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Numero do processo: 10860.001004/2002-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. SÚMULA CARF Nº 29.
A comprovação da origem de valores depositados em conta bancária exige a apresentação de documentação hábil e idônea que vincule, de forma inequívoca, com compatibilidade razoável de datas e valores, o crédito bancário à fonte correspondente.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.
DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. RETIFICAÇÃO. SUMULA CARF Nº 33.
A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.
LANÇAMENTO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. PENALIDADE DE OFÍCIO
A alíquota aplicável ao tributo é aquela vigente na data da ocorrência do fato gerador, não se confundindo com penalidade capaz de ensejar a aplicação da retroatividade benigna a que alude o art. 106 do CTN.
Identificada omissão de rendimentos é devida a aplicação da penalidade de ofício legalmente prevista.
Numero da decisão: 2201-004.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a exclusão, da base de cálculo do tributo lançado, do valor R$ 22.612,00, relativo aos créditos em conta conjunta para a qual não houve intimação da co-titular, bem assim para alterar o lançamento nos termos propostos pela Autoridade lançadora em sede de diligência.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. SÚMULA CARF Nº 29. A comprovação da origem de valores depositados em conta bancária exige a apresentação de documentação hábil e idônea que vincule, de forma inequívoca, com compatibilidade razoável de datas e valores, o crédito bancário à fonte correspondente. Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. RETIFICAÇÃO. SUMULA CARF Nº 33. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. LANÇAMENTO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. PENALIDADE DE OFÍCIO A alíquota aplicável ao tributo é aquela vigente na data da ocorrência do fato gerador, não se confundindo com penalidade capaz de ensejar a aplicação da retroatividade benigna a que alude o art. 106 do CTN. Identificada omissão de rendimentos é devida a aplicação da penalidade de ofício legalmente prevista.
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DEPÓSITO BANCÁRIO. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. SÚMULA CARF Nº 29. A comprovação da origem de valores depositados em conta bancária exige a apresentação de documentação hábil e idônea que vincule, de forma inequívoca, com compatibilidade razoável de datas e valores, o crédito bancário à fonte correspondente. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. RETIFICAÇÃO. SUMULA CARF Nº 33. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. LANÇAMENTO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. PENALIDADE DE OFÍCIO A alíquota aplicável ao tributo é aquela vigente na data da ocorrência do fato gerador, não se confundindo com penalidade capaz de ensejar a aplicação da retroatividade benigna a que alude o art. 106 do CTN. Identificada omissão de rendimentos é devida a aplicação da penalidade de ofício legalmente prevista. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a exclusão, da base de cálculo do tributo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 10 04 /2 00 2- 17 Fl. 3962DF CARF MF Processo nº 10860.001004/200217 Acórdão n.º 2201004.734 S2C2T1 Fl. 3.963 2 lançado, do valor R$ 22.612,00, relativo aos créditos em conta conjunta para a qual não houve intimação da cotitular, bem assim para alterar o lançamento nos termos propostos pela Autoridade lançadora em sede de diligência. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Relatório Trata o presente de recurso voluntário formalizado em face do Acórdão nº 1732.951, de 25 de junho de 2009, exarado pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II/SP, fl. 1734 a 1766, que assim relatou a lide administrativa: Contra o contribuinte supraqualificado foi lavrado o auto de infração de fls.296/299, relativo ao imposto sobre a renda de pessoas físicas do anocalendário de 1998, em decorrência de ação fiscal que teve por objeto o exame do cumprimento das obrigações tributárias relativas a esse período( 11.12). Das verificações realizadas resultou a apuração do crédito tributário no valor total de R$ 238.240,66 (duzentos e trinta e oito mil, duzentos e quarenta reais e sessenta e seis centavos), na seguinte composição: (R$ ) Imposto 107.519,03 Juros de mora (calc. Até 31/01/2002) 50.082,36 Multa proporcional 80.639,27 O crédito tributário constituído decorreu da constatação de irregularidade assim descrita no referido auto: "Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de • Verificação Fiscal ...". Enquadramento legal: art. 42 da Lei 9.430/96; art. 4 0 da Lei 9.481/97, art. 21 da Lei 9.532/97; art. 841 do RIR199 e art. 849 do RIR/99. A multa de oficio foi aplicada no percentual de 75,00% (setenta e cinco por cento), com fundamento no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/1996 (f1.299). Fl. 3963DF CARF MF Processo nº 10860.001004/200217 Acórdão n.º 2201004.734 S2C2T1 Fl. 3.964 3 No Termo de Verificação Fiscal, que faz parte integrante do Auto de Infração, o auditor fiscal responsável pelo procedimento dá conta dos fatos que originaram a autuação (fls.306/319). Nele, verificase que, de posse de informações que revelavam movimentação financeira junto ao Banco Itaú S/A e Banco Banespa S/A em nome de Yara Maria Rubim Moreira Paulista CPF 975.730.00804 , omissa da entrega da Declaração de IRPF anocalendário de 1998, a fiscalização intimoua a apresentar os extratos bancários, bem como documentação que justificasse a origem e a destinação dos recursos relativos à movimentação financeira efetuada no período. A contribuinte, em resposta, esclareceu que as movimentações financeiras em seu nome decorriam das atividades profissionais e comerciais de seu marido Wilson Roberto Paulista e que a DIRPF/99 deste indicara erroneamente que a apresentação não era conjunta, sendo posteriormente retificada. A vista da resposta da fiscalizada, foi emitido MPFF em nome do ora interessado, iniciandose a ação fiscal junto a sua pessoa, que resultou na apuração da infração mencionada. A ciência do auto de infração foi dada pessoalmente ao procurador do contribuinte, na data de 27/02/2002(f1.296). Em 01/04/2002 (fl.341), o interessado, por meio de procuradores constituídos conforme instrumento de fl.361, apresentou a impugnação de fls.341/360, na qual, após proceder ao relato dos fatos, aduz as razões de defesa que a seguir se reproduzem sinteticamente: DA INCONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS 9.311 DE 24 DE OUTUBRO DE 1996; 10.174, DE 09 DE JANEIRO DE 2001; LEIS COMPLEMENTARES DE IFS 104 E 105 DE 10 DE JANEIRO DE 2001 Argúi a nulidade da ação fiscal iniciada com a quebra do seu sigilo bancário, questionando a constitucionalidade das Leis 9.311/1996 e 10.174/2001, bem como das Leis Complementares 104/2001 e 105/2001; DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR VÍCIO DE FORMA Suscita a nulidade do auto de infração por vicio de forma consistente na inobservância do estabelecido pelo artigo 42, §3° da Lei 9.430/1996, que determina a análise individualizada dos créditos para fins de determinação da receita omitida. Afirma que a autoridade fiscal limitouse a totalizar uma série de depósitos, sem fazer referência a quais depósitos não teriam sido justificados. Entende, assim, desrespeitado o citado dispositivo legal, caracterizandose vicio de forma, devendo o auto ser julgado insubsistente. Caso assim não seja entendido, propugna pela realização de diligência ou perícia para a apuração e Fl. 3964DF CARF MF Processo nº 10860.001004/200217 Acórdão n.º 2201004.734 S2C2T1 Fl. 3.965 4 individualização dos créditos considerados omitidos, apresentando os quesitos ao final da impugnação. DA INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 42 DA LEI 9.430 DE 27/12/1996, EM FACE DO ARTIGO 153, INCISO III DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E DO ARTIGO 43 DO CTN. Requer novamente a declaração de insubsistência e improcedência do lançamento, alegando inconstitucionalidade do artigo 42 da Lei 9.430/1996, na medida em que este amplia o campo de incidência do fato gerador do imposto, ao considerar omissão de receita qualquer valor creditado em conta de depósito. Traz à colação textos doutrinários sobre fato gerador do imposto de renda. DO ÔNUS DA PROVA Entende que a autoridade fiscal não se desincumbiu de seu ônus probatório, uma vez que ele, contribuinte, demonstrou (ainda que sem a identificação das fontes recebedoras e beneficiárias dos depósitos que foram efetuados nas diversas contas do Banco Itaú) a origem dos depósitos, competindo, então, àquela, demonstrar um a um, quais os depósitos poderiam ser considerados efetivamente renda, o que não foi feito. DA NULIDADE DO LANÇAMENTO DOS DEPÓSITOS DO BANESPA Alega que nas últimas intimações feitas (fls. 194 e 197), os depósitos do BANESPA não foram objeto de pedido de comprovação. Mesmo assim, foram considerados no auto de infração, o que considera ilegal, uma vez que falta ao lançamento requisito básico e essencial para a materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Anexa, ainda, cópias dos Extratos do BANESPA para demonstrar que os créditos são oriundos de uma única fonte. DA NULIDADE DO LANÇAMENTO DOS CRÉDITOS DO BANCO ITAÚ Em relação aos depósitos do Banco Itaú, afirma restar incontroverso o fato de que as informações prestadas por esta instituição não merecem fé, uma vez que suas informações foram retificadas. Além dos questionamentos anteriormente efetuados a respeito da inobservância do artigo 42, §3° da Lei 9.430/1996, afirma que o auto é nulo porque não considerou as informações prestadas pelo contribuinte para comprovar a origem dos depósitos. Afirma que se houvesse dúvidas por parte da autoridade fiscal, deveria ela buscar provas da inidoneidade das informações, por dever de oficio. Destarte, afirma, tendo em vista o estado de necessidade em que se vê, mesmo em desobediência ao dever de sigilo que lhe impõe o seu Estatuto e Código de Ética, anexa a mesma relação constante As fls. 218/299, porém com a identificação completa Fl. 3965DF CARF MF Processo nº 10860.001004/200217 Acórdão n.º 2201004.734 S2C2T1 Fl. 3.966 5 dos beneficiários dos depósitos. Esclarece as siglas utilizadas no demonstrativo. DA IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS Com base em lição doutrinaria, que remete à Súmula 182 do antigo TRF, afirma que depósitos bancários por si só não representam valores que necessariamente tenham implicação tributária, constituindose em meros indícios que obrigam à efetiva comprovação documental. DA NULIDADE DA IMPOSIÇÃO DE MULTA EM FACE DA ALEGADA ENTREGA A DESTEMPO DA DECLARAÇÃO RETIFICADORA Reclama da aplicação da multa proporcional de 75% sobre o valor do imposto, por duas razões: a de que o imposto que lhe serve de base de cálculo é decorrente de omissão apurada com base em extratos bancários e pelo fato de que a penalidade foi aplicada sob a alegação de que a declaração retificadora foi entregue após iniciado o procedimento fiscal. Alega que até o dia 17/07/2001, quando, segundo o autuante, teria sido emitido MPFComplementar, foi, de fato, emitido Termo de Inicio de Fiscalização, que não continha o período a que se referia. Tal dúvida só veio a ser esclarecida pela autoridade fiscal em 13 de agosto, por meio da informação fiscal de fl. 149, quando a declaração retificadora (fls. 289/292) já havia sido entregue, bem assim os impostos pagos, conforme fazem prova as cópias dos DARF's quitados em 07/08/2001. Requer, portanto, a exclusão da multa, ou, caso assim não se entenda, que a mesma seja aplicada apenas sobra o crédito apurado após os expurgos relativos aos vícios apontados na impugnação. DO PEDIDO Por fim requer: a) nulidade do auto de infração interposto, na sua totalidade, nos termos e limites das respectivas fundamentações; declarando a sua improcedência e conseqüente insubsistência: b) caso não seja de plano declarada a improcedência do auto de infração, seja determinada a realização de perícia e/ou diligência, a fim de que sejam sanadas as irregularidades apontadas, com a devolução de prazo para o contribuinte se manifestar, obedecendo se, assim, o principio do devido processo legal; c) a realização de perícia, para comprovar a veracidade das alegações em que se funda a presente impugnação, nos termos do artigo 16 do Decreto 70.235/72, para o que abaixo, seguem em apartado, o nome do perito com os respectivos quesitos. Fl. 3966DF CARF MF Processo nº 10860.001004/200217 Acórdão n.º 2201004.734 S2C2T1 Fl. 3.967 6 Ao final, formula seis quesitos para a perícia e nomeia perito. Debruçada sobre os termos da impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo II/SP considerou o lançamento procedente, nos termos do Acórdão ora recorrido, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 PRELIMINARES. NULIDADE. Tendo o auto de infração sido lavrado por servidor competente, com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes no instrumento os elementos necessários para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, assegurado pela Constituição Federal, afastam se as preliminares de nulidade arguidas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS A apreciação e decisão de questões que versem sobre a constitucionalidade de atos legais são de competência exclusiva do Poder Judiciário, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. MULTA DE OFÍCIO Não restando caracterizada a denúncia espontânea pela apresentação de declaração retificadora após inicio da ação fiscal, aplicase a multa sobre a totalidade da infração apurada. PERÍCIA. Fl. 3967DF CARF MF Processo nº 10860.001004/200217 Acórdão n.º 2201004.734 S2C2T1 Fl. 3.968 7 Indeferese o pedido de perícia quando a sua realização revelese prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. • Lançamento Procedente Ciente do Acórdão da DRJ em 20 de julho de 2009, conforme fl. 1771, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fl. 1772 a 1816, estruturado nos tópicos a seguir: OS DEPÓSITOS BANCÁRIOS E A NÃO EXCLUSÃO DOS DEPÓSITOS E TRANSFERÊNCIAS DA MESMA TITULARIDADE Dentre outras questões, aponta valores que teriam sido considerados como omissão de rendimentos mas que, na verdade, seriam decorrentes de movimentações entre as contas do próprio autuado. DA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Argumenta que os créditos em sua conta bancária decorrem de sua atividade de advogado e que, após apuração de seus honorários, promove o repasse do valor auferido pelos clientes. A PROVA DOCUMENTAL HÁBIL E IDÔNEA Manifesta seu entendimento de que a prova documental juntada é inequívoca e plenamente capaz de elidir qualquer presunção contrária. DA RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DO IRPF NO PRAZO E DENTRO DA LEI Argumenta que a declaração de rendimentos retificadora apresentada após o início do procedimento fiscal é válida e que, portanto, as alterações nela promovidas devem ser acolhidas pela fiscalização. DA INAPLICABILIDADE DA MULTA Alega que, esclarecidas as ocorrências que geraram a autuação, inexistindo obrigação principal, não há que se falar em omissão, razão pela qual entende que a multa de ofício é inaplicável. DO CÁLCULO DO IMPOSTO DEVIDO E RESPECTIVO PAGAMENTOS Afirma que apurou e pagou o IR devido com base nas declarações apresentadas, a original e a retificadora. DA RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI Sustenta a alteração posterior do percentual do IR devido de 27,5 para 25%. Fl. 3968DF CARF MF Processo nº 10860.001004/200217 Acórdão n.º 2201004.734 S2C2T1 Fl. 3.969 8 Submetido ao crivo do Colegiado de 2ª Instância, o julgamento foi convertido em diligência, conforme Resolução de fl. 3923 a 3929, para manifestação da unidade preparadora, nos seguintes termos: 1. Realize o cotejamento das planilhas realizadas pelo contribuinte com a documentação anexa e o demonstrativo consolidado da fiscalização, a fim de que seja identificada a correlação (para fins de comprovação da origem) entre a planilha apresentada (somente a parte que estiver acompanhada da documentação comprobatória) e a exigência fiscal; 2. Identifique se houve a exclusão dos depósitos de mesma titularidade (contribuinte e cônjuge) e, caso não tenha ocorrido, proceda a exclusão; 3. Sejam aproveitados os DARFs anexos, caso não tenham sido computados nas deduções dos valores, durante o procedimento fiscal. Em atendimento aos termos da Resolução supracitada, foi exarado o Relatório Fiscal de fl.3934 a 3935 e respectivos anexos, em que se concluiu pela alteração do valor lançado. Ciente das conclusões Autoridade Fiscal exaradas em sede de diligência, o contribuinte manifestouse em fl. 3944 a 3948, apontando o que considera impropriedades das conclusões fiscais. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por atender os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso voluntário. A análise das informações contidas nos autos, em particular os termos do recurso voluntário e o novo Relatório Fiscal produzido pela Autoridade lançadora, notase que parte das alegações do contribuinte foram consideradas pertinentes pela própria fiscalização, que sugeriu a alteração do valor lançado originalmente de R$ 107.519,03 para R$ 40.816,23. Sugestão esta que acolho integralmente no presente voto. As conclusões desse novo Relatório Fiscal foram levadas ao conhecimento do contribuinte autuado, que se manifestou em fl. 3944/3948, apontando seu inconformismo em relação a tais conclusões e indicando os supostos equívocos da Fiscalização que ainda dependeriam de correção. Assim, entendo que o cerne da análise que será levada a termo no presente voto pode se restringir à manifestação do contribuinte acerca do resultado da diligência, já que as alegações de mérito expressas no recurso voluntário se mostram parcialmente prejudicadas Fl. 3969DF CARF MF Processo nº 10860.001004/200217 Acórdão n.º 2201004.734 S2C2T1 Fl. 3.970 9 em seu objeto pelo acolhimento de boa parte delas pelo Agente Fiscal, o que aponta que a contrariedade remanescente do autuado está sintetizada na manifestação de fl. 3944/3948. DIFERENÇA NÃO CONSIDERADA PELA FISCALIZAÇÃO Inicialmente o contribuinte alega que o AuditorFiscal não considerou o valor de R$ 2.104,35, valor de IRRF previsto em sua Declaração de Rendimentos e reconhecido pelo Termo de Verificação Fiscal, que deveria ter sido excluído do montante depositado de R$ 390.978,31 (Valor depositado Tabela I Fl. 3940), o que deveria levar a base de cálculo original para R$ 388.873,96. Não tem razão a defesa. O valor em tela é relativo a IRRF e, como tal, deve ser deduzido diretamente do imposto devido, já que configura antecipação deste. Como estamos falando de depósitos em contas bancárias, decerto que valores de tributos retidos na fonte não integraram os valores creditados e, assim, está correta a fiscalização em aproveitar, como imposto pago, o montante retido em conjunto com o apurado na declaração originalmente apresentada, fl. 525, no valor de R$ 4.566,85 (R$ 2.104,35 de IRRF + R$ 231,00 de Carnê Leão + R$ 2.231,50 de IAP). BASE DE CÁLCULO APURADA PELA FISCALIZAÇÃO Afirma a defesa que os valores considerados pela fiscalização para apurar o tributo efetivamente devido não refletem a realidade dos fatos, já que foram desconsiderados por completo, e sem motivo justo: (i) Demonstrativo de origem dos depósitos bancários, os quais informam clientes, seus CPF, entrada e saída de recebimentos com a individualização de valores pagos e dos honorários recebidos. O citado demonstrativo, ao contrário do que afirma o recorrente, foi efetivamente analisado pela autor do procedimento fiscal. É o que se depreende do Termo de Verificação Fiscal que, em fl. 641, concluiu que a análise do documento evidenciou que o contribuinte utiliza suas contas particulares para movimentar recurso da empresa Dé & Ana Confecções Ltda, bem assim que deveriam ser excluídos do montante identificado de créditos os valores relativos a rendimentos tributáveis recebidos de PJ e a receita bruta da empresa Dé & Ana. Em outro momento, agora já no curso de diligência fiscal, a Autoridade lançadora foi expressa ao afirmar, fl. 3934: Dessa forma, analisei TODOS os lançamentos bancários considerados no auto de infração pela Fiscalização e realizei a conciliação entre contas e o cotejamento com documentos apresentados pelo Fiscalizado, excluindo dos valores lançados os transferidos aos clientes, quando coincidentes em datas e valores e comprovados documentalmente. A TABELA I, em anexo, relaciona os valores lançados pela Fiscalização cujos créditos bancários efetuados nas contas do Fiscalizado e do cônjuge coincidem com os documentos Fl. 3970DF CARF MF Processo nº 10860.001004/200217 Acórdão n.º 2201004.734 S2C2T1 Fl. 3.971 10 processuais de mesma data (ou muito próximos), sendo excluídos os valores repassados aos clientes. No caso sob apreço, a mera indicação em planilha de nomes, CPF e valores não constitui documentação hábil à comprovação de origem de valores creditados em conta bancária, sendo necessário, ainda, a demonstração documental de tal alegação, que se deu com a juntada ao recurso de peças de processos judiciais, as quais foram, em diligência fiscal, detidamente analisadas, consideradas e, quando evidenciaram compatibilidade de datas e valores, critério elementar para se considerar comprovada a origem de valores creditados, resultaram na exclusão dos valores repassados aos clientes. Naturalmente, por exclusão, os casos em que não houve tal compatibilidade, foi mantida a conclusão originária do Auto de Infração sobre a omissão de tais rendimentos. No recurso voluntário, o contribuinte apenas detalha um pouco mais suas inquietações, as quais, como dito alhures, perderam parte de seu objeto com a análise efetuada no curso da diligência fiscal, sendo certo que os valores mantidos, por suas características, superam os limites contidos no inciso II do § 3º, do art. 42, da Lei 9.430/96. Ademais, não houve qualquer manifestação do contribuinte sobre o citado critério de compatibilidade entre datas e valores que pudessem indicar algum equívoco nas constatações da Autoridade fiscal. Assim, considerando corretas a autuação fiscal e a decisão recorrida, nego provimento ao recurso voluntário neste tema. (ii) As movimentações financeiras denominadas transferências de mesma titularidade e depósitos entre contas bancárias do Recorrente e cônjuge, cujo montante representa o valor de R$ 68.264,07. O tema em questão está melhor detalhado no recurso voluntário, fl. 1788 e ss, em que a defesa afirma que muitos dos valores recebidos por Transferências Eletrônica de Créditos (TEC) tem origem em contas de mesma titularidade, valores estes que teriam sido somados indevidamente na apuração do supostos rendimentos recebidos pelo autuado. A planilha apresentada pela defesa aponta valores que, em sua imensa maioria, teriam origem em conta poupança mantida no Banco Itaú e destino contas correntes mantidas na mesma instituição. A análise do Termo de Verificação Fiscal, fl. 629, evidencia que a Autoridade lançadora teria desconsiderado resgates de aplicações financeiras ao requerer a comprovação de origem de valores creditados em favor do sujeito passivo. Tal afirmação parece compatível com as demais peças dos autos. Notase que, em fl. 571, consta planilha que consolida os valores considerados originalmente omitidos no lançamento, na qual não há, por exemplo, para o mês de janeiro de 1998, qualquer indicação de valores relativos a Transferência Eletrônica de Crédito, seja em dinheiro ou cheque, compatíveis com as transferências entre contas apontadas pela defesa para o mesmo mês. Aparentemente, o contribuinte ampara suas conclusões em planilha elaborada no curso do procedimento fiscal (fl. 198 do processo em papel, efl. 398), sem se ater ao que Fl. 3971DF CARF MF Processo nº 10860.001004/200217 Acórdão n.º 2201004.734 S2C2T1 Fl. 3.972 11 foi efetivamente considerado no lançamento, que é a planilha de fl. 571, em que se apurou omissão de rendimentos no montante de R$ 390.978,31. Assim, considerando a fragilidade dos argumentos da defesa, a quem compete apresentar elementos impeditivos, extintivos ou modificativos do direito do Fisco constituir o crédito tributário mediante lançamento, não há nada a prover neste tema. (iii) DIRPF retificadora com alteração dos rendimentos tributáveis recebido de pessoas físicas de R$ 41.028,93 para R$ 125.341,90. Os argumentos da defesa estão detalhados no recurso voluntário, fl. 1802 e ss. e, basicamente, questionam a desconsideração por parte da fiscalização de declaração retificadora apresentadas após o início do procedimento fiscal, com a indicação de que se trata de declaração em conjunto e com a alteração do valor dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoa física. Sustenta a defesa, indicando precedentes administrativos que entende amparar seus argumentos, que é válida a declaração apresentada após o início do procedimento fiscal; que não tem cabimento algum a desconsideração de sua declaração retificadora sem embasamento legal; que a Receita Federal acatou o documento, computando seus respectivos pagamentos, o que não teria gerado prejuízo algum ao Erário; que não se eximiu das penalidades previstas, já que recolheu os valores devidos com multa de juros de mora. O tema em questão não merece maiores considerações, pois sobre ele este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou uniforme e reiteradamente, tendo, inclusive, emitido Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo conteúdo transcrevo abaixo: Sumula CARF nº 33 A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Assim, sendo certo que os valores recolhidos a partir da declaração retificadora foram devidamente aproveitados no cálculo do tributo devido, não prosperam os argumentos recursais. (iv) Todos os valores pagos do imposto por meio de guias DARF para a DIRPF normal e retificadora. Como já indicado no tema "DIFERENÇA NÃO CONSIDERADA PELA FISCALIZAÇÃO", o valor de Imposto a Pagar apurado na declaração original foi devidamente aproveitado como imposto pago, juntamente com o imposto retido na fonte, perfazendo um montante de R$ 4.566,85 (R$ 2.104,35 de IRRF + R$ 231,00 de Carnê Leão + R$ 2.231,50 de IAP). Já em relação aos valores pagos a partir da declaração retificadora, cujos comprovantes de recolhimentos foram juntados a partir de fl. 1704, estes foram aproveitados pela fiscalização pelos seus valores originais para reduzir o montante do tributo devido, também em valores originais, conforme se verifica em fl. 3934, não tendo sido apontado pelo contribuinte, objetivamente, recolhimento que não tenha sido considerado pela fiscalização. Assim, nada a prover neste tema. Fl. 3972DF CARF MF Processo nº 10860.001004/200217 Acórdão n.º 2201004.734 S2C2T1 Fl. 3.973 12 A seguir, serão tratadas outras questões suscitadas no recurso voluntário apresentado originalmente e que não tenham estejam relacionadas aos temas acima tratados. Créditos no Banespa. O contribuinte alega que a conta bancária mantida no Banespa sob o nº 0016 01.0043302 evidencia movimentação que não poderia ser atribuída exclusivamente a Sra. Yara Paulista, já que a referida conta era mantida em conjunto com a Sra. Irene Lippi Rubim Moreira. A cotitularidade em questão foi notada pela Autoridade lançadora, conforme se verifica em fl. 619. Não obstante, não há qualquer indicação no Relatório Fiscal que a Sra. Irene tenha sido intimada a comprovar a origem do numerário movimentado na citada conta bancária. No curso da impugnação, o contribuinte insurgiuse contra o lançamento de tais valores, mas sem tratar da questão da falta de intimação da cotitular. Assim, em princípio, poderíamos estar diante de uma inovação no contencioso administrativo incabível no curso do julgamento em 2ª Instância. Contudo, sobre tal matéria, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou uniforme e reiteradamente, tendo, inclusive, emitido Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo conteúdo transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 29 Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Assim, entendo que, evidenciada a nulidade de parte do lançamento, é dever da administração reconhecêla de ofício, em razão do seu poder/dever de autotutela. Razão pela qual, neste tema, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário para determinar a exclusão, da base de cálculo do tributo lançado, de todos os valores indicados na planilha de fl. 571 relacionados ao Banespa, a saber: R$ 22.612,00 (R$ 11.496,00 + R$ 11.116,00). Da inaplicabilidade de multa Em síntese, sustenta que a multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9430/96 só pode ser exigida no caso de correto lançamento de ofício e diante da falta de pagamento, falta de declaração ou de declaração inexata, circunstâncias que entende não terem ocorrido, pois o lançamento não foi correto e os valores foram declarados e pagos com multa de mora. Ora, entendo que o assunto em comento é pacífico nesta Turma e neste Conselho. A penalidade de ofício está prevista em lei e o seu lançamento constitui medida obrigatória sempre que identificada infração à legislação tributária apurada em procedimento de ofício e da qual decorra falta de pagamento ou recolhimento do tributo e nos casos de declaração inexata ou falta de declaração. Fl. 3973DF CARF MF Processo nº 10860.001004/200217 Acórdão n.º 2201004.734 S2C2T1 Fl. 3.974 13 O motivo que levou à imputação de tal penalidade foi a apresentação de declaração sem submeter à tributação rendimentos tributáveis recebidos. Tratase de penalidade proporcional ao tributo lançado, de sorte que somente haverá cobrança daquilo que incidir sobre o valor remanescente do lançamento originário. Portanto, ainda que o contribuinte entenda que o lançamento não foi integralmente correto, somente a conclusão da lide administrativa poderá indicar a parcela que deve ser mantida ou exonerada. O fato do contribuinte ter retificado sua declaração após o início do procedimento fiscal e pago o tributo que entendeu devido, pelo que já foi tratado acima, não afasta a penalidade de ofício incidente sobre os valores lançados que forem considerados procedentes. Ademais, não há de se confundir um procedimento fiscal lastreado em evolução patrimonial a descoberto com aquele relativo a depósitos bancários de origem não comprovada, já que, nos termos da Súmula Carf. nº 26, a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Assim, nada a prover neste tema. Da retroatividade da lei. Neste item, amparado na retroatividade benigna a que se refere o art. 106 da |Lei 5.172/66 (CTN), o contribuinte pleiteia a apuração do tributo devido a partir de uma alíquota de 25%, prevista no art. 892 da Lei 1.041/94, diferente, portanto, da alíquota aplicada pela fiscalização, 27,5%. Não tem razão a defesa. O Decreto 1.041/94 constituía o então Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. E seu art. 892 apenas reproduzia o art. 43 da lei 8.541/92, que, de fato, previa uma alíquota de 25%, mas aplicável às omissões de rendimentos apuradas em pessoas jurídicas. Apenas a partir do art. 45 é que a citada lei tratava da algumas questões relacionadas à tributação das pessoas físicas. Por outro lado, a alíquota do Imposto de Renda aplicável ao rendimento recebido por pessoa física ou jurídica não configura penalidade, restando, portanto, incapaz de ensejar a aplicação da retroatividade benigna a que alude a alínea "c" do inciso II, do art. 106 do CTN. Nos termos do art. 144 do CTN, o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Nesta esteira, constatase que o percentual aplicado pelo Agente Fiscal está absolutamente correto, já que estamos falando do rendimentos auferidos no ano de 1998, período em que vigorava a tabela prevista no texto então vigente do art. 42 da Lei 9.532/97. Assim, nada a prover neste tema. Conclusão: Fl. 3974DF CARF MF Processo nº 10860.001004/200217 Acórdão n.º 2201004.734 S2C2T1 Fl. 3.975 14 Desta forma, considerando as razões e fundamentos legais acima expostos, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para alterar o valor lançado nos termos da diligência levada a termo pela Autoridade fiscal, reduzindo o tributo lançado de R$ 107.519,03 para R$ 40.816,23, bem assim para, sobre o valor remanescente, determinar a exclusão, da base de cálculo do tributo, do valor R$ 22.612,00, relativo às omissões de rendimentos relacionadas à conta bancária mantida no Banespa. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 3975DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.903921/2009-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE FUNDAMENTARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA.SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
No julgamento de recurso voluntário em que as decisões anteriores não enfrentaram matéria de fato atinente a fato constitutivo do direito creditório alegado em face de óbices superados, impõe-se o retorno dos autos à unidade de origem da RFB para julgamento do mérito.
Equívocos das decisões anteriores nos autos, que deixaram de apreciar os fatos, impõe o saneamento do processo (instrução processual probatória complementar) para afastar prejuízos à defesa e ainda que fosse possível sanear o processo nesta instância recursal ordinária mediante conversão do julgamento em diligência fiscal, o fato é que a produção de prova na última instância ordinária recursal poderia implicar, em tese, cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de recurso em matéria probatória. Assim, torna-se mister a devolução dos autos do processo à unidade de origem da RFB para analisar os fatos, a formação, liquidez e certeza do direito creditório pleiteado pelo contribuinte.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO.ERRO DE FATO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA.
A Declaração de Compensação extingue os débitos, sob condição resolutória, na data de sua transmissão eletrônica.
Os atributos ou requisitos de liquidez e certeza do crédito objetado contra a Fazenda Nacional, devem estar preenchidos na data da transmissão da Declaração de Compensação, sob pena de não reconhecimento do crédito e não homologação da compensação, conforme legislação de regência.
A produção de prova do indébito tributário, sua liquidez e certeza, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição e à compensação tributária, é ônus do contribuinte (autor do pedido de encontro de contas) (arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72; art. 373, I, CPC/2015; art. 74 da Lei 9.430/96 e art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 1301-003.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em ratificar o decidido pela DRJ no sentido de superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no que diz respeito à possibilidade de restituição de indébito relativo a pagamento de estimativas, e dar provimento parcial ao recurso para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito, matéria de fato, acerca da crédito pleiteado, formação, liquidez e certeza, levando-se em consideração não só a possibilidade de pagamento de estimativa com base na receita bruta, mas também a possibilidade de comprovação do indébito com base em levantamento de balanço de suspensão, proferindo despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13896.908450/2009-01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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DIREITO CREDITÓRIO. SUPERAÇÃO DE ÓBICES EM QUE SE FUNDAMENTARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA.SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que as decisões anteriores não enfrentaram matéria de fato atinente a fato constitutivo do direito creditório alegado em face de óbices superados, impõese o retorno dos autos à unidade de origem da RFB para julgamento do mérito. Equívocos das decisões anteriores nos autos, que deixaram de apreciar os fatos, impõe o saneamento do processo (instrução processual probatória complementar) para afastar prejuízos à defesa e ainda que fosse possível sanear o processo nesta instância recursal ordinária mediante conversão do julgamento em diligência fiscal, o fato é que a produção de prova na última instância ordinária recursal poderia implicar, em tese, cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de recurso em matéria probatória. Assim, tornase mister a devolução dos autos do processo à unidade de origem da RFB para analisar os fatos, a formação, liquidez e certeza do direito creditório pleiteado pelo contribuinte. INDÉBITO TRIBUTÁRIO.ERRO DE FATO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. A Declaração de Compensação extingue os débitos, sob condição resolutória, na data de sua transmissão eletrônica. Os atributos ou requisitos de liquidez e certeza do crédito objetado contra a Fazenda Nacional, devem estar preenchidos na data da transmissão da Declaração de Compensação, sob pena de não reconhecimento do crédito e não homologação da compensação, conforme legislação de regência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 39 21 /2 00 9- 87 Fl. 588DF CARF MF Processo nº 13896.903921/200987 Acórdão n.º 1301003.381 S1C3T1 Fl. 3 2 A produção de prova do indébito tributário, sua liquidez e certeza, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição e à compensação tributária, é ônus do contribuinte (autor do pedido de encontro de contas) (arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72; art. 373, I, CPC/2015; art. 74 da Lei 9.430/96 e art. 170 do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em ratificar o decidido pela DRJ no sentido de superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no que diz respeito à possibilidade de restituição de indébito relativo a pagamento de estimativas, e dar provimento parcial ao recurso para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito, matéria de fato, acerca da crédito pleiteado, formação, liquidez e certeza, levandose em consideração não só a possibilidade de pagamento de estimativa com base na receita bruta, mas também a possibilidade de comprovação do indébito com base em levantamento de balanço de suspensão, proferindo despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13896.908450/200901, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felicia Rothschild. Fl. 589DF CARF MF Processo nº 13896.903921/200987 Acórdão n.º 1301003.381 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Cuidase do Recurso Voluntário em face do Acórdão da 4ª Turma DRJ/Belo Horizonte que, ao julgar a manifestação de inconformidade improcedente, não reconheceu o direito creditório pleiteado e, também, não homologou a compensação tributária informada nos autos. Quanto aos fatos, consta: que a contribuinte transmitiu pela internet PER/DCOMP, informando compensação tributária de débitos com direito creditório de pagamento indevido ou a maior do IRPJ Estimativa Mensal; que o direito creditório R$ 397.564,74 (valor original) decorreu de pagamento indevido ou a maior do IRPJ Estimativa Mensal do PA 31/01/2005, código de receita 2362, data de arrecadação 28/02/2005, valor do recolhimento R$ 397.564,74. DARF em nome da DU PONT PERFORMANCE COATINGS S/A, CNPJ: 00.910.496/000130 (empresa incorporada em 31/10/2005). A DRF/Barueri, mediante Despacho Decisório (eletrônico), denegou o crédito pleiteado na DCOMP, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa Jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período (ajuste anual). Ciente desse Despacho Decisório, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, pedindo sua reforma, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que a MANIFESTANTE, em 31/10/2005, incorporou a sociedade DU PONT PERFORMANCE COATINGS S.A. ("INCORPORADA"), sucedendolhe em todos os direitos e obrigações, conforme se comprova da análise dos atos societários relativos ao evento e da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica 2005 de incorporação ("DIPJ"); que em maio de 2005, assim como nos meses de janeiro, fevereiro, março, abril e junho do mesmo anocalendário, a INCORPORADA não apurou débito de IRPJ, conforme se comprova da análise da Ficha 11 da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica 2005 de incorporação ("DIPJ") e da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais ("DCTF"); que, entretanto, mesmo não apurando débito de IRPJ nos referidos meses do anocalendário 2005, a INCORPORADA recolheu IRPJ, por meio de Documento de Arrecadação ("DARF"); Fl. 590DF CARF MF Processo nº 13896.903921/200987 Acórdão n.º 1301003.381 S1C3T1 Fl. 5 4 que tal constatação decorre da simples comparação entre: (i) IRPJ devido relativo aos citados meses do anocalendário 2005, informado na Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais ("DCTF"); (ii) valor apurado na Ficha 11 da DIPJ 2005 de incorporação; e, (iii) valor pago, recolhido por meio de DARF. que, para reforma do Despacho Decisório, invoca o artigo 11 da IN SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008 e o disposto no artigo 106, inciso II, alínea a, do Código Tributário Nacional (CTN); que a decisão atacada não se teria valido “de todos os meios de que dispunha para verificar a legitimidade do crédito”; que é ilegal a IN SRF 600, de 2005, ao vedar a restituição de pagamento a maior ou indevido de imposto estimativa mensal. que, ainda, invoca os princípios da verdade material, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, legalidade, ampla defesa e contraditório Na sequência, a DRJ/Belo Horizonte (4ª Turma) julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, com base na seguinte fundamentação, em síntese, que se extrai do voto condutor do Acórdão recorrido: que, embora tendo afastado óbice da IN SRF 600, de 2005 (art. 10), o direito creditório pleiteado na DCOMP não se reveste de liquidez e certeza, pois a contribuinte não comprovou o erro de fato que pudesse justificar a apresentação de DCTF retificadora para redução do imposto confessado na DCTF. que é necessário, portanto, a comprovação do erro de fato (CTN, art. 147, § 1º); que a contribuinte não apresentou cópia da escrituração contábil para comprovar o erro de fato, ou seja, não comprovou que a receita bruta seria nula para zerar o imposto estimativa mensal do referido período de apuração mensal confessado na DCTF. Ciente dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese: 1) Nulidade da decisão a quo: que indeferiu o crédito pleiteado com fundamento diverso do despacho decisório (alteração do critério jurídico), sem oportunizar a ampla defesa e o contraditório; que, em relação aos fatos, na manifestação de inconformidade não foi juntada a escrituração contábil, pois entendia que o óbice seria apenas aquele manifestado no despacho decisório, ou seja, não devolução de estimativa mensal, mas sim eventual apuração de saldo negativo na declaração de ajuste anual; Fl. 591DF CARF MF Processo nº 13896.903921/200987 Acórdão n.º 1301003.381 S1C3T1 Fl. 6 5 que a decisão a quo deveria ter convertido o julgamento em diligência para oportunizar a contribuinte proceder a complementação de provas do fato constitutivo do seu direito de crédito pleiteado; que, ainda, a decisão recorrida não enfrentou todos os argumentos deduzidos na manifestação de inconformidade, caso o crédito não fosse deferido, ou seja, o pedido de improcedência da exigência de multa moratória e dos juros de mora. 2) Quanto ao mérito: que a 4ª Turma da DRJ/Belém, se possuía dúvida acerca do valor do crédito, por que não converteu o julgamento em diligência? A Turma Julgadora, simplesmente, decidiu não homologar a compensação; que, ao assim decidir, afrontouse o princípio da verdade material; que, embora entenda sejam os documentos juntados aos autos quando da manifestação de inconformidade suficientes para atestar a existência do indébito, juntou ao presente recurso a apuração do IRPJ do referido PA mensal do anocalendário 2005, Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR e o balancete de verificação que lhe suporta, reforçando a comprovação do montante devido informado na DIPJ; que, com efeito, argumenta ainda a recorrente: (i) apurou prejuízo fiscal no referido período mensal de apuração, com base no critério de levantamento de balancete de suspensão/redução do imposto, nos termos da Lei nº 8.981/95 (art. 35); (ii) que até nesse ponto andou mal o julgador de primeira instância, dado que faz menção à apuração com base no critério de receita bruta (RIR/99, art. 232), não tendo sido esse o adotado pela recorrente em suas apurações, conforme consta da DIPJ; que, caso ainda sejam insuficientes as provas do direito creditório pleiteado, requer seja efetuada a conversão do julgamento em diligência com base no princípio da verdade material, principio esse que não foi observado pela decisão a quo; que, por fim, argumentou acerca da impossibilidade de exigência da multa de oficio e dos juros de mora no caso, na hipótese de indeferimento do credito reclamado, pois a DCOMP fora apresentada tempestivamente (não cabendo imputar mora). É o relatório. Fl. 592DF CARF MF Processo nº 13896.903921/200987 Acórdão n.º 1301003.381 S1C3T1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.380, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13896.908450/2009 01, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.380): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade; por isso, dele conheço. A recorrente rebelase contra a decisão recorrida que denegou o direito creditório pleiteado e não homologou a DCOMP objeto dos autos. Nas razões do recurso, a contribuinte suscitou preliminares de nulidade da decisão recorrida, argumentando que: I Foi surpreendida pela mudança de critério jurídico pela decisão a quo, ou seja: a) que despacho decisório indeferiu o crédito pleiteado com base no óbice do art. 10 da IN 600/05, não entrando no mérito acerca da matéria de fato, existência ou não do direito creditório; b) que, diversamente, a decisão recorrida, embora tendo suplantado o referido óbice em face do art. 11 da IN SRF 900/2008 (Súmula CARF nº 84), denegou o crédito demandado pela falta de produção de prova do erro de fato na apuração da exação fiscal do período mensal objeto dos autos, que implicou pagamento indevido e confissão indevida de débito na DCTF do respectivo PA mensal; que, assim, não comprovado o erro de fato, inexiste justificativa para a transmissão de DCTF retificadora após a ciência do despacho decisório, visando a suprimir o débito confessado na DCTF primitiva. II Deixou de enfrentar matérias suscitadas acerca da multa moratória e dos juros de mora. Pois bem. Deixo de enfrentar as preliminares suscitadas contra a decisão a quo, pois superado o óbice do art. 10 da IN SRF 600, Fl. 593DF CARF MF Processo nº 13896.903921/200987 Acórdão n.º 1301003.381 S1C3T1 Fl. 8 7 de 2005, pela decisão recorrida, em face do art. 11 da IN SRF 900, de 2008 e da Súmula CARF nº 84, e tendo em vista falhas nas decisões anteriores nestes autos, que implicaram não apreciação de matéria de fato acerca da formação e da certeza e liquidez do crédito pleiteado, e para evitar prejuízo à defesa, necessidade de oportunizar a complementação de provas pela contribuinte (saneamento do processo, instrução processual probatória complementar), afastar supressão de instância de julgamento (apreciação dos fatos e provas apenas na última instância recursal ordinária), entendo que devem retornar os autos do presente processo à unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Barueri para enfrentar o mérito da lide, ou seja, a matéria de fato e provas acerca da existência ou não do direito creditório pleiteado pela contribuinte. Veja. O Despacho Decisório da unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Barueri, com fundamento equivocado, denegou o crédito pleiteado de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal com fundamento no óbice de que o pagamento, a título de estimativa mensal de pessoa Jurídica tributada pelo lucro real, tem caráter de mera antecipação e que o valor recolhido somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro liquido (CSLL) devidos no encerramento do anocalendário ou para compor o saldo negativo (ajuste anual). Como visto, realmente o Despacho Decisório não enfrentou matéria da fato atinente ao direito creditório demandado contra a Fazenda Nacional, ficando adstrito à matéria de direito. Na sequência a 4ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, embora tendo afastado esse óbice de que trata o referido despacho, indeferiu peremptoriamente, de forma equivocada, o crédito reclamado por outro fundamento, ou seja, por ausência de comprovação do erro de fato que pudesse justificar a apresentação de DCTF retificadora após ciência do despacho decisório, com intuito de suprimir o débito confessado na DCTF primitiva do respectivo período de apuração e, assim, justificar a origem do credito pleiteado. Como visto, a decisão a recorrida quanto à matéria de fato, simplesmente, denegou o pleito, com a fundamentação de que a contribuinte não produzira prova do erro de fato na apuração do IRPJ estimativa mensal do respectivo período de apuração que pudesse justificar a apresentação de DCTF retificadora e justificar a origem do crédito reclamado. Sem dúvida, a 4ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, para evitar prejuízo à defesa, deveria ter baixado os autos em diligência fiscal para sanear o processo, ou seja, realizar instrução processual probatória complementar, possibilitar a oportunidade da contribuinte produzir provas do fato constitutivo do seu direito pleiteado, uma vez que o despacho Fl. 594DF CARF MF Processo nº 13896.903921/200987 Acórdão n.º 1301003.381 S1C3T1 Fl. 9 8 decisório a fez incorrer em erro (a recorrente) ao tratar apenas de matéria de direito, silenciando acerca de matéria de fato; porém, não procedeu assim a decisão recorrida, simplesmente, denegou o crédito pleiteado. Ora, a legislação de regência é clara, o contribuinte tem direito de repetição do que pagara indevidamente ou a maior. No mesmo sentido a jurisprudência do CARF: "Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato" (Súmula CARF nº 84). Ônus da prova O ônus probatório do fato constitutivo do direito creditório pleiteado é do autor do pedido, por aplicação subsidiária do art. 373, I, do CPC/2015. A entrega da DCTF retificadora após a ciência de despacho decisório, que vise a reduzir débito confessado, impõe a comprovação do erro de fato, mediante escrituração contábil e documentos de suporte dos registros contábeis (CTN, art. 147, § 1º). Há necessidade de comprovação e demonstração da escrituração contábil/fiscal em que houve o erro de fato e da escrituração contábil/fiscal já com correção do erro de fato, no sentido de identificar qual a razão ou motivo da ocorrência do erro de fato. A lei autoriza a compensação de débitos com créditos líquidos e certos (CTN, art. 170 e Lei 9.430/97, art. 74). O momento para produção das provas (Decreto nº 70.235/72, arts. 15 e 16). A Declaração de Compensação extingue os débitos, sob condição resolutória, na data de sua transmissão eletrônica. Os atributos ou requisitos de liquidez e certeza do crédito objetado contra a Fazenda Nacional, devem estar preenchidos na data da transmissão da Declaração de Compensação, sob pena de não reconhecimento do crédito e não homologação da compensação, conforme legislação de regência A contribuinte juntou cópia de folhas do LALUR Parte A e Balanço Patrimonial nesta instância recursal ordinária . Porém, o processo ainda carece de saneamento, demanda instrução processual complementar, pois as provas juntadas são incompletas e ainda não foram juntadas cópias do livros Diário e Razão e dos balancetes de suspensão ou redução, especificamente quanto ao erro de fato (art. 35 da Lei 8.981/95). Como já dito, a matéria probatória quanto aos fatos não foi enfrentada nestes autos pelas decisões anteriores. Fl. 595DF CARF MF Processo nº 13896.903921/200987 Acórdão n.º 1301003.381 S1C3T1 Fl. 10 9 No julgamento de recurso voluntário em que as decisões anteriores não apreciaram matéria de fato atinente a fato constitutivo do direito creditório alegado, pela inexistência de provas nos autos, o que denota existência de falhas do processo pela necessidade de saneamento, ou seja, realização de instrução processual complementar para produção de provas, ainda que fosse possível sanear o processo nesta instância recursal ordinária mediante conversão do julgamento em diligência fiscal, o fato é que a produção de prova nesta instância recursal ordinária e retorno dos autos para julgamento de mérito, poderia, em tese, implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de recurso em matéria probatória. Ora, para evitar prejuízo ao contraditório e à ampla defesa, supressão de instância de julgamento (julgamento dos fatos e provas apenas na última instância recursal ordinária), considerando ainda os princípios do formalismo moderado e da verdade material que norteiam o processo legal administrativo, entendo, volto a dizer, que devem ser devolvidos os presentes autos à Unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Barueri, para analisar a matéria de fato, enfrentar o mérito, acerca do fato constitutivo do direito creditório reclamando. A unidade de origem da RFB, então, deverá intimar a contribuinte a produzir prova cabal e idônea do fato constitutivo do seu direito alegado, comprovar o alegado erro de fato. Portanto, superados os óbices no que diz respeito à possibilidade de restituição de indébito relativo a pagamento de estimativa mensal e evitar cerceamento do direito de defesa em face da necessidade ainda de saneamento do processo (realização de instrução processual probatória complementar), voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, no caso à DRF/Barueri, para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado, levandose em consideração não só a possibilidade de pagamento de estimativa com base na receita bruta, mas também a possibilidade de comprovação do indébito com base em levantamento de balanço de suspensão/redução, proferindo despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por ratificar o decidido pela DRJ no sentido de superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no que diz respeito à possibilidade de restituição de indébito relativo a pagamento de estimativas, e dar provimento parcial ao recurso para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito, matéria de fato, acerca da crédito pleiteado, formação, liquidez e certeza, levandose em consideração não só a possibilidade de pagamento de estimativa com base na receita bruta, mas também a possibilidade de comprovação do indébito com base em Fl. 596DF CARF MF Processo nº 13896.903921/200987 Acórdão n.º 1301003.381 S1C3T1 Fl. 11 10 levantamento de balanço de suspensão, proferindo despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 597DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720738/2015-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 20 73 8/ 20 15 -1 8 Fl. 2887DF CARF MF Processo nº 19515.720738/201518 Resolução nº 1302000.646 S1C3T2 Fl. 2.888 2 Relatório Para a devida síntese do processo em tela, transcrevo o relatório do Acórdão 11 54.636 – 3ª Turma da DRJ/REC, complementandoo ao final: Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração, às fls. 226 a 272, para exigência de créditos tributários, referentes ao ano calendário de 2010, adiante especificados: Os referidos autos de infração são decorrentes do procedimento de fiscalização efetuada junto à contribuinte, na qual a fiscalização constatou infração à legislação do IRPJ, resultando nas infrações OMISSÃO DE RECEITA POR PRESUNÇÃO LEGAL — DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal dos respectivos autos de infração e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 469/496), a autoridade autuante descreve detalhadamente todas as informações concernentes ao procedimento fiscal e relata as apurações efetuadas nesta auditoria que passamos a resumir abaixo: A VOX UNE CONTACT CENTER INTERMEDIAÇAO DE PEDIDOS LTDA. foi constituída em 2001, como uma SOCIEDADE CIVIL, cujo objeto social é a exploração de Prestação de Serviços Via Telefone 0800, na coleta de pedidos junto a rede de Fast Food da marca HABIB's. Atualmente, seu objeto social é a exploração de serviços de terceirização dos serviços de Call Center, telemarketing, televendas, possuindo outros clientes não relacionados diretamente ao Grupo Habib's. Desde sua constituição percebese que direta ou indiretamente, através de outras empresas do grupo Habib's, a empresa tem como sócios os Sr. Belchior Saraiva Neto, CPF 011.834.33867, e Sr. Antônio Alberto Saraiva, CPF 698.146.00849. Ambos são detentores do controle de todo o Grupo Habib's. Atualmente o Capital Social da sociedade é de R$ 6.000.000,00, destes 98% pertencem aos irmãos Saraiva. A Autoridade Fiscal relata elementos anteriores ao início da ação fiscal, destacandose a diligência fiscal em face da Alsaraiva Comércio e Empreendimentos e outras pessoas jurídicas do grupo, e denúncia encaminhada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, relacionada a fatos narrados na petição inicial de processo civil (fls. 470/477). DA FISCALIZAÇÃO Essa fiscalização teve início em 06/08/2014, com a ciência, via correios com AR, do TERMO DE INICIO DE PROCEDIMENTO FISCAL, intimando a empresa a apresentar documentos e esclarecimentos relacionados. Fl. 2888DF CARF MF Processo nº 19515.720738/201518 Resolução nº 1302000.646 S1C3T2 Fl. 2.889 3 Expirado o prazo suplementar concedido, a empresa apresentou poucos documentos relativos à comprovação bancária, alegando certa dificuldade em encontrálos. Alegou também ser bastante oneroso para a empresa requisitar diretamente os mesmos, em virtude das altas tarifas exigidas. Em contrapartida, apresentou carta assinada autorizando a Receita Federal do Brasil a requerer sua movimentação bancária diretamente às instituições financeiras. Da Conciliação entre a contabilidade e os extratos bancários. São inúmeras as divergências encontradas entre a conciliação bancária (extratos bancários) e a contabilidade apresentada. Na realidade, a contabilidade mostrouse imprestável para identificar sua movimentação financeira e consequentemente para apurar seu lucro real. Seguem alguns exemplos das divergências encontradas: 1) Não contabilização de várias contas bancárias de sua titularidade no ano de 2010. Em sua contabilidade, existem apenas duas contas contábeis relativas aos bancos, conforme tabela abaixo: A relação de contas bancárias (extratos bancários) de titularidade da empresa fiscalizada (obtida por meio de solicitação direta aos bancos) é muito maior. Percebese que na contabilidade estão lançados cerca de R$ 66.347.031,00 a débito nas contas 110122 e 110265. O somatório nas contas bancárias é de mais de R$ 101.000.000,00. Analisandose cada um dos valores contabilizados, apesar das pequenas Fl. 2889DF CARF MF Processo nº 19515.720738/201518 Resolução nº 1302000.646 S1C3T2 Fl. 2.890 4 divergências encontradas, percebese que as contas contábeis 110122 e 110265 referemse às contascorrentes bancárias 003.00004750 (CEF) e 323005440 (HSBC). Dessa forma, não houve a correta contabilização das seguintes contas correntes: 003.0000111.4 (CEF); 3230137851 (HSBC); 3231241237 (HSBC); e 3231946478 (HSBC) 2) Contabilização parcial dos extratos bancários na conta CAIXA. Percebese que uma parte dos valores relativos aos extratos bancários que não foram devidamente contabilizados (4 contas correntes acima listadas) foram indevidamente lançados na conta contábil CAIXA (11.0049), conforme demonstrativo às fls. 481. 3) Lançamentos efetuados na conta CAIXA de forma consolidada e impossibilidade de conciliação desses valores com os extratos bancários. Outro erro encontrado em sua contabilidade é a impossibilidade de se verificar de forma analítica, quais os valores encontrados nos extratos bancários foram contabilizados e os que não foram, pois a empresa faz lançamentos contábeis de forma consolidada no último dia do mês e não é capaz de discriminar sua composição. A título exemplificativo, seguem planilhas às fls. 482. 4) Lançamentos contábeis irreais. Além de não contabilizar corretamente sua movimentação bancária, há inúmeros lançamentos contábeis que não refletem de modo algum a realidade dos fatos. A título exemplificativo, seguem alguns casos às fls. 483/488, tais como: aumento de Capital Social no valor de R$ 3.000.000,00; empréstimo de mútuo no valor de R$ 6.295.720,00; saldo inicial da conta Caixa; e reembolso de telefonia Do Termo de Intimação e Reintimação de 18/06/2015. Com o intuito de possibilitar a empresa demonstrar a origem dos valores creditados nos extratos bancários, a empresa foi intimada a fazer a conciliação diária dos valores creditados em seus extratos bancários com os valores debitados no disponível que foram oferecidos à tributação. Foi fornecida planilha em excel com todos esses valores. A empresa preferiu não fazer a conciliação diária dos valores, tamanha a divergência. Da Resposta ao Termo de Intimação de 18/06/2015. A empresa não conseguiu fazer a conciliação diária. Em vez disso, apresentou resposta escrita, onde informa que uma parte dos valores que transitaram pela conta contábil caixa foi oferecida à tributação. Disse também que há saque de dinheiro nas contas bancárias da empresa e que esse dinheiro vai para a conta caixa, tratandose de mera transferência bancária, ou seja, é o mesmo dinheiro. A partir do momento em que a empresa, regularmente intimada a fazer a conciliação dos valores, com vistas a verificar o que foi contabilizado e oferecido à tributação, não o faz de maneira satisfatória, impede que o auditor consiga validar tais informações Interessante notar que a própria empresa, no último parágrafo do texto, reconhece a impossibilidade de justificar parte de sua movimentação financeira. Fl. 2890DF CARF MF Processo nº 19515.720738/201518 Resolução nº 1302000.646 S1C3T2 Fl. 2.891 5 Observação do auditorfiscal: O crédito ora constituído, levou em consideração todos os valores declarados pela empresa em DIPJ 2011 e DCTF, respectivamente, de forma que o que foi declarado já foi abatido deste auto de infração. Do Auto de Infração. Diante dos fatos acima relatados, foi constituído auto de infração arbitrado, com fulcro no art. 530 RIR/99. Considerouse como faturamento conhecido os créditos de seus extratos bancários, excluídos transferências de mesma titularidade, estornos, devoluções, empréstimos bancários e todos os demais sem efeito fiscal que estão discriminados no anexo "CRÉDITOS SEM EFEITO FISCAL". Em seguida foram abatidos todos os valores declarados pela empresa em DCTF, abaixo listadas: Da Qualificação da Multa de Oficio. Esta fiscalização entendeu que os fatos narrados neste relatório são suficientes para caracterizar o dolo do contribuinte em sonegar tributos. O grupo Habib's é um dos maiores franqueadores do Brasil, tem total condições, se desejasse, de contabilizar corretamente sua movimentação financeira. Além disso, foram dadas todas as oportunidades, inclusive, arquivos em excel com os valores dos extratos e da contabilidade, para que fosse demonstrada a origem dos recursos. A escrituração contábil disponibilizada à fiscalização corrobora com a situação explanada na Petição Inicial. Existem muitos valores que nem sequer foram contabilizados. O padrão de conduta, repetido ao longo de todo o ano de 2010, manifesta atos específicos e reiterados com o objetivo de reconhecer receitas inferiores àquelas que efetivamente ocorreram, inclusive com a inserção na contabilidade de lançamentos irreais, com vistas a tentar justificar a quantidade de recursos disponíveis. Fl. 2891DF CARF MF Processo nº 19515.720738/201518 Resolução nº 1302000.646 S1C3T2 Fl. 2.892 6 A escrituração do Livro Diário, daí a sua denominação "diário", objetiva registrar diariamente todos os fatos que ocorrem na empresa e que acarretem ou possam a vir ocasionar modificação patrimonial. Em vez disso, a empresa opta por totalizar no último dia de cada mês, um valor que não consegue conciliar! Informações Complementares. Os atos elencados neste Termo, que tiveram como resultado a lavratura do Auto de Infração de Obrigação Principal, caracterizam, em tese, o crime tipificado no Art. 1° da Lei 8.137, de 27 de dezembro de 1990, motivo pelo qual será formalizada, junto ao Ministério Público Federal, a devida Representação Fiscal para Fins Penais. DA IMPUGNAÇÃO Devidamente notificada, VOX LINE CONTACT CENTER INTERMEDIAÇÃO DE PEDIDOS LTDA apresentou impugnação (fls. 506/536): DOS ELEMENTOS ANTERIORES AO INICIO DA FISCALIZAÇÃO A fiscalização descreveu dois fatos que antecederam a fiscalização: (i) uma diligência fiscal junto à empresa "Alsaraiva Comércio e Empreendimentos"; e (ii) a denúncia originada de uma ação cível indenizatória ajuizada por um exfranqueado da rede Habib's em Porto Alegre. (i) DA DILIGÊNCIA FISCAL REALIZADA EM OUTRO CONTRIBUINTE Quando da diligência fiscal na empresa "Alsaraiva", a autoridade fazendária diz que foram realizadas verificações em relação à Impugnante. É certo que as conclusões parcialmente apresentadas não procedem, já que a Impugnante não se enquadra no cognominado grupo de "Empresas B", ligadas à publicidade, teleatendimento e empresas de cobrança, seja porque seu faturamento é composto, essencialmente, por empresas sem qualquer relação com o Habib's (como Telefônica, Febraban, Laboratórios Aché, São Paulo Futebol Clube, etc), seja porque, diferentemente do afirmado, possui sede e estruturas próprias. Portanto, apesar dos vínculos societários, tratase de um negócio independente, possuindo portfolio e faturamento diversificado que não justifica o tratamento distorcido e parcial que se pretende atribuir no Termo de Verificação Fiscal, unicamente na tentativa de lançar ilações com o fim de corroborar o indigitado arbitramento e a qualificação da multa de oficio levado à efeito. (ii) DA DENÚNCIA FORMULADA NA AÇÃO INDENIZATÓRIA EM PORTO ALEGRE O Termo de Verificação Fiscal referese à denúncia que mencionaria "um esquema de sonegação fiscal que permeia toda a cadeia de industrialização e comercialização dos produtos Habib's", a qual teria dado origem ao presente MPF. Todavia, este fato não abrangeria as atividades desenvolvidas pela Impugnante, seja porque não promove qualquer industrialização ou comercialização de produtos, seja porque seu relacionamento e faturamento com as empresas Habib's é pouco relevante. Ao final do Termo de Verificação, e após a transcrição de uma série de acusações e imputações direcionadas a diversas empresas do grupo Habib's sem, contudo, Fl. 2892DF CARF MF Processo nº 19515.720738/201518 Resolução nº 1302000.646 S1C3T2 Fl. 2.893 7 uma única linha que envolva a Impugnante, a fiscalização conclui que, "diante dos fortes indícios de sonegação", foi aberta a fiscalização. O que se conclui, deste modo, é que não é possível extrair qualquer acusação que se relacione com a Impugnante, razão pela qual os "elementos anteriores ao início da ação fiscal" apenas fragilizam o auto de infração, tornandoo nulo. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR FALTA DE INSTRUÇÃO PROBATÓRIA Desde logo, verificase a falta de instrução do auto com elementos obrigatórios, consistentes nos documentos da diligência anteriormente realizada na empresa "Alsaraiva", assim como nos documentos relativos à ação cível ajuizada pelo exfranqueado em Porto Alegre, acompanhada dos elementos que subsidiaram o compartilhamento levado à efeito, fatos estes intransponíveis à manutenção da exigência. Vejase que o Termo de Verificação relaciona os documentos que supostamente estariam sendo apresentados com o auto de infração, mas, diferentemente, não foram disponibilizados à Impugnante quando da intimação da exigência, em especial as mencionadas "planilhas, anexos e arquivos magnéticos" que embasariam o lançamento. Tais fatos, portanto, prejudicam o contraditório e o amplo direito de defesa, nulificando a exigência, nos termos do artigo 12 do Decreto nº 7.574/11. DA DECADÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO RELATIVAMENTE AO IRPJ E CSLL BASEADOS EM DEPÓSITOS DE JANEIRO À JUNHO DE 2010 E RESPECTIVO PIS E COFINS A própria metodologia de lançamento adotada no caso, qual seja, presunção de omissão por depósitos bancários de origem não comprovada, leva à contagem do prazo decadencial a partir de cada depósito, conforme § r, do artigo 42, da Lei n.º 9.430/96, segundo o qual "o valor das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. " O termo a quo do prazo decadencial somente se deslocaria para o primeiro dia do exercício seguinte, nos termos do artigo 173, I, do CTN, caso a Impugnante nada tivesse declarado ou nada tivesse recolhido a título de IRPJ, CSLL, PIS e/ou COFINS na respectiva DCTF, o que não é o caso. Assim, aplicandose ao caso concreto o raciocínio pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça e acolhido pela Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, temse que está decaído o crédito tributário de IRPJ e CSLL apurado sobre os depósitos bancários de janeiro à junho de 2010, bem como os lançamentos de PIS e COFÍNS também de janeiro a junho de 2010, visto que foram constituídos apenas em 30/07/2015, ou seja, após o transcurso do prazo de 5 anos contados dos respectivos fatos geradores. Ainda que assim não fosse, contandose o prazo decadencial pela regra do artigo 173, I, do CTN, ou seja, a partir do "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", temse que, por se tratar de apuração pelo lucro real trimestral, inequivocamente estariam decaídos o IRPJ e a CSLL dos 1" e 2" trimestres de 2010„ pois o exercício seguinte começaria, respectivamente, em 01/04/2010 e 01/07/2010, empurrando o prazo decadencial para 31/03/2015 e 30/06/2015, sendo que o AI foi lavrado Fl. 2893DF CARF MF Processo nº 19515.720738/201518 Resolução nº 1302000.646 S1C3T2 Fl. 2.894 8 em 30/07/2015, nada se alterando em relação ao PIS c à COF I NS, cujas apurações são mensais. DO INDEVIDO ARBITRAMENTO E DA INCONSISTENTE CUMULAÇÃO DA EXIGÊNCIA COM A FÓRMULA PRESUNTIVA DE OMISSÃO DE RECEITAS: UM VICIO CIRCULAR INSANÁVEL I DOS ATOS FISCALIZATÓRIOS QUE ANTECEDERAM A AUTUAÇÃO Logo que obteve os extratos bancários diretamente junto às instituições financeiras, a autoridade fazendária encaminhou um arquivo excel juntamente com o termo expedido em 10/06/15, apontando e solicitando a justificação da origem de depósitos bancários, em 2010, no montante de R$ 31.060.142,09. Em seguida, foi expedida a intimação de 18/06/2015, a qual teve por objetivo "facilitar a conciliação das contas bancárias", quando então foi encaminhada para a Impugnante outra planilha indicando uma nova diferença de depósitos bancários a justificar no ano de 2010, no montante de R$ 26.349.166,90. Naquele momento, a fiscalização detinha o movimento bancário da Manifestante em 2010, quando então conciliou com os lançamentos a débito nas contas contábeis 110049, 110265 e 110123, os quais somaram R$ 86.368.124,59 (A), e, em seguida, confrontou com as contrapartidas lançadas a crédito na conta contábil 110833 (clientes), que somou R$ 60.018.957,69 (B), daí a diferença de R$ 26.349.166,90 (AB). No dia 02/07/15, ou seja, no prazo de 10 (dez) dias daquela intimação, a Impugnante apresentou suas justificativas no corpo da própria planilha disponibilizada pela fiscalização (390 linhas), quando então justificou a quase totalidade dos depósitos questionados, restando uma diferença de R$ 8.249.483,70. Resumidamente, apontouse que o resultado da Impugnante em 2010, conforme sua DIPJ, não foi de apenas R$ 60.018.957,69 (lançamentos de bancos contra crédito na conta contábil cliente), devendo considerar, também: (i) R$ 981.205,73 referente às duplicatas descontadas, lançadas contra a conta 11087; (ii) R$ 2.219.003,84 a título de reembolso de telefonia e bônus extra sobre telefonia, lançados contra as contas 66552 e 6653; bem como (iii) R$ 900.281,04 a título de descontos lançados na conta 55715. Além disto, existiam depósitos bancários que não sensibilizavam o resultado, razão pela qual deveriam ser excluídos da planilha elaborada pela fiscalização, a saber: (i) R$ 743.647,00 de empréstimos contraídos, conforme conta 20118; e (ii) R$ 3.143.410,58 a título de venda de ativos à custo, conforme conta 66620. Por fim, ainda foi apontado um total de R$ 10.400.834,52 de depósitos bancários cujo lançamento contábil ocorreu a crédito contra a conta 110049, representando, pois, mera transferência patrimonial, fatos estes que infirmavam e reduziam as diferenças questionadas pelo termo de intimação datado de 18/06/2015. A fiscalização emitiu o termo de 08/07/2015, por meio do qual questionou o saldo inicial da conta contábil caixa, bem como o AFAC de R$ 3.000.000,00 e o mútuo concedido de R$ 6.295.720,00, todos esclarecidos na petição apresentada em 14/07/2015. Fl. 2894DF CARF MF Processo nº 19515.720738/201518 Resolução nº 1302000.646 S1C3T2 Fl. 2.895 9 Não obstante todos os trabalhos, intimações, conciliações e esclarecimentos, tendo o próprio fiscal, em determinado momento, reconhecido boa parte das justificativas prestadas, em 30/07/2015, inesperadamente, a Impugnante foi cientificada do AI,que acabou arbitrando o seu lucro com base no artigo 530, II, do RIR/99 e, ao mesmo tempo, fundamentando a exigência na omissão por presunção legal de depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do artigo 42 da Lei n.º 9.430/96. II DO IMOTIVADO, DESNECESSÁRIO E VICIADO ARBITRAMENTO. Desde logo, destacase a fragilidade do arbitramento por duas razões, tratadas separadamente neste tópico: (a) insustenlabilidade fática, disponibilização da contabilidade, conhecimento de toda a movimentação bancária e não exaurimento das análises e conciliações para fins de levantamento fiscal; e (b) vícios no critério de apuração da base de cálculo do lucro arbitrado (receita bruta conhecida versus não conhecida) e cumulação de métodos incompatíveis. (a) A Impugnante defende que, conhecida desde o início a movimentação bancária da Impugnante, não há que se falar em imprestabilidade da contabilidade para a determinação do lucro real. Uma coisa é a não identificação da movimentação bancária na contabilidade (justificando o arbitramento); outra é identificação de movimentação bancária incompatível com a contabilidade (o que justificaria a tributação presuntiva, não o arbitramento). O que não se admite, sob pena de desfigurar e alterar a natureza e finalidade do arbitramento (técnica de tributação) como se medida punitiva fosse, é cumular as duas formas distintas e inconciliáveis de levantamento das receitas e rendimentos omitidos. Ou não se identifica a movimentação bancária e promovese o arbitramento do lucro; ou identificase uma movimentação bancária de origem não comprovada e tributase a omissão presumida. No caso dos autos, nem uma, nem outra hipótese estão presentes, como se demonstrará, mas o fato é que o instituto do arbitramento foi claramente banalizado, transformandoo numa regra de tributação complementar aos depósitos bancários de origens identificadas, mas não conciliadas com a contabilidade. O que se verifica, ao contrário, é que a Impugnante entregou todos os livros contábeis solicitados e que a sua movimentação financeira era, desde o início da fiscalização, conhecida diante do acesso direto aos extratos bancários, ao mesmo tempo em que esta mesma movimentação embasou o arbitramento do lucro, o que se mostra claramente não razoável e contraria o entendimento do CARF, não podendo se sustentar. (b) A Impugnante apontou, ainda, as irregularidades decorrentes da inobservância dos próprios artigos 532 e 535 do RIR/99, os quais dispõem de fórmulas diferentes para o cálculo do lucro arbitrado quando a receita bruta for conhecida e quando não for conhecida. No caso dos autos, a autoridade fazendária detinha uma receita bruta conhecida e acatada de prestação de serviços, devidamente declarada na DIPJ/2011, no valor de R$ 69.499.455,84; ao lado de uma receita bruta presumida, portanto não conhecida, verificada através de depósitos de origem supostamente não comprovada (prova indiciaria). Fl. 2895DF CARF MF Processo nº 19515.720738/201518 Resolução nº 1302000.646 S1C3T2 Fl. 2.896 10 Todavia, a fiscalização acabou por utilizar a mesma metodologia, somando e tributando ambas como se fossem iguais. Ora, não se pode admitir o arbitramento do lucro sobre uma receita bruta apurada com base num cálculo presuntivo de omissão de receitas, pois isto representaria o arbitramento de uma presunção, absolutamente incabível. O arbitramento considerou tanto a receita bruta conhecida, declarada na DIPJ, como a receita bruta presumida, obtida a partir dos depósitos bancários, "reunindo, na receita conhecida, a receita declarada e a receita supostamente omitida, detectável mediante presunção", o que resvala na ilegalidade consistente "na adoção simultânea de elementos excludentes." Assim sendo, por qualquer ângulo que se analise a questão, não há como se sustentar o arbitramento levado à efeito, especialmente quando cumulado com fórmula presuntiva de omissão de receitas. III DA INCORRETA CAPITULAÇÃO E QUANTIFICAÇÃO DO AUTO E DA NECESSÁRIA ADEQUAÇÃO DA RECEITA BRUTA SOBRE A QUAL FOI APURADO O LUCRO ARBITRADO De todos os depósitos (R$ 101.515.507,42), a fiscalização promoveu algumas exclusões pautadas em filtros evidentes cujas origens eram outras contas de mesma titularidade, apurando a receita bruta de R$ 86.368.124,59. Ou seja, para a autoridade fazendária, 85% dos depósitos bancários da Impugnante, uma empresa de call center, representaria sua receita bruta de prestação de serviços, sujeita ao arbitramento. Apenas com este dado, a defesa deveria se encerrar por aqui, mas em atenção ao princípio da eventualidade, demostra se à adiante, item por item, os diversos valores que devem ser excluídos da indigitada receita bruta. Neste sentido, a Impugnante contratou uma auditoria independente ( Mazars),que realizou a conciliação de seus extratos bancários, cujo o quadro sintético é o seguinte: Ou seja, do total de R$ 86.368.124,59 a Impugnante identificou e comprovou a origem de R$ 62.025.283,50, dos quais R$ 17.196.310,48 sequer representam receita bruta, portanto são valores não tributáveis. De modo que, seja por um ou por outro motivo, senão cancelado, o auto de infração precisa no mínimo ser readequado (a) Dos depósitos bancários com origem comprovada em clientes faturados e duplicatas descontadas; do faturamento tributado em 2009 Ora, desde logo se verifica uma imprecisão gravíssima, pois o fiscal considera que os demais valores dos extratos, não identificados individualizadamente, na forma como ele gostaria, na contabilidade, simplesmente não foram oferecidos à tributação, sem maiores questionamentos, sequer sobre suas origens, aliás contrariando seu próprio critério (de que depósitos identificados na contabilidade teriam origem justificada). Não bastasse, ainda que tenha identificado a correta contabilização do valor de R$ 1.075.168,84, mesmo assim a fiscalização manteve este montante na base de cálculo do lançamento. Fl. 2896DF CARF MF Processo nº 19515.720738/201518 Resolução nº 1302000.646 S1C3T2 Fl. 2.897 11 Conforme se verifica da planilha de conciliação elaborada pela auditoria independente, referido valor decorre do pagamento de 9 notas fiscais emitidas contra a empresa Telefônica, todas acostadas no trabalho (doc. 03). E, filtrando todos os recebimentos de clientes e duplicatas identificados e comprovados na planilha, temse o valor líquido de R$ 46.918.300,89, dos quais R$ 703.905,35 se refere ao IRRF (não considerado no auto de infração). Assim sendo, tratamse de depósitos bancários de origens devidamente comprovadas, o que afasta, desde logo, a presunção utilizada. Além disto, dentro deste montante de origem comprovada creditado nas contas bancárias da Impugnante, temse que R$ 2.081.897,29 se referem a notas fiscais faturadas e tributadas no ano de 2009, cujo recebimento ocorreu em 2010, conforme também se verifica no trabalho realizado pela auditoria independente. Deste modo, todos estes valores de origem comprovada não podem compor a receita bruta utilizada pela fiscalização, baseada na presunção de depósitos de origem não comprova. Caso assim não se entenda, devese: (i) excluir os valores faturados e tributados em 2009; bem como (ii) considerar, na apuração do lucro arbitrado, os montantes de IRRF efetivamente comprovados. (b) Das transferências bancárias entre contas (créditos neutros) não consideradas pela autoridade fazendária autuante Ainda que a fiscalização tenha realizado algum filtro para eliminar as transferências entre contas da própria Impugnante na apuração de sua receita bruta, ainda assim, conforme se comprova individualizadamente na planilha conciliatória, temse o montante de R$ 8.917.002,61, cuja origem são contas de mesma titularidade. Portanto, devese promover a devida correção, com a exclusão da base de cálculo utilizada. (c) Do aumento de capital social no valor de R$ 3.000.000,00 O Termo de Verificação Fiscal, em seu item 42.4.1, desconsiderou a origem do valor de R$ 3.000.000,00, deliberado na 1 Ia Alteração do Contrato Social e contabilizado na conta 11.0049, por não ter encontrado o exato montante entrando nos extratos bancários da Impugnante. Contudo, conforme se verifica pela planilha de conciliação bancária da auditoria independente, os fluxos financeiros deste aporte se encontram em três depósitos de R$ 1.000.000,00, sendo dois no dia 22/03/10 e outro em 13/05/10: Não há justificativa, assim, para manter estes valores dentro da receita bruta utilizadas para apurar o lucro arbitrado da Impugnante. (d) Considerações sobre o item 4.2.4.2 do Termo de Verificação Fiscal (empréstimo de mútuo no valor de R$ 6.295.720,00 concedido via caixa) e item 5 Relativamente a este item, a fiscalização sustenta que a Impugnante concedeu empréstimos contabilizados na conta caixa, mas não identificou o trânsito destes valores nos seus extratos bancários (débitos no dia 24/10/2010), considerando, com isso, que "criouse um direito (conta contábil 112078) que não existe" e, ainda, concluise que "o dolo do contribuinte fica evidente quando este direito é liquidado no ano seguinte. " Não obstante a conclusão Fl. 2897DF CARF MF Processo nº 19515.720738/201518 Resolução nº 1302000.646 S1C3T2 Fl. 2.898 12 fazendária, não se pode falar em dolo, até porque é o próprio fiscal que constata, no ano seguinte, a quitação do mútuo através de depósitos bancários do próprio mutuário no ano seguinte. Além do mais, conforme documentos apresentados na petição do dia 14/07, a Impugnante acostou tanto o "Instrumento Particular de Contrato de Mútuo", com a previsão de juros e demais condições da operação, havendo inclusive pagamentos de 10F, bem como o respectivo "Termo de Quitação". Portanto, se a fiscalização apresentou dúvidas no tocante às saídas deste mútuo da conta caixa, deveria promover uma análise mais detalhada da conta caixa, dela glosando eventuais inconsistências. Já no item 5 do Termo de Verificação, a fiscalização volta a questionar a conta caixa, alegando que "a empresa se utiliza na contabilidade de lançamentos que debitam a conta caixa e que creditam às contas bancárias, ou seja, contabilmente é o mesmo dinheiro, apenas tirase da conta do banco e deixase no 'caixa' em espécie", o que, novamente, atrai a jurisprudência do CARF sobre o assunto. (e) Considerações sobre os itens 4.2.4.3 e 4.2.4.4 do Termo de Verificação Fiscal (saldo inicial da conta caixa e reembolso de telefonia) e conclusões finais Relativamente ao saldo inicial da conta caixa em 2010, a Impugnante esclareceu, na petição de 14/07, que este refletia o saldo contábil escriturado em 2009, não havendo como sustentar as conclusões da fiscalização, sem ao menos se promover uma conciliação da movimentação financeira daquele ano, neste momento inviável. Já os reembolsos de telefonia, tratase de operação comum no segmento de call center, tendo sido em parte identificados no trabalho da auditoria independente (R$ 212.586,25), motivo pelo qual devem ser excluídos do auto de infração. (f) Da venda de ativos no valor de R$ 3.143.410,58 (item 6 do TVF) A Impugnante ainda esclareceu, na petição de 02/07, que teria realizado a venda de ativos (estações de computadores) pelo valor de custo, o que não foi aceito pela fiscalização sob alegação de que "os supostos ativos comprados foram indevidamente majorados pela Voxline em momento anterior." Ora, em primeiro lugar, a própria fiscalização confirmou o depósito bancário deste valor, efetuado pela empresa adquirente, o que também foi identificado na planilha da empresa de auditoria, que inclusive se faz acompanhar do respectivo contrato de compra e venda. Em segundo lugar, a conclusão do TVF sobre esta indevida majoração dos ativos em momento anterior é incompreensível, pois o que se verifica dos lançamentos contábeis que procuraram exemplificar tal ilação é que: (i) foi debitada a conta dos ativos, em contrapartida à conta de fornecedores, pelas aquisições de bens e serviços (sistemas) com notas fiscais emitidas por empresa idôneas; e (ii) o pagamento foi debitado na conta 11004, em contrapartida aos fornecedores. Fl. 2898DF CARF MF Processo nº 19515.720738/201518 Resolução nº 1302000.646 S1C3T2 Fl. 2.899 13 Portanto, novamente voltase ao problema dos questionamentos e dúvidas fiscalizatórias em torno da conta caixa, que em nada afetam o depósito bancário cuja origem, comprovadamente, foi a venda de ativos. (g) Da indevida distorção causada pela dedução dos tributos pagos em DCTF, ao invés da readequação da receita bruta utilizada como base para o lucro arbitrado A metodologia utilizada pela fiscalização, de deduzir o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS pagos cm DCTF, ao invés de excluir a respectiva receita bruta que gerou esta tributação, da base de cálculo do presente auto de infração, é inconsistente e acaba por distorcer a exigência, penalizando a Impugnante. Assim, ao se manter na base de cálculo do arbitramento a receita bruta conhecida que já sofreu tributação, majorase indevidamente a apuração do lucro da Impugnante, com a incidência de multa e juros que também acabam distorcendo e penalizando indevidamente o contribuinte. (h) Da falta de exclusão do PIS e da COF1NS da base do IRPJ e da CSLL Nos termos do artigo 41 da Lei n.º 8.981/95, "os tributos e contribuições são dedutíveis, nu determinação do lucro real, segundo o regime de competência", o que foi ignorado na quantificação da exigência. Deste modo, os valores de PIS e COFINS lançados no presente auto de infração devem, por imposição legal, ser deduzidos do IRPJ e da CSLL apuradas e lançadas em cada trimestre do ano de 2010. DA INSUSTENTABILIDADE NA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA A qualificação da multa se deu sob os mesmos fundamentos e argumentos que embasaram o arbitramento, quais sejam, as divergências na conciliação contábil da movimentação financeira da Impugnante, entendendo haver, aí, "ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento (.) da ocorrência do falo gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais." (Lei. 4.502/64, artigo 71, I). Assim, tratamse de fatos que já possuem consequências específicas e que, no caso, geraram tanto a desqualificação da contabilidade da Impugnante como o arbitramento do seu lucro real, não podendo, por isso, gerar a qualificadora. Ainda que assim não fosse, estando a exigência baseada em presunção legal de omissão de receitas a partir de depósitos de origem supostamente não comprovada, devese observar as Súmulas CARF tf 14 e n° 25 e jurisprudência do CARF. No caso dos autos, em verdade, além de presumida, o fiscal está qualificando a multa com base numa fraude em tese, o que também não se pode admitir. Por fim, a fiscalização sustenta a prática reiterada da infração "quando verificada a grande quantidade de créditos em suas contas correntes." Ora, nada mais absurdo, pois a reiteração da conduta não guarda absolutamente nenhuma relação com a quantidade de depósitos bancários autuados. Além do mais, este é o primeiro e único auto de infração recebido pela Impugnante até o momento. Fl. 2899DF CARF MF Processo nº 19515.720738/201518 Resolução nº 1302000.646 S1C3T2 Fl. 2.900 14 Por essas razões, não há elementos que justifiquem a qualificação da multa de oficio. CONCLUSÕES E PEDIDO Em razão de tudo o quanto exposto, não há como o auto de infração prosperar, seja em razão das nulidades na formulação da exigência (vício de instrução probatória); seja em razão da decadência; seja em razão do inconsistente arbitramento, Imotivada fundamentação e incorreta metodologia da hipótese presuntiva; seja por conta da indevida base de cálculo adotada. Ainda que assim não se entenda, devese determinar a correção das bases de cálculo adotadas, com a recondução da sua receita bruta, consideração do IRRF e dedução do PIS e COFINS da base do IRPJ e da CSLL, bem como cancelar e readequar a qualificação da multa de oficio vinculada. Assim sendo, a Impugnante requer o conhecimento e regular processamento da presente defesa para que seja julgada inteiramente procedente, extinguindo se integralmente o crédito tributário sob discussão, ou, subsidiariamente, para que seja refeita a base de cálculo considerada e se reduza a multa vinculada para 75%. No dia 16/10/2015, a Impugnante requereu a juntada de documentação complementar ao doc. 03 da impugnação, notas fiscais, comprovando depósitos de origem supostamente não comprovada no importe de R8 66.111.289,46, conforme sintetizado na planilha abaixo: A Impugnante afirmou ainda ter uma nova mídia digital com a complementação da conciliação de seus extratos bancários, que não foi aceita pelo protocolo da RFB, sob a justificativa de que o sistema eprocesso não admite arquivos em formato diferente de ".pde. Assim, requereu conversão do julgamento em diligência.” Ao apreciar os argumentos da defesa, bem como a manifestação da Fazenda, Nacional, entendeu o órgão julgador entendeu o seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 NULIDADE. Fl. 2900DF CARF MF Processo nº 19515.720738/201518 Resolução nº 1302000.646 S1C3T2 Fl. 2.901 15 Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não se tratando das situações previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, incabível falar em nulidade do lançamento fiscal. CONTRADITÓRIO E DIREITO DE DEFESA Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, inexistindo cerceamento do direito de defesa quando, na fase de impugnação, foi concedida oportunidade ao autuado de apresentar documentos e esclarecimentos. Havendo no lançamento informações e justificativas que permitam ao contribuinte oferecer impugnação fundamentada e completa, também não se caracteriza situação de cerceamento ao direito de defesa. DECADÊNCIA. Demonstrada a ocorrência de fraude, o prazo de decadência é de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM DOS RECURSOS. NÃO COMPROVAÇÃO.TRIBUTAÇÃO. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Na tributação da omissão de rendimentos ou receita caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. MULTA QUALIFICADA DE 150% Falta de escrituração de depósitos bancários e de pagamento dos tributos devidos caracterizam a conduta dolosa da contribuinte ensejadora da qualificação da multa. DILIGÊNCIA E PERÍCIA. INDEFERIMENTO POR SER PRESCINDÍVEL. A diligência e a perícia requeridas são indeferidas, com fundamento no art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações da Lei n° 8.748/1993, por se tratar de medida absolutamente prescindível, já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar a IMPUGNAÇÃO PROCEDENTE EM PARTE nos termos do relatório, voto e conclusão que passam a integrar o presente julgado. Submetase à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 34 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei n°9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF n°3, de 3 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário. A exoneração do crédito procedida por este acórdão só será definitiva após o julgamento em segunda instância. Fl. 2901DF CARF MF Processo nº 19515.720738/201518 Resolução nº 1302000.646 S1C3T2 Fl. 2.902 16 Intimese para pagamento do crédito tributário mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes, em igual prazo, conforme facultado pela art. 33 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 12 da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Inconformado com a referida decisão, interpôs o contribuinte Recurso Voluntário direcionado ao CARF, no qual alegou, como matéria de defesa, em síntese: a) Nulidade do auto de infração por insuficiência instrutória e ausência de intimação específica para a comprovação de origens dos depósitos; b) Decadência do crédito tributário relativamente ao irpj e csll baseados em depósitos de janeiro à junho de 2010 e respectivo PIS e COFINS; c)Indevido arbitramento e da inconsistente cumulação da exigência com a fórmula presuntiva de omissão de receitas: um vício circular insanável; d)Incorreta quantificação do auto e da necessária adequação da receita bruta sobre a qual foi apurado o lucro arbitrado; e) Insustentabilidade da multa qualificada. Afim de corroborar o seu argumento, a recorrente juntou aos autos, mais precisamente em setembro de 2018, parecer do Professor Sergio Iudicibus (fls.2724/2758) e relatório analítico elaborado pela Ernest Young (fls.2764 e segs). É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. O presente recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, portanto, dele conheço. Como se observa, os referidos autos de infração são decorrentes de suposta OMISSÃO DE RECEITA POR PRESUNÇÃO LEGAL — DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Como apontado pela fiscalização são inúmeras as divergências encontradas entre a conciliação bancária (extratos bancários) e a contabilidade apresentada. Na realidade, a segundo a fiscalização e a DRJ, a contabilidade da recorrente mostrouse imprestável para identificar sua movimentação financeira e consequentemente para apurar seu lucro real, por isso seu lucro foi arbitrado. Seguem alguns exemplos das divergências apontadas pela fiscalização: Fl. 2902DF CARF MF Processo nº 19515.720738/201518 Resolução nº 1302000.646 S1C3T2 Fl. 2.903 17 1) Não contabilização de várias contas bancárias de sua titularidade no ano de 2010. Em sua contabilidade, existem apenas duas contas contábeis relativas aos bancos, conforme tabela abaixo: A relação de contas bancárias (extratos bancários) de titularidade da empresa fiscalizada (obtida por meio de solicitação direta aos bancos) é muito maior. Percebese que na contabilidade estão lançados cerca de R$ 66.347.031,00 a débito nas contas 110122 e 110265. O somatório nas contas bancárias é de mais de R$ 101.000.000,00. Analisandose cada um dos valores contabilizados, apesar das pequenas divergências encontradas, percebese que as contas contábeis 110122 e 110265 referemse às contascorrentes bancárias 003.00004750 (CEF) e 323005440 (HSBC). Dessa forma, não houve a correta contabilização das seguintes contas correntes: 003.0000111.4 (CEF); 3230137851 (HSBC); 3231241237 (HSBC); e 3231946478 (HSBC) 2) Contabilização parcial dos extratos bancários na conta CAIXA. Percebese que uma parte dos valores relativos aos extratos bancários que não foram devidamente contabilizados (4 contas correntes acima listadas) foram indevidamente lançados na conta contábil CAIXA (11.0049), conforme demonstrativo às fls. 481. Fl. 2903DF CARF MF Processo nº 19515.720738/201518 Resolução nº 1302000.646 S1C3T2 Fl. 2.904 18 3) Lançamentos efetuados na conta CAIXA de forma consolidada e impossibilidade de conciliação desses valores com os extratos bancários. Outro erro encontrado em sua contabilidade é a impossibilidade de se verificar de forma analítica, quais os valores encontrados nos extratos bancários foram contabilizados e os que não foram, pois a empresa faz lançamentos contábeis de forma consolidada no último dia do mês e não é capaz de discriminar sua composição. A título exemplificativo, seguem planilhas às fls. 482. Fl. 2904DF CARF MF Processo nº 19515.720738/201518 Resolução nº 1302000.646 S1C3T2 Fl. 2.905 19 4) Lançamentos contábeis irreais. Além de não contabilizar corretamente sua movimentação bancária, há inúmeros lançamentos contábeis que não refletem de modo algum a realidade dos fatos. A título exemplificativo, seguem alguns casos às fls. 483/488, tais como: aumento de Capital Social no valor de R$ 3.000.000,00; empréstimo de mútuo no valor de R$ 6.295.720,00; saldo inicial da conta Caixa; e reembolso de telefonia. Em contrapartida, a recorrente alega desde a sua impugnação que sua contabilidade não era imprestável e que toda sua movimentação financeira estava devidamente evidenciada na sua contabilidade, não podendo a autoridade fiscal arbitrar seu lucro. Fl. 2905DF CARF MF Processo nº 19515.720738/201518 Resolução nº 1302000.646 S1C3T2 Fl. 2.906 20 Para comprovar seu pleito a recorrente juntou vários documentos em sede de impugnação e em sede de recurso voluntário juntou parecer do Professor Sérgio Iudicibus e da Ernest Young Quanto a este dois últimos documentos são elencados alguns pontos que tornam controversa a questão quanto aos erros ou deficiências que a fiscalização teria apontado como suficientes para classificar a escrituração da contribuinte como imprestável; colocando em dúvida, portanto, se a forma de apuração do lucro da contribuinte (arbitramento) está correta. Assim, em atenção ao princípio da verdade material, converto o presente julgamento em diligência, determinando a baixa dos autos à unidade de origem para que a fiscalização responda as indagações abaixo, através da análise de todos os laudos e documentos acostados a estes autos, bem como da determinação da produção de quaisquer outras provas que julgar oportunas, inclusive podendo intimar o contribuinte para esclarecimentos adicionais acerca dos laudos acostados aos autos e/ou solicitar ao contribuinte documentos que entender necessário, afim de se apurar a regularidade dos valores contabilizados. Segue os quesitos: 1.Juntar aos autos os arquivos em excel mencionados no termo de fls. 195 e o arquivos digital no termo de fls. 214; 2.Os registros contábeis se deram com base em informações financeiras de recebimento e/ou recibos e notas fiscais? 3 .O Livro Razão de 2010 espelha qual percentual da Receita Líquida declarada na DIPJ do anocalendário 2010? 4.Com relação à conciliação entre os registros contábeis pelo regime de competência e os eventos descritos na movimentação bancária da recorrente, perguntase: 4.1.O Livro Razão de 2010 espelha que percentual da Movimentação Financeira das contas bancárias de titularidade da recorrente? 4.2.Com base na documentação constante nestes autos, é certo afirmar que dentre o valor de R$ 66.111.289,46, o valor de R$ 17.196.310,48 representa eventos relativos ao anocalendário 2009, transferência entre contas bancárias da própria recorrente e eventos meramente patrimoniais (integralização de capital), conforme aduzido no item 6.2 do Parecer acostado às fls.2724 e segs? 5.A documentação acostada aos autos, bem como Livro Razão da recorrente, as notas fiscais ns. 34128 (fls. 742), 34129 (fls. 743), 34130 (fls. 744), 34131 (fls. 745), 34132 (fls. 746), 34133 (fls. 747), 34136 (fls. 749), 34137 (fls. 750) e 34139 (fls. 751), em seu somatório, justificam a origem de R$ 1.075.168,84 de receitas de prestação de serviços à empresa Telefônica? 6.A quantia total de R$ 8.971.002,61 decorre de transferências bancarias entre contas de mesma titularidade da recorrente? Tal montante faz parte da base tributável da presente autuação? 7.Houve deliberação social formalizada e fluxo financeiro devidamente amparado em movimentação financeira e no Livro Razão da recorrente acerca do aumento de capital social no valor de R$ 3.000.000,00, contabilizado na conta 11004? Fl. 2906DF CARF MF Processo nº 19515.720738/201518 Resolução nº 1302000.646 S1C3T2 Fl. 2.907 21 Ao final dos trabalhos a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões daí resultantes, dele cientificando a interessada, com reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 2907DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.003200/2008-12
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1001-000.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1663; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 360 1 359 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.003200/200812 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.874 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 04 de outubro de 2018 Matéria PERDCOMP Recorrente Sociedade Amazonense de Educação e Cultura Ltda Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 32 00 /2 00 8- 12 Fl. 360DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), efls. 02/15, de n. 15446.44992.191103.1.3.044704, de 19/11/2003, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos de IRPJ 2362 (janeiro de 1999). O pedido foi indeferido, conforme Parecer SEORT/DRFMNS de 08/07/2008 (efls. 31/36), que analisou as informações e concluiu que o crédito estava integralmente utilizado, bem como determinou a não homologação da DCOMP em análise. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 0113.100 1ª Turma da DRJ/BEL, efl. 192/196). Pela precisão na descrição dos fatos seguintes, reproduzo a seguir o Relatório constante do Acórdão da DRJ: Tendo tomado ciência do Parecer/Despacho Decisório em 16/07/2008 (fl.35), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls.62/63) em 21/07/2008, através de procurador (fls.80/81), alegando em síntese que: 1. A requerente declarou na DCTF 1° trimestre/1999 ter a pagar (e pagou) de IRPJ o valor de R$ 172.191,39 conforme DARF's em anexo; 2. Após a formalização da DIPJ, constatouse ter havido um prejuízo anual no valor de R$ 370.525,10; 3. Com base no artigo 509 do RIR/99 que estabelece: "Art. 509. O prejuízo compensável é o apurado na demonstração do lucro real e registrado no LALUR (DecretoLei n 2 1.598, de 1977, art. 64, § 1°, e Lei n 9.249, de 1995, art. 62, e parágrafo único). § 1°. A compensação poderá ser total ou parcial, em um ou mais períodos de apuração, à opção do contribuinte, observado o limite previsto no art. 510 (DecretoLei n 1.598, de 1977, art. 64, § 2°)." 4. O artigo 74 da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei 10.637/2002, que estabelece: "Art. 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou • contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal ,passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão." 5. O artigo 5° da INSRF600/2005, de 28 de dezembro de 2005, estabelece: "Art. 52 Os saldos negativos do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10283.003200/200812 Acórdão n.º 1001000.874 S1C0T1 Fl. 361 3 I — na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II — na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração." 6. A requerente solicitou a compensação de parte do crédito através do PER/DCOMP 15446.44992.191103.1.3.044704; 7. Entretanto, de forma equivocada não foi retificada a DCTF, o que gerou a vinculação de um débito inexistente ao DARF pago, a inconformidade dos créditos a serem utilizados para compensação e conseqüentemente a não homologação do PER/DCOMP; 8. Anexamos a este os seguintes documentos: Contrato Social, CNPJ, DIPJ 2000 anocalendário 1999, DARF s pagos, procuração, identidade do procurador, DCTF retificada; 9. Solicita a impugnação dos débitos apresentados e a revisão do processo. Constam ainda dos autos os seguintes documentos que merecem destaque: telas da DIPJ exercício 2004 (fls.19/25), tela do SINAL (fl.26), tela do sistema Fiscalização Eletrônica (fls.28/29), extrato do processo (fls.50/52), tela do PER/DCOMP 06297.99293.191103.1. .042705 (fl.59), alteração e consolidação do Contrato Social (fls.67/79), telas da DIPJ Exercício 2000 (fls.87/125), telas das DCTF's 1° tri/1999 retificadora apresentada em 25/06/2008 (fls.126/151) e original apresentada em 22/09/2004 (fls.152/183) e despacho (fl.184). A decisão de primeira instância julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o contribuinte não trouxe aos autos as provas sobre a inexigibilidade do crédito e que o pagamento de estimativa mensal somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em montante superior ao calculado para o mês com fundamento na legislação tributária. Cientificada da decisão de primeira instância em 10/04/2009 (efl. 199) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 10/05/2009 (efl. 202), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade e aduz: Com relevo, cediço que as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, sob pena de precluso. No entanto, a alínea "c", § 4°, art.16, do Decreto n.° 70.253/72, faculta a apresentação em outro momento processual quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Tal é a hipótese vertente. De fato, tratase de argumento novo aquele aduzido pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamentos de Belém, no sentido de indeferir o pleito de compensação devido à Fl. 362DF CARF MF 4 não apresentação de provas da inexistência de apuração por estimativa do IRPJ de janeiro de 1999. Diante disso, abrese a oportunidade para a Recorrente, com espeque na alínea "c", § 4°, art.16, do Decreto n.° 70.235/72, apresentar neste momento processual a documentação alusiva e comprobatória da inexistência de apuração, por estimativa, do IRPJ de janeiro de 1999, repisase, conforme apresenta a documentação anexa (does n" 01 a 08). II— Do PEDIDO: Ante o exposto, pleiteia a Recorrente: a) a juntada aos autos da documentação comprobatória da inexistência de apuração, por estimativa, do IRPJ de janeiro de 1999, nos termos da alínea "c", § 4°, do art.16 do Decreto n° 70.235/72; e b) da análise regular da documentação acima referida para, reconhecendo o direito creditório da Recorrente, conferir provimento ao presente Recurso Voluntário e, via de conseqüência, homologar a compensação pleiteada. Nestes Termos, Pede Deferimento. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN) como bem assinalou a decisão da Unidade de Origem (e fls. 31/36). Ou seja, não se trata de argumento novo. Desta forma faziase necessário verificar na decisão de primeira instância a exatidão das informações referentes ao crédito alegado (estimativa paga em valor indevido) e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Mas o pedido de restituição de crédito não foi acompanhado (quando da apresentação da manifestação de inconformidade, efls. 64/65) dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10283.003200/200812 Acórdão n.º 1001000.874 S1C0T1 Fl. 362 5 vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Destaquei) Desta forma, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado foi indeferido. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Observo que não cabe nesta instância recursal apreciar ou diligenciar por eventual demonstrativos contábeis para a apuração do crédito. Conforme disposto nos artigos 16 (em especial seus §§ 4º e 5º) e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade (efls. 64/65), pois operase o fenômeno da preclusão. Os créditos (que seriam líquidos e certos) alegados já eram do conhecimento do contribuinte, visto comporem o fundamento da manifestação de inconformidade dirigida à DR. Mas não anexou àquele recurso qualquer documentação contábil que corroborasse suas alegações. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no Fl. 364DF CARF MF 6 processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Neste sentido, e em caso que se referia a pedido de restituição/compensação, assim decidiu a 3ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9303006.241: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10283.003200/200812 Acórdão n.º 1001000.874 S1C0T1 Fl. 363 7 Adiciono que o pagamento de estimativa mensal somente se caracteriza como indevido ou a maior quando efetuado em montante superior ao calculado para o mês com fundamento na legislação tributária. Ou seja, o fato do contribuinte ter apurado na DIPJ/2000 prejuízo fiscal e saldo negativo IRPJ não torna os pagamentos de estimativa indevidos, eis que efetuados em obediência à legislação de regência. Pagamento indevido ou a maior, portanto, é o saldo negativo apurado na DIPJ/2000, e não foi esta a natureza do crédito alegado. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 366DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.953416/2009-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.158-35/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste-se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifeste-se em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 53 41 6/ 20 09 -6 4 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.953416/200964 Resolução nº 3401001.537 S3C4T1 Fl. 121 2 Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP), invocando crédito de COFINS, indeferido por meio de Despacho Decisório Eletrônico (DDE), por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Na Manifestação de Inconformidade, alega a empresa que: (a) realizou exportação de serviços que resultaram em ingresso de divisas para o Brasil, classificadas como receitas decorrentes de exportação, documentadas em nota fiscal, amparada em contrato de câmbio (não incidindo PIS e COFINS sobre tal rubrica, conforme art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e art. 6o, II da Lei no 10.833/2003); (b) realizou apuração mensal da COFINS sobre o total de suas receitas, ou seja, incluiu indevidamente na base de cálculo as referidas receitas de exportação; (c) o erro foi verificado pela empresa posteriormente, o que ensejou o pedido, tendo sido retificada a DCTF após o Despacho Decisório, o que ensejou o não reconhecimento do crédito e a não homologação da compensação; e (d) em nome da verdade material, requer que seja reconhecido o crédito. Como prova do direito ao crédito, junta Nota Fiscal, Contrato de Câmbio e DCTF retificadora e DCOMP. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) os valores declarados em DCTF constituem confissão de dívida, conforme art. 5o do DecretoLei no 2.124/1984; e (b) a compensação com utilização de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondose a apresentação de documentação hábil e idônea, bem como da escrituração contábil e/ou fiscal, do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário, não bastando a documentação apresentada. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta Recurso Voluntário, basicamente reiterando as razões externadas em sua manifestação de inconformidade, e agregando que o simples indeferimento, pela DRJ, ao invés da conversão em diligência, afrontou a verdade material, principio prestigiado pelo CARF, e que juntou ao recurso ainda o Livro Diário do Exercício correspondente ao período (cópia ilegível com algumas folhas de pontacabeça), para comprovar a entrada das divisas oriundas da exportação e serviços, única receita do período de apuração, comprovando seu direito. É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10880.953416/200964 Resolução nº 3401001.537 S3C4T1 Fl. 122 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.521, de 22 de outubro de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.914766/200824, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.521 "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Resta verificar se as alegações de defesa são aptas a comprovar o direito de crédito da empresa. Isso porque nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, como reiteradamente decidindo, de forma unânime, este CARF: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403 002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10880.953416/200964 Resolução nº 3401001.537 S3C4T1 Fl. 123 4 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) No presente processo, a recorrente alega, ainda em sua manifestação de inconformidade, que, por lapso seu, não houve a correção da DCTF para constar o valor efetivamente devido, mas que o crédito efetivamente existe, e deriva de cômputo incorreto de receita de exportação de serviços, documentadas em nota fiscal, e amparadas em contrato de câmbio. E junta, além de nota fiscal e contrato de câmbio, a DCTF retificadora do primeiro trimestre de 2000, transmitida em 02/09/2008, e DCOMP correspondente. Observando a nota fiscal de serviços (fl. 23), percebese trata de “serviço de representação comercial prestado no mês”, a empresa estrangeira, e que o valor corresponde ao do contrato de câmbio (R$ 12.369,00 – US$ 7.000,00). A DRJ, entendendo ser a documentação apresentada insuficiente para provar o alegado pela postulante ao crédito, indefere o pleito, chegando a aclarar, exemplificativamente, quais seriam as possíveis provas de amparo ao crédito: “...nos pedidos de repetição de indébitos e de compensação é do contribuinte o ônus de demonstrar de forma cabal e específica seu direito creditório. A compensação com utilização de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondose a apresentação de documentação hábil e idônea, bem como da escrituração contábil e/ou fiscal, do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário (...) Portanto, diante desta situação, não basta o contribuinte anexar aos autos apenas a cópia da Nota Fiscal de Serviços e Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10880.953416/200964 Resolução nº 3401001.537 S3C4T1 Fl. 124 5 o Contrato de Câmbio alegando que tais documentos comprovam o erro ocorrido no preenchimento da DCTF, ou seja, que realizou a apuração mensal do COFINS sobre o total de suas receitas, incluindo indevidamente na base de cálculo desta contribuição os valores recebidos a título de serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior (...). Para que se faça valer o princípio da verdade material, no caso em tela, é imprescindível que se prove que o que foi anteriormente declarado, confessado e recolhido não condiz com a realidade, e mais, que o novo valor traduz fielmente o que seja verdadeiramente devido ante a legislação tributária aplicável, acompanhado, no caso, da correspondente documentação hábil e idônea com a devida escrituração fiscal e/ou contábil, o que não restou demonstrado nos autos. Portanto, os documentos por ela juntados e a apresentação de DCTF retificadora, neste momento do rito processual, após o despacho decisório, não são suficientes para fazer prova em favor do contribuinte, existindo a necessidade da apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, e dos documentos que lhe dão sustentação, (...)” Entendemos que poderia a empresa, em sede de recurso voluntário, agregar a documentação suscitada pelo julgador de piso, em nome da verdade material, e com fundamento no próprio comando do art. 16, § 4o, “c”, do Decreto no 70.235/1972, principalmente pelo fato de até o julgamento de piso não ter havido efetiva análise fiscal humana da documentação, mas mero cotejo massivo e eletrônico de informações, por sistema informatizado. E a empresa, em seu recurso voluntário, apesar de considerar que a documentação apresentada à instância de piso era suficiente para o deferimento do crédito, e a consequente homologação da compensação, porque as divisas oriundas da exportação foram suas únicas receitas no período, parece mover esforço, ainda que mínimo, para juntar aos autos o Livro Diário do Exercício de 2000 (ao menos cópia ilegível com algumas folhas de pontacabeça, às fls. 86 a 93). O fato de a exportação de serviços espelhar a única receita no período, e de terem sido apresentados nota fiscal e contrato de câmbio em valores compatíveis, aliado à juntada de Livro Diário (ainda que ilegível e com páginas de pontacabeça, provavelmente por problemas de digitalização), e à inexistência de análise humana do direito de crédito nas instâncias anteriores, faz com que tenhamos cautela na análise do contencioso, movida pela dúvida em relação ao tema principal em discussão. Sobre a verdade material, bem ensina James MARINS que envolve não só o dever de investigação, por parte do fisco, mas o dever de colaboração, do sujeito passivo: “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10880.953416/200964 Resolução nº 3401001.537 S3C4T1 Fl. 125 6 de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”1 Ao que tudo aponta, resta clara, ainda que tímida, nos autos, a vontade de colaborar por parte da empresa, que, por mais que entendesse suficientes os documentos apresentados na instância de piso, curvouse ao que entendeu julgador de piso também como importante, embora não tenha sido bem sucedida a digitalização do documento juntado (Livro Diário). Portanto, entendo que se faz necessária análise, em sede de diligência, da documentação apresentada, à luz da argumentação da recorrente, de que as referidas receitas, amparadas em nota fiscal e contrato de câmbio, seriam efetivamente decorrentes de exportação de serviços, para verificar se os valores correspondentes são compatíveis com a retificação efetuada (ainda que a destempo) da DCTF. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifestese, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, , para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste 1 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10880.953416/200964 Resolução nº 3401001.537 S3C4T1 Fl. 126 7 se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 106DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.722472/2012-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011
OMISSÃO DE RENDIMENTOS INDEVIDAMENTE CONSIDERADOS COMO ISENTOS EM RAZÃO DE MOLÉSTIA GRAVE.
Somente são isentos os rendimentos relativos à aposentadoria, reforma ou pensão recebidos por portador de moléstia grave devidamente comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Numero da decisão: 2402-006.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza e Luis Henrique Dias Lima que votaram por conhecer de ofício a dedução da Contribuição Previdenciária da base de cálculo do lançamento.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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Somente são isentos os rendimentos relativos à aposentadoria, reforma ou pensão recebidos por portador de moléstia grave devidamente comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza e Luis Henrique Dias Lima que votaram por conhecer de ofício a dedução da Contribuição Previdenciária da base de cálculo do lançamento. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 24 72 /2 01 2- 75 Fl. 240DF CARF MF 2 Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrado Auto de Infração para cobrança do IRPF, relativo aos exercícios de 2008 a 2012, no importe de R$ 106.444,92, acrescido de multa de oficio (75%) e juros legais Selic. Como infração, foi apontada a omissão de rendimentos do trabalho com e sem vínculo empregatício. Regulamente intimado do lançamento, apresentou Impugnação, que, como dito, foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, com a seguinte ementa: IRPF. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS. O benefício da isenção do imposto de renda, no caso de moléstia grave, pressupõe a presença dos requisitos objetivos da comprovação da doença por meio de laudo pericial emitido por serviço médico da União, Estados, Distrito Federal ou Municípios, e serem os rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão. ISENÇÃO. RECONHECIMENTO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. Por expressa disposição legal, interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. DECADÊNCIA. O Fisco tem o direito/dever de efetuar o lançamento fiscal no interstício de cinco anos, consoante arts. 150 e 173 do Código Tributário Nacional. PERÍCIA PRESCINDÍVEL. NÃO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS. INDEFERIMENTO. Temse por prescindível de perícia o lançamento baseado em prova meramente documental integrante dos autos. A perícia formulada deve atender aos requisitos estabelecidos na legislação que rege o contencioso. A não conformidade motiva o indeferimento e não conhecimento. Em seu Recurso Voluntário de fls. 228/233, aduz em resumo: Que conforme atesta o laudo médico acostado, o recorrente é portador de seqüela de paralisia cerebral com repercussões na coluna lombar onde apresenta dor e impotência funcional. Que em 07.07.2011, os médicos integrantes da junta oficial da Secretaria da Receita Federal do Brasil atestaram no laudo de avaliação que o recorrente é portador de paralisia cerebral espástica, culminando na tríplice flexão dos membros inferiores. Que a constatação da paralisia deu causa ao reconhecimento da incapacidade, e uma vez reconhecida a invalidez, inequivocamente a paralisia foi incapacitante. Que o atestado e laudo foram emitidos em 1981, antes da vigência das Lei 7.713/88, bem como da Lei 9.250/95, razão pela qual não teria havido a menção expressa de Fl. 241DF CARF MF Processo nº 11516.722472/201275 Acórdão n.º 2402006.626 S2C4T2 Fl. 3 3 que a paralisia é incapacitante, além que a classificação do CID 344 terse dado de forma genérica como problemas neurológicos. Que acostou à impugnação a declaração do médico que acompanha o caso do recorrente desde o início, atestando ser portador de seqüela de paralisia cerebral com impotência funcional definitiva desde 23.01.1981. Que como a paralisia cerebral não tem cura, provocando uma séria de alterações neurológicas, há de se concluir que a mesma é, por si só, incapacitante. Que em 2006 foi diagnosticado com Mal de Alzheimer. Não bastasse, também apresenta isquemia cerebral, é portador de doença ateromatosa da aorta abdominal e osteoporose. Que anexou junto ao recurso, laudo lavrado pelo Dr. Luciano Nogueira, que vem acompanhando o recorrente desde 2011, atestando seu quadro neurodegenerativo, apresentando déficit cognitivo compatível com a doença de Alzheimer. Que o laudo ainda atesta o fator de risco ateromatose carotídea bilateral e SAOS, que agravam a perda cognitiva que apresenta, além de doença degenerativa na coluna lombar que ocasiona paraparesia dos membros inferiores. Que não se está diante de um caso de incapacidade temporária, e sim permanente e irreversível. Que o lançamento importou em invalidação de um ato administrativo, em total afronta ao princípio da segurança jurídica. Que o recorrente foi aposentado há mais de 20 anos. Assim sendo, o direito de a administração rever seus atos deve observar o prazo de 5 anos previstos pela Lei 9.784/99. Que é advogado, e mesmo diante da incapacidade, não se desligou da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) por uma série de motivos. Primeiro por questão de satisfação pessoal em se manter registrado no seu órgão de classe. Segundo porque mesmo diante da incapacidade, não se encontra impedido de se manter inscrito. Terceiro porque o fato de estar inscrito como ativo não descaracteriza a doença incapacitante. Que por orientações médicas, a sua família foi orientada a proporcionar ao impugnante alguma atividade e que, nestes termos, sua filha ao concluir o curso de Direito o inseriu no seu meio profissional, dentro de seus limites e que, ainda que desprovido de capacidade intelectual, fizesse parte de alguns processos, porém, sem exercer atividade jurídica. Que a atividade de advocacia proporciona tal conduta, podendo o advogado constar em procurações, sem de fato exercer a profissão, tal como ocorreu; que sua filha levou certo tempo para obter a inscrição como advogada, e neste interregno foi auxiliada pelo impugnante. É o relatório. Fl. 242DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 22.07.2013 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 20.08.2013. Observados os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. O caso dos autos resumese a se determinar se o recorrente era, no período de 2007 a 2011, comprovadamente portador de moléstia grave tal como prevista no inciso XIV do artigo 6º da Lei 7.713/88, verbis: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma A controvérsia veio à baila em função da revisão promovida pelo IPREV Instituto de Previdência do Estado de Santa Cataria, fonte pagadora do recorrente Assessor Técnico Legislativo à época em várias concessões de aposentadoria por ela concedidas. Após a regular instalação da Comissão de Processo Administrativo, o recorrente foi por ela inquirido em 26.10.2011. Passo a destacar excerto daquele depoimento, pois penso ser útil ao deslinde da questão. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11516.722472/201275 Acórdão n.º 2402006.626 S2C4T2 Fl. 4 5 Notese que o recorrente em outubro de 2011 e supostamente se locomovendo com auxílio de bengalas, noticiou, textualmente, sua aposentadoria em função de problema de coluna, em função de uma queda que lhe rendera licença médica pelo período de um ano. Na mesma oportunidade, a advogada que o representara, procurou melhor esclarecer tratarse, na verdade, de paralisia cerebral com repercussões em sua coluna lombar e artrose. Juntou atestado de 26.10.2011, subscrito por médico particular, ratificando o declarado. Consta às fls. 37, a ficha médica do recorrente, com data de 22.06.2010, dando conta de sua deficiência física e locomoção com uso de bengalas, com a indicação da prática de exercícios de baixo impacto, tal como bicicleta. Confirase: Consta às fls. 40, resultado de ultrassonografia, noticiando a existência de esteatose hepática moderada (gordura no fígado) Em 09.01.2012 o IPREV encaminhou o ofício 002/2012 à Secretaria de Saúde do Servidor/Secretaria de Estado de Administração, com o fito de que fossem respondidos alguns quesitos relacionados à vasta documentação apresentada pelo recorrente nos autos do processo administrativo citado alhures. Vejamos os questionamentos e respectivas respostas: Resposta: NÃO Fl. 244DF CARF MF 6 Resposta: NÃO foram encontrados subsídios técnicos que permitam concluir por incapacidade total e definitiva, visto ter sido anexado único atestado médico, sem especificação de incapacidade total. Resposta: NÃO Já com relação aos quesitos apresentados pelo recorrente, destaco o a seguir colacionado: Resposta: Pelos documentos apresentados, houve apenas fratura de dedo do pé direito. Com lastro no resultado da perícia acima, a Comissão concluiu pelo arquivamento do procedimento, face à "existência de doença incapacitante que gerou a aposentadoria por invalidez do autuado", consoante fls. 81/85. Nesse ponto, impõese tecer algumas considerações, revisitando a assentado no relatório encimado. Em 28.07.2011 a junta médica, após exame pericial, concluiu que o recorrente apresentava "incapacidade laborativa ocasionada pelas limitações funcionais inerentes à idade, agravados por seqüelas de isquemia cerebral (CID 169) desde 05.11.2009." Do exposto acima, não vislumbro que o quadro constatado em 2011 evidenciasse qualquer uma das moléstias elencadas pelo inciso XIV do artigo 6º da Lei 7.713/88 à época dos fatos geradores em questão. Não se afirmou que o autuado era portador, mesmo em 2011, de alienação mental ou de paralisia incapacitante e irreversível, por exemplo. Em que pese as limitações decorrentes do avançar da idade, sua locomoção, ainda que por meio de bengalas, demonstram, ao menos em meu sentir, que a doença que o aflige não é aquela que o incapacita para fins do gozo da isenção do IR. E mais, naquele relatório foi feito constar que a mesma junta médica teria afirmado que "não foram apresentados exames complementares (passados ou atuais) que comprovem a referida incapacidade laborativa, sendo anexado apenas um único atestado médico datado de 23.01.1981, sem menção à incapacidade laborativa." (destaquei.) Não obstante as considerações tecidas pela junta médica, ladeadas à informação prestada pelo Supervisor Médico da Gerência de Perícia Médica, da Diretoria de Saúde do Servidor (SEA), no sentido de que não se pode afirmar, tecnicamente, que era possível considerálo totalmente e definitivamente incapaz para o trabalho na data da concessão da aposentadoria por invalidez (fls.71), referida Comissão, após exame de vários documentos e exames subscritos por médicos particulares, assim concluiu: Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11516.722472/201275 Acórdão n.º 2402006.626 S2C4T2 Fl. 5 7 Em que pese a conclusão acima, diferentemente do que sugere o recorrente, os atos administrativos que concedem a aposentadoria e os que reconhecem a isenção para fins do Imposto de Renda (e sua conseqüência na tributação dos rendimentos) não são emitidos pela mesma autoridade, além de serem autônomos e se sujeitarem a normas específicas para o seu deferimento. Em outras palavras: os requisitos para a concessão de aposentadoria por invalidez podem não ser, necessariamente, os mesmos para a fruição do gozo à isenção do IR. Desta feita, a aposentadoria por invalidez, por si só, não gera automático direito a o benefício isentivo. Enquanto que, neste caso, para a concessão de aposentadoria as regras são postas pela legislação própria de Direito Administrativo ; para o gozo da isenção, há de se observar as normas de natureza tributária. Com isso, as condições estão expressamente previstas nas Leis 7.713/88 e 9.250/95 e devem ser observadas. Como bem colocado pela decisão de piso, não há benefício isentivo ad eternum, vez estar condicionado sempre à permanência da condição que o ensejara. Assim, uma vez inobservadas as condições, compete ao Fisco exigir o tributo não recolhido, atentandose, aí sim, para, o prazo legal para a constituição do crédito, a teor do CTN, e não da Lei 9.784/99, conforme argumenta o autuado. Sustenta o autuado que em 07.07.2011, os médicos integrantes da junta oficial da Secretaria da Receita Federal do Brasil teriam atestado no laudo de avaliação que o recorrente seria portador de paralisia cerebral espástica, culminando na tríplice flexão dos Fl. 246DF CARF MF 8 membros inferiores. Todavia, não se identificou nos autos a comprovação do alegado quanto à perícia pela RFB. O fato de os atestados e laudos terem sido emitidos em 1981, não afasta a necessidade de aqueles eventualmente emitidos após 01.01.1996, ainda que no intuito de "esclarecer, melhorar ou aditar" o anterior, precisarem estar subscritos por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Por sua vez, no que toca à alegação de ser portador do Mal de Alzheimer, chamo à atenção para o relato fiscal, nos seguintes termos: Em uma análise minuciosa de todos os documentos acostados aos processos encaminhados pelo IPREV, não localizamos nenhum laudo e nem mesmo uma declaração médica atestando que o Sr. Hamilton Luiz Rosa esteja acometido do Mal de Alzheimer. Da mesma forma, também não há qualquer menção de que a paralisia que o contribuinte apresenta seja incapacitante. Na Ficha do Paciente de fls. 37 vemos que o contribuinte tem deficiência física desde a infância com seqüela de poliomielite (paralisia infantil), com marcha com uso de bengala. Na conclusão da ressonância magnética de crânio realizada em 05/11/09 (fls. 64) se encontra registrado: Ressonância magnética de crânio evidenciando pequenos focos de glicose/isquemia esparsa na substância branca subcortical dos hemisférios cerebrais, associado a pequena lesão isquêmica seqüelar na córtex na região póscentral à direita. Angioma venoso cerebelar à esquerda. Nada fala a respeito de que essa situação tipifique a doença de Alzheimer. No que tange à alegação de que seria, ao tempo dos fatos geradores, portador de paralisia incapacitante e irreversível, além de não constar tal circunstância consignada em qualquer laudo oficial, o "Manual de Avaliação das Doenças e Afecções que Excluem a exigência de Carência para Concessão de Auxílio Doença ou Aposentadoria por Invalidez" do INSS, de 2005 1, especifica a paralisia como sendo incapacitante e irreversível na seguinte situação: 27.3 A paralisia será considerada irreversível e incapacitante quando, esgotados os recursos terapêuticos da Medicina especializada e os prazos necessários à recuperação motora, permanecerem distúrbios graves e extensos que afetem a mobilidade, a sensibilidade e a troficidade e que tornem o examinado total e permanentemente impossibilitado para qualquer trabalho. Noutro giro, há nos autos, e isso foi trazido à baila pela Fiscalização, evidência de que o autuado exerceu a advocacia no período atinente aos fatos geradores. Por sua vez, aduz o recorrente que mesmo diante da incapacidade, não teria se desligado da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) por uma série de motivos. Primeiro 1 https://peritomed.wordpress.com/2010/12/29/manuaisdoinss/ Fl. 247DF CARF MF Processo nº 11516.722472/201275 Acórdão n.º 2402006.626 S2C4T2 Fl. 6 9 por questão de satisfação pessoal em se manter registrado no seu órgão de classe. Segundo porque mesmo diante da incapacidade, não se encontra impedido de se manter inscrito. Terceiro porque o fato de estar inscrito como ativo não descaracteriza a doença incapacitante. E prossegue ao afirmar que por orientações médicas, a sua família foi orientada a proporcionarlhe alguma atividade e que, nestes termos, sua filha ao concluir o curso de Direito, teria o inserido no seu meio profissional, dentro de seus limites e que, ainda que desprovido de capacidade intelectual, fizesse parte de alguns processos, porém, sem exercer atividade jurídica. E arremata ao informar que a atividade de advocacia proporcionaria tal conduta, podendo o advogado constar em procurações, sem de fato exercer a profissão, tal como ocorreu; que sua filha levou certo tempo para obter a inscrição como advogada, e neste interregno foi auxiliada pelo impugnante. As justificativas apresentadas são, data maxima venia, desprovidas de qualquer razoabilidade. Trago a seguir, a íntegra das constatações e conclusões, com as quais filio me, promovidas pelo diligente julgador de primeira instância, sobre a questão: "Neste ponto discorda o impugnante, aduzindo que é advogado, que mesmo diante da incapacidade, não se desligou OAB/SC, justificando, ser por satisfação pessoal se manter registrado no seu órgão de classe; que mesmo diante da incapacidade, não se encontra impedido de se manter inscrito; que o fato de estar inscrito como ativo não descaracteriza a doença incapacitante; que por orientações médicas, a sua família foi orientada a proporcionar ao impugnante alguma atividade e que, nestes termos, sua filha ao concluir o curso de Direito o inseriu no seu meio profissional, dentro de seus limites e que, ainda que desprovido de capacidade intelectual, fizesse parte de alguns processos, porém, sem exercer atividade jurídica; que a atividade de advocacia proporciona tal conduta, podendo o advogado constar em procurações, sem de fato exercer a profissão, tal como ocorreu; que sua filha levou certo tempo para obter a inscrição como advogada, e neste interregno foi auxiliada pelo impugnante. No que interessa ao deslinde, como dantes frisado, é a prova de o contribuinte estar acometido no rol das moléstias isentivas. O que se denota em reforço de que não se encontra incapaz, são os atos praticados incompatíveis com a sua condição, notadamente o exercício profissional de advocacia, demonstrado no vasto rol de processos em que atua, consoante pesquisa no sítio do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, juntado pela autoridade fiscal, bem como a percepção de rendimentos da atividade, cuja análise da pesquisa, apenas limitada à Comarca da Capital (Florianópolis), indica sua atuação em processos em variados anos, que por conveniência cito alguns, colhidos do documento juntado: 090.03.0030390 (000303981.2003.8.24.0090) – autuação 30/07/2003; 000903766.2005.8.24.0023 (023.05.0090375) – autuação 28/02/2005; Fl. 248DF CARF MF 10 010214314.2007.8.24.0023 (023.07.1021437) – autuação 11/06/2007; 023.08.0102932 (001029339.2008.8.24.0023) – autuação 04/04/2008; 001149262.2009.8.24.0023 (023.09.0114925) – autuação 30/01/2009; 005465813.2010.8.24.0023 (023.10.0546580) –autuação 29/10/2010; 023.11.5030754 (050307592.2011.8.24.0023) – autuação 12/09/2011; 070103959.2012.8.24.0023 –autuação 06/03/2012. Em consulta feita em 14/06/2013 no sítio da internet do TJSC em www.tj.sc.gov.br, constatase a existência de processos em que atua há mais de vinte anos, que destaco: 002603646.1995.8.24.0023 (023.95.0260360) – autuação 06/04/1987; 000613335.1989.8.24.0023 (023.89.0061338) – autuação 28/1/2/1989; 003752262.1994.8.24.0023 (023.94.0375223) – autuação 21/05/1990; 000026333.1994.8.24.0023 (023.94.0002630) – autuação 10/06/1994; 003753272.1995.8.24.0023 (023.95.0375329) – autuação 25/07/1995; 001222060.1996.8.24.0023 (023.96.0122208) – autuação 06/03/1996 025112179.1997.8.24.0023 (023.97.2511218) – autuação 09/04/1997; 004522597.2001.8.24.0023 (023.01.0452250) – autuação 06/08/2001; 003157716.2002.8.24.0023 (023.02.0315778) – autuação 03/09/2002; 006472292.2004.8.24.0023 (023.04.0647229) – autuação 09/07/2004; 011678237.2007.8.24.0023 (023.07.1167822) – autuação 02/08/2007; 006164014.2008.8.24.0023 (023.08.0616405) – autuação 09/09/2008; 005908922.2012.8.24.0023 (023.12.0590894) – autuação 18/10/2012. A pesquisa indica que exerce atividade profissional de advocacia, inclusive com histórico de atuação recente, como no processo 005908922.2012.8.24.0023 (023.12.0590894) – autuação 18/10/2012, ou seja, conduta não condizente com o quadro incapacitante que alega ter. No que se refere o argumento de que não exerce a advocacia, mas apenas prestou auxílio para sua filha e não exerceu atividade jurídica, observo que este fato por si só, não condiz com a pesquisa processual e sequer trouxe aos autos qualquer prova indicando que nos autos judiciais citados não praticou qualquer ato de sua parte. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 11516.722472/201275 Acórdão n.º 2402006.626 S2C4T2 Fl. 7 11 Em pesquisa no sítio da OAB/SC consta a notícia da entrega de carteira aos novos advogados em 07/07/2010, em cujo rol consta Caroline Martins Rosa, filha do contribuinte, que colaciono: Vêse, pois, que somente no ano de 2010 a filha passou a exercer a advocacia, no entanto, o contribuinte exerce a advocacia há mais vinte anos. Destaco ainda, que a pesquisa processual do TJSC em 14/06/2013 mostra que tanto o contribuinte quanto a sua filha atuam em processos diversos, como se colaciona por amostragem: 002603646.1995.8.24.0023 (023.95.0260360) Execução de Título Extrajudicial Advogado(a): Hamilton Luiz Rosa Recebido em: 06/04/1987 2ª Vara Cível 003753272.1995.8.24.0023 (023.95.0375329) Divórcio Litigioso Advogado(a): Hamilton Luiz Rosa Recebido em: 25/07/1995 1 ª Vara da Família 002217690.2002.8.24.0023 (023.02.0221765) Procedimento Sumário Advogado(a): Hamilton Luiz Rosa Recebido em: 21/06/2002 2 ª Vara Cível Fl. 250DF CARF MF 12 005908922.2012.8.24.0023 (023.12.0590894) Execução Contra a Fazenda Pública / Liquidação / Cumprimento / Execução Advogado(a): Hamilton Luiz Rosa Recebido em: 18/10/2012 Execuções contra a Fazenda Pública e Precatórios 000208561.2011.8.24.0023 (023.11.0020858) Procedimento do Juizado Especial Cível / Estabelecimentos de Ensino Advogado(a): Caroline Martins Rosa OAB 030.036/SC Recebido em: 14/01/2011 1 º Juizado Especial Cível 050169619.2011.8.24.0023 (023.11.5016964) Procedimento Ordinário / Adicional de Horas Extras Advogado(a): Caroline Martins Rosa OAB 030.036/SC Recebido em: 27/05/2011 3 ª Vara da Fazenda Pública 050243203.2012.8.24.0023 (023.12.5024323) Procedimento Ordinário / Indenização por Dano Material Advogado(a): Caroline Martins Rosa OAB 30036/SC Recebido em: 28/09/2012 4 ª Vara Cível" Ademais, a considerar que o reconhecimento da isenção no âmbito da RFB não está condicionado a que o laudo oficial seja emitido pela própria fonte pagadora, o recorrente poderia, como alternativa, ter acostado aos autos laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, elaborado a partir dos documentos (atestados, declarações, exames, etc) emitidos por médico particular, onde se consignasse a existência da doença e, em especial, na data dos fatos gerados aqui envolvidos. Simples assim. Inexplicavelmente, insiste o recorrente no aproveitamento de uma decisão que não traz, para fins tributários, a mínima certeza exigida pela Lei, em especial à luz do que dispõe o artigo 111 do CTN, de que seria, no período de 2007 a 2011, portador de uma daquelas doenças previstas no inciso XIV do artigo 6º da Lei 7.713/88. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 11516.722472/201275 Acórdão n.º 2402006.626 S2C4T2 Fl. 8 13 Frente ao exposto, voto por CONHECER do recurso e no mérito, NEGAR LHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 252DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.900189/2014-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/03/2010 a 31/03/2010
FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF.
Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2010 a 31/03/2010
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição.
Numero da decisão: 3301-005.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/03/2010 a 31/03/2010 FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2010 a 31/03/2010 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente. (assinado digitalmente) SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
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Nos pedidos de restituição e compensação PER/DCOMP, a falta de retificação da DCTF do período em análise não é impedimento para deferimento do pedido, desde que o contribuinte demonstre no processo administrativo fiscal, por meio de prova idônea, contábil e fiscal, a existência da liquidez e certeza do crédito pleiteado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2010 a 31/03/2010 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar que as receitas (de natureza diversa das de vendas de mercadorias e de serviços) afastadas da incidência foram incluídas indevidamente na base de cálculo da contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. (assinado digitalmente) SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 90 01 89 /2 01 4- 87 Fl. 335DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior Relatório Tratase de pedido de compensação realizado pela contribuinte no PER/DCOMP 18085.36896.250314.1.3.043423 (fls. 2226) transmitida em 25/03/2014, informando um recolhimento a maior, à título de COFINS na monta de R$ 199.790,84 (cento e noventa e nove mil, setecentos e noventa reais e oitenta e quatro centavos) por DARF em quitada em 23/04/2010 para o período de apuração 31/03/2010, no montante de R$ 294.417,80, sendo que o devido para o período de apuração seria de R$ 94.626,96 Para utilizar este suposto crédito, a Recorrente então transmitiu a DCOMP acima mencionada, informando um crédito original na data da transmissão no montante de R$ 20.106,29 para compensar com um débito de COFINS não cumulativo devido no período de apuração de fevereiro/2014 no montante de R$ 15.000,00. Declarou também, para fins de compensação, um montante de PIS não cumulativo, também devido no período de apuração de fevereiro/2014, no montante de R$ 5.000,00. Em 04/06/2014 (fl. 27), a Secretaria da Receita Federal do Brasil proferiu despacho decisório para NÃO HOMOLOGAR a compensação declarada, sob o fundamento de que foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação dos débitos declarados pelo contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados, verbis: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 20.106,29 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10320.900189/201487 Acórdão n.º 3301005.552 S3C3T1 Fl. 336 3 Intimada da decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 3536) para instaurar o contencioso administrativo, afirmando que o PER/DCOMP ora em análise reflete o crédito demonstrado no DACON do mês de março de 2010, o que pode também ser verificado na retificadora da DCTF para o mês de março de 2010, todos juntados aos autos com a manifestação de inconformidade. Em 29/06/2016, a 1ª Turma da DRJ/JFA julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do acórdão 0960.488 (fls. 5661), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 23/04/2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A inexistência de direito creditório impede a homologação da compensação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 23/04/2010 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pela interessada à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a esta o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em suas razões de voto, a DRJ utilizou da fundamentação do acórdão proferido no processo administrativo nº 10320.900163/201439. Afirmou que as informações constantes da DCTF existente no sistema até a data da entrega do PER/DCOMP não refletia o montante de tributo indevidamente recolhido para respaldar o crédito pleiteado pela contribuinte, que não aqueles reconhecidos pela Secretaria da Receita Federal nos outros PER/DCOMPs mencionados; Afirmou ainda que a DCTF retificadora apresentada com a impugnação foi retificada em data posterior à ciência do despacho decisório, portanto, já em sede de manifestação de inconformidade, caberia à interessada a prova de que cometeu erro de preenchimento na DCTF original e em duas das retificadoras (datadas de 03/09/2010 e 02/10/2013) e que o valor efetivamente devido é menor e corresponde ao montante declarado nesta terceira DCTF retificadora apresentada em 16/07/2014. Como nada foi trazido aos autos para trazer liquidez e certeza ao crédito estampado nesta nova DCTF retificadora, como por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos para comprovar o real montante do tributo devido no período, não seria possível a procedência de seu pleito. Fl. 337DF CARF MF 4 Inconformada da r. decisão, a contribuinte apresentou, no prazo, seu Recurso Voluntário, que ora se analisa (fls. 6873), trazendo as seguintes argumentações: Há pagamento a maior e a Fazenda Pública não pode se enriquecer sem causa; Argumenta pela obrigação funcional da Administração em apurar a verdade material e o princípio da moralidade; Aduz que a DACON foi transmitida antes do despacho decisório e, por força do princípio da verdade material, deveria ter ser observado referido demonstrativo do crédito evidenciado na DACON; O dever de o Fisco confirmar as informações do contribuinte, bem como o dever de fazer cumprir a verdade material que norteia o processo administrativo; Procedeu a retificação da sua declaração e apresentou a respectiva PER/DCOMP, para que fosse efetivada a compensação dos créditos tributários. Juntou com o recurso o livro razão da conta contábil "3.3.1.09.0006 COFINS VDA.TRATORES INDUST.SDLG" do exercício de 2010 (fls. 7484), uma extensa listagem de compras de matéria príma, material de embalagem e produto intermediário supostamente utilizados em sua produção no período de março/2010, devolução de vendas, frete, serviços tomados e demais despesas incorridas para comprovar seus créditos da não cumulatividade das contribuições, bem como listagem de venda de produtos e serviços (fls. 85 331). Apresentou também uma planilha demonstrativa para pretender evidenciar seu crédito (fls. 332) É a síntese do necessário Voto Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior O recurso voluntário é tempestivo, merecendo ser conhecido e analisado em seu mérito. Para o deslinde da causa, é essencial a análise da motivação da decisão que homologou parcialmente a compensação. Fundamentase a r. decisão, na falta de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado pela Recorrente. Isso porque, conforme se percebe da r. decisão recorrida, no período de apuração de março/2010 a Recorrente realizou uma declaração em DCTF informando um montante de R$ 294.417,80 à título de débito de COFINS. Percebendo seu equívoco, realizou uma DCTF retificadora para informar um que recolheu a maior um montante de R$ 118.428,73. Elaborou três Dcomps que foram totalmente homologadas para compensar débitos, pleiteado das Dcomps nº 12615.75508.240910.1.7.040328., 30958.15434.290910.1.3.041280 e 27601.61502.240111.1.3.046765. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10320.900189/201487 Acórdão n.º 3301005.552 S3C3T1 Fl. 337 5 No sistema da Receita Federal era esta a informação existente quando do despacho decisório proferido em 04/06/2014, daí porque não foi reconhecido este novo montante de crédito pleiteado pela Recorrente. Juntamente com a manifestação de inconformidade, a Recorrente apresentou nova retificadora da DCTF, transimitida em 16/07/2014 (fls. 4953) a fim de evidenciar que o montante de COFINS efetivamente devido em março/2010 era de R$ 94.626,96. Como recolheu por guia DARF o valor de R$ 294.417,80, e por já ter realizado a compensação de R$ 118.428,73, restava de crédito a monta de R$ 81.362,11. Nesta DCOMP a Recorrente informou um crédito original de R$ 20.106,29, pretendendo utilizar R$ 14.656,31 para compensação. Ressaltese, no entanto, que a retificação da DCTF, por si só, não se presta para solidificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte, sendo indispensável a apresentação de prova idôneas, tais como demonstrativos contábeis, para aferição do crédito. Neste sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF, no julgamento do processo 10909.900175/200812, manifestando o entendimento no acórdão nº 9303005.520 (sessão de 15/08/2017), no sentido de que, mesmo no caso de uma a retificação posterior ao Despacho Decisório, como é o caso em análise, não há impedimento para o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, comparecendo nos autos com qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Esta colenda 1ª TO da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF tem manifestado entendimento no mesmo sentido, segundo a qual, em razão da verdade material, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte pode ser demonstrada por outros elementos de prova, independentemente da retificação da DCTF, conforme é possível constatar pelo recente acórdão relatado pela ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. (...) Fl. 339DF CARF MF 6 Recurso Voluntário provido. (Número do Processo 11060.900738/201311. Relatora SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO.Data da Sessão 17/04/2018. Nº Acórdão 3301004.545) Cabe, portanto, à Recorrente, a demonstração da origem e liquidez de seu crédito pleiteado. A Recorrente trouxe aos autos, em seu recurso voluntário, livro razão que parece não ter a menor pertinência para o deslinde da causa. Apresentou também extensa listagem de compras, serviços e receita bruta. No entanto, caberia à Recorrente realizar uma conciliação com a escrita fiscal e contábil, que, aliás, foi apresentada de forma insuficiente, com vistas a esclarecer os fatos de seu interesse e respaldar o direito de seu pedido. Nem mesmo diligência fiscal poderia esclarecer e confirmar a existência do crédito pleiteado. É de total interesse da Recorrente, em casos de pedidos de ressarcimento e compensação, o esclarecimento e a prova de seu crédito. Apenas apresentar documentos aleatórios sem nenhum critério de conexão, como o livro razão de uma única conta contábil, que não se mostra suficiente para a causa, ou invocar a verdade material para afirmar que é dever da fiscalização analisar a documentação e conferir com a DACON não são suficientes para evidenciar a liquidez e certeza de seu crédito.. É assente o entendimento de que, nos pedidos de restituição e compensação, o ônus da prova da existência do crédito é do contribuinte, não tendo a Recorrente se desincumbido de tal tarefa. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. (Número do Processo 10880.674831/200954. Relatora LARISSA NUNES GIRARD. Data da Sessão 13/06/2018. Nº Acórdão 3002000.234) (grifos não constam do original) Neste diapasão, é de se negar o direito creditório pleiteado Conheço do recurso voluntário, mas nego provimento. Salvador Cândido Brandão Junior Relator Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10320.900189/201487 Acórdão n.º 3301005.552 S3C3T1 Fl. 338 7 Fl. 341DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.720694/2016-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad.
RELATÓRIO
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad. RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Trata o presente processo de autos de infração de PIS/Pasep e Cofins lavrados contra a pessoa jurídica acima qualificada, em que foram apuradas infrações relativas à composição da base de cálculo, não tendo sido constituído crédito tributário em função do aproveitamento dos créditos da não cumulatividade existentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .7 20 69 4/ 20 16 -0 1 Fl. 17954DF CARF MF Processo nº 10925.720694/201601 Resolução nº 3302000.919 S3C3T2 Fl. 3 2 2. Segundo Termo de Verificação Fiscal integrante dos autos (fls. 27/35), , após ser intimada a apresentar os documentos comprobatórios das exclusões relativas a vendas para cooperados (Termo de Intimação Fiscal – TIF nº 09), a impugnante respondeu que tais valores foram excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins por se referirem a vendas de produtos e mercadorias a associados ou mesmo repasse efetuado a associados por conta de produtos por estes entregues à cooperativa. 3. Referindose ao inciso II do art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 635, de 2006, a fiscalização entende que, na exclusão das receitas de venda de bens e mercadorias ao associado, necessário se faz determinar qual a natureza dessa venda, visto que a teor do § 2º do mesmo art. 11 da IN SRF 635/2006, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculadas diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa, e que deverão ser contabilizadas destacadamente pela cooperativa, sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie e quantidade dos bens ou mercadorias vendidos. 4. Sendo assim, a autoridade fiscal reincluiu na base de cálculo valores referentes a itens destinados a alimentação, vestuário, higiene pessoal, etc., que não guardam relação com a atividade econômica do cooperado. Da mesma forma procedeu com relação à venda de gasolina, acrescentando que por ser produto sujeito à tributação monofásica não compôs a base de cálculo das contribuições. 5. Além disso, com relação ao produto “leite in natura”, concluiu que a cooperativa somente poderá excluir da base de cálculo o valor repassado ao cooperado pelo produto a ela entregue (inciso I do artigo 11 da IN SRF 635/2006) e não o valor da receita de venda desse produto pela cooperativa (inciso II do artigo 11 da IN SRF 635/2006). 6. Para elaboração do auto foram aproveitados os créditos relativos a “Aquisições no Mercado Interno Vinculados à Receita Tributada no Mercado Interno”, “Aquisições no Mercado Interno – Presumido – Atividades Agroindustriais” e os saldos de créditos anteriores, conforme demonstrado no Relatório (apenas a título de informação tais itens foram, em ação fiscal posterior, objeto de glosa, conforme processo 10925.722302/201630, julgado em conjunto com o presente). 7. Cientificada em 24.05.2016 (fl. 39), a interessada apresentou tempestivamente, em 21.06.2016, impugnação (fls. 17.813/17830), onde apresenta os argumentos abaixo sintetizados: a) Quanto as exclusões da base de cálculo, alerta para as peculiaridades das cooperativas, ressaltando que “as operações realizadas entre os associados e a sociedade cooperativa, e entre esta e aqueles, não representam negócio mercantil, pois não há como fazer negócio mercantil consigo mesmo, não há como realizar operação de compra e venda com a mesma pessoa”; Fl. 17955DF CARF MF Processo nº 10925.720694/201601 Resolução nº 3302000.919 S3C3T2 Fl. 4 3 b) Acrescenta: “Não se pode perder de vista que, tanto para o direito tributário, quanto para o direito privado, para que exista receita bruta, é imprescindível a existência de atos de comércio.”; c) “Portanto, forte no art. 79 e seu parágrafo único da Lei nº 5.764/1971, consoante as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça no sentido de não ser possível tributar as operações que envolvem os atos cooperativos, e, em abalizada doutrina, outra conclusão não há, senão a de que as operações realizadas entre a Impugnante e seus associados tratase de NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA, vez que não se trata de negócio mercantil, mas sim de verdadeiro ato cooperativo.”; d) No caso da gasolina, alega que por equívoco incluiu na sua base de cálculo o produto sujeito à incidência monofásica, cuidando de excluí los em seguida. Acrescenta: “E nem se alegue que o produto não faz parte da atividade econômica dos cooperados. Conforme argumentação do tópico anterior, as contribuições sócias não podem incidir sobre atos cooperativos”. e) No que diz respeito ao “leite in natura”, aduz que o agente fiscalizador não observou que tais tem como destinatário a “COOPERATIVA CENTRAL OESTE CATARINENSE – AURORA”, da qual a Impugnante é cooperativa singular filiada, caracterizando, portanto, ato cooperativo; f) Aduz que “A autoridade fiscalizadora em momento algum provou em sentido contrário ao que a Impugnante apresentou nas memórias de cálculo e informou nas declarações de obrigação acessória transmitidas ao FISCO , logo, permanece a presunção de verdadeiros os registros contábeis, declarações e demais documentos elaborados pela Impugnante”; g) “Cabe ao Fisco a prova da irregularidade, ou seja, provar que o fornecimento de bens de consumo para cooperados não configura ato cooperativo, ou provar que a Impugnante não incluiu as vendas de gasolina na base de cálculo das contribuições, ou ainda, provar que a venda de leite in natura não pode ser excluída da base de cálculo, bem assim fundamentar de forma criteriosa e clara, quais os fatos e as disposições legais, que embasam a sua posição, visto que os contribuintesImpugnante gozam da presunção legal”; h) Requer a realização de perícia e diligência, para as quais aponta quesitos e indica perito; k) Ao final, requer: “1 – o recebimento e processamento da presente, com os documentos que a acompanham; 2 – seja dado provimento a presente Impugnação e determinado a anulação e arquivamento do auto de infração em debate, pelas razões antes expostas; Fl. 17956DF CARF MF Processo nº 10925.720694/201601 Resolução nº 3302000.919 S3C3T2 Fl. 5 4 3 – determinar, no caso de não acolhimento do pedido consignado no item 2, a mais ampla produção de provas, em especial a pericial e as diligências mencionadas.”. A Terceira Turma da DRJ Belém julgou a impugnação improcedente, nos termos do Acórdão nº 0134.165, de 02 de maio de 2017, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2011 a 31/12/2011 COOPERATIVAS. EXCLUSÕES. As sociedades cooperativas poderão excluir da base de cálculo da contribuição, dentre outros itens, os valores repassados aos associados decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa e as receitas de venda de bens e mercadorias a associados, quando estiverem vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2011 a 31/12/2011 COOPERATIVAS. EXCLUSÕES. As sociedades cooperativas poderão excluir da base de cálculo da contribuição, dentre outros itens, os valores repassados aos associados decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa e as receitas de venda de bens e mercadorias a associados, quando estiverem vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado. Inconformado com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário onde repisa todos os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. VOTO O Recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, de forma que dele tomo conhecimento e passo a análise de mérito. Conforme já relatado, o processo trata de autos de infração do PIS e da Cofins apurados pela não cumulatividade, resultante da análise fiscal que identificou exclusões indevidas das bases de cálculo das exações. Segundo termo de verificação fiscal, o sujeito passivo é uma cooperativa de produção, sendo regida por legislação específica. Ao apurar a base de cálculo das contribuições referentes aos período de apuração compreendido entre 01/07/2011 e 31/12/2011, o sujeito passivo teria excluído valores referentes a bens de consumo, às vendas de gasolina e às vendas de leite in natura. A fiscalização entendeu como indevidas as mencionadas exclusões e efetuou o lançamento tributário. Fl. 17957DF CARF MF Processo nº 10925.720694/201601 Resolução nº 3302000.919 S3C3T2 Fl. 6 5 Em sua defesa, o contribuinte alega que: a) Quanto à glosa das exclusões de bens de consumo: à alimentação, vestuário, higiene pessoal: Que as operações realizadas entre os associados e a sociedade cooperativa, e entre esta e aqueles, não representam negócio mercantil, pois não há como fazer negócio mercantil consigo mesmo, não há como realizar operação de compra e venda com a mesma pessoa. Desta forma, visto que não há negócio mercantil nas operações realizadas entre a Cooperativa ora Impugnante e os associados, não há que se falar em receita bruta de comercialização na entrega de produtos para os cooperados, ou mesmo na comercialização da produção do associado quando os produtos são entregues à cooperativa. Portanto, considerando que as operações com cooperados não configuram hipótese de incidência das contribuições para o PIS e Cofins, todas as operações com cooperados devem ser excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. b) Quanto à glosa da exclusão pertinente às vendas de gasolina: Que o agente fiscalizador glosou as exclusões referentes ao produto “gasolina” alegando que o mesmo está sujeito a incidência monofásica das contribuições para ao PIS e COFINS e, portanto não compôs a base de cálculo das contribuições. Está correta a afirmação de que a gasolina comum sujeitase ao regime monofásico de recolhimento das contribuições para o PIS e COFINS, ou seja, a tributação é concentrada no produtor ou distribuidor do produto. Ocorre que, por um equívoco na apuração das contribuições, a recorrente ofereceu a tributação integral a esse produto para posterior exclusão da base de cálculo, conforme pode ser comprovado pelas planilhas apresentadas em resposta à intimação nº 09. Diante desse quadro, resta evidente a necessidade de glosa dos valores referentes ao produto. c) Quanto à glosa da exclusão pertinente às vendas de leite in natura: O agente fiscalizador glosou as exclusões referentes a venda de leite in natura, sob o argumento de que em seu entendimento, nas operações com o leite o recorrente deveria excluir o valor repassado aos cooperados pelo leite entregue ao recorrente e não as receitas de venda desse leite. Nada obstante, o agente fiscalizador não observou que as vendas de leite in natura excluídas da base de cálculo tem como destinatário a “COOPERATIVA CENTRAL OESTE CATARINENSE – AURORA”. Esta por sua vez, é associada do recorrente e o recorrente é cooperativa singular filiada a central de cooperativas AURORA. Ou seja, as operações entre o recorrente e a AURORA constituemse em ato cooperativo. Portanto, nas operações entre o recorrente e a central de cooperativas Aurora não pode incidir PIS e Cofins por se tratar de verdadeiro ato cooperativo. Acontece que para esse relator faltam elementos essenciais para formação de sua convicção, uma vez que o sujeito passivo apresentou argumentos com auto grau de probabilidade e os autos não possuem um conjunto probatório suficiente para sanar as dúvidas surgidas após os recursos apresentados pelo sujeito passivo. Diante desse quadro, entendo necessária a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade preparadora esclareça os seguintes pontos: a) Se as operações de venda de gasolina foram incluídas na base de cálculo das contribuições sociais para o PIS e Cofins, tendo sido tributadas? Fl. 17958DF CARF MF Processo nº 10925.720694/201601 Resolução nº 3302000.919 S3C3T2 Fl. 7 6 b) Se as vendas de leite in natura excluídas da base de cálculo das contribuições sociais para o Pis e Cofins foram destinadas à Cooperativa Central Oeste Catarinense Aurora? c) Qual a relação entre a Cooperativa Aurora e a Cooperativa Concórdia? Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 17959DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.720473/2012-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009
INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE
A autoridade administrativa não possui competência para apreciar inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE.
Improcedentes as arguições de nulidade, quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972.
SIMPLES NACIONAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracterizam-se como omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2.
OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO REFLEXO.
Numero da decisão: 1201-002.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
EVA MARIA LOS - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
RAFAEL GASPARELLO LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los (presidente em exercício), José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008, 2009 INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE A autoridade administrativa não possui competência para apreciar inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Improcedentes as arguições de nulidade, quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. SIMPLES NACIONAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam-se como omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2. OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO REFLEXO.
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MÁQUINAS AGRÍCOLAS LTDA. ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE A autoridade administrativa não possui competência para apreciar inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Improcedentes as arguições de nulidade, quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. SIMPLES NACIONAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de receita, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme sua Súmula nº 2. OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTO REFLEXO. Havendo a omissão de receita tributável pelo IRPJ, aplicase idêntico entendimento aos demais tributos e contribuições sociais, com a incidência sobre os mesmos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 04 73 /2 01 2- 90 Fl. 274DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) EVA MARIA LOS Presidente em exercício. (assinado digitalmente) RAFAEL GASPARELLO LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los (presidente em exercício), José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório O acórdão nº 0939.937, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora/MG, julgou improcedente a impugnação administrativa, conforme se extrai da sua ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE A autoridade administrativa não possui competência para apreciar inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não se cogita de nulidade dos lançamentos, ausentes as causas delineadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, ou no 142 do CTN. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2008, 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizamse como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito/investimento mantidas junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa jurídica intimada não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações, Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10675.720473/201290 Acórdão n.º 1201002.305 S1C2T1 Fl. 274 3 com documentação hábil e idônea, decotados aqueles estornados e os créditos decorrentes de transferências mesma titularidade. LANÇAMENTOS REFLEXOS. IPI, CSLL, Cofins, Pis e INSS Dada a relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Resumidamente, o acórdão recorrido narrou os fatos que proporcionaram a imposição fiscal: Tratase de Autos de Infração correspondentes aos anos calendários (AC) 2008 e 2009, tendo sido o crédito tributário consolidado de R$ 73.729,25, a título de IRPJ, IPI, CSLL, Cofins, Pis e INSS, todos do Simples. Segundo a DESCRIÇÃO DOS FATOS, houve omissão de receitas via depósitos bancários não escriturados, consoante o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de resumo abaixo: 1) foram apresentadas as DASN correspondentes aos AC 2008 e 2009 “registrando receita apenas para o mês de janeiro/2008 [...] para todo o período restante (fevereiro/2008 a dezembro/2009) declarou faturamento nulo. [...] Na impugnação, são aduzidas razões de defesa, baseadas ainda em posicionamentos judiciais e jurisprudenciais; excertos abaixo: 2 PRELIMINAR DA NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL [...] a fiscalização utilizouse de procedimento ilegal e inconstitucional para apurar o suposto crédito tributário, quebrando o sigilo bancário da impugnante sem qualquer autorização judicial [...]. 3 DO MÉRITO 3.1 DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS O simples fato de efetuar depósitos em um banco não é, por si só, comprobatório de que ele tenha auferido rendimentos tributáveis. É necessário o nexo da evidência do recebimento de rendimentos,[...]. A autoridade fiscal não demonstrou a utilização destes valores do depósito como renda auferida, o que seria necessário. O lançamento teve como fundamento único a existência dos depósitos. A própria legislação determina que o dever de prova é do fisco, não bastando tão somente lançar sem o esteio da comprovação. [...]. (original contém negritos) Fl. 276DF CARF MF 4 A contribuinte interpôs o tempestivo Recurso Voluntário, reiterando os mesmos argumentos da impugnação administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, havendo os demais pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. I. NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO O acórdão recorrido ratificou a exigência tributária, explicitando a inexistência de qualquer nulidade do lançamento de ofício. Igualmente, não vislumbro quaisquer das hipóteses dos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/19721, endossando a ausência de nulidade e prevalecendo a validade da constituição do crédito tributário, tal como formalizado. Por sua vez, não é nula a exigência consubstanciada em informações financeiras da contribuinte, obtidas pela Receita Federal do Brasil sem prévia autorização judicial. Atualmente, a jurisprudência do Egrégio Supremo Tribunal Federal, uniformizada pelo acórdão prolatado no Recurso Extraordinário (RE) nº 601.314/SP, com efeito da repercussão geral estabelecida no artigo 543B do Código de Processo Civil vigente à época, possibilita o acesso dessas informações bancárias no exercício do procedimento fiscal: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos 1 “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio” Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10675.720473/201290 Acórdão n.º 1201002.305 S1C2T1 Fl. 275 5 referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. O artigo 145, parágrafo primeiro, da Constituição Federal, consagra o princípio da capacidade contributiva, orientando que "sempre que possível os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, Fl. 278DF CARF MF 6 identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte." A autoridade administrativa é competente para exigir informações financeiras da contribuinte, mediante intimação escrita, consoante o artigo 197 do Código Tributário Nacional: "Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II – os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras;" A Lei Complementar nº 105/2001 permitiu a requisição de informações diretamente nas instituições financeiras, ressaltando que não configuraria violação ao dever de sigilo: Art.1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) §3º Não constitui violação do dever de sigilo: (...) VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art.5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) §2º As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. (...) §4º Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10675.720473/201290 Acórdão n.º 1201002.305 S1C2T1 Fl. 276 7 §5º As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Este instrumento de fiscalização foi aperfeiçoado pela Lei nº 10.174/2001 e o Decreto nº 3.724/2001, com validade constitucional reconhecida pelo Colendo Supremo Tribunal Federal. Finalmente, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante sua Súmula nº 2, delimita que "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". II. MÉRITO De acordo com artigo 57, parágrafo terceiro, do Regulamento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, adoto e transcrevo a "decisão de primeira instância", concordando com seu inteiro teor, ressalvando que inexistiu novos argumentos ou provas, quando da interposição do Recurso Voluntário: 1) DAS PRELIMINARES 1.1) DA INCONSTITUCIONALIDADE E DA ILEGALIDADE Tais questões não encontram supedâneo no âmbito do processo administrativo fiscal, sendo defeso a este colegiado dizêlas, por falta de competência material na Portaria MF n° 587/2010, que aprovou o Regimento Interno da RFB. Quanto a julgados do Judiciário nos quais a contribuinte alicerçouse, não houve comprovação de sua participação no respectivo polo ativo, além do que tais julgados, na espécie, não têm efeito vinculante nas decisões dos órgãos do Poder Executivo. Para os órgãos acima, vale o prescrito no art. 102, § 2º, da Constituição, ressalvado o disposto no art. 2º do Decreto nº 2.346, de 1997 (que consolida normas de procedimentos a serem observadas pela Administração Pública Federal em razão de decisões judiciais, dentre outros), a saber: Constituição: Fl. 280DF CARF MF 8 Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações declaratórias de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal, produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e ao Poder Executivo. (grifei) Decreto nº 2.346/1997: Art. 2º Firmada jurisprudência pelos Tribunais Superiores, a AdvocaciaGeral da União expedirá súmula a respeito da matéria, cujo enunciado deve ser publicado no Diário Oficial da União, em conformidade com o disposto no art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993 [...] Art. 4º Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.(grifo nosso) Concernente à quebra do sigilo bancário, por apertada maioria de votos (5x4), o tribunal pleno do STF deu provimento ao RE 389808 em que a determinada sociedade empresária “questionava o acesso da Receita Federal a informações fiscais da empresa, sem fundamentação e sem autorização judicial”. Não há decisão definitiva nos autos daquele RE a impor a aplicação incontinenti do disposto no inciso I do art. 4º do Decreto nº 2.346/1997. Na página do STF na web consta a seguinte notícia: Quartafeira, 24 de novembro de 2010 Cassada liminar contra quebra de sigilo bancário de empresa para consulta da Receita Federal Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10675.720473/201290 Acórdão n.º 1201002.305 S1C2T1 Fl. 277 9 Por 6 votos a 4, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) cassou medida liminar concedida na Ação Cautelar (AC) 33, pelo ministro Marco Aurélio (relator), que impedia a quebra de sigilo bancário da GVA Indústria e Comércio S/A pela Receita Federal. A cautelar tinha o objetivo de dar efeito suspensivo ao Recurso Extraordinário (RE 389808) interposto na Corte pela própria empresa. A liminar cassada foi concedida pelo relator da ação, em julho de 2003, no sentido de suspender o fornecimento das informações à Receita e a utilização, também pela Receita, dos dados obtidos antes do julgamento do RE. Ele considerou o preceito do inciso XII, do artigo 5º, da Constituição Federal – da inviolabilidade do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas – que somente pode ser quebrado por ordem judicial. (http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConte udo=166787 – acesso em 02 de dezembro de 2011) Retomando, o art. 59 do Decreto nº 7.574/2011 assim dispôs: Art. 59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, § 6o, incluído pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25): I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de junho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 1993. Já a súmula nº 2 do Carf assim dispôs: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Salientese que as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeiras são instrumento interno de Fl. 282DF CARF MF 10 planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais no âmbito da RFB, que visou a busca da verdade material dos fatos. Não sem razão, dada a seguinte realidade circunstanciada no TVF não contraditada nesse particular: 2) [...] face à quase ausência de declaração de receitas, procedeuse a lavratura do Termo de Início do Procedimento Fiscal [...] no domicílio tributário do sócio administrador [...] tendo em vista a não localização da empresa [...]. O sujeito passivo foi intimado, mediante referido termo de início, a apresentar os extratos bancários de contascorrentes, de poupança, de investimentos e aplicações financeiras que deram origem aos créditos em conta, anoscalendário 2008 e 2009, nas instituições financeiras Banco do Brasil SA e Banco Mercantil do Brasil SA, bem como a apresentar o contrato social e livros contábeis e fiscais. 3) Em atendimento ao referido termo o contribuinte apresentou o contrato social e alterações, de onde constatouse o objetivo da sociedade empresária como sendo a fabricação de máquinas e equipamentos agrícolas, assim como peças, acessórios, ferramentas e matrizes para corte. O fiscalizado alegou ainda, em sua resposta datada de 01/11/2011, que não houve escrituração dos livros por não ter havido faturamento nos anos de 2008 e 2009 furtandose, também, em apresentar os extratos bancários. 4) Diante da negativa do contribuinte em apresentar os extratos bancários e verificada a hipótese de indispensabilidade para exame da movimentação financeira, conforme detalhamento apresentado no Relatório para Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira, datado e assinado em 07/11/2011, foram emitidas as respectivas requisições diretamente às instituições financeiras para obtenção dos documentos. 1.2) DE NULIDADE O Decreto nº 7.574/2011 assim dispõe sobre as hipóteses de nulidade: Art. 12. São nulos (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59): I os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os atos posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º [...]. § 3º [...]. Portanto, duas são as hipóteses vislumbradas naquele art. 12, não materializadas, que possuiriam o condão de contaminar de Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10675.720473/201290 Acórdão n.º 1201002.305 S1C2T1 Fl. 278 11 nulidade os lançamentos. Somese a isso o disposto no artigo 13 do mesmo decreto: Art. 13. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 12 não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 60). Assim, EM PRELIMINAR, voto para considerar improcedente a impugnação. 2) NO MÉRITO A realidade fática circunstanciada no TVF a hipótese clássica do antecedente da norma dispositiva no tipo previsto na cabeça do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, integrante do enquadramento legal, de sorte que o sujeito passivo se sujeitasse ao seu conseqüente, a caracterização de omissão de receitas: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.(sublinhado) [...] Não há dúvidas de que é relativa a presunção legal encerrada naquele tipo, portanto, passível de ser afastada pela impugnante. Não obstante, há ínsito nela também o ônus, de sua responsabilidade, de que haja comprovação da origem dos recursos depositados/creditados em suas contas correntes, com o gravame de que o seja mediante documentação hábil e idônea. Em síntese, a contribuinte não dispensou uma linha sequer de contradita em face dos valores lançados, preferindo aterse às preliminares já votadas, baseandose em tese desatualizada, notadamente, em face da Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. DOS LANÇAMENTOS REFLEXOS IPI, CSLL, Cofins, Pis e INSS Considerada a legislação tributária, bem como o caráter reflexivo de suas exigências, há que se aplicar a eles o mesmo juízo feito no enfrentamento da impugnação ao lançamento do IRPJ. Por todo o exposto, VOTO no sentido de considerar improcedente a impugnação e procedentes os lançamentos. A Recorrente não evidenciou qualquer argumento jurídico que infirmasse a constituição do crédito tributário, ocasionando sua preservação integral, consoante o acórdão Fl. 284DF CARF MF 12 recorrido. Não há elementos suficientes para inverter o ônus da prova, que é da própria contribuinte, demonstrando a inexistência de omissão de receitas. A improcedência sobre a presunção fiscal de omissão de receita ocorre mediante documentos hábeis e idôneos, segundo o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 e a explanação do acórdão recorrido. O artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (RIR/1999), aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, igualmente, reafirma que "a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." A presunção juris tantum foi estabelecida em norma vigente, invertendo o ônus de prova quanto à omissão de receitas para a contribuinte. O Código de Processo Civil/1973, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo tributário, prevê tal hipótese no artigo 334: "Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV— em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade." Em especial, quanto à valoração da multa de ofício, não qualificada, havendo previsão normativa expressa, novamente, não é competente o presente rito para analisar sua eventual improcedência, consoante a Súmula 2º deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. As considerações acima são bastante para meu convencimento, prescindindo de qualquer perícia ou outra diligência, segundo o artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972. Isto posto, voto pelo conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitando a nulidade arguida e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 285DF CARF MF
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Numero do processo: 10384.002352/2005-17
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2001, 2002, 2004
MULTA POR ATRASO DCTF.
A entrega de DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória.
Numero da decisão: 1003-000.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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