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Numero do processo: 16327.001604/2010-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
ERRO NA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. NEGATIVA DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. PRELIMINAR AFASTADA.
Compete à autoridade julgadora de primeira instância determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, sendo incabível a determinação de procedimento pericial para esclarecer questões que podem ser elucidadas mediante apresentação de elementos probatórios.
Incumbe ao sujeito passivo fazer prova de hipotéticos erros na determinação da base de cálculo da multa aplicada, suscitados na impugnação ou no recurso voluntário.
DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. JUROS DE MORA EXIGIDOS ISOLADAMENTE. ART. 173, I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INOCORRÊNCIA.
No caso da aplicação de multa isolada à fonte pagadora, pela falta de retenção ou recolhimento do imposto que estava obrigada a reter, e da cobrança de juros de mora lançados isoladamente, não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Para fins de contagem do prazo decadencial, aplica-se ao lançamento a regra geral contida no art. 173, inciso I, do CTN.
PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR ABERTA. CONCEDIDA A TÍTULO DE GRATIFICAÇÃO OU PRÊMIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOAS FÍSICAS. SUJEIÇÃO AO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE.
Com o advento da Lei Complementar n° 109/2001, somente no regime fechado de previdência complementar, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade de seus empregados e dirigentes.
No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá o empregador eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, desde que não seja caracterizado como instrumento de incentivo ao trabalho, nem seja concedido a título de gratificação ou prêmio.
Integram a remuneração e sujeitam-se à incidência do Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas - IRPF e ao Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF os aportes de contribuição feitos pela contratante de pessoas físicas a planos de previdência privada complementar, não se configurado o caráter previdenciário desses planos.
IRRF. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO.
A falta de retenção/recolhimento do IRRF incidente sobre valores atribuídos a colaboradores (empregados ou não) sob o título indevido de plano de previdência complementar aberto enseja a aplicação da multa prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, nos termos do art. 9º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007.
JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais. Lei nº 9.430/1996 e Súmula CARF nº 4.
Numero da decisão: 2402-006.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário para que o lançamento seja retificado, reduzindo-se o valor da multa isolada para R$ 5.477.378,24 e dos juros isolados para R$ 540.199,42. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Renata Toratti Cassini que davam provimento integral ao recurso e o Conselheiro Gregorio Rechmann Junior que votou por anular a decisão recorrida.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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NEGATIVA DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. PRELIMINAR AFASTADA. Compete à autoridade julgadora de primeira instância determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, sendo incabível a determinação de procedimento pericial para esclarecer questões que podem ser elucidadas mediante apresentação de elementos probatórios. Incumbe ao sujeito passivo fazer prova de hipotéticos erros na determinação da base de cálculo da multa aplicada, suscitados na impugnação ou no recurso voluntário. DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. JUROS DE MORA EXIGIDOS ISOLADAMENTE. ART. 173, I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INOCORRÊNCIA. No caso da aplicação de multa isolada à fonte pagadora, pela falta de retenção ou recolhimento do imposto que estava obrigada a reter, e da cobrança de juros de mora lançados isoladamente, não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Para fins de contagem do prazo decadencial, aplicase ao lançamento a regra geral contida no art. 173, inciso I, do CTN. PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR ABERTA. CONCEDIDA A TÍTULO DE GRATIFICAÇÃO OU PRÊMIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOAS FÍSICAS. SUJEIÇÃO AO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 16 04 /2 01 0- 19 Fl. 937DF CARF MF 2 Com o advento da Lei Complementar n° 109/2001, somente no regime fechado de previdência complementar, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade de seus empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá o empregador eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, desde que não seja caracterizado como instrumento de incentivo ao trabalho, nem seja concedido a título de gratificação ou prêmio. Integram a remuneração e sujeitamse à incidência do Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas IRPF e ao Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF os aportes de contribuição feitos pela contratante de pessoas físicas a planos de previdência privada complementar, não se configurado o caráter previdenciário desses planos. IRRF. FALTA DE RETENÇÃO/RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A falta de retenção/recolhimento do IRRF incidente sobre valores atribuídos a colaboradores (empregados ou não) sob o título indevido de plano de previdência complementar aberto enseja a aplicação da multa prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, nos termos do art. 9º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Lei nº 9.430/1996 e Súmula CARF nº 4. Fl. 938DF CARF MF Processo nº 16327.001604/201019 Acórdão n.º 2402006.064 S2C4T2 Fl. 593 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar parcial provimento ao recurso voluntário para que o lançamento seja retificado, reduzindose o valor da multa isolada para R$ 5.477.378,24 e dos juros isolados para R$ 540.199,42. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Renata Toratti Cassini que davam provimento integral ao recurso e o Conselheiro Gregorio Rechmann Junior que votou por anular a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior, Luis Henrique Dias Lima, e Renata Toratti Cassini. Fl. 939DF CARF MF 4 Relatório Tratase de recursos voluntário interpostos contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I – DRJ/RJ1 (fls. 733/837), que julgou parcialmente procedente impugnação apresentada em face de Auto de Infração de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF (fls. 306/314), relativo a fatos geradores ocorridos nos anos calendário 2005 a 2008, o qual resultou em multa regulamentar no montante de R$ 5.869.889,28, além de juros de mora exigidos isoladamente, por falta de retenção e recolhimento de IRRF. Segundo consta do termo de verificação Fiscal (fls. 293/305): a) o lançamento decorre do fato de o sujeito passivo ter remunerado determinadas pessoas físicas com vínculo empregatício (diretores estatutários e superintendentes executivos) por meio de planos de previdência complementar por ele mantido; b) da conduta adotada pelo contribuinte, depreendese que o mesmo entendeu que: i) o fato de ter um plano de previdência complementar oferecido a todos os seus funcionários (dirigentes e empregados), confere o direito de ter outro plano (PGBL Plano de Benefícios Suplementares), disponível somente aos dirigentes da empresa; ii) o critério de elegibilidade neste plano empresarial não precisa ter requisitos expressos no seu regulamento, podendo ficar a cargo exclusivo da instituidora; iii) o comitê de remuneração pode estipular de forma antecipada e unilateral o valor a ser aportado na previdência complementar dos seus dirigentes e o regulamento deste “plano alternativo” (PGBL Plano de Benefícios Suplementares) não precisa ter regras claras quanto às contribuições; e iv) as contribuições feitas ao plano de previdência complementar não têm a única finalidade de prover o pagamento de benefícios de caráter previdenciário; c) por outro lado, a fiscalização entende que: i) o art. 16 da Lei Complementar n° 109/2001 obriga o oferecimento dos planos a todos os empregados e dirigentes, portanto o plano empresarial oferecido apenas a seus dirigentes contraria a legislação; ii) o art. 10 da Lei Complementar n° 109/2001 obriga que tanto os requisitos de elegibilidade, como a forma de cálculo de benefícios, sejam claros e constem do regulamento do plano de benefícios, portanto o critério unilateral de elegibilidade contraria a legislação; iii) o art. 19 da Lei Complementar n° 109/2001 define objetivamente a finalidade das contribuições para os planos de previdência: prover o pagamento de benefícios de caráter previdenciário, portanto não há previsão para outra finalidade; iv) o art. 38 do RIR/99 preconiza que a tributação independe da denominação dos rendimentos, portanto a legislação aplicada ao caso concreto claramente permite a caracterização destes pagamentos como rendimentos do trabalho; v) apesar de a contribuinte declarar que as contribuições efetuadas na previdência privada obedeceram aos critérios estabelecidos em lei e que o plano levou em conta variáveis atuariais, o mesmo não comprovou estas afirmações, visto que não apresentou as memórias de cálculo das contribuições; vi) as questões supracitadas somadas ao fato de os aportes serem realizados de forma habitual, mensal, com valores constantes e ainda os resgates dos participantes Fl. 940DF CARF MF Processo nº 16327.001604/201019 Acórdão n.º 2402006.064 S2C4T2 Fl. 594 5 serem realizados em valores próximos ou superiores aos aportes, via de regra no mesmo mês, dão robustez probatória à caracterização destes pagamentos como verbas remuneratórias; e vii) por todo o conjunto de argumentos e provas, os valores pagos a este título devem ser considerados como rendimento do trabalho assalariado. O autuado apresentou impugnação tempestiva (fls. 326/396), anexos de fls. 327/747, alegando que: 1) possui, atualmente, um único plano denominado Plano de Previdência Privada Aberta Coletivo Plano II do tipo Plano Gerador de Benefícios Livres – PGBL, Renda Fixa, estruturado no Regime Financeiro de Capitalização e na modalidade contribuição variável, devidamente aprovado pela SUSEP, o qual contempla contribuições e benefícios básicos aplicáveis a todos os empregados e dirigentes da empresa e contribuições e benefícios suplementares diferenciados para diretores estatutários e superintendentes executivos; 2) no entender da fiscalização, contudo, o fato de o Plano II contemplar a concessão de benefícios diferenciados para os diretores estatutários e superintendentes executivos não teria suporte nas normas legais que disciplinam a matéria, em razão do que considerou que o valor das contribuições suplementares pagas pelo recorrente para fazer frente aos referidos benefícios seria, na verdade, remuneração disfarçada, lavrando o presente Auto de Infração para exigência de IRRF que deixou de ser retido sobre o valor das contribuições patronais vertidas nos exercícios de 2005 a 2008; 3) parte da suposta multa isolada constante do auto de infração em questão já estaria extinta em razão da decadência que se operou (CTN, art. 150, § 4º), tendo em vista que o auto de infração em comento se refere a obrigações relativas aos períodos de 01/2005 a 12/2008 e foi lavrado somente em 10.12.2010, quando já passado o prazo decadencial relativamente ao período de 01/2005 a 11/2005; 4) considerando que, quanto às contribuições à previdência privada, todos os procedimentos adotados estão rigorosamente previstos na Constituição Federal, na Lei Complementar n° 109/01, nas diversas leis ordinárias e nas normas infralegais que regem a matéria no âmbito previdenciário e tributário, o questionamento fiscal se volta na verdade contra a própria legislação, posto que questiona as normas que regem o Plano Gerador de Benefícios Livres – PGBL; 5) os juros moratórios jamais poderiam incidir sobre a multa lançada, nem serem calculados com base na taxa Selic; 6) como se depreende do Relatório do Auto de Infração, a fiscalização se insurge apenas contra os aportes feitos pelo recorrente aos seus dirigentes no âmbito do PGBL Empresarial 6o Termo Aditivo de 30/06/1999 contribuições suplementares, entretanto, na base de cálculo das exações ora exigidas foram computadas também as contribuições básicas pagas aos dirigentes no âmbito do Plano II para Plano de Previdência na modalidade Plano Gerador de Benefício Livre PGBL e de Benéfico Definido PBD Contribuições Básicas, conforme Contrato Previdenciário de 20.05.2000 (doc.13 da Impugnação – fls. 455/465), sendo que o levantamento fiscal é Fl. 941DF CARF MF 6 imprestável, o que implica nulidade do Auto de Infração como um todo porque a base de cálculo das respectivas exações está viciada; 7) a Constituição Federal de 1988, no Título VIII – Da Ordem Social, nos arts. 194 a 204, cuida da Seguridade Social, compreendendo as ações dos poderes públicos e da sociedade destinadas a assegurar a todos os direitos à saúde, à previdência e à assistência social; 8) empresas que oferecem a seus empregados benefícios nestas áreas, por se tratar de atividades de elevado conteúdo social e econômico e, ainda, coadjuvante à do poder público, não poderiam ser oneradas com pesadas incidências tributárias, destacando, ainda, que tais prestações, entre as quais estariam incluídos os planos de previdência privada, não teriam relação com o trabalho prestado; 9) no caso concreto, cuidase de prestações no âmbito da previdência privada que, a despeito das normas constitucionais acima, o Fisco pretende indevidamente incluir na base de cálculo do IRRF incidente sobre rendimentos do trabalho assalariado; 10) a previdência privada, justamente pela necessidade de transpor as limitações econômicas da previdência oficial, é onerosa e facultativa. Daí porque o legislador passou a estimular a participação das empresas na instituição de programas de previdência privada já com a edição do Decreto Lei n° 2.296/1986, que concede estímulos aos programas de previdência privada, para incentivar a formação de poupança de longo prazo; 11) por força do § 2º do art. 202 da CF/1988, as contribuições em causa não integram a remuneração dos participantes de Planos de Previdência Privada, não podendo em razão disso ser incluídas na base de cálculo das contribuições previdenciárias, tampouco na base de cálculo das contribuições a terceiros e do IRRF; 12) o dispositivo constitucional é reproduzido pelo art. 68 da Lei Complementar nº 109/2001. Reproduz o art. 69, § 1º da Lei Complementar, que trata da não incidência de tributos sobre contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária e a alínea “p” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, que exclui o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, do salário de contribuição; 13) para efeito de imposto de renda, prevê a legislação a desoneração da pessoa física beneficiária quanto às contribuições recolhidas às empresas de previdência privada, conforme Lei n° 7.713/98, art. 6o, inciso VIII, regulamentado no art. 39 do RIR/1999. Transcreve dispositivos; 14) nos termos § 2º do art. 202 da CF/88, basta que as contribuições da empresa destinadas a custear planos de previdência privada em benefícios de empregados e dirigentes sejam pagas a entidades de previdência privada regularmente constituídas, cujos planos tenham sido instituídos na forma da lei, para que não sejam consideradas integrantes da remuneração; 15) essa previsão constitucional equivaleria a verdadeira imunidade, devendo sua interpretação ser ampla, inadmitindose quaisquer limitações por normas de inferior hierarquia, sendo claro o seu significado, qual seja: essa verba não poderia ser inserida na remuneração dos empregados nem para efeito da incidência de direitos trabalhistas (13º salário, férias, FGTS e outras) nem para efeito de incidências tributárias (IRPF, IRPJ, contribuições Fl. 942DF CARF MF Processo nº 16327.001604/201019 Acórdão n.º 2402006.064 S2C4T2 Fl. 595 7 previdenciárias e de terceiros, etc.). Cita jurisprudência do Supremo Tribunal Federal; 16) desde que as contribuições sejam vertidas para Planos de Previdência Privada estruturados e administrados por empresa que se dedica a essa atividade com o atendimento da legislação específica, não pode a fiscalização pretender que tais contribuições sejam consideradas pagamento de remuneração disfarçada, porque essa não é a sua natureza; 17) todos os fatos invocados pela Fiscalização para justificar a exigência de IRRF, considerados indícios da suposta ilegalidade que teria sido praticada pela recorrente, estão previstos na legislação que disciplina a matéria, nos contratos e no regulamento do plano de previdência privada, este último devidamente aprovado pela SUSEP; 18) traz, em seguida, alguns dispositivos das Resoluções do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) n.º 6/97 e n.º 139/05, e das Circulares da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) n.º 101/99, n.º 183/02, n.º 338/07, que estabelecem normas e critérios de operacionalização do PGBL, destacando aqueles relativos a planos na modalidade contribuições variáveis, com valor e periodicidade livres, e direito de resgate. Afirma que, em se tratando de PGBL, o resgate seria um direito do participante, que deveria ser a ele oferecido, obrigatoriamente e a qualquer tempo, durante o prazo de diferimento, respeitados apenas os prazos de carência e intermediário entre os pedidos. 19) relata que a previdência privada, que, no princípio, era assemelhada à previdência oficial, evoluiu para abarcar modalidades semelhantes a poupanças forçadas, como é o caso do tipo PGBL, que se caracteriza, de um lado, pela total liberdade dos participantes e da instituidora quanto ao pagamento das contribuições, seja em relação aos valores aportados, seja em relação à periodicidade desses aportes, e, de outro, pela garantia do direito de resgate total ou parcial, a qualquer tempo, desde que respeitados os períodos de carência e intervalo entre os resgates previstos na legislação, sendo incabível, no seu entendimento, qualquer comparação do PGBL com a previdência oficial e com planos de previdência privada de outras modalidades, inclusive a exigência de cálculos atuariais para o PGBL, em face da sujeição a regras legais distintas e, em virtude disso, não há como pretender que as contribuições e os resgates feitos em consonância com a legislação que rege o tipo de Plano escolhido, como ocorre no caso concreto, impliquem descumprimento das normas que regem o Sistema de Previdência Complementar; 20) informa que atualmente, possui aberto um único plano denominado Plano de Previdência Privada Aberta Coletivo – Plano II – do tipo Plano Gerador de Benefícios Livres – PGBL, Renda Fixa, estruturado no regime financeiro de capitalização e na modalidade contribuição variável, aprovado pela SUSEP nos termos do Processo 10.003048/0123, o qual contempla contribuições e benefícios básicos aplicáveis a todos os empregados e dirigentes da empresa e contribuições e benefícios suplementares diferenciados para diretores estatutários e superintendentes executivos (6º Termo Aditivo). 21) seriam 4 (quatro) os instrumentos contratuais básicos que versariam sobre o Plano de Previdência Privada das empresas do grupo Bradesco, a saber: a) Fl. 943DF CARF MF 8 Convênio de Adesão ao Plano I – de Previdência Privada para Empregados e Dirigentes de Empresa, de 20/06/1985, do tipo benefício definido, disponível a todos os empregados e diretores, fechado a novos participantes em 30/04/1999, aplicável atualmente apenas aos que a ele haviam aderido no passado (Plano I); b) Contrato Previdenciário de 20/05/1999, informando que em razão do fechamento do contrato acima, em 01/05/1999, decidiuse implementar plano de previdência privada na modalidade Contribuição Definida – FGB e de Benefício Definido – PBD para todos os empregados e dirigentes da empresa, também fechado a novos participantes em 30/04/2000, aplicável atualmente apenas aos que a ele haviam aderido no passado (Plano II); c) 6º Termo Aditivo de 30/07/1999 ao Contrato de Previdência Privada de 20/06/1985, instituindo Plano de Benefícios Suplementares na modalidade de um PGBL, aplicável ao Presidente do Conselho, aos Conselheiros, aos Diretores Estatutários, Diretores Técnicos e aos investidos em cargos de assessor da Diretoria, participantes dos Planos I e II mantidos pela impugnante; d) Contrato Previdenciário de 20/05/2000, informando que em razão de os Contratos descritos nas letras “a” e “b” estarem fechados desde 30/04/1999 e 30/04/2000, respectivamente, decidiuse através de “Programa de Migração do Plano” fazer a migração do Plano II para Plano de Previdência na modalidade PGBL e de PBD – Contribuições Básicas, aplicável a todos os empregados e dirigentes da empresa, também denominado Plano II, conforme podese depreender do Regulamento do PGBL, com Benefício por morte e invalidez, aprovado pela SUSEP. Menciona que as regras do Plano II estariam definidas no Regulamento e Nota Técnica, nos Contratos – Contribuições Básicas e Contratos – Contribuições Suplementares; 22) os procedimentos adotados pela impugnante estão em consonância com a legislação previdenciária que rege a modalidade de Plano por ela mantido Plano de Previdência Privada Aberta Coletivo, do tipo PGBL, renda fixa, estruturado no regime financeiro de capitalização e na modalidade de contribuição variável; 23) pela análise da legislação que trata da previdência privada observase que não exige a Constituição, nem a Lei Complementar n° 109/2001, nem exigia a legislação anterior, que os Planos estabeleçam benefícios em valores idênticos a todos os empregados e dirigentes da empresa, ao contrário disso, ao cuidar dos planos coletivos, como é o caso, prevê a Lei Complementar n° 109/2001, em seu art. 26, § 2o, a possibilidade de haver “uma ou mais categorias específicas” de beneficiados vinculados a um mesmo empregador; 24) o Plano II prevê benefícios para todos os empregados e dirigentes da empresa, custeados com as contribuições normais, atendendo, portanto, à condição de ser disponível a todos. Para a categoria dos dirigentes são previstas contribuições complementares, porque sendo a remuneração desses profissionais mais elevada, apenas as contribuições normais não permitiriam atingir os objetivos da Previdência Privada que é proporcionar na inatividade padrão de vida semelhante ao que o beneficiado tinha em atividade. Assim, a previsão de benefícios diferenciados além de não implicar qualquer violação à Lei Complementar n° 109/01, tem por finalidade exatamente o atendimento dos seus objetivos fundamentais. O objetivo da aposentadoria complementar é minorar para os empregados (e para seus dependentes) os efeitos dos riscos sociais que os atingiram, no caso, a velhice, a doença e eventualmente a invalidez e a morte, e que dão origem à aposentadoria. Assim, planos devem oferecer aos dirigentes benefícios diferentes daqueles oferecidos aos demais Fl. 944DF CARF MF Processo nº 16327.001604/201019 Acórdão n.º 2402006.064 S2C4T2 Fl. 596 9 empregados sob pena de, em relação a esses, a previdência privada não atingir seus objetivos; 25) ao questionar aquilo que é característica dos PGBL, o que está fazendo a fiscalização é, em última análise, questionar o próprio mérito das normas constitucionais e legais que instituíram o atual sistema de previdência privada em vigor, o que só poderia ser feito por meio de alterações legislativas; 26) a exigência de que o plano de aposentadoria complementar se estenda de forma idêntica a todos os empregados e dirigentes da empresa é incompatível com a natureza do benefício, tanto que o legislador nos mais diversos ramos da direito (trabalhista, tributário etc.) jamais contemplou essa exigência. Cita decisão do CARF a esse respeito e afirma ter demonstrado que o Plano II mantido pela Impugnante atende integralmente à condição de ser disponível para todos, não podendo prosperar a pretensão da fiscalização de que, para tanto, referido Plano devesse prever benefícios de igual valor para todos; 27) tratandose de Plano de Previdência na modalidade de Contribuição Variável é inerente a ele a possibilidade de as contribuições serem feitas em qualquer valor e a qualquer tempo, como consta do Regulamento do Plano e das normas legais suscitadas e, em face disso, não há nada de ilícito ou violador das normas que regem a previdência complementar no procedimento da empresa, não podendo prosperar a pretensão fiscal de tributar tais contribuições só porque são efetuadas de forma variada e livre; 28) não podem ser invocados para desqualificar tais contribuições o fato de seus valores serem substanciais em relação aos salários dos dirigentes porque a legislação não estabelece limites de valor para as contribuições patronais. Reproduz decisão judicial a respeito, proferida sob a égide do DecretoLei n° 2.296/1986 e jurisprudência do STJ sobre auxílio educação e assistência a saúde e PLR; 29) os resgates ocorridos no caso concreto foram sempre parciais, sofreram a devida incidência dos tributos previstos na legislação, e foram efetuados com atendimento do prazo de no mínimo 60 (sessenta) dias previsto no Regulamento e no Contrato Previdenciário firmado em 20/05/2000, bem como do prazo de carência de um ano civil completo, contado a partir do primeiro dia útil do mês de janeiro do ano subsequente ao da contribuição, em consonância com a legislação mencionada. Os valores resgatados em cada ano 2005, 2006, 2007 e 2008 referemse apenas a parte do saldo das contribuições existentes dois anos antes em 31.12.2003, 31.12.2004, 31.12.2005 e 31.12.2006, respectivamente já afetados pela valorização das quotas do Fundo de Investimento, e não aos valores aportados nos anos imediatamente anteriores como parece sugerir a autoridade autuante, não se podendo falar que as contribuições aportadas não se destinam a plano de previdência. Em se tratando de PGBL, cujas contribuições são aplicadas em um Fundo de Investimento Financeiro Exclusivo FIFE e convertidas em quotas, é da essência do plano o direito de resgate nas condições contratadas, sem que isso implique em desvirtuar ou desnaturar o Plano que continua a ser de previdência privada; 30) a legislação sobre previdência privada, em especial o art. 202 da CF/88 e a Lei Complementar n° 109/2001, disciplinam a matéria definindo as linhas gerais de atuação tanto das empresas de previdência privada aberta e fechada Fl. 945DF CARF MF 10 como das empresas interessadas em conceder a seus empregados e dirigentes este benefício, estabelecendo apenas duas condições para que as contribuições da empresa a planos de previdência privada sejam assim consideradas, a saber: a) que as contribuições sejam pagas a empresa de previdência privada legalmente constituída, autorizada a instituir e operar planos estruturados na forma da legislação aplicável à espécie e aprovados pelos órgãos competentes e b) que o Plano seja disponível a todos os empregados e dirigentes da empresa; 31) dos juros sobre a multa de ofício. A exigência de juros sobre a multa de ofício não teria suporte legal. Pelo que se infere da legislação que rege a matéria, esta somente autorizaria a incidência de multa e juros sobre o valor atualizado do tributo. Faz menção, ainda, a acórdãos do Conselho de Contribuintes e do CARF reconhecendo o não cabimento da exigência. Conclui, a partir das normas que menciona, que não existiria base legal para a exigência de juros sobre os valores lançados a título de multa de ofício (não isolada); 32) imprestabilidade da Selic para efeitos de cômputo dos juros de mora. os juros de mora no caso presente jamais poderiam ser exigidos na dimensão pretendida pela autoridade fiscal, porque estão sendo calculados com base em percentual equivalente à taxa Selic acumulada mensalmente, a qual, além de ser figura híbrida, composta de correção monetária, juros e valores correspondentes a remuneração de serviços das instituições financeiras, é fixada unilateralmente por órgão do Poder Executivo e, ainda, extrapola em muito o percentual de 1% previsto no artigo 161 do CTN; 33) prova pericial. Solicita produção de prova pericial que confirme os fatos alegados na peça impugnatória, formulando para tanto os seguintes quesitos: 1 Na base de cálculo das exações em causa foram computadas também as contribuições básicas 4% efetuadas pela empresa em nome de seus dirigentesdiretores estatutários e superintendentes executivos? 2 Houve recolhimento de contribuições previdenciárias no período de 01/2005 a 11/2005, atingido pela decadência? 3 os resgates parciais realizados em 2005, 2006, 2007 e 2008 eram relativos a saldos existentes em 31.12.2003, 31.12.2004, 31.12.2005, 31.12.2006, respectivamente? Nomeia como seu perito o Sr. Sílvio Simonaggio, brasileiro, advogado, inscrito no CRC sob o n° 99.254 e CPF n° 876.347.40853, com endereço à Rua Arizona, 1366, 4º andarcj. 42, telefone 35133500. Requer o autuado que seja acolhida impugnação para o fim de se reconhecer a insubsistência dos autos de infração lavrados, se antes não for reconhecida a sua nulidade, bem assim a produção de prova pericial contábil que confirme todos os fatos alegados. Posteriormente, apresenta petição (fl. 751) solicitando a desconsideração dos argumentos referentes à ilegalidade da exigência de juros sobre a multa lançada, uma vez que existe previsão legal expressa para sua incidência. A DRJ/RJ1 julgou a impugnação parcialmente procedente, conforme se extrai da ementa da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 Fl. 946DF CARF MF Processo nº 16327.001604/201019 Acórdão n.º 2402006.064 S2C4T2 Fl. 597 11 NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com a legislação. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. FALTA DE RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. Integram a remuneração e se sujeitam à incidência de imposto na fonte os aportes através de contribuições a planos de previdência complementar, se não comprovado o caráter previdenciário destas contribuições. Após o prazo para entrega de declaração de ajuste anual da pessoa física, verificada a falta de retenção, devese exigir da fonte pagadora multa de ofício e juros de mora isolados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo quanto à obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e ao indeferimento de seu pedido de perícia, além de repisar alegações da peça de impugnação. Especificamente com relação à negativa de realização de perícia, aduz que: a) a fiscalização se insurge apenas contra os aportes feitos aos seus dirigentes no âmbito do PGBL Empresarial 6o Termo Aditivo de 30/06/1999 contribuições suplementares; b) na base de cálculo das exações ora exigidas foram computadas também as contribuições básicas pagas pelo recorrente aos seus dirigentes no âmbito do Plano II para Plano de Previdência na modalidade Plano Gerador de Benefício Livre PGBL e de Benéfico Definido PBD Contribuições Básicas, conforme Contrato Previdenciário de 20.05.2000 b) ao enfrentar a questão, entendeu a Turma Julgadora que o recorrente não teria comprovado "a exclusão pretendida" e que por isto não havia a nulidade apontada; c) não há como se afirmar que o autuado não produziu prova no sentido de que (apesar de o lançamento se referir ao PGBL Empresarial – 6º Termo Aditivo de 30/06/1999 contribuições suplementares), a base de cálculo da multa isolada tenha incluído também as contribuições básicas pagas pelo recorrente aos seus dirigentes para o Plano de Previdência na modalidade PGBL e PBD Contribuições Básicas, visto que a planilha anexada como documento 13 à sua impugnação e também os razões contábeis apresentadas na fase de fiscalização comprovam a existência de valores pagos durante o período autuado em relação a ambas as contribuições, inclusive as básicas indevidamente incluídas no auto de infração, o que torna imprestável o Fl. 947DF CARF MF 12 lançamento fiscal porque voltado exclusivamente contra as contribuições suplementares que são objeto do 6º Termo Aditivo de 30.06.1999. O julgamento foi convertido em diligência, conforme Resolução nº 2402 000.612 (fls. 878/888) para que a autoridade autuante verificasse se os valores do Plano de Previdência na modalidade PGBL e PBD Contribuições Básicas teriam sido incluídos na base de cálculo do tributo e, em se confirmando tal hipótese, efetuasse a retificação do lançamento. Em resposta à diligência demandada por esta Turma de Julgamento foi emitido o documento denominado “Informação Conclusiva de Diligência Fiscal” (fls. 919/921), onde se conclui “que as contribuições referentes ao plano básico de previdência foram INDEVIDAMENTE INCLUÍDAS NAS BASES DE CÁLCULO, devendo estas serem retificadas, conforme demonstrado mensalmente na planilha intitulada ‘BASE DE CÁLCULO – MULTAS ISOLADAS E JUROS ISOLADO’” (fl. 921). Notificada do resultado da diligência fiscal a recorrente requer que a autuação seja anulada por englobar na base de cálculo também contribuições ao plano básico não questionadas pela fiscalização. É o relatório. Fl. 948DF CARF MF Processo nº 16327.001604/201019 Acórdão n.º 2402006.064 S2C4T2 Fl. 598 13 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho, Relator O recurso foi apresentado no prazo legal e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Da Negativa de Realização de Perícia e da Nulidade do Lançamento em Razão de Erro na Determinação da Base de Cálculo Alega o recorrente que teriam integrado o lançamento valores relativos a contribuições pagas a planos de previdência complementar que não foram considerados pela fiscalização como base de cálculo da exação e que, mesmo assim, a decisão a quo indeferiu seu pedido para a realização de perícia. Além disso, o erro identificado no Auto de Infração tornaria imprestável a autuação, que estaria voltada exclusivamente contra as contribuições previdenciárias suplementares, decorrente de plano destinado a diretores estatutários e superintendentes executivos. A perícia solicitada por ocasião da impugnação foi requerida a pretexto de esclarecer as seguintes questões: i) se na base de cálculo das exações em causa foram computadas também às contribuições básicas de 4% efetuadas pela empresa em nome de seus dirigentesdiretores estatutários e superintendentes executivos; ii) se houve recolhimento de contribuições previdenciárias no período de 01/2005 a 11/2005, atingido pela decadência; e iii) se os resgates parciais realizados em 2005, 2006, 2007 e 2008 eram relativos a saldos existentes em 31.12.2003, 31.12.2004, 31.12.2005, 31.12.2006, respectivamente. Vejase que todas as questões suscitadas têm relação com matéria de prova, ou seja, é absolutamente desnecessária a realização de perícia para esclarecer tais fatos, bastando para tanto que o autuado indicasse as supostas inconsistências e os elementos probatórios que pudessem dar suporte às suas afirmações, o que não foi feito. Portanto, não vejo mácula na decisão recorrida que, em virtude da desnecessidade, indeferiu o pedido de perícia apresentado. Além do mais, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972: “A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis”, ou seja, agiu a autoridade julgadora em consonância com a legislação de regência, pois, por ter considerado prescindível, rejeitou o pleito pericial. Quanto à nulidade fomentada, embora se tenha verificado em diligência determinada por essa Turma de Julgamento que foram incluídos indevidamente no Auto de Infração valores relativos a contribuições ao plano básico de previdência, esse fato demanda tãosomente a retificação lançamento, o que foi devidamente providenciado pela fiscalização, ou seja, não se está diante de causa de nulidade do feito fiscal, como pretende a recorrente. Em vista disso, afasto a preliminar. Fl. 949DF CARF MF 14 Decadência Consta do recurso que parte do lançamento em questão já teria sido fulminado pela decadência, tendo em vista que o auto de infração em comento referese a obrigações relativas aos períodos de 01/2005 a 12/2008 e foi lavrado somente em 10.12.2010, quando já passado o prazo decadencial relativamente ao período de 01/2005 a 11/2005. No entender do reclamante, considerando que a natureza do tributo ao qual a presente exigência fiscal se vincula, esta estaria sujeita ao lançamento por homologação, aplicandose a regra do art. 150, § 4º do CTN. Primeiramente, cumpre esclarecer que as decisões administrativas trazidas pelo sujeito passivo a esse respeito tratam de exigências tributárias distintas, submetidas a ordens jurídicas diversas, não sendo auto aplicáveis à situação aqui analisada. Ainda que tratassem do mesmo tributo, não teriam o condão de vincular o julgador administrativo de segunda instância, eis que inexiste previsão legal nesse sentido. De outro eito, no caso em questão, o auto de infração referese a lançamento de multa de ofício e de juros isolados pela falta de retenção e recolhimento de IRFonte. Dessarte, não há que se falar em tributo lançado por homologação e, do mesmo modo, em aplicação do § 4º do art. 150 do CTN e muito menos que o prazo decadencial por falta de cumprimento da obrigação legal imposta ao contribuinte estaria vinculado ao de decadência do imposto. Na mesma linha, também não se pode sustentar que houve antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo para fins de aplicação da regra de contagem do prazo decadencial contida no § 4º do art. 150 do CTN. Para a situação em questão, o CTN traz disposição específica, encartada no inciso I do seu art. 173: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...] Portanto, para fins de contagem do prazo decadencial, no caso concreto, há que se aplicar a regra geral do inciso I do art. 173 do CTN. Desta feita, tendose em conta que o lançamento se refere a fatos geradores ocorridos entre 01/2005 a 12/2008, o início do prazo decadencial para a exigência mais antiga começou a correr em 01/01/2006, o que indica que a multa poderia ter sido lançada até 31/12/2011. Como o lançamento efetuado em 10/12/2010 (data de ciência do sujeito passivo), não ocorreu a alegada decadência. Planos de Previdência Privada Inicialmente, convém ressaltar que o sujeito passivo já foi autuado por razões semelhantes às retratados no presente auto de infração. Tratase do Processo nº 16327.720218/201364, que versa sobre o não recolhimento de contribuições previdenciárias, no qual, os argumentos apresentados pelo recorrente, são similares aos trazidos à baila no presente processo. Na ocasião, esta mesma Turma de Julgamento se manifestou por meio do Acórdão nº 2402004.108, assim ementado: PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR ABERTA. CONCEDIDA A TÍTULO DE GRATIFICAÇÃO OU PRÊMIO. Fl. 950DF CARF MF Processo nº 16327.001604/201019 Acórdão n.º 2402006.064 S2C4T2 Fl. 599 15 HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Após o advento da Lei Complementar n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, desde que não seja caracterizado como instrumento de incentivo ao trabalho nem seja concedido a título de gratificação ou prêmio. Integram a remuneração e se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária os aportes de contribuições a planos de previdência privada complementar, se não comprovado o caráter previdenciário destas contribuições. Recurso Voluntário Negado. Pois bem, a recorrente alega que os valores pagos a título de previdência privada complementar não integram a remuneração de seus beneficiários por força do art. 202 da Constituição Federal/1988, do art. 68 da Lei Complementar nº 109/2001 e das diversas leis ordinárias e normas infralegais que regem a matéria no âmbito previdenciário e tributário. O questionamento fiscal, segundo defende, voltase, em verdade, contra a própria legislação, posto que questiona as normas que regem os PGBL. Na mesma linha adotada no Acórdão nº 2402004.108, considero que os valores pagos a título de previdência privada no regime aberto não estão sujeitos à incidência de impostos ou contribuições, desde que não sejam caracterizados como instrumento de incentivo ao trabalho. Os regimes de previdência complementar encontram previsão no art. 202 da Constituição Federal. De acordo com o § 2º do referido artigo, os valores pagos a esse título não integram o contrato de trabalho dos participantes ou sua remuneração. Confirase: Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. [...] § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). [...] (Grifouse) Dos dispositivos constitucionais acima transcritos, temse que, atendidos os requisitos da lei complementar, as contribuições vertidas pelo empregador não integram a Fl. 951DF CARF MF 16 remuneração de seus beneficiários e, consequentemente, não estão sujeitas aos tributos incidentes sobre parcelas dessa natureza (remuneratória). Com efeito, outra não poderia ser a interpretação, entretanto somente se pode falar em previdência complementar quando suas características estão presentes em determinada vantagem. Aliás, qualquer que seja o benefício oferecido, são justamente as características intrínsecas que evidenciam sua natureza. E não é diferente com a previdência complementar privada. Para que assim seja considerada e daí não incidam os tributos devidos sobre a remuneração, devem estar presentes as características exigidas pela Lei Complementar n° 109, de 29/05/2001 que regulou o art. 202 da Constituição Federal e revogou a Lei n° 6.435, de 15/07/1977. Nessa linha de raciocínio, mostrase relevante examinar as disposições da Lei Complementar nº 109/2001, que trata do assunto: Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1º Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. (Grifouse) Notese que ao regulamentar a norma constitucional, além reproduzir comandos presentes na Lei Maior, a norma complementar acabou por afastar qualquer espécie de tributação desse tipo de vantagem. Por certo, em relação aos tributos incidentes sobre a folha de salários, a Lei Complementar nº 109/2001, reconheceu que, tendo a CF/1988 excluído os valores a título de previdência complementar da remuneração dos participantes de planos de previdência privada, criou verdadeira imunidade em relação a tais valores. Nada obstante, para que determinado benefício seja reconhecido como vantagem paga sobre a forma de plano de previdência complementar, apresentase como condição inescusável que esse não substitua parcelas de natureza salarial, estando, por exemplo, vinculado ao atingimento de metas de produtividade do empregado, o que o caracterizaria como uma espécie de gratificação. Isso porque não é razoável que determinado mecanismo de incentivo seja desvirtuado de forma a elidir o pagamento de tributos. Pela sua importância ao encadeamento lógico do raciocino que se busca desenvolver, ressalvase que os dispositivos legais não são interpretados por partes ou em fragmentos, mas sim dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As regras gerais contidas nos arts. 68 e 69 da Lei Complementar nº 109/2001 não se mostram suficientemente hábeis a responder a todos quesitos compreendidos no litígio. São somente fração do estatuto da previdência complementar, que necessitam ser interpretados em conjunto com outras disposições da norma que lhes são afetas. Retornando ao exame da Lei Complementar n° 109/2001, entendo necessário o transcrever os dispositivos a seguir: Fl. 952DF CARF MF Processo nº 16327.001604/201019 Acórdão n.º 2402006.064 S2C4T2 Fl. 600 17 Art. 1º O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, é facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício, nos termos do caput do art. 202 da Constituição Federal, observado o disposto nesta Lei Complementar. Art. 4º As entidades de previdência complementar são classificadas em fechadas e abertas, conforme definido nesta Lei Complementar. Seção II Dos Planos de Benefícios de Entidades Fechadas [...] Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. § 1º Para os efeitos desta Lei Complementar, são equiparáveis aos empregados e associados a que se refere o caput os gerentes, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. [...] Seção III Dos Planos de Benefícios de Entidades Abertas Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: I – individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou II – coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. § 1º O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. § 2º O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo referese aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. § 3º Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos. Fl. 953DF CARF MF 18 § 4º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, são equiparáveis aos empregados e associados os diretores, conselheiros ocupantes de cargos eletivos e outros dirigentes ou gerentes da pessoa jurídica contratante. [...] (Grifouse) Nos termos da Lei Complementar referenciada, os programas de previdência privados podem ser abertos ou fechados, de acordo com a forma com que são instituídos, cabendo aos destinatários desses planos optar pela modalidade que lhe aprouver. Em termos de organização normativa, no Capítulo II da norma em debate, denominado “Dos Planos de Benefícios”, temse i) na Seção II os “Planos de Benefícios de Entidades Fechadas”; e ii) na Seção III, os “Planos de Benefícios de Entidades Abertas”. Para os planos fechados, por virtude do disposto no art. 16 da LC, é exigido, obrigatoriamente, que o benefício seja oferecido à totalidade dos empregados, exigência que inexiste em relação aos planos abertos. Desse modo, um plano de benefícios de entidade fechada quando não extensível a todos os empregados do patrocinador não pode ser assim considerado, de tal modo que a inobservância do requisito legal impõe a exigência dos tributos devidos sobre a remuneração de seus beneficiários, uma vez que desprovido de condição essencial. As entidades fechadas são instituídas para o conjunto de empregados da patrocinadora e não para grupos de categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, faculdade somente possível quando a opção é pelo regime aberto. Para o regime aberto, conforme já se adiantou, a lei complementar (art. 26, § 3°) faculta que, direta ou indiretamente através de entidade instituída para tal fim, a empresa contrate plano de previdência complementar para grupos específicos de categorias de empregados. Nesse caso não incidem contribuições previdenciárias ainda que o benefício não seja oferecido à totalidade dos empregados. Portanto, considerando os dispositivos da Lei Complementar nº 109/2001 em seu conjunto, constatase que, no caso dos planos de benefícios de entidades abertas, mesmo não sendo necessário estendêlos à totalidade dos empregados e dirigentes de determinada empresa, os grupos selecionados devem ser de categorias específicas, sem discriminações em relação a seus integrantes. A escolha recai sobre determinada categoria não como incentivo à produtividade ou outras finalidades relacionadas ao trabalho, mas em razão de características e necessidades intrínsecas dos destinatários dos planos. Em resumo, nos termos da legislação em vigor, para que os benefícios conferidos a empregados e dirigentes não se sujeitem a incidência de tributos: i) no caso de planos de benefícios de entidades fechadas, a empresa deverá oferecer o benefício à totalidade de seus empregados, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes; e ii) em se tratando de planos de benefícios de entidades abertas, poderá oferecer o benefício a grupos de empregados ou dirigentes pertencentes a determinada categoria, desde que não seja como instrumento de incentivo ao trabalho, eis que flagrantemente o caracterizaria como um prêmio e, portanto, gratificação. Fl. 954DF CARF MF Processo nº 16327.001604/201019 Acórdão n.º 2402006.064 S2C4T2 Fl. 601 19 Natureza Jurídica dos Planos de Previdência Privada Ofertados pela Recorrente a Diretores Estatutários e Superintendentes Executivos No caso específico do denominado “Plano de Benefícios Suplementares”, disponível apenas para diretores estatutários, diretores técnicos e empregados investidos em cargo de assessor da Diretoria da recorrente, reputo necessária a reprodução de algumas questões fáticas devidamente evidenciadas no Termo de Verificação Fiscal (itens 5 a 19): a) a empresa possui um comitê de remuneração, composto por 5 (cinco) membros, integrantes do Conselho de Administração. Sua linha geral de atuação traduzse em estabelecer a remuneração dos administradores com base em resultados e performances tanto da empresa como individuais, sendo que o art. 1º do regimento menciona que o objetivo do comitê de remuneração é propor ao Conselho de Administração as políticas e diretrizes de remuneração dos Administradores Estatutários da organização, tendo por base as metas de desempenho estabelecidas pelo Conselho, e o art. 3º, alínea “a” do mesmo regimento prevê que o comitê deverá submeter ao Conselho de Administração a política e diretriz de remuneração dos Administradores Estatutários, com base nas metas, objetivos e performance da Sociedade e retorno aos acionistas (item 6 do Relatório Fiscal); b) as reuniões do comitê de remuneração definindo os valores a serem pagos aos administradores estatutários do Bradesco Vida e Previdência S/A a título de previdência privada eram feitas sempre antes das assembléias gerais, ou seja, os valores eram definidos pela direção do Banco e apenas ratificados nas assembléias (item 7). Logo, o Comitê de Remuneração da Organização Bradesco estipulava de forma antecipada e unilateral o valor a ser aportado na previdência complementar destinada a seus dirigentes; c) verificouse que, nos anoscalendário de 2005 a 2008, os montantes destinados como remuneração global anual e para custear planos de previdência complementar dos administradores do banco foram os seguintes (item 8): AnoCalendário Remuneração anual global Planos de Previdência Complementar 2005 R$ 8.000.000,00 R$ 4.500.000,00 2006 R$ 7.000.000,00 R$ 3.600.000,00 2007 R$ 8.000.000,00 R$ 4.000.000,00 2008 R$ 8.000.000,00 R$ 4.000.000,00 d) a empresa foi intimada a apresentar o regulamento de previdência complementar e seus aditivos e constatouse que a mesma possui um Plano de Previdência Complementar fechado, disponível a totalidade de seus empregados desde junho de 1985, e um outro plano, chamado “PGBL EMPRESARIAL”, disponível apenas ao presidente do conselho, aos conselheiros, aos diretores estatutários, aos diretores técnicos, superintendentes e ao assessor da diretoria, de acordo com o 6º Termo Aditivo de 30/06/1999 (item 9); e) os critérios de elegibilidade ao PGBL – EMPRESARIAL (Plano de Benefícios Complementares), são definidos única e exclusivamente pela Instituidora, que pode recusar a proposta de inscrição do participante; não foi verificada regra geral para as contribuições da Instituidora; e, conforme o 6º Fl. 955DF CARF MF 20 Termo Aditivo: “11.2 Os critérios de elegibilidade são definidos única e exclusivamente pela instituidora, sendo portanto de sua total responsabilidade” (fl. 220); f) a recorrente não comprovou o caráter previdenciário/atuarial das contribuições vertidas para a previdência privada complementar. A empresa apresentou os aportes feitos por ela como instituidora de maneira individual para os participantes do plano PGBL EMPRESARIAL, sendo anexadas as planilhas com os valores. Foi realizada uma comparação entre os valores aportados na previdência complementar e os valores recebidos pelos mesmos beneficiários, como rendimento do trabalho, informados na DIRF (declaração de Imposto Retido na Fonte) do banco, nos mesmos períodos, e verificouse que os valores aportados na previdência complementar são substanciais, chegando, em alguns casos, a superar a metade do rendimento do trabalho anual (item 17); g) verificouse ainda, nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, resgates de previdência privada em valores substanciais realizados pelos participantes do PGBL EMPRESARIAL, via de regra, em janeiro de cada ano (item 19). Os resgates dos participantes do Plano são efetuados no ano seguinte, tendose constatado que os resgates totais do período são praticamente equivalentes aos totais de aportes. De se ressaltar que as peças de defesa da recorrente (impugnação e recurso voluntário) não possuem elementos suficientes para afastar os fatos constatados pelo Fisco (itens 5 a 19 do Relatório Fiscal), sucintamente mencionados acima, já que a recorrente resumiuse a alegar que agiu em conformidade com a legislação de regência. À evidência, o contexto fático resumido acima revela que os valores pagos a título de previdência privada complementar configuramse como uma gratificação ou prêmio, eis que a recorrente seleciona tanto os valores a serem vertidos à previdência como os beneficiários do programa de previdência complementar. Além disso, da análise do conjunto probatório trazido aos autos, verificouse que a concessão dos aportes a título de previdência complementar está atrelada às metas de desempenho estabelecidas pela recorrente e decorre de critérios subjetivos, tendo em vista que: (i) não foram apresentadas pela empresa as memórias de cálculo das referidas contribuições ao plano de previdência privada, não tendo sido demonstrado o seu caráter previdenciário; (ii) as contribuições suplementares, efetuadas mensalmente em benefício dos dirigentes, foram realizadas em valores substanciais, tendo sido definidas pelo comitê de remuneração de forma unilateral e a partir dos resultados alcançados; (iii) houve resgates efetuados pelos dirigentes no período fiscalizado, no mesmo mês, e em valores próximos aos das contribuições vertidas, frustrando o objetivo de complementação das aposentadorias; (iv) os critérios de elegibilidade são definidos única e exclusivamente pela instituidora, que pode, inclusive, recusar a proposta de participante pertencente ao grupo ao qual o benefício se destina, em desconformidade com o previsto na Lei Complementar n° 109/2001; dentre outros. O caráter remuneratório de tais verbas mostrase bastante evidente, visto que essas são pagas habitualmente (mês a mês) e somente aos altos dirigentes (empregados ou não) da empresa em decorrência do contrato laboral celebrado entre contratante e contratados, visando atender as metas de desempenho estipuladas pela Companhia. Não se pode deslembrar que o § 11 do art. 201 da CF/1988 é taxativo ao estabelecer que: “Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário”. Fl. 956DF CARF MF Processo nº 16327.001604/201019 Acórdão n.º 2402006.064 S2C4T2 Fl. 602 21 Para a recorrente, entretanto, nos termos do § 2º do art. 202 da Constituição, basta que as contribuições da empresa destinadas a custear planos de previdência privada em benefícios de empregados e dirigentes sejam pagas a entidades de previdência privada regularmente constituídas, cujos planos tenham sido instituídos na forma da lei, para que não sejam consideradas integrantes da remuneração. Atendidas essas exigências, referida verba estaria desonerada de quaisquer tipo de tributo, inclusive do IRPF, consoante previsão contida na Lei nº 7.713/1998 e no Regulamento do Imposto de Renda. Na hipótese, restou consignado alhures que, em se tratando de plano de previdência privado aberto, desnecessário o atendimento da exigência constante do art. 16 da Lei Complementar 109/2001 (extensão do benefício a todos os empregados, gerentes, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes do patrocinador), bastando para tanto que o plano de previdência complementar seja extensível a grupos específicos de categorias de colaboradores. Contudo, ainda assim não prosperam as alegações da recorrente, eis que, ao conceder o plano de previdência privada complementar a um grupo restrito de dirigentes (e não a um grupo determinado), com critérios de elegibilidade definidos única e exclusivamente pela instituidora, e atrelados às metas de desempenho, o benefício assume o caráter de gratificação (ou prêmio), vinculado aos atributos profissionais dos trabalhadores, servindo de complemento ao salário. A natureza de gratificação dos valores aportados ao “plano de previdência privada” dos dirigentes fica evidenciada quando se nota que as “contribuições” eram definidas pelo Comitê de Remuneração da Organização Bradesco, de forma antecipada e unilateral, levando em consideração os resultados apurados nos segmentos de negócios, bem assim a alta qualificação, o tempo de serviço e o desempenho dos beneficiários, como declarou o Recorrente à fiscalização (vide item 13 do Termo de Verificação Fiscal). Confirase: “a metodologia de cálculo das contribuições relativas aos administradores e superintendentes executivos leva em conta os resultados consistentes apurados em todos os segmentos de negócio. Outro ponto considerado é relativo ao quadro de administradores, que é constituído por profissionais que iniciaram a carreira nesta organização nos níveis iniciais há longos anos e percorreram toda a escala hierárquica de cargos para se habilitarem a ocupar posição de direção e, portanto de comprovada fidelidade, competência e dedicação, sendo que as contribuições efetuadas pela Instituidora (BANCO BRADESCO S/A) obedeceram aos critérios estabelecidos em lei e o plano leva em conta variáveis atuariais” Não se pode olvidar que o § 1º do art. 457, da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), é expresso ao estabelecer que integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. Com efeito, em regra, as contraprestações efetivadas pelo empregador em razão do contrato de trabalho ostentam natureza salarial. Essa natureza em alguns casos pode ser excepcionada pelo legislador, como, de fato, o fez no caso da previdência privada. Todavia, para que seja afastada a regra geral é mister do empregador seguir rigorosamente os requisitos estipulados em lei, o que não se sucedeu na hipótese. Ainda sobre a legislação aplicada, verificase que o Fisco também fundamentouse no art. 43 do Código Tributário Nacional – CTN; nos arts. 37, 38 (caput e parágrafo único), 43 e 624 do RIR/1999, os quais tratam da tributação pelo IRPF sobre valores Fl. 957DF CARF MF 22 recebidos em decorrência do trabalho; no art. 9º da Lei n° 10.426/2002, no que concerne à multa pela não retenção, pela fonte pagadora, do IRFonte; e em vários outros dispositivos da LC 109/2001 (dentre eles os arts. 10 e 19), bem como na própria Constituição Federal de 1988 (art. 202, §§ 1º e 2º), conforme itens 20 e seguintes do Termo de Verificação Fiscal. A regra estampada no art. 10 da LC 109/2001, o qual está inserido na Seção I do Capítulo II, que trata das disposições comuns aos planos de previdência privada (aberto e fechado), estipula que tanto os requisitos de elegibilidade, bem assim a forma de cálculo dos aportes pela instituidora devem estar claramente definidos no regulamento do plano, fato esse que não aconteceu no caso ora analisado. LC 109/2001: Art. 10. Deverão constar dos regulamentos dos planos de benefícios, das propostas de inscrição e dos certificados de participantes condições mínimas a serem fixadas pelo órgão regulador e fiscalizador. § 1º A todo pretendente será disponibilizado e a todo participante entregue, quando de sua inscrição no plano de benefícios: I certificado onde estarão indicados os requisitos que regulam a admissão e a manutenção da qualidade de participante, bem como os requisitos de elegibilidade e forma de cálculo dos benefícios; II cópia do regulamento atualizado do plano de benefícios e material explicativo que descreva, em linguagem simples e precisa, as características do plano; III cópia do contrato, no caso de plano coletivo de que trata o inciso II do art. 26 desta Lei Complementar; e IV outros documentos que vierem a ser especificados pelo órgão regulador e fiscalizador. [...] Os elementos probatórios juntados aos autos demonstram que, in casu, os critérios de elegibilidade são definidos única e exclusivamente pela instituidora, que, inclusive, tem a faculdade de recusar a proposta de inscrição do interessado no plano. Essa circunstância, além de comprovar que nem mesmo dentro da própria categoria (altos empregados) o plano estava acessível a todos, revela que os critérios eram definidos de forma casuística e subjetiva (desempenho, tempo de casa, dentre outros), conforme conveniência da recorrente (vide itens 2.3 e 11.2 do 6º Termo Aditivo – fls. 216/222). Esses fatos, somados à ausência de regra geral para o aporte das contribuições da instituidora, relembrese que a autuada não apresentou ao auditor as correspondentes memórias de cálculo, é mais um fundamento de reforço da natureza de gratificação dos pagamentos. De outra parte, não restam dúvidas de que o art. 27 da LC 109/2001 permite o resgate de recursos do plano pelos participantes. Assim, os resgates, por si só, não teriam o condão de descaracterizar a natureza de previdência privada dos valores depositados nas contas dos participantes. Contudo, tais resgates assumem relevância quando analisados juntamente com o conjunto probatório que deu respaldo à autuação. Fl. 958DF CARF MF Processo nº 16327.001604/201019 Acórdão n.º 2402006.064 S2C4T2 Fl. 603 23 Nesse passo, os elementos informativos acostados pelo Fisco e pela recorrente demonstram que os valores substanciais aportados anualmente nas contas dos participantes do plano PGBL – Suplementar foram, quase na totalidade, resgatados no período de apuração, sempre na mesma época e sem qualquer destinação a benefício de natureza previdenciária. Os quadros a seguir, elaborados com base nos apontamentos feitos pela autoridade autuante e nos documentos acostados aos autos pela recorrente, ilustram bem essa situação: Diretores Estatutários Ano 2005 2006 2007 Valores Aportados 2.309.405,02 3.578.481,97 3.336.040,23 Valores Aportados no período 9.223.927,22 Valores Resgatados no Ano seguinte 2.891.459,29 2.550.109,76 4.132.373,25 Valores Resgatados no período 9.573.942,30 Relação % entre valores resgatados e aportes 125,20% 71,26% 123,87% Relação % entre valores resgatados no período 103,79% Superintendentes Executivos Ano 2005 2006 2007 Valores Aportados no ano 2.305.606,04 2.832.255,70 3.249.506,64 Valores Aportados no período 8.387.368,38 Valores Resgatados no Ano seguinte 2.333.655,94 2.384.519,67 3.473.380,63 Valores Resgatados no período 8.191.556,24 Relação entre valores resgatados e aportes 101,22% 84,19% 106,89% Relação entre valores resgatados e aportes (período) 97,67% Todas essas questões associadas, além de outras relatadas no Termo de Verificação Fiscal, conduzem a insofismável conclusão que, de fato, os aportes efetuados a título de previdência complementar tinham natureza de rendimento do trabalho. Impende destacar que não é o nomen iuris conferido a uma parcela que irá definir a sua natureza, mas é relevante aferir se o pagamento segue as regras previstas em lei que sejam aptas retirarlhe a natureza remuneratória. Na espécie, os aportes realizados de forma habitual e os fatos evidenciados nos quadros acima (resgate de quase a totalidade dos valores aportados para o PGBL Suplementar) demonstram, de forma clara, a descaracterização da natureza previdenciária da verba. Logo, os valores passam a ter natureza de gratificação e amoldamse ao conceito de salário. Além disso, o entendimento delineado acima está em conformidade ao art. 202, § 2°, da CF/1988, já que a recorrente estabeleceu um tratamento diferenciado para determinados trabalhadores, de modo a beneficiálos em relação a outros, seja quanto à contribuições do empregador, seja no que concerne aos benefícios e condições atrelados às metas de desempenho estabelecidas pela recorrente, acarretando um tratamento benéfico e vantajoso para os dirigentes especificados no 6º Termo Aditivo. Constituição Federal de 1988: Art. 202. [...] Fl. 959DF CARF MF 24 [...] § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (Grifouse) Nessa esteira, transcrevese, na sequência, algumas cláusulas dos contratos de previdência privada (6º Termo Aditivo) que dizem respeito aos participantes do Plano de Benefícios Suplementares e estabelecem condições diferenciadas para o recebimento de benefícios de renda e o resgate das contribuições vertidas ao plano: 6º Termo Aditivo, de 30/07/1999, ao Contrato de Previdência Privada firmado em 20 de junho de 1985(fls. 483/489) [...] Cláusula Primeira – Do Plano de Benefícios Suplementares 1.1. A INSTITUIDORA, bem através do presente instituir Plano de Benefícios Suplementares na COMPANHIA, na modalidade de um Plano Gerador de Benefício Livre – PGBL... Cláusula Segunda – Dos Participantes 2.1. Serão considerados Participantes do PGBL, o Presidente do Conselho, os Conselheiros, Diretores Estatutários, Diretores Técnicos e os investidos em cargo de Assessor da Diretoria, da INSTITUIDORA, participantes dos Planos I e II mantidos pela mesma. [...] Cláusula Terceira – Do PGBL [...] 3.3.6. O Participante será elegível ao recebimento de um dos Benefícios de renda previstos nesta Cláusula a partir dos 60 (sessenta) anos de idade, fazendo jus a 100% (cem por cento) do saldo da Conta de Reserva de Participante. Cláusula Quarta – Do Resgate 4.1. Durante o período de diferimento, mediante expressa autorização da INSTITUIDORA, o Participante poderá resgatar parte ou a totalidade do saldo da Conta de Reserva do Participante – Parte INSTITUIDORA, observada a legislação pertinente em vigor. 4.2. Durante o período de diferimento, mediante expressa autorização da INSTITUIDORA, o Participante poderá resgatar parte ou a totalidade do saldo da Conta de Reserva do Participante – Parte Participante, observada a legislação pertinente em vigor. [...] Fl. 960DF CARF MF Processo nº 16327.001604/201019 Acórdão n.º 2402006.064 S2C4T2 Fl. 604 25 Contrato Previdenciário, de 20/05/2000 (Fls. 490/509): [...] Cláusula Segunda – Dos Participantes 2.1. Serão inscritos no Plano de Benefícios os empregados e dirigentes da INSTITUIDORA que na data da assinatura da Proposta de Inscrição estejam em plena atividade de trabalho. [...] Cláusula Quarta – Do PGBL [...] 4.5. Será elegível ao recebimento de um dos Benefícios de renda previstos nesta cláusula, fazendo jus a 100% (cem por cento) da Reserva Matemática de Benefícios a Conceder, definida no item 4.3, o Participante que preencher, concomitantemente, os seguintes requisitos: a Ter no mínimo 60 (sessenta) anos de idade; b Ter no mínimo 10 (dez) anos de vinculação ao Plano de Benefícios; e c Haver cessado o vínculo empregatício com a INSTITUIDORA. [...] Cláusula Sexta – Do Resgate 6.1. O Participante ou o Beneficiário, quando for o caso, terá direito ao resgate das contribuições vertidas ao Plano de Benefícios quando: 6.1.1. O Participante se tornar inválido total e permanentemente antes de ser elegível a um dos Benefícios previstos neste Plano de Benefícios, conforme opção prevista no item 5.1.1. da Cláusula Quinta deste Contrato; 6.1.2. Na hipótese de saída prematura do Participante do Plano de Benefícios, observada o disposto na Cláusula Oitava deste Contrato; 6.1.3. Na hipótese prevista no item 5.1.2. da Cláusula Quinta deste Contrato. 6.2. O valor do resgate será equivalente ao saldo formado exclusivamente pelas contribuições feitas às expensas do Participante. A parte do saldo formada pelas contribuições da INSTITUIDORA será revertida ao Plano de Benefícios. [...]” (Grifouse) Com relação ao resgate, constatase que os contratos de previdência privada firmados pela recorrente permitiam o resgate apenas das contribuições pagas pelo participante Fl. 961DF CARF MF 26 (beneficiário) e não dos valores pagos pelo patrocinador. Assim, houve descumprimento das cláusula desses contratos de previdência, já que ocorreu o resgate de quase a totalidade dos valores vertidos no período objeto do lançamento, incluindose a parte derivada das contribuições da recorrente. Esse entendimento de que não poderá haver o resgate dos valores pagos pelo patrocinador está, inclusive, sumulado pelo STJ: “Súmula 290 – Nos planos de previdência privada, não cabe ao beneficiário a devolução da contribuição efetuada pelo patrocinador”. Tudo isso torna ainda mais evidente a natureza remuneratória dos valores abrangidos no lançamento. Verificase ainda que, da forma como foram realizados os resgates dos valores destinados à previdência complementar – sem qualquer finalidade previdenciária, distanciandose dos benefícios previdenciários (aposentadoria, pensão ou benefícios acidentários), houve o descumprimento da regra geral do regime de previdência complementar prevista no art. 2º da LC 109/2001, visto que essa norma estabelece que o regime complementar tem por objetivo instituir planos de benefícios de caráter previdenciário. Por todas essas razões, e tendo em vista que as verbas aqui discutidas têm nítida repercussão econômica, concedidas com características de gratificação ou prêmio, inobstante toda a legislação suscitas pelo sujeito passivo (Constituição, leis complementares, leis ordinárias, RIR e outras normas infralegais), não vejo como enquadrálas na regra isentiva inserta no inciso VIII do art. 6º da Lei nº 7.713/1998 e nos dispositivos correlatos do regulamento do Imposto de Renda. De outro modo, em vista do nítido caráter salarial dos valores pagos pelo sujeito passivo a título de previdência complementar privada de regime aberto a diretores estatutários, diretores técnicos e empregados investidos em cargo de assessor de sua diretoria, e a inequívoca conformação desses valores ao conceito de renda, entendo corretas as conclusões do Fisco de que tais verbas estão sujeitas à incidência do IRPF, com fundamento no art. 43 do CTN; nos arts. 37, 38 e 43 do RIR/1999, bem assim do IRRF, em razão do disposto no 624, também do RIR. Por conseguinte, a falta de retenção e recolhimento do IRRF atraem a aplicação do art. 9º da Lei nº 10.426/2002, in verbis: Art. 9º Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. Portanto, correta a aplicação pela autoridade autuante da multa prevista no inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, o qual estabelece: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 962DF CARF MF Processo nº 16327.001604/201019 Acórdão n.º 2402006.064 S2C4T2 Fl. 605 27 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] Assim, a despeito da doutrina e das decisões judiciais e administrativas suscitadas pelo recorrente, entendo não lhe assistir razão quanto à matéria sub examine, devendo ser mantida a exação. Por todas as razões acima esposadas, nego provimento ao recurso voluntário neste ponto. Contribuições ao Plano Básico de Previdência Restou consignado no documento denominado “Informação Conclusiva de Diligência Fiscal”, elaborado pela Fiscalização, que foram incluídas indevidamente no Auto de Infração valores referentes ao plano básico de previdência, quando a autuação se voltou somente ao “PGBL Empresarial – 6º Termo Aditivo de 30/06/1999 – Contribuições Suplementares”. Dessarte, e consoante informação prestada pelo Fisco (fls. 919/921), entende se pela necessidade de retificação do lançamento, nos seguintes termos: DE PARA Base de Cálculo R$ 28.460.069,12 R$ 26.556.985,42 Multa Isolada R$ 5.869.889,28 R$ 5.477.378,24 Juros Isolados R$ 586.131,33 R$ 540.199,42 Imprestabilidade da Selic para Efeitos de Cômputo dos Juros de Mora Acerca desta matéria, o próprio sujeito passivo consigna em seu recurso voluntário ter consciência de que, em vista de Súmula editada pelo CARF, este Colegiado não pode afastar a incidência da Taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC sobre dos débitos de natureza tributária não recolhidos no prazo definido em lei. Entretanto, reitera o pedido para que o índice de correção seja afastado sob o seguinte argumento: Assim o faz, todavia, com o único objetivo de que, na eventualidade de decisão plenária do E. Supremo Tribunal Federal favorável ao contribuinte sobre essa matéria, não reste preclusa a questão neste processo administrativo, podendo, assim, este E. Conselho afastar a exigência com base no artigo 26A do Decreto n° 70.235/72. Sobre esse assunto, o entendimento pacificado neste Conselho é em tudo semelhante ao esposado no voto condutor do Acórdão 2402004.108, que, segundo se esclareceu no início deste voto, referese ao mesmo sujeito passivo e trata de matéria semelhante a aqui discutida, diferenciandose tãosomente pelo fato de que, enquanto naquele julgado tratavase de contribuições previdenciárias, aqui a lide gira em torno do IRFonte. Assim, filiome às conclusões extraídas daquele julgado em relação a esse ponto e as adoto como razões de decidir: Fl. 963DF CARF MF 28 No que tange à arguição de inconstitucionalidade, ou ilegalidade, da legislação tributária que dispõe sobre a utilização da taxa de juros (Taxa SELIC), frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei 8.212/19911. Isso está em consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Esclarecemos que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois o art. 144 do CTN dispõe que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC) está prevista em lei específica tributária, art. 5º, § 3º, da Lei 9.430/1996, transcrito abaixo: Art. 5º (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Com o mesmo entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) Manifestouse que é legitima a incidência da Taxa SELIC sobre os tributos não recolhidos no prazo legal, conforme ficou assentado no Recurso Especial n° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996 (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da 1 Neste ponto, há que se esclarecer que a aplicação da Taxa Selic decorre do art. 61 da Lei nº 9.430/1996 e não da Lei nº 8.212/91 como no caso do Acórdão nº 2204004.108. Fl. 964DF CARF MF Processo nº 16327.001604/201019 Acórdão n.º 2402006.064 S2C4T2 Fl. 606 29 Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria2, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando os valores descritos no lançamento fiscal, em consonância com o prescrito pela legislação tributária acima mencionada, já que as contribuições sociais não recolhidas à época própria ficam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Isso está em consonância com o próprio art. 161, § 1°, do CTN, pois havendo legislação especifica dispondo de modo diverso, abrese a possibilidade de que seja aplicada outra taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa utilizada é a SELIC. Lei 5.172/1966 Código Tributário Nacional (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (g.n.) O disposto no art. 161 do CTN não estabelece norma geral em matéria de legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei de igual status, não havendo necessidade de lei complementar. Pelas mesmas razões acima reproduzidas, nego provimento ao recurso também nesta parte. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido CONHECER do recurso, afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para que o lançamento seja retificado na forma a seguir discriminada: 2 Leiase: "Não tendo o sujeito passivo retido e recolhido o Imposto de Renda na fonte em época própria". Fl. 965DF CARF MF 30 DE PARA Base de Cálculo R$ 28.460.069,12 R$ 26.556.985,42 Multa Isolada R$ 5.869.889,28 R$ 5.477.378,24 Juros Isolados R$ 586.131,33 R$ 540.199,42 (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 966DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.901623/2008-45
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Sat Mar 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
PROVAS. INSUFICIÊNCIA.
As provas trazidas aos autos não foram suficientes para comprovar a ocorrência de pagamento indevido ou a maior.
Numero da decisão: 3001-000.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. As provas trazidas aos autos não foram suficientes para comprovar a ocorrência de pagamento indevido ou a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cássio Schappo, Renato Vieira de Avila e Cleber Magalhães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 16 23 /2 00 8- 45 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 11020.901623/200845 Acórdão n.º 3001000.212 S3C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/POA, que não reconheceu do direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos fatos O Contribuinte, na data de 08/04/2004, transmitiu PER/DCOMP nº 25790.78979.080404.1.3.048804 declarando a compensação de débito de IPI (cód.1097) do Período de Apuração 2ª quinzena de março de 2004, com vencimento em 08/04/2004, com crédito da COFINS (cód. 5856), recolhido a maior que o devido através de DARF da competência 02/2004. Do Despacho Decisório A DRF de Caxias do Sul em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório (eFls. 8), pela não homologação da compensação pretendida, em face de inexistência do crédito informado, pois o valor do DARF discriminado na PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito do mesmo tributo, porém, no código 2172. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade (efls. 10), justificando que: 1 – que haveria necessidade de lançamento de ofício para exigência do crédito tributário, conforme disposto no art. 142 do CTN; 2 – que o valor do crédito compensável é resultado do pagamento a maior que o devido, pois o valor realmente devido a título de COFINS do período de apuração 02/2004 é de R$ 39.657,09 e foi pago via DARF o valor de R$ 99.041,53; 3 – que em análise posterior do despacho decisório a impugnante constatou que equivocadamente declarou em DCTF o código da COFINS devida para o período de 02/2004 como sendo 2172, quando o correto seria 5856, conforme DARF de recolhimento; 4 – apresentou DCTF original apontando o código 2172 equivocadamente informado e DCTF retificadora com a mudança para o código correto 5856, porém, foi mantido o valor do débito apurado para o período de fevereiro/2004 de R$ 99.041,53; 5 – ao final pugna pela homologação da compensação pleiteada, com reconhecimento do credito e extinção do débito relacionado; Do Julgamento de Primeiro Grau Fl. 101DF CARF MF Processo nº 11020.901623/200845 Acórdão n.º 3001000.212 S3C0T1 Fl. 4 3 Encaminhado os autos à 2ª Turma da DRJ/POA, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse resumidos na ementa assim elaborada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/02/2004 DCOMP. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA. Constatada a inexistência de direito creditório para fazer frente ao débito declarado em DCOMP, a compensação não será homologada, implicando a cobrança do valor indevidamente compensado, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2º e 7º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996). DCOMP. INDÉBITO FISCAL. CONFISSÃO. A declaração de compensação, por se constituir em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do tributo confessado, dispensa o lançamento de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 29/02/2004 DCTF. RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO. INEFICÁCIA. DCTF retificada após ciência da decisão, que não homologa compensação declarada, não é causa para sua reforma, pois a comprovação da disponibilidade de crédito é aferida no momento da decisão exarada pela autoridade competente. PAGAMENTO A MAIOR. INEXISTÊNCIA. Tendo o pagamento constante do DARF ao qual foi atribuído o crédito utilizado na DCOMP sido vinculado para extinguir débito confessado em DCTF, inexiste saldo remanescente a compensar. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo, cientificado da decisão de primeiro grau, ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls. 71), repisando as alegações de sua Manifestação de Inconformidade, insistindo que a compensação praticada só não foi reconhecida por erro formal de preenchimento da DCTF, o qual entende superado, devendo ser reformada a decisão recorrida, o crédito reconhecido e a compensação homologada. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 11020.901623/200845 Acórdão n.º 3001000.212 S3C0T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Discutese nesses autos pedido de compensação de tributos federais via PER/DCOMP (declaração de compensação), tendo de um lado como crédito o pagamento a maior que o devido, via DARF conforme alegações da recorrente, com débito de IPI. O órgão de origem não homologou a compensação pretendida pelo fato do crédito levantado pela interessada, conforme DARF, ter sido totalmente usado na liquidação de débito declarado em DCTF. Realmente, o DARF da contribuinte que consta dos autos (efls.18), diz respeito ao pagamento de COFINS código 5856 do período de apuração 29/02/2004 no valor de R$ 99.041,53 e o valor da COFINS declarado na DCTF (efls.21) para o mesmo período de apuração 02/2004, também foi de R$ 99.041,53 só que para o código de receita 2172. Posteriormente, na data de 15/08/2008 (efls.22) foi apresentada DCTF retificadora, onde retifica apenas o código de receita da COFINS do período de apuração fevereiro/2004 para 5856 e manteve o valor declarado de R$ 99.041,53. Quanto a apresentação de DCTF retificadora, mesmo após ter tido conhecimento do despacho decisório, não perde sua eficácia. Nesse ponto divirjo das colocações feitas no acórdão recorrido. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindose em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. Esse entendimento vem se consolidando junto ao CARF e cito como paradigma o acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017 da 3ª Turma da CSRF. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 11020.901623/200845 Acórdão n.º 3001000.212 S3C0T1 Fl. 6 5 Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) Por outro lado, apesar da existência de DCTF retificadora, a mesma não fez alteração do valor originalmente declarado, permanecendo a identidade do valor pago via DARF com o valor declarado em DCTF da COFINS do período de apuração 02/2004. Ainda, a própria DACON apresentada (efls.38) não se presta a fazer prova a favor da recorrente, pois indica um valor de COFINS para o mês de fevereiro/2004 totalmente diferente com o que afirmado na Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário. A inciativa de provar a liquidez e certeza ao crédito pretendido em processo de restituição/compensação de tributos federais é do contribuinte. Cabe ao fisco auditálo e atestar sua validade para o fim pretendido, respeitando sempre os princípios da verdade real, do contraditório e da ampla defesa. No presente caso nenhuma ação da recorrente foi registrada em todo o decorrer do processo, em termos de produção de prova que pudesse contribuir à modificação do despacho decisório. Quanto ao necessário lançamento de Ofício para exigência do tributo cuja compensação foi requerida, não confere razão a recorrente. O débito objeto de compensação já havia sido declarado ao fisco e valores declarados em DCTF dispensam da lavratura de auto de infração ou notificação. Esse assunto encontrase inclusive, sumulado pelo STJ, vide Súmula 436/STJ: "A entrega de declaração pelo contribuinte, reconhecendo o débito fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco." Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para manter a não homologação do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 104DF CARF MF Processo nº 11020.901623/200845 Acórdão n.º 3001000.212 S3C0T1 Fl. 7 6 Fl. 105DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.008317/2003-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2003
CRÉDITO-PRÊMIO DE IPI. VIGÊNCIA DO BENEFÍCIO FISCAL. PRECEDENTES DO STF E DO STJ
Segundo precedente firmado em Recurso Extraordinário com repercussão geral (RE n. 577.348) e Recurso Especial julgado sob o rito de recursos repetitivos (REsp n. 1.111.148), o crédito-prêmio de IPI teve vigência até 04 de outubro de 1990, por força do prescrito no § 1º do art. 41 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988.
Numero da decisão: 3302-005.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente.
José Renato Pereira de Deus - Relator.
EDITADO EM: 04/04/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael M. Abad e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Paulo Guilherme Deroulede - Presidente. José Renato Pereira de Deus - Relator. EDITADO EM: 04/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael M. Abad e Walker Araújo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2003 CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. VIGÊNCIA DO BENEFÍCIO FISCAL. PRECEDENTES DO STF E DO STJ Segundo precedente firmado em Recurso Extraordinário com repercussão geral (RE n. 577.348) e Recurso Especial julgado sob o rito de recursos repetitivos (REsp n. 1.111.148), o créditoprêmio de IPI teve vigência até 04 de outubro de 1990, por força do prescrito no § 1º do art. 41 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Paulo Guilherme Deroulede Presidente. José Renato Pereira de Deus Relator. EDITADO EM: 04/04/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Raphael M. Abad e Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 83 17 /2 00 3- 26 Fl. 117DF CARF MF 2 Tratase de verificação de direito ao tomada de crédito objeto de pedido de ressarcimento de créditoprêmio de IPI, relativo ao período de apuração de 01/01/1999 a 30/06/2003. Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma completa, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: "A empresa em epígrafe apresentou, em 21/10/2003, Pedidos de Ressarcimento (PER) de créditosprêmio do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), abrangendo o período de 02/1999 a 06/2003, às fls. 2/34, totalizando pleito de R$958.428,39. Da análise do pedido resultou o Despacho Decisório, de fls. 35/38, que indeferiu integralmente o direito creditório pleiteado, com fundamento na extinção do benefício fiscal até 30/06/1983, por intermédio do Decretolei nº 1.722, de 03 de dezembro de 1979. Ademais, ratifica o entendimento sob a argumentação de que como o credito prêmio do IPI não foi confirmado por Lei posterior à nova Constituição de 88, o Supremo Tribunal Federal (STF) pacificou a matéria, na apreciação do RE nº 577.348, com repercussão geral, conforme ementa transcrita abaixo: “EMENTA: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETOLEI Nº 491/1969 (ART. 1º). ADCT, ART. 41, § 1º. INCENTIVO FISCAL DE NATUREZA SETORIAL. NECESSIDADE DE CONFIRMAÇÃO POR LEI SUPERVENIENTE À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PRAZO DE DOIS ANOS. EXTINÇÃO DO BENEFÍCIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONHECIDO E DESPROVIDO. I – O créditoprêmio de IPI constitui um incentivo fiscal de natureza setorial de que trata o do art. 41, caput, do Ato das Disposições Transitórias da Constituição. II – Como o créditoprêmio de IPI não foi confirmado por lei superveniente no prazo de dois anos, após a publicação da Constituição Federal de 1988, segundo dispõe o § 1º do art. 41 do ADCT, deixou ele de existir. III – O incentivo fiscal instituído pelo art. 1º do DecretoLei 491, de 5 de março de 1969, deixou de vigorar em 5 de outubro de 1990, por força do disposto no § 1º do art. 41 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988, tendo em vista sua natureza setorial. IV –Recurso conhecido e desprovido Cientificado do despacho decisório em 07/07/2015 (fls. 43), manifestou o contribuinte a sua inconformidade em 05/08/2015, por intermédio do arrazoado de fls. 44/50, no qual alega, em síntese, a inconstitucionalidade dos dispositivos legais que extinguiram o benefício fiscal Decretolei nº 1.894/81 e da Portaria nº 176/84 e ainda que: 11. De resto, tal incentivo fiscal do “créditoprêmio de IPI” foi inteiramente recepcionado pela Constituição Federal de 1988, não Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10830.008317/200326 Acórdão n.º 3302005.310 S3C3T2 Fl. 3 3 se lhe aplicando a regra do art. 41 do ADCT. Referido preceito constitucional prescreve que o Poder Executivo deveria reavaliar todos os incentivos fiscais de natureza setorial, ficando automaticamente revogados aqueles que, num prazo de dois anos a contar da promulgação da Constituição Federal, não fossem confirmados por lei. 12. O créditoprêmio de IPI é incentivo geral e não setorial, razão pela qual não se enquadra na hipótese do art. 41 do ADCT. A comprovação cabal de que o incentivo em tela não é setorial deflui da própria disposição do inciso I do art. 3º do Decretolei nº 1.894/81, que permitiu o Ministro da Fazenda extinguir o benefício “em caráter geral ou setorial”. Ora, a toda a evidência, se o incentivo do Decretolei nº 491/69 fosse de caráter setorial seria impossível extinguilo em caráter geral. Ao revés, como de fato é, um incentivo geral, poderia o mesmo ser extinto em caráter setorial. (...) 14. Ademais, o art. 18 da Lei nº 7.739/89 corrobora que o incentivo do créditoprêmio de IPI convalidado pelo Decretolei nº 1.894/81 está plenamente em vigor, mesmo após a Carta Magna de 1988. Esta Lei, posterior à Carta de 1988, promoveu alteração na letra “b” do §1º do art. 1º do Decretolei nº 1.894/81, mantendo, de resto, os demais dispositivos desta norma legal inalterados, inclusive aquele que trata expressamente do incentivo do Decreto lei nº 491/69 (art. 1º, II). (...) III – DO PEDIDO 16. Ante o exposto, requerse a essa I. Turma de Julgamento que determine a reforma do Despacho Decisório recorrido, reconhecendo integralmente o direito creditório da Requerente. (..)". O Acórdão 0959.178, da 3ª Turma da DRJ/JFA, Sessão de 08 de abril de 2016, do qual foi extraído o relatório alhures transcrito, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação contida na manifestação de inconformidade, não reconhecendo o crédito pleiteado, tendo a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2003 CRÉDITO PRÊMIO DO IPI. VIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese a solicitação de crédito prêmio relativo a período não mais abrigado por este benefício fiscal, em face do entendimento administrativo de que o mesmo vigorou somente até 30/06/1983, em conformidade com a legislação tributária aplicável. Também pela extinção do benefício manifestouse o STF no julgamento dos RE nº 577.302/RS, nº 561.485/RS e nº 577.348/RS que tiveram a repercussão geral da matéria reconhecida pacificando o entendimento de que o créditoprêmio de IPI, instituído Fl. 119DF CARF MF 4 pelo art. 1º do DecretoLei nº 491/1969, deixou de vigorar em 5 de outubro de 1990, por força do disposto no § 1º do art. 41 do ADCT, tendo em vista a sua natureza setorial. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Valendose do direito que lhe é facultado pelo art. 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, a contribuinte manejou Recurso Voluntário, onde repisou os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Não há na peça recursal alegação de matérias para discussão em sede de preliminares, razão pela qual passase a deliberar sobre o mérito do processo. Vale ressaltar que matéria idêntica foi objeto de análise pela 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária desse E. Conselho, no Acórdão nº 3402003.224, de relatoria do I. Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, de onde, com a devida vênia, adotei as minhas razões de decidir. I Da vigência do créditoprêmio de IPI à luz dos precedente do STF e do STJ Passo a transcrever o voto do Acórdão nº 3402003.224, que tomo como minhas razões de decidir: "6. O presente caso não demanda uma acurada reflexão. Conforme exposto no relatório, tratase de pedido de ressarcimento de créditoprêmio de IPI que se refere às exportações realizadas pelo Recorrente no período de 04/11/2002 a 30/12/2002. Assim, a questão aqui se resume a saber se no período em comento o aludido créditoprêmio de IPI estava ou não vigente no ordenamento jurídico nacional. 7. Acontece que tal questão já foi decidida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de recurso extraordinário afetado por repercussão geral. Foi escolhido por aquela Corte Suprema como leading case o RE nº. 577.3485/ RS, em substituição do RE nº 577.3027/ RS (onde foi reconhecida a repercussão geral1), o qual restou assim ementado: EMENTA TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETOLEI Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10830.008317/200326 Acórdão n.º 3302005.310 S3C3T2 Fl. 4 5 491/1969 (ART. 1º). ADCT, ART. 41, § 1º. INCENTIVO FISCAL DE NATUREZA SETORIAL. NECESSIDADE DE CONFIRMAÇÃO POR LEI SUPERVENIENTE À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PRAZO DE DOIS ANOS. EXTINÇÃO DO BENEFÍCIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONHECIDO E DESPROVIDO. I O créditoprêmio de IPI constitui um incentivo fiscal de natureza setorial de que trata o do art. 41, caput, do Ato das Disposições Transitórias da Constituição. II Como o créditoprêmio de IPI não foi confirmado por lei superveniente no prazo de dois anos, após a publicação da Constituição Federal de 1988, segundo dispõe o § 1º do art. 41 do ADCT, deixou ele de existir. III O incentivo fiscal instituído pelo art. 1º do DecretoLei 491, de 5 de março de 1969, deixou de vigorar em 5 de outubro de 1990, por força do disposto no § 1º do art. 41 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988, tendo em vista sua natureza setorial. IV Recurso conhecido e desprovido. (STF; RE 577348, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 13/08/2009, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe035 DIVULG 25022010 PUBLIC 26022010 EMENT VOL0239109 PP01977 RTJ VOL0021401 PP00541) (g.n.). 8. No transcorrer do seu voto, assim se manifestou o Ministro Ricardo Lewandowski, Relator do caso: 9. Nesta mesma linha é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, conforme se observa do precedente formado no Recurso Especial n. 1.111.148, julgado sob o rito de repetitivos e que restou assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. Recurso Especial representativo de controvérsia (art. 543C, § 1º, do CPC). pedido de desistência.Indeferimento. violação ao art. 535, do CPC. INOCORRÊNCIA. Fl. 121DF CARF MF 6 IPI. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETOLEI 491/69 (ART. 1º). VIGÊNCIA. PRAZO. EXTINÇÃO. PRESCRIÇÃO. (...). 3. Relativamente ao prazo de vigência do estímulo fiscal previsto no art. 1º do DL 491/69 (créditoprêmio de IPI), três orientações foram defendidas na Seção. A primeira, no sentido de que o referido benefício foi extinto em 30.06.83, por força do art. 1º do Decretolei 1.658/79, modificado pelo Decretolei 1.722/79. Entendeuse que tal dispositivo, que estabeleceu prazo para a extinção do benefício, não foi revogado por norma posterior e nem foi atingido pela declaração de inconstitucionalidade, reconhecida pelo STF, do art. 1º do DL 1.724/79 e do art. 3º do DL 1.894/81, na parte em que conferiram ao Ministro da Fazenda poderes para alterar as condições e o prazo de vigência do incentivo fiscal. 4. A segunda orientação sustenta que o art. 1º do DL 491/69 continua em vigor, subsistindo incólume o benefício fiscal nele previsto. Entendeuse que tal incentivo, previsto para ser extinto em 30.06.83, foi restaurado sem prazo determinado pelo DL 1.894/81, e que, por não se caracterizar como incentivo de natureza setorial, não foi atingido pela norma de extinção do art. 41, § 1º do ADCT. 5. A terceira orientação é no sentido de que o benefício fiscal foi extinto em 04.10.1990, por força do art. 41 e § 1º do ADCT, segundo os quais "os Poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis", sendo que "considerarseão revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos fiscais que não forem confirmados por lei". Entendeuse que a Lei 8.402/92, destinada a restabelecer incentivos fiscais, confirmou, entre vários outros, o benefício do art. 5º do DecretoLei 491/69, mas não o do seu artigo 1º. Assim, tratandose de incentivo de natureza setorial (já que beneficia apenas o setor exportador e apenas determinados produtos de exportação) e não tendo sido confirmado por lei, o créditoprêmio em questão extinguiuse no prazo previsto no ADCT. 6. Prevalência do entendimento no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça no sentido de que o crédito prêmio do IPI, previsto no art. 1º do DL 491/69, não se aplica às vendas para o exterior realizadas após 04.10.90. Precedente no STF com repercussão geral: RE nº. 577.3485/ RS, Tribunal Pleno, Relator Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 13.8.2009. Precedentes no STJ: REsp. Nº 652.379 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 8 de março de 2006; EREsp. Nº 396.836 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel. para o acórdão Min. Castro Meira, julgado em 8 de março de 2006; EREsp. Nº 738.689 PR, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 27 de junho de 2007. 7. O prazo prescricional das ações que visam ao recebimento do créditoprêmio do IPI, nos termos do art. 1º do Decreto 20.910/32, é de cinco anos. Precedentes: EREsp. Nº 670.122 PR Primeira Seção, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 10 de setembro de 2008; AgRg nos EREsp. Nº 1.039.822 MG, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 24 de setembro de 2008. 8. No caso concreto, tenho que o mandado de segurança foi impetrado em 27 de fevereiro de 2004, portanto, decorridos mais Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10830.008317/200326 Acórdão n.º 3302005.310 S3C3T2 Fl. 5 7 de cinco anos entre a data da extinção do benefício (5 de outubro de 1990) e a data do ajuizamento do writ, encontramse prescritos eventuais créditos de titularidade da recorrente. 9. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (STJ; REsp 1111148/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/02/2010, DJe 08/03/2010) (g.n.). 10. Tais precedentes, por seu turno, devem ser seguidos por este Tribunal Administrativo, nos termos do que prevê o art. 62, § 1º, inciso II, alínea "b" do RICARF, já com a redação que lhe foi dada pela Portaria n. 152, de 03 de maio de 2016. Desta forma, considerando que o período de apuração está compreendido entre 01/01/1999 a 30/06/2003, ou seja, época em que já havia sido revogado o crédito em comento, nos termos das decisões dos E. Tribunais Superiores, não há outra saída senão reconhecer a improcedência do pleito da contribuinte recorrente. II Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Voluntário interposto pela contribuinte, no entanto negarlhe provimento integralmente. É como voto. Conselheiro José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.000655/2010-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
COMPENSAÇÃO. IR-FONTE SOBRE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. TEMPESTIVIDADE.
Comprovada a existência de crédito de IR-Fonte incidente sobre receitas recebidas de Juros sobre Capital Próprio, o contribuinte pode compensá-lo com débito de IR-Fonte sobre Juros sobre Capital Próprio pagos, devendo a respectiva DCOMP ser apresentada até o prazo legal de vencimento do imposto retido e compensado.
Numero da decisão: 1201-001.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 14/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: Luis Henrique Marotti Toselli
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator. EDITADO EM: 14/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
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IRFONTE SOBRE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. TEMPESTIVIDADE. Comprovada a existência de crédito de IRFonte incidente sobre receitas recebidas de Juros sobre Capital Próprio, o contribuinte pode compensálo com débito de IRFonte sobre Juros sobre Capital Próprio pagos, devendo a respectiva DCOMP ser apresentada até o prazo legal de vencimento do imposto retido e compensado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. EDITADO EM: 14/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 06 55 /2 01 0- 40 Fl. 267DF CARF MF 2 Relatório Tratase de processo administrativo referente à Declaração de Compensação (fls. 8), através da qual a interessada buscou compensar crédito de IRFonte incidente sobre receita de juros sobre o capital próprio, no valor de R$ 14.100.000,00, retido em dezembro de 2009 por Construtora Queiroz Galvão S/A – CNPJ 33.412.792/000160. Referida Declaração de Compensação foi apresentada em 05 de janeiro de 2010 (fls. 3/6) para fins de formalizar a compensação do aludido crédito com débitos de IR Fonte, no mesmo montante, apurado no 3º decêndio de dezembro de 2009 (vencimento em 06/01/2010) em face do pagamento de juros sobre capital próprio. Por meio do despacho decisório de fls. 117/124, a autoridade competente reconhece a existência dos créditos e débitos nos mesmos montantes informado pelos contribuinte, mas não homologa a Declaração de Compensação por considerála intempestiva. A decisão foi assim fundamentada: 5 Entrega intempestiva da Declaração de Compensação A protocolização do presente processo objetivando a entrega da Declaração de Compensação em formulário constante às fls. 05 foi efetuada de forma intempestiva, pelas razões expostas a seguir. A compensação é uma das formas de extinção do crédito tributário, prevista no artigo 156, II da Lei 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). Neste sentido, o parágrafo 6o do artigo 9o da Lei 9.249/95, transcrito no item 1 acima, autorizou a compensação do imposto de renda retido na fonte incidente sobre os rendimentos de juros sobre o capital próprio com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros da mesma natureza. Conforme o artigo 34 e parágrafos 1o e 2o e artigo 40 e parágrafos 1o e 2° da Instrução Normativa RFB n° 900/08, esta compensação deve ser efetuada no mesmo trimestre ou ano calendário da retenção, através da apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP, ocasião em que o crédito tributário será extinto, sob condição resolutória da ulterior homologação deste procedimento. Neste caso, o processo foi protocolizado e em 01/02/2010, mas deveria ter sido formalizado obrigatoriamente até 31/12/2009, independentemente da data do vencimento do imposto. Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 136/148), cujo teor foi assim relatado pela decisão de piso: diferente o aduzido na decisão, protocolizou a DCOMP em 05/01/2010, e não em 01/02/2010. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10768.000655/201040 Acórdão n.º 1201001.981 S1C2T1 Fl. 3 3 a compensação não foi homologada somente em razão de, supostamente, ter apresentado DCOMP intempestivamente, porquanto fora do período de apuração em que ocorreu a retenção de imposto de renda sobre JCP, com fundamento no artigo 40, §2° da IN SRF n° 900/2008, e no artigo 9° §6° da Lei n° 9.249/95. não há no citado dispositivo legal qualquer vedação a que tal crédito pudesse ser objeto do pedido de compensação, na forma e prazo em que fora procedido. assim, restou claro que o artigo 40, §2° da IN SRF n° 900/2008 extrapolou os limites impostos pela Lei n° 9.249/95, o que fere o Princípio da Legalidade. adiciona que a compensação deve ser considerada como realizada no mesmo anocalendário das retenções de imposto de renda, ou seja, em 2009. tendo o IRRF sobre o pagamento de JCP a seu acionista sido retido em 29/12/2009, o imposto deveria ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à ocorrência do fato gerador, ou seja, até 06/01/2010. se o pagamento deveria ser realizado até o dia 06/01/2010, não há motivos para restringir o direito de a requerente compensar débito próprio com crédito líquido e certo, como assim está fazendo a fiscalização. além de inexistir amparo legal para limitação prevista no artigo 40,§2°da IN SRF n° 900/2008, a pretensa limitação temporal quanto ao aproveitamento do crédito não existe, porquanto inexiste subsunção dos fatos àquela norma legal. Em Sessão de 04 de março de 2014, a DRJ do Rio de Janeiro, por unanimidade de votos, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por meio de Acórdão (fls. 214/219) cuja ementa possui a seguinte redação: IRRF INCIDENTE SOBRE JCP. COMPENSAÇÃO. LIMITE TEMPORAL. INOBSERVÂNCIA. Para o beneficiário, pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto retido na fonte no recebimento de juros sobre o capital próprio configurase como antecipação do devido na declaração de rendimentos. Conseqüentemente, a compensação do imposto retido no recebimento, com o valor a ser retido e repassado, por ocasião do pagamento dos juros, somente pode ser efetuada, antes de encerrado o período de apuração do IRPJ devido (anual ou trimestral), quando necessariamente o valor retido (total ou remanescente) deve integrar a determinação do valor do IRPJ a pagar (saldo positivo ou negativo). Fl. 269DF CARF MF 4 DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. A falta de comprovação da certeza e liquidez do crédito, requisitos necessários para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei n° 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido e a nãohomologação da compensação. A contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 230/246). Reitera as alegações de defesa e rebate determinados pontos da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli O recurso voluntário é tempestivo e atende os pressupostos de admissibilidade, razão pelo qual passo a apreciálo. Restou comprovado que o Recorrente declarou a compensação de débito de IRFonte sobre JCP creditado a seus acionistas no terceiro decêndio do mês de dezembro de 2009, no valor de R$ 14.100.000,00, com crédito a título de IRFonte retido sobre rendimentos recebidos de JCP, em 29/12/2009, na qualidade de acionista. A formalização da compensação ocorreu mediante entrega da referida Declaração de Compensação, o que ocorreu em 05/01/2010. De acordo com o entendimento do auditor fiscal responsável, e corroborado pela DRJ, a Declaração de Compensação deveria ter sido apresentada no próprio ano calendário de 2009, ou seja, até 31/12/2009. Assim, como o contribuinte formalizou o pleito em 05/01/2010, a compensação não deve ser homologada. Já o contribuinte sustenta que o entendimento em questão não tem base legal, é fruto de uma interpretação restrita e equivocada da própria Instrução Normativa n. 900 e que observou os ritos procedimentais para exercer seu direito à compensação. Como se nota, não se discute aqui a legitimidade do crédito, que foi integralmente reconhecido como líquido, certo e comprovado após análise do fisco. O ponto da controvérsia é a tempestividade ou não da Declaração de Compensação apresentada pela Recorrente. Pois bem. Dispõe o artigo 9º da Lei no 9.249/1995 que: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10768.000655/201040 Acórdão n.º 1201001.981 S1C2T1 Fl. 4 5 patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. [...] § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; [...] § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. Ao regulamentar a compensação entre créditos e débitos apurados a título de IRFonte sobre JCP, a IN 900/2008 (atualmente revogada, mas vigente à época e citada como base legal para a exigência) estabelece que: Art. 40. A pessoa jurídica optante pelo lucro real no trimestre ou anocalendário em que lhe foram pagos ou creditados juros sobre o capital próprio com retenção de imposto de renda poderá, durante o trimestre ou anocalendário da retenção, utilizar referido crédito de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) na compensação do IRRF incidente sobre o pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pela pessoa jurídica na forma prevista no § 1º do art. 34. § 2º O crédito de IRRF a que se refere o caput que não for utilizado, durante o período de apuração em que houve a retenção, na compensação de débitos de IRRF incidente sobre o pagamento ou crédito de juros sobre o capital próprio, será deduzido do IRPJ devido pela pessoa jurídica ao final do período ou, se for o caso, comporá o saldo negativo do IRPJ do trimestre ou anocalendário em que a retenção foi efetuada. Após interpretar esses dispositivos, a decisão de piso assim se manifestou acerca da intempestividade da Declaração de Compensação: Fl. 271DF CARF MF 6 Verificase, pois, que a regra geral é de que o Imposto Retido na Fonte sobre Pagamento ou Crédito de Juros Sobre o Capital Próprio será considerado como antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiária pessoa jurídica tributada com base no lucro real, como é o caso da interessada. Dessa forma, a referida antecipação concorre, como regra geral, na formação do Saldo a Pagar ou do Saldo Negativo do IRPJ, apurado ao final do Trimestre ou do Ano Calendário. Se existir apuração de Imposto Devido, o IRRF já é aproveitado nesse momento. Se a apuração for de Saldo Negativo de IRPJ, esse IRRF integrará o mesmo e, nessa condição (componente de Saldo Negativo), poderá ser utilizado em outros períodos, que não o da sua retenção. Ocorre que o §6° prevê regra de exceção, permitindo que o Imposto de Renda na Fonte seja compensado com o equivalente, retido por ocasião do pagamento ou crédito desses mesmos juros aos seus sócios. No entanto, esta opção deve ser claramente manifestada antes do término do Trimestre ou AnoCalendário de apuração, já que a natureza do referido IRRF é de mera antecipação do devido ao final do período de apuração. Isto porque, no final do período, há a ocorrência do fato gerador do tributo, no caso, o IRPJ. Neste momento, todos os recolhimentos cuja natureza sejam de antecipação estão vinculados ao próprio imposto que pretende quitar. Como a compensação prevista no §6° é uma exceção, não pode a mesma se sobrepor a regra. Daí a obrigatoriedade do exercício desta opção antes do fim do período, ou seja, antes da ocorrência do fato gerador, no presente caso, em 31/12/2009. Assim, diferente do que alega a interessada, entendo que, na análise deste caso, não importa que a data do vencimento para o pagamento do IRPJ devido seja posterior à data da transmissão da DCOMP. O parâmetro a ser utilizado é a data da ocorrência do fato gerador, quando todos os recolhimentos que têm natureza de antecipação ficam vinculados ao IRPJ devido, e que foi calculado considerando todas as receitas, inclusive os juros sobre o capital próprio, sobre os quais incidiu a retenção do imposto, objeto desta compensação. No racional, então, da decisão recorrida, a compensação do débito do IR Fonte apurado no terceiro decêndio de dezembro de 2009, cujo vencimento legal para quitação corresponde a 06/01/2010, deveria ter sido formalizada até, no máximo, dia 31/12/2009 (último dia do ano calendário). Como, porém, tal formalização foi feita apenas em 05/01/2010, data esta posterior ao "prazo legal", correta seria a alegação de intempestividade. Não concordo, porém, com essa linha de raciocínio. Isso porque restou demonstrado que a interessada formalizou a compensação de crédito líquido e certo no dia 05/01/2010, data esta que corresponde a 1 (um) dia antes da data de vencimento do imposto compensado (06/01/2010) e 7 (sete) dias depois de ter sofrido a retenção (29/12/2009). Essa compensação, ressaltese, é exatamente aquela referida no artigo 9o da Lei no 9.249/95 (no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o IR Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10768.000655/201040 Acórdão n.º 1201001.981 S1C2T1 Fl. 5 7 Fonte sobre JCP poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas). Do ponto de vista legal não há definição expressa sobre limite temporal para o contribuinte exercer esse direito. Há, na verdade, uma autorização "especial" que permite o contribuinte compensar créditos e débitos deste título apurados no mesmo ano calendário e existe regra geral que permite que a retenção seja computada para fins de Saldo Negativo de IRPJ (se pessoa jurídica) ou como antecipação do IR da pessoa física. Já a IN 900/2008 (art. 40), ao contrário do quanto quer fazer crer a decisão de piso, não regulamenta o prazo para apresentação de DCOMP, prescrevendo apenas que a pessoa jurídica poderá utilizar referido crédito de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) na compensação do IRRF incidente sobre o pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas, bem como que "o crédito de IRRF a que se refere o caput que não for utilizado, durante o período de apuração em que houve a retenção, na compensação de débitos de IRRF incidente sobre o pagamento ou crédito de juros sobre o capital próprio será deduzido do IRPJ devido pela pessoa jurídica ao final do período ou, se for o caso, comporá o saldo negativo do IRPJ do trimestre ou anocalendário em que a retenção foi efetuada". A lei e a IN, portanto, apenas determinam que os créditos e débitos de IR Fonte sobre JCP devem se referir ao mesmo ano calendário para serem compensados. Assim, caso não haja esse encontro de contas em relação ao mesmo ano calendário, o valor retido poderá apenas ser deduzido do IRPJ. A expressão "que não for utilizado, durante o período de apuração" referida na norma da IN não pode ser utilizada como fundamento para afirmar que a DCOMP deve ser apresentada dentro do período de apuração, mas sim para evidenciar que o débito e o crédito devem se referir ao mesmo período. A título de exemplo, imagine que o IRFonte tenha sido retido de determinado contribuinte que recebeu JCP em 31/12 e que, no mesmo dia, efetuou pagamento de JCP sujeito ao IRFonte. O que faz este contribuinte? "Sai correndo" para apresentar a DCOMP, afinal possuiria apenas algumas horas ou minutos de prazo? Me parece que a resposta é negativa. A meu ver a interpretação sistemática das normas que regulamentam o assunto admite que a formalização dessa "compensação especial" que ocorre por meio de DCOMP pode ser feita até o vencimento do débito que se busca compensar, ainda que este ocorra nas primeiras semanas de janeiro do ano seguinte ao ano calendário. É nessa hipótese que se enquadra a contribuinte. Amparada na referida legislação, ela pleiteou a compensação de crédito de IRFonte sobre rendimentos de JCP recebidos em 29/12/2009 e após poucos dias, em 05/01/2010, formalizou a compensação de débito de IRFonte que venceria no dia 06/01/2010, mas que também diz respeito ao ano calendário de 2009. Não há fundamento, portanto, para considerar intempestiva a Declaração de Compensação apresentada pelo contribuinte. Fl. 273DF CARF MF 8 A propósito, em situação análoga a presente, convém assinalar que o CARF já considerou tempestiva a DCOMP. Vejase: JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. APURAÇÃO DURANTE O ANO CALENDÁRIO. LIMITE TEMPORAL PARA SOLICITAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. A pessoa jurídica optante pelo lucro real no trimestre ou ano calendário em que lhe foram pagos ou creditados juros sobre o capital próprio com retenção de imposto de renda poderá, durante o trimestre ou anocalendário da retenção, utilizar referido crédito de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) na compensação do IRRF incidente sobre o pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. Sendo que o limite temporal para a solicitação da compensação é até o último dia previsto para o recolhimento do imposto relativo aquele anocalendário. Assim, tendo o IRRF sido retido no dia 28/12/2004 e este imposto poderia ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à ocorrência do fato gerador, o prazo para a interposição do pedido de compensação foi até 05/01/2005. Recurso provido. (Acórdão no 2202001.970). Nesse sentido, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 274DF CARF MF
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Numero do processo: 11330.000216/2007-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 1996
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08.
As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitam-se aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional, restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto.
Numero da decisão: 2201-004.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e prover o recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 22/02/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 1996 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08. As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitam-se aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional, restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e prover o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 22/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
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DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08. As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitamse aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional, restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e prover o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 22/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 02 16 /2 00 7- 34 Fl. 270DF CARF MF 2 Relatório O presente processo trata de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, referente às contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, Empregados, Empresa, inclusive para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho, e Terceiros. O valor originário lançado é relativo ao período de apuração constante do documento fiscal, sobre o qual incidiram multa e juros. A análise do Relatório Fiscal indica: que a Notificação em tela teve por objetivo substituir a NFLD que foi anulada pelo Conselho de Recursos da Previdência Social, por vício formal, erro na classificação da fundamentação legal do fato gerador das contribuições apuradas; que a lavratura da Notificação tem fundamento no inciso II do art. 45 da Lei 8.212/91, que assegura à Seguridade Social o direito de apurar e constituir seus créditos em até 10 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada; que o fato gerador das contribuições apuradas foi a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados da empresa prestadora, cedidos à empresa NET Rio S.A. (tomadora), cuja responsabilidade foi atribuída a esta última por solidariedade, não afastada nos termos da legislação (§ 4º do art. 31 da Lei 8.212/91). A NET Rio S.A. foi devidamente cientificada do lançamento e, inconformada, formalizou tempestivamente sua impugnação, estruturada nos seguintes tópicos: Preliminares: da necessidade de adequada constituição do pólo passivo desta NFLD; da necessidade de oferecerse ciência ao ora defendente, dos termos de eventual defesa apresentada pelo contribuinte gerador da solidariedade imposta nesta NFLD; da inexistência de atos fiscais hábeis à minimização dos riscos de lançamentos em duplicidade; da inexistência de providências fiscais aptas à caracterização da ocorrência da cessão de mãodeobra hábil à geração da solidariedade previdenciária; da ocorrência da decadência quinquenal; De mérito: da condição legal da notificada; dos aspectos valorativos das exageradas alíquotas utilizadas para mensuração dos saláriosdecontribuição extraídos de faturas de serviço; Já a empresa prestadora apresentou intempestivamente sua impugnação. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 11330.000216/200734 Acórdão n.º 2201004.040 S2C2T1 Fl. 271 3 Na análise da impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento considerou procedente em parte o lançamento, promovendo a exclusão dos créditos tributários relativos às contribuições sociais destinadas a outras entidades ou fundos, por não comportar lançamento por solidariedade. No mais, entendeu improcedentes os argumentos da defesa, inclusive em relação à decadência, que concluiu ser de 10 anos, nos termos do art. 45 da Lei 8.212/91. Ciente do Acórdão da DRJ, ainda inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual trouxe à balha considerações sobre a edição da então recente Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal. Na sequência, o recurso, basicamente, constituise na reafirmação dos mesmos tópicos já tratados na impugnação. Posteriormente, o recorrente apresentou nova petição, exclusivamente para reiterar suas considerações sobre a necessidade de cancelamento do lançamento em razão da citada Súmula Vinculante nº 08. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Por constituir matéria preliminar de mérito, relevante iniciar a análise do presente pela alegação de que os débitos lançados são relativos a períodos de apuração alcançados pela decadência. Como se viu no relatório supra, tanto a Autoridade Fiscal quanto o Julgador de 1ª Instância ampararam seus atos (lançamento e decisão) nos termos do art. 45 da Lei 8.212/91, cuja redação então vidente era a seguinte: art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. O débito ora sob análise decorre do cancelamento, por vício formal, de lançamento anterior. No presente caso, considerando os termos do art. 45 da Lei 8.212/91, o prazo decadencial teria início na data em que se tornou definitiva a decisão que cancelou o lançamento julgado nulo por vício formal. Não obstante, por não ter sido juntado aos autos os elementos que pudessem indicar a data efetiva em que esta se tornou definitiva e considerando que tratar do tema agora resultaria em inovação da lide administrativa com a inclusão de Fl. 272DF CARF MF 4 questão sobre a qual a autoridade lançadora, a autoridade julgadora e a defesa não se manifestaram, há que se considerar, como início do prazo decadencial, a data em que foi exarada a decisão definitiva que fulminou o lançamento original. Assim, levandose em consideração os estritos termos da legislação vigentes na época do lançamento, não haveria que se falar em decadência. Não obstante, em Sessão Extraordinária realizada em 12 de julho de 2008, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, editando a Súmula Vinculante n° 08, nos seguintes termos: Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Assim, resta evidente a inaplicabilidade do art. 45 da lei 8.212/91 para amparar o direito da fazenda pública em constituir o crédito tributário mediante lançamento, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições previdenciárias sujeitamse aos artigos 150, § 4º, e 173 da Lei 5.172/66 (CTN), cujo teor merece destaque: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Grifouse Desta forma, considerando a data da prolação de decisão definitiva que anulou o lançamento como termo inicial para contagem do prazo decadencial, em cotejo com a data da ciência do lançamento substitutivo, há que se reconhecer que, nesta data, o direito do fisco em constituir o crédito tributário ora sob análise já se apresentava fulminado pela decadência. Conclusão: Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais acima expostos, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, doulhe provimento para Fl. 273DF CARF MF Processo nº 11330.000216/200734 Acórdão n.º 2201004.040 S2C2T1 Fl. 272 5 considerar fulminados pela decadência todos o débitos contidos na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito em discussão. Quanto às demais matérias questionadas pela recorrente, deixo de analisálas, por restarem prejudicadas em razão da decadência reconhecida. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 274DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.724311/2012-14
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
INOVAÇÃO DA TESE DE DEFESA EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de matérias argüidas em sede recursal, mas não aventadas em sede de impugnação, sob pena de supressão de instância e violação do princípio do contraditório, exceto se forem matérias de ordem pública.
Numero da decisão: 1002-000.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Aílton Neves da Silva, e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 INOVAÇÃO DA TESE DE DEFESA EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de matérias argüidas em sede recursal, mas não aventadas em sede de impugnação, sob pena de supressão de instância e violação do princípio do contraditório, exceto se forem matérias de ordem pública.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins - Presidente. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Aílton Neves da Silva, e Leonam Rocha de Medeiros.
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PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de matérias argüidas em sede recursal, mas não aventadas em sede de impugnação, sob pena de supressão de instância e violação do princípio do contraditório, exceto se forem matérias de ordem pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Aílton Neves da Silva, e Leonam Rocha de Medeiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 43 11 /2 01 2- 14 Fl. 42DF CARF MF 2 Relatório Por economia processual , adoto o relatório produzido pela DRJ/BHE: “Contra o sujeito passivo foi lavrada notificação de lançamento relativa a INFRAÇÕES À LEGISLAÇÃO SUJEITAS A MULTAS POR FALTA/ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÕES com exigência de crédito tributário no valor de R$ 200 e acréscimos legais, período de apuração 2011. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 02) contra o lançamento alegando que a empresa, sendo optante pelo regime de tributação do Simples Nacional, na categoria de Micro Empreendedor Individual, não reconhecendo a necessidade da entrega da DIRF do anocalendário de 2011, dentro do prazo legal estipulado por lei, entregou a DIRF de forma espontânea, para apreciação da Receita Federal. Cita o artigo 1 da Lei complementar 123/2006, que estabelece normas gerais relativas ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte, no âmbito dos poderes da União, dos estados e municípios.“ A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2012 DIRF. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. Inconformado com a decisão de primeira instância, o Recorrente apresentou recurso voluntário no qual contesta o acórdão 0241.688 2ª Turma da DRJ/BHE, mediante as seguintes alegações (in verbis): " A 2a Turma da DRJ/BHE, após 10 meses de análise do processo, concedeu apenas 30 dias para entrar com recurso ao Conselho de Contribuintes. Período que julgo curto em virtude do longo período de avaliação feito por eles. O uso do termo "irresignado" no acórdão apenas serve para denigrir a imagem do contribuinte que está em busca de solução e que vem humildemente através de forma legal solicitar uma análise mais profunda da inaplicabilidade da multa deferida ao contribuinte supracitado. Embora a impugnação tenha atendido os requisitos de admissibilidade previstos, ainda assim julgaram improcedente a impugnação tendo como base o atraso na entrega da declaração e utilizaram como se fosse mérito os artigos 136 e 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 43DF CARF MF Processo nº 15504.724311/201214 Acórdão n.º 1002000.029 S1C0T2 Fl. 3 3 E fato que foi lavrado notificação de lançamento relativa a Infrações à Legislação Sujeita a multa por falta/atraso na entrega de declarações. Mas esta multa lavrada, é legal? Segundo entendimento, não. É preciso atentar que o que deve ser discutido aqui não é a aplicação ou não da multa e sim a obrigatoriedade da entrega da Declaração que ocasionou a multa. Outro problema a ser avaliado é com relação ao valor da multa aplicada, que teve um aumento de 40% em relação ao valor devido em virtude da tramitação do processo. O valor a ser pago à vista ho auto de infração era de R$ 100,00 e passou para R$ 140,00 após decisão da 2a Turma do DRJ/BHE. Com que motivo o valor teve este aumento? Com relação a entrega da Declaração, a RFB, por meio da Instrução Normativa 1.132/2011, determinou a dispensada da entrega da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf) para o microempreendedor individual (MEI) que tenha efetuado pagamentos sujeitos ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) exclusivamente em decorrência de comissões pagas ou creditadas a administradoras de cartões de crédito e desde que sua receita bruta anual não tenha excedido o limite de R$ 36.000,00, previsto no art. 18A da Lei Complementar n° 123/2006. (...) " É o relatório. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator Embora tempestivo, o recurso não atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, não o conheço. Primeiramente, é de se destacar que o atraso na entrega da declaração é um fato incontroverso, eis que o Recorrente não o contesta. Como foi bem destacado no acórdão proferido pela instância a quo, o caráter punitivo da multa possui natureza objetiva, porque a responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional. Com relação à argumentação trazida pelo Recorrente no seu Recurso Voluntário, notase que, em boa parte de sua peça recursal, faz ele diversas considerações de caráter pessoal e genérico, que não constituem propriamente razões de fato e de direito relacionados ao lançamento da multa pela entrega atrasada da DIRF, sendo, portanto, estranhos aos autos e insuficientes para infirmálo. Com relação à alegação de que Instrução Normativa RFB nº 1.132/2011 determinou a dispensa da entrega da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) para o microempreendedor individual, a matéria não pode ser analisada neste colegiado por falta de prequestionamento, em razão de não ter sido suscitada em sede de impugnação, Fl. 44DF CARF MF 4 caracterizandose como matéria preclusa, a teor do que dispõe o artigo art. 16, III e 17 do Decreto 70.235/72: “Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;” Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim, considerando que não se trata de matéria de ordem pública e que o argumento indicado acima pelo Recorrente é totalmente novo em relação ao conteúdo de sua impugnação, o recurso voluntário não pode ser conhecido, eis que não cabe a esta instância recursal o reexame de matéria fática que não fora julgada pela DRJ, sob pena de supressão de instância e violação do princípio do contraditório. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Relator Fl. 45DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.901932/2010-82
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
COFINS. COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. É de 05 anos o prazo para a homologação da DCOMP, contados a partir da data de sua entrega.
COFINS. COMPENSAÇÃO. ERRO. COMPROVAÇAO. MOMENTO APTO À INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. PRECLUSÃO
O momento correto para a apresentação de documentos com o fim de perfazer prova apta à verificação de erro, é a Manifestação de Inconformidade. Os elementos de prova trazidos em sede de Recurso Voluntário não devem ser considerados.
COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE ERRO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO ERRO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO.
É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comprová-lo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO.
O processo administrativo fiscal é norteado por legislação própria, na qual se encontra previsto o prazo para apresentação de documentos, qual seja, o parágrafo 11 constante no artigo 74 da Lei 9.430/96 c/c artigo 14 e 16 parágrafo 4.º do Decreto n.º 70.235/72.
Numero da decisão: 3001-000.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Schappo que deu lhe provimento parcial para retorno dos autos à DRF de origem para análise dos documentos comprobatórios do crédito pleiteado.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 COFINS. COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. É de 05 anos o prazo para a homologação da DCOMP, contados a partir da data de sua entrega. COFINS. COMPENSAÇÃO. ERRO. COMPROVAÇAO. MOMENTO APTO À INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. PRECLUSÃO O momento correto para a apresentação de documentos com o fim de perfazer prova apta à verificação de erro, é a Manifestação de Inconformidade. Os elementos de prova trazidos em sede de Recurso Voluntário não devem ser considerados. COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE ERRO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO ERRO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO. É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comprová-lo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. O processo administrativo fiscal é norteado por legislação própria, na qual se encontra previsto o prazo para apresentação de documentos, qual seja, o parágrafo 11 constante no artigo 74 da Lei 9.430/96 c/c artigo 14 e 16 parágrafo 4.º do Decreto n.º 70.235/72.
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COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. É de 05 anos o prazo para a homologação da DCOMP, contados a partir da data de sua entrega. COFINS. COMPENSAÇÃO. ERRO. COMPROVAÇAO. MOMENTO APTO À INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. PRECLUSÃO O momento correto para a apresentação de documentos com o fim de perfazer prova apta à verificação de erro, é a Manifestação de Inconformidade. Os elementos de prova trazidos em sede de Recurso Voluntário não devem ser considerados. COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE ERRO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO ERRO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO. É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 19 32 /2 01 0- 82 Fl. 128DF CARF MF 2 contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comproválo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. O processo administrativo fiscal é norteado por legislação própria, na qual se encontra previsto o prazo para apresentação de documentos, qual seja, o parágrafo 11 constante no artigo 74 da Lei 9.430/96 c/c artigo 14 e 16 parágrafo 4.º do Decreto n.º 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Schappo que deu lhe provimento parcial para retorno dos autos à DRF de origem para análise dos documentos comprobatórios do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo. Relatório Despacho Decisório 880565938 Tratase de decisão sobre Per/Dcomp número 29230.95223.290107.1.3.04 7742, cujo teor solicitava crédito em decorrência de pagamento indevido/a maior. O limite do crédito consignado corresponde a R$ 3.059,58, valor do crédito original na data de emissão da Dcomp. Nesta data, foi localizado pagamento integralmente utilizado na quitação de débitos, não restando crédito disponível. Desta forma, não foi homologada a compensação, tendo sido posto em cobrança o crédito tributário no valor principal de R$15.150,22, acrescido de multa de R$ 3.030,03 e juros no valor de R$ 5.831,96. Manifestação de Inconformidade Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13851.901932/201082 Acórdão n.º 3001000.197 S3C0T1 Fl. 129 3 A Recorrente alega haver crédito em seu favor. o crédito existe em conseqüência dos pagamentos efetuados de forma errônea, que é a base de seu direito a requerer compensação Erro e Retificação de DCTF Segundo consta, a não homologação do pedido ocorreu por conta, de informações prestadas de forma errada na DCTF. No quarto trimestre do ano de 2004, foram declarados valores errôneos no grupo do tributo COFINS, tanto na apuração do débito, quanto no pagamento no período de apuração novembro/2004. Ao tomar conhecimento do erro a requerente tentou retificar a declaração supra, porém, não obteve êxito em razão de haver decorrido o prazo de 5 (cinco) anos e não existir software/programas disponíveis para promover a correção da declaração. DOCUMENTOS ANEXADOS 1. PER/DCOMP de n° 29230.95223.290107.1.3.047742. 2. DCTF de n° 23.34.36.00.9349 — Original/Errada. DRJ/BSB A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 0366.426 4ª Turma ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em síntese, alega que teria pago valor maior do que o efetivamente apurado no período em análise e se equivocado nas informações declaradas na DCTF. Apresentou demonstrativos no intuito de comprovar suas alegações. O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar a situação fática, será aproveitado conforme a transcrição a seguir: Tratase de Declaração de Compensação – Dcomp nº 29230.95223.290107.1.3.047742, transmitida eletronicamente em 29/01/2007, com base em suposto crédito de Contribuição Fl. 130DF CARF MF 4 para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, oriundo de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, no valor do principal de R$ 3059,58. Em 06/09/2010 foi emitido Despacho Decisório Eletrônico pela não homologação da compensação, fundamentando na inexistência de crédito. Cientificado dessa decisão, bem como da cobrança dos débitos confessados na DCOMP, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, acrescida de documentação anexa, onde alega, em síntese, que o crédito pleiteado é proveniente de pagamento a maior de Cofins, período de apuração 30/11/2004. Enfatiza que teria direito ao crédito pleiteado tendo, contudo, errado no preenchimento de sua DCTF, motivo pelo qual solicita a retificação desta de ofício. Assim, entendendo demonstrados os fundamentos que asseguram o direito do seu pleito, requer a reconsideração do despacho decisório, a fim de determinar a homologação da compensação efetuada pela empresa. No voto, a autoridade julgadora de primeira instância firma seu entendimento no sentido de delimitar o tema a ser enfrentado, qual seja, a necessidade de, na declaração de compensação ser demonstrada, na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. Segundo consta do acórdão, a DIPJ/DCTF original ou retificadora, por si só, não é prova suficiente para atestar a diminuição do valor devido, ou seja, fazer prova do recolhimento a maior. Isto porque, a Decisão de primeira instância apóiase, para o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional, na exigência de averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo. Documentos hábeis para comprovar A Recorrente de estar embasada em documentos hábeis para fundamentar seus lançamentos contábeis .A entrega dos referidos demonstrativos (DCTF e DIPJ) e declarações retificadores, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento a maior. Dessa forma, na hipótese de ter ocorrido erro no valor do débito confessado na DCTF, esta circunstância deveria ter sido documentalmente provada pela interessada por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade. No caso em concreto, a manifestante não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar a motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou comprovar inclusão indevida de valores na base de cálculo, erro material na apuração do imposto e reduções de valores da base de cálculo de débito confessado em DCTF. momento para apresentação Fl. 131DF CARF MF Processo nº 13851.901932/201082 Acórdão n.º 3001000.197 S3C0T1 Fl. 130 5 A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve instruir sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972 Recurso Voluntário Em sua peça de defesa, a Recorrente traz o assunto da Decadência tributária. Decadência Segundo seu raciocínio, a autoridade fazendária tem o prazo de 05 anos para analisar o despacho decisório eletrônico. Conforme se denota, no caso concreto, o período de apuração é 30 de novembro de 2004, sendo o despacho emanado em 06 de setembro de 2010. Fundamenta seu pedido na jurisprudência do STJ e do Conselho de Contribuintes. Pugna pela aplicação do artigo 150 parágrafo 4 do CTN Mérito No mérito, repisa os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade e sustenta ser necessária a busca pela verdade material, sob pena de transgredirse o princípio constitucional da ampla defesa, uma vez que o fisco teve recolhimento a maior e, por concentrar todas as informações relacionadas aos pagamentos havidos pela contribuinte, poderia, na busca da verdade material, cruzar o CNPJ e observar a existência do indébito. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tempestividade A ciência da decisão de primeira instância ocorreu mediante a entrega do Aviso de Recebimento AR registrado sob código JH 642639952 BR, na data de 29 de abril de 2015, enquanto que o competente Recurso Voluntário foi protocolizado no dia 28 de maio de 2015, sendo, portanto, tempestivo. Mérito Em seu Recurso, a Recorrente alega ter havido a ocorrência de decadência, tendo em vista que o período de apuração é 30 de novembro de 2004, sendo o despacho emanado em 06 de setembro de 2010. Desta forma, teria transcorridos mais de 05 anos, e, por via de consequência, operado em seu favor a homologação tácita da compensação. Homologação tácita da Compensação Não assiste razão ao entendimento esposado acima. Ocorre, que a data para início da contagem do prazo da homologação tácita tem seu termo inicial na data de sua entrega, e não na apuração do crédito. Fl. 132DF CARF MF 6 Compulsandose estes eautos, observase que Per/Dcomp 29230.95223.290107.1.3.047742, fora protocolizada na data de 29/01/2007, sendo que o despacho decisório foi datado de 06 de setembro de 2010, portanto, a fazenda agiu dentro do prazo para sua análise. 3801001.986–1ª Turma Especial ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. É de 5 (cinco) anos o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, contado da data da entrega da declaração de compensação. Erro no preenchimento Pretende a Recorrente, através de seu Recurso Voluntário, ver reconhecida, e, por conseguinte, restar declarada por este Conselho, a ocorrência de erro, uma vez que teria recolhido o valor fora, posteriormente, detectado que o valor apurado estava errado. Segundo consta, a não homologação do pedido ocorreu em decorrência de informações prestadas de forma errada na DCTF, relativas ao quarto trimestre do ano de 2004, na qual foram declarados valores errôneos no grupo do tributo COFINS, tanto na apuração do débito, quanto no pagamento no período de apuração novembro/2004. Origem do Crédito Pleiteado A alegação da Recorrente referese a ocorrência de erro material na apuração do tributo em tela, tendo ocorrido pagamento a maior, motivo pelo qual manejou a referenciada DCOMP, a fim de ressarcir o que considerou indevido, vez que apontou, a seu entender, a existência de crédito próprio suficiente para fomentar a compensação. A fim de demonstrar seu crédito, é dever da Recorrente apontar sua origem, de forma robusta, em documentação contábil suficiente, tanto para aferição do crédito, como de sua real ocorrência. Seguese ao julgado: Acórdão: 3202001.185 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Data do fato gerador: 20/04/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DCTF RETIFICADORA. NECESSIDADE DA PROVA PELO CONTRIBUINTE. Nos termos dos §1º do art. 147 do CTN, para a validade da DCTF retificadora, nos casos em que a retificação importa na redução de tributo, é imprescindível a prova do erro que ensejou a necessidade da retificação. Tratandose de pedido de ressarcimento/restituição cumulado com pedido de compensação, o ônus de comprovar o direito creditório que alega é do contribuinte. Acórdão 3302002.709 Fl. 133DF CARF MF Processo nº 13851.901932/201082 Acórdão n.º 3001000.197 S3C0T1 Fl. 131 7 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PR OVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipót eses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, c omo é caso da DCTF. Dos meios para a Comprovação do erro material O tema presente se faz crucial para o desdobramento da questão. O cerne da discussão transita entre a exigência da autoridade fazendária na qual os erros devem ser provados com meios robustos e claros, com a definição e evidência dos fatos geradores ocorridos, e a devida construção lógico temporal entre a ocorrência do erro e a ocorrência do fato em si. Por outro lado, notase por parte do contribuinte, a pretensão em fazer valer seu suposto direito ao crédito, no presente caso, com o argumento de que errou. Não indicou, no momento apropriado, conforme se verá no item seguinte, nenhum indício da materialização do erro e o percurso percorrido para atingir o novo montante, considerado correto. Os meios de prova, aptos a comprovar a legitimidade do crédito, seriam, no entender deste julgador, a demonstração, com os documentos contábeis que permitam, em sede de contencioso administrativo, a efetiva leitura de como ocorreu apuração do tributo no valor apontado pela Recorrente. Este Conselho imputa à Recorrente, o ônus de comprovar este erro. Isto porque, a fim de aproveitar seu direito creditório, quando posto em litígio administrativo, deve assumir, plenamente, a tarefa de provar a existência do crédito. E, assumir o ônus de provar a existência do crédito, significa dizer, provar a existência da efetiva operação. Neste sentido, contratos comprovantes das operações que deram lastro aos lançamento contábeis, os seus devidos reflexos nos livros contábeis e fiscais, acompanhados de memoriais de cálculo, poderiam servir à apreciação do julgador, e demonstrar, justamente, o real acontecido. Mais substância ainda, seria trazer aos autos, os comprovantes da real ocorrência das operações negociais, como comprovantes de pagamentos e da efetiva prestação de serviço. Neste sentido, são as manifestações deste Conselho: Acórdão: 3302002.709 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PR OVA. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito Fl. 134DF CARF MF 8 declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invo cado, o que, no presente caso, não ocorreu. Recurso Voluntário Negado. A mera alegação de inexistência de débito, desacompanhada dos documentos comprobatórios de sua real inexistência não é suficiente para que sejam homologadas quaisquer compensações, ou que quaisquer débitos sejam anulados. No presente caso o Recorrente não comprovou os recolhimentos efetuados por meio de documentos hábeis e idôneos, bem como de que se trata o débito inexistente. Há que se esclarecer que o Recorrente está obrigado a comprovar o erro de fato cometido ao preencher sua DCTF Complementar referente ao 1ºTrimestre de 1997, bem como que nenhum valor a título de COFINS é devido no referido período, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos. Sem a comprovação de seu direito, através de tais documentos, a autoridade administrativa fica impedida de lhe proporcionar qualquer anulação de débito. Tratandose, portanto de matéria de prova, cabia ao recorrente produzila de forma satisfatória, a fim de demonstrar o seu direito Acórdão nº 3302.004.108 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o início de procedimento fiscal não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a i nexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus d e prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. Acórdão n° 3801000.681 — la Turma Especial ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ONUS DA PROVA. 0 crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado Recurso Voluntário Negado. "Logo, a desconstituição do crédito tributário nascido com a con fissão de divida ocorrida através da DCTF dependerá de comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que se trata de débito inexistente. E que, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário nascido não se mostra suficiente que o contribuinte limitese a alegar erros, Fl. 135DF CARF MF Processo nº 13851.901932/201082 Acórdão n.º 3001000.197 S3C0T1 Fl. 132 9 fazendose necessário que demonstre, por intermédio de documentação hábil e idônea, que a obrigação tributária principal é indevida. Em meu entender, a documentação trazida aos autos, em sede recurso, serviria às exigências ressaltadas nos acórdãos acima, pois demonstra a existência do crédito. Todavia, consoante se verá adiante, descuidouse a recorrente de observar o adequado momento processual para instrução probratória. Momento da prova A Recorrente juntou ao seu Recurso Voluntário, a destempo portanto, documentos acima listados, não devendo ser apreciados devido à preclusão, conforme os entendimentos adiante listados. Acórdão: 3202001.185 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 20/04/2007 . PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO DA PROVA. PRECLUSÃO. Conforme o art. 16, § 4º, do Decreto nº. 70.235/72, no processo administrativo fiscal, as provas devem ser apresentadas na impugnação, sendo admitida a juntada posterior somente nos casos excepcionais elencados naquele dispositivo legal. Recurso Voluntário negado. 3802002.108–2ªTurma Especial ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário:2003 COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.NULIDADE.INOCORRÊNCIA. Não enseja nulidade o despacho decisório exarado por autoridade competente e devidamente fundamentado. O momento oportuno para apresentação de esclarecimentos pelo contribuinte é o da manifestação de inconformidade que instaura a fase litigiosa do procedimento, restando afastada a ocorrência de cerceamento ao direito de defesa. Da Conclusão Fl. 136DF CARF MF 10 Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 137DF CARF MF
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Numero do processo: 18470.726101/2014-47
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2014
SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE.
INCLUSÃO RETROATIVA.
A Microempresa (ME) ou a Empresa de Pequeno Porte (EPP) não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ.
Numero da decisão: 1001-000.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva, que votou por dar provimento ao recurso.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2014 SIMPLES NACIONAL. EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE. INCLUSÃO RETROATIVA. A Microempresa (ME) ou a Empresa de Pequeno Porte (EPP) não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva, que votou por dar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
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EMPRESA EM INÍCIO DE ATIVIDADE. INCLUSÃO RETROATIVA. A Microempresa (ME) ou a Empresa de Pequeno Porte (EPP) não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva, que votou por dar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 61 01 /2 01 4- 47 Fl. 72DF CARF MF 2 Tratase de pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional. A empresa obteve o registro no CNPJ em 24/10/2013, mas obteve alvará junto à Prefeitura somente em 10/07/2014. Após esta data solicitou a inclusão no Simples Nacional, porém o mesmo foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil (Despacho Decisório de fl. 20), pelo motivo da empresa possuir CNPJ emitido com mais de 180 dias. Após tomar ciência do contido no Despacho Decisório a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade. O relatório (efl. 50) da decisão recorrida assim descreveu os argumentos do recurso: Alegou, em síntese, que o alvará da Prefeitura só foi expedido em 10/07/2014 devido aos trâmites internos da municipalidade. Aduziu que o regime do Simples Nacional advindo com a Lei Complementar nº 123/2006 deve ser interpretado como um sistema integrado e harmônico que equaliza ônus e benefícios, sob pena de grave prejuízo à empresa. Transcreveu ementa de acórdão da DRJ/RJ I, que deferiu opção após 180 dias da inscrição no CNPJ. Por fim, requereu sua inscrição no Simples Nacional retroativa à data de sua constituição, dentro do prazo legal, pois efetuado o pedido até 10/08/2014, prazo este de 30 dias após a última inscrição obtida, o Alvará Municipal de 10/07/2014. Aquela decisão de primeira instância (efls. 49/53) julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Cientificada da decisão de primeira instância em 01/12/2015 (AR efl. 50) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em de 29/12/2015 (efl. 59), em que repete os argumentos da manifestação de Inconformidade citada. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Tratase de indeferimento de pedido de inclusão no Simples Nacional retroativa à data de início de atividade, pedido indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil (Despacho Decisório de fl. 20) e pela decisão recorrida, pelo motivo da empresa possuir CNPJ emitido com mais de 180 dias, visto que o registro no CNPJ deuse em 24/10/2013, mas o alvará junto à Prefeitura Municipal somente foi obtido em 10/07/2014. Exercendo regulamentação prevista no art. 16 da Lei Complementar nº 123/2006, o § 5º do art. 6° da Resolução de Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) n° 94, de 29 de novembro de 2011, permite a inclusão retroativa da empresa em início de atividade no Simples Nacional. Mas o § 7°do mesmo artigo impõe um limite de 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, para aquele opção retroativa ao início das atividades. Ou seja, passados os 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ resta a empresa optar ao Simples Nacional segundo a regra geral, inscrita no caput do art. 6° já citado: Desta forma, ultrapassado o prazo regulamentar restava ao contribuinte optar pelo Simples Nacional a partir do ano posterior (2015), seguindo a regra geral do art. 6° citado. Adiciono, no que se refere às decisões administrativas e judiciais apontadas pelo recorrente, relacionamse a litígio entre partes específicas em que o sujeito passivo não foi Fl. 73DF CARF MF Processo nº 18470.726101/201447 Acórdão n.º 1001000.300 S1C0T1 Fl. 73 3 parte do processo e/ou tratam de decisão sem força vinculante por não se enquadrar no disposto no RICARF, em especial em seus artigos 62, 72 e 74 (Portaria MF nº 343, de 2015). Pela precisão da apreciação, adoto aqui as razões do voto vencedor do acórdão recorrido que em parte a seguir transcrevo: A argumentação da contribuinte, a nosso ver, não procede, vez que o § 7º do art. 6º da Resolução CGSN nº 94/2011 é claro ao limitar em 180 dias o alcance do art. 5º, inciso I, que trata do prazo de 30 dias da última inscrição. Por sua vez, o inciso IV, in fine, ao estabelecer que uma vez efetuadas a inscrição municipal e a estadual é de se deferir a opção, ressalva expressamente o § 7º (v. os textos da Resolução 94/2011 supra transcritos). Destarte, a seqüência lógica dos dispositivos invocados, bem como os termos categóricos do § 7º deixam claro a limitação total de 180 dias para efetivarse a inscrição no Simples Nacional. Não fora assim, não haveria necessidade de limitarse a 180 dias o prazo total para a opção, tornandose inútil esse dispositivo sempre que um ou os dois outros órgãos (Estado e/ou Município) atrasassem as respectivas inscrições. Na verdade, sequer haveria necessidade desse § 7º, bastaria o prazo de 30 dias da última inscrição. Ora, é regra clássica de hermenêutica que as leis e demais diplomas legais não possuem palavras inúteis. Se existe um dispositivo prevendo prazo máximo de 180 dias para efetivarse a inscrição no Simples Nacional, não há como desconhecêlo para adotar entendimento abrangente em completa dessintonia com seus termos. Logo, o entendimento administrativo citado pela manifestante não pode prevalecer por contrariar expressa disposição regulamentar. Desta forma, voto por conhecer e indeferir o recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 74DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.721861/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 30/12/2004
NULIDADE. MPF.
O MPF é mecanismo de controle administrativo e nenhuma irregularidade houve em relação ao mandado, uma vez que regularmente emitido e cientificado à Contribuinte.
PROCESSO JUDICIAL POSTERIOR AO LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE OBJETO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF N° 01.
"Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial."
ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N°. 02
Aplicação da Súmula CARF n°. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
TRABALHADOR TEMPORÁRIO. SEGURADO OBRIGATÓRIO. RGPS.
O trabalhador temporário é segurado obrigatório do RGPS na qualidade de empregado e o vínculo empregatício se estabelece, em regra, com a empresa que arregimenta a mão-de-obra.
ALÍQUOTA DO SAT. ATIVIDADE PREPONDERANTE. CNPJ ÚNICO.
A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco da atividade preponderante da empresa, quando houver apenas um registro no CNPJ.
Considera-se preponderante a atividade que ocupa em cada competência, o maior número de segurados empregados, trabalhadores avulsos e médicos residentes.
Numero da decisão: 2201-004.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
EDITADO EM: 06/03/2018
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator EDITADO EM: 06/03/2018 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
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MPF. O MPF é mecanismo de controle administrativo e nenhuma irregularidade houve em relação ao mandado, uma vez que regularmente emitido e cientificado à Contribuinte. PROCESSO JUDICIAL POSTERIOR AO LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE OBJETO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF N° 01. "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N°. 02 Aplicação da Súmula CARF n°. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. TRABALHADOR TEMPORÁRIO. SEGURADO OBRIGATÓRIO. RGPS. O trabalhador temporário é segurado obrigatório do RGPS na qualidade de empregado e o vínculo empregatício se estabelece, em regra, com a empresa que arregimenta a mãodeobra. ALÍQUOTA DO SAT. ATIVIDADE PREPONDERANTE. CNPJ ÚNICO. A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco da atividade preponderante da empresa, quando houver apenas um registro no CNPJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 18 61 /2 00 9- 70 Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10480.721861/200970 Acórdão n.º 2201004.089 S2C2T1 Fl. 429 2 Considerase preponderante a atividade que ocupa em cada competência, o maior número de segurados empregados, trabalhadores avulsos e médicos residentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator EDITADO EM: 06/03/2018 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão da 13a Turma da DRJ/RJ1, o qual julgou procedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração, pelo qual se exige contribuição destinada a outras entidades e fundos (terceiros) incidente sobre a folha de pagamento de contribuintes individuais e segurados empregados. A DRJ Rio de Janeiro I proferiu decisão, nos termos da seguinte ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. VALIDADE DO LANÇAMENTO. É válido o lançamento fiscal realizado com amparo de Mandado de Procedimento Fiscal, cujo número foi devida e formalmente informado ao contribuinte por ocasião da entrega do termo de início do procedimento fiscal. LIVRO DIÁRIO. EFEITOS FISCAIS. A empresa, mesmo desobrigada, que opta por apresentar o livro diário ao fisco, não pode se opor ao efeito probante que o livro produz. Inteligência do art. 45, parágrafo único, da Lei n. 8.981/1995 combinado com o art. 226 do Código Civil/2002. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10480.721861/200970 Acórdão n.º 2201004.089 S2C2T1 Fl. 430 3 MANIFESTAÇÃO GENÉRICA. PRECLUSÃO PROCESSUAL ADMINISTRATIVA. A matéria não expressamente impugnada está sujeita à preclusão. Necessidade de estabilização do processo contencioso fiscal. Inteligência do Art. 17 do Decreto 70.235/72. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. É defeso ao julgador administrativo se pronunciar sobre ilegalidade ou inconstitucionalidade de normas em vigor. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. EMPRESA DE TRABALHO TEMPORÁRIO. A empresa de trabalho temporário é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de todos os segurados a seu serviço, inclusive dos trabalhadores cujo contrato é regido pela Lei n.° 6.019, de 03.01.1974. SAT. ATIVIDADE PREPONDERANTE. ALÍQUOTA. APLICAÇÃO. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, terá sua alíquota variada conforme a atividade preponderante da empresa. Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. A legislação de regência determina a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, de acordo com o enquadramento da empresa conforme a Classificação Nacional de Atividades Econômicas. SALÁRIO FAMÍLIA COMPROVAÇÃO DE REGULARIDADE. Comprovada a existência dos documentos que fundamentam o pagamento do saláriofamília, reconhecese o direito à compensação dos valores pagos pela empresa aos segurados, tornando insubsistente o lançamento com base nas glosas do benefício. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO INNATURA. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidem contribuições previdenciárias e as destinadas a terceiros sobre o auxílioalimentação in natura. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011. Aplicação da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, na redação da Lei 12.844/2013, e do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997. A ciência dessa decisão ocorreu em 09/07/2015 e o recurso voluntário foi tempestivamente apresentado em 30/07/2015. Em suas razões recursais o sujeito passivo reitera Fl. 430DF CARF MF Processo nº 10480.721861/200970 Acórdão n.º 2201004.089 S2C2T1 Fl. 431 4 os termos expendidos na peça defensiva, excetuando o pagamento de auxílioalimentação in natura, cuja decisão lhe foi favorável no julgamento de primeira instância e a descaracterização dos valores pagos a título de saláriofamília. É relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Admissibilidade O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Preliminarmente Da nulidade Ausência de prorrogação tempestiva do Mandado de Procedimento Fiscal MPF Argumenta o recorrente que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF foi prorrogado diversas vezes, com a continuidade dos trabalhos pelo mesmo AuditorFiscal. No seu entendimento, a prorrogação obrigatoriamente demandaria um novo AuditorFiscal para a continuidade do procedimento, sendo nulo o lançamento por ter sido lavrado por autoridade incompetente, inteligência do art. 14, inciso II4 e 155 da Portaria/RFB n.° 11.371/2007 c/c art. 59, inciso I, do Decreto n.° 70.235/72. De pronto, afasto a preliminar de nulidade da aventada no recurso voluntário, tendo em vista que não se verificam nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, verbis: “Art. 59. São nulos; I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” A autoridade fiscal que presidiu o procedimento é ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, sendo competente, no exercício de suas atribuições, para lavrar todos os termos necessários para o correto desempenho de suas funções. Os atos e termos lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade e garantido o mais absoluto direito de defesa, mediante abertura do prazo legal de impugnação, não há que se cogitar de nulidade dos autos de infração. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10480.721861/200970 Acórdão n.º 2201004.089 S2C2T1 Fl. 432 5 Igualmente foram atendidos os preceitos do artigo 10 do PAF (Decreto n° 70.235, de 1972), ratificando a inexistência da nulidade pretendida, pelo que se indefere o pleito. Acerca da alegada irregularidade no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) que macularia o lançamento e provocaria sua nulidade, a decisão recorrida detalhadamente enfrentou o ponto, posição com a qual concordo e adoto como razões de decidir. Está pacificado o entendimento na jurisprudência administrativa de que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), seja ele de Fiscalização, de Diligência ou Especial, prestase primordialmente a controle de natureza interna da Receita Federal, embora também permita aos contribuintes aferir se a ação fiscal que se realiza é realmente originária do órgão tributário, se o servidor é da carreira de auditoria, quais são os tributos envolvidos, período, etc. Ou seja, é regramento administrativo que dá as diretrizes do procedimento a ser levado a efeito, sem, jamais, suprir a competência legal do servidor responsável pela ação fiscal prevista no artigo 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Nesse contexto, cabe ao AuditorFiscal que preside o feito elaborar os termos que entender necessários para o melhor cumprimento do trabalho fixado, sendo tais termos aqueles que iniciam, dão sequência ou encerram a ação fiscal, aí incluídas eventuais circularizações, pesquisas ou obtenção de dados, bem como o procedimento de requerer, internamente, a conversão de um MPF de Diligência em MPF de Fiscalização, se as circunstâncias e os fatos assim exigirem. A jurisprudência do CARF já pacífica acerca do assunto: Assunto:Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/07/1999 a 31/03/2004 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF se constitui de mero controle administrativo, visando, sobretudo, proporcionar segurança ao contribuinte, não tendo o condão de tornar nulo lançamento corretamente efetuado, sob pena de contrariar o Código Tributário Nacional e o Decreto n° 70.235/72, o que não se permite a uma Portaria. (Acórdão n° 20180670 Relator Maurício Taveira e Silva) E, para que não pairem dúvidas sobre a competência dos Auditores Fiscais da Receita Federal para diligenciar e Fl. 432DF CARF MF Processo nº 10480.721861/200970 Acórdão n.º 2201004.089 S2C2T1 Fl. 433 6 fiscalizar os contribuintes, observemse os seguintes artigos do RIR/1999 (Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1.999): Art. 904. A fiscalização do imposto compete às repartições encarregadas do lançamento e, especialmente, aos Auditores Fiscais do Tesouro Nacional, mediante ação fiscal direta, no domicílio dos contribuintes (Lei n° 2.354, de 1954, art. 7°, e DecretoLei n° 2.225, de 10 de janeiro de 1985). § 1° A ação fiscal direta, externa e permanente, realizarseá pelo comparecimento do AuditorFiscal do Tesouro Nacional no domicílio do contribuinte, para orientálo ou esclarecêlo no cumprimento de seus deveres fiscais, bem como para verificar a exatidão dos rendimentos sujeitos à incidência do imposto, lavrando, quando for o caso, o competente termo (Lei n° 2.354, de 1954, art. 7°). Art. 911. Os AuditoresFiscais do Tesouro Nacional procederão ao exame dos livros e documentos de contabilidade dos contribuintes e realizarão as diligências e investigações necessárias para apurar a exatidão das declarações, balanços e documentos apresentados, das informações prestadas e verificar o cumprimento das obrigações fiscais (Lei n° 2.354, de 1954, art. 7°). Em suma, o MPF não é o meio hábil para se considerar iniciada, continuada ou finalizada uma fiscalização, mas instrumento de controle da RFB e que, disponibilizado ao contribuinte, permite lhe conhecer detalhes do procedimento que será levado a efeito em seu estabelecimento. Como dito alhures, é remansosa a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em todas as suas Câmaras, a respeito de nulidades suscitadas em relação ao Mandado de Procedimento Fiscal, todas improvidas: PAF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF PRORROGAÇÃO VALIDADE A competência para execução de fiscalização, delegada através de Mandado de Procedimento Fiscal, não desconhece o princípio da competência vinculada do servidor administrativo e da indisponibilidade dos bens públicos. Continuação de trabalho fiscal com prorrogação feita tempestivamente, por meio eletrônico, é válida nos termos das Portarias do Ministério da Fazenda de n°s 1265/1999, 3007/2001 e 1.468/2003. (Data da Sessão 14/09/2007 Relator Paulo Roberto Cortez Acórdão n° 10196351). Do mesmo modo: Sexta Câmara/Primeiro Conselho de Contribuintes Acórdão n° 10615259 Data da Sessão 25/01/2006 Relator(a) Luiz Antonio de Paula MPF NULIDADE DO LANÇAMENTO Comprovado nos autos a emissão regular do MPF bem como do MPF complementar e prorrogações, deve ser afastada a preliminar de Fl. 433DF CARF MF Processo nº 10480.721861/200970 Acórdão n.º 2201004.089 S2C2T1 Fl. 434 7 nulidade calcada em alegada irregularidade ou inexistência de tais documentos. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Constituindose o MPF em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo, eventual irregularidade formal nele detectada não enseja a nulidade do auto de infração, nem de quaisquer Termos Fiscais lavrados por agente fiscal competente para proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória nos termos da lei. Igualmente, os Acórdãos n°s 10809653, Relator Cândido Rodrigues Neuber; 10248948, Relator José Raimundo Tosta Santos; 10422515, Relator Antonio Lopo Martinez. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CAUSA DE NULIDADE. A Portaria SRF n° 3.007/2002 é mero ato infralegal destinado à administração de recursos humanos da Secretaria da Receita Federal, não se confundindo, por conseguinte, com norma atributiva de competência. A doutrina é sólida na afirmação de que somente a lei pode definir o círculo de atribuições dos órgãos e dos agentes públicos, vedandose ao administrador a imposição de restrições ou mesmo a ampliação dos poderes deveres conferidos pelo legislador. Tampouco a citada Portaria possui natureza procedimental, pois, como é cediço, o procedimento de fiscalização se curva ao Decreto n° 70.235/72, que tem status de lei e vigência preservada por norma legal superveniente, nos termos do artigo 69 da Lei n° 9.784/99. Sendo assim, o Poder Legislativo cuidou sozinho de estabelecer as normas processuais administrativas, sem autorizar o Executivo a imiscuirse nessa função. Portanto, seja no tocante à competência administrativa, seja no tocante à execução do procedimento em si, não se vislumbra, na espécie, a degradação do grau hierárquico da norma, presente quando a lei, para descongestionar o órgão legislativo, sem regulamentar a matéria, rebaixa formalmente o seu grau normativo, remetendo a normação dessa mesma matéria ao Poder Executivo (Processo n° 16327.002075/200252 3a Câmara 1° Conselho de Contribuintes Sessão em 28/02/2007 Relator Flávio Franco Corrêa Acórdão 10322886). Assim sendo, resta claro que eventual perda de validade de um Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), não enseja a nulidade do procedimento fiscal, não merecendo provimento o inconformismo do recorrente. Da utilização de informações do Livro Diário Argumenta o recorrente ser optante pelo regime de tributação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ com base no lucro presumido, sendo que em virtude do disposto no art. 45, parágrafo único, da Lei n. 8.981, de 20.01.1995, não está obrigada a manter o Livro Diário. Lembra que não está impedida de manter tal livro, posto que isto só lhe será uma faculdade. Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10480.721861/200970 Acórdão n.º 2201004.089 S2C2T1 Fl. 435 8 Caberia ao AuditorFiscal apurar as informações contidas no LIVRO CAIXA ainda que o LIVRO RAZÃO tivesse registrado na JUCEPE, posto que em nenhum dos termos de intimação para apresentação de documentos foi solicitado o o Livro Caixa, restringindose a solicitar justamente o Livro Diário e Livro Razão, que, conforme citado anteriormente, são dispensados. Nesse tocante, mandou bem a decisão de piso, ao observar que houve uma aletração legislativa inaugurada pelo Decreto 3.265, de 29/11/1999, que alterou o parágrafo 16 do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, a expressão “são dispensadas” para “são desobrigadas”, em consonância com o art. 45, parágrafo único, da Lei n. 8.981/1995. Portanto, as empresas habilitadas à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido poderão optar por manter escrituração contábil ou manter o livro caixa, o qual deverá ser escriturado com toda a movimentação financeira, inclusive a bancária. Deve ser ressaltado que a escrituração de livros contábeis é uma obrigação acessória, sendo certo que em relação ao Livro Caixa, estava o sujeito passivo desobrigada a cumprila, fato que por si só, não afasta a presteza das informações contidas no referido documento. No caso que se cuida, ainda que tenha sido intimada a apresentar o Livro Diário, a recorrente fez a opção por apresentálo, mesmo estando desobrigada de fazêlo. Em parte, as informações obtidas através da análise do referido documento foram utilizadas pela Fiscalização como elementos de prova para o presente lançamento. Não há nenhuma irregularidade em tal procedimento. É dever da autoridade admistrativa buscar elementos de prova para supedanear o lançamento, e o Livro Diário, não sendo documento estranho ao contribuinte, é meio válido e idôneo para embasar referido ato administrativo. De igual modo, não há óbice à Fiscalização de considerar o maior valor de base de cálculo dentre os meios de prova apreciados, sejam folhas de pagamento, RAIS ou livros contábeis, razão qual não procede o argumento do recorrente de que houve erro no lançamento em relação à competência dezembro/2014. Destarte, não merece guarida a alegação recursal, devendo ser afastada a preliminar de nulidade suscitada. Da exigência de crédito tributário contrário à decisão judial Aduz a recorrente que, após o lançamento, obteve provimento jurisdicional para afastar a cobrança de 1/3 de férias, férias usufruídas, avisoprévio indenizado, auxílio doença e auxílio acidente. Contudo, a recorrente não demonstrou que as verbas controvertidas estão contidas no presente lançamento. Os levantamentos foram apurados com base em documentos fornecidos pelo contribuinte: livros contábeis, folhas de pagamento e RAIS, mas não foram declarados em GFIP. Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10480.721861/200970 Acórdão n.º 2201004.089 S2C2T1 Fl. 436 9 Em obediência ao princípio da unidade de jurisdição, todas as verbas supra nominadas não podem ser apreciadas no âmbito do presente processo, eis que submetidas à apreciação do Poder Judiciário. Embora de fato haja uma divergência jurisprudencial na tese apresentada pelo recorrente, aplicase ao caso o parágrafo único do art. 38 da Lei n° 6.830/80 o qual prevê que a propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o propósito de discutir os termos da relação tributária importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Esse mandamento já foi internalizado por este Conselho por meio da Súmula CARF n° 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Os autores Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martinez López, na obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado (Editora Dialética. São Paulo 2010, p. 299) explicam que a súmula reflete o fundamento de que o ordenamento jurídico brasileiro adota o princípio da jurisdição una, estabelecido no artigo 5°, inciso XXXV, da Carta Política de 1988. A todo rigor, inexiste dispositivo legal que permita a discussão paralela da mesma matéria em instâncias diversas, sejam elas administrativas ou judiciais ou uma de cada natureza. Do trabalhador temporário incidência da contribuição previdenciária Argumenta a recorrente que não pode incidir contribuição previdenciária sobre os pagamentos realizados a trabalhadores temporários. Todavia, deve ser ressaltado que essa tese não encontra respaldo no ordenamento jurídico brasileiro. O trabalhador temporário, regulamentado incialmente pela Lei nº 6.019/1974, é segurado obrigatório da Previdência Social, na condição de empregado. Trabalhador temporário é aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, por prazo não superior a três meses, prorrogável, presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de serviço de outras empresas. A Lei nº 8.212/91 prevê: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: (...) b) aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em legislação específica, presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10480.721861/200970 Acórdão n.º 2201004.089 S2C2T1 Fl. 437 10 premanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras empresas. (...) A redação do dispositivo legal é tão cristalina que sequer se tem notícia de questionamentos judiciais acerca da condição de segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social RGPS dos trabalhadores temporários. Assim sendo, o tema não comporta maiores digressões, sendo manifestamente improcedente o inconformismo recursal. Inconstitucionalidade da exigência de contribuições do trabalhador temporário No que pertine às alegações de inconstitucionalidade de lei válida, vigente e eficaz não cabe manifestação desse colegiado. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula CARF n° 02: Súmula CARF n°. 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. A autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, seja pelo artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015. Assim, a partir do momento em que a norma é inserida em nosso sistema legislativo, é obrigação da autoridade administrativa a sua aplicação, não cabendo ao julgador administrativo expressar seu juízo de valor por eventuais injustiças que esta norma tenha causado, papel este incumbido aos tribunais competentes. A hipótese colocada, sem dúvida alguma, configura aquela situação prevista na Súmula CARF nº 02 supra transcrita. Destarte, a decisão recorrida não merece ser reformada quanto aos pontos alegados pela recorrente. Inexigibilidade da contribuição ao SAT equiparação com trabalhadores autônomos Aduz a recorrente que não deve pagar a contribuição destinada ao financiamento da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e que o trabalhador temporário deve ter o mesmo tratamento dispensado aos trabalhadores autônomos, pleiteando uma equiparação. A pretensão recursal não pode prosperar à mingua de amparo legal. Os segurados empregados e os segurados contribuintes individuais são filiados obrigatórios do RGPS. Enquanto o segurado empregado possui vínculo empregatício, o segurado contribuinte individual exerce trabalho por conta própria. A legislação de regência (Lei nº 8.212/91) prevê a contribuição para o GILRAT, e adota como base de cálculo a folha salarial de empregados e trabalhadores avulsos. Vejamos: (Lei nº 8.212/91) Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10480.721861/200970 Acórdão n.º 2201004.089 S2C2T1 Fl. 438 11 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos; a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Desse modo, não merece provimento o pleito do recorrente. Do enquadramento da alíquota do SAT A controvérsia neste processo é o estabelecimento do correto percentual de grau de risco em função da atividade preponderante do contribuinte, já que se utiliza de registro único no CNPJ. Conforme exposto pelo recorrente, a jurisprudência do STJ se firmou no sentido de que a alíquota da contribuição para o SAT/GILRAT deve ser aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. O enunciado da Súmula n° 351 do STJ assim dispõe: A alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10480.721861/200970 Acórdão n.º 2201004.089 S2C2T1 Fl. 439 12 risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. O enquadramento no correspondente grau de risco será feito pela atividade econômica da empresa em conformidade com a Classificação Nacional de Atividades EconômicasCNAE. A empresa com estabelecimento único e mais de uma atividade econômica simulará o enquadramento em cada atividade, definindo como preponderante aquela que ocupe o maior número de segurados empregados, trabalhadores avulsos e médicos residentes. As atividades econômicas das empresas e o respectivo grau de risco compõem a Relação de Atividades Preponderantes e Correspondentes Graus de Risco, (conforme a CNAE) Anexo V do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, vigendo, à época dos fatos em análise, com a redação dada pelo Decreto n° 6.042/2007. A Instrução Normativa RFB n° 1.453/2014 alterou a Instrução Normativa RFB n° 971/2009, em seu art. 72, § 1°, inciso II, ratificando o entendimento pronunciado pela sumula 351 do STJ. Sua literalidade determina que a alíquota da contribuição sobredita será aferida pelo grau de risco preponderante em cada estabelecimento da empresa que possui CNPJ próprio. É fato incontroverso nos autos que a recorrente é uma sociedade empresarial cujo objeto social é a prestação de serviços de: recrutamento, seleção de pessoal, treinamento, mãodeobra temporária (Lei n° 6.019/74); mãodeobra especializada, merchandising; promoções e eventos; telemarketing; limpeza, conservação e higienização, copa, operação de telefonia; condução de elevadores; digitação; e de motoboys, conforme previsto na cláusula 2a da 14ª alteração e consolidação do contrato social de 21/10/2003, registrado na JUCEPE em 21/11/2003 sob n° 20030924286 protocolo n° 03/0924286. O CNAE Classificação Nacional de Atividades Econômicas considerado no lançamento, tanto para os empregados contratados por prazo indeterminado, quanto para para os segurados empregados contratados sob a égide da Lei n° 6.019/74 (trabalho temporário) foi CNAE 74.500 (seleção, agenciamento e locação de mãodeobra). A atividade preponderante da empresa, ou seja a que ocupa o maior número de segurados em todos os meses do lançamento é a de seleção, agenciamento e locação de mãodeobra. Assim, temse que a contribuinte possui um único CNPJ e a atividade preponderante no período de 01/2004 a 12/2004, submente à Classificação Nacional de Atividade Econômica – CNAE 74.500, prevista no Anexo V do RPS, “seleção, agenciamento e locação de mãodeobra”, grau de risco médio, alíquota de 2%, e não de 1% como pretende a recorrente. Deste modo, deve ser mantido o lançamento SAT/GILRAT à alíquota de 2%, posto que em conformidade a legislação. Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10480.721861/200970 Acórdão n.º 2201004.089 S2C2T1 Fl. 440 13 Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negarlhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 440DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17546.001045/2007-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/11/2004
MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
Numero da decisão: 9202-006.555
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2003 a 30/11/2004 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
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COMÉRCIO INSTALAÇÕES E MONTAGENS LTDA. ME ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2003 a 30/11/2004 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 10 45 /2 00 7- 11 Fl. 196DF CARF MF Processo nº 17546.001045/200711 Acórdão n.º 9202006.555 CSRFT2 Fl. 197 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2403000.859, prolatado pela 3a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na sessão plenária de 27 de outubro de 2011 (efls. 155 a 160). Ali, por unanimidade de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2003 a 30/11/2004 Ementa: GFIP. ERROS NOS DADOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO. Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Decisão: por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule a multa, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Enviados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência do Acórdão em 13/02/2012 (efl. 161), sua Procuradoria apresentou, inicialmente, embargos de declaração de efls. 164 a 167, rejeitados consoante informação de efls. 168 a 171. Dada nova ciência àquela PGFN, agora em 28/02/2013 (efl. 172), foi interposto, então, em 01/03/2013 (efl. 174), Recurso Especial de sua iniciativa, com fulcro no art. 67 do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009 (efls. 175 a 182). O recurso continha alegação de existência de divergência interpretativa quanto à aplicação de retroatividade benigna da multa, tendo restado admitido, na forma de despacho de admissibilidade de efls. 183 a 185. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 17546.001045/200711 Acórdão n.º 9202006.555 CSRFT2 Fl. 198 3 Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, pela 1a. Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a. Seção deste CARF em 07/05/2009, no âmbito do Acórdão no. 240100.127, de ementa e decisão a seguir transcrita: Acórdão 240100.127 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, tratase de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória decorrente de Notificação Fiscal, onde fora reconhecida a decadência do artigo 150, § 4º, do CTN, impondo seja levada a efeito a mesma decisão nestes autos em face da relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória, a empresa apresentar a GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA APLICAÇÃO Na superveniência de legislação que se revele mais favorável ao contribuinte no caso da aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, aplicase o princípio da retroatividade benigna da lei aos casos não definitivamente julgados, conforme estabelece o CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 17546.001045/200711 Acórdão n.º 9202006.555 CSRFT2 Fl. 199 4 Decisão: I) Por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas ate a competência 11/2000; II) Por maioria de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2001. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira (relatora), que votaram por declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2000; e III) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa de acordo com o disciplinado 44, I da Lei no. 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a titulo de multa nas NFLD correlatas. Designado para redigir o voto vencedor, na parte referente à decadência o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Após defender a existência de divergência interpretativa, caracterizada pela similitude de situações fáticas e soluções diametralmente opostas, em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) O ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias. Isso significa dizer, em suma, que não é legítima a aplicação de mais de uma penalidade em razão do cometimento da mesma infração tributária, sendo certo que o contribuinte não pode ser apenado duas vezes pelo cometimento de um mesmo ilícito. O que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, propriamente, a utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes; b) Nessa linha, constatase que antes das inovações da MP 449/2008, atualmente convertida na Lei 11.941/2009, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei 8.212/91, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei 8.212/91 (multa isolada). Com o advento da MP 449/2008, instituiuse uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei 8.212/91. b.1) O art. 32A citado trata de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionado a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei 8.212/91. O atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei 8.212/91, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% (vinte por cento). Assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida. b.2) Contudo, a MP 449/2008 também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35A, que corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma e ora defendida, no sentido de que a o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96 abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata). Por certo, devese privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 ocorrerá quando houver tão somente o Fl. 199DF CARF MF Processo nº 17546.001045/200711 Acórdão n.º 9202006.555 CSRFT2 Fl. 200 5 descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas. Por outro lado, toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91; c) houve lançamento de contribuições sociais em decorrência da atividade de fiscalização que deu origem ao presente feito. Logo, de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado seria o artigo 35A da Lei 8.212/91, com a multa prevista no lançamento de ofício (artigo 44 da Lei 9.430/96). Nessa linha de raciocínio, a NFLD e o Auto de Infração devem ser mantidos, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da MP no. 449. Requer, assim, que seja admitido o presente recurso, em razão da divergência apontada, e, no mérito, lhe seja dado provimento para que seja adotada a tese esposada nos acórdãos paradigmas, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91. Após a ciência da autuada em 04/09/2013 (efl. 187), esta apresentou contrarrazões intempestivas de efls. 189 a 192, datadas de 23/09/2013, onde: a) Preliminarmente, defende o não conhecimento do Recurso, por se estar diante de tentativa de reavaliação e revaloração das provas; b) No mérito, defende a manutenção do recorrido por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Inicialmente, de se notar ser perfeitamente aplicável, à situação sob análise, o paradigma apresentado, adotando tese jurídica diversa do recorrido e não se tratando aqui, conforme tentou fazer crer a contraarrazoante, ainda que de forma intempestiva, de hipótese de tentativa de reavaliação probatória. A tese paradigmática rechaça a aplicação defendida pelo recorrido, no sentido de cômputo da retroatividade benéfica levando em consideração tão somente o disciplinado no art. 32A da Lei no. 8.212, de 1991, na redação dada pela Lei no. 11.941, de 2009, e assim, entendo como plenamente caracterizada a divergência interpretativa. Destarte, convergindo com o exame de admissibilidade de efls. 183 a 185, voto por conhecer do Recurso Especial e passo à análise de mérito. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 17546.001045/200711 Acórdão n.º 9202006.555 CSRFT2 Fl. 201 6 Sob análise, a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendose as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 17546.001045/200711 Acórdão n.º 9202006.555 CSRFT2 Fl. 202 7 função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em Fl. 202DF CARF MF Processo nº 17546.001045/200711 Acórdão n.º 9202006.555 CSRFT2 Fl. 203 8 acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 203DF CARF MF Processo nº 17546.001045/200711 Acórdão n.º 9202006.555 CSRFT2 Fl. 204 9 a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 204DF CARF MF Processo nº 17546.001045/200711 Acórdão n.º 9202006.555 CSRFT2 Fl. 205 10 § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por aplicar a multa de mora nos termos do artigo 32A da Lei 8.212, de 1991. Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, entendo, a propósito, que, em verdade, o referido art. 35, da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter agora, a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo a constatação, através de Fl. 205DF CARF MF Processo nº 17546.001045/200711 Acórdão n.º 9202006.555 CSRFT2 Fl. 206 11 procedimento de ofício, tanto de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 17546.001045/200711 Acórdão n.º 9202006.555 CSRFT2 Fl. 207 12 Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 207DF CARF MF Processo nº 17546.001045/200711 Acórdão n.º 9202006.555 CSRFT2 Fl. 208 13 "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. O percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a Fl. 208DF CARF MF Processo nº 17546.001045/200711 Acórdão n.º 9202006.555 CSRFT2 Fl. 209 14 retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009, ressalvandose, que, a esta altura, o feito onde se permanece controlada a obrigação principal vinculada ao presente lançamento já se encontra com seu débito devidamente inscrito em dívida ativa, tendo prevalecido, no trânsito em julgado administrativo, a aplicação aqui defendida. Assim, é de se dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, de forma a que se aplique a retroatividade benéfica em consonância com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 209DF CARF MF
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