CARF MF Processo nº 16682.720575/201464 Acórdão n.º 2201004.405 S2C2T1 Fl. 6.333 21 Assim é a nova redação do citado art. 35: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ocorre que a mesma Lei 11.941/99, que incluiu o art. 35A na Lei 8.212/91, que prescrevendo que, nos casos de lançamentos de ofício relativo às contribuições previdenciárias, a penalidade aplicável é aquela prevista no art. 44 da Lei 9.430/96. Tais artigos têm a seguinte redação: Lei 8.212: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Portanto, vêse que, nos casos de lançamento de ofício a penalidade aplicável é aquela prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, restando a penalidade contida no art. 35 da Lei 8.212/91 para os casos em que o recolhimento é efetuado espontaneamente e após o prazo legal, o que não é o caso da exigência discutida no presente processo. Assim, improcedentes os apelos recursais. Conclusão Assim, tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que integram o presente, voto por conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 6343DF CARF MF 22 Fl. 6344DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.721153/2016-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
SÓCIO. ADMINISTRADOR DE FATO. EMPRESAS DO SIMPLES NACIONAL.
A participação no capital, de fato, de pessoa física sócia de outra empresa beneficiária do regime diferenciado e/ou a existência de sócio administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos e o excesso de receita bruta acumulada desde o mês de janeiro/2012, início do período sob fiscalização, caracteriza hipótese de exclusão do SIMPLES NACIONAL.
Numero da decisão: 1301-002.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar argüida, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro), Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausentes justificadamente os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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Recorrente CERTA SERVIÇOS CONTÁBEIS SOCIEDADE SIMPLES EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 SÓCIO. ADMINISTRADOR DE FATO. EMPRESAS DO SIMPLES NACIONAL. A participação no capital, de fato, de pessoa física sócia de outra empresa beneficiária do regime diferenciado e/ou a existência de sócio administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos e o excesso de receita bruta acumulada desde o mês de janeiro/2012, início do período sob fiscalização, caracteriza hipótese de exclusão do SIMPLES NACIONAL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar argüida, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 11 53 /2 01 6- 31 Fl. 668DF CARF MF Processo nº 10920.721153/201631 Acórdão n.º 1301002.968 S1C3T1 Fl. 669 2 convocado em substituição ao Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro), Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausentes justificadamente os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 0739.441, proferido pela 3ª Turma da DRJ/FNS, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra a exclusão da Interessada do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01 de fevereiro de 2012, conforme consta nos atos administrativos que precederam a exclusão (Relatório Fiscal e Despacho Decisório SAORT nº 237/2016) e no próprio ato de exclusão, o Ato Declaratório Executivo DRF/JOI nº 18, de 10 de maio de 2016. Segundo o referido Ato: Art. 1º Excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES Nacional – a pessoa jurídica CERTA SERVIÇOS CONTÁBEIS S/S EPP, CNPJ nº02.587.242/000159, por PARTICIPAR DE SEU CAPITAL PESSOA FÍSICA SÓCIA DE OUTRA EMPRESA BENEFICIÁRIA DO REGIME JURÍDICO DA LEI COMPLEMENTAR Nº 123/2006, E POSSUIR SÓCIO ADMINISTRADOR DE OUTRA PESSOA JURÍDICA COM FINS LUCRATIVOS, SENDO QUE A RECEITA BRUTA GLOBAL AUFERIDA EXTRAPOLA O LIMITE ESTABELECIDO, sendo vedada sua permanência naquele regime diferenciado nos termos do § 2º do inciso I do artigo 2º, dos incisos I, IV e VI do artigo 15, dos itens 1 e 2 da alínea “c” do inciso II do artigo 73 e do inciso I do artigo 76 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Art. 2º A exclusão surtirá efeito a partir de 1º de fevereiro de 2012 conforme disposto no item 2 da alínea “c” do inciso II do artigo 73 da Lei Complementar no 123/2006. O ato de exclusão da Interessada do Simples Nacional foi formalizado em função de Representação Fiscal para Exclusão de Ofício do Simples Nacional (acostado em Relatório Fiscal, no processo) que apontou as causas originárias da exclusão. Fl. 669DF CARF MF Processo nº 10920.721153/201631 Acórdão n.º 1301002.968 S1C3T1 Fl. 670 3 A seguir, excertos desta Representação: Em procedimentos fiscais realizados nas empresas ACTTIVITÁ SERVIÇOS CONTÁBEIS – SOCIEDADE SIMPLES EPP (ACTTIVITÁ), CNPJ 00.099.906/000105, e CERTA SERVIÇOS CONTÁBEIS – SOCIEDADE SIMPLES EPP (CERTA), CNPJ 02.587.242/000159, constatouse que: a) a ACTTIVITÁ e a CERTA constituem grupo econômico de fato, pois estão sob o mesmo controle e administração dos irmãos JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA e JOÃO CARLOS DE OLIVEIRA, combinam esforços, compartilham recursos materiais e humanos para prestar os mesmos serviços contábeis e afins, e, incorrem, entre elas, em confusão patrimonial; b) ambas são optantes pelo Simples Nacional (Lei Complementar nº 123/2006) desde 01/01/2009, data da vigência das alterações da Lei Complementar nº 128/2008, com as opções realizadas em 23/01/2009, e; c) em todos os exercícios o faturamento combinado das empresas ultrapassam os limites fixados para o Simples Nacional. 2. A seguir, os fatos e fundamentos que embasam estas afirmações: 3. DO ENCERRAMENTO FORMAL DAS PARTICIPAÇÕES CRUZADAS DOS SÓCIOS NAS EMPRESAS VISANDO OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. 3.1. Examinandose os contratos sociais e alterações contratuais posteriores das empresas ACTTIVITÁ e CERTA, verificase que: 3.1.1. Tanto a ACTTIVITÁ, constituída em 10/05/1994, quanto a CERTA, constituída em 18/05/1998, tinham os mesmos sócios originais, os irmãos JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA e JOÃO CARLOS DE OLIVEIRA, o primeiro detendo parcela majoritária das cotas das empresas e os dois com poderes de administração; 3.1.2. Em alterações posteriores estas sociedades de irmãos são formalmente desfeitas. Com efeito, na CERTA, com a 1ª alteração contratual em 15/12/2003, o sócio JOSÉ CARLOS se retira da sociedade, substituído por 2 novas sócias, sendo que o sócio original remanescente JOÃO CARLOS passa a ser majoritário. Na ACTTIVITÁ, com a 5ª alteração contratual ocorrida em 19/01/2009, quem se retira é o sócio JOÃO CARLOS, substituído por nova sócia com participação irrisória de 242 cotas de um total de 55.000 cotas (de R$ 1,00), equivalente e 0,44% do total, cabendo ao sócio original remanescente, JOSÉ CARLOS, o restante; Fl. 670DF CARF MF Processo nº 10920.721153/201631 Acórdão n.º 1301002.968 S1C3T1 Fl. 671 4 3.1.3. Ambas têm por objeto a PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE CONTÁBEIS E AFINS. 3.2. Com a edição da LC nº 128/2008, a partir 01/01/2009 os escritórios contábeis optantes pelo SIMPLES NACIONAL passam a usufruir da tributação do ANEXO III da LC nº 123/2006. 3.3. Conforme consulta ao portal do SIMPLES NACIONAL, no dia 23/01/2009 as empresas ACTTIVITÁ e CERTA, até então optantes pelo Lucro Presumido, fazem opção pelo SIMPLES NACIONAL a partir do exercício 2009. 3.4. O que merece destaque aqui é o fato dos eventos do item 3.1.2 (fim das participações cruzadas dos sócios nas empresas) ter permitido a elas a opção pelo SIMPLES NACIONAL, sendo que o descruzamento na ACTTIVITÁ se deu na mesma época da opção pelo SIMPLES NACIONAL, em 19/01/2009 e 23/01/2009, respectivamente. 3.5. Com efeito, sem esta manobra formal as empresas ACTTIVITÁ e CERTA não poderiam aderir ao SIMPLES NACIONAL, pois encontrariam as vedações dos itens III e V do § 4º do artigo 3º da LC 123/2006, visto que o faturamento combinado das empresas, de R$ 2.914.124,84 em 2008, superava os limites do regime simplificado. Consequentemente não poderiam usufruir da tributação do ANEXO III da LC nº 123/2006, com alterações trazidas pela LC nº 128/2008. 4. DA CARACTERIZAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO. 4.1. Examinandose os documentos contábeis das empresas ACTTIVITÁ e CERTA, verificase que o fim das participações cruzadas dos sócios irmãos nestas empresas em 2009 e 2003 foi meramente formal, visando a adesão ao SIMPLES NACIONAL, pois, de fato, as empresas continuavam integrando o mesmo grupo econômico, com administração comum, combinação de esforços, compartilhamento de recursos e ocorrência de confusão patrimonial. A seguir, os elementos que levam a esta constatação: 4.2. AS EMPRESAS FUNCIONAM EM SALAS DO SÓCIO MAJORITÁRIO DA ACTTIVITÁ. 4.2.1. Conforme instrumentos societários, a ACTTIVITÁ está estabelecida nas salas 1701, 1703, 1705, 1707 e 1708 do edifício DEVILLE, localizado à Rua Dona Francisca, nº 260, Bairro Centro, Joinville, SC. A CERTA está nas salas 1201, 1205, 1207 e 1209 do mesmo edifício. Pois bem, conforme informações das Declarações do Imposto de Renda da Pessoa Física DIRPFs 2011/2012 e seguintes de JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA, ele é o proprietário de todas as salas ocupadas pelas empresas ACTTIVITÁ e CERTA. Fl. 671DF CARF MF Processo nº 10920.721153/201631 Acórdão n.º 1301002.968 S1C3T1 Fl. 672 5 4.2.2. A ACTTIVITÁ pagas os aluguéis ao proprietário JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA, conforme contratos de locação e Declarações do Imposto sobra a Renda Retido na Fonte DIRFs. Já a CERTA, conforme contratos de locação, movimento contábil e DIRFs, paga os aluguéis à BENIGNA BUSSOLO DE OLIVEIRA, cônjuge do proprietário das salas. 4.2.3. Este fato das empresas ocuparem salas de propriedade do sócio majoritário da ACTTIVITÁ, isoladamente, não caracteriza formação de grupo econômico. Entretanto, isso serve para reforçar os fatos expostos a seguir. 4.2.4. O exposto neste tópico foi extraído de cópias dos contratos sociais e alterações (anexos II e XII), contratos de locação (anexos III e XIII), livros razões da CERTA (anexo XIX), DIRPFs do proprietário e DIRFs. 4.3. CLIENTES COMUNS. 4.3.1. Selecionandose os registros de serviços prestados pelas empresas ACTTIVITÁ e CERTA com valores acima de R$ 2.999,99, no período 01/2012 a 09/2015, chegase a 13 clientes, que são responsáveis por 60,4% do faturamento auferido pelas empresas (R$ 12.707.225,68 de R$ 21.035.953,67). 4.3.2. Pois bem, o que se constata é que a maioria destes clientes (8 de 13) tomaram serviços de ambas as empresas em questão, seja de forma simultânea ou sequencial. 4.3.3. À guisa de exemplos temos: a tomadora ATHLETIC WAY, que no período 01/2012 a 04/2014 contratou apenas a ACTTIVITÁ, nos períodos 05/2014 a 06/2014 e 03/2015 a 08/2015 contratou ambas em todos os meses e, nos períodos 07/2014 a 02/2015 e 09/2015, apenas a CERTA; a N CORREIA, que no período 02/2012 a 06/2014 contratou apenas a ACTTIVITÁ, nos meses 01/2015 e 05/2015 contratou ambas as empresas e, nos períodos 07/2014 a 12/2014 e 02/2015 a 05/2015, apenas a CERTA; a SICTELL, que nos períodos 01/2014 a 05/2014 e 03/2015 a 09/2015 contratou apenas a ACTTIVITÁ e, no período 06/2014 a 02/2015 contratou em todos os meses ambas as empresas, e; a UNIVERSAL FITNESS, que no período de 01/2012 a 07/2013 contratou apenas a ACTTIVITÁ, nos períodos 08/2013 a 08/2014 e 12/2014 a 08/2015 contratou ambas as empresas em todos os meses e, nos períodos de 09/2014 a 11/2014 e 09/2015, apenas a CERTA. 4.3.4. O fato dos clientes contratarem ambas as empresas para serviços de contabilidade, em especial as situações incomuns de contratações concomitantes num certo período, indica que os clientes consideram ACTTIVITÁ e CERTA um empreendimento em comum. 4.3.5. Tais informações foram extraídas dos livros de registro de serviços prestados das empresas ACTTIVITÁ e CERTA e estão Fl. 672DF CARF MF Processo nº 10920.721153/201631 Acórdão n.º 1301002.968 S1C3T1 Fl. 673 6 demonstradas na planilha “Relação de NFE de Serviços Prestados com Valores > R$ 2.999” (anexo X). 4.4. GASTOS COM PROPAGANDA E PUBLICIDADE APENAS NA ACTTIVITÁ. 4.4.1. No período 01/2012 a 09/2015 a ACTTIVITÁ registrou, segundo seu movimento contábil, as seguintes despesas com propaganda e publicidade: [...] 4.4.2. A CERTA, no mesmo período de 01/2012 a 09/2015, não registrou um único centavo de gasto desta natureza. 4.4.3. Tratase de um elemento a indicar combinação de esforços e compartilhamento de recursos posto que apenas uma das empresas desembolsa recursos para se promover e atrair clientes que, como exposto no tópico anterior contratam serviços contábeis de ambas as empresas. 4.4.4. As informações foram extraídas dos livros razões (anexos IX e XIX) e livros diários com balancetes analíticos (anexos VIII e XVIII). 4.5. SERVIÇOS DE CONFECÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS SEM CONTRAPARTIDA. 4.5.1. As capas dos livros diários e razões da CERTA, de 2012, 2013 e 2014 (nºs 15, 16 e 17) trazem préimpressos, no canto inferior direito, os dizeres “ACTTIVITÁ Contabilidade”. Isto indica que a confecção dos livros contábeis da CERTA dos períodos 2012, 2013 e 2014 foi realizada pela ACTTIVITÁ ou à sua ordem. Ocorre que no movimento contábil da CERTA não há qualquer despesa afim com serviços de terceiros, nem há a respectiva receita no movimento contábil da ACTTIVITÁ, indicando que estes serviços foram prestados sem a contrapartida. 4.5.2. O fato de uma empresa (ACTTIVITÁ) prestar serviços de confecção de livros contábeis à outra (CERTA) sem a devida remuneração indica combinação de esforços, compartilhamento de recursos e confusão patrimonial, elementos que caracterizam um grupo econômico. 4.5.3. Cópias dos livros diários com balancetes analíticos e razões da CERTA, incluindo as capas (anexos VXIII e XIX), corroboram o exposto aqui. 4.6. COMPARTILHAMENTO DE PROFISSIONAL CONTÁBIL SEM CONTRAPARTIDA. 4.6.1. Verificase que todos os livros diários e razões, do período 01/2012 a 09/2015, tanto da ACTTIVITÁ quanto da CERTA, são assinados, na condição de profissional contábil responsável, pelo Técnico Contábil ANDRÉ GIOVANE TAVARES, CRC 1SC 030538/O3. Fl. 673DF CARF MF Processo nº 10920.721153/201631 Acórdão n.º 1301002.968 S1C3T1 Fl. 674 7 4.6.2. Conforme instrumentos societários, ANDRÉ GIOVANE TAVARES é sócio minoritário e administrador da ACTTIVITÁ desde 27/05/2009 (data da 6ª alteração contratual). De outro lado, ANDRÉ GIOVANE TAVARES, neste período, não teve qualquer vínculo, seja de emprego, de prestação de serviços autônomos ou societário, com a CERTA. 4.6.3. Não se verificou, também, nos movimentos contábeis da ACTTIVITÁ e CERTA, qualquer prestação de serviços contábeis e afins entre elas (conforme já exposto no tópico anterior). 4.6.4. O fato do profissional pertencente aos quadros da ACTTIVITÁ como sócio administrador prestar serviços profissionais à CERTA indica que as empresas compartilham esta mãodeobra, apontando existência do grupo econômico. Já o fato de não haver registro da contrapartida pelos serviços prestados caracteriza confusão patrimonial, reforçando os elos do grupo econômico. 4.7. COMPARTILHAMENTO DE RECURSOS NO PREPARO E ENTREGA DAS DIRFS. 4.7.1. Consultandose as DIRFs da ACTTIVITÁ e da CERTA, dos períodos 2011/2012 a 2014/2015, disponíveis no sistema, verificase os seguintes dados do “responsável pelo preenchimento da declaração”: 4.7.1.1. DIRFs da ACTTIVITÁ e da CERTA de 2011/2012 e 2012/2013: Fl. 674DF CARF MF Processo nº 10920.721153/201631 Acórdão n.º 1301002.968 S1C3T1 Fl. 675 8 4.7.2. Estes dados indicam que as DIRFs dos 4 períodos (2011/2012 a 2014/2015) das empresas ACTTIVITÁ e CERTA foram preenchidas e enviadas a partir da estrutura da ACTTIVITÁ, conforme apontam os telefones e correios eletrônicos. Já a pessoa responsável pelo preenchimento, no 1º e 2º períodos (2011/2012 e 2012/2013) foi JOÃO CARLOS DE OLIVEIRA, tanto da ACTTIVITÁ quanto da CERTA e, nos 3º e 4º períodos, foi ANDRÉ GIOVANE TAVARES, também das 2 empresas. Fl. 675DF CARF MF Processo nº 10920.721153/201631 Acórdão n.º 1301002.968 S1C3T1 Fl. 676 9 4.7.3. Pois bem, JOÃO CARLOS DE OLIVEIRA, após o fim das participações cruzadas exposto no tópico 3 (em 19/01/2009), manteve vínculo formal apenas com a CERTA, como seu sócio e administrador, sem qualquer vínculo (de emprego, de prestação de serviços autônomos ou societário ) com a ACTTIVITÁ. Já ANDRÉ GIOVANE TAVARES, conforme exposto tópico 4.6, tem vínculo apenas com a ACTTIVITÁ, como sócio minoritário e administrador, sem qualquer vínculo (de emprego, de prestação de serviços autônomos ou societário) com a CERTA. 4.7.4. Como já exposto nos tópicos 4.5 e 4.6, não há nos livros contáveis da ACTTIVITÁ e da CERTA qualquer registro de receita/despesa por prestação/tomada de serviços contábeis e afins entre elas. 4.7.5. O fato de se utilizar a estrutura da ACTTIVITÁ para preparo e entrega das DIRFs da CERTA indica compartilhamento de estrutura administrativa. Já os fatos de se apontar o sócio administrador da CERTA com pessoa responsável pelo preenchimento das DIRFs da ACTTIVITÁ entregues em 2012 e 2013, e, o sócio administrador da ACTTIVITÁ como pessoa responsável pelo preenchimento das DIRFs da CERTA entregues em 2014 e 2015, indicam compartilhamento de mãodeobra. 4.7.6. Este compartilhamento de estrutura administrativa e de mãodeobra implica ocorrência de grupo econômico. O fato de não se registrar a contraprestação pelo uso dos recursos compartilhados caracteriza confusão patrimonial, reforçando os laços do grupo econômico. 4.7.7. Cópias das telas “Consulta única/Informações do responsável pelo preenchimento da declaração” das DIRFs (anexos VI e XVI), contratos sociais e alterações posteriores (anexos II e XII), telas CNIS/Vínculos de JOÃO CARLOS e ANDRÉ GIOVANE (anexo XX) e livros diários incluindo balancetes analíticos e razões (anexos VIII, IX, XVIII e XIX) são bases do exposto. 4.8. COMPARTILHAMENTO DE RECURSOS NO PREPARO E ENTREGA DAS GFIPS. 4.8.1. Consultandose as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIPs das empresas ACTTIVITÁ e da CERTA, disponíveis no sistema, relativas às competências 01/2012 a 09/2015, obtêmse, na tela “Informações de “remessa / Responsável”: Fl. 676DF CARF MF Processo nº 10920.721153/201631 Acórdão n.º 1301002.968 S1C3T1 Fl. 677 10 4.8.2. Destas informações se infere que todas as GFIPs do período 01/2012 a 09/2015, tanto da ACTTIVITÁ quanto da CERTA, foram preparadas e entregues pela estrutura da ACTTIVITÁ, conforme 1ª, 2ª, 7ª e 10ª linhas acima, sempre tendo como contato “CÁTIA VASCONCELLOS”. 4.8.3. Pois bem, consultandose o sistema CNIS/Vínculos verificase que CÁTIA ROSANE HAMMAN VASCONCELOS foi/é empregada da ACTTIVITÁ nos períodos de 01/11/2000 a 14/05/2002, 02/12/2002 a 21/07/2004, 05/01/2005 a 18/07/2006, 01/02/2007 a 10/08/2014 e 29/10/2015 em diante, e, foi empregada da CERTA no período 01/09/2014 a 25/10/2015. 4.8.4. Não há nos livros contáveis da ACTTIVITÁ e da CERTA qualquer registro de receita/despesa por prestação/tomada de serviços contábeis e afins, inclusive de RH, entre elas. 4.8.5. O fato de se utilizar a estrutura da ACTTIVITÁ para elaboração/entrega das GFIPs da CERTA (considerando que isto é uma atividade afim ao seu objeto social) aponta para a ocorrência de grupo econômico face a combinação de esforços e compartilhamento da estrutura. A omissão de contrapartida pelo recurso compartilhado implica confusão patrimonial, reforçando os laços entre as empresas do grupo econômico. 4.8.6. Já o fato da pessoa CÁTIA ROSANE HAMMAN VASCONCELOS (empregada registrada na CERTA no período 01/09/2014 a 25/10/2015, e na ACTTIVITÁ antes e depois deste período), constar como “Nome de Contato” em todas as GFIPs da ACTTIVITÁ e da CERTA indica compartilhamento de mão Fl. 677DF CARF MF Processo nº 10920.721153/201631 Acórdão n.º 1301002.968 S1C3T1 Fl. 678 11 deobra entre as empresas, corroborando as teses expostas no parágrafo anterior. 4.8.7. O exposto se baseia em cópias das telas “Informações de remessa/Responsável” de GFIPs das empresas (anexos VII e XVII, por amostragem), tela CNIS/Vínculos de CÁTIA ROSANE (anexo XX) e livros (anexo XX) e livros diários incluindo balancetes analíticos e razões (anexos VIII, IX, XVIII e XIX). 4.9. TESTEMUNHA E MODELO ÚNICO DOS CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS [...] 4.10. DA CONCLUSÃO ACERCA DO GRUPO ECONÔMICO DE FATO. 4.10.1. Diante do exposto, concluise que as empresas ACTTIVITÁ e CERTA constituem um grupo econômico de fato, pois estão sob o mesmo controle e administração dos irmãos JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA e JOÃO CARLOS DE OLIVEIRA, combinam esforços, compartilham recursos materiais e humanos para prestar os mesmos serviços contábeis e afins, e, incorrem, entre elas, em confusão patrimonial. 4.10.2. Estas empresas, em alterações contratuais em 15/12/2003 e 19/01/2009, eliminaram formalmente os vínculos entre elas com o encerramento das participações cruzadas dos sócios irmãos. Entretanto, verificações fiscais indicam que elas continuaram operando como antes. 4.10.3. Tal constatação decorre dos seguintes fatos, tomados em conjunto : a) mesmo ramo de atuação – serviços contábeis; b) ocupação por ambas de salas comerciais de um único proprietário, que é sócio majoritário da ACTTIVITÁ; c) a maioria dos grandes clientes são comuns às duas empresas; d) gastos com propaganda e publicidade a cargo de apenas uma das empresas –ACTTIVITÁ, indicando que ambas usufruem destes gastos; e) compartilhamento de serviços de confecção de livros contábeis, sem contrapartida; f) compartilhamento de profissional contábil, sem contrapartida; g) compartilhamento de recursos para preparo e entrega de DIRFs, sem contrapartida; h) compartilhamento de recursos para preparo e entrega de GFIPs, sem contrapartida, e; i) testemunha e modelo único dos contratos de prestação de serviços. 4.10.4. Este modo de atuação em grupo econômico, em especial a confusão patrimonial pelo compartilhamento de recursos materiais e humanos sem a devida contrapartida, só é possível se a administração for comum e a propriedade também, ou seja, das mesmas pessoas. Só desse modo é plausível que uma empresa preste serviços para outra sem exigir remuneração ou que ceda sua estrutura e/ou mãodeobra para outra sem esta exigência. [...] Fl. 678DF CARF MF Processo nº 10920.721153/201631 Acórdão n.º 1301002.968 S1C3T1 Fl. 679 12 6. DA CONCLUSÃO DESTA REPRESENTAÇÃO 6.1. Encerrase esta representação concluindo que os irmãos JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA e JOÃO CARLOS DE OLIVEIRA são os proprietários comuns e administradores de fato das empresas ACTTIVITÁ e CERTA, mesmo após as alterações contratuais (em 15/12/2003 na CERTA e em 19/01/2009 na ACTTIVITÁ) que encerraram esta situação. Estas alterações formais não refletiram no quadro fático (conforme conclusão do subtópico 4.9) e tiveram apenas o intuito driblar as vedações à opção pelo SIMPLES NACIONAL, visto que o faturamento combinado das empresas foi, conforme tópico 5, em todos os períodos, superior aos limites do regime simplificado. 6.2. Com efeito, desde 01/01/2009 ambas as empresas são optantes pelo SIMPLES NACIONAL (LC 123/2006, com alterações da LC 128/2008). 6.3. Os indícios destas irregularidades vêm desde a época da opção pelo SIMPLES NACIONAL, entretanto, conforme anexos, foram provados a partir do período inicial da fiscalização (01/01/2012). 6.4. Logo, a ACTTIVITÁ e a CERTA se enquadram nas vedações dos itens III e V do § 4º do artigo 3º da LC nº 123/2006, sendo irregular sua opção e permanência no SIMPLES NACIONAL. Havendo omissão das empresas em comunicar suas exclusões obrigatórias (inciso II do artigo 30 da LC nº 123/2006), sujeitam elas à exclusão de ofício com base no inciso I do artigo 29 da LC nº123/2006, com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva (inciso II do artigo 31 da LC nº 123/2006). 6.5. Em face do exposto PROPONHO o encaminhamento da presente Representação à Seção de Orientação e Análise Tributária – SAORT da DRF de JOINVILLE/SC, para que seja determinada a exclusão do contribuinte CERTA SERVIÇOS CONTÁBEIS – SOCIEDADE SIMPLES EPP, CNPJ 02.587.242/000159, do SIMPLES NACIONAL, com efeitos a partir de 01/02/2012. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Inconformada com o ato de exclusão, a Interessada apresentou sua Manifestação de Inconformidade, que ora se resume: que o Ato Declaratório n. 18 exclui a recorrente do Simples e para tanto justificou tal medida em dispositivo legal SEM CONSONÂNCIA COM A REALIDADE DOS FATOS; transcreve o art.10 do decreto 70.235/72 para concluir que o ato administrativo não atendeu ao requisito legal do inciso IV deste artigo (a disposição legal infringida); discorre sobre a definição de grupo econômico encontrada na Lei das S/A; que a existência de grupo econômico não foi Fl. 679DF CARF MF Processo nº 10920.721153/201631 Acórdão n.º 1301002.968 S1C3T1 Fl. 680 13 comprovado, já que o resultado da fiscalização apontou apenas para “indícios” e não PROVAS CONCRETAS; que não há confusão societária nas empresas, já que cada uma tem seus sócios individuais e independentes; o fato de um irmão alugar salas comerciais para uso da empresa de outro irmão e pagar aluguel por isso não pode ser considerado elemento de convicção de que exista grupo econômico; não se pode concluir assim, também, só pelo fato de ambas as empresas prestarem serviços contábeis para clientes comuns, que houve o devido pagamento para as duas empresas; Serviços de Confecção de Livros Contábeis Compartilhamento de Profissional Contábil Compartilhamento de Recursos no Preparo e Entrega das DIRF’S Compartilhamento de Recursos no Preparo e Entrega de GFIPS que estes quatro tópicos combinados entre si revelam a realidade das empresas que realizam permuta, com o objetivo de minimizar custos operacionais e financeiros; que a permuta realizada entre as empresas são de mesmo valor, não havendo perdas nem ganhos, apenas empate, o que também não gera qualquer tipo de tributação; impugna também a pretensão da fiscalização em querer o efeito retroativo da exclusão, gerando efeitos nos exercícios de 2012, 2013, 2014, 2015 e 2016; que tal efeito só poderia ocorrer após a emissão do Ato Declaratório, que só teve ciência em 31/05/2016; que o art.146 do CTN veda tal efeito retroativo; desta forma, o disposto no artigo 15, II da Lei 9.316/96, que prevê a exclusão do SIMPLES surtirá efeito a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, não se aplica a este caso, já que o contribuinte não atende aos requisitos a partir de determinado marco temporal, não estabelecendo, assim, nova situação e, portanto, não cabendo o reconhecimento retroativo das diferenças de recolhimento de tributos, bem como os efeitos previstos no ordenamento jurídico; Na seqüência, foi proferido o acórdão recorrido, pela 3ª Turma da DRJ/FNS, com o seguinte ementário: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 Sócio. Administrador de Fato. Empresas do Simples Nacional. Fl. 680DF CARF MF Processo nº 10920.721153/201631 Acórdão n.º 1301002.968 S1C3T1 Fl. 681 14 A participação no capital, de fato, de pessoa física sócia de outra empresa beneficiária do regime diferenciado e/ou a existência de sócio administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos e o excesso de receita bruta acumulada desde o mês de janeiro/2012, início do período sob fiscalização, caracteriza hipótese de exclusão do SIMPLES NACIONAL. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Após intimado (fls. 585), a empresa autuada apresenta, tempestivamente, seu Recurso Voluntário, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. O recurso apresentado pela autuada é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dele conheço. Como relatado, através do Ato Declaratório Executivo nº 18, de 10 de maio de 2016, a recorrente foi excluída do regime simplificado de pagamentos de tributos denominado de Simples Nacional, com efeito a partir de 1º de fevereiro de 2012. A acusação fiscal é de que a empresa recorrente e a Acttivitá constituem uma só empreendimento, sob o mesmo controle e administração dos irmãos José Carlos de Oliveira e João Carlos de Oliveira, que combinam esforços, compartilham recursos materiais e humanos para prestar os mesmos serviços contábeis e afins, e, incorrem, entre elas, em confusão patrimonial. Pontua a fiscalização que ambas são optantes pelo Simples Nacional (LC 123/2006) desde 01/01/2009, data da vigência da LC nº 128/2008, com as opções realizadas em 23/01/2009, e que em todos os exercícios o faturamento combinado das empresas ultrapassam os limites fixados para o Simples Nacional. A fiscalização reuniu os seguintes elementos fáticos: 1) Participação cruzada dos sócios na Acttivitá e da Certa, que foram somente formalmente encerradas em 2003 e 2009, visando somente a opção pelo Simples; 2) O sócio majoritário da Acttivitá é proprietário de todas as salas ocupadas pela Acctivitá e certa; 3) As empresas possuem clientes comuns com contratações concomitantes; 4) Somente a empresa Acttivitá tem gastos com propaganda; Fl. 681DF CARF MF Processo nº 10920.721153/201631 Acórdão n.º 1301002.968 S1C3T1 Fl. 682 15 5) Os livros diário e razão da Certa de 2012 a 2014 trazem préimpresso, no canto inferior direito, os dizeres "Acttivitá Contabilidade"; 6) Os livros diário e razão do período de 01/02 a 09/2015 da Certa são assinados pelo sócio minoritário e administrador da Acttivitá; 7) O responsável pela entrega da DIRF de ambas as empresas do período 2011/2012 e 2012/2013 é o sócio majoritário da Certa; no período 2013/2014 da Acttivitá e dos períodos 2013/2014, 2014/2015 da Certa, é o sócio minoritário da Acttivitá, e que os telefones e emails informados apontam que as DIRFS foram preenchidas e envidas a partir da estrutura da Acttivitá (email: acttivita@terra.com.br e contabil3@acttivita.com.br); 8) As GFIS de ambas empresas sempre tiveram como responsável Cátia Vasconcelos, que é empregada da Acttivitá, mas no período de 01/09/2014 a 25/10/2015 foi empregada da Certa, e; 9) Ambas empresas possuem o mesmo modelo de contrato de prestação de serviços e as mesmas testemunhas assinam. Em sede de recurso, alega o contribuinte, preliminarmente, ilegalidade do ato de exclusão por inexistir no referido ato a correta disposição legal infringida e a penalidade dela decorrente e, no mérito, suscita inexistir provas concretas da existência de uma só empresa ou grupo econômico de fato, refutando cada um dos pontos apontados na fiscalização, pugnando ainda pela irretroatividade do ato de exclusão. Em que pese suas ponderações, entendo que não lhe assiste razão. Quanto à preliminar suscitada, de fato, a fundamentação legal contida no Ato de exclusão faz referência aos artigos da Lei Complementar 123/2006, quando, na realidade, os artigo (todos) pertencem à Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011. De certo que o Ato de exclusão deveria conter os dispositivos da referida Lei Complementar, porém, penso que tal equívoco não pode macular o procedimento fiscal que concluiu pela exclusão da recorrente no Simples Nacional, vez que toda a situação constatada pela fiscalização foi minuciosamente descrita na Representação Fiscal para Exclusão do Simples Nacional (efls. 2 a 12), bem como no Despacho Decisório SAORT nº 237/2016 (efls. 496 a 499). REPRESENTACÃO FISCAL PARA EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES NACIONAL Sr. Chefe da Seção de Fiscalização, 1. Em procedimentos fiscais realizados nas empresas ACTTIVITÁ SERVIÇOS CONTÁBEIS – SOCIEDADE SIMPLES EPP (ACTTIVITÁ), CNPJ 00.099.906/000105, e CERTA SERVIÇOS CONTÁBEIS – SOCIEDADE SIMPLES EPP (CERTA), CNPJ 02.587.242/000159, constatouse que: a) a ACTTIVITÁ e a CERTA constituem grupo econômico de fato, pois estão sob o mesmo controle e administração dos irmãos JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA e JOÃO CARLOS DE OLIVEIRA, combinam esforços, compartilham recursos Fl. 682DF CARF MF Processo nº 10920.721153/201631 Acórdão n.º 1301002.968 S1C3T1 Fl. 683 16 materiais e humanos para prestar os mesmos serviços contábeis e afins, e, incorrem, entre elas, em confusão patrimonial; b) ambas são optantes pelo Simples Nacional (Lei Complementar nº 123/2006) desde 01/01/2009, data da vigência das alterações da Lei Complementar nº 128/2008, com as opções realizadas em 23/01/2009, e; c) em todos os exercícios o faturamento combinado das empresas ultrapassam os limites fixados para o Simples Nacional. 2. A seguir, os fatos e fundamentos que embasam estas afirmações: (...) 6. DA CONCLUSÃO DESTA REPRESENTAÇÃO 6.1. Encerrase esta representação concluindo que os irmãos JOSÉ CARLOS DE OLIVEIRA e JOÃO CARLOS DE OLIVEIRA são os proprietários comuns e administradores de fato das empresas ACTTIVITÁ e CERTA, mesmo após as alterações contratuais (em 15/12/2003 na CERTA e em 19/01/2009 na ACTTIVITÁ) que encerraram esta situação. Estas alterações formais não refletiram no quadro fático (conforme conclusão do subtópico 4.9) e tiveram apenas o intuito driblar as vedações à opção pelo SIMPLES NACIONAL, visto que o faturamento combinado das empresas foi, conforme tópico 5, em todos os períodos, superior aos limites do regime simplificado. 6.2. Com efeito, desde 01/01/2009 ambas as empresas são optantes pelo SIMPLES NACIONAL (LC 123/2006, com alterações da LC 128/2008). 6.3. Os indícios destas irregularidades vêm desde a época da opção pelo SIMPLES NACIONAL, entretanto, conforme anexos, foram provados a partir do período inicial da fiscalização (01/01/2012). 6.4. Logo, a ACTTIVITÁ e a CERTA se enquadram nas vedações dos itens III e V do § 4º do artigo 3º da LC nº 123/2006, sendo irregular sua opção e permanência no SIMPLES NACIONAL. Havendo omissão das empresas em comunicar suas exclusões obrigatórias (inciso II do artigo 30 da LC nº 123/2006), sujeitam elas à exclusão de ofício com base no inciso I do artigo 29 da LC nº 123/2006, com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva (inciso II do artigo 31 da LC nº 123/2006). 6.5. Em face do exposto PROPONHO o encaminhamento da presente Representação à Seção de Orientação e Análise Tributária – SAORT da DRF de JOINVILLE/SC, para que seja determinada a exclusão do contribuinte CERTA SERVIÇOS CONTÁBEIS – SOCIEDADE SIMPLES EPP, CNPJ Fl. 683DF CARF MF Processo nº 10920.721153/201631 Acórdão n.º 1301002.968 S1C3T1 Fl. 684 17 02.587.242/000159, do SIMPLES NACIONAL, com efeitos a partir de 01/02/2012. DESPACHO DECISÓRIO SAORT Nº 237/2016 EMENTA – Grupo Econômico. Pessoa Física Participante do Capital é Sócia de Outra Empresa Optante pelo SIMPLES Nacional. Sócio ou Titular Administrador de Pessoa Jurídica com Fins Lucrativos. Excesso de Receita Bruta. Falta de Comunicação de Exclusão Obrigatória. Exclusão de Ofício do SIMPLES Nacional. Possuir como participante do Capital Social, pessoa física sócia de outra empresa beneficiária do tratamento diferenciado da Lei Complementar nº 123/2006, Sócio ou Titular administrador de pessoa jurídica com fins lucrativos, e auferir receita bruta global em valor superior ao limite legalmente estabelecido configura hipótese de impedimento à opção e de obrigatoriedade de exclusão do regime diferenciado do SIMPLES Nacional por comunicação da empresa, com efeitos a partir do mês subsequente ao da ocorrência da situação de vedação. Não efetuada a exclusão por comunicação cabe procedimento de ofício. (§ 2º e alíneas “a” e “b” do inciso I do artigo 2º, incisos I, IV e VI do artigo 15, item 2 da alínea “c” do inciso II do artigo 73, e inciso I do artigo 76 da Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011). (...) FUNDAMENTAÇÃO Configurase, conforme dados coletados, a participação no capital de pessoa física sócia de outra empresa beneficiária do regime diferenciado, a existência de sócio administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos e o excesso de receita bruta acumulada desde o mês de janeiro/2012, início do período sob fiscalização, o que caracteriza hipótese de exclusão do SIMPLES Nacional desde o mês subsequente ao de sua ocorrência, ou seja, 1º de FEVEREIRO de 2012, estendendose a proibição de nova opção pelos exercícios de 2013, 2014, 2015 e 2016 com base na receita bruta auferida pelo Grupo Econômico. Para efetivar essa exclusão, determina o § 1º do artigo 75 da Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011, que será expedido termo de exclusão pelo ente federativo que iniciar o processo de exclusão de ofício. DECISÃO Em face do exposto, com base na documentação anexada ao presente processo e considerando a legislação que rege a matéria (Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 e Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011), concluise pela ocorrência de infração à legislação por PARTICIPAR DE SEU CAPITAL PESSOA FÍSICA SÓCIA DE OUTRA EMPRESA BENEFICIÁRIA DO REGIME JURÍDICO DA LEI COMPLEMENTAR Nº 123, DE 2006, ALÉM DE POSSUIR SÓCIO ADMINISTRADOR DE OUTRA PESSOA JURÍDICA Fl. 684DF CARF MF Processo nº 10920.721153/201631 Acórdão n.º 1301002.968 S1C3T1 Fl. 685 18 COM FINS LUCRATIVOS, SENDO QUE A RECEITA BRUTA GLOBAL AUFERIDA EXTRAPOLA O LIMITE ESTABELECIDO o que, por consequência, exige que se EXCLUA DE OFÍCIO A EMPRESA da sistemática de arrecadação do SIMPLES Nacional com efeitos contados a partir de 1º DE FEVEEREIRO de 2012. ENCAMINHESE ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Joinville para proceder a emissão do Ato Declaratório Executivo de Exclusão. POSTERIORMENTE CIENTIFIQUESE a contribuinte mediante entrega de uma via do ADE de exclusão acompanhado deste Despacho Decisório e da Representação Fiscal motivadora do procedimento. Desta decisão, cabe manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência deste despacho. A recorrente tomou a devida ciência destes atos administrativos, que a excluiu de ofício do Simples Nacional e, ao defenderse, abordou questões pontuais motivadoras de sua exclusão, demonstrando que compreendeu os motivos ensejadores de culminou com a exclusão, inexistindo, portanto, prejuízo em seu direito de defesa. Logo, afasto a preliminar alegada. Quanto ao mérito, vêse que a legislação do Simples Nacional (LC nº 123/2006, art. 3, §4º, inciso III e V) veda expressamente a opção pelo Simples por pessoa jurídica que: de cujo capital participe pessoa física que seja inscrita como empresário ou seja sócia de outra empresa que receba tratamento jurídico diferenciado nos termos desta Lei Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo. cujo sócio ou titular participe seja administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do caput deste artigo. Com efeito, a fiscalização apresentou diversos elementos convergentes que demonstram que Acttivitá e a Certa constituem uma só empresa ou grupo econômico de fato, sob o mesmo controle e administração dos irmãos José Carlos de Oliveira e João Carlos de Oliveira. Assim, embora por uma questão formal o sócio da outra empresa (de seu irmão) não pertença ao quadro societário da recorrente, de fato fazia ele parte da administração. Segundo os fatos relatados pela fiscalização, os citados irmãos eram sócios administradores de ambas as empresas, quando estas eram constituídas sob as regras de tributação do Lucro Presumido. Posteriormente, desfizeram este vínculo societário ao ingressarem no regime de tributação simplificado do Simples Nacional, onde permaneceram com o mesmo objeto social de antes (prestação de serviços contábeis). Fl. 685DF CARF MF Processo nº 10920.721153/201631 Acórdão n.º 1301002.968 S1C3T1 Fl. 686 19 A autoridade fiscal afirma que esta separação societária (que denomina de fim das participações cruzadas dos sócios nas empresas) foi feita apenas formalmente, o que lhes permitiram fazer a opção pelo Simples Nacional, pois “sem esta manobra formal”, as referidas empresas não poderiam aderir a este sistema simplificado, uma vez que o faturamento de ambas, somados, ultrapassaria o limite legal para permanência neste regime. Destaca a autoridade fiscal que “em todos os exercícios o faturamento combinado das empresas ultrapassam os limites fixados para o Simples Nacional.” Embora argumente a recorrente que o referido grupo econômico nunca existiu, e de que inexiste prova nos autos de que: i) as pessoas jurídicas compõem uma mesma unidade empresarial; ii) o quadro societário seja comum ou com os mesmos dirigentes e; iii) a personalidade jurídica e o patrimônio de cada uma esteja unido por um interesse econômico; inclusive, afirmando como inverídicas as informações apontadas pela fiscalização por estar em descompasso com a definição de grupo econômico prevista na Instrução Normativa nº 971/2009, suas alegações não se coadunam com as provas existentes nos autos, mormente quando se constata: 1) a existência de gastos com propaganda e publicidade a cargo de uma só empresa; 2) confecção de livros contábeis das empresas por apenas uma delas; que as empresas dos irmãos prestavam serviços contábeis a clientes comuns e, em diversas ocasiões, em um mesmo período, etc. Quanto a este último elemento de prova, ressaltese que na significativa amostragem realizada pela autoridade fiscal, em cerca de 13 (treze) clientes responsáveis por cerca de 60,40% do faturamento de ambas as empresas, o fato revelador é que " a maioria destes clientes (8 de 13) tomaram serviços de ambas as empresas em questão, seja de forma simultânea ou seqüencial". (item 4.3.2 da Representação Fiscal para Exclusão de Ofício do Simples Nacional). Acresçase ainda a constatação fiscal de que os livros contábeis (Diário e Razão) das duas empresas eram assinadas pelo Sr. André Giovane Tavares, sócio minoritário e administrador da Acttivitá, sem que este senhor fosse remunerado pelos serviços prestados à Certa, o que vem a reforçar a conclusão fiscal de que se tratava de uma única empresa. Desta forma, penso restar demonstrado que as empresas em questão formam um único empreendimento, divididas apenas no papel, vez que, se assim não fosse, não poderiam ter optado pelo Simples Nacional. Por fim, no que pertine aos efeitos da exclusão, compartilho com o entendimento da DRJ, de que tais efeitos encontramse estabelecidos na LC 123/2006, cujos dispositivos legais pertinentes foram citados pela autoridade autuante: Art.31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: [...] II. na hipótese do inciso II do caput do art.30 desta Lei Complementar, a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva; Art.30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou darseá: [...] Fl. 686DF CARF MF Processo nº 10920.721153/201631 Acórdão n.º 1301002.968 S1C3T1 Fl. 687 20 II. obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar, ou [...] Logo, acertada a conclusão da autoridade fiscal ao determinar que seu Ato de exclusão surtirá efeito a partir de 1º de fevereiro de 2012. Isso posto, voto por rejeitar a preliminar alegada e no mérito por negar provimento ao recurso, mantendo a exclusão efetuada de ofício e consignada no Ato Declaratório Executivo DRJ/JOI nº 18, de 10 de maio de 2016. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 687DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.928312/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.599
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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COFINS. Recorrente Sociedade Paranaense de Ensino e InformáticaSPEI Recorrida Fazenda Nacional Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade cuja argumentação é a seguir resumida. Sustenta que é uma instituição de educação sem fins lucrativos e, nos termos do art. 14, X da MP nº 2.15835, de 2001, estaria isenta da COFINS. Argumenta que tal RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 28 31 2/ 20 11 -1 6 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.928312/201116 Resolução nº 3301000.599 S3C3T1 Fl. 3 2 dispositivo estabelece que tal isenção se dá, a partir de 01/02/1999, para as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13, o qual, por sua vez, referese às “instituições de educação e de assistência social” arroladas no art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Afirma que se encaixa nos requisitos legais, uma vez que: (a) não remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (b) aplica integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; e (c) assegura a destinação de seu patrimônio à outra instituição congênere, em caso de extinção. Anexa o seu Estatuto Social para provar o alegado. Relativamente à expressão “atividade própria” (art. 14, X, da MP 2.158/35), argumenta que deve ser entendida como aquela atividade regular e relativa à natureza essencial da entidade. Sustenta que ‘própria’ é toda a atividade prevista em seu estatuto, ou na lei, já que conexa à própria existência da pessoa jurídica. Assim, assevera que “a existência de finalidade lucrativa não devia ser vinculada à gratuidade ou não dos serviços prestados ou à forma de obtenção da receita, nas, sim, à forma como ela é aplicada. Caso constitua objetivo da instituição exercer atividade educacional sem fins lucrativos, ainda que o serviço seja prestado mediante o pagamento de mensalidade ou retribuições, a receita obtida com as mensalidades constitui receita própria de sua atividade e, desta forma, estaria isenta da COFINS.” Afirma, outrossim, que os princípios da legalidade e da legalidade tributária impede o Fisco de exigir tributo que não está previsto em lei, acrescentando que a lei, nesse caso, prevê expressamente uma isenção. Portanto, em seu entendimento, não há “espaço para que atos normativos como, por exemplo, decretos, instruções normativas, atos interpretatórios ou declaratórios criem qualquer redução ou limitação à isenção de COFINS prevista nos artigos 13 e 14 da MP 2.15835/01”. No seguimento, tece comentários sobre o instituto da compensação para afirmar que “tendo a instituição recolhido o tributo de forma indevida tem direito à restituição/compensação”. Em razão do alegado, requer a homologação da compensação pleiteada. A 3ª Turma da DRJ/CTA indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06046.038. Em seu recurso voluntário, a empresa: § Reitera os fundamentos de sua manifestação de inconformidade; § Declara que se subsume à isenção do art. 14, X da MP n° 2.15835; § Aduz que “todos os valores que são aplicados no desenvolvimento da atividade da entidade sem fins lucrativos são receitas decorrentes de atividades próprias”. § Defende a inaplicabilidade da IN n° 247/2002; § Junta documentos que comprovariam sua condição de isenta. É o relatório. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.928312/201116 Resolução nº 3301000.599 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.589, de 19 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.934789/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.589): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Os fundamentos da negativa do pleito da Recorrente pela DRJ foram: I. Na interpretação do art. 14, X da MP, entendeu o voto condutor que seriam receitas de atividades próprias das instituições a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532/97, apenas as receitas típicas dessas entidades, como as decorrentes de contribuições, doações e subvenções por elas recebidas, bem assim mensalidades ou anuidades pagas por seus associados, destinadas à manutenção da instituição e consecução de seus objetivos sociais, sem caráter contraprestacional. A DRJ aplicou o art. 47, da Instrução Normativa n° 247/2002: Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: I – não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II – são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. § 1º Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. II. Atendeu ao comando do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, aduzindo que se sujeitam à incidência da COFINS, as receitas decorrentes de atividades comuns às dos agentes econômicos, como as resultantes da venda de mercadorias e prestação de serviços, inclusive as receitas de matrículas e mensalidades dos cursos ministrados pelas entidades educacionais, ainda que exclusivamente a seus Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.928312/201116 Resolução nº 3301000.599 S3C3T1 Fl. 5 4 associados e em seu benefício e, receitas de aplicações financeiras. Concluiu que estão sujeitas à COFINS, por força da Lei nº 9.718/98, as receitas de caráter contraprestacional, inclusive as mensalidades cobradas por instituições de educação e as receitas financeiras auferidas. A revisão dos dois pontos será feita a seguir. Isenção do art. 14, X, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 Prescreve o art. 14, X da MP n° 2.15835: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Por sua vez, o art. 13 do mesmo veículo normativo dispõe: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997; Notese que o art. 13, III da MP nº 2.15835/2001 ao fazer remissão ao art. 12 da Lei n° 9.532/1997, condiciona a Instituição ao cumprimento das exigências impostas por esta Lei. O art. 12 da Lei n° 9.532/1997, com redação vigente à época, exigia: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.928312/201116 Resolução nº 3301000.599 S3C3T1 Fl. 6 5 d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3º Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinando exercício, destine referido resultado integralmente ao incremento de seu ativo imobilizado. Ocorre que as mensalidades cobradas por instituições de educação estão ao abrigo da norma isentiva, como já pacificado pela Súmula CARF n° 107 e pelo REsp 1.353.111 RS, DJ 18/12/2015, julgado como recurso repetitivo, transitado em julgado desde 02/03/2016, verbis: Súmula CARF nº 107 A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. REsp 1.353.111 – RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.15835/2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.928312/201116 Resolução nº 3301000.599 S3C3T1 Fl. 7 6 a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. 2. O parágrafo § 2º do art. 47 da IN 247/2002 da Secretaria da Receita Federal ofende o inciso X do art. 14 da MP n° 2.15835/01 ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos. 3. Isto porque a entidade de ensino tem por finalidade precípua a prestação de serviços educacionais. Tratase da sua razão de existir, do núcleo de suas atividades, do próprio serviço para o qual foi instituída, na expressão dos artigos 12 e 15 da Lei n.º 9.532/97. Nessa toada, não há como compreender que as receitas auferidas nessa condição (mensalidades dos alunos) não sejam aquelas decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001). Sendo assim, é flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 4. Precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (...) 6. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade" , conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Logo, deve a decisão de piso ser reformada nesse ponto. A respeito do cumprimento dos requisitos do art. 12 da lei n° 9.532/97, aponta a Instituição os artigos do seu Estatuto Social que comprovam exatamente o exigido pela Lei n° 9.532/97 (art. 1°, 3°, 30, 32, 34), junta a DIPJ alegando que sua condição sempre foi de conhecimento do fisco e prossegue: Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10980.928312/201116 Resolução nº 3301000.599 S3C3T1 Fl. 8 7 Entendo que a prova do cumprimento dos requisitos é da Recorrente, contudo não foi instada a isso quando da edição do Despacho Decisório. No recurso voluntário, acostou documentos que merecem a análise da Delegacia de Origem. Alargamento da Base de Cálculo da COFINS – RE n° 585.235/MG RG Resta pacificado no STF o entendimento sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico das operações empresariais típicas, que constitui a base de cálculo do PIS. O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Em decorrência, apenas o faturamento decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias (não se podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira) pode ser tributado pelo PIS. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10980.928312/201116 Resolução nº 3301000.599 S3C3T1 Fl. 9 8 Logo, assiste razão à Recorrente quando alega que as receitas financeiras não podem compor a base de cálculo da COFINS. Conclusão Diante da plausibilidade do pleito da Recorrente, entendo necessária a conversão em diligência deste processo para a confirmação da tributação indevida pela COFINS sobre as receitas operacionais (“próprias”), bem como sobre as receitas financeiras. Isso porque a tributação sobre as “receitas próprias”, incluídas as mensalidades pagas por alunos, são isentas, nos termos do art. 14, X da Medida Provisória. Ao passo que a exclusão das receitas financeiras se dá com base na inconstitucionalidade do alargamento a base de cálculo da COFINS pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Por conseguinte, voto pela conversão do julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente no recurso voluntário; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas próprias e receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, fazendo a segregação entre as receitas, se houver; c) Verifique o cumprimento pela Recorrente dos requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532/1997. Para tanto, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, caso necessário; d) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Após, retorne o processo ao CARF para julgamento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente no recurso voluntário; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas próprias e receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, fazendo a segregação entre as receitas, se houver; Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10980.928312/201116 Resolução nº 3301000.599 S3C3T1 Fl. 10 9 c) Verifique o cumprimento pela Recorrente dos requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532/1997. Para tanto, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, caso necessário; d) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Após, retorne o processo ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13782.720206/2013-74
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. FALTA DE OBJETO. NÃO CONHECIMENTO. CABIMENTO
Correto o não conhecimento da manifestação de inconformidade interposto pela contribuinte, por falta de objeto, já que a exclusão automática da sistemática do Simples Nacional decorreu de ato da empresa e não de ato administrativo, conforme artigos 30 e 31 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006.
Numero da decisão: 1001-000.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, para discutir a falta objeto relativa à manifestação de inconformidade e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2013 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. FALTA DE OBJETO. NÃO CONHECIMENTO. CABIMENTO Correto o não conhecimento da manifestação de inconformidade interposto pela contribuinte, por falta de objeto, já que a exclusão automática da sistemática do Simples Nacional decorreu de ato da empresa e não de ato administrativo, conforme artigos 30 e 31 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. FALTA DE OBJETO. NÃO CONHECIMENTO. CABIMENTO Correto o não conhecimento da manifestação de inconformidade interposto pela contribuinte, por falta de objeto, já que a exclusão automática da sistemática do Simples Nacional decorreu de ato da empresa e não de ato administrativo, conforme artigos 30 e 31 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, para discutir a falta objeto relativa à manifestação de inconformidade e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 78 2. 72 02 06 /2 01 3- 74 Fl. 520DF CARF MF Processo nº 13782.720206/201374 Acórdão n.º 1001000.458 S1C0T1 Fl. 521 2 Relatório A recorrente postula pela reforma da decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Campo Grande (MS), mediante o Acórdão nº 04 38.062, de 16/12/2014 (efls. 498/501). Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: A contribuinte acima qualificada apresentou manifestação de inconformidade em 20/09/2013 (fls. 02), após ter sido excluída do Simples Nacional. Alegou, em síntese, que em 15/07/2013 foi efetuada a Quarta Alteração Contratual e por erro de digitação foi incluída indevidamente a atividade do CNAE 38222/0, não constante na alteração contratual. O erro não foi percebido nem pela própria RFB, o que acabou provocando a exclusão. Asseverou que o erro é facilmente constatável, bastando verificar os códigos CNAEs cadastrados na lista de atividades constante da referida alteração. Afirmou que foi emitido um novo DBE, solicitando a exclusão do código indevido. Por fim, solicitou a reinclusão no Simples Nacional. Juntou documentos de fls. 03 e seguintes. A DRF/SAORT/CGC/RJ, por meio do Despacho Decisório nº 52/2014 de fls. 439 a 442, concluiu pelo indeferimento da solicitação, sem prejuízo de exclusão de ofício com efeitos retroativos, tendo em vista a empresa exercer atividade impeditiva desde antes do seu ingresso no Simples Nacional. Cientificada em 29/05/2014 (fls. 444), a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 25/06/2014 (fls. 449451), alegando, em síntese, que a empresa jamais exerceu efetivamente a atividade “Tratamento e disposição de resíduos perigosos”, a qual retirou de seu objeto social, por ocasião da 3ª Alteração Contratual, registrada em 07/01/2013. Afirmou que o importante, neste caso, são as atividades que efetivamente exerce e não o que consta no CNPJ o Contrato Social. A decisão que indeferiu o pedido, entendeu ser desenvolvida a aludida atividade impeditiva, dentre outros “destinação de resíduos de serviço de saúde”, já que constam os serviços nas notas fiscais presentes nos autos. Entretanto, a empresa nunca prestou nem presta efetivamente tal serviço, comprovados com contratos firmados com empresas, visto que terceirizou o serviço, sendo as executoras efetivas de tais serviços. Citou e transcreveu jurisprudência. Juntou cópias de documentos de fls. 452 e seguintes. Posteriormente, a contribuinte apresentou aditamento à sua manifestação de inconformidade (impugnação), às fls. 471479, reiterando os argumentos expendidos. Juntou os documentos de fls. 480 a 490. A DRJ não conheceu da manifestação de inconformidade por falta de objeto por se tratar de exclusão automática da sistemática do Simples Nacional, decorrente de ato volitivo praticado pela contribuinte, e proferiu acórdão com a seguinte ementa: Fl. 521DF CARF MF Processo nº 13782.720206/201374 Acórdão n.º 1001000.458 S1C0T1 Fl. 522 3 ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 EXCLUSÃO AUTOMÁTICA DO SIMPLES NACIONAL. ALTERAÇÃO OU INCLUSÃO DE ATIVIDADE VEDADA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. FALTA DE OBJETO. Não se conhece de manifestação interposta pelo contribuinte, por falta de objeto, em razão da exclusão automática da sistemática do Simples Nacional, nos expressos termos legais, decorrente de inclusão ou alteração de atividade econômica cujo CNAE conste dentre aqueles relacionados como impeditivo de opção ao Simples Nacional no Anexo VI da Resolução CGSN nº 94/2011. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Sem Crédito em Litígio. Ciente da decisão de primeira instância em 05/01/2015, conforme Aviso de Recebimento à efl. 505, a recorrente apresentou recurso voluntário em 26/01/2015 (efls. 508/516), conforme carimbo à efl. 508. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator Conforme disposição constitucional, a seguir transcrito, o processo administrativofiscal também se rege pelos princípios do devido processo legal, duplo grau de jurisdição e da ampla defesa. Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; O Decreto 70.235/72, ao dispor sobre o processo administrativofiscal, segue os comandos constitucionais supracitados, estabelecendo o Recurso Voluntário como meio apto para submeter as decisões exaradas pelas Delegacias Regionais de Julgamento ao duplo grau de jurisdição, in casu, a ser exercido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. In verbis: Fl. 522DF CARF MF Processo nº 13782.720206/201374 Acórdão n.º 1001000.458 S1C0T1 Fl. 523 4 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Outrossim, é cediço que para se conhecer do recurso é necessário que, além do prazo recursal, outros pressupostos ou requisitos devem ser atendidos, constituindose em elementos indispensáveis a: (i) expressa insatisfação com a decisão impugnada, bem como (ii) exposição das razões que levaram ao contribuinte a demonstrar seu inconformismo com a decisão atacada, ex vi dos arts. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Portanto, se em nenhuma parte do recurso a recorrente se insurge contra a decisão de primeira instância, prejudicado está o conhecimento da matéria exclusivamente em segunda instância. Havendo decisão de primeira instância proferida por uma Delegacia Regional de Julgamento é sempre cabível o competente Recurso Voluntário, porém, é importante frisar, este deve ser interposto por pessoa legitimada. Tal entendimento está em linha com o disposto pelo art. 63 da Lei 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da administração pública federal, conforme se transcreve: Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: I fora do prazo; II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. Assim, resta evidente que o juízo de admissibilidade do Recurso Voluntário devese voltar tão somente para a verificação do preenchimento dos pressupostos de admissibilidade supra colacionados, não devendo o conhecimento do recurso se confundir com a própria análise do mérito da decisão do juízo a quo. Importa registrar que o não conhecimento do recurso voluntário implica o trânsito em julgado da decisão nos termos propostos pela primeira instância. Fl. 523DF CARF MF Processo nº 13782.720206/201374 Acórdão n.º 1001000.458 S1C0T1 Fl. 524 5 Por outro lado, caso se entenda que a decisão de piso merece reparos de qualquer ordem, tal modificação só pode ocorrer por ocasião do julgamento do mérito recursal, o que só ocorre quando conhecido o Recurso. No caso presente, verificase o cumprimento dos requisitos de admissibilidade do recurso voluntário apresentado pelo recorrente, visto que foi protocolizado no prazo regulamentar (art.15 do Decreto nº 70.235/72) e apresentado por representante legal devidamente qualificado. Porém, dele conheço somente para discutir a falta objeto relativa à manifestação de inconformidade que a DRJ assim considerou e impediu a discussão do mérito. Quanto à decisão da DRJ, importa delimitar a lide. Tratase de solicitação de reenquadramento no Simples Nacional, na forma de pedido de reconsideração da exclusão automática decorrente da inclusão, em seu objetivo social, de uma atividade vedada na sistemática do Simples Nacional, quando da alteração contratual da empresa. Os artigos 30 e 31 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, assim dispõem sobre o assunto: Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: (...) II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; ou (...) § 1o A exclusão deverá ser comunicada à Secretaria da Receita Federal: (...) II na hipótese do inciso II do caput deste artigo, até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que ocorrida a situação de vedação; (...) §3º A alteração de dados no CNPJ, informada pela ME ou EPP à Secretaria da Receita Federal do Brasil, equivalerá à comunicação obrigatória de exclusão do Simples Nacional nas seguintes hipóteses: (...) II inclusão de atividade econômica vedada à opção pelo Simples Nacional; (Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011) (Produção de efeitos – vide art. 7º da LC nº 139/2011). III inclusão de sócio pessoa jurídica; (...) Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: (...) II na hipótese do inciso II do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva; Fl. 524DF CARF MF Processo nº 13782.720206/201374 Acórdão n.º 1001000.458 S1C0T1 Fl. 525 6 III na hipótese do inciso III do caput do art. 30 desta Lei Complementar: a) desde o início das atividades; b) a partir de 1º de janeiro do anocalendário subsequente, na hipótese de não ter ultrapassado em mais de 20% (vinte por cento) o limite proporcional de que trata o § 10 do art. 3o; Nesse particular, mediante os artigos 73 e 74 da Resolução CGSN nº 94, de 29/11/2011, o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN), regulamentou da mesma forma a exclusão do Simples Nacional, e relacionou, em seu anexo VI, os CNAE impeditivos de opção ao Simples Nacional. Assim, a empresa ao incluir, por uma iniciativa sua, uma atividade vedada, provoca a incidência instantânea da norma, não cabendo, portanto, o questionamento pela recorrente desta exclusão, pois falta objeto, já que decorreu de ato seu e não de ato administrativo. Neste sentido, correta foi, portanto, a decisão de primeira instância em não conhecer da manifestação de inconformidade, tendo em vista a incidência da norma vigente no momento do fato, acima transcrita. Assim, voto para CONHECER PARCIALMENTE para discutir a falta objeto relativa à manifestação de inconformidade e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 525DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.001873/2007-96
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS.
Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONTRATAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA.
Não geram direito a crédito os valores relativos à contratação de mão-de-obra temporária, por não configurarem pagamento de bens ou serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade os valores gastos com o consumo de eletricidade, não sendo considerados créditos os valores pagos a outro título as empresas concessionárias de energia elétrica.
Numero da decisão: 9303-006.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONTRATAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA. Não geram direito a crédito os valores relativos à contratação de mão-de-obra temporária, por não configurarem pagamento de bens ou serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade os valores gastos com o consumo de eletricidade, não sendo considerados créditos os valores pagos a outro título as empresas concessionárias de energia elétrica.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1855; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.417 1 1.416 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10920.001873/200796 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303006.631 – 3ª Turma Sessão de 11 de abril de 2018 Matéria 63.697.4349 COFINS CRÉDITO CONCEITO DE INSUMO APLICÁVEL NA APURAÇÃO DE CRÉDITOS DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INDÚSTRIAS ZIPPERER S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. Na sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONTRATAÇÃO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. Não geram direito a crédito os valores relativos à contratação de mãodeobra temporária, por não configurarem pagamento de bens ou serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade os valores gastos com o consumo de eletricidade, não sendo considerados créditos os valores pagos a outro título as empresas concessionárias de energia elétrica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 18 73 /2 00 7- 96 Fl. 1417DF CARF MF 2 conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Trata o presente processo de ressarcimento de créditos de PIS oriundos da incidência não cumulativa na exportação, no montante de R$ 134.576,39, referente ao primeiro trimestre do ano de 2006. O despacho decisório de efl. 868 a 873, em 01/08/2007, reconheceu a existência de crédito no montante de R$ 132.986,92. Basicamente, foram glosados valores declarados em DACON que não atenderiam ao conceito de insumo: 1. Linha 02 do Dacon R$ 21.214,96 Bens Utilizados como Insumos. Foram glosadas notas fiscais referentes a aquisições com suspensão de PIS/Cofins, não gerando direito a crédito, conforme § 2, inc. II, do art. 3º da Lei 10.637/2002; 2. Linha 04 do Dacon R$ 955,22 Despesas de Energia Elétrica. Foram glosados os valores das faturas de energia elétrica não incluídos na base de cálculo do ICMS (COSIP); 3. Linha 09 do Dacon R$ 1.376,91 Encargos de Depreciação. Foram glosados os bens que não se enquadram no Inc. VI do Art. 3º da Lei 10.637/2002; 4. Linha 13 do Dacon R$ 31.099,57 Outras Operações com Direito a Crédito. Foram glosados os valores de despesas indiretas referentes a mãodeobra temporária (taxa administrativa, despesas médicas, etc.). Além disso, foi alterado o percentual de exportação utilizado pelo contribuinte na Dacon. Utilizouse o valor das receitas declaradas pelo próprio contribuinte no Dacon. Restou um valor de R$ 11.933,52 a título de crédito de mercado interno, podendo ser utilizado apenas para desconto da própria contribuição. Cientificada do despacho, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às efls. 898 a 905, em 14/09/2007, para que fossem homologados os ressarcimentos do presente processo. Já a 4ª Turma da DRJ/FNS, no acórdão nº 0723.554, Fl. 1418DF CARF MF Processo nº 10920.001873/200796 Acórdão n.º 9303006.631 CSRFT3 Fl. 1.418 3 prolatado em 18/03/2011, às efls. 1336 a 1351, considerou, por unanimidade, improcedente a manifestação de inconformidade, entendendo que teria havido litígio apenas em relação às glosas dos itens 2) e 4) e sobre realocar valores na DACON para o mercado interno. Intimada do acórdão da DRJ em 19/04/2011 (efl. 1353), a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 1354 a 1362. Em apertado resumo, esgrime os seguintes argumentos: a) o para interpretação do conceito de insumos para fins de créditos do PIS deveria aplicado o mesmo relativo a custos e despesas operacionais para o IRPJ; b) utilizandose o critério acima, o valor da fatura da contratação de mãode obra temporária e o valor da COSIP destacada na fatura de energia elétrica deveriam integrar o cálculo do crédito; c) relativamente à realocação de parte do crédito para o mercado interno, alegou que a própria Receita Federal, por meio de Solução de Consulta da 6ª Região Fiscal tem entendimento no sentido de que o ressarcimento pode ser estendido os créditos consumidos no mercado interno. O recurso voluntário foi apreciado pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 24/01/2012, resultando no acórdão nº 3403001.361, às efls. 1365 a 1371, que tem as seguintes ementas: REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo da Cofins o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem o ou o serviço desejado. CRÉDITOS. CONTRATAÇÃO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. O crédito em relação ao serviço de colocação de mãodeobra temporária prestado por pessoa jurídica deve ser calculado em relação ao valor integral da nota fiscal emitida pelo prestador do serviço. CRÉDITOS. ENERGIA ELÉTRICA. COSIP. Tratandose de tributo não recuperável, a Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública – COSIP, cobrada junto com a fatura de energia elétrica, integra o cálculo do crédito da contribuição. CRÉDITOS NÃO VINCULADOS À RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. Por expressa disposição legal, é vedado o ressarcimento de créditos calculados em relação a custos, despesas ou encargos que não sejam vinculados à receita de exportação. Fl. 1419DF CARF MF 4 O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de a recorrente calcular o crédito da contribuição em relação aos valores integrais das notas fiscais de prestação de serviço de colocação de mãodeobra e de energia elétrica. O voto condutor afirmou que a caracterização de insumo não se daria nem com a estreiteza do critério adotado para o IPI, nem com a extensão do critério utilizado para fins de custos e despesas do IRPJ. Adota um critério de essencialidade do custo ou despesa, ao processo produtivo, segundo o qual a supressão do bem ou serviço, tido como insumo, afeta a própria existência do produto ou serviços prestados, dentro do padrão de qualidade desejado. Recurso especial de Fazenda Intimada para ciência do acórdão nº 3403001.361 em 20/03/2012 (efl.. 1373), a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência em 30/04/2012, às efls. 1374 a 1395. A Procuradora indica dois acórdãos paradigmas, de nº 20312.488 e nº 202 19.127, que divergem do recorrido pois elaboram entendimento de que, no contexto da não cumulatividade do PIS e da Cofins, o melhor critério para definição de insumos é aquele previsto na legislação do IPI, a teor do Parecer Normativo nº 65/79. Partindo daquele critério, os valores não relacionados aos salários dos empregados na contratação de mãodeobra temporária (taxa administrativa e despesas médicas) e a Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública COSIP, cobrada junto com a fatura de energia elétrica não são despesas que dão origem a concessão de crédito tanto para o PIS e Cofins não cumulativos. Aí se evidencia a divergência para com o acórdão recorrido que flexibilizou o conceito de insumo e, mesmo ciente de que os valores não relacionados aos salários dos empregados na contratação de mãodeobra temporária e a COSIP, cobrada junto com a fatura de energia elétrica, não são utilizados diretamente na fabricação ou produção de bens e serviços, destinados à venda, admitiuos como insumos. A Procuradora requereu que fosse conhecido e provido recurso especial, para reformar o acórdão recorrido, indeferindose na totalidade o pleito do contribuinte. O Presidente da 4ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência da contribuinte em 07/11/2013, no despacho nº 340000.461, às efls. 1410 e 1411, com base nos arts. 67 e 68 do do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, dandolhe seguimento. A contribuinte foi intimada (efl. 1413) do acórdão nº 3403001.361 e do despacho de admissibilidade nº 340000.461, em 31/12/2013 (efl. 1414) e não apresentou qualquer manifestação nos autos dentro dos prazos regimentais. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Fl. 1420DF CARF MF Processo nº 10920.001873/200796 Acórdão n.º 9303006.631 CSRFT3 Fl. 1.419 5 O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e dele conheço. No mérito, discordo em tese dos argumentos da recorrente, porém, em face do conhecimento do recurso que me leva à apreciação da matéria, adoto razão de decidir que leva ao seu provimento, isso porque penso que só pode ser tomado por insumo o bem ou serviço que tenha aplicação direta ao processo produtivo ou no serviço prestado. Esse seria um entendimento consoante com a legislação do PIS e da Cofins, ao ver os insumos como bens e serviços passíveis de geração de créditos que devem estar diretamente vinculados ao bem vendido. Diferente é o critério consoante a legislação do IRPJ, utilizado por aqueles que pretendem ver a geração de créditos por todos bens serviços necessários à produção, que, apesar de essenciais, somente de forma mediata levam à composição do produto. Busco arrimo para esta inteligência nos critérios explanados na Solução de Divergência COSIT nº 7 de 23/08/20161, da qual se extrai: 24.No outro extremo das conclusões, verificase que não são considerados insumo, para fins de creditamento no regime da não cumulatividade das contribuições, bens e serviços que mantenham relação indireta ou mediata com a produção de bem destinado à venda ou com a prestação de serviço ao público externo, tais como bens e serviços utilizados na produção da matériaprima a ser consumida na industrialização de bem destinado à venda (insumo do insumo), utilizados em atividades intermediárias da pessoa jurídica, como administração, limpeza, vigilância, etc. 25.Certamente, diversos e plausíveis são os motivos que justificam a adoção desse entendimento restritivo acerca do conceito de insumos para fins de creditamento da não cumulatividade das contribuições em tela. 26.Em primeiro lugar, devese destacar que o legislador estabeleceu um rol específico e detalhado de hipóteses de creditamento no âmbito do regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004). Esse fato é evidente e mostrase muito significativo se efetuada uma comparação entre o rol específico e detalhado de hipóteses de creditamento estabelecido pela legislação das contribuições e a definição genérica de despesas dedutíveis estabelecida pela legislação do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ) (art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964). 27.Com base nessa inconteste diferença de técnicas legislativas adotadas nas legislação dos tributos citados acima, resta clara a correspondente diferença de objetivos/pretensões do legislador. Enquanto na legislação do IRPJ se pretendeu permitir a dedutibilidade de todas as despesas necessárias à atividade da 1 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=78047 Fl. 1421DF CARF MF 6 empresa, na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins se pretendeu permitir o creditamento apenas em relação a específicos e determinados dispêndios da pessoa jurídica. 28.Outro fato importante a ser considerado é que a legislação das contribuições, de um lado, estabelece como base de cálculo das contribuições no regime de apuração não cumulativa o valor total das receitas auferidas no mês pelo sujeito passivo tomadas como um todo, independentemente das operações que ocasionaram o ingresso de receitas, salvo exclusões legais (arts. 1º e 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e arts. 1º e 2º da Lei nº 10.833, de 2003), e, de outro lado, de maneira oposta, a mesma legislação discrimina especificamente bens, serviços e operações em relação aos quais se permite a apuração de créditos, em preterição à permissão genérica de creditamento em relação a custos e despesas incorridos na atividade econômica do sujeito passivo (art. 3o da Lei no 10.637, de 2002, art. 3o da Lei no 10.833, de 2003, e art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004). 29.Diante disso, resta claro que as hipóteses de creditamento das contribuições devem ser entendidas como taxativas e não devem ser interpretadas de forma a permitir creditamento amplo e irrestrito, pois essa interpretação tornaria absolutamente sem efeito o rol de hipóteses de creditamento estabelecido pela legislação. 30.Demais disso, a permissão ampla e irrestrita de creditamento em relação a todos os gastos necessários às atividades da pessoa jurídica, como se insumos fossem, acabaria por subverter a base de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida constitucionalmente, desvirtuandoa da receita (Constituição Federal, art. 195, caput, inciso I, alínea “b”) para o lucro, o que se mostra absolutamente incompatível com a base de incidência prevista na Constituição Federal. 31.Ainda perquirindo os fundamentos da adoção de entendimento restritivo sobre os insumos que geram crédito na legislação das contribuições, cumpre analisar o rol de hipóteses de creditamento estabelecido pelo art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. 32.Conforme se observa, dentre todas as hipóteses de creditamento estabelecidas, apenas duas albergam dispêndios necessária e diretamente atrelados à atividade de produção e prestação de serviços, quais sejam aquisição de insumos e aquisição ou fabricação de bens incorporados ao ativo imobilizado, bem assim apenas duas relativas a dispêndios necessária e diretamente atrelados à revenda de bens, quais sejam a aquisição de bens para revenda e a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. 33.Com efeito, insumos e bens do ativo imobilizado são utilizados nas atividades finalísticas da pessoa jurídica e participam direta, específica e inafastavelmente do processo de produção de bens e da prestação de serviços, como também bens para revenda e frete na venda participam igualmente da revenda Fl. 1422DF CARF MF Processo nº 10920.001873/200796 Acórdão n.º 9303006.631 CSRFT3 Fl. 1.420 7 de bens, e suas influências nos respectivos processos econômicos podem ser imediatamente percebidas. 34.Diferentemente, todas as demais hipóteses de creditamento abrangem dispêndios que, conquanto necessários ao desenvolvimento das atividades da pessoa jurídica, podem relacionarse indiretamente com a atividade de produção de bens e prestação de serviços ou revenda de bens, pois também são utilizados em áreas intermediárias da atividade da pessoa jurídica. Exemplificativamente citamse: energia elétrica e térmica; aluguéis de prédios e máquinas; arrendamento mercantil; depreciação ou aquisição de edificações e de benfeitorias em imóveis; e valetransporte, valerefeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados. 35.Deveras, tais dispêndios decorrem da utilização pela pessoa jurídica de bens e serviços necessários à manutenção de todo seu funcionamento ou mesmo de sua existência e não especificamente à produção de bens e prestação de serviço ou à revenda de bens. 36.Daí, resta evidente que não se pretendeu abarcar no conceito de insumo todos os dispêndios da pessoa jurídica incorridos no desenvolvimento de suas atividades, mas apenas aqueles direta e imediatamente relacionados com a produção de bens destinados à venda ou a prestação de serviços. 37.Se o termo insumo tivesse sido utilizado em acepção ampliativa, para abarcar todos os gastos necessários ao funcionamento da pessoa jurídica, todas as hipóteses de creditamento estabelecidas no art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, constituiriam redundância, pleonasmo, letra morta, já que poderiam ser aglomeradas no conceito ampliativo de insumo. 38.Ademais, a adoção desse conceito ampliativo de insumo geraria uma incoerência sistemática decorrente do fato de o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, concederem créditos apenas em relação aos insumos utilizados nas atividades de produção de bens e de prestação de serviços e não concederem créditos aos insumos utilizados na atividade de revenda de bens. Com efeito, se adotado esse conceito ampliativo de insumo, não parece existir qualquer fundamento para excluir as pessoas jurídicas comerciais do direito a apuração desse crédito. 39.Já a interpretação restritiva do conceito de insumo adotada nesta Solução de Divergência tem o condão de explicar o motivo da exclusão da atividade comercial do direito de creditamento em relação à aquisição de insumos feita pelos citados dispositivos. Eis que, considerandose insumos apenas os bens e serviços diretamente relacionados à atividade de produção de bens e de prestação de serviços, no caso da revenda de bens esses insumos são exatamente os bens para revenda, armazenagem e frete na operação de venda, a cuja aquisição a Fl. 1423DF CARF MF 8 legislação conferiu expressamente direito de creditamento, no inciso I do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e nos incisos I e IX do art. 3º, c/c art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003. 40.Destarte, devese reconhecer que o termo insumo consignado no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de 2003, foi utilizado em sua acepção restritiva, para alcançar apenas bens e serviços direta e imediatamente relacionados com a produção de bens destinados à venda ou com a prestação de serviços a terceiros. (Grifos do original) O tratamento acima justifica a posição abaixo transcrita: 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matéria prima); a.2) sejam fornecidos na prestação de serviços pelo prestador ao tomador do serviço; a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou a.4) sejam consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa jurídica (tais como combustíveis, moldes, peças de reposição, etc); b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre: b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço; b.2) pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a prestação de serviço final disponibilizada ao público externo (como subcontratação de serviços, etc); c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. (Negritei.) Fl. 1424DF CARF MF Processo nº 10920.001873/200796 Acórdão n.º 9303006.631 CSRFT3 Fl. 1.421 9 No caso concreto, os valores relativos a contratação e agenciamento de mão deobra temporária, consistem em atividade meio e não caracterizam insumo, tendo uma relação apenas indireta com a produção. Nessa matéria, adoto o argumento exarado no voto do relator do acórdão da DRJ em Florianópolis, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, às efls. 1349 e 1350: Ingressandose na lide posta, verificase que o objeto da glosa corresponde a valores de despesas indiretas referentes a mão deobra temporária, tais como taxa administrativa e despesas médicas, discriminadas nas notas fiscais de prestação de serviços. A atividade de empresas de locação de serviços temporários apresenta normalmente uma característica mista entre prestação de serviços (agenciamento e recrutamento de mãodeobra) e locação de mãodeobra temporária para o tomador. Desta forma, os serviços prestados pela empresa de trabalho temporário não podem ser enquadrados no conceito de insumo retrocitado, visto que as atividades de agenciamento e de locação de mãodeobra obviamente não são aplicadas diretamente na produção de bens, contribuindo apenas de forma indireta para as atividadesfins da interessada, vez que a empresa de trabalho temporário atua na intermediação da contratação de trabalhadores nos casos expressamente previstos na Lei n° 6.019, 03 de janeiro de 1974. Percebese, portanto, que apenas o trabalho executado pelo empregado temporário é que pode ser considerado como consumido ou aplicado no processo produtivo e nunca os serviços prestados pela empresa de trabalho temporário, a qual atua na função de intermediária na contratação e na seleção dos mesmos. Nesse sentido, observese os termos da Lei n° 6.019, de 1974, in verbis: Art. 2º Trabalho temporário é aquele prestado por pessoa física a uma empresa, para atender à necessidade transitória de substituição de seu pessoal regular e permanente ou à acréscimo extraordinário de serviços. [...] Art. 4° Compreendese como empresa de trabalho temporário a pessoa física ou jurídica urbana, cuja atividade consiste em colocar à disposição de outras empresas, temporariamente, trabalhadores, devidamente qualificados, por elas remunerados e assistidos, (grifo nosso) Resta clara, portanto, a diferença entre o trabalho realizado pelos empregados temporários e o serviço prestado pela empresa de trabalho temporário. Enquanto no primeiro o objeto do contrato de prestação de serviços é o próprio serviço que será aplicado nas atividadesfim da contribuinte, na segunda Fl. 1425DF CARF MF 10 situação, agenciamento e a locação de mãodeobra, o objeto não é a prestação de serviços na atividade produtiva, mas sim a locação temporária de trabalhadores. Assim, como o objeto do contrato celebrado com a empresa de trabalho temporário é o agenciamento e a locação de mãode obra e não a prestação de um serviço consumido ou aplicado nas atividades produtivas, concluise não haver direito a desconto de créditos em relação às despesas com a contratação de mãodeobra temporária, vistos as mesmas não estarem expressamente previstas na legislação e não se conformarem ao conceito de insumo previsto em lei. (Sublinhei.) Neste processo não foi questionado se a mãodeobra poderia ou não ser considerada insumo. Ela foi considerada insumo, pois a decisão de primeira instância deixou bem claro que o valor da mãodeobra não foi objeto de glosa. A glosa recaiu apenas e tão somente sobre as demais despesas atreladas à mãodeobra, que foram embutidas no preço do serviço prestado. Evidentemente que, no caso concreto, as parcelas referentes aos pagamentos dessa notas que não foram originalmente glosadas, estão abrigadas pela impossibilidade de reformatio in pejus, contudo, as parcelas glosadas o foram corretamente. Já a contribuição para custeio do Serviço de Iluminação Pública COSIP não está diretamente relacionada à produção, mas sim à localização da empresa em determinado município, haja vista que tal contribuição decorre do art. 149A da Constituição Federal, com a seguinte redação: Art. 149A Os Municípios e o Distrito Federal poderão instituir contribuição, na forma das respectivas leis, para o custeio do serviço de iluminação pública, observado o disposto no art. 150, I e III.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 39, de 2002) Parágrafo único. É facultada a cobrança da contribuição a que se refere o caput, na fatura de consumo de energia elétrica.(Incluído pela Emenda Constitucional nº 39, de 2002) Claro está que essa contribuição não depende da produção e, por visar a iluminação pública, ainda que seja um custo para a empresa, não está diretamente vinculada à energia elétrica aplicada na produção, sendo necessária para realização de suas atividades administrativas como um todo. Aliás, também o voto da DRJ/FNS já salientava que a Lei nº 10.637/2002, em seu art. 3º, inc. IX, já definia que os créditos do PIS não cumulativo passíveis de desconto seriam calculados com base na "energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica". Ou seja, é o consumo de energia intrínseco à produção que leva ao crédito, mas não a contribuição para serviços de iluminação pública que pode, ou não, ter por base o consumo. Se a referida contribuição tivesse por base de cálculo o número de postes na rua (poderia a legislação municipal assim definir), não haveria qualquer dúvida de que inexistiria vínculo com a produção ou serviços das pessoas jurídicas. Dessarte, entendo que os gastos em litígio não caracterizam insumos necessários à produção do período, para fins de creditamento do PIS não cumulativo. Fl. 1426DF CARF MF Processo nº 10920.001873/200796 Acórdão n.º 9303006.631 CSRFT3 Fl. 1.422 11 Assim, com base em fundamento diverso daquele exposto pela recorrente, voto pelo provimento do recurso, para que sejam mantidas as glosas dos créditos relativos aos gastos com despesas tomadas por insumos no acórdão a quo. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, para darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1427DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.005655/2008-81
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas.
CONDIÇÃO DE DEPENDENTE. DESPESA COM INSTRUÇÃO. CONTRIBUINTE E DE DEPENDETES.
Condição de dependente estabelecida na legislação. Comprovação das despesas de instrução da própria contribuinte e de dependente para efeito de dedução do imposto. Comprovação da despesa e da dependência por documentos acostados ao processo.
Numero da decisão: 2001-000.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. CONDIÇÃO DE DEPENDENTE. DESPESA COM INSTRUÇÃO. CONTRIBUINTE E DE DEPENDETES. Condição de dependente estabelecida na legislação. Comprovação das despesas de instrução da própria contribuinte e de dependente para efeito de dedução do imposto. Comprovação da despesa e da dependência por documentos acostados ao processo.
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. CONDIÇÃO DE DEPENDENTE. DESPESA COM INSTRUÇÃO. CONTRIBUINTE E DE DEPENDETES. Condição de dependente estabelecida na legislação. Comprovação das despesas de instrução da própria contribuinte e de dependente para efeito de dedução do imposto. Comprovação da despesa e da dependência por documentos acostados ao processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 56 55 /2 00 8- 81 Fl. 145DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de despesas médicas, instrução e dependente. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 5.388,35, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2005. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura do lançamento, o fato de que a Recorrente deveria ter apresentado comprovação complementar referente aos pagamentos de despesas médicas, instrução e dependente, além dos recibos apresentados. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na comprovação da despesa, especialmente no que se refere a documentos suplementares aos recibos apresentados e identificação dos serviços prestados, como segue: Tratase de Notificação de Lançamento lavrada em face de Flávia Roberto Cançado, CPF 917.898.42620, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006, anocalendário 2005, formalizando a exigência de imposto suplementar de R$5.388,35, multa de oficio e juros de mora calculados até março de 2008, totalizando R$10.670,54. De acordo com os Relatórios de fls. 13 e 14 — Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal — o imposto ora lançado decorreu de glosa do valor de R$1.404,00, correspondente a dedução indevida com dependente bem como glosa do valor de R$3.065,00 indevidamente deduzido a titulo de despesas com instrução, pelo fato do dependente ter apresentado declaração em separado e as despesas relativas a Livraria Jofrafe Ltda. Foi glosado, ainda, o valor de R$15.125,00, deduzido a titulo de despesas médicas, por falta de comprovação do efetivo pagamento. Foi mantida apenas a parte de despesa médica referente a Unimed (R$3.717,18). (...) A notificação de lançamento foi lavrada, como relatado, pela glosa de dedução de um dependente, da correspondente despesa com instrução Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10680.005655/200881 Acórdão n.º 2001000.385 S2C0T1 Fl. 146 3 e por falta de comprovação de despesas médicas lançadas na Declaração de Ajuste Anual da contribuinte Exercício 2004. Na peça impugnatória, a contribuinte alega, em relação ao dependente glosado que tratase de seu marido, que não possuía renda no ano base em questão e que o mesmo apresentou a declaração de ajuste com valores zerados apenas para manter seu CPF. Consultando os sistemas da RFB, cumpre reconhecer razão à autuada já que na declaração, constante A fl. 23, não foram informados rendimentos tributáveis. Não constam quaisquer Dirf para o Sr. Marcos Tadeu Candido Ribeiro, que é marido da contribuinte, conforme ficou demonstrado na certidão de casamento (fl.22). A declaração foi apresentada com todos os campos zerados. Muito embora o correto nestes casos era apresentar a declaração de isento e não a declaração zerada, como aconteceu, no caso presente, entendo que não se pode atribuir um ônus desnecessário à contribuinte, razão pela qual deve ser reconhecido o direito de deduzir o valor relativo àquele dependente, bem como admitir a dedução da despesa de instrução, paga ao Centro de Ensino Superior de Vespasiano Ltda, devidamente comprovada pelos documento de fl. 24. Fica mantida a glosa do valor de R$867,00 de pagamento declarado a Livraria Jofrafe Ltda, por falta de previsão legal. Em relação a glosa de despesas médicas, a contribuinte alega que, ao atender a intimação apresentando todos os recibos de despesas médicas, cumpriu com todas as exigências. Diz que os apresenta novamente e que junta extratos bancários com valores de saques que suportam os pagamentos efetuados. Veja que ante ao valor das deduções pleiteadas, cabe à autoridade fiscal, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias para preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, que se infere da interpretação do §1° do artigo 73 do RIR/99. De acordo com o art. 8°, inc. II, alínea "a" da Lei n° 9.250, de 1995, na declaração de ajuste anual, para apuração da base de cálculo do imposto, poderão ser deduzidos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, restringindose aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao seu tratamento e ao de seus dependentes. De acordo com o § 2°, III do precitado dispositivo, a dedução fica condicionada ainda a que os pagamentos sejam especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação de cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Fl. 147DF CARF MF 4 Por sua vez, o art. 73 do Decreto n° 3.000, de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR11999, dispõe: "Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora." (DecretoLei n2 5.844, de 1943, art. 11, §32). (...) Nesta seara, salientese que, em principio, admitemse como provas de pagamentos os recibos fornecidos pelos profissionais prestadores dos serviços. Entretanto, como destacado na Notificação de Lançamento, pode a autoridade fiscal, a seu juízo, com base no citado art. 73 do RIR/1999, quando as deduções forem exageradas, exigir outros meios complementares de provas em relação a todas ou a algumas despesas declaradas. Exigese nesses casos, a comprovação da prestação dos serviços e, principalmente, da efetiva realização dos pagamentos correspondentes. Para a comprovação da efetividade dos pagamentos sugerese: cópias de cheques fornecidas pela instituição bancária, comprovantes de depósitos na conta do prestador dos serviços, comprovantes de transferências eletrônicas de fundos, transferências interbancárias, comprovantes de transmissão de ordens de pagamentos, e, no caso de pagamentos efetuados em dinheiro, extratos bancários que demonstrem a realização de saques em datas e valores coincidentes ou aproximados aos pagamentos em questão, podendo também a interessada apresentar outros que julgar convenientes, desde que surtam os devidos efeitos legais. Com efeito, inexiste obrigação legal de que o contribuinte efetue os pagamentos com cheque cruzado e nominal, mas deve ter em conta que, caso tenha intenção de beneficiarse de dedução de despesa médica, a questão passa a envolver não apenas ele e o profissional de saúde, mas também o Fisco. Nesse sentido, deve acautelarse, mantendo sob sua guarda os elementos de prova da efetividade do serviço e do pagamento, pois ao contribuinte incumbe o ônus da prova da regularidade da dedução pleiteada, ao contrário do que alega a impugnante. A situação tornase ainda mais complexa quando o interessado alega ter efetuado pagamento em dinheiro, como é o caso. Nada impede que o faça, mas é razoável admitir que o fato é de difícil comprovação. (...) Os recibos oferecidos, por si sós, são considerados insuficientes para a aceitação da referida dedução no montante declarado, levando em conta o valor envolvido, pois, na verdade, fazem prova tão somente das declarações neles contidas, não dos fatos declarados. (...) Ante o exposto, voto por considerar procedente em parte a impugnação ao lançamento consubstanciado na Notificação de Lançamento de fls. 12 a 15, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006, ano calendário 2005, para manter em parte o crédito tributário, que passa de R$5.388,35 para R$3.950,93 (três mil Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10680.005655/200881 Acórdão n.º 2001000.385 S2C0T1 Fl. 147 5 novecentos e cinquenta reais e noventa e três centavos) com os devidos acréscimos legais. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência parcial da impugnação para manter a exigência, em parte, o imposto suplementar de R$ 3.950,93, referente à glosa do valor das despesas deduzidas do imposto. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, a Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) De inicio sustenta o órgão julgador a quo que os recibos acostados aos autos não podem ser admitidos como única forma de prova das despesas médicas, razão pela qual não há comprovação suficiente das despesas médicas utilizadas pelo contribuinte recorrente. Os requisitos legais acerca de tais recibos são somente aqueles constantes do art. 80, § 1°, III do RIR/99, quais sejam exclusivamente a indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu. Sendo assim, percebese claramente que os recibos juntados atendem a tais requisitos, não podendo pairar dúvidas sobre eles. Assim, devem ser tidos como válidos os recibos apresentados. Por outro lado, no que se refere A alegação de que os recibos não podem ser admitidos como única forma de comprovação das despesas, é de se observar que o recibo emitido pelo beneficiário é prova suficiente, na relação civil firmada entre as partes, dos pagamentos firmados, não havendo na legislação tributária outros elementos necessários para provar a existência desta relação. E de se observar que o art. 80, § 1 0, inciso III do RIR/99 estabelece que será necessária a produção de outros meios de prova da despesa realizada, como a indicação do cheque nominativo pelo qual o pagamento foi efetuado, quando não existe a documentação comum para comprovar o pagamento, qual seja o respectivo recibo. Isto se observa quando este dispositivo diz que: "podendo, na falta de documentação, ser feita a indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento". Assim, como no presente caso todas as despesas consideradas pelo recorrente estão provadas através dos recibos, os quais atendem aos requisitos previstos na legislação, não há que se exigir outros elementos de prova. Neste ponto, se a lei não exige do contribuinte a apresentação de outro documento, não pode o agente público fazêlo, pena de ofensa ao principio da legalidade insculpido no art. 5°, II e 37 da CR/88. E não se pode dizer que as deduções pleiteadas são exageradas, posto que contemplam valores normais a serem pagos no período de 1 ano a profissionais da área de saúde. É de se observar que a recorrente é Fl. 149DF CARF MF 6 médica, o que faz com que saiba da necessidade de procurar bons profissionais, pagando os honorários por estes cobrados. Neste ponto é de se dizer que a glosa sob o argumento de que as deduções utilizadas são exageradas se pauta em fundamento extremamente superficial e subjetiva, insuficiente para fundamentar uma autuação tributária. Ora, como é por demais sabido, a Constituição da República garante a liberdade econômica e de iniciativa, podendo cada profissional estabelecer os honorários a serem pagos por seus serviços, bem como a forma com que estes honorários são pagos. Não pode o poder público estabelecer ingerência sobre isto, não podendo interferir na maneira pela qual o profissional define seus honorários e a maneira de pagamento/recebimento. Por outro lado, é livre o administrado, no caso a recorrente, para escolher o profissional que pretende contratar, especialmente para questões relacionadas aos cuidados com a saúde, cabendo à recorrente, e somente a ela, aceitar ou não os honorários e a forma de pagamento estabelecida por seus médicos e psicólogos. (...) Diante destas decisões, percebese que cabe ao fisco provar, de forma indubitável, que o contribuinte valeuse de recibos graciosos e falsos, ônus do qual o fisco não se desincumbiu no presente caso, o que é inquestionável, já que se valeu somente, repitase, de subjetivas incertezas, presunções e desconfianças. (...) De mais a mais, a prova produzida pela recorrente no presente caso é robusta. Além de apresentar todos os recibos com probatórios das despesas com saúde consideradas (recibos que atendem aos requisitos legais), a recorrente apresentou extratos bancários demonstrando saques suficientes para justificar todos os pagamentos realizados em dinheiro aos seus médicos, psicólogos, etc... Ora, não há qualquer impedimento que o contribuinte realize pagamento aos seus médicos, psicólogos, odontólogos, etc, em dinheiro. E no presente caso esta forma de pagamento está fartamente provada, não podendo pairar dúvidas sobre isto. (...) Importante destacar, neste ponto, que além dos extratos juntados, a recorrente juntou aos autos memorial descritivo indicando cada saque, realizado para fins de pagamento de cada uma de suas despesas exteriorizadas pelos recibos em questão. Ora, vejase que a recorrente teve o cuidado de demonstrar não s6 a regularidade de pagamentos em dinheiro, mas também o saque especifico realizado para cada pagamento especifico, vinculandoos. (...) Destarte, está fartamente comprovada a efetiva realização das despesas com saúde consideradas na Declaração de Ajuste Anual da recorrente, não havendo então razão para persistir a autuação neste ponto. Diante de todo o exposto, a contribuinte recorrente pede a reforma da decisão recorrida no ponto em que manteve a autuação, de forma a se considerar como válidos os recibos que demonstram pagamentos com despesas com saúde juntados aos autos, tendoos por aptos e Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10680.005655/200881 Acórdão n.º 2001000.385 S2C0T1 Fl. 148 7 legítimos para justificar a dedução destas despesas da base de cálculo do imposto de renda da recorrente, anulandose assim todo o auto de infração impugnado e extinguindose todo o crédito tributário por ele constituído. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A questão de ter o marido como dependente ficou superada pela decisão da DRJ, quando reconheceu a propriedade da classificação de dependente para efeitos fiscais, aceitando como dedutível as despesas por ele efetuadas e tendo a Recorrente como mantenedora, nos termos do referido Acórdão na parte que dá provimento às alegações da impugnação, como segue: Consultando os sistemas da RFB, cumpre reconhecer razão à autuada já que na declaração, constante as fls. 23, não foram informados rendimentos tributáveis. Não constam quaisquer Dirf para o Sr. Marcos Tadeu Candido Ribeiro, que é marido da contribuinte, conforme ficou demonstrado na certidão de casamento (fl.26). A declaração de ajuste foi apresentada com todos os campos zerados. Muito embora o correto nestes casos era apresentar a declaração de isento e não a declaração zerada, como aconteceu, no caso presente, entendo que não se pode atribuir um ônus desnecessário à contribuinte, razão pela qual deve ser reconhecido o direito de deduzir o valor relativo àquele dependente, bem como admitir a dedução das despesas de instrução, paga ao Centro de Ensino Superior de Vespasiano Ltda, devidamente comprovada pelos documento de fl. 24. Fica mantida a glosa do valor de R$867,00 de pagamento declarado a Livraria Jofrafe Ltda, por falta de previsão legal. No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo de prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e “b” e Fl. 151DF CARF MF 8 no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 e 81 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as préescolas; ao ensino fundamental; ao ensino médio; à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pósgraduação (mestrado, doutorado e especialização); e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico, até o limite anual individual de: (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Decreto nº 3.000/99 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10680.005655/200881 Acórdão n.º 2001000.385 S2C0T1 Fl. 149 9 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) (...) Art. 81. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de um mil e setecentos reais. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. Fl. 153DF CARF MF 10 O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma. Descabe, assim, o rigor na exigência para a apresentação de comprovação suplementar sobre o contribuinte possuidor da documentação originária do pagamento nas condições em que a lei estabelece, especialmente porque a autoridade fiscalizadora pode obter informação de confirmação da outra parte. Razão não há para a dissociação de ambos os polos na relação e estabelecer exigência rigorosa de um e nada de outro, porque a operação é conjunta e correspondente, com reflexos constatáveis nas informações dos dois contribuintes. Ademais, o dispositivo legal permite a comprovação por um ou outro meio, admitindo que na falta de um se faça através de outro. Não há no texto legal qualquer indicativo para a exigência das duas comprovações. Observese a clareza do texto quando diz (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99): “..., podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;”. Acrescentese, por oportuno, que o meio de pagamento ‘dinheiro vivo’ dispõe de força legal denominada ‘curso forçado’, ao contrário do ‘cheque’. Por isso a importância probante de relevância no documento que quita o pagamento, seja recibo ou nota fiscal de prestação de serviço. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada na lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. O Código Civil, Lei nº 10.406/2002, em seu art. 219 diz que: “As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiros em relação aos signatários.” Neste sentido, os recibos em questão presumemse verdadeiros porque aceitos pelas partes contratantes identificadas no documento, de forma que não é razoável a decisão do Fisco de rejeitar os comprovantes como prova válida, sem a indicação de elementos que os desqualifiquem. Se os documentos são válidos para o prestador dos serviços oferecer os valores à tributação, os mesmos documentos deverão ser válidos também para a dedução legal de quem os recebe como comprovação de pagamentos. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10680.005655/200881 Acórdão n.º 2001000.385 S2C0T1 Fl. 150 11 § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) No ordenamento jurídico brasileiro o decreto regulamentador é uma norma expedida pelo poder executivo que tem como função pormenorizar os preceitos fixados na lei, dentro dos limites nela insertos, sendo considerados, por isso, atos secundários. Seu alcance cingese aos limites da lei não podendo criar situações que obrigue ou limite direitos além daqueles constantes na lei que regulamenta. Neste quesito específico das deduções de despesas médicas temos o que dispõe a Lei nº 9.250/95, em seu art. 8º, § 2º, incisos II e III, que foi objetivamente regulamentado no Decreto 3.000/99, no art. 80, § 1º, incisos II e III. Assim, a regulamentação deste item de despesa dedutível aqui se esgota porque o objeto tratado foi abordado de forma direta e específica, não permitindo outras exigências porque a lei não concede extensões de procedimento fiscalizatório nem limitação quantitativa de direitos. Neste sentido descabe a utilização do art. 73 e seu § 1º, conforme citado no Lançamento, por se tratar de dispositivo genérico que aparece no Decreto Regulamentador no capítulo das Disposições Gerais de Deduções, vinculado ao longínquo DecretoLei nº 5.844 de 1943, muito distante no tempo e do contexto jurídico atual. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima citado, mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, inciso II, diz que “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Da mesma forma, o art. 150, inciso I, vai na mesma direção ao determinar que: “Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;”. A verdade posta é que ao reduzir ou limitar deduções a Autoridade Lançadora estaria aumentando tributo sem lei que estabeleça. Estamos sob a égide da Constituição Federal de 1988 e, quando a Carta Magna menciona o termo “lei” ela se refere aquele instrumento jurídico emanado do Poder Legislativo, como órgão de representação do povo, nascido do devido processo constitucional. O decretolei, por sua vez, constituíase numa espécie de ato normativo com origem no Poder Executivo em caso de urgência ou de interesse público relevante. Ou seja, um decreto que fazia às vezes de lei que vigorou até a Constituição Federal de 1988. A doutrina aceita que o decreto lei tenha valor vigorante enquanto não contrariar lei posterior. Contudo, o DecretoLei nº 5.844/1943, ao não constituirse em lei, contraria a Constituição vigente, nos dispositivos antes citados (inciso II, art. 5º e inciso I, art. 150 – CF/1988). Assim que, o art. 73 do Decreto nº 3.000/99 não encontra sustentação quando busca apoio no DecretoLei nº 5.844/1943, porque lei não é. Portanto, o juízo da autoridade lançadora não pode ser estabelecido de forma subjetiva, tampouco por critérios Fl. 155DF CARF MF 12 de proporcionalidades não definidos quanto à deduções exageradas. Tudo para o resguardo do recomendável equilíbrio da relação fiscocontribuinte e do equilíbrio do direito entre as partes na lide, a luz do ordenamento jurídico atual. A Lei não dispõe dessa parametrização e nem define de quanto deve ser essa dedução exagerada, tampouco fixa uma percentagem entre gasto com saúde e renda do contribuinte. Qual seria a quantificação razoável dessa comparação? Além disso, incabível a desconfiança fiscal de colocar em dúvida a existência de moléstia ou da necessidade de cuidados médicos ou odontológicos do contribuinte porque o que a lei realmente exige é a comprovação do pagamento da prestação de serviço. Eventual desconfiança de que o profissional teria fornecido comprovação de serviço que não prestou caracterizaria conluio entre as partes contratantes, o que não foi apontado no histórico do Lançamento. Admitirse que os recibos não representam uma verdadeira prestação de serviço conduz à conclusão lógica de que teria ocorrido conluio entre profissional e paciente, ambos contribuintes do imposto, com o objetivo de lesar o fisco, e assim estariam enquadrados em multa qualificada, o que não foi o caso de apontamento no Lançamento. Em socorro ao posicionamento que busca resguardar o direito do contribuinte tomamse emprestados os termos da doutrina que trata da necessária clareza da motivação nos atos da administração pública, trazida pelo sempre bem citado Hely Lopes Meireles, quando descreve a necessidade da motivação do ato administrativo, que assim se posiciona: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional.” No mesmo sentido a Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no seu art. 50, diz que: “os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; decidam processos administrativos de concurso ou seleção público; decidam recursos administrativos...”. O Novo Código de Processo Civil, embora posterior aos fatos da ocorrência do lançamento, pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque mais benéfico à Recorrente, contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10680.005655/200881 Acórdão n.º 2001000.385 S2C0T1 Fl. 151 13 Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. CONCLUSÃO Cabe ressaltar que a decisão de primeiro grau não veda a possibilidade da ocorrência de pagamento dos serviços em espécie porque a moeda brasileira é de curso forçado, obrigando a todos a aceitação em dinheiro para quitação de qualquer obrigação financeira, ao contrário de outros meios de pagamento. A decisão prolatada no Acórdão da DRJ não se fundamenta na falsidade documental, mas a falta de comprovação da necessidade da prestação do serviço médico, por documentação suplementar que indique a ocorrência de moléstia, como se a Autoridade Lançadora fosse ao mesmo tempo fiscal de rendas e dos serviços de saúde. Essa exigência da Autoridade Lançadora fazse inapropriada porque a legislação não requer comprovação da enfermidade, mas sim a comprovação dos pagamentos. No que se refere a limites, o legislador os fixa quando assim o quer. Faz isso, por exemplo, no caso do imposto sobre a renda, na dedução de despesas com instrução, em que limita os gastos com despesas escolares do contribuinte e de seus dependentes, independentemente do valor total que tenha dispendido com instrução no período. No caso de despesas médicas a lei não fixa limites, portanto, desarrazoado critério definidor de quantitativo, proporcionalidade sobre a renda ou qualquer outro parâmetro que “a juízo da autoridade lançadora” possa entender como “deduções exageradas” (art. 73 e §1º do Decreto nº 3.000/99, herdados do DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º e 4º), porque a lei em vigor assim não determina e, “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei” (inciso II, art. 5º, CF). Logo, legítima a dedução a título de despesas médicas do valor pago pela contribuinte, comprovado mediante apresentação de nota fiscal de prestação de serviço ou recibo, este assinado por profissional habilitado, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirma o seu pagamento. Desnecessária qualquer declaração posterior firmada pelo profissional prestador do serviço porque aqueles comprovantes já cumprem a função legalmente exigida. Destarte, é de considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante, até prova em contrário, de sua inidoneidade. A contestação da Autoridade Fiscal sobre a validade da Fl. 157DF CARF MF 14 documentação comprobatória deve ser apresentada com indícios consistentes e não somente por simples dúvida ou desconfiança. É de se acolher como verdadeira a prova apresentada pela contribuinte que satisfaça os requisitos previstos na legislação pertinente e, para eventual convicção contrária da Autoridade Lançadora, esta deverá ser posta com fundamentos consistentes que a sustentem legalmente e não subjetivamente. Por fim, incabível a exigência que perpassa a relação fiscocontribuinte no intento de comprovar a necessidade do atendimento médico sobre informações que dizem respeito tão somente a relação médicopaciente, em resguardo a intimidade pessoal na questão de saúde da pessoa fiscalizada, de vez que situações absolutamente diferentes e sem pertinência simultânea. No caso, constatase nos autos que os serviços prestados correspondem a especialidade técnica de profissional habilitado na área médica, de acordo com as necessidades especificas dos beneficiários dos tratamentos e, com o fornecimento de comprovantes de pagamento dos serviços prestados. Foram anexados ao processo, em complementação, documentos que suprem as exigências da autoridade autuante, notadamente no que se refere à identificação dos pagamentos mediante apresentação de demonstrativo de retiradas de valores das contas bancárias, como se vê nas fls. 42 a 45, além da farta apresentação de cópias das contas bancárias que identificam a movimentação financeira em volumes e datas compatíveis com as despesas realizadas, identificandoas, mediante sinalização no próprio extrato bancário. Neste sentido, a apresentação de documentação complementar não inova e supre a exigência fiscal, como constatável no processo. Assim que, no exame da documentação acostada ao processo, verificase que a Recorrente apresentou a documentação comprobatória das despesas realizadas e a correspondente comprovação dos pagamentos aos profissionais, na forma exigida pela legislação, e por isso a utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PROVIMENTO, restabelecendose a dedução das despesas, restando, por consequência, improcedente a íntegra do lançamento. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 158DF CARF MF
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