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Numero do processo: 16327.721552/2013-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
PROCESSOS VINCULADOS. DECISÕES ADMINISTRATIVAS DIVERGENTES. POSSIBILIDADE.
A existência de vinculação entre processos não impõe ao órgão julgador adotar a mesma decisão já proferida em julgamento anterior relativo às autuações dos anos-calendário de 2006 e 2007.
REGISTRO DO ÁGIO. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA
O registro do ágio na contabilidade não é fato gerador de obrigação tributária e, menos ainda, termo inicial do prazo decadencial. O que é homologado pelo Fisco é a apuração da base de cálculo que somente é afetada após o início da amortização do ágio.
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. FUNDAMENTO ECONÔMICO. FUNDO DE COMÉRCIO.
As amortizações de ágio respaldadas em laudo cuja análise refere-se à atividade de administração de ativos não se prestam a justificar a rentabilidade futura das empresas, mas sim do fundo de comércio adquirido.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASE NEGATIVA DE CSLL. IMPROCEDÊNCIA.
Considerando que foram restabelecidos os saldos de prejuízos fiscais e base de cálculo negativas de CSLL, com o trânsito em julgado de decisão administrativa favorável à recorrente, são improcedentes as glosas compensações dos prejuízos fiscais e base de cálculo negativas de CSLL no processo decorrente.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
AMORTIZAÇÃO INDEVIDA DE ÁGIO. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CSLL.
Devem ser incluídas na apuração da base de cálculo as amortizações indevidas de ágio tendo em vista que são aplicáveis à CSLL as mesmas normas de apuração e pagamento do IRPJ, mantidas as bases de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, nos termos do art. 57 da Lei nº 8.981/95.
CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO.
Aplica-se a mesma solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão do lançamento estar apoiado nos mesmos elementos de convicção.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
MULTAS ISOLADAS. ESTIMATIVA MENSAL. CABIMENTO.
Encerrado o ano-base as estimativas mensais não podem ser exigidas cabendo tão-somente a aplicação de multa isolada, prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996.
MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. APLICABILIDADE.
Cabível a aplicação da multa isolada prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96 concomitantemente com a multa de ofício por se tratarem de penalidades distintas e com previsões legais específicas.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multas de oficio. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo as multas de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Numero da decisão: 1301-002.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a infração de glosa de compensação indevida de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votaram no sentido de provimento integral.
(Assinado Digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 PROCESSOS VINCULADOS. DECISÕES ADMINISTRATIVAS DIVERGENTES. POSSIBILIDADE. A existência de vinculação entre processos não impõe ao órgão julgador adotar a mesma decisão já proferida em julgamento anterior relativo às autuações dos anos-calendário de 2006 e 2007. REGISTRO DO ÁGIO. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA O registro do ágio na contabilidade não é fato gerador de obrigação tributária e, menos ainda, termo inicial do prazo decadencial. O que é homologado pelo Fisco é a apuração da base de cálculo que somente é afetada após o início da amortização do ágio. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. FUNDAMENTO ECONÔMICO. FUNDO DE COMÉRCIO. As amortizações de ágio respaldadas em laudo cuja análise refere-se à atividade de administração de ativos não se prestam a justificar a rentabilidade futura das empresas, mas sim do fundo de comércio adquirido. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASE NEGATIVA DE CSLL. IMPROCEDÊNCIA. Considerando que foram restabelecidos os saldos de prejuízos fiscais e base de cálculo negativas de CSLL, com o trânsito em julgado de decisão administrativa favorável à recorrente, são improcedentes as glosas compensações dos prejuízos fiscais e base de cálculo negativas de CSLL no processo decorrente. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 AMORTIZAÇÃO INDEVIDA DE ÁGIO. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Devem ser incluídas na apuração da base de cálculo as amortizações indevidas de ágio tendo em vista que são aplicáveis à CSLL as mesmas normas de apuração e pagamento do IRPJ, mantidas as bases de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, nos termos do art. 57 da Lei nº 8.981/95. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplica-se a mesma solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão do lançamento estar apoiado nos mesmos elementos de convicção. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 MULTAS ISOLADAS. ESTIMATIVA MENSAL. CABIMENTO. Encerrado o ano-base as estimativas mensais não podem ser exigidas cabendo tão-somente a aplicação de multa isolada, prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. APLICABILIDADE. Cabível a aplicação da multa isolada prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96 concomitantemente com a multa de ofício por se tratarem de penalidades distintas e com previsões legais específicas. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multas de oficio. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo as multas de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
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DECISÕES ADMINISTRATIVAS DIVERGENTES. POSSIBILIDADE. A existência de vinculação entre processos não impõe ao órgão julgador adotar a mesma decisão já proferida em julgamento anterior relativo às autuações dos anoscalendário de 2006 e 2007. REGISTRO DO ÁGIO. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA O registro do ágio na contabilidade não é fato gerador de obrigação tributária e, menos ainda, termo inicial do prazo decadencial. O que é homologado pelo Fisco é a apuração da base de cálculo que somente é afetada após o início da amortização do ágio. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. FUNDAMENTO ECONÔMICO. FUNDO DE COMÉRCIO. As amortizações de ágio respaldadas em laudo cuja análise referese à atividade de administração de ativos não se prestam a justificar a rentabilidade futura das empresas, mas sim do fundo de comércio adquirido. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASE NEGATIVA DE CSLL. IMPROCEDÊNCIA. Considerando que foram restabelecidos os saldos de prejuízos fiscais e base de cálculo negativas de CSLL, com o trânsito em julgado de decisão administrativa favorável à recorrente, são improcedentes as glosas compensações dos prejuízos fiscais e base de cálculo negativas de CSLL no processo decorrente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009, 2010 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 15 52 /2 01 3- 35 Fl. 2996DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 2.997 2 AMORTIZAÇÃO INDEVIDA DE ÁGIO. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Devem ser incluídas na apuração da base de cálculo as amortizações indevidas de ágio tendo em vista que são aplicáveis à CSLL as mesmas normas de apuração e pagamento do IRPJ, mantidas as bases de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, nos termos do art. 57 da Lei nº 8.981/95. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase a mesma solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão do lançamento estar apoiado nos mesmos elementos de convicção. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010 MULTAS ISOLADAS. ESTIMATIVA MENSAL. CABIMENTO. Encerrado o anobase as estimativas mensais não podem ser exigidas cabendo tãosomente a aplicação de multa isolada, prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. APLICABILIDADE. Cabível a aplicação da multa isolada prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96 concomitantemente com a multa de ofício por se tratarem de penalidades distintas e com previsões legais específicas. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multas de oficio. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo as multas de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a infração de glosa de compensação indevida de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto que votaram no sentido de provimento integral. (Assinado Digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente (Assinado Digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora Fl. 2997DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 2.998 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior e Waldir Veiga Rocha. Relatório Tratase o presente processo de recurso voluntário contra acórdão de impugnação que julgou procedente os autos de infração de IRPJ Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no valor de R$ 9.235.829,26 e de CSLL Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no valor de R$ 5.555.897,55, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora. A fiscalização apurou que a contribuinte efetuou amortização indevida de ágio, nos termos do inciso II, do art. 386 do RIR/99, visto que o fundamento econômico do ágio foi o fundo de comércio, tendo sido apuradas as seguintes infrações no auto de IRPJ: (i) Ajustes do Lucro Líquido do Exercício Adições Não Computadas na Apuração do Lucro Real; (ii) Exclusões/Compensações Não Autorizadas na Apuração do Lucro Real Exclusões Indevidas; (iii) Saldo Insuficiente Compensação Indevida de Prejuízo Operacional com Resultado da Atividade Geral e (iv) Multa ou Juros Isolados Falta de Recolhimento do IRPJ Sobre Base de Cálculo Estimada; bem assim, as seguintes infrações no auto de CSLL: (i) Falta/Insuficiência de Adições à Base de Cálculo Ajustada da CSLL Provisões Não Dedutíveis; (ii) Exclusões Indevidas da Base de Cálculo Ajustada da CSLL Exclusões Indevidas; (iii) Saldo Insuficiente Compensação Indevida de Base de Cálculo Negativa da Atividade Geral com Resultado da Atividade Geral e (iv) Multa ou Juros Isolados Falta de Recolhimento da Contribuição Social Sobre a Base Estimada. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado pelo órgão julgador a quo, complementandoo ao final: "Tratase de impugnação apresentada contra os lançamentos que formalizaram a exigência de IRPJ e CSLL no montante de R$ 37.494.005,37, compreendendo, além dos tributos, multa vinculada, multa isolada e juros de mora, tendo por fundamento legal o art. 3° da Lei n° 9.249/1995 e demais dispositivos indicados nos autos de infração de fls. 2.463 a 2.485 e 2.486 a 2.504. Os lançamentos foram motivados pelas seguintes infrações: 1) falta de adição à base de cálculo de despesa indedutível na apuração do lucro tributável pelo IRPJ e pela CSLL; 2) exclusões indevidas das bases cálculo daqueles tributos; 3) compensação indevida de prejuízos fiscais; e 4) falta de recolhimento de IRPJ e de CSLL calculados sobre base estimada mensal. As infrações estão descritas de forma detalhada no Termo de Verificação de Fiscal (fls. 2.505 a 2.530), que pode ser assim resumido: O escopo do procedimento fiscal era analisar as despesas com amortização de ágio, que, a juízo da Fiscalização, eram indedutíveis em razão do fundamento econômico, que consistia no fundo de comércio e intangíveis. No processo administrativo n° 16327.000992/201011, apurouse, na composição das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, nos anos de 2006 e 2007, a existência de despesas indedutíveis referentes à amortização de ágio, o que rendeu ensejo a lançamento de ofício. Idêntica infração foi constatada nos anos de 2008 a 2010, mercê da reiteração da conduta pela fiscalizada ao longo desses anos. Fl. 2998DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 2.999 4 A autoridade fiscal relatou que, em 23 de junho de 2005, os grupos Citibank e Legg Mason celebraram contrato, pelo qual o primeiro cederia a gestão de recursos de terceiros ("asset management"). No bojo dessa operação, o grupo Citibank constituiu duas sociedades empresárias, para as quais transferiu a atividade de gestão de recursos de terceiros. Assim, para a O.C.F.S.P.E. Empreendimentos e Participações Ltda., depois denominada Citifundos Asset Management Ltda., transferiu a "bandeira de renda variável"; enquanto para a L.M.R.S.P.E. Empreendimentos e Participações Ltda., depois denominada Citiportfolio Asset Management Ltda., a "bandeira de renda fixa". As duas entidades empresariais foram constituídas em 25 de maio de 2005, cada uma com capital social de R$ 500,00. Até a data da transferência dos ativos e passivos referentes à atividade de gestão de recursos de terceiros, nenhuma delas havia operado. Paralelamente, o grupo Legg Mason, que não tinha negócios no Brasil, adquiriu, em 30 de setembro de 2005, duas holdings: V.H.R.S.P.E. Empreendimentos e Participações Ltda., depois denominada Legg Mason Participações Ltda., e P.D.R.S.P.E. Empreendimentos e Participações Ltda., depois denominada Western Asset Participações Ltda. Em 28 de novembro de 2005, as holdings sofreram aumento de capital social, mediante aporte de recursos oriundos do grupo Legg Mason. Em 1° de dezembro de 2005, deuse a aquisição das cotas do capital da Citifundos Asset Management (bandeira de renda variável) pela Legg Mason Participações Ltda., que pagou ao Citibank S.A. a quantia de R$ 155.394.956,57, contabilizando um ágio de R$ 154.816.956,57. Conforme laudo de avaliação de Ernst & Young, em 1° dezembro de 2005, o patrimônio líquido da Legg Mason Participações Ltda. era de R$ 155.397.706,13, assim constituído: ativo permanente investimento R$ 578.000,00; ágio R$ 154.816.956,57. Em 31 de dezembro de 2005, efetivouse incorporação reversa, pela qual a controladora Legg Mason Participações Ltda. foi incorporada pela controlada, Citifundos Asset Management. Procedimento semelhante envolveu a Citiportfolio Asset Management (bandeira de renda fixa) e a Western Asset Participações Ltda. Esta última pagou ao Citibank S.A. a importância de R$ 41.407.638,13, tendo sido registrado um ágio de R$ 39.629.638,13. Consumada a aquisição, o patrimônio de Western Asset Participações Ltda., em 1° de dezembro de 2005, era de R$ 41.566.084,00, assim distribuído: ativo permanente investimento R$ 1.778.000,00; ágio R$ 39.629.638,13. Também aqui se operou a incorporação da controladora pela controlada, a qual passou a ter como denominação Western Asset Administradora de Recursos Ltda. Com as citadas incorporações, o ágio foi transferido para as incorporadoras, Citifundos Asset Management Ltda. e Western Asset Administradora de Recursos Ltda. (antes denominada Citiportfolio Asset Management). Em 31 de maio de 2006, a Western Asset Administradora de Recursos Ltda. foi incorporada pela Citifundos Asset Managemente Ltda., o que acarretou a transferência do ágio para a incorporadora. Em 14 de junho de 2006, foi alterada a razão social da Citifundos Asset Management Ltda. para Wester Asset Management Co. Ltda. Fl. 2999DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 3.000 5 Em 27 de maio de 2008, a Western Asset Management Co. Ltda. foi transformada em distribuidora de títulos e valores mobiliários, passando a ostentar a seguinte denominação social Western Asset Management DTVM. O ágio pago na aquisição dos investimentos registrouse originalmente no ativo permanente; mas, após o processo de incorporação, foi transferido para o ativo diferido. A partir de 2006, a sociedade Western Asset Management DTVM vem amortizando o ágio à razão de 1/96 avos mensais, com fulcro o inciso II do art. 386 do Regulamento do Imposto de Renda RIR. A contribuinte consignou, como fundamento econômico do ágio, o valor da rentabilidade com base em previsão de resultados futuros, respaldandose em avaliação econômicofinanceira, na qual se utilizou a metodologia do fluxo de caixa para acionista descontado a valor presente, projetando os resultados no período de dezembro de 2006 a dezembro de 2012. A Fiscalização, todavia, entendeu que o verdadeiro fundamento econômico não foi a expectativa de rentabilidade, mas o fundo de comércio. Ponderou a autoridade lançadora que a realidade fática na qual se insere o empreendimento impossibilita qualquer previsão segura de resultados futuros, dada a ausência de histórico na área de gestão de recursos de terceiros. Dessa forma, descaracterizada a expectativa de rentabilidade como fundamento econômico do ágio, procedeuse à glosa das respectivas quotas de amortização. A Fiscalização considerou que o verdadeiro fundamento para o ágio foi o fundo de comércio relativo à atividade de "asset management". A carteira de recebíveis foi o único ativo transferido, representando a clientela, que não é passível de existência autônoma, estando diretamente ligada ao conceito de fundo de comércio. Ressaltou que, à luz do Direito Tributário, o conceito de estabelecimento comercial e o de fundo de comércio coincidem. São direitos passíveis de alienação autônoma. Segundo a jurisprudência, o conceito de fundo de comércio engloba também a clientela. Conforme a doutrina, a clientela e o aviamento também estão ligados à noção de fundo de comércio. Para alguns doutrinadores a clientela é o próprio fundo de comércio; para outros, é um dos atributos do estabelecimento empresarial, sem existência autônoma. Em 1° de dezembro de 2005, o grupo Citibank transferiu à Citifundos e à Citiporfolio o fundo de comércio relativo às atividades de gestão de recursos de terceiros. Na mesma data, a totalidade das cotas foi adquirida pelo grupo Legg Mason. À Citifundos foram transferidos do ativo os seguintes elementos: disponibilidades (caixa); contas a receber (taxas de administração de fundos de investimentos); outros créditos (adiantamento de 13° e 14° salários); bens do ativo permanente (computadores, equipamentos, móveis, equipamentos de telefonia); veículos; diferido (software, benfeitorias em imóveis de terceiros). Relativamente ao passivo, foram transferidas outras obrigações (passivos trabalhistas a pagar); participações nos lucros e bônus. À Citiportfolio foram transferidas as disponibilidades (caixa e bancos) e as contas a receber (taxa de administração de fundos de investimentos). A carteira de recebíveis está diretamente vinculada ao fundo de comércio da atividade de gestão de recursos de terceiros, sendo deste indissociável. As empresas Citifundos e Citiportfolio nunca operaram de forma dissociada do fundo de comércio transferido pelo Citibank. Foi também transferida a quase totalidade dos empregados, Fl. 3000DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 3.001 6 que continuaram a trabalhar no mesmo local, mesma atividade e com a mesma estrutura operacional. Observou a autoridade lançadora que "os fundos continuaram a ser distribuídos pelo Citibank, e as atividades permaneceram no mesmo local e com os mesmos elementos físicos, que foram decisivos na formação dessa clientela. Apesar da mudança de denominação dos fundos com a introdução do nome Legg Mason, a percepção dos clientes foi de que houve apenas uma troca de gestor das carteiras e fundos. O Citibank ainda operava diretamente junto ao público. Tudo continuava ali onde sempre esteve e onde a clientela estava habituada a transacionar.(fl. 2.520) A Fiscalização extraiu dos relatórios de avaliação econômicofinanceira, elaborados em 28 de novembro de 2005, por Deloitte Touche Tohmatsu Consultores Ltda., a seguinte observação, que reforça a tese de que o ágio foi baseado no fundo de comércio: "O CAM foi recentemente desmembrado em duas empresas, o Citiportfolio, cujo produto são as carteiras administradas, contando com cerca de 70 clientes individuais, principalmente fundos de pensão; e o Citifundos, que tem como produto os fundos de investimento, contando com aproximadamente 100.000 clientes, incluindo varejo, geridas tanto exclusivamente, quanto conjuntamente. Uma vez que o Citifundos é uma empresa recémcriada, não dispõe de histórico próprio, de forma que a análise feita a seguir referese ao CAM como um todo". "Assim, a análise do crescimento das receitas líquidas e patrimônio administrado pelos fundos foi baseada em dados do CAM do Grupo Citibank no período de 2002 a 2004." (fl. 2.520) Como a lei só prevê a dedução do ágio fundado na expectativa de rentabilidade em exercícios subsequentes, a Fiscalização entendeu que deveria anular, para fins fiscais, a apropriação das quotas de amortização do ágio que, de alguma forma, interferiram na apuração do lucro tributável. A glosa se refletiu nos recolhimentos mensais por estimativa e na composição do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL. A contribuinte, não resignada, insurgiuse contra o lançamento. A impugnação, vertida em sessenta e quatro laudas, contesta o entendimento da Fiscalização de que o ágio tem como origem o fundo de comércio, e não a expectativa de rentabilidade. Disse a impugnante que a legislação em vigor prevê três fundamentos para o ágio, não estabelecendo a obrigatoriedade da existência de todos eles, mas apenas de um deles. Igualmente não fixou, para esses fundamentos, uma ordem lógica. A determinação do fundamento econômico para o ágio, em uma dada aquisição de bens, é critério de decisão único e exclusivo do adquirente, derivando tal prerrogativa da liberdade negocial e da livre iniciativa. Portanto, não caberia ao Fisco estabelecer o fundamento que se presume suportar o preço pago, especialmente quando o contribuinte preenche todos os requisitos legais para comprovação de tal fundamento. A impugnante baseouse nas conclusões exaradas em laudos de avaliação que apontam a expectativa de rentabilidade como o fundamento do ágio. A Fiscalização, embora afirmando que o fundamento do ágio fosse o fundo de comércio, não fez qualquer prova nesse sentido. Não demonstrou que o ágio englobaria algum valor correspondente ao fundo de comércio e tampouco qual seria a parcela desse montante que comporia o total do custo de aquisição. Ao contrário, a autoridade lançadora afirmou, de forma genérica, que o ágio estaria vinculado ao fundo de comércio, sem produzir qualquer prova para referendar a singela alegação. Fl. 3001DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 3.002 7 Por outro lado, não teria sido posta em dúvida a validade do laudo de avaliação econômicofinanceira. Não se comprovou, disse a impugnante, a inverdade do laudo apresentado, o qual é o documento exigido pela legislação tributária para comprovar o fundamento do ágio, na hipótese de expectativa de rentabilidade. A impugnante menciona uma diferença conceitual entre fundo de comércio e sociedade empresária. Disse que o Código Civil de 2002 emprega as expressões estabelecimento empresarial e fundo de comércio como sinônimos. Essa figura não pode ser confundida com o patrimônio da sociedade. O estabelecimento ou fundo de comércio é o meio para a consecução de um fim, que é a realização da atividade empresarial. Daí se infere que o fundo de comércio é parte integrante da própria sociedade empresária. Analisando os conceitos de fundo de comércio e de sociedade empresária, percebese a distinção entre ambos. O fundo de comércio compreende um conjunto de bens cuja função é tornar possível a atividade empresária. A sociedade empresária é algo mais amplo do que o fundo de comércio. É a conjugação de esforços de duas ou mais pessoas, que unem capital e trabalho com o objetivo de obter lucro. Nesse sentido, fundo de comércio nada mais é do que o meio para a obtenção daquele propósito, é o conjunto de elementos de que se utiliza a empresa para obter os resultados da respectiva atividade. O estabelecimento empresarial não pode ser confundido com a sociedade empresária (sujeito de direito), nem com a empresa (atividade econômica). Empresa é a atividade econômica desenvolvida no estabelecimento, não se confundindo com o complexo de bens nele reunidos. Assim, o fundo de comércio faria parte de um todo que é a sociedade empresária. Analisando as operações realizadas pela impugnante, verificase que os valores pagos pela aquisição das sociedades Citifundos e Citiportfolio não dizem respeito apenas ao fundo de comércio, como equivocadamente afirmou a autoridade fiscal, mas sim à precificação atribuída às sociedades empresárias gestoras das carteiras de investimento. O ágio tem sua origem na aquisição das sociedades empresárias. O preço pago diz respeito às sociedades como um todo, e não somente aos respectivos fundos de comércio, não sendo possível segregar ou identificar o montante relativo especificamente ao fundo de comércio nessas aquisições. Frisou a impugnante que não há qualquer discussão, no presente processo, acerca da invalidade das operações realizadas. Nelas o que se fez foi apurar o valor de expectativa de rentabilidade, em exercícios futuros, dos investimentos feitos, sendo impossível ou inviável segregar ou identificar quanto dessa expectativa era ligada ao fundo de comércio ou a qualquer outro elemento patrimonial, já que estavam sendo valoradas e adquiridas as sociedades empresárias como um todo. A impugnante sustentou que toda aquisição de empresa ou de fundo de comércio, com ágio, tem por suporte a expectativa de rentabilidade, que é a forma de valoração dos elementos do ativo. Assim, não há como existir expectativa de rentabilidade futura de algo que não seja o conjunto de bens de uma empresa ou que não seja a própria empresa. O motivo determinante que leva o comprador a pagar ágio é o reconhecimento de que os bens do ativo da empresa investida estão subavaliados. O ágio respaldado no fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas, busca apenas representar situações que não estão adequadamente refletidas na contabilidade da investida, tais como, nome comercial, marcas de indústria e comércio, lista de clientes, knowhow, expressão ou sinal de propaganda, entre outras. A carteira de recebíveis faz parte do fundo de comércio, mas o fato de este ativo ter sido, também, adquirido, não implica inexoravelmente a conclusão de que o ágio ora Fl. 3002DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 3.003 8 em exame esteja amparado no fundo de comércio. (fl 2.571) Afirma a impugnante que seria imprescindível identificar os ativos que compõem o fundo de comércio e, ainda, evidenciar que o ágio apurado nas operações societárias aqui examinadas decorreu de um sobrevalor desses ativos. A par dessa argumentação, a impugnante pontuou que a glosa não se sustenta também quando o ágio é analisado pelo enfoque contábil. Nessa perspectiva, notase que o termo fundo de comércio é empregado em sentido distinto daquele conferido pela doutrina comercial. Fundo de comércio, segundo do Direito Comercial, compreende todos os bens destinados à consecução dos objetivos da sociedade empresária. Na perspectiva contábil, porém, consiste em todos os bens passíveis de individualização, ou seja, de reconhecimento e mensuração. Assim, para justificar o sobrevalor do fundo de comércio da investida, cumpre identificar e mensurar, por meio de laudo, cada um dos bens que compõem o fundo de comércio. Nesse ponto, a impugnante sugere retomar o conceito de que a expectativa de rentabilidade pode servir à valoração da sociedade empresária como um todo. Por conseguinte, a análise pode incluir elementos que não constituam ou integrem o fundo de comércio no sentido dado pelo legislador, o que implica dizer que o inciso II, do §2°, do art. 385 do RIR, serviria também ao registro de expectativa de rentabilidade vinculada a elementos que, integrando o fundo de comércio, não puderem ser identificados, nem individualizados. A Fiscalização pretendeu conferir à expressão fundo de comércio, prevista no inciso III, do artigo citado, o sentido que lhe dá a doutrina comercial, daí concluindo que todos os bens, individualizáveis ou não, compõem o fundo de comércio, o qual seria, em última análise, a justificativa do ágio gerado na operação em exame. A autoridade lançadora adotou o enfoque contábil para atribuir a fundamentação econômica ao ágio; mas, ao mesmo tempo, se valeu do conceito jurídico de fundo de comércio, o que acarreta impossibilidade de aplicarse o dispositivo legal. Disse a impugnante que a Fiscalização não se preocupou em identificar, nem mensurar os elementos que compõem o fundo de comércio das sociedades adquiridas. Cingiuse a fazer referências genéricas a elementos componentes do fundo de comércio, sem verificar, no entanto, se tais elementos poderiam ser mensurados. Especificamente quanto à clientela, alegou que as operações de aquisição em análise tiveram por objeto fundos de investimentos. Ocorre que, embora tenha havido a "transferência" dos recursos desses fundos à gestão dos adquirentes, isso não implica necessariamente a "transferência" dos quotistas desses fundos, ou seja, da suposta clientela. Isso porque os quotistas podem deliberar pela troca do gestor e administrador do fundo. Não há garantias da vinculação da "clientela", de forma a possibilitar a mensuração dessa "clientela" segregada dos demais elementos componentes do patrimônio das sociedades empresárias adquiridas. Se a Fiscalização tivesse adotado corretamente o critério contábil na definição do fundamento econômico do ágio, promovendo a individualização dos elementos do ativo, teria percebido que a clientela não poderia integrar essa gama de ativos individualizáveis, capazes de servir ao fundamento econômico do ágio de forma isolada. Nos registros fiscais e contábeis da impugnante, o ágio foi baseado na expectativa de rentabilidade, considerando a sociedade empresária adquirida como um todo. Não se Fl. 3003DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 3.004 9 mensurou a expectativa de rentabilidade tendo em vista cada um dos bens que formam o fundo de comércio, para assim atribuirlhes valor individual. A Fiscalização, diferentemente, adotou o enfoque contábil para identificar o fundamento econômico do ágio, mas partiu de uma premissa equivocada, quanto ao sentido da expressão fundo de comércio, desvirtuando a intenção do legislador. Segundo a ciência contábil, a expressão fundo de comércio se refere única e exclusivamente ao intangível não identificado especificamente, sem vida própria, sem chance de negociação individualizada, normalmente fruto de "sinergia entre outros ativos" e outros fatores. Esse é também o significado conferido pela doutrina contábil ao ágio gerado por expectativa de rentabilidade futura. Logo, sob o ponto de vista contábil, teria se equivocado o legislador ao enumerar o fundo de comércio e a expectativa de rentabilidade como fundamentos distintos para o ágio; pois, ao fazêlo, estaria se reportando ao mesmo instituto contábil duas vezes. Tal conclusão evidencia que o artigo 385 do RIR não pode ser analisado sob o enfoque contábil. Assim sendo, fica claro que, também sob o ponto de vista da doutrina contábil, não assiste razão à Fiscalização, já que, ao pretender enquadrar o ágio como decorrente do fundo de comércio, estaria admitindo também que o ágio decorre de expectativa de rentabilidade futura, que são expressões sinônimas para o direito contábil. Especificamente quanto à CSLL, alegou inexistir previsão legal para adição à base de cálculo das despesas com amortização de ágio, consideradas indedutíveis pela autoridade lançadora. Contestou, por outro lado, a glosa de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa, tendo em vista a regularidade da exclusão das quotas de amortização de ágio, pelos fundamentos já expostos. No que concerne à penalidade, sustentou ser descabida a exigência de multa isolada depois de encerrado o ano base. Suscitou ainda a impossibilidade de cumulação de multa isolada com multa vinculada (ou de ofício). Por fim, afirmou ser ilegal a exigência de juros de mora sobre a multa. Com esses fundamentos, pugnou pela improcedência dos autos de infração. È o que basta relatar." Em julgamento realizado em 29 de abril de 2014, a 2ª Turma da DRJ/CGE prolatou o acórdão nº 0435.383, que considerou a impugnação improcedente e foi assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008, 2009, 2010 ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO. FUNDAMENTO ECONÔMICO. FUNDO DE COMÉRCIO. Provado nos autos que o fundamento econômico do ágio na aquisição do investimento em controlada não foi a rentabilidade futura, tornase incabível a dedução da despesa de amortização desse ágio. ESTIMATIVA MENSAL. ANTECIPAÇÃO. COBRANÇA DEPOIS DE ENCERRADO O ANOBASE. IMPOSSIBILIDADE. MULTA ISOLADA. Fl. 3004DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 3.005 10 Os valores apurados por estimativa mensal, tendo caráter de antecipação do devido no anobase, não podem ser exigidos depois de findo o respectivo período anual, cabendo na hipótese de falta ou de insuficiência de pagamento a imposição de multa isolada. MULTA ISOLADA. MULTA VINCULADA AO TRIBUTO. CUMULAÇÃO. VALIDADE. É válida a cumulação da multa isolada com a multa vinculada ao tributo, porquanto cada uma delas corresponde a uma infração distinta e autônoma. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA. FATO NÃO OCORRIDO. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício só é passível de impugnação a partir do momento em que o fato se materializar, sendo defeso ao órgão julgador conhecer da impugnação para apreciar a matéria preventivamente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL É cabível, em relação à CSLL, a glosa das despesas de amortização de ágio, tendo em vista a aplicabilidade à CSLL das mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor. CSLL E IRPJ. LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO MESMOS FUNDAMENTOS. Aplicamse ao lançamento da CSLL as mesmas razões de decidir aplicáveis ao IRPJ, quando ambos recaírem sobre a situação fática. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Devidamente cientificado em 08/05/2014 (fls. 2.732), o sujeito passivo apresentou, tempestivamente, em 06/06/2014 (fls. 2.736), o recurso voluntário de fls. 2.737 a 2.812 alegando, em apertada síntese, os itens abaixo relacionados, os quais serão melhores descritos por ocasião do voto: (i) Preliminarmente, requer o cancelamento das autuações, em virtude da decorrência do prazo decadencial de cinco anos entre os fatos que propiciaram o surgimento do ágio (01/12/2005) e a ciência dos autos de infração (10/12/2013); (ii) Sustenta que o fundamento econômico do ágio é critério de decisão único e exclusivo do adquirente, que não pode ser oposto pela fiscalização; (iii) Questiona a afirmação do acórdão recorrido de que a liberdade para determinação do fundamento econômico do ágio não existe e defende que o Fisco não pode estabelecer o fundamento que presume suportar o preço pago em determinada aquisição, especialmente quando o contribuinte preenche todos os requisitos legais para a comprovação de tal fundamento; (iv) O ágio registrado tem fundamento econômico no valor de rentabilidade dos resultados nos exercícios futuros das empresas adquiridas e, em conformidade com o § 3º do art. 385 do RIR/99, foram apresentados os laudos de avaliação que comprovaram o fundamento do ágio na expectativa de rentabilidade futura (v) Apesar de terem sido cumpridos todos os requisitos legais para a dedução da despesa com amortização do ágio, a DRJ, de forma absolutamente contraditória, ratificou o Fl. 3005DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 3.006 11 equivocado entendimento da fiscalização de que o fundamento do ágio teria origem no fundo de comércio. A fiscalização fez tal afirmação, com base em presunções e de forma genérica, sem produzir qualquer prova para referendar tal alegação e sem questionar a validade dos laudos de elaborados por empresa de avaliação especializada; (vi) Nem a fiscalização e muito menos a DRJ desconstituíram a prova apresentada pela recorrente (laudo de avaliação, que possui presunção de veracidade), para fundamentar a glosa da despesa realizada, o que seria imprescindível para a validade e lisura dos lançamentos ora combatidos; (vii) Discorre sobre a diferenciação entre fundo de comércio e sociedade empresária e conclui que o fundo de comércio é o meio para a consecução de um fim, que é a realização da atividade empresária, ou seja, o fundo de comércio é parte integrante da sociedade empresária, que representa algo maior; (viii) Da análise das operações ocorridas, verificase que o valor pago pela aquisição das sociedades Citifundos e Citiportfólio não diz respeito somente ao fundo de comércio, como equivocadamente afirmaram a fiscalização e a DRJ, mas sim à precificação atribuída às sociedades empresárias gestoras das carteiras de investimento. Afirma que o que se adquiriu foram as sociedades empresárias, não sendo possível segregar ou identificar o valor pago pelo fundo de comércio nessas aquisições; (ix) Discorre sobre as diferenças entre os fundamentos de ágio previstos nos incisos I a III do § 2º do art. 385 do RIR/99 e conclui que referido artigo separou os fundamentos do ágio em elementos do ativo da empresa adquirida (incisos I e III) e a forma de valoração desses ativos (inciso II). Para se justificar e conferir o devido tratamento ao ágio em determinada operação, ora pode ser importante analisar os ativos, ora o fundamento que justificou a valoração da aquisição; (x) Afirma que para se desqualificar um ágio gerado como base em rentabilidade futura, sob o fundamento de que se trata de ágio fundamentado em fundo de comércio, deve a autoridade fiscal apresentar provas de que os laudos apresentados pela recorrente não validam uma rentabilidade futura, mas sim, como afirmado pela fiscalização, a precificação do fundo de comércio; (xi) À aquisição com ágio respaldada na expectativa de rentabilidade futura há que se aplicar o tratamento previsto no inciso II, do § 2º do art. 385 do RIR/99, independentemente de qual o elemento sustente aquela expectativa, isto porque a rentabilidade futura nada mais é do que uma forma de mensurar o valor de um conjunto de bens da empresa ou da própria empresa; (xii) O fato do fundo de comércio das empresas adquiridas ter sido negociado na reestruturação societária não resulta na imediata conclusão de que o ágio elaborado nestas operações decorreria de fundo de comércio, pois, como atestaram os laudos elaborados para a recorrente por empresas de auditoria independentes, os valores do ágio ora questionado teve em conta a avaliação de um desempenho futuro das empresas adquiridas como um todo; (xiii) Contesta as afirmações da DRJ de que existiria um fundamento imediato e um mediato para o ágio, sendo relevante para fins de dedutibilidade o fundamento imediato, no caso, o fundo de comércio representado pela clientela. Repisa que o fundamento do ágio pago pelas empresas Citifundos e Citiportifólio foi a expectativa de rentabilidade futura, como comprovam, inclusive os laudos de avaliação elaborados pelos auditores independentes; Fl. 3006DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 3.007 12 (xiv) Alega que o § 2º do art. 385 do RIR/99 não traz qualquer regra/ordem para determinação do fundamento do ágio, motivo pelo qual não poderia a fiscalização ou a DRJ, que exercem funções absolutamente vinculadas à lei vigente, criarem restrições que a legislação não prevê; (xv) Defende que o fundamento do ágio deve espelhar tão somente o real motivo que levou ao pagamento daquele ágio nas situações analisadas, não sendo admitidas interpretações extensivas, não respaldadas na legislação tributária. Assim, qualquer que seja o fundamento do ágio, ele deve sempre espelhar o real motivo que o conduziu ao seu pagamento, competindo ao contribuinte guardar a documentação que dê suporte àquela fundamentação, nos termos do § 3º, do art. 385 do RIR/99; (xvi) Aponta a fragilidade da linha argumentativa exposta pela fiscalização no TVF e pela DRJ no acórdão recorrido, ao pretenderem, com base em meras presunções, afirmar que a carteira de recebíveis seria o único objetivo das aquisições da Citifundos e da Citiportifólio, fato que demonstraria que o ágio pago teria por fundamento econômico o fundo de comércio. Para tanto, deveriam ter sido produzidas provas nesse sentido, segregados os ativos que se caracterizariam como fundo de comércio e evidenciado que o ágio apurado nas operações societárias decorreu de um sobrevalor destes ativos; (xvii) Alega a recorrente que, ainda que se admita que a determinação da fundamentação econômica do ágio pressupõe a avaliação de cada um dos incisos do § 2º, do art. 385 do RIR/99, desprezando a motivação e fazendo prevalecer o enfoque contábil a respeito da fundamentação, como sustenta o artigo de Marco Aurélio Greco, citado pela fiscalização no TVF, fato é que isso somente poderia ser aplicado quando os elementos contemplados naqueles incisos pudessem ser individualizados, o que não foi demonstrado pela fiscalização; (xviii) Alega que a fiscalização pretendeu adotar o enfoque contábil para atribuir a fundamentação econômica do ágio, mas ao mesmo tempo, adotou o conceito jurídico para o fundamento do fundo de comércio, ou seja, de que todos os bens que fizeram parte da aquisição, individualizáveis ou não, compõem o fundo de comércio, o que acarreta a impossibilidade de aplicação do dispositivo. Acrescenta que a fiscalização não se preocupou com a identificação e mensuração dos elementos que compõe o fundo de comércio da sociedade adquirida, quais sejam, os bens individualizáveis, para sustentar a interpretação do § 2º do art. 385 do RIR/99 sob a perspectiva da ciência contábil; (xix) Defende que os laudos de avaliação apresentados durante a fiscalização não mensuraram, com base na expectativa de rentabilidade futura, cada um dos bens que formariam o fundo de comércio, atribuindolhes um valor de forma individualizada. Por este motivo, entende que a fiscalização não pode afirmar que todo o valor avaliado seria atribuível ao fundo de comércio, sem antes realizar essa análise acerca da identificação e mensuração (individualização) dos bens que compõem o fundo de comércio; (xx) Argúi que para a ciência contábil a expressão "fundo de comércio" se refere única e exclusivamente ao intangível não identificado especificamente, sem vida própria, sem chance de negociação individualizada, normalmente fruto da sinergia entre ativos e outros fatores, ou seja, àquilo que vai além do valor de mercado dos ativos contabilizados. Entretanto, esse também é o significado conferido pela doutrina contábil ao ágio gerado por expectativa de rentabilidade futura, de forma que, também sob o ponto de vista da doutrina contábil, não assiste razão à fiscalização, já que ao pretender enquadrar o ágio como decorrente de fundo de comércio estaria igualmente admitindo que o mesmo decorre de expectativa de rentabilidade futura; Fl. 3007DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 3.008 13 (xxi) Mesmo que seus argumentos não sejam acolhidos e seja reconhecida a indedutibilidade do ágio para apuração da base de cálculo do IRPJ, a recorrente a alega inexistência de previsão legal para que seja adicionada a despesa de amortização de ágio na base de cálculo da CSLL,visto que o legislador, ao fixar a base de cálculo da CSLL, enumerou no art. 2º e §§, da Lei nº 7.689/88, de forma taxativa e individualmente, cada um dos ajustes aplicáveis, sem , no entanto, elencar a adição relativa à amortização do ágio na aquisição de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial; (xxii) Opõese à cobrança da multa isolada em razão da falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa, pois entende que a mesma é inaplicável após o encerramento do anobase quando da lavratura do auto de infração, nos termos da jurisprudência firmada pelo CARF; (xxiii) Contesta a aplicação concomitante da multa isolada e da multa de ofício, visto que ambas incidem sobre os mesmos valores supostamente devidos de IRPJ e CSLL e transcreve jurisprudência do CARF nesse sentido. Caso seus argumentos não seja aceitos, solicita o cancelamento das multas relativas às estimativas do mês de dezembro dos anos de 2009 e 2010, pois não há que se falar em recolhimento insuficiente de estimativa no mês de dezembro, em que se encerra a apuração do exercício; (xxiv) Alega que a infração relativa à compensação indevida de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL não merece prosperar pois é mero reflexo das autuação fiscais procedidas, as quais devem ser canceladas por todos os motivos expostos ao longo do recurso; (xxv) Ainda que se entenda pela manutenção das autuação, a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício não pode ser exigida por absoluta ausência de previsão legal, isto porque multa não é tributo e só há previsão legal de incidência de juros Selic sobre tributos; (xxvi) Requer o provimento do recurso voluntário para que seja integralmente reformado o acórdão recorrido, a fim de que sejam cancelados os autos de infração. Caso não seja cancelado integralmente, requer, subsidiariamente, o reconhecimento da impossibilidade de adição da despesa com amortização de ágio à base de cálculo da CSLL, por absoluta ausência de previsão legal, e o cancelamento dos juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, por inexistência de previsão legal. Os autos foram encaminhados à PGFN para análise em 23/07/2014, tendo sido apresentadas, tempestivamente, em 22/08/2014, as contrarrazões ao recurso voluntário, em que se alega, resumidamente: (i) O fato contábilsocietário da aquisição do ágio, ocorrido em 2005, não constitui fato gerador de nenhuma obrigação tributária a reclamar para si a contagem do prazo decadencial previsto no CTN. Esse prazo não se conta a partir do pagamento da "mais valia" e do registro da rubrica que será utilizada no futuro como benefício fiscal, mas sim da sua efetiva utilização para redução dos tributos a serem recolhidos. Assim, não havendo fatos geradores tributários, não há que se falar em transcurso do prazo decadencial para lançamento; (ii) Compulsando os autos vêse, claramente, que a conclusão fiscal é o posicionamento mais correto, isto porque, o grupo Legg Mason não adquiriu do grupo Citibank duas empresas, mas sim um fundo de comércio, razão pela qual não há como o ágio ser dedutível nos termos da legislação aplicável; Fl. 3008DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 3.009 14 (iii) O objeto do denominado "Contrato de Operações" firmado entre o CITIBANK e a LEGG MASON, em 23/06/2005, não era formado por uma, duas ou qualquer empresa do grupo CITIBANK, mas sim por uma atividade que era desenvolvida por esse grupo, ou seja, a o negócio de gestão de recursos de terceiros (renda fixa e renda variável), denominada de Citigroup Asset Management (CAM), e cujos ativos e passivos eram detidos pelas empresas Banco Citibank S/A e Citibank DTVM; (iv) Não era interesse do grupo Legg Mason adquirir as empresas Citibank DTVM e o Banco Citibank, mas apenas o negócio de gestão de recursos de terceiros do grupo Citibank, o qual era formado por ativos permanentes, circulantes, passivos, mãodeobra, clientela, marca, etc...; (v) Em que pese o grupo Citibank ter transferido a atividade de gestão de ativos para duas novas empresas, e o contribuinte afirmar que o grupo Legg Mason adquiriu essas empresas, os fatos demonstram que, na realidade, houve a aquisição de um fundo de comércio, o qual foi definido pela própria recorrente como o conjunto de bens tangíveis e intangíveis relacionados a sua atividade de gestão de ativos; (vi) Da leitura dos laudos vêse de forma clara que eles não apuraram o valor das empresas Citifundos e Citiportifólio, mas sim o valor do negócio de gestão de ativos que antes pertenciam ao grupo Citibank; (vii) Ao descreverem as empresas a serem avaliadas, os laudos destacam expressamente que o objeto de análise não seriam as empresas Citifundos e Citiportifólio, mas sim o negócio denominado CAM. Os laudos ressaltam que, ao contrário das empresas supostamente avaliadas, o CAM possui histórico, receitas, despesas, ativos e passivos, cujo estudo permite a apuração de resultados futuros; (viii) Da forma como os laudos foram elaborados, vêse que eles não avaliaram qualquer empresa, pelo contrário, ao descreverem as sociedades que iriam analisar, destacaram que estavam avaliando apenas uma atividade, a qual tivera sido recentemente dividida e transferida a essas empresas; (ix) Ao contrário do que defende a recorrente, a conclusão sobre o real objeto de análise dos laudos não exige sua desconsideração, pois ela decorre da leitura dos próprios documentos, ou seja, são os próprios laudos que demonstram que, em que pese indicarem o valor de sociedades, na verdade avaliaram uma atividade; (x) Os laudos também atestam que não houve a aquisição de duas empresas pelo grupo Legg Mason mas sim de um fundo de comércio. Os laudos não apuraram a rentabilidade futura das sociedades, mas sim os resultados futuros da atividade que estava sendo transferida; (xi) Como confessadamente não era interesse do grupo Citibank transferir qualquer empresa, mas apenas um atividade específica, os ágios registrados sequer deveriam existir, pois de acordo com o art. 385 do RIR/99, o registro de um ágio decorre apenas da negociação de uma participação societária, ou seja, a transferência de um fundo de comércio por si só não permite o registro de uma "mais valia", haja vista que , não havendo participação societária, não há como aplicar o MEP; (xii) O ágio amortizado pelo contribuinte não fora pago com base na rentabilidade das empresas Citifundos e Citiportifólio, mas sim no valor de mercado do fundo de comércio Fl. 3009DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 3.010 15 transferido, o qual foi apurado com base na sua rentabilidade futura. E, portanto, tendo sido pago com base no valor do fundo de comércio, tal "mais valia" não é dedutível nos termos da Lei n° 9.532/1997; (xiii) Ao invés de adquirir de forma direta a atividade de gestão de ativos de terceiros do grupo Citibank (ativo intangível), o grupo Legg Mason solicitou que tal atividade fosse primeiro transferida a duas empresas, as quais, ao serem valoradas por rentabilidade futura, permitiriam o surgimento de dois ágio passíveis de dedução. Todavia, não é possível alegar a validade de tal formalidade se os fatos e documentos demonstram que na realidade não houve a aquisição de duas sociedades, mas sim de um fundo de comércio; (xiv) O fundamento econômico de um ágio não pode ser escolhido pelo contribuinte, mas sim decorre da realidade dos fatos. Se ocorre a aquisição de uma participação societária, é possível que essa operação dê ensejo a um ágio dedutível. Agora se houve a aquisição de um ativo intangível (fundo de comércio) sequer seria possível o registro de um ágio, quanto mais dedutível; (xv) O contribuinte afirma que os laudos avaliaram as empresas como um todo, sendo que não fora analisado somente o fundo de comércio, mas sim outros elementos da sociedade, entretanto, faz tal afirmação de forma genérica e não a demonstra. Não comprova quais seriam os outros elementos das empresas Citifundos e Citiportifólio, além do negócio intitulado CAM e que afetaram suas avaliações; (xvi) A fiscalização não teria que elaborar um novo laudo a fim de demonstrar o valor do fundo de comércio transferido porque os próprios laudos elaborados atestam que houve a negociação de um fundo de comércio; (xvii) Caso os laudos trazidos pelo contribuinte efetivamente tivessem demonstrado a rentabilidade futura das empresas Citifundos e Citiportifólio não haveria o que discutir. Contudo, como tais documentos atestam a rentabilidade futura de um fundo de comércio, não há como aceitar que o ágio pago se enquadra no inciso II do parágrafo 2° do artigo 385 do RIR/99; (xviii) Com relação à alegação da recorrente de que, caso seja mantida a glosa referente à amortização do ágio, não há previsão legal para a adição da correspondente despesa na base de cálculo da CSLL, afirma a PGFN que, ao contrário do que defende a recorrente a despesa com amortização de ágio, ainda que dedutível para fins de IRPJ, não é dedutível para a CSLL porque não há previsão legal a autorizando; (xix) Defende a aplicação da multa isolada ainda que ao final do período não exista tributo a recolher, isto porque, nos termos da alínea b, do inciso II, do art. 44, a multa será devida ainda que o contribuinte tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL; (xx) As multas de ofício e isolada não decorrem da mesma infração, visto que a multa de ofício decorre da falta ou insuficiência de pagamento de tributo pelo contribuinte, já a multa isolada decorre do descumprimento do regime de estimativa. Por outro lado, não incidem sobre a mesma base de cálculo pois a multa de ofício incide sobre o tributo efetivamente devido pelo contribuinte e a multa isolada incide sobre os pagamentos mensais, relativos aos adiantamentos do tributo; Fl. 3010DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 3.011 16 (xxi) A cobrança de juros de mora à taxa Selic sobre a multa por lançamento de ofício, está prevista nos art. 161 do CTN e nos arts. 43 e 61 da Lei nº 9.430/96, não restando dúvida acerca da obrigatoriedade de atualização dos créditos tributários devidos pelos sujeitos passivos, entre eles a multa de lançamento de ofício; (xxii) Face ao exposto, requer seja negado provimento in totum ao recurso voluntário, mantendose incólume o lançamento fiscal questionado. O processo foi trazido a julgamento em 24/03/2015, tendo esta Turma proferido a Resolução nº 1301000.275, por meio da qual o julgamento foi convertido em diligência, para que os autos retornassem à unidade de origem e aguardassem o trânsito em julgado do processo nº 16327.000992/201011, nos seguintes termos: "Analisando os termos e circunstâncias próprias contidas nos presentes autos, antes mesmo de efetivamente analisar quaisquer termos do Recurso Voluntário interposto, relevante observar que trata o presente feito de lançamento decorrente de outro feito, verificandose a sua integral prejudicialidade em face da apreciação dos termos dos autos do PAF n. 16327.000992/201011. O referido feito, conforme identificado e apontado na presente sessão de julgamento, encontrase, atualmente, sujeito à análise de recurso voluntário pela douta 2a Turma Ordinária da 4a Câmara desta Primeira Seção, sendo certo que, enquanto não definitivamente julgado, a decisão proferida por aquela Turma aqui não pode ainda ser aproveitada, sendo, no presente momento, prudente que a análise do presente feito seja então sobrestada, até que aquele julgado se apresente definitivo. Em face dessas considerações, entenderam os componentes desta douta Turma Julgadora pela necessidade de devolução do presente feito aos respectivo órgão preparador, determinando que os autos sejam lá mantidos até que a decisão proferida nos autos do processo 16327.000992/201011 seja definitiva, quando, então, deverá ela ser devidamente reproduzida nestes autos, restituindo para a respectiva apreciação e julgamento. Nesses termos, acolhendo o apontamento apresentado, encaminho o meu voto no sentido de CONVERTER O PRESENTE JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que os presentes autos retornem à unidade local para que aguarde a decisão final no processo n° 16327.000992/201011, nos termos aqui especificamente apontados. Assim, em virtude da constatação de que o presente processo tratavase de lançamento decorrente daquele e por ter sido verificada sua prejudicialidade em face da apreciação dos termos do processo nº 16327.000992/201011, por meio do despacho de fls. 2.911 o processo foi remetido para a unidade de origem. No julgamento realizado em 03/03/2015, pela 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária deste órgão, foi proferido o acórdão nº 1402001.925, por meio do qual foi dado provimento ao recurso voluntário anexado aos autos do processo nº 16327.000992/201011. O referido acórdão foi assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 ÁGIO. CONTROVÉRSIA RELACIONADA À EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA VERSUS AQUISIÇÃO DE CARTEIRA DE CLIENTES E FUNDO DE COMÉRCIO. AVALIAÇÃO DA PROVA NO CASO CONCRETO. Fl. 3011DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 3.012 17 Da análise da prova depreendese que, no caso concreto, não foram adquiridos os bens individualmente ou mesmo o conjunto de bens (fundo de comércio) das sociedades Citifundos e Citiportfolios, mas sim as próprias sociedades. A autoridade fiscal não impugnou os elementos indicados no laudo contábil que apurou a expectativa de rentabilidade futura. Limitouse a presumir, sem elementos de prova, que a autuada estava adquirindo a carteira de clientes e o fundo de comércio. No entanto, quando se examinam os elementos e premissas contidas no laudo verificase que os valores indicados por estes e pagos pela empresa autuada dizem respeito à expectativa de rentabilidade futura e não à aquisição de carteira de clientes ou fundo de comércio. Recurso Voluntário" A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional opôs, tempestivamente, embargos de declaração ao acórdão de recurso voluntário, os quais foram, em juízo de admissibilidade, parcialmente admitidos. Trazidos a julgamento, em 03/02/2016, os embargos foram rejeitados, conforme acórdão nº 1402002.104, que considerou inexistente a omissão e a contrariedade apontadas pela PGFN. Cientificada do acórdão de embargos, em 30/03/2016, a PGFN fez constar no despacho de devolução dos autos que não iria interpor recurso: "A UNIÃO (Fazenda Nacional), pela procuradora infraassinada, vem, mediante a presente, comunicar a sua ciência do Acórdão nº 111402002.104, proferido nos autos em epígrafe, e efetuar a devolução dos mesmos, sem recurso." Assim, diante da ausência de interposição de recurso especial pela PGFN e o consequente encerramento da discussão na esfera administrativa, a recorrente peticionou, em 16/05/2016 (fls. 2.913 a 2.915), requerendo a remessa dos autos ao CARF para reprodução no presente processo do entendimento definitivo consignado no processo administrativo nº 16327.000992/201011. Após a juntada ao presente processo do acórdão de recurso voluntário nº 1402 001.925 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária (fls. 2.965 a 2.986), de 03/03/2015, e do acórdão de embargos de declaração nº 1402002.104 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária (fls. 2.987 a 2.990), os autos foram devolvidos ao CARF para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora O recurso é tempestivo e dele conheço. PRELIMINARES Em petição protocolada em 16/05/2016 e também em sede de memoriais, a recorrente requer a aplicação do precedente da primeira autuação, relativa aos anoscalendário de 2006 e 2007, formalizada no processo administrativo nº 16327.000992/201011, que se encerrou de forma definitiva e a ela favorável. De acordo com o art. 6º do Anexo II, da Portaria nº 343/2015 (RICARF), os processos administrativos fiscais podem estar vinculados por conexão, decorrência ou reflexo. Fl. 3012DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 3.013 18 Art. 6o Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1° Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. O auto de infração objeto do presente processo é vinculado ao auto de infração constante do processo administrativo fiscal nº 16327.000992/201011, pois ambos os processos tratam de exigência de crédito tributário fundamentado em fato idêntico. Veja o que consta do Termo de Verificação Fiscal às fls. 2.505 a 2.530 do presente processo: "O procedimento fiscal em epígrafe teve como escopo analisar despesas de amortização de ágio, por se tratarem de despesas não sujeitas à amortização, nos termos do inciso II do artigo 386 do RIR/99, visto o fundamento econômico do ágio, ser o fundo de comércio e intangíveis. No Processo Administrativo Fiscal n° 16327.000992/201011 foram apuradas despesas indedutíveis relativas à amortização de ágio para os anoscalendário 2006 e 2007 na empresa acima identificada. Foi verificado, para os anos de 2008 a 2010, que o contribuinte continua a deduzir este ágio no lucro real e na base de cálculo da CSLL, desta forma procederemos à glosa destas deduções com base nos mesmos fundamentos legais utilizados no procedimento que foi realizado para os anos de 2006 e 2007. Como forma de economia processual, e para celeridade do procedimento fiscal levado a efeito no contribuinte, esta fiscalização se valerá de alguns documentos apresentados pela própria empresa no procedimento fiscal MPF 08.1.66.002009000929, que culminou no processo administrativo fiscal 16327.000992/201011, uma vez que esta fiscalização é uma extensão dos anos subseqüentes daquele procedimento, e dado ser a fundamentação legal para a não dedutibilidade do ágio a mesma do procedimento adotado no processo 16327.000992/201011. A documentação trazida a este processo, proveniente do processo 16327.000992/201011 está anexada na pasta documentos probatórios outros(descrição do arquivo). Verificase portanto, que os lançamentos constantes de ambos os processos foram fundamentados na amortização indevida de ágio, nos termos do art. 386, inciso II do RIR/99, visto ser o fundamento econômico do ágio o fundo de comércio e intangíveis. No processo nº 16327.000992/201011 foram apuradas as infrações relativas aos fatos geradores ocorridos no anos calendário de 2006 e 2007 e no presente processo as infrações relativas aos fatos geradores dos anos de 2008, 2009 e 2010. Fl. 3013DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 3.014 19 O fato jurídico tributável objeto da presente lide foi apreciado em 1ª e 2ª instâncias administrativas, em razão da impugnação e recurso voluntário apresentados, bem assim, dos embargos opostos pela PGFN, nos autos do processo 16327.000992/201011. Em virtude da falta de apresentação de recurso especial pela PGFN, a decisão proferida no acórdão de recurso voluntário nº 1402001.925 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03/03/2015, tornouse definitiva administrativamente. A Lei nº 9.784/99, ao regular os processos administrativos em geral, dispôs no art. 69, que seus preceitos aplicamse subsidiariamente aos procedimentos administrativos específicos, caso do processo administrativo fiscal, que é regido pelo Decreto nº 70.235/72. Consta do art. 2º da referida lei, que a administração pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da segurança jurídica e da eficiência: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Assim, em obediência ao princípio da segurança jurídica e da economia processual, o qual refletese administrativamente no princípio da eficiência, entendo que a decisão administrativa definitiva, relativa ao processo nº 16327.000992/201011, deve ser considerada e adotada no presente processo vinculado. Aliás, foi este também o entendimento desta Turma Julgadora, porém com composição diversa, que no julgamento realizado em 25/03/2015, converteu o em diligência para que os autos retornassem à unidade local até a decisão final no processo nº 16327.000992/201011: "Analisando os termos e circunstâncias próprias contidas nos presentes autos, antes mesmo de efetivamente analisar quaisquer termos do Recurso Voluntário interposto, relevante observar que trata o presente feito de lançamento decorrente de outro feito, verificandose a sua integral prejudicialidade em face da apreciação dos termos dos autos do PAF n. 16327.000992/201011. O referido feito, conforme identificado e apontado na presente sessão de julgamento, encontrase, atualmente, sujeito à análise de recurso voluntário pela douta 2a Turma Ordinária da 4a Câmara desta Primeira Seção, sendo certo que, enquanto não definitivamente julgado, a decisão proferida por aquela Turma aqui não pode ainda ser aproveitada, sendo, no presente momento, prudente que a análise do presente feito seja então sobrestada, até que aquele julgado se apresente definitivo. Em face dessas considerações, entenderam os componentes desta douta Turma Julgadora pela necessidade de devolução do presente feito aos respectivo órgão preparador, determinando que os autos sejam lá mantidos até que a decisão proferida nos autos do processo 16327.000992/201011 seja definitiva, quando, então, deverá ela ser devidamente reproduzida nestes autos, restituindo para a respectiva apreciação e julgamento. Porém, esta Turma Julgadora com igual composição, em recente julgamento realizado no mês de março/2017, afastou a adoção de decisão administrativa definitiva proferida em processo vinculado. Assim, em obediência ao mesmo princípio da economia processual, me curvo à decisão proferida por esta Turma no Acórdão nº 1301002.266, na sessão de 23/03/2017, e afasto a aplicação ao presente processo do precedente relativo às autuações dos anoscalendário de 2006 e 2007, formalizadas no processo administrativo nº 16327.000992/201011. Fl. 3014DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 3.015 20 Alega a recorrente que teria ocorrido o prazo decadencial de cinco anos entre os fatos que propiciaram o surgimento do ágio (01/12/2005) e a ciência dos autos de infração (10/12/2013). Entende a recorrente que o ágio como elemento contábil e societário surgiu em 01/12/2005, com as aquisições das pessoas jurídicas, assim, não poderia a fiscalização questionar a legalidade dos atos que originaram o direito ao aproveitamento do ágio, em razão do decurso do prazo decadencial de cinco anos entre o fato que propiciou o surgimento do ágio e a ciência, pela recorrente, dos autos de infração relativos aos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010, em 10/12/2013. Com o objetivo de comprovar suas alegações a recorrente transcreve alguns acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sobre a matéria. Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, caso do IRPJ e da CSLL, o termo inicial do prazo decadencial de cinco anos é a data da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação. Assim dispõe o art. 150, § º 4º, do Código Tributário Nacional: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Assim, o simples registro do ágio na contabilidade não é fato gerador de obrigação tributária e, menos ainda, termo inicial do prazo decadencial. O que é homologado pelo Fisco não é o registro do ágio, mas sim a apuração das bases de cálculo do IRPJ e CSLL, as quais somente serão afetadas após o início da amortização do ágio. Tendo em vista que a presente autuação referese a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010, bem assim, que a recorrente foi devidamente cientificada dos autos de infração em 10/12/2013, ou seja, antes do decurso do prazo decadencial de cinco anos, afasto a preliminar de decadência Nesse sentido a jurisprudência recente do CARF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 DECADÊNCIA. AFASTADA A decadência, como perda do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário, tem sempre como baliza, seja diretamente (art. 150, § 4º, do CTN) ou indiretamente (art. 173, I, do CTN), o fato gerador do tributo. Fl. 3015DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 3.016 21 Pelo art. 150, § 4º, do CTN, o dies a quo do prazo decadencial é a própria data do fato gerador do tributo, já, na regra do art. 173, I, do CTN, o primeiro dia do exercício seguinte ao que o Fisco poderia lançar, o que exige também que primeiro se identifique a data do fato gerador do tributo, para depois concluir quando o Fisco poderia ter efetuado o lançamento. A despesa com amortização do ágio é apenas um elemento que entra no cálculo da base tributável, sendo que todos os elementos que compõem tal base tributável são auditáveis pelo Fisco, logicamente, dentro do prazo decadencial fixado no CTN. (Acórdão nº 1302001.980, Sessão de 14/09/2016.) DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA O prazo decadencial só é aplicável para o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário, mas não para verificar atos pretéritos cujos efeitos tributários repercutem nos anos seguintes. (Acórdão nº 1301002.155, Sessão de 05/10/2016.) DO MÉRITO DA AMORTIZAÇÃO INDEVIDA DE ÁGIO A recorrente computou na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, despesas com amortização de ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, decorrentes da aquisição das pessoas jurídicas Citifundos e Citiportifólio, em que foi registrado ágio de, respectivamente, R$ 154.816.956,57 e R$ 39.629.638,13. A fiscalização, sob o argumento de que o fundamento econômico do ágio seria o fundo de comércio e intangíveis, considerou indevidas as amortizações efetuadas pela recorrente e, nos termos do inciso II do art. 385, do RIR/99, glosou referidas despesas. A solução da lide encontrase na identificação da origem do ágio registrado na contabilidade da recorrente por ocasião das aquisições, visto que o art. 385 do RIR/99 estabelece tratamentos tributários diferenciados para o ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura e para o ágio com fundamento no fundo de comércio e intangíveis. A recorrente alega, inicialmente, que o fundamento econômico do ágio é critério de decisão único e exclusivo do adquirente, expresso no momento da aquisição pelo fundamento escolhido, o qual está vinculado com o propósito econômico daquele negócio e não pode ser oposto pela autoridade fiscal. De fato, as partes têm livre iniciativa para determinar o valor do negócio, bem assim, o adquirente pode estabelecer o motivo pelos quais dispõese a pagar a mais valia, entretanto, o objeto sujeito à mais valia constante do laudo de reavaliação deve ser o objeto efetivamente avaliado. Para fins fiscais, em nada adianta o laudo mencionar que o objeto de reavaliação são as empresas Citifundos e Citiportifólio se o objeto avaliado é o fundo de comércio relativo à atividade de gestão de recursos de terceiros, ou "asset management", também denominada CAM Citigroup Asset Management. Fl. 3016DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 3.017 22 No caso concreto, apesar de ter registrado em sua contabilidade que o ágio fundamentouse em expectativa de rentabilidade futura decorrente das aquisições das empresas Citifundos e Citiportifólio, o contrato firmado entre o Citigroup e a Legg Mason, assim, como o laudos apresentados revelam que o ágio em questão tem como fundamento a aquisição do fundo de comércio do Citigroup Asset Management CAM. Consta do "Contrato de Operações" firmado entre a Legg Mason Operações Celebrado entre Citigroup Inc., em 23/06/2005, às fls. 2.069, que "o Citigroup desejava vender à Legg Mason e a Legg Mason deseja adquirir do Citigroup o Négócio do CAM". Como bem destacado no Acórdão nº 1630.277, da 10ª Turma da DRJ/SP1, ao apreciar a impugnação da recorrente sobre as autuações relativas aos anoscalendário de 2006 e 2007, nos autos do processo nº 16327.000992/201011, da análise dos Relatórios de Avaliação EconômicoFinanceira do Citifundos (fls. 511 a 547) e Citiportifólio (fls. 548 a 570) constatase que as conclusões a que chegaram os referidos relatórios, no sentido de que o fundamento do ágio teria sido o resultado de exercícios futuros das empresas Citifundos e Citiportifólio, não encontram respaldo no conteúdo dos relatórios. De observarse que diversos trechos dos relatórios confirmam que a análise referese às operações do CAM Citigroup Asset Management e não das empresas Citifundos e Citiportifólio: Fls. 522 e 553 (...) Uma vez que a Citifundos é uma empresa recémcriada, não dispõe de histórico próprio, de forma que a análise feita a seguir referese ao CAM como um todo. Fls. 515 e 545 Nossos procedimentos não incluíram trabalhos de auditoria dos dados e das informações fornecidas pela Administração do CAM os quais foram considerados e mencionados no relatório (...). Fls. 526 e 557 O trabalho de avaliação foi baseado em documentos e informações, os quais em sua maioria, foram fornecidos pela Administração do CAM. Fls.532 e 563 (...) Para o ano de 2006 as projeções foram feitas com base nas informações da Administração do CAM (...). Acrescento às constatações do referido acórdão, o seguinte trecho do Relatório : "Uma vez que a Empresa é recémcriada, os custos foram projetados para o negócio CAM e rateados nas novas entidades (Citifundos e Citiportfólio) por meio do critério da receita." (fls. 533 e 563) A recorrente defende que o ágio registrado tem fundamento econômico no valor de rentabilidade dos resultados nos exercícios futuros das empresas adquiridas e, em conformidade com o § 3º do art. 385 do RIR/99, foram apresentados os laudos de avaliação que comprovaram o fundamento do ágio na expectativa de rentabilidade futura. Acrescenta que apesar de terem sido cumpridos todos os requisitos legais para a dedução da despesa com amortização do ágio, a DRJ, de forma absolutamente contraditória, ratificou o equivocado entendimento da fiscalização de que o fundamento do ágio teria origem no fundo de comércio. Para a recorrente, a fiscalização fez tal afirmação, com base em presunções e de forma genérica, sem produzir qualquer prova para Fl. 3017DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 3.018 23 referendar tal alegação e sem questionar a validade dos laudos elaborados por empresa de avaliação especializada; Diversamente do alegado pela recorrente, a fiscalização e a decisão recorrida afirmaram que o ágio teria como origem o fundo de comércio e apontaram as razões pelas quais concluíram que o valor apurado no Relatório de Avaliação EconômicoFinanceira não era relativo à mais valia das empresas Citifundos e Citiportifólio. Da leitura dos trechos dos laudos acima transcritos verificase que, ao descrever a empresa a ser analisada, em ambos os relatórios, consta que a análise seria feita do negócio CAM (Citigroup Asset Management) como um todo, isto porque as empresas Citifundos e Citiportifólio, por serem empresas recémcriadas, não dispunham de histórico próprio. Defende a recorrente que nem a fiscalização e muito menos a DRJ desconstituíram a prova por ela apresentada, ou seja, o laudo de avaliação com presunção de veracidade, para fundamentar a glosa da despesa realizada, o que seria imprescindível para a validade e lisura dos lançamentos ora combatidos. De igual sorte não assiste razão à recorrente. Os laudos apresentados pela recorrente não foram desconsiderados pela fiscalização pois são os próprios laudos que, apesar de indicarem o valor das empresas, comprovam que na verdade avaliaram o valor de mercado da atividade de gestão de ativos do grupo Citibank. No Código Civil de 2002 a expressão "fundo de comércio" foi substituída por "estabelecimento". É o que consta da exposição de motivos do supervisor da comissão revisora e elaboradora do Código Civil, Miguel Reale, ao comentar sobre o Livro II Atividade Comercial: Dessarte, o tormentoso e jamais claramente determinado conceito de “ato de comércio”, é substituído pelo de empresa, assim como a categoria de “fundo de comércio” cede lugar à de “estabelecimento”. Consoante justa ponderação de RENÊ SAVATIER, a noção de “fundo de comércio” é uma concepção jurídica envelhecida e superada, substituída com vantagem pelo conceito de estabelecimento, “que é o corpo de um organismo vivo”, “todo o conjunto patrimonial organicamente grupado para a produção.” (“La Théorie des Obligations”, Paris, 1967, pag. 124). O art. 1.142 do Código Civil, assim definiu estabelecimento: Art. 1.142. Considerase estabelecimento todo complexo de bens organizado, para exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária. Para a doutrina majoritária, a expressão "fundo de comércio" é equivalente a "estabelecimento". Veja a definição de Rubens Requião ("Curso de Direito Comercial", 24ª Edição. São Paulo. Saraiva, 2.000, vol. l, p. 248249), para fundo de comércio: "O fundo de comércio ou estabelecimento comercial é o instrumento da atividade do empresário. Com ele o empresário comercial aparelhase para exercer sua atividade. Forma o fundo de comércio a base física da empresa, constituindo um instrumento da atividade empresarial." Sob o enfoque fiscal, a Receita Federal do Brasil, no Parecer CST nº 2, de 05/01/1971, também admite que as expressões são sinônimas e conceitua fundo de comércio: "5. Resta examinar o que seja "fundo de comércio" e "estabelecimento comercial". Essas expressões são sinônimas. "Fundo de comércio" é expressão importada do francês "fonds de commerce" que corresponde à expressão vernácula " estabelecimento Fl. 3018DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 3.019 24 comercial." Designa o complexo de bens, materiais ou não, dos quais o comerciante se serve na exploração de seu negócio. "É uma universalidade expressiva de corpo certo, individualizado, apesar das modificações sucessivas que podem sofrer seus elementos" (Bento de Faria. Direito Comercial; Hanus, Études du fonds de commerce). Por outro lado, juridicamente, não há distinção entre estabelecimento comercial e estabelecimento industrial, compreendendose a indústria dentro do comércio (Regulamento nº 737, , de 1850, art. 19, § 3º)." Dessa forma, o fundo de comércio pode ser entendido como o conjunto de bens, materiais ou não, utilizados na utilizados na exploração de um determinado negócio. No caso em questão, verificase que foi exatamente esse conjunto de bens corpóreos e incorpóreos, utilizados na atividade de gestão de ativos do Citibank (CAM Citibank Asset Management) que foi transferido para as empresas Citifundos e Citiportifólio, as quais foram, em sequência, adquiridas pelas holdings nacionais do grupo Legg Mason. De acordo com o Contrato de Transferência de Ativos e Assunção de Passivos (fls. 2.276 a 2.280) firmado, em 01/12/2005, entre o Banco Citibank S.A CNPJ: 33.479.023/000180 e a Citi Fundoss Asset Management Ltda 07.437.241/000141 (Citifundos) foi efetuada a transferência de todos os ativos e passivos necessários à gestão dos fundos. É o que consta do mencionado contrato: CONSIDERANDO QUE o Citigroup Inc. ("Citigroup"), entidade controladora indireta do BANCO CITIBANK, celebrou um Contrato de Operação na data de 23 de junho de 2005 (e demais alterações, o "Contrato de Operação") com a Legg Mason, Inc. ("Legg Mason"), de acordo com o qual o Citigroup Inc. se obriga a vender, substancialmente, todo o seu negócio mundial de gestão de ativos ("CAM") para a Legg Mason. Todos os termos em letra maiúscula utilizados neste Contrato e não definidos de outra forma neste terão os respectivos significados indicados no Contrato de Operação; CONSIDERANDO QUE, devido à Operação, a gestão de fundos de investimentos (os "Fundos") será transferida à CITI FUNDOS; CONSIDERANDO QUE, devido à transferência da gestão dos Fundos CITI FUNDOS, é necessário que o BANCO CITIBANK realize a cessão de determinados ativos e a transferência de determinados passivos à CITI FUNDOS e a CITI FUNDOS se obriga a receber o ativo e a assumir o passivo do BANCO CITIBANK. ISSO POSTO, as partes têm entre si justo e contratado o quanto segue: 1. TRANSFERÊNCIA DE ATIVO E PASSIVO 1.1. De acordo com os termos e condições previstos neste Contrato, o BANCO CITIBANK, por meio deste, realiza a cessão para a CITI FUNDOS e esta neste ato assume e aceita, a partir desta data ("Data de Transferência"), todo o ativo ("Ativo") c passivo ("Passivo") indicado no Anexo I a este Contrato. 1.2. O Ativo e o Passivo serão transferidos pelo valor contábil, conforme especificado no relatório de avaliação elaborado pela KPMG Auditores Independentes anexo a este Contrato como Anexo II." Na relação de itens anexa ao referido contrato (fls. 2.282 a 2.378) é possível identificar a transferência de diversos bens, tais como: computadores, softwares, equipamentos, móveis, benfeitorias no imóvel locado, equipamentos de telecomunicações e veículos de informática. No Anexo I ao Relatório de Revisão Especial consta também a transferência de disponibilidades e adiantamentos de salários, assim como, as obrigações com passivos trabalhistas e participações nos lucros. Fl. 3019DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 3.020 25 De igual forma, a Citibank Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A CNPJ: 33.868.597/000140 transferiu à Citi Portifólios Asset Manegement Ltda CNPJ: 07.437.241/000141 (Citiportfólio), através do Contrato de Cessão de Recebíveis (fls. 2.391 a 2.395), firmado em 01/12/2005, os recebíveis decorrentes da atividade de gestão das contas de investimentos até então por ela administradas. Veja o trecho do referido contrato: CONSIDERANDO QUE o Citigroup Inc. ("Citigroup"), entidade controladora indireta do BANCO CITIBANK, celebrou um Contrato de Operação na data de 23 de junho de 2005 (e demais alterações, o "Contrato de Operação") com a Legg Mason, Inc. ("Legg Mason"), de acordo com o qual o Citigroup Inc. se obriga a vender, substancialmente, todo o seu negócio mundial de gestão de ativos ("CAM") para a Legg Mason. Todos os termos em letra maiúscula utilizados neste Contrato e não definidos de outra forma neste terão os respectivos significados indicados no Contrato de Operação; CONSIDERANDO QUE, devido à Operação, a gestão de fundos de investimentos (os "Fundos") será transferida à CITI FUNDOS; CONSIDERANDO QUE, devido à transferência da gestão dos Fundos CITI FUNDOS, é necessário que o BANCO CITIBANK realize a cessão de determinados ativos e a transferência de determinados passivos à CITI FUNDOS e a CITI FUNDOS se obriga a receber o ativo e a assumir o passivo do BANCO CITIBANK. ISSO POSTO, as partes têm entre si justo e contratado o quanto segue: 1. TRANSFERÊNCIA DE ATIVO E PASSIVO 1.1. De acordo com os termos e condições previstos neste Contrato, o BANCO CITIBANK, por meio deste, realiza a cessão para a CITI FUNDOS e esta neste ato assume e aceita, a partir desta data ("Data de Transferência"), todo o ativo ("Ativo") c passivo ("Passivo") indicado no Anexo I a este Contrato. 1.2. O Ativo e o Passivo serão transferidos pelo valor contábil, conforme especificado no relatório de avaliação elaborado pela KPMG Auditores Independentes anexo a este Contrato como Anexo II. Assim, verificase que os ativos e passivos transferidos pelo Citibank às empresas Citifundos e Citiportfólio referemse aos bens, direitos e obrigações relativos à atividade de gestão de ativos anteriormente exercida pelo CAM Citibank Asset Management,. E foi justamente o fundo de comércio relativo a esta atividade que foi objeto de avaliação nos laudos de rentabilidade futura. A recorrente sustenta que o fundo de comércio é parte integrante da sociedade empresária, que representa algo maior, e que o valor pago pela aquisição das sociedades Citifundos e Citiportfólio não diz respeito somente ao fundo de comércio, como equivocadamente afirmaram a fiscalização e a DRJ, mas sim à precificação atribuída às sociedades empresárias gestoras das carteiras de investimento. Aduz que adquiriu as sociedades empresárias como um todo, e que a avaliação das empresas adquiridas inclui outros elementos que não o fundo de comércio, todavia afirma não ser possível segregar ou identificar o valor pago pelo fundo de comércio nessas aquisições. Apesar de sustentar que a avaliação das empresas adquiridas incluiu outros elementos que não o fundo de comércio, a recorrente não especificou quais seriam esses elementos. Da leitura dos relatórios de avaliação econômicofinanceira relativos às empresas adquiridas, também não foi identificada a avaliação de qualquer outro elemento além do fundo de comércio Fl. 3020DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 3.021 26 transferido às empresas Citifundos e Citiportifólio, aliás, ao descrever as empresas objeto de avaliação, os Relatórios de Avaliação EconômicoFinanceira afirmam que por se tratarem de empresas recémcriadas, que não dispõem de histórico próprio, a análise feita referese ao CAM (Citigroup Asset Management) como um todo: "O CAM foi recentemente desmembrado em duas empresas, o Citiportfolio, cujo produto são as carteiras administradas, contando com cerca de 70 clientes individuais, principalmente fundos de pensão; e o Citifundos, que tem como produto os fundos de investimento, contando com aproximadamente 100.000 clientes, incluindo varejo, geridas tanto exclusivamente quanto conjuntamente. Uma vez que o Citifundos é uma empresa recémcriada, não dispões de histórico próprio, de forma que a análise feita a seguir referese ao CAM como um todo." A recorrente defende que para se desqualificar um ágio gerado como base em rentabilidade futura, sob o fundamento de que se trata de ágio fundamentado em fundo de comércio, deve a autoridade fiscal apresentar provas de que os laudos apresentados pela recorrente não validam uma rentabilidade futura, mas sim, como afirmado pela fiscalização, a precificação do fundo de comércio. Conforme já demonstrado, para desqualificar o ágio com base em rentabilidade futura das empresas adquiridas a fiscalização utilizouse dos próprios laudos apresentados pela recorrente. De observarse ainda, que a fiscalização não contestou os valores de rentabilidade futura apurados nos Relatórios de Avaliação EconômicoFinanceira, ao contrário, validou as rentabilidades futuras neles apuradas, entretanto, concluiu que as mesmas referiamse a fundo de comércio. Relativamente às alegações de que o art. 385, § 2º, inciso II do RIR/99 pretendeu dar um tratamento específico às aquisições com ágio respaldadas em rentabilidade futura, não importando qual elemento do ativo justifica aquela expectativa, não assiste razão à recorrente. Foi transcrito no Termo de Verificação Fiscal, doutrina de Marco Aurélio Greco no sentido de que o valor do intangível ou do fundo de comércio pode também ser determinado pela previsão de resultados futuros: "Um dos pontos complexos referentes ao fundo de comércio e intangíveis é determinar quanto eles valem para fins de aquisição. Ou seja, novamente identificar critérios que permitam aportar a um determinado "preço" da "compra". No caso do fundo de comércio, um dos critérios possíveis para aferir o seu valor para fins de determinação do preço de aquisição é através da previsão do seu desempenho econômico num horizonte de tempo. Vale dizer, o valor do intangível ou do fundo de comércio pode ser determinado também pela previsão de resultados futuros. Nestes casos, a expectativa de rentabilidade futura surge como um dos critérios possíveis para aferição do preço relativo à aquisição do fundo de comércio ou dos intangíveis e corresponde a elemento que também serve para determinar o respectivo valor atual em certa data". Assim, a expectativa de rentabilidade futura é um dos critérios utilizados na apuração do ágio com fundamento no fundo de comércio, o qual está previsto no art. 385, § 2º, inciso III do RIR/99. Tal assertiva corrobora os argumentos da fiscalização de que o ágio apurado nos laudos entregues à fiscalização tem como fundamento o fundo de comércio. Fl. 3021DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 3.022 27 Com o intuito de comprovar as alegações de que o fato do fundo de comércio das empresas ter sido negociado na reestruturação societária não resulta na imediata conclusão de que o ágio apurado tem fundamento no fundo de comércio, a recorrente transcreveu o seguinte trecho do Acórdão nº 1201.00548 em seu recurso voluntário: Nos termos acima expostos, o fundo de comércio não se confunde com a situação prevista no artigo 385, parágrafo 20 inciso II, que trata de rentabilidade com base na previsão de resultados dos exercícios futuros, uma vez que esta referese a projeções a partir de resultados passados, de tendências de mercado, de mudanças de estratégias, aplicações de recursos, investimentos, ou ainda, de direitos realizáveis a curto ou longo prazo, cuja contrapartida seja a contabilização no passivo de resultados futuros; em suma, aspectos históricos, econômicos, circunstanciais ou conjunturais ligados a atividade normal da sociedade empresarial. Entretanto, no caso ora apreciado, as empresas avaliadas não possuíam resultados passados, pois eram empresas recémcriadas, e nunca funcionaram de forma dissociada do fundo de comércio transferido pelo Citibank. De igual forma não há que se falar em tendências de mercado ou mudanças de estratégias para empresas até então inexistentes. Alega a recorrente que o fundamento do ágio deve espelhar tão somente o real motivo que levou ao pagamento daquele ágio nas situações analisadas, não sendo admitidas interpretações extensivas, não respaldadas na legislação tributária. Assim, qualquer que seja o fundamento do ágio, ele deve sempre espelhar o real motivo que o conduziu ao seu pagamento, competindo ao contribuinte guardar a documentação que dê suporte àquela fundamentação, nos termos do § 3º, do art. 385 do RIR/99. Assiste razão à recorrente quando afirma que o fundamento do ágio deve espelhar o real motivo que conduziu ao seu pagamento, assim, as aquisições respaldadas em laudo cuja análise referese à atividade de administração de ativos não se prestam a justificar a rentabilidade futura das empresas adquiridas. Aponta a fragilidade da linha argumentativa exposta pela fiscalização no TVF e pela DRJ no acórdão recorrido, ao pretenderem, com base em meras presunções, afirmar que a carteira de recebíveis seria o único objetivo das aquisições da Citifundoss e da Citiportifólio, fato que demonstraria que o ágio pago teria por fundamento econômico o fundo de comércio. Para tanto, deveriam ter sido produzidas provas nesse sentido, segregados os ativos que se caracterizariam como fundo de comércio e evidenciado que o ágio apurado nas operações societárias decorreu de um sobrevalor destes ativos. A respeito da necessidade de segregação e individualização dos ativos, não assiste razão à recorrente. Como bem pontuado pelo acórdão recorrido, a "impugnante inverteu os papéis, no que tange ao ônus da prova. A autoridade lançadora não precisa segregar os bens integrantes do fundo de comércio para identificar a qual deles se deve o ágio. E, pelas mesmas razões, não precisa mensurar de forma individualizada nenhum dos elementos do patrimônio. Argumenta ainda a recorrente que a fiscalização pretendeu adotar o enfoque contábil para atribuir fundamentação econômica do ágio, mas ao mesmo tempo, adotou o conceito jurídico para o fundo de comércio, ou seja, de que todos os bens que fizeram parte da aquisição, individualizáveis ou não, compõem o fundo de comércio. Identificase nestas alegações a tentativa de desqualificar a autuação da fiscalização, entretanto, o fato é que o laudo apresentado pela recorrente no curso da ação fiscal não demonstrou a rentabilidade futura das empresas mas sim do fundo de comércio adquirido, independentemente de qual seja o enfoque, contábil ou jurídico ao conceito de fundo de comércio utilizado pela fiscalização. Fl. 3022DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 3.023 28 Diante do exposto, julgo procedente os ajustes efetuados pela fiscalização relativos às amortizações indevidas de ágio nos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010, tendo em vista que os laudos apresentados não comprovam que o fundamento econômico do ágio é a expectativa de rentabilidade futura. DA COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASE NEGATIVA DE CSLL Alega recorrente que a infração relativa à compensação indevida de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL não merece prosperar pois é mero reflexo das autuação fiscais procedidas, as quais devem ser canceladas por todos os motivos expostos ao longo do recurso. Da análise dos Livros de Apuração LALUR dos anoscalendário de 2006 (fls. 13 a 38), 2007 (fls. 40 a 81), 2008 (fls. 2.217 a 2.252), 2009 (fls. 309 a 338) e 2010 (fls. 340 a 367), verificase que os valores de prejuízos fiscais compensados pela contribuinte nos anoscalendário de 2009 e 2010 tem como origem o saldo de prejuízos fiscais apurados pela contribuinte e registrado no LALUR do anocalendário de 2006, no valor de R$ 12.661.347,23. Em virtude das infrações apuradas nos anoscalendário de 2006 e 2007, constantes dos autos de infração formalizados no processo administrativo nº 16327.000992/201011, a fiscalização desconstituiu o prejuízo apurado em 2006. Posteriormente, quando da lavratura dos autos de infração deste processo, considerou que as compensações realizadas pela contribuinte eram indevidas face à inexistência de saldo de prejuízos fiscais. Entretanto, o crédito tributário constituído no processo administrativo nº 16327.000992/201011, relativo aos anoscalendário de 2006 e 2007, foi considerado improcedente. Assim, considerando o julgamento definitivo do referido processo favorável à recorrente, os saldos de prejuízos fiscais foram restabelecidos sendo portanto procedentes as compensações dos prejuízos e base de cálculo negativas nos anoscalendário de 2009 (R$ 2.117.334,88) e 2010 (6.409.198,63). Diante do exposto, voto por afastar a infração relativa à glosa de compensação indevida de prejuízos fiscais e base negativa de CSLL. DA CSLL Mesmo que seus argumentos não sejam acolhidos e seja reconhecida a indedutibilidade do ágio para apuração da base de cálculo do IRPJ, a recorrente a alega inexistência de previsão legal para que seja adicionada a despesa de amortização de ágio na base de cálculo da CSLL,visto que o legislador, ao fixar a base de cálculo da CSLL, enumerou no art. 2º e §§, da Lei nº 7.689/88, de forma taxativa e individualmente, cada um dos ajustes aplicáveis, sem , no entanto, elencar a adição relativa à amortização do ágio na aquisição e investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial. A apuração da base de cálculo da CSLL, assim como do IRPJ, partem de um mesmo ponto, ou seja, o resultado do exercício, nos termos do art. 2º da Lei nº 7.689/88: Fl. 3023DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 3.024 29 Art. 2º A base de cálculo da contribuição social é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. Verificase, portanto, a nítida semelhança entre as bases de cálculo do IRPJ e CSLL. Nesse sentido, o art. 57 da Lei nº 8.981/95, estabeleceu que aplicamse à CSLL as mesmas normas de apuração do IRPJ: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei Assim, salvo a existência de normativo específico em sentido contrário, a metodologia e as regras de apuração para a CSLL são as mesmas utilizadas na apuração do imposto de renda. Corroborando este entendimento, os parágrafos § 3º e 4º do dispositivo acima transcrito também estabelecem identidade de regras para IRPJ e CSLL: § 3º A pessoa jurídica que determinar o Imposto de Renda a ser pago em cada mês com base no lucro real (art. 35), deverá efetuar o pagamento da contribuição social sobre o lucro, calculandoa com base no lucro líquido ajustado apurado em cada mês. § 4º No caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, a contribuição determinada na forma dos §§ 1º a 3º será deduzida da contribuição apurada no encerramento do período de apuração. No caso da amortização de ágio, o disposto no art. 7º da Lei nº 9.532/97, com a redação dada pela Lei nº 9.718/98, aplicase de igual forma à apuração da base de cálculo da CSLL. Tanto é assim, que a Instrução Normativa SRF nº 390/04, vigente à época dos fatos geradores, ao consolidar a legislação relativa à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, descreveu em seu art. 75, tratamento idêntico ao previsto para o IRPJ nos casos de amortização do ágio de participações societárias extintas por incorporação, fusão ou cisão. Nesse mesmo sentido, transcrevo excerto do Acórdão nº 1302 001.895, de 09/06/2016: "Demais disso, embora à primeira vista a Lei nº 9.532/97 aparente surtir efeitos apenas nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, na medida em que esta aproximou se, no caso de ágio pago por expectativa de rentabilidade futura, da apuração do lucro contábil como antes mencionado, é possível interpretar que a lei, ao valerse daqueles termos, e não meramente firmar a dedutibilidade da amortização na apuração do lucro real, repercutiria, também, na apuração da base de cálculo da CSLL, inclusive como expresso na Instrução Normativa SRF nº 390/2004: Ademais, outra linha de raciocínio e que também leva à conclusão da indedutibilidade das despesas com ágio realizadas pela recorrente na apuração da base de cálculo da CSLL é a expressa no art. 13, I, da Lei nº 9.249/95: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes Fl. 3024DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 3.025 30 deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: [...] III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; O art. 324, § 4º do RIR/99, ao interpretar o dispositivo legal acima transcrito, estabeleceu que a dedutibilidade das despesas com amortização somente seria permitida a bens e direitos intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços: Art. 324. Poderá ser computada, como custo ou encargo, em cada período de apuração, a importância correspondente à recuperação do capital aplicado, ou dos recursos aplicados em despesas que contribuam para a formação do resultado de mais de um período de apuração (Lei nº 4.506, de 1964, art. 58, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, § 1º). [...] § 4º Somente será permitida a amortização de bens e direitos intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso III). Dessa forma, tendo em vista que as despesas com amortização de ágio não se amoldam à hipótese de dedutibilidade prevista no art. 13, inciso III, pois não estão intrinsecamente relacionadas com a produção ou comercialização de bens/serviços, devem ser adicionadas ao resultado do exercício para apuração da base de cálculo da CSLL. Além dos dispositivos legais acima transcritos, a Instrução Normativa SRF nº 390/04, ao dispor sobre a apuração e o pagamento da CSLL, dispõe expressamente em seu art. 44 que aplicamse à CSLL as normas relativas à depreciação, amortização e exaustão previstas na legislação do IRPJ, exceto as referentes a depreciação acelerada incentivada, observado o disposto nos art. 104 a 106. Diante do exposto, julgo procedente a adição de despesas com amortização indevida de ágio à base de cálculo da CSLL. DA MULTA ISOLADA Opõese a recorrente à cobrança da multa isolada em razão da falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa, pois entende que a mesma é inaplicável após o encerramento do anobase quando da lavratura do auto de infração, nos termos da jurisprudência firmada pelo CARF. Relativamente a esta questão entendo não merecer reparos o acórdão recorrido, que assim decidiu: "A multa isolada é uma sanção específica e autônoma, que independe de ter sido ou não apurado débito ao final de período base. O fato gerador da multa isolada é o descumprimento da norma que impõe ao contribuinte o recolhimento das antecipações. Fl. 3025DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 3.026 31 Não sendo possível a aplicação dessa multa, a norma que prevê os pagamentos por estimativa deixaria de ser cogente, determinando uma conduta obrigatória, para transformarse em mera recomendação ou sugestão. A impugnante claramente confundiu a impossibilidade de exigir as estimativas mensais depois de findo o ano base, com a impossibilidade de exigir multa isolada. Em resumo, encerrado o anobase, as estimativas já não podem ser exigidas, cabendo tãosomente a aplicação de multa isolada, no percentual de 50%, como dispõe o art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996." Insurgese também a recorrente contra a aplicação concomitante da multa isolada e da multa de ofício, visto que ambas incidem sobre os mesmos valores supostamente devidos de IRPJ e CSLL. Em virtude da alteração da legislativa ocorrida no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, pela Lei nº 11.488/2007, a base de cálculo da multa deixou de ser a totalidade ou diferença de tributo, e passou a ser o valor do pagamento mensal a título de estimativa, além de ter havido redução de seu percentual de 75% para 50%. Vejam as alterações: Art. 44 da Lei n° 9.430/1996, na redação anterior à Lei nº 11.488/2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (... ) § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (... ) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no anocalendário correspondente. Art. 44 da Lei n° 9.430/1996, na redação posterior à Lei nº 11.488/2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 3026DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 3.027 32 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Tratamse, portanto, de penalidades distintas e com previsões legais específicas. A multa de 75% incide sobre o montante do IRPJ e CSLL devidos no final do período de apuração, trimestral ou anual, e tem por base legal o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Por outro lado, a multa isolada de 50% incide sobre a falta de recolhimento mensal das estimativas, nos casos em que o contribuinte opta pela apuração anual do IRPJ e CSLL, e tem como base legal o art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei nº 9.430/96. Assim, possível a aplicação concomitante das duas penalidades por incidirem sobre bases de cálculo distintas. Relativamente ao cancelamento das multas isoladas dos meses de dezembro/2009 e dezembro/2010, face à alegada inexistência de recolhimento insuficiente de estimativa no mês de em que se encerra a apuração do exercício, não merece ser acolhido o pleito da recorrente. Apesar do período de apuração anual se encerrar no mês de dezembro, o imposto/contribuição apurados no ajuste anual são devidos em março do ano seguinte, enquanto, as estimativas apuradas em dezembro devem ser recolhidas antecipadamente em janeiro do ano seguinte. Assim, devida a multa isolada nos casos de falta de recolhimento das antecipações relativas aos meses de dezembro/2009 e dezembro/2010. Relativamente à aplicação concomitante das multas isoladas e de ofício, esse tem sido o entendimento jurisprudencial deste Colegiado: MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, concomitantemente com a multa de ofício, pois distintas são as hipóteses de incidência legalmente previstas. (Acórdão 1402002.259, Sessão de 09/08/2016) MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoase ao final do anocalendário, e a multa isolada Fl. 3027DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 3.028 33 sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplicase aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007. (Acórdão 9101002.345, Sessão de 14/06/2016) Diante do exposto, voto por julgar procedente a aplicação das multas isoladas decorrentes da falta de recolhimento do IRPJ e CSLL sobre as bases de cálculo apuradas com base nos balancetes mensais de suspensão. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO Ainda que se entenda pela manutenção das autuação, a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício não pode ser exigida por absoluta ausência de previsão legal, isto porque multa não é tributo e só há previsão legal de incidência de juros Selic sobre tributos. O art. 113 § 1º do Código Tributário Nacional, ao definir o que seria a obrigação tributária principal, assim estabeleceu: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação tributária principal consiste na obrigação de "dar" uma importância em moeda, diferentemente das obrigações acessórias que tem por objeto as prestações positivas (fazer) ou negativas (deixar de fazer) determinado ato. Do comando legal acima transcrito inferese que a obrigação tributária principal engloba tanto o pagamento do tributo quanto a penalidade pecuniária, no caso, a multa de ofício. Ao afirmar que a obrigação tributária principal extinguese juntamente com o crédito dela decorrente verificase que ambas são faces de uma mesma relação jurídica. O crédito tributário é a obrigação tributária quantificada pelo Fisco e constituída pelo lançamento, nos termos do art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Nesse mesmo sentido, o art. 139 do Código Tributário Nacional, assim dispõe: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Em seguida, o art. 161 do Código Tributário Nacional determina: Fl. 3028DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 3.029 34 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. O crédito tributário constituído nos lançamentos de ofício inclui o tributo, bem assim, as multas de ofício e, quando não pagos no vencimento sujeitamse aos juros de mora. O parágrafo primeiro estabeleceu ainda que referidos juros são calculados à taxa de 1% ao mês nos casos em que a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que o art. 61 da Lei nº 9.430/96 estabeleceu que os débitos com a União, quando decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 01/01/1997, estão sujeitos aos juros Selic quando não pagos nos prazos previstos: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Os débitos a que se referem a Lei nº 9.430/96 correspondem ao crédito tributário objeto do art. 161 do Código Tributário Nacional, visto sob a ótica do sujeito passivo. Conforme acima demonstrado, o crédito tributário compreende os tributos, bem assim, as multas de ofício previstas no art. 44, incisos I e II,da Lei nº 9.430/96. A jurisprudência deste Conselho é majoritária a favor da incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício: JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito Fl. 3029DF CARF MF Processo nº 16327.721552/201335 Acórdão n.º 1301002.430 S1C3T1 Fl. 3.030 35 tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão nº 1301001.976, Sessão de 05/04/2016) JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É escorreita a cobrança de juros, calculados à taxa Selic, sobre multa de ofício, nos termos do §3°do art. 61 da Lei n°9.430/96. (Acórdão n° 1302000.959, Sessão de 07/08/2012) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão n° 910100.539, Sessão de 11/03/2010) Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário para manter a incidência de juros de mora sobre as multas de ofício. Conclusão Em face de todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a infração relativa à compensação indevida de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL. (Assinado Digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 3030DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.003116/2006-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
EMBARGOS. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DO VICIO OU ERRO.
Devem ser acolhidos os embargos naquilo em eles que logram demonstrar o alegado vício ou erro na decisão recorrida.
EMENTA. ESPELHO DAS DECISÕES CENTRAIS DO CONTRADITÓRIO. NECESSIDADE.
A Ementa deve sempre espelhar as decisões a respeito de matérias centrais do contraditório, para que se homenageie e respeite o contraditório e o amplo direito de defesa, para as partes.
PIS NÃO CUMULATIVO; COFINS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA DOS CRÉDITOS. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL.
Dada a expressa determinação legal vedando a atualização de créditos do PIS e da Cofins não cumulativos é inadmissível a aplicação de correção monetária e incidência de juros aos créditos objeto de pedido de ressarcimento.
Numero da decisão: 3401-003.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os Embargos, com efeitos infringentes, para reformar o Acórdão recorrido, acrescendo decisão pela negativa de provimento ao recurso voluntário quanto à matéria atualização ou incidência de juros pela Taxa SELIC sobre o valor de direito creditório reconhecido.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos e Renato Vieira de Ávila (que atuou em substituição ao Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, ausente justificadamente).
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 EMBARGOS. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DO VICIO OU ERRO. Devem ser acolhidos os embargos naquilo em eles que logram demonstrar o alegado vício ou erro na decisão recorrida. EMENTA. ESPELHO DAS DECISÕES CENTRAIS DO CONTRADITÓRIO. NECESSIDADE. A Ementa deve sempre espelhar as decisões a respeito de matérias centrais do contraditório, para que se homenageie e respeite o contraditório e o amplo direito de defesa, para as partes. PIS NÃO CUMULATIVO; COFINS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA DOS CRÉDITOS. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL. Dada a expressa determinação legal vedando a atualização de créditos do PIS e da Cofins não cumulativos é inadmissível a aplicação de correção monetária e incidência de juros aos créditos objeto de pedido de ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e acolher os Embargos, com efeitos infringentes, para reformar o Acórdão recorrido, acrescendo decisão pela negativa de provimento ao recurso voluntário quanto à matéria atualização ou incidência de juros pela Taxa SELIC sobre o valor de direito creditório reconhecido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 31 16 /2 00 6- 82 Fl. 465DF CARF MF 2 Rosaldo Trevisan Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos e Renato Vieira de Ávila (que atuou em substituição ao Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, ausente justificadamente). Relatório Vem este processo a este colegiado por força de embargos ingressado pela Douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Antes de adentrar em sua apreciação peço licença para descortinar o contraditório. Trata o presente de pedido de ressarcimento (art. 6º §§ 1º e 2º da Lei n. 10.833, de 2003; art. 6º §§ 1º e 2º da Lei n. 10.637, de 2002) de PIS FATURAMENTO, incidência não cumulativa, referente ao 2º trimestre de 2006, cumulado com pedido de atualização do direito creditório pela taxa SELIC. Para apresentar o contraditório, aproveito o resumo copiado/elaborado pelo relator do Acórdão 930301.082 (sessão de 25 de agosto de 2010). O órgão de origem reconheceu parcialmente o direito creditório, glosando os valores de transferências de créditos de ICMS para terceiros, considerados como receita a compor o faturamento, sobre o qual são apurados os débitos do PIS e COFINS nãocumulativos segundo a fiscalização. Na Manifestação de Inconformidade o contribuinte se insurge contra a glosa decorrente de transferências de créditos de ICMS e defende aplicação da taxa Selic sobre a parcela deferida. A 2ª Turma da DRJ indeferiu a Manifestação de Inconformidade, interpretando que a transferência em foco é uma cessão de créditos, em que a pessoa jurídica vendedora toma o lugar cedente; o adquirente, o do cessionário; e a Unidade da Federação, o do cedido. Reportandose à legislação de regência, incluindo a Lei n° 9.718/98, considerou que na incidência das duas Contribuições há generalização, enquanto na exclusão da base de cálculo a norma foi bastante seletiva, restringindoa a um pequeno rol numerus clausus, no qual o negócio jurídico ora analisado não se enquadra. Também entendeu que a cessão em tela não está albergada pela imunidade própria das exportações. Para amparar sua interpretação, reportouse à Solução de Consulta Interna da Cosit n° 48, de 30/12/2004, segundo a qual há incidência do PIS, Fl. 466DF CARF MF Processo nº 11020.003116/200682 Acórdão n.º 3401003.779 S3C4T1 Fl. 3 3 COFINS, IRPJ e CSLL sobre os valores auferidos com a cessão de créditos de ICMS. No mais, a instância recorrida reputou impossibilitada a aplicação dos juros Selic na espécie, por vedação expressa contida nos arts. 13 e 15 combinados, da Lei n° 10.833/2003, e considerou despiciendo haver lançamento na situação em tela. O Recurso Voluntário, tempestivo, defende, em síntese, que os valores de transferência de ICMS constituem redução de despesa (o valor da rubrica tributos recuperáveis, credora, passa para o ativo), não sendo receita tributável pelo PIS e Cofins. O Colegiado de 2ª instância apreciou o recurso voluntário e lhe deu parcial provimento em acórdão assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 (SIC) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo, exceto quando deva ser reconhecida de ofício. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO COFINS/PIS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS. DIFERENÇA A EXIGIR. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A sistemática de ressarcimento da COFINS e do PIS nãocumulativos não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores de transferências de créditos de ICMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam subtraídas do montante a ressarcir. Em tal hipótese, para a exigência das Contribuições carece seja efetuado lançamento de ofício. RESSARCIMENTO. COFINS NÃOCUMULATIVA. JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE. Ao ressarcimento não se aplicam os juros Selic, inconfundível que é com a restituição ou compensação, sendo que no caso do PIS e COFINS não cumulativos os arts. 13 e 15, VI, da Lei n° 10833/2003, vedam expressamente tal aplicação. Recurso provido em parte.. A Douta Procuradoria da Fazenda Nacional ingressou com recurso especial por meio do qual rogou (i) pela nulidade desse acórdão, por violação dos artigos 128 e 460 do CPC e por divergir de decisão proferida por outro colegiado, ou (ii) pela sua reforma com o restabelecimento da decisão de primeira instância. A 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais entendeu que o acórdão recorrido andou mal, como suscitado pelo recurso especial e concluiu pela sua anulação nos seguintes termos: Fl. 467DF CARF MF 4 Acórdão n.º 9303.001.082, de 25 de agosto de 2010: VOTO (in fine): No caso sob exame, é patente a violação da definitividade da decisão de primeira instância, pois ao decidir que a constatação, pelo fisco, de irregularidade na formação da base de cálculo da contribuição, implicará na lavratura de auto de infração para a exigência do valor calculado a menor; jamais um mero acerto escritural de saldos, conforme foi feito neste processo. E que a glosa efetuada no pedido de ressarcimento, em vez do lançamento de ofício pertinente, não pode prosperar, a Câmara recorrida violou a definitividade da decisão de primeira instância que havia afirmado, justamente o contrário, ao afastar a preliminar de inexistência de lançamento para cobrança do suposto débito, suscitada na manifestação de inconformidade, e que tal matéria não foi abordada no recurso voluntário apresentado pelo sujeito passivo. Isso porque, não tendo sido recorrida neste ponto, a decisão de primeira instância tornouse definitiva na esfera administrativa, em relação a tal matéria. Por conseguinte, não poderia o colegiado de segunda instância haver sobre ela se manifestado. Assim o fazendo, rasgou o manto da "coisa julgada" (definitividade da decisão) administrativa, e, com isso, eivou de vício insanável o julgado. Em síntese, viola o princípio da imutabilidade da coisa julgada administrativa a apreciação por julgador ad quem de matéria decidida por julgador a quo quando predita matéria não foi devolvida à instância superior por meio de recurso. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para anular os atos processuais a partir do acórdão recorrido, inclusive, e determinar que outro julgamento seja realizado, observando os princípios norteadores do processo, e a imutabilidade da "coisa julgada" administrativa. Em novo julgamento, o Colegiado de 2º piso proferiu o acórdão n.º 3401 003.006 na Sessão de 08 de dezembro de 2015, quando deu provimento ao recurso voluntário por unanimidade, cuja ementa ficou assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O COFINS NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DO STF PROLATADAS NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. Nos termos do § 2° do art. 62 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. COFINS. TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. STF RE 606.107 No julgamento do RE 606.107, concluiu a Suprema Instância: (...) Fl. 468DF CARF MF Processo nº 11020.003116/200682 Acórdão n.º 3401003.779 S3C4T1 Fl. 4 5 VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2°, X, 149, § 2°, I, 150, § 6°, e 195, caput e inciso I, "b", da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3°, do CPC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco A Douta Procuradoria da Fazenda Nacional ingressou com Embargos de Declaração argüindo que esse Acórdão foi omisso ao não decidir a respeito da atualização pela SELIC reivindicada pela contribuinte em seu recurso voluntário. A admissibilidade foi proferida atestando a omissão e conduzindo este processo de volta a sessão de julgamento deste Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Requisitos de admissibilidade já verificadas e aprovadas. Como podemos ver, o contraditório se cingia a duas matérias: (i) os valores de transferências de créditos de ICMS para terceiros, considerados como receita a compor o faturamento, sobre o qual são apurados os débitos do PIS e COFINS nãocumulativos razão para o reconhecimento parcial de direito creditório pela autoridade fiscal de jurisdição local; (ii) a atualização do direito creditório reconhecido ou a incidência de juros pela taxa SELIC requerido pela contribuinte. Fl. 469DF CARF MF 6 A primeira matéria foi resolvida favoravelmente à contribuinte no acórdão recorrido, mas quanto à segunda matéria realmente o colegiado naquela sessão deixou de ponderar. Há a omissão apontada. Por isso peço apreciação do recurso voluntário. E essa matéria é a que devemos nos debruçar na sessão de hoje. Senhores Conselheiros, com objetividade, entendo que a razão não socorre a contribuinte nesta matéria: obter atualização ou incidência de juros pela SELIC sobre o valor reconhecido de crédito. Assim o é por que há vedação expressa nos artigo 13 e 15 da Lei n. 10.833, de 2003: Lei n. 10.833, de 2003: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. (Produção de efeito) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) ...... VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Além disso, faço notar que o direito creditório havia sido parcialmente reconhecido, e essa parte deferida a contribuinte recebeu com celeridade. Por essa razão proponho seja negado provimento ao recurso voluntário nesta matéria. Conclusão: Proponho seja conhecido e provido os Embargos, com efeitos infringentes, para reformar o acórdão recorrido para lhe acrescer a decisão que nega provimento ao recurso voluntário quanto à matéria atualização ou incidência de juros pela SELIC sobre o valor de direito creditório reconhecido. A seguir a Ementa proposta. PIS NÃO CUMULATIVO; COFINS NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA DOS CRÉDITOS. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL. Dada a expressa determinação legal vedando a atualização de créditos do PIS e da Cofins não cumulativos é inadmissível a aplicação de correção monetária e incidência de juros aos créditos objeto de pedido de ressarcimento. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 470DF CARF MF Processo nº 11020.003116/200682 Acórdão n.º 3401003.779 S3C4T1 Fl. 5 7 Fl. 471DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000208/2009-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004
REPERCUSSÃO DO RECOLHIMENTO DO FINOR
Uma vez decidido nos autos de outros processos administrativos que houve o pagamento integral do IRPJ por meio do reconhecimento de incentivo fiscal e do próprio IRPJ indevidamente recolhido em DARF com código de FINOR, cumpre afastar a exigência tributária.
Numero da decisão: 1401-001.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 02 08 /2 00 9- 22 Fl. 343DF CARF MF 2 Relatório Em relação às peças iniciais de acusação e defesa, sirvome do relatório da autoridade a quo: Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 63 a 68) lavrado para a exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ do anocalendário de 2004. No item Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) do Auto de Infração (fls. 66), relata a fiscalização que foi constatada insuficiência de recolhimento de IRPJ em razão de indeferimento de Pedido de Transferência de Recursos aplicados a maior no FINOR e de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, nos autos dos processos administrativos nº 16327.001324/200535 (fls. 52 a 56) e nº 16327.001730/200760 (fls. 57 a 62), respectivamente. De acordo com a Informação Fiscal de fls. 19 e 20, a contribuinte apurou IRPJ a pagar no ajuste anual do ano calendário de 2004 no montante de R$7.644.482,67, tendo declarado esse débito em DCTF, com as seguintes vinculações: Crédito Receita Valor (R$) Pagamento 2390 – IRPJ – Entidades Financeiras – Declaração de ajuste 2.768.060,36 Pagamento 9344 IRPJ FINOR – Ajuste Anual 3.740.778,92 Compensação 1.135.643,38 Soma 7.644.482,66 Do total de R$3.740.778,92 destinado ao FINOR, o montante de R$1.246.926,31 é objeto do processo administrativo nº 16327.001324/200535 e o valor de R$2.493.852,61 é discutido no processo administrativo nº 16327.001730/200760. No primeiro processo, a contribuinte requer a transferência de recursos destinados ao FINOR, recolhidos através de DARF específico (código 9344), para o pagamento de parcela do IRPJ (código 2390) relativo ao anocalendário de 2004. Em 10/03/2008, foi proferido Despacho Decisório (fls. 52 a 56) que indeferiu o pleito da contribuinte. O segundo processo trata do PERC apresentado em 28/09/2007, que foi indeferido pela autoridade a quo em 10/10/2008 (fls. 57 a 62). Em decorrência dos fatos acima descritos, foi lavrado auto de infração para a exigência dos valores a seguir discriminados: Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor em R$ Fl. 344DF CARF MF Processo nº 16327.000208/200922 Acórdão n.º 1401001.842 S1C4T1 Fl. 344 3 Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) Art. 841, I, III e IV, do RIR/99 3.740.778,92 Juros de Mora (calculados até 30/01/2009) Art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96 2.036.105,96 Multa Proporcional Art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 2.805.584,19 TOTAL 8.582.469,07 Cientificada da autuação em 17/02/2009 (fls. 65), a contribuinte apresentou, em 18/03/2009, a impugnação de fls. 102 a 113, acompanhada dos documentos de fls. 114 a 202. Inicialmente, alega ser insubsistente a autuação, uma vez que a existência do crédito tributário está sendo discutida nos autos dos processos administrativos nº 16327.001324/200535 e nº 16327.001730/200760, que ainda não foram definitivamente julgados na via administrativa. Argumenta que, nos termos do art. 151, III, do Código Tributário Nacional – CTN, está suspensa a exigibilidade do crédito tributário, sendo inadmissível a exigência. A impugnante alega que a fiscalização deveria aguardar a decisão final nos referidos processos administrativos para, somente depois de proferidas decisões definitivas contrárias à contribuinte, lavrar o auto de infração. Argumenta que o lançamento não pode subsistir, pois ofende os princípios da moralidade, da segurança jurídica e da economia processual, previstos no art. 2º, da Lei nº 9.784/99. Acrescenta que o lançamento também carece de motivação, pois o suposto crédito tributário não goza de liquidez e certeza, visto que o direito ao incentivo fiscal ainda se encontra em discussão. A impugnante também sustenta que a multa de ofício é indevida, pois a exigibilidade do crédito tributário está suspensa nos termos do art. 151, III, do CTN. Argumenta que não há que se falar em descumprimento de obrigação tributária até o julgamento definitivo da questão relativa ao direito ao incentivo fiscal. Ante o exposto, requer seja julgada procedente a impugnação, cancelandose o auto de infração ou, ao menos, excluindose a multa de ofício. Foram juntados à impugnação os seguintes documentos: cópia dos documentos de identificação dos advogados que subscrevem a impugnação; cópia do Auto de Infração; Fl. 345DF CARF MF 4 Da decisão de primeiro grau A decisão recorrida (fls. 213 a 218) manteve integralmente a exigência, nos seguintes termos: A manifestação de inconformidade relativa ao processo nº 16327.001730/200760 foi julgada improcedente. Já a manifestação de inconformidade relativa ao processo nº 16327.001324/200535 nem sequer foi conhecida pela DRJ. Ademais, a discussão administrativa desses valores não impede a constituição do crédito tributário, sob pena da extinção do crédito pela decadência. Cita ainda Norma de Execução Corat/Cosit nº 2/2007 que determina o lançamento para o caso de incentivo fiscal não reconhecido. Com relação à multa, considerada indevida pela defesa sob o fundamento da suspensão do crédito tributário por força do questionamento administrativo, aduz ser ela devida em face do disposto no art. 63 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual impede a imposição sancionatória apenas para as hipóteses suspensivas dos incisos IV e IV, art. 151, do CTN. Do recurso voluntário O sujeito passivo apresentou recurso voluntário, às fls. 221 a 246, em que reiterou suas razões de defesa apresentadas na primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Não deve prevalecer a alegação da defesa de que deveria a autoridade fiscal ter aguardado a solução dos dois processos em que o contribuinte busca o reconhecimento de créditos, pois, neste caso, o direito de o fisco lançar pereceria. É por isso que nem medidas judiciais impedem a atividade de lançar. Com relação ao lançamento da multa, também melhor sorte não deve ter a contestação. A suspensão da exigibilidade prevista no inciso III, art. 151, do CTN, é para o crédito tributário lançado objeto do respectivo processo. Um processo tributário não propaga efeitos suspensivos par outros processos. Não foi por acaso que o art. 63 da Lei nº 9.430/96, citado pela decisão de primeiro grau, deixa de prever essa hipótese suspensiva como capaz de impedir o lançamento da multa. Isso porque a suspensão só se instaura após o lançamento. Quanto às questões suscitadas que são relativas aos processos 16327.001730/200760 e 16327.001324/200535, não nos cabe nestes autos delas tratar, mas sim nos fiarmos nas decisões lá proferidas. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 16327.000208/200922 Acórdão n.º 1401001.842 S1C4T1 Fl. 345 5 Nesse sentido, o contribuinte teve decisão favorável definitiva nos autos do processo nº 16327.001730/200760, o que nos impõe repercutir seus efeitos para afastar a exigência sobre o montante de R$ 2.493.852,61. O mesmo se diga em relação ao pleito formulado pelo contribuinte nos autos do processo nº 16327.001324/200535 relativamente ao valor de R$ R$1.246.926,31, uma vez que este foi integralmente deferido na mesma sessão de julgamento. Isso posto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 347DF CARF MF
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Numero do processo: 12585.000226/2011-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.972
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente SONNERVIG AUTOMÓVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 02 26 /2 01 1- 27 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 12585.000226/201127 Acórdão n.º 3302003.972 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06050.230. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 164DF CARF MF Processo nº 12585.000226/201127 Acórdão n.º 3302003.972 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 12585.000226/201127 Acórdão n.º 3302003.972 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 166DF CARF MF Processo nº 12585.000226/201127 Acórdão n.º 3302003.972 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 167DF CARF MF Processo nº 12585.000226/201127 Acórdão n.º 3302003.972 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720012/2011-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
RECURSO INTEMPESTIVO. PEREMPÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito, por perempção.
Numero da decisão: 1402-002.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário apenas no que se refere à intempestividade e negar-lhe provimento. O conselheiro Demetrius Nichele Macei apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 RECURSO INTEMPESTIVO. PEREMPÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito, por perempção.
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PEREMPÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Demonstrada nos autos a intempestividade do recurso voluntário, não se conhece das razões de mérito, por perempção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário apenas no que se refere à intempestividade e negarlhe provimento. O conselheiro Demetrius Nichele Macei apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 12 /2 01 1- 08 Fl. 4663DF CARF MF 2 Relatório Tratamse de autos de infração para cobrança do IRPJ e da CSLL referentes ao anocalendário de 2006 nos montantes de R$ 5.852.772,15 e R$ 2.106.997,98 aí incluídos juros de mora e multa de ofício no percentual de 75%. A autuação foi decorrente de ajustes de preços de transferência. Foi constatado que a interessada utilizou, para apuração do preço parâmetro para efeito de ajuste de preços de transferência nas operações de importação com pessoas vinculadas, os métodos PRL e PIC. Em relação ao PIC, foi desconsiderado em função de equívocos na apuração que, segundo o Fisco, teriam sido admitidos pelo sujeito passivo. Quanto ao método PRL foi constatada a utilização indevida do PRL20 para insumos que sofreram agregação de valor e deveriam ter sido submetidos ao PRL60 implicando no recálculo sob essa sistemática. Na apuração pelo método PRL60, a fiscalizada não seguiu a IN/SRF nº 243/2010 o que implicou na apuração de diferenças tributáveis. Nas situações em que o mesmo insumo foi utilizado em diferentes produtos ou nos casos em que foi revendido e utilizado no processo produtivo, a Fiscalização utilizou a média ponderada dos preços parâmetro obtidos. Em impugnação a interessada tece as considerações abaixo sintetizadas: Fl. 4664DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201108 Acórdão n.º 1402002.504 S1C4T2 Fl. 4.664 3 Em primeira apreciação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo –SP converteu o julgamento em diligência para que fossem esclarecidas algumas razões de defesa no que se refere a: Fl. 4665DF CARF MF 4 Falta de abertura das fórmulas de cálculo; Omissão do resultado da fiscalização em relação a todos os produtos importados de pessoa vinculada no anocalendário de 2006; e Impossibilidade de se compreender o lançamento em relação a pontos específicos. Efetuada a diligência, os autos retornaram à DRJ para julgamento e foi prolatado o acórdão 1645.844 com acatamento parcial da impugnação apenas para excluir da base tributável o montante de R$ 46.026,72, relativo ao item C7508BZ (R$ 21.400,93) e ao item 302969B21 (R$ 24.625,79), alterandose a matéria tributável de R$ 14.789.905,06 para R$ 14.743.878,34. Devidamente cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário a este colegiado suscitando preliminarmente a tempestividade do recurso. Em seguida, reitera as razões expedidas na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 4666DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201108 Acórdão n.º 1402002.504 S1C4T2 Fl. 4.665 5 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O recurso foi interposto por signatário devidamente legitimado. Por outro lado, quanto à tempestividade merece análise específica. De acordo com o Termo de Ciência por Decurso de Prazo, sujeito passivo foi cientificado do Acórdão de primeira instância em 17/07/2013. Consta também ciência pela abertura dos arquivos em 02/08/2013, conforme Termo de Abertura de Documento. Quanto a essa última data, importa esclarecer que não se confunde com aquela na qual foi acessada a mensagem na caixa postal do eCAC. Essa mensagem (cópia fls. 4659/4660) indica a existência de comunicados/intimações a que o interessado deve tomar ciência e foi acessada no dia 02/07/2013. Ali está devidamente informada a disponibilidade ao sujeito passivo de documentos de seu interesse na pasta "Processos Digitais" do eCAC. Tratavase justamente do arquivo contendo o Acórdão de primeira instância que foi aberto em 02/08/2013, conforme mencionado no parágrafo anterior. De acordo com o art. 23, do Decreto 70.235/72, a data em que foi feita a consulta ao documento (02/08/2013) só seria considerada data de ciência se tivesse ocorrido antes do prazo quinzenal (ciência ficta, no presente caso correspondendo a 17/07/2013). O recurso voluntário foi interposto em 03/02/2014. Assim, independentemente da análise sobre qual das datas supra mencionadas deveria ser considerada como termo inicial para contagem do prazo recursal (17/07/2013 ou 02/08/2013), a peça de defesa é manifestadamente intempestiva. Antes de analisar as razões de defesa contra esse entendimento, importa fazer alguns esclarecimentos sucintos quanto à sistemática de emissão de intimações por meio eletrônico pela Unidade Local e às características básicas do sistema SIEF da Receita Federal do Brasil. Considerando a situação na qual o sujeito passivo está cadastrado e apto no e CAC a receber intimações, o servidor recebe o processo contendo, por exemplo, um Acórdão contrário no todo ou em parte ao sujeito passivo, acessa a caixa postal do interessado e registra a existência de documento ao qual o sujeito passivo deve tomar ciência, que pode ocorrer numa das duas modalidades mencionadas no início deste voto. Tendo em vista que estáse falando de questões envolvendo prazos processuais ( de eventual recurso ou pagamento , no caso) a ciência do documento alimenta o sistema eprocesso para que seja feito o devido controle. Por sua vez, o sistema SIEF pode se definido em termos simplistas como um grande banco de dados de uso interno da Receita Federal do Brasil, com informações as mais diversas sobre pessoas físicas e jurídicas abrangendo dentre outras, processos administrativos em andamento e Declarações. Fl. 4667DF CARF MF 6 A emissão de certidões negativas e extratos de situação fiscal é feita com base nas informações contidas no SIEF que é “alimentado” por vários outros sistemas. Entretanto, fato relevantíssimo no presente caso, essa alimentação não é sempre automática, sendo necessária a participação de servidores para tal mister. É o caso do eprocesso, por exemplo. Para que informações relevantes cadastradas no eprocesso – a emissão de intimações é uma delas – sejam adicionadas ao SIEF, é necessário que servidores habilitados o façam. Isso significa a possibilidade de uma defasagem entre as informações do e processo e aquelas do SIEF. Tal circunstância, ainda que indesejada, não causa prejuízos ao sujeito passivo em questões processuais pois, ratificase, o controle de prazos é feito no e processo enquanto o SIEF é apenas um banco de dados, sem embargo da relevância. De volta ao caso presente, o Termo de Ciência por Decurso de Prazo e o Termo de Abertura de Documento, anexos aos autos, são evidências de que a intimação foi emitida. Mais ainda, junto com o despacho de encaminhamento pelo qual a Unidade Local devolveu o processo ao CARF atestando a intempestividade, foi trazida cópia da intimação onde consta inclusive o registro do momento em que a mensagem foi acessada. A interessada traz cópia do que seria a página da caixa postal do eCAC em 25/07/2013, com indicação de que não constaria a mensagem referente à intimação. Entendo que tal documento não pode ser aceito como prova das alegações. Em primeiro lugar porque está truncado eis que incluído por cópia em mensagem de email corporativo não havendo como saber se efetivamente só teria as mensagens ali indicadas e não aquelas recebidas em outros dias. Além disso, a caixa postal do eCAC permite ao interessado deletar mensagens, a princípio para eliminar avisos tidos como irrelevantes ou defasados. Existe a possibilidade de a mensagem ter sido equivocadamente apagada, isolada ou conjuntamente com outras. As demais alegações do sujeito passivo não se sustentam pela já mencionada defasagem entre as informações do eprocesso e aquelas do SIEF. Como já esclarecido, esse fato não cria prejuízos ao sujeito passivo em questões processuais pois o controle de prazos é feito no eprocesso, mas traz reflexos na emissão de certidões e extrato de situação fiscal – com base nos dados do SIEF que não indicariam a real situação destes autos até que o sistema fosse atualizado. O mesmo se aplica aos Despachos Decisórios que, conforme neles mencionado, informaram a situação do presente processo com base no SIEF. De todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apenas no que se refere à intempestividade e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 4668DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201108 Acórdão n.º 1402002.504 S1C4T2 Fl. 4.666 7 Declaração de Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Hewlett Packard Brasil Ltda., apresentou Recurso Voluntário interposto contra Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo SP que deu provimento parcial à Impugnação apresentada. O i. relator concluiu, acertadamente, pela intempestividade do Recurso Voluntário, propondo o não conhecimento do mesmo. Contudo, a despeito dos argumentos trazidos pelo recorrente e mesmo não os conhecendo, entendo que este Colegiado tem sim elementos suficientes para examinar o processo no seu mérito, mesmo tendo ocorrido a preclusão em relação ao contribuinte, alicerçado num dos especiais objetivos deste órgão julgador: a busca da Verdade Material. A busca da Verdade Material no recurso administrativo Habitualmente, em todos os ordenamentos que possuem em sua estrutura de Estado um Poder Judiciário, está a ideia de que o processo busca estabelecer se os fatos realmente ocorreram ou não. A Verdade dos fatos no processo é tema altamente problemático e produz inúmeras incertezas ao tentarse definir o papel da prova nesse contexto. A Verdade formal seria estabelecida no processo por meio das provas e dos procedimentos probatórios admitidos pela lei. De outra banda, a Verdade material é aquela ocorrida no mundo dos fatos reais, ou melhor, em setores de experiência distintos do processo, obtido mediante instrumentos cognitivos distintos das provas judiciais. Nesse contexto, não é difícil definir o que vem a ser a Verdade formal, pois é aquela obtida – repitase – mediante o uso dos meios probatórios admitidos em lei. O problema é conceituar a Verdade material, pois inicialmente chegamos ao seu conceito por mera exclusão. Qualquer outra “Verdade” que não a formal, é a material. A Verdade material, nesse sentido, admite outros meios de comprovação e cognição não admissíveis no âmbito do processo. Obedecidas as regras do ônus da prova e decorrida a fase instrutória da ação, cumpre ao juiz ter a reconstrução histórica promovida no processo como completa, considerando o resultado obtido como Verdade — mesmo que saiba que tal produto está longe de representar a Verdade sobre o caso em exame. Com efeito, as diversas regras existentes no Código de Processo Civil tendentes a disciplinar formalidades para a colheita das provas, as inúmeras presunções concebidas a priori pelo legislador e o sempre presente temor de que o objeto reconstruído no processo não se identifique plenamente com os acontecimentos verificados in concreto induzem a doutrina a buscar satisfazerse com outra “categoria de Verdade”, menos exigente que a Verdade material. É por isso que, ao admitir a adoção da Verdade material como Princípio regente do processo, os conceitos extraprocessuais tornamse importantes, sobretudo os Fl. 4669DF CARF MF 8 filosóficos, epistemológicos, que buscam definir como podemos conhecer a Verdade. Mas não é só isso. A doutrina moderna tem reconhecido o chamado Princípio da Busca da Verdade Material, tornandoo relevante também para o Direito Processual, na medida em que algumas modalidades de processo supostamente admitem sua aplicação de forma ampla. Partese da premissa de que o processo civil, por lidar supostamente com bens menos relevantes que o processo penal, por exemplo, pode contentarse com menor grau de segurança, satisfazendose com um grau de certeza menor. Seguindo esta tendência, a doutrina do processo civil passou a dar mais relevo à observância de certos requisitos legais da pesquisa probatória (através da qual a comprovação do fato era obtida), do que ao conteúdo do material de prova. Passou a interessar mais a forma que representava a Verdade do fato do que se este produto final efetivamente representava a Verdade. Mas ainda assim, reconheciase a possibilidade de obtenção de algo que representasse a Verdade, apenas ressalvavase que o processo civil não estava disposto a pagar o alto custo desta obtenção, bastando, portanto, algo que fosse considerado juridicamente verdadeiro. Era uma questão de relação custobenefício entre a necessidade de decidir rapidamente e decidir com segurança; a doutrina do processo civil optou pela preponderância da primeira1. Nessa medida, a expressão “Verdade material”, ou outras expressões sinônimas (Verdade real, empírica etc.) são etiquetas sem significado se não estiverem vinculadas ao problema geral da Verdade. A doutrina moderna do direito processual vem sistematicamente rechaçando esta diferenciação2, corretamente considerando que os interesses, objeto da relação jurídica processual penal, por exemplo, não têm particularidade nenhuma que autorize a inferência de que se deva aplicar a estes métodos de reconstrução dos fatos diverso daquele adotado pelo processo civil. Se o processo penal lida com a liberdade do indivíduo, não se pode esquecer que o processo civil labora também com interesses fundamentais da pessoa humana pelo que totalmente despropositada a distinção da cognição entre as áreas. Na doutrina brasileira não faltam críticas para a adoção da Verdade formal, especialmente no processo civil. Boa parte dos juristas desse movimento, entende que desde o final do século XIX não é mais possível ver o juiz como mero expectador da batalha judicial, em razão de sua colocação eminentemente publicista no processo (processo civil inserido no direito público), conhecendo de ofício circunstâncias que até então dependia da alegação das partes, dialogando com elas e reprimindo condutas irregulares.3 Outro aspecto que dificulta ainda mais uma solução para o problema é o fato de que a única Verdade que interessa é aquela ditada pelo juiz na sentença, já que fora do processo não há Verdade que interesse ao Estado, à Administração ou às partes. A Verdade no seu conteúdo mais amplo é excluída dos objetivos do processo, em particular do processo civil. José Manoel de Arruda Alvim Netto aponta que o Juiz sempre deve buscar a Verdade, mas o legislador não a pôs como um fim absoluto no Processo civil. O que é suficiente para a validade da eficácia da sentença passa ser a verossimilhança dos fatos4. O jurista reconhece a Verdade formal no processo civil, mas salienta que quando a demanda tratar de bens indisponíveis, “...procurase, de forma mais acentuada, fazer com que, o quanto 1 Vejase: Sergio Cruz Arenhart e Luiz Guilherme Marinoni (Comentários… Op. Cit. p. 56.) 2 TARUFFO, Michele. La prova dei fatti giuridice. Milão: Giufrè, 1992. p.56 3 Neste sentido Antonio Carlos de Araújo Cintra, Ada Pelegrini Grinover e Candido Rangel Dinamarco. (Teoria Geral do Processo. 26 ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 70). 4 Manual de Processo Civil. 14 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2011. p. 932. Fl. 4670DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201108 Acórdão n.º 1402002.504 S1C4T2 Fl. 4.667 9 possível, o resultado obtido no processo (Verdade formal) seja o mais aproximado da Verdade material...” Diante do reconhecimento de tal diferenciação (Verdade material versus Verdade formal), ao mesmo tempo se reconhece que, em determinadas áreas do processo, a Verdade material é almejada com mais afinco que em outras. Naquelas áreas em que se considera a Verdade material essencial para a solução da controvérsia, se diz que o Princípio da Verdade Material rege a causa. O Princípio da Verdade Formal, por outro lado, rege o Processo em que não se considera essencial a busca da Verdade real, contentandose portanto com a verossimilhança ou a probabilidade. Dejalma de Campos, afirma que pelo Princípio da Verdade Material, o magistrado deve descobrir a Verdade objetiva dos fatos, independentemente do alegado e provado pelas partes, e pelo Princípio da Verdade formal, o juiz deve dar por autênticos ou certos, todos os fatos que não forem controvertidos.5 A predominância da busca da Verdade material no âmbito do direito administrativo fica evidenciada nas palavras de Celso Antonio Bandeira de Mello, quando afirma: Nada importa, pois, que a parte aceite como verdadeiro algo que não o é ou que negue a veracidade do que é, pois no procedimento administrativo, independentemente do que haja sido aportado aos autos pela parte ou pelas partes, a administração deve sempre buscar a Verdade substancial.6 Paulo Celso Bergston Bonilha ressalta que o julgador administrativo não está adstrito as provas e a Verdade Formal constante no processo e das provas apresentadas pelo contribuinte. Segundo ele, outras provas e elementos de conhecimento público ou que estejam de posse da Administração podem ser levados em conta para a descoberta da Verdade.7 Ainda no âmbito do direito administrativo, há aplicação ampla do Princípio da Verdade material, mesmo que com outras denominações. Hely Lopes Meirelles chama de Princípio da Liberdade de Prova aquele em que a administração tem o poderdever de conhecer de toda a prova de que tenha conhecimento, mesmo que não apresentada pelas partes litigantes. Hely Lopes salienta que no processo judicial o juiz cingese às provas indicadas, e no tempo apropriado, enquanto que no processo administrativo a autoridade processante pode conhecer das provas, ainda que produzidas fora do processo, desde que sejam descobertas e trazidas para este, antes do julgamento final8. 5 Lições do processo civil voltado para o Direito Tributário. In O processo na constituição. Coord . Ives Gandra da Silva Martins e Eduardo Jobim. São Paulo: Quartier Latin, 2008. p. 691. 6 Curso de Direito administrativo. 26 ed. rev. ampl. São Paulo: Malheiros, 2009. p. 497. O autor se socorre da definição de Hector Jorge Escola, para quem o Princípio da Verdade Material consiste na busca daquilo que é realmente a Verdade independentemente do que as partes hajam alegado ou provado. 7 BONILHA. Paulo Celso Bergstrom. Da prova no processo administrativo tributário. 2 ed. São Paulo: Dialética, 1997. p. 76. 8 Direito Administrativo Brasileiro. 14 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1989. p. 584. Em outra passagem da obra, o autor classifica o processo administrativo com base em duas espécies: o disciplinar e o tributário. Segundo ele, ambos, mesmo que usualmente tratados pela doutrina separadamente, possuem o mesmo núcleo de Princípios. Hely Lopes Meirelles faleceu Agosto de 1990. Sua obra passou a ser atualizada por outras pessoas e encontrase na sua 33ª edição. Sem qualquer demérito a estes juristas, procuramos aqui refletir a opinião autêntica Fl. 4671DF CARF MF 10 Constatase dessa exposição inicial que temos dois extremos, no que tange a aplicação concreta do principio da busca da verdade material: de um lado a liberdade de prova (já admitida em outros julgados por este Colegiado); de outro lado a ausência de Preclusão. Entendo que, se o que caracteriza a busca da verdade material é a possibilidade de o julgador (administrativo, no caso), a qualquer tempo, buscar elementos – de fato e de direito – que o convençam para julgar corretamente, independentemente do que foi trazido pelas partes no curso do processo, então mais razão para que qualquer das partes também traga ao processo, elementos de fato e de direito, em qualquer momento processual. Neste exato sentido, já me manifestei anteriormente em trabalho acadêmico publicado. (Verdade Material no Direito Tributário. São Paulo: Ed. Malheiros, 2013) É bom lembrar que a preclusão, enquanto modalidade de decadência lato senso, isto é, perda de um direito pelo decurso do tempo (direito de manifestarse no processo) é regra meramente processual, infraconstitucional. Com isso quero dizer que não se pode, por exemplo, mitigar institutos constitucionais, tais como a decadência (stricto senso), a prescrição, a coisa julgada, o ato jurídico perfeito etc. Mas, em se tratando de normas de nível de lei ordinária, deve prevalecer, como o próprio nome já diz: o PRINCÍPIO (da verdade material, no caso). Ademais, a Lei Geral do Processo Administrativo Federal LGPAF (Lei Federal 9.784/99), reconhece implicitamente o principio em mais de uma passagem de seu texto, das quais destaco uma, particularmente aplicável ao caso concreto: “Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: I fora do prazo; II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. § 1o Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendolhe devolvido o prazo para recurso. § 2o O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. ” Destaco o parágrafo segundo acima. Vejase que por “preclusão administrativa” deve ser entendido como a chamada “coisa julgada administrativa”, i. e., exceção aplicável apenas no caso do inciso IV, posto que, se não há mais processo, a autoridade julgadora não tem mais competência para tratar o tema. Vejase que o parágrafo primeiro dá outra solução também ao inciso II, privilegiando outro principio, conhecido por fungibilidade e informalismo. Se, por uma hipótese, o parágrafo não fosse aplicável nos casos de perda de prazo processual, restaria apenas o “exame de oficio” para o caso de parte ilegítima (inciso III) o que faria o parágrafo perder completamente seu sentido. do autor, mediante consulta a edição imediatamente anterior a sua morte (julho de 1989), sobre um tema de cunho Princípiológico que, aliás, ultrapassa as barreiras da legislação alterada posteriormente. Fl. 4672DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201108 Acórdão n.º 1402002.504 S1C4T2 Fl. 4.668 11 Há uma clara antinomia em relação ao disposto no artigo 17 do decretolei 70.235|72, posto que no artigo 63 acima não consta a falta de inclusão na impugnação como causa de preclusão contra o contribuinte. Na minha opinião, a LGPAF deveria ser aplicável, em razão da sua novidade, mas mesmo para aqueles que entendem que prevalece o “Decreto” por ser norma especial, não há antinomia em relação ao parágrafo segundo. Com isso quero dizer que, mesmo admitindo que o recurso pudesse ser não conhecido, este conselho de forma alguma está impedido de analisar livremente o tema, coincidente ou não com o argumento trazido no recurso. Finalmente, outra passagem da LGPAF deixa evidente o alcance do principio da busca da verdade material, seja para a instrução probatória, seja para elementos de interpretação da lei vigente, verbis: “Art. 65. Os processos administrativos de que resultem sanções poderão ser revistos, a qualquer tempo, a pedido ou de ofício, quando surgirem fatos novos ou circunstâncias relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada.” Este dispositivo é aplicável a favor do administrado, pois não poderá tal revisão resultar em agravamento da sanção, bem como deve respeitar os institutos constitucionais de decadência, prescrição etc., mas evidencia sem duvida a busca da verdade material. Ora, se este Conselho pode, por iniciativa própria, acolher a outros aspectos de fato ou de direito, não necessariamente trazidos ao processo pelas partes, perguntase por que então as partes (fisco ou contribuinte) também não podem, se o objetivo desta esfera de julgamento é um só para todos: a verdade!! Importante lembra ainda do teor do artigo 145 do CTN, que prevê: "O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149." Extraise daí que o lançamento não termina na autuação, mas sim no trânsito em julgado do processo administrativo fiscal e, portanto, até lá, este Conselho tem o dever legal de efetuar o seu controle de legalidade, de ofício, se necessário. Em conclusão, entendo que o julgador, uma vez não conhecendo do recurso, não tem obrigação de analisar todos os itens de defesa manejados no recurso, mas tem obrigação de verificar a legalidade do lançamento por sua livre averiguação, evitando evidentemente a supressão de instancia, considerados os limites da matéria posta em julgamento. Fl. 4673DF CARF MF 12 Diante do exposto, ilustres conselheiros, mesmo não conhecendo do Recurso Voluntário, na forma do Voto do colega relator, ainda assim, voto pela verificação da legalidade do lançamento que constitui o presente processo, inclusive com eventual resolução para a realização de diligencias nesse sentido, se fosse o caso, realizando assim o competente controle de legalidade do lançamento, em atendimento ao principio da busca da Verdade Material. É a declaração de voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 4674DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16404.720074/2014-67
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. LEGALIDADE
A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
Numero da decisão: 9202-005.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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EM LIQUIDAÇÃO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ITR. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. LEGALIDADE A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 40 4. 72 00 74 /2 01 4- 67 Fl. 670DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de NFLD (fls. 22/26) relativo ao Imposto Territorial Rural – ITR do imóvel denominado Fazenda Presidente, com área de 2.015,8 ha (NIRF 5.626.2701), localizado no município de Castro/PR, relativo ao exercício 2006, por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 581.163,94, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Essa NFLD gerou, inicialmente, o processo 10940.720013/200989, que já está inscrito em dívida ativa, tendo em vista que restou para julgamento nesse atual processo, apenas a diferença da forma de cobrança dos juros da multa de ofício, isto é, taxa Selic ou 1% ao mês. Consta na Discrição dos Fatos, que, inicialmente, com a finalidade de viabilizar a análise dos dados declarados nos exercícios de 2003 a 2006, especificamente o Valor da Terra Nua VTN, o declarante foi intimado a apresentar diversos documentos comprobatórios, os quais, com base na legislação pertinente, foram listados, detalhadamente, no Termo de Intimação de fls. 01 e 02. Entre os mesmos constavam: Laudo Técnico de Avaliação, elaborado com atendimento aos requisitos das Normas Técnicas NBR 14.6533, da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, demonstrando os métodos de avaliação e fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel, com Grau 2 de fundamentação mínima, entre outros. Foi informado, inclusive, que na falta de atendimento à intimação poderia ser efetuado o lançamento de oficio, com o arbitramento do VTN com base nas informações do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, conforme a legislação, sendo relacionados os preços por hectare de terras para o município do imóvel, respectivamente para cada exercício. Com a carta de fls. 08 e 09 foi encaminhada a documentação de fls. 10 a 16, composta por procuração, Escritura de Dação em Pagamento relativa à aquisição do imóvel e, a matrícula do imóvel, no qual consta a averbação da referida escritura de dação em pagamento. Na carta foram relacionados os documentos encaminhados, sendo ressaltado que de sua análise não se poderia constatar a efetiva propriedade do imóvel, uma vez que pairam, ainda, dúvidas quanto ao real direito de propriedade; quanto aos demais documentos solicitados na intimação foi requerida dilação de prazo para atendimento. Posteriormente, com a carta de fls. 17 e 18, datada de 23/12/2008, foi explicado que a propriedade das terras decorreu da dação em pagamento, realizada com o intuito de quitação de dívida de antigo cliente, e que, após verificações realizadas, constataram se vícios de nulidade na dação em pagamento, o que prejudicaria a propriedade do contribuinte em relação às terras e, por conseqüência, a sujeição passiva quanto ao ITR. Foi frisado o início das providências tendentes à anulação da dação em pagamento, conforme se verifica pela Fl. 671DF CARF MF Processo nº 16404.720074/201467 Acórdão n.º 9202005.579 CSRFT2 Fl. 3 3 análise da Notificação Extrajudicial que anexou, a qual foi juntada das fls. 19 a 21, datada, também, de 23/12/2008. No Termo de Verificação Fiscal foi explicado da intimação, dos documentos encaminhados e da análise dos mesmos. Com relação à alegação dos vícios de nulidade na aquisição do imóvel constante da carta, através da escritura pública e da matrícula do imóvel, documentos hábeis para fazer prova da propriedade, foi verificado que o imóvel havia sido adquirido regularmente no ano de 2001 e que o contribuinte não juntou nenhum documento capaz de provar a falsidade ou a nulidade desses documentos cartoriais. Embora houver passado mais de sete anos da dação em pagamento, em todo esse tempo não se tomou nenhuma providência para anulação da transação, senão uma apressada notificação com data de 23/12/2008, Assim, diante da não apresentação do laudo técnico com o VTN ou documento equivalente, a fiscalização procedeu ao arbitramento com base na tabela do SIPT, alimentado com os preços médios divulgados anualmente pela Secretaria Estadual de Agricultura do Paraná para o município de localização do imóvel. Procedida a mencionada alteração, bem como dos demais dados conseqüentes, foi lavrada a NL, cuja ciência foi dada ao interessado em 10/02/2009, fl. 27. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. No Acórdão de Recurso Voluntário, o Colegiado, por unanimidade de votos, afastou as preliminares suscitadas e, no mérito, deu provimento parcial ao recurso para reconhecer que sobre a multa de ofício proporcional devem incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês. Portanto, em sessão plenária de 18/04/2013, deuse provimento parcial ao recurso, prolatandose o Acórdão nº 2102002.539, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO ELETRÔNICA. AUSÊNCIA DE ASSINATURA DA AUTORIDADE AUTUANTE. As notificações de lançamento expedidas eletronicamente prescindem de assinatura do chefe do órgão expedidor. Ainda que a notificação de lançamento não seja emitida eletronicamente, a falta da assinatura não pode ensejar a nulidade do lançamento, salvo se o contribuinte demonstrar o prejuízo causado pela ausência de assinatura. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Fl. 672DF CARF MF 4 Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 11 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. ITR. SUJEIÇÃO PASSIVA. PROPRIETÁRIO DE IMÓVEL RURAL. É sujeito passivo do ITR o contribuinte que consta como proprietário no registro cartorário competente, mormente quando faz a apresentação da DITR, na qualidade de proprietário do imóvel rural e não junta aos autos comprovação de solicitação de cancelamento ou retificação do correspondente registro imobiliário. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. O arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR). por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBRABNT 146533. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO VINCULADA AO TRIBUTO LANÇADO. PERCENTUAL DO ART. 161, § 1º, DO CTN. Sobre a multa de ofício lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) Recurso Voluntário Provido em Parte O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 25/11/2013 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 23/12/2013, Recurso Especial. Em seu recurso visa a reforma do acórdão hostilizado, reconhecendose a incidência de juros de mora, à taxa Selic sobre a multa de ofício. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 1ª Câmara, de 21/03/2014. Em seu recurso, a Recorrente traz as seguintes alegações: · que o Colegiado a quo, prolator do acórdão ora recorrido, firmou posicionamento no sentido de que os juros de mora à taxa Selic só Fl. 673DF CARF MF Processo nº 16404.720074/201467 Acórdão n.º 9202005.579 CSRFT2 Fl. 4 5 incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício proporcional; e que só seria possível a incidência de juros sobre a multa ao percentual de 1%, em face do que dispõe o art. 161 do CTN. · que, entretanto, revelase correta a exigência de juros de mora, calculados à taxa Selic, sobre toda a obrigação tributária principal, o que inclui a multa de ofício. · que, a fim de contextualizar o problema e buscar a interpretação adequada, transcrevese os dispositivos aplicáveis à solução do caso, que são os artigos 44, I, e 61, §3º, da Lei nº 9.430/96, com a redação anterior à dada pela Lei nº 11.488/2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) (...) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998). · que a divergência sobre a aplicabilidade da Taxa Selic sobre a multa de ofício a título de juros de mora se dá, primordialmente, acerca do que se entende por “débitos para com a União, decorrentes de Fl. 674DF CARF MF 6 tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. · que o art. 61, caput, e §3º, da Lei nº 9.430/96 utilizam, respectivamente, as expressões “débitos para com a União” e “débitos a que se refere este artigo”; e que assim, é importante definir a que “débitos” se referem esses diplomas legais. · que, com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal surge o direito subjetivo público do sujeito ativo (União) a receber o crédito tributário e o respectivo dever do sujeito passivo (devedor) de pagálo no prazo previsto na legislação específica; e uma vez não pago o tributo no prazo estipulado legalmente, o Fisco efetuará o lançamento do crédito tributário, expressão que abrange o tributo e os acréscimos legais (multa e juros); e que, portanto, os débitos a que se referem o art. 61, caput, e seu §3º da Lei nº 9.430/96 são os créditos tributários devidos à União e não somente o valor do tributo; e assim, os juros incidirão sobre o principal e a multa de ofício aplicada. · que a Lei nº 9.430/96 dispôs de modo diverso do § 1º do art. 161 do CTN e expressamente mandou aplicar aos créditos tributários da União a “taxa a que se refere o §3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”, que é a taxa SELIC. · que, assim, não restam dúvidas que os juros incidentes sobre a multa de ofício devem ser calculados com base na taxa SELIC, conforme reiterada jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Cientificado do Acórdão nº 2102002.539, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 25/07/2014, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 675DF CARF MF Processo nº 16404.720074/201467 Acórdão n.º 9202005.579 CSRFT2 Fl. 5 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 654. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito A questão objeto do recurso referese, basicamente, à incidência de juros de mora sobre multa de ofício, tendo em vista que o acórdão recorrido concluiu que sobre a multa de ofício proporcional devem incidir juros de mora, apurados à razão de 1% ao mês. Por outro lado, os paradigmas entenderam que seria aplicável a Taxa SELIC no cálculo dos juros sobre a multa de ofício. Juros sobre multa de ofício Ao contrário do que encaminhou o colegiado a quo, a aplicação de juros sobre multa de ofício é devida, na medida em que a penalidade compõe o crédito apurado. De acordo com o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN é autorizada a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Fazendo parte do crédito juntamente com o tributo, devem ser aplicados à multa, os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. Conforme mencionado acima o art. 161 do CTN, respalda a exigência de juros sobre multa na medida que a multa compõe o credito tributário, conforme transcrito abaixo: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” Dessa forma, após o lançamento fiscal, incide juros não apenas sobre o principal (tributo devido), como também sobre a multa aplicada, que em conjunto compõem o Fl. 676DF CARF MF 8 crédito tributário. Não há como imaginar que após o lançamento, não mais haveria qualquer espécie de ajuste nesse valor, o que acabaria or beneficiar os contribuintes em débito. Contudo, da leitura do §1º do referido dispositivo, outra dúvida passa a assolar os julgamentos. No caso, qual a o percentual da multa aser aplicado: 1% ao mês, conforme entendeu o acórdão recorrido, ou a taxa SELIC? Entendo que a interpretação mais acertada, parte da leitura do próprio dispositivo, senão vejamos: "§ 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês." Ou seja, em existindo legislação especifica que disponha de forma diversa, não há de se aplicar o percentual de 1%. NO caso, o dispositivo que respalda a aplicação d ataxa SELIC é o art. 43 da Lei 9430/96, que assim dispõe: "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifei) Sendo que o referido §3º do art. 5º, assim dispõe: "§ 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento." Aliás, nesse sentido, já se manifestou esta CSRF, em diversas outras oportunidades, como no processo 10.768.010559/200119, Acordão 920201.806 de 24 de outubro de 2011, cuja ementa transcrevo a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:1997 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado. A matéria sob exame pode ser dividida em duas questões, que se completam. Fl. 677DF CARF MF Processo nº 16404.720074/201467 Acórdão n.º 9202005.579 CSRFT2 Fl. 6 9 A primeira, diz respeito à própria possibilidade genérica da incidência de juros sobre a multa, e centrase na interpretação do artigo 161 do CTN; a segunda questão envolve a discussão sobre a existência ou não de previsão legal para a exigência de juros sobre a multa, cobrados com base na taxa Selic. Sobre a incidência de juros de mora o citado art. 161 do CTN prevê o seguinte: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” Inicialmente entendo que o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Ou seja, tanto a multa como o tributo compõem o crédito tributário, devendolhes ser aplicado os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Ademais, não haveria porque o valor da multa permanecer congelado no tempo. Por seu turno o § 1.º do art. 161 do CTN, ao prever os juros moratórios incidentes sobre os créditos não satisfeitos no vencimento, estipula taxa de 1% ao mês, não dispondo a lei de modo diverso. Abriu, dessa forma, possibilidade ao legislador ordinário tratar da matéria, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de oficio com base na taxa Selic. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa. Confirase in verbis: "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." (grifei) Fl. 678DF CARF MF 10 Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região: “TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2005.72.01.0000311/ SC, Relator: Desembargador Federal Dirceu de Almeida Soares) “TRIBUTÁRIO. ART. 43 DA LEI 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a exigência fiscal consistente na incidência de juros moratórios sobre multa de ofício aplicada ao contribuinte. Inteligência do artigo 43 da Lei 9.430/96 c/c art. 113, § 3, do CTN. 2. Improvida a apelação.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2004.70.00.0263869/ PR, Relator: Juiz Federal Décio José da Silva). Destarte, entendo que é legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Conforme descrito acima, os juros de mora sobre a multa são devidos em função do § 3º do art. 113 do CTN, pois tanto a multa quanto o tributo compõe o crédito tributário. Esse entendimento encontra precedentes da 2ª Turma da CSRF: Acórdão nº 920201.806 e Acórdão nº 920201.991. Fl. 679DF CARF MF Processo nº 16404.720074/201467 Acórdão n.º 9202005.579 CSRFT2 Fl. 7 11 Destacase ainda que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a legalidade dos juros de mora sobre a multa de oficio (AgRg no REsp 1.1335.688/PR; REsp 1.129.990PR; REsp 834.681MG). Entendo aplicável a incidência de juros sobre a multa de ofício, adotando os precedentes citados como fundamento para decidir, razão pela qual dou provimento ao Resp da Fazenda Nacional. Conclusão Face o exposto, CONHEÇO DO recurso Especial da Fazenda Nacional, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 680DF CARF MF
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Numero do processo: 10950.721729/2015-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
INCIDÊNCIA DO IPI NA REVENDA DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IMPORTADOS. STJ RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. AUSÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA ISONOMIA.
Consoante decidido pelo STJ em sede de Recurso Representativo de Controvérsia, "os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil".
Não ocorre ofensa ao Princípio da Isonomia quando se concede tratamento desigual a contribuintes que se encontram em situação desigual.
IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Compete à Administração Tributária interpretar e aplicar a norma em consonância com os preceitos legais estabelecidos, sendo desnecessário o laudo técnico quando a observância das normas de interpretação do Sistema Harmonizado for suficiente para a adequada classificação.
CORREÇÃO DA RECLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Correta a reclassificação fiscal do fisco com base na comparação entre os textos das posições relativas às classificações adotadas pelo Fisco e pelo Contribuinte
RECURSO VOLUNTÁRIO. NECESSIDADE DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA.
Não cabe o exame de argumentos genéricos, não especificamente impugnados em sede de Recurso Voluntário. É imprescindível a demonstração da efetiva violação a preceitos legais.
ART. 112 CTN. NÃO APLICAÇÃO.
O art. 112 do CTN não se aplica quando se observa a existência de divergência de direito acerca da interpretação da legislação tributária.
Numero da decisão: 3201-002.751
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira lima ficou de apresentar declaração de voto.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 INCIDÊNCIA DO IPI NA REVENDA DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IMPORTADOS. STJ RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. AUSÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA ISONOMIA. Consoante decidido pelo STJ em sede de Recurso Representativo de Controvérsia, "os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil". Não ocorre ofensa ao Princípio da Isonomia quando se concede tratamento desigual a contribuintes que se encontram em situação desigual. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Compete à Administração Tributária interpretar e aplicar a norma em consonância com os preceitos legais estabelecidos, sendo desnecessário o laudo técnico quando a observância das normas de interpretação do Sistema Harmonizado for suficiente para a adequada classificação. CORREÇÃO DA RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. Correta a reclassificação fiscal do fisco com base na comparação entre os textos das posições relativas às classificações adotadas pelo Fisco e pelo Contribuinte RECURSO VOLUNTÁRIO. NECESSIDADE DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. Não cabe o exame de argumentos genéricos, não especificamente impugnados em sede de Recurso Voluntário. É imprescindível a demonstração da efetiva violação a preceitos legais. ART. 112 CTN. NÃO APLICAÇÃO. O art. 112 do CTN não se aplica quando se observa a existência de divergência de direito acerca da interpretação da legislação tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira lima ficou de apresentar declaração de voto. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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STJ RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. AUSÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA ISONOMIA. Consoante decidido pelo STJ em sede de Recurso Representativo de Controvérsia, "os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil". Não ocorre ofensa ao Princípio da Isonomia quando se concede tratamento desigual a contribuintes que se encontram em situação desigual. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Compete à Administração Tributária interpretar e aplicar a norma em consonância com os preceitos legais estabelecidos, sendo desnecessário o laudo técnico quando a observância das normas de interpretação do Sistema Harmonizado for suficiente para a adequada classificação. CORREÇÃO DA RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. Correta a reclassificação fiscal do fisco com base na comparação entre os textos das posições relativas às classificações adotadas pelo Fisco e pelo Contribuinte RECURSO VOLUNTÁRIO. NECESSIDADE DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. Não cabe o exame de argumentos genéricos, não especificamente impugnados em sede de Recurso Voluntário. É imprescindível a demonstração da efetiva violação a preceitos legais. ART. 112 CTN. NÃO APLICAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 17 29 /2 01 5- 22 Fl. 750DF CARF MF 2 O art. 112 do CTN não se aplica quando se observa a existência de divergência de direito acerca da interpretação da legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira lima ficou de apresentar declaração de voto. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 0958.648 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG) (fls. 662/697), que assim relatou o feito: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração, fls. 02 a 331, para exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI no valor de R$1.523.158,37, acrescido da multa de ofício de R$ 1.142.368,86 e dos juros de mora (calculados até 04/2015) de R$ 490.244,60, totalizando a exigência de R$ 3.155.771,83, cuja motivação fática encontrase no próprio documento e no Relatório Fiscal, às fls. 37/72, dos quais, pela pertinência, reproduzemse os seguintes trechos: AUTO DE INFRAÇÃO 0001 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL SAÍDA DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO DO IPI INOBSERVÂNCIA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E/OU ALÍQUOTA DO IPI Falta de lançamento de imposto por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produto(s) tributado(s), com falta, insuficiência de lançamento de imposto, por erro de classificação fiscal.(...) Fl. 751DF CARF MF Processo nº 10950.721729/201522 Acórdão n.º 3201002.751 S3C2T1 Fl. 751 3 0002 IPI LANÇADO. FALTA DE DECLARAÇÃO/ RECOLHIMENTO DO SALDO DEVEDOR DO IPI ESCRITURADO (TOTAL OU PARCIAL) VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS Falta de lançamento de imposto na(s) saída(s) de produto(s) tributado(s) do estabelecimento, por erro ou omissão na apuração do imposto. Fl. 752DF CARF MF 4 0003 CRÉDITOS INDEVIDOS. CRÉDITO BÁSICO INDEVIDO O estabelecimento industrial deixou de recolher o imposto em decorrência da escrituração e utilização de crédito indevido ao aproveitar como crédito a aquisição de produtos/mercadorias de comerciantes varejista e optante do Simples Nacional, violando o art. 153,inciso II, da Constituição Federal. Além disso, aproveitouse de créditos de imposto na aquisição de bens para revenda e também de materiais para uso ou consumo, contrariando as hipóteses que caracterizam a industrialização, conforme dispõe o art. 4°, do RIPI/2010( RIPI/2002). Fl. 753DF CARF MF Processo nº 10950.721729/201522 Acórdão n.º 3201002.751 S3C2T1 Fl. 752 5 0004 CRÉDITOS INDEVIDOS. CRÉDITO INDEVIDO (DEMAIS MODALIDADES DE CRÉDITO) O estabelecimento industrial ou equiparado deixou de recolher imposto em decorrência da escrituração e utilização de crédito indevido por aproveitar 100% do valor constante da respectiva nota fiscal, na aquisição de insumos de comerciante atacadista, quando o correto seria a aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto, sobre 50% do seu valor. Fl. 754DF CARF MF 6 Fl. 755DF CARF MF Processo nº 10950.721729/201522 Acórdão n.º 3201002.751 S3C2T1 Fl. 753 7 RELATÓRIO FISCAL 27. Na análise dos Créditos do IPI, provenientes das Entradas na Matriz, foram considerados como Crédito do imposto todos os valores de IPI informados no arquivo de Entrada da Matriz, no formato ADE25, pois assim foram considerados, uma vez que os Créditos do Imposto informado no Livro Resumo de Apuração do Imposto (RAIPI) estão em conformidade com os valores apurados mensalmente, pela data de movimento, em relação ao arquivo de Entrada apresentado no formato ADE25, Fl. 756DF CARF MF 8 entregue pela contribuinte. No entanto, vale ressaltar que apresentou uma pequena diferença entre os valores de crédito informado no Livro RA1P1 (e Livro de Saída) e apurado no arquivo ADE25, a qual será adicionado/deduzido para fins de cálculo na reconstituição da escrita fiscal, apresentado no quadro mais adiante. 28. Feita a consideração, exposto no item anterior, foram analisadas as Entradas de dados informados no arquivo ADE25, em consonância com as Entradas/Aquisições com Crédito do Imposto do Livro de Apuração do Imposto RAIPI, e ficaram constatados aproveitamentos de Créditos de IPI em descordo com as legislações do IPI, conforme explanações a seguir demonstrados (Informações detalhadas constam do arquivo Anexo 2.0 Glosas na Entrada da Matriz): Créditos Oriundos da Aquisição para Comercialização 29. Constatase que foram aproveitados créditos do imposto cuja mercadoria tem o Código Fiscal de Operações e Prestações CFOP de 3102, que se refere à Compra para Comercialização, ou seja, à luz da legislação de IPI, quanto ao conceito de insumos utilizados na industrialização, fica evidente que pela própria classificação dada às mercadorias, não serão utilizadas como insumos para industrialização, nos termos definidos no Regulamento do IPI, em seu art. 226, inciso I, do RIPI/2010 (art. 164, inciso 1, do RIPI/2002) e, também, conforme dispõe o Parecer Normativo CST n° 65/79, transcrito a seguir. Portanto, em não sendo insumos, essas mercadorias não estarão sujeitas ao processo de industrialização, e consequentemente não terão direito ao aproveitamento de créditos nas entradas, sendo por conseguinte desconsiderados como créditos na aquisição de insumos. (...) 30. Conforme se observa, a definição de insumo para industrialização, nos termos do Parecer retro citado e em consonância com o artigo 226, do RIPI/2010 (art. 164, do RIPI/2002), dispõem que geram direito ao crédito, o imposto relativo às matériasprimas, produtos intermediários "strictosensu" e material de embalagem que se integram ao produto final, e quaisquer outros bens, desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente, e que sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, ou viceversa, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, restando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. A interpretação é de que os materiais devem ter este desgaste causado pelo contato físico com o material em fabricação. 31. Da relação de Produtos/Mercadorias adquiridos pela Matriz com CFOP 3102 (Compra para comercialização) Fl. 757DF CARF MF Processo nº 10950.721729/201522 Acórdão n.º 3201002.751 S3C2T1 Fl. 754 9 foram excluídas da glosa os itens que foram importados pela Matriz, conforme consta da resposta ao Termo de Intimação Fiscal 20022015, onde assinala os itens que foram importados pela Matriz. Excluindo esses itens, restaram produtos/mercadorias com código CFOP 3102, listadas a seguir, que tiveram os créditos de imposto glosados pelos motivos expostos anteriormente. Créditos Oriundos da Aquisição de Comerciante Varejista e optante pelo Simples Nacional 32. Observase que foram aproveitados créditos de imposto referentes às aquisições de comerciantes varejistas e optantes pelo Simples Nacional, e estas, pela legislação do IPI, não terão direito ao aproveitamento de tais créditos, uma vez que os referidos comerciantes não recolheram o IPI, pois não se trata de um estabelecimento industrial ou equiparado, pois o princípio da não cumulatividade, ao cujo IPI está sujeito, dispõe que somente dá direito a compensar o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas operações anteriores, nos termos do art. 153, §3°, inciso II, da CF. (...) Crédito Oriundo da Aquisição de Comerciante Atacadista 33. Em relação aos comerciantes atacadistas, o art. 227 do RIPI/2010 (art. 165 do RIPI/2002) dispõe que tem direito ao crédito somente sobre cinquenta por cento do valor da compra constante da respectiva nota fiscal de aquisição: (...) Créditos Oriundos da Aquisição de Uso ou Consumo 34. As mercadorias adquiridas para Uso ou Consumo não são insumos, nos termos definidos pela legislação, e em não sendo insumos para industrialização, não terão direito ao crédito de impostos na aquisição, conforme já explanado anteriormente. Créditos Oriundos da Aquisição de Produto Acabado Adquirido para Revenda 35. Conforme dispõe o art. 226, inciso I, do RIPI/2010 (art. 164, inciso I, do RIPI/2002), terão direito ao crédito de imposto os insumos adquiridos para industrialização e como o produto acabado adquirido no mercado interno para comercialização não se enquadra no conceito de insumo, segundo a legislação do IPI, portanto, não deverá ser utilizado para aproveitamento de crédito do imposto na aquisição desses produtos. RESUMO DOS CRÉDITOS DE ENTRADAS DEPOIS DAS GLOSAS Fl. 758DF CARF MF 10 36. Demonstrase a seguir a consolidação mensal de todas as glosas dos créditos de IPI, realizadas nas Entradas de mercadorias, com os respectivos motivos, conforme explanadas anteriormente, explicitando os créditos de IPI requeridos pela contribuinte com os calculados pela DRF/Maringá (Informações detalhadas constam dos arquivos Anexo 2.0 Glosas na Entrada da Matriz): DAS ANÁLISES DE SAÍDA 37. Antes de iniciar a análise de Saída de mercadorias/produtos da Matriz, vale informar que os dados a ser utilizados para objeto de análise são aqueles informados no arquivo ADE25. Antes porém, foi realizada uma comparação dos valores de IPI mensalmente informados no Livro de Apuração de IPI (RAIPI) com os valores de IPI constantes do arquivo ADE25. Vale registrar que a soma total do valor de IPI, consolidado, do período de 2010 a 2012, apresentou como resultado a maior de R$ 9.827,58 para o valor de IPI informado no Livro RAIPI. O resultado da comparação está demonstrado nos quadros a seguir: (...) 39. Conforme constam dos Termos de Intimações Fiscais 30062014, 23102014 e 29102014, a contribuinte foi intimada a justificar e corrigir as divergências encontradas nos códigos, descrições e valores de mercadorias/produtos que deram Saída na Matriz em relação àqueles que foram informados na Entrada da Filial como oriundos da Matriz, no entanto, estas intimações não foram atendidas. As referidas divergências estão listadas a seguir (Informações detalhadas constam do arquivo Anexo 03 Entrada Filial Oriundo da Matriz Completo): (...) 40. Uma vez que a contribuinte não corrigiu as divergências e nem informou as mercadorias correspondentes na Saída da Matriz com aquelas informadas na Entrada da Filial, a contribuinte foi intimada, por intermédio do Termo de Intimação Fiscal 20022015, entregue em 05/03/2015, a responder uma lista, com as mercadorias/produtos que deram Saída na Matriz, contendo dentre outras informações, se as mercadorias foram importadas ou se os produtos foram produzidos pela Matriz. De posse dessa lista, foi extraído do arquivo ADE25, na Saída da Matriz, dados contendo apenas mercadorias importadas e produtos produzidos pela Matriz a qual foi submetida a análises que resultaram em novos valores de IPI a recolher, conforme justificativas a seguir explanadas [Informações detalhadas constam do arquivo Anexo 4.0 Produzido e Importado pela Matriz (Intimação) e na Planilha "Prod e Import p Matriz => l+2Análise" do arquivo Anexo 5.0 Produzido e Importado pela Matriz Saída Matriz]. 41. Em relação a inclusão de mercadorias importadas no cálculo para apuração de IPI nas saídas delas pela Matriz, devese ao fato de neste caso, a Matriz ser Fl. 759DF CARF MF Processo nº 10950.721729/201522 Acórdão n.º 3201002.751 S3C2T1 Fl. 755 11 equiparada a um estabelecimento industrial, nos termos do art. 9º, inciso I, do RIPI/2010 (RIPI/2002): Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: I os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos (Lei n° 4.502, de 1964, art. 4º, inciso 1); (...) 42. Quanto às irregularidades encontradas na Saída da Matriz, resumese basicamente aos casos de erro na classificação fiscal e/ou alíquota, bem como na falta ou insuficiência no recolhimento do IPI, infringindo o que dispõem o art. 24, inciso II do RIPI/2002 ( e RIPI/2010) e o art. 569, caput. do RIPI/2010 (art. 488, RIPI/2002). As referidas irregularidades estão discriminadas nos itens posteriores. ITENS DE SAÍDA DA MATRIZ QUE TIVERAM IPI RECALCULADO; a) VINIL => NCM alterada de 3918.10.00 (Alíq. 5%) para 3919.90.00 (Alíq. 15%)]; VINIL => NCM Não Informada. Definida pela DRF e o IPI Recalculado; VINIL => Alíquota do Produto Informada Erroneamente (0%). IPI Recalculado; Dupla Face => NCM alterada de 3918.10.00 (Alíq. 5%) para 3919.90.00 (Alíq. 15%); Máscara c/ Máscara Transp => NCM alterada de 3918.10.00 (Alíq. 5%) para 3919.90.00 (Alíq. 15%); VINYL => NCM não informada. Definida pela DRF e o IPI Recalculado; VINIL => Valor do IPI foi Recalculado: (...) 46. Além disso, ao analisar as informações das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH sobre essas duas NCMs e comparando as características dos produtos, bem como as suas funcionalidades, podese deduzir que as mercadorias que foram classificadas na NCM 3918.10.00, deveriam ter sido classificadas na NCM 3919.90.00, haja vista os motivos listados a seguir: a) A própria contribuinte utilizou para importação, no anocalendário 2012, do mesmo produto as duas NCMs, demonstrando, no mínimo, dúvidas e mais precisamente, utilização indevida da NCM; b) Na DIRPJ, do período de 2010 a 2012, declarou, para o mesmo produto, terem dado Saídas de Produtos/Mercadorias, utilizando as duas NCMs. Vale ressaltar que para NCM 3919.90.00, com alíquota de IPI maior, declarou quantidade maior de Saída de 13,79% contra 9,27% para NCM 3918.10.00; Fl. 760DF CARF MF 12 c) Analisando as características dos produtos/mercadorias informadas no próprio sítio da empresa (http://www.sovinil.com.br/), verificase que são produtos de material autoadesivos, que não necessitam de cola, ideal para decorações e há orientações para aplicar em superfícies lisa, seca e limpa. A NCM 39.18 utilizada para classificar esses produtos, contraria o que está definido em suas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH, pois informa que é para uso em Revestimentos de pisos (pavimentos), de paredes ou de tetos. Em relação aos revestimentos de paredes ou de tetos, diz na Tabela TIPI que estão definidos na Nota 9 do Capítulo 39, transcrito a seguir. Nota 9 do Capítulo 39: 9. Na acepção da posição 39.18, a expressão "revestimentos de paredes ou de tetos", de plásticos, aplicase aos produtos que se apresentem em rolos com uma largura mínima de 45 cm, suscetíveis de serem utilizados para decoração de paredes ou de tetos, constituídos por plástico fixado de forma permanente num suporte de matéria diferente do papel, apresentandose a camada de plástico (da face aparente) granida, gofrada, colorida, com motivos impressos ou decorada de qualquer outra forma. Ao passo que a NCM 39.19, nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH dizem que esta classificação abrange todas as formas planas autoadesivas de plásticos, mesmo em rolos, com exclusão dos revestimentos de pavimentos, de paredes ou de teto da posição 39.18, limitandose às formas planas auto adesivas aplicáveis por pressão, isto é, que, à temperatura ambiente, sem umidifícação ou qualquer outra adição, e são colados de forma permanente (de um ou ambos os lados) e que adiram firmemente em grande número de superfícies de diferentes tipos por simples contato ou por simples pressão do dedo ou da mão. Pela explanação anterior, podese concluir que os produtos classificados na NCM 3918.10.00, deveriam ter sido corretamente classificados na NCM 3919.90.00, uma vez que as características desses produtos se amoldam perfeitamente àquelas definidas nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH. 47. Portanto, todos os produtos com a denominação VINIL foram reclassificados para a NCM 3919.90.00, e resultaram em saldos devedores de IPI, conforme demonstrado no quadro demonstrado mais adiante: b) ACM, Rr^letivo, Lona, Poliéster, PVC, Magneto, Papel Adesivo e Flex Banner => Alíquota do Produto Informada Erroneamente: 48. A contribuinte informou erroneamente as alíquotas dos produtos, pois as NCMs informadas pela contribuinte estão com alíquotas diferentes daquelas relacionadas na Fl. 761DF CARF MF Processo nº 10950.721729/201522 Acórdão n.º 3201002.751 S3C2T1 Fl. 756 13 Tabela TIPI. Assim sendo, foram utilizadas as respectivas alíquotas, conforme a Tabela TIPI, de NCMs informadas pela contribuinte, e tiveram apurados novos valores de IPI nas Saídas desses produtos. c) LONA => NCM Informada, 3904.30.00 (alíq. 5%), alterada para 3921.90.19 (alíq. 15%); LONA = > NCM não informada. Definida pela DRF e o IPI Recalculado LONA => Valor do IPI foi Recalculado: 49. Vale ressaltar que para alguns produtos com a denominação LONA a contribuinte informou a NCM 3904.30.00 que, segundo a Tabela TIPI, tem alíquota de IPI de 5%, no entanto, a própria contribuinte informou, para esse mesmo produto, ora alíquota de 0% e ora de 15% para o cálculo de IPI. Vale ressaltar que a própria contribuinte, quando da importação e na Entrada e inclusive na Saída desse produto da Matriz, informou a NCM 3921.90.12 (alíquota de 15%), e além disso, na Saída da Filial de Londrina, informou também a NCM 3921.90.19, cuja alíquota é de 15%. Portanto, todos os produtos com a denominação LONA, tiveram recalculados o IPI utilizando a alíquota de 15%, os quais resultaram em valores de IPI a pagar, conforme demonstrado no quadro adiante. c) Bopp => NCM não informada. Definida pela DRF e o IPI Recalculado 50. Na Saída deste produto da Matriz, não informou a NCM, mas definiu a sua alíquota do IPI em 5%. Contudo, na Saída deste produto da Filial, informou a NCM de n° 3918.10.00, e como este produto (Bopp) não se trata de revestimentos de pisos, paredes ou de tetos, mas de películas auto adesivas de plásticos, cujo produto com esta característica se enquadra na NCM de n° 3919.90.00, portanto, a alíquota utilizada para cálculo do IPI foi de 15%. d) Etiqueta de Papel Sintético: NCM 4821.90.00 (alíquota de 0%) para NCM 4806.40.00 (alíquota de 5%): 51. Embora a NCM informada na entrada da Matriz seja 4821.90.00, cuja alíquota na Tabela TIPI é de 0%, a contribuinte informa a alíquota de 5% para efeito de cálculo do IPI, ou seja, consta, na Entrada da Matriz, a NCM incorreta, divergente da Tabela TIPI. Concluise que houve erro na classificação desse produto. Assim sendo, analisando as Saídas de produtos semelhantes na Filial de Londrina, a NCM que melhor se enquadra com as características deste produto, cuja alíquota do IPI é de 5%, é a NCM de n° 4806.40.00. e) Poliéster Prata (Inativo Poliéster Prata 30/140 1M) => NCM não informada. Definida pela DRF e o IPI Recalculado: Fl. 762DF CARF MF 14 52. A contribuinte informou na Entrada do produto semelhante (Poliéster 50 micras prata c/ 60) a NCM de n° 3920.62.99 e também na Saída desse mesmo produto (Poliéster 50 micras prata cl 60) a mesma NCM, cuja alíquota, vale frisar, é de 15%. Portanto, considerando que se trata do mesmo produto, ficou definido que a alíquota a ser utilizado é de 15%. f) Flex Banner (InativoFlex Banncr 440 GR) => NCM não informada. Definida pela DRF e o IPI Recalculado: 53. A contribuinte informa, na Saída da Matriz, para um produto semelhante (Flex Banner 340GR), a NCM de n° 3921.90.12, cuja alíquota é de 15%, segundo a Tabela TIPI e, na Entrada do mesmo produto (Flex Banner 440 GR), informa a NCM de n° 3921.90.12, logo, se esse produto foi registrado na Entrada da Matriz com a referida NCM, para manter a coerência, terá de ser utilizada a mesma NCM na Saída da Matriz. g) Valor do IPI Recalculado: Magneto => Valor do IPI foi Recalculado; Refletivo => Valor do IPI foi Recalculado; PVC => Valor do IPI foi Recalculado 54. Devido à diferença apresentada no valor da base de cálculo (valor por item de produto/mercadoria X Base de cálculo do IPI informado ou não pela contribuinte), o valor do IPI foi recalculado, utilizando como base de cálculo, o valor por item de mercadoria/produto, conforme demonstrado mais adiante: (...)55. Após a consolidação das informações expostas anteriormente, quanto às mercadorias e produtos que foram produzidas ou importadas os quais deram Saídas na Matriz, tiver í IPi recalculado, ou seja, aqueles cujos itens apresentaram diferenças nos valores de IP1, entre os destacados pela contribuinte e os apurados pela DRF, obtêmse dados demonstrados no quadro a seguir: (...) 56. Discriminando mensalmente os valores apurados, na Saída da Matriz, após análise quanto aos cálculos de IPI, de Itens Produzidos e Importados pela Matriz, resultaram em dados demonstrados no quadro a seguir: Reconstituição da Escrita Fiscal depois dos ajustes nas Entradas e Saídas da Matriz: 60. Depois de efetuada os ajustes nas Entradas e também nas Saídas da Matriz, foram apurados novos valores de Créditos (5. Por Entradas/Aquisições com Crédito do Imposto) e Débitos de IPI (l.Por Saídas/Prestações com Débito do Imposto), e de posse desses dados, foram realizadas as Reconstituições da Escrita Fiscal e apurados novos valores de Saldo Devedor (11. Saldo Devedor (Débito menos Crédito), conforme demonstrados nos quadros a seguir [Informações detalhadas constam do arquivo Anexo 7.0 Análise RAIPI (Período de 2010 a 2012)]: (...) Fl. 763DF CARF MF Processo nº 10950.721729/201522 Acórdão n.º 3201002.751 S3C2T1 Fl. 757 15 62. A reconstituição da escrita fiscal demonstrou que ocorreu Saldos devedores de IPI não recolhidos. Esses saldos devedores apurados na reconstituição da escrita fiscal serão objetos de lançamento de ofício os quais visam a resguardar os interesses da Fazenda Nacional com relação aos fatos descritos, não impedindo, contudo, a realização de novas fiscalizações, nesta ou em outras operações, dentro do prazo decadencial, caso venha a tomar conhecimento de fatos novos, não verificados na presente fiscalização, encerrada, nesta data, relativamente ao período de janeiro/2010 a dezembro/2012, em conformidade com os respectivos enquadramentos legais que constam do Auto de Infração do qual este Relatório Fiscal é parte integrante. Cientificado do auto de infração em 30/04/2015, fl. 409, manifestou o contribuinte a sua inconformidade em 29/05/2015, por intermédio do arrazoado de fls. fl. 412/456, no qual alega, em síntese, que: SOVINIL INDÚSTRIA DE AUTO ADESIVOS LTDA, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o n. 04.632.736/000133, com sede à Rod. BR 376, n. 276, Km 153, CEP: 87.160000, Gleba Patrimônio GU, em MandaguaçuPR, por intermédio de seu advogado que abaixo subscreve (instrumento de procuração em anexo), Marcelo Costa, inscrito no CPF sob n. 015.135.97922 e na OAB/PR sob o n. 25.744, com endereço profissional à Av. Brasil, 4312 2^. Andar salas 201 e 202, em MaringáPR CEP: 87.013000, Fone (044) 32256161, vem à presença desta Autoridade, na forma do artigo 15 e seguintes do Decreto 70.235/1972, apresentar sua: IMPUGNAÇÃO ao Auto de Infração nº 0910500.2013.00558 resultante do processo acima identificado, que foi cientificado à Contribuinte/Impugnante em 30 de abril de 2015, pelos fatos e fundamentos a seguir dispostos. (...) I NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI NAS SAÍDAS DE PRODUTOS IMPORTADOS QUE FORAM REVENDIDOS SEM PASSAR POR PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. A empresa Recorrente localizada nesta Comarca e Cidade de Mandaguaçu, como diversas filiais, atua no ramo de importação, industrialização e comércio dos produtos abrangidos e permitidos em seu contrato social. A Contribuinte importa duas categorias diferentes de mercadorias: Fl. 764DF CARF MF 16 a) mercadorias destinadas à revenda, identificada no CFOP 3102 que não passam por nenhum procedimento de industrialização; b) mercadorias destinadas à industrialização, identificadas no CFOP 3101. Portanto, na primeira hipótese, em relação às importações para revenda/comercialização, a Recorrente adquire diversos produtos acabados e prontos para serem revendidos e consumidos no mercado interno, os quais não se submetem a qualquer processo de industrialização após o desembaraço aduaneiro. Já na segunda hipótese, os produtos importados são industrializados, e, portanto, sujeitos à incidência do IPI quando da saída dos produtos. O que nos importa nesta seção, é a primeira hipótese. Dentre as importações da Recorrente, parte dos produtos estrangeiros são desembaraçados e nacionalizados, já prontos para consumo, não passando por qualquer processo de industrialização, os quais são diretamente revendidos no mercado interno. Ou seja, após a importação, referidas mercadorias são simplesmente COMERCIALIZADAS no mercado interno. (...)Na atual sistemática tributária, no que tange aos produtos adquiridos do exterior industrializados prontos para consumo, a Recorrente, na qualidade de importadora, é compelida a realizar o pagamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI por 02 (duas) ocasiões sob o mesmo produto. No primeiro momento é recolhido o IPI no desembaraço aduaneiro e, posteriormente, também é recolhido o IPI na saída do produto do estabelecimento comercial, com o apontamento na nota fiscal. Essa exigência tributária incondicional de recolhimento do IPI na saída de produto importado decorre da interpretação dada pela Receita Federal do Brasil aos artigos 46 e 51, do Código Tributário Nacional (CTN). Em que pese o entendimento da Fazenda Nacional, temse que a empresa Recorrente, após a nacionalização de produtos importados prontos e acabados, é mera comerciante de mercadorias, não realizando qualquer operação de industrialização das mercadorias importadas, inocorrendo, portanto, no fato tributável do IPI nas saídas posteriores à importação.(...) Assim, em virtude da inexigibilidade do IPI sobre a revenda de produtos importados, ante a não ocorrência de fato tributável pelo respectivo imposto (industrialização), bitributação e violação do princípio da igualdade tributária, requer a revisão deste auto de infração, e assim, seja reconhecido como indevida a incidência do IPI na revenda de produtos importados no mercado interno não submetidos à industrialização. Fl. 765DF CARF MF Processo nº 10950.721729/201522 Acórdão n.º 3201002.751 S3C2T1 Fl. 758 17 II.1 INEXIGIBILIDADE DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) NA REVENDA/SAÍDA DO PRODUTO IMPORTADO NO MERCADO INTERNO SEM INDUSTRIALIZAÇÃO. Não Incidência do IPI na Revenda de Produtos Importados. Inexistência de Industrialização. A Recorrente, na importação de bens industrializados, recolhe o Imposto sobre Produto Industrializado, exigido de acordo com o inciso I, do artigo 46 do Código Tributário Nacional (desembaraço aduaneiro), a fim de igualarse ao produtor nacional. Entretanto, a Administração Pública Federal entende que também incide o IPI por ocasião da saída do produto importado no mercado interno (revenda), nas hipóteses em que não houve qualquer processo de industrialização após a importação. Para justificar tal entendimento, a Administração Tributária aplica o inciso II, do art. 46 do Código Tributário Nacional, segundo o qual ocorre o fato gerador do IPI na ''saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do art. 51". Portanto, para que haja incidência do IPI é imprescindível que ocorra qualquer forma de industrialização de produtos.(...) Extraise do art. 46, do CTN que o momento definido pela lei para a consumação do fato gerador do IPI na importação de produtos industrializados dáse com o respectivo desembaraço aduaneiro, sendo que a hipótese de incidência atrelada à saída dos estabelecimentos diz respeito a produtos industrializados nacionais/nacionalizados, que passaram por quaisquer dos procedimentos de industrialização no seu estabelecimento.(...) Temse evidentemente que a simples "saída do produto importado do estabelecimento do importador" não é conduta tributável, sem que haja processo de industrialização imediatamente anterior! (...)A interpretação da Administração Tributária ao criar um novo fato jurídico tributável do IPI saída do produto importado do estabelecimento, incluindo as meras operações de revenda de produtos Importados, sem considerar o necessário âmbito constitucional de incidência do IPI (industrialização), contraria frontalmente o disposto no art. 153, inciso IV, da Constituição Federal de 1988. Bitributação. Dupla Incidência do IPI. A Recorrente é comerciante e importadora de produtos que nacionaliza e revende, sem industrializar, no mercado interno, conforme acima demonstrado. Fl. 766DF CARF MF 18 Ao importar os produtos industrializados e desembaraçá los na aduana, a Recorrente, nos termos do artigo 46, inciso I, do CTN, faz nascer a relação jurídica tributária, sendolhe imposto o dever de pagar o IPI. (...)Entretanto, na atual conjuntura, por ocasião da revenda (saída) dos produtos importados pela Recorrente, sem qualquer industrialização posterior, a Administração Tributária exigelhe novo pagamento de IPI, tão somente em razão da "saída do produto importado do estabelecimento". Há flagrantemente dupla incidência do IPI sobre um mesmo fato (importação). Em um primeiro momento, no desembaraço aduaneiro da mercadoria e, posteriormente, na sua saída do estabelecimento comercial do importador (pois o motivo de se pagar na saída é que a mercadoria fora antes importada), sem que haja, por parte deste, qualquer modificação, mínima que seja, no produto que pudesse caracterizar novos atos de industrialização.(...) Sobre este assunto, o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento de que o IPI não deve incidir sobre a comercialização de produtos importados, que não sofrem qualquer tipo de industrialização, sob pena de restar caracterizada a bitributação.(...) Posto isto, tratandose a Recorrente de empresa importadora, o fato gerador ocorre unicamente no desembaraço aduaneiro, não sendo possível nova cobrança do IPI na saída do produto não submetido à industrialização, ante a vedação ao fenômeno da bi tributação. Princípio da Igualdade. Vedação de Discriminação de Contribuintes em Situações Equivalentes. (...) a exigência fiscal de recolhimento do IPI na saída (comercialização interna) de produtos importados, que não se submeteram à industrialização, revela um tratamento mais oneroso ao comercianteimportador do que aquele dado ao comerciante que revende produtos de origem nacional. Nestes termos, em atenção ao princípio da ISONOMIA TRIBUTÁRIA, se o comerciante de produtos de origem nacional não está obrigado a recolher IPI sobre a revenda/saída dos produtos de seu estabelecimento, o mesmo tratamento deve ser despendido ao comerciante importador, quanto à revenda do produto NACIONALIZADO não submetido à industrialização, eis que ambos encontramse em situação jurídica equivalentes! Neste contexto, resta inequívoca a ofensa ao princípio da isonomia tal qual previsto no art. 150, inciso II, da Constituição Federal. Conclusão. Por todo exposto, demonstrase a que a exigência da Fazenda Nacional de recolhimento de Imposto sobre Fl. 767DF CARF MF Processo nº 10950.721729/201522 Acórdão n.º 3201002.751 S3C2T1 Fl. 759 19 Produtos Industrializado (IPI) sobre a revenda/saída de produtos importados, que não sofreram industrialização posterior, revelase ilegítima e contrária aos ditames legais e constitucionais tributários. 11.2. DESCRIÇÕES DO AUTO DE INFRAÇÃO IMPROCEDENTES EM RAZÃO DA NÃO INCIDÊNCIA DO IPI NA SAÍDA DE MERCADORIA IMPORTADA DESTINADA A REVENDA NÃO SUJEITAS A PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. A primeira descrição de infração fiscal encontrase maculada em relação aos produtos importados que não passaram por processo de industrialização; que forma destinados diretamente à revenda. Diz a primeira descrição de infração que "0001. Produto saído do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial com emissão de nota fiscal de saída de produtos sem Lançamento do IPI Inobservância de Classificação Fiscal e/ou Alíquota do IPI. Logo, há se anular o auto de infração quanto: a) aos valores de IPI na saída em que o Sr. Fiscal acusou de que os mesmo não tenham sido lançados; b) eventual inobservância da classificação fiscal, eis que se o IPI não é devido na saída, não importa a classificação; c) eventual acusação de utilização indevida ou errada de alíquota, eis que, se o IPI não é devido na saída, é irrelevante a alíquota indicada, pois a mesma não incide. Também é improcedente a segunda descrição de infração quanto a não incidência do IPI. Diz a referida infração que "0002. IPI Lançado. Falta de Declaração/Recolhimento do saldo devedor do IPI escriturado (total ou parcial) verificações obrigatórias. Logo, não há se pagar saldo devedor decorrente do IPI escriturado que tenha origem em mercadorias importadas e revendidas sem industrialização. 11.3. IPI DA FILIAL. IPI INDEVIDO.(...) III. DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ADUANEIRA DA MERCADORIA VINIL AUTO ADESIVO (NCM 3918.10.00) (...)III.2. NCM 3918.10.00. NCM Adequada ao produto Vinil ,AUto Adesivo. LAUDO TÉCNICO. A NCM utilizada e adequada para o produto denominado VINIL AUTO ADESIVO, cujo nome técnico é FILME DE PVC CALANDRADO POLIMÉRICO, é o NCM que a Recorrente vem utilizando, tanto na importação do produto e sua revenda, quando de sua industrialização e revenda, ou seja, é o NCM 39.18.10.00. Fl. 768DF CARF MF 20 A fim de esclarecer e justificar o correto enquadramento da NCM na TIPI, a Contribuinte consultou o perito Paulo de Tarso Sica de Toledo, licenciado em física, e Mestre em Ciências com área de concentração em Físico Química pela UFSC, que emitiu o LAUDO TÉCNICO que segue em anexo. Neste laudo, o perito concluiu que o produto em destaque: a) a base de composição química do material é PVC (policloreto de vinila), apresentado como plástico, com comportamento de material plástico; b) que o PVC é um tipo 3 de plástico, segundo a literatura técnica de classificação, considerando o produto um termoplástico; c) que o produto é utilizado nas seguintes finalidades: 1 Revestimentos de pisos e pavimentos em shoppings, Stands e Eventos; 2 Revestimento de paredes e tetos; 3 Revestimento de móveis e eletrodomésticos; 4 Revestimento de veículos (frota); 5 Revestimento de Eletroeletrônicos; 6 Revestimento para placas de sinalização de trânsito e segurança; 7 Revestimento para placas publicitárias (Outdoors); 8 Base para confecção de rótulos e etiquetas; 9 Base para confecção de adesivos de impressão, transferência e transferência em tecidos; d) que a Nota 09 do capítulo 39 da TIPI descreve exatamente o produto analisado, ou seja, ""Na acepção da posição 39.18, a expressão "revestimentos de paredes ou de tetos", de plásticos, aplicase aos produtos que se apresentem em rolos com uma largura mínima de 45 cm, suscetíveis de serem utilizados para decoração de paredes ou de tetos, constituídos por plástico fixado de forma permanente num suporte de matéria diferente do papel, apresentandose a camada de plástico (da face aparente) granida, gofrada, colorida, com motivos impressos ou decorada de qualquer outra forma." e) Que a única classificação possível para o produto é a NCM 39.18.10.00. (...)O laudo técnico apresentado demonstra todos as fotos do produto em análise física e química, comprovando sua qualidade de POLÍMEROS DE CLORETO DE VINILA, conforme classificação 3918.10.00. Fl. 769DF CARF MF Processo nº 10950.721729/201522 Acórdão n.º 3201002.751 S3C2T1 Fl. 760 21 Não há se confundir o produto vinílico adquirido e comercializado pela Recorrente, com as fitas em rolo que o Sr. Fiscal autuante deseja classificar. Há se descartar totalmente a pretensão do autoridade fiscal em classificar o produto na NCM 3919.90.00, eis que tal classificação é direcionada, em geral, a produtos como as FITAS ADESIVAS, sem qualquer determinação de finalidade. Veja que os produtos da classificação 3918.1000 determinam a FUNÇÃO e FINALIDADE, específico para REVESTIMENTOS. Como se observa das fotos e do laudo, os produtos da Recorrente são destinados exclusivamente a tal finalidade, portanto, gerando uma NCM específica. E não só a Recorrente utilizase do NCM indicado (3918.1000), mas também os concorrentes da Recorrente. Segue em anexo 03 notas fiscais de uma empresa concorrente da Recorrente que, igualmente a ela, utiliza se do mesmo NCM para a venda dos referidos produtos, quais sejam, Vinil Auto Adesivo. III.3. DAS FISCALIZAÇÕES JÁ REALIZADAS. CANAL VERMELHO EM ESTAÇÕES ADUANEIRAS. DA IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DE CLASSIFICAÇÃO JURÍDICA DO PRODUTO. É de se observar que os mesmos produtos vendidos com a NCM 39.18.1000, também foram objeto de importação, passando regularmente pelo despacho e desembaraço aduaneiro, inclusive caindo em canal vermelho. Como é de conhecimento estrutural desta autoridade fiscal. CANAL VERMELHO é uma modalidade de fiscalização aduaneira competente para analisar os documentos e a conferência física da mercadoria. Logo, havendo qualquer divergência entre a mercadoria importada e as informações geradas na Declaração de Importação, implica no fiscal aduaneiro fazer a correção, aplicando a legislação vigente e, se for o caso, até mesma penalidade.(...) Assim, requer seja julgado improcedente o auto de infração quanto à questão da reclassificação, eis que regular o procedimento da contribuinte/Recorrente, e, não havendo erro de fato, implica na impossibilidade técnica do Sr. Fiscal Autuante de fazêla neste momento, conforme demonstrado. III. 4. DO DIREITO À REVISÃO DA CLASSIFICAÇÃO PELA CONTRIBUINTE. DIREITO À RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. 0 Sr. Fiscal indicou em sua análise que a contribuinte/Recorrente havia se utilizado, em algumas situações, da NCM 3919.90.00 para os mesmos produtos, assim demonstrando em notas fiscais de saída. Fl. 770DF CARF MF 22 Contudo, é assegurado ao contribuinte que realizou a classificação ERRADA, a possibilidade de requerer a revisão da classificação e, ainda, a retificação dos lançamentos contábeis, com a repetição do indébito tributário. O erro promovido pela Contribuinte em classificar erroneamente, não significa confissão ou reconhecimento do que pretende a autoridade fiscal. (...)Assim, a Requerente poderá utilizarse de expediente administrativo ou judicial para buscar seu direito de restituir os valores indevidamente recolhidos à administração pública federal. IV DOS CRÉDITOS INDEVIDOS. IRREGULARIDADES NA APURAÇÃO PELO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA DA ACUSAÇÃO FISCAL Alega o Sr. Fiscal autuante que a Recorrente teria se aproveitado de crédito de IPI decorrente de mercadorias importadas, o que estaria impedida por lei para tanto. (...)Inicialmente cumpre destacar que o produto com código 922, PVC Branco Alkorcoat 0,07 C/1240mm, é sim, utilizado na condição de matériaprima no procedimento industrial. Este produto é a película que passa por um processo de industrialização, cuja função é ser colado junto ao vinil para, posteriormente, servir como base de extração do produto em sua aplicação vide fotos. Assim, o PVC Branco recebe uma COLA e, após, é prensado junto ao papel vinílico, enrolado, e comercializado, constituindose matéria prima fundamental no produto final. Assim, requer sejam os créditos glosados pela autoridade fiscal, julgados improcedentes, eis que o PVC branco é matériaprima fundamental no processo industrial. Quanto aos demais produtos identificados, todos eles são destinados à revenda, comercialização, sem que passe por novo procedimento de industrialização. V DEMAIS MODALIDADES DE CRÉDITOS INDEVIDOS. Seguem em anexo notas fiscais de mercadorias destinadas ao uso de matériaprima. Produtos como manta magnética natural, película, fita pp, filme pet (tradicional pvc), stretch, são todos utilizados no processo de industrialização, como MATÉRIAPRIMA. Como tal, é autorizado o aproveitamento do crédito do IPI, sendo improcedente a glosa pretendida pelo auto de infração. VI. IMPROCEDÊNCIA DA MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. Fl. 771DF CARF MF Processo nº 10950.721729/201522 Acórdão n.º 3201002.751 S3C2T1 Fl. 761 23 Independente do resultado da procedência ou não do Auto de Infração, a multa por classificação fiscal incorreta há de ser totalmente revista da acusação fiscal.(...) Vl.l. IMPROCEDÊNCIA DA MULTA DE OFÍCIO. Igualmente à questão anterior, independente do resultado da procedência ou não do Auto de Infração, a multa de ofício há de ser revista da acusação fiscal. VIII DOS PEDIDOS: (...) Por fim, estabelecendose a segurança jurídica, requer seja julgado totalmente improcedente a acusação fiscal, para o fim de ser dado provimento à presente Impugnação, e assim, determinar no arquivamento do referido auto de infração, como medida da mais lídima JUSTIÇA Após extenso relatório DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação da Contribuinte, reduzindo o crédito tributário principal em R$10.690,23, tendo sido o acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 SAÍDA DE PRODUTO INDUSTRIALIZADO IMPORTADO. EQUIPARAÇÃO A EMPRESA INDUSTRIAL. FALTA DE DESTAQUE DO IMPOSTO. A interessada exerce entre outras atividades a de importação de produtos industrializados, bem como a revenda de tais produtos. O importador equiparase a empresa industrial, incidindo IPI na operação de importação e também na operação de saída desses produtos importados do estabelecimento importador. Após a necessária reconstituição da escrita fiscal, resultaram saldos devedores do IPI. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. LANÇAMENTO DA DIFERENÇA DO IMPOSTO DEVIDO. Reza o §1º do art.30 do Decreto nº 70.235/72 que a Classificação Fiscal de produtos não constitui aspecto técnico passível de exigir laudo técnico especializado, restando legítima, por conseqüência, a livre convicção da autoridade fiscal, fundada sempre na observância das normas de interpretação do Sistema Harmonizado. ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. GLOSA DE CRÉDITO EM AQUISIÇÕES. Para o estabelecimento industrial fazer jus ao Crédito do IPI destacado em notas fiscais de aquisição de produtos utilizados no seu processo fabril é imprescindível que os estabelecimentos fornecedores de tais produtos, emitentes das notas fiscais, sejam Fl. 772DF CARF MF 24 contribuintes desse imposto e, cumulativamente, que produtos/mercadorias discriminados nas notas fiscais enquadremse taxativamente nas definições de matériaprima (MP), produto intermediário (PI) ou material de embalagem (ME) estritamente estabelecidas pelo Parecer Normativo CST 65, de 1979. CRÉDITOS DECORRENTES DE DEVOLUÇÃO OU RETORNO. GLOSA. Admitese o creditamento do IPI decorrente do retorno ou devolução de mercadoria quando restar inequivocamente demonstrado o cumprimento dos requisitos regulamentares quanto à efetividade da devolução ou retorno. Desatendidas as normas pertinentes à escrituração das devoluções de produtos e o crédito delas decorrente, impõese a sua glosa. IPI. CRÉDITO BÁSICO. AMOSTRA GRÁTIS. INSUMO. GLOSA. Os insumos utilizados no processo produtivo, recebidos a título de amostra grátis, não dão direito ao crédito de IPI, pois não houve pagamento do imposto pela contribuinte na entrada em seu estabelecimento. IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES NACIONAL. GLOSA. Por expressa vedação legal, não é permita a transferência de crédito de IPI por empresa optante pelo SIMPLES. ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. GLOSA DE CRÉDITO EM AQUISIÇÕES DE COMERCIANTE ATACADISTA NÃO CONTRIBUINTE. CREDITAMENTO DE 50% DO VALOR DA AQUISIÇÃO. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos de comerciante atacadista não contribuinte, calculado pelo adquirente, mediante aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto, sobre cinqüenta por cento do seu valor, constante da respectiva nota fiscal IPI. FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO DA DIFERENÇA INADIMPLIDA. O não recolhimento do saldo devedor apurado após reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, não declarado em DCTF, sujeita o sujeito passivo ao lançamento dos montantes inadimplidos. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE RECOLHIMENTO DO SALDO DEVEDOR DE IPI. É legítimo o lançamento da multa de ofício dos débitos não recolhidos pelo contribuinte nos prazos estabelecidos pela legislação. Impugnação Procedente em Parte Fl. 773DF CARF MF Processo nº 10950.721729/201522 Acórdão n.º 3201002.751 S3C2T1 Fl. 762 25 Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário de fls. 703/748, reforçando os argumentos de defesa apresentados em sede de Impugnação. Após, foram os autos remetidos à este CARF e distribuídos, por sorteio, à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Para melhor exame dos argumentos, passo à análise de cada um dos tópicos de recurso apresentados pela Contribuinte. I. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI NAS SAÍDAS DE PRODUTOS IMPORTADOS QUE FORAM REVENDIDOS SEM PASSAR POR PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO Nesse tópico de Recurso a Contribuinte se insurge contra a cobrança do IPI na saída de mercadorias importadas, sem que estas tenham passado por qualquer processo de industrialização (mercadorias importadas para revenda). Alega a Contribuinte que "o fato gerador do IPI não é a simples saída/revenda do produto importado do estabelecimento do importador, mas sim a industrialização do produto (...), sendo que a saída do produto industrializado foi escolhida tão somente como o momento (aspecto temporal), em regra, de ocorrência do fato gerador". Ainda nesse tópico, alega que a cobrança do IPI na situação em tela acarretaria a bitributação, uma vez que ocorreria a incidência do IPI duas vezes, sem que haja novo fato tributvel, trazendo jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Regional Federal da 4ª Região em reforço à teses defendida. Pois bem. A matéria de direito em questão não demanda maiores digressões. É que o Superior Tribunal de Justiça, em sede de Recurso Representativo de Controvérsia, chancelou a exigência do IPI quando da revenda de produtos industrializados importados, ainda que não ocorra novo processo de industrialização em território Nacional. Confirase: EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS Fl. 774DF CARF MF 26 INDUSTRIALIZADOS IPI. FATO GERADOR. INCIDÊNCIA SOBRE OS IMPORTADORES NA REVENDA DE PRODUTOS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. FATO GERADOR AUTORIZADO PELO ART. 46, II, C/C 51, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN. SUJEIÇÃO PASSIVA AUTORIZADA PELO ART. 51, II, DO CTN, C/C ART. 4º, I, DA LEI N. 4.502/64. PREVISÃO NOS ARTS. 9, I E 35, II, DO RIPI/2010 (DECRETO N. 7.212/2010). 1. Seja pela combinação dos artigos 46, II e 51, parágrafo único do CTN que compõem o fato gerador, seja pela combinação do art. 51, II, do CTN, art. 4º, I, da Lei n. 4.502/64, art. 79, da Medida Provisória n. 2.15835/2001 e art. 13, da Lei n. 11.281/2006 que definem a sujeição passiva, nenhum deles até então afastados por inconstitucionalidade, os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil. 2. Não há qualquer ilegalidade na incidência do IPI na saída dos produtos de procedência estrangeira do estabelecimento do importador, já que equiparado a industrial pelo art. 4º, I, da Lei n. 4.502/64, com a permissão dada pelo art. 51, II, do CTN. 3. Interpretação que não ocasiona a ocorrência de bis in idem, dupla tributação ou bitributação, porque a lei elenca dois fatos geradores distintos, o desembaraço aduaneiro proveniente da operação de compra de produto industrializado do exterior e a saída do produto industrializado do estabelecimento importador equiparado a estabelecimento produtor, isto é, a primeira tributação recai sobre o preço de compra onde embutida a margem de lucro da empresa estrangeira e a segunda tributação recai sobre o preço da venda, onde já embutida a margem de lucro da empresa brasileira importadora. Além disso, não onera a cadeia além do razoável, pois o importador na primeira operação apenas acumula a condição de contribuinte de fato e de direito em razão da territorialidade, já que o estabelecimento industrial produtor estrangeiro não pode ser eleito pela lei nacional brasileira como contribuinte de direito do IPI (os limites da soberania tributária o impedem), sendo que a empresa importadora nacional brasileira acumula o crédito do imposto pago no desembaraço aduaneiro para ser utilizado como abatimento do imposto a ser pago na saída do produto como contribuinte de direito (nãocumulatividade), mantendose a tributação apenas sobre o valor agregado. 4. Precedentes: REsp. n. 1.386.686 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 17.09.2013; e REsp. n. 1.385.952 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 03.09.2013. Superado o entendimento contrário veiculado nos EREsp. nº 1.411749PR, Primeira Seção, Rel. Min. Sérgio Kukina, Rel. p/acórdão Min. Ari Pargendler, julgado em 11.06.2014; e no REsp. n. 841.269 BA, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 28.11.2006. Fl. 775DF CARF MF Processo nº 10950.721729/201522 Acórdão n.º 3201002.751 S3C2T1 Fl. 763 27 5. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: "os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil". 6. Embargos de divergência em Recurso especial não providos. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (EREsp 1403532/SC, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/10/2015, DJe 18/12/2015) Com efeito, nos termos do §2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, este Conselho está obrigado a aplicar as decisões proferidas pelo STJ em sede de Recurso Representativo de Controvérsia: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Por fim, a par da legalidade da exigência do IPI, a Contribuinte também ventila a ofensa ao princípio constitucional da isonomia, aduzindo que "a exigência fiscal de recolhimento do IPI na saída (comercialização interna) de produtos importados, que não se submeteram à industrialização, revela um tratamento mais oneroso ao comerciante importador do que aquele dado ao comerciante que revende produtos de origem nacional." Ainda nesse tópico, ilustra a Contribuinte que "prevalecendo a regra atual imposta pela Fazenda Nacional, o comerciante importador suportará um ônus adicional, que não teria, caso houvesse adquirido o mesmo produto industrializado, só que no Brasil, em evidente afronta ao princípio da igualdade". Também nos termos do RICARF, caput do art. 62 supra citado, é vedado à este órgão julgador o afastamento de norma legal em face de eventual violação ao texto constitucional. Não obstante, necessário salientar que, na hipótese dos autos, não vislumbro a alegada ofensa ao Princípio da Isonomia. Fl. 776DF CARF MF 28 É que o Princípio da Isonomia ou da Igualdade, na basilar lição de Aristóteles, consiste em "tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida de sua desigualdade". E, com a devida vênia às razões expostas em sede de Recurso, o importador de produtos industrializados que o revende no mercado interno, não se encontra em igualdade de condições com aquele que revende produtos de origem nacional, cujo produtor está sujeito a normas e encargos tributários, regulatórios, trabalhistas e sociais (por exemplo), absolutamente distintos do produtor estrangeiro. Desse modo, não se pode postular tratamento "igual" a agentes que se encontram em situação "desigual". Pelo exposto, nego provimento à alegação de ilegalidade e inconstitucionalidade da exigência do IPI na revenda, no mercado interno, de produtos importados, ainda que inexistente qualquer processo de industrialização no território nacional. II. DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL E ADUANEIRA DA MERCADORIA VINIL AUTO ADESIVO (NCM 3918.10.00) No segundo item de seu recurso, a Contribuinte aduz que "classificou corretamente os produtos importados, principalmente o Vinil Auto Adesivo, constante na NCM 3918.10.00". A partir dessa afirmação, desenvolve 4 subitens, a seguir analisados. II.1 DA INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ACÓRDÃO ACOMPANHA EQUIVOCADAMENTE O CRITÉRIO EXPOSTO NO RELATÓRIO DE AÇÃO FISCAL. Nesse subtópico de seu recurso, a Contribuinte alega que "a fundamentação do auto de infração lavrado não decorreu da interpretação tributária mais específica ao caso", e que o acórdão recorrido teria inovado ao apontar "o art. 30, §1º do Decreto 70.235/72, a fim de conferir à autoridade fiscal absoluta COMPETÊNCIA para dar a classificação fiscal a mercadorias, independente, inclusive, de laudo técnico e das própria características típicas do produto". Alega que a tanto a Fiscalização, como o acórdão recorrido, deixaram de "analisar criteriosamente a NCM adequada ao produto da Recorrente (NCM 3918.10.00), bem como as características de constituição do produto e sua função". Segue discorrendo acerca de princípios e normas atinentes à interpretação tributária, tal como o princípio da tipicidade cerrada e a impossibilidade de se ampliar, via interpretação, o alcance da norma de incidência. Ainda defende a aplicação da norma contida no art. 112 do CTN em caso de dúvida acerca da interpretação da norma tributária, concluindo que "a lei tributária e as normas de incidência, OBRIGATORIAMENTE, têm que dar plenas condições de interpretação sistemática e direta ao sujeito passivo, sob pena de, em sua interpretação ser incerta ou duvidosa, que seja interpretada e aplicada pela forma mais favorável ao contribuinte". Em suma, a Contribuinte discorre acerca da forma de interpretação da legislação tributária, se insurgindo contra a possibilidade de a Fiscalização efetuar a revisão da classificação fiscal apenas com base na sua própria interpretação da norma, sem estar amparada, por exemplo, por laudos técnicos acerca do produto. Fl. 777DF CARF MF Processo nº 10950.721729/201522 Acórdão n.º 3201002.751 S3C2T1 Fl. 764 29 Pois bem. Nesse tópico cumpre destacar que não há qualquer discordância quanto ao direito discorrido pela Contribuinte. No entanto, entendo que não restou demonstrado, em absoluto, qualquer vício no procedimento aduaneiro no que diz respeito à interpretação da norma tributária. É certo que a norma jurídica não existe de forma isolada, estática. A sua aplicação imprescinde da interpretação do seu destinatário e também do seu aplicador para que tenha utilidade e até mesmo validade. E, na seara tributária, ao agente fiscal, na condição de aplicador da norma tributária, compete a sua interpretação. Por óbvio que a interpretação realizada pela autoridade fiscal deve estar em consonância com os preceitos constitucionais e legais que regem o direito tributário, tal como a tipicidade cerrada, defendida pela Contribuinte. Na hipótese dos autos, como dito, tenho que a Contribuinte não demonstrou a ocorrência de qualquer vício, seja por omissão ou por extrapolação, acerca da interpretação da norma tributária pela fiscalização, tampouco pelo acórdão recorrido. Não obstante, em cuidadoso exame dos autos, também não identifiquei qualquer indício de vício procedimental a macular o lançamento. O que existe, outrossim, é o inconformismo da Contribuinte com a reclassificação fiscal, aspecto esse a ser abordado adiante. II.2. NCM 3918.10.00. NCM Adequada ao produto Vinil Auto Adesivo. LAUDO TÉCNICO. Nesse subtópico a Contribuinte se dedica a efetivamente defender a classificação fiscal por ela utilizada, em detrimento daquela adotada pelo Fisco em sua reclassificação. A Contribuinte defende a utilização da NCM 3918.10.00, ao passo que a Fiscalização afirma ser correta a classificação 3919.90.00. Confirase: 39.18 Revestimentos de pisos (pavimentos), de plásticos, mesmo autoadesivos, em rolos ou em forma de ladrilhos ou de mosaicos; revestimentos de paredes ou de tetos, de plásticos, definidos na Nota 9 do presente Capítulo. 3918.10.00 De polímeros de cloreto de vinila 3918.90.00 De outros plásticos 39.19 Chapas, folhas, tiras, fitas, películas e outras formas planas, autoadesivas, de plásticos, mesmo em rolos. 3919.10.00 Em rolos de largura não superior a 20 cm 3919.90.00 Outras Fl. 778DF CARF MF 30 De acordo com a Fiscalização (fl. 388), os critérios para deixar de utilizar a posição 3918 e utilizar a posição 3919 foram: a) A própria contribuinte utilizou para importação, no ano calendário 2012, do mesmo produto as duas NCMs, demonstrando, no mínimo, dúvidas e mais precisamente, utilização indevida da NCM. Com a devida vênia à auditoria fiscal, o critério apresentado jamais poderia ser utilizado como justificativa para o procedimento de reclassificação fiscal. A eventual dúvida acerca da classificação correta atrai a necessidade de verificação, validação, mas, por si só, não é capaz de fundamentar a desclassificação. b) Na DIRPJ, do período de 2010 a 2012, declarou, para o mesmo produto, terem dado Saídas de Produtos/Mercadorias, utilizando as duas NCMs. Vale ressaltar que para NCM 3919.90.00, com alíquota de IPI maior, declarou quantidade maior de Saída de 13,79% contra 9,27% para NCM 3918.10.00. Novamente notase que a Fiscalização utilizou fundamentação não técnica para desclassificar a posição adotada pela Contribuinte. Ora, o fato de a Contribuinte ter realizado a saída de produtos em ambas as posições em nenhuma hipótese pode induzir à conclusão de que uma dessas classificações estaria errada e, ainda pior, que a correta seria aquela de maior alíquota em razão da proporção verificada. Ainda que seja de competência da Fiscalização, como ressaltado pelo Acórdão recorrido, a reclassificação fiscal de mercadorias, é essencial que esta seja devidamente fundamentada. E, por fundamentação, pressupõese a apresentação de aspectos técnicos e elementos de prova, o que não se verifica em nenhum dos dois argumentos supra. Finalmente, o item 'c', transcrito com destaques: c) Analisando as características dos produtos/mercadorias informadas no próprio sítio da empresa (http://www.sovinil.com.br/), verificase que são produtos de material autoadesivos, que não necessitam de cola, ideal para decorações e há orientações para aplicar em superfícies lisa, seca e limpa. A NCM 39.18 utilizada para classificar esses produtos, contraria o que está definido em suas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH, pois informa que é para uso em Revestimentos de pisos (pavimentos), de paredes ou de tetos. Em relação aos revestimentos de paredes ou de tetos, diz na Tabela TIPI que estão definidos na Nota 9 do Capítulo 39, transcrito a seguir: Nota 9 do Capítulo 39: Na acepção da posição 39.18, a expressão "revestimentos de paredes ou de tetos", de plásticos, aplicase aos produtos que se apresentem em rolos com uma largura mínima de 45 cm, suscetíveis de serem utilizados para decoração de paredes ou de tetos, constituídos por plástico fixado de forma permanente num suporte de matéria diferente do papel, apresentandose a camada de plástico (da face aparente) granida, gofrada, colorida, com motivos impressos ou decorada de qualquer outra forma. Ao passo que a NCM 39.19, nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH dizem que esta classificação abrange todas Fl. 779DF CARF MF Processo nº 10950.721729/201522 Acórdão n.º 3201002.751 S3C2T1 Fl. 765 31 as formas planas autoadesivas de plásticos, mesmo em rolos, com exclusão dos revestimentos de pavimentos, de paredes ou de teto da posição 39.18, limitandose às formas planas autoadesivas aplicáveis por pressão, isto é, que, à temperatura ambiente, sem umidifícação ou qualquer outra adição, e são colados de forma permanente (de um ou ambos os lados) e que adiram firmemente em grande número de superfícies de diferentes tipos por simples contato ou por simples pressão do dedo ou da mão. Pela explanação anterior, podese concluir que os produtos classificados na NCM 3918.10.00, deveriam ter sido corretamente classificados na NCM 3919.90.00, uma vez que as características desses produtos se amoldam perfeitamente àquelas definidas nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH.(...) Portanto, todos os produtos com a denominação VINIL foram reclassificados para a NCM 3919.90.00, e resultaram em saldos devedores de IPI, conforme demonstrado no quadro demonstrado mais adiante (...) Pois bem. Nesse tópico é que se encontra a divergência efetivamente verificada para fins de classificação fiscal. A Contribuinte defende que, por se tratar o material do plástico de um polímero de cloreto de vinila, sua classificação, necessariamente, deveria ser feita no subitem 3918.10.00. Todavia, é preciso observar que a classificação 3918.10.00 é uma subposição da posição 3918(Revestimentos de pisos (pavimentos), de plásticos, mesmo autoadesivos, em rolos ou em forma de ladrilhos ou de mosaicos; revestimentos de paredes ou de tetos, de plásticos, definidos na Nota 9 do presente Capítulo). Ou seja, antes de se examinar se o produto em questão é um "polímero de cloreto de vinila" para fins de classificálo na subposição 3918.10.00, é preciso verificar se a própria posição 3918 pode ser utilizada no caso concreto, ou se deverá ser utilizada a posição 3919, como afirma a fiscalização. No caso, se o material em questão deve ser classificado como sendo "Revestimentos de pisos (pavimentos), de plásticos, mesmo autoadesivos, em rolos ou em forma de ladrilhos ou de mosaicos; revestimentos de paredes ou de tetos, de plásticos" (3918) ou "Chapas, folhas, tiras, fitas, películas e outras formas planas, autoadesivas, de plásticos, mesmo em rolos". Para melhor elucidação da questão, julgo oportuno transcrever o seguinte trecho da Parte 3 do Anexo Único da Instrução Normativa RFB nº 807, de 11 de janeiro de 2008, que "Aprova o texto consolidado das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias", com redação alterada pelas IN 1072 de 30 de setembro de 2010 e IN 1.260 de 20 de março de 2012, que apresenta a descrição de cada uma das posições em exame: Fl. 780DF CARF MF 32 39.18 Revestimentos de pisos (pavimentos), de plásticos, mesmo autoadesivos, em rolos ou em forma de ladrilhos ou de mosaicos; revestimentos de paredes ou de tetos, de plásticos, definidos na Nota 9 do presente Capítulo. 3918.10 De polímeros de cloreto de vinila 3918.90De outros plásticos A primeira parte desta posição abrange os plásticos dos tipos normalmente utilizados como revestimentos de pavimentos, em rolos ou em forma de ladrilhos ou de placas. Deve notarse que os revestimentos para pavimentos autoadesivos classificamse nesta posição. A segunda parte da posição, cujo alcance é definido pela Nota 9 do presente Capítulo, abrange os revestimentos de plásticos para paredes ou tetos, incluídos os que tenham suporte de matérias têxteis. Os papéis de parede ou outros revestimentos de parede de papel revestidos de plásticos são excluídos e classificamse na posição 48.14. Deve notarse que a presente posição abrange os artefatos contendo impressões ou ilustrações que não sejam de caráter acessório em relação à sua utilização inicial (ver a Nota 2 da Seção VII). 39.19 Chapas, folhas, tiras, fitas, películas e outras formas planas, autoadesivas, de plásticos, mesmo em rolos. 3919.10Em rolos de largura não superior a 20 cm 3919.90Outras A presente posição abrange todas as formas planas auto adesivas de plásticos, mesmo em rolos, com exclusão dos revestimentos de pavimentos, de parede ou de teto da posição 39.18. Todavia, o âmbito da presente posição limitase às formas planas autoadesivas aplicáveis por pressão, isto é, que, à temperatura ambiente, sem umidificação ou qualquer outra adição, são colados de forma permanente (de um ou ambos os lados) e que adiram firmemente em grande número de superfícies de diferentes tipos por simples contato ou por simples pressão do dedo ou da mão. Deve notarse que a presente posição abrange igualmente os artefatos contendo impressões ou ilustrações que não sejam de caráter acessório em relação à sua utilização principal (ver a Nota 2 da Seção VII). Devese acrescentar, às notas de posição, também a Nota 9 do Capítulo 39 que define a abrangência da posição 3918: 9.Na acepção da posição 39.18, a expressão “revestimentos de paredes ou de tetos”, de plásticos, aplicase aos produtos que se apresentem em rolos com uma largura mínima de 45 cm, suscetíveis de serem utilizados para decoração de paredes ou de tetos, constituídos por plástico fixado de forma permanente num suporte de matéria diferente do papel, apresentandose a Fl. 781DF CARF MF Processo nº 10950.721729/201522 Acórdão n.º 3201002.751 S3C2T1 Fl. 766 33 camada de plástico (da face aparente) granida, gofrada, colorida, com motivos impressos ou decorada de qualquer outra forma. Pois bem. Já de início observo que a Fiscalização não instruiu a sua autuação com imagens do produto, mas trouxe apenas informações extraídas de relatórios contábeis / fiscais, assim como a descrição obtida no sítio eletrônico da Contribuinte. A seu turno, a Contribuinte apresentou o Laudo Técnico de fl. 475 em diante contendo "as fotos que demonstram a aplicação do produto, bem como diversas fotos do produto já em uso", afirmando tratarse de "revestimentos de paredes, pisos, móveis, veículos, eletroeletrônicos, etc." Como essas fotos não foram questionadas pela Fiscalização, as tomo como prova acerca da natureza dos produtos em exame. E para que não se conteste, destaco que essas mesma fotos foram analisadas também pela DRJ, como se verifica do seguinte trecho do acórdão recorrido (fls. 691/692): Em análise às fotos juntadas às fls. 520/537, percebese que os produtos documentados não são adesivos para uso em Revestimentos de pisos (pavimentos), de paredes ou de tetos, e sim adesivos para sinalização e placas de trânsito, ratificando o posicionamento da autoridade fiscal, com a alíquota do IPI prevista na TIPI de 15%. Com efeito, pelo exame das referidas fotos, é possível perceber com clareza que o material empregado é utilizado na confecção de placas de trânsito e para sinalização interna. Por revestimento, conforme a própria definição constantes nos dicionários da língua portuguesa, pressupões cobertura, proteção de uma determinada superfície, o que não é, efetivamente, o caso de um adesivo de sinalização interna. De igual modo, uma placa de trânsito que é revestida pelo material adesivo em exame, não se confunde com os conceitos de piso, paredes ou tetos, existentes na posição 3918. Assim, reputo correta a classificação na posição 3919 que "abrange todas as formas planas autoadesivas de plásticos", e não apenas aquelas destinadas a revestimento de pisos, paredes e tetos. Por fim, no que diz respeito ao Laudo Técnico apresentado pela Recorrente, tenho que este não socorre às razões apresentadas. O referido Laudo Técnico, emitido pelo expert Paulo de Tarso Sica de Toledo, dedicase a demonstrar que o produto analisado é composto por polímeros de vinilia, tal como a descrição constante da subposição 3918.10.00. Ocorre que, como dito anteriormente, ainda que o Laudo Técnico tenha atestado que o produto analisado é composto de polímeros de cloreto de vinila, tal constatação não é suficiente para atrair a aplicação da subposição 3918.10.00, uma vez que, como visto, a Fl. 782DF CARF MF 34 própria posição 3918 não pode ser aplicada na hipótese concreta, de acordo com a simples interpretação das Notas Explicativas correspondentes. Nesse aspecto, observo que o próprio Laudo apresentado pela Contribuinte parece confundirse quanto aos critérios de posição e subposição utilizados pela TIPI, fato plenamente justificado pela própria afirmação do expert no sentido de que seu exame não leva em conta o conhecimento fiscal. Vejase que no momento de transcrever as norma da TIPI a subposição 3918.10.00 foi posicionada abaixo da posição 3919 (fl. 479) Ademais, na hipótese específica dos autos, a análise técnica quanto à composição do material analisado é despicienda, uma vez que as normas existentes, notadamente a NESH, são suficientes para elucidação da questão. Situação diversa seria a necessidade de se verificar se o produto é ou não composto de polímeros de cloreto de vinila. Nesse caso, a análise laboratorial seria imprescindível. Contudo, como exposto, a questão ora examinada se resolve pelo simples exame da posição 3918 e suas a correspondentes notas explicativas. Pelo exposto, não vislumbro qualquer possibilidade de se classificar os itens em discussão quais sejam, aqueles apresentados em fotos de fls. 520 a 537 na posição 3918, e, consequentemente, na subposição 3918.10.00 (ainda que composto por polímeros de vinila), entendendo estar correta a reclassificação utilizada pela Fiscalização, exclusivamente no que diz respeito às características da mercadoria apresentada. Fl. 783DF CARF MF Processo nº 10950.721729/201522 Acórdão n.º 3201002.751 S3C2T1 Fl. 767 35 Os demais argumentos utilizados pela Fiscalização para fins de reclassificação fiscal da mercadoria, baseada exclusivamente nos relatórios contábeis / fiscais, devem ser afastados. II.3. DAS FISCALIZAÇÕES JÁ REALIZADAS. CANAL VERMELHO EM ESTAÇÕES ADUANEIRAS. DA IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DA CLASSIFICAÇÃO JURÍDICA DO PRODUTO. A Contribuinte, nesse tópico de seu Recurso, defende a impossibilidade de se realizar a revisão da classificação fiscal dos produtos uma vez que estes, no momento da importação, sujeitaramse ao procedimento de fiscalização aduaneira parametrizado pelo canal vermelho, que teria chancelado a classificação fiscal utilizada. Afirma que, nos termos do art. 146 do CTN, teria ocorrido uma modificação dos critérios jurídicos adotados pela Fiscalização, sem a necessária cientificação ao contribuinte, além da impossibilidade desta alcançar fatos anteriores à sua introdução. Pois bem. Inicialmente há que se deixar claro que o presente processo não se trata de procedimento de revisão aduaneira. Tratase de uma fiscalização de IPI realizada na saída das mercadorias importadas pelo contribuinte. Ou seja, não se trata de revisão de lançamento anterior da Autoridade Administrativa, mas, sim, de revisão de lançamento por homologação realizado pelo contribuinte. Ademais, esclarece o acórdão Recorrido à fl. 692: E no caso citado pela defesa, não existem sequer indícios de que a autoridade fiscal tenha direcionado as verificações fiscais para as classificações fiscais das mercadorias durante o desembaraço aduaneiro, isto é, o enquadramento dos produtos não teria sido objeto de questionamento em referido procedimento. E, em sede de Recurso Voluntário, a Contribuinte não trouxe qualquer informação adicional que comprovasse a tramitação da importação via canal vermelho, tampouco apresentou qualquer manifestação fiscal contrária à classificação fiscal ora adotada, de modo a apontar qualquer indício de dúvida ou de alteração de critério jurídico. Por estas razões, afasto as alegações de impossibilidade de alteração da classificação fiscal realizada na presente hipótese. II.4. DO DIREITO À REVISÃO DA CLASSIFICAÇÃO PELA CONTRIBUINTE. DIREITO À RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. Nesse tópico a Contribuinte requer a manifestação desse órgão julgador quanto à possibilidade de restituição dos valores que teriam sido indevidamente recolhidos relativamente aos produtos que, no seu entendimento, teriam sido incorretamente classificados na posição 3919.90.00, como constatado durante o trabalho fiscal. Fl. 784DF CARF MF 36 Todavia, como bem colocado pela própria Contribuinte, o Pedido de Restituição de Indébito Tributário possui regulamentação própria (Lei nº 9.430/96), n]ão havendo qualquer possibilidade legal desta ser requetrida por via incidental à autuação fiscal ora em exame. Ademais, como visto, esta Julgadora entende que, quanto aos produtos examinados nesta oportunidade, a classificação na posição 3919.90.00 está correta, não havendo falar em recolhimento indevido. Rejeito, pois o requerimento de deferimento de eventual Pedido de Restituição formulado em sede de Auto de Infração. III. DOS CRÉDITOS INDEVIDOS. IRREGULARIDADES NA APURAÇÃO PELO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA DA ACUSAÇÃO FISCAL. IV. DEMAIS MODALIDADES DE CRÉDITOS INDEVIDOS Nesses dois tópicos a Contribuinte aponta e existência de algumas irregularidades na apuração realizada pela Fiscalização. Tratamse das glosas efetuadas pela Fiscalização. Estas glosas foram detidamente analisadas pelo Acórdão recorrido da seguinte forma: Neste caminho, a autoridade fiscal promoveu glosas de créditos decorrentes, em síntese, dos motivos abaixo: Ø Créditos Oriundos da Aquisição para Comercialização Ø Créditos Oriundos da Aquisição de Comerciante Varejista e optante pelo Simples Nacional Ø Crédito Oriundo da Aquisição de Comerciante Atacadista (crédito de 50% do seu valor) Ø Créditos Oriundos da Aquisição de Uso ou Consumo Ø Créditos Oriundos da Aquisição de Produto Acabado Adquirido para Revenda Registrese que, conforme informação no parágrafo 31 do Relatório Fiscal, "foram excluídas da glosa os itens que foram importados pela Matriz". Ademais, conforme planilha às fls. 45/47 dos autos, as glosas de crédito promovidas pela fiscalização correspondem a 7,21% dos créditos básicos apurados pelo contribuinte. Na peça de impugnação, a defesa alega em síntese que alguns dos produtos são, de fato, insumos do processo de industrialização, razão pela qual faz jus ao respectivo crédito, conforme os seguintes argumentos: Fl. 785DF CARF MF Processo nº 10950.721729/201522 Acórdão n.º 3201002.751 S3C2T1 Fl. 768 37 Inicialmente cumpre destacar que o produto com código 922, PVC Branco Alkorcoat 0,07 C/1240mm, é sim, utilizado na condição de matériaprima no procedimento industrial. Este produto é a película que passa por um processo de industrialização, cuja função é ser colado junto ao vinil para, posteriormente, servir como base de extração do produto em sua aplicação vide fotos. Assim, o PVC Branco recebe uma COLA e, após, é prensado junto ao papel vinílico, enrolado, e comercializado, constituindo se matéria prima fundamental no produto final. (...)Quanto aos demais produtos identificados, todos eles são destinados à revenda, comercialização, sem que passe por novo procedimento de industrialização. Neste ponto, conforme planilha não paginável juntada à fl. 74, não foram realizadas glosas de crédito decorrentes da aquisição do produto PVC Branco Alkorcoat 0,07 C/1240mm, código 922, à exceção da Nota Fiscal nº 327, emitia em abril de 2010, CFOP 3.102 compra de produto para comercialização, em que a fiscalização considerou, especificamente neste caso, que o produto foi comprado para revenda, promovendo a glosa única de crédito de R$10.690,23. Entretanto, tratandose de mercadoria importada para revenda ou de insumo para a industrialização, devese manter o crédito de R$10.690,23 referente à Nota Fiscal nº 327, de 30/04/2010. No primeiro caso, como informado pela autoridade fiscal, "Da relação de Produtos/Mercadorias adquiridos pela Matriz com CFOP 3102 (Compra para comercialização) foram excluídas da glosa os itens que foram importados pela Matiz". No segundo, tratandose de matéria prima para industrialização, nos termos do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, deve ser mantido o respectivo crédito. Em todas as demais 10 notas fiscais do produto em análise (PVC Branco Alkorcoat 0,07 C/1240mm, código 922) não foi promovida glosa de crédito pela autoridade fiscal. Portanto, entendese que a argumentação apresentada pelo contribuinte está em conformidade com o procedimento adotado pela fiscalização, devendose retificar apenas a glosa de crédito de R$10.690,23 referente à Nota Fiscal nº 327, emitia em 30 de abril de 2010, montante que deve ser deduzido do saldo devedor da reconstituição da escrita fiscal de abril/2010, ou seja, reduzindo o montante do crédito tributário exigido no auto de infração em igual proporção. A peça de defesa aponta, de forma genérica, outros produtos que seriam utilizados no processo de industrialização como matérias prima, promovendo apenas a juntada de notas fiscais de aquisição às 570/619. Fl. 786DF CARF MF 38 A mera alegação de que os produtos são utilizadas no processo de industrialização não é suficiente para gerar dúvida de convicção a este julgador. Vejase que em relação produto PVC Branco Alkorcoat 0,07 C/1240mm, código 922, o contribuinte se deu ao mínimo trabalho de descrever sucintamente o processo produtivo relacionado e a forma em que o item integra a industrialização do produto final. De outro lado, a impugnante apenas informa que "produtos como manta magnética natural, película, fita pp, filme pet (tradicional pvc), stretch, são todos utilizados no processo de industrialização, como MATÉRIAPRIMA", sem despender uma linha sequer sobre seu ponto de vista, qual seja, da forma como tais aquisições são utilizadas como insumos no processo produtivo. Neste ponto, entendese pela manutenção integral do lançamento tributário. Por fim, o reclamante junta ao processo "notas fiscais de devolução de mercadoria, e nota fiscal de entrada como AMOSTRA para uso como matériaprima", com o objetivo de creditamento de IPI referente a tais aquisições. Destaquese, de início, que o direito de crédito do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno é atribuído para anular o débito do imposto referente a produtos saídos do estabelecimento, na forma do § 1º do art. 146 do RIPI/1998. A legislação é clara e a ela deve aterse o julgador. A comprovação de reingresso de mercadoria devolvida se faz pelo registro das notas fiscais recebidas nos livros Registro de Entradas e Registro de Controle de Produção e do Estoque e pela comprovação do ressarcimento da devolução. As condições são cumulativas, ou seja, ambas devem ser satisfeitas, e se não o forem presumese juris tantum – que a mercadoria não foi reincorporada ao estoque da empresa. A presunção a que se fez referência pode – por ter natureza relativa – ser desfeita, desde que a contribuinte logre demonstrar que houve reingresso efetivo e ressarcimento do preço cobrado, quando for o caso. É o que diz a jurisprudência do Conselho de Contribuintes expressa aqui no Acórdão 20219271, de 03 de setembro de 2008: “NULIDADE DE DECISÃO CRÉDITO DE IPI POR DEVOLUÇÃO OU RETORNO DE PRODUTOS. O direito ao crédito do IPI por DEVOLUÇÃO ou RETORNO de produtos subordinase à comprovação do reingresso no estabelecimento bem como à efetiva reincorporação daqueles ao estoque, mediante a escrituração do Livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, modelo 3, ou de sistema de controle equivalente.” O texto é claro. Operase a presunção a favor do contribuinte a partir do momento em que se constata a consignação da devolução nos registros na empresa; ausente tal elemento, Fl. 787DF CARF MF Processo nº 10950.721729/201522 Acórdão n.º 3201002.751 S3C2T1 Fl. 769 39 invertese, por ilação, a regra presuntiva: passa a ter legitimidade a presunção de que devolução não houve. No caso concreto, temse que a defendente apenas apresenta notas fiscais com a natureza de operação "Devolução de Venda Fora UF", sem trazer aos autos quaisquer meios de controles existentes. Considerese, ademais, que a contribuinte igualmente não comprovou o ressarcimento do preço cobrado pelas mercadorias devolvidas. É certo que as devoluções poderiam ter ocorrido antes mesmo que qualquer pagamento fosse efetuado, porém isso deveria ter sido esclarecido e devidamente demonstrado. Temse, em suma, que os créditos lançados a título de devolução não se revestem de legitimidade tendo em vista o descumprimento dos requisitos previstos no artigo 231, inciso II, do RIPI/2010, aliado este à ausência no processo de qualquer prova material clara e inequívoca capaz de confirmar o reingresso das pretensas mercadorias devolvidas ao estoque da empresa. Em relação aos produtos recebidos como "amostra para uso como matériaprima" devese esclarecer que sendo amostra grátis e não havendo pagamento do IPI na entrada, por óbvio não há crédito, pois não houve encargo suportado pelo adquirente. Portanto, entendese que não merecem prosperar os argumentos apresentados pelo impugnante. A meu ver, a análise realizada pela DRJ foi pontual e precisa, examinando cada uma das alegações apresentadas pela Contribuinte em face das provas existentes nos autos. O Recurso Voluntário, ao seu turno, não rebate as conclusões apresentadas pelo Acórdão recorrido, limitandose a repetir as mesas razões da Impugnação. Assim, por concordar com a precisa análise efetuada pela DRJ, assim como com a fundamentação de direito apresentada, torno o trecho transcrito parte integrante da presente decisão, concluindo pela negativa de provimento ao Recurso quanto à alegação de erro na apuração do IPI. V. IMPROCEDÊNCIA DA MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. O afastamento da multa por classificação fiscal incorreta é requerido nos exatos termos seguintes: Fl. 788DF CARF MF 40 No entanto, havendo previsão legal expressa acerca da exigência de multa pela reclassificação fiscal, independentemente da existência ou não de dano ao erário, uma vez que o bem jurídico que se tutela por esta norma é o sistema tributário, não compete a este órgão julgador o seu afastamento, nos termos do já citado art. 62 do Anexo II do RICARF. V.1. IMPROCEDÊNCIA DA MULTA DE OFÍCIO. Nesse tópico, a despeito de não ter mencionado expressamente o dispositivo legal, o que busca a Contribuinte é a aplicação do disposto no parágrafo único do art. 100 do CTN: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Essa Turma e recente julgamento se manifestou de forma unânime quanto à aplicação do referido dispositivo em situação nas quais se verifique que o contribuinte enfrentou divergências entre práticas reiteradamente observadas pelas Autoridades Administrativas. Tratase do Acórdão 3201002.026, assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 789DF CARF MF Processo nº 10950.721729/201522 Acórdão n.º 3201002.751 S3C2T1 Fl. 770 41 Período de apuração: 24/05/2007 a 31/12/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE OBRIGATORIEDADE DO JULGADOR APRECIAR, PONTO A PONTO, TODAS AS TESES DE DEFESA. LIVRE CONVENCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO.O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas as alegações das partes, quando já se tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos. Não há nulidade da decisão de primeira instância que deixa de analisar, ponto a ponto, todas teses de defesa elencadas pela impugnante, quando referida decisão traz fundamentação coerente acerca das razões de decidir. NORMAS COMPLEMENTARES. PRÁTICA REITERADA.Considerase prática reiterada das autoridades administrativas, à luz do artigo 100, inciso III, do CTN, a utilização de classificação fiscal de mercadorias já determinadas em soluções de consulta da RFB e confirmadas em despachos de importação selecionados para canais de conferência. Naõ obstante ao entendimento ao qual coaduno, na hipótese dos autos entendo que a Contribuinte não logrou demonstrar qualquer causa de aplicação da dispositivo legal citado. Não houve comprovação efetiva de que a Autoridade Fiscal, em outras oportunidades, tenham chancelado ou orientado a classificação fiscal requerida pela Contribuinte. Pelo exposto, entendo não ser aplicável à hipótese dos autos a exoneração prevista no parágrafo único do art. 100 do CTN, rejeitando o Recurso também nesse aspecto. VI. IMPROCEDÊNCIA DOS APONTAMENTOS. Por fim, a Contribuinte requer a aplicação, ao caso concreto, do art. 112 do CTN: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Fl. 790DF CARF MF 42 Todavia, consoante todo arrazoado exposto na presente decisão, não vislumbro qualquer existência de dúvida acerca dos fatos examinados de forma bastante objetiva. Vejase que a dúvida que autoriza a aplicação do art. 112 do CTN não é aquela decorrente da irresignação do contribuinte quanto aos fatos apurados pela Fiscalização, da interpretação divergente das normas. Esta irresignação se materializa por meio do devido processo legal e da ampla defesa assegurados ao contribuinte. Se assim não o fosse, toda e qualquer lide administrativa poderia ser caracterizada como dúvida, independentemente da sua fundamentação. A dúvida que se exige é a dúvida razoável, fundamentada, e, nos termos legais, a dúvida objetiva, que alcança a certeza dos fatos e /ou da capitulação legal. Não é a dúvida quanto a interpretação do direito. Desse modo, entendo inaplicável aos autos o art. 112 do CTN. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, mantendo a exigência fiscal. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Declaração de Voto Examinando o caso concreto à luz da legislação de regência tenho que na importação de produtos industrializados a primeira incidência do IPI se dá quando do desembaraço aduaneiro da mercadoria estrangeira (CTN, art.46,I). A segunda incidência do IPI acontece quando a mercadoria sai do estabelecimento importador a título de revenda, consoante previsto nos artigos 46,II e 51, parágrafo único do CTN. A despeito das ilustradas posições em contrário, entendo que com o advento do Código Tributário Nacional é legal a cobrança de IPI quando a mercadoria importada sair do estabelecimento produtor ou similar. Em outras palavras, os produtos importados estão sujeitos novamente ao fato gerador do IPI na saída do estabelecimento importador. Lembro que o art. 51, II do CTN admite a equiparação dos importadores a estabelecimento produtor. Ressaltese também que o art. 4º, I da lei 4502/64 equipara os importadores a estabelecimento produtor, de modo que não vejo qualquer incompatibilidade para fins de uma nova hipótese de incidência do IPI sobre os produtos importados quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda. Registro que o Regulamento do IPI (Decreto 7212/2010) em seu art. 9º dispõe que os estabelecimentos importadores Fl. 791DF CARF MF Processo nº 10950.721729/201522 Acórdão n.º 3201002.751 S3C2T1 Fl. 771 43 equiparamse a estabelecimento industrial. Perfeitamente legal a incidência do tributo em dois momentos. Não há que se falar na ocorrência de bis in idem, dupla tributação ou bitributação porque a lei prevê dois fatos geradores distintos, quais sejam o desembaraço aduaneiro da mercadoria estrangeira e, depois, a saída dessa mercadoria do estabelecimento importador equiparado a estabelecimento produtor. Em outras palavras, o imposto recai primeiramente sobre o preço de compra, considerada a margem de lucro da empresa estrangeira e ao depois incide uma segunda vez sobre o preço de venda, considerada a margem de lucro da empresa brasileira que fez a importação. PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Fl. 792DF CARF MF
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Numero do processo: 10074.001343/2009-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 04/11/2005 a 12/12/2007
DRAWBACK. ADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO.
Demonstrada a adimplência no compromisso de exportar, aperfeiçoa-se a isenção dos tributos suspensos sob condição resolutória, quando da importação das mercadorias ao amparo do Regime Aduaneiro Especial de Drawback.
Numero da decisão: 3201-002.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO. Demonstrada a adimplência no compromisso de exportar, aperfeiçoase a isenção dos tributos suspensos sob condição resolutória, quando da importação das mercadorias ao amparo do Regime Aduaneiro Especial de Drawback. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 13 43 /2 00 9- 28 Fl. 858DF CARF MF 2 O presente processo retornou após atendimento de diligência formulado pela turma julgadora, razão pela qual transcrevo o relatório da resolução: Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Trata o presente processo de autos de infração lavrados para constituição de crédito tributário no valor total de R$ 12.834.477,10, referentes a: imposto de importação, imposto sobre Produtos Industrializados, contribuição COFINS importação, contribuição PIS/PASEP — importação, juros de mora — calculados até 31/08/2009 e multa proporcional (75%) em face do descumprimento de obrigações necessárias à permanência no regime de drawback suspensão, visto ter sido constatado inadimplemento do compromisso de exportar. Depreendese dos autos, e em especial do Termo de Constatação (fls. 329 a 337), que a autuada submeteu ao Regime de Drawback, amparada pelo Ato Concessório n° 20030194440 — Suspensão Embarcação Genérico — diversas mercadorias para serem utilizadas na fabricação de uma embarcação destinada à exportação. O Ato Concessório em tela foi deferido pelo DECEX em 02/12/2003 (fl. 355), tendo sido prorrogado até 15/12/2007. Relatam as autoridades fiscais que o Ato Concessório sob análise foi considerado totalmente inadimplente pela SECEX, conforme consta do Sistema Drawback Web, com diagnóstico feito em janeiro de 2009 (fl. 364). Informam ainda que, apesar das diversas solicitações do contribuinte, o DECEX, no uso legal de suas atribuições, não prorrogou o prazo para a exportação do bem, mantendo a data final em 15/12/2007. Por outro lado, intimada a interessada, esta apresentou, entre outros documentos, cópia da nota fiscal de saída n° 2667 (fl. 345), emitida em 07/08/2009, e referente à entrega da embarcação, citando inclusive o Ato Concessório no corpo da nota fiscal, sendo destinatário da mesma a empresa UP OFFSHORE APOIO MARÍTIMO LTDA.(CNPJ n° 04.754.815/000117). Assim, considerando que a embarcação não foi exportada dentro do prazo concedido, e que o órgão competente (SECEX) não atestou o cumprimento, pelo beneficiário do Regime Aduaneiro Especial de Drawback Suspensão, das obrigações assumidas no Ato Concessório, as autoridades fiscais lavraram as autuações em comento, visto ter sido caracterizado o inadimplemento total do compromisso pactuado. Ressaltam as autoridades que não houve o adimplemento do compromisso de exportação nem adoção, por parte do contribuinte, de qualquer providência descrita no artigo 342 do Decreto n° 4.543/02, sendo devidos os tributos até então suspensos em face do Regime Especial do "Drawback", visto que não recolhidos de forma espontânea. Regularmente intimada (pessoalmente às folhas 03, 80, 172, 251, 327 e 337), a interessada apresentou impugnação tempestiva às folhas 392 a 400, com documentos anexados às folhas 401 a 439. Apresenta as seguintes alegações, em síntese: Fl. 859DF CARF MF Processo nº 10074.001343/200928 Acórdão n.º 3201002.850 S3C2T1 Fl. 94 3 Que, havendo sido cumpridos, integralmente, todos os requisitos legais, o DECEX anuiu ao pedido, expedindo o Ato Concessório Eletrônico n° 2003.0194440, com prazo de expiração inicial de dois anos, contado do Registro da primeira Declaração de Importação, 07/11/2005, e validade até 15/12/2007; Que, apesar do cumprimento de todos os requisitos à fruição do beneficio, o DECEX, sem motivação válida, revogou o Drawback, como se a Impugnante houvesse inadimplido seu compromisso (o que não é verdade); Que o DECEX praticou uma série de atos omissivos e um ato comissivo final, eivado de ilegalidade e contrário às provas de cumprimento da obrigação pela impugnante. Traz histórico das petições, respostas e nãorespostas; Que não é possível conhecer o porquê de o DECEX haver registrado o "inadimplemento total", visto não haver apontado o motivo, mas apenas citado o artigo em que se encontram todos os motivos possíveis; Que compete sim, à autoridade fiscal verificar a verdade material, com o fim de imprimir liquidez e certeza a seu lançamento; Requer seja julgado improcedente o presente auto de infração, exonerandose a Impugnante do crédito tributário ora lançado.” A DRJFlorianópolis/ SC julgou improcedente a impugnação (fls. 442/446), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 04/11/2005 a 12/12/2007 DRAWBACK. INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO. Constatada a inadimplência no compromisso de exportar, cabível é a exigência dos tributos suspensos quando da importação das mercadorias ao amparo do Regime Aduaneiro Especial de Drawback. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (fls. 462/471), repisando idênticos argumentos expendidos na impugnação. Por ocasião do julgamento do recurso voluntário, o colegiado houve por bem converter o julgamento em diligência, para averiguar se a tela do DECEX que comprovaria o cumprimento do regime, refletia a realidade externada pela Recorrente: Em 02/01/2012 após, portanto, a apresentação do recurso voluntário a recorrente fez juntar novo documento (efl.816/817), por meio do qual informou que o DECEX teria sanado o erro Fl. 860DF CARF MF 4 cometido, qual seja, teria corrigido a informação da situação de “inadimplência total” do Ato Concessório nº. 2003.0194440, para a situação “baixado”, demonstrando, assim, que a suposta situação de inadimplência em que se encontrava anteriormente decorreu de falhas operacionais do DECEX. Informa a recorrente que, naquele documento (efl. 819), extraído do endereço eletrônico https://siscomex.desenvolvimento.gov.br/Drawback_Web/Consul tarACCNPJ.do, obtido em 07/12/2011, consta que o Ato Concessório 2003.019440, com data de registro de 07/11/2005, tipo embarcação genérico, encontrase na situação “baixado”. Primeiramente, entendo cabível a juntada do novo documento aos autos, mesmo após já apresentado o recurso voluntário, visto tratarse de fato superveniente, na forma como previsto no Decreto nº. 70.235/72, art. 16, §4º, b. Por outro lado, entendo de bom alvitre sejam os autos baixados em diligência para que se confirmem os fatos alegados pela recorrente, tendo em vista, inclusive, a péssima qualidade da digitalização do documento constante dos autos à efl. 819, que não deixa ver, com a clareza necessária, os dados trazidos pela recorrente. A Recorrente juntou manifestação do DECEX e as telas legíveis do sistema e o relatório da autoridade preparadora, corroborou os dados apresentados. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, do retorno da diligência não se levantou quaisquer considerações ou suspeitas, aptas a infirmar as demonstrações de cumprimento do regime aduaneiro especial de drawback embarcação. O exposto, sem mais delongas, já é suficiente para demonstrar a improcedência do auto de infração. Nesses termos, julgo procedente o recurso voluntário. Fl. 861DF CARF MF Processo nº 10074.001343/200928 Acórdão n.º 3201002.850 S3C2T1 Fl. 95 5 Fl. 862DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.902538/2012-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
EXIGÊNCIA, DE OFÍCIO, DE MULTA DE MORA EM COMPENSAÇÃO JÁ HOMOLOGADA TACITAMENTE. CARACTERIZAÇÃO DE LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO DE TRIBUTO DECAÍDO POR VIAS TRANSVERSAS. IMPOSSIBILIDADE.
A compensação de ofício, por parte do fisco, de valor de multa de mora sobre declaração de compensação homologada tacitamente caracteriza lançamento, por vias transversas, de tributo já decaído, devendo ser restabelecido o crédito.
Numero da decisão: 1401-001.914
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e Daniel Ribeiro Silva.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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CARACTERIZAÇÃO DE LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO DE TRIBUTO DECAÍDO POR VIAS TRANSVERSAS. IMPOSSIBILIDADE. A compensação de ofício, por parte do fisco, de valor de multa de mora sobre declaração de compensação homologada tacitamente caracteriza lançamento, por vias transversas, de tributo já decaído, devendo ser restabelecido o crédito. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de votar o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 25 38 /2 01 2- 78 Fl. 292DF CARF MF 2 Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto e Daniel Ribeiro Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 6ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), que, por meio do Acórdão nº 1455.664, de 27 de novembro de 2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Transcrevo abaixo o relatório do Acórdão da DRJ/RPO: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ/RPO) Trata o presente processo do PER/DCOMP protocolizado sob o nº 30640.65363.180108.1.3.025206, no qual a interessada acima identificada alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de saldo negativo de IRPJ apurado no exercício de 2005. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Osasco/SP, proferiu o Despacho Decisório de fl. 152, o qual não deferiu qualquer valor a ser restituído e não homologou a compensação em virtude de não confirmação Valor do Saldo Negativo disponível. Conseqüentemente, foi promovida a cobrança dos débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais decorrentes da mora (multa de mora e juros). Inconformada, a interessada interpôs a manifestação de inconformidade de fls. 08/19, na qual alega, em síntese, no que se refere ao PER/DCOMP nº 30640.65363.180108.1.3.025206, o seguinte: É descabida a "não confirmação" das estimativas de 2004 pagas pela Impugnante mediante compensação, uma vez que embora de fato tais compensações não tenham sido homologadas, a Impugnante apresentou no competente processo nº 10882.001396/200339 a sua manifestação de inconformidade (doc. 06), e de qualquer modo ainda que a mesma a final não seja aceita o valor correspondente já está sendo exigido naqueles autos, de modo que o não reconhecimento daquele crédito implica exigência de tributo cm duplicidade. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento nesta DRJ. A 6ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), por meio do Acórdão nº 1455.664, de 27 de novembro de 2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, que teve a seguinte Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Exercício: 2005 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DA IRPJ. VALORES DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO NÃO CONFIRMADOS. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10882.902538/201278 Acórdão n.º 1401001.914 S1C4T1 Fl. 293 3 O saldo negativo da IRPJ pode ser objeto de pedido de restituição ou utilizado como crédito em declaração de compensação somente se confirmado que os valores a título de antecipação excedem o valor devido ao final do período de apuração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A empresa foi cientificada do acórdão da DRJ/RPO na data de 12/03/2015 (cf. AR de fl. 172). Irresignada com a decisão da DRJ, a empresa interpôs Recurso Voluntário (fl. 191 a 210) tempestivamente na data de 10/04/2015, repetindo basicamente os argumentos já trazidos na 1ª (primeira) fase recursal: Fl. 294DF CARF MF 4 Alega que a DRJ inovou no critério de glosa das compensações, ao tratar que as estimativas arroladas como débito em declarações de compensação não homologadas não devem compor o saldo negativo a ser compensável neste processo, alegando ter sido esta a razão para a não homologação da referida DCOMP no Despacho Decisório. Assim, pede a nulidade da decisão da DRJ, por ter partido de premissa diferente daquela que partiu a fiscalização. Entretanto, com base no § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, pede o provimento do recurso voluntário, com base nas suas razões de mérito: I PRELIMINARMENTE I.1 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA (FLS. 167/171) Alega a recorrente que a DRF homologou parcialmente a DCOMP 10283.58359.090207.1.3.029252 e não homologou a DCOMP 30640.65363.180108.1.3.02 5206, esta última objeto deste processo, reconhecendo integralmente o saldo negativo informado nas DCOMPs, mas entendendo ser insuficiente este crédito para fazer face à integralidade dos débitos compensados. A empresa cita que o Despacho Decisório, apesar de fazer menção à não confirmação de parte das estimativas de 2004 cuja compensação não foi homologada, como visto, reconheceu integralmente o saldo negativo cuja restituição foi pleiteada e indicada pela Recorrente em suas DCOMPs, apenas deixando de conceder a homologação porque o crédito reconhecido não era suficiente para fazer frente à totalidade dos débitos compensados, o que por si só é suficiente para eivar de nulidade a r. decisão recorrida. E para que não restem dúvidas de que foi este o entendimento firmado pelo despacho decisório, no próprio Processo Administrativo n. 10882.902414/2012 92 (processo de crédito) foi proferido despacho propondo “o arquivamento deste processo encerrado por deferimento TOTAL do valor pleiteado” (doc. 02, fls. 161). Conclui assim: Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10882.902538/201278 Acórdão n.º 1401001.914 S1C4T1 Fl. 294 5 I.2 A HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA DCOMP N. 10283.58359.090207.1.3.029252 IMPLICA A HOMOLOGAÇÃO TAMBÉM DA DCOMP N. 30640.65363.180108.1.3.025206 OBJETO DESTE PROCESSO Fl. 296DF CARF MF 6 II DO MÉRITO II.1 O CRÉDITO RECONHECIDO É SUFICIENTE PARA FAZER FACE TANTO À DCOMP N. 10283.58359.090207.1.3.029252, COMO À DCOMP N. 30640.65363.180108.1.3.025206 Ainda que superada a questão preliminar, o que se admite apenas para argumentar, de qualquer modo é manifestamente improcedente a imputação de multa de mora de 20% aos débitos objeto da DCOMP n. 10283.58359.090207.1.3.029252, sendo o crédito remanescente após as compensações objeto daquela DCOMP suficiente para fazer face também à integralidade dos débitos da DCOMP n. 30640.65363.180108.1.3.025206. Alega a Recorrente que as compensações foram feitas com débitos de Pis e Cofins de períodos anteriores à data da compensação. Isto porque a empresa havia impetrado o Mandado de Segurança nº 2004.61.00.0338534 para não recolher Pis e Cofins sobre JCP. Desta forma, a empresa traça o histórico da ação judicial para concluir que os débitos compensados estavam com a exigibilidade suspensa até 12/01/2007, data em que foi publicada decisão que reconheceu o efeito devolutivo no acolhimento do recurso de agravo de instrumento processo 2006.03.00.1074568, interposto pela União Federal (fls. 73). Sendo assim, pede para afastar a multa de mora de 20% em face da aplicação do disposto no art. 63 da Lei 9430/1996, em razão da compensação dos débitos exigidos dentro do prazo de 30 dias contados da publicação da decisão que revogou a suspensão da exigibilidade do crédito da União. II.2 DA HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO OBJETO DO PRESENTE FEITO INDEPENDENTEMENTE DO RESULTADO OBTIDO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO N. 10882.001396/200329, EM QUE ESTÃO SENDO DISCUTIDAS AS COMPENSAÇÕES DAS ESTIMATIVAS DE 2004 A empresa alega que, mesmo que se entenda por afastar os argumentos anteriormente aduzidos, devese avaliar o seguinte: A DRJ não poderia indeferir o pedido de homologação dos créditos com base no indeferimento de compensação de saldos negativos apurados no anocalendário de 2002, que são objeto do processo nº 10882.001396/200339, pois os débitos eventualmente não homologados naquele processo serão objeto de cobrança com os devidos acréscimos legais. Critica o conteúdo da declaração de voto constante na decisão de piso, em que reforça a decisão da turma de não homologação do crédito do processo nº 10882.001396/200339, por se aplicar no caso o teor do Parecer PGFN/CAT nº 1.658/2011. Segundo a recorrente, o referido Parecer trata de estimativa não computada no ajuste anual, não se aplicando ao caso concreto, que, por sua vez, pode ter os valores de crédito indeferido perfeitamente cobrados, inclusive conforme entendimento exarado pelo Parecer PGFN/CAT nº 88/2014, apresentando conclusão da Procuradoria de que há "possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10882.902538/201278 Acórdão n.º 1401001.914 S1C4T1 Fl. 295 7 do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste", conclusão que a recorrente entende que se aplica ao caso deste processo. Informa que a Solução de Consulta Cosit nº 18/2006 conclui que "na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ;". Afirma que, nos termos do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1396/2013, com redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.434/2013, aqueles atos têm efeito vinculante no âmbito da Receita Federal do Brasil. Traz posicionamento da DEINF (Delegacia da Receita Federal do Brasil de Instituições Financeiras) reconhecendo expressamente que uma vez declarados os débitos, os efeitos quanto à não homologação de sua compensação se darão, com os acréscimos devidos, naqueles autos. II. 3 PREJUDICIALIDADE: NECESSIDADE DE SOBRESTAMENTO DO FEITO Pede subsidiariamente o sobrestamento do presente feito, até decisão final a ser proferida no Processo Administrativo nº 10882.001396/200339, ou, ainda, ao menos a suspensão da exigibilidade do presente crédito tributário, em face da manifesta relação de prejudicialidade entre os processos, nos termos do art. 265, IV, "a" do revogado Código de Processo Civil (CPC), hoje constante no art. 313, V, "a", do novo CPC. Distribuído o processo no CARF, coube a mim sua relatoria. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. O pedido de restituição que deu origem a este processo de compensação foi integralmente deferido pela Delegacia de Fiscalização, conforme se pode verificar dos documentos acostados no Recurso Voluntário (confirmados no eprocesso). Desta forma, é de se arguir se os créditos oriundos deste processo originário podem ser questionados quanto à sua certeza e liquidez. Fl. 298DF CARF MF 8 PRELIMINAR DE NULIDADE I1 Nulidade da Decisão Recorrida A empresa alega que a decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade fundamentando seu voto na impossibilidade de recolhimento de estimativas com declarações de compensação ainda pendentes de verificação pela RFB, não fundadas na certeza e liquidez dos créditos passíveis de compensação. Como alega que o Despacho Decisório reconheceu a totalidade do crédito pleiteado pela recorrente, a decisão recorrida estaria eivada de nulidade. Pois bem. Ultrapasso esta preliminar de nulidade, tendo em vista que minha decisão vai ao encontro com o que dispõe o § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) MÉRITO I.2 A HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA DCOMP N. 10283.58359.090207.1.3.02 9252 IMPLICA A HOMOLOGAÇÃO TAMBÉM DA DCOMP N. 30640.65363.180108.1.3.025206 OBJETO DESTE PROCESSO A recorrente argumenta que, pelo fato da DCOMP n° 10283.58359.090207.1.3.029252 ter sido homologada tacitamente, os débitos compensados na DCOMP nº 30640.653.180108.1.3.025206, objeto deste processo, também deveriam ser homologados, uma vez que o saldo remanescente de R$ 1.905.486,01 seria suficiente para compensar os débitos aqui indicados. É que a DRF homologou parcialmente a DCOMP n° 10283.58359.090207.1.3.029252 por imputar multa moratória aos débitos ali compensados (em razão de terem sido ultrapassados os prazos legais de recolhimento). Por outro lado, como a própria DRF informa no Despacho Decisório que a DCOMP nº 10283.58359.090207.1.3.029252 deverá ser homologada tacitamente, no limite do crédito alegado, a recorrente alega que não há dúvida de que a compensação se deu nos exatos termos em que declarada na referida DCOMP, ou seja, sem indicação de compensação de multa moratória. Desta forma, conclui que o valor remanescente de R$ 1.905.486,01 é suficiente para compensar os débitos aqui indicados. Entendo que tem razão a recorrente. A DRF homologou a DCOMP 10283.58359.090207.1.3.029252, justificando que houve o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos estabelecido no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, transcrito abaixo: Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10882.902538/201278 Acórdão n.º 1401001.914 S1C4T1 Fl. 296 9 § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Portanto, a fiscalização não deveria atribuir um valor maior àquele informado pela recorrente na compensação já homologada tacitamente, como a aplicação de multa de mora sobre os débitos compensados na referida declaração de compensação. Conduzindo seu despacho decisório desta forma, posso concluir que a fiscalização efetuou lançamento tributário decaído, por vias transversas. No meu sentir, a fiscalização se utilizou deste expediente para driblar a homologação tácita já reconhecida no PER nº 19863.10924.090207.1.2.021451 e na DCOMP nº 10283.58359.090207.1.3.029252. Nesse sentido, entendo que deve ser afastado o fundamento utilizado pela fiscalização, devendo a compensação constante neste processo ser homologada. Os demais pontos argumentados pela recorrente tornamse insubsistentes em razão do deferimento de seu pleito. Conclusão Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário da recorrente. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 300DF CARF MF 10 Fl. 301DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720131/2014-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 99.
As contribuições previdenciárias se sujeitam a contagem do prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4º, do CTN quando da existência das condições previstas no dispositivo legal. Cabimento, no caso concreto, das disposições da Súmula nº 99 do CARF.
PLR. NEGOCIAÇÃO PRÉVIA. CRITÉRIOS CLAROS E OBJETIVOS. INEXISTÊNCIA. CARÁTER REMUNERATÓRIO DO PAGAMENTO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Estão sujeitos à incidência das contribuições previdenciárias os pagamentos realizados a título de PLR quando efetuados em desacordo com as regras estabelecidas na Lei nº 10.101/10. Não atendem as exigências dessa lei acordos firmados ao fim do ano-calendário de referência e que não contenham regras claras e objetivas quanto aos critérios a serem adotados para o pagamento da verba.
PLR. ACORDO COM COMISSÃO DE EMPREGADOS. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. EFEITO RETROATIVO. IMPOSSIBILIDADE. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO LEGAL. CARÁTER REMUNERATÓRIO DO PAGAMENTO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
É contrária à natureza jurídica do PLR a tentativa de conferir efeitos retroativos à norma coletiva para regular situação fática já consumada no tempo, pois as normas e condições de trabalho negociadas de comum acordo entre as partes convenentes criam direitos e obrigações entre elas somente a partir do momento em que foi firmado o instrumento coletivo na forma da lei. Acordo próprio ou convenção coletiva de trabalho, firmados ao final do exercício fiscal e que fixem o pagamento de PLR com fundamento em fatos retroativos, não atendem o requisito legal de previsibilidade (Lei nº 10.101/00, Art. 2º, §1º, II) exigido para a não incidência da contribuição previdenciária patronal (Lei nº 8.212/91, Art. 28, §9º, j), o que torna o pagamento a esse título um rendimento do empregado, passível de incidência da contribuição.
ACORDO COM COMISSÃO DE EMPREGADOS. PARTICIPAÇÃO DE ENTIDADE SINDICAL. AUSÊNCIA. INCIDÊNCIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
No caso de a participação nos lucros ou resultados ser negociada por uma comissão escolhida pelas partes (Lei nº 10.101/00, Art. 2º, I), é imperativo legal que dela participe um representante indicado pelo sindicato da categoria profissional dos empregados. A ausência do representante do sindicato no acordo próprio confere caráter remuneratório ao pagamento de PLR, sobre o qual incidem contribuições previdenciárias.
CONVENÇÃO OU ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. PARTICIPAÇÃO DE ENTIDADE SINDICAL. AUSÊNCIA. INCIDÊNCIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
É obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho e apenas no caso de os empregados não estarem organizados em sindicato, ou na recusa deste, é que a negociação poderá ser feita pela federação ou, na falta desta, pela confederação respectiva, ou mesmo diretamente pelos próprios empregados. A ausência do representante do sindicato no acordo próprio confere caráter remuneratório ao pagamento de PLR, sobre o qual incidem as contribuições previdenciárias.
PLR. VERIFICAÇÃO DA LEGALIDADE. LANÇAMENTO.
Para que se constate a incidência das contribuições previdenciárias, basta a simples comprovação de que as verbas pagas pela impugnante a título de PLR não se enquadram na moldura legal cujo atendimento é indispensável à desvinculação desses pagamentos do conceito de remuneração e este procedimento não guarda vínculo com a desconsideração de negócio jurídico, mas afasta a alegação da sua presunção.
ADICIONAL DE 2,5%. INCRA. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA 2 DO CARF.
É vedado à autoridade administrativa conhecer de alegações relativas à constitucionalidade de normas tributárias em vigor e eficazes.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL
A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
Numero da decisão: 2201-003.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro, José Alfredo Duarte Filho que dava provimento parcial. Apresentará declaração de voto o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 05/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro, José Alfredo Duarte Filho que dava provimento parcial. Apresentará declaração de voto o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 05/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 99. As contribuições previdenciárias se sujeitam a contagem do prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4º, do CTN quando da existência das condições previstas no dispositivo legal. Cabimento, no caso concreto, das disposições da Súmula nº 99 do CARF. PLR. NEGOCIAÇÃO PRÉVIA. CRITÉRIOS CLAROS E OBJETIVOS. INEXISTÊNCIA. CARÁTER REMUNERATÓRIO DO PAGAMENTO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Estão sujeitos à incidência das contribuições previdenciárias os pagamentos realizados a título de PLR quando efetuados em desacordo com as regras estabelecidas na Lei nº 10.101/10. Não atendem as exigências dessa lei acordos firmados ao fim do ano-calendário de referência e que não contenham regras claras e objetivas quanto aos critérios a serem adotados para o pagamento da verba. PLR. ACORDO COM COMISSÃO DE EMPREGADOS. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. EFEITO RETROATIVO. IMPOSSIBILIDADE. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO LEGAL. CARÁTER REMUNERATÓRIO DO PAGAMENTO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. É contrária à natureza jurídica do PLR a tentativa de conferir efeitos retroativos à norma coletiva para regular situação fática já consumada no tempo, pois as normas e condições de trabalho negociadas de comum acordo entre as partes convenentes criam direitos e obrigações entre elas somente a partir do momento em que foi firmado o instrumento coletivo na forma da lei. Acordo próprio ou convenção coletiva de trabalho, firmados ao final do exercício fiscal e que fixem o pagamento de PLR com fundamento em fatos retroativos, não atendem o requisito legal de previsibilidade (Lei nº 10.101/00, Art. 2º, §1º, II) exigido para a não incidência da contribuição previdenciária patronal (Lei nº 8.212/91, Art. 28, §9º, j), o que torna o pagamento a esse título um rendimento do empregado, passível de incidência da contribuição. ACORDO COM COMISSÃO DE EMPREGADOS. PARTICIPAÇÃO DE ENTIDADE SINDICAL. AUSÊNCIA. INCIDÊNCIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. No caso de a participação nos lucros ou resultados ser negociada por uma comissão escolhida pelas partes (Lei nº 10.101/00, Art. 2º, I), é imperativo legal que dela participe um representante indicado pelo sindicato da categoria profissional dos empregados. A ausência do representante do sindicato no acordo próprio confere caráter remuneratório ao pagamento de PLR, sobre o qual incidem contribuições previdenciárias. CONVENÇÃO OU ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. PARTICIPAÇÃO DE ENTIDADE SINDICAL. AUSÊNCIA. INCIDÊNCIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. É obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho e apenas no caso de os empregados não estarem organizados em sindicato, ou na recusa deste, é que a negociação poderá ser feita pela federação ou, na falta desta, pela confederação respectiva, ou mesmo diretamente pelos próprios empregados. A ausência do representante do sindicato no acordo próprio confere caráter remuneratório ao pagamento de PLR, sobre o qual incidem as contribuições previdenciárias. PLR. VERIFICAÇÃO DA LEGALIDADE. LANÇAMENTO. Para que se constate a incidência das contribuições previdenciárias, basta a simples comprovação de que as verbas pagas pela impugnante a título de PLR não se enquadram na moldura legal cujo atendimento é indispensável à desvinculação desses pagamentos do conceito de remuneração e este procedimento não guarda vínculo com a desconsideração de negócio jurídico, mas afasta a alegação da sua presunção. ADICIONAL DE 2,5%. INCRA. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA 2 DO CARF. É vedado à autoridade administrativa conhecer de alegações relativas à constitucionalidade de normas tributárias em vigor e eficazes. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 99. As contribuições previdenciárias se sujeitam a contagem do prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4º, do CTN quando da existência das condições previstas no dispositivo legal. Cabimento, no caso concreto, das disposições da Súmula nº 99 do CARF. PLR. NEGOCIAÇÃO PRÉVIA. CRITÉRIOS CLAROS E OBJETIVOS. INEXISTÊNCIA. CARÁTER REMUNERATÓRIO DO PAGAMENTO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Estão sujeitos à incidência das contribuições previdenciárias os pagamentos realizados a título de PLR quando efetuados em desacordo com as regras estabelecidas na Lei nº 10.101/10. Não atendem as exigências dessa lei acordos firmados ao fim do anocalendário de referência e que não contenham regras claras e objetivas quanto aos critérios a serem adotados para o pagamento da verba. PLR. ACORDO COM COMISSÃO DE EMPREGADOS. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. EFEITO RETROATIVO. IMPOSSIBILIDADE. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO LEGAL. CARÁTER REMUNERATÓRIO DO PAGAMENTO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. É contrária à natureza jurídica do PLR a tentativa de conferir efeitos retroativos à norma coletiva para regular situação fática já consumada no tempo, pois as normas e condições de trabalho negociadas de comum acordo entre as partes convenentes criam direitos e obrigações entre elas somente a partir do momento em que foi firmado o instrumento coletivo na forma da lei. Acordo próprio ou convenção coletiva de trabalho, firmados ao final do exercício fiscal e que fixem o pagamento de PLR com fundamento em fatos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 01 31 /2 01 4- 78 Fl. 1708DF CARF MF 2 retroativos, não atendem o requisito legal de previsibilidade (Lei nº 10.101/00, Art. 2º, §1º, II) exigido para a não incidência da contribuição previdenciária patronal (Lei nº 8.212/91, Art. 28, §9º, “j”), o que torna o pagamento a esse título um “rendimento” do empregado, passível de incidência da contribuição. ACORDO COM COMISSÃO DE EMPREGADOS. PARTICIPAÇÃO DE ENTIDADE SINDICAL. AUSÊNCIA. INCIDÊNCIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. No caso de a participação nos lucros ou resultados ser negociada por uma comissão escolhida pelas partes (Lei nº 10.101/00, Art. 2º, I), é imperativo legal que dela participe um representante indicado pelo sindicato da categoria profissional dos empregados. A ausência do representante do sindicato no acordo próprio confere caráter remuneratório ao pagamento de PLR, sobre o qual incidem contribuições previdenciárias. CONVENÇÃO OU ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. PARTICIPAÇÃO DE ENTIDADE SINDICAL. AUSÊNCIA. INCIDÊNCIA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. É obrigatória a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho e apenas no caso de os empregados não estarem organizados em sindicato, ou na recusa deste, é que a negociação poderá ser feita pela federação ou, na falta desta, pela confederação respectiva, ou mesmo diretamente pelos próprios empregados. A ausência do representante do sindicato no acordo próprio confere caráter remuneratório ao pagamento de PLR, sobre o qual incidem as contribuições previdenciárias. PLR. VERIFICAÇÃO DA LEGALIDADE. LANÇAMENTO. Para que se constate a incidência das contribuições previdenciárias, basta a simples comprovação de que as verbas pagas pela impugnante a título de PLR não se enquadram na moldura legal cujo atendimento é indispensável à desvinculação desses pagamentos do conceito de remuneração e este procedimento não guarda vínculo com a desconsideração de negócio jurídico, mas afasta a alegação da sua presunção. ADICIONAL DE 2,5%. INCRA. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. SÚMULA 2 DO CARF. É vedado à autoridade administrativa conhecer de alegações relativas à constitucionalidade de normas tributárias em vigor e eficazes. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1709DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.645 3 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro, José Alfredo Duarte Filho que dava provimento parcial. Apresentará declaração de voto o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 05/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1.482/1.565) interposto contra decisão da DRJFlorianópolis (fls. 1.421/1.462) que julgou procedente em parte a Impugnação e manteve em parte o crédito tributário lançado através dos Autos de Infração DEBCAD nº 51.025.6287 (fls. 691/701) e nº 51.025.6295 (fls. 702/711) nos valores de R$ 17.755.976,18 e R$ 2.014.158,98, respectivamente, já acrescidos de multa de ofício (75%), além de multa e juros moratórios lavrados em decorrência de procedimento fiscal realizado nos registros do Recorrente (fls. 29/32) – precedido de Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.66.002012 003135 (fls. 03) e Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 04) – relativos às Contribuições devidas à Previdência Social, da seguinte forma: a. DEBCAD 51.025.6287: Contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa (patronal), considerando como base de cálculo as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados a título de PLR nos períodos de fevereiro, março, junho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2009; e a contribuição correspondente ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (RAT); b. DEBCAD 51.025.6295: Contribuições sociais destinadas a outras entidades e fundos (Salário Educação e INCRA), que foram apuradas utilizando como base de cálculo as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados no período de apuração de janeiro a dezembro de 2009. Fl. 1710DF CARF MF 4 A fiscalização esclarece ter verificado pagamentos de valores classificados como “Participação nos Lucros ou Resultados (PLR)” sem o atendimento dos requisitos legais estabelecidos pela Lei nº 10.101/2000, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, além de pagamentos de rendimentos a diretoresempregados sobre os quais não foram recolhidas integralmente as contribuições sociais devidas, noticiando, mais pormenorizadamente, o quanto relatado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em FlorianópolisSC 6ª Turma da DRJ/FNS, cujo trecho, pela clareza e pormenores, adoto como parte fundamental deste relatório, a seguir transcrito: “I) Pagamentos de PLR em mais de duas vezes no mesmo ano civil Segundo a fiscalização, os pagamentos a titulo de PLR no período fiscalizado foram realizados com base em Convenções Coletivas de Trabalho (CCT) sobre participação dos empregados nos lucros ou resultados dos bancos em 2008 e 2009 e em programas de participação nos lucros ou resultados firmados entre o banco fiscalizado e os seus empregados, representados por Comissão de Empregados, para os anos 2008 e 2009, tendo sido verificado que tais pagamentos desatenderam à disciplina prevista no § 2º do art. 3º da Lei n.º 10.101, de 2000, que veda expressamente o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil ou quando pago por mais de duas vezes no mesmo ano civil. II) Acordo sobre Programa de PLR assinado ao final do período Também de acordo com a fiscalização, o segundo instrumento de negociação (programa) possui vigência retroativa e, portanto, não foi elaborado antes do início do período a que se referem os lucros ou resultados, como exige a lei, pelo que entendeu a autoridade autuante que os empregados, durante todo o ano de 2009, ou mais precisamente até 21/12/2009, desconheciam completamente os requisitos a que deveriam atender para fazer jus ao recebimento da verba referente à PLR, uma vez que os critérios e condições para o recebimento da PLR só foram estabelecidos posteriormente, no final do período a que se referiam, demonstrando a ausência de prévia negociação, o que fere diretamente os ditames legais. A este quadro aduz a fiscalização que, de acordo com o documento apresentado pela empresa intitulado "Comunicado", datado de 15/12/2009, somente nesta data os empregados do banco foram convocados a participar da escolha dos representantes que iriam compor a Comissão de Negociação para discutir e aprovar o programa de PLR a ser aplicado no exercício de 2009, em razão de que concluiu a autoridade autuante que, até a data de 15/12/2009, não se havia iniciado qualquer negociação de PLR e assim, para o ano de 2009, não há que se falar em metas preestabelecidas. III) Acordo sobre Programa de PLR sem participação do Sindicato Relata, ainda, a fiscalização que os empregados do banco fiscalizado são representados pelo Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região na sua base territorial, mas, no entanto, nenhum dos Acordos sobre Programas Próprios de PLR contou com a participação de um representante desse sindicato. Aduz a fiscalização que, durante o procedimento fiscal, o sujeito passivo apresentou uma carta (sem comprovação de seu envio e/ou recebimento), datada de 09/11/2007, endereçada ao Sindicato dos Bancários e Fl. 1711DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.646 5 Financiários de São Paulo (doravante denominado Sindicato da Categoria), solicitando o comparecimento de um representante desse Sindicato para participar da Reunião de Negociação e Aprovação do Programa de PLR, a ser realizada no dia 27/11/2007. Relata a autoridade autuante que também foi apresentada carta, datada de 20/12/2007, enviada ao Sindicato da Categoria, segundo a qual: em 09/11/2007, o banco convocou o citado sindicato a participar da reunião de negociação do programa de PLR a ser realizada em 27/11/2007 em sua sede. O convite foi recepcionado pelo Sindicato no dia 14/11/2007 (recepção não comprovada). Contudo, não houve indicação e nem acompanhamento de um representante sindical na referida reunião e, de acordo com a mencionada carta, sem razões que justificassem a referida ausência. Relata, ainda, a fiscalização que, nessa mesma carta, o banco asseverou que, por não restar alternativa que justificasse o adiamento da reunião de negociação do programa de participação nos lucros ou resultados, foi constituída a Comissão de Empregados e ato contínuo fixadas as regras requeridas pela legislação, objetivando não prejudicar os empregados do Banco e que, após serem observadas todas as formalidades requeridas pela lei, houve a tentativa de arquivar cópia do referido Programa junto ao Sindicato, ocasião em que foram surpreendidos com a recusa no recebimento do mencionado documento. Em razão disso, descreve a autoridade autuante que, de acordo com o banco fiscalizado, para que não fosse alegada nenhuma omissão quanto ao cumprimento das formalidades legais e visando a proteção dos direitos tanto dos empregados quanto do banco em relevo, foi providenciada Notificação Extrajudicial (registro n° 003.340.819), de 21/12/2007, ocasião em que a correspondência ora tratada foi entregue com Aviso de Recebimento em 24/12/2007, com o fito de dar ciência e publicidade do acordo celebrado entre as partes interessadas. Relata, ainda, a fiscalização que foi apresentada uma carta, datada de 23/12/2009, enviada ao Sindicato da Categoria, segundo a qual: em 14/12/2009, o banco convocou o citado sindicato a participar da reunião de negociação do programa de PLR a ser realizada em 21/12/2009 em sua sede. O convite foi recepcionado pelo Sindicato no dia 16/12/2009 (recepção não comprovada), porém não houve indicação e nem acompanhamento de um representante sindical na referida reunião. No ponto destacou a fiscalização o seguinte excerto constante da carta sob apreço: "Registrese que no início do ano de 2009 (no mês de abril de 2009) o Banco procurou o Sindicato com o intuito de firmar um instrumento coletivo chegando inclusive a submeter ao Sindicato, via eletrônica, uma sugestão de texto para o Programa, nos moldes do Programa então vigente, e que já abrange todos os Empregados do Banco. Não obtivemos retorno". Segundo a fiscalização, nessa mesma carta, o banco asseverou também que, por não restar alternativa que justificasse o adiamento da reunião de negociação do programa de participação nos lucros ou resultados, foi constituída a Comissão de Empregados e ato contínuo fixadas as regras Fl. 1712DF CARF MF 6 requeridas pela legislação, objetivando não prejudicar os empregados do Banco; Em razão disso, descreve a autoridade autuante que, de acordo com o banco fiscalizado, para que não fosse alegada nenhuma omissão quanto ao cumprimento das formalidades legais e visando a proteção dos direitos tanto dos empregados quanto do banco em relevo, foi providenciada Notificação Extrajudicial (registro n° 001.729.761), de 29/12/2009, ocasião em que a correspondência ora tratada foi entregue com Aviso de Recebimento em 30/12/2009, com o fito de dar ciência e publicidade do acordo celebrado entre as partes interessadas. Da análise conjugada das cartas supramencionadas com os programas, destacou a fiscalização o que segue: a) Com relação à prorrogação do Programa Próprio de 2007 para o ano de 2008, não houve participação do sindicato da categoria. A empresa não efetuou qualquer convite/comunicação de tal fato ao sindicato, nem efetuou o arquivamento do documento que deliberou essa prorrogação do programa na entidade sindical; b) Não houve o arquivamento na entidade sindical do Programa Próprio de 2007, por recusa do sindicato da categoria; c) Não restou comprovado o arquivamento na entidade sindical do Programa Próprio de 2009 (celebrado em 21/12/2009); d) A despeito do Programa Próprio, de 2009 arrolar dentre as "Partes" o Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, devese atentar que o mesmo não é parte do programa celebrado, tendo sido apenas convidado segundo a empresa; e) Todas as negociações dos Programas de PLR para 2007, 2008 e 2009, foram realizadas sem a participação do Sindicato da Categoria. Segundo a autoridade autuante, ainda que a entidade sindical tenha permanecido silente, tal fato não supre a obrigatoriedade do representante do Sindicato da Categoria na referida negociação, requisito este exigido por lei, uma vez que a intenção legislativa foi a de proteger o direito dos empregados: a) ao exigir a participação de um representante do sindicato da categoria nas negociações quando o instrumento destas for uma comissão escolhida pelas partes, e b) ao prever que o acordo celebrado seja arquivado no sindicato. Tais mandamentos, no entanto, não foram observados. IV) Inexistência de Regras Claras e Objetivas nos Instrumentos de Negociação No ponto, relata a fiscalização que, em 04 de abril de 2013, junto à carta datada de 01/04/2013, e conforme os itens 02 e 03 desta, foram apresentados pela empresa os contratos de metas e "planilha com a composição do cálculo dos valores pagos a título de PLR" (na verdade foram entregues duas planilhas). Segundo a autoridade autuante, os contratos de metas apresentados não podem ser assim considerados, devido às seguintes irregularidades: a) nenhum deles traz a assinatura do empregado e/ou do gestor; b) nenhum deles demonstra a data de estipulação das regras acordadas; Fl. 1713DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.647 7 c) nenhum deles contém a data de ciência de tais regras nem do contrato em si por parte dos empregados, sendo impossível a comprovação de quando os empregados tomaram conhecimento das metas envolvidas no pagamento. Já no que se refere às planilhas com a composição do cálculo dos valores pagos a título de PLR, relata a fiscalização ter verificado que em alguns casos há utilização de alíquotas absurdamente superiores àquelas estipuladas como máximo nos Anexos II dos Programas Próprios, uma vez que, conforme referidos anexos, a maior alíquota possível é de 15%, porém constam das planilhas alíquotas de 79,87%; 73,68%; 84,60% e 77,95%. A este quadro aduz a autoridade lançadora que tampouco foi demonstrado pela contribuinte como foram obtidos os valores constantes das colunas "Resultado 1" e "Resultado 2". Ressalta, ainda, a autoridade autuante que a escolha de critérios subjetivos aplicados na determinação do cumprimento das metas, por serem impossíveis de aferição a posteriori por critérios objetivos, conforme preconiza o § 1° do art. 2º da Lei n° 10.101, de 2000, também descaracteriza a natureza não remuneratória das verbas pagas a título de participação nos lucros ou resultados, pois, o quantum a ser distribuído a cada empregado deve comportar a possibilidade de aferição objetiva, sem depender de critérios subjetivos de avaliação. Segundo a fiscalização, todos os problemas até aqui relatados, como periodicidade dos pagamentos de PLR inadequada, retroatividade da vigência de programa, programas próprios que não contam com a participação do representante sindical da categoria profissional, metas que não foram pactuadas previamente, ausência de regras claras e objetivas, dentre outros, são fatos acessórios em relação àquele que parece ser o principal, qual seja o fato de ser típico da atividade da empresa — setor bancário o pagamento de remunerações variáveis/bônus por meio de PLR. No ponto, destaca a fiscalização que, do exame das folhas de pagamento, observaramse diversos casos em que a verba paga a título de PLR aos empregados excedia em dezenas de vezes o valor do saláriobase (do ordenado) do próprio empregado, como destacados por amostragem no Demonstrativo PLR x Ordenado. Há casos em que o valor da PLR excede em mais de cinquenta vezes o saláriobase do funcionário. Cabe ressaltar que da leitura dos programas e dos seus anexos, não foi verificada a possibilidade da verba paga a título de PLR alcançar valores tão vultosos. Segundo a autoridade autuante, percebese claramente que, na realidade, as verbas pagas pela empresa a título de PLR nada mais são do que instrumento de premiação/gratificação/bonificação ou qualquer que seja a sua nomenclatura, travestido de PLR, com nítido caráter retributivo e em substituição salarial. Aduz a autoridade lançadora que muitos empregados receberam valor superior à sua remuneração anual, na forma de PLR, sem incidência de contribuição social alguma, sendo evidente que tais pessoas não estão prestando serviços à empresa por conta do salário "oficial" pelo qual foram contratadas, pois a verdadeira remuneração dessas pessoas não é o salário "oficial" que recebem e sim os valores exorbitantes travestidos de "participações nos resultados". Fl. 1714DF CARF MF 8 Pondera a autoridade autuante ser consenso que os profissionais do mercado financeiro, principalmente os de níveis gerenciais e acima, são remunerados pelo sucesso nas operações que realizam e, nesse sentido, muitas vezes a remuneração variável passa a ser muito mais relevante do que o salário contratual. Ocorre que, quando a suposta "participação nos lucros ou resultados" paga pela empresa aos seus funcionários sobrepuja e é tão ou mais relevante do que o próprio saláriobase contratado com a empresa, resta evidenciada a existência de substituição de remuneração. Esse fato contraria claramente o caput do art. 30 da Lei n° 10.101, de 2000, que prevê que a participação não substitui ou complementa a remuneração, visto que, como evidenciado acima, para muitos empregados beneficiários, a PLR passa a ser a remuneração principal e, como tal, integra o salário de contribuição, pelo que, por mais esse motivo, a fiscalização considerou demonstrado que as verbas a título de PLR foram pagas aos empregados da empresa em desacordo com a Lei n° 10.101, de 2000. V) Remuneração dos diretores empregados No ponto, relata a fiscalização que, da análise das GFIP apresentadas pela empresa, verificouse que todos os diretores foram enquadrados como contribuintes individuais quando do preenchimento da informação relativa à categoria do trabalhador. Alguns foram enquadrados com o código 05 Contribuinte individual Diretor não empregado com FGTS e outros com o código 11 Contribuinte individual Diretor não empregado e demais empresários sem FGTS. Em suma, de acordo com a GFIP, nenhum dos diretores era empregado do banco e, em virtude disso, a empresa efetuou o recolhimento da contribuição social patronal à alíquota de 22,5% sobre o total das remunerações pagas aos diretores, nos moldes do que disciplina a Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991. No entanto, relata, ainda, a autoridade autuante que, durante o procedimento fiscal foi constatado o pagamento de verbas a título de férias e de décimo terceiro salário aos diretores (com exceção do Sr. Tito Enrique da Silva Neto), verbas estas típicas de uma relação empregatícia e, por esse motivo, a empresa foi intimada a esclarecer a situação e a natureza jurídica do vínculo laboral de seus diretores. Em resposta à intimação, na Carta datada de 08 de agosto de 2013, entregue nessa mesma data, a empresa informou que os diretores eram empregados e que, por equívoco, foram enquadrados na GFIP como contribuintes individuais, quando, ao revés disso, deveria ter sido utilizado o código 01 — Empregado, em razão de que a fiscalização concluiu que a empresa não recolheu todas as contribuições sociais devidas incidentes sobre a remuneração de seus diretores, empregados, o que ensejou a cobrança do que não foi recolhido. Inconformada com os lançamentos, a contribuinte juntou a documentação colacionada às fls 933 a 1346 e apresentou a impugnação de fls. 875 a 932, onde, em síntese: Noticia que pagou a parcela do crédito tributário que foi exigida pelo fato de ter equivocadamente informado na GFIP a remuneração de diretores empregados como remuneração paga a contribuintes individuais, em razão de que requer o reconhecimento da extinção parcial do crédito tributário relativo ao levantamento "DE Diretores Empregados" constantes dos autos de infração para o período de fevereiro a dezembro/2009, haja vista que os Fl. 1715DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.648 9 pagamentos foram realizados nos exatos termos do disposto no artigo 28 da Lei n.° 11.941, de 2009, e bem assim de acordo com o artigo 156, I, do Código Tributário Nacional (CTN); Ademais disso, alega que, tendo em conta que parte das “contribuições previdenciárias, patronal, RAT, FNDE e Incra e a multa por descumprimento de obrigação acessória” se referem a fato gerador ocorrido em 02/2009, isto é, pagamentos de PLR realizados entre os dias 20/02/2009 e 25/02/2009 (Doc. 04 informativo de pagamento comprovante de retorno do banco), e a intimação das autuações fiscais ocorreu apenas no dia 26/02/2014, o crédito tributário está parcialmente extinto pela decadência, nos termos do artigo 150, § 4°; do Código Tributário Nacional (CTN); Alega que o mesmo ocorre com o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos em janeiro de 2009, em razão de a contribuinte ter deixado de recolher contribuições sociais incidentes sobre a remuneração de seus diretores empregados, uma vez que, ultrapassado o período de cinco anos, configurase a decadência, também nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN; Em outro plano, alega que a cobrança de juros sobre a multa de mora, que se verifica no cálculo da RFB para atualização dos créditos tributários objeto do presente processo, desrespeita o princípio constitucional da legalidade, expressamente previsto nos artigos 5º, II, e 37 da Constituição Federal, ao que transcreve excertos de decisões administrativas coligidas junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e Conselho Superior de Recursos Fiscais (CSRF) que versaram sobre a incidência de juros de mora sobre a multa lançada de ofício; Relativamente ao pagamento de verbas aos empregados a título de PLR, alega ser evidente que a autoridade autuante, muito embora não o tenha explicitado, buscou recurso no permissivo do artigo 116, parágrafo único, do CTN, porquanto, se há uma PLR validamente ajustada entre a impugnante e seus empregados e se a Constituição Federal nega a natureza remuneratória dos pagamentos realizados a este título, o único meio que poderia, em tese, autorizar a exigência das contribuições previdenciárias combatidas, seria, de fato, a desconsideração daquele Programa, sob o fundamento de que teria sido ajustado com a exclusiva "finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo", no caso, de uma verba remuneratória; Aduz que, no entanto, a jurisprudência do CARF é pacifica no sentido de que a "desconsideração de negócio jurídico demanda a existência de provas contundentes de simulação" e tal não foi observado no caso presente, em que há verdadeira desconsideração sem demonstração, sequer alegação, de simulação/dissimulação, não havendo, a toda a evidência, provas contundentes que pudessem sustentar a desconsideração da PLR, até porque, validamente ajustada entre impugnante e seus empregados, nos precisos termos da legislação de regência; Neste contexto, reclama que fiscalização descaracterizou a PLR por mero palpite ou desconfiança e para nela enxergar o pagamento de bônus/prêmio, o que não se pode admitir, pois, a seu ver, para aferir se os empregados tiveram conhecimento (das regras ou metas) e se os valores pagos corresponderiam, de fato, às metas ajustadas, bastaria uma simples Fl. 1716DF CARF MF 10 diligência à sede da impugnante, para questionar pessoalmente os empregados que participaram da comissão de negociação, além dos que foram avaliados e receberam os pagamentos a título de PLR, ao que aduz que, muito embora esse expediente seja comumente utilizado pela fiscalização da Receita Federal do Brasil, no caso presente, assim não se procedeu, desconsiderandose tanto os documentos entregues (caso das avaliações), quanto à forma de sua realização, em prol de uma tese de invalidade do procedimento de avaliação, que, além de não encontrar sustentação, restringe também o amplo acesso da impugnante ao seu direito constitucional à ampla defesa; Reputa de rematado absurdo imaginar que os empregados da impugnante aceitariam não ter prévio conhecimento das metas estabelecidas nos Programas de PLR, não ter conhecimento do sistema de avaliação e que, ainda assim, aceitassem um valor aleatório a título de PLR, ao que aduz que a Lei n° 10.101, de 2000, não faz qualquer exigência no sentido de que o conhecimento das metas, a avaliação e demais documentos internos da empresa, que dizem respeito à implementação dos Programas de PLR, estejam assinados por todas as partes envolvidas, pelo que, a seu ver, fazer tal exigência extrapola completamente os parâmetros legais sobre a matéria, em flagrante afronta ao artigo 166, IV, do Código Civil, uma vez que os Programas de PLR celebrados pela impugnante revestemse perfeitamente de todos os requisitos previstos em lei, de modo que jamais poderá ser desconsiderado com base em exigências feitas pela fiscalização, completamente alheias a qualquer previsão legal; Alega que a autoridade autuante não indicou em seu relatório a previsão legal que exige a assinatura das partes ou qualquer outro requisito relativo ao documento interno de metas e avaliação, cujo descumprimento poderia invalidar os Programas de PLR celebrados, em razão de que entende que a presente autuação pautouse na alegação fiscal de descumprimento de regras não previstas em nosso ordenamento jurídico; Reclama que todos os pagamentos de PLR realizados pela impugnante decorreram de programas que, ao menos aos olhos das partes integrantes das negociações, possuíam um arcabouço de regras claras e objetivas, previamente pactuadas, cuja elaboração e definição observou os ditames legais e jurisprudência consolidada do CARF, e mesmo que assim não se entenda, alega que os palpites e desconfianças apresentados pela fiscalização não são capazes de invalidar referidos Programas de PLR, além do que a desconsideração dos atos jurídicos sob análise ainda dependeria de regulamentação legal, nos termos do parágrafo único do artigo 116 do CTN, regulamentação esta que ainda não existe; Discorre sobre o preceito constitucional atinente à participação nos lucros ou resultados que se encontra contido no inciso XI do art. 7º da Carta da República e alega que à cláusula segunda dos Programas de PLR sob apreço constam os seguintes objetivos: i) alinhar os objetivos entre o banco e empregados; ii) estimular a performance e a criatividade dos empregados com foco em aumento do resultado para o banco; iii) reconhecer o esforço individual de cada um no alcance de melhores resultados, por intermédio de metas preestabelecidas; e iv) distribuir lucros ou resultados aos empregados, como forma de reconhecimento pelo esforço; Fl. 1717DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.649 11 Argumenta que a natureza jurídica dos valores pagos a título de PLR não depende simplesmente da existência de vínculo de emprego e da prestação de serviço como ocorre com o salário ou a remuneração, mas sim de um concurso de fatores, dentre eles o desempenho da empresa em geral e do empregado, pelo que a distribuição dos lucros e resultados deve ser analisada sob vários ângulos, levandose em conta (i) o envolvimento do trabalhador, (ii) sua integração no desenvolvimento do empreendimento, bem como (iii) na forma de sua distribuição, que contempla a coletividade, baseada em critérios objetivos e subjetivos, ao que aduz que a Lei n.° 10.101, de 2000, trouxe as disposições que vieram a nortear essa negociação, trazendolhe balizamento e contornos orientadores e, bem assim, limitativos, porém, a seu ver só veio a reforçar que cabe ao intérprete garantir ao direito o máximo de eficácia no cumprimento do mandamento constitucional; Argumenta também que a Lei n.° 10.101, de 2000, assegurou que as condições estipuladas para a PLR obedeçam a critérios de publicidade ampla com relação às partes envolvidas, para que as regras sejam claras e possam ser compreendidas pela população dos eventuais contemplados, e previu, também, regras de periodicidade de pagamentos, sendo que tais características foram integral e cabalmente observadas na constituição dos Programas em questão, pelo que se extrai da cláusula oitava de referidos programas, segundo a qual o pagamento feito a título de PLR deve observar as regras do programa e, bem assim, aquelas estabelecidas em seus anexos, assinados pelos representantes do banco e dos empregados, tendo sido estipulado, de acordo com o parágrafo único da citada cláusula, que, para o pagamento da PLR seriam tomados como base: (i) o percentual de atingimento de metas por cada empregado, apurado a partir do respectivo contrato de metas; (ii) o resultado financeiro do banco dentro no (sic) menor grau de quebra, quando possível até mesmo quebra individual, em outros casos de maneira coletiva, conforme especificado no anexo II; e (iii) uma alíquota de distribuição de resultado dividida entre os integrantes de cada uma das áreas discriminadas na cláusula quinta, observado o anexo II e respeitando a estrutura hierárquica do banco, a fim de cumprir com o disposto no artigo 2º, § 1°, incisos I e II, da Lei n.° 10.101, de 2000; Alega que um plano de PLR adotado entre empresa e seus empregados, que decorra de programa ou convenção coletiva ou de comissão eleita ou de política própria, desde que, públicos e não supressivos ou substitutivos da remuneração, é válido e produz regulares efeitos entre as partes e terceiros, pois, a Constituição não permitiu, e a lei também não o fez, que os efeitos próprios da adoção de uma PLR, em quaisquer de suas formas, sejam objetos de desclassificação por quem quer que seja, nem mesmo pelo Poder Público, ao que reitera que a desclassificação/desconsideração de determinado ato jurídico, tais quais os pagamentos realizados pela impugnante a título de PLR, dependia da comprovação da prática do ato com abuso de forma, ou finalidade evasiva, e mediante simulação, conforme descrito no parágrafo único, do artigo 116 do Código Tributário Nacional, com a redação dada pela Lei Complementar n.º 104, de 2001, dispositivo esse cuja aplicação ainda carece de lei regulamentadora; Fl. 1718DF CARF MF 12 Aduz que, na espécie, a fiscalização constatou a regularidade de valores remuneratórios pagos num determinado período (semestre) e o comparou com o valor de PLR distribuído, interpretando que a boa distribuição efetivada denotaria complemento salarial, sem, no entanto, se ater ao conteúdo dos Programas, à atividade da impugnante, nem às circunstâncias que influenciaram o desempenho da impugnante no período, pelo que, a seu ver, a afirmação de que os valores distribuídos teriam natureza remuneratória, retributiva, de substituição salarial, parte de uma presunção fiscal inaceitável para lastrear a lavratura da presente autuação, pois, competia – e compete à fiscalização comprovar a afirmação de que se trataria de substituição salarial, o que não ocorreu e, jamais poderia ocorrer, na medida em que não se tratou de pagamento de verba remuneratória, mas sim de efetiva distribuição dos resultados positivos obtidos pela “companhia”; Em razão disso, entende que a exigência de contribuições sociais sobre tais valores afronta: i) o disposto no artigo 195, I, " a " da Constituição Federal, na medida em que extrapola a hipótese de incidência ali prescrita já que se trata de participação nos lucros e não de remuneração; ii) o disposto no artigo 7º , XI, da Carta Magna que, ao assegurar como direito dos trabalhadores a participação nos lucros e resultados, dispõe expressamente que a participação está desvinculada da remuneração, ou seja não possui natureza remuneratória, afastando, portanto, a incidência de contribuições previdenciárias; iii) o disposto nos artigos 22, 1 e 28, 1 e § 9º, alínea " j ", todos da Lei n.° 8.212, de 1991, que preveem como fato gerador da contribuição previdenciária, devida pela empresa e pelos empregados, o total das remunerações pagas/recebidas destinadas a retribuir o trabalho, excluindo expressamente da tributação os valores recebidos a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica; iv) o parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário Nacional, e; v) os princípios da estrita legalidade e da tipicidade cerrada que informam a tributação; Feitas essas considerações, defendese da imputação de que teria realizado pagamento de antecipação ou distribuição de valores a título de PLR em periodicidade não prevista em lei, ao argumento de que a participação em lucros e resultados prevista nos programas em análise foi, efetivamente, distribuída (paga) nos termos exigidos pela legislação de regência, sendo que os pagamentos aludidos pela fiscalização foram feitos da seguinte maneira: 1) em fevereiro de 2009 foram realizados pagamentos a empregados ativos referente à 2a parcela de PLR, com base no Programa Próprio celebrado em 2008; 2) em março de 2009 foram realizados pagamentos a empregados desligados referente à 2a parcela de PLR, com base no Programa Próprio celebrado em 2008; 3) em agosto de 2009 foram realizados pagamentos a empregados ativos referente à 1a parcela de PLR, com base no Programa Próprio celebrado em 2009; 4) em setembro de 2009 foram realizados pagamentos a empregados desligados referente à 1a parcela de PLR, com base no Programa Próprio celebrado em 2009, e; 5) em outubro de 2009 foram realizados pagamentos a empregados referente à PLR prevista em Convenção Coletiva de Trabalho firmada pelo Sindicato no período; Dado esse contexto, alega que a distribuição de PLR em relevo em momento algum desrespeitou o disposto no § 2º do artigo 3º da Lei n.º 10.101, de Fl. 1719DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.650 13 2000, uma vez que, pelo que se depreende do disposto na cláusula décima do Programa celebrado em 2008, a segunda parcela da PLR relativa ao ano de 2008 seria paga aos empregados apenas em fevereiro de 2009 (item 1) e, em caso de desligamento do empregado, este pagamento seria realizado somente aos empregados desligados, em março de 2009 (item 2); Alega que, da mesma forma, conforme disposto no Programa de PLR relativo a 2009, foi realizado o pagamento da primeira parcela em agosto de 2009 (item 2), sendo que os empregados desligados receberam o valor a título de PLR em setembro de 2009 (item 4), ao que aduz ter realizado também pagamento de PLR aos seus empregados, no período autuado, em conformidade com a previsão contida em Convenção Coletiva de Trabalho celebrada entre o Sindicato representativo da impugnante e o Sindicato representativo de seus empregados, relativamente ao ano de 2009; Transcreve as disposições contidas no inciso II e alínea "a" da cláusula segunda da mencionada Convenção Coletiva, que preveem o pagamento de uma antecipação da PLR no prazo de dez dias após a assinatura da convenção, e em razão de que alega que estava obrigada pelo referido dispositivo a efetuar o pagamento de parcela da PLR, relativamente à Convenção firmada por seu Sindicato Patronal; Ademais disso, alega que nenhum dos empregados da impugnante recebeu mais do que dois pagamentos relativamente a cada Programa de PLR dentro do período mínimo de um ano, em total consonância com a legislação, ao que aduz o argumento de que, para que não restem dúvidas quanto à distinção entre os pagamentos realizados, tornando patente a não infringência à regra estipulada pela legislação e evidenciando que jamais ocorreu mais de dois pagamentos em período inferior a um semestre no mesmo ano civil, basta confrontar os pagamentos realizados aos empregados desligados e aqueles que receberam na data prevista pelo acordo, para verificar que jamais coincidirá o empregado; Alega, ainda, que os pagamentos realizados por força da Convenção Coletiva de Trabalho correspondem a um valor único idêntico para todos os empregados, não havendo que se falar, portanto, em mais de dois pagamentos no mesmo ano; Em outro plano, defendese da imputação de que os Programas Próprios de participação nos lucros ou resultados, por terem sido assinados apenas ao final de seus períodos de vigência, não estariam de acordo com os requisitos estipulados pela Lei n° 10.101, de 2000, ao argumento de que, em relação ao ano de 2008, não há que se falar em qualquer questionamento relativo à data de assinatura do programa, haja vista que esta ocorreu em 30 de novembro de 2007, valendo também para o período de 2008, ou seja, para esse ano a assinatura ocorreu antes mesmo do início do período aquisitivo; Ademais disso, argumenta que não é a data da assinatura do Programa de PLR que denota ou comprova quando iniciaram as negociações entre as partes, uma vez que a assinatura das partes no documento apenas evidencia o acordo final a que chegaram após todo o trâmite previsto pela legislação a todo e qualquer acordo de participação nos lucros e resultados, ao que aduz que a data da assinatura traz consigo uma série de fatos que, apesar de não estarem explicitados, não podem ser reputados como inexistentes; Fl. 1720DF CARF MF 14 Nesse rumo, alega que antes mesmo da assinatura do Programa de PLR, a impugnante já havia dado conhecimento aos seus empregados (internamente) de quais eram os critérios, as metas e as condições para o pagamento de PLR, não existindo, portanto, margem para a alegação de ausência de prévias negociações, sem o que a comissão de empregados não tem condições de aquilatar os benefícios e restrições carreados pelo Programa que foram chamados a avaliar; Alega que emitiu mensagens de divulgação interna para os empregados sobre o cumprimento das metas e início do período de avaliações relativas ao Programa de2009, pelo que durante todo o ano de 2009 os empregados tinham conhecimento e tomaram parte nas tratativas para a celebração do Programa de PLR; Destaca que, além disso, as características, os critérios e as condições do Programa de PLR mencionado são extremamente semelhantes (senão idênticas) aos Programas de PLR celebrados em anos anteriores, o que significa dizer que os empregados já tinham conhecimento dos critérios, metas e métodos utilizados na distribuição de PLR; Reclama que somente uma visão parcial dos fatos poderia sustentar a hipótese segundo a qual a Comissão de Empregados pudesse ser chamada a avaliar, aprovar e assinar o Programa de PLR na data em que este lhe fosse apresentado pela impugnante e sem qualquer poder de crítica sobre seu conteúdo, ao que aduz que a Lei n° 10.101, de 2000, exige que a distribuição de PLR decorra de um procedimento de negociação, mas sem indicar quando esta negociação pode ou deve ocorrer, uma vez que, a seu ver, a análise sistemática da lei indica que a negociação deve anteceder ao pagamento, o que foi observado pela impugnante; Transcreve excertos de decisões administrativas coligidas junto ao CARF que esposam referido entendimento e reitera que, havendo pleno conhecimento dos empregados quanto às metas claras e objetivamente estipuladas e, bem assim, conhecimento sobre o sistema de avaliação adotado, ainda que assim não fosse, a data da assinatura do acordo jamais poderia ser considerada como descumprimento de requisito para a sua validade, ao que aduz que o Programa Próprio de PLR objeto da autuação foi assinado antes da aferição e divulgação do atingimento das metas e resultados pela impugnante, sendo que o pagamento da participação somente ocorreu após a assinatura e realização do lucro, não havendo que se falar em descumprimento de qualquer requisito do acordo ou da legislação vigente; No que tange à imputação de ausência de participação do Sindicato dos empregados da impugnante nas negociações, alega que, seguindo a dicção do artigo 2º, inciso I, da Lei n.° 10.101, de 2000, convocou o Sindicato para participar das negociações que culminaram com a assinatura dos Programas de PLR nos anos de 2008 e 2009, mas que o Sindicato recusouse a participar; Mais precisamente, alega que, buscando a renovação de seu Programa de PLR celebrado em 2007, antes mesmo do início do ano de 2008, convocou o Sindicato para participar de Reunião de Negociação e aprovação do Programa de PLR (vide carta datada de 09 de novembro de 2007), o qual, entretanto, não compareceu, em razão de que, colimando resguardar o direito de seus empregados e, bem assim, em cumprimento do disposto na Lei Fl. 1721DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.651 15 10.101, de 2000, encaminhou uma via do acordo de PLR celebrado em 27/11/2007 para arquivo na entidade sindical, o qual foi devidamente recepcionado, conforme Notificação Extrajudicial n° 003.340.819; Aduz que, da mesma forma, com relação ao ano de 2009, a impugnante contatou o Sindicato para discutir os termos do Programa de PLR a ser celebrado com seus empregados (vide email datado de 27/04/2009) e, por não ter obtido qualquer retorno, encaminhou ao Sindicato a notificação extrajudicial n° 001.729.760, informando que havia procurado o Sindicato, porém, sem retorno e, colimando resguardar o direito de seus empregados, prosseguiu com a discussão das metas e termos do Programa de PLR internamente com a Comissão de Empregados; Alega que, apesar dos diversos contatos feitos, nenhum representante do Sindicato compareceu na negociação que culminou no acordo assinado em 21/12/2009, pelo que, conhecedora da legislação de regência, a impugnante encaminhou uma via do referido acordo de PLR, para arquivamento na entidade sindical, o qual foi devidamente recebido, conforme Notificação Extrajudicial n° 001.729.761 e, bem assim, adotou o mesmo procedimento em relação ao Ministério do Trabalho, apresentando cópia do Programa de PLR celebrado à Subdelegacia Regional do Trabalho em 15/03/2010; Dado este quadro, argumenta que, se o Sindicato representativo da categoria de seus empregados não se manifesta no sentido de tutelar o interesse de seus sindicalizados, a impugnante, ao prosseguir com a negociação e celebração dos Programas de PLR, apenas privilegiou os interesses dos seus empregados em detrimento da conduta adotada pela entidade sindical que assim deveria proceder; Nesse norte, entende que, ainda que exista a previsão legal que determina a presença do Sindicato da respectiva categoria profissional na comissão escolhida pelas partes envolvidas, é evidente que tal norma deve ser flexibilizada quando ocorre a recusa por parte do Sindicato, como ocorreu no caso vertente, sob pena de cerceamento do direito das partes de negociarem a PLR mediante a formação de comissão, como autoriza a legislação de regência, pelo que, a seu ver, não há que se falar em desqualificação dos planos em análise por ofensa ao artigo 2º, inciso I da MP n.º 1.698, de 1998, e tampouco do artigo 2º, inciso I e § 2º, da Lei n.° 10.101, de 2000; Quanto à imputação de inexistência de regras claras e objetivas nos instrumentos de negociação, alega que o Contrato de Metas individual, que consta do Anexo I dos Programas de PLR em relevo, indicou claramente o método de avaliação descrevendo as metas a serem atingidas por cada empregado em cada uma das áreas da empresa; Reclama que em momento algum foi levada em consideração pela autoridade autuante a real complexidade de observação e mensuração da multiplicidade de funções, áreas, capacidades e estratégias de uma instituição financeira que, em tese, poderiam impossibilitar a fixação de regras claras e objetivas para implantação de um Programa de PLR e, por conseguinte, também foi ignorado o fato de que, a despeito de tamanha complexidade, as partes acordaram e foram capazes de estabelecer regras claras e objetivas para todas e quaisquer situações dos empregados; Fl. 1722DF CARF MF 16 Ademais disso, alega que as metas definidas pelo acordo em questão não são subjetivas, mas ainda que assim fossem, isto não invalidaria o acordo firmado segundo o entendimento veiculado em diversas decisões administrativas coligidas junto ao CARF, ao que aduz que, muito embora a Receita Federal se coloque como uma espécie de validador das condições pactuadas na PLR, os requisitos de clareza e objetividade estabelecidos na legislação, a seu ver, não se destinam ao Fisco Federal, que é parte totalmente estranha ao ajuste pactuado, mas, exclusivamente, para seus reais interessados que são a empresa e seus empregados; Argumenta que, se empregador e empregado consideraram que as cláusulas dos Programas de PLR estão suficientemente claras e objetivas a ponto de permitirlhes a celebração dos Programas, o Fisco não tem qualquer poder ou competência para intervir nessas relações, notadamente cinco, seis, ou até sete anos depois de entabuladas, para estabelecer, ele próprio, seus conceitos acerca do que seja essa clareza e objetividade e muito menos para descaracterizar a natureza que a lei lhes atribui sem a contrapartida de uma evidência cabal em qualquer dos autos de infração da existência de vícios que, na forma da lei, podem contaminar a validade daqueles atos jurídicos; Aduz que, não obstante conste dos Programas sob apreço a clara previsão de metas relacionadas aos índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, como definido pela Lei n° 10.101, de 2000, o próprio diploma legal prevê que poderão ser definidos outros critérios e condições, na linha, também, do que já foi decidido pelo CARF, e destaca que, relativamente à avaliação dos empregados, a cláusula sexta de ambos os Programas de PLR estabelece que o programa conta com um contrato de metas, conforme modelo que representa o Anexo I deste documento, que deve ser estabelecido de comum acordo entre o empregado e sua respectiva chefia no inicio do período de apuração (que será semestral), além do que estabelece que este contrato de metas tem duas partes, sendo a primeira composta por metas quantitativas e a segunda por metas qualitativas; Alega que, na prática, os pagamentos de PLR pautaramse, efetivamente, na avaliação individual de cada empregado, para aferir se eles atingiram os critérios objetivos e subjetivos componentes de sua respectiva meta, e essa avaliação se converteu no montante pago a título de PLR, contrariamente ao que sustenta o Relatório Fiscal, além do que, em que pese tais fichas (de avaliação) não estarem assinadas pelos empregados, alega que inexiste na legislação vigente dispositivo que estabeleça a necessidade de assinatura nos documentos internos pertinentes ao atingimento de metas e avaliações dos empregados, sendo que, conforme se pode notar das telas extraídas do sistema interno da impugnante, as avaliações individuais encontramse disponíveis a todos os empregados por meio eletrônico, evidenciando, assim, a razão de tais documentos não estarem individualmente assinados; Ressalta, ainda, que, além do acesso às avaliações, por intermédio de seu sistema interno, a impugnante disponibiliza a seus empregados diversas informações, tais como os Contratos de Metas firmados, pelo que, diferentemente do que sustenta a fiscalização, não há que se falar em necessidade de assinatura individual em cada uma das fichas para validar tais documentos, uma vez que (i) inexiste previsão legal para tanto e (ii) tais documentos são disponibilizados eletronicamente a todos os empregados; Fl. 1723DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.652 17 Reproduz exemplo de demonstrativo que alega espelhar as avaliações dos empregados no período e alega que a distribuição de PLR foi paga aos empregados de acordo com a proporção do atingimento de suas metas, sendo que não há qualquer vedação contida na Lei n.° 10.101, de 2000, ou qualquer outra que regule ou tenha regulado a matéria, que limite a distribuição dos lucros ou resultados, de modo que é irrelevante, portanto, o fato destacado pela fiscalização no sentido de que o valor distribuído a título de PLR foi, em determinados casos, maior do que a remuneração normalmente percebida pelo empregado; Argumenta, ainda, que o fato de o montante pago a título de participação superar o valor pago a título de salário revela, na verdade, que tais Programas foram efetivamente praticados, sendo levado a efeito o seu principal objetivo, qual seja compartilhar com os seus empregados os resultados auferidos pela empresa, pois, consoante o espírito constitucional, o pagamento de participação nos resultados da empresa em valores elevados demonstra a efetiva distribuição de riquezas, melhorando a condição social dos indivíduos e estimulando o desenvolvimento econômico de toda a sociedade, pois, tais sujeitos passarão a consumir mais produtos aquecendo toda a cadeia produtiva; Quanto à imputação de que, para efeito do cálculo da PLR de certos empregados, foram aplicadas alíquotas superiores àquelas previstas nos Programas de PLR de 2008 e 2009, alega que as alíquotas mencionadas pela fiscalização constam da Coluna "Alíquota 1" da Planilha contida às fls. 539 e 540 dos presentes autos, e em nada se relacionam com as descritas nos Programas; Alega que as alíquotas a que se refere a autoridade autuante, na verdade, dizem respeito à porcentagem de distribuição de PLR de acordo com o resultado por área (de atividade) na impugnante, conforme disposto no parágrafo único da cláusula oitava do aludido Programa, segundo o qual o pagamento da PLR teria por base (i) o percentual de atingimento de metas por cada empregado, apurado do respectivo contrato de metas; (ii) o resultado financeiro do banco dentro do menor grau de quebra, quando possível até mesmo quebra individual, em outros casos de maneira coletiva, conforme especificado no Anexo II; e iii) uma alíquota de distribuição de resultado dividida entre os integrantes de cada uma das áreas discriminadas na cláusula quinta, observado o Anexo II e respeitando a estrutura hierárquica do banco a fim de cumprir com o disposto no artigo 2º, § 1°, incisos I e II, da Lei n.° 10.101, de 2000; Neste quadro, alega que tal porcentagem referese à proporção de participação de cada empregado nesta distribuição por área, definida de acordo com o salário de cada empregado, pelo que a "alíquota" mencionada pela fiscalização, na verdade, corresponde à proporção de participação com base em seu salário em relação ao total a ser distribuído nesta forma de PLR e, para chegar a tal conclusão, bastaria à fiscalização ter analisado os valores alocados na Coluna "PLR Programa Próprio" e verificado que o valor pago pela impugnante a estes empregados sobre tal rubrica não superou nem mesmo um saláriobase, tornando impossível concluir que as alíquotas praticadas superaram o limite estabelecido no Programa, ao que Fl. 1724DF CARF MF 18 aduz que as alíquotas efetivamente praticadas, conforme indicado na mesma planilha não ultrapassaram 5%, ou seja, estão dentro do limite acordado entre a impugnante e seus empregados; Reclama, ainda, que não há nos autos qualquer prova produzida pelo Fisco de que os pagamentos de PLR tivessem objetivo de substituir ou complementar a remuneração devida aos empregados da impugnante, ao que aduz que os empregados que receberam os maiores valores de PLR são aqueles que, em razão de seus esforços e de suas responsabilidades pessoais, mais contribuíram para a geração dos resultados almejados pela empresa e que em parte foram distribuídos; Argumenta que, se essa distinção não fosse possível, contrariado estaria o objetivo do artigo 7º, inciso XI, da Constituição Federal, na medida em que, se independentemente do esforço envidado, todos os empregados recebessem o mesmo montante, não haveria porque todos, individual e coletivamente, se aplicarem na consecução das metas fixadas, de forma a alcançar os maiores e melhores resultados possíveis e, dessa forma, o incentivo à produtividade, pretendido pela Lei n° 10.101, de 2000, não seria alcançado; Reclama que as afirmações da autoridade autuante estão calcadas em mera presunção e que não existe causa legal capaz de justificar os argumentos adotados pela fiscalização para fundamentar as autuações, já que não há qualquer elemento de prova no sentido de que os valores pagos a título de PLR substituíram ou complementaram a remuneração dos empregados; Em outro plano, ainda, alega ser descabida a cobrança da contribuição adicional de 2,5% sobre a base de cálculo da contribuição patronal ao argumento de que não existe um liame entre o empregador e o beneficiário direto da atividade estatal custeada, liame este que deveria existir por decorrência lógica do princípio da isonomia tributária; Nesta linha, argumenta que o Estado deve prover a sociedade dos sistemas de previdência e assistência social e o custo dessa atividade se dilui entre todos, mas que há uma categoria especial de contribuintes que se beneficiará desse mesmo sistema de forma indireta e mediata, que são os contribuintes empregadores, na medida em que seus empregados irão sempre usufruir do sistema de seguridade que legitima a cobrança das contribuições sociais sobre o lucro, folha de salários e faturamento, sendo isto decorrente do princípio da retributividade a que se submetem tais exações; Reclama que não se justifica que apenas esta categoria de contribuintes, instituições financeiras e equiparadas, como é o caso da impugnante, esteja sujeita à incidência da contribuição previdenciária patronal acrescida da contribuição adicional à alíquota de 2,5%, enquanto usufrui da mesma parcela de atuação do Estado na manutenção da Seguridade Social, em razão de que entende que tais regras (artigo 3º, § 2º da Lei n° 7.787, de 1989 e artigo 22, § 1º da Lei n.° 8.212, de 1991) encontramse irremediavelmente maculadas pelo vício da inconstitucionalidade; Neste mesmo rumo, alega que a Emenda Constitucional n.º 20, de 1998, que acrescentou a previsão segundo a qual as contribuições sociais em relevo poderão ter alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas, em razão da atividade econômica ou da utilização intensiva da mãodeobra, não tornou legítima a exigência da contribuição adicional atacada por ser vedado ao Fl. 1725DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.653 19 poder constituinte derivado propor emenda constitucional tendente a abolir cláusulas pétreas, como são os direitos e garantias individuais e, entre eles, o princípio da isonomia previsto no art. 5º da Magna Carta; Em outra vertente, alega ser também inconstitucional a exigência de contribuição destinada ao Incra, por malferir o disposto nos artigos 149, § 2º, III, “a” e “b”, 167, XI e 194, V, todos da Constituição Federal, além de, a seu ver, referida contribuição já ter sido revogada pela Lei n.º 8.212, de 1991; Finalmente, em face do exposto, requer: a) seja acolhida a preliminar suscitada na presente impugnação, extinguindose parcialmente o crédito tributário pelo pagamento, assim como pela sua patente decadência, nos termos do artigo 156, I e V do Código Tributário Nacional; b) sejam julgados integralmente improcedentes os lançamentos fiscais, referentes aos pagamentos efetuados a título de PLR; c) se assim não se entender, que se proceda à exclusão dos adicionais de 2,5% da alíquota para as instituições financeiras, e da contribuição ao INCRA.” A Impugnação foi julgada procedente em parte, para manter em parte o crédito tributário, conforme assim ementado pela DRJFlorianópolis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. O exame da legalidade e da constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete ao poder judiciário, restando inócua e incabível qualquer discussão, nesse sentido, na esfera administrativa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 DIFERENÇAS DE RECOLHIMENTO. DECADÊNCIA. Segundo parecer exarado pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do §4º do art. 150 do CTN, para fins de cômputo do prazo de decadência. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. FIXAÇÃO PRÉVIA DAS METAS. AFERIÇÃO DO CUMPRIMENTO. O comprometimento prévio com a produtividade antes de iniciado o período a que se refere a apuração do lucro ou do resultado é um imperativo lógico Fl. 1726DF CARF MF 20 jurídico da moldura legal que, sob os auspícios da atual Carta Política, definiu a PLR como um instrumento de integração entre o capital e o trabalho comprometido com a produtividade e, para tanto, exige que dos instrumentos decorrentes da negociação, além de regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, também devem constar mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. ACORDO COM COMISSÃO DE EMPREGADOS. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. EFEITO RETROATIVO. É inviável emprestar eficácia retroativa a norma coletiva para regular situação fática já consumada no tempo, pois as normas e condições de trabalho negociadas de comum acordo entre as partes convenentes criam direitos e obrigações entre elas somente a partir do momento em que foi firmado o instrumento coletivo na forma da lei. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.” Cientificado da decisão de primeira instância em 22/07/2014 (fls. 1.640), que julgou procedente em parte a Impugnação apenas para reconhecer a decadência da exigência fiscal relativa ao período de janeiro de 2009, o Recorrente interpôs tempestivamente, em 06/08/2014, Recurso Voluntário (fls. 1.482/1.565), nos seguintes termos: i. As contribuições ao FAT, FNDE e INCRA incidentes sobre as remunerações dos diretores empregados deixaram de ser recolhidas por equívoco cometido no preenchimento da GFIP, pois foi declarado que as remunerações foram pagas a contribuintes individuais “diretores nãoempregados”, enquanto deveria ter sido informado que foram pagas a “diretoresempregados”; ii. A partir equivoco cometido, o Recorrente diligenciou até a DEFIS (Delegacia Especial das Instituições Financeiras de São Paulo), obteve DARFs e recolheu as contribuições relativas ao período de fevereiro a dezembro de 2009, não atingidas pela decadência, seguindo as orientações obtidas; iii. Não obstante, foi surpreendido pelo r. despacho decisório de fls. 1.375, o qual informou que os pagamentos efetuados sob código 2158 (RAT) foram alocados para as devidas competências, mas que o código de recolhimento utilizado para as contribuições de terceiros, qual seja, o 2187, estava errado e que, por ter recolhido a contribuição ao FNDE (código 2164) e ao INCRA (código 2249) na mesma guia, seria impossível a sua retificação; iv. Apesar disso, mesmo assim o Recorrente informa que promoverá novamente o pagamento do crédito tributário relativo as contribuições acima mencionadas; v. Decadência: A DRJ incorreu em flagrante equívoco ao rejeitar a alegação de decadência quanto aos pagamentos efetuados a título de PLR em 25/02/2009, exclusivamente por fundarse na ausência de comprovação de pagamento de PLR nesse período, pois foram juntados às fls. 554 a 574 dos autos documentos que comprovam o mencionado pagamento, como por exemplo, 1) o Relatório gerado em 19/02/2009 (fls. 1.020 a 1.032), no qual constam (i) os nomes dos empregados que receberam Fl. 1727DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.654 21 pagamentos a título de PLR em 25/02/2009; (ii) a conta bancária para crédito; (iii) o valor líquido de PLR a ser creditado; e, na última página do relatório, (iv) o valor líquido total de PLR pago naquele período, no montante de R$ 9.920.399,91. Frisou que o aludido relatório possui o nome de "Líquido Salarial por Período", por mera limitação de sistema, tanto que serviu como base para o lançamento fiscal; 2) a ordem para pagamento de PLR no montante de R$ 9.920.399,61, relativa ao período entre 20/02/2009 a 25/02/2009, autorizada em 20.02.2009 (fls. 1.033); 3) Autenticações bancárias (fls. 1.034 a 1.066), por meio das quais é possível verificar (i) o nome do empregado, (ii) o valor depositado e (iii) a data; vi. A DRJ constatou, por equívoco, que os valores constantes nos documentos apresentados não coincidiriam com os considerados na base de cálculo das contribuições exigidas relativamente à competência de 02/2009, por não se ter apercebido que nos documentos juntados constam os valores líquidos pagos, enquanto que a fiscalização, para lançar o crédito tributário, se utiliza dos valores brutos; vii. Com o intuito de melhor ilustrar o entendimento dos documentos apresentados, explicou passoapasso a correta interpretação dos fatos e informações nestes descritas, concluindo ter restado comprovado o pagamento de PLR em 25/02/2009 e, por isso, considerando que a intimação fiscal ocorreu no dia seguinte (26/02/2009), a exigência fiscal relativa às contribuições previdenciárias supostamente incidentes sobre os mencionados pagamentos está viciada pela decadência, operada anteriormente ao lançamento, com base no artigo 150, § 4º, do CTN e na Súmula 99 do CARF, pois os pagamentos antecipados que autorizam o início da contagem do prazo de decadência ocorreram, conforme comprovam os documentos juntados às fls. 1.067 a 1.075 e Item 4.2 do Relatório Fiscal; viii. Juros sobre Multa de Ofício: A fundamentação da autoridade julgadora acerca da impossibilidade da contestação da “exigência de juros de mora sobre multa de ofício” em sede de Impugnação viola os princípios da economia e celeridade processual, na medida em que só se poderia se questionar a sua exigência na via judicial, após o fim o processo administrativo, bem como o direito constitucional à ampla defesa administrativa, prevista no artigo 50, inciso LV da CF. Ao exigir juros sobre a multa de ofício, a autoridade fiscal violou o princípio da legalidade, conforme entendimento doutrinário e jurisprudencial administrativo transcritos. Assim, a DRJ não poderia ter se furtado a analisar os argumentos do Recorrente, sob pena de nulidade da decisão proferida; ix. Análise de Todas as Matérias Impugnadas: Transcreveu o artigo 31 do Decreto nº 70.235/72, bem como o artigo 59 da CF, para fundamentar sua alegação de que a decisão emanada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento deve abordar expressamente todas as razões de defesa suscitadas, sendo um requisito indispensável à garantia do devido processo e ao seu processamento e que, por não ter ocorrido isso no caso em tela, é nula a decisão recorrida, por cerceamento de defesa. Reforçou seu entendimento mediante transcrição de doutrina e julgados do E. CARF, requerendo o reconhecimento da nulidade da decisão de piso; x. Desconsideração dos Pagamentos de PLR por Presunção do Agente Fiscal: Com base em mera presunção deduzida pelo agente fiscal, este indevidamente desconsiderou os pagamentos efetuados a título de participação nos lucros ou resultados, o que jamais Fl. 1728DF CARF MF 22 poderá se admitir, pois a desconsideração de um negócio jurídico demanda a existência de provas contundentes de simulação ou dissimulação, conforme entendimento do E. CARF, o que não se verificou na presente demanda; xi. Quanto à alegação da impossibilidade de comprovação do conhecimento dos empregados quanto às metas traçadas no PLR pelos documentos apresentados, bem como se os valores pagos corresponderiam às metas ajustadas, bastaria que a autoridade fiscal diligenciasse até a sede do Recorrente e questionasse pessoalmente os empregados que participaram da comissão de negociação e aqueles que foram avaliados e receberam PLR, conforme expediente costumeiramente utilizado pela fiscalização da RFB, com base no princípio da verdade material, que não agiu dessa forma no presente caso pois, se assim o tivesse feito, teria conhecimento da verdade dos fatos; xii. Foi exigência dos próprios empregados a previsão de pagamento de um valor mínimo de PLR, desde que houvesse lucro a ser distribuído, sendo que o Recorrente não teve outra alternativa senão concordar com este pedido, para ver aprovado o programa para todos seus empregados; xiii. Não há que se falar em natureza salarial dos valores pagos a título de PLR por haver a previsão de um pagamento mínimo, que não poderia macular todo o Plano de PLR, de modo que as contribuições deveriam incidir apenas nos casos de pagamento mínimo. Ademais, em nenhuma passagem do relatório fiscal que fundamentou as autuações originarias do presente processo ficou caracterizado que a natureza salarial dos valores pagos a título de PLR se daria por conta da referida previsão. Portanto, resta evidente que o acórdão proferido pela DRJ inovou a fundamentação utilizada pela fiscalização para configurar a obrigação tributária, motivo pelo qual o acórdão recorrido deve ser declarado nulo, uma vez que preterido o direito à ampla defesa e praticada a inovação do lançamento tributário por autoridade incompetente, nos termos do inciso II, do artigo 59 c/c o artigo 61, ambos do Decretolei 70.235/1972; xiv. Defendeu que o valor de PLR não consiste em salário, sequer em remuneração habitual do empregado, proveniente do trabalho, mas sim decorre da condição de “trabalhador”/”empregado”, que para o seu recebimento deve ocorrer um concurso de fatores, como a existência de lucros, o envolvimento do trabalhador, sua integração com no desenvolvimento do empreendimento, e a forma de distribuição coletiva; xv. O Plano de PLR do Recorrente observou os requisitos legais disposto pela Lei nº 10.101/2000, pois foi viabilizado mediante a participação de comissão representativa dos seus empregados e, por isso, não tem natureza remuneratória como alega o agente fiscal, que não comprovou a existência de simulação ou abuso de forma, tendo sua conduta infringido os seguintes dispositivos legais: a) artigo 195, I, "a", da CF, na medida em que extrapola a hipótese de incidência prescrita, já que se trata de participação nos lucros e não de remuneração; b) artigo 70, XI, da CF, que ao assegurar como direito dos trabalhadores à participação nos lucros e resultados, dispõe expressamente que esta é desvinculada da remuneração, ou seja, não possui natureza remuneratória, afastando, portanto, a incidência de contribuições previdenciárias; c) artigos 22, I e 28, I e § 9º, alínea "j", da Lei nº 8.212/91, que preveem como fato gerador da contribuição previdenciária, devida pela empresa e pelos empregados, o total das "remunerações" pagas/ recebidas "destinadas a retribuir o trabalho", excluindo expressamente da tributação os valores recebidos a título de "participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei especifica"; d) artigo 116, parágrafo único, do CTN; e princípios da Estrita Legalidade e da Tipicidade Cerrada; Fl. 1729DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.655 23 xvi. Periodicidade do Pagamento de PLR: Não houve pagamento de PLR acima da periodicidade legal, pois os pagamentos a esse título ocorreram da seguinte forma: 1. fevereiro de 2009 — pagamentos a empregados ativos referente à 2ª parcela de PLR, com base no programa próprio celebrado em 2008; 2. margo de 2009 — pagamentos a empregados desligados referente à 2ª parcela de PLR, com base no programa próprio celebrado em 2008; 3. agosto de 2009 — pagamentos a empregados ativos referente à lª parcela de PLR, com base no programa próprio celebrado em 2009; 4. setembro de 2009 — pagamentos a empregados desligados referente à 1ª parcela de PLR, com base no programa próprio celebrado em 2009; 5. outubro de 2009 — pagamento a empregados referente a PLR prevista em Convenção Coletiva de Trabalho firmada pelo Sindicato no período. i. Como se depreende do disposto acima, do programa celebrado em 2008 (fls. 745 a 757), a segunda parcela do PLR seria paga aos empregados apenas em fevereiro de 2009 (Item 1 acima). No caso de desligamento de empregado, este pagamento seria realizado em margo de 2009 (item 2 acima); ii. Da mesma forma, conforme disposto no Programa de PLR de 2009 (fls. 758 a 771), foi realizado o pagamento da primeira parcela em agosto de 2009 (item 3 acima), sendo que os empregados desligados receberam o valor a título de PLR em setembro de 2009 (item 4 acima); iii. O pagamento do PLR aos empregados se deu conforme a previsão contida em Convenção Coletiva de Trabalho celebrada entre o Sindicato representativo do Recorrente e o Sindicato representativo dos seus empregos (fls. 772 a 777); iv. Exceções à periodicidade acima apontada somente ocorram com os pagamentos realizados: (i) em Junho, a Jefferson Cesar de Oliveira; em (ii) Novembro, a Etvaldo Paraíso Aratijo; e em (iii) Dezembro, a Fabiano Augusto Ferreira Izidoro, Fabiano Barbosa da Silva, Gabriela Redona Chiste, Ingrid Romano Fernandes, Luciana Buarque dos Santos, Ricardo Aranda Palopoli, Ronaldo Adolpho Gudin, Sidnei Silva Borges e Simone Barbosa de Andrade, empregados desligados ao longo do anocalendário de 2009, conforme planilha acostada às fls. 554 a 624; v. Para comprovar que o PLR foi pago conforme a periodicidade determinada pela lei, basta confrontar os pagamentos realizados aos empregados desligados e aqueles que receberam na data prevista pelo acordo, se verificara que jamais coincidira o empregado; vi. PréViabilidade do Plano de PLR: Não há qualquer irregularidade quanto aos pagamentos realizados pelo Recorrente a titulo de PLR nos exercícios de 2008 e 2009; vii. Não é a data da assinatura do Programa de PLR que denota ou comprova quando iniciaram as negociações entre as partes ou o conhecimento por parte dos empregados das metas a serem alcançadas; a assinatura das partes no documento, bem ao contrário, Fl. 1730DF CARF MF 24 evidencia apenas o acordo final a que chegaram depois de todo o trâmite previsto pela legislação a todo e qualquer acordo de participação nos lucros e resultados; viii. Antes mesmo da assinatura do Programa de PLR, o Recorrente já havia dado conhecimento aos seus empregados (internamente) de quais eram os critérios, as metas e as condições para o pagamento de PLR, não existindo, portanto, margem para a alegação de ausência de prévias negociações, sem o que a comissão de empregados não tem condições de aquilatar os benefícios e restrições carreados pelo programa que foram chamados a avaliar; ix. Para melhor elucidar tal situação, basta analisar as mensagens de divulgação interna para os empregados sobre o cumprimento das metas e início do período de avaliações relativas ao Programa de 2009 já juntada aos autos, bem como anexo email de 20.02.2009, pelo qual os empregados foram lembrados que o prazo para contratação de metas se findaria em 27.02.2009; x. Durante todo o ano de 2009 os empregados tinham conhecimento e tomaram parte nas tratativas para a celebração do Programa de PLR, conforme declarações assinadas por eles próprios; xi. As características, os critérios e as condições do Programa de PLR são extremamente semelhantes (senão idênticos) aos Programas de PLR celebrados em anos anteriores, o que significa dizer que os empregados já tinham conhecimento dos critérios, metas e métodos comumente utilizados na distribuição de PLR, de modo que antes mesmo da assinatura do programa próprio de 2009 já estavam comprometidos com as suas regras e apenas formalizaram este comprometimento no final do período; xii. O entendimento da agente fiscal, que reflete uma presunção pessoal, não pode prosperar, porque sobrepõe a presunção à verdade material de que já existia negociação e conhecimento prévios das regras do plano de PLR de 2009, o que é inadmissível; xiii. A Lei nº 10.101/2000 exige que a distribuição de PLR decorra de um procedimento de negociação, mas sem indicar quando esta negociação pode ou deve ocorrer, conforme entendimento do E. CARF; xiv. Havendo pleno conhecimento dos empregados quanto às metas claras e objetivamente estipuladas, bem como do sistema de avaliação adotado, ainda que assim não fosse, a data da assinatura do acordo jamais poderia ser considerada corno descumprimento de requisito para a sua validade; xv. Em momento algum a agente fiscal questionou o fato da Convenção Coletiva de Trabalho de 2009 ter sido assinada no final do anocalendário, de modo que não caberia à DRJ levantar esta suposta irregularidade, por estar inovando o lançamento; xvi. Foram estabelecidas claramente as metas a serem atingidas pelos empregados de acordo com sua função, de modo que todos tinham pleno e prévio conhecimento dos objetivos a serem alcançados para se auferir a participação no PLR; xvii. Nem a agente fiscal, tão pouco a DRJ, consideraram a real complexidade de observação e mensuração da multiplicidade de funções, áreas, capacidades e estratégias de uma instituição financeira que, em tese, poderiam impossibilitar a fixação de regras claras e objetivas para implantação de um Programa de PLR, conforme dispõe o artigo 20, § 10, da Lei nº 10.101/2000; por conseguinte, também se ignorou o fato de que, a despeito de Fl. 1731DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.656 25 tamanha complexidade, as partes acordaram e foram capazes de, juntas, estabelecerem regras claras e objetivas para todas e quaisquer situações dos empregados; xviii. A agente fiscal desconsiderou os contratos de metas firmados, que não foram assinados individualmente por cada empregado por inexistir obrigação legal para tanto, mas que foram disponibilizados a cada um; xix. Inexiste vedação legal limitadora do valor pago a título de PLR; xx. As alíquotas utilizadas pela agente fiscal para sustentar a autuação, em verdade, dizem respeito à porcentagem de distribuição de PLR de acordo com o resultado por área, definida de acordo com o salário de cada empregado, conforme disposto no parágrafo cinco da cláusula oitava do aludido Programa; xxi. Para chegar a tal conclusão, a fiscalização bastaria analisar os valores alocados na Coluna "PLR Programa Próprio" e verificar que o valor pago pelo Recorrente a estes empregados sobre tal rubrica não superou nem mesmo um salário base, tornando impossível concluir que as alíquotas praticadas superaram o limite estabelecido no Programa. De fato, as alíquotas efetivamente praticadas, conforme indicado na mesma planilha não ultrapassaram 5%, ou seja, estando dentro do limite acordado entre o Recorrente e seus Empregados; xxii. Ausência do Representante Sindical e a Falta de Arquivamento do Acordo de PLR na Sede do Sindicato: A ausência do representante do Sindicato jamais poderia justificar a desqualificação dos Programas de PLR, porque, com relação ao plano próprio, o Recorrente, seguindo a dicção do artigo 2°, inciso I da Lei n° 10.101/2000, convocou o Sindicato para participar das negociações que culminaram com a assinatura dos Programas de PLR nos anos de 2008 e 2009. Todavia, apesar da convocação, o Sindicato recusouse a participar das respectivas negociações; xxiii. Conforme comprovam os documentos que instruíram a Impugnação (fls. 802 a 823), cuja legitimidade foi questionada pela D. DR] sem qualquer fundamento, o Recorrente, buscando a renovação de seu Programa de PLR celebrado em 2007, antes mesmo do início do ano de 2008, convocou o Sindicato para participar de Reunião de Negociação e aprovação do Programa de PLR, conforme carta datada de 09 de novembro de 2007), o qual, entretanto, não compareceu; xxiv. A fim de resguardar o direito de seus empregados, bem como em cumprimento do disposto na Lei 10.101/2000, enviou uma via do acordo de PLR celebrado em 27/11/2007 para arquivo na entidade sindical, o qual foi devidamente recepcionado, conforme Notificação Extrajudicial nº 003.340.819, conforme carta datada de 20/12/2007; xxv. Da mesma forma, diferentemente do que constatou a D. DRJ, com relação ao ano de 2009, o Recorrente contatou o Sindicato para discutir os termos do Programa de PLR a ser celebrado com seus empregados, conforme email datado de 27/04/2009 (fls. 807), entretanto, sem obter qualquer retorno; xxvi. Dando continuidade à sua intenção de contar com a participação do Sindicato na comissão para celebração de seu Programa de PLR, o Recorrente encaminhou carta a Fl. 1732DF CARF MF 26 sede do Sindicato convocando este a enviar um representante para comparecer a reunião de negociação, o qual, entretanto, recusou a convocando feita; xxvii. Em contrapartida, apenas depois de duas tentativas sem sucesso de convocação do Sindicato, o Recorrente encaminhou a notificação extrajudicial nº 001.729.760, conforme carta datada de 29/12/2009, informando que havia procurado o Sindicato, porém, sem retorno e, a fim de resguardar o direito de seus empregados, prosseguiu com a discussão das metas e termos do Programa de PLR internamente com a Comissão de Empregados; xxviii. Como se pode verificar, apesar dos diversos contatos feitos pelo Recorrente, nenhum representante do Sindicato compareceu na negociação que culminou no acordo assinado em 21/12/2009; xxix. Em que pese a ausência do representante do Sindicato, o Recorrente, conhecedor da legislação de regência, enviou uma via do acordo de PLR celebrado em 21/12/2009, para arquivo da entidade sindical, o qual foi devidamente recebido, conforme Notificação Extrajudicial nº 001.729.761, na forma da carta datada de 23/12/2009, bem como adotou o mesmo procedimento em relação ao Ministério do Trabalho, apresentando cópia do Programa de PLR celebrado a Subdelegacia Regional do Trabalho em 15/03/2010, conforme carta datada de 10/03/2010; xxx. Assim agindo, o Recorrente obedeceu a disposição contida no artigo 20, inciso I da Lei nº 10.101/2000 e fez o que estava ao seu alcance para que houvesse a participação do representante do Sindicato dos Bancários e Financiários nas negociações da PLR de 2008 e 2009; xxxi. Quanto à Convenção Coletiva de Trabalho, cujo cumprimento pelo Recorrente é obrigatório, é evidente que também houve recusa de participação do Sindicato, caso contrário, não haveria razão para a participação da Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários dos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, quando todos os demais bancários foram representados por seus respectivos sindicatos; xxxii. Assim, ainda que exista previsão legal que determine a presença do Sindicato da respectiva categoria na comissão escolhida pelas partes envolvidas, é evidente que tal norma deve ser flexibilizada quando ocorre a recusa por parte do Sindicato, tal como ocorreu no caso vertente, sob pena de cerceamento do direito das partes de negociarem a PLR mediante a formação de comissão ou por meio da Federação, como autoriza a legislação de regência; xxxiii. Portanto, no que se refere aos aspectos relacionados a participação do Sindicato da categoria nas negociações e respectivo arquivamento dos acordos na entidade sindical, não há que se falar em desqualificação dos planos em análise por ofensa ao artigo 2°, inciso I da MP 1.698/98 e tampouco do artigo 2°, inciso I e § 2 ° da Lei n° 10.101/2000; xxxiv. Adicional de 2,5% de Contribuição Previdenciária Patronal às Instituições Financeiras: Resta ilegal e inconstitucional a legislação (Lei nº 8.212/91, Art. 22, §10; Lei nº 7.787/89, Art. 30, §20) que determina a exigência do adicional de 2,5% a título de Contribuição Previdenciária Patronal das Instituições Financeiras, incidente sobre a folha de salários ou os valores pagos aos contribuintes individuais, ante a discriminação tributária aleatória e arbitrária operada em prejuízo das instituições financeiras e equiparadas em razão da atividade que exercem e da lucratividade que obtém; Fl. 1733DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.657 27 xxxv. O julgamento desta questão deverá ser sobrestado, até ulterior decisão proferida pelo STF, nos termos do art. 62A da Portaria MF no 256/2009; xxxvi. Inconstitucionalidade da Contribuição ao INCRA: O INCRA não atua nem prove qualquer benefício aos segurados empregados do Recorrente, posto que atua exclusivamente na execução da reforma agrária, objetivo totalmente diverso das finalidades perseguidas pelo Recorrente e pela Seguridade Social, razão pela qual, apoiada no princípio da referibilidade (CF, Art. 194, par. ún., V e Art. 195, § 5º), na afronta ao artigo 167, XI, da CF, e no artigo, 149, § 2º, da CF, não deve ser exigida do Recorrente, merecendo ser cancelada a exigência feita a esse título pelo lançamento combatido; xxxvii. Ao final, requereu provimento ao recurso para anulação da decisão de primeira instância e dos lançamentos, com extinção do crédito tributário e, complementarmente, o acolhimento da preliminar de decadência suscitada, bem como a baixa do processo para diligência com o fim de produção de provas quanto ao pagamento do PLR de fevereiro de 2009; além da exclusão da contribuição ao INCRA, da exigência dos juros de mora sobre multa de ofício e do adicional de 2,5% da Contribuição Previdenciária Patronal das Instituições Financeiras e, caso não se entenda por sua exclusão, que seja sobrestada a análise da sua constitucionalidade, nos termos do § 10, do artigo 62A da Portaria MF nº 256/08. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminar de Decadência Em suas razões recursais, alega o Recorrente que a DRJ incorreu em flagrante equívoco ao rejeitar a alegação de decadência quanto aos pagamentos efetuados a título de PLR em 25/02/2009, pois fundada na ausência de comprovação de pagamento de PLR nesse período. Afirma que foram juntados às fls. 554 a 574 dos autos documentos que comprovam o mencionado pagamento, ocorrido em 25/02/2009 e, por isso, considerando que a intimação fiscal ocorreu no dia seguinte a este (26/02/2009), a exigência fiscal relativa às contribuições previdenciárias incidentes sobre os mencionados pagamentos foi atingida pela decadência, com base no artigo 150, § 4º, do CTN e na Súmula 99 do CARF. Não assiste razão ao Recorrente, pois neste ponto, a decadência deve ser analisada a partir da data legal para “recolhimento” das contribuições previdenciárias relativas aos pagamentos efetuados em fevereiro de 2009, e não pela data do suposto pagamento da PLR, conforme preceitua a Súmula 99 do CARF, senão vejamos. Conforme dispõe a Súmula CARF 99, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no artigo 150, § 4°, do CTN (“antecipação de pagamento”), no caso das Fl. 1734DF CARF MF 28 contribuições previdenciárias, é considerado “pagamento antecipado” “o recolhimento”, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte, na forma abaixo: “Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.” No caso, à época dos pagamentos ora tratados, a data legal para o “recolhimento” das contribuições previdenciárias foi o dia 20 (vinte) do mês subsequente àqueles, conforme os artigos 6º e 11, I, ambos da Lei nº 11.933/09, conforma abaixo: “Art. 6º Os arts. 25, 30 e 31 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) “Art. 30. .................................................. I ............................................................ b) recolher os valores arrecadados na forma da alínea a deste inciso, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22 desta Lei, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da competência; (...) Art. 11. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1o de outubro de 2008, em relação aos arts. 1o a 7o, exceto a parte do art. 4o que dá nova redação à alínea a do inciso I do caput do art. 52 da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991;” Portanto, a data legal do “recolhimento” das contribuições previdenciárias relativas aos pagamentos ocorridos no mês de fevereiro de 2009 foi o dia 20 de março de 2009, que se encontra abarcado pelo lapso retroativo de 5 (cinco) anos – contados até a data da ciência do início da fiscalização: 26/02/2009 – para a constituição do crédito tributário, em consonância com o quanto disposto na Súmula CARF 99, acima citada. No caso, o “recolhimento” da contribuição previdenciária se deu no mês seguinte ao pagamento da PLR, ou seja, em março de 2009, mês seguinte àquele da ciência do início da fiscalização pelo Recorrente e, sendo assim, não há que se falar em decadência. Outrossim, tratandose da comprovação do pagamento da PLR, pois mais que se quisesse valorar os documentos acostados às fls. 1.020/1066 e 1.109/1.170, elaborados pelo Recorrente, como identificadores da data de pagamentos de PLR ou verbas salariais, melhor razão não assistiria ao Recorrente, posto que estes informam códigos, nomes e rubricas, como por exemplo, “pgmto salários”, além de números que possivelmente registram operações ocorridas em 20 e 25/02/2009, mas insuficientes, pois obscuras, para comprovar, efetivamente, a ocorrência de pagamento de PLR ou de remuneração salarial. Assim, da forma como elaborados, e apresentados em separados a, por exemplo, extratos bancários que registrassem eventuais depósitos feitos nas contassalários dos seus empregados, os documentos Fl. 1735DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.658 29 mencionados, de igual forma, são insuficientes para comprovar o pagamento de PLR ou de remuneração salarial. Ademais, estes documentos não possuem força ou valor probatórios para indicar efetivamente que o pagamento da contribuição previdenciária se deu na mesma data em que supostamente ocorreram os pagamentos de PLR e das remunerações aos seus empregados. Outrossim, foram apresentados de forma isolada, desacompanhados dos Comprovantes de Arrecadação e dos DARFs competentes, por exemplo, ambos disponibilizados no site “eCAC” da RFB, o que torna frágil o reconhecimento do pagamento da contribuição previdenciária apenas pela sua apresentação. Temse, portanto, que ao contrário do quanto firmado pelo Recorrente, os mencionados documentos não comprovam o recolhimento de PLR ou de remuneração salarial, nem mesmo da contribuição previdenciária relativa aos pagamentos que supostamente informam, quiçá a data em que estes ocorreram, que são as informações fundamentadoras do julgamento deste item, o que denota a ineficácia destes como instrumentos probatórios do “recolhimento” da contribuição previdenciária em data anterior ao da ciência do início da fiscalização pelo Recorrente. Alega o Recorrente, ademais, que a DRJ constatou, por equívoco, que os valores das verbas pagas aos empregados e constantes nos documentos apresentados não coincidiriam com aqueles considerados para a composição da base de cálculo das contribuições exigidas relativamente à competência de 02/2009, por não se ter percebido que, naqueles, constam os valores líquidos pagos, enquanto que a fiscalização, para lançar o crédito tributário, se utiliza dos valores brutos. De igual forma, não merece prosperar a alegação do Recorrente, tendo em vista que os sistemas de registro de valores brutos, líquidos, retidos etc. do Recorrente deveriam identificar e segregar as importâncias relativas a cada rubrica, de forma que, em quaisquer relatórios dessa natureza, estes poderiam ser facilmente identificados, sem deixar dúvidas de interpretações a partir da sua leitura. Sendo assim, por derradeiro, considerando que os documentos juntados aos autos são suficientes para a análise do caso e a tomada de decisão quanto ao tema ora discorrido, entendo desnecessária a conversão do processo em diligência. Por tudo o que foi exposto, com base na legislação transcrita e nos fundamentos justificados, entendo que não se operou a decadência quanto à parcela do lançamento referente à competência de fevereiro de 2009 e, em razão disso, ratifico neste ponto a decisão recorrida, para manter o crédito tributário correspondente. Rejeito, portanto, a preliminar de decadência. Da nulidade da decisão da DRJ Alega o contribuinte que a DRJ ceceou seu direito de defesa quanto à questão dos juros sobre a multa levantada no recurso e cuja decisão a DRJ entendeu que não caberia àquele órgão tratar desse tipo de matéria. Fl. 1736DF CARF MF 30 A meu ver não há qualquer nulidade na presente decisão, a DRJ emitiu juízo de valor fundamentando que não teria competência para julgamento dessa matéria de direito, portanto, não foi omissa a decisão mas analisou a questão e decidiu a respeito, não havendo qualquer cerceamento do direito de defesa, posto que a matéria está sendo rediscutida no presente recurso pelo contribuinte, não havendo que se falar em supressão de instâncias. A teor do Novo CPC em seu artigo 1.013 §§1º a 3º que trata dos efeitos da apelação verbis aplicado de forma subsidiária no processo administrativo fiscal: Art. 1.013. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada. § 1o Serão, porém, objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que a sentença não as tenha julgado por inteiro. § 2o Quando o pedido ou a defesa tiver mais de um fundamento e o juiz acolher apenas um deles, a apelação devolverá ao tribunal o conhecimento dos demais. § 3º Se o processo estiver em condições de imediato julgamento, o tribunal deve decidir desde logo o mérito quando: – reformar sentença fundada no art. 485; II – decretar a nulidade da sentença por não ser ela congruente com os limites do pedido ou da causa de pedir; III – constatar a omissão no exame de um dos pedidos, hipótese em que poderá julgálo; IV – decretar a nulidade de sentença por falta de fundamentação. § 4º Quando reformar sentença que reconheça a decadência ou a prescrição, o tribunal, se possível, julgará o mérito, examinando as demais questões, sem determinar o retorno do processo ao juízo de primeiro grau. Portanto de acordo com art. 15 do Novo CPC os princípios recursais acima indicados são plenamente aplicáveis ao recurso voluntário, e portanto, toda a matéria discutida será devolvida ao tribunal ad quem. Ao contrário do alegado pelo contribuinte entendo que o julgador administrativo não está obrigado a rebater todos os pontos suscitados pelo recorrente bastando apresentar fundamentação suficiente para o deslinde da causa, nem mesmo no Judiciário essa premissa é real, sendo que a Primeira Seção do STJ no EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585) assim decidiu aplicando o NCPC, verbis: Fl. 1737DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.659 31 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA ORIGINÁRIO. INDEFERIMENTO DA INICIAL. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinamse a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. 2. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. 3. No caso, entendeuse pela ocorrência de litispendência entre o presente mandamus e a ação ordinária n. 002781280.2013.4.01.3400, com base em jurisprudência desta Corte Superior acerca da possibilidade de litispendência entre Mandado de Segurança e Ação Ordinária, na ocasião em que as ações intentadas objetivam, ao final, o mesmo resultado, ainda que o polo passivo seja constituído de pessoas distintas. 4. Percebese, pois, que o embargante maneja os presentes aclaratórios em virtude, tão somente, de seu inconformismo com a decisão ora atacada, não se divisando, na hipótese, quaisquer dos vícios previstos no art. 1.022 do Código de Processo Civil, a inquinar tal decisum. 5. Embargos de declaração rejeitados. Portanto, a teor do artigo 29 do Decreto do PAF o julgador deve apreciar livremente as provas e os argumentos das partes e tem a livre convicção de julgar desde que de forma fundamentada. Com isso entendo que não houve preterição do direito de defesa do recorrente pela DRJ sendo que passo a decidir a respeito dessa matéria de acordo como posta em discussão pelo recorrente. Nas suas razões recursais, o Recorrente alega que, ao exigir juros sobre a multa de ofício, a autoridade fiscal violou o princípio da legalidade, conforme entendimento doutrinário e jurisprudencial administrativo que transcreveu. Ademais, firmou que a DRJ não poderia ter se furtado a analisar os argumentos do Recorrente quanto a este tema, sob pena de nulidade da decisão proferida por afronta ao direito constitucional à ampla defesa administrativa, previsto no artigo 50, inciso LV da CF, matéria já afastada conforme fundamentos anteriores. Fl. 1738DF CARF MF 32 Neste ponto, não assiste razão ao Recorrente, haja vista a Lei dispor que incide juros de mora sobre o crédito tributário, o qual também é composto pela multa de ofício, senão vejamos. Ao tratar da incidência de juros sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, o Código Tributário Nacional preceitua o seguinte: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.” Assim, a alegação de que a exigência de juros sobre a multa de ofício lançada seria ilegal é totalmente improcedente, já que a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o dispositivo legal transcrito acima. Quer dizer, tanto a multa de ofício como o tributo compõem o crédito tributário, devendolhes ser aplicado os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, inclusive no que tange a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Cabe observar, ainda, que tanto o artigo 43, como o artigo 61, ambos da Lei nº 9.430/96, trazem a previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, conforme demonstrado abaixo: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (...) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Como se vê, a incidência de juros sobre a multa de ofício está amparada pelo artigo 61 da Lei nº 9.430/96, já que a multa de ofício se enquadra dentro do conceito de “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Fl. 1739DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.660 33 Ademais, observase que a incidência de juros sobre a multa de ofício também está amparada pelo parágrafo único do artigo 43 da Lei nº 9.430/96, já que este estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário “correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente” incidem juros a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo. Com efeito, em que pesem as alegações apresentadas pelo Recorrente, não há que se falar em nenhuma irregularidade no que tange a incidência de juros sobre a multa de ofício, visto que ela se encontra expressamente prevista em lei e que as autoridades administrativas estão plenamente vinculadas à legislação em vigor. Nesse sentido, cabe citar o esclarecedor voto da ilustre conselheira Viviane Vidal Wagner, em seu voto vencedor na 1ª Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão 910100.539, de 11 de março de 2010, a saber: “ (...) Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não Fl. 1740DF CARF MF 34 pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente." A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§10). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) Fl. 1741DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.661 35 exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio: Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei no 9.430, de 1996, art. 61). §1o. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei no 9.430, de 1996, art. 61, § 1o). § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei no 9.430, de 1996, art. 61, § 2o). § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: "JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (g.n.) Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei no 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: "REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Fl. 1742DF CARF MF 36 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tão somente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07)." (grifos nossos) Em consonância com o esclarecedor voto supra, cabe transcrever a seguir os seguintes precedentes judiciais e administrativos: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido.” (STJ, AgRg no Recurso Especial nº 1.335.688 PR (2012/01537730). Relator Ministro Benedito Gonçalves. Decisão: 04/12/2012. Dje de 10/12/2012). “JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.” (...) (CARF, Acórdão nº 130100.810, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, Conselheiro designado para o voto vencedor Waldir Veiga Rocha, Sessão de 01/02/2012) “JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros Fl. 1743DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.662 37 devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região.” (CARF, Acórdão nº 9202001.806, 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Conselheiro designado para o voto vencedor Elias Sampaio Freire, Sessão de 29/11/2011) Neste ponto, com fundamento na legislação competente e pelos fundamentos acima expostos, entendo pela legalidade da incidência de juros de mora sobre multa de ofício, negando provimento ao recurso. Mérito Isenção Tributária Previdenciária sobre os Pagamentos a Título de PLR – Requisitos Legais A matéria em discussão nesse processo consiste em definir se os pagamentos realizados pelo Recorrente obedeceram aos requisitos legais para que pudessem ser caracterizados como participação nos lucros e resultados da empresa, nos termos da Lei nº 10.101, de 2000, e, consequentemente, não se submeterem à incidência da contribuição previdenciária e das contribuições para terceiros. Para uma esclarecedora análise do tema, tomo a liberdade de transcrever trecho do voto proferido pelo I. Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, no Acórdão nº 2201 003.417, sessão de 07 de fevereiro de 2017, que estabelece as balizas para a correta análise dos fatos trazidos à colação nesse processo: “Como regra geral, as contribuições previdenciárias têm por base de cálculo a remuneração percebida pela pessoa física pelo exercício do trabalho. É dizer: toda pessoa física que trabalha e recebe remuneração decorrente desse labor é segurado obrigatório da previdência social e dela contribuinte, em face do caráter contributivo e da compulsoriedade do sistema previdenciário pátrio. De tal assertiva, decorre que a base de cálculo da contribuição previdenciária é a remuneração percebida pelo segurado obrigatório em decorrência de seu trabalho. Nesse sentido caminha a doutrina. Eduardo Newman de Mattera Gomes e Karina Alessandra de Mattera Gomes (Delimitação Constitucional da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias ‘in’ I Prêmio CARF de Monografias em Direito Tributário 2010, Brasília: Edições Valentim, 2011. p. 483.), entendem que: “...não se deve descurar que, nos estritos termos previstos no art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91, apenas as verbas remuneratórias, ou seja, aquelas destinadas a retribuir o trabalho, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo disponibilizado ao empregador, é que ensejam a incidência da contribuição previdenciária em análise” (grifos originais) Academicamente (OLIVEIRA, Carlos Henrique de. Contribuições Previdenciárias e Tributação na Saúde ‘in’ HARET, Florence; MENDES, Fl. 1744DF CARF MF 38 Guilherme Adolfo. Tributação da Saúde, Ribeirão Preto: Edições Altai, 2013. p. 234.), já tivemos oportunidade de nos manifestar no mesmo sentido quando analisávamos o artigo 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que trata do salário de contribuição: “O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita o salário de contribuição de maneira definitiva, ao prescrever que é composto pela totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de cálculo do fato gerador tributário previdenciário, ou seja, o trabalho remunerado do empregado, é o total da sua remuneração pelo seu labor” (grifos originais) O final da dessa última frase ajudanos a construir o conceito que entendemos atual de remuneração. A doutrina clássica, apoiada no texto legal, define remuneração como sendo a contraprestação pelo trabalho, apresentando o que entendemos ser o conceito aplicável à origem do direito do trabalho, quando o sinalagma da relação de trabalho era totalmente aplicável, pois, nos primórdios do emprego, só havia salário se houvesse trabalho. Com a evolução dos direitos laborais, surge o dever de pagamento de salários não só como decorrência do trabalho prestado, mas também quando o empregado "está de braços cruzados à espera da matériaprima, que se atrasou, ou do próximo cliente, que tarda em chegar", como recorda Homero Batista (Homero Mateus Batista da Silva. Curso de Direito do Trabalho Aplicado, vol 5: Livro da Remuneração.Rio de Janeiro, Elsevier. 2009. pg. 7). O dever de o empregador pagar pelo tempo à disposição, ainda segundo Homero, decorre da própria assunção do risco da atividade econômica, que é inerente ao empregador. Ainda assim, cabe o recebimento de salários em outras situações. Numa terceira fase do direito do trabalho, a lei passa a impor o recebimento do trabalho em situações em que não há prestação de serviços e nem mesmo o empregado se encontra ao dispor do empregador. São as situações contempladas pelos casos de interrupção do contrato de trabalho, como, por exemplo, nas férias e nos descansos semanais. Há efetiva responsabilização do empregador, quando ao dever de remunerar, nos casos em que, sem culpa do empregado e normalmente como decorrência de necessidade de preservação da saúde física e mental do trabalhador, ou para cumprimento de obrigação civil, não existe trabalho. Assim, temos salários como contraprestação, pelo tempo à disposição e por força de dispositivos legais. Não obstante, outras situações há em que seja necessário o pagamento de salários A convenção entre as partes pode atribuir ao empregador o dever de pagar determinadas quantias, que, pela repetição ou pela expectativa criada pelo empregado em recebêlas, assumem natureza salarial. Típico é o caso de uma gratificação paga quando do cumprimento de determinado ajuste, que se repete ao longo dos anos, assim, inserese no contrato de trabalho como dever do empregador, ou determinado acréscimo salarial, pago por liberalidade, ou quando habitual. Nesse sentido, entendemos ter a verba natureza remuneratória quando presentes o caráter contraprestacional, o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, haver interrupção do contrato de trabalho, ou dever legal ou contratual do pagamento. Fl. 1745DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.663 39 Assentados no entendimento sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias, vejamos agora qual a natureza jurídica da verba paga como participação nos lucros e resultados. O artigo 7º da Carta da República, versando sobre os direitos dos trabalhadores, estabelece: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei;” De plano, é forçoso observar que os lucros e resultados decorrem do atingimento eficaz do desiderato social da empresa, ou seja, tanto o lucro como qualquer outro resultado pretendido pela empresa necessariamente só pode ser alcançado quando todos os meios e métodos reunidos em prol do objetivo social da pessoa jurídica foram empregados e geridos com competência, sendo que entre esses estão, sem sombra, os recursos humanos. Nesse sentido, encontramos de maneira cristalina que a obtenção dos resultados pretendidos e do conseqüente lucro foi objeto do esforço do trabalhador e portanto, a retribuição ofertada pelo empregador decorre dos serviços prestados por esse trabalhador, com nítida contraprestação, ou seja, com natureza remuneratória. Esse mesmo raciocínio embasa a tributação das verbas pagas a título de prêmios ou gratificações vinculadas ao desempenho do trabalhador, consoante a disposição do artigo 57, inciso I, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, explicitada em Solução de Consulta formulada junto à 5ªRF (SC nº 28 – SRRF05/Disit), assim ementada: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PRÊMIOS DE INCENTIVO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Os prêmios de incentivo decorrentes do trabalho prestado e pagos aos funcionários que cumpram condições préestabelecidas integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e do PIS incidente sobre a folha de salários. Dispositivos Legais: Constituição Federal, de 1988, art. 195, I, a; CLT art. 457, §1º; Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, I, III e §9º; Decreto nº 3.048, de 1999, art. 214, §10; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, 9º e 50.” (grifamos) Porém, não só a Carta Fundamental como também a Lei nº 10.101, de 2000, que disciplinou a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), textualmente em seu artigo 3º determinam que a verba paga a título de participação, disciplinada na forma do artigo 2º da Lei, “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade” o que afasta peremptoriamente a natureza salarial da mencionada verba. Fl. 1746DF CARF MF 40 Ora, analisemos as inferências até aqui construídas. De um lado, concluímos que as verbas pagas como obtenção de metas alcançadas têm nítido caráter remuneratório uma vez que decorrem da prestação pessoal de serviços por parte dos empregados da empresa. Por outro, vimos que a Constituição e Lei que instituiu a PLR afastam – textualmente – o caráter remuneratório da mesma, no que foi seguida pela Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212, de 1991, que na alínea ‘j’ do inciso 9 do parágrafo 1º do artigo 28, assevera que não integra o salário de contribuição a parcela paga a título de “participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica” A legislação e a doutrina tributária bem conhecem essa situação. Para uns, verdadeira imunidade pois prevista na Norma Ápice, para outros, isenção, reconhecendo ser a forma pela qual a lei de caráter tributário, como é o caso da Lei de Custeio, afasta determinada situação fática da exação. Não entendo ser o comando constitucional uma imunidade, posto que esta é definida pela doutrina como sendo um limite dirigido ao legislador competente. Tácio Lacerda Gama (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, Ed. Quartier Latin, pg. 167), explica: "As imunidades são enunciados constitucionais que integram a norma de competência tributária, restringindo a possibilidade de criar tributos" Ao recordar o comando esculpido no artigo 7º, inciso XI da Carta da República não observo um comando que limite a competência do legislador ordinário, ao reverso, vejo a criação de um direito dos trabalhadores limitado por lei. Superando a controvérsia doutrinária e assumindo o caráter isentivo em face da expressa disposição da Lei de Custeio da Previdência, mister algumas considerações. Nesse sentido, Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário 3ªed. São Paulo: Ed Saraiva. 2013. p.649), citando Jose Souto Maior Borges, diz que a isenção é uma hipótese de não incidência legalmente qualificada. Nesse sentido, devemos atentar para o alerta do professor titular da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, que recorda que a isenção é vista pelo Código Tributário Nacional como uma exceção, uma vez que a regra é que: da incidência, surja o dever de pagar o tributo. Tal situação, nos obriga a lembrar que as regras excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Paulo de Barros Carvalho, coerente com sua posição sobre a influência da lógica semântica sobre o estudo do direito aliada a necessária aplicação da lógica jurídica, ensina que as normas de isenção são regras de estrutura e não regras de comportamento, ou seja, essas se dirigem diretamente à conduta das pessoas, enquanto aquelas, as de estrutura, prescrevem o relacionamento que as normas de conduta devem manter entre si, incluindo a própria expulsão dessas regras do sistema (abrogação). Por ser regra de estrutura a norma de isenção “introduz modificações no âmbito da regra matriz de incidência tributária, esta sim, norma de conduta” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 25ª ed. São Paulo: Ed. Saraiva, 2013. p. 450), modificações estas que fulminam algum aspecto da hipótese de incidência, ou seja, um dos elementos do antecedente normativo (critérios material, espacial ou temporal), ou do consequente (critérios pessoal ou quantitativo). Fl. 1747DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.664 41 Podemos entender, pelas lições de Paulo de Barros, que a norma isentiva é uma escolha da pessoa política competente para a imposição tributária que repercute na própria existência da obrigação tributária principal uma vez que ela, como dito por escolha do poder tributante competente, deixa de existir. Tal constatação pode, por outros critérios jurídicos, ser obtida ao se analisar o Código Tributário Nacional, que em seu artigo 175 trata a isenção como forma de extinção do crédito tributário. Voltando uma vez mais às lições do Professor Barros Carvalho, e observando a exata dicção da Lei de Custeio da Previdência Social, encontraremos a exigência de que a verba paga a título de participação nos lucros e resultados “quando paga ou creditada de acordo com lei específica” não integra o salário de contribuição, ou seja, a base de cálculo da exação previdenciária. Ora, por ser uma regra de estrutura, portanto condicionante da norma de conduta, para que essa norma atinja sua finalidade, ou seja impedir a exação, a exigência constante de seu antecedente lógico – que a verba seja paga em concordância com a lei que regula a PLR – deve ser totalmente cumprida. Objetivando que tal determinação seja fielmente cumprida, ao tratar das formas de interpretação da legislação tributária, o Código Tributário Nacional em seu artigo 111 preceitua que se interprete literalmente as normas de tratem de outorga de isenção, como no caso em comento. Importante ressaltar, como nos ensina André Franco Montoro, no clássico Introdução à Ciência do Direito (24ªed., Ed. Revista dos Tribunais, p. 373), que a: “interpretação literal ou filológica, é a que toma por base o significado das palavras da lei e sua função gramatical. (...). É sem dúvida o primeiro passo a dar na interpretação de um texto. Mas, por si só é insuficiente, porque não considera a unidade que constitui o ordenamento jurídico e sua adequação à realidade social. É necessário, por isso, colocar seus resultados em confronto com outras espécies de interpretação”. (grifos nossos) Nesse diapasão, nos vemos obrigados a entender que a verba paga à título de PLR não integrará a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias se tal verba for paga com total e integral respeito à Lei nº 10.101, de 2000, que dispõe sobre o instituto de participação do trabalhador no resultado da empresa previsto na Constituição Federal. Isso porque: i) o pagamento de verba que esteja relacionada com o resultado da empresa tem inegável cunho remuneratório em face de nítida contraprestação que há entre o fruto do trabalho da pessoa física e a o motivo ensejador do pagamento, ou seja, o alcance de determinada meta; ii) para afastar essa imposição tributária a lei tributária isentiva exige o cumprimento de requisitos específicos dispostos na norma que disciplina o favor constitucional. Logo, imprescindível o cumprimento dos requisitos da Lei nº 10.101 para que o valor pago a título de PLR não integre o salário de contribuição do trabalhador. Vejamos quais esses requisitos. Dispõe textualmente a Lei nº 10.101/00: Fl. 1748DF CARF MF 42 “Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art. 3º ... (...) § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil.” (grifamos) Da transcrição legal podemos deduzir que a Lei da PLR condiciona, como condição de validade do pagamento: i) a existência de negociação prévia sobre a participação; ii) a participação do sindicato em comissão paritária escolhida pelas partes para a determinação das metas ou resultados a serem alcançados ou que isso seja determinado por convenção ou acordo coletivo; iii) o impedimento de que tais metas ou resultados se relacionem à saúde ou segurança no trabalho; iv) que dos instrumentos finais obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores; v) a vedação expressa do pagamento em mais de duas parcelas ou com intervalo entre elas menor que um trimestre civil. Estabelecidas essas premissas, controvertese nesse processo se a empresa teria atendido aos itens: i) existência de negociação prévia sobre a participação; ii) participação de representante do sindicato e do sindicato e arquivamento do acordo na sede do sindicato; e iii) que dos instrumentos finais obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores. Passemos à sua análise individualizada. PréViabilidade do Plano de PLR Indignase o Recorrente, neste ponto, alegando, em síntese, que: Fl. 1749DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.665 43 a. Não é a data da assinatura do Programa de PLR que denota ou comprova quando iniciaram as negociações entre as partes ou o conhecimento por parte dos empregados das metas a serem alcançadas; a assinatura das partes no documento, bem ao contrário, evidencia apenas o acordo final a que chegaram depois de todo o trâmite previsto pela legislação a todo e qualquer acordo de participação nos lucros e resultados; b. Antes mesmo da assinatura do Programa de PLR, o Recorrente já havia dado conhecimento aos seus empregados, via email, de quais eram os critérios, as metas e as condições para o pagamento de PLR, não existindo, portanto, margem para a alegação de ausência de prévias negociações, sem o que a comissão de empregados não teria condições de aquilatar os benefícios e restrições carreados pelo programa que foram chamados a avaliar; c. A partir disso, e durante todo o ano de 2009, os empregados tinham conhecimento e tomaram parte nas tratativas para a celebração do Programa de PLR, conforme declarações assinadas por eles próprios; d. As características, os critérios e as condições do Programa de PLR são extremamente semelhantes (senão idênticos) aos Programas de PLR celebrados em anos anteriores, o que significa dizer que os empregados já tinham conhecimento dos critérios, metas e métodos comumente utilizados na distribuição de PLR, de modo que antes mesmo da assinatura do programa próprio de 2009, já estavam comprometidos com as suas regras e apenas formalizaram este comprometimento no final do período; e. O entendimento da agente fiscal, que reflete uma presunção pessoal, não pode prosperar, porque sobrepõe a presunção à verdade material de que já existia negociação e conhecimento prévios das regras do plano de PLR de 2009; f. A Lei nº 10.101/2000 exige que a distribuição de PLR decorra de um procedimento de negociação, mas sem indicar quando esta negociação pode ou deve ocorrer; g. Havendo pleno conhecimento dos empregados quanto às metas claras e objetivamente estipuladas, bem como do sistema de avaliação adotado, ainda que assim não fosse, a data da assinatura do acordo jamais poderia ser considerada como descumprimento de requisito para a sua validade; h. Em momento algum a agente fiscal questionou o fato da Convenção Coletiva de Trabalho de 2009 ter sido assinada no final do anocalendário, de modo que não caberia à DRJ levantar esta suposta irregularidade, por estar inovando o lançamento; i. Inexiste vedação legal limitadora do valor pago a título de PLR; j. O valor pago aos empregados sobre tal rubrica não superou nem mesmo um salário base, tornando impossível concluir que as alíquotas praticadas superaram o limite estabelecido no Programa. De fato, as alíquotas efetivamente praticadas, conforme indicado na mesma planilha não ultrapassaram 5%, ou seja, estando dentro do limite acordado entre o Recorrente e seus Empregados. Ab initio, cumpre transcrever o disposto na legislação, à época, que norteia esta matéria: Fl. 1750DF CARF MF 44 “Lei nº 10.101/00 Art. 1º. Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2º. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores.” A respeito também do assunto parte do voto dessa Turma no AC. 2201 003.551 da lavra da I. Conselheira Dione Jesabel Wasilewski na sessão de 04 de Abril de 2017: “O benefício fiscal, nesse caso, é instrumento para estimular as empresas a adotarem programas de participação nos lucros e resultados e estes, por sua vez, visam promover a integração entre capital e trabalho, estabelecendo estímulos ao trabalhador através das metas a serem alcançadas e da premiação delas decorrentes. Em última análise, ganha o país com o incremento da produtividade e da eficiência. Nesse aspecto, não me sensibilizam os mais variados argumentos relacionados à inexistência de expressa previsão legal estabelecendo prazo para que o acordo seja firmado, pois as leis contêm certa racionalidade em sua elaboração e exigem a mesma racionalidade em sua interpretação e aplicação. Ou seja, é desnecessário, e até mesmo indesejável, que o texto legal contenha aquilo que decorre naturalmente do bom senso e da função social dos institutos regulados. Nesse diapasão, o estabelecimento de metas e critérios claros para a obtenção e aferição do direito só fazem sentido se estabelecidos previamente. E isso é também uma garantia para o trabalhador.” Na mesma esteira de entendimento, servindo como exemplo a seguinte manifestação da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no voto condutor do Acórdão nº 2401003.492 da 4ª Câmara/1ª TO, sessão de 15 de abril de 2014: Fl. 1751DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.666 45 “Como é sabido, o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados e a participação do empregado no capital da empresa (essa é a base do texto constitucional), de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento, resultará em sua participação no capital (na forma de distribuição dos lucros alcançados). Assim, como falar em envolvimento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, no início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regras (ou mesmo metas), que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento. Da mesma forma, vislumbrase a necessidade de critérios para que se mensure o alcance dos resultados inicialmente estipulados, assim, como descreveu a autoridade fiscal. Assim, não acato de forma alguma o argumento do recorrente de que as metas já eram conhecidas ou mesmo que não há grande alteração das mesmas, razão pela qual a pactuação, mesmo tardia, não fere o disposto na lei, pelo contrário ao adotar tal entendimento estaria o julgador violando o texto constitucional e o reconhecimento dos acordos coletivos, o que não venho a concordar. Novamente, entendo que o auditor não desconstitui o pagamento da verba, muito menos os reflexos trabalhistas ajustados entre empregado e empregador, mas tão somente não acata o acordo ali firmado para que a verba paga à título de participação nos lucros esteja excluída do conceito de salário de contribuição. Se assim, não fosse, poderseia vislumbrar que o trabalho exaustivo do empregado durante todo um ano, com a promessa por parte do empregador de uma futura participação nos lucros, resultasse no incremento ínfimo em sua remuneração. Ou seja, para que possa sentirse estimulado o empregado, tem que ter a mínima noção do quanto esse seu empenho, trarlheá de resultados, até para que o mesmo verifique seu interesse em dedicarse de forma mais profícua. Outro ponto que merece destaque é o fato que um dos requisitos a serem apurados diz respeito a absenteísmo. Ora, em julho, ago, set ou mesmo dezembro é que o empregado saberá o quanto suas faltas irão influenciar no PLR que já está em curso???” (grifos nossos) No mesmo sentido, do Acórdão nº 9202004.347 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, sessão de 24 de agosto de 2016, extraise do voto do relator, Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos: “Com relação à data de assinatura do PLR, acompanho o entendimento do voto do relator da decisão recorrida. Com efeito, entendo que a assinatura do acordo em data posterior à do período de apuração dos lucros ou resultados a serem distribuídos, retira da verba paga uma de suas características essenciais, a recompensa pelo esforço conjunto entre o capital e o trabalho, para alcance de metas, o que traria competitividade à empresa e, em última análise ao país. No caso dos autos, conforme esclarecido na decisão ora recorrida, todos os acordos para os anos de 2006, 2007 e 2008, foram pactuados no fim do Fl. 1752DF CARF MF 46 exercício a que se referem, ou seja, o cumprimento ou não das metas já eram praticamente fatos pretéritos. Acompanho o entendimento do acórdão recorrido e, para fins de ilustração, encontrase reproduzido o entendimento do conselheiro relator do voto condutor do acórdão recorrido, nesse ponto: Não procede, portanto, a alegação de que quando a Lei nº 10.101/2000 fala de pactuação prévia, ela o faz no sentido de que o acordo deve ser negociado e celebrado previamente ao pagamento de qualquer valor, o que não implica a impossibilidade de se assinar o instrumento no início do período de apuração; Tendo a PLR a finalidade de incentivar o trabalhador a realizar e oferecer à empresa um plus de produtividade que exceda ao resultado rotineiro e ordinário decorrente do contrato de trabalho, avulta que acordo tem que ser assinado antes do início do período de apuração, para que os trabalhadores saibam, com precisão, o quê, como, quando, quanto precisam fazer, para auferir o ganho patrimonial que lhes é prometido por intermédio do plano ajustado. Antes do início do período de apuração necessitam ter o claro e preciso conhecimento de quanto e quando irão ganhar, sob que forma, e como serão avaliados, para poderem decidir se vale ou não a pena se empenhar de maneira excessiva à ordinária e comum. São as tais das REGRAS CLARAS E OBJETIVAS quanto aos direitos substantivos dos trabalhadores. Portanto, é de se negar provimento do Recurso Especial do Sujeito passivo também quanto a esta matéria.” Este entendimento também é pacífico no Tribunal Superior do Trabalho, para quem não é possível emprestar eficácia retroativa aos Acordos e Convenções Coletivas de Trabalho, a exemplo das decisões prolatadas em sede dos Recursos de Revista n.ºs 1772 20.2010.5.18.0002 e 777717/2001.4, cujas sínteses encontramse, respectivamente, veiculadas por meio das seguintes ementas: “RECURSO DE REVISTA. RITO SUMARÍSSIMO. NORMA COLETIVA. RETROATIVIDADE. INVALIDADE. Dispõe o artigo 614, § 1º , da CLT que as Convenções e os Acordos entrarão em vigor 3 (três) dias após a data da entrega dos mesmos no órgão referido neste artigo . Da exegese desse dispositivo, verificase que as estipulações somente valem para o futuro, porquanto se a Lei condiciona a vigência dos ajustes coletivos a aspectos formais, seria incoerente pensar que condições de trabalho relativas a situações fáticas já consumadas pudessem ser estipuladas posteriormente, principalmente para retirar direitos dos trabalhadores. Ademais, a questão da teoria da ultratividade, antes controvertida, encontrase superada nesta Corte Superior pela Súmula 277, que dispõe: As condições de trabalho alcançadas por força de sentença normativa vigoram no prazo assinado, não integrando, de forma definitiva, os contratos , Diretriz igualmente aplicável aos acordos e convenções coletivas. E mais, a jurisprudência do c. TST vem se posicionando no sentido de que cláusula convencional dispondo sobre situação já consumada anteriormente à sua vigência ofende o princípio constitucional do direito adquirido. Nessa linha de raciocínio, decerto que é inviável emprestar eficácia retroativa a norma coletiva. Precedentes. Recurso conhecido e provido.” Fl. 1753DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.667 47 “RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELA RECLAMADA – TURNO ININTERRUPTO DE REVEZAMENTO ACORDO COLETIVO – CLÁUSULA QUE DISPÕE SOBRE SITUAÇÃO PRETÉRITA JÁ CONSUMADA NO TEMPO INEFICÁCIA. As convenções e acordos coletivos são instrumentos normativos autônomos, resultantes de negociação coletiva, por meio da qual se celebra um pacto de vontade com vigência limitada no tempo, cujas cláusulas vigoram pelo período respectivo, de modo que, apenas no período de vigência do acordo coletivo, prevalece a jornada de trabalho em regime de turnos ininterruptos de revezamento superior àquela estabelecida no art. 7º, XIV, da Constituição Federal. No mesmo diapasão, cláusula dispondo sobre situação já consumada no tempo, visando emprestar validade formal ao regime de turnos ininterruptos com efeitos pretéritos, esbarra, quanto à eficácia, no contido nos arts. 614, § 3º, da CLT e 6º da LICC e 5º, inciso XXXVI, da Constituição Federal de 1988. Recurso de revista não conhecido.” No caso em questão, seguindo o que afirmou o Recorrente, os pagamentos realizados a título de PLR teriam por suporte os seguintes instrumentos: Acordo Coletivo de PLR assinado em 21/12/2009, com vigência de 01/01/2009 a 31/12/2009, que teria justificado o pagamento de PLR ao longo de 2009; Convenção Coletiva de Trabalho sobre PLR assinada em 19/10/2009, com vigência de 01/09/2009 a 31/08/2010, que segundo o Recorrente, teria justificado as antecipações pagas em 10/2009. Como se pode observar, os instrumentos firmados em 2009 não serviram para estabelecer previamente as metas a serem alcançadas, mas apenas para homologar a pretensão de distribuição de valores em cima de resultados já sabidos, o que contraria a finalidade do instituto. Cabe frisar, neste ponto, que o ônus de comprovar o atendimento de condições legais para a fruição de benefícios fiscais é de quem pretende se valer deles. Nesse caso, cabia ao Recorrente fazer prova de seu direito, o que vislumbro não ter logrado êxito. O ônus da fiscalização consistia em comprovar a natureza jurídica da relação e a existência de pagamentos, o que foi suficientemente realizado. Portanto, quanto a esse tópico, entendo que não assiste razão ao Recorrente, de forma que o instrumento formalizado apenas nos últimos dias no ano de referência não atende às exigências da Lei nº 10.101/00, para que os pagamentos realizados possam ser considerados como Participação nos Lucros e Resultados. Assim, por descumprimento ao preceito legal disposto no inciso II do parágrafo 1º do artigo 2º da Lei nº 10.101/00, nego provimento ao recurso neste ponto. Fl. 1754DF CARF MF 48 Participação do Representante do Sindicato na Elaboração do Programa Próprio de PLR Participação do Sindicato na Convenção Coletiva de Trabalho Arquivamento do Acordo de PLR na Sede do Sindicato Neste tópico, o Recorrente alega como razão de sua indignação, os seguintes argumentos: A ausência do representante do Sindicato jamais poderia justificar a desqualificação dos Programas de PLR, porque, com relação ao plano próprio, o Recorrente, seguindo a dicção do artigo 2°, inciso I da Lei n° 10.101/2000, convocou o Sindicato para participar das negociações que culminaram com a assinatura dos Programas de PLR nos anos de 2008 e 2009. Todavia, apesar da convocação, o Sindicato recusouse a participar das respectivas negociações; Em razão disso, o Recorrente adotou o mesmo procedimento em relação ao Ministério do Trabalho, mediante apresentação de cópia do Programa de PLR celebrado para aa Subdelegacia Regional do Trabalho em 15/03/2010, conforme carta datada de 10/03/2010; Quanto à Convenção Coletiva de Trabalho, cujo cumprimento pelo Recorrente é obrigatório, é evidente que também houve recusa de participação do Sindicato, caso contrário, não haveria razão para a participação da Federação dos Empregados em Estabelecimentos Bancários dos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul; Ainda que exista previsão legal que determine a presença do Sindicato da respectiva categoria na comissão escolhida pelas partes envolvidas, é evidente que tal norma deve ser flexibilizada quando ocorre a recusa por parte do Sindicato, tal como ocorreu no caso vertente, sob pena de cerceamento do direito das partes de negociarem a PLR mediante a formação de comissão ou por meio da Federação, como autoriza a legislação de regência. A despeito das alegações do Recorrente, sua irresignação não merece prosperar, pois descumpriu o preceito legal disposto no inciso I do artigo 2º da Lei nº 10.101/00, senão vejamos. Segundo o dispositivo normativo acima citado, “A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria;”. Quanto à necessidade de participação do sindicato, penso ser uma imposição da lei, como norma protetiva do trabalhador, para garantir a fixação de critérios justos e impessoais, e que assim, não pode ser flexibilizada. A Lei n 10.101/2000 não se satisfaz como mero convite ou carta de convocação aos sindicatos. Ela exige a participação efetiva dos sindicatos na mesa de negociações. A eventual escusa dos sindicatos de participar da celebração do plano de PLR não é excludente da exigência estatuída no Diploma Legal ora em foco, uma vez que o Ordenamento Jurídico prevê caminhos alternativos de sanatória de tal ausência, fixados no artigo 616 da Consolidação das Leis do Trabalho, abaixo transcrito: Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.668 49 “Art. 616 Os Sindicatos representativos de categorias econômicas ou profissionais e as emprêsas, inclusive as que não tenham representação sindical, quando provocados, não podem recusarse à negociação coletiva. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 1º Verificandose recusa à negociação coletiva, cabe aos Sindicatos ou emprêsas interessadas dar ciência do fato, conforme o caso, ao Departamento Nacional do Trabalho ou aos órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, para convocação compulsória dos Sindicatos ou emprêsas recalcitrantes. (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º No caso de persistir a recusa à negociação coletiva, pelo desatendimento às convocações feitas pelo Departamento Nacional do Trabalho ou órgãos regionais do Ministério de Trabalho e Previdência Social, ou se malograr a negociação entabolada, é facultada aos Sindicatos ou emprêsas interessadas a instauração de dissídio coletivo. (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967)” Cabe frisar, neste ponto, que o interesse em celebrar o programa próprio de PLR incumbia, também, ao Recorrente, a quem é imposto o ônus de comprovar o atendimento das condições legais para a fruição de benefícios fiscais dos quais pretende se valer. Nesse caso, cabia ao Recorrente fazer prova de seu direito, o que vislumbro não ter logrado êxito. No caso, o pagamento de PLR foi estabelecido por Acordo Coletivo de PLR assinado em 21/12/2009, sem a participação do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo (sindicato competente), que teria justificado o pagamento de PLR ao longo de 2009; e pela Convenção Coletiva de Trabalho sobre PLR assinada em 19/10/2009, que segundo o Recorrente, teria justificado as antecipações pagas em 10/2009, mas que foi conduzido por sindicato incompetente para tratar da negociação e da defesa dos direitos dos empregados do Recorrente, qual seja o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários no Estado de São Paulo e Mato Grosso do Sul, conforme se denota da análise da CCT acostada às fls. 722, a qual, por sua vez, não está assinada. Quanto ao programa próprio, diante da inércia do sindicato competente ante o convite para participar da reunião que o definiria, ao contrário do quanto alegado pelo Recorrente, não se logrou comprovar nos autos a comunicação à entidade competente hierarquicamente superior, nos termos do quanto determina o artigo 616 da CLT, quanto menos sua resposta. Outrossim, essa comunicação sequer foi feita, na oportunidade da recusa do dos Bancários e Financiários de São Paulo, ao Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários no Estado de São Paulo e Mato Grosso do Sul, que conduziu a CCT. Destarte, sem a presença de um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria, e enquanto não se promover o efetivo arquivamento do instrumento de acordo celebrado na entidade sindical dos trabalhadores, conforme determina o parágrafo 2º do Fl. 1756DF CARF MF 50 artigo 2º da Lei nº 10.101/2000, a negociação entre patrões e empregados será considerada irregular, incompleta e ilegal, circunstância que exclui toda e qualquer verba paga a título de PLR do campo de não incidência tributária delimitado na alínea ‘j’ do § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91. Isto posto, com base na legislação transcrita e nos fundamentos expostos, entendo que os pagamentos efetuados a título de PLR foram desnaturados por descumprimento do quanto disposto no artigo 2º caput e § 2º, da Lei nº 10.101/2000 e, por essa razão, são considerados como rendimentos, sobre os quais incidem as contribuições previdenciárias. Dessa forma, neste tópico, nego provimento ao recurso. Determinação de Regras Claras e Objetivas sobre os Resultados a serem alcançados Outro ponto de divergência diz respeito à existência ou não de regras claras e objetivas sobre as metas e os resultados a serem alcançados, com mecanismos que permitissem a aferição do cumprimento do quanto acordado. No caso dos autos, as regras de fixação dos direitos dos empregados que figuram nos Acordos de Programas Próprios, e que fundamentaram os pagamentos feitos pela impugnante a título de PLR no ano de 2009 (fls. 462 a 485), encontramse estipuladas com o seguinte teor: “CLÁUSULA QUINTA – A PLR (Participação nos Lucros ou Resultados) será apurada levandose em consideração as atividades desenvolvidas por cada uma das áreas em função do grau de responsabilidade e influência que cada uma tem sobre os resultados do BANCO, podendo variar, conseqüentemente, o reconhecimento a título de participação. Para fins de PLR, as áreas estão assim divididas: Comercial Corporate Comercial Middle Comercial Consignado Mesa Cliente (...) CLÁUSULA SEXTA O PROGRAMA conta com um CONTRATO DE METAS, conforme modelo que representa o ANEXO I deste documento, que deve ser estabelecido de comum acordo entre o EMPREGADO e sua respectiva chefia no início do período de apuração (que será semestral). Este CONTRATO DE METAS tem duas partes, sendo a primeira composta por metas quantitativas e a segunda por metas qualitativas.” Pela análise da Cláusula Sexta do acordo, percebese que este contou com um Contrato de Metas disposto no seu Anexo I, o qual não continha as metas definidas a serem Fl. 1757DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.669 51 alcançadas pelos empregados do Recorrente, que seriam fixadas somente posteriormente e por critérios subjetivos definidos pela chefia e o empregado, o que denota a fragilidade da determinação das metas e seu desconhecimento pelos empregados no momento da assinatura do acordo. Tal procedimento induvidosamente afronta as disposições contidas no § 1º do artigo 2º da Lei nº 10.101/00, que determinam expressamente as regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação, as regras adjetivas e, bem assim, os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, que já devem constar do próprio instrumento de negociação. Outrossim, apesar dos documentos acostados às fls. 512/540 conseguirem denotar relação entre o percentual de atingimento de metas do empregado com a apuração do seu valor correspondente de PLR, demonstrado pelo método aposto às fls. 540, este próprio método de apuração não foi descrito no acordo de PLR, fator que privou os empregados do conhecimento prévio da forma como seriam recompensados futuramente. Quanto à CCT/2009, verificase que essa não firmou qualquer compromisso com o alcance de metas de produtividade, eis que somente estabeleceu regras para o pagamento de valores fixos de gratificação aos empregados, limitadas ao total de até 15% do lucro líquido do exercício, a teor do que estipulam as cláusulas primeira, segunda, terceira e quarta do mencionado instrumento de negociação, abaixo reproduzidas: CLÁUSULA PRIMEIRA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (P.L.R) Ao empregado admitido até 31.12.2008, em efetivo exercício em 31.12.2009, convencionase o pagamento pelo banco, até 01.03.2010, a título de "PLR", até 15% (quinze por cento) do lucro líquido do exercício de 2009, mediante a aplicação das regras estabelecidas nesta cláusula: I REGRA BÁSICA Esta parcela corresponderá a 90% (noventa por cento) do saláriobase acrescido das verbas fixas de natureza salarial, reajustados em setembro/2009, mais o valor fixo de R$ 1.024,00 (um mil e vinte e quatro reais), limitada ao valor individual de R$ 6.680,00 (seis mil, seiscentos e oitenta reais). O percentual, o valor fixo e o limite máximo convencionados na "REGRA BÁSICA" observarão, em face do exercício de 2009, como teto, o percentual de 13% (treze por cento) e, como mínimo, o percentual de 5% (cinco por cento) do lucro líquido do banco. Se o valor total da "REGRA BÁSICA" da PLR for inferior a 5% (cinco por cento) do lucro líquida da banco, no exercício de 2009, o valor individual deverá ser majorado até alcançar 2,2 {dois inteiros e dois décimos) salários do empregado e limitado ao valor de R$ 14.696,00 (quatorze mil, seiscentas e noventa e seis reais), ou até que o valor total da "REGRA BÁSICA" da PLR atinja 5% (cinco por cento) do lucro líquido, o que ocorrer primeiro. I.a) No pagamento da "REGRA BÁSICA" da PLR o banco poderá compensar os valores já pagos ou que vierem a ser pagos, a esse título, referentes ao exercício de 2009, em razão de planos próprios. Fl. 1758DF CARF MF 52 II PARCELA ADICIONAL O valor desta parcela será determinado pela divisão linear da importância equivalente a 2% (dois por cento) do lucro líquido do exercício de 2009, pelo número total de empregados elegíveis de acordo com as regras desta convenção, em partes iguais, até o limite individual de R$ 2.100,00 (dois mil e cem reais). II.a) A parcela adicional não será compensável com valores devidos em razão de planos próprios. Parágrafo Primeiro O empregado admitido até 31.12.2008 e que se afastou a partir de 01.01.2009, por doença, acidente do trabalho ou licençamaternidade, faz jus ao pagamento integral da Participação nos Lucros ou Resultados, ora estabelecido. Parágrafo Segundo Ao empregado admitido a partir de 01.01.2009, em efetivo exercício em 31.12.2009, mesmo que afastado por doença, acidente do trabalho ou licença maternidade, será efetuado o pagamento de 1/12 (um doze avos) do valor estabelecido por mês trabalhado ou fração igual ou superior a 15 (quinze) dias. Ao afastado por doença, acidente do trabalho ou licençamaternidade fica vedada a dedução do período de afastamento para cômputo da proporcionalidade. Parágrafo Terceiro Ao empregado que tenha sido ou venha a ser dispensado sem justa causa, entre 02.08.2009 e 31.12.2009, será devido o pagamento, até 01.03.2010, de 1/12 (um doze avos) do valor estabelecido no "caput", por mês trabalhado, ou fração igual ou superior a 15 (quinze) dias. Parágrafo Quarto O banco que apresentar prejuízo no exercício de 2009 (balanço de 31.12.2009} estará isento do pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados. CLÁUSULA SEGUNDA ANTECIPAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS P.L.R. Excepcionalmente, e respeitados os termos do "caput" e dos parágrafos da Cláusula Primeira, o banco efetuará, até 10 (dez) dias após a assinatura da presente Convenção, o pagamento de antecipação da Participação nos Lucros ou Resultados, mediante a aplicação das regras estabelecidas nesta cláusula: I REGRA BÁSICA Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.670 53 54% (cinquenta e quatro por cento) sobre o saláriobase mais verbas fixas de natureza salarial, reajustados em setembro/2009, acrescido do valor fixo de R$ 614,00 (seiscentos e quatorze reais), limitada ao valor individual de R$ 4.008,00 (quatro mil e oito reais) e também ao teto de 13% (treze por cento) do lucro líquido do banco apurado no 1a semestre de 2009, o que ocorrer primeiro. I.a) No pagamento da antecipação da "REGRA BÁSICA" da Participação nos Lucros ou Resultados o banco poderá compensar os valores já pagos ou que vierem a ser pagos, a esse título, referentes ao exercício de 2009, em razão de planos próprios. II PARCELA ADICIONAL O valor desta parcela da antecipação será determinado pela divisão linear da importância equivalente a 2% (dois por cento) do lucro líquido apurado no 1º semestre de 2009, pelo número total de empregados elegíveis de acordo com as regras desta convenção, em partes iguais, até o limite individual de R$ 1.050,00 (um mil e cinquenta reais). Il.a) A antecipação da parcela adicional não será compensável com valores devidos em razão de planos próprios. Parágrafo Primeiro O empregado admitido até 31.12.2008 e que se afastou a partir de 01.01.2009, por doença, acidente do trabalho ou licençamaternidade, fará jus ao pagamento integral da antecipação de que trata a presente cláusula, se pertencente ao quadro funcional na data da assinatura desta Convenção. Parágrafo Segundo Ao empregado admitido a partir de 01.01.2009, em efetivo exercício na data da assinatura da Convenção Coletiva de Trabalho, mesmo que afastado por doença, acidente do trabalho ou licençamaternidade, será efetuado o pagamento de 1/12 (um doze avos) do valor estabelecido no "caput" desta cláusula, por mês trabalhado ou fração igual ou superior a 15 (quinze) dias. Para efeito de cálculo da proporcionalidade deve ser considerado como trabalhado o período até 31.1 2009. Aos afastados por doença, acidente do trabalho ou licençamaternidade fica vedada a dedução do período de afastamento para cômputo da proporcionalidade. Parágrafo Terceiro Ao empregado que tenha sido dispensado sem justa causa, entre 02.08.2009 e a data da assinatura desta Convenção Coletiva de Trabalho, será efetuado o pagamento da antecipação prevista nesta cláusula na proporção de 1/12 (um doze avos) do valor estabelecido no "caput", por mês trabalhado ou fração igual ou superior a 15 (quinze) dias, no prazo de 10 (dez) dias úteis da data de recebimento, peio banco, de sua solicitação, por escrito. Fl. 1760DF CARF MF 54 Parágrafo Quarto O banco que apresentou prejuízo no 1º semestre de 2009 (balanço de 30.06.2009), está isento do pagamento da antecipação. Pela leitura do texto da mencionada CCT, é de fácil percepção que o pagamento da indigitada verba aos empregados não esteve relacionada a qualquer ganho de produtividade com o qual estes tenham previamente se comprometido, nada deles se exigindo para fazerem jus ao recebimento desse valor que não o fato de terem sido admitidos pelos empregadores convenentes até 31/12/2008, e estarem em efetivo exercício até 31/12/2009, o que, a toda evidência, não condiz com a definição jurídica da PLR imune à incidência das contribuições sob apreço. Assim, pela análise dos documentos acostados aos autos, não é possível identificar como os critérios dispostos no acordo se converteram nos valores de PLR atribuídos aos empregados e, muito menos, aferir a correção desses valores. Com base nisso, entendo que não ficou demonstrada a existência de regras claras e objetivas quanto aos resultados a serem alcançados, condição legal para que os pagamentos pudessem ser caracterizados como PLR. Assim, neste tópico, nego provimento ao recurso. Desconsideração dos Pagamentos de PLR por Presunção do Agente Fiscal Inocorrência O Recorrente alega que, com base em mera presunção deduzida pelo agente fiscal, este, indevidamente, desconsiderou os pagamentos efetuados a título de participação nos lucros ou resultados, pois a desconsideração de um negócio jurídico demanda a existência de provas contundentes de simulação ou dissimulação, o que não se verificou na presente demanda. Mencionou entendimento deste E. CARF neste sentido. Neste ponto, não merecem prosperar as alegações do Recorrente, em razão da simples constatação da falta de observância dos requisitos legais para a autorização da isenção tributária previdenciária relativa aos valores pagos a título de PLR pelos Programa Próprio e Convenção Coletiva de Trabalho. Para que se constate a incidência das contribuições destinadas à Seguridade Social e a terceiras entidades e fundos, basta a simples comprovação de que as verbas pagas pelo Recorrente a título de PLR não se enquadraram na moldura legal cujo atendimento é indispensável à desvinculação desses pagamentos do conceito de remuneração. Assim, simplesmente, não tendo sido atendidos os requisitos legais autorizadores da isenção tributária previdenciária, os mencionados pagamentos devem ser computados na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Logo, este procedimento nada tem a ver com “desconsideração de negócio jurídico”, como alega o Recorrente, pois tratase da verificação de ocorrência de fatos prescritos em lei, e não de presunção. Outrossim, o Recorrente rebate a fundamentação da decisão recorrida relativa à impossibilidade de comprovação do conhecimento dos empregados quanto às metas traçadas no PLR pelos documentos apresentados, e se os valores pagos corresponderiam às metas Fl. 1761DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.671 55 ajustadas, aduzindo que bastaria à autoridade fiscal ter diligenciado até a sede do Recorrente e questionado pessoalmente seus empregados que participaram da comissão de negociação, bem como aqueles avaliados e que receberam PLR, conforme expediente costumeiramente utilizado pela fiscalização da RFB. Aqui, melhor sorte não acompanha o Recorrente, senão vejamos. Cumpre destacar que o programa próprio de PLR somente foi assinado no final do exercício de 2009 e, oficialmente, a partir daí é que deve ser considerado que se tornou pública a obrigação avençada entre as partes. Neste contexto, considerase que o envio de email aos empregados informando sobre pontos balizadores de programas de metas e resultados em data anterior àquela da assinatura do programa próprio se faz mera conjectura do seu conhecimento, simples dedução de algo que é de provável ocorrência, com base em presunções ou evidências incompletas, mas que não pode ser considerado como oficial, válido e com eficácia jurídica (ante a ausência da contratação do programa). Muito menos os documentos juntados nesse momento no recurso às fls. 1.620/1.634 tem o condão de afastar o trabalho fiscal, na medida em que são extemporâneos e na livre convicção do julgador não seria estranho um empregado assinar algum documento em favor do seu empregador para manter o seu contrato de trabalho intacto ante a subordinação que vigora nesse tipo de contrato, portanto, o caso é simples, o ônus da prova é do contribuinte que quer e beneficiar da isenção e por isso deve manter um programa de PLR de acordo com os termos da Lei. De nada bastaria ter o agente fiscal diligenciado até a sede do Recorrente e indagado seus empregados sobre os pontos passíveis de questionamento em relação ao programa próprio de PLR se este sequer existia. Ao Fisco, por óbvio, não cabe formular as regras balizadoras da PLR, e que devem ser fruto da livre negociação entre a empresa e seus empregados, porém, competelhe examinálas de molde a verificar se tais regras atendem, ou não, aos pressupostos legais caracterizadores da PLR para sua não inclusão na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Que fique claro que empregador e empregados são livres para negociar os critérios de PLR que entenderem cabíveis, porém, se esses critérios não espelham um compromisso prévio, em atendimento aos requisitos legais, então entendo que a verba paga a esse título tem natureza remuneratória e, por conta disso, deve ser tributada, porquanto, além de não se enquadrar na moldura legal que a excluiria da base de cálculo das contribuições sociais, costumeiramente esse expediente é utilizado como forma de flexibilização do salário, substituindo a reposição de uma parcela do salário real por uma parcela variável e livre dos encargos sociais e trabalhistas, fato que desnatura o instituto da PLR e gera prejuízo à arrecadação da contribuição previdenciária, causando a falência do sistema previdenciário brasileiro, a qual assistimos diariamente nos meios de comunicação. Dessa forma, não merece prosperar a irresignação do Recorrente quanto à fundamentação da decisão recorrida que considerou a natureza salarial dos valores pagos a título de PLR. Fl. 1762DF CARF MF 56 De igual forma, carece de legitimidade a tentativa do Recorrente em desnaturar o caráter de “rendimento” dos pagamentos intitulados de PLR, sob a justificativa de haver previsão de um pagamento mínimo a esse título no seu programa próprio, fato que não o poderia macular na íntegra, de modo que as contribuições deveriam incidir apenas nos casos de pagamento mínimo. Na esteira do quanto já discorrido acerca dos requisitos legais necessários para a caracterização dos pagamentos de PLR com vistas à sua não inclusão na base de cálculo das contribuições previdenciárias, constatase que, diante da vedação da retroatividade dos efeitos do programa próprio assinado no final de dezembro de 2009, temse por inexistente o mencionado programa e, assim, qualquer tentativa de caracterização de “valor mínimo de PLR”. Como consequência, os valores pagos a esse título têm natureza remuneratória e compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, sendo, por isso, tributados. Ainda quanto ao tema do “pagamento mínimo”, os esclarecimentos acima colocados servem para descaracterizar a alegação do Recorrente no sentido de que o acórdão proferido pela DRJ inovou a fundamentação utilizada pela fiscalização para configurar a obrigação tributária e que, por isso, deveria ser declarado nulo, com afronta à ampla defesa. Assim, entendo consistente a atuação fiscal, que comprovou ter analisado o cumprimento dos pressupostos legais necessários para a caracterização de PLR, não tendo desconsiderado, por mera presunção, o programa próprio de PLR do Recorrente. Periodicidade do Pagamento de PLR Conforme se percebe pelas alegações do Recorrente e pela análise dos documentos acostados aos autos, poderseia considerar a inocorrência de pagamento de PLR acima da periodicidade legal. No entanto, pela falta de apresentação de documentos que comprovassem as rescisões dos contratos de trabalho, não se pôde comprovar a inexistência de pagamento de PLR em periodicidade acima daquela prevista em lei, senão vejamos. O Recorrente informa que os pagamentos se deram da seguinte forma e períodos: a. fevereiro de 2009 — pagamentos a empregados ativos referente à 2ª parcela de PLR, com base no programa próprio celebrado em 2008; b. margo de 2009 — pagamentos a empregados desligados referente à 2ª parcela de PLR, com base no programa próprio celebrado em 2008; c. agosto de 2009 — pagamentos a empregados ativos referente à lª parcela de PLR, com base no programa próprio celebrado em 2009; d. setembro de 2009 — pagamentos a empregados desligados referente à 1ª parcela de PLR, com base no programa próprio celebrado em 2009; e. outubro de 2009 — pagamento a empregados referente a PLR prevista em Convenção Coletiva de Trabalho firmada pelo Sindicato no período. Apesar disso, o Recorrente não logrou juntar documento oficial que comprovasse o desligamento dos funcionários, como, por exemplo, a rescisão do contrato de trabalho dos empregados ou os registros destes eventos nos sistemas do Ministério do Trabalho Fl. 1763DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.672 57 ou da Caixa Econômica Federal, para o fim de conferência da veracidade das suas alegações, sendo estas últimas, aliadas aos relatórios apresentados, insuficientes para desnaturar o lançamento neste ponto. Dessa forma, neste ponto, entendo que não restou desconstituído o lançamento. Da cobrança do adicional de 2,5% da Contribuição Previdenciária Patronal das Instituições Financeiras e da contribuição ao INCRA O Recorrente alega por ilegal e inconstitucional a legislação que determina a exigência do adicional de 2,5% a título de Contribuição Previdenciária Patronal das Instituições Financeiras, incidente sobre a folha de salários ou os valores pagos aos contribuintes individuais (Lei nº 8.212/91, Art. 22, §10; Lei nº 7.787/89, Art. 30, §20), ante a discriminação tributária aleatória e arbitrária operada em prejuízo das instituições financeiras e equiparadas em razão da atividade que exercem e da lucratividade que obtém. Quanto à contribuição ao INCRA, o Recorrente afirma que esse órgão não atua nem prove qualquer benefício aos seus segurados empregados, posto que atua exclusivamente na execução da reforma agrária, objetivo totalmente diverso das finalidades perseguidas pelo próprio Recorrente e pela Seguridade Social, razão pela qual, apoiado no princípio da referibilidade (CF, Art. 194, par. ún., V e Art. 195, § 5º), na afronta aos artigos 167, XI, e 149, § 2º, ambos da CF, entende que não lhe deve ser exigida a mencionada contribuição, merecendo ser cancelada a exigência feita a esse título pelo lançamento combatido. Com esses argumentos, busca negar eficácia a comandos legais ainda em vigor. Nesse caso, a matéria deve ser questionada, exclusivamente, perante o Poder Judiciário, não podendo ser objeto de avaliação por este colegiado, conforme determina a Súmula nº 2 do CARF, abaixo transcrita: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Em que pese a incidência desse enunciado, que seria suficiente para afastar as pretensões do Recorrente, adoto também como razões de decidir o trecho abaixo transcrito, retirado do Acórdão 2401004.218, do Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, da 1º TO/4ª Câmara/2ª Seção deste colegiado: “Portanto, no foro administrativo, não merece prosperar a argumentação da recorrente quanto à inconstitucionalidade da contribuição ao INCRA. Quanto aos aspectos da legalidade, temos que a investigação a respeito da natureza jurídica da contribuição para o INCRA já foi por demais tormentosa ao longo dos últimos anos, sendo que hoje os tribunais superiores pacificaram entendimento no sentido de que consubstancia contribuição de intervenção no domínio econômico: VIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. NATUREZA DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. LEIS Nº 7.787/89 e Fl. 1764DF CARF MF 58 8.212/91. DESTINAÇÃO DIVERSA. EMPRESAS URBANAS. ENQUADRAMENTO. I A Primeira Seção do STJ, na esteira de precedentes do STF, firmou entendimento no sentido de que não existe qualquer óbice para a cobrança da contribuição destinada ao INCRA também das empresas urbanas. Precedentes: EDcl no AgRg no REsp nº 716.387/CE, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 31/08/06 e EDcl no REsp nº 780.280/MA, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ 25/05/06. II Este Superior Tribunal de Justiça, após diversos pronunciamentos, com base em ampla discussão, reviu a jurisprudência sobre o assunto, chegando à conclusão que a contribuição destinada ao INCRA não foi extinta, nem com a Lei nº 7.787/89, nem pela Lei nº 8.212/91, ainda estando em vigor. III Tal entendimento foi exarado com o julgamento proferido pela Colenda Primeira Seção, nos EREsp nº 770.451/SC, Rel. p/ac. Min. CASTRO MEIRA, Sessão de 27/09/2006. Naquele julgado, restou definido que a contribuição ao INCRA é uma contribuição especial de intervenção no domínio econômico, destinada aos programas e projetos vinculados à reforma agrária e suas atividades complementares. Assim, a supressão da exação para o FUNRURAL pela Lei nº 7.787/89 e a unificação do sistema de previdência através da Lei nº 8.212/91 não provocaram qualquer alteração na parcela destinada ao INCRA. IV Agravo regimental improvido. (STJ; AgRg no AgRg no REsp 894345 / SP; Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO; T1 PRIMEIRA TURMA; DJ 24/05/2007, p. 331) (destaques nossos) Em aditamento ao voto proferido no EREsp 770.451/SC; a Min. Eliana Calmon sublinhou os traços fundamentais da espécie tributária em exame, rememorando magnífico trabalho doutrinário contido na tese apresentada pelo Dr. Luciano Dias Bicalho Camargo, em curso de doutorado da Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais, o qual pedimos venia para transcrevêlo. “As contribuições interventivas têm como principal traço característico a finalidade eleita e explicitada na consequência da norma de incidência tributária. (...) Assim, para a perfeita compreensão da norma de incidência tributária das contribuições de intervenção sobre o domínio econômico, especificamente aquelas que se prestam à arrecadação de recursos para o custeio dos atos interventivos, há de se prever uma circunstância intermediária a vincular a hipótese de incidência e a consequência tributária, sem a qual não há de se falar da existência de norma de incidência válida. Assim, nas contribuições de intervenção sobre o domínio econômico deverá coexistir, para a sua perfeita incidência, os dois núcleos da hipótese de incidência: o "fato do contribuinte", relacionado ao domínio econômico, e os atos interventivos implementados pela União. (...) Assim, no caso específico das contribuições para o INCRA, elas somente se mostram válidas na medida em que o INCRA, efetivamente, promove desapropriações para fins de reforma agrária (circunstância intermediária), visando alterar a estrutura fundiária anacrônica brasileira, conforme minudentemente visto no capítulo 3, aplicandose, assim, os recursos Fl. 1765DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.673 59 arrecadados na consecução dos objetivos constitucionalmente previstos: função social da propriedade e diminuição das desigualdades regionais. Salientese, por relevante, que as contribuições devidas ao INCRA, muito embora não beneficiem diretamente o sujeito ativo da exação (empresas urbanas e algumas agroindustriais), beneficiam toda a sociedade, por ter a sua arrecadação destinada a custear programas de colonização e reforma agrária, fomentam a atividade no campo, que é de interesse de toda a sociedade (e não só do meio rural), tendo em vista a redução das desigualdades e a fixação do homem na terra. Não há que se falar da existência de uma referibilidade direta, que procura condicionar o pagamento das contribuições às pessoas que estejam vinculadas diretamente a determinadas atividades e que venham a ser beneficiárias da arrecadação. Ora, o princípio da referibilidade direta, como defendido por vários autores, simplesmente não existe no ordenamento jurídico pátrio, especialmente no que se refere às contribuições de intervenção no domínio econômico. Trata se de mera criação teórica e doutrinária, sem respaldo no texto da Constituição Federal. (...) Com efeito, a exação em tela é destinada a fomentar atividade agropecuária, promovendo a fixação do homem no campo e reduzindo as desigualdades na distribuição fundiária. Consequentemente, reduzse o êxodo rural e grande parte dos problemas urbanos dele decorrentes. Não pode ser negado que a política nacional de reforma agrária é instrumento de intervenção no domínio econômico, uma vez que objetiva a erradicação da miséria, segundo o preceituado no §1º do art. 1º da Lei nº 4.504/64 Estatuto da Terra. Dessa forma, a referibilidade das contribuições devidas ao INCRA é indireta, beneficiando, de forma mediata, o sujeito passivo submetido a essa responsabilidade”. (destaques nossos) Se bem observados os julgados acima, resta claro que, além da definição de sua natureza jurídica, o STJ afastou todas as argumentações relativas à inconstitucionalidade ou à ilegalidade da contribuição ao INCRA, com base na “referibilidade” ou no “benefício direto”, de sorte a se considerar que as empresas urbanas não seriam contribuintes da contribuição ao INCRA. Com efeito, além dos julgados acima do STJ, cumpre mencionar ainda a orientação do STF destacada no AI 761.127AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, Segunda Turma, DJe de 14.05.2010). É verdade que ainda encontrase pendente de análise pela Suprema Corte a recepção da contribuição ao INCRA no período posterior ao advento da Emenda Constitucional n° 33/2001, que alterou o artigo 149 da Constituição Federal (Repercussão Geral no Recurso Extraordinário n° 630.898, Rel Min. Dias Toffoli, Dje de 28/06/2012). Fl. 1766DF CARF MF 60 Todavia, mesmo neste aspecto particular, a chance de reconhecimento da inconstitucionalidade parece remota, pois a interpretação restritiva que se pretende atribuir ao § 2º, inciso II, alínea a, destoa da inteligência do próprio caput do art. 149, não alterado pela EC nº 33/2001, sendo certo que o próprio STF já fixou a constitucionalidade da contribuição devida ao SEBRAE, qualificada como contribuição de intervenção no domínio econômico (RE 396.266, Relator Min. Carlos Velloso), e da contribuição criada pela LC nº 110/2001, qualificada com contribuição social geral (ADIN 2.556, Relator Min. Moreira Alves), ambas incidentes sobre a folha de salário das empresas, já sob a égide da EC nº 33/2001. Sendo assim, deve ser mantida a exigência relativamente às contribuições ao INCRA.” Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer e NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Declaração de Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Em que pese a minha concordância com a decisão proferida pelo ilustre Relator, tomoa por razões diversas, que passo a expor. Alega o Recorrente, como preliminar, a decadência dos créditos lançados. Sobre o tema assim decidiu o Conselheiro Relator: Em suas razões recursais, alega o Recorrente que a DRJ incorreu em flagrante equívoco ao rejeitar a alegação de decadência quanto aos pagamentos efetuados a título de PLR em 25/02/2009, pois fundada na ausência de comprovação de pagamento de PLR nesse período. Afirma que foram juntados às fls. 554 a 574 dos autos documentos que comprovam o mencionado pagamento, ocorrido em 25/02/2009 e, por isso, considerando que a intimação fiscal ocorreu no dia seguinte a este (26/02/2009), a exigência fiscal relativa às contribuições previdenciárias incidentes sobre os mencionados pagamentos foi Fl. 1767DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.674 61 atingida pela decadência, com base no artigo 150, § 4º, do CTN e na Súmula 99 do CARF. Não assiste razão ao Recorrente, pois neste ponto, a decadência deve ser analisada a partir da data legal para “recolhimento” das contribuições previdenciárias relativas aos pagamentos efetuados em fevereiro de 2009, e não pela data do suposto pagamento da PLR, conforme preceitua a Súmula 99 do CARF, senão vejamos. Não se pode concordar. Comprovado o pagamento das contribuições previdenciárias, tributo sujeito ao chamado lançamento por homologação, aplicase para a contagem do prazo decadencial a regra esculpida no artigo 150, § 4º, do CTN. Mister recordar a literalidade de sua disposição: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” (destaques não constam do texto legal) Ora, a simples leitura do comando da lei complementar tributária explicita a forma de contagem do prazo peremptório para que o Fisco exerça o direito de constituir seu direito de crédito dos tributos em que a lei determina que o sujeito passivo antecipe o pagamento: cinco anos a contar da data do fato gerador. Essa é a lição majoritária na doutrina. Hugo de Brito Machado é incisivo (Curso de Direito Tributário, 20ª ed., São Paulo: Malheiros Ed., pag. 188): “Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de decadência começa na data do fato gerador respectivo” Também nesse sentido caminha a jurisprudência, inclusive a administrativa. O Conselheiro Relator, acertadamente, cita a Súmula CARF nº 99. Inegável que o marco temporal inciador do prazo para que a Adminstração Tributária inicie a verificação da correção do procedimento adotado pelo sujeito passivo, e se for o caso, constitua seu direito de crédito, é a data de ocorrência do fato gerador do tributo. Assim, necessário perquirir em qual data ocorre o fato gerador tributário. A Lei de Custeio, Lei nº 8.212/91, esclarece a questão em seu artigo 22, inciso I: Fl. 1768DF CARF MF 62 “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. “ (negritei) Sabedores que a base de cálculo das contribuições previdenciárias, o chamado salário de contribuição, é o total das remunerações pagas devidas ou creditadas pela empresa, podemos – com segurança – inferir que o período de apuração do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento se encerra no último dia do mês, consubstanciando o chamado fato gerador com ocorrência mensal, por expressa disposição de lei tributária. Ao transportarmos a dicção da Lei de Custeio para o caso em concreto, observaremos que o valor pago pela empresa no mês de fevereiro de 2009, a título de PLR, integra os fatos geradores de tal competência. Enfim, existindo a comprovação do pagamento de contribuições previdenciárias relativas à competência fevereiro de 2009, o prazo legal para que o Fisco constituísse eventual crédito relativo a fato gerador ocorrido nesse mês expira em 5 anos a contar dessa data, ou seja, em fevereiro de 2014, posto que não foi comprovada a ocorrência de fraude, dolo ou simulação. Tendo sido aperfeiçoada a constituição do crédito em discussão no dia 26 de fevereiro de 2014, por meio da ciência do sujeito passivo, verificase que a Administração Tributária exerceu seu poder dever dentro do lustro previsto no Código Tributário Nacional. Por esses motivos e fundamentos, assim como o Relator, nego provimento ao recurso voluntário nessa parte. Passando ao mérito. Agradeço ao eminente Relator a citação de voto de minha autoria. Inicio minha declaração de voto quanto ao mérito do voluntário, transcrevendo, com o devido pedido de desculpas pela repetição, trecho de tal manifestação que se justifica pela motivação contida no excerto. “Da transcrição legal podemos deduzir que a Lei da PLR condiciona, como condição de validade do pagamento: i) a existência de negociação prévia sobre a participação; ii) a participação do sindicato em comissão paritária escolhida pelas partes para a determinação das metas ou resultados a serem alcançados ou que isso seja determinado por convenção ou acordo coletivo; iii) o impedimento de que tais metas ou resultados se relacionem à saúde ou segurança no trabalho; iv) que dos instrumentos finais obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores; v) a vedação expressa do pagamento em mais de duas parcelas ou com intervalo entre elas menor que um trimestre civil.” Fl. 1769DF CARF MF Processo nº 16327.720131/201478 Acórdão n.º 2201003.593 S2C2T1 Fl. 1.675 63 Logo, presentes os requisitos legais acima transcritos, os pagamentos a título de PLR não integram a remuneração do segurado e portanto, não sofrem a incidência da contribuição previdenciária. Porém, como mencionado em meu voto, por ser a Lei nº 10.101/00 uma norma de caráter isentivo, o descumprimento de um de seus requisitos, atrai a tributação destinada a financiar a seguridade social incidente sobre a folha de pagamentos. No caso concreto, além da minha concordância quanto às metas não serem objetivas, o que por si só invalidaria o pagamento das verbas com base nos acordos, ressalto que os pagamentos a título de PLR descumpriram um requisito explícito da Lei nº 10.101/00 que, mesmo desacompanhado – como dito e repetido macula todos os pagamentos realizados sob a rubrica PLR: a exigência legal do pagamento em no máximo duas vezes ao ano e com intervalo mínimo de 6 meses (à época desses pagamentos) entre eles. Repito que por ser norma isentiva, norma de estrutura, a Lei nº 10.101/00 deve ser analisada sempre em confronto com norma de conduta, que atrai a incidência tributária, dito de maneira diversa, só se vislumbra isenção se todos os requisitos da lei isentiva estiverem presentes. No caso em apreço, há descumprimento do § 2º do artigo 3º que veda o pagamento ou qualquer antecipação em mais de duas vezes no ano civil. O Relator, citando o próprio Recorrente, menciona que : O Recorrente informa que os pagamentos se deram da seguinte forma e períodos: a. fevereiro de 2009 — pagamentos a empregados ativos referente à 2ª parcela de PLR, com base no programa próprio celebrado em 2008; b. margo de 2009 — pagamentos a empregados desligados referente à 2ª parcela de PLR, com base no programa próprio celebrado em 2008; c. agosto de 2009 — pagamentos a empregados ativos referente à lª parcela de PLR, com base no programa próprio celebrado em 2009; d. setembro de 2009 — pagamentos a empregados desligados referente à 1ª parcela de PLR, com base no programa próprio celebrado em 2009; e. outubro de 2009 — pagamento a empregados referente a PLR prevista em Convenção Coletiva de Trabalho firmada pelo Sindicato no período. Mesmo ao se considerar que os pagamentos efetuados aos empregados desligados não ferem a Lei nº 10.101/00, ainda se observa o descumprimento de norma de conduta específica de lei isentiva. Logo, tal ofensa à Lei torna despiciendo qualquer outra consideração sobre os valores pagos pela Recorrente, posto que retirada a norma que afastava a incidência tributária, exsurge a natureza remuneratória ínsita aos valores pagos a título de PLR, com sempre dito, verba idêntica a prêmio ou bônus. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso também quanto ao mérito. Fl. 1770DF CARF MF 64 É como voto. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 1771DF CARF MF
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