Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,079)
- Primeira Turma Ordinária (16,582)
- Primeira Turma Ordinária (16,499)
- Primeira Turma Ordinária (16,374)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,098)
- Segunda Turma Ordinária d (14,576)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,567)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (86,067)
- Terceira Câmara (68,611)
- Segunda Câmara (57,558)
- Primeira Câmara (21,900)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (129,102)
- Segunda Seção de Julgamen (116,246)
- Primeira Seção de Julgame (78,191)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,426)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,618)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,281)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,929)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,938)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,877)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,802)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,962)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,676)
- 2010 (18,059)
- 2026 (17,170)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (21,392)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 12448.725973/2011-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. CARACTERIZAÇÃO. DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. IRPF. LANÇAMENTO SUPLEMENTAR. PROCEDÊNCIA.
É procedente o lançamento suplementar de IRPF quando caracterizada omissão de rendimentos em virtude de comprovação parcial de dedução de honorários advocatícios.
Numero da decisão: 2402-005.967
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho e Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Mauricio Nogueira Righetti.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. CARACTERIZAÇÃO. DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. IRPF. LANÇAMENTO SUPLEMENTAR. PROCEDÊNCIA. É procedente o lançamento suplementar de IRPF quando caracterizada omissão de rendimentos em virtude de comprovação parcial de dedução de honorários advocatícios.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 12448.725973/2011-46
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5778475
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2402-005.967
nome_arquivo_s : Decisao_12448725973201146.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
nome_arquivo_pdf_s : 12448725973201146_5778475.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho e Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Mauricio Nogueira Righetti.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
id : 6951490
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049470435852288
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-09-26T11:41:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-09-26T11:41:39Z; Last-Modified: 2017-09-26T11:41:39Z; dcterms:modified: 2017-09-26T11:41:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:56dd5e03-9bd9-4c10-a20b-048aba5d9121; Last-Save-Date: 2017-09-26T11:41:39Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-09-26T11:41:39Z; meta:save-date: 2017-09-26T11:41:39Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-09-26T11:41:39Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-09-26T11:41:39Z; created: 2017-09-26T11:41:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2017-09-26T11:41:39Z; pdf:charsPerPage: 866; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-09-26T11:41:39Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 67 1 66 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.725973/201146 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.967 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de agosto de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente WANDA FERREIRA GIESTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. CARACTERIZAÇÃO. DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. IRPF. LANÇAMENTO SUPLEMENTAR. PROCEDÊNCIA. É procedente o lançamento suplementar de IRPF quando caracterizada omissão de rendimentos em virtude de comprovação parcial de dedução de honorários advocatícios. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 59 73 /2 01 1- 46 Fl. 68DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho e Jamed Abdul Nasser Feitoza (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luís Henrique Dias Lima. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza – Relator (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Mauricio Nogueira Righetti. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 12448.725973/201146 Acórdão n.º 2402005.967 S2C4T2 Fl. 68 3 Relatório Para retratar as primeiras etapas do processo, adotaremos o relatório da decisão recorrida, o qual passamos a transcrever: "Tratase de impugnação apresentada pela interessada contra lançamento de ofício formalizado na Notificação de Lançamento de fls. 11/14, que alterou o resultado da Declaração de Ajuste Anual relativa ao exercício 2009, ano calendário 2008, de saldo inexistente de imposto a restituir ou a pagar para saldo de imposto de renda a pagar de R$ 8.259,81. O valor lançado corresponde ao imposto de renda pessoa física suplementar (código 2904) de R$ 8.259,81 que, acrescido de multa de ofício de 75% e de juros de mora calculados até abril de 2011, perfaz crédito tributário de R$ 16.005,02. O lançamento decorreu de procedimento de revisão interna da declaração de ajuste anual apresentada em 28/03/2009 – DAA/2009 (fls. 20/24), em que foi apurada a seguinte infração: Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação da Justiça Federal – omissão de rendimentos pagos pela Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 52.447,39, decorrentes de ação judicial federal. Na apuração do imposto devido, foi compensado o imposto de renda retido na fonte (IRRF), no valor de R$ 1.573,42, que incidiu sobre os rendimentos omitidos. Cientificada do lançamento em 13/04/2011 (AR à fl. 33), a interessada apresentou, em 09/05/2011, a impugnação à fl. 02/03, na qual, em síntese: Diz que não tinha conhecimento da necessidade de declarar o valor recebido judicialmente, uma vez que os rendimentos sofreram retenção de imposto de renda na fonte; Alega que houve pagamento de honorários advocatícios a Luiz Gonçalves da Luz, no valor de R$ 13.111,84, conforme recibo anexado, o qual pode ser deduzido do montante bruto recebido, conforme faculta a legislação; Requer correção do montante considerado omitido de R$ 52.447,39 para R$ 39.335,55, que corresponde ao valor líquido dos honorários advocatícios. À fl. 04, a interessada esclarece que está impugnando parcialmente o lançamento e solicita o parcelamento da parte não contestada do crédito tributário, que, segundo seus cálculos, corresponde ao imposto de R$ 4.654,06." Fl. 70DF CARF MF 4 Inconformada com a decisão, apresentou Recurso Voluntário de fls. 55/56, oposto contra o Acórdão da 7ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1, em que, por unanimidade, julgouse parcialmente procedente a Impugnação (fls. 2/4), sendo mantido o imposto suplementar no valor de R$ 7.538,66, acrescido de multa de ofício e juros de mora. Como apenas parte dos valores que alega terem sido pagos a títulos de honorários foi aceito pela DRJ como dedutíveis, a recorrente insiste na persecução de sua pretensão de dedução integral. Para defesa de sua tese, argui ser o art. 56, parágrafo único do Regulamento de Imposto de Renda de 1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000 de março de 1999, cabível no presente caso, para que o imposto seja apurado na base de R$ 39.335,55, ao invés de R$ 49.825,02, conforme apurado no acórdão, às fls. 43. Requer, portanto, seja acolhido seu recurso para a modificação do julgado guerreado. É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 12448.725973/201146 Acórdão n.º 2402005.967 S2C4T2 Fl. 69 5 Voto Vencido Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, voto por dele conhecer. O rendimento declarado pela recorrente foi de R$ 39.335,55, resultando da dedução de R$ 13.111,84 que a recorrente alega ter pagado a titulo de honorários incidentes sobre o valor de R$ 52.447,39, informado em Dirf (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte) entregue pela Caixa Econômica Federal – CEF e sobre o qual contou retenção de imposto de renda de R$ 1.573,42. Dada essa conformação, os valores em questão foram considerados como omitidos. A decisão recorrida considerou que as despesas com honorários, embora dedutíveis na forma prevista no parágrafo único do artigo 56 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, devem ser devidamente comprovadas, o que, para a DRJ, não ocorreu no presente caso. O pagamento em questão, conforme consulta de andamento judicial à fl. 15, e o comprovante de pagamento à fl. 16 da CEF, tem origem no Processo da Justiça Federal de nº 93.00067087 de natureza previdenciária, na qual atuou como advogado LUIZ GONÇALVES DA LUZ. Constam no PAF (fl. 19) recibo emitido pelo patrono LUIZ GONÇALVES DA LUZ ter recebido R$ 2.622,37, em 29/01/2008, por serviços prestados à interessada referentes à mencionada ação judicial. Constam ainda as Fls 17 e 18 recibos emitidos por Luiz Antônio Carneiro da Luz e Flávia Carneiro da Luz no mesmo valor. Contudo a DRJ entendeu não estar comprovada a participação dos patronos no referido processo judicial, razão pela qual não deferiu o pedido de dedução relativo a tais pagamentos. Em nosso sentir, a visão fiscal neste caso foi restritiva e incompatível com a atividade de advocacia. Advogados podem atuar em processos sem nem constar nos autos. Os autos são o ápice de um trabalho prévio que ocorre no âmbito do escritório de advocacia como pesquisas, elaboração de teses e peças. Outrossim, os recibos em questão estão devidamente assinados pelos patronos e, assim, são prova de que fizeram jus ao seu recebimento, não sendo o fato de não constarem nos autos do processo judicial elemento suficiente para inferir que os mesmos não tenham tido atuação e não façam jus ao recebimento de honorários advocatícios. Considerando ser objeto do recurso o reconhecimento do pagamento de honorários advocatícios referentes aos recibos de Fls. 17 e 18, voto por dar total provimento, devendo ser mantidas os demais elementos do lançamento como juros, multa de mora e de oficio, eis que, independente da dedução de honorários ter sido reconhecida por este relator, Fl. 72DF CARF MF 6 isto não altera o fato de ter havido omissão de rendimentos no presente caso, situação que não foi objeto do recurso. Conclusão Por todo exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 73DF CARF MF Processo nº 12448.725973/201146 Acórdão n.º 2402005.967 S2C4T2 Fl. 70 7 Voto Vencedor Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Redator Designado. Não obstante os fundamentos apresentados no voto do r. Relator, divirjo quanto ao encaminhamento apresentado no voto vencido em relação ao Recurso Voluntário de fls. 55/56, vez que não representa a melhor solução para a presente lide tributária pelas razões de fato e direito que passo a expor. Consoante relatado, o objeto do Recurso Voluntário de fls. 55/56 concentra se no reconhecimento de pagamento de honorários advocatícios no valor total de R$ 13.111,84. A considerar a totalidade da dedução de honorários advocatícios ora pleiteada, haveria, ipso facto, reflexo na omissão de rendimentos apurada pela Fiscalização da RFB mediante a Notificação de Lançamento IRPF n. 2009/107360775121911 R$ 52.447,39 (fls. 10/14), visto que seria reduzida ao valor de R$ 39.335,55 (diferença entre R$ 52.447,39 e R$ 13.111,84). Todavia, a despeito da alegação da recorrente no sentido de ter pago a quantia de R$ 13.111,84 a título de honorários advocatícios ao patrono LUIZ GONÇALVES DA LUZ indicado como seu advogado no Processo n. 000670844.1993.4.02.5101 Número antigo: 93.00067087 13ª. Vara Federal do Rio de Janeiro (fl. 15), restou comprovado tão somente o valor de R$ 2.622,37, consoante denunciado no recibo de fl. 19. Os recibos de fls. 17 e 18 ambos no valor de R$ 2.622,37 e emitidos por LUIZ ANTONIO CARNEIRO DA LUZ e FLÁVIA CARNEIRO DA LUZ, respectivamente não se prestam como elemento de prova de pagamento de honorários advocatícios, tendo em vista referiremse a profissionais não vinculados à causa em apreço, conforme sobejamente evidenciado no documento de fl. 15. Nessa perspectiva, considerandose os rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação da Justiça Federal no valor de R$ 52.447,39 IRRF R$ 1,573,42 (DIRF/AC 2008 fl. 38), resta caracterizado como omissão de rendimentos o valor de R$ 49.825,02 diferença entre R$ 52.447,39 e R$ 2.622,37 (honorários advocatícios fl. 19) que somados aos rendimentos declarados pela recorrente na DIRPF/2009 ND 07/24.323.607 no valor de R$ 7.258,67, alcançase o total de rendimentos tributáveis no AC 2008 na ordem de R$ 57.083,69, decorrendo imposto suplementar de R$ 7.538,66 Código de Receita 2904 sujeito à multa de ofício de 75%, exatamente como apurado na decisão recorrida de fls. 40/43. Desta forma, nenhum reparo merece a decisão consubstanciada no Acórdão n. 1251.064 7a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) fls. 40/43, vez que amparada no que dispõe o art. 12 da Lei n. 7.713/1988 (vigente à Fl. 74DF CARF MF 8 época dos fatos) c/c art. 56, parágrafo único, do Decreto n. 3.000/99 RIR/99 e nos elementos de prova acostados aos autos. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário de fls. 55/56. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13976.000063/2006-84
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário:1999 INGRESSO E PERMANÊNCIA NO SIMPLES. VEDAÇÃO. SERVIÇOS RELACIONADOS A ATIVIDADES DE PROFISSIONAIS LEGALMENTE HABILITADOS. É vedado o ingresso e a permanência no SIMPLES de pessoa jurídica que exerça atividades, consignadas no objeto social de seus atos constitutivos formalizados em registros públicos e em notas fiscais de prestação de serviços de ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, corretor, representante comercial ou assemelhados e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida.
Numero da decisão: 1801-000.668
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201108
ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário:1999 INGRESSO E PERMANÊNCIA NO SIMPLES. VEDAÇÃO. SERVIÇOS RELACIONADOS A ATIVIDADES DE PROFISSIONAIS LEGALMENTE HABILITADOS. É vedado o ingresso e a permanência no SIMPLES de pessoa jurídica que exerça atividades, consignadas no objeto social de seus atos constitutivos formalizados em registros públicos e em notas fiscais de prestação de serviços de ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, corretor, representante comercial ou assemelhados e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 13976.000063/2006-84
conteudo_id_s : 5784292
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 09 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1801-000.668
nome_arquivo_s : Decisao_13976000063200684.pdf
nome_relator_s : Maria de Lourdes Ramirez
nome_arquivo_pdf_s : 13976000063200684_5784292.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
id : 6970028
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049470446338048
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1673; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 239 1 238 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13976.000063/200684 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180100.668 – 1ª Turma Especial Sessão de 3 de agosto de 2011 Matéria Simples Exclusão Recorrente RD PRESTADORA DE SERVIÇOS E ASSESSORIA DE VENDAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário:1999 INGRESSO E PERMANÊNCIA NO SIMPLES. VEDAÇÃO. SERVIÇOS RELACIONADOS A ATIVIDADES DE PROFISSIONAIS LEGALMENTE HABILITADOS. É vedado o ingresso e a permanência no SIMPLES de pessoa jurídica que exerça atividades, consignadas no objeto social de seus atos constitutivos formalizados em registros públicos e em notas fiscais de prestação de serviços de ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, corretor, representante comercial ou assemelhados e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Fl. 251DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 2 ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Pelo Ato Declaratório Executivo no. 106.669, da DRF em Joinville/SC, datado de 09/01/1999 (fl. 06), a empresa contribuinte foi excluída da sistemática simplificada de pagamento de impostos e contribuições – Simples, por praticar atividade considerada vedada para ingresso e permanência nessa sistemática, qual seja, “prestação de serviços e assessoria de vendas” Notificada da exclusão a interessada apresentou a SRS de fl. 04 alegando prestar apenas serviços de preenchimento de documentos relacionados a exportação de mercadorias para outras empresas, atividade que não necessitaria de profissional com formação em curso superior. Com base em diligência fiscal efetuada no sentido de esclarecer a atividade praticada pela empresa o órgão de origem julgou improcedente a SRS sob o argumento de que, “de acordo com o Contrato Social apresentado após Intimação Fiscal, a atividade econômica exercida pela empresa a partir da segunda alteração contratual referese a "prestação de serviços de assessoria, supervisão e inspeção na venda de mercadorias destinadas a exportação", o que configura claramente exercício de atividade vedada a empresas optantes do SIMPLES, tendo em vista as restrições impostas pela legislação que rege a matéria”. Formalizada manifestação de inconformidade tempestiva, a DRJ em Florianópolis/SC indeferiu a solicitação da empresa para permanecer no Simples, ao fundamento de que as atividades descritas no objeto social da empresa seriam típicas ou assemelhadas às de consultor, vedadas para ingresso e permanência nessa sistemática. Intimada da decisão em 04/09/2009, como comprova o AR à fl. 35 a interessada apresentou, em 05/10/2009 o recurso voluntário de fls. 36/37. Depois de demonstrar seu faturamento com o objetivo de motivar sua permanência no simples, consignou, em suas palavras: Nesta data estamos anexando cópias dos documentos de vários clientes para demonstrar o que realmente a empresa acima qualificada, presta de serviços que são o preenchimento de vários documentos e formulários necessários para o cliente exportar. São dados informados pelos clientes, agentes, despachantes e bancos e de posse destes dados, preenchemos a documentação necessária para liberar os produtos que serão enviados aos despachantes e em seguida para o porto onde será o contêiner carregado no navio com destino ao porto que o cliente importador autorizou. Fl. 252DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 13976.000063/200684 Acórdão n.º 180100.668 S1TE01 Fl. 240 3 Desta forma queremos dizer que, entendemos que a empresa acima qualificada, mesmo com a sua atividade vedada, mencionado no contrato social, mas os serviços prestados não são de necessidade de profissional de profissão regulamentada, possa realmente estar enquadrada e utilizando os benefícios do Simples Nacional e para não ter nenhuma dúvida, em 05 de Dezembro de 2007, fizemos a 4a. Alteração do Contrato Social da empresa alterando a denominação social para "RDJ PRESTADORA DE SERVIÇOS LTDA. ME., e alterando também o objeto da sociedade para "PREPARAÇÃO DE DOCUMENTOS E PREENCHIMENTO DE FORMULÁRIOS PARA EMPRESAS EM GERAL", Código de Atividade Econômica Principal: 82.19999, (cópias em anexo). Pede pela reforma da decisão de 1a. instância. Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. O cerne do litígio diz respeito às atividades exercidas pela empresa excluída da sistemática simplificada de pagamento de impostos e contribuições federais – Simples Federal – se seriam vedadas para ingresso e permanência nesse sistema ou, ao contrário, se não estariam entre as vedações impostas pelo inciso XIII do artigo 9o. da Lei no. 9.317, de 1996. A clausula 5a. da 2a. Alteração e Consolidação do Contrato Social da empresa, datado de 27/01/1993 (fls. 16/17), prevê como objeto social as seguintes atividades: prestação de serviços de assessoria, supervisão e inspeção na venda de mercadorias destinadas a exportação; Já a 4a. alteração, às fls. 44/50, datada de 05/12/2007 e arquivada na JUCESC 08/08/2008, estabelece na clausula 3a., que a “sociedade terá por objeto a exploração do ramo de: "PREPARAÇÃO DE DOCUMENTOS E PREENCHIMENTO DE FORMULÁRIOS PARA EMPRESAS EM GERAL A empresa apresenta farta documentação (fls. 51 a 236) a fim de demonstrar que praticaria apenas serviços de preenchimento de formulários. Entretanto, as faturas de prestação de serviços emitidas pela interessada nada esclarecem pois no campo destinado à descrição dos serviços prestados trazem a vaga informação: “Pagamento Prestação de Serviços Referente Faturas No. s ...” Fl. 253DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 4 Contudo, é essa documentação, acostada aos autos pela recorrente, que demonstra claramente que a pessoa jurídica pratica atividades típicas de despachante. Os documentos se referem a comercial invoices, packing lists, conhecimentos de fretes e transportes, “borderôs” de exportação, instruções de embarque (bill of lading), dentre outros. Tomando por exemplo o borderô de exportação acostado à fl. 55, que consigna todos os dados atinentes à exportação para o Reino Unido de móveis da empresa “Móveis Katzer Ltda.”, verificase, no campo denominado “para esclarecimentos falar com” o nome de “RD” Rosangela – fax 633.5457”. O que denota que a funcionária da RD chamada Rosangela não seria apenas uma mera digitadora de formulários e que os serviços prestados pela RD não se restringiram a simples preparação de documentos e preenchimento de formulários. As atividades praticadas pela empresa estão literalmente previstas nas vedações impostas pela Lei no. 9.317, de 1996, que instituiu o Simples Federal, no artigo 9o. Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica: XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; O Simples Federal é sistemática benéfica de pagamento de impostos e contribuições federais destinada a propiciar economia tributária, a título de incentivo fiscal, às microempresas e empresas de pequeno porte para que tenham condições de adentrar e permanecer no mercado econômico com mínimas condições de competição. Nesse contexto, para que a empresa possa usufruir de tais benefícios, é necessário que sejam rigorosamente observados todos os requisitos e condições impostos pela legislação para sua fruição. Não é o caso da empresa recorrente, por tudo o que restou analisado e constatado nestes autos. Pelo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 254DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 13976.000063/200684 Acórdão n.º 180100.668 S1TE01 Fl. 241 5 Fl. 255DF CARF MF Emitido em 12/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/08/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES
score : 1.0
Numero do processo: 15504.725981/2011-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2007, 2008
PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA.
A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligências, inclusive perícias quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Art. 18 do Decreto nº 70.235/72.)
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. CARF. INCOMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2.)
PROCESSO ADMINISTRATIVO DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. CARF. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Súmula CARF nº 28, vinculante.)
RELAÇÃO DE VÍNCULOS E RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS.
A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Súmula CARF nº 88)
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula Carf nº 01.)
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NATUREZA JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. EFICÁCIA LIMITADA DO ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE ESSA ESPÉCIE DE GANHO ATÉ A REGULAMENTAÇÃO DA NORMA CONSTITUCIONAL PELA MEDIDA PROVISÓRIA 794, DE 1994 .
Segundo jurisprudência do plenário do Supremo Tribunal Federal (tema de Repercussão Geral 344), a eficácia do preceito veiculado pelo art. 7º, XI, da CF - inclusive no que se refere à natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários - depende de regulamentação, que só se operou com a edição da Medida Provisória 794, de 1994 (convertida na Lei 10.101, de 2000).
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM VALORES FIXOS. ASSINATURA DO ACORDO APÓS O PERÍODO DE AFERIÇÃO DOS RESULTADOS. AUSÊNCIA DE NEGOCIAÇÃO ENTRE EMPRESA E SEUS EMPREGADOS COM PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO. NÃO ATENDIMENTO DA LEI Nº 10.101, DE 2000. TRIBUTAÇÃO.
O valor pago ao segurado empregado a título de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a Lei nº 10.101, de 2000, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias.
O pagamento em valores fixos desvinculados de qualquer meta ou resultado previamente pactuado configura parcela com nítida natureza salarial submetida à incidência das contribuições previdenciárias.
A participação nos lucros ou resultados que não foi objeto de negociação prévia entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos previstos nos incisos I e II do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, com a participação obrigatória do sindicato da respectiva categoria, sujeita-se à incidência das contribuições previdenciárias.
O instrumento de negociação deve estar assinado antes do início do período de apuração dos lucros ou resultados. Não atende aos requisitos legais a assinatura apenas no último mês do período de apuração, pois tal situação revela-se similar à assinatura em data posterior ao término do período de apuração.
Numero da decisão: 2301-005.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) NÃO CONHECER das questões atinentes (a.1) à representação fiscal para fins penais e (a.2) ao controle repressivo de constitucionalidade; (b) REJEITAR (b.1) o pedido de diligência e (b.2) as preliminares de nulidade; e no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Acompanharam pelas conclusões, no mérito, os conselheiros Fábio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni.
Acompanhou o julgamento o Dr. Tiago Conde Teixeira, OAB/DF 24.259.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 17/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2007, 2008 PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligências, inclusive perícias quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Art. 18 do Decreto nº 70.235/72.) INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. CARF. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2.) PROCESSO ADMINISTRATIVO DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. CARF. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Súmula CARF nº 28, vinculante.) RELAÇÃO DE VÍNCULOS E RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Súmula CARF nº 88) PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula Carf nº 01.) PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NATUREZA JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. EFICÁCIA LIMITADA DO ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE ESSA ESPÉCIE DE GANHO ATÉ A REGULAMENTAÇÃO DA NORMA CONSTITUCIONAL PELA MEDIDA PROVISÓRIA 794, DE 1994 . Segundo jurisprudência do plenário do Supremo Tribunal Federal (tema de Repercussão Geral 344), a eficácia do preceito veiculado pelo art. 7º, XI, da CF - inclusive no que se refere à natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários - depende de regulamentação, que só se operou com a edição da Medida Provisória 794, de 1994 (convertida na Lei 10.101, de 2000). PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM VALORES FIXOS. ASSINATURA DO ACORDO APÓS O PERÍODO DE AFERIÇÃO DOS RESULTADOS. AUSÊNCIA DE NEGOCIAÇÃO ENTRE EMPRESA E SEUS EMPREGADOS COM PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO. NÃO ATENDIMENTO DA LEI Nº 10.101, DE 2000. TRIBUTAÇÃO. O valor pago ao segurado empregado a título de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a Lei nº 10.101, de 2000, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O pagamento em valores fixos desvinculados de qualquer meta ou resultado previamente pactuado configura parcela com nítida natureza salarial submetida à incidência das contribuições previdenciárias. A participação nos lucros ou resultados que não foi objeto de negociação prévia entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos previstos nos incisos I e II do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, com a participação obrigatória do sindicato da respectiva categoria, sujeita-se à incidência das contribuições previdenciárias. O instrumento de negociação deve estar assinado antes do início do período de apuração dos lucros ou resultados. Não atende aos requisitos legais a assinatura apenas no último mês do período de apuração, pois tal situação revela-se similar à assinatura em data posterior ao término do período de apuração.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15504.725981/2011-69
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5761140
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2301-005.102
nome_arquivo_s : Decisao_15504725981201169.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JOAO BELLINI JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 15504725981201169_5761140.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) NÃO CONHECER das questões atinentes (a.1) à representação fiscal para fins penais e (a.2) ao controle repressivo de constitucionalidade; (b) REJEITAR (b.1) o pedido de diligência e (b.2) as preliminares de nulidade; e no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Acompanharam pelas conclusões, no mérito, os conselheiros Fábio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni. Acompanhou o julgamento o Dr. Tiago Conde Teixeira, OAB/DF 24.259. JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
id : 6902149
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049470456823808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 33; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1964; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.725981/201169 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.102 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 8 de agosto de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente APERAM INOX AMERICA DO SUL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2007, 2008 PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. A autoridade preparadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligências, inclusive perícias quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Art. 18 do Decreto nº 70.235/72.) INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. CARF. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula Carf nº 2.) PROCESSO ADMINISTRATIVO DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. CARF. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Súmula CARF nº 28, vinculante.) RELAÇÃO DE VÍNCULOS E RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Súmula CARF nº 88) PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 59 81 /2 01 1- 69 Fl. 2918DF CARF MF 2 do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula Carf nº 01.) PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NATUREZA JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. EFICÁCIA LIMITADA DO ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE ESSA ESPÉCIE DE GANHO ATÉ A REGULAMENTAÇÃO DA NORMA CONSTITUCIONAL PELA MEDIDA PROVISÓRIA 794, DE 1994 . Segundo jurisprudência do plenário do Supremo Tribunal Federal (tema de Repercussão Geral 344), a eficácia do preceito veiculado pelo art. 7º, XI, da CF inclusive no que se refere à natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários depende de regulamentação, que só se operou com a edição da Medida Provisória 794, de 1994 (convertida na Lei 10.101, de 2000). PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM VALORES FIXOS. ASSINATURA DO ACORDO APÓS O PERÍODO DE AFERIÇÃO DOS RESULTADOS. AUSÊNCIA DE NEGOCIAÇÃO ENTRE EMPRESA E SEUS EMPREGADOS COM PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO. NÃO ATENDIMENTO DA LEI Nº 10.101, DE 2000. TRIBUTAÇÃO. O valor pago ao segurado empregado a título de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a Lei nº 10.101, de 2000, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O pagamento em valores fixos desvinculados de qualquer meta ou resultado previamente pactuado configura parcela com nítida natureza salarial submetida à incidência das contribuições previdenciárias. A participação nos lucros ou resultados que não foi objeto de negociação prévia entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos previstos nos incisos I e II do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, com a participação obrigatória do sindicato da respectiva categoria, sujeitase à incidência das contribuições previdenciárias. O instrumento de negociação deve estar assinado antes do início do período de apuração dos lucros ou resultados. Não atende aos requisitos legais a assinatura apenas no último mês do período de apuração, pois tal situação revelase similar à assinatura em data posterior ao término do período de apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) NÃO CONHECER das questões atinentes (a.1) à representação fiscal para fins penais e (a.2) ao controle repressivo de constitucionalidade; (b) REJEITAR (b.1) o pedido de diligência e (b.2) as preliminares de nulidade; e no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Acompanharam pelas conclusões, no mérito, os conselheiros Fábio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni. Acompanhou o julgamento o Dr. Tiago Conde Teixeira, OAB/DF 24.259. Fl. 2919DF CARF MF Processo nº 15504.725981/201169 Acórdão n.º 2301005.102 S2C3T1 Fl. 3 3 JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 3255.455, exarado pela 6ª Turma da DRJ em Belo Horizonte (efls. 2.823 a 2.850). O processo administrativo é constituído pelos Auto de Infração Debcad n° 37.331.4051, que formaliza exigências relativas a contribuições destinadas às “Outras Entidades e Fundos” (FNDE, Senai, Sesi, Sebrae e Incra), incidentes sobre diferenças apuradas com despesas realizadas com custo de seus empregados e diretores, constantes das folhas de pagamento, especificamente com as rubricas 894 – PLR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS, 866 – PME – PLANO DE METAS POR EQUIPE, creditadas a seus funcionários e 1578 – BÔNUS PLR, creditadas a funcionários e diretores, em desacordo com a legislação. Os valores das referidas rubricas pagas a contribuintes individuais não foram incluídos no lançamento em questão. Em sede de impugnação foi solicitada a realização de perícia; a autoridade julgadora de primeira instância solicitou diligência fiscal (efl. 1100). O resultado dessa diligência (efls. 1105 a 1120) foi cientificado à contribuinte que sobre ela se manifestou às efls. 1135 a 1158. A DRJ julgou a impugnação improcedente, em acórdão que recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 RELATÓRIO DE VÍNCULOS. SÓCIOS E ADMINISTRADORES. O anexo Relatório de Vínculos tem finalidade meramente informativa, não atribui responsabilidade tributária às pessoas nele indicadas e nem comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal. IMPUGNAÇÃO DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS FEITA EM PROCESSO DE DÉBITO. NÃO CABIMENTO. É obrigação legal do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais sempre que, no exercício de suas funções, constatar a ocorrência, em tese, de crime contra a Seguridade Social. Fl. 2920DF CARF MF 4 O processo de exigência de crédito fiscal não é o fórum adequado para apresentação de impugnação à processo de Representação Fiscal para Fins Penais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PREVISÃO CONSTITUCIONAL. O dispositivo constitucional que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros e resultados desvinculada da remuneração é de eficácia limitada, eis que expressamente prevê regulamentação por meio de lei ordinária, em conseqüência, a citada verba só deixou de integrar a base de contribuição a partir da edição da norma infraconstitucional e desde que em cumprimento da mesma. NATUREZA SALARIAL DE PARCELA. INCIDÊNCIA. Verificandose que, embora denominada "participação nos lucros", a parcela paga ao trabalhador tem natureza remuneratória, não se enquadrando nas hipóteses legalmente excluídas da tributação, deve ser reconhecida como integrante do salário de contribuição, base de incidência da contribuição exigida, não sendo admissível a prevalência do rótulo sobre o conteúdo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência dessa decisão ocorreu em 16/05/2014 (efl. 2.852). Em 16/06_/2014, foi apresentado recurso voluntário (efls. 2.855 a 2.883), sendo alegado, em síntese: I) dever serem excluídos os corresponsáveis; II) a nulidade da representação fiscal para fins penais; III) dever ser deferida a realização de prova pericial; IV) a ausência de natureza salarial das verbas pagas e a não incidência das contribuições à seguridade social; V) o cumprimento dos ditames constitucionais e legais da verba paga a título de participação nos lucros e resultados; VI) equívocos nas premissas da fiscalização e reiterados pelo acórdão da DRJ. O mérito do recurso voluntário tem seu teor resumido no relatório do acórdão recorrido, que peço vênia para reproduzir: Verba paga a título de Participação nos Lucros e Resultados Transcrevendo o art. 7º, XI, da CF/88 diz que, sendo um comando constitucional, sua interpretação deve ser ampla, pois nem a interpretação e nem tampouco a regulamentação podem restringir o alcance constitucional. Cita decisão do CARF. Fl. 2921DF CARF MF Processo nº 15504.725981/201169 Acórdão n.º 2301005.102 S2C3T1 Fl. 4 5 Alega que ainda que se interprete a não tributação das parcelas da PLR como um incentivo fiscal, nos termos do art. 111 do CTN, a literalidade ali empregada não pode levar à falta de lógica no sistema. Cita decisão do STJ. Argumenta que a Lei 10.101/00 não pode restringir o alcance do Texto Constitucional, nem tampouco ser regulamentadora dos limites ao poder de tributar, pois não se trata de lei complementar. Desta forma, os ditames da referida lei não podem ser tomados como obrigatórios, mas indutivos, ou seja, comprovada a natureza de participação nos lucros nada pode obstar a vontade constitucional e deixar de compor tais parcelas na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Cita decisão do STJ. Diz que a autuação ofende à Constituição Federal, pois, a fiscalização pretende desconfigurar as parcelas pagas a título de participação nos lucros e resultados pela impugnante, nos exercícios de 2007 e 2008, respaldandose em requisitos legais que sequer existem. Alega que a estrutura do programa espontâneo e posteriormente convalidado pela negociação coletiva, resta inabalável, cumpre os requisitos legais e, de fato, remunera os empregados pelo plus além das obrigações contratuais, visando à melhoria dos resultados e/ou lucros da empresa. Possui indubitavelmente a natureza jurídica de PLR, uma vez que funciona como instrumento de integração entre capital e trabalho, mediante negociação, serve de incentivo à produtividade e está vinculado à existência de resultados positivos, são fixadas regras claras e objetivas, com ampla divulgação aos funcionários atingidos e existem claros mecanismos de aferição de resultados. Discorre sobre o modelo de gestão da impugnante denominado GPS (Gestão Para o Sucesso), onde as metas da diretoria são desdobradas em projetos, estudos, melhorias do dia a dia, e este resultado alimenta o processo de carreira e remuneração da empresa (PME e GEDP). Diz que apesar deste desdobramento, o GPS é um programa geral para toda a Companhia, uma vez que todos os empregados são avaliados tanto individualmente quanto por equipe, sendo que o PME e o GEDP influenciam diretamente os grupos apenas no momento do pagamento da PLR. Relata toda a sistemática do PME (Programa de Metas por Equipe), concluindo que todos os requisitos constantes da Lei 10.101/00 são atingidos, visto que todas as metas são previamente pactuadas, os resultados acompanhados, nenhuma meta tem relação com a obrigação contratual e laboral direta. O GEDP é utilizado para o pagamento da PLR para os demais empregados não participantes do PME (técnicos especializados, gerentes e diretores) que é composto por metas individuais e metas corporativas. Exemplifica com a apuração do valor a ser pago a título de PLR para o empregado Eduardo Mesquita no ano de 2006. Diz que, assim como ocorre no PME, todas as metas são previamente negociadas, e a forma de cálculo tem a Fl. 2922DF CARF MF 6 sua devida publicidade, sendo ao final divulgado os resultados para as pessoas avaliadas. Alega que a não incidência de contribuições previdenciárias para pagamentos de PLR feitos de acordo com a legislação, possui a condição de não ser mero disfarce de remuneração habitual pelo trabalho do segurado e visa a ampliação da renda dos trabalhadores, oriunda do atendimento de metas desejadas pelas empresas, e o aumento de produtividade destas, com a conseqüente ampliação da produtividade e da competitividade do país. Prossegue argumentando que, neste sentido, os programas da empresa e, conseqüentemente, os valores pagos a título de PLR cumprem essas funções, pois não podem ser conceituados como remuneração habitual, e buscam a ampliação da renda do trabalhador e o aumento da produtividade da impugnante assim como possibilitam que os segurados empregados, mediante negociação com participação do sindicato, tenham ciência, previamente ao esforço e seu conseqüente resultado, do quanto será destinado ao pagamento de PLR, qual seu ganho individual (direitos substantivos) e as regras, objetivos, formas, meios para se atingir esse ganho. Entende que se a essência do programa está satisfeita, se demonstrado de forma cabal que a natureza é de PLR, não há sentido querer a tributação, pois esta fere a segurança jurídica e macula o sistema tributário, nele não podendo efetivamente confiar. Diz, ainda, que além de tais programas, quando da negociação coletiva (que se inicia bem antes do que a fiscalização imagina), o Sindicato e a Empresa negociam, diante do resultado auferido pela empresa, valores adicionais e que passam a compor o conjunto dos valores de PLR pagos no período. Dos equívocos nas premissas cometidos pela fiscalização em suas premissas a Não apresentação de instrumento de negociação coletiva Aduz que a fiscalização incorre em grave equívoco quando alega que a empresa não apresentou qualquer instrumento de negociação coletiva que justificasse o pagamento das rubricas “PLR – PME – Rubrica 886” e “Bônus – PLR – Rubrica 1578”: primeiro, pela vontade constitucional, se demonstrado que na essência o pagamento é eventual, desindexado das funções laborais, mas buscam outros resultados ou mesmo o lucro, não há que se falar em incidência das contribuições previdenciárias; segundo, o programa espontâneo feito pela empresa é compensado quando da negociação coletiva, cumprindo, assim, todos os requisitos também impostos pela Lei 10.101/00. Diz que durante a fiscalização foram apresentados todos os acordos referentes ao período autuado e, em todos estes acordos podese verificar a efetiva participação do sindicato, que por intermédio de seu representante, assinou os mencionados acordos, concordando com todos os termos lá expostos. Fl. 2923DF CARF MF Processo nº 15504.725981/201169 Acórdão n.º 2301005.102 S2C3T1 Fl. 5 7 Argumenta que em que pese os ACT’s não apresentarem de forma detalhada e exaustiva a definição das metas de resultados e as formas de avaliação de atendimento das metas, isto não significa que todos os programas existentes na companhia não são previamente negociados e estabelecidos com todos os empregados, o que já restou inclusive demonstrado e comprovado no tópico anterior, ao serem anexados à impugnação alguns PME’s com a aquiescência dos empregados que são a ele submetidos. Alega que o exame dos instrumentos de acordo coletivo firmados pela impugnante e a METASITA (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Siderúrgicas, Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Belo Horizonte e Contagem) de 2006 a 2008, revelam que se trata de exteriorização das importâncias a serem pagas aos empregados a título de PLR, apurada de conformidade com os Programas de Gestão detalhados no tópico antecedente. Diz que a Lei 10.101/00 visa a que os segurados empregados, mediante negociação com participação do sindicato, tenham ciência, previamente ao esforço e seu conseqüente resultado, do quanto será destinado ao pagamento de PLR, qual seu ganho individual (direitos subjetivos) e as regras, objetivos, formas, meios para se atingir este ganho. Prossegue argumentando que os instrumentos de acordo não podem ser interpretados isoladamente, mas em confronto com os demais dados que conduziram à apuração do quantum da PLR paga a cada empregado. Além disto, para a fiscalização do programa, a impugnante obrigase a reunir a comissão dos empregados para acompanhar os resultados que afetam a participação e publica relatórios periódicos para distribuição a todos os segurados a seu serviço, com os percentuais de atingimento de metas, apurados para cada área de atuação. Conclui que não há razão no argumento da fiscalização para desconstituir a natureza de PLR dos pagamentos realizados. Embora entenda que os ditames da Lei 10.101/00 são meramente indutivos de comportamento, mas não mandatórios, fica evidente, pela análise feita, que tais programas estavam de conformidade com o que determina o art. 2º, § 1º da referida lei: • os direitos substantivos da participação estão definidos: na condição para pagamento da PLR, na definição do montante a ser distribuído, e no conhecimento prévio da fórmula de cálculo, para que os segurados empregados tenham ciência de quanto vão auferir; • as regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, estão dispostas: na obrigatoriedade de que as metas sejam quantificáveis, de forma a possibilitar avaliação objetiva do percentual de atingimento de cada resultado; nas formas de acompanhamento e fiscalização do acordado; na definição Fl. 2924DF CARF MF 8 prévia das metas por área de atuação e do conseqüente pagamento e na publicação periódica de atingimento de metas. Diz ser evidente que todos os pagamentos de PLR constam do ACT, seja por homologação ao que se manteve espontaneamente, seja pelo que se negociou com o Sindicato quando da negociação coletiva. Conclui que a forma de condução do Plano de PLR da empresa não encontra nenhum óbice legal, sendo totalmente lícita, possível e estimulada, consoante previsão contida no art. 3º, parágrafo 3º, da Lei 10.101/00. Transcreve pronunciamento do STJ e ementa de julgado do CARF. b Pagamentos realizados no próprio mês da assinatura dos acordos No que toca ao argumento da fiscalização de que “os pagamentos foram realizados no próprio mês da assinatura dos acordos ou pagos em até 7 dias úteis após a assinatura do acordo”, diz que no item anterior ficou demonstrado que os programas PME e GEDP são previamente ajustados e com o acompanhamento constante pelos empregados e quando da negociação coletiva eles são apenas incluídos na negociação e homologados, nos exatos termos do art. 3º, § 3º, da Lei 10.101/00. Quanto ao plus fixo negociado nos Acordos Coletivos de Trabalho, conforme se comprova pelos informativos juntados, a negociação entre a empresa e os sindicatos começa muito antes da sua assinatura, não havendo sentido na afirmação fiscal. Destaca que os documentos em anexo, comprovam de forma irrefutável as metas estabelecidas e a forma de avaliação, inclusive as fichas administrativas estão postas com a assinatura dos avaliados, o que demonstra que o sistema implantado para a mensuração de desempenho e tratamento dos resultados era de pleno conhecimento dos empregados. A confecção de um manual tanto para o PME/PEGD também confirma que a empresa se preocupou efetivamente com a adoção de um método justo e público para todos os funcionários. c Ferimento da periodicidade Diz que os pagamentos residuais ocorreram nas hipóteses de rescisão do contrato de trabalho, conforme demonstrado na planilha que anexa, devendo ser anulada a autuação, pois, a fiscalização descaracterizou tais pagamentos como PLR, desincumbindose do seu mister, qual seja, a busca da verdade material. Conforme levantamento realizado pelo próprio fiscal, não há nenhum segurado que tenha recebido mais de duas parcelas ao ano, ainda que pelo referido motivo, a periodicidade tenha sido inferior a um semestre civil. Fl. 2925DF CARF MF Processo nº 15504.725981/201169 Acórdão n.º 2301005.102 S2C3T1 Fl. 6 9 Diz que da análise da legislação, não há motivo para a descaracterização da verba quando o pagamento realizado em períodos inferiores a seis meses, desde que ocorram no máximo duas vezes ao ano (art. 3º, § 2º da Lei 10101/00). Este também é o entendimento oficial do INSS conforme a Consulta Técnica 507, publicada em 21/07/2004. Conclui que não houve ferimento à periodicidade posta em lei, apenas pagamentos a empregados distintos ou resíduos por conta de afastamento, aumentos, etc. d Pagamentos fixos e sem metas a serem alcançadas Quanto ao argumento do fisco de que nos acordos há a previsão do pagamento de valores, independente do atingimento de metas ou resultados, como mera liberalidade da empresa, diz que conforme demonstrado estes valores são bônus, previstos nos acordos coletivos após uma ampla negociação entre o sindicato, empregados e a empresa. Alega que tais valores estão atrelados ao PME e são pagos levando em consideração os resultados da empresa no período. Havendo um bom resultado, além da PLR, os trabalhadores, em geral, recebem um bônus, o qual é objeto de negociação com o sindicato, conforme demonstrado. (...) Da quantificação equivocada do crédito tributário a) Divergência quanto à base de cálculo das contribuições Diz que o laudo do Escritório de Contabilidade do Sr. Rodrigo Assunção de Oliveira, contratado para verificar a base de cálculo considerada pela fiscalização, concluiu que existe excesso de cobrança da ordem de R$659.712,41 (base de cálculo apurada pela fiscalização (R$56.188.702,21) e a fornecida pela APERAM (R$55.528.989,80)), cabendo à fiscalização corrigir a base de cálculo. Foi alegado ainda, somente por ocasião do recurso voluntário, erro na quantificação do crédito tributário, uma vez que ao calcular a alíquota do SAT sobre a base de cálculo foi adotado o percentual de 3% (risco máximo) para todas as unidades, sem a ponderação do risco da atividade preponderante de cada estabelecimento; a alíquota do SAT deve ser calculada com base no grau de risco da atividade desenvolvida em cada um dos estabelecimentos da empresa, jamais podendo ser arbitrada com base na atividade preponderante quando há mais de um CNPJ envolvido, como restou assentado pela Súmula 351 do STJ, sendo a lei – neste ponto – absolutamente inconstitucional por conta da natureza securitária do referido adicional. Afirma que, no presente caso, a nulidade do arbitramento é ainda mais evidenciada pela coisa julgada obtida nos autos do Mandado de Segurança n° 1997.38.000432120 (doc. 16 da impugnação), por decisão definitiva proferida no âmbito do STJ, que garantiu a si o direito ao recolhimento do SAT conforme o grau de risco avaliado em Fl. 2926DF CARF MF 10 cada estabelecimento (doc. 17 da impugnação), concluindo que, além da insubsistência do crédito tributário, padece ele de tais defeitos de quantificação. Foram feitos os seguintes pedidos: a) em preliminar: (a.1) suspender o Processo de Representação Fiscal para Fins Penais até o término do presente Processo Administrativo; (a.2) anular o auto de infração por ausência de motivação da autoridade administrativa; (a.3) deferir a realização de prova pericial nos termos requeridos na impugnação administrativa; (a.4) o trâmite conexo deste processo com os Autos de Infração Debcads 37.331.4043, 37.331.4060 e 51.015.3860; b) no mérito, declarar a insubsistência total da autuação. É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARES DA EXCLUSÃO DOS CORRESPONSÁVEIS A recorrente requer a exclusão dos diretores, presidentes, administradores e conselheiros de administração informados no Relatório de Vínculos, em razão da ausência dos requisitos do art. 135, III, do CTN. No entanto, “a Relação de CoResponsáveis – CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa”. (Súmula CARF nº 88.) Assim, denego o pedido pela sua impossibilidade jurídica: não é possível excluir a responsabilidade tributária de pessoas a quem tal responsabilidade não é atribuída. DA NULIDADE DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS É arguida a nulidade da representação fiscal para fins penais; pedese a sua suspensão até o término do presente processo administrativo fiscal. Porém, de acordo com a Súmula CARF nº 28 (vinculante), “o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais”, pelo que não conheço desta questão. Fl. 2927DF CARF MF Processo nº 15504.725981/201169 Acórdão n.º 2301005.102 S2C3T1 Fl. 7 11 DA PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL A recorrente sustenta seja deferida a realização de prova pericial nos termos requeridos na impugnação, haja vista que a perícia é essencial a referendar os fatos e fundamentos apresentados. Em sede de impugnação fora indicada a perita Magda Regina Sant'Ana Plair e formulados os seguintes quesitos: • informar se a empresa possuía, no período autuado, Acordo Coletivo de Trabalho prevendo o pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados. Informar, ainda, os valores acordados e quais os empregados que são atingidos pelo pagamento; • informar se consta do programa PME/GEDP regras claras e objetivas quanto à fixação do direito à Participação dos empregados nos Lucros e Resultados a serem obtidos e ali especificados; • informar se há algum pagamento individual de PLR realizado em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes ao ano; • informar se os pagamentos realizados em competências diversas das designadas para o pagamento da PLR (incluindo PME/GEDP) são todas decorrentes de rescisão do contrato de trabalho; • informar como o programa PME/GEDP é desenvolvido, incluindo, mas não se esgotando: quais os objetivos do Programa (se ligados aos resultados empresariais e individuais), qual a fórmula de cálculo da PLR, quais as metas gerais e quais as metas individuais e como estas são aferidas; • informar se há um acompanhamento e a devida publicidade das metas estipuladas nos planos espontâneos no decorrer do período de apuração; • para os diretores, favor informar se a empresa pagou tal parcela nos limites e forma da Lei 6.404/76; • informar se a própria Lei 10.101/00 prevê a possibilidade da empresa manter os seus planos espontâneos. No processo administrativo fiscal a autoridade julgadora não está obrigada a deferir pedidos de realização de diligência ou perícia requeridas. A teor do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993, tais pedidos somente são deferidos quando necessários à formação de convicção do julgador. Ou seja, a perícia ou a diligência só têm razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser elucidada, a critério da autoridade administrativa que realiza o julgamento do processo. Além do mais, descabe diligência ou perícia para averiguação de fato que possa ser comprovado com a juntada de prova documental, cuja guarda e comprovação está a cargo do sujeito passivo, como se dá no presente caso. Entendo que não há elemento probatório a ser esclarecido por meio de perícia/diligência, a qual entendo desnecessária para o julgamento do recurso voluntário. Isso porque os quesitos tratam ou de questões envolvendo meras provas documentais, que podem e devem ser juntadas aos autos pela defesa – como os acordos coletivos, programas de Fl. 2928DF CARF MF 12 participação nos lucros ou resultados, planos de metas e mecanismos de aferição, planilhas de avaliação e controle de desempenho dos trabalhadores, atas de participação formal do sindicato da categoria ou da comissão paritária nas negociações – ou se trata de interpretação de lei, como na questão de informar se a Lei 10.101/00 prevê a possibilidade da empresa manter os seus planos espontâneos. PEDIDO DE CONEXÃO Quanto ao pedido de trâmite conjunto dos processos relativos aos Autos de Infração a seguir citados, a matéria concernente à vinculação de processos por conexão, decorrência ou por serem reflexos se encontra na atribuição administrativa do Presidente de Câmara ou Seção (Ricarf, art. 6º, § 3º), não sendo esta Turma de julgamento competente para deferir ou indeferir tal pedido. Debcad 37.331.4043 (obrigação principal – contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidentes sobre o valor das rubricas pagas ou creditadas aos segurados empregados e diretores na forma dos arts. 22, item I, da Lei 8.212/91 e contribuições relativas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, incidentes sobre o total das contribuições pagas ou creditadas aos segurados empregados. Fatos geradores: 01/2007 a 13/2008.), Debcad 37.331.4060 (obrigação acessória Apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei n° 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e parágrafo 3o, acrescentados pela Lei n° 9.528, de 10.12.97, com fatos geradores não correspondentes a todas as contribuições previdenciárias.) e Debcad 51.015.3860 (obrigação acessória deixar a empresa de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à Fiscalização, conforme previsto na Lei 8.212, de 24.07.91.), Mesmo que assim não fosse, não estão indicados a quais processos administrativos se relacionam os citados debcad, o que, por si só seria impeditivo do deferimento do pedido, uma vez que não existe controle de processos administrativos fiscais em face do debcad que lhe deu origem. Ademais, pesquisando no sítio eletrônico do CARF pelo valor do crédito tributário indicado para cada debcad no recurso voluntário (respectivamente, R$43.214.549,57, R$1.280.521,20 e R$15.244,14), verifico que, apesar de não citar o debcad a que se refere, o processo administrativo 15504.725977/201109 trata dos mesmos anoscalendários e constitui crédito tributário de R$43.214.549,57; o processo foi julgado em 28/11/2016 pelo Acórdão 2401004.509, o qual recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. AVALIAÇÃO DO JULGADOR. NECESSIDADE E VIABILIDADE. Fl. 2929DF CARF MF Processo nº 15504.725981/201169 Acórdão n.º 2301005.102 S2C3T1 Fl. 8 13 Desde que fundamentado pelo julgador, o indeferimento da perícia é motivo insuficiente para a declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica, não constituindo a realização do exame pericial um direito subjetivo do interessado. Tampouco a perícia é via que se destine a produzir provas de responsabilidade das partes, suprindo o encargo que lhes compete. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM VALORES FIXOS. ASSINATURA DO ACORDO APÓS O PERÍODO DE AFERIÇÃO DOS RESULTADOS. AUSÊNCIA DE NEGOCIAÇÃO ENTRE EMPRESA E SEUS EMPREGADOS COM PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO. NÃO ATENDIMENTO DA LEI Nº 10.101, DE 2000. TRIBUTAÇÃO. O valor pago ao segurado empregado a título de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a Lei nº 10.101, de 2000, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O pagamento em valores fixos desvinculados de qualquer meta ou resultado previamente pactuado configura parcela com nítida natureza salarial submetida à incidência das contribuições previdenciárias. A participação nos lucros ou resultados que não foi objeto de negociação prévia entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos previstos nos incisos I e II do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, com a participação obrigatória do sindicato da respectiva categoria, sujeitase à incidência das contribuições previdenciárias. O instrumento de negociação deve estar assinado antes do término do período de apuração dos lucros ou resultados. Não atende aos requisitos legais a assinatura apenas no último mês do período de apuração, pois tal situação revelase similar à assinatura em data posterior ao término do período de apuração. DIRETORES NÃO EMPREGADOS. PARTICIPAÇÃO ESTATUTÁRIA. REMUNERAÇÃO PELO TRABALHO. INCIDÊNCIA. A Lei nº 10.101, de 2000, é aplicável apenas no caso de pagamentos a título de participação nos lucros ou resultados pactuados entre empresa e seus empregados. A parcela paga a título de participação estatutária a diretores não empregados, nos termos do art. 152 da Lei nº 6.404, de 1976, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Fl. 2930DF CARF MF 14 EXPOSIÇÃO A AGENTES NOCIVOS. RUÍDO. ADICIONAL DESTINADO AO FINANCIAMENTO DO BENEFÍCIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL. INEFICÁCIA. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário com Agravo nº 664.335/SC, com repercussão geral reconhecida, assentou o entendimento de que o uso de Equipamento de Proteção Individual (EPI) não afasta a contagem de tempo de serviço especial para aposentadoria na hipótese de exposição do trabalhador ao agente nocivo ruído acima dos limites legais de tolerância. Tal posição jurisprudencial deve ser aplicada em relação à exigência do adicional para financiamento do benefício da aposentadoria especial. EXPOSIÇÃO A AGENTES NOCIVOS. CALOR. ADICIONAL DESTINADO AO FINANCIAMENTO DO BENEFÍCIO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. O adicional destinado ao financiamento do benefício de aposentadoria especial incide sobre a remuneração dos segurados empregados expostos ao agente nocivo calor, quando constatada a medição acima do limite de tolerância avaliado segundo o Anexo 3 da NR15. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. Afastase a sujeição passiva solidária quando não caracterizada pela autoridade lançadora a existência de grupo econômico entre as empresas. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ENUNCIADO DA SÚMULA CARF Nº 28. Este Conselho Administrativo é incompetente para se pronunciar sobre controvérsias referentes à representação fiscal para fins penais elaborada pela fiscalização. (Súmula Carf nº 28) Recurso Voluntário Provido em Parte Fica assim prejudicado o pedido de conexão entre os processos. À vista do exposto, denego o pedido de encaminhamento do pedido ao Sr. Presidente de Seção. Fl. 2931DF CARF MF Processo nº 15504.725981/201169 Acórdão n.º 2301005.102 S2C3T1 Fl. 9 15 MÉRITO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS A Constituição Federal, no art. 7°, XI, instituiu a participação dos trabalhadores nos lucros e resultados da empresa, a desvinculando da remuneração e, portanto, da base de cálculo das contribuições previdenciárias, nos termos da lei: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; O Pleno do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 569.441/RS (com repercussão geral conhecida, tema 344) decidiu que (a) tal norma é de eficácia limitada, dependendo de regulamentação, “inclusive no que se refere à natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários” e (b) “a disciplina do direito à participação nos lucros somente se operou com a edição da Medida Provisória 794/94”. O acórdão recebeu a seguinte ementa: CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. NATUREZA JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. EFICÁCIA LIMITADA DO ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE ESSA ESPÉCIE DE GANHO ATÉ A REGULAMENTAÇÃO DA NORMA CONSTITUCIONAL. 1. Segundo afirmado por precedentes de ambas as Turmas desse Supremo Tribunal Federal, a eficácia do preceito veiculado pelo art. 7º, XI, da CF inclusive no que se refere à natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários depende de regulamentação. 2. Na medida em que a disciplina do direito à participação nos lucros somente se operou com a edição da Medida Provisória 794/94 e que o fato gerador em causa concretizouse antes da vigência desse ato normativo, deve incidir, sobre os valores em questão, a respectiva contribuição previdenciária. 3. Recurso extraordinário a que se dá provimento. (Grifouse.) Tal acórdão transitou em julgado em 23/02/2015. A seu turno, a Lei 8.212, de 1991 (art. 28, § 9°, “j”), ao tratar do saláriode contribuição, também previu a necessidade de lei específica para que as importâncias recebidas pelos segurados a título de participação nos lucros e resultados não integrem o salário de contribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 2932DF CARF MF 16 I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta lei: (...) j — a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando para ou creditada de acordo com a lei específica. (Grifouse.) Assim, apenas com a Medida Provisória 794, de 1994, convertida na Lei nº 10.101, de 2000, a matéria foi regulamentada. Ou seja, de acordo com o entendimento do STF expresso no julgamento de acórdão submetido ao rito da repercussão geral – de utilização compulsória por este CARF, a teor do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf) – não há falar em participação nos lucros e resultados decorrentes do art. 7º, XI, da Constituição Federal anteriormente à edição da Medida Provisória 794, de 1994 (friso a data de 1994, que, por si só, exclui a pretensão de alguns que vêem na Lei 6.404, de 1976 a regulamentação de PLR a serem pagos a administradores). Assim, de acordo com o texto da Lei nº 10.101, de 2000, a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa é (a) instrumento de integração entre o capital e o trabalho e (b) incentivo à produtividade: Art.1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Como instrumento de incentivo à produtividade, (a) a pactuação do pagamento de lucros ou resultados deve ser anterior ao período aquisitivo a que se refere Fl. 2933DF CARF MF Processo nº 15504.725981/201169 Acórdão n.º 2301005.102 S2C3T1 Fl. 10 17 (a partir deste ponto, o texto negritado e marcado por letras sequenciais lista os requisitos para o exercício do pagamento da PLR). Nesse sentido, a jurisprudência deste CARF: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS ACORDO PRÉVIO ASSINATURA DE ACORDO NO FIM DO EXERCÍCIO. Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, sem a existência de acordo prévio o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. (Ac. 9202004.347) (Grifouse.) PLANO NOS LUCROS E RESULTADOS SEM PACTUAÇÃO PRÉVIA. IRREGULARIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NOS VALORES PAGOS A ESTE TÍTULO. Consta nos autos que não se teve pactuação prévia dos PLR's em estudo, eis que a distribuição de lucros e resultados para pagamentos aos funcionários foram albergados aos planos distintos para cada funcionário, dado a sua especificidade laboral. No caso em tela informa a Recorrente que ela optou por adotar uma política que considera que a participação de cada funcionário no PLR são auferidos no desempenho pessoal de suas funções e para isto criou a "Ficha de Avaliação de Performance', onde ela foi estabelecida antes da data do pagamento da PLR, ou seja, cada funcionário agraciado com o beneficio tinha o conhecimento do seu dever a cumprir para fazer jus ao benefício. Entretanto, isto não é possível para ter em valia o PLR porque a lei de regência, em seu artigo 2º diz que o PLR será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante procedimentos escolhidos pelas partes de comum acordo, podendo ser 1) instrumentos decorrentes de negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições; ou 2) em a negociação não prosperando poderá ser utilizado a mediação e ou arbitragem. (Ac. 2301004.361) (Grifouse.) PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ACORDO POSTERIOR AO PERÍODO DE AFERIÇÃO DOS RESULTADOS. AUSÊNCIA DE NEGOCIAÇÃO ENTRE EMPRESA E SEUS EMPREGADOS. PAGAMENTOS EM DESACORDO COM AS FINALIDADES DA LEI Nº 10.101, DE 2000. INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. Fl. 2934DF CARF MF 18 Integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores pagos a título de participação nos resultados em desacordo com a Lei nº 10.101, de 2000. Está sujeita à tributação a participação nos lucros ou resultados que não foi objeto de negociação prévia entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos previstos na Lei nº 10.101, de 2000. Da mesma maneira, o acordo firmado quando os resultados já foram alcançados, cujos pagamentos ocorrem em função da comparação entre o volume de vendas previsto e o realizado no período, não atende ao estabelecido na Lei nº 10.101, de 2000, pois não há como incentivar e aferir algo que já foi alcançado. (AC. 2401004.411) (Grifouse.) No mesmo sentido, a jurisprudência do STJ: (...)PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA. REQUISITOS DO ART. 2º DA LEI 10.101/2000. AUSÊNCIA DE NEGOCIAÇÃO COLETIVA PRÉVIA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO (...) (...) 8. O acordo coletivo sobre participação nos lucros deve ser prévio, estabelecendo os critérios de distribuição dos lucros, para evitar que a negociação tardiamente entabulada possa ser utilizada pela empresa como válvula de escape para a sonegação fiscal. (REsp 1216838 / RS, julgado em 06/12/2011) (Grifouse.) O art. 2º prevê os requisitos para que se possa excluir do saláriode contribuição os valores pagos a título de participação nos lucros: (b) negociação entre empresa e empregados, mediante um dos procedimentos escolhidos pelas partes de comum acordo (b.1) comissão escolhida pelas partes (a partir de 1º/01/2013, comissão paritária) com a participação de representante do sindicato da respectiva categoria, mediante acordo, ou (b.2) mediante acordo ou convenção coletiva (art. 2º, I e II); (c) dos instrumentos decorrentes da negociação (acordo entre empresa e empregados ou no acordo ou convenção coletiva) deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação (b.1) dos direitos substantivos (participação nos lucros ou resultados) e (b.2) das regras adjetivas (condições a serem satisfeitas) (art. 2º, § 1º); (d) necessariamente deverão ser convencionados: mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo (art. 2º, § 1º); (e) entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente (art. 2º, § 1º, I e II); (f) o acordo deverá ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores (art. 2º, § 3º). Fl. 2935DF CARF MF Processo nº 15504.725981/201169 Acórdão n.º 2301005.102 S2C3T1 Fl. 11 19 Ainda, de acordo com o art. 3º da Lei 10.101, de 2000: (g) a participação nos lucros ou resultados não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado (art. 3º, caput); (h) é vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a titulo de participação de lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. (A partir de 1º/01/2013, a vedação tem como objeto o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil.) (art. 3º, § 2º); (i) os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações (não com os pagamentos) decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados (art. 3º, § 3º). Se a empresa instituir a participação nos lucros ou resultados deverá atender todos os requisitos expostos na Lei nº 10.101, de 2000 (letra “a” a “g” retro); por outro lado, a fiscalização não pode exigir o cumprimento de pressupostos que nela não constam. Nas palavras do Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes (Acórdão 2301 004.728), as quais tomo como minhas, mutatis mutandis: Como se constata pelas disposições acima, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros. (Grifos no original.) (...) Quanto aos mecanismos de aferição das informações para fins de comprovação do cumprimento dos critérios para a participação, não há qualquer previsão na lei no sentido de se exigir metas individualizadas para os trabalhadores. E nem poderia. Caso adote o aumento da lucratividade da empresa ou o alcance de outras metas organizacionais, critérios esses exemplificados na lei, não vejo como se exigir a aferição da contribuição de cada trabalhador para o cumprimento dessas metas. Como se poderia aferir a parcela do lucro de uma empresa de grande porte atribuída individualmente a um trabalhador da linha de produção? E mais. A exigência por Fl. 2936DF CARF MF 20 parte da fiscalização de metas individualizadas vai de encontro ao que se procurou evitar na regulamentação da participação nos resultados e lucros – PLR, que é afastálo do conceito de salário. Em razão de tudo aqui exposto, vêse que prevalece a livre negociação para a participação nos lucros ou resultados. Porém, é possível que esse importante direito trabalhista seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o Princípio da Verdade Material para considerar os valores pagos integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias. São reiteradas as manifestações do Superior Tribunal de Justiça pela obrigatoriedade de observância das disposições contidas na Lei nº 10.101, 2000: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA DE 40% SOBRE OS DEPÓSITOS DO FGTS. CARÁTER INDENIZATÓRIO. AUSÊNCIA DE HABITUALIDADE E LIBERALIDADE. NÃO INCIDÊNCIA. PARTICIPAÇÃO SOBRE OS LUCROS. NÃO INCIDÊNCIA QUANDO OBSERVADOS OS LIMITES DA MP 794/94 E DA LEI 10.101/00. (...) Nesse diapasão, abstratamente consignou a Corte de origem que "as verbas percebidas a título de participação nos lucros da empresa, que não estão sujeitas à contribuição previdenciária, na medida em que também não integram o salário de contribuição, nos termos do art. 28, §9º, 'j' e 's', da Lei nº 8.212/91", o que se coaduna com a jurisprudência do STJ, desde que o pagamento de tais parcelas observem as disposições legais específicas, quais sejam, os limites da lei regulamentadora (MP 794/94 e Lei 10.101/00). (AgRg no REsp 1561617 / PE) (Grifou se.) RECURSO DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA. TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. OCUPANTES DE CARGO DE DIREÇÃO. DISTRIBUIÇÃO EM DESACORDO COM A LEI N. 10.101/200 E O PPR. NECESSIDADE DE REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO PROBATÓRIO. FUNDAMENTO NÃO IMPUGNADO. SÚMULAS 7/STJ E 283/STF. 1. A Segunda Turma firmou orientação no sentido de que as empresas não se submetem à contribuição previdenciária quando da distribuição dos lucros entre seus empregados, desde que a referida distribuição seja realizada na forma da Lei n. 10.101/2000 (AgRg no Resp 1.381.374/RJ, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 02/10/2014, DJe 13/10/2014; REsp 1.216.838/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 06/12/2011, DJe 19/12/2011). (REsp 1452527 / RS) Feitas essas colocações, analisemos o caso concreto. Fl. 2937DF CARF MF Processo nº 15504.725981/201169 Acórdão n.º 2301005.102 S2C3T1 Fl. 12 21 A litigante argumenta que os valores recebidos a título de Participação nos Lucros e Resultados não podem ser tributadas, uma vez que a Constituição Federal declara, de forma peremptória, que tal parcela não tem caráter salarial. Não lhe assiste razão. Como visto, o STF (RE 569.441/RS, tema 344 da Repercussão Geral) entende diferentemente: o inciso XI do art. 7º da Constituição não é autoaplicável, eis que expressamente prevê regulamentação por meio de lei ordinária; por sua vez, como também já abordado, é firme a jurisprudência do STJ e deste CARF no sentido de que os requisitos e condições da Lei 10.101, de 2000 devem ser observados. De acordo com o auto de infração, a verba Participação nos Lucros e Resultados paga pela recorrente não atende os requisitos da Lei 10.101, de 2000, uma vez que: (a) não foi estabelecido previamente o "programa de metas, resultados e prazos" a ser atingido pelos empregados; (b) não há outros acordos que justifiquem o pagamento das rubrica 1578 (BÔNUS PLR); (c) há previsão de pagamento fixo (rubrica 894), independentemente de avaliação. Conforme descrito no Relatório Fiscal (efls. 25 a 40), a autuada faz o pagamento do programa de PLR nas seguintes rubricas: • PLR – PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS – rubrica 894: um pagamento em valor fixo para os empregados e não apresentou nenhuma outra pactuação além dos acordos coletivos de trabalho (ACT); • PME – PLANO DE METAS POR EQUIPE – rubrica 886 e BÔNUS PLR – rubrica 1578: o PME é desdobrado em dois modelos denominados "PME" para empregados de nível operacional/administrativo até o nível técnico médio e superior (inclusive sênior) (rubrica 886) e "GEDP" para os demais empregados da empresa não participantes do PME (técnicos especializados, gerentes, diretores) (rubrica 1578). A empresa possui formulários para a aferição dos valores de cada trabalhador e esta forma de aferição não está inserida nos ACT. Reproduzo os ACT em questão: Acordo Coletivo de Trabalho de 2006/2007 (efls. 696 a 708) Vigência: 1º/11/2006 a 31/10/2007 Não datado. Registro no Ministério do Trabalho e Emprego – Delegacia Regional em Minas Gerais: 29/1/2007 CLÁUSULA 14ª PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS 2006: As partes estabelecem o pagamento de uma parcela fixa, no valor de R$ 3.100,00 (três mil e cem reais), mais o valor correspondente a 80% (oitenta por cento) do salário nominal de cada empregado, garantindose um valor Fl. 2938DF CARF MF 22 mínimo de R$ 4.370,00 (quatro mil e trezentos e setenta reais) a ser pago no mês de janeiro de 2007. Deste total será deduzido o valor de R$ 1.100,00 (mil e cem reais) adiantados em julho de 2006. § 1º Fazem parte desta cláusula os valores do PME Plano de Metas por Equipe, referentes ao primeiro semestre de 2006, pagos no mês de julho de 2006 e os valores do segundo semestre de 2006, que serão pagos no mês de janeiro de 2007. § 2º Não se incluem nesta cláusula os Aprendizes de Ofício. § 3º O valor pago a título de participação nos lucros não integrará o salário para qualquer efeito, não sendo incorporado pra efeito de cálculo de parcelas rescisórias, benefícios e/ou demais consectários. Acordo Coletivo de Trabalho de 2007/2008 (efls. 709 a 721) Vigência: 1º/11/2007 a 31/10/2008 Assinatura: 6/3/2008 CLÁUSULA 13ª PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS 2007: As partes estabelecem o pagamento de uma parcela fixa, no valor de R$ 3.600,00 (três mil e seiscentos reais), mais o valor correspondente a 80% (oitenta por cento) do salário nominal de cada empregado, garantindose um valor mínimo de R$ 4.800,00 (quatro mil e oitocentos reais) a serem pagos até 7 (sete) dias úteis após a assinatura do Acordo. Deste total será deduzido o valor de R$ 1.300,00 (mil e trezentos reais) adiantados em julho de 2007. § 1º Fazem parte desta cláusula os valores do PME Plano de Metas por Equipe, referentes ao primeiro semestre de 2007, pagos no mês de julho de 2007 e os valores do segundo semestre de 2007, pagos no mês de janeiro de 2008. § 2º Não se incluem nesta cláusula os Aprendizes de Ofício. § 3º O valor pago a título de participação nos lucros não integrará o salário para qualquer efeito, não sendo incorporado pra efeito de cálculo de parcelas rescisórias, benefícios e/ou demais consectários. Acordo Coletivo de Trabalho de 2008/2009 (efls. 722 a 733) Vigência: 1º/11/2008 a 31/10/2009 Assinatura: 5/12/2008 CLÁUSULA 13ª PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS 2008: As partes estabelecem o pagamento de uma parcela fixa, no valor de R$ 3.600,00 (três mil e seiscentos reais), mais o valor correspondente a 80% (oitenta por cento) do salário nominal de cada empregado, garantindose um valor mínimo de R$ 4.800,00 (quatro mil e oitocentos reais) a serem pagos até a segunda semana de janeiro. Deste total será Fl. 2939DF CARF MF Processo nº 15504.725981/201169 Acórdão n.º 2301005.102 S2C3T1 Fl. 13 23 deduzido o valor de R$ 1.400,00 (mil e quatrocentos reais) adiantados em julho de 2008. § 1º Fazem parte desta cláusula os valores do PME Plano de Metas por Equipe, referentes ao primeiro semestre de 2008, pagos no mês de julho de 2008 e os valores do segundo semestre de 2008, a serem pagos no mês de janeiro de 2009. § 2º Não se incluem nesta cláusula os Aprendizes de Ofício. § 3º O valor pago a título de participação nos lucros não integrará o salário para qualquer efeito, não sendo incorporado pra efeito de cálculo de parcelas rescisórias, benefícios e/ou demais consectários. De plano, verificase a inexistência, nos ACT, de qualquer menção ao Programa GEDP (rubrica 1578), o que lhe retira, de imediato, a possibilidade de os valores pagos a esse título serem considerados como devidos ao PLR, por falta de negociação coletiva. A recorrente alega que o GEDP é um programa de gestão de resultados mantido de forma espontânea, encontrando apoio no § 3º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000, que permite expressamente a existência de planos espontâneos para pagamento da participação nos lucros ou resultados. Nessa questão, assumo como minhas as razões do voto vencedor do Acórdão 2401004.509, que analisou os mesmos ACT (processo 15504.725977/201109): Ocorre que, como visto, os incisos I e II do art. 2º da Lei nº 10.101, de 2000, autorizam apenas duas hipóteses de procedimento para elaboração de planos de participação nos lucros ou resultados. Ao reportar a programas mantidos espontaneamente pela empresa, é de se convir que a lei pretendeu fazer alusão à participação oriunda da comissão paritária escolhida pela empresa e empregados, integrada, também por um representante indicado pelo sindicato da categoria (inciso I), em contraposição às obrigações surgidas dos acordos ou convenções coletivas de trabalho firmados pelas partes (inciso II). Tal interpretação sistemática possibilita a coexistência, para o mesmo período de aferição, de dois distintos planos de participação nos lucros ou resultados livres de tributação, desde que no âmbito do regramento da Lei nº 10.101, de 2000. Evidentemente, não há óbice para que a empresa implemente facultativamente uma participação dos empregados nos lucros, mediante uma iniciativa unilateral, como previsto, por exemplo, no art. 58 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: Art 58 Podem ser excluídas do lucro líquido do exercício, para efeito de determinar o lucro real, as participações nos lucros da pessoa jurídica: I atribuídas a seus empregados segundo normas gerais aplicáveis, sem discriminações, a todos que se encontrem na mesma Fl. 2940DF CARF MF 24 situação, por dispositivo do estatuto ou contrato social, ou por deliberação da assembléia de acionistas ou sócios quotistas; (...) Porém, nessa última hipótese, será um participação alheia aos benefícios da Lei nº 10.101, de 2000. Em relação ao GEDP, portanto, estão ausentes elementos de convicção que possam atestar com segurança que a fixação dos critérios e das condições do plano ocorreu mediante negociação entre a empresa e os empregados, na forma prevista na Lei nº 10.101, de 2000. A falta de negociação com participação do sindicato da respectiva categoria implica considerar a parcela GEDP como integrante da remuneração e do saláriodecontribuição do trabalhador. Quanto às demais rubricas, observase que em todos os ACT a participação nos lucros ou resultados consiste em uma parcela fixa e outra variável. A parcela fixa (rubrica 894 – PLR) independe do cumprimento de metas, o que descaracteriza tais pagamentos para fins de PLR, pois desvirtuam a própria essência do instituto da participação nos lucros ou resultados, visto que independem de quaisquer esforços dos trabalhadores para o alcance de índices de produtividade, metas ou resultados, os quais deveriam ser aferidos para fins de cumprimento do pactuado previamente entre as partes. É evidente sua natureza de complemento salarial. A parcela variável (rubrica 886) é resultado da apuração do PME de cada equipe; fica garantido, independentemente do cumprimento de metas, um pagamento mínimo, quando o somatório das partes variável e fixa resultar em montante inferior ao valor de referência estabelecido, o que descaracteriza também estes pagamentos para fins de PLR, pelas mesma razões expostas em relação à parcela fixa. Ademais, o PME não resultou de negociação entre a empresa e seus trabalhadores, através de comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria ou através de Convenção ou Acordo Coletivo de Trabalho, mas de estipulação unilateral do empregador. Gizo que não consta dos autos qualquer indício de que tenha havido a participação do sindicato na negociação. Desse modo, o conteúdo do referido programa não é capaz de suprir as exigências do art. 2º da Lei 10.101, de 2000. Nas palavras do já referido voto vencedor do Acórdão 2401004.509, que assumo como se minhas fossem: Por derradeiro, aprecio o que dispõe os acordos coletivos a respeito da parcela variável correspondente ao PME. Consoante os textos reproduzidos, o único aspecto que vem especificado nos acordos coletivos é a previsão de seu pagamento aos trabalhadores no anocalendário. Nada mais. Se de um lado é impraticável, em princípio, o acordo coletivo conter o detalhamento integral de metas, critérios e condições acordados entre as partes, de outro é inaceitável a inexistência de qualquer disciplinamento no instrumento decorrente da Fl. 2941DF CARF MF Processo nº 15504.725981/201169 Acórdão n.º 2301005.102 S2C3T1 Fl. 14 25 negociação quanto à explicitação da regras a que estarão submetidos a empresa e os seus empregados para fins da participação nos lucros ou resultados. A Lei nº 10.101, de 2000, é clara quando afirma que do resultado da negociação, que deve ser formalizado mediante documento, deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos e quanto à fixação das regras adjetivas, com previsão de mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado (art. 2º, § 1º). Nos acordos coletivos nem mesmo houve preocupação em se estabelecer as condições e os critérios genéricos do PME, em que se faz a opção de transferir a descrição pormenorizada das regras para atos internos que são elaborados em separado, sem prejuízo do aval do sindicato. A recorrente sustenta que os planos de participação nos lucros ou resultados, tal como o PME, são objeto de prévias discussões e que o acordo coletivo tão somente homologa e ratifica os termos negociados antecipadamente entre as partes. Vale dizer, há participação direta dos sindicatos dos trabalhadores na negociação muito antes do fechamento do acordo. Ainda que se admita, em regime de exceção, e não como regra, a possibilidade de o sindicato delegar ou consentir, explícita ou implicitamente, que alguns critérios e condições do PME possam ser acordados entre empresa e empregados sem a sua participação, não há como validar a elaboração integral do plano de participação nos lucros ou resultados, como aparenta ocorrer, restrita apenas às tratativas diretas entre patrão e empregados, sem a intermediação do sindicato. Há, no caso, uma visível e indesejável afronta explícita ao previsto na Lei nº 10.101, de 2000, em desprezo à finalidade das suas normas de garantia, cuja manifestação posterior do sindicato, com o agravante do seu caráter superficial, não tem o condão de legitimar a assinatura do acordo. Quanto ao tempo do pagamento, não foi cumprido o requisito do acordo prévio: os pagamentos da rubrica 894 (PLR) foram realizados no próprio mês da assinatura dos acordos ou pagos em até 7 dias úteis após a assinatura do acordo; os pagamentos da rubrica 886 (PME) foram feitos antes mesmo da assinatura dos acordos (em média seis meses antes). Como já mencionado, o acordo deve ser assinado antes do início do cumprimento das metas, ou seja, antes de iniciado o período de apuração da PLR, não se aceitando a assinatura depois que parte das metas já foram cumpridas ou quando os resultados já são conhecidos, pois tal fato é incompatível com o objetivo a ser atingido com o PLR, que é o aumento da lucratividade (art. 1º da Lei 10.101, de 2000). No caso concreto, fica evidente que os empregados desconheciam as regras para concessão da PLR durante o ano no qual os objetivos deveriam ser atingidos. Fl. 2942DF CARF MF 26 Também nesse sentido o já citado Acórdão 2401004.509, que trata do Debcad 37.331.4043, referente ao mesmo contribuinte e períodos: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. PAGAMENTO EM VALORES FIXOS. ASSINATURA DO ACORDO APÓS O PERÍODO DE AFERIÇÃO DOS RESULTADOS. AUSÊNCIA DE NEGOCIAÇÃO ENTRE EMPRESA E SEUS EMPREGADOS COM PARTICIPAÇÃO DO SINDICATO. NÃO ATENDIMENTO DA LEI N° 10.101, DE 2000. TRIBUTAÇÃO. O valor pago ao segurado empregado a título de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a Lei n° 10.101, de 2000, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O pagamento em valores fixos desvinculados de qualquer meta ou resultado previamente pactuado configura parcela com nítida natureza salarial submetida à incidência das contribuições previdenciárias. A participação nos lucros ou resultados que não foi objeto de negociação prévia entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos previstos nos incisos I e II do art. 2° da Lei n° 10.101, de 2000, com a participação obrigatória do sindicato da respectiva categoria, sujeitase à incidência das contribuições previdenciárias. O instrumento de negociação deve estar assinado antes do término do período de apuração dos lucros ou resultados. Não atende aos requisitos legais a assinatura apenas no último mês do período de apuração, pois tal situação revelase similar à assinatura em data posterior ao término do período de apuração.(Grifouse.) Em assim sendo, a verba sobre a qual estão sendo exigidas as contribuições lançadas foi paga em desconformidade com os requisitos da Lei nº 10.101, de 2000, não se enquadra nas hipóteses de exclusão contempladas no § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91 e tem natureza remuneratória. Em conseqüência, deve ser reconhecida como parcela integrante do salário de contribuição, assim definido no inciso I do art. 28 da Lei 8.212/91. DA DIVERGÊNCIA QUANTO À BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES Às efls. 774/775, em sua impugnação, a recorrente transcreve as conclusões do Sr. Rodrigo Assunção de Oliveira, autodenominado de “perito judicial” (efl. 1289), por ela contratado no sentido de que existe: “Soma de Base de cálculos utilizada pelo INSS de R$56.188.702,21 contra base de cálculos fornecida pela APERAM de R$55.528.989,80, denunciando excesso de cobrança da ordem de R$659.712,41. Vide quadro demonstrativo anexo em excel, denominado "Lista Oficial Receita", onde na tarja do excel se encontra discriminado o arquivo "Planilha Trabalhada (2)". Favor não digitar nada neste arquivo, pois se trata de uma planilha macro de alta Fl. 2943DF CARF MF Processo nº 15504.725981/201169 Acórdão n.º 2301005.102 S2C3T1 Fl. 15 27 complexidade, envolvendo cruzamento de informações do sistema SAP mais 9 (nove) outras planilhas, o que possibilitou identificar individualmente cada diferença em cada rubrica cobrada a maior pela fiscalização do INSS. Sobre esta diferença incidem as alíquotas pertinentes ao INSS patronal. Isto vale dizer que o INSS de 23% cobrado pelo Agente Fiscal é de R$12.923.401,51, contra um INSS calculado de R$12.771.667,65. Há excesso de cobrança, em tese, de R$151.733,86 (Grifouse.) Tal conclusão é reiterada por ocasião do recurso voluntário. À efl. 2881, temos nova manifestação, no sentido de que: "A planilha que serviu de base para meus levantamentos é exatamente aquela adotada pelo DD. Auditor Fiscal da Receita, todavia, trabalhada com os devidos filtros, no intuito de separar as informações corretas daquelas incorretas. Reafirmo a diferença de R$659.712,41, todavia, quanto aos valores negativos salientados pelo DD. Auditor Fiscal, estes não se devem a valores devidos pelos empregados à empresa como tenta supor. O que de fato apurei foi o excesso de cobrança, ou seja, "o valor cobrado a maior pelo INSS". Se o valor na citada planilha resultou negativo, quer dizer que a diferença a favor do fisco é positiva e não o contrário. Desta maneira, somados os valores negativos, documento anexo, estes montam a R$1.858,96, contra um excesso de R$661.571,37. A diferença entre o excesso apurado pelo INSS (R$661.571,37) e os valores supostamente negativos (sobre os quais o fisco tem razão, quantia de R$1.858,96), redundam na diferença de R$659.712,41, valor pretendido em excesso pela ação fiscal." (Grifos no original.) No que toca à base de cálculo apurada pelo Sr. Rodrigo Assunção de Oliveira, autodenominado “perito judicial”, verifico que a pretensa diferença se origina dos seguintes fatos: (a) os valores pagos a título de PLR desaparecem de suas planilhas, sem qualquer explicação para isso e (b) a diferença entre o valor de base de cálculo apurada pelo perito e pela fiscalização é duplicado pelo perito. Vejamos. As planilhas elaboradas pelo Sr. Rodrigo Assunção de Oliveira foram juntadas aos autos às efls. 1290 a 2821, a seguir de sua contestação à diligência fiscal (relatório da diligência às efls. 1105 a 1120). A primeira planilha (efls. 1290 a 1608) possui uma relação nominal dos trabalhadores da recorrente, acompanhada pelos valores pagos a título de cada PLR (PME E GEDP), bem como suas rubricas e alguns códigos de controles. Por exemplo (efl. 1392): 33390170001312 200708 01001512 ADAO CANUTO DOS REIS 10873684629 1.034,55 886 PME 4629 1.034,55 886 PME 33390170001312 200708 01001679 ALMIRO MONTEIRO DOS SANTOS 10515353229 700,88 886 PME 353229 700,88 886 PME 33390170001312 200708 01002461 AMILTON SANTOS DE SOUZA 12212421003 1.218,19 886 PME 1003 1.218,19 886 PME 33390170001312 200708 01001535 ANDRACI OLIVEIRA DE ANDRADE 10759230207 683,25 886 PME 230207 683,25 886 PME 33390170001312 200708 01001469 ANTONIO CARLOS TAVARES 10271536389 695,34 886 PME 536389 695,34 886 PME 33390170001312 200708 01003130 CLENIO DA SILVA SANTOS 12382877504 545,80 886 PME 877504 545,80 886 PME 33390170001312 200708 01001629 DANIEL CORREIA MEIRELES 10789634772 264,95 886 PME 634772 264,95 886 PME 33390170001312 200708 01001831 EDIO GOMES DA SILVA 12023065943 277,30 886 PME 065943 277,30 886 PME 33390170001312 200708 01001277 EDSON DE LACERDA BRAGA 10758978453 720,64 886 PME 978453 720,64 886 PME 33390170001312 200708 01001888 EPIFANIO MAGELA TEIXEIRA DE SOUZA 10843296205 88,63 886 PME 3296205 88,63 886 PME 33390170001312 200708 01003824 ERALDO LOPES MARTINS 12530439100 184,37 886 PME 439100 184,37 886 PME Fl. 2944DF CARF MF 28 33390170001312 200708 01004354 EVERTON BARAKY SPINOLA 12784180125 353,67 886 PME 180125 353,67 886 PME 33390170001312 200708 01001273 FERNANDINE DE ARAUJO 10758978887 849,38 886 PME 978887 849,38 886 PME 33390170001312 200708 01001717 FERNANDO CARLOS DE SOUZA 10789724151 389,89 886 PME 724151 389,89 886 PME 33390170001312 200708 01001250 FIGENIO FERREIRA DOS SANTOS 10554021118 805,43 886 PME 021118 805,43 886 PME 33390170001312 200708 01004768 FILIPE DE OLIVEIRA DRUMOND 12703968096 84,08 886 PME 3968096 84,08 886 PME 33390170001312 200708 01003775 FLAVIO JOSE DE ASSIS BARONY 12588087096 399,59 886 PME 087096 399,59 886 PME 33390170001312 200708 01001497 GERALDO ASSUNCAO DE BRITO 10650557732 2.892,36 886 PME 7732 2.892,36 886 PME 33390170001312 200708 01001805 GERALDO SAMPAIO DE OLIVEIRA FILHO 10450285771 2.228,32 886 PME 5771 2.228,32 886 PME 33390170001312 200708 01004709 GLAUCO NEVES NASCIMENTO 12787527118 317,32 886 PME 527118 317,32 886 PME 33390170001312 200708 01004128 HERALDO DE SOUZA RIBEIRO 12686956099 117,24 886 PME 956099 117,24 886 PME 33390170001312 200708 01001633 HUDSON VIEIRA 10776698467 325,97 886 PME 698467 325,97 886 PME 33390170001312 200708 01001123 JAIME GOMES GONCALVES 10253176430 918,74 886 PME 176430 918,74 886 PME 33390170001312 200708 01001103 JOAO CARLOS PARREIRAS DOS SANTOS 10615181055 1.886,16 886 PME 1055 1.886,16 886 PME 33390170001312 200708 01001898 JOAO ROBERTO DA SILVA 10738751860 826,02 886 PME 751860 826,02 886 PME 33390170001312 200708 01001421 JOSE ALEXANDRE GOMES 10109769454 938,68 886 PME 769454 938,68 886 PME 33390170001312 200708 01001606 JOSE APOLINARIO DA SILVA 10745262586 663,25 886 PME 262586 663,25 886 PME 33390170001312 200708 01001295 JOSE GERALDO ASSIS QUINTAO 10263068509 1.111,45 886 PME 8509 1.111,45 886 PME 33390170001312 200708 01001099 JOSE JOAO MARQUES 10019405046 1.382,33 886 PME 5046 1.382,33 886 PME 33390170001312 200708 01001138 JOSE SOARES CALDAS 10038124057 1.515,96 886 PME 4057 1.515,96 886 PME 33390170001312 200708 01001234 LAERCIO MORAIS MARTINS 10254634645 1.091,97 886 PME 4645 1.091,97 886 PME Assim, vemos, por exemplo, que o Sr. ADAO CANUTO DOS REIS teria recebido R$1.034,55 a título de PME, rubrica 886. Percebase que as informações referentes ao PLR, sua rubrica e o valor de pagamento aparecem tanto na quarta coluna quanto nas colunas quinta a sétima (as três primeiras colunas, referentes ao código do estabelecimento, à competência do pagamento e ao código do trabalhador, são excluídas para facilitar a visualização): ADAO CANUTO DOS REIS 10873684629 1.034,55 886 PME 4629 1.034,55 886 PME Na segunda planilha (efls. 1609 a 1972) tais informações se repetem. Apenas os códigos da quinta coluna foram excluídos, mas permanecem as informações referentes ao PLR, sua rubrica e o valor de pagamento (efls. 1725 e 1726): 33390170001312 200708 01001512 ADAO CANUTO DOS REIS 10873684629 1.034,55 886 PME 1.034,55 886 PME 33390170001312 200708 01001679 ALMIRO MONTEIRO DOS SANTOS 10515353229 700,88 886 PME 700,88 886 PME 33390170001312 200708 01002461 AMILTON SANTOS DE SOUZA 12212421003 1.218,19 886 PME 1.218,19 886 PME 33390170001312 200708 01001535 ANDRACI OLIVEIRA DE ANDRADE 10759230207 683,25 886 PME 683,25 886 PME 33390170001312 200708 01001469 ANTONIO CARLOS TAVARES 10271536389 695,34 886 PME 695,34 886 PME 33390170001312 200708 01003130 CLENIO DA SILVA SANTOS 12382877504 545,80 886 PME 545,8 886 PME 33390170001312 200708 01001629 DANIEL CORREIA MEIRELES 10789634772 264,95 886 PME 264,95 886 PME 33390170001312 200708 01001831 EDIO GOMES DA SILVA 12023065943 277,30 886 PME 277,3 886 PME 33390170001312 200708 01001277 EDSON DE LACERDA BRAGA 10758978453 720,64 886 PME 720,64 886 PME 33390170001312 200708 01001888 EPIFANIO MAGELA TEIXEIRA DE SOUZA 10843296205 88,63 886 PME 88,63 886 PME 33390170001312 200708 01003824 ERALDO LOPES MARTINS 12530439100 184,37 886 PME 184,37 886 PME 33390170001312 200708 01004354 EVERTON BARAKY SPINOLA 12784180125 353,67 886 PME 353,67 886 PME 33390170001312 200708 01001273 FERNANDINE DE ARAUJO 10758978887 849,38 886 PME 849,38 886 PME 33390170001312 200708 01001717 FERNANDO CARLOS DE SOUZA 10789724151 389,89 886 PME 389,89 886 PME 33390170001312 200708 01001250 FIGENIO FERREIRA DOS SANTOS 10554021118 805,43 886 PME 805,43 886 PME 33390170001312 200708 01004768 FILIPE DE OLIVEIRA DRUMOND 12703968096 84,08 886 PME 84,08 886 PME 33390170001312 200708 01003775 FLAVIO JOSE DE ASSIS BARONY 12588087096 399,59 886 PME 399,59 886 PME 33390170001312 200708 01001497 GERALDO ASSUNCAO DE BRITO 10650557732 2.892,36 886 PME 2.892,36 886 PME 33390170001312 200708 01001805 GERALDO SAMPAIO DE OLIVEIRA FILHO 10450285771 2.228,32 886 PME 2.228,32 886 PME 33390170001312 200708 01004709 GLAUCO NEVES NASCIMENTO 12787527118 317,32 886 PME 317,32 886 PME 33390170001312 200708 01004128 HERALDO DE SOUZA RIBEIRO 12686956099 117,24 886 PME 117,24 886 PME 33390170001312 200708 01001633 HUDSON VIEIRA 10776698467 325,97 886 PME 325,97 886 PME 33390170001312 200708 01001123 JAIME GOMES GONCALVES 10253176430 918,74 886 PME 918,74 886 PME 33390170001312 200708 01001103 JOAO CARLOS PARREIRAS DOS SANTOS 10615181055 1.886,16 886 PME 1.886,16 886 PME 33390170001312 200708 01001898 JOAO ROBERTO DA SILVA 10738751860 826,02 886 PME 826,02 886 PME 33390170001312 200708 01001421 JOSE ALEXANDRE GOMES 10109769454 938,68 886 PME 938,68 886 PME 33390170001312 200708 01001606 JOSE APOLINARIO DA SILVA 10745262586 663,25 886 PME 663,25 886 PME 33390170001312 200708 01001295 JOSE GERALDO ASSIS QUINTAO 10263068509 1.111,45 886 PME 1.111,45 886 PME 33390170001312 200708 01001099 JOSE JOAO MARQUES 10019405046 1.382,33 886 PME 1.382,33 886 PME 33390170001312 200708 01001138 JOSE SOARES CALDAS 10038124057 1.515,96 886 PME 1.515,96 886 PME 33390170001312 200708 01001234 LAERCIO MORAIS MARTINS 10254634645 1.091,97 886 PME 1.091,97 886 PME Excluindo as três primeiras colunas, para melhor visualização, temse o seguinte: ADAO CANUTO DOS REIS 10873684629 1.034,55 886 PME 1.034,55 886 PME Na terceira planilha (efls. 1972 a 2215), após a coluna denominada “Nome / NIT / Valor Rubrica / Rubrica” temos as colunas “Vr Informado Auto” (valor informado no auto de infração), “Vr Informado Empresa” (valor informado pela empresa) “Rubrica”, “Descrição Rubrica” e “Diferença”. Excluindo as primeiras colunas (referentes à chavebusca, ao código do estabelecimento, à competência do pagamento e ao código do trabalhador) e as colunas referentes à “Rubrica”, “Descrição Rubrica”, temos (efl. 2097): Fl. 2945DF CARF MF Processo nº 15504.725981/201169 Acórdão n.º 2301005.102 S2C3T1 Fl. 16 29 Nome / NÍT / Valor Rubrica / Rubrica Vr Informado Auto Vr informado Empresa Diferença ADAO CANUTO DOS REIS 10873684629 1034,55 886 PME 1.034,55 1.034,55 0,00 ALMIRO MONTEIRO DOS SANTOS 10515353229 700,88 886 PME 700,88 700,88 0,00 AMILTON SANTOS DE SOUZA 12212421003 1.218,19 886 PME 1.218,19 1.218,19 0,00 AN D R AC! OLIVEIRA DE ANDRADE 10759230207 683,25 886 PME 683,25 683,25 0,00 ANTONIO CARLOS TAVARES 10271536389 695,34 886 PME 695,34 695,34 0,00 CLENIO DA SILVA SANTOS 12382877504 545,80 886 PME 545,80 545,80 0,00 DANIEL CORREIA MEIRELES 10789634772 264,95 886 PME 264,95 264,95 0,00 EDIO GOMES DA SILVA 12023065943 277,30 886 PME 277,30 277,30 0,00 EDSON DE LACERDA BRAGA 10758978453 720,64 886 PME 720,64 720,64 0,00 EPIFÂNIO MAGELA TEIXEIRA DE SOUZA 10843296205 88,63 886 PME 88,63 88,63 0,00 ERALDO LOPES MARTINS 12530439100 184,37 886 PME 184,37 184,37 0,00 EVERTON BARAKY SPÍNOLA 12784180125 353,67 886 PME 353,67 353,67 0,00 FERNANDINE DE ARAUJO 10758978887 849,38 886 PME 849,38 849,38 0,00 FERNANDO CARLOS DE SOUZA 10789724151 389,89 886 PME 389,89 389,89 0,00 FIGENIO FERREIRA DOS SANTOS 10554021118 805,43 886 PME 805,43 805,43 0,00 FILIPE DE OLIVEIRA DRUMOND 12703968096 84,08 886 PME 84,08 84,08 0,00 FLÁVIO JOSE DE ASSIS BARONY 12588087096 399,59 886 PME 399,59 399,59 0,00 GERALDO ASSUNÇÃO DE BRITO 10650557732 2.892,36 886 PME 2.892,36 2.892,36 0,00 GERALDO SAMPAIO DE OLIVEIRA FILHO 10450285771 2.228,32 886 PME 2.228,32 2.228,32 0,00 GLAUCO NEVES NASCIMENTO 12787527118 317,32 886 PME 317,32 317,32 0,00 HERALDO DE SOUZA RIBEIRO 12686956099 117,24 886 PME 117,24 117,24 0,00 HUDSON VIEIRA 10776698467 325,97 886 PME 325,97 325,97 0,00 JAIME GOMES GONCALVES 10253176430 918,74 886 PME 918,74 918,74 0,00 JOÃO CARLOS PARREIRAS DOS SANTOS 10615181055 1.886,16 886 PME 1.886,16 1.886,16 0,00 JOÃO ROBERTO DA SILVA 10738751860 826,02 886 PME 826,02 826,02 0,00 JOSE ALEXANDRE GOMES 10109769454 938,68 886 PME 938,68 938,68 0,00 JOSE APOLINÁRIO DA SILVA 10745262586 663,25 886 PME 663,25 663,25 0,00 JOSE GERALDO ASSIS QUINTÃO 10263068509 1 111,45 886 PME 1.111,45 1.111,45 2.222,90 JOSE JOÃO MARQUES 10019405046 1.382,33 886 PME 1.382,33 1.382,33 0,00 JOSE SOARES CALDAS 10038124057 1.515,96 886 PME 1.515,96 1.515,96 0,00 LAÉRCIO MORAIS MARTINS 10254634645 1.091,97 886 PME 1.091,97 1.091,97 0,00 (Grifouse.) As planilhas seguintes (efls. 2216 a 2821) seguem o modelo dessa última. Percebase que, ao que tange a maior parte dos trabalhadores, o valor que consta no auto de infração corresponde ao que a recorrente reconhece ter pago aos trabalhadores a título de PLR (diferença entre o valor do auto de infração e informados pela contribuinte = R$0,00). No entanto, em relação ao Sr. Jose Geraldo Assis Quintão, para a qual foi apontada diferença na planilha do recorrente, a coluna “Nome / NIT / Valor Rubrica / Rubrica” indica como pago pela autuada ao funcionário o valor de R$1.111,45, exatamente o valor que consta no auto de infração; por sua vez, a coluna “Vr Informado Empresa” aponta tal valor com o sinal invertido. Ora, essa é uma informação inconsistente. Como pode a recorrente ter recebido de seu trabalhador tal diferença, a título de PME (rubrica 886)? No máximo – o que não foi alegado –, não teria sido pago nenhum valor a título de PLR. Mais inconsistente ainda é o resultado da coluna “Diferença”: ora, se não tivesse sido pago qualquer valor ao Sr. Jose Geraldo Assis Quintão, a diferença deveria corresponder a R$1.111,45, e não a duas vezes esse valor. Tais inconsistências são as responsáveis pelas alegadas “Diferenças”. Demonstro: Nome / NÍT / Valor Rubrica / Rubrica (efl. 2198) Vr Informado Auto Vr informado Empresa Diferença ANETE BRAGANÇA TORRES PROCOPIO 12135219195 526,58 886 PME 526,58 ‐526,58 1.053,16 ANTONIO DE ASSIS SILVA 10734699791620,44 886 PME 620,44 ‐620,44 1.240,88 ARCELINO ALVES DE SOUZA 12311899564 1 464,35 886 PME 1 464,35 ‐1464,35 2.928,70 Fl. 2946DF CARF MF 30 CLAUDEIR SERGIO RODRIGUES DE SOUZA 12661223136 525,25 886 PME 525,25 ‐525,25 1.050,50 DARCY VIEIRA DE FREITAS 12202767918 522,78 886 PME 522,78 ‐522,78 1.045,56 DAVI PENA LARA RESENDE 12781523099 1.354,03 886 PME 1 354,03 ‐1 354,03 2.708,06 DEIVISON GONCALVES SILVA 12740169118 390,13 886 PME 390,13 ‐390,13 780,26 DEOCLECIANO MORESRA DE OUVESRA 12071387688 527,40 886 PME 527,40 ‐527,40 1.054,80 EDMUNDO DA SILVA BRANDÃO 12495372629 137,07 886 PME 137,07 ‐137,07 274,14 EDSON GOMES DA SILVA 12337304495 286,88 886 PME 286,88 ‐286,88 573,76 EUGLACYO LUIZ DE MOURA 12725944122 326,08 886 PME 326,08 ‐326,08 652,16 EVANILDO FERNANDES 12782317123 370,13 886 PME 370,13 ‐370,13 740,26 FRANCIS EUZEBIO PEREIRA 12725890103 575,49 886 PME 575,49 ‐575,49 1.150,98 GERALDO ASSUNÇÃO DE BRITO 10650557732 33,41 886 PME 33,41 ‐33,41 66,82 ÍZABEL FRANCISCA DA CUNHA 10834783972 786,83 886 PME 786,83 ‐786,83 1.573,66 JOÃO MARCELO DE CASTILHO 12792957583 689,34886 PME 689,34 ‐689,34 1.378,68 JORGE HENRIQUE DACUNHA10746062432 150,89 886 PME 150,89 ‐150,89 301,78 JOSE GERALDO DA SILVA 10843213342 565,00 886 PME 565,0C ‐565,00 1.130,00 JOSE GERALDO DA SILVA 12219576878 488,62 886 PME 488,62 ‐488,62 977,24 JOSE RAIMUNDO CARDOSO 10254635889 1 288,88 886 PME 1 288,88 ‐1 288,88 2.577,76 JUCIANO LOPES PAZ 12600039106 79,50 886 PME 79,50 ‐79,50 159,00 JUVENCIO DE ASSIS CASTRO 10845888916 210,92 886 PME 210,92 ‐210,92 421,84 LAUDECI JOSE ALVES NOGUEIRA 12022840889 1.561,45 886 PME 1 561,45 ‐1 561,45 3.122,90 LUIZ FERNANDO DE MELO BARROS 10262956664 2 378,40 886 PME 2 378,40 ‐2 378,40 4.756,80 VIÁRIA DE FÁTIMA GODÓI 12204665136 377,69 886 PME 377,69 ‐377,69 755,38 VIÁRIA IMACULADA CONCEIÇÃO CAMPOS TOSTES 12239342082 1 262,18 886 PME 1 262,18 ‐1 262,18 2.524,36 ROBSON MARTINS SOARES 17000428870 1.844,94 886 PME 1 844,94 ‐1 844,94 3.689,88 ROGÉRIO VIEIRA 12234810770 55,91 886 PME 55,91 ‐55,91 111,82 ROSEMBERG FERNANDES MARTINS JÚNIOR 12774030112 388,29 886 PME 388,29 ‐388,29 776,58 SANDRO HENRIQUE PEREIRA SANTOS 12859777093 496,60 886 PME 496,60 ‐496,60 993,20 WARLEY FERREIRA DIAS 12195293138 972,96 886 PME 972,96 ‐972,96 1.945,92 Nome / NÍT / Valor Rubrica / Rubrica (e‐fl. 2198) Vr Informado Auto Vr informado Empresa Diferença LAMARTÍNE LEOPOLDO COSTA 10777069552 3 095,25 894 PLR 3 095,25 ‐3 095,25 6.190,50 MARCOS FARIA BELLOSE 10604521852 2 995,20 894 PLR 2 995,20 ‐2 995,20 5.990,40 RONDON MAIA 10718903525 3.914,88 894 PLR 3 914,88 ‐3 914,88 7.829,76 JOSE GERALDO ASSIS QUINTÃO 10263068509 2 254,53 894 PLR 2 254,53 ‐2 254,53 4.509,06 WESLIDEY RIBEIRO DE CASTRO 12606694106 2 400,00 894 PLR 2.400,00 2 400,00 4.800,00 WARLEY FERREIRA DIAS 12195293138 5 480,00 894 PLR 5 480,00 5 480,00 10.960,00 SANDRO HENRIQUE PEREIRA SANTOS 12859777093 4.000,00 894 PLR 4 000,00 4 000,00 8.000,00 ROSEMBERG FERNANDES MARTINS JUNÍOR 12774030112 3.600,00 894 PLR 3 600,00 3 600,00 7.200,00 ROGÉRIO VIEIRA 12234810770 2.400,00 894 PLR 2.400,00 2 400,00 4.800,00 ROBSON MARTINS SOARES 17000428870 6.779,60 894 PLR 6 779,60 6 779,60 13.559,20 VIÁRIA IMACULADA CONCEIÇÃO CAMPOS TOSTES 12239342082 5 716,26894 PLR 5 716,26 5 716,26 11.432,52 MARIA DE FÁTIMA GODÓI 12204665136 2 800,00 894 PLR 2 800,00 2 800,00 5.600,00 LUIZ FERNANDO DE MELO BAR RO S 10262956664 7 827,01 894 PLR 7 827,01 7 827,01 15.388,80 LAUDECI JOSE ALVES NOGUESRA 12022840889 6.194,40 894 PLR 6 194,40 6 194,40 12.388,80 JUVENCIO DE ASSIS CASTRO 10845888916 3.200,00 894 PLR 3 200,00 3 200,00 6.400,00 JUCIANO LOPES PAZ 12600039106 2 800,00 894 PLR 2.800,0C 2 800,00 5.600,00 JOSE RAIMUNDO CARDOSO 10254635889 5 503,60 894 PLR 5 503,60 5 503,60 11.007,20 Nome / NIT / Valor Rubrica / Rubrica (efl. 2360) Vr Informado Auto Vr Informado Empresa Diferença Fl. 2947DF CARF MF Processo nº 15504.725981/201169 Acórdão n.º 2301005.102 S2C3T1 Fl. 17 31 Assim, considerando a inconsistência das planilhas apresentadas pela recorrente, caberia a ela comprovar que as alegadas diferenças possuem base fática ou jurídica, o que não foi feito. Destaco, ainda, que de acordo com o item 6 do relatório fiscal, o lançamento se fundamentou em Guias da Previdência Social (GPS); Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (Gfip); Lançamentos Contábeis, Folhas de Pagamento; os PPRAs, PCMSO, LEVANTAMENTO AMBIENTAL, FICHAS DE CONTROLE DE ENTREGA DE EPIs e outros documentos apresentados em meio digital, autenticados conforme Recibo de Entrega de Arquivos Digitais, gerados pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais – SVA; e, por óbvio, nos Acordos Coletivos de Trabalho 2006, 2007 e 2008, assinados entre a empresa e o METASITA. Ademais, no curso da diligência fiscal, foi verificado que os valores constantes do auto de infração corresponde aos valores declarados em Dirf pela recorrente, o que por si só afasta o pretenso erro da fiscalização e confirma, mais uma vez, a inconsistência das planilhas apresentadas. Descabe também a realização de perícia ou diligência para esse fim. Tais procedimentos têm por finalidade firmar o convencimento do julgador, ficando a seu critério indeferir o seu pedido se entendêla desnecessária, conforme art. 18 do Decreto 70.235/72. No presente caso, os elementos constantes nos autos são suficientes para o julgamento da lide. Nome (efl. 2693) DANIEL BOREM COSINI FERNANDA DE FARIA PENNA JOSE DA SILVA VIANA JULIANA CONRADO PASCHOAL MARTA REGINA PINTO LEITE PAULO MAURÍCIO OLIVEIRA DA SILVA RONY VON RODRIGUES FROES SERVILIO ÂNGELO GONÇALVES SILVANA TORRES DE CASTRO TELMA FELIX LORENZATO DA FONSECA THAIS HERTHEL CANDIAN WAGNER NUNES MOREIRA WILKERSON RODRIGO GOMES 3.217,01 3.217,01 6.434,02 3.740,61 3.740,61 7.481,22 3.740,61 3.740,61 7.481,22 4.274,98 4.274,98 8.549,96 4.274,98 4.274,98 8.549,96 4.274,98 4.274,98 8.549,96 3.877,16 3.877,16 7.754,32 4.102,50 4.102,50 8.205,00 2.215,52 2.215,52 4.431,04 4.274,98 4.274,98 8.549,96 4.102,50 4.102,50 8.205,00 4.790,08 4.790,08 9.580,16 Vr Informado Auto Vr Informado Empresa Diferença 3.750,08 3.750,08 7.500,16 Nome (efl. 2696) SATURNINO P DE ALVARENGA CARLOS RICARDO SAUERESSIG 5.763,94 5.763,94 11.527,88 5.228,90 5.228,90 10.457,80 Vr Informado Auto Vr Informado Empresa Diferença WESLIDEY RIBEIRO DE CASTRO 2.400,00 2.400,00 4.800,00 WARLEY FERREIRA DIAS 5.480,00 5.480,00 10.960,00 SANDRO HENRIQUE PEREIRA SANTOS 4.000,00 4.000,00 8.000,00 ROSEMBERG FERNANDES MARTINS JÚNIOR 3.600,00 3.600,00 7.200,00 ROGÉRIO VIEIRA 2.400,00 2.400,00 4.800,00 ROBSON MARTINS SOARES 6.779,60 6.779,60 13.559,20 MARIA IMACULADA CONCEIÇÃO CAMPOS TOSTES 5.716,26 5.716,26 11.432,52 MARIA DE FÁTIMA GODOI 2.800,00 2.800,00 5.600,00 LUIZ FERNANDO DE MELO BARROS 7.827,01 7.827,01 15.654,02 Nome (efl. 2819) Vr Informado Auto Vr Informado Empresa Diferença Fl. 2948DF CARF MF 32 DA ALÍQUOTA DO SAT A recorrente alega que a Fiscalização não quantificou corretamente o crédito tributário ao calcular a alíquota do SAT sobre a base de cálculo adotando o percentual de 3% (risco máximo) para todas as unidades, sem ponderar o risco da atividade preponderante de cada estabelecimento. Cita posicionamento do STJ a respeito e o enunciado da Súmula 351: A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Afirma que a alíquota do SAT deve ser calculada com base no grau de risco da atividade desenvolvida em cada um dos estabelecimentos da empresa, jamais podendo ser arbitrada com base na atividade preponderante quando há mais de um CNPJ envolvido (caso dos autos), sendo a lei – neste ponto – absolutamente inconstitucional por conta da natureza securitária do referido adicional. Assevera, ainda, que a nulidade do arbitramento encontrase ainda mais evidenciado em virtude da coisa julgada obtida nos autos do Mandado de segurança n° 1997.38.000432120 (doc. 16 da impugnação), por decisão definitiva proferida no âmbito do STJ, que garantiu à empresa autuada o direito ao recolhimento do SAT conforme o grau de risco avaliado em cada estabelecimento da empresa (doc. 17 da impugnação). Assim, são apresentados como argumentos o entendimento do STJ, a inconstitucionalidade de lei e a coisa julgada. Porém, no presente auto de infração NÃO HÁ LANÇAMENTO relativo ao SAT, o qual se encontra no AI Debcad 37.331.4043, Processo Administrativo Fiscal 15504.725977/201109, cujo recurso voluntário foi julgado em 20/09/2016 pela 1ª Turma da 4ª Câmara (Acórdão 2401004.509), pelo que tal questão deve ter seu recurso rejeitado. Conclusão Voto, portanto, por NÃO CONHECER da questões atinentes à representação fiscal para fins penais e ao controle repressivo de constitucionalidade, REJEITAR o pedido de diligência e as preliminares de nulidade, e no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 2949DF CARF MF Processo nº 15504.725981/201169 Acórdão n.º 2301005.102 S2C3T1 Fl. 18 33 Fl. 2950DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16152.000065/2009-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
VALOR DE TRIBUTO INCLUÍDO EM PROGRAMA ESPECIAL DE QUITAÇÃO (REFIS). RECEITA NÃO OPERACIONAL. EXCLUSÃO DO PROGRAMA. ESTORNO.
A redução do passivo tributário pela inclusão da dívida no REFIS gera acréscimo patrimonial representando receita não operacional. Entretanto, a exclusão do programa retorna os débitos à situação anterior e implica no estorno da receita correspondente.
Numero da decisão: 1402-002.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto- Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 VALOR DE TRIBUTO INCLUÍDO EM PROGRAMA ESPECIAL DE QUITAÇÃO (REFIS). RECEITA NÃO OPERACIONAL. EXCLUSÃO DO PROGRAMA. ESTORNO. A redução do passivo tributário pela inclusão da dívida no REFIS gera acréscimo patrimonial representando receita não operacional. Entretanto, a exclusão do programa retorna os débitos à situação anterior e implica no estorno da receita correspondente.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 24 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16152.000065/2009-06
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5762727
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1402-002.691
nome_arquivo_s : Decisao_16152000065200906.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LEONARDO DE ANDRADE COUTO
nome_arquivo_pdf_s : 16152000065200906_5762727.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto- Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6906016
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049470469406720
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1434; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 754 1 753 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16152.000065/200906 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.691 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2017 Matéria RECEITAS NÃO OPERACIONAIS Recorrente HÉRCULES S/A FÁBRICA DE TALHERES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 VALOR DE TRIBUTO INCLUÍDO EM PROGRAMA ESPECIAL DE QUITAÇÃO (REFIS). RECEITA NÃO OPERACIONAL. EXCLUSÃO DO PROGRAMA. ESTORNO. A redução do passivo tributário pela inclusão da dívida no REFIS gera acréscimo patrimonial representando receita não operacional. Entretanto, a exclusão do programa retorna os débitos à situação anterior e implica no estorno da receita correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 15 2. 00 00 65 /2 00 9- 06 Fl. 755DF CARF MF 2 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto trechos do Relatório da Resolução 110100.059 prolatada pela antiga 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção: Tratase de recurso voluntário contra decisão que considerou improcedente impugnação. Conforme consta dos autos, o presente processo é reconstituição do processo n° 11080.006582/200442. As DRFs e DRJ envolvidas forneceram os documentos que possuíam para remontar o processo. O contribuinte foi intimado a apresentar os documentos que possuísse, mas apenas forneceu o relatório de auditoria, o auto de infração, impugnação e recurso voluntário, registrando sua perplexidade com o desaparecimento do processo. Em 13/09/2009, é lavrado termo de constatação e auto de infração . Conforme a fiscalização, a empresa apurou no anocalendário de 1999 pelo sistema do lucro real trimestral e a partir de 2000 pelo lucro real anual. O fiscal verificou que, no 4 o trimestre de 1999, a base de cálculo do IRPJ foi de R$ 134.921.984,07 e a da CSLL foi R$ 134.861.335,07, correspondendo a um valor devido de R$ 33.724.487,02 e R$ 16.183.360,21 respectivamente. Adiciona que, apesar do contribuinte ter declarado esses tributos na DIPJ, os débitos não foram formalizados pela declaração na DCTF e nem foram pagos. [...] Por tais razões, faz o lançamento de ofício dos dois tributos, e informa que o presente processo só controla o IRPJ lançado. Na impugnação, o contribuinte reclama que o auditor lançou um tributo "declarado, consolidado, e pago". Também explica que, como tinha aderido ao Refis, registrou no ano de 1999 a redução do seu exigível tributário a longo prazo, em razão das características do Refis. Informa que tal redução foi de R$ 151.855.000,00 e foi levada ao resultado, implicando em um lucro ficto. Conclui que as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL indicadas pela fiscalização só estarão corretas se a empresa se mantiver no Refis por todo o prazo de parcelamento, estimado em 170 anos. Diz que a redução futura do passivo não é renda e não pode ser tributada. Acrescenta que pode ser excluído a qualquer momento ou mesmo pode quitar antecipadamente a dívida do Refis, e por isso não pode ser tributado agora. Alega que só seria admissível a tributação do ganho, correspondente à redução do passivo tributário, se esta fosse mês a mês, conforme os pagamentos do Refís que efetuasse. Informa que, tirando o ganho projetado em razão do Refis, a empresa tem prejuízo. O contribuinte insiste que os débitos de 1999 foram incluídos no Refis e foram declarados em DIPJ. Alega que a declaração de dívida no Refis é confissão de dívida e, por isso, tal declaração absorve o conteúdo prático da DCTF. Em 11/05/2005, a 5a Turma da DRJ em Porto Alegre julga procedente o lançamento. A turma julgadora considera não formulado pedido de perícia e analisa quatro argumentos do contribuinte. Diz que "a autuada teve, sim, ciência do ato do Comitê Gestor do Refis. Isso é comprovado às fls. 24, pelo "ciente" aposto em 17/06/2004 no parecer por Evanir Pedroso Domeles, que, de acordo com a procuração das fls. 40, datada de 29/10/2003, tinha poderes para representar a autuada junto a SRF até 31/12/2004". Informa que quem pode decidir sobre inclusão Fl. 756DF CARF MF Processo nº 16152.000065/200906 Acórdão n.º 1402002.691 S1C4T2 Fl. 755 3 de débito é o Comitê Gestor do Refis e a DRJ tem de acatar tal decisão, que no caso deixa o débito exigível. 0 voto condutor também diz que não é possível retificar declaração depois de efetuado o lançamento, nos termos da IN SRF n° 185, de 2002. [...] A turma julgadora conclui que "a fiscalização procedeu a um lançamento de oficio com base em informações constante na DIPJ da autuada e, assim sendo, não é mais aceitável que se alterem tais informações com vistas a reduzir o valor lançado". Diz que "não há mais espaço para discutir o quando ocorreu o fato gerador do tributo em exame, com pretende autuada, pois tratase de matéria informada em DIPJ". Informa que o fiscal está certo em dizer que a DIPJ não formaliza o crédito tributário e que este papel é da DCTF. O contribuinte é cientificado e apresenta recurso voluntário. Diz que a turma julgadora não examinou a materialidade do lançamento, ou seja, se a fiscalização podia ou não lançar o ganho em razão do passivo tributário entrar para o Refis. Adiciona que a dívida havia sido confessada no Refis e por isso não podia ter sido lançada. O processo foi levado a julgamento no Primeiro Conselho de Contribuinte e, conforme Resolução 10102565, de 21/09/2006, o julgamento foi convertido em diligência. Despacho da DRF de São Paulo, lavrado em 22/04/2009, informa que o julgamento no Conselho de Contribuintes foi convertido em diligência, mas que "em face do extravio/desaparecimento do processo não temos outros elementos para informar, proponho o retorno ao Primeiro Conselho de Contribuintes — Ia Câmara". O colegiado converteu novamente o recurso em diligência para que fosse apurada a origem efetiva do lucro declarado pelo sujeito passivo na DIPJ. Cumprida a solicitação, retornaram os autos para julgamento. É o Relatório. Fl. 757DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O recurso voluntário foi tempestivo e interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. A lide envolve a cobrança do IRPJ (e adicional) sobre o lucro apurado pelo sujeito passivo no 4º trimestre de 1999 no montante de R$ 134.921.948,07; informado na DIPJ. Ratificase aqui o entendimento da autoridade lançadora confirmado pela decisão recorrida no sentido de que o tributo em questão não pode ser tido como declarado, eis que informado exclusivamente em DCTF. Em primeiro lugar porque a DIPJ tem natureza exclusivamente informativa e não representa confissão de dívida, nos termos da legislação que estabeleceu essa Declaração (IN/SRF nº 127/98). Em segundo lugar porque a inclusão do débito no REFIS foi rejeitada conforme Parecer nº 34/2004 prolatado pelo Comitê Gestor. Assim, a princípio, não tendo sido recolhido o tributo caberia o lançamento de ofício nos moldes efetuados. No que concerne à composição do lucro real do período sob exame, mostra se relevante a observação prolatada na informação fiscal decorrente da diligência: Importa ressaltar, portanto, que o valores sob discussão representam o ganho financeiro correspondente ao ajuste ao valor presente (AVP) das multas e juros incidentes sobre os débitos incluídos no REFIS. Não está em discussão a parcela equivalente à redução dos acréscimos legais como decorrência da adesão ao programa, valor esse não incluído no resultado tributável da pessoa jurídica, por expressa definição legal. A Instrução Normativa CVM nº 346/2000 tratou da contabilização, para as companhias abertas, dos efeitos decorrentes da adesão ao REFIS. Em relação ao AVP da dívida, o referido normativo estabeleceu tal possibilidade sob algumas condições: [...] II – o montante da dívida consolidada, sujeita à liquidação com base em percentual da receita bruta, poderá ser registrado pelo seu valor presente, quando relevante e desde que: a) seja demonstrado que a companhia possui capacidade operacional para geração, em bases contínuas, de receitas e de Fl. 758DF CARF MF Processo nº 16152.000065/200906 Acórdão n.º 1402002.691 S1C4T2 Fl. 756 5 fluxos positivos de caixa, em montante suficiente para o cumprimento das suas obrigações perante ao REFIS; b) as projeções, prazos, taxas, montantes e demais premissas utilizadas para determinação do valor presente sejam aprovados pelo Conselho de Administração e submetidos à apreciação dos auditores independentes; e c) seja utilizada, para desconto, taxa de juros reais compatível com a natureza, o prazo e os riscos relacionados à dívida [...]. A Instrução Normativa determina o reconhecimento como receita dos valores em questão, nos seguintes moldes: [...] III – por caracterizar ganho cuja realização depende de eventos futuros incertos, a contrapartida do ajuste a valor presente referido no inciso II deve ser registrada como Receita Diferida e apresentada, de forma destacada, no grupo do Exigível a Longo Prazo. IV – a receita referida no inciso III deve ser reconhecida no resultado do exercício, no grupo operacional, na proporção e nos prazos em que a dívida for sendo liquidada [...] Vêse, portanto, que a CVM estabelece o reconhecimento da receita na proporção da liquidação da dívida. A Nota Explicativa detalha: [...] 7. Portanto, considerando os aspectos acima referidos, a CVM entendeu que não deveria vedar a adoção do conceito do ajuste a valor presente, desde que a companhia aberta evidencie possuir condições para o cumprimento de todas as obrigações previstas no Programa. Dessa forma, o inciso II do art. 1o estabelece que a companhia deverá apresentar o montante do seu passivo fiscal pelo seu valor possível de realização (valor presente). Entretanto, dadas as condições e restrições impostas pelo Programa, e tendo em vista que os reflexos econômicos positivos decorrentes da adesão não se processam necessariamente a curto prazo, não é prudente o reconhecimento imediato e integral de um ganho em virtude da possibilidade de redução da dívida ao seu valor presente. Nesse caso, para atendimento das convenções do Conservadorismo e da Objetividade, a Instrução estabelece um critério mais prudente de reconhecimento desses ganhos. De acordo com os incisos III e IV do art. 1o , esses ganhos deverão ser diferidos, para reconhecimento no resultado do exercício à medida em que a companhia estiver gerando os recursos necessários para liquidação da dívida e cumprindo todas as obrigações assumidas ao aderir ao REFIS. Fl. 759DF CARF MF 6 Não vislumbrei nos autos os detalhes da apuração do AVP para atestar com absoluta certeza se o reconhecimento foi diferido, como recomendado pela CVM, ou integral. Pareceme que ocorreu a segunda hipótese o que por si só já demandaria um questionamento quanto à apuração fiscal. Mesmo superada tal questão, restaria o fato de que a empresa foi excluída do Refis conforme Portaria nº 204/2003 do Comitê Gestor do REFIS. Como efeito dessa exclusão, a interessada perdeu os benefícios do programa e portanto, caberia o estorno dos valores do AVP contabilizados como receitas. Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário e cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 760DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912045/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2011
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.760
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/09/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10830.912045/2012-51
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5758006
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-003.760
nome_arquivo_s : Decisao_10830912045201251.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
nome_arquivo_pdf_s : 10830912045201251_5758006.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
id : 6893999
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049470484086784
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-08-11T19:22:54Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-08-11T19:22:54Z; Last-Modified: 2017-08-11T19:22:54Z; dcterms:modified: 2017-08-11T19:22:54Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-08-11T19:22:54Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-08-11T19:22:54Z; meta:save-date: 2017-08-11T19:22:54Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-08-11T19:22:54Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-08-11T19:22:54Z; created: 2017-08-11T19:22:54Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2017-08-11T19:22:54Z; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-08-11T19:22:54Z | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.912045/201251 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301003.760 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de junho de 2017 Matéria Restituição. Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 20 45 /2 01 2- 51 Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.912045/201251 Acórdão n.º 3301003.760 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.786, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.912045/201251 Acórdão n.º 3301003.760 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912045/201251 Acórdão n.º 3301003.760 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912045/201251 Acórdão n.º 3301003.760 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912045/201251 Acórdão n.º 3301003.760 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912045/201251 Acórdão n.º 3301003.760 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.912045/201251 Acórdão n.º 3301003.760 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10830.912045/201251 Acórdão n.º 3301003.760 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.900295/2013-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/09/2012
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.719
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10830.900295/2013-20
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5758151
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-003.719
nome_arquivo_s : Decisao_10830900295201320.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
nome_arquivo_pdf_s : 10830900295201320_5758151.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
id : 6894327
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049470504009728
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-08-11T18:22:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-08-11T18:22:38Z; Last-Modified: 2017-08-11T18:22:38Z; dcterms:modified: 2017-08-11T18:22:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-08-11T18:22:38Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-08-11T18:22:38Z; meta:save-date: 2017-08-11T18:22:38Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-08-11T18:22:38Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-08-11T18:22:38Z; created: 2017-08-11T18:22:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2017-08-11T18:22:38Z; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-08-11T18:22:38Z | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.900295/201320 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301003.719 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de junho de 2017 Matéria Restituição. Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 02 95 /2 01 3- 20 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10830.900295/201320 Acórdão n.º 3301003.719 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.753, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10830.900295/201320 Acórdão n.º 3301003.719 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10830.900295/201320 Acórdão n.º 3301003.719 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10830.900295/201320 Acórdão n.º 3301003.719 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10830.900295/201320 Acórdão n.º 3301003.719 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10830.900295/201320 Acórdão n.º 3301003.719 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10830.900295/201320 Acórdão n.º 3301003.719 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10830.900295/201320 Acórdão n.º 3301003.719 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 178DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.000695/00-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/06/2001 a 31/08/2001
CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. VERDADE MATERIAL. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC ACUMULADA. EXPRESSA PREVISÃO LEGAL.
O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Ônus da prova que deve ser suportado pelo contribuinte. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
No cálculo da compensação pleiteada judicialmente, são aplicáveis os índices de correção monetária dos créditos conforme determinado pela decisão judicial definitiva, com aplicação de juros equivalentes à Taxa Selic, acumulada mensalmente, como preceituado no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95.
Numero da decisão: 3201-004.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza- Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/06/2001 a 31/08/2001 CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. VERDADE MATERIAL. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC ACUMULADA. EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Ônus da prova que deve ser suportado pelo contribuinte. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. No cálculo da compensação pleiteada judicialmente, são aplicáveis os índices de correção monetária dos créditos conforme determinado pela decisão judicial definitiva, com aplicação de juros equivalentes à Taxa Selic, acumulada mensalmente, como preceituado no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13005.000695/00-50
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5911605
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-004.187
nome_arquivo_s : Decisao_130050006950050.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
nome_arquivo_pdf_s : 130050006950050_5911605.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza- Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
id : 7438293
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050866457509888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1604; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 283 1 282 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13005.000695/0050 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.187 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente GRÁFICA COMETA LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/06/2001 a 31/08/2001 CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. VERDADE MATERIAL. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC ACUMULADA. EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Ônus da prova que deve ser suportado pelo contribuinte. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. No cálculo da compensação pleiteada judicialmente, são aplicáveis os índices de correção monetária dos créditos conforme determinado pela decisão judicial definitiva, com aplicação de juros equivalentes à Taxa Selic, acumulada mensalmente, como preceituado no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 06 95 /0 0- 50 Fl. 283DF CARF MF Processo nº 13005.000695/0050 Acórdão n.º 3201004.187 S3C2T1 Fl. 284 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Trata o presente processo de controle, análise e acompanhamento de compensações efetuadas com base em direito a compensar reconhecido no Mandado de Segurança n° 2000.71.11.0020757, objeto de acompanhamento pelo PAJ no 13005.000695/00 50. Fazem parte deste processo administrativo ofício dirigido ao Sr. Delegado da Receita Federal em Santa Cruz do Sul (RS), cópias de partes de medida judicial, documentos de procuração, cópia de contrato social, copias de documentos de arrecadação e informação produzida pela DRF de origem — fls. 01/28. À fl. 29 consta despacho encaminhando o processo à PSFN em Santa Cruz do Sul (RS). Aquele órgão anexou os documentos de fls. 30/31 e devolveu o processo à DRF de origem — fl. 32. Entre as fls. 33/78 consta anexação de ofícios dirigidos ao Sr. Delegado da Receita Federal em Santa Cruz do Sul (RS), informação produzida pela PSFN daquela cidade, cópias de partes de medida judicial, tramitação do presente processo pela PSFN em Santa Cruz do Sul (RS) e extratos de movimentação de processo judicial. Foram, também, anexados extratos dos Sistemas CNPJ, SINCOR, SINAL10, 1RPJConsulta, DCTF, além de cópias de DCTFs, planilha de informações, extratos Comprot e Profisc, telas do Sistema PERDCOMP e demonstrativos de cálculos e valores — fls. 79/112. Após, estão anexadas planilhas e demonstrativos produzidos pela DRF de origem indicando valores e cálculos relativos A. compensação pretendida — fls. 113/115. Às fls. 116/120 está anexado o Parecer DRF/SCS/SACAT n° 015, de 25/01/2007, bem corno, à. fl. 121, o Despacho Decisório DRF/SCS, de 31/01/2007, onde o Sr. Delegado da Receita Federal em Santa Cruz do Sul (RS) decidiu: a) considerando as decisões contidas no Mandado de Segurança n° 2000.71.11.0020757, transitado em julgado em 25/02/2002, homologar, até o limite do crédito, as Fl. 284DF CARF MF Processo nº 13005.000695/0050 Acórdão n.º 3201004.187 S3C2T1 Fl. 285 3 compensações realizadas pela contribuinte diretamente em sua contabilidade e confessadas em DCTFs, envolvendo crédito de FINSOCIAL e débitos de COFINS; b) determinar a cobrança dos saldos devedores de COFINS, na medida em que o crédito de FINSOCIAL apurado foi insuficiente para a extinção de todos os débitos daquela contribuição; c) facultar a interposição de manifestação de inconformidade no prazo legal. • Daquela decisão a contribuinte tomou ciência em 14/02/2007, conforme documentos de fls. 123/124. Não conformada com a decisão administrativa, apresentou a contribuinte em 06/03/2007 — fls. 126/144 — sua manifestação de inconformidade, onde aponta, em síntese, os seguintes argumentos: DOS FATOS • a empresa foi informada de que estaria compensando débitos de COFINS em valor superior ao crédito que realmente possuía, esses originários do mandado de segurança n° 2000.71.11.0020757, devidamente transitado em julgado; • o cálculo elaborado pela Receita Federal estaria em desacordo com os cálculos apresentados pela empresa; • cabe esclarecer que: a) o crédito da empresa restou apurado através de DARFs de pagamentos de FINSOCIAL pagos entre setembro de 1989 e abril de 1992; b) a decisão judicial foi amplamente favorável à empresa, permitindo a compensação dos valores pagos a maior de FINSOCIAL com valores referentes à COFINS, tendo a decisão transitado em julgado, sendo que seus cálculos se utilizaram do BTN/INPC/UFIR e, após, SELIC, conforme determinado judicialmente; c) a sentença determinou a compensação independentemente de pedido administrativo ou autorização do órgão fiscalizatório; d) o pedido foi acolhido com correção monetária e aplicação de expurgo inflacionário devidamente previsto na sentença, sendo que a Fazenda objetivou Embargos Declaratórios no sentido de obter a prescrição das parcelas pagas após cinco anos de pagamento (prescrição qüinqüenal) buscando reduzir o crédito do contribuinte; e) os referidos embargos foram julgados improcedentes, porquanto mantida a prescrição de dez anos. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 13005.000695/0050 Acórdão n.º 3201004.187 S3C2T1 Fl. 286 4 DOS FATOS E FUNDAMENTOS I DOS CÁLCULOS CORRETOS APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE • a empresa elaborou os cálculos em conformidade com a decisão judicial, tomando em conta o valor total dos DARFs, inclusive juros e multa que foram pagos como acessório do tributo sobre o valor do principal; • sobre os valores totais aplicouse a alíquota excedente referente a 0,5% de FINSOCIAL; • em seus cálculos, o Fisco não informa qual é o valor principal utilizado, ou o valor originário. De qualquer forma, o valor encontrado de crédito para a empresa no mês de fevereiro de 2001 foi de R$ 127.352,55, tomandose por base os índices e expurgos concedidos na decisão judicial, também incidentes sobre os valores pagos com multas e juros, utilizandose, a partir de fevereiro de 2001, a correção sobre o crédito até 'então apurado, e que conforme cálculo em anexo, representam o crédito da empresa devidamente corrigido pelos índices atribuídos por decisão judicial; • a Fiscalização entendeu incorreto o procedimento efetuado pela empresa, alegando a utilização de cálculos incorretos a partir de 2001 em diante, sendo que em determinados meses houve insuficiência de crédito; • não procede a notificação fiscal, que não está considerando a correção monetária plena, mesmo a partir de fevereiro de 2001 em diante, eis que o crédito é corrigido mensalmente até o último pagamento; • a empresa não teria procedido a qualquer aproveitamento de crédito, se não fosse a determinação judicial, tendo elaborado os cálculos em conformidade com a sentença do Poder Judiciário, e não conforme o cálculo do Fisco, que na oportunidade não se manifestou ou impugnou a decisão judicial; • quisesse a autoridade fazendária estabelecer critérios diferentes sobre o valor de crédito, deveria têlo feito no próprio processo judicial, demonstrando o seu cálculo, mas que não está conforme com os parâmetros estipulados na decisão judicial; • o termo lavrado pela Fiscalização não tem fundamentação, tendo critérios unilaterais, adotando um sistema de cálculo que não está adequado ao sistema de cálculo utilizado pelo núcleo central da contadoria judicial de Porto Alegre; • tal procedimento fiscal visa intimidar a contribuinte, eis que ela estaria elaborando um cálculo que não é o mesmo utilizado pelo sistema fazendário; • é absolutamente inadequado o procedimento fiscalizatório, eis que elaborou cálculo em outros patamares (cálculo em partes), Fl. 286DF CARF MF Processo nº 13005.000695/0050 Acórdão n.º 3201004.187 S3C2T1 Fl. 287 5 não completo, que não pode gozar de presunção legal, devendo ser afastada a pretensão fazendária, porquanto ela não tem amparo legal; • não deve prosperar o contexto apontado no termo de verificação fiscal lançado contra a empresa, porque inexiste a falta de recolhimento, existindo, isso sim, o direito conferido pela decisão transitada em julgado; • a Fiscalização não considerou os pagamentos feitos com multas e juros, ou seja, deveria ter aplicado a alíquota indevida não somente sobre o principal, mas também sobre todos os acessórios pagos, o que vai contra o sistema adotado pela Justiça Federal no Rio Grande do Sul. DOS FATOS E FUNDAMENTOS II SOBRE 0 PEDIDO ADMINISTRATIVO DE COMPENSAÇÃO • a Fiscalização diz ser inexistente o pedido administrativo de compensação, ultrapassando, novamente, os comandos estabelecidos pela decisão judicial, posto que aquela não obrigou a empresa a pedir formalmente ao Fisco uma autorização para que fosse efetuada a compensação; • nos processos atuais, além da decisão transitada em julgado é necessário efetuar o PERDCOMP, tendo em vista a alteração do art. 170A do CTN. No entanto, na época dos fatos e da decisão judicial, que foi anterior à Lei n° 10.637, de 2002, inexistia essa determinação; • a autoridade fazendária quer agora, em 2007, aplicar o art. 49 da Lei n° 10.637, de 2002, essa posterior ao encerramento da ação judicial, e alterar até mesmo o conteúdo da sentença, aplicando uma nova situação sobre fatos geradores anteriores ao qüinqüênio legal, fazendo retroagir a lei, procurando aplicar seu conteúdo a períodos entre 02/2001 e 08/2002, de forma insubsistente; • na época havia desnecessidade de autorização para compensação de tributos, consoante dispôs a sentença. No entanto, passados mais de cinco anos, a Receita Federal utiliza uma lei ordinária de 2002 como base para derrubar ou anular uma compensação realizada com fundamento judicial a mais de cinco anos, querendo estabelecer nova situação, nova regulamentação e novo cálculo, alterando, dessa forma, disposições já pacificadas e sacramentadas; • são ilegais os critérios adotados pela Fiscalização, que utiliza uma nova planilha, um novo cálculo e uma nova lei — Lei n° 10.637, de 2002 — para glosar créditos da empresa, que na época própria não foram impugnados pela Fazenda, nem mesmo a nível judicial; • a planilha elaborada pelo Fisco é totalmente inconsistente, até mesmo aquela que apura o crédito de R$ 43.945,23, até janeiro Fl. 287DF CARF MF Processo nº 13005.000695/0050 Acórdão n.º 3201004.187 S3C2T1 Fl. 288 6 de 1996, porquanto ela é inovadora e não representa o crédito exato da empresa; • não há motivos para a Receita Federal segregar ou separar o crédito de duas maneiras, pois a capitalização e a correção do crédito não deve ser feita somente até 1996. O montante deve ser calculado até fevereiro de 2001 e, após, até agosto de 2001, apurandose, então, o total do crédito da empresa, abatendose os pagamentos efetuados por conta; • não faz sentido a planilha elaborada pela Receita Federal (fl. 114), porquanto aquela só apura o crédito fragmentado até janeiro de 1996; • qual é a origem e quais são os motivos que levaram a Fiscalização a informar créditos parciais até janeiro de 1996 e, após, dividir o cálculo para corrigilo conforme outra planilha elaborada a seguir?; • os cálculos, da forma como elaborados pela Fazenda, não foram efetuados conforme critérios utilizados pelos demais sistemas de cálculos, havendo um equívoco quanto à apuração dos mesmos, donde insubsistente a alegação de saldo devedor por insuficiência de crédito; • sendo o crédito originado de uma decisão judicial, é intolerável admitirse, para efeitos de cálculos, que os mesmos sejam elaborados pela autoridade fazendária, parte condenada no processo, que restou vencida, tendo que aceitar a compensação proposta, devendo ser aceito o cálculo e a posição da empresa, conforme planilha que anexa; • a empresa não aceita a constituição do débito pela Receita Federal, nem mesmo o embasamento de fl. 120, onde há referência ao Decreto n° 4.524, de 2002 — prescreve dez anos para a constituição de créditos fiscais além das Leis n's 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, observando que aquela legislação é posterior aos fatos geradores e à decisão transitada em julgado; • impugna todo o conteúdo da modificação fiscal, bem corno a planilha de fl. 113, que aplica índices de forma a descapitalizar a variação mensal, fazendo o cálculo de forma inversa, adotando mecanismos que não esclarecem o porque de determinadas indexações ou índices de reposição; • a empresa impugna os cálculos de fls. 113 e 114, posto que a atualização deverá ser feita através de uma planilha direta, de 1990 até fevereiro de 2001, não se fazendo um cálculo menor até janeiro de 1996 e outro, menos claro ainda (fl. 115), onde sequer existe identificação entre as planilhas. Refere a valores, dizendo que o cálculo efetuado pelo Fisco não é consistente; • a empresa não aceita a planilha unilateral apresentada pelo Fisco, eis que a origem do crédito se deu por decisão judicial, sendo a Fazenda condenada a aceitar a compensação — através do sistema judicial e não através de planilha unilateral — sendo Fl. 288DF CARF MF Processo nº 13005.000695/0050 Acórdão n.º 3201004.187 S3C2T1 Fl. 289 7 melhor aceita a tese de que os cálculos devem obedecer aos critérios utilizados pela Justiça Federal e que são utilizados por todos os contribuintes na esfera judicial, donde o cálculo anexado pela empresa, que obedece aos critérios da sentença. FUNDAMENTAÇÃO OBJETIVA E LEGAL DA INFRAÇÃO DIFERENÇA DE CÁLCULOS • o ponto principal do litígio diz respeito à diferença encontrada entre o cálculo da empresa, feito em 2001, e o cálculo da Fazenda, efetuado em 2007, relativamente a período de 2001; • os cálculos elaborados pela empresa foram feitos através de programa de cálculos, sendo feito à época e em observação à sentença e acórdão judicial, utilizandose dos mesmos índices de que se utiliza o judiciário, em planilha direta, através dos expurgos concedidos, bem como a correção pelos índices; • o cálculo da Fazenda não demonstra se houve capitalização mensal, não esclarece porque calculou o valor até janeiro de 1996, e, posteriormente, utilizou outra planilha. Porque então não utilizou planilha para o BTN, para o INPN (sic) e para UFIR?; • sobre os valores equivocados apurados em 1996, apenas aplicou a SELIC, sem informar se capitalizou o cálculo, se aplicou cálculo aritmético ou simplesmente somou o valor da SELIC mensalmente, não esclarecendo de que forma chegou à conclusão de que a empresa calculou a maior os valores; • anexa o cálculo que foi utilizado na época, feito através de sistema de cálculo especifico que soma todo o período e que é semelhante ao utilizado judicialmente, não precisando especificar os valores da UFIR ou da SELIC, pois eles estão no programa de cálculo; • a fiscalização fazendária poderia obter uma precisão maior e melhor se houvesse um cálculo prévio fornecido pelo núcleo da contadoria de Porto Alegre — vinculado à Justiça Federal — que é realizado diferentemente dos cálculos apresentados pela Fiscalização, onde será possível perceber o equívoco dos procedimentos aritméticos constantes das planilhas de fls. 113 a 115, isso se for tomado por base o mesmo valor originário do FINSOCIAL, com valores pagos acima da alíquota de 0,5%; • simples ofício para a contadoria judicial solicitando os cálculos seria suficiente para a observação de que os cálculos da empresa estão corretos; • para fazer seus cálculos, a empresa se utilizou de sistema de cálculo adequado, com aplicação de BTN, expurgos, INPC, UFIR e SELIC até 31/01/2001, obtendo o valor correto para a sua compensação, tendo o cuidado de utilizar apenas aquilo que pagou a maior, de forma clara e precisa; Fl. 289DF CARF MF Processo nº 13005.000695/0050 Acórdão n.º 3201004.187 S3C2T1 Fl. 290 8 • a empresa provou que efetuou o cálculo em conformidade com a decisão judicial, anexando, nesta oportunidade, o cálculo que indica com precisão os valores pagos a maior, com a devida correção monetária, utilizando sistema de cálculo específico para tal; • se o cálculo da Fazenda está em desacordo com o efetuado pela empresa, não há presunção de veracidade na planilha do órgão, mesmo porque ele não utiliza a mesma planilha de que se utiliza a Justiça Federal para realizar o mesmo cálculo; • não se pode afirmar que os cálculos da Fazenda estão corretos, até porque ele deveria utilizar, também, no valor original, a multa e os juros que constam nos DARFs de pagamento, quando o tributo é pago em atraso; • com base nos incisos LV e XXXIV do art. 5° da CF e nas Súmulas 346 e 473 do STF, a empresa acredita ter revestida e tutelada a sua posição jurídica ante a autuação fiscal, que, data vênia, não está suficientemente nem legalmente fundamentada para justificar a penalidade pecuniária imposta, pois lhe falta este requisito necessário; • a empresa faz impugnação, no sentido de se preservar de possíveis prejuízos ou sanções, apresentando tempestivamente suas alegações e argumentos, que merecem análise e guarida. Registra o art. 142 do CTN; • a empresa alerta que se a infração apurada na autuação vier a ser convertida em dívida ativa, o título extrajudicial dai decorrente estará viciado com a mesma nulidade, sendo, em conseqüência, nula a execução fiscal que vier a ser intentada, porquanto não haverá fundamento jurídico para o pedido, nem causa legal e legítima de pedir, faltando a liquidez e a certeza para a sua exigibilidade (art. 586 e 618, I, do CPC); • em obediência aos diversos princípios constitucionais relacionados ao aspecto administrativo, a empresa impugna visando assegurar o seu direito, bem como condições de ampla defesa, na ânsia de solucionar a controvérsia e dúvida surgida em decorrência da lei, bem como de fixar o alcance da norma de tributação no caso concreto, ante o duvidoso entendimento; • refere à. Lei n° 9.718, de 1998 alteração da base de cálculo e alíquota e à aplicabilidade da taxa SELIC para fins tributários, dizendo que estes temas estão em vias de merecer julgamento pelo STF. DO PEDIDO • requer sejam recebidas e admitidas as suas razões, para se dar provimento e deferimento à sua impugnação, julgandose sem efeito insubsistente e improcedente a notificação com a conseqüente anulação na íntegra do presente auto de infração, referente ao processo administrativo sofrido pela empresa, Fl. 290DF CARF MF Processo nº 13005.000695/0050 Acórdão n.º 3201004.187 S3C2T1 Fl. 291 9 determinandose, se assim for entendida necessária, a baixa dos autos em diligência, visando a verificação da base de cálculo utilizada pela Fiscalização (inclusão de juros e multa pagos nos DARFs código 6120 FINSOCIAL), bem como ofício à. contadoria da Justiça Federal para apuração dos valores através de planilha dela própria, refazendose, se for o caso, a apuração de eventuais valores remanescentes; • é o que requer. Junto à. manifestação de inconformidade a contribuinte anexou a planilha de fl. 145 e a cópia de Alteração Contratual 31 de fls. 146/149. A DRF de origem despachou à fl. 150." A decisão recorrida apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/06/2001 a 31/08/2001 COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. AÇÃO JUDICIAL. No cálculo da compensação pleiteada judicialmente, são aplicáveis os índices de correção monetária dos créditos conforme determinado pela decisão judicial definitiva. COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. FAZENDA NACIONAL. LANÇAMENTO. INTERESSE DE AGIR. A existência de uma ação judicial que declara o direito do contribuinte de efetuar compensação de créditos tributários não implica a imediata extinção do débito alegadamente compensado, pois o Fisco tem não só o direito mas o dever de verificar a adequação dos cálculos efetuados. FINSOCIAL. COFINS. COMPENSAÇÃO. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários vincendos, está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. COMPENSAÇÃO. ACEITAÇÃO DE CÁLCULOS. Recusamse os cálculos de indébitos fiscais apurados em desacordo com decisão judicial ou legislação tributária vigente para efeito de mensuração do montante a ser compensado. Solicitação Indeferida." O Recurso Voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: Fl. 291DF CARF MF Processo nº 13005.000695/0050 Acórdão n.º 3201004.187 S3C2T1 Fl. 292 10 (i) decisão judicial foi favorável ao contribuinte permitindo a compensação dos valores pagos a maior de FINSOCIAL com contribuições referente a COFINS, tendo a referida decisão transitado em julgado vindo o contribuinte a compensar utilizandose o BTN/INPC/UFIR E EXPURGOS INFLACIONÁRIOS e após a SELIC conforme determinado judicialmente; (ii) realizou a compensação — Finsocial com Cofins ,elaborando os cálculos em conformidade com a decisão judicial; (iii) para a elaboração dos cálculos os pagamentos efetuados de FINSOCIAL tomando em conta o valor total pago no Darf inclusive juros e multas que foram pagos como acessório do tributo sobre o valor principal e sobre os valores totais aplicouse a alíquota excedente referente a 0,5% de FINSOCIAL; (iv) incide correção sobre os valores até a sua efetiva compensação, e não somente até o trânsito em julgado ou primeira compensação; o fisco não abate os valores compensados, e depois novamente corrige o saldo, ele apenas glosa o valor em determinado período, e não corrige novamente os saldos, conforme decisão judicial, pela Seli , até a nova compensação. Assim o critério utilizado pela Receita Federal é diferente do critério utilizado pelo contribuinte; (v) não foram levados em consideração os pagamentos feitos com juros e multas, ou seja aplicando a alíquota indevida não sobre o principal, mas também sobre todos os acessórios pagos (juros, multas), bem como utiliza a Receita Federal uma planilha de cálculo que não é a mesma planilha utilizada para a elaboração dos cálculos judiciais; (vi) conforme decisão judicial também não havia necessidade do trânsito em julgado da decisão judicial e nem prévio pedido administrativo de compensação; a Receita Federal ultrapassa os comandos estabelecidos da decisão judicial; (vii) nos processos atuais além da decisão transitada em julgado é necessário efetuar a PER/DCOMP, tendo em vista a alteração do CTN artigo 170A; no entanto na época dos fatos e da decisão judicial que foi anterior a Lei 10.637/2002 inexistia essa determinação.A autoridade fazendária quer agora em 2007 fazer e aplicar o artigo 49 da Lei 10.637/2002 que foi posterior ao encerramento da ação judicial, alterar até mesmo o conteúdo da sentença e aplicar uma nova situação sobre fatos geradores até anteriores ao quinquênio legal, e retroagir a Lei 10.637/2002 para aplicar seus conteúdos para período de aplicação 02/2001 a 08/2002, de forma totalmente insubsistente; na época havia desnecessidade de autorização para compensação de tributos; (viii) são ilegais os critérios adotados pela fiscalização fazendária que utiliza uma nova planilha, um novo cálculo uma nova lei (Lei 10.637/2002), para glosar os créditos efetuados pelo contribuinte e que na época no foram impugnados pela Fazenda, nem mesmo a nível judicial; (ix) separar em diversas planilhas apenas retrata o sistema utilizado pela Fazenda em detrimento ao sistema utilizado pelo núcleo da Contadoria Judicial; sendo uma decisão judicial que originou o crédito seria intolerável admitir para o efetivo crédito que o mesmo seja elaborado pela autoridade fazendária, que é a parte condenada do processo, e que efetivamente restou vencida, tendo que aceitar a compensação proposta pelo contribuinte e não pela autoridade fazendária; Fl. 292DF CARF MF Processo nº 13005.000695/0050 Acórdão n.º 3201004.187 S3C2T1 Fl. 293 11 (x) que a compensação feita anteriormente a instrução normativa 323, 460, 600 e anterior a Lei 10.833/2003 alcançam fatos geradores pretéritos e não há como obrigar o contribuinte a que faça pedido de homologação previamente, visto que a decisão judicial da época autorizou ao recorrente a efetuar a compensação com base nas normas e cálculos utilizados anteriormente as novas normas de compensações atuais; da mesma forma a utilização de cálculo deve levar em conta o expurgo inflacionário bem como uma planilha equivalente de cálculo do crédito do contribuinte que deve expressar a SELIC mês a mês; e (xi) que o seu cálculo está correto e foi elaborado em conformidade com a decisão judicial O processo foi encaminhado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo sido convertido o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 320100.012 de 26 de março de 2009. Mencionada Resolução determinou a adoção das seguintes providências: "VOTO, portanto, no sentido de CONVERTER o julgamento do Recurso Voluntário em DILIGÊNCIA, à. repartição de origem, para que a autoridade competente intime a Contribuinte a detalhar os cálculos dos valores dos créditos a serem compensados, com indicação, inclusive, do valor originário e índices utilizados." A empresa recorrente apresentou manifestação contendo os cálculos que entende corretos e que atestariam o seu direito. Novamente, em razão de a dúvida sobre a correção dos cálculos persistir, o processo foi convertido em diligência (Resolução nº 3201001.293, de 17 de abril de 2018), no propósito de: "(i) a autoridade de origem elaborar relatório que demonstre os valores que entende corretos e diga se foi elaborado em conformidade com a decisão judicial transitada em julgado, a qual reconheceu o crédito de Finsocial e apresente em planilha, de forma individualizada e comparada, todo cálculo e a aplicação dos expurgos inflacionários e índices de correção determinados judicialmente, e (ii) cumprida a diligência, a recorrente deverá ser intimada para se manifestar, em 30 (trinta) dias, prorrogável uma vez, por igual período, a respeito do relatório apresentado pela autoridade fiscal e, de igual modo, pormenorizadamente, demonstrar eventuais divergências no cálculo." Em cumprimento à diligência, a Fiscalização apresentou a Informação Fiscal nº 06/DRF/SCS/SAORT, a qual possui a seguinte conclusão: "12. De todo o exposto, concluise que a única divergência entre os cálculos da RFB de fls. 126/127, ratificados nas planilhas 1 a 4 em anexo (fls. 254/258), e os cálculos do Contribuinte de fl. 157, decorre do fato de o Contribuinte ter capitalizado a SELIC, em descompasso com a sentença de fls. 37/42 que estabelece, Fl. 293DF CARF MF Processo nº 13005.000695/0050 Acórdão n.º 3201004.187 S3C2T1 Fl. 294 12 entre outros índices, a atualização pela SELIC como preceituada no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95. 13. O art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95 dispõe que “a partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada”. Portanto, a coisa julgada estabelece atualização, entre outros índices, pela SELIC acumulada, não pela SELIC capitalizada. 14. Já em relação a procedimentos (períodos de crédito, exigência de pedido administrativo de compensação, compensação antes do trânsito em julgado, compensação entre crédito de FINSOCIAL e débitos de COFINS, ...), não há nenhuma restrição imposta pela RFB por intermédio do Parecer DRF/SCS/SACAT nº 015/2007 (fls. 128/132) e/ou do Despacho Decisório DRF/SCS nº 006/2007 (fl. 133), tanto que há vários débitos de COFINS extintos por compensação detalhados nos itens 10 e 15 do Parecer DRF/SCS/SACAT nº 015/2007." Devidamente intimada, a Recorrente defende que o seu cálculo está correto, basicamente, sob o fundamento de que a decisão judicial lhe deferiu a partir de 01/01/1996 em diante a aplicação de juros, o qual deve ser adotado na sistemática capitalizada e não simples correção monetária. Assim, no seu entendimento devem os seus créditos serem atualizados pela incidência de juros SELIC de modo capitalizado e não meramente corrigidos monetariamente de modo simples pela SELIC. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator Conforme consignado no voto lavrado pela Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, na Resolução nº 320100.012 o cerne da questão cingese, essencialmente, em verificar se o quantum objeto da compensação de créditos de Finsocial com débitos de Cofins, promovida pela Recorrente, teve os seus cálculos elaborados em consonância com o que foi determinado em decisão judicial (fls. 34/39). Ante a dúvida existente sobre qual o cálculo está correto e em consonância com a decisão judicial, acertadamente, foi determinada a conversão do feito em diligência, oportunizando à Recorrente que produzisse prova hábil e idônea para demonstrar o seu direito. Novamente, em razão de a dúvida persistir, nova diligência foi determinada, como o retorno dos autos à Unidade de Origem para diligência. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 13005.000695/0050 Acórdão n.º 3201004.187 S3C2T1 Fl. 295 13 Ocorre que, cumprida a nova diligência, a Recorrente não apresentou nenhum cálculo para rebater a demonstração efetivada pela Fiscalização, defendendo a aplicação de juros, o qual deve ser adotado na sistemática capitalizada e não simples correção monetária. Assim, conforme já dito, no entendimento da Recorrente devem os seus créditos serem atualizados pela incidência de juros SELIC de modo capitalizado e não meramente corrigidos monetariamente de modo simples pela SELIC. Assim, entendo que não há como reconhecer o direito da Recorrente de forma segura. Em situações como a ora debatida não há como se deferir a pretensão da Recorrente sem que haja a efetiva prova do seu direito. Não logrou êxito a Recorrente em desconstituir o fundamento decisório através de prova apta para tanto, bem como, derruir as conclusões expostas pela Fiscalização nas diligências realizadas mesmo tendo sido oportunizada a produção de tal prova através de duas resoluções deste Colegiado. Devese levar em consideração que a necessidade de liquidez e certeza dos créditos é condição imperiosa, para que se proceda a compensação de valores. Não é devida a compensação quando os créditos estão pendentes de certeza e liquidez em seus cálculos. Nos processos administrativos que tratam de restituição/compensação ou ressarcimento de créditos tributários, é atribuição do sujeito passivo a demonstração da efetiva existência do indébito. Nesses casos, quando a DRF nega o pedido de compensação/restituição/ressarcimento que aponta para a inexistência ou insuficiência de crédito, cabe ao manifestante, caso queira contestar a decisão a ele desfavorável, cumprir o ônus que a legislação lhe atribui, trazendo ao contraditório os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. Documentos comprobatórios são os que possibilitam aferir, de forma inequívoca, a origem e a quantificação do crédito, visto que, sem tal comprovação, o pedido de repetição fica prejudicado. Humberto Teodoro Júnior sobre a prova ensine que: "Não há um dever de provar, nem à parte contrária assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” (Humberto Teodoro Junior, in Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387) As planilhas e os cálculos apresentados pela Recorrente, no caso concreto, não foram capazes de derruir os argumentos produzidos pela Fiscalização. Dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional CTN: Fl. 295DF CARF MF Processo nº 13005.000695/0050 Acórdão n.º 3201004.187 S3C2T1 Fl. 296 14 "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública." Ademais, a Fiscalização pontuou de forma precisa que a única divergência entre os cálculos da RFB de fls. 126/127, ratificados nas planilhas 1 a 4 (fls. 254/258), e os cálculos do Contribuinte de fl. 157, decorre do fato de a Contribuinte ter capitalizado a SELIC, em descompasso com a sentença de fls. 37/42 que estabelece, entre outros índices, a atualização pela SELIC como preceituada no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95. Estabelece o texto legal: "Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. § 1º (VETADO) § 2° (VETADO) § 3° (VETADO) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada." O CARF possui precedentes no sentido de que a incidência da SELIC é feita de forma acumulada e não capitalizada, conforme a seguir: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007, 2008, 2009 RESTITUIÇÃO APURADA NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. INCIDÊNCIA DOS JUROS DE MORA. DETERMINAÇÃO LEGAL EXPRESSA. O valor da restituição do imposto de renda da pessoa física apurado na declaração de rendimentos será acrescido de juros equivalentes à taxa Selic, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do mês subsequente ao previsto para a entrega tempestiva da declaração, por expressa determinação legal." (Processo nº 14112.000411/201022; Acórdão nº 2201 003.935; Relator Conselheiro Olyntho Damasceno Lyrio; sessão de 14/09/2017) Fl. 296DF CARF MF Processo nº 13005.000695/0050 Acórdão n.º 3201004.187 S3C2T1 Fl. 297 15 "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. PIS. Súmula CARF nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CORREÇÃO MONETÁRIA. RECURSOS REPETITIVOS. Na atualização do indébito tributário é cabível a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais, denominados de expurgos inflacionários, fixados na Tabela Única da Justiça Federal, aprovado pela Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007, nos termos do entendimento sufragado nos Recursos Especiais nºs 1.112.524/DF (Rel. Min. Luiz Fux) e 1.012.903/RJ (Rel. Min.Teori Zavaski), submetidos ao rito dos recursos repetitivos (Aplicação do art. 62, §2º, do RICARF/2015). A partir de 1º de janeiro de 1996, com a extinção da correção monetária, a restituição do indébito tributário passou a ser acrescida somente de juros equivalentes à taxa Selic, acumulada mensalmente até o mês anterior ao da restituição, e da taxa de 1% relativamente ao mês em que esta for efetuada. Recurso Voluntário provido em parte." (Processo nº 10855.003778/200162; Acórdão nº 3402004.288; Relatora Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula; sessão de 29/06/2017) A título ilustrativo, temse que no próprio sítio eletrônico da Receita Federal do Brasil consta que a Taxa Selic é utilizada de forma acumulada para a cobrança de débitos tributários e não de modo capitalizado: Fl. 297DF CARF MF Processo nº 13005.000695/0050 Acórdão n.º 3201004.187 S3C2T1 Fl. 298 16 Sobre a necessidade de se provar a correção dos valores para compensação tributária, é uníssona a jurisprudência deste Colegiado, conforme precedentes a seguir elencados: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/2008 CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72." (Processo 10865.905444/201269; Acórdão 3201 002.880; Relator Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima; sessão de 27/06/2017) "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2011 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 13005.000695/0050 Acórdão n.º 3201004.187 S3C2T1 Fl. 299 17 A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.Recurvo Voluntário Negado." (Processo 10805.900727/201318; Acórdão 3201 003.103; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 30/08/2017) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 299DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.972526/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PER/DCOMP. ERRO.PREENCHIMENTO.
Eventual erro de fato no preenchimento do Per/Dcomp pode ser sanado sem que se proceda, necessariamente, à retificação do Per/Dcomp.
Numero da decisão: 1401-002.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer um saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2006, da ordem de R$ 188.114,64.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PER/DCOMP. ERRO.PREENCHIMENTO. Eventual erro de fato no preenchimento do Per/Dcomp pode ser sanado sem que se proceda, necessariamente, à retificação do Per/Dcomp.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15374.972526/2009-69
anomes_publicacao_s : 201809
conteudo_id_s : 5911697
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.775
nome_arquivo_s : Decisao_15374972526200969.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 15374972526200969_5911697.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer um saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2006, da ordem de R$ 188.114,64. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7438710
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:27:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050866482675712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1370; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.972526/200969 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1401002.775 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria IRPJ PER/DCOMP Recorrente COMPANHIA PEBB DE PARTICIPAÇÕES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PER/DCOMP. ERRO.PREENCHIMENTO. Eventual erro de fato no preenchimento do Per/Dcomp pode ser sanado sem que se proceda, necessariamente, à retificação do Per/Dcomp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer um saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2006, da ordem de R$ 188.114,64. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 97 25 26 /2 00 9- 69 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 15374.972526/200969 Acórdão n.º 1401002.775 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário ao Acórdão proferido pela DRJ/RJ1 em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, ocasião em que não reconheceu o alegado direito creditório. A seguir, transcrevo os termos e fundamentos da decisão recorrida: 1. No dia 14.04.2009, a interessada transmitiu para a Receita Federal do Brasil (RFB) o PER/DCOMP 27825.59986.140409.1.3.040440 [...], no qual informou possuir crédito original de R$ 49.850,40 na data da transmissão, oriundo de pagamento indevido de tributo ou em valor maior que o devido, do qual utilizou o valor original de R$ 14.263,35 na compensação de débito fiscal próprio. 2. Não se homologou a compensação declarada porque, segundo o despacho decisório proferido eletronicamente pela extinta DERAT/RJ [...], constatouse que o crédito alegado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da interessada. 3. Fundamentouse a decisão nos seguintes dispositivos: artigos 165 e 170 do Código Tributário Nacional (CTN); e art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996. 4. Cientificada do despacho decisório em 20.10.2009 [...], a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade com ele no dia dezenove seguinte [...]. Preliminarmente, arguiu a sua nulidade sob a alegação de que lhe falta motivação, sem a qual fere o princípio constitucional do direito ao contraditório e à ampla defesa. 5. Sobre o mérito, alegou, em síntese: 5.1. que cometeu um erro material ao informar no PER/DCOMP que o seu crédito provinha de pagamento indevido de tributo ou em valor maior que o devido, pois, em verdade, ele se originou de saldo negativo de imposto de renda; 5.2. que, com efeito, por ter apurado prejuízo fiscal no ano calendário de 2006, conforme denota a sua DIPJ 2007, os recolhimentos efetuados ao longo daquele ano por conta das estimativas do imposto resultaram num saldo negativo de R$ 200.060,00; 5.3. que, por lapso, informou no PER/DCOMP que o crédito utilizado na compensação declarada dimanava (sic) do pagamento da estimativa de março de 2006, no valor de R$ 58.851,62, efetuado no mês seguinte; Fl. 143DF CARF MF Processo nº 15374.972526/200969 Acórdão n.º 1401002.775 S1C4T1 Fl. 4 3 5.4. que mero erro material no preenchimento do PER/DCOMP não pode servir de fundamento para a negativa da homologação da compensação quando demonstrada a existência do crédito tributário, uma vez que deve prevalecer sempre a verdade material; e 5.5. que esse é o entendimento pacífico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme demonstram as ementas de acórdãos transcritas na manifestação de inconformidade. É o relatório VOTO Acolho a manifestação de inconformidade, por ser tempestiva e reunir os demais requisitos de admissibilidade. Descarto a preliminar levantada por reputála completamente infundada. A motivação do despacho decisório está estampada no seu quadro 3. Naquele quadro, consta que o crédito informado pela interessada no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de seus débitos, estes declarados, por certo, em sua DCTF. Ao reconhecer, na manifestação, que cometeu erro grosseiro, digase a bem da verdade na informação da origem do crédito utilizado na compensação, ela deixou claro que entendeu perfeitamente a motivação da decisão da autoridade administrativa, razão pela qual é inegável que tal decisão não se encontra eivada do vício argüido. Não houve, portanto, cerceamento algum do direito de defesa. Ultrapassada a preliminar, passo a decidir. A despeito de eu comungar no entendimento de que erros materiais são sanáveis, não posso deixar de admitir que alguns deles são tamanhos, que não podem ser superados, na fase contenciosa do processo, sem prejudicar consideravelmente os controles operacionais da RFB. O caso em foco é bastante ilustrativo do que acabo de dizer. Afinal, não bastasse o crédito da interessada advir do saldo negativo do imposto de renda e não do recolhimento indevido de tributo, conforme ela indicou, o pagamento que teria originado o crédito utilizado na compensação nem mesmo indevido foi; com ele, ela apenas liquidou um débito de estimativa de imposto de renda apurado em perfeita harmonia é de se supor com a legislação de regência da matéria, razão pela qual não lhe restou crédito algum. Diante disso, devese refrear o ânimo de, em homenagem ao principio_ da verdade material, fazer tábula rasa do disposto no art. 77 da lnstrução Normativa do SRF n° 900, de 2008, segundo o qual o pedido de restituição e a declaração de compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, observado o disposto nos artigos 78 e Fl. 144DF CARF MF Processo nº 15374.972526/200969 Acórdão n.º 1401002.775 S1C4T1 Fl. 5 4 79 no que se refere à Declaração de Compensação. Portanto, acolher a alegação apresentada significaria, em última análise, admitir a retificação intempestiva do PER/DCOMP. Para sorte da interessada, ainda lhe resta tempo para solicitar a restituição do seu verdadeiro crédito o saldo negativo do imposto de renda e utilizáIo na compensação de débitos fiscais próprios, na medida em que não se trata do mesmo crédito postulado no presente PER/DCOMP. Em face do exposto, reputo infundada a manifestação de inconformidade apresentada e, portanto, também não homologo a compensação declarada. Cientificada da decisão do referido acórdão, o Contribuinte interpõe Recurso Voluntário onde, após um breve relato do indeferimento ao seu direito alegado, reitera seus argumentos expendidos na manifestação de inconformidade, acrescentado que não formulou pedido intempestivo de retificação de Perd/Dcomp, sendo inaplicável ao caso os citados dispositivos da IN 900/2008, na decisão recorrida. É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 15374.972526/200969 Acórdão n.º 1401002.775 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.770, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15374.967189/2009 98, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.770): Preenchidos os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário apresentado, dele conheço. Conforme relatoriado, a Recorrente informou como crédito no Perd/Dcomp um valor pago a título de estimativa mensal de IRPJ de 2006 e posteriormente, por ocasião do indeferimento de seu pleito, reconheceu que a natureza do crédito que deveria/queria informar seria, na realidade, de saldo negativo de IRPJ, apurado no ano de 2006. A Recorrente, após cientificada do Despacho Decisório, apresentou sua Manifestação de Inconformidade onde reconheceu o equívoco no preenchimento do Perd/Dcomp, afirmando que detinha saldo negativo de IRPJ suficiente para a compensação pleiteada, apresentando planilha com os valores que alega ter recolhido a título de estimativas mensais de IRPJ, apresentando também DCTF e DARF do valor recolhido e DIPJ do anocalendário de 2006. A Decisão de piso não homologou a compensação pleiteada porque tratou a situação da seguinte maneira: Diante disso, devese refrear o ânimo de, em homenagem ao principio_ da verdade material, fazer tábula rasa do disposto no art. 77 da lnstrução Normativa do SRF n° 900, de 2008, segundo o qual o pedido de restituição e a declaração de compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, observado o disposto nos artigos 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. Portanto, acolher a alegação apresentada significaria, em última análise, admitir a retificação intempestiva do PER/DCOMP. Ora, tal dispositivo normativo não impede e nem proíbe, absolutamente, que, constatado erros pontuais no preenchimento Fl. 146DF CARF MF Processo nº 15374.972526/200969 Acórdão n.º 1401002.775 S1C4T1 Fl. 7 6 de um Per/Dcomp, e perfeitamente identificáveis, sejam sanáveis por parte da Unidade de Origem. Quer se dizer com isto que a fundamentação da decisão recorrida não se mostra adequada, sendo inaplicável à situação em debate. Como lembra a Recorrente, "...não formulou qualquer pedido intempestivo de retificação do PER/DCOMP..." Consta nos autos uma DCTF Mensal, de março/2006, Totalização dos Tributos e Contribuições Apurados no Mês, onde consta débitos apurados de IRPJ da ordem de R$ 188.114,64, uma DCTF mensal de março/2006 Débito Apurado e Créditos Vinculados de R$ 58.851,62 e DARF deste valor. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 15374.972526/200969 Acórdão n.º 1401002.775 S1C4T1 Fl. 8 7 Não nos olvidemos, também, de que na decisão recorrida não se encontra qualquer restrição quanto ao saldo negativo de IRPJ, mas, pelo contrário, conforme se depreende do voto do Relator da decisão da DRJ, que assim se posicionou : Para sorte da interessada, ainda lhe resta tempo para solicitar a restituição do seu verdadeiro crédito o saldo negativo do imposto de renda e utilizálo na compensação de débitos fiscais próprios, na medida em que não se trata do mesmo crédito postulado no presente PER/DCOMP. Eu não diria que a Recorrente teria sorte neste caso, até porque já se passaram mais de cinco anos da apuração do saldo negativo de IRPJ de 2006, uma vez que, inexplicavelmente, após a ciência da decisão recorrida que se deu em 2011 o processo ficou sem qualquer movimentação por mais de oito anos (!), o que viria a prejudicar, de fato, a Recorrente se tivesse que transmitir uma nova DCOMP. De forma que, sob qualquer ângulo que se vê, a decisão recorrida tratou de forma equivocada o mérito da questão, sendo forçoso reconhecer o saldo negativo de IRPJ de 2006, limitado, entretanto, à importância declarada em DCTF, a título de IRPJ, na importância de R$ 188.114,64. Portanto, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário, reconhecendo um saldo negativo de IRPJ de 2006 da ordem de R$ 188.114,64. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo um saldo negativo de IRPJ para o ano calendário de 2006 da ordem de R$ 188.114,64. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.010252/2002-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO NÃO CARACTERIZADA. REJEIÇÃO.
Rejeitam-se os embargos apresentados por não restar configurada a alegação de existência de contradição no acórdão embargado.
Numero da decisão: 1302-001.149
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos e, no mérito, rejeitar a alegação de contradição no acórdão embargado.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Luiz Tadeu Matosinho Machado
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO NÃO CARACTERIZADA. REJEIÇÃO. Rejeitam-se os embargos apresentados por não restar configurada a alegação de existência de contradição no acórdão embargado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10480.010252/2002-15
conteudo_id_s : 5913736
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-001.149
nome_arquivo_s : Decisao_10480010252200215.pdf
nome_relator_s : Luiz Tadeu Matosinho Machado
nome_arquivo_pdf_s : 10480010252200215_5913736.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos e, no mérito, rejeitar a alegação de contradição no acórdão embargado.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
id : 7446758
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:28:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050866593824768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1564; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 450 1 449 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.010252/200215 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.149 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 06 de agosto de 2013 Matéria Insuficiência de recolhimentos Recorrente JOSÉ DE LEMOS VASCONCELOS E CIA LTDA Recorrida JOSÉ DE LEMOS VASCONCELOS E CIA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO NÃO CARACTERIZADA. REJEIÇÃO. Rejeitamse os embargos apresentados por não restar configurada a alegação de existência de contradição no acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos e, no mérito, rejeitar a alegação de contradição no acórdão embargado. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. .Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Alberto Pinto Souza Junior, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Cristiane Silva Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 01 02 52 /2 00 2- 15 Fl. 493DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10084.875J. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10480.010252/200215 Acórdão n.º 1302001.149 S1C3T2 Fl. 451 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos por JOSÉ DE LEMOS VASCONCELOS E CIA LTDA, em face do Acórdão nº 130200.437, proferido por esta 2a. Turma Ordinária da 3a. Câmara, em 16/12/2010, com a seguinte ementa: PRECLUSÃO. À luz do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº. 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei nº. 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerarseá não impugnada. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para delas tomar conhecimento em sede de recurso voluntário. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal representa mero instrumento de controle interno da Administração Tributária, e, em razão disso, eventuais irregularidades que se possa identificar na sua emissão ou prorrogação não podem dar causa a nulidade do feito fiscal. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº. 8.212, de 1991, pelo Supremo Tribunal Federal (súmula vinculante nº. 8 DOU de 20 de junho de 2008), cancelase o lançamento que não observou o prazo qüinqüenal previsto no Código Tributário Nacional. FATURAMENTO ANTECIPADO. TRIBUTAÇÃO POSTERIOR. COMPROVAÇÃO. A alegação, desprovida de documentação de suporte, de que valores faturados antecipadamente foram, em período posterior, devidamente oferecidos à tributação, não autoriza a desoneração do sujeito passivo em relação ao crédito tributário constituído pela autoridade competente. O colegiado negou provimento ao recurso voluntário, por unanimidade de votos. Cientificada em 16/10/2012, a interessada, com base no art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF. 256/2009, opôs embargos de declaração em 22/10/2012, sustentando que o acórdão recorrido conteria contradição em seu voto ao reconhecer a inclusão do valor de receita de venda, decorrente de faturamento antecipado, no valor de R$ 5.600,00, na base tributável do mês de setembro de 1.997, porém não admitindo a exclusão do mesmo valor da base lançada no mês de outubro, quando teria sido emitida a nota fiscal de simples remessa no mesmo valor. Aduz que a não exclusão do referido valor da base de cálculo do mês de outubro/2007 representaria bitributação. Fl. 494DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10084.875J. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10480.010252/200215 Acórdão n.º 1302001.149 S1C3T2 Fl. 452 3 Ao final, a embargante requer que “seja acolhido o presente recurso, a fim de que suprido seja o ponto contraditório, determinando, assim, a revisão de todo voto aqui combatido, para ao final, ser julgado procedente o presente recurso”. É o relatório. Fl. 495DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10084.875J. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10480.010252/200215 Acórdão n.º 1302001.149 S1C3T2 Fl. 453 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Os embargos interpostos são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade previsto no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF. deles conheço. Alega a interessada, ora embargante, que a decisão recorrida conteria uma contradição em seu voto ao reconhecer a inclusão do valor de receita de venda, decorrente de faturamento antecipado, no valor de R$ 5.600,00, na base tributável do mês de setembro de 1.997, porém não admitindo a exclusão do mesmo valor da base lançada no mês de outubro, quando teria sido emitida a nota fiscal de simples remessa no mesmo valor. Examinando o acórdão embargado, no ponto em que discute a matéria embargada, não vislumbro a contradição apontada. O relator do acórdão se apoiou na análise feita pela decisão de primeiro grau para demonstrar que o valor da receita, no valor de R$ 5.600,00, que teria sido tributado em duplicidade, foi incluído nos valores tributáveis lançados pela fiscalização somente na base de cálculo do mês de setembro, não havendo exclusão a ser feita relativa ao mês de outubro. É o que se extrai do voto condutor, in verbis: Na peça impugnatória apresentada a Recorrente sustentou, entre outras coisas, que deveria ser excluído da base de cálculo da contribuição o montante de R$ 6.824,00, referente a faturamentos antecipados, vez que os valores correspondentes foram tributados posteriormente. As notas fiscais representativas desses faturamentos antecipados encontramse juntadas aos autos às fls. 220 e 221 e apresentam os seguintes valores: R$ 1.224,96 e R$ 5.600,00. No voto condutor da decisão exarada em primeira instância, relativamente a tal alegação, resta assinalado: Em relação ao terceiro trimestre de 1997, as operações que se pretende excluir da base de cálculo estariam representadas por duas notas fiscais juntadas nas fls. 220 e 221, nos valores de R$ 1.224,96 e R$ 5.600,00. Tais exclusões se referem ao faturamento de setembro de 1997. Na DIPJ, para o terceiro trimestre de 1997, foi informada receita de R$ 453.038,91 (fl. 283). No lançamento, considerouse receita de mesmo valor. Conforme fl. 34, o fiscal incluiu, na composição dos R$ 453.038,91, receita bruta de setembro de 1997, no valor de R$ 184.983,50. No Razão, fl. 128, as receitas de setembro somam R$ 184.983,50. Fl. 496DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10084.875J. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10480.010252/200215 Acórdão n.º 1302001.149 S1C3T2 Fl. 454 5 Ao mesmo valor se chega, a partir da análise do Livro Registro de Apuração do ICMS, coluna "Valores Contábeis", fl. 66. Os dados desse livro são abaixo reproduzidos: ... No quadro acima, identificamse os valores das duas notas fiscais trazidas: R$ 1.224,96 e R$ 5.600,00. Tais valores compõem, portanto, as receitas de setembro reconhecidas no Razão e declaradas na DIPJ. A nota fiscal de fl. 221, no valor de R$ 5.600,00, representa operação de remessa, código 6.99, e foi emitida em 15/10/1997. Contudo, verificase que os R$ 5.600,00 não integram as receitas do quarto trimestre oferecidas à tributação na DIPJ, nem foram reconhecidas no Razão como sendo de outubro. Em relação ao quarto trimestre de 1997, foi informada na DIPJ receita no valor de R$ 570.426,97 (fl. 288). No razão, as receitas de outubro, novembro e dezembro têm os seguintes valores, respectivamente: R$ 221.026,97, R$ 211.203,96 e R$ 148.725,04 (fl. 127). A soma desses valores é igual a R$ 580.955,97. Excluindose dela as vendas canceladas, devoluções e descontos incondicionais, no total de R$ 10.529,00 (fl. 34), encontra o valor de R$ 570.426,97, que coincide com a receita do quarto trimestre de 1997 informada na DIPJ. Conforme Livro Registro de ICMS, a receita de outubro, no valor de R$ 221.026,97, é composta das seguintes parcelas: ... O valor da nota de fl. 276, referente à operação de código 6.99, no valor de R$ 5.600,00, pode ser identificado na coluna "Base de Cálculo" do ICMS, constante do referido Livro. Em relação a esse código, nada foi informado na coluna "Valores Contábeis". Confirmase, com isso, que a nota invocada não foi computada nas receitas de vendas de outubro escrituradas no Livro Registro de Apuração de ICMS, reconhecidas no Razão e informadas na DIPJ. A fiscalização, por sua vez, considerou que o valor da receita de outubro de 1997 é igual ao do Razão e do Livro de Apuração de ICMS (fl. 34), qual seja, R$ 221.026,97. Com isso, não se confirma a alegação de que referida receita foi tributada no período posterior, em que houve a remessa. (grifo nosso) O mesmo ocorre com a operação no valor de R$ 1.244,96. A operação de venda,... Notase, pois, que a Recorrente, ao interpor impugnação, requereu a exclusão do valor de R$ 5.600,00 com base na alegação de que se tratava de faturamento antecipado cuja tributação só poderia ocorrer em momento posterior, isto é, por ocasião da entrega da mercadoria. Fl. 497DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10084.875J. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10480.010252/200215 Acórdão n.º 1302001.149 S1C3T2 Fl. 455 6 A autoridade julgadora de primeira instância, entretanto, demonstrou que o valor em questão não havia sido tributado em momento posterior. (negrito cfe. original) Como restou claro no excerto transcrito do acórdão a receita de R$ 5.600,00 somente foi incluída pela fiscalização na base de cálculo da exigência relativa ao mês de setembro, não tendo sido incluída na base da exigência relativa ao mês de outubro, na medida em que se utilizou dos próprios valores registrados pela recorrente nos seus livros contábeis e fiscais. Desta forma, deve ser rejeitada a alegação de contradição. Ante ao exposto, voto por conhecer dos embargos e, no mérito, rejeitar a alegação de contradição no acórdão embargado. Sala de Sessões, em 06 de Agosto de 2013. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 498DF CARF MF Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.10084.875J. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO em 09/09/2013 17:22:21. Documento autenticado digitalmente por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO em 09/09/2013. Documento assinado digitalmente por: EDUARDO DE ANDRADE em 06/10/2013 e LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO em 09/09/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 09/10/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.1018.10084.875J Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: D1C0553F394DA67A9ADF274AFF26FAAA5D789A1C Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10480.010252/2002-15. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 10680.919487/2012-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.919481/2012-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10680.919487/2012-90
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5920698
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-000.928
nome_arquivo_s : Decisao_10680919487201290.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10680919487201290_5920698.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.919481/2012-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7483403
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050866595921920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1810; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.919487/201290 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.928 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de setembro de 2018 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente ENERG POWER S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.919481/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da insuficiência de crédito, a compensação foi HOMOLOGADA PARCIALMENTE. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 19 48 7/ 20 12 -9 0 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10680.919487/201290 Resolução nº 3301000.928 S3C3T1 Fl. 3 2 Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que a constituição do crédito tributário é feita pela apresentação da DCTF e que não existe vedação à retificação da declaração. Discorre sobre o direito à retificação da DCTF sempre que os valores apurados não tenham sido encaminhados à PGFN para inscrição em Dívida Ativa e não houver alteração da periodicidade da declaração anteriormente apresentada. Em relação aos fatos, informa que foi realizado pagamento em relação ao período de apuração em análise e que o despacho decisório determinou o não reconhecimento do direito creditório da Manifestante em virtude de suposta utilização dos pagamentos encontrados para o Darf. Defende que ao débito apurado para o mesmo período de apuração do Darf não foi vinculado nenhum crédito, assim o pagamento efetuado mediante Darf está totalmente disponível. Pede a reforma do despacho decisório com a homologação integral da compensação e o cancelamento da cobrança dos débitos remanescentes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário em que, basicamente, repete os argumentos contidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10680.919487/201290 Resolução nº 3301000.928 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.925, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.919481/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.925): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de homologação parcial de compensação de créditos da COFINS com débitos tributários federais. A DRF de origem alegou que não havia crédito suficiente. Do Despacho Decisório (fl. 73) e PER/DCOMP auditada (fls. 66 a 71) e das cópias anexadas às peças de defesa de DCTF (retificadora), DACON (original e retificadora) e guia de pagamento (fls. 2 a 64 e 88 a 136), extraio o seguinte: 1) Em setembro de 2007, foi pago o montante de R$ 225.172,22 (fl. 51), a título de COFINS do período de apuração (PA) agosto de 2007. O valor devido foi declarado no DACON original (fls. 129). Não há cópia da respectiva DCTF. 2) Em 26/03/11, foi transmitida a DCTF retificadora do mês de agosto de 2007, por meio da qual alterou o valor da COFINS devida, que passou a R$ 172.020,11 (fl. 55). o DACON também foi retificado (fl. 137). Na DCTF retificadora o débito de R$ 172.020,11 figura como se estivesse em aberto, isto é, sem crédito (pagamento ou compensação) vinculado. Em seu recurso, informou que adotou tal procedimento, pois desejava incluir o débito de R$ 172.020,11 em parcelamento. 3) Em 26/03/11, foi entregue o PER/DCOMP auditado (fls. 66 a 71), utilizando a totalidade dos R$ 225.172,02 para liquidar outros débitos tributários federais. 4) O Despacho Decisório (fl. 73) confirma o pagamento de R$ 225.172,22 e o novo valor devido da COFINS de agosto de 2007 de 172.020,11. Contudo, ao contrário do que consta na cópia da DCTF retificadora (fl. 55), vincula parte do pagamento de R$ 225.172,22 ao débito de R$ 172.020,11. Em síntese, as questões que este colegiado são as seguintes: a) Pode o contribuinte retificar a DCTF para, concomitantemente, reduzir o valor devido e desvinculálo do pagamento originariamente efetuado? b) Teria a RFB poderes para, a despeito do que foi consignado pelo contribuinte na DCTF retificadora, vincular o pagamento de R$ 225.172,22 ao débito de R$ 172.020,11? Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10680.919487/201290 Resolução nº 3301000.928 S3C3T1 Fl. 5 4 Ao meu ver, a resposta à primeira pergunta é sim. É possível retificar, para alterar a vinculação de créditos. Senão vejamos (IN RFB n° 1.110/10 em vigor na data da retificação da DCTF): "Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. (. . .)" Por outro lado, à segunda, entendo que é não. Quando muito, identificado um crédito derivado de tributo pago a maior, poderia o Fisco realizar uma compensação de ofício. Contudo, o contribuinte teria de ser previamente consultado e, inclusive, dela poderia discordar (art. 49 da IN RFB 900/08, em vigor na data do Despacho Decisório). Contudo, não há notícia nos autos de que houve compensação de ofício. Estaria pronto para votar pelo provimento do recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório de R$ 225.172,02, caso não tivesse identificado duas informações contraditórias: no Despacho Decisório (fl. 73), consta que os R$ 225.172,02 teriam sido vinculados ao débito de R$ 172.020,11, enquanto que na cópia da DCTF retificadora, anexa à manifestação de inconformidade (fl. 55), não consta vinculação alguma. Assim sendo, proponho que o julgamento seja convertido em diligência, para que a unidade de origem verifique na DCTF "ativa" de agosto de 2007 se o crédito de R$ 225.172,02 foi ou não vinculado ao débito de R$ 172.020,11. Deve ser elaborado relatório conclusivo e aberto prazo de trinta dias para manifestação das partes. Findo este prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. É como voto." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência a fim de que a Unidade de Origem verifique na DCTF "ativa" do respectivo período de apuração se o crédito informado no PER/DCOMP foi ou não vinculado ao débito constante no Despacho Decisório. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10680.919487/201290 Resolução nº 3301000.928 S3C3T1 Fl. 6 5 Deve ser elaborado relatório conclusivo e aberto prazo de trinta dias para manifestação das partes. Findo este prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
