Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,079)
- Primeira Turma Ordinária (16,582)
- Primeira Turma Ordinária (16,499)
- Primeira Turma Ordinária (16,374)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,098)
- Segunda Turma Ordinária d (14,576)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,567)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (86,067)
- Terceira Câmara (68,611)
- Segunda Câmara (57,558)
- Primeira Câmara (21,900)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (129,102)
- Segunda Seção de Julgamen (116,246)
- Primeira Seção de Julgame (78,191)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,426)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,618)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,281)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,929)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,938)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,877)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,802)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,962)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,676)
- 2010 (18,059)
- 2026 (17,170)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (21,392)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10680.910636/2015-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/11/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 25/11/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10680.910636/2015-06
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5940385
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-005.295
nome_arquivo_s : Decisao_10680910636201506.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10680910636201506_5940385.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7551339
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148395479040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1538; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.910636/201506 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301005.295 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de setembro de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente MRV ENGENHARIA E PARTICIPACOES SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/11/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 06 36 /2 01 5- 06 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10680.910636/201506 Acórdão n.º 3301005.295 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.517. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.910636/201506 Acórdão n.º 3301005.295 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.910636/201506 Acórdão n.º 3301005.295 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.910636/201506 Acórdão n.º 3301005.295 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.910636/201506 Acórdão n.º 3301005.295 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10680.910636/201506 Acórdão n.º 3301005.295 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.721301/2013-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR).
GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO.
As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS.
Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa.
Numero da decisão: 3201-004.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo quanto à matéria que se refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e, no mérito, quanto às demais matérias, acordam em dar-lhe provimento, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as suas características.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO. As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa. REGIME NÃO-CUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10835.721301/2013-34
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5930133
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-004.320
nome_arquivo_s : Decisao_10835721301201334.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10835721301201334_5930133.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo quanto à matéria que se refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e, no mérito, quanto às demais matérias, acordam em dar-lhe provimento, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as suas características. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7528883
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148420644864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2029; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10835.721301/201334 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.320 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente LIDER ALIMENTOS DO BRASIL S.A EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os fretes e dispêndios para transferência de insumos entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte são componentes do custo de produção e essenciais ao contexto produtivo. Portanto, geram direito de crédito de PIS e Cofins, no regime não cumulativo, conforme artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, e Resp 1.221.170/PR. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. PRESERVAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DO PRODUTO. DIREITO AO CRÉDITO. As embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as características do produto, devem ser consideradas como insumos para fins de constituição de crédito de PIS/Pasep pela sistemática não cumulativa. REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Os materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos na sistemática não cumulativa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 72 13 01 /2 01 3- 34 Fl. 1387DF CARF MF Processo nº 10835.721301/201334 Acórdão n.º 3201004.320 S3C2T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo quanto à matéria que se refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e, no mérito, quanto às demais matérias, acordam em darlhe provimento, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as suas características. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento de contribuição não cumulativa, que foi objeto de ação fiscal por parte da DRF/Presidente Prudente. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, merecem transcrição fragmentos do relatório da decisão de primeira instância, que resumem o entendimento da autoridade fiscal manifestado no Despacho Decisório: De acordo com o despacho decisório, foram apuradas glosas de vários itens relativos aos créditos da não cumulatividade utilizados pela autuada que tem como principal objeto social a fabricação e comercialização de laticínios relativos a itens não considerados insumos pela fiscalização com base na definição contida nas Instruções Normativas (IN) SRF nºs 247, de 2002, e 404, de 2004, ou seja, que não foram consumidos no processo produtivo em função da ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação. Abaixo discriminados: a.2) PLANILHA 02: GLOSAS de créditos relativos a Materiais de uso e consumo, conforme notas fiscais de entrada, CFOP: 1556 e 2556, referentes Peças e serviços de manutenção de frotas, cestas básicas e despesas de refeitórios, materiais de limpeza, materiais de higiene, uniformes e equipamento de proteção, materiais de manutenção consertos e reparos, lubrificantes, óleo diesel, óleo de motor, álcool, gasolina, Fl. 1388DF CARF MF Processo nº 10835.721301/201334 Acórdão n.º 3201004.320 S3C2T1 Fl. 4 3 pneus, e outros materiais relacionados, inclusos os lançados como débito direto. Estes bens e serviços não correspondem a matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, que exerçam ação diretamente sobre os produtos fabricados, não sendo, portanto, caracterizados como insumos. a.3 PLANILHA 03: Glosas de créditos relativos a aquisição de outras mercadorias e serviços, conforme notas fiscais de entrada enquadradas no CFOP: 1949 e 2949, referentes:materiais e serviços de manutenção, mão de obra de manutenção de Frotas, Pneus /Empilhadeira e RECAP, serviço de carga e descarga, serviços de análise, serviços de tratamento de afluentes, serviços de Lavagem, combustíveis como óleos de motor, diesel, álcool, gasolina e lubrificantes, serviços de consultoria e outros relacionados, inclusos os lançados como débito direto. Conforme a legislação e observações acima não geram direito a crédito os valores relativos às aquisição dos referidos bens/serviços não diretamente responsáveis pela produção dos bens ou produtos destinados à venda a.4) PLANILHA 04: Glosas de créditos relativos a mercadorias e serviços, de uso e consumo, conforme notas fiscais de entrada, CFOP: 1407, 1653, 1933, 2407 e 2653, referentes: Álcool, Gasolina, Lubrificante, Óleo Diesel, Óleo de Motor, Peças e serviços de manutenção de frota, Pneus, serviços de lavagem e outros materiais e serviços relacionados, inclusos os lançados como débito direto. Conforme observações acima não geram direito a crédito valores relativos a aquisição dos referidos bens/serviços não diretamente utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, assim entendidos aqueles que sejam consumidos, desgastados ou tenham suas propriedades físicoquímicas alteradas no processo produtivo. a.5) PLANILHA 05: Glosas de créditos relativos a material de embalagem para transporte “não insumos”, conforme notas fiscais de entrada, CFOP: 1101 e 2101. Referentes embalagens que não incorporam diretamente ao produto no processo de industrialização, mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tão somente a facilitar o transporte dos produtos acabados, portanto, conforme legislação acima, não geram direito a creditamento as relativas aquisições. Além das glosas dos bens e serviços não considerados insumos pela fiscalização, também foram glosados créditos referentes às seguinte despesas: a.1) – PLANILHA 01: GLOSAS de créditos relativos a Serviço de Transporte (FRETE), referentes notas fiscais de entrada, CFOP 1352, 2352, 1360,1353, 2353, 1949 e 2949 (...) As notas fiscais glosadas foram relacionadas pela empresa como sendo notas fiscais de entrada referentes aquisição de leite ou outras mercadorias adquiridas de pessoa jurídica (conforme planilhas de Notas fiscais de entrada PJ constantes dos arquivos não pagináveis anexados ao presente processo), quando “de fato”, referemse à “conhecimentos de transporte” relativos a aquisição de serviço de Fl. 1389DF CARF MF Processo nº 10835.721301/201334 Acórdão n.º 3201004.320 S3C2T1 Fl. 5 4 frete, sendo em sua maioria fretes entre estabelecimentos da empresa, conforme comprova o arquivo anexo..., b) Glosas de créditos referentes Locações/alugueis, relacionados no ANEXO III (...). do presente processo: Relativos a Locação/aluguel de bens/serviços não inclusos no conceito legal de insumos, ou seja, não são utilizados especificamente no processo produtivo da empresa. c) – Glosas de créditos referentes arrendamentos mercantis relativos aos bens/veículos relacionados no ANEXO IV (...) do presente processo: Relativos a arrendamentos mercantis de bens/serviços não inclusos no conceito legal de insumos, ou seja, não são utilizados especificamente no processo produtivo da empresa. d) – Glosas de Créditos Presumido, relativos a aquisição de Lenha de Eucalipto e outros materiais adquiridas de pessoas físicas relacionados no ANEXO V (...) do presente processo. No caso em questão a lenha de eucalipto é utilizada como combustível no processo de produção/fabricação. Entretanto, conforme legislação acima citada, o direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica (art. 3º, § 3º, I a Lei nº 10.637/2002 e art.3º, § 3º, I a Lei nº 10.833/2003). Observada a legislação, foram glosados os créditos relativos ás aquisições de lenha de eucalipto e outros produtos adquiridos de pessoa física. e.) Anexo VI – (...) RECLASSIFICAÇÃO DE CRÉDITO: Cálculo de crédito integral sobre aquisições de leite efetuadas com benefício da suspensão Crédito Presumido. Inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos da Lei nº 10.925/2004 (Art.8º §§ 1º ao 9º e Art. 9º) e Instrução Normativa SRF nº 660/2006 (Arts. 2º a 6º), em razão disso foram reclassificados os créditos referentes aquisições de leite, considerados pela empresa como ressarcíveis, para créditos presumidos nos termos da legislação. Observase que o fato de não constar na nota fiscal que a operação está ocorrendo com benefício da suspensão não pode ser utilizado como argumento para o creditamento nos termos do disposto no art. 3º, II das Leis nº 10.637/2003 e 10.833/2003. O Intuito do ressarcimento é o de ressarcir, de devolver à empresa um valor que foi recolhido aos cofres públicos. No caso da suspensão, como não houve recolhimento a título de PIS e de COFINS pelos fornecedores de leite não é devido qualquer valor a título de ressarcimento. Há previsão legal apenas para o cálculo de crédito presumido sobre essas aquisições, nos termos do disposto no art. 8 º da Lei 10.925/2004, valor que poderá apenas ser deduzido dos débitos da própria contribuição. O valor da base de cálculo constante do Anexo VI, foi lançado no Anexo I, com o título “Reclassificação de Créditos”, e deduzido da base de cálculo dos créditos apurados sobre aquisição de bens e serviços utilizados como insumos, e após a aplicação das alíquotas de 0,99% (PIS) e 4,56%(Cofins) sobre a Fl. 1390DF CARF MF Processo nº 10835.721301/201334 Acórdão n.º 3201004.320 S3C2T1 Fl. 6 5 respectiva base de cálculo, os valores apurados, foram lançados como acréscimos aos créditos presumidos calculados sobre insumos de origem animal. Foi informado ainda pela fiscalização o seguinte quanto a decisões judiciais obtidas pela contribuinte: Observase que em relação a empresa consta as ações judiciais Mandado de Segurança nº 2006.61.12.0085437/SP e nº 2006.61.12.0045543/SP, reconhecendo o direito da empresa à utilização do saldo credor da contribuição de PIS e COFINS, decorrente do crédito presumido instituído pela Lei nº 10925/2004, no pagamento de débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos do art. 16 da Lei nº 11.116/2005, salvo quanto às operações de venda (eventuais) de leite a granel realizada na forma prevista no inciso II do parágrafo 1º do art.8º da Lei nº 10.925/04, afastando qualquer ato restritivo da autoridade impetrada. Porém, referidas decisões ainda não transitaram em julgado em razão de apelação da União Federal, encontrandose os autos no Tribunal Regional Federal da 3º Região Consta ainda a ação judicial Mandado de Segurança nº 000538802.2013.403.6112, proposta pela empresa, onde foi deferido parcialmente liminar para que a autoridade impetrada (Delegado da Receita Federal do Brasil em Presidente PrudenteSP)abstenhase de imporlhe multa em decorrência do simples indeferimento de seus pedidos de ressarcimento de crédito pendentes de julgamento, sem que realize análise prévia da máfé (ou não) do contribuinte em relação ao pedido formulado. Ficando a multa, portanto, condicionada a verificação da máfé por parte do contribuinte (...). No presente processo não foi constatado máfé da contribuinte. Cientificada do Despacho Decisório que deferiu parcialmente o seu pleito, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 14063.429, de 16/12/2006, assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. Fl. 1391DF CARF MF Processo nº 10835.721301/201334 Acórdão n.º 3201004.320 S3C2T1 Fl. 7 6 Somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. ARRENDAMENTO. ALUGUÉIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. São passíveis de aproveitamento os gastos com aluguéis e arrendamento de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. São passíveis de aproveitamento os créditos presumidos da agroindústria quando o contribuinte atende às exigências contidas na Lei nº 10.925, de 2004. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETES. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa os gastos com frete na operação de venda quando suportados pelo vendedor. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 APRECIAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário por meio do qual alega, em apertada síntese, o seguinte: a) Reclassificação dos créditos básicos para crédito presumido relativos à aquisição de leite in natura: os créditos oriundos de aquisição de leite in natura devem ser considerados como créditos básicos, nos termos do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, pois tratase de insumo principal da produção. Acresce, no tópico seguinte (Do crédito presumido oriundo decorrente de atividades agroindustriais Aquisição de Leite in natura e Lenha de Eucalipto), que a empresa tem por objeto social, dentre outros, a atuação no ramo de produtos do laticínio. Assim, faz jus à utilização do benefício do crédito presumido de PIS/Cofins para as agroindústrias, disposto no ordenamento jurídico por meio da Lei n.º 10.925, de 2004. Contudo, restringiramse as possibilidades de utilização do saldo credor das contribuições em referência, ao firmar entendimento de que o crédito presumido, instituído justamente para o equilíbrio das contas daquelas empresas adquirentes de insumos, não poderia ser objeto de compensação ou ressarcimento; Fl. 1392DF CARF MF Processo nº 10835.721301/201334 Acórdão n.º 3201004.320 S3C2T1 Fl. 8 7 b) Créditos relativos a serviço de transporte (frete) entre estabelecimentos: transfere de uma unidade para outra sua matéria prima ou subproduto dele para devido tratamento e elaboração, sendo encaminhado para unidade industrial específica, onde, após devido tratamento o torna apto ao consumo e acondiciona para posterior revenda. O produto começa a ser elaborado em uma unidade e tem o seu processamento final em outra unidade; c) Créditos relativos a Materiais de Uso e Consumo e Serviços tomados: os gastos relativos à higienização na produção de alimentos podem ser considerados insumos para fins de creditamento de PIS/Cofins, pois pertinentes e viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, direta ou indiretamente empregados, cuja subtração importa na impossibilidade da mesma prestação de serviço ou produção, implicando substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes; d) Materiais de Embalagem: os materiais de embalagem glosados pela Fiscalização e mantidos pelo Acórdão recorrido são utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado. Todos os materiais utilizados para a embalagem acabam compondo o produto final da empresa, sendo de suma importância que o produto comercializado tenha sua integridade garantida até sua entrega definitiva. Convém esclarecer que todas as embalagens estão em contato direto com o produto e nenhuma delas retorna para a empresa. Assim, é evidente que a sua utilização é indispensável para o processo de geração de receitas, gerando custos a cada etapa, o que lhe assegura direito ao crédito pretendido. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.306, de 24/10/2018, proferido no julgamento do processo 10835.720775/201440, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.306): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. (...) Deferido em parte o pedido e apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ julgoua procedente em parte, daí o recurso voluntário, ora apreciado. Da Reclassificação dos créditos básicos para crédito presumido (sic) Inicialmente, a Recorrente defende que os créditos presumidos de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, sejam considerados como se créditos básicos fossem (como se vê, o contrário do que está no título deste tópico do recurso). Fl. 1393DF CARF MF Processo nº 10835.721301/201334 Acórdão n.º 3201004.320 S3C2T1 Fl. 9 8 Registra o voto condutor do acórdão recorrido que, não obstante tenha tentado viabilizar a compensação do valor a ser ressarcido com outros tributos administrados pela RFB, não mais havia decisão judicial autorizando o que pleiteara. A matéria, com efeito, é, nesta parte, idêntica a que ora enfrentamos, conforme facilmente se percebe do dispositivo da sentença transcrito no mesmo voto: DISPOSITIVO DA R. SENTENÇA: "Por todo o exposto: a) no que concerne ao pedido de afastamento do Ato Declaratório Interpretativo nº 15/2005, JULGO EXTINTO o presente feito, sem resolução do mérito, com amparo no artigo 267, inciso VI, do Código de Processo Civil, em razão da ausência de interesse de agir. b) No tocante ao pleito remanescente, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido e CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA para reconhecer o direito líquido e certo da impetrante à utilização do saldo credor da contribuição para o PIS e da COFINS, decorrente do crédito presumido instituído pela Lei nº 10.925/2004, no pagamento de débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos do art. 16, inciso I, da Lei nº 11.116/2005, salvo quanto às operações de vendas (eventuais) de leite a granel realizadas na forma prevista no inciso II do 1º do art. 8º da Lei 10.925/04, afastando qualquer ato restritivo da autoridade impetrada no sentido de impedir a aplicação do disposto no art. 16, inciso I, da Lei 11.116/05, em especial a Instrução Normativa SRF nº 636, de 24 de março de 2006. Em conseqüência, julgo extinto o processo, com resolução do mérito, a teor do que dispõe o art.269, I, do Código de Processo Civil. Incabível a condenação em honorários advocatícios na quadra do mandado de segurança (Súmula 512 do Supremo Tribunal Federal). Sentença sujeita ao reexame necessário. Custas ex lege. P.R.I.O" Publicação D. Oficial de sentença em 27/11/2007, pag 83 (grifos do original) Portanto, não obstante não tenha reconhecido a concomitância, os processos judicial e administrativo apresentamse, ao menos em parte, com objetos idênticos. Afinal, considerar o crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, como se crédito básico fosse equivale a permitir o seu ressarcimento, não a sua utilização exclusiva para deduzir do PIS/Cofins em cada período de apuração (conforme o caput do mesmo dispositivo). Incide, na hipótese, a nosso juízo, a Súmula Vinculante CARF nº 1, segundo a qual "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Esse cenário, sublinhese, não se altera em face da introdução do art. 9ºA na Lei nº 10.925, de 2004, pela Lei nº 13.317, de 2015. 1 Dos Créditos relativos a serviço de transporte (frete) entre estabelecimentos A Recorrente sustenta que transfere de um dos seus estabelecimento para outro matéria prima ou subproduto dela para o devido tratamento e elaboração, sendo encaminhado para unidade industrial específica, onde, após o devido tratamento, tornaa apta ao consumo e a 1 Art. 9oA. A pessoa jurídica poderá utilizar o saldo de créditos presumidos de que trata o art. 8o apurado em relação a custos, despesas e encargos vinculados à produção e à comercialização de leite, acumulado até o dia anterior à publicação do ato de que trata o § 8o deste artigo ou acumulado ao final de cada trimestre do ano calendário a partir da referida data, para: (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação aplicável à matéria; ou (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) II ressarcimento em dinheiro, observada a legislação aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) Fl. 1394DF CARF MF Processo nº 10835.721301/201334 Acórdão n.º 3201004.320 S3C2T1 Fl. 10 9 acondiciona para posterior revenda. O produto começa a ser elaborado em uma unidade e tem o seu processamento final em outra unidade Ora, a própria RFB consolidou o entendimento de que as despesas com frete no transporte de insumos incorporamse ao custo do produto adquirido, tal como prevê a Solução de Divergência nº 7 Cosit, de 23 de agosto de 2016: NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. DIVERSOS ITENS. 1. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. 2. In casu, tratase de pessoa jurídica dedicada à produção e à comercialização de pasta mecânica, celulose, papel, papelão e produtos conexos, que desenvolve também as atividades preparatórias de florestamento e reflorestamento. 3. Nesse contexto, permitese, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 3.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que, no interior de um mesmo estabelecimento da pessoa jurídica, suprem, com insumos ou produtos em elaboração, as máquinas que promovem a produção de bens ou a prestação de serviços, desde que tais dispêndios não devam ser capitalizados ao valor do bem em manutenção; 3.b) combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos e veículos diretamente utilizados na produção de bens; 3.c) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens para venda; 4. Diferentemente, não se permite, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 4.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas, equipamentos e veículos utilizados em florestamento e reflorestamento destinado a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.b) serviços de transporte suportados pelo adquirente de bens, pois a possibilidade de creditamento deve ser analisada em relação ao bem adquirido; 4.c) serviços de transporte, prestados por terceiros, de remessa e retorno de máquinas e equipamentos a empresas prestadoras de serviço de conserto e manutenção; 4.d) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos utilizados no transporte de insumos no trajeto compreendido entre as instalações do fornecedor dos insumos e as instalações do adquirente; 4.e) combustíveis e lubrificantes consumidos em veículos utilizados no transporte de matéria prima entre estabelecimentos da pessoa jurídica (unidades de produção); Fl. 1395DF CARF MF Processo nº 10835.721301/201334 Acórdão n.º 3201004.320 S3C2T1 Fl. 11 10 4.f) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades de florestamento e reflorestamento destinadas a produzir matéria prima para a produção de bens destinados à venda; 4.g) serviços prestados por terceiros no corte e transporte de árvores e madeira das áreas de florestamentos e reflorestamentos destinadas a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.h) óleo diesel consumido por geradores e por fontes de produção da energia elétrica consumida nas plantas industriais, bem como os gastos com a manutenção dessas máquinas e equipamentos. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, art. 66; Lei nº 4.506, de 1964, art. 48; Parecer Normativo CST nº 58, de 19 de agosto de 1976; DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 76, de 23 de março de 2015, publicada no Diário Oficial da União de 30 de março de 2015. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 16, de 24 de outubro de 2013, publicada no Diário Oficial da União de 06 de novembro de 2013. Como deixa cristalino a Solução de Divergência e mesmo se extrai do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, para que se permita a apropriação do créditos sobre o frete pago no transporte do insumo adquirido, há que se ter a aquisição do insumo, operação a que não corresponde a mera transferência de insumos entre estabelecimentos da mesma empresa. No caso, há a remessa de produtos em elaboração de um para outro estabelecimento da mesma empresa, no qual será submetido a um processo de industrialização – a um custo específico, que, portanto, incorporase ao produto final – , tornandoos aptos ao consumo e os acondicionando para posterior revenda. Nesse contexto, temos entendido possível o creditamento, em sintonia com o que decidido pela 3ª Turma da CSRF: DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, consequentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. (Acórdão nº 9303007.285, de 15/08/2018) Dos Créditos relativos a Materiais de Uso e Consumo e Serviços tomados Aqui, a Recorrente contesta o acórdão recorrido, ao fundamento de que os gastos relativos à higienização na produção de alimentos – no seu caso, a fabricação de laticínios – podem ser considerados insumos para fins de creditamento de PIS/Cofins, pois, além de Fl. 1396DF CARF MF Processo nº 10835.721301/201334 Acórdão n.º 3201004.320 S3C2T1 Fl. 12 11 pertinentes, viabilizam o processo produtivo e cuja subtração implicando substancial perda de qualidade do produto. É evidente que, sendo a Recorrente fabricante de produtos laticínios, submetese a rigoroso controle de higienização e limpeza durante todo o seu processo produtivo. Assim, faz jus aos créditos sobre os produtos ou serviços que adquire para viabilizálo. A jurisprudência administrativa é remansosa a respeito do tema. Entre outras: REGIME NÃOCUMULATIVO. PRODUTOS DE LIMPEZA. PROCESSO PRODUTIVO. REQUISITOS. Somente materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo geram créditos da nãocumulatividade, ou seja, não são considerados insumos os produtos utilizados na simples limpeza do parque produtivo, os quais são considerados despesas operacionais. (Acórdão nº 3401004.896, de 21/05/2018) PRODUTOS QUÍMICOS UTILIZADOS NA ASSEPSIA E HIGIENIZAÇÃO DOS TANQUES DE TRANSPORTE DE LEITE, SILOS EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. Os produtos químicos utilizados na assepsia e higienização dos tanques de transportes do leite caminhões, silos e equipamentos industriais são considerados essenciais à atividade/produção do sujeito passivo, eis ser obrigatória a referida assepsia para evitar a contaminação da matériaprima e do produto acabado. O que, por conseguinte, há de se considerar a constituição de crédito das contribuições sobre os gastos com a aquisição dos referidos produtos químicos, em respeito à prevalência do critério da essencialidade para fins de conceituação de insumo para a geração do direito ao referido crédito. (Acórdão nº 9303005.652, de 19/09/2017) Dos Materiais de Embalagem Dizse que os materiais de embalagem glosados são utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado, compondo o produto final fabricado pela empresa, mantendo a sua integridade até sua entrega e a ela, posteriormente, não retornando. A glosa teve por fundamento o fato de que os gastos com embalagem somente poderiam ser considerados insumos quando incorporada ao produto em fabricação ou quando sofre alteração em suas propriedades, de modo que as embalagens destinadas a apenas proteger ou transportar o produto acabado não dão direito a crédito de PIS/Cofins. A propósito do tema, a 3ª Turma de CSRF já entendeu que as embalagens destinadas a viabilizar a preservação de suas características durante o seu transporte e cuja falta pode torná lo imprestável à comercialização devem ser consideradas como insumos utilizados na produção. É o que se decidiu no julgamento consubstanciado no Acórdão nº 9303004.174, de 05/07/2016, de relatoria da il. Conselheira Tatiana Midori Migiyama, assim ementado: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. DIREITO AO CRÉDITO. É de se considerar as embalagens para transporte como insumos para fins de constituição de crédito da Cofins pela sistemática não cumulativa. Fl. 1397DF CARF MF Processo nº 10835.721301/201334 Acórdão n.º 3201004.320 S3C2T1 Fl. 13 12 No voto condutor do acórdão, a relatora reproduziu, em apoio à sua tese, aresto proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, o qual abraçou idêntico entendimento: PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – PIS/COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. Agravo regimental improvido. (g.n.) (STJ, Rel. Humberto Martins, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.125.253 SC, julgado em 15/04/2010) Ressaltamos, também, o fato de que a própria RFB parece indicar uma alteração de entendimento (conceito próprio da legislação do IPI), uma vez que, na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23 de agosto de 2016, após a reprodução dos atos legais e infralegais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo, concluiu que, no conceito de insumos, incluemse os bens ou serviços que "vertam sua utilidade" sobre o bem ou o serviço produzido. Confirase: 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matériaprima); a.2) sejam fornecidos na prestação de serviços pelo prestador ao tomador do serviço; a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou a.4) sejam consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa jurídica (tais como combustíveis, moldes, peças de reposição, etc); b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre: Fl. 1398DF CARF MF Processo nº 10835.721301/201334 Acórdão n.º 3201004.320 S3C2T1 Fl. 14 13 b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço; b.2) pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a prestação de serviço final disponibilizada ao público externo (como subcontratação de serviços, etc); c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. (g.n.) Ademais, e parecenos isso de fundamental importância, não obstante o conceito de insumos, para os fins da incidência do IPI, compreenda apenas as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem, a legislação deste imposto faz uma expressa distinção entre o que é embalagem de apresentação e o que é embalagem para o transporte, de forma que a permitir o crédito apenas sobre a aquisição da primeira, mas não da segunda, consoante preconiza do art. 3º, parágrafo único, inciso II, da Lei nº 4.502, de 1964 (regra matriz do IPI): Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Parágrafo único. Para os efeitos dêste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I o conserto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; II o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto; (g.n.) Norma semelhante, contudo, não existe nos diplomas legais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo. Assim sendo, devem ser considerados insumos na sistemática não cumulativa do PIS/Cofins os materiais de embalagem utilizados no acondicionamento e transporte do produto acabado, compondo o produto final fabricado pela empresa, mantendo a sua integridade até sua entrega e a ela, posteriormente, não retornando. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário, quanto à matéria que se refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e, quanto às demais matérias, DOULHE PROVIMENTO, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as suas características." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado não conheceu do recurso Voluntário quanto à matéria que se refere à reclassificação do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, e, quanto às demais matérias, deulhe provimento, para reverter as glosas de créditos decorrentes dos gastos realizados sobre os seguintes itens: Fl. 1399DF CARF MF Processo nº 10835.721301/201334 Acórdão n.º 3201004.320 S3C2T1 Fl. 15 14 a) fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos da Recorrente; b) materiais de limpeza ou higienização aplicados diretamente no curso do processo produtivo; c) embalagens para transporte, incorporadas ao produto, destinadas a preservar as suas características. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1400DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.000693/98-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1993
EXCLUSÃO NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. RENDIMENTOS TRIBUTADOS EM SEPARADO
A insuficiência dos documentos apresentados para comprovar a exclusão na apuração do lucro real, relativa a rendimentos tributados em separado (aplicações em renda fixa), enseja a manutenção do lançamento suplementar.
PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS
Não comprovado que a diferença verificada na revisão da DIPJ deveu-se a erro de preenchimento acerca de provisões não dedutíveis mantém-se a exigência do crédito tributário.
Numero da decisão: 1201-000.828
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Roberto Caparroz de Almeida
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 1993 EXCLUSÃO NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. RENDIMENTOS TRIBUTADOS EM SEPARADO A insuficiência dos documentos apresentados para comprovar a exclusão na apuração do lucro real, relativa a rendimentos tributados em separado (aplicações em renda fixa), enseja a manutenção do lançamento suplementar. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS Não comprovado que a diferença verificada na revisão da DIPJ deveu-se a erro de preenchimento acerca de provisões não dedutíveis mantém-se a exigência do crédito tributário.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 13811.000693/98-24
conteudo_id_s : 6058189
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1201-000.828
nome_arquivo_s : 1201000828_138110006939824_201307.pdf
nome_relator_s : Roberto Caparroz de Almeida
nome_arquivo_pdf_s : 138110006939824_6058189.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
id : 7538186
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148446859264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1687; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13811.000693/9824 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201000.828 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de julho de 2013 Matéria Auto de Infração IRPJ Recorrente HAARMAN & REIMER LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1993 EXCLUSÃO NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. RENDIMENTOS TRIBUTADOS EM SEPARADO A insuficiência dos documentos apresentados para comprovar a exclusão na apuração do lucro real, relativa a rendimentos tributados em separado (aplicações em renda fixa), enseja a manutenção do lançamento suplementar. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS Não comprovado que a diferença verificada na revisão da DIPJ deveuse a erro de preenchimento acerca de provisões não dedutíveis mantémse a exigência do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 06 93 /9 8- 24 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/ 09/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13811.000693/9824 Acórdão n.º 1201000.828 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, José Sérgio Gomes, Rafael Correia Fuso, João Carlos de Lima Junior e Marcos Vinicius Barros Ottoni. Relatório Tratase de Auto de Infração com a exigência de recolhimento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), relativo ao anocalendário de 1993, no valor de R$ 47.447,54, acrescido da multa de ofício de 75% e de juros de mora, com crédito tributário total de R$ 114.752,14. A autuação originouse da revisão da Declaração de Rendimentos do contribuinte, na qual foram alterados os valores informados no Quadro de Apuração do Imposto de Renda – Demonstração do Lucro Real (anexo 2, Quadro 04). As alterações promovidas pela revisão resultaram em diferenças nos valores de IRPJ a pagar em três meses do anocalendário de 1993, conforme quadro abaixo: Mês Valor Declarado (UFIR) Valor Alterado (UFIR) Diferença (UFIR) Junho 22.660,39 66.446,19 43.785,80 Julho 66.744,50 74.923,97 8.179,47 Novembro 87.965,13 88.094,22 129,09 Devidamente intimado dos lançamentos, o contribuinte apresentou impugnação em 17 de abril de 1998, acompanhada de documentos, na qual, em síntese, alegou que: Em JUNHO/93 foi deixado de lançar no Anexo 2 Quadro 04 linha 34 Rendimentos Tributados em Separado, o valor de CR$ 4.039.913,00 relativo a rendimentos obtidos em aplicações financeiras de renda fixa, efetuados através do Banco Multiplic S.A., devidamente escriturado à folha 24verso do LALUR Livro de Apuração do Lucro Real n° 01; Em JULHO/93 foi lançado incorretamente no Anexo Provisões Não Dedutíveis, o valor histórico de CR$ 6.973.088,00, quando o correto seria de CR$ 5.973.088,00, valor este que corresponde a CR$ 362.362,34, referente a Provisões para Perdas da Eletrobrás, conforme registro às fls. 3451 – do Livro Razão de 30.07.93; e CR$ 5.610.725,54, referente a Provisão para Perdas na Alienação de Investimentos em incentivos fiscais conforme lançamento às fls. 3450 do Livro Razão de 30.07.93 e depósitos a favor da Eletrobrás, conforme escriturado à folha 01verso do LALUR Livro de Apuração do Lucro Real n° 02. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/ 09/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13811.000693/9824 Acórdão n.º 1201000.828 S1C2T1 Fl. 4 3 Em NOVEMBRO/93 — foi lançado incorretamente em virtude de erro de datilografia no Anexo 2 Quadro 04 linha 33 Tributos e Contribuições Pagos, o valor de CR$ 11.704.747,00, quando o correto seria de CR$ 11.754.747,00, conforme planilha de atualização de tributos. Este valor é facilmente comprovado, pois tratase de exclusão de tributos não pagos, adicionados no mês anterior, ou seja, Outubro/93, na linha 09 do Quadro 04 do mesmo anexo, pelo valor de CR$ 8.896.492,00, que ora excluímos pelo seu valor atualizado, o que representa CR$ 11.754.747,00 e não CR$ 11.704.747,00 como lançados corretamente na parte A do LALUR FLS. 9. A decisão da Delegacia de Julgamento, de 4 de julho de 2003, considerou procedente em parte o lançamento e manteve os valores constituídos em relação aos rendimentos tributados em separado e à tributação de provisões não dedutíveis. Afastou, contudo, o crédito tributário oriundo de erro de preenchimento na declaração. As Ementas a seguir reproduzem o entendimento daquela instância de julgamento: Ementa: EXCLUSÃO NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. RENDIMENTOS TRIBUTADOS EM SEPARADO. Os documentos apresentados não comprovam o valor excluído do lucro líquido, na apuração do lucro real, referente a rendimentos tributados em separado (aplicações em renda fixa). PROVISÕES NÃO DEDUTíVEIS. Não comprovado que a diferença verificada na revisão da DIRPJ deveuse a erro de preenchimento, fica mantida a exigência. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES PAGOS. Comprovado que a diferença verificada na revisão da DIRPJ deveuse a erro de preenchimento, exonerase o crédito tributário correspondente. Lançamento Procedente em Parte. Em 08 de fevereiro de 2007, os advogados da empresa (já sob nova denominação Symrise Aromas e Fragrâncias Ltda.) protocolizaram na Receita Federal um Termo de Renúncia, que incluía o presente auto de infração, bem com vários processos em trâmite perante diversas instâncias administrativas e judiciais. Posteriormente, o contribuinte foi intimado da decisão da Delegacia de Julgamento, em 26 de julho de 2007 e interpôs, por meio de seus novos procuradores, Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que: Na apuração do lucro real do mês de junho de 1993, foi deixado de consignar no Anexo 2 — Quadro 04 — linha 33 da DIRPJ, correspondente a "Rendimentos Tributados em Separado", o valor de CR$ 4.039.913,00 relativo a rendimentos obtidos em aplicação financeira, efetuada através do Banco Multiplic; Fl. 158DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/ 09/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13811.000693/9824 Acórdão n.º 1201000.828 S1C2T1 Fl. 5 4 Relativamente a esta exclusão na apuração do lucro real de rendimentos tributados em separado, o v. acórdão da DRJ entendeu que "Os documentos apresentados não comprovam o valor excluído do lucro líquido, na apuração do lucro real, referente a rendimentos tributados em separado (aplicações em renda fim)"; De acordo com a legislação vigente na época, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em operações de renda fixa ou variável, sujeitos a tributação em separado, deveriam ser objeto de exclusão na determinação do lucro real, conforme previam os artigos 29 e 36 da Lei n° 8.541/92, vigente à época. Referida exclusão poderia ser corrigida monetariamente com base na variação da UFIR diária verificada entre a data em que os rendimentos foram auferidos e a data do encerramento do período base. Desta forma, efetuandose a correção monetária pela variação da UFIR diária dos valores entre a data do resgate (29/06/1993) e data do encerramento do períodobase mensal (30/06/1993) terseia o valor objeto de exclusão. Não deve prosperar a singela observação de que os documentos apresentados não comprovam o valor objeto de tributação em separado, sob pena de tributar duplamente a mesma riqueza: uma vez na fonte e outra na apuração do lucro real, devendo prevalecer o princípio da verdade material. A respeito do item "Provisões Não Dedutíveis", como já relatado na impugnação, no demonstrativo do mês de julho de 1993, foi lançado incorretamente a esse título no Anexo 2 — Quadro 4 — linha 13 – o valor histórico de CR$ 6.973.088,00, quando o correto seria CR$ 5.973.088,00, que corresponde a: a) CR$ 362.362,34 referente a Provisão para perdas Eletrobrás, conforme registro contábil às fls. 3451 do Livro Razão em 30.07.93; b) CR$ 5.610.725,54 relativo a Provisão para Perdas na Alienação de Investimentos em Incentivos Fiscais, conforme lançamento contábil às fls. 3450 do Livro Razão em 30.07.93. Além disso, dos valores indicados na parte "A" do Livro de Apuração do Lucro Real — LALUR, conforme documento juntado às fls. 40/41 dos autos, destacase o valor de CR$ 5.973.088,00 a título de Provisões Não Dedutíveis, revelando que a soma do total de adições constante da DIRPJ (linha 20) no valor de CR$ 14.164.852,00 estava correto; Ou seja, houve evidente erro de datilografia no preenchimento da Declaração de IRPJ quando indevidamente constou originariamente o valor de CR$ 6.973.088,00 a título de Provisões não Dedutíveis e deveria constar CR$ 5.973.088,00 (como comprovado) não existindo portanto a diferença de CR$ 1.000.000,00 como entendeu a autoridade fiscal. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/ 09/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13811.000693/9824 Acórdão n.º 1201000.828 S1C2T1 Fl. 6 5 Não constam dos autos quaisquer dúvidas ou questionamentos quanto a regularidade da escrita fiscal e contábil da Recorrente, insta dizer: A CONTABILIDADE REGULAR DA RECORRENTE FAZ PROVA A FAVOR DA MESMA, cabendo a autoridade administrativa o ônus da prova da inveracidade dos fatos nela registrados. A recorrente não apresenta novos documentos ou provas, valendose, portanto, daqueles já acostados aos autos quando da impugnação. Este é o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Como não há matéria preliminar a ser enfrentada, passamos ao mérito. O lançamento mantido pela DRJ diz respeito ao valor de CR$ 4.039.913,00 relativo a rendimentos obtidos em aplicação financeira, efetuada através do Banco Multiplic, que deveria ter sido indicado como “Rendimentos Tributados em Separado”, na linha 34 do Anexo 2 – Quadro 4, da DIPJ e também ao valor de CR$ 6.973.088,00 relativo a Provisões Não Dedutíveis, em que teria havido erro de datilografia no preenchimento da Declaração. Em relação ao primeiro caso, a análise dos documentos apresentados pelo contribuinte realmente não é suficiente para comprovar a origem dos rendimentos financeiros, conforme alegado. Tratase de um instrumento particular de Promessa de Cessão de Crédito, firmado com o Banco Multiplic S/A em 31 de março de 1993, no valor total de US$ 2.000.292,95, com vencimentos em 29/10/93, 29/04/94 e 28/10/94. No contrato há uma cláusula em que a recorrente se compromete a ceder ao Banco Multiplic S/A os direitos creditórios em 29 de junho de 1993. Também foi apresentada à DRJ, na impugnação, uma “Export Note Captação”, sem cabeçalho, rubrica ou assinatura, que teoricamente representaria a liquidação da operação. No mesmo sentido, a recorrente apresentou cópias de folhas manuscritas, da Parte A do LALUR, em que consta o valor de CR$ 4.039.913,00, escriturado como “Receitas Financeiras – Renda Fixa”. Embora os documentos apresentados tenham por objetivo demonstrar a origem dos recursos financeiros tributados, é fato que a Recorrente não prestou tal informação na DIPJ correspondente, o que ensejou o lançamento complementar. Nesse sentido, é irrelevante o fato de a Recorrente ter entregado uma Declaração Retificadora após a lavratura do Auto de Infração. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/ 09/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13811.000693/9824 Acórdão n.º 1201000.828 S1C2T1 Fl. 7 6 Reproduzimos abaixo, para melhor compreensão do tema, o artigo 36 da Lei n. 8.541/92, aplicável à matéria e citada pela Recorrente: Art. 36. Os rendimentos auferidos pelas pessoas jurídicas, inclusive isentas, em aplicações financeiras de renda fixa iniciadas a partir de 1° de janeiro de 1993 serão tributadas, exclusivamente na fonte, na forma da legislação vigente, com as alterações introduzidas por esta lei. § 1° O valor que servir de base de cálculo do imposto de que trata este artigo será excluído do lucro líquido para efeito de determinação do lucro real. § 2° O valor das aplicações de que trata este artigo deve ser corrigido monetariamente pela variação acumulada da Ufir diária da data da aplicação até a data da cessão, resgate, repactuação ou liquidação da operação. § 3° A variação monetária ativa de que trata o parágrafo anterior comporá o lucro real mensal ou anual, devendo ser apropriada pelo regime de competência. § 4° O imposto retido na fonte lançado como despesa será indedutível na apuração do lucro real. § 5° O disposto neste artigo contempla as aplicações efetuadas nos fundos de investimento de que trata o art. 25 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 6° O disposto neste artigo se aplica às operações de renda fixa iniciadas e encerradas no mesmo dia (daytrade). § 7° Fica mantida a tributação sobre as aplicações em Fundo de Aplicação Financeira (FAF) (Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 21, § 4°), nos termos previstos na referida lei . § 8° O disposto neste artigo não se aplica aos ganhos nas operações de mútuo entre pessoas jurídicas controladoras, controladas ou coligadas. O que me parece importante para o deslinde da questão, ante a alegação da Recorrente de que haveria possibilidade de dupla tributação (na fonte e na declaração de ajuste) é que não constam dos autos quaisquer documentos relativos ao pagamento dos tributos referentes à operação, o que, somado ao fato de que o valor efetivamente não foi declarado na DIPJ /93, demanda a manutenção do crédito lançado. Esse entendimento afasta as alegações da Recorrente quanto à existência de sucessivos erros, que teriam ocorrido no caso em tela (erro no preenchimento da DIPJ, erro no cálculo da variação monetária pela UFIR – item 15 do Recurso, erro na escrituração do LALUR, já que a própria Recorrente afirma que o valor corrigido seria de CR$ 4.045.153,11 e não o que foi escriturado). Prejudicado o argumento na essência, por falta de comprovação documental, seus eventuais defeitos e decorrências (inclusive a questão sobre o eventual enquadramento da operação de cessão de créditos como renda fixa, nos termos da lei) restam afastados. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/ 09/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13811.000693/9824 Acórdão n.º 1201000.828 S1C2T1 Fl. 8 7 No que tange ao crédito lançado em relação ao suposto erro de datilografia para a rubrica de Provisões Não Dedutíveis, penso que a decisão da DRJ também não merece reparos, pois caberia à Recorrente comprovar, efetivamente, o valor das provisões e sua respectiva composição. Neste ponto, convém reproduzir parte do voto proferido naquele juízo, que é exatamente o centro da tese defendida pela Recorrente: O Valor de Provisões não Dedutíveis, adicionado na apuração do lucro real (linha 13, do Quadro 04, do Anexo 2, da DIRPJ) foi, antes, deduzido no cálculo do lucro líquido do períodobase, no Quadro 04 do Anexo 1, da DIRPJ (quadro de Demonstração do Resultado do PeríodoBase). Para comprovar o valor exato destas provisões, o contribuinte deveria ter identificando os itens do quadro de Demonstração do Resultado do PeríodoBase em que eles foram incluídos e demonstrar a composição dos valores informados nestes itens. Assim, se tais provisões foram informadas como Outras Despesas Operacionais ou Despesas Não Operacionais, ou ainda, Outros Custos, estes itens deveriam ter sido demonstrados quanto à sua composição, a fim de que ficasse comprovado que não existem outras provisões correspondentes à diferença de CR$ 1.000.000,00, verificada na revisão da declaração. A justificativa para a decisão de 1ª instância me parece correta, pois cabe ao interessado comprovar, por meio de documentos e registros contábeis adequados, os fatos que julga representarem a verdade material, princípio essencial do processo administrativo e devidamente enfatizado pela Recorrente. Ocorre que a Recorrente simplesmente não apresentou qualquer nova informação que pudesse subsidiar suas alegações, embora tivesse a oportunidade de fazêlo no presente recurso. A título de exemplo, foram entregues, quando da impugnação parcial, apenas algumas folhas do LALUR, em vez de todo o Livro; do mesmo modo, não foram apresentados os documentos que originaram as respectivas provisões, nem tampouco qualquer quadro demonstrativo dos valores que foram apurados e carreados para a Declaração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. Ao contrário, a Recorrente argumenta que se havia dúvida quanto aos valores deveria o julgador solicitar a instauração de diligência ou perícia, o que é claramente descabido na hipótese, visto que a contabilidade do contribuinte não foi questionada, mas sim a insuficiência dos documentos apresentados, que seriam necessários para demonstrar os supostos erros no preenchimento da Declaração. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso e, no mérito, NEGOLHE provimento, mantendo a decisão recorrida. É como voto! Fl. 162DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/ 09/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13811.000693/9824 Acórdão n.º 1201000.828 S1C2T1 Fl. 9 8 (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 163DF CARF MF Impresso em 20/09/2013 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/ 09/2013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.927773/2011-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Inexiste norma legal que prescreva a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. Entender de forma diversa implicaria em violação aos art. 5º, II, e 37, caput, da Constituição e art. 97 do CTN.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste norma legal que prescreva a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. Entender de forma diversa implicaria em violação aos art. 5º, II, e 37, caput, da Constituição e art. 97 do CTN. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11080.927773/2011-70
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5929279
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-005.191
nome_arquivo_s : Decisao_11080927773201170.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11080927773201170_5929279.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7524805
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148451053568
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1472; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.927773/201170 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301005.191 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente AGROFERTIL S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE FERTILIZANTES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste norma legal que prescreva a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. Entender de forma diversa implicaria em violação aos art. 5º, II, e 37, caput, da Constituição e art. 97 do CTN. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 77 73 /2 01 1- 70 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 11080.927773/201170 Acórdão n.º 3301005.191 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Restituição (PER) da Contribuição para o PIS, em virtude de o pagamento informado estar totalmente alocado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado a ocorrência de decadência para a análise do PER, uma vez que fora transmitido havia mais de cinco anos, pleiteando a aplicação do prazo previsto no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/1996, para reconhecimento da ocorrência de homologação tácita. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 10042.203, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, afastando o pleito por falta de previsão legal e por ausência de comprovação do direito creditório. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, repisando praticamente os mesmos argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 11080.927773/201170 Acórdão n.º 3301005.191 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.190, de 26/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 11080.927782/201161, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.190): O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Como relatado, a Recorrente transmitiu Pedido de Ressarcimento, visando à restituição do crédito nele informado em razão de pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep. Cabe esclarecer que a prova do recolhimento indevido não foi objeto de defesa da empresa. A Delegacia de origem emitiu Despacho Decisório que indeferiu o pleito diante da inexistência do crédito, nos termos do art. 165 do CTN. Sustenta a contribuinte que entre a data de transmissão do PER, 11/11/2005, até a ciência do despacho decisório, 21/12/2011, transcorreu prazo superior a cinco anos, o que implica na homologação tácita do ressarcimento, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Dispõe o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 que: “o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. Ressaltese que a Declaração de Compensação DCOMP e o Pedido de Restituição PER são declarações diferentes com efeitos também diversos. Assim, não cabe aplicar ao Pedido de Restituição a homologação tácita prevista para a Declaração de Compensação. Como bem apontado pela DRJ, a compensação se viabiliza por via de um regime declaratório (Declaração de Compensação), enquanto que a restituição se viabiliza por um regime de requerimento (Pedido de Restituição), sendo a compensação operada e satisfeita de imediato, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, ao passo que o valor da restituição pleiteada não é entregue imediatamente ao contribuinte, havendo a necessidade de uma decisão explícita e nunca tácita da Administração Tributária. Não há como se acolher a pretensão da Recorrente, porquanto a previsão legal de homologação tácita referese tão somente ao pedido de compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Observese que neste processo não houve qualquer Fl. 80DF CARF MF Processo nº 11080.927773/201170 Acórdão n.º 3301005.191 S3C3T1 Fl. 5 4 vinculação entre crédito e débito, apenas houve o pleito de ressarcimento. Entender de forma diversa implicaria em violação aos art. 5º, II, e 37, caput da Constituição e art. 97 do CTN. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.721699/2014-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 8º DA LEI 10.925/2004. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ACÚMULO EM RAZÃO DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SALDO APURADO ATÉ 01/01/2012.
O crédito presumido da contribuição (PIS/Cofins) para a agroindústria apurado conforme o que estabelece o art. 8º da Lei nº10.925/2004 só pode ser compensado com débitos próprios da contribuição. A Lei nº 12.995/2014, art. 7º-A, permitiu que fosse objeto de pedido de ressarcimento o saldo de crédito presumido apurado até 01/01/2012.
O legislador escolheu um momento no tempo, como um incentivo fiscal, permitindo que o saldo de crédito presumido apurado e existente na escrita fiscal em 01/01/2012 pudesse ser objeto de pedido de ressarcimento ou para compensar com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Impossibilidade de ressarcir créditos apurados em outra data, na medida em que a lei escolheu uma data específica.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 8º DA LEI 10.925/2004. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ACÚMULO EM RAZÃO DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SALDO APURADO ATÉ 01/01/2012. O crédito presumido da contribuição (PIS/Cofins) para a agroindústria apurado conforme o que estabelece o art. 8º da Lei nº10.925/2004 só pode ser compensado com débitos próprios da contribuição. A Lei nº 12.995/2014, art. 7º-A, permitiu que fosse objeto de pedido de ressarcimento o saldo de crédito presumido apurado até 01/01/2012. O legislador escolheu um momento no tempo, como um incentivo fiscal, permitindo que o saldo de crédito presumido apurado e existente na escrita fiscal em 01/01/2012 pudesse ser objeto de pedido de ressarcimento ou para compensar com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Impossibilidade de ressarcir créditos apurados em outra data, na medida em que a lei escolheu uma data específica. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10930.721699/2014-10
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5939821
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-005.431
nome_arquivo_s : Decisao_10930721699201410.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10930721699201410_5939821.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7549844
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148452102144
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1904; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.721699/201410 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301005.431 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de outubro de 2018 Matéria CRÉDITO PRESUMIDO RESSARCIMENTO Recorrente COMEXIM LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 8º DA LEI 10.925/2004. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ACÚMULO EM RAZÃO DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SALDO APURADO ATÉ 01/01/2012. O crédito presumido da contribuição (PIS/Cofins) para a agroindústria apurado conforme o que estabelece o art. 8º da Lei nº10.925/2004 só pode ser compensado com débitos próprios da contribuição. A Lei nº 12.995/2014, art. 7ºA, permitiu que fosse objeto de pedido de ressarcimento o saldo de crédito presumido apurado até 01/01/2012. O legislador escolheu um momento no tempo, como um incentivo fiscal, permitindo que o saldo de crédito presumido apurado e existente na escrita fiscal em 01/01/2012 pudesse ser objeto de pedido de ressarcimento ou para compensar com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Impossibilidade de ressarcir créditos apurados em outra data, na medida em que a lei escolheu uma data específica. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 72 16 99 /2 01 4- 10 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10930.721699/201410 Acórdão n.º 3301005.431 S3C3T1 Fl. 3 2 Angelotti Meira, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Ressarcimento (PER) de Crédito Presumido da Contribuição (PIS/Cofins), em virtude do fato de que o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 autorizava a utilização do crédito presumido somente para dedução das próprias contribuições não cumulativas. De acordo com a repartição de origem, a Lei 12.995/2014 passou a autorizar que empresas da agroindústria que possuíssem, em 01/01/2012, saldo de crédito presumido calculado e acumulado na forma da Lei 10.925/2004 pudessem utilizar esse saldo via compensação ou ressarcimento. Contudo, ainda de acordo com a autoridade administrativa de origem, no presente caso, mesmo preenchendo todos os requisitos legais para apuração e aproveitamento dos créditos em referência, o requerimento do ressarcimento fora protocolizado após o prazo prescricional de cinco anos. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte arguiu que a lei que concedera o direito ao ressarcimento do crédito presumido acumulado havia sido publicada em 18/06/2014, inexistindo, até então, direito ao ressarcimento, apenas sendo possível o aproveitamento com débitos das contribuições (PIS/Cofins), em razão do quê, somente se aplicaria a regra da prescrição a partir daquela data. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14062.458, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que o prazo para se pedir ressarcimento de créditos da não cumulatividade, básicos ou presumidos, é de cinco anos contados da data de sua apuração. Em suas razões de voto, a DRJ trouxe os seguintes argumentos: a) no formulário do pedido, consta “CRÉDITO PRESUMIDO vinculado à receita de exportação com base na Lei nº 12.995/2014”; b) cita o Decreto nº 20.910/1932, em que se prevê, em seu art. 1º, que qualquer dívida da União, de qualquer natureza, prescreve em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem; c) a possibilidade de crédito prevista no art. 7ºA da Lei nº 12.599/2012 (acrescentado pela Lei nº 12.995/2014), e de seu ressarcimento, é um direito “novo” e não a implementação de uma condição suspensiva que impedia o referido aproveitamento; d) a norma que instituiu o aproveitamento dos referidos créditos presumidos, expressamente previu a aplicação da prescrição; Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10930.721699/201410 Acórdão n.º 3301005.431 S3C3T1 Fl. 4 3 e) cita o art. 29D da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, onde resta previsto que o ressarcimento do saldo de créditos presumidos de que trata o caput pode ser solicitado somente para créditos apurados até 5 (cinco) anos anteriores, contados da data do pedido. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e repisou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade, insistindo que a Lei nº 12.995/2014, ao acrescentar o art. 7A à Lei nº 12.599/2012, conferira o direito ao contribuinte de obter créditos que, até então, não podiam ser utilizados, não tendo ocorrido, portanto, a prescrição. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.430, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 10930.721698/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.430): O recurso voluntário foi interposto no prazo e reúne os pressupostos legais de interposição, portanto, merece conhecimento. A partir do relato acima, constatase que a discussão dos autos não está na legitimidade ou não do montante de crédito, pois este foi conferido e admitido pelo Fisco. Centrase a discussão em saber se o pedido de ressarcimento formulado pela Recorrente está prescrito ou não. Assim, para fins de realizar uma análise do prazo prescricional, necessário traçar a linha do tempo. Até 18 de junho de 2014, a pessoa jurídica que desenvolvesse atividades agroindustriais, poderia apurar crédito presumido de PIS e COFINS, na forma como previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, para compensar, exclusivamente, com débitos destas mesmas contribuições (caput). No dia 18 de junho de 2014 entrou em vigor a Lei nº 12.995/2014 que acrescentou o art. 7ºA na Lei nº 12.599/2012, permitindo que o saldo de créditos presumidos apurados na forma do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 até 01/01/2012 pudessem ser compensados com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, vencidos ou vincendos, ou ainda requerer o ressarcimento em dinheiro, observandose a legislação aplicável sobre os prazos extintivos: Art. 7ºA. O saldo do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, apurado até 1o de janeiro de 2012 em relação Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10930.721699/201410 Acórdão n.º 3301005.431 S3C3T1 Fl. 5 4 à aquisição de café in natura poderá ser utilizado pela pessoa jurídica para: (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos; ou (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos. (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) (grifei) Em 26/08/2014 a Recorrente protocolizou seu pedido de ressarcimento de créditos apurados na forma do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, conforme permissivo implementado pela novel Lei nº 12.995/2014. Resta, portanto, determinar quando surge o direito de ressarcimento de crédito, para fins de contagem da prescrição, se de sua apuração ou da publicação da lei que confere o direito, e qual é o prazo prescricional, bem como determinar o que se entende por "saldo de crédito presumido" apurado até 01/01/2012. I) Do prazo de prescrição e de seu marco inicial A prescrição é um instituto jurídico previsto no ordenamento jurídico com a finalidade de fornecer estabilidade às relações jurídicas, em homenagem à segurança jurídica, estabelecendo um prazo para o exercício de um direito. A premissa é que não se tem como desejável a permanência indefinida de um direito, estabelecendose, assim, um prazo para o exercício de sua pretensão. Caso o titular de um direito não exerça este direito no prazo, isto é, não exercite sua pretensão para ver satisfeito seu direito, considerase extinta esta pretensão, impossibilitandose que este direito seja, juridicamente, exercido. Com isso, para que o prazo prescricional tenha início, é preciso haver um direito, a possibilidade de exercêlo (pretensão) e a inércia do titular deste direito. Neste sentido, Caio Mário da Silva Pereira1: O sujeito não conserva indefinidamente a faculdade de intentar um procedimento judicial defensivo de seu direito. A lei, ao mesmo tempo em que o reconhece, estabelece que a pretensão deve ser exigida em determinado prazo, sob pena de perecer. Pela prescrição, extinguese a pretensão, nos prazos que a lei estabelece. (...) É, então, na segurança da ordem jurídica que se deve buscar o seu verdadeiro fundamento. O direito exige que o devedor cumpra o obrigado e permite ao sujeito ativo (credor) valerse da sanção contra quem quer que vulnere o seu direito. Mas se ele se mantém inerte, por longo tempo, deixando que se constitua uma situação contrária ao seu direito, permitir que mais tarde reviva o passado é deixar em perpétua incerteza a vida social. Há, pois, um interesse de ordem pública no afastamento das incertezas em torno da existência e eficácia dos direitos, e este interesse justifica o instituto da prescrição, em sentido genérico. Na seara tributária o instituto da prescrição se funda, também, na segurança jurídica, conforme ensinamentos de Luís Eduardo Schoueri, no 1 PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. Teoria Geral de Direito Civil. Volume 1. 26ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 2013. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10930.721699/201410 Acórdão n.º 3301005.431 S3C3T1 Fl. 6 5 sentido de que a prescrição surge "da necessidade de garantir a desejada estabilidade das relações jurídicas"2. No direito tributário, portanto, também há prazos extintivos por prescrição tanto para o crédito tributário, conforme art. 156, V do CTN, extinguese o próprio direito de crédito da Fazenda Pública, como há também prazo de prescrição extintivo do direito de requerer (pretensão) a restituição de um indébito, ou de cobrar créditos que o particular tenha contra a Fazenda Pública. Assim, a hipótese de incidência da prescrição é a existência de um direito sem que seja exercido por seu titular, tendo como consequente a extinção do respectivo direito. Discutiase se o prazo prescricional para ressarcimento de créditos acumulados seria aquele do art. 168, CTN, no qual tinha início com o pagamento indevido, ou se seria outro, como o do artigo 1º do Decreto nº 20.910/1932. Não me parece adequado que o prazo prescricional, bem como seu marco de início de contagem, sejam aqueles previstos no CTN para a repetição do indébito, na medida que o pedido de ressarcimento não se funda em pagamento indevido. Assim, o crédito presumido é, veramente, um direito de crédito que o particular possui contra a Fazenda Pública em razão de alguma determinação legal. Portanto, se é um direito de crédito contra a Fazenda Pública, não decorrente de pagamento indevido, mas por alguma disposição legal, creio ser mais adequada aplicação do prazo prescricional existente no Decreto nº 20.910/1932 para a cobrança das dívidas passivas das entidades públicas. Neste diapasão, de acordo com o Decreto nº 20.910/1932, as dívidas passivas da União Federal, bem como qualquer direito ou ação contra a Fazenda Nacional, seja qual for a sua natureza, prescrevem em 5 anos, contados da data do ato ou fato do qual se originaram, verbis: Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. (grifei) A Câmara Superior de Recursos Fiscais, para um caso de crédito presumido de IPI, em sessão de 15/03/2018, proferiu o Acórdão CSRF nº 9303006.519, de relatoria do ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, onde restou consignado que o prazo prescricional para ressarcimento deste crédito presumido observa o Decreto nº 20.910/1932: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/1995 RESSARCIMENTO. PEDIDO FEITO EM RAZÃO DE OUTRO ANTERIOR INDEFERIDO. SUSPENSÃO DA PRESCRIÇÃO DURANTE A ANÁLISE DO PRIMEIRO. INOCORRÊNCIA. Conforme art. 1º do Decreto nº 20.910/32 , prescreve em cinco anos o direito à apresentação de Pedido de Ressarcimento de créditos contra a Fazenda Pública, contados da data do fato do qual se originarem. Tendo sido feito um pedido considerado pela Administração como em desacordo com a legislação 2 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10930.721699/201410 Acórdão n.º 3301005.431 S3C3T1 Fl. 7 6 tributária, não fica suspensa a prescrição para a apresentação de um novo, relativo ao mesmo crédito, após o indeferimento do primeiro, não se aplicando o art. 4º do mesmo Decreto, pois quem deu causa foi o sujeito passivo, além do que a não é líquida a dívida passiva da União. Recurso Especial do Procurador Provido. No mesmo sentido, o Acórdão CSRF nº 9303006.519, proferido em sessão de 21/03/2017, de relatoria do Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. O direito de pleitear o ressarcimento do crédito presumido do IPI prescreve em cinco anos contados do último dia do trimestre em que se deu a entrada dos insumos no estabelecimento industrial. Aplicação do Decreto n° 20.910, de 1932, combinado com Portaria MF n° 38/97. Recurso Especial do Contribuinte negado Em síntese, para que seja possível se falar em prescrição, necessário, preliminarmente, a existência de um direito. Somente após verificada a existência de um direito é que passa a ser possível se falar em início de prazo prescricional, extinguindose este direito caso não exercido por seu titular. No caso dos autos, é preciso discernir, o direito que se pleiteia não é o crédito presumido em si, qual seja, o crédito presumido apurado da forma em que previsto no art. 8º da Lei 10.925/2004 e passível de utilização desde 2004. Repitase, não é esse o direito que se pretende exercer. O direito que se discute nestes autos é o direito de utilizar este crédito para compensar com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, bem como o direito de requerer o ressarcimento em dinheiro deste crédito. E este direito apenas surgiu no ordenamento jurídico quando da publicação Lei nº 12.995 em 18 de junho de 2014. Não se pode admitir o fluxo do lapso temporal para a prescrição extintiva de um direito se o direito não existia e não podia ser exercido. Não se trata de causa interruptiva ou suspensiva da prescrição, mas sim da própria impossibilidade de início do curso do prazo diante da inexistência do direito a ser exercido. Não há como falar de inércia do titular do direito se direito não havia. Como dito, para se falar em prescrição é preciso que o direito exista e que o titular deste direito fique inerte por certo período de tempo. Assim, o ato ou fato que origina este direito, para utilizar a dicção do Decreto nº 20.910/1932, é a Lei nº 12.995 que permite novas formas de utilização de um crédito, criando, portanto, um novo direito a ser exercido. Desta feita, se o direito de ressarcimento em dinheiro do crédito presumido apenas surgiu em 18 de junho de 2014, é a partir deste momento que o prazo de prescrição tem início. No entanto, não se quer dizer, com Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10930.721699/201410 Acórdão n.º 3301005.431 S3C3T1 Fl. 8 7 isso, que o crédito presumido que se quer ver ressarcido é irrelevante, muito ao contrário, a meu ver, a lei estabeleceu um marco temporal para o crédito presumido para que o direito de ver este crédito ressarcido em dinheiro possa ser fruído a partir de 18 de junho de 2014. II) Do saldo de crédito presumido apurado até 01/01/2012 A apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo se faz no confronto dos débitos decorrentes de receitas auferidas em face de créditos apurados em razão de custos e despesas permitidos na legislação. Incluem se nestes créditos, os créditos presumidos permitidos pela lei. Ao final do período de apuração, o saldo de débito é levado à DCTF e recolhido pelo contribuinte, mas o saldo de crédito, por sua vez, pode ser mantido e transferido para o próximo período de apuração, e assim indefinidamente por tantos quantos períodos de apuração sejam necessários até que o montante de débito supere o montante de crédito. No caso em análise, a Recorrente pretende ver ressarcido um montante de crédito presumido apurado no primeiro trimestre de 2009. A fiscalização afirma nestes autos, fls. 151156, que este crédito presumido foi apurado conforme o que estabelece o art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Entretanto, salvo melhor juízo, não foi o crédito presumido apurado em seu respectivo período de apuração que a Lei nº 12.995/2014 permitiu que fosse objeto de pedido de ressarcimento, mas sim o saldo de crédito presumido que permaneceu escriturado em 01/01/2012, vejamos: Art. 7ºA. O saldo do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, apurado até 1º de janeiro de 2012 em relação à aquisição de café in natura poderá ser utilizado pela pessoa jurídica para: (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) Ao que parece, o problema não é de prescrição. O legislador escolheu um momento no tempo, como um incentivo fiscal, permitindo que o saldo de crédito presumido apurado e existente na escrita fiscal em 01/01/2012 pode ser objeto de pedido de ressarcimento ou para compensar com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Desta feita, não se permitiu ressarcir o montante de crédito de cada período de apuração, individualmente, até 01/01/2012, mas sim o saldo ainda existente nesta data. Até porque, conforme salientado acima, a apuração do PIS e da COFINS se faz por confronto de créditos e débitos por período de apuração, podendose manter escriturado o saldo de crédito para abatimento das contribuições devidas nos próximos períodos de apuração. Desta feita, não há como identificar nestes autos se este crédito presumido apurado no primeiro trimestre de 2009 já não foi superado por algum montante de débito de algum período de apuração que o sucedeu até janeiro de 2012. Nem poderia ser assim, já que não me parece ter sido esta a escolha do legislador, já que foi definido um momento específico no tempo. Com isso, creio que o pedido de ressarcimento está equivocado, pois o que deve ser objeto de ressarcimento é o saldo de crédito presumido apurado até 01/01/2012. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10930.721699/201410 Acórdão n.º 3301005.431 S3C3T1 Fl. 9 8 Isto posto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar provimento. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 197DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.902941/2011-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOVAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
No Processo Administrativo Fiscal devem ser observados os Princípios Processuais da Impugnação Específica e da Preclusão, sendo que as matérias não propostas em sede de Manifestação de Inconformidade não podem ser deduzidas em Recurso Voluntário. Impossibilidade de inovação recursal, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3402-005.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que conheceram do Recurso. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOVAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. No Processo Administrativo Fiscal devem ser observados os Princípios Processuais da Impugnação Específica e da Preclusão, sendo que as matérias não propostas em sede de Manifestação de Inconformidade não podem ser deduzidas em Recurso Voluntário. Impossibilidade de inovação recursal, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10980.902941/2011-16
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5939966
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.808
nome_arquivo_s : Decisao_10980902941201116.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10980902941201116_5939966.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que conheceram do Recurso. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7550574
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148456296448
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-12-17T14:28:35Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-12-17T14:28:35Z; Last-Modified: 2018-12-17T14:28:35Z; dcterms:modified: 2018-12-17T14:28:35Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:0c506cf2-2bc5-4141-b35f-d9c66a42f5f0; Last-Save-Date: 2018-12-17T14:28:35Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-12-17T14:28:35Z; meta:save-date: 2018-12-17T14:28:35Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-12-17T14:28:35Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-12-17T14:28:35Z; created: 2018-12-17T14:28:35Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2018-12-17T14:28:35Z; pdf:charsPerPage: 1700; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-12-17T14:28:35Z | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.902941/201116 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.808 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de outubro de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente MASTERCORP DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INOVAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. No Processo Administrativo Fiscal devem ser observados os Princípios Processuais da Impugnação Específica e da Preclusão, sendo que as matérias não propostas em sede de Manifestação de Inconformidade não podem ser deduzidas em Recurso Voluntário. Impossibilidade de inovação recursal, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que conheceram do Recurso. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 29 41 /2 01 1- 16 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.902941/201116 Acórdão n.º 3402005.808 S3C4T2 Fl. 0 2 Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Trata o presente processo da Declaração de Compensação por meio da qual a contribuinte realizou a compensação de débitos tributários próprios utilizandose de crédito de Cofins cumulativa. Foi emitido despacho decisório de não homologação da compensação, pelo fato de que o DARF discriminado na Dcomp estava integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando saldo de crédito disponível para a compensação. A contribuinte foi cientificada do citado despacho decisório e apresentou Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. Após um breve relato dos fatos, a interessada defende a existência de crédito no pagamento indicado na Dcomp bem como a falta de motivação para o indeferimento das compensações pleiteadas. Relata que, após ter identificado a existência de pagamento a maior do que o devido da contribuição, providenciou a retificação da DCTF e DIPJ respectivas, informando o valor correto da mesma, e a entrega da Per/Dcomp tratada no presente processo, para o fim de utilizar o crédito gerado pelo pagamento indevido. Argumenta que sua solicitação de compensação foi indeferida sob o fraco argumento de inexistência de crédito e sem qualquer espécie de verificação do mesmo. Diz que tomou todas as medidas administrativas necessárias para que a compensação fosse reconhecida (retificação das declarações e entrega da Dcomp) mas que, por outro lado, a autoridade administrativa não fundamentou o indeferimento do pedido. Por fim, suscita a nulidade do despacho decisório, tendo em vista a ausência de motivação jurídica e falta de elementos indispensáveis como clareza, lógica e precisão. Diante do exposto, requer o acolhimento da manifestação para o fim de homologar a compensação pleiteada." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR proferiu o Acórdão nº 06042.934, pelo qual julgou pela improcedência da manifestação de inconformidade, mantendo os termos do Despacho Decisório e a não homologação da compensação. Cientificada desta decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário tempestivo, pugnando pelo provimento para que seja reformada a decisão recorrida e homologada a compensação formalizada. Em Recurso Voluntário a Contribuinte alegou que: i) O direito creditório tem origem em pagamento indevido ou a maior, tendo em vista a ilegalidade e inconstitucionalidade da inclusão de valores de ICMS na base de cálculo de PIS e COFINS; ii) Foram adotadas as medidas administrativas, retificações de declarações e protocolo das DCOMP's, dando conta dos créditos geradores e a forma de utilização; Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.902941/201116 Acórdão n.º 3402005.808 S3C4T2 Fl. 0 3 iii) Foi induzida a erro e a pagar valores indevidos ou a maior, a título de PIS e COFINS, em virtude de legislação que se verifica ilegal e inconstitucional. iv) Após exposição legislativa da contribuição e forma de apuração, a Recorrente invocou a Lei nº 9.718/70 para as empresas optantes pelo Lucro Presumido. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.795, de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.902926/201160, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.795): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo. Como relatado na decisão de primeira instância, a Recorrente havia apresentado Manifestação de Inconformidade com os seguintes argumentos: "Após um breve relato dos fatos, a interessada defende a existência de crédito no pagamento indicado na Dcomp bem como a falta de motivação para o indeferimento das compensações pleiteadas. Relata que, após ter identificado a existência de pagamento a maior do que o devido da contribuição, providenciou a retificação da DCTF e DIPJ respectivas, informando o valor correto da mesma, e a entrega da Per/Dcomp tratada no presente processo,para o fim de utilizar o crédito gerado pelo pagamento indevido. Argumenta que sua solicitação de compensação foi indeferida sob o fraco argumento de inexistência de crédito e sem qualquer espécie de verificação do mesmo. Diz que tomou todas as medidas administrativas necessárias para que a compensação fosse reconhecida (retificação das declarações e entrega da Dcomp) mas que, por outro lado, a autoridade administrativa não fundamentou o indeferimento do pedido. Acrescenta que “No caso em tela, verificase que além dos elementos não terem sido analisados suficientemente, conforme legislação e a jurisprudência, há ausência de fundamentação jurídica que baseie a decisão e que mostre de maneira convincente o motivo pelo qual a Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.902941/201116 Acórdão n.º 3402005.808 S3C4T2 Fl. 0 4 Impugnante não pôde ter seu crédito compensado.” Por fim, suscita a nulidade do despacho decisório, tendo em vista a ausência de motivação jurídica e falta de elementos indispensáveis como clareza, lógica e precisão." Outrossim, verificase do PERD/COMP de fls. 610 as seguintes informações, o que demonstra que não foi informado crédito oriundo de ação judicial: Diante dos argumentos da Contribuinte, a DRJ enfrentou a preliminar de nulidade e, no mérito, concluiu pela improcedência do pedido nos seguintes termos: "A compensação declarada na Dcomp não foi reconhecida (homologada) porque o crédito indicado não existia, ou seja, na data da emissão do despacho decisório o DARF de Cofins, no valor de R$ 46.497,20, recolhido em 12/11/2004, indicado como origem do crédito para compensação, estava totalmente utilizado para a quitação de débito da contribuinte. Notese, aliás, que essa situação, diferentemente do que afirma a interessada na manifestação, não sofreu qualquer alteração, nem mesmo após a emissão do Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10980.902941/201116 Acórdão n.º 3402005.808 S3C4T2 Fl. 0 5 Despacho Decisório, conforme demonstram as declarações (DCTF) entregues pela interessada. A última DCTF relativa ao débito de Cofins do setembro de 2004 apresentada pela interessada foi a DCTF do 3º trimestre de 2004 (Retificadora), entregue em 17/11/2004, por meio da qual esse débito foi confessado no valor de R$ 42.432,20, e para o qual foi vinculado o DARF de Cofins, no valor de R$ 46.497,20, recolhido em 12/11/2004 (justamente o DARF apontado como crédito na Dcomp tratada no presente processo). Lembrese, nesse ponto, que a DCTF constitui em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos tributários nelas declarados, de acordo com o que dispõe o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984. Como se vê, o Despacho Decisório contestado relata exatamente a situação acima identificada, ou seja, a ausência de crédito em face da utilização de todo o valor do DARF indicado como origem do crédito em outro débito da própria contribuinte. É evidente, portanto, que inexiste nesse ato administrativo falta de clareza,precisão e lógica, afinal ele está a retratar a situação que a própria interessada declarou (através de DCTF) para o órgão administrativo." A motivação da improcedência decorreu da ausência de provas apresentadas pela Contribuinte sobre o direito creditório passível de surtir os efeitos legais. Ocorre que em análise às razões de Recurso Voluntário, constatase que a Recorrente abordou, de maneira genérica, pela ilegalidade e inconstitucionalidade de inclusão de valores de ICMS na base de cálculo de PIS e COFINS, conforme colacionado abaixo: Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10980.902941/201116 Acórdão n.º 3402005.808 S3C4T2 Fl. 0 6 (...) Ou seja, além de não haver nenhuma informação e/ou comprovação de que o alegado crédito teve origem nas razões demonstradas em Recurso Voluntário, resta flagrante que a Recorrente inaugura nova discussão, sem amparo, portanto, no artigo 17 do Decreto n.º 70.235/72. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10980.902941/201116 Acórdão n.º 3402005.808 S3C4T2 Fl. 0 7 Neste sentido, foi proferido o v. Acórdão nº 3401004.446 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vejamos: DEFESA. MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO EM RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede impugnatória não podem ser deduzidas em recurso voluntário, devido à perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, ex vi dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. Por sua vez, resta igualmente impossibilitado o conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao con hecimento do Órgão Julgador de Primeira Instância, sob pena de supressão de instância e negativa de vigência ao artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Dispositivo Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.722774/2016-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
BÔNUS DE EFICIÊNCIA. NÃO CONFIGURAÇÃO DE MÁ-FÉ DOS JULGADORES ADMINISTRATIVOS. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE
Não há como se presumir a má-fé ou parcialidade dos julgadores administrativos ligados à Receita Federal do Brasil, a ensejar o impedimento destes, pelo o fato de eventualmente receberem o "bônus de eficiência", que foi instituído originariamente pela Medida Provisória n° 765/16.
Não há nas disposições legais e regimentais que regem o processo administrativo tributário em âmbito federal qualquer disposição que imponha o sobrestamento do julgamento até a análise, pelo Poder Judiciário, de eventual vício de inconstitucionalidade de norma vigente e válida.
VÍCIO DE MOTIVAÇÃO E VÍCIO DE FUNDAMENTAÇÃO.
Não há que se falar em nulidade da autuação, quando o Auto de Infração e o respectivo Termo de Verificação Fiscal indicam de forma precisa os dispositivos legais supostamente infringidos e os motivos que levaram à conclusão de que houve cometimento de ilícito por parte do contribuinte.
NULIDADE. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Eventuais equívocos cometidos pela fiscalização, quando da lavratura de Auto Infração, devem ser corrigidos no âmbito administrativo ou, em último caso, no âmbito do Poder Judiciário. Não pode ser configurada como falta de liquidez e certeza do crédito tributário a irresiganção do contribuinte quanto à constituição de ofício do crédito por parte da administração tributária.
VARIAÇÃO CAMBIAL. MOMENTO DO RECONHECIMENTO. MP 1.858/99.
Nos termos da redação originária do artigo 30 da Medida Provisória 1.858/99, a partir de primeiro de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas quando da liquidação da correspondente operação.
Para fins de reconhecimento da variação monetária, não há que se falar em liquidação da operação, quando se verifica que houve uma cessão de crédito da obrigação, sem a efetiva baixa dos títulos.
Numero da decisão: 1302-003.162
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a suspeição dos conselheiros representantes da Fazenda Nacional, suscitada em face da percepção do bônus de eficiência instituído pela MP. nº 765/2016 e o pedido de sobrestamento do julgamento; em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas; e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário e em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 BÔNUS DE EFICIÊNCIA. NÃO CONFIGURAÇÃO DE MÁ-FÉ DOS JULGADORES ADMINISTRATIVOS. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE Não há como se presumir a má-fé ou parcialidade dos julgadores administrativos ligados à Receita Federal do Brasil, a ensejar o impedimento destes, pelo o fato de eventualmente receberem o "bônus de eficiência", que foi instituído originariamente pela Medida Provisória n° 765/16. Não há nas disposições legais e regimentais que regem o processo administrativo tributário em âmbito federal qualquer disposição que imponha o sobrestamento do julgamento até a análise, pelo Poder Judiciário, de eventual vício de inconstitucionalidade de norma vigente e válida. VÍCIO DE MOTIVAÇÃO E VÍCIO DE FUNDAMENTAÇÃO. Não há que se falar em nulidade da autuação, quando o Auto de Infração e o respectivo Termo de Verificação Fiscal indicam de forma precisa os dispositivos legais supostamente infringidos e os motivos que levaram à conclusão de que houve cometimento de ilícito por parte do contribuinte. NULIDADE. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Eventuais equívocos cometidos pela fiscalização, quando da lavratura de Auto Infração, devem ser corrigidos no âmbito administrativo ou, em último caso, no âmbito do Poder Judiciário. Não pode ser configurada como falta de liquidez e certeza do crédito tributário a irresiganção do contribuinte quanto à constituição de ofício do crédito por parte da administração tributária. VARIAÇÃO CAMBIAL. MOMENTO DO RECONHECIMENTO. MP 1.858/99. Nos termos da redação originária do artigo 30 da Medida Provisória 1.858/99, a partir de primeiro de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas quando da liquidação da correspondente operação. Para fins de reconhecimento da variação monetária, não há que se falar em liquidação da operação, quando se verifica que houve uma cessão de crédito da obrigação, sem a efetiva baixa dos títulos.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16682.722774/2016-79
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5924806
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-003.162
nome_arquivo_s : Decisao_16682722774201679.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
nome_arquivo_pdf_s : 16682722774201679_5924806.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a suspeição dos conselheiros representantes da Fazenda Nacional, suscitada em face da percepção do bônus de eficiência instituído pela MP. nº 765/2016 e o pedido de sobrestamento do julgamento; em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas; e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário e em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
id : 7506350
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148474122240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2188; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2.906 1 2.905 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.722774/201679 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1302003.162 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de outubro de 2018 Matéria IRPJ Recorrentes COSAN S/A Indústria e Comério FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 BÔNUS DE EFICIÊNCIA. NÃO CONFIGURAÇÃO DE MÁFÉ DOS JULGADORES ADMINISTRATIVOS. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE Não há como se presumir a máfé ou parcialidade dos julgadores administrativos ligados à Receita Federal do Brasil, a ensejar o impedimento destes, pelo o fato de eventualmente receberem o "bônus de eficiência", que foi instituído originariamente pela Medida Provisória n° 765/16. Não há nas disposições legais e regimentais que regem o processo administrativo tributário em âmbito federal qualquer disposição que imponha o sobrestamento do julgamento até a análise, pelo Poder Judiciário, de eventual vício de inconstitucionalidade de norma vigente e válida. VÍCIO DE MOTIVAÇÃO E VÍCIO DE FUNDAMENTAÇÃO. Não há que se falar em nulidade da autuação, quando o Auto de Infração e o respectivo Termo de Verificação Fiscal indicam de forma precisa os dispositivos legais supostamente infringidos e os motivos que levaram à conclusão de que houve cometimento de ilícito por parte do contribuinte. NULIDADE. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Eventuais equívocos cometidos pela fiscalização, quando da lavratura de Auto Infração, devem ser corrigidos no âmbito administrativo ou, em último caso, no âmbito do Poder Judiciário. Não pode ser configurada como falta de liquidez e certeza do crédito tributário a irresiganção do contribuinte quanto à constituição de ofício do crédito por parte da administração tributária. VARIAÇÃO CAMBIAL. MOMENTO DO RECONHECIMENTO. MP 1.858/99. Nos termos da redação originária do artigo 30 da Medida Provisória 1.858/99, a partir de primeiro de janeiro de 2000, as variações monetárias dos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 27 74 /2 01 6- 79 Fl. 2906DF CARF MF 2 direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas quando da liquidação da correspondente operação. Para fins de reconhecimento da variação monetária, não há que se falar em liquidação da operação, quando se verifica que houve uma cessão de crédito da obrigação, sem a efetiva baixa dos títulos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a suspeição dos conselheiros representantes da Fazenda Nacional, suscitada em face da percepção do bônus de eficiência instituído pela MP. nº 765/2016 e o pedido de sobrestamento do julgamento; em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas; e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário e em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em face da contribuinte Cosan S/A Indústria e Comércio, ora Recorrente, através do qual a fiscalização constituiu créditos tributários de IRPJ e CSLL, com a aplicação das penalidades previstas na legislação, no valor originário total de R$76.368.762,83. Como se depreende do TVF (fl. 2210 e seguintes dos autos), ao proceder fiscalização junto à Recorrente, o agente fiscal entendeu que houve uma postergação indevida no reconhecimento das variações cambiais decorrentes de Bônus Perpétuos, que foram ofertados pelo contribuinte no mercado internacional no ano de 2006. Na narrativa do agente fiscal, podese depreender que, naquele ano 2006 visando a captação de recursos no mercado internacional, a Recorrente emitiu os denominados Bônus Perpétuos no valor de US$450.000.000,00, com juros de 8,25% ao ano e com pagamento trimestral em todos os dias 15 dos meses de fevereiro, maio, agosto e novembro, tendo como "agente pagador" o Banco JP Morgan, que foi posteriormente substituído na operação pelo Bank of NY Mellon. Neste sentido, no que tange à emissão dos Bônus Perpétuos, é elucidativo o trecho da Demonstração Financeira da Recorrente de 30/04/2006, que foi transcrito no TVF: Fl. 2907DF CARF MF Processo nº 16682.722774/201679 Acórdão n.º 1302003.162 S1C3T2 Fl. 2.907 3 “Bônus Perpétuos: Em 24 de janeiro e 10 de fevereiro de 2006, a Companhia emitiu Bônus Perpétuos no mercado internacional de acordo com os “Regulations S” e “Rule 144A” no montante de US$ 450.000 mil para investidores institucionais qualificados. Os Bônus Perpétuos estão listados na bolsa de Luxemburgo (Luxemburg Stock Exchange – EURO MTF) e estão sujeitos a juros de 8,25% ao ano, pagáveis trimestralmente nos meses de maio, agosto, novembro e fevereiro de cada ano, com o primeiro pagamento em 15 de maio de 2006. Esses bônus poderão, por opção da Companhia, ser resgatados a partir de 15 de fevereiro de 2011 em qualquer data de pagamento de juros, pelo valor de face. Os Bônus Perpétuos estão garantidos pela própria Companhia e pela Usina da Barra. A Companhia e suas controladas estão sujeitas a determinadas cláusulas restritivas, sendo a mais significativa a limitação de concessão de garantia sobre os seus ativos” No Termo de Verificação Fiscal, o agente autuante argumenta acerca da "variação cambial negativa" (queda do valor da moeda nacional), que decorreria em uma aumento da obrigação e, por consequência, o surgimento de uma despesa, e da "variação cambial positiva" que, ao contrário da primeira, apareceria com o aumento do valor da moeda nacional, com a redução da obrigação, fazendo surgir uma receita passível de tributação pelo IRPJ e pela CSLL. Restou esclarecido, ainda, a autorização da legislação em especial do artigo 30 da MP nº 1.858/99 para o diferimento do reconhecimento daquela variação cambial (seja positiva ou negativa), para quando "da liquidação da correspondente operação". Analisando as operações financeiras e societárias da Recorrente e verificando que, no início de 2011, havia uma expressiva variação cambial positiva, não realizada pelo contribuinte, a fiscalização entendeu que houve, em verdade, um "planejamento tributário" ilícito, para que aquele reconhecimento fosse realizado apenas em momento oportuno, ou seja, quando a variação cambial, geradora de receita tributável, fosse mais vantajosa ao contribuinte. Para chegar a esta conclusão, o agente fiscal analisa todo o rearranjo financeiro e societário da Recorrente, inclusive a criação de uma Joint Venture denominada RAÍZEN, no ano 2011, com a empresa Royal Dutch Shell, e a abertura de subsidiárias nas Ilhas Cayman, que culminou, dentre outras medidas, na recompra dos Bônus Perpétuos emitidos pela Recorrente. Aos olhos da fiscalização, "o conjunto de operações financeiras e societárias realizadas em 2011, envolvendo subsidiárias abertas nas Ilhas Cayman, teve como único objetivo a recompra das Notas Perpétuas, liquidando a obrigação registrada no Passivo de COSAN S/A." A fiscalização, assim, concluiu que, ao contrário do reconhecimento da variação cambial positiva feita pelo contribuinte nos dias 05/10/2011 e 28/12/2011, a data em que efetivamente ocorreu esta liquidação foi em 15/05/2011. Citase trecho do TVF neste sentido: Há que se considerar, contudo, que COSAN S/A utilizou recursos de novo empréstimo, a juros menores, para recomprar dívida Fl. 2908DF CARF MF 4 anterior (com juros maiores), liquidando a obrigação, para todos os efeitos, em 15/05/2011. Portanto, a quitação dos Bônus ocorreu, de fato, em 15/05/2011, sendo esta, igualmente, a data da realização da variação cambial acumulada. COSAN S/A utilizouse de subsidiárias estrangeiras para “mascarar” a liquidação deste Passivo, visando ao diferimento da realização (e tributação) da variação cambial positiva acumulada. Notese que, ao longo de todo o ano de 2011, houve uma relação de correspondência entre o valor principal dos Bônus Perpétuos e as posições acionárias (quantidades de ações) mantidas por COSAN S/A e CLE nas empresas das Ilhas Cayman. Todas as operações envolvendo a transferência dos Bônus para empresas nas Ilhas Cayman foram iniciadas e concluídas ao longo do ano de 2011, com o propósito de viabilizar a liquidação dos Bônus sem a imediata tributação da variação cambial positiva acumulada. As operações foram estruturadas de forma que o grupo Cosan pudesse escolher a situação cambial conveniente para a tributação. Assim, após citar a "legislação aplicável" ao caso, o agente fiscal conclui que: Restou amplamente demonstrado, no curso do presente procedimento fiscal, que o conjunto de operações efetuadas em 2011, envolvendo os Bônus Perpétuos e as empresas COSAN CAYMAN LTD. e COSAN CAYMAN II, configura verdadeiro planejamento tributário, com objetivo de travestir os ganhos cambiais já acumulados, decorrentes dos Bônus Perpétuos, em lucros de coligadas estrangeiras situadas em paraíso fiscal. Cabe lembrar que a roupagem de lucros auferidos no exterior viabilizou o diferimento da tributação: os ganhos não seriam tributados na aparente origem, um paraíso fiscal; e passariam a figurar, na contabilidade da fiscalizada, como resultados de equivalência patrimonial, excluídos do lucro real até o momento da baixa do “investimento” na coligada estrangeira, à conveniência da fiscalizada. Os Bônus foram efetivamente recomprados pela fiscalizada em 15/05/2011, sendo esta a data de sua quitação e, portanto, de efetiva realização da respectiva variação cambial acumulada. Além de entender pela indevida postergação do reconhecimento da variação cambial positiva, que resultou no recálculo do IRPJ e da CSLL devidos, o agente autuante também glosou as despesas incorridas com juros a partir da data que, nos termos da acusação fiscal, se deu a efetiva recompra dos bônus perpétuos: 15/05/2011. Ainda, houve a imputação de penalidade pelo "não recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa", uma vez que, como consta do TVF, "o cálculo das estimativas mensais da empresa tomou por base a variação do dólar até as supostas datas de 'quitação' dos bônus, em 05/10/2011 e 28/12/2011, datas em que considerou que os bônus foram quitados. Diante disso, as estimativas mensais devidas foram recalculadas considerando a variação cambial positiva integral até 05/2011, que conforme demonstrado no item anterior alcançou a monta de R$ 317.385.000,00, tendo sido excluídos os valores considerados pela empresa a partir de 10/2011". Fl. 2909DF CARF MF Processo nº 16682.722774/201679 Acórdão n.º 1302003.162 S1C3T2 Fl. 2.908 5 Por outro lado, como também consta do TVF, "os valores apurados pela Fiscalização foram compensados, de ofício, com saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL", sendo o contribuinte instado, no mesmo ato, "a retificar os registros de Prejuízos Fiscais e de Base Negativa de CSLL do ano calendário de 2011, ajustando o saldo a compensar em conformidade com o demonstrativo de apuração gerado" no Auto de Infração. Ao ser intimado do teor da autuação, o contribuinte apresentou extensa Impugnação administrativa, na qual rebate, na integralidade, os fundamentos lançados pelo agente autuante, sendo os pontos levantados no apelo assim sintetizados no acórdão recorrido, proferido pela DRJ de Belo Horizonte (MG), in verbis: Histórico da operação – Existência de propósito negocial 9. As operações societárias efetuadas foram decorrentes de uma decisão gerencial do grupo à qual pertence, que teve como fundamento econômico em uma expressiva vantagem financeira, e não tributária. Descreve a seguir, as operações efetuadas. Vício na fundamentação do Auto de Infração 10. A premissa apontada pelo fisco seria de que a impugnante teria postergado a liquidação de Bônus Perpétuos emitidos no exterior por meio de operações societárias. Não há dispositivo legal que permita ao fisco interferir na gestão dos negócios dos contribuintes. O agente fiscal incorreu em flagrante vício de fundamentação legal, fulminando os autos de infração de nulidade. Ilustra com passagens doutrinárias. Vício de Motivação do Auto de Infração 11. Além da ausência de fundamento legal para a desconsideração das operações societárias, o agente fiscal também não motivou a glosa das despesas com os juros calculados sobre os Bônus Perpétuos após maio/2011. Outra motivação para a nulidade dos lançamentos. Da nulidade do Lançamento Fiscal – Iliquidez e Incerteza do crédito tributário 12. O não cumprimento das formalidades essenciais aos atos de lançamento, tais como a liquidez e certeza do montante exigido tornaos nulos. Invoca o art. 142 do CTN e art. 10 d0 Decreto no 70.235, de 1972. Ilustra com passagem doutrinária e jurisprudência administrativa. Desconsideração dos valores pagos a título de Imposto de Renda sobre os lucros auferidos pela CAYMAN II. 13. No AC de 2011 foram oferecidos à tributação R$ 16.697.723,51 em lucros auferidos no exterior, dos quais R$ 11.269.382,20 correspondiam a lucros auferidos pela COSAN CAYMAN II, com os juros pagos pela impugnante em decorrência dos Bônus Perpétuos. 13.1 Ao glosar as despesas incorridas pela impugnante, o fisco esqueceuse de recompor a base de cálculo do IRPJ e CSLL para Fl. 2910DF CARF MF 6 excluir a tributação dos lucros que foram disponibilizados pela COSAN CAYMAN II, em decorrência do recebimento de tais juros pagos pela impugnante. Desconsideração do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa na apuração das estimativas 14. O impugnante alega que, ao calcular a multa isolada supostamente incidente sobre as estimativas mensais de IRPJ e CSLL, deixou de considerar o prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL acumulados de períodos anteriores, que levariam à redução do imposto mensal, se devido fosse. Apresenta planilha demonstrativa. Desconsideração das estimativas recolhidas em outubro e dezembro/2011. 15. O fisco equivocouse ao apurar o suposto crédito tributário referente a multa isolada de 50% uma vez que esqueceu de deduzir os valores que foram adicionados em outubro e dezembro de 2011, período em que ocorreu a efetiva liquidação dos bônus perpétuos. Do Direito Conceito de liquidação dos Bônus Perpétuos e sua inocorrência em maio de 2011 16. O fisco lavrou os autos de infração por entender que os Bônus Perpétuos, emitidos em 2006, teriam sido liquidados em maio/2011, quando transmitidos à COSAN CAYMAN LTDA, e não em outubro e dezembro/2011, quando efetivamente extintos por pagamento. Tal entendimento vai de encontro ao Código Civil. A seguir, tece diversas considerações acerca do assunto. Ilustra com passagem doutrinária. A contabilidade faz prova em favor da impugnante 17. A contabilidade faz prova em favor do contribuinte. A escrituração contábil da impugnante comprova que a liquidação dos Bônus Perpétuos não se deu em maio de 2011, nos termos do art. 276 do RIR, de 1999. Cita passagem doutrinária. Impossibilidade de ingerência do fisco na atividade do contribuinte – da opção legal 18. Não pode o fisco pretender adentrar à liberdade individual dos contribuintes, por não possuir poder de ingerência sobre os negócios particulares realizados na administração da sociedade empresária, como pretendeu o fisco, ao tentar antecipar a liquidação para a data que julgou conveniente. Cita doutrina acerca do assunto e jurisprudência administrativa. Ad Argumentandum – Necessidade, usualidade e normalidade das despesas com juros 19. A impugnante menciona que cumpre demonstrar a dedutibilidade das despesas com juros, nos termos do art. 299 do Decreto no 3000, de 1999. A seguir, tece extensa argumentação acerca do assunto, acrescentando que, independentemente do fisco concordar ou não com a reestruturação havida envolvendo Fl. 2911DF CARF MF Processo nº 16682.722774/201679 Acórdão n.º 1302003.162 S1C3T2 Fl. 2.909 7 os Bônus Perpétuos, é fato que a impugnante incorreu no pagamento dos juros previstos em contrato. Da impossibilidade da cobrança da multa isolada em razão da falta de recolhimento do IRPJ e CSLL por estimativa 20. A impugnante argumenta que a multa isolada aplicada pelo fisco somente pode ser exigida caso o fisco verifique a falta de recolhimento dos tributos, ou recolhimento insuficiente, com base em estimativas mensais, antes do término do ano base. Cita jurisprudência administrativa e Súmula 82 do CARF. Da impossibilidade de cumulação da multa isolada decorrente da insuficiência do recolhimento de estimativas com a multa de ofício – Duplicidade de cobrança 21. Não pode haver, sobre a mesma base de cálculo, a cumulação da multa isolada com qualquer outra penalidade. Cita doutrina e jurisprudência administrativa e judicial. Da impossibilidade de exigência da multa em caso de dúvida 22. Na hipótese da manutenção do lançamento pelo voto de qualidade, é razoável considerar que, no mínimo, há dúvida quanto à ocorrência da infração. Nesta hipótese, nos termos do art. 112 do CTN, requer a exclusão das multas exigidas. Das compensações e retificações indevidas de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL 23. Demonstrada a improcedência dos lançamentos, não há que se falar em retificação do saldo de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL. Da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa 24. Se mantido o lançamento, é certo que os juros calculados com base na taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal. Do Pedido 25. Por fim, requer o recebimento, o conhecimento e o provimento da impugnação, quer pelas preliminares, quer pelas questões de mérito, com o cancelamento integral dos autos de infração e o restabelecimento dos saldos de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL. Ao apreciar os argumentos lançados na Impugnação Administrativa, aquele colegiado deu parcial provimento ao apelo do contribuinte, tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2011 Ementa: NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das Fl. 2912DF CARF MF 8 disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. É incabível a alegação de cerceamento ao direito de defesa, quando as infrações apuradas estiverem identificadas e os elementos dos autos demonstrarem a que se refere a autuação, dandolhe suporte material suficiente para que o sujeito passivo possa conhecêlos e apresentar sua defesa sem empecilho de qualquer espécie. VARIAÇÕES MONETÁRIAS DE DIREITOS DE CRÉDITO E OBRIGAÇÕES. As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. À opção da pessoa jurídica, estas variações podem ser computadas segundo o regime de competência. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA MENSAL. BASE DE CÁLCULO. BALANCETES DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL. Na apuração da estimativa mensal, com base em balancetes de suspensão/redução, sobre a qual incide multa isolada, devem ser compensados, nos limites previstos em lei, os saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL apurados em períodos anteriores. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS A antecipação mensal do IRPJ e da CSLL é obrigatória e seu recolhimento não fica afastado seja em função de apuração de prejuízo, seja em função de apuração de tributo em valor menor que o total das estimativas não pagas. O não recolhimento ou recolhimento a menor do valor devido submetese à incidência da multa isolada prevista em lei. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Devidamente intimado, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual, em síntese, repisa os argumentos apresentados em sua Impugnação, acrescentando, contudo, mais uma preliminar, na qual requer o reconhecimento do impedimento dos conselheiros ligados à Receita Federal do Brasil para julgar os processos administrativos tributários e/ou a Fl. 2913DF CARF MF Processo nº 16682.722774/201679 Acórdão n.º 1302003.162 S1C3T2 Fl. 2.910 9 necessidade de suspensão do processo, em virtude da instituição do "bônus de eficiência" pela MP nº 765/16. Como houve exoneração de parte do crédito tributário, também foi apresentado Recurso de Ofício para análise deste colegiado. Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias DA TEMPESTIVIDADE Como se denota dos autos, a Recorrente teve ciência do teor do acórdão recorrido em 03/05/2017 (termo de fl. 2.715), apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 30/05/2017 (fl. 2.717), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, sem maiores delongas, é tempestivo o Recurso Voluntário, devendo ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, uma vez que cumpre os demais requisitos de admissibilidade. DAS PRELIMINARES DO BÔNUS DE EFICIÊNCIA INTRODUZIDO PELA MEDIDA PROVISÓRIA N° 765/16. Em sede preliminar, a Recorrente argumenta que, com a instituição, pelo artigo 5º da MP nº 765/16, do chamado "bônus de eficiência", os Conselheiros Representantes da Receita Federal do Brasil estariam impedidos de exercer o cargo junto a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, uma vez que estes "julgadores são diretamente interessados na manutenção das autuações, o que revelará a aludida 'produtividade' e impactará no aumento do pagamento do 'bônus'”. Desta feita, após tecer comentários acerca do referido bônus e da inconstitucionalidade daquela MP que o instituiu, em especial a violação ao princípio da imparcialidade, consagrado no artigo 37 da Constituição Federal de 1988, o Recorrente requer "a suspensão do julgamento administrativo nos presentes autos até que seja definitivamente julgada a (in)constitucionalidade deste Programa/Bônus". Não assiste razão à Recorrente. Primeiro, devese pontuar que as alegações de impedimento dos Conselheiros ligados à Receita Federal do Brasil, por terem, supostamente, interesse em manter as multas aplicadas, porque se beneficiariam de alguma forma com esta manutenção, não tem qualquer fundamento. Em verdade, o que o Recorrente faz, data venia, é presumir uma máfé dos julgadores, sem trazer qualquer elemento concreto para respaldar a sua afirmação. Não se pode admitir, neste ponto, uma presunção de máfé, sem que haja qualquer indicativo de condutas intencionadas e parciais dos julgadores. Fl. 2914DF CARF MF 10 Há que se ressaltar, ainda, que aquela MP foi convertida na Lei 13.464/2017 e, nesta conversão, a princípio, as "multas tributárias e aduaneiras" foram excluídas da base de cálculo do malfadado bônus de eficiência, o que por si já joga por terra toda a argumentação da Recorrente, quanto a (im)parcialidade dos julgadores do CARF vinculados à Receita Federal do Brasil. O Tribunal Regional Federal da 1ª Região, apreciando os mesmos argumentos ora analisados, em recurso submetido ao "Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas" (IRDR), entendeu que o mencionado Bônus não implica, de forma alguma, em parcialidade do julgador. Veja a ementa que recebeu o julgado proferido por aquele Tribunal Federal: PROCESSUAL CIVIL. INCIDENTE DE RESOLUÇÃO DE DEMANDAS REPETITIVAS (IRDR). BÔNUS DE EFICIÊNCIA E PRODUTIVIDADE NA ATIVIDADE TRIBUTÁRIA E ADUANEIRA. INEXISTÊNCIA DE SUSPEIÇÃO/ IMPEDIMENTO DE CONSELHEIROS/AUDITORES FISCAIS DO CARF. ALTERAÇÃO DA MEDIDA PROVISÓRIA 765/2016 PELA LEI 13.464/2017. 1. Ofende a dignidade humana presumir a máfé ou a desonestidade das pessoas, especialmente de agentes públicos no exercício de suas funções (Constituição, art. 1º/III). Daí que é incompreensível supor que, no julgamento de recursos no Carf, os auditores/conselheiros mantenham as "multas tributárias e aduaneiras incidentes sobre a receita de tributos" simplesmente movidos pelo sentimento ou interesse de não ver reduzido seu "bônus de eficiência". 2. O Decreto 70.235/1972 (com força de lei), que dispõe sobre o "processo administrativo fiscal" e a Lei 9.784/1999, sobre o "processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal", não preveem a suspeição ou impedimento de auditores/conselheiros por esse motivo. 3. As hipóteses de impedimento/suspeição de membros do Carf, portanto, são somente aquelas previstas no seu Regimento Interno aprovado pela Portaria MF 152/2016. O impedimento de que trata o art. 42/II do Regimento Interno do Carf não se aplica aos conselheiros/auditoresfiscais, senão apenas aos membros representantes dos contribuintes. 4. Na conversão da MP 765/2016 na Lei 13.464 de 20.07.2017, as "multas tributárias e aduaneiras" foram excluídas da base de cálculo do bônus de eficiência. Não mais existe o suposto impedimento/suspeição de auditoresfiscais da Receita Federal de participar do CARF. Todavia, como essa medida provisória tem força de lei e produziu efeitos imediatos após sua publicação (30.12.2016), impõese julgar o incidente relativamente às decisões controvertidas proferidas até quando essa medida foi convertida na Lei 13.464 de 10.07.2017. Tese firmada 5. "Durante a vigência da Medida Provisória 765 de 29.12.2016, não havia impedimento nem suspeição de auditoresfiscais participar de julgamentos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais/Carf, recebendo o bônus de eficiência instituído por essa medida. Com o advento da Lei 13.464 de Fl. 2915DF CARF MF Processo nº 16682.722774/201679 Acórdão n.º 1302003.162 S1C3T2 Fl. 2.911 11 10.07.2017 ficou prejudicada essa discussão".A Seção, por unanimidade, firmou a seguinte tese: "Durante a vigência da Medida Provisória 765 de 29.12.2016, não havia impedimento nem suspeição de auditoresfiscais participar de julgamentos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais/Carf, recebendo o bônus de eficiência instituído por essa medida. Com o advento da Lei 13.464 de 10.07.2017 ficou prejudicada essa discussão". (IRDR 000808781.2017.4.01.0000, DESEMBARGADOR FEDERAL NOVÉLY VILANOVA, TRF1 QUARTA SEÇÃO, e DJF1 DATA:24/10/2017 PAGINA:.) (destacouse) Em que pese a decisão tomada em sede de IRDR pelos Tribunais não ser de cumprimento obrigatório por este Colegiado, uma vez que este dispositivo processual não está elencado expressamente no artigo 62, do Anexo II do RICARF, não se pode deixar de reconhecer a implicação desse incidente no âmbito processual brasileiro. É que, como se observa da leitura do artigo 985 do Código de Processo Civil, a tese jurídica firmada em sede de IRDR se aplica a todos os casos, inclusive futuros, que tramitem na área de atuação do respectivo Tribunal. Vejase o que dispõe no NCPC: Art. 985. Julgado o incidente, a tese jurídica será aplicada: I a todos os processos individuais ou coletivos que versem sobre idêntica questão de direito e que tramitem na área de jurisdição do respectivo tribunal, inclusive àqueles que tramitem nos juizados especiais do respectivo Estado ou região; II aos casos futuros que versem idêntica questão de direito e que venham a tramitar no território de competência do tribunal, salvo revisão na forma do art. 986. § 1o Não observada a tese adotada no incidente, caberá reclamação. Não se pode olvidar que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com sede no Distrito Federal, está dentro da jurisdição do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Assim, qualquer demanda que envolva a suposta parcialidade dos conselheiros, tendo como argumento o Bônus de Eficiência, será examinada por aquele Tribunal que, como mencionado, já se manifestou definitivamente sobre a questão. Por fm, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já editou Portaria indicando de forma precisa e insofismável as hipóteses que podem levar ao impedimento dos Conselheiros vinculados à Receita Federal do Brasil. Estas hipóteses estão elencadas no artigo 2º da Portaria CARF nº 01, de 18 de janeiro de 2017, quais sejam: Art. 2º Há impedimento do conselheiro da representação da Fazenda Nacional: I na hipótese em que tenha atuado como autoridade lançadora, ou praticado ato decisório monocrático, nos termos do inciso I do art. 42 do Anexo II do RICARF; Fl. 2916DF CARF MF 12 II quando o interesse for presumido pelo vínculo de parentesco ou de afinidade, nos termos do inciso III do mesmo artigo; e III na qualidade de relator, quando tiver atuado na condição de relator ou redator em decisão anterior. Por outro lado, não se pode deixar de ressaltar que não há, s.m.j., no Regimento Interno do CARF e muito menos na legislação que rege o processo administrativo tributário federal, qualquer dispositivo que imponha o sobrestamento do julgado, "até que seja definitivamente julgada a (in)constitucionalidade" da legislação que impôs o pagamento do mencionado bônus, como requereu a Recorrente. Assim, neste ponto, REJEITASE a preliminar, em que o Recorrente invoca o impedimento dos Conselheiros ligados à Receita Federal do Brasil e INDEFERESE o pedido de sobrestamento, por ausência de previsão legal. DO VÍCIO DE FUNDAMENTAÇÃO E DE MOTIVAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Em duas outras preliminares arguidas pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, alegase, basicamente, suposto vício na fundamentação e na motivação do Auto de Infração, que, aos olhos do contribuinte, ensejaria a nulidade do lançamento. Em sua longa argumentação neste ponto, a Recorrente afirma que "no presente caso, o Sr. Agente Fiscal não fundamentou o lançamento fiscal" e, por isso, concluiu "que o ato administrativo do lançamento em questão (autos de infração) é inválido e ilegal." O entendimento da Recorrente, que se confunde, em última análise, com o mérito da discussão, é de que o agente fiscal não poderia "interferir na gestão dos negócios dos contribuintes" e, com base nesta interferência, apurar "a variação cambial a ser oferecida à tributação pela Recorrente, com base na taxa de câmbio do mês de maio de 2011", sem legislação prévia que desse essa possibilidade ao agente fiscal no exercício das suas funções. No que tange à suposta falta de motivação, a Recorrente alega que "tendo sido evidenciada a ausência de motivação da glosa das despesas com juros, resta nítida a nulidade do lançamento fiscal." Argumenta, neste sentido, que o agente fiscal não motivou de forma clara as razões pelas quais glosou as despesas incorridas. Contudo, entendese que não assiste razão à Recorrente, quanto ao que foi argumentado nas duas preliminares. Explicase. Nos termos dos artigos 142 e 149 do Código Tributário Nacional, é de competência da autoridade administrativa a constituição do crédito tributário, podendo revisar, de ofício, as declarações prestadas pelo contribuinte ou terceiro. Não está, a fiscalização, vinculada ao que o contribuinte declara como sendo o fato imponível do tributo. No presente caso, a fiscalização, identificando operações financeiras e societárias realizadas pelo contribuinte com o suposto objetivo de retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária (procedimento que será analisado em seguida), fez o lançamento de ofício do crédito tributário que entendeu devido, de acordo com a bem construída fundamentação constante no Termo de Verificação Fiscal. Não há vícios de fundamentação e/ou de motivação no Auto de Infração a ensejar a sua nulidade, como pretende a Recorrente. Neste sentido, são precisas as colocações do acórdão Recorrido. Vejase: Fl. 2917DF CARF MF Processo nº 16682.722774/201679 Acórdão n.º 1302003.162 S1C3T2 Fl. 2.912 13 31. Quanto à fundamentação legal, constatase que os Autos de Infração às fls. 2251 a 2271 contêm, expressamente o enquadramento legal para o lançamento; por sua vez, o TVF (Termo de Verificação Fiscal) detalha, minuciosamente, a motivação para os lançamentos. 32. Neste contexto, acerca da nulidade invocada pelo impugnante, o artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal, assim prescreve: “Art. 59 – São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ” 32.1. No presente caso, não se vislumbra qualquer óbice que determine a precariedade do ato realizado pelo Fisco, uma vez que efetuado nos moldes estabelecidos pela legislação afeta ao procedimento. Constatase que os Autos de Infração combatidos foram prolatados por autoridade administrativa plenamente vinculada, respeitando os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação, e com a correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, portanto, norteados dentro do Princípio da Legalidade. 32.2. Por outro lado, constatase ainda que a motivação para os lançamentos foi perfeitamente identificada pela autoridade competente no Auto de Infração e no Relatório Fiscal anexados ao processo; por sua vez, a argumentação desenvolvida pelo interessado na peça impugnatória permite concluir que esta motivação foi compreendida, tanto que contestada. 33. Enfim, a argumentação acerca da nulidade apresentada pelo impugnante não tem razão de ser: o ato em questão não resultou em cerceamento do direito de defesa do interessado, uma vez que o mesmo tomou ciência do procedimento, da sua motivação e da capitulação legal correspondente. Prova inequívoca de que inocorre o cerceamento do direito de defesa é que o ato foi impugnado e a impugnação está sendo examinada por essa autoridade julgadora. Ressaltese ainda que, se as razões apresentadas pelo impugnante forem procedentes, a solução para o litígio será a exoneração do crédito tributário parcial ou total e não a sua nulidade. Há de se ressaltar, ainda, que tanto no TVF, como no Auto de Infração, o agente fiscal indicou de forma precisa os dispositivos legais supostamente infringidos e os motivos que levaram à conclusão de que houve cometimento de ilícito por parte do contribuinte. E foi inclusive com base nestes dispositivos e fundamentos, na tentativa de desconstruir as ilações da fiscalização, que a Recorrente elaborou toda a sua tese defesa. Não houve qualquer prejuízo aos princípios do contraditório e da ampla defesa, princípios estes que norteiam todo o processo administrativo. Fl. 2918DF CARF MF 14 Portanto, REJEITASE as preliminares de nulidade do lançamento, por supostos vícios de fundamentação e/ou motivação da autuação ora em análise DA NULIDADE DO LANÇAMENTO POR AFRONTA AO ARTIGO 142 DO CTN. Em outra preliminar levantada no Recurso Voluntário, o Recorrente alega a nulidade da autuação, com base no artigo 142 do Código Tributário Nacional. Neste ponto, a Recorrente aduz que "o não cumprimento das formalidades essenciais (intrínsecas) aos atos de lançamento, tais como a liquidez e certeza do montante exigido, tornaos nulos, uma vez que, por força da Lei, compete à autoridade administrativa aferir, precisamente e com base em provas irrefutáveis, a base de cálculo do crédito tributário.". Pois bem. No que se refere à falta de liquidez e certeza do crédito tributário, entendese que não há nulidade no Auto de Infração a ensejar o seu cancelamento. O crédito foi devidamente constituído e quantificado, em que pese a Recorrente não concordar com as ilações da fiscalização. Por outro lado, eventual erro da fiscalização no cálculo dos tributos e respectivas penalidades poderá ser ajustado no âmbito do processo administrativo, como, inclusive, já o fez a DRJ, que, acatando em parte a Impugnação do contribuinte, recalculou os valores das multas isoladas de IRPJ e CSLL indicadas no Auto de Infração. E mais: ainda há possibilidade de o contribuinte, não vendo reconhecidos os seus pedidos em âmbito administrativo, de ingressar com ação própria junto ao Poder Judiciário, que poderá corrigir eventuais erros do Auto de Infração, no que tange à quantificação do crédito tributário. Devese pontuar ainda, data maxima venia, que os supostos erros apontados pela Recorrente "Desconsideração dos valores pagos a título de imposto de renda sobre lucros auferidos pela Cayman II" e "Desconsideração das estimativas recolhidas em outubro e dezembro de 2011 no cálculo das multas isoladas de maio de 2011" acabam por se confundir com o mérito e serão analisados a seguir. Por tudo aqui exposto, também REJEITASE a preliminar de nulidade do lançamento com base no artigo 142 do CTN arguida pela Recorrente. DO MÉRITO DA DELIMITAÇÃO DO TEMA E DA FIXAÇÃO DE PREMISSAS Como se denota do relato acima, a acusação fiscal está arrimada, basicamente, no fato de que as operações financeiras e societárias da Recorrente, junto com suas subsidiárias com domicílio no exterior, teriam sido realizadas com o único objetivo de retardar (diferir) o reconhecimento da variação cambial positiva nas obrigações decorrentes dos Bônus Perpétuos lançados no mercado internacional. Pois bem. Primeiramente, antes de se analisar os fatos e documentos acostados aos autos, entendese como necessário a fixação de algumas premissas que serão indispensáveis ao deslinde da presente controvérsia. Fl. 2919DF CARF MF Processo nº 16682.722774/201679 Acórdão n.º 1302003.162 S1C3T2 Fl. 2.913 15 É que, em última análise, a discussão travada entre o contribuinte e o fisco federal perpassa nos limites impostos pela legislação para a realização de negócios comerciais, financeiros, societários, que acabam por reduzir a carga tributária das entidades envolvidas. De pronto, como não poderia deixar de ser, a presente análise se inicia do texto da Constituição Federal de 1988, que tem diversos dispositivos que dão ao cidadão plena liberdade para realizar os seus negócios, desde que sua atuação não seja contrária ao que dispõem os textos legais, ou seja, desde que não haja nenhuma ilicitude nas ações praticadas. O artigo 1º, inciso IV da CF/88 é claro no sentido de que a livre iniciativa é um dos fundamentos da República Federativa do Brasil: Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constituise em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: (...) IV os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; Já o artigo 5º, inciso II da CF/88 é cristalino, no sentido de que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algo, senão em virtude de lei. Vejase: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; Por outro lado, o constituinte de 1988 foi muito claro, como se depreende da redação do caput do artigo 170, ao afirmar que a ordem econômica será fundada, dentre outros princípios, na livre iniciativa. Vejase a redação do mencionado dispositivo: Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: (...) Assim, não é por outro motivo que o Paulo Ayres Barreto leciona pela liberdade dos contribuintes em gerirem seus negócios, desde que atuem de forma lícita. Eis seus ensinamentos: "(...)Salientese que a livreiniciativa consubstancia princípio cujo sentido é amplo, alcançando a liberdade de empresa, de investimento, de organização e de contratação. No âmbito Tributário, o contribuinte tem o direito subjetivo de gerir suas atividades e negócios, buscando a menor onerosidade tributária, desde que atue de forma lícita. Fl. 2920DF CARF MF 16 Como ensina Aires Barreto, pode o contribuinte atuar dentro de um amplo espectro de alternativas igualmente lícitas, sopesandolhes as vantagens e desvantagens, avaliando os ganhos e perdas que decorrerão de cada qual e, afinal, adotando aquela que mais vantagens ou ganhos lhe possam proporcionar, inclusive no que respeita à carga tributária que deverá surportar. Nesse passo, somente lhe é defeso 'enveredar por trilhas que constituam ilicitude, que envolvam simulação ou fraude'. Logo, desde que se mova por 'comportamentos lícitos, não proibidos, sua atuação constituirá elisão fiscal, perfeitamente admitida, sem risco de ser confundida com a evasão fiscal essa vedada pelo direito'. Em síntese, os contribuintes têm o direito, constitucionalmente assegurado, de estruturarem sues negócios livremente. Tratase de garantia que não pode ser suprimida, nem mesmo por intermédio de emenda constitucional, por força do que dispõe o art. 60, § 4º, IV, da Magna Carta. " (BARRETO, Paulo Ayres. Planejamento tributário: limites normativos. 1ª ed. São Paulo: Noeses, 2016. págs. 103 e 104) Ademais, em que pese não ser o objetivo, neste momento, de se fazer uma reconstrução histórica da legislação pátria, no que tange às tentativas de se limitar a atuação dos contribuintes (se é que estes limites realmente existem ou podem existir), quando da realização de negócios, de alguma forma, tem como consequência a redução da carga tributária, não se pode desprezar a redação do parágrafo único do artigo 116 do CTN, que foi introduzido pela Lei Complementar 104/2001, da seguinte forma: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (destacouse) Pela redação do artigo, não há dúvidas de que, mesmo não havendo sido editada a lei ordinária a que faz menção do citado parágrafo, uma vez caracterizada a ocorrência de atos ou negócios dissimulados, estes poderão ser desconsiderados pelo agente fiscal. Contudo, como boa parte da doutrina admite, este dispositivo seria dispensável, uma vez que, dentro do ordenamento jurídico pátrio, já existem outros textos legais que autorizam a desconsideração (anulação) de atos ou negócios jurídicos realizados com dissimulação. Mas, o mais importante é que não existe nenhum texto legal que proíba a Fl. 2921DF CARF MF Processo nº 16682.722774/201679 Acórdão n.º 1302003.162 S1C3T2 Fl. 2.914 17 realização de negócios com a intenção de redução de tributos. Neste ponto, se vale, mais uma vez, dos ensinamentos de Paulo Ayres Barreto: "Com efeito, não há enunciado prescritivo que proíba, direta ou indiretamente, a estruturação, por meios lícitos, de operação tributária com o único propósito de reduzir ou mesmo não pagar tributos. Não há regra específica que vede tal procedimento, mas figuras como a simulação e a fraude são aptas a demonstrar que a busca pela economia tributária não pode ultrapassar os limites normativos, como bem demonstra o mencionado art. 149 do CTN, em seus incisos V, VI e VII." (BARRETO, Paulo Ayres. Planejamento tributário: limites normativos. 1ª ed. São Paulo: Noeses, 2016. págs. 219) (destacouse) Desta feita, podese chegar à primeira premissa: o propósito negocial, para fins de aferição da legalidade ou não de eventual planejamento tributário, não é um requisito essencial. E mais: não se pode perder de vista que o administrador/sócio de qualquer entidade tem como dever a busca de eficiência em todos os aspectos, inclusive os econômicos, que podem ser tributários, ainda mais nos dias atuais, em que a carga tributária é extremamente relevante no dia a dia das empresas. Não se pode dar ao aplicador da lei (in casu, o agente autuante) a possibilidade de questionar o intento negocial das empresas nos chamados planejamentos tributários, uma vez que este pode se dar por diversos motivos, inclusive com o fito de reduzir a carga tributária. O que se pode, devese ressaltar, é a verificação da legalidade das operações e a prática ou não de condutas dissimuladas ou fraudulentas. Não mais do que isso. Assim, a princípio, entendese como dispensável a análise dos argumentos da Recorrente que, em um esforço argumentativo, tenta demonstrar que, nas operações realizadas, houve propósito negocial, em especial quando demonstra a criação Da Joint Venture com a empresa Shell e a "troca" da dívida dos Bônus Perpétuos, por uma menos onerosa à entidade. Sabese que parte da doutrina e da jurisprudência, em especial a administrativa, têm dado outros contornos ao tema, arrimados na importação de doutrina estrangeira trazida ao Brasil. Vários julgados deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais buscam o propósito negocial dos contribuintes (que não seja apenas a redução de tributos), para validar planejamentos tributários. Entretanto, temse a convicção de que, sendo a eficiência econômica um princípio que deve ser perseguido por qualquer gestor e sendo a carga tributária extremamente relevante no dia a dia das empresas, não se pode afastar a possibilidade (e/ou facultatividade) de haver rearranjos societários, econômicos e/ou financeiros com o intuito de reduzir o pagamento de tributos. Contudo, não se pode permitir que, na busca desta eficiência econômica, sejam praticados atos simulados, fraudulentos, em contrariedade com a lei, principalmente quando praticados entre partes relacionadas, pertencentes ao mesmo grupo econômico. No que tange à simulação, o Código Civil, independentemente da redação do parágrafo único do artigo 116 do CTN, preceitua que é nulo o negócio jurídico simulado. Veja se a redação do artigo 167 do CC: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. Fl. 2922DF CARF MF 18 § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. § 2o Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. A doutrina civilista entende que a simulação pode ser absoluta ou relativa. O saudoso Caio Mário da Silva Pereira é cirúrgico ao conceituar o instituto. Confirase: "Pode a simulação ser absoluta ou relativa. Será absoluta quando o ato encerra confissão, declaração, condição ou cláusula não verdadeira, realizandose para não ter eficácia nenhuma. Dizse aqui absoluta, porque há uma declaração de vontade que se destina a não produzir resultado. (...) A simulação se diz relativa, também chamada dissimulação, quando o ato tem por objeto encobrir outro de natureza diversa (e.g. uma compra e venda para dissimular uma doação), ou quando aparenta conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas das a quem realmente se conferem ou transmitem (e.g. a venda realizada a um terceiro para que este transmita a coisa a um descendente do alienante, a quem este, na verdade, tencionava desde logo transferila). E é relativa em tais hipóteses, porque à declaração de vontade deve seguirse um resultado, efetivamente querido pelo agente, porém diferente do que é o resultado normal do negócio jurídico. O agente faz a emissão de vontade, e quer que produza efeitos; mas é uma declaração enganosa, porque a consequência jurídica em mira é diversa daquela que seria a regularmente consequente ao ato.(...)" (PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. Volume 1. Rio de Janeiro, Forense, 2001. pág. 339) (destacouse) Portanto, na simulação relativa ou dissimulação, dois negócios existem: o aparente (o simulado) e o oculto (o dissimulado), sendo este o que as partes efetivamente desejavam realizar. Ainda, na dissimulação, nem tudo é fictício, tendo em vista que o seu objetivo é justamente ocultar a verdadeira natureza do ato praticado. Existe licitude, mas esta não representa o real negócio praticado. Fabiana Del Padre Tomé assim leciona: "Para que haja simulação, é necessário (i) divergência entre a real vontade das partes e o negócio por ela declarados e (ii) intenção de lograr o Fisco. Esses são, por conseguinte, pressupostos indeclináveis da desconsideração das operações jurídicas praticadas pelos contribuintes, devendo estar demonstrado por meio de provas constituídas pela Administração (...)". (TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no Direito Tributário. São Paulo: Noeses, 2008. Pág. 312). Fl. 2923DF CARF MF Processo nº 16682.722774/201679 Acórdão n.º 1302003.162 S1C3T2 Fl. 2.915 19 Desta feita, chegase à segunda premissa necessária para a análise do presente caso: a fiscalização, caso demonstre (prove) que houve dissimulação nos negócios jurídicos praticados, poderá desconsiderálos e, com esta desconsideração, imputar obrigações tributárias de acordo com a realidade da operação praticada. Todavia, não se pode perder de vista que, como ensina Caio Mário da Silva Pereira, "a prova da simulação nem sempre se poderá fazer diretamente; ao revés, frequentemente tem o juiz de se valer de indícios e presunções, para chegar à convicção de sua existência.". (PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. Volume 1. Rio de Janeiro, Forense, 2001. pág. 341) Ou seja, cabe a fiscalização comprovar, mesmo que com indícios e presunções, a prática de atos simulados, descaracterizandose assim o negócio, para que possa, ao final, constituir créditos tributários de acordo com o real negócio realizado. Ao comentar o disposto no artigo 167 do Código Civil, Paulo Ayres Barreto chega a esta mesma conclusão. Confirase: "Consoante a dicção legal, a simulação pode decorrer (i) da interposição de pessoa(s); (ii) da ocultação da verdade; e (iii) da oposição de data falsa. Por se tratar de hipótese de nulidade, prescreve o art. 168 do CC que a ocorrência de simulação pode ser alegada por qualquer parte interessada ou pelo Ministério Público, quando lhe couber investir. Nessa perspectiva, as Fazendas Públicas, prejudicadas por força da verificação de ato ou negócio simulado, têm legitimidade para pleitear o reconhecimento judicial da simulação perpetrada. " BARRETO, Paulo Ayres. Planejamento tributário: limites normativos. 1ª ed. São Paulo: Noeses, 2016. págs. 143) Assim, fixadas as seguintes premissas: (i) o propósito negocial, para fins de aferição da legalidade ou não de eventual planejamento tributário, não é um requisito essencial e (ii) a fiscalização, caso demonstre que houve dissimulação nos atos praticados, poderá desconsiderálos e, com esta desconsideração, imputar obrigações tributárias de acordo com o real negócio praticado entre as partes, passase a analisar as imputações da fiscalização, os argumentos apresentados pela Recorrente e as provas carreadas aos autos. DAS OPERAÇÕES FINANCEIRAS E SOCIETÁRIAS PRATICADAS PELA RECORRENTE. Como relatado acima, ao proceder a fiscalização da Recorrente, em especial no que tange às operações societárias e financeiras realizadas no ano de 2011, o agente fiscal concluiu que os procedimentos adotados foram com o intuito de retardar o reconhecimento da variação cambial positiva, para que "o grupo Cosan pudesse escolher a situação cambial conveniente para a tributação". Primeiramente, é importante pontuar que o artigo 30 da MP 1.858/99 é claro ao dizer que, a partir de 01/01/2000, as variações monetárias, em função da taxa de câmbio, só serão consideradas quando da liquidação da correspondente operação. Não há dúvidas na interpretação do dispositivo. Vejase: Art. 30. A partir de 1o de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, Fl. 2924DF CARF MF 20 para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. (destacouse) Assim, no presente caso, há que se verificar, dentro das ilações da fiscalização, dos argumentos apresentados pela Recorrente e dos documentos carreados aos autos, quando houve, de fato, a liquidação dos Bônus Perpétuos, ou seja, qual era o momento correto para o reconhecimento da variação cambial positiva, uma vez que a fiscalização entende que a liquidação se deu em 15/05/2011 e a Recorrente entende que houve dois momentos para esta liquidação: 05/10/2011 e 28/12/2011. E, ainda, nos termos das premissas fixadas acima, há que se perquirir se, dentro das operações realizadas pelo contribuinte, houve alguma dissumulação, com o intuito de dar aparente legalidade a um ato viciado, cometido à margem do que determina a legislação, quando se poderá concluir se a acusação fiscal se sustenta ou não. Pois bem. Partindo do início, como já relatado alhures, em 2006, a Recorrente emitiu Bônus Perpétuos perante o mercado internacional, no valor de US$450.000.000,00, com juros previamente fixados em 8,25% ao ano. Assim, se obrigou, junto aos investidores estrangeiros, a pagar a remuneração pelo capital investido trimestralmente, no dia 15 de cada mês (fevereiro, maio, agosto e novembro). A garantia dos bônus se deu através da Usina da Barra S.A. – Açúcar e Álcool e da FBA – Franco Brasileira S.A. Açúcar e Álcool . Como consta do TVF, "os Bônus Perpétuos representavam um Passivo para COSAN S/A, que seria carregado até os eventos de 2011". E no início deste ano, como bem pontuado pelo agente fiscal, aqueles Bônus acumulavam "valor expressivo de variação cambial positiva diferida, ou seja, ainda não realizada (e não tributada)". As demonstrações financeiras da Recorrente apontavam, em 31/03/2011, o valor de R$741.553.000,00 da dívida do Bônus Perpétuo, ante os R$960.577.000,00 apontados nas demonstrações de 30/04/2006. Contudo, com a concretização da constituição de uma Joint Venture (Raízen) com a empresa Shell (*o início das tratativas entre as empresas se deu em 01/02/2010, com a assinatura de um memorando de entendimento, sendo definitivamente firmado o acordo em 01/06/2011), a Recorrente Cosan S/A, se viu obrigada a repensar a sua posição financeira, já que os juros previamente contratados, quando da emissão dos Bônus Perpétuos, eram extremamente elevados e, a princípio, não valia a pena contribuir com essa dívida no capital social da Raízen. Por outro lado, as garantidoras dos Bônus Perpétuos Usina da Barra S.A. – Açúcar e Álcool e FBA – Franco Brasileira S.A. Açúcar e Álcool também seriam contribuídas na constituição da Joint Venture e, por isso, haveria uma necessidade de recompra daqueles Bônus. Devese ressaltar, neste ponto, que não se pode desprezar a criação da Joint Venture e as obrigações assumidas pela Recorrente perante terceiros. Obrigações estas que, de alguma forma, refletiriam na obrigação anteriormente assumida, quando da emissão dos Bônus Perpétuos. Fl. 2925DF CARF MF Processo nº 16682.722774/201679 Acórdão n.º 1302003.162 S1C3T2 Fl. 2.916 21 E mais: não se pode perder de vista que uma Joint Venture, nos termos da definição encontrada no "Dicionário Financeiro" (disponível em https://www.dicionariofinanceiro.com/jointventure/), "é um acordo entre duas ou mais empresas que estabelece alianças estratégicas por um objetivo comercial comum, por tempo determinado. As companhias concordam em unir seus recursos para o desenvolvimento de um negócio conjunto e dividem os resultados, sejam eles lucros ou prejuízos". Assim, como parte da estratégia para o reposicionamento financeiro da Recorrente, tendo em vista, em especial, as novas obrigações assumidas na Joint Venture criada com a empresa Shell, a Cosan, através da sua subsidiária integral CLE, criou duas empresas no exterior: Cosan Cayman Ltd. e Cosan Cayman II. A primeira delas Cosan Cayman Ltd., como consta do próprio TVF, contratou um empréstimos no valor de US$450.000.000,00, com juros de libor + 2,15% ao ano, juros estes, como declarado pelo próprio contribuinte, menores dos que pactuados, quando da emissão dos Bônus Perpétuos. O referido empréstimo teve como garantidora a empresa Cosan S/A, ora Recorrente. Ainda, como consta daquele TVF, verificouse, da análise do contrato de empréstimo firmado, o seguinte: (...) ,cópia do contrato de empréstimo, tomado por COSAN CAYMAN LTD. O próprio contrato afirma que os recursos obtidos deveriam ser transferidos de COSAN CAYMAN LTD. para COSAN S/A via outro empréstimo, intercompanhias. À evidência, os mesmos recursos retornaram para COSAN CAYMAN LTD., via integralização de capital, e esta utilizouos para a recompra dos Bônus Perpétuos. Como se verifica, os valores decorrentes do empréstimo tomado pela empresa Cosan Cayman Ltd., após serem transferidos para Cosan S/A, retornaram à empresa Cosan Cayman Ltd., que os utilizou para recompra dos Bônus Perpétuos perante o mercado, sem, ainda, liquidálos. Pelo que se denota do TVF, a recompra dos Bônus Perpétuos foi amplamente divulgada, sendo que, no comunicado emitido ao mercado em 02/05/2011, a entidade deixou claro que "em virtude do sucesso no resultado do Consentimento, os Bônus Perpétuos 8,25% serão adquiridos na sua totalidade pela subsidiária da Cosan em 15 de maio de 2011, não sendo cancelados na data de resgate ("Call Date")" (destacouse). Já no outro comunicado, emitido em 17/05/2011, após informar o sucesso da operação financeira, a Cosan explicitou para o mercado que "esta operação reflete a gestão ativa do endividamento da Companhia, resultando numa economia de aproximadamente US$25 milhões ao ano em despesas com juros para a Raízen." Prosseguindo nas operações financeiras e societárias praticadas ao longo daquele ano, "em 27/05/2011 COSAN CAYMAN LTD. transferiu os Bônus para COSAN CAYMAN II, via integralização de capital. Na mesma data, foi alterado o Contrato de Custódia dos Bônus, substituindo COSAN CAYMAN LTD. (ExCliente) por COSAN CAYMAN II (Nova Cliente). (...) Desta forma, os Bônus no Passivo de COSAN S/A passaram a ser um Ativo de sua subsidiária COSAN CAYMAN II". É que consta do TVF. Fl. 2926DF CARF MF 22 Vejase que, até este momento, em que pese as alegações em contrário da fiscalização, os Bônus Perpétuos ainda não haviam sido liquidados e, por isso, não havia, ainda, necessidade de reconhecimento da variação cambial (positiva ou negativa). Posteriormente, ainda dentro do ano de 2011, como consta do TVF, a empresa "COSAN CAYMAN LTD. transferiu as ações que detinha, no capital COSAN CAYMAN II, para COSAN S/A e CLE". Assim, a Recorrente, seja direta ou indiretamente (através da CLE) detinha 100% da participação societária da empresa COSAN CAYMAN II, que, por sua vez, era ainda detentora dos Bônus Perpétuos. Ainda, como consta do Termo de Verificação Fiscal: Em 05/10/2011, operouse o cancelamento das 231 milhões de ações de COSAN CAYMAN II detidas por COSAN S/A. Simultaneamente, COSAN S/A e COSAN CAYMAN II assinam ordem dirigida ao BANK OF NY MELLON, para o cancelamento de USD 231 milhões no valor principal dos Bônus Perpétuos. Naquele ponto, CLE passou a deter 100% de COSAN CAYMAN II, mantendo a mesma quantidade de 219 milhões de ações: (...) Em 28/12/2011, COSAN S/A comprou todas as ações de COSAN CAYMAN II detidas por CLE: 219 milhões de ações, pelo valor de R$ 409.142.415,63, conforme contrato particular fornecido à Fiscalização. O pagamento pelas ações foi de duas formas: a) R$ 368.829.414,06 na forma de dividendos; e b) R$ 40.313.001,57 mediante depósito em conta bancária. Paralelamente, COSAN CAYMAN II reduziu seu capital no mesmo valor de R$ 409.142.415,63: E foram nestas datas 05/10/2011 e 28/12/2011 que a Recorrente considerou como efetivamente liquidados os Bônus Perpétuos, como o próprio Termo de Verificação Fiscal constatou. Vejase: A empresa considerou que os bônus foram “quitados” nas datas de 05/10/2011 e 28/12/2011. Em 05/10/2011 teria sido quitada parcela de USD 231 milhões do valor principal da dívida, e em 28/12/2011 o valor principal restante de USD 219 milhões. Nos dois casos, o valor do dólar na data de quitação era inferior à taxa inicial do diferimento; em consequência, a empresa apurou variação cambial acumulada, supostamente realizada em 05/10/2011 e 28/12/2011, de R$ 216.147.000,00. Segundo a empresa, este valor foi incluído na adição efetuada na Ficha 09 A, linha 13 (variações cambiais ativas – oper liquidadas). Portanto, o procedimento adotado pela fiscalizada, no que tange aos Bônus Perpétuos, teve como único efeito fiscal a adição ao lucro real de R$ 216.147.000,00. Feito todo esse arrazoado, voltase ao questionamento inicial: a liquidação das obrigações dos Bônus Perpétuos se deu quando a Recorrente resgatou esses títulos no mercado (15/05/2011) ou quando efetivamente os liquidou perante a instituição financeira custodiante? Fl. 2927DF CARF MF Processo nº 16682.722774/201679 Acórdão n.º 1302003.162 S1C3T2 Fl. 2.917 23 A fiscalização, como mencionado, entendeu, em síntese, que os Bônus Perpétuos foram de fato liquidados no dia 15/05/2011, porque, nesta data, teria ocorrido recompra daqueles Bônus no mercado, mesmo afirmando ao longo do TVF que a "COSAN S/A utilizouse de subsidiárias estrangeiras para efetuar a liquidação deste Passivo, buscando o benefício do diferimento da realização (e tributação) da variação cambial positiva acumulada". Ou seja, a própria fiscalização afirma que, após o resgate dos Bônus Perpétuos, a Recorrente continuava com a obrigação, mas desta vez em nome de suas subsidiárias integrais. Ainda, de acordo com a acusação fiscal, "as operações foram estruturadas de forma que o grupo Cosan pudesse escolher a situação cambial conveniente para a tributação. (...)" Entendese que não assiste razão à fiscalização nestas ilações. Primeiramente, convence o argumento desenvolvido pelo Recorrente, no sentido de que não havia como prever qual seria a variação da taxa de câmbio no decorrer dos anos e, em especial, que esta teria uma variação negativa no ano de 2011. Pelo contrário: o que restou demonstrado no apelo apresentado é que o Boletim Focus, emitido pelo Banco Central do Brasil, previa uma variação positiva. Vejase as expectativas do mercado obtidas no site do próprio Banco Central (https://www.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/R20110513.pdf consulta em 03/10/2018), que também foram apresentadas pelo Recorrente em seu Recurso Voluntário: Não se pode desprezar que o Boletim Focus é um documento preparado semanalmente pelo Banco Central do Brasil, que busca, junto aos economistas de inúmeras instituições financeiras, as expectativas do mercado sobre diversas variáveis, inclusive sobre as variações da Taxa de Câmbio. O Boletim Focus, em que pese não trazer uma certeza, mostra como o mercado financeiro interpreta as variáveis da economia e é utilizado por inúmeros setores na tomada de decisões estratégicas. Fl. 2928DF CARF MF 24 Assim, não se sustenta a afirmação da fiscalização de que a Recorrente, com os rearranjos financeiros e societários feitos no decorrer do ano de 2011, teria como intenção aguardar uma taxa de câmbio mais favorável, para liquidar os Bônus Perpétuos e, consequentemente, reconhecer a receita da variação cambial positiva, para fins de tributação, quando fosse mais interessante financeiramente. Ora, se o mercado precificava uma desvalorização da moeda norte americana frente ao real, por qual motivo a Recorrente deveria postergar o reconhecimento da receita até então implementado? Teria a Recorrente mais elementos do que as instituições financeiras consultadas pelo Banco Central do Brasil na elaboração do Boletim Focus, que pudesse lhe garantir uma variação cambial mais vantajosa? Com toda certeza, não! E se tivesse, não há nos autos elementos que comprovem tal afirmativa. Com toda venia, são meras elucubrações do agente autuante, sem qualquer lastro probatório. Ademais, como consta do Recurso Voluntário apresentado, "era da própria natureza do bônus perpétuos que a Recorrente tivesse discricionariedade para liquidar a obrigação no momento em que entendesse ser mais oportuno", levando à tributação eventual variação cambial no momento da liquidação, como autorizado expressamente pelo já transcrito artigo 30 da MP 1.858/99. Não poderia a fiscalização impor essa liquidação ou apontar qual o momento ela deveria ser realizada, a não ser que houvesse a constatação de algum ato dissimulado por parte do contribuinte. E, neste ponto, com todo respeito ao brilhante trabalho desenvolvido pelo agente fiscal, não há nos autos comprovação de que houve qualquer tipo de dissimulação por parte da Recorrente para "mascarar" o momento de liquidação dos Bônus Perpétuos. Todas as operações foram informadas ao mercado, com a transparência que é exigida às entidades do porte da Recorrente. Não houve o cometimento de nenhum ato dissimulado, a ensejar a desconstituição dos negócios jurídicos. Por outro lado, apesar de ser irrelevante para este julgador, nos termos das premissas fixadas, a transferência/resgate dos Bônus Perpétuos teve um propósito específico e claro, qual seja: viabilizar a constituição e operação da então criada Joint Venture com a empresa Shell. Verificouse linhas acima que, financeiramente, não se mostrava viável afetar o acordo firmado com dívida com juros altos, que a troca do endividamento tinha um ganho financeiro considerável e que as garantias dadas aos Bônus Perpétuos seriam transferidas para àquela Joint Venture. O propósito negocial está mais do que configurado nas operações realizadas. Ademais, entendese que a liquidação dos Bônus Perpétuos só pode ser considerada no momento em que estes foram efetivamente liquidados junto à instituição financeira. Não se pode olvidar que o pagamento é o meio clássico de liquidação das obrigações. O saudoso civilista Caio Mário da Silva Pereira assim leciona sobre este instituto de Direito Civil: "O desfecho natural da obrigação é o seu cumprimento. Da sua própria noção conceitual, como vínculo jurídico atando temporariamente os dois sujeitos, decorre a existência de uma operação inversa, pela qual os vinculados se desatam. A isto davase ao nome de solutio, vocábulo que herdamos solução e nos dá a idéia de estar o vínculo desfeito e o credor satisfeito. Fl. 2929DF CARF MF Processo nº 16682.722774/201679 Acórdão n.º 1302003.162 S1C3T2 Fl. 2.918 25 Paralelamente se emprega, como o mesmo sentido de ato libertório, e com muito maior frequência, a palavra pagamento, que no rigor da técnica jurídica significa o cumprimento voluntário da obrigação, seja quando o próprio devedor lhe toma iniciativa, seja quando atende à solicitação do credor, desde que não o faça compelido. (...) Aqui tratamos do pagamento como forma de liberação do devedor, mediante a prestação do obrigado, conceito que reúne as preferências dos escritores mais modernos". (PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. Volume II. Rio de Janeiro, Forense, 2001. págs. 105 e 106) Por outro lado, o mesmo professor ensina que, na cessão de crédito, em que pese haver uma transferência de um direito a terceiros, não há extinção da obrigação. Confira se a sua lição: "Chamase cessão de crédito o negócio jurídico em virtude do qual o credor transfere a outrem a sua qualidade creditória contra o devedor, recebendo o cessionário o direito respectivo, com todos os acessórios e todas as garantias. É uma alteração subjetiva da obrigação, indiretamente e realizada, porque se completa por via de uma transladação da força obrigatória, de um sujeito ativo para outro sujeito ativo, mantendo em vigor o vinculum iuris originário. Difere da novação e do pagamento com subrogação, em que não opera a extinção da obrigação, mas, ao revés, permanece esta viva e eficaz. Apenas, a soma dos poderes e das faculdades inerentes à razão creditória, sem modificação no conteúdo ou natureza da obligatio, deslocamse da pessoa do cedente para a daquele que lhe ocupa o lugar na relação obrigacional." (PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. Volume II. Rio de Janeiro, Forense, 2001. pág. 227) (destacouse) E não há reparos a se fazer nas alegações da Recorrente, quando afirma, em seu Recurso Voluntário, que houve uma cessão de crédito com a recompra dos Bônus Perpétuos. Vejase o que constou daquele apelo: Com a transferência dos títulos em maio de 2011, o que ocorreu foi que a posição de credor passou para a Cosan Cayman Ltd., permanecendo a Recorrente como devedora dos mesmos bônus perpétuos, tendo o BNY Mellon como custodiante dos títulos, conforme se verifica do Contrato de Custódia Global de fls. 327 a 528 dos autos, verbis: (...) Se os bônus perpétuos tivessem sido pagos pela Cosan Cayman Ltd., caberia a ela apenas o direito de regresso, de modo que os títulos seriam extintos e os juros seriam devidos pela Recorrente apenas com caráter compensatório e não remuneratório, como estipulado no memorando da oferta. Em maio de 2011, houve mera recompra dos bônus, como previsto no memorando da oferta (vide Doc. 03 da Impugnação), Fl. 2930DF CARF MF 26 mantendo a Cosan Cayman Ltd. todos os direitos detidos pelos antigos proprietários dos bônus perpétuos. A recompra constituiu, portanto, em uma cessão de crédito, nos termos do artigo 286 do Código Civil, pois ocorreu transferência, não extinção de obrigação, (...) Vejase: a opção do contribuinte, em um primeiro, ao invés de cancelar (liquidar) os Bônus Perpétuos perante o agente financeiro custodiante, foi de manter os títulos como ativos do grupo, sendo indiferente, para fins tributários, a motivação dessa decisão. Apesar disso, é plausível a justificativa que a Recorrente apresenta no Recurso Voluntário, no sentido de que " o capital de terceiro é fundamental para o desenvolvimento das atividades" da empresa e das demais entidades do grupo. Há de se ressaltar, inclusive, que um dos pontos da autuação foi a "glosa das despesas de juros relativas aos Bônus Perpétuos, posteriores a 15/05/2011", data que a fiscalização entendeu como liquidada a obrigação da Recorrente. Contudo, o cálculo dos juros decorrente dos Bônus só demonstra ou confirma que a Recorrente não tinha liquidado a obrigação, tanto que assumiu o pagamento de juros pela obrigação ainda válida e vigente. Se esta tivesse sido liquidada, por qual motivo haveria, ainda, a incidência de juros por uma obrigação já extinta? Desta forma, entendese que não se sustentam as ilações da fiscalização no sentido de que houve a liquidação dos Bônus Perpétuos em 15/05/2011 e que todo os eventos financeiros e societários realizados no decorrer daquele ano seriam uma forma que o contribuinte elaborou para postergar indevidamente o reconhecimento de uma receita tributável. Como restou demonstrado, os eventos foram realizados para dar viabilidade à Joint Venture então criada pela Recorrente, quando esta assumiu uma série de obrigações e, também, para sanear um endividamento importante da entidade. Qualquer gestor teria essa preocupação. Seria temerário se essa conduta não tivesse sido adotada. Por outro lado, ficou comprovado nos autos que não houve a liquidação dos Bônus Perpétuos na data do resgate perante o mercado. Houve, sim, uma cessão da obrigação para outra entidade, ficando a Recorrente obrigada à liquidação, que se operou posteriormente, quando houve a expedição das ordens para que o Banco Custodiante baixasse os títulos sob a sua guarda. Assim, entendese que assiste razão à Recorrente e, por isso, DÁSE PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, para cancelar, na integralidade, o Auto de Infração, restaurandose, por consequencia, os saldos de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL que foram compensados quando da lavratura do Auto. Tendo em vista o provimento ao Recurso Voluntário, não se analisará, por lógica, os argumentos subsidiários apresentados pela Recorrente em atendimento ao princípio da eventualidade. Também, por consequência lógica, tendo em vista que a DRJ de Belo Horizonte (MG) deu provimento parcial à Impugnação Administrativa, NEGASE PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. É como se vota. Fl. 2931DF CARF MF Processo nº 16682.722774/201679 Acórdão n.º 1302003.162 S1C3T2 Fl. 2.919 27 (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator Fl. 2932DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.720410/2011-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2008, 2009
AQUISIÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS OU NÃO INCIDÊNCIA DE IPI. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é possível escriturar crédito de IPI sobre aquisições de produtos isentos. não tributados ou sujeitos à alíquota zero, pois a não cumulatividade exige a incidência de imposto para a possibilidade de crédito. Repercussão Geral RE nº 398.365 RG/RS. O STF já consolidou o entendimento que é preciso ter incidência de imposto em cada etapa econômica de incidência do IPI para geração de crédito para abater da próxima etapa
Assunto: Classificação de Mercadorias
Exercício: 2008, 2009
OPERAÇÃO COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E/OU ALÍQUOTA
Falta de lançamento de imposto por ter o estabelecimento industrial ou equiparado a industrial promovido as saídas de produtos tributados, com insuficiência de lançamento de imposto, por erro de classificação fiscal e/ou erro de alíquota. Insuficiência do recolhimento dada a equivocidade da classificação fiscal dada ao produto indutrializado.
Numero da decisão: 3301-005.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 2008, 2009 AQUISIÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS OU NÃO INCIDÊNCIA DE IPI. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível escriturar crédito de IPI sobre aquisições de produtos isentos. não tributados ou sujeitos à alíquota zero, pois a não cumulatividade exige a incidência de imposto para a possibilidade de crédito. Repercussão Geral RE nº 398.365 RG/RS. O STF já consolidou o entendimento que é preciso ter incidência de imposto em cada etapa econômica de incidência do IPI para geração de crédito para abater da próxima etapa Assunto: Classificação de Mercadorias Exercício: 2008, 2009 OPERAÇÃO COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E/OU ALÍQUOTA Falta de lançamento de imposto por ter o estabelecimento industrial ou equiparado a industrial promovido as saídas de produtos tributados, com insuficiência de lançamento de imposto, por erro de classificação fiscal e/ou erro de alíquota. Insuficiência do recolhimento dada a equivocidade da classificação fiscal dada ao produto indutrializado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10855.720410/2011-34
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5940295
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-005.455
nome_arquivo_s : Decisao_10855720410201134.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10855720410201134_5940295.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente. (assinado digitalmente) SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
dt_sessao_tdt : Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7551121
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148486705152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1789; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 4.263 1 4.262 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.720410/201134 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301005.455 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de outubro de 2018 Matéria IPI Imposto sobre Produtos Industrializados Recorrente INDUSTRIA BRASILEIRA DE BALOES S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2008, 2009 AQUISIÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS OU NÃO INCIDÊNCIA DE IPI. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível escriturar crédito de IPI sobre aquisições de produtos isentos. não tributados ou sujeitos à alíquota zero, pois a não cumulatividade exige a incidência de imposto para a possibilidade de crédito. Repercussão Geral RE nº 398.365 RG/RS. O STF já consolidou o entendimento que é preciso ter incidência de imposto em cada etapa econômica de incidência do IPI para geração de crédito para abater da próxima etapa ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Exercício: 2008, 2009 OPERAÇÃO COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E/OU ALÍQUOTA Falta de lançamento de imposto por ter o estabelecimento industrial ou equiparado a industrial promovido as saídas de produtos tributados, com insuficiência de lançamento de imposto, por erro de classificação fiscal e/ou erro de alíquota. Insuficiência do recolhimento dada a equivocidade da classificação fiscal dada ao produto indutrializado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 04 10 /2 01 1- 34 Fl. 4263DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior Relatório Tratase de auto de infração lavrado (fls. 4.0144.206) em 24/05/2011 para constituição do crédito tributário de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no montante total de R$ 3.120.145,51 (inclusos juros de mora e multa de ofício), sob o fundamento de que o estabelecimento apurou crédito do imposto em razão de entradas de matériaprima e produtos intermediários sujeitos à alíquota zero, isenta ou não tributada, bem como o recolhimento a menor em suas saídas em virtude de erro de classificação fiscal e/ou alíquota: 001 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL OPERAÇÃO COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E/OU ALÍQUOTA Falta de lançamento de imposto por ter o estabelecimento industrial ou equiparado a industrial promovido as saídas de produtos tributados, com insuficiência de lançamento de imposto, por erro de classificação fiscal e/ou erro de alíquota, em relação aos produtos saídos nos períodos de apuração dos anoscalendário de 2008 e 2009, conforme detalhado no Relatório Fiscal anexo, o qual passa a fazer parte integrante deste Auto. ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 15, 16, 17, 24 inciso II, 34, inciso II, 122, 123, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 127, 130, 131, inciso II, 199, 200, inciso IV e 202, inciso III, do Decreto nº4.544/02 (RIPI/02). 002 CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITO PRESUMIDO INDEVIDO O estabelecimento produtor recolheu a menor, o imposto, por ter utilizado indevidamente o crédito presumido do IPI, no periodo de apuração correspondente aos anoscalendário de 2008 e 2009, e após a reconstituição de escrita resultou no saldo devedor, conforme detalhado no Relatório Fiscal anexo, o qual passa a fazer parte integrante deste Auto. Fl. 4264DF CARF MF Processo nº 10855.720410/201134 Acórdão n.º 3301005.455 S3C3T1 Fl. 4.264 3 ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 34, inciso II, 122, 127, 130, 163, 164, inciso I, 195, 196, 199, 200, inciso IV e 202, inciso III, do Decreto nº4.544/02 (RIPI/02). Conforme relatório fiscal de fls. 3.9943.998, em relação à glosa dos créditos presumidos sobre as aquisições de produtos com alíquota zero, isento ou de não contribuinte do IPI, foram escrituradas no Livro Registro de Entrada como sendo de Base de Cálculo do IPI ISENTA, indicando na observação o valor correspondente ao IPI, calculado mediante aplicação do percentual de 10% (sua alíquota de saída) sobre o valor do produto e/ou mercadoria adquirida a título de Outros Créditos no Resumo de Apuração do Imposto do Livro Registro de Apuração de IPI. As glosas totalizaram os montantes de R$ 342.551,09 e R$ 130.921,83 nos anoscalendário de 2008 e 2009 respectivamente, conforme Demonstrativo de Outros Créditos de IPI Aproveitados, anexo I do auto de infração (fls. 226236). Quanto à segunda acusação, consta do Relatório Fiscal que a autuada realizou saídas de produto de sua fabricação Balões de látex utilizandose da classificação fiscal na posição e subitem NCM 9503.00.99 com a alíquota do IPI de 10% (classificação fiscal de Triciclos, patinetes, carros de pedais e outros brinquedos semelhantes de rodas, etc.). A fiscalização entendeu por incorreta a classificação fiscal utilizada, tendo em vista que os produtos comercializados são Balões de látex para festas, sendo mais específica e apropriada a classificação NCM 95.05 (Artigos para festas, carnaval ou outros divertimentos, incluídos os artigos de magia e artigossurpresa) cuja alíquota de IPI é de 20%. Com a aplicação desta alíquota, a apuração do IPI foi refeita e a diferença apurada a menor do imposto totalizaram montante de R$ 523.268,47 e R$ 587.842,72 nos anoscalendário de 2008 e 2009 respectivamente, conforme Demonstrativo de Diferença de IPI anexo II (fls. 2383.992). O anexo III do auto de infração se presta à reconstrução da escrita fiscal do IPI, computandose as glosas dos créditos e os débitos apurados pela fiscalização, apurandose uma diferença total de imposto a recolher na monta de 1.584.584,11 (fls. 3.993) para o período apurado. Notificada do auto de infração em 24/05/2011 (fls. 4.026), a contribuinte apresentou sua impugnação (fls. 4.0304.069) para instauração do contencioso administrativo nos termos do Decreto nº 70.235/1972, argumentando, em breve síntese: A nulidade do auto de infração pela não observância de qualquer das exigências constantes no artigo 142 do CTN ou no artigo 10, do Decreto n° 70.235/72, na medida em que o auto de infração não descreve de forma clara e objetiva quais seriam as infrações supostamente cometidas pela Impugnante a ensejar a aplicação das correlatas multas. A nulidade também é detectada porque a acusação fiscal elaborou uma planilha de difícil compreensão para apuração do quantum supostamente devido, o que dificulta o exercício de seu direito de defesa (referese ao anexo III do auto de infração); Ainda, afirma que o corpo do Auto de Infração não contém a indicação do percentual e o valor exato da multa aplicável, bem como deixou de indicar as respectivas bases legais nas quais se pautou para a aplicação de supostas multas, o que viola o disposto nos artigos 37 e 5º, da Constituição Federal de 1988, artigo 142 do CTN e artigo 10, do Decreto n° 70.235/72, tornando o Auto de Infração nulo. Fl. 4265DF CARF MF 4 Os demonstrativos anexos ao Auto de Infração têm função auxiliar, prestandose tão somente a detalhar as informações constantes do Auto de Infração, instruindo o na forma do artigo 9, do Decreto n°. 70.235/72, não podendo conter, apenas nestes documentos, a descrição da infração e enquadramento legal. No mérito, defende ter adotado a correta classificação fiscal e alíquota, pois, de acordo com a Nomenclatura de Classificação do Mercosul do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias, ("NCM/SH"), os produtos fabricados pela contribuinte devem ser classificados na posição e subitem 9503.90.00, uma vez que são "brinquedos", devidamente certificados pelo Instituto Brasileiro de qualificação e Certificação ("IQB"), conforme dispõe a Portaria n° 108/2005, do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade industrial ("INMETRO"), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior ("MDIC"), expedida em razão do disposto na Resolução MERCOSUL/GMC/RES. n° 23/04, Regulamento Técnico Mercosul sobre Segurança em Brinquedos. Afirma que a Resolução MERCOSUL/GMC/RES. n° 23/04, em seu artigo 1º, determina que se deve entender por brinquedo o produto destinado a ser utilizado com fins de jogo por criança de idade inferior aos 14 (quatorze) anos. O artigo 2º determina quais produtos não são considerados brinquedos, para efeitos da aplicação da Resolução MERCOSUL/GMC/RES. n°. 23/04, os produtos relacionados no seu Anexo II, dentre os quais não estão relacionados os Balões de Látex. Portanto, os produtos fabricados pela Contribuinte, Balões de Látex, são BRINQUEDOS. Assim, de acordo com as regras de interpretação da "NCM/SH", os "Balões de Látex" devem ser classificados no capítulo, posição e subposição 9503.90.00, devendo ser aplicada a alíquota de 10% de "IPI", de acordo com a "TIPI". Quanto ao direito ao crédito presumido do IPI, defende seu direito ao creditamento em decorrência do princípio da não cumulatividade, previsto no inciso II do §3°, do inciso IV, do artigo 153 da Constituição Federal de 1988. A Constituição confere o direito deste abater do valor que tem a recolher a título de IPI a quantia que seria devida pelos contribuintes que lhes forneceram as mercadorias ou insumos necessários para obtenção do produto final, não havendo no texto constitucional qualquer tipo de restrição ao creditamento do IPI. Assim, o Fisco pretende desvirtuar a escorreita interpretação acerca de tal princípio, impedindo o direito ao creditamento do valor do IPI incidente sobre insumos sob o regime de isenção, alíquota zero e dos nãotributados, em desrespeito à Constituição, vez que, o princípio da não cumulatividade garante ao contribuinte do IPI o direito de abater créditos resultantes de operações anteriores mesmo quando não tenha sido recolhido o tributo nas operações subseqüentes. Defende, ainda a impossibilidade de aplicação de juros moratórios sobre multa, caracterizandose "BIS IN IDEM", bem como a inconstitucionalidade da incidência da taxa "SELIC" sobre débitos tributários. Em 21/11/2017, a 8ª Turma da DRJ/RPO proferiu o acórdão nº 1474.981 (fls. 4.1624.187), julgando improcedente a impugnação apresentada para manter o crédito tributário em sua totalidade: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 4266DF CARF MF Processo nº 10855.720410/201134 Acórdão n.º 3301005.455 S3C3T1 Fl. 4.265 5 Exercício: 2008, 2009 NULIDADE. É descabida a alegação de nulidade do lançamento de ofício, por não ter sido verificada qualquer das hipóteses que invalidam esse ato administrativo. Restando evidenciado que a descrição dos fatos e enquadramento legal encontramse suficientemente claros para propiciar o entendimento das infrações imputadas, descabe acolher alegação de nulidade do auto de infração. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A alegação de cerceamento do direito de defesa sem a apresentação de elemento que evidencie sua caracterização em termos materiais e formais carece de fundamento, pois há que ser identificado real prejuízo ao contribuinte. GLOSA DE CRÉDITO. AQUISIÇÃO PRODUTOS ISENTOS, NÃOTRIBUTADOS, ALÍQUOTA ZERO. As matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, adquiridos sem pagamento de IPI, em razão de imunidade, isenção ou não incidência, não propiciam direito ao crédito desse imposto, a não ser em casos excepcionais previstos em lei. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. BALÕES LÁTEX (BEXIGA) Os balões embora possam ser denominados brinquedos têm sua maior aplicação em espaços e ocasiões de eventos, feiras, promoções, decoração interna de estabelecimentos comerciais, vitrines, operações internas e externas de marketing, festas infantis, chá de bebê, etc. O uso como brinquedo é uma decorrência destes eventos e devem ser classificados na posição NCM 9505. 90.00 artigos para festas outros JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 4267DF CARF MF 6 Notificada da decisão em 28/11/2017 (fls. 4.194), a Contribuinte apresentou, no prazo, seu Recurso Voluntário de fls. 4.1974.233, repisando seus argumentos trazidos na impugnação. É o breve relato, passo a decidir. Voto Conselheiro SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos legais; merece ser conhecido. De início, destaco que a r. decisão recorrida não merece reparos. Da análise dos autos, constatase que a controvérsia cingese em dois pontos: I a glosa de créditos de IPI decorrentes de aquisição de produtos isentos, não tributados ou com alíquota zero e; II diferenças na apuração do débito decorrente da adoção de classificação fiscal dos produtos de sua produção tida pela fiscalização como incorreta. Preliminarmente, antes da análise do mérito, necessário discorrer acerca das alegações de nulidade do auto de infração realizadas pela Recorrente. Das Nulidades Afirma a Recorrente que o auto de infração é nulo, por não atender o art. 142 do CTN, bem como os artigos 9º e 10 do Decreto nº 70.235/1972, pois o auto de infração não contém uma descrição clara e objetiva sobre qual é a infração imputada à Recorrente, nem mesmo consta do corpo do auto o enquadramento legal da infração e da multa aplicada, além de afirmar que os demonstrativos de apuração do débito de IPI não são claros, o que dificultou o exercício de seu direito de defesa. Afirma ainda que este enquadramento legal e a descrição da multa não pode ser realizada no demonstrativo dos débitos apurados. No entanto, não há que se falar em nulidade. Resta destacado, propositadamente, no relatório do voto, as folhas dos autos onde constam do auto de infração e seus demonstrativos (parte integrante daquele), bem como seus anexos contendo informações detalhadas dos valores, notas fiscais, período a período, tanto das glosas, quanto dos débitos. O demonstrativo do quantum devido (Anexo III do auto de infração fls. 3.993), tido pela Recorrente como incompreensível, nada mais é do que a reconstituição do livro registro de apuração de IPI, onde constam os débitos e créditos originais, as glosas dos créditos, a adição dos débitos em razão do erro na classificação fiscal, tudo feito por período de apuração, para se apurar a diferença do imposto. Ainda consta do auto de infração (fls. 4.013), ao contrário do que afirmado pela Recorrente, a capitulação da multa aplicada, qual seja, o art. 80 da Lei nº 4.502/1964, o qual prevê a aplicação da multa de ofício de 75% sobre o imposto não lançado na escrita fiscal, total ou parcialmente, ou que se deixou de recolher. Também há informação sobre a aplicação dos juros de mora, em percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, nos termos do art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 4268DF CARF MF Processo nº 10855.720410/201134 Acórdão n.º 3301005.455 S3C3T1 Fl. 4.266 7 Assim, não há que se falar em nulidade do auto de infração, pois contém todas as informações necessárias para a identificação da matéria tributável, a legislação de regência, a identificação do sujeito passivo, bem como a apuração do quanto devido, nos termos do art. 142 do CTN e art. 9º e art. 10 do Decreto nº 70.235/1972. Também não há que se falar em ofensa ao direito de defesa, pois o cálculo do tributo devido, constituindo o crédito tributário sobre as diferenças, é de fácil identificação e discernimento. Nestes termos, não houve impedimento ou limitação para o exercício do contraditório e ampla defesa. Ademais, a Recorrente instaurou o contencioso administrativo por meio de sua impugnação, por não concordar com o auto de infração, onde lhe foi dada a oportunidade para contraditar as acusações fiscais, trazendo argumentos de fato e de direito para desconstituir ou modificar o auto de infração em seu mérito. Afastada, portanto, as argüições de nulidade. I Do crédito presumido Considerase crédito presumido a escrituração de um crédito de IPI em relação aos produtos adquiridos como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem sem a incidência do imposto, tais como as situações de isenção, alíquota zero e imunidade. Afirma a Recorrente que o direito ao crédito, nestes casos, decorre do princípio da não cumulatividade do IPI previsto no art. 153, § 3º da Constituição, onde resta previsto a possibilidade de deduzir do imposto devido o imposto cobrado nas operações anteriores. Tal princípio, afirma a Recorrente, não comporta restrições, e limitar o crédito ofende a Constituição. Nada mais equivocado. Sabese que imposto "cobrado", realmente, não é imposto pago. Com isso, o crédito do adquirente não é afastado no caso de o fornecedorcontribuinte ser inadimplente. No entanto, imposto "cobrado", significa imposto devido, isto é, que incidiu na operação. O que se tem assentado na jurisprudência é que o direito de crédito, tanto para IPI, quanto para ICMS, fruto da não cumulatividade, independe do efetivo recolhimento do imposto que incidiu nas prestações ou operações anteriores. O requisito bastante para fazer nascer o direito de crédito para esta compensação é a incidência tributária do imposto sobre uma operação ou prestação anterior1. “A expressão ‘montante cobrado’, contida na segunda parte do art. 153, § 3º, II, da CF, deve ser juridicamente entendida como montante devido e, não, como montante efetivamente exigido” 2e, muito menos, “pago”. Quando da implementação de um imposto sobre o consumo com incidência não cumulativa, pretendendose aplicar uma tributação sobre o valor acrescido, a Constituição elegeu o método da subtração conhecido como "imposto sobre imposto" (tax on tax). Por este 1 Cf. CARRAZZA, Roque Antônio. ICMS. Malheiros: São Paulo, 2009. p. 359; CARVALHO, Paulo de Barros. A Concessão de Isenções, Incentivos ou Benefícios Fiscais no Âmbito do ICMS. In: MARTINS, Ives Gandra da Silva; CARVALHO, Paulo de Barros. Guerra Fiscal. Reflexões sobre a Concessão de Benefícios Fiscais no âmbito do ICMS. São Paulo: Noeses, 2012. pp. 6468. 2 Cf. COSTA, Alcides Jorge. ICM na Constituição e na Lei Complementar. São Paulo: Resenha Tributária, 1979. p. 156; BONILHA, Paulo Celso Bergstrom. IPI e ICM. Fundamentos da Técnica nãocumulativa. São Paulo: Resenha Tributária, 1979. p. 143. Fl. 4269DF CARF MF 8 método, o montante de imposto a ser recolhido é obtido a partir da identificação do imposto devido nas operações praticadas pelo contribuinte, subtraindose deste montante o imposto que incidiu sobre os produtos adquiridos no mesmo período. Com isso, caso não tenha havido incidência do imposto na operação anterior, não haverá um crédito a compensar com o débito futuro. Pelo método de apuração imposto sobre imposto, é da própria natureza da metodologia de apuração a falta de geração de crédito para a fase posterior da cadeia produtiva, ocorrendo o denominado “efeito de recuperação” 3 Destaquese, por certo tempo o STF4, acolhia o entendimento dos contribuintes no sentido de que para o IPI não há a restrição de geração de créditos em casos de operações de entrada com incentivos fiscais, sendo devida e de pleno direito a obtenção de crédito nestas operações em homenagem ao princípio da não cumulatividade. Recentemente, porém, percebendo a necessidade de haver imposto devido na operação anterior, o STF reviu seu posicionamento ao negar direito ao crédito presumido de IPI em operações de aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero e não tributada5, bem como em operações com isenção6, por entender que não seria possível a outorga de crédito se não houver incidência do imposto na etapa anterior, manifestando um entendimento mais alinhado com a natureza da não cumulatividade do IPI. Nesta Colenda 1º Turma da 3ª Câmara da 3ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, citese o excelente voto proferido no acórdão nº 3301004.768 de 21/06/2018, da lavra do ilustre Conselheiro Ari Vendramini, onde, para negar o direito ao crédito presumido nestes casos, foi traçado toda a evolução jurisprudencial do STF sobre este tema, culminando na decisão proferida em sede de Repercussão Geral RE nº 398.365 RG/RS, em sessão plenária realizada em 27/08/2015, onde o STF confirmou sua jurisprudência sobre a impossibilidade de empresas aproveitarem créditos do IPI na aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Ademais, vige neste Egrégio Conselho a Súmula CARF nº 18, ao dispor que "a aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI." (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Desta feita, não é possível apurar créditos na aquisição de matériasprima, material de embalagem e produtos intermediários sujeitos à alíquota zero, isentos ou não tributados. II Da classificação fiscal dos produtos industrializados Neste ponto, não merece reparos os fundamentos a r. decisão guerreada, por também entender que a classificação fiscal adequada para o produto deve ser a de artigos para festas, da posição 9505.90.00 artigos para festas outros. Afirma a Recorrente que os balões de latex (bexiga) de sua produção devem ser enquadrados como brinquedos, em vista da certificação de qualidade e segurança conferidas pelo Instituto Brasileiro de qualificação e Certificação ("IQB"), conforme dispõe a 3 TORRES, Ricardo Lobo. O Princípio da nãocumulatividade e o IVA no Direito Comparado. In: MARTINS, Ives Gandra da Silva (coord.). O Princípio da NãoCumulatividade. Nova Série nº 10. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004. p. 152. 4 STF, Pleno, RE 212.484/RS. Rel. Min. Nelson Jobim, DJU 27/11/1998 5 STF, Pleno, RE 353.657/PR, Rel. Min. Marco Aurélio. DJe 06/03/2008. 6 STF, Pleno, RE 566.819/RS, Rel. Min. Marco Aurélio. DJe 09/02/2011. Fl. 4270DF CARF MF Processo nº 10855.720410/201134 Acórdão n.º 3301005.455 S3C3T1 Fl. 4.267 9 Portaria n° 108/2005, do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade industrial ("INMETRO"), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior ("MDIC"), expedida em razão do disposto na Resolução MERCOSUL/GMC/RES. n° 23/04, Regulamento Técnico Mercosul sobre Segurança em Brinquedos. Para a Recorrente, portanto, a classificação adequada, no entender da Recorrente, é a da posição 9503.00.99 outros brinquedos outros, cuja classificação "mãe" 9503.00, se refere à: Triciclos, patinetes, carros de pedais e outros brinquedos semelhantes de rodas; carrinhos para bonecos; bonecos; outros brinquedos; modelos reduzidos e modelos semelhantes para divertimento, mesmo animados; quebracabeças (“puzzles”)de qualquer tipo. Por ser simples e objetiva, adoto como fundamento para decisão o voto exarado no v. Acórdão da DRJ ora recorrido, que peço vênia para transcrever: A classificação das mercadorias na Nomenclatura regese pelas seguintes regras: 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: 2.a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. 2.b) Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesma forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetuase conforme os princípios enunciados na Regra 3. 3. Quando pareça que a mercadoria pode classificarse em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2.b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuarse da forma seguinte: 3.a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerarse, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que Fl. 4271DF CARF MF 10 uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. 3.b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3.a), classificamse pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, quando for possível realizar esta determinação. 3.c) Nos casos em que as Regras 3.a) e 3.b) não permitam efetuar a classificação, a mercadoria classificase na posição situada em último lugar na ordem numérica, dentre as suscetíveis de validamente se tomarem em consideração. 4. As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das Regras acima enunciadas classificamse na posição correspondente aos artigos mais semelhantes. 5. Além das disposições precedentes, as mercadorias abaixo mencionadas estão sujeitas às Regras seguintes: 5.a) Os estojos para aparelhos fotográficos, para instrumentos musicais, para armas, para instrumentos de desenho, para jóias e receptáculos semelhantes, especialmente fabricados para conterem um artigo determinado ou um sortido, e suscetíveis de um uso prolongado, quando apresentados com os artigos a que se destinam, classificamse com estes últimos, desde que sejam do tipo normalmente vendido com tais artigos. Esta Regra, todavia, não diz respeito aos receptáculos que confiram ao conjunto a sua característica essencial. 5.b)Sem prejuízo do disposto na Regra 5.a), as embalagens contendo mercadorias classificamse com estas últimas quando sejam do tipo normalmente utilizado para o seu acondicionamento. Todavia, esta disposição não é obrigatória quando as embalagens sejam claramente suscetíveis de utilização repetida. 6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendo se que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. RGC 1. (RGC1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, mutatis mutandis, para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. 2. (RGC2) As embalagens contendo mercadorias e que sejam claramente suscetíveis de utilização repetida, mencionadas na Fl. 4272DF CARF MF Processo nº 10855.720410/201134 Acórdão n.º 3301005.455 S3C3T1 Fl. 4.268 11 Regra 5.b), seguirão seu próprio regime de classificação sempre que estejam submetidas aos regimes aduaneiros especiais de admissão temporária ou de exportação temporária. Caso contrário, seguirão o regime de classificação das mercadorias. RGC/TIPI 1. (RGC/TIPI1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, mutatis mutandis, para determinar, no âmbito de cada código, quando for o caso, o “Ex” aplicável, entendendose que apenas são comparáveis “Ex” de um mesmo código. Extraise das próprias RGI que o principal aspecto envolvido na classificação fiscal de um produto é a sua identidade precisamente como descrito nos textos das posições, subposições, itens e subitens da Tabela NCM. Neste diapasão, a despeito de qualquer classificação científica, técnica ou comercial em que as mercadorias possam se enquadrar, para os efeitos da classificação fiscal importa saber como a elas se referem os textos, observados os critérios das RGI/SH. No caso em concreto o produto pode ser usado para diversão ou para decoração, mas qual seria a posição mais específica a 9503.90.00 outros brinquedos outros ou a 9505.90.00 artigos para festas outros? Entendo que classificação se daria pelo o uso da regra 3.a), posição mais específica o que se daria verificando qual o uso mais comum dos balões de latex, ou pelo foco que se direciona a produção do contribuinte e suas vendas. Conforme se pode verificar dos documentos juntados às efls 135 a 139 e de informações extraídas do site da empresa, os produtos tem sua maior aplicação em espaços e ocasiões de eventos, feiras, promoções, decoração interna de estabelecimentos comerciais, vitrines, operações internas e externas de marketing, festas infantis, chá de bebê, etc. O uso como brinquedo é uma decorrência destes eventos. (grifei) Ademais, acrescentese que em resposta à intimação fiscal realizada durante o procedimento de fiscalização, a Recorrente afirmou em fl. 31 que os produtos de sua produção são "balões para festas". Quanto à aplicação dos juros sobre a multa de ofício, já é de entendimento deste E. CARF sobre a possibilidade de aplicação dos juros sobre a multa, tendose em vista o que dispões os artigos 113, § 1º, 139 e 161, todos do CTN, entendendose que há incidência de juros de mora sobre o crédito tributário, o qual pode ser composto tanto de imposto quanto de penalidade pecuniária, pois ambas as prestações pecuniárias referidas são objeto da obrigação tributária principal. Outrossim, este entendimento esta matéria se encontra sumulada: Súmula CARF nº 108 Fl. 4273DF CARF MF 12 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Quanto à inconstitucionalidade da taxa SELIC, deixo de analisar, pois não compete ao órgão administrativo de julgamento a análise e julgamento de norma inconstitucional. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar provimento. SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator Fl. 4274DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15471.004263/2010-07
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento.Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15471.004263/2010-07
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5927888
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2001-000.396
nome_arquivo_s : Decisao_15471004263201007.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE RICARDO MOREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 15471004263201007_5927888.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento.Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
id : 7514447
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:31:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148495093760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1595; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15471.004263/201007 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.396 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 19 de abril de 2018 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física Recorrente GERSON RICARDO DE SOUZA DOMINGUES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento.Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 42 63 /2 01 0- 07 Fl. 51DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2009, anocalendário de 2008, onde foram glosadas deduções de despesas médicas no valor de R$ 29.00.000,00. O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada procedente em parte, mediante Acórdão da Porto Alegre, de f. 34/37. A Decisão acatou despesas no montante de R$ 3.000,00. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 43/44. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigado a apresentar seus exames médicos e laboratoriais. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O lançamento cingese à glosa de despesas médicas. O interessado, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Consta da fundamentação do lançamento, bem como da decisão de primeira instância, que é necessária a apresentação de documentação do efetivo pagamento para comprovação das despesas médicas. Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende o recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de Fl. 52DF CARF MF Processo nº 15471.004263/201007 Acórdão n.º 2001000.396 S2C0T1 Fl. 3 3 verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Além disso, não foram apresentadas notas fiscais, nos casos de serviços prestados por pessoas jurídicas. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. Também não há razão na insurgência à multa de ofício de 75%. Tratase de multa decorrente de previsão legal (Lei 9.430/96, art. 44), de aplicação obrigatória. Em decorrência do princípio da legalidade, não cabe ao servidor público deixar de aplicar a multa, ou aplicala em percentual diverso do previsto na legislação. Desta forma, reitero a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância. Fl. 53DF CARF MF 4 CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 15471.004263/201007 Acórdão n.º 2001000.396 S2C0T1 Fl. 4 5 E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Redator Designado. Fl. 55DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.948474/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
FALTA DE COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. INEXISTÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO.
Inexiste direito creditório quando o contribuinte deixa de comprovar a ocorrência de pagamento indevido ou a maior.
Numero da decisão: 1402-003.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004 FALTA DE COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. INEXISTÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. Inexiste direito creditório quando o contribuinte deixa de comprovar a ocorrência de pagamento indevido ou a maior.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.948474/2011-91
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5930312
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-003.175
nome_arquivo_s : Decisao_10880948474201191.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO MATEUS CICCONE
nome_arquivo_pdf_s : 10880948474201191_5930312.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone.
dt_sessao_tdt : Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7529711
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051148513968128
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1229; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.948474/201191 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.175 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2018 Matéria PER/DCOMP Recorrente MASFA INDUSTRIA E COMERCIO DE PECAS LTDA EPP. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 FALTA DE COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. INEXISTÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. Inexiste direito creditório quando o contribuinte deixa de comprovar a ocorrência de pagamento indevido ou a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 84 74 /2 01 1- 91 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10880.948474/201191 Acórdão n.º 1402003.175 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Adoto o bem elaborado relatório do v. acórdão recorrido: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório [...] emitido eletronicamente [...] referente ao PER/DCOMP [...]. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a SIMPLES – Código de Receita 6106, no valor original na data de transmissão de R$ 170,52, representado por Darf recolhido em 10/05/2004 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que o Despacho Decisório foi recebido e assinado por pessoa não habilitada para receber tal correspondência, que o assinante não é sócio e não representa legalmente a requerente; que a intimação não é válida, porque não esta formalmente revestida dos requisitos da lei e que dessa forma trás consigo a nulidade do ato praticado e conseqüentemente a nulidade do processo; pede que em preliminares seja declarada a nulidade da notificação do Despacho Decisório, entregue sem a observância dos ditames da lei, contrariando os dispostos nos art. 214,215,247 do Código de Processo Civil; que efetuou a compensação conforme art. 66, da Lei 8383/91; que a partir de 30/09/2003, foi instituído o processo eletrônico de pedido de compensação, o qual o contribuinte não tem como esclarecer a origem do crédito; que a Constituição Federal em seu art. 195 explicita que o PIS irá incidir sobre o faturamento obtido pelas empresas; que o fato gerador do PIS/Cofins é o faturamento, não podendo ampliar tal conceito para o ICMS que é faturado pelo Estado; que o valor do ICMS destacado na nota fiscal da manifestante é para simples registro contábil fiscal, sendo que em hipótese alguma deve ser Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10880.948474/201191 Acórdão n.º 1402003.175 S1C4T2 Fl. 4 3 incluído na base de cálculo do PIS; Pede a reforma do despacho decisório e a homologação da compensação. Em seguida, a DRJ proferiu v. acórdão negando provimento a impugnação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.165, de 16/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.937246/2011 95, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.165): "O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência desta Corte Administrativa e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade previstos em lei, portanto, dele tomo conhecimento. Da nulidade da citação do r. Despacho Decisório: Em relação a nulidade da citação por não ter sido recebida pelo representante legal da empresa, entendo que não deve ser acolhida. Em relação a esta matéria, este E. Tribunal já pacificou seu entendimento e editou a Súmula CAR 9, com o texto abaixo colacionado. SÚMULA CARF N.o 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10880.948474/201191 Acórdão n.º 1402003.175 S1C4T2 Fl. 5 4 eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. De acordo com a cópia do AR (fl. 9), a Recorrente foi devidamente notificada. Sendo assim, afasto a preliminar relativa a nulidade da citação do r. Despacho Decisório. Da nulidade do r. Despacho Decisório: Em relação a nulidade alegada pela Recorrente de que o r. Despacho Decisório é confuso, não determina claramente a matéria, bem como não fundamenta adequadamente a não homologação da compensação dos créditos, entendo que não merece ser acolhida. A Recorrente conseguiu entender perfeitamente os motivos pela qual seu pedido de compensação não foram homologados. Tanto foi assim, que apresentou manifestação de inconformidade e Recurso Voluntário apresentando argumentos de defesa contra a não homologação da compensação do crédito. Ademais, a matéria relativa a nulidade no processo administrativo tributário é regida exclusivamente pelos arts. 59 e 60 do Dec. n.º 70.235, de 1972, abaixo transcritos: "Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ................................................... Art. 60 As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." O despacho contestado não é nulo eis que não afrontou nenhuma das hipóteses do inciso II do art. 59 acima transcrito e foi lavrado por autoridade competente, sendo que não houve preterição do direito de defesa. Desta forma, nega provimento a esta preliminar de nulidade. Mérito: Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.948474/201191 Acórdão n.º 1402003.175 S1C4T2 Fl. 6 5 Conforme r. Despacho Decisório a compensação do crédito não foi homologada devido ao fato de o valor de R$ 325,51 constante no DARF ter sido integralmente alocado para a quitação de outros débito do contribuinte. A Recorrente apresenta alegação em sua manifestação de inconformidade e Recurso Voluntário, mas não traz aos autos nenhuma prova ou fato que possa modificar tanto o r. Despacho Decisório, como o v. acórdão recorrido. O Darf foi integralmente utilizado para o pagamento do débito declarado pelo contribuinte, não restando saldo para operar a compensação, inexistindo provas ou argumentos que provem situação diferente da que foi apontada no r. Despacho Decisório. A Recorrente também questiona a legalidade da legislação que regula o instituto da compensação defendendo a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais, porém não traz aos autos nenhum documento que relacione que os créditos objeto da compensação se referem a tal exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais. Assim, ainda que o alegado direito existisse, a Recorrente não faria jus à compensação, pois não apresenta sequer um documento fiscal que confirme a necessária liquidez ao crédito pleiteado. Desta forma, afasta a alegação da Recorrente relativa exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, eis que não verifiquei ser matéria versada nos autos. De resto, colaciono a parte do v. acórdão recorrido relativa a esta matéria para fundamentar meu voto. EXCLUSÃO DE ICMS A base de cálculo das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/ PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS é o faturamento. Somente a lei pode modificar a base de cálculo do tributo. A legislação do PIS/PASEP e da COFINS prevê exclusões da base de cálculo. Especificamente quanto ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, excluemse da receita bruta o ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, no regime cumulativo, e a receita decorrente da transferência onerosa a outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação em ambos regimes. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10880.948474/201191 Acórdão n.º 1402003.175 S1C4T2 Fl. 7 6 Da mesma forma, também não acato a alegação da Recorrente relativa a ilegalidade da Instrução Normativa que tornou o procedimento de compensação e restituição de seus créditos por meio de mecanismo eletrônico denominado PER/DCOMP. Até o presente momento não existe qualquer manifestação do judiciário relativa a ilegalidade da IN 320/2003 que regulamentou o procedimento da PER/DCOMP. De resto, em relação a esta alegação da Recorrente utilizo os fundamentos do v. acórdão recorrido para fundamento meu voto. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA Não se acolhem as alegações de ilegalidade da Instrução Normativa que regulamenta a compensação. Ao contrário do alegado, as condições para o contribuinte efetuar compensação podem ser estabelecidas por atos normativos. O art. 170 do CTN, assim disciplina: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. De acordo com o dispositivo transcrito, a lei pode autorizar a compensação sob determinadas condições e garantias. Ainda conforme art. 170 do CTN, a lei que autorizar a compensação pode estipular referidas condições e garantias ou pode atribuir à autoridade administrativa o poder de as estipular. Na espécie, a autorização da compensação foi dada pelo art. 74 da Lei n.º 9.740, de 1996. Seu § 14, incluído pela Lei nº 11.051, de 2004, autoriza, expressamente, a Secretaria da Receita Federal a disciplinar o que dispõe o artigo. Portanto, as instruções normativas expedidas pela Receita Federal são instrumentos legítimos para estipular condições não expressamente previstas em lei. Ainda que assim não fosse, os argumentos do contribuinte não teriam proveito neste foro. Os atos normativos expedidos pela Receita Federal compõem a legislação tributária e a todos vinculam (art. 96 e art. 100 do CTN). A autoridade fiscal não se pode furtar ao cumprimento da legislação vigente, pois sua atividade é plenamente vinculada, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo único do art. 142 do CTN). De acordo como o inciso V do art. 7º da Portaria do Ministro da Fazenda n.º 341, de 12 de julho de 2011, “são deveres do julgador observar o disposto no art. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10880.948474/201191 Acórdão n.º 1402003.175 S1C4T2 Fl. 8 7 116, III, da Lei n.º 8.112, de 11 de dezembro de 1990, bem como da RFB expresso em atos normativos”. Por fim, o que a impugnante alega ser entendimento do Judiciário não pode ser imposto ao fisco. Via de regra, entendimentos expressos em decisões judiciais ficam restritos às partes integrantes do processo, não cabendo a extensão dos seus efeitos jurídicos a terceiros. Conseqüentemente, não se estende à impugnante a jurisprudência por ela invocada. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento, mantendo o v. acórdão recorrido. " Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
