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Numero do processo: 10670.000616/2001-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Sat Dec 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1997
ITR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL
A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Súmula CARF nº 41.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM: 04/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1997 ITR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Súmula CARF nº 41. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 06 16 /2 00 1- 31 Fl. 629DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 EDITADO EM: 04/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº. 303 34.324, proferido pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes em 23 de maio de 2007, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de contrariedade à lei e à evidência de prova e de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, afastou a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte quanto às áreas de preservação permanente, vencido o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, que dava provimento parcial para acatar 145,44 ha, e, por unanimidade de votos, negou provimento quanto à área de reserva legal e deu provimento quanto às áreas de pastagem. Seguem abaixo as suas ementas: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 2002 Ementa: 1TR. TRIBUTAÇÃO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. A comprovação das áreas de reserva legal e preservação permanente para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR, pode ser reconhecida por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas. ÁREA DE RESERVA LEGAL. É necessária a averbação das áreas de reserva legal à. margem do registro do imóvel junto ao RGI, para isenção do ITR. UTILIZAÇÃO' DAS ÁREAS DO IMÓVEL. ÁREA DE PASTAGENS. Comprovada a existência de 351 cabeças de gado, através de ficha de controle do criador. Recurso Voluntário Provido em Parte A Fazenda Nacional interpôs recurso especial de contrariedade à lei ou evidência de prova, quanto à área de preservação permanente, cujo julgamento não foi unânime (o que excede a 145,44 ha de preservação permanente) e área de pastagem e de divergência, quanto à 145,44 ha de área de preservação permanente. O apelo da Fazenda Nacional visa rediscutir a necessidade de apresentação tempestiva do ato específico do órgão competente para reconhecimento das áreas de preservação permanente e utilização limitada (ADA), bem como a averbação, em data anterior ao fato gerador da obrigação tributária, da área de reserva legal junto ao Cartório de Registro de Imóveis para fins de isenção do ITR e apresenta o paradigma 30236.278, assim ementado: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. EXERCÍCIO DE 1997. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. A existência de área de preservação permanente deve ser reconhecida mediante Fl. 630DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10670.000616/200131 Acórdão n.º 9202003.462 CSRFT2 Fl. 8 3 ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio. As áreas de reserva legal devem ser averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE. (acórdão nº 30236.278). Observa que da análise das alegações e da documentação apresentadas pelo contribuinte, com a finalidade de justificar as áreas de reserva legal, confirmase o não cumprimento da exigência da apresentação tempestiva do ADA perante o IBAMA ou órgão conveniado. Cita a Lei nº 9.393/96, art.110, inciso II que prevê a exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal. Destaca que esse dispositivo legal trata de concessão de benefício fiscal, razão pela qual deve ser interpretado literalmente, de acordo com o art.111 do CTN. Afirma que para efeito da exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada da incidência do ITR, a partir do exercício de 2001, é indispensável que o contribuinte comprove o reconhecimento formal, específico e individual da área como tal. Diz que, para isso, deverá protocolizar o ADA no IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, no prazo de seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração do ITR, de acordo com a IN SRF nº 73/00, vigente à época do fato gerador do tributo. Alega que legislação aplicável ao caso em tela é aquela em vigência à época de ocorrência do fato gerador, nada acrescentando à lide o fato de a referida Instrução Normativa SRF n° 67/1997 ter sido revogada pela Instrução Normativa SRF n° 73, de 18/07/2000, porque, alem de restar evidente que esta última buscou tãosomente consolidar os textos constantes das instruções normativas que tratavam da matéria em um único ato, ela manteve, em seu art. 17, inciso II, a exigência relativa ao prazo de seis meses, contados da data final de entrega de DITR, para que o contribuinte protocolizasse o requerimento do ADA junto ao Ibama. Ressalta que a exigência do ADA não caracteriza obrigação acessória, visto que não está vinculada ao interesse da arrecadação ou da fiscalização de tributos, nem se converte, caso não apresentado ou não requerido a tempo, em penalidade pecuniária, ou seja, não enseja multa regulamentar – o que ocorreria caso se tratasse de obrigação acessória , mas sim incidência do imposto. Acrescenta que é totalmente equivocado o entendimento de que não existe mais a exigência de prazo para apresentação de ADA, em virtude do disposto no § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/1996, incluído pelo art. 3º da MP nº 2.16667/2001, in verbis: § 7º A declaração para fim de isenção do ITR, relativa às áreas de que tratam as alíneas “a” e “d” do inciso II, § 1º desse artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Diz que o que não é exigido do declarante é a prévia comprovação das informações prestadas, ou seja, o contribuinte preenche os dados relativos às áreas de preservação permanente e de utilização limitada, apura e recolhe o imposto devido e apresenta a sua DITR, sem que lhe seja exigida qualquer comprovação naquele momento. No entanto, caso solicitado pela Secretaria da Receita Federal, o contribuinte deverá apresentar as provas das situações utilizadas para dispensar o pagamento do tributo. Traz vários outros dispositivos legais que tratam da exigência do ADA ou do protocolo de requerimento para sua emissão na obtenção da isenção do ITR, dentre eles o Manual de Perguntas e Respostas do ITR (perguntas 66 e 67), o Decreto nº 4.382/2002, a Solução de Consulta Interna nº 12/2003 (Cosit) e diz que de acordo com essa legislação, o contribuinte teria o prazo de seis meses, contados da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA. Afirma que a exigência do ADA encontrase consagrada na Lei nº 6.938/81, art. 17O, § 1º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165/2000. E ainda cita a Lei nº 9.393/96, art.110, inciso II que prevê a exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal. Destaca que esse dispositivo legal trata de concessão de benefício fiscal, razão pela qual deve ser interpretado literalmente, de acordo com o art.111 do CTN. Registra que, no presente processo, não se discute a materialidade, ou seja, a existência efetiva das áreas de preservação permanente e utilização limitada; o que se busca é a comprovação do cumprimento tempestivo de uma obrigação prevista na legislação, para fins de exclusão da tributação. E que no caso concreto, o contribuinte não solicitou o ADA dentro do prazo previsto na legislação, razão pela qual deve ser mantida a glosa efetivada pela fiscalização das áreas de reserva legal. Em relação à não comprovação das áreas de plantio, transcreveu os fundamentos arrolados na decisão da DRJ, verbis: "A "Glosa" do rebanho informado no correspondente DIAT 563 (quinhentas e sessenta e três) cabeças de animais de grande porte , implicou na redução, para "00" (zero), da área do imóvel utilizada com pecuária, em obediência ao disposto no art. 10, § 1°, inciso V, alínea "b", da Lei n° 9.393/96. Essa matéria foi disciplinada através do art. 16, inciso II, da IN/SRF n] 043, de 07/05/1997, com a redação dada pela IN/SRF nº 67, de 1º/09/1997, que diz: Art. 16. A área utilizada será obtida pela soma das áreas mencionadas nos incisos I a VII do art 12, observado o seguinte. I (...) II a área servida de pastagem aceita será a menor entre a declarada pelo contribuinte e a área obtida pelo quociente entre a quantidade de cabeças do rebanho ajustado e o índice de lotação mínima, obserzudo o seguinte... Conseqüentemente, o Grau de Utilização do imóvel foi reduzido de 82,6%, para "00" (zero), com aplicação da alíquota de calculo máxima de 8,6%, prevista para a faixa correspondente a sua dimensão, nos termos do art. 11, da citada Lei nº 9.393/96 e Tabela anexa, para efeito de cálculo do imposto suplementar, lançado pela fiscalização através do referido auto de infração, conforme demonstrativo de fls. 05. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10670.000616/200131 Acórdão n.º 9202003.462 CSRFT2 Fl. 9 5 Para comprovar a existência desse rebanho na propriedade, no respectivo anobase (1996), a impugnante insiste na aceitação dos dois Contratos de Comodato, doc. de fls. 41/4298/99 e 48/4996/97. Esses contratos estão acompanhados das Fichas de Controle do Criador Vacina Febre Aftosa, doc./cópia de fls. 43 e 50. Ocorre que o Contrato de Comodato não autoriza, por si só, a aceitação do rebanho informado pelo proprietário do imóvel no correspondente DIAT, pois ele serve apenas para vincular o rebanho de terceiros, devidamente comprovado através de prova documental hábil e idônea (Ficha de Vacinação e Movimentação de Gado, Cartão de Vacina do IMA, Declaração de Produtor Rural, Nota Fiscal de Aquisição de Vacina, etc...), ao imóvel rural do comodante. No presente caso, as Fichas de Controle do Criador Vacina Febre Aftosa, doc./cópia de fls. 43 e 50, respectivamente, em nome de Jandir de Souza Pinto e Adão de Aguiar Barbosa, fazem prova contra a impugnante, pois comprovam que os respectivos rebanhos, na realidade, já estão vinculados a outros imóveis de propriedade dos próprios comodatários, conforme extratos de fls. 105/108. Alem disso, os referidos Contratos de Comodato não foram devidamente registrados em Cartório nem foram reconhecidas as firmas dos Contratantes, não estando, portanto, revestidos das formalidades legais exigidas para darlhes credibilidade. E o que pior, mesmo que verdadeiros, estão rasuradas, no que se refere ao ano, as datas de celebração dos mesmos, de 1996 para 1995, nas cópias de fls. 41/42 e 48/49. Também é preciso ressaltar que o ônus da prova no presente caso cabe à impugnante, que deveria instruir adequadamente a sua impugnação, nos termos do art. 15, do Decreto n° 70.235/1972; alem disso, o contribuinte está obrigado a manter sob sua guarda os documentos relativos ao auto lançamento do ITR, pelo menos até o prazo qüinqüenal previsto para a sua homologação, a contar da data do respectivo fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150, da Lei n°5.172/66, que diz: "Art. 150(..) §§ 1º, 2°e 3°(...) §4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salva se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Portanto, não constam dos autos provas documentais hábeis e idôneas, comprovando a existência daquele rebanho na propriedade no ano de 1996. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Desta forma, entendo que deve ser mantida a "glosa" do rebanho informado no correspondente DIAT/1997, com a conseqüente redução da área de pastagem aceita para "00" (zero), para efeito de apuração do crédito tributário suplementar". O Despacho nº 55/2008 deu seguimento ao pedido em análise em relação à isenção da área de preservação permanente – decisão prolatada por maioria de votos e negou seguimento em relação à área de pastagem – decisão proferida por unanimidade de votos, haja vista a inexistência de paradigma. Cientificado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, embargos de declaração alegando em síntese: i) ilegitimidade passiva da Embargante no momento do lançamento; ii) omissão quanto à decretação do estado de emergência; iii) erro material relativamente às áreas de preservação permanente e de reserva legal (confusão entre uma e outra); e iv) sopesamento do que foi decidido pela Primeira Câmara em relação à área de pastagens em casos absolutamente idênticos ao presente processo. Tais embargos foram rejeitados, de acordo com o despacho de 25 de agosto de 2010. Apresentou também, tempestivamente, contrarrazões ao recurso especial da Fazenda Nacional. Argumenta que a insurgência fiscal não pode ser acolhida, uma vez que a CSRF já pacificou o seu entendimento contrariamente à tese defendida no recurso especial da Procuradoria, e traz vários acórdãos confirmando essa posição. Alega também que os Tribunais pátrios já firmaram jurisprudência no sentido de que a área de reserva legal não depende de prévia averbação (a comprovação de sua existência pode ser feita por quaisquer meios, inclusive através de laudo técnico apresentado nos presentes autos). Cientificado de que seus embargos de declaração foram rejeitados, o contribuinte opôs segundos embargos de declaração, que mais uma vez foram rejeitados,uma vez que o Regimento Interno do CARF não admite a interposição de embargos em face de embargos, mas apenas em face de acórdão. Cientificado desta nova rejeição de seus segundos embargos, o contribuinte apresentou recurso especial, sobre o qual o Despacho de 24 de agosto de 2012 negoulhe seguimento, por não atender ao prazo previsto no art. 68, c/c art. 65, § 5º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Assim, os autos retornaram ao CARF e foram devidamente sorteados para este relator na CSRF. É o relatório. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10670.000616/200131 Acórdão n.º 9202003.462 CSRFT2 Fl. 10 7 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Preenchidos os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso especial. No presente caso, a área de preservação permanente foi glosada por não ter o contribuinte apresentado Ato Declaratório Ambiental. A controvérsia acerca da exigência de apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA foi dirimida com a aprovação da súmula CARF nº 41, in verbis: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 635DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 15892.000073/2008-37
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3º, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis - dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo - vê-se que o legislador optou por um regime de não-cumulatividade parcial, onde o termo insumo, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização.
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
O creditamento objeto do regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO-COMPROVAÇÃO. GLOSA.
A não-comprovação dos créditos, referentes à não-cumulatividade, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização.
NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado em nossos tribunais superiores.
Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação, ausente vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido.
DESPACHO DECISÓRIO. INSUBSISTÊNCIA. MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
É incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3802-003.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida dar parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausente justificadamente o conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3º, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo vêse que o legislador optou por um regime de não cumulatividade parcial, onde o termo “insumo”, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização. COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. O creditamento objeto do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 89 2. 00 00 73 /2 00 8- 37 Fl. 486DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 A nãocomprovação dos créditos, referentes à nãocumulatividade, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA. O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado em nossos tribunais superiores. Hipótese em que o acórdão recorrido apreciou de forma suficiente os argumentos da impugnação, ausente vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte, não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido. DESPACHO DECISÓRIO. INSUBSISTÊNCIA. MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida dar parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausente justificadamente o conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto – SP (fls. 398/406 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra Despacho decisório que homologou parcialmente a Declaração de Compensação (Dcomp fls. 2/6), cujo crédito provém do saldo credor da contribuição da COFINS, relativo a Fl. 487DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15892.000073/200837 Acórdão n.º 3802003.910 S3TE02 Fl. 487 3 receitas de exportação, apurado no regime de incidência nãocumulativa, referente ao mês de maio de 2007. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp), a fls.2/6, cujo crédito provém do saldo credor da Cofins, relativo a receitas de exportação, apurado no regime de incidência nãocumulativa, referente ao mês de maio/2007, no valor de R$ 190.797,84. A DRF/Bauru, por meio do despacho decisório de fls. 91/93, homologou parcialmente a compensação, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 126.298,31. De acordo com o Termo de Constatação Fiscal, de fls. 82/86, o crédito foi deferido parcialmente devido à glosa de vários itens relativos aos créditos apurados pela requerente, conforme descrito no citado termo. Cientificada do despacho decisório e inconformada com o deferimento parcial de seu pedido, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, às fls.110/150, alegando, preliminarmente, que “a inclusão, no auto de infração, de valores não devidos, face à da glosa indevida como será comprovado...” “...retira do presente feito a liquidez e certeza, o que por si só torna nula a lavratura do auto de infração...” Prosseguindo, também em preliminar, argumenta que o despacho decisório e o termo de constatação seriam nulos porquanto não discriminam especificamente quais os produtos que não se enquadram como insumo, tampouco apresentam a motivação e a fundamentação legal das glosas, além de a fiscalização ter apontado no termo de constatação o descumprimento de vários artigos do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), que seriam totalmente inaplicáveis ao caso concreto. Assim, faltariam elementos essenciais ao ato administrativo, tais como, motivo, agente, objeto, forma, finalidade, resultando no cerceamento do direito de defesa e na nulidade do procedimento. Também discorre longamente sobre a motivação do ato administrativo, para concluir que a motivação que o ato deve conter tem que ser acessível ao destinatário, de modo que este prescinda de advogado ou especialista para exercer seu direito de defesa. Por fim, argumenta que o ato combatido ofende também o princípio da verdade material, o que também levaria a sua nulidade. Quanto ao mérito, alega, em resumo, que o conceito de insumo para o PIS e Cofins não pode ser transposto do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto sobre Operações Fl. 488DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações (ICMS), pois a não cumulatividade das contribuições sociais não se restringe às empresas industriais. Assim, insumo, no âmbito da nãocumulatividade, não seria composto somente pelas matériasprimas utilizadas diretamente na produção, mas por todos os bens e serviços, desde que utilizados na fabricação de bens e serviços, anexando excerto de texto de jurista nesse sentido. Ainda quanto ao mérito, repete as alegações preliminares quanto à ausência de discriminação e fundamentação das glosas, discorrendo brevemente sobre seu processo produtivo e o aproveitamento dos insumos que, segundo seu entendimento, gerariam direito ao crédito das contribuições. Quanto aos insumos, argumenta que a graxa foi indevidamente glosada, pois nada mais é que um lubrificante indispensável ao funcionamento das máquinas do processo produtivo, e, assim como este, deveria dar direito ao crédito, conforme entendimento da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio de Solução de Divergência que cita. O mesmo se aplica aos combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo, cujo aproveitamento do crédito está previsto na Lei nº 10.833, de 2003, na IN SRF nº 404, de 2004, e ainda em entendimento da Administração Tributária. Com relação à venda de álcool, a contribuinte alega que a fiscalização glosou todos os valores dos créditos a ela relativos, pois considerou que somente houve venda de álcool carburante, que não gera direito ao crédito porque está no regime cumulativo, não considerando a venda de álcool para outros fins. Assim, a fiscalização deveria ter estabelecido o rateio proporcional entre o álcool carburante (regime cumulativo) e o álcool para outros fins (regime nãocumulativo),pois, segundo a recorrente, também teria havido venda deste último tipo, conforme notas fiscais que anexa. Reclama também a recorrente que teria havido glosa indevida de créditos relativos a embalagens, haja vista que o acondicionamento do açúcar constituise em etapa da industrialização. No que tange aos créditos relativos aos serviços prestados, argumenta, em resumo, que a legislação permite o desconto de tais créditos desde que utilizados na produção de bens ou na prestação de serviços, e não somente aqueles aplicados diretamente na produção dos produtos, e ainda que a fiscalização não teria sido clara no embasamento da glosa. Em relação à glosa dos créditos referentes aos serviços que, segundo a fiscalização, a contribuinte não teria comprovado que não houve aumento da vida útil do bem em mais de um ano, alega que não há como fazer prova negativa e que houve Fl. 489DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15892.000073/200837 Acórdão n.º 3802003.910 S3TE02 Fl. 488 5 inversão do ônus da prova já que a fiscalização é que teria que provar o que alegou para embasar a glosa. Quanto aos créditos oriundos do aluguel de máquinas e equipamentos, argúi que tais bens são utilizados tanto na movimentação da matériaprima, que geraria crédito, quanto no transporte e empilhamento de mercadorias, que não geraria crédito, assim a fiscalização deveria ter segregado proporcionalmente os créditos relativos a esse item. No tocante aos créditos relativos a arrendamento mercantil, argumenta que a fiscalização, apesar de não citar no termo de constatação nem no despacho decisório, glosou esse crédito sem maiores explicações. Alega também que para os créditos relativos a insumos adquiridos de pessoa jurídica foram utilizados os percentuais relativos ao crédito presumido, reduzindo assim o seu valor sem base legal ou justificativa. Por fim, argumenta que houve aplicação indevida de rateio do crédito em casos em que o crédito deveria ser integral, como nos serviços de ensacamento, marcação e manuseio de sacaria e em relação à levedura. Diante de tais alegações, que incluem a imputação de falta de clareza e de cerceamento do direito de defesa à decisão da autoridade a quo, considerando ainda que a recorrente cita itens que, de acordo com os autos, os respectivos créditos não teriam sido objeto de glosa e também tendo em vista que o termo de constatação, de fls. 82/86, contém apenas uma descrição vaga das glosas, pois não detalha os itens glosados acompanhados dos respectivos valores, o presente foi baixado em diligência à DRF para que os auditoresfiscais responsáveis discriminassem, por item, os valores dos créditos glosados, bem assim esclarecessem o porquê de cada glosa. Em atendimento à diligência foi expedido o Termo de Diligência, de fls.367/376, com os esclarecimentos solicitados. Ciente do termo acima, a requerente apresentou a manifestação de fls.383/392, onde alega, primeiramente, em resumo, que o esclarecimento prestado pela fiscalização após a diligência, no sentido de que todo o álcool foi considerado como sendo do tipo carburante, uma vez que a própria empresa, nas planilhas apresentadas durante o procedimento fiscal, não fez menção à produção/venda de álcool para outros fins, é inaceitável, porquanto o Fisco “não se cuidou de apurar o real montante das operações realizadas o que torna frágil e, portanto, nula toda a ação fiscal”. Prossegue afirmando que “é nulo o lançamento que não contiver a descrição do fato e fundamentação legal da exação.” Também importa em nulidade, segundo a impugnante, “a alteração da fundamentação fática ou jurídica no curso do Fl. 490DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 processo administrativo ou judicial...” “...por carecer de base legal suficiente, já que só se pode falar em lançamento válido se estiver adequadamente embasado na lei e nos fatos reais.” Assim, a discordância surgida após a apresentação da defesa também acarretaria a nulidade do lançamento. Conclui que é nulo o lançamento em que inexiste a indicação dos motivos de fato ou de direito ou sua alteração no curso do processo administrativo, pois “na medida em que eles são alterados isto significa que ou a lei invocada não era aplicável ao caso, ou o fato descrito inicialmente não era o previsto na lei.” “Em ambas as hipóteses isto quer dizer que o lançamento original estava viciado por ilegalidade ou falta de tipicidade, ambos vícios substanciais”, não suscetíveis de correção. Alega também nesta nova peça impugnatória que as IN nºs 247, de 2002, e 404, de 2004, são ilegais, porquanto extrapolam o disposto nas Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, ao restringirem o conceito de insumo no âmbito da não cumulatividade. Repete ainda alegação da manifestação inicial no sentido de que o conceito de insumos para as contribuições sociais não é o mesmo que o aplicado no âmbito do IPI, se assemelhando mais aos conceitos utilizados no imposto de renda, abrangendo todo e qualquer custo ou despesa necessários à atividade da empresa, conforme decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e da Justiça, das quais transcreve partes. Os argumentos aduzidos pela Recorrente, no entanto, não foram totalmente acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA. A nãocomprovação dos créditos, referentes à não cumulatividade, indicados no Dacon, implica sua glosa por parte da fiscalização. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, se incorporado diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Somente dão direito ao crédito no regime de incidência não cumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15892.000073/200837 Acórdão n.º 3802003.910 S3TE02 Fl. 489 7 ÁLCOOL PARA OUTROS FINS. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. RATEIO. As receitas relativas a vendas de álcool para outros fins que não o carburante são tributadas pelas contribuições sociais no regime de incidência nãocumulativa, devendo o respectivo crédito, em relação aos insumos utilizados na produção de álcool, ser apurado proporcionalmente à receita total do produto. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo autuado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do PAF ou quando as irregularidades possam ser sanadas. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cientificada da referida decisão em 02/12/2013 (fls. 424), a Recorrente, em 12/12/2013 (data da transmissão de arquivos via sistema de validação e autenticação de arquivos digitais – fls. 426), apresentou o recurso voluntário de fls. 427/454, com as alegações sintetizadas abaixo: a) preliminarmente, argumenta que a questão não foi decidida com isenção, falta do princípio da motivação do ato administrativo e ainda ausência, no Acórdão, de apreciação de todas as razões suscitadas, solicitando a nulidade da decisão DRJ, posto que cuidou ela de matéria estranha à versada na Manifestação de Inconformidade. Argumenta ofensa ao princípio da verdade material, ensejando que o lançamento de ofício, está irremediavelmente eivado de nulidade, portanto deve ser decretada a insubsistência do despacho decisório ora combatido. Cita jurisprudências administrativas e judiciais. b) quanto ao mérito, no que se refere aos tópicos abaixo relacionados, questiona o Fisco pelas glosas dos créditos, expressando seus argumentos para cada item, observandose que na maioria deles, houve por parte fiscalização algum tipo de restrição ao conceito de insumos: b.1 Da Definição de Insumos no Contexto da NãoCumulatividade; b.2 Dos Insumos Consumidos Pela Recorrente; b.3 Dos Produtos Lubrificantes e de graxas; b.4 Falta Distinção Entre o Álcool Cumulativo e Não Cumulativo; Fl. 492DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 b.5 Dos Serviços Tomados Pela Recorrente; b.6 Do Aluguel de Máquinas e Equipamentos; b.7 Do Leasing; b.8 Da Aquisição de Insumos de Pessoas Jurídicas, e b.9 Da Aplicação Indevida do Rateio. Posto isto, requer que seja declarada a nulidade da decisão ora recorrida ou, se assim não entender a Turma, que seja dado provimento ao presente recurso em face da improcedência do feito fiscal e, como decorrência, ser reconhecido o direito creditório da Recorrente e a consequente homologação das compensações objeto do pleito. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra 1) Admissibilidade do recurso Quanto ao recurso voluntário, não consta dos autos, claramente no documento, a data em que o mesmo foi protocolizado. Todavia, admito que o aludido recurso foi protocolizado em 12/12/2013, data em que foi recebido o arquivo digital da empresa segundo o correspondente recibo do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais (fl. 426). Assim, considerando que o arquivo transmitido é identificado como “RECURSO VOLUNTÁRIO – PROCESSO 15892.000073/200837”, e que a unidade preparadora encaminhou o processo para este CARF, julgoo como tempestivo. No mais, o recurso voluntário preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. 2) Preliminar de nulidade da decisão recorrida Alegou a recorrente a nulidade do Acórdão de primeira instancia, argumentando que teria havido a ausência de apreciação de todas as razões suscitadas e que a questão não foi decidida com isenção, porque o acórdão não se ateve aos aspectos fundamentais colocados à análise do julgador. Conclui alegando que a decisão em discussão cuidou de matéria estranha à versada na Manifestação de Inconformidade, proferindo, assim, decisão de natureza diversa da que foi demandada. A preliminar deve ser rejeitada, pois o acórdão recorrido escorouse no entendimento explícito no sentido de que as aquisições de insumos e dos serviços só geram créditos quando os bens e serviços são aplicados diretamente no produto em fabricação. Especificamente quanto a graxa, a decisão invocou e adotou a interpretação contida na Solução de Divergência Cosit nº 12/2007 para negar o crédito pleiteado pelo contribuinte, o que atende ao disposto no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15892.000073/200837 Acórdão n.º 3802003.910 S3TE02 Fl. 490 9 Portanto, verificase na decisão, que a DRJ detalhou todas as razões pelas quais resultou na procedência parcial da manifestação de inconformidade, reconhecendo, como exposto, a parcela do direito creditório referente à venda de álcool para outros fins. Contudo, temos que observar que o julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem detalhar ao máximo seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado em nossos tribunais superiores. Sendo resolvida a questão suscitada, com motivação explícita no Acórdão, não se tem por omisso o julgado. Em suma, os motivos da homologação parcial da compensação pleiteada residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte e que nos presentes autos, não restou comprovada qualquer restrição ao direito de defesa da recorrente. Portanto, a Recorrente pode discordar do teor da decisão, mas não tem razão quanto à preliminar de nulidade, pois o acórdão recorrido está motivado e atende ao princípio da persuasão racional do julgador. Preliminar de nulidade rejeitada. 3) Ofensa ao Princípio da verdade material insubsistência do despacho decisório. A recorrente argumenta que o ato combatido ofende também o princípio da verdade material, o que também levaria a sua nulidade, conforme trecho do recurso voluntário: (...) 50 “Temos, por conseqüência, que o lançamento de ofício vestibular está irremediavelmente eivado de nulidade, aliás, insanável. Isto posto, deve ser provida a manifestação de inconformidade ora interposta para o fim de ser decretada, ab initio, a insubsistência do despacho decisório ora combatido, conforme as preliminares acima alinhadas”. Frisese que o presente processo não se trata de lançamento de crédito tributário, mas sim de despacho decisório que homologou parcialmente compensação apresentada via DCOMP, ou seja, análise de compensação entre créditos e débitos tributários. Notese que no acórdão da DRJ, conforme trechos abaixo destacados, restou demonstrado com clareza essa questão nos trechos abaixo. Observese: (...) Primeiramente, quanto à alegação preliminar de que faltaria liquidez e certeza ao lançamento, cumpre esclarecer que a impugnante enganase, porquanto o presente não se trata de lançamento de crédito tributário, onde tais requisitos são exigidos, mas sim de despacho decisório que homologou parcialmente compensação apresentada via DComp e para tanto não se exige liquidez e certeza. (...) Portanto, em face dos princípios que norteiam o Processo Administrativo Fiscal, mormente os da informalidade e da verdade material, somente duas são as espécies de irregularidades, elencadas nos incisos do artigo 59 retro transcrito, que possuem o condão de contaminar de nulidade “ab initio” as peças que o compõem: ato lavrado por pessoa incompetente e preterição do direito de defesa. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 (...) Desta forma, a composição do valor do crédito pretendido deve ser devidamente comprovado e explicitado, por parte de quem o postula, de modo a que não restem dúvidas quanto à natureza e montante das operações. Portanto, no que se refere às preliminares de insubsistência, também não se vislumbra a sua ocorrência, conforme pretende a Recorrente, eis que o despacho decisório, além de se revestir dos requisitos e formalidades necessários à sua constituição, nos termos da legislação de regência da matéria, está adequadamente caracterizado e motivado, de modo a justificar a não aceitação parcial do crédito alegado, como também, não ficou caracterizado cerceamento de defesa, uma vez que a recorrente foi regularmente intimada nos autos. Preliminar de insubsistência do despacho decisório rejeitada. 4) Do mérito Como já exposto, a lide envolve discussão concernente à existência ou não de direito creditório referente ao regime de incidência nãocumulativa da COFINS de competência do mês de maio de 2007. A recorrente, cujo nome de fantasia atual é Destilaria Tonon, tem por objeto a fabricação de açúcar e álcool nas suas diversas especificações, e a sua comercialização nos mercados interno e externo. Acrescentese que através do processamento da canadeaçúcar a destilaria produz o álcool e o açúcar. Consta dos autos que no anocalendário 2007, a empresa enquadravase no regime não cumulativo do PIS para as receitas decorrentes da produção de açúcar e no regime cumulativo para as receitas decorrentes da produção do álcool carburante. O núcleo da questão em combate concentrase sobre a subsunção no conceito de insumos – bens ou serviços adquiridos, que geram direito aos créditos de PIS e da COFINS. É pertinente, portanto, que, antes do exame das questões fáticas objeto da controvérsia sejam feitas breves considerações acerca do referido regime de incidência, nas quais abordaremos, em conjunto, questões atinentes aos regimes da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, dada a similitude existente entre os mesmos. O regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições – na mesma ordem – a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real. A legislação pertinente ao regime autoriza, ainda, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos dos artigos 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O cálculo do crédito é realizado mediante a aplicação das mesmas alíquotas específicas para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre referidos custos, Fl. 495DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15892.000073/200837 Acórdão n.º 3802003.910 S3TE02 Fl. 491 11 despesas e encargos (vide artigo 3o, § 1o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Referidas leis, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o, fazem ressalvas ao direito de creditamento em tela. Assim, não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física (hipótese prevista originariamente nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), bem como (e agora incluídas pela Lei 10.865/2004) as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Os créditos apurados deverão ser utilizados, prioritariamente, para a dedução do valor devido das correspondentes contribuições a recolher. No caso de créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação, poderão tais créditos ser utilizados para a compensação com outros débitos da própria empresa, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. As leis instituidoras da nãocumulatividade admitem, ainda, o ressarcimento em dinheiro, caso não seja possível a utilização dos créditos para a dedução das contribuições a recolher até o final de cada trimestre do ano civil. A questão posta em exame nos autos diz respeito, justamente, à existência ou não de direito ao creditamento da COFINS nãocumulativo em vista da aquisição de bens e de serviços utilizados no processo produtivo destinado à exportação. Com efeito, o inciso II do artigo 3o da Lei no 10.833/2003, bem como do correspondente preceito da Lei no 10.637 de 2002, prevê o cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. 4.1) Da definição de insumos no contexto da nãocumulatividade Sabese que essa questão é polêmica, mas uma análise mais detida da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03 revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação deste ou daquele tributo. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03. Nesse passo, distinguemse as não cumulatividade do IPI e do PIS/COFINS, qual seja, no IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03). Assim, também não podemos caminhar no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, apesar de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/03, integrarem o custo de produção, e tal critério oferecer segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda, entendo também não estar coerente sua aplicabilidade ao conceito de insumo no caso das contribuições (PIS e a COFINS). A recorrente aduz em seu recurso que: Fl. 496DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 (...) “ao contrário do que ocorre na legislação do IPI, as leis que regulam o regime do PIS e da COFINS não cumulativos não delimitam o significado de insumo. No entanto, a Receita Federal, extrapolando sua competência, expediu as Instruções Normativas 247/02 e 404/04, que se amoldando a legislação do IPI, restringiu o significado de insumo para o PIS e a COFINS não cumulativos”. E segue defendendo: (...)“Dessarte, devem ser considerados insumos os gastos que, ligados inseparavelmente aos elementos produtivos, proporcionam a existência do produto ou serviço, o seu funcionamento, a sua manutenção ou o seu aprimoramento. Sob essa ótica, o insumo pode integrar as etapas que resultam no produto ou serviço ou até mesmo as posteriores, desde que seja imprescindível para o funcionamento do fator de produção”. Ou seja, pelo entendimento da contribuinte, insumo, no âmbito da não cumulatividade, não seria composto somente pelas matériasprimas utilizadas diretamente na produção, mas por todos os bens e serviços, desde que utilizados na fabricação de bens e serviços, anexando excerto de texto de jurista nesse sentido. No entanto, da leitura das redações do dispositivo que trata do creditamento em decorrência da aquisição de insumos – a atual e as historicamente concebidas para referido preceito – constatase que o termo “insumo”, na forma como é e sempre foi empregado, nunca se apresentou no texto normativo de forma isolada, mas continuamente associado ao seu papel de fator de produção ou na prestação de serviços, ou na fabricação de produtos destinados à venda, ou seja, ao processo de industrialização. No regime nãocumulativo de PIS/Cofins, a Lei dispõe de maneira diferente da legislação do IPI, reconhecendo o crédito em relação à aquisição de “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes” (art. 3º, II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003). O legislador, como visto, vai além do âmbito da industrialização, utilizando termos mais amplos, referindose à produção ou fabricação de bens e, também, à prestação de serviços. O contexto em que ocorre a incidência de PIS e a COFINS, apresenta como fato gerador a receita bruta ou faturamento, referindose, assim, a todo tipo e amplitude de atividade produtiva, não se limitando apenas à fase de industrialização. Desde o primeiro momento este Conselho recusou a pretensão de confinar o conceito de insumo aos mesmos critérios da legislação do IPI, conforme serve de exemplo o seguinte julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no qual foi negado provimento ao recurso do Procurador da Fazenda Nacional: CRÉDITO. RESSARCIMENTO, A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes, denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15892.000073/200837 Acórdão n.º 3802003.910 S3TE02 Fl. 492 13 Recurso negado Acórdão 9303001.035, Processo 11065.101271/200647, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, j. 23/08/2010 Como vimos acima, concluímos que geram direito de crédito todos os insumos – bens ou serviços – que sejam aplicados na produção – de bens ou serviços –, cuja receita esteja sujeita à incidência sob o regime nãocumulativo. No entanto, não é toda e qualquer aquisição que gera direito de crédito, mas apenas aquelas que se enquadrem nas hipóteses de crédito previstas nas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. São estas Leis a fonte primária de definição dos critérios para o direito de crédito. O entendimento deste Conselho, com efeito, é de que: “O conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/02 e normalizado pela IN SRF n° 247/02, art. 66, § 5°, inciso I, na apuração de créditos a descontar do PIS não cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. (…) (Acórdão 330100.423, Processo 11080.003383/200483, Rel. Cons. Maurício Taveira e Silva, j. 03/02/2010). Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ele deve ser aplicado ao processo produtivo e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/99. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. Para definir o conceito de insumo no PIS e na COFINS não cumulativos é necessário constatar a essencialidade do bem ao processo produtivo do contribuinte. Assim, geram crédito do PIS e da COFINS não cumulativos somente as despesas com materiais considerados essenciais. Portanto, para decidir quanto ao direito ao crédito de PIS e da COFINS não cumulativo é imprescindível que primeiro se confiram as características da atividade produtiva desenvolvida pela empresa para, então, analisar quais as aquisições que configuram insumo para os bens e serviços por ela produzidos. É com este enfoque que passaremos a examinar os argumentos apresentados pela reclamante frente os elementos e constatações presentes nos autos. 4.2) Dos Insumos consumidos pela recorrente Fl. 498DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 14 A recorrente discorre em seu recurso voluntário que no desenvolvimento de sua atividade produtiva, adquire diversas matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem e serviços que são empregados no processo de fabricação e comercialização de seus produtos. Dentre eles, aqueles arrolados nos demonstrativos de fls. 200/210 (Análise dos dados da empresa feitas durante ação fiscal), que no entender da recorrente, geram o direito ao crédito da COFINS. Ressalta que os produtos e serviços concorrem decisivamente para a obtenção do açúcar e do álcool, ou seja, inúmeros produtos e serviços que são adicionados ao caldo durante a decantação, fermentação, destilação (álcool) ou filtração, evaporação, cozimento centrifugação e secagem (açúcar) visando um só e único fim: o produto final industrializado. No entanto, a defesa se limitou a fazer alegações genéricas em relação ao seu direito de tomar o crédito em relação a todos os custos e despesas necessários à manutenção da sua atividade, com base no art. 3º, II das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, mas não trouxe aos autos nenhum elemento hábil à comprovação de que os bens glosados nas planilhas fls. 200/210, se enquadram nos requisitos que garantem o direito de crédito com base no custo de aquisição do bem. O simples exame das referidas planilhas não permite ao julgador constatar que os bens ali discriminados se enquadram no conceito de insumo que vem sendo adotado por este colegiado. Alguns dos itens glosados definitivamente se verifica que não integram o custo de produção. Por outro lado, ao meu ver, entendo que outros poderiam gerar o crédito das contribuições, como por exemplo produtos químicos, lubrificantes e combustíveis, se aplicados na produção; materiais de manutenção/reparos, desde que efetuados na fábrica ou em máquinas utilizadas diretamente na produção. Embora a Recorrente trouxe aos autos uma descrição do processo produtivo da empresa (Etapas do Processo Industrial e Fluxogramas fls. 151/166), por si só não permite ao julgador correlacionar os materiais glosados com as formas pelas quais são utilizados no referido processo produtivo. No caso sob análise, quanto aos elementos probatórios, tratase de processo de iniciativa do contribuinte, no qual ele compareceu perante a administração para pleitear o direito aos créditos da contribuição. Competelhe, portanto, o ônus de comprovar que o direito alegado é certo quanto à sua existência e líquido quanto ao valor solicitado. Ressaltese que para todos os itens glosados nos autos, a fiscalização elaborou uma planilha denominada “Análise de dados da empresa feita durante a ação fiscal” (fls. 200/210), que contém a discriminação e identificação das despesas apresentadas pela Recorrente, tais como: as linhas do DACON, data e número da Nota Fiscal, descrição dos produtos, serviços, fornecedores, valores e a informação da manutenção do item ou a glosa efetuada pela fiscalização bem como seu motivo. Para tanto, foi tomado a devida ciência da empresa. 4.3) Dos Produtos (Lubrificantes) Graxa Sobre este item, a recorrente argumenta em seu recurso voluntário que, Fl. 499DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15892.000073/200837 Acórdão n.º 3802003.910 S3TE02 Fl. 493 15 (...) “quanto aos insumos, nas alegações para justificar o feito fiscal, a fiscalização referese expressamente às aquisições de graxa feitas pela Recorrente e glosa os créditos a ela relativo invocando a Solução de Divergência nº 12/07”. Essa matéria foi esclarecida pelo Fisco, uma vez que nas planilhas demonstrativas das glosas (fl. 201), na coluna apropriada, a fiscalização descreve a motivação do ato: glosa – graxa não é lubrificante. A recorrente visando elucidar a questão no intento de elidir a glosa perpetrada pelo Fisco, reproduz várias conceituação do vocábulo “graxa”, pesquisado em abalizadas publicações linguísticas e técnicas (dicionários, sites, Wikipédia, etc.), visando conceituar o termo graxa, concluindo que a graxa nada mais é que um lubrificante indispensável ao funcionamento de máquinas, equipamentos, motores, etc. Isto porque, conforme definido na legislação (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, II e § 2º; Lei nº 10.865, de 2004, art. 40) os combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços geram créditos do regime de apuração nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep. No entanto, o Fisco, em seu Termo de Constatação Fiscal, informa que (fls. 83/84): (...) “Com relação aos insumos, aplicandose o disposto na IN SRF 404/2004, art. 8o, inciso I, "b" e § 4 o , inciso I, "a", foram glosados valores referentes à compra de graxa (conforme Solução de Divergência Cosit 12/2007) e óleos lubrificantes empregados nos veículos da empresa. Relação das notas fiscais, com direito a crédito, mantidas pela fiscalização, às fls. 72 a 77”. Quando da elaboração do Termo de Diligência (fls. 340), a fiscalização reforça que: (...) “Lubrificantes – Foram glosadas as notas fiscais de compras de lubrificantes para máquinas agrícolas e de graxa, em razão da Solução de Divergência Cosit nº 12/2007. O inciso II do artigo 3º da Lei 10.833/03 prevê o desconto de créditos sobre lubrificantes, e conforme consta da citada Solução de Divergência, graxa não é lubrificante, em definição da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Bicombustíveis (ANP). Solução de Divergência 12 de 24 de outubro de 2007 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Não se consideram insumos, para fins de desconto de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, materiais de limpeza de equipamentos e máquinas, graxas, pinos, tarraxas e ferramentas (...). Como se nota, o Fisco escorouse na Solução de Divergência Cosit nº 12/2007, que conclui que não são considerados insumos, para fins de desconto de créditos da contribuição para o PISPasep e da Cofins, os materiais de limpeza de equipamentos e máquinas, graxas, pinos, tarraxas e ferramentas. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 16 No entanto, entendo que o produto graxa, no caso, tem a finalidade de preservar a integridade e o regular funcionamento das máquinas utilizadas na atividade produtiva e, portanto, atividade intrínseca ao processo produtivo da empresa. Não há atividade produtiva sem a constante preservação dos maquinários. O dicionário Wikipédia ao se referir ao vocábulo “graxa” dános o seguinte ensinamento: “Graxas são o nome genérico e popular dado a lubrificantes pastosos compostos (semi plásticos) ou de alta viscosidade, compostos de misturas de óleos lubrificantes minerais (de diversas viscosidades) e seus aditivos e especialmente do ponto de vista químico, sais de determinados ácidos graxos com cálcio, sódio, lítio, alumínio, bário e magnésio (geralmente chamados de sabão que em formam com os óleos de origem mineral uma emulsão, que atuam como agente espessador. Em tais formulações o óleo mineral entra como o verdadeiro lubrificante e o espessador, além de conferir a viscosidade à mistura, atua na retenção do óleo mineral” (g.n). Portanto, no que se refere ao produto graxa, devese reconhecer o direito de crédito do PIS, pois o art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 é expresso em reconhecer tal direito em relação às aquisições de combustíveis e lubrificantes, não havendo dúvida de que a graxa é um lubrificante e de que tem a sua aplicação como lubrificante nos equipamentos e máquinas utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Com base nos conceitos acima, concluo, pois, pelo reconhecimento do direito de crédito na aquisição de graxa (demonstrativo fl. 201). 4.4) Os Lubrificantes Utilizados no Processo Produtivo Nos termos relatados nos autos, a Fiscalização glosou créditos calculados sobre determinados bens e serviços, considerandoos não abrangidos pelo conceito de insumos, nos termos do art. 3°, inciso II, das Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Neste tópico específico, argumenta a recorrente em seu recurso voluntário no que se refere ao entendimento oficial concernente à apuração indevida de créditos sobre combustíveis e lubrificantes, alega a interessada que estes teriam sido efetivamente utilizados no processo produtivo, e que: (...) “Segundo a disposição expressa no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/03, 22 e segundo, ainda, a disciplina contida no art. 66, inciso I, alínea ”b”, da Instrução Normativa SRF 247/02, geram direito a créditos do PIS os dispêndios com combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços destinados à venda”. E segue, (...) “Esclarecendo o alcance da norma em comento, a Coordenação Geral do Sistema de Tributação – COSIT, expediu a Solução de Divergência nº 37/08, firmando o entendimento abaixo transcrito:”(...). Por outro lado, de acordo com o Termo de Constatação Fiscal (fls. 83/84), o Fisco relata que: (...) “A empresa também apresentou todas as notas fiscais de insumos que, no seu entender, dariam direito ao crédito de COFINS Cumulativo, além de notas fiscais de lubrificantes, comprovantes das despesas com energia elétrica, despesas de depreciação, despesas com armazenagem e frete nas vendas e despesas financeiras. Os demonstrativos elaborados pela empresa encontramse anexados às fls. 35 a 71. Com relação aos insumos, aplicandose o disposto na IN SRF 404/2004, art. 8o, inciso I, "b" e § 4 o , inciso I, "a", foram glosados valores referentes à compra de graxa (conforme Fl. 501DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15892.000073/200837 Acórdão n.º 3802003.910 S3TE02 Fl. 494 17 Solução de Divergência Cosit 12/2007) e óleos lubrificantes empregados nos veículos da empresa. Relação das notas fiscais, com direito a crédito, mantidas pela fiscalização, às fls.72 a 77”. Observese que no Termo de Diligência, o Fisco descreve (fl. 340/341): (...) Lubrificantes Foram glosadas as notas fiscais de compra de óleo utilizado em máquinas agrícolas e de graxa, em razão da Solução de Divergência Cosit 12/2007. O inciso II do artigo 3º da Lei 10.833/03 prevê o desconto de créditos sobre lubrificantes, e conforme consta da citada Solução de Divergência, graxa não é lubrificante, em definição da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP...). E segue, (...) “Combustível – foram glosadas as despesas apresentadas como óleo combustível para veículos, máquinas agrícolas, caminhões e tratores por não serem insumos diretamente ligados ao processo produtivo do açúcar e outros produtos sujeitos a não cumulatividade” (g.n). Já nas planilhas denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fl. 201), a fiscalização esclarece, na coluna especificada L02 Lubrificantes, que tais créditos foram mantidos, glosando somente as graxas, por não ser considerado lubrificantes. Restando claro, portanto, que somente os bens e serviços utilizados de forma direta na produção da pessoa jurídica dão direito ao crédito das contribuições, devendo ser, efetivamente, absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. Notese, que no caso, conforme apurado pela fiscalização em seu demonstrativo (fl. 201), tais créditos, referente aquisições de lubrificantes (Oleord500 eÓleo Sugartex SS 12.500 Texaco), os créditos foram mantidos, não havendo glosas para aquisições desses óleos lubrificantes. Portanto, não conheço do recurso no que se refere as alegadas glosas dos Lubrificantes utilizados no processo produtivo, por falta de interesse recursal. 4.5) Falta de Distinção Entre o Álcool Cumulativo e Não Cumulativo Argumenta a recorrente que no que se refere à glosa relativa aos insumos empregados no fabrico do álcool carburante (cumulativo), tampouco assiste razão à fiscalização. 4.5.1) Produtos Químicos utilizados Em seu recurso aduz que: (...) “A fiscalização, glosou o crédito de vários produtos químicos que possuem emprego geral no processo produtivo, ou seja: são aplicados tanto na industrialização do álcool como do açúcar, conforme se vê na planilha – utilização anexada aos autos, sem a mínima preocupação em estabelecer o necessário e indispensável rateio proporcional para distinguir a quantidade destinada à produção do álcool e daquela destinada à produção do açúcar. Com efeito, revendo os termos da fiscalização, verifico que, concernente aos produtos químicos adquiridos, a priori, sua admissão não foi vetada, entretanto, restringida àqueles utilizados no tratamento de água, na limpeza de caldeiras, nas torres de resfriamento e Fl. 502DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 18 os utilizados exclusivamente na fabricação de álcool, na premissa que o termo “insumo” refere se aos bens e serviços utilizados diretamente no processo industrial ou produtivo, razão porque apenas estes materiais poderiam ser admitidos como tal. Tal fato, consta quando o Fisco relata em seu Termo de Diligência (fls. 367/368) que glosou as compras de determinados produtos químicos: (...) Visando a esclarecer a analise feita na ação fiscal, complementamos as informações contidas no Termo de Constatação Fiscal de 18/08/2009 com as despesas glosadas pela fiscalização de acordo com as linhas da ficha de apuração dos créditos do DACON. Estão sendo anexadas fotocópias de notas fiscais de produtos químicos, lubrificantes, serviços, fretes, razões de contas contábeis, estoque de abertura, contratos de prestação de serviços, descritivos manutenção e demais elementos que serviram de base para as glosas. Os produtos de utilização comum na produção do álcool e dos outros produtos não cumulativos, como o açúcar e a levedura, foram rateados de acordo com o percentual não cumulativo, apurados com base nas receitas, e os de uso exclusivo dos produtos não cumulativos foram considerados sem aplicação do rateio. Produtos Químicos a fiscalização glosou as compras de produtos químicos utilizados no tratamento de água, na limpeza de caldeiras, nas torres de resfriamento e os utilizados exclusivamente na fabricação de álcool, pois nesses casos, eles não foram consumidos na produção ou incorporados aos produtos não cumulativos. Quanto à apresentação de NF de venda de álcool outros fins na manifestação de inconformidade, a fiscalização esclarece que todo álcool foi considerado carburante vez que a própria empresa, nas planilhas apresentadas não fez menção a produção/venda de álcool outros fins. Já nas planilhas denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fls. 200/201), a fiscalização demonstra, na coluna especificada para: L02 Produtos Químicos, que para algumas notas fiscais os créditos foram mantidos e outros foram glosados, assim motivados: glosa tratamento água, glosa álcool e glosa – caldeira, torre de resfriamento, mantido com rateio e mantido sem rateio. Portanto, não assiste razão a Recorrente, pois como se verifica no referido Termo, o Fisco informou ainda que os produtos de utilização comum na produção do álcool dos outros produtos não cumulativos, como o açúcar e levedura, foram rateados de acordo com o percentual não cumulativo, apurado com base nas receitas, e os de uso exclusivo dos produtos não cumulativos foram considerados sem aplicação do rateio. Em seu recurso voluntário, embora a recorrente tenha discorrido sobre os insumos consumidos por ela (produtos químicos), em momento algum demonstrou e provou que os bens cujos créditos foram glosados são consumidos no processo de fabricação de seus produtos. A configuração de insumo depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte. A falta desta demonstração impede o reconhecimento do direito de crédito. Com já relatado, como se trata de um pedido de interesse exclusivo da requerente, ressarcimento de contribuições sociais recolhidas, que implica renúncia por parte do ente tributante, o ônus da comprovação dos valores que compõem o crédito postulado é todo da requerente. Desta forma, a composição do valor do crédito pretendido, deve ser devidamente comprovada e explicitada, por parte de quem o postula, de modo a que não restem dúvidas quanto à natureza e montante das operações. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15892.000073/200837 Acórdão n.º 3802003.910 S3TE02 Fl. 495 19 Por outro lado, a recorrente em seu recurso, não demonstrou, mediante apresentação de provas, que tais glosas foram indevidas, ou seja que tais aquisições foram objeto de aplicação no processo produtivo da requerente. Assim, não podem descontar da contribuição para a COFINS apurada mensalmente, créditos calculados em relação aos valores das aquisições de materiais de consumo, por absoluta falta de amparo legal uma vez que tais despesas não se encontram relacionados no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, nem tampouco caracterizam insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Portanto, não tendo o contribuinte se observado do ônus de comprovar o direito alegado no recurso, correto as glosas de parte dos Produtos Químicos adquiridos pela Recorrente, conforme consta dos demonstrativos de fls. 200/201. 4.5.2) Álcool Cumulativo e Não Cumulativo Neste mesmo tópico a Recorrente prossegue alegado em seu recurso que: (...) “Ainda seguindo este confuso raciocínio, em momento algum a fiscalização preocupouse em verificar se todo o álcool produzido teria sido, de fato, comercializado como álcool carburante (hidratado ou anidro) – CUMULATIVO ou se, como comprovadamente ocorreu, teria havido também a comercialização de álcool destinado a outros fins que não ao consumo como combustível e, portanto, NÃOCUMULATIVO. A par deste fato, a Recorrente apresentou cópias de inúmeras notas fiscais emitidas que comprovam cabalmente que a operação de venda por elas acobertadas referemse à venda de álcool etílico hidratado ou álcool etílico anidro destinados à utilização de diversos outros fins que não ao uso como combustível. As operações de vendas do álcool “Outros Fins“ foi igualmente comprovada através do registro contábil daquelas vendas no período de auditado, conforme espelhado nas folhas do Razão Analítico juntado aos autos. A título de exemplo, listamos abaixo algumas notas fiscais, dentre aquelas já anexadas, que evidenciam, apenas pela singela leitura da razão social do destinatário da mercadoria, não se tratar de operação relativa à venda de álcool anidro ou hidratado para fins carburantes, já que a comercialização de álcool combustível somente é permitida, pela Agência Nacional de Petróleo ANP, para as distribuidoras por ela credenciadas. NF. 105694 – 09/05/2007 – Butilamil Inds Reunidas Ltda. NF. 105827 – 10/05/2007 – Butilamil Inds Reunidas Ltda. NF. 106510 – 23/05/2007 – Cerba Destilaria de Álcool Ltda. NF. 105648 – 07/05/2007 – Com. Distrib. De Álcool Lacerda Ltda. Ora, como é conhecimento comezinho, o álcool carburante ou combustível, quando do advento da lei instituidora do regime nãocumulativo permaneceu no regime cumulativo, enquanto que o álcool não destinado ao uso como combustível foi tangido ao regime da nãocumulatividade. Decorre daí a certeza da precariedade e subjetividade do trabalho realizado pela fiscalização que, por consequência atestam a incontestável nulidade da glosa efetuada”. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 20 Quanto à apresentação de Nota Fiscal de venda de álcool para outros fins, observese que no Termo de Diligência, a fiscalização esclarece que todo álcool foi considerado como sendo carburante, acrescentando que a própria empresa, nas planilhas apresentadas não fez menção a produção/venda de álcool outros fins (fl. 368). (...) Quanto à apresentação de NF de venda de álcool outros fins na manifestação de inconformidade, a fiscalização esclarece que todo álcool foi considerado carburante vez que a própria empresa, nas planilhas apresentadas não fez menção a produção/venda de álcool outros fins. No entanto, a DRJ ao analisar a questão da venda de álcool outros fins, se pronunciou da seguinte forma, conforme texto abaixo reproduzido: (...) No caso vertente, a interessada somente apresentou as notas fiscais de venda de álcool para outros fins de fls. 169/175, os demais documentos apresentados, cópia do livro Razão e relação discriminando várias notas fiscais, não comprovam documentalmente esse tipo de venda e não podem ser aceitos. Destarte, para apuração do crédito relativo às vendas de álcool para outros fins, efetivamente comprovadas pela impugnante, na fase impugnatória, os insumos utilizados na sua produção devem ser rateados na proporção da receita por elas gerada em relação à receita total da venda de álcool. (...) Diante do exposto, voto pela PROCEDÊNCIA PARCIAL da manifestação de inconformidade, reconhecendo a parcela do direito creditório referente à venda de álcool para outros fins, como acima exposto. Verificase que pelo exposto acima, a decisão a quo acatou as vendas efetivamente comprovadas através de documentação hábil juntadas aos autos (cópia de Notas Fiscais de fls. 169/175). Na linha do acima decidido, os respectivos valores de créditos foram ajustados pela Delegacia da RFB de origem, conforme se verifica no documento intitulado “Informação Fiscal”, que se encontra juntado aos autos (fls. 410/412), e pode ser observado no trecho abaixo transcrito: No acórdão 1440074 de 29/01/2013 o voto foi pela procedência parcial da manifestação de inconformidade, reconhecendo a parcela do direito creditório referente à venda de álcool para outros fins. À folha nº 404 consta: (...) No caso vertente, a interessada somente apresentou as notas fiscais de venda de álcool para outros fins de fls. 169/175, os demais documentos apresentados, cópia do livro Razão e relação discriminando várias notas fiscais, não comprovam documentalmente esse tipo de venda e não podem ser aceitos. Destarte, para apuração do crédito relativo às vendas de álcool para outros fins, efetivamente comprovadas pela impugnante, na fase impugnatória, os insumos utilizados na sua produção devem ser rateados na proporção da receita por elas gerada em relação à receita total da venda de álcool. A receita total da venda de álcool foi informada pela empresa na fls. 36/37, e utilizada pela fiscalização para os rateios (fl. 210). A receita de álcool para outros fins, que não o carburante, são as comprovadas nas notas fiscais identificadas. Portanto a Fl. 505DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15892.000073/200837 Acórdão n.º 3802003.910 S3TE02 Fl. 496 21 proporção da receita de álcool para outros em relação á receita total de álcool é (...): (...) Foram glosados, na fiscalização, pelo motivo “glosa álcool”, as aquisições de produtos químicos utilizados apenas na produção de álcool, e não foi incluída na base de cálculo dos créditos referente a bens utilizados como insumo a cana de açúcar adquirida de pessoa jurídica para produção do álcool (fls. 200/202). Considerando que estes são os insumos não incluídos na base de cálculo dos créditos, em razão de serem utilizados na produção do álcool, o crédito de Cofins não cumulativa para fins de ressarcimento/compensação do mês de maio/2007 fica calculado da seguinte forma (...): Quanto aos demais argumentos da recorrente, não podem ser considerados, uma vez que no caso, a interessada somente apresentou as notas fiscais de venda de álcool para outros fins de fls. 169/175, que já foram analisadas e consideradas pela DRJ, os demais documentos apresentados, como a cópia do livro Razão (fl. 167/168), não comprovam documentalmente esse tipo de venda, mas tão somente a escrituração das notas acima consideradas. Logo, tendo em vista que não foram acostados novas provas hábeis contrária pelo contribuinte em sede de manifestação de inconformidade e tampouco nesta fase, objetivando comprovar o alegado pela Recorrente, temse que não devem ser reconhecidos o direito pleiteado, salvo o já considerado pela decisão recorrida. 4.6) Serviços Tomados Pela Recorrente Nos termos relatados neste processo, o Fisco glosou créditos calculados sobre determinados bens e serviços, considerandoos não abrangidos pelo conceito de insumos, nos termos do art. 3°, inciso II, das Leis n° 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Sobre este item, a recorrente argumenta em seu recurso que: (...) “concluise que insumo , no contexto das regras desta não cumulatividade da contribuição ao PIS, comporta a contratação de serviços destinados a execução de outros serviços. Mais ainda, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02 e o art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/03, conjugados com as demais regras previstas nesta lei, autoriza nos a concluir que a expressão “serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda” acolhe a possibilidade de haver a contratação de serviços para a execução de outros serviços, quaisquer que sejam, desde utilizados com o escopo final que é a obtenção do produto final industrializado. Resta, destarte evidenciado que não foi a preocupação da autoridade lançadora a especificação de cada tipo ou categoria de serviço e sua identificação, aspectos de suma relevância para a caracterização e legitimação da glosa. Por derradeiro, cumpre esclarecer que nenhum dos serviços, tomados pela Recorrente e que foram utilizados no seu processo produtivo, se enquadram entre aqueles que são passíveis de registro no ativo imobilizado ou permanente, de acordo com as normas contábeis geralmente aceitas, bem como com as de regência do Imposto de Rendas Pessoas Fl. 506DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 22 Jurídicas, eis que se tratam de serviços que em sua essência e própria finalidade devem e foram lançados diretamente como custo de produção”. Como já abordado neste voto, os §§ 2º e 3º do art. 3º da Lei nº 10.637/02 e da Lei nº 10.833/03 vedam o crédito da contribuição à COFINS e ao PIS se os bens e serviços forem adquiridos de pessoa física ou de pessoa jurídica não estabelecida no País. Desta forma, as exceções às regras de apropriação de créditos já estão claramente dispostas em tais parágrafos, cumprindo, assim, a função que lhes foi atribuída pela alínea “c ” do inciso III, do art. 11, da Lei Complementar nº 95/09. Verificase que no Termo de Constatação Fiscal (fl. 84), consta que: (...) “As despesas com prestação de serviço com direito ao crédito do PIS não cumulativo estão disciplinadas pelo disposto na IN SRF 404/2004, art. 8º, inciso I, “'b". " b.1 " , § 4º , I. '"b". Foram objetos de glosa as despesas apresentadas pela empresa que não se enquadravam na definição supramencionada: "os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto"; neste caso, açúcar e outros produtos sujeitos ao regime não cumulativo da COFINS. Relação das notas fiscais com direito a crédito, mantidas pela fiscalização, às fls. 72 a 77”. Também não procede as alegações da recorrente no que concerne que não houve a preocupação da autoridade lançadora quanto a especificação de cada tipo ou categoria de serviço e sua identificação, aspectos de suma relevância para a caracterização e legitimação da glosa. No Termo de Diligência (fls. 369/376) a fiscalização elaborou relatório bem detalhado no tópico “SERVIÇOS UTILIZADOS COM INSUMO”, onde descreve que, “como regra foram glosados todos os serviços que não estavam diretamente ligados à produção dos produtos não cumulativos ou à manutenção de máquinas diretamente ligados à produção”. Seguindo o tópico, o Fisco esclarece no documento a fundamentação e a base legal sobre os conceitos de insumos para fins de creditamento sobre tais bens e serviços, especificando as glosas efetuados. Vejase: (...) As glosas, tanto dos bens declarados como insumo quanto dos serviços utilizados como insumo, atendem à definição da IN 404/2004 (...): E segue a fiscalização informando que: “Com a base legal acima, foram efetuadas as seguintes glosas: “não corresponde ao conceito de insumo” – notas fiscais de serviços não relacionados o processo produtivo, citados no anexo, como por exemplo controle de pragas, assessoria técnica, locação de toalhas, serviços com máquinas agrícolas, serviço reboque, carregamento de cana, movimentação de sacaria, pintura, hidrojateamento entre outros. “NF não identifica se é custo ou despesa” – notas fiscais com descrição genérica não sendo possível identificar se é despesa ou custo: serviço de revisão de válvulas, usinagem, etc. “valor que deveria ser incorporado ao ativo” – notas fiscais de reformas de equipamentos que deveriam ser ativadas em razão do aumento da vida útil do bem reparado: revisão de peças da moenda, automação industrial, montagem industriais, balanceamento industrial. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15892.000073/200837 Acórdão n.º 3802003.910 S3TE02 Fl. 497 23 As partes e peças de reposição utilizadas em máquinas e equipamentos que respondem diretamente pela fabricação ou produção de bens destinados à venda, podem ser consideradas insumos para efeito de apuração de créditos relativos à contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS nãocumulativa, desde que referidas partes e peças sofram alterações decorrentes da ação diretamente exercida no processo de fabricação do produto e desde que não estejam incorporadas ao ativo imobilizado da empresa. Com efeito, revendo os termos do relatório do Fisco, verificase que, concernente aos serviços acima especificados, a priori, sua admissão não foi vetada, entretanto, restringida àqueles enquadrados no conceito do termo “insumo”, este quando referese aos bens e serviços utilizados diretamente no processo industrial ou produtivo. Quanto a alegação de que nenhum dos serviços, tomados pela Recorrente e que foram utilizados no seu processo produtivo, se enquadram entre aqueles que são passíveis de registro no ativo imobilizado ou permanente, de acordo com as normas contábeis geralmente aceitas, bem como com as de regência do IRPJ, verificamos que a fiscalização relata em seu Termo de Constatação Fiscal que (fl. 84): (...) As despesas com prestação de serviço com direito ao crédito da COFINS não cumulativa estão disciplinadas pelo disposto na IN SRF 404/2004, art. 8o , inciso I, "b", "b.l" com § 4 o , inciso I, "b". Foram objeto de glosa as despesas apresentadas pela empresa que não se enquadravam na definição supramencionada: "os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto"; neste caso, açúcar e outros produtos sujeitos ao regime não cumulativo da COFINS. Relação das notas fiscais com direito a crédito, mantidas pela fiscalização, às fls.72 a 77. (...) “Foram glosadas as notas fiscais de serviço que não correspondiam ao conceito de insumo na fabricação dos produtos de incidência nãocumulativa, as que deveriam ter sido ativadas (vez que a empresa não comprovou que não houve aumento da vida útil do bem reparado em mais de um ano) e aquelas cuja descrição não permitia determinar se correspondiam a custo ou despesas operacionais”. Se as partes e peças adquiridas no caso, forem para máquinas ou equipamentos que estiverem no ativo imobilizado, deixarão de ser consideradas como insumos e poderão gerar créditos decorrentes de depreciação futura, conforme previsto na Lei n° 10.637/2002, art. 3º, Inciso VI, combinado com o seu § 1º, Inciso III, (c/ artigo 15 da Lei nº 10.833/2003). Desta forma, esses produtos que atuam diretamente em todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, que representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem no qual ocorra sua aplicação, devem ser capitalizados, consoante estabelece o art. 346 do RIR (Regulamento do Imposto de Renda Decreto n° 3.000/1999) . Verificase ainda o que consta do referido Termo de Diligência: (...) A Santa Cândida possui uma moenda com seis ternos e ainda apresentou descritivos de manutenção da recepção de cana, do preparo da cana e da moenda. Da descrição verificase que as mesas alimentadoras, esteiras metálicas, bem como a moenda são desmontadas e recuperadas ao final da safra com troca de pinos, buchas e outras peças de acordo com o projeto de engenharia. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 24 (...) “Os tornos são compostos por castelo, bagaceira, cabeçotes, rolos e pentes. Nas notas fiscais de serviços não se verifica a aquisição ou instalação desses elementos anualmente. As notas fiscais de serviços glosadas referemse a soldas, frisamentos, aplicações de chapas inox, válvulas, hidrojateamanto, recuperação de cilindros, desfibrilador, usinagem, etc., portanto são substituições de partes e peças que resultam em aumento da vida útil em mais de um ano, devendo ser ativadas. Também consideramos que devem ser ativados as notas fiscais de fornecimento de mão de obra de pedreiros, pintores e serviços de engenharia, o mesmo acontece com os serviços de limpeza”. Portanto, não tendo o contribuinte se observado do ônus de comprovar o direito alegado no recurso, correto as glosas de parte dos valores dos serviços tomados pela Recorrente, conforme consta dos demonstrativos de fls. 202/204. 4.7) Aluguel de Máquinas e Equipamentos Aduz a recorrente em seu recurso que: (...) “Segundo a dicção do Fisco, não geram direito a crédito o aluguel de máquinas, escavadeira ou guindaste, porque a Recorrente não demonstrou terem sido eles utilizados na fabricação do açúcar. A respeito há que se ter presente que a escavadeira é utilizada na tanto movimentação da matériaprima (canadeaçúcar), como no transporte e movimentação do açúcar em bruto. O mesmo se dá com o guindaste que faz a movimentação dos contêineres de açúcar, tanto no empilhamento e armazenagem quanto no carregamento nos veículos de transporte. É também utilizado na movimentação de peças e equipamentos pesados. Assim, ou se deveria reconhecer o direito ao crédito integral ou, ao menos, proporcional na hipótese de movimentação da matériaprima da qual deriva tanto o açúcar como o álcool. Tal questão foi dessa maneira analisada pela fiscalização em seu Termo de Constatação Fiscal (fls. 84/85): (...) Também não geraram direito a crédito o aluguel de máquinas que não se enquadravam no disposto no art. 66, inciso II, i b" da IN 247/2002: "aluguel de prédios, máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa". Assim, não foram consideradas as Notas Fiscais referentes a aluguel de escavadeira, andaimes ou guindastes, máquinas que a empresa não demonstrou terem sido utilizadas na fabricação de açúcar e outros produtos com direito ao crédito do COFINS não cumulativo. Relação das notas fiscais com direito a crédito, mantidas pela fiscalização, às fls. 72 a 77 (grifamos). O artigo 3º da Lei nº 10.833/03 prevê a utilização das despesas de máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. Porém, como se verifica no Termo de Diligência efetuado pela fiscalização (fl. 374), Linha 6 –Despesas de aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas, tais despesas foram glosadas porque verificouse que tratam de locação de máquinas e equipamentos referente à atividade de construção civil e de andaimes da empresa. Nas planilhas denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fls. 204/205), a fiscalização demonstra, na coluna especificada para as L06 – Aluguel de Máquinas e Equipamentos, quais notas fiscais os créditos foram glosados em cada Fl. 509DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15892.000073/200837 Acórdão n.º 3802003.910 S3TE02 Fl. 498 25 mês e as que os créditos foram mantidos. As glosas efetuadas estão assim motivadas: glosa – equipamentos de construção e glosa equipamentos de concretagem piso. No entanto a recorrente não junta provas nos autos de que tais despesas foram aplicados no processo produtivo da empresa. Portanto, correto o entendimento da fiscalização e os gastos com tais itens escapam do conceito de insumo e não geram crédito das contribuições sociais não cumulativas. Mantenhamse as glosas procedidas a esse título. 4.8) Do Leasing A empresa em seu recurso argumenta que: (...) “A Fiscalização, é omissa ao fato tanto no Despacho Decisório como no Termo de Verificação Fiscal, porém elaborou os demonstrativos e fichas do DACON de acordo com seu critério e entendimento, desprezando as informações prestadas anteriormente pela Recorrente no mesmo DACON relativamente aos créditos, oriundos de operações de arrendamento mercantil (leasing), que foram sumariamente glosados. Assim, no DACON elaborado pelo Fisco não constou sequer uma das aquisições de bens na modalidade de leasing, sendo que, na realidade existem várias no período examinado que, inexplicavelmente, foram desprezadas. Nada há no bojo dos autos que indique, especifique, ou sequer sugira o porque da glosa ou da omissão naquele DACON dos valores relativos aos contratos de leasing ignorados pelo Fisco”. Não procede a alegação de omissão colocada pela recorrente, senão vejamos o que foi relatado pelo Fisco sobre este tópico no Termo de Constatação Fiscal (fl. 84): (...) A partir de 01/05/2004 em virtude de alterações na Lei 10.833/2003, introduzidas pela Lei 10.865/2004, deixaram de dar direito a crédito: despesas financeiras, aquisições de máquinas e equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado para utilização na produção de bens destinados à venda anteriores a 01/05/2004. Portanto, os valores referentes a esses lançamentos foram glosados. E o Fisco segue informando no Relatório de Diligência (fls. 346): (...) “Linha 8 – Arrendamento Mercantil – mantidas as despesas informadas de veículos e equipamentos adquiridos após 01/05/2004. Glosados os valores das notas fiscais da Laponia Sudeste Ltda (caminhões Volvo) referente a arrendamento mercantil feito em 18/02/2004 e 30/03/2004, pois o inciso V do art. 3º da Lei 10.833/03, com redação dada pelo art. 37 da Lei 10.865/04 foi limitado pelo art. 31 da Lei 10.865/04 às aquisições a partir de 01/05/2004. Nas planilhas denominadas Análise dos Dados da Empresa Feita durante a Ação Fiscal (fl. 208) a fiscalização demonstra, na coluna especificada para as L08 – Arrendamento Mercantil, quais notas fiscais os créditos foram glosados e as que os créditos foram mantidos. As glosas estão assim motivadas: aquisição anterior a 01/05/2004. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 26 A Lei nº 6.099, de 12 de setembro de 1974, regula o tratamento tributário que deve ser dispensado ao contrato de arrendamento mercantil. O art. 3º, da mencionada lei, assim determina: “Art. 3º Serão escriturados em conta especial do ativo imobilizado da arrendadora os bens destinados a arrendamento mercantil” Assim, não resta dúvida de que os bens destinados ao arrendamento mercantil compõem o ativo imobilizado das arrendadoras. No entanto, verificase que no Termo de Constatação Fiscal, o Fisco promoveu a glosa do valor das despesas com Arrendamento Mercantil, realizadas antes de 30/04/2004, com fundamento no inciso V do art. 3º da Lei 10.833/03, com redação dada pelo art. 21 da Lei 10.865/04, limitado pelo art. 31 da Lei nº 10.865/04 às aquisições a partir de 01/05/2004. O art. 31, § 3º, da Lei nº 10.865/2004, define que: Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. (...) § 3º É também vedado, a partir da data a que se refere o caput, o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica (g.n). Notese que a Lei não se refere a arrendamento mercantil no parágrafo primeiro do artigo 31. Isso é apenas tratado no parágrafo 3º, para vedar apenas o crédito relativo a arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado patrimônio da Pessoa Jurídica, o que não restou demonstrado nos autos pelo Fisco. Portanto, assiste razão a recorrente em reclamar de seu direito, uma vez que não consta dos autos, que as aquisições dos referidos veículos, já tinham em algum momento, integrado o patrimônio da empresa. Por este motivo legal, no presente caso, não deve ser mantida as glosas (fl. 205) dos valores computados em desacordo com a legislação. 5) Da Aquisição de Insumos de Pessoas Jurídicas De acordo com a Administração tributária, a vinculação dos créditos aos tipos de receitas auferidas deve ser realizada diretamente quando for possível identificar a sua vinculação exclusiva a cada tipo de receita, sendo que, em relação aos custos comuns das atividades cumulativas e não cumulativas, facultase à pessoa jurídica a utilização de qualquer dos critérios previstos no § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, ou seja, a apropriação direta (no caso de a pessoa jurídica possuir sistema de custos integrado e coordenado com a escrituração) ou o rateio proporcional. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15892.000073/200837 Acórdão n.º 3802003.910 S3TE02 Fl. 499 27 No que se refere a essa matéria, a recorrente alega que: (...) “No indigitado DACON elaborado pela Fiscalização foi utilizado e aplicado, indevidamente, para fins de cálculo do valor a ser creditado nas aquisições de canadeaçúcar, efetuadas de Pessoa Jurídica, o mesmo critério e método de apuração adotado para se apurar o Crédito Presumido (para o PIS 70% e para a COFINS 80%), reduzindo, sem base legal, o montante do crédito a ser aproveitado pela Recorrente. Igualmente, ao item imediatamente anterior, nada há nos autos e nas notas feitas a ele que esclareça o motivo e justifique tamanha parcialidade”. Sobre o tema, vejase o que foi consignado pelo Fisco, no Termo de Constatação Fiscal (fl. 84): (...) A partir de 01/08/2004, o §5° do art.3° da Lei 10.833/2003 foi revogado pelo art.16 , I, "b" da Lei 10.925/2004, deixando de ser possível o ressarcimento do crédito presumido referente à compra da canadeaçúcar de pessoa física. O crédito presumido foi restabelecido pelo art. 8º o da Lei 10.925/2004, entretanto só para aproveitamento para abater da contribuição Já no Termo de Diligência a fiscalização informa que (fl. 369): (...) “Cana adquirida de Pessoa Jurídica” – foi utilizado o rateio informado no livro de produção diária da empresa”. Mais adiante, em 15/03/2013, quando do cumprimento do Acórdão ora recorrido, a unidade da RFB de origem, em sua Informação Fiscal (fls. 410/412), esclarece a forma, os percentuais e os cálculos utilizados para elaborar os referidos rateios, conforme texto do documento abaixo reproduzido: (...) A receita total da venda de álcool foi informada pela empresa na fls. 36/37, e utilizada pela fiscalização para os rateios (fl. 210). A receita de álcool para outros fins, que não o carburante, são as comprovadas nas notas fiscais identificadas. Portanto a proporção da receita de álcool para outros em relação á receita total de álcool é (...): (...) Foram glosados, na fiscalização, pelo motivo “glosa álcool”, as aquisições de produtos químicos utilizados apenas na produção de álcool, e não foi incluída na base de cálculo dos créditos referente a bens utilizados como insumo a cana de açúcar adquirida de pessoa jurídica para produção do álcool (fls. 200/202). Considerando que estes são os insumos não incluídos na base de cálculo dos créditos, em razão de serem utilizados na produção do álcool, o crédito de Cofins não cumulativa para fins de ressarcimento/compensação do mês de maio/2007 fica calculado da seguinte forma (...): Observamos ainda que, quanto ao rateio entre os insumos referentes a venda de álcool “Outros fins”, que a impugnante demonstrou também vender, e aqueles relativos ao álcool carburante, que está no regime cumulativo, cabe esclarecer que o percentual das receitas cumulativas e nãocumulativas foi informado pela própria requerente, conforme planilha às fls. 38/39 e 42/72, sendo nela apurado o percentual das receitas cumulativas (álcool carburante) em relação ao total das receitas e, por diferença, o percentual das nãocumulativas. Da mesma forma, a metodologia estão demonstradas nas planilhas denominadas “Analise dos dados da empresa feita durante a ação fiscal” (fls. 200/210). Fl. 512DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 28 Como se sabe, na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência "não cumulativa" do PIS/PASEP em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. Para tanto, a pessoa jurídica deverá alocar, a cada mês, separadamente para a modalidade de incidência as parcelas dos custos respectivos. No caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas sujeitas à "não cumulatividade" e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: a) apropriação direta, inclusive, em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou b) rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Verificase que o método eleito pela Recorrente foi aceito pela Fisco e aplicado consistentemente por todo o período analisado. 6) Da Aplicação Indevida de Rateio Dispõe o § 7º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 que “Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas”. Como já abordado no tópico anterior, a regra acima implica em que, se o contribuinte auferir receitas sujeitas aos regimes cumulativo e nãocumulativo, os insumos apenas gerarão crédito na proporção em que forem aplicados nestas últimas. A comercialização de álcool “para fins carburantes” submetese à incidência de PIS/Cofins pelo regime cumulativo, de modo que, por não se submeter ao regime não cumulativo das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os insumos aplicados na sua produção não geram direito de crédito. Nesse contexto a recorrente alega em seu recurso que: (...) “Houve, ainda, no DACON da fiscalização, aplicação indevida de rateio proporcional para fins de apurar o valor do crédito, em situações em que o crédito deve ser integral, a exemplo dos serviços de ensacamento, marcação e manuseio da sacaria, serviços estes utilizados especificamente na produção do açúcar. Da mesma forma, esse erro crasso foi cometido em relação à levedura, sendo que por serem ambos os produtos não cumulativos, o crédito corresponde a 100%”. Como se observa, a Recorrente sustenta que a fiscalização, ao fazer os ajustes na base de cálculo do PIS e COFINS, distorceu os valores do crédito em que nos casos citados os créditos deveriam ser integrais. Vejase que no Termo de Diligência elaborado pela fiscalização, ressalta que: “Os produtos de utilização comum na produção do álcool e de outros produtos não cumulativos, como açúcar e a levedura, foram rateados de acordo com o percentual não cumulativo, Fl. 513DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15892.000073/200837 Acórdão n.º 3802003.910 S3TE02 Fl. 500 29 apurado com base nas receitas, e os de uso exclusivo dos produtos não cumulativos foram considerados sem aplicação do rateio”. Portanto, não conseguimos vislumbrar as inconsistências apresentadas pela recorrente, uma vez que não demonstra claramente, com base em documentos e números, onde se encontra as referidas distorções, pois examinando os autos e verificandose os rateio mencionados (fls. 73/78), bem como o demonstrado nas planilhas denominadas “Analise dos dados da empresa feita durante a ação fiscal” (fl. 210), concluise pela inclusão de tais serviços nas referidas composições dos rateios, exceto àqueles que foram objeto de glosa. Na mesma linha, se processa a “Informação Fiscal” elaborada pela fiscalização da Unidade de origem, quando do cumprimento do Acórdão recorrido (fls. 410/412): (...) A receita total da venda de álcool foi informada pela empresa na fls. 36/37, e utilizada pela fiscalização para os rateios (fl. 210...). Isto posto, não leva a outro caminho senão à manutenção da forma com procedeu a fiscalização nesse tópico, fazendose, obviamente, os ajustes necessários, decorrentes desta decisão. 7) Das provas Como já analisado neste voto, a fiscalização apurou glosas de bens e serviços. A recorrente, porém, com exceção relativo às vendas de álcool para outros fins efetivamente comprovadas pela recorrente (já considerados e aceitas pela DRJ), não anexou aos autos as provas junto com suas manifestações contrárias aos outros itens glosados, o que acaba por ser um empecilho à comprovação de suas alegações. Não sendo possível a análise do vínculo entre as supostas determinações e os gastos que elas o teriam obrigado. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, afim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art.15.A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art.16.A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (RedaçãodadapelaLeinº8.748,de1993)” No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de1999 no seu artigo 36: Fl. 514DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 30 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 333 e 396 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art.333.O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art.396. Compete à parte instruir a petição inicial (art.283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. 8) Da apresentação das provas O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b)refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da Recorrente, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, contudo, mesmo neste momento processual, não foram trazidas aos autos quaisquer outros documento que provassem que o sujeito passivo realizou gastos em decorrência das glosas de bens e serviços apurados pelo fisco, excetuandose a já comentada. 9) Conclusão Diante das considerações e fundamentos acima expostos, voto da seguinte forma: a) não conhecer do recurso voluntário na parte concernente aos seguintes itens: Lubrificantes (item 4.4) e dos insumos utilizados nas vendas de álcool para “outros fins” (referente às notas fiscais já contempladas pela decisão DRJ item 4.5.2), por falta de interesse recursal. b) na parte conhecida para: rejeitar as preliminares, e c) dar provimento parcial, para reconhecer o direito do crédito da COFINS nãocumulativa, respaldada pelas notas fiscais acostadas aos autos, Fl. 515DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15892.000073/200837 Acórdão n.º 3802003.910 S3TE02 Fl. 501 31 inerente aos seguintes itens: graxa (item 4.3), e para as operações com arrendamento mercantil Leasing (item 4.8), conforme o contido neste voto; d) negar provimento em relação aos seguintes itens: dos produtos químicos (4.5.1), dos serviços utilizados como insumos (item 4.6) e do aluguel de máquinas e equipamentos (item 4.7), e e) manter o entendimento do Fisco em relação aos créditos decorrentes da aquisição de insumos de pessoas jurídicas, já que os cálculos foram baseados em dados do próprio sujeito passivo (itens 5 e 6), de acordo com o contido neste voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Relator Fl. 516DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 26/11/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10730.909682/2011-98
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/12/2004
LUCRO PRESUMIDO. REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%.
As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitam-se à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO.
No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a não-apresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a não-homologação da declaração de compensação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/12/2004 LUCRO PRESUMIDO. REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%. As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitam-se à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO. No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a não-apresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a não-homologação da declaração de compensação. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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REGIME CUMULATIVO. ALÍQUOTA DE 3%. As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido sujeitamse à tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVA. MOMENTO. No julgamento de segunda instância administrativa, devem ser apreciados e aceitos como prova do direito de crédito utilizado em declaração de compensação não homologada, documentos fiscais e contábeis apresentados no recurso voluntário, quando apenas na decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o despacho decisório eletrônico, fica claro que a nãoapresentação destes documentos é a razão para o indeferimento do pedido de crédito e a nãohomologação da declaração de compensação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 96 82 /2 01 1- 98 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.909682/201198 Acórdão n.º 3801004.351 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Conforme relatório do acórdão recorrido, tratase o presente processo de apreciação de compensação declarada em PER/DCOMP, de crédito referente a valor da Cofins que teria sido recolhido a maior com débito trituário da contribuinte. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, por meio de despacho decisório eletrônico, não reconheceu ou reconhecer parcialmente o direito de crédito pleiteado, sob o fundamento de que o pagamento foi total ou parcialmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. Cientificada do despacho eletrônico, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que, no exercício de 2004 e parte de 2005, a empresa pagou indevidamente a COFINS com base na alíquota de 7,4% quando deveria ser de 3%, porque enquadravase no regime cumulativo. Demonstrou, para o período de apuração que ensejou o pagamento indevido ou a maior, o erro no cálculo, como apurou o valor a que teria direito e como apropriou este valor na compensação de débito para com a Fazenda Nacional. Afirma que a Secretaria da Receita Federal do Brasil –RFB estaria cometendo um equívoco, ao alegar que o crédito já foi utilizado em quitação de débitos da empresa. A Delegacia da Receita Federal do Julgamento em Ribeirão PretoDRJ/RPO julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme ementa a seguir: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: (...) MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os Fl. 53DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.909682/201198 Acórdão n.º 3801004.351 S3TE01 Fl. 4 3 dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega.” Após, foi apresentado recurso voluntário, no qual a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para ser julgado por esta turma especial. A recorrente afirma que apesar de estar submetida à tributação do IRPJ com base no lucro presumido, o que implicaria ter que recolher a Cofins à alíquota de 3% sob o regime cumulativo, equivocadamente calculou a contribuição aplicando alíquota maior. Após ter verificado o erro, procedeu à compensação dos valores que entendeu ter recolhido a maior com débitos perante a Fazenda Nacional de Cofins, contribuição para o PIS/Pasep, IRPJ e CSLL. São vários os processos em julgamento nesta Turma Especial. Nos processos em que a recorrente compensou os supostos créditos com IRPJ e CSLL, as Declarações de Compensação evidenciam que a recorrente se enquadrava no lucro presumido, o que ensejaria a tributação da Cofins no regime cumulativo, por força do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, à alíquota básica de 3%, prevista no art. 8º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998. Cito: “Art. 10 . Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: ( Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005 ). I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6º, 8º e 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e na Lei nº 7.102, de 20 de junho de 1983; II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; III as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; IV as pessoas jurídicas imunes a impostos; V os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição; (...)” Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.909682/201198 Acórdão n.º 3801004.351 S3TE01 Fl. 5 4 A decisão da Delegacia da Receita Federal de origem, por meio de despacho eletrônico, pela nãohomologação da compensação declarada baseouse na nãocomprovação da existência de crédito disponível. A decisão da Delegacia da Receita Federal do Julgamento que manteve o despacho decisório fundamentouse na nãoapresentação de comprovantes fiscais e contábeis, em especial notas fiscais e livros fiscais e contábeis, relativos ao crédito pleiteado por meio de despacho eletrônico, constando do voto do acórdão recorrido que a contribuinte limitouse a afirmar que efetuou pagamento indevido, sem demonstrar contabilmente como teria apurado o novo valor do tributo devido. Compulsando os autos, constato que a empresa apresentou, antes do julgamento de primeira instância administrativa, planilha com demonstrativo de pagamentos a maior, informando para o período de apuração o faturamento, o valor pago, o valor devido e o valor pago a maior; cópia de nota fiscal de serviços; e cópia de comprovante de recolhimento. Em julgamentos anteriores de casos semelhantes, votei por negar provimento ao recurso voluntário, na falta de comprovação plena da certeza e liquidez do crédito pleiteado, porém, após ficar vencido sozinho em todos eles, considerando o princípio do colegiado, adoto a posição majoritária da turma, nos casos de despacho eletrônico em que a contribuinte apresenta na fase recursal documentos e demonstrativos que indiquem possuir bom direito, para aplicar o princípio da verdade material e da vedação ao enriquecimento sem causa para mitigar em parte a exigência de plena comprovação na manifestação de inconformidade ou mesmo no recurso voluntário da liquidez do crédito, limitandome a tratar da existência do direito de crédito e ressalvando à Secretaria da Receita Federal do Brasil o poder/dever de verificar na escrita fiscal e contábil da interessada sua liquidez. Esclareço que esta postura leva em consideração que a retificação da DCTF não é condição para o deferimento do pedido de crédito ou para a homologação da compensação declarada e que a ausência nos autos dos livros contábeis e fiscais, quando apresentados os documentos fiscais e demonstrativos dos cálculos do tributo recolhido a maior ou indevidamente e do tributo devido, pode ser suprida, no momento da execução da decisão administrativa, por meio de diligência fiscal ou intimação fiscal para apresentação dos livros pela contribuinte. No presente caso, em que a decisão administrativa se concretizou por meio de despacho eletrônico sem qualquer intimação para que a interessada prestasse informações ou apresentasse provas necessárias à análise do pleito, a Lei nº 9.784, de 29/01/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, ampara o entendimento segundo o qual a administração tributária poderia. Cito: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. (...) Fl. 55DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10730.909682/201198 Acórdão n.º 3801004.351 S3TE01 Fl. 6 5 Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. A mesma lei estabelece que nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer, com base nas notas fiscais e demonstrativos acostados aos autos, o direito de crédito referente à diferença entre a Cofins efetivamente paga e a devida pela tributação cumulativa à alíquota de 3%, e homologar a compensação declarada até o limite do crédito disponível, ressalvando que a Delegacia da Receita Federal do Brasil deverá apurar a liquidez do crédito com base nos livros fiscais e contábeis da contribuinte. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13888.908797/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/08/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-002.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/08/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. Recurso Voluntário Negado
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PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 87 97 /2 01 2- 41 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13888.908797/201241 Acórdão n.º 3301002.443 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de pedido de compensação formulado pela Recorrente que foi não homologado diante da inexistência de crédito. A Recorrente apresentou em face do indeferimento, Manifestação de Inconformidade alegando que o seu crédito é oriundo de bens e serviços utilizados como “insumos” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de produtos destinados à venda e que após um levantamento contábil minucioso apurou um crédito que não havia sido anteriormente aproveitado. A DRJ de Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em Recurso Voluntário a Recorrente aponta que possui os créditos pleiteados, que o seu crédito é oriundo de bens e serviços utilizados como “insumos” na prestação de serviços e na produção ou fabricação de produtos destinados à venda e que após um levantamento contábil minucioso apurou um crédito que não havia sido anteriormente aproveitado e que somente não retificou as declarações de modo que os mesmos devem ser homologados. É o que importa relatar. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13888.908797/201241 Acórdão n.º 3301002.443 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. No presente caso, apesar da contribuinte reiteradamente se manifestar acerca do seu direito creditório e ter sido avisada pela DRJ de que deveria comproválo, conforme consta reiteradamente no acórdão da Manifestação de Inconformidade, a mesma não apresentou nenhuma prova. Prova conforme o velho e conhecido Aurélio Buarque de Holanda é aquilo que atesta a veracidade ou a autenticidade de alguma coisa; uma demonstração evidente. Prova, portanto, serve para demonstrar uma verdade, quer da Fazenda, quer da Contribuinte com relação aos fatos apresentados. Lembremonos que estamos diante de um pedido de compensação e que cabe ao contribuinte administrado apresentar as provas do seu direito creditório. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, na hipótese da compensação pleiteada, recairia sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida; provar que tinha o crédito para realizar a compensação declarada. Logo, seria imprescindível que provas e argumentos fossem carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, e que essas provas se revestissem de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Consignese que o artigo 170 da Lei n.º 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal e dos lançamentos contábeis ou quaisquer outros documentos o valor de seu crédito. Nesse sentido voto por julgar improcedente o presente Recurso Voluntário. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 129DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13888.908797/201241 Acórdão n.º 3301002.443 S3C3T1 Fl. 5 4 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10920.907797/2012-91
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007
JUROS DE MORA. REDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO.
A Lei nº 11.941, de 2009, autoriza a redução de 45% dos juros de mora no pagamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, em razão do quê se deve reconhecer o direito creditório que havia sido indeferido indevidamente com fundamento no recolhimento a menor do referido acréscimo legal.
Numero da decisão: 3803-006.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no pleito creditório formulado.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007 JUROS DE MORA. REDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO. A Lei nº 11.941, de 2009, autoriza a redução de 45% dos juros de mora no pagamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, em razão do quê se deve reconhecer o direito creditório que havia sido indeferido indevidamente com fundamento no recolhimento a menor do referido acréscimo legal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2007 a 31/07/2007 JUROS DE MORA. REDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO. A Lei nº 11.941, de 2009, autoriza a redução de 45% dos juros de mora no pagamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, em razão do quê se deve reconhecer o direito creditório que havia sido indeferido indevidamente com fundamento no recolhimento a menor do referido acréscimo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no pleito creditório formulado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 77 97 /2 01 2- 91 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907797/201291 Acórdão n.º 3803006.831 S3TE03 Fl. 115 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou procedente apenas em parte a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da homologação parcial da compensação declarada. O contribuinte apresentara Declaração de Compensação (DComp) com vistas a extinguir débito de sua titularidade com crédito oriundo de pagamento da contribuição efetuado a maior, crédito esse reconhecido apenas em parte em razão do cômputo de multa de mora e de parte dos juros no cálculo da contribuição paga em atraso. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argüiu que, em conformidade com os documentos comprobatórios carreados aos autos (Dacon, DCTF, PER/DCOMP e guias de recolhimento), se encontrava comprovada a totalidade do crédito declarado. A DRJ Belo Horizonte/MG reconheceu em parte o direito creditório, excluindo, com base na denúncia espontânea, a multa de mora do cálculo do valor recolhido em atraso, mantendo a diferença dos juros de mora acrescida pela repartição de origem. Cientificado da decisão em 30 de junho de 2014, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 7 de julho de 2014 e requereu o reconhecimento integral do direito creditório, alegando que os juros computados no pagamento em atraso foram calculados com base nos benefícios da Lei nº 11.941, de 2009, regulamentada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06, de 23 de julho 2009. Junto ao Recurso Voluntário o contribuinte traz aos autos cópia do DARF em que consta a informação “Lei nº 11.941/2009 – pagto. à vista”. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do não reconhecimento de parte do direito creditório pleiteado em sede de compensação, em razão da inserção de parcela dos juros de mora no cálculo do valor da contribuição recolhido em atraso, recolhimento esse em que apenas parte do referido acréscimo legal fora computado. O Recorrente alega que calculara os acréscimos moratórios com base nos benefícios da Lei nº 11.941, de 2009, regulamentada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06, de 23 de julho 2009, dispositivos esses que assim dispõem: LEI Nº 11.941, DE 27 DE MAIO DE 2009 (...) Fl. 115DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907797/201291 Acórdão n.º 3803006.831 S3TE03 Fl. 116 3 Art. 1o Poderão ser pagos ou parcelados, em até 180 (cento e oitenta) meses, nas condições desta Lei, os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e os débitos para com a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, inclusive o saldo remanescente dos débitos consolidados no Programa de Recuperação Fiscal – REFIS, de que trata a Lei no 9.964, de 10 de abril de 2000, no Parcelamento Especial – PAES, de que trata a Lei no 10.684, de 30 de maio de 2003, no Parcelamento Excepcional – PAEX, de que trata a Medida Provisória no 303, de 29 de junho de 2006, no parcelamento previsto no art. 38 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e no parcelamento previsto no art. 10 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, mesmo que tenham sido excluídos dos respectivos programas e parcelamentos, bem como os débitos decorrentes do aproveitamento indevido de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI oriundos da aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, aprovada pelo Decreto no 6.006, de 28 de dezembro de 2006, com incidência de alíquota 0 (zero) ou como nãotributados § 1o O disposto neste artigo aplicase aos créditos constituídos ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, inclusive os que foram indevidamente aproveitados na apuração do IPI referidos no caput deste artigo. § 2o Para os fins do disposto no caput deste artigo, poderão ser pagas ou parceladas as dívidas vencidas até 30 de novembro de 2008, de pessoas físicas ou jurídicas, consolidadas pelo sujeito passivo, com exigibilidade suspensa ou não, inscritas ou não em dívida ativa, consideradas isoladamente, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, ou que tenham sido objeto de parcelamento anterior, não integralmente quitado, ainda que cancelado por falta de pagamento, assim considerados: (...) IV – os demais débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 3o Observado o disposto no art. 3o desta Lei e os requisitos e as condições estabelecidos em ato conjunto do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional e do Secretário da Receita Federal do Brasil, a ser editado no prazo de 60 (sessenta) dias a partir da data de publicação desta Lei, os débitos que não foram objeto de parcelamentos anteriores a que se refere este artigo poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: I – pagos a vista, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) das isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; Fl. 116DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907797/201291 Acórdão n.º 3803006.831 S3TE03 Fl. 117 4 (...) PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB Nº 6, DE 22 DE JULHO DE 2009 (...) Art. 1º Os débitos de qualquer natureza junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) ou à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), vencidos até 30 de novembro de 2008, que não estejam nem tenham sido parcelados até o dia anterior ao da publicação da Lei n º 11.941, de 27 de maio de 2009 , poderão ser excepcionalmente pagos ou parcelados, no âmbito de cada um dos órgãos, na forma e condições previstas neste Capítulo. § 1º Para os fins do disposto no caput, poderão ser pagos ou parcelados os débitos de pessoas físicas ou jurídicas, consolidados por sujeito passivo, constituídos ou não, com exigibilidade suspensa ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União (DAU), mesmo que em fase de execução fiscal já ajuizada, considerados isoladamente: (...) VI os demais débitos administrados pela RFB. (...) Art. 2º Os débitos de que trata este Capítulo poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: I pagos à vista, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) das multas isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; (...) Art. 14. A dívida será consolidada na data do requerimento do parcelamento ou do pagamento à vista. Considerandose os dispositivos supra, é possível concluir pela existência de autorização legal para pagamento à vista, com redução de 100% das multas e de 45% dos juros de mora, de débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) vencidos até 30 de novembro de 2008. No presente caso, temse débito vencido em agosto de 2007 e recolhido em outubro de 2009, encontrandose, por conseguinte, abrangido pelo período autorizado pela lei. Sendo o valor do principal de R$ 5.727,24 e os juros cheios, desconsiderandose a princípio a redução autorizada pela lei, de R$ 1.354,49 (conforme índice de juros de 23,65% obtido a partir dos cálculos presentes no voto condutor do acórdão embargado, bem como no site da Receita Federal), temse que, aplicandose o percentual de redução de 45%, os juros devidos ficam reduzidos a R$ 744,96, valor esse muito próximo, com Fl. 117DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907797/201291 Acórdão n.º 3803006.831 S3TE03 Fl. 118 5 diferença de apenas R$ 0,42, ao efetivamente recolhido a esse título pelo Recorrente (R$ 744,54). Diante do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no âmbito do pleito creditório formulado. O provimento apenas parcial se deve ao fato de que a imputação do pagamento efetuado para fins de homologação da compensação darseá somente no momento da execução deste acórdão. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 118DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10166.914107/2012-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2012
COMPENSAÇÃO. TRÂNSITO EM JULGADO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (art. 170-A do CTN).
Numero da decisão: 1302-001.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Hélio Araújo.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2012 COMPENSAÇÃO. TRÂNSITO EM JULGADO. LIQUIDEZ E CERTEZA. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (art. 170-A do CTN).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Hélio Araújo.
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Recorrente Centrais Elétricas Brasileiras S/A Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2012 COMPENSAÇÃO. TRÂNSITO EM JULGADO. LIQUIDEZ E CERTEZA. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (art. 170A do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Hélio Araújo. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 0127.685 da 1ª Turma da DRJ/BEL, cuja ementa assim dispõe: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 41 07 /2 01 2- 40 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2012 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. A sentença judicial que suspende a exigibilidade do crédito tributário e seus efeitos, não extingue o crédito tributário, e, portanto, não assegura a liquidez e certeza necessária para a utilização do respectivo crédito do tributo, na compensação. COMPENSAÇÃO. VEDAÇÕES. É vedada a utilização de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, na compensação de débitos tributários, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O voto condutor do acórdão recorrido assim se manifestou sobre o mérito da questão sub examine: “O cerne do litígio gira em torno da existência de parcela do direito creditório, em especial a estimativa mensal de CSLL, mês de nov/2008, no valor de R$ 22.153.629,01, compensada no PER/DCOMP nº 34733.50849.221208.1.3.025619. A unidade de origem não reconheceu esta parcela do direito creditório, pelo fato da compensação ter sido considerada não declarada nos autos do processo 14033.000024/200932. Em sua impugnação, a recorrente alega que, por meio de ação judicial ainda em curso, obteve tutela antecipada que lhe garantiu a compensação da estimativa mensal. E mais, que a decisão determinou que a RFB se abstivesse de inscrever qualquer débito decorrente em Divida Ativa, e garantiulhe a expedição de certidão positiva com efeito de negativa. A respeito da extinção dos créditos tributários por meio de compensação, assim reza o CTN: Art. 170... Art. 179A.... A teor da decisão exarada, diversos são os motivos para não se reconhecer o crédito de estimativa da recorrente. Primeiro, não é verdade que a recorrente tenha conseguido a compensação da estimativa mensal por meio da antecipação de tutela. Muito pelo contrário, o item 3 da decisão judicial revela, expressamente, a negação ao pedido de compensação. Segundo, mesmo que houvesse a compensação judicial, o crédito dela decorrente não gozaria da liquidez e certeza necessária à compensação, nos termos do art. 170 do CTN, enquanto não transitado e julgado a decisão. Terceiro, o art. 170A do CTN veda a utilização de crédito de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Notese ainda que tutela judicial obtida pelo sujeito passivo diz respeito exclusivamente à suspensão e aos efeitos da exigibilidade do crédito tributário de estimativa mensal. De forma alguma, assegurou qualquer liquidez e certeza a compensação pleiteada, nem regulou possíveis efeitos da extinção do crédito tributário por meio da compensação. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10166.914107/201240 Acórdão n.º 1302001.617 S1C3T2 Fl. 167 3 Da conclusão Ante tudo exposto, voto no sentido de não reconhecer o direito creditório e julgar a Manifestação de Inconformidade improcedente. A recorrente, cientificada do Acórdão nº 0127.685 em 20/01/2014 (AR a fls. 138), interpôs, em 13/02/2014, recurso voluntário (doc. a fls. 139 e segs.), no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que em 18/01/2013, a recorrente “tomou ciência do despacho decisório que não homologou as compensações pleiteadas com base no crédito informado no processo administrativo nº 10166.914.107/201240 e informado nas PER/DCOMP nº 37128.62062.090812.1.36026 referente àss compensações do Pasep do mês de junho/12 no valor de R$ 527.686,48 e PER/DCOMP nº 26376.01094.040512.1.7.036393 e da COFINS do mês de Dezembro/11 no valor de R$ 13.852.201,57, com fundamento no art. 168 do CTN, Inciso II, § 1º do art. 6º e art. 28 da Lei 9.430, art. 4º da IN SRF 900/2008 e art. 74 da Lei 9.430, de 1996” [sic]; b) que a decisão recorrida não considerou o valor de R$ 22.153.629,01 relativo à CSLL estimativa de novembro/2008 e, com isso, o SNCSLL AC 2008, no valor de R$ 13.446.091,21, formado por estimativas quitadas no ano referido ficou prejudicado conforme análise complementar do direito creditório que estão arquivadas no processo nº 10166.729089/201201 – fls 04 à 24 – vide fichas 16 e 17; c) que os R$ 22.153.629,01 relativo à CSLL estimativa de novembro/2008 não poderiam ser desconsiderados, “tendo em vista a decisão judicial que garantiu à Recorrente o direito de compensar este crédito que não foi homologada a compensação objeto do PER/DCOMP nº 34733.50849.221208.1.3.025619”[sic], relativa ao Processo administrativo nº 14033.000.024/200932, e que não foi homologada devido as alterações introduzidas pela MP 449, de 03 de dezembro de 2008, que inadimitiu a compensação dos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do IRPJ e CSLL; d) que as restrições impostas pela MP 449 foram suprimidas por ocasião da sua conversão da Lei 11.941/09; e) que a recorrente obteve nos Autos do Processo 2009.34.00.0379062, em curso na 14º Vara Federal – Seção Judiciária do Distrito Federal, antecipação de tutela garantindolhe a compensação do valor de R$ 22.153.629,01 (vinte e dois milhões, cento e cinquenta e três mil, seiscentos e vinte e nove reais reais e um centavo) relativo à estimativa mensal de novembro de 2008, considerado como não declarado pela Receita; f) que a decisão judicial, além de deferir a antecipação de tutela, determinou à Receita Federal que se abstenha de inscrever qualquer débito decorrente em Dívida Ativa e garantiu a expedição de certidões de débitos com efeito de negativa, nos termos do art. 206 do CTN; g) que a antecipação de tutela, inicialmente indeferida, foi posteriormente concedida, depois que a recorrente ofertou como garantia do juízo 701.986 ações da CTEEP; Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 h) que, recentemente, no dia 22/01/2014, o Juiz da 14ª Vara Federal julgou procedente o pedido para determinar que a Fazenda admita a compensação dos créditos pretendidos tal como pleiteado. i) que requer seja reformado o acórdão recorrido, com a homologação das compensações efetuadas nos PER/DCOMPs nºs 26376.01094.040512.1.7.036393 e 37128.62062.090812.1.36026. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatários com poderes para tal, conforme procuração a fls. 148, razão pela qual dele conheço. Inicialmente, alerto que está em julgamento, nestes autos, apenas a PER/Dcomp 26376.01094.040512.1.7.036393, a qual está a fls. 115 e segs. Por ela, a recorrente solicitou a compensação de débitos de Cofins, do PA 12/2011, valor principal R$ 13.852.201,57, com crédito de SNCSLL AC 2008, no valor original de R$ 13.446.091,21. O Despacho Decisório, a fls. 11 e segs., não homologou, pois não apurou a existência de SNCSLL no AC2008, se não vejamos os seguintes dados informados: Estimativas pagas e compensadas Per/Dcomp R$ 343.290.298,83 Estimativas pagas e compensadas confirmadas R$ 321.136.669,82 CSLL devida R$ 329.845.192,62 Ou seja, a conclusão, no despacho Decisório, foi que, além de não existir SNCSLL no AC 2008, ainda existia uma valor devido, já que a CSLL devida era superior aos pagamentos e compensações de CSLLestimativas no período. A diferença entre o valor das estimativas pagas e compensadas informadas na PerDcomp e o valor confirmado no referido despacho, monta R$ 22.153.629,01. Esse valor é justamente o que a recorrente informou na PerDcomp a fls. 122, como CSLLestimativa compensada do mês de nov/2008. Afirma a recorrente que o seu direito à compensação da CSLLestimativa do PA 11/08 foi assegurado por decisão judicial e, por isso, reclama o direito ao SNCSLL AC 2008 que resultaria de tal compensação. A recorrente não tem razão, pois não houve ainda o trânsito em julgado da decisão da 14ª Vara Federal da Seção Judiciária de Brasília, já que pendente de julgamento a remessa obrigatória, logo, seria uma afronta ao art. 170A do CTN conceder qualquer direito creditório decorrente de decisão judicial antes de seu trânsito em julgado. Segundo, a tutela antecipada que lhe foi concedida foi apenas para suspender a exigência do crédito fiscal, determinar a expedição de certidão e a nãoinscrição ou suspensão da inscrição em Dívida Ativa, não tendo o condão de lhe garantir, desde já, o eventual SNCSLL AC 2008 que será gerado em caso de se tornar definitiva a decisão de autorizar a compensação da CSLLestimativa do PA 11/2008. Aliás, esta mesma discussão se Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10166.914107/201240 Acórdão n.º 1302001.617 S1C3T2 Fl. 168 5 estabeleceu no processo judicial em tela, sendo que a decisão do Juiz Jamil Oliveira foi bastante clara neste sentido, razão pela qual a seguir a transcrevo: “Vistos, em decisão Pela decisão de fls. 13640, a antecipação de tutela foi concedida, para, à vista de caução, suspender a exigência do crédito fiscal, determinar a expedição de certidão (art. 206 do CTN), e a nãoinscrição ou suspensão da inscrição em Dívida Ativa. Pela decisão de fls. 193, o TRF, ao fundamento de que não se admite a compensação de tributo por antecipação de tutela, deu provimento ao agravo. A questão não era essa, por isso que a juíza processante entendeu que a decisão de antecipação de tutela ainda prevalecia, cf. decisão de fls. 217. ..........................................................................” A mesma orientação está contida no parágrafo 18 da Sentença do Juiz Jamil Oliveira, se não vejamos o seu teor: “18 A compensação farseá, mediante ato do próprio contribuinte na sua escrita fiscal, com tributos de qualquer natureza, desde que administrados pela Receita e somente poderá ser efetiva após o trânsito em julgado da sentença, nos termos do art. 170A, com a introdução levada a efeito pela Lei Complementar nº 104, de 2001.” Observo que as decisões acima referidas foram obtidas na página do Tribunal Regional Federal da 1ª Região na “Internet” (www.processual.trf1.jus.br). Por último, ressalto que não é caso de concomitância entre este processo e o judicial, pois, neste, discutese a compensação de SNIRPJ com o débito da CSLLestimativa do PA 11/2008; já, naquele, discutese a compensação do SNCSLL AC 2008 com débito de Cofins. Ademais, ainda que venha a ser confirmada a compensação no processo judicial, em nada mudaria a situação destes autos, pois, à época em que formulado o PerDcomp não existia direito líquido e certo ao direito creditório que se pleiteia. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10247.000027/2005-86
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO. RESSARCIMENTO.
São passíveis de ressarcimento os créditos de PIS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matéria-prima usada na fabricação do produto exportado.
ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC.
Inexiste previsão legal para a incidência da taxa Selic ou para atualização dos valores objeto de ressarcimento.
ERRO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA.
Uma vez constatado erro ou contradição no Acórdão embargado, impõe a sua correção em homenagem à boa aplicação da legislação tributária.
Embargos Acolhidos. Acórdão Re-Ratificado.
Numero da decisão: 3302-000.043
Decisão: ACORDAM os Membros da 3ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA do TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para re-ratificar o Acórdão nº 201-81.144, sanando a contradição e mantido o resultado do julgamento. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará Declaração de
Voto.
Nome do relator: Walber José da Silva
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO. RESSARCIMENTO. São passíveis de ressarcimento os créditos de PIS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matéria-prima usada na fabricação do produto exportado. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para a incidência da taxa Selic ou para atualização dos valores objeto de ressarcimento. ERRO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. Uma vez constatado erro ou contradição no Acórdão embargado, impõe a sua correção em homenagem à boa aplicação da legislação tributária. Embargos Acolhidos. Acórdão Re-Ratificado.
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da 3ª CÂMARA / 2ª TURMA ORDINÁRIA do TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para re-ratificar o Acórdão nº 201-81.144, sanando a contradição e mantido o resultado do julgamento. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará Declaração de Voto.
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Fl. 374 _'..,'••;7 • 14"4.7 MINISTÉRIO DA FAZENDA ".:1r:- .• ,:.-,'; " CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 1F; Processo n° 10247.000027/2005-86 Recurso n° 142.986 Embargos Acórdão n° 3302.00.043 - 3' Câmara 12" Turma Ordinária Sessão de 08 de julho de 2009 Matéria Ressarcimento de PIS Não Cumulativo Embargante PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL (UNIÃO) Interessado JARI CELULOSE S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO. RESSARCIMENTO. São passíveis de ressarcimento os créditos de PIS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matéria-prima usada na fabricação do produto exportado. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para a incidência da taxa Selic ou para atualização dos valores objeto de ressarcimento. ERRO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. Uma vez constatado erro ou contradição no Acórdão embargado, impõe a sua correção em homenagem à boa aplicação da legislação tributária. Embargos Acolhidos. Acórdão Re-Ratificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da 3 a CÂMARA / 2 TURMA ORDINÁRIA do TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para re-ratificar o Acórdão if 201-81.144, sanando a contradição e mantido o resultado do julgamento. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará Declaração de Voto. 3302.00.045 " A-Ck/' Q/U0AtiU•OL 614-2 ' AOSEF MARIA COELHO MARQUES -k) Presidente C\j`k 1 Processo n° 10247.000027/2005-86 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.043 Fl. 375 ft 71 (11, WALBER JOSÉ DA ILVA Relator! Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, José Antonio Francisco, Alexandre Gomes. Ausente o Conselheiro Gileno Gurjã.o Barreto Relatório No dia 02/02/2005 a empresa JARI CELULOSE S/A, já qualificada nos autos, ingressou com pedido de ressarcimento de créditos de PIS não-cumulativo, previsto no § do art. 5 da Lei n' 10.637/2002, relativo ao 4' trimestre de 2004. A DRF em Monte Dourado — PA deferiu, em parte, o pedido da interessada porque entendeu que o crédito do PIS só alcança os insumos "diretamente ligados à produção específica de celulose (produto final a ser vendido)" e também porque no crédito pleiteado foi incluído: 1- despesas bens do ativo imobilizado 2- despesas relativas à parte florestal 3- despesas relativas à manutenção de equipamentos 4- despesas relativas ao tratamento de água e a geração de energia elétrica comercializados na vila Monte Dourado; 5- notas fiscais de produtos e serviços pós-produção - Inconformadas com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade, cujo resumo das alegações constam do relatório da decisão recorrida, que leio em sessão. A 2' Turma de Julgamento da DRJ em Belém - PA indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão ri. 2 01-8.404, de 04/06/2007, ratificando o entendimento da DRF em Monte Dourado - PA de que somente podem gerar créditos do PIS as despesas com matérias-primas, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações no processo produtivo. Ciente desta decisão em 05/07/2007, a interessada ingressou, no dia 03/08/2007, com o recurso voluntário de fls. 229/242, no qual alega que: 1- tem direito ao crédito do PIS sobre os valores de insumos empregados na produção da sua própria matéria-prima (floresta para extração de madeira) destinada à produção de celulose; WVIL 2 Processo n° 10247.000027/2005-86 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.043 Fl. 376 2- tem direito ao crédito do PIS sobre os valores de combustível e serviços de frete empregados na produção da sua própria matéria-prima, destinada à produção de celulose, e da comercialização correlata; 3- tem direito ao crédito do PIS sobre os valores de serviços de manutenção de seu parque fabril; 4- tem direito ao crédito do PIS sobre os insumos utilizados no tratamento da água e na geração de energia elétrica comercializados para a Vila Monte Dourado; 5- sobre o crédito deste processo deve ser aplicada a taxa Selic desde a data da apresentação do respectivo pedido de ressarcimento. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído no dia 17/10/2007, conforme despacho exarado na última folha dos autos - fl. 265. Na sessão do dia 02/06/2008 a Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuitnes julgou o recurso voluntário, dando-lhe provimento parcial, nos termos do Acórdão n2 201-81.148 (fls. 283/289). Ciente do julgado em 10/09/2008, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (União) apresentou os embargos de declaração de fls. 293/298, alegando a existência de contradições no acórdão. Submetido os embargos de declaração à apreciação deste Conselheiro, foi emitido o Parecer de fls. 302/303, propondo o seguimento dos embargos exclusivamente quanto à contradição afeta às despesas de manutenção do parque fabril da empresa interessada. O Senhor Presidente da Segunda Seção do CARF acolheu o parecer acima e determinou a inclusão em pauta destes embargos, conforme Despacho de fls. 304/308. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator Os embargos de declaração são tempestivos e, na forma regimental, foram admitidos pela Presidente da Segunda Seção do CARF. Como relatado, a PGFN (União) apresentou embargos de declaração alegando a existência de contradições no Acórdão n2 201-81.148. O Senhor Presidente deu seguimento aos embargos quanto à contradição relativa às despesas de manutenção do parque fabril da empresa interessada. JP-k 3 Processo n° 10247.000027/2005-86 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.043 Fl. 377 Para facilitar a execução do julgado e a eventual interposição de recurso especial por parte da União e da empresa interessada, refiz integralmente o voto condutor para retificar a contradição apontada pela embargante e para melhor detalhar os custos e despesas com direito ao crédito do PIS reconhecido no acórdão embargado. A recorrente requereu o ressarcimento de crédito de PIS/Pasep do 4° Trimestre de 2004, previsto no § 22 do art. 52 da Lei n2 10.637/02 e no art 62 da Lei n2 10.833/03, que abaixo transcrevo, este dispositivo aplica-se ao PIS/Pasep por força do disposto no art. 15, desta mesma Lei n2 10.833/03. Art. 6' A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: 1- exportação de mercadorias para o exterior; II - prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliado no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei n°10.865, de 2004). III - vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1' Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. para fins de: I - dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2' A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. . § 3C O disposto nos §§ e 2' aplica-se somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8' e do art. 3'. (grifei). § O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1' não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. O disposto no § 3 2, acima reproduzido, não deixa nenhuma dúvida de que os créditos, apurados na forma do art. 3 2 da Lei n2 10.833/03, passíveis de ressarcimento são aqueles "apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação" e não somente os relativos aos insumos usados no processo produtivo do bem exportado, como entende a decisão recorrida. É o caso das despesas com frete na venda, o 4 Processo n° 10247.000027/2005-86 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.043 Fl. 378 energia elétrica, depreciação de imóveis, etc., que não são insumos, mas dão direito a crédito passível de ressarcimento. Portanto, a despesa realizada que gera direito a crédito de PIS passível de ressarcimento é aquela vinculada à receita de exportação. Basta isto. Porque é só isto que a lei exige. Não somente os créditos de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem empregados na fabricação do produto exportado podem ser ressarcidos. Todo e qualquer "custo, despesa ou encargo" vinculado à receita de exportação, desde que legalmente gere crédito, na forma prevista no art. 3 2 da Lei n2 10.833/03, pode ser objeto de pedido de ressarcimento previsto no art. 5 2 da Lei n2 10.637/02. Mais ainda, a vinculação da despesa com a receita de exportação não guarda relação exclusivamente com o processo fabricação ou produção do bem exportado. A despega pode ser incorrida antes ou depois de realizada a produção ou a fabricação do bem exportado, a exemplo da despesa com frete de insumos e armazenagem de mercadorias acabas (inciso IX do art. 3 2 da Lei n2 10.833/03). No caso da recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração de florestas (ou produção de madeira) estão, sim, vinculadas ao produto exportado (celulose). A produção e a exportação de celulose somente é possível com a utilização de madeira na sua fabricação, sua principal matéria-prima. As despesas incorridas na obtenção de madeira empregada no processo produtivo (produção própria ou aquisição de terceiros) são custos ou despesas de produção e estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação. Portanto os respectivos créditos de Cofins são passíveis de ressarcimento. Claro que os insumos empregados na produção de madeira (defensivos agrícolas, fertilizantes, serviço de corte, etc.), os fretes dos insumos e os combustíveis vinculados à produção de madeira dão direito ao crédito do PIS (arts. 3 2, II, e 15 da Lei n2 10.833/03). Estando estes custos de produção de madeira vinculados à receita de exportação de pasta de celulose, os respectivos créditos são passíveis de ressarcimento, como acima se disse. Quanto às despesas com a manutenção do parque fabril próprio entendo que não há previsão legal para o crédito com estes dispêndios. Obra de construção civil (prédios, estradas, etc) não é insumo. A previsão . é para as despesas com depreciação dás edificações e benfeitorias realizadas em prédio próprio Ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa, conforme dispõe o inciso VII do art. 3 2 e seu § 1 2, inciso III, da Lei n2 10.833/03L Em síntese, tem a recorrente direito ao ressarcimento dos créditos de PIS dos seguintes custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação: 1- Serviços Silviculturais; 2- Serviços Florestais Produção; 3- Outros Serviços Florestais, exceto os seguintes serviços, por não se enquadrarem no conceito de insumo: 3.1- Manutenção de Vias Permanentes; 3.2- Terraplanagem e Manutenção de Estadas; • 5 Processo n° 10247.000027/2005-86 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.043 Fl. 379 3.3- Serviço de Pesquisa/Desenvolvimento/Planejamento/Controle Florestal. 4- Despesas com fertilizantes, formicida, Herbicida, Calcário, Vermiculita e outros insumos, e os respectivos fretes, combustíveis e lubrificantes, utilizados 'na produção de madeira usada como matéria-prima na fabricação de pasta de celulose; 5- Serviços industriais, ou seja, as despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos industriais (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado; 6- Despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos agrícolas (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado; Quanto aos créditos do PIS sobre insumos utilizados no tratamento da água e na geração de energia elétrica comercializados para a Vila Monte Dourado entendo que não há previsão legal para o seu ressarcimento, posto que o produto (energia elétrica e água potável) não foi exportado. A utilização desses créditos segue a regra do art. 3 2 da Lei n2 10.833/03. Com relação à incidência da taxa Selic no ressarcimento de crédito do PIS não-cumulativo, ratifico o entendimento da decisão recorrida de que não há previsão legal para o pleito da recorrente. Ao contrário, há vedação expressa (§ 5 2 do art. 51 da IN SRF n2 460/04). No mais, com fulcro no art. 50, § 1 2, da Lei n9 9.784/1999 1 , adoto os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, que reputo suficientes ao deslinde, ainda que outras tenham sido alinhadas, voto no sentido de acolher os embargos de declaração para re-ratificar o Acórdão n2 201-81.148, mantendo a decisão de dar provimento parcial ao recurso voluntário - para reconhecer o direito ao ressarcimento de créditos do PIS relativo aos seguintes custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação: 1- aquisição de insumos, combustíveis, lubrificantes e serviços (acima especificados) empregados na produção de madeira, esta usada como matéria-prima na fabricação de pasta de celulose; 2- despesas com serviços empregados na produção de madeira, desde que não sejam obras de construção civil e serviços de pesquisa, desenvolvimento, planejamento e controle florestal; 3- despesas com a manutenção de máquinas e equipamentos industriais e agrícolas, desde que não incorporados ao ativo imobilizado; Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (- • .) § 1 A motivação deve ser explicita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. • 6 Processo n° 10247.000027/2005-86 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.043 Fl. 380 4- frete relativo ao transporte de insumos usados na produção de madeira e frete da madeira produzida pela interessada. Sala das Sessões, em / 8 de julho de 2009 OWAL J SE DA LVA Declaração de Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Conforme se verifica do relatório e dos termos do voto do eminente relator, trata-se de Embargos de Declaração apresentado contra o acórdão n 2 201-81.144, proferido em pedido de ressarcimento de crédito de PIS, com base no artigo 52 da Lei n2 10.637/02. Para melhor esclarecer os termos do acórdão mencionado, o Ilustre Relator passeou novamente pelos argumentos trazidos a lume quando do julgamento do pedido de ressarcimento de PIS, pautado na sistemática não cumulativa, razão pela qual eço vênia para reproduzir todo meu entendimento acerca da questão. A contribuinte, ora Embargada, por possuir atividade eminentemente exportadora, praticamente não tem seus produtos sujeitos à incidência de PIS/Cofins (saída desonerada). Todavia, mantém o direito ao crédito dos tributos pagos quandO da compra de insumos, possibilidade decorrente da característica específica do regime não Cumulativo. Tal fato gera a cumulação de créditos de PIS e Cofins na contabilidade da Agravada que, impedida de compensar por ausência de débitos, pode, conforme autorização legal, solicitar o ressarcimento dos valores em espécie. Nestes termos determina o dispositivo legal: "Art. 5 A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: 1- exportação de mercadorias para o exterior; II - prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei n°10.865, de 2004) III - vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § l' Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3" para fins de: 1\- 7 Processo n° 10247.000027/2005-86 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.043 Fl. 381 I - dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação especifica aplicável à matéria. § 2' A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § F, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação especifica aplicável à matéria. "(Destaquei) Corretíssimo, portanto, o ínclito Julgador Relator, que da seguinte forma resume a questão "não deixa nenhuma dúvida de que os créditos, apurados na forma do art. 32 da Lei n2 10.833/03 (10.637/02) passíveis de ressarcimento são aqueles "apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação" e não someiite os relativos aos insumos usados no processo produtivo do bem exportado, como entende a decisão recorrida. Pois bem. A decisão de primeira instância administrativa se manifestou no sentido de inexistência do direito ao crédito - Acórdão n 2 01-8.406/07 — "ratificando o entendimento da DRF em Monte Dourado - PA de que somente podem gerar créditos da Cofins as despesas com matérias-primas, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações no processo produtivo." (termos do relatório) A Delegacia da Receita Federal e a Delegacia de Julgamento nitidamente entenderam o crédito de PIS/Cofins da mesma forma como costumeiramente interpretam os créditos de IPI, aplicando-lhes as mesmas restrições e considerando como idênticas suas características e particularidades. Em virtude deste fato e da constatação de que a Secretaria da Receita Federal tem reiteradamente cometido este equívoco — o que se percebe da análise das respostas à consulta proferida pela entidade — entendo por prudente realizar uma prévia analise acerca das evidentes diferenças entre os sistemas não cumulativos do IPI e PIS/Cofins, as quais causam reflexos indiscutíveis e indissociáveis à apuração dos créditos tributários em cada regime. É cediço que até a criação do sistema não cumulativo para o =i1 IS e Cofins, a não cumulatividade alcançava, penas, o imposto estadual sobre circulação de mercadorias — ICMS — e o imposto federal incidente sobre o produto industrializado — IPI. Em vista deste fato, é natural que os intérpretes do direito (neste caso entendidos como as autoridades administrativas fiscalizadoras - por aplicarem as normas - e as autoridades administrativas de julgamento - por julgar a forma como as normas foram aplicadas) busquem as definições pré-estabelecidas e já conhecidas dos regimes cumulativos do ICMS e IPI para conceituar o novo sistema. Todavia, este procedimento quase que automático e natural, ao invés de solucionar a questão, acaba por confundir e inviabilizar a correta aplicação da norma tributária. A não cumulatividade para fins de PIS e COFINS instituiu-se, inicialmente no âmbito legislativo com a edição das medidas provisórias MP 66/02 e 135/03,Iposteriormente k 8 Processo n° 10247.000027/2005-86 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.043 Fl. 382 convertidas nas Leis Ordinárias n° 10.637/02 — PIS — e n°10.833/03 — Cofins. O supedâneo constitucional surgiu com a alteração do artigo 195 da carta magna, ao qual foi incluído o parágrafo 12, conforme redação trazida pela Emenda Constitucional n° 42 (EC n° 42 de 19.12.03), in verbis: "Art. 195. ,55. 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos 1, b; e IV do caput, serão não-cumulativas. (-)" Além da diversidade de fundamentação legal e constitucional o principal fato diferenciador dos regimes deve ser observado em relação à regra matriz do tributo, - especificamente em relação ao seu aspecto material. As contribuições ao PIS/Cofins, desde o início de sua "existência", pretenderam a tributação do faturamento das pessoas jurídicas, sem qualquer vinculação a um bem ou produto, incidindo, portanto, sobre uma grandeza econômica formada por uma série de fatores contábeis os quais constituem a receita de uma empresa. Já o IPPICMS, prevêem a tributação do valor de determinado produto. Tal diferença toma evidente a distinção dos regimes não cumulativos. Explico. Adoto a premissa de que o conceito de cumulatividade significa tributar mais de uma vez a mesma grandeza econômica. Nestes termos, para se alcançar o efeito não cumulativo é necessário, exatamente, evitar esta reiterada incidência tributária sobre a mesmá riqueza. No caso da não cumulatividade aplicável ao IPI/ICMS este processo é facilmente constatável. Isto porque se está tratando de não cumulatividade vinculada ao preço do produto, logo, toda vez que o produto for tributado (independente da fase em que ele se encontre), estar-se-á diante da cumulação de carga tributária. O reflexo no alimento do preço do produto é visível, quase palpável, e o simples destaque na nota fiscal permite impedir a cumulatividade da carga tributária. Todavia, este mesmo pressuposto não se aplica à não cumulatividade trazida ao PIS/Cofins. Diferentemente da hipótese dos impostos, a cumulação que se pretende evitar no caso das contribuições, refere-se à receita da pessoa jurídica. É em relação a esse aspecto econômico que se deve impedir a reiterada incidência tributária. Neste sentido citamos Marco Aurélio Greco, in "Não-Cumulatividade no PIS e na COFINS", Leandro Paulsen (coord.), São Paulo: IOB 'Thomsom, 2004: "Embora a não cumulatividade seja uma idéia comum ao IPI e ao PIS/COFINS a diferença de pressuposto de fato (produto industrializado versus receita) faz com que assuma dimensão e perfil distintos. Por esta razão, pretender aplicar na interpretação de normas de PIS/COFINS critérios ou formulações construídas em relação ao IPI é: a) desconsiderar os diferentes pressupostos constitucionais; b) agredir a racionalidade da incidência de PIS/COFINS; e c) contrariar a coerência interna da exigência, pois esta se forma a partir do pressuposto 'receita 'e não 'produto '." O critério "receita", ao contrário do critério "produto", não possui, como bem esclarecido pelo mestre supracitado, "um ciclo econômico a ser considerado, posto ser 9./)\tsÀç.„'-\r‘i Processo n° 10247.000027/2005-86 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.043 Fl. 383 fenômeno ligado a uma única pessoa". Inexiste imposto de etapa anterior a ser deduzido, uma vez que não há estágio prévio na apuração da receita da pessoa jurídica, e está particularidade inviabiliza a aplicação da mesma interpretação para ambos os regimes. Não há meios, portanto de confusão entre os sistemas não cumulativos de impostos e contribuições. Diferentemente do regime previsto para o IPI e ICMS que pretende a compensação de "imposto sobre imposto", importando-se com o valor despendido a título de tributo, a não cumulatividade das contribuições sociais se preocupa com o quantum consumido pelo contribuinte a título de insumos em todo processo de produção. Importa sim, para viabilizar o crédito, que o insumo tenha sido tributado, mas é irrelevante a forma desta tributação e o quanto representou esta incidência tributária. O contribuinte terá direito ao crédito se o insumo tiver sido tributado pelo regime cumulativo, pelo regime não cumulativo ou mesmo pelo Simples, até porque o montante recolhido a título de PIS e Cofins não consiste em fator decisivo à obtenção do crédito tributário. Tanto é assim que, independentemente do critério de tributação ao qual foi submetido o insumo, o contribuinte terá direito à grandeza de 9,25% de todo o valor que foi despendido para a sua aquisição. Assim, claro está que não é o valor gasto a título de tributo que interessa, contrariamente aos regimes aplicados ao IPI/ICMS. Tenho para mim que o legislador infra-constitucional, ao definir os ditames para evitar a cumulação das contribuições, criou critério híbrido e único, mesclando conceitos já existentes com outros inevitavelmente formados de significação específica ao PIS/Cofins. Tal procedimento pretendeu alcançar os aspectos particulares das contribuições sociais, bem como neutralizar efetivamente a cumulação destes tributos, que possuem regra matriz de incidência totalmente diversa dos demais tributos não cumulativos. Além deste critério diferenciador, adoto também, pelo brilhantismo da percepção e fundamento, as razões trazidas a este Colegiado pelo eminente Conselheiro Relator Walber José da Silva. Em seu voto, o relator esclarece que entende diferentes os regimes em virtude de os incisos II e III do parágrafo 3 0, referirem-se, especificamente, à aplicação do direito ao crédito em relação aos "custos e despesas incorridos" pelo contribuinte. "Portanto, basta que os custos ou despesas gerem créditos para a empresa exportadora ter direito ao seu ressarcimento. No caso de empresa industrial, o crédito de PIS não se restringe aos insumos empregados diretamente na produção como defende a decisão recorrida. Todos os créditos decorrentes de custos ou despesas incorridas na produção e venda do produto exportado (celulose), apurados na forma prevista no art. 32 da Lei n2 10.63 7/02, são passíveis de ressarcimento. Nesse passo, a despesa realizada que gera direito a crédito de PIS passível de ressarcimento é exclusivamente aquela vinculada à receita de exportação. Basta isto porque é só isto que a lei exige. Não somente os créditos dos insumos (matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem e outros) empregados diretamente no processo produtivo dos produtos exportados podem ser ressarcidos. Todas as despesas necessárias ao aferimento da receita de exportação, desde que gere crédito na forma prevista no art. 3 2 da Lei n2 10.637/02, 10 Processo n° 10247.000027/2005-86 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.043 Fl. 384 pode ser objeto de pedido de ressarcimento previsto nos parágrafos 1 2 e 22 do art. 52 da Lei n2 10.637/02 e regulamentado pelos arts. 21 e 22 da IN SRF n° 460/2004, abaixo reproduzidos com a redação original." Realmente, dos termos legais não se depreende a limitação invocada pela decisão da DRJ, não sendo lícito ao agente administrativo, sem fundamentação legal, deliberar em sentido de reduzir o crédito do contribuinte. Finalizada esta análise preliminar, é preciso avaliar se os insumos pleiteados pela Embargada são desta forma considerados pela legislação do PIS/Cofins. Dos fatos relatados, constato que a Embargada requer créditos sobre: (i) os valores de insumos empregados na produção da sua própria matéria-prima (floresta para extração de madeira) destinada à produção de celulose; (ii) os valores de combustível e serviços de frete empregados na produção da sua própria matéria-prima, destinada à produção de celulose, e da comercialização correlata; (iii) os valores de serviços de manutenção de seu parque fabril; (iv) os insumos utilizados no tratamento da água e na geração de energia elétrica comercializados para a Vila Monte Dourado; Em principio esclareço, por conseqüência lógica da premissa adotada (diversidade entre os regimes não cumulativos), que o conceito de insumos para a não cumulatividade de PIS/COF1NS difere daquele utilizado para ICMS/IPI. Nos termos do II do art. 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, para fim de se aferir a não cumulatividade destas contribuições, são entendidos como insumos: -"Art. 3' Do valor apurado na forma do art. 2' a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei n° • 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3' do art. 1' desta Lei; b) no § .1" do art. 2' desta Lei; II - bens e serviços, utilizados como instinto na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2' da Lei n" 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; III- (VETADO) 11 Processo n° 10247.000027/2005-86 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.043 Fl. 385 /V — aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V - valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES; (Redação dada pela Lei n° 10.865, de 2004) VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei n° 11.196, de 2005) VII - edifkações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mão-de-obra, tenha sido suportado pela locatária; VIII - bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX - energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica." O primeiro insumo pretendido consiste naqueles empregados na produção da matéria-prima própria (floresta para extração de madeira) destinada à - produção de celulose. São adubos, terra, produtos, etc. Ao cotejar com os termos legais, entendo que o crédito pleiteado enquadra-se dentre os bens utilizados como insumo na produção da celulose e, conseqüentemente, do produto final exportado (inciso II acima citado). A redação do dispositivo legal é clara, e define como insumos os bens e serviços utilizados na PRESTAÇÃO de serviços; na PRODUÇÃO e na FABRICAÇÃO de bens e produtos. Tal definição observa que o crédito decorre da aplicação do insumo na produção e fabricação de produtos, ao que concluo que o legislador pretendeu estender o beneficio do crédito tributário a todos os insumos utilizados no processo de produção de mercadorias ou serviços. Neste ponto, a interpretação do conceito de insumo para fim das contribuições ao PIS e Cofins é diametralmente oposta àquela atualmente adotada pela Secretaria da Receita Federal nas hipóteses de não cumulatividade do IPI. É que não importa, no caso das contribuições, se o insumo consumido obteve ou não algum contato com o produto final comercializado, bem como não interessa em que momento do processo de produção o insumo foi utilizado. A questão é que, para a produção daquela mercadoria final, o componente utilizado era indispensável. Esta situação fica evidente ao se refletir acerca dos insumos envolvidos com a prestação de serviços, os quais, da mesma forma que no processo produtivo de mercadorias, geram créditos. Não há meios de se aferir a relação destes insumos — se direta ou indireta — com os serviços prestados, ao que concluo que estes requisitos são legalmente irrelevantes para a significação do conceito de insumo. ç %12 Processo n° 10247.000027/2005-86 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.043 Fl. 386 Mencionada conclusão merece guarida posto que realizada à luz da materialidade das contribuições sociais em análise. O critério material da regra matriz de incidência tributária do PIS/Cofins é aferir receita. Logo, para conceituar insumo, primordial verificar o que foi necessário para se alcançar aquela determinada receita financeira naquele específico mês e, na seqüência, verificar se há vinculação à produção, ou seja o insumo foi utilizado na produção. O doutrinador Marco Aurélio2, analisa este critério de inerência: "Por isso, o critério utilizado para o fim de identificar quais verbas serão consideradas na não-cumulatividade do PIS/COFINS apóia-se na inerência do dispêndio em relação ao fator de produção ao qual se relaciona. O pressuposto de fato é a receita, portanto, é importante saber o que participa da sua formação — que a lei escolheu estar relacionado com o processo de prestação de serviço ou fabricação e produção. Portanto, é relevante determinar quais dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores de capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá — em princípio — direito à dedução." É exatamente em razão deste critério de inerência à formação da receita e utilização na produção do bem exportado, que entendo que todos os custos e despesas referentes aos insumos necessários à produção da celulose, constituem em créditos para a Embargante. O segundo crédito pleiteado refere-se aos valores de combustível e serviços de frete empregados na produção da sua própria matéria-prima, destinada à produção de celulose, e da comercialização correlata. Também entendo, neste caso, pela aplicação do inciso II do artigo 3° da Lei n° 10.637/02, "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". Parece-me claro que, para viabilizar sua atividade, a qual é a fonte de sua receita, a Embas.gante necessita dos serviços de frete, responsável pelo trânsito dos produtos produzidos. Da mesma forma, por ser inerente ao frete e à atividade, a utilização de combustível, concluo pela possibilidade de crédito. O terceiro insumo pleiteado justifica-se pelos serviços de manutenção do parque fabril da Embargada. Não encontra direito esta solicitação da Embargante e foi exatamente este o ponto embargado pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O voto recorrido encontrava-se contraditório em relação à esta possibilidade de crédito. 'iksk 2 in "Não-Cumulatividade no PIS e na COFINS", Leandro Paulsen (coord.), São Paulo: IOB Thomsom, 2004), citado por Eduardo de Carvalho Borges (in "Os Créditos de PIS e COFINS na Indústria de Papel e Celulose, O Caso das Florestas Próprias", Tributação no Agronegócio, Quartier Latin) 13 Processo n° 10247.000027/2005-86 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.043 Fl. 387 É que o pleito está fundamentado no custo necessário à manutenção do estabelecimento fabril de propriedade da Embargada, enquanto o inciso VII da Lei n° 10.637/02 é claro ao permitir a concessão do crédito apenas se o gasto for reàlizado com bens de terceiros, "edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mão-de-obra, tenha sido suportado pela locatária." Todavia, importa registrar, para restar ainda mais esclarecido, que o custo despendido com a manutenção de máquinas e equipamentos agrícolas (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado, geram direito ao crédito, nos termos do inciso VI do já mencionado artigo 3°. Por último, em quarto lugar a Embargada pleiteia crédito sobre os insumos utilizados no tratamento da água e na geração de energia elétrica, os quais são comercializados para a Vila Monte Dourado. Conforme esclarecido, para o desenvolvimento de sua atividade, a Embargada necessita providenciar os requisitos básicos à existência da "cidade" Vila Monte Dourado. Trata-se de questão peculiar à Embargada que, por razões diversas, constituiu seu empreendimento no interior do Estado do Pará, longe dos centros urbanos o suficiente para que não exista acesso dos moradores da Vila à energia elétrica e água potável. Em virtude desta situação específica da Embargada, para que exista a mão de obra necessária ao exercício de sua atividade, é a própria empresa que provê as condições básicas para a manutenção do povoado. Logo, apesar de aparentemente não haver qualquer relação entre o objeto social da contribuinte e a venda de água e energia elétrica, particularmente, para o caso em específico, estas atividades tornaram-se inerentes ao processo de produção da Embargada. Atendida a exigência de inerência do processo produtivo, seria de se entender que a Embargada possui direito aos créditos pleiteados. Todavia esta interpretação não merece guarida. Sim, é fato que a Embargada tem direito ao crédito de PIS/Cofins não cumulativo em virtude de sua situação específica, entretanto, não da forma pleiteada. Nos termos requeridos, a Embargada pleiteia o ressarcimento de créditos em razão do artigo 5°, inciso I, da Lei n° 10.637/02, a saber: "Art. 5' A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: 1- exportação de mercadorias para o exterior;" Isto é, o crédito decorre da exportação de mercadorias para o exterior. Ocorre que estas mercadorias (energia elétrica e água), não são exportadas, ao contrário, são comercializadas no mercado interno, para os moradores da Vila Monte Dourado. Tal fato inviabiliza a concessão deste insumo. Conforme já registrado pelo Ilustre Relator, tais créditos poderão ser utilizados pela Embargada — desde que válidos, não prescritos — nos termos do artigo 3° da Lei n° 10.637/02, inclusive na escrita contábil, desde que obedecidos os critérios definidos. Ante o exposto, concordo com o posicionamento adotado pelo Ilustre Conselheiro Relator e voto no sentido de ACOLHER os embargos de declaração para RE- 1, 14 Processo n° 10247.000027/2005-86 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302.00.043 Fl. 388 RATIFICAR o Acórdão n2 201-81.144, mantendo a decisão de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito PARCIAL ao ressarcimento de créditos do PIS. É como voto. Sal. das Sessões, em 08 de julho de 2009 • I044W . A - FAB OLA CASSIA001 ERAMIDAS 15
score : 1.0
Numero do processo: 13855.000941/00-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 30 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do Fato Gerador: 02/02/1994, 16/03/1994
RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPTO
Na forma do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, o recurso voluntário deve ser interposto no prazo de até 30 (trinta) dias a contar da ciência da decisão a ser recorrida. Após esse prazo, o recurso que vier a ser protocolado não pode ser conhecido, por ser perempto.
Recurso voluntário não conhecido
Crédito tributário mantido
Numero da decisão: 3102-000.774
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: BEATRIZ VERÍSSIMO DE SENA
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 02/02/1994, 16/03/1994 RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPTO Na forma do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, o recurso voluntário deve ser interposto no prazo de até 30 (trinta) dias a contar da ciência da decisão a ser recorrida. Após esse prazo, o recurso que vier a ser protocolado não pode ser conhecido, por ser perempto. Recurso voluntário não conhecido Crédito tributário mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário. LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente BEATRIZ VERÍSSIMO DE SENA Relatora Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 13855.000941/0090 Acórdão n.º 3102000.774 S3‐C1T2 Fl. 2 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes Maya Gomes e Nanci Gama. Relatório O presente processo se refere a lançamentos inerentes ao Imposto sobre as Importações — II e ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI , acrescidos dos juros de mora e da multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, c/c art. 106, e art. art. 80, inciso I, da Lei n° 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei n° 9.430/96. Por bem relatar os fatos e o direito concernente à lide, adoto parte do relatório proferido pela DRJ de origem (fls. 255258): A ação fiscal teve como objeto a verificação do cumprimento dos requisitos inerentes ao regime aduaneiro especial de drawback suspensão, relacionado aos atos concessórios te 1893/8963 e 1893/7959, emitidos, respectivamente, em 24/12/1993 e 10/11/1993, procedimento o qual consta do Relatório Fiscal de fls. 14/31, que é parte integrante dos Autos de Infração acima referenciados, conforme consignado às fls. 04 e 05 dos autos em questão. Concernente ao ato concessório n° 1893/7959, o auditor fiscal responsável pelo lançamento asseverou não haver encontrado nenhuma irregularidade praticada pelo sujeito passivo, conforme o seguinte trecho de seu Relatório Fiscal (fls. 15): Pela análise do RELATÓRIO DE COMPROVAÇÃO DE DRAWBACK em confronto com os Registros de Exportação RE (fls. 193/7), verificação esta efetuada por amostragem nos documentos de importação e exportação que, ampararam as referidas operações, nenhuma irregularidade foi constatada, tendo o contribuinte comprovado as exportações nas quantidades e prazos previstos. Desta forma tal Ato Concessório formará processo apartado com destino ao Arquivo. (grifo nosso) Ressaltou também a autoridade fiscal que algumas das Declarações de Importação — DI, citadas no termo de inicio de ação fiscal, foram objeto de outros I, atos Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 13855.000941/0090 Acórdão n.º 3102000.774 S3‐C1T2 Fl. 3 3 concessórios, cujos procedimentos de fiscalização foram realizados pela DRF Ribeirão Preto. No tocante ao ato concessório n° 1893/8963, apresenta se, abaixo, um resumo das condições inerentes ao incentivo à exportação em tela: Ato concessório n° 1893/8963 (fls. 40/53 e 172/187) Condições quando da concessão Data emissão Prazo exportação (inicial) Comprimissos (condições fiscais) Importação Exportação 24/12/1993 24/12/1994 NCM 8309.90.0000– Fundos (easy open) p/latas troncos piramidais p/acondiciona mento de 12 oz (340importaçã ogr.) de carne bovina cozida corned beet Embalagem cada caixa contém 1296 findos Peso Liquido: 185.000 Kg – Quantidade: 8.500 caixas – Vr. FOB = US$ 711.620,00 NCM 1602.50.9902 – Carne bovina em conserva corned beef Caixas com 24 x 12 oz (340 gr.) cada— Peso líquido: 3569404 Kg – Quantidade: 437.427 caixas – Vr. FOB = US$ 8.311,113,00I mportação sem cobertura cambial = US$ 711.620,00. Aditivos Referente ao ato concessório acima, foram expedidos diversos aditivos, cujas modificações abrangeram, dentre outras, a Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 13855.000941/0090 Acórdão n.º 3102000.774 S3‐C1T2 Fl. 4 4 prorrogação sucessiva do prazo de validade das exportações até 02/02/1996. Nas planilhas de fls. 30/31 estão discriminadas outras alterações de condições estipuladas no ato concessório em tela. Ainda no tocante ao ato concessório n° 1893/8963, a autoridade responsável pela ação fiscal motivou o lançamento frente a diferentes irregularidades cometidas pela empresa autuada, a seguir relatadas. Primeiramente, consta do relatório fiscal que o Banco do Brasil entendera pelo inadimplemento parcial do incentivo, tendo este também cancelado alguns relatórios decomprovação (n° 3002 e 3003) à revelia da beneficiária, "[..] em virtude da não apresentação da documentação comprobatória ais. 178)". Posteriormente, ressalta a autoridade administrativa que a SECEX, diante de esclarecimentos da empresa, reviu sua posição; motivo pelo qual “... efetuou a BAIXA do Ato Concessório sob condição resolutiva ou seja, sujeita a verificação do FISCO FEDERAL e do FISCO ESTADUAL, conforme estabelecido, no artigo 3°, da Portaria MEFP 594/92 (DOU de 26/08/1992)". No intuito de verificar se o regime fora, materialmente, adimplido, a autoridade fiscal intimou a beneficiaria do regime a apresentar diversos documentos, intimação esta que, no entanto, não foi atendida a contento, conforme relatado às fls. 18. Mesmo assim considerando as alterações implementadas pela empresa junto à SECEX nos quantitativos compromissados, o auditor fiscal responsável pelo exame do incentivo observou, que os quantitativos informados nos relatórios de comprovação de drawback de números 1894/4648 (fls. 179) e 1896/5210, anexos 3002 e 3003 (fls. 186/187), "[..] NÃO CORRESPONDEM aos valores efetivos", conforme quantitativos e percentuais discriminados para cada Registro de Exportação às fls. 19/23 (RE na' 94/0572738001, 94/0575197001, 94/0573943001, 94/0598124001, 94/0599440001, , 94/0626587001, 94/0627168001, 94/0654710001, 94/0659408001, 94/0665182001, 94/0671636001, 94/0674932001, 94/0699411001, 94/0699458001, 94/0739976001 e 94/0791880001). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 13855.000941/0090 Acórdão n.º 3102000.774 S3‐C1T2 Fl. 5 5 Com respeito ao RE n° 95/1044880001, ressaltou que “... este RE não tem vinculo com o Ato Concessório em questão, tratando de operação de EXPORTAÇÃO COMUM — código 80000 UI 87, campo 20, se prestando para comprovação de exportações, grau de inadimplemento neste caso foi TOTAL". Fundamenta seu entendimento no artigo 325 do Regulamento Aduaneiro então vigente (Decreto n° 91.030/85), e discrimina, às fls. 24, outros Registros de Exportação em situação idêntica a esta, ou seja, sem vinculação a qualquer ato concessório, motivo pelo qual o inadimplemento dos mesmos foi também considerado na sua totalidade. Relata, também, a ocorrência de vinculação de exportações a ato concessório diverso de drawback motivo pelo qual o inadimplemento fora igualmente considerado integral. Foram os seguintes os atos concessórios apontados como nessa condição: 95/0658251001, 95/0691635001, 95/0691539001 e 95/0701237001 (vide fls. 25/26). Posteriormente, a autoridade lançadora aborda questões atinentes à contagem do prazo decadencial no regime de drawback (baseado no artigo 173, inciso I, do CTN), tendo, apresentado, às fls. 28/29, o demonstrativo dos cálculos atinentes ao valor tributável dos produtos a nacionalizar separados por DI. Conforme se vê às fls. 28, o adimplemento regime foi de, apenas, 3,863% do total compromissado (1,263% para caixas contendo carne suína e 2,6% para bandejas contendo carne bovina). Finalmente, o auditor fiscal responsável pelo lançamento assevera que, “Como descrito no Termo de Verificação Fiscal de 17/08/2000 fl. 38/39), NÃO FOI APRESENTADA NENHUMA DOCUMENTAÇÃO ORIGINAL PELO CONTRIBUINTE” Da Impugnação Cientificada dos lançamentos em 20/09/2000 (conforme fls. 03. e 13), a autuada insurgiuse contra a exigência, tendo apresentado, em 20/10/2000, a impugnação de fls. 231/233, onde se fundamenta, exclusivamente, nas seguintes razões (ipsis litteris): Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 13855.000941/0090 Acórdão n.º 3102000.774 S3‐C1T2 Fl. 6 6 Não procede o levantamento de débito efetuado pelo Sr. Fiscal, relativamente às comprovações referentes ao ato concessório DRAWBACK n° 1893/8963 emitido em 24/12/1993, no valor de R$ 122.988,16. A Autora realizou venda de exportação conforme comprova RELATÓRIO DE COMPROVAÇÃO DE DRAVVBACK" do Banco do Brasil S/A. As condições a serem consideradas como as no item 15 da Portaria n° 36 de 11.02.1982. Assim, a operação realizada pela Requerente estava indicada no relatório entregue ao Banco do Brasil S/A — Serviços de Comércio Exterior, o ,qual indicou neste próprio documento que, as mercadorias importadas ao amparo do Ato Concessório sob referência (proc. 896/3) estava "TOTALMENTE UTILIZADAS NOS PRODUTOS EXPORTADOS" Assim, não tem o mínimo cabimento o trabalho efetuado Sr. Fiscal, pois este informou em seu Relatório Fiscal, pela análise resultou a constatação de irregularidade, concluídas estritamente no que determina a legislação vigente, indicando que o Banco do Brasil S/A comunicou o “INADIMPLEMENTO PARCIAL” e "baixa à revelia", pois a empresa apresentou os relatórios de comprovação de n° 3002 e 3003, os quais foram conferidos e CANCELADOS. Ora é estranho, pois o RELATÓRIO DE COMPROVAÇÃO DE DRAWBACK n° 1896/5210 de 24/05/96, confirma total comprovação.Desta forma, o procedimento da Requerente foi absolutamente correto, não agindo com acerto o Sr. Fiscal, ao lavrar o auto de infração. Ante o aposto, é apresente para requerer a Vossa Senhoria se digne a julgar improcedente o auto de infração, reconhecendo a insubsistência da acusação fiscal integralmente, e determinando o arquivamento do respectivo processo administrativo fiscal. Requer provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, inclusive documentais, caso outros, além daqueles que estão sendo juntados nesta data, venham a surgir. Nestes termos, Pede deferimento. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 13855.000941/0090 Acórdão n.º 3102000.774 S3‐C1T2 Fl. 7 7 Anexa à impugnação, exclusivamente, cópia da cédula de identidade e do CPF do signatário da impugnação (fls. 234), de página do relatório de comprovação de drawback onde está consignado que as mercadorias importadas ao amparo do ato concessório n° 18 93/8963 foram "TOTALMENTE UTILIZADAS NO(S) PRODUTOS(S) EXPORTADOS(S)" (fls. 235), cópias autenticadas de atas de assembléias de acionistas e do Conselho de Administração da empresa (fls. 236/248), cópia autenticada do cartão CNPJ do sujeito passivo (fls. 249), e procuração pública através da qual foram conferidos os poderes necessários a representar a empresa neste foro administrativo, dentre outros, a José Carlos Ferreira, indicado como signatário da peça impugnatória acima referenciada (fls. 250). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza/CE julgou procedente o lançamento, por meio de acórdão assim ementado (fls. 253254): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 02/02/1994, 16/03/1994 IMPUGNAÇÃO. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE PROVA. INADMISSIBILIDADE. As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação devera ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Assim, não se configurando nenhuma das hipóteses do § 4° do , art. 16 do Decreto 70.235/72, não poderá ser acatado o pedido genérico pela produção posterior de prova. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 02/02/1994, 16/03/1994 DRAWBACK. EXPORTAÇÕES REALIZADAS EM QUANTITATIVOS INFERIORES AOS INFORMADOS À SECEX. DESATENDIMENTO DE REQUISITOS FORMAIS. NÃO COMPROVAÇÃO DO ADIMPLEMENTO MATERIAL DO REGIME PELO SUJEITO PASSIVO. EXIGÊNCIA DOS TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. Demonstrado que o sujeito passivo realizou exportações em quantitativos inferiores aos informados no relatório de Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 13855.000941/0090 Acórdão n.º 3102000.774 S3‐C1T2 Fl. 8 8 comprovação de drawback, bem como que descumpriu alguns dos requisitos formais de controle inerentes ao incentivo, e ainda, considerando que o sujeito passivo não trouxe aos autos nenhum elemento de prova capaz de demonstrar inequivocamente que os compromissos firmados no ato concessório tivessem observados, cabível a exigência ex officio dos tributos incidentes na importação dos insumos beneficiados pelo regime, acrescidos dos encargos legais cabíveis. Lançamento Procedente Em face do acórdão proferido pela DRJ, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual, em síntese, reitera os argumentos já expostos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, Relatora O recurso voluntário não merece conhecimento, por ter sido interposto fora do prazo legal. Com efeito, o Contribuinte foi notificado pessoalmente da r. decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza no dia 11 de fevereiro de 2009 (quartafeira), conforme consta no verso da fl. 272. No entanto, protocolou o recurso voluntário apenas no dia 13 de março de 2009 (sextafeira), 31 (trinta e um) dias após sua intimação, conforme consta no carimbo de protocolo à fl. 274. Isso posto, o recurso voluntário não pode ser conhecido por ser perempto, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Há precedentes nesse sentido: PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO CIÊNCIA POSTAL DA DECISÃO RECORRIDA DATA DE RECEBIMENTO REGISTRADA NO AVISO DE RECEBIMENTO TRINTÍDIO LEGAL RECURSO INTEMPESTIVO NÃO CONHECIMENTO Na forma do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, o recurso voluntário deve ser interposto no prazo de 30 dias da ciência da decisão recorrida. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Essa dicção do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal federal, é idêntica à do Código de Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA Processo nº 13855.000941/0090 Acórdão n.º 3102000.774 S3‐C1T2 Fl. 9 9 Processo Civil e à do Código Civil. O recurso interposto após o prazo legal não deve ser conhecido. Recurso voluntário não conhecido. (Recurso 151165, Processo 18471.000439/200493, Conselho de Contribuintes, Sexta Câmara, rel. Cons. Giovanni Christian Nunes Campos, julg. 06/03/2008) Em face dos fundamentos acima expostos, não conheço do recurso voluntário, por perempto. Sala das Sessões, em 30 de setembro de 2010. Relatora Beatriz Veríssimo de Sena Fl. 9DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/05/2011 por BEATRIZ VERISS IMO DE SENA
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Numero do processo: 13883.000248/96-40
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/01/1993 a 30/09/1993
IPI. CRÉDITO PRÊMIO. PROGRAMA BEFIEX. TRANSFERÊNCIA ENTRE PESSOAS JURÍDICAS DISTINTAS. POSSIBILIDADE. DECRETO Nº 64.833/1969. REVOGAÇÃO.
Nos termos do art. 1º do Decreto-lei nº 491/69, o crédito de IPI nele previsto, garantido aos titulares de projetos aprovados no âmbito do programa BEFIEX, seria utilizado na forma estabelecida em regulamento, o que ocorreu com a edição do Decreto nº 64.833/69 que, dentre outras possibilidades, admitia a transferência do crédito entre pessoas jurídicas distintas; contudo, uma vez revogado e inexistindo regramento específico, passou a regular a matéria o Regulamento do IPI (RIPI) aprovado pelo Decreto nº 87.981/82, que não mais previa esta modalidade de transferência de crédito. Recurso Negado
Numero da decisão: 9303-003.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial interposto pelo Sujeito Passivo.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo (Substituta convocada), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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CRÉDITO PRÊMIO. PROGRAMA BEFIEX. TRANSFERÊNCIA ENTRE PESSOAS JURÍDICAS DISTINTAS. POSSIBILIDADE. DECRETO Nº 64.833/1969. REVOGAÇÃO. Nos termos do art. 1º do Decretolei nº 491/69, o crédito de IPI nele previsto, garantido aos titulares de projetos aprovados no âmbito do programa BEFIEX, seria utilizado na forma estabelecida em regulamento, o que ocorreu com a edição do Decreto nº 64.833/69 que, dentre outras possibilidades, admitia a transferência do crédito entre pessoas jurídicas distintas; contudo, uma vez revogado e inexistindo regramento específico, passou a regular a matéria o Regulamento do IPI (RIPI) aprovado pelo Decreto nº 87.981/82, que não mais previa esta modalidade de transferência de crédito. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial interposto pelo Sujeito Passivo. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 3. 00 02 48 /9 6- 40 Fl. 576DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13883.000248/9640 Acórdão n.º 9303003.185 CSRFT3 Fl. 576 2 (Substituta convocada), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo Relatório Tratase de auto de infração que exige o IPI decorrente de glosa de créditos relativos a créditoprêmio de IPI, de que trata o DL 491/69, recebidos pela autuada (Confab Tubos S/A) por transferência da pessoa jurídica Confab Trading S/A, CNPJ 54.177.191/0001 90. A alegação do Fisco é a de que a mencionada transferência não possuía respaldo legal, destacando o relatório fiscal que a contribuinte se lastreara no Parecer JCF 08/92, da Consultoria Geral da República, aprovado pelo Presidente da República e publicado no DOU em 12/11/1992, e, ainda, que não se discutia nestes autos a fruição ao direito creditório, mas a (im)possibilidade da transferência efetuada. Julgando o feito, a Câmara recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 340300.736, de 09 de dezembro de 2010, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/01/1993 a 30/09/1993 IPI. CRÉDITO PRÊMIO. PROGRAMA BEFIEX. TRANSFERÊNCIA ENTRE PESSOAS JURÍDICAS DISTINTAS. POSSIBILIDADE. DECRETO Nº 64.833/1969. REVOGAÇÃO. Nos termos do art. 1º do Decretolei nº 491/69, o crédito de IPI nele previsto, garantido aos titulares de projetos aprovados no âmbito do programa BEFIEX, seria utilizado na forma estabelecida em regulamento, o que ocorreu com a edição do Decreto nº 64.833/69 que, dentre outras possibilidades, admitia a transferência do crédito entre pessoas jurídicas distintas; contudo, uma vez revogado e inexistindo regramento específico, passou a regular a matéria o Regulamento do IPI (RIPI) aprovado pelo Decreto nº 87.981/82, que não mais previa esta modalidade de transferência de crédito. Recurso Voluntário Negado. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso especial requerendo a reforma do acórdão vergastado, para legitimar o aproveitamento do crédito prêmio recebido em transferência. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13883.000248/9640 Acórdão n.º 9303003.185 CSRFT3 Fl. 577 3 O recurso foi admitido, conforme Despacho 340000.190, de 2012 (efolhas 536/537). A Fazenda Nacional foi cientificada do despacho acima citado, apresentando as contrarrazões de efolhas 540 a 553. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade a esta instância. Dele conheço. A matéria devolvida ao Colegiado cingese à possibilidade de transferência do créditoprêmio de IPI e o conseguinte aproveitamento pelo estabelecimento que os recebeu. Essa matéria, inclusive envolvendo a mesma empresa que transferiu os créditos (Confab Trading S/A), foi enfrentada no julgamento consubstanciado no Acórdão 930300.872. de 27 de abril de 2010, no qual fui relator, do qual transcrevo os seguintes excertos, por aplicarse à solução da presente lide: “De um lado, a fiscalização afirma, para os períodos ora analisados, que o Decreto n°. 64.833/69, que regulamentou o DecretoLei n° 491/69 e autorizou as empresas comerciais exportadoras a transferirem o saldo acumulado do crédito prêmio do IPI para empresa interdependente, foi revogado pelo Decreto s/nº de 25/04/1991. De outra banda, a defendente alega, quanto a isso, que o seu direito foi garantido pelo Parecer JFC n° 08/1992, da ConsultoriaGeral da República, aprovado pelo Presidente da República, que teria assegurado, em data posterior àquela da publicação do Decreto s/nº, a transferência e utilização do créditoprêmio do IPI, sem fazer qualquer menção ao mencionado ato legal. Inicialmente, passo a examinar a legislação do IPI, vigente à época dos fatos, sobre aproveitamento de crédito. É de conhecimento de todos que na sistemática do IPI impera a autonomia dos estabelecimentos, por força da norma inserta no parágrafo único do artigo 51 do Código Tributário Nacional, nos termos seguintes: Art. 51 omissis Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considerase contribuinte autônomo, qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou arrematante. Da análise dessa norma, depreendese que as obrigações e os haveres de cada um dos estabelecimentos de uma pessoa Fl. 578DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13883.000248/9640 Acórdão n.º 9303003.185 CSRFT3 Fl. 578 4 jurídica, no pertinente ao IPI, são personalíssimas, isto é, são intransferíveis para outro estabelecimento, ainda que da mesma firma, salvo expressa autorização legal em contrário. Não destoando do comando dessa norma do CTN, a lei básica do IPI veda a centralização da escrita destes estabelecimentos, isto é, cada um deles deve manter sua própria escrituração, como manda o artigo 217 do RIPI 1982, que reproduz o comando do artigo 57 da Lei 4.502/1964. Autonomia dos Estabelecimentos Art. 217 Cada estabelecimento, seja matriz, sucursal, filial, agência, depósito ou qualquer outro, manterá o seu próprio documentário, vedada, sob qualquer pretexto, a sua centralização, ainda que no estabelecimento matriz. Dentre os efeitos práticos gerados pela autonomia acima aludida, temse que cada estabelecimento, seja matriz ou filial, responderá individualmente, no pertinente ao IPI, por todos os atos que praticar, além de serem capazes de contrair direitos e obrigações, como se fossem dissociados dos demais da mesma firma. Assim é que os créditos e os débitos do estabelecimento Alfa, não se confundem com os do Alfa 1. Daí, se em determinado período de apuração o estabelecimento matriz, por exemplo, registrar saldo credor e sua filial, saldo devedor, estes saldos não se comunicam, a matriz deve transferir o excesso de crédito para o período seguinte e a filial, recolher, no prazo legal, o valor correspondente ao débito apurado. Para melhor entendimento do que aqui se expõe, fazse necessário analisar o tratamento tributário dispensados pela legislação fiscal aos créditos de IPI. Em primeiro lugar, há a sistemática normal de utilização dos créditos, assim considerada por ser inerente ao próprio mecanismo de apuração do imposto. Tal sistemática está assentada nos ditames do artigo 103 do RIPI/1982 e consiste na determinação de que os créditos do IPI escriturados pelos estabelecimentos industriais ou equiparados a industrial sejam utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos. Se do confronto de débitos e créditos, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte. A transferência de saldo de imposto verificado na escrita fiscal de um estabelecimento, para outro, mesmo pertencente à mesma firma, não está prevista no RIPI como forma de utilização do crédito autorizado por lei e relativo aos produtos recebidos para industrialização ou revenda. Desta feita, tendo em vista a falta de previsão legal e em face do princípio da autonomia dos estabelecimentos, tornase evidente não ser permitida a transferência de créditos de um estabelecimento para outro, mesmo em se tratando de matriz e filial, menos ainda nos casos em que não há esse relação empresarial. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13883.000248/9640 Acórdão n.º 9303003.185 CSRFT3 Fl. 579 5 Por outro lado, o artigo 2º do DecretoLei nº 1.426/1975, que embasou o artigo 104 do RIPI/1982, dispôs que: O Ministro da Fazenda poderá estabelecer outras modalidades de aproveitamento, inclusive através de compensação ou ressarcimento, dos créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados assegurados aos estabelecimentos industriais, quando for impossível sua recuperação normal pela sistemática de dedução do valor do imposto devido nas operações internas. Na regulamentação desse dispositivo legal foram baixadas diversas portarias ministeriais, bem como instruções normativas, que criaram para os créditos incentivados outras formas de utilização do saldo credor quando este não pudesse ser compensado nas operações de mercado interno, inclusive o ressarcimento em espécie. Por fim, resta a sistemática de utilização dos créditosprêmio e dos referentes aos insumos utilizados em produtos exportados. Para os primeiros, o Decreto nº 64.833/1969, previu a possibilidade de transferência dos créditos de um estabelecimento para outro, nos termos seguintes: Art 3º Os créditos tributários previstos no art. 1º deste Decreto somente poderão ser lançados na escrita fiscal à vista de documentação que comprove a exportação efetiva da mercadoria, atendidas as normas baixadas pelo Ministério da Fazenda. § 1º Os créditos tributários serão deduzidos do valor do imposto sobre produtos industrializados devido nas operações do mercado interno. § 2º Feita a dedução e havendo excedente de crédito, poderá o estabelecimento industrial exportador: a) manter o crédito excedente para compensações parciais e sucessivas, inclusive transferílo, total ou parcialmente, para os exercícios seguintes; b) transferílo, mediante prévia comunicação por escrito ao órgão da Secretaria da Receita Federal a que estiver jurisdicionado para a escrita fiscal: I de outro estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, da mesma empresa; II de estabelecimento industrial ou equiparado a industrial com o qual mantenha relação de interdependência, atendida a conceituação do artigo 21, § 7º, do Decreto número 61.514, de 12 de outubro de 1967. Acontece, porém, que esse decreto foi expressamente revogado pelo Decreto S/Nº, de 25/04/1991. Por conseguinte, revogada a norma especial, volta a viger a norma geral, qual seja, a dada pelo regulamento do IPI. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13883.000248/9640 Acórdão n.º 9303003.185 CSRFT3 Fl. 580 6 Resta examinar, a alegação da defesa de que o Parecer JCF nº 8, de 1992 teria asseguradolhe o direito aos créditos objeto destes autos. Neste particular, socorrome dos fundamentos expendidos pelo relator da decisão de primeira instância, que com as homenagens de praxe, peço licença para transcrever: ‘O parecer reconhece às suplicantes, na qualidade de titulares de Programa BEFIEX, o direito de haver o crédito prêmio em relação aos negócios de compra e venda mercantil, ajustado entre as suplicantes e compradores estabelecidos no exterior até 31 de dezembro de 1989, desde que as correspondentes exportações se tenham efetivamente realizado no prazo consignado nos respectivos instrumentos de ajuste, observado o limite temporal de execução dos pertinentes Programas Especiais de Exportação – BEFIEX. O parecer menciona ainda que uma das requerentes, a Confab Trading S/A, que realiza as exportações, também usufrui o benefício fiscal, de acordo com o artigo 3º do Decretolei nº 1.248/72. No tocante à transferência do benefício fiscal da Confab Trading S/A para a empresa interdependente Rio de Janeiro Refrescos S/A, essa matéria não é abordada explicitamente no Parecer JCF nº 08/93: essa possibilidade estava prevista no inciso II do § 2º do artigo 3º do Decreto nº 64.833 (regulamentador do DL nº 491/69), que foi revogado pelo Decreto s/nº de 25/04/1991 A alegação da defendente com relação à revogação do Decreto nº 64.833/69 é a de que o Parecer JCF nº 08/1992 reconheceu a ilegalidade das Portarias MF nº 89/81 e 292/81 e determinou que o aproveitamento do créditoprêmio se desse segundo os preceitos do DL nº 491/69 e do Decreto nº 64.833/69. Todavia, o parecerista da CGR estava se referindo especificamente ao teor dos §§ 1º e 2º do DL nº 491/69, que previam que o excedente do crédito poderia ser “aproveitado nas formas indicadas por regulamento”. Pois bem, ocorre que o Regulamento do IPI foi aprovado pelo Decreto nº 87.981/82 em 23 de dezembro de 1982 e trata em seu artigo 92, inciso I, de crédito incentivado de imposto estabelecendo as normas para seu aproveitamento nos artigos 103 e 104, os quais não contemplam a hipótese de transferência para outro estabelecimento da mesma empresa nem para empresa interdependente. Assim, as normas para ressarcimento do crédito financeiro às exportações devem ser aquelas previstas no citado Regulamento. Esse entendimento está consubstanciado no Parecer COSIT/DITIP nº 1.357, de 31 de outubro de 1995, o qual lembra que a Portaria MEFP nº 134, de 18/02/92, fundamentada no artigo 5º do Decretolei nº 491/69 e no artigo 2º do Decretolei nº 1.426/75, autorizou a transferência para outro estabelecimento industrial ou equiparado a industrial da mesma empresa apenas os créditos de IPI relativos a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem efetivamente empregados na industrialização dos produtos exportados, sendo essa a única possibilidade prevista na legislação.’ De outro lado, como bem observou o relator do voto vencido, o objetivo do Parecer foi determinar a interpretação da expressão “vendas para o exterior” para efeito da aplicação do DL no 491, Fl. 581DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13883.000248/9640 Acórdão n.º 9303003.185 CSRFT3 Fl. 581 7 de 1969, e pronunciarse sobre direito adquirido ao crédito prêmio à exportação, no tocante a empresas detentoras de contratos celebrados no âmbito do Programa Befiex: ‘O créditoprêmio à exportação de manufaturados, pelos fabricantesexportadores, comprometidos com a execução de Programas Especiais de Exportação Befiex (PPEX), tem como fato gerador a compra e venda mercantil ajustada com o importador estrangeiro e se torna exigível, quando da efetiva exportação da mercadoria. Em face das disposições do Decreto lei no 491, de 1969, e do Decretolei no 1.219, de 1972, a garantia de manutenção do créditoprêmio alcança negócios de compra e venda mercantil ajustados até a data consignada no respectivo termo de garantia, desde que as correspondentes exportações ocorram efetivamente nos prazos avençados, contidos estes no período de execução do respectivo PPEX.’ O Indigitado parecer nada conclui a respeito da possibilidade de transferência de créditos entre estabelecimentos interdependentes. Se o fizesse, com certeza, o faria no sentido da impossibilidade de tal transferência, pois, mesmo no mais alto pedestal da consultoria da República, o renomado parecerista não poderia concluir pela possibilidade de transferência dos mencionados créditos, sob pena de violação explícita da legislação federal. Há que se destacar ainda que o direito à transferência de crédito entre os estabelecimentos para se materializar, a cedente e cessionária deveriam, necessariamente, participar do mesmo programa befiex, o que não é o caso dos autos. Neste sentido,assim manifestouse a Conselheira Josefa Maria Coelho Marques, no Acórdão CSRF/0201.670: ‘Já o art. 9º do DL no 1.219, de 1972, estabelecia que a transferência do créditoprêmio no âmbito do Programa Befiex só poderia ocorrer entre empresas que participassem do mesmo programa: Art 9º Os créditos tributários instituídos pelo Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, que não puderem ser utilizados pelo estabelecimento industrial executor do programa mencionado no artigo 1º, no pagamento dos impostos devidos nas operações do mercado interno, poderão, desde que já contabilizados como receita da empresa geradora de tais créditos, ser transferidos para as outras empresas participantes do mesmo programa, as quais, por sua vez, os utilizarão de acordo com a forma e a sistemática estabelecidas pela legislação em vigor. Não existe, portanto, nenhuma antinomia entre os dois dispositivos transcritos. O art. 9º supra acrescentou uma hipótese ao art. 3º , § 2º, ‘b’, II, do Decreto no 64.833, para os casos em que o créditoprêmio à exportação fosse usufruído no âmbito do programa Befiex. Em outras palavras, no caso de créditoprêmio gerado por exportações efetuadas no âmbito do Fl. 582DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13883.000248/9640 Acórdão n.º 9303003.185 CSRFT3 Fl. 582 8 programa Befiex, além da relação de interdependência entre as empresas, ambas deveriam participar do mesmo programa. Tal interpretação é plenamente justificada pelo parágrafo 1º do art. 9º do DL no 1.219, de 1972, que exime de tributação a empresa recebedora dos créditos e também pela natureza contratual do direito ao créditoprêmio gerado em exportações efetuadas dentro do Programa Befiex, em que as empresas signatárias comprometerseiam a gerar determinado saldo positivo em dólares em troca dos incentivos fiscais especificados nas cláusulas contratuais. No caso dos autos, restou desatendida a condição estabelecida no art. 9º do DL no 1.219, de 1972, pois a recebedora dos créditos em transferência, ora autuada, era interdependente mas não integrava o mesmo programa Befiex do qual participava a Confab Trading, empresa que lhe transferiu os créditos.’” Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial do contribuinte, mantendose a decisão a quo para considerar procedente o lançamento consubstanciado no auto de infração sob exame. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Fl. 583DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/01/ 2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10840.911275/2009-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA.
A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agrega-se ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-001.402
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Luis Eduardo Garrossino Barbieri Presidente-substituto.
Charles Mayer de Castro Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri (presidente-substituto), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Stocco Portes, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RESSARCIMENTO. Recorrente COINBRAFRUTESP S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agregase ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Luis Eduardo Garrossino Barbieri – Presidentesubstituto. Charles Mayer de Castro Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri (presidentesubstituto), Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 91 12 75 /2 00 9- 89 Fl. 828DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 2 de Castro Souza, Paulo Roberto Stocco Portes, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de ressarcimento de crédito presumido de Imposto de Produtos Industrializados – IPI, com fundamento na Lei n.º 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e na Lei n.º 10.276, de 10 de setembro de 2001, cumulado com pedidos de compensação de débitos próprios. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório DRF/Ribeirão Preto de rastreamento nº913291902, de fl.477/482, que deferiu parcialmente o valor de R$346,15, do crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9363, de 13 de dezembro de 1996, solicitado no PER/DCOMP nº38.498.06837.310305.1.1.014647 (4º trimestre de 2004), no valor de R$8.080.074,98 (somatório dos créditos presumidos do 1º trimestre/2000, 1º trimestre/2001, 1º trimestre/2003, 2º trimestre/2003, 3º trimestre/2003, 4º trimestre/2003 e 1º trimestre/2004), fls.02/431. Por conseguinte, homologou as compensações efetuadas nos PER/DCOMP indicados no despacho decisório até o limite do crédito reconhecido, determinando a cobrança dos débitos cujas compensações foram não homologadas porque não há valor a ser restituído/reconhecido em suficiência. A DRF/Ribeirão Preto proferiu o Despacho Decisório com base no Termo de Conclusão Fiscal de fls.606/626, no qual a fiscalização constatou que a interessada apesar de exportar os produtos, não os industrializava, pois não tem e nunca teve, estrutura física para industrializar os produtos, tudo o que foi produzido foi oriundo da industrialização por encomenda realizada por uma empresa do mesmo grupo, a COINBRA FRUTESP INDUSTRIAL LTDA, CNPJ 00.831.373/000104, fato ocorrido na vigência da Lei nº 9.363, de 1996, que não previa a inclusão da prestação de serviços na industrialização por encomenda, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, admitida tão somente a partir da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, na convalidação dos atos praticados com embasamento na Medida Provisória nº 2.2021, de 26 de julho de 2001, no art. 1º, § 1º, inciso II, quando o encomendante fosse contribuinte de IPI. Em seu relato, a fiscalização informou que a interessada formalizou Pedidos de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI e PER/DCOMP vinculados ao referido crédito, relativo aos períodos de ressarcimento dos 1º trimestres dos anoscalendário de 2000, 2001, 2003 e 2004; 2º trimestre/2003, 3º trimestre/2003; 4º trimestre/2003, e que tais créditos decorreram de ajustes realizados a partir de 01/01/2000, quando a interessada retificou a DCTF do 1º trimestre/2000, para incluir um valor de R$142.782.353,00 decorrente de estoques de produtos acabados e não exportados no período anterior, ano Fl. 829DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 3202001.402 S3C2T2 Fl. 828 3 calendário de 1999, que refletiu nos trimestres subseqüentes, conforme DCTF’s apresentadas até o 3º trim/2002 e DCP a partir do 4º trim/2002 até o 1º trim. 2004. Além disso, afirma que a partir das declarações e esclarecimentos prestados pela Sra Margarete Aparecida Ferraresi Alves, procuradora da fiscalizada, que trabalha na função de gerente fiscal da empresa Louis Dreyfus Commodities Agroindustrial S/A, CNPJ 00.831.373/000104 e chefe do departamento fiscal da Coimbra Frutesp Industrial Ltda, constatou que os empregados não estavam registrados em uma ou outra empresa, e sim em regime de grupo econômico, ambas empresas funcionavam no mesmo parque industrial e endereço, tinham o mesmo sócio majoritário (Louis Dreyfus Citrus S/Aestrangeira) e funcionários comuns, mesmo representante perante o CNPJ, o Sr. Reinaldo Roberto Sesma e todas, o mesmo contador responsável o Sr. José Reinaldo Simon da Silva. Ao responder sobre como se dava a operacionalização das atividades da fiscalizada nos anos de 2000, 2001, 2003 e 2004, a referida procuradora respondeu que as compras de insumos, vendas, transporte, recebimentos, pagamentos, exportação, escrituração comercial e fiscal eram realizadas pelos mesmos funcionários em regime de grupo econômico, pois no prédio principal estava estabelecida a empresa CNPJ 00.831.373/0001 04 e em prédio separado da indústria, o centro administrativo de dimensões de 4m por 5m, onde funcionava a ora fiscalizada. Informou ainda, que a fiscalizada realizava a compra dos insumos, emitia nota fiscal de remessa para industrialização para a empresa de CNPJ 00.831.373/000104, que realizava a industrialização do produto e quando apto a comercialização, era emitida uma nota de retorno para a fiscalizada que emitia uma nota fiscal de venda destinada a exportação. A fiscalização, a partir da auditoria realizada nos livros de entrada e saída da fiscalizada e da empresa de CNPJ 00.831.373/000104, verificou o fluxo dos insumos assim descrito: aquisição de insumos em quase sua totalidade, pela empresa objeto de fiscalização, remessa fictícia de encomenda para industrialização para empresa de CNPJ 00.831.373/0001 04, CFOP 593, recebimento dos insumos por esta com emissão de nota fiscal de entrada para industrialização por encomenda, CFOP 193, retorno fictício dos produtos industrializados, CFOP 594, e entrada fictícia dos produtos industrializados para a ora fiscalizada, CFOP 194, que permitiu concluir que tanto a entrada quanto a saída eram fictícias, porque a ora manifestante funciona apenas como compradora de insumos e exportadora, mas na prática, a industrialização se dá pelo recebimento direto dos insumos na outra empresa do grupo, a Coimbra Frutesp Industrial Ltda, CNPJ 00.831.373/000104. Apesar de adquirir os insumos, não industrializava os produtos vendidos, pois tudo o que foi produzido e exportado foi oriundo da industrialização por encomenda realizada por uma empresa do mesmo grupo, ambas que funcionavam no mesmo parque Fl. 830DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 4 industrial e endereço, mesmo sócio majoritário, funcionários comuns. E assim, em razão de as regras que versam sobre o crédito presumido terem caráter excepcional, interpretamse de modo literal e restrito, principalmente no que tange o art. 1º da Lei nº9.363, de 1996. Cientificada do despacho decisório de fls.477/482, em 10/03/2011, fls.483/484, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, fls.485/497, alegando que: • O pedido original apresentado pela requerente era referente a créditos decorrentes de produtos exportados ao longo do 1º trimestre/00, 1º trimestre/01, 1º trimestre/03, 2º trimestre/03, 3º trimestre/03, 4º trimestre/03, 1º trimestre/04; As mercadorias vendidas nos trimestres mencionados foram fabricadas em 1999 pela própria requerente – Coinbra Frutesp S/ACNPJ 46.347.795/000100, por força do art.2º da Lei nº9.363 os créditos pleiteados tem como base de cálculo insumos igualmente adquiridos até 31/12/1999; • O despacho decisório nº913291902 concluiu pelo reconhecimento parcial das importâncias pleiteadas e compensadas bom base no Termo de Conclusão Fiscal elaborado pelo SEFIS da DRF/Ribeirão Preto; • O trabalho fiscal afirma que não há dúvida quanto à compra de insumos por parte da empresa Coinbra Frutesp S/A, CNPJ 46.347.795/000100, e quanto às vendas para exportação, e de que se trata de créditos decorrentes de produtos acabados em estoque e não exportados referentes ao ano de 1999, contudo considera que a requerente não poderia apropriar os créditos porque não houve por parte da fiscalizada industrialização de insumos adquiridos, e tudo que é produzido decorre de industrialização por encomenda, a Coinbra Frutesp Industrial Ltda CNPJ 00.831.373/000104, mas este entendimento não pode prosperar; • As mercadorias em questão, que se encontravam em estoque na data de 31/12/1999 foram fabricadas diretamente pela requerente e não pela Coinbra Frutesp Industrial Ltda, uma vez que esta passou a exercer atividade econômica apenas em julho de 2000, e exportadas nos anos seguintes; • Ainda que os produtos em exame tivessem sido fabricados sob encomenda da requerente, somente a título de argumentação, não haveria impedimento para que apropriasse os créditos em questão, na medida em que calculados a partir de insumos por ela adquiridos; • Até 31/12/1999 as unidades industriais do Grupo Louis Dreyfus, em que o suco de laranja era produzido, eram de sua titularidade, tais ativos só foram transmitidos para Coinbra – Frutesp Industrial Ltda em julho de 2000, conforme documentos que registram capitalização desta sociedade, sendo que até então ela não exercia atividades industriais; • Na "Ata da Assembléia Geral Extraordinária Realizada em 1º de Julho de 2000", os acionistas da Requerente aprovaram a Fl. 831DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 3202001.402 S3C2T2 Fl. 829 5 proposta da diretoria da sociedade, consistente no aumento de capital da COINBRAFRUTESP INDUSTRIAL LTDA., mediante a conferência "dos ativos que compõem os estabelecimentos industriais de processamento de frutas cítricas localizados nos municípios de Bebedouro e Matão, Estado de São Paulo". A deliberação mencionada foi registrada perante a Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP) em 31.07.00 (doc. 02); • Nas mesmas datas mencionadas, houve a subscrição e o registro na JUCESP de "Ata de Reunião de Quotistas e 10" Alteração de Contrato Social" da COINBRAFRUTESP INDUSTRIAL LTDA. Por meio dela, o capital social de referida sociedade passou de R$10,00 para R$91.150.000,00. Deste total, R$91.144.089,58 foi capitalizado pela Requerente, por meio da conferência dos complexos industriais de Bebedouro e Matão, acima mencionados (doc. 03); A partir da leitura dos documentos citados, verificase que, se as unidades industriais de fabricação de suco de laranja eram de propriedade da Requerente até 01.07.00, isso significa que até tal data a fabricação do produto citado era de sua responsabilidade. Daí porque não há razão para que seja negado o direito da própria Requerente de pleitear e aproveitar o crédito presumido garantido pela Lei n. 9.363/96; • A COINBRAFRUTESP INDUSTRIAL LTDA. não realizava a industrialização do produto exportado antes da conferência das unidades industriais feita pela Requerente, até porque sequer tinha ativos e capital para explorar referida atividade econômica. Como visto, anteriormente a tal oportunidade, o patrimônio da COINBRAFRUTESP INDUSTRIAL LTDA. era composto por recursos em caixa no total de R$ 10,00, originários da capitalização inicial feita pelo seu sócio; • As assertivas expostas são confirmadas pelo protocolo que descreve as condições de capitalização da COINBRAFRUTESP INDUSTRIAL LTDA. pela Requerente com as unidades industriais de Bebedouro e Matão, ao estabelecer que: "Em conseqüência da conferência dos estabelecimentos referidos na Cláusula 1", a atividade industrial de fabricação de produtos derivados do processamento de frutas cítricas passará a ser exercida, exclusivamente, pela INDUSTRIAL, remanescendo para a FRUTESP a atividade de produção e compra de frutas cítricas, a compra de material de embalagem, bem como a comercialização, tanto no mercado interno quanto no mercado externo dos produtos resultantes de sua industrialização" (doc. 04 – Cláusula Segunda ); • A fim de que não houvesse dúvidas acerca do início das atividades industriais da COINBRAFRUTESP INDUSTRIAL LTDA. e do destino das mercadorias até tal data produzidas pela Requerente, o referido protocolo fixou que: (1) "A transmissão dos estabelecimentos industriais da FRUTESP para a INDUSTRIAL considerarseá concretizada no mesmo dia 1º de Fl. 832DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 6 julho de 2000, a partir de quando a INDUSTRIAL assumirá todas as atividades inerentes ao processo industrial" (Cláusula Quinta destacamos) e (2) "Os produtos acabados, os produtos intermediários, os materiais de embalagem e outros insumos existentes em estoque nos estabelecimentos industriais de Bebedouro e Matão, em 30 de junho de 2000, continuarão sendo de propriedade da FRUTESP, até que sejam por ela vendidos ou transferidos para outro local" (Cláusula Sexta destacamos). A mercadoria industrializada em estoque até 31.12.1999 é identificável a partir das fichas de registro de inventário de tal período (doc. 05); • Diante o exposto, é indiscutível que até 01.07.00 a industrialização da mercadoria exportada pela Requerente foi executada diretamente por ela. Em decorrência, são descabidas as alegações da Fiscalização, no sentido de que a Requerente não tinha empregados e estabelecimentos para fabricar os produtos comercializados; • A improcedência de tais ilações é demonstrada não só pelo material antes mencionado, segundo o qual se vê que os complexos industriais de Bebedouro e Matão eram as instalações físicas em que a Requerente produzia a mercadoria exportada, mas ainda pelas fichas mensais do CAGED preenchidas por ela anteriormente à conferência das unidades industriais à COINBRAFRUTESP INDUSTRIAL LTDA. (docs. 06). Referida documentação indica que a atividade econômica da Requerente ("CNAE") compreendia a "produção de sucos de frutas e de legumes" e que para tanto ela detinha mais de duas centenas de trabalhadores empregados; • Como a própria Fiscalização reconheceu que a mercadoria exportada a partir da qual se requereu os créditos presumidos relacionados ao processo em referência era a existente em estoque em 31.12.1999, não há razão para se negar o aproveitamento dos valores sob o argumento de que teriam sido industrializados por terceiro; • Comprovado que o produto comercializado com adquirentes no exterior que deu origem ao pedido de crédito presumido em análise foi industrializado diretamente pela Requerente, deve ser reformado o despacho decisório e reconhecido o direito ao aproveitamento da importância pleiteada; • Na eventualidade de não ser acatado o quanto exposto no item anterior, o que se aceita unicamente a título de argumentação, ainda assim deve ser reconhecida a legitimidade do direito creditório formulado pela Requerente. Isso porque o crédito presumido em questão foi calculado, a partir de insumos de sua propriedade, que se alega (indevidamente) teriam sido remetidos a terceiro para que fossem aplicados na produção de mercadoria por ela encomendada com a finalidade de posterior exportação; • O crédito presumido do IPI instituído pela Lei n. 9.363/96 foi criado com a finalidade de ressarcir o exportador pela incidência cumulativa do PIS/COFINS sobre os insumos utilizados na fabricação das mercadorias comercializadas fora Fl. 833DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 3202001.402 S3C2T2 Fl. 830 7 do território nacional, tendo sido conferido ao exportador a fim de liberálos dos custos fiscais embutidos nos insumos consistentes nas contribuições PIS/COFINS agregadas ao preço de compra pago aos fornecedores para que não compusessem o valor de venda do produto exportado; • A leitura da lei nº9.363, de 1996, assegurou o aproveitamento do crédito presumido do IPI sobre a aquisição de itens que são integrados no processo produtivo da mercadoria final destinada à exportação, sendo indiferente que a industrialização seja executada diretamente pelo exportador ou contratada junto a terceiro sob sua encomenda; • Uma vez realizada a fabricação de produto com matéria prima, produto intermediário e material de embalagem de propriedade do encomendanteexportador, é garantido a este a apropriação do crédito presumido, sob pena de os insumos integrados à mercadoria por ele exportada permanecerem onerados pelo PIS/COFINS. A suposta industrialização encomendada pela exportadora e não executada diretamente por ela em nada desnaturaria o incentivo, porque a terceirização do processo industrial é prática amplamente adotada nos diversos segmentos econômicos, sendo de rigor destacar que o responsável pela sua execução não tem direito de apropriar o crédito presumido relacionado às mercadorias manufaturadas uma vez que não adquiriu os insumos utilizados e não comercializa o produto no exterior. Seguese daí que se fosse igualmente negado o crédito presumido ao exportador, nenhum dos participantes da cadeia produtiva o apropriariam, tornando "letra morta" a Lei nº 9.363/99; Segundo a legislação do próprio IPI, o responsável pela encomenda é necessariamente equiparado ao industrial, sujeitandose às mesmas obrigações que o executor da encomenda (art. 9º, IV, do Decreto n. 7.212/10 RIPI). Desse modo, se a própria regra fiscal atribui ao encomendante a condição de industrial, determinando que recolha o IPI nas operações que venha a efetuar com o material que solicitou a fabricação, não há sentido em se afirmar que não teria direito de apropriar o crédito presumido sob a alegação não participaria da cadeia produtiva do item exportado; • No caso em exame não se objetiva aproveitar crédito presumido sobre eventuais custos pagos ao fabricante para a execução da encomenda. A importância em discussão no presente processo está restrita aos insumos adquiridos pela Requerente e aplicados na fabricação da mercadoria exportada; • Não por outra razão, a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e do Superior Tribunal de Justiça tem reiteradamente manifestado o entendimento de que a Lei n. 9.363/96 não impedia que o exportador calculasse o crédito presumido de IPI sobre a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem por ele adquirido e remetido a terceiro para a execução da Fl. 834DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 8 industrialização da mercadoria a seu pedido, conforme ementas que transcreve; • Requer o acolhimento da presente Manifestação de Inconformidade, que seja reconhecido direito creditório e as compensações realizadas na integralidade dos pedidos de compensação formulados pela Requerente. Tendo em vista a determinação contida na Portaria RFB nº453, de 11 de abril de 2013 e no art.2º da Portaria RFB nº1006, de 24 de julho de 2013, e conforme definição da Coordenação Geral de Contencioso Administrativo e Judicial da RFB, o processo foi transferido em 01/08/2013, para esta DRJ, para julgamento, conforme despacho de encaminhamento de fl.714. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/SDR n.º 1533.708, de 9/10/2010 (fls. 715 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 ESTABELECIMENTOS. AUTONOMIA. A incidência do IPI baseiase no princípio da autonomia dos estabelecimentos, ainda que integrantes da mesma empresa. CRÉDITO PRESUMIDO ALTERNATIVO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Na vigência da Lei nº 9.363, de 1996, não há previsão para inclusão na base de cálculo do crédito presumido dos valores correspondentes à prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, hipótese que veio a ser admitida tão somente a partir da Lei nº 10.276, de 2001. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO No caso de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de crédito tributário, o contribuinte deve cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, demonstrar a existência do crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 735/749, por meio do qual sustenta, depois de relatar os fatos, os mesmo argumentos já encartados em sua impugnação. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Fl. 835DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 3202001.402 S3C2T2 Fl. 831 9 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requer o crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições para o PIS e para a Cofins, com fundamento na Lei n.º 9.363, de 1996, e na Lei n.º 10.276, de 2001, cumulado com pedidos de compensação de débitos próprios. A decisão proferida pela unidade de origem deferiu parcialmente o direito vindicado, ao fundamento de que, apesar de exportar os produtos, a Recorrente não os industrializava, pois nunca tivera estrutura física para industrializar os produtos, os quais resultavam de industrialização por encomenda realizada por outra empresa do mesmo grupo, a COINBRA FRUTESP INDUSTRIAL LTDA, CNPJ n.º 00.831.373/000104, fato ocorrido na vigência da Lei nº 9.363, de 1996, que não previa a inclusão da prestação de serviços na industrialização por encomenda, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, admitida tão somente a partir da Lei nº 10.276, de 2001. Afirmase ainda que o crédito presumido decorre de ajustes realizados a partir de 01/01/2000, quando a Recorrente retificou a DCTF do 1º trimestre/2000, para incluir valor correspondente a estoques de produtos acabados e não exportados no período anterior, anocalendário de 1999, que, por isso, refletiu nos trimestres subsequentes. As matérias controvertidas são, portanto, duas: a primeira, se os produtos em estoque em 31/12/1999 foram ou não te industrializados pela própria Recorrente; a segunda, se, no caso de industrialização por encomenda realizada quando vigente apenas a Lei n.º 9.363, de 1996, permitisse ou não a inclusão dos serviços assim despendidos na base de cálculo do crédito presumido. A primeira questão foi muito bem enfrentada na decisão recorrida. Para ilustrar os motivos que, nesta parte, a fundamentaram, transcrevemse os seguintes parágrafos do voto condutor do acórdão: A interessada, em sua defesa, por outro lado, alegou que até 30/06/2000 operava diretamente os estabelecimentos de Bebedouro e Matão, no Estado de São Paulo, e que até 31/12/1999, as unidades industriais do Grupo Louis Dreyfus, em que o suco de laranja era produzido, eram de sua titularidade, tais ativos só foram transmitidos para COINBRA – FRUTESP INDUSTRIAL LTDA em julho de 2000, que até então não exercia atividades industriais, porque sequer tinha ativos e capital para explorar referida atividade econômica. A empresa anexou aos autos, cópia da Procuração (fls.500/502), cópia das atas de assembléia e documentos da procuradora(fls.503/512), cópia da "Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 1º de Julho de 2000", na qual constatase que foi firmado protocolo pela Diretoria da Companhia com a CoinbraFrutesp Industrial Ltda, em que Fl. 836DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 10 foram definidas condições da realização de aumento de capital naquela Sociedade e a forma de sua integralização, na qual os acionistas da requerente aprovaram a proposta da diretoria da sociedade, consistente no aumento de capital da COINBRA FRUTESP INDUSTRIAL LTDA., mediante a conferência "dos ativos que compõem os estabelecimentos industriais de processamento de frutas cítricas localizados nos municípios de Bebedouro e Matão, Estado de São Paulo". A deliberação mencionada foi registrada perante a Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP) em 31/07/00, conforme cópias dos contratos de celebração de Protocolo (fls.513/515, 525/528 e 531/532). Nas mesmas datas mencionadas no parágrafo anterior, houve a subscrição e o registro na JUCESP de "Ata de Reunião de Quotistas e 10" Alteração de Contrato Social da COINBRA FRUTESP INDUSTRIAL LTDA. Por meio dela, o capital social de referida sociedade passou de R$10,00 para R$91.150.000,00); cópia do Laudo de Avaliação. Deste total, R$91.144.089,58 foi capitalizado pela Requerente, por meio da conferência dos complexos industriais de Bebedouro e Matão, acima mencionados (fls.516/517, 519/523 e 528/530). Contudo, a interessada não trouxe comprovação de que era detentora da planta industrial, ou lançamento da depreciação e amortização de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos até 31/12/1999 utilizadas na produção de bens, uma vez que a cópia anexadas aos autos dos anexos ao Laudo de Avaliação dos valores residuais contábeis de Bens e Direitos das Unidades de Matão e BebedouroSP da Coinbra Frutesp S/A, contendo discriminação das imobilizações tanto de Matão quanto de Bebedouro, não são suficientes para comprovar a propriedade da planta industrial e consequente industrialização (fls.518 e 530). A cópia do Protocolo firmado entre a CoinbraFrutesp S/A e a CoinbraFrutesp Industrial Ltda, tratando da conferência dos estabelecimentos e transferência da atividade industrial da primeira para a segunda (fls.531/533), tampouco tem o condão de comprovar de fato qual estabelecimento industrializou o produto exportado até 31/12/1999. A empresa não logrou demonstrar, não provou durante a auditoria em seu estabelecimento, e tampouco na manifestação de inconformidade, momento por excelência de realizar o contraditório, dados consistentes e seguros da produção e nem comprovou que todo o estoque de suco de laranja exportado já estava formado desde 31/12/1999 com insumos por ela adquiridos anteriormente, e que veio a realizar a última venda/exportação deste mesmo suco de laranja em estoque finalmente no 1º trimestre de 2004, e que, mas absurdo ainda, se apercebeu que fazia jus a um crédito presumido, após fluidos exatos cinco anos do fato gerador, em 31/03/2005, com retificadora em 22/04/2009, conforme data de transmissão do PER/DCOMP, pois o primeiro ressarcimento referese ao 1º trimestre de 2000. A interessada alegou em sua manifestação de inconformidade que juntaria aos autos as cópias das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – Fl. 837DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 3202001.402 S3C2T2 Fl. 832 11 GFIP, fichas mensais do CAGED, mas o fez relativamente aos períodos de janeiro/2000 em diante, entregue em 07/02/2000, fls.636/713, na qual consta o quantitativo de 279 empregados e demais guias até a competência de julho/2004. Das guias anexadas verificase que de fato no ano de 2000, a empresa efetuou recolhimento relativamente a um quantitativo aproximado de 230 empregados, até diminuição gradativa durante o ano de 2001, chegando a competência de julho/2004, sem empregado algum. Anexou ainda a cópia de Procuração (fls.633/635). Porém, quanto ao período anterior a 31/12/1999 não constam dos autos guias de recolhimento FGTS de funcionários da interessada, este, exatamente o período que importava comprovar o funcionamento da indústria. Como já dito, apesar das alegações, juntou aos autos os documentos da CoinbraFrutesp relativos aos períodos posteriores a formação do alegado estoque de suco de laranja, ou seja, de fevereiro/2001 a novembro/2001; fevereiro/2003 a agosto/2003, fevereiro/2004 a junho/2004; janeiro/2000 a outubro/2000 e dezembro/2000; janeiro/2002 a junho/2002 e setembro/2002 a outubro/2002 e dezembro/2002; janeiro/2000 a julho/2000 (fls.550/559, 561/566, 568/572, 574/584, 586/594, 596/602), o que evidencia mas uma vez a não comprovação de que foi a própria empresa que até 31/12/1999 industrializou o produto que posteriormente viria a exportar. Tais documentos entregues a partir do ano de 2000 não tem o condão de demonstrar que a empresa ora requerente à época tinha quantidade suficiente de trabalhadores para provar que os produtos foram industrializados por ela própria. A interessada apresentou as cópias dos Termos de Abertura e de Encerramento do Livro Registro de Inventário nº04 do estabelecimento localizado em Bebedouro, onde estão registrados os estoque dos produtos, entre os quais o suco de laranja concentrado e congelado, existentes em 31/12/1999 e 30/06/2000 (fls.533/540). E ainda, as cópias: Termo de Abertura e de Encerramento do Livro Registro de Inventário nº 01 do estabelecimento localizado em Matão, onde estão registrados os estoques dos produtos, entre os quais o suco de laranja concentrado e congelado, existentes em 31/12/1999 e 30/06/2000 (fls. 541/549). Na prática, a empresa não trouxe aos autos nenhuma prova da industrialização direta do suco de laranja, movimentação dos estoques, armazenamento, até a efetiva saída do produto para exportação dando prova da industrialização própria até 31/12/1999, como alegou que o faria. A interessada não trouxe os lançamentos dos insumos nos Livros Registro de Entrada, tampouco apresentou o Registro de Controle da Produção e do Estoque, que deveria apresentar lançamento das mercadorias em relação a quantidade, peso, volume correspondente aos produtos elaborados. (g.n.) Fl. 838DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 12 A falta de provas, portanto, foi o motivo pelo qual a fiscalização não considerou, como industrialização própria, os estoques de suco de laranja existentes em 31/12/1999 (nos quais utilizados insumos por ela adquiridos anteriormente) e que veio a realizar a última venda/exportação deste mesmo produto finalmente no 1º trimestre de 2004, período a que se refere o crédito presumido pleiteado. E esta falta de provas, a nosso juízo, aqui permanece, pois, no recurso voluntário, a Recorrente apenas renovou os mesmos argumentos já encartados em sua manifestação de inconformidade, mas trouxe aos autos apenas cópia de um Balancete de Verificação e de um Livro de Inventário, que, como é evidente, não comprovam tenha ela mesma fabricado os produtos em estoque em 31/12/1999. Todavia, esta questão parecenos irrelevante para o deslinde da questão. Isso porque, como já consolidado nesta Turma, com relação à questão envolvendo a industrialização por encomenda realizada quando vigente apenas a Lei n.º 9.363, de 1996, temos entendido que não há óbice para considerar os gastos assim despendidos como aptos a gerar créditos. Por comungar com os fundamentos expostos no voto proferido pelo il. Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior (Acórdão CARF/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária nº. 3202001.072, de 30/01/2014), passamos a adotálo como razão de decidir, motivo pelo qual se passa a transcrevêlo: A industrialização por encomenda pode ser brevemente definida como o procedimento no qual o encomendante remete ao industrializador MP e ME ou produto semielaborado, retornando ao seu estabelecimento produto acabado ou semielaborado. Tais operações podem ocorrer por razões diversas, mas ganham relevância especialmente quando determinada etapa do processo produtivo é terceirizada. Destarte, caso certa etapa do processo de fabricação fosse realizada no estabelecimento, os custos inerentes a MP, PI e ME, na forma da Lei nº 9.363/96, autorizaria o direito ao crédito. Doutro giro, o custo de aquisição de MP, PI e ME poderia ser apropriado para fins de cálculo do crédito presumido de IPI. Terceirizandose a etapa de produção mediante remessa de industrialização por encomenda, cujo custo é igualmente suportado pelo encomendante, ainda, os custos de MP, PI e ME, fornecidos ou não pelo encomendante, são adicionados ao produto e repassados pelo industrializador, de modo que, inexistindo vedação legal, não há razão que ampare a pretensão de se glosar o crédito presumido de IPI calculado sobre essas operações. Sensível aos objetivos da Lei nº 9.363/96 e às razões supracitadas, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) deste Colegiado, em mais de uma oportunidade, já sedimentou o entendimento de que as operações de industrialização por encomenda autorizam o desconto de créditos presumidos de IPI, verbis: Fl. 839DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 3202001.402 S3C2T2 Fl. 833 13 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A industrialização efetuada por terceiros visando aperfeiçoar para o uso ao qual se destina a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados nos produtos finais a serem exportados pelo encomendante agregase ao seu custo de aquisição para efeito de gozo e fruição do crédito presumido do IPI relativo ao PIS e a COFINS previsto nos artigos 1º e 2º, ambos da Lei nº 9.363/96. (...) (CARF. CSRF. Terceira Turma. Rel. Nanci Gama. Acórdão nº 9303001.721. Julgado em 7 de novembro de 2011) CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Provado que o bem submetido a industrialização adicional em outro estabelecimento é empregado pelo encomendante em seu processo produtivo na condição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, para obtenção do produto por ele exportado, o valor pago ao executor integra a base de cálculo do incentivo instituído pela Lei 9.363/96 deferido ao produtorexportador. (...) (CARF. CSRF. Terceira Turma. Rel. Rodrigo da Costa Pôssas. Acórdão nº 930301.623. Julgado em 29 de setembro de 2011) A mesma solução foi dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao enfrentar o tema: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. MATÉRIAPRIMA. BENEFICIAMENTO POR TERCEIROS. INCLUSÃO. CUSTOS RELATIVOS A ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. PRESCRIÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. DECRETO 20.910/32. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA Nº 1.129.971 BA. 1. Ao analisar o artigo 1º da Lei 9.363/96, esta Corte considerou que o benefício fiscal consistente no crédito presumido do IPI é calculado com base nos custos decorrentes da aquisição dos insumos utilizados no processo de produção da mercadoria final destinada à exportação, não havendo restrição à concessão do crédito pelo fato de o beneficiamento Fl. 840DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA 14 do insumo ter sido efetuado por terceira empresa, por meio de encomenda. Precedentes: REsp 752.888/RS, Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 25/09/2009; AgRg no REsp 1230702/RS, Ministro Hamilton Carvalhido, Primeira Turma, DJe 24/03/2011; AgRg no REsp 1082770/RS, Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 13/11/2009. 2. A respeito do pleito de cômputo dos valores referentes à energia e ao combustível consumidos no processo de industrialização no cálculo do crédito presumido do IPI, o recurso especial não foi conhecido em face da ausência de prequestionamento. Nesta feita, a agravante limitouse a repetir as teses jurídicas apresentadas no recurso especial, deixando de impugnar o fundamento específico da decisão hostilizada quanto ao ponto. Incidência da Súmula n. 182/STJ. 3. Em se tratando de ações que visam o reconhecimento de créditos presumidos de IPI a título de benefício fiscal a ser utilizado na escrita fiscal ou mediante ressarcimento, a prescrição é qüinqüenal. Orientação fixada pela Primeira Seção, por ocasião do julgamento do recurso especial representativo da controvérsia: REsp. Nº 1.129.971 BA. 4. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido e agravo regimental da contribuinte conhecido em parte e, nessa parte, não provido. (AgRg no REsp 1267805/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/11/2011, DJe 22/11/2011 (grifamos) Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 841DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA Processo nº 10840.911275/200989 Acórdão n.º 3202001.402 S3C2T2 Fl. 834 15 Fl. 842DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 8/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por CHARLES MAYE R DE CASTRO SOUZA
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