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Numero do processo: 10380.000098/2002-00
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1997 CONCOMITÂNCIA. ALCANCE DO LITÍGIO. Restando caracterizada a concomitância com a via judicial em qualquer momento processual, não se conhece do recurso, conforme preconiza a Súmula CARF n° 01.
Numero da decisão: 1803-001.119
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer o recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes que dele conhecia.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Meigan Sack Rodrigues
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 CONCOMITÂNCIA. ALCANCE DO LITÍGIO. Restando caracterizada a concomitância com a via judicial em qualquer momento processual, não se conhece do recurso, conforme preconiza a Súmula CARF n° 01. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer o recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes que dele conhecia. (Assinado Digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10380.000098/200200 Acórdão n.º 180301.119 S1‐TE03 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase o presente feito de auto de infração de CSLL em virtude de constatação de irregularidade de créditos vinculados, informados pela empresa recorrente na DCTF, mas não tendo sido comprovado o crédito decorrente do processo judicial n° 96.00151547, conforme "Anexo I — Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados", o mesmo foi lançado. Devidamente cientificada, a empresa recorrente apresenta impugnação em que alega, em apertada síntese, que em julho de 1996, juntamente com outras empresas, ingressou com o Mandado de Segurança Preventivo perante lª Vara da Secção Judiciária Federal do Ceará, protocolizado sob o número 96.00151547 (fls. 16/48), com o objetivo de que a Delegacia da Receita Federal em Fortaleza suspendesse a prática de qualquer ato tendente a impugnar a dedução efetuada a partir do lucro do ano base de 1996 daquelas empresas, bem como exigir os tributos respectivos (IRPJ e CSLL) relativos ao saldo devedor de correção monetária de balanço do ano base de 1994, correspondente a diferença entre a variação da UFIR e os reais índices inflacionários apurados pela variação do IPCM. Informa a recorrente a que medida liminar foi deferida (fls. 53/55) e a mesma ingressou com o pedido de litisconsórcio ativo (fls. 49/52). Atenta para o fato de que de tudo a autoridade coatora tomou ciência, tanto que prestou as informações e até recorreu quando a ação foi julgada em seu desfavor, sendo a autuação manifestadamente contraria ao que estabeleceu a medida judicial. Ressalta que não estando devendo o principal também não é devedora de multa e correção monetária, pois que ainda que venha a perder a demanda, a lei lhe confere o direito de pagar o crédito tributário sem multa no prazo de trinta dias após o trânsito em julgado da sentença. Por fim, a recorrente aduz que diante da comprovação de que o recolhimento do tributo nos meses de janeiro a março de 1997 se deu nos moldes e limites estabelecidos na Liminar deferida no Mandado de Segurança — processo n° 96.00151547, a mesma requer que seja julgado insubsistente na totalidade o auto de infração. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento entendeu por bem baixar em diligência para verificar se havia tutela jurisdicional reconhecendo, à recorrente, o direito de efetuar a compensação da CSLL, nos meses de janeiro a março de 1997, nos termos informados na DCTF do 1° Trimestre de 1997. Isso porque as informações constantes nos referidos documentos, carreados ao processo administrativo pela recorrente, não permitiam concluir se existia tutela jurisdicional favorável ao contribuinte reconhecendo crédito tributário em montante suficiente para compensar com os débitos da CSLL declarado na DCTF referentes aos meses de janeiro, fevereiro e março de 1997. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10380.000098/200200 Acórdão n.º 180301.119 S1‐TE03 Fl. 113 3 Do retorno dessa diligência temse que em Primeiro Grau o juiz inicialmente concedeu a liminar, porém na sentença denegou a Segurança. Inconformada, a recorrente apelou ao TRF 5a Região, na qual a Primeira Turma por unanimidade negou o provimento a apelação. A contribuinte impetrou Embargos de Declaração que também foram negados. Da negativa do Tribunal, a mesma impetrou Recurso Extraordinário que foi admitido pelo presidente do TRF e enviado ao Supremo Tribunal Federal. O Relator, Ministro Sepulveda Pertence, negou segmento ao Recurso Extraordinário e a recorrente interpôs Agravo Regimental no Recurso Extraordinário, e até a presente data ainda se encontra pendente de julgamento. A Delegacia de Julgamento concluiu que, com o andamento da Ação, o crédito tributário constante deste processo é exigível e encaminhou cópia das informações para ciência da recorrente a fim de que esta apresentasse novas considerações de defesa no prazo de trinta dias. A autoridade de primeira instância julgou procedente em parte a autuação. Refere que o Mandado de Segurança Preventivo com Pedido de Liminar n° 96.00151547, liminar esta concedida em 08/07/1996, tem por objeto o reconhecimento do direito de a recorrente corrigir o balanço patrimonial do anobase de 1994 pelo real índice inflacionário decorrente da diferença entre os índices do IPCM e da UFIR divulgados para os meses de julho e agosto de 1994, e, por conseguinte confirmado o direito de deduzir no anobase de 1996 e seguintes, o saldo devedor de correção monetária do balanço do ano de 1994, com repercussão na exação relativa ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro. A decisão proferida no Mandado de Segurança foi desfavorável à recorrente, tendo sido confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, conforme se verifica pelo Relatório de Diligência Fiscal documentos em anexo. A autoridade julgadora tece algumas considerações sobre a obrigação funcional do agente fiscal, citando a legislação de regência, bem como sobre o procedimento de lançamento, constituição do crédito tributário e sua cobrança ordinária dentro do processo administrativo fiscal. Entende por bem esclarecer o procedimento administrativo tal como disposto no ordenamento legal, com fulcro de elucidar a ordem do procedimento tomado pela fiscalização. Expõe o julgador a quo que no presente caso o contribuinte, antes do lançamento, ingressou com o Mandado de Segurança Preventivo liminarmente com o fulcro de obter o reconhecimento do direito de corrigir o balanço patrimonial do anobase de 1994 pelo real índice inflacionário decorrente da diferença entre os índices do IPCM e da UFIR divulgados para os meses de julho e agosto de 1994, e, por conseguinte confirmado o direito de deduzir no anobase de 1996 e seguintes, o saldo devedor de correção monetária do balanço do ano de 1994, com repercussão na exação relativa ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro. Contudo a decisão proferida no Mandado de Segurança foi desfavorável à recorrente, tendo sido confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 5ª' Região, não existindo impedimento judicial de a administração tributária proceder ao lançamento do IRPJ nos valores acatados pelo contribuinte, visto que são os mesmos indicados na DCTF do 1° trimestre de 1997. Atenta ainda a autoridade que a realização do lançamento, mesmo quando o sujeito passivo encontrese protegido por medida judicial, não implica violação de direito individual, apenas visa resguardar o crédito tributário, pois, do contrario, caso não se efetue o lançamento no curso do prazo de decadência e a ação judicial não seja decidida em definitivo Fl. 124DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10380.000098/200200 Acórdão n.º 180301.119 S1‐TE03 Fl. 114 4 nesse prazo, a Fazenda Nacional, mesmo que obtenha decisão favorável, não mais poderá lançar qualquer valor por já haver ocorrido a decadência do seu direito. Portanto, no caso sob análise, correto o lançamento para constituir o crédito tributário referente à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, uma vez que o contribuinte, quando da ciência do auto de infração, não mais se encontrava albergado por tutela judicial que autorizasse a compensação informada na DCTF do 1° trimestre de 1997. Já no que diz respeito à multa de ofício, entendeu a autoridade julgadora de primeira instância que à luz do art.18 da Lei 10.833 de 2003, o lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Desse modo, nos autos de infração oriundos de revisão de DCTF, cujo tributo devido foi regularmente declarado, embora não tenha sido pago, e não estando presentes as circunstâncias versadas no dispositivo ora transcrito, como no presente caso, descabe a exigência da multa de oficio, conforme entendimento expendido na Solução de Consulta Interna n° 3, de 8 de janeiro de 2004, acatando o disposto no art. 106, II, "c", do CTN, no julgamento de processos pendentes cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP n°2.15835, de 2001. Devidamente cientificada, a recorrente apresenta suas razões de recurso voluntário em que refere, em síntese, que houve mudança nas balizas da autuação, haja vista que estas haviam sido fixadas previamente, tanto na autuação como no voto, e que foram modificadas na decisão a quo, segundo o seu entendimento. Isso porque a recorrente vislumbra uma mudança no critério de autuação, quando no auto de infração vem firmado o fundamento de que a tipificação da conduta foi exclusivamente em decorrência da não comprovação da existência do processo n° 90.05052848 e constata que o auto de infração restou lavrado por outros motivos dos quais ela sequer pode se defender. Prossegue a recorrente aduzindo que a mesma atevese ao fato da comprovação do processo judicial n. 90.05052848, tal como requisitou a autoridade, mas não se defendeu de outra coisa, exceto da imputação que lhe foi feita de que havia creditado erroneamente, pois não existia nos escaninhos da Receita Federal o processo n. 90.05052848. Salienta que a defesa restringiuse unicamente a abordar esta questão, eis que outra não lhe foi apresentada e complementa que a decisão não poderia extrapolar o que estava nos autos do processo administrativo, mas o fez, maculandoa de indiscutível injuridicidade, posto que tanto no processo administrativo, como no judicial, impera o axioma: “o que não está nos autos, não está no mundo” Entende a recorrente que se impunha um único resultado no presente feito qual seja: caso a empresa autuada não comprovasse a existência do processo, o auto deveria ser julgado procedente na totalidade. Comprovada a existência do processo judicial, como de fato ocorreu, o auto de infração jamais poderia ser homologado. Refere que o julgador monocrático "aproveitou" (sic) o lançamento tributário, e mesmo afastando a hipótese de incidência apontada no auto de infração, constituiu o crédito tributário por outro motivo, que a rigor não se sabe nem qual seria. Tal fato por si só, encerra gritante ilegalidade. Ainda, observa que Fl. 125DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10380.000098/200200 Acórdão n.º 180301.119 S1‐TE03 Fl. 115 5 caberia à União, reconhecendo a existência do processo, prevenir a decadência e lavrar o auto de infração com esta fundamentação, permitindo à empresa autuada defenderse desta imputação especifica, argüindo por exemplo, que o crédito já estava decaído e portanto, impossibilitada sua constituição, ou qualquer outra matéria de defesa que entenda pertinente. Cita o artigo 142 do CTN e jurisprudências desse Egrégio Conselho de Contribuintes. Por fim a recorrente requer a nulidade do auto de infração. É o relatório. Voto Tratase o presente feito de auto de infração de CSLL em virtude de constatação de irregularidade de créditos vinculados, informados pela empresa recorrente na DCTF, tendo em vista que não foi comprovado o crédito decorrente do processo judicial n° 96.00151547. A empresa recorrente argumenta que o processo administrativo deve ser julgado nulo, uma vez que houve mudança nas balizas da autuação feita. Isso porque segundo a compreensão da recorrente, o auto de infração foi lavrado porque não foi comprovada a existência do processo judicial n. 90.05052848 e uma vez tendo sido comprovada a sua existência a falha teria sido suprida. Ocorre que se olvidou, a empresa recorrente, de salientar que na realidade a autuação originouse na auditoria realizada na própria DCTF remetida pela empresa à Secretaria da Receita Federal do Brasil, na qual detinha irregularidades nos créditos vinculados e informados pela empresa. Certo de que os créditos estavam calcados no processo judicial, posto que a empresa recorrente fundamentava sua contabilidade também nos mesmo, é que a autoridade julgadora viu a necessidade de verificar a veracidade do processo judicial. No entanto, não vislumbro a mudança de balizas de autuação, ainda mais quando a própria autoridade intima a empresa contribuinte a complementar suas razões de impugnação e esta devidamente cientificada assim o deixa de proceder. Convém seguir o itinerário de datas, senão vejamos: a empresa apresenta a sua impugnação no dia 04.01.2002, a DRJ entende necessário baixar em diligência para verificar o andamento do processo judicial na data de 12.07.2002, a solução da Resolução se dá no dia 18.08.2008, a empresa recorrente é cientificada no dia 05.09.2008 para apresentar a complementação da sua impugnação, a decisão da DRJ é prolatada em 13.11.2008. Assim, verificase com clareza que a empresa teve oportunidade de defenderse, complementando a sua impugnação, sem comprometer a sua defesa, mas não o faz por motivos próprios e alheios ao processo. Já no que tange ao mérito da presente controvérsia, imperioso frisar que este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais está jungido à aplicação da Súmula n. 01 que versa: Fl. 126DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10380.000098/200200 Acórdão n.º 180301.119 S1‐TE03 Fl. 116 6 “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial” Assim, a recorrente ao ingressar com a ação judicial, cujo objeto da demanda envolve o mesmo objeto do presente processo administrativo, abriu mão da análise por essa esfera administrativa sobre o tema. Este Conselho não pode mais tomar conhecimento do que se discute no processo administrativo e também no processo judicial, abstendose de apreciar o fato e emitir juízo de valor. Desse modo, ainda que a empresa recorrente entenda que a Receita Federal esteja obrigada a aceitar os ditames determinados na sentença judicial, quando esta for julgada em definitivo, devendo pois cancelar o lançamento, isso somente poderá ser feito em seara de execução de sentença, através do processo judicial e não da esfera administrativa. A etapa em que se encontra o processo administrativo obriga que o recurso voluntário, proposto pela empresa recorrente, sequer seja conhecido, pela concomitância ocasionada com a ação judicial proposta pela mesma junto ao poder judiciário. Diante do exposto, julgo por não conhecer do recurso voluntário proposto. É como voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora Fl. 127DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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Numero do processo: 19515.721194/2014-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2010
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE REGULAR INTIMAÇÃO. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE DE FATO. LANÇAMENTO INSUBSISTENTE.
Incabível o lançamento fundado na presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, na situação em que uma parte dos depósitos bancários não foi objeto de intimação individualizada para comprovação de origem e outra parte consistiu em meras transferências entre contas de mesma titularidade de fato.
Numero da decisão: 1301-002.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE REGULAR INTIMAÇÃO. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE DE FATO. LANÇAMENTO INSUBSISTENTE. Incabível o lançamento fundado na presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, na situação em que uma parte dos depósitos bancários não foi objeto de intimação individualizada para comprovação de origem e outra parte consistiu em meras transferências entre contas de mesma titularidade de fato.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
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E OUTROS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE REGULAR INTIMAÇÃO. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE DE FATO. LANÇAMENTO INSUBSISTENTE. Incabível o lançamento fundado na presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, na situação em que uma parte dos depósitos bancários não foi objeto de intimação individualizada para comprovação de origem e outra parte consistiu em meras transferências entre contas de mesma titularidade de fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 11 94 /2 01 4- 12 Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 19515.721194/201412 Acórdão n.º 1301002.268 S1C3T1 Fl. 1.043 2 Relatório ENGEPAR CONSTRUÇÕES LTDA. (contribuinte), CLÁUDIO TEIXEIRA, BENEDITO ACÁCIO LANG, NELSON RUIZ CONSENTINO e ENGEPAR HOLDING LTDA. (responsáveis tributários), já qualificados nestes autos, foram autuados e intimados a recolher crédito tributário no valor total de R$ 17.804.165,83, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 4. O ilícito tributário apontado foi omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários não contabilizados, de origem não comprovada, com base no art. 42 da Leinº 9.430/1996. Os fatos geradores de IRPJ e reflexos de CSLL, PIS e COFINS teriam ocorrido no anocalendário 2009 e a multa aplicada ao lançamento foi de 150%. Consta do Termo de Verificação Fiscal: [...] concluindo a análise da Movimentação Financeira da Pessoa do Sr. Nelson Ruiz Consentino, que gerou este procedimento fiscal; esta fiscalização forma convicção de que as contas correntes mencionadas acima são na verdade de propriedade da empresa Engepar Construções Ltda e prosseguimos na apuração de OMISSÃO DE RENDIMENTOS, caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme discriminado nos Demonstrativos de [sic] e resumido abaixo: [...] Os valores acima apurados serão tributados segundo o disposto no artigo 42 e seus parágrafos da Lei 9.430/96, e artigo 58, parágrafo 5º, da Lei 10.637/02. A multa punitiva foi agravada em face do previsto no § 1º do artigo 44 da Lei 9430/96: [...] A multa qualificada (de 150%) se justifica pelo fato da empresa ter agido, em tese, dolosamente com o franco intuito de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador de IRPJ e seus reflexos, mantendo conta corrente bancária em nome de interposta pessoa. As operações, na verdade, tratamse de simulação de negócio jurídico com o fim específico de omissão de rendimentos . [...] Considerando que as operações de mútuo não passam de artifício com vistas à sonegação de tributos, e com objetivo de acobertar os pagamentos efetuados pela fiscalizada ao Sr. Nelson Marangoni e conseqüentemente tais valores foram tratados como pagamento sem causa, com apuração dos tributos devidos. Os sujeitos passivos apresentaram impugnação em conjunto, ao fim do que formularam seus pedidos: Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 19515.721194/201412 Acórdão n.º 1301002.268 S1C3T1 Fl. 1.044 3 128. Por todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do auto de infração, requer: (i) preliminarmente, seja acolhida a nulidade parcial do auto de infração em razão de atuação fora dos limites do MPF expedido; e (ii) no mérito, requer seja acolhida a presente impugnação administrativa, reconhecendose a nulidade do auto de infração porquanto (ii.1) não haja indicação clara, precisa e individual dos depósitos supostamente injustificados; (ii.2) tenha havido demonstração suficientemente robusta no sentido de que todos os valores objeto de autuação foram devidamente lançados pela IMPUGNANTE, conforme livro Razão, DIPJ, Balancete e Balanço apresentados, sob pena de bis in idem; (ii.3) inexiste motivo que enseja a aplicação de multa majorada; (ii.4) não cabe a responsabilização da pessoa jurídica e demais pessoas físicas incluídas como devedores solidários na presente autuação. (iii) Caso seja julgue necessário, requer seja convertido o julgamento em diligência para produção das provas necessárias à demonstração da regularidade dos lançamentos efetuados pela empresa. Por meio do Despacho Decisório nº 188 (fls. 963/964), o julgador de primeira instância determinou a realização de diligência para que, quanto à matéria litigiosa, a autoridade competente: a) demonstre ter havido, no curso da ação fiscal, a regular intimação de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430/96; b) aponte nos autos a localização do demonstrativo que discrimina os depósitos bancários que foram presumidos como receita omitida, com as respectivas justificativas para considerar a origem do depósito não comprovada; Às fls. 968/969 encontrase o Relatório Fiscal de Diligência, no qual a autoridade diligenciadora, em síntese, assim esclareceu: Em relação ao item a, informamos que o contribuinte foi intimado através do Termo de Início de Procedimento Fiscal, TIPF lavrado em 25/08/2014, constantes as fls 5 e 6 do presente processo, sendo a ciência dada através do edital 99/2014, fixado em 04/09/2014 e desafixado em 22/09/2014, edital constante a fls 7 do referido processo, em cumprimento ao artigo 23 item III & 1 item II do Decreto 70.235/72. Por oportuno salientamos que a empresa teve sua inscrição no CNPJ declarada inapta, através do Ato Declaratório 34 de 03/09/2014, publicado no DOU de 04/09/2014, com efeitos a partir de 12/08/2014. Quanto ao item b, informamos que o demonstrativo que discrimina os depósitos bancários que foram presumidos como receita omitida, localizamse as fls 5 e 6 do processo, integrante do Termo de Inicio de Procedimentos Fiscal TIPF. O contribuinte foi regularmente intimado a esclarecer a origem dos depósitos bancários ali discriminados, porem nada apresentou a esta fiscalização, tendo se mantido silente durante todo o período em que transcorreu o procedimento fiscal, conforme pode se observar através da leitura das 967 paginas que compõe o referido processo. Os interessados, então, aduziram contrarrazões argumentando, em resumo, o seguinte: Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 19515.721194/201412 Acórdão n.º 1301002.268 S1C3T1 Fl. 1.045 4 12. É fácil, então, observar que (i) a D. Fiscalização JAMAIS intimou a IMPUGNANTE para justificar os depósitos "supostamente omitidos" e que vieram a ser objeto do auto de infração, o que viola o disposto no art. 42 da Lei n9. 9.430/1996 e conduz à nulidade da autuação; (ii) a D. Fiscalização nem mesmo no auto de infração indicou de forma clara, precisa e individual os depósitos supostamente não justificados, sendo apenas apresentado o resultado pronto de um somatório depósitos não justificados em cada um dos meses do ano de 2009 e separado por contas bancárias apenas (fls. 455); (iii) a intimação de fls. 5/6 (mencionada pela a D. Fiscalização) não guarda nenhuma relação com o documento de fls. 455 e muito menos individualiza quais seriam os depósitos de origem não comprovada que vieram posteriormente a ser lançados de ofício pela Autoridade Competente; (iv) o demonstrativo de fls. 5 se relaciona a depósitos REALIZADOS pela IMPUGNANTE e não a receitas omitidas, daí ele não servir para dar suporte a um auto de infração lavrado por presunção de omissão de receitas; (v) a D. Fiscalização não indicou as datas e valores de depósitos não justificados, mas simplesmente um resultado pronto o que impediu a IMPUGNANTE demonstrar, de maneira precisa, que os valores tidos por não justificados integraram, sim, o lançamento bancário descrito no livro razão. [...] 14. Portanto, ratificandose todos os termos da impugnação administrativa, não tendo sido demonstrado pela D. Fiscalização a intimação de que trata o artigo 42 da Lei ns. 9.430/1996 e tampouco a localização de demonstrativo que discrimina os depósitos bancários que foram presumidos como receita omitida, com as respectivas justificativas para considerar a origem do depósito não comprovada, requer seja reconhecida a improcedência e nulidade do auto de infração porquanto (i.1) não haja indicação clara, precisa e individual dos depósitos supostamente injustificados; (i.2) tenha havido demonstração suficientemente robusta no sentido de que todos os valores objeto de autuação foram devidamente lançados pela IMPUGNANTE, conforme livro Razão, DIPJ, Balancete e Balanço apresentados, sob pena de bis in idem; (i.3) inexiste motivo que enseje a aplicação de multa majorada; (i.4) não cabe a responsabilização da pessoa jurídica e demais pessoas físicas incluídas como devedores solidários na presente autuação. A 1ª Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0958.130, de 22/07/2015 (fls. 1016/1024), considerou improcedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. REGULAR INTIMAÇÃO. Incabível o lançamento fundado na presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, quando ausentes elementos essenciais para a formação dessa presunção, previstos no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, inclusive a intimação do titular ou dos titulares das contas bancárias. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 19515.721194/201412 Acórdão n.º 1301002.268 S1C3T1 Fl. 1.046 5 Aplicase às exigências decorrentes, o mesmo tratamento dispensado ao lançamento da exigência principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Como os sujeitos passivos foram exonerados de crédito tributário (principal e multas) em valor superior ao limite de alçada (R$ 1.000.000,00), a Turma Julgadora recorreu de ofício a este Colegiado. À época, esse procedimento era disciplinado pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/1997, e, ainda, pela Portaria MF nº 3/2008. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar a modificação introduzida pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, publicada no DOU de 10/02/2017, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. No caso em tela, ao somar os valores correspondentes a tributo e multa afastados em primeira instância (fl. 4), verifico que superam o limite de dois milhões e meio de reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, mesmo com a alteração do limite de alçada, o recurso de ofício permanece cabível, e dele conheço. Quanto ao mérito, a decisão recorrida afastou exigências tributárias incidentes sobre receitas omitidas, apuradas com base na presunção estatuída pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996, qual seja, depósitos bancários de origem não comprovada. Entendeu o julgador a quo que não teriam sido cumpridas as formalidades essenciais para a caracterização da presunção legal, a saber, o sujeito passivo não foi intimado a comprovar os depósitos/créditos em sua conta corrente bancária, de forma individualizada. Compulsando os autos, constato que a decisão recorrida se sustenta por seus próprios fundamentos, que peço vênia para transcrever a seguir (grifos no original): Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 19515.721194/201412 Acórdão n.º 1301002.268 S1C3T1 Fl. 1.047 6 No mérito, cabe observar o disposto no art. 42 da Lei n.º 9.430/96, que fundamentou o lançamento: Art. 42. Caracterizamse também como omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; [...]. [Grifei]. Consoante o dispositivo acima, o legislador estabeleceu de forma clara uma presunção legal e relativa de omissão de receita. À fiscalização cabe, então, a prova do fato indiciário, ou seja, que regularmente intimado o sujeito passivo não comprovou a origem dos valores creditados em suas contas bancárias. Além disso, os créditos devem ser analisados individualizadamente. Só então, quando comprovado o fato indiciário, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador do imposto de renda e das contribuições1, presumindose que os recursos depositados traduzem receitas omitidas pelo sujeito passivo. Ao ensejo: [...] Na espécie, em sede de diligência, a fiscalização informou que a intimação, a que alude o art. 42 da Lei nº 9.430/96, e o demonstrativo, que discrimina os depósitos bancários presumidos como receita omitida, constam do Termo de Início de Procedimento Fiscal, às fls. 5/6. Entretanto, a intimação que consta do Termo de Início trata de: 1 – depósitos efetuados pela própria Engepar Construções Ltda na conta corrente do Sr. Nelson Ruiz Consentino; 2 – pagamentos efetuados pelo Sr. Nelson Ruiz Consentino. Na verdade, assim como o primeiro MPFF (fl. 2), o Termo de Início trata de “fiscalização do Imposto de Renda Retido na Fonte”, conforme consignado em seu próprio corpo. Talvez, por esse motivo, tenha constado no TVF a menção de “pagamento sem causa, com apuração dos tributos devidos”, indevidamente, conforme esclarecido no Relatório de Diligência, uma vez que o presente processo trata de omissão de receitas. Não é sem razão que a relação de depósitos constante do Termo de Início não guarda qualquer congruência com a “Tabela de Depósitos Não Justificados” constante do TVF (fl. 455), a qual não discrimina individualmente os depósitos considerados como receitas omitidas. Ressalto que na impugnação foi demonstrada, 1 Por força do § 2º do art. 24 Lei n.º 9.249/95, a omissão de receita apurada com base na legislação do imposto sobre a renda deve ser considerada na determinação da base de cálculo no lançamento das contribuições. Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 19515.721194/201412 Acórdão n.º 1301002.268 S1C3T1 Fl. 1.048 7 por amostragem, a incompatibilidade da Tabela supracitada com extratos bancários das contas auditadas. Resta claro, assim, que não estão preenchidos os pressupostos essenciais para a formação da presunção legal, versada no art. 42 da Lei nº 9.430/96. A fiscalização não se desencumbiu de seu ônus probandi, qual seja, a comprovação do fato indiciário que leva à presunção legal de omissão de receita por depósitos bancários de origem não comprovada. Por conseguinte, não há como prosperarem os lançamentos de ofício. Fica prejudicada a análise dos demais argumentos aduzidos na impugnação. Por fim, a título ilustrativo, trago à colação pronunciamentos do CARF corroborando o acima exposto: INFORMAÇÃO ANTES DA AUTUAÇÃO. ORIGEM DOS DEPÓSITOS. PRESUNÇÃO. Para a utilização da presunção, determinada pelo Art. 42, da Lei 9.430/1996, com a caracterização de receita ou de rendimento dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, são necessários os seguintes requisitos: a) regular intimação; b) ausência de comprovação, por documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados nessas operações. No presente caso o sujeito passivo, antes da autuação, informou ao Fisco detalhados dados sobre os depósitos (Nome, CPF, CNPJ) e ao Fisco caberia a checagem dessas informações, na busca da verdade material. Recurso Especial do Procurador Negado. [Acórdão CSRF 9202002.408, de 13/03/2013]. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA TITULAR DAS CONTAS BANCÁRIAS FALECIDO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL LANÇAMENTO LAVRADO CONTRA O HERDEIRO IMPOSSIBILIDADE. O artigo 42 da Lei n° 9.430/96 encerra uma presunção de omissão de rendimentos que se aplica quando o contribuinte, devidamente intimado, não comprova mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento de que seja titular. Contudo, para a formação desta presunção de omissão de rendimentos, devem estar presentes todos os elementos previstos no caput do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, inclusive a intimação do titular ou dos titulares (e não do espólio ou do responsável) das contas bancárias, a quem cabe, com exclusividade, o ônus probandi. No caso, em razão do falecimento do titular das contas bancárias em momento anterior ao início da ação fiscal, não pode prosperar o lançamento efetuado contra o herdeiro com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Recurso especial negado. [Acórdão CSRF 9202002.047, de 21/03/2012]. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. REGULAR INTIMAÇÃO. Incabível o lançamento fundado na presunção de omissão de receitas por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, se ausente a regular intimação para justificativa dos valores creditados em conta de depósito ou de Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 19515.721194/201412 Acórdão n.º 1301002.268 S1C3T1 Fl. 1.049 8 investimento mantida junto a instituição financeira, conforme determina o artigo 42 da Lei n° 9.430/96. [...] TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Recurso de ofício negado. [Acórdão 1401001.331, 21/10/2014]. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. Para a caracterização de omissão de receita a partir dos valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, o titular deve ser regularmente intimado para comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ante a falta dessa intimação, não cabe ao Fisco lançar o imposto com base na presunção legal de omissão de receitas caracterizada por "depósitos bancários de origem não comprovada". LANÇAMENTO REFLEXO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO, PIS/FATURAMENTO E COF1NS. A tributação reflexa deve, em relação ao respectivo Auto de infração, acompanhar o entendimento adotado quanto ao principal, em virtude da íntima relação dos fatos tributados. [...] [Acórdão 1202000.840, 14/01/2013]. A omissão de receitas por presunção legal exige que todas as formalidades previstas em lei sejam cumpridas para que se possa afirmar a ocorrência da omissão de receitas. Em especial, o contribuinte há de ser regularmente intimado a comprovar a origem dos valores depositados/creditados em sua conta bancária, e a relação dos depósitos deve ser individualizada, bem assim a resposta e as justificativas e comprovações que eventualmente venham a ser apresentadas. No presente caso, ao analisar a movimentação financeira nas contas bancárias de titularidade do Sr. Nelson Ruiz Consentino, o Fisco firmou convicção de que os valores que ali transitaram seriam, de fato, pertencentes à pessoa jurídica Engepar Construções Ltda., vide Termo de Verificação Fiscal, item 2, fl. 454. Na sequência, o Fisco considerou os depósitos efetuados nessas contas (formalmente da titularidade do Sr. Nelson Ruiz Consentino) como receitas omitidas pela pessoa jurídica, com base no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, mas não encontro nos autos a indispensável intimação prévia ao titular (ainda que titular de fato) para comprovação individualizada da origem dos depósitos bancários. Em cumprimento da diligência determinada pelo julgador de primeira instância, a unidade de origem informou que essa intimação prévia seria aquela que se encontra às fls. 5/6 dos autos, a saber, o Termo de Início de Procedimento Fiscal. A intimada, de fato, foi a pessoa jurídica Engepar Construções Ltda. Os itens da intimação que poderiam, por análise preliminar, consistir na buscada intimação individualizada para comprovação de origem seriam os itens 2 e 3, a seguir transcritos. 2. Quais as motivação e justificativa para os depósitos efetuados pela empresa em conta corrente do Sr. Nelson Ruiz Consentino CPF nº 088.830.54865conforme discriminado abaixo: [...] Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 19515.721194/201412 Acórdão n.º 1301002.268 S1C3T1 Fl. 1.050 9 3. Quais as motivação e justificativa para os pagamentos efetuados pela pessoa física Sr. Nelson Ruiz Consentino CPF nº 088.830.54865, através de suas contas correntes, de obrigações da empresa tais como as discriminadas abaixo: [...] Quanto ao item 3, observase que se trata de pagamentos efetuados pelo Sr. Nelson Ruiz Consentino, ou seja, débitos (saídas) em contascorrentes bancárias de titularidade daquela pessoa física, valores que em hipótese alguma se enquadrariam na presunção legal de depósitos (entradas) bancários de origem não comprovada. Quanto ao item 2, a tabela relaciona valores depositados pela pessoa jurídica Engepar Construções Ltda2 nas contascorrentes bancárias de titularidade do Sr. Nelson Ruiz Consentino, buscando justificativa e motivação para tais operações. Efetivamente, os valores ali especificados são reproduzidos no Termo de Verificação Fiscal, item 6 (fls. 440/442, em duas tabelas que totalizam respectivamente R$ 11.367.124,00 e R$ 2.255.886,72) e podese constatar que consistem em parcela do total (R$ 19.503.461,35, fls. 455/456) que foi objeto de autuação. Até aqui, poderseia pensar que uma parte dos depósitos bancários nas contascorrentes do Sr. Nelson Ruiz Consentino foi objeto de intimação individualizada para comprovação de origem. Mas há aqui um vício insuperável. É que o Fisco concluiu que os valores movimentados nas contascorrentes do Sr. Nelson Ruiz Consentino pertenceriam, de fato, à pessoa jurídica Engepar Construções Ltda. Em assim sendo, os valores objeto de intimação (tabelas totalizando R$ 11.367.124,00 e R$ 2.255.886,72), depositados pela mesma Engepar Construções Ltda., nada mais seriam do que transferências entre contas de mesma titularidade (de fato), impondose a exclusão de tais valores dos montantes tributáveis, a teor do inciso I do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Em assim sendo, seja porque uma parte dos depósitos bancários não foi objeto de intimação individualizada para comprovação de origem, seja porque outra parte consistiu em meras transferências entre contas de mesma titularidade de fato, o lançamento não pode subsistir, tal como decidiu o julgador a quo. Aos lançamentos reflexos aplicase o quanto decidido para o principal. Voto, assim, por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha 2 De fato, a tabela especifica como depositante Engepar Engenharia Ltda., denominação anterior vigente até 17/06/2010 da mesma pessoa jurídica, que a partir dessa data passou a denominarse Engepar Construções Ltda. Vide Ficha Cadastral Completa, especialmente fls. 39 e 41 dos autos. Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 19515.721194/201412 Acórdão n.º 1301002.268 S1C3T1 Fl. 1.051 10 Fl. 1051DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10315.000907/2006-82
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outros
Exercícios: 2002 a 2005
Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. REVISITAÇÃO DO ASSUNTO, POR CONTA DE RECURSO INTERPOSTO CONTRA A AUTUAÇÃO DO CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE.
Definitivamente decidida, noutra oportunidade, a manutenção do Ato Declaratório de Exclusão – ADE pertinente ao contribuinte, não pode este buscar reabrir a discussão, depois do prazo legal, por ocasião de recurso destinado a debater autuações mediatamente ligadas a seu desenquadramento.
ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOS DOCUMENTOS CONTÁBILFISCAIS.
Uma vez desenquadrado o contribuinte do Simples, volta ele a ficar adstrito ao regime de apuração pelo lucro real, desde a data de geração dos efeitos do ato extrusor. A falta de apresentação, à fiscalização, dos livros e dos documentos da escrita comercial e fiscal acarreta o arbitramento do resultado
da pessoa jurídica, conforme previsto no artigo 530, inciso III, do RIR/99.
Numero da decisão: 1803-000.689
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de
Julgamento, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Benedicto Celso Benício Júnior
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outros Exercícios: 2002 a 2005 Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. REVISITAÇÃO DO ASSUNTO, POR CONTA DE RECURSO INTERPOSTO CONTRA A AUTUAÇÃO DO CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. Definitivamente decidida, noutra oportunidade, a manutenção do Ato Declaratório de Exclusão – ADE pertinente ao contribuinte, não pode este buscar reabrir a discussão, depois do prazo legal, por ocasião de recurso destinado a debater autuações mediatamente ligadas a seu desenquadramento. ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOS DOCUMENTOS CONTÁBILFISCAIS. Uma vez desenquadrado o contribuinte do Simples, volta ele a ficar adstrito ao regime de apuração pelo lucro real, desde a data de geração dos efeitos do ato extrusor. A falta de apresentação, à fiscalização, dos livros e dos documentos da escrita comercial e fiscal acarreta o arbitramento do resultado da pessoa jurídica, conforme previsto no artigo 530, inciso III, do RIR/99.
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DE MORAIS ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outros Exercícios: 2002 a 2005 Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. REVISITAÇÃO DO ASSUNTO, POR CONTA DE RECURSO INTERPOSTO CONTRA A AUTUAÇÃO DO CONTRIBUINTE. IMPOSSIBILIDADE. Definitivamente decidida, noutra oportunidade, a manutenção do Ato Declaratório de Exclusão – ADE pertinente ao contribuinte, não pode este buscar reabrir a discussão, depois do prazo legal, por ocasião de recurso destinado a debater autuações mediatamente ligadas a seu desenquadramento. ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DOS DOCUMENTOS CONTÁBILFISCAIS. Uma vez desenquadrado o contribuinte do Simples, volta ele a ficar adstrito ao regime de apuração pelo lucro real, desde a data de geração dos efeitos do ato extrusor. A falta de apresentação, à fiscalização, dos livros e dos documentos da escrita comercial e fiscal acarreta o arbitramento do resultado da pessoa jurídica, conforme previsto no artigo 530, inciso III, do RIR/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Fl. 419DF CARF MF Emitido em 21/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 21/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 2 (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Benedicto Celso Benício Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Marcelo Fonseca Vicentini, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes e Luciano Inocêncio dos Santos. Relatório Contra o sujeito passivo acima identificado foi lavrado o auto de infração de fls. 06/20, para formalização de cobrança do crédito tributário nele estipulado, relativo aos anoscalendários de 2001, 2002, 2003 e 2004, no valor total de RS 15.226,08, incluindo encargos legais calculados até 30/11/2006. Foi realizado arbitramento do lucro trimestral dos anoscalendário de 2001, 2002, 2003 e 2004, tendo em vista que o contribuinte, depois de excluído do Simples e de regularmente notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, com base no lucro real, deixou de fazêlo, conforme termos (fls.202, 218, 222, 241 e 243) e intimação (fls. 230). Depreendese dos autos que o contribuinte foi excluído do Simples, preteritamente, mediante o Ato Declaratório 06, de 24/11/2006, originado da constatação do não cumprimento da obrigação acessória de manter toda sua escrituração financeira, inclusive bancária, no livro Caixa, nos termos da Lei n° 9.317/96, art. 7º, § 1º. Regularmente intimada, a empresa não apresentou escrituração contábil de acordo com o lucro real, depois de operada dita extrusão. Foi utilizada, como base de cálculo do arbitramento, a receita constante das notas fiscais de saídas apresentadas, tendo sido efetuado o cálculo do IRPJ e dos reflexos, conforme detalhado em relatório fiscal (fls. 63/67), cujos fatos geradores e valores tributáveis encontramse discriminados às fls. 07/10. Cientificado do auto de infração em 22/12/2006, apresentou o contribuinte, em 18/01/2007, a impugnação de fls. 366 e ss., por meio da qual aduziu as seguintes ilações: “o auto de infração supracitado se fundamentou no fato de esta modesta firma haver sido excluído da sistemática do Simples, por intermédio do ato declaratório nº 06, de 24/11/2006, por conta do não cumprimento de obrigações acessórias, inclusive na escrituração do caixa (exigência do artigo 7°, 1° da Lei 9.317/96)”; Fl. 420DF CARF MF Emitido em 21/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 21/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10315.000907/200682 Acórdão n.º 1803000.689 S1TE03 Fl. 2 3 “com o advento da Lei n° 9317/96, modificando para melhor o tratamento do pequeno comerciante, com a criação da sistemática do Simples, diferenciando as empresas de pequeno porte das empresas maiores, proporcionando, entre outros benefícios, o direito de participar de licitações para efetuar vendas a órgãos públicos, experimentamos consideráveis impulsos nas nossas receitas, principalmente nos anos de 2003 e 2004”; com isso, suas vendas cresceram, tendo inclusive ultrapassado o limite de micro empresa, em 2003, com vendas de R$ 212.608,95. A empresa foi fiscalizada pelo Estado até junho de 2003, oportunidade em que foram pagos os impostos complementares e, a partir de julho de 2003, passou a ser tributada como EPP, no âmbito do Simples Federal. Ressalta que, no ano de 2004, poderia ter retornado para o Simples como ME, no entanto continuou pagando, como EPP, a alíquota de 5,4% bem maior do que a alíquota devida a titulo de ME; conforme foi dito no apelo dirigido à Delegacia de Julgamento, o Ato Declaratório Executivo n° 06 deveria ser revogado, pois a empresa não infringiu nenhum item impeditivo constante do artigo 9° da Lei n° 9.317/96; foram apresentadas as declarações de ajuste pessoa jurídica simplificada, desde o ano de 1997 até o último exercício, sem qualquer restrições por parte do fisco federal; foram pagos, regularmente, todos os impostos devidos, inclusive contribuições do Simples, durante todos os anos de existência da sociedade; as receitas da peticionária são constituídas exclusivamente de vendas de mercadorias e, em nenhum dos anos anteriores, ultrapassou o limite estipulado pelo artigo 9° da Lei n° 9.317/96; não há débitos juntos aos órgãos públicos federal, estadual e municipal; não houve cometimento de ato doloso, no sentido de burlar o fisco, para reduzir impostos e contribuições; foram cumpridas as determinações constantes do artigo 8° da Lei n° 9.317/96, com exceção da escrituração do livro Caixa dos anos de 2001 e 2002, tendo em vista que o fisco estadual não exigia tal procedimento para firmas desse porte; nesse sentido, fez a empresa de tudo para permanecer gozando dos benefícios da Lei n° 9.317/96 – única maneira de continuar explorando seu pequeno negócio. Não é lídimo que a sociedade deixe de fruir do Simples, por força de uma simples falta de informação acessória, que não tem nada a ver com o fato gerador do imposto; o arbitramento do lucro da empresa – que tem um estoque aproximado de R$ 4.500,00 e vendeu, em 2005, mais ou menos R$ 27.500,00 – é uma maneira esdrúxula de exterminar um pequeno negócio, que constitui o único meio de vida de duas ou três famílias – inclusive a de dois funcionários que trabalham na empresa, graças aos benefícios proporcionados pela Lei n° 9.317/96; o valor dos impostos, contribuições e multa resultantes do arbitramento em lide, mesmo se reduzidos os valores pagos durante toda a existência da empresa, representa cerca de 4 a 5 vezes o valor do estoque em 31/12/2006; Fl. 421DF CARF MF Emitido em 21/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 21/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 4 face ao exposto, e na esperança de que o Ato Declaratório seja revogado, solicita a reformulação do Auto de Infração ou o seu cancelamento, por ser um ato de inteira justiça. Foi anexado aos autos cópia da impugnação apresentada ao Ato Declaratório Executivo n° 06, de 24/11/2006, de exclusão do Simples, às fls. 370 a 373, bem como cópias dos Autos de Infração, às fls. 374 a 378. A 4ª TURMA – DRJ EM FORTALEZA – CE, ao julgar a impugnação formulada, manteve integralmente o lançamento debatido, ementando sua decisão nos seguintes termos: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: Arbitramento do Lucro. Ausência de Escrituração É cabível o arbitramento do lucro, quando o contribuinte excluído do SIMPLES, não mantiver escrituração contábil regular, bem como, deixar de manter a escrituração financeira inclusive bancária no livro caixa. Havendo possibilidade de conhecerse a receita bruta, inclusive a omitida, o arbitramento do lucro deve tomar por base esse elemento. Tributação Reflexa Contribuição para o PIS/PASEP, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social. Aplicase às exigência ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à intima relação de causa e efeito entre elas.” Cientificado da decisão em 13/02/2008, interpôs o contribuinte, em 12/03/2008, recurso a este conselho, erigindo arguições similares às produzidas no grau inferior e asseverando, ainda, ter apresentado os livros Caixa solicitados, ao contrário do declinado pela Fiscalização. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, Relator Fl. 422DF CARF MF Emitido em 21/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 21/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10315.000907/200682 Acórdão n.º 1803000.689 S1TE03 Fl. 3 5 O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. Cuidase de auto de infração formalizado para cobrança de IRPJ e de seus reflexos, calcado em apuração do lucro exacionável por arbitramento, nos termos do artigo 530, inciso III, do RIR (Decreto nº 3.000/99): “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...)” Consoante se pode depreender dos autos, a empresa foi desenquadrada do Simples por força de Ato Declaratório de Exclusão – ADE a ela cientificado em 28/11/2006. O motivo da exclusão, segundo declinado pela autoridade emissora, teria sido, então, o fato de a sociedade não manter corretamente escriturado o livro Caixa, com a indispensável indicação da movimentação financeira e bancária dos períodos. O ADE em questão fora objeto, na época, de irresignação da excluída, manifestada em peça inconformista tempestivamente apresentada, ulteriormente indeferida pela autoridade julgadora competente. O próprio contribuinte, aliás, traz aos autos, em mais de uma oportunidade, cópia de sua manifestação, dando conta da circunstância de o ato extrusivo do Simples já ter sido objeto de debate e de decisão administrativa definitiva. Pareceme óbvio, nesse cenário, que o operado desenquadramento não pode ser revisto por este colegiado. O cerne do presente processo se restringe à lavratura dos AII’s encartados aos autos, fulcrados em procedimento arbitral desencadeado pela nãoapresentação, por parte do contribuinte, dos livros e documentos fiscais imanentes ao regime de apuração pelo lucro real – sistemática que se tornou imperiosa, desde o desenquadramento da empresa. Ocorre, todavia, que as alegações insertas no recurso em apreço tocam, justamente, à pretensa ilegitimidade do ADE formalizado. Repitase, porém, que este tópico não pode ser revisitado na presente seara, porquanto esgotadamente analisado, quanto ao mérito, no momento processual oportuno. Em todo caso, ainda que o arbitramento em si só tenha sido indiretamente enfrentado pela recorrente, é de se ressaltar, sobre o assunto, que também não há motivos que indiquem impertinência da conduta fiscal, frente às circunstâncias do caso concreto. Fl. 423DF CARF MF Emitido em 21/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 21/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR 6 A peticionária foi intimada (fl. 243) a apresentar cópias de seus livros contábeis obrigatórios, lado um, e do LALUR, lado outro, na forma determinada aos contribuintes sujeitos ao regime de apuração pelo lucro real. Estresidos papéis, a despeito disso, não foram entregues, conforme relato de fl. 244 – razão pela qual se realizou o arbitramento do lucro, mediante consideração das receitas brutas de vendas descritas em notas fiscais de saída, apresentadas pela empresa. Ademais disso, também não logrou a postulante justificar as divergências encontradas entre relatórios de vendas e as declarações de rendimentos por ela apresentadas. Por conta deste fato, foram adicionadas ao resultado, ainda, as receitas reputadas omitidas, na forma do artigo 537 do RIR, de forma a compor as bases de cálculo dos tributos ora lançados. Parece, face a tudo, que nada há a ser corrigido no procedimento autuante. As ilações recursais não descortinam qualquer vício que pudesse infirmar o labor fazendário. Aduções respeitantes à capacidade econômica da pessoa jurídica, também erigidas no instrumento de recurso, não podem, no mais, prevalecer sobre a imperiosa aplicação da legislação vigente, dado o caráter vinculado da atividade administrativa. Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 10 de novembro de 2010 (assinado digitalmente) Benedicto Celso Benício Júnior Fl. 424DF CARF MF Emitido em 21/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 21/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR
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Numero do processo: 15540.000187/2009-58
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 01 87 /2 00 9- 58 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 15540.000187/200958 Acórdão n.º 9202004.969 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 15540.000187/200958 Acórdão n.º 9202004.969 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 15540.000187/200958 Acórdão n.º 9202004.969 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 147DF CARF MF Processo nº 15540.000187/200958 Acórdão n.º 9202004.969 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 15540.000187/200958 Acórdão n.º 9202004.969 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 149DF CARF MF Processo nº 15540.000187/200958 Acórdão n.º 9202004.969 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 15540.000187/200958 Acórdão n.º 9202004.969 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 151DF CARF MF Processo nº 15540.000187/200958 Acórdão n.º 9202004.969 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 15540.000187/200958 Acórdão n.º 9202004.969 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 153DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.001383/2002-58
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2005
Ementa: Processo administrativo fiscal. Nulidade.
A descrição do fato tributado omitida no lançamento e sanada mediante a
lavratura de novo auto de infração com reabertura do prazo para impugnação
afasta a preliminar de nulidade do processo ab initio.
Normas gerais de Direito Tributário. Lançamento por homologação.
Na vigência da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, o contribuinte do ITR está obrigado a apurar e a promover o pagamento do tributo, subordinado o lançamento à posterior homologação pela Secretaria da Receita Federal. E
exclusivamente do sujeito passivo da obrigação tributaria o ônus da prova da veracidade de suas declarações enquanto não consumada a homologação.
Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). Reserva legal. Nao-incidência.
A falta de averbação da área de reserva legal na matricula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, devendo-se acatar a área comprovada em laudo técnico.
Recurso parcialmente provido
Numero da decisão: 303-32.495
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Tarásio Campelo Borges, relator, que negava provimento. Designado para redigir o voto o Conselheiro Marciel Eder Costa
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Tarasio Campelo Borges
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conteudo_txt : Metadados => date: 2013-10-21T12:46:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2013-10-21T12:46:59Z; Last-Modified: 2013-10-21T12:46:59Z; dcterms:modified: 2013-10-21T12:46:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:d73d9dc6-ba1f-49c8-9741-473a6b54a418; Last-Save-Date: 2013-10-21T12:46:59Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-10-21T12:46:59Z; meta:save-date: 2013-10-21T12:46:59Z; pdf:encrypted: false; modified: 2013-10-21T12:46:59Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-10-21T12:46:59Z; created: 2013-10-21T12:46:59Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2013-10-21T12:46:59Z; pdf:charsPerPage: 1860; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2013-10-21T12:46:59Z | Conteúdo => fl MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° Recurso n° Acórdão n° Sessão de Recorrente Recorrida : 13116.001383/2002-58 : 131.065 : 303-32.495 : 20 de outubro de 2005 : ORLANDO VICENTE ANTÔNIO TAURISANO : DRJ-BRASÍLIA/DF Processo administrativo fiscal. Nulidade. A descrição do fato tributado omitida no lançamento e sanada mediante a lavratura de novo auto de infração com reabertura do prazo para impugnação afasta a preliminar de nulidade do processo ab initio. Normas gerais de Direito Tributário. Lançamento por homologação. Na vigência da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, o contribuinte do ITR está obrigado a apurar e a promover o pagamento do tributo, subordinado o lançamento à posterior homologação pela Secretaria da Receita Federal. E exclusivamente do sujeito passivo da obrigação tributaria o ônus da prova da veracidade de suas declarações enquanto não consumada a homologação. Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). Reserva legal. Mao- incidência. A falta de averbação da area de reserva legal na matricula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não 6, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal area na apuração do valor do ITR, devendo-se acatar a area comprovada em laudo técnico. Recurso parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Tarásio Campelo Borges, relator, que negava provimento. Designado para redigir o voto o Conselheiro Marciel Eder Costa. ANELISE DAUDT PRIETO Presidente DM MARCIEL E Relator designado Formalizado em: n FP/ "fY Processo n° Acórdão no : 13116.0013 : 303-32.495 72002-58 • Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Nanci Gama, Sérgio de Castro Neves, Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Nilton Luiz Bartoli e Zenaldo Loibman. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional Rubens Carlos Vieira. • O Processo no Acórdão n° : 13116.001383/2002-58 : 303-32.495 RELATÓRIO Os autos do presente processo tratam da exigência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) relativo ao fato gerador ocorrido em 10 de janeiro de 1998, bem como juros de mora e multa ex officio (75%), lançados por intermédio do auto de infração de folhas 2 a 7, oportunamente substituído pelo de folhas 52 a 57', inerentes ao imóvel denominado Fazendas Reunidas do Planalto, NIRF 3776950-2, localizado no município de Sao João d'Aliança (GO). Segundo a denúncia fiscal (folha 56), a exigência decorre de falta de recolhimento do imposto apurada mediante a utilização do valor da terra nua (VTN) contido no sistema de preços de terras da SRF, bem como de glosas das áreas declaradas de preservação permanente e de reserva legal. Anteriormente ao lançamento, conforme documento de folha 13, o contribuinte foi intimado a apresentar: • certidão ou matricula atualizada do registro imobiliário; • matricula do imóvel com averbação da reserva legal; • avaliação da terra nua conforme normas técnicas da abnt; • laudo técnico de engenheiro agrônomo ou florestal discriminando e descrevendo as áreas de preservação permanente, separadamente, de acordo com cada inciso do Código Florestal Brasileiro. Regularmente intimado da exigência fiscal em 9 de outubro de 2002, conforme AR de folha 20, o interessado, por seu procurador constituído a folha 27, instaurou o contraditório em 22 de outubro de 2002 2 com as razões de folhas 22 a 26, instruidas com os documentos de folhas 28 a 47, assim sintetizadas no relatório do acórdão recorrido: • não deve subsistir os termos do Auto de Infração ora questionado, por ter sido o mesmo [sic] elaborado em total desrespeito As normas emergentes e em vigor, sem obediência a qualquer critério técnico e [sic] estatuído pela Lei n° 4.771, de 15/09/1965 (Código Florestal Brasileiro) e Lei n°8.748/93; Lavrado para descrever os fatos anteriormente omitidos. 2 Ciente do segundo auto de infração em 18 de novembro de 2002 de folha 60), o interessado não apresentou nova impugnação. 3 : 13116.001383/2002-58 : 303-32.495 • foram desconsideradas as áreas de preservação permanente e de utilização limitada declaradas, obtendo Grau de Utilização de 43,1%, com elevação da aliquota de cálculo de 0,45% para 12,0%. Também foi alterado, aleatoriamente, o valor venal do imóvel de R$ 1.755.155,00 para R$ 4.429.029,00. Devido a essas alterações, foi apurado imposto suplementar de R$ 434.787,76; • o referido imóvel, denominado "Fazenda Reunidas do Planalto", é composto de várias glebas, medindo a sua área total 22.024,47 ha ou 4.550,5 Alqueires Goianos, sendo explorada economicamente por pecuária de corte; • demonstra, de forma discriminada, as glebas que compõem a referida área total; além disso, demonstra as áreas distribuídas do imóvel, a distribuição das áreas utilizadas, o cálculo do VTN e o cálculo do novo imposto (R$ 5.196,89); • desta forma, o auto de infração é infundado e arbitrário e seu valor apurado não condiz com a realidade, tendo sido elaborado, aleatoriamente, sem qualquer fiscalização que procedesse e ao arrepio das Leis e de dados incorretos, não obedecendo a nenhum critério técnico ou legal; • não houve, por parte do autuado, qualquer degradação ao meio ambiente, em reservas naturais, preservação permanente, marginal e de vertente de águas, nascentes e ou grotas, conforme atestado pelo Laudo Técnico elaborado pelo Sr. Luiz Antônio Laner, Eng° Florestal - CREA 3799/D, acompanhado de planta, relatórios e de fotografias, anexados aos autos; • esse Laudo Técnico obedece As normas da Lei n° 12.596/95, instituidora da Política Florestal do Estado de Goiás; demonstrando, ainda, a totalidade do imóvel e sua distribuição, com a existência das áreas de preservação permanente e de reserva legal, como as áreas aproveitáveis com benfeitorias existentes, que reduzem significativamente o imposto devido, como demonstrado; • portanto, o "Laudo Técnico" e os demais documentos que o acompanham, demonstram a irregularidade do auto de infração ora questionado, pois o lançamento foi realizado de forma adversa do que realmente consta em relação As áreas distribuídas (preservadas) e utilizadas do imóvel; • por fim, requer a nulidade do presente ato de infração, bem ainda, seja determinado à elaborNao de novos çamentos, com valores correspondentes aos aqui 'Indicados. 4 Processo n° Acórdão n° Processo n° Acórdão n° : 13116.001383/2002-58 : 303-32.495 A la Turma da DRJ em Brasilia, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente o lançamento, excluindo da exigência a parcela relativa glosa da area de preservação permanente. A mantença das parcelas inerentes ao valor da terra nua (VTN) extraído do sistema de preços de terras da SRF e à glosa da área declarada de reserva legal se deu com os fundamentos de folhas 70 a 74, assim resumidos na ementa do acórdão: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR Exercício: 1998 DA ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA — RESERVA LEGAL. A área de reserva legal, para fins de exclusão da tributação do ITR, deve estar averbada à margem da inscrição da matricula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente, à época do respectivo fato gerador, nos termos da legislação de regência. DO VALOR DA TERRA NUA. A possibilidade de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização está condicionada à apresentação de "Laudo Técnico de Avaliação" emitido por entidade de reconhecida capacitação técnica ou profissional devidamente habilitado, com ART, devidamente anotada no CREA, devendo, ainda, atender As exigências das Normas da ABNT (NBR 8799). DA AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Cabe considerar a área de preservação permanente indicada no documento de prova exigido pela fiscalização para sua comprovação. DA ÁREA TOTAL, DISTRIBUÍDA E UTILIZADA DO IMÓVEL. Com base em provas documentais hábeis, cabe alterar a área total, a Area ocupada com benfeitorias e a área utilizada para pastagens do imóvel. Lançamento Procedente em Parte Ciente, em 14 de outubro de 2003 (AJ. de folha 79), do inteiro teor do Acórdão DRJ/BSA 7.260, de 27 de agosto de 2003, lio recurso voluntário de folhas 90 a 104, interposto em 12 de novembro de 2003, ptliminannente é requerida a nulidade do auto de infração por flagrante cerqtamento do cji1ito de defesa materializado na ausência de descrição do fato tido cdmo 5 • Processo n° Acórdão n° : 13116.001383/2002-58 : 303-32.495 No mérito, aduz o recorrente ser improcedente, na sua totalidade, a exigência tributária na parte em que foi vencido, mas suas alegações contestam apenas a necessidade de prévia averbação da área destinada à reserva legal à margem da matricula no Cartório de Registro Imobiliário. Instrui o recurso voluntário, para garantir a instância recursal, o arrolamento de bem de folha 107. o relatório. • Processo no Acórdão : 13116.001383/2002-58 : 303-32.495 VOTO VENCIDO Conselheiro Tardsio Campelo Borges, Relator Conheço o recurso voluntário interposto em 12 de novembro de 2003, as folhas 90 a 104, porque tempestivo e com a instancia garantida mediante o arrolamento de bem de folha 107, que presumo suficiente em face das manifestações de folhas 119e 128. Preliminarmente, entendo equivocada a pretendida declaração de nulidade do processo ab milho, por cerceamento do direito de defesa, porquanto a reclamada ausência da descrição do fato tido como tributável no auto de infração de folhas 2 a 7 foi oportunamente sanada no auto de infração de folhas 52 a 57. Do novo lançamento, o contribuinte tomou ciência em 18 de novembro de 2002, conforme AR de folha 60, com reabertura de prazo para o oferecimento de nova impugnação. Rejeito, portanto, a preliminar de nulidade. No mérito, conforme relatado, a lide remanescente é restrita à glosa da Area de rese rva legal, matéria dependente da produção de prova documental. E certo que a Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, no seu artigo 10, § 1°, inciso II, alínea "a", permite excluir da área total do imóvel a área de reserva legal para fins de apuração do ITR. Contudo, vincula ao Código Florestal 3 tudo o quanto diga respeito a tal Area excluída. Inicialmente vale lembrar que na vigência da Lei 9.393, de 1996, o contribuinte do ITR está obrigado a apurar e a promover o pagamento do tributo, subordinado o lançamento à posterior homologação pela Receita Federal. Mas é exclusivamente do sujeito passivo da obrigação tributária o ônus da prova da veracidade de suas declarações enquanto não consumada a homologação. Logo, no caso concreto, ocorrido o fato gerador do ITR, sendo exclusivamente do sujeito passivo da obrigação tributária, enquanto não consumada a homologação, o emus da prova da veracidade de suas declarações, sempre que provocado pela administração tributária deve o contribuinte comprovar a existência da dita Area de reserva legal para dela afastar a incidência d buto. \., Buscarei, então, identificar o instruinento nec , es io para tornar . evidente a existência da área de reserva legal declara0 e controvertida c--- \ f-7- Lei 4.771, de 15 de setembro de 1965. Ç—'-: 7 Processo n° Acórdão no : 13116.001383/2002-58 : 303-32.495 A solução, no meu sentir, está contida no Código Florestal, mais precisamente no § 2° do artigo 16, introduzido pela Lei 7.803, de 18 de julho de 1989, ao determinar expressamente: "a reserva legal [...] deverá ser averbada A margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente [...]". cediço que o Código Florestal não fixou prazo para o proprietário agir, creio, no entanto, que definiu a averbação como única forma de vincular o titular do imóvel As restrições impostas para a utilização da área de reserva legal. Ora, se determinado beneficio é oferecido e como contrapartida exige a instituição de uma área de reserva legal ou se o Estado nacional desonera a tributação da Area de reserva legal dos imóveis rurais, indubitavelmente nenhum dos supostos direitos pode ser reivindicado sem a prévia averbação da área à margem da matricula. Logo, tenho por certo que a matricula com a dita Area já averbada na data da ocorrência do fato gerador do tributo é imprescindível para demonstrar a legitimidade da Area de reserva legal declarada. Isso porque assim como inexiste propriedade imobiliária sem a prévia matricula no cartório de registro de imóveis, não há que se falar em reserva legal sem a prévia averbação da area a margem daquela matricula. Essa é a lógica da definição de reserva legal contida do Código Florestal, exposta neste voto. Muito mais do que preservação do meio ambiente por mera liberalidade do proprietário ou possuidor do imóvel rural, o aspecto teleológico da reserva legal é a garantia da preservação inclusive nos casos de transmissão do domínio ou desmembramento do imóvel rural. Reserva legal é uma espécie do gênero preservação do meio ambiente. Antes da averbação A margem da matricula pode existir preservação mas não existe a reserva legal. Esta é hipótese de não-incidência do ITR; aquela somente será excluída da tributação se enquadrada no conceito e atender As restrições de outras das espécies4 enumeradas no inciso II do § 1° do artigo 10 da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996. No caso presente a averbação da área de reserva legal no Cartório da Registro de Imóveis foi efetivada em 26 de setembro de 2002, posteriormente A data da ocorrência do fato gerador do tributo, consoante certidão de folhas 28 e 29. Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 20 de outubro de 2005 TARAS iu CAMPELO BORGES — Relator 4 Área de preservação permanente, área de interesse ecológico para a proteção de ecossistemas etc. 8 Processo n° : 13116.001383/2002-58 Acórdão n° : 303-32.495 VOTO VENCEDOR Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator designado Parece inconteste, neste caso, que a Area de reserva legal, constante no laudo técnico elaborada pelo Eng. Florestal Luiz Antonio Laner, CREA 37991D, existia e estava preservada, A época do fato gerador do tributo que aqui se discute. A glosa da fiscalização deveu-se ao fato de que a Recorrente não procedeu a averbação tempestiva junto as matriculas do imóveis. Não obstante, tem-se como certo que a manutenção de uma Area de, no mínimo, 20% (vinte por cento) da Area total do imóvel já estava prevista no Código Florestal, Lei n° 4.771, de 15/09/65, com suas posteriores alterações. Portanto, independente de qualquer averbação em cartório, na matricula do imóvel, é certo que a Area de reserva legal de que se trata existia, fato que não é contestado na autuação, nem na Decisão singular, não obstante o contribuinte juntar laudo técnico que comprova a existência da respectiva Area.. E fato inconteste que a falta da averbação da Area de reserva legal na matricula do imóvel não desobriga o contribuinte de respeitá-la e, por conseguinte, aproveitar-se das deduções fiscais. (Precedentes do E. Segundo Conselho de Contribuintes). No caso dos autos, a Recorrente não promoveu a exigida averbação junto a matricula do imóvel, não obstante a existência fAtica da referida Area. Por tal motivo a fiscalização efetuou o lançamento sobre a respectiva Area de reserva legal. Em momento algum questionou a existência de tal Area e da sua preservação. Ora, não se tem noticia, nestes autos, de que o Contribuinte tenha cometido qualquer infração h. lei ambiental, que também estabeleceu a exclusão das Areas de reserva legal e de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Se houve algum descumprimento de norma pela Recorrente, em relação à questionada averbação na matricula do imóvel junto ao R.G.I., ou mesmo a obtenção do ADA, no caso com incorreção, trata-se efetivamente, de procedimento acessório, que não pode implicar, certamente, n imposição de tributo, multas punitivas, etc. Não se pode desconhecer que a condição de "Area d reserva legal" não decorre nem da sua averbação no registro de imóveis uenTda vontade do contribuinte, mas de texto expresso de lei. 9 Processo n° Acórdão n° : 13116.001383/2002 -58 : 303-32.495 Ha que se levar em conta, ainda, que a sua averbação, logo em seguida a ocorrência do fato gerador indicado e bem antes da instauração do procedimento fiscal de que se trata satisfaz, plenamente, a exigência formulada pela fiscalização, decorrente das normas legais mencionadas, sobre procedimentos acessórios relacionados a questão. Concluindo, o Laudo Técnico emitido por profissional, é prova suficiente para atestar que a época do fato gerador de que se trata existiam no imóvel, efetivamente, as areas declaradas como de Preservação Permanente e de Reserva Legal. Sendo assim, ha que se excluir tais areas da tributação, conforme estabelecido na legislação de regência, ou seja, Lei n° 9.393/96, a saber: "Art. 10. § 1 0 Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-d: II - area tributável, a area total do imóvel, menos as areas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989." (destaques acrescentados) §‘ 70 A declaração para fim de isenção do ITR relativa às areas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso H, § 1 2, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis." (NR) (Alteração introduzida pela M.P. 2.166/67/2001)" Existindo tais areas, não tendo ficado comprovada qualquer falsa declaração do Contribuinte, há que se promover a apuração do ITR excluindo-se as mesmas da tributação, independentemente de qualquer procedimento acessório (averbação no Registro de Imóveis, emissão de ADA, etc). Diante do exposto e por tudo o m s 544 dos autos consta, voto no sentido de dar provimento no tocant a Area de eservh Legal, acatando as areas constantes no laudo técnico como area i e reserv. e pr do permanente. ! Sala das Sessões, em 2 de 41 ti • 1. MARCIEL EDE S R a or detignadc/ //
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Numero do processo: 10580.725282/2009-78
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9202-000.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para que esta cientifique a Fazenda Nacional do despacho que admitiu parcialmente o recurso especial do processo nº 18050.001428/2008-13, cujo julgamento é prejudicial ao do presente recurso, com retorno à relatora, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Relatório
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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SANITÁRIA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para que esta cientifique a Fazenda Nacional do despacho que admitiu parcialmente o recurso especial do processo nº 18050.001428/200813, cujo julgamento é prejudicial ao do presente recurso, com retorno à relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 25 28 2/ 20 09 -7 8 Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10580.725282/200978 Resolução nº 9202000.075 CSRFT2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Auto de Infração (AI) DEBCAD nº 37.238.3904, lavrado por descumprimento de obrigação acessória, emitido em nome da empresa em epígrafe, em 14/09/2009, e recebido 21/09/2009, em razão de haver infringido o dispositivo previsto no art.32, inciso IV, §§ 3º e 5º, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei n° 9.528, de 10 de dezembro de 1997, combinado com o art. 225, inciso IV e § 4º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999. Conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração, às fls. 44/53, foi constatado pela fiscalização que a empresa apresentou Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 01/05 a 13/06. Constatado o não cumprimento da referida obrigação acessória, lavrouse o presente auto de infração. A DRJ em Salvador/BA, ao analisar o presente caso (fls. 484/495), julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário, entendendo, em suma, que: (i) a inexistência de decisão definitiva no processo administrativo no qual se discute o cancelamento da isenção da entidade não constitui óbice à constituição do crédito tributário; (ii) a decisão definitiva no processo de isenção é requisito apenas para que a União proceda à cobrança das contribuições lançadas; e (iii) a instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade ou legalidade de ato normativo em vigor. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, fls. 499/564, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. O Recorrente sustenta, em síntese, que: (i) o auto de infração é nulo por ofensa ao direito à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal; (ii) a autuação é nula pois não existia Ato Regulatório Cancelatório regular antes da sua lavratura; (iii) é detentora do direito à imunidade tributária; (iv) os fatos instigados que levaram à lavratura do ato Cancelatório ocorreram em período prescrito; (v) a informação fiscal que deu origem ao cancelamento da isenção tem como objeto fatos que já estão sendo analisados pela Receita Federal do Brasil, o que configura litispendência administrativa e, consequentemente, dupla condenação da Instituição, por idênticos fatos e fundamentos; (vi) é inviável a rediscussão da matéria, pois o extinto Conselho de Recursos da Previdência Social já tinha dado ganho de causa à Instituição em relação ao cancelamento da isenção; (v) a multa é confiscatória; e (vi) a multa não pode ser cumulada com a SELIC. No Acórdão de Recurso Voluntário, fls. 591 e seguintes, o Colegiado, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso. Portanto, em sessão plenária de 10/3/2015, deuse provimento ao recurso, prolatandose o Acórdão nº 2402004.608, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. CANCELAMENTO. EXTINÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DECORRENTES. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10580.725282/200978 Resolução nº 9202000.075 CSRFT2 Fl. 4 3 Tendo sido o Ato Cancelatório de Isenção baixado, é mister que sejam extintas as contribuições previdenciárias exigidas em decorrência dele. Recurso Voluntário Provido. Ressaltese que o presente processo foi apensado ao processo de nº 10580.725281/200923, tido como principal, consoante despacho de folhas 1216. Ao Recurso Especial foi dado seguimento para que seja reapreciado o crédito tributário discutido em consonância com o que for decidido no processo de nº 18050.001428/200813. conforme o Despacho 2400120/2015, fls. 612, da Quarta Câmara, de 17/6/2015. A recorrente traz como alegações, que: · Partindose desta premissa, impende destacar que existe uma diferença latente em (i) concordar com os fundamentos adotados em outra decisão e utilizálos também como motivação, e (ii) adotar o decidido em outro processo como único fundamento para afastar a tributação, ou seja, dizer que um lançamento não irá subsistir porque o outro também foi afastado. · Nesta última hipótese, a decisão proferida em outro processo é a própria razão de decidir daquele que está sob análise. É o que geralmente ocorre com processos ditos decorrentes, cujo único pretexto de existência é o próprio processo principal. · Neste diapasão, por serem os processos resultantes dos mesmos fatos e dos mesmos fundamentos jurídicos, é de se concluir que deverá ser dada a mesma solução a ambos, sob pena de se estar proferindo decisões contraditórias. Daí porque, normalmente, ao se decidir o processo decorrente, costumase determinar a aplicação, in casu, do que restou deliberado no processo principal. · Porém, para que a Administração exonere o contribuinte dos gravames decorrentes do processo administrativo fiscal, é necessário que a decisão administrativa que determinou o cancelamento da exigência tributária tenha transitado em julgado. Antes disso, a exigência subsiste. · Somente após o julgamento da referida insurgência é que poderá a decisão do processo conexo se tornar imutável, apta a produzir seus efeitos de forma ampla, inclusive no que tange à sua aplicabilidade ao presente processo. Antes disso, a contribuinte possui apenas uma expectativa de direito. · Ante o exposto, a União (Fazenda Nacional) requer seja conhecido e provido o presente Recurso Especial para que seja reformado o acórdão proferido nestes autos, restaurandose o teor da r. decisão de primeira instância. · Alternativamente, requer a declaração da nulidade do Acórdão recorrido e a suspensão do feito até que seja proferida decisão definitiva no processo n. 18050.001428/200813. Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10580.725282/200978 Resolução nº 9202000.075 CSRFT2 Fl. 5 4 · Ante o exposto, requer a Fazenda Nacional que: o seja conhecido o presente recurso, face à observância aos requisitos de admissibilidade previstos art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009; o seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido, mantendose o lançamento em sua integralidade. o caso não acatado o pedido formulado no item anterior, seja dado total provimento ao presente recurso, anulandose o acórdão recorrido e suspendendose o presente feito até que seja proferida decisão definitiva no processo n. 18050.001428/200813. Cientificado do Acórdão nº Acórdão nº 2402004.608, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial, em 13/12/2011, o contribuinte apresentou contrarrazões. · Em decorrência do resultado do julgamento, que culminou no cancelamento do Ato Cancelatório, não restou outra alternativa ao Relator e à Turma Julgadora senão, em consequência, dar provimento ao recurso voluntário determinando a anulação dos débitos lançados contra a entidade. · No caso do presente lançamento, não houve delimitação da data em que houve o descumprimento do requisito motivador da emissão do Ato Cancelatório anulado e sim, a fixação do periodo de 01/01/2005 a 31/12/2006, sendo o Ato Cancelatório emitido em 2009. · E o mais importante, o Ato Cancelatório anulado foi emitido na vigência do artigo 55 da Lei nO 8.212/91, legislação esta que não dispunha de previsão para a emissão de tais cancelamentos, tanto que foi introduzida pela Lei nO9.732, de 11 de dezembro de 1998, que veio introduzir 094° no artigo 55 da referida Lei nº 8212/91, assim redigido: · Diante do acima exposto e considerando que o recurso da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional não aborda os aspectos de mérito do lançamento anulado, mas, simplesmente, pede a sua anulação por questões de prejudicialidade processualadministrativa, que, por sua vez, também desmerecem provimento, a Recorrida espera que sejam também examinados os aspectos legais de mérito afetos a este lançamento, com a consequente deliberação hábil de ser proclamada no sentido de ser reconhecida a total rejeição de tal pretensão recursal administrativa extrema. É o relatório. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10580.725282/200978 Resolução nº 9202000.075 CSRFT2 Fl. 6 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial. Contudo, identifico um incidente que merece ser reparado. Primeiramente, importante ressaltar que o AIOP ora lavrado é resultante de Informação Fiscal de Cancelamento de Isenção, fls. 1/24 do Processo nº 18050001428/2008 13, das Contribuições Sociais, emitida em 26/12/2007, na qual é sugerido o cancelamento a partir de 01/01/1997. Identificase, naqueles autos, que após ter sido proferido o despacho de admissibilidade que deu seguimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, não houve cientificação da Procuradoria, conforme determina o art. 81, §3º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 256/2009 e, posteriormente, pela Portaria 343/2015. Isto posto, considerando a necessidade de saneamento do processo nº 18050001428/200813, com o encaminhamento à Procuradoria da Fazenda Nacional, no intuito de tomar ciência do despacho de admissibilidade que deu seguimento parcial ao seu recurso, bem como, do despacho de reexame de admissibilidade de recurso especial, conforme previsto no Regimento Interno à época da Elaboração dos despachos, mesmo destino deve ser dado aos presente autos, face a correlação entre os mesmos e o necessário julgamento em conjunto. Tão logo seja saneado com a cientificação da Fazenda Nacional, deve o processo retornar a esta relatora, para que se possa dar continuidade ao julgamento. Conclusão Face o exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA à câmara recorrida, para que esta cientifique a Fazenda Nacional do despacho que admitiu parcialmente o recurso especial do processo nº 18050.001428/200813, cujo julgamento é prejudicial ao do presente recurso, com retorno à relatora, para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 571DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.019800/2008-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 01 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.901
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto da Relatora.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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INCOMPLETA Recorrente TRANSPORTADORA S. J. COMERCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto da Relatora. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório O presente processo trata de representação para a reconstituição do processo n.º 19647.003468/200330 relativo à Auto de Infração lavrado contra a empresa acima RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 19 80 0/ 20 08 -9 2 Fl. 175DF CARF MF Processo nº 19647.019800/200892 Resolução nº 3402000.901 S3C4T2 Fl. 176 2 referenciada para a exigência da Contribuição ao Programa de Integração Social PIS relativa aos períodos de apuração de 31/01/1999 a 30/06/2003. Como relatado no termo de Representação das efls. 3/4, a reconstituição se fez necessária após a confirmação que o referido processo foi extraviado: "Cumprindo determinação do Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Recife, face à necessidade de reconstituição do processo fiscal 19647.003468/200330 de interesse do contribuinte acima, após sindicância realizada no processo fiscal 19647.014166/200711, elaboramos a presente REPRESENTAÇÃO para fins de controle e acompanhamento dos créditos tributários outrora contidos no processo extraviado, a partir de cópias oriundas do dossiê de fiscalização arquivado na Seção de Programação, Avaliação e Controle da Atividade Fiscal DRF/RCE/SAPAC. A representação contém as seguintes peças: Portaria DRF/RCE n. 264 de 11.09.2008 (fls. 03); Portaria DRF/RCE n. 257 de 19.08.2008 (fls. 04); Portaria DRF/RCE n. 206 de 31.10.2007 (fls. 05); Expediente enviado ao Chefe da DRF/RCE/SAPAC pela comissão de reconstituição de processos (fls. 06); Resposta da Chefia da DRF/RCE/SAPAC à solicitação da comissão de reconstituição de processos (fls. 07); Auto de Infração PIS, ref. ao Mandado de Procedimento Fiscal n.° 0410100/00496/03 (fls 08 a 23); Termo de início de Ação Fiscal Intimação para apresentar documentos (fls. 24 e 25); Aviso de Recebimento Postal AR ref. ao termo citado no item anterior (fls. 26); Consultas extraídas dos sistemas informatizados da RFB (COMPROT e PROFISC) (fls. 23 a 38)." (efl. 3 grifei) Como se depreende das cópias acostadas aos presentes autos, o Auto de Infração foi lavrado em razão da ausência de recolhimento de valores de PIS, igualmente não declarados em DIPJ e DCTF. Foi acostado ao processo de reconstituição apenas a cópia do Auto de Infração, não estando acompanhado de cópias de quaisquer de seus anexos, do Relatório de Trabalho Fiscal ou dos livros fiscais e contábeis da Recorrente. Após ser cientificado, o contribuinte apresentou Impugnação Administrativa, não constando dos presentes autos quaisquer documentos que teriam sido anexados àquela defesa. A Delegacia de Julgamento julgou a Impugnação improcedente, em julgado que se pautou nos documentos que estariam acostados ao Auto de Infração. Referida decisão foi relatada nos seguintes termos: "Contra a empresa acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 04 a 08 do presente processo, para exigência do crédito tributário referente aos períodos de janeiro de 1999 a junho de 2003, adiante especificado: (...) De acordo com o autuante, o referido Auto é decorrente da diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago da Contribuição para o Programa de Integração Social, conforme descrito às fls. 05/08 e no Relatório de Trabalho Fiscal de fls. 237/240. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 19647.019800/200892 Resolução nº 3402000.901 S3C4T2 Fl. 177 3 Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 245 a 277, à qual anexou a procuração e substabelecimento de fl. 284(frente e verso) e as cópias constantes de fls. 278/301, onde requer seja anulado o referido Auto de Infração e, conseqüentemente, o seu arquivamento, a teor do que dispõe os preceitos do Código Tributário Nacional e o Decreto n° 70.235/72, relativamente aos valores constantes da autuação, de forma que o mesmo seja desconstituído em todos os seus termos, por afirmar, em síntese, basicamente as seguintes alegações: o cerne da questão consiste no fato de que o Auditor Fiscal baseouse em erros de preenchimentos em informações, ou seja, meros Erros de Fato, partindo, assim, de uma premissa irreal que o induziu ao erro quando do procedimento fiscal; a aplicabilidade da multa no percentual de 150% possui caráter de confisco, acima do permissivo legal e a incidência da Taxa SELIC não traduz em incidência de juros legais, além da sua característica nitidamente remuneratória e sua previsão no art. 161 do CTN, constituindose ilegalidade e inconstitucionalidade; é cediço, na doutrina e jurisprudência, que compete aos Órgão Administrativos deixar de aplicar lei ou ato normativo flagrantemente inconstitucional e ilegal, podendo e devendo a autoridade administrativa, como julgadora no processo administrativo fiscal, inaplicar a lei por considerála inconstitucional. Conclui protestando pela juntada posterior de outros documentos, a fim de que fique completamente provada a improcedência do presente Auto de Infração e do seu valor, bem como a realização de perícias e diligências com igual fito, como possibilita o Decreto n° 70.235/72. Em sua defesa, são inseridos textos da legislação, da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial, sobre o assunto abordado." (efl. 126 grifei) A menção aos documentos que estariam acostados aos autos é igualmente depreendida da íntegra do voto do julgador de primeira instância: "A impugnação é tempestiva, portanto dela conheço e passo a apreciála juntamente com as demais peças processuais, à luz da legislação vigente. O Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, que rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal, em seu artigo 10, dispõe sobre as exigências que devem ser obedecidas na lavratura do Auto de Infração. Confrontando tais determinações com o Auto de Infração ora questionado, observase que foram obedecidas todas as formalidades ali exigidas. No Auto de Infração existe a descrição dos fatos e enquadramentos legais, como se pode observar às fls. 05 a 08, 17 e 237 a 240 (Relatório de Trabalho Fiscal), apresentando os demonstrativos de apuração da contribuição, da multa e dos juros de mora relativos à infração, às fls. 09 a 17. Também estão presentes os outros requisitos elencados no artigo 10 do citado Decreto (PAF). Ainda foram apresentados os demonstrativos anexos ao Auto de Infração, para demonstrar minuciosamente o valor da contribuição apurada, conforme fls. 217 a 236 (Composição da Base de Cálculo, Apuração do Débito, Pagamentos e Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada). Quanto à procedência ou não de tal exigência, não é caso de nulidade e será analisada no mérito, adiante exposto. (...) O autuante agiu no seu dever de ofício, segundo o parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional. Aplicou a legislação pertinente, devidamente configurada às fls. 07, 08 e 17, quando do conhecimento de que a contribuinte não recolheu nem declarou em DIPJ e DCTF Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica e Declaração de Débitos e Créditos Fl. 177DF CARF MF Processo nº 19647.019800/200892 Resolução nº 3402000.901 S3C4T2 Fl. 178 4 Tributários Federais a totalidade dos valores devidos do PIS, apurando conforme planilhas anexas às fls. 215/216 uma evidente diferença a menor nas receitas declaradas nas DIPJ, bem como nas DCTF (fls. 198/210), de forma continuada e quase sistemática. (...) As bases de cálculo do PIS consideradas na autuação espelham as informações prestadas pela própria contribuinte às fls. 40/53 (janeiro/1999 a dezembro/2000, fevereiro/2001 a junho/2002 e agosto/2002 a junho de 2003), respaldadas no Livro de Apuração de ICMS (fls. 65/88, 90/106, 108/141), bem como, nos meses de janeiro/2001 e julho/2002, correspondem aos valores constante das cópias dos livros Registro de Saidas às fls. 142/147, que retratam a sua receita bruta constante das planilhas de Composição da Base de Cálculo do PIS de fls. 217/223. O fato da contribuinte afirmar, vagamente, que houve “erros de preenchimentos em informações, ou seja, meros Erros de Fato”, sem quaisquer elementos de prova, torna insubsistente o argumento. Não houve qualquer apresentação de prova sobre a necessidade de retificar os valores apurados pelo autuante e justificados com cópias de documentos anexados. A propósito, a apresentação de provas no Processo Administrativo Fiscal obedece às determinações contidas no Decreto n° 70.235/1972, em seu art. 16, §§ 4o a 6o (dispositivos acrescidos pelo art. 67 da Lei n° 9.532/1997). (...) Por todo o exposto, voto no sentido de JULGAR PROCEDENTE o lançamento relativo ao presente processo, para: l Rejeitar a preliminar de nulidade; II Declarar devida a Contribuição para o Programa de Integração Social, constante do Auto de Infração de fls. 04 a 08 e demonstrativo de fls. 09 a 13 do presente processo; III Manter a multa de ofício de 150% (cento e cinqüenta por cento) sobre os valores a que se refere o item anterior; IV Determinar a cobrança de juros de mora sobre os valores a que se refere o item II, consoante a legislação que rege a matéria." (efls. 127/131 grifei) Salientese desde já que todos os elementos de prova acima sublinhados não constam dos presentes autos de reconstituição. Cientificado dessa exigência em 21/05/2004 como informado no ofício à efl. 170, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11/06/2004, reiterando os argumentos trazidos em sede de Impugnação, alegando em síntese: (i) a inexistência da omissão de receitas financeiras, sendo que os valores apurados não condizem com a realidade dos fatos; (ii) a base de cálculo autuada estaria equivocada vez que baseada em erro de preenchimento cometido pelo contribuinte; (iii) o caráter confiscatório de multa aplicada de 150%; (iv) a ilegalidade dos juros de mora em percentual equivalente à Taxa SELIC; (v) o dever da autoridade administrativa não aplicar normas inconstitucionais (argumento genérico trazido pelo contribuinte). Fl. 178DF CARF MF Processo nº 19647.019800/200892 Resolução nº 3402000.901 S3C4T2 Fl. 179 5 Cumpre salientar que no Recurso Voluntário, consta uma afirmação no sentido de que "o debito objeto dos parcelamentos sub judice" (efl. 147). A informação quanto à um possível pedido de parcelamento dos valores autuados igualmente consta do extrato do processo n.º 19647.003468/200330 emitido em 13/11/2008 (efls. 32/33): Fl. 179DF CARF MF Processo nº 19647.019800/200892 Resolução nº 3402000.901 S3C4T2 Fl. 180 6 O Recurso Voluntário indica, ainda, que o presente Auto de Infração foi recebido em procedimento de verificação após a "lavratura de Auto de Infração de IRPJ, bem como os seus reflexos", ´não sendo possível confirmar pela leitura do Auto de Infração (sem o Relatório do Trabalho Fiscal) se ele é um processo conexo à autuação de IRPJ. É o relatório. Voto Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, Relatora. Não obstante a tempestividade do Recurso Voluntário, o simples relato acima trazido evidencia que o presente processo não está em condições para julgamento neste Conselho. Com efeito, quando da reconstituição do processo, constatase que não foram acostados aos presentes autos os documentos essenciais que aparentemente estavam acostados ao processo originário n.º 19647.003468/200330, documentos esses essenciais à confirmação da validade da autuação. Pela leitura da decisão de primeira instância, transcrita no relatório, identificamos alguns desses documentos considerados como relevantes ao julgamento, quais sejam: ü Relatório de Trabalho Fiscal: segundo mencionado na decisão de primeira instância, constavam nas fls. 237/240 do processo originário; ü Demonstrativos anexos ao Auto de Infração (Composição da Base de Cálculo, Apuração do Débito, Pagamentos e Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada): segundo informado na decisão de primeira instância, estes demonstrativos demonstrariam minuciosamente o valor da contribuição apurada e constariam das fls. 217/236 do processo originário. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 19647.019800/200892 Resolução nº 3402000.901 S3C4T2 Fl. 181 7 ü Planilhas anexas ao Auto de Infração que comprovariam a diferença a menor nas receitas declaradas nas DIPJ, bem como nas DCTF: segundo informado na decisão de primeira instância, referidas planilhas constariam às fls. 215/216 do processo originário. ü cópia dos documentos fiscais e contábeis da pessoa jurídica que comprovariam a diferença autuada: a decisão de primeira instância fez menção à DIPJ e ao DCTF (fls. 198/210 do processo originário). Quanto às bases de cálculo autuadas, a decisão de primeira instância traz menção: a) quanto aos períodos de apuração de janeiro/1999 a dezembro/2000, fevereiro/2001 a junho/2002 e agosto/2002 a junho de 2003: às informações prestadas pela própria contribuinte às fls. 40/53 do processo originário e o Livro de Apuração de ICMS (fls. 65/88, 90/106, 108/141 do processo originário); e b) quanto aos períodos de apuração de janeiro/2001 e julho/2002: às cópias dos livros Registro de Saidas (fls. 142/147 do processo originário) Considerando as informações que constam dos autos, não é possível precisar qual foi a base de cálculo autuada, a que ela se refere e se os valores autuados estão de acordo com a documentação fiscal e contábil da pessoa jurídica. Acrescese que, em sua defesa, o contribuinte alega que os valores autuados corresponderiam à receita financeira, fato esse que não foi possível de ser identificado pelos documentos aqui acostados. Por fim, frisese que, como relatado, há dúvida se o presente processo teria sido objeto de parcelamento e se ele estaria conexo à processo de IRPJ. Diante de todas essas questões, para a devida instrução do presente processo de reconstituição e para avaliar a possibilidade de seu devido julgamento, proponho a conversão do presente processo em diligência para a Delegacia de origem: 1) Informar se os débitos objeto desse processo foram incluídos em algum programa de parcelamento pelo sujeito passivo. Caso positivo, apresentar a documentação correspondente que comprove a adesão e o cumprimento dos requisitos para a adesão no programa, bem como o status atual do parcelamento. 2) Anexar aos autos cópia dos documentos acima relacionados considerados relevantes ao julgamento (Relatório de Trabalho Fiscal, Demonstrativos e Planilhas anexas ao Auto de Infração e cópia dos documentos fiscais e contábeis da pessoa jurídica que respaldaram a autuação DIPJ, DCTF etc.). Na hipótese de algum documento não ser localizado na repartição fiscal ou junto ao sujeito passivo, informar a razão para a impossibilidade de sua respectiva juntada; 3) Informar se a base de cálculo autuada corresponde apenas à receitas financeiras auferidas pela pessoa jurídica no período autuado. Caso negativo, informar a composição da base de cálculo autuada; Fl. 181DF CARF MF Processo nº 19647.019800/200892 Resolução nº 3402000.901 S3C4T2 Fl. 182 8 4) Para fins de análise da Portaria n.º 1.668/2016 e da distribuição de competência deste Conselho, informar: 4.1) se o presente Auto de Infração foi lavrado com base nos mesmos elementos de prova de Auto de Infração de IRPJ. Caso positivo, informar o(s) número(s) do(s) processo(s) no(s) qual(is) consta(m) o(s) Auto(s) de Infração de IRPJ e seus reflexos; 4.2) se o presente Auto de Infração foi lavrado com base nos mesmos elementos de prova do Auto de Infração de COFINS constante originariamente do processo n.º 19647.003469/200384. Caso positivo, informar o número do processo de representação que ensejou a reconstituição daquele processo, no qual está atualmente tramitando. Realizada a presente diligência, notifique a Recorrente para se manifestar em 30 (trinta) dias. Em seguida, retornese os autos a esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 182DF CARF MF
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Numero do processo: 10903.720004/2012-30
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
O art. 65, caput, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), dispõe que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Demonstrada a ocorrência da omissão, deve ser suprida, passando a integrar os fundamentos da decisão anteriormente proferida.
Numero da decisão: 9101-002.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente dos Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte em relação à omissão na apreciação do art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002 para a qualificação de multa de ofício e, acolhê-los parcialmente, re-ratificando o acórdão embargado, para sanar a omissão apontada, sem efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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OMISSÃO. O art. 65, caput, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), dispõe que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Demonstrada a ocorrência da omissão, deve ser suprida, passando a integrar os fundamentos da decisão anteriormente proferida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente dos Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte em relação à omissão na apreciação do art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002 para a qualificação de multa de ofício e, acolhêlos parcialmente, reratificando o acórdão embargado, para sanar a omissão apontada, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 3. 72 00 04 /2 01 2- 30 Fl. 1775DF CARF MF Processo nº 10903.720004/201230 Acórdão n.º 9101002.594 CSRFT1 Fl. 1.776 2 (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório São embargos de declaração (efls. 1762/1768) interpostos pela CENTER AUTOMÓVEIS LTDA, em face do Acórdão nº 9101002.301, de 06 de abril de 2016, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que negou provimento ao recurso da Contribuinte e deu provimento ao recurso da PGFN. Resumo Processual A autuação fiscal (efls. 839/855) tratou de três infrações: (1) glosa de amortização do ágio; (2) multas isoladas sobre insuficiência de estimativas mensais e (3) qualificação de multa de ofício. Na primeira instância (DRJ), a impugnação protestando sobre as três matérias foi julgada improcedente (Acórdão nº 0639.325, efls. 1190 e segs), ou seja, foram mantidas as três infrações. A segunda instância (Turma Ordinária do CARF), ao apreciar recurso voluntário do Contribuinte, decidiu afastar a infração (3), desqualificandose a multa de ofício, passando o percentual de 150% para 75% (Acórdão nº 1201000.968, efls. 1375 e segs). Tanto o Contribuinte (efls. 1451 e segs.) quanto a PGFN (efls. 1400 e segs.) apresentaram recursos especiais sobre as matérias no qual não tiveram satisfeitas as suas pretensões. Ambos os recursos foram admitidos por despachos de exame de admissibilidade. Portanto, foram devolvidas as três matérias para julgamento. A 1ª Turma da CSRF votou no sentido de dar provimento ao recurso da PGFN (para restabelecer a qualificação da multa de ofício) e negar provimento ao recurso da Contribuinte (para manter a autuação fiscal de glosa de despesa de amortização do ágio e as multas isoladas sobre insuficiência de estimativas mensais), conforme ementa do Acórdão nº 9101002.301 (efls. 1714/1744): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 PREMISSA. INSTITUTO JURÍDICOTRIBUTÁRIO. Fl. 1776DF CARF MF Processo nº 10903.720004/201230 Acórdão n.º 9101002.594 CSRFT1 Fl. 1.777 3 O conceito do ágio é disciplinado pelo art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 27/12/1977 e os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, e tratase de instituto jurídicotributário, premissa para a sua análise sob uma perspectiva histórica e sistêmica. APROVEITAMENTO DO ÁGIO. INVESTIDORA E INVESTIDA. EVENTOS. SEPARAÇÃO. UNIÃO. São dois os eventos em que a investidora pode se aproveitar do ágio contabilizado: (1) a investidora deixa de ser a detentora do investimento, ao alienar a participação da pessoa jurídica adquirida com ágio; (2) a investidora e a investida transformam se em uma só universalidade (em eventos de cisão, transformação e fusão). DESPESAS. AMORTIZAÇÃO. ÁGIO. A amortização, a qual se submete o ágio para o seu aproveitamento, constituise em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontrase submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99, submetendose aos testes de necessidade, usualidade e normalidade. DESPESAS. FATOS ESPONTÂNEOS. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Não há como estender os atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas derivadas de operações atípicas, não consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. CONDIÇÕES PARA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TESTES DE VERIFICAÇÃO. A cognição para verificar se a amortização do ágio passa por verificar, primeiro, se os fatos se amoldam à hipótese de incidência dos arts. 385 e 386 do RIR/99, segundo, se requisitos de ordem formal estabelecidos encontramse atendidos, como arquivamento da demonstração de rentabilidade futura do investimento e efetivo pagamento na aquisição, e, terceiro, se as condições do negócio atenderam os padrões normais de mercado, com atuação de agentes independentes e reorganizações societárias com substância econômica. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE. Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Devese consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento Fl. 1777DF CARF MF Processo nº 10903.720004/201230 Acórdão n.º 9101002.594 CSRFT1 Fl. 1.778 4 que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a controladora e a controlada ou coligada, consolidase cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). Enfim, tomase o momento em que o Contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, para se aperfeiçoar o lançamento fiscal com base no regime de tributação aplicável ao caso e estabelecer o termo inicial para contagem do prazo decadencial. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. PLUS NA CONDUTA. DOLO. Operações empreendidas no universo de um mesmo grupo econômico, com transferência de ações com sobrepreço para integralizar o capital social de uma empresa de papel, sem sacrifício de ativos, sem pagamento pelo sobrepreço, que foi criado artificialmente e especificamente para consumar o aproveitamento de uma despesa fictícia, implicam na presença dos elementos volitivo e cognitivo, caracterizando o dolo, o plus na conduta que ultrapassa o tipo objetivo da norma tributária e é apenado com a qualificação da multa de ofício. CSLL. DECORRÊNCIA. Aplicase à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável. A multa qualificada foi restabelecida pelo voto de qualidade: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, conhecer por unanimidade de votos o Recurso Especial do Contribuinte e Recurso Especial da Fazenda Nacional. No mérito do tema ágio, negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, por unanimidade de votos. Os Conselheiros Luis Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Helio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez, votaram pelas conclusões. No mérito do tema multa isolada, negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Helio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. Dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Helio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez. Foram interpostos embargos de declaração pela Contribuinte, reclamando pela omissão e de erro material no voto, em relação à apreciação da qualificação da multa de ofício. Foram arguidos quatro pontos. Primeiro, discorre que, ao apreciar a qualificação da multa de ofício, omitiuse o acórdão recorrido ao não se pronunciar sobre a existência do art. Fl. 1778DF CARF MF Processo nº 10903.720004/201230 Acórdão n.º 9101002.594 CSRFT1 Fl. 1.779 5 36 da Lei nº 10.637, de 2002, em vigor á época dos fatos analisados. Segundo, protesta que não haveria prova de que houve ocorrência de dolo, fraude ou simulação na autuação, ponto que não teria sido enfrentado pelo voto. Terceiro, discorre sobre existência de doutrina e jurisprudência controvertidas sobre o tema. E, quarto, requer pela aplicação do art. 112 do CTN. O despacho de efls. 2394/2395 admitiu o seguimento dos embargos em relação ao primeiro ponto, de que a 1ª Turma da CSRF não teria se pronunciado sobre a existência do art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002 ao se apreciar a qualificação da multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura Tratase de embargos de declaração interpostos pela Contribuinte em face do Acórdão nº 9101002.301, de 06 de abril de 2016, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aduzindo que, no enfrentamento da qualificação da multa de ofício, a decisão teria incorrido em erro material e omissão, em quatro pontos. Sobre a admissibilidade os embargos, foi dado seguimento apenas em relação a um ponto, de que teria incorrido em omissão o voto por não ter se pronunciado sobre a existência do art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002, quando discorreu sobre a qualificação da multa de ofício. Em relação aos demais pontos, (2) não haveria prova de que houve ocorrência de dolo, fraude ou simulação na autuação, ponto que não teria sido enfrentado pelo voto, (3) existência de doutrina e jurisprudência controvertidas sobre o tema e (4) aplicação do art. 112 do CTN, adoto as razões do despacho de embargos (efls. 2394/2395) para negar seguimento. Para se falar sobre a qualificação da multa de ofício, vale relembrar os fatos que deram ensejo à autuação fiscal: 1º) conforme laudo de avaliação elaborado pela Deloitte, a empresa CENTER AUTOMÓVEIS, ora recorrente, foi avaliada economicamente em 31/08/2004 pelo montante de R$ 21.404.000,00, ante a um valor registrado contabilmente de R$ 3.500.000,00; 2º) em 30/09/2004 as empresas BORDIN, PINE e GRALHA AZUL, então únicas sócias tanto da autuada CENTER AUTOMÓVEIS quanto de MARUMBI (empresa "casca"), resolveram aumentar o capital desta última e integralizálo mediante a transferência de suas participações em CENTER AUTOMÓVEIS, avaliadas economicamente. Com essa operação MARUMBI" tornouse a única sócia de CENTER AUTOMÓVEIS, tendo registrado um ágio de R$ 17.900.000,00 na aquisição de suas cotas; 3º) em 27/12/2004 MARUMBI decidiu promover cisão total, com incorporação de seu patrimônio pela ora recorrente CENTER AUTOMÓVEIS, então sua Fl. 1779DF CARF MF Processo nº 10903.720004/201230 Acórdão n.º 9101002.594 CSRFT1 Fl. 1.780 6 controlada, a qual passou a deduzir o ágio pela rentabilidade futura de si própria. Com a extinção de MARUMBI, suas únicas sócias, as empresas BORDIN, PINE e GRALHA AZUL, novamente assumem o controle direto de CENTER AUTOMÓVEIS, tal como em 30/09/2004, mas agora com a participação societária reavaliada economicamente. Sobre a qualificação da multa, o voto recorrido valeuse dos fundamentos adotados pela DRJ, que transcrevo novamente: É inegável que, caso não houvesse criado artificialmente esse ágio desprovido de qualquer fundamento econômico, a impugnante teria recolhido tributos em montantes muito superiores ao que recolheu. Logo, quando contratou consultoria especializada e praticou todos esses atos de reorganização absolutamente desnecessários e sem qualquer propósito efetivo para, ao final, permanecer tudo do jeito que estava anteriormente, sendo o ágio a única alteração, é evidente que seu objetivo sempre foi aliviar ilicitamente a carga tributária. E se o propósito exclusivo foi obter esse ganho ilícito, o dolo é evidente, ainda que sem utilização dos artifícios grosseiros apontados pela impugnante às fls. 1.078: adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc. Aspecto apresentado pelo termo de verificação fiscal conclui de maneira contundente: O que se evidenciou de verdade, foi a inexistência do fator econômico da configuração do ágio na aquisição do investimento, ou seja, a ausência da efetiva transferência de numerários/recursos entre as partes, ocorreu em uma operação "não caixa", sem o sacrifício de ativos ou contra uma assunção de dívida, estes se originaram, pura e simplesmente, a partir de laudo de avaliação. (grifei) Ao final o voto recorrido concluiu que o caso em debate trata de operações empreendidas no universo de um mesmo grupo econômico, com transferência de ações com sobrepreço para integralizar o capital social de uma empresa de papel, sem sacrifício de ativos, sem pagamento pelo sobrepreço, que foi criado artificialmente e especificamente para consumar o aproveitamento de uma despesa fictícia. Enfatizou que estiveram presentes os elementos volitivo e cognitivo, consumandose a conduta dolosa. De fato, apesar de o assunto ter sido discutido durante a sessão de julgamento pelo Colegiado, o voto recorrido registrou argumentação a respeito da vigência do art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002. Contudo, foi aspecto que em nada alterou a cognição para aplicação da qualificação da multa. Vale transcrever o artigo em debate: Fl. 1780DF CARF MF Processo nº 10903.720004/201230 Acórdão n.º 9101002.594 CSRFT1 Fl. 1.781 7 Art. 36. Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. (Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º O valor da diferença apurada será controlado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: (Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) I na alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da participação subscrita, proporcionalmente ao montante realizado;(Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) II proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título.(Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2º Não será considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação, observadas as condições do § 1º.(Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) O suporte fático tratado pelo artigo trata do diferimento do ganho de capital sob determinadas condições. A empresa A é detentora de investimento, avaliado pelo MEP, na empresa B. De acordo com a regra geral, caso o investimento da empresa B seja reavaliado, a empresa A deveria tributar o ganho de capital auferido, conforme art. 438 do RIR/99 1. O dispositivo do art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002, trouxe uma exceção. A empresa A faz a reavaliação das ações que possui na empresa B, e integraliza o aumento de capital da empresa C utilizandose das ações reavaliadas da empresa B. Consolidase estrutura societária no qual a empresa A controla diretamente a empresa C, e a empresa C controla diretamente a empresa B. Autoriza o dispositivo em análise que o ganho de capital auferido na transação decorrente da reavaliação do investimento da empresa B seja diferido, até o momento em que o investimento seja realizado (§ 1º). E estabelece que não se considera realização do investimento a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação (§ 2º). 1 Art. 438. Será computado na determinação do lucro real o aumento de valor resultante de reavaliação de participação societária que o contribuinte avaliar pelo valor de patrimônio líquido, ainda que a contrapartida do aumento do valor do investimento constitua reserva de reavaliação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, § 3º). Fl. 1781DF CARF MF Processo nº 10903.720004/201230 Acórdão n.º 9101002.594 CSRFT1 Fl. 1.782 8 Ou seja, se a empresa B e a empresa C foram objeto de evento de transformação societária, não seria hipótese de realização do investimento, e, por isso, permaneceria o diferimento do ganho de capital. Esclarecida a finalidade da norma, cabem certas considerações. Não restam dúvidas de que determinadas pessoas jurídicas entenderam que, o evento de transformação societária previsto no § 2º, envolvendo as empresas B e C, também teria repercussão na hipótese de incidência prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, o que permitiria a amortização do ágio decorrente da reavaliação do investimento. Ocorre que a pessoa jurídica investidora é a empresa A, que possui o investimento, a empresa B. Na vigência do art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002, a empresa A tinha previsão legal para reavaliar o investimento sem a necessidade de oferecer à tributação ganho de capital, reavaliação que deu origem ao ágio. De qualquer forma, foi a empresa A que tomou a decisão de reavaliar seu investimento, promoveu os estudos necessários para fundamentar a reavaliação e por consequência o ágio apurado, e, portanto, em nenhum momento deixou de ser a pessoa jurídica investidora na acepção do art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997. Por sua vez, a pessoa jurídica investida é a empresa B, que teve suas ações reavaliadas. Por sua vez, a transformação societária prevista no art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002, envolve a empresa B e a empresa C. Ora, ausente no evento de incorporação, fusão ou cisão a empresa A (pessoa jurídica investidora), não se consuma a hipótese de incidência prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997 que autoriza a amortização da despesa do ágio. Nesse sentido, os eventos decorrentes de reestruturação societária sob a vigência do art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002, não tem nenhuma repercussão na hipótese de incidência prevista nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997. Fato é que, na vigência da norma, foram engendradas várias operações, no sentido de construir o suporte fático previsto pelo caput do art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002, para reavaliar as ações da empresa B, integralizar aumento de capital da empresa C com as ações reavaliadas da empresa B, contabilizar o ágio decorrente da reavaliação do investimento, para, logo em seguida, promover a incorporação da empresa B pela empresa C, e promover a amortização da despesa do ágio. Tratase precisamente do contexto da presente autuação. Ocorre que a Contribuinte, buscando deliberadamente a subsunção à norma permissiva de despesa de amortização do ágio, valeuse de operações artificiais, com utilização de empresa "casca" e de reavaliação de ativos sem substância, visando unicamente a construção de um ágio que geraria uma despesa dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Os argumentos da PGFN no recurso especial são esclarecedores: Como já destacado no item anterior, em que pese o grupo empresarial capitaneado por GRALHA/PINE/BORDIN Ltda. ter tentado dar uma aparência de legalidade aos negócios que originaram o ágio posteriormente amortizado, tais operações, na realidade, não eram aquilo que aparentavam. Fl. 1782DF CARF MF Processo nº 10903.720004/201230 Acórdão n.º 9101002.594 CSRFT1 Fl. 1.783 9 Embora a Contribuinte tenha declarado que o ágio por ele amortizado decorria de uma verdadeira reorganização societária e aquisição de investimento (pela MARUMBI) com base na rentabilidade futura da empresa adquirida (CENTER), o trabalho da Fiscalização evidenciou que tudo isso não passou de atos formais que não traduziam a realidade. O fato de a recorrente, ao final de uma breve, injustificável e injustificada série de atos societários, ter voltado exatamente ao mesmo status quo ante torna incontestável o intuito doloso da CENTER, juntamente com as demais empresas que pertencem/pertenciam ao seu grupo econômico, na criação de uma contabilidade artificial, que na realidade nunca existiu. De fato, a ausência de propósito negocial e de substrato econômico, da mesma forma que impede a existência material do ágio registrado na CENTER, atesta o evidente intuito de fraude do Contribuinte. Com a demonstração de que não houve nenhuma “aquisição” de investimento pela MARUMBI a justificar a existência do ágio, deixase claro que o único intuito dessa empresa quando da aquisição do investimento traduzido nas quotas da CENTER foi criar um modo de redução dos impostos a serem pagos após a versão do patrimônio decorrente da cisão da MARUMBI, em benefício indireto dos controladores comuns a ambas. Quando da criação do ágio decorrente da aquisição das quotas da CENTER, evidenciamse duas vontades do grupo empresarial capitaneado por GRALHA/PINE/BORDIN ltda: a) uma vontade declarada – aquisição pelo valor de mercado das quotas da CENTER pela MARUMBI, seguida da versão do patrimônio da MARUMBI pela CENTER; e b) uma vontade real – criação de um investimento artificial a fim de gerar um ágio que seria utilizado pela CENTER para reduzir a tributação a ser paga após a extinção da MARUMBI. (...) Sendo assim, pelos argumentos aqui expostos, demonstrase cabalmente que o ágio amortizado pelo recorrente foi registrado de forma simulada e com evidente intuito fraudulento. Por meio de uma aparente seqüência de operações societárias, na verdade, o que o recorrente procurou foi a redução indevida da sua carga tributária. A qualificação da multa de ofício, assim, é inevitável. (grifei) E a autuação fiscal, não obstante referirse a uma operação realizada no contexto do art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002, revelou a conduta dolosa, quando se verifica que a Contribuinte procurou empreender, de maneira completamente artificiosa, mediante uma construção meramente formal, uma reorganização societária deliberada pra buscar a hipótese de incidência nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997. Fl. 1783DF CARF MF Processo nº 10903.720004/201230 Acórdão n.º 9101002.594 CSRFT1 Fl. 1.784 10 Vale repetir, o fato de o mencionado artigo 36 ter autorizado uma operação que permitiu uma "reavaliação" do investimento com diferimento de ganho de capital, tal permissão não implicou no desvirtuamento do instituto. Caso se buscasse efetivamente um diferimento no ganho de capital, conforme o cerne da norma, poderia a operação ter se consumado em dois passos: primeiro, em 31/08/2004, reavaliação da CENTER AUTOMÓVEIS, de R$ 3.500.000,00 para R$ 21.404.000,00; e segundo, em 30/09/2004, quando as empresas BORDIN, PINE e GRALHA AZUL, então únicas sócias tanto da autuada CENTER AUTOMÓVEIS quanto de MARUMBI (empresa "casca"), resolveram aumentar o capital desta última e integralizálo mediante a transferência de suas participações em CENTER AUTOMÓVEIS, avaliadas economicamente. Contudo, já em 27/12/2004, ao se promover a cisão total da MARUMBI, com incorporação de seu patrimônio pela CENTER AUTOMÓVEIS, restou claramente demonstrada a intenção deliberada de buscar um plus: não bastava o diferimento do ganho de capital, mas se acreditava que se poderia obter uma despesa dedutível construindose artificialmente um suporte fático que se amoldaria aos 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997. As operações realizadas em curtíssimo espaço de tempo não deixam dúvidas sobre a real intenção da Contribuinte. E não há que se falar que a liberdade negocial seria ilimitada. A Lei Maior, ao discorrer sobre a ordem econômica e financeira e dos princípios gerais da atividade econômica, dispõe no art. 170, parágrafo único, que é assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei. Contudo, a atuação deve ser norteada por princípios fundamentais, como os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, estabelecidos, não por acaso, já no art. 1º. De fato, a legislação tributária autoriza, a partir de parâmetros estabelecidos em lei, pela eleição, por parte do contribuinte, de regimes de tributação diferenciados. Por isso, a pessoa física é submetida a um regime próprio, e a pessoa jurídica, a outros, com opções mais favoráveis de reduções na base de cálculo tributável. Por que tem a pessoa jurídica tratamento mais favorável por parte do Estado? Porque se parte da premissa que a pessoa jurídica irá fomentar desenvolvimento, viabilizar empregos, exercendo papel social relevante e, por consequência, num ciclo virtuoso, auferir rendas e possibilitar uma maior arrecadação de tributos para o próprio Estado. Contudo, atitudes no sentido de se utilizar permissivo previsto na legislação, para, por exemplo, desvirtuar o instituto da pessoa jurídica para construir despesas artificiais, ou realizar segregação artificiosa de empresas visando buscar enquadramento em regimes de tributação com base menor, são condenáveis porque afrontam o sistema tributário e afrontam as premissas que autorizam tratamentos diferenciados para determinados contribuintes (como, por exemplo, as pessoas jurídicas). A livre organização encontra limites, a depender da lesão a impor na coletividade. O liberalismo, laisserfaire, que blindava integralmente o indivíduo contra a ação do Estado, visto como um odioso interventor nas liberdades individuais, é modelo relativizado. Há tempos exigese do Estado atuação mais presente, em maior ou menor grau, a depender da Fl. 1784DF CARF MF Processo nº 10903.720004/201230 Acórdão n.º 9101002.594 CSRFT1 Fl. 1.785 11 corrente econômica e/ou política, mas é incontestável que a cobrança de tributos é contraprestação necessária e indispensável para que o Estado possa desenvolver suas atividades. Nesse contexto, o formalismo das operações em análise não se opõe às premissas adotadas para a construção do sistema tributário, que concede uma tributação diferenciada para a pessoa jurídica exatamente porque a pessoa jurídica tem um efeito multiplicador na economia, gerando empregos e receitas tributáveis para o Estado. A partir do momento em que se desvirtua completamente o papel da pessoa jurídica, servindo meramente como um instrumento para fabricar uma despesa, ocorre gravíssima agressão ao sistema jurídico como um todo. Pessoa jurídica não é mera empresa de papel, é emprega que produz, proporciona emprego, e gera receitas. Pessoa jurídica deve prestar serviços e fabricar bens e produtos, e não fabricar despesas artificiais. No caso concreto, o plus na conduta é evidente, ultrapassando o tipo objetivo da norma tributária. Não se trata de mero descumprimento da norma. Verificase a presença dos elementos cognitivo e volitivo, consumandose o dolo, cuja definição é apresentada com clareza por CEZAR ROBERTO BITENCOURT2: O dolo, elemento essencial da ação final, compõe o tipo subjetivo. Pela sua definição, constatase que o dolo é constituído por dois elementos: um cognitivo, que é o conhecimento do fato constitutivo da ação típica; e um volitivo, que é a vontade de realizála. O primeiro elemento, o conhecimento, é pressuposto do segundo, a vontade, que não pode existir sem aquele. Sobre o elemento cognitivo, BITENCOURT 3 discorre com didática: Para a configuração do dolo exigese a consciência daquilo que esse pretende praticar. Essa consciência deve ser atual, isto é, deve estar presente no momento da ação, quando ela está sendo realizada Sobre o elemento volitivo, são claros os ensinamentos 4: A vontade, incondicionada, deve abranger a ação ou omissão (conduta), o resultado e o nexo causal. A vontade pressupõe a previsão, isto é, a representação, na medida em que é impossível querer algo conscientemente senão aquilo que se previu ou representou na nossa mente, pelo menos, parcialmente. Não há reparos, portanto, a se fazer na decisão recorrida, devendose manter a qualificação da multa de ofício. 2 BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de direito penal : parte geral, volume 1, 11ª ed. São Paulo : Saraiva, 2007, p. 267. 3 BITENCOURT, 2007, p. 269. 4 BITENCOURT, 2007, p. 269. Fl. 1785DF CARF MF Processo nº 10903.720004/201230 Acórdão n.º 9101002.594 CSRFT1 Fl. 1.786 12 Diante do exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente os embargos, em relação a omissão na apreciação do art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002 para a qualificação de multa de ofício, e dar provimento parcial, para suprir a omissão e rerratificar o acórdão embargado sem efeitos infringentes, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 1786DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.002498/2008-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
NULIDADE PARCIAL DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
É parcialmente nula a decisão de primeira instância que se recusa a apreciar ponto da impugnação relativo a um dos potenciais efeitos da decisão a ser proferida. Todavia, a nulidade parcial não vicia inteiramente o acórdão, cabendo o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre o capítulo da impugnação acerca da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício.
Numero da decisão: 1302-002.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para declarar a nulidade parcial da decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de primeira instância para se pronunciar sobre matéria suscitada pela impugnante, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 NULIDADE PARCIAL DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. É parcialmente nula a decisão de primeira instância que se recusa a apreciar ponto da impugnação relativo a um dos potenciais efeitos da decisão a ser proferida. Todavia, a nulidade parcial não vicia inteiramente o acórdão, cabendo o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre o capítulo da impugnação acerca da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para declarar a nulidade parcial da decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de primeira instância para se pronunciar sobre matéria suscitada pela impugnante, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 24 98 /2 00 8- 72 Fl. 2217DF CARF MF 2 Relatório Tratamse de Recurso Voluntário e de Ofício interpostos pela empresa em epígrafe e pela Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre/RS, respectivamente, contra o Acórdão nº 1019.854/09, efls. 1969 a 2038 (e Anexo I efls. 2039 a 2042), que decidiu pela procedência em parte da impugnação oferecida, consoante ementa e resultado reproduzido a seguir: Comprovada a simulação através de vasto acervo indiciário, cabível a desconsideração dos efeitos dos atos viciados e a conseqüente exigência dos tributos faltantes. Cabe ao fisco, havendo na data da autuação saldo de prejuízos fiscais, ajustar o valor devido com a consideração da compensação até o limite legal, recompondo, para frente, os saldos remanescentes e suas eventuais compensações posteriores. Lançamento Procedente em Parte Acordam os membros da 1ªTurma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte o lançamento. Na leitura do acórdão recorrido, sem adentrarse ao mérito das questões confrontadas entre as partes neste momento, deparase com questão processual, deflagrada de pronto, pelo que até aqui é o suficiente para este relatório. A empresa recorrente tomou ciência do acórdão recorrido em 21/07/2009 (e fls. 2049) e interpôs, devidamente representada, o Recurso Voluntário, efls. 2050 a 2116, em 19/08/2009 (efls. 2050). A Procuradoria da Fazenda Nacional apresenta às efls. 2160 a 2185 contrarrazões. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. Em prejudicial, esta Turma Julgadora tem se manifestado contrariamente ao entendimento esposado no acórdão recorrido sobre o declínio da atividade do julgamento de matéria suscitada pela empresa impugnante no concernente à incidência dos juros sobre a multa de ofício. Esta matéria foi, inclusive, suscitada no recurso interposto. No acórdão recorrido constou expressamente: B.12) Juros Selic incidentes sobre multa de ofício Inicialmente esclareço que não há litígio em torno da matéria reclamada. Afirmo isso lastreado no exame dos autos de infração, que indicam a incidência de juros apenas sobre o valor dos tributos lançados. Confirase, nesse sentido, os cálculos constantes das folhas 1.381 e 1.388 dos autos. Fl. 2218DF CARF MF Processo nº 11065.002498/200872 Acórdão n.º 1302002.041 S1C3T2 Fl. 3 3 Questão análoga já foi objeto de julgamento no âmbito dos Conselhos de Contribuintes. Verifiquese o teor da ementa então adotada: "JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Não havendo no lançamento objurgado a incidência apontada pela empresa é de se não conhecer do recurso quanto à matéria." . " (2o CC Ac. 20400858 4a C. Júlio César Alves Ramos Sessão de 6 de dezembro de 2005) Assim, tendo em vista a inexistência da cobrança de juros incidentes sobre a multa de ofício, não tomo conhecimento da reclamação ventilada no presente tópico. Aproveito o voto proferido no recente Acórdão nº 1302001.948, em sessão realizada em 09 de agosto de 2016, de lavra do Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, integrante deste colegiado, sobre a questão: Preliminarmente, ressalto que a decisão recorrida expressamente se esquivou de apreciar questão levantada pela defesa em sua peça impugnatória, se não vejamos o seguinte excerto do voto condutor da referida decisão: “Quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, cabe ressaltar que essa matéria não faz parte da presente lide, pois na exigência consubstanciada nos Autos de Infração objeto do presente processo os juros de mora estão incidindo apenas sobre o valor do tributo, e não sobre a multa de ofício. Quanto à possibilidade de isso vir a ocorrer, cumpre observar que o efetivo cálculo dos juros configura matéria a ser discutida no âmbito da cobrança do tributo lançado, no qual não atua esta Delegacia de Julgamento, em função de sua atribuição específica. Os juros serão calculados e atualizados até a data do efetivo pagamento, na fase de execução do acórdão e de cobrança do crédito tributário mantido, após tornarse definitiva, na esfera administrativa, a decisão acerca do lançamento impugnado. Assim, esta autoridade julgadora não se manifesta a respeito dos critérios legais de cálculo dos juros incidentes sobre o crédito tributário a ser recolhido em fase de cobrança administrativa.” Com a devida vênia, não tem razão a autoridade de primeira instância, pois a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício é um dos efeitos de eventual decisão pela manutenção da multa de ofício e o fato de o valor (dos juros sobre a multa) não estar mensurado no auto de infração não pode ser óbice ao exercício do direito de defesa da recorrente. Todavia, mais grave do que isso é o fato de que, tendo sido renovada a questão no recurso voluntário, não poderá este CARF enfrentála, sob pena de restar configurada a supressão de instância, com flagrante cerceamento do direito de defesa da recorrente. Ressalto que a jurisprudência pacífica deste Colegiado é de que a questão em tela deve ser enfrentada pela instância administrativa. Em situações processuais parecidas com a ora posta em julgamento, o Supremo Tribunal Federal tem decidido pela nulidade parcial da sentença, se não vejamos o seguinte Acórdão: “Processo: HC 94888 SP Fl. 2219DF CARF MF 4 Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Órgão Julgador: Segunda Turma PENAL. HABEAS CORPUS. DOSIMETRIA DA PENA. NULIDADE PARCIAL DA SENTENÇA. PRECEDENTES STF. ORDEM DENEGADA. 1. A presente impetração visa ao reconhecimento de nulidade da sentença condenatória prolatada em desfavor do paciente, sob o fundamento de ausência de fundamentação na dosimetria da pena aplicada. 2. O Supremo Tribunal Federal tem entendimento de que nulidade quanto à dosimetria da pena "não vicia inteiramente a sentença e o acórdão das instâncias inferiores, mas diz respeito, apenas ao critério adotado para a fixação da pena. Tudo o mais neles decidido é válido, em face do princípio utile per inutile non vitiatur." (HC 59.950/RJ, Rel. Min. Moreira Alves, DJ 01.11.1982). 3. Habeas corpus denegado.”. Mutatis mutandi, por mais que me cause espécie a declaração parcial de nulidade de sentença, sustento que seja essa a melhor solução processual para o presente caso. Destarte, há que se obstar o julgamento deste litígio e devolvêlo para a complementação da sentença a quo com a devida apreciação da matéria suscitada pela impugnante. Voto em dar provimento em parte ao recurso voluntário para declarar a nulidade parcial da decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de primeira instância para se pronunciar sobre a incidência dos juros sobre a multa de ofício. Resta prejudicado o julgamento do recurso de ofício no presente momento, devendo ser sobrestado e aguardar a nova decisão de DRJ para prosseguir a sua apreciação em conjunto à totalidade do recurso voluntário. Observo que os processos administrativos fiscais de nºs 11065.722968/2012 02 e 11065.720055/201596 devem ser vinculados a este paf, por conexos. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 2220DF CARF MF Processo nº 11065.002498/200872 Acórdão n.º 1302002.041 S1C3T2 Fl. 4 5 Fl. 2221DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.913815/2011-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.062
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 13 81 5/ 20 11 -1 0 Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10480.913815/201110 Resolução nº 3401001.062 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.061. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10480.913815/201110 Resolução nº 3401001.062 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10480.913815/201110 Resolução nº 3401001.062 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 232DF CARF MF
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