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6812096 #
Numero do processo: 13888.900305/2014-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 25/04/2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 25/04/2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.

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3401­003.694  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de abril de 2017  Matéria  IPI ­ pagamento a maior ou indevido  Recorrente  RMF INDUSTRIA E COMERCIO DE EMBALAGENS PLASTICAS LTDA ­  ME  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Data do fato gerador: 25/04/2012  PEDIDO  DE  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITOS  DE  IPI  PAGOS  INDEVIDAMENTE  OU  A  MAIOR  COM  DÉBITOS  DA  COFINS.  AUSÊNCIA  DE  PROVAS  DO  CONTRIBUINTE.  ÔNUS  QUE  LHE  INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.  Contribuinte que pede compensação,  instruindo seu pedido com a DCOMP;  sobrevindo decisão  dizendo que  não  há mais  créditos  a  serem  aproveitados  tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por  intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o  fez.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário apresentado.  ROSALDO TREVISAN ­ Presidente e Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rosaldo  Trevisan  (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice­presidente), Robson José  Bayerl,  Eloy  Eros  da  Silva  Nogueira,  Augusto  Fiel  Jorge  O'Oliveira,  Fenelon  Moscoso  de  Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 05 /2 01 4- 31 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.900305/2014­31  Acórdão n.º 3401­003.694  S3­C4T1  Fl. 3          2  Versam  os  autos  sobre  PER/DCOMP  cujo  direito  creditório  alegado  seria  oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado  pela RFB.  O  despacho  decisório  não  homologou  a  compensação  em  razão  do  recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte.  O  contribuinte  apresentou  tempestivamente  sua  manifestação  de  inconformidade,  arguindo  várias  nulidades,  mormente  que  o  aludido  Despacho  não  teria  fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa.  Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de  votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte  teor:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS ­ IPI   Data do fato gerador: 25/04/2012  NULIDADES.  As  causas  de  nulidade  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal  são  somente  aquelas  elencadas  na  legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente  fundamentado é regularmente válido.  RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO.  A  homologação  das  compensações  declaradas  requer  créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não  caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para  compensar com os débitos do contribuinte.  ÔNUS DA PROVA.  Cabe  à  defesa  o  ônus  da  prova  dos  fatos  modificativos,  impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária.  Manifestação  de  Inconformidade  Improcedente  Direito  Creditório Não Reconhecido  A  contribuinte  interpôs  tempestivamente  o  seu  recurso  voluntário,  asseverando  que  a  decisão  não  levou  em  consideração,  nas  razões  de  decidir  a  eficácia  dos  princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo  que  a  Recorrente  apresentasse  defesa,  bem  como  demonstrasse  a  existência  do  crédito,  requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos  quais sua compensação não foi homologada.  É o relatório.  Voto             Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900305/2014­31  Acórdão n.º 3401­003.694  S3­C4T1  Fl. 4          3  Conselheiro Rosaldo Trevisan ­ Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3401­003.652, de  25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/2014­67, paradigma  ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401­003.652):  Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a  nulidade  da  decisão  da  DRJ  de  Ribeirão  Preto/SP,  entendendo  que  esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa.  Não merece prosperar as alegações da Recorrente.  A uma, disse o Despacho Decisório:  A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais  pagamentos,  abaixo  relacionados, mas  integralmente utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP.  A  duas,  mencionou  expressamente  a  decisão  de  piso  que  a  Recorrente  não  trouxe  qualquer  prova  (DARF,  DCTF,  Livro  de  Apuração  e  Registro  do  IPI),  indício  ou  justificativa  que  permitisse  comprovar o alegado recolhimento indevido.  A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator:  Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório,  devidamente assinado pela autoridade competente:  A  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais  pagamentos,  abaixo  relacionados, mas  integralmente utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP.  Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque  já tinha sido utilizado para quitar outros débitos.  Com  efeito,  se  há  erro  nos  arquivos  da  Receita,  bastaria  o  interessado  juntar  a  idônea  e  hábil  documentação contraditória  (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em  homenagem  o  princípio  da  verdade  material  tanto  invocado,  sendo que, se  tratam de declarações e  livros cuja boa guarda e  apresentação imediata estão legalmente determinadas.  A manifestação do interessado não traz qualquer prova,  indício  ou  mesmo  justificativa  que  permita  comprovar  o  alegado  Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900305/2014­31  Acórdão n.º 3401­003.694  S3­C4T1  Fl. 5          4  recolhimento  indevido,  limitando­se,  tão  somente  a  colecionar  julgados e doutrinas sobre nulidades.  Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal  do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF  já  foram  utilizados  para  quitar  outros  débitos  e  nada  o  contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou  anular,  sendo que não  se  justifica  a  falta  de  apresentação  de  documentos  que  provassem  seu  direito  creditório,  na  medida  que  a  alegação  de  cerceamento  da  defesa  não  se  sustenta.  A três, vê­se que a decisão fora motivada, embora cingiram­se  as  assertivas  da  Recorrente  apenas  e  tão  somente  na  juntada  da  DCOMP,  informando  que  detinha  um  crédito  de  IPI,  oriundo  de  pagamento  indevido,  o  qual  seria  compensado  com  débitos  da  COFINS.  A quatro, tem­se que, sobrevindo a decisão da manifestação de  inconformidade,  deveria  a  Recorrente  fazer  prova  deste  suposto  pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo  333 do CPC, vigente à época ­ ademais, como ressalvada pela decisão  da DRJ ­, porém, quedou silente a contribuinte­recorrente.  A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o  Colegiado  possa  apreciá­lo,  de  modo  que,  diante  da  ausência  de  qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não  merece reparos.  Não  maiores  ilações  a  serem  feitas  e  diante  da  ausência  de  provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário.  (Assinado com certificado digital)  Rosaldo Trevisan                            Fl. 65DF CARF MF

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6815454 #
Numero do processo: 16561.720200/2012-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem no processo atos insanáveis, ainda mais quando comprovado que a autoridade lançadora observou, durante os trabalhos de auditoria, os procedimentos previstos na legislação tributária. LUCROS NO EXTERIOR. TRATADOS PARA EVITAR DUPLA TRIBUTAÇÃO. COMPATIBILIDADE COM A LEGISLAÇÃO NACIONAL. Não há incompatibilidade entre os tratados para evitar a bitributação e o artigo 74 da MP n. 2.158-35/2001, no que tange às hipóteses não alcançadas ou não apreciadas pelo STF no julgamento da ADI n. 2.588. LUCROS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO NO BRASIL. A tributação dos lucros de sucursal ou controlada sediada no exterior implica sua adição ao lucro líquido da pessoa jurídica matriz ou controladora sediada no Brasil, conforme o método da equivalência patrimonial. O procedimento exige a adição do lucro auferido no exterior para fins de apuração do IRPJ e da CSLL devidos no país. LUCROS NO EXTERIOR. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA APURAÇÃO DO RESULTADO, MEDIANTE DOCUMENTOS DE SUPORTE ÀS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS ESTRANGEIRAS. A autoridade fiscal pode solicitar ao sujeito passivo no Brasil os documentos de suporte aos demonstrativos financeiros utilizados para a apuração do lucro no exterior. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA. Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicam-se à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso.
Numero da decisão: 1201-001.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Acordam, ainda, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Luis Fabiano, que dava parcial provimento ao Recurso Voluntário apenas para afastar a tributação do resultado em Portugal e os Conselheiros Luis Toselli e Gustavo Guimarães, que davam parcial provimento ao Recurso Voluntário, em maior extensão, para afastar a tributação do resultado em Portugal e reconhecer a compensação do prejuízo apurado na Colômbia até o valor de 10.665.483.000,00, em pesos colombianos. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA

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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-06-03T18:36:52Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; Last-Modified: 2017-06-03T18:36:52Z; dcterms:modified: 2017-06-03T18:36:52Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; Last-Save-Date: 2017-06-03T18:36:52Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-06-03T18:36:52Z; meta:save-date: 2017-06-03T18:36:52Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-06-03T18:36:52Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 55; pdf:charsPerPage: 1996; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf | Conteúdo => S1­C2T1  Fl. 2          1 1  S1­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  16561.720200/2012­17  Recurso nº               De Ofício e Voluntário  Acórdão nº  1201­001.690  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de maio de 2017  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO  Recorrentes  CONSTRUTORA ANDRADE GUTIERREZ S/A              FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2007  NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.  Somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente  ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de  nulidade  quando  não  existirem  no  processo  atos  insanáveis,  ainda  mais  quando  comprovado  que  a  autoridade  lançadora  observou,  durante  os  trabalhos de auditoria, os procedimentos previstos na legislação tributária.  LUCROS  NO  EXTERIOR.  TRATADOS  PARA  EVITAR  DUPLA  TRIBUTAÇÃO.  COMPATIBILIDADE  COM  A  LEGISLAÇÃO  NACIONAL.  Não  há  incompatibilidade  entre  os  tratados  para  evitar  a  bitributação  e  o  artigo 74 da MP n. 2.158­35/2001, no que tange às hipóteses não alcançadas  ou não apreciadas pelo STF no julgamento da ADI n. 2.588.  LUCROS NO EXTERIOR. TRIBUTAÇÃO NO BRASIL.   A tributação dos lucros de sucursal ou controlada sediada no exterior implica  sua adição ao lucro líquido da pessoa jurídica matriz ou controladora sediada  no Brasil, conforme o método da equivalência patrimonial. O procedimento  exige a adição do lucro auferido no exterior para fins de apuração do IRPJ e  da CSLL devidos no país.  LUCROS  NO  EXTERIOR.  NECESSIDADE  DE  DEMONSTRAÇÃO  DA  APURAÇÃO  DO  RESULTADO,  MEDIANTE  DOCUMENTOS  DE  SUPORTE ÀS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS ESTRANGEIRAS.  A autoridade fiscal pode solicitar ao sujeito passivo no Brasil os documentos  de suporte aos demonstrativos financeiros utilizados para a apuração do lucro  no exterior.   ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 02 00 /2 01 2- 17 Fl. 1576DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 3          2 Ano­calendário: 2007  TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA.  Tratando­se de  tributação  reflexa decorrente de  irregularidades  apuradas  no  âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicam­se  à  CSLL,  por  relação  de  causa  e  efeito,  os  mesmos  fundamentos  do  lançamento primário.  JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE.  Legal  a  aplicação  da  taxa  do  Selic  para  fixação  dos  juros moratórios  para  recolhimento do crédito tributário em atraso.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso de Ofício. Acordam, ainda, por maioria de votos, em negar provimento  ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Luis Fabiano, que dava parcial provimento  ao  Recurso  Voluntário  apenas  para  afastar  a  tributação  do  resultado  em  Portugal  e  os  Conselheiros  Luis  Toselli  e  Gustavo Guimarães,  que  davam  parcial  provimento  ao  Recurso  Voluntário, em maior extensão, para afastar a tributação do resultado em Portugal e reconhecer  a compensação do prejuízo apurado na Colômbia até o valor de 10.665.483.000,00, em pesos  colombianos.    (assinado digitalmente)  Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente    Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de  Almeida,  Luis  Fabiano  Alves  Penteado,  Paulo  Cezar  Fernandes  de  Aguiar,  Luis  Henrique  Marotti  Toselli,  Eva Maria  Los,  José  Carlos  de  Assis  Guimarães  e  Gustavo  Guimarães  da  Fonseca.     Relatório  Como  os  fatos  e  a  matéria  jurídica  foram  bem  relatados  pela  decisão  de  primeira instância, reproduzo­a a seguir:   Para efeito de máxima compreensão das instâncias seguintes que  haverão  de  se  inaugurar  (diz­se  dos  órgãos  vinculados  ao  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF), registre­ se  que  o  presente  Contribuinte  disputa  defesa  em  dois  feitos  administrativos  assim  surgidos  d’um  mesmo  procedimento  fiscal: o de nº 16561.720200/2012­17  (a cobrir  fato gerador de  Fl. 1577DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 4          3 2007)  e  o  de  nº  16561.720158/2013­15  (respeitante  a  fatos  geradores havidos em 2008 e 2009). Certo que o  Interessado é  um só,  bem que,  em ditos  feitos,  iguais  são os outorgados  com  poderes  de  representação  (Srs.  Eder  Magalhães  de  Campos,  Evandro Marcos Vieira, Hélio Francisco Machado e Helton da  Silva Soares; fls. 806/807 dos autos sob nº 16561.720200/2012­ 17,  e  fls.  1361/1362  dos  autos  sob  nº  16561.720158/2013­15),  não  há  prejuízo  (ao  contrário,  há  vantagem  discursiva)  de  se  lançar  mão,  se  e  quando  necessário,  de  eventual  referência  cruzada entre os distintos autos processuais, circunstância essa  que se cuidará de fazê­lo clara e distintamente.  1. Trata­se de autos de infração a trazer exigências de IRPJ e de  CSLL, respeitante ao ano­calendário de 2007, sob a sistemática  do Lucro Real e regime de apuração anual, nos importes de R$  20.039.699,74  e  R$  7.477.414,99,  respectivamente,  entre  principal,  multa  de  ofício  (75%)  e  juros  de  mora  (esses  calculados  até  30/11/2012). A  base  tributável  assinalada  pela  Fiscalização  foi  o  lucro  auferido  no  exterior  pela  pessoa  jurídica: (1) ora por via de suas sucursais sediadas em Angola,  Argélia,  Camarões,  Chile  e  Colômbia;  (2)  ora  por  meio  de  pessoas jurídicas controladas pela Impugnante, então sediadas  nas Ilhas Cayman (Driltech Inc.), em Portugal (Zagope SGPS  Lda.)  e  na  Espanha  (San  Sebastian  Participações  S.L.).  A  propósito, vide autos de infração de fls. 667/682.  2.  Assim  se  justificou  a  Fiscalização  em  seu  Termo  de  Verificação Fiscal (fls. 683/691):      Fl. 1578DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 5          4           Fl. 1579DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 6          5           Fl. 1580DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 7          6         Fl. 1581DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 8          7           Fl. 1582DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 9          8         Fl. 1583DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 10          9         Fl. 1584DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 11          10         3. O Contribuinte  tomou  ciência  da  autuação  via  Correios  em  12/12/2012 (fl. 692) e trouxe sua insurgência em 10/01/2013 (fls.  710/804). Pondera:  3.1. Tempestividade.  3.2. Reconhece a procedência da autuação na porção referente  aos tributos incidentes sobre o lucro gerado na sucursal sediada  na Argélia. No ponto, reclama “a redução de 50% da multa de  ofício  (art.  52  do Decreto  nº  7.574/11)”,  certo  que  “efetuou  o  recolhimento,  através  de PER/DCOMP,  no  prazo  de  30  dias  a  contar  da  ciência  da  lavratura  dos  autos  de  infração,  dos  tributos autuados referentes aos lucros da sucursal da Argélia”.  Fl. 1585DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 12          11 No  caso,  dizia­se  do  PER/DCOMP  sob  nº  13782.41482.090113.1.3.04­3566  (fls.  711/412,  811/818;  destaques do original).  3.3.  Em  referência  ao  lucro  gerado  na  sucursal  sediada  na  Colômbia  contrapõe  duas  circunstâncias.  A  primeira,  que  não  foi  considerado  pela  Fiscalização  o  respectivo  prejuízo  ali  gerado  (diga­se, “os prejuízos apurados por essa sucursal”;  fl.  712); a segunda, que os tributos incidentes sobre o montante de  lucro  então  remanescente  (sempre  em  referência  à  sucursal  da  Colômbia)  foram  extintos  também  via  PER/DCOMP,  assim  transmitidas  seja  no  curso  do  procedimento  fiscal,  seja  após  a  ciência  dos  autos  de  infração.  No  caso,  dizia­se  dos  PER/DCOMP  sob  os  números:  00168.30522.200911.1.3.04­ 0509,  27138.01712.200911.1.3.04­0160  (retificado  pelo  PER/DCOMP  sob  nº  04678.87935.090113.1.7.04­2363),  09210.38533.200911.1.3.04­1646,  06513.28524.200911.1.3.04­ 0645,  06649.56338.200911.1.3.04­1089,  32295.18318.090113.1.3.04­0044,  e  35066.35050.090113.1.3.04­4056 (fls. 819/868).  3.4. O fundamento legal da presente autuação, a dizer, o art. 74  da Medida Provisória nº 2.158­35, de 24 de agosto de 2001,  é  objeto da Ação Declaratória de Inconstitucionalidade nº 2.588 e  Recurso  Extraordinário  nº  611.586,  “sendo  que  eventual  declaração  de  inconstitucionalidade  implicará  o  cancelamento  direto dos autos de infração” (fl. 714).  3.5. A Fiscalização “ignorou o saldo integral de prejuízos fiscais  detidos  pela  Impugnante  passíveis  de  compensação  e,  pior,  a  apuração  de  saldos  negativos  de  IRPJ  e  de  CSLL  na  DIPJ  original  (fls.  554/666)”  (fl.  724;  destaques  do  original).  Nesse  espaço,  deveria  a  Fiscalização  “ter  adotado  o  procedimento  correto,  qual  seja,  a  necessária  recomposição  das  bases  tributáveis do IRPJ e da CSLL” (fl. 725; destaque do original).  Concretamente,  sobre o  saldo de prejuízo  fiscal  então existente  no  início de 2007, não obstante  ter a Fiscalização  indicado em  seu  relatório  o  importe  de  R$  14.095.067,29  a  título  de  “prejuízos operacionais a reduzir infrações”, no efetivo cômputo  da  autuação  levou  em  conta  outro  valor,  a  dizer,  R$  11.009.480,84.  D’outra  volta,  sobre  a  apuração,  no  curso  do  ano­calendário de 2007, de saldo negativo de IRPJ e de CSLL a  pagar, a Fiscalização teria deixado de considerar os importes de  R$ 4.976.166,77 e R$ 3.247.600,62, respectivamente.  3.6.  Em  referência  ao  resultado  apurado  na  controlada  San  Sebastian Participações SL  (sediada na Espanha), pondera que  ele  já  traria  em  si  o  resultado  de  Bellerive  Serviços  de  Consultoria Lda. (sediada na Zona Franca de Madeira), pessoa  jurídica de sua vez controlada pela primeira. Por outra, quando  a  Fiscalização  traz  o  resultado  de  Bellerive  Serviços  de  Consultoria  Lda.  e  o  acresce  ao  resultado  de  San  Sebastian  (controlada  diretamente  pela  Impugnante),  corresponderia  isso  a duplicar a colaboração do resultado de Bellerive Serviços de  Fl. 1586DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 13          12 Consultoria  Lda.  por  sobre  o  resultado  de  San  Sebastian  Participações SL, certo que esse último resultado, posto à vista  da  Fiscalização  no  Balanço  Consolidado  de  fl.  506,  já  traria  incorporado  o  resultado  de  Bellerive  Serviços  de  Consultoria  Lda.  3.7.  Os  Tratados  Brasil­Espanha  e  Brasil­Portugal,  ambos  tendentes a evitar a dupla  tributação,  seriam hábeis o bastante  para  inquinar  qualquer  tentativa  de  se  tributar  resultados  oriundos de controladas sediadas naqueles justos Estados (quer  se  considere  tais  resultados  como  “lucros”,  quer  se  os  tomem  por  “dividendos”).  Tal  seria  o  caso  das  controladas  San  Sebastian  Participações  SL  (Espanha)  e  Zagope  SGPS  Lda.  (Portugal).  Especificamente,  se  equivocara  a  Fiscalização  ao  recorrer,  como  suporte  de  fundamentação  argumentativa,  aos  “comentários  da  OCDE  a  alguns  dos  artigos  do  Modelo  de  Tratado da OCDE para Evitar a Dupla Tributação”, certo que  ditos  comentários  estariam  vincados  ao  contexto  das  “legislações CFCs  (‘controlled  foreign  companies’),  a  dizer,  à  legislação  antielisiva.  Essa  última,  de  sua  sorte,  é  própria  de  países  que  fixam  a  tributação  de  lucros  auferidos  no  exterior  tão­só  a  partir  do  momento  de  sua  efetiva  disponibilização  (pagamento), e esse não é o caso do Brasil (o art. 74 da Medida  Provisória nº 2.158­35, de 2001, diria exatamente isso). Veja­se  (fl. 768):  200. Sem grandes esforços, percebe­se que os Comentários em questão  da OCDE não se aplicam ao caso do Brasil, cuja  legislação a respeito  da “tributação em bases universais” não guarda relação com as normas  CFCs,  pelo  simples motivo  de  que,  no Brasil,  a  tributação  dos  lucros  auferidos  no  exterior  não  ocorre  somente  no  momento  da  disponibilização (pagamento) dos lucros.  201. Ao contrário, a  tributação opera­se  tão logo o lucro no exterior é  auferido  (art.  74  da  MP  nº  2.158­35/01),  independentemente  de  sua  origem  (paraíso  fiscal  ou  país  de  alta  tributação)  e  de  sua  natureza  (decorrente  de  atividade  operacional  ou  não).  Por  esse  motivo,  em  nosso  país,  não  há  espaço  para  as  referidas  normas  CFCs  (por  consequência,  dos Comentários  da OCDE  invocados  pela  fiscalização  para fundamentar o lançamento fiscal). (destaques do original)  3.8.  Ao  contrário  do  que  afirma  a  Fiscalização,  teria  o  Contribuinte,  sim,  apresentado  documentação  suficiente  a  justificar  item  de  despesa  da  ordem  de  US$  3.155.764,51,  reconhecida  na  apuração do  resultado  da  sucursal  sediada em  Angola.  Concretamente,  reitera  que  dita  despesa,  conforme  documentação de suporte juntada aos autos (alguns dos quais já  evidenciados  à  Fiscalização),  diria  respeito  às  “indenizações  que  a  Impugnante  teve  de  arcar  em  Angola,  relativamente  às  desapropriações necessárias para executar a obra contratada com  o  Governo  da  Angola  (rodovia  Luanda/Viana)”  (fl.  736;  destaques  do  original).  Nessa  ordem  de  ideias,  incabível  o  refazimento  desse  resultado  (como  processado  pela  Fl. 1587DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 14          13 Fiscalização)  que,  a  sua  vez,  implicou  na  formação  de  lucro,  assim levado à tributação nos correntes autos.  3.9. Também ao contrário do que dito pela Fiscalização,  teria,  sim,  o  Contribuinte,  apresentado  documentação  suficiente  a  justificar  saldo  de  prejuízo,  então  reconhecido  na  apuração da  controlada  Driltech  Inc.  (sediada  nas  Ilhas  Cayman).  Nessa  ordem de ideias,  incabível o refazimento desse resultado (como  processado  pela  Fiscalização)  que,  a  sua  vez,  implicou  na  formação  de  lucro,  assim  levado  à  tributação  nos  correntes  autos.  3.10.  No  que  toca  aos  resultados  formados  nas  sucursais  sediadas  em Camarões e no Chile,  bem que aquele oriundo da  controlada  sediada  em Portugal,  todos  enfim  assimilados  para  efeito  de  compor  o  resultado  da  própria  autuada,  registra  a  precariedade  dos  trabalhos  da  Fiscalização.  Particularmente,  dizia­se que no fecho conclusivo do procedimento a Fiscalização  “não se deu ao trabalho de sequer abrir um tópico específico no  Termo  de  Verificação  Fiscal  para  justificar  e  esclarecer  os  valores autuados. [...] o que se questiona nesta oportunidade é o  dever (não cumprido) de a fiscalização apontar, com precisão, a  origem  dos  valores  autuados,  bem  como  de  quais  documentos  teriam sido extraídos” (fls. 745/746). Mais, também com respeito  à  sucursal  sediada  no  Chile,  o  prejuízo  ali  existente  não  teria  sido levado em conta, “prejuízos estes que haviam sido inclusive  comprovados  no  curso  da  fiscalização,  como  atestam  os  documentos  de  fls.  237  e  239”.  Demais  disso,  pondera­se  que  houve pagamentos de  tributos assim efetuados pela sucursal de  Camarões  e  pela  controlada  em  Portugal,  de  ordem  a  se  permitir, no mínimo, a respectiva compensação.  3.11. No conjunto e enfim, a autuação teria sido construída em  base  precária,  certo  que:  (1)  não  se  precisou  a  matéria  tributável, com o quê,  ilíquido o crédito tributário apurado; (2)  faltara  motivação  no  passo  em  que  se  deixou  de  explicitar  o  porquê  da  não  aceitação  (ou  aceitação  parcial)  da  documentação  apresentada  no  curso  do  procedimento  fiscal.  Tais  circunstâncias  comprometeriam  o  exercício  do  direito  de  defesa.  3.12. Respeitante à matéria de  fundo,  isto é, sobre a  tributação  de lucro auferido no exterior, aduz que se teriam vergastados os  “limites  impostos  pela  legislação  nacional  aos  poderes  de  fiscalização” (fl. 747; destaques do original), no passo em que o  procedimento  fiscal em questão pretendeu – quando não estava  autorizado a tanto – auditar demonstrações e/ou documentação  de  suporte  de  ente  alienígena  ao  território  nacional  (diz­se  de  sucursais da Impugnante e/ou pessoas jurídicas controladas pela  Impugnante,  direta  ou  indiretamente,  todas  sediadas  em  território  estrangeiro).  Nas  palavras  do  Interessado  (fl.  751;  destaques do original):  138. Como se percebe, o sistema normativo brasileiro acerca da matéria  está  todo  assentado  na  premissa  de  que,  existindo  normas  expressas  regulando  a  elaboração  das  demonstrações  financeiras  nos  países  em  Fl. 1588DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 15          14 que estabelecidas as entidades situadas no exterior, com a consequente  existência de órgãos de fiscalização em cada um dos países, admitem­se  como  válidas  as  informações  constantes  das  referidas  demonstrações  financeiras,  para  fins  de  cálculo  (e  fiscalização)  dos  tributos devidos aqui no Brasil, não sendo permitidos ajustes, por parte  das  Autoridades  nacionais,  nos  referidos  resultados.  (destaques  do  original)  3.13. Ainda nesse último  tópico,  conclui o Contribuinte,  que os  elementos  de  análise  disponíveis  às  autoridades  tributárias  nacionais  esgotar­se­iam  nas  justas  demonstrações  financeiras  elaboradas  pelos  entes  (sucursais  e/ou  controladas,  no  caso)  sediados no estrangeiro. Nada antes disso. A dizer que restaria  inalcançável por parte do Fisco Nacional dita documentação de  suporte (das demonstrações financeiras), e nem mesmo se teria a  abertura  de  questionamento  do  que  alinhavado  nas  demonstrações  financeiras,  isso  a  míngua  de  melhor  prova  indicativa de não observância, por parte dos entes alienígenas,  da competente legislação comercial/fiscal em vigor no território  em  que  sediados  aqueles  entes  (sucursal/controlada).  A  mais  corroborar  dita  interpretação  estaria  o  obstáculo  prático  representado pelos diferentes prazos decadenciais de guarda da  documentação  serviente  à  elaboração  das  mencionadas  demonstrações  financeiras:  conforme  o  país  que  se  considere,  conforme é o específico prazo decadencial.  3.14.  Imprópria  seria  a  incidência  de  juros  de  mora  sobre  a  multa de ofício.  Em sessão de 11 de junho de 2014, a 1a Turma da Delegacia de Julgamento  de São Paulo, por maioria de votos, deu parcial provimento à impugnação, vencido um dos  julgadores,  que  não  aceitava  os  documentos  que  comprovavam  o  pagamento  do  imposto  de  renda em Portugal.  Da decisão houve Recurso de Ofício, por força do limite de alçada, além da  seguinte advertência:  Ressalte­se que o Contribuinte abre mão de seguir na discussão  administrativa  das  seguintes  matérias:  (1)  reconhece  a  procedência  da  autuação  na  porção  referente  aos  tributos  incidentes sobre o lucro gerado na sucursal sediada na Argélia,  a  que  vincula  o  PER/DCOMP  sob  número  13782.41482.090113.1.3.04­3566; (2) reconhece parcialmente a  procedência  da  autuação  na  porção  referente  aos  tributos  incidentes  sobre  o  lucro  gerado  na  sucursal  sediada  na  Colômbia,  a  que  vincula  os  PER/DCOMP  sob  os  números  00168.30522.200911.1.3.04­0509,  27138.01712.200911.1.3.04­ 0160  (retificado  pelo  PER/DCOMP  sob  nº  04678.87935.090113.1.7.04­2363),  09210.38533.200911.1.3.04­ 1646,  06513.28524.200911.1.3.04­0645,  06649.56338.200911.1.3.04­1089,  32295.18318.090113.1.3.04­ 0044, e 35066.35050.090113.1.3.04­4056.  Fl. 1589DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 16          15 Com a ciência da decisão, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual  repetiu, basicamente, os argumentos da impugnação, além de contestar pontos específicos do  Acórdão.  Também  notificada,  a  Fazenda  Nacional  apresentou  contrarrazões,  de  fls.  1.494 e seguintes.  Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento.    É o relatório.    Voto             Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator     O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele  conheço.  Como a Recorrente apresentou diversos argumentos, faremos a análise tópica  dos pontos combatidos na peça recursal.  a)  Nulidade  parcial  da  decisão  por  não  apreciação  de  argumentos  trazidos pela Impugnante ­ Declarações de Compensação  Neste  tópico,  entende  a  Recorrente  ter  demonstrado  e  comprovado  que  no  curso da  fiscalização  transmitiu Declarações de Compensação,  liquidando valores devidos a  título de IRPJ e de CSLL do ano­calendário de 2007, inclusive acrescidos da multa de mora de  20% e dos juros.  Reconhece  que  os  procedimentos  foram  não  espontâneos,  posto  que  realizados  no  curso  da  fiscalização,  mas  entende  que  no  lançamento  a  autoridade  administrativa poderia realizar o recálculo dos tributos devidos, com o acréscimo da multa de  ofício de 75% e dos juros, e, após a dedução (imputação) dos valores liquidados, formalizar a  exigência de eventuais diferenças, o que não ocorreu no caso concreto.  Assim,  aduz  a  interessada que  a decisão  recorrida não  teria  se pronunciado  sobre essas compensações, o que ensejaria a nulidade parcial da decisão, que também não teria  se manifestado sobre compensações apresentadas no prazo de impugnação dos lançamentos.  Não assiste razão à interessada.  Em  primeiro  lugar,  não  há  como  acolher  a  pretensão  porque  os  supostos  problemas mencionados não teriam o condão de anular os lançamentos efetuados ou a decisão  proferida, nos termos dos artigos 59 e 60 do Decreto n. 70.235/72:  Fl. 1590DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 17          16 Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;   II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  (...)  Art.  60.  As  irregularidades,  incorreções  e  omissões  diferentes  das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e  serão  sanadas  quando  resultarem  em  prejuízo  para  o  sujeito  passivo,  salvo  se  este  lhes  houver  dado  causa,  ou  quando  não  influírem na solução do litígio.  Portanto, eventuais equívocos nas infrações imputadas ao sujeito passivo ou  erros de cálculo nos lançamentos efetuados serão analisados e revistos por este Colegiado, mas  não implicam nulidade do procedimento fiscal.  No  mesmo  sentido,  na  hipótese  de  a  decisão  de  piso  não  ter  enfrentado  questão essencial ao deslinde do processo cabe a este Conselho fazê­lo; contudo, não é o que se  observa dos autos.  Com  efeito,  a  decisão  recorrida  destacou  a  existência  de  várias  Dcomp  relacionadas aos créditos em debate, nos seguintes termos:  Ressalte­se que o Contribuinte abre mão de seguir na discussão  administrativa  das  seguintes  matérias:  (1)  reconhece  a  procedência  da  autuação  na  porção  referente  aos  tributos  incidentes sobre o lucro gerado na sucursal sediada na Argélia,  a  que  vincula  o  PER/DCOMP  sob  número  13782.41482.090113.1.3.04­3566; (2) reconhece parcialmente a  procedência  da  autuação  na  porção  referente  aos  tributos  incidentes  sobre  o  lucro  gerado  na  sucursal  sediada  na  Colômbia,  a  que  vincula  os  PER/DCOMP  sob  os  números  00168.30522.200911.1.3.04­0509,  27138.01712.200911.1.3.04­ 0160  (retificado  pelo  PER/DCOMP  sob  nº  04678.87935.090113.1.7.04­2363),  09210.38533.200911.1.3.04­ 1646,  06513.28524.200911.1.3.04­0645,  06649.56338.200911.1.3.04­1089,  32295.18318.090113.1.3.04­ 0044, e 35066.35050.090113.1.3.04­4056.  Pois  bem,  a  reclamação  da  interessada  diz  respeito  à  não  apreciação  dos  argumentos jurídicos por ela veiculados, o que implicaria cerceamento ao direito de defesa.  Não  se  vislumbra  tal  circunstância,  pois  as  compensações  declaradas  pela  interessada,  como  ela  própria  reconhece,  foram  apresentadas  depois  de  iniciados  os  procedimentos de fiscalização ou mesmo depois da lavratura dos autos de infração.  Nessas  circunstâncias,  não  possuem  o  condão  de  alterar  os  lançamentos  efetuados, conforme inteligência da Súmula CARF n. 33:  Súmula CARF nº  33:  A  declaração  entregue  após  o  início  do  procedimento  fiscal  não  produz  quaisquer  efeitos  sobre  o  lançamento de ofício.  Fl. 1591DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 18          17 Como as compensações foram efetivamente transmitidas, com a consequente  confissão  de  dívida,  as  autoridades  competentes  deverão  analisar,  quando  da  liquidação  da  decisão  administrativa  final  proferida  neste  processo,  a  existência,  pertinência  e  os  valores  declarados, para calcular os correspondentes efeitos econômicos em relação ao crédito total em  discussão.  Isso  porque  a  homologação  dessas  declarações  não  está  em  discussão  no  presente processo.  Ademais,  a  confissão  dos  débitos  impede  a  apreciação  da matéria  por  este  Colegiado, nos exatos termos reconhecidos pela decisão de piso, que declarou, como visto, o  não prosseguimento da discussão na esfera administrativa.  b) Cancelamento dos Autos de Infração, que teriam sido "mal lavrados"  Neste  ponto,  entende  a  Recorrente  que  os  Autos  de  Infração  deveriam  ser  cancelados,  por  desobediência  ao  artigo  142  do  CTN,  cujos  vícios  se  materializariam  nas  seguintes condutas da autoridade fiscal:  (I)  não  juntou  aos  autos  e  não  analisou  conclusivamente  documentos  relevantes  apresentados  no  curso  da  fiscalização  (especialmente  os  relacionados  às  despesas  incorridas  pela  Sucursal  de  Angola,  aos  prejuízos  fiscais  acumulados  pela  Sucursal da Colômbia e à liquidação de valores a título de IRPJ  e de CSLL);  (II)  não motivou  de  forma  adequada  e  específica  a  acusação  fiscal  de  não  oferecimento  à  tributação  de  supostos  lucros  auferidos  no  exterior  por  Sucursais  e  Controladas  (especialmente  no  caso  de  Angola,  Colômbia,  Camarões  e  Portugal);  (III) extrapolou os limites legais aos poderes de fiscalização em  matéria  de  lucros  no  exterior,  chegando  ao  ponto  de  descabidamente glosar despesas da Sucursal de Angola;  (IV)  desprezou  créditos  (líquidos  e  certos)  decorrentes  dos  saldos negativos de  IRPJ e  de CSLL, devidamente  registrados  na DIPJ do ano­calendário de 2007; e   (V)  não  aprofundou  o  trabalho  fiscal,  o  que,  aliás,  era  absolutamente necessário e imprescindível no caso concreto em  função da complexidade das matérias  investigadas e do volume  de informações e documentos.  Nota­se  que  a Recorrente  contesta  a  densidade  dos  argumentos  formulados  pela fiscalização e o grau de aprofundamento dos trabalhos desenvolvidos.  É  cediço  que  problemas  dessa  natureza,  quando  constatados,  podem  prejudicar  a manutenção  dos  lançamentos,  em prejuízo  dos  interesses  fazendários, mas  nada  disso tem o condão de cancelar, por nulidade, os atos praticados pelas autoridades fiscais, à luz  dos artigos 59 e 60 do Decreto n. 70.235/72, ao norte transcritos.  Fl. 1592DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 19          18 Ao contrário do alegado, entendo que não há qualquer violação material ao  artigo 142 do CTN,  como se pode observar da  leitura do Termo de Verificação Fiscal e dos  Autos  de  Infração  (fls.  683  e  seguintes).  Todos  os  requisitos  previstos  pelo  Código  se  encontram  presentes,  de  sorte  que  eventual  divergência  de  entendimento,  devidamente  comprovada  mediante  a  apresentação  de  documentos  pertinentes  e  hábeis,  pode  ensejar  a  revisão  dos  fundamentos  e das  conclusões  da  autuação, mas  não  o  cancelamento  por ofensa  expressa a dispositivo legal.  Nenhum dos  longamente expostos argumentos  trazidos pela  interessada, em  meu sentir, enseja o puro e simples cancelamento da autuação, posto que devem ser analisados  no contexto do valor autuado em relação a cada controlada ou sucursal no exterior, providência  devidamente  conduzida  pela  decisão  de  piso  e  que  retomaremos,  com  as  correspondentes  conclusões, na sequência deste voto.  Portanto,  não  se  constata,  em  qualquer  dos  5  (cinco)  argumentos  acima  apresentados,  qualquer  ofensa  material  a  dispositivo  legal  ou  mesmo  a  alegada  falta  de  motivação  dos  lançamentos  efetuados,  de  sorte  que  não  prospera  a  tese  de  nulidade  da  autuação.   Tanto  houve  a  motivação  dos  lançamentos  que  a  Recorrente  entendeu  necessário  rechaçar  pormenorizadamente  a  utilização  do  artigo  74  da MP  n.  2.158­35,  bem  assim a  interpretação  fiscal  acerca das  considerações da OCDE,  fundamentos  expressamente  citados pela autoridade autuante.  Não  se  pode  confundir  divergência  de  entendimento  ou  concisão  de  raciocínio com ausência de motivação, razão pela qual refuto todos os argumentos de nulidade  suscitados, por entender que constam dos autos fundamentos, provas e documentos necessários  e suficientes à elucidação das questões em debate.  Como visto, alguns argumentos se confundem com questões de mérito, que  serão  apreciadas  em  tópicos  específicos,  enquanto  outros  dizem  respeito  a  supostos  erros  de  cálculo, que uma vez detectados ensejarão as devidas correções.  c) Análise do  crédito  autuado por  controlada/sucursal no  exterior  e  da  legislação aplicável à tributação internacional  Neste passo, cabe­nos verificar as circunstâncias e os  fatos  relativos  a cada  empresa no exterior, conforme segue.  ­ Da controlada sediada na Espanha  Em  relação  a  este  ponto  da  autuação,  a  decisão  de  piso  acolheu  os  argumentos  do  sujeito  passivo,  por  considerar  que  o  montante  oferecido  à  tributação  foi  adequado. Vejamos:  Nos dizeres do art. 1º, § 6º, da Instrução Normativa SRF nº 213,  de  7  de  outubro  de  2002,  os  “resultados  auferidos  por  intermédio  de  outra  pessoa  jurídica  (Bellerive  Serviços  de  Consultoria  Lda.),  na  qual  a  filial,  sucursal,  controlada  (San  Sebastian Participações S.L.) ou coligada, no exterior, mantenha  qualquer  tipo  de  participação  societária,  ainda  que  indiretamente, serão consolidados no balanço da filial, sucursal,  Fl. 1593DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 20          19 controlada (San Sebastian Participações S.L.) ou coligada para  efeito  de  determinação  do  lucro  real  e  da  base  de  cálculo  da  CSLL da beneficiária no Brasil.  Entendeu a DRJ que deve ser considerado e aceito o quadro demonstrativo de  fls. 506, que apresenta o resultado consolidado do exercício:    Com base no quadro acima, o Acórdão entendeu que (destacaremos):  Ora, à míngua de maiores e específicas considerações por parte  da  Fiscalização,  sem  mais  outros  documentos  juntados  aos  autos,  são  os  elementos  sob  a  coluna  8  (“CONSOLID.”),  na  reprodução  acima,  que  melhor  respondem  ao  dito  comando  normativo.  Pelo que se vê, a coluna 3 (última linha) dá conta da apuração  do  resultado  de  San  Sebastin  Participações  S.L.  já  incluída  a  participação dessa última em Bellerive Serviços de Consultoria  Lda.,  via  equivalência  patrimonial,  expressamente  referida  no  demonstrativo  em  consideração  por  “Efecto  Valoracion­ Equivalencia  patrimonial”  (lembre­se  que  o  demonstrativo  não  foi  intrinsecamente  questionado).  Já  a  coluna  4  (última  linha)  colige  a  participação  de  San  Sebastian  Participações  Lda.  no  lucro  líquido  de  Bellerive  Serviços  de  Consultoria  Lda.,  montante  esse  que,  como  indicado  na  coluna  7  (última  linha),  cumpre  ser  “ELIMIN”  (leia­se:  subtraído)  da  totalização  expressa  na  coluna  6  (última  linha),  certo  que  já  considerado  pela equivalência patrimonial. Enfim, se houve lucro auferido no  exterior nesse segmento, tal foi de € 1.813.004,00, já oferecido à  tributação,  como  o  reconhece  a  própria  Fiscalização  em  seu  demonstrativo de fl. 690. No caso, o Contribuinte informava em  sua  DIPJ  do  ano­calendário  de  2007  um  monte  de  R$  6.937.403,80  (fl.  626)  a  esse  justo  título,  quantia  essa  que,  convertida  à  taxa  de  câmbio  usada  pela  Fiscalização  –  R$  2,60859 a cada 1€ – remonta o importe de € 2.659.445,83 (algo,  até, superior a € 1.813.004,00).  A  autuação,  conforme  demonstrativo  de  fl.  690,  e  já  tudo  convertido  em  reais,  consignou  que,  nesse  segmento,  o  lucro  Fl. 1594DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 21          20 auferido  no  exterior  fora  de  R$  11.258.384,89  (resultado  da  conversão de € 4.315.889,00), do que subtraído R$ 6.937.403,80  (o  tanto declarado em DIPJ como disponibilizado, conforme  fl.  626),  restara  como  base  de  cálculo  autuável  o  importe  de R$  4.320.981,09. Esse valor, a efeito do arrazoado acima, deve ser  excluído do monte  infracional  originalmente dimensionado em  R$  47.084.110,53  (vide  fls.  667/674).  Com  isso,  prejudicada  a  discussão  ulterior  sobre  o  alcance  do  Tratado  Brasil­Espanha  como  tendente  a  evitar  dupla  tributação: meritoriamente,  nem  há base material para a autuação esboçada.  Entendo  que  não merece  reparos  a  decisão  neste  ponto,  cujo  resultado  foi  objeto  de  recurso  de  ofício.  Isso  porque  com  base  no  raciocínio  desenvolvido  pela  própria  fiscalização não há tributo a ser exigido, como bem apontado pela Delegacia de Julgamento.  ­ Da sucursal em Angola  Este ponto da autuação foi mantido pela decisão de piso.  De plano, a Recorrente contesta os procedimentos fiscais, por considerar que  estes extrapolaram os limites de sua atuação (destaques no original):  A  despeito  da  boa­fé  da Recorrente  em  colaborar  ao  máximo  com  a  fiscalização,  inclusive  no  levantamento  dos  documentos  comerciais,  contábeis  e  fiscais  junto  às  suas  Sucursais  e  Controladas  no  exterior,  fato  é  que  a  legislação  nacional  não  autoriza este tipo de "auditoria", e muito menos a realização de  "ajustes" e glosas nas demonstrações financeiras das entidades  estrangeiras,  tal  como,  aliás,  ocorreu  no  específico  caso  da  Sucursal  de  Angola  (glosa  de  despesas  incorridas  com  desapropriações  em  Angola,  com  a  consequente  apuração  de  suposto lucro no exterior a ser tributado aqui no Brasil).  Aduz a Recorrente que nos termos do inciso IV do §2° do artigo 25, da Lei n°  9.249/95, a  fiscalização dos  lucros auferidos no exterior  implica para o contribuinte nacional  apenas  a  guarda  e  conservação  das  demonstrações  financeiras  das  entidades  estrangeiras,  dentro do prazo decadencial previsto no CTN.  Com  a  devida  vênia,  não  procede  a  interpretação  restritiva  trazida  pela  Recorrente, pois o citado dispositivo deve ser analisado integralmente, e não apenas em função  do IV do §2°.  Vejamos:  Lei n. 9.249/95, Artigo 25:  (...)  § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no  exterior,  de  pessoas  jurídicas  domiciliadas  no  Brasil  serão  computados  na  apuração  do  lucro  real  com  observância  do  seguinte:  Fl. 1595DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 22          21  I  ­  as  filiais,  sucursais  e  controladas  deverão  demonstrar  a  apuração  dos  lucros  que  auferirem  em  cada  um  de  seus  exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira;   II  ­  os  lucros  a  que  se  refere  o  inciso  I  serão  adicionados  ao  lucro  líquido  da matriz  ou  controladora,  na  proporção  de  sua  participação acionária, para apuração do lucro real;   III  ­  se  a  pessoa  jurídica  se  extinguir  no  curso  do  exercício,  deverá  adicionar  ao  seu  lucro  líquido  os  lucros  auferidos  por  filiais,  sucursais  ou  controladas,  até  a  data  do  balanço  de  encerramento;   IV  ­  as  demonstrações  financeiras  das  filiais,  sucursais  e  controladas  que  embasarem  as  demonstrações  em  Reais  deverão ser mantidas no Brasil pelo prazo previsto no art. 173  da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966.  Nota­se,  à  evidência,  que o  inciso  I  determina que as  entidades no  exterior  devem demonstrar a apuração dos lucros de acordo com as normas da legislação brasileira, o  que, por via de decorrência, permite à autoridade  fiscal perquirir  e  investigar  todo os  fatos  e  documentos de suporte a essa obrigação.   Qualquer entendimento em sentido diverso tornaria os trabalhos de auditoria  inúteis  e  desprovidos  de  sentido,  pois  não  permitiria  que  as  autoridades  questionassem  os  valores  contidos  nas  demonstrações. Não  há  direito  sem  provas  e  a  validade,  fundamento  e  origem do conjunto probatório podem ser questionados pelas autoridades competentes, dentro  do que se costuma denominar transparência fiscal internacional.  Caso  assim  não  fosse,  qual  seria  a  razão  de  o Brasil  celebrar  acordos  com  outros  países  para  troca  de  informações  e  investigações  conjuntas?  Basta  lembrar,  apenas  a  título  de  exemplo,  que  o  Brasil  é  signatário  da  Convenção  sobre  Assistência  Mútua  Administrativa em Matéria Tributária,  ratificada pelo Congresso Nacional  em 2016  (Decreto  Legislativo nº 105/2016) e promulgada no mesmo ano pelo Decreto nº 8.842. Ressalte­se que o  alcance  do Acordo Multilateral  é muito mais  amplo  do  que  a  simples  troca  de  informações,  pois engloba a possibilidade de  (a)  fiscalizações  tributárias simultâneas e a participação em  fiscalizações tributárias levadas a efeito no estrangeiro; (b) a cobrança de créditos tributários,  incluindo as medidas cautelares; (c) a notificação de documentos.  Some­se  a  isso  os  vários  acordos  bilaterais  para  troca  de  informações  já  celebrados, há  tempos, com outros países,  e a conclusão  inafastável é no sentido de que não  prospera a interpretação restritiva proposta pela interessada nem tampouco o argumento de que  a fiscalização agiu com excesso.  Aliás, nem o dispositivo citado (inciso IV do §2° do artigo 25) corrobora tal  entendimento, posto que apenas determina a guarda das demonstrações  financeiras durante o  transcurso do prazo previsto pelo CTN, mas  em nada  restringe  as  atividades de  fiscalização,  sendo evidente que o dever do  sujeito passivo permanece o mesmo:  comprovar, de acordo  com a legislação brasileira, a apuração dos lucros no exterior.  Ademais,  no  caso  concreto,  não  se  percebe  que  a  autoridade  fiscal  simplesmente desconsiderou os documentos apresentados pela Recorrente, como bem destacou  a decisão de primeira instância:  Fl. 1596DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 23          22 (...) não foi o caso de a Fiscalização simplesmente ter deixado de  lado  a  documentação  então  apresentada  pelo  Interessado.  A  tanto que no Termo de Intimação nº 04 há referência expressa a  demonstrativo ofertado pelo Contribuinte sobre esse exato ponto  (i.  é,  acerca  de  comprovação  de  custo/despesa  lançado  em  demonstrativo  financeiro  da  sucursal  sediada  em  Angola):  “devem  ser  apresentados  todos  os  contratos  com  valores  superior  a  US$  100.000,00  e  com  a  devida  identificação  na  planilha apresentada pela empresa em resposta ao  item 12, da  Intimação  02,  realizada  em  23/08/2011”  (fl.  16,  destacou­se;  chamada à tabela do item 6 do Termo de Intimação nº 04). Ou  seja,  o  que  apresentado  pelo  Contribuinte  foi,  sim,  alvo  de  consideração por parte da Fiscalização. E,  logo a seguir, mais  se  especificou:  “O  contribuinte,  em  resposta  ao  item  12,  da  Intimação 002, realizada em 23/08/2011, afirmou: ‘os resultados  extraordinários são gastos incorridos com a desapropriação de  terras detidas por pessoas físicas e jurídicas em conexão com a  execução  da  empreitada  designada  Via  Expressa  Luanda/Viana...’.  Apresentar  os  documentos,  que  comprovem  que,  o  ônus  das  desapropriações  (expropriações)  deveriam  ter  sido  suportados  pela  empresa  fiscalizada”  (fl.  16).  Percebe­se,  portanto, o claro elemento demandado pela Fiscalização: prova  do  ônus  em  definitivo  suportado  pela  sucursal  sediada  em  Angola à vista de ditas desapropriações/expropriações. E, mais  uma  vez,  agora  no  Termo  de  Intimação  nº  06,  reitera  a  Fiscalização: “devem ser  apresentados  todos  os  contratos  com  valores  superior  a  $300.000,00  (Moeda Local)  e  com a  devida  identificação na planilha apresentada pela empresa em resposta  ao  item 12, da Intimação 02,  realizada em 23/08/2011”  (fl. 22,  destacou­se; chamada à tabela do item 3 do Termo de Intimação  nº 06). E de novo, no Termo de Intimação nº 07 (fl. 25): “devem  ser  apresentados  todos  os  contratos  com  valores  superior  a  $300.000,00  (Moeda  Local)  e  com  a  devida  identificação  na  planilha apresentada pela empresa em resposta ao  item 12, da  Intimação 02,  realizada em 23/08/2011”  (chamada à  tabela do  item 3 do Termo de Intimação nº 07; destacou­se).   Os  fatos  e  documentos  relativos  à  autuação  em  Angola  foram  minuciosamente  analisados  pelo  acórdão  recorrido,  cujo  relato  e  conclusões  reproduzimos  a  seguir:  De  fato,  consta  à  fl.  151,  cópia  de  declaração  firmada  a  19/10/2007 por “Costa Estevão Mutange, [...] residente na Casa  S­Nº Zona 16 Bairro Ngola Kiluange Sambizanga, na qualidade  de  proprietário”  que  dá  conta  de  ter  recebido  da  “empresa  CONSTRUTORA  ANDRADE  GUTIERREZ,  S.A.  (Sucursal  em  Angola), [...] a quantia de 17.176.000,00Kz (Dezassete Milhões,  Cento e Setenta e Seis Mil Kwanzas), a título de indenização pela  expropriação  do  imóvel  de  dois  pisos  destinado  a  actividade  comercial  sito  na  Avenida  Deolinda  Rodrigues”.  Declara­se  mais:  que  “a  expropriação  foi  realizada  pelo  INEA  –  INSTITUTO  DE  ESTRADAS  DE  ANGOLA,  no  âmbito  da  execução da empreitada designada Via Expressa Luanda/Viana  –  Troço  1,  sendo  o  valor  da  indenização  liquidado  pela  Fl. 1597DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 24          23 CONSTRUTORA ANDRADE GUTIERREZ, S.A.  –  (Sucursal  em  Angola),  na  qualidade  de  empresa  empreiteira,  em  nome  por conta do INEA” (destacou­se). E segue à fl.  152/153  cópia  do  respectivo  “TERMO  DE  ACORDO  DE  INDEMNIZAÇÃO”,  sobre  o  que  “o  Ministério  das  Obras  Públicas,  através  do  Instituo  de  Estradas  de  Angola  –  INEA”,  representado  no  ato  “pelo  seu  Director  Geral,  Arqtº  Joaquim  Sebastião”,  a  reconhecer  a  necessidade  de  “reabilitação  e  alargamento” da “Via Expressa Luanda/Viana – Troço 1”, bem  que a inexistência de “qualquer intenção por parte do Dono da  Obra [Instituto de Estradas de Angola – INEA] de prejudicar o  proprietário”,  assenta  a  necessidade  de  “demolição  de  um  imóvel de 2 pisos [...] situado no município do Cazenga”, para o  que  vai  firmado  o  dito  acordo  de  indenização  a  benefício  de  “Costa  Estevão  Mutange”  e  no  importe  equivalente  a  “USD  226.000,00  (Duzentos  e  Vinte  e  Seis  Mil  Dólares  Norte­ Americanos)”, comprometido que ficou o INEA “a indemnizar o  BENEFICIÁRIO  [Costa  Estevão  Mutange]”.  Igual  conjunto  probatório (declaração mais termo de acordo, todos de final de  2007) é mostrado às fls.  154/159, 884/889, 1008/1123,  tendo dessa vez por beneficiários  e importe de indenização o tanto anotado no Quadro 01 abaixo.  Fl. 1598DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 25          24     Fl. 1599DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 26          25 D’outra  sorte,  vem  às  fls.  891/986  cópia  do  “CONTRATO DE  CONSTRUÇÃO DA VIA EXPRESSA LUANDA/VIANA, TROÇO  – 1: KM 0­800 ATÉ KM 7+360”, do qual se destaca a passagem  seguinte:  “O  Cliente  [Instituto  de  Estradas  de  Angola]  providenciará  a  efectivação  de  todas  as  desapropriações  necessárias  à  execução  dos  Trabalhos,  de  forma  a  atender  ao  Cronograma de execução” (fl. 903).  Já  às  fls.  879/882  vem  cópia  da  “PRIMEIRA  ADENDA  AO  CONTRATO DE EMPREITADA 052/INEA ­ 2007 – CONTRATO  DE  CONSTRUÇÃO  DA  VIA  EXPRESSA  LUANDA/VIANA  –  TROÇO – 1: KM 0­800 ATÉ 7+360”, modificação essa acertada  em  30/04/2009,  do  que  se  retira:  “Durante  a  execução  do  Contrato,  o  Dono  da Obra  [Instituto  de  Estradas  de  Angola  –  INEA] solicitou ao Empreiteiro [Construtora Andrade Gutierrez,  S.A.,  Sucursal  Angola]  a  Indemnização  das  parcelas  a  expropriar,  afectadas  pelos  limites  da  empreitada”.  Portanto,  apenas  a  partir  de  abril/2009  surge  algum  indício  de  que  a  sucursal sediada em Angola deixa de atuar em nome e à conta  do Instituto de Estradas de Angola – INEA.  Mais  um  detalhe:  na  demonstração  “RESULTADOS  EXTRAORDINÁRIOS”  (fl.  150)  saído  de  Construtora  Andrade  Gutierrez, S.A. – Sucursal Angola, para o ano de 2007, em que  se  lista  uma  série  de  “Expropriações  pagas”  a  somar  o  justo  importe  da  glosa  promovida  pela  Fiscalização,  i.  é,  US$  3.155.764,00,  para  nenhum  item  da  indigitada  lista  há  coincidência  de  valores  com  aqueles  consignados  nas  declarações  e  nos  termos  de  acordo  de  fls.  151/159,  884/889,  1008/1123, como sumarizados no Quadro 01 acima.  De  consequência,  não  há  coincidência  entre  os  totais:  US$  3.155.764,00 (fl. 150) versus US$ 3.041.105,00 (Quadro 01).  Mais  uma  observação.  É  que  o  demonstrativo  financeiro  da  sucursal  sediada  em  Angola  (fl.  133),  para  o  ano  de  2007,  considerada  a  receita  gerada  pela  fonte  produtora  à  contrapartida  dos  respectivos  custos/despesas,  finaliza  com  “Resultados  líquidos das actividades  correntes” no  importe de  US$ 3.155.764,51, valor esse que, pura, simples e exatamente,  na  linha  seguinte,  é  todo  ele  assimilado  pela  rubrica  “Resultados extraordinários”.  Tal rubrica, pela posição que surge em dito demonstrativo, não  disputa  a  natureza  de  custo  e/ou  despesa  correspondente  à  geração  de  receita  conforme  a  fonte  produtora  venha  de  explorar o objeto  econômico  sobre que se debruça. Ainda,  isso  não  acontece  apenas  em  2007;  o  “Resultados  líquidos  das  actividades  correntes”  dos  anos  de  2008  e  2009,  com  igual  sistemática,  são  “zerados”  (fls.  133/134)  na  linha  seguinte,  quando  já especificados, em linhas anteriores, custos/despesas  incorridos para efeito de geração da correspondente receita.  Por  fim,  o  nome  de  “Madalena  Quengue  Domingos”  vai  destacado  no  Quadro  01  acima  por  um  especial  motivo.  De  todas  as  declarações  e  acordos  de  indenização  juntados  pelo  Fl. 1600DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 27          26 Contribuinte, precisamente e apenas o respeitante a “Madalena  Quengue Domingos”,  vem  instruído  com  cópia  d’um  cheque  a  benefício  dessa  última.  Detalhe:  o  cheque,  no  importe  de  60.374.400,00  Kwanzas  (que  corresponderia  a  US$  794.400,00),  vai  emitido  por  Zagope  S.A.  – Obras  de  Luanda  (fl. 1106). Ora, o Contribuinte disputa a tese de que tal importe  foi  arcado  pela  sua  sucursal  em  Angola.  Há  mais  essa  inconsistência, portanto, na versão do Interessado.  Em  conclusão:  a  partir  da  documentação  de  fls.  150/159,  879/986, 1008/1123, não se consolida prova de que a sucursal  sediada em Angola haja suportado, no ano de 2007, o importe  de  US$  3.155.764,00  a  título  de  despesa/custo  à  conta  de  indenizações/expropriações. Se e quando a sucursal sediada em  Angola desembolsou numerário para referido desiderato, o fez a  nome  e  à  conta  do  Governo  de  Angola,  nada  relacionado,  portanto,  com  algum  custo,  alguma  despesa  vinculada  à  produção de receita.  Custo/despesa, d’um lado, e receita d’outro, como relacionados  no  demonstrativo  financeiro  de  fl.  133,  estão  imbricados  (necessariamente  imbricados)  pela  particular  exploração  econômica  do  objeto  referido  no  “CONTRATO  DE  CONSTRUÇÃO  DA  VIA  EXPRESSA  LUANDA/VIANA”;  o  importe  de  US  3.155.764,00,  vindo  depois  da  relação  de  custos/despesas,  depois  mesmo  de  apurado  o  resultado  do  exercício,  mais  as  considerações  acima,  o  transmutam  num  elemento de estraneidade.  A  análise  empreendida  pela  decisão  recorrida,  pela  minúcia  e  clareza  de  raciocínio,  não  merece  qualquer  reparo.  Entendo  que  não  há  como  acolher  os  diversos  argumentos da Recorrente quanto a este ponto, de sorte que deve ser mantida a autuação fiscal,  até  porque  os  documentos  acostados  aos  autos  não  comprova  a  natureza  dos  pagamentos  efetuados.  ­ Sucursal na Colômbia  Neste  tópico,  destaca­se  que  o  lucro  auferido  no  exterior  e  apurado  pela  fiscalização, já convertido em reais, é de R$ 19.167.778,00.  Contudo, o sujeito passivo reconheceu que deixou de considerar, por lapso, o  valor relativo a “Ingressos no Operacionales” nos resultados fiscais de 2007 e 2008. Em suas  palavras:  Notando tal equívoco, por ocasião da fiscalização, a companhia  optou  por  recalcular  o  IRPJ  e  a  CSLL  daquele  período  e  proceder ao pagamento da diferença devida, por compensação,  conforme  detalhado  no  Anexo  VI  e  recibos  de  entrega  das  referidas DCOMP’s que estão gravadas no CD anexo.   No mesmo sentido, dentro do prazo para apresentar impugnação aos autos de  infração, ao perceber que a liquidação tinha sido efetuada em montante incorreto, a interessada  refez os cálculos e retificou a PER/DCOMP para complementar o pagamento mediante outras  compensações.  Fl. 1601DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 28          27 Assim,  como  já  identificado  pela  decisão  de piso,  a Recorrente  reconheceu  um valor total devido de R$ 9.789.619,00, restando sob discussão, neste passo, o montante de  R$ 9.378.159,00 (R$ 19.167.778,00 ­ R$ 9.789.619,00).  Como  já destacado neste voto, os valores  reconhecidos pela  interessada, no  curso da auditoria e mesmo posteriormente à ciência dos autos de infração, em nada afetam os  lançamentos  realizados, que são procedentes, pois  se destinam a materializar a exigência  e  a  pretensão do fisco. No caso, deve ser aplicada a multa de 75%, pois o lançamento foi realizado  de ofício e o contribuinte não se encontrava sob o manto da espontaneidade.  Quanto ao pedido do contribuinte, de redução da multa de ofício, entendo, na  esteira do que  já  restou decidido em primeira instância, que  tal providência deve ser adotada  pela autoridade competente quando da liquidação dos créditos oriundos deste processo de sorte  que inexiste, neste momento, litígio sobre os valores.  Aduz  a Recorrente,  que  acaso  superadas  as  alegações  de  nulidade,  o  valor  tributável  imputado  à  sucursal  na Colômbia  deve  ser  reduzido,  ante  a  existência  de prejuízo  fiscal não considerado pela autoridade lançadora:  Contudo,  conforme  indicado  no  demonstrativo  juntado  à  fl.  1125, no encerramento do ano­calendário de 2007 a Sucursal da  Colômbia  detinha  prejuízo  fiscal  acumulado,  no  montante  de  10.665.483.000,00 (pesos colombianos).  A  formação  do  prejuízo  acumulado,  no  montante  de  10.665.483.000,00  (pesos colombianos),  está comprovada pelas  "DREs"  da  Sucursal  da  Colômbia  juntadas  aos  autos  com  a  impugnação  (fls.  1128/1134),  cujas  informações  não  foram  questionadas na r. decisão recorrida.  Dessa  forma,  o  prejuízo  acumulado  no  montante  de  10.665.483.000,00  (pesos  colombianos)  deve  ser  compensado  com  o  lucro  do  ano­calendário  de  2007  (21.798.905.680,00  ­  pesos  colombianos),  resultando  o  montante  de  11.133.422.680,00 (pesos colombianos), a ser tributado aqui no  Brasil.  Acerca da apuração do resultado tributável na Colômbia, em contraponto ao  entendimento da interessada, assim se manifestou a decisão da DRJ:  Sobre os prejuízos da sucursal sediada na Colômbia (acumulado  até  2007  e  o  apurado  em  2007)  diga­se  (quando  não  especificado, a referência monetária é em pesos colombianos):  a)  No  “Balance  General  ­  Pasivo  Y  Patrimônio  de  la  Casa  Matriz”  de  fl.  255,  vão  estimados:  “Pérdida  ejercicios  anteriores”  no  monte  de  $  14.910.138.000,00  e  “Pérdida  del  Ejercicio”  anotada  em  $  1.368.462.000,00.  O  “Estado  de  Resultados Por Los Períodos Terminados En ... DIC. 31/07” à fl.  256 e o “Demonstração de Resultados do Exercício” de fl. 262  repetem o valor de $ 1.368.462.000,00 a título de “Pérdida del  Ejercicio”/“Prejuízos  do  exercício”  (no  último  documento  está  consignado  o  numerário  de  $  1.368.461.907,00,  a  dizer,  o  mesmo  que,  por  aproximação,  $  1.368.462.000,00).  Em  Fl. 1602DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 29          28 harmonia  com  tais  valores,  o  “Balance  General  –  Pasivo  Y  Patrimônio  de  la  Casa  Matriz”  de  fl.  258,  o  “Balanço  Patrimonial  ­ Sucursal Colômbia” de fl. 264 e o “Mutações do  Patrimônio  Líquido”  de  fl.  266  anotam,  a  título  de  “Pérdida  ejercicios  anteriores”/“Prejuízos  até  o  exercício  anterior”  (acumulado  até  2007  mais  o  prejuízo  apurado  em  2007)  o  importe  $  16.278.600.000,00,  que  é  justamente  a  soma  entre  $  14.910.138.000,00 e $ 1.368.462.000,00.  Conclusão  de  momento:  “Pérdida  ejercicios  anteriores”  /  “Prejuízos até o  exercício anterior” a 2007 mais “Pérdida del  Ejercicio”  (ano­calendário  de  2007)  montaria  $  16.278.600.000,00.  b) No “Balanço Patrimonial – Sucursal Colômbia” de fl. 261 e  no “Mutações do Patrimônio Líquido” de fl. 263, já vai anotado  o  importe  de  $  30.239.433.265,00  a  título  de  “Prejuízos  até  exercício  anterior”/“Prejuízos  acumulados”  e  o  monte  de  $  1.368.461.907,00  (a  dizer,  o  mesmo  que,  por  aproximação,  $  1.368.462.000,00)  à  conta  de  “Prejuízos  exercício  corrente”/“Prejuízo líquido do exercício”, isto é, ano­calendário  de 2007.  Conclusão  de  momento:  “Prejuízos  até  exercício  anterior”  /  “Prejuízos  acumulados”  mais  “Prejuízos  exercício  corrente”/“Prejuízo  líquido  do  exercício”  (ano­calendário  de  2007) chegaria a $ 31.607.895.172,00.  c) No “Balanço – Sucursal Colômbia” de fl. 271, consta a cifra  de  $  14.394.582.585,00  a  título  de  “Prejuízos  até  exercício  anterior”  (a  assimilar  os  prejuízos  acumulados  até  2007  no  valor de $ 30.239.433.265,00, mais o próprio lucro apurado em  2007  no  monte  de  $  15.844.850.680,00,  conforme  “Balanço  –  Sucursal Colômbia” de fl. 273, “Demonstração de Resultado do  Exercício – Sucursal Colômbia” de fl. 274, e “Demonstração de  Resultado  –  De  acordo  com  Critérios  e  Princípios  Contábeis  Brasileiros” de fl. 275).  d)  No  demonstrativo  de  fl.  270,  aquele  em  que  o  Interessado  reconhece,  no  curso  do  procedimento  fiscal,  ter  deixado  de  ofertar  à  tributação,  aqui,  no  Brasil,  o  resultado  positivo  apurado  pela  sucursal  sediada  na  Colômbia,  consigna­se  um  “Saldo  de  Prejuízo  Fiscal  Local”  no  montante  de  $  12.440.802.400,00.  e)  No  demonstrativo  de  fl.  1125,  aquele  em  que  o  Interessado  reconhece, no prazo para impugnação,  ter deixado de ofertar à  tributação,  aqui,  no  Brasil,  o  resultado  positivo  apurado  pela  sucursal  sediada  na  Colômbia,  consigna­se  um  “Saldo  de  Prejuízo Fiscal Local” no montante de $ 10.665.483.000,00.  Do  item “b” até o  item “e” supra, um  tal contexto  indica que,  fixado  o  ponto  de  partida  de  prejuízo  acumulado  até  antes  de  2007  no  importe  de  $  30.239.433.265,00,  o  Contribuinte:  (1)  primeiro,  sem  se  atentar  para  o  que  nomeia  “De  acordo  com  Critérios  e  Princípios  Contábeis  Brasileiros”  (vide  Fl. 1603DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 30          29 demonstrativo  de  fl.  275),  apurou  um  prejuízo  de  $  1.368.461.907,00  no  curso  de  2007,  e  tudo  somado  teria  experimentado um prejuízo acumulado até fins de 2007 no valor  de  $  31.607.895.172,00;  (2)  depois  de  assumir  o  “De  acordo  com Critérios e Princípios Contábeis Brasileiros”, o Interessado  reverteu o acontecido no curso de 2007, isto é, d’um prejuízo de  $  1.368.461.907,00,  reconheceu  um  lucro  de  $  15.844.850.680,00, disso resultando um prejuízo acumulado até  fins  de  2007  no  importe  de  $  14.394.582.585,00;  (3)  um  tal  prejuízo (contábil, assim se crê), viria de ser redimensionado, no  curso  da  fiscalização,  num  equivalente  a  “Prejuízo  Fiscal  Local”,  para  $  12.440.802.400,00,  e,  depois,  no  prazo  de  impugnação, para $ 10.665.483.000,00. Esses últimos  (fls. 270,  1125)  reduziriam  o  “Resultado  Antes  do  Imposto  de  Renda”,  anotado  em  $  21.798.905.680,00,  de  ordem  a  resultar  no  reconhecimento  d’num  “Lucro  Disponibilizado”  pela  sucursal  sediada na Colômbia, no curso da fiscalização, no montante de $  9.358.103.280,00,  e,  já  no  prazo  de  impugnação,  no  importe  (recalculado) de $ 11.133.422.680,00.  Tudo muito bom.  Só um detalhe  e uma pergunta. Visto,  agora, o  item “a”  retro,  essa mesma sistemática (que importou reconhecer os critérios e  princípios  contábeis brasileiros,  na  justa  linha do que prediz o  art. 25, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.249, de 1995) não se aplica ao  fixado  ponto  de  partida,  i.  é,  ao monte  de  prejuízo  acumulado  até  antes  de  2007  no  importe  de  $  30.239.433.265,00?  Eis  a  inconsistência  interna  que  se  descortina  dos  documentos  e  argumentação trazidos pelo Contribuinte.  O  raciocínio  desenvolvido  pelo  acórdão  recorrido  parece­me  incontroverso,  ao  demonstrar  a  inconsistência  da  apuração  pleiteada  pela  Recorrente.  Isso  significa  que  se  adotarmos  a  própria  premissa  proposta  pela  interessada,  de  utilizar  critérios  e  princípios  brasileiros (como, aliás, já fizemos para afastar algumas das alegações de nulidade suscitadas),  devemos concluir pela higidez e consequente manutenção dos lançamentos, no que se refere ao  resultado tributável da sucursal Colômbia.  ­ Controlada sediada na Ilhas Cayman  A  fiscalização,  neste  tópico,  questionou  rubrica  “Accumulated  Deficit”  no  valor de US$ 13.118.789,00, presente na demonstração financeira do ano de 2007.  Na  defesa,  o  contribuinte  trouxe  demonstrações  financeiras  anteriores,  para  demonstrar a correção do prejuízo acumulado.  A decisão de piso analisou a documentação e entendeu que (grifaremos):  Tudo  observado,  de  1995  até  2009  (vide  Quadro  02  abaixo),  percebe­se  que  ditas  demonstrações  financeiras  apresentam  consistência aritmética de ano a ano (fls. 341/365 e 1136/1156).  Isso considerado, e à míngua de maior questionamento por sobre  as precisas rubricas que, todas juntas, colaboraram na formação  do  antes  criticado  “Accumulated  Déficit”  (por  exemplo,  os  Fl. 1604DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 31          30 elementos  como  nomeados  nas  “Income  Statement”:  “Gross  operating  revenue”,  “taxes  on  sales  and  services”,  “cost  of  services  rendered”,  “general  and  administrative  expenses”,  “financial  revenues”,  “financial  expenses”,  “other  operating  income”, tais as rubricas que, ano a ano, conformam o resultado  do  período,  o  qual,  à  sua  vez,  alimentará  o  saldo  de  “Accumulated  Déficit”),  há  de  se  ter  por  fé  o  importe  de  prejuízo  acumulado  até  31/12/2006  (US$  13.883.302,00),  suficiente  a  assimilar  o  resultado  positivo havido no  curso  do  ano de 2007 (US$ 764.513,00), do que resultou, em 31/12/2007,  num  prejuízo  acumulado  no  monte  de  US$  13.118.789,00  (assimilação  essa  integral,  do  ponto  de  vista  legal  do  país  de  origem, também não questionada).       Como  a  autuação  considerou  tributável  o  valor  de  US$  764.513,00,  que  convertido em reais importa R$ 1.354.182,00 (resultado positivo da Driltech, conforme tabela  fiscal), a constatação de que havia prejuízo acumulado suficiente para absorver o resultado do  exercício nos leva a conclusão de que não merece reparos a decisão de primeira instância, que  excluiu o valor relativo a esta sucursal do total autuado.  ­ Sucursal no Chile  Fl. 1605DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 32          31 Quanto  a  este  ponto,  entendeu  o  acórdão  recorrido  pela  improcedência  da  autuação, a partir dos seguintes fatos e fundamentos:  Nesse  passo,  durante  o  curso  do  procedimento  fiscal,  trouxe  o  Contribuinte  demonstrativos  financeiros  da  sucursal  em  referência  (fls.  237/239),  dos  quais  se  extrai  haver­se  ali  apurado um resultado positivo de US$ 253.376,09 no curso do  ano­calendário  de  2007,  bem  que  a  existência  de  estoque  de  prejuízo  acumulado  até  31/12/2006  no  patamar  de  US$  5.837.297,57.  Tais  documentos  foram  solicitados  pela  Fiscalização, mas sem que se seguisse no Termo de Verificação  Fiscal  que  encerra  e  conclui  a  acusação  (fls.  683/691)  a  oposição d’algum senão, seja sobre o documentário mesmo, seja  a  anotação  d’um  preciso/específico  questionamento  sobre  a  formação de tal estoque de prejuízo.  (...)  Como se vê, ao contrário do que sucedeu com a sucursal sediada  em  Angola  (quando  se  abriu  preciso  debate  sobre  a  quem,  de  fato, competia o ônus das mencionadas desapropriações), com a  sucursal sediada na Colômbia (quando, iniciado o debate sobre  a  rubrica  “Ingressos  no  Operacionales”,  desaguou­se  na  questão  de  justificar  um prejuízo  acumulado até  antes  de  2007  no importe de 30.239.433.265,00 de pesos colombianos), e com a  controlada  sediada  nas  Ilhas  Cayman  (quando  se  abriu  específico  debate  sobre  os  elementos  formadores  da  rubrica  “Accumulated Déficit”), no ponto em questão (sucursal sediada  no Chile), não  se  vislumbra mais  densa  e  aprofundada  razão  para,  apresentados  os  demonstrativos  financeiros  como  demandados,  se  negar  o  efeito  do  estoque  de  prejuízo  acumulado  até  31/12/2006  ali  anotado  e  no  patamar  de  US$  5.837.297,57 (até então não questionado), montante suficiente a  assimilar  o  resultado  positivo  auferido  no  ano  de  2007  equivalente  a  US$  253.376,09  (assimilação  essa  integral,  do  ponto  de  vista  legal  do  país  de  origem,  também  não  questionada).  Também,  já  em  impugnação,  o  Contribuinte  apresenta  “BALANCE  GENERAL”,  afeto  ao  “EJERCICIO:  2007”,  pertinente  à  sucursal  em  questão,  e  no  qual  vai  consignado  a  cifra  de  US$  5.837.297,57  (fl.  1171)  a  título  de  “PERDIDAS/UTILIDADES”.  Parece­me que,  neste  ponto,  a  fiscalização  não  forneceu  elementos  capazes  de  afastar  os  documentos  trazidos  pela  Recorrente,  de  sorte  que  deve  ser  reconhecido  o  prejuízo acumulado de US$ 5.837.297,57, capaz de absorver o resultado positivo de 2007, que  foi de US$ 253.376,09 (R$ 448.805,07, já convertidos).  Como  a  decisão  de  piso  já  excluiu  o  valor  do montante  tributável,  não  há  reparos a fazer.  ­ Sucursal em Camarões  Fl. 1606DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 33          32 Neste tópico, a Recorrente se insurge contra a manutenção da autuação pela  DRJ,  insistindo que a fiscalização "foi econômica" na descrição da autuação, o que ensejaria  nulidade por falta de motivação, tese que já foi devidamente rechaçada neste voto.  Quanto aos fatos, a interessada aduz que:  Com efeito, no ano­calendário de 2007, a Sucursal de Camarões  apurou lucro líquido (passível de disponibilização à Recorrente),  no montante de $ 21.675.177 (moeda  local),  conforme atestado  pela respectiva Demonstração de Resultado (fl. 181). Aplicando­ se a taxa de conversão cambial (0,0039711, fl. 690), chega­se a  lucro líquido, em moeda nacional, no valor de R$ 86.074,30.  E este valor foi devidamente adicionado ao lucro da Recorrente,  para fins de cálculo dos tributos devidos no Brasil. Aliás, a par  de  pequena  diferença  numérica,  a  própria  autoridade  administrativa  reconheceu  que  este  valor  foi  oferecido  à  tributação, conforme coluna 6 da tabela de fl. 690.  A divergência reside no fato de que a autoridade administrativa  entendeu  que  deveria  ter  sido  oferecido  à  tributação  aqui  no  Brasil  o  lucro  antes  do  imposto  de  renda  local  (e  não  o  lucro  líquido apurado pela Sucursal de Camarões).  Em contraponto, o acórdão recorrido consignou que o lucro a ser tributado no  Brasil  é aquele  apurado antes de descontado qualquer valor pago no exterior,  nos  termos do  que estabelece o artigo 1º, § 7º, da Instrução Normativa SRF nº 213/2002:  §  7º.  Os  lucros,  rendimentos  e  ganhos  de  capital  de  que  trata  este artigo a serem computados na determinação do lucro real e  da  base  de  cálculo  de  CSLL,  serão  considerados  pelos  seus  valores antes de descontado o tributo pago no país de origem.  Quanto à possibilidade de compensação do valor já pago em Camarões, que  integra, de modo subsidiário, o pedido da interessada, a decisão de piso não acatou o reclame  porque não veio aos autos “documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior” que  haja  sido  “reconhecido  pelo  respectivo  órgão arrecadador  e  pelo Consulado da Embaixada  Brasileira” em Camarões.   Some­se a isso os seguintes fundamentos, relativos à possível dispensa de tais  formalidades pelo artigo 16, § 2º, inciso II, da Lei nº 9.430/1996:  O que se está a considerar no referido dispositivo legal não é a  demonstração da existência d’uma lei impositivo­tributária, mas  senão  que  nessa  lei  (ou  na  legislação  de  regência)  haja  consignação  expressa  e  nomeada  do  documento  específico  de  que  se  servirá o Contribuinte para, naquelas  sendas,  verter  em  linguagem competente o seu ato de pagamento. O que se está a  dizer?  Exige­se  a  vinda  aos  autos  de  normativo  legal  equivalente, por exemplo, àquele que disciplina, aqui no Brasil,  “o modelo do Documento de Arrecadação de Receitas Federais  – DARF”, o que é feito pela Instrução Normativa SRF nº 81, de  27 de dezembro de 1996. Óbvio: isso (documento/forma expressa  e  nomeadamente  referido  na  legislação  alienígena)  e  a  isso  Fl. 1607DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 34          33 atrelado/vinculado  (pelos seus campos de preenchimento, como  data, valor, período de apuração, vencimento, espécie tributária)  a  algum documento  que  evidencie  o  respectivo  trato  financeiro  (extrato  bancário  e  respectiva  chancela  mecânica,  código  de  reconhecimento de autenticidade vindo pela internet, que seja).  O documento de fl. 1276 (abaixo reproduzido) tem a previsão de  sua própria existência, forma e eficácia jurídica reconhecida em  que  instrumento  legal?  Essa  é  a  pergunta  a  responder.  O  Contribuinte  tanto  não  se  preocupou  com  esse  viés  que,  ao  traduzir  porção  dos  documentos  de  fls.  1190/1197,  centrou  atenção na previsão geral e abstrata da incidência tributária (fl.  1198).     Outra  ponderação  é  notar  que  se  afirma,  na  forma  acima,  um  pagamento  da  ordem  de  $  7.991.453,00  (moeda  local),  sendo  certo  que  o  monte  a  se  demonstrar  por  recolhido  é  de  $  45.840.871,00.  Poder­se­ia  dizer:  a  diferença  (ou  pelo  menos  parte  dela)  vai  à  conta  das  rubricas  “Acomptes  retenue  à  la  source”  nos  valores  de  $  16.917.408,00,  $  2.070.218,00  e  $  18.145.326,00  (fls.  1277/1282).  Nessa  hipótese,  o  problema  da  prova do pagamento e/ou da retenção na fonte continua: quer­se  o  documento  (previsto  na  lei  alienígena)  que  dá  fé  a  dito  pagamento e/ou ônus suportado pela sucursal em Camarões e/ou  outros  documentários  como  aqueles  pertinentes  às  ditas  Fontes/“source”  que  permitam  emprestar  mais  fé  ao  alegado  pelo Interessado. Diga­se de  logo e para que não se cogite em  contradição  interna  no  decidido:  essa  última  circunstância  foi  decisiva  no  acatamento  do  tanto  alegado  pelo  Interessado  nos  autos sob nº 16561.720158/2013­15 sobre o  reconhecimento de  imposto  pago  no  exterior  pela  controlada  Zagope  SGPS  Lda.,  bem para o que na sequência se pondera.  Entendo  que  não  merece  reparos  a  decisão  recorrida,  posto  que  os  documentos não demonstram o direito pleiteado nem atendem aos requisitos legais.  ­ Controlada sediada em Portugal  Aqui  o  debate  trazido  pela  Recorrente  reitera  a  falta  de  motivação  dos  lançamentos, que teria sido veiculada em singela tabela, com os valores apurados no exterior, e  centra foco nas disposições dos tratados para evitar a bitributação, a exemplo daquele firmado  entre Brasil e Portugal.  Em relação à falta de motivação, a questão já foi amplamente debatida neste  voto e carece de novos comentários.  Fl. 1608DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 35          34 Acerca da compatibilidade do artigo 74 da MP n. 2.158­35 com os tratados  para evitar a bitributação, já nos manifestamos em diversas outras oportunidades.  Em primeiro lugar, convém destacar que toda a argumentação jurídica trazida  pela Recorrente, contrária à legitimidade e aos preceitos veiculados pelo artigo 74 da MP 2.158  em nada lhe aproveita neste julgamento, seja pela impossibilidade de se questionar, na esfera  administrativa,  a  legalidade  de  norma  vigente  e  eficaz,  seja  porque  o  STF  já  se  pronunciou  sobre  a  matéria.  Considero  sem  efeito  prático  todo  o  malabarismo  jurídico  construído  para  afastar a aplicação do artigo 74 em detrimento do artigo 43 do Código Tributário Nacional.  Ao julgador administrativo cabe aplicar a lei posta, assim como nortear suas  posições  a  partir  de  decisões  paradigmáticas  dos  tribunais  superiores,  quando  claramente  aplicáveis ao caso em discussão.  Ademais, não se pode acolher a  tese de  incompatibilidade entre o artigo 43  do  CTN  e  o  artigo  74  da MP  2.158,  pois  a  redação  do  dispositivo  do  Código  confirma  o  entendimento formulado pela fiscalização.  Vejamos.  Art.  43. O  imposto,  de  competência da União,  sobre a  renda e  proventos  de  qualquer  natureza  tem  como  fato  gerador  a  aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica:   I ­ de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho  ou da combinação de ambos;   II  ­  de  proventos  de  qualquer  natureza,  assim  entendidos  os  acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.  §  1o  A  incidência  do  imposto  independe  da  denominação  da  receita ou do rendimento, da  localização, condição  jurídica ou  nacionalidade  da  fonte,  da  origem  e  da  forma  de  percepção.  (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001)  §  2o  Na  hipótese  de  receita  ou  de  rendimento  oriundos  do  exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se  dará  sua  disponibilidade,  para  fins  de  incidência  do  imposto  referido  neste  artigo.(  Incluído  pela  Lcp  nº  104,  de  2001)  (grifamos)  Ora, o  comando do Código Tributário Nacional  claramente confere à  lei  o  poder  de  estabelecer  as  condições  e  o  momento  em  que  se  dará  a  disponibilidade  dos  rendimentos  oriundos  do  exterior,  e  este  é  exatamente  o  papel  do  artigo  74  da MP  2.158,  referendado em termos de legalidade pelo Supremo Tribunal Federal.  A constitucionalidade do artigo 74 da MP n. 2.158­35/2001 já foi apreciada  pelo Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento da ADIN 2.588, nos seguintes termos:  TRIBUTÁRIO.  INTERNACIONAL.  IMPOSTO  DE  RENDA  E  PROVENTOS  DE  QUALQUER  NATUREZA.  PARTICIPAÇÃO  DE EMPRESA CONTROLADORA OU COLIGADA NACIONAL  NOS  LUCROS  AUFERIDOS  POR  PESSOA  JURÍDICA  CONTROLADA  OU  COLIGADA  SEDIADA  NO  EXTERIOR.  Fl. 1609DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 36          35 LEGISLAÇÃO  QUE  CONSIDERA  DISPONIBILIZADOS  OS  LUCROS NA DATA DO BALANÇO EM QUE TIVEREM SIDO  APURADOS  (“31  DE  DEZEMBRO  DE  CADA  ANO”).  ALEGADA  VIOLAÇÃO  DO  CONCEITO  CONSTITUCIONAL  DE RENDA (ART. 143, III DA CONSTITUIÇÃO). APLICAÇÃO  DA  NOVA  METODOLOGIA  DE  APURAÇÃO  DO  TRIBUTO  PARA A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS APURADA EM 2001.  VIOLAÇÃO  DAS  REGRAS  DA  IRRETROATIVIDADE  E  DA  ANTERIORIDADE.  MP  2.158­35/2001,  ART.  74.  LEI  5.720/1966, ART. 43, § 2º (LC 104/2000).   1. Ao examinar a constitucionalidade do art. 43, § 2º do CTN e  do art. 74 da MP 2.158/2001, o Plenário desta Suprema Corte se  dividiu em quatro resultados:   1.1.  Inconstitucionalidade  incondicional,  já  que  o  dia  31  de  dezembro de cada ano está dissociado de qualquer ato jurídico  ou  econômico  necessário  ao  pagamento  de  participação  nos  lucros;   1.2.  Constitucionalidade  incondicional,  seja  em  razão  do  caráter  antielisivo  (impedir  “planejamento  tributário”)  ou  antievasivo (impedir sonegação) da normatização, ou devido à  submissão obrigatória das  empresas nacionais  investidoras  ao  Método de de Equivalência Patrimonial – MEP, previsto na Lei  das Sociedades por Ações (Lei 6.404/1976, art. 248);   1.3. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade  dos  textos  impugnados  apenas  em  relação  às  empresas  coligadas,  porquanto  as  empresas  nacionais  controladoras  teriam  plena  disponibilidade  jurídica  e  econômica  dos  lucros  auferidos pela empresa estrangeira controlada;   1.4. Inconstitucionalidade condicional, afastada a aplicabilidade  do texto impugnado para as empresas controladas ou coligadas  sediadas  em  países  de  tributação  normal,  com  o  objetivo  de  preservar a função antievasiva da normatização.   2.  Orientada  pelos  pontos  comuns  às  opiniões  majoritárias,  a  composição do resultado reconhece:   2.1. A inaplicabilidade do art. 74 da MP 2.158­35 às empresas  nacionais coligadas a pessoas jurídicas sediadas em países sem  tributação favorecida, ou que não sejam “paraísos fiscais”;   2.2.  A  aplicabilidade  do  art.  74  da  MP  2.158­35  às  empresas  nacionais controladoras de pessoas jurídicas sediadas em países  de tributação favorecida, ou desprovidos de controles societários  e fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei);   2.3.  A  inconstitucionalidade  do  art.  74  par.  ún.,  da MP  2.158­ 35/2001, de modo que o texto impugnado não pode ser aplicado  em relação aos lucros apurados até 31 de dezembro de 2001.   Ação  Direta  de  Inconstitucionalidade  conhecida  e  julgada  parcialmente  procedente,  para  dar  interpretação  conforme  ao  Fl. 1610DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 37          36 art.  74  da  MP  2.158­35/2001,  bem  como  para  declarar  a  inconstitucionalidade  da  clausula  de  retroatividade  prevista  no  art. 74, par. ún., da MP 2.158/2001. (grifamos)  Como visto, o STF considerou inconstitucional o parágrafo único do artigo  74,  para  afastar  a  retroatividade  veiculada  pelo  dispositivo,  tanto  para  controladas  e  coligadas situadas em paraísos  fiscais quanto para aquelas  instaladas em países de  tributação  não favorecida.  Restou prejudicado, portanto, o seguinte comando:  “os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até  31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em  31  de  dezembro  de  2002,  salvo  se  ocorrida,  antes  desta  data,  qualquer  das  hipóteses  de  disponibilização  previstas  na  legislação em vigor”.  Por outro lado, foi reconhecida a legalidade do caput do artigo 74, vigente e  aplicável ao tempo dos fatos, tanto assim que serviu de fundamento para a autuação:  Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto  de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26  de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os  lucros  auferidos  por  controlada  ou  coligada  no  exterior  serão  considerados disponibilizados para a controladora ou coligada  no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na  forma do regulamento.  Não podemos olvidar que na hipótese dos autos discute­se a possibilidade de  tributação dos lucros da controlada Zagope SGPS Ltd., sediada em Portugal, que não figura na  lista de países ou dependências com tributação favorecida e regimes fiscais privilegiados.  Este ponto específico não foi afastado pelo STF por ocasião do julgamento da  Adin nº 2.588, de  sorte que  resta aplicável, pelas autoridades administrativas, o artigo 74 da  MP nº 2.158­35, de 2001.  Neste passo, convém traçar breves considerações sobre a tributação de lucros  no exterior.  A  Lei  n.  9.249/95  instituiu,  no  Brasil,  o  regime  de  tributação  universal,  presente  em quase  todos  os Estados  desenvolvidos,  segundo o  qual  devem  ser  tributados  no  país  de  residência  da  empresa  o  resultado  obtido  por  filiais,  sucursais  ou  controladas  no  exterior.  Trata­se  do  princípio  da  renda  mundial,  que  busca  atrair  para  o  sistema  tributário nacional  lucros que, de outra forma, escapariam à competência pátria, notadamente  quando  se  tratasse de  empresas  sediadas  em países  com  tributação  favorecida ou,  ainda,  nos  casos  de  planejamento  tributário  internacional  que  tivessem  por  objetivo  precípuo  a  fuga  de  capitais.   É  legítima, portanto, a  tributação de  resultados auferidos no exterior,  sendo  que  a  norma  funciona  como  verdadeiro  imã,  permitindo  que  o  país  exerça  competência  tributária em relação a fatos jurídicos produzidos fora do território nacional.  Fl. 1611DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 38          37 A interpretação da lei, todavia, transcende o mero aspecto gramatical, pois é  evidente  que  o  seu  objetivo  fundamental  é  o  de  capturar  e  tributar  atividade  econômica  extraterritorial, mas que aproveita empresas residentes no país.   De se notar que igual raciocínio também se aplica às pessoas físicas (e nem  poderia  ser  diferente),  pois  a  construção  deriva  dos  princípios  constitucionais  que  devem  informar o imposto de renda, como a universalidade, a generalidade e a progressividade.  E foi a partir dos preceitos constitucionais que o legislador decidiu trazer para  a  competência  nacional  os  resultados  obtidos  no  exterior.  Desnecessário  dizer  que,  para  os  lucros auferidos no país vige, desde sempre, o princípio da territorialidade, pelo qual aqui são  tributados.  Nesse sentido o disposto no artigo 25 da Lei n. 9.249/95 e no artigo 1o da Lei  n. 9.532/97:   Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no  exterior  serão  computados  na  determinação  do  lucro  real  das  pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de  dezembro de cada ano.  e  Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais,  sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro  líquido,  para  determinação  do  lucro  real  correspondente  ao  balanço levantado no dia 31 de dezembro do ano­calendário em  que  tiverem  sido  disponibilizados  para  a  pessoa  jurídica  domiciliada no Brasil.  (Vide Medida Provisória nº 2158­35, de  2001)  §  1º  Para  efeito  do  disposto  neste  artigo,  os  lucros  serão  considerados disponibilizados para a empresa no Brasil:  a)  no  caso  de  filial  ou  sucursal,  na  data  do  balanço  no  qual  tiverem sido apurados;  (...)  Constata­se, portanto, que não há qualquer vício ou mácula nos lançamentos  efetuados pela fiscalização.  A  Recorrente  aduz,  ainda,  que  houve  ofensa  ao  tratado  internacional  celebrado pelo Brasil com Portugal para evitar a bitributação.  Acerca  deste  ponto  convém  reproduzir  o  objeto  da  autuação  fiscal  e  as  conclusões veiculadas pela decisão de piso:  Já  sobre  o  raio  de  alcance  do  Decreto  nº  4.012,  de  13  de  novembro  de  2001,  que  promulgou  a  “Convenção  entre  a  República  Federativa  do  Brasil  e  a  República  Portuguesa  Destinada a Evitar  a Dupla Tributação  e  a Prevenir  a Evasão  Fiscal em Matéria de Impostos sobre o Rendimento”, reproduza­ se, em especial, o seu artigo 7º, item 1:  Fl. 1612DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 39          38 1. Os lucros de uma empresa  [leia­se, Andrade Gutierrez S.A.,  Contribuinte, apenas para acertar as referências] de um Estado  Contratante  [leia­se,  Brasil]  só  podem  ser  tributados  nesse  Estado  [Brasil],  a não  ser  que  a  empresa  [Andrade Gutierrez]  exerça a  sua atividade no outro Estado Contratante  [Portugal]  por  meio  de  um  estabelecimento  estável  aí  situado  [Zagope  SGPS Ltd., é a controlada sediada em Portugal]. Se a empresa  [Andrade Gutierrez] exercer a sua atividade deste modo, os seus  lucros  podem  ser  tributados  no  outro  Estado  [Portugal], mas  unicamente  na  medida  em  que  forem  imputáveis  a  esse  estabelecimento estável.  Sobre o Tratado específico, a leitura do artigo 7º, item 1, de logo  permite divisar que o lucro apurado no exterior, no que importa  à  sua  tributação,  comporta  dupla  consideração.  O  lucro  será  tributado pelo Estado em que situado o dito “estabelecimento” –  é  a  regra  –, mas  com uma  limitação  (jurídica,  por  certo),  com  um limite, até uma medida do referido lucro. Explica­se. É que,  nos  dizeres  supra,  a  espécie  (lucro)  ficou  segregada  em  duas  porções: uma parte que é atribuível ao “estabelecimento”; outra  parte  que,  pela  equivalência  patrimonial,  não  pode  e  não  é  de  forma alguma atribuível  ao  dito “estabelecimento”, mas  senão  aos seus sócios além­mar, residentes n’outro Estado contratante  (o  Brasil,  no  caso).  Não  por  outra  razão  é  que  se  prevê  o  mecanismo  da  compensação  acaso  o  “Estado  Contratante”  [Portugal, no caso]  tribute medida/porção do  lucro para além  daquela  que  é  imputável  ao  “estabelecimento  estável”  nele  situado. Está no artigo 23, item 1, da mencionada Convenção.  Essa,  aliás,  é  a  linha  de  inteligência  oficial  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil,  assim  veiculada  na  Solução  de  Consulta Interna Cosit nº 18 de 13 de agosto de 2013.  Pois bem.  De plano, convém ressaltar que não se discute, nem nos autos nem tampouco  no  entendimento  deste  Relator,  a  supremacia  dos  tratados  internacionais  em  relação  à  legislação interna, notadamente na seara tributária, por força do artigo 98 do Código Tributário  Nacional.  O que se deve analisar são os casos de compatibilidade ou conflito entre as  normas domésticas e os acordos celebrados pelo país na ordem internacional.  Quando  se  aborda  a  questão,  muitos  intérpretes  cometem  um  erro  de  premissa, pois buscam identificar nos tratados para evitar a bitributação o fundamento para a  exigência tributária.  Em  verdade,  os  tratados  para  evitar  a  bitributação,  como  o  próprio  nome  declara,  sempre  veiculam  regras  restritivas  ou  negativas  de  competência,  pois  não  lhes  é  dada a prerrogativa de estabelecer as hipóteses de tributação.  Em julgado desta Turma, sobre caso análogo ao dos autos, decidiu­se que os  lucros  auferidos  por  subsidiária  da  Petrobrás  na  Holanda  deveriam  ser  tributados  na  controladora  brasileira.  Na  época,  acompanhei  o  voto  vencedor  do  ilustre  Conselheiro  João  Fl. 1613DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 40          39 Thomé  pelas  conclusões,  justamente  por  entender  que  a  validade  da  autuação  carece  de  enquadramento nos conceitos do tratado.  Explico.   A regra geral dos tratados para evitar a bitributação é cristalina e se baseia na  premissa  de  que  cada  Estado  tributa  o  lucro  da  empresa  nele  residente  (artigo  7).  Este  comando, por si só, é suficiente para se reconhecer a procedência da tributação, sem qualquer  necessidade  de  se  adentrar  na  discussão  se  a  matéria  tributável  diz  respeito  efetivamente  a  lucros, royalties ou qualquer outra forma de rendimento.  A  competência  tributária  é  matéria  constitucional  no  Brasil,  de  sorte  que  somente a lei brasileira pode sobre ela dispor (e não se trata de norma qualquer, mas somente  aquelas com força de lei complementar, sempre que os critérios forem relativos à definição dos  fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes, como determina o artigo 146, III, a, da CR).  Nesse contexto, não é papel dos tratados descrever ou fixar regras positivas  de  competência, mas  apenas  definir  os  limites  de  aplicação  de  tais  normas,  no  intuito  de  se  evitar múltiplas incidências.   Cada  Estado  tem  plena  competência  para  definir  a  base  de  cálculo  e  o  conceito  de  lucro  tributável,  papel  que  no  Brasil  coube  aos  artigos  43  e  44  do  Código  Tributário Nacional:   Art.  43. O  imposto,  de  competência da União,  sobre a  renda e  proventos  de  qualquer  natureza  tem  como  fato  gerador  a  aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica:   I ­ de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho  ou da combinação de ambos;   II  ­  de  proventos  de  qualquer  natureza,  assim  entendidos  os  acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.  §  1o  A  incidência  do  imposto  independe  da  denominação  da  receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou  nacionalidade  da  fonte,  da  origem  e  da  forma  de  percepção.  (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001)  §  2o  Na  hipótese  de  receita  ou  de  rendimento  oriundos  do  exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se  dará  sua  disponibilidade,  para  fins  de  incidência  do  imposto  referido  neste  artigo.  (Incluído  pela  Lcp  nº  104,  de  2001)  (grifamos)   Art.  44.  A  base  de  cálculo  do  imposto  é  o  montante,  real,  arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis.  O Código, com as alterações introduzidas em 2001, passou a entender como  irrelevantes a denominação da receita ou do rendimento, bem como a sua localização. E mais,  atribuiu à lei a função de estabelecer as condições e o momento em que deva ser reconhecida a  disponibilidade para fins de incidência.   Fl. 1614DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 41          40 E foi exatamente para cumprir esses objetivos que surgiu o artigo 74 da MP  2.158,  cuja  regra  geral  de  disponibilização  foi  julgada  conforme  pelo  Supremo  Tribunal  Federal:  Art.74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto  de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26  de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os  lucros auferidos por  controlada ou coligada no exterior  serão  considerados disponibilizados para a controladora ou coligada  no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na  forma do regulamento.  O  comando  foi  introduzido  para  fixar  o  momento  e  as  condições  de  disponibilidade  dos  lucros  auferidos  por  controlada  no  exterior,  na  exata  dicção  do  §  2o, do  artigo 43 do CTN. Nem se argumente de que se trata de disponibilidade apenas jurídica, pois  essa  situação  sempre  foi  hipótese  de  incidência  do  tributo  e  está  expressamente  prevista  no  caput do dispositivo.  O  objetivo  do  artigo  74  foi  evitar  diferimentos  ou  postergações  no  reconhecimento de resultados no exterior, cuja tributação deva ocorrer no Brasil.  Frise­se: o que se tributa a partir do artigo 74 é o lucro da empresa residente  no Brasil, nos exatos limites do que preceituam os tratados internacionais. Nesse sentido, não  existe qualquer incompatibilidade entre as normas brasileiras e os tratados internacionais para  evitar a bitributação, inclusive no acordo firmado com Portugal, pois a norma local estabelece a  forma e o momento de incidência do IR e da CSLL.  É cediço que cada Estado tem competência para fixar seus próprios critérios  de  apuração  do  lucro  e  das  respectivas  bases  de  cálculo.  Isso  não  é  vedado  pelos  tratados  internacionais, que não têm o condão de interferir no exercício da competência em função do  critério territorial que alcança o residente. Cuida­se, aqui, de questão relacionada à soberania,  que transcende a seara tributária e é reconhecida internacionalmente.  O  que  a  legislação  pátria  fez  foi  estabelecer  critérios  que  podem  ser  diferentes de outros países, inclusive no que tange ao conceito de lucro, regras de apuração e  critérios de  incidência  tributária. Aliás,  se  as  regras  tributárias  fossem  idênticas  em  todos os  países simplesmente não haveria necessidade de se celebrar tratados internacionais!  Ressalte­se  que  a  legislação  interna  pode  fixar  critérios  relativos  ao  lucro,  conforme expressamente reconhece o artigo III.2 do tratado:  2.  No  que  se  refere  à  aplicação  da  Convenção,  num  dado  momento,  por  um  Estado  Contratante,  qualquer  termo  ou  expressão que nela não se encontre definido terá, a não ser que  o  contexto  exija  interpretação  diferente,  o  significado  que  lhe  for atribuído nesse momento pela  legislação desse Estado que  regula os impostos a que a Convenção se aplica, prevalecendo  a  interpretação  resultante  desta  legislação  fiscal,  na  definição  dos respectivos efeitos tributários, sobre a que decorra de outra  legislação deste Estado.    Fl. 1615DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 42          41 A apuração do lucro no Brasil é diferente daquela nos demais países. Isso em  nada fere ou colide com o teor dos tratados, desde que o objeto da tributação seja a empresa  residente. O que se veda é a tributação da empresa estrangeira, o que efetivamente não ocorreu.  No  caso  em  discussão,  a  autoridade  reconheceu  a  supremacia  dos  tratados,  aplicou  corretamente  a  legislação  brasileira  que  rege  a  matéria  e  constatou  a  existência  de  valores tributáveis a título de IRPJ e CSLL, de sorte que não há reparos a fazer em relação à  autuação, seus fundamentos ou conclusões.  A análise do artigo 7o da Convenção Brasil­Portugal nos leva a concluir que  os lucros de um Estado Contratante são tributáveis nesse Estado, embora o texto não estabeleça  o conceito de lucro para as empresas residentes em cada país.   Assim,  entendo  ser  necessário  aplicar  o  disposto  no  artigo  III.2  ao  norte  transcrito, de forma suplementar, a fim de se observar o conceito de lucro conforme previsto  pela legislação interna do Estado contratante, situação, aliás, reconhecida por Alberto Xavier  quando da análise do § 2° do art. 3° da Convenção Modelo da OCDE sobre dupla tributação da  renda (que o Brasil utiliza como referência para os tratados da espécie):  De tudo isto resulta que o § 2° do art. 3° não reveste o alcance  de  uma  cláusula  geral  de  reenvio  para  o  direito  interno,  como  regra subsidiária de interpretação e aplicação do tratado, como  pretende  Vogel,  antes  estabelece  o  círculo  excepcional  de  hipóteses  restritas,  em  que  o  direito  fiscal  interno  pode  ser  utilizado  para  definir  expressões  não  definidas  no  tratado,  como,  por  exemplo,  'lucro'  ou  'controle  direto  ou  indireto'.  (XAVIER, Alberto. Direito tributário internacional do Brasil. 7.  edição. Rio de Janeiro: Forense, 2010. p. 136.)  Nesse  cenário,  devemos  concluir  que  o  conceito  de  lucro  deve  ter  como  referência a  legislação brasileira,  já amplamente mencionada, sem qualquer contraste com as  regras do tratado, que não veiculou expressamente o conceito que se busca na legislação pátria.  Na esteira do raciocínio, acolhemos os argumentos formulados pela Fazenda  Nacional em contrarrazões (destaques no original):  As  normas  brasileiras  não  extrapolaram  os  limites  do  referido  Tratado  internacional,  uma  vez  que  definiram  o  que  seria  o  lucro  da  pessoa  jurídica  situada  no  Brasil  ­  termo  não  especificado na Convenção. Por sua vez, também não se verifica  incompatibilidade entre o disposto em normas brasileiras e nas  normas de Portugal. Isso porque o art. 74 da Medida Provisória  n° 2.158­35, de 2001, apresenta preceitos que correspondem ao  âmbito de competência do Brasil ­ ou seja, define o que deve ser  entendido como lucro das empresas brasileiras e o momento em  que será possível haver incidência do IR e da CSLL sobre estes  lucros.  Dessa  maneira,  resta  evidente  que  a  Fiscalização  fundamentou  seu  trabalho  no  conceito  de  lucro  fornecido  pela  legislação  brasileira.  Com  efeito,  a  autoridade  administrativa  responsável  pelo  lançamento,  tendo  como  parâmetro  de  interpretação o direito interno, constatou a existência de valores  que  se  subsumiriam  à  hipótese  que  autoriza  a  tributação  pelo  IRPJ e pela CSLL.  Fl. 1616DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 43          42 O  principal  argumento  utilizado  pela  recorrente,  para  tentar  afastar  a  tributação  no  Brasil,  diz  respeito  ao  critério  de  competência  definido  no  art.  7°.  Basicamente,  alega­se  que  as  autoridades  brasileiras  estariam  ­  com  base  no  art.  74  da  Medida Provisória n° 2.158­35, de 2001  ­  tributando os  lucros  das  controladas  ou  coligadas  situadas  no  exterior,  e  que  essa  postura  violaria  o  art.  7°  das  Convenções.  Entretanto,  tais  afirmações não condizem com a realidade.  Daí  a  perfeita  sintonia  entre  as  normas  de  incidência  brasileiras,  já  convalidadas pelo STF, e as limitações jurídicas e territoriais veiculadas pelos tratados.  Inexiste  conflito  ou  antinomia,  pois  a  legislação  brasileira  entende  que  os  lucros  são  disponibilizados  aos  sócios  na data  de  sua  apuração  no  balanço  da  controlada ou  coligada  residente  no  exterior,  o  que  significa  que  a  apuração  do  lucro  alhures  implica  o  oferecimento à  tributação no Brasil, na exata proporção da participação da empresa residente  no país em suas controladas e coligadas estrangeiras.   No que tange à CSLL o raciocínio é exatamente o mesmo.   Não  se  pode  olvidar  que  o  artigo  11  da  Lei  n.  13.202/2015  resolveu,  (corretamente, no entendimento deste Relator e de grande parte da doutrina) a antiga questão  sobre a pertinência da CSLL nos  tratados para evitar bitributação em que a contribuição não  fora expressamente prevista:   Art.  11.  Para  efeito  de  interpretação,  os  acordos  e  convenções  internacionais  celebrados  pelo  Governo  da  República  Federativa  do  Brasil  para  evitar  dupla  tributação  da  renda  abrangem a CSLL.  Portanto,  a  controvérsia  está  resolvida,  e  os  preceitos  relativos  aos  tratados  devem ser estendidos à CSLL.   Contudo,  isso  em  nada  altera  a  situação  dos  autos,  pois  todo  o  raciocínio  desenvolvido ao longo deste voto é no sentido de absoluta compatibilidade entre as normas  nacionais e as limitações impostas pelos tratados, ou seja, o reconhecimento da aplicabilidade  do artigo 74 à espécie conduz, automaticamente, à tributação tanto do IRPJ quanto da CSLL,  nos termos lavrados pela fiscalização.  Como visto, a regra sob análise foi considerada conforme pelo STF, de sorte  que os  lucros auferidos por controlada no exterior devem ser computados na base de cálculo  dos dois tributos.  No  que  tange  ao  argumento  de  defesa,  no  sentido  de  que  o  artigo  74  da  multicitada Medida Provisória não seria compatível com as regras CFC, entendemos que não  há como acolhê­lo.  A discussão bastante conhecida, não se sustenta quando da análise do próprio  dispositivo,  cujos  variados  argumentos  foram  assim  formulados  pela  Fazenda  Nacional  (destacaremos):  Feitas  essas  considerações  introdutórias,  passa­se  às  técnicas  hermenêuticas  que  permitem  qualificar  o  art.  74  da  Medida  Fl. 1617DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 44          43 Provisória n° 2.158­35, de 2001, como norma CFC. A primeira a  ser utilizada é a interpretação gramatical, efetivada mediante a  simples  leitura  do  texto  normativo  e  a  identificação  do  significado  linguístico  das  palavras  que  o  compõe.  Nessa  perspectiva, constata­se que o dispositivo sob análise disciplina  os elementos que devem compor a base de cálculo do IRPJ e da  CSLL,  o  que  é  confirmado  pelo  seguinte  trecho:  "Para  fim  de  determinação  da  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda  e  da  CSLL". Além disso, é preciso levar em conta a remissão feita ao  art.  25  da  Lei  n°  9.249,  de  1995,  tendo  esse  dispositivo  fixado  que:  "Os  lucros,  rendimentos  e  ganhos  de  capital  auferidos  no  exterior  serão  computados  na  determinação  do  lucro  real  das  pessoas  jurídicas". Por  fim,  o  art.  74  da Medida Provisória  n°  2.158­35,  de  2001,  traz  um marco  temporal  para  determinar  o  momento  em  que  se  entende  disponibilizados,  para  a  controladora  ou  coligada  brasileira,  os  lucros  auferidos  no  exterior por intermédio de sua controlada ou coligada. Isso é o  que  se  extrai  desta  parte  do  texto  normativo:  "os  lucros  auferidos  por  controlada  ou  coligada  no  exterior  serão  considerados disponibilizados para a controladora ou coligada  no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na  forma do regulamento.".  Diante  disso,  apegando­se  apenas  à  literalidade  do  art.  74  da  Medida  Provisória  n°  2.158­35,  de  2001,  fica  evidente  que  o  parâmetro utilizado para compor a base de cálculo do IRPJ e da  CSLL  são  os  lucros  obtidos  por  intermédio  das  controladas  e  coligadas  no  exterior  e  o momento  da  disponibilização  destes  lucros para a controladora ou coligada brasileira. Mais do que  isso,  já  se  poderia  concluir  que  o  dispositivo  regulamenta  a  tributação  da  renda  de  pessoas  jurídicas  residentes  no  Brasil.  Isso é precisamente o que justifica o termo Controlled Foreign  Coorporation, vale dizer, as normas CFC buscam disciplinar a  relação  entre  empresas  controladas  ou  coligadas  situadas  no  exterior e as suas controladoras ou coligadas residentes no país  de  origem  da  norma  CFC,  para  fins  de  apurar  os  lucros  passíveis  de  tributação  auferidos  por  estas  últimas.  Dessa  maneira,  há  que  se  reconhecer  que  o  art.  74  da  Medida  Provisória  n°  2.15835,  de  2001,  reúne  as  características  elementares  de  normas  classificadas  como  CFC,  uma  vez  que  trata  de  empresas  controladas  ou  coligadas  no  exterior  e  da  disponibilização  dos  seus  lucros  para  a  controladora  ou  coligada brasileira.  Por  seu  turno,  a  interpretação  histórica  também  configura  ferramenta  válida  para  definir  o  sentido  de  uma  norma.  Com  efeito,  esse  método  investigação  considera  tanto  a  evolução  histórica  da  legislação  quanto  as  circunstâncias  fáticas  que  motivaram ou contribuíram para a introdução de uma norma no  mundo  jurídico.  Nessa  perspectiva,  cumpre  salientar  que,  à  época da edição do art. 74 da Medida Provisória n° 2.158­35, de  2001, a atenção dos principais países do mundo estava voltada  para as práticas de concorrência fiscal internacional prejudicial.  Apesar  da  preocupação  com  o  tema  ser  antiga,  ela  ganhou  notoriedade  com  o  relatório  de  1998  da  Organização  para  Fl. 1618DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 45          44 Cooperação Econômica  e Desenvolvimento  ­ OCDE,  intitulado  Harmful Tax Competition  ­  an Emerging Global  Issue. A partir  de  então,  nota­se  que  os  Estados  intensificaram  a  atuação  voltada  para  diminuir  ou  eliminar  as  condutas  consideradas  prejudiciais no âmbito da tributação internacional.  Esse  contexto  permitiu  o  fortalecimento  das  teorias  de  transparência  fiscal  internacional  e,  consequentemente,  a  expansão  das  normas  CFC  ­  estas  configurando  medidas  internas unilaterais que poderiam ser adotadas pelos países que  se  sentissem  prejudicados  pelas  práticas  de  concorrência  tributária danosa. O Brasil claramente encampou essa linha de  atuação, conforme se verifica no art. 25 da Lei n° 9.249, de 1995  ­ apesar de ser anterior ao movimento  iniciado pela OCDE ­ e  pelo  art.  74  da  Medida  Provisória  n°  2.158­35,  de  2001  (BIANCO,  João  Francisco.  Transparência  fiscal  internacional.  São  Paulo:  Dialética,  2007.  p.  17­20.).  Com  efeito,  ambas  as  normas  tratam  da  tributação  em  bases  universais  e  levam  em  conta o lucro produzido no exterior por empresas controladas ou  coligadas.  Implica  dizer  que  o  país  seguiu  uma  tendência  mundial,  refletindo  na  legislação  interna  a  técnica  de  controle  das  relações  entre  empresas  controladoras  e  coligadas  e  suas  respectivas controladas e coligadas, ou seja, adotou as normas  CFC para fins de incidência tributária.  Oportuno  ainda  utilizar  a  interpretação  finalística  para  determinar  o  conteúdo  do  art.  74  da  Medida  Provisória  n°  2.158­35, de 2001. Nesse ponto, conforme explicitado em tópico  anterior desta peça, o objetivo do art. 74 da Medida Provisória  n° 2.158­35, de 2001, foi implementar a tributação universal da  renda  das  pessoas  jurídicas  e,  ao  mesmo  tempo,  evitar  o  diferimento  por  tempo  indeterminado  da  renda  auferida  por  intermédio de controladas ou coligadas no exterior.   Todos os fundamentos já apresentados ao longo deste voto se coadunam com  o entendimento acima esposado, de sorte que resta demonstrada, no entender deste  relator,  a  compatibilidade  entre  as  normas  brasileiras  e  o  Tratado  Brasil­Portugal  destinado  a  evitar  a  bitributação.  Isso tanto é verdadeiro que, se assim não fosse, nem se haveria de falar em  compensação de tributos pagos no exterior, pois bastaria apenas afastar a tributação, ao arrepio  da legislação pátria, e resolver a questão.  A propósito,  à  luz da possibilidade de compensação,  que  foi  admitida,  por  maioria, na decisão de piso, convém reproduzir os fundamentos utilizados:  (1)  a  evidenciação  da  dimensão  numerária  do  lucro  disponibilizado  aos  sócios/matriz  é  pelo  seu montante  antes  da  incidência  de  espécie  equivalente  ao  IRPJ/CSLL  em  terra  alienígena (art. 1º, § 7º, da Instrução Normativa SRF nº 213, de  2002) e, no caso, tal importe foi de € 9.672.000,00 (como anotam  os demonstrativos de fls. 513, 515, 517, 519); (2) na hipótese de  existir “tributo pago no país de origem” (art. 1º, § 7º, in fine, da  Instrução  Normativa  SRF  nº  213,  de  2002),  para  efeito  de  Fl. 1619DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 46          45 eventual  compensação  a  ser  operada  aqui  no  Brasil,  há  de  se  mostrar  o  respectivo  documento  de  arrecadação,  assim  “reconhecido  pelo  respectivo  órgão  arrecadador  e  pelo  Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o  imposto” (art. 26, § 2º, da Lei nº 9.249, de 1995); (3) se não isso,  então a demonstração de que na legislação impositiva do país de  origem  haja  consignação  expressa  e  nomeada  do  documento  específico  de  que  se  servirá  o  Contribuinte  para,  naquelas  sendas, verter em linguagem competente o seu ato de pagamento  (art. 16, § 2º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996).  Sobre o que  intenta demonstrar,  i. é, pagamento de  imposto no  exterior por obra e força de Zagope SGPS Lda., o Contribuinte  juntou  cópias  não  consularizadas  dos  documentos  de  fls.  1181/1188.  Também,  às  fls.  1174/1179,  segue  cópia  da  legislação  pertinente  à  regra­matriz  de  incidência  do “imposto  sobre o  rendimento das pessoas colectivas  (IRC)”, mas não do  prestígio  de  qualquer  dos  documentos  antes  referidos  como  o  especifico  à  versão  em  linguagem  competente  do  ato  de  pagamento.  Nessa  linha,  a  conclusão  seria  a  mesma  daquela  alinhavada  no  tópico  anterior  (DA  SUCURSAL  SEDIADA  EM  CAMARÕES).  Porém, circunstancialmente, assim não se fará. A razão? Está  no documentário, equivalente aos anos de 2008 e 2009, juntado  pelo  Interessado nos autos  sob nº 16561.720158/2013­15. Bem  se vê que, naquele caso, a forma então consularizada é a mesma  da  presente  nos  correntes  autos.  Nesse  sentido,  dá­se  por  suprida, aqui, a falta de consularização.  Retome­se, então.  O  Contribuinte  juntou  cópia  (fls.  1181/1188)  dos  documentos  seguintes, com vistas ao ano­calendário de 2007: (a) formulário  de  “Declaração  de  Rendimentos  –  IRC,  Comprovativo  de  Entrega  da  Declaração  Modelo  22”,  onde  se  apurou  a  importância a pagar de € 669.436,76, depois de consideradas as  “Retenções  na  fonte”,  no  importe  de  €  300.928,82,  e  os  “Pagamentos  por  conta”,  no  patamar  de  €  475.965,00  (já  se  adiante:  do  que  o  Contribuinte  fizer  suficiente  prova  de  tais  rubricas  será  o  tanto  reconhecido  a  título  de  pagamento  de  imposto no exterior realizado por sua controlada Zagope SGPS  Lda.); (b) formulário de “Pagamento de Autoliquidação de IRC”  no valor € 669.436,76; (c) “Comprovativo de Pagamento – N. de  Operação: 0358355”, datado de 30/05/2008, no dito valor.   Não  há  documentação  tendente  à  demonstração  das  nomeadas  “Retenções  na  fonte”,  bem  que  dos  “Pagamentos  por  conta”  (sobre  esse  particular,  é  proveitosa  a  comparação  com  o  decidido  nos  autos  sob  nº  16561.720158/2013­15  nesse  exato  ponto,  i.é,  ao  derredor  da  controlada  sediada  em  Portugal,  Zagope  SGPS  Lda.).  Tal  coleção  documentária,  entender­se­a  por  suficiente  à  demonstração  de  pagamento  de  imposto  no  exterior sob as hostes de Zagope SGPS Lda., ano de 2007, no  importe  total  de  €  669.436,76.  Segundo  determinado  pelo  art.  Fl. 1620DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 47          46 14, § 1º, da Instrução Normativa SRF nº 213, de 2009, tal valor  deve  ser  cotado  à  taxa  de  câmbio  (para  venda)  do  dia  30/05/2008,  que  foi  de R$  2,53502  para  cada  €  1,00  (consulta  feita em 14/05/2014 junto ao sítio do Banco Central do Brasil.   Logo,  reconhece­se  como  imposto  de  renda  pago  no  exterior  por Zagope SGPS Lda. a importância de R$ 1.697.035,58.  Note­se  que  a  decisão  de  piso  aceitou  a  documentação  ofertada  pela  Recorrente em outro processo administrativo e considerou­a apta a comprovar o pagamento do  imposto  em  Portugal,  embora  não  tenha  permitido  a  compensação  porque  o  contribuinte  encerrou o ano­calendário com prejuízo, nos termos do artigo §15, do artigo 14 da IN SRF n°  213/2002.  Aduz a defesa, em contraponto (grifos no original):  Contudo,  com  as  adições  ao  resultado  do  ano­calendário  de  2007  efetuadas  pela  autoridade  administrativa,  inclusive  do  suposto lucro auferido no exterior pela Controlada em Portugal  ("Zagope"),  o  prejuízo  fiscal  apurado  originalmente  foi  revertido  para  lucro  tributável.  Tanto  é  assim  que,  no  caso  concreto,  estão  sendo  exigidos  créditos  tributários  a  título  de  IRPJ e de CSLL do ano­calendário de 2007, cujos montantes,  aliás, superam R$ 24.000.000,00.  Todavia,  os  fundamentos  da  decisão  recorrida,  para  não  aceitar  a  compensação, me parecem coerentes com a matéria em discussão:  Agora,  há  de  se  dar consequência  à  conclusão  acima.  Porém,  tal qual anotado no voto condutor colacionado nos autos sob nº  16561.720158/2013­15, em destaque ao ano­calendário do 2009,  a  consequência de que se cogita não  terá  impacto na presente  autuação,  pois  prediz  o  art.  14,  §  15,  da  Instrução Normativa  SRF nº 213, de 2002:  Art. 14 [...]  §  15.  O  tributo  pago  sobre  lucros,  rendimentos  e  ganhos  de  capital auferidos no exterior, que não puder ser compensado em  virtude  de  a  pessoa  jurídica,  no  Brasil,  no  respectivo  ano­ calendário,  não  ter  apurado  lucro  real  positivo,  poderá  ser  compensado  com  o  que  for  devido  nos  anos­calendário  subseqüentes.  E, de fato, consoante DIPJ referente ao ano­calendário de 2007  (fls. 559, 568), no indigitado ano, o Contribuinte apurou a título  de  base  de  cálculo  do  IRPJ  o  importe  negativo  de  R$  100.075,67.  Assim,  o  que  se  reconhece  oportunamente  como  tributo  sobre a  renda pago no exterior no ano de 2007,  i.é, R$  1.697.035,58,  haverá  de  ser  reservado  para  eventual  compensação  “com  o  que  for  devido  nos  anos­calendário  subseqüentes” a 2007.  E de logo se adiante: o gozo de tal prerrogativa está a depender  do controle de tal monte “na Parte B do Livro de Apuração do  Fl. 1621DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 48          47 Lucro Real (Lalur)”, como o prediz o art. 14, § 16, da Instrução  Normativa SRF nº 213, de 2002.  Conquanto  não  tenhamos  acesso  ao  inteiro  teor daquele processo,  devemos  concluir,  em  respeito  ao  diligente  e  apurado  trabalho  da DRJ,  pela  aceitação  das  conclusões  formuladas, para manter, quanto a este tópico, a decisão de primeira instância.  Assim,  não  se  nega o  direito  a  eventual  compensação  de  prejuízos, mas  se  reconhece que o procedimento deve atender ao disposto no artigo 14 da IN SRF 213/2002, com  destaque para os dispositivos a seguir reproduzidos:  Art. 14. O imposto de renda pago no país de domicílio da filial,  sucursal,  controlada  ou  coligada  e  o  pago  relativamente  a  rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com  o que for devido no Brasil.  (...)  § 7º O tributo pago no exterior, passível de compensação, será  sempre  proporcional  ao  montante  dos  lucros,  rendimentos  ou  ganhos  de  capital  que  houverem  sido  computados  na  determinação do lucro real.  § 8º Para efeito de compensação, o tributo será considerado pelo  valor efetivamente pago, não sendo permitido o aproveitamento  de crédito de tributo decorrente de qualquer benefício fiscal.  § 9ºO valor do tributo pago no exterior, a ser compensado, não  poderá  exceder  o  montante  do  imposto  de  renda  e  adicional,  devidos  no  Brasil,  sobre  o  valor  dos  lucros,  rendimentos  e  ganhos de capital incluídos na apuração do lucro real.  §  10.  Para  efeito  do  disposto  no  parágrafo  anterior,  a  pessoa  jurídica, no Brasil, deverá calcular o valor:  I  ­  do  imposto  pago  no  exterior,  correspondente  aos  lucros  de  cada filial, sucursal, controlada ou coligada e aos rendimentos e  ganhos  de  capital  que  houverem  sido  computados  na  determinação do lucro real;  II ­ do imposto de renda e adicional devidos sobre o  lucro real  antes  e  após  a  inclusão  dos  lucros,  rendimentos  e  ganhos  de  capital auferidos no exterior.  § 11. Efetuados os cálculos na forma do § 10, o tributo pago no  exterior,  passível  de  compensação, não poderá  exceder o  valor  determinado segundo o disposto em seu inciso I, nem à diferença  positiva entre os valores calculados sobre o lucro real com e sem  a inclusão dos referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital,  referidos em seu inciso II.  § 12. Observadas as normas deste artigo, a pessoa jurídica que  tiver  os  lucros  de  filial,  sucursal  e  controlada,  no  exterior,  apurados  por  arbitramento,  segundo  o  disposto  nas  normas  específicas  constantes  desta  Instrução  Normativa,  poderá  compensar o tributo sobre a renda pago no país de domicílio da  Fl. 1622DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 49          48 referida  filial,  sucursal  ou  controlada,  cujos  comprovantes  de  pagamento estejam em nome desta.  §  13.  A  compensação  dos  tributos,  na  hipótese  de  cômputo  de  lucros, rendimentos ou ganhos de capital, auferidos no exterior,  na determinação do lucro real, antes de seu pagamento no país  de domicílio da  filial, sucursal, controlada ou coligada, poderá  ser  efetuada,  desde  que  os  comprovantes  de  pagamento  sejam  colocados  à  disposição  da  Secretaria  da Receita Federal  antes  de encerrado o ano­calendário correspondente.  § 14. Em qualquer hipótese, a pessoa jurídica no Brasil deverá  colocar os documentos comprobatórios do  tributo compensado  à disposição da Secretaria da Receita Federal, a partir de 1ºde  janeiro do ano subseqüente ao da compensação.  §  15.  O  tributo  pago  sobre  lucros,  rendimentos  e  ganhos  de  capital  auferidos  no  exterior,  que  não  puder  ser  compensado  em virtude de a pessoa  jurídica, no Brasil, no respectivo ano­ calendário,  não  ter  apurado  lucro  real  positivo,  poderá  ser  compensado  com  o  que  for  devido  nos  anos­calendário  subseqüentes.  § 16. Para efeito do disposto no § 15, a pessoa jurídica deverá  calcular  o  montante  do  imposto  a  compensar  em  anos­ calendário subseqüentes e controlar o seu valor na Parte B do  Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur).  §  17.  O  cálculo  referido  no  §  16  será  efetuado  mediante  a  multiplicação  dos  lucros,  rendimentos  ou  ganhos  de  capital  computados  no  lucro  real,  considerados  individualizadamente  por  filial,  sucursal,  coligada  ou  controlada,  pela  alíquota  de  quinze por cento, se o valor computado não exceder o limite de  isenção do adicional, ou pela alíquota de vinte e cinco por cento,  se exceder.  A inteligência dos dispositivos ao norte destacados nos  leva a concluir que,  ante a  inexistência de  lucro no  ano­calendário,  conforme apuração do  sujeito passivo, não  existe  a  possibilidade  de  compensação  de  ofício  no  curso  do  processo  administrativo.  Isso  porque  não  haveria  como  suprir  as  providências  determinadas  pela  legislação,  notadamente  quanto ao controle e à utilização dos valores.   Ademais, como não estão em discussão os períodos subsequentes, descabe a  este  Conselho  deliberar  sobre  o  aproveitamento  do  lucro,  até  por  que  não  se  sabe  qual  o  deslinde do processo em que se aprecia tais exercícios, vale dizer, não há certeza acerca do fato  desse prejuízo ter ou não sido considerado naqueles autos.   De  qualquer  forma,  como  o  direito  do  contribuinte  foi  reconhecido  pela  decisão de piso, cabe­lhe utilizar, na forma da legislação, o prejuízo corretamente controlado  no LALUR.  Resta mantida, portanto, a decisão de piso quanto a este tópico.  Fl. 1623DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 50          49 Todos  os  itens  até  o  momento  analisados  englobam  o  que  a  interessada  chamou  de  "questões  subsidiárias"  em  seu  recurso,  de  sorte  que  os  argumentos  ali  já  se  encontram respondidos.  Destaque­se, neste passo, que o  julgador,  ao decidir,  sequer está obrigado a  examinar  todos  os  fundamentos  de  fato  e  de  direito  trazidos  ao  debate, podendo  a  estes  conferir qualificação jurídica diversa da atribuída pelas partes, cumprindo­lhe entregar a  prestação jurisdicional, considerando as teses discutidas no processo, enquanto necessárias ao  julgamento da causa.   Nesse sentido o entendimento dos Tribunais Superiores:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO. EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO OPOSTOS  PELA  TERCEIRA  VEZ  NA  AÇÃO  RESCISÓRIA.  COFINS.  LEGITIMIDADE  DA  REVOGAÇÃO  DO  BENEFÍCIO  PELA  LEI  9.430/96.  AÇÃO  JULGADA  PROCEDENTE.  ALEGAÇÃO  DE  OMISSÃO  QUANTO  A  ARGUMENTOS CONCERNENTES AO NÃO CABIMENTO DA  AÇÃO  RESCISÓRIA.  VÍCIO  NÃO  EVIDENCIADO.  ACLARATÓRIOS  PROTELATÓRIOS.  MULTA  PROCESSUAL  MANTIDA.  1.  Terceiros  aclaratórios  pelos  quais  a  contribuinte  insiste  em  asseverar  que  o  acórdão  impugnado  continua  omisso  no  que  tange à alegação de que não caberia o ajuizamento da presente  ação  rescisória,  porquanto,  na  data  da  sua  propositura,  ainda  estava  em  vigor  a  Súmula  276/STJ  e  o  STF  não  havia  reconhecido a constitucionalidade do art. 56 da Lei 9.430/96. 2.  É cediço que o julgador, desde que fundamente suficientemente  sua decisão, não está obrigado a responder todas as alegações  das  partes,  a  ater­se  aos  fundamentos  por  elas  apresentados  nem a rebater um a um todos os argumentos levantados, de tal  sorte  que  a  insatisfação  quanto  ao  deslinde  da  causa  não  oportuniza  a  oposição  de embargos  de  declaração.  No  caso  concreto, importa repetir que o acórdão embargado, respaldado  na  jurisprudência  do  STJ,  afastou  o  enunciado  343/STF  e  admitiu  a  ação  rescisória  por  entender  que  o  acórdão  rescindendo  apreciou  equivocadamente  matéria  de  índole  constitucional.  3.  Os  argumentos  ventilados  pela  embargante  não  dizem  respeito  a  vício  de  integração  do  julgado,  mas  a  esforço  meramente  infringente  tendente  a  respaldar  tese  que  não foi acolhida, o que não é admitido na via dos aclaratórios.  Ainda assim, caso a embargante entenda que não foi prestada a  jurisdição, caberá a ela intentar a anulação do julgado mediante  a interposição de recurso próprio. 4. A presente ação rescisória  foi  julgada em 14/4/2010 e até o momento a entrega da efetiva  prestação  jurisdicional  vem  sendo  retardada  pela  parte  sucumbente  em  razão  de  repetidos embargos  de  declaração pelos quais ela busca, tão somente, a modificação do  resultado  que  lhe  foi  desfavorável.  A  constatação  do  caráter  protelatório  dos  aclaratórios  justifica  a  manutenção  da  multa  processual  de  1%  sobre  o  valor  da  causa  (art.  538,  parágrafo  único,  do CPC).  5. Embargos  de  declaração  rejeitados."  (EDcl  nos  EDcl  nos  EDcl  na  AR  3788  PE  2007/0144084­2,  Rel.  Fl. 1624DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 51          50 Ministro  BENEDITO  GONÇALVES,  DJe  02/03/2011).  (grifamos)  E o entendimento da  jurisprudência não  se  alterou  à  luz do Novo CPC,  como  recentemente decidiu o Superior Tribunal de Justiça (grifaremos):  DIREITO  PROCESSUAL  CIVIL.  HIPÓTESE  DE  NÃO  CABIMENTO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.  Mesmo após a vigência do CPC/2015, não cabem embargos de  declaração  contra  decisão  que  não  se  pronuncie  tão  somente  sobre argumento incapaz de infirmar a conclusão adotada.  Os embargos de declaração, conforme  dispõe  o  art.  1.022  do  CPC/2015, destinam­se a suprir omissão, afastar obscuridade ou  eliminar contradição existente no julgado.   O julgador não está obrigado a responder a  todas as questões  suscitadas  pelas  partes,  quando  já  tenha  encontrado  motivo  suficiente  para  proferir  a  decisão.  A  prescrição  trazida  pelo  inciso  IV  do  §  1º  do  art.  489  do  CPC/2015  ["§  1º  Não  se  considera  fundamentada  qualquer  decisão  judicial,  seja  ela  interlocutória, sentença ou acórdão, que: (...) IV ­ não enfrentar  todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese,  infirmar a conclusão adotada pelo julgador"] veio confirmar a  jurisprudência  já  sedimentada  pelo  STJ,  sendo  dever  do  julgador  apenas  enfrentar  as  questões  capazes  de  infirmar  a  conclusão  adotada  na  decisão. EDcl  no  MS  21.315­DF,  Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da  3ª Região), julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016.    d) Das reduções promovidas pela decisão de piso  Nos  termos  do  que  restou  decidido  em  primeira  instância,  o  montante  autuado foi reduzido de R$ 47.084.110,53 a título de lucro auferido no exterior (via sucursais e  controladas), para R$ 40.960.142,37.  Os  quadros  e  comentários  a  seguir,  que  acolhemos  integralmente,  demonstram os ajustes promovidos pela DRJ, para refazer os cálculos de prejuízos acumulados  e de bases negativas:    Fl. 1625DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 52          51   Com  isso,  merecem  ser  refeitos  a  “DEMONSTRAÇÃO  DA  COMPENSAÇÃO  DE  PREJUÍZOS  FISCAIS”  de  fl.  667  e  o  “DEMONSTRATIVO  DA  COMPENSAÇÃO  DE  BASES  NEGATIVAS” de fl. 674, conforme Quadros 04 e 05 a seguir.      Acolhemos  e  ratificamos  os  cálculos  efetuados  pela  excelente  decisão  de  piso.  Por fim, quanto ao pedido subsidiário da Recorrente, no sentido de que sejam  aproveitados  os  saldos  negativos  de  IRPJ  e  de  CSLL  apurados  no  encerramento  do  ano­ Fl. 1626DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 53          52 calendário  de 2007,  nos montantes  de R$ 4.976.166,77  e R$ 3.247.600,62,  respectivamente,  convém destacar a pesquisa efetuada no acórdão recorrido:  Conforme  se  viu  acima,  a  Fiscalização  considerou  os  saldos  negativos de IRJP e de CSLL, como apurados no curso do ano­ calendário  de  2007,  nos  importes  de  R$  100.552,89  e  R$  100.075,67,  respectivamente.  Reclama  o  Contribuinte  outros  montantes  a  iguais  rubricas:  R$  4.976.166,77  (saldo  negativo  de  IRPJ  apurado  no  curso  de  2007)  e R$  3.247.600,62  (saldo  negativo de CSLL apurada no curso de 2007).  Ocorre que consulta aos  sistemas eletrônicos  da Secretaria da  Receita  Federal  do  Brasil  dá  conta  da  existência  de  transmissões de PER/DCOMP que anotam como origem do ali  alegado  direito  creditório,  justamente,  os  saldos  negativos  de  IRPJ (são vários os PER/DCOMP, por isso opta­se em listá­los  no Quadro  06)  e  de CSLL  (segue­se  cópia  de  tela  do  referido  sistema; um só PER/DCOMP) apurados em 2007.      Fl. 1627DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 54          53   Por  força  das  in  informações  trazidas  na  decisão  de  piso  e  constantes  dos  quadros acima não há como aproveitar, no presente julgado, os créditos pleiteados, posto que  aproveitados pela interessada em outros procedimentos.  e) Juros de mora sobre a multa de ofício  Por fim, diz a Recorrente ser incabível a incidência de juros de mora sobre a  multa de ofício, por ausência de dispositivo legal.  Contudo, parece­me  induvidoso que a multa de ofício  integra o conceito de  obrigação tributária esposado pelo artigo 113 do Código Tributário Nacional.   Como é cediço, o  conceito de  crédito  tributário  no Brasil  engloba  tributo  e  multa, como expressamente estabelece o artigo 43 da Lei n. 9430/96:  Art.43.  Poderá  ser  formalizada  exigência  de  crédito  tributário  correspondente  exclusivamente  a  multa  ou  a  juros  de  mora,  isolada ou conjuntamente.  Parágrafo  único.  Sobre  o  crédito  constituído  na  forma  deste  artigo,  não  pago  no  respectivo  vencimento,  incidirão  juros  de  mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir  do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até  o mês anterior ao do pagamento  e de um por cento no mês de  pagamento. (grifamos)  Artigo 5o, § 3º, da Lei n. 9.430/96. As quotas do  imposto serão  acrescidas de juros equivalentes à  taxa referencial do Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia ­ SELIC,  para  títulos  federais,  acumulada  mensalmente,  calculados  a  partir  do  primeiro  dia  do  segundo mês  subseqüente  ao  do  encerramento  do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do  pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (grifamos)  Fl. 1628DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 55          54 No mesmo sentido, impõe o Código Tributário Nacional que:  Art.  161.  O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da  falta,  sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e  da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta  Lei ou em lei tributária. (grifamos)  Do exposto podemos concluir que há disposição expressa para a cobrança de  juros sobre multas, porque incluídas no conceito de crédito tributário, e que a taxa aplicável à  espécie é a referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC.  Esse também é o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa  da ementa a seguir transcrita (AgRg no REsp 1335688/PR – DJe de 10/12/2012):  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  RECURSO  ESPECIAL.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  JUROS  DE  MORA  SOBRE  MULTA.  INCIDÊNCIA.  PRECEDENTES  DE  AMBAS  AS  TURMA  QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ.  1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira  Seção  do  STJ  no  sentido  de  que: "É  legítima  a  incidência  de  juros  de  mora  sobre  multa  fiscal  punitiva,  a  qual  integra  o  crédito  tributário."  (REsp  1.129.990/PR,  Rel.  Min.  Castro  Meira,  DJ  de  14/9/2009).  De  igual  modo:  REsp  834.681/MG,  Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. (grifamos)  Aplicável, ainda, a inteligência da Súmula CARF n. 04:  Súmula  CARF  nº  4:  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Ante  o  exposto,  CONHEÇO  do  Recurso  Voluntário  para  NEGAR­LHE  provimento,  assim  como  também  NEGO  provimento  ao  Recurso  de  Ofício,  mantendo  inalterada a decisão da Delegacia de Julgamento.   É como voto.    (assinado digitalmente)  Roberto Caparroz de Almeida ­ Relator                Fl. 1629DF CARF MF Processo nº 16561.720200/2012­17  Acórdão n.º 1201­001.690  S1­C2T1  Fl. 56          55                 Fl. 1630DF CARF MF

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6848931 #
Numero do processo: 13116.900748/2009-03
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por aplicação direta da referida súmula, a negativa ao pleito da contribuinte deixa de ter fundamento. Afastado o fundamento que justificou a negativa da compensação, devem os autos retornar à DRF de origem para novo exame do PER/DCOMP em questão.
Numero da decisão: 9101-002.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para afastar o fundamento que justificou a negativa da compensação, com retorno dos autos à Unidade de Origem para novo exame do PER/DCOMP em questão. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), que conduziu o julgamento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO

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9101­002.931  –  1ª Turma   Sessão de  8 de junho de 2017  Matéria  COMPENSAÇÃO  Recorrente  AUROBINDO PHARMA INDUSTRIA FARMACEUTICA LIMITADA  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Exercício: 2006  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE  A  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR  DE  ESTIMATIVA  MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO.   Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a  título de estimativa  caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição  ou compensação.  Por aplicação direta da referida súmula, a negativa ao pleito da contribuinte  deixa de ter fundamento. Afastado o fundamento que justificou a negativa da  compensação, devem os autos retornar à DRF de origem para novo exame do  PER/DCOMP em questão.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial  e,  no mérito,  em dar­lhe provimento parcial,  para  afastar o  fundamento  que  justificou a negativa da compensação, com retorno dos  autos à Unidade de Origem para  novo exame do PER/DCOMP em questão.  (assinado digitalmente)  Carlos Alberto Freitas Barreto ­ Presidente e Relator  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego,  Cristiane  Silva Costa, André Mendes  de Moura,  Luis  Flavio Neto,  Rafael Vidal  de Araújo,  Daniele  Souto  Rodrigues  Amadio,  Gerson Macedo Guerra  e  Carlos  Alberto  Freitas  Barreto  (Presidente),  que  conduziu  o  julgamento. Ausente, momentaneamente,  o  conselheiro Marcos  Aurélio Pereira Valadão.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 07 48 /2 00 9- 03 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13116.900748/2009­03  Acórdão n.º 9101­002.931  CSRF­T1  Fl. 3          2 Relatório  Trata­se de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima  identificada,  fundamentado atualmente no art. 67 e  seguintes do Anexo  II da Portaria MF nº  343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto à  possibilidade de restituição ou compensação das estimativas mensais recolhidas indevidamente  ou a maior.  A  conclusão  dos  acórdãos  paradigmas  é  a  de  que  os  valores  pagos  indevidamente  ou  a  maior  a  título  de  estimativas  mensais  de  IRPJ/CSLL  podem  ser  compensados com outros débitos mediante a apresentação de Dcomp.  O  acórdão  recorrido,  por  seu  turno,  em  sentido  oposto,  entende  que  os  pagamentos  indevidos  ou  a maior  de  estimativas  mensais  somente  podem  ser  compensados  após o encerramento do exercício, se apurado saldo negativo de IRPJ/CSLL.  A PGFN apresentou tempestivamente contrarrazões ao recurso.    É o Relatório.  Voto             Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9101­002.923, de  08/06/2017, proferido no julgamento do processo 13116.900737/2009­15, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101­002.923):  Conheço  do  recurso,  pois  este  preenche  os  requisitos  de  admissibilidade.  A  questão  sobre  a  possibilidade,  ou  não,  de  restituição/compensação  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  a  título de estimativa mensal  foi definitivamente solucionada pelo  CARF, inclusive com edição de súmula:   Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de  estimativa  caracteriza  indébito  na  data  de  seu  recolhimento,  sendo passível de restituição ou compensação.  No caso sob análise, a negativa em relação à compensação  foi  fundamentada  no  entendimento,  já  superado,  de  que  os  recolhimentos por estimativa não são, em razão de sua própria  natureza, passíveis de restituição/compensação.  Por aplicação direta da súmula acima transcrita, a negativa ao  pleito  da  contribuinte  deixa  de  ter  fundamento.  Por  via  de  Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13116.900748/2009­03  Acórdão n.º 9101­002.931  CSRF­T1  Fl. 4          3 consequência,  os  autos  devem  retornar  à  unidade  de  origem  para novo exame da compensação em pauta.  Diante  do  exposto,  voto  por  DAR  PARCIAL  provimento  ao  recurso especial da contribuinte, para afastar o fundamento que  justificou a negativa da compensação, devendo os autos retornar  à  DRF  de  origem  para  novo  exame  do  PER/DCOMP  em  questão.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do Recurso Especial e, no  mérito,  dou­lhe  provimento  parcial,  para  afastar  o  fundamento  que  justificou  a  negativa  da  compensação, com retorno dos autos à Unidade de Origem para novo exame do PER/DCOMP  em questão.  (assinado digitalmente)  Carlos Alberto Freitas Barreto                              Fl. 105DF CARF MF

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Numero do processo: 11128.728872/2013-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/09/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 16/09/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 16/09/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.037
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA

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3302­004.037  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  30 de março de 2017  Matéria  MULTA REGULAMENTAR  Recorrente  CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Data do fato gerador: 16/09/2008  MULTA  REGULAMENTAR.  SISCOMEX  CARGA.  REGISTRO  EXTEMPORÂNEO  DOS  DADOS  DA  CARGA.  IMPOSIÇÃO  DA  MULTA. POSSIBILIDADE.  A  prestação  de  informação  a  destempo  sobre  a  carga  transportada  no  Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea “e” do  inciso IV do artigo 107 do Decreto­lei 37/1966, com redação dada pelo artigo  77  da  Lei  10.833/2003,  sancionada  com  a  multa  regulamentar  fixada  no  referido preceito legal.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 16/09/2008  MULTA  REGULAMENTAR.  INFRAÇÃO  ADUANEIRA.  PRESTAÇÃO  DE  INFORMAÇÃO  EXTEMPORÂNEA.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  IMPOSSIBILIDADE.  1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento  extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação  ou  entrega de  documentos  à  administração  aduaneira,  uma vez  que  tal  fato  configura a própria infração.  2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados  de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea,  porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.  AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR  INFORMAÇÃO.  RESPONSABILIDADE  PELA  MULTA  APLICADA.  POSSIBILIDADE.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 88 72 /2 01 3- 49 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11128.728872/2013­49  Acórdão n.º 3302­004.037  S3­C3T2  Fl. 3          2 O  agente  de  carga,  na  condição  de  representante  do  transportador  e  a  este  equiparado  para  fins  de  cumprimento  da  obrigação  de  prestar  informação  sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para  responder  pela  multa  aplicada  por  infração  por  atraso  na  prestação  de  informação sobre a carga transportada por ele cometida.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 16/09/2008  INFORMAÇÃO  INTEMPESTIVA.  ALEGAÇÃO  DE  PROBLEMA  NO  ACESSO  AO  SISTEMA  DE  REGISTRO.  AUSÊNCIA  DE  PROVAS.  AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.  A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo,  operação  ou  carga  foi  motivado  por  impossibilidade  de  acesso  sistema  (Siscomex  Carga),  desprovida  comprovação  do  fato,  segundo  as  regras  de  contingência  estabelecidas,  não  configura  condição  suficiente para  afastar a  aplicação da multa cominada.  Recurso Voluntário Negado.      Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Ricardo Paulo Rosa ­ Presidente e Relator  Participaram  do  julgamento  os  Conselheiros  Paulo  Guilherme  Déroulède,  Domingos  de  Sá  Filho,  José  Fernandes  do  Nascimento,  Lenisa  Rodrigues  Prado,  Maria  do  Socorro  Ferreira  Aguiar,  Sarah Maria  Linhares  de  Araújo  Paes  de  Souza, Walker  Araújo  e  Ricardo Paulo Rosa.  Relatório  Trata­se de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da  obrigação  de  prestar  informação  sobre  veículo,  operação  realizada  ou  carga  transportada,  na  forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.  Nos termos do relatado no acórdão recorrido, de acordo com a descrição dos  fatos  constante  no  Auto  de  Infração,  a  autuada  concluiu  a  destempo  a  desconsolidação  das  cargas relativas ao conhecimento eletrônico (CE) genérico ali identificado (Master­House Bill  of  Lading­MHBL),  em  razão  de  ter  informado  com  atraso  o  CE  agregado  (House  Bill  of  Lading­HBL) especificado. Para demonstrar a  irregularidade apurada,  a autoridade  lançadora  também  apresentou  dados  referentes  à  embarcação,  viagem,  escala,  data  da  atracação,  manifesto eletrônico relativos à carga cujo atraso na informação deu ensejo ao lançamento.  Na sequência a  fiscalização discorreu sobre o Siscomex Carga e  sua norma  regente,  a  IN  RFB  nº  800/2007,  destacando  a  abrangência  do  termo  transportador  nela  utilizado,  e  os  prazos  estabelecidos  para  prestar  as  informações  exigidas  (arts.  22  e  50  da  referida IN, e art. 64 do ADE Corep nº 3/2008).  Fl. 125DF CARF MF Processo nº 11128.728872/2013­49  Acórdão n.º 3302­004.037  S3­C3T2  Fl. 4          3 Em seguida, falou da responsabilidade legal do transportador e da penalidade  aplicável  em  caso  de  descumprimento  da  obrigação  em  foco  (arts.  37  e  107,  IV,  “e”,  do  Decreto­Lei  nº  37/1966),  enfatizando  a  natureza  objetiva  dessa  responsabilidade,  que  independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão  dos efeitos do ato (art. 94 do DL 37/1966).  A  autoridade  lançadora  prosseguiu  seu  relato  explanando  acerca  da  motivação  da  obrigação  imposta,  destacando  sua  importância  na  definição  prévia  de  procedimentos a serem aplicados, objetivando proporcionar maior segurança e racionalidade ao  controle aduaneiro de cargas. Foi descrita a nova sistemática de controle implementada a partir  de  2002,  quando  a  fiscalização  aduaneira  passou  a  ter  foco  mais  abrangente,  de  forma  a  alcançar não  apenas os  importadores  e  exportadores, mas  todos os  intervenientes  envolvidos  nas operações de comércio exterior.  Dando seguimento, a  fiscalização comentou sobre a  interpretação da norma  que prescreve a multa imposta. Foi considerado que, com base no art. 112 do CTN, deve ser  considerada  a  conclusão  veiculada  na  Solução  de  Consulta  Interna  Cosit  nº  8/2008,  relativamente à quantidade de multas a serem aplicadas.  No  tópico  seguinte,  intitulado  “DA  APLICAÇÃO  DA  PENALIDADE  IMPOSTA”,  foi  feita  detalhada  abordagem  a  respeito  da  denúncia  espontânea  e  chegada  à  conclusão  que,  apesar  de  sua  aplicabilidade  ter  sido  estendida  às  penalidades  de  natureza  administrativa (Lei nº 12.350/2010), não foram atendidos os requisitos próprios desse instituto.  Para reforçar seu entendimento, a autoridade lançadora recorreu à doutrina e  também à jurisprudência administrativa e judicial.  Na  sequência  a  fiscalização  falou  sobre  a  materialidade  da  infração,  que  considerou  devidamente  caracterizada,  e  sobre  os  intervenientes  aduaneiros  designados  pela  legislação, tendo em vista o disposto no art. 76, § 2º, da Lei nº 10.833/2003 e nos arts. 3º a 5º  da  IN RFB nº  800/2007. Concluiu  que,  com  base  na  documentação  juntada  aos  autos,  era  a  autuada,  na  condição  de  consignatária  do  citado  CE  genérico,  a  responsável  por  prestar  as  informações relativas aos correspondentes CEs agregados incluídos com atraso. A penalidade  foi formalizada no Auto de Infração em debate.  Cientificado da exação, o sujeito passivo, apresentou  impugnação alegando,  em síntese:  a) Ilegitimidade passiva. O prazo estabelecido pela IN RFB n° 800/2007 não  se aplica à impugnante, que na condição de agente de carga, não se confunde com a atividade  do  transportador,  que  é  o  sujeito  das  obrigações  instituídas  pela  referida  Norma.  A  classificação  da  impugnante  como  tal  distorce  conceito  de  direito  privado,  o  que  é  expressamente vedado pelo art. 110 do CTN.  b)  Denúncia  espontânea.  Conforme  se  depreende  dos  autos,  ainda  que  a  destempo,  as  informações  foram  prestadas  pela  própria  impugnante,  antes  do  início  de  fiscalização. Assim não é cabível a multa exigida, pois se aplica ao caso o instituto da denúncia  espontânea, consoante dispõe o art. 102, § 2º, do Decreto­Lei nº 37/1966, com a redação dada  pela Lei nº 12.350/2010.  Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11128.728872/2013­49  Acórdão n.º 3302­004.037  S3­C3T2  Fl. 5          4 c) Inaplicabilidade de multa no período de contingência do Siscomex Carga.  As operações objeto da autuação ocorreram no chamado “período de contingência”, em que o  cumprimento dos prazos da IN RFB nº 800/2007 não era exigido, já que o Siscarga não estava  integralmente  disponível  para  utilização  pelos  agentes  e  desconsolidadores.  Dessa  forma,  evidenciado  que  a  impugnante  não  poderia  agir  de  outra  forma,  a  aplicação  de  multa  no  presente  caso  afronta,  além  do  princípio  da  inexigibilidade  de  conduta  diversa,  o  da  razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e  moderação,  levando em conta a  relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a  finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. Ao final  a impugnante pedia o cancelamento do lançamento.  Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos,  os integrantes do Colegiado de primeiro grau rejeitaram a preliminar de ilegitimidade passiva  e,  no mérito,  julgaram  a  impugnação  improcedente  e mantiveram  integralmente  a  exigência  fiscal, nos termos do Acórdão 08­33.478.  Após ciência ao acórdão de primeira instância, a autuada protocolou recurso  voluntário  em  que  reafirmou  as  razões  de  defesa  suscitadas  na  peça  impugnatória.  Em  aditamento,  alegou  que  o  acórdão  recorrido  não  dera  aos  fatos  em  análise  a  correta  interpretação, aplicando equivocadamente a legislação vigente; e que os argumentos expostos  na impugnação foram refutados por simples negativa, sem que se levantassem razões jurídicas  hábeis a infirmá­los.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3302­004.022, de  29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.730402/2013­45, paradigma  ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302­004.022):  O recurso é  tempestivo,  trata de matéria da competência deste Colegiado e  preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido.  O  litígio  cinge­se  aos  seguintes  pontos:  a)  ilegitimidade  passiva  da  recorrente;  b)  impossibilidade  de  aplicação  da  multa  durante  o  período  de  contingência do Siscomex Carga; e c) excludente de responsabilidade por denúncia  espontânea da infração.  Previamente  a  análise  controvérsia,  cabe  destacar  que  a  aplicação  da  penalidade  em  apreço  foi  motivada  pela  prática  da  infração  tipificada,  genericamente,  na alínea “e” do  inciso  IV do artigo 107 do Decreto­lei  37/1966,  com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito:  Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11128.728872/2013­49  Acórdão n.º 3302­004.037  S3­C3T2  Fl. 6          5 Art. 107. Aplicam­se ainda as seguintes multas:  (...)  IV ­ de R$ 5.000,00 (cinco mil reais):  (...)  e)  por  deixar  de  prestar  informação  sobre  veículo  ou  carga  nele  transportada,  ou  sobre  as  operações  que  execute,  na  forma  e  no  prazo  estabelecidos  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  aplicada  à  empresa  de  transporte  internacional,  inclusive  a  prestadora  de  serviços  de  transporte  internacional  expresso  porta­a­ porta, ou ao agente de carga;  (...)  E  em  relação  à  prestação  de  “informação  sobre  veículo  ou  carga  nele  transportada,  ou  sobre  as  operações  que  execute”  no  Siscomex  Carga,  para  conferir  efetividade  a  referida  norma  penal  em  branco,  foi  editada  a  Instrução  Normativa RFB 800/2007, que estabeleceu a forma e o prazo para a prestação das  referidas informações.  De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra o  presente Auto de Infração (fls. 01/05), a conduta que motivou a imputação da multa  em  apreço  foi  a  prestação  da  informação  a  destempo,  no  Siscomex  Carga,  dos  dados relativos ao conhecimento eletrônico (HBL) CE 150805190343826, vinculado  à  operação de  desconsolidação do Conhecimento Eletrônico  Sub­Master  (MHBL)  CE 150805184751721, conforme explicitado no trecho que segue transcrito:  O  Agente  de  Carga  CEVA  FREIGHT  MANAGEMENT  DO  BRASIL  LTDA,  CNPJ  03.229.138/0004­06,  concluiu  a  desconsolidação  relativa  ao  Conhecimento  Eletrônico  Sub­ Master (MHBL) CE 150805184751721 a destempo às 09h52min  do  dia  09/10/2008,  segundo  o  prazo  previamente  estabelecido  pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ­ RFB, para o seu  conhecimento eletrônico agregado (HBL) CE 150805190343826.  A  carga  objeto  da  desconsolidação  em  comento  foi  trazida  ao  Porto  de  Santos acondicionada nos Containers NYKU7940080,  NYKU7104578  e  NYKU7149079,  pelo  Navio  M/V  CAPE  CHARLES,  em  sua  viagem  101W,  no  dia  07/10/2008,  com  atracação  registrada  às  18h26min.  Os  documentos  eletrônicos  de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a  carga  são  Escala  08000222050,  Manifesto  Eletrônico  1508501842589,  Conhecimento  Eletrônico  Master  MBL  150805183878000, Conhecimento Eletrônico Sub­Master MHBL  150805184751721  e  Conhecimento  Eletrônico  Agregado  HBL  150805190343826.  Especificamente, no que tange à prestação de informação sobre a conclusão  da  operação  de  desconsolidação,  os  prazos  permanentes  e  temporários  foram  estabelecidos, respectivamente, no art. 22, “d”,  III, e art. 50, parágrafo único, da  Instrução Normativa RFB 800/2007, que seguem transcritos.  Art.  22.  São  os  seguintes  os  prazos  mínimos  para  a  prestação  das informações à RFB:  Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11128.728872/2013­49  Acórdão n.º 3302­004.037  S3­C3T2  Fl. 7          6 [...]  III  ­  as  relativas  à  conclusão  da  desconsolidação,  quarenta  e  oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino  do conhecimento genérico.  [...]  Art.  50. Os  prazos  de  antecedência  previstos  no  art.  22  desta  Instrução Normativa  somente  serão obrigatórios  a  partir  de  1º  de abril de 2009.  (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de  dezembro de 2008)  Parágrafo  único.  O  disposto  no  caput  não  exime  o  transportador da obrigação de prestar informações sobre:  I  ­  a  escala,  com  antecedência  mínima  de  cinco  horas,  ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção;  e  II  ­  as  cargas  transportadas,  antes  da  atracação  ou  da  desatracação  da  embarcação  em  porto  no  País.  (grifos  não  originais)  No caso, como as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreu  antes  de  1º  de  abril  de  2009,  a  recorrente  estava  obrigada  a  cumprir  o  prazo  estabelecido no norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art.  50 destacado.   Os  extratos  colacionados  aos  autos,  contendo  o  registro  da  conclusão  referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada  pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, as  informações foram prestadas somente às 09h52min do dia 9/10/2008 (data/hora da  inclusão  no  Siscomex  Carga  do  conhecimento  eletrônico  agregado  HBL  150805190343826), portanto, após a atracação da embarcação no Porto de Santos,  ocorrida no dia 07/10/2008, às 18h26min. Logo, fica claramente evidenciado que a  recorrente praticou a conduta infracionária em apreço.  Além  disso,  não  resta  qualquer  dúvida  que  a  conduta  praticada  pela  recorrente  subsume­se perfeitamente à hipótese da  infração descrita nos  referidos  preceitos  legal  e  normativo.  Aliás,  em  relação  à  materialidade  da  mencionada  infração inexiste controvérsia nos autos.  Apresentadas  essas  breves  considerações,  passa­se  a  analisar  as  razões  de  defesa suscitadas pela recorrente.  Da ilegitimidade passiva  A  recorrente  alegou  que,  na  condição  de  agente  de  carga,  no  período  compreendido entre a data da vigência da Instrução Normativa RFB 800/2007 até  1º de abril de 2009, ela não estava obrigada a respeitar o prazo estabelecido no art.  22 da citada IN, nem o prazo estabelecido no inciso II do parágrafo único do art. 50  do citado ato,  sob o argumento de que este último preceito normativo aplicava­se  apenas ao transportador.  A  alegação  da  recorrente  não  procede,  porque,  embora  o  disposto  no  parágrafo  único  do  art.  50  da  referida  IN  tenha  se  referido  apenas  ao  Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11128.728872/2013­49  Acórdão n.º 3302­004.037  S3­C3T2  Fl. 8          7 transportador,  não  se  pode  olvidar  que,  para  fins  de  cumprimento  de  obrigação  acessória perante o Siscomex Carga, o  termo  transportador compreende o agente  de  carga  e  demais  pessoas  jurídicas  que  presta  serviços  de  transporte  e  emite  conhecimento de carga, discriminadas no inciso IV do § 1º do art. 2º da Instrução  Normativa RFB 800/2007, a seguir transcrito:  Art.  2º  Para  os  efeitos  desta  Instrução  Normativa  define­se  como:  [...]   V  ­  transportador,  a  pessoa  jurídica  que  presta  serviços  de  transporte e emite conhecimento de carga;  [...]  § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa:  [...]  IV ­ o transportador classifica­se em:  a)  empresa  de  navegação  operadora,  quando  se  tratar  do  armador da embarcação;  b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não  for o operador da embarcação;  c)  consolidador,  tratando­se  de  transportador  não  enquadrado  nas  alíneas  "a"  e  "b",  responsável  pela  consolidação da  carga  na  origem;  (Redação  dada  pela  Instrução  Normativa  RFB  nº  1.473, de 2 de junho de 2014)  d)  desconsolidador,  no  caso  de  transportador  não  enquadrado  nas  alíneas  “a”  e  “b”,  responsável  pela  desconsolidação  da  carga no destino; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa  RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014)  e)  agente  de  carga,  quando  se  tratar  de  consolidador  ou  desconsolidador nacional;  [...]  Além disso, há expressa menção na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do  Decreto­lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, que o  agente de carga responde pela referida penalidade, se prestar informação sobre a  carga fora do prazo estabelecido.  No  caso  em  tela,  é  fato  incontroverso  que,  em  relação  às  operações  de  desconsolidação  que  executou,  a  recorrente  atuou  como  representante  do  transportador  estrangeiro,  no  País.  Logo,  dada  essa  condição,  era  dela  a  responsabilidade de proceder o registro tempestivo, no Siscomex Carga, dos dados  sobre as operações que executou em nome da empresa de navegação representada.  Dessa  forma,  tratando­se  de  infração  à  legislação  aduaneira  e  tendo em vista que a recorrente concorreu para a prática da questionada  infração,  induvidosamente,  ela  deve  responder  pela  correspondente  Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11128.728872/2013­49  Acórdão n.º 3302­004.037  S3­C3T2  Fl. 9          8 penalidade aplicada, conforme dispõe o inciso I do art. 95 do Decreto­lei  nº 37, de 1966, a seguir transcrito:  Art. 95 ­ Respondem pela infração:  I ­ conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma,  concorra para sua prática, ou dela se beneficie;  [...].  Assim,  na  condição  de  agente  e,  portanto,  mandatário  do  transportador  estrangeiro,  a  recorrente  estava  obrigada  a  prestar,  tempestivamente,  as  informações no Siscomex Carga sobre a carga transportada pelo seu representado.  Em decorrência dessa atribuição e por ter cumprido a destempo a dita obrigação, a  autuada  foi  quem  cometeu  a  infração  capitulada  na  alínea  “e”  do  inciso  IV  do  artigo  107  do  Decreto­lei  37/1966,  com  redação  dada  pelo  artigo  77  da  Lei  n°  10.833, de 2003, por conseguinte, deve responder pela infração em apreço.  Por fim, cabe ainda ressaltar que, os termos do caput do art. 94 do Decreto­ lei  37/1966,  no  âmbito  da  legislação  aduaneira,  constitui  infração  toda  ação  ou  omissão,  voluntária  ou  involuntária,  que  “importe  inobservância,  por  parte  da  pessoa  natural  ou  jurídica,  de  norma  estabelecida  neste  Decreto­lei,  no  seu  regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá­ los”.  Com base nessas consideração, resta demonstrado que a recorrente deve ser  mantida  polo  passivo  da  autuação,  porque  há  expressa  previsão  legal  que  nesse  sentido.  Da inaplicabilidade da multa na fase de contingência do Siscomex Carga.  Em relação a esse ponto, a recorrente alegou que não havia que se falar em  aplicação ou descumprimento dos prazos estabelecidos pela “IN RFB 800/2007, vez  que  ao  operador  não  restava  qualquer  alternativa  para  a  imputação  das  informações  no  sistema”.  Segundo  a  recorrente,  a  exigência  do  cumprimento  de  uma  obrigação  sem  que  lhe  fosse  oferecidos  os  meios  indispensáveis  para  tanto  feriria  o  princípio  da  razoabilidade  e  o  instituto  da  inexigibilidade  de  conduta  diversa.  Este Relator está de pleno acordo com a recorrente de que imputar infração  ao usuário do Sistema por descumprimento de obrigação que ele não cumpriu ou  não  poderia  cumprir  por  falhas  operacionais  ou  ausência  de  meios  necessários,  revela­se, nitidamente, irrazoável e desproporcional, conforme alegado.  Porém, como se trata de alegação que envolve situação de natureza fática, a  recorrente tinha o dever de comprová­la, o que não ocorreu no caso em tela. E na  distribuição do ônus prova, prevista o art. 373, II, da Lei 13.105/2015, que instituiu  o vigente Código de Processo Civil (CPC), que corresponde ao art. 333, II, do CPC  anterior,  por  ser  fato  relevante  para  isentar  a  recorrente  da  exigência,  não  era  suficiente  a  simples  alegação  de  que  não  havia  meios  para  prestar  informações  sobre a carga. Dada a alegada impossibilidade, cabia a recorrente o dever prová­ la, o que não ocorreu.  Neste sentido, prevendo a possibilidade de falhas de funcionamento, na fase  inicial  de  implantação  do  sistema,  foram  fixados  os  procedimentos  a  serem  adotados pelos usuários, nos termos dos arts. 1º, 2º e 4º, III da IN RFB 835/2008, a  seguir transcritos:  Fl. 131DF CARF MF Processo nº 11128.728872/2013­49  Acórdão n.º 3302­004.037  S3­C3T2  Fl. 10          9 Art.  1º Na  impossibilidade  de  acesso  ao  Siscomex Carga,  por  mais  de  duas  horas  consecutivas,  em  virtude  de  problemas  de  ordem  técnica  do  sistema,  ou  na  ocorrência  de  fatores  operacionais que prejudiquem o fluxo de comércio exterior, as  operações  relativas  ao  controle  de  embarcações  e  cargas  em  portos  alfandegados,  conforme  estabelecido  na  Instrução  Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, observarão  os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa.  Art.  2º Compete  ao  chefe  da  unidade  da  Secretaria  da Receita  Federal  do  Brasil  (RFB),  no  âmbito  de  sua  jurisdição,  reconhecer a  impossibilidade de acesso ao sistema, por  razões  de  ordem  técnica,  e  autorizar  a  adoção dos  procedimentos  de  contingência.  Parágrafo único. A data e a hora da restauração do acesso ao  sistema deverá  ser  registrada nos  documentos  de  autorização,  para fins de auditoria e controle.  Art. 4º Na hipótese do art. 2º, restaurado o acesso ao sistema:  [...]  III  ­  relativamente  à  informação  dos  manifestos,  conhecimento  eletrônico (CE) e itens, o transportador deverá informar todos os  manifestos,  CE  e  itens  no  sistema,  relacioná­los  e  solicitar  à  RFB a baixa dos bloqueios decorrentes da  informação após o  prazo estabelecido.  [...] (grifos não originais)  Assim, como a recorrente não  trouxe aos autos nenhum elemento de prova,  em  que  demonstrado  a  impossibilidade  de  acesso  ao  Sistema,  conforme  procedimentos  disciplinados  nos  referidos  preceitos  normativos,  a  alegação  suscitada não tem qualquer relevância.  A  recorrente  alegou  ainda  que  era  descabida  a  exigência  de  prova  da  indisponibilidade do Sistema, porque a própria edição da IN RFB 835/2008 já  constituía prova de que o Sistema não funcionava adequadamente.  Essa alegação também não procede, porque não é verdade que a referida  IN  reconheceu  a  impossibilidade  de  funcionamento  do  Sistema,  mas,  na  possibilidade dessa situação vir a ocorrer e, caso ocorresse, o usuário deveria  adotar  os  procedimentos  nela  estabelecidos  com  vistas  a  resguardá­lo  da  imposição de qualquer sanção.  Da denúncia espontânea da infração.  A  recorrente  alegou  a  denúncia  espontânea  da  infração  cometida,  para  excluir a multa que lhe fora aplicada, sob o argumento de que as informações foram  prestadas antes de qualquer ato da fiscalização, portanto, em conformidade com o  previsto  no  art.  102,  §  2º,  do  Decreto­lei  37/1966,  com  redação  dada  pela  Lei  12.350/2010, a seguir reproduzido:  Art. 102 ­ A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se  for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá  Fl. 132DF CARF MF Processo nº 11128.728872/2013­49  Acórdão n.º 3302­004.037  S3­C3T2  Fl. 11          10 a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo  Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  [...]   § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de  natureza  tributária  ou  administrativa,  com  exceção  das  penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena  de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010)  A  alegação  da  recorrente  não  procede,  porque  a  denúncia  da  infração,  no  caso  em  tela,  não  restou  configurada,  haja  vista  que,  embora  realizada  antes  do  “início  de  qualquer  procedimento  administrativo  ou  medida  de  fiscalização,  relacionados com a infração” (CTN, art. 138, parágrafo único), no caso em tela, as  informações foram prestadas após a “entrada do veículo procedente do exterior”, o  que  afasta  a  aplicação  da  referida  excludente  de  responsabilidade,  segundo  preceitua o art. 683, § 3º, do Decreto 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro de 2009  ­  RA/2009),  que  tem  o  mesmo  teor  do  art.  612,  §  3º,  do  Decreto  4.543/2002,  Regulamento Aduaneiro (RA/2002) anterior, vigente à época dos fatos, in verbis:  Art. 612. A denúncia espontânea da  infração, acompanhada, se  for o caso [...]  § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do  exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração  imputável ao transportador. (grifos não originais)  Porém, ainda que tal restrição não se aplicasse à infração em apreço, o que  se admite apenas para argumentar, melhor sorte não teria a recorrente, porque a  infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denúncia espontânea, pela  razões  aduzidas no  voto  da  lavra  deste Conselheiro que  serviu de  fundamento da  decisão  consignada  no  Acórdão  nº  3102­002.187,  de  26  março  de  2014,  cujos  excertos  relevantes,  que  aqui  adota­se  como  fundamento  de  decidir,  seguem  transcritos:  Da denúncia espontânea da infração.  Alegou  a  recorrente  que,  no  caso  em  tela,  era  incabível  a  aplicação de qualquer penalidade, porque às informações sobre  a  carga  transportada  fora  feita  a  tempo  e  antes  de  qualquer  intimação ou de qualquer outra notificação porventura expedida  pela  fiscalização  aduaneira,  o  que  configurava  denúncia  espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN e do art.  102 do Decreto­lei nº 37, de 1966.  Não  procede  a  alegação  da  recorrente,  pois,  no  caso  em  comento,  não  se  aplica  o  instituto  da  denúncia  espontânea  da  infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da  infração  a  legislação  aduaneira  estabelecido  no  art.  102  do  Decreto­lei  n°  37, de  1966,  com as  novas  redações  dadas  pelo  Decreto­lei  nº  2.472,  de  01  de  setembro  de  1988  e  pela  Lei  nº  12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido:  Art.  102  ­ A  denúncia  espontânea  da  infração,  acompanhada,  se  for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a  Fl. 133DF CARF MF Processo nº 11128.728872/2013­49  Acórdão n.º 3302­004.037  S3­C3T2  Fl. 12          11 imposição  da  correspondente  penalidade.  (Redação  dada  pelo  Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  §  1º  ­  Não  se  considera  espontânea  a  denúncia  apresentada:  (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  a)  no  curso  do  despacho  aduaneiro,  até  o  desembaraço  da  mercadoria; (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472, de 01/09/1988)  b) após o  início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante  ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente  a  apurar  a  infração.  (Incluído  pelo  Decreto­Lei  nº  2.472,  de  01/09/1988)  § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades  de  natureza  tributária  ou  administrativa,  com  exceção  das  penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de  perdimento.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  12.350,  de  2010)  (grifos  não originais)  O  objetivo  da  norma  em  destaque,  evidentemente,  é  estimular  que  o  infrator  informe  espontaneamente  à  Administração  aduaneira  a  prática  das  infrações  de  natureza  tributária  e  administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última,  incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais  (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas  (fazer  ou  tolerar)  ou  negativas  (não  fazer)  instituídas  no  interesse  fiscalização  das  operações  de  comércio  exterior,  incluindo  os  aspectos  de  natureza  tributária,  administrativo,  comercial, cambial etc.  Não  se  pode  olvidar  que,  para  aplicação  do  instituto  da  denúncia  espontânea,  é  condição  necessária  que  a  infração  de  natureza  tributária  ou  administrativa  seja  passível  de  denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é  requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço  que a infração seja denunciável.  No  âmbito  da  legislação  aduaneira,  em  consonância  com  o  disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de  aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de  circunstância  de  ordem  lógica  (ou  racional)  ou  legal  (ou  jurídica).  No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico  que  veda  a  incidência  da  norma  em  apreço,  ao  excluir  determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da  responsabilidade  por  denunciação  espontânea  da  infração  cometida.  A  título  de  exemplo,  podem  ser  citadas  as  infrações  por  dano  erário,  sancionadas  com  a  pena  de  perdimento,  conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado  art. 102.  A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando  fatores  de  ordem  material  tornam  impossível  a  denunciação  espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que  Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11128.728872/2013­49  Acórdão n.º 3302­004.037  S3­C3T2  Fl. 13          12 têm  por  objeto  as  condutas  extemporâneas  do  sujeito  passivo,  caracterizadas  pelo  cumprimento  da  obrigação  após  o  prazo  estabelecido  na  legislação.  Para  tais  tipos  de  infração,  a  denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar  o fluxo inevitável do tempo.  Compõem  essa  última  modalidade  toda  infração  que  tem  o  atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa)  como  elementar  do  tipo  da  conduta  infratora.  Em  outras  palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo  como elemento essencial da tipificação da infração.  São  dessa  última  modalidade  todas  as  infrações  que  têm  no  núcleo  do  tipo  da  infração  o  atraso  no  cumprimento  da  obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser  citado  a  conduta  do  transportador  de  registrar  extemporaneamente  no  Siscomex  os  dados  das  cargas  embarcadas, infração objeto da presente autuação.  Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é  deixar  de  prestar  informação  sobre  a  carga  no  prazo  estabelecido,  que  é  diferente  da  conduta  de,  simplesmente,  deixar  de  prestar  a  informação  sobre  a  carga.  Na  primeira  hipótese,  a  prestação  intempestiva  da  informação  é  fato  infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda  hipótese,  a  mera  prestação  de  informação,  independentemente  de  ser  ou  não  a  destempo,  resulta  no  cumprimento  da  correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a  informação for prestada antes do início do procedimento fiscal,  a  denúncia  espontânea  da  infração  configura­se  e  a  respectiva  penalidade é excluída.  De  fato,  se  registro  extemporâneo  da  informação  da  carga  materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de  todo  ilógico,  por  contradição  insuperável,  que  o  mesmo  fato  configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração.  De  modo  geral,  se  admitida  a  denúncia  espontânea  para  infração por atraso na prestação de informação, o que se admite  apenas  para  argumentar,  o  cometimento  da  infração,  em  hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora,  uma  vez  que  a  própria  conduta  tipificada  como  infração  seria,  ao  mesmo  tempo,  a  conduta  configuradora  da  denúncia  espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que  comprovada  a  infração,  a  multa  aplicada  seria  sempre  inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator  pela denúncia espontânea da infração.  Esse  sentido  e  alcance  atribuído  a  norma,  com  devida  vênia,  constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da  penalidade  pelo  intérprete  e  aplicador  da  norma,  pois,  na  prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser  aplicada  em  hipótese  alguma,  excluindo  do  ordenamento  jurídico  qualquer  possibilidade  punitiva  para  a  prática  de  infração desse jaez.  Fl. 135DF CARF MF Processo nº 11128.728872/2013­49  Acórdão n.º 3302­004.037  S3­C3T2  Fl. 14          13 [...].1 (destaques do original)  No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por  meio do Acórdão nº 9303­003.552, cujo enunciado da ementa segue reproduzido:  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Data do fato gerador: 07/06/2006  PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA  ENTREGA  DE  DECLARAÇÃO  OU  PRESTAÇÃO  DE  INFORMAÇÕES.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  INAPLICABILIDADE.  A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do  artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de  natureza  administrativa  o  excludente  de  responsabilidade  da  denúncia  espontânea,  não  se  aplica  nos  casos  de  penalidade  decorrente  do  descumprimento  dos  prazos  fixados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  para  prestação  de  informações à administração aduaneira.  Recurso Especial do Contribuinte Negado. 2  No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido  o mesmo.  A  título  de  exemplo,  cita­se  trechos  do  enunciado da  ementa  e  do  voto  condutor do do TRF da 4ª Região, proferido no  julgamento da Apelação Cível nº  5005999­81.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos:  EMBARGOS À  EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE  DA  INFORMAÇÃO  INTEMPESTIVA  DE  DADOS  DE  EMBARQUE.  AGENTE  MARÍTIMO.  LEGITIMIDADE  PASSIVA.  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA  AUTÔNOMA.  INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIAESPONTÂNEA. MULTA.  PROPORCIONALIDADE  E  RAZOABILIDADE.  VALOR  QUE  NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO.  1.  O  agente  marítimo  assume  a  condição  de  representante  do  transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar  de  prestar  informação  sobre  veículo  ou  carga  transportada,  concorre  diretamente  para  a  infração,  daí  decorrendo  a  sua  responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo  95, I, do Decreto­Lei nº 37, de 1966.2. Não se aplica a denúncia  espontânea  para  os  casos  de  descumprimento  de  obrigações  tributárias  acessórias  autônomas.3.  A  finalidade  punitiva  e  dissuasória  da  multa  justifica  a  sua  fixação  em  valores  mais  elevados,  sem  que  com  isso  ela  ofenda  os  princípios  da  razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco.  [...]  Voto.                                                              1  BRASIL.  CARF,  3ª  Seção,  1ª  Câmara,  2ª  Turma  Ordinária,  Ac.  3102­002.187,  de  26/03/2014,  rel.  José  Fernandes do Nascimento.  2 BRASIL. CARF, CSRF, 3ª Turma, Ac. 9303­003.552, de26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas.  Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11128.728872/2013­49  Acórdão n.º 3302­004.037  S3­C3T2  Fl. 15          14 [...]  Não  é  caso,  também,  de  acolhimento  da  alegação  de  denúncia espontânea.  A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do Decreto­Lei  nº 37, de 1966, a seguinte redação:  [...]  Bem  se  vê  que a  norma não  é  inovadora em  relação ao artigo  138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse  sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia  espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à  obrigação tributária acessória autônoma.  [...]3.  Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ),  conforme  confirma,  a  título  de  exemplo,  o  recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da  ementa segue transcrito:  O art. 107 do Decreto­lei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a  penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação  acima mencionada.  Oportuno  anotar,  ainda,  que  a  declaração  do  embarque  das  mercadorias  é  obrigação  acessória  e  sua  apresentação  intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é  passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. 4  Com  base  nessas  considerações,  afasta­se  a  alegada  excludente  de  responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente.  Da conclusão.  Por  todo  o  exposto,  vota­se  por  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso,  para  manter na íntegra o acórdão recorrido."  Ressalte­se  que,  da  mesma  forma  que  ocorreu  no  caso  do  paradigma,  no  presente processo:  a) a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da  informação  a  destempo,  no  Siscomex Carga,  dos  dados  relativos  a  conhecimento  eletrônico  (HBL),  vinculado  à  operação  de  desconsolidação  do  Conhecimento  Eletrônico  Sub­Master  (MHBL), Conhecimentos Eletrônicos cujos números constam da descrição dos fatos do Auto  de Infração deste;  b) as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreram antes de 1º  de  abril  de  2009,  o  que  sujeita  a  recorrente  a  cumprir  o  prazo  estabelecido  na  norma  temporária,  inscrita  no  inciso  II  do  parágrafo  único  do  art.  50  da  Instrução Normativa RFB  800/2007;                                                              3  BRASIL. TRF4.  2ª  Turma. Apelação Cível  nº  5005999­81.2012.404.7208/SC.  rel. Des. Rômulo Pizzolatti,  j.  10.12.2013.  4 BRASIL. STJ. REsp 1613696/SC. Rel. Min. Herman Benjamim. Decisão Monocrática de 2/9/2016.  Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11128.728872/2013­49  Acórdão n.º 3302­004.037  S3­C3T2  Fl. 16          15 c)  os  extratos  colacionados  aos  autos,  contendo  o  registro  da  conclusão  da  referida  operação  de  desconsolidação,  comprovam  que  a  informação  fora  prestada  pela  recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, após a atracação da  embarcação  no Porto  de Santos,  ficando  claramente  evidenciado  que  a  recorrente  praticou  a  conduta infracionária em apreço.  Desta forma, os fundamentos adotados para manter exigência da penalidade  no caso do paradigma, também justificam sua manutenção nos presentes autos.   Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário.  assinado digitalmente  Ricardo Paulo Rosa                                Fl. 138DF CARF MF

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Numero do processo: 12448.738182/2011-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2008 a 30/09/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO DE PARCELA ADICIONAL NÃO PREVISTA NO ACORDO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Incidem contribuições sociais sobre a parcela paga além do que ficou estabelecido no acordo firmado entre empregador e empregados para pagamento da PLR, uma vez que tal pagamento não foi efetuado com base em regras claras e objetivas pactuadas previamente. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ART. 61 DA LEI N. 9.430/1996. Tendo havido lançamento de ofício das contribuições, não é cabível a aplicação do art. 61 da Lei n. 9.430/1996, posto que este dispositivo é destinado às situações em que o recolhimento fora do prazo é efetuado espontaneamente pelo sujeito passivo. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. COMPARAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa aplicada com base no revogado § 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991, somada à multa por inadimplemento da obrigação principal, deve ser comparada com aquela prevista no art. 35-A da mesma lei, para definição da norma mais benéfica.
Numero da decisão: 2402-005.819
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, por maioria, negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza, Theodoro Vicente Agostinho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci que votaram por limitar a multa 20% do tributo não recolhido e aplicar o art. 32-A da Lei 8212/1991 para aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2008 a 30/09/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO DE PARCELA ADICIONAL NÃO PREVISTA NO ACORDO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Incidem contribuições sociais sobre a parcela paga além do que ficou estabelecido no acordo firmado entre empregador e empregados para pagamento da PLR, uma vez que tal pagamento não foi efetuado com base em regras claras e objetivas pactuadas previamente. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ART. 61 DA LEI N. 9.430/1996. Tendo havido lançamento de ofício das contribuições, não é cabível a aplicação do art. 61 da Lei n. 9.430/1996, posto que este dispositivo é destinado às situações em que o recolhimento fora do prazo é efetuado espontaneamente pelo sujeito passivo. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. COMPARAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa aplicada com base no revogado § 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991, somada à multa por inadimplemento da obrigação principal, deve ser comparada com aquela prevista no art. 35-A da mesma lei, para definição da norma mais benéfica.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, por maioria, negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza, Theodoro Vicente Agostinho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci que votaram por limitar a multa 20% do tributo não recolhido e aplicar o art. 32-A da Lei 8212/1991 para aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.

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2402­005.819  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  10 de maio de 2017  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS  OU RESULTADOS ­ PLR  Recorrente  BNY MELLON ARX INVESTIMENTOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/09/2008 a 30/09/2008  PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO DE  PARCELA ADICIONAL NÃO PREVISTA NO ACORDO.  INCIDÊNCIA  DE CONTRIBUIÇÕES.  Incidem  contribuições  sociais  sobre  a  parcela  paga  além  do  que  ficou  estabelecido  no  acordo  firmado  entre  empregador  e  empregados  para  pagamento da PLR, uma vez que  tal pagamento não  foi efetuado com base  em regras claras e objetivas pactuadas previamente.  APLICAÇÃO  DA  MULTA  MAIS  BENÉFICA.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ART. 61 DA LEI N.  9.430/1996.  Tendo  havido  lançamento  de  ofício  das  contribuições,  não  é  cabível  a  aplicação  do  art.  61  da  Lei  n.  9.430/1996,  posto  que  este  dispositivo  é  destinado  às  situações  em  que  o  recolhimento  fora  do  prazo  é  efetuado  espontaneamente pelo sujeito passivo.  MULTA.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO  E  OCORRÊNCIA  DE  DECLARAÇÃO  INCORRETA  OU  OMISSA  EM  RELAÇÃO  A  FATOS  GERADORES  DE  CONTRIBUIÇÕES.  COMPARAÇÃO  DA  MULTA  MAIS BENÉFICA. DISPOSITIVO APLICÁVEL.  Havendo  lançamento  de  ofício  e  ocorrendo  simultaneamente  declaração  de  fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa aplicada com base  no  revogado  §  5.º  do  art.  32  da  Lei  n.º  8.212/1991,  somada  à  multa  por  inadimplemento  da  obrigação  principal,  deve  ser  comparada  com  aquela  prevista no art. 35­A da mesma lei, para definição da norma mais benéfica.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 81 82 /2 01 1- 86 Fl. 468DF CARF MF     2   ACORDAM  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  conhecer  do  recurso  e,  por maioria,  negar­lhe  provimento,  vencidos  os  Conselheiros  Jamed  Abdul Nasser Feitoza, Theodoro Vicente Agostinho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor  Ribeiro Aldinucci que votaram por limitar a multa 20% do tributo não recolhido e aplicar o art.  32­A da Lei 8212/1991 para aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória.  (assinado digitalmente)  Kleber Ferreira de Araújo ­ Presidente e Relator    Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de  Araújo,  Ronnie  Soares  Anderson,  Jamed  Abdul  Nasser  Feitoza,  Túlio  Teotônio  de  Melo  Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild  e João Victor Ribeiro Aldinucci.  Fl. 469DF CARF MF Processo nº 12448.738182/2011­86  Acórdão n.º 2402­005.819  S2­C4T2  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se  do  recurso  voluntário  apresentado  pelo  sujeito  passivo  acima  identificado  contra  decisão  da  Receita  Federal  do  Brasil  que  declarou  improcedente  a  sua  impugnação apresentada para desconstituir os autos de infração abaixo listados.  a)  AI  n.º  37.355.158­4:  exigência  de  contribuições  patronais  para  a  Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrentes  de  riscos  ambientais  do  trabalho – GILRAT, incidentes sobre remunerações paga a segurados empregados;  b)  AI  n.º  37.355.159­2:  exigência  das  contribuições  destinadas  a  outras  entidades ou fundos (terceiros) incidentes sobre as mesmas bases de cálculo do item anterior  c)  AI  n.º  37.366.637­3:  imposição  de  multa  em  razão  da  empresa  haver  deixado de declarar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social ­  GFIP os fatos geradores que deram ensejo às autuações mencionadas.  Acerca da motivação da autoridade lançadora para efetuar os lançamentos e  dos argumentos da defesa para lhes desconstituir, passarei a reproduzir o relatório da decisão  recorrida, o qual reflete com fidelidade as principais questões envolvidas na presente lide.  " Consta do relatório fiscal que:  Foi  apresentado pela  empresa o plano de participação nos  lucros,  datado de  4/6/08, mas as regras para o pagamento da PLR não foram claras e objetivas. Consta  do plano o  critério para apuração do valor  a ser pago conforme o desempenho do  funcionário,  mas  verificou­se  que  os  valores  apurados  podem  ser majorados  pelo  comitê  em  razão  da  função  desempenhada,  do  tempo  de  serviço  e  da  responsabilidade  do  cargo,  de  forma  aleatória,  ficando  a  critério  do  comitê  da  empresa  a  aplicação  da majoração  indiscriminadamente  pelos  vários  empregados,  podendo, assim,  serem utilizados  índices diferentes para desempenhos  iguais, pois  não  existem mecanismos  previstos no programa do PLR para  aferição dos  índices  para fins de majoração, ou seja, o contribuinte adotou outros critérios subjetivos para  a distribuição destes valores que não  se  encontravam presentes no plano acordado  entre empresa, empregados e sindicato, o que acaba por demonstrar regras criadas de  forma unilateral pelo empregador, não atendendo ao disposto na Lei 10.101/00.  Assim,  foram  apuradas  as  diferenças  dos  pagamentos  efetuados  em  09/08  como  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária,  passando  a  ter  natureza  salarial,  não  fazendo  jus  à  benesse  previdenciária  da  não  incidência  das  contribuições sociais sobre tais valores pagos a descoberto.  Foi aplicada multa de 24%, na redação da lei vigente à época do fato gerador,  e lavrado o AI CFL 68, pois foi efetuado o comparativo das multas considerando a  redação  da  lei  antes  e  depois  da  MP  449/08,  resultando  que  a  regra  conforme  legislação anterior foi mais benéfica ao contribuinte.  DEFESA   Fl. 470DF CARF MF     4 O  contribuinte  foi  cientificado  das  autuações  em  19/12/11,  conforme  assinaturas  às  fls.  3,  8  e  13,  e  apresentou  impugnação  em  17/1/12  (carimbo  de  protocolo  à  fl.  237),  às  fls.  237/258  (a  impugnação  foi  novamente  juntada  às  fls.  297/318), que contém, em síntese:  Explica  o  plano  para  pagamento  da  PLR  e  afirma  que  o  montante  total  distribuído a título de PLR foi definido por um Comitê de Recursos Humanos – RH  que é composto por diretores da impugnante e representante de seus empregados.  Diz que diante do excelente desempenho no ano­calendário de 2008, o comitê  de RH decidiu compartilhar um montante considerável dos lucros de 2008 com os  empregados  da  impugnante,  vindo  a  pagar  valores  de  PLR  além  do  proposto  no  plano.  Alega  que  é  imune  a  PLR  prevista  na  CF/88  para  fins  previdenciários  e  disserta sobre a matéria.  Afirma que seu plano de PLR está de acordo com a Lei 10.101/00. Tanto é  assim que a  fiscalização não exige contribuições  sobre os valores de PLR que, no  seu entender,  foram pagos de acordo com as  regras de  referido plano, mas apenas  sobre a diferença a maior verificada.  Disserta sobre os objetivos da PLR e argumenta que a o empregador não pode  esquivar­se do pagamento mínimo acordado, contudo não há na Lei 10.101/00 regra  que limite o valor da PLR. Cita doutrina e decisão do Carf.  Acrescenta  que  os  pagamentos  realizados  a  título  de  PLR  possuem  caráter  eventual e não integrariam o salário de contribuição nos termos da Lei 8.212/91, art.  28, § 9o, alínea ‘e’, item 7. Cita jurisprudência e decisão do Carf.  Questiona  a  cobrança  de  contribuições  para  o  Incra,  alegando  ser  inconstitucional, e discorre sobre o assunto.  Requer o afastamento da multa aplicada, senão, sua limitação ao percentual de  20%,  entendendo  ser  aplicável  ao  caso  a  retroatividade  benigna  prevista  no CTN,  art. 106, II, ‘c’, e que a imposição da multa de ofício exclui a imposição da multa de  mora.  Afirma  que  a  multa  de  mora  relativa  aos  fatos  geradores  ocorridos  até  30/11/08 foi afastada pela nova sistemática introduzida pela MP 449/08. Por outro  lado, ainda que se entenda como devida a multa de mora, ela deve ser de 20%, em  face do disposto na Lei 8.212/91, art. 35, que estabelece que os débitos não pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  serão  acrescidos  de  multa  de  mora,  com  percentual  de  20%,  nos  termos  do  art.  61  da  Lei  9.430/96.  Cita  jurisprudência  e  decisão do Carf.  Sobre a multa exigida no AI CFL 68, aduz que como os pagamentos efetuados  a  título  de PLR não  se  sujeitam  à  incidência das  contribuições,  a  impugnante não  deveria tê­los declarado na GFIP de 09/08.  Acrescenta que mesmo que tivesse ocorrido o descumprimento da obrigação  acessória, o valor da multa deve ser retificado, pois com a publicação da MP 449/08,  o  artigo  32,  §  5.º  da  Lei  8.212/91  foi  revogado,  sendo  incluído  o  art.  32­A,  que  entende que deveria ser aplicado. Cita decisões do Carf.  Pede o cancelamento dos autos de infração."  O  órgão  de  primeira  instância  entendeu  que  as  regras  para  definição  do  pagamento de parcelas a título de PLR devem ser claras e objetivas, nesse sentido, não estaria  Fl. 471DF CARF MF Processo nº 12448.738182/2011­86  Acórdão n.º 2402­005.819  S2­C4T2  Fl. 4          5 de acordo com a legislação aplicável a fixação da verba por comitê, principalmente porque este  órgão poderia alterar as regras a seu critério, além de que não teria contado com representante  do sindicado dos empregados.  Também  foi  afastada  a  alegação da  empresa de  que a verba  seria  eventual,  isso porque a DRJ entendeu que os pagamentos de PLR eram feitos ao  longo dos anos e era  esperado pelos empregados.  Não  foi  acolhido  o  argumento  da  inconstitucionalidade  da  contribuição  ao  INCRA,  entendendo  a DRJ que  aos  órgãos  de  julgamento  administrativo  é vedado  afastar  a  aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade.  Quanto à multa por descumprimento de obrigação acessória, decidiu­se pela  sua procedência,  tendo­se em conta o  reconhecimento da ocorrência dos  fatos geradores. No  que  pertine  ao  valor  da  penalidade,  argumentou­se  que  o  fisco  lançou  mão  de  legislação  vigente quando da ocorrência da  infração, sendo cabível,  todavia, a sua revisão, em razão da  superveniência de norma mais favorável ao sujeito passivo.   Acerca  desse  aspecto,  entendeu­se  que  o  recálculo  da  penalidade  somente  deverá ser procedido no momento do pagamento do débito.  Inconformado  com  a decisão,  o  sujeito  passivo  interpôs  recurso  voluntário,  no  qual  inicialmente  relata  as  principais  ocorrências  processuais  até  a  decisão  de  primeira  instância  e  repete  os  argumentos  da  defesa,  a  exceção  daquele  que  tratava  da  inconstitucionalidade da contribuição ao INCRA, que não foi mencionado.  Em  03/05/2017,  foi  juntada  petição  de  fls.  447/451,  onde  noticia­se  o  reconhecimento  de  repercussão  geral  pelo  plenário  do  Supremo Tribunal  Federal  ­  STF  nos  recursos  extraordinários  n.º  630.898  e  603.624,  nos  quais  se  discute,  respectivamente,  a  inconstitucionalidade das contribuições destinadas ao INCRA e ao SEBRAE.  Lembra que a Procuradoria Geral da República ­ PGR apresentou pareceres  em  ambos  os  RE´s, manifestando  o  seu  entendimento  no  sentido  de  que  ambas  as  exações,  após a Edição da EC n.º 33/01, são inconstitucionais.  É o relatório.  Fl. 472DF CARF MF     6   Voto             Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator  Admissibilidade  A  ciência  da  decisão  recorrida  deu­se  em  16/04/2015  (fl.  435),  tendo  o  recurso sido interposto em 12/05/2015 (fl. 377), portando, dentro do prazo legal. Por cumprir  os demais requisitos de admissibilidade, devemos conhecê­lo.  Acerca da petição apresenta poucos dias antes do julgamento, no sentido de  trazer  à  baila  a  discussão  acerca  da  inconstitucionalidade  das  contribuições  destinadas  ao  INCRA e ao SEBRAE, entendo que não deva ser conhecida, haja vista que estas matérias não  se encontram veiculadas no recurso voluntário e, no caso da contribuição ao SEBRAE, sequer  na impugnação.  Por outro lado, mesmo que se conhecesse da petição, as matérias ali contidas  não poderiam ser objeto de deliberação por este colegiado, uma vez que a Súmula CARF n.º 02  veda os membros do Tribunal Administrativo se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei.  Mérito  Verifica­se dos autos que a tributação recaiu sobre a parcela da PLR paga em  setembro  de  2008,  referente  à majoração  determinada  pelo  Comitê  de RH,  este  previsto  no  Acordo de PLR e formado por representantes da empresa e dos empregados.  Observe­se que o fisco não tributou o valor da PLR paga ordinariamente, em  obediência  ao  acordo  firmado  entre  empresa  e  o  sindicato  representativo  da  categoria  dos  trabalhadores, mas apenas a parcela adicional.  Acerca  dessa  parcela  a  autoridade  lançadora mencionou  que  as  regras  para  pagamento da PLR adicional não foram claras e objetivas, uma vez que dependem de avaliação  do  Comitê  de  RH,  que  leva  em  conta  a  função  desempenhada,  o  tempo  de  serviço  e  a  responsabilidade  do  cargo.  Argumenta  que  o  valor  foi  pago  aleatoriamente,  posto  que  o  referido  Comitê  poderia  determinar  o  pagamento  de  valores  diferentes  para  iguais  desempenhos,  além  de  que  a  majoração  do  valor  não  obedece  a  mecanismos  previstos  no  Acordo  da  PLR,  levando  o  contribuinte  a  adotar  critérios  subjetivos  para  o  seu  pagamento.  Conclui  que  as  regras  foram  criadas  unilateralmente  pelo  empregador,  em  desobediência  ao  que prevê a Lei n.º 10.101/2000.  Diante dos argumentos apresentados pelo sujeito passivo, a questão que nos é  posta é se a parcela adicional da PLR paga em decorrência de determinação do Comitê de RH  pode ser considerada isenta da incidência de contribuições sociais.  Vejamos.  A  participação  dos  empregados  no  lucro  das  empresas  tem  sede  constitucional no Capítulo que trata dos Direitos Sociais. Eis o que preleciona a Carta Máxima:  Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de  outros que visem à melhoria de sua condição social:  Fl. 473DF CARF MF Processo nº 12448.738182/2011­86  Acórdão n.º 2402­005.819  S2­C4T2  Fl. 5          7 (...)  XI  ­  participação  nos  lucros,  ou  resultados,  desvinculada  da  remuneração,  e,  excepcionalmente,  participação  na  gestão  da  empresa, conforme definido em lei;  (...)  Atendendo  a  essa  previsão,  veio  ao  mundo  legal  a  Medida  Provisória  n.  794/2004,  sucessivamente  reeditada  até  a  conversão  na  Lei  n.  10.101/2000. O  art.  1.º  desse  diploma normativo dispõe:  Art.1o  Esta  Lei  regula  a  participação  dos  trabalhadores  nos  lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração  entre  o  capital  e  o  trabalho  e  como  incentivo  à  produtividade,  nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição.  Pois  bem,  esse  diploma  veio  normatizar  diversos  aspectos  atinentes  à  participação dos  trabalhadores no  resultado do empregador,  tais como:  forma de negociação,  impossibilidade  de  substituição  da  remuneração  por  esse  benefício,  periodicidade,  isenção  tributária, etc.  A  Lei  n.  8.212/1991,  na  que  a  alínea  “j”  do  §  9.  do  art.  28,  que  regula  a  isenção previdenciária  sobre a participação nos  lucros, prevê que não haverá  a  incidência de  contribuições  previdenciárias  sobre  a  citada  verba,  mas  condiciona  o  benefício  fiscal  ao  pagamento da parcela dos resultados em conformidade com a lei específica, no caso a Lei n.º  10.101/2000. Eis o dispositivo:  Art. 28. (...)  §  9  Não  integram  o  salário­de­contribuição  para  os  fins  desta  Lei, exclusivamente:  j)  a participação nos  lucros ou  resultados da  empresa, quando  paga ou creditada de acordo com lei específica;  (...)  No caso concreto, o fisco concluiu que a empresa desrespeitou a Lei da PLR  quando pagou a parcela adicional da verba sem obedecer a regras claras e objetivas, conforme  previsto  no  §  1.º  do  art.  2.º  da  Lei  n.º  10.101/2000  (redação  vigente  à  época  dos  fatos  geradores), verbis:  Art.2o  A  participação  nos  lucros  ou  resultados  será  objeto  de  negociação  entre  a  empresa  e  seus  empregados,  mediante  um  dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de  comum acordo:  I­  comissão  escolhida  pelas  partes,  integrada,  também,  por  um  representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;  II­ convenção ou acordo coletivo.  §1.º  Dos  instrumentos  decorrentes  da  negociação  deverão  constar  regras  claras  e  objetivas  quanto  à  fixação dos  direitos  Fl. 474DF CARF MF     8 substantivos  da  participação  e  das  regras  adjetivas,  inclusive  mecanismos  de  aferição  das  informações  pertinentes  ao  cumprimento  do  acordado,  periodicidade  da  distribuição,  período de  vigência e prazos para  revisão do acordo, podendo  ser  considerados,  entre  outros,  os  seguintes  critérios  e  condições:  I­  índices  de  produtividade,  qualidade  ou  lucratividade  da  empresa;  II­  programas  de  metas,  resultados  e  prazos,  pactuados  previamente.  Apreciando  o  Acordo  Coletivo  para  pagamento  da  PLR  (fls.  118/123),  assinado  em  04/06/2008  por  representantes  da  empresa,  dos  empregados  e  do  Sindicato  dos  Empregados  no  Mercado  de  Capitais  do  Rio  de  Janeiro,  observa­se  na  sua  cláusula  5.ª  os  critérios para pagamento da verba, conforme transcrição abaixo.  O  fisco  de  posse  da  documentação  solicitada  do  sujeito  passivo,  efetuou  o  cálculo  da  PLR  devida  segundo  os  critérios  fixados  no  Programa  de  Avaliação  de  Desempenho, tendo tributado a parcela excedente.  A  empresa  contra­argumenta  que  o  Comitê  de  RH,  por  estar  previsto  no  Acordo da PLR, poderia dispor acerca do pagamento de parcela, fixando valores além daquele  estabelecido pelo Programa de Avaliação de Desempenho.  A DRJ concluiu que o Comitê não teria o poder para alterar as regras para o  pagamento  da  PLR,  até  porque  este  órgão  não  era  composto  por  representante  do  sindicato,  conforme definido na lei.  Inicialmente cabe mencionar que a ausência de representante do ente sindical  não pode ser tomada como justificativa para manutenção do lançamento, posto que não foi este  motivo mencionado na peça acusatória. Ao adotar este procedimento o órgão a quo violou o  princípio da ampla defesa, uma vez que inovou na fundamentação fática do lançamento.  Quanto  à possibilidade de  alteração  no  valor  da PLR  a  ser  distribuída pelo  Comitê  de  RH,  vejo  que  não  há  tal  previsão  no  Acordo  do  PLR,  ao  contrário,  o  §  2.º  da  Cláusula 6.ª do Acordo Coletivo abaixo transcrito veda tal expediente.      Fl. 475DF CARF MF Processo nº 12448.738182/2011­86  Acórdão n.º 2402­005.819  S2­C4T2  Fl. 6          9 Vejamos as disposições do Acordo que tratam do referido Comitê:      Observa­se das cláusulas acima que não existe no acordado entre empresa e  empregados qualquer dispositivo prevendo a alteração do valor da PLR a ser distribuído apenas  com base  em decisão  do Comitê  de RH e  sem  levar  em  conta  o Programa de Avaliação  de  Desempenho.  Nesse  sentido,  qualquer  pagamento  além  do  que  ficou  estabelecido  na  Cláusula 6.ª do Acordo da PLR não atende ao que dispõe o § 1.º do art. 2.ª da Lei 10.101/2000.  Por  esse motivo,  devemos manter  a  tributação  sobre  a  parcela  paga  em  09/2008,  posto  que  repassada apenas com base em decisão unilateral do Comitê de RH, sem respaldo no Acordo  para pagamento da parcela em questão.  Quanto ao suposta eventualidade da parcela relativa à majoração da PLR não  vejo como acatá­la. A eventualidade, como elemento caracterizador da isenção, prevista no art.  28, § 9.º,alínea "e", item 7, da Lei n.º 8.212/1991, significa que as vantagens para o segurado  decorram de importâncias recebidas a títulos de ganhos eventuais, digam respeito à ocorrência  de caso fortuito.  Como se pode ver da pesquisa efetuada no Dicionário Michaelis:  Eventual  1  Dependente  de  acontecimento  incerto.  2  Casual,  fortuito. 3 Variável.  Não encontro qualquer traço de eventualidade no pagamento de participação  nos  lucros/resultados,  haja  vista  que  estes  decorrem  de  ajuste  firmado  entre  empresa  e  empregados para repasse de parte do lucro auferido por aquela.  Fl. 476DF CARF MF     10 Uma  vez  afastada  a  isenção  pretendida  pela  recorrente  sobre  a  parcela  em  questão,  obviamente,  tem­se  como  ocorridas  a  infração  à  legislação  consistente  na  falta  de  declaração  de  todos  os  fatos  geradores  na  GFIP,  haja  vista  que  tal  verba  não  constou  da  referida guia informativa.  Multa ­ redução  Requer  o  sujeito  passivo  que  a  multa  seja  imposta  observando­se  a  nova  redação  dada  ao  dispositivo  em  questão  pela  MP  n.  449/2008,  convertida  na  Lei  n.  11.941/2009, que trouxe ao art. 35 da Lei n.º 8.212/1991 a seguinte redação:  Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das  contribuições  sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art.  11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição  e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras  entidades  e  fundos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  em  legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora,  nos  termos  do  art.  61  da  Lei  nº  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).  O referido art. 61 da Lei n. 9.430/1996 assim prescreve:  Art.61.Os  débitos  para  com  a União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três  centésimos  por  cento,  por  dia  de  atraso.  (Vide Decreto  nº  7.212, de 2010)   §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do  primeiro  dia  subseqüente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que  ocorrer o seu pagamento.   §2º O percentual de multa a  ser aplicado  fica  limitado a vinte  por cento.  (...)  Ocorre que a aplicação retroativa a que se refere dispositivo acima somente  tem lugar quando se está diante de pagamento espontâneo, ou seja, não objeto de lançamento  de ofício.  Às  situações  em  que  houve  o  sujeito  passivo  deixou  de  declarar  os  fatos  geradores e recolher as contribuições, levando o fisco a constituir o crédito tributário, a regra  da novel legislação é o art. 44, I, da Lei n. 9.430/2006, conforme previsão do art. 35­A da Lei  n.º 8.212/1991, introduzida pela MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2008. Conforme  veremos no tópico seguinte.  Aplicação retroativa do art. 32­A da Lei n.º 8.212/1991  Pede o sujeito passivo que lhe seja aplicada a multa por descumprimento de  obrigação  acessória  com  base  no  art.  32­A  da  Lei  n.º  8.212/1991,  uma  vez  que  lhe  é mais  favorável.  Fl. 477DF CARF MF Processo nº 12448.738182/2011­86  Acórdão n.º 2402­005.819  S2­C4T2  Fl. 7          11 De fato, com o advento da Medida Provisória MP n. 449/2008, convertida na  Lei  n.  11.941/2009,  houve  profunda  alteração  no  cálculo  das  multas  decorrentes  de  descumprimento das obrigações acessórias relacionadas à GFIP.  Na  sistemática  anterior,  a  infração  de  omitir  fatos  geradores  em GFIP  era  punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a  penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa.   Quanto havia lançamento da obrigação principal relativo aos fatos geradores  não  declarados,  o  sujeito  passivo  ficava  também  sujeito  à  aplicação  da  multa  de  mora  nos  créditos  lançados,  num  percentual  do  valor  principal  que  variava  de  acordo  com  a  fase  processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era  a multa imposta.  Com  a  nova  legislação,  há  duas  sistemáticas  de  aplicação  da  multa.  Inexistindo o lançamento das contribuições, aplica­se apenas a multa de ofício prevista no art.  32­A da Lei n. 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor  fixo para cada grupo de 10  informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos:  Art. 32­A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração  de que trata o  inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo  fixado  ou  que  a  apresentar  com  incorreções  ou  omissões  será  intimado a apresentá­la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar­ se­á às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).   I  –  de  R$  20,00  (vinte  reais)  para  cada  grupo  de  10  (dez)  informações incorretas ou omitidas; e  (...)  Todavia  pelo  art.  35­A  da  mesma  Lei,  também  introduzido  pela  Lei  n.  11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro  ou omissão na GFIP  fica  incluída na multa de mora constante no crédito constituído. Deixa,  assim,  de  haver  cumulação  de multa  punitiva  e multa moratória,  condensando­se  ambas  em  valor único. Vejam o diz o dispositivo:  Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.   É  que  o  art.  44,  I,  da  Lei  n.  9.430/19961  prevê  que,  havendo  declaração  inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, deve­se aplicar  a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as  infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória.   Diante das considerações acima expostas, não há como se aplicar na situação em tela o art. 32­A da Lei n.  8.212/1991, como requer o sujeito passivo, posto que houve na espécie lançamento das contribuições correlatas. A  situação sob enfoque pede a aplicação do art. 35­A da mesma Lei, o qual conforme demonstrado pelo fisco no                                                              1 Art. 44.  Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:             I ­ de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de  falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;   (...)  Fl. 478DF CARF MF     12 item do relatório fiscal ­"IV.1 ­ Comparação das Multas"­ mostrou­se mais gravoso ao sujeito passivo, motivo  pelo qual a multa foi imposta com base na sistemática estabelecida pela legislação revogada.  Nesse sentido, não tem razão o sujeito passivo quanto ao recálculo da multa  do AI n.º 37.366.637­3 com base no art. 32­A da Lei n.º 8.212/1991 .  Conclusão  Voto por conhecer do recurso e negar­lhe provimento.    (assinado digitalmente)  Kleber Ferreira de Araújo                                 Fl. 479DF CARF MF

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Numero do processo: 15956.720097/2014-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 IRPJ.CSLL. ATIVIDADE RURAL. EXERCÍCIO. ATIVIDADE AGRO INDUSTRIAL. CANA-DE-AÇÚCAR. COEXISTÊNCIA. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. CABIMENTO. Comprovado o exercício da atividade rural, tanto pela utilização das terras para o plantio da cana-de-açúcar como nos custos e emprego de mão-de-obra, o fato de, subsequentemente à produção da cana, esta ser utilizada pela própria interessada no processo de agro-industrialização não desnatura o exercício da atividade rural e não é fator impeditivo para o gozo dos benefícios atribuídos àquela atividade econômica, concernente à depreciação acelerada dos bens adquiridos para o ativo permanente, exceto a terra nua. ATIVIDADE RURAL X ATIVIDADE AGRO-INDUSTRIAL. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. VEÍCULOS, MÁQUINAS E IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS. SEGREGAÇÃO DE CUSTOS. RATEIO DE DESPESAS COMUNS. A legislação estabelece o rateio, proporcional às receitas, dos custos e despesas, comuns a todas as atividades, porém, os custos necessários à produção da cana-de-açúcar são custos exclusivos da atividade rural, não sendo, portanto, comuns às demais atividades, como por exemplo a de industrialização da cana. Assim, as máquinas e implementos agrícolas representam custos, via depreciação, exclusivos da atividade agrícola, pois em momento algum são compartilhados na atividade industrial, assim como a depreciação das moendas e caldeiras ou colunas de destilação representam custos exclusivos da atividade industrial. Custos comuns, em se tratando de bens depreciáveis, poderiam ser, por exemplo, os veículos, se empregados tanto na produção agrícola, como na produção industrial, e assim estariam sujeitos a rateio entre as duas atividades produtivas. ATIVIDADE RURAL. BENS DO ATIVO PERMANENTE SUJEITOS A DEPRECIAÇÃO ACELERADA. CANAVIAIS EM FORMAÇÃO. CABIMENTO. A exclusão, expressa no dispositivo legal, com relação à terra nua, está a indicar que o incentivo fiscal de depreciação acelerada se aplica a todos os demais bens do ativo permanente imobilizado adquiridos pela pessoa jurídica para uso na atividade rural. Assim, os custos incorridos na formação da lavoura de cana-de-açúcar, que são ativáveis, podem ser deduzidos pelas pessoas jurídicas, integralmente, no próprio ano de aquisição, sob a forma de depreciação acelerada incentivada.
Numero da decisão: 1302-002.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2218; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T2  Fl. 1.517          1 1.516  S1­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15956.720097/2014­62  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1302­002.116  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de maio de 2017  Matéria  Exclusões do lucro líquido  Recorrente  USINA IPIRANGA DE AÇÚCAR E ÁLCOOL S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2010  IRPJ.CSLL.  ATIVIDADE  RURAL.  EXERCÍCIO.  ATIVIDADE  AGRO  INDUSTRIAL. CANA­DE­AÇÚCAR. COEXISTÊNCIA. DEPRECIAÇÃO  ACELERADA. CABIMENTO.   Comprovado  o  exercício  da  atividade  rural,  tanto  pela  utilização  das  terras  para o plantio da cana­de­açúcar como nos custos e emprego de mão­de­obra,  o  fato  de,  subsequentemente  à  produção  da  cana,  esta  ser  utilizada  pela  própria  interessada  no  processo  de  agro­industrialização  não  desnatura  o  exercício  da  atividade  rural  e  não  é  fator  impeditivo  para  o  gozo  dos  benefícios atribuídos àquela atividade econômica, concernente à depreciação  acelerada dos bens adquiridos para o ativo permanente, exceto a terra nua.  ATIVIDADE  RURAL  X  ATIVIDADE  AGRO­INDUSTRIAL.  DEPRECIAÇÃO  ACELERADA.  VEÍCULOS,  MÁQUINAS  E  IMPLEMENTOS  AGRÍCOLAS.  SEGREGAÇÃO  DE  CUSTOS.  RATEIO  DE DESPESAS COMUNS.  A  legislação  estabelece  o  rateio,  proporcional  às  receitas,  dos  custos  e  despesas,  comuns  a  todas  as  atividades,  porém,  os  custos  necessários  à  produção  da  cana­de­açúcar  são  custos  exclusivos  da  atividade  rural,  não  sendo,  portanto,  comuns  às  demais  atividades,  como  por  exemplo  a  de  industrialização  da  cana.  Assim,  as  máquinas  e  implementos  agrícolas  representam  custos,  via  depreciação,  exclusivos  da  atividade  agrícola,  pois  em momento algum são compartilhados na atividade industrial, assim como a  depreciação  das moendas  e  caldeiras  ou  colunas  de  destilação  representam  custos exclusivos da atividade  industrial. Custos comuns, em se  tratando de  bens  depreciáveis,  poderiam  ser,  por  exemplo,  os  veículos,  se  empregados  tanto  na  produção  agrícola,  como  na  produção  industrial,  e  assim  estariam  sujeitos a rateio entre as duas atividades produtivas.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 00 97 /2 01 4- 62 Fl. 1517DF CARF MF Processo nº 15956.720097/2014­62  Acórdão n.º 1302­002.116  S1­C3T2  Fl. 1.518          2 ATIVIDADE  RURAL.  BENS  DO  ATIVO  PERMANENTE  SUJEITOS  A  DEPRECIAÇÃO  ACELERADA.  CANAVIAIS  EM  FORMAÇÃO.  CABIMENTO.  A  exclusão,  expressa  no  dispositivo  legal,  com  relação  à  terra  nua,  está  a  indicar que o  incentivo  fiscal de depreciação acelerada se  aplica a  todos os  demais  bens  do  ativo  permanente  imobilizado  adquiridos  pela  pessoa  jurídica  para  uso  na  atividade  rural.  Assim,  os  custos  incorridos  na  formação  da  lavoura  de  cana­de­açúcar,  que  são  ativáveis,  podem  ser  deduzidos  pelas  pessoas  jurídicas,  integralmente,  no  próprio  ano  de  aquisição, sob a forma de depreciação acelerada incentivada.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencida a Conselheira Ester Marques Lins  de Sousa.  (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente e Relator.  Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Alberto  Pinto  Souza  Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de  Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado.  Fl. 1518DF CARF MF Processo nº 15956.720097/2014­62  Acórdão n.º 1302­002.116  S1­C3T2  Fl. 1.519          3 Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 14­55.993,  proferido pela 3ª Turma da DRJ­Ribeirão Preto/SP, em 15 de Janeiro de 2015, mediante o qual  os membros daquele  colegiado acordaram, por unanimidade de votos,  julgar  improcedente  a  impugnação, mantendo o crédito tributário de IRPJ e CSLL exigido, conforme sintetizado na  seguinte ementa:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Ano­calendário: 2010  EXCLUSÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO  DO  IRPJ.  CANA­DE­ AÇÚCAR. EXAUSTÃO. DEPRECIAÇÃO.  Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira estão  sujeitos  a  exaustão  e  não  a  depreciação,  de  modo  que  não  se  aplica  a  depreciação  integral  prevista  no  art.  6º  da  Medida  Provisória n° 2.159­70, de 2001.  POSTERGAÇÃO  DE  PAGAMENTO.  FALTA  DE  COMPROVAÇÃO.   Considera­se  postergada  a  parcela  de  imposto  relativa  a  determinado  ano­calendário  somente  quando  efetiva  e  espontaneamente paga em período­base posterior, fato que deve  ser comprovado e não apenas alegado.  Assunto: Processo Administrativo Fiscal  Ano­calendário: 2010  JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO.  A  juntada  posterior  de  documentação  só  é  possível  em  casos  especificados na lei.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.  Aplica­se  à  tributação  reflexa  idêntica  solução  dada  ao  lançamento  principal  em  face  da  estreita  relação  de  causa  e  efeito.  O  lançamento  foi  realizado  em  face  de  procedimento  de  verificação  do  cumprimento das obrigações tributárias pela empresa, no qual a fiscalização constatou, no ano­ calendário de 2010, exclusão indevida do lucro líquido de depreciação acelerada incentivada da  lavoura  de  cana­de­açúcar  e  de  máquinas  agrícolas.  O  lançamento  compreende,  além  das  exigências de IRPJ e CSLL, a cobrança de multa isolada por insuficiência de recolhimento do  IRPJ e CSLL sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou  balanços de  suspensão ou  redução,  com  fundamento no RIR, de 1999,  arts.  222, 230, 250  e  843, c/c Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, II, b (alterado pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007).  Fl. 1519DF CARF MF Processo nº 15956.720097/2014­62  Acórdão n.º 1302­002.116  S1­C3T2  Fl. 1.520          4 A interessada foi cientificada do acórdão em 12/02/2015 e apresentou recurso  voluntário em 05/03/2015.  No  recurso  apresentado  a  recorrente  contesta  as  conclusões  trazidas  no  acórdão recorrido e reitera os argumentos trazidos na impugnação, que foram bem sintetizados  na decisão de primeira instância, verbis:  ● Não atentou a autoridade fiscalizadora para os FATOS que demonstram o  real exercício da atividade rural da Impugnante, em especial que os seus custos com  o  exercício  da  atividade  agrícola  superam  78%  do  total  dos  custos,  conforme  planilha anexa.  Relevou ainda  a  fiscalização,  completamente,  os  fatos de que  a  Impugnante  contrata trabalhadores rurais, se utiliza de imóveis rurais, celebra parcerias rurais,  adquire máquinas rurais e obtém créditos rurais.  Em  suma,  omitiu  uma  realidade  que  salta  aos  olhos:  a  sua  atividade  é  totalmente  voltada  e  dependente  da  cana­de­açúcar,  base  única  de  sua  existência  social.  ●  A  Impugnante  é  uma  sociedade  agroindustrial  voltada  à  plantação  e  industrialização  de  cana­de­açúcar,  exercendo  atividade  tipicamente  rural  que  vai  desde  a  preparação  das  terras  destinadas  às  lavouras,  passa  pela  contratação  de  pessoas  que  prestam  serviços  (trabalhadores  rurais),  direta  ou  indiretamente,  relacionados  com  plantação,  cultivo  e  colheita,  assim  como  pela  aquisição  de  insumos, máquinas  e  equipamentos  (tipicamente  agrícolas),  até  chegar  à  obtenção  dos  seus  produtos  finais,  açúcar  e  álcool,  posteriormente  comercializados  no  mercado.  Assim, por  exercer  atividade  rural,  a  Impugnante  faz  jus  ao benefício  fiscal  conhecido  como  depreciação  acelerada,  previsto  na  Medida  Provisória  n°  2.159­ 70/2001.  ● A lavoura de cana­de­açúcar, enquanto formada, safra a safra, permanece o  tempo todo na terra ­ diferentemente do que ocorre com a exploração econômica de  uma floresta, em que as árvores são cortadas e mortas, para plantação de outras, se  for  o  caso  (aqui,  sim,  caso  de  exaustão). A  cana­de­açúcar  permanece  viva,  com  suas raízes, corte após corte da planta, da mesma forma que uma árvore permanece  viva após cada colheita de frutos e podas.  Por  todo  exposto,  é  evidente  que  os  custos  com a  formação  das  touceiras  e  soqueiras  devem  ser  submetidos  à  depreciação,  vez  que  os  sucessivos  cortes  da  planta não as destroem, nem as consomem.  ●  Entretanto,  o  raciocínio  da  fiscalização  não  se  coaduna  sequer  com  o  entendimento  da  Administração  Tributária,  formalizado  através  da  Instrução  Normativa n° 257, de 12 de dezembro de 2002, que em seu artigo 4o expressamente  reconhece as atividades relacionadas no artigo 2o como sendo da atividade rural e,  em  seu  artigo  3o  determina  aquelas que  não  representam  tal  atividade,  dentre  elas  (inciso I) a industrialização de produtos. Note­se que a IN reconhece a possibilidade  da  realização  das  duas  atividades  por  um  único  contribuinte,  determinando,  no  entanto,  a  análise  de  cada  uma  delas  em  separado,  qual  seja:  (i)  a  atividade  de  industrialização  não  é  rural  e,  apesar  disso,  (ii)  a  atividade  rural  não  se  descaracteriza  como  tal  por  ser  seguida  da  industrialização  ou  comercialização  (inciso II do art. 3°) do produto.  Fl. 1520DF CARF MF Processo nº 15956.720097/2014­62  Acórdão n.º 1302­002.116  S1­C3T2  Fl. 1.521          5 ● O artigo 6o da Medida Provisória n° 2.159­70/2001 determina que referido  benefício  deve  destinar­se  a  qualquer  empresa  exploradora  de  atividade  rural,  quando o bem destinado aos efeitos da depreciação seja utilizado na atividade rural  (independente  desta  atividade  ser  única  ou  preponderante  à  outra  atividade).  O  dispositivo legal não estabelece nenhuma limitação acerca da necessidade de que a  empresa, para usufruir desse benefício, explore exclusivamente atividade rural, como  afirma,  e  simplesmente  afirma,  sem  qualquer  base  lógica,  fática  ou  jurídica,  a  fiscalização no item 5.2 do Termo de Verificação.  ● Nossa legislação conceitua a pessoa jurídica agroindustrial como produtora  rural e, afirme­se com segurança, somente pode ser produtora rural a entidade que  exerce  atividade  rural,  sob  pena  de  absoluta  incongruência  entre  os  conceitos  empregados.  É por esta razão que a Lei n° 10.256/2001, cujo art. 2o  inseriu o art. 22A na  Lei n° 8.212/91, estabeleceu a modalidade de contribuição previdenciária a que se  sujeita a agroindústria, definindo­se esta como sendo o produtor rural pessoa jurídica  cuia atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção  própria e adquirida de terceiros.  E  nem  se  alegue,  que  o  artigo  22A  da  Lei  n°  8.212/91  não  se  aplica  ao  imposto  de  renda,  mas  tão  somente  às  contribuições  previdenciárias,  pois  a  lei  (também  previdenciária)  parte  de  um  conceito  pré­existente  para  definir  a  agroindústria, qual seja: "o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica  seja a INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO PRÓPRIA ou de produção própria e  adquirida de terceiros".  E ainda, a Medida Provisória n° 2.159­70/2001 não define expressamente o  que  se  entende  por  atividade  rural  para  fins  de  gozo  do  benefício,  cumprindo  ao  aplicador da lei integrá­la.  ● O Estatuto  da Terra,  em  diversos  outros  dispositivos,  deixa  indubitável  a  natureza jurídica da agroindústria como uma atividade própria do setor rural.  ● Conclui­se, pois, da natureza das atividades da Impugnante e da legislação  aplicável às pessoas jurídicas, que a atividade exercida por ela é de natureza rural,  como  produtora  rural  que  é,  independentemente  da  obtenção  de  produtos  finais  diversos da cana­de­açúcar in natura, no caso, açúcar e álcool, uma vez que são de  cana­de­açúcar as lavouras utilizadas pela Impugnante em sua cadeia produtiva e é  dela que a atividade rural, seja como atividade­fím como atividade­meio, se insere  fática,  jurídica,  econômica,  financeira  ou  socialmente  no  exercício  de  seu  objeto  social.  ●  Individualizar o benefício  à qualidade do produtor onde a  lei  não o  fez  é  uma falácia e erro grosseiro de interpretação, o que, sem dúvida alguma, não está o  exegeta,  ainda mais  as  autoridades  lançadora,  autorizado  a  fazê­lo,  principalmente  porque  tal  exegese  é  contrária  ao  entendimento  de  seu  superior  hierárquico,  formalizado na Instrução Normativa n° 257, de 2002, art. 8º.  ● A nossa  legislação  tributária, pois,  identifica as atividades exercidas pelas  agroindústrias como próprias de produtoras rurais, sendo que as  receitas auferidas  pela  Impugnante  decorrem  do  exercício  desta  atividade,  independentemente  de  considerações  atinentes  a mercados  primários ou mercados  secundários,  tal  como  aludidos pela d. autoridade  em seu  termo de  verificação  fiscal,  que  são  elementos  econômicos  estranhos  e  atípicos  às  normas  jurídicas  que  regem  a  tributação  em  pauta.  Fl. 1521DF CARF MF Processo nº 15956.720097/2014­62  Acórdão n.º 1302­002.116  S1­C3T2  Fl. 1.522          6 ● Da depreciação acelerada cultura da cana como depreciável:  O registro contábil dos custos com a formação da cultura canavieira deve ser  feito no ativo imobilizado, uma vez que se tratam de custos dirigidos à manutenção  da  atividade  da  companhia,  contribuindo  para  geração  de  receitas  em  diversos  exercícios sociais.  Nesta cultura, os custos a serem imobilizados são os incorridos do preparo do  solo até a cobertura dos toletes com terra, que darão origem às touceiras/soqueiras.  Estas últimas não são destinadas à venda pelo produtor, nem se caracterizam  como matéria­prima que, no caso em exame, podem ser representadas pelos colmos.  De fato. a touceira/soqueira, como retro mencionado, é a parte subterrânea da cana­ de­açúcar  que  permanece  viva,  com  suas  raízes,  corte  após  corte  da  planta,  da  mesma forma que uma árvore permanece viva após cada colheita de frutos e podas.  O  fato  é  que  após  quatro,  cinco  cortes,  a  cultura  da  cana  se  torna  economicamente inviável por força do desgaste, deterioração do uso e por ações da  natureza,  de onde  se destacam o  empobrecimento do  solo  e a  superficialização do  sistema radicular da planta. A planta poderia, em tese, sofrer novos cortes, oferecer  mais outras safras ­ o que de fato, em circunstâncias especiais, acontece no Brasil ­  mas  tal  não  gera,  em  regra,  retomo  do  investimento  para  o  produtor,  pois  a  manutenção daquelas soqueiras se torna por demais custosa, de maneira que, embora  vivas,  perdem  sua  utilidade  econômica,  com conseqüente  descarte daquela  cultura  para se iniciar um novo ciclo.  A Receita Federal, em 1987, expediu a Solução de Consulta n° 33, portanto  em período anterior  ao  incentivo da depreciação  integral,  afirmando,  com base no  Parecer Normativo n° 18/79, que "o encargo a ser contabilizado pelas empresas que  cultivam  a  cana­de­açúcar,  através  de  empreendimentos  próprios,  deve  ser  denominado depreciação".  A  Lei  nº  6.404/1976  restringe  a  exaustão  para  custos  relacionados,  exclusivamente,  a  recursos  minerais  e  florestais,  sem  reportá­la  à  formação  de  lavouras  agrícolas,  sendo  ilegítima  a  exigência  de  exaustão  fora  das  hipóteses  veiculadas no mencionado dispositivo.  A devastação das florestas implica na exploração destas de forma tal que elas  são  extirpadas  do  terreno  em  que  foram  plantadas.  Arranca­se  a  árvore,  devendo  haver novo plantio e cultivo da cultura para nova exploração: a árvore morre.  Tal  não  se  dá  na  cultura da  cana­de­açúcar. Ela  permanece  viva, corte  após  corte. A cana não morre. Mas suas raízes vão ficando mais e mais superficiais e o  tratamento a ser dado à terra e à planta, em um dado momento futuro, não mais tem  justificativa econômica. Deprecia­se!   ●  Fato  inconteste  é  que,  ao  longo  do  tempo,  os  vocábulos  depreciação,  amortização  e  exaustão  foram,  inúmeras  vezes,  utilizadas  como  sinônimos,  sem  haver  uma preocupação  excessiva  ao  tecnicismo dos  termos,  uma vez  que  a mera  referência a eles, indistintamente, poderia atingir perfeitamente o objetivo do texto,  sem ser preciso descer  a detalhes  sobre  eventuais distinções conceituais  existentes  entre eles. Realmente, desde as publicações mais antigas até as mais atuais, as contas  retificadoras acumuladas do ativo imobilizado são comumente apresentadas pelo seu  total,  com  a  denominação  genérica  de  "Depreciação,  Amortização  e  Exaustão  Acumuladas”.  Fl. 1522DF CARF MF Processo nº 15956.720097/2014­62  Acórdão n.º 1302­002.116  S1­C3T2  Fl. 1.523          7 E aqui, nesta zona aparentemente cinzenta de vazio ou de conflito normativo,  que assume fundamental relevância o principio da prevalência da essência sobre a  forma.  Tanto a depreciação como a exaustão referem­se à perda de valores de ativos,  independentemente  de  sua  natureza,  afinal  a  perda  reconhecida  é  sobre  o  ativo  Imobilizado.  No  imobilizado  estão  classificados  tanto  os  direitos  cujo  objeto  são  recursos  minerais  ou  florestais,  quanto  os  direitos  relativos  a  bens  físicos.  A  contrapartida do registro dessa perda de valor dos ativos é  sempre  reconhecida no  resultado, seja como custo dos produtos vendidos, seja como despesa do exercício.  Daí  pode­se  concluir  que  os  efeitos  nos  resultados,  do  ponto  de  vista  da  essência  econômica,  independentemente  da  denominação  que  recebam,  depreciação  ou  exaustão, serão absolutamente iguais.  ● Do efeito da Postergação.  Por  fim,  é  de  se  destacar  que  as  exclusões  objeto  da  glosa  são  despesas  de  depreciação,  consideradas  indevidas  no  exercício  correspondente, mas  devidas  em  períodos posteriores, tanto que adicionadas, conforme se denota das DIPJ anexas.  Tal  fato  foi  inclusive  observado  pela  fiscalização  que  expressamente  o  destacou  no  item  6.2  do  Termo  de  Verificação,  da  seguinte  forma:  "verificamos,  também, que o contribuinte procedeu à reversão dos valores de depreciação, tendo  adicionado  ao  resultado,  na  parte  B  do  LALUR,  os  valores  das  depreciações  normais, incorridas nos períodos de apuração subsequentes ao de sua aquisição”.  Em assim sendo, e de acordo com o próprio entendimento da Receita Federal  (RIR/1999,  art.  273; PN CST n° 57, de 1979 e PN Cosit  n° 2,  de 1996)  constitui  postergação do pagamento do tributo para período posterior ao que era (se assim o  for) devido.  Dessa  forma,  deveria  o  agente  autuante  recompor  as  bases  de  todos  os  períodos  de  apuração  envolvidos,  até  o  ano  de  2014,  quando  do  lançamento,  e,  constatando a diferença entre o retificado e o anteriormente apurado. por ter gerado  postergação de pagamento de tributo, efetuado o lançamento apenas no período em  que  tenha  havido  indevida  redução  constituindo  o  crédito  tributário  pelo  valor  líquido, isto é, depois de compensado recolhido em períodos posteriores.  Igualmente,  deverá  assim  também  agir  a  autoridade  fiscal,  quando  do  encerramento e  da  execução  do  valor  eventualmente  devido,  caso,  por hipótese,  o  direito aqui sustentado não venha a ser reconhecido.  Nesta  conjectura,  por  já  terem  sido  recolhidos  os  tributos  postergados  pelo  contribuinte,  segundo  o  entendimento  fiscal,  em  período  posterior,  dá­se  ensejo  unicamente à cobrança de  juros de mora e correção monetária, quando for o caso,  calculados  sobre  seu  montante  e  cobrados,  se  já  não  espontaneamente  pagos  conforme expresso no PN CST nº 57, de 1979, item 7.  ●  As  multas  previstas  no  artigo  44,  incisos  I  e  II,  alínea  "b"  da  Lei  n°  9.430/96,  possuem  a  mesma  materialidade,  qual  seja:  falta  de  recolhimento  do  imposto, seja após apuração anual, seja em decorrência de ausência de recolhimento  por antecipação.  Isso se dá porque as antecipações com base em estimativas não constituem um  novo tributo, mas tão­somente a antecipação de um fluxo de caixa do tributo devido  pelo contribuinte ao final do ano calendário.  Fl. 1523DF CARF MF Processo nº 15956.720097/2014­62  Acórdão n.º 1302­002.116  S1­C3T2  Fl. 1.524          8 No caso sob exame, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação  da arrecadação  tributária, atendida pelo recolhimento do  tributo apurado ao fim do  ano­calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo  de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação.  Logo, quando aplicada multa de oficio pela  falta de recolhimento de  tributo  apurado ao final do exercício e constatado que também esse mesmo valor deixou de  ser antecipado ao longo do ano sob a forma de estimativa, a Autoridade Fiscal não  poderá exigir, concomitantemente, a multa isolada. No caso, cobra­se apenas a multa  de ofício por falta de recolhimento de tributo.  E  importante  esclarecer  que  está  havendo  uma  DUPLICIDADE  DE  EXIGÊNCIA  E  IMPOSIÇÃO  DE  PENALIDADES  sobre  um  mesmo  fato  tido  supostamente como infração, pois foram efetivados AUTOS DE INFRAÇÃO co.it­a  a  contribuinte,  no  mesmo  período,  com  lançamento  da  MULTA  DE  OFÍCIO  E  MULTA ISOLADA sobre eles.  Repita­se, a ilustre fiscalização apurou suposta infração e sobre os respectivos  valores  entendeu  que  seria  também  devida  suposta  estimava  e,  por  decorrência,  aplicou  CONCOMITANTEMENTE  MULTA  DE  OFÍCIO  DE  75%  E  MULTA  ISOLADA.  O  resultado  disto  é  que  a  Recorrente  está  sendo  penalizada  com  a  gravosa  multa  de  150%  equivalente  à  pratica  de  fraude,  acusação  esta  que  em  momento  algum constou da peça fiscal.  Portanto,  resta  sobejamente  demonstrado  que  não  cabe  a  imputação  concomitante das multas de ofício e isolada, quando uma infração absorver a outra,  como é o caso dos presentes autos.  Ao  final,  a  recorrente  requer que seja dado  integral  provimento  ao  recurso,  com a consequente reforma da decisão guerreada, cancelando­se a exigência constante da auto  de  infração,  uma  vez  que  os  procedimentos  adotados  pela  Recorrente,  no  que  se  refere  a  exclusões no lucro real da depreciação incentivada, estão corretos.  É o relatório.    Fl. 1524DF CARF MF Processo nº 15956.720097/2014­62  Acórdão n.º 1302­002.116  S1­C3T2  Fl. 1.525          9   Voto             Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Relator  O  recurso  voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  pressupostos  legais  e  regimentais. Assim, deve ser conhecido.  A controvérsia nos autos gira em torno da abrangência dos benefícios legais  concedidos  à  exploração da  atividade  rural  em  face das  atividades  exercidas pela  recorrente,  conceituada como agro­industrial.  A fiscalização parte do entendimento de que a caracterização do exercício da  atividade  rural,  quando  associada  a  transformação  do  produto,  está  limitada  às  condições  previstas  no  art.  2ª,  inc.  V  da  Lei  nº  8.023/1990,  tais  como:  a)  que  não  sejam  alteradas  a  composição e as características do produto in natura; b) que sejam utilizados equipamentos e  utensílios  usualmente  empregados  nas  atividades  rural;  c)  que  a  transformação  seja  efetuada  pelo  próprio  agricultor  ou  criador;  e,  d)  que  seja  utilizada  exclusivamente  matéria­prima  exclusivamente produzida na área rural.   Com  base  nesta  premissa,  entende  que  a  interessada  não  se  enquadra  no  conceito  de  atividade  rural,  uma vez  que  concentra  suas  atividades,  preponderantemente,  na  produção  de  açúcar  e  álcool  combustível,  na  qual  há  nítida  alteração  das  características  do  produto  in  natura  (cana­de­açúcar).  Além  disso,  os  equipamentos  usados  na  produção  do  açúcar  e  do  álcool,  são  completamente  diferentes  dos  usualmente  empregados  na  atividade  rural. Destaca ainda as grandes quantidades de produtos que saem da usina, resultante de um  processo  industrial,  como  outra  característica  que  afasta  a  atividade  da  recorrente  como  meramente rural. Por fim, aponta que a interessada também se utiliza de matéria­prima (cana­ de­açúcar) adquirida de terceiros para a transformação em outros produtos (açúcar e álcool).  Não obstante, a fiscalização reconhece que, embora predomine o exercício da  atividade  agroindustrial,  a  recorrente  exerceria,  em  caráter  minoritário,  atividade  rural,  caracterizada pela venda de bagaço de cana  e melaço, que correspondem à 1,15% da  receita  total.  Diante desta  constatação,  a  autoridade  fiscal  entende que  a  recorrente  faria  jus  ao  benefício  da  depreciação  acelerada,  previsto  no  art.  6º  da MP.  nº  2159­70/2001,  com  relação às máquinas e  implementos empregados na atividade rural, na proporção das  receitas  relacionadas  à  esta  atividade,  efetuando  a  glosa  dos  valores  excluídos  que  excederam  a  esta  proporção.  Noutro giro, entendeu a  fiscalização por glosar  integralmente a exclusão da  depreciação acelerada relacionada à cana em formação, utilizada pela recorrente, por entender  que  a  lavoura  canavieira  está  sujeita  à  quotas  de  exaustão  e  não  de  depreciação,  não  se  aplicando, portanto, o conceito de depreciação acelerada prevista no texto legal.  Fl. 1525DF CARF MF Processo nº 15956.720097/2014­62  Acórdão n.º 1302­002.116  S1­C3T2  Fl. 1.526          10 A  recorrente,  por  sua  vez,  argumenta  que  o  fato  de  exercer  atividade  agro  industrial,  em processo  de verticalização,  não  desnatura o  exercício  da  atividade  rural  e  que  também não é impeditivo para o gozo do incentivo fiscal relacionado a esta atividade.  Contrapõe o argumento da fiscalização de que suas receitas de atividade rural  representam apenas 1,15% do faturamento, com a indicação de que: a) utiliza 99,5% de seus  imóveis  rurais  na  produção  da  cultura  de  cana,  reservando  apenas  0,5%  da  área  para  as  instalações  industriais; b) o uso da mão de obra, no ano de 2010, correspondeu a 76,28% da  divisão  agrícola,  contra  23,72%  das  demais  atividades;  c)  os  custos  com  a  atividade  rural,  representam 78,85% do seu custo total.  Alega que o benefício fiscal instituído pelo art. 6º da MP 2.159­70/2001, não  se  confunde  com  o  benefício  previsto  na  Lei  nº  8.023/90,  que  se  vincula  ao  resultado  da  atividade, enquanto que aquele se limita ao exercício da atividade rural, ou seja, destina­se a  qualquer  empresa  que  explore  esta  atividade  quando  os  bens  sejam  nela  empregados,  inexistindo obrigatoriedade de exploração exclusiva da atividade rural.   Sustenta que a própria  IN.SRF. nº 257/2002 prevê a  realização de mais de  uma atividade pelo mesmo contribuinte e que a atividade rural não se descaracteriza como tal  por ser seguida da industrialização ou comercialização.  Alega  que  a  legislação  conceitua  a  pessoa  jurídica  agro­industrial  como  produtora rural, citando como exemplos: o art. 22­A da Lei nº 8.212/1991, introduzido pela Lei  nº10.256/2001 e o Estatuto a Terra (Lei nº4.504/1964), nos seus art. 4º, inc. I, 14. 92, 96, § 1º e  103.  Com relação à aplicação da depreciação acelerada aos custos com a formação  de canaviais defende que estes devem ser  registrados no ativo  imobilizado e estão sujeitos à  apropriação  no  decorrer  dos  períodos  para  os  quais  contribuirão  na  geração  de  receitas.  Sustenta que os mesmo estão sujeitos à depreciação e não à exaustão que seria aplicável apenas  à formação de florestas e recursos minerais.   Examino primeiramente a questão relacionada ao exercício da atividade rural  pela interessada e sua abrangência para fins de gozo do benefício da depreciação incentivada.  Noto que a fiscalização, conquanto  tenha buscado minimizar o exercício da  atividade rural por parte da  interessada, não deixou de  reconhecê­la,  inclusive para admitir a  utilização  do  benefício  da  depreciação  incentivada  em  face  das  máquinas  e  implementos  agrícolas utilizadas naquela atividade, proporcionalmente à receita bruta.  Entendo que, de fato, não há como negar o exercício da atividade rural  por  parte da interessada, espelhada tanto na utilização das terras para o plantio da cana­de­açúcar,  como nos  custos  e  emprego de mão­de­obra,  conforme destacado no  recurso voluntário pela  recorrente.   O  fato,  subsequente  à  produção  da  cana,  desta  ser  utilizada  pela  própria  interessada no processo de agro­industrialização não desnatura o exercício da atividade rural e,  no meu entender, não é fator impeditivo para o gozo dos benefícios atribuídos àquela atividade  econômica.  Fl. 1526DF CARF MF Processo nº 15956.720097/2014­62  Acórdão n.º 1302­002.116  S1­C3T2  Fl. 1.527          11 Seria  um  contrassenso  exigir­se  que  o  produtor  de  cana  vendesse  sua  produção  à  terceiros  para  gozo  do  incentivo  e  tivesse  de  adquiri­la  de  outros  terceiros  para  suprir a matéria prima na sua atividade agro­industrial.  Observo  que  as  próprias  normas  expedidas  pela  administração  tributária  admitem a  exploração pela pessoa  jurídica, condicionando, apenas  a  segregação contábil das  receitas, custos e despesas, conforme dispõe o art. 8º, caput da IN.SRF. 257/2002, verbis:  Art.  8º A  pessoa  jurídica  rural  que  explorar  outras  atividades  deverá  segregar,  contabilmente,  as  receitas,  os  custos  e  as  despesas  referentes  à  atividade  rural  das  demais  atividades  e  demonstrar,  no  Livro  de  Apuração  do  Lucro  Real  (Lalur),  separadamente,  o  lucro  ou  prejuízo  contábil  e  o  lucro  ou  prejuízo fiscal dessas atividades.  Assim,  reconhecido  que  a  interessada  exercia  atividade  rural,  há  que  se  admitir que faz jus ao benefício da depreciação incentivada dos bens nela empregados.  Cumpre examinar, na sequência, a sua abrangência.  A discussão gira em  torno de bens com naturezas distintas, quais  sejam, os  veículos, máquinas e implementos agrícolas utilizadas na exploração e o custo de formação de  canaviais.  Com  relação ao primeiro grupo bens,  a  fiscalização admitiu parcialmente  a  depreciação incentivada, mas procedeu a glosa dos valores que excederam às receitas por ela  identificadas como decorrentes da atividade rural: bagaço de cana e melaço (1,15% da receita  total).  Penso que o critério adotado pela fiscalização não atende ao que preconiza a  regulamentação dada pela IN.SRF. nº 257/2002 no seu art. 8º, § 1º e 2º, verbis:  Art. 8º [...]  § 1º A pessoa jurídica rural deverá ratear proporcionalmente à  percentagem que a receita líquida de cada atividade representar  em relação à receita líquida total:  I ­ os custos e as despesas, comuns a todas as atividades;  II  ­  os  custos  e as  despesas  não  dedutíveis,  comuns  a  todas  as  atividades,  a  serem  adicionados  ao  lucro  líquido,  na  determinação do lucro real;  III ­ os demais valores comuns a todas as atividades, que devam  ser computados no lucro real.  § 2º Na hipótese de a pessoa  jurídica rural não possuir  receita  líquida  no  ano­calendário,  a  determinação  da  percentagem  prevista no § 1º será efetuada com base nos custos ou despesas  de cada atividade explorada.  (grifei)  Fl. 1527DF CARF MF Processo nº 15956.720097/2014­62  Acórdão n.º 1302­002.116  S1­C3T2  Fl. 1.528          12 Com efeito, a citada instrução normativa estabelece o rateio, proporcional às  receitas, dos custos e despesas, comuns a todas as atividades.  Ora,  os  custos  necessários  à  produção  da  cana­de­açúcar  são  custos  exclusivos  da  atividade  rural,  não  sendo,  portanto,  comuns  às  demais  atividades,  como  por  exemplo  a  de  industrialização  da  cana.  Assim,  as  máquinas  e  implementos  agrícolas  representam custos, via depreciação, exclusivos da atividade agrícola, pois em momento algum  são compartilhados na atividade industrial, assim como as moendas e caldeiras ou colunas de  destilação representam custos exclusivos da atividade industrial.  Custos  comuns,  em  se  tratando  de  bens  depreciáveis,  poderiam  ser,  por  exemplo, os veículos, se empregados tanto na produção agrícola, como na produção industrial.  Neste caso, sim, caberia adotar o rateio dos custos inerentes à utilização dos bens em ambas as  atividades.  Destarte,  entendo  que  não  cabe  falar  em  rateio  de  custos  quando  estes  são  claramente  utilizados  com exclusividade  na  atividade  agrícola.  São,  portanto,  custos  daquela  atividade, suscetíveis de enquadramento nos benefícios fiscais inerentes à atividade rural.  Examinando  os  autos,  verifico  que  a  fiscalização  intimou  a  interessada  a  apresentar cópia das Notas Fiscais de aquisição de veículos, máquinas e implementos agrícolas  que  foram objeto da depreciação acelerada  e o demonstrativo mensal dos valores  (Termo de  Intimação Fiscal nº 41 ­ e­fls. 325/326), e consolidou os dados em planilhas (e­fls. 556/565).  Nesta planilhas verifica­se a existência, além de tratores, máquinas e implementos agrícolas, de  diversos  veículos  (caminhões  e  reboques)  que,  segundo  a  interessada,  eram  utilizados  na  exploração agrícolas e foram objeto da depreciação incentivada.  A  fiscalização não questionou a  real utilização desses veículos na atividade  agrícola,  nem  tampouco  perquiriu  se  os  mesmos  eram  empregados  exclusivamente  naquela  atividade.   Assim, entendo que devam ser tratados como bens aplicados unicamente na  atividade agrícola, tal como informado pelo contribuinte.  Ante  ao  exposto,  voto  no  sentido  de  dar  provimento  ao  recurso  voluntário,  nesta parte, para cancelar a glosa das exclusões da depreciação incentivadas calculadas sobre  os veículos, máquinas e implementos agrícolas.  Questão  que  me  parece  mais  tormentosa  é  a  relacionada  à  utilização  da  depreciação incentivada sobre a formação de lavouras de cana­de­açúcar.  A  fiscalização entendeu  que, por  se  tratarem de  bens  sujeitos  à  exaustão,  e  não à depreciação, tal qual às florestas, esses não podem ser enquadrados para fins do benefício  fiscal constante do art. 6º da MP. 2159­70/2001.  A recorrente defende a aplicação do incentivo a estes bens, tanto por entender  que  se  tratam  de  bens  sujeitos  à  depreciação  e  não  à  exaustão,  como  por  interpretar  que  o  dispositivo legal permitiria a dedução integral de todos os custos e investimentos da atividade  rural,  exceto  a  terra nua,  no próprio  ano da  aquisição, nos moldes previstos para  a  atividade  rural exercida pelas pessoas físicas.  Fl. 1528DF CARF MF Processo nº 15956.720097/2014­62  Acórdão n.º 1302­002.116  S1­C3T2  Fl. 1.529          13 A jurisprudência deste conselho é bastante dividida quanto ao cabimento da  depreciação  acelerada  aos  canaviais  em  formação,  conforme  se  constata  das  ementas  dos  acórdãos abaixo transcritas:  A favor da aplicação do benefício aos canaviais:  Acórdão nº 101­96.867, 14/08/2008  CANA­DE­AÇÚCAR  ­  EXAUSTÃO  ­  DEPRECIAÇÃO.  Os  recursos  aplicados  na  formação  da  lavoura  canavieira,  integrados  ao  ativo  imobilizado,  não  obstante  sujeitos  à  exaustão,  e  não  à  depreciação,  podem  ser  apropriados  integralmente  como  encargos  do  período correspondente  à  sua  aquisição.  Acórdão nº 1402­00.914, 15/03/2012  IRPJ.  AGROINDÚSTRIA.  CANA­DE­AÇÚCAR.  DEPRECIAÇÃO  INCENTIVADA.  Os  recursos  aplicados  na  formação  da  lavoura  canavieira,  integrados  ao  ativo  imobilizado,  podem  ser  apropriados  integralmente  como  encargos do período correspondente a sua aquisição.  Acórdão nº 1201­001.243, de 10/12/2015  DEPRECIAÇÃO ACELERADA.  Os custos ativáveis incorridos na aquisição de bens empregados  na  atividade  rural  podem  ser  integralmente  deduzidos  como  despesa  daquela  atividade  no  próprio  ano  em  que  foram  adquiridos.  Não  fazem  jus  ao  benefício  os  custos  ativáveis  incorridos  na  aquisição de bens não empregados na atividade rural.  Acórdão nº1401­001.523, de 01/02/2016  LAVOURA  CANAVIEIRA.  BENEFÍCIO  FISCAL.  DEPRECIAÇÃO ACELERADA.  Os  recursos  aplicados  na  formação  da  lavoura  canavieira,  integrados ao ativo  imobilizado,  estão  sujeitos  à  depreciação  e,  não,  à  exaustão,  portanto  podem  integrar  o  benefício  da  depreciação  acelerada  incentivada.  Acórdão nº 1201­001.441, de 08/06/2016  CANA­DE­AÇÚCAR. DEPRECIAÇÃO ACELERADA.  Os  recursos  aplicados  na  formação  da  lavoura  canavieira,  integrados  ao  ativo  imobilizado,  podem  ser  apropriados  integralmente  como  encargos  do  período correspondente  a  sua  aquisição.  Fl. 1529DF CARF MF Processo nº 15956.720097/2014­62  Acórdão n.º 1302­002.116  S1­C3T2  Fl. 1.530          14 Em sentido contrário à aplicação do benefício aos canaviais:  Acórdão nº 1302­001.788, de 04/02/2016  ATIVIDADE  RURAL.  DEPRECIAÇÃO  ACELERADA.  INTERPRETAÇÃO LITERAL. O benefício fiscal da depreciação  acelerada  de  bens  do  ativo  imobilizado  aplicados  na  atividade  rural  não  alcança  os  elementos  integrantes  deste  grupo  patrimonial  que  se  sujeitam  a  exaustão  ou  amortização.  LAVOURA DE CANA­DE­AÇÚCAR. EXAUSTÃO. A diminuição  de  valor  da  lavoura  canavieira,  porque  sujeita  à  exploração  mediante  corte,  é  registrada  em  quotas  de  exaustão,  na  proporção do volume explorado.  A  jurisprudência  acima  citada,  favorável  à  aplicação  do  benefício  fiscal  da  depreciação  acelerada  aos  canaviais  em  formação,  se  divide  entre  os  que  entendem que  tais  lavouras  estão  sujeitas,  de  fato,  à  depreciação  e  não  à  exaustão,  se  amoldando,  assim,  literalmente  ao  incentivo  fiscal  previsto  no  art.  6ª  da  MP.  nº  2159­70/2001  e  outros  que  entendem que o benefício deve ser estendido aos canaviais em formação,  independentemente  se  estão  sujeitos  à  quotas  de  depreciação  ou  exaustão.  Entendem,  estes  últimos,  que  o  dispositivo  legal  abrangeria  todos  os  bens  do  ativo  imobilizado,  exceto  a  terra  nua,  e  que  o  termo "depreciação", utilizado no dispositivo legal, teria um acepção mais ampla, abrangendo  todas  as  formas  de  encargos  correspondentes  à  diminuição  do  valor  dos  bens  do  ativo,  resultante  do  desgaste  pelo  uso,  ação  da  natureza,  obsolescência  normal  ou,  ainda,  da  sua  exploração.  Já  aqueles  que  entendem  ser  inaplicável  o  benefício  aos  canaviais  em  formação, entendem que estes estão sujeitos à quotas de exaustão e não de depreciação e que o  dispositivo legal deve ser interpretado literalmente, nos termos do art. 111 do CTN. Assim, a  aplicação do art. 6ª da MP. nº 2159­70/2001 estaria  limitada aos bens sujeitos à depreciação,  que não seria o caso dos canaviais em formação.  A  Coordenação­Geral  do  Sistema  de  Tributação  ­  COSIT  da  Secretaria  da  Receita Federal ao decidir divergência em face de Soluções de Consulta proferidas pela 9ª e  10ª Regiões que  tratavam da aplicação do mesmo benefício aos  recursos  florestais,  entendeu  que estes não eram abrangidos, nos  termos da Solução de Divergência Cosit nº 12, de 07 de  agosto de 2003, verbis:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­  IRPJ  Ementa: ATIVIDADE RURAL. FLORESTAS.  O  benefício  consistente  na  dedução  integral  dos  valores  dos  bens  do  ativo  permanente  imobilizado,  exceto  a  terra nua,  no próprio  ano de aquisição, não  inclui  a  amortização  nem  a  exaustão  de  recursos  florestais.  Dispositivos  Legais: Medida  Provisória  nº  2.159­70,  de 2001, art. 6º ; Decreto nº 3.000, de 1999, arts. 305,  328  e  334  ­  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  (RIR/1999).  Fl. 1530DF CARF MF Processo nº 15956.720097/2014­62  Acórdão n.º 1302­002.116  S1­C3T2  Fl. 1.531          15 A  solução  de  divergência  referida,  está  assentada  nas  seguintes  premissas,  verbis:  15. De todo o exposto constata­se que:  a) a  lei, em suas várias  reedições, conservou o  termo "depreciação", quando  poderia  ter  elencado  também a  "exaustão"  e  "amortização"  na  edição  reiterada  do  dispositivo de regulação da matéria. Se não o fez, foi por inadequação da realização  integral do ativo sujeito à exaustão ou à amortização;   b)  aos  três  institutos  contábeis,  embora  semelhantes,  preponderam  atributos  que lhes dão distinção própria, o que justifica a diferença de tratamentos perante a  legislação tributária;   c) as isenções ou abrandamentos de ônus de tributos devem ser interpretadas  restritamente no Direito Tributário.   16.    Daí  concluir­se  que  somente  poderá  ser  deduzido  no  mesmo  ano da aquisição o valor dos bens sujeitos à depreciação, de que trata o art. 305 do  RIR/1999.  A  dedução  integral  não  se  estende  aos  ativos  sujeitos  à  amortização  e  exaustão,  haja  vista  a  legislação  do  imposto  de  renda  das  pessoas  jurídicas  contemplar  normas  específicas  para  a  amortização  dos  direitos  de  exploração  de  florestas  (RIR/1999, art. 328) e para a exaustão dos recursos  florestais  (RIR/1999,  art. 334).  Por outro lado, o Parecer MF/SRF/Cosit/Ditir n° 1.383/1995, dispõe que:  “Os  bens  do  ativo  imobilizado  (dispêndios  aplicados  na  formação de canaviais), exceto a terra nua, quando destinados à  produção,  poderão  ser  depreciados,  integralmente,  no  próprio  período­base da aquisição”.  No que concerne ao instituto que deva ser aplicado para registra redução do  valor dos canaviais pelo seu desgaste, depreciação ou exaustão, me parece que os argumentos  utilizados pelos que defendem  tanto um quanto outro  são bastante  razoáveis,  inexistindo um  critério objetivo para definir este impasse.  Se  o  corte  da  lavoura  de  cana  se  diferencia  das  lavouras  permanentes,  que  produzem  frutos  (que  são  colhidos  sem prejuízo  das  árvores)  e  estão  sujeitas  à  depreciação,  também se diferencia das florestas, que estão sujeitas à exaustão, pois se mantém produtiva por  vários ciclos, sem necessidade de replantio.  Assim, se não se amolda perfeitamente ao conceito de depreciação, também  não  pode­se  dizer  propriamente  que  estaria  submetida  à  exaustão,  como  as  florestas  e  os  minerais, sendo certo, apenas, que sofrem com o desgaste pelo uso ou pelo tempo.   Depois de muito refletir e examinar a matéria, sob a perspectiva da doutrina,  jurisprudência  e  da  legislação  pertinente,  penso  que  esses  custos  incorridos  na  formação  da  lavoura  de  cana­de­açúcar,  que  são  ativáveis,  podem  ser  deduzidos  pelas  pessoas  jurídicas,  integralmente, no próprio ano de aquisição, em simetria com a dedução conferida às pessoas  físicas pela Lei nº 8.023/1990.   Fl. 1531DF CARF MF Processo nº 15956.720097/2014­62  Acórdão n.º 1302­002.116  S1­C3T2  Fl. 1.532          16 Entendo  que  o  termo  "depreciação"  utilizado  no  texto  legal  deve  ser  interpretado como a possibilidade de dedução dos investimentos feitos na atividade rural como  um todo, como se fossem custos no ano de sua aquisição.   A diferenciação, com relação às pessoas físicas, é que para estas não existe a  possibilidade de depreciação dos bens, ao contrário das pessoas jurídicas.   Estas  últimas, muito  embora  continuem  a  registrar  esses  investimentos  no  seu  ativo,  apropriando­se  as  quotas  de  depreciação/exaustão  permitidas,  passaram  a  ter  o  direito à deduzir integralmente o valor desses investimentos como custos no ano de aquisição,  sob a  forma de depreciação acelerada,  sendo que as quotas normais de depreciação/exaustão  correspondentes devem ser adicionadas ao resultado nos períodos subsequentes, na medida de  sua realização.  É  nesse  sentido  que  se  colhe do  voto  do  ilustre Conselheiro Marcelo Cuba  Neto, ao proferir o Acórdão nº 1201­001.243, de 10/12/2015, verbis:  Em relação à primeira questão entendo que sim, os custos ativáveis na lavoura  de cana­de­açúcar, incorridos por pessoa que exerce atividade rural, submetem­se à  depreciação acelerada.  É importante notar que embora seja possível defender­se, como fez a Solução  de Consulta nº  05/2004,  da DISIT da  4º Região,  que  a  lavoura  de  cana­de­açúcar  sujeita­se  à  exaustão  e  não  à  depreciação,  o  fato  é  que,  a  meu  ver,  o  termo  “depreciados”  contido  no  abaixo  transcrito  art.  12,  §  2º,  da  Lei  nº  8.023/90  (revogado  em  1995  e,  após,  devolvido  ao mundo  jurídico  pelo  art.  6º  da Medida  Provisória  nº  2.15970/  2001),  não  deve  ser  interpretado  em  seu  sentido  técnico­ jurídico (o conceito de depreciação encontra­se estabelecido no art. 183, § 2º, "a", da  Lei nº 6.404/76):  [...]  Isso  porque  o  art.  12,  §  2º,  da  Lei  nº  8.023/90  foi  criado  com  a  finalidade  deconceder  incentivo  tributário à atividade  rural como um  todo,  tal  como definida  em seu art. 2º, e não apenas às atividades rurais submetidas à depreciação em sentido  técnico­jurídico.  Então,  segundo  uma  interpretação  finalística  da  lei,  o  termo  “depreciados” contido em seu art. 12, § 2º, deve ser compreendido como “deduzidos  como despesa”.  Poder­se­ia  sustentar  que  um  termo  técnico­jurídico  não  comportaria  significado distinto daquele definido em lei. Ocorre que é necessário reconhecer­se  que,  por  emprega  em  sentido  diverso.  Nesses  casos  o  intérprete  deve  adotar  o  sentido que claramente se deflui da norma, e não o sentido técnico­jurídico.  Esse é o caso, por exemplo, do conceito técnico­jurídico de tributo, o qual não  alcança  a  multa  e  os  juros  (art.  3º  do  CTN).  O  art.  132  do  CTN,  que  cuida  da  responsabilidade  do  sucessor  em  razão  de  fusão,  transformação  ou  incorporação,  emprega o termo "tributos". Isso posto, acaso adotado o conceito técnico­jurídico de  tributo  estabelecido  no  art.  3º  do  CTN,  o  sucessor  por  fusão,  transformação  ou  incorporação não seria responsável pelos juros e pela multa devidos pela sucedida.  O CARF, entretanto, por meio de sua Súmula nº 47, entendeu que em caso de  sucessão de empresas que estejam sob controle comum, ou que façam parte de um  mesmo grupo econômico, a sucessora é responsável não só pelo tributo devido pela  sucedida, mas também pelos juros e pela multa de ofício.  Fl. 1532DF CARF MF Processo nº 15956.720097/2014­62  Acórdão n.º 1302­002.116  S1­C3T2  Fl. 1.533          17 Em outras palavras, o CARF, interpretando o art. 132 do CTN, adotou para o  termo "tributos" um sentido diverso daquele estabelecido no art. 3º do CTN. E o fez  por  entender  que  o  art.  132  do  CTN,  apesar  de  empregar  o  termo  "tributos",  claramente  pretendeu  alcançar  a  multa  e  os  juros  nos  casos  de  sucessão  entre  empresas que estejam sob controle comum, ou que façam parte de um mesmo grupo  econômico.  Isso posto, como dito antes,  entendo o  termo “depreciados” contido em seu  art. 12,  § 2º,  da Lei nº 8.023/90 não  só pode,  como deve ser compreendido como  “deduzidos  como  despesa”,  e  não  em  seu  sentido  técnico  jurídico  estabelecido  no  art.  183,  § 2º,  "a",  da Lei nº  6.404/76.  vezes,  como no  presente  caso, uma norma  contém um termo técnico­jurídico mas claramente o pretendeu alcançar a multa e os  juros nos casos de sucessão entre empresas que estejam sob controle comum, ou que  façam parte de um mesmo grupo econômico.  Isso posto, como dito antes,  entendo o  termo “depreciados” contido em seu  art. 12,  § 2º,  da Lei nº 8.023/90 não  só pode,  como deve ser compreendido como  “deduzidos  como  despesa”,  e  não  em  seu  sentido  técnico  jurídico  estabelecido  no  art. 183, § 2º, "a", da Lei nº 6.404/76.  Por outro  lado, não me  impressiona o  argumento de que  a  interpretação do  citado dispositivo deve ser literal, nos termos do art. 111 do CTN.   Primeiro, porque, embora seja um benefício  fiscal, não configura suspensão  (nas hipóteses indicadas no art. 151 do CTN) ou exclusão (isenção ou anistia, art. 175 do CTN)  do crédito tributário.  Segundo, porque, de acordo com a melhor doutrina e a jurisprudência do STJ,  o termo "literal" contido no art. 111 do CTN deve ser entendido como restritivo, devendo ser  compatibilizada  com  os  princípios  constitucionais  tributários,  de  forma  que,  de  um  lado,  evitem­se "interpretações ampliativas ou analógicas", por outro, não levem "a interpretações  que  restrinjam  mais  do  que  a  lei  quis".  Vide  doutrina  e  jurisprudência  citada  por  Leandro  Paulsen1, verbis:  Aplicação "cum grano salis". "...não vemos como razoável um  dispositivo que determine a interpretação literal de nenhum texto  normativo. O  artigo  111  do CTN,  ao  determinar  interpretação  literal para suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga  de isenção e dispensa do cumprimento de obrigações tributárias  acessórias,  desorganiza  a  harmonia  sistêmica  do  Direito  Tributário,  que  parte  dos princípios  constitucionais  tributários.  A negativa de aplicação das técnicas interpretativas dadas pela  ciência  do  direito  e  pela  teoria  geral  do  direito,  a  partir  do  Direito  Tributário  compromete  a  importância  da  codificação  tributária  ...  a  melhor  solução  diante  do  artigo  11  do  CTN  é  compatibilizá­lo  com  os  princípios  constitucionais  tributários."  BECHO,  Renato  Lopes.  Considerações  Sobre  A  Interpretação  Literal  e o art. 111 do CTN. RDDT 175/161, abr/2010).  ­  Para  Paulo  de  Barros  Carvalho  este  artigo  merece  severa  crítica,  tendo  em  vista  que  não  se  pode  lançar  mão,  isoladamente,  de  técnica  de  interpretação  literal,  sob  pena  de                                                              1 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: CONSTITUIÇÃO E CÓDIGO TRIBUTÁRIO à  luz da doutrina e da  Jurisprudência. Livraria do Advogado Editora: ESMAFE. 2011, p. 928.  Fl. 1533DF CARF MF Processo nº 15956.720097/2014­62  Acórdão n.º 1302­002.116  S1­C3T2  Fl. 1.534          18 não  se  apreender  o  verdadeiro  conteúdo  da  norma.  (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário, 21ª  edição. Saraiva. 2009, p. 107/108).  ­ "4. É firme entendimento do STJ, no sentido de que a busca do  real  significado,  sentido  e  alcance  de  benefício  fiscal  não  caracteriza  ofensa  ao  art.  111  do  CTN  (STJ,  2ª  T.,  REsp.  1125064/DF, Rel. Ministra ELIANA CALMON, abr/2010).  [...]  ­  Nem  mais,  nem  menos.  "INTERPRETAÇÃO  LITERAL  DA  LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 111 DO CTN... É certo que a  interpretação  literal  preconizada  pela  lei  tributária  objetiva  evitar  interpretações  ampliativas  ou  analógicas  (v.g.:  REsp  62.436/SP, Min. Francisco Peçanha Martins), mas  também não  pode  levar  a  interpretações  que  restrinjam  mais  do  que  a  lei  quis." (STJ, 1ªT., REsp 1109034/PR, BENEDITO GONÇALVES,  abr/09).  Nesta perspectiva, a leitura da Instrução Normativa SRF. nº 257/2002, revela  que  o  tratamento  tributário  dado  à  atividade  rural  pela  própria  administração  tributária,  encarregada de sua regulamentação e aplicação, é no sentido de considerar que a aquisição e  alienação  de  bens  utilizados  exclusivamente  na  produção,  com  exceção  da  terra,  compõe  o  resultado da atividade rural (art. 11, § 1º), nos mesmos moldes da pessoa física.  Ou  seja,  o  gasto  com  bens  ativáveis,  exceto  a  terra  nua,  devem  compor  o  lucro  real,  como  custos  ou  despesas,  sob  a  forma  de  depreciação  acelerada,  no  ano  de  sua  aquisição;  em  contrapartida,  a  receita  com  sua  alienação  é  considerada  como  resultado  da  atividade rural quando isto ocorrer.   O mesmo dispositivo indica que deve ser observado o disposto no § 5º do art.  14 e nos arts. 20 e 22 da mesma IN, quando da alienação de bens, verbis:  Art. 11. [...]  § 1º O resultado na alienação de bens utilizados exclusivamente  na produção, com exceção da terra nua e observado o disposto  no  §  5º do  art.  14  e  nos  arts.  20  e  22,  compõe  o  resultado  da  atividade rural.  [...]  Art. 14. Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra  nua,  adquiridos  por  pessoa  jurídica  rural,  para  uso  nessa  atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano  de aquisição.   [...]  §  5º No  caso  de  alienação  dos  bens,  o  saldo  da  depreciação  complementar existente na Parte B do Lalur, será adicionado ao  resultado líquido da atividade rural no período de apuração da  alienação.  [...]  Fl. 1534DF CARF MF Processo nº 15956.720097/2014­62  Acórdão n.º 1302­002.116  S1­C3T2  Fl. 1.535          19 Art.  20. A pessoa  jurídica rural que  tiver usufruído o benefício  fiscal  da  depreciação  acelerada  incentivada,  vindo,  posteriormente,  a  ser  tributada  pelo  lucro  presumido,  caso  aliene o bem depreciado com o incentivo durante a permanência  nesse  regime,  deverá  adicionar  à  base  de  cálculo  para  determinação  do  lucro  presumido  o  saldo  remanescente  da  depreciação não realizada.   [...]  Art.  22. A pessoa  jurídica rural que  tiver usufruído o benefício  fiscal  da  depreciação  acelerada  incentivada,  vindo,  posteriormente, a ser tributada pelo lucro arbitrado, caso aliene  o bem depreciado com o incentivo durante a permanência nesse  regime,  deverá  adicionar à  base  de  cálculo  para  determinação  do  lucro  arbitrado  o  saldo  remanescente  da  depreciação  não  realizada.  Os dispositivos citados determinam que se acresça ao resultado da atividade  rural o saldo da depreciação acelerada incentivada quando de sua alienação, neutralizando os  efeitos de sua utilização ao longo dos períodos de apuração subsequentes.  Por fim, me parece relevante observar que a única exceção trazida pela MP.  2159­70/2001, quanto à possibilidade de depreciação acelerada incentivada dos bens ativáveis,  se refere à "terra nua", verbis:  Art. 6o Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra  nua,  adquiridos  por  pessoa  jurídica  que  explore  a  atividade  rural,  para  uso  nessa  atividade,  poderão  ser  depreciados  integralmente no próprio ano da aquisição.  Ora, é cediço que os terrenos (sejam urbanos ou rurais), não se submetem à  quotas de depreciação, nos termos do art. 57, § 10, "a" da Lei nº 4.506/1964, verbis:  Art. 57. [...]   10. Não será admitida quota de depreciação referente a:   a)  terrenos,  salvo  em  relação  aos  melhoramentos  ou  construções;  [..]  Sendo  assim  se  a  dedução  integral  no  ano  de  aquisição,  por  meio  da  depreciação acelerada, fosse aplicável apenas aos bens sujeitos à depreciação (em sua acepção  estritamente técnica), a exclusão expressa da terra nua seria por óbvio, desnecessária.   Em  sentido  oposto,  a  sua  exclusão  expressa  está  a  indicar  que  o  incentivo  fiscal se aplica a todos os demais bens do ativo permanente imobilizado adquiridos pela pessoa  jurídica para uso nessa atividade.  Com  relação  à  abrangência  dessa  dedução,  já me manifestei  nesse  voto  no  sentido de que o custos dos bens utilizados na produção inerente à atividade rural integram o  centro de custos daquela atividade, exclusivamente, não havendo que se  falar em critérios de  rateio proporcionais à receitas totais, posto que a cana­de­açúcar colhida é produto da atividade  Fl. 1535DF CARF MF Processo nº 15956.720097/2014­62  Acórdão n.º 1302­002.116  S1­C3T2  Fl. 1.536          20 rural, muito embora, na etapa subsequente esta produção seja utilizada, ai sim, como insumo  (e, portanto, custo) da atividade industrial.  Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, nesta parte, para  cancelar  a  glosa  das  exclusões  da  depreciação  acelerada  incentivada  sobre  os  custo  de  formação do canavial.  TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL.  Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, nos termos do § 2º do  art. 24 da Lei 9.249/1995, aplica­se integralmente ao lançamento da Contribuição Social sobre  o Lucro Líquido as conclusões relativas ao IRPJ.  Assim, dou provimento ao recurso, no que se refere à glosa das exclusões de  depreciação acelerada incentivada sobre a atividade rural, também em relação à CSLL.  CONCLUSÃO  Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário,  nos termos expostos.  (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado                                 Fl. 1536DF CARF MF

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Numero do processo: 15165.002046/2007-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 01/01/2002 a 20/09/2002 PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em impugnação, de modo que sua colocação na peça recursal dirigida ao CARF é preclusa, não devendo ser conhecida. FALTA DE TERMO DE INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO. De acordo com a jurisprudência dominante do CARF, eventuais omissões ou vícios na emissão do Termo de Início de Ação Fiscal ou Mandado de Procedimento Fiscal não acarretam na automática nulidade do lançamento de ofício promovido, se o contribuinte não demonstrar o prejuízo à realização da sua defesa. Nesse sentido, a Súmula CARF nº 46 estabelece que lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA EMPRESTADA. REQUISITOS. ADMISSIBILIDADE. Conceitua-se prova emprestada como aquela prova produzida no âmbito de outra relação jurídica processual, sendo apresentada para formar a convicção do julgador quanto à veracidade do fato que se pretende provar. Tal forma de prova é tradicionalmente aceita âmbito do processo administrativo. Contudo, para resguardar os direitos fundamentais dos contribuintes, somente é admitida a prova emprestada para basear auto de infração se cumpridos dois requisitos de admissibilidade cumulativamente, quais sejam: i) que a prova tenha sido originalmente produzida sob o crivo do contraditório; e i) que o sujeito passivo da obrigação tributária, cujos interesses são postos em análise pela prova emprestada no processo administrativo, tenha participado do referido contraditório original, ou seja, seja do parte no processo do qual a prova foi transladada. PRAZO DE DECADÊNCIA. EXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. REsp 973733/SC. Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação e sendo demonstrada a má-fé do contribuinte, o prazo de decadência deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I do CTN. REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STJ, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C, DO CPC. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigo 543-C, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62, §2º do Regimento Interno. SUBFATURAMENTO. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO. COMPROVADA FRAUDE. BASE DE CÁLCULO DOS TRIBUTOS DEVIDOS NA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. PREÇO APURADO PELA FISCALIZAÇÃO. POSSIBILIDADE.Uma vez comprovado o subfaturamento no preço das mercadorias mediante fraude e sendo possível a apuração do preço efetivamente praticado na operação de importação, a base de cálculo dos tributos passa a ser o valor aduaneiro apurado com base no valor preço real da transação comercial constatado pela fiscalização. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DAS CONDUTAS DE SONEGAÇÃO E FRAUDE FISCAIS. IMPOSSIBILIDADE. É cabível a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), prevista no artigo 44, §1º, da Lei nº 9.430, de 1996, se provadas nos autos as condutas de sonegação ou fraude tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA (ARTIGO 10, INCISO IV DO PAF). TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. DISCIPLINA DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA (CTN). AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA DA SUJEIÇÃO PASSIVA. O artigo 10, inciso IV do Decreto 70.235/7 dispõe que o lançamento tributário deverá obrigatoriamente conter a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. Trata-se de requisito atinente à forma do ato administrativo, sem o qual não é possível seu controle. Outrossim, no âmbito do direito administrativo, motivo significa as circunstâncias de fato e os elementos de direito que provocam e precedem a edição do ato administrativo. No âmbito do comércio exterior existem dois regimes jurídicos inconfundíveis, cada qual imperando no seu âmbito de incidência: o regime jurídico aduaneiro e o regime jurídico tributário. Dessarte, não é possível confundir na motivação do ato administrativo de lançamento tributário a responsabilidade por multas aduaneiras (espécies de sanção por ato ilícito), disciplinada pelo artigo 95 do Decreto-Lei n. 37/66, com a responsabilidade tributária, cuja normatização está posta nos artigos 128 e seguintes do Código Tributário Nacional. Dessa forma, o lançamento tributário que simplesmente faz remissão a outro processo contra o mesmo contribuinte (sobre penalidade aduaneira) para fundamentar responsabilidade tributária (para a cobrança de tributos), não apresenta a forma nem o motivo (elementos de fato e de direito) que acarretariam na devida fundamentação da sujeição passiva imposta às pessoas físicas.
Numero da decisão: 3402-004.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso da empresa BSD. Por maioria de votos, foi afastada a responsabilidade solidária das pessoas naturais Isidoro Rozemblum e Rolando Rozemblum. Vencidos nesta parte os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Feire, Waldir Navarro Bezerra e Pedro Sousa Bispo. Sustentou pela recorrente o Dr. Márcio Prata, OAB/DF 52.545. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ

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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA EMPRESTADA. REQUISITOS. ADMISSIBILIDADE. Conceitua-se prova emprestada como aquela prova produzida no âmbito de outra relação jurídica processual, sendo apresentada para formar a convicção do julgador quanto à veracidade do fato que se pretende provar. Tal forma de prova é tradicionalmente aceita âmbito do processo administrativo. Contudo, para resguardar os direitos fundamentais dos contribuintes, somente é admitida a prova emprestada para basear auto de infração se cumpridos dois requisitos de admissibilidade cumulativamente, quais sejam: i) que a prova tenha sido originalmente produzida sob o crivo do contraditório; e i) que o sujeito passivo da obrigação tributária, cujos interesses são postos em análise pela prova emprestada no processo administrativo, tenha participado do referido contraditório original, ou seja, seja do parte no processo do qual a prova foi transladada. PRAZO DE DECADÊNCIA. EXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. REsp 973733/SC. Segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação e sendo demonstrada a má-fé do contribuinte, o prazo de decadência deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I do CTN. REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STJ, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C, DO CPC. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigo 543-C, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62, §2º do Regimento Interno. SUBFATURAMENTO. POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO. COMPROVADA FRAUDE. BASE DE CÁLCULO DOS TRIBUTOS DEVIDOS NA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. PREÇO APURADO PELA FISCALIZAÇÃO. POSSIBILIDADE.Uma vez comprovado o subfaturamento no preço das mercadorias mediante fraude e sendo possível a apuração do preço efetivamente praticado na operação de importação, a base de cálculo dos tributos passa a ser o valor aduaneiro apurado com base no valor preço real da transação comercial constatado pela fiscalização. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DAS CONDUTAS DE SONEGAÇÃO E FRAUDE FISCAIS. IMPOSSIBILIDADE. É cabível a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), prevista no artigo 44, §1º, da Lei nº 9.430, de 1996, se provadas nos autos as condutas de sonegação ou fraude tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA (ARTIGO 10, INCISO IV DO PAF). TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. DISCIPLINA DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA (CTN). AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA DA SUJEIÇÃO PASSIVA. O artigo 10, inciso IV do Decreto 70.235/7 dispõe que o lançamento tributário deverá obrigatoriamente conter a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. Trata-se de requisito atinente à forma do ato administrativo, sem o qual não é possível seu controle. Outrossim, no âmbito do direito administrativo, motivo significa as circunstâncias de fato e os elementos de direito que provocam e precedem a edição do ato administrativo. No âmbito do comércio exterior existem dois regimes jurídicos inconfundíveis, cada qual imperando no seu âmbito de incidência: o regime jurídico aduaneiro e o regime jurídico tributário. Dessarte, não é possível confundir na motivação do ato administrativo de lançamento tributário a responsabilidade por multas aduaneiras (espécies de sanção por ato ilícito), disciplinada pelo artigo 95 do Decreto-Lei n. 37/66, com a responsabilidade tributária, cuja normatização está posta nos artigos 128 e seguintes do Código Tributário Nacional. Dessa forma, o lançamento tributário que simplesmente faz remissão a outro processo contra o mesmo contribuinte (sobre penalidade aduaneira) para fundamentar responsabilidade tributária (para a cobrança de tributos), não apresenta a forma nem o motivo (elementos de fato e de direito) que acarretariam na devida fundamentação da sujeição passiva imposta às pessoas físicas.

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3402­004.290  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  29 de junho de 2017  Matéria  II e IPI importação  Recorrente  BSD COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO ­ II  Período de apuração: 01/01/2002 a 20/09/2002  PRECLUSÃO.  NÃO  CONHECIMENTO  DE  MATÉRIA  NÃO  IMPUGNADA.  Nos  termos  do  art.  17  do  Decreto  nº  70.235/72,  considera­se  preclusa  a  questão  que  não  tenha  sido  suscitada  expressamente  em  impugnação,  de  modo que sua colocação na peça recursal dirigida ao CARF é preclusa, não  devendo ser conhecida.  FALTA  DE  TERMO  DE  INÍCIO  DE  AÇÃO  FISCAL.  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO.  De acordo com a jurisprudência dominante do CARF, eventuais omissões ou  vícios  na  emissão  do  Termo  de  Início  de  Ação  Fiscal  ou  Mandado  de  Procedimento Fiscal não acarretam na automática nulidade do lançamento de  ofício promovido, se o contribuinte não demonstrar o prejuízo à realização da  sua defesa. Nesse sentido, a Súmula CARF nº 46 estabelece que lançamento  de  ofício  pode  ser  realizado  sem  prévia  intimação  ao  sujeito  passivo,  nos  casos  em  que  o  Fisco  dispuser  de  elementos  suficientes  à  constituição  do  crédito tributário.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  PROVA  EMPRESTADA.  REQUISITOS. ADMISSIBILIDADE.  Conceitua­se prova emprestada como aquela prova produzida no  âmbito de  outra relação jurídica processual, sendo apresentada para formar a convicção  do julgador quanto à veracidade do fato que se pretende provar.   Tal  forma  de  prova  é  tradicionalmente  aceita  âmbito  do  processo  administrativo.  Contudo,  para  resguardar  os  direitos  fundamentais  dos  contribuintes,  somente  é  admitida  a  prova  emprestada  para  basear  auto  de  infração  se  cumpridos  dois  requisitos  de  admissibilidade  cumulativamente,  quais sejam: i) que a prova tenha sido originalmente produzida sob o crivo do     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 00 20 46 /2 00 7- 32 Fl. 4208DF CARF MF     2 contraditório;  e  i)  que  o  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária,  cujos  interesses  são  postos  em  análise  pela  prova  emprestada  no  processo  administrativo,  tenha participado  do  referido  contraditório  original,  ou  seja,  seja do parte no processo do qual a prova foi transladada.  PRAZO  DE  DECADÊNCIA.  EXISTÊNCIA  DE  DOLO,  FRAUDE  OU  SIMULAÇÃO. REsp 973733/SC.   Segundo  entendimento  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  em  se  tratando  de  tributo sujeito ao lançamento por homologação e sendo demonstrada a má­fé  do contribuinte, o prazo de decadência deve ser contado nos  termos do  art.  173, inciso I do CTN.   REPRODUÇÃO  DAS  DECISÕES  DEFINITIVAS  DO  STJ,  NA  SISTEMÁTICA DO ART. 543­C, DO CPC.   No  julgamento  dos  recursos  no  âmbito  do  CARF  devem  ser  reproduzidas  pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior  Tribunal  de  Justiça,  em matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigo  543­C,  da  Lei  nº  5.869,  de  11  de  janeiro  de  1973,  Código  de  Processo  Civil,  em  conformidade  com  o  que  estabelece  o  art.  62,  §2º  do  Regimento Interno.  SUBFATURAMENTO.  POSSIBILIDADE  DE  APURAÇÃO  DO  PREÇO  EFETIVAMENTE  PRATICADO.  COMPROVADA  FRAUDE.  BASE  DE  CÁLCULO  DOS  TRIBUTOS  DEVIDOS  NA  OPERAÇÃO  DE  IMPORTAÇÃO.  PREÇO  APURADO  PELA  FISCALIZAÇÃO.  POSSIBILIDADE.Uma  vez  comprovado  o  subfaturamento  no  preço  das  mercadorias  mediante  fraude  e  sendo  possível  a  apuração  do  preço  efetivamente  praticado  na  operação  de  importação,  a  base  de  cálculo  dos  tributos passa a ser o valor aduaneiro apurado com base no valor preço real  da transação comercial constatado pela fiscalização.  MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA.  COMPROVAÇÃO  DAS  CONDUTAS  DE  SONEGAÇÃO  E  FRAUDE  FISCAIS.  IMPOSSIBILIDADE.  É  cabível  a  aplicação  da  multa  de  ofício  qualificada  de  150%  (cento  e  cinquenta por cento), prevista no artigo 44, §1º, da Lei nº 9.430, de 1996, se  provadas nos autos as condutas de sonegação ou fraude tributária.   RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA.  NECESSIDADE  DE  FUNDAMENTAÇÃO  JURÍDICA  (ARTIGO  10,  INCISO  IV  DO  PAF).  TRIBUTOS  INCIDENTES  SOBRE  OPERAÇÕES  DE  COMÉRCIO  EXTERIOR.  DISCIPLINA  DA  LEGISLAÇÃO  TRIBUTÁRIA  (CTN).  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  AUSÊNCIA  DE  MOTIVAÇÃO.  IMPROCEDÊNCIA DA SUJEIÇÃO PASSIVA.  O  artigo  10,  inciso  IV  do  Decreto  70.235/7  dispõe  que  o  lançamento  tributário  deverá  obrigatoriamente  conter  a  disposição  legal  infringida  e  a  penalidade  aplicável.  Trata­se  de  requisito  atinente  à  forma  do  ato  administrativo, sem o qual não é possível seu controle.   Outrossim,  no  âmbito  do  direito  administrativo,  motivo  significa  as  circunstâncias de fato e os elementos de direito que provocam e precedem a  edição do ato administrativo.   No  âmbito  do  comércio  exterior  existem  dois  regimes  jurídicos  inconfundíveis, cada qual  imperando no seu âmbito de incidência: o regime  Fl. 4209DF CARF MF Processo nº 15165.002046/2007­32  Acórdão n.º 3402­004.290  S3­C4T2  Fl. 334          3 jurídico  aduaneiro  e  o  regime  jurídico  tributário.  Dessarte,  não  é  possível  confundir  na  motivação  do  ato  administrativo  de  lançamento  tributário  a  responsabilidade  por multas  aduaneiras  (espécies  de  sanção  por  ato  ilícito),  disciplinada pelo artigo 95 do Decreto­Lei n. 37/66, com a responsabilidade  tributária, cuja normatização está posta nos artigos 128 e seguintes do Código  Tributário Nacional.   Dessa forma, o lançamento tributário que simplesmente faz remissão a outro  processo  contra  o  mesmo  contribuinte  (sobre  penalidade  aduaneira)  para  fundamentar  responsabilidade  tributária  (para  a  cobrança  de  tributos),  não  apresenta  a  forma  nem  o  motivo  (elementos  de  fato  e  de  direito)  que  acarretariam na devida fundamentação da sujeição passiva imposta às pessoas  físicas.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso da empresa BSD. Por maioria de votos, foi afastada a responsabilidade  solidária das pessoas naturais Isidoro Rozemblum e Rolando Rozemblum. Vencidos nesta parte  os  Conselheiros  Jorge  Olmiro  Lock  Feire,  Waldir  Navarro  Bezerra  e  Pedro  Sousa  Bispo.  Sustentou pela recorrente o Dr. Márcio Prata, OAB/DF 52.545.  (Assinado com certificado digital)  Jorge Olmiro Lock Freire ­ Presidente em exercício.  (Assinado com certificado digital)  Thais De Laurentiis Galkowicz ­ Relatora.   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Jorge  Freire,  Diego  Diniz  Ribeiro,  Waldir  Navarro  Bezerra,  Thais  De  Laurentiis  Galkowicz,  Maria  Aparecida  Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel  Neto.  Relatório  Trata­se  de  recursos  voluntários  contra  Autos  de  Infração  (fls.  29/82  do  processo  eletrônico)  lavrados  09/10/2007,  para  a  exigência  do  crédito  tributário  relativo  às  diferenças do Imposto de Importação “II”, no montante de R$ 110.141,17, e do Imposto sobre  Produtos Industrializados “IPI”, no total de R$ 93.985,42, acrescidos da multa qualificada no  patamar de 150%, além de juros de mora.  Por bem consolidar os mais importantes fatos do processo, colaciono abaixo  o relatório do Acórdão recorrido:   Relata a auditoria que:  O presente Auto de Infração tem como objeto as importações  realizadas  pela  empresa  BSD  Comercial  Importadora  e  Fl. 4210DF CARF MF     4 Exportadora  LTDA  no  ano  de  2002  antes  da  data  de  20/09/2002  (A  referida  data  marca  o  início  dos  efeitos  da  Inaptidão através do Ato Declaratório n ° 09 de 29 de abril de  2005  publicado  no  Diário Oficial  da  União  em  25  de maio  de  2005 que declarou a Inaptidão do Cadastro do CNPJ da empresa  BSD)  O  Ato  Declaratório  09/2005  é  conseqüência  do  processo  de  representação  para  inaptidão  do  cadastro  do  CNPJ  da  empresa BSD, PAF n ° 10907.001617/200421, que concluiu que  a  constituição  da  empresa  BSD  se  deu  com  o  uso  de  interpostas pessoas, os sócios ostensivos Sr. PAULO OSCAR  GOLDENSTEIN  e  Sr.  MICHAEL  DOMINGUES  os  quais  não possuíam capacidade financeira sequer para o início das  atividades empresariais.  Também,  foi  constatado  que  as  importações  efetuadas  pela  empresa  BSD  foram  efetuadas  através  de  mecanismos  fraudulentos inclusive em relação à documentação instrutiva  do  procedimento  de  despacho  aduaneiro  no  qual  foram  apresentadas Faturas com valores muito abaixo da realidade  das operações comerciais. Tal constatação foi realizada pelo  Ministério Público Federal que através da Força Tarefa CC5  apreendeu  documentação  relacionada  às  importações  realizadas  pela  BSD  e  as  encaminhou  a  esta  Inspetoria  autorizadas por decisão judicial.  Devido à constatação de fraude, o Auto de Infração se atem  ao disposto no § 4º do art.150 combinado com o Inc. I do art.  173 da Lei N° 5.172, de 25 de Outubro de 1966.  (...)  O  cálculo  do  valor  tributável  levou  em  consideração  os  valores  sonegados  por  DI  obtidos  através  da  planilha  CONTROLE PGUA 2002  em excel,  sub planilhas: BIKE &  MOTOS  e MALAS  extraídas  dos  HDs  pertencentes  ao  Sr.  Vitório  Breda,  gerente  administrativo  da  BSD.  A  referida  planilha  traz  na  coluna  VALOR  FOB  US$  o  valor  apresentado no momento do despacho, o VALOR FULL US$  que é o valor real e o valor DIFERENÇA US$ sendo o valor  sonegado.   CRITÉRIOS DE CÁLCULO:  Para  efeito  de  cálculo,  o  valor  sonegado  foi  rateado  entre  as  respectivas  adições  considerando  a  média  proporcional  aos  respectivos valores.  (...)  MEDIDA CAUTELAR FISCAL 2006.70.00.0201800.  Cabe  mencionar  que  em  14  de  maio  de  2003  a  empresa  estrangeira  Vizzel  Corp,  CNPJ:  05.71.283/00196,  adentrou  ao  quadro societário da BSD como sócia majoritária. esta holding é  parte na  ação de medida  cautelar  fiscal  nº 2006.70.00.0201800.  (sic)”  Fl. 4211DF CARF MF Processo nº 15165.002046/2007­32  Acórdão n.º 3402­004.290  S3­C4T2  Fl. 335          5 Informa  que,  considerando  o  disposto  no  artigo  44  da  Instrução  Normativa  (IN)  SRF  nº  200/2002,  mantido  pelos  artigos 50 da IN SRF nº 568/2005 e 50 da IN RFB nº 748/2007,  e  considerando  as  pessoas  elencadas  no  auto  de  infração  nº  10907.000957/2004­38,  ou  sejam  os  reais  interessados  e  beneficiários  pelos  atos  praticados  pela  BSD,  as  seguintes  pessoas deverão ser responsabilizadas  tributariamente: Isidoro  Rozenblum  Trosman,  Rolando  Rozenblum  Elpern,  Noemi  Elpern  Kotliarevski  de  Rozenblum,  Karina  Rozenblum,  Leon  Knopfholz, Calmon Knopfholz.  Observa  que  houve  o  agravamento  da multa,  considerando  a  constatação de fraude e sonegação, conforme o disposto no art.  14 da Lei nº 11.488, de 15/06/2007.  Regularmente  cientificados  (fls.  484/498),  mediante  AR  e  o  Edital  Secat  nº  059/2007,  os  interessados  apresentaram  impugnações conforme segue:  1) Leon Knopfholz impugnação às fls. 517/525:  Alega  que  no  decorrer  da  ação  penal  ficou  comprovado  que  nunca foi beneficiado diretamente pelos resultados da empresa  BSD,  fato  que  ensejou  o  reposicionamento  do  Ministério  Público Federal em favor da sua absolvição. Solicita a exclusão  da  responsabilidade  solidária.  Junta  as  alegações  finais  do  Ministério Público às fls. 527650.  2) Calmon Knopfholz impugnação às fls. 654/663:  Igualmente  alega  que,  no  decorrer  da  ação  penal,  ficou  comprovado  que  nunca  foi  beneficiado  diretamente  pelos  resultados  da  empresa  BSD,  fato  que  ensejou  o  reposicionamento  do Ministério  Público  Federal  em  favor  da  sua  absolvição,  com  exceção  da  sua  participação  em  um  contrato de mútuo, fato este que não o liga como beneficiário ou  controlador da empresa. Argumenta que, nas alegações finais da  ação penal, são citadas provas que corroboram a sua ausência  de  responsabilidade  nas  atividades  e  resultados  da  empresa  BSD,  atuando  somente  como  funcionário  encarregado  pelo  desenvolvimento  de  produtos. Cita depoimentos  da  ação penal.  Solicita a  exclusão da  sua  responsabilidade  solidária.  Junta as  alegações finais do MP em anexo à defesa.  3) BSD Comercial defesa às fls. 790/808:  Alega  que  o  lançamento  está  eivado  de  nulidade,  pois  houve  cerceamento  ao  seu  direito  de  defesa  e  ao  contraditório,  uma  vez  que  não  lhe  foi  oportunizado  “o  direito  de  ter  ciência  da  pretensão fiscal antes da lavratura do auto de infração”. Alega  ofensa  aos  artigos  2º,  inciso  X,  3º  e  38  da  Lei  nº  9784/1999,  tendo  em  vista  a  ausência  de  termo  de  início  de  fiscalização,  dando­lhe  ciência  da  existência  de  procedimento  que  poderia  levar à constituição do crédito tributário.  Fl. 4212DF CARF MF     6 Argüi a nulidade do auto de infração pela imprestabilidade da  prova  utilizada  a  partir  de  documentos  colhidos  em  procedimentos  investigatórios  levados  a  termo  pela  2ª  Vara  Criminal  de  Curitiba.  A  decisão  que  autorizou  o  compartilhamento  das  provas  produzidas  nos  autos  do  IPL  2006.70.00.0162156  não  tem  relação  com  as  provas  utilizadas  pelo AuditorFiscal.  Estas provas decorrem do Ofício nº 5409/2007, em que o MPF  requisita  a  realização  de  fiscalização  sobre  as  importações  efetuadas  pela  empresa  BSD,  levando­se  em  conta  o  material  apreendido na residência do Sr. Vitório Breda, que é objeto do  PCD 2006.70.000260166.  A decisão proferida pelo Juiz da 2ª Vara Criminal diz respeito  ao material colhido nos autos do IPL 2006.70.00.0162156, não  possuindo,  pois,  qualquer  pertinência  com  o  material  encaminhado pelo MPF. Assim, os elementos considerados no  curso  da  fiscalização  foram  remetidos  pelo  MPF  à  Receita  Federal  sem  a  devida  e  indispensável  autorização  judicial.  Tanto  é  assim  que  os  ilustres  subscritores  do  Ofício  nº  5409/2007  deixam  claro  que  cuidariam  de  solicitar  posteriormente à Justiça Federal autorização para esta remessa,  o que jamais ocorreu.  Ainda,  os  documentos  considerados  pelo  agente  fiscal  caracterizam prova emprestada, cuja utilização deve ser restrita  aos casos em que a prova por  si  só  sustenta a procedência do  lançamento, o que não ocorre no presente caso. Além disto, a  prova  emprestada  somente  pode  ser  admitida  no  curso  do  processo  administrativo  quando  a  sua  produção  se  dá  sob  o  crivo do contraditório e da ampla defesa, sendo que, no entanto,  os  documentos  foram  colhidos  em  procedimento  investigatório  sigiloso,  sem  que  tenha  sido  oferecida  qualquer  oportunidade  aos interessados de se manifestarem.  Afirma,  que  ao  contrário  do  que  entendeu  a  fiscalização,  aplica­se Ao presente caso a regra constante no artigo 150, §4°,  do CTN, e a não a  regra contida no artigo 173 desse diploma  legal, tendo em vista a ausência da comprovação da ocorrência  de  fraude,  dolo  ou  simulação,  que  habilite  à  Fazenda  a  desconsideração  da  data  da  ocorrência  do  fato  gerador  do  tributo como termo inicial do prazo de decadência.  Aduz  que  as  multas  sujeitam­se  ao  prazo  de  prescrição  descritos  na  Lei  9873/99,  isto  é,  de  cinco  anos  contados  da  realização da conduta descrita no tipo infracional.  Isto  significa  dizer  que  as  sanções  pecuniárias  descritas  no  auto  de  infração  não  poderiam  ter  sido  aplicadas,  tendo  em  vista  a  ocorrência  do  prazo  de  prescrição,  impeditivo  do  exercício da competência sancionadora do Estado.  Alega  que  inexiste,  no  auto  de  infração  impugnado,  a  demonstração  da  ocorrência  da  conduta  prevista  no  artigo  44,  da Lei  9430/96. Afirma que não  constam “os  pressupostos  de  fato que  levaram a Autoridade Administrativa à  imposição da  pena  de  conversão  da  pena  de  perdimento  em  multa.  Ao  contrário, na descrição dos fatos há apenas a sucinta remissão  Fl. 4213DF CARF MF Processo nº 15165.002046/2007­32  Acórdão n.º 3402­004.290  S3­C4T2  Fl. 336          7 à  procedimentos  administrativos  anteriores,  os  quais  não  justificam  a  adoção  da  presente  medida  pela  Autoridade  Fazendária,  vez  que  os  processos  têm  natureza,  conteúdo  e  objetivos  diferentes  entre  si.  Dai  porque  a  nulidade  do  ato  administrativo  que  impôs  a  sanção  à  Requerente,  tendo  em  vista a ilegalidade do ato em razão da ausência de motivação.”  Afirma  que  a  fiscalização  considerou  a  existência  de  crédito  tributário  somente  com  base  em  planilha  constante  no  HD  apreendido  na  residência  do  Sr.  Vitório  Breda,  que  supostamente demonstraria a existência de subfaturamento. Ou  seja,  o  Fisco  não  procurou  outros  elementos  de  prova  ou,  tampouco,  buscou  junto  à  contribuinte  outros  elementos  de  convencimento. Verifica  ausente,  deste modo,  a  existência  de  elementos concretos que possibilitem afirmar diferenças  sobre  a base de cálculo dos tributos.  Aduz que o Fisco manifestou a utilização do Sistema DW para  obter o valor “CIF por adição”, sistema esse cuja indicação ou  descrição dos seus elementos não foram minimamente descritos,  inviabilizando  assim  a  contestação  dos  dados  utilizados  pela  fiscalização.  Desta  forma,  o  auto  de  infração  padece  de  nulidade,  em  face  da  deficiente  motivação  que  lhe  dá  sustentação.  Requer  a  declaração  de  invalidade  do  auto  de  infração  com  a  conseqüente  desconstituição  do  crédito  tributário.  Requer,  ainda,  a  produção  de  provas  em  direito  admitidas,  especificamente  a  oitiva  de  testemunhas  e  a  juntada  de  novos  documentos.  4)  Noemi  Elpern  Kotliarevski  Rozenblum,  Sr.  Rolando  Rozenblum  Elpern,  Sr.  Isidoro  Rozenblum  Trosman  e  Sra.  Karina Rozenblum Elpern impugnação às fls. 816/821:  Alegam  que  a  ação  penal  é  questão  prejudicial  ao  processo  administrativo  fiscal,  restando  a  impossibilidade  de  prosseguimento  do  auto  de  infração  até  a  conclusão  da  ação  penal pública. Aduz que a decadência está intimamente ligada  à  existência  ou  não  de  fraude  a  ser  apreciada  na  ação  penal  pública, pois, se esta não  for comprovada, o crédito  tributário  decai  por  força  do  artigo  150,  §4º,  CTN.  Solicitam  o  sobrestamento  do  processo  até  o  trânsito  em  julgado da Ação  Penal Pública n° 2006.70.000122997.  Requerem que o teor das alegações finais seja considerado como  parte integrante da presente defesa (anexo III). Por fim, alegam  que,  por  desconhecer  as  operações  tributárias  realizadas  pela  empresa BSD, não há como ser sustentada qualquer defesa de  mérito. Assim, requerem que o teor da defesa apresentada pela  empresa  BSD  sejam  aproveitadas  como  argumento  de  defesa  dos  ora  impugnantes.  Requerem  que  as  sejam  realizadas  exclusivamente na pessoa de seu advogado subscritor.  Fl. 4214DF CARF MF     8 À  fl.  935  (fl.  703  do  processo  físico),  informa­se  da  tempestividade  das  impugnações  de Leon, Calmon Knopfholz  e  da empresa interessada.  Em diligência à fl. 936 (fl. 704 do processo físico), solicitou­ se  Informação da tempestividade da impugnação de fls. 584589 (fls.  816/821  do  processo  digital)  e  a  juntada,  como  anexo,  do  processo nº 10907.000957/200438.  Em  resposta,  à  fl.  937,  foi  emitido  um  Termo  de  Juntada  dos  Anexos  I  à  VI,  os  quais  correspondem  à  cópia  integral  do  processo  administrativo  fiscal  n°  10907.000957/200438,  bem  como  foram  informadas,  à  fl.  938,  todas  as  impugnações  apresentadas.  Em  segunda  diligência  (fl.  939),  solicita­se  que  a  unidade  de  origem  conclua  acerca  da  tempestividade  das  impugnações  apresentadas e que os autuados sejam intimados a se manifestar  acerca dos novos elementos anexados.  As empresas foram regularmente intimadas dos novos elementos  carreados  aos  autos,  conforme  comprovantes  às  fls  952/959,  968/974 e 978/979. Às fls. 960/966, Noemi, Rolando, Isidoro e  Karina apresentam manifestação, na qual alegam, em síntese:  Verificam  que  o  Auto  de  Infração  n°  10907.00957/200438  foi  lavrado com a finalidade de aplicação de pena de perdimento de  mercadorias  importadas  em  face  a  suposto  dano  ao  erário.  Assim,  inexiste  qualquer  relação  entre  a  presente  exigência  e  autuação vinculada com o processo ora citado. Alegam que não  há  qualquer  documento  que  demonstre  ações  supostamente  fraudulentas  realizadas  pelos  impugnantes  que  tenham  vínculo  com  as  importações  objeto  desta  autuação,  pelo  que,  não  há  como subsistir a responsabilidade como pretende a fiscalização.  Aduzem que as  Instruções Normativas citadas na autuação não  possuem o condão de definir responsabilidade tributária, a qual  é  estabelecida  pelo  Código  Tributário  Nacional  que  é  lei  de  natureza complementar. Deste modo, mostra­se inconstitucional,  por  ofender  a  hierarquia  das  normas,  a  possibilidade  de  uma  instrução  normativa  extrapolar  os  limites  do  CTN  ao  qual  se  sujeita. Ademais,  os  dispositivos  indicados  no  auto de  infração  dizem  respeito  aos  casos  de  indicação  de  responsáveis  tributários quando da inscrição e execução do crédito tributário  de  empresas  declaradas  inaptas. Não  há  nesses  regramentos  a  previsão de indicação de responsáveis tributários para os casos  de  lançamento,  como  pretendido  o Fisco.  Solicitam  a  nulidade  da  autuação  fiscal.  Informam  que,  na  sentença  proferida  nos  autos  n°  2006.70.00.0122997,  houve  a  absolvição  das  impugnantes  Karina  e  Noemi.  Requerem  a  improcedência  da  autuação fiscal.  A interessada BSD apresenta impugnação complementar às fls.  975/976,  na  qual  reforça  que  o  auto  de  infração  não  expôs  os  elementos  de  fato  que  levaram  à  aplicação  da multa,  referente  aos tributos supostamente devidos sobre as operações. Aduz que  a autoridade fazendária limitou­se a fazer remissão ao processo  de  representação  para  inaptidão  do  CNPJ  da  empresa  (PAF  10907.001617/2004721), como se este fosse o pressuposto fático  Fl. 4215DF CARF MF Processo nº 15165.002046/2007­32  Acórdão n.º 3402­004.290  S3­C4T2  Fl. 337          9 para  a  adoção  da  presente  medida.  O  processo  de  representação,  por  outro  lado,  pretendeu  a  declaração  de  inaptidão do CNPJ da empresa em razão dos fatos apurados no  referido  Auto  de  Infração  e  Termo  de  Apreensão  e  Guarda  Fiscal  n°  10907.000957/2004­38,  que  tem  por  objeto  as  importações havidas através de 29 Declarações de Importação.  Ocorre que o PAF 15165.002003/200757, no qual  foi proferido  o  despacho  solicitando  cópia  daquele  PAF,  pretende  a  conversão  da  pena  de  perdimento  em  multa  no  valor  das  operações  aduaneiras  praticadas  através  de  385  (trezentas  e  oitenta e cinco) Declarações de Importação (relacionadas às fls.  08  à  14),  das  quais  28  integram o  referido Auto  de  Infração  e  Termo de Apreensão e Guarda Fiscal 10904.000957/2004­38.  Ou seja, não se trata de elemento novo ao processo, mas, sim, de  procedimento que corrobora com as questões de fato e de direito  expostas  na  impugnação.  A  sucinta  remissão  ao  processo  administrativo  que  ora  se  junta  aos  autos  não  justifica  a  autuação  tributária  pela  Autoridade  Fazendária,  vez  que  os  processos têm natureza, conteúdo e objetivos diferentes. Diante  do exposto, reitera os fundamentos expostos em sua impugnação,  requerendo seja declarada a nulidade do auto de infração, tendo  em vista a ausência de motivação.  À fl. 780, é juntada uma planilha, na qual constam relacionados  as datas dos  comprovantes das  intimações,  bem como as datas  dos protocolos das impugnações iniciais e complementares. À fl.  781,  consta  despacho  no  qual  se  informa  que  somente  são  tempestivas  as  impugnações  de  Leon  Knopfholz,  Calmon  Knopfholz  e  BSD  Comercial.  Todavia,  são  tempestivas  as  manifestações  complementares  de  Karina  Rozenblum,  Noemi  Elpern, Rolando Rozenblum Elpern e Isidoro Rozenblum e de  BSD.  Em  05  de março  de  2010,  através  do  acórdão  nº  0719.131,  o  processo  foi  a  julgamento  por  esta mesma  2a.  Turma,  que,  à  época,  apresentava­se  com  outra  composição  de  julgadores,  sendo que, por unanimidade de votos, julgou improcedentes as  impugnações,  mantendo  o  crédito  tributário  exigido,  conforme  se verifica às fls. 982/999 (fls. 749/766 do processo físico).  Em sede de recurso voluntário interposto contra a decisão da 2ª  Turma  desta  DRJ  Florianópolis,  a  2a.  Turma  Especial  da  Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de  Recursos  Fiscais  (CARF),  em  sessão  de  14  de  fevereiro  de  2012,  declarou  nulo  o  julgamento  proferido  pelo  colegiado  a  quo,  para  que  outro  seja  pronunciado  contemplando  também  os  argumentos  aduzidos  pelos  responsáveis  solidários  Noemi  Elpern,  Rolando  Rozenblum,  Isidoro  Rozemblum  e  Karina  Rozemblum,  uma  vez  demonstrada  a  tempestividade  da  impugnação  apresentada  por  estes.  O  conselheiro  relator  daquele acórdão argumenta que a impugnação conjunta de parte  dos  responsáveis  solidários  não  foi  conhecida  pela  DRJ  por  suposta  intempestividade,  conclusão  esta  baseada  em  informação prestada pela unidade preparadora. No entanto, na  Fl. 4216DF CARF MF     10 fase  recursal,  os  referidos  responsáveis  solidários  comprovam  que  a  impugnação  é  tempestiva,  pois  fora  remetida  pelos  Correios, em 07/12/2007, considerando­se que a ciência deu­se  em 07/11/2007 .  Em  julgamento  datado  de  30  de  outubro  de  2013,  a DRJ  Florianópolis/SC  negou provimento  às  impugnações  dos  sujeitos  passivos  (Acórdão 0733.160),  nos  termos da  ementa a seguir colacionada:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II  Período de apuração: 01/08/2002 a 19/09/2002  DECADÊNCIA.  Em casos de fraude, simulação ou conluio, a contagem do prazo decadencial  inicia­se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento  poderia ter sido efetuado.  SUBFATURAMENTO NAS IMPORTAÇÕES.  Constatado  que  os  preços  das mercadorias  consignados  nas  declarações  de  importação  não  correspondem  à  realidade  das  transações  efetuadas,  resta  caracterizado  o  subfaturamento,  sendo  exigível  a  diferença  dos  tributos  aduaneiros,  acrescidos  da multa  de  ofício  qualificada  e  dos  juros  de mora,  além de multa específica.  MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE OU SONEGAÇÃO  Cabível  a multa  de ofício  de  150% sobre  o  tributos  apurados,  constatada  a  ocorrência de fraude na importação com o intuito de sonegação.  SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA.  As  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua  o  fato  gerador  da  obrigação  principal  são  solidariamente  obrigadas  em  relação  ao  crédito  tributário.  Respondem  pela  infração  quem  quer  que,  de  qualquer  forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie.  Com referência à empresa BSD Comercial Importadora e Exportadora Ltda.,  Rolando Rozenblum Elpern e Isidoro Rozenblum Trosman, foi mantido integralmente o crédito  tributário apurado e as atribuições de suas responsabilidades solidárias, porém foram afastados  do  pólo  passivo  do  presente  lançamento  Noemi  Elpern  Kotliarevski  Rozenblum,  Karina  Rozenblum Elpern, Leon Knopfholz e Calmon Knopfholz.  Em fls 4183 foi apresentado despacho com síntese sobre o valor do crédito  tributário  mantido  (R$509.767,24),  bem  como  da  cientificação  e  apresentação  de  novos  recursos voluntários no processo:  Fl. 4217DF CARF MF Processo nº 15165.002046/2007­32  Acórdão n.º 3402­004.290  S3­C4T2  Fl. 338          11   A distribuição desse processo foi anteriormente feita à Conselheira Relatora  Valdete  Marinheiro.  Mas  pelo  fato  do  término  de  seu  mandato,  o  processo  foi  subsequentemente a mim redistribuído para julgamento.   É o relatório.  Voto             Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz  Como se depreende do relato acima, os recursos voluntários apresentados por  Isidoro Rozemblum, Rolando Rozemblum, bem como pela BSD Comercial, são tempestivos,  com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e preenchem  os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deles tomo conhecimento.   Em seus recursos voluntários, as Recorrentes trazem ao julgamento do CARF  pontos preliminares, seguidos de questões de mérito. Passo a sua análise.  1.  BSD Comercial  Cumpre  destacar  que  a  BSD  Comercial  traz  à  baila  discussão  sobre  a  ilegalidade  na  constituição  do  crédito  tributário  por  ausência  de  procedimento  de  revisão  aduaneira.   Trata­se  de  contestação  que  não  fazer  parte  da  Impugnação  de  fls  2156  e  seguintes. Dessarte, tais argumentos de defesa encontram­se preclusos, nos termos do artigo 17  do Decreto nº 70.235/72, razão pela qual não os conheço.  1.1. Afronta ao direito de defesa  Não  assiste  razão  à  Recorrente  quanto  à  alegação  de  nulidade  do  auto  de  infração por suposta afronta ao seu direito de contraditório e ampla defesa, uma vez que com a  ausência  de  termo  de  início  de  fiscalização  ou mandado  de  procedimento  fiscal  não  lhe  foi  Fl. 4218DF CARF MF     12 oportunizado  “o  direito  de  ter  ciência  da  pretensão  fiscal  antes  da  lavratura  do  auto  de  infração”.   Afinal, o Termo de Início de Ação fiscal tem a função precípua de comunicar  ao sujeito de que ele se encontra sob fiscalização, informando­ lhe o número do MPF. Este, a  seu  turno,  é  instrumento  que  assegura  maior  transparência  às  relações  entre  o  Fisco  e  contribuinte,  permitido­lhe  certificar  a  autenticidade  do  termo,  além de  consultar  no  sítio  da  Secretaria  da Receita  Federal  a  fiscalização  iniciada. Outrossim,  embora  não  venha  ao  caso  concreto,  a  ciência  do MPF,  por  registrar  o  início  da  fiscalização,  afasta  a  possibilidade  de  utilização dos efeitos da denúncia espontânea por parte do contribuinte (artigo 138 do CTN).   Todavia, eventuais omissões ou incorreções afligindo os citados documentos  instrutórios da fiscalização não tem o condão de culminar na nulidade do lançamento tributário,  disciplinado  pelo  artigo  142  do  CTN.  Somente  na  hipótese  de  o  contribuinte  provar  que  a  presença do vício ocasionou prejuízo em sua defesa é que eventualmente esses vícios poderão  acarretar  na  nulidade  do  crédito  tributário,  conforme  estabelece  a  jurisprudência  dominante  deste  Conselho,  da  qual  destaco  as  ementas  dos  Acórdãos  n.  2301­004.766,  de  12/07/2016,  9303­003.876, de 19/05/2016 e 9101­002.132, de 26/02/2015, respectivamente:  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL.  DEFICIÊNCIAS.  INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO.  O  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  (MPF)  possibilita  ao  contribuinte certificar­se da autenticidade do termo de início de  fiscalização, mediante  acesso  ao  sítio  da  Secretaria da Receita  Federal  do Brasil.  Também gera  efeitos  jurídicos,  para  fins  de  aplicação do  instituto da denúncia espontânea  (art. 138, CTN).  Todavia,  eventuais  omissões  ou  vícios  em  sua  emissão  não  acarreta  a  automática  nulidade  do  lançamento  de  ofício  promovido,  se  o  contribuinte  não  demonstrar  o  prejuízo  à  realização da sua defesa. (....)    PROCEDIMENTO  FISCAL.  FALTA  DE  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL.  INEXISTÊNCIA  DE  NULIDADE  DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal visa o  controle administrativo das ações  fiscais da RFB, não podendo  afastar a  vinculação da autoridade  tributária à Lei,  nos  exatos  termos  do  art.  142  do  CTN,  sob  pena  de  responsabilização  funcional.  O  Auditor  Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil,  no  pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o  lançamento,  não  podendo  se  esquivar  do  cumprimento  do  seu  dever  funcional  em  função  de  portaria  administrativa  e  em  detrimento das determinações superiores estabelecidas no CTN,  por  isso  que  a  inexistência  de  MPF  não  implica  nulidade  do  lançamento.     MPF – NULIDADE.   Não  é  nulo  o  lançamento  por  prorrogação  de  MPF  além  do  prazo  regulamentar,  quando  não  comprovado  o  prejuízo  à  defesa do contribuinte. A falta de prorrogação do MPF no prazo  correto,  por  si  só,  não  configura  cerceamento  do  direito  de  defesa e não se equipara à ausência de MPF.   Fl. 4219DF CARF MF Processo nº 15165.002046/2007­32  Acórdão n.º 3402­004.290  S3­C4T2  Fl. 339          13 No mesmo sentido, consolidou­se a jurisprudência deste Conselho, conforme  se infere do enunciado da Súmula CARF nº 46: “o lançamento de ofício pode ser realizado sem  prévia  intimação  ao  sujeito  passivo,  nos  casos  em  que  o  Fisco  dispuser  de  elementos  suficientes à constituição do crédito tributário.”  Considerando  que  não  há  qualquer  comprovação  de  prejuízo  à  defesa  da  Recorrente em decorrência de eventuais vícios na emissão do MPF, haja vista que ela  trouxe  aos autos robusta defesa sobre todos os pontos que pertinem ao caso concreto, não há que se  falar em ofensa ao 2º, inciso X, 3º e 38 da Lei nº 9.784/1999, de modo rejeito a preliminar de  nulidade do lançamento.     1.2. Prova emprestada  O auto de  infração ora  sob análise  (fls  1392 e  seguintes),  além de  conter  a  descrição  delineada  no  relatório  que  antecede  este  voto,  foi  formalizado  com  os  seguintes  dizeres relativamente aos anexos que serviram para sua instrução (fls 1396):  Em anexo ao presente Auto de Infração encontram­ se:  1­ Planilha "CALCULO DO VALOR SONEGADO" que contem :  dados extraídos através do Sistema DW, dados provenientes da  planilha  CONTROLE_PGUA.xls  e  cálculos  dos  valores  sonegados.  A  planilha  está  indexada  pelas  DIs  registradas(coluna NUM DI) pela BSD ANTES da data do efeito  de sua inaptidão ou seja 20/09/2002,f1s. 58 a 60.  2  ­Cópia  da:  Decisão  Judicial  que  Autorizou  o  Compartilhamento  de  Provas  e  do  Oficio  n  °  5409/2007,  enviado  pela  Procuradoria  da  República  em  05  de  julho  de  2007, que solicitou a realização de fiscalização considerando as  documentações apreendidas, fls. 62 A 65.  3 ­ Planilha CONTROLE PGUA.xls contendo as planilhas BIKE  & MOTO e MALAS, fls. 67 A 94.   4 ­ Folhas de rosto das DIs objeto do presente Auto de Infração,  fls. 96 A 117.  5  ­  Cópia  parcial  do  PAF  10907.000957/2004  ­  38,  Auto  de  Infração  e  Termo  de  Apreensão  e  Guarda  Fiscal,  que  deu  origem ao processo de  inaptidão do CNPJ da empresa BSD e  traz uma descrição pormenorizada das operações de comércio  exterior  realizadas  pela BSD  e  seus  verdadeiros  responsáveis,  fls. 118 A 172.  6 ­ Cópia parcial do processo n ° 2006.70.00.012299 ­ 7 (Ação  Penal Pública) apresentada pelo Ministério Público Federal na  qual é descrita as operações da empresa BSD, sua constituição  através  de  falsidade  ideológica do  contrato  social,  sua  relação  com o GRUPO SUNDOWN e  com as  famílias KNOPFHOLZ  e  ROZEMBLUM, fls. 174 A 243. (grifei)  Fl. 4220DF CARF MF     14 Esta  documentação  foi  juntada  exatamente  para  integrar  a  corroborar  a  motivação do lançamento tributário. 1   Analisando  os  citados  anexos,  constato  que  foi  proferida  decisão  no  bojo  processo  criminal  n.  2006.7000016215­6,  autorizando  o  compartilhamento  de  provas  produzidas ali, bem como em feitos conexos, com a Receita Federal,  justamente para instruir  processos  administrativos  de  lançamento  tributário,  pautados  no  esquema  fraudulento  perpetrado  pela  Recorrente  e  membros  das  famílias  KNOPFHOLZ  e  ROZEMBLUM  na  importação e  sonegação de bicicletas  e motocicletas e  suas peças, além de malas  (conhecida  como Operação Sundown), sonegando tributos incidentes sobre o comércio exterior (fls 1453).   Ademais, como bem apontado pelo acórdão recorrido, às fls. 93/94 encontra­ se  a  cópia  do  Oficio  nº  5409/2007  —  FT  CC5,  do  Ministério  Público  dirigido  ao  Superintendente  Regional  da  Receita  Federal  —  9ª  RF,  no  qual  requisita  a  realização  de  fiscalização  sobre  as  importações  efetuadas  pela  empresa  BSD  e  por  outras  relacionadas,  considerando que foram encontrados documentos, em Buscas e Apreensões feitas na Operação  SUNDOWN,  os  quais  demonstram,  inclusive  apontando  valores,  percentuais,  contratos  de  câmbio,  etc.,  o  efetivo  subfaturamento  de  centenas  de  importações.  Informa  ainda  que  tal  material  foi  identificado  em HDs  apreendidos  na  residência  de Vitório  Breda  e  encontra­se  vinculado  aos  autos  do  PCD  2006.70.00.0260166,  em  trâmite  perante  a  2a.  Vara  Federal  Criminal de Curitiba. Ressalta que estaria solicitando ao Juízo, nos autos 2006.70.00.0122997,  autorização para acesso a tais materiais pela Receita Federal.   A resposta a tal pedido de autorização veio a ser confirmada na sentença da  Ação Penal Pública n° 2006.70.000122997/PR (fls. 1914/1970), nos seguintes termos:  203. Ao  final de  suas alegações  finais,  o MPF  formulou vários  requerimentos  de  compartilhamento  de  provas  dos  autos  com  outras  entidades.  Ora,  este  Juízo  em  decisões  anteriores  já  autorizou o  compartilhamento de várias provas colhidas neste  processo  ou  nos  procedimentos  de  investigação  anteriores  à  Receita  Federal,  ao  Bacen  e  a  outros  órgãos  do  Ministério  Público (v.g. decisão de fls. 904 906 do apenso XXXIII, vol. IV).  Por  outro  lado,  não  há  segredo  de  justiça  decretado  nestes  autos.  Assim,  pode  o  MPF  por  sua  conta  realizar  o  compartilhamento  necessário,  com  a  ressalva  do  material  especifico  relativo  às  interceptações  telefônicas  (áudios  e  degravações),  que,  por  serem  mais  sensíveis,  demanda  apreciação especifica. Evidentemente,  tal  ressalva não abrange  as autorizações de compartilhamento anteriores deste material à  Receita,  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  e  ao  Bacen,  observando  que  o  próprio  STF  veio  acolher  posteriormente  a  possibilidade  de  compartilhamento  do  resultado  de  interceptações  telefônicas,  cf.  julgamento  da  Plenário  do  Supremo  Tribunal  Federal  no  julgamento  da  Segunda Questão  de Ordem suscitada no Inquérito RJ, Rel. Min. Cezar Peluso, j.  Em 20/06/2007, DJU de 24/08/2007. (grifei)                                                              1  “A  constituição  da  empresa BSD  se  deu  com o  uso  de  interpostas  pessoas,  os  sócios  ostensivos Sr.  PAULO  OSCAR GOLDENSTEIN e Sr. MICHAEL DOMINGUES os quais não possuíam capacidade financeira sequer  para o inicio das atividades empresarias. Também, foi constatado que as importações efetuadas pela empresa BSD  foram efetuadas através de mecanismos fraudulentos inclusive em relação A documentação instrutiva do  procedimento de despacho aduaneiro no qual foram apresentadas Faturas com valores muito abaixo da realidade  das  operações  comerciais.  Tal  constatação  foi  realizada  pelo Ministério  Público  Federal  que  através  da  Força  Tarefa CC­5 apreendeu documentação relacionada As  importações realizadas pela BSD e as encaminhou a esta  Inspetoria autorizadas por decisão judicial.” (fls 1393)  Fl. 4221DF CARF MF Processo nº 15165.002046/2007­32  Acórdão n.º 3402­004.290  S3­C4T2  Fl. 340          15 Pois bem. Conceitua­se  prova emprestada  como aquela prova produzida  no  âmbito  de  outra  relação  jurídica  processual,  sendo  utilizada  para  formar  a  convicção  do  julgador quanto à veracidade do fato que se pretende provar.   Tal  forma de prova é  tradicionalmente aceita  tanto pela doutrina como pela  jurisprudência no âmbito do processo administrativo, haja vista que é possível a identidade na  subjacência de determinados fatos, como ensina Paulo Celso B. Bonilha. 2   Contudo, existem  limites constitucionais e  legais para que  tal procedimento  não macule  os  direitos  fundamentais  dos  administrados,  que  inevitavelmente  são  postos  em  xeque  quando  da  instauração  de  processos  de  investigação.  Assim  é  que  se  consolidou  o  entendimento  de  ser  prova  emprestada  plenamente  cabível  no  âmbito  do  processo  administrativo, desde que cumpridos os dois  requisitos de admissibilidade, cumulativamente,  quais sejam: “(a) que a mesma tenha sido produzida sob o crivo do contraditório; e (b) que a  parte cujos interesses são contraditados pela ‘prova emprestada’ tenha participado do referido  contraditório, sendo parte no processo de onde a prova foi transladada.” 3   No presente caso, resta claro que os processos criminais nos quais as provas  foram produzidas constavam como parte  tanto a BSD Comercial como Isidoro Rozemblum e  Rolando  Rozemblum.  Outrossim,  tais  provas  foram  regularmente  colhidas,  observando  o  devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, ínsitos ao processo penal.   Portanto,  não  há  que  se  falar  em  ilicitude  da  prova  emprestada  ou  impossibilidade  de  sua  utilização,  como  alega  a  BSD  Comercial,  razão  pela  qual  rejeito  a  preliminar nesse sentido.     1.3. Decadência  Como destacado no tópico acima, faz parte do auto de infração cópia parcial  do  Processo  n.  10907.000957/2004–38  (prova  emprestada  licitamente  utilizada),  Auto  de  Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal, que deu origem ao processo de inaptidão do  CNPJ  da  empresa  BSD,  o  qual  traz  descrição  pormenorizada  das  operações  de  comércio  exterior realizadas pela BSD e seus verdadeiros responsáveis (fls 1512 a 1551).   No  citado  processo,  a  fiscalização  apresentou  detalhadamente  o  esquema  utilizado  pela  BSD  Comercial,  tudo  no  sentido  de  caracterizar  a  simulação  no  âmbito  das  operações  de  importação  para  o  não  pagamento  de  tributos,  e  ainda  especificamente  a  interposição fraudulenta de terceiros.   Especificamente  no  tópico  “da  simulação  tributária  por  transferência  subjetiva  no  presente  caso”  (fls  1519)  e  seus  subtópicos,  a  fiscalização  de  fato  apresenta  robusto  e  articulado  conjunto  probatório  para  demonstrar  que  “as  empresas  de  fachada  são  operadas  de  forma  conjunta  e  coordenada,  constituindo  um  sistema  para  a  introdução  e  distribuição no país de produtos das marcas controladas, como se verá, pelos ROZENBLUM  TROSMAN e  seus  associados,  sem o  regular  recolhimento dos  tributos,  lançando mão, para  tanto, de artifícios próprios da interposição fraudulenta.”                                                               2 Da prova no Processo Administrativo Tributário. São Paulo: Dialética, 1997, p. 98 e 99.  3 ROCHA, Sério André. Processo administrativo fiscal – controle administrativo do lançamento tributário. Rio de  Janeiro: Lumen Juris editora, 2010, 4ª ed, pp. 201 e 202.  Fl. 4222DF CARF MF     16 É capaz então de articular “5 fases do esquema” (1991 a 1995, 1994 a 1998,  1998 a 1999, 1999 a 2002, e período posterior), onde empresas se sucediam nas interposições  fraudulentas constatadas pela fiscalização.   Sobre  essa  quinta  fase,  a  conclusão  alcançada  é  de que  a  “BSD é parte  do  esquema montado,  sendo  suas  atividades mera  continuação  das  práticas  desenvolvidas  pelas  empresas  já  mencionadas  anteriormente.”  Tal  fase  engloba  o  período  do  presente  auto  de  infração. 4   Destaco  que  em  consulta  ao  Processo  n.  10907.000957/2004–38,  este  nem  mesmo veio para julgamento do CARF, de modo que não verifiquei a existência de qualquer  decisão administrativa no sentido de afastar o enquadramento da referida fraude.  Ainda, especificamente com relação às provas sobre os dados utilizados pela  Fiscalização para respaldar a ocorrência do subfaturamento, a sentença prolatada nos autos da  Ação  Criminal  nº  2006.7000012299­7,  da  2a.  Vara  Federal  Criminal  de  Curitiba,  também  contando como fundamentação deste processo, não deixa dúvidas: 5                                                               4 Destaco o conteúdo constante de fls 15949 e 1550:  “Conforme foi demonstrado ao longo desta descrição dos fatos apurados, a empresa BSD Industrial é apenas um  prolongamento do esquema que foi montado, entre outros, pelos senhores ISIDORO ROZEMBLUM TROSMAN,  ROLANDO  ROSEMBLUM  TROSMAN,  NOEMI  ELPERN  KOTLIAREVSKI  DE  ROZENBLUM,  KARINA  ROZENBLUM, ao qual, a partir da inclusão das malas MA entre os produtos de seu interesse, se incorporaram os  senhores  LEON  KNOPFHOLZ  e  CALMON  KNOPFHOLZ.  As  empresas  de  importação  e  distribuição  se  sucedem  e  são  abandonadas  seqüencialmente,  mas  os  produtos  e  marcas  permanecem  os  mesmos  e  os  beneficiários  de  sua  comercialização  também.  Também  são  os mesmos,  há mais  de  dez  anos,  os  fornecedores  estrangeiros  como demonstra  a  .planilha  anexada  à  fl.  630  e  as  guias de  importação  e  conhecimentos  de  carga  anexos às fls. 632 a 637.  O  principal  objetiva  do  grupo  é  a  importação  e  distribuição  de  bicicletas  e  motocicletas  e  suas  peças,  e  mais  recentemente malas, de  forma  fraudulenta,  sonegando  tributos  incidentes no comércio  exterior e na  revenda no  mercado  interno. Com este  fim,  tanto constituíram pessoas  jurídicas em nome de  interpostas pessoas, quanto as  transferiram posteriormente para pessoas sem capacidade de saldar os débitos fiscais — os chamados "laranjas" e  "testas­de­ferro"­ subfaturaram importações e distribuíram as mercadorias importadas sem o devido recolhimento  dos tributos, falsificaram documentos, simularam operações comerciais, enfim, cometeram vários ilícitos.  Como  dito  anteriormente,  a  constituição  da  empresa BSD  se  deu  com  o  uso  de  interpostas  pessoas,  das  quais  demonstrou­se  não  terem  capacidade  financeira  nem,  ao  menos,  para  o  início  das  atividades,  servindo  a  BSD  INDUSTRIAL de  véu para ocultar  os  reais  interessados. E mais. Não houve  comprovação nem da origem dos  recursos, nem da transferência, nem da disponibilidade tanto pela própria autuada, quanto pelos financiadores de  suas atividades. Portanto, por presunção legal, artigo 23, § 20 do Decreto­Lei n° 1.455/76, a conduta da autuada se  enquadra 'inuth2 das hipóteses consideradas como dano ao erário, qual seja, infração descrita no mesmo 23, V do  citado diploma legal.  Mesmo que se tomassem como provadas a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos, o que poderia  afastar a presunção de interposição fraudulenta, os elementos trazidos ao presente Auto de Infração demonstram  que BSD INDUSTRIAL foi criada com o objetivo de ocultar os reais interessados e beneficiários dás importações,  o que igualmente caracteriza a infração punível com o perdimento das mercadorias.  Isso  pode  ler  visualizado  com  clareza  a  partir  das  tabelas  que  resumem  alguns  dos  aspectos  descritos  anteriormente:  a) as tabelas EMPRESAS PARTICIPANTES relacionam as principais empresas identificadas, apresentando, entre  outras informações, o período de atuação, seu tipo de atividade e os produtos com que trabalham ou trabalharam;  b)  a  tabela EMPRESAS  PARTICIPANTES  –  LISTA  POR ENDEREÇO  apresenta  as  empresas  ordenadas  por  endereço, de forma a permitir a visualização de uma das características do grupo, a utilização dos mesmos locais  para instalar suas empresas;  c)  a  tabela  RELAÇÃO  DOS  PRINCEPAIS  ENVOLVIDOS  COM  AS  EMPRESAS  mostra  de  forma  clara  a  participação das virias pessoas no esquema, tanto verdadeiros proprietários como colaboradores e empregados.  (...)”  5  Veja­se  também  o  seguinte  trecho  do  Relatório  apresentado  pelo  Ministério  Público  para  instruir  a  Ação  Criminal e questão:  Fl. 4223DF CARF MF Processo nº 15165.002046/2007­32  Acórdão n.º 3402­004.290  S3­C4T2  Fl. 341          17 69. Além disso,  fora  os  trabalhos  da Receita,  há  outras  provas  nos autos de subfaturamento das importações.  70. Como resultado da busca e apreensão decretada durante as  investigações,  foram  apreendidos  computadores  na  residência  do acusado Vitorio Afonso Breda (fls. 241275 do apenso XXII –  processo 2006.70000162156).  Em  tais  computadores,  foram  encontrados  arquivos  eletrônicos  com planilhas confirmando a ocorrência de subfaturamento. Nas  planilhas  de  fls.  140151  e  156190  do  apenso  XXXII  constam  duas colunas diversas entituladas "valor full US$" e outra "valor  FOB  US$",  com  o  apontamento  de  valores  diversos  para  diversas  faturas  comerciais  e  DIs.  Cf.  quadro  elaborado  pelo  MPF  nas  fls.  2.1562.157  destes  autos,  há  vinte  e  uma DIs  que  correspondem  aquelas  pertinentes  a  este  caso,  sempre  com  apontamento de valores maiores para a coluna "valor full US$".  71.  Cf.  analise  realizada  pela  Receita  Federal  (fls.  2.6192.623  destes  autos)  sobre  arquivos  eletrônicos  apreendidos  na  residência de Vitório Breda e que foram a ela disponibilizados,  por  decisão  judicial  (fls.  904906  do  apenso  XXXIII,  vol.  IV),                                                                                                                                                                                           “O segundo conjunto de documentos anexos (DOC 8­17 e 19­21 e 23 em diante) constituem a impressão em papel  de arquivos eletrônicos existentes nos HD's apreendidos na residência de VITORIO BREDA,  tendo sido  tais 1­ ID's devidamente espelhados consoante se verifica na Informação Técnica que constitui o DOCUMENTO 7.  DOCUMENTO 8 —  impressão  do  arquivo  eletrônico  "Rescisão BSD"  em  que  consta  relação  de  funcionários  incluindo o próprio VITORIO BREDA e ENRIQUETA, questionando­se ao fim "como ficam os quatro gestores  (Vitória, Fernando, Calmon e Enriqueta)??", demonstrando o papel por esses exercido.  DOCUMENTO  9  —  impressão  do  arquivo  eletrônico  "SUNBAG.xls"  que  constitui  PLANILHA  DAS  IMPORTAÇÕES COM INDICAÇÃO EXPRESSA DOS SUBFATURAMENTOS constando ai importações  feitas desde 1998 pelas empresas indicadas na denúncia WELDING, KRSALE, CYM ASIMEX, SUNBAG, W54,  BSD e GETEC, arrolando­se o nome do exportador, o número da fatura, o valor real das mercadorias ("valor full  US$"), o valor declarado Receita ("valor FOB US$"), a diferença entre os dois valores, o número da DI, as datas  ainda,  em vários  casos,  o percentual  do valor  real  das mercadorias  que  foi  declarado.  Possivelmente  a planilha  refere­se  apenas  As  importações  de malas,  uma  vez  que  no  cabeçalho  aparece  "IKA".  Consta  na  planilha,  em  destaque feito com grifa­texto, parte das operações que foram objeto da denúncia por caracterizarem descaminho,  provando­se ai mais uma vez a materialidade do crime.  (...)  DOCUMENTO 15 — impressão dos arquivos eletrônicos (emails)  "Fw_informações para revisão de importações.eml" e "Re_posição valores importações a vencerem!" em que se  verifica  que  em  17/10/2003  ODIRLEI  da  SV  (empresa  do  GRUPO  Sérgio  Voltohni  Assessoria  Empresarial)  solicita  a  VITORIO  BREDA  e  ROSI  o  envio  de  informações  relativas  às  importações  pois  estava  iniciando  trabalho de revisão de importações, em especial quanto aos controles financeiros de  pagamentos, encaminhando­os para a SV para o próprio ODIRLEI ou para MARGARETE, respondendo por e­ mail VITORIO BREDA, com cópia inclusive para ENRIQUETA e CARLOS BREDA, sugerindo que ROBERTO  (da DATAVISI, empresa de informática que atende ao GRUPO) disponibilize o sistema de importação, contendo  o valor full (e não o valor subfaturado) e informando que CARLOS encaminhará as  planilhas.  (...)  DOCUMENTO 23 — impressão de páginas de fax em que CARLOS BREDA e RICARDO SASSON solicitam à  SV  ASSESSORIA  EMPRESARIAL,  dirigindo­se  a  SHIER,  a  realização  de  pagamentos  a  fornecedores  estrangeiros.  Cotejando­se  esses  valores  com  os  do  DOCUMENTO  11,  no  qual  se  destacou  em  rosa  a  linha  relativa â operação que é objeto desse DOCUMENTO 23, tem­se que:  a) é  indicado o valor declarado à Receita Federal ("VALOR FOB") para que a empresa SV faça fechamento de  contrato de câmbio a fim de pagar o fornecedor;  b)  é  indicada  a  diferença  entre  o  valor  real  da  mercadoria  e  o  valor  declarado  Receita  como  "CARTEIRA",  solicitando­se o pagamento dessa diferença ao fornecedor;”  Fl. 4224DF CARF MF     18 foram constatadas diversas outras provas do subfaturamento de  importações. Dentre elas:  a) mensagem eletrônica entre supostos empregados da empresa  ou do grupo, informando que para peças de motocicletas poderia  ser usado 60% do valor real ("60% of the real value" fls. 933 do  apenso XXIII); e  b) pastas  de  arquivos  denominadas  de  "undervalue Cl"  e  "Cl",  sendo Cl as iniciais de "commercial invoice" e contendo faturas  idênticas, mas como valores diferenciados (fl. 2.620 destes autos  e fls. 939940, 946947 e 958976 do apenso XXXIII).  72. Observe­se que, no caso das invoices dúplices de fls.946947  do  apenso  XXXIII,  a  de  menor  valor  corresponde  a  uma  das  invoices  relativas  a  importação  efetivada  pela  BSD  através  da  DI  04/00679277,  cf.  fls.  9197  e  especialmente  fl.  98  do  apenso  XXVIII, vol. I, e que compõe o objeto deste feito.  73. A Receita Federal, na análise de fls. 2.6192.623 destes autos,  chegou a  realizar  comparativo  entre  valores declarados nessas  planilhas  a  título  de  "valor  full"  e'"valor  fob"  entre várias DIs  abrangidas  no  presente  caso,  constatando  mais  uma  vez  o  subfaturamento  (fl. 2.622), mas,  como afirma  sem  realizar  "em  face  do  volume  de  provas  e  do  prazo  definido  para  resposta  à  Justiça", uma análise exaustiva.  74.  Ainda  como  prova  quanto  ao  subfaturamento  das  importações,  cumpre  destacar  as  transações  financeiras  realizadas  no  exterior  pela  empresa  BSD  Industrial,  Importadora  e  ExPortadora  Ltda.  e  envolvendo  contas  de  empresas fornecedoras das mercadorias importadas.  75.  0  MPF  discriminou  tais  transações  nas  fls.  117118  da  denúncia.  Nas  fls.  95103,  relacionou  parte  delas  com  as  importações  subfaturadas  que  fazem  parte  da  acusação,  alegando que  se  tratariam de pagamentos "por  fora"  efetuados  pela BSD aos seus fornecedores externos.  Sobre  todo  esse  arcabouço  probatório,  sólido  para  a  comprovação  da  ocorrência de fraude, a BSD Comercial não tece uma única linha em sua defesa, restando sua  argumentação no sentido de que não fora comprovado pela fiscalização a ocorrência de fraude  in casu, o que levaria à necessidade de ser reconhecida decadência parcial do crédito tributário,  com base no artigo 150, §4º do CTN.  Ou  seja,  a  BSD  Comercial  não  se  eximiu  do  ônus  do  comprovar  fato  extintivo, modificativo ou  terminativo de seu direito a  respeito do subfaturamento, como  lhe  determina o artigo 373 do Código de Processo Civil.   Diante  deste  cenário,  não  resta  nada  a  fazer  por  este  Colegiado  que  não  reconhecer a existência da fraude no presente caso conforme os ditames do artigo 72 da Lei nº  4.502/64, a seguir transcrito:  Art.72.  Fraude  é  tôda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.  Fl. 4225DF CARF MF Processo nº 15165.002046/2007­32  Acórdão n.º 3402­004.290  S3­C4T2  Fl. 342          19 Portanto  deve  ser  mantida  a  decisão  recorrida,  que  aplicou  o  artigo  173,  inciso  I  do  CTN  para  a  contagem  do  prazo  decadencial,  concluindo  pela  inexistência  de  extinção  do  crédito  tributário.  Isto  porque  o  Superior  Tribunal  de  Justiça,  valendo­se  da  sistemática prevista no art. 543, “c”, do CPC, pacificou, no REsp 973.733/SC, o entendimento  de que, em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação (como são o II e os  IPI),  e  existindo  conduta  dolosa  por  parte  do  contribuinte,  o  prazo  de  decadência  deve  ser  contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele que poderia ser cobrado (artigo  173, inciso I do CTN):  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.1. O prazo decadencial qüinqüenal  para o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o  lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não  prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito  da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (...).  3. O dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida regra decadencial rege­se pelo disposto no artigo 173, I,  do CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e).  (REsp 973733/SC, Rel. Min.  LUIZ FUX, 1ª Seção, DJ 18/09/09 – Recurso Repetitivo)  Por conta disso, deve­se aplicar ao presente caso o art. 62, §2º do Regimento  Interno  do  CARF,  o  qual  prescreve  a  necessidade  de  reprodução,  pelos  Conselheiros,  das  decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos  recursos repetitivos:  § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo  Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  arts.  543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  1973  ­  Código  de  Processo  Civil  (CPC),  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  Por conseguinte, confirmo a conclusão do acórdão a quo, de inexistência de  decadência in casu.     1.4. Prescrição em relação as multas  Fl. 4226DF CARF MF     20 Com  a  devida  vênia,  não  há  cabimento  na  argumentação  da Recorrente  no  sentido de que as multas sujeitam­se ao prazo de prescrição descritos na Lei 9.873/99, isto é, de  cinco anos contados da realização da conduta descrita no tipo infracional.  Em primeiro lugar porque estamos em sede de contencioso administrativo, ou  seja,  embora  tenha  ocorrido  o  lançamento  tributário  (artigo  142  do  CTN),  não  há  ainda  a  constituição definitiva do crédito, o qual só ocorrerá com o julgamento administrativo final do  CARF. Nesta esfera só cabe falar em eventual decadência do direito do Fisco de constituir o  crédito tributário (cf. artigos 150, §4º ou 173 do CTN). Uma vez constituído definitivamente o  crédito por decisão administrativa final, aí sim passará a contar o prazo prescricional para que a  Fazenda Pública execute judicialmente o referido crédito, exatamente como determina o artigo  174 do Código Tributário Nacional.  O fato de tratarmos de multas em nada altera o raciocínio supra exposto, uma  vez que a penalidade pecuniária (multa de ofício pelo não pagamento de tributo, de acordo com  a  regra do  artigo 44 da Lei n.  9.430/96) passa  a  integrar a obrigação  tributária principal  (cf.  artigo 113 do CTN), submetendo­se à disciplina completa do CTN, o que inclui, por óbvio, os  prazos decadenciais e prescricionais.   Igualmente afasto, portanto, a alegação de prescrição da multa.    1.5. Ausência de pressuposto de fato para a aplicação da multa  Cumpre  então  analisar  a  questão  colocada  pela  Recorrente  sobre  a  qualificação da multa em 150%. Nesse sentido ela sustenta novamente questões preliminares  de  nulidade  por  ausência  de  contraditório,  todas  já  afastadas  nesse  voto.  Também  aponta  suposta falta de descrição dos fatos que permitam o agravamento da multa.  É  tranquila  a  jurisprudência  deste  Conselho  sobre  a  necessidade  de  demonstração da conduta dolosa do contribuinte pela Fiscalização, quando da lavratura o auto  de infração, para fins de subsunção aos tipos previstos pelos artigos os artigos. 71 e 72 da Lei  nº  4.502/64  (sonegação  fiscal  e  fraude).  Vale  dizer,  a  ação  ou  omissão  dolosa  “tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária:  I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  sua  natureza  ou  circunstâncias  materiais;  II  ­  das  condições  pessoais  de  contribuinte,  suscetíveis  de  afetar  a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente”,  ou  ainda  “tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar  as  suas  características  essenciais,  de  modo  a  reduzir  o  montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento”, deve ser cabalmente provada  pelo Fisco no momento do lançamento tributário.  Não há dolo presumido. A fraude ou sonegação tem que sem comprovada.  No  presente  caso,  a  comprovação  de  condutas  fraudulentas,  objetivando  a  sonegação do II e do IPI encontra­se plenamente realizada, como descrito no tópico 1.3. supra.   Assim,  entendo  que  está  provado  que  houve  a  intenção  da  Recorrente  de  praticar o ilícito, tentando ludibriar o fisco, havendo, portanto, motivo claro para qualificação  da multa agravada de 150%, conforme dispõe o artigo 44, §1º da Lei nº 9.430/96:  "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas:  Fl. 4227DF CARF MF Processo nº 15165.002046/2007­32  Acórdão n.º 3402­004.290  S3­C4T2  Fl. 343          21 § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.  Concluo,  portanto,  ser  devida  a  qualificação  da  penalidade  aplicada  à  Recorrente, a qual deve ser mantida no patamar de 150%.    1.6. Ausência de elementos que permitam caracterizar a diferença entre  os valores pagos e os valores exigidos no auto de infração  Inicialmente deve­se  frisar que o presente  caso diz  respeito  à  imputação da  prática de subfaturamento mediante de fraude relativa às transações de comércio exterior. Não  há  acusação  pela  autoridade  fiscal,  portanto,  de  subvaloração.  Tal  destaque  perfunctório  é  importante à medida que, enquanto a subvaloração não caracteriza ato ilícito, mas sim um erro  na interpretação do Acordo Geral de Tarifas e Comércio GATT que tem como consequência o  a  declaração  pelo  importador  de  valor  aduaneiro  a  menor.  A  seu  turno,  no  subfaturamento  verifica­se  a  prática  de  ato  ilícito  (falsidade  documental,  material  ou  ideológica)  pela  declaração falsa do valor aduaneiro. 6   Sobre tal diferenciação, e as consequências em relação ao regime jurídico a  ser  aplicado,  já  se  pronunciou  o  CARF.  Veja­se  a  seguinte  ementa,  esclarecedora  sobre  o  ponto:  Assunto: Imposto sobre a Importação ­ II  Data do fato gerador: 23/10/2013, 31/12/2013  TRIBUTOS ADUANEIROS. BASE DE CÁLCULO. FRAUDE DE  VALOR.  SUBFATURAMENTO.  SUBVALORAÇÃO.  DIFERENCIAÇÃO.  Nos  casos  de  fraude  de  valor,  não  há  subvaloração,  mas  subfaturamento,  que  se  diferencia  da  primeira  em  razão  da  ilicitude  da  conduta  do  importador.  O  subfaturamento  ocorre  quando o importador registra a declaração de importação (DI)  tendo  por  base  um  fatura  comercial  que  não  reflete  o  preço  realmente pago pelo produto importado. Essa discrepância pode  resultar  da  falsificação  da  fatura,  mediante  apresentação  de  versão  não  verdadeira  substitutiva  da  fatura  genuína  ou  por  alteração  do  documento  verdadeiro  (falsidade  material).  Também  pode  ocorrer  quando,  mediante  conluio  entre  importador  e  exportação,  emite­se  uma  fatura  verdadeira,  porém,  com  valores  menores  que  os  efetivamente  praticados  (falsidade ideológica). Não se confunde com a subvaloração, que                                                              6  “É  importante,  mais  uma  vez,  separar  as  operações  lícitas  das  operações  ilícitas  para  conceituarmos  o  subfaturamento, diferenciando­o de outra prática aparentemente similar: a subvaloração. Esta, uma irregularidade  dentro do campo da licitude. Aquela, através da prática de um ato ilícito. O subfaturamento é realizado mediante o  registro da Declaração de Importação com declaração de preço inferior ao efetivamente praticado, com base numa  fatura  comercial  falsa  (ideológica  ou  material).”  (FERNANDES,  Rodrigo  Mineiro.  Valoração  aduaneira  e  subfaturamento.  In: DOMINGO et.al., Tributação Aduaneira  à  luz da  jurisprudência do CARF, São Paulo: MP  Editora, 2013, p. 250­ 251.)  Fl. 4228DF CARF MF     22 constitui a aplicação indevida de um dos métodos de valoração  aduaneira  do  AVA/Gatt,  sem  a  ocorrência  de  fraude  (Opinião  Consultiva nº 10.1, do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira).  FALSIDADE MATERIAL. NÃO CARACTERIZADA. AUSÊNCIA  DE  PROVAS  DE  ADULTERAÇÃO.  ALEGAÇÃO  DE  PRETERIÇÃO  DE  FORMALIDADE  NÃO  ESSENCIAL.  A  ausência  de  elementos  que  demonstrem  com  segurança  a  adulteração  do  documento,  associada  à  simples  alegação  de  preterição  de  formalidade não  essencial  (RA/2009,  o  art.  557),  são  insuficientes  para  se  concluir  pela  falsidade  material  da  fatura  comercial.  FALSIDADE IDEOLÓGICA. PROVA DE VENDA ABAIXO DO  PREÇO  DE  CUSTO.  AUSÊNCIA  DE  PROVAS  DO  PREÇO  EFETIVAMENTE  PRATICADO.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO.  A  simples  comprovação  da  venda  com  prejuízo  é  insuficiente  para se concluir pela falsidade ideológica da fatura. Exige­se a  demonstração de que o preço declarado pelo importador na DI  foi diferente do efetivamente praticado na operação, o que pode  ocorrer  por  qualquer  meio  de  prova,  desde  a  realização  de  pagamentos em paralelo (“por fora”), ordens de compra, faturas  proforma,  documentos  financeiros,  comprovantes  de  operações  bancárias, até mesmo registros internos de controle paralelo de  pagamentos.  Do  contrário,  não  há  como  se  diferenciar  uma  fraude  de  valor  de  uma  simples  venda  com  custo  reduzido,  sobretudo nos casos entre partes relacionadas. Desapareceria a  diferença entre o subfaturamento e o subvaloração, implicando a  atribuição  do mesmo  tratamento  jurídico  à  operações  lícitas  e  ilícitas  (...)  (Número  do Processo  10909.720986/2014­71, Data  da Sessão, 25/02/2015, Acórdão 3802­004.098)   Em síntese, mais uma vez este Conselho posiciona­se no sentido de que o ato  ilícito  deve  ser  devidamente  provado  pelo  Fisco  quando  da  lavratura  do  auto  de  infração,  inclusive quando o ilícito constitui o subfaturamento em operações de comércio exterior.   No  caso  ora  sob  análise,  diferentemente  do  quanto  alegado  pela  BSD  Comercial e do que ocorreu no caso acima colacionado, 7 tal prova é clara e precisa. Vejamos.  O lançamento tributário foi lavrado com as seguintes informações (fls 1393 e  1394)  Também,  foi  constatado  que  as  importações  efetuadas  pela  empresa  BSD  foram  efetuadas  através  de  mecanismos  fraudulentos  inclusive  em  relação  à  documentação  instrutiva  do  procedimento  de  despacho  aduaneiro  no  qual  foram  apresentadas  Faturas  com  valores muito  abaixo  da  realidade  das  operações  comerciais.  Tal  constatação  foi  realizada  pelo  Ministério Público Federal que através da Força Tarefa CC­5  apreendeu  documentação  relacionada.  As  importações  realizadas  pela  BSD  e  as  encaminhou  a  esta  Inspetoria  autorizadas por decisão judicial.                                                              7  Afirma  a  Recorrente  que  a  fiscalização  considerou  a  existência  de  crédito  tributário  somente  com  base  em  planilha  constante  no  HD  apreendido  na  residência  do  Sr.  Vitório  Breda,  que  supostamente  demonstraria  a  existência  de  subfaturamento. Ou  seja,  o  Fisco  não  procurou  outros  elementos  de  prova  ou,  tampouco,  buscou  junto à contribuinte outros elementos de convencimento. Verifica ausente, deste modo, a existência de elementos  concretos que possibilitem afirmar diferenças sobre a base de cálculo dos tributos.  Fl. 4229DF CARF MF Processo nº 15165.002046/2007­32  Acórdão n.º 3402­004.290  S3­C4T2  Fl. 344          23 (...)  O cálculo do valor tributável  levou em consideração os valores  sonegados  por  DI  obtidos  através  da  planilha  CONTROLE  PGUA 2002 em excel, sub planilhas: BIKE & MOTOS e MALAS  extraídas  dos  HDs  pertencentes  ao  Sr.  Vitório  Breda,  gerente  administrativo  da  BSD.  A  referida  planilha  traz  na  coluna  VALOR FOB US$ o valor apresentado no momento do despacho,  o VALOR FULL US$ que é o valor real e o valor DIFERENÇA  US$ sendo o valor sonegado. (grifei)  Aqui  mais  uma  vez  vemos  a  utilização  de  prova  emprestada  (licitamente,  como constatado no item 1.3.) para respaldar o trabalho da Fiscalização.   Trata­se  do  Relatório  elaborado  pelo  Ministério  Público  Federal  –  Procuradoria  da  República  em  Curitiba/PR  –  Força  Tarefa  CC5,  nos  autos  do  Processo  n.  2006.70.00.012299­7, para o Caso Sundown (Operação Pôr do Sol), constante em fls 1801 e  seguintes.  O  conteúdo  do  relatório  ali  desenvolvido  demonstra  meticulosamente  a  materialidade  dos  crimes  imputados  aos  réus,  incluindo  o  subfaturamento  das  importações  (vide nota de roda­pé n. 6).  Não  fosse  o  bastante,  como  já  salientou  o  Acórdão  recorrido,  no  processo  administrativo  fiscal  n°  10907.000957/2004­38,  consta  a  sentença  prolatada  nos  autos  da  referida Ação Criminal  nº  2006.7000012299­7,  da 2a. Vara Federal Criminal  de Curitiba,  já  citada  no  tópico  1.3.  supra,  que  é  categórica  sobre  todas  as  provas  que  demonstram  o  subfaturamento das importações.   Dessarte, deve ser afastado o argumento da Recorrente no sentido de que o  Fisco não apresentou outros elementos de prova a respeito do subfaturamento das importações.     1.7. Cálculo do valor sonegado para a apuração dos tributos devidos  Como já decidido por este Colegiado no Processo n.º 10945.000888/2005­97,  de  relatoria  do  Conselheiro  Carlos  Augusto  Daniel  Neto,  e  Processo  nº  11128.722546/2012¬47,  de  relatoria  da  Conselheira  Maysa  de  Sá  Pittondo  Deligne,  a  desconsideração do valor indicado nas DIs, por parte da fiscalização deve atender a dois ônus  argumentativo/probatórios,  cumulativamente:  i)  um  relativo  à  descaracterização  do  valor  aduaneiro adotado pelo importador, através da prova do subfaturamento; e ii) determinação do  correto valor aduaneiro, com base na legislação aplicável.  Entendo que no presente caso ambos foram supridos.  De fato, como demonstrado no tópico 1.6., não há dúvidas sobre a ocorrência  de  subfaturamento  in  casu,  de  modo  que  o  primeiro  ônus  argumentativo­probatório  foi  ultrapassado.  O mesmo se diz com relação ao segundo ônus, haja vista que a Fiscalização  seguiu  o  quanto  determina  o  artigo  88  da  Medida Provisória 2.158­35/2001 (regulamentado  pelo  artigo 86  caput do RA/2009), ao  utilizar  o  preço  efetivamente  praticado  (e  não  o  arbitramento)  para  servir  de  base  para  os  tributos  na  importação  que  não  foram  plenamente  Fl. 4230DF CARF MF     24 recolhidos. É o que se depreende do  cálculo utilizado pela Fiscalização para  a  apuração dos  valores devidos a título de II e IPI, descrito da seguinte maneira no lançamento tributário:  CRITÉRIOS DE CÁLCULO:  Para  efeito  de  cálculo,  o  valor  sonegado  foi  rateado  entre  as  respectivas  adições  considerando  a  média  proporcional  aos  respectivos valores.  Exemplificando:  DI 02/0826351­3 registrada em 16/09/2002 e desembaraçada em  02/10/2002.  Considerando a planilha excel: CONTROLE PGUA 2002 tem se  que  o  VALOR  FOB  US$:  58.300,00,  declarado  na  DI  e,  a  DIFERENCA US$: 12.320,00 sendo o valor sonegado.  Para cálculo do valor em real utiliza­se a TAXA D/I de 3,1239.  Na  planilha  "CALCULO DO  VALOR  SONEGADO"  teremos  o  valor  de  R$  38.486,45  para  a  coluna  denominada  VALOR  SONEGADO.  Através do  sistema DW Aduaneiro  extraímos o valor CIF POR  ADIÇÃO e o valor CIF POR DI. Com esses valores obtemos o  coeficiente  CIF  POR  ADIÇÃO/CIF  POR  DI  obtendo  a  participação proporcional de cada adição no valor global da DI.  Com  o  valor  do  coeficiente  multiplicado  pelo  valor  VALOR  SONEGADO obtemos o VALOR SONEGADO POR ADIÇÃO.  Com  esse  valor  e  com  os  dados  das  aliquotas  de  II  e  IPI  foi  formulado o Auto de Infração.  O Acórdão  n.  07­19.131  (fls  2349),  que  foi  posteriormente  anulado  porque  não avaliou  as  impugnações  tempestivas de  alguns  sujeitos passivos  solidários,  traz  algumas  exemplificações do cálculo em apreço, das quais destaco a seguinte:  Na DI n° 02/826351­3 (fl. 98) , sempre constante na linha 96 das  tabelas CONTROLE PGUA 2002.  folha  71,  consta que  o  valor  correto da DI é US$ 70.620,00 (coluna AB — Valor Full US$ ­  fl.  70­71),  sendo  que  o  valor  declarado  foi  de  US$  58.300,00  (coluna AC — VALOR FOB US$ ­  fl. 70­71). A diferença entre  esses  dois  valores  é  de  US$  12.320,00  (coluna  AD  —  DIFERENÇA  US$  ­  fl.  70­71),  que  é  justamente  o  valor  não  declarado. Tal valor não declarado em dólares multiplicado pela  taxa de câmbio de 3,1239 (coluna AI — TAXA D/I ­ fl. 70­71) é  igual  ao  valor  não  declarado  em  Reais  de  R$  38.486,45,  justamente o valor apontado pelo Fisco (fl. 58).  Este  valor  não  declarado  de  R$  38.468,45  é  pelo  total  da  DI.  Para se descobrir o valor por adição, dividiu­se este valor total  da DI por cada adição utilizando a proporção do valor de cada  adição  pelo  valor  total  da  DI.  Esta  relação  é  demonstrada  à  folha  58,  onde  consta  na  coluna  "DADOS  EXTRAÍDOS  DO  SISTEMA DW ADUANEIRO — VALOR CIF POR ADIÇÃO" e a  coluna "DADOS EXTRAÍDOS DO SISTEMA DW ADUANEIRO  — VALOR CIF POR DI". Dividindo o valor da primeira coluna  Fl. 4231DF CARF MF Processo nº 15165.002046/2007­32  Acórdão n.º 3402­004.290  S3­C4T2  Fl. 345          25 pelo  valor  da  segunda,  obtém­se  o  valor  "CIF  POR  ADIÇÃO/CIF POR DI",  que  indica  justamente  a  proporção do  valor  da  adição  em  relação  ao  valor  da  DI.  Por  exemplo,  a  quarta  adição  desta DI  tem  como proporção o  valor  de  0,254.  Multiplicando­se  0,254  pelo  valor  de  R$  38.486,45  "DADOS  EXTRAÍDOS DA PLANILHA CONTROLE PGUA 2002 VALOR  SONEGADO",  obtém­se  o  "VALOR  SONEGADO  POR  ADIÇÃO" (fl. 58) no valor de R$ 9.769,71.  Ou  seja,  o  que  a  Fiscalização  fez  foi  simplesmente  utilizar  o  Sistema DW  para compor o preço efetivo das importações em questão, sendo que o Sistema DW Aduaneiro  permite extração de dados constantes no Siscomex. Foi concretizado, portanto, o procedimento  de utilização do Sistema DW como ferramenta para validação de parâmetros de preços, sempre  a  partir  das  provas  de  preços  reais  segundo  a  própria  BSD  Comercial,  chegando  ao  preço  efetivamente praticado, através de adições parametrizadas aos valores alcançados a partir das  provas dos autos, como requer o artigo 88 caput da MP 2.158­35/2001.   Sem  razão,  portanto,  à  Recorrente  quando  contesta  o  cálculo  da  base  de  imposição (preço praticado) dos tributos.  Findos os argumentos apresentados pela BSD Comercial, passo a análise do  recurso voluntário apresentado pelos responsáveis solidários.  2.  Isidoro Rozemblum e Rolando Rozemblum  A  atribuição  de  responsabilidade  tributária  no  presente  auto  de  infração  foi  feita por meio da singela colocação da autoridade lançadora (fls 1395): 8   RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS:  Também,  observando  o  disposto  no  art.  44  da  Instrução  Normativa SRF n 200 de 13 de setembro de 2002, mantido pelo  art. 50 da Instrução Normativa REP n ° 568, de 08 de setembro  de 2005 e, posteriormente pelo art. 50 da Instrução Normativa  RFB n° 748, de 28 de junho de 2007 e considerando as pessoas  elencadas no Auto de Infração PAF n ° 10907.000957/2004­38,  ou  sejam  os  reais  interessados  e  beneficiários  pelos  atos  praticados  pela  BSD,  as  seguintes  pessoas  deverão  ser  responsabilizadas tributariamente:  a) ISIDORO ROZENBLUM TROSMAN, CPF: 183.997.979­87;  b) ROLANDO ROZENBLUM ELPERN, CPF: 874.005.619­87 ;  c) NOEMI ELPERN KOTLIAREVSKI DE ROZENBLUM, CPF:  252.865.959­87 ;                                                              8 Por sua vez, o enquadramento legal para a fundamentação do lançamento foi construído da seguinte forma (fls.  1400):   ENQUADRAMENTO LEGAL  Arts. 1º, 77, inciso I, 80, inciso I, 83, 86, 87(inciso I ou II), 99, 100,103, 111, 112, 411 a 413, 418, 444, 499, 501,  inciso III, 542 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n°91.030/85, c/c arts. 3°, 4° e 8° da Medida  Provisória  n°297/91;  arts.  3º,  4º  ,  5°  6°  e  11  da  Medida  Provisória  n°298/91;  arts.  3°,  4°  ,  6°  e  37  da  Lei  n°8.218/91.  Fl. 4232DF CARF MF     26 d) KARINA ROZENBLUM, CPF: 004.873.239­71 ;  e) LEON KNOPFHOLZ, CPF: 610.459.009­82 ;  f) CALMON KNOPFHOLZ , CPF: 000.413.609­82 ;  Primeiramente insta observar o conteúdo da citada Instrução Normativa RFB  n° 748, de 28 de junho de 2007, cujo artigo 50 determina que:  Art. 50. O encaminhamento,  para  fins de  inscrição e  execução,  de créditos tributários relativos à pessoa jurídica cuja inscrição  no CNPJ tenha sido declarada inapta, nas hipóteses dos incisos  I,  II  e  IV  do  art.  34,  será  efetuado  com  a  indicação  dessa  circunstância  e  da  identificação  dos  responsáveis  tributários  correspondentes.  Parágrafo  único.  O  disposto  no  caput  aplica­se,  também,  à  hipótese de que  trata o  inciso  III do art.  3410  relativamente aos  créditos  decorrentes  de  fatos  geradores  ocorridos  antes  da  paralisação das atividades da entidade.  De pronto percebemos que o ato normativo  infralegal  trata de  inscrição em  dívida  ativa  e  execução  judicial  de  crédito  tributário.  Assim,  simplesmente  em  nada  se  relaciona com a imputação a que se dirige esta parte da motivação do lançamento, ou seja, com  a atribuição de responsabilidade aos sócios e administradores pelo subfaturamento (ato ilícito)  das  importações  e, por conseguinte, pelo adimplemento solidário dos  tributos que não  foram  devidamente levados aos cofres da União.   Por  essa  razão,  as  Instruções  Normativas  não  são  capazes  de  sustentar  juridicamente a responsabilidade tributária das pessoas físicas.  Já  no  que  tange  à  remissão  feita  ao  PAF  n  °  10907.000957/2004­38,  tampouco  é  possível  considerar  que  seja  o  bastante  para  o  fim  de  validar  a  aplicação  da  responsabilidade tributária. Por três razões.  Em primeiro lugar, porque o Decreto 70.235/72, em seu artigo 10, incisos III  e IV (na esteira do artigo 142 do CTN) é hialino ao dispor que o lançamento tributário deverá  obrigatoriamente  conter  a  descrição  dos  fatos  e  disposição  legal  infringida  e  a  penalidade  aplicável. Isto, contudo, não ocorreu no presente caso.  Trata­se vícios referentes aos requisitos legais mínimos do ato administrativo,  sem os quais não é possível seu controle.   Assim, muito embora seja possível a utilização de prova emprestada (como  feito  para  demonstrar  o  subfaturamento,  o  qual,  embora  de  forma  sucinta,  foi  colocado  com  precisão  fática  e  com  os  pertinentes  dispositivos  legais  que  o  embasam  no  presente  auto  de  infração),  não  é  possível  a  utilização  de  “disposição  legal  infringida  emprestada”  ou  "elementos de fato emprestados" sobre a responsabilidade das pessoas físicas.   Mas  não  é  só.  Também  há  vício  quanto  a  requisito  essencial  do  ato  administrativo: o motivo.   Como ensina Odete Medauar,9 “no âmbito do direito administrativo, motivo  significa as circunstâncias de fato e os elementos de direito que provocam e precedem a edição                                                              9 Direito Administrativo Moderno. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. 11ª ed, p. 136.  Fl. 4233DF CARF MF Processo nº 15165.002046/2007­32  Acórdão n.º 3402­004.290  S3­C4T2  Fl. 346          27 do  ato  administrativo.  Por  exemplo:  o  ato  administrativo  punitivo  tem  como  motivo  uma  conduta  do  servidor  (circunstância  de  fato)  que  a  lei  qualificou  como  infração  funcional  (elemento de direito).”   Ora, de acordo com o trecho do auto de infração acima transcrito, não foram  trazidos  nem  as  circunstância  de  fato  nem  os  elementos  de  direito  que  acarretariam  na  responsabilidade  tributária  imposta  às pessoas  físicas. Não existe,  consequentemente, motivo  do ato administrativo, que como manifestação de vontade do Estado, não pode ser entendido  como  um  fator  individual  e  psíquico,  mas  sim  um  dado  objetivo,  sempre  de  acordo  com  a  impessoalidade que norteia a Administração brasileira (Artigo 37, caput, CF).   Em  terceiro  lugar,  há  ainda  outro  problema  com  relação  ao motivo  do  ato  administrativo. Vejamos.   Como  precisamente  assentado  por  Luiz  Roberto  Domingo  “no  âmbito  da  importação  de  mercadorias  há  dois  regimes  jurídicos  distintos,  que  devem  imperar  isoladamente, cada qual no seu âmbito de incidência: o Regime Jurídico Aduaneiro e o Regime  Jurídico Tributário, ainda que ambos sejam exercidos pela mesma autoridade.” 10 Dessarte, não  é  possível  confundir  a  responsabilidade  por  multas  aduaneiras  (espécies  de  sanção  por  ato  ilícito praticados especificamente no âmbito do comércio exterior), disciplinada pelo artigo 95  do Decreto­Lei n. 37/66, com a responsabilidade tributária, cuja normatização está posta nos  artigos 128 e seguintes do Código Tributário Nacional.   Não  se  trata  de  simples  formalidade,  mas  sim  de  reconhecer  que  os  pressupostos  para  a  aplicação  de  cada  uma  das  espécies  de  responsabilidade  são  diversos  (regimes  jurídicos  díspares),  e,  portanto,  não  intercambiáveis  em  sua  aplicação  aos  casos  concretos, como o próprio texto das disposições normativas explicitam:  Art.95 ­ Respondem pela infração:  I ­ conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma,  concorra para sua prática, ou dela se beneficie;  II  ­  conjunta ou  isoladamente, o proprietário e o consignatário  do  veículo,  quanto  à  que  decorrer  do  exercício  de  atividade  própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes;  III  ­  o  comandante ou  condutor de  veículo nos  casos do  inciso  anterior,  quando  o  veículo  proceder  do  exterior  sem  estar  consignada a  pessoa  natural  ou  jurídica  estabelecida  no  ponto  de destino;  IV  ­  a  pessoa  natural  ou  jurídica,  em  razão  do  despacho  que  promover, de qualquer mercadoria.  V  ­  conjunta  ou  isoladamente,  o  adquirente  de  mercadoria  de  procedência  estrangeira,  no  caso  da  importação  realizada  por  sua  conta  e  ordem,  por  intermédio  de  pessoa  jurídica  importadora.  (Incluído pela Medida Provisória  nº 2.158­35,  de  2001)                                                              10  Direito  Aduaneiro  e  Direito  Tributário  –  Regimes  Jurídicos  Distintos.  In  Tributação  Aduaneira  à  luz  da  jurisprudência do CARF, São Paulo: MP Editora, 2013, pp. 196 e 197.   Fl. 4234DF CARF MF     28 VI ­ conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado  que  adquire  mercadoria  de  procedência  estrangeira  de  pessoa  jurídica importadora. (Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006)    Art. 124. São solidariamente obrigadas:  I  ­  as  pessoas  que  tenham  interesse  comum  na  situação  que  constitua o fato gerador da obrigação principal;  II ­ as pessoas expressamente designadas por lei.  Parágrafo  único.  A  solidariedade  referida  neste  artigo  não  comporta benefício de ordem.    Art.  136.  Salvo  disposição  de  lei  em  contrário,  a  responsabilidade  por  infrações  da  legislação  tributária  independe  da  intenção  do  agente  ou  do  responsável  e  da  efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.  Tendo  isso  em  vista,  lembremos  que  o  PAF  n  °  10907.000957/2004­38,  citado  no  auto  de  infração  para  subsidiar  a  responsabilidade  tributária,  cuida  da  pena  de  perdimento  convertida  em multa  por  força  da  ocultação  do  real  sujeito  passivo  por meio  de  interposição  fraudulenta  de  terceiros  (artigo  23,  inciso V  e  §1º  do Decreto­Lei  n.  1.455/76).  Enquanto  isso, o presente  feito versa sobre cobrança de  tributos, o  II e o  IPI. No primeiro, a  responsabilidade tributária rege­se pelos critérios do artigo 95 do Decreto 37/66, já no segundo  reger­se­ia, eventualmente, pelos artigos 124 e 136 do CTN, caso tivessem sido aventados pela  autoridade fiscal.  O  lançamento, vale  lembrar,  é  tido precipuamente como ato administrativo,  preenchendo  todos  os  requisitos  para  tanto,  segundo  a  teoria  clássica  de  Celso  Antônio  Bandeira de Mello. 11 Assim, a motivação (que nada mais é do que a enunciação dos motivos)12  do ato administrativo, seja quanto ao seu mérito, seja quanto à atribuição de responsabilidade  tributária a terceiros, é requisito sine qua non para sua validade jurídica.   Nesse  sentido,  o  Conselheiro  Diego  Diniz  Ribeiro  bem  expôs  no  Acórdão  3402003.883,  concluindo  pela  necessidade  de  reconhecer  a  ilegitimidade  passiva  do  responsável tributário por falta de motivação do lançamento. In verbis:  16. Como  visto  acima,  a motivação do  ato  administrativo  deve  ser  precisa,  em  especial  para  aqueles  atos  chamados  de  vinculados,  ou  seja,  sujeitos  à  ideia  de  legalidade  estrita,  haja  vista  tudo  o  que  fora  escrito  alhures  e,  ainda,  particularmente  pelo  fato  de  o  presente  ato  administrativo  potencialmente  desembocar em um processo administrativo (e possível processo  judicial), o que potencializa a necessidade de motivação do ato  para  que  o  administrado  possa  exercer  de  forma  plena  seu                                                              11  “Lançamento  tributário  é  o  ato  jurídico  administrativo,  da  categoria  dos  simples,  constitutivos  e  vinculados,  mediante o qual se insere na ordem jurídica brasileira u’a norma individual e concreta, que tem como antecedente  fato  jurídico  tributário  e,  como  conseqüente,  a  formalização do vínculo obrigacional,  pela  individualização dos  sujeitos ativo e passivo, a determinação do objeto da prestação,  formado pela base de cálculo e correspondente  alíquota,  bem  como  pelo  estabelecimento  dos  termos  espaço­temporais  em  que  o  crédito  há  de  ser  exigido.”  (Curso de Direito Tributário, p. 386).  12 MEDAUAR, Odete. Direito Administrativo Moderno. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. 11ª ed, p. 136.  Fl. 4235DF CARF MF Processo nº 15165.002046/2007­32  Acórdão n.º 3402­004.290  S3­C4T2  Fl. 347          29 direito  de  defesa  (isso  no  âmbito  administrativo  ou,  ainda,  seu  substancial  direito  de ação,  já  falando aqui  no  plano  judicial).  Nesse  sentido,  compete  à  Administração  precisar  as  circunstâncias  fático­jurídicas  que  permeiam  o  ato  administrativo,  de  modo  que  o  Administrado  saiba,  com  precisão, contra qual acusação jurídica deve se defender. Não é  isso, todavia, o que ocorre no presente caso.  Disto  a  única  conclusão  que  se  pode  alcançar  é  que  o  presente  auto  de  infração  não  formalizou  nem motivou  a  responsabilidade  tributária  das  pessoas  físicas,  não  tendo sido, portanto, constituído com perfeição em relação ao ponto da sujeição passiva, já que  não  cumpriu  os  artigos  142  do  CTN,  10  do  PAF  além  do  próprio  requisito  essencial  da  motivação dos atos administrativos. Tudo isso culmina, não há dúvida, na impossibilidade de  plena defesa dos supostos responsáveis tributários, o que é vedado pelo ordenamento jurídico.  Não cabe a este Colegiado “corrigir” o trabalho da Fiscalização, uma vez que  impedida a tanto pelo artigo 146 do CTN, sob pena de alteração de critério jurídico adotado na  motivação  (ou,  a  bem  da  verdade,  também  na  falta  dela  in  casu)  do  lançamento  tributário.  Somente  cumpre,  então,  reconhecer  a  invalidade  da  autuação  fiscal  a  respeito  da  responsabilidade tributária.   Dispositivo  Por  essas  razões,  voto  no  sentido  de:  i)  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário  da  BSD  Comercial,  e  ii)  dar  provimento  aos  Recursos  Voluntários  de  Isidoro  Rozemblum e Rolando Rozemblum.  Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz                                 Fl. 4236DF CARF MF

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Numero do processo: 19515.003268/2004-63
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1999 NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA - INOCORRÊNCIA A Delegacia de Julgamento fez menção a dispositivos legais não mencionados no auto de infração no intuito de demonstrar que mesmo antes da Medida Provisória n° 1.858-6/99 já existiam regras legais que justificariam a glosa, contudo não foi esse o fundamento utilizado pela Auditoria. 0 trabalho fiscal, conforme Termo de Verificação às fls. 145 a 147, está todo baseado no art. 20 da referida MP, e não em qualquer construção normativa a partir de outros dispositivos legais citados pela DRJ. Desde o auto de infração, a questão colocada e muito bem debatida é se a restrição introduzida pela MP n° 1.858-6, proibindo a compensação, na sucessora, de base negativa que veio de empresa sucedida, alcançaria ou não incorporações ocorridas antes da vigência desta MP, não restando caracterizado qualquer cerceamento no direito de defesa da Contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1999 COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DE SUCEDIDA - PROIBIÇÃO INCORPORAÇÃO OCORRIDA ANTES DA VIGÊNCIA DA MEDIDA PROVISÓRIA N° 1.858-6, DE 30/06/1999 No que toca A. compensação de prejuízos fiscais ou de bases negativas de exercícios anteriores, até que encerrado o exercício fiscal ao longo do qual se forma o fato gerador do tributo, o Contribuinte possui mera expectativa de direito quanto à manutenção das regras que regiam os exercícios anteriores. A lei aplicável é a vigente na data do encerramento do exercício fiscal (ocorrência do fato gerador), e o abatimento de prejuízos ou de base negativa, mais além do exercício social em que constatados, configura benesse da política fiscal. Precedentes do STF. Na ocorrência do fato gerador anual de CSLL - 31/12/1999, já estavam em plena vigência as normas introduzidas pela MP no 1.858-6, e, portanto, não mais era permitida a compensação de base negativa advinda de empresa sucedida .
Numero da decisão: 1802-000.750
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, ern negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Sandra Maria Dias Nunes e João Francisco Bianco
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORRÊA

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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1999 NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA - INOCORRÊNCIA A Delegacia de Julgamento fez menção a dispositivos legais não mencionados no auto de infração no intuito de demonstrar que mesmo antes da Medida Provisória n° 1.858-6/99 já existiam regras legais que justificariam a glosa, contudo não foi esse o fundamento utilizado pela Auditoria. 0 trabalho fiscal, conforme Termo de Verificação às fls. 145 a 147, está todo baseado no art. 20 da referida MP, e não em qualquer construção normativa a partir de outros dispositivos legais citados pela DRJ. Desde o auto de infração, a questão colocada e muito bem debatida é se a restrição introduzida pela MP n° 1.858-6, proibindo a compensação, na sucessora, de base negativa que veio de empresa sucedida, alcançaria ou não incorporações ocorridas antes da vigência desta MP, não restando caracterizado qualquer cerceamento no direito de defesa da Contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1999 COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DE SUCEDIDA - PROIBIÇÃO INCORPORAÇÃO OCORRIDA ANTES DA VIGÊNCIA DA MEDIDA PROVISÓRIA N° 1.858-6, DE 30/06/1999 No que toca A. compensação de prejuízos fiscais ou de bases negativas de exercícios anteriores, até que encerrado o exercício fiscal ao longo do qual se forma o fato gerador do tributo, o Contribuinte possui mera expectativa de direito quanto à manutenção das regras que regiam os exercícios anteriores. A lei aplicável é a vigente na data do encerramento do exercício fiscal (ocorrência do fato gerador), e o abatimento de prejuízos ou de base negativa, mais além do exercício social em que constatados, configura benesse da política fiscal. Precedentes do STF. Na ocorrência do fato gerador anual de CSLL - 31/12/1999, já estavam em plena vigência as normas introduzidas pela MP no 1.858-6, e, portanto, não mais era permitida a compensação de base negativa advinda de empresa sucedida .

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Recorrida 1" TURMA/DRJ-SANTA MARIA/RS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1999 NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA - INOCORRÊNCIA A Delegacia de Julgamento fez menção a dispositivos legais não mencionados no auto de infração no intuito de demonstrar que mesmo antes da Medida Provisória n° 1.858-6/99 já existiam regras legais que justificariam a glosa, contudo não foi esse o fundamento utilizado pela Auditoria. 0 trabalho fiscal, conforme Termo de Verificação às fls. 145 a 147, está todo baseado no art. 20 da referida MP, e não em qualquer construção normativa a partir de outros dispositivos legais citados pela DRJ. Desde o auto de infração, a questão colocada e muito bem debatida é se a restrição introduzida pela MP n° 1.858-6, proibindo a compensação, na sucessora, de base negativa que veio de empresa sucedida, alcançaria ou não incorporações ocorridas antes da vigência desta MP, não restando caracterizado qualquer cerceamento no direito de defesa da Contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1999 COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA DE SUCEDIDA - PROIBIÇÃO INCORPORAÇÃO OCORRIDA ANTES DA VIGÊNCIA DA MEDIDA PROVISÓRIA N° 1.858-6, DE 30/06/1999 No que toca A. compensação de prejuízos fiscais ou de bases negativas de exercícios anteriores, até que encerrado o exercício fiscal ao longo do qual se forma o fato gerador do tributo, o Contribuinte possui mera expectativa de direito quanto à manutenção das regras que regiam os exercícios anteriores. A lei aplicável é a vigente na data do encerramento do exercício fiscal (ocorrência do fato gerador), e o abatimento de prejuízos ou de base negativa, mais além do exercício social em que constatados, configura benesse da política fiscal. Precedentes do STF. Na ocorrência do fato gerador anual de CSLL - 31/12/1999, já estavam em plena vigência as normas introduzidas pela MP no 1.858-6, e, portanto, não mais era permitida a compensação de base negativa advinda de empresa sucedida . Vistas, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, ern negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Sandra Maria Dias Nunes e João Francisco Bianco. ,--------- _„_------------ -------------------- __________------- ----Est - argues Lins de ousa --lite. i- . -, é e y Oliveira erraz C rrea - Relator. EDITADO EM: 2: 8 „I í N 2011 Participaram da sessão d julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), João Francisco Bianco (Vice-Presidente), José de Oliveira Ferraz Correa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Nelso Kichel e Sandra Maria Dias Nunes (Suplente Convocada). 2 Processo n° 19515 003268/2004-63 51-TE02 Acórdão n ° 1802-00.750 Fl. 324 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria/RS, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo h Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL, conforme auto de infração de fls. 150 a 154, no valor de R$ 758.193,98, incluindo-se nesse montante a multa de oficio de 75% e os juros moratórios. Por muito bem descrever os fatos, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão no 18-8.710, as fls. 252 a 260: Contra o Contribuinte, acima identificado, na qualidade de sucessora da pessoa jurídica Coats Industrial S/A, foi lavrado o Auto de Infracdo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) de fls. 153-154, com os demonstrativos dells, 150-152, exigindo o recolhimento do valor de R$293,543,69 de contribuição, acrescido da multa de 75%, prevista no art, 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, e dos juros de mora, em razão da compensação indevida, no ano-calendário de 1999, de base de cálculo negativa dessa contribuição. Conforme os autos, a Coats Industrial S/A - CNPJ 08.325,383/0001-80 - incorporou, em 30/04/1998 (fls. 13-14), a Algodoeira São Miguel S/A (CNPJ 08.412.124/0001-96). Et7I 02 de julho de 2001, a Coats Industrial S/A foi incorporada pela Coats Corrente Lida. (fls. 73-81). Em 1999, a Coats Industrial S/A apurou uma base de cálculo de CSLL de R$13.852.575,81 e efetuou a compensação de R$4,028.3 1 0,4, sendo R$1.582,104,01 referente a saldo próprio e R$2,446.197,40 proveniente de saldo negativo apurado pela Algodoeira Sao Miguel (incorporada), A Fiscalização, entendendo que não cabia a referida compensação, glosou a importância de R$2.446.197,40 e exigiu a CSLL correspondente. Enquadramento legal: art. 2°, e ,sçsç, da Lei n° 7.689, de 1988, art. 19 da Lei n° 9.249, de 1995 e arts. 6° e 20 da Medida Provisória n° 1,858, de 1999 e suas reedições. Inconformado com o lançamento, o Contribuinte apresenta, por intermédio de seus procuradores, a impugnação de Ill 160-169, com os documentos de fls. 170-214, onde faz a sua defesa. Entende que a referida compensação pode ser efetuada, eis que a vedação prevista no art, 33 do Decreto Lei n° 3.341, de 1987, s6 se referia aos prejuízos fiscais, abrangendo, portanto, apenas o imposto de renda, Somente com a edição da MP n° 1858-6, de 29 de junho de 1999, tal vedação abrangeu a CSLL. Assim, para as empresa que sucederam por incorporação, no período compreendido entre 1987 e 29 de junho de 1999, havia vedação ci utilização somente para prejuízos fiscais de empresas incorporadas. No caso, a incorporação da Algodoeira São Miguel pela Coats Industrial se deu em abril de 1998. Após a análise do art, 227, e do seu ,sg 3 0, da Lei no 6.404, de 1976, conclui que no momenta da vigência da MP n° 1858, de 1999, não há base de cálculo da empresa sucedida a ser utilizada pela empresa sucessora por incorporação, mas apenas base de cálculo negativa de uma única empresa subsistente, pois a incorporadora se subrroga em todos os direitos e obrigações da empresa incorporada, Em outras palavras, não é lógica a aplicação do dispositivo proibitivo para as incorporações realizadas antes da vigência da referida MP, pois os créditos já haviam se incorporado ao patrimônio jurídico da empresa incorporadora, não existindo no momento da publicação da referida MP, base de cálculo de empresa sucedida, mas apenas base de cálculo da própria empresa. Antes da publicação desse dispositivo legal, já existia uma (mica empresa, coin direitos e obrigações únicos, Ademais, continua o Contribuinte, para que se estabeleça raciocínio quanto à aplicabilidade do art. 20 da MP 1859-6, de 1999, cis incorporações ocorridas antes de sua vigência, 6 necessário defender a retroatividade desse dispositivo no momento do ato de incorporação e a conseqüente desconstituição do ato Jurídico perfeito, o que é vedado pelo ordenamento jurídico pátrio. Transcreve o art. 6° do Código Civil, o art, 5", inciso XX XVI, da Constituição Federal e ensinamentos do mestre Silvio de Salvo Venosa, As conclusões do Contribuinte são as seguintes.. - a autuada realizou, no período de 1999, a compensação de base de cálculo negativa da CSLL no valor de R$4.028.3012,41, sendo que, deste valor, a parcela de R$2.446,197,40 correspondia à base negativa da empresa Algodoeira São Miguel, incorporada em 30 de abril de 1998.. 1.1 - a autuada informou, adequadamente, na ficha 28, linha 04 da DIPJ do período de 1999, o saldo total da base negativa da CSLL, já abarcada a base negativa da empresa incorporada, resultando num valor de R$11.293.002,82, saldo este que tornou possível a compensação acima mencionada. 1,2 - a autoridade fiscal .fidcrou a autuação nas disposições do artigo 20 MP 1858-6/99, que estendeu, também para a base de cálculo negativa da CSLL, a proibição de compensação pelas empresas sucessoras por incorporação, na forma do artigo 33 do Decreto-lei 2,341/87, que previa tal proibição tão somente para os prejuízos fiscais de imposto de renda, 2 - ultrapassada esta questão quanto a existência da base de cálculo negativa apurada pela então Algodoeira Sao Miguel, cabe mencionar que não se aplicam as disposições do artigo 20 da MP 1858-6/99 ao caso em questão, que estendeu a vedação de compensação, pela empresa suces.sora por incorpora cão, em relação aos prejuízos fiscais de IR pela empresa incorporadora, prevista no DL 2.341/87, Processo re 19515.003268/2004-63 S1-TE02 AcOrdao n.° 1802-00,150 Fl 325 2.1 - Isto porque a incorporação da Algodoeira São Miguel pela então Coats Industrial se deu em abril de 1998, antes, portanto, da vigência da MP, que foi editada em 29 de junho de 1999.. 2.2 - Disto resulta que, já na vigência do dispositivo, não havia que se falar em base de cálculo negativa de "empresa incorporada" e "empresa sucessora por incorporagdo", mas apenas uma única empresa, com direitos e obrigações próprias e únicas, inclusive as bases de cálculo negativa da CSLL, de forma que a situação em epígrafe não se subsume à hipótese da MP 1858-6/99, que deve, necessariamente, aplicar-se às incorporações realizadas sob sua égide 2,3 - Entendimento diverso significa retirar a eficácia do ato de incorporação para assim falar em obrigações e direitos distintos entre incorporadas e incorporadora, violando o ato jurídico perfeito e a irretroatividade das normas, o que é expressamente vedado constitucionalmente (artigo 50, inciso XXX -1/1). Finalizando, requer: a) que seja declarado improcedente o Auto de Infração; b) a produção de todos os meios de prova admitidos, bem como a apresentação de novos documentos, realização de diligências, perícia técnica e as demais que se fizerem necessárias; c) que as intimações realizadas ao autuado no endereço citado na presente defesa. Em decorrência da transferencia da competência definida na Portaria RFB n° 10.795, de 3 de agosto de 2007, o processo foi encaminhado para julgamento nesta DRJ. Posteriormente, em 25 de outubro de 2007, o Contribuinte apresenta o manifesto de fl. 218 e cópias de acórdãos do Conselho de Contribuintes sobre o assunto «is. 219-250). Como mencionado, a DRJ Santa Maria/RS considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1999 PEDIDOS DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA E DE PERÍCIA Considera-se não formulados os pedidos de diligência e de perícia que não atendam aos requisitos legais, ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL Ano-calendário.' 1999 COMPENSAÇÃO BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PESSOA JURÍDICA INCORPORADA IMPOSSIBILIDADE. Para apuração da base de cálculo da contribuição, somente ha autorização legal para deduzir a base de cálculo negativa apurada pela própria pessoa jurídica em período anterior. No 5 caso de incorporação, a sociedade sucessora não pode compensar a base de cálculo negativa da CSLL apurada pela sucedida, Antes de 1999, a proibição era extraida da análise sistemática da legislação tributária atinente à matériaA partir de 1999, com o advento da Medida Provisória n° 1,858-6, a vedação passou a ser por expressa determinação Lançamento Procedente Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 04/07/2008, a Contribuinte apresentou em 01/08/2008 o recurso voluntário de fls. 265 a 281, onde reitera a mesma linha de argumentação de sua impugnação, aduzindo ainda as razões mencionadas a seguir. Da Nulidade do Auto de Infração pela ausência de fundamentos legais: - a decisão da DRJ/STM reza que, inobstante inexistir, ate o advento da Medida Provisória n.° 1.858-6, de 1999, impedimento legal expresso para utilização do saldo negativo da CSLL pela pessoa jurídica sucessora, era possível extrair do sistema a norma proibitiva da utilização da CSLL; - ora, se a vedação da utilização do saldo negativo da CSLL, até o advento da Medida Provisória 1.858-6, estava prevista em outras normas do sistema, então, por conseguinte, estas mesmas normas deveriam estar mencionadas na fundamentação legal do presente Auto de Infração, que somente indicou como fundamento legal, no tocante h. vedação da compensação do saldo negativo da CSLL pela sucessora, o art. 20 da referida Medida Provisória, comprometendo, dessa forma, o exercício do direito à ampla defesa, previsto constitucionalmente e assegurado pelas Leis que tratam do Processo Administrativo; - a Fiscalização deveria ter apontado no Auto de Infração os dispositivos a que alude a DRJ, justamente para que o contribuinte pudesse exercer o seu direito de defesa; - assim, requer-se a declaração de nulidade da presente Decisão e, conseqüentemente, do Auto de Infração em epígrafe, nos termos dos arts. 10 e 59 do Decreto Federal n.° 70.235172. Da impossibilidade da exigência de tributo pela análise sistemática da Legislação: - um dos argumentos utilizados pela Douta Delegacia Regional de Julgamento é de que, "não obstante inexistir, ate o advento da Medida Provisória n° 1,858-6, de 1999, impedimento legal expresso para que a sociedade sucessora por incorporação pudesse compensar a base de cálculo negativa da Contribuição Social apurada pela sucedida, a norma proibitiva era extraída da análise sistemática da legislação tributkia atinente h. matéria"; - ocorre que o Direito Tributário é regido pelo principio da estrita legalidade, segundo o qual é vedado 6. União, Estados , Distrito Federal e Municípios "exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça", conforme reza a mais alta Carta do nosso ordenamento jurídico: a Constituição Federal (art. 150, I, da CF/88); - o próprio Código Tributário Nacional, no capitulo destinado "Interpretação e Integração da legislação tributária", assevera no seu art. 108, especialmente no seu §1°, que o emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei, sendo esta regra uma obediência ao principio da legalidade; Processo n° 19515 003268/2004-63 Sl-TE02 Actircifio ri ° 1802-00.750 Fl 326 - note-se que um dos dispositivos citados pela decisão ora guerreada, no tocante à vedação prevista no sistema, é o art. 44 da Lei 8.383/1991. Tal regra, de acordo com a DRJ, poderia ser invocada para, com fundamento no art. 33 do Decreto-Lei a.° 2.341/1987, concluir pela vedação da compensação em relação à CSLL; - ocorre que o caput art. 44 da Lei 8.383/91 diz que se aplicam A contribuição social sobre o lucro liquido as mesmas normas de pagamento estabelecidas para o Imposto de Renda, não vedando, como se observa pela sua redação, a compensação da base negativa da CSLL de empresas sucedidas, que não tem nada a ver com as normas de pagamento, já que se trata de norma de apuração; - também temos que frisar que o parágrafo único do art. 44 da Lei 8.383/91 não estabeleceu qualquer restrição para compensação do saldo negativo da CSLL, conforme quer fazer crer a DIU, sendo forçoso concluir que até o advento da MP 1.858-6, a compensação da base negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido não estava sujeita a qualquer limitação. Da não aplicação da vedação trazida pela Medida Provisória 1.858-6 ao presente caso: - é oportuno reiterar a natureza jurídica do ato de incorporação para, então, podermos concluir que a vedação trazida pela MP 1858-6/99 não pode, por óbvio, ter aplicação As compensações de bases negativas de CSLL decorrentes de incorporações ocorridas anteriormente à sua vigência; - pelo art. 227 da Lei 6.404/1976 (Lei das S.A.), conclui-se limpidamente que a sociedade incorporadora sucederá a incorporada em todos os direitos e obrigações, o que enseja, inexoravelmente, a extinção desta última sociedade; - tanto isso é verdade que o § 3 0 do artigo 227 da Lei 6.404/76 deixa claro que, uma vez aprovada pela assembléia geral da sociedade incorporadora, a sociedade incorporada extingue-se de pleno direito; - assim, diante desta característica peremptória e clara do ato de incorporação, qual seja, extinção da empresa incorporada e preexistência apenas da sociedade incorporadora, que lhe sucede em todos os direitos e obrigações, resulta claro que, se a incorporação ocorreu antes da vigência da MP 1858-6/99, quando do advento deste Diploma Normativo não havia que se falar em empresa incorporada e incorporadora, mas somente numa única empresa que subsistiu ao ato de incorporação; - logo, no momento da vigência da MP 1858-6/99, não há que se falar em "base de cálculo negativa da empresa sucedida" a ser utilizada pela "empresa sucessora por incorporação", único fato que é expressamente vedado pela MP em destaque, mas apenas base de cálculo negativa de urna única empresa subsistente, pois a incorporadora se subrroga em todos os direitos e obrigações da empresa incorporada, situação esta, repita-se, totalmente ao largo da disposição legal proibitiva; - vale dizer, com outras palavras, que não se aplica o dispositivo proibitivo para as incorporações realizadas antes da vigência da MP, pois os créditos já haviam se incorporado ao patrimônio jurídico da empresa incorporadora, não existindo, no momento da vigência da MP 1858-6/99, base de calculo negativa de empresa sucedida, mas apenas base de cálculo da própria empresa. - defender a retroatividade deste dispositivo ao momento do ato de incorporacâo e a conseqüente desconstituicão do ato jurídico perfeito é totalmente vedado pelo ordenamento jurídico pátrio, em face do principio da irretroatividade das normas, que constitui umas das pedras angulares do principio da segurança jurídica, tutelado constitucionalmente. Este é o Relatório. Processo no 19515.003268/2004-63 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00.750 Fl 327 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento . Conforme relatado, a Contribuinte promoveu em 31/1211999 a compensação de base de cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores, Parte dessa base negativa adveio de uma outra empresa, que foi incorporada em 30/04/1998, o que motivou a glosa parcial da compensação pela Fiscalização. Quanto b. preliminar de nulidade do lançamento, considero-a improcedente, posto que o trabalho fiscal, conforme Termo de Verificação às fls. 145 a 147, está todo fundamentado no art. 20 da Medida Provisória L858-6/99, e não em qualquer construção normativa a partir de outros dispositivos legais. Percebe-se que a Delegacia de Julgamento fez menção a outros dispositivos, mas no intuito de demonstrar que mesmo antes da referida MP já existiam regras legais que justificariam a glosa, contudo não foi esse o fundamento utilizado pela auditoria. A questão a ser examinada é se realmente a restrição introduzida pela MP n° 1.858-6, de 30/06/99, proibindo a compensação, na sucessora, da base negativa que veio de empresa sucedida, alcançaria ou não incorporações ocorridas antes da vigência desta MP. 0 texto legal apresenta o seguinte conteúdo: MP n" 1 858-6, de 30 de junho de 1999 Art.20. Aplica-se ã base de cálculo negativa da CSLL o disposto nos arts. 32 e 33 do Decreto-Lei n" 2,341, de 29 de junho de 1987. Decreto-Lei n°2.341, de 29 de junho de 1987 Art. 32. (..) Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, Asa() ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Em relação ao caso concreto, não há dúvidas de que a incorporação ocorreu antes da vigência da referida MP, e que, portanto, a base negativa da sucedida passou a fazer parte do patrimônio da incorporadora antes também da vigência da norma restritiva, Isso não implica dizer, entretanto, que o prejuízo fiscal ou a base negativa acumulados no patrimônio de uma determinada empresa gere direito adquirido à compensação futirra destes valores. Tanto é assim, que, ao analisar o estabelecimento da chamada trava de 30% para a compensação de prejuízos fiscais, o Supremo Tribunal Federal entendeu que prejuízos havidos em exercícios anteriores A vigência da Lei 8.981/1995 configuravam meras deduções, cuja projeção para exercícios futuros era autorizada nos termos da lei, a qual pode ria, contudo, ampliar ou reduzir a proporção de seu aproveitamento (RE 344.944 e 545.308). Ainda de acordo com o STF, no que toca à compensação de prejuízos de exercícios anteriores, ate que encenado o exercício fiscal, ao longo do qual se forma e se conforma o fato gerador do imposto de renda, o Contribuinte possui mera expectativa de direito quanto à manutenção dos patamares fixados pela legislação que regia os exercícios anteriores. Nestes termos, a limitação introduzida pela Lei 8.98111995, a chamada trava de 30%, mesmo alcançando prejuízos fiscais apurados em exercícios anteriores 6. sua vigência, foi considerada constitucional. Nos julgados acima referidos, o STF concluiu que a lei aplicável é a vigente na data do encerramento do exercício fiscal, e que o abatimento de prejuízos, mais alem do exercício social em que constatados, configura benesse da política fiscal. Penso que todas essas considerações vêm no sentido de afirmar o principio da independência entre os exercícios, com o qual me alio, posto que ainda não vi Doutrinadores defendendo a possibilidade de compensação de prejuízos futuros com lucros anteriores, dando margem a repetição de indébitos. Caso isso fosse possível, pagamentos realizados no passado poderiam vir a ser considerados indevidos em razão de prejuízos futuros. Contudo, tal hipótese é prontamente repelida pelo senso comum da prática tributária, e a ilustração permite visualizar claramente que os exercícios devem mesmo ser independentes. Retomando ao caso concreto, cabe observar que na data de ocorrência do fato gerador anual da CSLL - 31/12/1999, já estavam em plena vigência as normas introduzidas pela MP n° 1.858-6. Nesta data, portanto, não mais era permitida a compensação de base negativa advinda de sucedida. Conclusão diferente eu chegaria se a compensação tivesse ocorrido nos anos anteriores, mas para a compensação realizada em 31/12/1999 não vislumbro qualquer problema atinente à retroatividade, na mesma linha do entendimento firmado pelo STF, conforme acima mencionado. Quanto ao argumento de que a base negativa não era mais da sucedida, porque havia sido incorporada ao patrimônio da sucessora antes da referida MP, considero que a expressão prejuízo fiscal ou base negativa "da sucedida" deve ser compreendida como prejuízo fiscal ou base negativa "advindos da sucedida", uma vez que no momento da compensação, em quaisquer hipóteses, o prejuízo fiscal ou a base negativa 6 sempre da incorporadora, e não mais da sucedida. Basta verificar que se a incorporação tivesse ocorrido p/ ex. em 2001 (portanto já na vigência da norma restritiva em questão), com compensações realizadas nos anos subseqüentes, a questão seria exatamente a mesma. Ou seja, no momento da compensação a base negativa não seria mais "da sucedida", mas sim da incorporadora, e assim a incidência da norma em questão estaria completamente inviabilizada. 0 que deve ficar claro é que a norma introduzida pela MP 1.858-6/1999 não buscou atingir o fenômeno das incorporações, do ponto de vista societário, no sentido de Processo n° 19515 003268/2004-63 SI-TE02 Acórdão n ° 1802-00.750 F1 328 desconstituir/alterar qualquer evento já ocorrido, ou modificar a característica dos eventos dessa natureza a serem realizados no futuro. As incorporações continuaram sendo regulamentadas pela lei societária, e as incorporadoras continuaram sucedendo as incorporadas em todos os direitos e obrigações, havendo da mesma forma a extinção daquelas últimas. Nesse contexto, os prejuízos, como item patrimonial, também continuaram sendo transferidos à sucessora, e não é o fato de terem sido incorporados antes ou depois da MP que lhes daria ou não o condão de gerar algum direito adquirido. Mais uma vez, como já decidiu o STF, não ha direito adquirido à compensação de prejuízos, e o mesmo pode ser dito em relação à base negativa de CSLL. O escopo da MP 1.858-6/1999 foi apenas de, no campo tributário, restringir a possibilidade de compensação de base negativa, especificarnente quanto esta foi adquirida por sucessão (nos casos lá mencionados), e quanto a isso não vejo qualquer razão para distinguir incorporações ocorridas antes ou depois da MP. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, nego provimento ao recurso. ( ié de Oliveira Ferraz Correa - Relator 11

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Numero do processo: 10746.721185/2015-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 PRODUTOR RURAL. SUB-ROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE NOS TERMOS DA LEI 10.256/01.CONSTITUCIONALIDADE ASSENTADA PELO STF. A empresa adquirente de produtos rurais fica sub-rogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, sendo que, nos termos da tese jurídica fixada pelo STF em sede de repercussão geral no RE nº 718.874/RS, é constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei nº 10.256/01, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. INCONSTITUCIONALIDADE IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF, sendo órgão do Poder Executivo, não possui competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que amparou o lançamento, de acordo com a Súmula CARF nº 2: "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
Numero da decisão: 2402-005.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo, Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON

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2402­005.869  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  07 de junho de 2017  Matéria  PRODUTOR RURAL. SUB­ROGAÇÃO.  Recorrente  BOI FORTE FRIGORIFICO LTDA ­ ME   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012  PRODUTOR  RURAL.  SUB­ROGAÇÃO  DA  EMPRESA  ADQUIRENTE  NOS  TERMOS  DA  LEI  10.256/01.CONSTITUCIONALIDADE  ASSENTADA PELO STF.  A empresa  adquirente de produtos  rurais  fica  sub­rogada nas obrigações da  pessoa  física  produtora  rural  pelo  recolhimento  da  contribuição  incidente  sobre  a  receita  bruta  da  comercialização  de  sua  produção,  sendo  que,  nos  termos da tese jurídica fixada pelo STF em sede de repercussão geral no RE  nº 718.874/RS, é constitucional formal e materialmente a contribuição social  do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei nº 10.256/01, incidente  sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção.  INCONSTITUCIONALIDADE  IMPOSSIBILIDADE  DE  APRECIAÇÃO  NA ESFERA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 2.  O CARF, sendo órgão do Poder Executivo, não possui competência para se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  da  lei  tributária  que  amparou  o  lançamento,  de  acordo  com  a  Súmula  CARF  nº  2:  "o  CARF  não  é  competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.             AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 72 11 85 /2 01 5- 14 Fl. 551DF CARF MF     2       Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do recurso e negar­lhe provimento.    (assinado digitalmente)  Kleber Ferreira de Araújo, Presidente    (assinado digitalmente)  Ronnie Soares Anderson, Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Kleber  Ferreira  de  Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro  Vicente  Agostinho,  Mário  Pereira  de  Pinho  Filho,  Bianca  Felícia  Rothschild  e  João  Victor  Ribeiro Aldinucci.                              Fl. 552DF CARF MF Processo nº 10746.721185/2015­14  Acórdão n.º 2402­005.869  S2­C4T2  Fl. 108          3     Relatório  Examina­se  recurso  voluntário  interposto  contra  acórdão  da  Delegacia  da  Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC) ­ DRJ/FNS, que julgou procedente auto  de  infração DEBCAD  nº  51.065.123­2,  referente  às  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre os produtos rurais adquiridos ou recebidos em consignação de produtores rurais pessoas  físicas, devidas pela epigrafado na qualidade de subrogado.  O relatório da instância a quo bem descreve os termos do lançamento, motivo  pelo qual peço a devida vênia para reproduzi­lo (fl. 513):  Conforme Relatório  Fiscal,  o  valor  da  contribuição  previdenciária  incidente  sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção do Produtor Rural  Pessoa Física/segurado Especial, sub­rogada BOI FORTE FRIGORÍFICOS LTDA.  foi calculada sobre o total de compras feitas pela empresa tendo como fornecedores  os Produtores Rurais/Segurados Especiais.   Seguindo  a  fiscalização  aduz  que  apurou  o montante  das  aquisições, mês  a  mês de acordo com as Notas Fiscais de entrada de produtos adquiridos de Produtores  Rurais  Pessoa  Física  do  sujeito  passivo  com  o Código CFOP  1.101  (compra  para  industrialização ou produção rural) e CFOP 2.101 (compra para industrialização ou  produção rural proveniente de outro Estados), relacionadas no anexo I. Trata­se da  compra de animais (bois e vacas) para abate/industrialização, sendo que notas fiscais  cancelados foram subtraídas do montante do mês que se referem.   Relata também que nas GFIPs do período fiscalização não constam quaisquer  informações sobre as contribuições previdenciárias  incidentes  sobre a aquisição de  produtos rurais do Segurados Especiais ou Produtores Rurais Pessoas Físicas. Bem  como,  não  constam  nos  sistemas  de  pagamentos  da  Receita  Federal  guias  de  pagamentos destes tributos no período fiscalizado para serem deduzidas no montante  lançado.  A  exigência  foi  mantida  no  julgamento  de  primeiro  grau  (fls.  512/519),  a  despeito  da  impugnação  formulada  (fls.  282/507),  ensejando  a  interposição  de  recurso  voluntário em 11/7/2016 (fls. 524/548), no qual foi arguído, em síntese, que:  ­ deve ser reconhecida a suspensão de exigibilidade do crédito tributário até a  decisão final administrativa;  ­  e  que  as  contribuições  lançadas  são  inexigíveis,  posto  que  declaradas  inconstitucionais pelo STF no RE nº 363.852/MG, havendo sido ratificado tal entendimento em  caráter  de  repercussão  geral  no  julgamento  do RE  nº  596.177/RS,  face  à  necessidade  de  lei  complementar para a instituição de tais gravames.  É o relatório.    Fl. 553DF CARF MF     4     Voto             Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade,  portanto, dele conheço.  De  pronto,  esclareça­se  ser  despicienda  qualquer  manifestação  deste  Colegiado acerca da suspensão de exigibilidade do crédito tributário em apreço, visto que tal  situação  decorre  de  expressa  previsão  legal,  fincada  no  inciso  III  do  art.  151  do  CTN,  de  observância  obrigatória  para  a  administração  pública,  dado  o  princípio  da  legalidade  constitucionalmente estabelecido.  Por  outro  lado,  no  tocante  à  constitucionalidade  da  subrogação  das  contribuições  previdenciárias  guerreadas,  não  são  necessárias  maiores  lucubrações  argumentativas para concluir­se que a irresignação em comento não merece prosperar.  É  cediço  que  o  STF  reconheceu,  quando  do  julgamento  do  RE  nº  363.852/MG (j. 3/2/2010), ratificado pelo acórdão exarado em sede de repercussão geral no RE  nº  596.177/RS  (j.  29/8/2011),  a  inconstitucionalidade  do  art.  1º  da  Lei  nº  8.540/92,  o  qual  respaldava  o  art.  25  da  Lei  nº  8.212/91,  no  que  tange  à  contribuição  social  exigida  do  empregador  rural  pessoa  física  sobre  a  receita  bruta  proveniente  da  comercialização  de  sua  produção.  Isso,  porque  considerou  inconstitucional  a  instituição  de  nova  fonte  de  custeio por meio de lei ordinária, sem observância de lei complementar para tanto.   Porém a autuação contestada tem supedâneo legal diverso, a saber, os artigos  30, inciso IV, e 25 da Lei nº 8.212/91, este último já com a redação dada pela Lei nº 10.256/01,  em  consonância  com  a  novel  redação  do  art.  195  da  Carta Magna,  nos  termos  da  Emenda  Constitucional nº 20/98, que acresceu o vocábulo "receita" ao texto do artigo.   A  precitada  inconstitucionalidade  reconhecida  sob  o  rito  do  art.  545­B  do  CPC, por conseguinte, não atinge o diploma no qual se amparou o lançamento, valendo frisar  que  tampouco  a  sistemática  de  subrogação,  por  si  só,  foi  considerada  inconstitucional  sob  qualquer prisma, à luz da precitada decisão do STF.  A par disso, é sabido que a repercussão geral reconhecida em 23/8/2013 no  RE  nº  718.874/RS,  atinente  à  redação  conferida  ao  art.  25  da  Lei  nº  8.212/91  pela  Lei  nº  10.256/01, já foi devidamente submetida ao Plenário do Pretório Excelso, conforme noticiado  no Informativo STF nº 859 (27 a 31 de março de 2014) 1:  DIREITO TRIBUTÁRIO ­ LIMITAÇÃO AO PODER DE TRIBUTAR Contribuição social do empregador rural sobre a receita da comercialização da  produção                                                              1  Disponível  em  <www.stf.jus.br/arquivo/informativo/documento/informativo.htm>,  pesquisa  realizada  em  13/4/2017.  Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10746.721185/2015­14  Acórdão n.º 2402­005.869  S2­C4T2  Fl. 109          5 É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador  rural  pessoa  física,  instituída pela Lei 10.256/2001,  incidente  sobre a  receita bruta  obtida  com  a  comercialização  de  sua  produção.Com  base  nesse  entendimento,  o  Plenário, por maioria, deu provimento a recurso extraordinário em que se discutia a  constitucionalidade do art. 25 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pelo art. 1º da  Lei  10.256/2001,  que  reintroduziu,  após  a  Emenda  Constitucional  20/1998,  a  contribuição a ser recolhida pelo empregador rural pessoa física sobre a receita bruta  proveniente da comercialização de  sua produção, mantendo a  alíquota  e a base de  cálculo instituídas por leis ordinárias declaradas inconstitucionais em controle difuso  pelo Supremo Tribunal Federal (STF).O Colegiado observou que a Lei 9.528/1997  incluiu no “caput” do art. 25 da Lei 8.212/1991 a contribuição do empregador rural  pessoa física, cuja base de cálculo é a receita bruta proveniente da comercialização  da  produção.  Como  a  receita  bruta  não  figurava  no  elenco  do  art.  195,  I,  da  Constituição Federal (CF) como uma base de cálculo possível para a  incidência de  contribuições  sociais,  o  STF,  em  dois  precedentes,  concluiu  pela  inconstitucionalidade do emprego dessa base de cálculo, a qual somente poderia ser  instituída por lei complementar, nos termos do art. 195, § 4º, da CF. Entretanto, com  a  Emenda  Constitucional  20/1998,  que  incluiu  a  receita  ao  lado  do  faturamento  como  uma  materialidade  passível  de  ser  tributada  para  fins  de  financiamento  da  seguridade social (CF, art. 195, I), passou a ser possível a instituição de contribuição  patronal do empregador rural pessoa física com base na receita bruta proveniente da  comercialização  da  produção.  Assim,  a  Lei  10.256/2001  reincluiu  a  figura  do  empregador rural pessoa física na disciplina já existente e em vigor para o segurado  especial — produtor rural que não tem empregados. A Corte ressaltou que a norma  impugnada,  ao  incluir  um  novo  sujeito  passivo  no  dispositivo  de  uma  lei  que  já  existia e  já definia claramente os elementos do  fato gerador, a base de cálculo e a  alíquota, violou o princípio da legalidade. Ademais, ao dar tratamento diferenciado  para  o  produtor  rural,  o  empregador  rural  pessoa  física  e  o  empregador  urbano  pessoa física, a lei em questão não ofendeu o princípio da isonomia, pois, se assim  fosse,  em  nenhuma  hipótese  seria  possível  desonerar  a  folha  de  salários  como  política  tributária.  Vencidos  os  ministros  Edson  Fachin  (relator),  Rosa  Weber,  Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Celso de Mello, que negavam provimento  ao recurso.Pontuavam que o art. 1º da Lei 10.256/2001, ao recolocar o empregador  rural pessoa física na condição de contribuinte do tributo, sem dispor expressamente  sobre  os  demais  elementos  da  regra­matriz  de  incidência  tributária,  de  modo  a  aproveitar do binômio base de cálculo/fato gerador e da alíquota já prevista para a  figura  do  segurado  especial,  teria  vulnerado  a  CF.Não  seria  possível  conceber  técnica legislativa que permitisse o aproveitamento das alíquotas e bases de cálculo  de  contribuição  social  com  inconstitucionalidade  reconhecida  pelo  STF.  Consignavam  que  a  Emenda  Constitucional  20/1998  em  nada  teria  alterado  essa  conclusão,  pois  inviável  reputar  a  validade  de  uma  norma  legal  anteriormente  considerada inconstitucional, em decorrência de uma alteração formal da CF.Além  disso,  haveria  inconstitucionalidade  material  da  norma  impugnada  também  por  patente  violação  ao  princípio  da  isonomia,  em  virtude  de  injustificado  tratamento  diferenciado conferido aos empregadores pessoa física, a depender da ambiência do  labor,  se  urbano  ou  rural.  Frisavam  que  também procederia  a  afirmação  de  que  o  empregador  rural  pessoa  física  seria duplamente  tributado,  em  razão da  incidência  simultânea de  contribuições  sociais,  o que  atrairia  a vedação ao  “bis  in  idem”.RE  718874/RS,  rel.  orig.  Min.  Edson  Fachin,  red.  p/  o  ac.  Min.  Alexandre  de  Moraes, julgamento em 29 e 30.3.2017. (RE­718874) (grifos do original)  Fl. 555DF CARF MF     6 Firmou­se, assim, a tese de repercussão geral do STF no Tema nº 6692:  É constitucional formal e materialmente a contribuição social do  empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001,  incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de  sua produção.  Constata­se,  por  conseguinte,  já  estarem  superadas  as  argumentações  do  contribuinte, não havendo como prosperar o recurso vertido.  De  todo  modo,  não  é  demasiado  observar  que  as  alegações  de  inconformidade cingem­se a questões vinculadas à constitucionalidade das normas de regência  das contribuições em tela, sendo que, nessa esteira,  impõe­se também a aplicação no caso do  art.  26­A  do  Decreto  nº  70.235/72,  e  da  Súmula  CARF  nº  2,  esta  por  força  do  art.  72  do  RICARF:  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.  Ante  o  exposto,  voto  no  sentido  de  conhecer  do  recurso  e  negar­lhe  provimento.    (assinado digitalmente)  Ronnie Soares Anderson                                                              2  Disponível  em  <www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/abrirTemasComTesesFirmadas.asp,  pesquisa  realizada em 13/4/2017.                              Fl. 556DF CARF MF

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Numero do processo: 18184.000036/2008-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2002 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO

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9202­005.488  –  2ª Turma   Sessão de  24 de maio de 2017  Matéria  NORMAS GERAIS ­ RETROATIVIDADE BENIGNA  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  INSTITUTO DE GENNARO LTDA    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2002  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL.  APLICAÇÃO  DE  PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.  Na aferição  acerca  da  aplicabilidade  da  retroatividade  benigna,  não  basta  a  verificação  da  denominação  atribuída  à  penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre  percentuais  e  limites.  É  necessário,  basicamente,  que  as  penalidades  sopesadas  tenham  a  mesma  natureza  material,  portanto  sejam  aplicáveis  ao  mesmo  tipo  de  conduta.  O  cálculo  da  penalidade  deve  ser  efetuado  em  conformidade  com  a  Portaria  PGFN/RFB  nº  14,  de  2009,  se  mais benéfico para o sujeito passivo.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso  Especial  e,  no mérito,  em  dar­lhe  provimento  parcial,  para  que  a  retroatividade  benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.  (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Presidente em exercício   (assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo ­ Relatora    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Maria  Helena  Cotta  Cardozo,  Patricia  da  Silva,  Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira,  Ana  Paula  Fernandes,     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 4. 00 00 36 /2 00 8- 11 Fl. 825DF CARF MF     2 Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza  Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).    Relatório  Trata­se  exigência  de  multa  por  descumprimento  de  obrigação  principal,  referente a  contribuições previdenciárias,  cota patronal,  segurados e Terceiros, devidas e não  recolhidas, concernentes ao período de 01/1999 a 09/2002, oriundas de pagamentos efetuados a  médicos e paramédicos considerados pela fiscalização como segurados empregados, mediante  a  intermediação  de  pessoas  jurídicas  qualificadas  como  empresas  prestadoras  de  serviços  médicos e que, como tal, foram descaracterizadas.   Em  sessão  plenária  de  20/11/2013,  foi  julgado  o  Recurso  Voluntário  s/n,  prolatando­se o Acórdão nº 2403­002.356 (fls. 790 a 804), assim ementado:  "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2002  SIMULAÇÃO.  INTERPOSTAS  PESSOAS  JURÍDICAS  PRESTADORAS  DE  SERVIÇOS.  RECONHECIMENTO  DE  VÍNCULO EMPREGATÍCIO.  Constitui  simulação  a  prática  de  utilização  de  interpostas  pessoas  jurídicas  prestadoras  de  serviços  para  afastar  o  reconhecimento  do  vínculo  empregatício  dos  sócios  integrantes  como  meio  de  evadir­se  da  incidência  das  contribuições  previdenciárias.  MULTA.  RECÁLCULO.  MP  449/08.  LEI  11.941/09.  LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.  Antes  do  advento  da  Lei  11.941/09,  não  se  punia  a  falta  de  espontaneidade,  mas  tão  somente  o  atraso  no  pagamento  a  mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008,  com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o  artigo  106  do  CTN  determina  a  aplicação  do  princípio  da  retroatividade benigna, impõe­se o cálculo da multa com base no  artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao  dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com  base  na  redação  anterior  do  artigo  35  da  Lei  8.212/91,  para  determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento  do pagamento.  Recurso Voluntário Provido em Parte.”  A decisão foi assim registrada:  "ACORDAM  os membros  do Colegiado,  por maioria  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  determinar  o  recálculo  da multa  de mora,  de  acordo  com o  disposto  no  art.  35,  caput,  da  Lei  nº  8.212/91,  na  redação  dada  pela  Lei  nº  11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor  Fl. 826DF CARF MF Processo nº 18184.000036/2008­11  Acórdão n.º 9202­005.488  CSRF­T2  Fl. 826          3 mais  benéfico  ao  contribuinte.  Vencido  o  conselheiro  Paulo  Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora."  O  processo  foi  encaminhado  à  PGFN  em  03/01/2014  (Despacho  de  Encaminhamento de fls. 805) e, em 07/01/2014, foi interposto o Recurso Especial de fls. 806 a  811 (Despacho de Encaminhamento de fls. 812).  O apelo visa rediscutir a aplicação da retroatividade benigna, em face das  penalidades  previstas  na  Lei  nº  8.212/1991,  com  as  alterações  promovidas  pela  MP  449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009.  Nesse  passo,  a  Fazenda  Nacional  pede  que  se  verifique,  na  execução  do  julgado, qual a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a  do art. 35­A, da Lei nº 8.212/91.  Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 10/03/2014  (fls. 814 a 816).   Intimado, o Contribuinte quedou­se silente (informações de fls. 822 e 823).  Voto             Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo ­ Relatora  O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende  aos  demais  pressupostos  de  admissibilidade,  portanto  deve  ser  conhecido.  Não  foram  oferecidas  Contrarrazões.  O  apelo  visa  rediscutir  aplicação  da  retroatividade  benigna,  em  face das penalidades previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela  MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009.  Trata­se  exigência  de  multa  por  descumprimento  de  obrigação  principal,  referente a  contribuições previdenciárias,  cota patronal,  segurados e Terceiros, devidas e não  recolhidas, concernentes ao período de 01/1999 a 09/2002, oriundas de pagamentos efetuados a  médicos e paramédicos considerados pela fiscalização como segurados empregados, mediante  a  intermediação  de  pessoas  jurídicas  qualificadas  como  empresas  prestadoras  de  serviços  médicos e que, como tal, foram descaracterizadas.   A retroatividade benigna encontra­se prevista no Código Tributário Nacional  (Lei nº 5.172, de 1966), conforme a seguir:  Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  (...)  II tratando­se de ato não definitivamente julgado:  (...)  c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na  lei vigente ao tempo da sua prática.  Fl. 827DF CARF MF     4 No  presente  caso,  os  fatos  geradores  ocorreram  à  luz  de  legislação  posteriormente alterada, de sorte que a aferição acerca de eventual retroatividade benigna deve  ser  levada a cabo mediante comparação da redação original da Lei nº 8.212, de 1991, com a  sua  nova  redação,  conferida  pela Medida  Provisória  nº  449,  de  2008,  convertida  na  Lei  nº  11.941, de 2009:  Redação da Lei nº 8.212, de 1991, à época dos fatos geradores   “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas  pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada,  nos  seguintes  termos:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).  I  ­  para  pagamento,  após  o  vencimento  de  obrigação  não  incluída em notificação fiscal de lançamento:  a)  oito  por  cento,  dentro  do mês  de  vencimento  da  obrigação;  (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei  nº 9.876, de 1999).  c)  vinte  por  cento,  a  partir  do  segundo  mês  seguinte  ao  do  vencimento da obrigação;  (Redação dada pela Lei nº 9.876, de  1999).  II  ­  para pagamento de créditos  incluídos  em notificação  fiscal  de lançamento:  a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento  da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da  notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que  antecedido de defesa, sendo ambos  tempestivos, até quinze dias  da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência  Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da  decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS,  enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei  nº 9.876, de 1999).  III ­ para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa:  a)  sessenta  por  cento,  quando  não  tenha  sido  objeto  de  parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).  b)  setenta  por  cento,  se  houve  parcelamento;  (Redação  dada  pela Lei nº 9.876, de 1999).  c)  oitenta  por  cento,  após  o  ajuizamento  da  execução  fiscal,  mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito  não  foi  objeto  de  parcelamento;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876, de 1999).  d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo  que  o  devedor  ainda  não  tenha  sido  citado,  se  o  crédito  foi  Fl. 828DF CARF MF Processo nº 18184.000036/2008­11  Acórdão n.º 9202­005.488  CSRF­T2  Fl. 827          5 objeto  de  parcelamento.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.876,  de  1999).  §  1º  Na  hipótese  de  parcelamento  ou  reparcelamento,  incidirá  um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se  refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória  nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009)  §  2º  Se  houver  pagamento  antecipado  à  vista,  no  todo  ou  em  parte,  do  saldo  devedor,  o  acréscimo  previsto  no  parágrafo  anterior  não  incidirá  sobre  a multa  correspondente  à  parte  do  pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº  449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009)  §  3º  O  valor  do  pagamento  parcial,  antecipado,  do  saldo  devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá  ser  utilizado  para  quitação  de  parcelas  na  ordem  inversa  do  vencimento,  sem  prejuízo  da  que  for  devida  no  mês  de  competência  em  curso  e  sobre  a  qual  incidirá  sempre  o  acréscimo  a  que  se  refere  o  §  1º  deste  artigo.  (Revogado  pela  Medida  Provisória  nº  449,  de  2008)  (Revogado  pela  Lei  nº  11.941, de 2009)  § 4o Na hipótese de as contribuições  terem sido declaradas no  documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se  tratar  de  empregador  doméstico  ou  de  empresa  ou  segurado  dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora  a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta  por cento.” (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).   Lei  nº  8.212,  de  1991,  com  as  alterações  da Medida  Provisória  nº  449,  de  2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009:  “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições  sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art.  11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição  e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras  entidades  e  fundos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  em  legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora,  nos  termos  do  art.  61  da  Lei  nº  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).  (...)  Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.”  Independentemente  da  denominação  que  se  dê  à  penalidade,  há  que  se  perquirir acerca do seu caráter material, e nesse sentido não há dúvida de que, mesmo na antiga  redação do art.35 da Lei nº 8.212, de 1991, estavam ali descritas multas de mora e multas de  ofício.  As  primeiras,  cobradas  com  o  tributo  recolhido  após  o  vencimento,  porém  espontaneamente.  As  últimas,  cobradas  quando  do  pagamento  por  força  de  ação  fiscal,  tal  como ocorria com os demais tributos federais, nos lançamentos de ofício.  Fl. 829DF CARF MF     6 Além disso,  tanto os demais  tributos  como as  contribuições previdenciárias  têm seu regramento básico estabelecido pelo Código Tributário Nacional, que não só determina  que  a  exigência  tributária  tem  de  ser  formalizada  por  meio  de  lançamento,  como  também  especifica  as  respectivas  modalidades:  lançamento  por  homologação,  lançamento  por  declaração  e  lançamento  de  ofício.  Cada  uma  dessas  modalidades  está  ligada  ao  grau  de  colaboração verificado por parte do sujeito passivo.  No caso dos tributos e contribuições federais, foi adotado de forma genérica o  lançamento por homologação, que atribui ao sujeito passivo o dever de calcular o valor devido  e  efetuar  o  seu  recolhimento,  independentemente  de  prévia  ação  por  parte  da  Autoridade  Administrativa. Por outro lado, se o sujeito passivo deixa de cumprir com essas obrigações, o  Fisco pode exigir o tributo por meio de lançamento de ofício. Nesta sistemática, qualquer que  seja o tributo ou contribuição, e independentemente da denominação atribuída ao lançamento,  claramente  são  visualizadas  duas  formas  de  recolhimento  fora  do  prazo  estabelecido:  aquele  efetuado espontaneamente, passível de aplicação de multa de mora; e aquele efetuado por força  de ação fiscal, aplicável aí a multa de ofício, mais onerosa.  Assim, embora a antiga redação do artigo 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha  utilizado  apenas  a  expressão  “multa  de mora”  para  as  contribuições  previdenciárias,  não  há  dúvida de que os incisos componentes do dispositivo legal já continham a descrição das duas  condutas  tipificadas  nos  dispositivos  legais  que  regulavam  os  demais  tributos  federais:  pagamento espontâneo e pagamento efetuado por força de ação fiscal, conforme os ditames do  CTN.  Diante  do  exposto,  conheço  do  Recurso  Especial  interposto  pela  Fazenda  Nacional e, no mérito, dou­lhe provimento parcial, determinando que a retroatividade benigna  seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.  (assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo                                Fl. 830DF CARF MF

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