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Numero do processo: 10925.905094/2012-89
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2006
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/04/2006 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 50 94 /2 01 2- 89 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905094/201289 Acórdão n.º 3801002.876 S3TE01 Fl. 58 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905094/201289 Acórdão n.º 3801002.876 S3TE01 Fl. 59 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu indeferilo (Despacho Decisório à folha 5), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega que a exigência da prévia retificação da DCTF como condição para reconhecer o crédito tributário pleiteado pela recorrente não possui qualquer fundamento legal, devendo ser enfrentado os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905094/201289 Acórdão n.º 3801002.876 S3TE01 Fl. 60 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Apesar da alegação da existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não ter sido acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905094/201289 Acórdão n.º 3801002.876 S3TE01 Fl. 61 5 suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905094/201289 Acórdão n.º 3801002.876 S3TE01 Fl. 62 6 INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A1 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905094/201289 Acórdão n.º 3801002.876 S3TE01 Fl. 63 7 (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 12571.000373/2010-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.062
Decisão:
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2267; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 955 1 954 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12571.000373/201075 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.439 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2014 Matéria IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente MAGNOJET INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS AGRÍCOLAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006, 2007 SIGILO BANCÁRIO. O ordenamento jurídico vigente autoriza a Administração Tributária, observados os requisitos legais que disciplinam a matéria (Lei Complementar nº 105, de 2001, e Decreto nº 3.724, também de 2001), acessar e usar as informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras. INCONSTITUCIONALIDADES. CONFISCO. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FUNDAMENTOS LEGAIS. CONSTATAÇÃO FÁTICA. PROCEDÊNCIA. Se a autoridade executora do procedimento de fiscalização logra êxito na demonstração da relação direta de determinada pessoa com as situações que constituem fatos geradores das obrigações tributárias, resta configurada a responsabilidade tributária pelo crédito tributário constituído, sendo autorizada, assim, a inclusão de referida pessoa no pólo passivo das obrigações constituídas por meio de Termo de Sujeição Passiva Solidária. DOCUMENTOS EXTERNOS. PROVA EMPRESTADA Se os documentos que serviram de base para o lançamento tributário, originários de fonte externa, tiveram a sua validade corroborada por investigações complementares promovidas pela autoridade fiscal, há que se manter as imputações infracionais deles decorrentes. LEI DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DECISÃO PROLATADA EM ÂMBITO INCIDENTAL. AFASTAMENTO POR ÓRGÃO JULGADOR ADMINISTRATIVO. CONDIÇÕES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 03 73 /2 01 0- 75 Fl. 7874DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 956 2 A partir da publicação da Medida Provisória nº 449, em 04 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, os órgãos de julgamento estão autorizados, no âmbito do processo administrativo fiscal, a afastar aplicação de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. Ausente momentaneamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes, presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado). O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento.. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 7875DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 957 3 Relatório MAGNOJET INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PRODUTOS AGRÍCOLAS LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, São Paulo, que manteve, na íntegra, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL; Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS; e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas aos anoscalendário de 2005 e de 2006, formalizadas em razão da imputação de insuficiência de recolhimento e omissão de receitas. Diante da constatação da utilização de interpostas pessoas, na constituição do crédito tributário correspondente a tal fato foi aplicada multa qualificada de 150%. Impugnação às fls. 751/752. A já citada 3a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, analisando o trabalho fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 1434.410, de 28 de junho de 2011, pela procedência dos lançamentos. O referido julgado restou assim ementado: OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovandose a omissão de receita da atividade sem emissão de notas fiscais, bem assim mediante a utilização de notas fiscais paralelas, mantémse o lançamento. SOLIDARIEDADE. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. EXIGÊNCIA DEFINITIVA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa à matéria com a qual o impugnante expressamente concorde. Fl. 7876DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 958 4 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. É lícito ao Fisco Federal valerse de informações colhidas por outras autoridades fiscais, administrativas ou judiciais para efeito de lançamento, quando o contraditório é ofertado no processo para o qual são transportadas. COAÇÃO. Inexistindo comprovação nos autos de que houve coação, não procede a preliminar suscitada nesse sentido. PERÍCIA. REQUISITOS. O pedido de perícia deve ser denegado se tiver sido formulado em descordo com as prescrições legais, aliado à circunstância de estarem presentes nos autos elementos de convicção suficientes à adequada compreensão dos fatos para a solução da lide. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. PROVA TESTEMUNHAL. Inexiste previsão legal para a oitiva de testemunhas no julgamento administrativo em primeira instância. Irresignados, a contribuinte e OSVALDO DE CARVALHO, apontado como responsável tributário, apresentaram o recurso de folhas 836/943, por meio do qual sustentam: abuso das autoridades administrativas ao requisitarem informações (financeiras) sigilosas sem autorização judicial; a vedação de tributo com efeito de confisco também se aplica à multa; os valores lançados representam confisco; a inclusão do Sr. Osvaldo de Carvalho no pólo passivo da obrigação tributária é precipitada e ilegal; ausência de relação direta entre os valores apontados nas contas bancárias e os documentos considerados elaborados por meio de fraude; tributação em duplicidade dos valores indicados nas contas bancárias ; necessidade de perícia para dirimir divergência quanto ao enquadramento do produto industrializado e comercializado; nulidade dos lançamentos em virtude de prova ilícita (“quebra” de sigilo bancário sem autorização judicial); Fl. 7877DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 959 5 direito líquido e certo de excluir o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS; direito de excluir a CSLL da base de cálculo do IRPJ; ausência de respaldo jurídicoconstitucional para a cobrança de COFINS e PIS. O presente processo teve o julgamento sobrestado, em obediência às disposições dos parágrafos 1º e 2º do art. 62 A do Regimento Interno (Anexo II), conforme Resolução de fls. 944/953. Entretanto, em virtude da edição da Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou tais dispositivos, desapareceu o motivo que impedia a apreciação da controvérsia. É o Relatório. Fl. 7878DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 960 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos, relativas aos anoscalendário de 2005 e de 2006. Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 640/653, foram imputadas à contribuinte fiscalizada as seguintes infrações: 1) insuficiência de recolhimento de IRPJ e CSLL, apurada a partir do confronto entre as DIPJ relativas aos anoscalendário de 2005 e de 2006 (DIPJ/2006 e DIPJ/2007) e a escrituração contábil; 2) insuficiência de recolhimento de PIS e COFINS, apurada a partir do confronto entre os Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (DACON) de 2005 e de 2006 e a escrituração contábil; 3) omissão de receitas financeiras apurada com base em informações prestadas pelas fontes pagadoras (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF); 4) omissão de receitas, caracterizada pela realização de vendas sem emissão da nota fiscal correspondente e apurada a partir de informações transmitidas pelo Fisco estadual (os valores correspondentes foram creditados em contas bancárias pertencentes ao Sr. OSVALDO DE CARVALHO); 5) omissão de receitas, caracterizada pela utilização de notas fiscais paralelas1 e apurada a partir de informações transmitidas pelo Fisco estadual. Abaixo, quadro resumo das diferenças de faturamento apuradas pela Fiscalização. ANOCALENDÁRIO 2005 ANOCALENDÁRIO 2006 DECLARADO 1.923.572,64 1.611.281,21 APURADO 6.462.083,43 5.884.743,07 DIFERENÇA 4.538.510,79 4.273.461,86 Observando o disposto no art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, a Fiscalização promoveu os lançamentos tributários relativos ao IRPJ e à CSLL com base no lucro presumido. 1 Artifício fraudulento que consiste na impressão em duplicidade da mesma nota fiscal, de modo que, para uma mesma numeração, têmse mais de uma nota fiscal impressa. Fl. 7879DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 961 7 Na constituição do crédito tributário relativo à omissão de receita derivada da ausência de emissão de nota fiscal e da utilização de notas fiscais paralelas foi aplicada multa qualificada de 150%. A Fiscalização imputou responsabilidade tributária solidária ao Sr. OSVALDO DE CARVALHO, por considerálo proprietário de fato da empresa fiscalizada. Aprecio, pois, os argumentos trazidos em sede de Recurso Voluntário pela empresa fiscalizada e pelo Sr. OSVALDO DE CARVALHO. SIGILO BANCÁRIO Os Recorrentes requerem o reconhecimento de que a “quebra” do sigilo bancário sem autorização judicial não pode valer como prova. Afirmam que a Fiscalização “utilizouse de Prova emprestada da Receita Estadual do Paraná, a qual obteve todo o movimento financeiro do contribuinte e do sujeito passivo solidário de forma ilegal, sem autorização judicial e, portanto, viciada.” Não assiste razão aos Recorrentes. Com efeito, não há que se falar em ilicitude na apuração do tributo com base em extratos bancários fornecidos por instituição financeira em atendimento à requisição específica, que atendeu aos mandamentos legais pertinentes, pois se trata, apenas, da utilização de novo meio de fiscalização. Os atos praticados pela autoridade tributária no sentido de acessar a movimentação bancária dos contribuintes sujeitos a procedimento de fiscalização encontramse expressamente autorizados pelo artigo 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, sendo, portanto, equivocado o entendimento de que as autoridades fiscais somente poderiam ter acesso à movimentação bancária dos referidos contribuintes com base em autorização judicial. Esclareçase, por relevante, que o citado art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, foi regulamentado pelo Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, que, estabelecendo requisitos a serem observados pela autoridade fiscal, resguarda o sigilo das informações recepcionadas. É certo, pois, que o ordenamento jurídico vigente autoriza à Administração Tributária, observados os requisitos legais que disciplinam a matéria (Lei Complementar nº 105, de 2001, e Decreto nº 3.724, também de 2001), acessar e usar as informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras. Penso que seja importante destacar que, no caso de utilização de informações colhidas junto às instituições financeiras, revelase impróprio falar em “quebra de sigilo”, visto que o que efetivamente ocorre é a transferência e a alteração da natureza do sigilo. Enquanto mantidas sob a guarda das instituições financeiras, as informações encontramse abrigadas pelo apropriadamente denominado sigilo bancário. Ao serem transferidas, com base na lei, para a Administração Tributária, referidas informações continuam protegidas por sigilo, só que, a parti daí, pelo chamado sigilo fiscal. A consideração acima é facilmente extraída da Lei Complementar nº 105, de 2001, senão vejamos: Fl. 7880DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 962 8 LEI COMPLEMENTAR Nº 105, DE 10 DE JANEIRO DE 2001. Dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras e dá outras providências. [...] Art. 5o O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. [...] § 5o As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Vêse, assim, que revelase inadequado dizer que estamos diante de QUEBRA DE SIGILO nas situações em que Administração Tributária acessa a movimentação bancária do contribuinte. Tratase, na verdade, de mera transferência de sigilo (da instituição financeira para a Administração Tributária), que, do ponto de vista estritamente tributário, possibilita uma melhor visualização da capacidade contributiva do contribuinte, o que dá efetividade ao princípio constitucional insculpido no parágrafo 1º do art. 145 da Carta Constitucional e, sem sombra de dúvida, torna mais justa a tributação, eis que remove obstáculo incessantemente utilizado por aqueles que têm a intenção de “esconder” a sua verdadeira capacidade de contribuição. Não é demais anotar que, nos termos do disposto na norma regulamentadora da transferência de sigilo autorizada pela Lei Complementar nº 105 (Decreto nº 3.724, de 2001), o servidor que divulgar, revelar ou facilitar a divulgação ou revelação de qualquer informação sobre a movimentação financeira do contribuinte, com infração ao disposto no art. 198 do Código Tributário Nacional, ou no art. 116, inciso IX da Lei nº 8.112, de 1991, ficará sujeito à penalidade de demissão, sem prejuízo das sanções civis e penais cabíveis. No tocante à alegada prova emprestada, temos que, em conformidade com os documentos de fls.02/03, a Superintendência Regional da Receita Federal na 9ª Região Fiscal solicitou à Receita estadual do Paraná cópia de todo e qualquer elemento associado a lançamento de ofício porventura efetuado contra a ora em Recorrente. Em atendimento, a Receita Estadual encaminhou cópia de inúmeros documentos (fls. 04/320), que foram juntados sob a forma de anexos, conforme registro constante do Termo de fls. 323/324. Também por meio de Termo, a Fiscalização promoveu a devolução ao Fisco estadual dos originais de notas fiscais, livros fiscais e comerciais e relatórios que haviam sido encaminhados (fls. 321). A partir dos elementos coletados, foi instaurado procedimento fiscal na contribuinte, momento em que foi lavrado, em 27 de novembro de 2009, o competente TERMO DE INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL (fls. 325/331). Fl. 7881DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 963 9 No Termo de Início de Procedimento Fiscal, além de requisitar inúmeros documentos (contrato social e alterações; instrumentos de procuração, Livros Comerciais e Fiscais; Demonstrativos e Planilhas relacionadas ao IPI; arquivos digitais, entre outros), a Fiscalização intimou a contribuinte “a apresentar esclarecimentos ou manifestação acerca da documentação obtida junto à Receita Estadual do Paraná, conforme o art. 198 do Código Tributário Nacional (convênio), que aponta valores de receitas e remunerações não contabilizados e que, conseqüentemente, não foram incluídos pelo fiscalizado na apuração dos tributos e contribuições objeto da presente fiscalização”. Na ocasião, a contribuinte foi alertada de que os valores apurados serviriam de base para a exigência dos tributos federais, sendo que o faturamento do ano de 2006 poderia dar causa à exclusão do SIMPLES FEDERAL no período de janeiro a junho de 2007. Em 22 de dezembro de 2009, a contribuinte apresentou o documento de fls. 333/344, por meio do qual noticia a entrega de documentos que haviam sido requisitados; declina a razão pela qual o atendimento foi parcial (ou não foi efetuado) em relação a determinados pedidos; e, relativamente aos fatos apurados pelo Fisco estadual, esclareceu: que os valores apontados nos demonstrativos elaborados estavam sendo objeto de questionamento administrativo, inexistindo decisão acerca deles; e que os dados teriam sido obtidos de forma ilícita, sendo que isso seria alegado em momento oportuno, em processo judicial. Em 20 de janeiro de 2010, por meio do documento de fls. 371/373, a contribuinte apresentou esclarecimentos complementares relacionados a operações de exportação. Em 25 de março de 2010, foram restituídos à contribuinte diversos documentos, conforme Termo de fls. 420. Em 08 de setembro de 2010, foi lavrado Termo de Intimação Fiscal, por meio do qual a contribuinte foi instada a apresentar esclarecimentos sobre notas fiscais paralelas relacionadas em anexo ao referido Termo, momento em que ela foi informada que os dados planilhados eram preliminares, vez que ainda estavam sendo revisados. A contribuinte foi informada também que os dados haviam sido repassados pela Receita estadual e que, à medida em que fossem analisados pela Fiscalização, seriam fornecidas cópias para ela (fls. 427/428). Em 28 de setembro de 2010, relativamente aos elementos encaminhados pelo Fisco estadual, que foram analisados e planilhados pela Receita Federal, a contribuinte simplesmente informou (fls. 430/432): [...] Em relação ao item 02 desta notificação, esclarecemos que os documentos que foram retidos pela Fiscalização Estadual, em primeiro lugar, ficaram nas mãos do Fisco Estadual por um grande espaço de tempo, parte foi enviada a Receita Federal ou a sua totalidade (não sabemos com certeza) e parte nos foi entregue. Como todos os procedimentos efetuados encontramse em discussão na Esfera Administrativa, inclusive todos sem nenhuma decisão definitiva, optamos neste momento por não apresentar nenhuma manifestação de forma antecipada, fato que faremos quando da conclusão desta Fiscalização Federal, por ocasião de eventuais autuações que por ventura (sic) possam resultar a mesma, da mesma forma que ocorreu com a Receita Estadual, de forma que, entendemos que Fl. 7882DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 964 10 manifestações serão oportunizadas em momentos posteriores onde todos os argumentos serão apresentados. (GRIFEI) Em 06 de outubro de 2010, a contribuinte foi novamente intimada a prestar esclarecimentos acerca dos fatos apurados pelo Fisco, fatos que, como já dito, foram objeto de análise e planilhamento por parte da Fiscalização federal (fls. 437/439). Em 11 de outubro de 2010, esclarecendo que a intimação encaminhada em 06 de outubro deveria ser desconsiderada, novo Termo foi lavrado requisitando informações acerca das apurações efetuadas pelo Fisco estadual, entre outras solicitações (fls. 440/444). Em 04 de novembro de 2010, a contribuinte, alterando um pouco a sua linha argumentativa, argumentou, in verbis: [...] Em relação ao item 03 e 04 desta notificação, esclarecemos que os documentos encontramse em poder da Receita Federal, pois foram remetidos a vocês em oportunidades anteriores. Dessa Forma, e, em virtude de haver a necessidade de verificação junto aos Livros, somente seria possível responder a tais quesitos se Vossa Senhoria nos devolvesse os mesmos, ainda que temporariamente, pois somente assim é que teremos condições exatas de responder cada quesito e seus itens, que não são poucos, digase de passagem. Além disso, será necessário efetuarmos vários cálculos para apresentação do que foi requerido. Necessário se faz esclarecer que até tentamos fazer isso através dos dados que aqui tínhamos, mas nos esbarramos em alguns dados que teríamos que tirar do próprio Livro Diário e Razão. A informação trazida pela fiscalizada não encontra respaldo nos autos, vez que a documentação que foi fornecida por ela à Fiscalização Federal foi devidamente restituída, conforme Termo de fls. 4202. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 640/653, a autoridade autuante destacou que os valores apurados pela Receita estadual e que foram transmitidos à Fiscalização federal foram cotejadas e confirmadas em relação à escrituração contábil e fiscal da contribuinte. Embora os Recorrentes não tenham contestado diretamente a utilização, por parte da autoridade fiscal federal, dos elementos fornecidos pelo Fisco estadual, eis que a insurgência se deu contra o uso das informações bancárias, não é demais ressaltar que, no caso, o responsável pela autuação que ora se aprecia cuidou de confirmar, em procedimento próprio, as conclusões apresentadas no trabalho realizado em âmbito estadual, sendo impertinente a alegação de que teria sido necessário levantamento físico ou verificação técnica para aferir a veracidade dos fatos trazidos por meio do procedimento efetuado na esfera estadual. Portanto, aqui, não identifico violação a dispositivo de lei capaz de contaminar os feitos fiscais, motivo pelo qual rejeito os argumentos expendidos pelos Recorrentes. 2 A documentação fornecida pelo Fisco estadual também foi devolvida ao órgão competente, conforme Termo de fls. 321. Fl. 7883DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 965 11 INCONSTITUCIONALIDADES. CONFISCO Apresentando extensas considerações acerca dos princípios da legalidade e da vedação ao confisco, os Recorrentes argumentam que os valores lançados representam confisco. Aqui, cabe, apenas, verificar se as normas legais que serviram de suporte para a formalização das exigências gozam de vigência de plena. Nesse diapasão, não identifico mácula capaz de afastar as penalidades aplicadas, eis que os percentuais considerados pela autoridade autuante encontramse expressos nos atos legais declinados na peça acusatória e inexiste mandamento de qualquer ordem no sentido de impedir a sua aplicação. Como é cediço, nos termos da súmula nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Cabe destacar que, nos termos do disposto no art. 72 do Regime Interno (ANEXO II), as súmulas são de observância obrigatória pelos membros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Alegam os Recorrentes que, no presente caso, a pessoa jurídica autuada possui todos os elementos legais exigidos para responder, judicial ou extrajudicialmente, por todos os atos praticados ou a ela imputados, sempre através de seus representantes legalmente constituídos. Procurando demonstrar a improcedência da imputação de responsabilidade tributária ao Sr. OSVALDO DE CARVALHO, assinalam: [...] O Sr. Osvaldo de Carvalho, eleito indevidamente sujeito solidário no presente Auto de Infração, foi sócio da empresa MAGNO, em Santana do Parnaíba, São Paulo, juntamente com o Sr. Miguel Ronaldo Rizzo, falecido em 2001 por ato de violência em seqüestro. Por questões óbvias, sofrendo com o trauma e o “fantasma” do seqüestro e morte de seu sócio e melhor amigo, o Sr. Osvaldo não teve dúvidas em decidir pela mudança de cidade juntamente com toda a sua família e, como sua atividade profissional estava voltada exclusivamente à empresa, decidiu por mudála também. Imaginou que Ibaiti/PR pudesse proporcionar a si (sic) e a seus familiares a tranquilidade e a despreocupação quanto à violência de um grande centro. Decidindo pela mudança e, em se tratando de empresa tipicamente familiar, já que grande parte dos familiares ali exerciam atividade profissional, o Sr. Osvaldo de Carvalho também decidiu, efetiva e paulatinamente, transferir toda a administração da empresa para suas filhas e genros. Prova disso é que já há algum tempo vêm sendo realizadas reuniões familiares onde se debate a sucessão no comando da empresa, já que o Sr. Osvaldo tem demonstrado vontade em participar somente da parte “criativa” dos produtos fabricados pela empresa Recorrente (foi o Sr. Osvaldo quem criou cada um dos produtos oferecidos pela MAGNOJET). Fl. 7884DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 966 12 No entanto, suas filhas e genros ainda são bastante inexperientes na função administrativa da empresa, motivo pelo qual, para grandes problemas e decisões, o Sr. Osvaldo sempre é requisitado. Ressaltese que se trata de empresa reconhecida mundialmente, por ter desenvolvido bicos pulverizadores especiais para cada tipo de atividade agrícola diferente, cujos produtos são comercializados com exclusividade para todo mundo. Aditam os Recorrentes que a imputação de responsabilidade em questão está embasada em presunção, inexistindo, ressalvada a declaração por ele prestada, documento capaz de comprovar que o Sr. Osvaldo de Carvalho era efetivamente o proprietário da empresa. Relativamente à declaração prestada pelo Sr. Osvaldo, assinalam que ela foi assinada coercitivamente e sob ameaça de que ele e seus familiares seriam presos. Com o devido respeito, as considerações trazidas pela peça recursal, ao invés de servir como fundamento para a exclusão do Sr. Osvaldo de Carvalho do pólo passivo da obrigação tributária constituída, concorre para corroborar a medida adotada pela Fiscalização. Com efeito, o recurso voluntário foi interposto em 05 de setembro de 2011 e, ainda nessa ocasião, segundo o que foi nele consignado, reuniões familiares estavam sendo realizadas para debater uma possível sucessão no comando da empresa, haja vista o fato de o Sr. Osvaldo ter demonstrado “vontade em participar somente da parte “criativa” dos produtos fabricados pela empresa”. Releva lembrar que o procedimento fiscal em debate diz respeito a fatos ocorridos nos anos de 2005 e de 2006. Assim, me parece fora de dúvida que, àquela época, o “comando da empresa” era efetivamente desempenhado pelo Sr. Osvaldo de Carvalho, eis que não é razoável considerar que o “algum tempo” referenciado na peça de defesa esteja representado por algo em torno de seis anos. Mas, não é só isso. Às fls. 06 dos autos, consta cópia de PROCURAÇÃO outorgada pela sócia gerente da fiscalizada ao Sr. OSVALDO DE CARVALHO, seu pai, para que ele pudesse desempenhar e responder por todos os atos perante a Receita estadual, haja vista a instauração do procedimento fiscalizatório por parte do órgão estadual competente. A pessoa jurídica fiscalizada iniciou atividades em fevereiro de 2004 e, até 24 de novembro de 2004, possuía como sócias as Sras. Luciana Moreira de Souza e Wanda Bernardino de Souza. A partir de 24 de novembro de 2004, as sócias passaram a ser a Sras. HELOISA DE CARVALHO e ELISA DE CARVALHO. De acordo com relato feito pela fiscalização estadual, a pessoa jurídica autuada (MAGNOJET) noticiou na INTERNET que é uma seqüência da empresa MAGNO IND. E COM. DE PRODUTOS CERÂMICOS LTDA, que tinha como sócio administrador o Sr. OSVALDO DE CARVALHO, pai de HELOISA DE CARVALHO e de ELISA DE CARVALHO, e como sóciogerente o Sr. MIGUEL RONALDO RIZZO. Em 24 de junho de 2004, a Sra. KARINE SOARES RIZZO, que havia sucedido o Sr. MIGUEL RONALDO RIZZO na MAGNO IND. E COM., deixa a sociedade, entrando em seu lugar o Sr. CARLOS FERNANDO DE SOUZA, sobrinho do Sr. OSVALDO DE CARVALHO. Fl. 7885DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 967 13 As Sras. LUCIANA MOREIRA DE SOUZA e WANDA BERNARDINO DE SOUZA, que supostamente constituíram a MAGNOJET, são, respectivamente, esposa e mãe do Sr. CARLOS FERNANDO DE SOUZA. Para a Fiscalização estadual, a MAGNO IND. E COM. simulou, em 2004, a venda de seu ativo imobilizado para a MAGNOJET, visto que no relatório de vendas do mês correspondente as notas fiscais emitidas não apresentaram valores e continham a informação “mudança”, o que levou à conclusão de que não houve pagamento nas operações e que a emissão da documentação objetivou, apenas, acobertar a transferência/mudança dos equipamentos. Na diligência efetuada na MAGNOJET, a Fiscalização estadual foi recepcionada pelo Sr. CARLOS FERNANDO DE SOUZA, que solicitou que fosse aguardado contato com o Sr. OSVALDO, “proprietário da empresa”. Uma vez contatado, o Sr. OSVALDO compareceu à empresa. Relatam os fiscais estaduais que foram interpelados pelo Sr. OSVALDO acerca de uma possível denúncia contra a “sua empresa”. Questionado acerca da existência de notas fiscais paralelas, respondeu: “faço mesmo”. Transcrevo fragmento do Relatório elaborado pela Fiscalização estadual, reproduzido no Termo de Verificação Fiscal, acerca de fatos ocorridos no escritório da MAGNOJET. [...] 2.4 – existia uma sala que estava fechada e os presentes (sobrinho, genro e namorado da filha) pediam para aguardar a “chegada” do funcionário, decorrido mais de uma hora, foi solicitado ao Sr. OSVALDO que abrisse a sala e o mesmo assim procedeu, fazendo uso das chaves do molho de chaves da empresa que estava em seu poder; 2.5 – nas dependências da fábrica, foi localizada uma sala fechada da qual nenhum funcionário tinha chave. Ao ser inquirido, o Sr. Osvaldo confirmou que lá estava parte dos documentos falsos e mandou que CARLOS FERNANDO abrisse a sala e acompanhasse os auditores; 2.6 – quando da formalização dos termos fiscais o Sr. Osvaldo providenciou uma procuração de sua filha Heloísa e assinouos, tendo, inclusive, feito uma declaração escrita (fls. 6) onde confessa – confissão é a rainha das provas – a prática de sonegação fiscal através do uso de notas fiscais paralelas e vendas sem documento fiscal; 3 – DA REPRESENTATIVIDADE 3.1 – em todos os procedimentos realizados antes da lavratura dos autos infra mencionados – notificação para defesa prévia, notificação para apresentação de documentos e termos de retenção de documentos – foi o Sr. Osvaldo quem assinou pela empresa MAGNOJET, fazendo uso daquela procuração, sendo certo que a Sra. Heloísa, mesmo estando na empresa, em nenhum momento conversou com os auditores a respeito dos fatos; 3.2 – no dia 09/05/08, foi procedida a ciência nas autuações fiscais em tela, tendo a Sra. Heloísa assinado como representante da MAGNOJET, em virtude de Fl. 7886DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 968 14 que seu pai não se encontrava na empresa, oportunidade em que o Sr. Carlos Fernando fez muitas perguntas a respeito dos prazos e reduções para pagamento, pois que teria que se reportar, posteriormente, ao Sr. Osvaldo; 4 – DOS FATOS FINANCEIROS 4.1 – no banco de dados da empresa MAGNOJET, extraídos de seus equipamentos, quando da diligência realizada no dia 26/02/2008, foi localizado um recibo (...), datado de 31/07/06, em papel timbrado da MAGNOJET, onde a Sra. KARINE SOARES RIZZO declara estar recebendo do Sr. OSVALDO DE CARVALHO, a importância de R$ 90.450,00 referente à parcela 18/24 de aquisição de suas quotas na empresa MAGNO IND. E COM. DE PROD. CERÂMICOS LTDA., cujo pagamento foi efetuado com os cheques nºs. 826578 – nominal e no valor de R$ 45.000,00 – e 826579 – no valor de R$ 45.450,00 e não nominal – do Banco HSBC, agência 0015, em nome da MAGNOJET – IND. E COM. DE PROD. AGRÍCOLAS LTDA., não indicando o nº da conta corrente, valendo lembrar que a MAGNOJET possui duas contas correntes neste estabelecimento bancário, uma de nº 0578938 e outra de nº 0586442; 4.2 – O Sr. Osvaldo, conforme se observa no item 4.1, adquiriu quotas de capital da empresa MAGNO, da Sra. KARINE SOARES RIZZO e, em 24/06/04, introduziu como novo sócio o Sr. CARLOS FERNANDO DE SOUZA – seu sobrinho – já preparando a mudança da empresa de Santana de Parnaíba/SP para Ibaiti/PR; 4.3 – em meados de 2004, como demonstrado acima, o Sr. Osvaldo adquiriu as quotas de capital da MAGNO de sua então sócia, nessa época – 30/01/2004 – já havia iniciado a abertura da empresa MAGNOJET em nome de interpostas pessoas – Sras. LUCIANA e WANDA, esposa e mãe do Sr. CARLOS FERNANDO – na cidade de Ibati/PR e, certamente para se resguardar, no dia 24/11/2004, alterou o contrato social da MAGNOJET, transferindo as quotas de capital para as suas filhas HELOÍSA e ELISA, cujo início das atividades foi janeiro/05; 4.4 – para dirimir de vez qualquer dúvida que possa ser suscitada sobre a participação do Sr. Osvaldo na administração da empresa MAGNOJET, expomos o fato de que os valores referentes às vendas de mercadoria sem nota fiscal – anos de 2005, 2006 e 2007 – algo em torno de R$ 1.800.000,00 (...), eram recebidos através de depósitos bancários em suas contas correntes/pessoa física, inicialmente no Banco Bradesco, agência nº 8338, conta nº 156841 e, por fim, no Banco do Brasil, agência nº 06025, conta nº 26282X. (GRIFEI) Notase, pois, em convergência com o assinalado no Termo de Verificação Fiscal, que o Sr. Osvaldo de Carvalho efetivamente era o proprietário da fiscalizada à época da ocorrência dos fatos e responsável direto pelos atos infracionais apurados, eis que apresentou se como procurador da pessoa jurídica ao Fisco estadual; atendeu os auditores fiscais estaduais nas diligências efetuadas e forneceu os elementos solicitados; esclareceu, como se verá adiante, de forma clara e detalhada o modo como a autuada operava para subtrair receitas à tributação; e apropriouse de valores correspondentes a receitas que não foram declaradas ao Fisco. Às fls. 09 do processo consta DECLARAÇÃO do Sr. Oswaldo de Carvalho, identificado, como já dito, como procurador da fiscalizada, da qual releva destacar as seguintes informações: i) que efetivamente houve uso de notas fiscais “paralelas”; Fl. 7887DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 969 15 ii) que somente parte do faturamento efetivo da autuada foi declarado; iii) que as listagens denominadas RELATÓRIO MENSAL DE VENDAS e COMISSÃO VENDAS retratam o faturamento real da empresa; iv) que no RELATÓRIO MENSAL DE VENDAS os valores especificados com o nome de VALDINÉIA correspondem às vendas efetivamente declaradas ao Fisco, tendo sido acobertados por notas fiscais regularmente emitidas; v) que no RELATÓRIO MENSAL DE VENDAS os valores especificados com o nome de MARIVONE correspondem às vendas que foram ocultadas ao Fisco, tendo sido acobertados por notas fiscais paralelas; vi) que no RELATÓRIO MENSAL DE VENDAS os valores especificados com o nome SP correspondem a vendas remanescentes efetuadas pela empresa MAGNO IND. E COM. DE PRODUTOS CERÂMICOS LTDA, estabelecida no estado de São Paulo e que funcionou até dezembro de 2004; vii) que foram localizados os relatórios denominados RELATÓRIOS DE PRODUTOS VENDIDOS (NF), referentes ao período de 01/01/2007 a 18/12/2007, nos quais aparecem grafados à caneta as indicações “B1” e “B2”, que correspondem às vendas acobertadas por nota fiscal idônea e por nota fiscal paralela, respectivamente; viii) que os RELATÓRIOS MENSAIS DE VENDAS referentes ao período de janeiro a dezembro de 2004, correspondem às vendas efetuadas pela empresa estabelecida no estado de São Paulo; ix) que os dados referentes ao faturamento eram manipulados na empresa e que o contador responsável não tinha conhecimento de tal fato; e x) que os documentos paralelos que não haviam sido localizados naquela ocasião já haviam sido destruídos. Embora a peça de defesa faça referência à coerção e ameaça na assinatura da declaração acima referenciada, não identifico qualquer elemento, ainda que testemunhal, capaz de comprovar a afirmação. Além do mais, na linha do sustentado no voto condutor da decisão de primeiro grau, os fatos ali apontados encontramse devidamente corroborados pelos documentos carreados ao processo pela autoridade fiscal. Diante de tal cenário, não há como afastar a responsabilidade tributária imputada pela Fiscalização ao Sr. Osvaldo de Carvalho. RELAÇÃO ENTRE EXTRATOS BANCÁRIOS E DOCUMENTOS APREENDIDOS Alegam os Recorrentes que a Fiscalização falhou ao não conseguir estabelecer uma relação direta entre os valores apontados em contas bancárias e os documentos tidos como constituídos por meio fraudulento. Sustentam que os valores lançados nas contas bancárias foram tributados duplamente, visto que foram considerados como omissão de receitas e como aplicação financeira. Afirmam que não se consegue vislumbrar nos autos nenhum levantamento específico de valores, pois, simplesmente se somou os valores Fl. 7888DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 970 16 depositados nas citadas contas e se tributou. Argumentam que o que os agentes fiscais reuniram na tentativa de que fosse configurada fraude são indícios de prova e, como tal, não possuem valor probatório. Absolutamente equivocadas as considerações trazidas pelos Recorrentes. Com efeito, como bem ressaltado no ato decisório combatido, a autuação tratada no presente processo não foi efetuada com base em depósitos bancários. As omissões foram apuradas com base em elementos coletados no estabelecimento da própria fiscalizada e por meio de circularização de terceiros. Neste particular, por não ser digno de reparo, reproduzo fragmentos do voto condutor da decisão exarada em primeira instância acerca da questão em comento. [...] Devese esclarecer que, ao contrário do que afirma a contribuinte, não foi feito lançamento com base em depósitos bancários. Como se vê nos autos de infração o lançamento é relativo à omissão de receitas da atividade sem emissão de notas fiscais, bem assim com emissão de notas fiscais paralelas ou falsas, apuradas por meio de elementos coletados no estabelecimento da própria contribuinte e por circularização de terceiros. O levantamento específico de produtos em estoque, a que se refere a contribuinte, com base no art. 286 do RIR, de 1999, é um critério que a fiscalização pode adotar para apurar omissão de receita, não se constituindo um procedimento obrigatório a ser seguido, ainda mais no presente caso em que a contribuinte adotou a tributação pelo lucro presumido. Verificase que, em diligência na empresa, foram retidos documentos fiscais escriturados, documentos fiscais paralelos emitidos e em branco, pedidos de venda sem nota fiscal, relatórios mensais de vendas, relatórios de comissão de vendas, relatórios de vendas anuais, etc. Analisando tais documentos foi apurado pelo Fisco estadual e confirmado pelo autuante na escrituração do contribuinte, a realização de vendas sem emissão de nota fiscal e de vendas com notas fiscais falsas ou paralelas, cujos elementos encontramse nos anexos A e B desse processo. Ficou comprovado no processo, por meio dos pedidos dos clientes, em que se especificou as parcelas a serem pagas, que os valores das vendas sem notas fiscais foram creditados nas contas bancárias 156841, ag. 08338 do Bradesco, e 1209313, ambas de titularidade de Osvaldo de Carvalho, constando nos extratos bancários indicação dos depositantes dos citados valores coincidentes com os referidos pedidos dos clientes, conforme se pode ver, por exemplo, às fls. 112 a 213 e 214 a 228 do Anexo A e no Anexo B (fls. 12 a 34). Estabeleceuse, assim, ao contrário do que afirma a contribuinte, a conexão entre os valores apontados em contascorrentes bancárias de Osvaldo de Carvalho e os documentos apreendidos. Devese registrar que os extratos bancários foram utilizados apenas para corroborar a constatação de que foram realizadas vendas sem emissão de notas fiscais, não podendo se falar em tributação em duplicidade dos valores lançados nas contas correntes. (GRIFEI) Notese que, em sede de recurso, os Recorrentes limitaramse a repisar argumentos apresentados na peça impugnatória, motivo pelo qual sequer contraditaram o pronunciamento da Turma Julgadora de primeiro grau. Fl. 7889DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 971 17 Anotese, ainda, que a tributação das receitas financeiras derivou do confronto entre o que foi declarado pela fiscalizada à Receita Federal e o que foi informado pelas fontes pagadoras. Ausente, assim, qualquer relação com extratos bancários. Os Recorrentes trazem, ainda, considerações acerca das seguintes matérias: exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS; exclusão da CSLL da base de cálculo do IRPJ; e majoração e alargamento das bases de cálculo do PIS e da COFINS. No que diz respeito à exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS e da majoração da alíquota da COFINS, reitero o pronunciamento no sentido de que os argumentos não podem ser recepcionados em âmbito administrativo, haja vista o disposto na SÚMULA CARF nº 2, antes referenciada. Relativamente ao alargamento das bases de cálculo do PIS e da COFINS disciplinado pelo parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, entretanto, penso que as considerações trazidas pelos Recorrentes devam ser recepcionadas. Observo que, no que tange à tributação do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras omitidas, os lançamentos em questão só podem subsistir se considerarmos válido o conceito de FATURAMENTO estampado pelo citado parágrafo primeiro do art. 3º da Lei nº. 9.718/98, considerado o referido artigo em sua redação original, isto é, antes da alteração promovida pela Lei nº. 11.941, de 2009. Ocorre que a mesma Lei nº. 11.941 (Medida Provisória nº. 449, em 04 de dezembro de 2008) alterou o Decreto nº. 70.235, de 1972, de modo que restou estabelecido: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; O art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, na mesma linha do acima disposto, veda expressamente aos membros das turmas de julgamento afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, esclarecendo, contudo, por meio do seu parágrafo único, que tal vedação não se aplica aos casos de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. O citado parágrafo primeiro do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, tido aqui, nesse específico caso, como único fundamento capaz de dar respaldo aos lançamentos tributários relativos ao PIS e à COFINS sobre as receitas financeiras omitidas, já foi objeto de decisão do plenário do STF nos julgamentos dos Recursos Extraordinários nºs 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084, restando ali decretada a sua inconstitucionalidade. Fl. 7890DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 972 18 Corroborando o que aqui se afirma, releva reproduzir excerto do pronunciamento da Ministra Cármen Lúcia, ao apreciar Agravo de Instrumento impetrado pela União. DECISÃO AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. COFINS. ARTS. 3º, § 1º, E 8º DA LEI N. 9.718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO: IMPOSSIBILIDADE. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA: CONSTITUCIONALIDADE. RECONSIDERAÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. ANÁLISE, DESDE LOGO, DO AGRAVO DE INSTRUMENTO. AGRAVO PROVIDO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO. ... 11. Em 5 de agosto de 2009, no julgamento do Recurso Extraordinário 527.602, de relatoria do Ministro Eros Grau, o Plenário do Supremo Tribunal Federal reafirmou a jurisprudência no sentido da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/98 e da constitucionalidade do art. 8º da mencionada lei, apreciada nos Recursos Extraordinários ns. 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, Relator o Ministro Marco Aurélio, DJ 15.8.2006. 12. Mantevese o entendimento de que a noção de faturamento contida no art. 195, inc. I, da Constituição da República (norma anterior à Emenda Constitucional n. 20/98) não autoriza a incidência tributária sobre a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte, não sendo possível a convalidação dessa imposição, mesmo com o advento de norma constitucional derivada (Emenda Constitucional n. 20/98). 13. Além disso, o Supremo Tribunal rejeitou a alegação de inconstitucionalidade do art. 8º da Lei 9.718/98 (majoração da alíquota da contribuição de 2% para 3%) e descartou a argumentação de que haveria necessidade de lei complementar para esse fim. Também estabeleceu que a Lei n. 9.718/98 passou a produzir efeitos válidos a partir de 1º.2.1999, em atendimento à exigência do decurso do prazo nonagesimal, prevista no art. 195, § 6º, da Constituição da República. 14. Ao julgar inconstitucional a majoração da alíquota da contribuição de 2% para 3% da Cofins, promovida pelo art. 8º da Lei n. 9.718/98, o Tribunal a quo divergiu da orientação fixada pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. 15. Pelo exposto, dou provimento a este agravo, na forma do art. 544, §§ 3º e 4º, do Código de Processo Civil, e, desde logo, parcial provimento ao recurso extraordinário, nos termos do art. 557, § 1ºA, do mesmo diploma legal, para reformar o acórdão recorrido no ponto que julgou ilegítima a majoração da alíquota da contribuição de 2% para 3%, promovida pelo art. 8º da Lei n. 9.718/98. Considerandose a Súmula 512 do Supremo Tribunal Federal, deixo de condenar ao pagamento de honorários advocatícios de sucumbência. Publiquese. Brasília, 19 de novembro de 2009. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Amparado em tais argumentos, acolho o argumento da Recorrente acerca da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS com base no já citado parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Fl. 7891DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 12571.000373/201075 Acórdão n.º 1301001.439 S1C3T1 Fl. 973 19 Cumpre destacar que em relação à omissão de receita decorrente da ausência de emissão de nota fiscal e da utilização de notas fiscais paralelas, a tributação do PIS e da COFINS deve ser mantida, eis que, nesse caso, os valores apurados dizem respeito a FATURAMENTO. No tocante à pretensão de ver excluída a CSLL da base de cálculo do IRPJ, ainda que se despreze o fato de que argumentação expendida é direcionada no sentido de sustentar a inconstitucionalidade da Lei nº 9.316/96, o que não pode ser apreciado em seara administrativa, equivocamse os Recorrentes ao afirmar que “elabora suas demonstrações financeiras, adotando para tanto a sistemática ou forma de tributação pelo lucro real, consoante comprovam as declarações do imposto de renda que se anexa”, pois, como já visto, o regime de tributação adotado nos anos submetidos ao procedimento fiscal (2005 e 2006) foi o do LUCRO PRESUMIDO3, descabendo, assim, falar em apropriação de despesa na determinação da base de cálculo. O lançamento tributário relativo ao Imposto sobre Produto Industrializado foi objeto de um outro processo administrativo, motivo pelo qual descabe apreciar pedido de perícia relativo a questões associadas ao referido tributo. Assim, considerado todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da tributação do PIS e da COFINS os valores incidentes sobre as receitas financeiras omitidas (PIS – infração 1, fls. 676; e COFINS – infração 1, fls. 690). “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator 3 Às fls. 457/474 dos autos, encontramse anexadas cópia das DIPJ/2006 e 2007, com opção pela tributação com base no LUCRO PRESUMIDO. Fl. 7892DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721748/2011-17
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2006 a 01/01/2010
EXERCENTES DE CARGO EM COMISSÃO, EXCLUSIVAMENTE, E CONTRATAÇÃO POR TEMPO DETERMINADO NA ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL. SERVIDORES EM SENTIDO AMPLO. VINCULAÇÃO AO RGPS. INAPLICABILIDADE DAS LEIS DO RPPS. VALORES RECEBIDOS COM HABITUALIDADE E EM PECÚNIA. INTEGRAM A BASE DA CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2006 a 01/01/2010 EXERCENTES DE CARGO EM COMISSÃO, EXCLUSIVAMENTE, E CONTRATAÇÃO POR TEMPO DETERMINADO NA ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL. SERVIDORES EM SENTIDO AMPLO. VINCULAÇÃO AO RGPS. INAPLICABILIDADE DAS LEIS DO RPPS. VALORES RECEBIDOS COM HABITUALIDADE E EM PECÚNIA. INTEGRAM A BASE DA CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrente MUNICÍPIO DE FLORIANÓPOLIS SECRETARIA DE DEFESA DO CIDADÃO. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2006 a 01/01/2010 EXERCENTES DE CARGO EM COMISSÃO, EXCLUSIVAMENTE, E CONTRATAÇÃO POR TEMPO DETERMINADO NA ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL. SERVIDORES EM SENTIDO AMPLO. VINCULAÇÃO AO RGPS. INAPLICABILIDADE DAS LEIS DO RPPS. VALORES RECEBIDOS COM HABITUALIDADE E EM PECÚNIA. INTEGRAM A BASE DA CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 17 48 /2 01 1- 17 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.721748/201117 Acórdão n.º 2803003.011 S2TE03 Fl. 197 2 Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.721748/201117 Acórdão n.º 2803003.011 S2TE03 Fl. 198 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.317.7720, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da empresa das categorias de empregados, parte patronal e SAT, bem como o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.317.7739, que objetiva o lançamento das contribuições próprias dos trabalhadores decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da empresa da categoria de empregados, bem como o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 37.317.7690, apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 116 a 126, com período de apuração de 06/2006 a 12/2009, conforme Termo e Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 109 e 110. O sujeito passivo foi cientificado das autuações, em 05/10/2011, conforme Ofício SEFIS/DRF/FNS Nº 354 e 353/2011, de fls. 140 e 141, respectivamente. O processo nº 11516.721749/201161 foi juntado por apensação a este, em 13/10/2011, conforme Termo de Apensação, de fls. 142. O contribuinte apresentou sua defesa, em 19/10/2011, as fls. 144 a 146, acompanhada dos documento, de fls. 147 a 149 A defesa foi considerada tempestiva, fls. 153. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1533.370 7ª, Turma DRJ/SDR, em 10/09/2013, fls. 155 a 163. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 20/09/2013, conforme AR, de fls. 165. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 173 a 176, recebido, em 17/10/2013, conforme carimbo de recepção, de fls. 173, acompanhado dos documentos, de fls. 177 a 192. Mérito. · que as autuações devem ser revistas e consideradas nulas, pois não é possível exigir do servidor público municipal contribuição sobre a verba alimentação, aplicandose por analogia a Lei 10.887/2004, que Fl. 198DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.721748/201117 Acórdão n.º 2803003.011 S2TE03 Fl. 199 4 expressamente a exclui da base de incidência por considerála indenizatória e não remuneratória; · que o auxílioalimentação é verba indenizatória como definido no parágrafo primeiro, do artigo 22, da Lei 8.460/92, e, assim sendo insuscetível de gerar contribuição previdenciária; · que sendo o auxílioalimentação excluído expressamente da base da contribuição pela Lei 10.877/2004 e considerado mera indenização pela Lei 8.460/92, mesmo quando pago em pecúnia, não pode sobre este incidir a exação. · que o recurso deve ser provido, para cancelar os autos e anular a decisão atacada. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 194. Os autos subiram ao CARF, fls. 194. É o Relatório. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.721748/201117 Acórdão n.º 2803003.011 S2TE03 Fl. 200 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Não assiste razão a recorrente ao entender que as autuações devam ser revistas e anuladas, pois suas alegações recursais são dissociadas da realidade jurídica apresentada. A CRFB/88 em seu artigo 40, parágrafo 13, diz o que a seguir transcrevo. Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) § 13 Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica se o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) (o realce é meu). Do texto constitucional fica evidente que aquele que exerce cargo em comissão, exclusivamente, e o que tem cargo temporário qualquer que seja a natureza vinculamse ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS e não ao Regime Próprio de Previdência Social – RPPS. Extraise dessa disciplina constitucional que a Lei 8.460/92, bem como a Lei 10.887/2004 não se aplicam a esses trabalhadores, pois estes não estão no regime previdenciário disciplinado por essas leis, sendo isso muito evidente basta ver a ementa da Lei 10.877/2004 e a transcrição do artigo 22, da Lei 8.460/92 para se ter certeza dessa situação, observese. Lei 10.877/2004 Dispõe sobre a aplicação de disposições da Emenda Constitucional no 41, de 19 de dezembro de 2003, altera dispositivos das Leis nos 9.717, de 27 de novembro de 1998, 8.213, de 24 de julho de 1991, 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e dá outras providências. Lei 8.460/92 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.721748/201117 Acórdão n.º 2803003.011 S2TE03 Fl. 201 6 Art. 22. O Poder Executivo disporá sobre a concessão mensal do auxílioalimentação por dia trabalhado, aos servidores públicos federais civis ativos da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional. (Redação dada pela Lei nº 9.527, de 1997) A primeira lei citada cuida apenas de disciplinar, atualizar ou modificar as regras do Regime Próprio de Previdência Social – RPPS estabelecido pela EC Nº 41 e regulado pela Lei 9.717/98 a segunda lei apenas cuida do auxílio – alimentação na esfera da Administração Federal e dos servidores federais e nada mais. Desta forma, nenhuma das leis em se lastreou o recurso são aplicáveis ao caso em tela, pois não se cuida de contribuição ao RPPS de servidores públicos, mas sim de servidores vinculados ao RGPS por determinação constitucional. Aliás, o próprio Supremo Tribunal Federal – STF entende que servidores com exercício exclusivo de cargo em comissão e temporários estão submetidos ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS. EMENTA Agravo regimental no recurso extraordinário. Administrativo. Ocupantes de cargo em comissão. Filiação ao Regime Geral de Previdência Social. Advento da EC nº 20/98. Direito adquirido a regime jurídico previdenciário. Inexistência. Precedentes. 1. Os ocupantes de cargo em comissão de forma exclusiva estão sujeitos ao regime geral de previdência social. 2. É pacífica a jurisprudência desta Corte de que não há direito adquirido a regime jurídico, inclusive o previdenciário. 3. Aplicase à aposentadoria a norma vigente à época do preenchimento dos requisitos para a sua concessão. 4. Agravo regimental não provido.(REAgR 409295, DIAS TOFFOLI, STF.) EMENTA: I. Ação direta de inconstitucionalidade: seu cabimento afirmado no STF desde 1926 para questionar a compatibilidade de emenda constitucional com os limites formais ou materiais impostos pela Constituição ao poder constituinte derivado: precedente. II. Previdência social (CF, art. 40, § 13, cf. EC 20/98): submissão dos ocupantes exclusivamente de cargos em comissão, assim como os de outro cargo temporário ou de emprego público ao regime geral da previdência social: argüição de inconstitucionalidade do preceito por tendente a abolir a "forma federativa do Estado" (CF, art. 60, § 4º, I): implausibilidade da alegação: medida cautelar indeferida. 1. A "forma federativa de Estado" elevado a princípio intangível por todas as Constituições da República não pode ser conceituada a partir de um modelo ideal e apriorístico de Federação, mas, sim, daquele que o constituinte originário concretamente adotou e, como o adotou, erigiu em limite material imposto às futuras emendas à Constituição; de resto as limitações materiais ao poder constituinte de reforma, que o art. 60, § 4º, da Lei Fundamental enumera, não significam a intangibilidade literal da respectiva disciplina na Constituição originária, mas apenas a proteção do núcleo essencial dos princípios e institutos cuja Fl. 201DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.721748/201117 Acórdão n.º 2803003.011 S2TE03 Fl. 202 7 preservação nelas se protege. 2. À vista do modelo ainda acentuadamente centralizado do federalismo adotado pela versão originária da Constituição de 1988, o preceito questionado da EC 20/98 nem tende a abolilo, nem sequer a afetálo. 3. Já assentou o Tribunal (MS 23047 ML, Pertence), que no novo art. 40 e seus parágrafos da Constituição (cf. EC 20/98), nela, pouco inovou "sob a perspectiva da Federação, a explicitação de que aos servidores efetivos dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, "é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial", assim como as normas relativas às respectivas aposentadorias e pensões, objeto dos seus numerosos parágrafos: afinal, toda a disciplina constitucional originária do regime dos servidores públicos " inclusive a do seu regime previdenciário já abrangia os três níveis da organização federativa, impondose à observância de todas as unidades federadas, ainda quando com base no art. 149, parág. único que a proposta não altera organizem sistema previdenciário próprio para os seus servidores": análise da evolução do tema, do texto constitucional de 1988, passando pela EC 3/93, até a recente reforma previdenciária. 4. A matéria da disposição discutida é previdenciária e, por sua natureza, comporta norma geral de âmbito nacional de validade, que à União se facultava editar, sem prejuízo da legislação estadual suplementar ou plena, na falta de lei federal (CF 88, arts. 24, XII, e 40, § 2º): se já o podia ter feito a lei federal, com base nos preceitos recordados do texto constitucional originário, obviamente não afeta ou, menos ainda, tende a abolir a autonomia dos Estadosmembros que assim agora tenha prescrito diretamente a norma constitucional sobrevinda. 5. Parece não ter pertinência o princípio da imunidade tributária recíproca ainda que se discuta a sua aplicabilidade a outros tributos, que não os impostos à contribuição estatal para o custeio da previdência social dos servidores ou empregados públicos. 6. A autoaplicabilidade do novo art. 40, § 13 é questão estranha à constitucionalidade do preceito e, portanto, ao âmbito próprio da ação direta. (ADIMC 2024, SEPÚLVEDA PERTENCE, STF.) (o destaque é meu). No caso vertente os ocupantes de cargos em comissão e de cargos temporário são vinculados o RGPS e assim apenas quando tal benefício é oferecido in natura é que este não é base de cálculo da contribuição social previdenciária, conforme ADE, abaixo transcrito. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de Fl. 202DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.721748/201117 Acórdão n.º 2803003.011 S2TE03 Fl. 203 8 apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional O Superior Tribunal de Justiça – STJ, também, entende que sob esta rubrica incide contribuição, quando paga em dinheiro, veja o excerto. EMEN: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ATENDIMENTO AOS REQUISITOS LEGAIS. REEXAME. SÚMULA N. 7 DO STJ. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. HABITUALIDADE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA. 1. Conforme assentado na jurisprudência desta Corte, não incide contribuição previdenciária sobre a verba paga a título de participação nos lucros e resultados das empresas, desde que realizadas na forma da lei (art. 28, § 9º, alínea "j", da Lei n. 8.212/91, à luz do art. 7º, XI, da CR/88). Precedentes. 2. Descabe, nesta instância, revolver o conjunto fáticoprobatório dos autos para confrontar a premissa fática estabelecida pela Corte de origem. É caso, pois, de invocar as razões da Súmula n. 7 desta Corte. 3. O STJ também pacificou seu entendimento em relação ao auxílioalimentação, que, pago in natura, não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária, esteja ou não a empresa inscrita no PAT. Ao revés, pago habitualmente e em pecúnia, há a incidência da referida exação. Precedentes. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. EMEN: (RESP 201001007033, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:28/09/2010 ..DTPB:.) Fl. 203DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11516.721748/201117 Acórdão n.º 2803003.011 S2TE03 Fl. 204 9 Desta forma, não atendido o artigo 28, § 9º, “c” , da Lei 8.212/91, haja vista o pagamento em pecúnia de tal benefício a regra que incide é a do artigo 28, I, da citada lei. Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações de mérito, suscitadas pela recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 13609.001092/2009-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ENCERRAMENTO PARCIAL. ADMISSIBILIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal pode ser encerrado parcialmente, desde que cumpridos os requisitos legais e de acordo com a sistemática de apuração de tributos do contribuinte.
ARROLAMENTO PREVISTO NA LEI N. 9.532/97. ADMISSIBILIDADE.
É válido o arrolamento efetuado pela autoridade competente com base no artigo 64 da Lei n. 9.532/97, para garantia e acompanhamento da evolução patrimonial do contribuinte.
Numero da decisão: 1201-000.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Marcelo Cuba Neto, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior, Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ENCERRAMENTO PARCIAL. ADMISSIBILIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal pode ser encerrado parcialmente, desde que cumpridos os requisitos legais e de acordo com a sistemática de apuração de tributos do contribuinte. ARROLAMENTO PREVISTO NA LEI N. 9.532/97. ADMISSIBILIDADE. É válido o arrolamento efetuado pela autoridade competente com base no artigo 64 da Lei n. 9.532/97, para garantia e acompanhamento da evolução patrimonial do contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Marcelo Cuba Neto, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior, Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Configuram omissão de receita, por presunção legal, os valores não contabilizados, creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Verificada a omissão de receita, o montante apurado deverá ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social, do PIS e da Cofins. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o sujeito passivo omitese no cumprimento dos deveres que lhe foram legalmente atribuídos, autoridade fiscal deve proceder ao lançamento de ofício, cujo prazo decadencial de cinco anos iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido feito (art. 173, I, do CTN). ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ENCERRAMENTO PARCIAL. ADMISSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 10 92 /2 00 9- 94 Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.001092/200994 Acórdão n.º 1201000.884 S1C2T1 Fl. 3 2 O Mandado de Procedimento Fiscal pode ser encerrado parcialmente, desde que cumpridos os requisitos legais e de acordo com a sistemática de apuração de tributos do contribuinte. ARROLAMENTO PREVISTO NA LEI N. 9.532/97. ADMISSIBILIDADE. É válido o arrolamento efetuado pela autoridade competente com base no artigo 64 da Lei n. 9.532/97, para garantia e acompanhamento da evolução patrimonial do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Marcelo Cuba Neto, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior, Rafael Correia Fuso e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), multa de oficio e juros de mora, relativos ao anocalendário de 2004. Neste processo cuidase dos lançamentos relativos ao terceiro e quarto trimestres de 2004, enquanto que no processo n. 13609.000334/200922 são analisados e julgados os lançamentos referentes ao primeiro trimestre do mesmo exercício. O lançamento tem como fundamento a presunção de omissão de receita, com base no art. 42 da Lei 9.430/96, decorrente da identificação de vários lançamentos a crédito não contabilizados, recebidos na conta bancária da Recorrente. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.001092/200994 Acórdão n.º 1201000.884 S1C2T1 Fl. 4 3 A fiscalização foi motivada por seleção interna para verificação da escrituração contábil dos depósitos bancários. O procedimento fiscal foi iniciado com base no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF de n° 06.1.13.002008003662, no qual foi apurado o crédito tributário do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, do Programa de Integração Social e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, no valor total, com os acréscimos legais, de R$ 32.560.796,98. Em 15 de outubro de 2008, o Contribuinte foi intimado a apresentar o Livro Diário, o Livro Razão e os extratos bancários da empresa relativos ao anocalendário de 2004, bem como os atos constitutivos e as alterações referentes aos últimos cinco anos. O contribuinte entregou os documentos, conforme atesta a autoridade fiscal, em 29 de outubro de 2008. Em 11 de dezembro de 2008, após a análise da documentação entregue, a autoridade lançadora determinou que o contribuinte apresentasse documentação apta a comprovar a origem dos créditos constantes dos extratos bancários analisados, posto que não haviam sido identificadas as contrapartidas contábeis nos respectivos livros. Em resposta datada de 29 de dezembro de 2008 o Contribuinte alegou, em síntese, que os depósitos e cheques seriam relativos a descontos que os produtores e transportadores da região fariam no próprio Posto, com ou sem o fornecimento de combustível, conforme o caso. Em 20 de janeiro de 2009 a autoridade fiscal, por meio de nova intimação, solicitou a apresentação dos documentos que comprovassem a origem dos depósitos, ressaltando que: Os documentos que podem ser usados para comprovação são as cópias dos cheques depositados, cópias dos documentos de créditos, DOC, recibos, e outros. Ressaltase que a apresentação de cópia dos comprovantes de depósitos bancários referentes ao 1° trimestre de 2004, enviados a fiscalização em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n. 01 não comprovam sua origem. O contribuinte deveria apresentar uma planilha relacionando os dados de cada cheque ou documento referente aos créditos (banco, agência, conta, emitente, CPF/CNPJ, valor e data) com a nota fiscal e data do abastecimento, nome completo do cliente, valor da diferença recebida em dinheiro e outros dados disponíveis. Deveria, ainda, apresentar cópias (frente e verso) dos cheques emitidos em 2004 pelo POSTO N & REIS LTDA., referentes à conta corrente n° 6.4785, agência 03956, do Banco do Brasil. No mesmo termo de intimação a autoridade fiscal elaborou uma relação detalhada dos créditos não escriturados nos Livros Diário e Razão apresentados e relativos ao ano de 2004, que indicavam a movimentação na conta corrente acima descrita. O Fisco indicou individualmente e de forma pormenorizada todos os depósitos e operações que careciam de comprovação, para todos os meses de 2004, inclusive os relativos ao terceiro e quarto trimestres. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.001092/200994 Acórdão n.º 1201000.884 S1C2T1 Fl. 5 4 Em 12 de março de 2009 o Contribuinte entregou parcialmente os documentos, que foram recebidos pela autoridade fiscal, sob a alegação de que o banco não possuía a relação de cheques depositados, por impossibilidade de sistema, conforme informação do gerente responsável. A autoridade fiscal, por meio de Termo de Intimação n. 03, com ciência em 16 de março de 2009, solicitou a relação analítica de diversos bens constantes do patrimônio da empresa, para fins de arrolamento. Em 16 de junho foi entregue a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) ao Banco do Brasil. Em 26 de junho de 2009 o Contribuinte tomou ciência do Termo de Intimação n. 04, no qual a autoridade fiscal solicitou informações sobre a propriedade do imóvel em que funcionava a empresa. A solicitação foi objeto de reintimação, por meio do Termo de Intimação n. 05, com ciência em 17 de agosto de 2009. Em 15 de setembro de 2009 o Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração lavrado pela autoridade fiscal, relativo ao terceiro e quarto trimestres do ano calendário de 2004, que considerou omissão de receita os valores não escriturados, para os quais, segundo mencionado no “Relatório de Auditoria Fiscal”, não houve comprovação de origem. No mencionado relatório a autoridade lançadora destaca, verbis: 1. Existem, no período, diversos depósitos de cheques em valores iguais ou superiores a R$ 50.000,00, que somam no período um valor superior a R$ 9.500.000,00, conforme está destacado nos documentos de fls. 449 a 532 do anexo 3. Chegando ao ponto de existir um único cheque no valor de R$ 401.580,93, conforme_fl. 514 do anexo 3. 2. É no mínimo incomum um estabelecimento comercial devolver como troco em um abastecimento de veículo valores expressivos como os alegados no presente caso. 3. Considerando um abastecimento na ordem de R$ 1.000,00 (500 litros de óleo diesel ao preço de R$ 2,00 o litro) pagos com um cheque de R$ 50.000,00, isto acarretaria um custo de R$ 190,00 apenas com Contribuição Provisória Sobre a Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF. 4. No 3° e 4° trimestres de 2004 os valores referentes aos cheques depositados não escriturados totalizam R$ 31.680.731,04, o que geraria um custo de CPMF de R$ 120.386,77 nos alegados saques em dinheiro destes valores. 5. Os valores da CPMF sobre as vendas escrituradas nos livros contábeis também estão contabilizados como despesas. Entretanto, os valores da CPMF debitados da conta corrente referentes aos alegados saques não estão registrados nos livros Diário e Razão. Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.001092/200994 Acórdão n.º 1201000.884 S1C2T1 Fl. 6 5 Devidamente intimado, o Recorrente apresentou impugnação em 13 de outubro de 2009, acompanhada de documentos, na qual, em síntese, alegou que: 1. Para aumentar as vendas, o impugnante efetua descontos de cheques apresentados por caminhoneiros e clientes do posto; 2. O auto de infração originouse de autuação praticada sem amparo em regular Mandado de Procedimento Fiscal, contaminado de vício formal, porque: a) não prevê a legislação encerramento parcial de ação fiscal; b) o Termo de Encerramento lavrado quando da emissão do auto de infração que deu origem ao processo n° 13.609.0003341200922 foi extinto, nos termos da legislação, o MPF; c) da prorrogação irregular do MPF emitiuse auto de infração com inobservância dos prazos fixados para validade do MPF; d) a autuação só teria validade se fosse emitido novo MPF com indicação de novo AFRFB, o que não foi feito; 3. Não foi emitida nenhuma intimação ao Recorrente; 4. A empresa efetuava e efetua descontos de cheques apresentados por caminhoneiros e produtores de carvão clientes do posto, cheques estes recebidos por eles em pagamento de serviços de transporte e fornecimento de carvão realizados especialmente para o setor siderúrgico; 5. Faz referência às disposições do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN) e do art. 332 do Código de Processo Civil (CPC), para ressaltar que a presunção legal trazida pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 é uma importante ferramenta colocada à disposição do fisco, mas só pode ser utilizada quando não restarem dúvidas no tocante ao fato decorrente omissão de receitas cuja prova direta está a cargo da fiscalização; 6. Utiliza o método da escrituração do suprimento de caixa, mediante compensação de cheques emitidos, debitandose a conta caixa código 00005 e creditandose a conta bancos com código específico para cada banco sacado; 7. Faz referência ao art. 373, parágrafo único do CPC, de que é princípio geral das provas a indivisibilidade; 8. Os depósitos identificados, apesar de não contabilizados, não representam nenhuma omissão de receitas, já que se anulam pela contabilização dos cheques, sendo a escrituração contábil indivisível nos termos do art. 380 do CPC; 9. As impugnações específicas aos lançamentos da COFINS, da Contribuição Social do Lucro Líquido e do PIS, por terem vínculo com a autuação do IRPJ, sejam julgadas por conexão; 10. Requer o deferimento da prova pericial, com a finalidade de provar que os valores depositados na instituição financeira originaramse da "conta caixa" da empresa, caso a documentação anexa não seja suficiente para demonstrar e comprovar a origem dos depósitos. Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.001092/200994 Acórdão n.º 1201000.884 S1C2T1 Fl. 7 6 Em sessão realizada no dia 10 de novembro de 2009, a 2ª Turma da DRJ de Belo Horizonte, por unanimidade de votos, indeferiu o pedido de perícia, rejeitou as preliminares de nulidade e, no mérito, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. As Ementas a seguir reproduzem o entendimento daquela instância de julgamento: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA PRELIMINAR DE NULIDADE – MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando nos autos está comprovado que a fiscalização cumpriu todos os requisitos legais pertinentes ao Mandado de Procedimento Fiscal, não tendo o contribuinte demonstrado nenhuma irregularidade capaz de invalidar o lançamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRELIMINAR DE NULIDADE FORMALIZAÇÃO DO PROCESSO Rejeitase a preliminar de nulidade quando cumpridos todos os requisitos pertinentes à formalização do lançamento, observado ainda os trâmites legais previstos no processo administrativo fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Configuram omissão de receita, por presunção legal, os valores não contabilizados, creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A opção do contribuinte por movimentar expressivas somas de numerário, em supostas operações de "descontos de cheques", estranhas à atividade da empresa, por sua inteira responsabilidade, não o exime de comprovar a origem de cada um dos depósitos nos limites e na forma determinados pela legislação. Não se prestam para a comprovação da origem dos depósitos a descrição da forma de suprimento do caixa da empresa, a "retificação da contabilidade" realizada depois da autuação, documentos bancários pertinentes a exercício diverso do Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.001092/200994 Acórdão n.º 1201000.884 S1C2T1 Fl. 8 7 lançamento e a demonstração de suposta limitação da empresa de omitir receitas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Verificada a omissão de receita, o valor correspondente deverá ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social, do PIS e da Cofins. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Posteriormente, o contribuinte foi intimado em 19 de novembro 2009 da decisão da Delegacia de Julgamento e, em 14 de dezembro de 2009, representado por seu advogado, interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que: 1. A acusação fiscal sustenta a existência de omissão de receitas em decorrência de simples omissão contábil da ora Recorrente quanto ao registro em sua contabilidade de valores depositados em instituição financeira no período de julho a dezembro de 2004; 2. A contabilização dos depósitos não efetuada em 2004, por simples omissão, foi devidamente corrigida e saneada mediante retificação da contabilidade daquele período, com escrituração de todos os valores depositados; 3. A correção da contabilização foi realizada antes da lavratura do auto de infração objeto do presente recurso; 4. Preliminarmente: a) Nulidade do Acórdão de 1ª instância por Preterição do Direito de Defesa, pois, não enfrentou todas as alegações apresentadas na Impugnação, inovou a acusação fiscal, rejeitou a prova documental e indeferiu a prova pericial; b) Nulidade do Lançamento em decorrência da extinção do Mandado de Procedimento Fiscal, pelo fato de o fiscal ter dividido o período indicado no MPF, em trimestrais, com emissão de Relatórios de Auditoria Fiscal, Autos de Infração e Encerramentos, que qualificou de “Encerramentos Parciais”; c) Nulidade do Lançamento com base no artigo 42 da Lei 9.430/96 por ausência de intimação específica e regular do sujeito passivo; 5. No mérito, comprovou a origem dos recursos depositados e demonstrou não ser o caso de aplicação do artigo 42 da Lei 9.430/96; 6. A documentação juntada comprova e esclarece que os valores depositados fecham com os valores sacados, mediante pequenas somas em dinheiro acrescidas aos valores dos cheques descontados pelo posto de gasolina; Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.001092/200994 Acórdão n.º 1201000.884 S1C2T1 Fl. 9 8 7. As provas desconstituem a presunção fiscal, já que a documentação é hábil e idônea e demonstra que a entrada do dinheiro e sua origem coincidem com as datas e valores e não caracteriza omissão de receitas; 8. A decisão de 1ª instância é contraditória e demonstrou o espírito fiscalista do órgão julgador e o descompromisso com a verdade, pois não aceitou as provas apresentadas pelo Recorrente; 9. O que houve foi uma omissão contábil, isto é, não foram contabilizados os depósitos, mas também não foram contabilizados os cheques emitidos para suprimento da “conta caixa”; 10. Realizou a retificação de sua contabilidade no ano de 2004, representada pela contabilização de todos os cheques emitidos para suprimento de caixa, assim como efetuou a contabilização de todos os depósitos indicados pela fiscalização; 11. Comprovou que não efetua vendas desacobertadas de nota fiscal; 12. A decisão recorrida confere ao artigo 42 da Lei 9.430/96, interpretação totalmente dissociada do princípio da estrita legalidade, hospedado nos artigos 150, I, da CF e 142 do CTN, bem como ofende os artigos 153, III, da CF e 43 do CTN; 13. Se os depósitos lançados em extrato bancário constituem prova hábil a favor do Fisco, os cheques lançados no mesmo extrato devem ser considerados provas hábeis a favor do Recorrente; 14. Desde a fase investigatória, o Fisco não aceitou nenhuma prova apresentada para elidir a presunção de omissão de receitas imputadas à Recorrente; 15. O Banco do Brasil forneceu ao Fisco a relação dos cheques de outros Bancos depositados na ContaCorrente 6.478, Agência 0395, alvo da fiscalização; 16. Essa documentação corrobora todas as informações prestadas pelo Recorrente desde a fase investigatória e confirma que os depósitos realizados originaramse de cheques de terceiros, de outros bancos, ratificando, em consequência, o movimento realizado em 2004; Por fim, a Recorrente pugna pela dispensa e cancelamento do arrolamento realizado, pela reforma da decisão recorrida e pelo cancelamento dos autos de infração lavrados para as exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para Financiamento e Integração Social (COFINS) e Contribuição para o Programa de Integração Social(PIS). Em 30 de março de 2011 protocolizou, ainda, petição em que apresenta razões complementares ao Recurso Voluntário. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.001092/200994 Acórdão n.º 1201000.884 S1C2T1 Fl. 10 9 Nessa peça, argumenta que o auto de infração foi constituído em 15 de setembro de 2009, ultrapassando o prazo legal de cinco anos para o lançamento dos débitos relativos aos meses de julho a setembro de 2004 das contribuições relativas ao PIS e à COFINS e, por isso, o crédito tributário deve ser extinto, visto que fulminado pela decadência. Os autos foram encaminhados ao CARF para apreciação e julgamento. Este é o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O Recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele tomo conhecimento. Tendo em vista os longos argumentos expendidos pela Recorrente, entendo ser conveniente a separação por tópicos, no intuito de enfrentar todos os pontos relevantes apresentados no recurso. 1. Da arguição de decadência em relação ao PIS e à COFINS Alega a Recorrente que, em razão de o lançamento efetuado pela autoridade tributária ter sido realizado em setembro de 2009, restariam decaídos os débitos relativos ao PIS e à COFINS, para os meses de julho a setembro de 2004. O argumento da Recorrente utiliza como lastro a aplicação do artigo 150, §4o, do CTN. Todavia, com a alteração do Regimento Interno do CARF pela Portaria MF nº 586, de 22/12/2010 e consequente inclusão do artigo 62A, a seguir transcrito, os colegiados deverão adotar a tese definida pelo STJ na sistemática do recurso repetitivo: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifamos) Com a publicação do Recurso Especial n. 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, que teve como relator o Ministro Luiz Fux, a matéria Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.001092/200994 Acórdão n.º 1201000.884 S1C2T1 Fl. 11 10 encontrase definida no âmbito daquele Tribunal e deve, portanto, ser seguida neste Colegiado, nos seguintes termos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.001092/200994 Acórdão n.º 1201000.884 S1C2T1 Fl. 12 11 (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) No caso dos autos tratase de lançamento por omissão de receitas, no qual entendo que não há, por parte da autoridade fiscal, o que homologar, de modo que o dies a quo do prazo decadencial deve ser deslocado para a regra geral do artigo 173, I, do CTN. Nesse sentido já se posicionava a jurisprudência do STJ antes mesmo do acórdão supracitado, conforme ementa da lavra do Ministro Castro Meira, que reproduzo: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. No lançamento por homologação, o contribuinte, ou o responsável tributário, deve realizar o pagamento antecipado do tributo antes de qualquer procedimento administrativo, ficando a extinção do crédito condicionada à futura homologação expressa ou tácita pela autoridade fiscal competente. Havendo pagamento antecipado, o Fisco dispõe do prazo decadencial de cinco anos, a contar do fato gerador, para homologar o que foi pago ou lançar a diferença acaso existente (art.150, § 4°, do CTN). Se não houve pagamento antecipado pelo contribuinte, não há o que homologar, nem se pode falar em lançamento por homologação. Surge a figura do lançamento direto substitutivo, previsto no art. 149, V, do CTN, cujo prazo decadencial se rege pela regra geral do art. 173, 1, do CTN: cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o pagamento antecipado deveria ter sido realizado. (grifamos) A tese segundo a qual a regra do art. 150, § 4°, do CTN deve ser aplicada cumulativamente com a do art. 173, I, do CTN, resultando em prazo decadencial dez anos, já não encontra guarida nesta Corte. Precedentes. Recurso especial do autor provido, prejudicado o da municipalidade.(REsp 1024092/SC, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07.08.2008, DJe 04.09.2008) Conquanto me pareça que os Acórdãos retrocitados sejam mais do que suficientes para elucidar a questão, no intuito de que não pairem dúvidas sobre a aplicação da regra neles prevista para as hipóteses de omissão de receita, como ocorre no caso em tela, trago à colação recente decisão do próprio STJ, que expressamente consagra a regra do artigo 173, I, do CTN para as hipóteses de omissão relativas ao PIS, nos exatos moldes do que se discute nestes autos: Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.001092/200994 Acórdão n.º 1201000.884 S1C2T1 Fl. 13 12 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. PIS. OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. ATO FINAL. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO E NOTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. 1. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o sujeito passivo omitese no cumprimento dos deveres que lhe foram legalmente atribuídos, deve a autoridade fiscal proceder ao lançamento de ofício (CTN, art. 149), iniciandose o prazo decadencial de cinco anos no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido feito (art. 173, I, do CTN). 2. Se a Fazenda Pública notifica o contribuinte do auto de infração no prazo de cinco anos a que alude o art. 173, I, do CTN, não há que se falar em decadência do direito à constituição do crédito tributário. 3. O direito de lançar é potestativo. Logo, iniciado o procedimento fiscal com a lavratura do auto de infração e a devida ciência do sujeito passivo da obrigação tributária no prazo legal, desaparece o prazo decadencial. (grifamos) (EDcl no REsp 1162055 SP 2009/00655845, Relator Ministro CASTRO MEIRA, Segunda Turma, Julgamento em 07/12/2010 e Publicação no DJe de 14/02/2001). Ante o exposto, voto pelo afastamento da decadência em relação aos períodos suscitados pela Recorrente. 2. Da divisão dos autos de infração por período A Recorrente alega que a divisão do MPF, com a lavratura de autos de infração com encerramento parcial, feriria a legislação de regência. Entendo que o MPF, como ordem específica que instaura o procedimento fiscal e emitido pela autoridade competente, pode ser encerrado parcialmente desde que cumpridos os requisitos legais e de acordo com a sistemática de apuração de tributos do contribuinte. Como no presente caso o contribuinte apura o IRPJ e a CSLL trimestralmente, conforme se depreende da DIPJ trazida aos autos, não vislumbro qualquer problema em relação aos procedimentos adotados pela fiscalização e, nesse sentido, rechaço os argumentos da Recorrente. Não há na legislação de regência, consubstanciada na Portaria RFB n. 11.371/2007, qualquer óbice aos procedimentos levados a cabo pela autoridade fiscal. 3. Da questão relativa ao arrolamento Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.001092/200994 Acórdão n.º 1201000.884 S1C2T1 Fl. 14 13 Equivocase a Recorrente quanto à matriz legal do arrolamento em tela, pois não se trata da hipótese de exigência para fins recursais, já afastada pelo STF, mas sim da figura prevista na Lei n. 9.532/97, como garantia e acompanhamento da evolução patrimonial do contribuinte. Com efeito, o artigo 64 do referido diploma legal determina a realização do arrolamento, nos seguintes termos: Art. 64. A autoridade fiscal competente procederá ao arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo sempre que o valor dos créditos tributários de sua responsabilidade for superior a trinta por cento do seu patrimônio conhecido. Portanto, afasto a preliminar quanto ao arrolamento e mantenho o ato da autoridade lançadora, até porque não compete a este Conselho discutir a validade das leis tributárias. 4. Da nulidade do lançamento por preterição do Direito de Defesa Conforme amplamente consagrado nos autos, a Recorrente foi corretamente intimada pela autoridade a fazer prova dos depósitos em sua conta corrente, com a apresentação discriminada dos lançamentos que careciam de comprovação. Não há, nos autos, qualquer ato que mitigue o seu direito de defesa, como certamente demonstra a própria extensão da impugnação e do recurso voluntário apresentados, que ultrapassa, neste último caso, o total de cem páginas. Também não procede a alegação de que houve rejeição de provas, inovação fiscal ou falta de motivação na decisão recorrida, razão pela qual rechaço qualquer nulidade nesse sentido. Aliás, aproveito o ensejo para também afastar o pedido de prova pericial, visto que os documentos trazidos aos autos, bem como as conclusões da autoridade lançadora me parecem mais do que suficientes para o deslinde da questão. Isso porque cabe à autoridade julgadora, nos termos do Decreto n. 70.235/72, verificar se existe ou não a necessidade de realização de perícias, conforme sua livre convicção no exame das provas e argumentos trazidos aos autos. Nesse sentido, indefiro o pedido por considerálo desnecessário. 5. Nulidade por ausência de intimação específica e regular Neste ponto parece que a Recorrente simplesmente desconhece o Termo de Intimação n. 02, do qual tomou ciência pessoal em 20 de janeiro de 2009 (fls. 162 a 177 do processo digital), em que a autoridade lançadora relaciona de forma exaustiva, com data, histórico, lote, origem, documento e valor, todos os créditos não escriturados nos Livros Diário e Razão, movimentados durante o ano de 2004. Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.001092/200994 Acórdão n.º 1201000.884 S1C2T1 Fl. 15 14 A existência de tal intimação, por si só, fulmina a pretensão da Recorrente, sem prejuízo de todas as outras intimações que recebeu e respondeu ao longo do processo, razão pela qual não há de se cogitar qualquer nulidade nos procedimentos. 6. Da omissão de receita e dos procedimentos adotados pela fiscalização A fiscalização intimou o contribuinte a apresentar diversos livros e documentos, entre os quais os livros contábeis da empresa e os extratos de depósito bancário, conforme já demonstrado no relatório. De posse de tais informações e ante a incapacidade do contribuinte em comprovar a origem dos valores depositados em conta corrente de sua titularidade, a autoridade fiscal efetuou a conciliação desses elementos e detectou que diversos lançamentos não foram escriturados, o que ensejou a presente autuação do IRPJ e reflexos. A base legal do auto de infração é o artigo 42 da Lei n. 9.430/96, que confere presunção de omissão de receita aos depósitos cuja origem não seja comprovada pelo titular, nos seguintes termos: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). A presunção contida no artigo 42 tem o condão de inverter o ônus da prova, normalmente a cargo do Fisco, nas hipóteses em que o Contribuinte omite os valores depositados em conta de sua titularidade. Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.001092/200994 Acórdão n.º 1201000.884 S1C2T1 Fl. 16 15 Nesses casos, a lei determina que compete ao interessado fazer prova da origem de tais recursos, até então desconhecidos. A prova exigida deve ser hábil e idônea, ou seja, suficiente e conclusiva em relação aos fatos que originaram os respectivos depósitos ou transferências. A não comprovação pelo interessado ou a apresentação de documentos frágeis ou insuficientes materializa, no campo jurídico, a presunção, e torna de rigor o lançamento do montante detectado. Por óbvio que cabe à autoridade fiscal intimar, averiguar e determinar a apresentação dos documentos que considera necessários para a comprovação dos depósitos. E, no caso em tela, a autoridade fiscal, ao contrário do alegado no Recurso, se mostrou bastante diligente durante os procedimentos, pois nas intimações feitas ao Contribuinte relacionou pormenorizadamente os cheques não contabilizados e exigiu a comprovação das respectivas origens, com o alerta sobre as implicações legais em caso negativo. É fato que o Contribuinte não logrou êxito em comprovar a origem dos valores, pois, ao tempo da fiscalização, apenas apresentou as cópias dos depósitos bancários, o que simplesmente confirma o ingresso dos recursos na sua conta corrente. Mais adiante entregou, parcialmente, cópias de cheques diversos, sem, contudo, atender à determinação fiscal, que o intimou a apresentar planilhas, notas fiscais, recibos e documentos de crédito. O que me parece cabal, incontroverso e determinante para o deslinde das questões discutidas nos autos é o fato de que a Recorrente não apresentou, em todo o processo, um documento fiscal sequer de sua emissão, ou seja, em nenhum momento – e não faltaram oportunidades – produziu provas adequadas sobre as origens do numerário depositado ou, alternativamente, dos negócios jurídicos que as ensejaram. Limitouse a apresentar algumas notas fiscais de terceiros, quando da impugnação, além de notas fiscais de compras de combustível, mas absolutamente nenhuma de sua lavra, ao mesmo tempo em que repetidamente argumenta que os cheques eram descontados em troca de vendas de mercadorias. As palavras são da Recorrente: O objeto de sua atividade é a venda a varejo de combustíveis e lubrificantes e com o objetivo de incremento do negócio jurídico realiza descontos de cheques apresentados por caminhoneiros e clientes do posto, que, na maciça maioria, adquirem mercadorias que lhes são necessárias, efetuam o pagamento com os cheques, recebendo do posto, em dinheiro, a diferença entre o valor do cheque e o preço da mercadoria adquirida. (grifamos) Neste ponto caberia a indagação: Quais mercadorias? Para quem e com que valores? Nada disso pode ser respondido à luz dos documentos acostados nos autos. Aliás, a Recorrente claramente opta por uma linha argumentativa extenuante e repetitiva, como se a reprodução das palavras tivesse o condão de transformálas em provas concretas. Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.001092/200994 Acórdão n.º 1201000.884 S1C2T1 Fl. 17 16 A Recorrente argumenta textualmente que mantém numerário em banco para suprir a necessidade destas operações financeiras e efetua saques bancários com o fito de promover as trocas de cheque (...). Contabilmente, credita a “conta bancos” e posteriormente, pelo mesmo valor, debita, em contrapartida, a “conta caixa”. Sobre tais afirmações convém ressaltar que, de acordo com planilhas e declarações bancárias apresentadas pela própria Recorrente, a empresa fazia, quase que diariamente, saques vultosos em dinheiro (na média, algo entre R$ 230.000,00 e R$ 450.000,00), ou seja, um montante aproximado de trinta milhões de reais em apenas seis meses, conforme reconhecido pela Recorrente. Ocorre que os livros fiscais apresentados pela Recorrente simplesmente desconsideram tais operações, como ela própria reconhece, verbis: Se de um lado é fato que a ora recorrente não contabilizou os depósitos em questão, necessário realçar que também não contabilizou os cheques sacados da mesma conta. A Recorrente pugna pelo argumento da neutralidade, ou seja, como não contabilizou os depósitos também não contabilizou os saques, o que não geraria, segundo o seu raciocínio, qualquer efeito tributário! Afirma textualmente que a não contabilização dos montantes se deu por “mero equívoco contábil”. Equívoco da ordem de 30 milhões de reais, em apenas dois trimestres, para uma empresa que declarou na DIPJ do período receitas totais de R$ 6.410.311,73. A tese principal defendida pela Recorrente é a de que suas operações se baseiam no conceito de “suprimento de caixa”, mediante compensação dos cheques emitidos, debitandose a “conta caixa” e creditandose a “conta bancos”. Como não há registros contábeis das transações nem tampouco provas suficientes para comprovar as operações, entendo que a tese não deve ser acolhida. Nesse sentido já se manifestou este Conselho, em brilhante acórdão proferido no processo n. 10925.001480/0002, sessão de 11 de novembro de 2004, Relator(a) Neicyr de Almeida, cuja ementa, pela pertinência temática, reproduzimos: IRPJ E OUTROS OMISSÃO DE RECEITAS INDÍCIOS COM BASE NA ESCRITURAÇÃO – ÔNUS DA PROVA – MERO SUPRIMENTO COMO ELEMENTO INDICIÁRIO – INSUBSISTÊNCIA – CONSTATAÇÃO DE SALDO CREDOR NÃO DIVULGADO – O suprimento de caixa – ainda que materializado por moeda manual por si só não constitui elemento indiciário com aptidão de inverter o ônus da prova. É um ato administrativo usual que denota tão somente uma crise de liquidez ou revela a necessidade de recursos próprios voltados para a grade de investimentos empresarial. A associação, não excludente, desse ativo monetário a um acobertado saldo credor de caixa de valor coincidente ou não – atual ou iminente –, é que terá o fôlego de inverter o ônus da prova. A infração, por sua vez, se tipificará sob a égide de Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.001092/200994 Acórdão n.º 1201000.884 S1C2T1 Fl. 18 17 omissão de receitas se restarem não coincidentes a origem e a efetiva entrega dos respectivos valores ao caixa da empresa. IRPJ – PRESUNÇÃO JURIS TANTUM – OMISSÃO DE RECEITA – SALDO CREDOR DE CAIXA OCULTADO POR SUPRIMENTOS FICTÍCIOS – EXIGÊNCIA FISCAL PROCEDENTE – Os suprimentos fictícios alocados a débito da conta caixa e posteriormente impugnados, exibem sempre um véu tênue acobertador do saldo negativo de caixa por omissão de receita pretérita. IRPJ E OUTROS SUPRIMENTO DE CAIXA – PRESUNÇÃO LEGAL ÔNUS DA PROVA – INVERSÃO – COMPROVAÇÃO – NECESSIDADE MERAS ALEGAÇÕES – INSUBSISTÊNCIA – A presunção legal exige esgotantes meios de prova e não alegações esgotantes. IRPJ E OUTROS – SUPRIMENTO DE CAIXA – PROVA DE ORIGEM E EFETIVA ENTREGA – INEXISTÊNCIA – CONTABILIZAÇÃO DO INGRESSO DOS RECURSOS – ARGUIÇÃO RECURSAL – INSUFICIÊNCIA DE PROVA – LANÇAMENTO SUBSISTENTE – O suprimento de caixa, quando há prova evidente de que despesas ou custos foram solvidos com recursos de igual monta ou de valores próximos, tão somente confirma e demonstra o ingresso efetivo de recursos marginais que se alojaram no caixa da empresa, oriundos, salvo prova em contrário, de pretéritas receitas omitidas ou não levadas ao resultado do período. (grifamos) Outra tese defendida pela Recorrente é a de que o lançamento se deu com base na venda de mercadorias sem emissão de notas fiscais. Conquanto realmente não exista no processo qualquer documento fiscal de emissão do Contribuinte, como já salientamos, a autoridade lançadora em nenhum momento faz tal afirmação, até porque o que interessava, no caso, era a comprovação das origens dos depósitos. A Recorrente afirma, textualmente, que é impossível vender combustível desacobertado de nota fiscal, mas não apresenta sequer uma nota fiscal de sua emissão em todo o processo. Devemos levar em conta que não são apenas combustíveis que a Recorrente vende, mas também mercadorias, como ela própria afirma textualmente. Daí porque a irrelevância, quando tomadas isoladamente, das planilhas anexas ao Recurso. Na verdade, conheço das planilhas apresentadas nos termos colocados pela própria Recorrente, de que não trazem novas provas, mas apenas desdobramentos dos fatos já demonstrados. Nesse sentido, permanece o problema: elaborar e apresentar planilhas, anos depois da autuação, sem documentos suficientes que as subsidiem (notas fiscais, por exemplo), é insuficiente para comprovar a origem dos recursos. Também é impertinente a informação de que a contabilidade foi retificada, pois é pacífico o entendimento deste Conselho no sentido de que qualquer alteração a Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.001092/200994 Acórdão n.º 1201000.884 S1C2T1 Fl. 19 18 posteriori em nada abala o lançamento efetuado, como se pode depreender, por equivalência temática, do teor da Súmula 33: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Assim, qualquer demonstração de capacidade de armazenamento, número de litros armazenáveis ou ilações dessa natureza, sobre serem desnecessárias, só podem ser entendidas como informações parciais e são inaptas para provar a pretensão da Recorrente. A Recorrente também apresentou “provas” de suas operações, relativas ao ano de 2009 (!), como fundamento para os fatos praticados em 2004, conforme segue: Para atestar este procedimento, tomando o procedimento até o presente praticado, a ora recorrente, com base em dados atuais, mas retratando a mesma prática, elaborou espelho demonstrativo, indicando que os cheques sacados e depositados têm plena vinculação, a despeito de seus registros contábeis. Neste ponto, a Recorrente apresenta operações de 2009 como justificativa do modus operandi adotado em 2004, e afirma que tais provas são “incontestáveis” para elucidar a atividade da empresa naquele período. Com a devida vênia, o argumento é absurdo e desprovido de qualquer sentido, visto que a sua adoção implicaria a criação de figura jurídica inédita, qual seja, a de prova futura com efeitos retroativos! Por força disso, devese simplesmente desconsiderar as informações apresentadas, por absoluta impertinência quanto aos fatos debatidos. No que tange à atividade financeira que deu ensejo ao lançamento, ao aceitar os argumentos da Recorrente seríamos forçados a reconhecer que a empresa, embora vendedora de combustíveis (atividade de posto de gasolina) atuava como verdadeiro “Banco 24 Horas”, realizando o desconto de inúmeros cheques entregues por seus clientes, que tanto serviam como pagamento de mercadorias adquiridas como também possibilitavam a entrega de “troco” pela diferença, conforme textualmente afirma. Todavia, ao contrário das instituições financeiras tradicionais, o contribuinte realizava tais operações, segundo declara, sem qualquer fim lucrativo, assumindo, inclusive, o ônus da CPMF (que à época vigorava), em montante superior a R$ 120.000,00 para os dois trimestres. Ressaltese que, no que tange ao tema, o Contribuinte afirma que tinha “procedimentos próprios, um custo planejado e administrado operacionalmente” para a amortização e escrituração da CPMF, embora tais informações não constem dos livros contábeis, circunstância agravada pelo fato de que na DIPJ o valor da CPMF informado para o período é de singelos R$ 591,69. Ainda que o Contribuinte quisesse realizar operações estranhas à sua atividade, de modo informal e no intuito de alavancar seus negócios, jamais poderia fazêlo sem o atendimento dos requisitos legais. Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.001092/200994 Acórdão n.º 1201000.884 S1C2T1 Fl. 20 19 Como bem observa a decisão de primeira instância: (...) Ou seja, um posto de combustíveis, como é o caso do impugnante, pode até pretender funcionar como uma espécie de instituição financeira sem fins lucrativos, mas não pode por isso deixar de observar as normas vigentes, em especial aquelas que tratam da movimentação bancária, que exigem do contribuinte, em relação aos depósitos realizados em suas contas correntes, um rígido controle, necessário para fazer face a eventuais questionamentos da autoridade fiscal. Nesse particular, cumpre salientar que a opção do contribuinte por movimentar expressivas somas de numerário, precisamente R$ 31.680.731,04, no 3° e 4° trimestres de 2004, em supostas operações de “descontos de cheques”, por sua conta e risco, não o exime de comprovar a origem de cada um dos depósitos nos limites e na forma determinados pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, sob pena dos valores pertinentes a tais depósitos, de origem não comprovada, serem caracterizados, por presunção legal, como receita omitida. E aqui também não pode prosperar o argumento da Recorrente de que não seria necessário individualizar as operações, em contraponto ao que se decidiu na primeira instância, até porque o §3º, do aludido artigo 42, não deixa margem para dúvidas: §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados (...) Também resta claro que a fiscalização analisou todos os documentos tempestivamente apresentados pela Recorrente, como se pode depreender do Relatório de Auditoria Fiscal. Neste ponto acolho integralmente o entendimento esposado na decisão de 1ª instância, ao afirmar que: Nestas condições, além de terem sido analisados pela autoridade fiscal, os documentos fornecidos pelo Banco do Brasil não se prestaram à comprovação da origem dos depósitos efetuados, especialmente porque as cópias fornecidas são de cheques emitidos pelo Posto N & Reis Ltda., tendo o próprio posto como favorecido, e não dos cheques de terceiros depositados nesse banco, estes sim objeto dos questionamentos da fiscalização (...) Posteriormente, o Banco do Brasil apresentou o demonstrativo “Identificação de Todos os Cheques Depositados em Conta Corrente (Hist. 631)” — fls. 451/532 do Anexo 3 — contendo as mesmas informações anteriores, acrescidas dos Dados do Emitente do Cheque, neste caso indicando o nome e CPF/CNPJ. Entretanto, as informações adicionais prestadas, além de não identificarem a operação que deu causa à transação financeira, se limitaram aos cheques originários do próprio Banco do Brasil, conforme esclarecido na correspondência de fl. 449 do Anexo 3 (...) Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA Processo nº 13609.001092/200994 Acórdão n.º 1201000.884 S1C2T1 Fl. 21 20 Nesse sentido, cumpre registrar que qualquer levantamento que o impugnante pretenda realizar somente tem valor se acompanhado dos documentos comprobatórios das operações, não perdendo de vista a necessidade de comprovação da origem dos numerários depositados, que resultou na apuração da omissão de receitas objeto do lançamento fiscal ora combatido. Conforme se viu, as planilhas anexadas, a relação de depósitos e datas de desbloqueio, as cópias de cheques nominativos ao próprio Posto N & Reis Ltda. e os comprovantes de depósito não se prestam a essa finalidade. Por derradeiro, em relação à pendência de distribuição de julgamento suscitada e resolvida pelo Despacho de Saneamento exarado em 26 de março de 2012, pelo Ilustre Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção deste Conselho, informo que o processo referente aos lançamentos do primeiro trimestre, que versam basicamente sobre os mesmos fatos aqui narrados e decididos foi relatado e colocado em pauta, para julgamento, nesta 2ª Câmara. Ante todo o exposto e em razão da não comprovação efetiva da origem dos recursos depositados em conta corrente, entendo que os lançamentos relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS devam ser mantidos, até porque a autoridade fiscal se pautou pela diligência no curso dos trabalhos e seguiu os preceitos normativos. Portanto, CONHEÇO do Recurso e, no mérito, NEGOLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2014 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 19/03 /2014 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ROBERTO CAP ARROZ DE ALMEIDA
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Numero do processo: 19647.011167/2009-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento do recurso em diligência.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento do recurso em diligência. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. Relatório Cuidase de auto de infração para exigência de Imposto de Importação – II e Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, vinculado à importação, e multa isolada (art. 83 da Lei nº 4.502/64), período setembro/2004 a janeiro/2005, onde foram arrolados como coobrigados os sujeitos passivos CIL Comércio de Informática Ltda, HiTech do Brasil S/A, Marco Antônio Mansur, Marco Antônio Mansur Filho, Antonio Carlos Barbeito Mendes e Alessandra Salewski. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 11 16 7/ 20 09 -7 5Fl. 1881DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19647.011167/200975 Resolução nº 3401000.792 S3C4T1 Fl. 3 2 O Relatório de Auditoria, parte integrante do auto de infração, narra o seguinte: “A partir do recebimento; por esta unidade da Receita Federal do Brasil, de documentos selecionados pela Equipe Especial de Análise e Preparo de Ação Fiscal, constituída pela Portaria SRF n° 1.172, de 17 de novembro de 2006, através da Representação Fiscal n° 10980.005072/200795, procedente da Divisão de Administração Aduaneira — DIANA da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 9a Regido Fiscal — SRRF/9 0 RF, demos inicio à ação fiscal no contribuinte CIL COMÉRCIO DE INFORMATICA LTDA, doravante CIL, CNPJ 24.073.694/000155, com vistas a apurar a prática das fraudes representadas. (...) A investigação realizada pela Receita Federal, em conjunto com a Policia Federal, de uma organização controlada por MARCO ANTÔNIO MANSUR (CPF 365.153.45968), doravante nomeada Grupo MAM, que se dedicava à prática de diversas fraudes, muitas delas em operações do comércio exterior, resultou na constatação do envolvimento de várias empresas que, mesmo não fazendo parte da referida organização, participavam da prática das infrações e beneficiavamse dos ‘produtos dos crimes’ realizados. Os procedimentos de investigação, conduzidos sob a denominação de OPERAÇÃO DILÚVIO, tiveram seu inicio em 2005 e culminaram com a deflagração de uma grande operação ostensiva em mais de 100 endereços comerciais e residenciais, visando localizar e apreender documentos comprobatórios das fraudes praticadas, que envolviam uma série de empresas e pessoas físicas em vários Estados, no Brasil, e também no exterior. As buscas e apreensões realizadas foram conduzidas mediante os devidos mandados judiciais e os documentos e meios magnéticos apreendidos foram examinados pela Equipe Especial de Análise e Preparo de Ação Fiscal e enviados, através de representações fiscais, as unidades de fiscalização responsáveis pelos autuados. Assim, os elementos utilizados nesta fiscalização são decorrentes, em sua maior, parte, de documentos e arquivos magnéticos apreendidos em 16 de agosto de 2006 pela Policia Federal, em cumprimento de diversos Mandados de Buscas e Apreensões (MBA) emitidos pela Justiça Federal em Paranaguá/PR, tendo sido também coletados documentos e informações através de intimações fiscais realizadas no decorrer da fiscalização, bem como por meio de pesquisas realizadas aos bancos de dados da Receita Federal do Brasil. (...) A OPERAÇÃO DILÚVIO consiste em um, conjunto de procedimentos adotados pela Policia Federal e pela Receita Federal, devidamente amparados por autorizações judiciais, com vistas a identificar as pessoas e empresas envolvidas na prática de fraudes aduaneiras e tributárias cometidas pelo Grupo MAM. No dia 16 de agosto de 2006 foi deflagrada a parte ostensiva da OPERAÇÃO DILÚVIO, tendo sido realizadas centenas de diligências em diversos endereços comerciais e residenciais, localizados em oito Unidades da Federação, e também no exterior, com vistas a localizar e apreender documentos que permitissem comprovar as fraudes praticadas. Nesta operação, que envolveu a participação de quase 2000 servidores da Policia Federal e da Receita Federal, houve a apreensão de grande quantidade de documentos, meios magnéticos e mercadorias, assim como a realização da prisão de mais de cem envolvidos. Fl. 1882DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19647.011167/200975 Resolução nº 3401000.792 S3C4T1 Fl. 4 3 Dentre as apreensões realizadas nos estabelecimentos da CIL COMÉRCIO DE INFORMÁTICA LTDA, verificase a existência de meios probantes do envolvimento desta em fraudes de comércio exterior praticadas em conluio com a HITECH DO BRASIL S/A, CNPJ 05.463.639/000127, e com outras empresas fortemente vinculadas ao Grupo MAM, que tinham sido alvo das investigações. Os elementos apreendidos durante a Operação foram todos remetidos a Curitiba/PR, tendo sido imediatamente disponibilizados a Receita Federal, pela Justiça Federal daquela Cidade, para fins de procedimentos fiscais. A Equipe Especial de Análise e Preparo de Ação Fiscal, constituída para esta especifica finalidade, procedeu a triagem e seleção dos documentos e arquivos magnéticos de interesse fiscal, assim como à formalização de dossiês para serem remetidos as unidades de fiscalização através de Representações Fiscais. Foi deste trabalho que resultou a Representação Fiscal aludida na introdução deste Relatório, acarretando o inicio dos procedimentos fiscais levados a efeito nas fiscalizadas.” Os autuados apresentaram impugnações, em separado, sustentando basicamente nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa; ilicitude da prova obtida na “Operação Dilúvio” e do seu compartilhamento para fins tributários; ausência de lastro probatório para realização do lançamento; erro na determinação da base de cálculo e nos métodos de arbitramento adotados; antijuridicidade da multa isolada aplicada; lançamento em duplicidade, relativamente ao autuado HiTech do Brasil S/A; e, improcedência da responsabilidade tributária atribuída pelo lançamento. O processo foi baixado em diligência em 02 (duas) oportunidades para saneamento. A DRJ Fortaleza/CE manteve parcialmente o lançamento através de decisão assim ementada: “PROCESSO ADMINISTRATIVO. PROVA EMPRESTADA. INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA. COMPARTILHAMENTO. ADMISSIBILIDADE. São admissíveis no processo administrativo as provas decorrentes de interceptação telefônica judicialmente autorizada, quando o seu compartilhamento tenha sido, também, autorizado judicialmente. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Presentes os pressupostos do lançamento, não há que se falar em nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. EFEITO INTER PARTES. NÃO VINCULAÇÃO. As decisões judiciais proferidas com efeito meramente inter partes não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. INDEPENDÊNCIA DE INSTÂNCIAS. PENAL E ADMINISTRATIVA. Fl. 1883DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19647.011167/200975 Resolução nº 3401000.792 S3C4T1 Fl. 5 4 O julgamento administrativo de infrações tributárias não está adstrito ao que tiver sido decidido em ação penal, ainda que ambos os julgamentos decorram da apuração dos mesmos fatos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. NÃO VINCULAÇÃO. Decisões administrativas, mesmo quando proferidas por órgãos colegiados, não vinculam senão as respectivas partes e no limite do respectivo processo. PRELIMINAR DE NULIDADE. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO. Inocorre duplicidade de lançamento quando as hipóteses para a constituição do crédito tributário são distintas ou quando não é feita prova de anterior lançamento em relação aos mesmos fatos e sob a mesma fundamentação legal. PROVAS. OPORTUNIDADE DA APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazelo em outro momento processual, exceto quando fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou quando se refira a fato ou a direito superveniente, ou quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas. SOLIDARIEDADE PASSIVA. FRAUDE. CONLUIO. SONEGAÇÃO. São solidariamente obrigadas as pessoas que, por suas condutas, demonstrem ter concorrido para a infração ou ter interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Caracterizada a ocorrência da ação dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, é cabível a aplicação da multa qualificada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento). INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENALIDADE MAIS ESPECÍFICA. Com o advento da Medida Provisória (MP) nº 66, de 29 de agosto de 2002 (convertida na Lei no 10.637, de 27 de dezembro de 2002), que deu nova redação ao art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, a multa prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, deixou de ser aplicada no caso de infração tipificada como interposição fraudulenta de terceiros VALOR ADUANEIRO. SUBFATURAMENTO. Comprovado, por meio de documentação idônea, que o valor aduaneiro indicado na fatura e declarado ao órgão aduaneiro Fl. 1884DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19647.011167/200975 Resolução nº 3401000.792 S3C4T1 Fl. 6 5 não representa o preço efetivamente pago pelas mercadorias importadas e é inferior a este, fica configurado o subfaturamento, tornando exigíveis as diferenças de tributos e contribuições que deixaram de ser recolhidas, acrescidas de juros de mora e das multas aplicáveis. FRAUDE. SIMULAÇÃO. CONLUIO. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. A fraude, a simulação e o conluio devem estar comprovados no processo administrativo fiscal referente à constituição de crédito tributário, admitindose provas indiciárias e presunções quando, pelas circunstâncias factuais, revelem, de forma inequívoca, a conduta ilícita do sujeito passivo.” O dispositivo da decisão encontrase vazado nos seguintes termos: “Acordam os membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza, na forma do relatório e do voto vencedor, que passam a integrar o presente julgado, em: I) PRELIMINARMENTE: A) por maioria de votos: 1. REJEITAR as preliminares suscitadas pelo relator, Ícaro Nonato Lopes Cezar, de desentranhamento das provas decorrentes de interceptação telefônica e telemática, por terem sido consideradas ilícitas pelo Superior Tribunal de Justiça, e de vinculação da presente decisão administrativa à decisão judicial proferida no efeito inter partes, o qual ficou vencido nessa questão, tendo sido designado para redigir o voto vencedor o julgador Luiz Aldeísio de Oliveira Maia; 2. REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento, por vício material, suscitada pela julgadora Marli Gomes Barbosa; 3. AFASTAR DO POLO PASSIVO as pessoas físicas de Marco Antônio Mansur, Marco Antônio Mansur Filho e Alessandra Salewski, pela ausência probatória quanto à participação na situação fática delineada nos autos, sendo que, neste quesito, votaram pela conclusão os julgadores Ícaro Nonato Lopes Cezar, Marli Gomes Barbosa e Charles Pereira Nunes, ficando vencida a julgadora Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que votou pela manutenção dessas pessoas no polo passivo; B) por unanimidade de votos: 1. REJEITAR a arguição de nulidade por alegados cerceamento do direito de defesa e ilicitude de provas, suscitada pela empresa CIL; 2. REJEITAR a arguição de nulidade por alegada falta de autorização judicial para a utilização de prova emprestada decorrente de interceptação telefônica e telemática; 3. REJEITAR a arguição de duplicidade de lançamento; 4. REJEITAR os pedidos de apresentação posterior de provas; 5. CONSIDERAR NÃO FORMULADOS os pedidos de perícia; Fl. 1885DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19647.011167/200975 Resolução nº 3401000.792 S3C4T1 Fl. 7 6 6. REJEITAR a arguição de nulidade por alegada ausência de indicação de outros sujeitos passivos; 7. REJEITAR a arguição de nulidade por alegado saneamento extemporâneo do lançamento; 8. CONSIDERAR improcedente a alegação de que caberia ao caso dos autos a aplicação da multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de julho de 2007, em caráter substitutivo à multa por interposição fraudulenta; 9. DECLARAR A NULIDADE, por vício material, da parte do lançamento referente à multa igual ao valor comercial da mercadoria, prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502, de 1964, para EXONERAR o crédito tributário no valor de R$ 2.811.955,90, em virtude de essa multa não ser, à época dos fatos, aplicável aos casos de interposição fraudulenta, por existir penalidade mais específica; 10. CONSIDERAR IMPROCEDENTES as alegações de ilegitimidade passiva apresentadas por CIL Comércio de Informática Ltda, HiTech do Brasil S.A. e Antônio Carlos Barbeito Mendes, para mantêlos no polo passivo do lançamento tributário; II) NO MÉRITO, por unanimidade de votos: A) CONSIDERAR IMPROCEDENTE a alegação da empresa HiTech do Brasil S.A. de que as operações objeto dos lançamentos seriam importações por encomenda; B) CONSIDERAR PARCIALMENTE PROCEDENTES AS IMPUGNAÇÕES, para exonerar o crédito tributário no valor de R$ 6.808.837,88, por insuficiência probatória, conforme a seguir discriminado: (...) C) CONSIDERAR DEVIDO o crédito tributário no valor de R$ 2.356.415,42, conforme discriminado no seguinte quadro: (...) Votaram pela conclusão, quanto ao mérito, as julgadoras Marli Gomes Barbosa e Maria do Socorro Ferreira Aguiar.” Em recurso voluntário os coobrigados remanescentes alegaram insubsistência da autuação por ilicitude probatória; que, ainda que admitidas tais provas, as mesmas não conduziriam à conclusão da existência de um esquema de sonegação; que não houve subfaturamento; que é improcedente a qualificação das multas, por ausência de dolo ou fraude; impossibilidade de responsabilização tributária do coobrigado Antonio Carlos Barbeito; imprestabilidade da valoração aduaneira realizada; e, decadência do lançamento em relação à DI 04/09868005. O autuado Marco Antonio Mansur apresentou contrarrazões ao recurso de ofício, onde asseverou a nulidade da autuação pela utilização de prova ilícita; erro no arbitramento dos valores; inexistência de motivos para imputação de responsabilidade tributária à sua pessoa; descabimento da multa qualificada; nulidade por vício material quanto à aplicação da multa isolada prevista no art. 83, I da Lei nº 4.502/64; impossibilidade de aplicação de multa no percentual de 100%, por revelar bis in idem; e, inaplicabilidade dos juros sobre a multa de ofício É o relatório. Fl. 1886DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19647.011167/200975 Resolução nº 3401000.792 S3C4T1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso de ofício observa os pressupostos para seu reexame, bem assim, os recursos voluntários interpostos preenchem os requisitos de admissibilidade para seu conhecimento. Compulsando os autos, pelo que extraí do relatório de autuação e da decisão de primeira instância, verifiquei que boa parte do acervo probatório em que se baseia o lançamento foi fruto da denominada “Operação Dilúvio”, realizada no bojo do Inquérito Policial IP 009/2006 DPF/PGA/PR Autos nº 2006.70.00.0224356, cuja busca e apreensão, originalmente, foi lastreada em autorização judicial, como atesta o Termo de Diligência Fiscal de fls. 863/865. Reforça a conclusão supra, a juntada da cópia da denúncia ofertada pelo Ministério Público Federal nos autos da Ação Penal nº 2007.70.00.0111062 (fls. 143/164). Contudo, instruindo recurso voluntário, veio a este processo cópia da sentença prolatada na Ação Penal 2007.70.00.0111062/PR (fls. 1562/1567) cujo teor é idêntico ao da sentença proferida na Ação Penal nº 2006.70.00.0257520/PR (fls. 1714/1720), trazido pelo autuado MARCO ANTONIO MANSUR em contrarrazões ao recurso de ofício , inclusive com trânsito em julgado, valendo destacar os seguintes trechos de seu conteúdo: “(...) No curso das investigações e das ações penais que a ela se sucederam, todas relacionadas à operação nominada ‘Dilúvio’, sobreveio a noticia do julgamento, por parte do e. Superior Tribunal de Justiça, de três habeas corpus cuja solução fulminou definitivamente a pretensão acusatória. (...) Todas as decisões acima transcritas transitaram em julgado, sendo, portanto, definitivas. Conforme mencionado no relatório, as imputações descritas na denúncia referemse aos crimes de descaminho (art. 314, caput, CP), falsidade ideológica (art. 299, CP) e quadrilha (art. 288, CP). A respeito dos reflexos nessa ação penal, e em todas as demais derivadas do Inquérito n° 2006.70.00.0224356, espraiados a partir do julgamento de referidos remédios constitucionais, julgo oportuna a transcrição de trecho da derradeira manifestação ministerial: (...) Nessa linha, ainda que se pudesse cogitar da possibilidade de subsistência do crime de descaminho, ante algumas poucas constituições de crédito tributário, o fato é que os elementos que lhe deram suporte foram colhidos a partir das interceptações telefônicas declaradas nulas pelo STJ. (...) Fl. 1887DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19647.011167/200975 Resolução nº 3401000.792 S3C4T1 Fl. 9 8 Dessa forma, temse que até mesmo naqueles casos em que houve constituição do crédito tributário, esta se deu com suporte em prova eivada pelo vicio da ilicitude, não podendo subsistir, ante a aplicação da ‘teoria dos frutos da Arvore envenenada’ (art. 157, §1°, CPP). (...) Dispositivo (...) Após o trânsito em julgado: (...) 3. Requisitese à Inspetoria da Receita Federal os documentos anteriormente encaminhados por este juízo. (...)” (destacado) Esse fato, pela sua relevância e a meu sentir, não pode ser olvidado por ocasião do julgamento a ser prolatado por esta corte administrativa. No entanto, entendo também que não há elementos nos autos para afirmar, de forma inconteste e categórica, que todos os documentos de prova foram carreados pela operação policial, porquanto existem termos de intimação, anexados aos autos, requerendo a juntada de livros contábeis e fiscais, além de outros documentos. Assim, por conservadorismo, proponho a conversão do julgamento em diligência para que seja providenciado o que segue: 1. Informar se os elementos de prova utilizados para formalização do lançamento foram obtidos por intermédio da denominada “Operação Dilúvio” IP 009/2006 DPF/PGA/PR Autos nº 2006.70.00.0224356, especialmente os documentos de fls. 362/532 e 892/940; 1.1. Em caso positivo, informar se existe algum documento obtido por outro modo, apontando a folha do processo em que se encontra e qual a forma de obtenção; 1.2. Em caso negativo, esclarecer a forma de obtenção do aludido conjunto documental; 2. Oficiar à Justiça Federal do Paraná solicitando certidão de objeto e pé e cópias das decisões proferidas nos autos das Ações Penais 2007.70.00.011106 2/PR e 2006.70.00.0257520/PR; 3. Elaborar relatório circunstanciado da situação exposta, com as observações reputadas necessárias; 4. Franquear vista aos autuados para manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias, findos os quais, deve o processo retornar ao CARF para continuidade do julgamento. É como voto. Robson José Bayerl Fl. 1888DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/02/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 19515.004083/2010-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.361
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do Julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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Júlio César Vieira Gomes – Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator Participaram do Julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 08 3/ 20 10 -1 4 Fl. 420DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004083/201014 Resolução nº 2402000.361 S2C4T2 Fl. 421 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário interposto pela COOPERTRANSE – COOPERATIVA DOS DOS PROFISSIONAIS ESPECIALIZADOS NO TRANSPORTE DE PASSAGEIROS EM SAO PAULO COOPERTRANSE, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.309.0170, lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente deixado de prestar esclarecimentos requeridos pela fiscalização. Consta do relatório fiscal que a recorrente apesar de devidamente intimada por meio dos 05 TIAD´s emitidos durante a ação fiscal deixou de: a.) apresentar a correspondente conta contábil na qual são registrados os lançamentos relacionados à apropriação das despesas relacionadas às folhas de pagamentos de todos os segurados. b) apresentar a descrição detalhada do funcionamento das seguintes contas de lançamento contábil: 4.1 DISPÊNDIOS ADMINISTRATIVOS / 4.1.0.0.000.00001 PAGAMENTOS A COOPERADOS. 4.1.0.0.001 DISPÊNDIOS NÃO OPERACIONAIS / 4.1.0.0.001.00001 REMUNERAÇÕES DIVERSAS DP. 4.1.0.0.001 DISPÊNDIOS NÃO OPERACIONAIS / 4.1.0.0.001.00002 REMUNERAÇÕES DIVERSAS VC. 4.1.0.0.001 DISPÊNDIOS NÃO OPERACIONAIS / 4.1.0.0.001.00003 REMUNERAÇÕES DIVERSAS DF. 4.1.0.0.001 DISPÊNDIOS NÃO OPERACIONAIS / 4.1.0.0.001.00004 REMUNERAÇÕES DIVERSAS RH. 4.1.0.0.001 DISPÊNDIOS NÃO OPERACIONAIS / 4.1.0.0.001.00005 REMUNERAÇÕES DIVERSAS DA. 4.2 DISPÊNDIOS OPERACIONAIS / 4.2.1.0.000.00009 PAGTO LÍQUIDO A COOPERADOS. c.) apresentar contratos e apólices de assistência médica e lista dos beneficiários para o período de 01/2006 a 12/2006 e 01/2007 a 12/2007. O lançamento da multa compreende o período de 01/2006 a 12/2007, tendo sido o contribuinte cientificado em 03/12/2010 (fls. 104). Inicialmente fora apresentada impugnação na qual se alegou exclusivamente o seguinte: Fl. 421DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004083/201014 Resolução nº 2402000.361 S2C4T2 Fl. 422 3 “ Segue anexo cópia de todos os esclarecimentos e documentos enviado, devidamente protocolados pelo fiscal que atuava no termo de procedimento fiscal.” Todavia, ainda dentro do prazo de impugnação, a recorrente juntou aos autos razões aditivas, através das quais combateu a integralidade do lançamento levado a efeito nos autos dos processos principais. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta, de forma sintética, as alegações de suas razões aditivas de impugnação, a seguir elencadas : 1. que o acórdão recorrido está equivocado quando fez a assertiva no sentido de que a recorrente, na qualidade de empresa, remunerou os contribuintes individuais cooperados ou não, tendo em vista que a Lei 8.212/91 não trata especificadamente de cooperativa nos moldes da recorrente, pois em 1991 (data da edição da Lei) não havia no mundo dos fatos igual a da recorrente e que permitisse o legislador vir a regulála por Lei; 2. que em não havendo legislação específica que regule a relação fática havida entre as partes, o auto de infração não pode ser mantido da forma em que redigido; 3. que a recorrente está sendo julgada como uma empresa normal, e não o é; 4. que não havia como se elaborar folha de pagamentos, tendo em vista que os cooperados não eram funcionários da mesma; 5. que inexiste lei para regular a situação jurídica da recorrente; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004083/201014 Resolução nº 2402000.361 S2C4T2 Fl. 423 4 VOTO Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator Antes mesmo de analisar os argumentos de defesa trazidos nos autos do presente processo, aponto que o presente Auto de Infração originase de fiscalização na qual também foram lavrados autos de infração de obrigação principal resultantes nos seguintes processos administrativos: 19515.004081/201025 e19515.004082/201017. Em referidos processos, ressaltese nos quais o presente Auto de Infração estã apensado, foi determinada a realização de diligência com o fito de se apurar se a documentação apresentada pelo contribuinte teria o condão de modificar o lançamento das obrigações principais lançadas. De fato o presente Auto de Infração trata da conduta omissiva do contribuinte de deixar de prestar esclarecimentos, tida, também como um dos fundamentos do lançcamento das obrigações principais nos processos supra citados por aferição indireta. Dessa forma, entendo que mesmo em não se tratando de um Auto de Infração correlacionado com o lançamento das obrigações principais, que o julgamento do presente devase dar em conjunto com o dos demais lançcamentos efetuados em desfavor da recorrente, para uma melhor análise de toda a matéria de defesa, motivo pelo qual, voto no sentido de CONVERTER O PRESENTE JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que o presente processo continue apensado aos processos 19515.004081/201025 e19515.004082/201017 e sejam baixados, juntamente com os mesmos, para que se aguarde a realização da diligência neles solicitada, sendo então, posteriormente, enviados a este Conselho para julgamento conjunto. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 02/07/20 13 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10480.720044/2010-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2007, 2008, 2009
MULTA ISOLADA. INDEFERIMENTO DO PLEITO DE COMPENSAÇÃO. DESISTÊNCIA DA COMPENSAÇÃO ANTES DA CIÊNCIA DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. Não cabe a imposição de multa isolada decorrente do indeferimento de pedido de compensação nas hipóteses em que, à época da ciência do despacho decisório respectivo, o contribuinte já tenha requerido a desistência das compensações correspondentes.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 1102-000.809
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, vencido o Conselheiro José Sérgio Gomes. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares.
(assinado digitalmente)
JOÃO OTAVIO OPPERMANN THOMÉ- Presidente.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente à época), João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antônio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2007, 2008, 2009 MULTA ISOLADA. INDEFERIMENTO DO PLEITO DE COMPENSAÇÃO. DESISTÊNCIA DA COMPENSAÇÃO ANTES DA CIÊNCIA DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. Não cabe a imposição de multa isolada decorrente do indeferimento de pedido de compensação nas hipóteses em que, à época da ciência do despacho decisório respectivo, o contribuinte já tenha requerido a desistência das compensações correspondentes. Recurso de ofício negado.
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2007, 2008, 2009 MULTA ISOLADA. INDEFERIMENTO DO PLEITO DE COMPENSAÇÃO. DESISTÊNCIA DA COMPENSAÇÃO ANTES DA CIÊNCIA DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. Não cabe a imposição de multa isolada decorrente do indeferimento de pedido de compensação nas hipóteses em que, à época da ciência do despacho decisório respectivo, o contribuinte já tenha requerido a desistência das compensações correspondentes. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, vencido o Conselheiro José Sérgio Gomes. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares. (assinado digitalmente) JOÃO OTAVIO OPPERMANN THOMÉ Presidente. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente à época), João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 00 44 /2 01 0- 38 Fl. 515DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10480.720044/201038 Acórdão n.º 1102000.809 S1C1T2 Fl. 3 2 Barreto, José Sérgio Gomes, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antônio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recurso de ofício interposto pela Quinta Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Recife – PE contra acórdão assim ementado, verbis: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 09/01/2006, 31/07/2006, 10/11/2006, 15/12/2006, 15/01/2007, 15/02/2007, 15/03/2007, 13/04/2007, 15/05/2007, 15/04/2008 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO DE TERCEIRO. HIPÓTESE INFRACIONAL PASSÍVEL DE MULTA ISOLADA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DO ART.138 DO CTN. A partir da previsão legal da hipótese de ser considerada não declarada a compensação em que o crédito seja de terceiro, também foi alterada a redação dada ao art.18 da Lei 10.833/2003, e seus parágrafos, prescrevendose à referida hipótese infracional a cominação de multa isolada. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. DESISTÊNCIA DA COMPENSAÇÃO ANTES DA CIÊNCIA DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. PARCELAMENTO DOS DÉBITOS CONFESSADOS. ARREPENDIMENTO EFICAZ. Caracterizouse a desistência da compensação apresentada, em face da expressa confissão dos débitos tributários para fins do seu parcelamento nos termos definidos pela MP 470/2009, antes que a ora impugnante fosse cientificada da decisão administrativa exarada para considerar não declaradas as compensações inicialmente pretendidas. Não se consumou o resultado infracional que o lançamento pretendeu penalizar. É improcedente a multa isolada lançada. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Foi lavrado o auto de infração, objeto do presente processo, para lançar contra a empresa contribuinte identificada em epígrafe a multa isolada, no valor de R$ 7.281.527, 07 (Sete Fl. 516DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10480.720044/201038 Acórdão n.º 1102000.809 S1C1T2 Fl. 4 3 milhões, duzentos e oitenta e um mil,quinhentos e vinte e sete reais e sete centavos), prevista no art.18, § da Lei 10.833/03, c/a redação dada pelas Leis nº 11.051/2004, 11.196/05, 11.488/2007, MP nº 351/2007 e MP nº 472, de 15/12/2009, consoante com os termos previstos na IN SRF nº 900/2008, art.34, §3º, I, e art.39, caput e §6º, I.. A autuada apresentou declarações de compensação com pedido de homologação dessas compensações de débitos próprios com créditos de terceiro (COLÔNIA AGROINDUSTRIAL LTDA, CNPJ/MF nº 70.064.134/000151) em 09/01/2006, 31/07/2006, 10/11/2006, 15/12/2006, 15/01/2006, 15/02/2007, 15/03/2007, 15/05/2007 e 15/04/2008. Os supostos créditos do terceiro (COLÔNIA AGROINDUSTRIAL) foram objeto de pedido de ressarcimento originalmente no processo administrativo nº 13401.000121/200412, e em 15/04/2008, no processo nº 19647.005276/200872, todos decorrentes do processo judicial nº 2003.83.00.0098694. As compensações pretendidas representam infringência à legislação regente, em face do disposto na Lei 9.430/96, art.74, §12, c/a redação dada pela Lei 11.051/2004. Os pedidos de ressarcimento foram indeferidos através de Despachos Decisórios DRF/REC/IPI/2009 proferidos respectivamente, em 14.08.2009, no processo nº 13401.000121/200412, e em 07.01/2010, no processo nº 19647.005276/200872, determinandose, ainda, que fossem consideradas não declaradas as compensações pretendidas especificadas, e que fossem tomadas as providências cabíveis para eventual lançamento do crédito tributário que não houvesse sido previamente declarado ao fisco, bem como para aplicação da penalidade pertinente pela compensação indevida. Nos termos da legislação regente, o sujeito passivo que apurar crédito passível de restituição ou ressarcimento, relativo a tributo administrado pela Receita Federal, poderá utilizálo na compensação apenas de débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados por aquele órgão; devendo ser considerada não declarada a compensação nas hipóteses descritas no §12 do art.74 da Lei 9.430/96 c/a redação da Lei 11.051/2004, dentre as quais aquela em que o crédito apresentado para compensação seja de terceiro. As infrações constatadas são passíveis de penalidade, multa de 75% sobre o valor do tributo indevidamente compensado, nos termos previstos nas normas enumeradas no primeiro parágrafo deste relatório. O lançamento foi cientificada à autuada, Mercofricon S/A, em 25.01.2010, e a impugnação foi apresentada tempestivamente em 24.02.2010 (cf.doc.3 extrato do processo, doc. 9896421.pdf), com as seguintes alegações principais: 1. Segundo a descrição constante do auto de infração, a penalidade aplicada se refere a compensação indevida Fl. 517DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10480.720044/201038 Acórdão n.º 1102000.809 S1C1T2 Fl. 5 4 considerada não declarada porque objetivava compensar débitos próprios com créditos do terceiro Colônia Agroindustrial Ltda. Ocorre que a ora impugnante somente tomou conhecimento dos fatos relativos ao processo nº 13401.000121/200412 que originaram o presente auto de infração quando, nos autos do processo administrativo nº 10480.722505/200930, foi intimada em 11.12.2009 (cópia em anexo DOC. 3). Naquele processo nº 10480.722505/200930, informase que foi providenciada a ciência do despacho decisório à cedente do crédito, em 27/08/2009, mas não à cessionária ora impugnante, conforme texto da intimação transcrita neste processo, na peça de impugnação. 2. Depois de tomar conhecimento, em 11.12.2009, a ora impugnante peticionou nos autos do processo 10480.722505/200930 para informar a sua prévia adesão ao parcelamento da MP 470, em 30.11.2009, acarretando despacho de encaminhamento daquele processo ao setor de parcelamento. 3. Em relação aos fatos relacionados ao processo nº 19647.005276/200872, a ora impugnante somente tomou conhecimento deles quando cientificada do auto de infração ora impugnado, em 25.01.2010. 4. Devese levar em consideração o disposto no §1º do art.7º do Decreto 70.235/72. A ora impugnante somente viria a perder sua espontaneidade em 11/12/2009, quanto às obrigações tributárias constantes do processo 13401.000121/200412, e em 25.01.2010, em relação às constantes do processo nº 19647.005276/200872. 5. Ocorre que, consoante comprova o pedido de parcelamento, em 30/11/2009, no processo nº 19647.014352/200911 (em anexo – DOC. 04), antes de perder sua espontaneidade a ora impugnante requereu à Receita Federal a desistência dos pedidos de compensação a que se referem o presente auto de infração, confessando todos aqueles débitos e requerendo seu parcelamento nos termos do art.3º da MP 470. 6. Segundo estabelece o art.138, do CTN, a denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros, exclui a responsabilidade pela infração. Tal exclusão elide o pagamento quer da multa de mora quer da multa dita isolada. 7. A Jurisprudência Administrativa Federal é uníssona no sentido de que improcede o lançamento do tributo e das multas de ofício e isolada, quando o contribuinte adere a parcelamento antes do início do procedimento fiscal, ou seja, quando ainda está espontâneo. Em apoio ao seu argumento, transcreve as ementas referentes ao acórdão 20309721, nº 10806.937, e a Decisão 5.796, proferida pela DRJ/Campinas/3ª Turma, em 21.01.2004. 8. Por outro lado, ante o disposto no §1º do art. 155A, do CTN, não há que se alegar a impossibilidade de reconhecer a Fl. 518DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10480.720044/201038 Acórdão n.º 1102000.809 S1C1T2 Fl. 6 5 configuração da denúncia espontânea. Isso em face da cláusula do § 1º (“Salvo disposição de lei em contrário, o parcelamento ... não exclui a incidência de juros e multas”), e por ter aderido, ainda quando estava espontâneo, ao parcelamento instituído pela MP 470, de 2009 (ver transcrição do art.3º). Consoante comprova o requerimento do parcelamento já referido, a ora impugnante parcelou, em 12 prestações mensais, o seu débito e usufruiu das reduções ali previstas (quanto a multas e juros incidentes sobre os tributos devidos). Requer a improcedência do auto de infração, diante da espontaneidade da ora impugnante quando da prévia confissão dos débitos apontados e seu correspondente parcelamento. É o relatório.” O acórdão acima ementado, por maioria de votos dos integrantes do Colegiado a quo, acolheu integralmente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, sob o fundamento de que “o resultado infracional previsto no §4º do art.18 da Lei 10.833/03 (a partir da redação dada pela Lei 11.051/2004), evocado pela fiscalização para a lavratura do auto de infração objeto do presente processo, somente se consumaria a partir da ciência da decisão exarada pela autoridade fiscal competente; vale dizer, a infração se consumaria na data de ciência daquela decisão à ora impugnante (ocorrida em 11.12.2009, em relação ao primeiro processo), porém, antes disso, em 30.11.2009, houve desistência da compensação antes apresentada, e nos termos previstos pela MP 470/2009, houve confissão expressa dos débitos que antes a interessada pretendeu compensar, para fins de formalização do pedido de parcelamento. Em face da prévia confissão dos débitos tributários, por parte da ora impugnante, e seu parcelamento nos termos definidos pela MP 470/2009, não se consumou o resultado infracional acusado, caracterizandose a desistência da compensação inicialmente apresentada antes que a interessada fosse cientificada da decisão administrativa exarada para considerar não declaradas as compensações especificadas”. A divergência de orientação entre os membros do Colegiado a quo cingiuse à necessidade de diligência (ou não) para verificação da efetiva desistência formal das compensações pela Contribuinte, pois, segundo o voto vencido, “o requerimento de parcelamento nos moldes da MP 470/99, e seu deferimento, não caracterizava, por si só, a desistência automática daquelas compensações”. Em contrarazões ao recurso de ofício a Contribuinte reproduz suas alegações de impugnação e pede, ao final, pela manutenção dos efeitos do acórdão recorrido por seus próprios fundamentos. É o relatório. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10480.720044/201038 Acórdão n.º 1102000.809 S1C1T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme salientado em sede de relatório supra, tratamse de autos de infração para exigência de multa isolada decorrente do indeferimento de pedidos de compensação formulados pela Contribuinte, cujos despachos decisórios foram cientificados à Contribuinte após a desistência desses mesmos pedidos de compensação apresentada à RFB. Cingese em saber se o fato de a Contribuinte ter formulado pedido de desistência da compensação antes da data da ciência de despacho decisório proferido no processo administrativo correspondente afasta a possibilidade de imposição de multa isolada em caso de ulterior indeferimento do pedido respectivo. Entendo que sim. Nos expressos termos do art. 18 da Lei n. 10.833/2003, caberá imposição de penalidade isolada nas hipóteses de não homologação de compensação ou quando a compensação for considerada não declarada por meio de despacho decisório proferido por unidade da Receita Federal do Brasil. Ocorre que, tendo o contribuinte formulado pedido válido de desistência da compensação antes de decisão administrativa sobre seu mérito, não há possibilidade jurídica de caracterização do tipo penal tributário em referência, qual seja: “não homologação de compensação” ou “compensação considerada não declarada”. Havendo desistência do pedido de compensação, não há mais o que “se homologar” ou “se considerar”, a não ser a homologação do próprio pedido de desistência em si. Notese, no particular, que é inconteste o fato de a Contribuinte ter o direito de formular pedido de desistência da compensação, desde que este seja apresentado antes de intimação para esclarecimentos ou decisão administrativa sobre o mérito. Vejase, nesse sentido, o art. 62 da IN RFB n. 600/2005 vigente à época dos pedidos de compensação objeto deste PA, verbis: Art. 62. A desistência do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF do Pedido de Cancelamento gerado a partir do Programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário (papel), mediante a apresentação de requerimento à SRF, o qual somente será deferido caso o Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do Pedido de Cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 10480.720044/201038 Acórdão n.º 1102000.809 S1C1T2 Fl. 8 7 Assim, acolhido pela RFB o pedido de desistência das compensações formulado pela Contribuinte em data anterior aos respectivos despachos decisórios, tal como parece ser inequívoco no caso dos autos pelo deferimento de parcelamento dos débitos em referência na forma da MP n. 470/2009 (fls. 500), entendo ser incabível a imposição de penalidade pecuniária isolada por alegada caracterização de compensação considerada não declarada. Por tais fundamentos, oriento meu voto no sentido de conhecer do recurso de ofício interposto para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Fl. 521DF CARF MF Impresso em 29/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 13/02/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO
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Numero do processo: 10680.000467/2007-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IRPF - ERRO NA INDICAÇÃO DA INFRAÇÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL
A precisa indicação da infração e enquadramento legal é aspecto essencial na fixação da matéria tributável de modo que eventual erro nesse aspecto do lançamento se constitui vício substancial e insanável e, portanto, enseja a nulidade do lançamento.
IRPF. DEPÓSITOS EFETUADOS EM CONTA MANTIDA EM INSTITUIÇÃO NO EXTERIOR. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROVA INDICIARIA.
Depósitos em contas mantidas no exterior não caracterizam, por si so, omissão de rendimentos quando o Auto de Infração não trouxer como enquadramento legal a aferição por presunção de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430/96. Assim sendo, trata-se de omissão direta de rendimentos, caso em que compete a autoridade lançadora comprovar, através de meios idôneos e capazes, que os depósitos bancários são de titularidade e tem como beneficiário o contribuinte colocado como sujeito passivo da obrigação tributária.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2202-002.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado).
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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IRPF. DEPÓSITOS EFETUADOS EM CONTA MANTIDA EM INSTITUIÇÃO NO EXTERIOR. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROVA INDICIARIA. Depósitos em contas mantidas no exterior não caracterizam, por si so, omissão de rendimentos quando o Auto de Infração não trouxer como enquadramento legal a aferição por presunção de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430/96. Assim sendo, tratase de omissão direta de rendimentos, caso em que compete a autoridade lançadora comprovar, através de meios idôneos e capazes, que os depósitos bancários são de titularidade e tem como beneficiário o contribuinte colocado como sujeito passivo da obrigação tributária. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 04 67 /2 00 7- 86 Fl. 762DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Suplente Convocado). Fl. 763DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10680.000467/200786 Acórdão n.º 2202002.568 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da Contribuinte, MIGUEL SAFAR. exige se de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda de Pessoa Física, exercício 2003, anocalendário 2002 que formalizou a exigência do crédito tributário. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração e Termo de Verificação Fiscal, temse que o lançamento decorreu de: 001 – Omissão de Rendimentos do Trabalho sem Vínculo Empregatício A partir da documentação reunida no procedimento fiscal a autoridade autuante apurou omissão de rendimentos recebidos de S/A Estado de Minas, CNPJ 17.247.933/000180, pela esposa do contribuinte. 002 – Omissão de Rendimentos Recebidos de Fontes no Exterior Por meio de investigações requeridas pela CPI do Banestado – Banco do Estado do Paraná, nas quais evidenciouse que diversos contribuintes brasileiros eviaram, movimentaram ou receberam dividas no exterior à revelia do sistema financeiro nacional com a utilização de pessoas físicas ou jurídicas brasileiras ou empresas estrangeiras com participação de brasileiros, inclusive “doleiros”. Os valores eram movimentados na cidade de Nova York, nos Estados Unidos da América, com intermediação da empresa americana “Beacon Hill Service Corporation” que atuava como preposto bancáriofinanceiro de pessoas físicas ou jurídicas, principalmente representadas por brasileiros, em agência do “JP Morgan Chase Bank”, administrando contas ou subcontas especificas, dentre as quais a conta “Monte Vista Corp. nº 530 097672. No curso das investigações a Polícia Federal, requereu e obteve do Juízo da 2ª Vara Criminal em Curitiba/PR a quebra do sigilo bancário da “Beacon Hill”. Por sua vez, o Juízo da Suprema Corte do Estado de Nova York, EUA, a pedido da promotoria distrital da cidade de Nova York, autorizou o afastamento do sigilo bancário da mencionada empresa, bem como a revelação e a entrega de dados e documentos às autoridades brasileiras. De posse de mídias eletrônicas e documentos fornecidos pelas autoridades norteamericanas, foram providenciados laudos periciais confeccionados pelo Instituto Nacional de Criminalística do Departamento da Polícia Federal. A Equipe Especial de Fiscalização (Portaria SRF nº 463/2004) procedeu à identificação dos contribuintes brasileiros que teriam enviado, movimentado ou recebido divisas no exterior de acordo Fl. 764DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 com os critérios elencados nas alíneas “a”, “b” e “c” do item 1.6 do Termo de Verificação Fiscal. “a) seleção dos campos das mídias eletrônicas que foram pesquisados – order customer (cliente), ACC Party (outros dados), ult. Bene (beneficiário final), Detail Payment (detalhes de pagamento). Os campos da mídia eletrônica pesquisados podem ser visualizados no documento de fl. 502, que corresponde à transcrição das informações relativas à operação em que o Sr. Miguel Safar é identificado como beneficiário final de uma remessa de dólares americanos. b) Leitura e pesquisa individualizada nos cadastros eletrônicos de dados administrados pela Secretaria da Receita Federal (CPF ou CNPJ), de cada um dos nomes que apareceram nas mídias; c) identificação positiva do nome pesquisado com um determinado contribuinte, quando aquele nome correspondeu a um só nome constante dos cadastros da Secretaria da Receita (SRF), sem homônimos e, portanto, único no Brasil.” Com base nestes critérios, a equipe especial de fiscalização identificou positivamente um dos nomes que apareceram nas mídias eletrônicas como sendo do brasileiro Miguel Safar, visto não possuir homônimos no cadastro do CPF. Observou ainda a equipe de fiscalização que o endereço constante da mídia eletrônica e transcrito no extrato da operação de remessa de divisas estrangeiras, fl. 502, associado ao nome de Miguel Safar (Av. Bandeirantes, 1518, Belvedere, Belo Horizonte MG/Brazil), consiste no domicílio fiscal da empresa Concreto Construtora, da qual o contribuinte é sóciogerente. A imputação de omissão de rendimentos recebidos no exterior decorreu então da constatação de que o contribuinte foi beneficiário final de uma movimentação financeira ocorrida em 27/06/2002 nos Estados Unidos da América, a crédito da conta nº 0010004353 do Bank of Boston International de Miami, Flórida, e a débito da conta “Monte Vista Corp.”, nº 530.097.672, administrada pela Empresa “Beacon Hill”, em agência do JP Morgan Chase Bank, na cidade de Nova York, cujo valor de US$259.260,00 (duzentos e cinqüenta e nove mil duzentos e sessenta dólares americanos), equivalente a R$650.975,93 (seiscentos e cinqüenta mil novecentos e setenta e cinco reais e noventa e três centavos) foi lançado no presente auto de infração A DRJ ao apreciar as razões do interessado, entendeu por bem não tomar conhecimento da impugnação tendo em vista a opção judicial. 003 – Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários de Origem não Comprovada Também foi apurada omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários nas instituições financeiras HSBC Bank Brasil S/A Banco Múltiplo e BBA Creditanstalt S/A, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nestas operações. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10680.000467/200786 Acórdão n.º 2202002.568 S2C2T2 Fl. 4 5 Como as referidas contas bancárias possuem como titulares o contribuinte e sua esposa e a declaração de ajuste anual do imposto de renda foi apresentada em conjunto, os rendimentos omitidos foram tributados no CPF do contribuinte. A fiscalização justifica este procedimento de apuração de omissão de rendimentos identificada por meio de depósitos bancários, com base no § 6º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996 que determina a imputação dos rendimentos omitidos a cada titular somente no caso de apresentação de declaração de ajuste em separado. 004 – Multas Isoladas por falta de recolhimento do CarnêLeão Por fim, registra a autoridade autuante que foi lançada multa isolada pela falta de recolhimento do imposto mensal a título de carnêleão, relativamente os rendimentos tributáveis recebidos do exterior no anocalendário 2002. O enquadramento legal consta do auto de infração e do Termo de Verificação Fiscal, dos quais o contribuinte foi cientificado em 17/01/2007 (fl. 07). Cientificado do lançamento o contribuinte apresentou a peça impugnatória de fls. 637/650 e aditivo de fls. 698/699, acompanhada dos documentos de fls. 651/696 e 700/705. Aduz que as alegações da autoridade autuante e os documentos juntados aos autos não comprovam a ocorrência do fato gerador na medida que foi utilizada uma cópia de ordem de pagamento transmitida por fax para a empresa “Beacon Hill” da qual consta apenas o nome “Miguel Safar” sem qualquer identificação de assinatura ou documento de identidade. Contesta o termo de verificação fiscal para afirmar que quem utilizou o nome “Miguel Safar” errou ao citar o bairro onde se localiza a Avenida Bandeirantes, 1518, endereço utilizado por ele em alguns cadastros para fins de receber correspondência relacionadas a sua empresa Concreto Construtora. Por meio de planilhas explicativas o contribuinte conclui não ter ocorrido aumento de patrimônio que não pudesse ser suportado pelos seus rendimentos declarados. Sobre a multa isolada alega que se não há fundamento para o lançamento da obrigação principal jamais haveria base legal para o seu acessório. Acrescenta ainda ser indevida a penalidade isolada em concomitância com a multa de ofício, por afronta ao Código Tributário Nacional, artigos 97, V e 113 e ofensas à estrita legalidade. Promove a juntada de julgados do antigo Conselho de Contribuintes para reforçar o seu entendimento. Em 18/05/2011 o contribuinte aditou a peça impugnatória, solicitou a juntada da sentença absolutória proferida no Fl. 766DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 processo 2008.38.00.0326390 e afirmou que pela decisão judicial de fls. 700/705 ficou comprovado que a citada remessa de recursos financeiros no montante de US$259,260,00 não está vinculada a ele. A DRJ ao apreciar as razões do recorrente julgou a impugnação improcedente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECURSOS DO EXTERIOR. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO Rejeitase a negativa de autoria, pela falta de assinatura, quando relatório da Secretaria da Receita Federal do Brasil, baseado em Laudos Técnicos expedidos pelo Instituto Nacional de Criminalística INC, demonstra que o fiscalizado é beneficiário dos recursos de ordem de pagamento. SENTENÇA CRIMINAL. ABSOLVIÇÃO POR FALTA DE PROVAS. EFEITOS NA ESFERA CÍVEL OU ADMINISTRATIVA. A sentença prolatada na esfera judicial criminal, na hipótese de absolver o denunciado por insuficiência de prova, não produz efeitos na esfera cível ou administrativa. MULTA ISOLADA. CARNÊLEÃO. APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. A aplicação da multa isolada decorre de descumprimento do dever legal de recolhimento mensal de carnêleão não se confunde com a multa proporcional decorrente da apuração de imposto no ajuste anual. Sendo hipóteses legais distintas, são cabíveis as duas penalidades ao mesmo tempo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito, o interessado interpõe recurso voluntário, onde reitera as razões da impugnação. Da tipicidade cerrada; Que a remessa de recursos não se prestaria por si só como comprovante da omissão de rendimentos. Da sentença criminal de absolvição por falta de provas. Efeitos nas esfera cível ou administrativa do processo 2008.38.00.0326390 – 4ª. Vara Federal SJ/MG. É o relatório. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10680.000467/200786 Acórdão n.º 2202002.568 S2C2T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Urge registrar que não constitui matéria objeto de litígio a imputação de omissão de rendimentos recebidos pelo cônjuge do contribuinte, nem os valores omitidos e decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada. O imposto incidente sobre tais ocorrências foi transferido para o processo nº 10680.720154/200748. Então, o objeto da controvérsia gira em torno somente da omissão de rendimentos recebidos no exterior e da multa isolada decorrente da falta de recolhimento do imposto mensal incidente sobre esta omissão. Preliminarmente, cabe apontar uma questão prejudicial, entendo que ocorreu um erro na identificação da infração, de acordo com os documentos ocorreram transações financeira no exterior e em dólares tendo como beneficiário, remetente e ordenante, o contribuinte, mas esse fato apenas não têm o condão de comprovar que tais movimentações se referem a rendimentos recebidos pelo contribuinte. Ainda que se considerase que os elementos presentes nos autos comprovassem o efetivo envolvimento do recorrente nas transações financeiras no exterior, não teria restado comprovado pelo Fisco o motivo da transação ou a que título se deram essas movimentações financeiras. Fato é que, na ação fiscal, não restou comprovada a natureza dos recursos creditados ao recorrente como "rendimentos" recebidos de modo a evidenciar a omissão de rendimentos recebidos no exterior. No próprio Termo de Verificação Fiscal deixa claro esse aspecto as fls. 655 . Fl. 768DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Em suma, entendo que, se existe previsão legal de presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e se, de fato, essa origem não foi comprovada, descabe o lançamento com base na infração "Omissão de Rendimentos Recebidos de Fontes no Exterior", infração esta distinta e com enquadramento legal específico. Portanto, necessitaria estar provada pelo Fisco, mediante documentação hábil e idônea, a natureza da percepção dos recursos depositados nas referidas transações bancárias, para que fosse possível aferir, se, de fato, tratavamse de rendimentos tributáveis recebidos de fontes no exterior. Como essa prova não é clara, não há como prosperar o lançamento com a infração e enquadramento legal indicado. A precisa indicação da infração e enquadramento legal é aspecto essencial na fixação da matéria tributável de modo que eventual erro nesse aspecto do lançamento se constitui vício substancial e insanável e, portanto, enseja a nulidade do lançamento. No que toca a multa exigida isoladamente, tendo em vista que no termo de verificação fiscal de fls.27 indica que uma vez que o contribuinte omitiu rendimentos tributáveis recebidos no exterior no anocalendário de 2002, os quais se sujeitam ao recolhimento mensal obrigatório do imposto de renda pessoa física (carnêleão), tal como estabelecido nos artigos 106 a 112 do RIR/99, mas não pagou qualquer valor a tal titulo, foi lançada no auto de infração a multa isolada. Nessas circunstâncias afastada a omissão de rendimentos recebidos no exterior, também não há como prosperar a multa dela decorrente nos termos definidos no termo de verificação fiscal. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 769DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10680.000467/200786 Acórdão n.º 2202002.568 S2C2T2 Fl. 6 9 Fl. 770DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 09/05/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904498/2012-86
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 44 98 /2 01 2- 86 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904498/201286 Acórdão n.º 3803004.848 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904498/201286 Acórdão n.º 3803004.848 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904498/201286 Acórdão n.º 3803004.848 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 19707.000100/2006-19
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2802-000.169
Decisão:
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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JUROS MORA. AÇÃO TRABALHISTA NO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. RENDIMENTO ISENTO. ENTENDIMENTO DO STJ DE REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NO CARF. Quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não, os juros de mora são isentos. Precedente do STJ julgado no rito do art. 543C do Código de Processo Civil CPC, portanto de reprodução obrigatória no CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. Esclarecimento do alcance do julgado no EDCL no REsp 1227133 pelos julgados posteriores, sobretudo a partir do REsp 1089720/RS. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 70 7. 00 01 00 /2 00 6- 19 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 28 /04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO 2 valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do(a) redator designado. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior (relator) que dava provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso – Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Junior, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Por bem resumir os fatos constantes dos autos até a decisão administrativa de primeiro grau, abaixo se reproduz o inteiro teor do relatório descrito no Acórdão nº 0414.312 proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande – DRJ/CGE: “Trata o presente processo de auto de infração de f. 9699, através do qual se revê o valor da restituição do imposto de renda do contribuinte para R$ 85,15 (oitenta e cinco reais e quinze centavos), com ciência em 31/7/2006. A modificação do valor decorre de revisão da Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício 2002, ano calendário 2001, em que se constatou omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com vínculo empregatício, conforme documentação apresentada pelo contribuinte. Esclarece a peça fiscal tratarse de rendimentos oriundos de ação trabalhista movida contra o Banco Boa Vista Interatlântico SA, através de processo trabalhista n 571.1/1999, especificamente os cálculos à f. 254 e verso, dos autos trabalhistas, onde se constatou: Valor líquido recebido em 02/05/2001, R$ 30.967,96 (1); Valor do IRRF, R$ 5.613,58 (2); Valor a tributar: R$ 36.581,54 (1+2). Diz ainda a peça fiscal que o valor do IRRF compensado na declaração foi retificado para R$ 5.613,58, como consta do processo citado. IMPUGNAÇÃO Foi apresentada impugnação, f. 0102, em 29/8/2006 através da qual o interessado, em síntese, argumenta ter apresentado todos os documentos solicitados, Fl. 187DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 28 /04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO Processo nº 19707.000100/200619 Acórdão n.º 2802002.815 S2TE02 Fl. 162 3 que não foram analisados de forma aprofundada pela Auditoria e que, por tais documentos, estaria comprovado que: a) os rendimentos tributáveis recebidos na ação trabalhista equivalem a R$ 21.783,53; b) os rendimentos isentos recebidos equivalem a R$ 14.859,42; c) o valor do IRRF na ação em epígrafe é de R$5.630,47. O Acórdão nº 0414.312 proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande – DRJ/CGE, julgou o lançamento procedente em parte, para excluir da tributação parte dos rendimentos, no valor de R$ 4.772,59, por considerálos isentos do imposto de renda, nos seguintes termos de sua ementa, fls. 119 a 122: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. São tributáveis todos os rendimentos oriundos do trabalho, exceto pela isenção prevista para indenização trabalhista anterior à opção pelo FGTS, as verbas do FGTS e respectiva multa, e o aviso prévio indenizado. Lançamento Procedente em Parte” Cientificado em 01/08/2008, sextafeira, fls. 107, o interessado ingressou recurso voluntário em 01/09/2008, fls. 125/126, questionando que “Entre as verbas calculadas e homologadas pelo juiz do trabalho consta também o valor de R$ 3.959,63 como ‘Juros de Mora’.” O processo foi incluído na pauta da sessão realizada em 17 de julho de 2013, tendo esse Colegiado proferido a Resolução nº 2802000.169, que, por unanimidade de votos, sobrestou o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 que aprovou o Regimento Interno do CARF RICARF c/c Portaria CARF nº 01/2012, fls. 158 a 160. Tendo em vista que a Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do RICARF, o presente processo foi novamente distribuído a este Conselheiro em 23/11/2013. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Cumprese registrar, inicialmente, que nos termos constantes da Resolução nº 2802000.169, proferida por esse Colegiado, fls. 158 a 16, o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral quanto à matéria tratada nos presentes autos. Diante dessa circunstância, definiu e. STF que o mérito será julgado nos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406, com expressa decisão de sobrestar os demais julgamentos. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 28 /04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO 4 Até a vigência do § 1º do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, havia previsão para que os julgamentos dos recursos interpostos no âmbito dos processos administrativos fiscais fossem sobrestados sempre que o e. STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria. Com a revogação de tal regra regimental pela Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, e diante do fato de os RE nº 614232 e 614406 que ainda se encontrarem pendentes de julgamento pelo STF, cabe a esse Colegiado examinar a matéria à luz da legislação tributária vigente. Pretende o recorrente que seja considerada isenta a verba recebida a título de juros de mora calculados e homologado pela Justiça do Trabalho, no valor de R$ 3.959,63. O artigo 55, XIV, do Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda) dispõe expressamente que os juros moratórios e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento integram os rendimentos tributáveis recebidos com atraso: “Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis;” Tratandose de juros moratórios, é de se aplicar, com fulcro no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 2010, o decidido por ocasião do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp. n.º 1.227.133 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel. para acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28/09/2011, pela não incidência do imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Contudo, é preciso esclarecer que, para que se aplique à hipótese o entendimento ventilado no referido Recurso Repetitivo/STJ nº 1.227.133, tornase necessário que dos autos fique evidenciado que se trata de verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho. Sobre tal aspecto, o próprio o STJ esclareceu que o precedente em questão somente se aplica à hipótese em que a verba principal (trabalhista), sobre a qual incidiram os juros moratórios, tiver natureza indenizatória, a teor da seguinte ementa proferida em julgamento realizado em 14/03/2012, nos autos do RESP 1.163.490/SC: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros Fl. 189DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 28 /04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO Processo nº 19707.000100/200619 Acórdão n.º 2802002.815 S2TE02 Fl. 163 5 de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EREsp 1163490/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/03/2012, DJe 21/03/2012) O julgado demonstra a tese verdadeiramente firmada no Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, qual seja: o imposto de renda não incide sobre os juros quando a verba trabalhista possui natureza indenizatória. Portanto, os juros só são isentos da tributação nas situações em que o trabalhador perde o emprego ou quando a verba principal é isenta ou está fora do campo de incidência do IR. É bom lembrar que o julgamento, apesar de não ter se dado no rito dos recursos repetitivos previsto pelo artigo 543C do CPC, fixou interpretação para o precedente em recurso representativo da controvérsia (REsp nº 1.227.133), a fim de orientar os tribunais de segunda instância. Em seu voto, o relator, ministro Mauro Campbell Marques, destacou que a regra geral (prevista no artigo 16, caput e parágrafo único, da Lei nº 4.506/64) é a incidência do IR sobre os juros de mora, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória. Entretanto, segundo o ministro, há duas exceções. A primeira: são isentos de IR os juros de mora pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. A segunda: quando incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (segundo a regra de que o acessório segue o principal). Segundo, ainda o ministro, no caso de perda do emprego o objetivo da isenção é “proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável”, razão pela qual incide a previsão do artigo 6º, V, da Lei nº 7.713, de 1988. Nessas situações, os juros de mora incidentes sobre as verbas pagas ao trabalhador em decorrência da perda do emprego são isentos de tributação, independentemente da natureza jurídica da verba principal (remuneratória ou indenizatória) e mesmo que essa verba principal não seja isenta. Portanto, para garantir a isenção em reclamatória trabalhista é preciso que esta se refira às verbas decorrentes da perda do emprego, conforme já decidiu o STJ no julgamento do REsp nº 1.227.133. Na hipótese em análise, verificase do exame da documentação apresentada pelo contribuinte que restou evidenciado que a verba principal foi recebida em virtude de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, haja vista constar do demonstrativo de fls. 158, o recebimento de verbas relativas ao FGTS e multa sobre o FGTS. Portanto, há que se considerar como parcela isenta recebida em razão de rendimentos recebidos em decorrência de ação trabalhista o valor de R$4.511,14, Fl. 190DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 28 /04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO 6 correspondente aos juros de mora calculado até 21/08/2000, conforme se vê do demonstrativo denominado ATUALIZAÇÕES DE VERBAS DEVIDAS, fls. 163. De acordo com o auto de infração, ficou constatado que o valor recebido pelo contribuinte em razão da ação trabalhista totalizou R$ 36.581,54. Por corresponder a verbas recebidas de forma acumulada, observese que o Superior Tribunal de Justiça, examinando o recurso repetitivo representativo de controvérsia (Resp 1.118.429/SP), sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, proferiu o Acórdão, cuja ementa se encontra assim redigida: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010 Uma vez que se trata de decisão definitiva de mérito, proferida na sistemática prevista no art. 543C do CPC, no âmbito do CARF, cabe o exame da sua reprodução no julgamento do recurso voluntário, ora interposto pelo contribuinte, consoante estabelece o citado art. 62A do RICARF. Para tanto, devese levar em conta o conteúdo das provas trazidas pelo contribuinte com vistas a evidenciar que lhe seria mais favorável o imposto calculado segundo as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Vejamos, pois, como foi formado o conteúdo probatório que integram os presentes autos: Consta dos presentes autos que, em resposta à intimação fiscal, o contribuinte apresentou os cálculos elaborados pelo perito judicial, fls. 149 a 158. De seu exame constatase que a remuneração utilizada para o cálculo das “horas normal e adicionais”, fls. 150, somados aos valores das verbas recebidas naquela demanda trabalhista, durante o período de novembro de 1996 a março de 1999, ultrapassaram o limite mensal de isenção (R$900,00) estabelecido nas tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Por outro lado, depreendese que o lançamento incorreu em erro na apuração do montante do tributo devido, haja vista que a alíquota de imposto que deveria ter sido aplicada sobre a base de cálculo apurada pela fiscalização deveria corresponder àquela prevista nas respectivas tabelas progressivas vigentes à época em que os valores das verbas trabalhistas deveriam ter sido adimplidos. Diante dessas circunstâncias, entendo que, para garantir o direito ao contraditório e à ampla defesa que orientam o processo administrativo fiscal, há que se levar em consideração a regra estabelecida § 7º, do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, com redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013, abaixo reproduzida, cabendo o retorno destes autos à Repartição de origem para que a autoridade lançadora proceda Fl. 191DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 28 /04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO Processo nº 19707.000100/200619 Acórdão n.º 2802002.815 S2TE02 Fl. 164 7 a revisão do ofício do lançamento para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário: “Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004 ) I....................................................................................................... ........................................................................................................ IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) §1º.................................................................................................. ......................................................................................................... § 7º Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) Voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos presentes autos para a unidade da RFB de origem para que esta proceda a revisão de ofício do lançamento, nos termos do § 7º, do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, com redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Voto Vencedor Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Redator designado Não obstante o bem elaborado voto do Conselheiro Relator, divirjo, exclusivamente, em relação à espécie de provimento a ser dada ao caso. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 28 /04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO 8 Explico com base no entendimento que tenho exposto nos demais julgados que trataram da mesma questão. O Colegiado entendeu que deve ser aplicada a interpretação do art. 12 da lei 7.713/1988 segunda a qual o cálculo do imposto deve levar em conta as tabelas e alíquotas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao contribuinte. Diversamente, o lançamento adotou a interpretação do dispositivo legal que corresponde ao regime de caixa sobre o montante recebido acumuladamente. Não compartilho do entendimento de que o vício contido no lançamento pode ser resumido em um erro na aplicação da alíquota. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, a autoridade fiscal empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. Embora o relator tenha se preocupado com o contraditório e ampla defesa, evocando o § 7º, do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, com redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013, o retorno destes autos à Repartição de origem para que a autoridade lançadora proceda a revisão do ofício do lançamento para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário não atende ao fim colimado. Não é no procedimento de revisão de ofício do lançamento que serão respeitadas as duas referidas garantias constitucionais, e sim no âmbito do julgamento do recurso voluntário. Ocorre que não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos mas tão somente afastar a exigência indevida. Citamse excertos de ementas de alguns precedentes que operam no mesmo sentido: (...) PIS – LEI COMPLEMENTAR 7/70 – BASE DE CÁLCULO – O parágrafo único do art. 6° da LC 7/70 estabeleceu que a base de cálculo correspondia ao faturamento do 6° mês anterior. Se o lançamento desrespeitou essa norma, e como ao julgador administrativo não é permitido refazer o lançamento, então resta apenas cancelar a exigência. (...).( CSRF/0105.163, de 29/11/2004)(grifos acrescidos) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2008 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NATUREZA JURÍDICOCONTÁBIL. Equivocase o lançamento que considera a despesa de amortização do ágio como despesa com provisão, pois o ágio é a parcela do custo de aquisição do investimento (avaliado pelo MEP) que ultrapassa o valor patrimonial das ações, o que não se confunde com provisões expectativas de perdas ou de valores a desembolsar. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o Fl. 193DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 28 /04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO Processo nº 19707.000100/200619 Acórdão n.º 2802002.815 S2TE02 Fl. 165 9 tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode refazer o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente. (Acórdão 1302001.170, de 11/09/2013)(grifos adicionados) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INALTERABILIDADE DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AO MESMO SUJEITO PASSIVO. Na fase contenciosa, não é admissível a mudança do critério jurídico adotado no lançamento contra o mesmo sujeito passivo em relação aos fatos geradores já concretizados. (...) (Acórdão 2802002.489, de 17/09/2013)(grifos não constam do original) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996 LANÇAMENTO FISCAL. REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. REDUÇÃO DE SALDO NEGATIVO. DIFERENÇA. No lançamento fiscal, a irregularidade de se lançar sem reduzir o prejuízo fiscal implica em erro na formação da própria base tributável, o que não é passível de correção por parte do julgador administrativo, que não pode alterar o lançamento. Neste sentido, a jurisprudência do CARF é tranqüila no sentido de se cancelar o auto de infração por inteiro. (...) 1401001.086, de 07/11/2013) (grifos acrescentados) O dispositivo legal apontado e transcrito pelo Relator a autorizar a revisão de ofício do lançamento não é dirigido ao julgador e sim à autoridade lançadora, não sendo demais anotar que o poderdever de rever de ofício está sujeito ao prazo decadencial. Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento. Assinado digitalmente Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 194DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 28 /04/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO
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