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Numero do processo: 14120.000214/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS EM MEIO DIGITAL. INFORMAÇÕES RELATIVAS AO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LEGISLAÇÃO A SER APLICÁVEL. LEI 8.212/91. ART. 112 DO CTN. INFRAÇÃO AO ART. 33, 2o DA LEI 8.212/91. A não apresentação da documentação contábil em formato digital enseja infração ao disposto no art. 33, 2o da Lei 8.212/91, único dispositivo legal que deve ser aplicado no caso da exigência de informações acerca do cumprimento das obrigações relativas às contribuições previdenciárias. O dispositivo em comento se traduz em lei especial a ser aplicada no caso da inobservância da legislação previdenciária, que expressamente determina a obrigação do contribuinte em apresentar as informações em meio digital de acordo com os manuais e determinações impostas pela legislação ou mesmo a presentação de documentos.. Impossibilidade da aplicação da multa do artigo 12, inciso I e parágrafo único da Lei 8.218/91. Inteligência do art. 112 do CTN e do princípio da lex specialis derrogat lex generalis.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Declarou-se impedido o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Igor Araújo Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Marcelo Freitas de Souza Costa, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Igor Araújo Soares.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS EM MEIO DIGITAL. INFORMAÇÕES RELATIVAS AO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LEGISLAÇÃO A SER APLICÁVEL. LEI 8.212/91. ART. 112 DO CTN. INFRAÇÃO AO ART. 33, 2o DA LEI 8.212/91. A não apresentação da documentação contábil em formato digital enseja infração ao disposto no art. 33, 2o da Lei 8.212/91, único dispositivo legal que deve ser aplicado no caso da exigência de informações acerca do cumprimento das obrigações relativas às contribuições previdenciárias. O dispositivo em comento se traduz em lei especial a ser aplicada no caso da inobservância da legislação previdenciária, que expressamente determina a obrigação do contribuinte em apresentar as informações em meio digital de acordo com os manuais e determinações impostas pela legislação ou mesmo a presentação de documentos.. Impossibilidade da aplicação da multa do artigo 12, inciso I e parágrafo único da Lei 8.218/91. Inteligência do art. 112 do CTN e do princípio da lex specialis derrogat lex generalis. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 02 14 /2 00 9- 71 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Declarouse impedido o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Elias Sampaio Freire Presidente Igor Araújo Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Marcelo Freitas de Souza Costa, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Igor Araújo Soares. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 14120.000214/200971 Acórdão n.º 2401002.941 S2C4T1 Fl. 136 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por COBEL CONSTRUTORA DE OBRAS E ENGENHARIA LTDA, em face do acórdão que manteve o Auto de Infração nº 37.235.3304, lavrado para a cobrança de multa por ter . deixou de apresentar à fiscalização os arquivos digitais correspondentes aos Livros Diário e Razão e das Folhas de Pagamento dos exercícios de 2005 e 2006, informações estas solicitadas através do Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF emitido em 18/06/2009, infringindo, assim, o disposto no art. 11, §§ I o , 3 o e 4 o da Lei 8.218, de 29/08/1991, com redação dada pela Medida Provisória 2.158 35, de 24/08/2001. Consta do relatório fiscal que, nos termos do artigo 12, inciso III e parágrafo único, da Lei 8.218, de 29/08/1991, no valor de R$ 500.500,71, correspondente à aplicação do percentual de 1 % sobre o valor da receita bruta do período de 01/01/2005 a 31/12/2006 A contribuinte foi cientificada cientificado em 30/09/2009 (fls. 01) Em seu recurso, o recorrente defende a impossibilidade de aplicação das disposições da Lei 8.218/91 para os casos das contribuições previdenciárias. Acrescenta que não possuía os arquivos a serem apresentados em meio digital, bem como houve erro na descrição da infração cometida, na medida em que o próprio Auto de Infração dá duas indicações acerca de sua natureza, sendo uma delas a de não cumprir prazo para apresentação de documentação em formato digital, e a outra, por não ter apresentado documentação digital. Finaliza argumentando que inexiste dispositivo legal determinando a aplicação dos arts. 11 e 12 da lei n° 8.218/91 no presente caso. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 4 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Conforme se verifica no Termo de Início da Ação Fiscal – TIAF (fls. 20), a autoridade administrativa deu início à fiscalização das contribuições previdenciárias, bem como de toda a parte instrumental cabível. Em virtude desse procedimento de fiscalização, foi lavrado o presente auto de infração exigindo da Recorrente multa por não ter apresentado documentação em meio digital, devidamente requerida por meio de TIAD, infringindo, assim, as disposições da Lei 8.218/91, a seguir transcritas: Art.11.As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (Vide Mpv nº 303, de 2006) §1ºA Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] §3ºA Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. .(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. .(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 138DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 14120.000214/200971 Acórdão n.º 2401002.941 S2C4T1 Fl. 137 5 E para tanto, sofreu a aplicação da seguinte multa: Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: [...] III multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Analisando a Lei nº 8.212/91, não há dúvidas de que o fundamento legal da referida Multa e da própria Portaria indicada pela Lei 8.218/91, pode ser encontrado no art. 33, § 2o, da aludida Lei, que assim especifica: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Como é cediço, nos termos do art. 92 da Lei nº 8.212/91, a infração a qualquer dispositivo da Lei nº 8.212/91, para a qual não haja penalidade expressamente cominada, será verificada na forma que dispuser o Regulamento da Previdência Social. Nesse sentido, assim prevê o art. 283, inc. II, alínea “j”, do Decreto nº 3.048/99: “Art. 283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos8.212e8.213, ambas de 1991, e10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a292, e de acordo com os seguintes valores: (...) Fl. 139DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES 6 II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...) j) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira;” Constatase, portanto, que no âmbito das contribuições previdenciárias, há penalidade específica para a apresentação de documentos que não atendem as formalidades exigidas. Entretanto, a multa imposta tomou como base o art. 11, §§ 3º e 4º da Lei nº 8.218/91, com a redação dada pela MP nº 2.15835/01, tendo sido calculada com base no art. 12, inc. I e parágrafo único da Lei nº 8.218/91, que assim prescrevem: Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; Ocorre que tais fundamentos legais originamse da edição da Medida Provisória nº 2.15835/01, que dispõe, essencialmente, sobre a “legislação das Contribuições para a Seguridade Social COFINS, para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e do Imposto sobre a Renda”. No meu entender, tal dispositivo é nitidamente voltado para fins de regulamentação do PIS e da COFINS (e seus deveres instrumentais), haja vista que leva em consideração, para fins de apuração da penalidade, a receita bruta da empresa, bem como “o anocalendário em que as operações foram realizadas”. Assim, não há qualquer razão em se aplicar a referida legislação quando se está tratando sobre contribuição previdenciária (e respectivos deveres instrumentais), tendo em vista que esta possui regra de incidência totalmente dissociada do PIS e da COFINS, além do fato de que, como dito acima, possui legislação específica a penalizar a conduta descrita no Auto de Infração. Logo, também há de se considerar no presente caso, o disposto no art. 112 do CTN, na medida em que a presente demanda gira em torno da aplicação de penalidades na seara do direito tributário, a seguir: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; Fl. 140DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 14120.000214/200971 Acórdão n.º 2401002.941 S2C4T1 Fl. 138 7 III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Em razão do exposto, voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO para DARLHE TOTAL PROVIMENTO, a fim de anular o lançamento por vício material. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por IGOR ARAUJO SOARES
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720854/2010-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2201-002.407
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 16/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora. EDITADO EM: 16/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 16/07/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 08 54 /2 01 0- 83 Fl. 461DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), VINICIUS MAGNI VERÇOZA (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Por meio do Auto de Infração de fls. 351 lavrado em 09/12/2010, exigese do contribuinte MAURÍCIO ANTÔNIO DUARTE PORTO o montante de R$ 2.186.664,99 a título de imposto sobre a renda da pessoa física, R$ 905.596,36 de juros de mora e R$ 1.639.998,73 de multa de ofício, referente aos anoscalendário 2005, 2006 e 2007, exercício 2006, 2007 e 2008 decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 360 descreve: · O Contribuinte foi intimado em 22/04/2009 a apresentar os extratos bancários. Em 11/05/2009, o Contribuinte informa que não dispõe dos extratos bancários para apresentar à fiscalização. · Diante da recusa do Contribuinte em apresentar os extratos bancários de sua movimentação financeira, foi solicitado ao Delegado da Receita Federal em Brasília a expedição de RMF – Requisição de Movimentação Financeira ao Banco do Brasil e Banco Itaú S.A. · Em 05/03/2010, o Contribuinte foi intimado para comparecimento à delegacia fazendária, no sentido de prestar informações sobre a elevada movimentação financeira. Em 15/03/2010, o Contribuinte compareceu à Divisão de Fiscalização onde prestou as seguintes informações: o Que o imóvel onde reside está em nome de Fernanda Brandão Cunha. o É separado judicialmente (de Fernanda Brandão Cunha). o Que exerceu atividade de compra e venda de artesanato. o Que confirma a abertura de conta no Banco do Brasil S.A. o Que constituiu como seu procurador o Sr. Dalvo Ramos da Silva. o Que o procurador é seu funcionário (motorista). o Que os depósitos em sua conta eram efetuados por outras pessoas. o Que a origem dos depósitos era a compra e venda de artesanato. o Que não tinha o montante dos recursos depositados nos anos sob fiscalização. o Que não comprou bens neste período. Tendo em vista que os esclarecimentos prestados pelo Contribuinte não foram comprovados, a fiscalização lavrou o presente Auto de Infração. O Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 15/12/2010 (AR Postal fls. 408). Realizou a postagem de Impugnação, de fls. 413, tempestiva, em 10/01/2011, na qual expõe, que: · Toda a movimentação financeira na conta do Banco do Brasil foi em função de uma comercialização informal de compra e venda de produtos de artesanato. Pela natureza do negócio, não havia como formalizar as operações e como já demonstrado, essa Fl. 462DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10120.720854/201083 Acórdão n.º 2201002.407 S2C2T1 Fl. 3 3 atividade era acompanhada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. E por esses dados mostra o quanto a comercialização era pequena em relação à movimentação em todo o Brasil. · Afirma ainda, que a referida atividade não gerou lucro, o que impossibilitaria o recolhimento de impostos. A 3ª Turma da DRJ/BSB por intermédio do Acórdão 0347.335 de 29/02/2012, às fls. 417, manteve o lançamento nos seguintes termos: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidas junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O Contribuinte foi intimado da decisão em 19/03/2012 pelo AR de fls. 442, vindo a apresentar Recurso Voluntário de fls.435 em 27/03/2012, aduzindo o que se segue: · O acórdão recorrido não levou em consideração argumentação apresentada pelo Contribuinte. Argumenta que realizou no período questionado comércio de compra e venda de artesanato, um comércio informal (atividade tipicamente informal e que e de conhecimento de todos). Conforme documentos em anexo, dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior demonstra que esta atividade informal tem hoje mais de oito milhões de pessoas. · Não houve omissão de rendimentos, pois comprava as mercadorias a prazo e vendia contra apresentação. O capital era de terceiro e não próprio. · Afirma ainda, que a referida atividade não gerou lucro, pois em determinados casos entregava a mercadoria não recebia o devido pagamento, bem como, às vezes, recebia o pagamento em cheque e alguns voltavam sem fundos. Pela Resolução nº 2202000.549 de 15/10/2013, às fls. 448, a 2ª Câmara da 2ª Turma Ordinária do CARF decidiu sobrestar o presente processo administrativo tributário, com base no art. 62A, §1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, uma vez que o presente tema encontrase em sede de Recurso Repetitivo no STF através do Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, de 22/10/2009, onde o Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543A, §1º, do CPC, combinado com art. 323, §1º, do Regimento Interno do STF, no que diz respeito à constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/01, no tocante ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei nº 10.174/01, que alterou o art. 11, § 3º da Lei nº 9.311/96, e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Posteriormente a Portaria/MF nº 545/13 revogou os dispositivos do Regimento Interno do CARF que determinavam o sobrestamento dos autos, nos termos já referidos, possibilitando o prosseguimento do feito, eis que a sua inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Pende sobre o Contribuinte autuação por omissão de receita, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos depósitos/créditos efetuados em suas contas bancárias, na forma do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal dispositivo legal estabelece uma presunção de omissão de receitas, autorizando a exigência de imposto de renda, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários) desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. Assim as alegações do Contribuinte de que: (i) exercia de maneira informal a atividade de compra e venda de artesanato; (ii) não galgou acréscimo patrimonial, pois a atividade incorreu em prejuízo e (iii) o capital era de terceiro, sem respaldo em documentação comprobatória, não têm o condão de afastar a presunção que corre contra o mesmo, não elidindo, por consequência, o poder e o dever da Autoridade Fiscal de considerar os valores depositados em conta bancária como receita, efetuando o lançamento do IRPF. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente seguir a legislação. Acrescentese ainda, ao argumento de ausência de acréscimo patrimonial, que a Autoridade Lançadora não está mais obrigada a comprovar o consumo da renda. Os depósitos injustificados por si só são considerados, por presunção, renda auferida. Este entendimento já encontrase pacificado através do enunciado nº 26 da Súmula do CARF: Fl. 464DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10120.720854/201083 Acórdão n.º 2201002.407 S2C2T1 Fl. 4 5 Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Ademais, como bem destacou o acórdão aquo a atividade de compra e venda, certamente, pressupõe a ocorrência de pagamentos e recebimentos de valores, ou em espécie, ou em cheques, ou em transferências bancárias etc., bem como a emissão de recibos, ou qualquer outra documentação necessária à formalização das supostas compras e vendas entre as partes (comprador e vendedor), mesmo mínima, como anotações dos pedidos, referência entre o bem o respectivo comprador, e entre o bem e o fornecedor, documentação não fornecida pelo recorrente, nem mesmo esparsa. Além disso, é deveras peculiar a argumentação quando menciona um “informal” negócio e, nas próprias palavras do Contribuinte, “de pequena movimentação”, mas que faz transitar valores da ordem de R$ 3.480.521,54, em 2005; R$ 3.481.503,07, em 2006 e R$ 1.012.402,00 em 2007 em suas contas bancárias. Neste diapasão, o Contribuinte não produziu prova sobre os fatos acima descritos, não vindo a atender os requisitos legais para afastar o lançamento com base no artigo 42 da Lei n° 9.430/96. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 465DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 17/07/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 15983.720149/2012-10
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2403-000.215
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, baixar os autos em diligência nos termos do relatório e voto abaixo.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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M. A . GLEREAN MARMORARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, baixar os autos em diligência nos termos do relatório e voto abaixo. Carlos Alberto Mees Stringari,- Presidente Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marcelo Freitas de Souza Costa e Maria Anselma Coscrato dos Santos. 1 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 302 Trata-se de Autos de Infração lavrados contra o contribuinte acima identificado, referentes a contribuições previdenciárias da parte patronal e de terceiros, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados. De acordo com o Relatório Fiscal o lançamento foi efetuado em virtude de a empresa ter sido excluída do Simples Nacional. Após a impugnação a 7ª Turma da DRJ/CPS julgou procedente o lançamento através do Acórdão 05-39.422 que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 JUÍZO DE CONSTITUCIONALIDADE/LEGALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. É vedado aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, proferir decisões a respeito, em face das disposições do artigo 26-A do Decreto 70.235/1972. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOBSERVÂNCIA DO CONTRADITÓRIO. A Impugnação, nos termos do Decreto 70.235/1972, deve ser acompanhada dos elementos probatórios que dão suporte às assertivas do Contribuinte, não sendo possível levar em consideração meras declarações de caráter geral. O processo encontra-se regularmente constituído e dotado das informações necessárias para que o Contribuinte apresentasse suas Impugnações, com as quais demonstra ter compreendido perfeitamente as razões e fundamentos do lançamento fiscal. Não é possível constatar de que forma poderia ter ocorrido o cerceamento do direito de defesa. Ou, pelo menos, as razões apresentadas pelo Contribuinte não o caracterizam. A mesma constatação e conclusão se aplicam à alegação da inobservância do direito ao contraditório. Aliás, o próprio trâmite deste processo administrativo atesta que o princípio constitucional encontra-se perfeitamente atendido. LANÇAMENTO FISCAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. Ainda que esteja tramitando processo administrativo que trate da exclusão de Contribuinte do Simples Nacional, não há óbice legal à realização dos lançamentos fiscais. A pendência de 2 Fl. 303DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 302 decisão administrativa acerca da exclusão não exclui a possibilidade de realização do lançamento fiscal, ainda que a execução fiscal do respectivo crédito tributário dependa do deslinde daquela questão. ALEGAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE “DESVIO DE PODER” E “COAÇÃO”. A imputação de ilícitos penais a quem quer que seja (inclusive à Fiscalização ou à Administração Pública, em geral), deve necessariamente vir acompanhada das competentes provas, sujeitando- se, em foro próprio, às pertinentes cominações legais quem as indevidamente impute. Além do mais, não há nos autos nem mesmo o menor indício que possa corroborar tais assertivas. MULTAS APLICADAS. CARÁTER ABUSIVO E CONFISCATÓRIO. Atendidos pelo lançamento fiscal os limites e parâmetros legais aplicáveis, de acordo com a legislação vigente e devidamente informada, não há o que considerar, quanto às alegações de que as multas aplicadas teriam caráter abusivo ou efeito confiscatório. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com referida decisão, a empresa autuada apresentou recurso à este conselho onde argumenta em síntese: Afirma que ainda não estaria excluída do sistema do Simples Nacional, pois estariam pendentes de julgamento os processos que tratariam do caso (COMPROT 12670.000118/2009-71, 10845.000833/2010-72 e 10845.724471/2011-90). Tendo em vista tal informação este relator fez uma pesquisa no sítio do CARF e não logrou êxito em encontrar tais processos. Desta forma, como os motivos que ensejaram o presente lançamento foram a exclusão da empresa do sistema “Simples Nacional”, entendo necessária a baixa dos autos em diligência para que a DRJ Campinas informe o resultado final do processo de exclusão. Caso ainda não se tenha uma decisão definitiva, deverá o presente feito ficar sobrestado aguardando o trânsito em julgado daqueles autos. Após tal procedimento estes autos deverão retornar à esta turma para julgamento. Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator 3 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10530.000535/99-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/1989 a 30/11/1991
DECISÃO JUDICIAL.TRÂNSITO EM JULGADO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.
O respeito à coisa julgada impõe a estrita observância do quanto decidido no Poder Judiciário, nos estreitos limites do seu cumprimento.
Numero da decisão: 3201-001.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Adriene Maria de Miranda Veras.
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. O respeito à coisa julgada impõe a estrita observância do quanto decidido no Poder Judiciário, nos estreitos limites do seu cumprimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Tratase de Manifestação de Inconformidade (fls. 300/309) contra o Despacho Decisório DRF/FSA n° 1226, de 10/08/2006 (fls. 295/298), que indeferiu a solicitação de restituição de f1.01. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 05 35 /9 9- 31 Fl. 593DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 19/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10530.000535/9931 Acórdão n.º 3201001.622 S3C2T1 Fl. 594 2 Consta do parecer denegatório que o pedido de restituição de créditos decorrentes de pagamentos a maior a título de Contribuição ao Fundo de Investimento Social — FINSOCIAL, arrecadados no período de 1989 e 1992, fundamentase em declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF. Porém, a partir da Sentença da Justiça Federal de 1a Instância que instruiu o presente processo administrativo, concluiu o agente do Fisco que o Poder Judiciário assegurou à contribuinte apenas o direito à compensação de valores indevidamente recolhidos à título de FINSOCIAL, como forma de extinção do crédito tributário prevista no art.156, II do CTN, não havendo, entretanto, decisão judicial com trânsito em julgado autorizando a restituição de tributos pagos a maior. O Acórdão do Tribunal Regional Federal negou provimento à apelação cível proposta pela Fazenda Nacional. Por conseguinte, a compensação "não pode ser concretizada", por inexistir pedido de compensação formulado à SRF, e também não há débitos passíveis de compensação por declaração de compensação, cabendo ao contribuinte agir estritamente conforme as determinações do Judiciário Federal. Cientificada do despacho decisório em 04/12/2006 (fl. 298), a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade em tela, sendo essas as suas razões: • Baseada em decisão transitada em julgado, ingressou com pedido de restituição junto a DRF/Feira de Santana, previamente ao Pedido de Compensação, conforme legislação e praxe da época, porque os valores pagos indevidamente tinham sido reconhecidos no processo judicial 96.00.127948, instruindo o processo administrativo com todas as peças, mas teve seu pedido negado sob o fundamento de que a decisão judicial lhe garantiu apenas o direito de compensação; • O pedido de restituição visava averiguar a certeza e quantificação do crédito da contribuinte, permitindolhe, após julgamento, com o ingresso, a sua opção pela restituição, ressarcimento ou compensação, conforme IN SRF n° 21, de 1997, arts. 12, §4°, 14 e 17, em pleno vigor, e segundo interpretação da norma ficava claro que, independente dos ditames da sentença, era necessário que o contribuinte ingressasse com Pedido de Restituição, entendimento corroborado pela IN SRF n° 233, de 2002, art.4°, e ainda pela IN SRF n° 600, de 2005, art. 26, sendo incoerente a exigência deste pedido de compensação; • Em igual sentido entende o Conselho de Contribuintes, conforme ementas transcritas; A contribuinte procedeu da forma como entendia a repartição à época em que formulou o pleito, e agora, após quase sete anos, está sendo punida porque o entendimento sobre a matéria modificou, para indeferir o pedido da interessada; Fl. 594DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 19/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10530.000535/9931 Acórdão n.º 3201001.622 S3C2T1 Fl. 595 3 • Em sua decisão, a autoridade alega a inexistência de débitos compensáveis, mas em seu "conta corrente" há débitos em seu nome, conforme extratos anexos, com valores atualizados no site da Procuradoria da Fazenda Nacional, não ficando impedida a compensação de ofício, conforme IN SRF n° 600, art.34, que transcreve; • Em se entendendo que a partir da criação da PER/DCOMP não mais é necessária a apresentação de pedido de restituição prévio, que este dispositivo seja aplicado a partir da entrada em vigor da norma; • Outros contribuintes na mesma situação tiveram seus pleitos atendidos, conforme cópias anexadas de decisões exaradas em outros processos, e portanto a delegacia está dando tratamento diferenciado aos contribuintes na mesma situação, ferindo os princípios de impessoalidade e isonomia previstos no art. 37 da Constituição Federal, esclarecendose que o entendimento desta delegacia é isolado, equivocado e difere de outras delegacias da SRF; • Requer que seja determinada a compensação de ofício dos débitos em aberto no "conta corrente" da empresa e concedido o direito à compensação do saldo remanescente com débitos vencidos de sua responsabilidade, ou restituição deste saldo. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a manifestação de inconformidade, reconhecendo em parte o direito creditório pleiteado. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 13/10/1989 a 06/12/1991 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. O direito à compensação de créditos do FINSOCIAL, assegurado por sentença judicial transitada em julgado, pressupõe a existência de crédito passível de restituição, desde que confirmada a sua certeza e liquidez. É legítimo ao contribuinte requerer administrativamente o pedido de restituição, previamente a pedido de compensação de créditos. A decisão da DRJ concedeu o direito a restituição no tocante aos recolhimentos efetuados por meio de DARF, não concedendo créditos em relação a depósitos judiciais vinculados ao processo nº 91.18511. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 19/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10530.000535/9931 Acórdão n.º 3201001.622 S3C2T1 Fl. 596 4 Visando a sanear dúvidas referentes aos autos, o presente processo foi encaminhado em diligência a unidade de origem pr duas oportunidades, tendo a mesma se pronunciado pelo cabimento da restituição de valores, nestes termos: [...] Quanto ao item iv, fizemos todo o levantamento solicitado e, analisando as cópias dos autos do processo judicial acostadas ao presente processo, verificamos os termos da sentença que lhe foi favorável e a ementa do acórdão no processo de Apelação Cível nº 1998.01.00.0054235/BA que transitou em julgado no dia 12/12/2002: Trecho da Sentença (fl. 219): À vista do exposto, JULGO PROCEDENTE A AÇÃO, nos termos do item C, do pedido formulado às fls. 26, cabendo a correção monetária plena de cada valor indevidamente pago, não se lhe aplicando os expurgos inflacionários indicados pela autora no item D1 (fls. 26), repelida, entretanto, a TR, que deverá ser substituída pelo INPC. Quanto aos juros, são deferidos à taxa mensal de 1%, devendo ser aferidos em consonância com o artigo 167, parágrafo único, do CTN. Prejudicado o pedido de restituição. (grifamos) O referido item C do pedido comporta o seguinte pleito: c) Que, após declarada a inconstitucionalidade das majorações das alíquotas do FINSOCIAL, seja assegurado, por sentença, o seu direito outorgado por lei de COMPENSAR o FINSOCIAL indevidamente recolhido, com a COFINS, instituído pela Lei Complementar n°70/91, condenando a União Federal a não obstaculizar ou impedir às autoras de efetuar a compensação aqui pleiteada, como determina o art. 66, § 1°, da Lei n°8.383/91 c/c o art. 39 da Lei n° 9.250/95, 1 imediatamente após a publicação da sentença, cujo valores plenamente corrigidos, como determinou o STJ em acórdão recente, seriam lançados a crédito na escrita e compensado no recolhimento mensal da COFINS, ficando a apuração da liquidez e certeza ou exatidão dos cálculos, a carga da Receita Federal, quando da homologação da antecipação do recolhimento da COFINS, ou assim não concordando esse Juízo, quando do retorno dos autos do Tribunal Regional, em execução de sentença. 2) Contudo, se assim não entender V.Exa., fica, de logo, requerido, a Repetição do Indébito, em forma de restituição, dos valores indevidamente recolhidos, corrigidos desde a data de cada pagamento, inclusive a TRD ou INPC e juros de mora na forma como vêm sendo cobrado pela Receita Federal, com as alterações introduzidas pela Lei n°8.981/95 e Lei n°9.250, art . 39, § 4°. Ementa do acórdão (fl. 292): Fl. 596DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 19/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10530.000535/9931 Acórdão n.º 3201001.622 S3C2T1 Fl. 597 5 COMPENSAÇÃO. FINSOCIAL. COFINS. PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA. 1. Não há decadência, nem prescrição a reconhecer, pois o prazo prescricional qüinqüenal somente começa a correr a partir da decisão do STF que reconheceu a inconstitucionalidade das majorações da alíquota do FINSOCIAL; enquanto que o prazo decadencial do tributo sujeito à homologação começa a correr decorridos 05 anos contados da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais 05 anos contados da data da homologação. Precedentes desta Corte e do STJ. 2. Os valores indevidamente recolhidos a título de Contribuição para o Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL) são compensáveis com os devidos para a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS). Precedentes desta Corte e do STJ. 3. Correção monetária a partir do recolhimento indevido (Súmula 162 do STJ) com a utilização dos mesmos índices aplicados pela Fazenda Pública na atualização do crédito tributário objeto da compensação. 4. Apelação e remessa parcialmente providas. Desta forma, para atender ao quanto solicitado nesta diligência, considerando o comando da decisão judicial transitada em julgado em favor da interessada, levando em conta o que foi pleiteado por meio do presente processo e as normas administrativas que regulam a matéria, alguns procedimentos se fizeram necessários: (a) Verificação da base de cálculo de cada período de apuração desde setembro/1989 até novembro/1991; (b) apuração dos valores efetivamente devidos com base na aplicação da alíquota de 0,5% sobre as bases de cálculo; (c) confirmação da autenticidade de cada Darf recolhido referente ao período; (d) aferição dos recolhimentos efetuados através de depósitos judiciais; (e) constatação de que os depósitos judiciais foram convertidos em renda da União; (g) confronto de cada valor recolhido por Darf e por depósito judicial com os valores devidos em cada período de apuração mensal, para encontrar as diferenças pagas a maior. [...] Quanto aos recolhimentos relativos ao período sob análise, a maior parte foi efetuada com Darfs (PA’s setembro/89 a março/91), dos quais a contribuinte incluiu cópia e originais no processo (fls. 09 a 27 e 39 a 52), e outra parte foi efetuada com depósitos judiciais (PA’s abril/91 a novembro/91) (cópias às fls. 28 a 30). Para confirmar a autenticidade dos Darfs, foram todos conferidos nos nossos registros de arrecadação, conforme indica o carimbo aposto em cada um deles (fls. 39 a 52). Quanto aos depósitos judiciais, a documentação acostada aos autos demonstra que seu saldo total foi convertido em renda da União Fl. 597DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 19/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10530.000535/9931 Acórdão n.º 3201001.622 S3C2T1 Fl. 598 6 (fls. 33 a 35), e essa informação consta dos nossos sistemas, conforme extrato de fl. 572. [...] Assim, o montante do crédito reconhecido, atualizado até 31/12/95, é de R$29.455,09 (vinte e nove mil quatrocentos e cinquenta e cinco reais e nove centavos). Este crédito, atualizado até dezembro de 2013, equivale a R$112.701,07 (cento e doze mil setecentos e um reais e sete centavos). [...] Cientificada do resultado da diligência, a recorrente apresenta manifestação, nestes termos: 1 que na sentença carreados aos autos, às fls. 56/63, ficou determinado que a empresa tem direito à restituição das quantias recolhidas com alíquota superior a 0,5 (zero vírgula cinco por cento), 2 que, em assim sendo, não se faz necessário o levantamento da base de cálculo dos valores recolhidos e, sim, quantificar o quanto RESTITUIR aplicando a ordem Judicial sobre tais valores, nos seguintes percentuais: 1 No período de setembro de 1989 a janeiro de 1990, pagos, por força de Lei, com alíquota de 1%, deveria ser devolvido 50% do valor recolhido em cada DARF relativo a esse período; 2 Já no período de fevereiro de 1990 a fevereiro de 1991, quando a alíquota havia sido majorada para 1,2%, concluise que 58,33% do valor pago eram indevido; 3 Enquanto no período de março de 1991 a novembro de 1991, cujo recolhimento foi feito com a alíquota de 2%, deveria ser devolvido 75% do valor constante dos DARF. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Quanto à negativa de direito ao credito em relação a valores recolhidos por meio de depósito judicial, esclarecese que, com a conversão dos depósitos em renda da união, o valor depositado é convertido em pagamento definitivo referente ao tributo discutido judicialmente, em seu valor original e na data em que foi realizado. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 19/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10530.000535/9931 Acórdão n.º 3201001.622 S3C2T1 Fl. 599 7 Desta forma, em se tratando de verdadeiro pagamento, equivalente ao recolhimento efetuado por meio de DARF, inexiste óbice para que tais valores, caso configurem indébito, sejam objeto de pedido de restituição. Consta do presente processo a confirmação de que os valores depositados em juízo foram convertidos em renda da união, de forma que a recorrente tem direito a restituição dos valores recolhidos em valor superior ao devido, conforme decisão judicial. A autoridade fiscal, em procedimento de diligência, verificou que, com a inclusão dos depósitos judiciais no cálculo do tributo devido, a recorrente efetuou pagamentos em valor superior ao devido, totalizando o montante de R$ 29.455,09 (vinte e nove mil quatrocentos e cinquenta e cinco reais e nove centavos), atualizado até 31/12/95. A recorrente contesta este cálculo, entendendo que deveria ser efetuado mero cálculo matemático em relação às alíquotas consideradas inconstitucionais, sendo, desta forma, desnecessário o cálculo do tributo devido à época da ocorrência dos fatos geradores. Em atenção ao alegado, constatase que a forma pretendida pela recorrente de verificação de seu saldo credor não leva em consideração o montante do tributo devido, mas apenas o valor recolhido pela mesma. O direito ao crédito, contudo, restringese aos valores considerados indevidos em decorrência da inconstitucionalidade das majorações de alíquota do Finsocial. Assim sendo, mostrase imprescindível para determinar o valor pago indevidamente a verificação do valor que seria devido de Finsocial, à luz da decisão proferida pelo Poder Judiciário. A autoridade fiscal, ao determinar o montante do crédito da recorrente, utilizou a base de cálculo de cada período de apuração desde setembro/1989 até novembro/1991, apurando os valores efetivamente devidos com base na aplicação da alíquota de 0,5% sobre as bases de cálculo. Tal procedimento mostrase em conformidade com o definido pelo Poder Judiciário, de forma que adoto tais cálculos neste acórdão. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito da recorrente ao crédito no montante de R$ 29.455,09 (vinte e nove mil quatrocentos e cinquenta e cinco reais e nove centavos), atualizado até 31/12/95, excluídos os valores já reconhecidos pela decisão recorrida. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 599DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 19/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10530.000535/9931 Acórdão n.º 3201001.622 S3C2T1 Fl. 600 8 Fl. 600DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 19/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 14485.003385/2007-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.432
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado , por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira Presidente
(assinado digitalmente)
Wilson Antônio de Souza Côrrea Relator
(assinado digitalmente)
Participaram, da sessão de julgamento, os Conselheiros os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Luciana de Souza Espindola Reis, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzáles Silvério.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado , por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Côrrea Relator (assinado digitalmente) Participaram, da sessão de julgamento, os Conselheiros os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Luciana de Souza Espindola Reis, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzáles Silvério.
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Marcelo Oliveira – Presidente (assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Côrrea – Relator (assinado digitalmente) Participaram, da sessão de julgamento, os Conselheiros os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Luciana de Souza Espindola Reis, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzáles Silvério. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 44 85 .0 03 38 5/ 20 07 -5 1 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 14485.003385/200751 Resolução nº 2301000.432 S2C3T1 Fl. 113 2 Relatório Tratase de autuação referente à infração ao artigo 30, inciso I, alínea "a" e alterações posteriores da Lei 8.212/91, ao artigo 4, "caput" da Lei 10.666/03 e o artigo 216, inciso I, alínea "a" do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, por ter deixado a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados. Diz expressamente no relatório fiscal que os mencionados valores foram levantados nas NFLDs n° 37.062.6702, 37.062.6710 e 37.062.6729. O Relatório Fiscal informa a aplicação da multa prevista no artigo 283, inciso I, alínea "g" e artigo 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, e como a Recorrente é reincidente o valor mínimo da multa fora agravado em duas vezes. Devidamente intimada, apresentou sua impugnação, cuja qual não foi suficiente para mudar a autuação. Em 11.08.2008 tomou ciência da decisão de piso e no dia 19 do mesmo mês e ano aviou o presente Recurso Voluntário, alegando: i) nulidade absoluta da NFLD ausência de fundamento legal – FLD; ii) participação nos lucros ou resultados – PLR; iii) posição dos tribunais superiores sobre a natureza da participação nos lucros e resultados; iv) da impossibilidade da decisão de fls. inovar fundamentos; v) do valor da multa. Eis em apertada síntese o relato dos fatos e o necessário para julgamento. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 14485.003385/200751 Resolução nº 2301000.432 S2C3T1 Fl. 114 3 Voto Conselheiro Wilson Antônio de Souza Côrrea Relator O presente Recurso Voluntário acode os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, desde já, dele conheço. Sr° Presidente, nos presentes autos, que trata de autuação referente à infração ao artigo 30, inciso I, alínea "a" e alterações posteriores da Lei 8.212/91, ao artigo 4, "caput" da Lei 10.666/03 e o artigo 216, inciso I, alínea "a" do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, por ter deixado a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, ou seja, obrigação acessória, cuja obrigação principal está em outro processo, referente a autuação das NFLDs n° 37.062.6702, 37.062.6710 e 37.062.6729, obrigação principal. Assim, para que se tenha conhecimento percuciente da procedência ou não do presente feito, mister que tenhamos conhecimento se: 1) qual é o teor das NFLDs n° 37.062.6702, 37.062.6710 e 37.062.6729; 2) qual é o processo em que elas tramitam; 3) se houve já houve julgamento nele. CONCLUSÃO Diante do acima exposto tenho que necessária uma diligência com fim de se juntar nos autos deste processo as NFLDs n° 37.062.6702, 37.062.6710 e 37.062.6729, para que este colegiado possa fazer juízo com convicção dos fatos que resultou no presente lançamento, e, se o processo onde tramitam as referidas NFLD’s já houve julgamento. É o voto. (assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Côrrea Relator Fl. 231DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 14485.003385/200751 Resolução nº 2301000.432 S2C3T1 Fl. 115 4 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 02/04/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVE IRA
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Numero do processo: 10283.900183/2009-36
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Exercício: 2005
PEDIDO DE DILIGÊNCIA.
Prescinde a realização de diligência ou perícia quando constam dos autos os elementos necessários à resolução da controvérsia e o Recorrente busca, com tal providência, apenas carrear provas que já poderiam ter sido apresentadas quando da manifestação de inconformidade ou do recurso voluntário. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias caso entenda necessárias ao deslinde da controvérsia.
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório.
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 1803-001.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito dar provimento ao recurso voluntário e reconhecer o direito creditório, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva
Presidente
(Assinado Digitalmente)
Sérgio Luiz Bezerra Presta
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Meigan Sack Rodrigues,Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Raimundo Parente de Albuquerque Júnior.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Exercício: 2005 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Prescinde a realização de diligência ou perícia quando constam dos autos os elementos necessários à resolução da controvérsia e o Recorrente busca, com tal providência, apenas carrear provas que já poderiam ter sido apresentadas quando da manifestação de inconformidade ou do recurso voluntário. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias caso entenda necessárias ao deslinde da controvérsia. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. Recurso provido em parte
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Prescinde a realização de diligência ou perícia quando constam dos autos os elementos necessários à resolução da controvérsia e o Recorrente busca, com tal providência, apenas carrear provas que já poderiam ter sido apresentadas quando da manifestação de inconformidade ou do recurso voluntário. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias caso entenda necessárias ao deslinde da controvérsia. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. Recurso provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito dar provimento ao recurso voluntário e reconhecer o direito creditório, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 01 83 /2 00 9- 36 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.900183/200936 Acórdão n.º 1803001.949 S1TE03 Fl. 113 2 Presidente Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, que presidiu a Turma, Meigan Sack Rodrigues,Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sergio Rodrigues Mendes, Raimundo Parente de Albuquerque Júnior. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 0120.482 proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, constante das fls. 73 e seguintes dos autos, a seguir transcrito: “Tratase de declaração de compensação transmitida em 26/05/2005 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 288.487,43 resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2362, do período de apuração de 31/07/2004, no valor originário de R$ 288.487,43. A Delegacia de origem, em análise datada de 18/02/2009 (fl. 06), asseverou que "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 05/03/2009, a interessada apresentou, em 03/04/2009, manifestação de inconformidade na qual alega (fls. 10/16): a) O equívoco decorre do fato de que a Manifestante apurou erroneamente o valor do tributo a pagar, o que será corrigido através desta manifestação com a disponibilidade dos documentos comprobatórios do crédito. b) Após têlo apurado e efetuado o pagamento, foi detectado pelo setor de contabilidade do contribuinte o pagamento a maior, bem como saldo credor decorrente de saldo negativo da CSLL, que resultara no pedido de compensação, na forma prevista na legislação que trata do assunto. c) Inadvertidamente não houve a retificação da DCTF na qual deveria constar o valor do crédito a ser compensado e o efetivo valor do imposto apurado pela Manifestante. (Demonstrativo Anexo). Pelo demonstrativo que segue anexo a manifestação de inconformidade constatase o valor do tributo pago a maior, conforme DARF, sendo o crédito objeto de compensação decorrente de saldo negativo da contribuição social sobre o lucro líquido. d) Além do saldo credor da CSLL, a manifestante possui ainda crédito originário de benefício fiscal amparado no Ato Declaratório n° 58, de 04 de abril de 2005 e no DecretoLei n° 756/69, o primeiro expedido pelo Sr. Delegado da Receita Federal, com efeito retroativo ao ano de 2004. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.900183/200936 Acórdão n.º 1803001.949 S1TE03 Fl. 114 3 e) Enquanto aguardava a expedição do ato declaratório, a requerente apurou e efetuou o pagamento do imposto, o que gerou crédito passível de compensação após a publicação do documento. f) Para aferição do crédito e até mesmo do débito, é indispensável que a autoridade administrativa autorize a realização de diligência nos livros fiscais e contábeis do contribuinte. Todos os valores objeto do pedido de ressarcimento/restituição e compensação dizem respeito ao exercício de 2005 ano calendário de 2004, abrangendo todo o ano de 2004 e, por esse motivo, fica inviável anexar a esta manifestação todos os livros e documentos que comprovam a apuração do crédito. Diante do exposto, requer: a) seja dado efeito suspensivo à presente Manifestação de Inconformidade, na forma do artigo 151, inciso II, do CTN, possibilitando a obtenção da Certidão Conjunta Positiva de Débito com Efeito de Negativa, prevista no artigo 206 do Código Tributário Nacional; b) a reforma total do despacho decisório a fim de determinar a realização da diligência para comprovação efetiva do crédito alegado pelo contribuinte; c) o reconhecimento do crédito, amparado nos documentos anexos a esta Manifestação de Inconformidade e naqueles examinados por ocasião da diligência, autorizando a compensação do crédito reconhecido com o débito informado pelo contribuinte; d) pedese finalmente a Vossa Senhoria autorização para juntada de documentos, antes da decisão dessa augusta Câmara”. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, na sessão de 25/01/2011, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 0120.482 entendendo por unanimidade de votos, “julgar improcedente a manifestação de inconformidade”, em decisão assim ementada: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OBJETO. CRÉDITO. LIMITE. A análise da Declaração de Compensação efetuase em relação à data de sua transmissão, encontrandose vinculada também aos exatos limites do crédito originalmente identificado pelo contribuinte como compensável. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificado da decisão de primeira instância em 23/02/2011 (quartafeira) (AR constante das fls. 78), a SHOWA DO BRASIL LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0120.482, recorre em 24/03/2011 (fls. 79 e segs dos autos) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado, atacando os argumentos do acórdão recorrido, com os seguintes pedidos: “ISTO POSTO, amparada nos argumentos de fato e de direito aduzidos neste RECURSO VOLUNTÁRIO, a Recorrente pede aos Senhores Conselheiros que: Fl. 114DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.900183/200936 Acórdão n.º 1803001.949 S1TE03 Fl. 115 4 a) modifiquem o ACÓRDÃO N° 0120.4823ª Turma da DRJ/BEL, ora atacado, determinando sejam analisados os livros fiscais e contábeis da Recorrente com objetivo de detectarse a existência do crédito reclamado; b) no mérito, seja reconhecido o crédito e homologado o pedido de compensação formulado, extinguindose o débito informado para compensação, objeto do presente processo”. Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Antes de entrar no mérito, passo a analisar a preliminar de nulidade em decorrência do indeferimento do pedido de diligência levantada pela Recorrente no pedido do recurso voluntário, fls. 85e segs dos autos. Relativamente à diligência/perícia requerida não pode o pleito ser acolhido, pois a Recorrente busca o esclarecimento de fatos que já deveria ter sido providenciado desde a manifestação de inconformidade, conforme arts.15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. Nos termos deste mesmo Decreto, a realização de diligências ou perícias justificase somente quando necessárias, a juízo da autoridade julgadora: “Art.18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências, ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art.28, in fine. (...) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”. No caso dos autos a perícia não se faz necessária, eis que as provas que foram (ou deixaram de ser) acostadas ao longo do procedimento fiscal são suficientes para a formação da convicção do julgador. Desse modo, não se faz necessária a dilação probatória por meio de diligências ou perícia. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.900183/200936 Acórdão n.º 1803001.949 S1TE03 Fl. 116 5 E, não tendo a Recorrente anexado qualquer elemento que pudesse servir para justificar a utilidade de uma diligência ou perícia, fazse imperioso indeferir o pedido. Ultrapassado esse ponto, passo agora à questão de mérito, que foi bem sintetizada pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – PA, quando afirmou às fls. 76 dos autos: “(...)No caso presente, embora a manifestante afirme que se trata de saldo negativo da contribuição social sobre o lucro líquido, verificase que ao efetivar sua compensação a interessada indicou como crédito pagamentos correspondentes a estimativas mensais. Impõese assinalar que, nos termos da legislação relativa à apuração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), aplicável à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) por força do art. 30 da Lei n° 9.430/19961. os recolhimentos efetuados pelas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, no decorrer dos meses do ano civil, caracterizam, em princípio, antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, o sujeito passivo, ao exercer a opção prevista no artigo 2º da Lei n° 9.430/1996, fica obrigado aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do ano calendário, proceder à apuração do tributo devido, oportunidade em que poderá, então, deduzir os valores anteriormente recolhidos por estimativa.”. Porém, o único ponto levantado pela Recorrente é que é detentora do Ato Declaratório n° 58, de 04 de abril de 2005, fls. 41 dos autos, e por isso afirma o seguinte: “Ato Declaratório n° 58, de 04 de abril de 2005 está respaldado por lei e ratificado pelo Decreto n° 756/69, de 11 de agosto de 1969, que trata das deduções tributárias para fins de investimentos, cujo artigo 1º , assim prescreve: ‘Art 1º . Todas as pessoas jurídicas registradas no Pais poderão deduzir do Imposto de Renda e seus adicionais não restituíveis: a) Até 75% (setenta e cinco por cento) do valor das obrigações, que adquirirem, emitidas pelo Banco da Amazônia S.A., com o fim específico de ampliar os recursos do Fundo para Investimentos Privados no Desenvolvimento da Amazônia (FIDAM);’ Do mesmo modo, o Ato Declaratório n° 58, foi expedido por autoridade competente, ou seja, Sr. Delegado da Receita Federal, amparado por Resolução da SUFRAMA que autorizou a realização da atividade industrial da Recorrente, retroativamente ao ano de 2004, nos seguintes termos: ‘Art. 1° Fica reconhecido o direito da empresa SHOWA DO BRASIL LTDA, CNPJn° 04.012.043/000148, à redução de 75% do imposto de renda das pessoas jurídicas e adicionais nãorestituíveis, incidente sobre o lucro da exploração, relativo ao projeto de modernização de empreendimento da empresa, na área da atuação da extinta SUDAM, pelo prazo de 9 (nove) anos a partir do anocalendário de 2004’” Ocorre que a Recorrente não apresenta a forma que chegou para quantificar o crédito e, por conseguinte, efetuar a compensação; apenas informando, fls 85 dos autos, que Fl. 116DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.900183/200936 Acórdão n.º 1803001.949 S1TE03 Fl. 117 6 “resta demonstrado de forma cristalina que a Recorrente tem o direito de ver os seus livros contábeis e fiscais examinados para aferir a existência do crédito e ao depois depararse com a decisão da autoridade administrativa reconhecendo ou não o direito creditório e a homologação da compensação”. Entendo até que a Recorrente, a luz do que determina o Ato Declaratório n° 58, de 04 de abril de 2005, tem o direito de “deduzir do Imposto de Renda e seus adicionais não restituíveis até 75% (setenta e cinco por cento) do valor das obrigações, que adquirirem, emitidas pelo Banco da Amazônia S.A., com o fim específico de ampliar os recursos do Fundo para Investimentos Privados no Desenvolvimento da Amazônia (FIDAM)”; porém, caberia a recorrente comprovar em sede de manifestação de inconformidade e até do recurso voluntário, que cumpriu as regras e quantum efetivamente tinha de crédito em decorrência da dedução que supostamente não foi feita. E isso não aconteceu! Essa minha posição decorre da determinação expressa contida no art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. E foi isso que efetivamente aconteceu. Na verdade a Recorrente silenciou sobre os argumentos tanto do despacho decisório, fls. 7 dos autos; e, na falta de outros elementos, o fisco, por dever de oficio, indeferiu a compensação pleiteada. Desta forma, pela ausência de documentos que possam comprovar a existência, bem como a liquidez e certeza do crédito, não vejo como reparar a decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – PA. Entendo que a Recorrente não observou que um dos princípios que lastreiam o processo administrativo fiscal é o Principio da Legalidade, também denominado de legalidade objetiva. Tal princípio determina que o processo deverá ser instaurado nos estritos ditames da lei. Ou seja, na administração privada se pode fazer tudo que a lei não proíbe; já na administração pública só é permitido fazer o que a lei autoriza expressamente, como forma de se atender as exigências do bem comum. Em suma enquanto que para o particular a lei significa “pode fazer assim”, para o Administrador público significa “deve fazer assim”, a atividade administrativa é plenamente vinculada, é regrada pelos limites impostos pela própria lei. E, foi com base nesse principio que a autoridade fiscal solicitou a Recorrente que comprovasse a origem dos créditos supostamente ensejadores da compensação. Veja que poderia a Recorrente juntar suas alegações antes do julgamento da DRJ ou deste Conselho, tendo em vista que a prova no processo Administrativo Fiscal é de fundamental importância e deveria ser criteriosamente produzida pela Recorrente nesses 1.679 (mil, seiscentos e setenta e nove) dias entre o recebimento do despacho decisório e o presente julgamento. Isso porque é através da prova o julgador administrativo forma sua convicção. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.900183/200936 Acórdão n.º 1803001.949 S1TE03 Fl. 118 7 Diante deste fato se poderia perguntar: “Qual o momento para a apresentação das provas no PAF?”. A resposta encontrase inserta nos Artigos 3º e 38 da Lei 9.784/99, a seguir transcrito: “Art. 3º. O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: (...) III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; (…)” “Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo” E, caso tenha alguma duvida o Art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, assim determina: “Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)” Diante da legislação acima, é importante acentuar que a responsabilidade pela comprovação da verdade material caberia a Recorrente; e, para isso deveria buscar na legislação de regência o substrato legal para juntar as provas que entendesse como necessárias a comprovação do seu crédito; e, isso não o fez! Simplesmente afirmou que “tem o direito de ver os seus livros contábeis e fiscais examinados para aferir a existência do crédito e ao depois depararse com a decisão da autoridade administrativa reconhecendo ou não o direito creditório e a homologação da compensação”. Diante do exposto, voto para rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito negar provimento ao recurso voluntário por não encontrar nos autos comprovação do direito creditório, mantendo, desta feita, a decisão proferida pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – PA. Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 118DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA Processo nº 10283.900183/200936 Acórdão n.º 1803001.949 S1TE03 Fl. 119 8 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 05/0 6/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRES TA
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Numero do processo: 13855.001534/2006-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005
AUTO DE INFRAÇÃO - NULIDADE - Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente e que não tenha causado preterição do direito de defesa, efetuado em consonância com o que preceitua o art. 142 do Código Tributário Nacional, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a sua lavratura, exercendo, atentamente, o seu direito de defesa
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM COMPROVADA - ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 - PRESUNÇÃO DE RENDIMENTO OMITIDO - A presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 é relativa, podendo ser afastada pela comprovação da origem do depósito bancário, quando, então, a autoridade autuante submeterá o rendimento outrora omitido às normas específicas de tributação, previstas na legislação vigente à época em que o rendimento foi auferido ou recebido. No caso em questão há comprovação da origem dos depósitos bancários.
MULTA DE OFÍCIO - CONFISCO - Em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos
Numero da decisão: 2202-002.649
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE NULIDADE: Por unanimidade de votos, rejeita a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão apurada o valor de R$738.977,52 e R$ 173.813,44, relativos aos anos calendários 2003 e 2004, respectivamente. A Conselheira Dayse Fernandes Leite acompanhou pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez (Presidente ).
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior, Marcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite, Fabio Brun Goldschmidt
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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No caso em questão há comprovação da origem dos depósitos bancários. MULTA DE OFÍCIO CONFISCO Em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE NULIDADE: Por unanimidade de votos, rejeita a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão apurada o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 15 34 /2 00 6- 48 Fl. 999DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 valor de R$738.977,52 e R$ 173.813,44, relativos aos anos calendários 2003 e 2004, respectivamente. A Conselheira Dayse Fernandes Leite acompanhou pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez (Presidente ). (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior– Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior, Marcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite, Fabio Brun Goldschmidt Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13855.001534/200648 Acórdão n.º 2202002.649 S2C2T2 Fl. 999 3 Relatório Tratase de impugnação apresenta contra lançamento que, apurando omissão de rendimentos e glosando valores deduzidos diretamente do imposto devido, formalizou a exigência de crédito tributário no montante de R$ 563.165,41, compreendendo Imposto de Renda, multa e juros, tendo por fundamento legal o art. 42 da Lei n° 9.430/1996 e demais dispositivos citados no auto de infração de fls. 03 a 10. Entendeu a Fiscalização terem ocorrido as seguintes infrações: a) omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, recebidos de pessoas jurídicas, nos anos de 2003 e 2004; b) omissão de rendimentos caracteriza por depósitos bancários de origem não comprovada, nos anos de 2003 e 2004; e c) dedução indevida do imposto, de valores pretensamente doados ao Fundo da Criança e do Adolescente, no ano de 2003. O contribuinte admitiu apenas a correção do lançamento relativamente à glosa da doação feita à instituição Lar da Caridade, impugnando o restante do crédito tributário. Alegou, quanto à glosa da dedução de incentivo, que a entidade favorecida, a Instituição Espírita Nosso Lar, estava cadastrada no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente do Município de Uberaba/MG, e por essa razão a dedução era válida. No que tange aos depósitos bancários, afirmou não ter como demonstrar a origem dos valores depositados, uma vez que eles pertenceriam à empresa Antik Indústria e Comércio de Couros para Calçados e Representações Ltda, com quem mantinha contrato de representação comercial. De acordo com uma das cláusulas do referido contrato, à empresa era permitido utilizar a conta corrente do impugnante para movimentar receitas oriundas de suas operações. Assim, as quantias depositadas em sua conta bancária não lhe pertenceriam, mas sim a terceiro, contra quem, por força do próprio art. 42 da Lei n° 9.430, o lançamento deveria ter sido feito. Ressaltou ainda que a Fiscalização não demonstrou que o contrato era falso. Quanto ao recebimento de comissões, alegou o impugnante que mantinha contrato de representação tanto com a empresa Curtume Açay S/A, quanto com a empresa Antik, e que fizera intermediação de vendas da Curtume Açay para a empresa Antik, recebendo comissão apenas da primeira. E tais valores já teriam sido tributados na declaração de ajuste. Ademais, a Fiscalização não demonstrou que houve recebimento também da empresa Antik. Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Disse ainda que a diferença no valor de R$ 3.634,20, encontrada pela Fiscalização nos rendimentos informados como tendo sido recebidos da empresa Açay, corresponde ao Imposto de Renda retido na fonte. Com esses fundamentos, pugnou pela anulação do lançamento. A impugnação veio acompanhada dos documentos de fls. 358 a 794. A Delegacia de Receita Federal de Julgamento de Campo Grande, DRJ/CGE ao analisar a impugnação, negou provimento parcial por unanimidade, através do acórdão DRJ/CGE 0417.932 de 19 de junho de 2009, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMISSÕES RECEBIDAS. PROVA DA EXISTÊNCIA DO CONTRATO E DAS VENDAS. CARACTERIZAÇÃO. A existência de contratos de prestação de serviço de intermediação de compra e venda de mercadoria e a existência dos documentos fiscais referentes às vendas são suficientes para caracterizar a aquisição de disponibilidade que constitui fato gerador do Imposto de Renda. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Os valores creditados em contas bancárias geram presunção "júris tantum" de omissão de rendimentos, quando o titular não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. A comprovação da origem dos recursos não pode se limitar à identificação da pessoa do depositante, mas exige esclarecer os negócios jurídicos de que se originam os recursos. DOAÇÃO. ENTIDADE FILANTRÓPICA. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis apenas as doações feitas aos fundos controlados pelos Conselhos municipais, estaduais e pelo Conselho nacional dos direitos da criança e do adolescente, não se aplicando igual tratamento às doações feitas diretamente às entidades filantrópicas. Devidamente cientificado dessa decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário, onde em síntese reitera os argumentos de impugnação, no que tange aos depósitos bancários e doações. É o relatório. Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13855.001534/200648 Acórdão n.º 2202002.649 S2C2T2 Fl. 1000 5 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, antes de mais nada devemos analisar a preliminar suscitada pelo Recorrente. Preliminar de Nulidade Entendo, que o procedimento fiscal realizado pela agente do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valerse de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levandoas aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748/93: A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 O auto de infração, bem como a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vício na forma, o ato pode invalidarse. Ora, não procede à nulidade do lançamento argüida sob o argumento de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, bom como que os documentos apresentados na impugnação não teriam sido devidamente analisados. Com a devida vênia, os documentos apresentados foram devidamente analisados e considerados pela autoridade julgadora. Não tenho dúvidas, que o excesso de formalismo, a vedação à atuação de ofício do julgador na produção de provas e a declaração de nulidades puramente formais são exemplos possíveis de serem extraídos da prática forense e estranhos ao ambiente do processo administrativo fiscal. A etapa contenciosa caracterizase pelo aparecimento formalizado no conflito de interesses, isto é, transmudase a atividade administrativa de procedimento para processo no momento em que o contribuinte registra seu inconformismo com o ato praticado pela administração, seja ato de lançamento de tributo ou qualquer outro ato que, no seu entender, causalhe gravame com a aplicação de multa por suposto nãocumprimento de dever instrumental. Assim, a etapa anterior à lavratura do auto de infração e ao processo administrativo fiscal, constitui efetivamente uma fase inquisitória, que apesar de estar regrada em leis e regulamentos, faculta à Administração a mais completa liberdade no escopo de flagrar a ocorrência do fato gerador. Nessa fase não há contraditório, porque o fisco está apenas coletando dados para se convencer ou não da ocorrência do fato imponível ensejador da tributação. Não há, ainda, exigência de crédito tributário formalizada, inexistindo, conseqüentemente, resistência a ser oposta pelo sujeito fiscalizado. O lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da determinação do tributo devido, através do Auto de Infração lavrado. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Nunca é demais lembrar, que até a interposição da peça impugnatória pelo contribuinte, o conflito de interesses ainda não está configurado. Os atos anteriores ao lançamento referemse à investigação fiscal propriamente dita, constituindose medidas preparatórias tendentes a definir a pretensão da Fazenda. Ou seja, são simples procedimentos que tãosomente poderão conduzir a constituição do crédito tributário. Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13855.001534/200648 Acórdão n.º 2202002.649 S2C2T2 Fl. 1001 7 Na fase procedimental não há que se falar em contraditório ou ampla defesa, pois não há ainda, qualquer espécie de pretensão fiscal sendo exigida pela Fazenda Pública, mas tãosomente o exercício da faculdade da administração tributária em verificar o fiel cumprimento da legislação tributária por parte do sujeito passivo. O litígio só vem a ser instaurado a partir da impugnação tempestiva da exigência, na chamada fase contenciosa, não se podendo cogitar de preterição do direito de defesa antes de materializada a própria exigência fiscal por intermédio de auto de infração ou notificação do lançamento. Assim, após a impugnação, oportunizase ao contribuinte a contestação da exigência fiscal. A partir daí, instaurase o processo, ou seja, configurase o litígio. No caso dos autos, a autoridade lançadora cumpriu todos preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pelo recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade do Auto de Infração. Entendo que não merece reparos a decisão de DRJ, desta forma rejeito a preliminar suscitada pelo Recorrente. Mérito – Depósito Bancário Omissão de Rendimentos No mérito a questão que se coloca, no presente caso, diz respeito à ocorrência ou não de “omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada”. Segundo a fiscalização, teria havido sim tal omissão, em virtude de movimentações verificadas nas conta correntes de titularidade do Recorrente. Por sua vez o Recorrente alega que parte dos valores movimentados em sua conta corrente foram valores pagos pelas empresas Antik, na qual detinha contrato de prestação de serviços por ser representante comercial. Podemos verificar que parte das movimentações financeiras foram minuciosamente identificadas no decorrer da fiscalização, conforme podemos verificar as fls 22 a 26 dos autos. Como já se antecipou, atribuise ao Recorrente a omissão de rendimento de que trata o artigo 42 da Lei n. 9.430/96, que tem a seguinte redação: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9481, de 1997) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002)” Conforme se depreende do caput do referido dispositivo, caracterizase a omissão de rendimento quando a origem dos valores creditados na conta de depósito não for comprovada, caso em que a tributação da pessoa física será feita com base na tabela progressiva (§4º.). Se a origem dos depósitos for demonstrada, os respectivos valores deverão observar as regras de tributação específicas, nos termos do §2º da referida norma legal. Estabelece ainda o 2º. que “Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. ...”. Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13855.001534/200648 Acórdão n.º 2202002.649 S2C2T2 Fl. 1002 9 É o caso dos autos, como passo a evidenciar. Podemos verificar que no decorrer a fiscalização o contribuinte sempre alegou que os valores objeto do lançamento tiveram como origem pagamentos efetuados pela empresa Antik Indústria e Comércio de Couro para calçados e Representações Ltda. Foi apresentado no decorrer do procedimento fiscal, antes da lavratura do auto de infração, para a autoridade lançadora os documentos que embassassem esses argumentos. Além disso foi apresentados os comprovantes bancários onde demonstram que parte dos valores depositados tiveram como origem a conta bancária daquelas sociedades conforme foi devidamente apurado pela autoridade lançadora no termo de verificação fiscal e devidamente evidenciando nas planilhas de fls. 22 a 26 dos autos. Com base no demonstrativo elaborado pela autoridade lançadora de fls. 22 a 26, podemos verificar vários depósito bancário considerados como de origem não comprovada, foram minuciosamente identificados pelo Recorrente no curso do procedimento fiscalizatório, antes da lavratura do auto de infração, e foram devidamente destacados pela autoridade fiscalizatória. Conforme tabela abaixo: Ora, como esses depósitos foram minuciosamente identificados no decorrer do procedimento fiscalizatório, a autoridade lançadora deveria ter observado o disposto nos §§ 2º. e 5º. do artigo 42 da Lei n. 9.430/96, ou seja fundamentar o auto de infração com base em omissão de rendimentos, e não com base fundamento legal que foi utilizado no presente caso.. Desta forma entendo que tais valores devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento. Nesse sentido devemos excluir o valor de R$ 738.977,52 relativo ao anocalendário de 2003 e R$ 173.813,44 relativo ao anocalendário de 2004. Gostaria de destacar que esse é o atual posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais conforme ementa abaixo transcrita: Processo n 11020.000638/200380 Recurso n° 102137.659 Especial do Procurador Matéria IRPF Acórdão n° CSRF/0401.132 Sessão de 04 de novembro de 2008 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PETER BRUGGER DEPÓSITOS BANCÁRIOS ORIGEM COMPROVADA Comprovada a origem do depósito bancário, não há que se falar em autuação com fundamento no art. 42 da Lei no 9.430, de 1996. Recurso Especial do Procurador Negado. Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Em relação aos demais valores, não foi feita essa prova por parte do Recorrente, desta maneira entendo que não há como acolher os argumentos apresentados no recurso voluntário. MULTA DE OFÍCIO – CONFISCO Em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos Incabível se falar em confisco no âmbito das multas pecuniárias. O princípio constitucional do nãoconfisco se aplica, apenas, aos tributos. Assim, por tudo o que dos autos consta, conheço do recurso, rejeito a preliminar de nulidade suscitada e no mérito voto por dar provimento parcial ao recurso do contribuinte para excluir da base de cálculo o valor de R$ 738.977,52 relativo ao ano calendário de 2003 e R$ 173.813,44 relativo ao anocalendário de 2004. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 13896.002328/2010-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU- AUSÊNCIA DE RAZÃO JURÍDICA PARA NULIDADE
Diferentemente do alegado pela defesa, a decisão recorrida não inovou o critério jurídico do lançamento ao se calcar na atribuição de responsabilidade por sucessão de fato, pois este também foi um dos fundamentos adotados pela autoridade fiscal.
DECADÊNCIA - FRAUDE
Uma vez caracterizada fraude pela autoridade fiscal, acusação contra a qual a defesa nem sequer se insurge, deve ser aferida a decadência pelo prazo fixado no art. 173, inciso I, do CTN.
MULTA - SUCESSÃO
Deve ser mantida a multa punitiva, no presente feito, não só pela sucessão de dívida patrimonial, mas sobretudo por ter o responsável tributário contribuído para a realização do ilícito.
Numero da decisão: 1401-002.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a Conselheira Livia De Carli Germano. Declarou-se impedida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU AUSÊNCIA DE RAZÃO JURÍDICA PARA NULIDADE Diferentemente do alegado pela defesa, a decisão recorrida não inovou o critério jurídico do lançamento ao se calcar na atribuição de responsabilidade por sucessão de fato, pois este também foi um dos fundamentos adotados pela autoridade fiscal. DECADÊNCIA FRAUDE Uma vez caracterizada fraude pela autoridade fiscal, acusação contra a qual a defesa nem sequer se insurge, deve ser aferida a decadência pelo prazo fixado no art. 173, inciso I, do CTN. MULTA SUCESSÃO Deve ser mantida a multa punitiva, no presente feito, não só pela sucessão de dívida patrimonial, mas sobretudo por ter o responsável tributário contribuído para a realização do ilícito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a Conselheira Livia De Carli Germano. Declarouse impedida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 23 28 /2 01 0- 55 Fl. 5410DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Em relação às peças iniciais de acusação e defesa, faço uso do relatório elaborado pela autoridade julgadora de primeiro grau: Tratase dos autos de infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, cientificados à impugnante em 20 de outubro de 2010, conforme documento de fl. 385, no valor total de R$ 10.561.522,45, devido às irregularidades assim descritas nos autos de infração: Auto de Infração do IRPJ, fls. 349/352: “Razão do arbitramento nos períodos: 03/2005 06/2005 09/2005 12/2005 Arbitramento do lucro que se faz, tendo em vista que o contribuinte, notificado a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, conforme Termo de Constatação de Intimação Fiscal, deixou de apresentálos. Enquadramento Legal: A partir de 01/04/1999 Art. 530, Inciso III, do RIR/99. 001 – Receita Operacional Omitida (Atividade Não Imobiliária) Prestação de Serviços Gerais Omissão de receitas de prestação de serviços: 1) comprovados por meio de notas fiscais emitidas pela fiscalizada e apresentadas pelas empresas tomadoras de serviços, cujos pagamentos foram identificados nos extratos bancários; 2) Valores informados em DIRF pelas empresas tomadoras de serviços cujos pagamentos foram identificados nos extratos bancários. [Demonstrativos com fatos geradores trimestrais, em 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005 e 31/12/2005] Fl. 5411DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 606 3 Enquadramento legal: Art. 530, Inciso III, do RIR/99. 002 – Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada Depósitos bancários de origem não comprovada, que deverão ser considerados omissão de receitas para fins de apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e o reflexo da Contribuição Social s/Lucro Líquido, conforme os valores apurados e demonstrados em planilhas anexas ao Termo de Verificação e Encerramento de Fiscalização. [Demonstrativos com fatos geradores trimestrais, em 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005 e 31/12/2005] Enquadramento legal: Arts. 27, inciso I, e 42, da Lei n.º 9.430/96; Arts. 530, inciso III, do RIR/99. (...).” Auto de Infração da CSLL, fls. 356/360: “001. CSLL – Prestadora de Serviços. Falta de Recolhimento da CSLL. Omissão de receitas de prestação de serviços: 1) Comprovadas por meio de notas fiscais emitidas pela fiscalizada e apresentadas pelas empresas tomadoras de serviços, cujos pagamentos foram identificados nos extratos bancários; 2) Valores informados em DIRF pelas empresas tomadoras de serviços, cujos pagamentos foram identificados nos extratos bancários. [Demonstrativo com fatos geradores trimestrais, de 31/03/2005 a 31/12/2005] Falta de Recolhimento da CSLL Depósitos bancários de origens não comprovadas, que deverão ser consideradas omissão de receitas para fins de apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e o reflexo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, conforme os valores apurados e demonstrados em planilhas anexas ao Termo de Verificação e encerramento da Fiscalização. [Demonstrativo com fatos geradores trimestrais, de 31/03/2005 a 31/12/2005] Enquadramento legal: Art. 22, da Lei n.º 10.684/03 e art. 37, da Lei n.º 10.637/2002.” 2. A autoridade fiscal elaborou o Termo de Verificação Fiscal e Encerramento da Fiscalização, fls. 329/344, que se transcreve: Em cumprimento ao determinado no MPF em epígrafe, iniciamos a ação fiscal relativa ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica do anocalendário 2005, exercício 2006, junto ao contribuinte acima identificado, tendo em vista que o mesmo, embora apresentasse uma movimentação financeira expressiva no anocalendário 2005, apresentou a Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, onde informa as receitas auferidas no período zeradas. Fl. 5412DF CARF MF 4 Iniciamos o procedimento fiscal em 09/05/2008, diligenciando no domicílio fiscal do contribuinte na Av. Andrômeda, 2000, e a empresa não foi localizada, obtendose a informação de que a "empresa mudouse para Alameda Tocantins, 125.” Em seguida, comparecemos no referido endereço e na recepção da portaria, fomos informados que no local não se encontra nenhuma empresa com a razão social mencionada. Deuse o prosseguimento à ação fiscal, com as providências devidas e aplicáveis na situação de empresa não localizada, conforme a seguir descritos: 1) Em 12/05/08, lavramos o Termo de Constatação Fiscal, para o registro dos fatos que constatamos em relação à localização da empresa e deuse ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal ao sujeito passivo, por Edital de Intimação SEFIS/DRF/BRE, n° 35, de 12/05/08; 2) Em 26/05/08, através de Ofício DRF/BR/SEFIS n° 008/2008, solicitouse à Junta Comercial do Estado de São Paulo, as cópias do contrato social, com as alterações posteriores e o breve relato da empresa, que foi atendida em 01/08/2008; 3) Ciência dos Termos de Constatação e de Intimação Fiscal, lavrados em 17/07/09 e 14/05/2010, por meio dos Editais SEFIS n° 54 de 17/07/09 e n° 32 de 14/05/2010. NOTA: Considerando que a fiscalizada não se encontra no endereço constante no cadastro da RFB foi elaborada Representação Fiscal com proposta de Inaptidão do CNPJ, protocolizada sob n° 13896.001808/201007. Em face da não localização da empresa, os sócios atuais do sujeito passivo, ANDRÉ LUIS MOLINA, CPF n° 388.445.76830 e EDNA APARECIDA SERVIDONE, CPF n° 080.276.74433, admitidos na sociedade em 02/01/2008, conforme registro na JUCESP 013.810/080, foram intimados para comparecerem à Repartição, inicialmente no endereço informado no cadastro CPF, e por não terem sido localizados, enviouse a correspondência nos endereços informados no documento da JUCESP. Entretanto, também não foram localizados, dandose ciência do procedimento fiscal pelo Edital, conforme a seguir descrevemos: ANDRE LUIS MOLINA a) Correspondência enviada em 14/05/2008, à Rua Diana, 359, Apto. 05, Perdizes/SP, domicilio constante no cadastro CPF. Devolvida com informação do agente postal "ausente" b) Em 06/05/2009 foi reencaminhada à Rua Mazzini, 447 Cambuci/SP, domicílio fiscal constante no documento da JUCESP, também devolvido com informação do agente postal "ausente". c) Ciência no Termo de Intimação Fiscal pelo Edital SEFIS n° 96 de 28/10/2009. EDNA APARECIDA SERVIDONE a) Correspondência enviada em 14/05/2008, à Rua João Dias Martins, 110 apto. 301, Boa Viagem/RecifePE, domicílio fiscal constante no cadastro CPF. Devolvida com indicação "desconhecida"; b) Em 06/05/2009 foi reencaminhada à Rua Madre Eugénie Villien, n° 32, Pedreira/SP, endereço constante no documento da JUCESP. Devolvida com a informação do agente postal "número inexistente"; c) Em 12/11/2009 foi reencaminhada à Rua Muritinga, 480, apto. 94, Vila Floresta em Santo André/SP, endereço informado na DIRPF/06. Devolvida contendo as informações do agente postal: "desconhecido, informação do porteiro/síndico". Fl. 5413DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 607 5 d) Ciência no Termo de Intimação Fiscal pelo Edital SEFIS n° 95 de 28/10/2009. Cumpre salientar que em sessão de 31/01/2008, JUCESP 026.129/085, o endereço da sede da fiscalizada foi alterado passando da Av.Andrômeda 2000, bloco 10, Alphaville Barueri para Rua Mazzini, 447 fundos, Cambuci São Paulo, que por sinal é o mesmo endereço do sócio André Luis Molina. DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DILIGÊNCIA Considerando que tanto a empresa quanto os seus sócios não foram localizados por esta fiscalização, tendo os mesmos sido intimados via Editais, e considerando a ausência de apresentação de documentos que comprovassem as receitas de atividade da empresa, utilizamos as informações contidas no sistema DIRF para reunir os elementos comprobatórios, solicitandose às declarantes identificadas nas DIRF's, mediante Mandado de Procedimento Fiscal Diligência, dentre outros documentos, cópias de Notas Fiscais emitidas pelo sujeito passivo e da mesma forma às Instituições Financeiras, as informações das movimentações financeiras através de Requisição de Movimentação Financeira RMF. Atendendo o Termo de Intimação Fiscal, as empresas diligenciadas enviaram as cópias de notas fiscais de serviços prestados emitidas pela fiscalizada com os respectivos comprovantes de pagamentos, a contabilização desses pagamentos e o contrato firmado para prestação de serviços. PROBANK S/A MPF 185/08 a) Apresentou, em 18/06/2008, cópias das Notas Fiscais de Serviços Prestados; b) Comprovante de pagamentos das notas fiscais c) Escrituração contábil d) Contratos constituídos de proposta para Prestação de Serviços, firmado em 05/09/2005 e Aviso de Cancelamento de Prestação de Serviços, de 04/01/2006. C & A MODAS LTDA. MPF 186/08 a) Apresentou, em 25/06/08, cópias das Notas Fiscais de Serviços Prestados; b) Comprovação de pagamentos das notas fiscais e c) Escrituração contábil. EMPRESA PAULISTA DE PLANEJAMENTO METROPOLITANO S/A MPF 187/08 a) Apresentou, em 12/06/08, cópias das notas fiscais de serviços prestados; b) Comprovação de pagamentos das notas fiscais; c) Comprovantes de rendimentos pagos e de tributos e contribuições retidos e, d) Contrato de prestação de serviços, lavrado em 01/06/05. JANSSENCILAG FARMACÊUTICA LTDA. MPF 188/08 Tomou ciência, em 04/06/08, do Termo de Intimação Fiscal Diligência, no entanto não apresentou os elementos solicitados. Fl. 5414DF CARF MF 6 PRIMESYS SOLUÇÕES EMPRESARIAIS S/A MPF 189/2008 a) Apresentou em 08/07/08 cópias das notas fiscais de serviços prestados; b) Comprovantes de pagamentos e c) Demonstrativos individualizados das retenções do IRRF e das contribuições ao PIS, COFINS e CSLL d) Termo de cessão de Contrato, datado de 09/01/2006, onde a ZERA cede e transfere onerosamente todos os direitos e obrigações decorrentes do contrato de prestação de serviços para a PROBANK S/A CNPJ 42.778.183/000382. CRC CONSULTORIA E ADMINISTRAÇÃO EM SAÚDE LTDA. MPF 190/08 Não atendeu o Termo de Intimação Fiscal. UNIDOCK'S ASSESSORIA E LOGÍSTICAS DE MATERIAIS LTDA. MPF 191/08 a) Apresentou em 03/07/08 relação de notas fiscais emitidas com as respectivas cópias das Notas Fiscais de Prestação de Serviços; b) Cópias do contrato de prestação de serviços firmado em 01/12/2003 e c) Escrituração contábil dos documentos. NexoCS INFORMÁTICA LTDA. MPF 192/08 a) Apresentou em 19/06/08 cópias das notas fiscais de serviços prestados; b) Comprovante de pagamento das notas fiscais; c) Escrituração contábil dos documentos e, d) Instrumento particular de cessão de Direitos e Obrigações, datado de 07/02/2006, onde a ZERA cede e transfere onerosamente todos os direitos e obrigações decorrentes do contrato de prestação de serviços para a PROBANK S/A CNPJ 42.778.183/000382. ACCENTURE DO BRASIL LTDA. MPF 193/08 Apresentou parcialmente cópia das Notas Fiscais de Prestação de Serviços, numeradas de 2972 a 3625, e esclarecendo verbalmente a não localização das demais notas, enviou via email, relação de notas fiscais. BANCO ITAUBANK S/A MPF 194/08 a) Apresentou em 23/06/08 cópias das notas fiscais, e em 29/07/08 apresentou as notas faltantes; b) Cópia do contrato de serviço firmado em 24/05/04 e, c) Relação contendo as informações das notas fiscais, com as deduções do IRRF e das contribuições. SOTREQ S/AMPF 195/08 a) Apresentou em 18/06/08 cópias das notas fiscais; b) Demonstrativo de valores que constaram informados na DIRF; c) Escrituração contábil e, d) Contrato de prestação de serviços, firmado em 01/07/05. Fl. 5415DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 608 7 ARTHUR LUNDGREN TECIDOS S/A CASAS PERNAMBUCANAS MPF 196/08 a) Apresentou em 14/08/08 cópias das notas fiscais de serviços; b) Comprovantes de pagamentos das notas fiscais; c) Escrituração contábil e, d) Contrato de prestação de serviços firmado em 16/08/04. MARISA LOJAS VAREJISTAS LTDA. MPF 197/08 a) Apresentou em 20/06/08 cópias das notas fiscais de prestação de serviços; b) Comprovantes de depósitos efetuados na c/c bancária da ZERA; c) Contrato firmado em 07/02/2006 entre Marisa lojas varejistas e PROBANK S/A CNPJ 42.778.183/000382 e; d) Escrituração contábil. HEWLETTPACKARD BRASIL LTDA. MPF 198/08 a) Apresentou em 20/06/2008 as cópias das notas fiscais de serviços prestados; b) Comprovantes de pagamentos das notas fiscais; c) Notas de débitos das despesas reembolsadas com os respectivos comprovantes de pagamentos; d) Contrato de prestação de serviços e, e) Escrituração contábil. SSA GLOBAL TECHNOLOGIES DO BRASIL LTDA. MPF 199/08 Apresentou cópias das notas fiscais com os respectivos comprovantes de pagamentos. FIDELITY PARTICIPAÇÕES E SERVIÇOS LTDA. MPF 200/2008 Apresentou em 07/05/09 os documentos que foram relacionados nos Anexos de I a IV, ou seja: Anexo I serviços que foram executados pela ZERA, com a discriminação das notas fiscais com os respectivos valores, bem como as deduções dos tributos; Anexo II contrato de prestação de serviços firmado em 27/05/05; Anexo III escrituração contábil e no Anexo IV comprovação dos pagamentos. IBI PROMOTORA DE VENDAS LTDA. MPF 201/2008 a) Apresentou em 16/06/09 as cópias das notas fiscais de serviços prestados e, b) Comprovantes de pagamentos de que foram creditados à ZERA no Banco Real S/A. DUAS RODAS INDUSTRIAL LTDA. MPF 202/2008 a) Apresentou em 13/06/08 as cópias das notas fiscais de serviços prestados; b) Comprovante de pagamentos/depósitos efetuados através de boleto Itaú; c) Escrituração contábil no Livro Razão e Fl. 5416DF CARF MF 8 d) Contrato de prestação de serviços n° CT IT 0005 01 2004, firmado em 05/01/04, e o Termo de Rescisão Contratual, lavrado em 05/10/06. RHMED CONSULTORES ASSOCIADOS LTDA. MPF 203/08 a) Apresentou em 18/06/08 cópias das notas fiscais de serviços prestados; b) Relação de pagamentos efetuados no período; c) Cópia do contrato de prestação de serviços e, d) Escrituração contábil. POLITEC TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO S/A MPF 204/2008 a) Apresentou em 25/06/08 cópias de notas fiscais de janeiro a maio de 2005; b) Comprovantes de valores líquidos que foram depositados na conta corrente bancária da ZERA e, c) Escrituração contábil. EXCIM IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO S/A MPF 205/08 Empresa não localizada. AES COMMUNICATIONS RIO DE JANEIRO S/A MPF 206/08 a) Apresentou em 17/06/2008 cópias das notas fiscais b) Comprovantes de pagamentos c) Contrato social d) Escrituração contábil e) Contrato celebrado entre AES Communications e PROBANK Software e Consultoria S/A, datado de 01/08/2006. ; ZENITH QUALITY SOLUTIONS COMÉRCIO LTDA. MPF 207/08 Tomou ciência no Termo de Intimação Fiscal Diligência em 04/06/08 e não apresentou os elementos solicitados. XEROX COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. MPF 208/08 a) Apresentou em 28/06/08 as cópias das notas fiscais de serviços prestados; b) Relacionou em planilha os valores pagos no período (mencionou o n° da NF nos casos de documentos não localizados); c) Contrato de prestação de serviços firmado em 27/07/05; d) Termo Aditivo n° 02 de 30/05/06 ao contrato de prestação de serviços OPERADOR NACIONAL DO SISTEMA ELÉTRICO ONS MPF 209/08 a) Apresentou em 02/07/2008 as cópias das notas fiscais de serviços prestados; b) Relatório contendo os valores que compõem a DIRF/06; c) Comprovantes de pagamentos das notas fiscais; d) Escrituração contábil (livro razão e livro diário) e, e) Cópias dos contratos firmados com a ZERA. Fl. 5417DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 609 9 OPEN CONCEPT SERVIÇOS LTDA. MPF 210/08 Tomou ciência no Termo de Intimação Fiscal diligência em 04/06/08 e não apresentou os elementos solicitados. EPS OUTSOURCING CONSULTORIA LTDA. MPF 211/08 Correspondência devolvida, por não ter sido localizada a empresa. CONNECTMEDCRC CONS., ADMIN. E TECNOL EM SAÚDE LTDA. MPF 212/08 Tomou ciência no Termo de Intimação Fiscal Diligência em 05/06/08 e em 24/04/09 no Termo de Reintimação Fiscal e não apresentou os elementos solicitados. CREDI 21 PARTICIPAÇÕES LTDA. MPF 213/08 a) Apresentou em 23/06/2008 as notas fiscais de serviços prestados; b) Comprovantes de pagamentos de serviços prestados; c) lnstrumento particular de cessão de Direitos e Obrigações, datado de 07/02/2006, onde a ZERA cede e transfere onerosamente todos os direitos e obrigações decorrentes do contrato de prestação de serviços para a PROBANK, CNPJ 42.778.183/000382; e) Escrituração contábil. BANCO IBI S/A MFP n° 214/2008 a) Apresentou em 16/06/09 as cópias das notas fiscais de serviços prestados; b) Comprovantes de pagamentos efetuados mediante crédito na conta corrente do Banco Real e, c) Demonstrativo de valores que foram informados na DIRF, com os valores das deduções do IRRF e das contribuições ao PIS, COFINS e CSLL. C FISCHER S/C LTDA. MPF 215/08 Correspondência devolvida com a indicação do agente postal, mudouse. C & R CONSULTORIA EM TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO LTDA. MPF 216/2008 a)Contrato de prestação de serviços n° CT IT 0009 02 2004, Anexos 001 e 002, firmado em 10/09/2004; b) cópias das notas fiscais de serviços prestados com os respectivos depósitos bancários. MAGECORP SERVIÇOS DE INFORMÁTICA LTDA. MPF 217/08 Apresentou cópias de notas fiscais de serviços de sua emissão, figurando a ZERA como destinatário dos "Serviços de Consultoria e desenvolvimento de projetos". A & L INFORMÁTICA COMERCIO E SERVIÇOS LTDA. ME MPF 218/08 Correspondência devolvida com a indicação do agente postal, mudouse. PETROFLEX INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A MPF 219/2008 a) Apresentou em 15/07/08 as cópias das notas fiscais de serviços prestados; b) Comprovantes de pagamentos e, Fl. 5418DF CARF MF 10 c) Contrato de Prestação de Serviços. ROCHE DIAGNOSTICA BRASIL LTDA. MPF 220/08 Em 27/06/08, apresentou a cópia da nota fiscal de serviços, n° 3294, comprovante de pagamento, contrato de prestação de serviços e escrituração contábil. PRODUTOS ROCHE QUÍMICOS E FARMACÊUTICOS S/A MPF 221/08 a) Apresentou em 16/06/08 cópias das notas fiscais de prestação de serviços; b) Comprovantes de pagamentos; c) Contrato de prestação de serviços e, d) Escrituração contábil. LOJAS AMERICANAS S/A MPF 222/2008 a) Apresentou em 19/06/08 cópias das notas fiscais de prestação de serviços; b) Comprovantes de pagamentos; c) Contrato firmado em 01/06/2000. DA REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA RMF A empresa não foi localizada no endereço constante no cadastro da RFB, tendo sido feita a Representação Fiscal para Inaptidão do CNPJ IRPJ, protocolizada sob n° 13896.001808/201007. Apesar de intimada e reintimada, via afixação de Editais na dependência desta DRF/BRE, a fiscalizada não atendeu às intimações, inclusive para apresentação de Livros Diário, Razão, extratos de contas bancárias e de aplicações financeira. A fiscalizada embora apresentasse uma movimentação financeira expressiva no anocalendário 2005, apresentou a Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, com o campo referente às informações das receitas auferidas no período "ZERADAS". Desta forma, ficou configurada a hipótese prevista no art. 33, I da Lei 9.430/96, justificandose a emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira RMF, conforme previsto no art. 6º da Lei Complementar 105/2001. "Art. 33. A Secretaria da Receita Federai pode determinar regime especial para cumprimento de obrigações, pelo sujeito passivo, nas seguintes hipóteses: I embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxílio da força pública, nos termos do art.200 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1996;..." Relacionamos abaixo, as Instituições Financeiras que em atendimento à Requisição de Movimentação Financeira, forneceram as documentações solicitadas, tais como: arquivo do extrato bancário na forma de mídia eletrônica, extratos bancários em papel, fichas de aberturas de contas com cartão de assinaturas e instrumento de procuração outorgando poderes a terceiros e cópias dos cheques emitidos, superior a R$ 5.000,00. Fl. 5419DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 610 11 BANCO ITAUBANK (BANKBOSTON) S/A RMF n° 42/08 BANCO DO BRASIL S/A RMF n° 43/08 BANCO REAL S/A RMF n° 44/08 BANCO RURAL S/A RMF n° 45/08 BANCO UNIBANCO S/A RMF n° 46/08 BANCO ITAÚ S/A RMF n° 47/08 BANCO BRADESCO S/A RMF n° 48/08 BANCO BANESPA (SANTANDER) RMF n° 49/08 BANCO SUDAMERIS S/A RMF n° 50/08 BANCO PINE S/A RMF n° 51/08 BANCO ABC BRASIL S/A RMF n° 52/08. Na apuração dos depósitos bancários de origens não comprovados, os créditos bancários correspondentes aos recebimentos das notas fiscais e demais valores que correspondem às receitas operacionais da empresa, que foram possíveis de identificação, as transferências de valores de mesma titularidade foram excluídos, sendo os valores remanescentes considerados omissão de receita, ou seja, depósito bancário de origem não comprovado, conforme demonstrados em planilhas. DAS IRREGULARIDADES APURADAS NO SUJEITO PASSIVO Conforme já mencionado anteriormente, a empresa não foi localizada no endereço constante no cadastro da RFB, razão pela qual a ciência do início da ação fiscal e de todos os termos de intimação fiscal foram feitos por meio de editais afixados na dependência desta Delegacia. Desta forma, considerando a ausência de apresentação de documentos que comprovassem as receitas de atividade da empresa, utilizamos as informações contidas no sistema DIRF para reunir os elementos comprobatórios, solicitandose às declarantes identificadas nas DIRF's, dentre outros documentos, cópias de Notas Fiscais emitidas pelo sujeito passivo e da mesma forma às Instituições Financeiras, as informações das movimentações financeiras através de Requisição de Movimentação Financeira RMF. Nos casos em que não obtivemos as cópias das Notas Fiscais solicitadas, quer seja pelo não atendimento das empresas diligenciadas ou pelas mesmas não terem sido localizadas, a falta dessas notas fiscais para obtenção das receitas omitidas foi solucionada, confrontandose os valores constantes na DIRF com os valores que comprovaram esses recebimentos, mediante créditos nas contas correntes, constantes nos extratos bancários. Elaboramos planilhas (ANEXO I) individualizadas para os valores cujas cópias das notas fiscais foram enviadas pelas empresas diligenciadas, onde constam o n° das notas fiscais, a data da emissão dessas notas, o valor bruto, a data do crédito na c/c bancária, o valor líquido creditado, as incidências sofridas do Imposto de Renda Retido na Fonte, PIS, COFINS e CSLL, e a identificação do banco. Os valores das notas fiscais foram confrontados com as DIRF's e respectivos valores líquidos creditados nas contas bancárias. Apuramos as seguintes irregularidades: > Omissão de receitas de atividades operacionais apuradas a partir das informações obtidas junto aos clientes tomadores dos serviços; > Omissões de receitas decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada; > Falta de recolhimento dos tributos retidos das empresas prestadoras de serviços a) Planilha identificando as omissões de receitas apuradas por esta fiscalização: Fl. 5420DF CARF MF 12 Período de OMISSÃO OMISSÃO DEPOSITO Apuração C/NF (1) DIRF (2) BANCÁRIO (3) TOTAL JAN 1.094.981,60 42.967,74 327.289,10 1.465.238,44 FEV 1.610.873,54 39.741,94 372.656,39 2.023.271,87 MAR 1.077.601,26 104.955,15 392.527,82 1.575.084,23 1º TRIM. 3.783.456,40 187.664,83 1.092.473,31 5.063.594,54 ABR 1.423.075,12 89.561,93 455.455,51 1.968.092,56 MAI 1.242.127,94 73.379,38 454.006,66 1.769.513,98 JUN 1.469.283,97 65.054,71 651.762,62 2.186.101,30 2º TRIM. 4.134.487,03 227.996,02 1.561.224,79 5.923.707,84 JUL 1.213.701,47 105.988,12 684.106,64 2.003.796,23 AGO 1.520.372,39 106.367,11 1.133.579,89 2.760.319,39 SET 1.248.432,74 92.120,33 931.694,52 2.272.247,59 3 º TRIM. 3.982.506,60 304.475,56 2.749.381,05 7.036.363,21 OUT 1.420.334,98 55.980,16 1.134.355,25 2.610.670,39 NOV 1.545.609,96 80.921,66 1.054.621,48 2.681.153,10 DEZ 1.330.616,68 40.365,16 1.041.841,48 2.412.823,32 4º TRIM 4.296.561,62 177.266,98 3.230.818,21 7.704.646,81 (1) Valores comprovados por meio de Notas Fiscais emitidas pela fiscalizada e apresentadas pelas empresas tomadoras dos serviços e cujos pagamentos foram identificados nos extratos bancários. (2) Valores informados em DIRF pelas empresas tomadoras dos serviços que não apresentaram as Notas Fiscais emitidas pela fiscalizada mas cujos pagamentos foram identificados nos extratos bancários. (3) Remanescentes dos extratos bancários referentes aos créditos em conta corrente não comprovados. b) TRIBUTOS RETIDOS E NÃO RECOLHIDOS: Período BASE DE BASE DE IRRF PIS COFINS CSLL de CÁLCULO CÁLCULO Apuração IRRF PIS/COFINS JAN 858.840,83 712.359,77 12.882,61 4.630,34 21.370,79 7.123,60 FEV 755.543,71 613.897,24 11.333,16 3.990,33 18.416,92 6.138,97 MAR 731.021,01 566.517,48 10.965,32 3.682,36 16.995,52 5.665,17 ABR 874.741,07 738.307,45 13.121,12 4.799,00 22.149,22 7.383,07 MAI 843.390,07 695.205,21 12.650,85 4.492,83 20.736,16 6.912,05 JUN 928.328,32 758.535,84 13.924,92 4.930,48 22.756,08 7.585,36 JUL 917.589,07 751.006,44 13.763,84 4.881,54 22.530,19 7.510,06 AGO 773.151,30 618.343,66 11.597,27 4.019,23 18.550,31 6.183,44 SET 903.604,09 738.398,36 13.554,06 4.799,59 22.151,95 7.383,98 OUT 806.130,41 669.573,38 12.091,96 4.352,23 20.087,20 6.695,73 NOV 27.907,60 13.907,60 418,61 90,40 417,23 139,08 DEZ 19.268,35 15.674,60 289,03 101,88 470,24 156,75 DO ARBITRAMENTO DO LUCRO Conforme já informado acima, a empresa não foi localizada no endereço constante no cadastro da RFB, razão pela qual a ciência do início da ação fiscal e de todos os termos de intimação/reintimação fiscal solicitando esclarecimentos, Livros Diário, Razão, extratos de contas bancárias e de aplicações financeiras foram feitos por meio de editais afixados na Fl. 5421DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 611 13 dependência desta Delegacia, porém a fiscalizada não atendeu às nossas intimações. Considerando que a fiscalizada não foi localizada no endereço constante no cadastro da RFB foi elaborada Representação Fiscal com proposta de Inaptidão do CNPJ, protocolizada sob n° 13896.001808/201007. O fiscalizado apresentou DIPJ pelo Lucro Real com todos os campos zerados, para o período fiscalizado. Diante do exposto, o Imposto de Renda de Pessoa Jurídica foi calculado sobre o lucro arbitrado, conforme disposto no inciso III do artigo 530 do Regulamento do Imposto de Renda. "Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei na 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n.º 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...)" O Imposto de Renda Pessoa Jurídica foi determinado mediante a utilização do percentual de 38,4,% sobre a receita bruta apurada, de acordo com o disposto no art. 532 do Regulamento do Imposto de Renda: "Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, §11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei n° 9.249, de 1995, art. 16, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). Art. 519. Para efeitos do disposto no artigo anterior, considerase receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, § 1º): III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;(...)" Do exposto, resultaram na constituição dos créditos tributários de: a) Imposto de Renda Pessoa Jurídica, efetuando a compensação do Imposto de Renda Retida na Fonte (IRRF/1708), incidente sobre as notas fiscais emitidas pelo sujeito passivo (ANEXO II); b) o reflexo da Contribuição Social s/ Lucro Líquido, apuradas sobre a mesma base de cálculo do IRPJ, compensandose as CSLL destacadas e incidentes nas notas fiscais emitidas pela fiscalizada (ANEXO II) e Auto de Infração da CSLL, retida e não recolhida, conforme demonstrado no ANEXO V; c) COFINS, apuradas sobre a mesma base utilizada para a apuração do IRPJ, compensado os valores das retenções incidentes sobre as notas fiscais emitidas pela fiscalizada (ANEXO II), e ainda, os valores da COFINS retidas e não recolhidas, incidentes sobre as notas fiscais emitidas pelas empresas contratadas para prestação de serviços (ANEXO V); Fl. 5422DF CARF MF 14 d) Contribuição social s/ PIS, apuradas sobre a mesma base de cálculo do IRPJ, compensando as contribuições do PIS incidentes sobre as notas fiscais emitidas pela fiscalizada (ANEXO II), e ainda, as contribuições ao PIS, retidas e não recolhidas, incidentes sobre as notas fiscais emitidas pelas empresas contratadas" para prestação de serviços (ANEXO V), e, e) os valores do Imposto de Renda Retido na Fonte, retidos e não Recolhidos, incidentes sobre as notas fiscais emitidas pelas empresas contratadas para prestação de serviços (ANEXO V). Da multa agravada Conforme já mencionado anteriormente, a empresa não foi localizada no endereço constante no cadastro da RFB, razão pela qual a ciência do início da ação fiscal e de todos os termos de intimação/reintimação fiscal solicitando esclarecimentos e a apresentação de Livros Diário, Razão, extratos de contas bancárias e de aplicações financeiras foram feitos por meio de editais afixados na dependência desta Delegacia, porém a fiscalizada não atendeu às nossas intimações. Em face do exposto, a multa referente à omissão de receitas foi agravada pela falta de atendimento às intimações, previsto no artigo 959 do RIR/99 (Decreto n° 3.000/99) e artigo 44 da Lei 9.430/96. Da multa qualificada Aos valores submetidos à tributação por esta fiscalização, referentes à omissão de receitas foi aplicada multa qualificada, por ter o contribuinte praticado atos que se enquadram nos artigos 71 e 72 da Lei 4.502/64, incorrendo na hipótese prevista no § 1º do artigo 44 da Lei 9.430/96 (com redação dada pela Lei 11.488/07). A ação/omissão dolosa está caracterizada em diversas condutas, como: > A empresa não foi localizada no endereço constante no cadastro da RFB, tendo sido elaborada Representação Fiscal com proposta de Inaptidão do CNPJ, protocolizada sob n° 13896.001808/201007. > Da análise dos documentos apresentados pelas empresas diligenciadas e pesquisas efetuadas por esta fiscalização, apurouse que o sujeito passivo utilizouse de procedimento fraudulento para eximirse do pagamento dos impostos e contribuições incidentes sobre as suas operações. > O procedimento consistiu na transferência dos contratos mantidos com os seus clientes para a PROBANK S/A, CNPJ 42.778.183/000382 que posteriormente os transferiu para a empresa PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000128, esvaziando assim a carteira de clientes da ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA, CNPJ 05.459.401/000128. > Ocorre que, o Sr. MILTON SERGIO CONCA, CPF 058.050.87812, RG 12.130.487, foi sócio administrador da ZERA Integradora de Soluções de Informática Ltda, CNPJ 05.459.401/000128, desde o início da atividade da empresa em 06/09/2002 até 02/01/2008 e no período de 20/04/2006 a 29/10/2008 também ocupou o cargo de Diretor Técnico, assinando pela empresa PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000128. > Embora tenha alterado o contrato social, o cadastro do CNPJ incluindo como sócios responsáveis ANDRÉ LUIS MOLINA e EDNA APARECIDA SERVIDONE a partir de janeiro de 2008, todas as irregularidades apuradas no sujeito passivo foram praticados no período em que constava como sócio administrador, o Sr. MILTON SÉRGIO CONCA. Fl. 5423DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 612 15 > Observamos que os sócios admitidos são pessoas desprovidas de capacidade econômica e financeira, com indício de interpostas pessoas, conforme abaixo descrito: EDNA APARECIDA SERVIDONE: > cadastrada no CPF em 2006; > consulta no site do TSE, o n° do título de eleitor inexistente; > não localizada nos 3 (três) domicílio fiscal (cadastro CPF, JUCESP e DIRPF). ANDRÉ LUIS MOLINA: > cadastrado no CPF em 2006; > não existe declaração de ajuste do Imposto de Renda Pessoa Física; > não localizado nos 2 (dois) domicílios fiscais (cadastro CPF e JUCESP). > Na mesma alteração contratual em que os sócios foram substituídos, comunicouse também a alteração de endereço do sujeito passivo para a Rua Mazzini, 447 fundos Cambuci/SP que coincidentemente é o mesmo endereço do sócio André Luis Molina Rua Mazzini 447 Cambuci/SP; > Apresentação de DIPJ com informação de que não auferiu receitas de atividades (DIPJ ZERADAS) e DCTFs com valores incorretos das retenções na fonte; > Impediu a cobrança dos impostos e contribuições sociais inclusive os valores retidos das empresas contratadas, prestadoras de serviços, uma vez que as DCTF transmitidas, ainda que contivessem valores incorretos, foram RETIFICADAS mediante a apresentação de DCTF retificadora, ZERANDO as informações anteriormente prestadas; > Os valores retidos de Imposto de Renda Retido na Fonte (código 1708), bem como das Contribuições Sociais de PIS, COFINS e CSLL retidos sobre os pagamentos efetuados à prestadores de serviços, não foram recolhidos aos cofres da União. Do acordo de participação entre ZERA e PROBANK Abaixo transcrevemos o informe publicitário, juntado às fls. , acerca da união entre a ZERA e a PROBANK: "PROBANK e ZERA anunciam união em software e consultoria. Nova companhia prevê faturar R$ 75 milhões até 2007 Belo Horizonte, 23 de dezembro de 2005. A PROBANK S.A e a ZERA Integradora de Soluções de Informática Ltda. anunciam que concluíram um acordo de participação que unirá as áreas de consultoria e fábrica de software das duas empresas, formando uma nova companhia, denominada PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A . O acordo contou com a assessoria do escritório de advocacia BARBOSA MÜSSNICH & ARAGÃO ADVOGADOS, representado pelo seu sócio ALEXANDRE COUTO SILVA. A união entre a PROBANK e a ZERA cria uma das maiores e mais diversificada empresa de software e consultoria do Brasil. A PROBANK Software prevê faturar R$ 75 milhões até 2007. "O acordo de participação permitirá que as duas empresas ampliem seu portifólio de serviços e soluções e compartilhem mercados e clientes", explica o diretor da ZERA, Milton Conca. Gilberto de Freitas, diretor da PROBANK Software, destaca a forma pela qual foi estruturada a transação: "encontramos uma modelagem de negócio Fl. 5424DF CARF MF 16 inovadora, que trará ganhos de sinergia, preservando a identidade das duas empresas e a independência das outras linhas de negócio. Como não se trata de fusão ou aquisição, mas de um acordo de participação para atuação conjunta apenas nas áreas de consultoria e fábrica de software, a integração será muito mais rápida e eficiente." Fazem parte da administração da nova companhia executivos e membros de Conselho de ambas as organizações. Pela PROBANK S/A, foram indicados Paulo Martins, como Presidente; Gilberto Freitas, como diretor financeiro, e Ronald Valladão, como diretor comercial para governo. Da ZERA Integradora foram nomeados Milton Conca, como diretor técnico, e João Ângelo Rodrigues, como diretor comercial corporativo. Nesta semana, as empresas começarão a executar a integração das operações, redes e atendimento para assegurar uma transição suave e com geração de valor imediato para clientes, parceiros e investidores. Como parte dessa integração inicial, PROBANK e ZERA anunciam as linhas de negócios que serão exploradas pela nova companhia. A PROBANK Software passará a comercializar as aplicações de negócios desenvolvidas pela ZERA: o G PM Gestão de Processos e Materiais, estilizado para planejamento e controle de produção, integrando os subsistemas WMS, MÊS e APS ao sistema ERP; e o VPLoad, aplicativo que seleciona contas do sistema de cartão de crédito VisionPlus para criação de ambientes de testes e geração de campanhas. A nova companhia também oferecerá implementação, licenciamento e suporte a todos os produtos corporativos Microsoft e Oracle, que até então faziam parte do portifólio da PROBANK S.A. A área de consultoria da PROBANK Software terá as seguintes linhas de negócios: Business, Suíte, dedicada a implementação de ERP, CRM e Supply Chain Management; Desenvolvimento de Sistemas, dedicada a implementação de metodologia de e desenvolvimento, seguindo as diretrizes do CMMI e capacitação profissional da plataforma Java; Cartão de Crédito, para implementação e desenvolvimento de soluções baseadas nas plataformas VisionPlus e B2K; Gerenciamento eletrônicos de Documentos (GED), com certificações oficiais nas plataformas Documentum e FileNet; Business Intelligence (BI), com expertise nas plataformas Cognos, Hyperion, Informática e Business Objects; e Project Management, dedicada ao gerenciamento de projetos segundo a metodologia do PMI. A PROBANK Software oferecerá ainda diversas modalidades de contratação dos serviços de desenvolvimento e manutenção de sistemas e aplicativos, segundo as diretrizes do CMMI, através dos seus centros de excelência em tecnologia Java, Net e Mainframe. A nova companhia utilizará os frameworks desenvolvidos pela ZERA para projetos nessas plataformas. Sobre a PROBANK A PROBANK provê soluções e serviços que ajudam as organizações a alcançarem seus objetivos estratégicos em Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC). É líder no mercado de outsourcing e está listada entre as 500 maiores companhias brasileiras. Registrando crescimento médio anual de receitas de 83,50% nos últimos cinco anos, a companhia prevê vendas de R$ 200 milhões para o exercício de 2006. Entre as linhas de negócio da PROBANK, há soluções e serviços para integração de sistemas e terceirização de processos de negócios. Os serviços de backoffice que incluem processamento de pagamentos e depósitos (retaguarda bancária), gerenciamento de projetos e equipes e operações centrais de CRM formam a principal linha de negócio da companhia e respondem por 42% das receitas. Em seguida, com 36%, vêm os serviços de campo (field services), que incluem instalação, operação, manutenção e suporte técnico de equipamentos de TIC. Outros serviços de PROBANK são: fábrica de software, consultoria e locação de equipamentos Fl. 5425DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 613 17 com garantia de disponibilidade (customer premises equipment). Já as soluções da companhia em infraestrutura estão voltadas para a computação de 64 bits, armazenamento e redes. O sistema de gestão da qualidade da PROBANK, está certificado em conformidade com a norma ISO 9001:2000. Em 2005, a companhia recebeu o Prêmio Info 2000, concedido pela Revista Info, como a empresa que obteve o maior crescimento em vendas de Tl no País. A PROBANK também foi premiada pela revista Isto É Dinheiro como a melhor empresa na Categoria Gestão Financeira no Setor Tecnologia no ano de 2004 e listada entre as 500 maiores empresas brasileiras no ranking da mesma publicação em 2005. A PROBANK mantém parcerias de negócios com a Silicon Graphics, Sun, Microsoft, Oracle, Cisco, Enterasys, Alcatel, Huawei, Check Point e Módulo Security, tendo alcançado certificações de alto nível como Cisco Premier Partner e Microsoft Gold Partner, dentre outras. No portifólio da PROBANK há projetos de grande alcance econômico e social, como a implantação de backbone da Justiça Eleitoral, o suporte técnico às Eleições 2004 e ao Referendo do Desarmamento em 2005, a operacionalização dos programas sociais do Ministério do Trabalho e Emprego, a infraestrutura de comunicação de dados dos correspondentes bancários e a retaguarda de agências da Caixa Econômica Federal. Sobre a ZERA A ZERA é uma empresa inovadora que tem como missão agregar valor aos negócios dos clientes através de soluções integradas de Tecnologia da Informação e Comunicação. Com faturamento anual de R$ 25 milhões e cerca de 300 colaboradores, a empresa está sediada em Alphaville (SP) e mantém centros de desenvolvimento no Rio de Janeiro (RJ) e em Vitória (ES). As áreas de negócios da ZERA incluem projetos e outsourcing, consultoria em business intelligence, ERP e gerenciamento eletrônico de documentos, serviços de CRM, call center e software para planejamento e controle de produção e cartão de crédito. A empresa implementou com sucesso diversos projetos para clientes corporativos dos setores de finanças, varejo, farmacêutico, petroquímico, energia e telecomunicações. Na carteira de clientes da empresa estão C&A, Banco IBI, Xerox, Bankboston, Lojas Americanas, Marisa, Pernambucanas, Roche, Petroflex, Primesys e AES, dentre outras corporações. A ZERA tem no seu portifólio projetos implementados em outros países, através de parcerias com HP e Accenture." A Ficha Cadastral Completa da PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000143, traz dentre outras, as seguintes informações: > data da constituição: 20/04/2006 > Início de Atividade: 01/10/1998 > Sessão de 20/04/2006 Transformada de sociedade civil, conforme ATA, datada de 20/02/2006. Registrada anteriormente sob n° 127777, no Oficial de Registro de Títulos e Documentos e Civil de Pessoa Jurídica da Comarca de Barueri SP. Denominação anterior registrada em cartório: C.J.S.Informática Ltda Inclusão de CNPJ 02.817.035/000143. > Sessão de 10/09/2008 Num.Doc. 298.183/080 (...) Remanescente Milton Sergio Conca, Nacionalidade Brasileira, CPF 058.050.87812, RG/RNE 12130487... ocupando o cargo de Diretor Técnico (com início de mandato em 20/04/2006) > Sessão de 29/10/2008 Num.Doc. 357.746/089 Fl. 5426DF CARF MF 18 Destituição/renúncia de Milton Sergio Conca ... ocupando o cargo de Diretor, assinando pela empresa. Algumas empresas diligenciadas apresentaram além dos contratos firmados entre elas e a ZERA, Termos de Cessão de Contrato/Instrumento Particular de Cessão de Direitos e Obrigações, Termos Aditivos, sendo que abaixo apresentamos algumas transcrições desses documentos, por amostragem: Termo de Cessão de contrato (datado de 09/01/2006) "CEDENTE, de ora em diante simplesmente assim designada, ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA ...CNPJ 05.459.401/000128... CESSIONÁRIA, de ora em diante simplesmente assim designada, PROBANK S/A... CNPJ 42.778.183/000382... e Na qualidade de ANUENTE ...PRIMESYS SOLUÇÕES EMPRESARIAIS S/A Considerando que a CEDENTE celebrou com a ANUENTE Contrato de Prestação de Serviços de consultoria em 21/01/2004 ("Contrato") e, como legítima titular dos direitos e obrigações decorrentes do contrato, tem interesse em cedêlos e transferilos onerosamente à CESSIONÁRIA que, por sua vez, tem interesse em assumilos... Cláusula Primeira A CEDENTE, na qualidade de única e legítima titular dos direitos decorrentes do Contrato, vem pelo presente ceder como cedido tem, todos os direitos e obrigações dele decorrentes à CESSIONÁRIA, com expressa concordância da ANUENTE..." Instrumento Particular de Cessão de Direitos e Obrigações (datado de 07/02/2006) "ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA ...CNPJ 05.459.401/000128... ("Cedente") PROBANKS/A ...CNPJ 42.778.183/000382...("Cessionária") E, ainda, como IntervenienteAnuente, CREDI 21 PARTICIPAÇÕES LTDA ...CNPJ 03.529.067/000106... ("Interveniente Anuente) (ii) A Cedente, legítima titular de direitos e obrigações em decorrência da celebração do Contrato de Prestação de Serviços, tem, em razão do Acordo de Participação, celebrado, em 5/12/2005, entre a Cedente e PROBANK S/A, interesse em ceder e transferir onerosamente todos os direitos e obrigações decorrentes do Contrato de Prestação de Serviços para a Cessionária que, por sua vez, tem interesse em assumir todos os referidos direitos e obrigações, o que, as Partes aqui fazem com a expressa anuência da IntervenienteAnuente..." Instrumento Particular de Cessão de Direitos e Obrigações (datado de 07/02/2006) "ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA ...CNPJ 05.459.401/000128... ("Cedente") PROBANK S/A ...CNPJ 42.778.183/000382...("Cessionária") E, ainda, como IntervenienteAnuente, NexoCS Informática Ltda ...CNPJ 01.023.164/000105...("Interveniente Anuente") Fl. 5427DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 614 19 (ii) A Cedente, legítima titular de direitos e obrigações em decorrência da celebração do Contrato de Prestação de Serviços, tem, em razão do Acordo de Participação, celebrado, em 5/12/2005, entre a Cedente e PROBANK S/A, interesse em ceder e transferir onerosamente todos os direitos e obrigações decorrentes do Contrato de Prestação de Serviços para a Cessionária que, por sua vez, tem interesse em assumir todos os referidos direitos e obrigações, o que, as Partes aqui fazem com a expressa anuência da IntervenienteAnuente..." Termo Aditivo n° 02 ao Contrato de Prestação de Serviços Técnicos Especializados em Soluções de Tecnologia de Informação (N° DM NPPO 0666) (datado de 30/05/2006) "Pelo presente instrumento e na melhor forma de direito, de um lado XEROX COMÉRCIO E INDUSTRIA LTDA ("XEROX") e, de outro lado, na qualidade de sucessora de PROBANK S/A, PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A ("CONTRATADA"), ambas devidamente identificadas no "1º ADITAMENTO AO INSTRUMENTO PARTICULAR SW CESSÃO DE DIREITOS E OBRIGAÇÕES", resolvem celebrar o presente termo aditivo que se regerá pelas condições abaixo..." (grifamos) Da leitura dos textos acima transcritos, depreendemos que a PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000143 deve ser responsabilizada nos termos do Art. 124, inciso I do CTN: "São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem." Da Sujeição Passiva Solidária Conforme já informado no tópico referente à multa qualificada, o ex sócio administrador, Sr.Milton Sérgio Conca utilizou de procedimento fraudulento para eximir o sujeito passivo do pagamento dos impostos e contribuições incidentes sobre as suas operações. Conforme acima informado, o Sr. MILTON SERGIO CONCA, CPF 058.050.87812, RG 12.130.487, foi sócio administrador da ZERA Integradora de Soluções de Informática Ltda, CNPJ 05.459.401/000128, desde o início da atividade da empresa em 06/09/2002 até 02/01/2008 e no período de 20/04/2006 a 29/10/2008 também ocupou o cargo de Diretor Técnico, assinando pela empresa PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000128. Embora tenha alterado o contrato social, o cadastro do CNPJ incluindo como sócios responsáveis ANDRÉ LUIS MOLINA e EDNA APARECIDA SERVIDONE a partir de janeiro de 2008, todas as irregularidades apuradas no sujeito passivo foram praticados no período em que constava como sócio administrador, o Sr. MILTON SÉRGIO CONCA. Os fatos acima descritos caracterizam a conduta prevista nos incisos I, II e V do artigo 1º e art 2º da Lei 8.137/90, que tipificam ilícitos contra a Ordem Tributária, comprovandose que foram omitidas informações e prestadas declarações inexatas às autoridades fazendárias, bem como sendo caracterizadas as condutas descritas nos 71 e 72 da Lei 4.502/64, com infração evidente à lei em benefício próprio ou de terceiros, restou Fl. 5428DF CARF MF 20 caracterizada a sujeição passiva solidária do Sr.MILTON SERGIO CONCA, CPF 058.050.87812, nos termos dos art. 124 e 135 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Considerando o procedimento da ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA, CNPJ 05.459.401/000128, que transferiu os contratos mantidos com os seus clientes para a PROBANK S/A, CNPJ 42.778.183/0003 82 que posteriormente os transferiu para a empresa PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000128, esvaziando assim a sua carteira de clientes; Considerando que embora o Sr.Milton Sérgio Conca tenha se retirado da ZERA em sessão de 02/01/2008, incluindo como sócios responsáveis pela ZERA, os Srs. ANDRÉ LUIS MOLINA e EDNA APARECIDA SERVIDONE, pessoas desprovidas de capacidade econômica e financeira, com indício de interpostas pessoas, a partir de janeiro de 2008, todas as irregularidades apuradas no sujeito passivo foram praticados no período em que constava como sócio administrador, o Sr. MILTON SÉRGIO CONCA; Considerando que o Sr. MILTON SERGIO CONCA, CPF 058.050.87812, RG 12.130.487, foi sócio administrador da ZERA Integradora de Soluções de Informática Ltda, CNPJ 05.459.401/000128, desde o início da atividade da empresa em 06/09/2002 até 02/01/2008 e no período de 20/04/2006 a 29/10/2008 também ocupou o cargo de Diretor Técnico, assinando pela empresa PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000128; Concluímos que a PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000143 é sucessora de fato da empresa ZERA INTEGRADORA DF SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA, CNPJ 05.459.401/000128, sendo, portanto responsabilizado como SUJEITO PASSIVO SOLIDÁRIO nos termos dos art.124 da Lei n° 5.172/1966 (CTN). Assim, foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária, sendo que uma via desses Termos com os seus anexos, serão enviados aos respectivos domicílios, em nome de: a. Sr. Milton Sérgio Conca, CPF 058.050.87812, RG 12.130.487, sócio administrador à época dos fatos, nos termos dos arts. 124 c/c 135 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). b. PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000143, nos termos do art. 124 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). DEMONSTRATIVO DETALHADO NOS ANEXOS ANEXO I: notas fiscais emitidas para as empresas contratantes para prestação de serviços [constituído de 67 folhas]; ANEXO II: relação das notas fiscais emitidas com os valores das retenções do imposto e contribuições sociais [constituído de 24 folhas]; ANEXO III: valores apurados de depósitos bancários de origens não comprovados [constituído de 6 folhas]; ANEXO IV: consolidação de valores das receitas omitidas e depósitos bancários de origens não comprovados, utilizados na apuração do crédito tributário, e as retenções do imposto e contribuições sociais [constituído de 01 folha]; ANEXO V: valores do IRRF, PIS, COFINS e CSLL, retido e não recolhido das empresas contratadas para prestação de serviços, bem como a falta de declaração na DCTF [constituído de 32 folhas]. E, para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo, em 03 (três) vias de igual forma e teor, assinado pela AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil, e a ciência deverá ser dada por EDITAL DE INTIMAÇÃO Fl. 5429DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 615 21 SEFIS, e considerado ciente no 16° dia da afixação do Edital, tendo em vista a não localização da empresa no seu domicílio fiscal. 3. A autoridade fiscal elaborou, ainda, os Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 372/374, em nome de Milton Sérgio Conca e de fls. 365/371, em nome de PROBANK Software e Consultoria S/A, sendo que se transcreve este último: “Contexto No exercício das funções de AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil, em procedimento de fiscalização relativo ao sujeito passivo acima identificado, determinado pelo Mandado de Procedimento Fiscal em epígrafe, relativamente à fiscalização do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, do ano calendário 2005, exercício 2006, constatouse os fatos a seguir descritos que ensejaram a lavratura do presente Termo de Sujeição Passiva Solidária pelo crédito tributário constituído. A empresa ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA não foi localizada no endereço constante no cadastro da RFB, tendo sido feita a Representação Fiscal para Inaptidão do CNPJ IRPJ, protocolizada sob n° 13896.001808/201007. Desta forma, considerando a ausência de apresentação de documentos que comprovassem as receitas de atividade da empresa, utilizamos as informações contidas no sistema DIRF para reunir os elementos comprobatórios, solicitandose às declarantes identificadas nas DIRF's, dentre outros documentos, cópias de Notas Fiscais emitidas pelo sujeito passivo. Da análise dos documentos apresentados pelas empresas diligenciadas e pesquisas efetuadas por esta fiscalização, apurouse que o sujeito passivo utilizouse de procedimento fraudulento para eximirse do pagamento dos impostos e contribuições incidentes sobre as suas operações. O procedimento consistiu na transferência dos contratos mantidos com os seus clientes para a PROBANK S/A, CNPJ 42.778.183/000382 que posteriormente os transferiu para a empresa PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000128, esvaziando assim a carteira de clientes da ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA, CNPJ 05.459.401/000128. Ocorre que, o Sr. MILTON SERGIO CONCA, CPF 058.050.87812, RG 12.130.487, foi sócio administrador da ZERA Integradora de Soluções de Informática Ltda, CNPJ 05.459.401/000128, desde o início da atividade da empresa em 06/09/2002 até 02/01/2008 e no período de 20/04/2006 a 29/10/2008 também ocupou o cargo de Diretor Técnico, assinando pela empresa PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000128. Nos documentos enviados pelas empresas diligenciadas, comprovouse a o acordo de participação entre ZERA e PROBANK S/A, conforme o texto do informe publicitário abaixo transcrito, bem como corroborados nos contratos firmados com as empresas contratantes para prestação de serviços. Do acordo de participação entre ZERA e PROBANK Abaixo transcrevemos o informe publicitário acerca da união entre a ZERA e a PROBANK: "PROBANK e ZERA anunciam união em software e consultoria Nova companhia prevê faturar R$ 75 milhões até 2007 Fl. 5430DF CARF MF 22 Belo Horizonte, 23 de dezembro de 2005. A PROBANK S.A e a ZERA Integradora de Soluções de Informática Ltda. anunciam que concluíram um acordo de participação que unirá as áreas de consultoria e fábrica de software das duas empresas, formando uma nova companhia, denominada PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A . O acordo contou com a assessoria do escritório de advocacia BARBOSA MÜSSNICH & ARAGÃO ADVOGADOS, representado pelo seu sócio ALEXANDRE COUTO SILVA. A união entre a PROBANK e a ZERA cria uma das maiores e mais diversificada empresa de software e consultoria do Brasil. A PROBANK Software prevê faturar R$ 75 milhões até 2007. "O acordo de participação permitirá que as duas empresas ampliem seu portifólio de serviços e soluções e compartilhem mercados e clientes", explica o diretor da ZERA, Milton Conca. (...) A ficha cadastral completa da PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000143, traz dentre outras, as seguintes informações: > data da constituição: 20/04/2006 > Início de Atividade: 01 /10/1998 > Sessão de 20/04/2006 Transformada de sociedade civil, conforme ATA, datada de 20/02/2006. Registrada anteriormente sob n° 127777, no Oficial de Registro de Títulos e Documentos e Civil de Pessoa Jurídica da Comarca de Barueri SP. Denominação anterior registrada em cartório: C.J.S.Informática Ltda Inclusão de CNPJ 02.817.035/000143. > Sessão de 10/09/2008 Num.Doe. 298.183/080 (...) Remanescente Milton Sergio Conca, Nacionalidade Brasileira, CPF 058.050.87812, RG/RNE 12130487... ocupando o cargo de Diretor Técnico (com início de mandato em 20/04/2006) > Sessão de 29/10/2008 Num.Doe. 357.746/089 Destituição/renúncia de Milton Sergio Conca ... ocupando o cargo de Diretor, assinando pela empresa. Algumas empresas diligenciadas apresentaram além dos contratos firmados entre elas e a ZERA, Termos de Cessão de Contrato/Instrumento Particular de Cessão de Direitos e Obrigações, Termos Aditivos, sendo que abaixo fizemos transcrições, por amostragem: Termo de Cessão de contrato (datado de 09/01/2006) "CEDENTE, de ora em diante simplesmente assim designada, ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA ...CNPJ 05.459.401/000128... CESSIONÁRIA, de ora em diante simplesmente assim designada, PROBANK S/A... CNPJ 42.778.183/000382... e Na qualidade de ANUENTE ...PRIMESYS SOLUÇÕES EMPRESARIAIS S/A... Considerando que a CEDENTE celebrou com a ANUENTE Contrato de Prestação de Serviços de consultoria em 21/01/2004 ("Contrato") e, como legítima titular dos direitos e obrigações decorrentes do contrato, tem Fl. 5431DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 616 23 interesse em cedêlos e transferilos onerosamente à CESSIONÁRIA que, por sua vez, tem interesse em assumilos... Cláusula Primeira A CEDENTE, na qualidade de única e legítima titular dos direitos decorrentes do Contrato, vem pelo presente ceder como cedido tem, todos os direitos e obrigações dele decorrentes à CESSIONÁRIA, com expressa concordância da ANUENTE..." Instrumento Particular de Cessão de Direitos e Obrigações (datado de 07/02/2006) "ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA ...CNPJ 05.459.401/000128... ("Cedente") PROBANK S/A... CNPJ 42.778.183/000382... ("Cessionária") E, ainda, como IntervenienteAnuente, CREDI 21 PARTICIPAÇÕES LTDA ...CNPJ 03.529.067/000106... ("Interveniente Anuente")... (ii) A Cedente, legítima titular de direitos e obrigações em decorrência da celebração do Contrato de Prestação de Serviços, tem, em razão do Acordo de Participação, celebrado, em 5/12/2005, entre a Cedente e PROBANK S/A, interesse em ceder e transferir onerosamente todos os direitos e obrigações decorrentes do Contrato de Prestação de Serviços para a Cessionária que, por sua vez, tem interesse em assumir todos os referidos direitos e obrigações, o que, as Partes aqui fazem com a expressa anuência da Interveniente Anuente..." Instrumento Particular de Cessão de Direitos e Obrigações (datado de 07/02/2006) "ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA ...CNPJ 05.459.401/000128... ("Cedente") PROBANK S/A ...CNPJ 42.778.183/000382... ("Cessionária") E, ainda, como IntervenienteAnuente, NexoCS Informática Ltda ...CNPJ 01.023.164/000105...("Interveniente Anuente") (...) (ii) A Cedente, legítima titular de direitos e obrigações em decorrência da celebração do Contrato de Prestação de Serviços, tem, em razão do Acordo de Participação, celebrado, em 5/12/2005, entre a Cedente e PROBANK S/A, interesse em ceder e transferir onerosamente todos os direitos e obrigações decorrentes do Contrato de Prestação de Serviços para a Cessionária que, por sua vez, tem interesse em assumir todos os referidos direitos e obrigações, o que, as Partes aqui fazem com a expressa anuência da Interveniente Anuente..." Termo Aditivo n° 02 ao Contrato de Prestação de Serviços Técnicos Especializados em Soluções de Tecnologia de Informação (N° DM NPPO 0666) (datado de 30/05/2006) "Pelo presente instrumento e na melhor forma de direito, de um lado XEROX COMÉRCIO E INDUSTRIA LTDA ("XEROX") e, de outro lado, na qualidade de sucessora de PROBANK S/A, PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A Fl. 5432DF CARF MF 24 ("CONTRATADA"), ambas devidamente identificadas no "1o ADITAMENTO AO INSTRUMENTO PARTICULAR SW CESSÃO DE DIREITOS E OBRIGAÇÕES", resolvem celebrar o presente termo aditivo que se regerá pelas condições abaixo..."(grifamos) Ressaltamos também que, de acordo com as informações constantes nas Fichas Cadastrais obtidas junto à Junta Comercial do Estado de São Paulo, o Sr. MILTON SERGIO CONCA, CPF 058.050.87812, RG 12.130.487, foi sócio administrador da ZERA Integradora de Soluções de Informática Ltda, CNPJ 05.459.401/000128, desde o início da atividade da empresa em 06/09/2002 até 02/01/2008 e no período de 20/04/2006 a 29/10/2008 também ocupou o cargo de Diretor Técnico, assinando pela empresa PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000128. Considerando o procedimento da ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA, CNPJ 05.459.401/000128, que transferiu os contratos mantidos com os seus clientes para a PROBANK S/A, CNPJ 42.778.183/0003 82 que posteriormente os transferiu para a empresa PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000128, esvaziando assim a sua carteira de clientes; Considerando que embora o Sr.Milton Sérgio Conca tenha se retirado da ZERA em sessão de 02/01/2008, incluindo como sócios responsáveis pela ZERA, os Srs. ANDRÉ LUIS MOLINA e EDNA APARECIDA SERVIDONE, pessoas desprovidas de capacidade econômica e financeira, com indício de interpostas pessoas, a partir de janeiro de 2008, todas as irregularidades apuradas no sujeito passivo foram praticados no período em que constava como sócio administrador, o Sr. MILTON SÉRGIO CONCA; Considerando que o Sr. MILTON SERGIO CONCA, CPF 058.050.87812, RG 12.130.487, foi sócio administrador da ZERA Integradora de Soluções de Informática Ltda, CNPJ 05.459.401/000128, desde o início da atividade da empresa em 06/09/2002 até 02/01/2008 e no período de 20/04/2006 a 29/10/2008 também ocupou o cargo de Diretor Técnico, assinando pela empresa PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000128; Concluímos que a PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000143 é sucessora de fato da empresa ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA, CNPJ 05.459.401/000128, sendo, portanto responsabilizado como SUJEITO PASSIVO SOLIDÁRIO nos termos dos art.124 da Lei n° 5.172/1966 (CTN). Portanto, fica o sujeito passivo solidário supra mencionado CIENTIFICADO da exigência tributária de que trata o Auto de Infração lavrado relativamente aos tributos IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA e o REFLEXO da Contribuição Social s/ Lucro Líquido, do Imposto de Renda Retido na Fonte, do PIS, da COFINS e da CSLL, na data de 28/09/2010, contra o sujeito passivo supra referido, cujas cópias, juntamente com o presente Termo são encaminhados neste ato. Fica cancelado, POR ESTAR INCOMPLETO, O TERMO PRELIMINAR DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA ENCAMINHADO POR ENGANO FALTA DE ANEXAÇÃO DE DOCUMENTOS PERTINENTES E DA ASSINATURA DO AFRFB TORNANDO SEM EFEITO O REFERIDO TERMO ENCAMINHADO POR MEIO DO AR RJ 463362599, FICANDO O SUJEITO PASSIVO INTIMADO A PARTIR DO RECEBIMENTO DESTE.” 4. Inconformada, a empresa PROBANK Software e Consultoria S/A, qualificada como “Sujeito Passivo Solidário”, apresentou a impugnação de fls. 396/419, em 16 de novembro de 2010, com as seguintes razões de defesa. Fl. 5433DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 617 25 4.1. Afirma que, conforme suscitado pela autoridade fiscal, a PROBANK S/A e a ZERA S/A firmaram um Acordo de Participação em Dezembro de 2005, enquanto as atividades da impugnante tiveram início somente em meados de 2006. 4.2. Acrescenta que as empresas acordantes, inclusive a impugnante, mantiveram suas personalidades jurídicas e continuaram a exercer suas atividades. Enfim, apenas uniram esforços para aumentar sua visibilidade no mercado. Em suas palavras: “A concorrência e a competitividade nunca se fizeram tão intensas ou transparentes. Com a crescente integração das economias mundiais, o mercado nacional (e internacional) reestruturase velozmente, provocando o acirramento da concorrência entre as empresas. Diante deste cenário, a dinamização das atividades se revela como um dos aspectos mais importantes na conquista de novos mercados. Alianças estratégicas são, hoje, movimentação ínsitas a qualquer prática negocial. É essa a realidade que impulsiona novas técnicas de associação e integração. No caso em tela, a impugnante surgiu de um acordo legítimo baseado na livre iniciativa em que, repitase, as empresas acordantes continuaram a exercer suas atividades, sendo exclusivamente responsáveis pelos direitos e obrigações decorrentes desse exercício. Assim, temse que o acordo de participação foi apenas um instrumento negocial legítimo em que duas empresas, que mantiveram suas personalidades jurídicas e suas atividades, decidiram unir esforços para ampliar sua penetração mercadológica.” 4.3. Diz que não se pode admitir que uma atuação essencialmente estratégica, do ponto de vista do mercado, implique em transferência de responsabilidade quanto ao cumprimento dos deveres fiscais. E que os atos eventualmente praticados pela ZERA em nada beneficiaram a impugnante, tendo em conta que atuação das empresas, a par do acordo firmado, deuse de forma apartada, sem a conjugação de interesses específicos na prática de fatos jurígenos. E, sob a ótica societária, não houve qualquer vinculação entre as partes que permitisse a conclusão do silogismo acentuado pela fiscalização. 4.4. Portanto, a obrigação tributária decorrente do exercício das atividades da ZERA cabe tão somente a ela, pois nunca houve interesse comum ou mesmo conjugação de esforços da impugnante para a elisão do fato gerador. E, se um determinado contribuinte não mantém relação com o fato jurígeno, não colhe eventuais benefícios que dela decorram, não pode ser arrolado como responsável pelo recolhimento do tributo. 4.5. Referindose ao artigo 124, Inciso I, do CTN, afirma: “Esse ponto merece reflexão. Se o dispositivo mencionado acima não comporta benefício de ordem – dispositivo esse que se escora a fiscalização – porque então o trabalho fiscal não imputou diretamente a responsabilidade à Impugnante sem que tantos e tortuosos caminhos fossem realizados para localizar – PRIMEIRAMENTE – o real sujeito passivo da obrigação? A resposta é singela. Não há responsabilidade por parte da Impugnante. Prova maior disso é que não houve nenhuma prova nos autos de que realmente existia por parte da Impugnante o interesse comum na prática do fato gerador. Com efeito, conquanto o Digesto Tributário tenha garantido a prerrogativa de Fl. 5434DF CARF MF 26 imputação sem benefícios de ordem por parte da Fiscalização, não o fez sem critérios. A indicação, decerto lacônica, de “pessoas que tenham interesse comum” na prática do fato imponível, deve observar balizas fáticas e comprobatórias, sob pena de afronta à segurança e estabilidade das relações jurídicas.” 4.6. Transcreve jurisprudência, fls. 402/405. 4.7. Argumenta que não é jurídico, muito menos razoável, que uma empresa constituída após a ocorrência dos fatos geradores tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, tendo em conta que foi constituída somente em 20/04/2006, mais de um ano depois dos fatos geradores presentes no auto de infração. Assim, haveria uma barreira temporal intransponível, na medida em que uma empresa que não existe, não pode ter interesse algum na prática de qualquer fato gerador. 4.8. Ademais, os documentos enviados pelas empresas diligenciadas comprovam que todos os pagamentos feitos em decorrência dos serviços prestados em 2005 foram efetuados diretamente para empresa ZERA Integradora de Soluções de Informática Ltda, não havendo qualquer documento, ou declaração, que mencione a participação da Impugnante em tais atividades. 4.9. Afirma que, segundo a fiscalização, duas situações foram determinantes para a atribuição da responsabilidade solidária: o suposto esvaziamento da carteira de clientes do sujeito passivo, que ocorreu por meio da cessão de contratos para a PROBANK S/A, e o fato e o Sr. Milton Conca ter sido sócio administrador da ZERA e também ter sido diretor técnico da Probrank Software e Consultoria S/A. No entanto, tais premissas seriam falaciosas e merecem ser rechaçadas. Em continua: “Segundo informações da própria fiscalização, o sujeito passivo manteve relações negociais com 38 (trinta e oito) empresas (fls. 330/334) que, como já dito, foram intimadas a prestar esclarecimentos sobre os serviços prestados pelo sujeito passivo no ano de 2005. Algumas destas empresas , 07 (sete) especificamente, não atenderam ao Termo de Intimação Fiscal e NUNCA FIZERAM parte do rol de clientes da Impugnante. São elas: (...) Já 13 (treze) empresas enviaram a documentação solicitada pela fiscalização, mas não houve qualquer cessão de contrato e, por via de conseqüência lógica, NENHUMA COMPROVAÇÃO POR PARTE DA FISCALIZAÇÃO. São elas: (...) Somente 04 (quatro) empresas enviaram documentos comprovando a cessão de seus contratos, a saber: (...) ORA, COMO PODE HAVER O ALEGADO ESVAZIAMENTO DA CARTEIRA DE CLIENTES DO SUJEITO PASSIVO, QUANDO DAS 38 (TRINTA E OITO) EMPRESAS DILIGENCIADAS, SOMENTE EM 04 (QUATRO) HOUVE COMPROVAÇÃO DE CESSÃO?! Pela documentação que embasou a conclusão da fiscalização, verificase que, em relação à grande parte das empresas diligenciadas não foi realizado qualquer comprovação de contrato de cessão para a Impugnante. Só se pode Fl. 5435DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 618 27 falar em “esvaziamento” da carteira quando, por óbvio, TODOS os contratos de uma empresa são rescindidos ou transferidos, o que não ocorreu no caso. Não há nos autos, qualquer documento que comprove que algumas dessas empresas não continuaram a ser clientes do sujeito passivo, e ainda, que o sujeito passivo não tenha obtido novos clientes a partir daí, aumentado – e não esvaziando – a sua carteira de clientes. Por outro lado, há ainda outro fato que merece destaque. Todos os 04 (quatro) contratos foram transferidos, conforme informa a própria fiscalização, no ano calendário de 2006. E, pretende a fiscalização, a partir dessa premissa, imputar responsabilidade solidária à Impugnante em virtude do alegado “esvaziamento” da carteira de clientes da Impugnante por fatos geradores do anocalendário de 2005. Essa pretensão é absurda e merece ser absolutamente repelida.” 4.10. Quanto ao fato de o Sr. Milton Conca ter sido diretor da impugnante no período de abril de 2006 a outubro de 2008, diz que, os fatos geradores objeto da autuação referemse ao anocalendário de 2005, data anterior à constituição da Impugnante. 4.11. Diz que a lógica de se atribuir a responsabilidade solidária pelo simples fato de um de seus diretores ter feito parte de outra empresa, é frágil e viola frontalmente o princípio da legalidade. 4.12. Em suas palavras: “A diretoria tem como função praticar todos os atos não apenas de gestão de negócios sociais, como também de orientação das atividades técnicas da sociedade. Geralmente, por decisão estratégica, os diretores são pessoas com grande conhecimento técnico na área de atuação da empresa para orientar a melhor atuação para realização de seu objeto social. A nomeação do Sr. Milton Conca como diretor da Impugnante no período de 04/2006 a 10/1008, apenas corrobora as suas alegações sobre a união de esforços visando obter maior penetração mercadológica. Ressaltese que ele foi nomeado como “diretor técnico” da Impugnante. Repitase: a nomeação de uma pessoa como diretor de uma empresa não tem o condão de atribuir à sociedade nomeante qualquer responsabilidade que este diretor tenha, eventualmente, praticado atos com excesso de poderes em outra empresa. Esse é o entendimento do Egrégio Conselho de Recursos Fiscais – CARF. Confirase: (...) Mais uma vez, não logrou êxito a fiscalização em configurar a responsabilidade solidária da Impugantne, uma vez que o trabalho fiscal partiu de uma interpretação absolutamente desprovida da razoabilidade, com o intuito único e exclusivo de satisfação de seu alegado crédito tributário à revelia dos fatos e da melhor hermenêutica jurídica.” 4.13. Requer a decadência para o crédito tributário relativo a fatos geradores ocorridos de janeiro a setembro de 2005, tendo em conta que a formalização do crédito tributário somente se deu em 20 de outubro de 2010, nos termos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Menciona jurisprudência, fls. 413/414. Fl. 5436DF CARF MF 28 4.14. Aduz que não pode ser responsabilizada pelas multas aplicadas à empresa ZERA, sob nenhuma modalidade de sucessão. 4.15. Acrescenta que a Constituição Federal, em seu artigo 5º, XLV, dispõe que “a pena não passará da pessoa do condenado”, razão pela qual há um muro constitucional que veda a cominação de pena imputável à pessoa do agente do fato punível. E que não há qualquer fundamento legal que possibilite a imputação das penalidades aplicadas em razão da conduta do sujeito passivo à Impugnante, mormente quando ela sequer estava constituída à época da suposta conduta delituosa. Transcreve jurisprudência, fls. 416/418. Em suas palavras: “Fica evidente que somente a pessoa que tenha praticado a conduta que levou à cominação da pena. No caso, foi o sujeito passivo ZERA Integradora que deixou de apresentar documentos e que, segundo a fiscalização, cometeu atos com fraude. A Impugnante, repitase pela enésima vez, sequer estava constituída à época dos fatos geradores (2005). Diante de todo o cenário doutrinário e jurisprudencial demonstrado, concluise que, se por absurdo, a Impugnante for considerada responsável por qualquer óptica obrigações contidas no auto de infração, deverá ser excluído do montante a ser pago, o percentual das multas imputadas ao sujeito passivo.” 4.16. Finaliza sua defesa: “À vista do exposto, requer a Impugnante seja conhecida e provida a presente Impugnação, para que: (i) Seja acolhida a alegação de ilegitimidade passiva, eis que os requisitos necessários à imputação de responsabilidade solidária, conforme demonstrado, não se configuraram; (ii) Caso seja ultrapassada a preliminar argüida, seja acolhida a alegação de decadência do crédito tributário relativo às competências de janeiro a setembro de 2005 (inclusive), reconhecendo a extinção das somas apuradas a título de IRPJ e CSLL; (iii) Subsidiariamente, caso não se entenda pela desconstituição do Termo de Sujeição Passiva Solidária, o cancelamento das multas aplicadas, posto que a cominação da pena somente é imputável ao agente que pratica o fato imponível, qual seja, ZERA INTEGRADORA;” DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A Delegacia de Julgamento negou provimento à impugnação do responsável tributário (PROBANK Software e Consultoria S/A) nos seguintes termos. Em primeiro lugar, concluiu não proceder a alegação de que a empresa inexistia na época do fato gerador, uma vez que é resultante da transformação de sociedade civil existente desde 1998. Em segundo lugar, por uma série de fatos, concluiu que houve sucessão fática entre a contribuinte e a responsável impugnante. Abaixo, transcrevo trecho da decisão com esse teor: 28. E se suas atividades são continuadas por outra empresa, constituída formalmente para esta finalidade, que, inclusive, operou inicialmente no mesmo endereço e passou a ter sócios Fl. 5437DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 619 29 comuns com a empresa anterior, não há nenhum reparo à sucessão de fato a que se refere a autoridade fiscal. 29. Cabe também ressaltar que os fatos acima descritos corroboram, de forma inequívoca, a existência de um liame entre as atividades desempenhadas pelas empresas ZERA e PROBANK, pois a atuação delas era no mínimo complementar, diante da caracterização do mesmo em determinado período, da coincidência de sócios e administradores, bem como da transferência de clientes. 30. Portanto, está plenamente caracterizado o interesse comum a que se refere o artigo 124, inciso I, do Código tributário Nacional, bem como a responsabilidade solidária da impugnante. No tocante à alegação de decadência, entendeu o julgador que deve ser aplicada a regra estampada no art. 173, inciso I do CTN e não aquela prevista no art. 150, § 4º, por duas razões independentes e suficientes: falta de pagamento e fraude. Desse modo, uma vez ter sido o sujeito passivo notificado em 20 de outubro de 2010 e os fatos geradores serem relativos aos quatro trimestres de 2005, não houve a decadência, pois o seu prazo quinquenal se iniciou para os três trimestres mais antigos em 01/01/2006. Logo a autoridade poderia formalizar a exigência perante o responsável tributário até 31/12/2010. No tocante à aplicação de multa ao responsável tributário, a autoridade julgadora aduziu o seu caráter patrimonial, ou seja, é dívida de valor. Ademais, considerou que a empresa contribuiu para a conduta delitiva do contribuinte. RECURSO VOLUNTÁRIO A responsável tributária PROBANK Software e Consultoria S/A, única impugnante, apresentou recurso voluntário às fls. 556589. Reitera as alegações, muitas das quais de forma literal, tecidas na impugnação. Acrescenta apenas que a DRJ inovou o critério jurídico do lançamento, uma vez que a autoridade fiscal apenas lhe atribuiu responsabilidade tributária solidária, enquanto o julgador manteve o lançamento com base numa suposta sucessão de fato. No entanto, esses dois institutos jurídicos são diferentes e se submetem a disposições do CTN também diferentes. Fl. 5438DF CARF MF 30 Também aditou, em contraposição aos argumentos da DRJ, ter ocorrido a decadência em razão de a própria fiscalização ter anexado "Declarações do Imposto de Renda na Fonte DIRF's que comprovam retenções de Imposto de Renda, além de CSLL, PIS e COFINS em todos os períodos autuados (janeiro a dezembro de 2005) realizados por empresas que realizaram pagamentos por serviços prestados pela ZERA LTDA". É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator DECADÊNCIA De fato, há informações carreadas pela própria autoridade fiscal da retenção na fonte dos quatro tributos (IRRF, CSLL, Pis e Cofins). Cito as folhas 116 e 119122. Se fosse a ausência de pagamento a única razão para o deslocamento da regra decadencial do art. 150 §4º, para o art. 173, inciso I, teria razão a recorrente. Nada obstante, ainda permanece a fraude como razão suficiente para aplicação do prazo desfavorável e, em relação a tal fundamento, o recurso não se insurge. Aliás, não questiona a fraude nem sequer ao contestar a aplicação da multa qualificada, como veremos a seguir. Desse modo, não procede a alegação de decadência. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE Antes de passarmos à análise do mérito da atribuição de responsabilidade, vale registrar o que dispõe o art. 57 do RICARF, especialmente seu parágrafo 3º: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (Nosso destaque) Pois bem, conforme registramos no relatório, a impugnação repete, inclusive de forma literal, quase todas as razões da impugnação. Com isso, em grande medida, Fl. 5439DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 620 31 simplesmente ignora e deixa de se contrapor a fundamentos essenciais da decisão recorrida, cujos trechos relevantes passamos a transcrever: 15. Feitas estas considerações, podese voltar ao caso concreto que aqui se tem, a partir dos fatos presentes nos autos e das alegações de defesa ofertadas pela impugnante: 15.1. A ficha cadastral da PROBANK Software e Consultora S/A, CNPJ 02.817.035/000143, presente nos autos, fls. 311/318, traz a informação de que as atividades da empresa iniciaramse em 1º de outubro de 1998; de que é resultante da transformação de sociedade civil registrada anteriormente sob nº 12777, no Oficial de Registro de Títulos e Documentos e Civil da Pessoa Jurídica da Comarca de BarueriSP, sob a denominação de C. J. S. Informática Ltda, indicando que o exercício de atividades ocorria antes de 20 de abril de 2006; 15.2. A empresa ZERA não foi localizada no endereço constante no cadastro da Receita Federal do Brasil, tendo sito feita a Representação Fiscal para Inaptidão do CNPJIRPJ, protocolizada sob nº 13896.001808/201007. Apesar de intimada e reintimada, via afixação de editais, a fiscalizada não atendeu às intimações, inclusive para apresentação de seus livros contábeis e fiscais, extratos de contas bancárias e aplicações financeiras; 15.3. O domicílio fiscal da empresa ZERA, constante dos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (Avenida Andrômeda, n.º 2000, Bloco 10, Bairro Alphaville, BarueriSP), mostrase coincidente com o domicílio fiscal anterior da PROBANK Software e Consultoria S/A (Avenida Andrômeda, n.º 2000, Nível 06/Bloco 10, Sitio Tambor, BarueriSP), que somente foi alterado em 13 de setembro de 2007, fato confirmado na Ficha Cadastral Completa fornecida pela JUCESP; 15.4. No documento de fls. 34/40, Ficha Cadastral fornecida pela Junta Comercial do Estado de São Paulo, verificase que após a retirada da empresa ZERA do sócio Milton Sérgio Conca, por meio do documento n.º 13.810/080, Sessão de 02/01/2008, que em 31/01/2008 foram encerradas três filiais da empresa, situadas nos seguintes endereços: (i) Travessa Paiaguas, 116, 1º Andar, CJ 11, Porto, Cuiabá, MT (NIRE 51999017774); (ii) Rua Luis Alves Siqueira Castro, 500, Conjunto 01, Jardim Parnaíba, Santana de Parnaíba, SP (NIRE 35902984038); RN, 117, 2ª Andar, Sala 3, Centro, Martins, RN (NIRE 24999005464). 15.5. A empresa ZERA utilizouse de procedimento fraudulento para eximirse do pagamento de tributos e contribuições incidentes sob suas operações, pois efetuou a transferência dos contratos mantidos com seus clientes para a PROBANK S/A, CNPJ 42.778.183/000382, que posteriormente os transferiu para a empresa PROBANK Software e Consultoria S/A, CNPJ 02.817.035/000128; Fl. 5440DF CARF MF 32 15.6. O Sr. Milton Sérgio Conca foi sócio administrador da ZERA desde o início das atividades da empresa em 06/09/2002, até 02/01/2008, e no período de 20/04/2006 a 29/10/2009 também ocupou o cargo de Diretor Técnico, assinando pela empresa PROBANK Software e Consultoria S/A, ora impugnante; 15.7. Os atuais sócios da ZERA, André Luis Molina e Edna Aparecida Servidone não foram localizados nos domicílios fiscais constantes do Sistema CPF (Da Secretaria da Receita Federal do Brasil), JUCESP e DIRF (RFB), são pessoas desprovidas de capacidade econômica e financeira, com indícios de interpostas pessoas; 15.8. No informe publicitário transcrito pela fiscalização, consta expressamente que: 1. “A PROBANK S.A e a ZERA Integradora de Soluções de Informática Ltda. anunciam que concluíram um acordo de participação que unirá as áreas de consultoria e fábrica de software das duas empresas, formando uma nova companhia, denominada PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A . 2. A união entre a PROBANK e a ZERA cria uma das maiores e mais diversificada empresa de software e consultoria do Brasil. A PROBANK Software prevê faturar R$ 75 milhões até 2007. 3. Fazem parte da administração da nova companhia executivos e membros de Conselho de ambas as organizações. Pela PROBANK S/A, foram indicados Paulo Martins, como Presidente; Gilberto Freitas, como diretor financeiro, e Ronald Valladão, como diretor comercial para governo. Da ZERA Integradora foram nomeados Milton Conca, como diretor técnico, e João Ângelo Rodrigues, como diretor comercial corporativo. 16. Esses fatos não foram contestados pela impugnante, que se limitou a afirmar que as empresas (ZERA e PROBANK) apenas uniram seus esforços para aumentar a visibilidade no mercado, face à concorrência e à competitividade, além de trazer questionamentos sobre a ocorrência dos fatos geradores e a data de sua formalização, fatos estes que não foram as únicas justificativas para a conclusão do trabalho fiscal. 17. Conforme transcrito, de forma clara e expressa, as empresas ZERA e PROBANK S.A. uniramse para formar uma nova companhia, enfim, uma outra empresa, denominada PROBANK Software e Consultoria S/A, a qual mantinha, até 13 de setembro de 2007, o mesmo endereço da ZERA, na Avenida Andrômeda, n.º 2000, Bloco 10, Barueri/SP. 18. Por sua vez, conforme já comentado, mostramse incipientes os argumentos apresentados no sentido de que, enquanto os fatos geradores objeto do lançamento ocorreram no anocalendário de 2005, a empresa somente teria sido constituída em 20 de abril de 2006 e, portanto, não teria qualquer interesse comum na prática de tais fatos geradores. 19. Em primeiro lugar, conforme já salientado, a PROBANK (impugnante), apesar de formalmente constituída junto à Fl. 5441DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 621 33 JUCESP em 20 de abril de 2006, resultou da transformação da sociedade civil, denominada “C.J.S. INFORMÁTICA LTDA.”, registrada anteriormente sob n.º 127777, no Oficial de Registro de Títulos e Documentos e Civil de Pessoa Jurídica da Comarca da BarueriSP, sociedade esta que teve por início de suas atividades a data de 1º de outubro de 1998, conforme informação constante nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (Sistema CNPJ). 20. Em segundo lugar, como bem enfatizou a autoridade fiscal, a PROBANK S/A tratase de sucessora de fato da ZERA. 21. Em verdade, verificase da narrativa elaborada pela autoridade fiscal que a empresa ZERA não foi localizada em nenhum endereço, muito menos seus atuais sócios, que se tratam de pessoas desprovidas de qualquer capacidade financeira ou econômica. Que nada informou em sua DIPJ, a qual foi apresentada “zerada” e, que apesar de intimada e reintimada, em todos os endereços disponíveis e por todos os meios possíveis, inclusive por Edital, não apresentou quaisquer esclarecimentos nem apresentou quaisquer documentos à autoridade fiscal. 22. E a comprovação do “interesse comum” a que se refere a impugnante não está restrito a uma simples análise de datas, como ela pretende, mas sim a todo um comportamento e procedimentos fraudulentos que caracterizam plenamente o objetivo deliberado de descumprir com as obrigações tributárias formalmente em nome da empresa ZERA, na medida em que as atividades e clientela desta empresa foram transferidos paulatinamente para PROBANK, que passou a englobar todas as atividades da ZERA, sem que houvesse a formalização de tal negócio junto a JUCESP. O recurso repete as mesmas razões da impugnação, desconsiderando quase todos os fundamentos da decisão recorrida, como a existência da pessoa jurídica na época dos fatos como sociedade civil que veio a ser transformada em sociedade empresarial. Assim, por concordar plenamente com a decisão de primeiro grau, adoto suas mesmas razões com base no parágrafo 3º, art. 57 da Portaria MF 343/2015 (RICARF). Passo a enfrentar com a minha própria lavra a razão especificamente dirigida contra a decisão recorrida, qual seja, a de inovação no critério jurídico do lançamento. Pois bem. A defesa alega que a decisão recorrida fundamentouse em sucessão de fato, instituto jurídico diverso da atribuição de responsabilidade tributária imputada pela autoridade lançadora. Nada obstante, a acusação promovida pela autoridade fiscal é clara e literal de que uma das razões para a atribuição da responsabilidade solidária foi a sucessão de fato. Abaixo, transcrevo trecho do termo de verificação fiscal que não deixa dúvidas acerca do teor acusatório (fl. 353): Concluímos que a PROBANK SOFTWARE E CONSULTORIA S/A, CNPJ 02.817.035/000143 é sucessora de fato da empresa ZERA INTEGRADORA DE SOLUÇÕES DE INFORMÁTICA LTDA, CNPJ 05.459.401/000128, sendo, portanto Fl. 5442DF CARF MF 34 responsabilizado como SUJEITO PASSIVO SOLIDARIO nos termos dos art.124 da Lei n° 5.172/1966 (CTN). Dessa forma, a Delegacia de Julgamento não inovou o critério jurídico do lançamento e, desse modo, reiteramos, deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. MULTA Quanto à responsabilidade também pela multa, a DRJ assim decidiu: 51. Quanto à transferibilidade da multa de ofício exigida, agravada e qualificada conforme transcrição no relatório, diz a impugnante que somente a pessoa que tenha praticado a conduta que levou à cominação da pena é que deveria suportá la. E que, no caso, foi o sujeito passivo ZERA Integradora que deixou de apresentar documentos e que, segundo a fiscalização, cometeu atos com fraude. 52. Enfim, defende a impugnante o caráter pessoal das multa exigidas pelo lançamento e que, portanto, não poderia ser responsabilizada por penalidades exigidas em conseqüência de atos que não foram praticados por ela. 53. Nesse sentido, apesar de as origens da multa encontraremse no direito penal, a grande maioria dos juristas não concorda com a premissa de que as sanções tributárias tenham caráter pessoal. Segundo eles, a pena referida no artigo 5º, XLV, da Constituição Federal, referese tão somente ao direito penal. As sanções tributárias têm caráter patrimonial e, portanto, são transmissíveis aos responsáveis e aos sucessores. 54. No direito tributário, o caráter patrimonial da multa está patente no artigo 128, do Código Tributário Nacional, que se transcreve: “Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste Capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” 55. José Cretella Jr. (Comentários à Constituição de 1988, 3ª ed., Forense Universitária, Vol. 1, pág. 499) defende que o inciso LXV do art. 5º da Constituição Federal seria direcionado apenas à responsabilidade penal e acrescenta: “(...) Ao contrário da responsabilidade criminal, que é pessoal e intransferível, a responsabilidade patrimonial ultrapassa a pessoa do acusado e transmitese aos herdeiros, obrigados ao ressarcimento até os limites da herança, passandolhes, assim, como todos os encargos e dívidas do de cujus, escapando ao status resumido no brocardo conhecido mors omnia solvit: Na verdade, a morte dissolve todos os vínculos de natureza penal, não os de caráter civil ou patrimonial.” 56. Atualmente, nem mesmo o próprio direito penal trata a pena pecuniária como intransmissível. Com o advento da Lei n.º 9.268, de 1º de abril de 1996, o artigo 51 do Código Penal ficou com a seguinte redação: "Art. 51. Transitada em julgado a sentença condenatória, a multa será considerada dívida de valor, aplicandoselhe as normas da legislação Fl. 5443DF CARF MF Processo nº 13896.002328/201055 Acórdão n.º 1401002.324 S1C4T1 Fl. 622 35 relativa à dívida ativa da Fazenda Pública, inclusive no que concerne às causas interruptivas e suspensivas da prescrição.” 57. Com a modificação legislativa, Roberto Gomes Lima e Ubiracy Perralles (Teoria e Prática da Execução Penal, 4ª ed., Forense, 2001, pág. 155) constataram que “o princípio da intransmissibilidade deixou de ser absoluto para ser relativo, porquanto falecendo o condenado, sem resgatar a pena de multa, o seu espólio responderá pelo pagamento dessa dívida, na força do monte.” 58. Por outro lado, aceitar as alegações da impugnante, seria admitir que o direito aceita a desobediência de seus preceitos sem que sejam aplicadas as penalidades que o mesmo direito prescreve, enfim, seria permitir que o contribuinte descumpridor de suas obrigações decorrentes da lei, pudesse, por meio de em evento sucessório planejado, formalizado ou não junto às Juntas Comerciais, escapar das penalidades prescritas pela lei, em frontal violação ao princípio da isonomia e criandose, por via de atos de particulares, uma anistia que a Constituição Federal e o Código Tributário Nacional apenas aceitam quando feita por lei específica. 59. Por sua vez, conforme já apreciado, cabe destacar que a atribuição da responsabilidade solidária aqui tratada abrange todo um conjunto de atos que caracterizaram plenamente o interesse da empresa PROBANK nas situações que culminaram na lavratura do presente lançamento, particularmente no que se refere na existência de endereço comum com a empresa autuada, por um período de tempo; na transferência da clientela; na existência de sócios comuns às duas empresas. 60. Enfim, a responsabilidade tributária não está limitada aos tributos e contribuições devidos, mas abrange também as multas moratórias e punitivas, inclusive a agravada ou qualificada que, por representarem dívida de valor, possuem natureza patrimonial e não pessoal como pretende a impugnante. Em relação a esse tema, o recurso também repete as mesmas razões da impugnação. Logo, por concordar plenamente com a decisão de primeiro grau, adoto suas mesmas razões com base no parágrafo 3º, art. 57 da Portaria MF 343/2015 (RICARF). CONCLUSÃO Voto por rejeitar a preliminar de decadência para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 5444DF CARF MF 36 Fl. 5445DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.905279/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
TEMPESTIVIDADE. CIÊNCIA POSTAL. AUSÊNCIA DE JUNTADA DO AVISO DE RECEBIMENTO - AR. ÔNUS DA FISCALIZAÇÃO.
A lei processual exige a prova do recebimento, vale dizer, a assinatura do recebedor (o art. 23 do Decreto nº 70.235/1972), de modo que é ônus da fiscalização provar se e quando a intimação foi realizada. Não tendo sido juntado aos autos o AR assinado, mas apenas informação unilateral extraída do site dos Correios acerca da data da entrega, não há prova de que a intimação tenha sido recebida pelo contribuinte.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217.
Conforme a tese firmada no Tema 217 Repetitivo do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'."
Matéria que não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o § 5o do art. 19 da Lei 10.522/2002.
A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009.
Numero da decisão: 1401-002.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
(assinado digitamente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001 TEMPESTIVIDADE. CIÊNCIA POSTAL. AUSÊNCIA DE JUNTADA DO AVISO DE RECEBIMENTO - AR. ÔNUS DA FISCALIZAÇÃO. A lei processual exige a prova do recebimento, vale dizer, a assinatura do recebedor (o art. 23 do Decreto nº 70.235/1972), de modo que é ônus da fiscalização provar se e quando a intimação foi realizada. Não tendo sido juntado aos autos o AR assinado, mas apenas informação unilateral extraída do site dos Correios acerca da data da entrega, não há prova de que a intimação tenha sido recebida pelo contribuinte. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. Conforme a tese firmada no Tema 217 Repetitivo do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." Matéria que não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o § 5o do art. 19 da Lei 10.522/2002. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009.
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Recorrente E.J IMAGEM SERVICOS DE RADIOLOGIA S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 TEMPESTIVIDADE. CIÊNCIA POSTAL. AUSÊNCIA DE JUNTADA DO AVISO DE RECEBIMENTO AR. ÔNUS DA FISCALIZAÇÃO. A lei processual exige a prova do recebimento, vale dizer, a assinatura do recebedor (o art. 23 do Decreto nº 70.235/1972), de modo que é ônus da fiscalização provar se e quando a intimação foi realizada. Não tendo sido juntado aos autos o AR assinado, mas apenas informação unilateral extraída do site dos Correios acerca da data da entrega, não há prova de que a intimação tenha sido recebida pelo contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. Conforme a tese firmada no Tema 217 Repetitivo do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." Matéria que não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o § 5o do art. 19 da Lei 10.522/2002. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 52 79 /2 00 9- 21 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10875.905279/200921 Acórdão n.º 1401002.382 S1C4T1 Fl. 3 2 A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (assinado digitamente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de PER/DCOMP em que o contribuinte pretende compensar crédito próprio com crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ. O despacho decisório não homologou a compensação ante constatação de que o pagamento indicado pelo contribuinte foi integralmente utilizado para quitação de débitos de sua responsabilidade, não restando crédito disponível para compensação. Apresentada manifestação de inconformidade, esta foi assim julgada pela DRJ: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10875.905279/200921 Acórdão n.º 1401002.382 S1C4T1 Fl. 4 3 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE ERRO MATERIAL. O erro do valor do débito apontado na DCTF, de cuja retificação resulte crédito ao sujeito passivo, precisa ser comprovado mediante apresentação de documentos hábeis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimado da decisão de primeira instância, em 13 de janeiro de 2014, apresentou recurso voluntário em 13 de fevereiro de 2014, alegando, em síntese: preliminarmente: incompetência da DRJ em Recife para julgar a manifestação de inconformidade no mérito, sustenta que efetuou pagamento do IRPJ a maior que o devido, visto que utilizou percentual de presunção do lucro de 32%, enquanto faz jus ao percentual reduzido de 8%, consoante Solução de Consulta nº 63, SRRF/8ª Região Fiscal, de 23 de março de 2004, a qual anexa, e que retificou a DIPJ em questão, razão pela qual não existe motivo por parte da RFB para não homologar a compensação em questão. Defende que a ausência de retificação da DCTF não pode impedir o reconhecimento de seu direito. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.372, de 12.04.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10875.905274/200906, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.372): "Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, constatase que tal apelo é aparentemente intempestivo. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972, das decisões de primeira instância caberá a interposição de recurso voluntário, no prazo de 30 dias, a contar da ciência da decisão. O artigo 5o deste mesmo diploma esclarece que os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Sobre a data da ciência da decisão, o artigo 23 do Decreto 70.235/1972 estabelece que a intimação pode ser feita via postal ou por meio eletrônico. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10875.905279/200921 Acórdão n.º 1401002.382 S1C4T1 Fl. 5 4 No caso, a ciência foi postal e, como se observa às fl. 88, o rastreamento do objeto pelos Correios indica que o contribuinte foi intimado em 13/01/2014, uma segundafeira. Assim, o prazo para interposição do recurso iniciouse dia 14/01/2014, findando em 12/02/2014, uma quartafeira. Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado dia 13/02/2014, quintafeira, como comprovam a solicitação de juntada de fl. 104, assim como o carimbo oficial da repartição da RFB, na primeira folha das suas razões (fl. 90). Nas razões recursais, não há tópico, nem qualquer comentário ou alegação sobre a sua tempestividade. Com base nas informações acima, a constatação necessária seria de que o prazo recursal foi extrapolado em 1 dia. Ocorre que, não obstante tenha sido juntado aos autos o status de rastreamento dos Correios, não há comprovação de que tal documento foi efetivamente recebido, por ausência de juntada do respectivo Aviso de Recebimento AR. Uma vez que não foi anexado aos autos o AR correspondente, mas apenas informação unilateral, extraída do site dos Correios, de que a entrega teria ocorrido em 13/01/2014, considero não haver nos autos prova de que a intimação tenha sido recebida no endereço cadastral da Recorrente em tal data. A lei processual exige a prova do recebimento, vale dizer, a assinatura do recebedor que não necessariamente precisa ser o representante legal do contribuinte, sendo perfeitamente válida a intimação mesmo que o AR tenha sido firmado por membro de sua família ou pelo porteiro do prédio onde mora ou onde funciona o seu estabelecimento. É o que estabelece o art. 23 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) O simples histórico da entrega do AR extraído do sítio eletrônico dos Correios até pode ser tomado como início de prova, especialmente quando nenhuma das partes questiona a data ali consignada. Mas este não é o documento oficial dotado de fé pública que atesta a entrega. Até porque, em um caso extremo em que o contribuinte alegue não ter sido intimado, exigir deste prova em contrário que infirme o conteúdo dessa declaração unilateral dos Correios significaria demandar a apresentação de prova negativa do fato da intimação, algo absolutamente impossível de ser realizado. Em outra ocasião já votei por converter o julgamento em diligência, a fim de que (i) a unidade de origem anexe aos autos Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10875.905279/200921 Acórdão n.º 1401002.382 S1C4T1 Fl. 6 5 cópia do AR assinado correspondente à intimação da Recorrente acerca do acórdão 1144.008, proferido pela 4ª Turma da DRJ/RecifePE (Código de Rastreamento JG106969555BR); e (ii) se por qualquer motivo não houver possibilidade de tal documento ser juntado pela unidade de origem, diligenciar aos Correios para obter 2a via do AR assinado, ou documento equivalente, que comprove a data da entrega da correspondência à Recorrente, sendo que, não sendo possível obter a 2a via do AR ou documento equivalente, solicitar aos Correios que este informe a data da entrega da correspondência objeto do AR Código de Rastreamento JG106969555BR, conforme seus registros internos, fornecendo a documentação pertinente. Em tal diligência considerei também que deveria ser intimada a contribuinte para provar, se entender necessário, a ocorrência de justa causa que a tenha impedido de recorrer no prazo legal, nos termos do § 1º do art. 223 do Código de Processo Civil: Art. 223. Decorrido o prazo, extinguese o direito de praticar ou de emendar o ato processual, independentemente de declaração judicial, ficando assegurado, porém, à parte provar que não o realizou por justa causa. § 1o Considerase justa causa o evento alheio à vontade da parte e que a impediu de praticar o ato por si ou por mandatário. § 2o Verificada a justa causa, o juiz permitirá à parte a prática do ato no prazo que lhe assinar. Não obstante, a experiência demonstra que em casos como tais a diligência resta infrutífera porque nem a unidade de origem nem os Correios guardam por tanto tempo tas registros. Neste sentido, considerando que é ônus da fiscalização provar se e quando a intimação foi realizada, havendo dúvida quanto à data da intimação e tendo esta sido supostamente ultrapassada em apenas 1 dia, considero que o recurso deve ser tido por tempestivo. Concluo que o recurso voluntário preenche os requisitos para a sua admissibilidade e portanto dele tomo conhecimento. Passo ao mérito. A DRJ não homologou a compensação pleiteada sob o argumento de que, como não houve retificação da DCTF por ocasião da ciência da Solução de Consulta, cabia ao interessado o ônus de provar seu direito. Considerou que a Solução de Consulta cuida da matéria em tese, de forma que não haveria nos autos comprovação de que a interessada efetivamente faz jus ao percentual de presunção reduzido de 8%. A razão para negar a retificação das declarações seria a não concordância com matéria que já foi julgada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10875.905279/200921 Acórdão n.º 1401002.382 S1C4T1 Fl. 7 6 No caso, verificase a existência do Tema no. 217 em sede de Recurso Repetitivo do STJ, que assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido: Tema/Repetitivo 217 Situação do Tema Trânsito em Julgado Ramo do Direito DIREITO TRIBUTÁRIO Questão submetida a julgamento Questionase a forma de interpretação e o alcance da expressão serviços hospitalares, prevista no artigo 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei 9.429/95, para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL com base em alíquotas reduzidas. Tese Firmada Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. Anotações Nugep Incide o Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSSL com alíquotas reduzidas, na forma do art. 15, § 1º, III, da Lei 9.249/1995, sobre a receita proveniente da prestação de 'serviços hospitalares' (não receita bruta total da empresa), neles compreendidas as atividades de natureza hospitalar essenciais à população, independente da existência de estrutura para internação, excluídas as consultas realizadas por profissionais liberais em seus consultórios médicos. Informações Complementares "As modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95." Repercussão Geral Tema 353/STF Enquadramento de pessoas jurídicas da área de saúde na qualidade de prestadoras de serviço hospitalar para fins de obtenção do benefício de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro líquido (CSLL) e do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) com base de cálculo reduzida. Observese que o critério apresentado pelo STJ para a interpretação da Lei nº 9.249/1995 é simples e objetivo: são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009, segundo a qual o percentual reduzido será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Anvisa. Vejase (grifamos): Art. 15 ... III trinta e dois por cento, para as atividades de: Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10875.905279/200921 Acórdão n.º 1401002.382 S1C4T1 Fl. 8 7 a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)" Observo que tal questão não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o disposto no § 5o do art. 19 da Lei 10.522/2002: Lei nº 10.522/02 Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) ... V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) De fato, a matéria está na lista de temas em relação aos quais se aplica o disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/02 e nos arts. 2º, V, VII, §§ 3º a 8º, 5º e 7º da Portaria PGFN Nº 502/2016, publicada pela a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (disponível em http://www.pgfn.fazenda.gov.br/legislacaoenormas/documentos portaria502/listadedispensadecontestarerecorrerart2ovviie a7a73oa8odaportariapgfnno5022016, acesso em 15 de outubro de 2017): "Alíquotas reduzidas Serviços hospitalares Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10875.905279/200921 Acórdão n.º 1401002.382 S1C4T1 Fl. 9 8 REsp 1.116.399/BA (tema nº 217 de recursos repetitivos) Resumo: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Para fins de redução da alíquota, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". Ficou consignado que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. OBSERVAÇÃO: O benefício não se aplica às consultas médicas, nem mesmo quando realizadas no interior de hospitais, de modo que só abrange parcela das receitas da sociedade que decorre da prestação de serviços hospitalares propriamente ditos. Ressaltamos que o STF não reconheceu repercussão geral com relação a este tema (AI 803.140). OBSERVAÇÃO 2: Deve ser apresentada contestação e interposto recurso quando se tratar de sociedade simples, tendo se em vista a alteração introduzida pela Lei 11.718/08* no art 15, III, da Lei 9.249/95, segundo a qual a alíquota reduzida será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária." *Nota desta Relatora: na verdade tratase da Lei 11.727/08 que estabelece alíquota de 32% para " a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)" Dispositivo Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10875.905279/200921 Acórdão n.º 1401002.382 S1C4T1 Fl. 10 9 Ante o exposto, oriento meu voto para julgar procedente o recurso voluntário, determinando que o crédito pleiteado nas compensações seja analisado sob a premissa de que os percentuais de presunção aplicáveis à contribuinte são de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL conforme decidido no Tema 217 Repetitivo do STJ. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por julgar procedente o recurso voluntário, determinando que o crédito pleiteado nas compensações seja analisado sob a premissa de que os percentuais de presunção aplicáveis à contribuinte são de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL conforme decidido no Tema 217 Repetitivo do STJ. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 117DF CARF MF
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Numero do processo: 13976.000364/2007-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO.
Constatada a ocorrência de omissão ou contradição na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções.
Numero da decisão: 2401-005.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão e a contradição apontadas, mantendo-se a decisão anterior.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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Embargante INDÚSTRIAS ARTEFAMA S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. Constatada a ocorrência de omissão ou contradição na decisão embargada, deve ser dado provimento aos embargos de declaração com vistas a sanear tais incorreções. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão e a contradição apontadas, mantendose a decisão anterior. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 6. 00 03 64 /2 00 7- 99 Fl. 1515DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos Declaratórios opostos pelo contribuinte em face do Acórdão 240101.964 (fls. 1.251/1.264), assim ementado: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EMPRESA. INCIDENTES SOBRE CONTRIBUIÇÕES SEGURADOS EMPREGADOS. VALES REFEIÇÃO. PAT. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS DECADÊNCIA. Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso em exame, pelo que se verifica dos autos, não houve antecipação de pagamento, pois embora parte do lançamento refirase a contribuições incidentes sobre parte da remuneração dos segurados, houve lançamento englobando as contribuições incidentes sobre a outra parte da remuneração. Assim, há que se aplicar, para efeito da verificação da decadência, a regra contida no artigo 173, I do CTN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AGROINDÚSTRIA. ENQUADRAMENTO. Para o enquadramento na condição de Agroindústria, fazse necessária a mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos. Mesmo considerando como produção rural própria a aquisição de árvores em pé já maturadas ou em fase avançada do trato cultural, mesmo assim, tal produção é ínfima em relação àquela adquirida de terceiros e por essa razão não há como considerar como correto o enquadramento da Recorrente como agroindústria". Recurso Voluntário Provido em Parte A decisão foi proferida nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: I) conhecer parcialmente do recurso; e II) na parte conhecida: a) declarar a decadência até a competência 10/2001; e b) no mérito, negar provimento ao recurso. A embargante alega que houve omissão, pois tanto a fiscalização quanto o Acórdão embargado entenderam que o contribuinte “não teria comprovado o atendimento aos Fl. 1516DF CARF MF Processo nº 13976.000364/200799 Acórdão n.º 2401005.451 S2C4T1 Fl. 1.516 3 requisitos necessários para o seu enquadramento como agroindústria e, por conseguinte, o regime substitutivo previsto no art. 22A da Lei nº 8.212/1991”, sem, contudo, ter sido feita a devida justificação desse entendimento, trazendo, ao final, a seguinte conclusão: Sendo assim é forçoso concluir que o v. acórdão foi omisso na fundamentação de suas razões de decidir, não tendo ficado claro – com base em fundamentos legais – o que é necessário para que uma pessoa jurídica seja qualificada como agroindústria, na medida em que não há qualquer percentual de produção própria exigido em lei, tampouco demais requisitos trazidos pelo v. acórdão (como definição de percentual ínfimo, estágio da floresta e preponderância entre matériasprimas próprias e adquiridas de terceiros). Alega também que o acórdão em questão é contraditório, pois ora afirma que a Embargante cumpre integralmente os requisitos da Lei nº 10.256/2001 e ora afirma que a embargante não se enquadra na condição de agroindústria. Os aclaratórios foram admitidos, conforme despacho de fls. 1.487/1.490, nos seguintes termos: Da alegada omissão Para melhor análise da omissão apontada, extraímos do Voto condutor o seguinte excerto: "Vêse, assim que o requisito essencial para que haja a substituição das contribuições previdenciárias das agroindústrias é o de industrializar a produção própria podendo haver também a industrialização da produção adquirida de terceiros, porém, ainda que a lei não exija que a produção própria deva ser neste ou naquele percentual em relação à produção adquirida de terceiro, a produção própria deve sobrepor àquela adquirida de terceiros." Conforme se observa na transcrição acima, a Relatora do presente Voto assevera que a “produção própria deve sobrepor àquela adquirida de terceiros”, ainda que tal exigência não esteja prevista em lei, porém, de fato, não justifica tal entendimento, devendo, pois, ser sanada tal omissão. Da alegada contradição Pois bem, segundo consta no Voto condutor, a Embargada atende integralmente os requisitos da Lei nº 10.256, de 09/07/2001, fl. 1.261, nos seguintes termos: "Fica bem nítido que a Requerente, em face de sua atividade empresarial consistente em industrialização de madeira para a produção, comercialização e exportação de móveis e outros artefatos, inclusive florestamento, reflorestamento e extração de madeira e agricultura para uso próprio, cumpre integralmente os requisitos pela Lei nº 10.256/2001." Ora, como a Lei nº 10.256, de 2001, incluiu na Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 22A, que trata da contribuição devida Fl. 1517DF CARF MF 4 pela agroindústria, ao dizer que a Embargante cumpre integralmente os requisitos desta Lei está, ao mesmo tempo, s.m.j., dizendo que a Embargante se enquadra na condição de agroindústria, porém, nas argumentações seguintes, o Voto rebate tal situação, dizendo que não está correto o enquadramento da Embargante como agroindústria, sendo esta a posição firmada pela Turma Julgadora. Dessa forma, como se vê, há de fato uma contradição no Voto, que precisa ser sanada. É o relatório. Fl. 1518DF CARF MF Processo nº 13976.000364/200799 Acórdão n.º 2401005.451 S2C4T1 Fl. 1.517 5 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Os embargos foram admitidos para sanar a contradição e omissão apontadas e foram incluídos em pauta para que seja sanado o vício. Ressaltese que a relatora do acórdão de recurso voluntário proferido no presente processo deixou de integrar o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Assim, o que se busca nesse voto é esclarecer seu entendimento sobre os fatos, afim de sanar a omissão e contradição apontadas nos embargos, o que não significa ser, necessariamente, o entendimento desta relatora. CONTRADIÇÃO De fato, como alega a embargante, consta do voto o seguinte trecho: Fica bem nítido que a Requerente, em face de sua atividade empresarial consistente em industrialização de madeira para a produção, comercialização e exportação de móveis e outros artefatos, inclusive florestamento, reflorestamento e extração de madeira e agricultura para uso próprio, cumpre integralmente os requisitos pela Lei nº 10.256/2001. Contudo, nas argumentações seguintes, o voto rebate tal situação, dizendo que não está correto o enquadramento da embargante como agroindústria, conforme trechos abaixo citados, sendo esta a posição firmada pela Turma Julgadora. Pelo que se lê do dispositivo acima transcrito, verificase que, na definição do que seja Agroindústria, estão contidos os seguintes requisitos: ser Produtor Rural Pessoa Jurídica e industrializar produção própria, e, acrescentada a essa, a industrialização de produção adquirida de terceiros. Vêse, assim que o requesito (sic) essencial para que haja a substituição das contribuições previdenciárias das agroindústria é o de industrializar a produção própria podendo haver também a industrialização da produção adquirida de terceiros, porém, ainda que a lei não exija que a produção própria deva ser neste ou naquele percentual em relação à produção adquirida de terceiro, a produção própria deve sobrepor àquela adquirida de terceiros. [...] Assim, com relação à Produção Rural Própria, mesmo considerando como tal a aquisição de árvores em pé já maturadas ou em fase avançada do trato cultural , mesmo assim, Fl. 1519DF CARF MF 6 tal produção é ínfima em relação àquela adquirida de terceiros e por essa razão não há como considerar como correto o enquadramento da Recorrente como agroindústria. (grifo nosso) Portanto, é evidente o erro material da relatora ao redigir o parágrafo citado no início deste tópico, que deve ter a redação alterada, incluindose o trecho grifado, passando a ter a seguinte redação: Fica bem nítido que a Requerente, em face de sua atividade empresarial consistente em industrialização de madeira para a produção, comercialização e exportação de móveis e outros artefatos, inclusive florestamento, reflorestamento e extração de madeira e agricultura para uso próprio, contudo, não cumpre integralmente os requisitos pela Lei nº 10.256/2001. OMISSÃO Consta do voto condutor do acórdão recorrido que: Vêse, assim que o requisito essencial para que haja a substituição das contribuições previdenciárias das agroindústrias é o de industrializar a produção própria podendo haver também a industrialização da produção adquirida de terceiros, porém, ainda que a lei não exija que a produção própria deva ser neste ou naquele percentual em relação à produção adquirida de terceiro, a produção própria deve sobrepor àquela adquirida de terceiros. Da leitura do voto, observase que a relatora se vale de vários elementos para afirmar que a empresa não industrializa produção própria, não se enquadrando nos requisitos da Lei nº 10.256/2001: No presente caso, no entanto, o objetivo principal da impugnante, conforme verificado pela fiscalização e que consta de seu contrato social e CNPJ, é a fabricação e comercialização de móveis com predominância de madeira. Atividade esta que já era exercida antes do advento da Lei 10.256/2001 em detrimento de alguma atividade rural. Em que pese a alegação de que se enquadrou como Agroindústria embasada em orientações fornecidas pela própria Receita Previdenciária, através de processo de Consulta, ato que vincula os seus agentes, sendo que qualquer modificação na resposta dada à consulente somente operaria efeitos para o futuro, vale esclarecer que nas Consultas n°.310/2004, 310A/ 2004 e 330/2004 (fls 843/852), que o então Serviço de Arrecadação da Gerência Executiva do INSS em Joinville/SC tratou dos questionamentos efetuados e prestou os esclarecimentos em tese à consulente, com base, estritamente, nas informações e subsídios prestados pelo consulente. Como já salientado na fundamentação da decisão de primeira instância a Recorrente, nas Declarações de Imposto de Renda Fl. 1520DF CARF MF Processo nº 13976.000364/200799 Acórdão n.º 2401005.451 S2C4T1 Fl. 1.518 7 relativa aos anos de 1999 a 2005, declarou não exercer atividade rural. De igual modo agiu a empresa ao impetrar a ação judicial n°. 2001.72.01.0045350, em 31/12/2001, na 3ª, Vara de Joinville, na qual pleiteia seja reconhecida a inexigibilidade das contribuições ao INCRA sob o argumento de que não é produtor rural. Verificouse, assim, que o enquadramento como Agroindústria ocorreu somente, e de maneira apenas formal, perante à Previdência Social. Não por acaso e tampouco em decorrência de erro, porém, com vistas à obtenção do benefício da substituição da contribuição previdenciária incidente sobre a folha de pagamento de seus empregados pela incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção, o que lhe é extremamente mais favorável financeiramente. Assim, com relação à Produção Rural Própria, mesmo considerando como tal a aquisição de árvores em pé já maturadas ou em fase avançada do trato cultural , mesmo assim, tal produção é ínfima em relação àquela adquirida de terceiros e por essa razão não há como considerar como correto o enquadramento da Recorrente como agroindústria Diante dos vários elementos apontados, no mérito, a relatora nega provimento ao recurso. De qualquer forma, quanto à proporção entre a produção própria e a adquirida de terceiros, afirmando a relatora que "mesmo que considerando como produção própria a aquisição de árvores em pé já maturadas", o que demonstra seu entendimento que não pode ser considerada produção própria a aquisição de árvore em pé, logo, isso seria elemento suficiente para negar provimento ao recurso, por não ser a empresa agroindústria, ela acrescenta que "tal produção é ínfima em relação àquela adquirida de terceiros", elemento este objeto dos embargos. Em que pese a relatora não ter discorrido mais sobre o assunto no acórdão embargado, pois suas razões de decidir eram suficientes para, no mérito, negar provimento ao recurso, o entendimento sobre a produção própria ínfima também é encontrado em outros acórdãos, conforme abaixo: Excerto do voto do conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, proferido no Acórdão nº 9202003.570, da 2ª Turma da CSRF, em sessão de 29/1/15, no qual foi dado provimento ao Recurso Especial da Fazenda para desconsiderar o enquadramento do sujeito passivo como agroindústria: Dessa forma entendo que, como a lei não estipula limites mínimos de industrialização de produção própria, o não enquadramento de agroindústria com base na relação do faturamento decorrente da comercialização própria em relação Fl. 1521DF CARF MF 8 ao total faturado pela empresa, como quer a recorrente, implica violação ao fundamental princípio da legalidade. Feitas essas considerações, entendo que no presente caso, a Recorrente dignou demonstrar que o Sujeito Passivo não é agroindústria, pois não se enquadra na capitulação legal – art. 22A, da Lei n. 8.212/91. O aludido dispositivo legal é cristalino ao definir o que deve ser considerada como sendo agroindústria, ao exigir cumulativamente a ocorrência dos seguintes requisitos, a saber: ser Produtor Rural Pessoa Jurídica e industrializar produção própria, além da industrialização da produção de terceiros, se for o caso. Por certo, a legislação previdenciária tem clara intenção de fazer incidir a contribuição substitutiva prevista para as agroindústrias sobre as que possuam efetivamente esta característica, ou seja, um produtor rural que também industrialize sua produção. Nesse sentido a legislação busca incentivar ao produtor rural que realize o beneficiamento de sua produção (e eventualmente de terceiros), agregandolhe valor comercial. Não fosse assim, poderia uma pessoa jurídica eminentemente voltada para atividade industrial que com o objetivo de beneficiarse da tributação diferenciada destinada à agroindústria, realizar alguma atividade rural a fim de enquadrarse na hipótese legal, praticando, assim, uma evasão fiscal. É verdade que a legislação previdenciária não estipula o percentual de produção própria ou adquirida de terceiros suficiente para qualificação de uma pessoa jurídica como agroindústria, todavia não se pode deixar de analisar a realidade tal como ela se apresenta, em busca da Verdade Material, como meio garantidor da certeza do crédito tributário, no qual se deve buscar a realidade dos fatos. Em que pese a força da literalidade dos dispositivos legais, assume grande relevância o aspecto substancial da realidade sobre a qual a tributação incide. Não basta aterse simplesmente a literalidade do texto legal, é necessária a busca pela realidade fálica em perseguição à verdade material. A reunião desses dois aspectos resultará na aplicação adequada da lei. Caso contrário, qualquer indústria (inclusive os grandes complexos industriais) que utilizasse no seu processo produtivo apenas parte do insumo produzido por ela própria, por menos que fosse, poderia se beneficiar do tratamento tributário especial, o qual, na verdade, é um regime substitutivo criado para ser aplicado ao verdadeiro produtor rural. No presente caso, no entanto, observase que a empresa percorreu o caminho inverso do pretendido com a criação das contribuições substitutivas para as agroindústria. O que claramente se afigura é uma pessoa jurídica eminentemente voltada para atividade industrial que, com o objetivo de beneficiarse da tributação diferenciada destinada à agroindústria, procura realizar alguma atividade rural a fim de Fl. 1522DF CARF MF Processo nº 13976.000364/200799 Acórdão n.º 2401005.451 S2C4T1 Fl. 1.519 9 enquadrarse na hipótese legal à lei, muito embora não proíba esta prática, não pode ser utilizada para viabilizar a evasão fiscal e sangrar os cofres públicos. [...] O reflorestamento não é sua principal atividade conforme informação trazida pela fiscalização, tanto em relação ao pessoal ocupado, quanto à produção própria em relação à adquirida de terceiros. Ainda nesse sentido, extraise excerto de voto proferido em decisão exarada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região: A atividade de agroindústria, no ramo de reflorestamento, no máximo, poderia envolver a produção de matéria prima primária para a indústria (toras, tábuas, etc.), mas não a complexa atividade de industrialização de madeira, especialmente quando se destina ao outro ramo de atividade do contribuinte, que é a industrialização de papel. Não fosse assim, qualquer indústria que utilizasse no seu processo produtivo apenas parte do insumo produzido por ela própria, por menor que fosse a quantidade, poderia se beneficiar do tratamento tributário especial. Como dito anteriormente, o regime substitutivo previsto no artigo 22A da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, tem por objetivo beneficiar o produtor rural que industrializa a sua própria produção ou, ainda, que soma a esta a de terceiros. A atividade preponderante da empresa é a industrialização da madeira, que além de empregar os insumos (toras, tábuas, etc.) que provêm da atividade de reflorestamento, agrega ainda outros materiais e envolve um complexo processo de industrialização de matériaprima beneficiada ou transformada, passando pela atividade papeleira. (TRF4, APELREEX 2005.72.11.0017539, SEGUNDA TURMA, Relatora VÂNIA HACK DE ALMEIDA, D.E. 24/02/2010) Assim, em que pese a lei não estabelecer o percentual mínimo de produção própria para que a empresa seja considerada agroindústria, há entendimentos no sentido de que o percentual substancialmente pequeno em relação à quantidade de matéria prima necessária, descaracteriza a agroindústria, especialmente quando não se trata de um produtor rural que industrializa produção própria, mas de uma indústria que resolve ter produção própria, em quantidades mínimas perto de toda a matéria prima que precisa, para, indevidamente, enquadrarse como agroindústria, usufruindo de benefício fiscal. Fl. 1523DF CARF MF 10 Sendo assim, os embargos devem ser acolhidos, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão e a contradição apontadas, mantendose a decisão anterior. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 1524DF CARF MF
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