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Numero do processo: 11060.900763/2013-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito.
NÃO-CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime não-cumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-004.571
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. Recorrente Dona Francisca Energética S/A Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime nãocumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 90 07 63 /2 01 3- 97 Fl. 326DF CARF MF Processo nº 11060.900763/201397 Acórdão n.º 3301004.571 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria RS pela não homologação da compensação declarada, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados na Dcomp. Inconformada com a não homologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que o crédito declarado é legítimo, decorrente de pagamento a maior, não sendo utilizado para quitação de outros débitos. Explica a interessada que, em razão de sua atividade, por estar sujeita ao regime cumulativo e não cumulativo, faz jus aos créditos previstos no artigo 3º, inciso I, da Lei nº 10.637/2002 e artigo 3º, inciso I, da Lei nº 10.833/2003, podendo, assim, descontar créditos, relativos às operações de compra e aquisição de energia revendida, do valor apurado a título de débito de PIS e de Cofins, respectivamente, escriturandoos conforme determinam as normas aplicáveis nos campos próprio do Dacon. E que, nos períodos de apuração compreendidos entre junho de 2011 e outubro de 2012, realizou apuração dos débitos das contribuições sociais sem o desconto dos créditos permitidos na legislação tributária. Entretanto, posteriormente, decidiu pelo exercício extemporâneo de seu direito, retificando a apuração do período, para o fim de apropriar os créditos no mês de competência em que deveriam ter sido apropriados; para tanto, retificou e transmitiu o Dacon correspondente, em 29 de janeiro de 2013, acompanhado da respectiva DCTF, também retificadora. Em tópico específico – Princípio da verdade material – a contribuinte argumenta que, em razão dos princípios da estrita legalidade, da verdade material e do inquisitório na investigação dos fatos tributários, a negativa de homologação de compensação deve irrestrita obediência à lei. Desta forma, entende que o Fisco tem o dever jurídico de investigação, em busca da verdade material, mesmo nas hipóteses de compensação. A contribuinte solicita, ainda, a reunião dos processos que relaciona, para que tramitem em conjunto e sejam objeto de um único julgamento ou para que as decisões proferidas, ainda que separadamente, sejam todas no mesmo sentido, em atenção ao princípio da economia e eficiência processual e ao princípio da segurança, a fim de evitar a existência de decisões conflitantes ou divergentes sobre a mesma matéria e pressupostos fáticos e jurídicos. Por fim, a contribuinte requer que, para evitar a ciência por edital, as intimações sejam encaminhadas ao endereço do escritório administrativo, que menciona. A Recorrente apontou os seguintes motivos que legitimam o recolhimento indevido do PIS/COFINS: Fl. 327DF CARF MF Processo nº 11060.900763/201397 Acórdão n.º 3301004.571 S3C3T1 Fl. 4 3 · Suas atividades estatutárias envolvem a geração, comercialização e transmissão de energia elétrica. Para tanto, realiza operações de venda e comercialização de energia originária de seu próprio processo de geração ou adquirida de outras geradoras para revenda. · Para as operações de revenda, o regime de apuração do PIS e COFINS é o não cumulativo. · Sustenta que o contrato de compra e venda de energia elétrica foi celebrado entre a Recorrente e a Gerdau em 03 de maio de 2011. · Então faz jus aos créditos do art. 3º, I da Lei n° 10.637/2002 e art. 3º, I da Lei n° 10.833/2003. · Todavia, nos períodos de apuração compreendidos entre junho de 2011 e outubro de 2002, a empresa apurou PIS e COFINS, sem o abatimento dos créditos referentes a aquisição e energia elétrica para revenda. · Em seguida, ao constatar que a existência de créditos de PIS e COFINS não apropriados, retificou sua apuração nos meses de competência (aproveitamento extemporâneo). · No presente caso, anexou a nota fiscal de aquisição de energia elétrica, sobre a qual incidiriam PIS e COFINS passíveis de creditamento. · Após a reapuração os novos e menores débitos de PIS e COFINS foram devidamente informados em DACON retificadora transmitida em 29/01/2013. Foi feita a retificação da DCTF posteriormente. A 4ª Turma da DRJ/FNS negou provimento à manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07037.022. Em seu recurso voluntário, a Recorrente: · Em preliminar, requer a vinculação e julgamento em conjunto deste processo com outros 33 recursos voluntários contra acórdãos idênticos da DRJ de Florianópolis, uma vez que os processos decorrem dos mesmos pressupostos de fato e direito; · Reitera os fundamentos de sua impugnação; · Acosta novas provas; · Afirma que o Direito à restituição via compensação decorre do pagamento indevido, e não da declaração do crédito em DCTF; · Assevera que, por imposição do princípio da verdade material, a análise quanto à existência do crédito deve se sobrepor à declaração formal do mesmo (em DCTF) ao tempo da apresentação da DCOMP; · Ataca a decisão da DRJ, ao defender que deixou de verificar a procedência do crédito para fazer análise meramente formal quanto à existência do crédito em DCTF ao tempo da transmissão da DCOMP; · Sustenta que a prova produzida é suficiente para atestar a existência do crédito; · Por isso, requer que o próprio CARF ateste a veracidade do crédito, considerandose a suficiência da prova já apresentada; ou, alternativamente, que baixe o processo em diligência para que a DRF o faça. Em petição datada de janeiro de 2016, a empresa pugna pela aplicação do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 11060.900763/201397 Acórdão n.º 3301004.571 S3C3T1 Fl. 5 4 Esta turma de julgamento converteu o feito em diligência, Resolução n° 3301000.428, de 28 de junho de 2017, para que a unidade de origem analisasse a documentação apresentada pela Recorrente em sua manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, com vistas a esclarecer a existência do crédito passível de ser utilizado na compensação pretendida. Assim, foi solicitado à autoridade que: a) aferisse a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informasse se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) esclarecesse se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada e d) elaborasse relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. A diligência foi realizada, cujo despacho segue acostado nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.545, de 17 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11060.900738/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.545): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Creditamento sobre a aquisição de energia elétrica para revenda Dispõem os art.3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003 que: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: A energia elétrica adquirida para revenda subsomese à previsão normativa de creditamento sobre “bens adquiridos para revenda”, porquanto a energia elétrica foi equiparada no sistema constitucional à mercadoria (art. 155, parágrafo 2º, X, alínea “b” e parágrafo 3º, CF/88). Fl. 329DF CARF MF Processo nº 11060.900763/201397 Acórdão n.º 3301004.571 S3C3T1 Fl. 6 5 Diante disso, observase que há suporte legal que legitima o crédito de PIS sobre a energia elétrica adquirida para revenda. Dessa forma, com razão a Recorrente ao pleitear o creditamento no regime da nãocumulatividade. Fundamentação do acórdão da DRJ Como relatado, a Recorrente apresentou DCOMP em 30/01/2013 para compensar débito de IRPJ com crédito de pagamento indevido de PIS, decorrente da aquisição de energia elétrica para revenda. A DACON foi retificada em 29/01/2013 e a DCTF retificada em 05/09/2013. A DRJ ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade o fez com fundamento único: antes da apresentação da DCOMP, a empresa deveria ter retificado regularmente a DCTF. Entendo que assiste razão à Recorrente, quando afirma que a compensação via PER/DCOMP não está vinculada à retificação de DCTF. Isso porque o indébito tributário decorre do pagamento indevido, nos termos dos art. 165 e 168 do CTN, a retificação da DCTF não “cria” o direito de crédito. Nesse sentido, o CARF já se manifestou: Acórdão n° 3403002.370, 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária: DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO (DCOMP). RETIFICAÇÃO POSTERIOR DE DADOS DA DCTF. A retificação da DCTF, para demonstrar a diferença entre valor confessado e recolhido, não é condição prévia para a transmissão da DCOMP, nem é ato que, por si mesmo, cria o direito de crédito do contribuinte. A existência do indébito depende da demonstração, por meio de provas, pelo contribuinte. Recurso provido. Ademais, o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, publicado no DOU de 01/09/2015, esclarece: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA Fl. 330DF CARF MF Processo nº 11060.900763/201397 Acórdão n.º 3301004.571 S3C3T1 Fl. 7 6 RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em Fl. 331DF CARF MF Processo nº 11060.900763/201397 Acórdão n.º 3301004.571 S3C3T1 Fl. 8 7 PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Assim, discordo da decisão de piso que manteve a não homologação da compensação sobre o argumento de que a DCTF retificadora deveria ter sido transmitida antes da Dcomp. Por conseguinte, se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Ônus da prova – recolhimento indevido No presente caso, a interessada trouxe elementos fiscais e societários para comprovar o valor pleiteado: estatuto social no qual consta a atividade de comercialização de energia elétrica; cópia do contrato de fornecimento de energia elétrica, celebrado em 03/05/2011, com a destinatária da energia nas operações de revenda; cópia da nota fiscal de compra de energia; DCTF e DACON retificadoras. Ressalta a empresa que o contrato de compra e venda de energia elétrica, que revendeu energia adquirida por meio da Nota Fiscal acostada aos autos, é suficiente para comprovação do direito de crédito de PIS. Em seu recurso voluntário, objetivando comprovar que a energia elétrica adquirida foi objeto de revenda, anexou: 1 planilha demonstrativa dos volumes comprados, que equivalem exatamente aos volumes vendidos; 2 o Relatório CCEE demonstrando que o balanço de energia elétrica negociada pela recorrente apresenta volumes idênticos na posição de compradora e vendedora e 3 as notas fiscais de venda de energia elétrica com os mesmos volumes apresentados nos demonstrativos. Além disso, acosta aos autos a DACON original para demonstrar que o crédito objeto da nota fiscal referida não havia sido considerado na apuração da contribuição originalmente. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 11060.900763/201397 Acórdão n.º 3301004.571 S3C3T1 Fl. 9 8 As DACON e DCTF retificadoras (acostadas na manifestação de inconformidade) se voltam a comprovar que o crédito calculado sobre a energia adquirida através da nota fiscal apresentada, gerou a apuração de PIS com valor inferior ao recolhimento do DARF, representando pagamento indevido. Toda a documentação da Recorrente foi analisada em diligência fiscal, tendo a autoridade despachado o seguinte: 7. A contribuinte apresentou cópia dos registros contábeis, livro razão e Diário, fls. 314/382388/428, onde consta registro da compra de energia elétrica, com creditamento de PIS, com base no art. 3º, inciso I, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Com resumo dos lançamentos contábeis à folha 429. 8. Conforme NFE série 1, nº 189, de 21/03/2012, fl. 53, ou no portal da Nota Fiscal Eletrônica, fls. 383/387, foi adquirido energia elétrica pela Dona Francisca Energética S.A – RS da Gerdau Aços Longos S.A., CNPJ 07.358.761/005632, localizada no município de Cachoeira Alta – GO, dentro do sistema integrado de energia, valor R$ 2.684.844,00 com destaque de PIS em R$ 44.299,93. 9. Declaração de compensação com base legal no art. 170 da Lei nº 5.172, de 25.10.1966 (CTN); art. 74 da Lei nº 9.430, de 27.12.1996; art. 49 da Lei nº 10.637, de 30.12.2002; art. 17 da Lei nº 10.833, de 29.12.2003; art. 4º da Lei nº 11.051, de 29.12.2004; art. 30 da Lei nº 11.941, de 27.05.2009; IN RFB nº 1.300, de 20.11.2012; IN RFB nº 1.717, de 17.07.2017. 10. Crédito acrescido de juros equivalentes à taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia para títulos federais, nos termos do artigo 39, § 4º da Lei n.º 9.250, de 26.12.1995 e do artigo 73 da Lei nº 9.532, de 10.12.1997, e conforme inc. V do art. 143 da IN RFB nº 1.717, de 17.07.2017. 11. De acordo com o art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2002; com o art. 142 da Lei nº 5.172, de 25.10.1966; Portaria RFB nº 1.453, de 29.09.2016; com a Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 e o art. 241, inc. I do Regimento da SRFB, foi constatado que a DACON retificadora de março de 2012, está em conformidade com os registros contábeis e amparada em documentação, sendo confirmado crédito de PIS não cumulativo, código 6912, pago a maior em 25/04/2012, no valor de R$ 44.299,92 e conforme indicado pela contribuinte, o valor de R$ 42.126,22 (quarenta e dois mil, cento e vinte e seis reais com vinte e dois centavos), com o acréscimo da taxa Selic acumulada, foi lançado em planilha de cálculo SAPO junto com o débito, que foi satisfeito, fls. 430/433. A diligência confirmou o crédito pleiteado e, ao cotejar com o débito apontado, reconheceu que foi suficiente para a sua satisfação, logo deve ser homologada a compensação. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 11060.900763/201397 Acórdão n.º 3301004.571 S3C3T1 Fl. 10 9 Conclusão Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 334DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.901912/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.963
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 19 12 /2 00 8- 18 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13884.901912/200818 Acórdão n.º 3401004.963 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em razão da inexistência de crédito disponível. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso As planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade" . A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 0530.644, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que "os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão". Devidamente notificada desta decisão, a recorrente interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, no qual reitera as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13884.901912/200818 Acórdão n.º 3401004.963 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.923, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.900342/200831, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.923): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: Conforme relatado, a não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de estar o Darf informado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito de contribuição social decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados A. Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito de Cofins da interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13884.901912/200818 Acórdão n.º 3401004.963 S3C4T1 Fl. 5 4 Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito liquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Dai a não homologação, não havendo qualquer nulidade nesse procedimento. Sobre o motivo da não homologação, como já antes explicitado neste voto, revelase procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pela contribuinte Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente. Não obstante, agora, em sede de manifestação de inconformidade, pretende a contribuinte demonstrar que seus débitos de contribuição social antes declarados e pagos são indevidos, pois não havia considerado, quando da apuração da base de cálculos das contribuições, o disposto no parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998. Em termos legais, significa ver excluídos da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para terceiros, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. Neste ponto, fazse necessário destacar que, por força de sua vinculação aos atos legais, assim como àqueles emanados por autoridades que lhe são hierarquicamente superiores, este colegiado está adstrito à interpretação que a própria administração pública dá legislação tributária. 110 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório SRF n°56, de 20 de julho de 2000, já se posicionou a respeito da situação em exame: Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do art. 20 do art. 3° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; Considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; Considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de I° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13884.901912/200818 Acórdão n.º 3401004.963 S3C4T1 Fl. 6 5 tenha sido feita a titulo de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica" (destacouse). Esse entendimento torna sem força a argumentação alegada pela Contribuinte no sentido de que as provas dos alegados créditos, consistentes em planilhas de apuração da contribuição social, deveriam ser examinadas na busca da constatação da regularidade do encontro de contas, uma vez que o crédito calcado neste dispositivo é inexistente. Diante de tudo exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o disposto no despacho decisório da unidade de origem. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13884.901912/200818 Acórdão n.º 3401004.963 S3C4T1 Fl. 7 6 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Acrescese a tal constatação o intento da contribuinte de ver compensado seu débito com crédito fundado em quaestio jurídica que busca inaugurar em fase de instauração de contencioso administrativo posterior à apresentação de sua declaração de compensação, com a apresentação de sua impugnação, sob o pálio do argumento de que devem ser expurgados da receita bruta, ainda que assim escriturados, os valores que tenham sido transferidos para terceiros, nos termos do § 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/1998, argumento que se encontra em contrariedade com o preceptivo normativo do Ato Declaratório SRF n° 56, de 20/07/2000. Independentemente da discussão respeitante à matéria, no entanto, o que se constata é que a compensação tem por base direito creditório ilíquido e incerto, carente de prova de sua constituição definitiva, uma vez que a contribuinte somente poderia utilizar, na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB, crédito passível de restituição ou de ressarcimento. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35570.000146/2007-50
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/01/1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial que visa, no julgamento do lançamento substitutivo, a declaração de que não teria havido qualquer vício no lançamento originário, cuja nulidade já transitou em julgado.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. NATUREZA DO VÍCIO.
A eventual falha na indicação de dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) é passível de saneamento, portanto não é causa de declaração de nulidade por vício material.
Numero da decisão: 9202-006.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à natureza do vício referente à falha no enquadramento legal da infração e, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, para reconhecer a natureza do vício como formal, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 31/01/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial que visa, no julgamento do lançamento substitutivo, a declaração de que não teria havido qualquer vício no lançamento originário, cuja nulidade já transitou em julgado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. NATUREZA DO VÍCIO. A eventual falha na indicação de dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) é passível de saneamento, portanto não é causa de declaração de nulidade por vício material.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1883; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 567 1 566 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 35570.000146/200750 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.833 – 2ª Turma Sessão de 22 de maio de 2018 Matéria PAF NULIDADE NATUREZA DO VÍCIO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CBPO ENGENHARIA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/01/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial que visa, no julgamento do lançamento substitutivo, a declaração de que não teria havido qualquer vício no lançamento originário, cuja nulidade já transitou em julgado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. NATUREZA DO VÍCIO. A eventual falha na indicação de dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) é passível de saneamento, portanto não é causa de declaração de nulidade por vício material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à natureza do vício referente à falha no enquadramento legal da infração e, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, em darlhe provimento, para reconhecer a natureza do vício como formal, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 57 0. 00 01 46 /2 00 7- 50 Fl. 567DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase da NFLD nº 37.048.2719, em nome da autuada Companhia Siderúrgica Nacional na condição de responsável solidária, e da prestadora de serviços CBPO Engenharia Ltda, relativa a Contribuições Previdenciárias, parte patronal, devidas pelos segurados e a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, incidentes sobre as remunerações de empregados a serviço da autuada. Conforme o Relatório Fiscal de fls. 28 a 31, o lançamento foi efetuado em substituição à NFLD 35.007.3546, de 30/11/1999, julgada nula por meio do Acórdão nº 724/2005, de 20/04/2005, da 4ª Câmara do Conselho de Recursos da Previdência Social. A NFLD ora em julgamento abrange o período de 01/1996 a 31/01/1998 e a ciência da autuação ocorreu em 26/12/2006 (fls. 32/33). Em sessão plenária de 06/11/2008, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 20501.356 (fls. 320 a 324), assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1996 a 31/01/1998 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica se o artigo 150, §4º; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. Recurso Voluntário Provido.” A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, Por maioria de votos, com fundamento no artigo 173, I do CTN, acatada a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior que aplicava o artigo 150, §4°.” No julgado acima não se levou em conta a situação de tratarse de lançamento substitutivo. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 35570.000146/200750 Acórdão n.º 9202006.833 CSRFT2 Fl. 568 3 O processo foi recebido na PGFN em 11/02/2009 (carimbo aposto na Relação de Movimentação de fls. 326) e, em 13/03/2009, o Procurador da Fazenda Nacional deuse por intimado (Termo de Ciência de fls. 325). Em 17/03/2009, a Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração de fls. 328 (Relação de Movimentação de fls. 327), suscitando a omissão quanto ao fato de tratarse de lançamento substitutivo. Os Embargos foram admitidos, prolatandose o Acórdão de Embargos nº 2301003.967, de 14/04/2014 (efls. 443 a 449) assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/01/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. DECADÊNCIA. VÍCIO MATERIAL DA ANULAÇÃO QUE NÃO INDUZ A APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO II DO CTN. Quando o lançamento original é anulado por vício que se constata ser material, não se aplica a regra decadencial do art. 173, inciso II do CTN. Assim, a decadência resta caracterizada considerandose a data de ciência do lançamento original." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto da Relatora; II) Por maioria de votos:a ) em negar provimento aos embargos, nos termos do voto do Redator, devido à qualificação do vício como material. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que conceituou o vício como formal." O processo foi novamente encaminhado à PGFN em 11/07/2014 (Despacho de Encaminhamento de efls. 451) e, em 19/08/2014, foi interposto o Recurso Especial de efls. 452 a 466 (Despacho de Encaminhamento de efls. 467), visando rediscutir as seguintes matérias: inexistência de nulidade no lançamento; se nulidade houve, tratase de vício formal e não material. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 16/01/2017 (efls. 473 a 481). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: segundo resulta da disciplina dos arts. 59 c/c 60 do Decreto n.° 70.235, de 1972, aplicáveis à hipótese, a notificação e demais termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte; Fl. 569DF CARF MF 4 na hipótese dos autos, o voto condutor do acórdão guerreado decidiu que a nulidade do lançamento original se deu por vício insanável, considerando a ausência de menção ao § 3º do art. 33 da Lei 8.212, de 1991, no Auto de Infração, dispositivo legal atinente ao arbitramento realizado pela fiscalização, e considerando a existência de muitos contratos de prestação de serviços no mesmo lançamento; em momento algum o arbitramento restou maculado, mas tão somente a falta da respectiva norma e não foi refutado o lançamento em si, no que tange aos contratos objeto da autuação, apenas suscitouse o desmembramento para facilitar a análise da situação fática; cumpre observar que a contribuinte teve plena consciência do débito, inexistindo qualquer prejuízo à ampla defesa; de tudo, vêse que os termos do procedimento fiscal contêm os elementos necessários e suficientes para o atendimento do art. 10, do Decreto nº 70.235, de 1972; o exercício amplo e efetivo do direito de defesa foi propiciado à contribuinte, que, inclusive, apresenta longo e detalhado arrazoado; a jurisprudência desta Câmara Superior tem firmado o entendimento de que, se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares mas também razões de mérito, mostrase incabível a declaração de nulidade de lançamento por cerceamento de defesa, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas; caso, porém, seja mantida a nulidade, esta deve ser caracterizada como formal e não material; temse que um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura; na hipótese em apreço, o vício apontado pelo colegiado como causa de nulidade do lançamento, a toda vista, não pode ser considerado como de natureza material, pois se assim fosse estarseia afirmando que o motivo (fato jurídico) nunca existiu, contudo não foi essa a premissa adotada pelo acórdão recorrido; com efeito, a incorreção imputada ao lançamento é elemento diretamente relacionado aos correspondentes requisitos formais. Ao final, a Fazenda Nacional requer o conhecimento e o provimento do presente recurso para afastar a nulidade do lançamento ou, caso assim não se entenda, declarar a ocorrência de vício formal. Cientificados do acórdão, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento em 10/04/2017 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de efls. 493/494), os responsáveis solidários Companhia Siderúrgica Nacional CSN e CBPO Engenharia Ltda ofereceram, em 20/04/2017 e 24/04/2017, respectivamente, as Contrarrazões de efls. 503 a 525 (Recibo de efls. 498) e 545 a 558 (Termo de Solicitação de Juntada de efls. 543). O responsável solidário Companhia Siderúrgica Nacional CSN apresenta os seguintes argumentos: Fl. 570DF CARF MF Processo nº 35570.000146/200750 Acórdão n.º 9202006.833 CSRFT2 Fl. 569 5 Da ausência de divergência com relação à necessidade de se considerar a existência de prejuízo apesar da tentativa da Fazenda Nacional em demonstrar suposta divergência sobre este ponto, fato é que o assunto não se relaciona com o presente processo e nunca foi objeto de discussão, seja em primeiro grau administrativo, seja no âmbito do CARF; portanto, ao analisar o teor dos acórdãos recorridos por meio do presente Recurso Especial, percebese que a Câmara de origem reconheceu a decadência do crédito tributário e não simplesmente a nulidade do lançamento, como alega a PGFN em sua peça recursal; a Recorrente pretende induzir esta Câmara Superior em erro ao afirmar que não teria havido qualquer indagação sobre a existência de prejuízo in concreto ao contribuinte com a anulação do lançamento tributário; tal afirmação da União Federal não tem cabimento porque a Câmara de origem não anulou o lançamento, mas sim reconheceu a extinção do crédito tributário em razão da decadência; havendo a decadência, a extinção do crédito tributário é consequência imperiosa, não sendo o caso de avaliar se o reconhecimento da decadência causa ou não prejuízo in concreto ao contribuinte; pensar o contrário significa dizer o absurdo de que um crédito tributário decaído pode prevalecer se não houver prejuízo ao contribuinte; e, mais, o Recurso Especial da Procuradoria não ataca o reconhecimento da decadência, o que por si só é fato suficiente para sua não admissibilidade, pois não atacou o ponto central da decisão recorrida; os supostos paradigmas sequer trazem a expressão “decadência”, que fora o principal ponto das decisões recorridas que culminaram no reconhecimento da extinção do lançamento tributário; ademais, a União Federal sequer fez o cotejo entre os pontos das decisões recorridas em que se teria dado interpretação divergente à interpretação dos paradigmas; percebese da análise do trecho abaixo que não houve a menção a qualquer trecho do acórdão recorrido, seu relatório ou voto, havendo em seu recurso apenas a menção ao fato de que “a hipótese fática dos paradigmas é semelhante ao processo ora em análise” para, ao final, concluir que “desse modo, flagrante é a divergência”; a jurisprudência desta Câmara Superior é no sentido de que o Recurso Especial não deve ser conhecido quando as situações fáticas do paradigma e do acórdão recorrido sejam completamente diferentes, impedindo o devido cotejo da divergência na aplicação da lei tributária. Da ausência de divergência com relação à decretação de nulidade por vício formal Fl. 571DF CARF MF 6 de maneira ilógica, o que a Recorrente pretende, por meio do presente processo, é revisar a decisão de 2005 que anulou a NFLD nº 35.007.3546, o que se faz de todo impossível, considerando que tal lançamento tributário não é discutido no presente processo, o qual discute a NFLD nº 37.048.2719, lavrada em substituição à primeira; se a União Federal entende que, naquele outro processo encerrado em 2005 tenha ocorrido alguma omissão ou divergência quanto à decretação de nulidade (se por vício formal ou material), deveria ter apresentado embargos declaratórios ou os competentes recursos naquela oportunidade; sedimentado aquele julgamento da outra NFLD, não há como, neste processo, reabrir a discussão sobre o tipo de vício que teria acarretado aquela nulidade; frisese que, no presente processo, que discute a NFLD nº 37.048.2719, não houve qualquer alegação de nulidade por vício, seja material ou formal; se isso não bastasse, assim como ocorreu com a primeira suposta divergência, a Fazenda Nacional também não fez neste tópico o devido cotejo entre as decisões recorrida e paradigmas, o que é requisito para admissibilidade do Recurso Especial; ademais, nesse caso não se está tratando sobre nulidade em razão de ausência do dispositivo que trata do arbitramento, a questão, como tratado várias vezes nessa peça, está na ocorrência da decadência; O responsável solidário traz ainda argumentos sobre decadência, inexistência do débito e retroatividade benigna da multa. Por sua vez, o responsável solidário CBPO Engenharia Ltda apresenta os seguintes argumentos: Considerações preliminares na eventualidade de ser provido o Recurso Especial da PGFN, que o seja para decretar a nulidade do acórdão recorrido, de modo a que toda a prova documental da improcedência desta NFLD, ante os argumentos sustentados em defesa e recurso do contribuinte, seja apreciada na sua inteireza, inclusive para evitar a caracterização do inadmissível cerceamento de defesa e da agressão aos primados do contraditório e da ampla defesa; assim, para que se evitem eventuais (e até protelatórias) arguições de preclusão dos diretos do Contribuinte na perspectiva de ser provido o recurso, afirma e declara o Contribuinte que toda a argumentação de seu Recurso Voluntário (fls. 129/313) integra o contexto destas Contrarrazões, para toda e qualquer finalidade de Direito. Do primeiro argumento da PFN: existência de prejuízo como condição para anular o lançamento o acórdão recorrido declarou a decadência do lançamento substitutivo (NFLD 37.048.2719), e o tipo de nulidade proclamada em anterior julgamento a cancelar distinta NFLD (35.007.3546), já transitada em julgado; com efeito, a nulidade declarada do lançamento se deu no anterior julgamento (do lançamento substituído), e não no âmbito do lançamento substitutivo, que caminhou por decretar a sua decadência; Fl. 572DF CARF MF Processo nº 35570.000146/200750 Acórdão n.º 9202006.833 CSRFT2 Fl. 570 7 com efeito, pretende a PGFN revolver uma pretensa falta de motivação na declaração de nulidade daquele anterior, anulado e já substituído lançamento; alegar falta de motivação para a declaração de nulidade do lançamento deveria ter ocorrido quando do julgamento daquele processo, e não agora no âmbito do lançamento que o substituiu e que proclamou a sua decadência; o prejuízo sofrido pelos Contribuintes envolvidos tanto na autuação origináriosubstituída, quanto na autuação atualsubstitutiva é evidente sob a perspectiva do normal exercício da ampla defesa; faltar a indicação da fundamentação legal indicativa das origens e critérios do lançamento (no caso, os incisos III e IV, do art. 33, da Lei nº 8.212, de 1991), de modo a caracterizar tratarse de um lançamento constituído por aferição indireta, omitindo esta informação oficial do Contribuinte é, induvidosamente, caminhar pelos trilhos do cerceio de defesa; ademais, trazer para uma relação processual centenas de Contribuintes solidários tal qual ocorrido no lançamento origináriosubstituído (NFLD/3546), cada um com a sua particularidade intrínseca, é, à evidência, também caminhar no sentido de se inibir um adequado exercício do contraditório, além de ofender premissas tributárias outras, como o sigilo que deve ser respeitado sobre a situação de recolhimentos de cada um destes solidários (ou geradores da solidariedade), o que acarreta indiscutível nulidade, por intrínsecos e indiscutíveis prejuízos; Do segundo argumento da PFN: da natureza do vício de todo o modo, (i) não obstante a falta de adequada argumentação no Recurso Especial, o que já seria o suficiente para o seu desprovimento, é certo que ao ser analisada a realidade dos autos, onde (ii) são distintos valores do lançamento anulado e substituído perante os lançamentos substituídos, dentre eles o aqui tratado, (iii) há evidente cerceio de defesa com a falta de adequada fundamentação legal, e, (iv) impossibilidade de se respeitar o contraditório e o sigilo fiscal com vários contribuintes envolvidos como ocorrido no originário lançamento; o lançamento anulado e substituído era distinto dos lançamentos atuais que o substituíram, inclusive o presente, a fundamentação legal foi corrigida e os valores ajustados, além das partes relacionadas terem sido alteradas na totalidade; não se trata de meros vícios formais, mas sim de erros materiais que foram corrigidos; mas, ao serem corrigidos, e isso é que foi julgado no acórdão recorrido, já estavam decaídos os valores lançados como devidos, daí a falta de prosperidade desta cobrança para toda e qualquer finalidade de Direito; o Recurso Especial não traz qualquer argumento focado na hipótese dos autos, revestindose de uma genérica padronização que desmereceria sequer ser admitida como o fora, mas que nada de consistente traz, devendo, pois, ser mantido na íntegra o acórdão recorrido; Fl. 573DF CARF MF 8 os vícios geradores da nulidade do acórdãosubstituído (precária fundamentação legal e inadequado envolvimento de diversos contribuintes em um único lançamento, sem que tivessem relações jurídicas vinculadas entre si) são de natureza material e não meros ajustes formais; tanto não envolveram meros ajustes nas suas formalidades intrínsecas, que o lançamento substituído e aqui tratado difere e em muito do que era o lançamento outrora anulado e substituído, tanto no que se relaciona aos valores envolvidos (conta dos segurados, bases de incidência, etc), ou seja, correta a declaração de se tratar de vício material na sua essência. Ao final, os devedores solidários requerem, preliminarmente, o não conhecimento do Recurso Especial e, no mérito, o seu não provimento, para que seja mantida a decisão recorrida. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase da NFLD nº 37.048.2719, em nome da autuada Companhia Siderúrgica Nacional na condição de responsável solidária, e da prestadora de serviços CBPO Engenharia Ltda, relativa a Contribuições Previdenciárias, parte patronal, devida pelos segurados e a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, incidentes sobre as remunerações de empregados a serviço da autuada. A ciência da autuação ocorreu em 26/12/2006 (fls. 32/33). Conforme o Relatório Fiscal de fls. 28 a 31, o lançamento foi efetuado em substituição à NFLD 35.007.3546, de 30/11/1999, julgada nula por meio do Acórdão nº 724/2005, de 20/04/2005, da 4ª Câmara do Conselho de Recursos da Previdência Social. A NFLD ora em julgamento abrange o período de 01/1996 a 31/01/1998 e a ciência da autuação ocorreu em 26/12/2006 (fls. 32/33). No caso do acórdão recorrido, foi declarada a nulidade do lançamento original (substituído) por vício material, levandose em consideração que o Relatório Fiscal referente à NFLD substitutiva em momento algum especificou a natureza do vício que maculara o primeiro lançamento. Ademais, considerouse que a relatora do Acórdão nº 724/2005, que anulou a NFLD original, também não teria consignado em seu voto, tampouco no dispositivo do acórdão, a natureza do vício. A Fazenda Nacional, por sua vez, pugna pela inexistência de nulidade no lançamento original (substituído), uma vez que não teria havido prejuízo à defesa. Alternativamente, pede que seja considerado que o vício seria formal. Em sede de Contrarrazões, oferecidas tempestivamente, os autuados pedem o não conhecimento do Recurso Especial, alegando ausência de cotejo analítico e falta de similitude fática entre os acórdãos em confronto. Ademais, asseveram que a inexistência de nulidade no lançamento original deveria ter sido alegada quando do julgamento deste, e não agora no âmbito do lançamento que o substituiu e que proclamou a sua decadência. Fl. 574DF CARF MF Processo nº 35570.000146/200750 Acórdão n.º 9202006.833 CSRFT2 Fl. 571 9 Quanto ao cotejo analítico, esclareçase que a Fazenda Nacional está dispensada de demonstrar o prequestionamento, conforme § 5º, do art. 67, do Anexo II, do RICARF. Quanto ao § 8º do mesmo dispositivo regimental, este determina que a divergência deve ser demonstrada analiticamente, com a indicação dos pontos no paradigma colacionado, que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Tal pressuposto foi efetivamente cumprido pela Fazenda Nacional que, após colacionar as ementas dos paradigmas, resumiu os pontos que, a seu ver, demonstrariam a divergência suscitada, de sorte que não se vislumbra o descumprimento desse pressuposto formal. Confirase a demonstração da divergência relativamente à ausência de nulidade: "O acórdão recorrido julgou nulo o lançamento independentemente de qualquer indagação acerca da existência de prejuízo in concreto para a contribuinte, requisito este que se extrai da interpretação dos arts. 59 e 60 do referido Decreto. Em sentido contrário a esse entendimento, os acórdãos paradigmas abaixo deram provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por considerar, com base no art. 59 do Decreto n° 70.235/72, que a declaração de nulidade exige a demonstração de efetivo prejuízo para a defesa. Destaquese, inclusive, que a hipótese fática dos paradigmas é semelhante ao processo ora em análise. Confirase: Acórdão n° CSRF/920201.262 (...) Acórdão n° CSRF/920201.536 (...) Desse modo, flagrante é a divergência: enquanto o acórdão recorrido anulou o lançamento considerando objetivamente a existência de vício, sem observar a necessidade da demonstração do prejuízo, os acórdãos paradigmas reputam indispensável ao deslinde desse tipo de controvérsia a consideração da existência de prejuízo in concreto. E a demonstração da divergência quanto à natureza do vício: Na hipótese dessa e. Câmara não acolher o entendimento do paradigma acima citado, passase a demonstrar que o julgamento recorrido divergiu também do posicionamento de outras Câmaras que defendem que a ausência de indicação do dispositivo atinente ao arbitramento gera tão somente nulidade por vício formal. Vejamos: Acórdão nº 20600.478 “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/1998 (...) Fl. 575DF CARF MF 10 NORMAS PROCEDIMENTAIS. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD. VÍCIO FORMAL INSANÁVEL. NULIDADE. A indicação dos dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de DébitoNFLD é requisito essencial à sua validade, e a sua ausência ou fundamentação genérica, especialmente no relatório Fundamentos Legais do DébitoFLD, determina a nulidade do lançamento, por caracterizarse como vício insanável, nos termos do art. 37 da Lei nº 8.212/91, c/c art. 11, inciso III, do Decreto nº 70.235/72. (...) Acórdão nº. 240100018 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS (...) NORMAS PROCEDIMENTAIS. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO ANEXO FLD. VÍCIO INSANÁVEL. NULIDADE. A indicação dos dispositivos legais que amparam a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD é requisito essencial à sua validade, e a sua ausência ou fundamentação genérica, especialmente no relatório Fundamentos Legais do DébitoFLD, determina a nulidade do lançamento, por caracterizarse como vício formal insanável, nos termos do artigo 37 da Lei n°8.212/91, c/c artigo 11, inciso III, do Decreto n°70.235/72. (...) PROCESSO ANULADO” Mostrase notória a existência de divergência na interpretação da legislação tributária considerando que os paradigmas acima transcritos apontam que a eventual irregularidade por ausência de indicação do dispositivo legal enseja, quando muito, nulidade por vício formal. Dessa forma, demonstrada a divergência jurisprudencial diante das ementas anexas, encontramse configurados os requisitos de admissibilidade do presente Recurso Especial." Destarte, não há que se falar que os requisitos formais para demonstração das alegadas divergências não foram cumpridos pela Fazenda Nacional. Ademais, não procede a alegação apresentada em sede de Contrarrazões, no sentido de que os acórdãos recorridos tratariam apenas de decadência, sem abordar a questão da nulidade. Isso ocorreu efetivamente no primeiro acórdão, porém a falha foi corrigida por meio do segundo acórdão, prolatado por força de Embargos. Não obstante, relativamente à primeira matéria inexistência de nulidade não há como sequer cogitar do seu conhecimento, uma vez que se refere a questão não tratada no acórdão recorrido, que abordou unicamente a natureza do vício que maculara o lançamento original se formal ou material para daí decidir acerca da decadência referente ao lançamento substitutivo. Tanto é assim que no acórdão recorrido, partindose do vício verificado no primeiro lançamento, se declara a decadência do segundo. Assim, a existência de nulidade na NFLD original já foi sedimentada em outro processo, não podendo ser suprimida quando do Fl. 576DF CARF MF Processo nº 35570.000146/200750 Acórdão n.º 9202006.833 CSRFT2 Fl. 572 11 julgamento da nova NFLD. Afinal, foi exatamente essa nulidade que desencadeou a emissão da NFLD substitutiva. Quanto à segunda matéria natureza do vício conforme os trechos acima colacionados, a Fazenda Nacional logrou demonstrar a similitude fática entre os julgados recorrido e paradigmas, no que tange à ausência de indicação, na autuação, do dispositivo atinente ao arbitramento. Entretanto, no caso do acórdão recorrido, o vício apontado para a nulidade da NFLD original, conforme ressaltado no voto vencido do Acórdão de Embargos, não consistiu apenas nessa omissão, mas também na "inclusão, em uma única notificação fiscal, de débitos relativos a 169 contratos de prestação de serviços". Por outro lado, o voto vencedor do Acórdão de Embargos não se pronuncia sobre esse aspecto e assim dispõe: "A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) tem acolhido tal entendimento: Acórdão nº 10249047 do Processo 13709002025200110 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO VÍCIO MATERIAL A falta da adequada descrição da matéria tributária, com o conseqüente enquadramento legal das infrações apuradas torna nulo o ato administrativo de lançamento e, em conseqüência, insubsistente a exigência do crédito tributário constituído. Preliminar acolhida. Portanto, fora de dúvidas que o vício no caso em questão, envolvendo, falta de adequada motivação e/ou fundamentação legal, deve ser qualificado como material." Destarte, ao contrário do que restou consignado no acórdão recorrido, nos paradigmas considerouse que omissões relativas à fundamentação legal do arbitramento acarretariam vício formal e não vício material, caracterizandose assim a divergência suscitada, nesse ponto, o que se revela suficiente, já que, repitase, o voto vencedor do acórdão recorrido não se pronunciou sobre o segundo vício relatado no voto vencido. Relativamente à questão de eventual falha na enunciação de um dispositivo legal da autuação, não há que se falar em nulidade por vício material, já que se trata de lapso que pode ser corrigido no prazo do art. 173, II, do CTN. Diante do exposto, conheço parcialmente do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, apenas quanto à natureza do vício referente a falha no enquadramento legal da infração e, na parte conhecida, doulhe provimento, no sentido de que o vício verificado foi de natureza formal, consequentemente afastando a decadência e determinando o retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 577DF CARF MF 12 Fl. 578DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.935055/2009-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2004
Ementa:
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.200
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amoldase ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 50 55 /2 00 9- 52 Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11080.935055/200952 Acórdão n.º 3402005.200 S3C4T2 Fl. 0 2 Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado. Relatório Trata o presente processo de DCOMP transmitida com objetivo de compensar os débitos nela apontados com créditos provenientes de pagamento indevido ou a maior. A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório informado na DCOMP, onde ficou constatada a improcedência do mesmo, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração não cumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. (...). Uma vez intimado o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pelo acórdão 09054.965, que entendeu que a compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, não verificado no caso em comento, afastou a preliminar de nulidade do Despacho Decisório e concluiu que "a Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11080.935055/200952 Acórdão n.º 3402005.200 S3C4T2 Fl. 0 3 decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente". Diante deste quadro, o contribuinte apresentou o recurso voluntário tempestivo, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.145, de 18 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11080.729500/201323, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.145): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. A discussão travada nos autos e o precedente vinculante deste CARF favorável ao contribuinte 6. A questão aqui travada não é nova, uma vez que já foi decidida por este CARF para o mesmíssimo contribuinte de forma paradigmática, i.e., nos termos do art. 47, § 2º do RICARF. Referida decisão foi veiculada por intermédio do acórdão n. 3201002.448 e encontrase assim prescrita: (...). A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam Fl. 378DF CARF MF Processo nº 11080.935055/200952 Acórdão n.º 3402005.200 S3C4T2 Fl. 0 4 sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 Fl. 379DF CARF MF Processo nº 11080.935055/200952 Acórdão n.º 3402005.200 S3C4T2 Fl. 0 5 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 11080.935055/200952 Acórdão n.º 3402005.200 S3C4T2 Fl. 0 6 Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: (...). Fl. 381DF CARF MF Processo nº 11080.935055/200952 Acórdão n.º 3402005.200 S3C4T2 Fl. 0 7 Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO I SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1 Serviços de construção 1.0131 Outros serviços de instalação 1.0131.10.00 Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 11080.935055/200952 Acórdão n.º 3402005.200 S3C4T2 Fl. 0 8 Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado. 7. Referida decisão apresenta um caráter vinculante, devendo ser seguida por esta Turma julgadora. Neste aspecto, todavia, não concordou o colegiado, que entende que, em tese, o colegiado poderia julgar de forma diferente daquele precedente paradigmático, haja vista que se está diante de outro lote de processos (ainda que referentes aos mesmíssimos fatos e com as mesmíssimas partes litigantes). Deixo tais considerações aqui registradas em razão do disposto no esquizofrênico art. 63, Fl. 383DF CARF MF Processo nº 11080.935055/200952 Acórdão n.º 3402005.200 S3C4T2 Fl. 0 9 §8º do RICARF1, que determina que as conclusões adotadas pelo colegiado seja externada por aquele Conselheiro que divergiu (e continua divergindo) e que foi vencido em relação à tais conclusões. 8. Tais considerações do colegiado, entretanto, não trazem qualquer repercussão no caso prático, até porque, no que tange ao mérito, a Turma julgadora aderiu integralmente com as precisas considerações elaboradas pela então Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e replicadas pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (transcritas alhures), motivo pelo qual emprego tais fundamentos para fins de motivação do presente voto, o que faço com amparo no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/992. Dispositivo 9. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 10. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 "Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...). § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros." 2 "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...). § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...)." Fl. 384DF CARF MF Processo nº 11080.935055/200952 Acórdão n.º 3402005.200 S3C4T2 Fl. 0 10 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado deu provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra . Fl. 385DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.724867/2013-14
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO.
Expirado o prazo de trinta dias para manifestação contra o indeferimento
da opção pelo Simples Nacional, deve ser declarada a revelia, sendo que
eventual petição, apresentada fora do prazo, não instaura a fase litigiosa do
procedimento.
Numero da decisão: 1001-000.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2011 INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. Expirado o prazo de trinta dias para manifestação contra o indeferimento da opção pelo Simples Nacional, deve ser declarada a revelia, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não instaura a fase litigiosa do procedimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. Expirado o prazo de trinta dias para manifestação contra o indeferimento da opção pelo Simples Nacional, deve ser declarada a revelia, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não instaura a fase litigiosa do procedimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 48 67 /2 01 3- 14 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 18470.724867/201314 Acórdão n.º 1001000.449 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 51 a 56) interposto contra o Acórdão nº 0129.484, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 39 a 48), que, por unanimidade, não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 INDEFERIMENTO DA OPÇÃO. PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. Expirado o prazo de quarenta e cinco dias para impugnação do indeferimento da opção pelo Simples Nacional, contados deve ser declarada a revelia, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação e não instaura a fase litigiosa do procedimento. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Trata o processo de manifestação de inconformidade da interessada contra o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, da DRF/RIO DE JANEIRO II RJ, de 10/01/2013, nº de registro 00.05.42.35.60, de 25/04/2013, fls. 36/38, que impediu sua adesão ao Simples Nacional. O motivo do indeferimento foi: “ Débito previdenciário com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. [...] Débito não previdenciário com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. [...] Débito inscrito em Dívida Ativa da União (Procuradoria–Geral da Fazenda Nacional), cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 18470.724867/201314 Acórdão n.º 1001000.449 S1C0T1 Fl. 4 3 [...] Os débitos foram listados em valor original.” Inconformada, em 28/05/2013, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 02/09), onde alega o que segue: 1) Requer que toda e qualquer comunicação inerente ao presente feito seja encaminhada ao seguinte endereço: Rua Santo Amando, 234, Campo Grande, CEP 23052430, aos cuidados do Senhor Alair Maquinez da Cruz, ou através do FAX 21 24160709; 2) Cita doutrina e jurisprudência; 3) A empresa foi impedida de ingressar no Simples Nacional por possuir débito tributário anteriores a sua opção pelo recolhimento feito através dessa sistemática.Tal descoberta se deu apenas através de consulta feita péla Internet, pois não fora enviada notificação por A.R., ou outra forma de notificação pessoal do contribuinte, informando que a impugnante teria tido seu requerimento rejeitado. A notificação ao administrado deve ser feita através de intimação pessoal ou por via postal e na ultima hipótese por Edital quando não localizado o endereço; 4) Devido à falta da regular notificação da exclusão do Simples Nacional, ocasionou o Requerido o cerceamento de defesa da parte Requerente, desrespeitando os princípios constitucionais ao direito a Ampla Defesa e ao Contraditório, bem como o disposto no parágrafo único, V do artigo 2° da Lei 9784/1999. Não tendo a Requerente sido excluída formalmente do Simples Nacional, não poderia o Fisco excluíla do SIMPLES NACIONAL, o que configura o ato nulo. 5) Argui inconstitucionalidade e ilegalidades. Anexei os documentos de fls. 31/38." Inconformada com a decisão de primeiro grau, que não conheceu da manifestação de inconformidade em razão da extemporaneidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário reiterando que não foi intimada regularmente do Indeferimento da Opção e que tomou conhecimento apenas em 25/04/2013 da negativa; bem como reiterou a ofensa aos primados constitucionais como fundamento para a reforma do ato administrativo. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, no entanto, dele conheço apenas parcialmente. Passo a explicar as razões para o parcial conhecimento. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 18470.724867/201314 Acórdão n.º 1001000.449 S1C0T1 Fl. 5 4 Se faz oportuno salientar que nos casos em que o Recurso Voluntário é interposto contra decisão que não conheceu das razões iniciais oferecidas pelo contribuinte, seja por ocasião de Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, a cognição deve se restringir tão somente aos fundamentos e conclusões que nortearam a decisão de primeira instância pelo não conhecimento da medida processual interposta. Destarte, no caso deste Conselho entender que a decisão de piso errou ao não conhecer do processo, deve se limitar a anular o julgamento de primeira instância e determinar a baixa dos autos para que se realize novo julgamento, desta vez analisando o mérito. Assim, sendo exatamente esta a situação concreta dos presentes autos, esclareço que analisarei tão somente as questões que ensejaram o NãoConhecimento da presente medida por parte da DRJ de origem. Superada esta questão, passo à análise do recurso e da decisão ora atacada. Por ocasião do presente recurso, a Recorrente pretende refutar a intempestividade declarada pela decisão de primeiro grau com base no argumento de que só tomou conhecimento do indeferimento em data de 25/04/2013, data que teria espontaneamente acesso ao sistema eletrônico. Primeiramente, insta dizer que a apresentação do termo de indeferimento com a data do acesso, não produz qualquer prova a favor do contribuinte, porquanto não demonstra que existiu circunstância que impossibilitou o acesso do mesmo ao documento até tal data. Digase, nem sequer comprova que o primeiro acesso ocorreu realmente na data indicada. Ademais, conforme cediço, a Lei Complementar 123/06 estabelece meio próprio para comunicações e intimações via o Portal próprio na internet para questões atinentes ao Simples Nacional, conforme o art. 16, §1ºB, inciso I, abaixo transcrito: Art. 16.A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) §1ºA. A opção pelo Simples Nacional implica aceitação de sistema de comunicação eletrônica, destinado, dentre outras finalidades, a: Icientificar o sujeito passivo de quaisquer tipos de atos administrativos, incluídos os relativos ao indeferimento de opção, à exclusão do regime e a ações fiscais; IIencaminhar notificações e intimações; e IIIexpedir avisos em geral. §1ºB. O sistema de comunicação eletrônica de que trata o § 1o A será regulamentado pelo CGSN, observandose o seguinte: Fl. 63DF CARF MF Processo nº 18470.724867/201314 Acórdão n.º 1001000.449 S1C0T1 Fl. 6 5 I as comunicações serão feitas, por meio eletrônico, em portal próprio, dispensandose a sua publicação no Diário Oficial e o envio por via postal; Outrossim, conforme bem asseverado pela decisão de primeira instância, a data constante do termo de indeferimento (fls. 39 e 48) da opção disponibilizada regularmente pelos meios próprios, deve ser considerada para o início da contagem de 15 dias prévios à abertura dos prazos, não sendo óbice qualquer se eventualmente esta data tenha coincidido ou não com a data do requerimento. Por economia processual, e por entender que bem esgotou a análise legal do tema, transcrevo abaixo o trecho da decisão da DRJ de origem que merece ser aqui destacado: " A propósito da tempestividade, cabe transcrever os arts. 5º, 15 e 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, com as alterações vigentes por ocasião da ocorrência dos fatos relatados, in verbis: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 2° Considerase feita a intimação: Fl. 64DF CARF MF Processo nº 18470.724867/201314 Acórdão n.º 1001000.449 S1C0T1 Fl. 7 6 I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) grifos acrescentados A Lei Complementar nº 123 de 14/12/2006, estabeleceu o contencioso administrativo nos casos de exclusão e indeferimento de opção para ingresso ao Simples Nacional, atribuindo a competência ao órgão julgador integrante da estrutura administrativa do ente federativo que efetuar o lançamento ou a exclusão de ofício, nos seguintes termos: Art.39. O contencioso administrativo relativo ao Simples Nacional será de competência do órgão julgador integrante da estrutura administrativa do ente federativo que efetuar o lançamento ou a exclusão de ofício, observados os dispositivos legais atinentes aos processos administrativos fiscais desse ente. O art. 110 da Resolução CGSN nº 94, de 29/11/2011, dispõe sobre a possibilidade de notificação eletrônica dos atos de exclusão do Simples Nacional, que também pode ser aplicada ao indeferimento da opção pelo Simples Nacional. “Da Intimação Eletrônica Art. 110. A opção pelo Simples Nacional implica aceitação de sistema de comunicação eletrônica, a ser disponibilizado no Portal do Simples Nacional, destinado, dentre outras finalidades, a: (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 16, §§ 1 º A a 1 º D) I cientificar o sujeito passivo de quaisquer tipos de atos administrativos, incluídos os relativos ao indeferimento de opção, à exclusão do regime e a ações fiscais; II encaminhar notificações e intimações; e III expedir avisos em geral. § 1 oQuando disponível, o sistema de comunicação eletrônica de que trata o caput observará o seguinte: (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 16, § 1 º B) Fl. 65DF CARF MF Processo nº 18470.724867/201314 Acórdão n.º 1001000.449 S1C0T1 Fl. 8 7 I as comunicações serão feitas, por meio eletrônico, no Portal do Simples Nacional, dispensandose a sua publicação no Diário Oficial e o envio por via postal; II a comunicação feita na forma prevista no caput deste artigo será considerada pessoal para todos os efeitos legais; III a ciência por meio do sistema de que trata o caput deste artigo com utilização de certificação digital ou de código de acesso possuirá os requisitos de validade; IV considerarseá realizada a comunicação no dia em que o sujeito passivo efetivar a consulta eletrônica ao teor da comunicação; e V na hipótese do inciso IV, nos casos em que a consulta se dê em dia não útil, a comunicação será considerada como realizada no primeiro dia útil seguinte. § 2 º Quando disponível o sistema de comunicação eletrônica, a consulta referida nos incisos IV e V do § 1º deverá ser feita em até quarenta e cinco dias contados da data da disponibilização da comunicação no portal a que se refere o inciso I do § 1º , sob pena de ser considerada automaticamente realizada na data do término desse prazo. (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 16, § 1 º C) § 3 º Enquanto não disponível o aplicativo relativo à comunicação eletrônica do Simples Nacional, os entes federados poderão utilizar sistemas de comunicação eletrônica, com regras próprias, para as finalidades previstas no caput. (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 16, § 1 º D) § 4 º O sistema de comunicação eletrônica do Simples Nacional, previsto neste artigo: I não exclui outras formas de intimação previstas nas legislações dos entes federados; (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 39, caput ) II não se aplica ao MEI. (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 39, inciso I, § 6 º )” Como se pode observar da legislação citada, os prazos são contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, e somente se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato, e a impugnação deve ser apresentada no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. No caso concreto, levandose em conta que, consoante Detalhamento das Solicitações de Opção pelo Simples Nacional, fl. 32, a data do indeferimento foi 11/02/2013 (segundafeira de Carnaval). Assim, a contagem do prazo iniciarseá somente em dia de funcionamento normal da repartição, ou seja, na quintafeira, dia 14/02/2013. Em vista disso, considerase a empresa cientificada no dia 01/04/2013 (segundafeira), havendo se iniciado nessa data a contagem do prazo de 30 (trinta dias) para apresentação da manifestação de inconformidade da interessada. Isto posto, o prazo para apresentação da manifestação de inconformidade encerrouse em 02/05/2013 (terçafeira). Como a manifestação de inconformidade foi apresentada apenas em 28/05/2013, é intempestiva, uma vez que já havia decorrido o prazo de trinta dias, previsto no art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 18470.724867/201314 Acórdão n.º 1001000.449 S1C0T1 Fl. 9 8 À luz, pois, do arts. 14 e 21 do Decreto nº 70.235/72, a intempestividade do pedido implica a revelia, não se instaurando a fase litigiosa do procedimento. Não havendo lide, não há que se falar em julgamento." Destarte, uma vez que não foi superada a intempestividade reconhecida pela decisão de piso, entendo que resta prejudicada eventual análise dos demais argumentos esposados pela Recorrente em seu Recurso. Por derradeiro, diante de tudo o que foi exposto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.721165/2012-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.SÚMULA CARF Nº 02
É vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade da lei, bem como o de eventuais ofensas pela norma legal aos princípios constitucionais. Aplicação Súmula CARF nº 02.
INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. PENDÊNCIAS NÃO SOLUCIONADAS.
Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitando-se ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo.
Constatado que o solicitante incide em hipótese de vedação ao enquadramento, torna-se incabível seu pedido de inclusão.
Numero da decisão: 1001-000.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmentel)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmentel)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: 06094153952 - CPF não encontrado.
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2012 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.SÚMULA CARF Nº 02 É vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade da lei, bem como o de eventuais ofensas pela norma legal aos princípios constitucionais. Aplicação Súmula CARF nº 02. INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. PENDÊNCIAS NÃO SOLUCIONADAS. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitando-se ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. Constatado que o solicitante incide em hipótese de vedação ao enquadramento, torna-se incabível seu pedido de inclusão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmentel) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmentel) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
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EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.SÚMULA CARF Nº 02 É vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade da lei, bem como o de eventuais ofensas pela norma legal aos princípios constitucionais. Aplicação Súmula CARF nº 02. INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. PENDÊNCIAS NÃO SOLUCIONADAS. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. Constatado que o solicitante incide em hipótese de vedação ao enquadramento, tornase incabível seu pedido de inclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmentel) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmentel) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 11 65 /2 01 2- 13 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13603.721165/201213 Acórdão n.º 1001000.497 S1C0T1 Fl. 3 2 EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 70 a 78) interposto contra o Acórdão nº 0129.679, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 52 a 67), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 INDEFERIMENTO DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. PENDÊNCIAS NÃO SOLUCIONADAS. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo. Constatado que o solicitante incide em hipótese de vedação ao enquadramento, tornase incabível seu pedido de inclusão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Trata o processo de manifestação de inconformidade da interessada contra o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, da DRF/CONTAGEM MG, de 02/01/2012, nº de registro 00.04.74.80.29, de 15/03/2012, fls. 26/32, que impediu sua adesão ao Simples Nacional. O motivo do indeferimento foi: “ Débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil de natureza previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13603.721165/201213 Acórdão n.º 1001000.497 S1C0T1 Fl. 4 3 Lista de Débitos (...) Débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil de natureza não previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Lista de Débitos (...) Lista de Parcelamentos 1)Parcelamento: Empresa possui irregularidade de recolhimento nos parcelamentos PAEX.” Inconformada, em 27/03/2012, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 02/05), onde, em síntese, alega que: 1) A interessada efetuou o pagamento dos débitos consignados no Termo de Indeferimento supracitado; 2) A Lei 10.522/2002 instituiu, no âmbito da RFB e da PGFN, o parcelamento ordinário de tributos devidos; 3) Finalmente requer sua inclusão no Simples Nacional." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário alegando que (i) a decisão ora recorrida feriu a Constituição Federal; e (ii) as contribuinte não detinha qualquer débito exigível à época dos fatos narrados. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13603.721165/201213 Acórdão n.º 1001000.497 S1C0T1 Fl. 5 4 O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme relatado, a Recorrente alega em seu recurso que o indeferimento de sua opção pelo Simples feriu os dispostos na Constituição Federal, mais especificamente, os de seus artigos. 146 e 5º, inciso II. Ocorre que é vedado aos julgadores administrativos analisarem a inconstitucionalidade de lei. Tal entendimento já foi sumulado por meio do enunciado CARF de nº 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Destarte, tal impeditivo impossibilita o acolhimento das razões da parte enquanto aos argumentos de inconstitucionalidade, razão pela qual afastoos de plano, sem a necessidade de maiores analises quanto ao tema. Superada as argumentações da inconstitucionalidade, a Recorrente, em breves linhas, reiterou as afirmações de primeira instância de que não teria qualquer pendência exigível que obstasse sua opção pelo Simples. Contudo, não apresentou qualquer prova ou argumentação mais consistente que pudesse infirmar tudo o que já fora analisado e concluído pela decisão de piso. Desta forma, em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) A questão em foco pautase no reconhecimento, ou não, da possibilidade de ingresso na sistemática de tributação em apreço, uma vez que a situação da interessada junto ao Portal do Simples Nacional na internet é de que existiam situações impeditivas, consoante tela, fls. 12/13: “ Débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil de natureza previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Débito com a Secretaria da Receita Federal do Brasil de natureza não previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa. Fundamentação Legal: Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Lista de Parcelamentos 1)Parcelamento: Empresa possui irregularidade de recolhimento nos parcelamentos PAEX.” Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13603.721165/201213 Acórdão n.º 1001000.497 S1C0T1 Fl. 6 5 Registrese que, conforme fls. 26/32, verifiquei que a empresa efetuou a solicitação da opção pelo Simples Nacional em 02/01/2012, embora a data de registro seja 15/03/2012. Quanto ao mérito, por oportuno, reproduzimos abaixo o diploma legal ao norte mencionado: Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: I que explore atividade de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, gerenciamento de ativos (asset management), compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring); II que tenha sócio domiciliado no exterior; III de cujo capital participe entidade da administração pública, direta ou indireta, federal, estadual ou municipal; IV (REVOGADO); V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; [...........................................................]” Em sua Manifestação de Inconformidade à fls. 03, a empresa alega que os débitos que impediram sua inclusão no Simples Nacional foram pagos ou parcelados. Discordo. Consoante telas do SIEF às fls. 33/34, verifiquei que, com relação aos débitos relativos à CPMF, códigos 7213 e 7226, não constam pagamentos para os mesmos. O artigo 6º da Resolução do Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN) nº 94, de 29 de novembro de 2011, assim dispunha: “Resolução CGSN nº 94/2011 Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput ) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5 º . (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2 º ) Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13603.721165/201213 Acórdão n.º 1001000.497 S1C0T1 Fl. 7 6 § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput ) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo;” É de suma importância observar que as presunções “juris tantum”, muito embora admitam prova em contrário, dispensam do ônus da prova aquele a favor de quem se estabeleceram, cabendo ao sujeito passivo, no caso, a produção de provas em contrário, no sentido de ilidílas. Esse também é o entendimento do Egrégio Conselho de Contribuintes, exarado no Acórdão do 1º CC nº 010.071/1980, do qual se destaca o seguinte trecho: “O certo é que cabendo ao fisco detectar os fatos que constituem o conteúdo das regras jurídicas em questão, e constituindose esses fatos em presunções legais relativas de rendimentos tributáveis, não cabe ao fisco infirmar a presunção, sob pena de laborar em ilogicidade jurídica absoluta. Pois, se o fisco tem a possibilidade de exigir o tributo com base na presunção legal, não me parece ter o menor sentido impor ao fisco o dever de provar que a presunção em seu favor não pode subsistir. Pareceme elementar que a prova para infirmar a presunção há de ser produzida por quem tem interesse para tanto. No caso, o contribuinte.” A jurisprudência administrativa é mansa e pacífica no tocante à necessidade de provas concretas com o fito de se elidir a tributação erigida por lançamento. À Fazenda Pública cabe tornar evidente o fato constitutivo do seu direito. Cabe ao litigante provar os fatos modificativos ou extintivos desse direito. Cumpre reproduzir aqui o disposto no art. 16, III e § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 16. A impugnação mencionará: ............ III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; ............. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Não comprovada as alegações do sujeito passivo, tem a autoridade fiscal o poder/dever de efetuar o lançamento do imposto correspondente. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13603.721165/201213 Acórdão n.º 1001000.497 S1C0T1 Fl. 8 7 Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do Princípio da Legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tãosomente a inquestionável observância da legislação. A autoridade lançadora não deve nem pode fazer um juízo valorativo sobre a conveniência do lançamento. O lançamento tributário é rigidamente regrado pela lei, ou, no dizer do art. 3º do CTN, é “atividade administrativa plenamente vinculada”. Conforme o art. 142 do CTN, ocorrido o fato gerador a autoridade fiscal deve constituir o crédito tributário, calculando a exigência de acordo com a lei vigente à época do fato, não tendo repercussão a atual situação econômicofinanceira do sujeito passivo. Em vista disso, a empresa estava impedida de ingressar no Simples Nacional, em virtude de não haver solucionado tempestivamente, até 31/01/2012, as pendências com a Fazenda Nacional que a impediram de ingressar no Simples Nacional. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmentel) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.002230/2010-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO SOBRE PONTO CABIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES.
Admitem-se, excepcionalmente, efeitos infringentes nos embargos de declaração, quando constatada a inexistência de análise de matéria sobre a qual a turma deveria ter se manifestado em acórdão exarado pelo CARF.
EMBARGOS INOMINADOS. CABIMENTO.
Constatado lapso manifesto em acórdão exarado pelo CARF cabem embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão.
REPRESENTAÇÃO FISCAIS PARA FINS PENAIS. CARF. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Súmula Carf 28 vinculante)
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2008
SUJEIÇÃO PASSIVA. SIMULAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO. INTERPOSTA PESSOA. PRIMAZIA DA REALIDADE.
O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária. A autuada, na condição de efetiva tomadora do trabalho de segurados que lhe prestam serviços através de interposta pessoa, é obrigada ao recolhimento das contribuições devidas.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. ERRO NA QUALIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INOCORRÊNCIA.
Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do artigo 142 do CTN e do artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, mormente quando o sujeito passivo está devidamente caracterizado pelo conjunto probatório trazido aos autos.
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.
O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CARACTERIZAÇÃO DA CONDIÇÃO DE SEGURADO E DE EMPRESA. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA.
São considerados segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de empregados, os trabalhadores que prestam serviços à empresa, quando configurados os pressupostos do artigo 12, inciso I, alínea "a", da Lei nº 8.212, de 1991.
Para a verificação da ocorrência do fato gerador (artigo 116 do CTN) das contribuições previdenciárias, é condição necessária e suficiente a caracterização da condição de segurado e de empresa, o que se procede mediante a subsunção dos fatos analisados às normas contidas na Lei n° 8.212, de 1991.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INTERPOSTA PESSOA OPTANTE DO SIMPLES. EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE.
O procedimento administrativo de caracterização da prestação de serviços por segurados à outra empresa que não aquela para a qual foi contratado tem por fundamento os princípios da primazia da realidade e da verdade material, sendo irrelevante qualquer procedimento de desconstituição, inaptidão ou exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES.
RELATÓRIO DE VÍNCULOS.
Os documentos "Relação de Co-Responsáveis - CORESP, "Relatório de Representantes Legais - RepLeg e Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Súmula CARF nº 88)
Numero da decisão: 2301-005.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos Embargos de Declaração e dos Embargos Inominados com efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2403-002.351, de 19/11/2013, retificar o acórdão embargado para conhecer em parte do recurso voluntário, desconhecendo das alegações referentes à representação fiscal para fins penais, afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato que, negando efeitos infringentes aos embargos, deram provimento ao recurso e os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto e Wesley Rocha, que deram provimento ao recurso apenas na questão dos juros de mora.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO SOBRE PONTO CABIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. Admitem-se, excepcionalmente, efeitos infringentes nos embargos de declaração, quando constatada a inexistência de análise de matéria sobre a qual a turma deveria ter se manifestado em acórdão exarado pelo CARF. EMBARGOS INOMINADOS. CABIMENTO. Constatado lapso manifesto em acórdão exarado pelo CARF cabem embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. REPRESENTAÇÃO FISCAIS PARA FINS PENAIS. CARF. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Súmula Carf 28 vinculante) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2008 SUJEIÇÃO PASSIVA. SIMULAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO. INTERPOSTA PESSOA. PRIMAZIA DA REALIDADE. O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária. A autuada, na condição de efetiva tomadora do trabalho de segurados que lhe prestam serviços através de interposta pessoa, é obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. ERRO NA QUALIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do artigo 142 do CTN e do artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, mormente quando o sujeito passivo está devidamente caracterizado pelo conjunto probatório trazido aos autos. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CARACTERIZAÇÃO DA CONDIÇÃO DE SEGURADO E DE EMPRESA. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA. São considerados segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de empregados, os trabalhadores que prestam serviços à empresa, quando configurados os pressupostos do artigo 12, inciso I, alínea "a", da Lei nº 8.212, de 1991. Para a verificação da ocorrência do fato gerador (artigo 116 do CTN) das contribuições previdenciárias, é condição necessária e suficiente a caracterização da condição de segurado e de empresa, o que se procede mediante a subsunção dos fatos analisados às normas contidas na Lei n° 8.212, de 1991. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INTERPOSTA PESSOA OPTANTE DO SIMPLES. EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE. O procedimento administrativo de caracterização da prestação de serviços por segurados à outra empresa que não aquela para a qual foi contratado tem por fundamento os princípios da primazia da realidade e da verdade material, sendo irrelevante qualquer procedimento de desconstituição, inaptidão ou exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. Os documentos "Relação de Co-Responsáveis - CORESP, "Relatório de Representantes Legais - RepLeg e Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Súmula CARF nº 88)
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OMISSÃO SOBRE PONTO CABIMENTO. EFEITOS INFRINGENTES. Admitemse, excepcionalmente, efeitos infringentes nos embargos de declaração, quando constatada a inexistência de análise de matéria sobre a qual a turma deveria ter se manifestado em acórdão exarado pelo CARF. EMBARGOS INOMINADOS. CABIMENTO. Constatado lapso manifesto em acórdão exarado pelo CARF cabem embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. REPRESENTAÇÃO FISCAIS PARA FINS PENAIS. CARF. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Súmula Carf 28 vinculante) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2008 SUJEIÇÃO PASSIVA. SIMULAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO. INTERPOSTA PESSOA. PRIMAZIA DA REALIDADE. O Fisco está autorizado a descaracterizar a relação formal existente, com base nos arts. 142 e 149, VII, do CTN, e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, quem efetivamente possui relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária. A autuada, na condição de efetiva tomadora do trabalho de segurados que lhe prestam serviços através de interposta pessoa, é obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 22 30 /2 01 0- 58 Fl. 759DF CARF MF 2 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. ERRO NA QUALIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do artigo 142 do CTN e do artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, mormente quando o sujeito passivo está devidamente caracterizado pelo conjunto probatório trazido aos autos. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CARACTERIZAÇÃO DA CONDIÇÃO DE SEGURADO E DE EMPRESA. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA. São considerados segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de empregados, os trabalhadores que prestam serviços à empresa, quando configurados os pressupostos do artigo 12, inciso I, alínea "a", da Lei nº 8.212, de 1991. Para a verificação da ocorrência do fato gerador (artigo 116 do CTN) das contribuições previdenciárias, é condição necessária e suficiente a caracterização da condição de segurado e de empresa, o que se procede mediante a subsunção dos fatos analisados às normas contidas na Lei n° 8.212, de 1991. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INTERPOSTA PESSOA OPTANTE DO SIMPLES. EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE. O procedimento administrativo de caracterização da prestação de serviços por segurados à outra empresa que não aquela para a qual foi contratado tem por fundamento os princípios da primazia da realidade e da verdade material, sendo irrelevante qualquer procedimento de desconstituição, inaptidão ou exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. Os documentos "Relação de CoResponsáveis CORESP”, "Relatório de Representantes Legais RepLeg” e “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Súmula CARF nº 88) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos Embargos de Declaração e dos Embargos Inominados com efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2403002.351, de 19/11/2013, retificar o acórdão embargado para conhecer em parte do recurso voluntário, desconhecendo das alegações Fl. 760DF CARF MF Processo nº 13971.002230/201058 Acórdão n.º 2301005.240 S2C3T1 Fl. 759 3 referentes à representação fiscal para fins penais, afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato que, negando efeitos infringentes aos embargos, deram provimento ao recurso e os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto e Wesley Rocha, que deram provimento ao recurso apenas na questão dos juros de mora. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de embargos de declaração (efls. 707/716) interpostos pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC, titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução, com fulcro no inciso V, § 1º do Art. 65 do RICARF, contra o Acórdão nº 2403002.351 (efls. 681/699) da extinta 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL INADEQUADA. MÉRITO. O lançamento que não se sustenta mediante a apresentação de provas, torna nulo o ato de forma insanável. Também a inadequada fundamentação legal inquina o lançamento de vício que enseja nulidade. Entretanto, o § 3º, inciso II, artigo 59 do Decreto 70.235/72, admitida a nulidade, determina que: “ § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei n 8.748, de 1993) Recurso Voluntário Provido. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, Fl. 761DF CARF MF 4 em acolher os Embargos de Declaração para sanar a contradição, rerratificando o Acórdão no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Alega o embargante a existência de omissão da Turma Julgadora na análise de ponto sobre o qual deveria ter se manifestado no julgamento do processo, atraindo a possibilidade de oposição dos embargos, a teor da parte final do caput do art. 65 do RICARF: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. (grifei) Justifica que, na condução do voto do relator, em relação ao mérito, foi analisado somente a não exclusão do Simples das empresas ditas interpostas em relação à autuada, todavia a turma teria deixado de apreciar o ponto central da autuação que foi a caracterização de vínculo empregatício de segurados contratados simuladamente por outras pessoas jurídicas. Cientificado do resultado do julgamento e dos embargos opostos em 05/06/2015 (efl. 719), o contribuinte apresentou "manifestação acerca dos embargos declaratórios" (efls. 721/726) requerendo que fossem desprovidos sob os seguintes fundamentos: a) falta de indicação precisa do vício embargado; b) impossibilidade de rediscussão do mérito via embargos declaratórios; e c) da existência de fundamento autônomo não impugnado. Os embargos foram admitidos nos termos do Despacho s/nº de efls. 746/747. Além da omissão apontada pelos embargos já acolhidos, foram constatados evidentes lapsos manifestos no Acórdão nº 2403002.351, por não terem sido apreciadas e votadas as seguintes alegações constantes do Recurso Voluntário (efls. 577/637): a) preliminares: a.1) nulidade da autuação, por erro na identificação do sujeito passivo; a.2) impossibilidade de atribuição de responsabilidade solidária aos representantes legais constantes do Relatório de Vínculos; b) no mérito: b.1) afastamento da taxa Selic sobre a multa de ofício; e b.2) impossibilidade do seguimento de Representação Fiscal para Fins Penais antes do julgamento definitivo do presente processo. O artigo 66 do RICARF dispõe que as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto existentes na decisão deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. É o relatório. Fl. 762DF CARF MF Processo nº 13971.002230/201058 Acórdão n.º 2301005.240 S2C3T1 Fl. 760 5 Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora EEMMBBAARRGGOOSS IINNOOMMIINNAADDOOSS Além da omissão apontada pelos embargos já acolhidos, foram verificados lapsos manifestos pela falta de apreciação e julgado de algumas matérias apontadas no recurso voluntário do contribuinte. Proponho, pois, a admissão e acolhimento dos embargos inominados, com base no art. 66 do RICARF, para que os lapsos manifestos sobre as seguintes matérias sejam corrigidos: a) preliminares: a.1) nulidade da autuação, por erro na identificação do sujeito passivo; a.2) impossibilidade de atribuição de responsabilidade solidária aos representantes legais constantes do Relatório de Vínculos; b) no mérito: b.1) afastamento da taxa Selic sobre a multa de ofício; e b.2) impossibilidade do seguimento de Representação Fiscal para fins penais antes do julgamento definitivo do presente processo. EEMMBBAARRGGOOSS DDEE DDEECCLLAARRAAÇÇÃÃOO Os embargos são tempestivos e foram regularmente admitidos pelo Presidente desta Turma. Portanto, dele conheço. Os embargos de declaração são cabíveis para: a) esclarecer obscuridade, suprir omissão ou eliminar contradição entre a decisão e seus fundamentos; e b) suprir omissão de ponto sobre o qual devia se pronunciar a turma julgadora. Em hipóteses excepcionais, podem serlhes dados efeitos infringentes. Os embargos foram admitidos conforme despacho s/nº nos seguintes termos: "Mediante análise dos autos, verificase que assiste razão à embargante, uma vez que a turma deixou de analisar e se manifestar acerca de ponto central da autuação, qual seja, a constatação de vínculo empregatício de segurados contratados pela empresa Indústria de Relógios Herweg SA por interpostas pessoas jurídicas (EGM e QUARTZ), através de simulação de prestação de serviços." Do voto do relator do acórdão embargado é possível verificar que, ao analisar o mérito, este conclui que a motivação para o lançamento teria sido a prestação de serviços de locação de mãodeobra pelas empresas QUARTZ e EGM para a autuada, e não o uso de Fl. 763DF CARF MF 6 interpostas pessoas jurídicas através de simulação, conforme os excertos colacionados abaixo, com os grifos do original (efls. 697/698): No item 4 do Relatório Fiscal de fls. 70, as Autoridades autuantes registram que o crédito tributário não foi constituído em razão de inadimplências do sujeito passivo do lançamento em comento mas sim sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais constante da folha de pagamento das empresas E.G.M. Industria e Comércio Ltda e QUARTZ Industria e Comercio Ltda. Afirma ainda que as irregularidades foram amplamente demonstradas na Representação Fiscal que deu início à baixa de ofício da inscrição da E.G.M. Industria e Comércio Ltda e QUARTZ Industria e Comercio Ltda. “ 4. A remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais constante da folha de pagamento da E.G.M. Industria e Comércio Ltda e QUARTZ Industria e Comercio Ltda, no período abaixo, é a base de cálculo da contribuição lançada neste AI, haja vista que a autuada era a beneficiária dos serviços prestados por estes segurados os quais estavam sob sua orientação, supervisão e subordinação, fato que foi amplamente demonstrado na Representação Fiscal que deu início à baixa de ofício da inscrição da E.G.M. Industria e Comércio Ltda e QUARTZ Industria e Comercio Ltda.” No Recurso Voluntário de fls.580, a Recorrente afirma que na forma do processo de n° 13971.001447/200311 a empresa QUARTZ Industria e Comercio Ltda, interpusera Manifestação de Inconformidade sobre Ato Declaratório n° 111 de Exclusão do SIMPLES e que até 11/06/2010 não houvera sido cientificada de qualquer decisão. Pesquisa no eprocesso realizada em 01/02/2013, revela que a empresa interpôs Recurso Voluntário que ainda não foi sorteado para julgamento. Na seqüência, no que se refere a empresa E.G.M. Industria e Comércio Ltda, recorrendo de Ato Declaratório n° 34 de Exclusão do SIMPLES, na forma do processo de n° 13971.001444/200388, em 12/08/2010, o Recurso Voluntário interposto junto a este Conselho lhe dera provimento cujo Acórdão afirma ter colacionado em sede de impugnação. Às fls. 219, consta o Ato Declaratório Executivo DRF/BLU n° 034, de 10 de setembro de 2007 conforme proposto pela Autoridade autuante a empresa E.G.M. INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA EPP, fora excluída do Sistema Integrado de Pagamento de impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples): “ (..) Situação excludente (evento 321) Descrição: realizar operações relativas à prestação de serviços de locação de mãodeobra. Fl. 764DF CARF MF Processo nº 13971.002230/201058 Acórdão n.º 2301005.240 S2C3T1 Fl. 761 7 Fundamentação Legal: Lei n° 9.317/96: alínea " f do inciso XII do artigo 9° combinado com o inciso I do artigo 14, o artigo 12, os incisos II, e os parágrafos terceiro e quarto, todos do artigo 15.”(grifos de minha autoria) Na oportunidade, por unanimidade, fora concedido provimento ao Recurso Voluntário Interposto que recorrera da decisão da DRJ Florianópolis. A síntese do “decisium” se expressa na ementa do referido voto: PROVA. A pessoa jurídica não pode ser excluída do SIMPLES no caso de não restar evidenciada, de forma inequívoca, a situação excludente descrita expressamente no ato declaratório de exclusão, cujos fundamentos de fato e de direito vinculam a Administração Pública. ” ( grifos de minha autoria) Consulta ao eprocesso revela : processo excluído. Como se observa, a motivação para se exarar o Ato Declaratório consta registrada na forma abaixo transcrita do documento de fls. 219: “ Situação excludente (evento 321) Descrição: realizar operações relativas à prestação de serviços de locação de mãodeobra.” Desse modo, tendo sido desconsiderado o Ato Declaratório, desconsidera foi a razão de sua edição ou seja: não se configurou que a empresa realizava operações relativas à prestação de serviços de locação de mãodeobra. Como visto alhures, o Auto de Infração em tela foi lavrado pelo fato de as Autoridades autiauntes terem se convencido de que as empresas empresas E.G.M. Industria e Comércio Ltda e da QUARTZ Industria e Comercio Ltda. realizavam operações relativas à prestação de serviços de locação de mãodeobra para a autuada. Na forma do multicitado item 4 do Relatório Fiscal de fls. 70, as Autoridades autuantes registram que o crédito tributário não foi constituído em razão de inadimplências do sujeito passivo do lançamento em comento mas sim sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais constante da folha de pagamento da das empresas E.G.M. Industria e Comércio Ltda e da QUARTZ Industria e Comercio Ltda em razão de a autuada ser a beneficiária dos serviços prestados por esses segurados: ... Assim, desmaterializado o fato gerador da constituição do crédito e uma vez resgatada a condição de empresa ao SIMPLES, a tributação deve observar a legislação de regência. Os créditos constituídos da forma como foram não podem prosperar tendo em vista que o fizeram como se a empresa estivesse definitivamente excluída do regime especial. Fl. 765DF CARF MF 8 Não há no citado voto do relator qualquer análise referente à caracterização dos segurados empregados das empresas interpostas (QUARTZ e EGM) como segurados empregados da empresa HERWEG. Assim, resta claro que o ponto basilar da autuação não foi analisado, assistindo razão à embargante, devendo ser admitidos os embargos de declaração opostos. Admitidos ambos os embargos, passo à análise dos pontos omissos no acórdão atacado. PPRREELLIIMMIINNAARREESS AA)) NNUULLIIDDAADDEESS As nulidades no Processo Administrativo Fiscal estão previstos no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, e art. 142 do CTN: Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Estando pressentes todos os requisitos do lançamento e não se verificando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se falar em nulidade do lançamento. BB)) EERRRROO NNAA IIDDEENNTTIIFFIICCAAÇÇÃÃOO DDOO SSUUJJEEIITTOO PPAASSSSIIVVOO Argui a recorrente a nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo. Alega que o fisco promoveu uma grande "confusão" ao desconsiderar os vínculos empregatícios com as empresas Quartz e EGM, deslocandoos para a autuada; que o correto seria, se fosse o caso, a exclusão do Simples dessas empresas e consequente cobrança das contribuições previdenciárias devidas delas. Verificado o inadimplemento das contribuições previdenciárias o Auditor fiscal tem o dever de constituir o lançamento mediante o respectivo auto de infração contra o sujeito passivo identificado. O art. 22, I da Lei nº 8.212/91 estabelece que as contribuições previdenciárias patronais incidem sobre "o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços". Fl. 766DF CARF MF Processo nº 13971.002230/201058 Acórdão n.º 2301005.240 S2C3T1 Fl. 762 9 De acordo com o relatório fiscal as empresas QUARTZ e EGM existiam apenas para abrigar a mãodeobra da recorrente (IND. RELÓGIOS HERWEG), ficando configurada a realização de ato simulado. Em decorrência, as empresas interpostas foram baixadas de ofício por inexistentes de fato. Para a verificação da ocorrência do fato gerador (art. 116 do CTN) das contribuições sociais previdenciárias, é condição necessária e suficiente a caracterização da condição de segurado e de empresa, o que se procede mediante a subsunção dos fatos analisados às normas contidas na Lei n° 8.212/91. Assim pode ocorrer de as relações que se mostrem existentes no campo meramente formal sejam desconsideradas por não refletirem, em substância, a realidade dos fatos, em atenção aos princípios da primazia da realidade e da verdade material. Ressaltese que o procedimento administrativo de caracterização da prestação de serviços por segurados à outra empresa que não aquela para o qual foi contratado, posto que baseado nos princípios acima citados, torna irrelevante qualquer procedimento de desconstituição, inaptidão ou exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES. Ademais, o lançamento atendeu a todos os requisitos do art. 142 do CTN não se verificando a ocorrência de quaisquer vícios na sua constituição: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Ficando comprovado que a real empregadora é a recorrente não há que se falar em erro na sua identificação como sujeito passivo da obrigação tributária. BB)) RREESSPPOONNSSAABBIILLIIDDAADDEE DDOOSS SSÓÓCCIIOOSS Com relação à arguição de nulidade da autuação pela responsabilidade atribuída aos sócios por meio do Relatório de Vínculos, tal matéria já foi sumulada, firmando o entendimento de que tal documento tem a função meramente informativa: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Sem razão à recorrente. CC)) AAUUTTOO AAPPLLIICCAABBIILLIIDDAADDEE DDOO PPAARRÁÁGGRRAAFFOO ÚÚNNIICCOO DDOO AARRTT.. 111166 CCTTNN Fl. 767DF CARF MF 10 Também não merece prosperar o argumento de que o parágrafo único do art. 116 do CTN careceria de regulamentação por lei ordinária, implicando em nulidade da autuação. A permissão legal para que a autoridade fiscal possa realizar o lançamento decorrente de atos simulados decorre da combinação do art. 116, parágrafo único, com o art. 149, VII, ambos do CTN ponto que será analisado com mais profundidade no mérito. Sobre a auto aplicabilidade do parágrafo único do art. 116 do CTN, defende Leandro Paulsen1: Autoaplicabilidade: "...por já existir, no âmbito federal, uma extensa regulamentação do Processo Administrativo Fiscal (PAF) por meio do Decreto 70235/1972 em que se disciplinam os procedimentos de fiscalização e de julgamento, bem como o processo de consulta e, subsidiariamente pela Lei 9784/1999 que regula o processo administrativo federal no âmbito federal enquanto gênero a desconstituição dos atos e negócios dissimulados prevista no parágrafo único do artigo 116 do CTN independe de novo disciplinamento procedimental, uma vez que PAF já se orienta pelos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório e a Administração Tributária Federal, na fase oficiosa do procedimento fiscal conforme previsto em regulamentos específicos e em manuais de fiscalização , já vem atuando com a participação ativa dos contribuintes na produção do conjunto probatório que embasará eventual lançamento de ofício (REIS, Helcio Lafetá. Planejamento Tributário abusivo: violaçao da imperatividade da norma jurídica, RDDT 209/57, fev/2013) " Portanto, afasto as preliminares de nulidade arguidas. MMÉÉRRIITTOO AA)) CCOOMMPPRROOVVAAÇÇÃÃOO DDOO VVÍÍNNCCUULLOO EEMMPPRREEGGAATTÍÍCCIIOO CCOOMM AA RREECCOORRRREENNTTEE O Auto de infração foi lavrado contra a empresa Indústria de Relógios Herweg Ltda em razão da constatação de que teria se utilizado de interpostas pessoas jurídicas para a contratação de seus empregados, através de ato simulado, conforme extraise do relatório fiscal: 1. Este relatório é integrante do Auto de Infração referente ao lançamento fiscal de contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes à contribuição devida pela empresa, incidente sobre a remuneração de segurados empregados, contribuintes individuais e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. 2. Em auditoria realizada na autuada e, concomitantemente, nas empresas E.G.M. Indústria e Comércio Ltda e QUARTZ Indústria e Comércio Ltda constatouse que estas não dispunham de patrimônio e capacidade operacional necessários a realização de seu objetivo social, e foram concebida com o propósito de abrigar mão de obra necessária ao 1 in Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à luz da Doutrina e da Jurisprudência, 16.ed., Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2014, fl. 1018 Fl. 768DF CARF MF Processo nº 13971.002230/201058 Acórdão n.º 2301005.240 S2C3T1 Fl. 763 11 desenvolvimento das atividades da autuada, sendo que todos os recursos eram provenientes da autuada. Pretendeuse desta forma elidirse da incidência da contribuição previdenciária patronal que recairia sobre a folha de pagamento dos empregados e contribuintes individuais da autuada alocandoos na EGM e QUARTZ, empresas optantes pelo SIMPLES. 3. Tal fato foi objeto de Representação Fiscal para Baixa de Ofício da inscrição no CNPJ da E.G.M. Industria e Comércio Ltda e QUARTZ Industria e Comercio Ltda, com base no disposto no artigo 28, inciso II, alínea "a" da IN RFB n° 1.005 de 8 de fevereiro de 2010. 4. A remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais constante da folha de pagamento da E.G.M. Industria e Comércio Ltda e QUARTZ Industria e Comercio Ltda, no período abaixo, é a base de cálculo da contribuição lançada neste AI, haja vista que a autuada era a beneficiária dos serviços prestados por estes segurados os quais estavam sob sua orientação, supervisão e subordinação, fato que foi amplamente demonstrado na Representação Fiscal que deu início à baixa de ofício da inscrição da E.G.M. Industria e Comércio Ltda e QUARTZ Industria e Comercio Ltda. 5. No período fiscalizado a E.G.M. Indústria e Comércio Ltda e a QUARTZ Indústria e Comércio Ltda eram optantes do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES Federal (até 06/2007) e Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES NACIONAL (a partir de 07/2007). 6. A Autuada, no mesmo período, era tributada pelo Lucro Real, desta forma, a contribuição previdenciária patronal incidente sobre a remuneração dos segurados então registrados na E.G.M. Industria e Comércio Ltda e QUARTZ Industria e Comercio Ltda, a qual era substituída pela contribuição do SIMPLES, está sendo objeto de apuração no presente AI. 7. No Anexo 4 consta cópia das Representações Fiscais para Baixa e o seus anexos das empresas QUARTZ Indústria e Comércio Ltda e E.G.M. Indústria e Comércio Ltda. 7.1. O anexo (Anexo 4) das representações é único, mas contém todos os documentos citados em ambas as Representações Fiscais para Baixa. ... Caracterização de Segurados Empregados 10. A Indústria de Relógios Herweg S/A utilizase de subterfúgios ilegais para poder manter uma média de 176 empregados seus alocados em 2 empresas distintas, constituídas em separado para serem optantes pelo SIMPLES e com isso Fl. 769DF CARF MF 12 afastarem as contribuições destinadas à seguridade social, tais empresas operam no mesmo parque fabril e a sua receita advém exclusivamente da Indústria de Relógios HERWEG S/A e de empresas a ela ligada, com maquinários por ela cedidos, e criadas com sócios ("testas de ferro") ligados a Ind. Relógios HERWEG. 11. Pelas evidências encontradas e relatadas nas Representações Fiscais para Baixa de Ofício (cópia Anexo 4) formouse a convicção desta fiscalização de que a Ind. Relógios HERWEG administra e gerencia diretamente a totalidade dos empregados das empresas Ind. Relógios HERWEG, QUARTZ e EGM. Pressupostos Necessários à Condição de Empregado 12. Em decorrência dos fatos relatados, foram realizadas Representações Fiscais para Baixa do CNPJ da QUARTZ INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA e E.G.M. INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA por inexistência de fato, e seus empregados e contribuintes individuais caracterizados como segurados da empresa INDÚSTRIA DE RELÓGIOS HERWEG S/A, consoante o disposto no art. 3° da CLT (DecretoLei n.° 5.452, de 01/05/1943) e o art. 12, inciso I, alínea "a", da Lei n." 8.212, de 24/07/1991, como segue: 13. PESSOALIDADE: (...) 14. NÃOEVENTUALIDADE: (...) 15. SUBORDINAÇÃO: (...) 16. ONEROSIDADE: (...) ... ... O retrocitado relatório explicita que foi constatado através de auditoria nas três empresas que: as empresas E.G.M. e QUARTZ "não dispunham de patrimônio e capacidade operacional necessários a realização de seu objetivo social, e foram concebidas com o propósito de abrigar mão de obra necessária ao desenvolvimento das atividades da autuada", com o intuito de deixar de recolher contribuição previdenciária patronal. Foram feitas as representações fiscais para a baixa de ofício das empresas interpostas e o valor da remuneração dos segurados empregados constante das folhas de pagamento foi atribuído à recorrente real sujeito passivo da obrigação tributária. A recorrente, por sua vez, alega que o fisco promoveu uma grande "confusão" ao desconsiderar os vínculos empregatícios com as empresas Quartz e EGM, deslocandoos para a autuada. Expõe que havia, na prática, apenas a terceirização de mãode obra. Afirma que não há ilegalidade nessa prática, tampouco na contratação de empresas cujos sócios sejam exempregados da contratante. Destaca que o maquinário necessário para as atividades das empresas contratadas foi cedido em regime de comodato. Também entende não ser suficiente para o lançamento, nem ilegal, que a mesma empresa de contabilidade preste serviços a todas as empresas. Fl. 770DF CARF MF Processo nº 13971.002230/201058 Acórdão n.º 2301005.240 S2C3T1 Fl. 764 13 Sustenta que inexistem os citados vínculos empregatícios dos empregados das empresas QUARTZ e EGM com a recorrente e que a fiscalização não teria demonstrado a existência de tais vínculos. Esclarece que, em virtude de sido incluída no polo passivo de ações trabalhistas, "estabeleceu políticas de fiscalização e controle das terceirizadas, mais precisamente, as empresas QUARTZ e EGM, a tal ponto de aferir a confecção de folhas salariais, o pagamento de salários e encargos, bem como dos tributos, tudo para afastar a solidariedade imposta pela fiscalização". Por fim, que não houve a desconsideração dos negócios jurídicos, tampouco a exclusão do Simples das empresas ditas interpostas, ademais, entende inaplicável o art. 116, parágrafo único do CTN. Conforme citado, a motivação do lançamento decorreu da análise de todo um conjunto fáticoprobatório que demonstrou que as empresas não possuíam "patrimônio e capacidade operacional necessários a realização de seu objetivo social", o que levou à consequente baixa de ofício dos respectivos CNPJ. A ocorrência do uso simulado de interpostas pessoas jurídicas está claramente demonstrada no relatório fiscal e anexos, em especial o Anexo 4 (efls. 96 e ss), do qual transcrevo os principais argumentos, de forma resumida: · no período fiscalizado as empresas QUARTZ e EGM eram optantes pelo Simples e a HERWEG tributada pelo Lucro Real; · a HERWEG, durante os anos de 1997/1998, demitiu a maioria de seus empregados (de 194 em nov/1997 apenas 12 permaneciam em nov/1998 na maioria do setor administrativo); · no mesmo período foram criadas 3 novas empresas (QUARTZ, EGM e Plausi esta última incorporada pela EGM em 04/06/2001), todas optantes pelo Simples, situadas no mesmo endereço da autuada (Rua Uruguai, 240 Timbó/SC) e gerenciadas por exempregados da autuada; · os sócios das empresa QUARTZ e EGM estão diretamente ligados à empresa autuada (exempregados, exsócios em outras empresas ou vínculo familiar próximo); · o capital social das empresas QUARTZ e EGM é irrisório comparado com o nº de segurados registrados; · não há qualquer separação física nos galpões da HERWEG que demonstrem quais atividades são desenvolvidas pelas empresas QUARTZ e EGM (ou seja, o espaço físico é utilizado de forma conjunta); · as empresas QUARTZ e EGM não possuem maquinário próprio, sendo todas as atividades desenvolvidas pelo empregados em máquinas de propriedade da HERWEG que, por meio de contrato de comodato, cede o uso às empresas interpostas; Fl. 771DF CARF MF 14 · em entrevista realizada com empregados na sede da autuada, mesmo os empregados registrados nas outras empresas confirmaram que o responsável pela empresa seria o sóciogerente da autuada, inclusive o sócio da empresa Quartz fez tal afirmação; · na contabilidade da empresa HERWEG foram encontrados pagamentos de despesas das empresas QUARTZ e EGM (pagamentos referente a salários, FGTS e despesas com refeições); · a prestação de serviços contábeis e financeiros é feita para todas as empresas pelo escritório CSI Contabilidade Ltda (também constituída por exempregados da autuada e com mesmo endereço da autuada até 05/2009); cheques e rescisões de contrato de trabalho são confeccionadas pela CSI e assinados por suas sócias, que possuem procuração de todas as empresas; · na contabilidade das empresas QUARTZ e EGM os registros de despesas referemse apenas a mão de obra e seus encargos e aos impostos incidentes; não há registro de despesas com energia elétrica, manutenção predial, de máquinas e equipamentos, material de escritório ou material de consumo, ou seja, todas as despesas necessárias para a atividade fabril são suportadas pela autuada; · o faturamento da empresa Quartz nos anos de 2005 e 2006 advinha exclusivamente de receitas de prestação de serviços à autuada, enquanto nos anos seguintes (2007 e 2008) passou a ser de mais de 90%; · mais de 60% do faturamento da empresa EGM, nos anos de 2005 a 2008, era proveniente da prestação de serviços à empresa autuada. Por seu turno, a recorrente rebate as situações descritas no relatório fiscal alegando: a) com relação às despesas das empresas interpostas suportadas pela recorrente: adiantamentos são procedimentos contábeis legais, no pagamento final são deduzidos os valores adiantados, inexistindo óbice na legislação do Imposto de Renda; b) sócios das empresas interpostas são exempregados da recorrente: não há impedimento legal a tal procedimento, constituindo em incentivo aos exempregados; c) terceirização dos serviços de contabilidade e pessoal das empresas interpostas: não há impedimento legal, sendo prática usual no mercado; d) constituição das empresas interpostas com capital social irrisório: cada pessoa jurídica possui personalidade própria e autonomia para estabelecer o seu capital social.; não há determinação legal estabelecendo valor mínimo e máximo para constituição do capital social; e) existência de pessoas ligadas à recorrente nas empresas interpostas: não há previsão legal que impossibilite ser empregado/sócio de prestadora de serviço, tendo sido empregado da atual tomadora de serviço; Fl. 772DF CARF MF Processo nº 13971.002230/201058 Acórdão n.º 2301005.240 S2C3T1 Fl. 765 15 f) estabelecimento no parque fabril da recorrente: legal, mediante contrato de locação; g) máquinas e equipamentos fornecidos sem ônus pela contratante: através de comodato de equipamentos firmado pela recorrente com as empresas prestadoras de serviços, sendo instrumento legítimo e celebrado nos termos da lei civil. h) exclusividade na prestação de serviços: por opção da prestadora, desde 2007 não havia mais a exclusividade; i) patrimônio e capacidade operacional: "ambas as empresas são pessoas jurídicas, de direito privado, contendo seus atos constitutivos os elementos essenciais exigidos pelo Código Civil". A empresa "possui os requisitos fundamentais e necessários à realização de seu objeto , inclusive o seu capital social fora devidamente integralizado. Tanto é que possui empregado, contrata terceiros, realiza negócios jurídicos, ou seja, incorre na atividade econômica de risco." Todavia a recorrente não demonstrou a razão da transferência da maioria dos empregados da recorrente para as empresas interpostas, mantendo apenas ocupantes de cargos administrativos e de supervisão, conforme excerto do relatório constante do anexo 4 (efl.s 100/101): 2.3 As três empresas criadas tem suas sedes no mesmo endereço da Ind. Relógios HERWEG, e os empregados estão nos galpões onde funcionava o setor de produção da Ind. Relógios HERWEG, passando a realizar o processo de produção que era executado unicamente pela empresa Ind. Relógios HERWEG. O número de empregados no endereço "Rua Uruguai n° 240 Bairro Imigrantes Timbó SC" permaneceu estável no ano de 1998, apenas os empregados foram registrados em empresas distintas, (...) 2.4 Os empregados que eram da Ind. Relógios HERWEG foram distribuídos pelas três empresas criadas. Em 03/1998 dos 111 empregados admitidos pelas empresas (QUARTZ/EGM/PLAUSI) cerca de 90 deles eram empregados da Ind. Relógios HERWEG até o mês anterior (02/1998). 2.4.1 Somente alguns empregados/diretores, os quais ocupavam, com poucas exceções, cargos administrativos e de supervisão, como podese observar na planilha abaixo, permaneceram com vínculos na Ind. Relógios HERWEG. Também não trouxe qualquer documento comprobatório das alegadas antecipações de despesas ou dos valores recebidos pelo comodato do maquinário. Apenas juntou notas de serviços da empresa de contabilidade para demonstrar que esta prestava serviços a outras empresas. Destaco ainda o item 2.5 do relatório de efl. 101 que comprova a simulação do negócio jurídico: 2.5 Na teoria a Ind. Relógios HERWEG apenas compra as matériasprimas e manda industrializálas nas empresas Fl. 773DF CARF MF 16 terceirizadas, mas na prática nada mudou na empresa, os empregados estão em um único parque fabril, sob orientação, supervisão e subordinação da empresa Ind. Relógios HERWEG. Por todo o conjunto de provas anexados aos autos, constatase que a operação de "transferência de operações fabris" realizada entre a recorrente e as empresas QUARTZ e EGM não se reveste de mera terceirização, mas sim de simulação de transferência de empregados, na qual a recorrente arca com toda a manutenção de maquinário e instalações, inclusive despesas das empresas interpostas, com o evidente intuito de sonegar a contribuição previdenciária patronal incidente sobre a folha de pagamento, ficando demonstrado que as empresas interpostas não existiam de fato, sendo todas uma mesma entidade. Como visto, tratase da aplicação do princípio da primazia da realidade, princípio emprestado do Direito do Trabalho, plenamente aplicável ao Direito Tributário. Sobre a matéria cito excerto do voto do conselheiro André Luís Mársico Lombardi (Ac. 2302003.144, sessão de 13/05/2014): Com efeito, em atenção aos princípios da primazia da realidade e da verdade material, pode ocorrer de as relações que se mostrem existentes no campo meramente formal sejam desconsideradas por não refletirem, em substância, a realidade dos fatos. E nem se diga que não há amparo no Direito Tributário para a conduta adota pela autoridade fiscal. Segundo Orlando Gomes, ocorre simulação quando em um negócio jurídico se verifica intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar terceiro (Introdução ao Estudo do Direito – 7ªEdição). O Código Civil Brasileiro de 2002 considera nulo o negócio jurídico simulado e assim apresenta as hipóteses em que resta ocorrida a simulação: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. §1°Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados Notese que o conceito de simulação, que, em síntese, consiste em fingir negócio jurídico inexistente, envolve a concepção de dissimulação, que consiste na prática de negócio jurídico para ocultar, encobrir ou disfarçar um negócio jurídico existente. E, de acordo com o art. 118, inciso I do CTN, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Fl. 774DF CARF MF Processo nº 13971.002230/201058 Acórdão n.º 2301005.240 S2C3T1 Fl. 766 17 Diante do quadro normativo exposto, podese concluir que, em atenção aos princípios da primazia da realidade e da verdade material, pode ocorrer de as relações que se mostrem existentes no campo meramente formal sejam desconsideradas por não refletirem, em substância, a realidade dos fatos. Assim, na hipótese de simulação, a autoridade fiscal deve superar o negócio jurídico simulado para aplicar a lei tributária ao negócio jurídico dissimulado. No caso em tela, a simulação ocorreu por intermédio daquilo que se denomina de abuso de forma jurídica, incorrendo a recorrente em modalidade de evasão fiscal (art. 149, VII, e 116, § único, do CTN). Portanto, na presença de simulação, a auditoria fiscal tem o deverpoder de não permanecer inerte, pois tais negócios são inoponíveis ao fisco no exercício da atividade plenamente vinculada do lançamento: CTN Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo,ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária.(Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Portanto, o procedimento administrativo de caracterização da prestação de serviços por segurados à outra empresa que não aquela para o qual foi contratado tem por fundamento os princípios da primazia da realidade e da verdade material e encontra respaldo nos artigos 116, parágrafo único, e 149, VII, do CTN. Portanto, no caso concreto, estamos diante da presença de diversos indícios concordantes, os quais, analisados conjuntamente são prova, conforme excerto de voto do Acórdão CSRF/01 02.743, que evocando jurisprudência do Supremo Tribunal Federal citada por Hely Lopes Meirelles: “Indícios de omissão de receitas é que não faltam. A propósito, como relembra o preclaro mestre Hely Lopes Meirelles, o Egrégio Supremo Tribunal Federal já decidiu que “indícios Fl. 775DF CARF MF 18 vários e concordantes são prova”, com o que, de plano, este relator poderia dar o assunto por encerrado”. (STF, RTJ 52/140 apud Hely Lopes Meirelles in Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo, Malheiros, 22a ed., 1997, p. 97.) De todo o exposto, concluise que, a soma dos elementos trazidos aos autos e não afastados pelo recorrente são suficientes para demonstrar a correção do lançamento fiscal, pelo uso de interpostas pessoas jurídicas (QUARTZ e EGM) pela recorrente (HERWEG) mediante a prática de simulação. BB)) JJUURROOSS SSOOBBRREE AA MMUULLTTAA DDEE OOFFÍÍCCIIOO A recorrente alega que, embora a multa de ofício seja parcela integrante do crédito tributário, a aplicação de juros sobre esta é impossível em face de ausência de previsão legal que autorize tal incidência. Sobre essa matéria, as três turmas da Câmara Superior têm se manifestado pela incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, cito acórdãos nº 9101003.469 –1ª Turma sessão 7/03/2018 relatora Adriana Gomes Rêgo; nº 9202006.473 – 2ª Turma sessão de 30/01/2018 relator Luiz Eduardo de Oliveira Santos e nº 9303006.008 3ª Turma sessão 29/11/2017 redator voto vencedor Andrada Márcio Canuto Natal. Transcrevo excerto do voto do Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que, ao redigir o voto vencedor no citado acórdão nº 9303006.008 expõe com minuciosa precisão a matéria: De acordo com o art. 161 do CTN, o crédito tributário não pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo da sua falta. Dispõe ainda em seu parágrafo primeiro que, se a lei não dispuser de modo diverso, os juros serão cobrados à taxa de 1% ao mês. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (...) De forma que o art 61 da Lei nº 9.430/96 determinou que, a partir de janeiro/97, os débitos vencidos com a União serão acrescidos de juros de mora calculados pela taxa Selic quando não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Entendo que os débitos a que se refere o art. 61 da Lei nº 9.430/96 correspondem ao crédito tributário de que dispõe o art. 161 do CTN. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e Fl. 776DF CARF MF Processo nº 13971.002230/201058 Acórdão n.º 2301005.240 S2C3T1 Fl. 767 19 três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação tributária e tem a mesma natureza desta. Já o art. 113, parágrafo primeiro, do mesmo diploma legal, define que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Assim, se o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, necessariamente deve abranger o tributo e a penalidade pecuniária. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. A multa de ofício aplicada ao presente lançamento está prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 que prevê expressamente a sua exigência juntamente com o tributo devido. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, ao tributo somase a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal, devendo incidir os juros à taxa Selic sobre a sua totalidade. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 777DF CARF MF 20 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Tanto é assim, que a própria Lei 9.430/96, em seu art. 43, prevê a incidência de juros Selic quando a multa de ofício é lançada de maneira isolada. Não faria sentido a incidência dos juros somente sobre a multa de ofício exigida isoladamente, pois ambas tem a mesma natureza tributária. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Por todo o exposto, a multa de ofício proporcional, lançada juntamente com o tributo devido, se não paga no vencimento, sujeitase a juros de mora calculado com base na taxa SELIC por força do disposto no art. 61, caput e §3º da Lei nº 9.430, de 1996. Para reforçar este entendimento, transcrevo abaixo precedentes judiciais e administrativos elaborado pela assessoria jurídica do CARF em estudos internos a respeito da matéria. Julgamento da matéria nos Tribunais Superiores Em 1º de setembro de 2009, a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça assim decidiu nos autos do Recurso Especial nº1.129.990 PR, sob a condução do Ministro Castro Meira: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. Analisouse, no caso, norma estadual questionada sob o argumento de que a multa por inadimplemento de ICMS não integraria o crédito tributário. Interpretando o art. 161 do CTN em conjunto com os arts. 113 e 139 do CTN, o Ministro concluiu que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis e, tendo em conta que o art. 161 do CTN ao se referir ao crédito, está tratando de crédito tributário, concluiu que referido dispositivo autoriza a exigência de juros de mora sobre multas. Fl. 778DF CARF MF Processo nº 13971.002230/201058 Acórdão n.º 2301005.240 S2C3T1 Fl. 768 21 A 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, em 18 de maio de 2010, replicou este entendimento ao decidir o Recurso Especial nº 834.681MG, sob relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO PARA TRIBUTOS ESTADUAIS DIANTE DA EXISTÊNCIA DE LEI AUTORIZADORA. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 879844/MG, DJE DE 25/11/2009, JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. ESPECIAL EFICÁCIA VINCULATIVA DESSE PRECEDENTE (CPC, ART. 543C, § 7º), QUE IMPÕE A ADOÇÃO EM CASOS ANÁLOGOS. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. PRECEDENTE DA 2ª TURMA DO STJ. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. Também se tratava, neste caso, de legislação estadual. Em 04 de dezembro de 2012, a 1ª Turma manteve este posicionamento no julgamento de Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.335.688PR, relatado pelo Ministro Benedito Gonçalves: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Neste caso, a multa de ofício fora lançada com fundamento no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e o sujeito passivo alegava a inexistência, no referido dispositivo legal, de qualquer menção sobre a cobrança de juros de mora. Por fim, em 07 de junho de 2016, a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça mais uma vez aplicou a jurisprudência pacífica do Tribunal, agora em face de Agravo Interno no Agravo em Recurso Especial nº 870.973MG, sob relatoria do Ministro Humberto Martins: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC/73. INEXISTÊNCIA. DEVIDO ENFRENTAMENTO DAS QUESTÕES RECURSAIS. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. ICMS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. BASE DE CÁLCULO. Fl. 779DF CARF MF 22 MATÉRIA DE CUNHO EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. REEXAME. COMPETÊNCIA DO STF. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC/73 quando a prestação jurisdicional é dada na medida da pretensão deduzida, com enfrentamento e resolução das questões abordadas no recurso. 2. Nos termos da jurisprudência pacífica do STJ, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. 3. Da leitura do acórdão recorrido, depreendese que a questão acerca da base de cálculo do ICM/ST foi debatida pelo Tribunal de origem com fundamento eminentemente constitucional, sendo a sua apreciação de competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal, conforme dispõe o art. 102, III, do permissivo constitucional Agravo interno improvido. A análise recaiu, assim, sobre legislação do Estado de Minas Gerais. O Superior Tribunal de Justiça, portanto, não apreciou as questões colocadas em face da redação do art. 61, caput e §3º, da Lei nº 9.430, de 1996. Ementas de acórdãos recentes da CSRF Acórdão nº 9101002.514, de 13 de dezembro de 2016, Relator Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 [...] JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora, conforme estabelecido no art. 161 do CTN. Precedentes do STJ. Acórdão nº 9202004.250, de 23 de junho de 2016, Relatora Maria Helena Cotta Cardozo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 01/01/2004 a 10/09/2004 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional, e sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e negado Acórdão nº 9303004.570, de 8 de dezembro de 2016, Redator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas: Fl. 780DF CARF MF Processo nº 13971.002230/201058 Acórdão n.º 2301005.240 S2C3T1 Fl. 769 23 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2007 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. [...] Sobre a aplicação da taxa Selic, colaciono a Súmula CARF nº 4 que firma o posicionamento a ser seguido por este Colegiado: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Valhome das razões acima, para negar provimento ao recurso voluntário nessa matéria. CC)) IIMMPPOOSSSSIIBBIILLIIDDAADDEE DDOO SSEEGGUUIIMMEENNTTOO DDEE RREEPPRREESSEENNTTAAÇÇÃÃOO FFIISSCCAALL PPAARRAA FFIINNSS PPEENNAAIISS AANNTTEESS DDOO JJUULLGGAAMMEENNTTOO DDEEFFIINNIITTIIVVOO DDOO PPRREESSEENNTTEE PPRROOCCEESSSSOO Sustenta o recorrente a impossibilidade de edição de Representação Fiscal para Fins Penais antes da decisão definitiva na esfera administrativa. Por força da Súmula CARF nº 28 (Vinculante) o Carf não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a processo administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Deixo de conhecer das alegações acerca da Representação Fiscal para Fins Penais. Pelo exposto, no mérito, deixo de conhecer da RFFP e nego provimento às demais alegações do recorrente. AALLEEGGAAÇÇÕÕEESS EEMM MMAANNIIFFEESSTTAAÇÇÃÃOO CCOONNTTRRAA EEMMBBAARRGGOOSS AA))EEXXIISSTTÊÊNNCCIIAA DDEE FFUUNNDDAAMMEENNTTOO AAUUTTÔÔNNOOMMOO NNÃÃOO IIMMPPUUGGNNAADDOO O sujeito passivo, em sua manifestação sobre os embargos, sustenta que a decisão embargada não estaria fundamentada exclusivamente na improcedência da autuação pela não exclusão do Simples das empresas prestadoras de serviços. Que há um "outro argumento que fundamentou a decisão abaixo, podendo inclusive ser considerado um dos mais fortes expostos no acórdão embargado, se trata do reconhecimento da inexistência de norma antielisiva que possibilite a aplicação do parágrafo único do art. 116 do CTN.". E destaca o seguinte trecho do voto do relator: Fl. 781DF CARF MF 24 Como se nota passou desapercebido pelo instância “ ad quod ” a parte final do exortado art. 116 do CTN onde se determina obrigatório observar os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Assim fazse necessário que a desconsideração de negócio jurídico tenha suporte em lei ordinária própria a qual deve constar da fundamentação legal. Neste mesmo diapasão, também se observa que o referido parágrafo 3º do artigo 33 da Lei 8.212/91 trazido à colação pelo i. Julgador não se coaduna com os fatos em comento em razão do lançamento não se tratar de sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente. Alega que, mesmo que haja manifestação sobre os argumentos do embargante, não haveria alteração do resultado do julgado, "posto que o acórdão embargado está alicerçado em fundamento autônomo apto, por si só, a manter o julgado". Entende aplicável a Súmula nº 283 do STF. Súmula nº 283 STF Enunciado: É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles. Cabe tecer alguns comentários acerca da questão. Inicialmente, entendo que o enunciado da Súmula retrotranscrita não é aplicável no caso de embargos, visto que este deve aterse ao ponto "obscuro, omisso ou contraditório" do acórdão embargado, não necessitando atacar todos os pontos do acórdão. A turma do acórdão embargado, por unanimidade de votos, julgou favorável o mérito do lançamento, deixando de declarar a nulidade, com fundamento no § 3º do art. 59 do Decreto 70.235/72, não constando na parte dispositiva do acórdão qualquer referência à manifestação dos conselheiros sobre a nulidade arguida pelo relator originário, conforme registro da parte dispositiva da ementa e conclusão do voto do relator: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para sanar a contradição, rerratificando o Acórdão no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. VOTO ... DA NULIDADE E DO MÉRITO Embora maculado pela incorreta fundamentação legal que ensejaria a nulidade do lançamento, sob o comando do § 3º do art. 59 do decreto 70.235/72, reiterado no § 3º do art. 12 do Decreto 7.574, de setembro de 2011 , quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta, verbis: “ Art. 59. São nulos: Fl. 782DF CARF MF Processo nº 13971.002230/201058 Acórdão n.º 2301005.240 S2C3T1 Fl. 770 25 § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir lhe a falta.( Incluído pela Lei n 8.748, de 1993 ) ” Assim , em face de tudo que foi exposto, cumpre dar provimento às alegações da recorrente que por economia processual deixo de enfrentálas pontualmente. CONCLUSÃO Conheço do recurso para, NO MÉRITO, DARLHE PROVIMENTO. (grifos no original) Por todo o exposto no presente voto, a pretensa nulidade resta aqui afastada. CCOONNCCLLUUSSÃÃOO Pelo exposto, voto por acolher os embargos de declaração e os embargos inominados, para, suprindo a omissão e os lapsos manifestos e dandolhe efeitos infringentes, retificar o acórdão embargado, conhecendo em parte do recurso voluntário, exceto com relação à matéria Representação Fiscal para Fins Penais, afastar as preliminares e, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. Andrea Brose Adolfo Fl. 783DF CARF MF
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Numero do processo: 16095.720117/2015-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. LUCRO REAL. HIPÓTESE DE ARBITRAMENTO. É ilegal o lançamento com base no lucro real nas hipóteses em que a escrita contábil do contribuinte torna-se imprestável, devendo a autoridade administrativa proceder o arbitramento, nos termos dos arts 529 e 530 do RIR e art. 47 da Lei no. 8.981/95.
ANULAÇÃO DO LANÇAMENTO. MODIFICAÇÃO DE REGIME JURÍDICO. A modificação do regime jurídico de apuração do tributo do lucro real para o arbitrado, não é um mero ajuste na base calculada do imposto lançado, caracteriza-se como erro na fundamentação jurídica do lançamento, cuja resolução implica incidência de outra norma jurídica. Tal equivoco não pode simplesmente ser corrigido pela administração, em garantia as disposições dos artigos 142 e 149 do CTN, muito menos em sede de processo administrativo. É necessário a realização de outro ato de lançamento (aplicação), respeitando-se o prazo decadencial, pois o fundamento jurídico será diferente daquele que o Contribuinte impugnou no processo.
Numero da decisão: 1401-002.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para exonerar a exigência. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Ailton Neves da Silva.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercício), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Ailton Neves da Silva (suplente convocado em substituição do Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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LUCRO REAL. HIPÓTESE DE ARBITRAMENTO. É ilegal o lançamento com base no lucro real nas hipóteses em que a escrita contábil do contribuinte tornase imprestável, devendo a autoridade administrativa proceder o arbitramento, nos termos dos arts 529 e 530 do RIR e art. 47 da Lei no. 8.981/95. ANULAÇÃO DO LANÇAMENTO. MODIFICAÇÃO DE REGIME JURÍDICO. A modificação do regime jurídico de apuração do tributo do lucro real para o arbitrado, não é um mero ajuste na base calculada do imposto lançado, caracterizase como erro na fundamentação jurídica do lançamento, cuja resolução implica incidência de outra norma jurídica. Tal equivoco não pode simplesmente ser corrigido pela administração, em garantia as disposições dos artigos 142 e 149 do CTN, muito menos em sede de processo administrativo. É necessário a realização de outro ato de lançamento (aplicação), respeitandose o prazo decadencial, pois o fundamento jurídico será diferente daquele que o Contribuinte impugnou no processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para exonerar a exigência. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Ailton Neves da Silva. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Presidente em Exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 01 17 /2 01 5- 26 Fl. 8044DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes (Presidente em Exercício), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Ailton Neves da Silva (suplente convocado em substituição do Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Recife (PE) que manteve o crédito tributário decorrente de supostas infrações à legislação tributária, exigindose do contribuinte o IRPJ, CSLL, Cofins e PIS. O crédito tributário total importou em R$ 130.296.760,31, fl. 2354. De acordo com os autos de infração e com o Termo de Verificação Fiscal e Constatação de Irregularidades, fls. 2194/2220, o lançamento, que se refere aos anos calendário 2010, 2011 e 2012, decorreu da glosa de custos contabilizados com base em documentos inidôneos, tendo enquadramento legal no art. 3º da Lei nº 9.249/1995 e artigos 217, 247, 248, 249, inciso I, 251, 256, 277, 278, 289 e 290 do RIR/1999, conforme valores discriminados na tabela abaixo: IRPJ R$62.822.473,62 CSLL R$ 22.619.268,26 COFINS R$ 36.827.324,09 PIS R$ 8.027.694,34 Extraise do Termo de Verificação Fiscal – TVF e Constatação de Irregularidades às fls. 2200/2210 dos autos, que “foram glosadas todas as aquisições de matériasprimas e/ou prestação de serviços que a Metallica informou como tendo sido efetuadas às empresas NEO, LINGUES E MAVERIC”. O auto de infração indica como responsáveis solidários pelo crédito tributário “o Sr. Roberto Costilas Júnior (CPF nº 056.931.13817), Sra. Nívea dos Santos Costilas (CPF nº 087.883.48857), Empresa Europarts Administração de Bens Ltda. (CNPJ nº 03.920.391/000150) e Empresa Eurocon Consultoria e Negócios Ltda. (CNPJ nº 03.430.508/000118). A responsabilidade solidária foi imputada com base no disposto no artigo 124 c/c art. 135, inciso III e art. 17 do Código Tributário Nacional, CTN. e art. 210, inciso VI e parágrafos do RIR/1999”. Fl. 8045DF CARF MF Processo nº 16095.720117/201526 Acórdão n.º 1401002.292 S1C4T1 Fl. 8.045 3 Extraise do TVF, que o "Sr. Roberto Costilas Junior é o mentor intelectual de um grande esquema montado com o intuito de sonegar tributos, utilizandose de pessoas jurídicas de fachadas constituídas como sócios "laranjas", girando milhões de reais para atingir seus fins ilegais". Afirma que “as empresas Metallica, Stillo e Cobrenet são empresas constituídas por laranjas, por pessoas que não possuem nenhuma capacidade empresarial, inclusive houve a suspensão de uma alteração contratual da empresa Stillo por suspeita de [falsificação de assinatura]". Acrescenta ainda, que "as empresas Stillo e Cobrenet simularam a venda para a Metallica, principalmente de sucatas, vergalhões e barras de cobre e bronze, já que a mesma atua no setor de transformação de cobre e suas ligas, desenvolvendo e fabricando produtos laminados como bobinas e tiras, produtos extraídos como barras, perfil, anodos e granalhas, além de fios de cobre”. Acerca da fraude realizada pela autuada, sustenta a fiscalização que restou comprovado “a interposição fraudulenta pelos seguintes motivos: a) Realização de operações milionárias, sem possuírem, no mundo fenomênico, qualquer condição operacional para tal; b) Sócios "laranjas" sem o suficiente poder aquisitivo para movimentar milhões de reais; c) Situação cadastral, ora nula, ora baixada; d) Em nenhuma das empresas, foi constatada a sua existência física, quando em diligências em seus endereços; e) O fato da METALLICA ser o maior (e suposto) comprador das empresas fraudulentas; f) A empresa responsável pelos imóveis supostamente utilizadas pelas empresas Lingues e Neo. é a mesma (FORVM), com o mesmo escritório, fato este que é, no mínimo, um indício de que a pessoa responsável (de fato) por ambas é a mesma pessoa". Cientificado da autuação, o interessado apresenta quatro Impugnações Administrativas, trazendo em seu bojo as seguintes razões: · Impugnação I (apresentada em 14/12/2015 – fls. 2.386/2.395 por NIVEA DOS SANTOS COSTILAS): 1. DO NÃO ENQUADRAMENTO — INFRAÇÕES A LEI: Afirma que “inexistiu a indicação pelo Fisco de favorecimentos, vantagens ou recursos para os terceiros implicados, procedentes das empresas ou dos negócios comerciais fiscalizados nos anos de 2010 a 2012. (...) Ainda, para se falar de interesses no afã de aplicar o art. 124 do CTN necessário seria a comprovação que afastasse qualquer dúvida porque a simples alegação, ou mera presunção não se firma a esse fim”. 2. DA INADEQUAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS DO CTN: Diz que “não existe Lei que atribua à responsabilidade pessoal e direta de terceiros na exigência tributária. A intenção de implicar e coobrigar pessoas a crédito tributário somente acontecerá se existir motivação amparada em robustas provas, que possa enquadrar em um dos dispositivos do Código Tributário Nacional. Não se pode exigir o mesmo crédito tributário de uns e outros como Fl. 8046DF CARF MF 4 se faz no presente caso. Porque se pessoal a responsabilização, excluída estaria a obrigação do contribuinte”. 3. DO NÃO EXCESSO PRATICADO NA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA: Afirma que “descortinase a imputação de responsabilidade sob meras suposições, sem a prova concludente e necessária a legitimar a questão. Mas, poderá resultar no confisco de toda a propriedade do implicado, excesso que já se mostra abusivo. Se considerado o fato de não ter sido indicado nenhum patrimônio a descoberto, a não ser bens adquiridos sob justificada prestação de serviços; não comprovada a participação societária nas empresas com inaptidão cadastral, ou desclassificada as operações comerciais propriamente ditas os tais e supostos negócios simulados em nome da Autuada, cabe atentarse para os excessos dos agentes”. 4. DA INEXISTÊNCIA DE PROVAS: Aduz que não se apresentou nenhuma prova da aventada simulação ou mesmo caracterizado desvios e favorecimentos. E que, “para se falar em interesses deveria estar demonstrado patrimônios indevidos ou vantagens ilícitas, a partir do fato gerador da obrigação, situação não indicada nos autos. O foco são negócios comerciais entre a Autuada e as sociedades Neo, Lingues e Maverick, no ano de 2010, 2011 e 2012. Já os elementos probantes seriam aqueles de uma outra fiscalização levada a efeito no ano de 2008, não se coadunando uma coisa com outra”. 5. Requereu a rejeição do Termo de sujeição passiva solidária, “sob pena dos excessos praticados resultarem em esbulho patrimonial e confisco de propriedades, configurando um abuso”. · Impugnação II apresentada em 14/12/2015 – fls. 2.529/2.577 pela Pessoa Jurídica – METALLICA INDUSTRIAL S/A: 1. DO CERCEAMENTO DE DEFESA: Ressalta que “a empresa autuada insurgese, impugnando integralmente o auto de infração, quer seja quanto a pretensão de impostos (IRPJ, REFLEXOS E IPI) multas, juros, correção, como em relação às alegações, exigências, valores e o enquadramento legal. As narrativas inspiradas ou extraídas do outro TVF, ante a seriedade das acusações, mostramse aqui como premissas inválidas para determinação da persistência de elementos probantes e continuidade de práticas ilícitas. Não se prestam, pois, ao raciocínio de interposição de pessoas, simulação de negócios, benefícios a terceiros, estoques sem comprovações”. 2. Alega que “promoveram quebra de sigilos bancários, após fixação de editais na sede da DRF/São Paulo. Identificaram quantias procedentes da STILLO e METALLICA para um terceiro, Sr. Roberto Costilas Junior, e relegando os documentos que respaldavam o recebimento dos valores, insinuaram tratarse de desvios”. 3. DO ATENDIMENTO AOS TERMOS DE DILIGÊNCIA/SOLICITAÇÃO DE DOCUMENTOS: Afirma que “as empresas Neo, Lingues e Maverick Fl. 8047DF CARF MF Processo nº 16095.720117/201526 Acórdão n.º 1401002.292 S1C4T1 Fl. 8.046 5 atenderam ao Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos através dos seus respectivos sócios” E que “os documentos mostram a distância da Impugnante em relação às fornecedoras, ratificando a distinção jurídica entre elas, bem como indicam os gestores das empresas, assim como caracterizam a disparidade dos interesses”. 4. DA CAPACIDADE ECONÔMICA: Alega que “a falta de capacidade econômica de sócios de fornecedores não é causa para a imputação de crédito tributário aos adquirentes das mercadorias, em nada influenciando as atividades de gestão mesmo quando a riqueza do cidadão não corresponda a expectativa do Fisco”. 5. DA REGULARIDADE CADASTRAL DAS DILIGENCIADAS: Ressalta que “a pesquisa realizada na Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, o Sr. Auditor Fiscal demonstra que, na época da celebração dos negócios, as empresas fornecedoras estavam regulares também perante o Cadastro de Contribuintes do ICMS”. 6. DAS VENDAS — MOVIMENTAÇÃO DE RECURSOS: Afirma que “cogitamos a confirmação de que as empresas possuíram capacidade financeira quando operaram os seus comércios, atenderam à altura aos seus propósitos estatutários e negociaram com inúmeros outros adquirentes de mercadorias, além da Impugnante. Os dados apresentados servem de prova à eficiência com que se postaram no mercado, comercializando produtos com diferentes outras empresas e, a nosso ver, fragilizam a aplicação da IN 1511 da RBF, datada de 6/11/2014”. 7. DAS COMPRAS PELAS EMPRESAS DILIGENCIADAS: Diz “que dentre os documentos solicitados não se encontra o pedido de notas de compra de mercadorias. No processo administrativo existem notas que indicam remessa de material para industrialização em terceiros (Doc. 7b). Comum no mercado, assumirem material de qualidade inferior (sucata e resíduos) e através de processos chegarem, por exemplo, a mercadoria com pureza ideal para consumo. A nota fiscal eletrônica, n. 4159, emissão de Transformadores Jundiaí Ltda. (encartada) mostra essa situação de remessa para processamento comprovando o acima mencionado. Aliás, a própria Impugnante adotou esse procedimento, além de ter realizado venda de resíduos para essas empresas, segundo notas fiscais em anexo (Doc.7)”. 8. DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 1511 DE 6/NOVEMBRO/2014: Alega que “os sócios foram localizados e atenderam a fiscalização, municiandoa com documentos que estão incluídos no processo, suficientes para provar a capacidade operacional em instalações alugadas (contratos de aluguéis) (Doc. 13, 14,15), declarações de colaboradores arquivadas em pastas 46 e 64 do PAD (Doc. 16) atendimento de obrigações tributárias (DCTF, DIPJ), vendas no mercado. Em suas DIRPF constatase rendimentos e bens e direitos, segundo o relatado no TVF. Na oportunidade dos negócios todas empresas estavam regulares, ativas perante a SRF. As declarações ao Fisco mostram oferecimento de receitas para tributação. O levantamento de notas eletrônicas de venda caracterizou volume de faturamentos”. Fl. 8048DF CARF MF 6 9. DA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA EMPRESA AUTUADA: Diz que "a Metallica é uma empresa com atividades no mercado de metais não ferrosos, produzindo semiacabados de cobre, com duas linhas de produção (laminação e extrusão de metais). É uma das poucas empresas no setor de cobre e suas ligas, disputado por cerca de quatro indústrias nas atividades de laminação e não mais de seis outras voltadas para o setor de extrusão”. 10. DO DEMONSTRATIVO DAS COMPRAS DA METALLICA: Afirma que “o isolamento da compra de um único fornecedor dá visão distorcida da situação operacional. As compras acontecem na necessidade, aproveitam a oportunidade, se sujeitam a disponibilidade, têm certa regularidade. A compra de matéria prima se fez junto a essas três indicadas e a outras fornecedoras, também fiscalizadas, a se ver pag. 4/27 do TVF. (...) Caracteriza e comprova que a Autuada sempre se afastou de irregularidades, posto que negociava com as empresas e delas se afastou quando houveram problemas condições, qualidade, relacionamento e etc”. 11. CONSTITUIÇÃO SOCIAL — METALLICA – FORNECEDORES: Afirma que “de tudo, cabe liquidar a pecha de tratarse de 'empresa de papel' com pessoas fictas em sua gestão, organizada para fraudes e envolvida em ilícitos. Embora o discurso sobre o planejamento para responsabilizar uns acobertados por outros, não existem provas da materialidade. Importante, à luz do aqui exposto, repensar a narrativa de pag. 17/27 e 18/27 do TVF que emolduram a Metallica em fotografia de caso do passado, lançando matizes sem chegar às atuais e verdadeiras cores do retrato. A planta industrial da Impugnante não sobrevive com fraudes, ilícitos ou esquemas. Tem a mesma direção desde o ano de 2002. Seus documentos a SRF demonstram a sua capacidade operacional. A empresa está no ramo 40 industrial e disputa preços e condições para comprar/vender. Não exerce poder policial, arranjando, pesquisando, ou sondando coisas reservadas dos seus fornecedores”. 12. COOBRIGADOS NO AUTO DE INFRAÇÃO: Salienta que é “cabível registrar que os coobrigados na exigência tributária, a despeito de todo esforço do Fisco para ligálos à Autuada, dela não participam nem a administram ou representam. A relação mantida com essas pessoas tem caráter meramente profissional. Os atos constitutivos e societários bem como documentação de serviços prestados, constam do Processo Administrativo Fiscal, comprovando a alegação. Mesmo que convergindo os interesses quando de negócios, aqueles pertinentes a cada uma das pessoas, físicas ou jurídicas, são contrapostos com a figuração das partes em poios opostos da obrigação”. 13. DAS EMPRESAS DECLARADAS INAPTAS EM 2015: Afirma que "das empresas declaradas inaptas, acostamos o dossiê contendo seus estatutos, contratos de alugueis, autorizações fiscais e pesquisas no sistema de cadastro de impostos estadual e em associações e empresas que indicam negativados em crédito, atos publicados e até fotos do estabelecimento. Dossiê cadastral da Empresa Neo (Doc. 13); Lingues (Doc. 14) e Maverick. (Doc. 15). Notamos que esses documentos foram oferecidos a fiscalização, encontrandose arquivados no processo administrativo fiscal. Mais, através das pesquisas realizadas diligentemente pelo Sr. Auditor Fiscal, ganharam autenticidade e foram validados para a época dos negócios”. Fl. 8049DF CARF MF Processo nº 16095.720117/201526 Acórdão n.º 1401002.292 S1C4T1 Fl. 8.047 7 14. ATUAÇÃO NA GESTÃO/ADMINISTRAÇÃO DA METALLICA: Diz que “os dirigentes, Sr. Luiz Carlos Diogo e Sr. Edvan Moura de Queiroz podem não apresentar riquezas à expectativa e conceito do Fisco, porém não podem ser julgados incapazes ou distantes da função que exercem. A experiência adquirida na prática, vivência no negócio, a cultura e o autodidatismo, além de valores morais e motivações pessoais, afora critérios íntimos de investimentos e imobilizações, precisam estar no horizonte para um julgamento como o pretendido pelos agentes fiscais. O Presidente, firmando esta Impugnação, registra ser o contabilista que oferece dados importantes para a própria RFB, tipo as DIPJ, detentor de anos de experiência na metalurgia, com o registro n° 1SP184011/08 CRC/São Paulo (Doc. 19)”. 15. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS PARA FRAUDES: Afirma que “a questão de entrada e saída de sócios, decorrentes da análise dos contratos sociais, cotejada com datas de compras pela Metallica, aventada com indício de premeditação de ilícitos (pag. 20/27 do TVF), deve ser tratada com o rótulo que lhe foi dado: coincidências. Não existe qualquer sinal da intervenção da Metallica ou dos Coobrigados na ocorrência. É uma possibilidade levantada pelo Sr. Auditor Fiscal, ao interesse de criar elementos favoráveis à sua tese”. 16. GLOSA DOS CUSTOS — TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO REAL: Diz que “o somatório das notas fiscais glosadas, R$ 155.271.612,30 foi considerado como lucro real e sujeitado à alíquota de 15% para imposto e mais 10% de adicional. Desconsiderado foram todos os custos em clara confusão da renda e lucro. Determinado pois incorreção por vicio insuperável no lançamento, há que se anular o Auto de Infração sobre o IRPJ e os seus reflexos”. 17. DA DECADÊNCIA: Afirmouse “aplicar a decadência naqueles documentos do exercício de 2010 e 2011 segundo o preceito do Código Tributário Nacional, pedese, também, a anulação do Auto de Infração o qual, por sua vez, compõese com valores indevidos”. 18. DAS MULTAS: “Excedendo as permitidas e representando confisco, no presente caso temos aplicação de multa na ordem de 150%, com amparo no art. 44 da Lei 9430/96, redação pelo art. 14 Lei 11.488/07. A penalização da Autuada decorre não de seus atos, conduta ou procedimento; mas, sim de ação de terceiros pois fornecedoras de outrora não foram localizadas quando da fiscalização Não se comprova, como seria necessário, o intuito de fraude ou dolo por parte da autuada que recebe a multa de forma agravada”. 19. Requereu “a procedência da presente Impugnação com a anulação da pretensão do Fisco, extinção do crédito tributário e da respectiva solidariedade de terceiros”. · Impugnação III apresentada em 14/12/2015 – fls. 7.155/7.173 pela Pessoas Jurídicas – EUROCON BRASIL CONSULTORIA E Fl. 8050DF CARF MF 8 NEGOCIOS LTDA e EUROPARTS ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA: 1. Afirma que “tratandose de auto com a infração calcada na inidoneidade de documentos fiscais, necessário seria colocar as impugnantes na gestão, representação ou gerência das fiscalizadas, em condutas e interesses que justificassem a excepcionalidade da hipótese. Em todo o contexto do Termo de Verificação Fiscal, não é demonstrado nada a respeito. As impugnantes demostraram a higidez dos seus ativos. Comprovaram a capacidade financeira para os bens e patrimônios. Mostraramse distantes dos negócios sob suspeitas. Carece então o Auto de Infração de elementos para estabelecer solidariedade tributária entre as pessoas jurídicas, não persistindo aqueles de outrora, chamados para apoiar este caso”. 2. DAS PROVAS PARA A ACUSAÇÃO: Diz que “não há qualquer materialidade a apoiar a tese sobre as transações mercantis, verificadas com superficialidade porque disponibilizado ao Fisco dossiê com a nota, transporte, peso, quitação das mercadorias. De tudo, no contexto fica a confirmação da conduta licita e íntegra, de boafé por parte da adquirente”. 3. APLICAÇÃO INADEQUADA DOS DISPOSITOS DO CTN: Aduz que “não existindo a hipótese nas normas tributárias da atribuição direta da responsabilidade solidária há que se ter em mente que qualquer desconsideração da personalidade jurídica do contribuinte é um ato grave com séria repercussão na estabilidade e confiança dos institutos. Necessário e inexistente nesse processo administrativo fiscal, motivação que conduza os terceiros para dentro da exigência tributária. Alegações são genéricas e imprecisas se referindo a infrações à Lei, sem, porém, conquistar o amparo dos artigos utilizados para a responsabilização das Impugnantes”. 4. DO AUTO DE INFRAÇÃO DO IPI: Diz que “na existência de outro processo administrativo, relativo à imposição de auto de infração sobre o Imposto Sobre Produtos Industrializados — IPI, de nº 16095.720118/201571, necessário determinarse, também, a exoneração das Impugnantes naqueles autos”. · Impugnação IV Apresentada pelo Sr. Roberto Costilas Junior: 1. Alega tão somente que prestou serviços de consultoria para a empresa Distribuidora de Metais Stilo, que é sócio das empresas Eurocon e Europarts, e que é marido da Sra. Nívea. Entende restar justificada a relação societária e jurídica. O Acórdão ora Recorrido (1154.379 3ª Turma da DRJ/REC) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 8051DF CARF MF Processo nº 16095.720117/201526 Acórdão n.º 1401002.292 S1C4T1 Fl. 8.048 9 Anocalendário: 2010, 2011, 2012 NULIDADE.CERCEAMENTO. ATOS E TERMOS PROCESSUAIS. Somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com cerceamento do direito de defesa. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de impugnar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de diligência quando os autos já trouxerem todos os elementos necessários à convicção do julgador. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Incabível a arguição de inconstitucionalidade na esfera administrativa visando afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de competência desta esfera, o exame da matéria do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011, 2012 DECADÊNCIA. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na ausência de pagamentos ou se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deslocase a tipificação legal do artigo 150, § 4º, para o artigo 173, inciso I, do CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. LEGITIMIDADE. O sujeito passivo contribuinte não tem legitimidade para apresentar impugnação em nome do responsável solidário. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SÓCIO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, incluindose na hipótese os sócios de fato da pessoa jurídica. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E PESSOAL. ADMINISTRADOR DE FATO. Constatado que terceira pessoa não mandatária representa e administra de fato a sociedade, cabível a sua responsabilização pelo crédito tributário, em razão de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, nos termos do art. 135, III, do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 Fl. 8052DF CARF MF 10 COMPROVAÇÃO DE CUSTOS OU DESPESAS NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESA INEXISTENTE. Os documentos emitidos por pessoa jurídica que não existe de fato, apesar de constituída formalmente, consideramse inidôneos, não se prestam para comprovar a realização das compras de matérias primas neles discriminadas nem produzem efeitos tributários em favor de terceiros. LUCRO ARBITRADO. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. GLOSA DE CUSTOS OU DESPESAS. TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO REAL. A glosa de custos ou despesas só torna a escrituração imprestável para determinação do lucro real quando abrange todos ou quase todos os gastos. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Caracterizada a conduta dolosa do sujeito passivo, aplicase a multa qualificada prevista na legislação de regência. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da estreita relação de causa e efeito que os vincula. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Isto porque, segundo entendimento da turma, “para constituir o crédito tributário não é necessário seguir ou esperar o rito procedimental apontado para declarar a inaptidão ou baixa de ofício do CNPJ das empresas referidas. Foi exatamente o procedimento adotado pela autoridade fiscal, lançando de ofício, juntando aos autos farta instrução probatória, a qual demonstra que a fiscalizada simulou compras de matéria prima junto às empresas de fachada na intenção de justificar a origem de seus estoques, não justificada”. Entendeu a DRJ que “se estabelece que os valores constantes de documento de sociedade inapta não poderão ser deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Cabe ressaltar que também na Instrução Normativa RFB nº 1.634, de 06 de maio de 2016, que atualmente se encontra em vigor, consta norma dispondo sobre a inadmissibilidade de dedução, para efeito de apuração do lucro real, dos valores constantes de documento emitido por empresa inapta. Por tudo que consta nos autos, concluise que nunca foram adquiridas matérias primas junto às empresas supostamente fornecedoras, pela Metallica. A conclusão decorre da comprovação de que as empresas nunca existiram de fato, eram empresas de fachada, constituídas para simular o fornecimento de matéria prima visando dar origem às compras realizadas pela Metállica e ocultar seus reais beneficiários”. Verificouse a turma julgadora, que “qualquer custo ou despesa só é admitido se for necessário à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora dos bens ou serviços por ela gerados e estiverem suportadas por documentos hábeis e idôneos. Os documentos fiscais emitidos pelas empresas fornecedoras, pessoas jurídicas que não existem de fato, apesar de constituídas formalmente, são inidôneos, conforme legislação vigente e aqui já apreciada. O gasto ou a despesa não será considerado comprovado quando os documentos comprobatórios forem emitidos por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido considerada ou declarada inapta, extinta ou baixada no órgão competente. Esses documentos Fl. 8053DF CARF MF Processo nº 16095.720117/201526 Acórdão n.º 1401002.292 S1C4T1 Fl. 8.049 11 não produzirão nenhum efeito tributário em favor de terceiro por caracterizarem hipótese de inidoneidade. (...) A autuada não demonstrou que as empresas tinham capacidade operacional e efetivamente efetuaram as vendas de matérias primas conforme documentos fiscais emitidos. Não refutou convincentemente os fatos narrados, nem os documentos trazidos pela autoridade lançadora, os quais compuseram um forte conjunto probatório e conduziram à conclusão que a impugnante utilizavase dessas supostas fornecedoras (empresas de fachada) para arquitetar um planejamento tributário ilícito e não recolher corretamente os tributos devidos em razão de se valer de custos inexistentes para apuração do lucro tributável. A glosa deve ser mantida conforme efetuada”. Acerca da responsabilidade solidária, “no caso em análise, o que se conclui dos autos é que os sócios que constavam nos atos constitutivos das empresas METALLICA, NEO, LINGUES E MAVERIC são realmente pessoas interpostas por terceiros (laranjas). Os fatos narrados nos Termo de Verificação Fiscal IRPJ e reflexos anocalendário 2008 e no Termo de Verificação Fiscal e Constatação de Irregularidades anoscalendário 2010, 2011 e 2012, devidamente documentados nos autos, demonstram essa conclusão. Ressaltese, a título de exemplo, a situação financeira e a atividade econômica dos sócios formais são totalmente incompatíveis com a posição de sócio e administrador das empresas. Em suma, não foi encontrada qualquer correlação entre as atividades da empresa e seus sócios formais. A interposição fraudulenta restou plenamente comprovada pelos seguintes fatos, conforme relatado às fls. 2211/2212”. Aduziu ainda que “os impugnantes coobrigados tinham interesse comum nos negócios da METALLICA, uma vez que, conforme demonstrado neste processo, deles se beneficiaram. Resta claro, então, o interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal (art. 124, I, do CTN), que são as receitas e os lucros, dolosamente omitidos, obtidos por meio das operações mercantis da sociedade e que foram repassados aos impugnantes. Verificouse a existência de um esquema fraudulento em que eram simuladas aquisições de matérias primas a empresas noteiras, constituídas de interpostas pessoas, sendo os recursos financeiros, ao final, destinados às pessoas físicas e jurídicas que simulavam as operações. Assim, o Sr. Roberto Costilas Junior e a Sra. Nívea dos Santos Costilas, na condição de sócios de fato e mentores do esquema fraudulento composto por empresas de fachada e interpostas pessoas foram considerados responsáveis solidários com base no art. 124, inciso I c/c o art. 135, inciso III do CTN. Enquanto que as empresas Eurocon e Europarts foram responsabilizados com base no art. 124, inciso I do CTN”. Decidiuse a turma julgadora, por afastar as preliminares de nulidade e decadência, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, julgar improcedente a impugnação para manter, conforme lançado, o crédito tributário em litígio e confirmar a imputação de responsabilidade solidária do Sr. Roberto Costilas Júnior, da Sra. Nívea dos Santos Costilas e das pessoas jurídicas Europarts Administração de Bens Ltda. e Eurocon Brasil Consultoria e Negócios Ltda. Ciente da decisão do Acórdão em 09/02/2017 (fls. 7.769), que julgou parcialmente procedente as impugnações apresentadas, o contribuinte interpõe 03 Recursos Voluntários, trazendo em seu bojo as seguintes razões: Fl. 8054DF CARF MF 12 · Recurso Voluntário I (apresentado em 06/03/2017 pela Pessoa Jurídica – METALLICA INDUSTRIAL S. A. [fls.7.783/7.822] ): 1. DA NULIDADE: Afirma que fazse necessário “se aplicar a vedação legal, determinandose a nulidade, porque a própria constituição de provas resulta prejudicada já que as apresentadas não atenderam a necessidade e em relação às empresas e seus negócios mas são as disponíveis e acessíveis à Recorrente”. E que, “os documentos fiscais acostado no processo administrativo relativos a compras pelas investigadas, bem como outras notas comprovando mercadorias na posse das investigadas, fls. 2834 a 2894, e até documentação de roubo de produto fls. 3454 a 3459, não foram consideradas. O dossiê composto pelos documentos fiscais de compras da Autuada junto a essas diligenciadas, o controle gerencial indicando o ingresso de mercadoria para industrialização e a quitação através de bancos das aquisições feitas, foram esquecidos quando da análise e julgamento da Impugnação”. 2. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA: Diz que “ao realizar o julgamento da Impugnação, a DRJ/Recife negou, entendendo ser desnecessário, a realização de diligência pleiteada pela Autuada. O objetivo seria a confirmação da lisura nas transações comerciais, a regularidade dos documentos fiscais, a contabilização das notas de compras com o respectivo pagamento das mercadorias, (documentalmente demonstrado em fls.3588 a 7141) de forma a afastar qualquer dúvida quanto a boafé da adquirente”. 3. DA DECADÊNCIA: Afirma que fazse necessário “determinar a caducidade dos documentos, implicando na anulação do auto de infração, com o arquivamento do processo porque na composição e exigência do crédito tributário existiria vicio insanável”. 4. DA INCONSTITUCIONALIDADE: Diz que a DRJ “descuidouse da observância imposta à validade de atos administrativos abandonando o princípio da necessária publicidade para os seus efeitos. Fugiu do aspecto da moralidade, legalidade, razoabilidade para dar firmeza às ações dos órgãos públicos. Convalidou possibilidade de confisco, não se atendo a imposição de penalidades excessivas, inadequadas”. 5. DA GLOSA DE CUSTOS CONTABILIZADOS: Argumenta que ”as certidões emitidas pela Junta Comercial do Estado de São Paulo JUCESP, acostadas ao presente recurso (Doc A), mostram que tanto os sócios de ambas as empresas, como os seus endereços e estabelecimentos são diferentes”. (...) “Assim, não há nos autos nenhum dado concreto ou mesmo indicio da participação da impugnante em suposta fraude que teria sido empreendida por suas fornecedoras (Remiol e Fl. 8055DF CARF MF Processo nº 16095.720117/201526 Acórdão n.º 1401002.292 S1C4T1 Fl. 8.050 13 Interplastic) não sendo demais lembrar que não pode ser transferia aos contribuintes a obrigação, privativa do poder público, de promover a fiscalização uns dos outros”. 6. DA INIDONEIDADE: Diz que “deve ser enfatizado que o legislador resguardou a situação fática que ora se apura no presente caso, declarando que não haverá produção de efeitos tributários apenas para os documentos da pessoa jurídica que "já tenha sido considerada ou declarada inapta". No RIR/99, está replicada a norma, também tratando a circunstância no tempo passado. Não pode ser diferente, sob pena de se atropelar princípios constitucionais, dentre eles o da publicidade dos atos públicos e o da legalidade, validando retroação sobre negócios realizados na boafé, quando de nada se sabia”. 7. DAS TRANSAÇÕES COMERCIAIS: Enfatizase “a lisura, a boafé, a efetividade dos negócios, insistindo em argumentar e comprovar a realização dos mesmos, chamando atenção para as alegações, registros e informações constantes nas fls.2539 a 2540”. (...) “O Fisco embasa as acusações em presunções e indícios da inexistência das fornecedoras, simulação de negócios, interposição de pessoas. Isto é insuficiente para a constituição de crédito tributário. Alegaram, mas não provaram”. 8. DA DEMONSTRAÇÃO PELO FISCO DAS COMPRAS REALIZADAS: Afirmouse que “não só ignorou os esclarecimentos e comprovações da Autuada, mas claramente cerceou a defesa, porque, arbitrariamente, manifestou a Julgadora não existir legitimidade da Autuada para os questionamentos ou comprovações”. 9. DA APLICAÇÃO RETROATIVA DE ATOS ADMINISTRATIVOS: Aduz que “a fiscalização e a DRJ, atingiram negócios jurídicos que já estavam perfectibilizados. Atropelaram o art. 82 da Lei 9.430/1996 e feriram inúmeros preceitos constitucionais. Ensejaram a glosa de custos, tirando a qualidade de documentos fiscais que estavam contabilizados, eram regulares, representavam comercialização com a quitação das mercadorias”. 10. DA TRIBUTAÇÃO LUCRO REAL: Afirma que “se a fiscalização entendeu existirem indícios de fraude, e o cálculo se origina de tal constatação, a norma claramente prevê que se deve elaborar cálculo de lucro arbitrado, conforme as regras atinentes à formação desta base de cálculo, para, então, fazer incidir a alíquota do IRPJ, diferentemente de como se procedeu no cálculo do lançamento tributário, fazendo incidir a alíquota sobre o valor total da notas glosadas e mantendo a Fl. 8056DF CARF MF 14 apuração na forma trimestral, não aplicando a apuração na FORMA DO LUCRO ARBITRADO”. 11. EQUÍVOCO NO LANCAMENTO TRIBUTÁRIO DA CSLL, PIS E COFINS: “Os agentes de fiscalização somaram o valor total das notas fiscais glosadas das empresa Neo, dos meses de janeiro, fevereiro e março da daquele ano, totalizando a quantia de R8293.649,71. E mais, erroneamente consideraram este valor como base de cálculo para apuração da CSLL, aplicando sobre este, o percentual de 9% como se este fosse o lucro real”. 12. NULIDADE DO LANÇAMENTO: Afirma que “para a validade, o lançamento deve respeitar o fato gerador (art. 113 do CTN) e ser constituído respeitando o art. 142 do Código Tributário Nacional. Portanto, os limites para o lançamento estão na lei, não podendo os agentes fiscais ultrapassálos de forma arbitrária”. 13. COOBRIGADOS NO AUTO DE INFRAÇÃO: Diz que “o Fisco intentou trazer para este, situação noticiada em outro processo administrativo entendendo ser essa pratica fraudulenta uma continuidade de atos, possibilitando a, Autuada juntar provas que a isentam, mostrando sua distância em interesses, bens, coisas e estatutos de todos os demais indicados”. 14. IPI IMPOSTO DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS: Diz que “prevalente a falta de provas para se transferir a responsabilidade de fornecedores para o adquirente de mercadorias, afastandose a suposição de fraude que, se existente, dela a Autuada não participou pedese que se reproduza naqueles autos a favorável decisão do presente”. 15. Requereu a declaração da nulidade do v. acórdão proferido pela DRJ, e o acolhimento do presente recurso voluntário. 16. Requereu o acolhimento de todos os documentos e provas que acompanham a impugnação ao auto de infração combatendo a “a decisão do julgamento em primeira instância exarada no Acórdão 1154.379, bem como sejam consideradas aquelas inclusas e constantes do processo administrativo, para fins de que ratifiquem argumentação da Recorrente complementando os documentos já outrora juntados e as demais informações constantes do Termo de Verificação Fiscal”. 17. Subsidiariamente, requereu o reconhecimento da "impropriedade do lançamento efetivado como glosa de despesas pela desconsideração da contabilidade e de documentos de despesas emitidos por outras empresas prestadoras de serviço, o que se traduz em nulidade do lançamento. O arbitramento feito de oficio é o recurso da Fl. 8057DF CARF MF Processo nº 16095.720117/201526 Acórdão n.º 1401002.292 S1C4T1 Fl. 8.051 15 fiscalização da Receita Federal quando se vê impossibilitada de aceitar ou de apurar o lucro real da pessoa jurídica”. · Recurso Voluntário II (apresentado em 06/03/2017 pelas Pessoas Jurídicas – EUROCON BRASIL CONSULTORIA E NEGÓCIOS LTDA e EUROPARTS ADMINSTRAÇÃO DE BENS LTDA [fls.7.844./7.878.] ): 1. DA ATIVIDADE EMPRESARIAL DAS RECORRENTES DIVERSA DA EXERCIDA PELA AUTUADA E SUAS FORNECEDORAS: Afirma que “as Recorrentes, prestadoras de serviço que são, com personalidade jurídica própria e absoluta autonomia no que tange à sua gestão, não se confundem, representam, participam, gerenciam ou administram a autuada METALLICA e aquelas empresas arroladas como suas fornecedoras (NEO, LINGUES, MAVERICK)”. (...) Demostrou que “as premissas em que se baseou a acusação fiscal atribuindo responsabilidade passiva às Recorrentes, em verdade, indicam que a autuada METALLICA, bem como as empresas NEO, LINGUES E MAVERICK estavam em efetivo funcionamento quando das transações comerciais, apesar de eventuais irregularidades que possam, agora, terem sido encontradas pela fiscalização empreendida”. 2. DO PATRIMÔNIO DA RECORRENTE E SUA ORIGEM: Diz que “não se pode olvidar que mesmo as receitas advindas da STILLO (única das fornecedoras à qual está atrelado algum recebimento) tiveram a origem esclarecida existindo, nos autos documentos confirmatórios, o que faz cair por terra à nódoa que paira sobre a escorreita conduta das Recorrentes, que não bastasse declarar e adimplir seus débitos para com o Fisco, quando, lamentavelmente, imbricados em uma autuação carente de fundamento, não mediram esforços para demonstrar a lisura e correção de seus proceder”. 3. DA INAPTIDÃO DAS RECORRENTES: Aduz que “mesmo estando em continuo contato com os representantes das Recorrentes, antes mesmo que lhe fossem dado a oportunidade da apresentação de livros contábeis e fiscais hábeis a demonstrar o regular funcionamento da empresa, sobreveio a temerária declaração de inaptidão. (...) se a inaptidão que porventura pesou contra as Recorrentes no momento da imputação de responsabilidade solidária sobre os débitos tributários de outrem não subsiste, não há razões a respaldar que grave acusação se perpetue em desfavor delas”. 4. DA NÃO SUBSUNÇÃO DA RECORRENTE À HIPÓTESE LEGAL DE RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA — ARTIGO 124 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL: Frisouse que “que há certa incongruência até mesmo no quanto pretendido pela fiscalização quando inclui no rol de responsáveis pelos tributos, em tese, pagos a menor pela METALLICA, a empresa Eurocon, que não tinha qualquer laço com Fl. 8058DF CARF MF 16 aquele apontado como mentor intelectual de uma fraude engendrada contra o Fisco. A fiscalização do período em debate, anos 2010, 2011 e 2012, assumiu que o conjunto probante, à luz da continuidade das irregularidades do ano de 2008, persistiria para suportar a acusação às empresas Eurocon e Europarts”. (...) “Não pode o simples reflexo do interesse econômico de uma determinada situação ou fato jurídico sujeito à hipótese de incidência tributária servir de esteio para pressupor coincidência de interesse jurídico, que depende de realização conjunta daquele mesmo fato tributável. O recebimento pela prestação de serviços nem de longe se amolda ou se confunde com aquela renda percebida pela realização do negócio, decorrente da atividade empresária a Que a autuada METALLICA ou ainda aquelas empresas fornecedoras de matéria prima (NEO, LINGUES MAVERICK) se dedicam”. 5. DA NÃO SUBSUNÇÃO DAS RECORRENTES À HIPÓTESE LEGAL DE RESPONSABILIZAÇÃO DE TERCEIROS — ARTIGO 135 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL: Argumenta que “a responsabilização das Recorrentes pressupunha que as mesmas tivessem, na autuada, poder de mando ou direção na condução da atividade empresarial explorada pela empresa METALLICA, o que somente pessoas naturais poderiam fazêlo. Destacandose, “que ao assumir os elementos de provas daquela fiscalização do ano de 2008 (processos 19515.720865/201348) sem incluir qualquer nova prova para justificar a autuação do período de 2010, 2011 e 2012, temos a prevalência da situação, com o impeditivo da aplicação pretendida”. 6. DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS FATOS ALEGADOS EM SEDE DE TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL: Destacouse “que a imputação de responsabilidade às Recorrentes pelos tributos devidos por outrem, placidamente acatada pelo Acórdão recorrido, deveria, ao menos, ter fulcro em elementos de prova suficientes para sua manutenção”. Restou comprovado nos autos, “que tanto a empresa METALLICA, quanto a STILLO, há muito funcionam e mantêm relação comercial com outras empresas além da Recorrente, que afirmaram isso, inclusive, quando intimadas a esclarecer a natureza do vínculo havido, a justificar e comprovar a diversidade da origem de suas receitas. Os sócios da empresa METALLICA, bem como da STILLO, tidos pela fiscalização como "laranjas", participaram ativamente da condução dos negócios, celebrando contratos, dando ordens de pagamento e etc., em nada influenciando o fato de sua situação financeira não se coadunar com aquela esperada pelo Fisco, tampouco sendo causa hábil a responsabilizar terceiros por eventual insuficiência de recolhimento de tributos das empresas que representam”. 7. Ressalta “a existência dos processos administrativos de no 16095.720118/201571, decorrente do mesmo procedimento fiscalizatório e com exigência do IPI bem como o de 10875.720300/201720 decorrente do julgamento em primeira instância do referido”. 8. Requereu a procedência do Recurso Voluntário, a fim de que, em razão do seu não enquadramento em quaisquer das hipóteses legais Fl. 8059DF CARF MF Processo nº 16095.720117/201526 Acórdão n.º 1401002.292 S1C4T1 Fl. 8.052 17 utilizadas pela autoridade fiscal para responsabilizála pelos tributos devidos pela METALLICA (artigos 124 e 135, III, do CTN), sejam excluídas as responsabilidades tributárias a elas impostas, revogandose quaisquer constrições que recaiam sobre seus bens em virtude de Termo de Arrolamento de Bens. · III Recurso Voluntário (apresentado em 07/03/2017 pelos sócios – ROBERTO COSTILAS JÚNIOR e NÍVEA DOS SANTOS COSTILA [fls.7.971./ 7.997 ): 1. DO CERCEAMENTO DE DEFESA: Argumenta que “nunca tiveram a oportunidade de esclarecimentos antes do lançamento tributário, cujo conhecimento se deu por via postal. Obrigados ao pagamento, os Recorrentes estão impedidos de se defender sendolhes subtraído direitos constitucionais. Essa é uma motivação suficiente para a anulação do Julgamento e consequentemente arquivamento do processo, com o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária”. Requereu a suspenção daquele outro processo (10875.720300/201720) e da cobrança pertinente à parte não impugnada”. 2. DAS IMPLICAÇÕES DA SRA. NIVEA DOS SANTOS COSTILAS: Alega que “não ocorreu o atendimento ao art. 10 do Decreto 70.235/72, afetando o disposto no art. 142 do CTN, ensejando a nulidade do lançamento porquanto ocorre a excepcionalidade da desconsideração da personalidade jurídica de contribuintes, com a condução de terceiro à obrigação. Com razoável dúvida, faltando fundamentos e provas às acusações da Fazenda Pública, pedese de pronto a exclusão do nome de Nivea dos Santos Costilas das exigências, com o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária”. 3. DA ATUAÇÃO PROFISSIONAL DO RECORRENTE, CONSTITUIÇÃO DAS SOCIEDADES EMPRESÁRIAS: Afirma que atua “no mercado de metais não ferroso, ramo no qual trabalha há mais de 25 anos. Começou como empregado, segundo atesta cópia da Carteira de Trabalho ora inclusa. Há mais de dez anos possui empresas para prestação de serviços no ramo, as quais também realizam negócios e administram bens”. E que “a participação do Recorrente nas empresas Europarts e Eurocon, é necessidade para prestação de serviços sem vínculo empregatício, mas com contratos ou sob emissão de notas fiscais. Estas, escrituradas, garantem custos à clientes e dão origem aos patrimônios. A informalidade para o atendimento as firmas é que seria condenável em face dos autos. Já a participação do cônjuge na sociedade é atendimento a exigência legal”. Fl. 8060DF CARF MF 18 4. DA ATIVIDADE DAS SOCIEDADES EMPRESARIAS IMPUGNANTES, RECEITAS AUFERIDAS E INEXISTÊNCIA DE CORRELAÇÃO ENTRE AS RECEITAS E OS VALORES APONTADOS COMO SONEGADOS NOS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS: Aduz que “o agente fiscalizador não atentou para o fato das receitas identificadas terem sido auferidas quando o Recorrente e suas empresas exerciam o seu objeto social em contrato de serviços ou por emissão de notas fiscais. Em outras palavras, prestando serviços obtiveram rendas mas que não se prestam, nem de longe, a canalizar o apontado desvio”. E que, “as receitas auferidas pelas sociedades administradas pelo Recorrente, com origem das empresas Stillo e Metallica se constituem em não mais de 25% das receitas totais auferidas no ano calendário de 2008. No que diz respeito ao processo administrativo a que nos reportamos a realidade não se alterou, não existindo sequer indicação, anotação ou informação por parte do Fisco quanto a isto”. 5. Do mérito do auto de infração: Alega que “não existem valores a contestar ou a explicar que não aqueles do exercício de 2008 aos quais o Recorrente se reportou comprovando se tratarem de prestação de serviços contratados com a Stillo ou recebidos com notas fiscais contra a Metallica, segundo documentos encartados em fls. 7279 a 7292; e, 7293 a 7294, respectivamente”. Diz que O cerne da questão, “é o procedimento de compras, recepção de mercadorias, contabilização e pagamento de produto entre a empresa autuada e três fornecedoras, para deslindar a acusação de simulação nos negócios. O recorrente não consegue executar essa tarefa em nome da Autuada”. E que, “pode sim o Recorrente, testemunhar a não existência de simulação de compra e venda de materiais, que o favoreça em desvio de recursos. Provou não ser o sócio ou o administrador da Metallica e, por todo o relato, mostrouse distante, alheio às demais empresas”. 6. DA SUJEIÇÃO PASSIVA DE NÍVEA DOS SANTOS COSTILAS: Afirma que “a Sra. Nivea não conhece as pessoas informadas no Termo de Verificação, não possui qualquer poder de mando e sequer aparece em alguma operação comercial narrada no termo. O único fato descrito no termo é o fato de ser esposa do Sr. Roberto Costilas Júnior. Tratase, portanto, de uma responsabilização reflexa ou ricochete, sem qualquer nexo de causalidade. Desta forma, resta claro que o fisco não se desincumbiu de sua obrigação de provar, principalmente em relação a esta impugnante, os fatos e as condições que pudessem atrair para ela a excepcionalidade de responsabilidade solidária, decorrente do auto de infração lavrado contra terceiros”. 7. APLICAÇÃO DOS DISPOSITIVOS DO CTN: Diz que “não existe Lei que atribua à responsabilidade pessoal e direta Fl. 8061DF CARF MF Processo nº 16095.720117/201526 Acórdão n.º 1401002.292 S1C4T1 Fl. 8.053 19 de terceiros na exigência tributária. A intenção de implicar e coobrigar pessoas a credito tributário somente acontecerá se existir motivação amparada em robustas provas que possa, sem quaisquer dúvidas, enquadrar em um dos dispositivos do CTN”. Afirma ainda, “que a qualificação dos Recorrentes como sócios ou gerentes não ficaram comprovadas. A alegada persistência de provas não alcança o presente processo. Não foi trazido nenhum elemento novo que justificasse a excepcionalidade, muito menos restou demonstrado qualquer excesso ou infração à Lei, até porque os procedimento sobre os anos de 2010,2011 e 2012, se restringem à inidoneidade de fornecedoras das quais nem a Autuada participou. Necessário o afastamento da pretensão de impor responsabilidade subsidiária e responsabilidade pessoal aos Recorrentes, na falta de provas para a aplicação dos dispositivos do Código Tributário Nacional”. 8. Requereu a procedência do Recurso Voluntário interposto para excluir a responsabilidade tributária dos sócios. 9. Requereu ainda: (i) que seja obstado o processo de cobrança objeto da intimação DRF/GUA/SECT 064/2017„ processo n. 10875.720300/201720 anulado o julgamento na parte que lhe toca; (ii) o acolhimento de todos os documentos e elementos juntados aos autos, os quais reforçam as alegações e argumentos agora colocados demonstrando a total e completa ausência de responsabilidade tributária dos impugnantes pelos tributos apontados como eventualmente não recolhidos; (iii) a procedência do Recurso voluntário interposto para excluir a responsabilidade solidária dos impugnantes relativos aos processos administrativos fiscais de n. 16095;720117/201426 e 16095.720118/201571; (iv) que sejam revogados os termos de Arrolamento de Bens lavrados em relação aos impugnantes. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva. Relator Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. Tratamse de Recursos Voluntários interpostos pela autuada e responsáveis solidários. Fl. 8062DF CARF MF 20 De acordo com os autos de infração e com o Termo de Verificação Fiscal e Constatação de Irregularidades, fls. 2194/2220, o lançamento, que se refere aos anos calendário 2010, 2011 e 2012, decorreu da glosa de custos contabilizados com base em documentos inidôneos. De início, ressaltese que a contribuinte já foi autuada anteriormente, referente ao exercício de 2008, onde foram glosados os custos de aquisições de fornecedores diversos, que também integrariam o suposto esquema fraudulento. Em verdade, da análise do presente TVF, exceto na parte que trata da análise das operações com os fornecedores da autuada, a parte inicial se limita a tecer comentários sobre o PAF 19515.720865/201347, por ora sendo confuso ver que se refere a fornecedores estranhos ao presente lançamento. Analisarei as razões recursais preliminares e de mérito em conjunto, depois passarei a analisar a sujeição solidária. De pronto, indefiro o pedido de diligência realizada por entender que constam nos autos todos os elementos de prova necessários ao meu convencimento. No que se referese às preliminares, as Recorrentes embaralham uma série de argumentos que segundo ela ensejariam em nulidade, ora por cerceamento do direito de defesa, ora por ausência de fundamento legal, ora pela inconstitucionalidade da quebra de sigilo, e ora por utilização de critério equivocado (entende que o lançamento deveria ser arbitrado). No que se refere à preliminar de nulidade em razão da ausência de fundamentação legal entendo que a mesma não merece acolhida. A glosa de custos fundados em documentos inidôneos guarda perfeita tipificação legal. A infração está bem definida e amparada na legislação, tal qual a penalidade para ela decorrente. A fiscalização pode desconsiderar documentos que sejam classificados como inidôneos pela legislação. No caso concreto, a ausência de comprovação da realização das operações, dos pagamentos, do porte econômico dos fornecedores, da ausência de aquisição de matéria prima por esses fornecedores para posterior revenda, bem como a irregularidade da própria pessoa jurídica são elementos absolutamente suficientes para desconsiderar tais operações. Da mesma forma não merece guarida a alegação de inconstitucionalidade por quebra de sigilo, cumpre ressaltar que dispõe a Súmula CARF nº 2, a qual é de aplicação vinculante: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Assim, não cabe a este colegiado exercer qualquer função de controle de constitucionalidade com redução de texto. Outrossim, mesmo que assim não fosse, em que pese este Relator não concorde com o seu resultado, o STF no julgamento da ADI 2390 em 18.02.2016 entendeu ser constitucional a lei que permite ao Fisco o acesso aos dados bancários dos contribuintes. Desta feita, não acolho as preliminares. No que se refere à preliminar relativa à ilegalidade do procedimento de lançamento adotado, nesta feita, entendo assistir razão aos Recorrentes. Fl. 8063DF CARF MF Processo nº 16095.720117/201526 Acórdão n.º 1401002.292 S1C4T1 Fl. 8.054 21 É necessário diferenciar a glosa de custos de insumos essenciais, tal qual no presente caso, de uma glosa de despesas fictas quaisquer. Fossem despesas de consultoria inexistente, ou outro custo não inerente à atividade, por exemplo, a glosa, mesmo de valores exorbitantes, em principio nada afetaria a consistência da apuração do lucro liquido da empresa. Mas a glosa do principal insumo, por si só, retira totalmente a credibilidade da escrita contábil da empresa, para fins de apuração dos tributos federais em comento. Em que pese a glosa não tenha sido de 100% dos insumos adquiridos pela contribuinte, ela correspondeu a aproximadamente 70% da totalidade das suas aquisições do período, indicadas nos demonstrativos de apuração do período fiscalizado. Ao que parece, e isso em momento algum foi questionado pela fiscalização, o restante das aquisições efetivamente ocorreu. O que parece, no presente caso, é que a contribuinte usava empresas em nome de laranjas para simular aquisições de matéria prima, inflando os custos e, portanto, afetando diretamente a apuração do lucro líquido dos exercícios. A base de cálculo do imposto de renda pessoa jurídica é o lucro, definido conforme as suas três formas de apuração: real, arbitrado ou presumido, de acordo com o art. 44 do CTN. Segundo o art. 6° do Decretolei 1.598/77, o lucro real é o lucro líquido do exercício, ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação própria. Por sua vez, o lucro líquido deve ser apurado com observância das disposições da lei comercial. A base de cálculo da CSLL é o lucro líquido ajustado de acordo com as prescrições da legislação específica. Ao se deparar com custos contabilizados em valores fictos que representavam mais de 70% das receitas contabilizadas, cuja glosa implicavam em elevar o Lucro Real da empresa para mais de 60% dessas receitas, o único procedimento aplicável que coaduna com a legislação tributária em vigor seria o arbitramento dos lucro, bem como a apuração do PIS e Cofins no regime cumulativo. Veja que a própria sistemática do lucro arbitrado possui índices muito inferiores à proporção das receitas no presente caso. Esse seria um limite razoável e claro para confirmar os vícios existentes na escrita. Ora, se a inexistência de escrituração resultaria no arbitramento em valores muito inferiores aos lançados, como considerar válida a escrituração do contribuinte? Entendo que a legislação a indicar a regra de apuração pelo lucro arbitrado, cuja alíquota corresponde a aproximados 10% das receitas, ao se deparar com uma escrituração em que o agente fiscal glose despesas que resultariam em 60% das receitas declaradas, resta claro que a contabilidade seria imprestável. No presente caso, de forma inquestionável, a contabilidade apresentada pela recorrente não atendia aos requisitos especificados nos incisos I e II do artigo 47 da Lei no 8.981, de 1997 e artigos 529 e 530, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), que nestas situações determinam que o lucro deve ser arbitrado Entendo que no presente caso o correto é a apuração das bases de cálculo do IRPJ e CSLL pela sistemática do Lucro Arbitrado e do PIS/Cofins pelo regime cumulativo. Fl. 8064DF CARF MF 22 Este também foi o entendimento da Conselheira Aurora Tomazinni (Acórdão 1401001.727), julgado recentemente, por esta mesma turma, no lançamento relativo a este mesmo contribuinte (anocalendário 2008). No referido julgamento, por maioria de votos, o lançamento foi anulado. Permitome valer do voto da referida conselheira vez que, o TVF em grande parte é quase que cópia ou apenas referência do relativo ao outro lançamento: Nos termos da legislação vigente, não compete à Fiscalização eleger que forma de apuração dos tributos adotar, quando diante de caso em que não há competente escrita fiscal. Nessas hipóteses, por expressa determinação da lei, deve ser feita a apuração dos tributos devidos com fundamento no lucro arbitrado. Essa é a única interpretação possível da regra do art. 47 da Lei no. 8.981/95: “Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I – o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real (...), não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II – a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. III – o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal (...); (...) VII – o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário”. A regra do artigo, que regulamenta as situações do arbitramento enuncia: “será”, não “poderá”. Em termos semânticos, o vocábulo “será” corresponde logicamente ao modal “obrigatório”, enquanto o “poderá” ao facultativo. O legislador, era livre para escolher o termo “poderá”, mas escolheu o “será”. De modo que, se for a ocorrência de algumas das situações enunciadas acima o arbitramento não é uma faculdade (permissão), é uma obrigação do fisco perante o sujeito passivo tributário e um direito deste em relação ao fisco. No caso concreto, caracterizada a imprestabilidade da escrituração, a lei determina que a base de cálculo originariamente prevista na legislação (lucro real) seja substituída por outra legalmente prevista (lucro arbitrário). O fato da fiscalização desconsiderar quase a totalidade (70%) das despesas apuradas como custo na determinação do lucro real, em razão da não comprovação da sua materialidade e tendo em vista terem as notas sido geradas dentro de um Fl. 8065DF CARF MF Processo nº 16095.720117/201526 Acórdão n.º 1401002.292 S1C4T1 Fl. 8.055 23 esquema fraudulento, torna a escrituração, apresentada pela Contribuinte, imprestável para determinar o lucro real da empresa. Situação que se enquadra na hipótese do art. 47 inciso II “b” do acima citado e enseja o arbitramento. A hipótese normativa é bem delimitada: H: Se a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiência que a tornarem imprestáveis para determinar o lucro real; deve ser – C: o dever do fisco efetuar o lançamento pelo lucro arbitrado. No caso concreto, toda a fundamentação dos autos de infração, feita no TVF (3228/3331) se volta para caracterizar uma operação fraudulenta. Nos termos da fiscalização, os custos envolvidos no esquema da fraude foram glosados em razão de sua comprovação inidônea. Tais custos, representam mais de 70% dos considerados pela empresa na apuração da base tributária naquele anocalendário. Se há o comprometimento de mais de 70% da escrituração fiscal da Contribuinte, não há como não dizer que ela se presta para determinar o lucro real. Certamente, neste caso, a base tributária não aferirá o lucro, mas a receita da empresa. Por este motivo, deve ser desconsiderada e o lucro arbitrado. Não se sustenta o argumento da fiscalização de que a despesa glosada não representam o total das aquisições da matéria prima da Recorrente, mas tão somente relativas a dois fornecedores, pois se tratam dos dois maiores fornecedores da empresa. No DRE do ano calendário de 2008 a Recorrente tinha como custo de fabricação de seus produtos comercializados o valor de R$ 93.157.953,97 (noventa e três milhões, cento e cinqüenta e sete mil, novecentos e cinqüenta e três reais e noventa e sete centavos). A glosa procedida foi de R$ 65.195.384,07 (sessenta e cinco milhões, cento e noventa e cinco mil, trezentos e oitenta e quatro reais e sete centavos), representando quase 100% dos insumos adquiridos, considerado que os outros custos referemse à mão de obra, energia elétrica etc. No caso concreto, embora não demonstrada a origem e materialidade dos custos, há comprovação de que houve dispêndio de recursos da empresa na aquisição de matéria prima, E, esta não está sendo levada em conta na composição da base tributária, se feita nos moldes apurados pela fiscalização (lucro real). A apuração pelo lucro arbitrado toma implicitamente em conta parcela dos custos e despesas automaticamente computadas mediante a aplicação de coeficientes de arbitramento sobre a receita da pessoa jurídica, fazendo com que, ainda que de forma presumida, a base tributária denote a renda e não a receita da empresa. Certamente que este entendimento amparase na materialidade constitucional dos tributos exigidos, no entanto, ainda que não considerado o âmbito da delimitação da competência tributária, Fl. 8066DF CARF MF 24 que impõe à legislação tributária infraconstitucional a limitação da tributação sobre a renda da pessoa jurídica (mesmo porque estou impedida de fazer esta análise em cumprimento à Súmula no. 2 deste Conselho), existe a previsão legal expressa do art. 47 inciso II “b” da Lei no. 8.981/95 e dos artigos 530 e 531 do RIR de que o lucro deve ser arbitrado se a escrituração apresentada pelo contribuinte revelar indícios de fraude ou vícios que a tornem imprestáveis. No caso concreto, a glosa das despesas pela fiscalização, sob a alegação de fraude, por corresponder a valores importantes do custo de produção, torna a escrituração apresentada pela Contribuinte imprestável. Assim, não resta dúvida, que em razão da obrigatoriedade imposta pelas regras acima mencionadas, que o arbitramento aqui é um direito do Contribuinte e um dever do fisco. Nesse mesmo sentido, são inúmeros os precedentes deste Conselho, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005 DESPESAS E CUSTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO INTEGRAL. LUCRO REAL. IMPOSSIBILIDADE. LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO. O lucro arbitrado deve ser realizado quando o contribuinte deixa de apresentar à autoridade tributária todos os documentos comprobatórios de despesas e custos, sendo incabível o lançamento que considera lucro real a totalidade das receitas auferidas. (1ª. Turma da DRJ/SP1, de no.1627.397, em 27/10/2010) Nestes termos, por ser ilegal a tributação com base no lucro real nas hipóteses em que a escrita contábil o contribuinte tornase imprestável, nego provimento ao Recurso de Ofício. Como já afirmado acima, comungo do entendimento da referida conselheira, por entender que, no caso concreto, tratase de clara hipótese de aplicação do lucro arbitrado. Ademais, a legislação impõe o dever da apuração arbitrada quando imprestáveis os documentos contábeis, o que efetivamente ocorreu. Ademais, não posso deixar de registrar que, para este Relator é lamentável proferir tal decisão uma vez que, da análise dos documentos e dos autos, estou plenamente convencido da existências do esquema fraudulento relatado. Entretanto, o erro da fiscalização foi primário nesse aspecto, e entendo que este Conselho não pode dar guarida a irregularidades e descumprimento expresso de legislação que rege a fiscalização, atividade esta, plenamente vinculada. Outrossim, em que pese o agente fiscal autuante tenha baseado todo o seu lançamento e TVF no elaborado nos autos do PAF 19515.720865/201347, é necessário Fl. 8067DF CARF MF Processo nº 16095.720117/201526 Acórdão n.º 1401002.292 S1C4T1 Fl. 8.056 25 ressaltar que ele apenas foi concluído em 05/11/2015. Nesta esteira, em 25.04.2014, decidiu a 5ª Turma da DRJ/RPO, em julgamento daquele PAF (relativo ao exercício de 2008), pela necessidade de arbitramento do lucro, em razão da contabilidade da Contribuinte ter ficado imprestável. Ora, mesmo sendo tão clara a legislação, o agente autuante poderia verificar sobre o resultado do julgamento do lançamento originário, no qual ele se baseou, e teria constatado, 01 ano e meio antes de formalizar o seu TVF, o equívoco na forma de apuração. Ademais, não se poderia, neste momento, simplesmente ajustar o lançamento promovendo uma reapuração, sob a sistemática do lucro arbitrado. Este também foi o posicionamento da Conselheira Aurora, cujo voto novamente permitome citar: Insurgese a Contribuinte, no entanto, contra a decisão recorrida por entender que a alteração do regime tributário não implica simplesmente em novos cálculos, como se posicionou a DRJ, mas em novo lançamento. E que, reconhecido o vício na apuração da base de cálculo dos tributos constituídos nos autos de infração deste processo, há de se reconhecer a nulidade do lançamento. Até aqui concordamos integralmente com as conclusões dos julgadores da DRJ. Todavia, neste ponto, venho discordar e acolher as razões da Recorrente. A mudança para a sistemática do lucro arbitrado não pode ser realizada no julgamento administrativo, pressupõe procedimento próprio, isto é, novo lançamento tributário. Nas hipóteses de arbitramento, devese seguir a rígida observância do princípio da reserva legal, do qual se infere que os atos de administração tributária, dentre os quais se destaca o lançamento, são atos administrativos vinculados. Nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, compete privativamente à autoridade administrativa a constituição do crédito tributário pelo lançamento. Art. 142. Lançamento é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. O arbitramento representa um processo técnico alternativo para apuração do tributo devido. Tanto assim é que o artigo 148 do CTN fala em processo regular e ressalva no fim do texto a possibilidade de avaliação contraditória, administrativa ou judicialmente, por parte do sujeito passivo da obrigação tributária. Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo Fl. 8068DF CARF MF 26 regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. (grifamos) Ao proceder o lançamento sob a sistemática do lucro real a fiscalização incidiu em erro de direito material. Equivocouse com relação a norma jurídica aplicada ao caso concreto. Sobre o erro de direito já tive oportunidade de me manifestar: Analisando o direito como corpo de linguagem, PAULO DE BARROS CARVALHO apresenta uma solução simples, mas muito bem elaborada, para a delicada questão do erro de fato e do erro de direito. Segundo o autor, visto o fato na sua contextura de linguagem, o “erro de fato” seria um problema de utilização inadequada das técnicas lingüísticas de certificação do evento, verificado quando o enunciado factual não correspondesse às provas produzidas, enquanto o “erro de direito” seria um problema de subsunção, causado quando o enunciado protocolar constituído como fato jurídico busca fundamento numa norma, quando na verdade deveria buscar em outra. O “erro de fato” é um engano com relação aos recursos de linguagem utilizados para a produção do fato jurídico, é relativo às provas; aparece quando da releitura dos enunciados probatórios, nova situação jurídica, diferente daquela descrita pelo fato jurídico, é percebida. Já o “erro de direito” é uma confusão com relação à norma aplicada. É verificado quando, após a produção da norma individual e concreta constatase que a norma aplicada não deveria ser aquela, mas outra. (Curso de Teoria Geral do Direito – o Constructivismo Lógico Semântico, p. 442) Caracterizado o erro de direito, constatase um equivoco na fundamentação jurídica do lançamento. A norma utilizada pela fiscalização no processo de subsunção do fato e constituição da relação jurídica tributária não é aquela que deveria ser incidida no caso concreto. Tal equivoco não pode simplesmente ser corrigido pela administração, em garantia as disposições dos artigos supra citados, muito menos em sede de processo administrativo. Ele torna todo o procedimento de aplicação realizado nulo. É condição do lançamento, como ato administrativo vinculado, ter seu conteúdo atrelado à norma jurídica que lhe fundamenta. Nesse sentido é válido os esclarecimentos do Prof. Eurico Marcos Diniz de Santi: "No ato norma de lançamento tributário, o motivo do ato é o fato jurídico tributário, i.e a ocorrência da vida real que satisfaz a todos os critérios identificadores tipificados na hipótese tributária. Quando o art. 142 dispõe em seu parágrafo único que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, prescreve como devem ser arranjados os pressupostos do suporte fático do ato norma de lançamento. Nos atos administrativos vinculados Fl. 8069DF CARF MF Processo nº 16095.720117/201526 Acórdão n.º 1401002.292 S1C4T1 Fl. 8.057 27 existe prévia e objetiva tipificação legal do único comportamento possível da administração em face de dado fato jurídico". (Lançamento Tributário,2a. ed, Max Limonad, p. 165) Prescreve o parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional que "A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional" É de se verificar do exposto até aqui que não é o ato norma que recebe o qualificativo de vinculado, discricionário ou obrigatório: é a atividade que o precede, consubstanciada no suporte fáctico do fato jurídico suficiente para edição do ato norma administrativo (Lançamento Tributário, p. 172 Max Limonad) No caso em questão a modificação do regime jurídico de apuração, não é um mero ajuste na base calculada do imposto lançado, implica a incidência de nova norma jurídica. Aqui cabe a lição de Prof. Paulo de Barros Carvalho, ao estabelecer diferença entre a norma geral e abstrata (regra matriz de incidência tributária) aplicada, que fundamenta o ato de lançamento e a norma individual e concreta, que constitui o fato jurídico tributário e a relação jurídica tributária introduzida pelo ato de lançamento, como seu conteúdo: Eis o conteúdo ou objeto do ato jurídico administrativo do lançamento tributário: introduzir no ordenamento positivo uma norma individual e concreta que guarde subsunção à regra matriz de incidência, isto é, a norma geral e abstrata instituidora do gravame. (Curso de Direito Tributário, p. 428. Ed. Saraiva) "Não há como aplicar duas normas de conteúdos diferentes num único ato administrativo que deve conter motivo, objeto e finalidades específicas" (Curso de Direito Tributário, 26a. ed. Saraiva, p 428 e.462). A alteração do regime jurídico de apuração do tributo do lucro real para o arbitrado, como já pontuamos, é um erro de direito material, acarreta alteração da norma aplicada, mais precisamente do critério quantitativo, base de cálculo, da regra matriz de incidência tributária. É necessário, assim, a realização de outro ato de lançamento (aplicação), para que a nova norma produza efeitos no mundo jurídico, respeitandose o prazo decadencial, tendo em vista, com a alteração, a norma aplicada será outra e o fundamento jurídico será diferente daquele que o Contribuinte impugnou neste processo. A autuação que aqui se discute traz por fundamento legal as normas atinentes ao lucro real, não faz qualquer menção aos artigos 529 e 530 do RIR ou 47 da Lei no. 8.981/95, que determinam as situações em que o lucro arbitrado deve ocorrer. A alteração, se promovida nos moldes do entendimento da DRJ, procedendose apenas o recálculo do tributo, geraria um confronto entre a norma fundamento de validade do ato e seu conteúdo, divergência que, por si só, já implicaria a nulidade do Fl. 8070DF CARF MF 28 ato dado a incompatibilidade do seu conteúdo à sua fundamentação. Nestes termos, dado a irregularidade do lançamento impugnado, o arbitramento demanda novo lançamento (regular), onde seu conteúdo esteja de acordo com a norma que lhe dá fundamento. Neste sentido já se posicionou este E. Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 GLOSA TOTAL DE CUSTOS E DESPESAS, NÃO CABIMENTO.. Não é cabível a glosa total de custos e/ou despesas da pessoa jurídica por falta de comprovação. Se a escrituração da empresa não possui lastro em documentos hábeis e idôneos,a sua contabilidade não se presta a apurar o lucro real, de modo que o arbitramento do lucro deve ser adotado como forma de apuração dos tributos devidos (110200.366 2" Turma Ordinária 16 de dezembro de 2010) Reconhecida a imprestabilidade da contabilidade da Contribuinte para fins de apuração da base de cálculo pelo lucro real, deve ser feito o arbitramento, mediante novo lançamento, constituindose em erro material os autos de infração na forma em que foram realizados. Se o caso é de lucro arbitrado e não lucro real, não é possível corrigir o vício no julgamento. É preciso um novo lançamento adotando a sistemática do regime pelo lucro arbitrado, fundamentado nas normas a ele relativas. Neste sentido, acolho a tese recorrente de anulação do lançamento pelos vícios apontados. Assim, diante do exposto, e nos mesmos termos do precedente desta turma, acolho a alegação suscitada pelo contribuinte julgando insubsistente o lançamento por vício material. Ademais, mesmo restando prejudicadas as demais questões, verifico que esse não foi o único equívoco da autoridade fiscal. Isto porque, no que se refere à responsabilização dos solidários, da análise do TVF não se verifica nenhuma explicação da participação dos referidos solidários no esquema fraudulento. Em verdade, parece que o fiscal autuante achou suficiente citar a existência de outro procedimento fiscalizatório para justificar a responsabilidade solidária. De fato, no TVF constante do PAF 19515.720865/201347, o agente autuante delimitou de forma bastante clara a atuação de cada um dos agentes, demonstrando claramente todo o esquema fraudulento. Entretanto, no presente lançamento, no que se refere às partes imputadas como solidárias, o agente autuante simplesmente informa que os mesmos foram indicados Fl. 8071DF CARF MF Processo nº 16095.720117/201526 Acórdão n.º 1401002.292 S1C4T1 Fl. 8.058 29 como solidários, não se dando ao trabalho de sequer explicar a atuação de cada agente, senão vejamos os trechos em que eles são citados: Ora, da análise do recorte do TVF nos únicos 2 trechos onde os solidários foram citados é possível perceber que o agente autuante absolutamente nada tratou sobre eles. Ao contrário do que fez em relação às fornecedoras da autuada, bem como das interpostas pessoas (laranjas) que compunham as referidas sociedade, as quais (sejam sócias ou as pessoas jurídicas), nenhuma delas integrou o lançamento como responsáveis solidários. Tal fato foi percebido pela DRJ, que manteve a solidariedade relatando toda a construção do esquema fraudulento e atuação de cada um dos responsáveis solidários na Fl. 8072DF CARF MF 30 fraude. Entretanto, fez isso com base nas informações constantes de outro TVF, não o que fundamentou o presente lançamento. Assim, diante de tudo o quanto exposto, voto pelo provimento do Recurso do contribuinte para julgar insubsistente o lançamento em razão do vício material na apuração da base de cálculo, restando prejudicadas as demais razões recursais. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 8073DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10600.720043/2014-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA.
Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas e as normas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-006.874
Decisão: .
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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decisao_txt : . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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DISSIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas e as normas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial. . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceram do recurso. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 60 0. 72 00 43 /2 01 4- 11 Fl. 3037DF CARF MF 2 Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3201002.881, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009, 2010, 2011 NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO, MOTIVOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Não merece prosperar o lançamento que não observa os requisitos dispostos no Art. 142 do CTN, assim como a decisão que não aprecia as alegações das partes, porque dificulta a defesa do contribuinte e fere disposições expressas. Contudo, se eventual nulidade possa ser sanada nos moldes do Art. 59 do Decreto 70.235/72, o lançamento não pode ser considerado nulo e a decisão de primeira instância não pode ser reformada. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS E REDUÇÃO DO TRIBUTO. NATUREZA JURÍDICA DE SUBVENÇÃO DE INVESTIMENTO. POSSIBILIDADE DA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. Os créditos presumidos de ICMS e reduções foram conferidos, durante a vigência de Termo de Acordo e Protocolo de Intenções, com o objetivo de oferecer estímulos de expansão, desenvolvimento e modernização das indústrias da região, por força da combinação de dispositivos expressos Fl. 3038DF CARF MF Processo nº 10600.720043/201411 Acórdão n.º 9303006.874 CSRFT3 Fl. 3.038 3 (Art. 113 e 142 do CTN, no Art. 1, §3.º, inciso x da Lei 10637/02 e Art. 1, §3.º, inciso IX da lei 10833/03), não podem ser computados na base de cálculo para fins de incidência das contribuições (regime não cumulativo) uma vez que são meros ingressos ou recuperação de custos e não receita. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009, 2010, 2011 NULIDADE DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO, MOTIVOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Não merece prosperar o lançamento que não observa os requisitos dispostos no Art. 142 do CTN, assim como a decisão que não aprecia as alegações das partes, porque dificulta a defesa do contribuinte e fere disposições expressas. Contudo, se eventual nulidade possa ser sanada nos moldes do Art. 59 do Decreto 70.235/72, o lançamento não pode ser considerado nulo e a decisão de primeira instância não pode ser reformada. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS E REDUÇÃO DO TRIBUTO. NATUREZA JURÍDICA DE SUBVENÇÃO DE INVESTIMENTO. POSSIBILIDADE DA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. Os créditos presumidos de ICMS e reduções foram conferidos, durante a vigência de Termo de Acordo e Protocolo de Intenções, com o objetivo de oferecer estímulos de expansão, desenvolvimento e modernização das indústrias da região, por força da combinação de dispositivos expressos (Art. 113 e 142 do CTN, no Art. 1, §3.º, inciso x da Lei 10637/02 e Art. 1, §3.º, inciso IX da lei 10833/03), não podem ser computados na base de cálculo para fins de incidência das contribuições (regime não cumulativo) uma vez que são meros ingressos ou recuperação de custos e não receita.” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial datado de 5 de setembro de 2017 contra o r. acórdão, alegando que a subvenção discutida nos autos se configura como subvenção de custeio, e não de investimento, trazendo, entre outros, que: · A subvenção é um tipo de despesa pública, que é objeto das normas de direito financeiro. A realização dessa despesa pelo Estado, como Fl. 3039DF CARF MF 4 todas as demais, depende de norma legal autorizativa e da existência de dotação orçamentária; · De acordo com o art. 24, I e §1º da Constituição Federal de 1988, a competência para legislar sobre o direito financeiro é concorrente entre a União, Estados e Municípios, cabendo à União editar normas gerais sobre a matéria. A norma geral de direito financeiro é a Lei 4.320/64; · A destinação dos recursos recebidos, portanto, é importante na determinação da subvenção para investimentos, que se caracteriza pela aplicação dos recursos correspondentes na implantação ou expansão de empreendimento econômico; · Os recursos transferidos devem corresponder a instrumento de implementação de políticas públicas de desenvolvimento da produção regional. E não há qualquer dúvida que a implementação dessa política ocorrerá com a efetiva e específica aplicação dos valores percebidos pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; · É forçoso reconhecer que o benefício fiscal, caracterizado pela redução do valor a ser arrecadado pelo contribuinte, não pode ser qualificado como subvenção para investimento, mas para custeio, devendo seus valores serem computados na base de cálculo do PIS e COFINS, na forma determinada pela autoridade fiscal nos presentes autos. Em Despacho às fls. 2908 a 2912, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foram apresentadas pelo sujeito passivo, trazendo, entre outros, que: · Os acórdãos indicados como paradigmas apenas tratam da caracterização ou não de uma determinada subvenção concedida pelo Estado de Rondônia como de custeio ou de investimento para fins de incidência de IRPJ; Fl. 3040DF CARF MF Processo nº 10600.720043/201411 Acórdão n.º 9303006.874 CSRFT3 Fl. 3.039 5 · Os acórdãos indicados não discutem se os valores do crédito presumido de ICMS se caracterizariam como uma receita para fins de incidência de PIS e Cofins ou se seriam meras recuperações ou reduções de despesas; · Não há demonstração da legislação tributária interpretada de forma divergente, vez que os acórdãos indicados versam sobre a interpretação da legislação de IRPJ e CSLL; · O Acórdão recorrido não dispensou a necessidade de comprovação dos recursos subvencionados, como quer fazer crer a Fazenda Nacional, mas consignou expressamente que as provas e documentos foram juntados aos autos. Há expressa menção de que foram juntadas provas sobre o funcionamento do Centro de Distribuição, que gerava centenas de empregos na região. Inclusive a construção do Centro de Distribuição. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que não devo conhecêlo, eis que não foram atendidos os pressupostos de admissibilidade de recurso previstos no art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O acórdão recorrido tratou da discussão acerca dos indícios de falta ou insuficiência de recolhimento do PIS e Cofins não cumulativo em razão da não inclusão de “receitas” de crédito presumido de ICMS (Paraíba) na base de cálculo das contribuições relativos aos anos calendários de 2009, 2010 e 2011. Recordase que o acórdão recorrido entendeu que os créditos presumidos de ICMS reduções foram conferidos, durante a vigência de Termo de Fl. 3041DF CARF MF 6 Acordo e Protocolo de Intenções, com o objetivo de oferecer estímulos de expansão, desenvolvimento e modernização das indústrias da região, por força da combinação de dispositivos expressos (Art. 113 e 142 do CTN, no Art. 1, §3.º, inciso x da Lei 10637/02 e Art. 1, §3.º, inciso IX da lei 10833/03), não podem ser computados na base de cálculo para fins de incidência das contribuições (regime não cumulativo) uma vez que são meros ingressos ou recuperação de custos e não receita. Para tanto, para fins de elucidar os fundamentos que inclinaram para essa decisão, cabe transcrever: 1. Parte do voto constante do acórdão recorrido (Grifos meus) com minhas breves considerações: “[...] Logo nesta primeira análise é possível verificar que não se trata de um contrato sem exigências ou contrapartidas como fez crer a fiscalização. Destacase também que o contribuinte juntou todos os documentos solicitados durante a fiscalização, como as NFs de entrada e saída de mercadorias e serviços dos períodos fiscalizados em fls. 2189, assim como juntou planilha com os empregados do Centro de Distribuição em fls. 2598. A partir destas constatações já se torna desnecessário tratar da natureza do ingresso, uma vez que a atividade deste conselho é vinculada e deve observar a aplicação de disposição expressa que neste caso, é suficiente para que o lançamento não prospere. Mas não são todos os casos em que tais dispositivos puderam ser aplicados, o que levou inúmeros julgamentos deste Conselho a debater a natureza das subvenções de investimento para fins de incidência das contribuições sob o regime não cumulativo e decidir pela possibilidade da exclusão da base de cálculo do Pis e da Cofins (a exemplo os recentes Acórdãos 910100.566 CSRF, 3402003.042, 3301002.970 e 3402002904). [...] Fl. 3042DF CARF MF Processo nº 10600.720043/201411 Acórdão n.º 9303006.874 CSRFT3 Fl. 3.040 7 Considerando o voto trazido em acórdão recorrido, vêse que não houve discussão sobre a natureza do incentivo fiscal – se subvenção de custeio ou para investimento, eis que, a partir dos documentos acostados nos autos, o colegiado entendeu ser desnecessário tratar da natureza do ingresso, vez que comprovaram que a situação ora discutida envolvia o direcionamento dos recursos para o desenvolvimento de uma região”. 2. Parte do voto (Grifos meus) com minhas breves considerações: “[...] Tais valores representam mero ingresso na contabilidade do contribuinte, com roupagem de ressarcimento e não de receita, porque o contribuinte adianta o investimento da construção e instalação do parque fabril e o Estado lhe assegura o reembolso dos valores gastos dos incentivos. Diante de alguns precedentes deste Conselho, como os 203 13.634, 203.13050 e 3401001.976, assim como diante da legislação e das normas de Direito Tributário correlatas e da semântica tributária e contábil, é possível concluir que os incentivos tributários são redutores de despesas (do saldo devedor), recuperações de custos e não receita ou faturamento, ainda mais se feitos de forma escritural, como é o caso do contribuinte. [...] Contudo, o que se verifica diante destas constatações é que a União, por meio das autuações fiscais, trabalha para ter um controle dos incentivos fiscais estaduais de forma que possa verificar se as mencionadas subvenções, para investimento ou custeio, ocorreram e se o Pis e Cofins estão sendo corretamente adimplidos ou não. O procedimento da União é correto porque está é competente, contudo, a indefinição da jurisprudência neste Conselho e a definida jurisprudência no âmbito judicial, em especial do Fl. 3043DF CARF MF 8 STJ REsp 1.025.833/RS de 2008 e REsp 596212/PR de 2014, deixa claro que o crédito presumido de ICMS não constitui receita, mas sim recuperação de custo. [...] Mas por fim, é importante registrar que tratase, no caso dos autos, de um incentivo fiscal, concedido pelo estado no formato de crédito presumido de ICMS com exigências e contrapartidas, de forma que possa sim, ser configurada como uma subvenção para investimento e fomento da região e não como uma subvenção para custeio. É relevante lembrar que esta própria Turma de julgamento já tratou da matéria e reconheceu que as subvenções para investimento podem ser deduzidas da base de cálculo do Pis e Cofins por não se enquadrarem no conceito de receita bruta ou mesmo de faturamento, conforme Acórdãos 3201002.228, 3201002.229.[...]” O fundamento crucial adotado no acórdão recorrido é a natureza de ressarcimento – redução e custo. E não a discussão acerca da caracterização ou não como subvenção para investimento ou de custeio, vez que com base nas documentações acostadas – não caberia mais essa discussão naquele momento. Sendo assim, temse que o acórdão recorrido contempla o que segue: · Fatos: Com base nos documentos acostados, os valores de crédito presumido de ICMS foram direcionados para o desenvolvimento da região; · Fundamento: Com base nos documentos acostados, a natureza de ingresso é de “ressarcimento/redução de custo”, com base nos precedentes do STJ e do CARF. Não caberia a discussão da natureza do incentivo – se subvenção para investimento ou de custeio. Fl. 3044DF CARF MF Processo nº 10600.720043/201411 Acórdão n.º 9303006.874 CSRFT3 Fl. 3.041 9 Enquanto no acórdão indicado como paradigma de nº 1401 001.621, importante ressurgir que: · Tratouse de exclusão da base do IRPJ de valores a título de subvenções governamentais; · Naquele caso, a fiscalização solicitou que a contribuinte apresentasse documentação comprobatória da operação de empréstimo de R$ 9,2 milhões dos sócios Eugênio Odilon Ribeiro e Euflávio Odilon Ribeiro para a Ciclo Cairu Ltda e a efetiva entrega dos recursos financeiros (cópias autenticadas), bem como comprovante dos tributos recolhidos referentes a tal operação (PIS/COFINS/IOF). No entanto, a contribuinte apresentou cópias autenticadas de contratos de adiantamento para futuro aumento de capital, assinados pelos sócios, totalizando R$ 9,2 milhões. No entanto, não apresentou os comprovantes da efetiva entrega dos recursos financeiros. · O voto vencedor trouxe como fundamento (Grifos meus): “[...] Que a subvenção seria considerada como de custeio que, por sua vez, conforme art. 392, inciso I, do RIR/99, deveria ser classificada como “Outros Resultados Operacionais” – na modalidade subvenções correntes para custeio ou operação”. [...] para que a subvenção de investimento deixe de ser computada na base de cálculo do IRPJ das pessoas jurídicas que apuram o imposto pelo lucro real a beneficiária deve proceder de acordo com o que estabelece o art. 15 da Lei nº 11.941, de 2009. Passando à análise do caso concreto, vejome forçado a concluir que não se vislumbram nos referidos dispositivos da legislação do estado de Rondônia a vinculação e a estrita correspondência entre os benefícios financeiros concedidos e o destino desses recursos. Fl. 3045DF CARF MF 10 Além disso, a própria descrição que a empresa faz das suas contrapartidas ao benefício fiscal concedido indica haver a indispensável aplicação da subvenção na aquisição de bens ou direitos caracterizados como investimentos. Tais aquisições, contudo, não restaram comprovados nos autos. [...] Considerando que a contribuinte, em sua peça recursal, não trouxe quaisquer elementos de prova adicionais, considero plenamente válida a conclusão constante da decisão de piso, no sentido de que as subvenções recebidas pela contribuinte constituem subvenções para custeio e, como tal, devem se sujeitar à tributação pelo IRPJ e CSLL. [...]” É de se constatar, assim, que o acórdão indicado como paradigma contempla: · Fatos: A contribuinte não trouxe quaisquer elementos de provas adicionais. · Fundamento: Considerando que a contribuinte não trouxe elementos de prova adicionais. Concluise que as subvenções recebidas constituem subvenções para custeio. Em vista do exposto, em síntese, temos que: · Os fatos descritos nos arestos recorrido e indicado como paradigma são diferentes: ü No acórdão recorrido, os documentos apresentados pelo sujeito passivo comprovaram que os recursos foram utilizados para o desenvolvimento da região, inclusive com a construção do Centro de Distribuição; ü No acórdão indicado como paradigma, não houve apresentação de documentos que pudessem atestar o direcionamento do recurso. Fl. 3046DF CARF MF Processo nº 10600.720043/201411 Acórdão n.º 9303006.874 CSRFT3 Fl. 3.042 11 Portanto, não há como se considerar que houve a divergência da legislação tributária quando os fatos são diversos. · Os Fundamentos nos arestos recorrido e indicado como paradigma são diferentes: ü No acórdão recorrido, entrouse na discussão acerca da natureza do ingresso – se encartamse no conceito de receita ou não para fins de tributação pelo PIS e Cofins, não sendo citado em nenhum momento a legislação do lucro real; ademais, foi desconsiderada a discussão acerca da natureza do incentivo – se subvenção para investimento ou não; ü No acórdão indicado como paradigma, houve menção a diversos dispositivos que tratam do lucro real, inclusive o da Lei 11.941/09 – que citou dispositivo que trata da subvenção para fins de lucro real – não sendo mencionado em nenhum momento o dispositivo que trata de PIS e Cofins – que seria o art. 21, parágrafo único da Lei 11.941/09: “[...] Para fins de aplicação do RTT, poderão ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando registrados em conta de resultado: I – o valor das subvenções e doações feitas pelo poder público, de que trata o art. 18 desta Lei; e [...]” A conclusão do acórdão indicado como paradigma é de que o incentivo seria subvenção de custeio, pois a contribuinte não teria apresentado documentos comprobatórios. Em vista de todo o exposto, entendo não ser possível o conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, vez que no Fl. 3047DF CARF MF 12 “teste de aderência”, não há similitude fática entre os arestos, bem como a fundamentação e normas utilizadas como fundamentos são totalmente diferentes. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 3048DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.675905/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/09/2003
VALIDADE DA INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. CIÊNCIA.
De acordo com a Súmula CARF nº 9 considera-se válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.369
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente PLÁSTICOS MACHINI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2003 VALIDADE DA INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. CIÊNCIA. De acordo com a Súmula CARF nº 9 considerase válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 59 05 /2 00 9- 70 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.675905/200970 Acórdão n.º 3301004.369 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 02052.707, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade, não conhecendo do direito creditório postulado e não homologando a compensação em litígio. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, tendo indicado endereço para onde deverão ser enviadas todas as notificações e intimações referentes ao presente processo. Também aduziu que o débito decorrente da não homologação da compensação está com a sua exigibilidade suspensa, consoante legislação especificada, alegando ainda, em síntese: "Em preliminar, argumenta que recebeu o despacho decisório questionado, mas o Aviso de Recebimento (AR) não foi juntado aos autos, como instrumento de prova, pelo fato de a Receita Federal não entregar cópia do documento em tempo hábil, apesar de solicitado pelo manifestante. Requer a anexação do termo de assinatura do AR pelos motivos que passa a discorrer. Alega que o despacho decisório teria sido recebido por pessoa não autorizada para recebimento da sua correspondência e que apenas o sócio, o representante legal da empresa ou qualquer pessoa legitimada poderiam ter recebido a correspondência que trata de intimação com aviso de recebimento. Transcreve doutrina relativa ao Código de Processo Civil que sustenta que as citações de pessoas jurídicas devem ser feitas aos seus representantes designados nos estatutos. No processo administrativo, expõe, as intimações devem ser realizadas de modo a garantir a ciência do interessado. Dada a importância da citação inicial e das repercussões de tal ato na lide e com vistas a garantir o pleno exercício do direito ao contraditório, conclui que, no caso de pessoas jurídicas, ela seja feita ao representante legal. Em não sendo observada a formalidade defendida, pugna pela nulidade dos atos processuais por cerceamento ao direito de defesa. Defende que os princípios da verdade material e da legalidade impõem à Administração rever seus atos contrários ao ordenamento jurídico, o que a leva a requerer a anulação da notificação do despacho decisório. Na possibilidade de que não ser acolhida a preliminar suscitada, passa a discorrer sobre o mérito da compensação. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.675905/200970 Acórdão n.º 3301004.369 S3C3T1 Fl. 4 3 Nas questões de fato, alega que efetuou compensação em conformidade com o disposto no artigo 66 da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991, tendo feito menção ainda ao Código Tributário Nacional (CTN) e às instruções normativas que regularam a matéria. O sistema, na hipótese de crédito proveniente de decisão judicial, apenas aceita a compensação se corretamente informada a data do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito creditório. Entende ser descabida tal exigência, na medida em que as compensações são realizadas dentro da sistemática do lançamento por homologação, na qual o contribuinte apura por sua conta e risco o valor devido ao Fisco. Argui que o processo eletrônico a impede de esclarecer a origem do crédito (“declaração expressa de inconstitucionalidade do STF”) e de exercer seu direito constitucional de petição, a qual somente pode ser providenciada com a interposição da manifestação de inconformidade. Na parte que trata dos fundamentos legais, assevera que recolheu a Cofins na forma prevista pela Lei no 9.718, de 1998, a qual majorou a alíquota do tributo de 2% para 3%, inconstitucionalmente a seu ver, pois a Lei Complementar no 70, de 1991, previa a alíquota de 2%. Assim, se viu obrigado a recuperar os valores indevidamente recolhidos por meio da compensação. Destaca que o legislador editou a Lei Complementar 70, de 1991, que descreveu minuciosamente a regra matriz da hipótese de incidência da Cofins, sendo sua base de cálculo o faturamento. Em seguida, o Poder Executivo, por meio da Medida Provisória no 1.724, de 1998, teria alterado a base de cálculo da Cofins para receita bruta e majorado a alíquota para 3%, em afronta ao disposto no artigo 155 da Magna Carta, pois a tributação deveria recair apenas sobre o “faturamento”. Argumenta ainda que a inclusão das receitas financeiras no cálculo da Cofins somente foi permitida com a edição da Emenda Constitucional no 20, de 1998. Contudo, a Lei no 9.718, de 1998 foi editada em data anterior à emenda, e deveria ter respeitado o antigo texto do art. 195 da Constituição Federal, que não previa a cobrança de contribuições à seguridade social sobre receitas financeiras. Portanto, totalmente inconstitucional a alteração da base de cálculo da Cofins por lei ordinária, que não se convalida com a superveniência da Emenda Constitucional. Alega que a MP no 1.724, de 1998, convertida na Lei no 9.718, de 1998, que dispõe sobre a cobrança adicional de 1% da Cofins, fere o princípio da equidade na participação do custeio da seguridade social, tendo a Lei estabelecido que o acréscimo de 1% da Cofins deveria ser pago por todas as empresas, mas poderia ser compensado com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Com isso, as empresas altamente lucrativas não sofreram os efeitos do aumento da carga tributária; somente as empresas que tiveram prejuízos ou lucro baixo, como o manifestante, é que arcaram com a majoração da Cofins. Passa, na continuação, a tratar do prazo prescricional para a repetição do indébito tributário. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.675905/200970 Acórdão n.º 3301004.369 S3C3T1 Fl. 5 4 Defende que, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário se dá com a homologação, expressa ou tácita, do Fisco. Adotada esta premissa, o prazo prescricional para a recuperação de valores indevidamente recolhidos deveria ter início cinco anos após a data do efetivo pagamento (a chamada tese dos cinco mais cinco). Salienta que a empresa “efetuou a restituição do COFINS dentro do prazo prescricional” (sic), em conformidade com as jurisprudências do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Conselho de Contribuintes, tendo o manifestante dez anos para pedir de volta o que foi pago indevidamente. Assevera que, para fundamentar sua decisão, o julgador monocrático aduziu que a Lei Complementar 118/05, dispondo sobre a interpretação do inciso I do art. 168, descreveu que a extinção do credito tributário nos tributos com lançamento por homologação ocorre no pagamento, entendimento que considera equivocado, uma vez que a lei interpretativa deve esclarecer o significado de texto legal controverso, o que não foi o caso, posto que a interpretação posta foi inovadora e contrária à jurisprudência. Ao final, requer o provimento da presente manifestação de inconformidade, para o fim de reformar o Despacho Decisório. Pede ainda que seja mantida vinculada a compensação ao processo, nos moldes da MP 135/03 transformada na Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, em seu art 17, § 11, e deste modo os valores compensados estarão suspensos conforme legislação pertinente." Tendo em vista a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido, o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário para que seja reformada a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.364, de 21 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.675899/200951, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.364): "O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0252.701, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.675905/200970 Acórdão n.º 3301004.369 S3C3T1 Fl. 6 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2003 VALIDADE DA INTIMAÇÃO É válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Contribuinte, por meio do ora analisado Recurso Voluntário, visa reformar o Acórdão referido por compreender que (i) há liquidez e certeza do crédito discutido; (ii) não foi respeitado o devido processo legal, no que diz respeito ao contraditório, uma vez que a notificação não foi feita na pessoa de seus sócios ou administradores; e (iii) deve ser excluído o valor devido de ICMS da base de cálculo das contribuições PIS/COFINS. Como a questão da (i) liquidez e certeza do crédito tributário tem reflexos na discussão acerca (iii) da exclusão ou não do ICMS da base de cálculo das contribuições PIS/COFINS, enfrentarseá primeiro a discussão do ponto sobre o (ii) devido processo legal e a ofensa ao contraditório no que tange a notificação, para posteriormente em conjunto tratar dos dois outros pontos. Do devido processo legal e contraditório O Contribuinte alega que houve violação ao devido processo legal, mais especificamente no seu direito ao contraditório, uma vez que a notificação não se deu na pessoa de seus sócios ou administradores, o que segundo ele, acaba por trazer a nulidade ao Despacho Decisório (fl. 2) em questão. Acerca deste argumento percebese, por meio do voto no Acórdão ora recorrido, que o Contribuinte, ciente do referido Despacho, foi capaz de apresentar sua Manifestação de Inconformidade (fls. 12 a 29) de forma tempestiva para questionar o objeto da Intimação. Cito a seguir trecho do voto do acórdão recorrido, como razões para decidir, que bem esclarece os fatos acerca da notificação e da alegada nulidade do Despacho Decisório por não respeitar o devido processo legal e contraditório (fls. 71 a 73): Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10880.675905/200970 Acórdão n.º 3301004.369 S3C3T1 Fl. 7 6 Quanto à arguição de nulidade do Despacho Decisório, uma vez que teria sido recebido por pessoa não autorizada pela empresa, cumpre destacar o que prescreve o inciso II do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: Art. 23. Farseá a intimação: [...] II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; Exige a norma legal que a entrega da intimação seja efetuada no domicílio eleito pelo sujeito passivo. Não se impõe que o sócio ou representante legal do sujeito passivo pessoa jurídica tenha diretamente recebido a intimação cientificada por via postal. Acerca do assunto em pauta, vale ressaltar também o entendimento expresso na Súmula nº 9 editada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Em consulta aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), foi possível extrair o AR correspondente à ciência do Despacho Decisório ora contestado, que comprova que o documento foi entregue no domicílio tributário do sujeito passivo à época da intimação: (...) Conforme se vê, o contribuinte, ciente do Despacho Decisório, foi capaz de apresentar, tempestivamente, sua manifestação de inconformidade, questionando o ato administrativo objeto da intimação. As argumentações apresentadas pelo manifestante demonstram que a intimação cumpriu sua finalidade de cientificálo acerca da não homologação da compensação e consequente exigência do débito que não foi extinto, concedendolhe prazo para apresentar sua contestação. Tendo sido válida a intimação e analisada a manifestação de inconformidade no presente ato, não ficou configurada nenhuma hipótese de cerceamento do direito de defesa, devendo ser afastada a tese de nulidade do Despacho Decisório. Nesse sentido, considerando que a notificação sobre o Despacho Decisório se deu de forma legal, de acordo inclusive com o previsto na Súmula CARF nº 9, sem prejuízo ao direito ao contraditório, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. Da liquidez e certeza do crédito discutido e do ICMS integrar a base de cálculo de PIS/COFINS Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10880.675905/200970 Acórdão n.º 3301004.369 S3C3T1 Fl. 8 7 O Contribuinte aduz que não é pressuposto para admissão da ação a definição sobre a liquidez e certeza do crédito discutido. Para tanto o Contribuinte cita o art. 170 do CTN, que, segundo ele e a doutrina colada aos autos, estabelece como requisito de liquidez e certeza se referem apenas a créditos da União e não do Contribuinte. Alega também que o valor de ICMS na sua nota fiscal é simplesmente para fins contábeis e que não devem ser incluídos na base de cálculo das contribuições PIS/COFINS, uma vez que não configura faturamento e que se caso assim fosse feriria o princípio da capacidade contributiva e teria como efeito o confisco. Em que pese os argumentos trazidos pelo Contribuinte acerca destas duas matérias, resta prejudicada a discussão acerca do ICMS integrar ou não a base de cálculo das contribuições, se não ficar demonstrado a liquidez e certeza do crédito discutido. Nesse sentido cito trechos do voto do acórdão recorrido que bem elucidam a discussão, bem como, as razões para decidir (fl. 74): (...) Para as pessoas jurídicas que se sujeitam ao regime cumulativo e apuram as contribuições com base na Lei nº 9.718, de 1998, o conceito de receita bruta deve ser entendido como proveniente das receitas oriundas da venda de mercadorias, de serviços ou da venda de mercadorias e prestação de serviços. Porém, cabe salientar que, no Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria relativamente aos processos de restituição ou compensação, por isso utilizase a existente no CPC. Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que, se a RFB resistir à pretensão do interessado, indeferindo o pedido ou não homologando a compensação, incumbirá a ele – o contribuinte –, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Na situação dos autos, o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que, na apuração da Cofins do período analisado, incluiu receitas financeiras na base de cálculo, de forma a caracterizar o pagamento indevido ou a maior de tributo. É bom lembrar ainda que a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170), princípio este que também se aplica a pedido de restituição. Concluise, portanto, que deve a RFB indeferir o pedido ou não homologar a compensação, se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, como evidenciado no caso em comento. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10880.675905/200970 Acórdão n.º 3301004.369 S3C3T1 Fl. 9 8 (...) (Grifouse) Com o intuito de verificar a miúde se o Contribuinte fez prova em seu Recurso Voluntário, de que tenha feito o recolhimento a maior, cabe citar suas alegações (fls. 84 e 85): Portanto, constatase que como não foi comprovado a liquidez e certeza do crédito alegado, tanto na Impugnação, quanto no Recurso Voluntário, sendo Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10880.675905/200970 Acórdão n.º 3301004.369 S3C3T1 Fl. 10 9 requisito legal para a concessão da compensação e restituição, fica prejudicada a discussão e análise acerca do ICMS integrar ou não a base de cálculo das contribuições. Assim voto por negar provimento ao Recurso Voluntário no que tange a comprovação da liquidez e certeza do crédito e restando prejudicado a questão concernente a composição da base de cálculo da Cofins. Conclusão De acordo com os autos do processo e da legislação vigente, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, restando prejudicada a questão concernente a composição da base de cálculo do PIS/COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 115DF CARF MF
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