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Numero do processo: 10920.725863/2018-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 04 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2014 a 31/10/2015 SÚMULA CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Em não tendo restado caracterizado prejuízo ao sujeito passivo, violação aos princípios do contraditório e ampla defesa e/ou a ocorrência de quaisquer das hipóteses constantes do art. 59 do Decreto no. 70.235, de 1972, de se descartar a ocorrência da nulidade arguida. COMPENSAÇÃO EFETIVADA EM GFIP. DIREITO CREDITÓRIO CONTROVERSO. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA DECISÃO JUDICIAL. ART. 170-A DO CTN. LANÇAMENTO ADEQUADO AO CONTROLE DE LEGALIDADE. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. O procedimento de compensação é uma faculdade conferida ao contribuinte que deve comprovar de forma inequívoca ter dela se utilizado nos termos da lei. Nos termos do art. 170-A do Código Tributário Nacional, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. STJ. TEMA REPETITIVO Nº 346. Nos termos do art. 170-A do CTN, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido. MULTA. COMPENSAÇÃO EM GFIP. SÚMULA CARF 206. A compensação de valores discutidos em ações judiciais antes do trânsito em julgado, efetuada em inobservância a decisão judicial e ao art. 170-A do CTN, configura hipótese de aplicação da multa isolada em dobro, prevista no § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212/1991. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. SÚMULA CARF nº 163. A diligência não se destina a suprir comprovação falha ou inexistente pela parte a quem incumbe o ônus probatório, na forma legalmente estipulada. O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. INTIMAÇÃO NA PESSOA DO PATRONO. SÚMULA CARF nº 110. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. PEDIDO DE SUSTENTAÇÃO ORAL. Os pedidos de sustentação oral devem ser encaminhados por meio de requerimento próprio, respeitando-se a forma e o prazo estabelecidos no Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1634 de 21 de dezembro de 2023 e nas demais normas atinentes ao tema, expedidas por seu Presidente.
Numero da decisão: 2101-003.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo das alegações relacionadas à inconstitucionalidade da lei tributária vigente; na parte conhecida, por rejeitar a preliminar de nulidade e negar-lhe provimento. Sala de Sessões, em 04 de agosto de 2026. Assinado Digitalmente Heitor de Souza Lima Junior - Relator e Presidente Substituto Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ana Carolina Silva Barbosa, Débora Fófano dos Santos, Heitor de Souza Lima Junior (Presidente Substituto), Rafael de Aguiar Hirano (Substituto Integral), Roberto Junqueira de Alvarenga Neto e Silvio Lúcio de Oliveira Junior.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2014 a 31/10/2015 SÚMULA CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Em não tendo restado caracterizado prejuízo ao sujeito passivo, violação aos princípios do contraditório e ampla defesa e/ou a ocorrência de quaisquer das hipóteses constantes do art. 59 do Decreto no. 70.235, de 1972, de se descartar a ocorrência da nulidade arguida. COMPENSAÇÃO EFETIVADA EM GFIP. DIREITO CREDITÓRIO CONTROVERSO. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA DECISÃO JUDICIAL. ART. 170-A DO CTN. LANÇAMENTO ADEQUADO AO CONTROLE DE LEGALIDADE. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. O procedimento de compensação é uma faculdade conferida ao contribuinte que deve comprovar de forma inequívoca ter dela se utilizado nos termos da lei. Nos termos do art. 170-A do Código Tributário Nacional, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. STJ. TEMA REPETITIVO Nº 346. Nos termos do art. 170-A do CTN, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito Fl. 4733DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.938 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.725863/2018-01 2 passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido. MULTA. COMPENSAÇÃO EM GFIP. SÚMULA CARF 206. A compensação de valores discutidos em ações judiciais antes do trânsito em julgado, efetuada em inobservância a decisão judicial e ao art. 170-A do CTN, configura hipótese de aplicação da multa isolada em dobro, prevista no § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212/1991. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. SÚMULA CARF nº 163. A diligência não se destina a suprir comprovação falha ou inexistente pela parte a quem incumbe o ônus probatório, na forma legalmente estipulada. O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. INTIMAÇÃO NA PESSOA DO PATRONO. SÚMULA CARF nº 110. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. PEDIDO DE SUSTENTAÇÃO ORAL. Os pedidos de sustentação oral devem ser encaminhados por meio de requerimento próprio, respeitando-se a forma e o prazo estabelecidos no Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1634 de 21 de dezembro de 2023 e nas demais normas atinentes ao tema, expedidas por seu Presidente. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo das alegações relacionadas à inconstitucionalidade da lei tributária vigente; na parte conhecida, por rejeitar a preliminar de nulidade e negar-lhe provimento. Sala de Sessões, em 04 de agosto de 2026. Assinado Digitalmente Heitor de Souza Lima Junior – Relator e Presidente Substituto Fl. 4734DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.938 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.725863/2018-01 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ana Carolina Silva Barbosa, Débora Fófano dos Santos, Heitor de Souza Lima Junior (Presidente Substituto), Rafael de Aguiar Hirano (Substituto Integral), Roberto Junqueira de Alvarenga Neto e Silvio Lúcio de Oliveira Junior. RELATÓRIO O resumo do feito até a fase impugnatória encontra-se corretamente delineado no relatório da autoridade julgadora de 1ª. instância de e-fls. 4.673 a 4.675: “(...) Trata-se de aplicação da multa isolada por compensação com falsidade na declaração, no percentual de 150%, incidente sobre o valor de compensações de contribuições previdenciárias efetuadas indevidamente em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, consolidada em 26/11/2018, no valor de R$ 7.330.768,77, competências de 01/2014 a 10/2015. No Termo de Verificação Fiscal - TVF de fls. 4.217/4.228, consta o seguinte: O Despacho Decisório (anexo ao presente processo às fls. 4.194/4.215), emitido no processo administrativo 10920.725034/2018-10, não homologou as compensações declaradas em GFIP no período de 01/2014 a 10/2015. Ao ser intimada a justificar as compensações, a empresa justificou seu procedimento apresentando 17 ações judiciais (fls. 3.914/3.943). Constatou-se que onze dessas ações judiciais não haviam transitado em julgado. Das seis ações que transitaram em julgado, três transitaram em julgado com extinção do processo sem julgamento do mérito. As outras três ações transitaram em julgado em data posterior a da realização das compensações. Foi relatado ainda que os diversos acórdãos e sentenças prolatados nos processos judiciais determinaram expressamente a aplicação do art. 170-A do CTN, ou seja, que a compensação só poderia ser efetuada após o trânsito em julgado. Conforme o DD, o contribuinte não apenas desobedeceu ao CTN, mas à determinação expressa da Justiça. A Auditoria Fiscal acrescentou que a empresa tinha conhecimento de que não poderia ter efetuado as compensações, o que não a impediu de fazê-lo, produzindo informação falsa em GFIP, posto que não tinha o direito à compensação e que não há como alegar desconhecimento do que foi determinado pela Justiça Federal e pelo CTN, logo, seus créditos eram sabidamente inexistentes. Conforme disposto no § 10, do art. 89 da Lei n° 8.212/1991 foi aplicada a multa isolada no percentual previsto no inciso I, do caput do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, aplicado em dobro, pois foi constatada a falsidade na declaração, e a multa teve como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Fl. 4735DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.938 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.725863/2018-01 4 A Fiscalização acrescentou que a inserção de crédito indevido nas GFIP foi objeto de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), pois ficou caracterizada, em tese, a prática do crime contra a ordem tributária, nos termos da Lei n° 8.137/1990. Impugnação O contribuinte foi cientificado do auto de infração em 26/11/2018, conforme termo às fls. 4.236 e apresentou impugnação em 07/12/2018 de fls. 4.240/4.268, em síntese, com os seguintes argumentos: Inicialmente apresenta os argumentos transcritos a seguir: Desse modo, não há como aplicar uma multa isolada a um suposto crédito onde a compensação foi devidamente homologada. Não se mostra razoável a manutenção do Lançamento, posto que, de fácil constatação a indubitável descrição dos fatos que ensejaram a elaboração do auto de infração, não é insuficiente para sua correta compreensão, principalmente por ter a compensação devidamente homologada. Forte nessas razões, portanto, à medida que a própria Ordem Constitucional exige não é outra senão a anulação do auto de infração, porquanto preteriu o direito de defesa da Impugnante. Da suspensão de exigibilidade Requer a suspensão de exigibilidade em razão da manifestação de inconformidade apresentada. Do não cabimento da multa isolada. Caráter confiscatório da penalidade imputada. Afirma que a melhor doutrina tem entendido que multas elevadas são verdadeiros instrumentos para intimidar os contribuintes de exercerem o direito de pleitear o reconhecimento de seus créditos perante a Fazenda Nacional. Alega que a multa instituída é excessiva e inconstitucional, pois viola: o direito de petição previsto no artigo 5°, inciso XXXIV da CF/88; a garantia do devido processo legal prevista no artigo 50, VI da CF/88; os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade. Apresenta doutrina e jurisprudência. Da legalidade da compensação prevista no artigo 66 da lei n° 8.383/1991. Diz que o disposto no art. 66 da Lei n° 8.383/1991, faculta ao contribuinte a possibilidade de utilizar os créditos com a Fazenda Pública (tributos pagos a maior ou indevidamente), em procedimento de compensação, independentemente de autorização da Administração Pública ou de sentença transitada em julgado. Apresenta decisão do STJ e doutrina. Diz que a Lei n° 8.383/1991, em seu artigo 66, trata de uma modalidade de compensação passível de ser realizada pelo contribuinte no âmbito do lançamento por homologação, sujeita a posterior fiscalização. O art. 170 do Código Tributário — e seu apêndice, o artigo 170-A - cuidam de outra modalidade de compensação, realizada diretamente pelos agentes fiscais a pedido do Fl. 4736DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.938 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.725863/2018-01 5 contribuinte, e que extingue o crédito tributário (já constituído, portanto), nos termos do art. 156, II, do CTN. Assevera que não pode a administração vincular o procedimento de compensação ao trânsito em julgado de ação judicial, por não ser aplicável ao procedimento de compensação realizado. Amparo à compensação antes do trânsito em julgado Apresenta decisão do CARF na qual foi considerada correta compensação realizada antes do trânsito em julgado de ação judicial sobre o PIS. Por fim, requer: a) a desconstituição total da multa isolada em razão da ausência de qualquer ilegalidade, dolo ou má fé, devendo ser anulado também o despacho decisório e ser reconhecida a legalidade da compensação efetuada; b) a relevação da multa isolada para patamar condizente com a realidade dos fatos; c) a intimação na pessoa do representante legal infra-assinado para oportuna sustentação oral, quando do julgamento da referida Impugnação; bem como a realização de diligências necessárias para o real deslinde do feito.” 2. A manifestação de inconformidade foi conhecida e unanimemente julgada improcedente, na forma de Acórdão DRJ/BHE nº 02-93.587, de e-fls. 4.671 a 4.680, cuja ementa é a seguir transcrita: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2014 a 31/10/2015 MULTA ISOLADA. Na hipótese de compensação indevida, quando comprovada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte fica sujeito à multa isolada aplicada nos termos da legislação que rege a matéria. NULIDADE Não há que se falar em nulidade quando a exigência fiscal sustenta-se em processo instruído com todas as peças indispensáveis, contendo o lançamento descrição da legislação e dos fatos suficientes para o conhecimento da infração cometida e não se vislumbrando nos autos a ocorrência de preterição do direito de defesa. COMPENSAÇÃO. GLOSA. Serão glosados pelo Fisco os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS OBJETO DE CONTESTAÇÃO JUDICIAL. Fl. 4737DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.938 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.725863/2018-01 6 A compensação mediante o aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo só pode ocorrer após o trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório. VINCULAÇÃO DA RFB. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. A vinculação da RFB a entendimento contido em decisão judicial proferida no âmbito de Recurso Especial repetitivo ou de Recurso Extraordinário com repercussão geral somente ocorre após a manifestação da PGFN por meio de nota explicativa. DILIGÊNCIA. A autoridade julgadora de primeira instância rejeitará a realização de diligência quando entendê-la desnecessária. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. Os avisos, intimações e notificações ao contribuinte devem ser efetuados no domicílio tributário do sujeito passivo, que corresponde ao endereço fornecido pelo próprio contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais. SUSTENTAÇÃO ORAL. No processo administrativo fiscal não há previsão para a realização de sustentação oral em julgamentos de primeira instância. CONEXÃO. Devem ser analisados em conjunto com o processo principal os processos vinculados por conexão. 3. Devidamente cientificada a contribuinte em 08.07.2019 (e-fl. 4.687), foi apresentado, em 05.08.2019 (e-fls. 4.688/4.689), Recurso Voluntário de e-fls. 4.690 a 4.719, onde a contribuinte pugna por sua tempestividade e faz nova síntese dos fatos, agora abrangendo o iter processual até a decisão recorrida. A seguir, são reprisados os argumentos já deduzidos em sede de impugnação, ipsis litteris, para, ao final, requerer: a) preliminarmente, a anulação do despacho decisório denegatório por preterição do direito de defesa, ou, subsidiariamente, no mérito, sua anulação por insubsistência, ensejando, assim, a convalidação da compensação efetuada, inexistindo tributo ou qualquer cominação que dele advenha a ser recolhido, ainda que em parte, pela contribuinte, bem como a desconsideração da multa de mora e da multa isolada no importe de 150%. b) a intimação da Recorrente na pessoa de seu representante legal infra-assinado para oportuna sustentação oral, quando do julgamento da referido Recurso, bem como a realização de diligências necessárias para o real deslinde do feito e regularização da fiscalização realizada. Fl. 4738DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.938 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.725863/2018-01 7 c) Que, sob pena de nulidade, que as publicações e/ou intimações referentes ao presente feito sejam sempre lançadas em nome do patrono. 4. É o relatório. VOTO Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator 1. Da admissibilidade do recurso voluntário 5. Devidamente cientificada a contribuinte em 08.07.2019 (e-fl. 4.687), foi apresentado, em 05.08.2019 (e-fls. 4.688/4.689), Recurso Voluntário de e-fls. 4.690 a 4.719. Assim, o pleito é tempestivo, esclarecendo-se aos recorrentes, também, que a suspensão de exigibilidade do crédito tributário, com fulcro no art. 151, III do Código Tributário Nacional, já se encontra efetivada em decorrência de expressa disposição legal, restando incabível assim qualquer manifestação deste Colegiado quanto ao tema. 6. Dessarte, entendo obedecidos os pressupostos de admissibilidade do recurso, com exceção, somente, de hipóteses específicas de não conhecimento, a serem elencadas quando da análise das alegações preliminares e de mérito (a ser realizada segregadamente, em tópicos a seguir), restando atendidos os pleitos da recorrente no que diz respeito: a) à tempestividade e ao seguimento do recurso (reitere-se, com exceções pontuais de não conhecimento a seguir); b) à suspensão de exigibilidade dos débitos objeto de lançamento e c) Ainda, quanto à apreciação conjunta com o Processo 10920.725863/2018-01, cujo julgamento se realiza também na presente sessão. 2. Conhecimento e preliminares 2.1 Quanto aos argumentos relacionados à inconstitucionalidade da lei tributária (Súmula CARF no. 02) 7. Esclareça-se aos recorrentes, preliminarmente, que a Súmula CARF no. 02 é de obediência obrigatória por este Colegiado, na forma de art. 123, §4º., do Regimento Interno deste CARF vigente (Portaria MF no. 1.634, de 21 de dezembro de 2023) c/c art. 25, II do Decreto no. 70.235, de 1972. Assim estabelece a Súmula: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 8. A partir do acima disposto, faço notar que: Fl. 4739DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.938 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.725863/2018-01 8 a) A citada Súmula estabelece a incompetência deste Tribunal para apreciação de arguições de constitucionalidade da lei tributária (aqui inclusos os dispositivos de lei que regram a exigência da contribuição patronal que ora se discute) e b) Ainda, verifico que há, por diversas vezes (mais especificamente, no item IV do Recurso de e-fls. 4.697 a 4.706) alegações de inconstitucionalidade do dispositivo instituidor da multa previdenciária discutida, por alegadamente violador de princípios constitucionais, em especial dos princípios da não-confisco, isonomia, tributária, moralidade, proporcionalidade e razoabilidade. 9. Assim, ao concluir pela incompetência deste CARF, não conheço das alegações relacionadas à inconstitucionalidade da lei vigente regradora da exigência de multa ora discutida, constantes do item IV do pleito recursal. 10. Prossegue-se assim na análise quanto à parte conhecida do pleito. 2.2 Quanto à preliminar de nulidade 11. Quanto ao tema, esclareça-se à recorrente que, em linha com a decisão de piso, não há que se falar aqui em compensação homologada, tendo sido, inclusive a denegação da compensação mantida quando da análise, por este Colegiado, do feito correlacionado (Processo 10920.725034/2018-10), mantido, assim, sem reparos o trecho de e-fls. 4.674/4.675, ora adotado como fundamentação com fulcro no art. 114, 12, I do RICARF, já novamente rechaçada, ali, também a alegação de bis in idem deduzida no feito conexo e já também rejeitada por este Colegiado, verbis: “(...) A defesa apresentou as seguintes considerações iniciais: Desse modo, não há como aplicar uma multa isolada a um suposto crédito onde a compensação foi devidamente homologada. Não se mostra razoável a manutenção do Lançamento, posto que, de fácil constatação a indubitável descrição dos fatos que ensejaram a elaboração do auto de infração, não é insuficiente para sua correta compreensão, principalmente por ter a compensação devidamente homologada. Forte nessas razões, portanto, à medida que a própria Ordem Constitucional exige não é outra senão a anulação do auto de infração, porquanto preteriu o direito de defesa da Impugnante. Tal argumentação apresenta-se confusa e contraditória e, portanto não tem o condão de infirmar as conclusões fiscais. Equivoca-se a defesa ao afirmar que a multa isolada não é devida porque a "compensação foi devidamente homologada", pois as compensações efetuadas não foram homologadas conforme DD, anexo ao presente processo às fls. 4.194/4.215, emitido no processo administrativo 10920.725034/2018-10. E ainda, Fl. 4740DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.938 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.725863/2018-01 9 conforme consta no trecho do referido DD, citado a seguir, não houve nenhuma decisão anterior acerca do pretenso direito creditório homologando as compensações: Assim, em nenhum momento, o encerramento formal da fiscalização promovida pela SAFIS constituiu declaração de correção do procedimento efetuado pelo contribuinte. Ao contrário, houve comunicação interna dos fatos apurados à SAORT, seção competente para o prosseguimento dos trabalhos. O contribuinte, naturalmente, não tem a obrigação de entender a divisão interna das tarefas entre as seções da RFB, motivo pelo qual trazemos os presentes esclarecimentos, para que não reste dúvida em relação à legitimidade da atuação da SAORT. (grifos nossos) Ao mesmo tempo que a defesa alega, de forma genérica, que seu direito de defesa foi preterido, afirma que "... a indubitável descrição dos fatos que ensejaram a elaboração do auto de infração, não é insuficiente para sua correta compreensão, principalmente por ter a compensação devidamente homologada." Ora, se a descrição dos fatos não é insuficiente para sua correta compreensão, não há que se falar em preterição do direito de defesa. Ademais, ao contrário do que afirma a defesa, como dito acima, as compensações não foram homologadas. (...)” 12. Ainda acerca da preliminar de nulidade levantada pela Recorrente, com a devida vênia aos que adotam posicionamento diverso, entendo, em linha com todo o arcabouço normativo-doutrinário aplicável às nulidades no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, que somente é de se cogitar de nulidade, quando: a) esteja caracterizado efetivo prejuízo ao contribuinte (pas de nullité sans grief), com prejuízo aqui entendido como violação ao sistema de garantias processuais e/ou materiais legalmente disponibilizadas ao contribuinte e/ou b) se encontrem caracterizadas as hipóteses de nulidade estabelecidas pelos arts. 59, I e II do Decreto no. 70.235, de 06 de março de 1972 (PAF), verbis: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 13. Ou seja, uma vez não caracterizada nem a existência de prejuízo ao contribuinte, nem a ocorrência de quaisquer das hipóteses acima elencadas pelo art. 59 do PAF, entendo que é de se rechaçar a decretação da nulidade de quaisquer dos atos administrativos litigados, sem qualquer impedimento, todavia, a que, ao se adentrar o mérito do Recurso Voluntário, possa o Colegiado julgá-lo parcial ou totalmente procedente, caso se aceda à tese esposada pelo Recorrente, infirmando, assim, a tese jurídica que lastreou a improcedência da Fl. 4741DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.938 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.725863/2018-01 10 manifestação de inconformidade formalizada, tudo em linha com o disposto no art. 59, §3º. do já referido Decreto no. 70.235, de 1972. Art. 59 (...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). 14. Defende-se, assim, que a solução mais adequada a ser adotada processualmente é o prosseguimento da análise para fins de provimento ou não do Recurso (e não a decretação de nulidade do ato), sempre que se puder concluir que no processo administrativo fiscal sob análise: a) não houve prejuízo (violação ao sistema de garantias disponibilizado) ao contribuinte e/ou caracterização de quaisquer das hipóteses de nulidade elencadas no art. 59, I e II do Decreto no. 70.235, de 1972, mas, sim, b) o que há é tão somente a alegação, por parte do Recorrente, de ocorrência de violação ao arcabouço normativo em vigor, de forma a que se devesse proceder o reconhecimento da improcedência do ato litigado. 15. Ainda, de se notar que tal posicionamento - decretação de nulidade somente nos casos de prejuízo e/ou nas hipóteses previstas no art. 59, I e II do PAF, com precedência do provimento recursal, a partir da análise de seu mérito, se aplicável - é suportado por jurisprudência de longa data oriunda do STJ e do CARF, este último em sua instância máxima, na forma abaixo reproduzida. STJ PROCESSUAL E TRIBUTÁRIO - IMPRECISÃO NA CARACTERIZAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO - ASSINATURA DE TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA - INTIMAÇÃO - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - FORMALIDADE - INEXISTÊNCIA DE NULIDADE SEM PREJUÍZO - IMPUGNAÇÃO - PRINCÍPIO DA EVENTUALIDADE - VENIRE CONTRA FACTUM PROPRIUM - AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO - AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. 1. Hipótese em que, ao longo do processo administrativo fiscal, a recorrente foi caracterizada ora como contribuinte solidária, ora como responsável solidária, não tendo sido mencionada expressamente no auto de infração, embora tenha assinado Termo de Sujeição Passiva Solidária. 2. Não obstante a inconsistência na qualificação específica da empresa em momentos distintos (contribuinte/responsável), o auto de infração determinou a intimação tanto do contribuinte quanto do responsável, o que é suficiente para suprir a exigência de que o sujeito passivo tenha ciência do ato administrativo. Fl. 4742DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.938 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.725863/2018-01 11 3. A formalidade é característica do processo administrativo fiscal, mas não há nulidade sem que tenha havido prejuízo, o qual, no caso, consistiria na supressão da oportunidade de apresentar impugnação. E o prejuízo foi afastado exatamente pela apresentação da impugnação. (grifei) 4. Não é relevante a ausência de considerações sobre o lançamento tributário na impugnação, pois a abrangência da defesa deduzida é determinada pela impugnante. Incide no processo administrativo o princípio da eventualidade. Se não observado, impossibilita seja dada à impugnante outra oportunidade para sanar dificuldade imposta por sua própria conduta (venire contra factum propium). 5. Inviável o conhecimento do dissídio jurisprudencial pela ausência de cotejo analítico, que não se satisfaz com a transcrição de ementas. 6. Não ocorre violação do art. 535 do CPC quando o acórdão recorrido apresenta fundamentos suficientes para formar o seu convencimento e refutar os argumentos contrários ao seu entendimento. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (STJ. REsp 949959/PR. 2ª. Turma. Relatora: Min. Eliana Calmon, Data de Julgamento: 10/11/2009, Publicado no DJe de 19/11/2009) Acórdão CSRF/02-02.301 NORMAS PROCESSUAIS - CAPITULAÇÃO LEGAL. NULIDADE INEXISTENTE. O estabelecimento autuado defende-se dos fatos a ele imputado, e não do dispositivo legal mencionado na acusação fiscal. Não existe prejuízo à defesa quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos amoldam-se perfeitamente às infrações imputadas à empresa fiscalizada. Não há nulidade sem prejuízo. (grifei) 16. Feita tal digressão, de se registrar que, no caso sob análise, o Despacho Decisório de e-fls. 4.195 a 4.216 do Processo conexo de no. 10920.725034/2018-10 e o presente auto de infração de e-fls. 4.216 a 4.231 foram formalizados por autoridade competente e que, na forma que se segue no presente voto, a partir da possibilidade deste CARF analisar de forma plena o referido Auto de Infração (e já tendo sido analisado o Despacho Decisório no âmbito do processo conexo), não resta caracterizado qualquer prejuízo ao exercício da ampla defesa pelo contribuinte (ou seja, ao se admitir o poder deste CARF de decidir a favor do contribuinte quanto ao mérito do recurso, assim oportunizada a ampla defesa ao sujeito passivo). 17. Ainda, nota-se que a contribuinte demonstrou ter plena compreensão e conhecimento da detalhada motivação constante do citado Auto de Infração, de forma a se poder concluir ter-lhe sido propiciado também o exercício de sua ampla defesa, seja através da impugnação de e-fls. 4.240 a 4.268, seja através do presente pleito recursal que se analisa, de e- fls. 4.690 a 4.719, sem qualquer prejuízo. Fl. 4743DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.938 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.725863/2018-01 12 18. Dessarte, diante do acima exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade aventada pela recorrente. 5. Da aplicabilidade do art. 66 da Lei no. 8.383, de 1991 e do art. 170–A do CTN 19. Acerca do tema, novamente correto o Acórdão recorrido, ao estabelecer que a aplicação do art. 66, caput, da Lei no. 8.383, de 1991, e do art. 165, I do CTN, dependem da caracterização de se estar diante de “(...) tributo indevido ou maior que devido em face da legislação aplicável”, assim entendido a partir da interpretação adotada pela Administração Tributária (RFB) acerca da base de cálculo e consequente valor devido do tributo, o que não é o caso do direito creditório ora alegado. 20. Ou seja, no presente caso, o que se constata é que não há que se falar em tributo devido ou maior que o devido, visto que não há previsão expressa de não incidência constante da legislação tributária ou reconhecimento de não incidência a partir da adoção da interpretação propugnada pela RFB, rejeitando-se de pronto, dessarte, a hipótese levantada pela recorrente de aplicabilidade de “auto compensação” (sem a participação/comunicação da/à Administração), com qualquer compensação tencionada desde 2002, ainda, sujeita ainda à apresentação de Declaração de Compensação (DCOMP), na forma da alteração promovida pelo art. 49 da Lei no. 10.637, de 2002. Veja-se os dispositivos (grifos deste Relator): Lei 8.383/91 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) CTN Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual fôr a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do art. 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Lei 10.637/2002 Art. 49. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: Produção de efeito "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na Fl. 4744DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9069.htm#art66 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9069.htm#art66 D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.938 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.725863/2018-01 13 compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (grifos do relator do presente recurso voluntário). § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: I - o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II - os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo."(NR) 21. Em tal cenário, seja quando da intenção de afastamento da aplicação de dispositivo constante da referida lei tributária, seja quando dissonante a interpretação dada pelo sujeito passivo à lei tributária em relação à da Administração, estabelece-se a hipótese alternativa de contestação judicial pelo sujeito passivo e posterior compensação, na forma expressamente disposta no art. 170-A, do CTN, tendo o legislador, ali optado, porém, note-se, de forma expressa, por eleger o trânsito em julgado anterior como condição necessária a ser obedecida para fins de compensação. Veja-se: Art. 170-A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) 22. Assim, conclusivamente, na situação em lide, já que a Administração Tributária não referenda a interpretação defendida pelo recorrente no que diz respeito à não incidência de contribuições previdenciárias sobre determinadas rubricas (que gerariam o direito creditório alegado) e, ainda, tendo o contribuinte incontroversamente escolhido pela contestação judicial quanto aos temas, resta afastada a possibilidade de auto compensação sem a anuência da Administração Tributária na forma alegada, tornando-se assim aplicável a necessidade de trânsito em julgado da compensação estabelecida pelo art. 170-A do CTN, e, dessarte, irretocável a decisão de piso, novamente, ao estabelecer (e-fl. 4.679, ali ratificando também a interpretação da legislação adotada pela RFB), que: Fl. 4745DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.938 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.725863/2018-01 14 “(...) Nesse caso, a existência de “tributo indevido” deve ser declarada por decisão judicial transitada em julgado, não sendo essa a situação dos autos. Os valores recolhidos que o contribuinte quer utilizar nas compensações estão de acordo com a legislação de regência. Além disso, ele não trouxe aos autos nenhuma decisão judicial transitada em julgado antes de realizar as compensações que amparasse o seu direito creditório. Esclareça-se que, para se ter direito à compensação, segundo o CTN, art. 170, o crédito tributário deve ser líquido e certo, e tal fato não restou evidenciado nos autos. Na verdade, os fatos geradores constam de previsão normativa ainda não abrangida por pronunciamento legislativo, judicial ou executivo que lhes retire aplicabilidade, razão pela qual, não contando com pronunciamento judicial específico transitado em julgado a exonerá-lo de tais exações, as mesmas devem ser pagas e seus valores não podem ser utilizados como créditos para efeito de compensação. Como consequência, o contribuinte ao reduzir o montante da contribuição que deveria ter recolhido e declarado como formalmente devida, com a inclusão de informação de crédito não reconhecido em GFIP, descumpriu as disposições do CTN supracitadas. (...)” 23. Por fim, ressalte-se que, quanto à matéria ora discutida (compensação de verbas oriunda de rubricas não sujeitas à incidência por inconstitucionalidade), a aplicabilidade do art. 170-A é pacífica, tanto no entendimento do STJ (Tema 346) como no entendimento deste Colegiado, consoante Acórdão CARF no. 2101-003.740, de 23/04/2026, onde acompanhei a Relatora Ana Carolina da Silva Barbosa, em posicionamento ali unânime, verbis: STJ Nos termos do art. 170-A do CTN, 'é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial', vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido. Acórdão CARF no. 2101-003.740 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2013 a 31/08/2014 CONHECIMENTO. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA. SÚMULA CARF. 28. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Fl. 4746DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.938 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.725863/2018-01 15 CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA CARF Nº 1. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. COMPENSAÇÃO EFETIVADA EM GFIP. DIREITO CREDITÓRIO CONTROVERSO. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO DA RESPECTIVA DECISÃO JUDICIAL. ART. 170-A DO CTN. LANÇAMENTO ADEQUADO AO CONTROLE DE LEGALIDADE. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. O procedimento de compensação é uma faculdade conferida ao contribuinte que deve comprovar de forma inequívoca ter dela se utilizado nos termos da lei. Nos termos do art. 170-A do Código Tributário Nacional, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. STJ. TEMA REPETITIVO Nº 346. Nos termos do art. 170-A do CTN, é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido. (grifos do Relator do presente recurso voluntário) Voto Vencedor “(...) A partir do momento em que o recorrente levou o questionamento ao poder judiciário, já não seria possível questionar a inclusão de tais verbas na base de cálculo das contribuições previdenciárias na esfera administrativa, em razão da impossibilidade de concomitância no litígio. De acordo com a Súmula CARF nº 1: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Fl. 4747DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.938 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.725863/2018-01 16 Sendo assim, mesmo que tenham sido proferidas decisões em sede de recursos repetitivos nos tribunais superiores sobre a matéria, não é possível questionar o mérito de tais incidências na esfera administrativa. (grifos do Relator do presente recurso voluntário) (...) Portanto, uma vez submetida a questão ao poder judiciário, o contribuinte deveria aguardar o trânsito em julgado da ação para requerer a restituição/compensação dos créditos que entendia devidos. (grifos do Relator do presente recurso voluntário) Com efeito, o artigo 170-A do CTN é expresso no sentido de que “é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”. O STJ, inclusive, fixou, em 02/09/2010, tese no seguinte que o art. 170-A do CTN é aplicável aos casos em que há superveniente reconhecimento da ilegalidade do tributo: Tema Repetitivo nº 346 Tese fixada: Nos termos do art. 170-A do CTN, 'é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial', vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido. Assim, é correto o entendimento do Despacho Decisório e do acórdão recorrido e a recorrente somente poderia ter realizado as compensações após a data do trânsito em julgado que reconheceu o seu direito(...) De fato, a contribuinte pode apurar créditos decorrentes de pagamentos a maior ou indevidos e apresentá-los à compensação, mas se tais créditos estão submetidos à análise do judiciário, necessariamente deve aguardar o trânsito em julgado. Especialmente quando a própria decisão judicial assim o determina. Sobre o art. 66 da Lei nº. 8.383/91, o Conselheiro Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, no Acórdão nº. 2101-003.3071, assim destacou: Por fim, deve-se esclarecer, ainda, a título informativo, que quando se diz que a compensação no âmbito do lançamento por homologação, autorizada pelo art. 66 da Lei nº 8.383/91, independe de autorização administrativa ou judicial, está-se referindo à possibilidade de praticar os atos de compensação, registrando na contabilidade da empresa e comunicando ao Fisco no campo próprio das DCTFs ou GFIPs, o que pressupõe a certeza, ou seja, que não haja dúvida quanto à inexigibilidade do que foi pago. 1 CARF. Acórdão nº. 2101-003.307, Rel. Roberto Junqueira de Alvarenga Neto. Sessão de 10 de setembro de 2025. Fl. 4748DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.938 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.725863/2018-01 17 Quer dizer, a desnecessidade de provimento administrativo ou judicial autorizador da compensação não significa que seja desnecessário o reconhecimento judicial, por meio de decisão transitada em julgado, de que o tributo é indevido quando isto decorra de inconstitucionalidade ou ilegalidade de dispositivo da legislação tributária. (grifos acrescidos) (...) Ao contrário do que defende a recorrente, não se trata de mero descumprimento de obrigação acessória ou de decisão judicial punível com multa. Trata-se, de regra legal clara que foi descumprida e cuja consequência é a não homologação das compensações em tela. (...)” 24. Aplicando-se tal entendimento ao caso sob análise, verifico ser incontroverso que se trata de compensação com direito creditório que, em sua totalidade, foi objeto de contestação judicial, com a compensação tendo ocorrido antes do trânsito em julgado das respectivas ações. Note-se que o próprio contribuinte assim alegou quando da resposta à intimação lavrada de forma a comprovar a liquidez e certeza do direito creditório alegado e não se insurge contra as constatações de fato do Despacho Decisório relacionadas ao estado das ações no momento das compensações ora discutidas. Veja-se o teor da cópia do Despacho Decisório do processo conexo, anexada às e-fls. 4.210 e ss. (grifos deste Relator): DA AUSÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE ANTES DA DATA DA COMPENSAÇÃO O contribuinte relacionou 17 ações judiciais para justificar as compensações efetuadas. Após a consulta das petições iniciais, verificou-se que nem todas as filiais foram relacionadas nas ações judiciais. Tabela de e-fls. 4.211/4.212 A tabela abaixo resume o que foi apurado nos sítios na internet, em confronto com os documentos juntados: (Tabela de e-fls. 4.211/4.212) Pelo exposto, não houve o trânsito em julgado para as seguintes ações judiciais: 1) 0005582-08.2013.403.6110; 2) 0008147-15.2013.403.6119; 3) 0008148-97.2013.403.6119; 4) 0008149-82.2013.403.6119; 5) 0014273-29.2013.401.3600; 6) 0014306-19.2013.401.3600; 7) 5008172-71.2013.404.7102; Fl. 4749DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.938 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.725863/2018-01 18 8) 5008174-41.2013.404.7102; 9) 5010534-40.2013.404.7201; 10) 5010536-10.2013.404.7201; 11) 5018636-54.2013.404.7200. Houve o trânsito em julgado para algumas ações, mas com as seguintes ressalvas: 1) 0005583-90.2013.403.6110: transitou em julgado em 21/08/2018, após as compensações efetuadas (01/2014 a 13/2015). Além disso, conforme acórdão do TRF da 3ª Região (anexo), foi reconhecida a ilegitimidade passiva da autoridade coatora, ou seja, a decisão não foi favorável ao contribuinte. Logo, não há crédito compensável; 2) 0014305-34.2013.401.3600: transitou em julgado em 07/12/2015; o acórdão do TRF da 1ª Região reconheceu a não incidência de contribuição previdenciária sobre um terço de férias e sobre os 15 primeiros dias que antecedem a concessão de auxílio-doença e possibilitou a compensação somente após o trânsito em julgado da decisão; conforme a petição inicial de fl. 835 e seguintes, o mandado de segurança se refere às filiais 84.432.111/0004-00 e 84.432.111/0015-62; assim, o contribuinte somente poderia iniciar a compensação após 07/12/2015 para as citadas filiais; observa-se que as compensações aqui glosadas, relacionadas às duas filiais acima citadas, abrangem a competência até 10/2015, anterior, portanto, ao trânsito em julgado; 3) 5012178-06.2013.404.7205: transitou em julgado em 10/05/2018, após o período objeto de glosa no presente processo (01/2014 a 13/2015). Observa-se que a sentença judicial determinou que a compensação fosse realizada após o trânsito em julgado; 4) 5012190-20.2013.404.7205: transitou em julgado em 05/09/2017 a decisão que reconheceu a ilegitimidade passiva da autoridade coatora. Logo, não há crédito compensável; 5) 5018638-24.2013.404.7200: transitou em julgado em 06/09/2016 a decisão que reconheceu a ilegitimidade passiva da autoridade coatora. Logo, não há crédito compensável; 6) 5018639-09.2013.404.7200: transitou em julgado em 30/05/2017, após o período objeto de glosa no presente processo (01/2014 a 13/2015). Observa-se que a sentença judicial determinou que a compensação fosse realizada após o trânsito em julgado. Por tudo o que foi exposto, das 17 ações judiciais citadas pelo contribuinte, 11 ainda não transitaram em julgado, o que impede a compensação por força do art. 170-A do Código Tributário Nacional: Fl. 4750DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.938 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.725863/2018-01 19 “Art. 170-A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.” Das outras seis ações, três transitaram em julgado com extinção do processo sem julgamento do mérito, em razão da ilegitimidade passiva da autoridade coatora. Finalmente, das três ações judiciais que transitaram em julgado, todas foram posteriores ao período de compensação. Por fim, observa-se que diversas sentenças e acórdãos judiciais consultados determinaram expressamente a aplicação do art. 170-A do CTN, ou seja, a compensação só poderia ser efetuada após o trânsito em julgado. O contribuinte desobedeceu não somente ao CTN, mas à determinação expressa da Justiça. (grifos do Relator do presente recurso voluntário) (...)” 25. Assim, firme no entendimento acima, uma vez: a) tendo sido objeto de contestação judicial pelo contribuinte a totalidade do direito creditório alegado; b) realizada a compensação antes do trânsito em julgado das decisões judiciais correlacionadas, assim, em clara violação ao art. 170-A do CTN, correta a glosa das compensações efetuadas. 26. Conclusivamente, voto, quanto ao tema, por afastar as alegações levantadas pelo contribuinte quanto à legalidade da compensação efetuada com fulcro no art. 66 da Lei no. 8.383, de 1991 e à consequente inaplicabilidade do art. 170-A do CTN, negando-se provimento ao Recurso Voluntário. 3. Mérito – Falsidade das Compensações 27. Quanto ao tema de aplicação da multa que ora se discute, já tive oportunidade de enfrentar o tema, onde assim concluí como Relator no âmbito do Acórdão Carf no. 9.202-003.743, de 28 de janeiro de 2016: “(...) Destarte, entendo que somente nesta hipótese (se agir o contribuinte contra a existência de dúvida razoável, ou seja com má-fé na declaração) de se aplicar o §10 do art. 89 em questão, com a consequente aplicação do percentual de 150% para fins de cálculo da penalidade, no caso de compensação de contribuições previdenciárias. (...)” 28. Todavia, em que pese a posição pessoal deste Relator acima transcrita, posteriormente a tal Acórdão foi editada por este Conselho a Súmula CARF no. 206, que, note-se, além de vinculante a este Colegiado, estabelece a necessidade de manutenção da multa no patamar de 150% no presente caso, visto que, com base nos elementos constantes dos autos produzidos pela recorrente, as compensações: a) não foram realizadas com fulcro em decisão Fl. 4751DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.938 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.725863/2018-01 20 judicial que assim a permitisse ou b) foram incontroversamente realizadas antes do trânsito em julgado das ações intentadas. Veja-se a Súmula, verbis: Súmula CARF nº 206 Aprovada pela 2ª Turma da CSRF em sessão de 26/09/2024 – vigência em 04/10/2024 A compensação de valores discutidos em ações judiciais antes do trânsito em julgado, efetuada em inobservância a decisão judicial e ao art. 170-A do CTN, configura hipótese de aplicação da multa isolada em dobro, prevista no § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212/1991. Acórdãos Precedentes: 9202-009.850, 9202-009.587, 9202-008.202. 29. Por fim, de se ressaltar, quanto ao mérito do recurso e às decisões judiciais e oriundas deste Carf colacionadas em sede de Recurso pela Recorrente, que: a) ou não se revestem de caráter vinculante a este Colegiado (decisões judiciais citadas – inclusive decisão de e-fl. 4.698/4.699 e voto de e-fls. 4.711 a 4.717); b) ou tratam de normas/tributos estranhos ao presente caso (decisões oriundas da 3ª. Seção de Julgamento de e-fls. 4.699 a 4.701 e decisão da CSRF de e-fls. 4.703/4.704). Ainda, não se constituem em normas complementares, para fins do disposto no art. 100 do CTN, com efeitos restritos às partes ali litigantes. 30. Assim, a partir de todo o acima exposto, também nego provimento ao Recurso Voluntário em sede de mérito. 4. Diligência 31. Prejudicada a solicitação de diligência, a partir da motivação que levou ao não provimento do recurso em sede de mérito, que a torna desnecessária (prescindível) para o deslinde do litígio. 32. Assim, de se negar o pedido da contribuinte, respaldado tal entendimento no teor da Súmula CARF no. 163, verbis: Súmula CARF nº 163 O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). 5. Sustentação oral e intimação na pessoa do advogado 33. Quanto ao pedido de sustentação oral, há regramento próprio estabelecido no âmbito do art. 95 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023, bem assim no âmbito do art. 7º. da Portaria CARF nº 1.240 de 02 de agosto de 2024, normas cogentes sobre as quais o contribuinte não pode alegar desconhecimento e de obediência obrigatória também por este Colegiado. A partir dos referidos dispositivos, uma vez Fl. 4752DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L I D A D O ACÓRDÃO 2101-003.938 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.725863/2018-01 21 solicitada tal sustentação oral no prazo e forma devidos, inexiste óbice à sua realização, não cabendo, todavia, qualquer manifestação deste Colegiado acerca da matéria. 34. Por fim, na forma de Súmula CARF no. 110, novamente vinculante, de se rejeitar o pedido de intimação na pessoa do patrono, verbis: Súmula CARF nº 110 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). 35. Novamente, assim, nada a se prover quanto aos tópicos. 6. Conclusão 36. Conclusivamente, diante do exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo das alegações relacionadas à inconstitucionalidade da lei tributária vigente; na parte conhecida, por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por negar-lhe provimento. É como voto. Assinado Digitalmente Heitor de Souza Lima Junior Fl. 4753DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10120.724047/2015-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 13 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Sep 14 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 3101-000.744
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para aguardar na Unidade de Origem a decisão final do processo nº 10120.729529/2017-52 e verificar os reflexos da liquidação daquele processo neste processo, identificando o que remanesce para julgamento, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3101-000.740, de 13 de maio de 2026, prolatada no julgamento do processo 10120.914322/2016-09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosemburg Filho - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Ramon Silva Cunha, Luciana Ferreira Braga, Eduardo Gargiulo Ornelas Santiago, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3101-000.740, de 13 de maio de 2026, prolatada no julgamento do processo 10120.914322/2016- 09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosemburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Ramon Silva Cunha, Luciana Ferreira Braga, Eduardo Gargiulo Ornelas Santiago, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou procedente em parte Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Fl. 1841DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.744 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.724047/2015-44 2 Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, em síntese abaixo, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014 LIMITES DA LIDE. MATÉRIA NÃO CONTESTADA EXPRESSAMENTE. MATÉRIA NÃO CONTESTADA DE FORMA ESPECÍFICA. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente e especificamente contestada pela manifestante. DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. AUSÊNCIA DE DÚVIDAS. A realização de diligência é um ato discricionário do julgador, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. Considera-se desnecessária a diligência quando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide. PROVA. MOMENTO. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO. A prova do alegado cabe ao contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da impugnação, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. De toda forma, trata-se de matéria que não pode ser apreciada em tese. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. COBRANÇA DOS DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. PRESCINDIBILIDADE DE LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO OU NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e, nesse cenário, é desnecessária a formalização de auto de infração ou notificação de lançamento para a cobrança. DESCRIÇÃO DOS FATOS. COMPREENSÃO PLENA DA LIDE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Fl. 1842DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.744 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.724047/2015-44 3 DESPACHO DECISÓRIO. INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES. RELATÓRIO FISCAL. FUNDAMENTOS DA DECISÃO. A completa descrição dos fatos e os fundamentos da decisão estão expostos nº Relatório Fiscal, anexo às informações complementares da análise do crédito, que por sua vez integram expressamente o despacho decisório. Logo, o despacho decisório per se é apenas uma parte do todo, e não pode ser analisado de forma isolada, vale dizer, sem considerar as informações complementares que o integram. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. CRITÉRIOS PARA AFERIÇÃO. O conceito de insumo para fins de apuração de créditos de PIS/Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. O critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço: a) constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço; ou b) quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. O critério da relevância, por seu turno, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja a) pelas singularidades de cada cadeia produtiva; ou b) por imposição legal. INSUMOS. ATIVIDADE COMERCIAL. INEXISTÊNCIA. Nos termos do conceito definido pelo STJ, somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda (inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003). AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A vedação ao creditamento de bens adquiridos sem incidência das contribuições decorre de previsão legal expressa, gravada no inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. A destinação dada ao produto adquirido é irrelevante, na medida em que a vedação ao crédito está vinculada às condições de sua aquisição (origem), e não à forma de utilização do produto (destinação). SERVIÇOS PORTUÁRIOS. MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS. SUPERVISÃO DE EMBARQUE DE PRODUTOS. INSPEÇÃO DE CALADOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA CREDITAMENTO. Fl. 1843DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.744 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.724047/2015-44 4 As despesas com serviços de movimentação de cargas, supervisão de embarque de produtos e inspeção de calados não possuem previsão legal para apropriação de créditos de não cumulatividade das contribuições. SERVIÇOS PORTUÁRIOS. ARMAZENAGEM. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DETALHADA E ESPECÍFICA DOS SERVIÇOS NO DOCUMENTO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. Os chamados “serviços portuários” podem ou não compreender gastos ou despesas creditáveis, a depender do significado que se lhes atribua. E como não existe definição em lei desse conceito, nem mesmo no direito privado (art. 110 do CTN), não há como encontrar correspondência entre as despesas descritas como "serviços portuários" nas notas fiscais e as hipóteses de creditamento previstas nas Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Por esse motivo, ainda que eventuais despesas com armazenagem estivessem embutidas nos chamados “serviços portuários”, não é possível saber qual o valor efetivamente pago a partir dos documentos fiscais. Nesse cenário, o crédito não goza de certeza e liquidez, razão pela qual não pode ser reconhecido. FRETE DE MATÉRIA-PRIMA E PRODUTOS EM ELABORAÇÃO. INSUMO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. As despesas com serviços de transporte de matéria-prima ou produtos em elaboração, ainda quando realizada entre estabelecimentos da mesma empresa, geram direito a crédito a título de insumos. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS OU BENS PARA REVENDA. NÃO ENQUADRAMENTO NO CONCEITO DE INSUMO. VEDAÇÃO AO CREDITAMENTO. Não são considerados insumos os bens e serviços utilizados, aplicados ou consumidos em operações comerciais. FRETE. DESPESAS NECESSÁRIAS PARA TRANSPORTAR PRODUTOS FINAIS DESTINADOS À EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO À OPERAÇÃO DE VENDA. Os transportes que ocorrem em função de uma operação logística com intuito de facilitar a comercialização e a entrega dos bens aos futuros compradores não se equiparam a uma operação de venda. A expressão “operação de venda”, contida no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, não pode ser equiparada a “operação de logística” ou “operação de comercialização”, sob pena de alargar a interpretação do dispositivo para abranger todo e qualquer transporte de produtos acabados ou de bens para revenda. Se essa fosse a intenção do legislador, bastaria utilizar a expressão “fretes”, sem o qualificador “na operação de venda”. COMERCIAL EXPORTADORA. AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS DE TERCEIROS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. VEDAÇÃO AO CREDITAMENTO. Fl. 1844DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.744 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.724047/2015-44 5 É expressamente vedada a apropriação de créditos vinculados à receita de exportação por empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias de terceiros com o fim específico de exportação, nos termos do § 4º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003. FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO. MERCADORIAS SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO OU CRÉDITO PRESUMIDO. O valor do frete integra a base de cálculo dos créditos sob a forma de custo dos bens ou serviços adquiridos, nos termos do art. 13 do Decreto-Lei nº 1.598, de 1977. Assim, a despesa com fretes gera crédito com base na alíquota aplicável a essa aquisição, e não na alíquota geral do PIS/Cofins. APURAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. PROVA DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do PIS/Cofins determina que a apuração do crédito seja feita sempre em relação ao seu período de origem e faculta ao contribuinte a utilização desse crédito em momento posterior. Para demonstrar corretamente a apuração extemporânea, o contribuinte deve refazer a apuração do mês de origem do crédito por meio da retificação das declarações e demonstrativos correspondentes. Na hipótese de não retificação das obrigações acessórias, é do contribuinte o ônus de provar por outros meios que o crédito foi apropriado dentro das hipóteses legais e que estava disponível para utilização. CRÉDITO PRESUMIDO. ÓLEO DE SOJA. NOTA FISCAL ACOBERTANDO OPERAÇÃO DE VENDA DE PRODUTOS NÃO SUJEITOS AO CRÉDITO PRESUMIDO. VEDAÇÃO AO CREDITAMENTO. O procedimento específico de ressarcimento de que trata o art. 32 da Lei nº 12.865, de 2013, somente será aplicável aos créditos presumidos apurados pela pessoa jurídica em relação a operação de comercialização acobertada por nota fiscal referente exclusivamente a produtos cuja venda no mercado interno ou exportação seja contemplada com o crédito presumido de que trata o art. 31 da referida Lei. PROPORÇÃO DAS RECEITAS PARA FINS DE RATEIO DOS CRÉDITOS. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO OBTIDAS COMO COMERCIAL EXPORTADORA. NÃO INCLUSÃO. As receitas de exportação auferidas pela empresa na qualidade de comercial exportadora devem ser excluídas do total de receitas de exportação para fins de rateio dos créditos passíveis de ressarcimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2014 a 31/03/2014 PIS E COFINS. LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO. MESMOS FUNDAMENTOS. Fl. 1845DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.744 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.724047/2015-44 6 Aplicam-se ao contencioso de PIS as mesmas razões de decidir da Cofins, quando ambos tributos recaírem sobre a mesma situação fática. Em Recurso Voluntário, o Recorrente pleiteia a reversão das glosas de créditos mantidas pelo Acórdão recorrido, por serem legítimos e possuírem previsão legal, além de estarem embasados na jurisprudência dominante. Para tanto, a Recorrente requer, de forma preliminar, a reunião e o julgamento conjunto deste Processo Administrativo com o Processo Administrativo nº 10120.729529/2017- 52, a fim de se evitar decisões conflitantes acerca dos mesmos créditos de PIS e COFINS e garantir a uniformidade do julgamento de todos os casos, tendo em vista os princípios da economia processual, da razoabilidade e da eficiência, assegurados pelo artigo 37 da Constituição Federal, inclusive em observância às disposições regimentais do RICARF (artigo 6º do Anexo II). Adicionalmente, a Recorrente pleiteia o provimento do Recurso Voluntário, reformando-se parcialmente o V. Acórdão recorrido para que seja integralmente deferido o Pedido de Ressarcimento objeto do presente processo administrativo. Caso se entenda conveniente, tal como ocorreu no Processo Administrativo nº 10120.729529/2017-52, a Recorrente pleiteia seja determinada a conversão do julgamento em diligência, em razão da vasta documentação acostada aos autos, cuja análise é necessária para confirmar a validade dos créditos de PIS e COFINS que foram indevidamente glosados pela D. Fiscalização. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Reunião ao Processo nº 10120.729529/2017-52 A apuração de PIS e COFINS da Recorrente, referente ao período de julho de 2012 a março de 2015, foi revista pela fiscalização, que emitiu o Relatório Fiscal ref. TDPF nº 01.2.01.00-2016-00718-5, mencionado no Despacho Decisório que originou o presente processo. Com a glosa de parte dos créditos, a Fiscalização procedeu com o aproveitamento de ofício do saldo reapurado, analisou pedidos de ressarcimento e/ou as Fl. 1846DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.744 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.724047/2015-44 7 declarações de compensação apresentados no período, e constituiu débitos de PIS e COFINS, que foram lançados por meio de Autos de Infração objeto do Processo Adm Ninistrativo nº 10120.729529/2017-52. Diante disso, a Recorrente pleiteia a reunião e o julgamento conjunto deste processo com o Processo Administrativo nº 10120.729529/2017-52, a fim de se evitar decisões conflitantes acerca dos mesmos créditos de PIS e COFINS. É certo que o presente litígio decorre de Procedimento Fiscal realizado no Processo Administrativo Fiscal nº 10120.729529/2017-52, que resultou em lançamento de ofício para exigência de PIS e COFINS dos períodos de outubro/2012 a janeiro/2013, refletindo na inexistência de crédito passível de ressarcimento, na forma pleiteada pela Contribuinte. O artigo 47 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023, assim prevê: Art. 47 Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando-se o disposto neste artigo. § 1º Os processos podem ser vinculados por: I- conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fatos idênticos, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II- decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III- reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Como se observa, é inequívoca a vinculação dos processos por decorrência, na forma estabelecida pelo art. 47, § 1º, II. Com isso, há uma efetiva relação de prejudicialidade externa entre este litígio e o processo 10120.729529/2017-52. Tal relação pode ensejar um vínculo formal, materializado na reunião dos feitos para julgamento conjunto, mas impõe, sobretudo, um vínculo material, de modo que o presente processo deve acolher e reproduzir o que for decidido no processo principal. Esse inclusive já foi o procedimento adotado no âmbito do Processo 10120.725506/2013-45, na mesma situação do presente litígio, com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2012 a 31/03/2015 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. VINCULAÇÃO COM AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO EM OUTRO PROCESSO. IDENTIDADE FÁTICO- JURÍDICA. APLICAÇÃO DO RESULTADO DO PROCESSO VINCULADO. Fl. 1847DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.744 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.724047/2015-44 8 Reconhecida a identidade entre o objeto de um PERDOMP e do Auto de Infração lavrado em outro processo administrativo, o resultado do julgamento do lançamento de ofício deve ser aplicado ao processo em que se analisa o crédito pleiteado. No Processo nº 10120.729529/2017-52, o julgamento do recurso foi convertido em diligência através da Resolução nº 3402-003.426, possibilitando melhor compreensão sobre as atividades desenvolvidas pela empresa autuada e apuração do direito creditório invocado, sendo proferido o Acórdão nº 3402- 012.842 com o seguinte resultado: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência suscitada e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para: (i) reverter integralmente as glosas dos créditos originados de despesas com frete de transferência de produção do estabelecimento ou de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros; (ii) reverter integralmente as glosas dos créditos originados de despesas com frete relativo à industrialização por encomenda de produtos; e (iii) reverter parcialmente as glosas dos créditos originados de despesas com frete de retorno de matérias-primas para depósito fechado ou armazém geral, mantendo a glosa apenas dos fretes destinados a filial de revenda, nos termos do Relatório de Diligência Fiscal. O acórdão em referência foi ementado da seguinte forma: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2012 a 31/03/2015, 01/10/2012 a 31/01/2013 DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. RESP Nº 973.733/SC. Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp nº 973.733/SC, na sistemática do art. 543-C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. ARTIGO 373, INCISO I DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. É ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, devendo ser aplicado o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2012 a 31/03/2015, 01/10/2012 a 31/01/2013 PIS/COFINS. STJ. CONCEITO DE INSUMO. ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. PROCESSO PRODUTIVO. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, decidiu pelo rito dos Recursos Repetitivos no sentido de que o conceito de insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas (arts. 3º, II das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002), deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou de relevância para o processo produtivo da contribuinte, os quais estão delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa. Fl. 1848DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.744 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.724047/2015-44 9 CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS INACABADOS, INSUMOS E EMBALAGENS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos inacabados e de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa integram o custo de produção dos produtos fabricados e vendidos. Possibilidade de aproveitamento de créditos das contribuições não cumulativas. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. SÚMULA CARF Nº 217. Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO SOBRE AQUISIÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos insumos, mas excetua expressamente nos casos da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição (inciso II, § 2º, art. 3º). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador dos insumos sujeitos à alíquota zero, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99), por ausência de vedação legal. Sendo os regimes de incidência distintos, do insumo (alíquota zero) e do frete (tributável), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do insumo para produção. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. O crédito presumido proveniente da atividade agroindustrial de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 é apurado somente em relação aos insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, classificados nos capítulos e posições da NCM nele previsto. CRÉDITO PRESUMIDO. ÓLEO DE SOJA. LEI N° 12.865/2013. O ressarcimento é aplicável somente aos créditos presumidos apurados em operações de comercialização acobertada por nota fiscal referente exclusivamente a produtos de que trata o art. 31 da Lei nº 12.865/2013. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2012 a 31/03/2015, 01/10/2012 a 31/01/2013 PIS/COFINS. STJ. CONCEITO DE INSUMO. ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. PROCESSO PRODUTIVO. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, decidiu pelo rito dos Recursos Repetitivos no sentido de que o conceito de insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas (arts. 3º, II das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002), deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou de relevância para o processo produtivo da contribuinte, os quais estão delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS INACABADOS, INSUMOS E EMBALAGENS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Fl. 1849DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.744 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.724047/2015-44 10 As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos inacabados e de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa integram o custo de produção dos produtos fabricados e vendidos. Possibilidade de aproveitamento de créditos das contribuições não cumulativas. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. SÚMULA CARF Nº 217. Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO SOBRE AQUISIÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos insumos, mas excetua expressamente nos casos da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição(inciso II, § 2º, art. 3º). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador dos insumos sujeitos à alíquota zero, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99), por ausência de vedação legal. Sendo os regimes de incidência distintos, do insumo (alíquota zero) e do frete (tributável), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do insumo para produção. (Acórdão 9303-013.887). CRÉDITO PRESUMIDO. ÓLEO DE SOJA. LEI N° 12.865/2013. O ressarcimento é aplicável somente aos créditos presumidos apurados em operações de comercialização acobertada por nota fiscal referente exclusivamente a produtos de que trata o art. 31 da Lei nº 12.865/2013. Tendo em vista a relação de prejudicialidade em razão da vinculação por decorrência, na forma acima explicitada, voto por converter o julgamento em diligência para aguardar na Unidade de Origem a decisão final do processo nº 10120.729529/2017-52 e verificar os reflexos da liquidação daquele processo neste processo, identificando o que remanesce para julgamento. Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para aguardar na Unidade de Origem a decisão final do processo nº 10120.729529/2017-52 e verificar os reflexos da liquidação daquele processo neste processo, identificando o que remanesce para julgamento. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui Fl. 1850DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.744 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.724047/2015-44 11 adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento em diligência para aguardar na Unidade de Origem a decisão final do processo nº 10120.729529/2017-52 e verificar os reflexos da liquidação daquele processo neste processo, identificando o que remanesce para julgamento, nos termos do voto. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosemburg Filho – Presidente Redator Fl. 1851DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto

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Numero do processo: 10480.904652/2013-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 15 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 CRÉDITO DE IPI. CONCEITO DE INSUMOS NO ÂMBITO DA LEGISLAÇÃO DO IPI. NECESSIDADE DE SUBSUNÇÃO AO CONCEITO. Somente geram direito a crédito de IPI, além dos que se integram ao produto final (matéria prima e produto intermediário em sentido estrito), os produtos intermediários (em sentido amplo) que se consumirem em decorrência de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou por este diretamente sofrida. As partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas não geram direito a crédito de IPI, ainda que sofram desgaste pelo contato direto com o produto em fabricação. CRÉDITO DE IPI. COQUE DE PETRÓLEO. MANGAS FILTRANTES. IMPOSSIBILIDADE. Mantém-se a glosa de créditos relativos a produtos que, por não se enquadrarem nos conceitos de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, não ensejam direito a crédito do IPI. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por ser prescindível, o pedido de perícia.
Numero da decisão: 3202-004.186
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em indeferir o pedido de perícia, e, no mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Apresentou voto divergente, por escrito, no plenário virtual, a Conselheira Joana Maria de Oliveira Guimarães, que vencida, por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reverter as glosas relativas às aquisições de coque de petróleo e mangas filtrantes, converteu-se em declaração de voto. Acompanharam a divergência as Conselheiras Onízia de Miranda Aguiar Pignataro e Aline Cardoso de Faria. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3202-004.070, de 19 de junho de 2026, prolatado no julgamento do processo 10480.904655/2013-80 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Joana Maria de Oliveira Guimarães (substituta integral), Rafael Luiz Bueno da Cunha, Onízia de Miranda Aguiar Pignataro, Aline Cardoso de Faria e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE

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conteudo_txt : Metadados => date: 2026-09-15T11:05:15Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-09-15T11:05:15Z; Last-Modified: 2026-09-15T11:05:15Z; dcterms:modified: 2026-09-15T11:05:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-09-15T11:05:15Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-09-15T11:05:15Z; meta:save-date: 2026-09-15T11:05:15Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-09-15T11:05:15Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-09-15T11:05:15Z; created: 2026-09-15T11:05:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2026-09-15T11:05:15Z; pdf:charsPerPage: 1589; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-09-15T11:05:15Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10480.904652/2013-46 ACÓRDÃO 3202-004.186 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 19 de junho de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE VOTORANTIM CIMENTOS INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 CRÉDITO DE IPI. CONCEITO DE INSUMOS NO ÂMBITO DA LEGISLAÇÃO DO IPI. NECESSIDADE DE SUBSUNÇÃO AO CONCEITO. Somente geram direito a crédito de IPI, além dos que se integram ao produto final (matéria prima e produto intermediário em sentido estrito), os produtos intermediários (em sentido amplo) que se consumirem em decorrência de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou por este diretamente sofrida. As partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas não geram direito a crédito de IPI, ainda que sofram desgaste pelo contato direto com o produto em fabricação. CRÉDITO DE IPI. COQUE DE PETRÓLEO. MANGAS FILTRANTES. IMPOSSIBILIDADE. Mantém-se a glosa de créditos relativos a produtos que, por não se enquadrarem nos conceitos de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, não ensejam direito a crédito do IPI. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por ser prescindível, o pedido de perícia. Fl. 283DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.186 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.904652/2013-46 2 ACÓRDÃO Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em indeferir o pedido de perícia, e, no mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Apresentou voto divergente, por escrito, no plenário virtual, a Conselheira Joana Maria de Oliveira Guimarães, que vencida, por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reverter as glosas relativas às aquisições de coque de petróleo e mangas filtrantes, converteu-se em declaração de voto. Acompanharam a divergência as Conselheiras Onízia de Miranda Aguiar Pignataro e Aline Cardoso de Faria. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3202-004.070, de 19 de junho de 2026, prolatado no julgamento do processo 10480.904655/2013-80 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Joana Maria de Oliveira Guimarães (substituta integral), Rafael Luiz Bueno da Cunha, Onízia de Miranda Aguiar Pignataro, Aline Cardoso de Faria e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Despacho Decisório que não reconheceu integralmente crédito objeto de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER), solicitado a título de ressarcimento de IPI. Segundo o aludido Despacho Decisório, o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual houve a homologação parcial da compensação declarada (DCOMP). Constata-se que houve glosas de créditos de IPI considerados indevidos, referentes a aquisições de coque de petróleo, de mangas filtrantes e de outros bens, uma vez que tais bens não caracterizam matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, conforme disposto na legislação. Fl. 284DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.186 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.904652/2013-46 3 Por meio da manifestação de inconformidade, a interessada apresentou argumentos com vistas a demonstrar a legitimidade dos créditos de IPI referentes a tais aquisições. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório pleiteado. A recorrente interpôs recurso voluntário em face do sobredito acórdão, por meio do qual, em síntese, repisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razões pelas quais o conheço. Preliminar – pedido de perícia A recorrente, na peça recursal, afirma que caso não sejam aceitas as alegações expostas, necessário converter o julgamento em diligência para a realização de prova pericial, para afirmar que os produtos que tiveram o crédito glosado fazem parte, ou não, do processo de produção do cimento. Nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/72, “A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis”, já o art. 29 do mesmo diploma legal dispõe que “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”. No caso sob análise, não há necessidade de perícia, uma vez que se trata de glosas de créditos de IPI efetuadas de forma fundamentada pela autoridade fiscal, com clara especificação dos produtos cujos créditos de IPI foram glosados, de modo que é possível conhecer a forma de utilização desses produtos no processo produtivo da recorrente, bem como porque há nos autos informações suficientes para analisar se tais produtos Fl. 285DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.186 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.904652/2013-46 4 caracterizam ou não insumo, e, por conseguinte, há elementos suficientes para julgamento do caso. Logo, indefiro o pedido de perícia formulado na peça recursal. Conceito de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem A recorrente defende a legitimidade dos créditos de IPI referentes às aquisições de coque de petróleo e de manga filtrante. Inicialmente, cumpre assinalar que, não obstante se tratar de produtos relevantes para o seu processo produtivo, o direito a crédito do IPI não se pauta pelo critério da relevância ou essencialidade, e sim pela subsunção dos produtos adquiridos ao conceito de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem disposto na legislação. O inciso I do art. 226 do Decreto 7.212/2010, que regulamenta a cobrança, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI/10, assim dispõe: Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditar-se (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I - do imposto relativo a matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (destaque nosso) Conforme disposto no art. 100, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN (Lei 5.172/66), são normas complementares, das leis e dos decretos, os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, os quais devem ser observados por todos. Dessa forma, o conceito de insumos, no âmbito do IPI, foi consolidado por meio do Parecer Normativo (PN) CST 65/79, o qual definiu o significado da expressão "consumidos na produção". Segundo tal parecer, essa expressão abrange, por exemplo, o desgaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do bem sobre o produto em fabricação: 11. Em resumo, geram o direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matérias-primas e produtos intermediários, “stricto senso”, material de embalagens), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou Fl. 286DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.186 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.904652/2013-46 5 químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; ou vice-versa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face dos princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente. (destaque nosso) A Súmula CARF 19 corrobora que deve ocorrer o contato direto do bem com o produto em fabricação: Súmula CARF nº 19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. (destaques nosso) Infere-se, da leitura da aludida súmula, que a razão para a exclusão da aquisição de combustível da base de cálculo do crédito presumido de IPI é, exatamente, a constatação de que aquele material não é consumido em contato direito com o produto em fabricação, de modo que o entendimento consignado na sobredita súmula seguiu o conceito de insumos há tempo firmado pela legislação do IPI, notadamente nos Pareceres Normativos CST 181/74 e 65/79. Produto intermediário lato sensu (sentido amplo) é o bem que se consome integralmente no processo de industrialização mediante contato físico com o produto em fabricação, sem se incorporar ao produto final. Dessa forma, não obstante vários produtos possam ser necessários ao processo produtivo, somente aqueles que se integrarem ao produto final, matéria prima e produto intermediário stricto sensu (sentido estrito), ou os que modificarem, consumirem ou desgastarem imediatamente em razão do contato direto com o produto industrializado, produto intermediário lato sensu (sentido amplo), podem ter seus créditos considerados na apuração do IPI. Neste último caso, há uma limitação referente às partes e peças de máquinas, equipamentos ou instalações, pois para esses produtos, ainda que sofram desgaste pela ação direta com o produto em fabricação, não são considerados insumos para efeito de direito ao crédito do IPI, conforme consta no Parecer Normativo CST n. 181/74, no Parecer Normativo CST n. 65/79 e no Parecer Normativo Cosit/RFB n. 3/2018. Com efeito, as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos ou instalações, ainda que sofram desgaste pela ação direta com o produto Fl. 287DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.186 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.904652/2013-46 6 em fabricação, não são considerados insumos para efeito de direito ao crédito do IPI, conforme Parecer Normativo CST 181/74: 13 - Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos etc. O citado Parecer Normativo CST 65/79 também trouxe entendimento no sentido de vedar crédito de IPI sobre gastos com partes e peças de máquinas: (...) 10.3 - Passam, portanto, a fazer jus ao crédito, distintamente do que ocorria em face da norma anterior, as ferramentas manuais e as intermutáveis, bem como quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas, independentemente de suas qualificações tecnológicas, se enquadrem no que ficou exposto na parte final do subitem 10.1 (se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida). No mesmo sentido, há o Parecer Normativo Cosit/RFB nº 3/2018, cuja ementa segue abaixo: AQUISIÇÃO DE PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS. CRÉDITO DE IPI. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito a crédito de IPI relativo à aquisição de máquinas e de suas partes e peças, ainda que se desgastem com o uso. Há precedente da 3ª Turma da CSRF (Câmara Superior de Recursos Fiscais) deste Conselho, acórdão n. 9303-009.690, de 17 de outubro de 2019, de relatoria do eminente conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, no sentido de que não há que se falar em crédito de IPI sobre a aquisição de partes ou peças de máquinas, ainda que se desgastem no processo produtivo e tenham vida útil inferior a um ano, conforme parte da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Fl. 288DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.186 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.904652/2013-46 7 Período de apuração: 01/10/2009 a 30/09/2013 DIREITO AO CRÉDITO. MATERIAIS REFRATÁRIOS. INEXISTÊNCIA. Somente são considerados produtos intermediários aqueles que, em contato com o produto, sofram desgaste no processo industrial, o que não abrange os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, ainda que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, a exemplo dos materiais refratários utilizados em siderúrgicas. PARTES OU PEÇAS DE MÁQUINAS, AINDA QUE SE DESGASTEM NO PROCESSO PRODUTIVO E TENHAM VIDA ÚTIL INFERIOR A UM ANO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O conceito de insumo da legislação do IPI está detalhadamente consignado no Parecer Normativo CST nº 65/79, que interpreta que geram o direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matérias-primas e produtos intermediários, “stricto sensu”, e material de embalagem), quaisquer outros bens que, não sendo partes nem peças de máquinas (exceção ainda explicitada nos Pareceres Normativos CST nº 181/74 e Cosit/RFB nº 3/2018), sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, vice-versa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face de princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente. (destaques nosso) Coque de petróleo No que diz respeito ao coque de petróleo, a recorrente aduz que é utilizado na industrialização do cimento, se desgasta direta e imediatamente no processo produtivo, conforme Laudo Técnico juntado aos autos e foi objeto de tributação na importação. Reproduz trecho do sobredito laudo e de parecer de autoria do ilustre professor Humberto Ávila. Quanto ao parecer apresentado, cumpre registrar que apenas exprime a opinião do seu subscritor, não tendo nenhuma força vinculante. No que diz respeito ao documento denominado “Laudo Técnico”, cabe ressaltar que tal documento apenas se presta para apresentar aspectos técnicos acerca das características dos produtos, não tendo nenhuma força vinculante quanto à definição do conceito de insumo no âmbito do IPI, vale dizer, se o produto adquirido se caracteriza ou não como matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, cabendo à autoridade Fl. 289DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.186 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.904652/2013-46 8 fiscal analisar tal matéria, e, se for o caso, glosar, de forma fundamentada, o crédito considerado ilegítimo, conforme procedido no caso sob análise. Importante ainda destacar que, não obstante haver a possibilidade de o julgador utilizar laudos técnicos, para nortear suas conclusões, não está obrigado a fazê-lo, podendo decidir a questão a partir de seu livre convencimento motivado, conforme disposto no art. 29 do Decreto 70.235/72. Sustenta ainda a recorrente que “o coque de petróleo é moído e depois inserido em conjunto com a matéria crua no forno rotativo, entram em contato, de modo que o coque serve de combustível e se mistura ao produto, para melhor aquecê-lo e, posteriormente tem elementos (como o enxofre) interferindo na composição físico-química do clínquer, evidentemente se incorporando ao produto”. Assevera que o coque de petróleo não é utilizado apenas como combustível, externamente, sem contato direto com o produto em transformação, há contato direto e posterior integração de elementos, como o enxofre. Defende, por fim, que há crédito relativo ao IPI, uma vez que, segundo ela, o coque de petróleo se integra ao produto novo (cimento) e também é utilizado no processo industrial, sendo consumido. Sem razão a recorrente. Não é o coque de petróleo que entra em contato direto com o produto em fabricação, e, seu consumo, não se dá em contato direto com a matéria prima, ele se consome na combustão para a emissão do calor que formará o clínquer, de modo que é o calor que forma o clínquer e não o coque de petróleo. Ademais, o fato de os resíduos da queima do coque de petróleo entrar em contato com o produto fabricado não o descaracteriza como combustível utilizado no processo produtivo do cimento. Cumpre assinalar o disposto no Parecer Normativo CST nº 65, de 1979 acerca do coque de petróleo: 11. Em resumo, geram direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final, (matérias-primas e produtos intermediários, ‘stricto-sensu’, e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, vice-versa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em Fl. 290DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.186 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.904652/2013-46 9 industrialização, desde que não devam, em face de princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente.” No presente caso, o coque de petróleo utilizado como combustível, ao se queimar não exerce ação direta sobre o cimento nem tem contato direito ou indireto com este produto, assim como as cinzas resultantes da combustão. Aliás, o Relatório Técnico 115 562-205, elaborado pelo Instituto de Pesquisas e Tecnologias Laboratório de Materiais de Construção Civil CT-OBRAS (IPT), às fls. 170/268 carreado aos autos pela própria recorrente, demonstra e comprova que o coque de petróleo é um tipo de combustível, largamente utilizado na indústria do cimento, aqui no Brasil e no exterior. O laudo, assim, definiu esse produto: COQUE DE PETRÓLEO ("petroleum coke" ou "petcoke"): subproduto da destilação do petróleo crú num processo denominado craking ou coqueificação, utilizado preponderantemente como combustível, haja vista sua propriedade de fácil liberação de energia no processo de combustão. Das várias utilizações do coque de petróleo como combustível destacam-se o uso na co-geração em refinarias para a produção de eletricidade, como combustível nos fomos de produção de clínquer, nas fornalhas de centrais hidrelétricas, dentre outras. O fato de as cinzas resultantes da sua combustão serem misturadas à produção do clínquer, matéria prima da fabricação do cimento, com o objetivo de reduzir o impacto da emissão de gases e metais do forno, não o torna produto intermediário e muito menos matéria prima para fabricação do cimento. Assim, demonstrado e provado que o coque de petróleo não constitui matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização do cimento, e, portanto, não se enquadra no art. 11 da Lei nº 9.779/99, a glosa dos créditos do IPI deve ser mantida. (destaques nosso) Há precedente da 3ª Turma da CSRF deste Conselho, conforme acórdão n. 9303-016.700, de 28 de março de 2025, sob a relatoria do eminente conselheiro Alexandre Freitas Costa, cuja parte da ementa reproduzo a seguir: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 COQUE DE PETRÓLEO. COMBUSTÍVEL. CRÉDITO BÁSICO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos com aquisição de coque de petróleo utilizado como combustível na industrialização de bens destinados à venda não geram créditos de IPI por não se enquadrar como insumo de produção. Fl. 291DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.186 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.904652/2013-46 10 No mesmo sentido, há o acórdão n. 9303-015.691, também proferido pela 3ª Turma da CSRF, em 10 de setembro de 2024, sob a relatoria do eminente conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, cuja ementa transcrevo a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 COQUE DE PETRÓLEO. COMBUSTÍVEL. CRÉDITO BÁSICO. IMPOSSIBILIDADE. Os custos com aquisição de coque de petróleo utilizado como combustível na industrialização de bens destinados à venda não geram créditos de IPI por não se enquadrar como insumo de produção. Resta claro, portanto, que o coque de petróleo não se enquadra como insumo apto ao creditamento de IPI, de sorte que está correta a glosa efetuada pela autoridade fiscal. Logo, nada a prover neste ponto do recurso. Mangas filtrantes A recorrente aduz que o produto “MANGA FILT” é utilizado na industrialização de cimento e se desgasta direta e imediatamente no processo produtivo, conforme Laudo Técnico juntado aos autos. Reproduz na peça recursal trechos do aludido Laudo, conforme a seguir transcrito: 3.1 MANGA FILT 150X (483748) O item 3.1 é um material filtrante utilizado no filtro de despoeiramento do equipamento de transporte de farinha transportada ao forno. Este material é colocado dentro do filtro e tem como objetivo separar o pó da corrente de ar e coletá-lo evitando impacto ambiental e perda de material do processo. Seu desgaste acontece do atrito com a corrente de ar. Sua substituição ocorre por demanda de avaliação técnica e de desempenho, ou por ocorrência de anomalia não prevista. 4.6 MANGA FILT 150X (528691) O item 4.6 é um material filtrante utilizado nos filtros de despoeiramento dos silos de combustível moído, que fica armazenado até ser dosado nos maçaricos do forno. Este material é colocado dentro dos filtros e tem como objetivo separar o pó da corrente de ar e coletá-lo evitando impacto ambiental e perda de material do processo. Seu desgaste acontece do atrito com a corrente de ar. Sua substituição ocorre por demanda de avaliação técnica e de desempenho, ou por ocorrência de anomalia não prevista. 5.17 MANGA FIL 150X3 (483752) O item 5.17 é um material filtrante utilizado no filtro de despoeiramento do equipamento de transporte de Fl. 292DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.186 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.904652/2013-46 11 clinquer saído do forno e levado ao silo de armazenagem. Este material é colocado dentro do filtro é tem como objetivo separar o pó da corrente de ar e coletá-lo evitando impacto ambiental e perda de material do processo. Seu desgaste acontece em função da temperatura de exposição e do atrito com a corrente de ar. Sua substituição ocorre cerca de 1 vez a cada ano, ou por ocorrência de anomalia não prevista. (destaques nosso) Sem razão a recorrente. Conforme o próprio documento juntado aos autos pela recorrente, denominado “Laudo Técnico”, as mangas filtrantes não entram em contato direito com o produto em fabricação e, além disso, consistem em partes ou peças de equipamentos ou máquinas, como do equipamento de transporte de farinha, dos silos de combustível e do equipamento de transporte de clinquer. Logo, em razão de não entrarem em contato direito com o produto em fabricação, não caracterizam material intermediário, conforme a fundamentação apresentada no início deste voto, e, por conseguinte, não há que se falar em crédito de IPI referente às aquisições desse produto. Além disso, tais produtos consistem em partes e peças de máquinas ou equipamentos, e, dessa forma, também de acordo com a fundamentação já mencionada no início deste voto, não cabe crédito de IPI sobre essas aquisições. Logo, nada a prover neste tópico. Demais produtos objeto de glosa pela autoridade fiscal Quanto aos demais produtos objeto de glosa pela autoridade fiscal, a recorrente se limitou a afirmar, na peça recursal, que são utilizados na industrialização de cimento e se desgastam direta e imediatamente no processo produtivo. Trata-se de alegação genérica, insuficiente para infirmar as glosas de créditos efetuadas pela autoridade fiscal. Com efeito, cabe à recorrente apresentar fundamentação clara e específica para os produtos objeto de glosa de crédito, com vistas a demonstrar e evidenciar a legitimidade do crédito glosado, razão pela qual nada a prover neste ponto do recurso. Diante do exposto, indefiro o pedido de perícia, e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 293DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-004.186 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.904652/2013-46 12 Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de indeferir o pedido de perícia, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator DECLARAÇÃO DE VOTO Deixa-se de transcrever a declaração de voto apresentada, que pode ser consultada no acórdão paradigma desta decisão. Fl. 294DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Declaração de Voto

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Numero do processo: 10120.914325/2016-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 13 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Sep 14 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 3101-000.761
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para aguardar na Unidade de Origem a decisão final do processo nº 10120.729529/2017-52 e verificar os reflexos da liquidação daquele processo neste processo, identificando o que remanesce para julgamento, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3101-000.740, de 13 de maio de 2026, prolatada no julgamento do processo 10120.914322/2016-09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosemburg Filho - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Ramon Silva Cunha, Luciana Ferreira Braga, Eduardo Gargiulo Ornelas Santiago, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3101-000.740, de 13 de maio de 2026, prolatada no julgamento do processo 10120.914322/2016- 09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosemburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Ramon Silva Cunha, Luciana Ferreira Braga, Eduardo Gargiulo Ornelas Santiago, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou procedente em parte Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Fl. 2302DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.761 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.914325/2016-34 2 Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de PIS/PASEP. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, em síntese abaixo, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2013 a 30/06/2013 LIMITES DA LIDE. MATÉRIA NÃO CONTESTADA EXPRESSAMENTE. MATÉRIA NÃO CONTESTADA DE FORMA ESPECÍFICA. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente e especificamente contestada pela manifestante. DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. AUSÊNCIA DE DÚVIDAS. A realização de diligência é um ato discricionário do julgador, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. Considera-se desnecessária a diligência quando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide. PROVA. MOMENTO. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO. A prova do alegado cabe ao contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da impugnação, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. De toda forma, trata-se de matéria que não pode ser apreciada em tese. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. COBRANÇA DOS DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. PRESCINDIBILIDADE DE LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO OU NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e, nesse cenário, é desnecessária a formalização de auto de infração ou notificação de lançamento para a cobrança. DESCRIÇÃO DOS FATOS. COMPREENSÃO PLENA DA LIDE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Fl. 2303DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.761 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.914325/2016-34 3 DESPACHO DECISÓRIO. INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES. RELATÓRIO FISCAL. FUNDAMENTOS DA DECISÃO. A completa descrição dos fatos e os fundamentos da decisão estão expostos nº Relatório Fiscal, anexo às informações complementares da análise do crédito, que por sua vez integram expressamente o despacho decisório. Logo, o despacho decisório per se é apenas uma parte do todo, e não pode ser analisado de forma isolada, vale dizer, sem considerar as informações complementares que o integram. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2013 a 30/06/2013 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. CRITÉRIOS PARA AFERIÇÃO. O conceito de insumo para fins de apuração de créditos de PIS/Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. O critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço: a) constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço; ou b) quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. O critério da relevância, por seu turno, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja a) pelas singularidades de cada cadeia produtiva; ou b) por imposição legal. INSUMOS. ATIVIDADE COMERCIAL. INEXISTÊNCIA. Nos termos do conceito definido pelo STJ, somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda (inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003). AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A vedação ao creditamento de bens adquiridos sem incidência das contribuições decorre de previsão legal expressa, gravada no inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. A destinação dada ao produto adquirido é irrelevante, na medida em que a vedação ao crédito está vinculada às condições de sua aquisição (origem), e não à forma de utilização do produto (destinação). SERVIÇOS PORTUÁRIOS. MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS. SUPERVISÃO DE EMBARQUE DE PRODUTOS. INSPEÇÃO DE CALADOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA CREDITAMENTO. Fl. 2304DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.761 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.914325/2016-34 4 As despesas com serviços de movimentação de cargas, supervisão de embarque de produtos e inspeção de calados não possuem previsão legal para apropriação de créditos de não cumulatividade das contribuições. SERVIÇOS PORTUÁRIOS. ARMAZENAGEM. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DETALHADA E ESPECÍFICA DOS SERVIÇOS NO DOCUMENTO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. Os chamados “serviços portuários” podem ou não compreender gastos ou despesas creditáveis, a depender do significado que se lhes atribua. E como não existe definição em lei desse conceito, nem mesmo no direito privado (art. 110 do CTN), não há como encontrar correspondência entre as despesas descritas como "serviços portuários" nas notas fiscais e as hipóteses de creditamento previstas nas Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Por esse motivo, ainda que eventuais despesas com armazenagem estivessem embutidas nos chamados “serviços portuários”, não é possível saber qual o valor efetivamente pago a partir dos documentos fiscais. Nesse cenário, o crédito não goza de certeza e liquidez, razão pela qual não pode ser reconhecido. FRETE DE MATÉRIA-PRIMA E PRODUTOS EM ELABORAÇÃO. INSUMO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. As despesas com serviços de transporte de matéria-prima ou produtos em elaboração, ainda quando realizada entre estabelecimentos da mesma empresa, geram direito a crédito a título de insumos. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS OU BENS PARA REVENDA. NÃO ENQUADRAMENTO NO CONCEITO DE INSUMO. VEDAÇÃO AO CREDITAMENTO. Não são considerados insumos os bens e serviços utilizados, aplicados ou consumidos em operações comerciais. FRETE. DESPESAS NECESSÁRIAS PARA TRANSPORTAR PRODUTOS FINAIS DESTINADOS À EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO À OPERAÇÃO DE VENDA. Os transportes que ocorrem em função de uma operação logística com intuito de facilitar a comercialização e a entrega dos bens aos futuros compradores não se equiparam a uma operação de venda. A expressão “operação de venda”, contida no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, não pode ser equiparada a “operação de logística” ou “operação de comercialização”, sob pena de alargar a interpretação do dispositivo para abranger todo e qualquer transporte de produtos acabados ou de bens para revenda. Se essa fosse a intenção do legislador, bastaria utilizar a expressão “fretes”, sem o qualificador “na operação de venda”. COMERCIAL EXPORTADORA. AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS DE TERCEIROS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. VEDAÇÃO AO CREDITAMENTO. Fl. 2305DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.761 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.914325/2016-34 5 É expressamente vedada a apropriação de créditos vinculados à receita de exportação por empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias de terceiros com o fim específico de exportação, nos termos do § 4º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003. FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO. MERCADORIAS SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO OU CRÉDITO PRESUMIDO. O valor do frete integra a base de cálculo dos créditos sob a forma de custo dos bens ou serviços adquiridos, nos termos do art. 13 do Decreto-Lei nº 1.598, de 1977. Assim, a despesa com fretes gera crédito com base na alíquota aplicável a essa aquisição, e não na alíquota geral do PIS/Cofins. APURAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. PROVA DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do PIS/Cofins determina que a apuração do crédito seja feita sempre em relação ao seu período de origem e faculta ao contribuinte a utilização desse crédito em momento posterior. Para demonstrar corretamente a apuração extemporânea, o contribuinte deve refazer a apuração do mês de origem do crédito por meio da retificação das declarações e demonstrativos correspondentes. Na hipótese de não retificação das obrigações acessórias, é do contribuinte o ônus de provar por outros meios que o crédito foi apropriado dentro das hipóteses legais e que estava disponível para utilização. CRÉDITO PRESUMIDO. ÓLEO DE SOJA. NOTA FISCAL ACOBERTANDO OPERAÇÃO DE VENDA DE PRODUTOS NÃO SUJEITOS AO CRÉDITO PRESUMIDO. VEDAÇÃO AO CREDITAMENTO. O procedimento específico de ressarcimento de que trata o art. 32 da Lei nº 12.865, de 2013, somente será aplicável aos créditos presumidos apurados pela pessoa jurídica em relação a operação de comercialização acobertada por nota fiscal referente exclusivamente a produtos cuja venda no mercado interno ou exportação seja contemplada com o crédito presumido de que trata o art. 31 da referida Lei. PROPORÇÃO DAS RECEITAS PARA FINS DE RATEIO DOS CRÉDITOS. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO OBTIDAS COMO COMERCIAL EXPORTADORA. NÃO INCLUSÃO. As receitas de exportação auferidas pela empresa na qualidade de comercial exportadora devem ser excluídas do total de receitas de exportação para fins de rateio dos créditos passíveis de ressarcimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2013 a 30/06/2013 PIS E COFINS. LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO. MESMOS FUNDAMENTOS. Fl. 2306DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.761 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.914325/2016-34 6 Aplicam-se ao contencioso de PIS as mesmas razões de decidir da Cofins, quando ambos tributos recaírem sobre a mesma situação fática. Em Recurso Voluntário, o Recorrente pleiteia a reversão das glosas de créditos mantidas pelo Acórdão recorrido, por serem legítimos e possuírem previsão legal, além de estarem embasados na jurisprudência dominante. Para tanto, a Recorrente requer, de forma preliminar, a reunião e o julgamento conjunto deste Processo Administrativo com o Processo Administrativo nº 10120.729529/2017- 52, a fim de se evitar decisões conflitantes acerca dos mesmos créditos de PIS e COFINS e garantir a uniformidade do julgamento de todos os casos, tendo em vista os princípios da economia processual, da razoabilidade e da eficiência, assegurados pelo artigo 37 da Constituição Federal, inclusive em observância às disposições regimentais do RICARF (artigo 6º do Anexo II). Adicionalmente, a Recorrente pleiteia o provimento do Recurso Voluntário, reformando-se parcialmente o V. Acórdão recorrido para que seja integralmente deferido o Pedido de Ressarcimento objeto do presente processo administrativo. Caso se entenda conveniente, tal como ocorreu no Processo Administrativo nº 10120.729529/2017-52, a Recorrente pleiteia seja determinada a conversão do julgamento em diligência, em razão da vasta documentação acostada aos autos, cuja análise é necessária para confirmar a validade dos créditos de PIS e COFINS que foram indevidamente glosados pela D. Fiscalização. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Reunião ao Processo nº 10120.729529/2017-52 A apuração de PIS e COFINS da Recorrente, referente ao período de julho de 2012 a março de 2015, foi revista pela fiscalização, que emitiu o Relatório Fiscal ref. TDPF nº 01.2.01.00-2016-00718-5, mencionado no Despacho Decisório que originou o presente processo. Com a glosa de parte dos créditos, a Fiscalização procedeu com o aproveitamento de ofício do saldo reapurado, analisou pedidos de ressarcimento e/ou as Fl. 2307DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.761 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.914325/2016-34 7 declarações de compensação apresentados no período, e constituiu débitos de PIS e COFINS, que foram lançados por meio de Autos de Infração objeto do Processo Adm Ninistrativo nº 10120.729529/2017-52. Diante disso, a Recorrente pleiteia a reunião e o julgamento conjunto deste processo com o Processo Administrativo nº 10120.729529/2017-52, a fim de se evitar decisões conflitantes acerca dos mesmos créditos de PIS e COFINS. É certo que o presente litígio decorre de Procedimento Fiscal realizado no Processo Administrativo Fiscal nº 10120.729529/2017-52, que resultou em lançamento de ofício para exigência de PIS e COFINS dos períodos de outubro/2012 a janeiro/2013, refletindo na inexistência de crédito passível de ressarcimento, na forma pleiteada pela Contribuinte. O artigo 47 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023, assim prevê: Art. 47 Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando-se o disposto neste artigo. § 1º Os processos podem ser vinculados por: I- conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fatos idênticos, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II- decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III- reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Como se observa, é inequívoca a vinculação dos processos por decorrência, na forma estabelecida pelo art. 47, § 1º, II. Com isso, há uma efetiva relação de prejudicialidade externa entre este litígio e o processo 10120.729529/2017-52. Tal relação pode ensejar um vínculo formal, materializado na reunião dos feitos para julgamento conjunto, mas impõe, sobretudo, um vínculo material, de modo que o presente processo deve acolher e reproduzir o que for decidido no processo principal. Esse inclusive já foi o procedimento adotado no âmbito do Processo 10120.725506/2013-45, na mesma situação do presente litígio, com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2012 a 31/03/2015 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. VINCULAÇÃO COM AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO EM OUTRO PROCESSO. IDENTIDADE FÁTICO- JURÍDICA. APLICAÇÃO DO RESULTADO DO PROCESSO VINCULADO. Fl. 2308DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.761 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.914325/2016-34 8 Reconhecida a identidade entre o objeto de um PERDOMP e do Auto de Infração lavrado em outro processo administrativo, o resultado do julgamento do lançamento de ofício deve ser aplicado ao processo em que se analisa o crédito pleiteado. No Processo nº 10120.729529/2017-52, o julgamento do recurso foi convertido em diligência através da Resolução nº 3402-003.426, possibilitando melhor compreensão sobre as atividades desenvolvidas pela empresa autuada e apuração do direito creditório invocado, sendo proferido o Acórdão nº 3402- 012.842 com o seguinte resultado: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência suscitada e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para: (i) reverter integralmente as glosas dos créditos originados de despesas com frete de transferência de produção do estabelecimento ou de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros; (ii) reverter integralmente as glosas dos créditos originados de despesas com frete relativo à industrialização por encomenda de produtos; e (iii) reverter parcialmente as glosas dos créditos originados de despesas com frete de retorno de matérias-primas para depósito fechado ou armazém geral, mantendo a glosa apenas dos fretes destinados a filial de revenda, nos termos do Relatório de Diligência Fiscal. O acórdão em referência foi ementado da seguinte forma: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2012 a 31/03/2015, 01/10/2012 a 31/01/2013 DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. RESP Nº 973.733/SC. Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp nº 973.733/SC, na sistemática do art. 543-C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. ARTIGO 373, INCISO I DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. É ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, devendo ser aplicado o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2012 a 31/03/2015, 01/10/2012 a 31/01/2013 PIS/COFINS. STJ. CONCEITO DE INSUMO. ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. PROCESSO PRODUTIVO. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, decidiu pelo rito dos Recursos Repetitivos no sentido de que o conceito de insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas (arts. 3º, II das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002), deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou de relevância para o processo produtivo da contribuinte, os quais estão delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa. Fl. 2309DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.761 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.914325/2016-34 9 CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS INACABADOS, INSUMOS E EMBALAGENS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos inacabados e de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa integram o custo de produção dos produtos fabricados e vendidos. Possibilidade de aproveitamento de créditos das contribuições não cumulativas. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. SÚMULA CARF Nº 217. Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO SOBRE AQUISIÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos insumos, mas excetua expressamente nos casos da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição (inciso II, § 2º, art. 3º). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador dos insumos sujeitos à alíquota zero, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99), por ausência de vedação legal. Sendo os regimes de incidência distintos, do insumo (alíquota zero) e do frete (tributável), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do insumo para produção. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. O crédito presumido proveniente da atividade agroindustrial de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 é apurado somente em relação aos insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, classificados nos capítulos e posições da NCM nele previsto. CRÉDITO PRESUMIDO. ÓLEO DE SOJA. LEI N° 12.865/2013. O ressarcimento é aplicável somente aos créditos presumidos apurados em operações de comercialização acobertada por nota fiscal referente exclusivamente a produtos de que trata o art. 31 da Lei nº 12.865/2013. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2012 a 31/03/2015, 01/10/2012 a 31/01/2013 PIS/COFINS. STJ. CONCEITO DE INSUMO. ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. PROCESSO PRODUTIVO. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, decidiu pelo rito dos Recursos Repetitivos no sentido de que o conceito de insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas (arts. 3º, II das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002), deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou de relevância para o processo produtivo da contribuinte, os quais estão delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS INACABADOS, INSUMOS E EMBALAGENS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Fl. 2310DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.761 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.914325/2016-34 10 As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos inacabados e de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa integram o custo de produção dos produtos fabricados e vendidos. Possibilidade de aproveitamento de créditos das contribuições não cumulativas. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. SÚMULA CARF Nº 217. Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO SOBRE AQUISIÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos insumos, mas excetua expressamente nos casos da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição(inciso II, § 2º, art. 3º). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador dos insumos sujeitos à alíquota zero, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99), por ausência de vedação legal. Sendo os regimes de incidência distintos, do insumo (alíquota zero) e do frete (tributável), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do insumo para produção. (Acórdão 9303-013.887). CRÉDITO PRESUMIDO. ÓLEO DE SOJA. LEI N° 12.865/2013. O ressarcimento é aplicável somente aos créditos presumidos apurados em operações de comercialização acobertada por nota fiscal referente exclusivamente a produtos de que trata o art. 31 da Lei nº 12.865/2013. Tendo em vista a relação de prejudicialidade em razão da vinculação por decorrência, na forma acima explicitada, voto por converter o julgamento em diligência para aguardar na Unidade de Origem a decisão final do processo nº 10120.729529/2017-52 e verificar os reflexos da liquidação daquele processo neste processo, identificando o que remanesce para julgamento. Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para aguardar na Unidade de Origem a decisão final do processo nº 10120.729529/2017-52 e verificar os reflexos da liquidação daquele processo neste processo, identificando o que remanesce para julgamento. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui Fl. 2311DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.761 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.914325/2016-34 11 adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento em diligência para aguardar na Unidade de Origem a decisão final do processo nº 10120.729529/2017-52 e verificar os reflexos da liquidação daquele processo neste processo, identificando o que remanesce para julgamento, nos termos do voto. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosemburg Filho – Presidente Redator Fl. 2312DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto

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Numero do processo: 10983.900385/2022-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 23 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Sep 17 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 1202-000.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Assinado Digitalmente LIANA CARINE FERNANDES DE QUEIROZ - Relatora Assinado Digitalmente LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mauricio Novaes Ferreira, André Luis Ulrich Pinto, Jose André Wanderley Dantas de Oliveira, Andrea Viana Arrais Egypto (substituto[a] integral), Liana Carine Fernandes de Queiroz, Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LIANA CARINE FERNANDES DE QUEIROZ

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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Assinado Digitalmente LIANA CARINE FERNANDES DE QUEIROZ – Relatora Assinado Digitalmente LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mauricio Novaes Ferreira, André Luis Ulrich Pinto, Jose André Wanderley Dantas de Oliveira, Andrea Viana Arrais Egypto (substituto[a] integral), Liana Carine Fernandes de Queiroz, Leonardo de Andrade Couto (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto por NEOWAY TECNOLOGIA INTEGRADA ASSESSORIA E NEGOCIOS SA (CNPJ 07.277.575/0002-86), atualmente B3 S.A - BRASIL, BOLSA, BALCÃO (incorporadora), em face do Acórdão n. 106-049.077 – 2ª TURMA/DRJ06, que julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade para “para rejeitar a arguição de homologação tácita, reconhecer direito creditório remanescente no valor de R$ 22.359,20, além do Fl. 5420DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1202-000.364 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.900385/2022-68 2 já admitido no despacho decisório, e homologar as compensações em litígio até o limite do crédito reconhecido”. O acórdão recorrido restou da seguinte forma ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/2016 a 31/12/2016 PER/DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contado da data da entrega da Declaração de Compensação. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/03/2016 a 31/12/2016 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. PERÍODO DE APURAÇÃO. Somente podem integrar as parcelas de composição do crédito no PER/Dcomp, como IRPJ retido, os valores correspondentes ao período de apuração do saldo negativo. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. COMPROVAÇÃO. Deve ser reconhecido o crédito de saldo negativo na medida da comprovação inequívoca das parcelas que o compõem. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Transcrevo, do acórdão de manifestação de inconformidade, o relatório processual, por bem retratar o quanto havidos nos autos: DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente em 07/02/2022, referente ao crédito demonstrado no PER/DCOMP nº 25276.17589.031017.1.3.02- 3200. Fl. 5421DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1202-000.364 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.900385/2022-68 3 O tipo do crédito utilizado é Saldo Negativo IRPJ do ano-calendário 2016. Os valores das parcelas de composição do crédito informados no PER/DCOMP e os valores confirmados pelo fisco foram assim discriminados no despacho decisório: Somatório das parcelas de composição do crédito na ECF: R$ 905.501,07. IRPJ devido: R$ 0,00. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 905.501,07. Valor na ECF: R$ 905.501,07. No despacho, foi reconhecido R$ 785.648,56. O detalhamento das parcelas confirmadas encontra-se no documento intitulado “Despacho Decisório - Análise de Crédito”. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 08/02/2022. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE A interessada apresentou manifestação de inconformidade com suas razões de discordância em 09/03/2022. A manifestante faz um resumo dos fundamentos do Despacho Decisório. Em preliminar, alega que, em que pese a retida análise efetuada pelas d. autoridades fiscais, de antemão, cabe consignar que em 2022, as autoridades fiscais já não mais poderiam questionar o saldo negativo de IRRF apurado em 31/12/2016, haja vista a ocorrência da homologação tácita da apuração relativa àquele período, Fl. 5422DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1202-000.364 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.900385/2022-68 4 nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, razão pela qual a Manifestante entende que o despacho decisório ora em combate deve ser revisto de ofício. Cumpre sublinhar que, em momento algum, a Manifestante foi intimada pela DRF/Florianópolis a justificar as inclusões das referidas retenções na formação do saldo negativo em apreço. Isso porque todo o procedimento de fiscalização do direito creditório foi realizado exclusivamente de forma eletrônica, sem que houvesse maiores preocupações com a verdade material a ser costurada em conjunto com a colaboração da Manifestante. Ocorre que, em breve síntese, as parcelas de IRRF classificadas como “não comprovadas” ou “comprovadas parcialmente” pelas d. Autoridades Fiscais da DRF/Florianópolis, na verdade, decorreram da apuração de janeiro e fevereiro de 2016, muito embora, para fins contábeis e fiscais, foram reconhecidas pela Manifestante sob a competência relativa ao período de março a dezembro de 2016. Note-se que, na apuração de seu lucro real, notadamente em sua Escrituração Contábil Fiscal(“ECF”) de janeiro e fevereiro de 2016 (Doc. 06), a Manifestante declarou apenas parcialmente os créditos sobre os quais possuía direito, representados no registro “Y570”. No entanto, os valores não registrados sob o mesmo registro “Y570” das competências de janeiro e fevereiro, foram devidamente registrados na ECF relativa à competência de março a dezembro de 2016(Doc. 07). No tocante à comprovação documental das retenções não confirmadas pelos sistemas de controle da SRF, a Manifestante informa que recebeu, de suas respectivas fontes pagadoras, conjunto substancial de Comprovantes de Retenção. Porém, conforme se passará a demonstrar, para pequena parcela subsidiária cujos referidos comprovantes não lhe foram fornecidos ou localizados internamente, há completa e perfeita comprovação documental acerca da sua declaração e respectivo oferecimento à tributação. Fl. 5423DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1202-000.364 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.900385/2022-68 5 Tanto os comprovantes de retenção, como os demais documentos hábeis e idôneos mencionados anteriormente, são apresentados pela Manifestante em conjunto, organizados de acordo com cada uma das inscrições CNPJ das fontes retentoras, visando facilitar a análise por esta d. Turma de Julgamento (Doc. 08). Inicialmente, cumpre destacar que o fato de tais fontes pagadoras se omitirem diante da obrigação legal de fornecer tais comprovantes de retenção não pode acarretar o não reconhecimento dessa parcela de crédito, sobretudo porque o valor de tais retenções já foi descontado dos pagamentos efetuados por tais fontes à Manifestante. Com a devida venia, antes da emissão do despacho decisório que originou o presente processo administrativo, caberia à douta fiscalização intimar as fontes pagadoras indicadas pela Manifestante em suas DCOMP, a fim de que tais entidades — as quais são as verdadeiras responsáveis pela retenção — confirmassem a existência das operações comerciais que deram causa às retenções não confirmadas. Desta forma, em completa harmonia com o posicionamento adotado pelo r. CARF, bem como em consonância ao princípio da verdade material, a Manifestante passa a apresentar todos os documentos e elementos necessários à demonstração de seu direito creditório, notadamente quanto às retenções que, de acordo com o despacho decisório que originou o presente processo administrativo, não foram confirmadas pelos sistemas eletrônicos da SRF. A título exemplificativo, em primeiro momento, a própria a funcionalidade “Consulta DIRF”, disponível no sistema eletrônico e-CAC (Doc. 09) – onde é evidenciado que os valores retidos foram devidamente declarados – deixa claro que a referida glosa carece de fundamento. O Comprovante de Retenção que, neste caso, fora fornecido pela respectiva fonte retentora (assim como ocorreu com PARCELA SUBSTANCIAL das retenções ora sob Fl. 5424DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1202-000.364 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.900385/2022-68 6 análise), não deixa dúvidas quanto ao oferecimento da parcela de IRRF em escopo à tributação. Não bastasse a existência de Comprovantes de Retenção para considerável parcela do IRRF não confirmado pelas d. Autoridades da DRF/Florianópolis, como se pôde averiguar pelo exemplo acima, a Manifestante conferiu o devido tratamento contábil e tributário à parcela, de modo que, indubitavelmente, esta (e todas as demais) devem compor o seu salvo negativo de IRPJ de 2016. Nesta amostragem, em que pese a referida fonte retentora não tenha fornecido à Manifestante o devido Comprovante de Retenção, não há qualquer prejuízo ao reconhecimento de seu direito creditório, eis que, para além de estar devidamente informado à SRF (conforme se depreende pelo excerto acima), há Notas fiscais que comprovam cabalmente a composição do valor pago à Manifestante e do valor retido a título de IRRF. Referida parcela também fora declarada pela Manifestante em sua ECF relativa ao período de março a dezembro de 2016, notadamente sob o registro “Y57”. Portanto, a Manifestante não vislumbra qualquer fundamento plausível para o não reconhecimento integral de seu direito creditório, tendo em vista a efetiva comprovação, por meio de documentos hábeis e idôneos, das retenções que não foram originalmente reconhecidas pela DRF/Florianópolis, as quais devem, portanto, compor seu saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2016, sem qualquer margem a questionamentos adjacentes. É o relatório. Intimada do julgamento da DRJ, a requerente interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 5.384-5.413), repisando tudo quanto constou de sua Manifestação de Inconformidade; ao final, deduziu seus pedidos da seguinte forma: Diante do exposto, a Recorrente requer seja conhecido e integralmente provido o presente Recurso Fl. 5425DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1202-000.364 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.900385/2022-68 7 Voluntário para que, preliminarmente, se reconheça a nulidade do despacho decisório, tendo em vista que a apuração do crédito questionado já havia sido atingida pela decadência. Caso assim não entendam V. Sas., no mérito, requer-se seja o direito creditório pleiteado totalmente reconhecido, sobretudo à luz do princípio da verdade material, e, consequentemente, as compensações transmitidas sejam homologadas em sua integralidade. Caso sobrevenham dúvidas com relação à apuração dos tributos em tela, e se assim V. Sas. reputarem fundamental ao deslinde do caso, requer-se a conversão do julgamento em diligência. Por fim, a Recorrente pugna pelo direito à produção e juntada posterior de todos os meios de prova admitidos em direito caso essa providência se mostre necessária no decorrer do presente processo administrativo. É o relatório. VOTO Conselheira LIANA CARINE FERNANDES DE QUEIROZ, Relatora: O recurso voluntário é tempestivo, eis que interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto n. 70.235/72 e, por também preencher os demais requisitos objetivos e subjetivos à sua admissibilidade, dele conheço. Preliminarmente, conforme narrado, sustenta a recorrente que “[...] o r. despacho decisório inadvertidamente efetuou a glosa parcial do saldo negativo de IRPJ com relação a período JÁ ABRANGIDO PELA DECADÊNCIA, visto que, na data de sua emissão, o crédito apurado em 31/12/2016 já não era mais passível de revisitação dado o transcurso do prazo previsto no artigo 150, § 4º do CTN.” A prefacial, contudo, não deve ser admitida. O prazo de cinco anos previsto no § 5º do artigo 74 da Lei n. 9.430/96 para homologação da compensação declarada pela autoridade fazendária não se confunde com o prazo decadencial do artigo 150, § 4º do CTN, de modo que, enquanto não transcorrido o prazo de Fl. 5426DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1202-000.364 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.900385/2022-68 8 homologação tácita da Declaração de Compensação, pode o Fisco confirmar os requisitos legais de dedução de retenções na fonte na apuração de saldo negativo de IRPJ. Veja-se a dicção do § 5º do artigo 74 da Lei n. 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Essa é a inteligência da Súmula CARF n. 204, a que este órgão julgador se encontra- vinculado: Súmula CARF n. 204 Aprovada pela 1ª Turma da CSRF em sessão de 26/09/2024 – vigência em 04/10/2024 Enquanto não transcorrido o prazo de homologação tácita da Declaração de Compensação (DCOMP), pode o Fisco confirmar os requisitos legais de dedução de retenções na fonte e estimativas mensais na apuração de saldo negativo de IRPJ e CSLL. Acórdãos Precedentes: 9101-006.306, 9101-006.059, 9101- 005.959, 9101-005.960, 9101-003.692. Isso posto, rejeito a nulidade arguida. Quanto ao mérito, conforme narrado, há em discussão o pretendido crédito remanescente do valor de R$ 97.493,31, não reconhecido pela DRJ por duas razões: a) não poderiam ser consideradas as retenções da fonte sofridas sobre receitas relativas às competências janeiro e fevereiro de 2016, mas somente às do período de apuração em referência março a Fl. 5427DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1202-000.364 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.900385/2022-68 9 dezembro/2016; b) quanto às retenções havidas no período considerado (março a dezembro/2016), não há como reconhecer os valores que não constam dos informes das fontes pagadoras, mas não há outros documentos nos autos suficientes à demonstração das retenções. Para a DRJ: [...] Nesse contexto, somente podem ser deduzidas na apuração do saldo negativo de um determinado período de apuração as antecipações pertinentes a esse mesmo período. Portanto, definido o período de apuração na ECF como sendo de 01/03/2016 a 31/12/2016, somente as retenções relativas a esse mesmo período podem compor o saldo negativo. [...] Na Análise das Parcelas de Crédito que compõem o Despacho Decisório, com base nas informações do PER/Dcomp e no processamento da Dirf, não foram confirmadas retenções na fonte no total de R$ 119.852,51. No levantamento realizado por amostragem pela manifestante, foi feita referência às notas fiscais e à ECF para fins de comprovação das retenções. Nesse ponto, deve ser ressaltado que atos de lavra de quem sofreu a retenção, sem respaldo de outros elementos de convicção, tais como extratos bancários indicando o valor líquido recebido, devidamente vinculados às notas fiscais, não fazem prova suficiente da retenção no período de apuração do saldo negativo. No tocante às notas fiscais, cumpre acrescentar que a simples anotação dos valores que seriam devidos a título de retenção do tributo não constitui prova da efetiva retenção em seu favor. Por hipótese, meramente para efeito de raciocínio, digamos que o valor apontado estivesse em desacordo com a legislação tributária, seja para mais ou para menos. A fonte pagadora, a quem cabe a responsabilidade tributária pela retenção, faria os cálculos corretos e deduziria do valor a ser pago ao prestador do serviço aquele por ela calculado, independentemente do valor anotado no documento fiscal. [...] Fl. 5428DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1202-000.364 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.900385/2022-68 10 Dessa forma, na ausência do comprovante de retenção e não comprovado erro na informação prestada pela fonte pagadora, deve prevalecer o valor de retenção indicado na Dirf. A manifestante anexou ainda o relatório das fontes pagadoras extraído do e-CAC (fls. 5215/5252), documento válido para fins de comprovação das retenções, uma vez que apresenta os dados de processamento das Dirf. O documento anexado diz respeito à retenção de todo ano- calendário de 2016, porém, conforme já comentado, na ECF, o período de apuração é de 01/03/2016 a 31/12/2016, ao qual ficam limitadas as retenções passíveis de compor o saldo negativo. Nesse caso, foram apresentadas pela manifestante, exemplificativamente, situações relativas a determinadas fontes pagadoras, em relação às quais o Despacho Decisório não considerou corretamente o valor da retenção. Em pesquisa realizada para fundamentar este julgamento, foram encontradas nas Dirf entregues pelas fontes pagadoras retenções na fonte de IRPJ no total de R$ 808.007,76, em valor superior ao anteriormente confirmado no despacho decisório, fato que pode ser explicado, entre outros motivos, pela apresentação extemporânea de Dirf pelas fontes pagadoras ou retificações posteriores, e ainda por equívocos no preenchimento do PER/Dcomp que impossibilitaram a conferência por processo eletrônico. A relação das retenções, elaborada com base nos dados extraídos do processamento da Dirf, consta do final do Voto, constituindo parte integrante deste. No levantamento empreendido foram consideradas retenções pertinentes ao ano-calendario 2016, identificadas pelo CNPJ da fonte pagadora, incluindo matriz e filiais, observado o código de receita e o valor da retenção de IRPJ de forma proporcional, no caso de retenção conjunta com outros tributos. Em qualquer situação, a retenção ficou limitada ao valor efetivamente retido indicado na Dirf. [...] Fl. 5429DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1202-000.364 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.900385/2022-68 11 É possível inferir ainda que a diferença substancial do levantamento apresentado pela contribuinte e a apuração feita com base na Dirf reside no fato, reconhecido pela própria manifestante, de ter considerado as retenções de janeiro e fevereiro de 2016 na apuração do saldo negativo do período de 01/03/2016 a 31/12/2016, procedimento não admitido na legislação tributária, conforme já comentado. Entendo, em vista dos fundamentos acima destacados, para o não reconhecimento parcial do direito creditório, merecer reforma a decisão recorrida. Isso porque é possível ao contribuinte deduzir, do imposto devido, o valor do imposto de renda retido na fonte correspondente a receitas computadas na base de cálculo do imposto no mesmo período de apuração, ou em período passado, segundo o regime de competência. É de dizer: ainda que a retenção do imposto na fonte tenha ocorrido no mesmo período de apuração em que auferida a receita, a intepretação da legislação tributária somente evidencia vedação à dedução desta retenção antes do oferecimento à tributação da correspondente receita, ou se já prescrito o direito ao indébito – não sendo uma exceção, nem a outra, o caso dos autos. Veja-se, a propósito, o que preconiza o art. 2º da Lei n. 9.430/96: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. §1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. Fl. 5430DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1202-000.364 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.900385/2022-68 12 §3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I - dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II - dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III - do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV - do imposto de renda pago na forma deste artigo. Entendo que a lei exige somente que a retenção corresponda a receita computada na determinação do lucro real, o que significa dizer que a receita deve ser oferecida à tributação até a determinação do lucro real na qual se pretende a dedução da retenção, ou seja, em período de apuração presente ou passado. Nesse contexto, faço adesão às razões de decidir do Acórdão n. 9101-006.680, unânime, da 1ª Turma da CSRF, da lavra da Conselheira Edeli Bessa: [...] E, no entender do Colegiado a quo, esta dedução somente pode ser promovida no período de apuração em que os correspondentes rendimentos foram oferecidos à tributação. Embora o acórdão recorrido não se estenda neste aspecto, infere-se desta premissa que a retenção na fonte sofrida no futuro, em relação a rendimentos reconhecidos contabilmente em períodos pretéritos, deveria ser aproveitada na apuração passada, mediante sua retificação para aumento do saldo negativo originalmente apurado, ou para constituição de indébito, caso a apuração tenha resultado em imposto a pagar. Fl. 5431DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1202-000.364 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.900385/2022-68 13 Se a pessoa jurídica auferiu rendimentos e os reconheceu contabilmente segundo o regime de competência, integrando-os ao lucro líquido a partir do qual é apurado o lucro real e o imposto de renda devido, mas somente em momento futuro sofreu a retenção na fonte do imposto de renda sobre tais rendimentos, este valor pode ser deduzido no período de apuração de ocorrência da retenção, porque a lei não faz qualquer restrição neste sentido. A dedução no período de apuração de ocorrência da retenção também se justificaria sob a lógica financeira, porque permitir o deslocamento desta antecipação para período passado resultaria na formação de um indébito antes do ingresso da retenção nos cofres públicos e, em consequência, atrairia a cogitação da aplicação de juros compensatórios desde aquele momento, anterior ao desembolso da antecipação. [...] o disposto no art. 64, §3º da Lei nº 9.430/96 que, ao tratar da dedução de retenções sofridas no fornecimento de bens e na prestação de serviços a órgãos públicos, especifica que o valor do imposto e das contribuições sociais retidos será considerado como antecipação do que for devido pela contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. Contudo, a peculiaridade destas retenções é agregar diversos tributos, incidentes sobre o lucro e o faturamento, contexto no qual a referência a mesmo imposto e mesmas contribuições presta- se, apenas, a limitar a dedução da antecipação na apuração do correspondente imposto ou contribuição, segundo a parcela que a lei define como destinada a cada um deles. Não há, nestes termos, qualquer restrição ao período de apuração no qual a receita de fornecimento de bens ou de prestação de serviços foi oferecida à tributação. Ou seja, também nesta hipótese, se a receita foi computada pelo regime de competência na base de cálculo dos tributos incidentes sobre o faturamento e o lucro, e somente em momento futuro ocorre seu pagamento pelo órgão público, com a correspondente retenção, o sujeito passivo poderá distribuir a dedução desta retenção entre o mesmo imposto e as mesmas contribuições no período de apuração em que sofrer a retenção. Fl. 5432DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1202-000.364 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.900385/2022-68 14 Ainda, o Colegiado a quo também invoca a Súmula CARF nº 80 para firmar o dever da Contribuinte comprovar que todas as receitas correspondentes às retenções na fonte tenham sido levadas à tributação. De fato, a jurisprudência deste Conselho consolidou-se nos seguintes termos: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Contudo, mais uma vez se nota a indeterminação do período de apuração no qual se faz a prova do cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. A exigência é de prova da retenção e deste cômputo, mas não de que eles tenham ocorrido, necessariamente, no mesmo período de apuração. Assim, por todo o exposto, impõe-se reformar a premissa que, adotada pelo Colegiado a quo, resultou na confirmação da decisão de 1ª instância e na não apreciação das provas apresentadas pela Contribuinte em recurso voluntário para demonstrar que as receitas correspondentes às retenções deduzidas, e que subsistiram glosadas, foram oferecidas à tributação. Não merece acolhida integral, portanto, o pedido principal do recurso especial, no sentido de reconhecimento integral do direito creditório, devendo ser atendido, apenas, o pedido subsidiário de baixa dos autos à Turma Ordinária para novo julgamento do Recurso Voluntário. O presente voto, assim, é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso especial da Contribuinte, reformando-se o acórdão recorrido, com RETORNO dos autos ao Colegiado a quo para apreciação das demais alegações de defesa sob a premissa de que é possível a dedução das retenções na fonte se as receitas correspondentes foram computadas no lucro tributável em períodos passados. Fl. 5433DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1202-000.364 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.900385/2022-68 15 Pertinente ainda aditar, ao esposado, os fundamentos acrescidos pela mesma Conselheira Edeli Bessa, quando do julgamento do Processo n. 10380.910841/2012-03 (ACÓRDÃO 1004-000.323 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA), para conceber que a admissão do crédito deve se dar, inclusive, quando as retenções tenham sido promovidas no período de apuração em que auferidas as receitas e mesmo quando indemonstrada impossibilidade fática e/ou jurídica de as retenções terem sido escrituradas e deduzidas naquela ocasião, dada a inexistência de vedação legal e de que tal procedimento, sem implicar supressão de tributo, postergaria, ao revés, a formação do indébito, em prejuízo dos juros que incorreriam sobre o direito creditório formado no período anterior: É certo que o caso presente guarda a peculiaridade de as retenções terem sido promovidas no mesmo período de apuração em que auferidos os rendimentos, e havia a possibilidade fática e jurídica de as retenções terem sido escrituradas e deduzidas naquela ocasião. Todavia, como expresso nos fundamentos do voto retro transcrito, somente se vislumbra a vedação, na legislação, de dedução do imposto de renda retido na fonte antes do oferecimento dos correspondentes rendimentos à tributação, vez que a dedução permitida se refere a imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real. Ademais, a dedução posterior posterga a formação do indébito, em prejuízo aos juros que incorreriam sobre o direito creditório se formado no período de apuração anterior. Seria possível também afirmar a impossibilidade de tal dedução quando expirado o prazo prescricional para aproveitamento do indébito, em construção interpretativa semelhante à firmada por esta Conselheira em relação à constituição de prejuízos fiscais, assim sintetizada na ementa do Acórdão nº 9101-004.553: [...] Desnecessário, porém, discorrer sobre tal aspecto, na medida em que a dedução do imposto de renda retido na fonte se deu no período de apuração subsequente à retenção. A dedução tardia do imposto de renda retido na fonte, portanto, não se presta, por si só, a justificar sua glosa Fl. 5434DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1202-000.364 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.900385/2022-68 16 na formação do saldo negativo do período. De outro lado, não é possível reconhecer, nesta instância de julgamento, a totalidade do direito creditório utilizado em compensação, como pretende a Contribuinte, vez que a dedução permanece condicionada ao oferecimento à tributação das receitas financeiras correspondentes. Por tais razões, deve ser DADO PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para superar a premissa da impossibilidade de dedução do imposto de renda retido na fonte em período posterior ao reconhecimento das respectivas receitas financeiras, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para continuidade do exame do direito creditório, se for o caso, com despacho decisório complementar, reiniciando-se o rito processual caso subsista compensação não homologada. Há que se ressaltar ainda que, quanto ao período considerado pela DRJ, para verificação das retenções na fonte – dado o “descasamento” entre o momento de tributação das receitas (janeiro e fevereiro/2016) e o período de aproveitamento do crédito de IRRF para composição de saldo negativo apurado de 01/03/16 a 31/12/16 sobre tais valores (referentes ao regime competencial dos dois primeiros meses do ano-calendário 2016) – o direito creditório foi analisado somente em vista das DIRFs das fontes pagadoras. Embora não tenha desconsiderado o teor da Súmula CARF n. 80, afirmou, genericamente, que seriam insuficientes à comprovação das retenções sofridas. Ocorre que, do compulsar dos autos, verifica-se que a requerente colacionou, anexo à sua manifestação de inconformidade, não somente as notas fiscais de prestação de serviços, mas os extratos bancários de recebimentos dos valores líquidos – destacando, no extrato integral, os valores recebidos cuja retenção na fonte pleiteia, indicando, ainda, em anotação no extrato, os números das notas fiscais a que corresponderiam tais recebimentos, a fim de que possa ser identificada a tributação da receita correspondente, além dos extratos DIRFs das retenções de fonte informadas no registro Y570 da apuração 1/3/16 a 31/12/16, que compuseram o saldo negativo do referido período, referente às receitas declaradas, inclusive, nos meses de janeiro e fevereiro/16. Desse modo, hão de ser devidamente examinados os documentos comprobatórios que se afigurariam suficientes a alcançar conclusão sobre a existência ou não do direito creditório postulado e que fora (a) não reconhecido, por dizerem respeito a receitas tributadas nos dois primeiros meses do ano-calendário 2016 (receitas não compreendidas, portanto, no período de apuração do saldo negativo pleiteado); (b) reconhecidas parcialmente, dada a divergência entre os Fl. 5435DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1202-000.364 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.900385/2022-68 17 valores pretendidos e o declarado na DIRF da fonte pagadora, mas que podem ser comprovados pela análise dos documentos colacionados ao processo pela requerente; (c) não reconhecidos porque, embora referentes a receitas havidas no período de apuração do saldo negativo pleiteado, não constaram das DIRFs, mas que podem ser comprovados pela análise dos documentos colacionados ao processo pela requerente. Por tais razões, converto o presente julgamento em diligência, determinando, à unidade de origem que: (a) informe se há comprovação da tributação das receitas havidas nos dois primeiros meses do ano-calendário 2016, a que correspondam parcela de crédito do IRRF pleiteado na composição do saldo negativo dos trimestres subsequentes; (b) informe se, apesar da divergência entre os valores pretendidos e o declarado na DIRF da fonte pagadora, está comprovada a retenção, em valores maiores que das DIRFs, pela análise dos documentos colacionados ao processo pela requerente, notadamente pelos extratos bancários e notas fiscais, indicativos do percebimento das receitas em valores líquidos (deduzidas as retenções de fonte); (c) informe se as receitas havidas no período de apuração do saldo negativo pleiteado, que não constaram das DIRFs, encontram-se comprovadas pelos documentos colacionados ao processo pela requerente, notadamente pelos extratos bancários e notas fiscais, indicativos do percebimento das receitas em valores líquidos (deduzidas as retenções de fonte). É como voto. Assinatura Digital LIANA CARINE FERNANDES DE QUEIROZ Fl. 5436DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto

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Numero do processo: 10120.914330/2016-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 13 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Sep 14 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 3101-000.765
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para aguardar na Unidade de Origem a decisão final do processo nº 10120.729529/2017-52 e verificar os reflexos da liquidação daquele processo neste processo, identificando o que remanesce para julgamento, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3101-000.740, de 13 de maio de 2026, prolatada no julgamento do processo 10120.914322/2016-09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosemburg Filho - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Ramon Silva Cunha, Luciana Ferreira Braga, Eduardo Gargiulo Ornelas Santiago, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3101-000.740, de 13 de maio de 2026, prolatada no julgamento do processo 10120.914322/2016- 09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosemburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Ramon Silva Cunha, Luciana Ferreira Braga, Eduardo Gargiulo Ornelas Santiago, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou procedente em parte Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Fl. 2302DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.765 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.914330/2016-47 2 Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, em síntese abaixo, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013 LIMITES DA LIDE. MATÉRIA NÃO CONTESTADA EXPRESSAMENTE. MATÉRIA NÃO CONTESTADA DE FORMA ESPECÍFICA. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente e especificamente contestada pela manifestante. DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. AUSÊNCIA DE DÚVIDAS. A realização de diligência é um ato discricionário do julgador, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. Considera-se desnecessária a diligência quando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide. PROVA. MOMENTO. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO. A prova do alegado cabe ao contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da impugnação, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. De toda forma, trata-se de matéria que não pode ser apreciada em tese. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. COBRANÇA DOS DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. PRESCINDIBILIDADE DE LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO OU NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e, nesse cenário, é desnecessária a formalização de auto de infração ou notificação de lançamento para a cobrança. DESCRIÇÃO DOS FATOS. COMPREENSÃO PLENA DA LIDE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA Se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Fl. 2303DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.765 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.914330/2016-47 3 DESPACHO DECISÓRIO. INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES. RELATÓRIO FISCAL. FUNDAMENTOS DA DECISÃO. A completa descrição dos fatos e os fundamentos da decisão estão expostos nº Relatório Fiscal, anexo às informações complementares da análise do crédito, que por sua vez integram expressamente o despacho decisório. Logo, o despacho decisório per se é apenas uma parte do todo, e não pode ser analisado de forma isolada, vale dizer, sem considerar as informações complementares que o integram. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. CRITÉRIOS PARA AFERIÇÃO. O conceito de insumo para fins de apuração de créditos de PIS/Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. O critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço: a) constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço; ou b) quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. O critério da relevância, por seu turno, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja a) pelas singularidades de cada cadeia produtiva; ou b) por imposição legal. INSUMOS. ATIVIDADE COMERCIAL. INEXISTÊNCIA. Nos termos do conceito definido pelo STJ, somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda (inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003). AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A vedação ao creditamento de bens adquiridos sem incidência das contribuições decorre de previsão legal expressa, gravada no inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. A destinação dada ao produto adquirido é irrelevante, na medida em que a vedação ao crédito está vinculada às condições de sua aquisição (origem), e não à forma de utilização do produto (destinação). SERVIÇOS PORTUÁRIOS. MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS. SUPERVISÃO DE EMBARQUE DE PRODUTOS. INSPEÇÃO DE CALADOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA CREDITAMENTO. Fl. 2304DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.765 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.914330/2016-47 4 As despesas com serviços de movimentação de cargas, supervisão de embarque de produtos e inspeção de calados não possuem previsão legal para apropriação de créditos de não cumulatividade das contribuições. SERVIÇOS PORTUÁRIOS. ARMAZENAGEM. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DETALHADA E ESPECÍFICA DOS SERVIÇOS NO DOCUMENTO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. Os chamados “serviços portuários” podem ou não compreender gastos ou despesas creditáveis, a depender do significado que se lhes atribua. E como não existe definição em lei desse conceito, nem mesmo no direito privado (art. 110 do CTN), não há como encontrar correspondência entre as despesas descritas como "serviços portuários" nas notas fiscais e as hipóteses de creditamento previstas nas Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Por esse motivo, ainda que eventuais despesas com armazenagem estivessem embutidas nos chamados “serviços portuários”, não é possível saber qual o valor efetivamente pago a partir dos documentos fiscais. Nesse cenário, o crédito não goza de certeza e liquidez, razão pela qual não pode ser reconhecido. FRETE DE MATÉRIA-PRIMA E PRODUTOS EM ELABORAÇÃO. INSUMO. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. As despesas com serviços de transporte de matéria-prima ou produtos em elaboração, ainda quando realizada entre estabelecimentos da mesma empresa, geram direito a crédito a título de insumos. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS OU BENS PARA REVENDA. NÃO ENQUADRAMENTO NO CONCEITO DE INSUMO. VEDAÇÃO AO CREDITAMENTO. Não são considerados insumos os bens e serviços utilizados, aplicados ou consumidos em operações comerciais. FRETE. DESPESAS NECESSÁRIAS PARA TRANSPORTAR PRODUTOS FINAIS DESTINADOS À EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO À OPERAÇÃO DE VENDA. Os transportes que ocorrem em função de uma operação logística com intuito de facilitar a comercialização e a entrega dos bens aos futuros compradores não se equiparam a uma operação de venda. A expressão “operação de venda”, contida no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, não pode ser equiparada a “operação de logística” ou “operação de comercialização”, sob pena de alargar a interpretação do dispositivo para abranger todo e qualquer transporte de produtos acabados ou de bens para revenda. Se essa fosse a intenção do legislador, bastaria utilizar a expressão “fretes”, sem o qualificador “na operação de venda”. COMERCIAL EXPORTADORA. AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS DE TERCEIROS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. VEDAÇÃO AO CREDITAMENTO. Fl. 2305DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.765 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.914330/2016-47 5 É expressamente vedada a apropriação de créditos vinculados à receita de exportação por empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias de terceiros com o fim específico de exportação, nos termos do § 4º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003. FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO. MERCADORIAS SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO OU CRÉDITO PRESUMIDO. O valor do frete integra a base de cálculo dos créditos sob a forma de custo dos bens ou serviços adquiridos, nos termos do art. 13 do Decreto-Lei nº 1.598, de 1977. Assim, a despesa com fretes gera crédito com base na alíquota aplicável a essa aquisição, e não na alíquota geral do PIS/Cofins. APURAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. PROVA DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do PIS/Cofins determina que a apuração do crédito seja feita sempre em relação ao seu período de origem e faculta ao contribuinte a utilização desse crédito em momento posterior. Para demonstrar corretamente a apuração extemporânea, o contribuinte deve refazer a apuração do mês de origem do crédito por meio da retificação das declarações e demonstrativos correspondentes. Na hipótese de não retificação das obrigações acessórias, é do contribuinte o ônus de provar por outros meios que o crédito foi apropriado dentro das hipóteses legais e que estava disponível para utilização. CRÉDITO PRESUMIDO. ÓLEO DE SOJA. NOTA FISCAL ACOBERTANDO OPERAÇÃO DE VENDA DE PRODUTOS NÃO SUJEITOS AO CRÉDITO PRESUMIDO. VEDAÇÃO AO CREDITAMENTO. O procedimento específico de ressarcimento de que trata o art. 32 da Lei nº 12.865, de 2013, somente será aplicável aos créditos presumidos apurados pela pessoa jurídica em relação a operação de comercialização acobertada por nota fiscal referente exclusivamente a produtos cuja venda no mercado interno ou exportação seja contemplada com o crédito presumido de que trata o art. 31 da referida Lei. PROPORÇÃO DAS RECEITAS PARA FINS DE RATEIO DOS CRÉDITOS. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO OBTIDAS COMO COMERCIAL EXPORTADORA. NÃO INCLUSÃO. As receitas de exportação auferidas pela empresa na qualidade de comercial exportadora devem ser excluídas do total de receitas de exportação para fins de rateio dos créditos passíveis de ressarcimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013 PIS E COFINS. LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO. MESMOS FUNDAMENTOS. Fl. 2306DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.765 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.914330/2016-47 6 Aplicam-se ao contencioso de PIS as mesmas razões de decidir da Cofins, quando ambos tributos recaírem sobre a mesma situação fática. Em Recurso Voluntário, o Recorrente pleiteia a reversão das glosas de créditos mantidas pelo Acórdão recorrido, por serem legítimos e possuírem previsão legal, além de estarem embasados na jurisprudência dominante. Para tanto, a Recorrente requer, de forma preliminar, a reunião e o julgamento conjunto deste Processo Administrativo com o Processo Administrativo nº 10120.729529/2017- 52, a fim de se evitar decisões conflitantes acerca dos mesmos créditos de PIS e COFINS e garantir a uniformidade do julgamento de todos os casos, tendo em vista os princípios da economia processual, da razoabilidade e da eficiência, assegurados pelo artigo 37 da Constituição Federal, inclusive em observância às disposições regimentais do RICARF (artigo 6º do Anexo II). Adicionalmente, a Recorrente pleiteia o provimento do Recurso Voluntário, reformando-se parcialmente o V. Acórdão recorrido para que seja integralmente deferido o Pedido de Ressarcimento objeto do presente processo administrativo. Caso se entenda conveniente, tal como ocorreu no Processo Administrativo nº 10120.729529/2017-52, a Recorrente pleiteia seja determinada a conversão do julgamento em diligência, em razão da vasta documentação acostada aos autos, cuja análise é necessária para confirmar a validade dos créditos de PIS e COFINS que foram indevidamente glosados pela D. Fiscalização. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Reunião ao Processo nº 10120.729529/2017-52 A apuração de PIS e COFINS da Recorrente, referente ao período de julho de 2012 a março de 2015, foi revista pela fiscalização, que emitiu o Relatório Fiscal ref. TDPF nº 01.2.01.00-2016-00718-5, mencionado no Despacho Decisório que originou o presente processo. Com a glosa de parte dos créditos, a Fiscalização procedeu com o aproveitamento de ofício do saldo reapurado, analisou pedidos de ressarcimento e/ou as Fl. 2307DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.765 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.914330/2016-47 7 declarações de compensação apresentados no período, e constituiu débitos de PIS e COFINS, que foram lançados por meio de Autos de Infração objeto do Processo Adm Ninistrativo nº 10120.729529/2017-52. Diante disso, a Recorrente pleiteia a reunião e o julgamento conjunto deste processo com o Processo Administrativo nº 10120.729529/2017-52, a fim de se evitar decisões conflitantes acerca dos mesmos créditos de PIS e COFINS. É certo que o presente litígio decorre de Procedimento Fiscal realizado no Processo Administrativo Fiscal nº 10120.729529/2017-52, que resultou em lançamento de ofício para exigência de PIS e COFINS dos períodos de outubro/2012 a janeiro/2013, refletindo na inexistência de crédito passível de ressarcimento, na forma pleiteada pela Contribuinte. O artigo 47 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023, assim prevê: Art. 47 Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando-se o disposto neste artigo. § 1º Os processos podem ser vinculados por: I- conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fatos idênticos, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II- decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III- reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Como se observa, é inequívoca a vinculação dos processos por decorrência, na forma estabelecida pelo art. 47, § 1º, II. Com isso, há uma efetiva relação de prejudicialidade externa entre este litígio e o processo 10120.729529/2017-52. Tal relação pode ensejar um vínculo formal, materializado na reunião dos feitos para julgamento conjunto, mas impõe, sobretudo, um vínculo material, de modo que o presente processo deve acolher e reproduzir o que for decidido no processo principal. Esse inclusive já foi o procedimento adotado no âmbito do Processo 10120.725506/2013-45, na mesma situação do presente litígio, com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2012 a 31/03/2015 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. VINCULAÇÃO COM AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO EM OUTRO PROCESSO. IDENTIDADE FÁTICO- JURÍDICA. APLICAÇÃO DO RESULTADO DO PROCESSO VINCULADO. Fl. 2308DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.765 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.914330/2016-47 8 Reconhecida a identidade entre o objeto de um PERDOMP e do Auto de Infração lavrado em outro processo administrativo, o resultado do julgamento do lançamento de ofício deve ser aplicado ao processo em que se analisa o crédito pleiteado. No Processo nº 10120.729529/2017-52, o julgamento do recurso foi convertido em diligência através da Resolução nº 3402-003.426, possibilitando melhor compreensão sobre as atividades desenvolvidas pela empresa autuada e apuração do direito creditório invocado, sendo proferido o Acórdão nº 3402- 012.842 com o seguinte resultado: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência suscitada e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para: (i) reverter integralmente as glosas dos créditos originados de despesas com frete de transferência de produção do estabelecimento ou de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros; (ii) reverter integralmente as glosas dos créditos originados de despesas com frete relativo à industrialização por encomenda de produtos; e (iii) reverter parcialmente as glosas dos créditos originados de despesas com frete de retorno de matérias-primas para depósito fechado ou armazém geral, mantendo a glosa apenas dos fretes destinados a filial de revenda, nos termos do Relatório de Diligência Fiscal. O acórdão em referência foi ementado da seguinte forma: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2012 a 31/03/2015, 01/10/2012 a 31/01/2013 DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. RESP Nº 973.733/SC. Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp nº 973.733/SC, na sistemática do art. 543-C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. ARTIGO 373, INCISO I DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. É ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, devendo ser aplicado o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2012 a 31/03/2015, 01/10/2012 a 31/01/2013 PIS/COFINS. STJ. CONCEITO DE INSUMO. ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. PROCESSO PRODUTIVO. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, decidiu pelo rito dos Recursos Repetitivos no sentido de que o conceito de insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas (arts. 3º, II das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002), deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou de relevância para o processo produtivo da contribuinte, os quais estão delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa. Fl. 2309DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.765 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.914330/2016-47 9 CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS INACABADOS, INSUMOS E EMBALAGENS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos inacabados e de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa integram o custo de produção dos produtos fabricados e vendidos. Possibilidade de aproveitamento de créditos das contribuições não cumulativas. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. SÚMULA CARF Nº 217. Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO SOBRE AQUISIÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos insumos, mas excetua expressamente nos casos da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição (inciso II, § 2º, art. 3º). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador dos insumos sujeitos à alíquota zero, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99), por ausência de vedação legal. Sendo os regimes de incidência distintos, do insumo (alíquota zero) e do frete (tributável), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do insumo para produção. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. O crédito presumido proveniente da atividade agroindustrial de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 é apurado somente em relação aos insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal, classificados nos capítulos e posições da NCM nele previsto. CRÉDITO PRESUMIDO. ÓLEO DE SOJA. LEI N° 12.865/2013. O ressarcimento é aplicável somente aos créditos presumidos apurados em operações de comercialização acobertada por nota fiscal referente exclusivamente a produtos de que trata o art. 31 da Lei nº 12.865/2013. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2012 a 31/03/2015, 01/10/2012 a 31/01/2013 PIS/COFINS. STJ. CONCEITO DE INSUMO. ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. PROCESSO PRODUTIVO. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, decidiu pelo rito dos Recursos Repetitivos no sentido de que o conceito de insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas (arts. 3º, II das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002), deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou de relevância para o processo produtivo da contribuinte, os quais estão delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS INACABADOS, INSUMOS E EMBALAGENS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Fl. 2310DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.765 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.914330/2016-47 10 As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos inacabados e de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa integram o custo de produção dos produtos fabricados e vendidos. Possibilidade de aproveitamento de créditos das contribuições não cumulativas. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. SÚMULA CARF Nº 217. Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO SOBRE AQUISIÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos insumos, mas excetua expressamente nos casos da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição(inciso II, § 2º, art. 3º). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador dos insumos sujeitos à alíquota zero, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99), por ausência de vedação legal. Sendo os regimes de incidência distintos, do insumo (alíquota zero) e do frete (tributável), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do insumo para produção. (Acórdão 9303-013.887). CRÉDITO PRESUMIDO. ÓLEO DE SOJA. LEI N° 12.865/2013. O ressarcimento é aplicável somente aos créditos presumidos apurados em operações de comercialização acobertada por nota fiscal referente exclusivamente a produtos de que trata o art. 31 da Lei nº 12.865/2013. Tendo em vista a relação de prejudicialidade em razão da vinculação por decorrência, na forma acima explicitada, voto por converter o julgamento em diligência para aguardar na Unidade de Origem a decisão final do processo nº 10120.729529/2017-52 e verificar os reflexos da liquidação daquele processo neste processo, identificando o que remanesce para julgamento. Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para aguardar na Unidade de Origem a decisão final do processo nº 10120.729529/2017-52 e verificar os reflexos da liquidação daquele processo neste processo, identificando o que remanesce para julgamento. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui Fl. 2311DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.765 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.914330/2016-47 11 adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento em diligência para aguardar na Unidade de Origem a decisão final do processo nº 10120.729529/2017-52 e verificar os reflexos da liquidação daquele processo neste processo, identificando o que remanesce para julgamento, nos termos do voto. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosemburg Filho – Presidente Redator Fl. 2312DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto

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Numero do processo: 15504.725168/2014-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 03 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 INSTAURAÇÃO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. IMPUGNAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 162. O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DEFINITIVIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal instaura-se com a apresentação tempestiva da impugnação. A inobservância das regras e prazos para a apresentação de impugnação e para a interposição de recurso voluntário acarretam o seu não conhecimento e o caráter de definitividade da decisão proferida pelo julgador de primeira instância. PRECLUSÃO PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO E INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. AUTUAÇÃO E SOLIDARIEDADE QUE SE MANTÊM. Se a parte autuada não apresenta impugnação ao lançamento fiscal resta configurada a preclusão processual, devendo ser mantida a responsabilidade tributária a ela atribuída mesmo que apresente posteriormente recurso voluntário. Deve prevalecer, para ambas as partes da relação processual, o direito ao contraditório e o acesso ao duplo grau de jurisdição, que seriam violados caso o recurso voluntário fosse admitido. ARGUIÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2 A alegação de que a multa é confiscatória e de violação dos princípios constitucionais e legais não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, pois se trata de exigência fundada em legislação vigente, a qual o julgador administrativo é vinculado. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. A impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal e é o momento no qual o contribuinte deve aduzir todas as suas razões de defesa, não se admitindo a apresentação em sede recursal de argumentos não debatidos na origem, salvo nas hipóteses de fato superveniente ou questões de ordem pública. AÇÃO FISCAL. FASE INQUISITÓRIA. DEFESA. CERCEAMENTO. INEXISTÊNCIA. O procedimento fiscal, destinado à constituição do crédito tributário é fase inquisitória, de levantamento, para fins de verificação de regularidade contábil-fiscal, na qual a posição daquele que está submetido à ação fiscal não é a de litigante, nem a de acusado, mas, simplesmente, de investigado, inexistindo, assim, margem para o sujeito passivo, naquela fase, apresentar defesa, já que não há contencioso administrativo instaurado, porque este último somente se inicia com o crédito tributário constituído. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. REQUISITOS DO LANÇAMENTO. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. SÚMULA CARF 162. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. SÚMULA CARF Nº 101. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CONTRATAÇÃO DE PESSOA FÍSICA POR INTERMÉDIO DE PESSOA JURÍDICA. SIMULAÇÃO. PRIMAZIA DA REALIDADE SOBRE A FORMA. Caracteriza relação de emprego dissimulada, sujeita à incidência de contribuições previdenciárias, a contratação sistemática e padronizada de profissionais por meio de pessoas jurídicas sem estrutura própria, quando comprovados, em conjunto, os elementos do art. 12, I, a, da Lei nº 8.212/91, ainda que a terceirização, em tese, seja lícita mesmo quanto à atividade-fim (Tema 725/STF). ÔNUS DA PROVA DA PESSOALIDADE. CRITÉRIO METODOLÓGICO PRÓPRIO DA FISCALIZAÇÃO. Tendo a própria autoridade lançadora adotado, como critério de individualização do salário-de-contribuição, a identificação nominal do prestador em anexo contratual (ou, em sua ausência, a habitualidade do faturamento), a coerência do lançamento impõe a aplicação do mesmo critério em favor do contribuinte: ausente qualquer elemento individualizador (documental ou de habitualidade mínima) quanto a prestador específico, ou emitida a nota fiscal conjuntamente em nome de mais de uma pessoa física sem rateio identificável, não se sustenta a exigência quanto a esse prestador, por insuficiência da prova de pessoalidade. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. 13º SALÁRIO. DIFERENÇAS SALARIAIS. INCIDÊNCIA. BASE DE CÁLCULO. O décimo terceiro salário e as diferenças salariais integram expressamente a base de cálculo das contribuições previdenciárias, nos termos do art. 28, da Lei nº 8.212/1991. A alegação genérica de natureza indenizatória não afasta a incidência tributária, sobretudo quando inexistente comprovação de enquadramento da verba nas hipóteses de exclusão previstas no § 9º do mesmo dispositivo legal. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. DECISÃO VINCULANTE DO STF NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 1.072.485. TEMA 985. MODULAÇÃO DOS EFEITOS. O terço constitucional de férias compõe a base de cálculo das contribuições devidas à seguridade social, somente a partir da publicação da ata do julgamento do RE 1.072.485, a saber, 15/09/2020. CONTRIBUIÇÃO SAT/RAT/GILRAT ATIVIDADE PREPONDERANTE AUTODECLARADA EM GFIP. ALÍQUOTAS DECORRENTE DA LEGISLAÇÃO E DECLARAÇÃO DO CNAE PREPONDERANTE. A alíquota SAT/RAT/GILRAT decorre da legislação tributária guardando correlação com a atividade econômica preponderante informada e autodeclarada em GFIP, a partir do CNAE informado como preponderante. É devida, por expressa disposição legal, a cobrança da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, em razão da atividade econômica preponderante exercida e autodeclarada pela pessoa jurídica. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DEFINIDA POR LEI ESPECIAL. SÚMULA CARF nº 210. As empresas que integram grupo econômico, de qualquer natureza respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária, nos termos do art. 30, inciso IX do art. 30, da Lei nº 8.212/1991, c/c art. 124, inc. II, do CTN, sem necessidade de o fisco demonstrar o interesse comum a que alude o art. 124, inciso I, do CTN, na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária. (Súmula CARF nº 210). PRESUNÇÃO. PROVA INDICIÁRIA. LIMITES E VALIDADE. A presunção em matéria tributária é admitida quando fundada em indícios graves, precisos e convergentes. Não se caracteriza quando baseada em elementos isolados. No caso, evidenciado conjunto probatório consistente, afasta-se a alegação de presunção indevida, mantendo-se a validade do lançamento. SOLIDARIEDADE. LIMITAÇÃO TEMPORAL PELA DATA DE CONSTITUIÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. Sendo juridicamente impossível a participação de pessoa jurídica na situação configuradora do fato gerador anteriormente à sua constituição, exclui-se a responsabilidade solidária quanto ao período em que a recorrente não possuía personalidade jurídica, mantendo-se a exigência quanto ao período posterior em que a prova dos autos demonstra, de forma concreta e específica, interesse comum caracterizado por confusão patrimonial e compartilhamento de estrutura administrativa com as demais empresas do grupo. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MULTA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. MANUTENÇÃO. O descumprimento de obrigações acessórias tipificadas na legislação previdenciária enseja a aplicação de penalidade independentemente de dolo ou prejuízo à fiscalização. Comprovadas as infrações relativas à ausência de correta escrituração da folha de pagamento e à falta de arrecadação das contribuições dos segurados, impõe-se a manutenção das multas aplicadas, sendo irrelevante a alegação de boa-fé ou de inexistência de dano ao Fisco. MULTA QUALIFICADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO A 100%. O inciso VI, §1º, do art. 44 da Lei n. 9.430/96, deve ser aplicado, retroativamente, tratando-se de ato não julgado definitivamente, conforme o art. 106, inciso II, alínea c, do CTN.
Numero da decisão: 2101-003.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em: a) Por unanimidade de votos, não conhecer dos recursos das responsáveis solidárias Porto Conhecimento e Tecnologia Ltda. e Korun Conhecimento e Tecnologia Ltda., e conhecer parcialmente dos recursos de LPJ Consultoria Ltda., DTS Consultoria e Treinamento Ltda. E Azalim & Silvestrini Assessoria e Consultoria de Sistemas Ltda., deixando de conhecer dos argumentos relacionados à multa confiscatória e à necessidade de apuração das contribuições sociais de acordo com os profissionais que executaram as atividades, por se tratar de inovação recursal; b) Na parte conhecida: c.1) por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares; c.2) por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário de LPJ Consultoria Ltda para (i) excluir do lançamento relativo à contratação de pessoas físicas por meio de pessoas jurídicas os valores correspondentes aos prestadores identificados nos 42 Douglas Luiz Assis Diniz, 53 - Gustavo Oliveira Cruz, 54 - Fernanda Lamas Vieira Pinto e Maria das Merces Lamas Vieira Pinto, 55 - Paulo Sérgio Lima Moreira e 56 Marta Aparecida Moreira Ribeiro e José Pinto, conforme tabela colacionada no item 3.1, mantendo-se a exigência quanto aos demais prestadores relacionados no relatório fiscal, (ii) determinar a exclusão da base de cálculo do lançamento os valores relativos ao terço constitucional de férias e (iii) reduzir a multa qualificada a 100%, aplicando-se a retroatividade benigna, vencida a Conselheira Débora Fófano dos Santos, que dava provimento parcial em maior extensão; c.3) Por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário da solidária DTS Consultoria e Treinamento Ltda., para excluir a responsabilidade solidária quanto ao período de 01/01/2009 a 16/08/2010, mantendo a responsabilidade solidária quanto ao período remanescente fiscalizado e c.4) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário da solidária Azalim & Silvestrini Assessoria e Consultoria de Sistemas Ltda. Assinado Digitalmente Sílvio Lúcio de Oliveira Júnior - Relator Assinado Digitalmente Heitor de Souza Lima Júnior - Presidente Substituto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Rafael de Aguiar Hirano (substituto[a] integral),Debora Fofano dos Santos, Silvio Lucio de Oliveira Junior, Ana Carolina da Silva Barbosa, Heitor de Souza Lima Junior.
Nome do relator: SILVIO LUCIO DE OLIVEIRA JUNIOR

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Se a parte autuada não apresenta impugnação ao lançamento fiscal resta configurada a preclusão processual, devendo ser mantida a responsabilidade tributária a ela atribuída mesmo que apresente posteriormente recurso voluntário. Deve prevalecer, para ambas as partes da relação processual, o direito ao contraditório e o acesso ao duplo grau de jurisdição, que seriam violados caso o recurso voluntário fosse admitido. ARGUIÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2 A alegação de que a multa é confiscatória e de violação dos princípios constitucionais e legais não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, pois se trata de exigência fundada em legislação vigente, a qual o julgador administrativo é vinculado. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. A impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal e é o momento no qual o contribuinte deve aduzir todas as suas razões de defesa, não se admitindo a apresentação em sede recursal de argumentos não debatidos na origem, salvo nas hipóteses de fato superveniente ou questões de ordem pública. AÇÃO FISCAL. FASE INQUISITÓRIA. DEFESA. CERCEAMENTO. INEXISTÊNCIA. O procedimento fiscal, destinado à constituição do crédito tributário é fase inquisitória, de levantamento, para fins de verificação de regularidade contábil-fiscal, na qual a posição daquele que está submetido à ação fiscal não é a de litigante, nem a de acusado, mas, simplesmente, de investigado, inexistindo, assim, margem para o sujeito passivo, naquela fase, apresentar defesa, já que não há contencioso administrativo instaurado, porque este último somente se inicia com o crédito tributário constituído. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. REQUISITOS DO LANÇAMENTO. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. SÚMULA CARF 162. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. SÚMULA CARF Nº 101. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CONTRATAÇÃO DE PESSOA FÍSICA POR INTERMÉDIO DE PESSOA JURÍDICA. SIMULAÇÃO. PRIMAZIA DA REALIDADE SOBRE A FORMA. Caracteriza relação de emprego dissimulada, sujeita à incidência de contribuições previdenciárias, a contratação sistemática e padronizada de profissionais por meio de pessoas jurídicas sem estrutura própria, quando comprovados, em conjunto, os elementos do art. 12, I, a, da Lei nº 8.212/91, ainda que a terceirização, em tese, seja lícita mesmo quanto à atividade-fim (Tema 725/STF). ÔNUS DA PROVA DA PESSOALIDADE. CRITÉRIO METODOLÓGICO PRÓPRIO DA FISCALIZAÇÃO. Tendo a própria autoridade lançadora adotado, como critério de individualização do salário-de-contribuição, a identificação nominal do prestador em anexo contratual (ou, em sua ausência, a habitualidade do faturamento), a coerência do lançamento impõe a aplicação do mesmo critério em favor do contribuinte: ausente qualquer elemento individualizador (documental ou de habitualidade mínima) quanto a prestador específico, ou emitida a nota fiscal conjuntamente em nome de mais de uma pessoa física sem rateio identificável, não se sustenta a exigência quanto a esse prestador, por insuficiência da prova de pessoalidade. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. 13º SALÁRIO. DIFERENÇAS SALARIAIS. INCIDÊNCIA. BASE DE CÁLCULO. O décimo terceiro salário e as diferenças salariais integram expressamente a base de cálculo das contribuições previdenciárias, nos termos do art. 28, da Lei nº 8.212/1991. A alegação genérica de natureza indenizatória não afasta a incidência tributária, sobretudo quando inexistente comprovação de enquadramento da verba nas hipóteses de exclusão previstas no § 9º do mesmo dispositivo legal. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. DECISÃO VINCULANTE DO STF NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 1.072.485. TEMA 985. MODULAÇÃO DOS EFEITOS. O terço constitucional de férias compõe a base de cálculo das contribuições devidas à seguridade social, somente a partir da publicação da ata do julgamento do RE 1.072.485, a saber, 15/09/2020. CONTRIBUIÇÃO SAT/RAT/GILRAT ATIVIDADE PREPONDERANTE AUTODECLARADA EM GFIP. ALÍQUOTAS DECORRENTE DA LEGISLAÇÃO E DECLARAÇÃO DO CNAE PREPONDERANTE. A alíquota SAT/RAT/GILRAT decorre da legislação tributária guardando correlação com a atividade econômica preponderante informada e autodeclarada em GFIP, a partir do CNAE informado como preponderante. É devida, por expressa disposição legal, a cobrança da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, em razão da atividade econômica preponderante exercida e autodeclarada pela pessoa jurídica. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DEFINIDA POR LEI ESPECIAL. SÚMULA CARF nº 210. As empresas que integram grupo econômico, de qualquer natureza respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária, nos termos do art. 30, inciso IX do art. 30, da Lei nº 8.212/1991, c/c art. 124, inc. II, do CTN, sem necessidade de o fisco demonstrar o interesse comum a que alude o art. 124, inciso I, do CTN, na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária. (Súmula CARF nº 210). PRESUNÇÃO. PROVA INDICIÁRIA. LIMITES E VALIDADE. A presunção em matéria tributária é admitida quando fundada em indícios graves, precisos e convergentes. Não se caracteriza quando baseada em elementos isolados. No caso, evidenciado conjunto probatório consistente, afasta-se a alegação de presunção indevida, mantendo-se a validade do lançamento. SOLIDARIEDADE. LIMITAÇÃO TEMPORAL PELA DATA DE CONSTITUIÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. Sendo juridicamente impossível a participação de pessoa jurídica na situação configuradora do fato gerador anteriormente à sua constituição, exclui-se a responsabilidade solidária quanto ao período em que a recorrente não possuía personalidade jurídica, mantendo-se a exigência quanto ao período posterior em que a prova dos autos demonstra, de forma concreta e específica, interesse comum caracterizado por confusão patrimonial e compartilhamento de estrutura administrativa com as demais empresas do grupo. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MULTA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. MANUTENÇÃO. O descumprimento de obrigações acessórias tipificadas na legislação previdenciária enseja a aplicação de penalidade independentemente de dolo ou prejuízo à fiscalização. Comprovadas as infrações relativas à ausência de correta escrituração da folha de pagamento e à falta de arrecadação das contribuições dos segurados, impõe-se a manutenção das multas aplicadas, sendo irrelevante a alegação de boa-fé ou de inexistência de dano ao Fisco. MULTA QUALIFICADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO A 100%. O inciso VI, §1º, do art. 44 da Lei n. 9.430/96, deve ser aplicado, retroativamente, tratando-se de ato não julgado definitivamente, conforme o art. 106, inciso II, alínea c, do CTN.

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IMPUGNAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 162. O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DEFINITIVIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A fase litigiosa do procedimento administrativo fiscal instaura-se com a apresentação tempestiva da impugnação. A inobservância das regras e prazos para a apresentação de impugnação e para a interposição de recurso voluntário acarretam o seu não conhecimento e o caráter de definitividade da decisão proferida pelo julgador de primeira instância. PRECLUSÃO PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO E INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. AUTUAÇÃO E SOLIDARIEDADE QUE SE MANTÊM. Se a parte autuada não apresenta impugnação ao lançamento fiscal resta configurada a preclusão processual, devendo ser mantida a responsabilidade tributária a ela atribuída mesmo que apresente posteriormente recurso voluntário. Deve prevalecer, para ambas as partes da relação processual, o direito ao contraditório e o acesso ao duplo grau de jurisdição, que seriam violados caso o recurso voluntário fosse admitido. ARGUIÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2 Fl. 6767DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 2 A alegação de que a multa é confiscatória e de violação dos princípios constitucionais e legais não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, pois se trata de exigência fundada em legislação vigente, a qual o julgador administrativo é vinculado. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. A impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal e é o momento no qual o contribuinte deve aduzir todas as suas razões de defesa, não se admitindo a apresentação em sede recursal de argumentos não debatidos na origem, salvo nas hipóteses de fato superveniente ou questões de ordem pública. AÇÃO FISCAL. FASE INQUISITÓRIA. DEFESA. CERCEAMENTO. INEXISTÊNCIA. O procedimento fiscal, destinado à constituição do crédito tributário é fase inquisitória, de levantamento, para fins de verificação de regularidade contábil-fiscal, na qual a posição daquele que está submetido à ação fiscal não é a de litigante, nem a de acusado, mas, simplesmente, de investigado, inexistindo, assim, margem para o sujeito passivo, naquela fase, apresentar defesa, já que não há contencioso administrativo instaurado, porque este último somente se inicia com o crédito tributário constituído. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. REQUISITOS DO LANÇAMENTO. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. SÚMULA CARF 162. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. SÚMULA CARF Nº 101. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CONTRATAÇÃO DE PESSOA FÍSICA POR INTERMÉDIO DE PESSOA JURÍDICA. SIMULAÇÃO. PRIMAZIA DA REALIDADE SOBRE A FORMA. Caracteriza relação de emprego dissimulada, sujeita à incidência de contribuições previdenciárias, a contratação sistemática e padronizada de profissionais por meio de pessoas jurídicas sem estrutura própria, quando comprovados, em conjunto, os elementos do art. 12, I, "a", da Lei nº Fl. 6768DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 3 8.212/91, ainda que a terceirização, em tese, seja lícita mesmo quanto à atividade-fim (Tema 725/STF). ÔNUS DA PROVA DA PESSOALIDADE. CRITÉRIO METODOLÓGICO PRÓPRIO DA FISCALIZAÇÃO. Tendo a própria autoridade lançadora adotado, como critério de individualização do salário-de-contribuição, a identificação nominal do prestador em anexo contratual (ou, em sua ausência, a habitualidade do faturamento), a coerência do lançamento impõe a aplicação do mesmo critério em favor do contribuinte: ausente qualquer elemento individualizador (documental ou de habitualidade mínima) quanto a prestador específico, ou emitida a nota fiscal conjuntamente em nome de mais de uma pessoa física sem rateio identificável, não se sustenta a exigência quanto a esse prestador, por insuficiência da prova de pessoalidade. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. 13º SALÁRIO. DIFERENÇAS SALARIAIS. INCIDÊNCIA. BASE DE CÁLCULO. O décimo terceiro salário e as diferenças salariais integram expressamente a base de cálculo das contribuições previdenciárias, nos termos do art. 28, da Lei nº 8.212/1991. A alegação genérica de natureza indenizatória não afasta a incidência tributária, sobretudo quando inexistente comprovação de enquadramento da verba nas hipóteses de exclusão previstas no § 9º do mesmo dispositivo legal. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. DECISÃO VINCULANTE DO STF NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 1.072.485. TEMA 985. MODULAÇÃO DOS EFEITOS. O terço constitucional de férias compõe a base de cálculo das contribuições devidas à seguridade social, somente a partir da publicação da ata do julgamento do RE 1.072.485, a saber, 15/09/2020. CONTRIBUIÇÃO SAT/RAT/GILRAT ATIVIDADE PREPONDERANTE AUTODECLARADA EM GFIP. ALÍQUOTAS DECORRENTE DA LEGISLAÇÃO E DECLARAÇÃO DO CNAE PREPONDERANTE. A alíquota SAT/RAT/GILRAT decorre da legislação tributária guardando correlação com a atividade econômica preponderante informada e autodeclarada em GFIP, a partir do CNAE informado como preponderante. É devida, por expressa disposição legal, a cobrança da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais Fl. 6769DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 4 do trabalho, em razão da atividade econômica preponderante exercida e autodeclarada pela pessoa jurídica. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DEFINIDA POR LEI ESPECIAL. SÚMULA CARF nº 210. As empresas que integram grupo econômico, de qualquer natureza respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária, nos termos do art. 30, inciso IX do art. 30, da Lei nº 8.212/1991, c/c art. 124, inc. II, do CTN, sem necessidade de o fisco demonstrar o interesse comum a que alude o art. 124, inciso I, do CTN, na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária. (Súmula CARF nº 210). PRESUNÇÃO. PROVA INDICIÁRIA. LIMITES E VALIDADE. A presunção em matéria tributária é admitida quando fundada em indícios graves, precisos e convergentes. Não se caracteriza quando baseada em elementos isolados. No caso, evidenciado conjunto probatório consistente, afasta-se a alegação de presunção indevida, mantendo-se a validade do lançamento. SOLIDARIEDADE. LIMITAÇÃO TEMPORAL PELA DATA DE CONSTITUIÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. Sendo juridicamente impossível a participação de pessoa jurídica na situação configuradora do fato gerador anteriormente à sua constituição, exclui-se a responsabilidade solidária quanto ao período em que a recorrente não possuía personalidade jurídica, mantendo-se a exigência quanto ao período posterior em que a prova dos autos demonstra, de forma concreta e específica, interesse comum caracterizado por confusão patrimonial e compartilhamento de estrutura administrativa com as demais empresas do grupo. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MULTA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. MANUTENÇÃO. O descumprimento de obrigações acessórias tipificadas na legislação previdenciária enseja a aplicação de penalidade independentemente de dolo ou prejuízo à fiscalização. Comprovadas as infrações relativas à ausência de correta escrituração da folha de pagamento e à falta de arrecadação das contribuições dos segurados, impõe-se a manutenção das multas aplicadas, sendo irrelevante a alegação de boa-fé ou de inexistência de dano ao Fisco. MULTA QUALIFICADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO A 100%. Fl. 6770DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 5 O inciso VI, §1º, do art. 44 da Lei n. 9.430/96, deve ser aplicado, retroativamente, tratando-se de ato não julgado definitivamente, conforme o art. 106, inciso II, alínea ‘c’, do CTN. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em: a) Por unanimidade de votos, não conhecer dos recursos das responsáveis solidárias Porto Conhecimento e Tecnologia Ltda. e Korun Conhecimento e Tecnologia Ltda., e conhecer parcialmente dos recursos de LPJ Consultoria Ltda., DTS Consultoria e Treinamento Ltda. E Azalim & Silvestrini Assessoria e Consultoria de Sistemas Ltda., deixando de conhecer dos argumentos relacionados à multa confiscatória e à necessidade de apuração das contribuições sociais de acordo com os profissionais que executaram as atividades, por se tratar de inovação recursal; b) Na parte conhecida: c.1) por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares; c.2) por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário de LPJ Consultoria Ltda para (i) excluir do lançamento relativo à contratação de pessoas físicas por meio de pessoas jurídicas os valores correspondentes aos prestadores identificados nos 42 Douglas Luiz Assis Diniz, 53 – Gustavo Oliveira Cruz, 54 – Fernanda Lamas Vieira Pinto e Maria das Merces Lamas Vieira Pinto, 55 – Paulo Sérgio Lima Moreira e 56 Marta Aparecida Moreira Ribeiro e José Pinto, conforme tabela colacionada no item 3.1, mantendo-se a exigência quanto aos demais prestadores relacionados no relatório fiscal, (ii) determinar a exclusão da base de cálculo do lançamento os valores relativos ao terço constitucional de férias e (iii) reduzir a multa qualificada a 100%, aplicando-se a retroatividade benigna, vencida a Conselheira Débora Fófano dos Santos, que dava provimento parcial em maior extensão; c.3) Por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário da solidária DTS Consultoria e Treinamento Ltda., para excluir a responsabilidade solidária quanto ao período de 01/01/2009 a 16/08/2010, mantendo a responsabilidade solidária quanto ao período remanescente fiscalizado e c.4) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário da solidária Azalim & Silvestrini Assessoria e Consultoria de Sistemas Ltda. Assinado Digitalmente Sílvio Lúcio de Oliveira Júnior – Relator Assinado Digitalmente Heitor de Souza Lima Júnior – Presidente Substituto Fl. 6771DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 6 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Rafael de Aguiar Hirano (substituto[a] integral),Debora Fofano dos Santos, Silvio Lucio de Oliveira Junior, Ana Carolina da Silva Barbosa, Heitor de Souza Lima Junior. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto por LPJ Consultoria Ltda (e-fls. 6106/6295, 6310/6473, 6488/6510, 6525/6547) e pelos responsáveis solidários DTS Consultoria e Treinamento Ltda. (e-fls. 6082/6101), Azalim & Silvestrini Assessoria e Consultoria de Sistemas Ltda. (e-fls. 6565/6575), Porto Conhecimento e Tecnologia Ltda. (e-fls. 6583/6596, 6604/6617, 6625/6638, 6646/6659) e Korun Conhecimento e Tecnologia Ltda. (e-fls. 6671/6684, 6692/6705, 6713/6726, 6734/6747), em face do Acórdão nº. 04-40.659 (e-fls. 5909/6028), proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande, que julgou a Impugnação procedente em parte, para manter parcialmente o crédito tributário. Na origem, foram lavrados Autos de Infração pela fiscalização, conforme resumo a seguir: AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD 51.056.069-5 - parte patronal, inclusive a destinada aos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa resultantes dos riscos ambientais do trabalho – RAT; AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD 51.056.070-9 – contribuição devida pelos segurados empregados, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados a seu serviço. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD 51.057.249-9 - multa por deixar a fiscalizada de preparar folha de pagamento das remunerações pagas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social conforme estabelecido no artigo 32, inciso I, da Lei 8.212, de 1991, combinado com o art. 225, inciso I, § 9º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD 51.057.250-2 - multa por deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço estabelecida no art. 30, inciso I, alínea “a” da Lei 8.212, de 1991 combinado com o artigo 216, inciso I, alínea “a”, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06 de maio de 1999. Conforme Relatório Fiscal (e-fls. 215/310), a fiscalização apurou, inicialmente, divergência na apuração da contribuição ao Risco Ambiental do Trabalho (RAT), tendo constatado que a empresa declarou em GFIP a alíquota de 1%, quando o enquadramento correto, conforme o Anexo V do Decreto nº 3.048/1999, seria de 2%. Fl. 6772DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 7 Embora a empresa tenha informado corretamente seu CNAE, evidenciando conhecimento da atividade econômica exercida, utilizou indevidamente alíquota reduzida, resultando em recolhimento a menor da contribuição patronal. No tocante à contratação de serviços, a fiscalização identificou a utilização sistemática de pessoas jurídicas interpostas para viabilizar a contratação de profissionais de tecnologia da informação, caracterizando o fenômeno da “pejotização”. Verificou-se que a empresa mantinha reduzido quadro próprio de empregados, incompatível com o volume e complexidade dos serviços prestados, recorrendo à contratação de consultores por meio de pessoas jurídicas cujos sócios eram, na prática, os próprios prestadores dos serviços. Tais empresas, em sua maioria, não possuíam estrutura operacional, empregados ou sede adequada, funcionando muitas vezes em endereços residenciais ou escritórios de contabilidade, além de apresentarem indícios de inexistência fática. A análise contratual revelou padronização dos instrumentos, ausência de detalhamento técnico dos serviços e previsão de remuneração vinculada a horas trabalhadas (tipicamente 168 horas mensais), o que evidencia a contratação de força de trabalho e não de resultado. Ademais, segundo a fiscalização, os contratos indicavam expressamente a pessoa física responsável pela execução, reforçando a pessoalidade. Também foram identificadas situações em que ex-empregados passaram a prestar serviços como pessoas jurídicas, bem como casos de concomitância de vínculo empregatício com pagamentos via nota fiscal, evidenciando dissimulação da relação de emprego. Com base nesses elementos, a fiscalização concluiu pela presença dos requisitos caracterizadores do vínculo empregatício: pessoalidade, habitualidade, subordinação e onerosidade, enquadrando os prestadores como segurados empregados. Assim, procedeu à apuração das contribuições previdenciárias mediante aferição indireta, considerando como salário de contribuição os valores pagos via notas fiscais, não declarados em GFIP nem incluídos em folha de pagamento. Ainda no âmbito das remunerações, constatou-se o pagamento de verbas de natureza salarial, tais como 1/3 de férias, 13º salário e diferenças salariais, sem a devida incidência de contribuição previdenciária e sem declaração em GFIP. Tais parcelas, por integrarem o salário de contribuição nos termos da legislação previdenciária, ensejaram a constituição do crédito tributário correspondente. Verificou-se, adicionalmente, infração consistente na ausência de adequada elaboração da folha de pagamento, uma vez que a empresa deixou de registrar corretamente parcelas remuneratórias, em desacordo com as normas legais e regulamentares aplicáveis. De igual modo, a fiscalização apurou o descumprimento da obrigação de arrecadar as contribuições dos segurados mediante desconto em folha, relativamente às mesmas verbas salariais não consideradas, caracterizando nova infração autônoma. Fl. 6773DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 8 No que se refere à penalidade, a fiscalização entendeu configurada a prática de fraude, mediante simulação de contratação de pessoas jurídicas para ocultar vínculos empregatícios, com o objetivo de reduzir a carga tributária. Em razão disso, aplicou a qualificação da multa de ofício, majorando-a para 150%, nos termos da legislação aplicável, diante da comprovação de sonegação mediante fraude. Adicionalmente, a fiscalização identificou a existência de grupo econômico de fato, caracterizado por direção, controle e administração comuns, compartilhamento de estrutura, identidade de sócios e atuação integrada entre diversas empresas. Em decorrência, foi reconhecida a responsabilidade solidária das pessoas jurídicas integrantes desse grupo, com fundamento na legislação tributária aplicável, sendo formalizados Termos de Sujeição Passiva Solidária em face das empresas Azalim & Silvestrini Assessoria e Consultoria em Informática Ltda., PSL Multi Consultoria em Informática Ltda., Korun Conhecimento e Tecnologia Ltda., DTS Consultoria e Treinamento Ltda. e Porto Conhecimento e Tecnologia Ltda., todas apontadas como integrantes do conglomerado empresarial responsável pelas obrigações tributárias apuradas. Por fim, diante dos indícios de prática de ilícitos penais relacionados à suposta fraude contra a Seguridade Social, foi formalizada representação fiscal para fins penais, acompanhada dos elementos probatórios colhidos no curso do procedimento fiscal. A contribuinte e os responsáveis solidários foram regularmente cientificados. Foram apresentadas impugnações tempestivas. As responsáveis solidárias PSL Multi Consultoria em Informática Ltda, Porto Conhecimento e Tecnologia LTDA e Korun Conhecimento e Tecnologia LTDA devidamente intimadas não apresentaram impugnação. Os argumentos das Impugnações foram sintetizados pela decisão de piso, conforme transcrição a seguir: LPJ CONSULTORIA E TREINAMENTO LTDA Foi apresentada impugnação em 18/12/2014, anexada às fls. 3890/4049, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: MATÉRIA PRELIMINAR 5.1.1 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL • No caso em apreço, as garantias constitucionais ao contraditório e à ampla defesa não foram concedidas à Impugnante, impossibilitando a elaboração da defesa de forma ampla e integral. É que o agente fiscal faz referência, de forma reiterada, à análise de dados, provas, documentos e informações que não foram disponibilizados à impugnante no vertente processo administrativo. • No item 10.5 do relatório fiscal, que o Fisco afirma que diversas empresas que prestaram serviços à Impugnante possuíam sede localizada no mesmo endereço residencial dos sócios ou, senão, de escritórios de contabilidade. Não consta dos Fl. 6774DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 9 autos os documentos aptos a comprovar os endereços dos supostos escritórios de contabilidade. • No item 10.6, por sua vez, assevera-se que na maioria dos talonários de notas fiscais não constam os telefones e e-mails das empresas prestadoras de serviços contratadas pela Impugnante. • Não se fez constar do processado, contudo, os referidos talonários e, sequer, o rol de empresas cujas notas fiscais seriam supostamente irregulares. • No item 10.8, a Fiscalização expõe que empregados da Impugnante teriam sido dispensados e, no mês seguinte, passaram a prestar serviços a ela através de interpostas pessoas jurídicas. Alguns sócios das pessoas jurídicas prestadoras de serviços teriam sido contratados como empregados da Impugnante ou incluídos em sua composição societária como sócio minoritário. • Não restou apontado, todavia, quem seriam os profissionais dispensados e quais foram aqueles contratados ou inseridos na sociedade da Impugnante, salvo o profissional Deisimar de Carvalho, discriminado no item 10.18.26.7. • No item 10.9, o Fisco aponta 5 (cinco) pessoas jurídicas contratadas pela Impugnante que teriam sido declaradas inexistentes pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte. • Não se fez constar dos autos, entretanto, as cópias integrais dos processos e/ou decisões administrativas que motivaram a suposta inidoneidade das empresas ali elencadas, sem os quais não tem como a Impugnante contradizer os fatos assinalados pelo Fisco. • Assim, em regra, as declarações invocadas pela Fiscalização não se prestam para afirmar a inexistência da pessoa jurídica, o que, ainda que fosse o caso, apenas seria possível aduzir após exame pormenorizado e minucioso das provas consignadas nos respectivos autos administrativos e efetiva confirmação de que não há sociedade. Sem a juntada de tais feitos, a impugnante não pode se defender em plenitude. • A utilização pela Fiscalização do referido fundamento muito se assemelha à denominada "prova emprestada", ou seja, a utilização em um processo de prova obtida em outro. • Referida hipótese, todavia, conforme já decidiu o colendo SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, somente é possível quando respeitado o contraditório e a ampla defesa. • No presente caso, o Fisco não apresentou as provas, fundamentos e dados que levaram o Município de Belo Horizonte a declarar a suposta inexistência dos estabelecimentos das pessoas jurídicas contratadas pela Impugnante. • No item 10.10, o Fisco afirma que a maioria dos contratos de prestação de serviços são similares, seguindo dois modelos padrões. Fl. 6775DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 10 • A Auditora Fiscal, todavia, não discrimina quais empresas teriam firmado contratos padrão com a Impugnante, salvo poucas exceções, como é o caso das empresas MF Informática Ltda. - ME (fl. 27 do relatório fiscal), L & D Consultoria Ltda. - ME (fl. 29 do relatório fiscal) e Boreal Consultoria Ltda. - ME (fl. 39 do relatório fiscal). • O Fisco não apresentou no lançamento os contratos de prestação de serviços de diversas empresas, que vem a demonstrar que ele não examinou os referidos documentos, fazendo, na realidade, alegações genéricas e desprovidas de prova, expondo a fragilidade do feito fiscal em exame. • Também o item 10.18.26.9.1. demonstra a generalidade das afirmações da Auditora Fiscal, ao tomar por base para o lançamento as notas fiscais emitidas pelas pessoas jurídicas indicadas no tópico 10.18.26.9, considerando, de forma presuntiva e sem substrato em maiores elementos de prova, a existência de relação de emprego. • Nos itens 10.18.8.1, 10.18.10.1, 10.18.12.1, 10.18.24.1 e 10.18.25.1, o Fisco faz referência à cópia dos recibos de entrega da Relação Anual de Informações Sociais(RAIS) apresentados pelas empresas contratadas pela Impugnante Mamabervi Consultoria em Gestão de TI Ltda., Magalhães e Vilela Informática Ltda. - ME, AAMORIM Consultoria e Treinamento Ltda. - MECOPC Consultoria Ltda. - ME e PRIMAR Tecnologia e Desenvolvimento Ltda., respectivamente. • Documentário que detém informações que não são públicas e que, por óbvio, a Impugnante não teve e nem tem acesso. Aliás, são informações protegidas e acobertadas pelo sigilo fiscal, na forma do artigo 198 do Código Tributário Nacional: • Não obstante o referido documento — RAIS - consistir em declaração prestada pelas citadas empresas contratadas pela Impugnante, ou seja, terceiros, não foi ele colacionado ao presente processo administrativo ou entregue simultaneamente ao Auto de Infração. • Logo, diante da confessa utilização de documentos (RAIS, contratos sociais das empresas contratadas pela impugnante, processos administrativos municipais declarando a nulidade de pessoas jurídicas e cópias de notas fiscais), dados e informações (informações cadastrais das sociedades, rol de empresas com notas fiscais ditas irregulares; relação de profissionais dispensados pela impugnante que constituíram pessoas jurídicas para prestação de serviços e contratados como seus empregados ou inseridos em sua sociedade e descrição das empresas que firmaram contratos-padrão) inacessíveis à Impugnante e/ou não discriminados neste Auto de Infração, cruciais para o pleno exercício do direito de defesa - afinal, somente assim poderia se reportar ao mesmo suporte com o qual atuara a Agente Fazendária, analisando-os e se defendendo quanto aos fatos invocados ou ao raciocínio jurídico que sobre eles se fez incidir, não resta dúvida a respeito da nulidade do vertente lançamento. Fl. 6776DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 11 • Antes mesmo de o ônus da prova recair sobre o sujeito passivo no momento da impugnação, em razão dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos de seus direitos, cabe ao Fisco o dever de demonstrar os fatos que fundamentaram sua pretensão creditícia, ou seja, os elementos que motivaram o ato de lançamento. Assim sendo, incumbe ao Fisco o ônus de provar o fato constitutivo de seu direito mediante obtenção de provas lícitas confiáveis e acessíveis ao contribuinte. • Destarte, roga-se seja reconhecida a nulidade do presente Auto de Infração, uma vez que erigido a partir de premissas ocultadas da instrução processual e impeditivas do pleno exercício do direito de defesa. • Ainda que superados esses argumentos, cabe destacar que outras nulidades permeiam o lançamento em apreço, conforme razões expostas a seguir. • O Fisco, ao realizar este lançamento, desconsiderou regular a constituição de pessoas jurídicas e concluiu pela existência de relações de emprego, sem que o ordenamento jurídico pátrio lhe conferisse este poder. • No que tange à análise da existência de eventual vínculo empregatício, cumpre destacar que o artigo 114 da Constituição Federal é hialino em estabelecer esta competência à Justiça do Trabalho. • É da competência da Justiça do Trabalho a apreciação, em caráter definitivo, de questões oriundas das relações de trabalho, em suas mais variadas formas, inclusive e, por óbvio, o reconhecimento das relações de emprego. • Portanto, ao conferir a condição de empregado celetista a prestadores de serviços que atuam, junto a seus sócios, por meio de pessoas jurídicas regularmente constituídas, a Fiscalização está avocando para a sua competência funcional matéria destinada, pela Constituição Federal, à apreciação exclusiva da Justiça do Trabalho. • Apesar do claro teor da norma constitucional acima, cabe notar que o artigo 229, § 2º, do Decreto n° 3.048/1999, em flagrante vulneração às ordens constitucional e legal postas, institui a competência dos fiscais previdenciários para descaracterizarem relações jurídicas previamente pactuadas e reconhecerem a existência de vínculo empregatício, com vistas a exigir as contribuições sociais dos supostos empregadores. • Ocorre, entretanto, que o artigo 229 do Decreto n° 3.048/1999, além de afrontar o artigo 114 da Carta Magna, também não possui embasamento legal, sendo, pois, ao mesmo tempo, inconstitucional e ilegal. • De acordo com a Lei n° 8.212/1991, o poder fiscalizatório dos agentes da Secretaria da Receita Federal do Brasil é amplo, inclusive lhes tendo dado acesso a toda a escrituração contábil e de faturamento da empresa. Contudo, em nenhum momento o citado estatuto prevê a possibilidade de reconhecimento de vínculo empregatício pela fiscalização. Fl. 6777DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 12 • Tampouco a Lei n° 10.593/2002, que trata das carreiras dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil, autoriza o procedimento previsto no artigo 229, § 2º, do Decreto n° 3.048/1999. • Nota-se, portanto, ser patente a nulidade do presente lançamento, haja vista a ausência de competência legal do Fisco para reconhecer a existência de relação de emprego, para daí exigir contribuições sociais da Impugnante na condição de suposta empregadora. • A desconsideração da personalidade jurídica de empresas prestadoras de serviços realizada pelo Fisco na presente autuação também não faz parte de seu rol de competências legais. Na realidade, trata-se de competência restrita ao Poder Judiciário. • Conforme se depreende do aludido dispositivo, compete ao Poder Judiciário apreciar a existência de eventual uso abusivo da personalidade jurídica, nas hipóteses em que caracterizado desvio de finalidade ou confusão patrimonial; jamais à fiscalização tributária. • O Fisco imiscuiu-se em seara alheia à sua competência legal por duas vezes. Primeiro, ao considerar a existência de relação de emprego de sócios das empresas prestadoras de serviços com a Impugnante e, segundo, ao desconsiderar a regular constituição das respectivas pessoas jurídicas. • Esse posicionamento é ratificado pelo artigo 129 da Lei n°11.129/2005. • De acordo com esse dispositivo, para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados, como é o caso dos serviços prestados pelas empresas discriminadas no relatório fiscal à Impugnante, sempre se sujeitam à legislação aplicável às pessoas jurídicas, descabendo às autoridades tributárias lhes dar o tratamento previsto aos trabalhadores. • Esse preceito legal deixa claro, conforme se observa de sua redação, o intuito de se preservar a constituição regular das pessoas jurídicas, ainda quando destinadas à prestação de serviços de natureza intelectual e mesmo quando estes serviços sejam realizados por apenas um de seus sócios e em caráter pessoal Circunstâncias que, saliente-se, foram motivadoras da presente autuação, visto que o Fisco, reiteradas vezes no relatório fiscal e, ratifique-se, sem lastro em provas trazidas aos autos, quis destacar que determinadas empresas não teriam indicado na RAIS a existência de empregados ou outros colaboradores. • Ainda de acordo com o aludido dispositivo, a eventual suspeita de irregularidade na constituição das referidas pessoas jurídicas deve ser apurada nos termos do artigo 50 do Código Civil, ou seja, pelo Poder Judiciário. Jamais, portanto, pode ser inferida por servidores integrantes dos quadros da Secretaria da Receita Federal do Brasil! Fl. 6778DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 13 • Diante de todo o exposto, portanto, nota-se a absoluta ilegitimidade do Fisco para realizar o vertente lançamento, já que desprovido de competência legal para reconhecer relações de emprego e desconsiderar a personalidade jurídica de empresas regularmente constituídas. • Na hipótese de não se acolher a preliminar em comento, cabe destacar que outra irregularidade permeia o lançamento, viciando-o de nulidade. • O método de aferição indireta é admitido na hipótese em que a Fiscalização constata que a contabilidade ou a documentação do contribuinte não registra o movimento real da pretensa remuneração paga a segurados; trata-se, deveras, de forma subsidiária de quantificação do fato gerador, a qual não se pode apelar, salvo nos casos rigidamente estabelecidos em lei. • Ocorre, todavia, que para sua utilização devem restar previstos em lei parâmetros para a aferição da matéria tributável. Afinal, reitere-se, nos termos do artigo 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, o ato administrativo do lançamento é vinculado à lei. • No caso em apreço, contudo, diferentemente do que ocorre com o imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro, não existem critérios legais estabelecidos para a aferição indireta de contribuições previdenciárias. • Com efeito, em se tratando do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, instituída pela Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, é cediço que, a teor dos arts. 55 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, 16 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e 51 da Lei n° 9,430, de 26 de dezembro de 1996, são estabelecidos os critérios a serem adotados pela fiscalização como referências para o arbitramento destes tributos. Inclusive, no concernente à contribuição social sobre o lucro, até o advento da Lei n° 8.981/95, a jurisprudência uníssona do CONSELHO DE CONTRIBUINTES DO MINISTÉRIO DA FAZENDA entendia ser descabido o arbitramento, porquanto inexistiam critérios legais para sua aferição. • Quanto às contribuições previdenciárias, não existe preceito legal dispondo acerca dos parâmetros que deverão ser observados pelos agentes autuantes ao apurar a matéria tributável, respeitando-se, assim, os precisos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional. • O artigo 97, inciso IV, do CTN, regulamentador do princípio da legalidade predicado no artigo 150, inciso I, da Constituição Federal explicita que "somente a lei pode estabelecer a fixação da alíquota do tributo e da sua base de cálculo", razão por que nem mesmo eventual parâmetro prescrito em atos administrativos é competente para tanto. Trata-se, por certo, de matéria reservada à lei e qualquer intervenção do Administrador Público ou seus agentes representa atentado ao máxime da legalidade. • Somente após a edição da Lei n° 8.981/95 foi possível o arbitramento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, posto tornar-se compatível, a partir daí, o lançamento com o princípio da legalidade. Fl. 6779DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 14 • No presente caso, veja-se, inexistindo parâmetros para arbitramento das contribuições sociais predicados em lei, a aferição indireta preceituada no artigo 33, §6°, da Lei n° 8.212/91 afigura-se mera norma programática, que reclama, ainda hoje, regulamentação legal. Os arbitramentos nela embasados até o vertente momento, tal qual se constata in casu, afloram manifestamente inconstitucionais e ilegais, visto afrontarem o princípio da legalidade, assegurado no artigo 150, inciso I, da Constituição Federal e reiterado nº artigo 97, inciso IV, do Código Tributário Nacional. • A nulidade da presente autuação, haja vista a inobservância do Fisco aos termos da lei, portanto, é medida que se impõe. • Caso não se entenda por acolher a presente preliminar, o que se aventa por respeito à dialética, cumpre salientar que outras irregularidades viciam o presente lançamento, restando patente o reconhecimento de sua nulidade, consoante razões expostas adiante. • Conforme destacado pela Auditora Fiscal, exerce a Impugnante a atividade de consultoria em tecnologia da informação enquadrada no código CNAE n° 6204- 0/00. Nos termos do Decreto n° 6.042/2007, o grau de risco desta atividade era considerado leve, incidindo-se, portanto, a alíquota de 1% (um por cento) a título de Seguro de Acidente do Trabalho (SAT). • Através do Decreto n° 6.957/2009, que deu nova redação ao anexo V do Decreto n° 3.048/1999, referida atividade foi reenquadrada no grau de risco médio, sujeita, a partir de sua vigência, ou seja, 01/01/2010, a alíquota de 2% (dois por cento). • Não obstante a atividade exercida pela Impugnante tenha sido reenquadrada em grau de risco mais elevado, com a consequente incidência de alíquota maior, cumpre observar que a ela não foi dada a oportunidade de questionar o citado agravamento do Risco Ambiental do Trabalho (RAT). • Sequer foram divulgados aos contribuintes, para este fim, os dados que comprovariam o agravamento do risco laboral na apontada atividade econômica, em patente afronta aos princípios da publicidade e da necessária motivação das decisões administrativas. • De acordo com a legislação pátria, a administração pública não só deve, em seus atos, garantir o contraditório e a ampla defesa aos cidadãos em todos os atos que lhes prejudiquem como, por mais, motivar suas decisões. • No presente caso, as referidas garantias não foram observadas. • Antes de se exigir da Impugnante diferença de alíquotas referentes ao Risco Ambiental do Trabalho, deveria ter sido dada oportunidade a ela de conhecer os dados estatísticos e os motivos que ensejaram o reenquadramento de sua atividade econômica, alterado do grau de risco leve para o grau de risco médio. Fl. 6780DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 15 • E, após divulgados os dados que amparariam esse ato, deveria também ter sido notificada a Impugnante do reenquadramento para que pudesse questioná-lo, inclusive em razão de ter providenciado, em seus estabelecimentos, medidas aptas a afastar ou substancialmente reduzir os riscos eventualmente existentes no ambiente de trabalho. • Se os riscos ambientais do trabalho são mutáveis, nada mais justo do que conceder aos contribuintes o direito ao enquadramento correto. Imperioso se faz, para tanto, o respeito ao contraditório e à ampla defesa, oportunizando-se a eles o direito de demonstrarem as medidas preventivas tomadas e a gravidade, o custo e a frequência com que ocorreram acidentes ou doenças laborais. • O reenquadramento, portanto, deve ensejar, para cada contribuinte, a formação de processo administrativo. Somente assim se garantirá a proteção dos direitos dos administrados e o melhor cumprimento dos fins da administração, consoante estabelece o artigo 1º da Lei n° 9.784/1999: • Veja-se, outrossim, que o artigo 28 da Lei n° 9.784/1999 é cristalino em estabelecer o dever de intimação dos interessados sempre que sobre eles resultar, em decorrência da prática de ato administrativo, imposição de deveres, ônus, sanções ou restrições ao exercício de direitos e atividades. • Referido procedimento, saliente-se, foi instituído em relação ao Fator Acidentário de Prevenção (FAP), nos termos do artigo 202-B do Decreto n° 3.048/1999. • Quando a Impugnante, por sua vez, é intimada para recolher crédito tributário referente ao RAT, cujo reenquadramento jamais lhe foi dado ciência, muito menos a respeito dos dados que dariam substrato a este ato, cerceia-se seu direito de questioná-lo oportunamente, invertendo-se as etapas do devido processo legal. • Hipótese que enseja a nulidade do presente Auto de Infração, nos exatos contornos do artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/1972. • O artigo 2º da Lei n° 9.784/99 (visando, em especial, a proteção dos direitos dos administrados e o melhor cumprimento dos fins da Administração), no tocante especificamente aos processos administrativos, dispõe sobre a obrigatoriedade da observância dos princípios da ampla defesa e do contraditório. • No direito brasileiro, o poder regulamentar se processa mediante decretos e regulamentos. Todavia, este poder é subjacente à lei e pressupõe a existência desta. É com este enfoque que o artigo 84, inciso IV, da Constituição Federal autoriza o Chefe do Executivo a expedir decretos e regulamentos: viabilizar a efetiva execução das leis. • Por essa razão, ao poder regulamentar não cabe contrariar a lei (contra legem), sob pena de sofrer invalidação. Seu exercício somente pode dar-se secundam Fl. 6781DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 16 legem, ou seja, em conformidade com o conteúdo da lei e nos limites que esta impuser. • A Lei n° 8.212/1991, e em particular seu artigo 22, inciso II e § 3º, que cuida do procedimento de enquadramento das pessoas jurídicas para efeito da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, não coloca como condição, para este fim, que se abra mão de direitos fundamentais relativos ao devido processo legal e ao contraditório e à ampla defesa. • Procedimento que, no entanto, foi inobservado in casu, ensejando patente prejuízo à Impugnante. • Uma vez que manifestamente cerceado o direito de defesa da Impugnante, nos contornos expostos acima, roga-se seja decretada a nulidade do presente Auto de Infração, em respeito ao disposto no artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/1972. • Na hipótese de não se compreender pela nulidade do vertente lançamento pelas razões expostas acima, cabe destacar, ainda, que outros vícios permeiam esta autuação. • No presente caso, todavia, a Autoridade Fiscal, em absoluto descompasso com o dever legal imposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional, deixou de verificar e deduzir, do presente lançamento, as contribuições sociais já recolhidas pelas pessoas jurídicas que prestaram serviços á Impugnante. • Uma vez que o Agente Fazendário entendeu pela existência de suposta relação de emprego, desconsiderando a personalidade jurídica das empresas que prestaram serviços à Impugnante, caberia a ele o dever de mensurar a exação, considerando os valores regularmente recolhidos até então, tal como determina o artigo 142 do Código Tributário Nacional. • Destarte, ante o intransponível vício de apuração, há de se declarar nulo o lançamento em tela, afastando a cobrança do espúrio crédito tributário dele advindo. 5.1.2 Da Decadência • Consoante se depreende do vertente processado, a ciência da Impugnante sobre o pretendido crédito tributário se deu no dia 18 de novembro de 2014. Tendo em vista que o lançamento ora fustigado diz respeito a suposto recolhimento a menor de contribuições sociais, cujos fatos geradores ocorreram nos anos calendários de 2009 e 2010, verifica-se que ocorreu a decadência parcial do direito à cobrança da exação em epígrafe. • Nessa esteira, e de acordo com as cópias de guias anexas, tendo a Impugnante realizado o pagamento de contribuições sociais, ainda que aos olhos da Auditora Fiscal, de forma parcial, cabia ao Fisco manifestar-se no prazo de 5 (cinco) anos, Fl. 6782DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 17 contados da ocorrência dos respectivos fatos geradores objeto de cobrança (31/10/2009), ou seja, até 31/10/2014. • Esse procedimento, entretanto, não foi observado pelo Fisco, posto que a notificação da Impugnante do presente lançamento se deu, reitere-se, em 18/11/2014. • Não se diga que no presente caso a regra decadencial a ser observada seria aquela insculpida no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, em razão da suposta prática de ato doloso. • Todo o lançamento foi realizado com base em mera presunção. A Auditora Fiscal, sob o fundamento de que teria ocorrido in casu a prática da denominada "pejotização", desconsiderou a personalidade jurídica de diversas empresas que lhe prestaram serviço no período objeto da autuação, cobrando as contribuições sociais relativas aos respectivos sócios, na condição de empregados da Impugnante. • Diversas dessas empresas, ressalte-se, foram constituídas muito antes da própria Impugnante que, conforme relatado pela Auditora Fiscal, teve seus atos constitutivos registrados e arquivados no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas em 17 de março de 2005 (fl. 02 do relatório fiscal). • Através dos Cadastros Nacionais de Pessoas Jurídicas (CNPJ's) das referidas empresas, que ora se colacionam ao processado, denota-se que várias delas que tiveram sua personalidade desconsiderada pelo Fisco na presente autuação foram constituídas entre os exercícios de 1999 e 2004. • Fato que somente corrobora o exposto, ou seja, de que não houve conluio, e nem tampouco simulação, já que não se trata de empresas constituídas por pretensos empregados da Impugnante com o suposto intuito de sonegar contribuições. Com efeito, não fazem sentido as conclusões do Auditor Fiscal e, muito menos, que a Impugnante agiu com o intuito doloso de sonegar ou fraudar. • Inexistindo in casu a prática de ato doloso pela Impugnante, denota-se, então, ser aplicável in casu a regra de caducidade prevista no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, restando imperioso o reconhecimento da decadência parcial do crédito tributário, na forma estampada no artigo 156, inciso V, também do CTN. MÉRITO 5.1.3 Do lançamento realizado com base em mera presunção • O procedimento administrativo de lançamento se orienta, sempre, pela busca da verdade material, a qual, ressalte-se, deve ser demonstrada objetivamente pela autoridade administrativa, nos exatos contornos do artigo 142 do Código Tributário Nacional. • Conforme se depreende do aludido dispositivo, o lançamento tributário deve se fundar na lei e na motivada demonstração da ocorrência dos fatos geradores dos Fl. 6783DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 18 tributos. Em outras palavras, compete ao Fisco, ao realizar uma autuação, provar, de forma robusta, as premissas táticas aptas a validar este procedimento. • Não se trata, portanto, de um simples ônus de prova, mas sim, de um dever jurídico que, se inobservado, tem o condão de gerar a insubsistência do lançamento. • JOSÉ SOUTO MAIOR BORGES também leciona que o lançamento impõe sempre à autoridade fiscal um dever de prova, independentemente de eventuais presunções, de qualquer gênero que sejam. • Para que o Fisco cumpra com sua obrigação de provar o suporte fático tributário de eventual lançamento, não basta que seus agentes apresentem meros indícios de prova. Afinal, tais elementos, como o próprio nome indica, não constituem prova cabal de fato algum e são insuficientes para afastar a presunção de regularidade dos negócios jurídicos, como já reconheceu o egrégio CONSELHO DE CONTRIBUINTES DO MINISTÉRIO DA FAZENDA. • Ensina LUIS EDUARDO SCHOUERI que a prova indiciária deve ser descartada quando (1) confirma-se o não acontecimento do indício; (2) de sua ocorrência, não se deduz a existência do fato a ser provado ou (3) evidencia-se que o fato probando pode aportar em outras conclusões, retirando-lhe, obviamente, a certeza indispensável para configurar a prova indireta da ocorrência dos fatos. • Assim, a comprovação de fatos através das presunções simples não prescinde da conjugação de três condições, quais sejam gravidade (a relação de verossimilhança entre a realidade e o fato deduzido com suporte na presunção deve ser relevante, embora incerta), precisão (o indício que enseja a presunção não pode levar a várias presunções, mas apenas ao fato conhecido que se quer provar e concordância. • Nesse sentido, tem-se o acórdão n° 103-23.357, da TERCEIRA CÂMARA do então PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES DO MINISTERIO DA FAZENDA, do qual se extrai que o Fisco, ao se valer de prova indireta, de indícios, estes "hão de ser graves, precisos, concordantes entre si, resultantes de uma forte probabilidade e indutores de ligação direta do fato desconhecido com o fato conhecido". • Significa, em síntese, que a lei exclui o arbítrio, retira a discricionariedade e impõe peremptoriamente um ato vinculado, orientado pelo critério duplo de exigir do Fisco: a) positivamente, elementos seguros de prova; b) negativamente, demonstração da falsidade ou inexatidão dos critérios adotados pelo contribuinte. • No presente caso, conduziu-se a Autoridade Fiscal fora dos limites da lei ou em direta ofensa a esta, posto que desconsiderou fatos de extremo relevo para a correta verificação da existência ou não de vínculos empregatícios. Ao assim Fl. 6784DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 19 proceder, o Fisco acabou por aplicar à Impugnante tributação por mera presunção, o que o ordenamento pátrio renega. • Nesse norte, veja-se, a seguir, de forma detalhada, diversas inconsistências das presunções que suportam o presente lançamento, suficientes a afastar a subsistência do presente Auto de Infração. • Dentre os fatos apontados pela fiscalização como geradores do dever de se recolher contribuições sociais, destaca-se a prestação de serviços por pessoas jurídicas, as quais o Fisco absurdamente entendeu por bem desconsiderar, sob o fundamento de que haveria vínculo empregatício dos respectivos sócios destas com a Impugnante. • As alegações para reconhecimento da relação empregatícia vão desde a prestação de serviços pelas empresas discriminadas na autuação unicamente para a Impugnante, ao registro de despesas de viagem em nome dos respectivos sócios daquelas nos registros contábeis da fiscalizada De forma sucinta, apresenta-se. a seguir, as inconsistentes presunções levantadas pelo Fisco: • A prova da existência da relação de emprego impõe que se confirmem todos os pressupostos elencados no artigo 3º da Consolidação das Lei do Trabalho (CLT). • Só se estará diante de empregado se houver inequívoca prova da existência concomitante dos seguintes requisitos: trabalho por pessoa física, pessoalidade, onerosidade, não-eventualidade e subordinação jurídica. A ausência de provas de tal jaez, mormente presunções destituídas de gravidade, precisão e concordância, são inaptas à demonstração desse estado. 5.1.3.1 Da Pessoalidade • Afirma o Fisco, inicialmente, que a Impugnante teria número reduzido de empregados, correspondente a 4 (quatro) consultores de informática. Essa situação confrontaria a proposta encaminhada à FIAT, onde se fez constar a existência de equipe de consultores diferenciada. Assevera, ademais, que as empresas que lhe prestavam serviço não possuíam empregados, tendo seus respectivos sócios elevado conhecimento técnico na área de tecnologia da informação. • Tais fatos, no entender da Auditoria Fiscal, permitiriam presumir a prática pela Impugnante de "pejotização", ou melhor, a contratação de empregados sob as vestes de pessoas jurídicas, e a pessoalidade dos serviços prestados, vindo a caracterizar, de acordo com o relatório fiscal, suposta relação de emprego dos sócios dessas prestadoras dos serviços. • O número enxuto de empregados da Impugnante e a prestação de serviços de natureza intelectual por empresas que não possuem folha de pagamento, todavia, jamais enseja a interpretação realizada pelo Fisco. • Isso porque a prestação de serviços de natureza intelectual, como é o caso daqueles realizados pela Impugnante e pelas empresas por ela contratadas, Fl. 6785DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 20 atinentes à tecnologia da informação (suporte técnico, manutenção, consultoria, tratamento de dados, desenvolvimento de programas de computador sob encomenda, dentre outros), nos termos do artigo 129 da Lei n° 11.196/2005, não obstante possam possuir caráter personalíssimo, são passíveis de serem prestados através de pessoas jurídicas, sujeitando-se, nesta hipótese, para fins fiscais e previdenciários, à respectiva legislação. • O apontado dispositivo legal legitimou a constituição e a contratação de pessoas jurídicas para o exercício de atividades intelectuais, de natureza cientifica, artística ou cultural. Intelectual, como é sabido, vem de intelecto, inteligência. Como trabalho corresponde a ação, trabalho intelectual é aquele que provém da inteligência criadora do ser humano, da qual as atividades inerentes à tecnologia da informação não se distinguem. • É natural que os trabalhadores intelectuais constituam pessoas jurídicas para desenvolverem suas atividades, inclusive com o intuito de se exporem, no mercado, de forma amplamente profissional. • Trata-se de mudança do modelo de mercado fordista ou industrial para aquele conhecido como pós-industrial, onde houve a introdução de novos negócios jurídicos despidos da noção basilar de vínculo empregatício, na forma tutelada pela Consolidação das Leis do Trabalho. • Adequando-se a esse novo mercado de trabalho, onde os trabalhadores, cientes de seus conhecimentos técnicos optam por laborar por conta própria e constituindo suas próprias empresas, afastando-se, assim, das relações tipicamente trabalhistas de subordinação, é que o citado artigo 129 da Lei n° 11.196/2005 autoriza, para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços de natureza intelectual através de pessoas jurídicas. • A natureza dessas sociedades é caracterizada pelo exercício da atividade intelectual, tal como é o caso da Impugnante e das empresas que lhe prestaram serviços. • Essas sociedades, em regra, não possuem estrutura ou intensidade de negócios. Como sua atividade típica envolve a prestação de serviços de natureza intelectual, é natural que essas não possuam grandes estruturas físicas, como regularmente se verifica nas demais pessoas jurídicas. Além disso, na área de informática, basta aos profissionais um computador e um acesso à rede mundial de computadores e poderá laborar à distância de suas sedes ou de seus clientes, podendo operar até mesmo de aeroportos. • Daí porque as sociedades contratadas pela Impugnante possuem geralmente, como local de suas sedes, o endereço de residência dos sócios ou, por uma questão formal, dos escritórios de contabilidade que lhes prestam serviços. • Não resta dúvida, assim, que a atividade econômica, por profissional intelectual e de informática, pode ser realizada através de pessoa jurídica, a qual pode Fl. 6786DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 21 dispensar, por sua vez, a contratação de mão-de-obra e nem grandes estruturas físicas para o exercício de seu objeto social. • Este tipo de sociedade é constituída com o primordial objetivo de exercer atividade intelectual de forma não massificada. Ostenta, assim, caráter pessoal, exigindo a força de trabalho dos sócios no desenvolvimento de seu objeto social. • Tais características desse tipo de sociedade demonstram que, de fato, é geralmente o próprio sócio que presta, pessoalmente, o serviço contratado. Todavia, este simples elemento não leva à indevida e presumida conclusão do Fisco de que há aqui relação de emprego entre a Impugnante e os sócios das sociedades contratadas. • Como visto, a legislação pátria admite a constituição de pessoas jurídicas para a prestação de serviços que podem até mesmo não demandar a contratação de empregados. Trata-se de procedimento absolutamente legal e previsto, para fins fiscais e previdenciários, no artigo 129 da Lei n° 11.196/2005. • A maioria das pessoas jurídicas contratadas pela Impugnante são empresas de micro e pequeno porte, consoante se depreende do próprio relatório fiscal, as quais têm, em razão de seu porte, reduzida estrutura operacional, inclusive de pessoal. • Note-se, de qualquer forma, que em muitos casos a prestação dos serviços não é de competência de apenas um dos sócios das pessoas jurídicas, como se verifica, por exemplo, nas sociedades IOS Informática Ltda. (fl. 23 do relatório fiscal)'6, Morcatti & Aguiar Consultoria (fl. 32 do relatório fiscal)17 e LG Nunes Informática Ltda - ME (fl. 52 do relatório fiscal). Nestes casos, conforme reconhece o Fisco, os serviços foram prestados por mais de um sócio das empresas, o que demonstra inexistir nessas situações o requisito da pessoalidade. • Por outro lado, a consultoria técnica nada mais é do que a prestação de esclarecimentos de natureza técnico-científica, ou seja, resume-se à transmissão de conhecimentos e elementos materiais de caráter técnico, dada a especial habilidade - know how - que o prestador deste serviço possui. Atividade que, conforme se pode observar, não exige necessariamente auxílio profissional. • A consultoria técnica em informática é baseada na expertise do profissional que repassa suas habilidades técnicas quando requisitado. Nesta trilha, nem mesmo a Agente Fiscal deixa de reconhecer que há especialização dos serviços técnicos em tela, como se denota do comentário realizado à fl. 77 do relatório fiscal. • Mais uma vez verifica-se aqui que o Fisco realizou o presente lançamento com fulcro em frágil indício, o qual não aporta na conclusão levada a efeito. • Logo, é absurdo se aduzir que o fato de se tratar de prestação de serviços intelectuais, que eles são efetuados por pessoa física, haja vista que, se por um lado, atividades de informática ou desta natureza não impõem estrutura operacional complexa, de outro lado, a fiscalização não demonstrou que houvesse Fl. 6787DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 22 proibição a que fossem efetuados por vários profissionais contratados pelas pessoas jurídicas. • E, assim sendo, a execução dos serviços por pessoa jurídica afasta um dos requisitos necessários para a configuração da relação de emprego. • O Fisco faz referência no relatório fiscal a diversos contratos de prestação de serviços firmados entre as pessoas jurídicas regularmente contratadas e a Impugnante. • Tais contratos somente vêm a demonstrar que as relações firmadas com a Impugnante envolveram serviços prestados, exclusivamente, por pessoas jurídicas e nunca por pessoas físicas. E, se assim o foram, jamais poderia se compreender pela existência de eventual relação de emprego. • Diversas pessoas jurídicas que prestaram serviços à Impugnante foram constituídas entre 1999 e 2004, ou seja, muito antes dela, a qual restou registrada, conforme destacado alhures e relatado pela própria Auditora Fiscal, em 17/03/2005. • Determinadas pessoas jurídicas, não obstante constituídas após a Impugnante, restaram registradas em data deveras anterior ao início da prestação de serviços em comento, tal como se denota, por exemplo, das seguintes empresas: IOS Informática Ltda. (constituída em 22/08/2005 e serviços prestados a partir de 10/05/2009); MF Informática Ltda. - ME (constituída em 19/09/2005 e serviços prestados a partir de 05/05/2009); FHA Consultoria Ltda. - ME (constituída em 19/04/2006 e serviços prestados a partir de 10/06/2010); Magalhães & Vilela Informática Ltda. - ME(constituída em 25/03/2009 e serviços prestados a partir de 10/03/2010); MIM Sistemas Ltda. - ME (constituída em 08/11/2007 e serviços prestados a partir de 15/09/2010). • Não tem cabimento se afirmar que as pessoas jurídicas prestadoras de serviço à Impugnante foram constituídas com o intuito de mascarar relação de emprego, sendo que à época do registro de várias delas a Impugnante sequer existia ou, em outras hipóteses, foram registradas muito antes de prestarem os serviços contratados pela fiscalizada. • Logo, é absurda a afirmação de fl. 19 de que a Impugnante teria "exigido" que os profissionais para que a ela prestassem serviços constituíssem pessoas jurídicas. • Todos esses fatos somente demonstram que o Fisco, para realizar o presente lançamento, baseou-se em presunções ou indícios inaptos a comprovar fato algum, visto que imprecisos e destituídos do indispensável pressuposto da gravidade. • Ainda no que diz respeito à pretensa pessoalidade, o Fiscal assevera que esta seria demonstrada pela existência de reembolso de despesas de viagem, Fl. 6788DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 23 transporte, alimentação, em nome das pessoas físicas que supostamente executaram os serviços. • Essa alegação, contudo, não caracteriza a relação de emprego equivocadamente suscitada pela Agente Fiscal. • As despesas de viagem, transporte e alimentação são usualmente pagas para empregados com o intuito de cobrir gastos despendidos fora da empresa. Nada impede, entretanto, que despesas realizadas por prestadoras de serviços para a execução dos trabalhos contratados também sejam firmadas, entre as partes, como de responsabilidade da tomadora e os montantes respectivos entregues aos representantes das contratadas mediante reembolso Vale lembrar: a praticidade é elemento essencial no mundo empresarial moderno. • Destaque-se que os artigos 113 e 421, ambos do Código Civil, apregoam a liberdade de contratar, observando-se, sempre, o princípio da boa-fé e a função social do contrato. • Significa que os contratos devem ser sempre firmados assegurando-se o equilíbrio entre as partes, de maneira que a avença não importe em injustiça ou imposições desarrazoadas. • Com efeito, essa é a situação vislumbrada na presente autuação, onde se denota de cláusula contratual pactuada (vide fl. 20 do relatório fiscal) que a Impugnante se preocupou em resguardar às contratadas o direito ao reembolso das despesas necessárias à execução dos serviços, cujo custo, acredita-se, não deve ser arcado pelas prestadoras. • O fato de se fazer referência a norma interna da Impugnante para regulamentar a forma de aprovação e realização dos reembolsos não altera a natureza dos serviços prestados. Trata-se, na realidade, da simples adoção de regulamentação por ela usualmente utilizada para fins de reembolso aos seus empregados, mas que, por questões de praticidade, decidiu-se adotar, também, para fornecedores e terceiros. • E não prejudica o entendimento o fato de que alguns relatórios de despesas de viagens, quilometragem rodada, hospedagem e alimentação, ao invés de preparados por pessoas físicas, deveriam ter sido emitidos pelas pessoas jurídicas que realizaram os respectivos gastos e nominalmente pagos a elas. • Trata-se de ato equivocado, muitas vezes realizado em razão do despreparo dos profissionais para a execução de tarefas administrativas das pessoas jurídicas. Porém, este fato longe está de caracterizar, de forma absoluta e cabal, eventual relação de emprego entre eles e a Impugnante. • Mesmo porque os pagamentos efetuados às pessoas jurídicas contratadas em razão dos serviços prestados foram todos realizados em nome delas, conforme se depreende, por amostragem, dado o elevado volume, dos comprovantes de depósitos. TED's e DOCs que ora se colacionam aos autos. Fl. 6789DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 24 • A Fiscalização reconhece que muitos reembolsos eram feitos às pessoas jurídicas a se ver das afirmações à fl. 64. • O Fisco utilizou-se também aqui de fraco indício e, por conseguinte, de mera presunção para realizar o vertente lançamento, não possuindo elemento hábil para confirmar a existência de relação de emprego. Ressalte-se. eventual prática administrativa, identificada pontualmente pela Fiscalização, não usual ou até mesmo equivocada, não é suficiente para demonstrar a existência ou não de vínculo empregatício. • O raciocínio presuntivo não pode permanecer, porque o indício apontado - relatórios e reembolsos de viagem em nome do representante de empresa terceirizada - não aporta na conclusão que qualquer um dos sócios pode ter vínculo empregatício. Carece, novamente, a presunção do requisito da precisão. • Aliás, vale perceber que, se, de um lado, o reembolso estava limitado a valor consignado em contrato, conforme atentou a Auditora Fiscal23, em algumas hipóteses relatadas pelo Fisco o reembolso correspondeu a 50% das despesas, como é o caso das pessoas jurídicas GP&P Consultoria Ltda., Magalhães & Vilela Informática Ltda. - ME, AAmorim Consultoria e Treinamento Ltda. - ME, Goal Consultoria e Informática Ltda. - EIRELLI, Aldebaram Informática Ltda. - ME e Chigueo Edno Tsuruga Consultoria -ME, o que atesta irrefutavelmente que elas assumiram parte do risco do empreendimento, tornando absurdo se aduzir em trabalhadores empregados, repita-se, a quem, como cediço, não compete assumir despesas do empregador nem os riscos da atividade. • A incidência dos artigos 113 e 421, ambos do Código Civil à presente querela, outrossim, se faz presente em face da afirmação do Fisco de que os contratos de prestação de serviço na área de Tecnologia da Informação usualmente são estabelecidos por empreitada, em contraponto àqueles firmados pela Impugnante por hora trabalhada. • A Impugnante, nos termos da legislação pátria, está livre para pactuar seus contratos, devendo observar, sempre, o princípio da boa-fé. • Não resta dúvida alguma que a Impugnante agiu dentro dos parâmetros admitidos pelo Código Civil. Veja-se, aliás, que mediante os artigos 115 e 116, ambos da Instrução Normativa n° 971/2009, admite a própria Receita Federal do Brasil a contratação de serviços, seja por empreitada ou por intermédio de cessão de mão-de-obra: • Não necessariamente a prestação de serviços há que ser estipulada por empreitada, como assevera a Fiscalização, mesmo porque várias pessoas jurídicas contratadas pela Impugnante prestaram serviços de consultoria, os quais, usualmente, são remunerados e podem incorporar ou não as horas in intinere. • Conforme relatado pela Auditora Fiscal, que a pessoa jurídica Mamabervi Consultoria em Gestão de T.I. Ltda. executou serviços durante muitas horas Fl. 6790DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 25 trabalhadas nas competências de 10/2009, 10/2010 e 11/2010, correspondentes, respectivamente, a 320 hs/mês, 364 hs/mês e 276 hs/mês. • Tal fato demonstra, cabalmente, que além dos serviços terem sido realizados em horas variáveis e não, como afirma a Auditora Fiscal, em períodos fixos de 168 horas mensais, que eles também foram prestados, necessariamente, por mais de uma pessoa, posto que, nos meses de 10/2009 e 10/2010, as horas trabalhadas corresponderam, em média, de 16 a 17 horas diárias. Sendo pura elucubração se imaginar que apenas um trabalhador - o sócio José Gamaliel Alves de Souza - foi capaz de laborar diariamente por tantas horas durante 3 (três) meses seguidos. • Por sua vez, o sócio da pessoa jurídica Morcatti & Aguiar Consultoria Ltda., Marcos André Valle Morcatti, somente trabalhou 80 horas/mês e em conjunto com seu colega societário, como se extrai do próprio relatório fiscal, ou seja, também aqui se denota que os serviços foram prestados por mais de uma pessoa e em período distinto à hora mínima apontada pelo Fisco. • Estas circunstâncias também afastam a pessoalidade dos serviços, corroborando os fundamentos expostos: a Impugnante não é empregadora das pessoas físicas destacadas no lançamento. • A assertiva de pessoalidade da prestação de serviços se torna ainda mais absurda quando se constata que um grande número de sociedades têm quotistas com participações societárias relevantes, não permitindo se presumir que fazem parte do quadro social apenas para permitir a constituição da entidade. • É o que se destaca, por exemplo, da composição societária das sociedades Morcatti & Aguiar Consultoria Ltda., Magalhães e Vilela Informática Ltda. - ME e AAmorim Consultoria e Treinamento Ltda. - ME, cujos respectivos quotistas Marcos André Valle Morcatti e Luci Aparecida de Aguiar, Ronan Magalhães Vilela e Allan Magalhães Vilela, Adriana Amorim Martins e André Amorim Martins detém, cada um deles, 50%(cinquenta por cento) do capital social. • Também a identificação do prestador dos serviços, cargo e Cadastro de Pessoa Física no anexo de alguns dos contratos não enseja a conclusão do Fisco de que há in casu suposta relação de emprego em razão de pretensa pessoalidade na realização dos serviços. • Isso porque a cláusula 7.1 dos contratos firmados, ao mesmo tempo, determina que a execução dos serviços será realizada por PROFISSIONAIS da contratada, ou seja, na impossibilidade do trabalhador indicado poder prestá-los, outro, devidamente capacitado, poderá fazê-lo. • A preocupação da Impugnante, consoante se depreende da cláusula transcrita acima, nunca foi referente, especificamente, à pessoa que irá prestar o serviço, mas sim, em manter a qualidade dos trabalhos ofertados. • Assim, se apontar que alguns dos contratos celebrados com as pessoas jurídicas, alvo da ação fiscal, mencionassem o profissional que poderia atuar, não vedava Fl. 6791DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 26 que outros pudessem auxiliá-lo ou até mesmo substituí-lo. Destaque-se, além disso, que grande parte dos acordos sequer tinha a indicação do profissional a atuar, abrindo a possibilidade para a delegação a outros profissionais. • N cláusula 12.1 dos contratos pactuados (fl. 21 do relatório fiscal) estipula-se, inclusive, o pagamento de multa no valor de 1/3 dos valores pagos, caso uma das partes contratantes resolva rescindir o contrato imediatamente. • As penalidades estipuladas no apontado ordenamento jurídico destinam-se ao empregador, visto que, na relação empregatícia não há isonomia entre as partes. Afinal, como é cediço, o obreiro sempre foi a parte hipossuficiente da relação. Daí a adoção nº âmbito do Direito do Trabalho do princípio da proteção. • Nem mesmo o fato de existir, no entender do Fisco, certa semelhança entre os contratos pactuados com pessoas jurídicas e com prestadores autônomos enseja a natureza empregatícia firmada pela Fiscalização, visto que ambas consistem em relações de natureza cível. Na realidade, vale repetir, a adoção de contratos similares decorre exclusivamente da praticidade, inerente às relações de trato negocial. • Saliente-se, nesse ponto, que a Fiscalização transcreve dois modelos de contratos, porém, não apresentou todos aqueles que efetivamente foram firmados com as pessoas jurídicas contratadas. Este fato não só enseja cerceamento de defesa à Impugnante, como, por mais, retrata prática reiterada do Fisco nesta autuação de generalizar os seus fundamentos, em patente afronta ao ônus de prova que lhe incumbe, repise-se, previsto nos artigos 142 do Código Tributário Nacional e 333 do Código de Processo Civil. • Perceba-se ainda que, à fl. 56 do relatório fiscal, a Agente Autuante aduz que a evidência de relação de trabalho teria suporte em contrato celebrado em 13/07/2010. Ora, e no período de 01/2009 a 06/2010, qual documento comprovaria a assertiva fiscal do vínculo de emprego? • Alega o Fisco que a pessoalidade estaria evidenciada, também, nas hipóteses em que o sócio da empresa prestadora de serviços compõe, concomitantemente, o quadro de funcionários da Impugnante. • Trata-se de assertiva notoriamente absurda e sem qualquer nexo de razoabilidade. • Afinal, nos termos do artigo 170 da Constituição Federal, a ordem econômica brasileira é fundada não só na valorização do trabalho humano, como, ainda, na livre iniciativa, de forma a se assegurara todos existência digna. • Além da Carta Magna assegurar a livre iniciativa e valorizar o trabalho humano, o que importa na liberdade de se contratar e ser contratado, bem como de empreender, devese destacar que não existe nenhuma previsão legal vedando a cumulação de emprego com a iniciativa privada e, muito menos, quando esta Fl. 6792DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 27 atividade poderá ser exercida pelo sócio do empregado simultaneamente à prestação laboral de serviços. • Pelo contrário, a atuação pessoal e mediante participação em pessoas jurídicas, para que proibida, há de ser prevista em lei, como se dá com os servidores públicos, ou por força de contrato. • Além disso, é comum ocorrer nas empresas, notoriamente de Tecnologia da Informação, a valorização dos profissionais de elevada expertise que, dado o conhecimento adquirido ao longo dos anos, decidem empreender, constituindo suas próprias empresas. • Com o intuito de se manter a qualidade dos serviços oferecidos aos clientes, opta-se por manter o profissional no quadro de funcionários, oferecendo-se condições favoráveis de trabalho, sem, contudo, inviabilizar o empreendimento por ele iniciado por conta própria. Na realidade, tendo em vista que já se conhece a qualidade deste profissional, decide-se por contratar os serviços oferecidos por sua empresa, principalmente, em regime de tempo parcial. • É o caso, por exemplo, dos profissionais Sanzio Silveira, Chigueo Edno Tsuruga, José Expedito Ramos de Souza e Marlon Campos de Oliveira Ines, integrantes, respectivamente, das pessoas jurídicas Sanzio Silveira - ME, Chigueo Edno Tsuruga -ME, JKS Tecnologia Ltda. - ME e M&F Consulting e Desenvolvimento de Sistemas Ltda., conforme destacado no próprio relatório fiscal. • Informações constantes em páginas eletrônicas não têm cunho probatório, como é o caso do Linkedln. O Fisco transcreve trecho desta página da rede mundial de computadores onde constaria que a Impugnante possuiria um time de consultores qualificados, certificados e extremamente experientes. • Em razão dessa declaração, compreendeu que, sendo empresa com folha salarial enxuta, a equipe de consultores referida no Linkedln seria, na realidade, composta de empregados da Impugnante transmudados em pessoas jurídicas contratadas para a prestação de serviços concernentes à tecnologia da informação. • A referida informação não leva à presunção destacada pelo Fisco. Consta do referido site apenas que a Impugnante possui um time de consultores qualificados. Não existem elementos aptos a caracterizar qualquer relação de emprego. • Mais uma vez a presunção da fiscalização carece do requisito da gravidade. • De outro lado, deve-se salientar, as declarações constantes no Linkedln somente consistiriam elemento de prova se fossem assinadas pelo declarante na forma da legislação de regência. O artigo 368 do Código de Processo Civil, reitere-se, é expresso nesse sentido, ao estabelecer que as declarações constantes em documento particular presumem-se verdadeiras, somente quando ele esteja devidamente assinado. Fl. 6793DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 28 • Como é cediço, o referido site de relacionamento profissional está aberto a qualquer tipo de usuário e de declaração, sem que exista controle da veracidade dos fatos nele publicados e até mesmo da autenticidade de quem os declarou. • Não há, pois, prova nos autos da autenticidade das declarações trazidas à baila pelo Fisco, que podem ter sido realizadas por qualquer pessoa, inclusive com interesses escusos, maliciosos, inidôneos ou contrários à Impugnante. • As respostas a intimações apresentadas pelas pessoas jurídicas contratadas, informando se a inexistência de empregados, longe estão de comprovar a relação de emprego que o Fisco, a qualquer custo, pretende seja reconhecida in casu. A única conclusão que delas se poderia extrair é quanto à existência ou não de funcionários nas apontadas pessoas jurídicas. Dai afirmar, no entanto, que a ausência de empregados nelas enseja relação de emprego de parte de seus sócios com a Impugnante, por certo corresponde a presunção ludibriosa. • Destaque-se que de acordo com certidões ora anexadas aos autos, expedidas pela Justiça do Trabalho, a Impugnante NUNCA foi subordinada a ações trabalhistas, o que novamente vem a corroborar todo o exposto: de que não há in casu a pretensa relação de empregado presumida pelo Fisco. • Pouco importa o fato de que algumas das pessoas jurídicas não tenham o registro de empregados. • Os indícios apontados descambam para mais de uma hipótese, carecendo, pois, do requisito da concordância e se tornando inócuos para dar lastro à presunção levada a efeito. 5.1.3.2 Da Não-Eventualidade • A não-eventualidade, requisito essencial para se caracterizar relação de emprego, também não se faz presente nas relações firmadas entre a Impugnante e as pessoas jurídicas discriminadas no relatório fiscal. • Esse fato é confirmado através da relação de notas fiscais expedidas pelas empresas contratadas pela Impugnante, extraídas da própria autuação fiscal, onde se identificam competências mensais sem prestação de serviços, conforme se denota, exemplificadamente, quanto à IOS Informática Ltda. e a José Carlos Nepomuceno Comercial - ME, as quais não prestaram serviço, respectivamente, nas competências 12/2009 e 03/2010. • Outrossim, como se aduzir em não-eventualidade dos serviços prestados pelas sociedades auditadas, quando a própria Fiscalização confirma que havia a execução, ainda que em menor escala, para outros clientes? É o que se deu com as sociedades L&D Consultoria Ltda. - ME (fl. 29 do relatório fiscal), Mamabervi Consultoria em Gestão de T.l. Ltda. (fl. 37 do relatório fiscal), Adolfo Olímpio Nolasco Mendes Ltda. -ME (fl. 42 do relatório fiscal) José Carlos Nepomuceno Comercial - ME (fl. 62 do relatório fiscal), COPC Consultoria Ltda. - ME (fl. 66 do Fl. 6794DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 29 relatório fiscal), Primar Tecnologia e Desenvolvimento Ltda. (fl. 67 do relatório fiscal). • A não-eventualidade na prestação dos serviços, outrossim, é identificada em relação às empresas L&D Consultoria Ltda. - ME, MIM Sistemas Ltda. - ME, M&C Consultoria e Tecnologia Ltda. - ME e MG Consultoria Empresarial Ltda. - ME, visto que atuaram durante curtos períodos de tempo, segundo se extrai, respectivamente, das folhas 29, 50, 55 e 57 do relatório fiscal. • Noutra ponta, afirma a Fiscalização que a não-eventualidade estaria caracterizada pela natureza dos serviços prestados pelas empresas contratadas, posto corresponderem à própria atividade-fim da contratante. • Diversos serviços contratados pela Impugnante não correspondem à sua atividade-fim, a qual, confirmou a Agente Fiscal, se resumem à consultoria na área de informática, código CNAE 6204-0/00, conforme destacado pela Auditora à fl. 12 do relatório fiscal. • Variadas pessoas jurídicas contratadas pela Impugnante, devidamente identificadas pelo Fisco, prestaram serviços de natureza distinta à consultoria. • Dentre as atividades desenvolvidas pelas contratadas há a prestação de serviços de escritório e apoio administrativo, compreendidos na subclasse CNAE 8299- 7/99. • Por outro lado, ainda que os serviços executados possam ter conexão com as atividades empreendidas pela Impugnante, não existe na legislação pátria vedação à terceirização de atividades-meio, como se verifica in casu, cujo intuito, ressalte-se, não é outro, senão, possibilitar que a pessoa jurídica se dedique, exclusivamente, à sua atividade fim. • O objetivo da terceirização é potencializar ganhos em qualidade e produtividade, permitindo a concentração de recursos e esforços na real vocação da empresa. • Não há, pois, a necessidade da pessoa jurídica exercer todas as atividades-meio para realizar seu objeto social. Diversas vezes é muito mais interessante fazer-se presente, comercialmente, por meio de excelente rede de relacionamentos de terceiros, de forma a otimizar sua produção ou prestação de serviços, do que concentrar esforços em atividades distintas de seu fim. • Assim, não havendo vedação na legislação pátria à adoção da terceirização, a habitualidade da prestação de serviços de tal natureza, por certo, também não caracteriza eventual relação de emprego, conforme sugere e presume o Fisco nº relatório fiscal. 2.2.1.3 Da Onerosidade • Quanto à onerosidade, assevera a Autoridade Fazendária que ela estaria consubstanciada nos pagamentos efetuados aos "profissionais executores das atividades de consultoria" mensalmente. Fl. 6795DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 30 • Não basta dizer que o pagamento realizado pela Impugnante, em razão dos serviços que lhe foram prestados, caracterizariam o elemento da onerosidade. A Consolidação das Leis do Trabalho se refere a este elemento de forma bastante especifica, ou seja, somente mediante salário. • A insubsistência do presente lançamento é facilmente verificada dos próprios fundamentos do relatório fiscal, onde a Autoridade Fazendária expõe, de forma antagônica às suas conclusões, que os pagamentos dos serviços foram realizados para as pessoas jurídicas contratadas pela Impugnante. Fato que, reitere-se, é comprovado através dos recibos que se colacionam a esta defesa. • Da relação de pagamentos discriminada no Anexo II do Relatório Fiscal (processo n° 15504-725.168/2014-31) que, além de em alguns casos eles não serem contínuos, o que reforça a eventualidade da prestação de serviços, por diversas vezes também são realizados em importes variáveis, havendo, inclusive, sua redução de uma competência para outra. • Os salários no Brasil são irredutíveis, em razão de expressa previsão constitucional. • O Fisco sequer demonstrou que os valores pagos às pessoas jurídicas discriminadas nº relatório fiscal foram destinados exclusivamente aos pretensos empregados, ou seja, àqueles sócios que tiveram maior relacionamento com a Impugnante. • Cumpre destacar, de forma exemplificativa, que em relação à empresa IOS Informática Ltda., no período compreendido entre 04/2009 e 05/2010, não houve identificação do profissional responsável pela prestação dos serviços, haja vista que, conforme relata a Auditora Fiscal (fl. 24 do relatório fiscal), o sócio Renato Alves Penido prestou consultoria, nos termos do Anexo 1 do contrato, a partir de 01 de junho de 2010. • Diante do exposto, portanto, também não se verifica no presente caso o requisito da onerosidade, necessário para se caracterizar eventual relação de emprego. 5.1.3.3 Da Subordinação • No Direito do Trabalho, a subordinação deve ser encarada sob o prisma objetivo: o que importa é o modo de realização da prestação e não a pessoa do trabalhador. • Subordinação não é sinônimo de sujeição. Afinal, sujeição, a determinadas diretrizes, qualquer profissional tem dentro da relação de trabalho, ainda que não exista vínculo empregatício. • O Fisco destaca no relatório fiscal conceito ultrapassado de subordinação, visto que focado em análise meramente subjetiva. Salienta que in casu restaria evidenciada subordinação econômica, hierárquica e jurídica dos sócios das prestadoras de serviços em face da Impugnante. Fl. 6796DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 31 • A Auditora Fiscal, no entanto, faz grave confusão entre subordinação e sujeição. • As empresas que prestaram serviços à Impugnante, de fato se sujeitam a diretrizes por ela traçadas. Porém, não em razão de suposta relação de emprego, envolvendo empregador e empregado. A sujeição decorre exclusivamente dos contratos por elas firmados para a prestação de serviços e das cláusulas neles avençadas e livremente estipuladas pelas partes. • A relação entre elas, portanto, se restringe, de um lado, a prestadoras de serviço e, de outro, a tomadora dos serviços contratados. Trata-se de vínculo contratual mercantil e, não, laboral. Saliente-se, nesse diapasão, que o próprio Fisco reconhece que os contratados não possuíam subordinação técnica, haja vista a especialização de alto nível e remuneração elevada. • Na realidade, veja-se, no presente caso não há subordinação de espécie alguma, seja econômica, hierárquica ou jurídica. • A subordinação econômica inexiste porque os valores pagos a título de prestação de serviço foram destinados às pessoas jurídicas (recibos em anexo), não caracterizando, portanto, salário e haviam de ser pagos porque existia uma obrigação contratual de fazê-lo. • A subordinação hierárquica, por sua vez, também não se encontra caracterizada, visto que não se comprovou, em nenhum momento, na autuação, que os profissionais prestadores de serviços trabalhavam na sede da Impugnante, sujeitando-se a ordens de pessoas hierarquicamente superiores, cumprindo exatas 8 horas diárias ou 44 horas semanais. • Apesar dos contratos terem sido firmados por horas trabalhadas, às vezes estipuladas em 168 hs/mês, a variação dos importes pagos aos profissionais demonstra que eles jamais se prenderam a períodos fixos, tendo casos em que até mesmo se laborou por 80 horas, como ocorreu com a Morcatti & Aguiar Consultoria Ltda. e reconheceu a Fiscalização. Na realidade, tratando-se de serviços prestados por terceiros, o importante, note-se, é sempre cumprir a demanda contratada pelo cliente final, independentemente do tempo necessário para sua realização. • O fato dos contratos serem padronizados também não enseja a interpretação de que haveria in casu relação de emprego e subordinação hierárquica. Afinal, é comum nos tratos negociais que os contratos sigam padrões estipulados pela empresa contratante, cabendo à pessoa jurídica contratada aceitar ou não os termos estipulados sem muita flexibilidade. • Caso não concorde com as exigências previstas, simplesmente não se efetua a avença, abrindo-se espaço para que outras empresas interessadas ofereçam-se à prestação dos serviços, se concordantes com os termos contratuais. • Hipótese muito semelhante às licitações que ocorrem na administração pública, onde diversas exigências são previamente estipuladas, cabendo às empresas Fl. 6797DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 32 interessadas se adequarem para, porventura, obterem sucesso no processo licitatório. Não obstante nº âmbito privado não exista este procedimento, as contratações também são marcadas por rigoroso processo, não se dando margem, usualmente, para grandes alterações das cláusulas contratuais. • A apresentação dos relatórios de horas trabalhadas pelas pessoas jurídicas contratadas, ademais, longe está de demonstrar a relação de emprego. Afinal, se restou estipulado, contratualmente, que os serviços seriam pagos em razão do tempo despendido para sua realização, nada mais óbvio que. para tanto, exista documento próprio destinado a sua mensuração ao final de determinado período. • Quanto à subordinação jurídica não é diferente. • ORANDO GOMES, em parceria com ELSON GOTTSCHALK, esclarece o conceito de subordinação jurídica: "A atividade do empregado consistiria em se deixar guiar e dirigir, de modo que as suas energias convoladas no contrato, quase sempre indeterminadamente, sejam conduzidas, caso por caso, segundo os fins desejados pelo empregador. Tanto ao poder de comando como ao de direção do empregador corresponde o dever especifico do empregado de obedecer. O poder de comando seria o aspecto ativo e o dever de obediência o passivo da subordinação jurídica" • De acordo com os doutrinadores, a subordinação jurídica decorre do poder de comando do empregador e de obediência do empregado. No presente caso, vale reiterar, não há ordem de comando e, muito menos, dever de obediência. O que existe, de fato, é a presença da empresa contratante, tomadora dos serviços, e da empresa contratada, prestadora. • Mera relação contratual que pode ser rescindida a qualquer momento e sem motivos relevantes, por uma das partes, se assim lhes convier, conforme retratado na cláusula décima segunda do contrato, citado à fl. 21 do relatório fiscal, o que vem a demonstrar a existência de sujeição, mas, jamais, de subordinação. • Outro ponto relevante, apto a demonstrar a inexistência de subordinação é a prestação de serviços por tais pessoas jurídicas a terceiros. Nesse ponto, ressalte- se a existência de variadas notas fiscais emitidas em ordem não sequencial à Impugnante. • Mesmo que o faturamento dessas pessoas jurídicas seja, em sua maioria, proveniente de serviços prestados à Impugnante, tal fato não permite concluir eventual vínculo empregatício. Afinal, dada a livre iniciativa, assegurada pelo artigo 170 da Constituição Federal, elas são livres para prestarem serviços a quem quer que seja e quando solicitadas. • Tendo em vista que elas são empresas constituídas por pessoas reconhecidas profissionalmente pela Impugnante, não é difícil se concluir que a LPJ Consultoria Fl. 6798DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 33 e Treinamento Ltda. seja a principal ou uma de suas principais clientes. Daí se inferir pela existência de pretenso vínculo empregatício, no entanto, já é hipótese somente possível através da presunção. • Portanto, é inquestionável que o trabalho fiscal não foi capaz de demonstrar in casu a simultânea ocorrência dos elementos imprescindíveis à relação de emprego: pessoalidade, trabalho por pessoa física, não-eventualidade, onerosidade e subordinação. • Cumpre ainda destacar que as empresas contratadas pela Impugnante estavam, ao tempo dos fatos, regularmente inscritas no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, segundo se denota dos Comprovantes de Inscrição e de Situação Cadastral que se colacionam aos autos. • São pessoas jurídicas regularmente constituídas e que, como tais, prestaram serviços à Impugnante, conforme por ela demandado e ajustado contratualmente. • O fato de nas notas fiscais de prestação de serviços não constar o e-mail e o telefone das empresas não gera presunção alguma de relação de emprego. Mesmo porque estas informações não são obrigatórias para a emissão de notas fiscais, segundo se depreende da legislação do Município de Belo Horizonte, previsão que restou inalterada após a regulamentação das Notas Fiscais de Prestação de Serviços eletrônica: • O lançamento fiscal corresponde a atividade plenamente vinculada, cabendo ao Fisco realizá-lo nos termos da lei, verificando a ocorrência do fato gerador da obrigação, determinando a matéria tributária e calculando o montante do tributo devido. • Não se determinam os fatos tributáveis com base em meras presunções ou simples indícios. • Em momento algum restaram perpetradas as irregularidades apontadas no lançamento controvertido, restringindo-se a relação da Impugnante com as apontadas empresas prestadoras de serviços a estrito trato mercantil. Seus sócios são, antes de mais nada, empreendedores, não possuindo vínculo empregatício com a Impugnante, tal como equivocadamente afirma o Fisco, com fulcro em meras presunções, desprovidas de validade e dos requisitos essenciais à sua existência. • Em razão de todo o exposto, roga-se seja acolhida a presente impugnação, julgando-se improcedente o lançamento em tela. 5.2 DA NECESSÁRIA DEDUÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS RECOLHIDAS PELAS PESSOAS JURÍDICAS • Na hipótese de não se acolher os argumentos suscitados acima, faz-se mister que se proceda à dedução no crédito tributário em apreço das contribuições Fl. 6799DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 34 sociais e tributos já recolhidos pelas empresas que prestaram serviços à Impugnante, cuja personalidade jurídica foi desconsiderada pelo Fisco. • De fato, os valores recolhidos por elas não foram abatidos da presente exação. No entanto, o equívoco ou a omissão do Fisco em constituir o presente crédito tributário, sem deduzir os valores já recolhidos pelas pessoas jurídicas, viola, de forma visceral, o disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional, conforme já asseverado preliminarmente. • Conforme ali exposto, o Auditor Fiscal não logrou mensurar o aspecto quantitativo do lançamento, desconsiderando, de forma despropositada, as contribuições sociais e tributos recolhidos pelas pessoas jurídicas discriminadas no relatório fiscal. • Além da ofensa ao artigo 142 do Código Tributário Nacional, a cobrança das contribuições em comento, sem a dedução dos importes já recolhidos, viola o princípio do non bis in idem, exigindo-se, em duplicidade, os apontados tributos. • Destarte, roga-se, em atenção ao consagrado princípio do non bis in idem e ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional, seja determinada a dedução da exação em apreço das contribuições sociais já recolhidas pelas empresas discriminadas no relatório fiscal da presente autuação, caso se compreenda por desconsiderar a regular constituição delas. 5.2.1 DA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS SOBRE VERBAS DE NATUREZA INDENIZATÓRIA • Ainda nos termos do relatório fiscal da presente autuação, exigem-se contribuições sociais incidentes sobre verbas pagas a título terço de férias, 13° salário e diferença de salário contratual. Cumpre destacar, entretanto, que as referidas parcelas não possuem cunho remuneratório, restando impassíveis da incidência das contribuições sociais aqui exigidas. • Os serviços prestados pelo trabalhador obrigam ao contratante a recompensá-lo mediante remuneração, assim entendida como todas as vantagens por ele auferidas resultantes exclusivamente da retribuição pelo seu labor, consoante estabelece o artigo 28, inciso I, da Lei n° 8.212/1991. • O § 9º do artigo 28 da Lei n° 8.212/1991 expressamente reconhece a não- inclusão, nº salário-de-contribuição, de verbas desprovidas de índole remuneratória do trabalho, tais como diversas modalidades de indenização prescritas na alínea "e". • Portanto, quaisquer benefícios pagos ao trabalhador que não decorram da contraprestação pelo trabalho executado não poderão ser alcançados pelas contribuições em exame, não se submetendo à definição de salário-de- contribuição. Decerto, as verbas de natureza não-remuneratória eventualmente devidas pelo empregador ao funcionário, apesar de relacionadas ao vínculo de Fl. 6800DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 35 emprego, por não se comportarem de forma retributiva ao trabalho do empregado, não se sujeitam às exações em análise. • Aliás, este é o entendimento da Corte Suprema já consolidado quando do julgamento da constitucionalidade da exigência de contribuição sobre os pagamentos ou créditos efetivados pelas pessoas jurídicas em favor de trabalhadores autônomos, avulsos e administradores (RE n° 166.772). • Assim, parcelas pagas a título de terço de férias e 13° salário e eventuais diferenças contratuais, consideradas pelo Fisco, de forma indevida, como de cunho salarial, na realidade, não possuem natureza remuneratória ou não foram pagas regularmente, devendo, por esta razão, serem deduzidas da base de cálculo das contribuições sociais aqui exigidas. • Quanto ao terço constitucional de férias, vale asseverar o reiterado entendimento esposado pelo excelso SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL de que esta verba tem por finalidade permitir ao trabalhador "reforço financeiro neste período (férias)" (RE 345.348, Rel(a). Min(a). Ellen Gracie. DJ 11.03.05), o que significa dizer, conforme conclusão do preclaro Ministro Eros Grau, que a sua natureza é compensatória/indenizatória33. • De fato, não poderia se inferir de maneira diversa. Isso porque o referido acréscimo não representa um incremento patrimonial. Serve, ao contrário, como forma de garantir ao trabalhador a possibilidade de gozo de suas férias sem prejuízo dos compromissos regulares que o empregado tem com o seu salário, compensando-o por um longo período de desgaste contínuo em suas atividades. • A intenção do constituinte originário, portanto, ao estipular as férias remuneradas como garantia social do trabalhador foi exatamente assegurar a manutenção de sua saúde e qualidade de vida, permitindo maior longevidade e vida laboral ativa. Para tanto, previu um período mínimo de descanso contínuo (férias), que deve ser gozado de modo digno e remunerado, com acréscimo de uma verba destinada exatamente a compensar o desgaste adquirido no período aquisitivo e, também, para possibilitar ao empregado, nesse período, a prática de algumas atividades não habituais, como viagens, sem o comprometimento de seu orçamento regular. • O colendo SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, através do incidente de uniformização de jurisprudência PET 7296 e seguindo posicionamento sedimentado do Pretório Excelso, firmou entendimento de que não incide contribuição previdenciária sobre esta parcela, posto tratar-se de verba compensatória. • De forma semelhante, cumpre enfatizar a não-incidência de contribuições sociais sobre o 13º salário e diferenças contratuais. • Na forma do artigo 28, § 9º, alínea "e", item 7, da Lei n° 8.212/91, os "ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário” não são Fl. 6801DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 36 alcançados pelo salário-de-contribuição, base de cálculo das contribuições previdenciárias e destinadas a terceiras entidades. • O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, nesta linha, já firmou que se sujeitam às contribuições sociais os rendimentos pagos aos trabalhadores em caráter habitual, não alcançando a tributação os ganhos eventuais como aqueles aqui em análise (vide anexo III do relatório fiscal). • Ademais, certifica-se ofensa à regra da tipicidade fechada, disposta nos artigos 150, inciso I, da Carta Magna, 3º, 9º, inciso I e 97, inciso I, todos do Código Tributário Nacional, posto que a incidência de contribuições sociais decorrem do pagamento de verbas de caráter salarial e habitual. Não tendo ocorrido, em razão do exposto, o fato gerador das apontadas contribuições, as exigências em apreço findam por violar, outrossim, as disposições dos artigos 114 e 116, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional. • Ante as razões expostas, roga-se sejam deduzidas da base de cálculo do crédito tributário em comento as verbas acima destacadas, já que não possuem natureza remuneratória ou não são habituais, atendendo-se, assim, ao entendimento da doutrina e jurisprudência mais ressonante de nosso país e a todos os preceitos legais que deram azo à presente Impugnação. 5.2.2 DA ILEGALIDADE DA MAJORAÇÃO DA ALÍQUOTA DO RAT • O Anexo V do Decreto n° 3.048/1999, na redação dada pelo Decreto n° 6.042/2007, estabelecia que a atividade de consultoria em informática estava sujeita a alíquota de 1% (um por cento) para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. • Com o advento do Decreto n° 6.957/2009, o grau de risco da aludida atividade, que antes era considerado leve, passou a ser médio. • Em razão da citada alteração, o Fisco compreendeu que o grau de risco médio deveria, então, ser imputável à Impugnante. Deve-se salientar, todavia, que sua incidência, nos moldes do Decreto n° 6.957/2009, afigura-se manifestamente ilegal. • O seguro contra acidentes do trabalho possui previsão constitucional no artigo 7º, inciso XXVIII, da Carta Magna. • A par da legislação que inicialmente regulamentou o custeio do seguro (arts. 3º e 4º, ambos da Lei n° 7.787/1989), certo é que, desde 1991, o financiamento do seguro de acidente do trabalho vem sendo disciplinado, reitere-se, pelo artigo 22 da Lei n° 8.212/1991, cuja redação fixa alíquotas variáveis de acordo com o risco de acidentalidade (leve, médio ou grave) da atividade preponderante desenvolvida pela empresa empregadora. Fl. 6802DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 37 • O artigo 22. § 3º. da Lei n° 8.212/1991, por sua vez, permite que o Poder Executivo, mediante o exercício de seu poder regulamentar, altere o enquadramento das empresas nos citados graus de risco. • A referida alteração do grau de risco, consoante estabelece o dispositivo acima, possui requisito e finalidade próprias, respectivamente destacadas adiante: (1) necessária inspeção que apure estatisticamente acidentes de trabalho; e (2) intuito de estimular investimentos em prevenção de acidentes • A despeito do artigo 22, § 3º, da Lei n° 8.212/1991 permitir ao Poder Executivo promover o adequado reenquadramento da empresa, este ato administrativo encontra-se estritamente subordinado à apontada exigência e finalidade legais. • O Poder Regulamentar da Administração Pública encontra limites no princípio da legalidade, já que o regulamento, nos termos do artigo 84, inciso IV, da Constituição Federal, destina-se à fiel execução das leis. • Dessa maneira, qualquer ato administrativo que não obedeça aos ditames legais, configura evidente abuso de poder. • No presente caso, o reenquadramento previsto no Decreto n° 6.957/2009 não obedeceu aos ditames do artigo 22, § 3º, da Lei n° 8.212/1991, ou seja, não se comprovou ou, até mesmo, demonstrou os acidentes do trabalho que denotariam a necessária elevação do grau de risco da atividade de consultoria em informática. • Para que fosse admissível o reenquadramento da atividade de consultoria em informática, em grau de risco maior, deveria a administração pública ter se respaldado em dados estatísticos que demonstrassem o considerável aumento do número de acidentes, o que não se deu. • De acordo com o Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho (AEAT) de 2008, último relatório de dados disponível antes do advento do Decreto 6.957/2009, tal fato não ocorreu. • De acordo com dados divulgados pelo site do Ministério da Previdência Social (MPS), entre 2006 e 2008, considerando-se as Comunicações de Acidente de Trabalho (CAT'S)registradas junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o número de ocorrências passou de 352 (trezentas e cinquenta e duas) em 2006 para 298 (duzentas e noventa e oito) em 2008. As doenças do trabalho passaram de 82 (oitenta e duas) para apenas 16 (dezesseis) ocorrências em todo o Brasil. • Em Minas Gerais, onde localizado o estabelecimento da Impugnante, houve redução do número de incidências de acidentes do trabalho, segundo se depreende também do AEAT 2008. • No exercício de 2007 foram constatadas 2,83 incidências em cada mil vínculos de emprego. Em 2008, por sua vez, este índice caiu para 2,03 ocorrências. A taxa de mortalidade, de outro lado, que em 2007 já era nula, manteve-se assim em 2008. índice que se repete em relação à taxa de letalidade. Fl. 6803DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 38 • A insubsistência do reenquadramento da atividade de consultoria em informática do grau de risco leve para o médio provém da ausência de similaridade entre a elevada quantidade de acidentes do trabalho ocorridos em estabelecimentos nos quais se exercem outras atividades que, porém, também estão enquadradas no grau de risco médio. • Assim, por exemplo, é o caso da atividade de fabricação de pós alimentícios, enquadrada no código CNAE 10.99-6 e sujeita à alíquota de 2% (dois por cento). • Observando-se os dados estatísticos constantes do AEAT J08, o número de acidentes ocorridos neste tipo de atividade, de natureza industrial, é deveras superior àqueles ocorridos na prestação do serviço de consultoria em informática. Veja-se, nessa esteira, que enquanto a atividade de consultoria em informática, repita-se, em 2008, alcançou o número registrado no INSS de 298 (duzentos e noventa e oito) acidentes de trabalho, a atividade de fabricação de pós alimentícios superou a marca de 1.600 (mil e seiscentos) acidentes. • O ato administrativo regulamentador em questão, ao assim proceder, viola o princípio da isonomia, consagrado nos artigos 5º, caput, 150, inciso II, ambos da Carta Magna, visto que trata igualmente pessoas jurídicas que se encontram em situações notoriamente desiguais. • O princípio da isonomia, também designado princípio da igualdade econômica ou igualdade tributária, encontra-se disciplinado nos dispositivos transcritos acima, proibindo ao legislador e à administração pública instituírem tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente ou tratar igualmente aqueles que se apresentam em condições desiguais. • Para que o tratamento não seja ofensivo à Constituição Federal, é preciso que não represente discriminação de qualquer natureza. • No presente caso, entretanto, não é o que se observa, já que a Impugnante, prestadora de serviços de consultoria em informática, estatisticamente sujeita a acidentes do trabalho em quantidade substancialmente inferior à de outras atividades notoriamente mais arriscadas, foi equivalentemente tratada no grau de risco médio. • O ato regulamentador em questão também não respeita o princípio da razoabilidade. • O reenquadramento realizado nos moldes expostos acima ofende, de outro lado, a equidade, previsto expressamente no artigo 194, parágrafo único, inciso V, da Constituição Federal, como critério para a participação no custeio da seguridade social. • A equidade, como desdobramento do princípio da igualdade, exige atenção às peculiaridades de cada categoria de contribuintes, de modo que sejam eles chamados a participar do custeio da Seguridade Social, observando-se não só o Fl. 6804DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 39 princípio da capacidade contributiva, como, também, outras circunstâncias específicas. • Dever-se-ia ter observado, para fins de reenquadramento da atividade de consultoria em informática, fatores diversos, de modo a se atender o princípio da equidade, tais como as condições de trabalho e os benefícios concedidos ao trabalhador. • Para se agravar o grau de risco de determinada atividade econômica, deve-se ponderar, em atenção à equidade, se medidas preventivas foram adotadas ou não no setor, já que esta constitui a expressa finalidade do legislador, disposta no artigo 22, § 3º, da Lei n° 8.212/1991, de modo a se evitar a majoração de custos da previdência em razão da negligência patronal em adotar programas de prevenção de riscos ambientais. • E este não é o caso do setor de consultoria em informática. Afinal, houve redução nº Brasil do número de acidentes do trabalho. • O reenquadramento da Impugnante no grau de risco médio, considerado pela Auditora Fiscal no presente lançamento foi arbitrário, infundado ou, no mínimo, desproporcional, já que realizado em absoluto descompasso com os dados estatísticos constantes do AEAT 2008. • Dada a patente violação aos artigos 22, § 3º, da Lei n° 8.212/1991, 5º, caput, 150, inciso II, 194. inciso V, 195, inciso I e § 9º, todos da Constituição Federal e aos princípios da isonomia, da razoabilidade e da equidade, é que se roga pelo acolhimento da presente defesa, julgando-se insubsistente o lançamento em tela neste pormenor. 5.2.3 DA ILEGALIDADE DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA APLICADA • No lançamento, o Agente Fiscal cominou à Impugnante multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) sobre a contribuição previdenciária exigida, com fulcro nos artigos 35-A da Lei n° 8.212/1991 e 44, §1°, da Lei n° 9.430/1996. • Assevera o Fisco que a Impugnante teria supostamente se utilizado de interpostas pessoas jurídicas para 'mascarar" a contratação de empregados. • Referido procedimento afastaria a incidência de contribuições sociais, circunstância que, na visão da Auditora Fiscal, denotaria o dolo da Impugnante de impedir/ocultar a ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária e de modificar suas características essenciais de modo a reduzir/evitar o montante do tributo supostamente devido. • Hipóteses que denotariam, no entender do Fisco, a prática de sonegação e fraude, previstas nos artigos 71 e 72, ambos da Lei n° 4.502/1964, aptas a ensejar a qualificação da multa de ofício. • O dolo, consoante exposto preliminarmente, é requisito essencial para se caracterizar os apontados atos ilícitos destacados pelo Auditor Fiscal (fraude e sonegação). Fl. 6805DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 40 • Corresponde à intenção ou desejo de se praticar um ato condenável, executando-o de forma refletida e deliberada. Pressupõe-se que o indivíduo que o pratica age de má-fé, porque tem consciência que está violando regras que podem prejudicar terceiros, nº caso, o Fisco. • A intenção maliciosa da Impugnante, entretanto, não restou demonstrada pela Auditora Fiscal, a qual, repise-se, resumiu-se a realizar o presente lançamento com fulcro em meras presunções, derrubadas haja vista que destituídas dos requisitos mínimos à sua prevalência: gravidade, precisão e concordância. É inequívoco, porém, que o dever de demonstrar o dolo na ação do contribuinte é das autoridades fiscais. • Ainda que se compreenda procedente o presente Auto de Infração, considerando-se devida a contribuição à previdência em apreço, cumpre destacar que a intenção dolosa de retardar ou impedir a ocorrência do fato gerador ou modificar suas características não restou comprovada, de forma inequívoca, no caso em pauta. • Não há elementos nos autos que demonstrem a intenção premeditada da impugnante de burlar o Fisco. Afinal, reitere-se, indícios e presunções não são prova cabal de fato algum. • A Auditora Fiscal assevera no item 15 do relatório fiscal que as pessoas jurídicas prestadoras de serviços á Impugnante “foram criadas para dissimular a relação de trabalho de alguns profissionais". • A Impugnante, nos termos do próprio relatório fiscal, foi constituída em 17/03/2005. Diversas pessoas jurídicas prestadoras de serviços a ela, no entanto, foram criadas entre os exercidos de 1999 e 2004, segundo se comprova dos CNPJ's colacionados a esta defesa, extraídos do site da própria Receita Federal do Brasil. • E mesmo quando as pessoas jurídicas contratadas foram constituídas posteriormente à Impugnante, vale reiterar que seus respectivos atos de registro ocorreram muito antes à prestação dos serviços, como é o caso das empresas lOS Informática Ltda. (constituída em 22/08/2005 e serviços prestados a partir de 10/05/2009); MF Informática Ltda. - ME (constituída em 19/09/2005 e serviços prestados a partir de 05/05/2009); FHA Consultoria Ltda. - ME (constituída em 19/04/2006 e serviços prestados a partir de 10/06/2010); Magalhães 8. Vilela Informática Ltda. - ME (constituída em 25/03/2009 e serviços prestados a partir de 10/03/2010); MIM Sistemas Ltda. - ME (constituída em 08/11/2007 e serviços prestados a partir de 15/09/2010). • Os serviços prestados à Impugnante foram por ela contratados porque autorizados por lei. Ainda que se entenda pela existência de eventual irregularidade no presente caso, cabe destacar que o Fisco não comprovou a vontade livre e consciente da Impugnante de lesar o erário. Fl. 6806DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 41 • Com efeito, restando efetivado o presente lançamento com base em elementos presuntivos ou indiciários, deve-se notar que os fatos verificados são incapazes de atrair a incidência da norma punitiva majorada, porquanto subsumidos inteiramente nº terreno da culpa. • Foram apresentados ao longo desta fiscalização inúmeros documentos requeridos pelo Fisco, tais como, contratos sociais e respectivas alterações; contratos de prestação de serviços firmados com as pessoas jurídicas elencadas na autuação e outras; Livro Registro de Empregados, Livro de Inspeção do Trabalho; RAIS; Livros Diário e Razão, Balanço do Exercício de 2009, Convenção Coletiva de Trabalho 2008/2009; cópias dos relatórios de despesas de viagem e de faturas dos cartões de crédito corporativo; balancete analítico do período de 01/01/2010 a 31/12/2010, folha de pagamento, dentre outros. • Circunstância que somente corrobora o exposto: que a Impugnante não teve a intenção dolosa de sonegar ou fraudar. De fato, a Impugnante, a tempo e modo sempre quis esclarecer as indagações da Auditora Fiscal, não se esquivando do dever legal de prestar informações. • É dever do agente autuante, na forma do tantas vezes aclamado artigo 142 do Código Tributário Nacional, a identificação da conduta dolosa da contribuinte, competindo-lhe precisamente evidenciar se se tratou de sonegação, fraude ou conluio. • Por outro lado, veja-se que o Fisco, ao realizar o presente lançamento, compreendeu que, nada obstante houvesse supostos vínculos empregatícios com a Impugnante, as folhas de salários foram devidamente elaboradas, restringindo- se a autuação n° 51.057.249-9 a tratar dos equívocos decorrentes da não inclusão do terço de férias, de diferença salarial e da gratificação natalina nestes relatórios. • Da mesma forma no Auto de Infração n° 51.057.250-2, puniu-se a Impugnante apenas por deixar de arrecadar contribuições de segurados sobre tais verbas, não se considerando que os pretensos vínculos empregatícios ensejariam infração à legislação vigente. • A Fiscalização não agravou as multas aplicadas em razão de suposta infringência às obrigações dispostas nos artigos 216, inciso I, alínea "a" e 225, inciso I, ambos do Decreto n° 3.048/1999. • Nos termos dos artigos 290, inciso II e 292. inciso II, ambos do Decreto n° 3.048/1998, as referidas penalidades são passíveis de serem agravadas, em até três vezes o respectivo valor, quando restar constatado pelo Fisco que o contribuinte agiu com dolo, fraude ou má-fé. • As apontadas sanções, entretanto, não restaram agravadas pelo Fisco, o que vem a reforçar que houve dúvida quanto às circunstâncias materiais do fato, ensejando, in casu, a incidência do artigo 112 do Código Tributário Nacional. Fl. 6807DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 42 • A norma do artigo 112 do Código Tributário Nacional clara em predicar que, sendo marcante a indefinição quanto as circunstâncias materiais do fato típico ou sobre a gradação da sanção, a legislação tributária há de ser interpretada em favor do contribuinte, ou seja, in dúbio pro contribuinte. • HUGO DE BRITO MACHADO aduz que "em caso de dúvida, portanto, em matéria de infrações e de penalidades, a regra é a da interpretação benigna. Prevalece o princípio originário do Direito Penal de que na dúvida se deve interpretar a favor do réu". • As penalidades insertas nos artigos 216, inciso I, alínea "a" e 225, inciso I, ambos do Decreto n° 30.48/1999, aplicam-se nas hipóteses de descumprimento das obrigações acessórias de deixar de preparar a folha de pagamento e de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados, supostamente empregados, a serviço da Impugnante. • Se nelas o Fisco compreendeu que não houve dolo nem ilícito, como se pode, na multa de ofício em tela, afirmar-se, de forma diametralmente oposta, que a Impugnante agiu de forma premeditada com o intuito de sonegar e fraudar? • Há in casu inequívoca dúvida a esse respeito que enseja a incidência do consabido primado in dúbio pro contribuinte. • Destarte, não restando demonstrado pelo Fisco, inequivocamente, a conduta dolosa lesiva à arrecadação tributária, ocorrendo patente dúvida sobre sua existência, consoante se denota, inclusive, do não agravamento das sanções discriminadas nos artigos 216, inciso I, alínea "a" e 225, inciso I, ambos do Decreto n° 3.048/1999, afigura-se incontestavelmente viciado o lançamento assim exarado, reclamando o pronto afastamento do grave imposto. 5.2.4 DO PEDIDO A interessada requer: • Seja declarada a nulidade do presente lançamento, conforme razões aduzidas preliminarmente. • Se assim não se compreender, que seja reconhecida, então, a caducidade do direito de se constituir o crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 18/11/2009. • Ainda que superados os argumentos suscitados em sede preliminar, no mérito, pede-se seja julgado improcedente o lançamento, visto que diante dos fatos e provas ora colacionados, depreende-se a inexistência do vínculo empregatício presumido pelo Fisco. • Requer-se, todavia, em caráter subsidiário, se até aqui se chegar, (1) a dedução de todos os valores pagos a título de tributos federais pelas empresas que prestaram serviços à Impugnante e; (2) a exclusão do agravamento da multa imposta, visto que não comprovado, de forma inequívoca, o intuito doloso da Impugnante de sonegar ou fraudar. Fl. 6808DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 43 • Ainda quanto ao mérito, roga seja afastada a ilegítima cobrança de contribuições sociais sobre terço de férias, 13° salário e diferença de salário contratual. 5.3 AZALIM & SILVESTRINI ASSESSORIA E CONSULTORIA DE SISTEMAS LTDA Foi apresentada impugnação em 23/12/2014, anexada às fls. 4204/4555, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: • Trata-se de inclusão da Sociedade 'AZALIM & SILVESTRINIASSESSORIA E CONSULTORIA DE SISTEMAS LTDA.', em procedimento fiscal administrativo, através de termo de sujeição passiva solidária com fulcro no artigo 124 do Código Tributário Nacional. • A fiscalização busca atribuir à Impugnante responsabilidade solidária à Autuada, defendendo se tratar de hipótese onde as pessoas, físicas e ou jurídicas possuem interesse como no fato gerador da obrigação principal. • Ocorre que a Impugnante é empresa autônoma e distinta, cujos sócios administradores não se confundem com os sócios da empresa Autuada e com os das demais empresas indicadas como participantes. • Conforme apontado pelo fisco, um dos supostos sócios da Autuada, o Sr. José Augusto Pessoa Júnior, foi sócio da Impugnante pelo período compreendido entre 03/08/2009 e 03/10/2013. Porém, o mesmo detinha apenas 1% (um por cento) do capital social desta, sem poderes de administração, participando tão somente da divisão de lucros e dividendos, sendo elemento insuficiente à configuração de grupo econômico. • Não se confunde a administração da Impugnante com a administração da Autuada. Este fato é público e notório ante à análise dos atos constitutivos de ambas as sociedades, vez que, conforme demonstrado através dos contratos sociais, a administração da Impugnante sempre foi exercida pelos sócios Anderson Silvestrini Ferreira e Alexandre Moreira de Oliveira, enquanto que a administração da Autuada, LPJ CONSULTORIA E TREINAMENTO LTDA., se encontrava a cargo dos sócios PEDRO GAMALIEL ALVES DE SOUZA, MÁRCIA CRISTINA MATOS DA SILVA e JOSÉ AUGUSTO PESSOA JÚNIOR. • Conforme posicionamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nº julgamento do Processo 13770.001015/2007-09, não há caracterização de grupo econômico em casos em que a administração e o controle das empresas são realizados de maneira independente e distinta. • Quanto à administração societária, dispõe a jurisprudência do egrégio Tribunal Regional Federal da Ia Região que o fato de duas empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico não atrai, por si só, a solidariedade tributária, sendo que diretores, gerentes ou representantes das pessoas jurídicas de direito privado somente podem ser responsabilizados pelo fato de exercerem a sua Fl. 6809DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 44 administração e possuírem poderes de gerência pelos quais cometem abusos, excessos ou infrações à lei, estatuto ou contrato social. • A responsabilidade tributária não pode ser vinculada e atrelada às pessoas físicas simplesmente por serem sócios, quotistas ou acionistas da pessoa jurídica, e às demais pessoas jurídicas a quem estas pessoas estão relacionadas em uma desconstituição da personalidade jurídica às avessas. • Em busca para comprovar a existência do suposto grupo econômico, a fiscalização se desfez inclusive de parâmetros básicos, para talvez tornar suas infundadas alegações a respeito da Impugnada em indícios. • A Auditora da Receita Federal alega, como um dos indícios da existência de grupo econômico entre a sociedade Impugnante e a sociedade Autuada, que a sociedade Autuada não teria capacidade de cumprir seus contratos realizados à época, tão pouco as promessas de serviço realizadas no próprio endereço eletrônico da mesma, e que para tanto deveria subsistir um grupo econômico. • Conforme planilha de receita dos anos de 2009/2010, comprovada pela declaração de imposto de renda dos respectivos exercícios fiscais, a Impugnante e a Fiscalizada, durante os anos de 2009/2010, somente realizaram 1 (uma) transação comercial, representada pela NF n.º 616, no valor de R$3.960,00 (três mil novecentos e sessenta reais), valor este que representa aproximadamente 0,2% (dois décimos de por cento) do faturamento da empresa Impugnante no exercício de 2009. • A Impugnante, durante todo o exercício de 2009/10, prestou serviços quase que exclusivamente para empresas que não inseridas no presente Auto de Infração, obtendo delas 99,8% (noventa e nove inteiros e oito décimos de por cento) do seu faturamento, realidade que não condiz com os fatos descritos no Auto de Infração 51.056.069-5, ora impugnado. • Confira-se abaixo quadro relativo ao faturamento da Impugnante nos exercícios de 2009/2010 e 2010/2011: (...) • A Impugnada e a Autuada não combinam recursos e esforços para a consecução de objetivos comuns, sob direção única e coordenada, tal qual as empresas que visam constituir grupo econômico. • Devido às exigências do mercado, a Impugnante necessita de outras empresas para melhor atender clientes específicos, como também o fora solicitado, mas estas contratações também não implicam na configuração de grupo econômico ante o próprio dinamismo e especificidade exigidos pelo mercado. • Verifica-se, portanto, que houve equívoco por parte da Auditoria Fiscal da Receita Federal na inclusão da Impugnante em suposto grupo econômico formado com as demais sociedades, bem como sua sujeição passiva ao crédito tributário em questão. Fl. 6810DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 45 • Tanto a participação da Impugnante no suposto grupo econômico Autuado, como a responsabilidade solidária a ela atribuída, inexistem. • Encontra-se consolidado o entendimento de que a solidariedade é apenas uma forma de graduar a responsabilidade dos sujeitos que compõe o polo passivo, e, assim, não basta o mero interesse econômico entre as empresas para que configure-se a responsabilidade tributária solidária, sedo necessário ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador. • O elemento de contratação da pessoa jurídica LG Nunes Informática Ltda - ME não configura a realização conjunta do fato gerador e, como restará demonstrado, desconfigura o auto de infração lavrado. • Conforme apontado pelo levantamento realizado pelo fisco, a pessoa jurídica 'LG Nunes Informática Ltda - ME' foi constituída em 14 de novembro de 2003, e a fiscalização também constatou a emissão para outro cliente da diligenciada das notas fiscais relacionadas neste item do relatório fiscal e observou que para o mesmo período a diligenciada manteve o procedimento de emissão de duas notas fiscais por mês sendo que uma delas foi emitida para o tomar de serviços da diligenciada(...). A fiscalização, também constatou que para o período compreendido entre 12/2009 a 03/2010 não houve prestação para as empresas do grupo econômico de fato - Grupo LPJ. • Não subsiste a alegação de 'pejotização' quando tratados os prestadores de serviço terceirizado que se relacionaram com a Impugnante 'AZALIM & SILVESTRINI ASSESSORIA E CONSULTORIA DE SISTEMAS LTDA.', uma vez que trata- se de empresas autônomas, com carteira de clientes própria, não persistindo os elementos necessários à configuração da relação de emprego. • Resta demonstrada a insubsistência do Termo de Responsabilidade Solidária imposto à Impugnante vez que ausentes os pressupostos legais para a configuração de grupo econômico e qualquer outro meio de responsabilização tributária quanto aos tributos devidos pela sociedade autuada LPJ Consultoria e Treinamento Ltda. 5.3.1 DOS PEDIDOS 1. Por tudo que consta dos autos, pugna-se para que seja julgada procedente a presente Impugnação, de forma a determinar a desconstituição do Termo de Responsabilidade Solidária vinculado ao Auto de Infração aqui inquinado no que tange à sociedade AZA LI M & SILVESTRINI ASSESSORIA E CONSULTORIA DE SISTEMAS LTDA., seja pela inexistência de grupo econômico entre a Impugnante e a Autuada, seja pela inexistência de elementos configuradores da responsabilidade tributária, determinando-se a exclusão da Impugnante do referido Auto de Infração e do Processo Administrativo Fiscal n.° 15504725168201431. 2. A Contribuinte protesta pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos, com destaque para a prova documental suplementar e a pericial Fl. 6811DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 46 (Decreto n.° 70.235/72, artigo 17), de modo a se comprovar: (i) a inexistência de grupo econômico; (ü) a inexistência dos elementos de responsabilização fiscal solidária, (iii) a boa-fé da Impugnante; (iv) o caráter de confisco e a excessiva onerosidade da aplicação da multa de 150% (cento e cinquenta por cento). DTS CONSULTORIA E TREINAMENTO LTDA Foi apresentada impugnação em 19/12/2014, anexada às fls. 4951/4968(retificação em 24/12/2014 - fl. 4201), cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: 5.4.1 DA ILEGITIMIDADE PASSIVA DA DTS • Apesar de as empresas autuadas possuírem objetos sociais parecidos, o âmbito de atuação, na prestação de serviços de Tecnologia da Informação é completamente diferente, pois cada empresa atua exclusivamente na implementação de um Software distinto. • A DTS CONSULTORIA E TREINAMENTO LTDA, por sua vez, trabalhava com exclusividade na implementação e consultoria do Software DATASUL - TOTVS, conforme discriminado no item 19.3 do Relatório Fiscal. • Sendo assim, estamos diante de empresas que realizam operações distintas, não merecendo prosperar a alegação de solidariedade, pelo simples fato de que a DTS CONSULTORIA E TREINAMENTO LTDA, um dia, fez parte de um grupo econômico. • Quanto a este fato, o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de que não caracteriza a solidariedade passiva em execução fiscal o simples fato de duas empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico. Nesse sentido, as recentes decisões monocráticas: REsp 1.102.894/RS, Rei. Min. CASTRO MEIRA, DJ 30/8/10; Ag 1.217.373/RS, Rei. Min. ELIANA CALMON, DJ 19/2/10. • O cerne da questão está na expressão "interesse comum" descrita no artigo 124, I, do CTN. A citada expressão trata-se, na verdade, de um conceito indeterminado, se fazendo necessária uma interpretação sistemática das normas da regra matriz de incidência tributária, de modo a buscar a essência do dispositivo. • A expressão "interesse comum”, na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu motivo à ocorrência do fato imponível. Isto porque atacaria a lógica jurídico-tributária a integração de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. • Sociedade que participa do capital de outra, ainda que de forma relevante não é solidariamente obrigada pela dívida tributária, pois, embora tenha interesse econômico no lucro, não tem o necessário interesse comum, na acepção que lhe confere o art. 124 do CTN, vez que não se pode confundir singela participação nos resultados representados pelo lucro com a necessária e reclamada participação comum na situação constitutiva do fato gerador do lucro. Fl. 6812DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 47 • Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, V imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico' (REsp. n° 834.044/RS, Ia Turma, Rei. Min. Denise Arruda, julgado em 11/11/2008). • A simples manutenção de relações comerciais ou societárias ou participação no capital de outra sociedade revelam, quando muito, interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária principal, e não o reclamado "interesse comum", que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação definida em lei como necessária e suficiente à ocorrência da obrigação tributária. • Isto porque a ordem jurídica Tributária vigente não abriga a chamada responsabilidade solidária objetiva, visando assegurar a arrecadação de tributos por meio de intimidações ao arrolar, de forma desmotivada demais empresas de um grupo como responsáveis solidárias nos autos de infração lavrados contra empresa devedora. • O direito comum não admite imputação, a não ser em caso de comprovada culpa do agente. Somente a partir dos nexos causais apurados é que se pode fixar a responsabilidade solidária, não bastando a interdependência entre as empresas, caracterizada pela composição do capital ou pela identidade de pessoas que compõem as sociedades, para concluir-se pela responsabilidade tributária solidária. • E se houve, de fato, um ilícito tributário, compete exclusivamente à LPJ CONSULTORIA E TREINAMENTO LTDA o dever de satisfazer a obrigação decorrente da exação ora vergastada, de tal forma que a penalidade deve ser aplicada exclusivamente a quem descumpriu a obrigação tributária, não podendo ser exigida de quem não a descumpriu. 5.4.2 DO PRINCÍPIO DA EVENTUALIDADE – DA LIMITAÇÃO NO TEMPO • Analisando o Auto de Infração, perceberemos que o PERÍODO DA ATUAÇÃO se limita a 01/2009 a 12/2010. • Já a empresa ora impugnante, DTS CONSULTORIA E TREINAMENTO LTDA, teve seu ato constitutivo, ou seja, o seu registro na Junta Comercial em 17 de agosto de 2010, conforme faz prova o contrato social de constituição da sociedade empresarial • Já suas atividades, se iniciaram no mês de outubro de 2010. • Este fato, por si só, comprova que a DTS CONSULTORIA E TREINAMENTO LTDA, em momento algum, agiu conjuntamente com a LPJ CONSULTORIA E TREINAMENTO LTDA, no intuito de realizar a situação configuradora do fato gerador, uma vez que a empresa impugnante nem existia na maior parte do período da autuação. Fl. 6813DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 48 • Em caso de eventual solidariedade, esta deve se limitar ao período de outubro de 2010 a dezembro de 2010, ou seja, apenas 3 (três) últimos meses, e não de todo período da atuação. 5.4.3 DO PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO – DA ILICITUDE DO ATO • Não haveria que se falar em ilícito tributário, conforme descrito no Auto de Infração, uma vez que estaríamos diante de um mero Planejamento Tributário, ou seja, uma atividade estritamente preventiva, que tem como fator de análise o tributo, visando identificar e projetar os atos e fatos tributáveis e seus efeitos, comparando-se os resultados prováveis, para os diversos procedimentos possíveis, de tal forma a possibilitar a escolha da alternativa menos onerosa sem extrapolar o campo da licitude. • Pois não haveria que se falar em ilícito tributário, a terceirização de serviços de consultoria em Tecnologia da Informação, ao contratar outras empresas visando sua execução. • Isso por que, aos olhos do Direito Civil e do Direito Empresarial, os agentes eram capazes, não havia forma defesa em lei e o objeto era lícito, pois a empresa autuada {LPJ CONSULTORIA E TREINAMENTO LTDA) estava, juntamente com as empresas contratadas, diante de um contrato de prestação de serviços, onde não havia, entre as partes, os elementos fático jurídico da hierarquia e subordinação, uma vez que não havia, por parte dos consultores e suas empresas, quaisquer dever de obediência à empresa contratante. Para se ter uma ideia, não poderia, a empresa autuada (LPJ CONSULTORIA E TREINAMENTO LTDA), sequer, aplicar sanções disciplinares, tais como suspensão ou advertência aos consultores das empresas contratadas. • O que se depreende da leitura doutrinária, transportando para o presente caso em concreto, é que não existiu, entre a empresa autuada, junto às empresas contratadas, os elementos pertinentes da relação de emprego no trabalho terceirizado, principalmente o elemento fático da subordinação. • As empresas autuadas, nem de longe, poderiam ser consideradas como superiores hierárquicos dos prestadores de serviços, bem como não havia controle de horários ou mesmo se exigia o trabalho pessoal do próprio terceirizado, uma vez que ele poderia colocar quem quisesse na execução dos serviços, conforme podemos observar nas cláusulas contratuais. • Trabalhavam com total autonomia e independência na parceria entre as empresas, havendo apenas a divisão dos serviços e assunção de responsabilidades. • A terceirização de serviços decorre da descentralização da atividade empresarial, mediante delegação contratual. • Tem por objetivo principal, obter, resumidamente, maior '"qualidade e agilidade na prestação dos serviços. Fl. 6814DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 49 • Praticada nos moldes legais não induzem à presunção de fraude. • Consigna-se que as empresas contratadas não prestavam serviços apenas para a LPJ CONSULTORIA E TREINAMENTO LTDA. Até porque não havia nenhuma cláusula contratual onde se exigia a exclusividade. • A LPJ CONSULTORIA E TREINAMENTO LTDA, na verdade, não era tomadora de mão de obra, mas sim, contratante de serviços, onde o trabalho humano (como em qualquer segmento) é utilizado. 5.4.4 DO ERRO DE FATO – DA INAPLICABILIDADE DA MULTA – DA AUSÊNCIA DE MÁ-FÉ • Diante da formatação dada à contratação da prestação dos serviços, não havia a obrigação de recolhimento dos tributos reclamados no presente Auto de Infração. • A contratação da prestação de serviços era feita através de contrato mercantil de prestação de serviços onde os signatários eram pessoas jurídicas. • No contrato de prestação de serviços entre pessoas jurídicas, não há que se falar em segurados empregados, patronais, e, muito menos, em recolhimento de contribuições previdenciárias à Seguridade Social. • O contribuinte, que no caso, seria a empresa autuada, tem, sim, a obrigação de fazer suas declarações ao fisco, e por isso o faz de acordo com sua interpretação do Direito. • Portanto, em momento algum, a empresa autuada agiu de má-fé, na busca por sonegação ou por deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados seu serviço, bem como deixar de preparar folha de pagamento das remunerações pagas a todos os segurados a seu serviço. • Até porque entendiam que não haveria que se falar em segurados, ou mesmo em relação de emprego. • E como é cediço, boa-fé é a presunção, ou seja, não depende do contribuinte comprovar que agiu de boa-fé, cumpre o fisco comprovar que ele agiu de má-fé. • O AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD 51.056.069-5 e 51.056.070-9, que tem por objeto a aplicação de multas, só demonstram o vigor arrecadatório do fisco, se valendo da presunção de má-fé da empresa autuada. • No entender da doutrina e da jurisprudência mais oxigenada, Código Tributário Nacional, em seu artigo 136, não consagra a teoria da responsabilidade objetiva, ou seja, independente de culpa; que segundo a Constituição Federal é reservada apenas às entidades políticas e concessionárias de serviços públicos (§ 6º, do art. 37, da CE). • Quando o preceito em questão diz que "independe da intenção do agente” está a significar que independe da vontade consciente e livre de praticar a conduta antijurídica, ou seja, independe do dolo. A responsabilidade tributária só pode ser imputada a quem voluntariamente praticou o ato, conhecendo de sua Fl. 6815DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 50 antijuridicidade, ou seja, pressupõe a culpa subjetiva do contribuinte ou responsável, por ação ou omissão. • Diante desse entendimento, a tese da responsabilidade objetiva pura não se sustenta ante o temperamento que se impõe como decorrência do próprio texto do art. 136 e demais dispositivos do CTN. • Também o Superior Tribunal de Justiça vem entendendo que o art. 136 do CTN não pode ser aplicado ao caso concreto sem que antes se faça uma interpretação extensiva e integrada com os demais ditames do CTN e do próprio sistema jurídico-legal, privilegiando a boa-fé do contribuinte. • O elemento subjetivo da infração administrativa supostamente praticada não pode ser desconsiderado, pois sem culpa stricto sensu não há imputabilidade e punibilidade das alegadas violações à legislação administrativa tributária, conforme prescreve o inc. III do art. 112 do Código Tributário Nacional. • Portanto as multas de Ofício, aplicadas pela sra. auditora, que chegam ao montante de até 150%, devem ser sumariamente decotadas, diante da ausência de provas da má fé da empresa autuada e demais responsáveis subsidiárias. 5.4.5 DO PRINCÍPIO DA EVENTUALIDADE – DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA • Mais uma vez, nos valendo do princípio da eventualidade, requeremos a exclusão da empresa impugnante DTS CONSULTORIA E TREINAMENTO LTDA, do rol de empresas que respondem solidariamente à presente autuação, diante da alteração societária, bem como da sua gestão, conforme passamos a aduzir. • A DTS CONSULTORIA E TREINAMENTO LTDA, quando do registro de seus atos constitutivos na junta comercial, em 17/08/2010, tinha como sócio majoritário e administrador o sr. Pedro Gamaliel Alves de Souza, que era titular de 99% das cotas da empresa e único sócio a praticar atos de gestão. • O sr. Pedro Gamaliel Alves de Souza, como se apurou no presente Relatório Fiscal, era titular das cotas Korun Conhecimento e Tecnologia Ltda, da DTS Consultoria e Treinamento Ltda, da Porto Conhecimento e Tecnologia Ltda e da LPJ Consultoria e Treinamento Ltda. • Em 1º de fevereiro de 2011, o sócio sr. Pedro Gamaliel Alves de Souza assinou contrato de Cessão de Direitos e Obrigações de sua participação/cotas da DTS CONSULTORIA E TREIINAMENTO LTDA. • Nesse contrato ficou claro que a DTS CONSULTORIA E TREINAMENTO LTDA tinha dívidas fiscais a serem sanadas junto ao fisco, bem como os cessionários deveriam mudar a sede da empresa. • Visando verificar qual seria o passivo tributário da empresa, os novos administradores contrataram novo contador que reprocessou toda a contabilidade. Fl. 6816DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 51 • Nesse processo, levantaram-se os débitos tributários, requereu-se o parcelamento e posteriormente a inscrição no Refis. • Como é sabido, na época, enquanto a empresa não dispunha de uma certidão positiva com efeitos negativos junto à RFB, também não conseguiam formalizar a transferência das cotas, sem comprovar a regularidade junto à Fazenda Nacional e à Receita Federal. • Por conta deste fato, até o início de 2014, o sr. Pedro Gamaliel Alves de Souza continuou, apenas formalmente no quadro societário da DTS CONSULTORIA E TREINAMENTO LTDA, bem como o endereço da sede, no contrato social e junto à RFB, ainda era o da Av. Getúlio Vargas, n° 446. • Porém, na prática, já no início do ano de 2011, a DTS CONSULTORIA E TREINAMENTO LTDA já dispunha de nova gestão. E, a partir de março de 2012, passou a funcionar na sua nova sede, localizada na Av. Alvares Cabral, n° 374, conforme contrato de locação anexo, bem como conta de telefone, também anexa. • Também, já a partir de janeiro de 2011, seus consultores passaram a ser contratados na forma da legislação trabalhista, conforme cópia do livro de registro de empregados anexo. • Em meados de 2014, houve, finalmente a alteração do contrato social da DTS CONSULTORIA E TREINAMENTO LTDA, excluindo o sr. Pedro Gamaliel Alves de Souza, bem como alterando a sede da empresa. • Desde janeiro de 2011 a DTS CONSULTORIA E TREINAMENTO LTDA deixou de fazer parte do grupo empresarial intitulado Porto Group. • Eventuais publicações em sites da internet, dando conta de que a DTS CONSULTORIA E TREINAMENTO LTDA fazia parte deste grupo após o início de 2011, não correspondem com a realidade fática. • Sendo assim, caso a DTS CONSULTORIA E TREINAMENTO LTDA, venha a ser, de alguma forma, penalizada pelos atos praticados pelo seu então administrador, sr. Pedro Gamaliel Alves de Souza, este deverá ser responsabilizado pessoalmente, nos termos do artigo 135 do CTN, uma vez que a empresa, desde janeiro de 2011, não tem nada a ver com eventuais desvios do passado. 5.4.6 DO PEDIDO a) Que, na forma da preliminar, a DTS CONSULTORIA E TREINAMENTO LTDA seja considerada parte ilegítima por falta de INTERESSE COMUM; b) Ainda em sede de preliminar, caso seja ultrapassado o argumento supra, que o período da solidariedade seja limitado aos 3 (três) últimos meses do ano de 2010, diante do fato e que a DTS CONSULTORIA E TREINAMENTO LTDA teve seus atos constitutivos inscritos na junta comercial em 17 de agosto e 2010, começando a operar em outubro daquele ano. Fl. 6817DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 52 c) No Mérito, que seja reconhecido a ausência de ilícito diante do mero planejamento tributário; d) Eventualmente, que se reconheça o erro de fato e a falta de má fé da empresa autuada, e a consequente inaplicabilidade da multa. e) Ainda em observância ao princípio de eventualidade, que toda e qualquer responsabilidade atribuída à DTS CONSULTORIA E TREINAMENTO LTDA recaia sobre os ombros do seu único gestor de fato e administrador, no ano de 2010, sr. Pedro Gamaliel Alves de Souza, nos termos do artigo 135 do CTN. Submetida a julgamento, decidiu a 3ª Turma da DRJ/CGE pela procedência parcial da impugnação, com manutenção do crédito tributário em parte. O provimento reconhecido pela decisão de piso refere-se ao DEBCAD 51.056.070-9, no tocante ao Lev. ES - Contrat. PF Por Meio de PJ, no qual foi reconhecida a necessidade de exclusão dos valores já recolhidos a título de contribuição do segurado, considerando os valores pagos pelas empresas que prestaram serviços a contribuinte. O valor em comento representa uma redução da contribuição de R$ 219.241,10 para R$ 189.624,85. A decisão exarada apresenta a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 NULIDADE DO LANÇAMENTO Estando os atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. Matérias alheias a essas comportam decisão de mérito. CERCEAMENTO DE DEFESA. Inexiste cerceamento de defesa quando o contribuinte é cientificado da Notificação de Lançamento, contendo a descrição dos fatos e a fundamentação legal correspondente, e tem a oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos na fase de impugnação. COMPETÊNCIA DO AUDITOR-FISCAL A Receita Federal do Brasil, por meio de seus agentes fiscais, possui poderes para investigar a situação fática que configura vinculação de trabalhadores à Previdência Social para fins de arrecadação e lançamento da contribuição respectiva, todavia sem prejuízo ou interferência nas normas afetas à legislação do trabalho. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.º 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Fl. 6818DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 53 Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias será regido pelo Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66). A ocorrência de dolo, fraude ou simulação afasta a possibilidade de homologação do pagamento de que trata o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional e remete a contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inciso I do mesmo diploma legal, tendo seu início no exercício seguinte àquele em que tenha havido a ciência pela autoridade tributária da ocorrência dos fatos geradores omitidos pelo sujeito passivo. DILAÇÃO PROBATÓRIA A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE À autoridade administrativa julgadora não compete formar juízo sobre a validade jurídica das normas aplicadas na determinação do crédito tributário, sendo-lhe defeso apreciar arguições de aspectos da constitucionalidade do lançamento. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. DESCONSIDERAÇÃO DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. Pelo princípio da Primazia da Realidade, que demonstra que os fatos relativos ao contrato de trabalho devem prevalecer em relação à forma de contratação, presentes os requisitos de pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação, detém o fisco o poder-dever de proceder à caracterização de segurado empregado para fins previdenciários. LEI 11.196/05. INAPLICABILIDADE QUANDO HÁ PRESTAÇÃO DE SERVIÇO COM CARACTERÍSTICAS DA RELAÇÃO DE EMPREGO. A contratação de prestadores de serviços na condição de pessoas jurídicas somente é legal, de acordo com o art. 129 da Lei nº 11.196/05, desde que não se caracterize vínculo de emprego entre a empresa contratante e a prestadora de serviços contratada. Constatados os requisitos necessários para a configuração de vínculo empregatício, deve ser desconsiderado o vínculo pactuado e ser efetuar o enquadramento como segurado empregado. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. “PEJOTIZAÇÃO”. AFERIÇÃO INDIRETA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Lançadas as contribuições a partir da aferição indireta, com transparência nos procedimentos utilizados, ocorre a inversão do ônus da prova, cabendo a contribuinte demonstrar que os valores apurados não correspondem aos eventos ocorridos, a teor do § 6º. do artigo 33 da Lei 8.212/91. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. Fl. 6819DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 54 Os valores pagos pelo empregador a título de 13º Salário, de adicional de férias de que trata o inciso XVII do artigo 7º da Constituição Federal e de diferenças salarias integram o salário-de-contribuição. CARACTERIZAÇÃO DO GRUPO ECONÔMICO. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei. É solidariamente obrigada a pessoa que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador e a solidariedade está presente quando verificado que a atuação comum deu-se em atividades que se desenvolveram em desacordo com o ordenamento jurídico, ou eivados, em tese, de dolo, fraude e má-fé, de modo a impossibilitar o cumprimento dessas obrigações tributárias. DESCONTO DO SEGURADO. EXCLUSÃO DE RECOLHIMENTOS REALIZADOS. Do valor apurado como devido deverão ser excluídos os valores já recolhidos aos cofres públicos a título de contribuição do segurado. RELAÇÃO DE PESSOAS VINCULADAS À EMPRESA A discussão de eventual co-responsabilidade de pessoas indicadas em anexo da peça fiscal como vinculadas à empresa deve ser realizada no foro próprio, distinto daquele em que se desenvolve o processo administrativo fiscal. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. PREVISÃO LEGAL. Sempre que restar configurado pelo menos um dos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, o percentual da multa de que trata o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996 deverá ser duplicado. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A contribuinte LPJ Consultoria Ltda. foi intimada do resultado do julgamento da impugnação pela via postal, em 10/05/2016, conforme AR de e-fl. 6071/6072. Os responsáveis solidários também foram intimados pela via postal, conforme informações a seguir: DTS Consultoria e Treinamento Ltda. (AR de e-fls. 6075/6076 recebido em 10/05/2016), Azalim & Silvestrini Assessoria e Consultoria de Sistemas Ltda. (AR de e-fls. 6073/6074, recebido em 10/05/2016), Porto Conhecimento e Tecnologia Ltda. (AR de e-fls. 6069/6070, recebido em 10/05/2016), Korun Conhecimento e Tecnologia Ltda. (AR de e-fls. 6067/6068, recebido em 10/05/2016) e PSL Multi Consultoria em Informática Ltda. (AR de e-fls. 6077/6078, recebido em 11/05/2016). Fl. 6820DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 55 A contribuinte LPJ Consultoria Ltda. apresentou recurso voluntário específico para cada Debcad, sendo o de e-fls. 6106/6295 para o AI Debcad 51.056.069-5, o de e-fls. 6310/6473 para o AI Debcad 51.056.070-9, o de e-fls. 6488/6510 para o AI Debcad 51.057.249-9 e o de e-fls. 6525/6547 para o AI Debcad 51.057.250-2. A responsável solidária DTS Consultoria e Treinamento Ltda. apresentou recurso voluntário de e-fls. 6082/6101. Azalim & Silvestrini Assessoria e Consultoria de Sistemas Ltda. protocolou seu recurso de e-fls. 6565/6575. As empresas solidárias Porto Conhecimento e Tecnologia Ltda. e Korun Conhecimento e Tecnologia Ltda. também apresentaram recurso específico para cada AI Debcad, conforme e-fls. 6583/6596, 6604/6617, 6625/6638, 6646/6659 e e-fls. 6671/6684, 6692/6705, 6713/6726, 6734/6747, respectivamente. A responsável solidária PSL Multi Consultoria em Informática Ltda não se manifestou. Os argumentos apresentados nos recursos voluntários reproduzem em grande parte os ofertados em sede de impugnação, sem inovação relevante e podem ser sintetizados pelos tópicos apresentados: Recursos de LPJ Consultoria Ltda.: AI Debcad 51.056.069-5: 1. FATOS 2.1. PRELIMINARMENTE 2.1.1. NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. UTILIZAÇÃO PELO FISCO DE PROVAS QUE NÃO CONSTAM DO PROCESSO ADMINSITRATIVO OU SEM QUALQUER COMPROVAÇÃO DE VERACIDADE. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 5º, INCISO lv, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, ART. 142 DO CTN, 333, INCISO I DO CPC E 9º DO DECRETO Nº 70.235/1972. APLICAÇÃO DO ART. 59, INCISO II, IN FINE, DO DECRETO Nº 70.235/1972 2.1.2. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO AGENTE FISCAL PARA DESCONSIDERAR A EXISTÊNCIA DE PESSOA JURÍDICA E RECONHECER RELAÇÕES DE EMPREGO. OFENSA AOS ARTIGOS 114 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, 50 DO CÓDIGO CIVIL, 129 DA LEI Nº 11.196/2005, 116, PARÁGRAFO ÚNICO E 142, AMBOS DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. APLICAÇÃO DO ARTIGO 59, INCISO I, DO DECRETO Nº 70.235/1972 2.1.3. NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. UTILIZAÇÃO DO MÉTODO DE AFERIÇÃO INDIRETA SEM QUE EXISTAM PARÂMETROS LEGAIS PREVISTOS ESPECIFICAMENTE PARA A APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 33, § 6º, DA LEI Nº 8.212/1991, 3º, 97, INCISO IV E 142, TODOS DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL, E 150, INCISO I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL Fl. 6821DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 56 2.1.4. NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. REENQUADRAMENTO DA RECORRENTE EM GRAU DE RISCO MAIS GRAVOSO SEM OBSERVÂNCIA DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 5º, INCISOS LIV E LV, E 37, CAPUT, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, 2º, CAPUT E INCISOS VIII E X, E 50, § 1º, DA LEI Nº 9.784/1999, 22, INCISO II E § 3º, E 80, INCISO VII, DA LEI Nº 8.212/1991 2.1.5. NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. DESCONSIDERAÇÃO, PELA AUTORIDADE FISCAL, DOS VALORES JÁ RECOLHIDOS A TÍTULO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PELAS PESSOAS JURÍDICAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS. OFENSA AOS ARTIGOS 37 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E 142 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL 2.1.6. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO DE LANÇAR CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS RELATIVAMENTE A FATOS GERADORES OCORRIDOS ANTERIORMENTE A 18/11/2009. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 150, § 4º E 156, INCISO V, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL 2.2. MÉRITO 2.2.1. DA INSUBSISTÊNCIA DO PRESENTE AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTO REALIZADO COM BASE EM MERA PRESUNÇÃO. ELEMENTOS DE PROVA QUE DEMONSTRAM, DE FORMA CABAL, A INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO DE EMPREGO 2.2.1.1. DO REQUISITO DA PESSOALIDADE E DA AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR PESSOA FÍSICA 2.2.1.2. DO REQUISITO DA NÃO EVENTUALIDADE 2.2.1.3. DO REQUISITO DA ONEROSIDADE 2.2.1.4. DO REQUISITO DA SUBORDINAÇÃO 2.2.2. DA NECESSÁRIA APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE ACORDO COM OS PROFISSIONAIS QUE EXECUTARAM AS ATIVIDADES OU, SUBSIDIARIAMENTE, SEGUNDO A PARTICIPAÇÃO DOS SÓCIOS NAS RESPECTIVAS PESSOAS JURÍDICAS 2.2.3. DA NECESSÁRIA DEDUÇÃO, DO PRESENTE LANÇAMENTO, DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS E DOS TRIBUTOS RECOLHIDOS PELAS PESSAS JURÍDICAS QUE PRESTARAM SERVIÇOS À RECORRENTE 2.2.4. DA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS SOBRE VERBAS DE NATUREZA INDENIZATÓRIA 2.2.5. DA ILEGALIDADE DA MAJORAÇÃO DA ALÍQUOTA DO RAT 2.2.6. DA ILEGALIDADE DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA APLICADA 3. PEDIDO AI Debcad 51.056.070-9: 1. FATOS Fl. 6822DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 57 2.1. PRELIMINARMENTE 2.1.1. NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. UTILIZAÇÃO PELO FISCO DE PROVAS QUE NÃO CONSTAM DO PROCESSO ADMINSITRATIVO OU SEM QUALQUER COMPROVAÇÃO DE VERACIDADE. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 5º, INCISO lV, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, ART. 142 DO CTN, 333, INCISO I DO CPC E 9º DO DECRETO Nº 70.235/1972. APLICAÇÃO DO ART. 59, INCISO II, IN FINE, DO DECRETO Nº 70.235/1972 2.1.2. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO AGENTE FISCAL PARA DESCONSIDERAR A EXISTÊNCIA DE PESSOA JURÍDICA E RECONHECER RELAÇÕES DE EMPREGO. OFENSA AOS ARTIGOS 114 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, 50 DO CÓDIGO CIVIL, 129 DA LEI Nº 11.196/2005, 116, PARÁGRAFO ÚNICO E 142, AMBOS DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. APLICAÇÃO DO ARTIGO 59, INCISO I, DO DECRETO Nº 70.235/1972 2.1.3. NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. UTILIZAÇÃO DO MÉTODO DE AFERIÇÃO INDIRETA SEM QUE EXISTAM PARÂMETROS LEGAIS PREVISTOS ESPECIFICAMENTE PARA A APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 33, § 6º, DA LEI Nº 8.212/1991, 3º, 97, INCISO IV E 142, TODOS DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL, E 150, INCISO I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL 2.1.4. NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. REENQUADRAMENTO DA RECORRENTE EM GRAU DE RISCO MAIS GRAVOSO SEM OBSERVÂNCIA DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 5º, INCISOS LIV E LV, E 37, CAPUT, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, 2º, CAPUT E INCISOS VIII E X, E 50, § 1º, DA LEI Nº 9.784/1999, 22, INCISO II E § 3º, E 80, INCISO VII, DA LEI Nº 8.212/1991 2.1.5. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO DE LANÇAR CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS RELATIVAMENTE A FATOS GERADORES OCORRIDOS ANTERIORMENTE A 18/11/2009. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 150, § 4º E 156, INCISO V, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL 2.2. MÉRITO 2.2.1. DA INSUBSISTÊNCIA DO PRESENTE AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTO REALIZADO COM BASE EM MERA PRESUNÇÃO. ELEMENTOS DE PROVA QUE DEMONSTRAM, DE FORMA CABAL, A INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO DE EMPREGO 2.2.1.1. DO REQUISITO DA PESSOALIDADE E DA AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR PESSOA FÍSICA 2.2.1.2. DO REQUISITO DA NÃO EVENTUALIDADE 2.2.1.3. DO REQUISITO DA ONEROSIDADE 2.2.1.4. DO REQUISITO DA SUBORDINAÇÃO Fl. 6823DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 58 2.2.2. DA NECESSÁRIA APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE ACORDO COM OS PROFISSIONAIS QUE EXECUTARAM AS ATIVIDADES OU, SUBSIDIARIAMENTE, SEGUNDO A PARTICIPAÇÃO DOS SÓCIOS NAS RESPECTIVAS PESSOAS JURÍDICAS 2.2.3. DA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS SOBRE VERBAS DE NATUREZA INDENIZATÓRIA 2.2.4. DA ILEGALIDADE DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA APLICADA 3. PEDIDO AI Debcad 51.057.249-9: 1. FATOS PRELIMINARMENTE 2. NULIDADE DA DECISÃO A QUO – AUSÊNCIA DE ANÁLISE DOS FUNDAMENTOS ADUZIDOS NA PEÇA DE IMPUGNAÇÃO PELO ÓRGÃO JULGADOR 3. DIREITO 3.1. DA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS SOBRE VERBAS DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. DA INOCORRÊNCIA DA INFRAÇÃO. OFENSA AO PRINCÍPIO IN DUBIO PRO CONTRIBUINTE 3.2. DA MINORAÇÃO OU EXCLUSÃO DA VERTENTE PENALIDADE. AUSÊNCIA DE INTENÇÃO DE SE DESCUMPRIR A LEI E DE PREJUÍZO À ATIVIDADE DA FISCALIZAÇÃO 4. PEDIDO AI Debcad 51.057.250-2: 1. FATOS PRELIMINARMENTE 2. NULIDADE DA DECISÃO A QUO – AUSÊNCIA DE ANÁLISE DOS FUNDAMENTOS ADUZIDOS NA PEÇA DE IMPUGNAÇÃO PELO ÓRGÃO JULGADOR 3. DIREITO 3.1. DA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS SOBRE VERBAS DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. DA INOCORRÊNCIA DA INFRAÇÃO. OFENSA AO PRINCÍPIO IN DUBIO PRO CONTRIBUINTE 3.2. DA MINORAÇÃO OU EXCLUSÃO DA VERTENTE PENALIDADE. AUSÊNCIA DE INTENÇÃO DE SE DESCUMPRIR A LEI E DE PREJUÍZO À ATIVIDADE DA FISCALIZAÇÃO 4. PEDIDO Ao final dos recursos, requer a recorrente sejam conhecidos e providos os recursos, para o fim de reformar a decisão recorrida e declarar a nulidade do lançamento, conforme as razões suscitadas em sede preliminar; subsidiariamente, caso assim não se entenda, que seja Fl. 6824DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 59 reconhecida a decadência do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário relativamente aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 18/11/2009; superadas as questões preliminares, que, no mérito, seja determinado o cancelamento integral do lançamento, diante da inexistência do vínculo empregatício presumido pelo Fisco; e, ainda em caráter subsidiário, que a apuração das contribuições sociais observe os valores efetivamente percebidos pelos sócios das pessoas jurídicas prestadoras de serviços ou, ao menos, a respectiva participação societária, com a dedução de todos os valores já recolhidos a título de contribuições sociais por tais empresas, a aplicação da alíquota de 1% (um por cento) para o RAT, nos termos do Decreto nº 6.042/2007, a exclusão da multa qualificada, por ausência de comprovação de dolo, bem como o afastamento da incidência de contribuições sociais sobre verbas de natureza indenizatória, tais como o terço constitucional de férias, o décimo terceiro salário e as diferenças de salário contratual. Recurso de DTS Consultoria e Treinamento Ltda.: Preliminarmente: 1- Da ilegitimidade passiva da DTS Consultoria e Treinamento Ltda por ausência de solidariedade: 2- Do Princípio da Eventualidade — da limitação no tempo — período de solidariedade da DTS Consultoria e Treinamento Ltda. 3- Do Princípio da Eventualidade — da responsabilidade tributária no caso da procedência Mérito: 1 - Do Planejamento Tributário — Da licitude do ato. 2— Do Erro de Fato — Da inaplicabilidade da Multa — Da ausência de má-fé. Pedido: Ao final, requer a Recorrente seja reconhecida sua ilegitimidade passiva, por ausência de interesse comum que justifique a responsabilidade solidária; subsidiariamente, caso superado tal entendimento, que eventual solidariedade seja limitada aos três últimos meses do ano de 2010, período em que a empresa efetivamente passou a operar; ainda em caráter sucessivo, que qualquer responsabilidade seja imputada exclusivamente ao seu gestor de fato à época, sr. Pedro Gamaliel Alves de Souza, nos termos do artigo 135 do CTN; no mérito, que seja reconhecida a inexistência de ilícito, por se tratar de regular planejamento tributário; e, por fim, também subsidiariamente, que se reconheça o erro de fato e a ausência de má-fé da empresa autuada, com a consequente inaplicabilidade da multa. Recurso de Azalim & Silvestrini Assessoria e Consultoria de Sistemas Ltda.: I - Da responsabilidade solidária – Grupo econômico II - Das presunções em matéria tributária - prova indiciária IV - Da inocorrência do fato gerador Fl. 6825DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 60 V - Da multa confiscatória VI - Do Pedido Ao final, requer a Recorrente seja conhecido e provido o presente Recurso Voluntário, para o fim de reformar a decisão proferida pela DRJ de Campo Grande/MS e determinar o cancelamento do lançamento que formalizou o crédito tributário em discussão, uma vez que não restou demonstrada qualquer conduta apta a ensejar a sua responsabilização solidária, tampouco há comprovação da ocorrência do fato gerador do tributo; subsidiariamente, caso assim não se entenda, pugna pelo cancelamento do auto de infração em razão do caráter confiscatório das multas aplicadas. As empresas solidárias Porto Conhecimento e Tecnologia Ltda. e Korun Conhecimento e Tecnologia Ltda. apresentaram recurso específico para cada AI Debcad, com o mesmo teor. Recursos de Porto Conhecimento e Tecnologia Ltda. e Korun Conhecimento e Tecnologia Ltda.: AI Debcad 51.056.069-5: 1. FATOS 2. MÉRITO 2.1. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. APLICAÇÃO DO CTN. NÃO VINCULAÇÃO DA RECORRENTE AO FATO GERADOR. 2.2. DA NÃO CONFIGURAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO PARA FINS DE IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. 3. PEDIDO AI Debcad 51.056.070-9 1. FATOS 2. MÉRITO 2.1. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. APLICAÇÃO DO CTN. NÃO VINCULAÇÃO DA RECORRENTE AO FATO GERADOR. 2.2. DA NÃO CONFIGURAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO PARA FINS DE IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. 3. PEDIDO AI Debcad 51.057.249-9 1. FATOS 2. MÉRITO 2.1. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. APLICAÇÃO DO CTN. NÃO VINCULAÇÃO DA RECORRENTE AO FATO GERADOR. Fl. 6826DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 61 2.2. DA NÃO CONFIGURAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO PARA FINS DE IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. 3. PEDIDO AI Debcad 51.057.250-2 1. FATOS 2. MÉRITO 2.1. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. APLICAÇÃO DO CTN. NÃO VINCULAÇÃO DA RECORRENTE AO FATO GERADOR. 2.2. DA NÃO CONFIGURAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO PARA FINS DE IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. 3. PEDIDO Ao final, requerem as Recorrentes sejam conhecidos e providos os recursos, para o fim de declarar a ausência de sua responsabilidade pelas exações supostamente devidas pela empresa LPJ Consultoria e Treinamento Ltda., tendo em vista que a fiscalização, ao lhe atribuir responsabilidade solidária com fundamento no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/1991, não comprovou qualquer vínculo com os fatos geradores das contribuições sociais exigidas no Auto de Infração, sendo certo que, ainda que se admitisse a existência de grupo econômico, tal circunstância, por si só, não autoriza a imputação de responsabilidade solidária, configurando, assim, violação ao disposto nos artigos 146, inciso III, da Constituição Federal e 124 e 128 do Código Tributário Nacional. Consta do Relatório Fiscal que foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais. Também está apenso os autos 15504.725169/2014-86 e que será analisado na mesma oportunidade. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento dos Recursos Voluntários. Não foram apresentadas contrarrazões. Em 08/06/2026, conforme petição e-fls. 6760/6766 foi juntado aos autos memoriais apresentados pela empresa solidária Azalim & Silvestrini Assessoria e Consultoria de Sistemas Ltda. onde reitera os argumentos recursais e pugnando pela aplicação de tema repetitivo do STF. É o relatório. VOTO Fl. 6827DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 62 Conselheiro Sílvio Lúcio de Oliveira Júnior, Relator. 1. Admissibilidade A contribuinte e empresas solidárias foram devidamente cientificadas da decisão de 1ª instância e apresentaram Recursos Voluntários, conforme demonstrado no quadro abaixo. Contribuinte/Solidária Data recebimento do acórdão da DRJ Data de protocolo do Recurso Voluntário Situação LPJ Consultoria Ltda 10/05/2016 (via AR - e.fl. 6071/6072) 08/06/2016 (Termo de Solicitação de Juntada –e.fl. 6105/6309/6487/6524) tempestivo DTS Consultoria e Treinamento Ltda. 10/05/2016 (via AR - e.fl. 6075) 25/05/2016 (Carimbo de protocolo aposto a e-fl. 6082) tempestivo Azalim & Silvestrini Assessoria e Consultoria de Sistemas Ltda. 10/05/2016 (via AR- e.fl. 6073) 08/06/2016 (Termo de Solicitação de Juntada - e.fl. 6561) tempestivo Porto Conhecimento e Tecnologia Ltda. 10/05/2016 (via AR- e.fl. 6069) 16/06/2016 (Termo de Solicitação de Juntada - e.fl. 6581) intempestivo Korun Conhecimento e Tecnologia Ltda. 10/05/2016 (via AR- e.fl. 6067) 16/06/2016 (Termo de Solicitação de Juntada - e.fl. 6069) intempestivo Os recursos voluntários apresentados pelas solidárias Porto Conhecimento e Tecnologia Ltda. e Korun Conhecimento e Tecnologia Ltda. são intempestivos. Além da intempestividade vale observar que as referidas empresas não apresentaram impugnação aos autos de infração, apresentando insurgência somente nesta fase recursal. Nesse sentido, necessário observar que nos termos do artigo 14 do Decreto nº 70.235 de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. E no âmbito deste conselho administrativo, a Súmula CARF nº 162, abaixo reproduzida, se manifesta no mesmo sentido: Súmula CARF nº 162 O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Em vista dessas considerações, por não ter sido instaurado o litígio administrativo com a impugnação tempestiva aos lançamentos, nos termos do artigo 14 do Decreto nº 70.235 de 1972, os recursos voluntários apresentados pelas responsáveis solidárias Porto Conhecimento e Fl. 6828DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 63 Tecnologia Ltda. e Korun Conhecimento e Tecnologia Ltda. ainda que tempestivos fossem não poderiam ser apreciados por esta instância de julgamento. Dessa forma, entendo por não conhecer dos recursos das responsáveis solidárias Porto Conhecimento e Tecnologia Ltda. e Korun Conhecimento e Tecnologia Ltda. O recurso voluntário apresentado pela contribuinte LPJ Consultoria Ltda. assim como pelas responsáveis solidárias DTS Consultoria e Treinamento Ltda. e Azalim & Silvestrini Assessoria e Consultoria de Sistemas Ltda. são tempestivos, porém atendem parcialmente aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo conhecimento parcial. É que os recorrentes trazem nos recursos voluntários argumentos no sentido de que a multa aplicada no patamar de 150% seria confiscatória. Quanto à alegação do caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, convém deixar consignado que é vedado ao CARF pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, não conheço das alegações relacionadas a confiscatoriedade de multa. Outro ponto a ser observado é que a contribuinte LPJ Consultoria Ltda. em seus recursos, no tópico 2.2.2. intitulado Da necessária apuração das contribuições sociais de acordo com os profissionais que executaram as atividades ou, subsidiariamente, segundo a participação dos sócios nas respectivas pessoas jurídicas, argumenta que a base de cálculo das contribuições sociais deve ser apurada considerando exclusivamente os sócios que efetivamente prestaram serviços, tomando-se por parâmetro a remuneração por eles efetivamente percebida, não sendo admissível a incidência sobre valores atribuídos a quotistas que não participaram da execução dos serviços. Subsidiariamente, requer que eventual apuração observe a participação societária de cada sócio nas respectivas pessoas jurídicas. Tal matéria não foi abordada na Impugnação. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal é importante destacar que os limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro lado, pela resistência do contribuinte, que culminam com a prolação de uma decisão de primeira instância, objeto de revisão na instância recursal. Nesse contexto a matéria ventilada em recurso deve guardar estrita harmonia com àquela abordada pelo recorrente em sua impugnação, não podendo a parte contrária ser surpreendida com novos argumentos em sede recursal, em razão da inovação processual. Nesse sentido, verifico que o argumento acima apontado se encontra fora do alcance desta instância. Isto porque o argumento do tópico recursal 2.2.2. não constou na Impugnação e por isso não pode ser agora conhecido, pois em relação a ele operou-se a preclusão. Fl. 6829DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 64 O processo em segunda instância tem natureza revisional e não constitui oportunidade para apresentação de novos fundamentos fáticos ou jurídicos que não foram submetidos ao exame da instância de origem. O entendimento acerca da preclusão quando de inovação recursal encontra-se consolidado neste Conselho: INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso voluntário, em relação aos quais não teve oportunidade de se manifestar a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação em segunda instância, por preclusão processual. (Ac. 2402-007.507, de 07/08/2019). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. Matéria que não tenha sido objeto de impugnação e, portanto, não conste da decisão de primeira instância, não pode ser alegada em sede de recurso voluntário, por estar preclusa. (Ac CSRF. 9303-009.436, de 18/09/2019.) Diante do exposto, conheço parcialmente dos Recursos Voluntários, deixando de conhecer do argumento relacionado a multa confiscatória por ser vedado a este Colegiado bem como do argumento referente a necessidade de apuração das contribuições sociais de acordo com os profissionais que executaram as atividades, por se tratar de inovação recursal. 2. Preliminares: 2.1 – Nulidades apontadas No âmbito preliminar, a recorrente suscita a nulidade do lançamento fiscal por cerceamento de defesa, ao argumento de que a autoridade fiscal teria se valido de elementos probatórios que não integram o processo administrativo, ou que não foram devidamente disponibilizados ao contribuinte, bem como de informações desprovidas de comprovação de veracidade, em afronta aos princípios do contraditório e da ampla defesa, além das normas que regem o lançamento tributário e a distribuição do ônus da prova. Aduz, ainda, a nulidade do lançamento em razão da incompetência da autoridade fiscal para desconsiderar a personalidade jurídica das empresas contratadas e, por via reflexa, reconhecer a existência de relações de emprego, matéria que, segundo sustentam, extrapola os limites da atuação administrativa tributária, por envolver discussão afeta à seara trabalhista e civil, em violação às normas constitucionais e infraconstitucionais que disciplinam a sujeição passiva e a responsabilização tributária. Sustenta, também, a nulidade do lançamento em virtude da utilização do método de aferição indireta sem a existência de parâmetros legais específicos que autorizem sua aplicação na apuração de contribuições sociais, o que, segundo alegam, comprometeria a validade do lançamento por afronta ao princípio da legalidade tributária e às regras que disciplinam a constituição do crédito tributário. Fl. 6830DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 65 No mesmo sentido, aponta vício no lançamento decorrente do reenquadramento da contribuinte em grau de risco mais gravoso, sem a observância do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, bem como sem a devida motivação do ato administrativo, o que implicaria violação aos princípios que regem a atuação da Administração Pública. Acrescenta, ainda, a nulidade do lançamento sob o fundamento de que a autoridade fiscal teria desconsiderado valores já recolhidos a título de contribuições sociais pelas pessoas jurídicas prestadoras de serviços, o que configuraria indevida duplicidade de exigência e afronta aos princípios da legalidade e da moralidade administrativa, além das normas que regem a constituição do crédito tributário. Por fim, alegam nulidade da própria decisão de primeira instância administrativa, ao argumento de que o órgão julgador deixou de enfrentar de forma adequada os fundamentos suscitados na impugnação, caracterizando ausência de motivação suficiente e violação ao dever de apreciação integral das teses defensivas, comprometendo, assim, a validade do decisum recorrido. Com relação a alegada nulidade do lançamento fiscal por cerceamento de defesa pelo suposto fato da autoridade fiscal ter se valido de elementos probatórios que não integram o processo administrativo, ou que não foram devidamente disponibilizados ao contribuinte, sustenta a recorrente, em síntese, que o lançamento fiscal encontra-se eivado de nulidade por ter sido constituído com base em elementos probatórios não juntados aos autos ou inacessíveis ao contribuinte, o que inviabilizou o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Argumenta que diversas conclusões da fiscalização, tais como a suposta inexistência de estabelecimentos, a irregularidade de notas fiscais, a padronização de contratos e a caracterização de vínculos empregatícios, foram formuladas de maneira genérica, sem a devida individualização dos fatos e sem a indicação precisa das empresas e profissionais envolvidos, além de não terem sido acompanhadas dos documentos que lhes dariam suporte. Aduz, ainda, que a autoridade fiscal se valeu de informações oriundas de sistemas internos da Receita Federal, de dados fornecidos por terceiros e até mesmo de conclusões extraídas de procedimentos administrativos conduzidos por outros entes federativos, sem que tais elementos tenham sido devidamente incorporados ao processo administrativo fiscal, o que configura, na prática, utilização indevida de prova emprestada sem observância do contraditório. Nesse contexto, sustenta que não lhe foi oportunizado o acesso às provas, tampouco a possibilidade de impugná-las de forma efetiva, o que compromete a validade do lançamento desde sua origem. Ressalta, ademais, que o ônus da prova incumbe à autoridade fiscal, a quem compete demonstrar, de forma clara e fundamentada, a ocorrência do fato gerador e os elementos que justificam a exigência tributária, não sendo admissível a constituição do crédito com base em presunções frágeis, indícios não corroborados ou afirmações genéricas desacompanhadas de suporte probatório robusto. No caso concreto, afirma que o lançamento se Fl. 6831DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 66 apoiou em premissas não comprovadas e em documentos não disponibilizados, o que evidencia vício formal insanável e afronta às normas que regem o processo administrativo fiscal. Diante desse cenário, conclui que a ausência de juntada integral das provas, a falta de individualização das condutas e a utilização de elementos probatórios não acessíveis ao contribuinte caracterizam inequívoco cerceamento de defesa, tornando insustentável a manutenção do lançamento, que teria sido constituído em desacordo com os requisitos legais e constitucionais que regem a atividade administrativa tributária. Da análise dos autos entendo que não procede a alegação de cerceamento de defesa, pois os elementos que fundamentaram o lançamento foram devidamente indicados e estão acessíveis nos autos ou são de conhecimento da própria recorrente, conforme vasta documentação anexada ao relatório fiscal. Os endereços das empresas, as notas fiscais, os contratos e as informações relativas aos prestadores foram extraídos de documentos identificados no processo, muitos dos quais sob a guarda da própria recorrente, a quem caberia, se fosse o caso, apresentar prova em sentido contrário. Também não há irregularidade na utilização de informações provenientes de registros oficiais ou de outros entes da Administração, como dados da Receita Federal ou publicações em diário oficial, os quais possuem caráter público e podem ser livremente consultados e impugnados. Ademais, a fiscalização indicou de forma suficiente os elementos analisados, inclusive com identificação de documentos e situações específicas, afastando a alegação de generalidade. Dessa forma, não se verifica qualquer prejuízo ao exercício do contraditório e da ampla defesa, inexistindo vício que comprometa a validade do lançamento. Com relação a competência do agente fiscal, alega a recorrente, em síntese, a nulidade do lançamento ao argumento de que a autoridade teria extrapolado os limites de sua competência legal ao desconsiderar a existência de pessoas jurídicas regularmente constituídas e, a partir disso, reconhecer a suposta ocorrência de relações de emprego. Segundo a tese defensiva, tal providência implicaria indevida incursão em matéria reservada à Justiça do Trabalho, a quem caberia, em caráter definitivo, a análise e o reconhecimento de vínculos laborais, nos termos da Constituição Federal. Alega, ainda, que não há previsão legal que autorize a fiscalização tributária a promover a desconsideração da personalidade jurídica ou a requalificação de relações contratuais para fins de reconhecimento de vínculo empregatício, destacando que tais medidas dependeriam de atuação do Poder Judiciário, inclusive com observância do devido processo legal e garantia de defesa prévia aos envolvidos. Nesse contexto, sustenta que o procedimento adotado teria afrontado não apenas a legislação tributária, mas também normas de direito civil e processual. Fl. 6832DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 67 Argumenta, ademais, que a legislação aplicável às contribuições sociais não confere à autoridade fiscal o poder de desconstituir arranjos societários regularmente formalizados, especialmente quando se trata de prestação de serviços por meio de pessoas jurídicas, hipótese que, inclusive, encontraria amparo em normas específicas que determinam o enquadramento dessas relações no regime jurídico próprio das pessoas jurídicas. Ressalta, ainda, que a eventual desconsideração de atos ou negócios jurídicos, com fundamento em dissimulação, dependeria de regulamentação específica, inexistente à época dos fatos, o que afastaria a validade da atuação fiscal. Diante desse cenário, conclui que o lançamento foi realizado por autoridade sem competência para tanto, o que comprometeria sua validade desde a origem, impondo o reconhecimento de sua nulidade, por violação às normas que disciplinam a constituição do crédito tributário e os limites de atuação da Administração Tributária. Diferentemente do ponto de vista da recorrente, o procedimento fiscal não tratou de reconhecer formalmente o vínculo empregatício. Compete à autoridade fiscal verificar, diante do caso concreto, se determinada relação jurídica entre particulares configura a realização do fato gerador da obrigação previdenciária principal, definido em lei, constituindo o respectivo crédito tributário mediante o lançamento de ofício. A obrigação tributária nasce da ocorrência do fato gerador, no mundo real, independentemente da vontade dos particulares. Constitui fato gerador da contribuição previdenciária, dentre outras hipóteses, o exercício de atividade remunerada pela pessoa física que presta serviços em caráter não eventual, com subordinação e mediante remuneração para uma ou mais empresas (art. 12, inciso I, art. 22, inciso I, e art. 28, inciso I, da Lei nº 8.212, de 1991). A legitimidade da atuação da fiscalização tributária se dá por força de suas atribuições legais, previstas no art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN) c/c art. 6º, da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, segundo o qual: CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Lei nº 10.593, de 2002 Fl. 6833DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 68 Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil: I - no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (...) c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; (...) Quando identificar a contratação de trabalhador, sob qualquer forma ou denominação, na qual estão presentes os pressupostos da prestação de serviço como segurado obrigatório da Previdência Social, na condição de empregado, contribuinte individual ou qualquer outro, a autoridade tributária deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento de acordo com a legislação tributária. Tal competência prevista em lei está expressa no art. 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), veiculado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, que se aplica em todos os casos de prestação de serviço remunerado pelo segurado obrigatório, ainda que formalmente revestida de outra roupagem para distorcer ou camuflar a realidade dos fatos: Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (...) Nesse sentido deve ser rejeitada a preliminar suscitada pela recorrente acerca da alegada ausência de competência da fiscalização para reconhecer relação de emprego. Na sequência, alega a recorrente que o lançamento é nulo em razão da utilização do método de aferição indireta sem a existência de parâmetros legais específicos que disciplinem sua aplicação na apuração das contribuições sociais. Argumenta que, embora o artigo 33, § 6º, da Lei nº 8.212/1991 preveja tal sistemática, trata-se de norma que depende de regulamentação para definição dos critérios de arbitramento, inexistente no caso concreto. Assim, defende que a adoção desse método, desacompanhada de base legal adequada, viola o princípio da legalidade tributária, previsto na Constituição Federal e no Código Fl. 6834DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 69 Tributário Nacional, por permitir a constituição do crédito com base em critérios não previamente definidos em lei. Diante disso, conclui pela nulidade do lançamento, por ausência de fundamento legal válido para a aferição realizada. Ocorre que, conforme pontuado pela decisão de piso, tem aplicação o art. 148 do CTN: CTN Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou em consideração, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Assim como art. 33 § 3º da Lei 8.212/91: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Nesse sentido entendo que deve prevalecer o entendimento da decisão de piso para rejeição da preliminar aventada: Consta do relatório fiscal que, para fins de apuração do presente crédito tributário, considerou-se como salário de contribuição dos consultores o valor das notas fiscais por eles emitidas, considerando que: “(...) 10.18.28.1. a fiscalizada não incluiu os empregados identificados neste procedimento fiscal nas folhas de pagamento e nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP; 10.18.282. as remunerações dos empregados foram pagas indiretamente a eles por meio de pessoas jurídicas e foram constatadas pela auditoria fiscal em valores destacados em notas fiscais de serviços, contabilizados pela Fl. 6835DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 70 fiscalizada bem como declarados pela mesma à Secretaria da Receita Federal do Brasil por meio da Declaração de Impostos Retidos Fonte - DIRF referente a "pagamentos efetuados a pessoas jurídicas". 10.18.29. O procedimento de aferição indireta para a apuração da base de cálculo das contribuições previdência rias está disciplinado pela Lei 8212, de 1991, em seu artigo 33, §§ 3° e 6° e no artigo 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3048, de 1999 e suas alterações. (...)” Trata-se, assim, de critérios razoáveis, notadamente por terem sido extraídos de notas fiscais cuja veracidade não foi aqui contestada, e, portanto, ao caso aplica- se perfeitamente a regra da inversão do ônus da prova, com base no art. 33 § 3º da Lei 8.212/91. Assim, restou demonstrado que o impugnante teve conhecimento dos fundamentos fáticos e jurídicos do lançamento, não havendo que se falar em prejuízo ao exercício das garantias constitucionais à ampla defesa e ao contraditório, e que o lançamento contém os requisitos mínimos aptos a lhe garantir a presunção de certeza e liquidez, em harmonia com o art. 142 do CTN e artigo 10 do Decreto 70.235/72, o que justifica a rejeição da preliminar de nulidade invocada. A recorrente alega também a nulidade do lançamento em razão do reenquadramento de sua atividade em grau de risco mais gravoso, com consequente majoração da alíquota do RAT, sem que lhe tenha sido assegurada a observância do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal. Argumenta que, embora a alteração decorra de ato normativo, não lhe foi oportunizado conhecer os critérios, dados e fundamentos que embasaram o agravamento do risco, tampouco exercer previamente o direito de impugnação ou demonstrar a inexistência das condições que justificariam tal reenquadramento. Aduz, ainda, que a Administração deixou de observar os princípios da motivação, publicidade e transparência, uma vez que não foram disponibilizados os elementos técnicos que fundamentaram a alteração do enquadramento, inviabilizando o controle e a contestação por parte do contribuinte. Nesse contexto, afirma que a imposição de encargo tributário mais oneroso sem prévia ciência e possibilidade de defesa configura violação às garantias constitucionais e às normas que regem o processo administrativo. Por fim, ressalta que o reenquadramento deveria ser precedido de procedimento administrativo específico, com notificação individualizada e possibilidade de contestação, sob pena de inversão das etapas do devido processo legal. Diante disso, conclui que a exigência fundada nesse enquadramento encontra-se viciada, devendo ser reconhecida a nulidade do lançamento. No tocante ao procedimento fiscal, é importante ressaltar que se trata de fase de natureza oficiosa, de caráter eminentemente inquisitório, na qual ainda não há instaurado o Fl. 6836DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 71 contraditório. O direito de defesa somente surge com a apresentação da impugnação, conforme dispõe o artigo 14 do Decreto nº 70.235/1972. Nesse sentido, não procede a alegação de nulidade pela ausência de contraditório na fase prévia, uma vez que esta etapa visa apenas à coleta de elementos para a constituição do crédito tributário, cabendo ao contribuinte exercer sua defesa posteriormente, como de fato ocorreu no presente caso. Quanto a este tema, entendo que se aplica a Súmula CARF nº 162: Súmula CARF nº 162 O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Ademais, a descrição constante do auto de infração demonstra de forma clara e objetiva as razões da autuação e as normas infringidas, permitindo ao contribuinte compreender integralmente a acusação e apresentar defesa técnica e detalhada, como se verifica nos autos. Desse modo, não se identifica qualquer cerceamento de defesa ou vício essencial que comprometa a validade do lançamento. Por oportuno, ressalta-se que a atividade fiscal é vinculada à lei e deve obedecer estritamente aos comandos normativos, em conformidade com os princípios da legalidade e da vinculação do julgador administrativo. Tendo sido observados todos os requisitos legais para a constituição do crédito tributário e não havendo prova de prejuízo efetivo à defesa, rejeitam-se as preliminares de nulidade suscitadas. Cumpre igualmente destacar as hipóteses que ensejam a nulidade do lançamento, expressamente previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, diploma que rege o Processo Administrativo Fiscal. O referido dispositivo estabelece as situações em que o vício atinge a própria validade do ato, tornando-o insuscetível de convalidação, especialmente quando praticado por autoridade incompetente ou em desrespeito às garantias do devido processo legal: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo.(...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem Fl. 6837DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 72 em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. A análise das preliminares de nulidade apresentadas revela que não há fundamento para o acolhimento da tese defensiva. De acordo com a legislação supracitada, a nulidade de um lançamento somente se configura quando os atos são lavrados por pessoa incompetente ou quando há preterição do direito de defesa. No caso em exame, verifica-se que o auto de infração foi regularmente lavrado por autoridade competente e que todos os atos processuais foram realizados em estrita observância às normas legais, assegurando ao contribuinte pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. A recorrente alega ainda a nulidade do lançamento ao argumento de que a autoridade fiscal deixou de observar os requisitos essenciais previstos no artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente no que se refere à correta determinação do montante devido. Sustenta que, ao desconsiderar a personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços e imputar à Recorrente a condição de empregadora, caberia ao Fisco, por coerência, considerar também os valores já recolhidos por tais pessoas jurídicas a título de contribuições sociais. Afirma que a omissão na dedução desses valores implicou indevida majoração do crédito tributário, em afronta ao dever de apuração integral da matéria tributável e à vinculação da atividade administrativa aos ditames legais. Nesse sentido, argumenta que o lançamento foi constituído de forma incompleta e irregular, por não refletir a realidade dos recolhimentos já efetuados. Diante disso, sustenta que a inobservância dessas exigências legais compromete a validade do lançamento, configurando vício material apto a ensejar sua nulidade, por violação às normas que regem a constituição do crédito tributário e aos princípios que orientam a atuação da Administração Pública. Ocorre que, conforme já antecipado no relatório, a decisão de piso deu parcial provimento a impugnação para reconhecer a necessidade de exclusão dos valores já recolhidos a título de contribuição do segurado, considerando os valores pagos pelas empresas que prestaram serviços a contribuinte. Dessa forma não há que se falar em nulidade de questão já reconhecida a favor da contribuinte. Nos recursos destinados aos AI Debcad 51.057.249-9 e 51.057.250-2, que são referentes a obrigação acessória, a recorrente suscita nulidade da decisão de primeira instância ao fundamento de que o órgão julgador deixou de apreciar, de forma adequada, os argumentos deduzidos na peça de impugnação, limitando-se a proferir decisão sem o enfrentamento das questões relevantes ao deslinde da controvérsia. Fl. 6838DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 73 Argumenta que tal omissão configura violação ao direito de defesa, uma vez que impede o exame completo das teses apresentadas, em afronta às garantias do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal. Sustenta, nesse contexto, que decisões administrativas desprovidas de fundamentação ou que não enfrentam matérias essenciais são nulas, nos termos da legislação de regência e da jurisprudência, razão pela qual requer a anulação do decisum e o retorno dos autos à instância de origem para nova apreciação, com análise integral dos fundamentos apresentados pela defesa. Não merece acolhida a preliminar de nulidade por suposta ausência de análise dos argumentos da impugnação. A recorrente limita-se a alegar, de forma genérica, que o órgão julgador não teria apreciado suas razões, sem, contudo, indicar objetivamente qual tese relevante deixou de ser enfrentada ou demonstrar qualquer prejuízo concreto decorrente da decisão. Tal deficiência compromete a própria análise da preliminar, por ausência de fundamentação mínima. Ademais, a nulidade de decisão administrativa somente se configura quando há efetiva omissão sobre questão essencial capaz de influenciar o resultado do julgamento, o que não se verifica no caso. A decisão recorrida examinou os pontos controvertidos necessários à solução da lide, ainda que de forma contrária aos interesses da recorrente, não sendo exigível o enfrentamento exaustivo de todos os argumentos apresentados, mas apenas daqueles suficientes à formação do convencimento do julgador. Nesse contexto, não demonstrado qualquer vício apto a caracterizar cerceamento de defesa ou prejuízo ao contraditório, deve ser rejeitada a preliminar, mantendo-se hígida a decisão proferida. As preliminares suscitadas pela responsável solidária DTS Consultoria e Treinamento Ltda. relacionadas legitimidade passiva e princípio da eventualidade serão apreciadas nos tópicos destinados a análise do mérito. 2.2 – Decadência A recorrente reafirma em sede recursal a ocorrência de decadência parcial do crédito tributário, no que se refere às contribuições sociais relativas a fatos geradores anteriores a 18/11/2009, sob o fundamento de que se trata de tributo sujeito ao lançamento por homologação. Nessa linha, sustenta a aplicação do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, segundo o qual a Fazenda Pública dispõe do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, para homologar o pagamento, sob pena de extinção definitiva do crédito tributário. Afirma que, no caso concreto, embora tenha havido recolhimentos, ainda que considerados insuficientes pela fiscalização, a ciência do lançamento somente ocorreu em 18/11/2014, quando já ultrapassado o prazo decadencial em relação aos fatos geradores Fl. 6839DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 74 anteriores a novembro de 2009, o que impediria a constituição válida do crédito tributário quanto a esse período. Aduz, ainda, que não há comprovação de dolo, fraude ou simulação aptos a afastar a regra do artigo 150, § 4º, do CTN e autorizar a aplicação do prazo previsto no artigo 173, inciso I. Argumenta que o lançamento se baseou em presunções, especialmente quanto à alegada “pejotização”, sem demonstração concreta de intenção dolosa, o que reforçaria a incidência da decadência. Diante disso, requer o reconhecimento da extinção parcial do crédito tributário, com o afastamento da exigência das contribuições sociais relativas aos fatos geradores alcançados pela decadência. Não assiste razão à pretensão de reconhecimento da decadência, à luz do entendimento hoje consolidado no contencioso administrativo e na jurisprudência constitucional acerca da matéria. É pacífico que, após a edição da Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, o prazo decadencial aplicável às contribuições previdenciárias é quinquenal, afastando-se definitivamente os prazos ampliados antes previstos na legislação previdenciária. Superada essa premissa, a controvérsia não reside no prazo em si, mas no critério jurídico de sua contagem, que deve observar a sistemática do Código Tributário Nacional. Tratando-se de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como as contribuições previdenciárias, a definição do termo inicial do prazo decadencial depende da existência ou não de pagamento antecipado, ainda que parcial. Havendo recolhimento antecipado, aplica-se a regra do art. 150, § 4º, do CTN; inexistindo pagamento, incide a regra geral do art. 173, inciso I, do CTN, com contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nesse sentido, deve ser aplicada a Súmula CARF nº 101: Súmula CARF nº 101 Aprovada pelo Pleno em 08/12/2014 Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nesse sentido vale colacionar trecho da decisão de piso acerca da matéria: Cabe ainda mencionar o disposto na Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) n.º 971, de 13/11/2009, com relação à decadência: Art. 443. A extinção do direito de a RFB apurar e constituir os créditos tributários, bem como o prazo de prescrição da ação para cobrança desses créditos obedecerão ao disposto no CTN. Fl. 6840DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 75 Art. 444. Na constatação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplica-se na constituição do crédito o disposto no inciso I do art. 173 do CTN. ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) É de se salientar que, no Relatório Fiscal, reproduzido parcialmente a seguir, são apresentados, pela autoridade lançadora, indícios de fraude: (...) 10.17. A fiscalização identificou que a fiscalizada fez uso da "pejotização" para o cumprimento dos contratos de prestação de serviços firmados ao examinar os documentos e os lançamentos contábeis entregues a RFB. A pejotização contratação de profissionais sem vínculo empregatício e acontece quando os empregadores exigem que os trabalhadores que selecionam no mercado constituam pessoas jurídicas para a prestação de serviços. A prática da "pejotização" caracteriza fraude à legislação trabalhista e tributária e com fulcro no princípio da primazia da realidade quando constatada pela fiscalização tributária enseja a cobrança dos correspondentes tributos. (...) 15.1. (...) Ao adotar esse procedimento visando impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal em relação a contribuições previdenciárias bem como modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do tributo devido ou evitar ou diferir o seu pagamento a fiscalizada praticou economia tributária indevida simulando uma contratação de pessoas físicas por meio da pessoa jurídica das quais as pessoas físicas eram sócias. (...) Conclui-se, pois, que a decadência, no presente caso, é regida pelo disposto no artigo 173, inciso I, do CTN, restando afastada a aplicação do regramento contido no art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional (CTN), em razão da constatação de simulação e fraude à lei, baseada em robusto conjunto probatório, cabendo ressaltar que o fato de que certas empresas contratadas terem sido constituídas antes mesmo da impugnante é irrelevante para se inferir em contrário. Assim, observada a regra adequada de contagem do prazo decadencial prevista no CTN, não há que se falar em extinção do crédito tributário relativamente às competências impugnadas, devendo ser afastada a preliminar de decadência suscitada pela recorrente. 3. Mérito 3.1 – Insubsistência do lançamento realizado com base em mera presunção e inexistência da relação de emprego – não preenchimento dos requisitos A recorrente sustenta, no mérito, a insubsistência do lançamento ao argumento de que este foi constituído com base em meras presunções, sem a devida comprovação dos fatos que ensejariam a incidência das contribuições sociais. Defende que, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, compete à autoridade fiscal demonstrar, de forma objetiva e robusta, Fl. 6841DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 76 a ocorrência do fato gerador, não sendo suficiente a utilização de indícios ou suposições para a constituição do crédito tributário. Aduz, ainda, que o Fisco desconsiderou a regularidade das relações contratuais firmadas com pessoas jurídicas prestadoras de serviços e, com base em elementos genéricos — como exclusividade na prestação, ausência de empregados, similitude contratual e coincidência de endereços —, presumiu a existência de vínculo empregatício, sem comprovar a presença dos requisitos legais exigidos para sua caracterização. Ressalta que a configuração da relação de emprego demanda prova inequívoca da concomitância dos elementos previstos na legislação trabalhista, quais sejam: prestação de serviços por pessoa física, pessoalidade, onerosidade, não eventualidade e subordinação, o que não teria sido demonstrado pela fiscalização. Nesse sentido, argumenta que tais elementos indiciários não são suficientes, por si só, para afastar a presunção de legitimidade dos negócios jurídicos, sendo imprescindível a demonstração concreta e individualizada dos fatos que caracterizariam a relação de trabalho. Assim, conclui que o lançamento, por estar fundado em presunções frágeis e não corroboradas por prova consistente, viola o princípio da legalidade e deve ser declarado improcedente. Passa então a recorrente a abordar todos os requisitos ensejadores da relação de emprego, iniciando pela pessoalidade, com intuito de afastá-lo da relação havida entre ela e as empresas contratadas. A recorrente sustenta a inexistência do requisito da pessoalidade, ao argumento de que os serviços foram prestados por pessoas jurídicas regularmente constituídas, e não por pessoas físicas, o que, por si só, afastaria a caracterização de vínculo empregatício. Defende que a atuação dos sócios das empresas prestadoras de serviços, especialmente em atividades de natureza intelectual, é plenamente admitida pela legislação, sendo inclusive comum que tais atividades sejam exercidas por meio de pessoas jurídicas, nos termos da legislação aplicável. Aduz que os elementos utilizados pela fiscalização, como a ausência de empregados nas prestadoras, a execução dos serviços pelos próprios sócios, a similitude contratual e a prestação exclusiva de serviços, não são suficientes para caracterizar pessoalidade, tratando-se de circunstâncias inerentes ao modelo de prestação de serviços intelectuais, especialmente no setor de tecnologia da informação. Ressalta, ainda, que a possibilidade de substituição de profissionais, a atuação conjunta de mais de um sócio e a ausência de exigência de prestação pessoal afastam a conclusão de que os serviços seriam personalíssimos. Argumenta, também, que outros elementos apontados pelo Fisco, como reembolsos de despesas, comunicações por e-mail, indicação de profissionais em contratos ou informações extraídas de páginas eletrônicas, não possuem força probatória suficiente para caracterizar vínculo de emprego, consistindo, quando muito, em indícios frágeis e imprecisos. Acrescenta que tais circunstâncias são compatíveis com relações contratuais civis e empresariais legítimas, não sendo aptas a demonstrar a existência de subordinação ou pessoalidade. Fl. 6842DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 77 Por fim, afirma que a constituição de empresas prestadoras em momento anterior à própria recorrente, bem como a inexistência de demandas trabalhistas relacionadas, reforça a regularidade das contratações realizadas. Nesse contexto, conclui que o lançamento se baseou em presunções indevidas e generalizações, sem a demonstração concreta dos requisitos necessários à configuração da relação de emprego, razão pela qual deve ser considerado insubsistente. Com relação ao requisito da não-eventualidade nas relações firmadas com as pessoas jurídicas prestadoras de serviços, a recorrente sustenta pela sua inexistência argumentando que a própria documentação fiscal evidencia a descontinuidade na prestação, com períodos em que não houve execução de serviços. Além disso, destaca que diversas empresas contratadas também prestavam serviços a outros clientes, o que afasta a alegação de habitualidade exclusiva em favor da recorrente. Aduz, ainda, que algumas contratações ocorreram por curtos períodos, o que reforçaria o caráter eventual das atividades desempenhadas. Afirma, também, que a fiscalização incorre em equívoco ao presumir a não-eventualidade com base na suposta vinculação dos serviços à atividade-fim da recorrente, destacando que parte relevante das atividades desempenhadas pelas contratadas possui natureza distinta, conforme demonstrado pelos diferentes enquadramentos de CNAE. Nesse contexto, argumenta que mesmo quando há alguma relação entre os serviços prestados e a atividade da contratante, não há vedação legal à terceirização, especialmente de atividades-meio, sendo legítima a contratação de empresas especializadas para execução de determinadas tarefas. Assim, conclui que os elementos apontados pelo Fisco não são suficientes para caracterizar a não-eventualidade, tratando-se, na realidade, de relações comerciais típicas e juridicamente válidas, não configuradoras de vínculo empregatício. A recorrente sustenta a inexistência do requisito da onerosidade na forma exigida para a configuração da relação de emprego, ao argumento de que os pagamentos realizados decorreram de contratos firmados com pessoas jurídicas, e não de remuneração direta a pessoas físicas a título de salário. Destaca que a simples existência de contraprestação financeira não é suficiente para caracterizar vínculo empregatício, uma vez que qualquer prestação de serviços no mercado é passível de valoração econômica, inclusive nas relações civis e empresariais. Aduz que, no caso concreto, os valores foram pagos às empresas contratadas, conforme comprovado nos autos, inexistindo prova de que tais montantes tenham sido destinados diretamente aos supostos empregados. Além disso, ressalta que os pagamentos não apresentavam caráter fixo ou contínuo, havendo variações e até reduções ao longo do tempo, circunstância incompatível com a natureza salarial, que, por regra, é estável e irredutível. Nesse contexto, argumenta que os elementos apontados pela fiscalização não são aptos a demonstrar a existência de onerosidade típica da relação de emprego, mas apenas evidenciam relações contratuais legítimas entre pessoas jurídicas, razão pela qual não se configura o requisito necessário à caracterização do vínculo empregatício. Fl. 6843DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 78 Com relação a subordinação, a recorrente sustenta que as empresas prestadoras de serviços não atuavam com exclusividade, fato reconhecido pela própria fiscalização ao identificar a emissão de notas fiscais destinadas a diversos outros clientes. Argumenta que tal circunstância evidencia a autonomia das pessoas jurídicas contratadas e afasta a alegação de vínculo empregatício, uma vez que demonstra sua atuação regular no mercado, em consonância com o princípio da livre iniciativa. Destaca, ainda, que mesmo nos casos em que a recorrente figurava como principal cliente de determinadas empresas, tal fato não autoriza, por si só, a conclusão pela existência de relação de emprego, tratando-se de situação comum no âmbito empresarial. Nesse sentido, afirma que a interpretação adotada pela fiscalização se baseia em presunções indevidas, sem a devida comprovação da presença concomitante dos requisitos legais caracterizadores do vínculo laboral. Aduz, também, que as empresas contratadas estavam regularmente constituídas e em plena atividade, o que reforça a natureza estritamente mercantil das relações mantidas. Acrescenta que a ausência de determinados dados nas notas fiscais, como e-mail ou telefone, não possui relevância jurídica para caracterização de vínculo empregatício, uma vez que tais informações sequer são exigidas pela legislação aplicável. Por fim, argumenta que o lançamento foi constituído com base em elementos genéricos e sem análise individualizada dos contratos firmados, deixando de observar o dever de comprovação precisa do fato gerador. Sustenta que a autoridade fiscal não se desincumbiu do ônus probatório que lhe compete, valendo-se de indícios frágeis e conclusões genéricas, o que compromete a validade do lançamento e impede o reconhecimento da relação de emprego pretendida. Já a fiscalização, assim como a decisão de piso, entendeu que os requisitos ensejadores da relação de trabalho simulada estão comprovados, conforme trecho a seguir, extraído do Relatório Fiscal (e-fls. 213/372): 10.18.27.1. A fiscalização concluiu que o enquadramento das pessoas físicas contratadas como consultores é na categoria de empregado em virtude da documentação analisada e anexada ao presente relatório fiscal e das constatações feitas, como segue: 10.18.27.1.1. PESSOALIDADE – A fiscalização constatou pelo exame dos documentos apresentados pela fiscalizada e pelas empresas diligenciadas que o objeto da contratação – consultoria em tecnologia da informação – exige, na verdade, a existência de uma pessoa específica, preparada e com capacidade técnica adequada para cumprimento da demanda contratada. A fiscalização concluiu que daí decorre a pessoalidade porque quem detém o conhecimento técnico e realiza as tarefas designadas pela fiscalizada é a pessoa física e não a pessoa jurídica. Fl. 6844DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 79 O contrato de trabalho é ajustado em função de determinada pessoa. O trabalho com o qual o empregador pode contar é o de uma pessoa específica. A fiscalização constatou que os serviços tomados da fiscalizada eram prestados por pessoas físicas – consultores na área de tecnologia da informação, contratados por meio de pessoas jurídicas para dissimular o real propósito do negócio jurídico. A fiscalização verificou que os profissionais contratados pela fiscalizada são pessoas de profundo conhecimento técnico na área de tecnologia da informação, de difícil substituição, disputados pelas empresas que atuam no mesmo segmento econômico, se distinguem pela experiência e elevado grau de especialização e capacitação e, por isto, são contratados e mantidos a serviço da fiscalizada. A fiscalização considerou que é cristalina a prova da pessoalidade onde no Anexo 01 ao contrato de prestação de serviços tomados pela fiscalizada é identificado o nome, CPF e cargo, valor hora / mês da remuneração da pessoa física responsável pela atividade contratada e, também, a fiscalização constatou que nos contratos de prestação de serviços celebrados com clientes a fiscalizada indicava o profissional responsável pelo atendimento / relacionamento entre ela e o respectivo cliente ou indicava o consultor responsável pelo cumprimento das tarefas contratadas. A fiscalização reuniu provas que demonstram que embora a formalização do contrato seja entre pessoas jurídicas - a fiscalizada e seus prestadores de serviços – a realidade verificada é outra quer seja a realização das tarefas contratadas é feita pela pessoa física identificada e qualificada no Anexo 01 dos contratos analisados. A prestação pessoal dos serviços também ficou comprovada nos relatórios de viagens onde se observou, de forma individualizada conforme especificado nos itens deste relatório fiscal, que tais relatórios de viagens são emitidos pelas pessoas físicas contratadas e se destinam a: prestar contas de quilometragem rodada para fins de recebimento da vantagem correspondente ao adicional por quilometro rodado e/ou para comprovar o valor do estacionamento pago, mensalmente, para fins de ressarcimento de 50% (cinquenta por cento) do respectivo valor. A pessoalidade e a identidade da pessoa física ficam, também, evidenciados quando o grupo LPJ editou a Instrução Normativa nº. 003/2009, que estabelece critérios, procedimentos e responsabilidade a serem observadas para a realização de despesas de viagens, alimentação e outras de empregados e terceiros (consultores, fornecedores, prestadores de serviços contratados e outros), quando realizadas, exclusivamente, a serviço das empresas A & S, Korun e LPJ e atribui a concessão diretamente a todos os profissionais – consultores contratados por meio de pessoa jurídica dos benefícios ali implementados bem como condiciona o pagamento ao cumprimento de normas especificadas no ato normativo interno do grupo de empresas do qual a fiscalizada é parte. A fiscalização comprovou, ainda, a pessoalidade nos casos de empregados que laboram concomitantemente sob as normas da CLT e intermediados por pessoas jurídicas – PJ no cruzamento entre os dados contidos no Livro de Registro de Empregados da fiscalizada e os dados pessoais dos sócios das pessoas jurídicas que intermediaram as contratações. A fiscalização concluiu que a relação se dá entre a fiscalizada e os Fl. 6845DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 80 contratados na identidade de suas pessoas físicas. A fiscalização identificou, também, a pessoalidade na prestação de serviços quando analisou os contratos de prestação de serviços e no contrato que definiu como “primeiro modelo”, na cláusula segunda observou que está estabelecido que “ a contratada receberá pelos serviços ora contratados o valor de R$ ......(........) por hora de trabalho” e que seriam “consideradas o mínimo de 168 horas por mês”. A fiscalização , em face da clareza da redação da cláusula segunda, não teve dúvida de que só é remunerado por hora trabalhada a pessoa física. A pessoa jurídica recebe por serviços prestados ou bem entregue ao contratante. A fiscalização identificou, também, a pessoalidade no contrato que definiu como “segundo modelo” na cláusula 1.1 , que disciplina a prestação de serviços tomados “por intermédio de seus sócios, empregados ou prepostos (doravante conjuntamente designados Profissionais)”. 10.18.27.1.2. NÃO EVENTUALIDADE – A fiscalização verificou na relação entre a fiscalizada e os consultores contratados por meio de pessoas jurídicas que a atividade realizada é de natureza não eventual e está intimamente ligada a atividade fim da fiscalizada bem como à essencialidade e necessidade permanente da fiscalizada para que esta possa cumprir com os compromissos contratuais, firmados com seus clientes. A fiscalização apurou que em face do reduzido número de empregados especializados na área de consultoria, existente no quadro de pessoal da fiscalizada foi utilizado como “artifício” para a formação da equipe de profissionais especializado a contratação por meio de pessoas jurídicas, o que implicou em economia tributária indevida. A fiscalizada é uma empresa que tem, repita-se, como atividade preponderante à consultoria em tecnologia da informação, conforme disposto em seu contrato social e alterações contratuais, vigentes no período deste procedimento fiscal e essas são as atividades realizadas pelos contratados “profissionais”, consistindo no próprio objeto econômico da fiscalizada, conforme já demonstrado no presente relatório fiscal seja pela indicação da CNAE dos prestadores de serviços seja pela descrição dos serviços constantes no corpo das notas fiscais analisadas, entregues a RFB pela fiscalizada em resposta ao TIF 007/2014 e pelas prestadoras diligenciadas em resposta ao TIF 001/2014. A fiscalização constatou, também, que é comprovação da não eventualidade a habitualidade da prestação de serviços por meio de emissão, mensalmente, de notas fiscais correspondentes ao trabalho realizado pela pessoa física e cujos dados a fiscalização extraiu do arquivo digital – formato MANAD, entregue pela fiscalizada a RFB e referente à contabilidade da fiscalizada no período compreendido entre janeiro/2009 a dezembro/2010. A fiscalização constatou, ainda, a não eventualidade por meio da remuneração ajustada onde não se verifica retificação ou acerto, pois está definida pela determinação da quantidade de horas trabalhadas / mês. A fiscalização constatou, também, que é comprovação da não eventualidade os contratos celebrados entre fiscalizada e consultor por meio de pessoa jurídica porque os mesmos são firmados por um determinado período e prorrogados por prazo indeterminado, conservando a mesma remuneração. Fl. 6846DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 81 10.18.27.1.3. SUBORDINAÇÃO – A fiscalização constatou a subordinação econômica, hierárquica e jurídica das pessoas físicas contratadas com intermediação de pessoas jurídicas de quem eram sócias. A fiscalização para o caso em questão não considerou a subordinação técnica por ter constatado que os contratados detêm especialização de alto nível e remuneração elevada. A fiscalização verificou a subordinação econômica por meio dos pagamentos registrados na contabilidade da fiscalizada, efetuados, mensalmente, na forma pactuada nos contratos apresentados e nas datas nele previstas como contraprestação das atividades executadas. A fiscalização constatou a subordinação hierárquica em decorrência da determinação dos serviços a ser executado estarem especificados genericamente nos contratos e também no Anexo 01 aos mencionados contratos onde é explicita a indicação do trabalhador que executará os serviços, o número mínimo de horas a serem remuneradas e o valor da hora trabalhada e, também, é expresso de forma genérica o serviço a ser realizado. A fiscalização verificou que o consultor – enquadrado pela fiscalização como segurado obrigatório da Previdência Social na categoria de empregado – está sujeito ao cumprimento do encargo estabelecido no contrato por prazo indeterminado. A fiscalização verificou, ainda, que as atividades a serem realizadas pelo consultor são quaisquer serviços especializados tomados pelos clientes da fiscalizada e realizados em total de no mínimo 168 (cento e sessenta e oito) horas de trabalho / mês. A fiscalização verificou, ainda, que os contratos celebrados entre a fiscalizada e as pessoas jurídicas que acobertaram a relação laboral guardam uma similaridade conforme já foi reproduzido neste relatório fiscal, o que por si só já preconiza a subordinação, pois inexiste a liberalidade do contratado de interpor qualquer condição pessoal, tal é a regra já imposta pela subordinação a que estão submetidos. A fiscalização observou, também, que a subordinação jurídica decorre do contrato de trabalho e na fiscalizada a subordinação decorre da indicação de atividades a serem realizadas pelos consultores e que estão previstas nos contratos celebrados entre a fiscalizada e seus clientes acrescidos das previsões contratuais incluídas nos contratos firmados com os consultores por meio das pessoas jurídicas das quais os mesmos são sócios. A fiscalização observou, ainda, que na fiscalizada a subordinação fica evidenciada pela obrigação do profissional contratado por meio de pessoa jurídica em apresentar folha mensal de horas trabalhadas para fins de apuração da remuneração mensal. A fiscalização emitiu o TIF 008/2014 e intimou a fiscalizada a apresentar cópia da folha mensal de horas trabalhadas (timesheet) dos profissionais envolvidos na prestação de serviços. A fiscalizada não apresentou o controle correspondente às horas trabalhadas no mês para cálculo do valor mensal da remuneração. A fiscalizada em resposta ao TIF 008/2014entregou a RFB as cópias de e-mails da fiscalizada para alguns dos seus contratados encaminhando dados para emissão da nota fiscal capeados por ofício datado de 05 de setembro de 2014. A fiscalização cruzou os documentos apresentados em resposta ao TIF 007/2014 – Espelho de Nota Fiscal (Anexo Z21) com as informações prestadas em resposta ao TIF 008/2014 e verificou que , Fl. 6847DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 82 preliminarmente, a emissão do e-mail informando os dados para que o prestador extraísse a nota fiscal era feita uma apuração do número de horas trabalhadas e emitido o espelho de nota fiscal onde era detalhado o tempo real (número de horas trabalhadas), o tempo calculado (número de horas consideradas trabalhadas), o tempo adicionado, o tempo subtraído, o valor hora, valor mínimo, valor fixo, bônus, impostos, valor bruto e valor líquido. A fiscalização concluiu que o tempo real (número de horas trabalhadas) tem que ser extraído de documento de emissão da pessoa física contratada por meio de pessoa jurídica e é similar à folha / cartão de ponto do empregado. A fiscalização concluiu que a subordinação ficou configurada em virtude do comando rotineiro dos trabalhos a serem desenvolvidos pelo profissional – consultor – em face da descrição genérica do objeto descrito nos contratos examinados e em face do controle de frequência (folha de ponto) do consultor. A fiscalização repita-se, constatou que os contratos eram padronizados e trazem como objeto a atividade de consultoria e não detalham o projeto a ser cumprido e também não fazem nenhuma referência a cronograma de execução. A fiscalização identificou que o profissional contratado por meio de pessoa jurídica integrava a equipe de profissionais da fiscalizada, atuava sobre o comando da fiscalizada e de forma rotineira era escalado para executar os serviços tomados da fiscalizada. A fiscalização identificou, ainda, a subordinação nos contratos de prestação de serviços que seguiram o padrão indicado neste relatório fiscal como “segundo modelo” na Cláusula Sétima – itens 7.1 e 7.2 onde estão definidas as garantias e responsabilidades. A fiscalização observou que fica evidenciado na cláusula sétima o poder de comando da contratante – a fiscalizada – sobre os profissionais contratados por meio de pessoa jurídica quando a fiscalizada estabeleceu como dever do profissional contratado por meio de pessoa jurídica o refazimento da atividade sem ônus adicional. A fiscalização observou que uma penalidade imposta na cláusula sétima do contrato, repita-se, é o refazimento da tarefa sem ônus adicional para a fiscalizada – empregadora. A fiscalização observou, também, que outra penalidade a ser imposta pela fiscalizada ao contratado - pessoa física por meio de pessoa jurídica é a rescisão contratual nos casos em que o serviço for executado em desconformidade com as especificações e prazos avençados e for descumprido o padrão de ética a ser observada pela contratante junto aos seus clientes. Isto porque o contrato prevê que nessas circunstâncias o refazimento dos serviços não é considerado penalidade suficiente para corrigir a situação e a punição prevista no contrato é a rescisão contratual sem qualquer notificação prévia. A fiscalização concluiu pela análise específica desses itens do contrato corroborada pela análise dos demais documentos apresentados que quem executa o trabalho são as pessoas físicas subordinadas à fiscalizada, quem atua obedecendo aos padrões éticos de comportamento é a pessoa física e quem sofrerá as penalidades decorrentes da execução do contrato fora dos padrões de qualidade estabelecidos ou contrariando os padrões de ética apregoados pela fiscalizada é, também, a pessoa física contratada por meio de pessoa jurídica. Fl. 6848DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 83 10.18.27.1.4. REMUNERAÇÃO – A fiscalização verificou que a remuneração está consubstanciada pelos pagamentos efetuados aos profissionais executores das atividades de consultoria, mensalmente, sob o disfarce de pagamento a pessoa jurídica. O acórdão recorrido considerou que a descrição dos fatos e as provas documentais trazidas pela autoridade lançadora, em confronto com os argumentos da impugnante, eram suficientes para caracterizar a prestação de serviços pelos profissionais na condição de segurado empregado, nos termos do art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212, de 1991, em face da comprovação dos requisitos de pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação. Entendo que não assiste razão à recorrente. O conjunto probatório reunido pela fiscalização, examinado em conjunto e não de forma fragmentada, demonstra de forma consistente a presença cumulativa dos quatro requisitos do art. 12, I, “a”, da Lei nº 8.212/91, e evidencia hipótese de simulação, e não de terceirização lícita. Quanto à pessoalidade, a fiscalização identificou, na quase totalidade dos casos examinados, Anexo 01 aos contratos de prestação de serviços contendo nome, CPF e cargo da pessoa física responsável pela execução, elemento que a própria decisão recorrida corretamente qualifica como prova cristalina da pessoalidade, por vincular a contratação a pessoa determinada e não substituível. Reforça essa conclusão a circunstância de que, nos casos em que mais de uma pessoa física figurava vinculada à mesma pessoa jurídica, a própria fiscalização adotou como critério de individualização o rateio conforme os termos do Anexo 01 (item 10.18.30.2 do relatório fiscal), circunstância que, como se verá adiante, é decisiva para o tratamento de alguns casos específicos. Quanto à não eventualidade, corretamente afastou a decisão recorrida a vinculação desse requisito a critério meramente temporal, adotando o entendimento consolidado de que a eventualidade deve ser aferida pela essencialidade do serviço à atividade-fim do tomador. No caso concreto, a fiscalização demonstrou que a fiscalizada mantinha reduzido quadro de empregados formalmente registrados como consultores (quatro, durante praticamente todo o período fiscalizado) para atender a uma carteira de clientes de grande porte, e que os profissionais contratados via pessoa jurídica exerciam, de forma contínua e prorrogável por prazo indeterminado, exatamente a mesma atividade de consultoria em tecnologia da informação que constitui o objeto social da fiscalizada. Quanto à subordinação, o relatório fiscal identificou um conjunto convergente de indícios: contratos padronizados em dois modelos, sem especificação de projeto ou cronograma; exigência de controle de horas mediante espelho de nota fiscal equivalente a folha de ponto; cláusulas de rescisão unilateral e de refazimento de serviço sem ônus adicional; e integração dos profissionais à estrutura permanente de atendimento aos clientes da fiscalizada. Tais elementos, tomados em conjunto, superam a subordinação meramente estrutural ou objetiva, que a jurisprudência do STF, no Tema 725, reconhece como insuficiente, isoladamente, para Fl. 6849DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 84 descaracterizar a terceirização lícita e evidenciam verdadeiro poder de comando direto sobre a execução do trabalho. Quanto à onerosidade, restou comprovada pela remuneração calculada sistematicamente por hora trabalhada, com piso mínimo de 168 horas mensais, em manifesto paralelismo com o critério de jornada mensal padrão de trabalhador subordinado. Não prospera, portanto, a alegação de licitude da terceirização com base no Tema 725 do STF. Referido precedente assegura a licitude da terceirização de atividades, inclusive a atividade-fim, mas não afasta o poder-dever da autoridade fiscal de desconsiderar, à luz da primazia da realidade e dos arts. 116, 118 e 149, VII, do CTN, contratações que, sob a aparência de relação entre pessoas jurídicas, dissimulam verdadeira relação de emprego comprovada por elementos concretos, o que é precisamente a hipótese dos autos, e não a de mera coordenação empresarial entre partes autônomas. No entanto, a adesão à tese geral não dispensa o exame individualizado de cada prestador, especialmente porque a própria metodologia da fiscalização pressupõe identificação nominal e documental de quem efetivamente executou o serviço (item 10.18.30.1 do relatório fiscal). Dos 62 prestadores examinados na tabela a seguir, cinco não apresentam tal individualização com a segurança exigida, por três ordens de razão distintas: (i) ausência de individualização entre dois prestadores vinculados à mesma nota fiscal (itens 54 e 56); (ii) ausência de qualquer elemento de individualização documental, associada a faturamento episódico (itens 42 e 55); e (iii) ausência de individualização documental não obstante a habitualidade do faturamento (item 53). Nº Profissional Pessoa jurídica Fundamento Conclusão 1 Renato Alves Penido IOS Informática Ltda. Anexo 01 nominal ao contrato, remuneração por hora com piso de 168h/mês. Faturamento mensal exclusivo e sequencial de 05/2009 a 12/2010. Mantido 2 Mauro Afonso Viana Júnior MF Informática Ltda. Contrato no padrão “primeiro modelo”, remuneração por hora, piso de 168h/mês, vencimento nº 5º dia útil. Faturamento ininterrupto de 01/2009 a 12/2010. Mantido 3 Fábio Henrique Arruda FHA Consultoria Ltda. Anexo 01 nominal, objeto genérico sem cronograma. Faturamento a partir de 06/2010. Mantido 4 Leonardo Luiz Ribeiro Damas L & D Consultoria Ltda. Sede compartilhada (Rua dos Goitacazes). Remuneração por hora, Mantido Fl. 6850DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 85 Nº Profissional Pessoa jurídica Fundamento Conclusão piso de 168h/mês, cláusula de desconsideração de horas in itinere. Faturamento de 09 a 12/2010. 5 Marcos André Valle Morcatti e Luci Aparecida de Aguiar Morcatti & Aguiar Consultoria Ltda. Sede compartilhada. Contratos distintos com a fiscalizada (02/08/2010) e com a DTS (01/11/2010), mesma estrutura, mesmos dois sócios individualizados por Anexo 01. Faturamento de 09 a 12/2010. Mantido 6 Ana Flávia Néri Pinto Teixeira WA Consultoria Ltda. Declaração de tomador único, ausência de empregados, Anexo 01 nominal. Faturamento de 04 a 12/2010. Mantido 7 Gustavo Galvani Resende GP & P Consultoria Ltda. Sede compartilhada. Anexo 01 nominal. Faturamento ininterrupto de 01/2009 a 12/2010. Mantido 8 José Gamaliel Alves de Souza Mamabervi Consultoria em Gestão de T.I. Ltda. Sede no escritório de contabilidade da fiscalizada. Anexo 01 nominal, remuneração por hora com oscilações mensais incompatíveis com projeto específico. Faturamento de 10/2009 a 12/2010. Mantido 9 Alexandre Canabrava França Boreal Consultoria Ltda. Sede residencial, mãe e filho como sócios. Identificação nominal em proposta técnica a cliente. Faturamento exclusivo de 01/2009 a 12/2010. Mantido 10 Ronan Magalhães Vilela Magalhães & Vilela Informática Ltda. Sede residencial. Declaração de execução exclusiva pelos sócios. Identificação nominal na cláusula de notificações. Faturamento de 03 a 12/2010. Mantido 11 Adolfo Olímpio Nolasco Mendes Adolfo Olímpio Nolasco Mendes Ltda. Declaração de execução exclusiva pelo sócio desde a constituição. Anexo 01 nominal. Faturamento exclusivo de 12/2009 a 12/2010. Mantido 12 Adriana Amorim Martins AAmorim Consultoria e Sede residencial. Anexo 01 nominal com cargo especificado. Mantido Fl. 6851DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 86 Nº Profissional Pessoa jurídica Fundamento Conclusão Treinamento Ltda. Faturamento ininterrupto de 08/2009 a 12/2010. 13 Laios de Assis Oliveira Goal Consultoria e Informática Eireli Remuneração por hora com piso de 168h/mês, condicionada a aprovação de medição. Faturamento ininterrupto de 01/2009 a 12/2010. Mantido 14 Rogério Castro Tristão Info Castro Informática Ltda. Sede residencial dos cônjuges sócios. Contrato com remuneração/hora e piso de 168h/mês. Faturamento de 04/2009 a 07/2010. Mantido 15 Mércia Ione Moreira M I M Sistemas Ltda. Sede em escritório de contabilidade. Anexo 01 com cargo especificado. Faturamento de 09 a 12/2010. Mantido 16 Glaucio Moreira Nunes LG Nunes Informática Ltda. Sem sede compartilhada, sem Anexo 01. Habitualidade superior a 10 competências, considerada suficiente para caracterizar não eventualidade. Mantido 17 Anderson Leal Mendonça A & DM Informática Ltda. Sede residencial. Anexo 01 nominal. Faturamento de 07 a 12/2010. Mantido 18 Maxwell Erick de Souza Moreira M & C Consultoria e Tecnologia Ltda. Sede compartilhada. Totalidade das notas emitidas exclusivamente para empresas do grupo econômico de fato (fiscalizada e DTS). Faturamento em 11 e 12/2010. Mantido 19 Guilherme Araújo Caldeira MG Consultoria Empresarial Ltda. Anexo 01 com cargo de Consultor CO. Linha de faturamento em TI segregada de outra atividade (fonoaudiologia) da mesma PJ. Faturamento de 08 a 12/2010. Mantido 20 Sergio Gomes de Deus Junior Consap Consultoria em Sistemas Gerenciais Ltda. Anexo 01 com remuneração por hora e piso de 168h/mês, condicionado a medição aprovada. Faturamento ininterrupto de 03/2009 a 07/2010. Pessoa jurídica posteriormente declarada inexistente de fato pela Prefeitura de BH. Mantido 21 Aldrin Ferreira da Rocha AFR Consultoria Assessoria e Identificação nominal em relatórios de despesa de viagem e em proposta Mantido Fl. 6852DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 87 Nº Profissional Pessoa jurídica Fundamento Conclusão Treinamento Ltda. técnica a cliente. Faturamento regular de 01/2009 a 09/2010. 22 José Carlos Nepomoceno José Carlos Nepomoceno Comercial Remuneração fixa mensal (não por hora/168h). Pessoa jurídica declarada inexistente de fato pela Prefeitura de BH — fundamento autônomo e suficiente. Faturamento de 01/2009 a 05/2010. Mantido 23 Alexandre Mello Manso Aldebaram Informática Ltda. Sede em escritório de contabilidade. Anexo 01 com remuneração por hora e piso de 168h/mês. Faturamento ininterrupto de 01/2009 a 12/2010. Mantido 24 Paulo César Cerqueira Vaz COPC Consultoria Ltda. Anexo 01, remuneração por taxa- hora, reembolso conforme IN 003/2009 do Grupo LPJ. Faturamento de 06/2010 a 12/2010. Mantido 25 Gustavo André Gonçalves Primar Tecnologia e Desenvolvimento Ltda. Sociedade mãe/filho, sede residencial. Anexo 01 nominal. Faturamento ininterrupto de 06/2009 a 12/2010. Mantido 26 Paulo Ferreira Café Nova Consultoria Ltda. Contrato específico alocando-o nominalmente como Consultor Sênior SAP-SD. Faturamento regular de 02/2009 a 12/2010. Mantido 27 André Silva AFS Assessoria & Consultoria Empresarial Ltda. E-mail da fiscalizada negociando diretamente com a pessoa física o valor/hora — qualificado pela própria fiscalização como simulação. Faturamento de 09/2009 a 02/2010. Mantido 28 Ana Regina Sampaio de Carvalho ARSC Serviços S/C Ltda. Anexo 01 com cargo e remuneração especificados. Subcontrato de terceiro tomador a identifica como empregada da fiscalizada — confissão extrajudicial. Faturamento de 06/2009 a 03/2010. Mantido 29 Rafael Costa de Castro Ferreira Pivitech Serviços de Informática Ltda. Anexo 01 com cargo e remuneração especificados. Mesmo subcontrato de terceiro a identifica como empregado da fiscalizada. Mantido Fl. 6853DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 88 Nº Profissional Pessoa jurídica Fundamento Conclusão Faturamento ininterrupto de 06/2009 a 12/2010. 30 Deisimar de Carvalho Deisimar de Carvalho Consultoria - ME Ex-empregada da fiscalizada até 31/03/2009; a partir de 01/04/2009 passou a faturar via PJ constituída para esse fim, mesmas atividades, mesmo padrão de remuneração. Faturamento de 05 a 10/2009. Mantido 31 Gustavo Rocha Rocha e Torrezani Consultoria Ltda. ME Anexo 01 com cargo de Consultor ABAP e remuneração/hora. Faturamento ininterrupto de 09/2009 a 12/2010. Mantido 32 Jeanderson Geraldo Mendonça de Oliveira T & M Tecnologia Ltda. / Solution Consulting Informática Ltda. Anexo 01 com cargo de Consultor MM/WM e piso de 168h/mês. Faturamento de 10 a 12/2010. Mantido 33 Adriani Romária dos Santos Oliveira T & M Tecnologia Ltda. / Solution Consulting Informática Ltda. Anexo 01 com cargo de Consultor MM e piso de 168h/mês. Faturamento de 10 a 12/2010. Mantido 34 Tiago Henrique de Oliveira Batista T & M Tecnologia Ltda. Anexo 01 com cargo de Consultor ABAP, piso de 168h/mês, valor fixo mensal. Faturamento ininterrupto de 09 a 12/2010. Mantido 35 Walter Albergaria Júnior WR Sistemas e Consultoria Ltda. Anexo 01 com cargo de Consultor BW e remuneração/hora. Faturamento ininterrupto de 07 a 12/2010. Mantido 36 Marco Aurélio Barreto Modesto MABM Consultoria e Sistemas Ltda. Anexo 01 com cargo de Consultor BW e remuneração/hora. Faturamento ininterrupto de 04 a 12/2010. Mantido 37 João Gabriel Costa Rocha Info Maker Ltda. Anexo 01 com cargo de Consultor ABAP, notas fiscais discriminando horas e valor unitário. Faturamento ininterrupto de 02/2009 a 12/2010. Mantido 38 Mariana Paixão Alvim MPA Consultoria e Informática Ltda. Anexo 01 com cargo de Consultor FI e piso de 168h/mês. Faturamento ininterrupto de 07 a 12/2010. Mantido Fl. 6854DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 89 Nº Profissional Pessoa jurídica Fundamento Conclusão 39 Fabrício Alves Vieira FAV Consultoria Ltda. Anexo 01 com cargo de Consultor ABAP e piso de 168h/mês. Pessoa jurídica declarada inexistente de fato pela Prefeitura de BH. Faturamento de 04 a 09/2009. Mantido 40 Fabiane Lopes de Melo Lopes & Filho Consultoria em Informática Ltda. Anexo 01 com cargo de Consultor FI e piso de 168h/mês. Faturamento ininterrupto de 04 a 12/2010. Mantido 41 Klaiton Lopes de Lima Klima Consultoria em Informática Ltda. Anexo 01 com cargo de Consultor MM, piso de 168h/mês. Pessoa jurídica declarada inexistente de fato pela Prefeitura de BH. Faturamento de 06 a 12/2010. Mantido 42 Douglas Luiz Assis Diniz D & D Consultoria em Informática Ltda. Sem Anexo 01 e sem sede própria identificada; relatório de despesa de viagem assinado pessoalmente não supre, isoladamente, a ausência de individualização contratual. Faturamento restrito a três competências (09 a 11/2009), abaixo do patamar de habitualidade adotado nos demais itens como suficiente para suprir a ausência de Anexo 01. Excluído 43 Wagner Sabino dos Santos W2V Informática Ltda. ME Sem sede compartilhada, sem Anexo 01. Habitualidade de cinco competências (06 a 10/2010), considerada suficiente para caracterizar não eventualidade. Mantido 44 Marcelo Prado Pereira Infor Marc Ltda. Sem sede compartilhada, sem Anexo 01. Faturamento mensal ininterrupto de 08 a 12/2010 (cinco competências), valor fixo. Mantido 45 Julio Cesar Terra Babeto JCT Babeto Consultoria Sede compartilhada (Rua dos Goitacazes). Faturamento mensal ininterrupto de 09 a 12/2010, valor fixo. Mantido 46 Albert Marques Brandão Santos Adema Informática Ltda. ME Sem sede compartilhada, sem Anexo 01. Faturamento mensal ininterrupto de 08 a 12/2010 (cinco Mantido Fl. 6855DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 90 Nº Profissional Pessoa jurídica Fundamento Conclusão competências), valor fixo. 47 Washington da Silva Ferreira Rochha Consultoria Ltda. Sem sede compartilhada, sem Anexo 01. Faturamento mensal ininterrupto de 07/2009 a 05/2010 (onze competências consecutivas). Mantido 48 Paula Ribeiro Ferreira Paula Ribeiro Ferreira (firma individual) Sem sede compartilhada, sem Anexo 01. Faturamento mensal ininterrupto de 05 a 10/2010 (seis competências). Mantido 49 Eduardo Batista Leite EB Leite Consultoria - ME Sede compartilhada (Rua dos Goitacazes). Faturamento mensal ininterrupto de 09 a 12/2010. Mantido 50 Rodolfo Amaral Gonçalves R & W Sistemas e Consultoria Ltda. Sede compartilhada. Faturamento mensal de 09 a 11/2010. Mantido 51 Pedro Alexandre Bergo Gonçalves Pinto Pedro A. B. Gonçalves Pinto Informática Sede compartilhada. Faturamento mensal ininterrupto de 08 a 11/2010, valor fixo. Mantido 52 Gustavo Oliveira Andrade Faria Andrade Consultoria Ltda. Sem Anexo 01 nem relatório de viagem individualizado; habitualidade evidenciada por faturamento mensal praticamente ininterrupto de 01/2009 a pelo menos 07/2010, valores regulares. Mantido 53 Gustavo Oliveira Cruz Gustavo e Luciana Consultoria em Sistemas Ltda. Sem Anexo 01, relatório de viagem ou qualquer documento de individualização; o nome não consta de nenhuma das tabelas de individualização do próprio relatório fiscal (itens 10.18.26.1 e 10.18.26.2), apenas da relação consolidada por CNAE. A habitualidade (sete competências, 03 a 09/2010) está configurada, mas não supre a ausência de prova documental de pessoalidade, que é a razão de decidir. Excluído 54 Fernanda Lamas Vieira Pinto e Maria das Merces Lamas Astron Sistemas de Informação Ltda. ME Nota fiscal emitida em nome conjunto de duas pessoas físicas (competências 06 e 07/2009), sem Anexo 01, relatório de viagem ou Excluído Fl. 6856DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 91 Nº Profissional Pessoa jurídica Fundamento Conclusão Vieira Pinto qualquer elemento que individualize qual delas executou o serviço. 55 Paulo Sérgio Lima Moreira M.B.T. Consultoria em Informática Ltda. - ME Competência isolada (08/2009), sem Anexo 01 e sem relatório de viagem que a substitua. Excluído 56 Marta Aparecida Moreira Ribeiro e José Pinto Mace Serviços Ltda. Nota fiscal emitida em nome conjunto de duas pessoas físicas (competência isolada, 11/2010), sem individualização de qual delas prestou o serviço. Excluído 57 Fernando Lucio Cruz de Souza FT Consultoria Ltda. Sem seção narrativa individualizada, sem Anexo 01, sem sede compartilhada identificada. Faturamento em todos os 24 meses do período fiscalizado, sem lacuna, estabilizado em R$ 8.400,00/mês a partir de 09/2009 — padrão de uniformidade e continuidade mais forte de toda a autuação. Mantido 58 Luigi Moreira Laporte Luigi Moreira Laporte Consultoria - ME Faturamento de 04 a 07/2010; o prestador passou à condição de sócio-administrador da própria fiscalizada em 19/08/2010, um mês após cessar o faturamento como PJ — padrão de incorporação ao quadro societário identificado no item 10.8 do relatório fiscal. Mantido 59 Sanzio Silveira Sanzio Silveira - ME Empregado registrado da fiscalizada (02/08/2010 a 14/07/2011), recebendo, no mesmo período e pelas mesmas funções, valores adicionais via PJ própria — complemento salarial (item 11 do relatório fiscal). Mantido 60 Chigueo Edno Tsuruga Chigueo Edno Tsuruga - ME Idem — complemento salarial (item 11 do relatório fiscal). Mantido 61 José Expedito Ramos de Souza JKS Tecnologia Ltda. Idem — complemento salarial (item 11 do relatório fiscal). Mantido Fl. 6857DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 92 Nº Profissional Pessoa jurídica Fundamento Conclusão 62 Marlon Campos de Oliveira Inês M&F Consulting e Desenvolvimento de Sistemas Ltda. Idem — complemento salarial (item 11 do relatório fiscal). Mantido Nos demais casos relacionados no relatório fiscal, todos com Anexo 01 identificando nominalmente o profissional responsável, ou, na sua ausência, com habitualidade de faturamento igual ou superior a cinco competências consecutivas, a prova de pessoalidade está suficientemente configurada, mantendo-se a exigência. Por fim, quanto à contratação dos empregados Sanzio Silveira, Chigueo Edno Tsuruga, José Expedito Ramos de Souza e Marlon Campos de Oliveira Inês simultaneamente sob o regime celetista e por meio de pessoa jurídica da qual eram sócios (item 11 do relatório fiscal), a exigência tem fundamento autônomo e não comporta a discussão travada quanto à pejotização em geral: trata-se de complemento salarial não incluído em folha de pagamento, apurado a partir de documentação que comprova, sem margem para dúvida razoável, a identidade entre a função exercida como empregado registrado e a atividade faturada pela pessoa jurídica. Mantenho a exigência quanto a esses quatro segurados. Ante o exposto, entendo que se dar provimento parcial ao recurso quanto a este ponto, para excluir do lançamento os valores correspondentes aos prestadores identificados nos itens 42, 53, 54, 55 e 56 da tabela acima, por insuficiência de prova quanto à pessoalidade, mantendo-se a exigência quanto aos demais consultores identificados no relatório fiscal e quanto ao complemento salarial apurado em relação aos quatro empregados-sócios tratados no item 11 do relatório fiscal (Sanzio Silveira, Chigueo Edno Tsuruga, José Expedito Ramos de Souza e Marlon Campos de Oliveira Inês). 3.2 – Dedução das contribuições sociais e dos tributos recolhidos pelas pessoas jurídicas que prestaram serviços à recorrente A recorrente sustenta a necessidade de dedução, do crédito tributário lançado, dos valores já recolhidos a título de contribuições sociais pelas pessoas jurídicas prestadoras de serviços cuja personalidade foi desconsiderada pela fiscalização. Argumenta que, uma vez imputada à recorrente a responsabilidade pelos fatos geradores, deve-se, por coerência, considerar os recolhimentos anteriormente efetuados por tais empresas, sob pena de apuração incorreta do montante devido. Aduz que a ausência dessa dedução configura violação ao artigo 142 do Código Tributário Nacional, por comprometer a correta determinação do crédito tributário, além de ensejar cobrança em duplicidade, em afronta ao princípio do non bis in idem. Nesse contexto, sustenta que a exigência, tal como constituída, implicaria enriquecimento indevido por parte do Estado. Fl. 6858DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 93 Ressalta, ainda, que a jurisprudência administrativa admite a compensação ou dedução de valores já recolhidos em situações análogas, especialmente quando há desconsideração de operações ou requalificação das relações jurídicas. Diante disso, requer que, caso mantido o lançamento, sejam abatidos os valores já pagos pelas empresas envolvidas, de modo a recompor a verdade material e assegurar a correta apuração do crédito tributário. Não merece prosperar a insurgência da recorrente quanto à suposta ausência de dedução dos valores já recolhidos, uma vez que tal providência foi expressamente reconhecida e adotada pela decisão recorrida. Conforme se verifica do acórdão, o órgão julgador admitiu a necessidade de consideração dos recolhimentos já efetuados, determinando, inclusive, o recálculo das contribuições devidas, com a exclusão dos valores pagos a título de contribuição dos segurados: No que tange aos valores de descontos dos segurados cobrados, tem-se que o valor da contribuição devida pelos segurados empregados e pelos contribuintes individuais devem ser o resultado da aplicação do percentual até o limite máximo do salário-de contribuição, definido pelo art. 28, inciso III e § 5º da Lei nº 8.212/91, no caso do contribuinte individual, e art. 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social - Decreto n º 3.048, de 6/05/1999, no caso do segurado empregado: Lei 8212/91: Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: (...) III - para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5º; (Redação alterada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) Regulamento da Previdência Social - Decreto n º 3.048, de 6/05/1999. (...) Art. 214. Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado e o trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Fl. 6859DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 94 Portanto, nesse aspecto, assiste razão ao sujeito passivo, pois, no presente caso, deve-se considerar o limite máximo de salário de contribuição para fins do cálculo de desconto do segurado, bem como os recolhimentos já realizados a esse título. Nesse sentido, restou consignado que, diante da vinculação ao Regime Geral de Previdência Social, os valores já recolhidos deveriam ser abatidos do montante apurado, observando-se, inclusive, o limite máximo do salário de contribuição, com apuração individualizada por segurado e por competência. Tal providência demonstra que o aspecto quantitativo do lançamento foi devidamente ajustado, afastando qualquer alegação de duplicidade ou violação ao princípio do non bis in idem. Assim, não subsiste a alegação de vício no lançamento sob esse fundamento, uma vez que a matéria já foi enfrentada e corrigida na instância de origem, inexistindo prejuízo à recorrente ou irregularidade na apuração do crédito tributário remanescente. 3.3 – Não incidência de contribuições sociais sobre verbas de natureza indenizatória A recorrente sustenta a não incidência de contribuições sociais sobre determinadas verbas consideradas pela fiscalização como integrantes da base de cálculo, notadamente terço constitucional de férias, 13º salário e diferenças salariais. Argumenta que tais parcelas não possuem natureza remuneratória, mas sim caráter indenizatório ou eventual, razão pela qual não se enquadrariam no conceito de remuneração previsto na Constituição Federal e na legislação previdenciária. Defende que a incidência das contribuições sociais está restrita às verbas pagas em retribuição ao trabalho, de forma habitual, não alcançando valores que não representem contraprestação direta pelos serviços prestados. Nesse contexto, sustenta que a ampliação da base de cálculo promovida pela fiscalização viola os limites legais e constitucionais da tributação, ao incluir parcelas que não integram o salário-de-contribuição. Aduz, ainda, que a jurisprudência dos tribunais superiores reconhece a natureza indenizatória de determinadas verbas, como o terço constitucional de férias, afastando a incidência de contribuições previdenciárias. Ressalta também que ganhos eventuais e abonos desvinculados do salário não se sujeitam à tributação, conforme previsão expressa na legislação. Diante disso, conclui que não houve a ocorrência do fato gerador das contribuições em relação às verbas questionadas, razão pela qual requer sua exclusão da base de cálculo do crédito tributário lançado. Com relação a matéria em análise a decisão de piso houve por bem manter os lançamentos, conforme trecho a seguir: A incidência de contribuição previdenciária sobre o adicional de um terço de férias e a gratificação natalina está expressamente prevista nos §§4º, e 6º, respectivamente, do art. 214 do RPS: Fl. 6860DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 95 § 4º A remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal integra o salário-de-contribuição. (...) § 6º A gratificação natalina - décimo terceiro salário - integra o salário-de contribuição, exceto para o cálculo do salário-de-benefício, sendo devida a contribuição quando do pagamento ou crédito da última parcela ou na rescisão do contrato de trabalho. [grifos nossos] O art. 28, § 9º, da Lei n.º 8.212/91, elenca, exaustivamente, as hipóteses de exclusão de incidência, autorizando apenas, em sua alínea “d”, a não cobrança da referida contribuição, na hipótese de se referir às férias indenizadas, o que não é o caso em apreço. O citado adicional segue a natureza do principal ao qual se refere, ou seja, as férias, que não sendo indenizadas, representam remuneração, auferida pelo trabalhador e, por consequência, passível de incidência para a Seguridade Social. Quanto às verbas referentes às diferenças contratuais, igualmente não encontram amparo no rol de não incidências do art. 28, §9, da Lei 8.212/91, integrando, para todos os efeitos, o salário-de-contribuição. Por fim, registre-se que não foram identificadas nos autos verbas de natureza indenizatória nem ganhos eventuais desvinculados do salário, como sustenta a defesa. Assim, as alegações no tocante a essa matéria não devem prosperar. Consta do Relatório Fiscal, no item 12 o lançamento relativo às mencionadas verbas indenizatórias: 12. RUBRICAS DA FOLHA DE PAGAMENTO NÃO CONSIDERADAS PELA FISCALIZADA COMO BASE DE CÁLCULO, NÃO DECLARADAS EM GFIP E PAGAS A SEGURADOS EMPREGADOS – AI DEBCAD 51.056.069-5 (Contribuição da empresa) e AI DEBCAD 51.056.070-9 (Contribuição do segurado) LEVANTAMENTO FB e BF – ANEXO III – RUBRICAS 0027 – 1/3 DE FÉRIAS, 0030 – 13º SALÁRIO E DIFERENÇA DE SALÁRIO CONTRATUAL – COMPETÊNCIAS 01/2009 A 03/2009 12.1. A definição de salário de contribuição constante do artigo 28 da Lei 8212, de 1991 foi estabelecida de forma a abranger os ganhos percebidos pelo segurado, em função do contrato de trabalho e no § 9º do citado artigo encontram-se enumerados, de forma taxativa, todos os pagamentos que não integram o salário de contribuição. A remuneratória, a saber: 12.1.1. A fiscalização examinou as folhas de pagamento apresentadas em meio digital – formato MANAD e constatou que sobre as parcelas pagas a título de 1/3 de férias – código 0027, 13º Salário – código 0030 e diferença de Salário Contratual a fiscalizada não fez incidir a contribuição previdenciária devida. O décimo terceiro salário é parcela integrante do salário de contribuição nos termos do § 7º do artigo 28 e a diferença de salário contratual é parcela integrante do Fl. 6861DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 96 salário de contribuição nos termos do artigo 28, inciso I ambos da Lei 8212, de 1991. O 1/3 de férias é parcela integrante do salário de contribuição nos termos do § 4º, do artigo 214 do Decreto 3048, de 06 de maio de 1999. Por se tratar o 1/3 de férias, o 13º Salário e a diferença de salário contratual de parcelas integrantes do salário de contribuição está sendo exigido o crédito tributário correspondente no processo fiscal digital COMPROT 15504-725.168/2014-31 – Auto de Infração DEBCAD 51.056.069-5 (Contribuição da empresa) e Auto de Infração DEBCAD 51.056.070-9 (Contribuição do segurado) – Levantamento FB e BF – Anexo III. A incidência das contribuições previdenciárias sobre o 13º salário e diferenças salariais decorre da previsão contida no art. 28 da Lei nº 8.212/1991, o qual determina que todos os rendimentos auferidos pelos segurados fazem parte do salário de contribuição, e seu §7º faz expressa previsão de que “o décimo-terceiro salário (gratificação natalina) integra o salário-de- contribuição”. Por sua vez, o § 9º do mesmo dispositivo apresenta rol taxativo das verbas que não integram o salário de contribuição. Veja-se: Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) § 7º O décimo-terceiro salário (gratificação natalina) integra o salário-de contribuição, exceto para o cálculo de benefício, na forma estabelecida em regulamento. (...) § 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) Como é possível observar da norma, acima transcrita, assim como pela conclusão da decisão de piso, tanto o 13º salário como as diferenças salariais estão expressamente incluídos na base de cálculo das contribuições previdenciárias por força do art. 28, da Lei nº 8.212/1991. Neste ponto, portanto, deve ser mantido o acórdão recorrido. Quanto ao terço constitucional, a matéria foi definitivamente pacificada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 1.072.485, com repercussão geral reconhecida (Tema 985). Naquela assentada, realizada em 11 de setembro de Fl. 6862DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 97 2020, o Plenário da Suprema Corte decidiu, por maioria de votos, que incide contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, por se tratar de verba de natureza remuneratória. Ocorre que, no mesmo julgamento, o Supremo Tribunal Federal modulou os efeitos de sua decisão, estabelecendo que a contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias somente será cobrada a partir de 15 de setembro de 2020, data da publicação da ata de julgamento do mérito do recurso extraordinário. Ficou expressamente consignado que as contribuições já pagas e não questionadas até aquela data não serão devolvidas pela União, mas que as contribuições não recolhidas e tempestivamente questionadas não serão exigidas. No caso concreto, os fatos geradores objeto da autuação fiscal ocorreram nos exercícios de 2009 e 2010, portanto muito anterior à data estabelecida como marco temporal pela modulação de efeitos promovida pelo Supremo Tribunal Federal. Impõe-se, assim, afastar a exigência de contribuições previdenciárias sobre o adicional de um terço de férias, em obediência à modulação dos efeitos da decisão proferida no Tema 985 da repercussão geral. 3.4 – Da majoração da alíquota do RAT A recorrente questiona a majoração da alíquota do RAT decorrente do reenquadramento da atividade de consultoria em tecnologia da informação de grau de risco leve (1%) para médio (2%), promovido pelo Decreto nº 6.957/2009. Argumenta que, embora a legislação autorize o Poder Executivo a promover alterações no enquadramento das atividades, tal medida deve observar requisitos legais específicos, especialmente a existência de dados estatísticos obtidos mediante inspeção que justifiquem a elevação do risco, bem como a finalidade de estimular investimentos em prevenção de acidentes de trabalho. Aduz que, no caso concreto, não houve demonstração de aumento nos índices de acidentes que justificasse a alteração do grau de risco da atividade, destacando que dados oficiais indicariam, inclusive, redução na quantidade de ocorrências no setor. Nesse contexto, entende que o reenquadramento não se apoia em fundamentos técnicos suficientes, tendo sido promovido sem a devida correspondência com a realidade fática. Sustenta, ainda, que a alteração desconsiderou as especificidades da atividade econômica exercida, ao equipará-la a outras com níveis de risco significativamente superior, o que comprometeria a adequada aplicação dos critérios de diferenciação previstos no ordenamento jurídico. Por fim, defende a aplicação da alíquota de 1%, correspondente ao grau de risco leve, para fins de apuração da contribuição ao RAT. As alegações da recorrente quanto à ausência de demonstração estatística apta a justificar a majoração da alíquota do RAT não merecem acolhimento. Fl. 6863DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 98 O Fator Acidentário de Prevenção (FAP) possui fundamento legal expresso no art. 10 da Lei nº 10.666/2003, que autoriza a redução ou majoração da alíquota da contribuição ao RAT conforme o desempenho da empresa em sua respectiva atividade econômica. Trata-se, portanto, de mecanismo legalmente instituído, voltado justamente à individualização da carga contributiva dentro de cada setor econômico, em consonância com a política de prevenção de acidentes do trabalho. O desempenho das empresas é apurado com base em critérios técnicos objetivos — índices de frequência, gravidade e custo dos benefícios acidentários — conforme metodologia aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), órgão dotado de competência normativa e técnica específica sobre a matéria. A metodologia está formalmente disciplinada nas Resoluções MPS/CNPS nº 1.308/2009 e nº 1.309/2009, o que afasta qualquer alegação de arbitrariedade ou ausência de critérios. A atribuição, o cálculo e a divulgação anual do FAP são de competência do Ministério da Previdência Social, sendo o índice publicado oficialmente e disponibilizado às empresas com todos os elementos necessários à verificação do respectivo desempenho dentro da subclasse do CNAE, conforme determina o § 5º do art. 202-A do Decreto nº 3.048/1999. Caso o contribuinte discorde dos dados utilizados, a própria sistemática prevê meio específico de contestação administrativa perante o órgão competente. Importante destacar que a Lei nº 8.212/1991 não impõe a obrigatoriedade de que cada ato normativo que altere ou operacionalize a incidência das alíquotas do RAT venha acompanhado, no mesmo instrumento, da integralidade das bases estatísticas que lhe dão suporte. O que a legislação exige é que os dados estatísticos existam e sejam apurados com base técnica, bem como que sejam disponibilizados ao público, o que ocorre por meio da publicação dos Anuários Estatísticos da Previdência Social e das informações disponibilizadas nos sítios oficiais da Secretaria de Previdência. As estatísticas relativas a acidentes de trabalho, frequência, gravidade e custo são amplamente divulgadas em meios oficiais de acesso público, possibilitando transparência e controle social. Não se verifica, portanto, qualquer violação aos princípios da legalidade, da publicidade ou da motivação, tampouco abuso do poder regulamentar. Conclui-se, assim, que o reenquadramento e a aplicação do FAP observaram o arcabouço legal vigente, a metodologia aprovada pelo órgão técnico competente e os mecanismos formais de divulgação e impugnação previstos na legislação, não havendo fundamento para acolher a alegação de nulidade ou ilegalidade da exigência. 3.5 – Inexistência de Solidariedade Tributária de Grupo Econômico As responsáveis solidárias sustentam, em síntese, sua ilegitimidade passiva, ao argumento de que não se configuram os requisitos legais para a responsabilização solidária. Defendem que, embora as empresas envolvidas possuam objetos sociais semelhantes, atuam de forma independente, com atividades distintas e autonomia operacional, inexistindo atuação Fl. 6864DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 99 conjunta na realização do fato gerador. Destacam, ainda, que a simples participação em grupo econômico não é suficiente para caracterizar solidariedade tributária, sendo indispensável a demonstração de interesse comum na situação que deu origem à obrigação, nos termos do artigo 124 do CTN, o que não teria sido comprovado no caso concreto. No mesmo sentido, apresenta argumento de que sequer participou da maior parte do período fiscalizado, uma vez que sua constituição ocorreu apenas em agosto de 2010, com início das atividades em outubro do mesmo ano, ao passo que o período de apuração abrange intervalo anterior. Assim, sustenta a impossibilidade lógica de ter atuado conjuntamente na formação do fato gerador em período em que sequer existia, requerendo, subsidiariamente, a limitação temporal de eventual responsabilidade aos meses em que efetivamente esteve em operação. Ainda em caráter subsidiário, invoca o princípio da eventualidade para sustentar que, caso mantida qualquer responsabilização, esta deve recair exclusivamente sobre o administrador de fato à época dos eventos, nos termos do artigo 135 do CTN. Argumenta que a empresa passou por alterações societárias e de gestão, tendo ocorrido cessão de quotas e mudança de administração, com reorganização interna e regularização fiscal, de modo que eventuais irregularidades pretéritas não poderiam ser imputadas à atual estrutura empresarial. Por fim, sustenta que não houve participação da recorrente em qualquer conduta ilícita apta a ensejar responsabilidade tributária, inexistindo comprovação de fraude, dolo ou atuação conjunta na prática do fato gerador. Diante disso, requer sua exclusão do polo passivo da autuação ou, subsidiariamente, a limitação de sua responsabilidade, bem como a imputação pessoal ao gestor responsável pelos atos eventualmente irregulares. A norma tributária aplicada à responsabilização solidária nos presentes autos foi o art. 30, inc. IX, da Lei n.° 8.212, de 1991 e no art. 222, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Conforme o art. 146 da Constituição da República, cabe à lei complementar regular as limitações constitucionais ao poder de tributar, especialmente quanto à competência tributária, às limitações do poder de tributar, à sujeição passiva, à obrigação, ao lançamento, à prescrição e à decadência. Neste sentido, o art. 124, II, do CTN prevê o seguinte: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II - as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. A leitura dos incisos acima reproduzidos, demonstra que há previsão para que a lei ordinária preveja expressamente os casos de responsabilização solidária pelo crédito tributário. Fl. 6865DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 100 Portanto, conforme o artigo 124 do CTN, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, assim como, as expressamente designadas por lei. Nesse sentido, temos o comando do inc. IX do artigo 30 da Lei 8.212, de 1991, determinando que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da referida Lei, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e institui Plano de Custeio. Lei nº 8.212 de 24 de julho de 1991 (...) Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) (...) IX - as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...) Da exegese dos referidos comandos normativos, temos que, para que haja a subsunção da imputação à norma, com esteio nos dispositivos acima reproduzidos, basta que seja evidenciada a existência de grupo econômico, seja ele de fato ou de direito. Com relação a existência do grupo econômico entendo que restou claramente demonstrado pela fiscalização e confirmado pela decisão de piso, conforme os trechos a seguir transcritos: No tópico IX do Relatório Fiscal (fl. 297), a auditoria-fiscal caracterizou a ocorrência de formação de grupo econômico e sujeição passiva, pelas seguintes situações, dentre outras: (...) 25. A fiscalização extraiu o balancete contábil correspondente ao período de 01 01/2010 a 31/12/2010 do arquivo digital - formato MANAD - entregue pela fiscalizada a RFB em resposta ao Termo de Inicio do Procedimento Fiscal - TIPF e constatou a existência de concessão de empréstimos da fiscalizada para as empresas do grupo e recebimento pela fiscalizada de empréstimos feitos por empresas do grupo econômico de fato conforme pode ser verificado no Razão das contas contábeis 1.2.3- Créditos de longo prazo, 1.2.3.03 - Empréstimos a empresas ligadas, 1.2.3.03.001 - Korun Conhecimento e Tecnologia Ltda, 1.2.3.03.002 - DTS Consultoria e Treinamento Ltda, 1.23.03.003 - PSL Multii Consultoria em Informática Ltda e 2.3.1 - Débitos de longo prazo, 2.3.1.05 Empréstimos com empresas ligadas, 2.3.1.05.001 - Korun Conhecimento e Tecnologia Ltda, 2.3.1.05.002 - DTS Consultoria e Treinamento Ltda e 2.3.1.05.003 - PSL Multii Consultoria em Informática Ltda (Anexo (i)-A10), demonstrando a Fl. 6866DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 101 estreita ligação econômica, financeira, administrativa e patrimonial entre as empresas que formam o grupo econômico de fato e evidenciando uma confusão patrimonial entre as empresas envolvidas. Assim, no presente caso, restam evidenciadas, basicamente, as seguintes características/manifestações imanentes ao grupo econômico, que convergem para um interesse comum: 1. Objetos sociais comuns, inclusive, com redações bem semelhantes. 2. Sede das empresas em um mesmo endereço ou em cidades onde a autuada mantém clientes; 3. Sócios/sócios administradores comuns a todas as empresas; 4. Empresas sob a mesma direção, controle e administração; 5. Repartição de fatores produtivos – mão-de-obra – entre as empresas; 6. Normas e procedimentos de uso interno comuns; 7. Veiculação de matéria publicitária organizacional e comercial para divulgação do grupo. Ademais, conforme apurado pela Fiscalização e transcrito acima, a própria empresa LPJ, ao conceder empréstimos às outras empresas do grupo, e receber por eles, reconheceu o vínculo entre elas ao registrar no Razão as seguintes contas contábeis: 1.2.3 Créditos de longo prazo, 1.2.3.03 - Empréstimos a empresas ligadas, 1.2.3.03.001 - Korun Conhecimento e Tecnologia Ltda, 1.2.3.03.002 - DTS Consultoria e Treinamento Ltda, 1.23.03.003 - PSL Multii Consultoria em Informática Ltda e 2.3.1 - Débitos de longo prazo, 2.3.1.05 - Empréstimos com empresas ligadas, 2.3.1.05.001 - Korun Conhecimento e Tecnologia Ltda, 2.3.1.05.002 - DTS Consultoria e Treinamento Ltda e 2.3.1.05.003 - PSL Multii Consultoria em Informática Ltda. As práticas relatadas no relatório fiscal retratam uma atuação orquestrada com vistas a um objetivo comum e as alegações da defesa cingem-se a negar os efeitos com base na liberdade empresarial e negocial, que, conforme ressalvado em tópico anterior, tem limites de fundo material que extrapolam o formalismo contratual. Constata-se, assim, que os fatos descritos no relatório fiscal evidenciam uma situação fática completamente divergente da situação jurídica. Nas relações trabalhistas/previdenciárias deve prevalecer a situação fática, sendo aplicável, ao caso, o princípio da primazia da realidade sobre a forma. Por esse princípio, a realidade fática prevalece sobre qualquer instrumento formal, pois as circunstâncias e o cotidiano na relação trabalhista/previdenciária podem ser diversas daquilo que restou documentado. A essência do ato jurídico nesses casos é o fato e não a forma. Fl. 6867DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 102 Dessa forma, importante mencionar que tal tema não é estranho a este Conselho, que tem jurisprudência consolidada no sentido de aplicação direta da solidariedade com base no inc. IX, do art. 30 da Lei nº 8.212/1991, sem necessidade de comprovação de interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, considerando a expressa previsão legal, que ampara a solidariedade descrita no lançamento, sendo, inclusive, aprovado o verbete sumular nº 210, que apresenta o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 210 Aprovada pela 2ª Turma da CSRF em sessão de 26/09/2024 – vigência em 04/10/2024 As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária, nos termos do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/1991, c/c o art. 124, inciso II, do CTN, sem necessidade de o fisco demonstrar o interesse comum a que alude o art. 124, inciso I, do CTN. Nesse mesmo sentido os seguintes julgados da 2ª Câmara Superior de Recursos Fiscais: Acórdão 9202-011.139 Relator: Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti - ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS (...) GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA LEGAL. Verificada a existência de grupo econômico legalmente constituído, o conjunto de empresas que o integram responde solidariamente pelo cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária, com base no art. 30, IX, da Lei n. 8.212, de 1991, não havendo necessidade de demonstração de interesse comum na realização do fato gerador. (...) Acórdão 9202-011.423 Relator: Conselheiro Mário Hermes Soares Campos- ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS (...) GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DEFINIDA POR LEI ESPECIAL. As empresas que integram grupo econômico, de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previstas na legislação previdenciária, a teor do disposto no inc. IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, c/c art. 124, inc. II, do CTN, sem necessidade de comprovação de interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária. Fl. 6868DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 103 (...) Verifica-se assim, que a responsabilização solidária foi efetuada com total observância ao disposto na legislação tributária, devendo ser mantidas no polo passivo da obrigação tributária, como coobrigadas, as pessoas jurídicas arroladas pela fiscalização. 3.5 – Da alegada presunção em matéria tributária A responsável solidária (Azalim & Silvestrini Assessoria e Consultoria de Sistemas) discorre sobre a utilização de presunções e prova indiciária no âmbito do direito tributário, reconhecendo sua admissibilidade, mas ressaltando que seu uso deve observar critérios rigorosos. Argumenta que a comprovação do fato jurídico tributário por meio de indícios exige a existência de elementos múltiplos, coerentes, graves e convergentes, capazes de, em conjunto, conduzir a uma conclusão lógica e segura acerca da ocorrência do fato gerador. Destaca que a prova indiciária constitui modalidade indireta de demonstração, baseada na inferência a partir de fatos secundários, não sendo suficiente a utilização de indícios isolados ou frágeis. Nesse contexto, sustenta que o ônus da prova incumbe à autoridade fiscal, que deve demonstrar de forma consistente a correlação lógica entre os indícios levantados e a conclusão adotada no lançamento. Aduz, ainda, que, na ausência de presunção legal específica, não basta a mera suposição ou construção abstrata, sendo imprescindível a existência de encadeamento probatório robusto. Assim, afirma que, no caso concreto, os elementos utilizados pela fiscalização não apresentam a necessária convergência lógica, revelando-se insuficientes para sustentar a autuação. Diante disso, conclui que a fragilidade dos indícios compromete a validade do lançamento, razão pela qual requer o cancelamento do auto de infração por ausência de comprovação adequada do fato jurídico tributário. A argumentação da recorrente não se sustenta no caso concreto. Embora seja correto afirmar, em tese, que a prova indiciária deve se apoiar em elementos convergentes, o lançamento não se baseou em indícios isolados ou frágeis, mas em um conjunto robusto e coerente de evidências, analisadas de forma global pela fiscalização e devidamente registradas no Relatório Fiscal. No presente caso, a autoridade fiscal demonstrou, de maneira articulada, diversos elementos que, em conjunto, revelam a realidade subjacente às operações, tais como: a reiterada contratação de pessoas jurídicas constituídas por profissionais diretamente vinculados à recorrente. Tais circunstâncias, longe de constituírem indícios isolados, formam um encadeamento lógico e convergente, suficiente para caracterizar o fato jurídico tributário. Ademais, não se está diante de mera presunção abstrata, mas de reconstrução da realidade fática a partir de elementos concretos constantes dos autos, inclusive documentos, contratos, notas fiscais e informações extraídas de bases oficiais. A prova indiciária, nesses termos, Fl. 6869DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 104 é plenamente admitida na esfera administrativa e, quando formada por um conjunto harmônico de evidências, possui aptidão para fundamentar validamente o lançamento. Por fim, cumpre destacar que a recorrente não logrou desconstituir os elementos levantados pela fiscalização, limitando-se a impugnações genéricas quanto à suficiência dos indícios. Ausente prova capaz de infirmar o conjunto probatório produzido, deve ser reconhecida a validade da autuação, uma vez que o ônus argumentativo e probatório não foi adequadamente superado pela defesa. 3.6 – Do alegado princípio da eventualidade A recorrente DTS Consultoria e Treinamento Ltda sustenta que eventual responsabilização solidária deve ser limitada no tempo, tendo em vista que sua constituição ocorreu em 17/08/2010 e o início efetivo de suas atividades deu-se em outubro do mesmo ano, enquanto o período fiscalizado abrange o intervalo de 01/01/2009 a 31/12/2010. Argumenta que, por não existir durante a maior parte do período de apuração, não poderia ter participado da formação do fato gerador. Em caráter subsidiário, sustenta que, mesmo mantida a responsabilização, esta não poderia alcançar a atual estrutura da empresa, em razão de alterações societárias e de gestão posteriores, invocando o art. 135 do CTN, e afirma que, desde 2011, já não integrava o grupo econômico apontado pela fiscalização. A decisão recorrida rejeitou a integralidade dessas alegações sob o fundamento de que a delimitação temporal da solidariedade e a responsabilização de sócios ou administradores não comportam análise exauriente na esfera administrativa, remetendo a matéria à via dos embargos à execução, com apoio no REsp 622.880-RS e nos Acórdãos 205-00.065 e 205-00.444 do então Conselho de Contribuintes. Ocorre que tais precedentes não se aplicam à hipótese dos autos. Neles, a indicação dos sócios ocorreu em Relatório de Corresponsáveis de natureza meramente informativa, anexo ao auto de infração para eventual uso futuro em fase de cobrança judicial, sem que os indicados integrassem, naquele momento, o polo passivo do lançamento. É nesse contexto que se afirma a inocuidade da discussão em sede administrativa: o sujeito ainda não fora chamado ao processo. Situação diversa é a da DTS Consultoria e Treinamento Ltda, que foi formalmente incluída no polo passivo por meio de Termo de Sujeição Passiva Solidária, com ciência direta dos Autos de Infração. Tratando-se de sujeito passivo formalmente lançado, e não de mera indicação informativa para uso futuro, assiste-lhe o direito ao contraditório e à ampla defesa quanto a responsabilização solidária nesta fase administrativa, nos termos do art. 5º, LV, da CF/88 e dos arts. 14 e 16 do Decreto nº 70.235/72, sob pena de a recorrente ver-se compelida a discutir a matéria apenas em sede de embargos à execução, já então às voltas com a presunção de liquidez e certeza da CDA, em inversão do ônus probatório que lhe seria desfavorável e sem que a questão tenha sido, de fato, examinada em nenhum momento anterior. Fl. 6870DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 105 Nesse sentido, em consulta ao sítio da RFB, verifico que a data de abertura da empresa é 17/08/2010. Dessa forma, quanto ao período de 01/01/2009 a 16/08/2010, a pretensão da recorrente merece provimento. A responsabilidade solidária por interesse comum na situação que constitui o fato gerador (art. 124, I, do CTN) pressupõe a existência do sujeito de direito a quem se atribui tal interesse, sendo juridicamente impossível que a DTS Consultoria e Treinamento Ltda, que não possuía personalidade jurídica antes de 17/08/2010, tenha participado da situação configuradora do fato gerador nesse intervalo. Tal entendimento é corroborado pela jurisprudência deste Conselho, que exige a demonstração de vínculo fático concreto para cada fato gerador apurado, não sendo aplicável o art. 124, I, do CTN a fatos para os quais não haja prova de participação conjunta (Acórdão nº 1302- 005.430), tampouco bastando a mera alegação de integração a grupo econômico de fato para a atribuição de solidariedade (Acórdão nº 2201-009.147). Ressalte-se, ademais, que o próprio relatório fiscal, ao detalhar os elementos de prova específicos contra a recorrente (itens 23 a 25), não traz nenhum fato anterior a outubro de 2010, de modo que a exclusão da responsabilidade para esse período não encontra óbice sequer na prova produzida pela fiscalização, reforçando que o ônus de demonstrar o vínculo fático recai sobre a autoridade fiscal. Quanto ao subperíodo de 17/08/2010 a 31/12/2010, todavia, a pretensão não prospera. O relatório fiscal reúne elementos de prova específicos e concretos que evidenciam a inserção da DTS na dinâmica de interesse comum do grupo econômico de fato já nos primeiros meses de sua existência: contrato de prestação de serviços firmado em 01/11/2010, com estrutura formal idêntica à do contrato da empresa fiscalizada, em vigência concomitante e remunerando as mesmas pessoas físicas prestadoras de serviço (item 23); comunicações eletrônicas de 05/10/2010 evidenciando a atuação do Gerente de Negócios da DTS integrada à mesma estrutura administrativo-financeira compartilhada pelo grupo (item 23.1); despesa custeada em 10/11/2010 para apresentação comercial da própria DTS a cliente, sugerindo inserção comercial articulada pelo grupo (item 23.2); e registro contábil, já no balancete de 2010, de empréstimos recíprocos entre a fiscalizada e a recorrente (item 25). Tais elementos superam o patamar de mero interesse econômico na consecução do fato gerador, insuficiente para caracterizar solidariedade segundo a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (AREsp 429.923/SP), e satisfazem precisamente os requisitos que este Conselho tem exigido para a caracterização do interesse comum: confusão patrimonial e compartilhamento de estrutura administrativa e de pessoal, configurando repartição de fatores produtivos e confusão patrimonial aptas a evidenciar o interesse comum exigido pelo art. 124, I, do CTN. Note-se que a recorrente, em suas razões recursais, não impugnou especificamente a qualificação jurídica desses fatos, limitando-se a sustentar a impossibilidade temporal de participação, tese que a prova especificamente contradiz para este subperíodo. Fl. 6871DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 106 A alegação de que a recorrente não mais integrava o grupo econômico desde 2011 não encontra amparo na prova dos autos e é, aliás, contrariada por ela: o item 24 do relatório fiscal demonstra que a empresa M&C Consultoria e Tecnologia Ltda, cujas notas fiscais eram emitidas com exclusividade para empresas do grupo, emitiu notas fiscais em favor da própria DTS até maio de 2011, evidenciando a continuidade da inserção da recorrente na dinâmica operacional do grupo para além do encerramento do período fiscalizado. De todo modo, tratando-se de período posterior a 31/12/2010, tal circunstância é estranha ao objeto do presente lançamento, não sendo necessário o aprofundamento do exame. Por fim, a invocação subsidiária do art. 135 do CTN, para deslocar a responsabilidade ao antigo gestor em razão de posteriores alterações societárias, não se aplica à hipótese, pois disciplina a responsabilidade pessoal e substitutiva de diretores e gerentes por atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, regime distinto e incompatível com o fundamento da autuação, lastreada na responsabilidade solidária da pessoa jurídica integrante de grupo econômico de fato (art. 124, I, do CTN c/c art. 30, IX, da Lei nº 8.212/91), de modo que as alterações societárias e a mudança de gestão posteriores ao período fiscalizado não têm o condão de afastar a responsabilidade da pessoa jurídica quanto a fatos ocorridos durante sua existência e vinculação ao grupo. Nesse sentido, entendo que deve se dar provimento parcial ao recurso quanto a este ponto, para excluir a responsabilidade solidária da recorrente DTS Consultoria e Treinamento Ltda relativamente ao período de 01/01/2009 a 16/08/2010, mantendo-se a responsabilidade solidária quanto ao período de 17/08/2010 a 31/12/2010. 3.7 – Da multa por descumprimento de obrigação acessória As recorrentes pleiteiam a redução ou afastamento da penalidade aplicada relacionada ao descumprimento das obrigações acessórias ao argumento de que não houve intenção de descumprir a legislação tributária, tampouco prejuízo à atividade fiscalizatória. Sustenta que, embora a responsabilidade por infrações, em regra, independa de dolo, a aplicação das penalidades deve observar critérios de razoabilidade, considerando a ausência de má-fé e as circunstâncias do caso concreto, à luz dos princípios que orientam a interpretação da norma tributária sancionadora. Aduz que eventuais falhas formais, como a não elaboração de determinados registros, não comprometeram a fiscalização, uma vez que as informações necessárias à apuração dos tributos estavam devidamente contabilizadas e disponíveis, permitindo a atuação da autoridade fiscal. Nesse contexto, afirma que não houve ocultação de dados nem conduta voltada à sonegação. Sustenta, ainda, que as penalidades possuem caráter dissuasório e devem ser aplicadas quando efetivamente configurada conduta dolosa ou prejuízo ao Fisco, o que não se verificaria na hipótese. Invoca, assim, a boa-fé do contribuinte e a ausência de dano à arrecadação Fl. 6872DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 107 ou à fiscalização como fundamentos para o afastamento ou, subsidiariamente, a redução da multa aplicada. Não merece acolhida o pleito da recorrente quanto à exclusão ou redução das penalidades, uma vez que as infrações constatadas decorrem de descumprimento objetivo de obrigações legais expressamente previstas na legislação previdenciária, sendo irrelevante, para fins de aplicação da penalidade, a alegada ausência de dolo ou de prejuízo à fiscalização. No que se refere ao AI DEBCAD nº 51.057.249-9, restou devidamente comprovado que a recorrente deixou de elaborar corretamente a folha de pagamento, ao não destacar, como integrantes da remuneração, parcelas de natureza salarial (13º salário e diferenças salariais), identificadas a partir da análise do arquivo digital (MANAD) por ela própria apresentado. Trata-se de infração formal tipificada, cujo cumprimento independe da intenção do contribuinte, estando diretamente vinculada ao dever de escrituração fidedigna e completa das remunerações, conforme exigido pela Lei nº 8.212/91 e pelo Regulamento da Previdência Social. De igual modo, quanto ao AI DEBCAD nº 51.057.250-2, a fiscalização demonstrou que a recorrente deixou de arrecadar as contribuições devidas pelos segurados empregados, mediante o desconto das remunerações pagas, incidindo sobre as mesmas parcelas remuneratórias não consideradas na folha. A obrigação de proceder ao desconto e recolhimento é expressa e independe de qualquer juízo subjetivo, sendo suficiente a verificação da omissão para a caracterização da infração. Ademais, a própria natureza das verbas — enquadradas como salário- de-contribuição — impõe sua inclusão na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Importante destacar que, diversamente do alegado, não se trata de mera irregularidade formal sem impacto fiscal. As omissões identificadas comprometem diretamente a base de cálculo das contribuições e a correta arrecadação do sistema previdenciário, sendo plenamente justificável a imposição das penalidades correspondentes. A circunstância de os dados constarem da contabilidade ou de arquivos digitais não supre a exigência legal de correta escrituração na folha de pagamento, tampouco afasta o dever de arrecadação das contribuições. Por fim, a ausência de circunstâncias agravantes já foi considerada pela fiscalização na dosimetria da penalidade, que foi aplicada nos termos legais, sem qualquer excesso. Assim, não há fundamento jurídico para afastamento ou redução das multas, devendo ser mantidas integralmente as autuações relativas aos AI DEBCAD nº 51.057.249-9 e nº 51.057.250-2. 3.8 – Da multa de ofício qualificada A recorrente impugna a aplicação da multa qualificada de 150%, sustentando que não restou comprovada a existência de dolo, fraude ou sonegação aptos a justificar a majoração da penalidade. Argumenta que a qualificação da multa exige demonstração inequívoca de intenção deliberada de ocultar ou reduzir o tributo devido, o que não teria sido evidenciado no caso concreto, tendo o lançamento se baseado em presunções e indícios que não atendem aos requisitos de gravidade, precisão e concordância. Fl. 6873DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 108 Aduz que a fiscalização não se desincumbiu do ônus de comprovar a conduta dolosa, limitando-se a afirmar a existência de simulação na contratação de pessoas jurídicas, sem demonstrar de forma concreta a intenção de fraudar o Fisco. Ressalta, ainda, que a própria documentação constante dos autos, incluindo registros societários, contratos e informações prestadas durante a fiscalização, evidencia a transparência da atuação da recorrente, afastando a hipótese de má-fé. Sustenta, também, que a ausência de agravamento das penalidades relacionadas às obrigações acessórias indicaria dúvida quanto às circunstâncias materiais do fato, reforçando a inaplicabilidade da multa qualificada. Invoca, nesse contexto, o princípio da interpretação mais favorável ao contribuinte em matéria sancionatória, defendendo que, diante da inexistência de prova cabal de fraude, deve ser afastada a penalidade agravada ou, ao menos, reduzida ao patamar ordinário. A decisão de piso entendeu no mesmo sentido da fiscalização, de que a multa da forma qualificada estaria embasada na legislação e que as empresas envolvidas teriam agido em ajuste doloso para reduzir a carga tributária, senão, vejamos: A aplicação de penalidade mais grave, mediante a majoração da multa, só tem cabimento em situações específicas, onde fique evidenciado o comportamento excepcional do sujeito passivo, seja no tocante à falsidade na declaração, seja pela configuração de sonegação, conluio ou fraude acima transcritas, situações que, por sua gravidade, devem ensejar reprimenda punitiva de maior monta, com o fito de punir o infrator que assim age, extrapolando a conduta do mero inadimplemento e desestimulando novas condutas deste jaez. Numa análise objetiva dos fatos aqui apurados frente aos dispositivos legais em comento, não há como não deixar de enquadrar a conduta descrita nas definições contidas nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64. A sonegação, conforme art. 71, apresenta as seguintes exigências: 1. Uma ação ou omissão; e 2. Que esta ação ou omissão seja dolosa; e 3. Que ela impeça ou retarde o conhecimento pelo Fisco: ● da ocorrência do fato gerador; ou ● da natureza do fato gerador; ou ● das circunstâncias materiais do fato gerador. Já a fraude caracteriza-se por: 1. Uma ação ou omissão; e 2. Que esta ação ou omissão seja dolosa; e 3. Que ela impeça ou retarde a ocorrência do fato gerador, de forma a reduzir o montante do tributo devido; ou Fl. 6874DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 109 4. Que ela exclua ou modifique as características essenciais do fato gerador, de forma a reduzir o montante do tributo devido. Incorrendo o contribuinte em uma das duas situações acima, deve-se aplicar a multa qualificada. Assim, o contribuinte, ao remunerar seus empregados, indiretamente, por intermédio de empresas, com o propósito de afastar a incidência da contribuição previdenciária, praticou, de forma inequívoca, uma ação dolosa, ou seja, intencional e consciente, a qual claramente retardou o conhecimento dos fatos por parte do Fisco, além das reais circunstâncias materiais do fato gerador. A impugnante não praticou esses atos de forma involuntária, ou incorreu em erro em sua conduta. Restou caracterizada a atitude dolosa. Assim, a conduta sob análise amolda-se às hipóteses previstas nos artigos da Lei nº 4.502/64 acima citados. No caso presente, a conduta apurada de remunerar seus empregados, indiretamente, por intermédio de empresas, com o propósito de afastar a incidência da contribuição previdenciária consistente na interposição de pessoa jurídica para redução de encargos, não se trata de mera inadimplência ou equívoco involuntário, mas sim de um planejamento consciente e deliberado para elidir a incidência de contribuições. Logo, não procede a alegação de ausência de dolo; ao contrário, restou claramente caracterizada a intenção de suprimir o pagamento das contribuições, enquadrando-se a situação na hipótese de fraude qualificada. Apenas cabe ser observado, no caso concreto, a superveniência da Lei nº 14.689, de 20 de setembro de 2023, que alterou o percentual da Multa Qualificada, reduzindo-a a 100%, por força da nova redação do art. 44, da Lei nº 9.430/96, nos termos do art. 106, II, “c”, do CTN. 4. Conclusão Ante o exposto, voto por: a) Não conhecer dos recursos das responsáveis solidárias Porto Conhecimento e Tecnologia Ltda. e Korun Conhecimento e Tecnologia Ltda.; b) Conhecer parcialmente dos recursos de LPJ Consultoria Ltda., DTS Consultoria e Treinamento Ltda. e Azalim & Silvestrini Assessoria e Consultoria de Sistemas Ltda., deixando de conhecer dos argumentos relacionados: b.1) à multa confiscatória e b.2) à necessidade de apuração das contribuições sociais de acordo com os profissionais que executaram as atividades, por se tratar de inovação recursal; c) Na parte conhecida: c.1) rejeitar as preliminares e dar parcial provimento ao recurso voluntário de LPJ Consultoria Ltda para (i) excluir do lançamento relativo à contratação de pessoas físicas por meio de pessoas jurídicas os valores correspondentes aos prestadores identificados nos itens 42 - Douglas Luiz Assis Diniz, 53 - Gustavo Oliveira Cruz, 54 - Fernanda Lamas Vieira Pinto e Maria das Merces Lamas Vieira Pinto, 55 - Paulo Sérgio Lima Moreira e 56 - Marta Aparecida Moreira Ribeiro e José Pinto, conforme tabela colacionada no item 3.1, mantendo-se a exigência quanto aos demais prestadores relacionados no relatório fiscal, (ii) determinar a exclusão da base de cálculo Fl. 6875DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.923 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15504.725168/2014-31 110 do lançamento os valores relativos ao terço constitucional de férias e (iii) reduzir a multa qualificada a 100%, aplicando-se a retroatividade benigna, c.2) dar parcial provimento ao recurso voluntário da solidária DTS Consultoria e Treinamento Ltda. para excluir a responsabilidade solidária quanto ao período de 01/01/2019 a 16/08/2010, mantendo a responsabilidade solidária quanto ao período remanescente fiscalizado e c.3) negar provimento ao recurso voluntário da solidária Azalim & Silvestrini Assessoria e Consultoria de Sistemas Ltda. Assinado Digitalmente Sílvio Lúcio de Oliveira Júnior Fl. 6876DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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11501017 #
Numero do processo: 10860.904254/2018-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 18 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Sep 15 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2016 a 31/12/2016 COOPERATIVA. VENDAS A ASSOCIADOS. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. Os atos cooperativos não implicam operação de mercado e em contrato de compra e venda. O art. 79 da Lei nº 5.764/1971 estabelece, na verdade, uma hipótese de não incidência tributária. Logo, é cabível o ressarcimento do crédito relacionado a tais operações com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004.
Numero da decisão: 3302-015.947
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-015.946, de 18 de maio de 2026, prolatado no julgamento do processo 10860.904251/2018-26, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Mário Sérgio Martinez Piccini, Louise Lerina Fialho, Winderley Morais Pereira, Luciana Ferreira Braga (Substituta), Marina Righi Rodrigues Lara, Lázaro Antonio Souza Soares (Presidente).
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES

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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-015.946, de 18 de maio de 2026, prolatado no julgamento do processo 10860.904251/2018-26, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Mário Sérgio Martinez Piccini, Louise Lerina Fialho, Winderley Morais Pereira, Luciana Ferreira Braga (Substituta), Marina Righi Rodrigues Lara, Lázaro Antonio Souza Soares (Presidente).

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VENDAS A ASSOCIADOS. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. Os atos cooperativos não implicam operação de mercado e em contrato de compra e venda. O art. 79 da Lei nº 5.764/1971 estabelece, na verdade, uma hipótese de não incidência tributária. Logo, é cabível o ressarcimento do crédito relacionado a tais operações com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-015.946, de 18 de maio de 2026, prolatado no julgamento do processo 10860.904251/2018-26, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Mário Sérgio Martinez Piccini, Louise Lerina Fialho, Winderley Morais Pereira, Luciana Ferreira Braga (Substituta), Marina Righi Rodrigues Lara, Lázaro Antonio Souza Soares (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF Fl. 162DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.947 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10860.904254/2018-60 2 nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de Cofins, apurado no 4º trimestre de 2016. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, em síntese abaixo, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ATOS COOPERATIVOS. As receitas das cooperativas, regra geral, estão sujeitas ao pagamento das contribuições, não se confundindo as exclusões da base de cálculo às quais as cooperativas têm direito com não incidência, isenção, suspensão ou redução de alíquota a 0 (zero) nas suas vendas, de forma que os créditos correspondentes não podem ser aproveitados por ressarcimento/compensação, mas somente pela forma de desconto da contribuição apurada. VENDAS POR COOPERATIVAS COM EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. Os créditos de que trata o art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, vinculados a vendas feitas por cooperativas com a exclusão da base de cálculo de que tratam o art. 15 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, o art. 1º da Lei nº 10.676, de 2003, e o art. 17 da Lei nº 10.684, de 2003, não podem em regra ser compensados com outros tributos nem ressarcidos. Contudo, podem ser compensados e ressarcidos os mesmos créditos vinculados a vendas feitas por cooperativas com alíquota zero, isenção, suspensão ou não incidência. A contribuinte, tendo tomado ciência do Acórdão da DRJ, apresentou Recurso Voluntário expondo, em suma, que é equivocada a glosa dos créditos relativos às mercadorias para revenda tributadas, uma vez que tais créditos devem ser submetidos a rateio proporcional, pois as operações são realizadas com não incidência, ou isenção parcial, em razão do ato cooperativo. Isso, nos termos do art. 17 da Lei no 11.033, de 2005, e art. 16 da Lei no 11.116, de 2006. Além disso, reiterou os argumentos expostos na Manifestação de Inconformidade, destacando que o Superior Tribunal de Justiça fixou, em sede de recurso repetitivo, no julgamento do REsp. 1.141.667 e do REsp 1.164.716, que o ato cooperativo é caso de não incidência e que, portanto, a contribuinte encontra resguardo na legislação para apuração e ressarcimento dos créditos pleiteados. Fl. 163DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.947 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10860.904254/2018-60 3 É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. DO MÉRITO A Recorrente, nos termos do Relatório Fiscal, é cooperativa de produção agropecuária, que se dedica à produção e comercialização de leite e seus derivados, produtos esses fabricados a partir do leite adquirido de seus cooperados e de não cooperados. Como bem delimitado pelo Acórdão da DRJ, a controvérsia gira em torno da glosa de créditos vinculados a receita tributada decorrente da revenda de mercadorias a associados ou a terceiros não cooperados. Isso porque, conforme entendimento da fiscalização, apenas os créditos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições para o PIS e da Cofins, são passíveis de ressarcimento, nos termos da leitura combinada dos art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005. Nesse sentido, o agente administrativo referiu que “as exclusões da base de cálculo permitidas às sociedades cooperativas, conforme artigo 15 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, não constituem caso de isenção, não incidência, suspensão ou alíquota zero, situações cujos créditos correspondentes podem ser aproveitados por ressarcimento ou compensação”. Para fundamentar tal entendimento, a fiscalização citou a Solução de Consulta Cosit nº 65/2014, segundo a qual “As receitas das cooperativas, regra geral, estão sujeitas ao pagamento das contribuições. As exclusões da base de cálculo às quais as cooperativas têm direito não se confundem com não incidência, isenção, suspensão ou redução de alíquota a 0 (zero) nas suas vendas...” (fl. 172). Veja-se que assim dispõe o artigo 15 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2º e 3º da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I - os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II - as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; Fl. 164DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.947 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10860.904254/2018-60 4 III - as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV - as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V - as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § 1º Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 2º Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I - a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II - serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. Ou seja, a controvérsia se restringe em verificar a natureza jurídica das exclusões da base de cálculo do enunciado normativo acima citado. Isso porque, caso se entenda que as operações de revenda das mercadorias de seus associados efetuadas pela contribuinte é uma hipótese de não incidência, como sustenta a Recorrente, certo é que ela terá direito à manutenção e ao ressarcimento do crédito da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS vinculado à essa operação. Isso com fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, que assim dispõe: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Por outro lado, caso as aludidas exclusões da base de cálculo não se enquadrem nas hipóteses citadas no enunciado normativo acima referida, como entendeu a fiscalização, não haverá previsão legal que autorize a manutenção e o ressarcimento do crédito pleiteado pela Recorrente e, portanto, correta estará a glosa. Quanto ao ponto, cumpre destacar que o Superior Tribunal de Justiça já analisou o tema. A referida Corte, ao julgar o Recurso Especial de no 1.164.716/MG, sob a sistemática dos recursos repetitivos, em que se discutia se a “isenção da COFINS” sobre os atos cooperativos tinha sido ou não revogada pela MP 2.158/2001, acabou por enfrentar a natureza do tratamento diferenciado concedido às cooperativas, quando da consecução dos seus objetivos sociais. Naquele caso, foi Fl. 165DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.947 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10860.904254/2018-60 5 desprovido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, que defendia que a MP 2.158/2001 teria revogado a isenção de COFINS sobre os atos cooperativos. Nas razões de decidir do aludido precedente, o qual transitou em julgado em 22/06/2016, o STJ entendeu que a Lei nº 5.764/1971, ao definir a natureza dos atos cooperativos em seu art. 79, teria estabelecido hipótese de não incidência tributária, pelo fato de os atos cooperativos não implicarem operação de mercado ou de compra e venda, conforme se verifica do trecho extraído daquela decisão: “2. Evidencia-se que a discussão travada na Corte insere-se no conceito daquilo que não é ato cooperativo quando a cooperativa tem faturamento ao estabelecer relação com terceiros não cooperados. Contudo, resta agora a definição de ato cooperado típico realizado pelas cooperativas, capaz de afastar a incidência das contribuições destinadas ao PIS/COFINS. 3. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E ainda, em seu parágrafo único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 4. Dito isso, entende-se que a norma declarou a hipótese de não incidência tributária, tendo em vista a mensagem que veicula, mesmo sem empregar termos diretos ou específicos, por isso que se obtém esse resultado interpretativo a partir da análise de seu conteúdo. Consequentemente, atos cooperativos próprios ou internos são aqueles realizados pela cooperativa com os seus associados (cooperados), ou pela cooperativa com outras cooperativas, ou pelos associados (cooperados) com a cooperativa, na busca dos seus objetivos institucionais. 5. Para deixar clara a diferença de um ato típico e um atípico podemos exemplificar assim: uma cooperativa que busca a aquisição de 1.000 litros de leite, entre seus cooperados consegue a aquisição de apenas 700 litros e os outros 300 litros adquire mediante o processo de compra e venda com um terceiro produtor não cooperado. Nesse caso, a aquisição dos 700 litros de leite de seus cooperados não será tributada, por se tratar de ato cooperativo típico. Já os outros 300 litros de leite que adquiriu de terceiro não cooperado, mediante o processo de compra e venda, este ato sim, será ato de cooperativa, mas atípico. Assim como seria tributado se a cooperativa realizasse um ato de compra e venda ou locação de imóvel, por exemplo. 6. O que se dever ter em mente é que os atos cooperativos típicos não são intuitu personae; não é porque a cooperativa está no polo da relação que os torna atos típicos, mas sim porque o ato que realiza, estão relacionados com a consecução dos seus objetivos sociais institucionais. (...) 10. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Especial. 11. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixando-se a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas.” (destacado) Fl. 166DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.947 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10860.904254/2018-60 6 Ou seja, o STJ entendeu que os atos cooperativos típicos (entre cooperativas e associados) não implicam operação de mercado nem contrato de compra e venda. Sendo assim, tais operações não estão previstas na regra matriz de incidência tributária como geradoras da obrigação tributária da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, o que configura justamente hipótese de não incidência. E, por tal razão, a aludida Corte negou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Logo, considerando a força vinculante do aludido precedente, por força da alínea “b”, do inciso II, do parágrafo único, do art. 98 do RICARF, entendo que assiste razão à Recorrente ao sustentar o seu direito ao ressarcimento dos créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS referentes às mercadorias adquiridas para revenda aos associados da cooperativa. Isso com fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. Mais precisamente, porque, a partir do Estatuto Social da contribuinte, verifica-se que a Recorrente tem como objetivos sociais “promover a defesa econômico- social de seus associados, mediante prestação de serviços, representada pelo recebimento, beneficiamento, industrialização, comercialização, importação e exportação de leite, seus derivados e demais produtos agropecuários, pelo fornecimento de mercadorias utilitárias aos associados e pela promoção da educação cooperativista” (fl. 76). O Relatório Fiscal (fl. 167), por sua vez, refere que os produtos revendidos pela contribuinte (que fazem parte da controvérsia) são os seguintes: milho, farelo, defensivos agrícolas, vacinas, calçados e ferramentas. Sendo assim, entendo que a cooperativa Recorrente ao comercializar tais produtos aos seus associados – e tão somente com relação a eles - está praticando uma operação de acordo com seus objetivos sociais e, portanto, um ato cooperado, nos termos do art. 79 da Lei 5.764/71. Logo, não há falar em incidência da Contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS. Nesse mesmo sentido, destaca-se que a controvérsia foi recentemente enfrentada pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do EDcl no AgInt no REsp nº 2.151.967/SC, assim ementado: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. PIS. COFINS. SOCIEDADE COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. ATO COOPERATIVO. CREDITAMENTO. MANUTENÇÃO. I - A controvérsia consiste em saber se as exclusões da base de cálculo aplicáveis às sociedades cooperativas agropecuárias pertencem ou não à classe "isenção, alíquota zero ou não incidência", com o intuito de definir a possibilidade de ressarcimento do saldo credor do PIS e da COFINS, nos termos do art. 16 da Lei n. 11.116/2005. II - A Segunda Turma, no julgamento do REsp n. 2.073.859, em 8/8/2024, de relatoria do Ministro Herman Benjamin, estabeleceu como premissas: Fl. 167DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.947 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10860.904254/2018-60 7 i) a exclusão das receitas das vendas de produtos aos associados da base de cálculo do PIS e da COFINS equivale à não incidência tributária; e ii) o art. 17 da Lei n. 11.033/2004 garante a manutenção integral dos créditos mesmo nos casos de não incidência do PIS e da COFINS, desde que a respectiva aquisição de bens e serviços tenha sido tributada pelas contribuições, visto que a possibilidade de utilização de crédito na etapa subsequente pressupõe o pagamento do tributo na etapa anterior da cadeia econômica (Tema 1.093/STJ). III - A contribuinte possui o direito ao aproveitamento e à manutenção do crédito de PIS e COFINS, nos termos do art. 16 da Lei n. 11.116/2005 e do art. 17 da Lei n. 11.033/2004, em relação às exclusões da base de cálculo das contribuições, sob a condição de que os insumos correspondentes tenham sido tributados na etapa anterior. IV - Embargos de declaração acolhidos para julgar procedente o agravo interno e dar provimento ao recurso especial. (EDcl no AgInt no REsp n. 2.151.967/SC, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 15/10/2025, DJEN de 20/10/2025.) A partir das razões de decidir do precedente anteriormente mencionado, é possível, inclusive, afirmar que padece de tecnicidade aplicar ao caso concreto o entendimento de que “as exclusões da base de cálculo às quais as cooperativas têm direito não se confundem com não incidência, isenção, suspensão ou redução de alíquota a 0 (zero) nas suas vendas” (Solução de Consulta Cosit no 65/2014). Isso porque só há falar em exclusão quando há incidência do tributo. É o que ocorre, por exemplo, com as isenções, as quais pressupõem a incidência da norma tributária impositiva. No caso de não incidência, por outro lado, não há o que excluir, uma vez que nada foi incluído anteriormente para que se possa, posteriormente, excluir. Tal entendimento não se explica, no entanto, quando a operação de revenda de mercadorias é realizada com terceiros não cooperados. Nesses casos, não é possível aplicar o entendimento da não incidência, tendo em vista que o art. 79 da Lei 5.764/71 não se aplica às operações realizadas com não cooperados. Destaca-se que este órgão julgador também já posicionou nesse mesmo sentido em casos análogos, inclusive com relação a essa mesma contribuinte (vide último julgado citado): Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2018 a 30/09/2018 (...) RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITOS REGIME NÃO CUMULATIVO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS NAS OPERAÇÕES DE NÃO INCIDÊNCIA. As transações entre as cooperativas e seus cooperados que sejam classificadas como atos cooperativos nos termos do art. 79, da Lei nº 5.764/1971, configuram-se Fl. 168DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.947 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10860.904254/2018-60 8 como hipótese de não incidência e ensejam a manutenção dos créditos do regime não cumulativos a elas associadas, com base no art. 17, da Lei nº 11.033/2004. (...) (Acórdão n o 3402-012.643. Processo n o 10183.909249/2018-72. Recurso Voluntário. Relator Ad Hoc: Leonardo Honório dos Santos. Sessão de 23 de julho de 2025). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 COOPERATIVA. VENDAS A ASSOCIADOS. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. STJ. DECISÃO NO REGIME REPETITIVO. VINCULANTE. No julgamento do Resp nº 1.164.716, o STJ fixou a tese de que "não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas". Definido tratar-se de não incidência, é cabível o ressarcimento do crédito relacionado a tais operações com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004. (Acórdão n o 3302-013.008. Processo n o 10783.908164/2017-27. Recurso Voluntário. Relatora: Larissa Nunes Girard. Sessão de 25 de outubro de 2022). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 (...) RATEIO PROPORCIONAL. RECEITA BRUTA. MERCADO INTERNO. COEFICIENTE. CRÉDITOS. APURAÇÃO. RECEITA DE ATOS COOPERATIVOS. No cálculo do rateio proporcional da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, para a determinação dos créditos descontados de insumos utilizados na produção dos bens vendidos no mercado interno, cujas vendas, parte está sujeita ao pagamento das contribuições pelo regime não cumulativo e parte à isenção, suspensão, alíquota zero ou não incidência, a receita decorrente de atos cooperativos deve ser incluída no total da receita bruta. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. INCIDÊNCIA E NÃO INCIDÊNCIA. ATO COOPERATIVO. O STF, no julgamento do RE nº 599.362/RJ, sob a sistemática da repercussão geral, consignou que é devida a incidência de PIS/COFINS sobre os negócios jurídicos praticados pela cooperativa com terceiros. Por sua vez, o STJ, nos REsp nº 1.164.761/MG e 1.141.667/RS, fixou entendimento que não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos. Assim, apenas os atos cooperativos praticados entre a cooperativa e os seus cooperados não se submetem à incidência das contribuições. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. RESSARCIMENTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O valor do crédito presumido a que fazem jus as agroindústrias somente pode ser utilizado para desconto do valor devido da contribuição apurada no período, não podendo ser aproveitado em ressarcimento. A autorização para ressarcir ou compensar os créditos presumidos apurados neste período alcança somente os pleitos formulados a partir de 01/11/2009. (Acórdão nº 9303-010.814) MATÉRIA ESTRANHA À LIDE. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecida matéria estranha à lide. Fl. 169DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-015.947 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10860.904254/2018-60 9 (Acórdão n o 3301-013.171. Processo n o 10860.901270/2014-77. Recurso Voluntário. Relator: Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe. Sessão de 22 de agosto de 2023). Por fim, cumpre destacar que não se desconhece que o RE 672.215/CE, submetido ao rito da repercussão geral, em que se discute sobre a (in) constitucionalidade da “Incidência de COFINS, PIS e CSLL sobre o produto de ato cooperado ou cooperativo” (Tema 536), está pendente de julgamento. No entanto, considerando a ausência de trânsito em julgado e, inclusive, a inexistência de tese firmada até o momento, não é possível extrair as razões de decidir de tal precedente, eis que nem sequer formado ainda. Ante o exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário, a fim de reconhecer o direito ao ressarcimento do crédito da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS referentes às mercadorias adquiridas para revenda aos associados da cooperativa. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente Redator Fl. 170DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0
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Numero do processo: 10140.723460/2015-53
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Fri Sep 18 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO COM BASE APENAS EM TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS. A dedução de valores pagos a título de pensão alimentícia exige comprovação de que a obrigação decorre de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública, nos termos do art. 8º, II, f, da Lei nº 9.250/1995. A mera comprovação de transferências bancárias não é suficiente para autorizar a dedução quando ausente documentação idônea que demonstre a origem judicial ou extrajudicial qualificada da obrigação alimentar. MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício constitui consequência legal da manutenção do crédito tributário e somente pode ser afastada mediante demonstração de vício específico que comprometa sua exigência.
Numero da decisão: 2002-010.426
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2002-010.425, de 19 de junho de 2026, prolatado no julgamento do processo 10140.723459/2015-29, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Rafael de Aguiar Hirano - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre Barros de Moura; Fernando Gomes Favacho; Luciana Costa Loureiro Solar; Marcelo Freitas de Souza Costa; Marcelo de Sousa Sateles (substituto integral); Rafael de Aguiar Hirano (Presidente).
Nome do relator: ANDRE BARROS DE MOURA

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DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO COM BASE APENAS EM TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS. A dedução de valores pagos a título de pensão alimentícia exige comprovação de que a obrigação decorre de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública, nos termos do art. 8º, II, “f”, da Lei nº 9.250/1995. A mera comprovação de transferências bancárias não é suficiente para autorizar a dedução quando ausente documentação idônea que demonstre a origem judicial ou extrajudicial qualificada da obrigação alimentar. MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício constitui consequência legal da manutenção do crédito tributário e somente pode ser afastada mediante demonstração de vício específico que comprometa sua exigência. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2002-010.425, de 19 de junho de 2026, prolatado no julgamento do processo 10140.723459/2015-29, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Rafael de Aguiar Hirano – Presidente Redator Fl. 162DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.426 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.723460/2015-53 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre Barros de Moura; Fernando Gomes Favacho; Luciana Costa Loureiro Solar; Marcelo Freitas de Souza Costa; Marcelo de Sousa Sateles (substituto integral); Rafael de Aguiar Hirano (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Contra o sujeito passivo foi expedida notificação de lançamento referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2013, ano-calendário 2012. Conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, houve Dedução Indevida de Dependente e Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública. O contribuinte apresentou Impugnação contra a Notificação de Lançamento, contestando glosas promovidas pela fiscalização relativas à dedução de dependente e à dedução de pensão alimentícia. Declarou, ainda, não figurar como parte em ação judicial que discuta a mesma matéria objeto do lançamento. a) Em relação à infração de dedução indevida de dependente, sustenta que a glosa é improcedente, pois o dependente indicado em sua declaração é filho ou enteado com idade inferior a 21 anos, enquadrando-se nas hipóteses legais que autorizam sua inclusão como dependente. b) Quanto à infração de dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, alega que os valores deduzidos correspondem a pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, inclusive alimentos provisionais, decorrentes de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública de divórcio consensual, razão pela qual entende serem legítimas as deduções realizadas. Para comprovar suas alegações, anexou documento de identidade, documentos destinados à comprovação da condição de dependente e comprovantes dos pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia. O Despacho Decisório concluiu que a impugnação era parcialmente procedente. a) Em relação à dedução de dependentes, verificou-se que os documentos apresentados comprovavam que os dependentes eram efetivamente filhos do contribuinte e atendiam aos requisitos legais, motivo pelo qual a infração foi cancelada. Fl. 163DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.426 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.723460/2015-53 3 b) Quanto à dedução de pensão alimentícia, a fiscalização entendeu que o contribuinte não apresentou documentação apta a comprovar que os pagamentos decorriam de decisão judicial, acordo homologado ou escritura pública, requisitos indispensáveis para a dedutibilidade da despesa. Assim, a glosa referente à pensão alimentícia foi mantida. A decisão também registrou que, de acordo com a legislação, filhos ou ex-cônjuge que recebem pensão alimentícia judicial não podem ser simultaneamente considerados dependentes na declaração do alimentante. Em razão da exclusão da infração relativa aos dependentes e da manutenção da glosa da pensão alimentícia, a exigência tributária foi reduzida. O lançamento de IRPF foi diminuído, com redução proporcional da multa de ofício. O contribuinte foi cientificado do resultado do Despacho Decisório e interpôs nova Impugnação. O Acórdão da DRJ julgou a impugnação procedente em parte. Cientificado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário. No Recurso Voluntário, o contribuinte sustenta que as inconsistências apontadas pela fiscalização decorreram de erro material no preenchimento da declaração, posteriormente corrigido por meio de nova apuração. Afirma que seus filhos Jéssica Ferreira de Paula, Gabriela Alice Ferreira dos Santos de Paula e Leandro Inácio de Paula não deveriam ter sido informados como dependentes, mas apenas como alimentandos, pois recebe obrigação de pagar pensão alimentícia a eles. Alega que apenas sua filha Júlia Miranda Echeverria deve permanecer na condição de dependente, por residir com ele e estar sob sua responsabilidade. Defende que retificou espontaneamente os dados declarados, ajustando o valor das deduções e do imposto devido, demonstrando boa-fé e ausência de qualquer intuito de fraude. Argumenta ainda que o valor originalmente declarado a título de pensão alimentícia continha equívocos e foi corrigido, correspondente às pensões pagas aos três filhos alimentandos. Sustenta ter apresentado documentação suficiente para comprovar tanto a condição de dependente de Júlia quanto os pagamentos de pensão alimentícia realizados em cumprimento às normas do Direito de Família, razão pela qual entende legítimas as deduções pleiteadas. Por fim, requer a reforma do Acórdão da DRJ, com o reconhecimento dos valores retificados, a exclusão da multa aplicada em razão de sua alegada boa-fé e o recálculo do imposto devido com base na nova apuração apresentada. É o Relatório. Fl. 164DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.426 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.723460/2015-53 4 VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: 1. Admissibilidade. Trata-se de Recurso Voluntário tempestivo interposto contra o Acórdão de Impugnação, visto que o contribuinte teve ciência em 17/11/2020 e interpôs a peça contestatória em 16/12/2020. Quanto a Leandro Inácio de Paula, a DRJ reconheceu que o contribuinte comprovou a existência de obrigação alimentar judicialmente constituída, consistente em pensão fixada em 40% do salário-mínimo (fl. 124). Analisando os extratos bancários apresentados, verificou que os pagamentos efetuados em 2013 totalizaram R$ 2.710,00, valor considerado efetivamente comprovado. Todavia, constatou que o contribuinte também havia deduzido Leandro como dependente, o que é vedado pela legislação (fl. 125). Como a dedução relativa à pensão alimentícia (R$ 2.710,00) era mais vantajosa do que a dedução como dependente (R$ 2.063,64), a DRJ manteve a glosa da dedução de dependente e substituiu-a pelo reconhecimento da dedução da pensão alimentícia comprovadamente paga. Em consequência, reduziu parcialmente a glosa originalmente lançada, fixando a glosa remanescente de pensão alimentícia em R$ 11.630,00 (fl. 125). O litígio, portanto, permanece parcialmente. 2. Pensão alimentícia. Dedução. A controvérsia remanescente consiste em verificar a legitimidade da dedução, na base de cálculo do IRPF do exercício de 2014, dos valores pagos a título de pensão alimentícia aos filhos do contribuinte, bem como a suficiência da documentação apresentada para comprovar o efetivo pagamento e a existência de obrigação alimentar judicialmente constituída. Nos termos do art. 8º, inciso II, alínea “f”, da Lei nº 9.250/95, a dedução somente é admitida quando os pagamentos decorrerem de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública. Fl. 165DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.426 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.723460/2015-53 5 Foram apresentados extratos bancários contendo transferências identificadas em favor de Leandro Inácio de Paula durante o ano- calendário de 2013. Tais documentos demonstram a efetiva realização de pagamentos, permitindo o reconhecimento da dedução até o montante efetivamente comprovado, como visto na decisão da DRJ. Diversa é a situação relativa às alegadas pensões pagas a Gabriela Alice Ferreira dos Santos de Paula e Jéssica Ferreira de Paula. Embora o recorrente sustente a existência de obrigação alimentar em favor de ambas, a documentação apresentada não comprova adequadamente a origem judicial da obrigação. Tudo o que foi apresentado no processo foram extratos bancários (fls. 20 a 28). Ausente comprovação do requisito legal previsto no art. 8º, II, "f", da Lei nº 9.250, de 1995, não é possível admitir a dedução pretendida. Cumpre destacar que o ônus da prova das deduções pleiteadas recai sobre o contribuinte. Este é o firme entendimento deste Conselho. Leia-se: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2009 IRPF, DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. PENSÃO ALIMENTÍCIA. É possível a dedução da pensão alimentícia, desde que seja possível a comprovação do pagamento de alimentos com amparo em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. O ônus da prova é do contribuinte (Acórdão 2201-011.278 – Sessão de 20/11/2023, Relator Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama). Tratando-se de benefício fiscal, cabe ao interessado demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, o preenchimento dos requisitos previstos em lei. A mera alegação da existência da obrigação alimentar ou a comprovação isolada de transferências bancárias não supre a necessidade de demonstração da origem judicial ou extrajudicial qualificada da obrigação. Por fim, a multa de ofício decorre automaticamente da constituição do crédito tributário e não há nos autos qualquer elemento apto a afastar sua aplicação. Diante do exposto, conheço do Recurso Voluntário. No mérito, voto por negar provimento. Fl. 166DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.426 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10140.723460/2015-53 6 Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Rafael de Aguiar Hirano – Presidente Redator Fl. 167DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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11504978 #
Numero do processo: 19732.720138/2013-15
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 22 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Fri Sep 18 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 02/06/2013 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INFRAÇÃO ADUANEIRA DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. TEMA 1.293/STJ. Incide a prescrição intercorrente prevista no art. 1º, § 1º, da Lei nº 9.873/1999 quando o processo administrativo de apuração de infração aduaneira de natureza não tributária permanece paralisado por mais de três anos. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO. NATUREZA ADMINISTRATIVA DA SANÇÃO. A multa aplicada com fundamento no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/1966, por descumprimento de prazo para prestação de informação relativa a manifesto de carga, possui natureza administrativa quando a obrigação visa primordialmente ao controle aduaneiro e à regularidade do serviço aduaneiro. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3001-004.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do Recurso Voluntário e, de ofício, dar-lhe provimento ao recurso e reconhecer a prescrição intercorrente como questão prejudicial, para cancelar a exigência fiscal, nos termos do art. 1º, § 1º, da Lei nº 9.873, de 1999, e do Tema 1293/STJ, ficando prejudicado o exame das demais matérias recursais. Vencidos os conselheiros Larissa Cassia Favaro Boldrin (relatora) e Sergio Roberto Pereira Araújo que rejeitavam as preliminares de nulidade arguidas, e, no mérito, davam provimento ao Recurso Voluntário interposto pela contribuinte, para fins de cancelar a exigência fiscal objeto da presente contenda. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Carlos de Barros Pereira. Nos termos do art. 58, inciso III, do RICARF, e considerando que a relatora original, Conselheira Larissa Cássia Favaro Boldrin, não mais integra o CARF, o Conselheiro Luiz Carlos de Barros Pereira, Presidente da 1ª Turma Extraordinária da 3ª Seção, designou-se redator ad hoc exclusivamente para a formalização do relatório e do voto vencido. Na condição de redator ad hoc, e exclusivamente para essa finalidade, o Conselheiro Luiz Carlos de Barros Pereira serviu-se das minutas de relatório e voto inseridas pela relatora original no sistema de votação do Plenário Virtual do CARF, a seguir reproduzidas. Assinado Digitalmente Luiz Carlos de Barros Pereira - Presidente, Redator designado e Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Larissa Cassia Favaro Boldrin, Leandro Wilhelm Wolff, Marco Unaian Neves de Miranda, Marina Righi Rodrigues Lara (substituto[a] integral), Sergio Roberto Pereira Araujo, Luiz Carlos de Barros Pereira (Presidente).
Nome do relator: LARISSA CASSIA FAVARO BOLDRIN

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do Recurso Voluntário e, de ofício, dar-lhe provimento ao recurso e reconhecer a prescrição intercorrente como questão prejudicial, para cancelar a exigência fiscal, nos termos do art. 1º, § 1º, da Lei nº 9.873, de 1999, e do Tema 1293/STJ, ficando prejudicado o exame das demais matérias recursais. Vencidos os conselheiros Larissa Cassia Favaro Boldrin (relatora) e Sergio Roberto Pereira Araújo que rejeitavam as preliminares de nulidade arguidas, e, no mérito, davam provimento ao Recurso Voluntário interposto pela contribuinte, para fins de cancelar a exigência fiscal objeto da presente contenda. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Carlos de Barros Pereira. Nos termos do art. 58, inciso III, do RICARF, e considerando que a relatora original, Conselheira Larissa Cássia Favaro Boldrin, não mais integra o CARF, o Conselheiro Luiz Carlos de Barros Pereira, Presidente da 1ª Turma Extraordinária da 3ª Seção, designou-se redator ad hoc exclusivamente para a formalização do relatório e do voto vencido. Na condição de redator ad hoc, e exclusivamente para essa finalidade, o Conselheiro Luiz Carlos de Barros Pereira serviu-se das minutas de relatório e voto inseridas pela relatora original no sistema de votação do Plenário Virtual do CARF, a seguir reproduzidas. Assinado Digitalmente Luiz Carlos de Barros Pereira - Presidente, Redator designado e Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Larissa Cassia Favaro Boldrin, Leandro Wilhelm Wolff, Marco Unaian Neves de Miranda, Marina Righi Rodrigues Lara (substituto[a] integral), Sergio Roberto Pereira Araujo, Luiz Carlos de Barros Pereira (Presidente).

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 02/06/2013 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INFRAÇÃO ADUANEIRA DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. TEMA 1.293/STJ. Incide a prescrição intercorrente prevista no art. 1º, § 1º, da Lei nº 9.873/1999 quando o processo administrativo de apuração de infração aduaneira de natureza não tributária permanece paralisado por mais de três anos. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO. NATUREZA ADMINISTRATIVA DA SANÇÃO. A multa aplicada com fundamento no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto-Lei nº 37/1966, por descumprimento de prazo para prestação de informação relativa a manifesto de carga, possui natureza administrativa quando a obrigação visa primordialmente ao controle aduaneiro e à regularidade do serviço aduaneiro. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do Recurso Voluntário e, de ofício, dar-lhe provimento ao recurso e reconhecer a prescrição intercorrente como questão prejudicial, para cancelar a exigência fiscal, nos termos do art. 1º, § 1º, da Lei nº 9.873, de 1999, e do Tema 1293/STJ, ficando prejudicado o exame das demais matérias recursais. Vencidos os conselheiros Larissa Cassia Favaro Boldrin (relatora) e Sergio Roberto Pereira Araújo Fl. 235DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.182 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19732.720138/2013-15 2 que rejeitavam as preliminares de nulidade arguidas, e, no mérito, davam provimento ao Recurso Voluntário interposto pela contribuinte, para fins de cancelar a exigência fiscal objeto da presente contenda. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Carlos de Barros Pereira. Nos termos do art. 58, inciso III, do RICARF, e considerando que a relatora original, Conselheira Larissa Cássia Favaro Boldrin, não mais integra o CARF, o Conselheiro Luiz Carlos de Barros Pereira, Presidente da 1ª Turma Extraordinária da 3ª Seção, designou-se redator ad hoc exclusivamente para a formalização do relatório e do voto vencido. Na condição de redator ad hoc, e exclusivamente para essa finalidade, o Conselheiro Luiz Carlos de Barros Pereira serviu-se das minutas de relatório e voto inseridas pela relatora original no sistema de votação do Plenário Virtual do CARF, a seguir reproduzidas. Assinado Digitalmente Luiz Carlos de Barros Pereira – Presidente, Redator designado e Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Larissa Cassia Favaro Boldrin, Leandro Wilhelm Wolff, Marco Unaian Neves de Miranda, Marina Righi Rodrigues Lara (substituto[a] integral), Sergio Roberto Pereira Araujo, Luiz Carlos de Barros Pereira (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão de n° 08-38.649 proferido pela 7ª Turma da DRJ/FOR que teve à seguinte conclusão: ACORDAM os membros da Sétima Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza, por unanimidade de votos, em: I) NÃO CONHECER DA IMPUGNAÇÃO no tocante à alegação de denúncia espontânea, por se tratar de matéria submetida ao crivo do Judiciário, DECLARANDO DEFINITIVO o lançamento em relação a esse aspecto, devido à renúncia a discuti-lo na via administrativa; II) CONHECER DA IMPUGNAÇÃO em relação aos argumentos diferentes do aduzido judicialmente, para REJEITAR as arguições de ilegitimidade passiva e ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; e III) DECLARAR que o crédito constituído fica vinculado ao que for decidido na correspondente ação judicial. Fl. 236DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.182 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19732.720138/2013-15 3 Na origem, trata-se de Auto de Infração referente à multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação referente ao transporte internacional de cargas, na forma e no prazo estabelecidos pela Receita Federal, constante no art. 107, IV, “e”, do Decreto-lei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003. O lançamento teve como base os fatos geradores de 02/06/2013 e totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização e foi contestado pelo sujeito passivo. Segundo a autoridade lançadora, o prazo para prestar as referidas informações está fixado no art. 37 da Instrução Normativa (IN) SRF nº 28/1994, com redação dada pela IN RFB nº 1.096/2010. De acordo com o relato fiscal, a autuada deixou de atender ao prazo estabelecido na legislação para prestar informação sobre carga transportada, caracterizando assim a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do Decreto-Lei nº 37/1966 (c/r dada pela Lei nº 10.833/2003), sujeitando-se, portanto, à multa ali prescrita. O sujeito passivo, devidamente intimado, apresentou impugnação, alegando em síntese: a) Ilegitimidade Passiva; b) Denúncia Espontânea; c) Ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. A 7ª Turma da DRJ/FOR julgou a impugnação do sujeito passivou improcedente, conforme ementa destacada abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 02/06/2013 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA PARCIAL À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Em razão do princípio da unidade de jurisdição, a propositura de ação na Justiça contra a Fazenda Pública implica renúncia à via administrativa, instância na qual o lançamento relativo à matéria sub judice se torna definitivo, sendo apreciado apenas eventual tema diferenciado, mas ficando o crédito constituído vinculado ao resultado do processo judicial. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. AFASTAMENTO DE NORMA EM PLENO VIGOR A PRETEXTO DE OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. VEDAÇÃO. A atuação do julgador administrativo é estritamente vinculada aos ditames legais, sendo-lhe vedado afastar a aplicação de norma em pleno vigor a pretexto de ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 02/06/2013 AGÊNCIA MARÍTIMA. IRREGULARIDADE NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE. Fl. 237DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.182 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19732.720138/2013-15 4 A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por eventual irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Inconformado, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário, alegando as seguintes razões recursais: Preliminarmente: Necessidade de Retorno dos Autos à 1ª Instância. Impossibilidade de Aplicação de Penalidade ao Agente Marítimo. Cerceamento do Direito de Defesa. No Mérito Violação aos Princípios da Legalidade e da Hierarquia das Normas. Denúncia Espontânea. Ofensa aos Princípios da Razoabilidade e Proporcionalidade. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Luiz Carlos de Barros Pereira, Redator ad hoc Como redator ad hoc, formalizo o voto vencido da Conselheira Larissa Cássia Favaro Boldrin, relatora original, reproduzindo a minuta por ela inserida no sistema de votação do Plenário Virtual do CARF. O entendimento nela consignado não coincide integralmente com o meu, exposto no voto vencedor que integra o presente acórdão. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que deve ser conhecido. A controvérsia que delimita o conteúdo da lide gira em torno da análise das razões recursais da Recorrente que visa afastar multa capitulada no Decreto-Lei nº 37/1966, artigo 107, inciso IV, alínea “e”, no valor de R$ 5.000,00, pois violou prazos previstos no artigo 22, inciso II, “d” e inciso III, da Instrução Normativa RFB nº 800/2007. Fl. 238DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.182 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19732.720138/2013-15 5 Passamos a análise. Preliminarmente: 1. Necessidade de Retorno dos Autos à 1ª Instância Nos presentes autos, foi colacionado aos autos cópia da Ação Ordinária nº 0065914.74.2013.4.01.3400 em trâmite perante a 22ª Vara Cível da Justiça Federal de Brasília/DF- da 1ª Região, proposta pela Centro Nacional de Navegação Transatlantica- CNNT. Primeiro, é incontroverso que a Recorrente pertence ao rol de associados da CNNT, a qual ingressou com a demanda coletiva - Ação Anulatória de lançamento de débito fiscal. Nessa situação, a associação, em ação plúrima, age em substituição processual para defesa de direito individual homogêneo- direito subjetivo individual aludido no inciso XXI do artigo 5º da Constituição Federal nos seguintes termos: "As entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente". Entretanto, o fato de a Recorrente integrar a associação em comento, entendo que, por si só, não é passível de gerar concomitância entre a lide judicial e o objeto do presente processo administrativo dado que embora a lei processual confira às entidades de classe a faculdade de poderem representar os seus filiados na condição de substitutas processuais, no presente caso, a mera propositura da medida judicial não manifesta a sua concordância com a propositura daquela ação. Ainda, se no processo administrativo manifesta, expressamente, a Recorrente o seu interesse de agir- para socorrer a sua pretensão individual, tal manifestação consubstancia-se na melhor forma para optar pelo seu direito à continuidade da presente demanda e a afastar os possíveis efeitos de validade da medida judicial coletiva. Segundo, no que pese o presente caso tratar-se da eficácia subjetiva das sentenças proferidas nas ações propostas por entidade associativa, é mister registrar que, em sede de repercussão geral, o tema já foi objeto de análise no Supremo Tribunal Federal no RE 1.101.937/SP ao decidir que a eficácia subjetiva das ações coletivas não se restringe aos limites da competência territorial do órgão julgador, sendo aqui, indiferente, o foro da ação proposta pela Recorrente (Tema 1075/STF). Pois como é sabido, a associação postula a tutela de direitos individuais homogêneos (divisíveis, disponíveis, pertencentes a titulares determinados), daí, no tocante a extensão subjetiva da eficácia da sentença e respectiva coisa julgada, qualquer que seja o rótulo dado à ação pelo autor não é capaz de restringir-se aos limites da competência territorial do órgão julgador em observância ao decidido, em sede de repercussão geral, pelo Supremo Tribunal Federal no RE 1.101.937/SP (Tema 1075/STF). Logo, a existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância. Fl. 239DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.182 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19732.720138/2013-15 6 Nesse sentido são os precedentes do CARF: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2011 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUSÊNCIA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. MULTA ADMINISTRATIVA. APLICABILIDADE É aplicável a multa pela não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada, na forma e prazo estabelecidos pela RFB, prevista no art. 107, inciso IV, alínea e do DL nº 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SÚMULA CARF Nº 126 Nos termos do enunciado da Súmula CARF n.º 126, com efeitos vinculantes para toda a Administração Tributária, a denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO COLETIVA. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância. (CARF 12466724110201214 3301-012.328, Relator: JUCILEIA DE SOUZA LIMA, Data de Julgamento: 21/12/2022, Data de Publicação: 08/02/2023) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2014 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUSÊNCIA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. MULTA ADMINISTRATIVA. APLICABILIDADE É aplicável a multa pela não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada, na forma e prazo estabelecidos pela RFB, prevista no art. 107, inciso IV, alínea e do DL nº 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SÚMULA CARF Nº 126 Nos termos do enunciado da Súmula CARF n.º 126, com efeitos vinculantes para toda a Administração Tributária, a denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO COLETIVA. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A existência de Medida Judicial Fl. 240DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.182 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19732.720138/2013-15 7 Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância. (CARF 11128003787201021 3301-012.321, Relator: JUCILEIA DE SOUZA LIMA, Data de Julgamento: 21/12/2022, Data de Publicação: 02/02/2023). Por isso, reconheço por afastar a concomitância entre a lide judicial colacionada pela Recorrente e o objeto do presente processo administrativo. 2. Ação Judicial e Renúncia a Esfera Administrativa A Recorrente alega que: “no caso sob exame, inexiste o requisito fundamental e obrigatório que caracterizaria a renúncia à instância administrativa, qual seja, a “identidade” entre os contribuintes, tendo em vista que a Ação Ordinária nº 0065914-74.2013.4.01.3400 foi ajuizada pelo CENTRONAVE e o Auto de Infração foi lavrado em face da Recorrente (CMA CGM DO BRASIL AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA.).” A decisão de piso identificou a existência de concomitância entre parte do presente processo e uma ação judicial. Em relação às matérias abrangidas pela mencionada ação, caracterizou-se a renúncia à instância administrativa, pois cabe ao Judiciário decidir a questão, tornando-se inócuo o julgamento administrativo. Trata-se de observância ao princípio da unidade de jurisdição, consagrado no art. 5º, XXXV, da Constituição Federal, e que também atende aos princípios da economicidade e da celeridade processual (art. 5º, LXXVIII, CF). Nesse sentido dispõem o art. 87 do Decreto nº 7.574/2011, que regulamentou o processo administrativo fiscal federal, e o Parecer Cosit nº 7, de 22/8/2014. Alega o Recorrente que, para implicar renúncia à instância administrativa, é necessário que a ação tenha sido proposta pelo próprio contribuinte, e isto não ocorreu, tendo em vista que a ação foi ajuizada pelo Centro Nacional de Navegação Transatlântica (CENTRONAVE), da qual a Recorrente é associada. Assiste razão ao Recorrente, pois a ação não foi por ele proposta, mas por associação da qual é filiado, na condição de "substituto processual", e não de "representante processual". Com efeito, a Lei nº 6.830/80, em seu art. 38, § único, dispõe o seguinte: Art. 38 - A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Fl. 241DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.182 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19732.720138/2013-15 8 Parágrafo Único - A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. A Súmula CARF nº 01 segue no mesmo sentido: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Há, no entanto, quem defenda acepção mais restrita à "substituição processual". Segundo essa corrente, a substituição processual seria apenas uma espécie do gênero "legitimação extraordinária" e existiria quando ocorresse uma efetiva substituição do legitimado ordinário pelo legitimado extraordinário, nos casos de legitimação extraordinária autônoma e exclusiva ou nas hipóteses de legitimação autônoma concorrente, em que o legitimado extraordinário age em razão da omissão do legitimado ordinário, que não participou do processo como litisconsorte. Nessa linha, não se admite a coexistência de substituição processual e litisconsórcio. Assim, conclui-se que a propositura da ação coletiva não impede o manejo de ações individuais com o mesmo objetivo visado pela demanda coletiva sem que ocorra o instituto da litispendência, previsto no art. 337, §§ 1º a 3º: Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: (...) VI - litispendência; (...) § 1º Verifica-se a litispendência ou a coisa julgada quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. § 2º Uma ação é idêntica a outra quando possui as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido . § 3º Há litispendência quando se repete ação que está em curso. Do Código de Processo Civil é possível verificar que as regras aplicáveis à litispendência também se aplicam à questão da concomitância, uma vez que definem o que se deve entender por ações idênticas, ou ações com o mesmo objeto. Fl. 242DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.182 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19732.720138/2013-15 9 A legislação civil trata da questão estabelecendo que o Mandado de Segurança coletivo, assim como as ações ordinárias coletivas, não induzem litispendência, permitindo o ajuizamento de ações individuais, bem como permitindo a discussão administrativa . É o que estabelece a Lei nº 12.016/2009 (disciplina o mandado de segurança individual e coletivo) e a Lei nº 8.078/90 ( Código de Defesa do Consumidor), c/c o art. 139, X, da Lei nº 13.105/2015 ( CPC- 2015): Lei nº 13.105, de 2015 Art. 139. O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código, incumbindo-lhe: (...) X - quando se deparar com diversas demandas individuais repetitivas , oficiar o Ministério Público, a Defensoria Pública e, na medida do possível, outros legitimados a que se referem o art. 5º da Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985, e o art. 82 da Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, para, se for o caso, promover a propositura da ação coletiva respectiva . Lei nº 12.016, de 2009 Art. 22. No mandado de segurança coletivo, a sentença fará coisa julgada limitadamente aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante. § 1º O mandado de segurança coletivo não induz litispendência para as ações individuais , mas os efeitos da coisa julgada não beneficiarão o impetrante a título individual se não requerer a desistência de seu mandado de segurança no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência comprovada da impetração da segurança coletiva. Lei nº 8.078, de 1990 Art. 81. A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das vítimas poderá ser exercida em juízo individualmente, ou a título coletivo. Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de: I - interesses ou direitos difusos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível, de que sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato; II - interesses ou direitos coletivos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível de que seja titular grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica base; III - interesses ou direitos individuais homogêneos, assim entendidos os decorrentes de origem comum . Fl. 243DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.182 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19732.720138/2013-15 10 Art. 82. Para os fins do art. 81, parágrafo único, são legitimados concorrentemente: (Redação dada pela Lei nº 9.008, de 21.3.1995) I - o Ministério Público, II - a União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal; III - as entidades e órgãos da Administração Pública, direta ou indireta, ainda que sem personalidade jurídica, especificamente destinados à defesa dos interesses e direitos protegidos por este código; IV - as associações legalmente constituídas há pelo menos um ano e que incluam entre seus fins institucionais a defesa dos interesses e direitos protegidos por este código, dispensada a autorização assemblear. (...) Art. 103. Nas ações coletivas de que trata este código, a sentença fará coisa julgada: I - erga omnes, exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação, com idêntico fundamento valendo-se de nova prova, na hipótese do inciso I do parágrafo único do art. 81; II - ultra partes, mas limitadamente ao grupo, categoria ou classe, salvo improcedência por insuficiência de provas, nos termos do inciso anterior, quando se tratar da hipótese prevista no inciso II do parágrafo único do art. 81; III - erga omnes, apenas no caso de procedência do pedido, para beneficiar todas as vítimas e seus sucessores, na hipótese do inciso III do parágrafo único do art. 81 . § 1º Os efeitos da coisa julgada previstos nos incisos I e II não prejudicarão interesses e direitos individuais dos integrantes da coletividade, do grupo, categoria ou classe. § 2º Na hipótese prevista no inciso III, em caso de improcedência do pedido, os interessados que não tiverem intervindo no processo como litisconsortes poderão propor ação de indenização a título individual . § 3º Os efeitos da coisa julgada de que cuida o art. 16, combinado com o art. 13 da Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985, não prejudicarão as ações de indenização por danos pessoalmente sofridos, propostas individualmente ou na forma prevista neste código, mas, se procedente o pedido, beneficiarão as vítimas e seus sucessores, que poderão proceder à liquidação e à execução, nos termos dos arts. 96 a 99. Fl. 244DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.182 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19732.720138/2013-15 11 § 4º Aplica-se o disposto no parágrafo anterior à sentença penal condenatória. Art. 104. As ações coletivas, previstas nos incisos I e II e do parágrafo único do art. 81, não induzem litispendência para as ações individuais , mas os efeitos da coisa julgada erga omnes ou ultra partes a que aludem os incisos II e III do artigo anterior não beneficiarão os autores das ações individuais, se não for requerida sua suspensão no prazo de trinta dias, a contar da ciência nos autos do ajuizamento da ação coletiva. O v. acórdão recorrido não conheceu destas matérias em razão de suposta concomitância com ação judicial, Ação Ordinária nº 0065914- 74.2013.4.01.3400, proposta pela CENTRONAVE perante a Justiça Federal em Brasília, Associação Civil da qual a Recorrente faz parte, sob o argumento de que a decisão desta ação judicial repercutiria na esfera de direitos da Recorrente. Não há evidências nos autos de que a Recorrente autorizou a Associação a litigar em seu nome. Desta feita, apesar de não ter diligenciado para verificar a presença destes requisitos, a d. DRJ deveria ter conhecido dos argumentos e teses de defesa da Recorrente, diante da inexistência de concomitância. Isto posto, conheço do recurso voluntário para reconhecer a inexistência de concomitância. Ademais, em se tratando de matéria exclusivamente de direito, e estando em condições de imediato julgamento, o colegiado deve decidir desde logo o mérito, nos termos do art. 1.013, § 3º, do CPC, sendo desnecessário retornar o processo à instância de piso, em casos como de nulidade do acórdão da DRJ ou sua omissão em relação a algum tópico da defesa. 3. Legitimidade Passiva - Possibilidade de Aplicação de Penalidade ao Agente Marítimo. Em seu recurso, afirma a ora Recorrente que não é parte legítima para figurar no polo passivo da autuação em razão de ser mera mandatária da empresa transportadora e efetiva responsável pelo registro da informação no SISCARGA, não sendo possível sua responsabilização por eventuais erros cometidos pela transportadora. A Recorrente também alega que a autuação é indevida, pois o agente marítimo não pode ser considerado representante do transportador, para fins de responsabilidade tributária, e nem se equipara a ele, para os efeitos do Decreto-Lei n° 37/66. Ocorre que embora não sendo sujeito passivo o recorrente é contribuinte por se tratar de responsável, nos termos do art. 121, I, do CTN, combinado com o art. 128, do mesmo Fl. 245DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.182 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19732.720138/2013-15 12 artigo. Assim, se houver lei que determine a responsabilidade solidária, de modo expresso pelo crédito tributário a terceira pessoa vinculada ao fato gerador, a ela poderá o Fisco dirigir a cobrança por eventual crédito tributário lançado. E o art. 32 do DL 37/66, prevê tal responsabilidade. Confira-se: Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo Decreto- Leinº 2.472,de01/09/1988. I- o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; Parágrafo único. É responsável solidário (...) II- o representante, no País, do transportador estrangeiro; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2158-35,de2001) Da mesma forma, a responsabilidade de quem representa o transportador é expressa nos termos do inciso I do art. 95 do mesmo diploma legal (DL 37/66), já que respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para a sua prática, ou dela se beneficie. Igualmente o art. 37 do DL 37/66, com a redação da Lei 10.833/2003, prevê o dever de prestar informações ao Fisco nos seguintes termos: "Art. 37.O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas." Como se vê, a norma estabeleceu uma verdadeira equiparação entre os agentes atuantes na operação aduaneira, esclarecendo qualquer dúvida quanto à possibilidade de penalizar aquele que deixou de agir nos termos da lei. Com relação ao não enquadramento à capitulação legislativa da infração, vez que o sujeito passivo não deixou de fornecer as informações, mas o fez a destempo. Também em razão à uniformidade de entendimento deste Tribunal perante a súmula vinculante 187, que assim dispõe: O agente de carga responde pela multa prevista no art. 107, IV, “e” do DL nº 37, de 1966, quando descumpre o prazo estabelecido pela Receita Federal para Fl. 246DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.182 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19732.720138/2013-15 13 prestar informação sobre a desconsolidação da carga. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Portanto, demonstrado que Recorrente possui legitimidade para ser cobrada da multa ora exigida, voto para rejeitar a preliminar suscitada. 4. Cerceamento do Direito de Defesa A Recorrente alega que com base nos extratos dos documentos aduaneiros, observa-se sem maiores esforços que a D. Fiscalização deixou de realizar a descrição sumária da suposta infração, omitindo informações importantes para o exercício do contraditório e da ampla defesa, tais como, os números das viagens, os nomes das embarcações, bem como o prazo-limite para suposto registro dos manifestos eletrônicos. Nesse sentido, a Recorrente alega a nulidade do auto de infração devido às errôneas e incompletas descrições dos fatos, sob pena de ofensa aos PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA e CONTRADITÓRIO. Sem razão a Recorrente, pois não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso, inexiste nulidade em auto de infração lavrado pela autoridade fiscal competente com a descrição clara do fato objeto da autuação e com o apontamento da legislação aplicável ao caso. A autoridade aduaneira apresentou, todos os dados necessários à identificação de cada infração constatada por ela, referentes às informações que não foram prestadas pela recorrente na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Com efeito, a autoridade aduaneira discriminou o tipo da informação prestada pela recorrente a destempo (pedido de retificação - alteração de carga após atracação; HBL informado após o prazo ou atracação e inclusão de carga após o prazo ou atracação ), com a data e hora da apresentação da informação, bem como com os dados da escala, atracação, manifesto e conhecimentos master e house atinentes a cada informação, de sorte que tais dados são mais do Fl. 247DF CARF MF Original http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2021/arquivos-e-imagens/portaria-me-no-12975-sumulas-carf-atribui-efeito-vinculante.pdf http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2021/arquivos-e-imagens/portaria-me-no-12975-sumulas-carf-atribui-efeito-vinculante.pdf D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.182 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19732.720138/2013-15 14 que suficientes para a perfeita identificação de cada uma das infrações objeto de autuação, não havendo que se falar em nulidade da autuação. Compreendo que no caso em apreço, nenhum prejuízo foi causado ao amplo exercício do contraditório e ao regular direito de defesa. Com efeito, o contribuinte tem que apresentar sua defesa dos fatos retratados no Auto de Infração, pois ali estão descritos, de forma clara e precisa, estando evidenciado na situação tratada, repita-se, que não houve nenhum prejuízo à defesa. Corrobora tal fato que a Recorrente apresentou Impugnação e Recurso com alegações de mérito o que demonstra que teve pleno conhecimento de todos os fatos e aspectos inerentes ao lançamento, com condições de elaborar as peças impugnatória e recursal. Logo, rejeito a preliminar de nulidade do auto de infração suscitada pela recorrente. No Mérito 5. Denúncia Espontânea Com relação à alegação de denúncia espontânea, em razão à uniformidade de entendimento deste Tribunal perante a súmula vinculante n. 126, que assim dispõe: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019) Nego provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. 6. Da alegação de violação a princípios constitucionais e boa-fé da recorrente Como relatado, inconformada com a exigência fiscal, a recorrente aponta a violação de diversos princípios constitucionais (proporcionalidade e razoabilidade) além dos princípios jurídicos da proporcionalidade e da razoabilidade, e também a própria inconstitucionalidade do fundamento legal que ensejou a aplicação da multa guerreada. Ocorre que tais protestos sequer podem ser conhecidos no âmbito dos julgamentos administrativos, posto que está vedado aos julgadores que atuam nesta seara negar vigência a dispositivos normativos positivados na legislação de regência. A estes cumpre, tão somente, Fl. 248DF CARF MF Original http://idg.carf.fazenda.gov.br/noticias/2019/arquivos-e-imagens/portaria-me-129-sumulas_efeito-vinculante.pdf D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.182 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19732.720138/2013-15 15 analisar a conformidade do direito positivado às situações fáticas historiadas nos autos dos processos administrativos, frente aos expressos protestos trazidos em sede de recurso admitido para julgamento. E, como é cediço, também esta matéria encontra-se pacificada neste E.CARF, há muito tempo, por meio de sua Súmula nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nesse giro, é a jurisprudência do CARF: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/02/2009 RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. ART. 136 DO CTN. CARÁTER OBJETIVO. Em vista das disposições contidas no art. 136 do CTN, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. VEDAÇÃO. Ao CARF é vedado analisar alegações de aplicação de princípios constitucionais por força da Súmula nº 02. (CARF 10909002731201008 3002- 002.560, Relator: Wagner Mota Momesso de Oliveira, Data de Julgamento: 15/12/2022, Data de Publicação: 24/01/2023) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 02/10/2008, 16/10/2008, 21/10/2008, 21/11/2008, 25/11/2008 MULTA PELA FALTA DE REGISTRO NO SISTEMA SISCOMEX. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. SÚMULA CARF Nº 2. Para que o julgador administrativo avalie a adequação de multa prevista na legislação aduaneira a princípios e regras de natureza constitucional ou mesmo legal, haveria necessariamente que adentrar no mérito da constitucionalidade da norma que estabelece a mencionada sanção, o que se encontra vedado pela Súmula nº 2 do CARF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. FALTA DE INFORMAÇÃO À ADMINISTRAÇÃO ADUANEIRA. INAPLICABILIDADE DO INSTITUTO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. RETIFICAÇÃO DE CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INAPLICABILIDADE DA PENALIDADE. As alterações ou retificações de informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes na operações de comércio exterior não se configuram como prestação de Fl. 249DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.182 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19732.720138/2013-15 16 informação fora do prazo, não sendo cabível, na hipótese, a aplicação da multa prevista no art. 107, IV, e, do Decreto-lei nº 37/1966. (CARF 12466722771201396 3003-002.177, Relator: LARA MOURA FRANCO EDUARDO, Data de Julgamento: 16/11/2022, Data de Publicação: 03/02/2023) Logo, não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando a proporcionalidade, a razoabilidade ou qualquer outro princípio, afastar a aplicação de lei tributária válida e vigente. Isso significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal da multa imposta. Enfim, no ponto em debate, nego provimento ao Recurso Voluntário, pois o inconformismo da recorrente só pode ser apreciado no âmbito de eventual processo judicial. 7. Atipicidade da Conduta A Recorrente alega que não deixou de fornecer os dados exigidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) no prazo estabelecido, e que a multa que se pretende imputar é pela retificação de informação, a qual fere o art. 107 do Decreto -Lei nº 37/66, que prevê a aplicação de penalidade pela falta de prestação de informação, não contemplando a hipótese de informação prestada, mas retificada. Segundo a Fiscalização, o deferimento de retificação equivale a uma prestação de informação fora do prazo estabelecido no art. 22 da IN RFB nº 800/2007, sujeitando-se à multa prevista na alínea “e” do inciso IV, do art.107, do Decreto-lei nº37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº10.833/2003, in verbis: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a- porta, ou ao agente de carga. De fato, o referido dispositivo que define a penalidade não deixa margem para se incluir a retificação de informações dentre aquelas condutas passíveis de sanção. O ato de “deixar de prestar informações” de nenhuma maneira se confunde com o ato de “retificar” aquelas informações prestadas de forma originária, como ocorre no presente caso. Fl. 250DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.182 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19732.720138/2013-15 17 Com efeito, com base no art. 45 da IN RFB nº. 800/2007, as retificações ou alterações extemporâneas de informações atinentes a manifestos e conhecimentos eletrônicos, tais como as retificações estabelecidas no art. 27-A e seguintes da referida instrução normativa, foram equiparadas à hipótese de falta de informação sobre veículo e carga enunciada pela alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do Decreto-Lei nº 37/1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003. À época dos fatos, o art. 45 da IN RFB nº. 800/2007 estava em pleno vigor e a autuação fiscal nele se fundamentou para a aplicação da multa enunciada na alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do Decreto-Lei nº 37/1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003. Entretanto, com o advento da Instrução Normativa RFB nº 1.473/2014, o art. 45 da IN RFB 800/07 foi revogado e, por consequência, a partir de então, o pedido de retificação ou alteração de dados já informados passou a não configurar mais hipótese de aplicação da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do artigo 107 do Decreto-Lei nº 37/1966. Nesse sentido, a Coordenação de Tributação da Receita Federal emitiu a Solução de Consulta Interna COSIT nº 2, de 4 de fevereiro de 2016, na qual admitiu que as alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Transcreve-se o seu conteúdo na parte que interessa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO-TRIBUTÁRIA. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do Decreto- Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. (grifou-se) Na mesma linha é o entendimento deste CARF, consubstanciado no enunciado da Súmula CARF nº 186: Súmula CARF nº 186 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 A retificação de informações tempestivamente prestadas não configura a infração descrita no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-Lei nº 37/66. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Fl. 251DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.182 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19732.720138/2013-15 18 Acórdãos Precedentes: 9303-010.294, 3302-003.637, 3401-008.661, 3301- 003.995 e 3201-007.106. Considerando, pois, que o presente litígio versa sobre retificação de informação antes prestada, há que se afastar a autuação imposta, uma vez que tal fato não mais representa hipótese de prestação de informação extemporânea passível da sanção prevista no art. 107, IV, "e", do Decreto-Lei nº 37/1966. Tendo sido formalmente revogado o art. 45 da IN RFB 800/07, não há como se sustentar a multa lavrada, devendo-se aplicar o princípio da retroatividade benigna. Destarte, com base nas razoes expostas, afasta-se a autuação imposta. 8. Do dispositivo Com fulcro nas razões supra expendidas, voto, portanto, no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade arguidas, e, no mérito, em dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pela contribuinte, para fins de cancelar a exigência fiscal objeto da presente contenda. É como voto. Assinado Digitalmente Luiz Carlos de Barros Pereira – Redator ad hoc (voto da Conselheira Larissa Cássia Favaro Boldrin) VOTO VENCEDOR Conselheiro Luiz Carlos de Barros Pereira, redator designado Peço vênia à ilustre Relatora para apresentar voto divergente quanto ao fundamento determinante do julgamento, por entender que a solução do presente processo decorre do reconhecimento, de ofício, da prescrição intercorrente, e não da aplicação da Súmula CARF nº 186. No voto condutor, conclui-se que o caso versaria sobre retificação de informação tempestivamente prestada, hipótese que atrairia a aplicação do referido verbete sumular, segundo o qual a retificação de informações tempestivamente prestadas não configura a infração descrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto-Lei nº 37, de 1966. Fl. 252DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.182 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19732.720138/2013-15 19 Com a devida vênia, os elementos dos autos não permitem, a meu sentir, essa conclusão. O Auto de Infração descreve a conduta como não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A autoridade fiscal consignou que o Manifesto nº 0513501262354 deveria ter sido informado 48 horas antes da atracação da escala, mas que a informação do referido manifesto ocorreu somente em 02/06/2013, às 13h36min35s, sendo bloqueado automaticamente no Siscomex Carga por operação realizada fora do prazo. O Termo de Intimação Fiscal também faz referência a histórico de bloqueio registrado no Siscomex Carga, relativo à escala, manifesto de carga ou conhecimento de carga, em razão de informação prestada fora dos prazos regulamentares, individualizando o Manifesto nº 0513501262354. Além disso, o extrato do manifesto indica “dados de inclusão”, com data e hora da inclusão no sistema, e não propriamente histórico de alteração, retificação ou substituição de informação já prestada tempestivamente. A própria decisão recorrida, ao enfrentar a matéria, consignou que o lançamento em apreço não estava relacionado com retificação de informação apresentada anteriormente. Nesse contexto, embora a Recorrente sustente que se trataria de mera retificação de informação, entendo que os documentos de lançamento indicam, em verdade, prestação intempestiva de informação relativa a manifesto de carga, e não retificação de informação tempestivamente prestada. Assim, não me parece adequada, no caso concreto, a aplicação da Súmula CARF nº 186, pois ausente seu pressuposto fático essencial: a existência de informação tempestivamente prestada e posteriormente retificada. Não obstante, há questão prejudicial ao exame das demais matérias suscitadas no Recurso Voluntário: a prescrição intercorrente. Embora a prescrição intercorrente não tenha sido suscitada expressamente no Recurso Voluntário, a matéria já havia sido examinada de ofício por este Colegiado, em razão de sua natureza de ordem pública, tendo inclusive motivado o anterior sobrestamento do feito até o trânsito em julgado dos recursos especiais afetados ao Tema 1293/STJ. Com o retorno dos autos após a definição final do tema repetitivo, impõe-se aplicar ao caso concreto a tese firmada pelo Superior Tribunal de Justiça. No julgamento do Tema 1293, o Superior Tribunal de Justiça fixou entendimento no sentido de que incide a prescrição intercorrente prevista no art. 1º, § 1º, da Lei nº 9.873, de 1999, quando paralisado por mais de três anos o processo administrativo de apuração de infrações aduaneiras de natureza não tributária. Fl. 253DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.182 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19732.720138/2013-15 20 Também se assentou que a natureza jurídica do crédito correspondente à sanção por infração à legislação aduaneira é de direito administrativo, e não tributário, quando a norma infringida visa primordialmente ao controle do trânsito internacional de mercadorias ou à regularidade do serviço aduaneiro, ainda que, de modo reflexo, possa colaborar para a fiscalização do recolhimento dos tributos incidentes sobre a operação. A hipótese dos autos se enquadra nessa orientação. A multa exigida foi aplicada com fundamento no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto-Lei nº 37, de 1966, em razão de suposta inobservância do prazo para prestação de informação sobre manifesto de carga no Siscomex Carga. A obrigação descumprida está diretamente relacionada ao controle aduaneiro, ao acompanhamento do trânsito internacional de mercadorias, à gestão do fluxo de cargas, à regularidade do serviço aduaneiro e à disponibilização tempestiva de dados operacionais à Administração Aduaneira. Não se trata de obrigação cujo objetivo direto e imediato seja a arrecadação ou a fiscalização de tributos incidentes sobre negócio jurídico específico. Eventual utilidade da informação para a fiscalização tributária é reflexa, não sendo suficiente para afastar a natureza administrativa da sanção, nos termos do critério definido pelo Superior Tribunal de Justiça. Quanto ao lapso temporal, verifica-se que o processo permaneceu pendente de julgamento por período superior a três anos, circunstância que já havia sido considerada por este Colegiado quando do anterior sobrestamento do feito e que, após a definição final do Tema 1293/STJ, atrai a incidência do art. 1º, § 1º, da Lei nº 9.873, de 1999. A circunstância de o processo ter sido sobrestado para aguardar o julgamento definitivo do tema repetitivo não enfraquece essa conclusão. Ao contrário, evidencia que a matéria decidida pelo Superior Tribunal de Justiça era pertinente ao presente caso, razão pela qual, uma vez certificado o trânsito em julgado do precedente qualificado, deve-se aplicar a orientação nele firmada. Reconhecida a prescrição intercorrente, extingue-se a pretensão punitiva da Administração Pública Federal, ficando prejudicado o exame das demais questões suscitadas no Recurso Voluntário, sejam preliminares ou de mérito, inclusive a discussão sobre ilegitimidade passiva, cerceamento de defesa, denúncia espontânea, proporcionalidade, atipicidade da conduta e aplicação da Súmula CARF nº 186. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, de ofício, reconhecer a prescrição intercorrente como questão prejudicial, para cancelar a exigência fiscal, nos termos do art. 1º, § 1º, da Lei nº 9.873, de 1999, e do Tema 1293/STJ, ficando prejudicado o exame das demais matérias recursais. É como voto. Assinado Digitalmente Fl. 254DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.182 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19732.720138/2013-15 21 Luiz Carlos de Barros Pereira Fl. 255DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor

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