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Numero do processo: 10920.907223/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. CONTRATO DE CÂMBIO EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO COMBIAL POSITIVA. RECEITA. DCTF RETIFICADORA. ESCRITAS CONTÁBEIS E FISCAIS VALIDADAS EM DILIGÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DEVIDA
Comprova-se a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, por meio da validação da escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração.
Numero da decisão: 1302-002.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. CONTRATO DE CÂMBIO EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO COMBIAL POSITIVA. RECEITA. DCTF RETIFICADORA. ESCRITAS CONTÁBEIS E FISCAIS VALIDADAS EM DILIGÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DEVIDA Comprova-se a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, por meio da validação da escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração.
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IRPJ PAGO A MAIOR. CONTRATO DE CÂMBIO. REGIME DE CAIXA. RETIFICAÇÃO DE DCTF Recorrente IMOSEST INDUSTRIA DE MOVEIS E ESTOFADOS EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. CONTRATO DE CÂMBIO EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO COMBIAL POSITIVA. RECEITA. DCTF RETIFICADORA. ESCRITAS CONTÁBEIS E FISCAIS VALIDADAS EM DILIGÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DEVIDA Comprovase a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, por meio da validação da escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 72 23 /2 00 9- 18 Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10920.907223/200918 Acórdão n.º 1302002.940 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de retorno de diligência designada para a verificação quanto à existência e disponibilidade de direito creditório, decorrente de IRPJ pago a maior (R$395,38), relativo a contratos de câmbio para exportação, em meses em que a recorrente teria auferido receita, em virtude de variação cambial ativa (positiva). Conforme Despacho Decisório Eletrônico (fl. 5) houve a não homologação da DCOMP nº 05428.18389.140306.1.3.043897, transmitida em 14/03/2006, que indicava como tipo de crédito: Pagamento Indevido ou a Maior; Processo de Crédito (PER): 10920 908.171/200905. Valor original do crédito: R$1.458,81. A decisão indicou inexistência de crédito ou crédito integralmente utilizado, em relação ao período de apuração: 30/06/2005. A recorrente sustentou os motivos pelos quais teria excluído a receita de variação cambial ativa, inicialmente oferecida à tributação (fls. 185/188). Salientou que a tributação de tal receita teria ocorrido com base no regime de caixa, em conformidade com o art. 30 da MP nº 2.15835/2001. Assim, alegou a ocorrência de erro no preenchimento da DCTF e que o valor correto do IRPJ devido seria o indicado na DIPJ, ano calendário 2005. O erro referiase ao segundo trimestre de 2005 (abril, único mês em que teria havido variação cambial ativa). Houve retificação da DCTF. Todavia, posteriormente ao Despacho Decisório Eletrônico. À vista de tais razões de recurso voluntário, interposto face ao Acórdão nº 0356.223, de 17/10/2013, da 4ª Turma da DRJ em Brasília (fls. 80/84), designouse diligência, nos termos da Resolução nº 1801000.366, de 25/11/2014, da 1ª Turma Especial da 1ª Seção (extinta), assim indicada: "...a fim de reratificar os cálculos da recorrente, a autoridade fiscal verifique o valor da base de cálculo do IRPJ relativo ao 2° trimestre de 2005 junto a contabilidade completa da recorrente, bem como a correção do procedimento em expurgar a variação cambial ativa e Saldo do IRPJ apurado, explicitando os cálculos em Relatório Fiscal e juntando aos autos, em cópia, os registros contábeis pertinentes." A diligência foi realizada, registrandose a Informação Fiscal de fls. 200/204. A recorrente foi devidamente intimada (fl. 208). Não houve manifestação. A Informação Fiscal (fls. 200/204) registrou as seguintes constatações favoráveis à recorrente: 6. Consultandose os sistemas da RFB, verificase que o contribuinte apresentara duas DCTFs. 7. A retificadora (DCTF) foi apresentada após a emissão do despacho decisório, objeto do presente processo. Com relação ao IRPJ, houve alteração. O valor foi reduzido de R$ 2.888,73 (pagamento em duas cotas) para R$ 2.097,98 (pagamento em duas cotas). O contribuinte, como se relatou, alegou que houve erro no lançamento contábil das contas de variação cambial ativa e passiva. 8. A DIPJ 2006, por sua vez, não foi retificada e indicava um valor correspondente de R$02.097,99 de IRPJ para o segundo trimestre. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10920.907223/200918 Acórdão n.º 1302002.940 S1C3T2 Fl. 4 3 9. Ou seja, a DIPJ 2006 ainda que apenas informativa diferia da DCTF original. A DCTF retificadora indica, por sua vez, o valor constante na DIPJ. 10. Diante de tal situação, procurouse, entre os elementos de prova já juntados, verificar que valor seria correto para o IRPJ do 2° trim/2005. O cerne da questão estaria na apuração de receita financeira (variação cambial) com relação a maio de 2005. 11. Os extratos bancários permitiram localizar os créditos oriundos da liquidação dos contratos de câmbio feitos pela empresa. São eles: 15/04/2005 R$ 30.639,17 (fl. 103) 31/05/2015 R$ 30.123,83 (fl. 111) 06/06/2005 R$ 37.562,46 (fl. 122) 14/06/2005 R$ 36.759,44 (fl. 123) 12. Tais créditos correspondem às notas fiscais da tabela abaixo. Na mesma tabela fica evidente que somente houve variação cambial positiva abril: 11. O contribuinte, em suas alegações, destaca: Em anexo o contribuinte demonstra através dos extratos bancários referentes aos meses de abril, maio e junho, bem como cópia da planilha de apuração de imposto de renda e contribuição social do 3º trimestre/2005, e razões contábeis das contas de variação cambial ativa e passiva, comprovando que, a única liquidação de operação de câmbio com variação cambial ativa que houve no trimestre, foi no mês de abril, e que foi devidamente tributada, no valor de R$ 4.717,22 (quatro mil, setecentos e dezessete reais, e vinte e dois centavos); no mês de maio e no mês de junho houve liquidação, mas com variação cambial passiva. 12. Observandose os extratos, há quatro valores creditados a título de operações cambiais. Interessa, no caso, a operação de maio vez que o próprio contribuinte afirma ter tido fechamento de contrato de câmbio com variação cambial positiva em abril e em junho não houve apuração de IRPJ sobre operações de câmbio. 13. No extrato do mês de maio, à fl. 111, consta: 31/05/2005 Câmbio 1760505636 30.123.83 C 14. Este crédito se refere ao pagamento referente ao contrato de câmbio de compra nr. 05/016557 (fl. 117). A taxa cambial estipulada no contrato foi de R$2,3962914. A nota fiscal (nº 1648), por sua vez, foi emitida no valor de R$37.842,16, em 22/04/2005 (fl. 114), em virtude da operação negociada com a fatura proforma 12/2005 (campo de informações complementares). Tais dados correspondem ao constante no contrato de câmbio (ver "outras especificações" fl. 119), sendo o Registro de Exportação RE feito sob nº 05/0577513001 a 002 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10920.907223/200918 Acórdão n.º 1302002.940 S1C3T2 Fl. 5 4 (Despacho de Exportação fl. 205) e O.P. 305636 (corresponde ao nº do depósito no extrato). 15. Portanto, concluise que não houve variação cambial passível de tributação em maio de 2005. Logo, a DIPJ 2006 espelha os fatos de acordo com a contabilidade apresentada pelo contribuinte, sendo o valor do IRPJ devido, no 2° trim 2005, seria de R$ 2.097,99 e não R$ 2.888,73, como constava da DCTF original. No Razão Analítico (fl. 158), consta como provisionamento, de fato, o valor de R$ 2.888,73. Também se percebe o lançamento do valor da variação cambial da fatura 12 contra a conta 0413.00002 (variação cambial ativa), o que promoveria o erro na apuração do IR devido. 16. Da contabilidade trazida aos autos, no Balancete do segundo trimestre (para apuração do IRPJ presumido) verificase que a Receita Ajustada (2.4 Total da Receita Ajustada fl. 96), consta o valor de R$ 115.866,92. Idêntico ao valor da DIPJ 2006 (ficha 14A linha 2 fl. 204). 17. Assim, conforme o requerido pelo Carf, elaborouse a planilha abaixo para apurar o IRPJ do segundo trimestre de 2005: Receita Bruta Sujeita ao Percentual de 8%; 115.866,92 Resultado do Percentual sobre a Receita Bruta : 9.269,35 Variações Cambiais Ativas: 4.717,22 Base de Cálculo do IRPJ sobre Lucro Presumido: 13.986,57 Imposto Apurado: 2.097,99 18. Finalmente, o contribuinte optou por realizar o pagamento em duas cotas. O valor de cada cota seria de R$ 1.048,99, portanto. 19. No caso, o pagamento realizado foi de R$ 1.444,37, em 29/07/2005, perfazendo um pagamento indevido de R$ 395,38. 20. É importante ressaltar que esta DComp está relacionada ao PER 26737.85313. Tal pedido havia sido processado pelo sistema e a restituição realizada sem considerar a Dcomp. Tal fato foi sanado, conforme o despacho de fls. 200 a 202. A cobrança foi realizada e a restituição recebida indevidamente foi resolvida (fl. 203). 21. Entendo, assim, atendida a diligência solicitada pelo Carf. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Os pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário foram analisados por ocasião da Resolução nº 1801000.366, de 25/11/2014, da 1ª Turma Especial da 1ª Seção (extinta) e o recurso foi conhecido. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10920.907223/200918 Acórdão n.º 1302002.940 S1C3T2 Fl. 6 5 O Acórdão recorrido manteve o Despacho Decisório Eletrônico (fl. 5) que não homologou a DCOMP nº 05428.18389.140306.1.3.043897, transmitida em 14/03/2006, que indicava como Tipo de Crédito: Pagamento Indevido ou a Maior; Processo de Crédito (PER): 10920908.171/200905. Valor original do crédito: R$1.458,81. A decisão indicou, inexistência de crédito ou crédito integralmente utilizado, em relação ao período de apuração: 30/06/2005. Na forma retro relatada, a DRF, em cumprimento à citada Resolução, diligenciou e concluiu que, a única liquidação de operação de câmbio com variação cambial positiva, verificada no segundo trimestre de 2005, foi a ocorrida em abril, a qual foi devidamente tributada, no valor de R$ 4.717,22. Certificouse que, em maio e junho houve liquidação, mas com variação cambial negativa. Verificouse que foi correta a retificação da DCTF (redução do IRPJ DE R$2.888,73 para R$2.097,98; a DIPJ 2006 indicava R$2.097,98 para o segundo trimestre), ainda que efetuada após o despacho decisório eletrônico. Confirmouse que, o pagamento realizado foi de R$1.444,37, em 29/07/2005, perfazendo um pagamento indevido de R$ 395,38. Assim, realmente havia a existência e disponibilidade de direito creditório, decorrente de IRPJ pago a maior, relativo a contratos de câmbio para exportação, no mês (abril) em que a recorrente teria auferido receita, em virtude de variação cambial ativa (positiva). Também certificouse que o valor pago a maior foi restituído à recorrente (PER 26737.85313). O sistema não identificou a DCTF retificadora, por ter sido transmitida após o Despacho Decisório. No entanto, a questão foi devidamente resolvida com o reconhecimento por parte da recorrente de que a restituição era indevida, pois o crédito havia sido utilizado na DCOMP em questão. Abriuse processo específico para que a recorrente promovesse a devolução do valor (fls. 200/202). Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar a DCOMP nº 26288.35337.140306.1.3.049935, até o limite de crédito existente. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 222DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11070.001820/2010-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/10/2009
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/10/2009 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 18 20 /2 01 0- 91 Fl. 194DF CARF MF Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 9202006.759 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 195DF CARF MF Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 9202006.759 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 196DF CARF MF Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 9202006.759 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 197DF CARF MF Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 9202006.759 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 198DF CARF MF Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 9202006.759 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 199DF CARF MF Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 9202006.759 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 200DF CARF MF Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 9202006.759 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 201DF CARF MF Processo nº 11070.001820/201091 Acórdão n.º 9202006.759 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 202DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.907679/2013-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007
NULIDADE. AUSÊNCIA.
Comprovado que os atos praticados não apresentam qualquer dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do acórdão de primeira instância.
Numero da decisão: 1302-002.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias,Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007 NULIDADE. AUSÊNCIA. Comprovado que os atos praticados não apresentam qualquer dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do acórdão de primeira instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias,Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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AUSÊNCIA. Comprovado que os atos praticados não apresentam qualquer dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do acórdão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias,Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 76 79 /2 01 3- 12 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 12448.907679/201312 Acórdão n.º 1302002.835 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 1150.777, de 31 de julho de 2015, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Não são passíveis de restituição nem compensação os créditos sobre os quais não resta comprovada sua liquidez e certeza." O presente processo cuida de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), por meio da qual a contribuinte pleiteou a restituição de crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), referente ao mês de janeiro de 2007. O crédito em questão, no valor de R$ 7.319,67, originarseia de pagamento efetuado em 28/02/2007, e não foi reconhecido pelo Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a restituição foi indeferida. Cientificado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual sustentou a nulidade do Despacho Decisório, por haver sido proferido em desobediência a decisão judicial proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2011.51.01.0135980, que determinou o recebimento em formulário de papel do pedido de restituição em questão, com as razões e fundamentações legais da causa de pedir, pelo que haveria, ainda, cerceamento do direito de defesa. Ressaltou que, até aquela data, permaneceria sem apreciação os pedidos de restituição realizados em formulário de papel pela Recorrente, no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. A decisão de primeira instância, após examinar o teor da ação judicial invocada, concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade e pelo não reconhecimento do crédito, tendo em vista que: a) o que foi determinado na decisão judicial proferida foi o recebimento e apreciação de pedidos de restituição formulados pela Recorrente em formulários de papel; b) por meio do processo administrativo nº 12448.732735/201278, a Recorrente solicitou a restituição de tributos incidentes na importação de mercadorias sobre as Fl. 71DF CARF MF Processo nº 12448.907679/201312 Acórdão n.º 1302002.835 S1C3T2 Fl. 4 3 quais foi aplicada pena de perdimento, de períodos de pagamentos de 17/11/2008 ou de 24/11/2008; c) em adição, por meio do processo administrativo nº 12448.732736/201212, pleiteou a restituição de 372 supostos pagamentos indevidos ou a maior, dentre os quais aquele objeto do Pedido Eletrônico de Restituição (PER) tratado nos presentes autos; d) não há que se falar em nulidade por descumprimento de decisão judicial, posto que a decisão determinava apenas que os pedidos de restituição formulados em papel fosse conhecidos e apreciados; e) a análise do crédito tratado neste processo, e também incluído no processo nº 12448.732736/201212, será realizada nos presentes autos; f) as razões de pedir constantes do processo administrativo nº 12448.732735/201278, de que se trataria de crédito pago em importação para a qual foi dada pena de perdimento, simplesmente não se aplicam ao caso em apreço, posto não se tratar de tributo incidente sobre a importação; g) considerando as razões de pedir constantes do processo administrativo nº 12448.732736/201212 ("que teve suas atividades de importador direto desclassificadas, e que por decorrência de tal tratamento nos lançamentos efetuados nos PAF 10074.000924/200942 e 10074.000926/200931 as importações realizadas pela requerente estariam sendo imputadas a terceiro, o que justificaria, no seu entender, a restituição dos tributos pagos em seu nome"), uma vez que os lançamentos referidos foram realizados contra a própria Recorrente, e não contra terceiros, não procede a alegação de afastamento da sujeição passivo, quanto mais em relação a tributos não incidentes sobre a importação, como no presente caso; h) o pagamento cuja restituição se pleiteia está vinculado a valor de débito confessado por meio de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), a qual é meio hábil de confissão de dívida. A autoridade julgadora de primeira instância determinou, ainda, que o resultado do julgamento fosse informado no processo administrativo nº 12448.732736/2012 12, onde foi solicitada, por meio de formulário de papel, a restituição do mesmo crédito analisado nestes autos. Cientificado por meio eletrônico, em 12/05/2016, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 27/05/2016, no qual alegou que: a) o crédito pleiteado no Pedido Eletrônico de Restituição (PER) decorre de pagamento indevido, em vista da desclassificação, pelas autoridades tributárias, de todas as operações de comércio exterior realizadas pela Recorrente entre 2002 e 2008; b) sempre se considerou importadora por conta própria, tendo um único cliente, por opção negocial e por atuar no limite de sua capacidade operacional, todavia, "a Receita Federal do Brasil, depois de rumorosa operação policial, depois de fiscalizar as atividades da Recorrente, reclassificoua como importadora por conta e ordem de terceiros" (Mobilitá Ltda, CNPJ nº 32.121.766/007557); Fl. 72DF CARF MF Processo nº 12448.907679/201312 Acórdão n.º 1302002.835 S1C3T2 Fl. 5 4 c) em virtude da referida conclusão, teriam sido lavrados autos de infração, para cobrança de multas e diferenças de tributos aduaneiros, em relação às mercadorias que já haviam entrado em circulação comercial e não foram localizadas; d) foi, ainda, decretado o perdimentos de mercadorias, por suposta interposição fraudulenta, mesmo após o pagamento dos tributos aduaneiros, de modo que tais tributos seriam indevidos; e) "houve por bem solicitar a restituição de tributos que se revelaram indevidos ou pagos a maior em razão da reclassificação jurídica de suas operações"; f) teve, consequentemente, desconsiderado o valor agregado ou margem de lucro na comercialização das mercadorias importadas, quando às mesmas remetia à MOBILITA, o que teria afetado "para mais os tributos que incidiam na transferência das mercadorias da Recorrente para o adquirente, pois eram cobrados preços além do custo de importação e despesas de frete etc., a margem de comercialização"; g) por esta razão efetuou os pedidos de restituição de valores pagos a mais a título de IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Imposto sobre Produtos Importados (IPI), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), os quais também incidiam "sobre essa verba relativa à margem de comercialização das mercadorias importadas"; h) após haver transmitidos 74 Pedidos Eletrônicos de Restituição (PER), e diante da impossibilidade de pleitear por tal via créditos recolhidos a mais de cinco anos, impetrou Mandado de Segurança, visando ao recebimento dos pedidos (apenas dois), por meio de fomulários em papel; i) o seu direito ao recebimento e processamento dos pedidos efetuados de tal forma foi reconhecido judicialmente, por decisão que teria transitado em julgado; j) o acórdão recorrido incorreria em equívoco, "quando alega que a Recorrente considera que a decisão da 14ª VRRJ teria mandado prover os pedidos de restituição no mérito, e que, por isso haveria descumprimento da sentença. Não se trata disso."; k) o que sustenta é que os processos administrativos nº 12448.732735/2012 78 e 12448.732736/201212 "suplantam os PER/DECOMP originalmente apresentados e que não podia, como não pode, haver pedidos paralelos a correr perante a administração"; l) os PER deveriam haver sido cancelados, posto que os processos administrativos os teriam substituído; m) ao contrário, os PER teriam sido processados, deixando de lado os pedidos formulados em papel, que se encontraria paralisados desde fevereiro de 2012; n) haveria ineficiência, irrazoabilidade, ilegalidade em se exigir a apresentação, para cada recolhimento a maior ou indevido, de um PER; o) não se estaria discutindo, nestes autos, o mérito, mas sim a forma dos pedidos de restituição, posto que o PER ora analisado estaria prejudicado, como todos dos Fl. 73DF CARF MF Processo nº 12448.907679/201312 Acórdão n.º 1302002.835 S1C3T2 Fl. 6 5 demais relativos ao mesmo fato, por força da decisão judicial exarada nos autos do citado Mandado de Segurança. Pleiteou, ao fim, a anulação de todo o procedimento, de modo que a discussão referente ao direito creditório pleiteado no PER sob análise fique vinculada unicamente aos pedidos de restituição formulados nos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.818, de 13/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 12448.907672/2013 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.818): "I DO CONHECIMENTO DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado, por via eletrônica, em 12 de maio de 2016, tendo apresentado seu Recurso em 27 de maio de 2016, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao caso por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído nos autos. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II DA NULIDADE Conforme relatado, o Recurso apresentado não trata do mérito do PER analisado nestes autos, mas tãosomente pugna Fl. 74DF CARF MF Processo nº 12448.907679/201312 Acórdão n.º 1302002.835 S1C3T2 Fl. 7 6 pela declaração de nulidade de todo o procedimento de análise do direito creditório pleiteado no referido Pedido. A apreciação do Recurso deve ser realizada observando se o disposto nos arts. 12 a 14 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011: "Art. 12. São nulos (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59): I os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1o A nulidade de qualquer ato só prejudica os atos posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2o Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3o Quando puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato, ou suprirlhe a falta. Art.13. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 12 não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 60). Art.14. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 61)." Segundo a Recorrente, a nulidade se originaria no fato de que a análise do PER estaria em desacordo com a decisão judicial proferida nos autos de Mandado de Segurança por ele impetrado, e que o PER em questão se encontraria prejudicado pelos pedidos de restituição formulados em papel no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. A decisão recorrida, contudo, esclarece, detalhadamente, a questão e demonstra a improcedência dos argumentos da Recorrente. O conteúdo do Recurso, por outro lado, apenas revela o acerto da decisão guerreada e põe luz sobre o equívoco do raciocínio formulado pelo sujeito passivo. A Recorrente, pelas razões que esclarece em seu recurso, apresentou o PER que deu origem aos presentes autos. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 12448.907679/201312 Acórdão n.º 1302002.835 S1C3T2 Fl. 8 7 Posteriormente, ingressou com Mandado de Segurança "objetivando ordem no sentido de que a autoridade impetrada receba e processe o pedido de restituição de tributos" supostamente recolhidos por ela, de forma indevida. Importa destacar trecho da sentença exarada no processo judicial, que esclarece bem o seu escopo: "Como causa de pedir, sustenta, em síntese, que, na qualidade de importadora, recolheu diversos impostos e contribuições no período de 19/07/2002 a 19/11/2008; que alguns recolhimentos foram indevidos, tendo direito à restituição, nos termos do art. 165 do CTN. Alega que, apesar de ter preenchido o formulário aprovado pela Instrução Normativa RFB nº 900/2008, para obter a restituição, as autoridades fiscais se negam a recebêlo, por se encontrar disponível no site da Receita Federal do Brasil formulário eletrônico para tal finalidade. Aduz, contudo, que o formulário eletrônico não aceita pedidos de restituição de tributos recolhidos há mais de cinco anos, contados da data do preenchimento do formulário; que o prazo para pleitear a restituição dos tributos sujeitos ao lançamento pelo regime de homologação é de dez anos e não de cinco anos, como aceito no formulário eletrônico." O conteúdo da citada decisão judicial, de outra parte, foi no sentido de "que a autoridade impetrada receba e processe o pedido de restituição da Impetrante, formulado em papel". Ou seja, como bem esclarecido pelo acórdão recorrido, não há, em absoluto, qualquer violação à referida decisão judicial no fato de que o pedido de restituição da Recorrente formulado por meio de PER seja analisado nos presentes autos. Ora, tal pedido foi apresentado, em meio eletrônico, em estrita obediência à legislação de regência dos pedidos de restituição e declaração de compensação, inexistindo qualquer vício que o invalide. A decisão judicial que favoreceu a Recorrente se limitou a determinar o recebimento e processamento dos pedidos de restituição formulados pela Recorrente em formulário de papel. E isto foi feito no âmbito dos processos administrativos nº 12448.732735/201278 e 12448.732736/201212. O fato de o pedido formulado em papel abranger o crédito já pleiteado anteriormente em meio eletrônico será apenas mais um elemento a ser considerado pela autoridade administrativa quanto da análise daquele pedido. Jamais, há qualquer tipo de substituição, ou implicaria o cancelamento do PER. Tratamse de pedidos autônomos, com análises próprias. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 12448.907679/201312 Acórdão n.º 1302002.835 S1C3T2 Fl. 9 8 No caso, não há qualquer incompetência ou cerceamento do direito de defesa a atrair a incidência do art. 12 do Decreto nº 7.574, de 2011. Sequer se observa qualquer vício ou outro tipo de irregularidade nos presentes autos, razão pela qual deve ser rejeitada a alegação de nulidade formulada pela Recorrente. III DO PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO Não tendo sido deduzido no Recurso apresentado qualquer argumento ou pedido relacionado com o mérito do PER analisado nos presentes autos, devese considerar que a matéria não foi objeto de questionamento, mantendose incólume a decisão de primeira instância que não reconheceu o direito creditório. IV CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por rejeitar a alegação de nulidade e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do sujeito passivo, com a manutenção do indeferimento da restituição do crédito pleiteado no Pedido Eletrônico de Restituição de que tratam os presentes autos." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11684.000795/2010-19
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 09/08/2010
SISCOMEX- CARGAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DE DADOS. MULTA DO ART. 107, IV, E, DO DECRETO-LEI 37/1966. CONHECIMENTO PARCIAL DO RECURSO. INOVAÇÃO. MATÉRIA TRAZIDA APENAS EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Encontra-se precluso o direito de argumentar pela ocorrência de erro na motivação do auto de infração ao trazer o tema apenas em sede de recurso voluntário.
IN SRF 800/2007, E 899/2008. TERMO INICIAL. VIGÊNCIA E APLICABILIDADE DA MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Em se tratando de descumprimento do prazo de registro dos dados estabelecido pelos artigos 22 e 50 da IN SRF 800/2007 alterada pela IN RFB 899/08, a multa instituída pelo artigo 107, IV, do DL 37/1966, deve ser mitigada diante do novo prazo imposto pela IN SRF 899/2008, em decorrência da retroatividade benigna.
RETIFICAÇÃO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO (CE). CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ENVIO EM CONFORMIDADE COM O PRAZO ESTIPULADO NA IN 800/07.
A retificação com data posterior às 48 hrs (quarenta e oito), não tem o condão de fazer incidir a norma cuja implicação é a imposição de multa prevista pelo não envio de informações.
Numero da decisão: 3001-000.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para excluir da apreciação o argumento de defesa concernente ao erro de fundamento, pois que trazido apenas nesta fase processual; no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Cleber Magalhães que negou-lhe provimento. Votou pelas conclusões e manifestou intenção de apresentar declaração de voto, o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 09/08/2010 SISCOMEX- CARGAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DE DADOS. MULTA DO ART. 107, IV, E, DO DECRETO-LEI 37/1966. CONHECIMENTO PARCIAL DO RECURSO. INOVAÇÃO. MATÉRIA TRAZIDA APENAS EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Encontra-se precluso o direito de argumentar pela ocorrência de erro na motivação do auto de infração ao trazer o tema apenas em sede de recurso voluntário. IN SRF 800/2007, E 899/2008. TERMO INICIAL. VIGÊNCIA E APLICABILIDADE DA MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando de descumprimento do prazo de registro dos dados estabelecido pelos artigos 22 e 50 da IN SRF 800/2007 alterada pela IN RFB 899/08, a multa instituída pelo artigo 107, IV, do DL 37/1966, deve ser mitigada diante do novo prazo imposto pela IN SRF 899/2008, em decorrência da retroatividade benigna. RETIFICAÇÃO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO (CE). CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ENVIO EM CONFORMIDADE COM O PRAZO ESTIPULADO NA IN 800/07. A retificação com data posterior às 48 hrs (quarenta e oito), não tem o condão de fazer incidir a norma cuja implicação é a imposição de multa prevista pelo não envio de informações.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1871; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 126 1 125 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11684.000795/201019 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.401 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 14 de junho de 2018 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente ASIA SHIPPING TRANSPORTES INTERNACIONAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 09/08/2010 SISCOMEX CARGAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DE DADOS. MULTA DO ART. 107, IV, E, DO DECRETOLEI 37/1966. CONHECIMENTO PARCIAL DO RECURSO. INOVAÇÃO. MATÉRIA TRAZIDA APENAS EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Encontrase precluso o direito de argumentar pela ocorrência de erro na motivação do auto de infração ao trazer o tema apenas em sede de recurso voluntário. IN SRF 800/2007, E 899/2008. TERMO INICIAL. VIGÊNCIA E APLICABILIDADE DA MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando de descumprimento do prazo de registro dos dados estabelecido pelos artigos 22 e 50 da IN SRF 800/2007 alterada pela IN RFB 899/08, a multa instituída pelo artigo 107, IV, do DL 37/1966, deve ser mitigada diante do novo prazo imposto pela IN SRF 899/2008, em decorrência da retroatividade benigna. RETIFICAÇÃO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO (CE). CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ENVIO EM CONFORMIDADE COM O PRAZO ESTIPULADO NA IN 800/07. A retificação com data posterior às 48 hrs (quarenta e oito), não tem o condão de fazer incidir a norma cuja implicação é a imposição de multa prevista pelo não envio de informações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para excluir da apreciação o argumento de defesa concernente AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 4. 00 07 95 /2 01 0- 19 Fl. 127DF CARF MF 2 ao erro de fundamento, pois que trazido apenas nesta fase processual; no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro Cleber Magalhães que negoulhe provimento. Votou pelas conclusões e manifestou intenção de apresentar declaração de voto, o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Auto de Infração Consta no relatório fiscal, tratarse os presentes autos de verificação procedida sobre pedido de retificação dos Conhecimentos Eletrônicos de Embarque. O teor dos pedidos de retificação referemse a inclusão de NCM e alteração de razão social de embarcador. Segundo consta no auto de infração, em consulta ao SISCOMEX, tais retificações ocorreram após a vinculação do referido CE à Declaração de Importação. IN 800/07 Aponta, como regra sobre o prazo ao qual encontrase submetido, o artigo 22, II, d, determinando a obrigatoriedade de prestar informações até 48 horas antes da chegada da embarcação. Consta do auto que, até 31/03/2009, a prestação de informações sobre alterações, poderá ser feita até antes da atracação, não isentando da penalidade quando houver descumprimento de prazo. Para tanto, cita o artigo 50, parágrafo único, destacando o conteúdo disposto no caput, qual seja, não eximir o transportador da responsabilidade prestar informações sobre as cargas transportadas antes da atracação Em seqüência, cita o artigo 23, 24 e 25 da mesma IN, a respeito da solicitação de retificação após o registro da atracaçao Cita, também, o artigo 27, o qual prevê a possibilidade de solicitar a alteração à RFB por escrito, sendo que, destaca o seu parágrafo terceiro, por conter a previsão de que tal conduta não a exime de multas. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11684.000795/201019 Acórdão n.º 3001000.401 S3C0T1 Fl. 127 3 Menciona, também, o artigo 45, da IN 800/07, o qual prevê a aplicação do artigo 107, IV, e, do DL 37/66, com redação alterada pela Lei 10.833/03. A fim de embasar o procedimento realizado, cita o Ato Declaratório Corep n.ºº 03/2008, que preve, em seu artigo 64, a aplicação de penalidades. E o artigo 2.º da IN 800, a fim de legitimar a eleição do sujeito passivo. Finaliza por lavrar o auto de infração para aplicar multa pela prestação de informações fora do prazo estipulado. Empresa de transporte internacional deixou de prestar informação sobre carga transportada, CEs 160805207833246 e 161005000781013, na forma e prazo estabelecidos pela RFB, no art. 22 e 50 da IN 800/2007. Impugnação Em sua peça de defesa a recorrente faz breve relato fático, no qual aponta a lavratura do auto de infração por ter deixado de prestar informações sobre carga, utilizando como fundamento legal o artigo 107,IV, e do DL 37/66. Iresignase perante o ato oficial expondo seus argumentos. Início da validade da multa 01 de abril de 2009 Inicialmente, aponta os efeitos da aplicação da multa, que somente teria ocorrido a partir de 01.º de abril de 2009. Inexistência de infração Inocorrência de ausência de informação prestada Afirma que a recorrente não deixou de prestar informações referentes aos CE. Ao contrário, prestou informações suficientes como tipo, quantidade, importador, et.c CE 160.805.207.833.246 Os dados teriam sido incluídos no sistema em 05/11/2008 (efls 34), sendo que a atracação ocorreu em 10/11/2008 CE 161.005.000.781.013 Os dados teriam sido incluídos no sistema em 05/01/2010, sendo a atracação em 09/01/2010. Ausência de Prejuízos Teor das retificações As retificações foram relativas à alteração de razão social e inclusão de NCM, restando assim, evidenciada a inexistência de prejuizo Denúncia Espontânea Alega a ocorrência de denuncia espontânea, uma vez que as informações foram inseridas no sistema antes de qualquer ato fiscalizatório. Fl. 129DF CARF MF 4 DRJ/FLN O Acórdão 0730.242 1 ª Turma, foi dispensado de ementa, sendo que, por bem retratar a realidade fática, transcrevese a seguir: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário, referente a multa regulamentar, que está lastreada na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. Conforme se depreende da leitura da descrição dos fatos do auto de infração e dos demais documentos constantes dos autos, a interessada deixou de registrar os dados, no Siscomex CARGA, no prazo estabelecido pela Instrução Normativa RFB n° 800/07, da desconsolidação da carga. Conforme relatado pela fiscalização, a interessada procedeu a desconsolidação da carga descrita no Conhecimento Eletrônico Genérico n° 131.005.129.006.212 no dia 09/08/2010 às 08:56:55hs; ocorre que a embarcação MONTE ACONCÁGUA atracou no porto dia 11/08/2010 às 03:12:00hs. Tal fato caracteriza a omissão do dever de prestar informação sobre a carga transportada na forma (Siscomex Carga) e no prazo (48 horas antes da atracação do veículo no porto) conforme estabelecido na norma de regência. Cientificada, a interessada apresentou impugnação. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, prestou a informação no prazo, é absurdo exigir que a Impugnante dispusesse de efetivo para comparecer às 03:00 hrs da madrugada de domingo para segundafeira de modo a atender aos exatos minutos de atracação; Que, não deixou de prestar as informações do conhecimento de embarque, e prestou antes de qualquer início de fiscalização; Que, não houve prejuízo ou intenção de lesar o fisco com a vinculação após a atracação do navio; Que, a denúncia espontânea exclui a aplicação da penalidade; Requer seja julgada insubsistente a autuação, sejam juntados aos autos informações completas sobre as operações em apreço e o termo de início da fiscalização. É o relatório. No voto, merece destaque os seguintes trechos, a seguir transcritos, que elucidam o raciocínio e fundamentação da negativa de provimento da Impugnação. Importa destacar, que a linha mestra do voto condutor menciona o parágrafo terceiro do artigo 27 da IN 800/07, no sentido de legitimar o auto de infração, já que, no referenciado dispositivo, há previsão de manutenção da penalidade pecuniária em face da retificação de informação pelo contribuinte. O § 3º, do artigo 27, acima transcrito é claro ao definir que nem mesmo na hipótese de a alteração e a retificação serem autorizadas a penalidade será excluída, logo correta a autuação. No mérito, é de destacar o entendimento do voto condutor no sentido de a infração descrita no fundamento legal do auto de infração ter sido cometida em sua plenitude, haja vista o teor correto das informações ter sido incluído após o encerramento do prazo. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 11684.000795/201019 Acórdão n.º 3001000.401 S3C0T1 Fl. 128 5 A infração está plenamente caracterizada na conduta realizada pela interessada, havia prazo certo para apor no sistema as informações. A interessada deixou de prestar informação sobre a carga transportada no veículo na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Recurso Voluntário Em sua defesa, a recorrente, preliminarmente, não alcançar os fatos pretéritos a abril de 2009. Termo inicial da multa Alegou ser a multa nao aplicavel em razão da data de ocorrência do fato gerador, qual seja, 22 dezembro de 2008, buscando dar cumprimento ao disposto no artigo 50 da IN 800, a qual menciona o início de validade da norma impositiva da multa, a partir de 1.º de abril de 2009. Pugna pela aplicação do artigo 112 do CTN. Não caracterização da Infração Envio de informações, com posterior retificação No mérito, argumentou que não houve falta de prestação de informação, mas sim, autuaçção em decorrência de retificação de informação, anteriormente prestada. Neste sentido, sustenta a recorrente haver informado as cargas no sistema da RFB. e que, a contrario senso da multa efetivamente aplicada neste caso concreto, a previsão legal atinge apenas aquele que deixar de prestar informações. Desta forma, não implicaria em sanção para o contribuinte que informou, e, após retificou. Aponta, também, o raciocínio no qual o conteúdo constante nas retificações, não se enquadram no conceito legal de descrição de carga. E que, ainda, as cargas estariam, todas, descritas na informações enviadas tempestivamente, tais como, pneus, câmaras e partes de impressoras, contendo peso, destino, exportador, importador, navio, etc. Erro na fundamentação Ainda, indica ocorrência de erro na fundamentação, vez que indica artigo prevendo a omissão de informações. Retificação Isto porque, a retificação seria permitida pelo artigo 46 do RA, e, também, argumentou no sentido de não haver na previsão legal a implicacao de multa para retificação. Desta forma, não estaria enquadrado no artigo 107, IV, e, do DL 37/66, com a redação alterada pela Lei 10.833/03. Poe em destaque, os verbetes: deixar de prestar informações sobre (...) carga nele transportado ou sobre as operações de execute (...) A requerente prestou informações do CE Mercante 160.805.207.833.246 em 05 de novembro de 2008, sendo que o navio atracou em 10 / 11 / 2008. Em 22 de dezembro, houve retificação buscando incluir NCM. Fl. 131DF CARF MF 6 Sobre o CE 161.005.000.781.013, prestou informações em 05 / 01 /2010 com o navio tendo atracado em 09/01/2010.Em 18 de janeiro de 2010 houve a retificação para alterar a razão social Denúncia Espontânea A recorrente traz, a seu favor, também o argumento da denuncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN. Demonstra que ao tempo da inserção dos dados no sistema não havia sido iniciada nenhuma fiscalização, tampouco qualquer ato administrativo relativo à prestação de informação Inexistência de prejuízo pugna pela comprovação, por parte da RFB, a prova do prejuízo ou dificuldade causada à fiscalização. É o relatório Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator O presente recurso insurgese contra a imposição de multa nos conhecimentos eletrônicos mercante de n.ºº 161005000781013 e 160805207833246 em razão das solicitações pedidos de retificação apresentados em 22 12 2008 e 18 01 2010. A Receita Federal do Brasil alega o descumprimento do §1.º do art. 37 do DecretoLei 37/66 c/c art. 22, II, d, art. 23, III, art. 25, I, art. 27, §3º, art. 50, parágrafo único, II, da IN/RFB n° 800/2007 alterada pela IN/RFB n° 899/2008. Com multa de R$ 10.000,00 aplicada a agente de cargas NVOCC, representante de transportador marítimo Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário A Receita Federal do Brasil alega o descumprimento do §1.º do art. 37 do DecretoLei 37/66 c/c art. 22, II, d, art. 23, III, art. 25, I, art. 27, §3º, art. 50, parágrafo único, II, da IN/RFB n° 800/2007 alterada pela IN/RFB n° 899/2008. Com multa de R$ 10.000,00 aplicada a agente de cargas NVOCC, representante de transportador marítimo, Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos: Preliminar. tempestividade, início de validade do termo inicial da multa Destaco, a presença de item argumentativo de cunho inovador, qual seja, a alegação de Erro na Fundamentação. Mérito, alega a inexistência de infração, ausência de prejuízo e a ocorrência da denúncia espontânea. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 11684.000795/201019 Acórdão n.º 3001000.401 S3C0T1 Fl. 129 7 Admissibilidade do Recurso Tempestividade O recurso é tempestivo e, portanto, dele, quanto a este aspecto, tomo conhecimento. Início da validade da multa CONHEÇO TOTALMENTE da parte do recurso voluntário que rebate trechos da decisão referente a ilegalidade da multa, relativa ao CE 160805207833246, anterior a 01 de abril de 2009,considerandoa regular. Da Preclusão Erro na fundamentação NEGO CONHECIMENTO ao argumento de erro de fundamentação, pois foi trazido apenas em sede de recurso voluntário, não podendo ser conhecido, por ter se efetivado a preclusão. DOS FATOS Destacase a seguir, pontos fáticos fundamentais para compreensão do caso posto em julgamento, devendose mencionar as essenciais datas de atraque do navio e as datas de inclusão das informações nos sistema da RFB. CE 161005000781013 A Data de inclusão no sistema do CE 161005000781013 é 05/01/2010 as 14hrs 57min 41s, sendo que a Atracação ocorreu dia 09/01/2010 às 12hrs e 02min. Dentro, portanto, do prazo previsto, vez que, o momento do envio das informações respeitou o prazo limite de até 48 horas da chegada da embarcação. CE 160805207833246 A Data inclusão no sistema foi 05 11 2008. E a data de atracação 10 11 2008, Dentro, portanto, do prazo previsto, vez que, o momento do envio das informações respeitou o prazo limite de até 48 horas da chegada da embarcação. das Retificações Em data de 18 / 01 / 2010, houve retificação do CE cujo motivo da retificação foi a alteração de Shipper/embarcador De Glory Chemicals para Beijing Meikeyi Co., ltd. Esta foi a data considerada intempestiva pela auto de infração. CE 161005000781013. E em 22/12/2008 houve retificação para inclusão de NCM. Esta foi a data considerada intempestiva pela auto de infração. Estas datas ocorreram após o esgotamento do prazo previsto no artigo 22, II, 'd', da IN 800/07. No entanto, as informações já haviam sido enviadas ao sistema da RFB, conforme item anterior. Não pode o lançamento, atribuir a multa pelo descumprimento de obrigação acessória, pelo fato de ter ocorrido a retificação de uma das informações em cada CE (Razão social e NCM). Fl. 133DF CARF MF 8 A Seção IX da IN 800/07, em seus artigos 27 A, B e C, tratam das retificações das informações, que no entender deste conselheiro, não tem o condão de atribuir, à conduta da requerente, qualquer responsabilidade por ato infracional. Ao contrário, a retificação busca aperfeiçoar a prestação de informações anteriormente fornecida. Fundamento Legal da Multa A fim de tratar do delineamento do tema, se faz necessário, no presente caso, delimitar os fundamentos legais que lastreiam a imposição da multa discutida nestes autos. Bem se verá, que o artigo 107, IV, letra e, tipifica como conduta infracional a omissão caracterizada por deixar de prestar informação. A cobrança de multa prevista no artigo 107, IV, e, do DL 37/66. Seção V Multas Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga;: A multa, em específico, foi ensejada em decorrência de descumprir o dever de prestar informações ao sistema da RFB SISCOMEX Cargas, dentro do prazo mínimo de 48h (quarenta e oito horas) antes da chegada da embarcação, em consonância ao artigo 22 da IN 800/07.. O dever, portanto, que foi considerado desrespeitado, foi o previsto: Seção VIII Dos Prazos para a Prestação das Informações Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; Portanto, a prestação de informações deveria respeitar o prazo de 48 horas antes da chegada da embarção. As datas são verificadas nas Escalas e Extratos de CE. PRELIMINAR Foi mencionado, em favor da recorrente, preliminar objetivando o reconhecimento de ausência de norma dando fundamento para a cobrança de multa, uma vez que o artigo 50 da IN 800/07 postergou para 01 de abril de 2009. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11684.000795/201019 Acórdão n.º 3001000.401 S3C0T1 Fl. 130 9 Aspecto temporal CE 160805207833246 Termo inicial da multa dos arts 107, IV, 'e' do DL 37/66 c/c 22, II, 'd' e 50 da IN 800/07' A legislação tributária que merece atenção, é o mencionado artigo 50 da IN 800 modificado pela IN 899. IN 800/2007, modificada pela IN 899/2008 Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. A importância do artigo transcrito acima se faz pelo fato de, em seu texto, estar postergada, a incidência da multa prevista nos artigos 107, IV, e do DL 37/66 c/c artigo 22, II , d. Conforme se percebe, os prazos de antecedência previstos no artigo 22 da IN 800/07, ao se tornarem obrigatórios, a partir de 01 de abril de 2009, significa dizer, que apenas terão seus efeitos sancionatórios válidos a partir desta data. Ou seja, o contribuinte não se encontrava eximido da prestação de informações. Mas até do transcurso do prazo acima mencionado, o ordenamento jurídico estaria impedido, pelo teor da inovação trazida na IN 899/08, de desencadear os efeitos da norma punitiva. Merece atenção o argumento de estar contido no parágrafo único, do artigo 22, o fundamento legal para a imposição da multa em momento anterior ao 01 de abril de 2009. Isto porque, seu texto menciona que o disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações. A leitura desta regra, não deve ultrapassar seu real sentido, qual seja, impelir a prestação de informação, mas sem o caráter sancionatório, em virtude de expressa redação regulamentar que posterga os efeitos para data posterior. Neste aspecto, no CE 160805207833246, cuja data da inclusão no sistema foi 05 11 2008; anterior, portanto, ao prazo estipulado no artigo 50 da IN 800/07, qual seja, 01 de abril de 2009, considero inválida a cobrança da multa prevista no artigo 22, II da IN 800/07 c/c artigo 107, IV, e do DL 37/66, em razão, justamente, da redação dada pela IN 899/08, a qual difere para 01 de abril de 2009 a obrigatoriedade dos prazos ali previstos. Já o CE 161005000781013, cuja data de inclusão no sistema do é 05/01/2010, considero não aplicável o argumento relativo ao termo inicial da validade da norma impositiva da multa, em razão de sua ocorrência terse dado posteriormente ao prazo fixado no já mencionado artigo 50 da IN 800/07. Fl. 135DF CARF MF 10 Retroatividade Benigna O comando do artigo 50 da IN 800/07, foi alterado pela IN 899, publicada em 29 de dezembro de 2008. Portanto, o comando que postergou a validade da cobrança da multa prevista no artigo 107, IV, 'e', do DL 37/66, pelo envio tardio de informações, previsto no artigo 22 da IN 800/07, emite seus atos a partir de 29 de dezembro. No entanto, por tratar de norma que beneficia o contribuinte, impendindo que a recorrente seja atingida por norma impositiva de multa, deve ser aplicado o artigo 106 do CTN. Isto porque, em segundo momento, houve norma posterior, abrandando a aplicação da penalidade, postergando o início de sua obrigatoriedade para somente após de 01 de abril de 2009, devendo ser obedecido o artigo 50 neste sentido. Por este motivo, se socorre da aplicação do artigo seguinte do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Deste modo, devese aplicar o entendimento da legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme a decisão abaixo mencionada. Acórdão nº 3302004.717 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2008 a 22/03/2008 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, E, DO DECRETOLEI 37/1966 (IN SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando de descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF 28/1994, a multa instituída pelo artigo 107, IV, e do DL 37/1966, deve ser mitigada diante do novo prazo imposto pela IN SRF 1.096/2010, em decorrência da retroatividade benigna. Após a lavratura do auto de infração foi publicada a Instrução Normativa RFB n. 1.096, de 13/13/2010, que ampliou o prazo Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11684.000795/201019 Acórdão n.º 3001000.401 S3C0T1 Fl. 131 11 para registro dos dados pertinentes no SISCOMEX para 7 dias2. Afirma que o art. 106 do CTN permite que a dilação do prazo pela publicação da recente norma deve gerar benefícios a seu favor, já que não é mais considerada infração o não fornecimento de informações no prazo de 2 dias. E, sobre esse tópico, filiome à vasta jurisprudência deste Conselho, que reconhece que os efeitos benignos da IN RFB n. 1.096/2010 devem surtir efeitos em hipóteses análogas à dos autos. Isso porque estamos diante de uma sanção (ainda que na seara tributária) e a melhor interpretação sobre o texto contido no inciso XL do artigo 5º da Constituição Federal 1988 impõe o reconhecimento que a lei penal deverá retroagir, sempre que for para beneficiar o réu (no caso, o contribuinte apenado pela multa). A propósito, e ilustrativamente, segue a ementa de julgado deste Conselho, o qual adoto como fundamento: TERCEIRA SECÃO DE JULGAMENTO / 2ª CAMARA / 2ª TURMA ORDINARIA / ACÓRDÃO 3202000.486 em 25/04/2012 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA. Data do fato gerador: 04/07/2006, 06/07/2006, 10/07/2006, 11/07/2006, 13/07/2006, 15/07/2006, 23/07/2006 e 29/07/2006 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, 'E' DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994, 510/2005 E 1.096/2010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em se tratando do descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF no 28/1994, a multa instituída no art. 107, IV, 'e' do Decretolei no 37/1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo de dois dias para o registro desses dados no Siscomex. Uma vez que a IN SRF no 1.096/2010 fixou o prazo de sete dias para o registro dos dados no Siscomex, deve ser aplicada, com fulcro no princípio da retroatividade benigna, a norma mais benéfica ao contribuinte. Em caso semelhante, tal raciocínio fora empreendido. O caso do precedente acostado, relacionase com a extensão do prazo, de 05 para 07 dias, como necessário à prestação de informações. Como é sabido, no caso presente, tratase de legislação que determinava a ocorrência de multa, IN 800, posteriormente revogada pela IN 899, a qual concedeu o prazo para início da obrigatoriedade apenas em 01 de abril de 2009. Decido Desta forma, ACATO A PRELIMINAR, apenas em relação ao CE 160805207833246, o argumento do início da vigência da multa prevista no artigo 107, IV, e do Fl. 137DF CARF MF 12 DL 327/66 c;c artigos 22, II, d e 50 da IN 800/07, excluindo a multa aplicada, pois o início da cobrança é possível apenas após 01 abril de 2009. MÉRITO Desta feita, a partir de então, analiso apenas o CE 161005000781013 cuja data de inclusão no sistema do foi 05/01/2010, portanto, após o prazo previsto no artigo 50 da IN 800/07. Envio tempestivo das informações Inexistência de Infração A recorrente preencheu os requisitos para envio das informações previstas no artigo 22 da IN 800/07, em relação ao CE 161005000781013. Isto porque, na data de inclusão das informações no sistema da RFB, ocorrido, como visto, em 05/01/2010, às 14hrs 57min 41s, quatro dias portanto, antes da atracação, que, conforme verificação da Escala e Extrato de CE acostadas a estes autos, ocorreu quatro dias após o envio das informações, mais especificamente dia 09/01/2010 às 12hrs e 02. Dentro do prazo limite, portanto, que é de até 48 horas da chegada da embarcação. Em data de 18 / 01 / 2010, esta posterior à data de atracação do navio, houve apenas a retificação do CE cujo motivo da retificação foi a alteração de Shipper/embarcador De Glory Chemicals para Beijing Meikeyi Co., ltd. Esta foi a data considerada intempestiva pela auto de infração. Tal procedimento de retificação respeitou o artigo 27 A da IN 800/07, e não pode ser confundido com a determinação regulamentar, de ter deixado de prestar informações; esta sim, ensejadora da multa. Art. 27A. Entendese por retificação II de CE, a alteração, exclusão ou desassociação de CE, bem como a inclusão, alteração ou exclusão de seus itens após Decido Desta forma, considerando que, para aplicação da multa, é necessário deixar de prestar informações. E que, se prestadas, as informações sejam enviadas no prazo de 48 horas anteriores à chegada do navio, DEFIRO, DANDO TOTAL PROVIMENTO neste tópico, para reconhecer o envio das informações em tempo hábil, não podendo a retificação de um item tornar a conduta de caráter infracional, a ponto de lhe imputar a multa prevista no artigo 107, IV, e. Assim, excluo a multa incidente sobre a retificação CE 161005000781013, haja vista o prazo previsto no artigo 22 da IN 800/07, para enviar as informações exigidas, foram respeitadas, uma vez que o envio se deu em 05/01/2010, às 14hrs 57min 41s, enquanto que o navio atracou 09/01/2010 às 12hrs e 02. Prejudiciais de mérito Considero as Matérias trazidas no recurso voluntário, Denúncia Espontânea e a Inexistência de prejuízo, prejudicadas em razão do enfrentamento do mérito com o deferimento em favor da recorrente. CONCLUSÃO Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11684.000795/201019 Acórdão n.º 3001000.401 S3C0T1 Fl. 132 13 Diante do exposto, seguiuse da seguinte forma o julgamento. O recurso voluntário, considerado tempestivo foi CONHECIDO PARCIALMENTE, excluindose da análise, o tópico relativo ao Erro de Fundamento. Quanto ao Mérito, foi DADO PROVIMENTO ao tópico do termo inicial da multa em discussão, destacando que se aplica apenas ao CE 160805207833246, e, ao argumento de inexistência de infração, no que tange ao CE 161005000781013. Considero, por fim, prejudicadas, pelo enfrentamento do mérito, as matérias de inexistência de prejuízo e denúncia espontânea. Desta forma, excluo a multa do CE 160805207833246, acatando o argumento de haver tido postergação do início do termo inicial da multa, e, do CE 161005000781013, excluo a multa, reconhecendo como tempestivo os envios das informações, independentemente da data da retificação. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Declaração de Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri. No caso em análise, meu entendimento diverge do D. Relator quanto ao acatamento da argumentação do Recorrente acerca do termo inicial de vigência prazo de estipulado no artigo 50 da IN 800 de 2007, qual seja, 01.04.2009, para fins de considerar inválida a cobrança da multa prevista em seu artigo 22, inciso II c/c artigo 107, inciso IV Decretolei 37 de 1966, em face da redação dada pela IN 899 de 2008, na medida em que considerada que referido prazo foi diferido para referida data 01.04.2009. Inicio afirmando que a autoridade lançadora agiu com lucidez e correção ao exigir a observância dos prazos de antecedência de prestação de informações, na forma do parágrafo único do artigo 50 da IN RFB 800 de 2007, cuja redação mais adiante reproduzse. Vejase que o autuado, por força do caput e § 1º do artigo 37 do Decretolei 37 de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 2003, tem o dever de prestar informações à Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma e prazos estabelecidos pela Administração Aduaneira, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a Fl. 139DF CARF MF 14 chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Neste contexto, pareceme irrazoável supor que mesmo não estando em vigor o artigo 22 da IN RFB 800 de 2007, deixarseia de aplicar a regra prevista no caput do artigo 50 da mesma Instrução Normativa. Tal dispositivo, conforme transcreverseá, mais adiante, diz textualmente que o tempo de vacância do artigo 22 da IN RFB 800 de 2007 “não exime o transportador da obrigação de prestar informações”. Então, demonstrado um eventual descumprimento da obrigação acessória, cuja finalidade me parece bastante razoável para fins de efetivo controle aduaneiro, impõese a aplicação da correspondente multa, posto que decorre de lei específica, na forma da alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37 de 18.11.1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833 de 29.12.2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (...) Melhor explicando, em atenção ao determinado no dispositivo legal supratranscrito, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) editou a Instrução Normativa RFB 800 de 27.12.2007 (IN RFB 800/2007), que “dispõe sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados”. Relativamente aos prazos mínimos para a prestação das informações referido órgão RFB, por meio da IN RFB 800/2007 estabeleceu, em seu artigo 22, in verbis: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11684.000795/201019 Acórdão n.º 3001000.401 S3C0T1 Fl. 133 15 a) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, quando o item de carga for granel; b) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a carregar em porto nacional, em caso de cargas despachadas para exportação, para os demais itens de carga; c) cinco horas antes da saída da embarcação, para os manifestos CAB, BCN e ITR e respectivos CE; d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1º Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no sistema pela Coordenação Especial de Vigilância e Repressão (Corep), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. § 3º Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput, se reduz a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto. Todavia, o seu artigo 50 IN RFB 800/2007 previa, desde sua publicação, a data a partir da qual referidos prazos seriam implementados e, depois da alteração promovida pela IN RFB 899 de 29.12.2008, ficou com a seguinte redação, in verbis: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (destaquei) Fl. 141DF CARF MF 16 Como a norma regulamentar, retro transcrita, esclarece, os prazos previstos em seu artigo 22 somente serão exigidos a partir de 1º de abril de 2009. Todavia, seu parágrafo único estabelece expressamente que, a despeito dos prazos passarem a viger na data determinada, não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Portanto, eventual intempestividade da informação de carga após a atracação da embarcação, quando se trata de carga de estrangeira, enseja a aplicação da penalidade, inclusive, antes de 1º de abril de 2009. Pelas razões que expus, no que respeita o prazo de vigência da multa sobre apreço, entendo que a decisão recorrida agiu consoante os princípios constitucionais e legais, a lei processual administrativa e as leis que motivam o lançamento e a exigência em discussão, não devendo, neste aspecto ser reformada. É como penso e voto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.720203/2007-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA
Incabíveis embargos de declaração quando o acórdão não contém omissões relativas aos documentos juntados aos autos.
Numero da decisão: 2202-004.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração, para rejeitá-los.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente).
Júnia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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OMISSÃO. INEXISTÊNCIA Incabíveis embargos de declaração quando o acórdão não contém omissões relativas aos documentos juntados aos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração, para rejeitá los. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente). Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 02 03 /2 00 7- 74 Fl. 318DF CARF MF 2 Tratase de embargos de declaração em face do Acórdão n º 220201861, da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, julgado na sessão plenária de 20 de junho de 2012, cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR EXERCÍCIO: 2003 ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DO ADA. Deve ser excluída da base de calculo do imposto a área de preservação permanente mediante a comprovação feita pela Matricula do Registro de Imóveis ou laudo técnico. O ADA Ato Declaratório Ambiental comprova a exclusão, mas não é o único meio de prova da área de restrição se o contribuinte consegue comprovar por outros meios seguros de prova não contrariados. A exigência do ADA surgiu com o art. 17O, da Lei n° 10.165, de 2000, ao alterar a Lei no 6.938, de 1981, fixando a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação. A Lei n° 9.393, de 1996, no art. 10 § 7o, com a redação da MP 216667, de 2001, posterior, portanto, à Lei n° 10.165, de 2000, não faz a exigência da prévia comprovação das áreas de preservação permanente ou de reserva legal para exclusão da base de cálculo do ITR. ANTINOMIA. CONFLITO APARENTE DE NORMAS. SOLUÇÃO. Aparente antinomia ou conflito de leis. Norma geral e norma especial. Critério temporal. Solução e compatibilização do sistema normativo vigente. DIREITO DE PROPRIEDADE. LIMITAÇÃO DA PROPRIEDADE. DOMÍNIO PLENO, DOMÍNIO ÚTIL E POSSE. DETENÇÃO E NUA PROPRIEDADE. O ITR incide sobre a propriedade, o domínio útil e a posse. Propriedade corresponde ao domínio pleno de usar, gozar, dispor e reivindicar a propriedade. Domínio útil corresponde ao domínio limitado de usar e fruir da propriedade. A posse sujeita ao ITR corresponde à posse aquisitiva com animus domini ou ad usucapionem, com os poderes e os atributos da propriedade. Posse sem os poderes e atributos da propriedade é mera detenção. O proprietário, titular do domínio pleno, que se destituir do domínio útil ou da posse passa a deter apenas a nua propriedade ou o domínio direito, não se sujeitando ao tributo. Cientificada da decisão em 16/06/2017, sextafeira (AR. fls. 281), o contribuinte opôs, em 23/06/2017, os Embargos de Declaração de fls. 308/311, no qual alega a seguinte omissão: Fl. 319DF CARF MF Processo nº 11080.720203/200774 Acórdão n.º 2202004.674 S2C2T2 Fl. 319 3 Aponta o ora embargante a ocorrência de omissões no acórdão, acerca da suposta ausência de prova quanto à demonstração da existência de áreas de preservação permanente no imóvel. Há, nos autos, um laudo técnico ambiental, emitido por um engenheiro agrônomo, com anotação de responsabilidade técnica (ART), comprovando a existência de áreas de preservação permanente no imóvel, na extensão de 70% (setenta por cento) do bem, ou 708ha (setecentos e oito hectares). Trata se de documento que instruiu a impugnação apresentada pelo contribuinte (doe. 03). Segundo esse documento, há na gleba rural matas de restinga, veredas ("banhados") e dunas, áreas de preservação permanente, na forma da Resolução Conama n° 303, de 2002. Conclui o perito: (...) Ou seja, a própria Receita Federal não questiona, propriamente, a presença das áreas de preservação permanente no imóvel do contribuinte. Tratase de fato incontroverso. A glosa dessas áreas, para o exercício de 2003, decorreu, tão somente, da entrega intempestiva do ADA, para aquele ano. Nos anos subsequentes, com a irregularidade formal suprimida, as áreas não tributáveis foram normalmente acolhidas pela fiscalização. Uma vez admitidos os embargos e encaminhados para julgamento deve ser feita a análise da omissão apontada no acórdão embargado; É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Como já reconhecido no despacho de admissibilidade, a omissão apontada pela embargante seria manifestação do relator quanto aos laudos que comprovariam a área de preservação permanente: Pois bem, relativamente à área de preservação permanente o dispositivo da ementa dispõe à fl. 233 que "... O ADA Ato Declaratório Ambiental comprova a exclusão, mas não é o único meio de prova da área de restrição se o contribuinte consegue comprovar por outros meios seguros de prova...". Com o fito de comprovar a área de preservação permanente na propriedade, o Contribuinte apresentou Laudo Técnico Ambiental de fls. 37/45. Todavia, não há nos autos manifestação expressa sobre esse documento, já que o Relator afirmou, genericamente, à fl. 240 que "... o laudo apresentado nada descreve nesse sentido...". Com efeito, consoante dispõe o art. 489 do CPC/2015, além do art. 31 e art. 50 da Lei nº Fl. 320DF CARF MF 4 9.784/1999, toda decisão deve ser fundamentada e motivada, sob pena de nulidade. Foram juntados aos autos dois laudos. O laudo de avaliação (fls. 28/35) e o laudo ambiental de fls. 40/44 (numeração eprocesso) destinado a comprovação da área de preservação permanente. No item 5 do laudo ambiental (fls. 42) encontrase o reconhecimento da área de preservação permanente, nos seguintes termos: 5 CARACTERIZAÇÃO E QUANTIFICAÇÃO DAS ÁREAS DE APP A imóvel (sic), que na realidade é a própria ilha, de acordo com a Lei Estadual nº 11.520 de 03 de agosto de 2000 capítulo VII, que trata das Áreas de Uso Especial, artigo 51, define que além das Unidades de Conservação, também são objetos de proteção, conforme item IV, as ilhas fluviais e lacustres, portanto sob a tutela desta legislação a propriedade toda é área de proteção. Se analisarmos o imóvel somento pelo prisma da Lei Federal nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 e resolução nº 303/20.03.2002 CONAMA Conselho Nacional do Meio Ambiente, que complementa esta lei após vistoriado e com apoio em imagens de satélite, identificamos e quantificamos em torno de 70% da área do imóvel com temas bem definidos e característicos de áreas de preservação permanente, onde nos reportamos aos respectivos artigos e as definem e caracterizam como tal. (grifos no original) Da leitura do voto do relator se conclui que ele entende que a área de preservação permanente pode ser comprovada por outros meios. Conclui, todavia,. que o laudo juntado aos autos traz informações genéricas. Conforme demonstrado pelo trabalho fiscal e pela decisão recorrida, embora os laudos tragam as informações sobre o tamanho da área, a descrição genérica a que se refere a decisão embargada provavelmente se refere às fontes pesquisadas. Isso porque de acordo com a NBR 14.653: 9.2.3.3 São obrigatórios em qualquer grau: a) explicitação do critério adotado e dos dados colhidos no mercado b) vistoria do imóvel avaliado; c) identificação das fontes (grifamos) Conforme exposto na decisão da DRJ "o laudo apresenta uma descrição genérica das fontes pesquisadas, porém, o que se exige pela NBR supra citada é a especificação detalhada das fontes pesquisadas. A indicação da fonte não é a descrição genérica, mas sim, a identificação individual de cada fonte. Além disso, a alínea a do item 9.2.3.3 é clara em dizer que é necessária a explicitação dos dados colhidos no mercado. Assim, devese identificar cada imóvel que foi objeto da amostra com suas características. Verificase, assim, que a decisão embargada não foi omissa quanto aos laudos de avaliação, uma vez que, embora admita a comprovação da área de preservação permanente por outros meios que não o laudo, concluiu que os laudos juntados aos autos não eram aptos para esse fim, uma vez que continham informações genéricas. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 11080.720203/200774 Acórdão n.º 2202004.674 S2C2T2 Fl. 320 5 Em face do exposto, rejeitos os embargos em face da ausência da omissão apontada. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 322DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10611.002223/2007-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 25/02/2005
AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. CONCOMITÂNCIA.
A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido no âmbito administrativo.
As matérias diferenciadas entre o processo judicial e o processo administrativo e impugnadas devem ser apreciadas no âmbito administrativo, desde que não tenham influência quanto ao mérito do objeto litigado judicialmente.
LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA.POSSIBILIDADE
A existência de depósito judicial no montante integral, não obsta a formalização do crédito tributário, devendo haver o lançamento para prevenir a decadência, nos termos do artigo 63 da Lei n. 9430/96.
Numero da decisão: 3302-005.698
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
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EFEITOS. CONCOMITÂNCIA. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. Assim, o apelo interposto pelo sujeito passivo não deve ser conhecido no âmbito administrativo. As matérias diferenciadas entre o processo judicial e o processo administrativo e impugnadas devem ser apreciadas no âmbito administrativo, desde que não tenham influência quanto ao mérito do objeto litigado judicialmente. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA.POSSIBILIDADE A existência de depósito judicial no montante integral, não obsta a formalização do crédito tributário, devendo haver o lançamento para prevenir a decadência, nos termos do artigo 63 da Lei n. 9430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 22 23 /2 00 7- 51 Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10611.002223/200751 Acórdão n.º 3302005.698 S3C3T2 Fl. 281 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Por bem descrever a realidade dos fatos, adoto e transcrevo do relatório da decisão de piso de fls. 249259: Trata o processo de auto de infração, MPF nº 0615100/00322/07, juntado às fls. 02 a 07, lavrado em 26.09.2007 e cientificado em 06.11.2007 pelo Termo de Ciência SECAT/IRF/BHE nº 213/2007 (fls. 22) e “AR” juntado às fls. 23/24, para constituir o crédito tributário no valor de R$ 1.779.182,98, relativo à exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados, vinculado à Importação (R$ 1.299.336,98) acrescido de juros de mora calculados até 31.08.2007 (R$ 479.845,14). A autoridade lançadora esclarece que em 30.12.2004, a autuada obteve (Processo nº 10611.001690/200411) a concessão do regime especial de admissão temporária, de que trata o art. 324 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 4.543/2002, que prevê que os bens admitidos temporariamente no país, para utilização econômica, sujeitamse ao pagamento dos impostos de importação e sobre produtos industrializados, proporcionalmente ao seu tempo de permanência no território aduaneiro. Informa que o bem admitido temporariamente é uma aeronave Cessna, modelo 560, nº de série 5605517, fabricada em 2004, que foi importada pela Declaração de Importação nº 05/01805260, registrada em 22.02.2005 e desembaraçada em 25.02.2005 (fls. 16 a 20), classificada no código NCM 8802.30.31 da TEC, que previa à época da importação, a alíquota de 10% de IPI, que o prazo inicialmente deferido para a utilização do regime foi de cinco anos, a contar da data do desembaraço aduaneiro, serviu de base para o cálculo do tributo a ser recolhido, proporcionalmente ao tempo de permanência do bem no país e que a apuração da alíquota aplicável foi efetuada considerando o disposto nos arts. 306 a 334 do Decreto nº 4.543/2002 (RA) e nas Instruções Normativas SRF nº 162/1998 e 285/2003, que regulamentam a matéria e estabelecem, para efeito de calculo dos impostos proporcionais, o tempo de vida útil e a depreciação do bem. Portanto, considerando que uma aeronave, em regra, tem uma vida útil de 10 anos e que o contrato de arrendamento desta aeronave previa sua utilização no Brasil por um período de 5 anos, no regime de admissão temporária, aplicouse a alíquota de 5% de IPI. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10611.002223/200751 Acórdão n.º 3302005.698 S3C3T2 Fl. 282 3 Salienta também a fiscalização que os tributos devidos na importação devem ser recolhidos na data de registro da declaração de importação, conforme estipula o art. 242 do Regulamento Aduaneiro (RA/2002). Mas que no caso sob exame, o importador, previamente ao registro da citada declaração de importação, impetrou, perante a 2ª Vara da Justiça Federal de lª Instância em Minas Gerais, o Mandado de Segurança nº 2004.0526612 (ação judicial acompanhada através do PAJ nº 10611.000132/200510), para requerer o desembaraço aduaneiro da citada aeronave sem ser compelida ao recolhimento prévio do IPI proporcional ao seu tempo de permanência no país. Em 16.12.2004, portanto antes do registro da DI de admissão temporária, foi deferido o pedido de liminar referente ao Mandado de Segurança, no entanto condicionado ao recolhimento judicial do montante do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI devido na importação (fls. 13/14). Por conseguinte, a autuada efetuou, em 23.02.2005, o depósito no valor de R$ 1.299.336,99 (hum milhão, duzentos e noventa e nove mil, trezentos e trinta e seis reais e noventa e nove centavos), conforme cópia da “Guia de Depósito Judicial à Ordem da Justiça Federal” (fls. 15). Ressalta também a fiscalização que consoante a concessão da liminar em Mandado de Segurança e do depósito judicial no valor exato do IPI calculado e devido por ocasião do registro da DI nº 05/01805260, o crédito tributário lançado encontrase com sua exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, IV da Lei nº 5.172/1966 Código Tributário Nacional (CTN), razão pela qual lavrou o presente Auto de Infração para constituir o crédito tributário, com vistas a prevenir a decadência. Intimada da autuação em tela, a interessada apresenta a impugnação de fls. 26 a 46, acompanhada dos documentos de fls. 47 a 205 (Vol. I) e 03 a 37 (Vol. II). De início, adverte que a situação explicitada no auto de infração confirma que está suspensa a exigibilidade do crédito tributário, em observância ao art. 151, incisos II, III e IV, do CTN, o que impede o Fisco de exigir da ora Impugnante o valor lançado na autuação, antes do encerramento do trâmite judicial e da esfera administrativa, sob pena da violação ao principio da segurança jurídica e, conseqüentemente, ao Estado de Direito, primados constitucionalmente consagrados e alicerçados em todo o ordenamento jurídico pátrio. Sustenta que o depósito livra o contribuinte das exigências do Fisco, inclusive encargos moratórios, outrossim, para evitar a desagradável situação de pagar para depois pedir a devolução “solve et repete”. No mérito, aduz que a exação em discussão é impraticável, posto, que evidente a hipótese de não incidência tributária; pela inquestionável inocorrência do fato jurídico tributário que pudesse dar ensejo à tributação por meio de IPI. Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10611.002223/200751 Acórdão n.º 3302005.698 S3C3T2 Fl. 283 4 Assevera que a Impugnante efetivamente firmou contrato de arrendamento mercantil sem opção de compra, pelo prazo de 60 meses, ou seja, um contrato de leasing do tipo operacional, que guarda similaridade com a locação, com pagamento de aluguéis por prazo certo e determinado, uma vez que somente pretendeu a internação de aeronave, sem intenção e possibilidade de compra; Inexistindo, portanto, na presente relação jurídica a transferência de propriedade, condição sine qua non para a categoria dos impostos indiretos, a ensejar pretensão fiscal a título de IPI. E tanto assim que já foi obrigada a promover a devolução do bem, conforme demonstra o documento intitulado “doc. 07”. Neste sentido, entende ser indispensável o reconhecimento da ilegalidade da pretensão fiscal a título de IPI, consoante razões legais que impedem a aferição da hipótese de incidência em arrendamento mercantil internacional sem opção de compra. Prosseguindo, afirma que o caso em apreço não corresponde a fato jurídico (desembaraço aduaneiro) relacionado à cadeia produtiva industrial,ou seja, bem destinado a industrialização, a respaldar a incidência de IPI, até pela constatação, de que a Impugnante sequer estabeleceu negócio jurídico com o fabricante do bem, senão diretamente com a Arrendadora, a Cessna Finance Corporation. Portanto, entende não haver espaço para a procedência da pretensão fazendária, com arrimo no art. 46, inciso I, do CTN, ante a inexistência de relação jurídica entre a fabricante do produto industrializado (internalizado) e a Impugnante, e, nesse sentido, admitir o contrário seria infringir a determinação para a tributação da base econômica, como referenciada na Lex Legum e na legislação ordinária de regência. Frisa, que existem diversos fatores para o reconhecimento da inexigibilidade do IPI na operação de arrendamento mercantil sem opção de compra, posto que inexiste a transferência da propriedade do bem, que o afasta a pretensão fazendária, em respeito ao Principio da NãoCumulatividade, expresso no art. 153, § 3º, II, da Constituição Federal, e art. 49 do CTN, pois, por seu aspecto plurifásico, a incidência de exação ocorre sobre o valor agregado a cada fase industrial e/ou mercantil da cadeia produtiva. Explica que para se evitar a sobreposição de incidências, a chamada “tributação em cascata”, a prática determina uma compensação descritiva por meio de um creditamento contábil de valores intrínsecos às operações de entrada de produtos, em face de lançamentos contábeis de débito, estes gerados por operações de saída de bens. Alerta que, por não se tratar de contribuinte do IPI, não dispõe dos meios para se compensar de tributo especificamente instituído para o segmento industrial, pois, no exercício de suas atividades, ou seja, na “prestação de serviço”, a Impugnante não promove operações concernentes na transferência de Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10611.002223/200751 Acórdão n.º 3302005.698 S3C3T2 Fl. 284 5 propriedade de produtos industrializados, sendo inquestionável a nãoincidência do referido tributo IPI, o que incluiria apenas a hipótese de incidência do ISQN, de competência municipal. Desta sorte, a exigência concomitante de IPI e ISS neste caso apresentase como patente caso de “bis in idem”, configurando se em total desrespeito aos valores constitucionais consagrados, na medida em que vedada no sistema jurídico a cobrança de dois ou mais tributos, com base na ocorrência apenas de um fato gerador, qual seja, a prestação efetiva de serviço e não a participação na industrialização da aeronave. Logo, a imposição fiscal viola o principio constitucional da tipicidade tributária. Quanto aos juros de mora alocados no Auto de Infração impugnado, aduz não se pautarem pela razoabilidade e proporcionalidade, pois estes são sempre obrigação acessória imposta pelo suposto descumprimento de obrigação principal, in casu, o pagamento de tributo. Logo, adotandose a máxima do Direito Civil pela qual o acessório segue a sorte do principal, se o IPI encontrase depositado em sua totalidade, e pontualmente, por procedimento prévio ao despacho aduaneiro, uma vez que o depósito judicial foi realizado em 23.02.2005 e o desembaraço aduaneiro ocorreu em 25.02.2005, consoante, inclusive, verifica se atestado no próprio corpo do Auto de Infração, não há como prosperar a acusação fiscal acerca da incidência desse encargo legal. Alerta que a Impugnante não se encontra em mora, já que a obrigação tributária principal foi lançada pela Autoridade Fiscal em valor de R$ 1.299.336,98, e o depósito equivalente à exigência fiscal foi assegurada judicialmente no exato valor, como consta, novamente, no próprio corpo do Auto de Infração. De outro modo, assevera, os valores depositados em juízo serão convertidos em renda da União, acaso a ação judicial venha a ser julgada improcedente ao final, o que também impenderá para a extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, VI, do CTN. Sendo, portanto, essas as razões que levam a Impugnante a requerer, também, o afastamento da imposição da mora, em respeito aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade presentes nos atos da administração. Em 30 de outubro de 2014, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, para manter o crédito tributário decorrente da exigência do IPI, vinculado à importação e para cancelar a exigência relativa aos juros de mora. Intimada da decisão em 23.01.2015 (fls.264), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 11.02.2015 (fls. 267277), alegando, em síntese, os seguintes tópicos: (i) inexistência de concomitância; (ii) hipótese de não incidência tributária na operação realizada pela Recorrente; (iii) não enquadramento da Recorrente como contribuinte do IPI; e (iv) afronta ao princípio da legalidade material (ou tipicidade fechada). É o relatório. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10611.002223/200751 Acórdão n.º 3302005.698 S3C3T2 Fl. 285 6 Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 23.01.2015 (fls.264) e protocolou Recurso Voluntário em 11.02.2015 (fls. 267277) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade, deles tomo conhecimento. II Mérito II.1 Renúncia à esfera administrativa Em suas razões recursais a Recorrente alega que: (i) impetrou Mandado de Segurança justamente para se proteger de uma autuação milionária, mas mesmo assim foi autuada e teve por obrigação se defender, como assim foi feito. Não deu causa à concomitância; e (ii) pelo princípio do contraditório e da ampla defesa, a Recorrente clama por posicionamento deste Conselho, uma vez que órgão a quo se limitou nas questões prejudiciais de mérito não adentrando a questão como um todo, não disse se incide ou não IPI sobre a operação, restando uma dúvida no amado da Recorrente que foi autuada acreditando que esta agindo dentro da legalidade em realizar a operação de arrendamento mercantil, sem a incidência do IPI. Pois bem. Inicialmente, insta tecer que aplicada a concomitância em razão da propositura de ação judicial pelo contribuinte, fica afastada a obrigação do julgadores administrativos de se pronunciarem sobre as questões de mérito alegada pela parte, é o efeito produzido pela renúncia à esfera administrativa. Assim, não há nenhuma nulidade ou vício na decisão combatida por ter deixado de apreciar os argumentos explicitados pela Recorrente sobre a incidência ou não do IPI na operação sob análise, considerando que referida matéria foi levada ao judiciário. Não bastasse isso, entendo que o depósito no montante integral não se presta a obstar a formalização do lançamento, pois não há ou havia, na época do fato gerado, quaisquer óbices para que fosse formalizado, ao contrário, era poder dever da autoridade administrativa salvaguardar o crédito tributário, efetuando o lançamento para prevenção da decadência. Neste sentido: LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. 1. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10611.002223/200751 Acórdão n.º 3302005.698 S3C3T2 Fl. 286 7 2. A administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc, deve proceder ao lançamento, para evitar o transcurso do prazo decadencial. 3. Precedentes do CARF e do STJ. [...] (Acórdão 2402005.437, Recurso Voluntário, Rel. João Victor Ribeiro Aldinucci, data da sessão 16/08/2016) Como é de conhecimento, a decadência não se interrompe, nem se suspende, de tal sorte que, na pendência da suspensão da exigibilidade do crédito, o Fisco deve realizar o lançamento preventivo. A existência de tal ato ou procedimento está prevista, inclusive, no art. 63 da Lei 9.430/1996, cuja redação é a seguinte: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Desta forma, a administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc, deve proceder ao lançamento para evitar o transcurso do prazo decadencial. Já em relação a concomitância, entendo que a decisão combatida não merece reparos. Isto porque, o mérito da autuação, em relação a incidência do IPI nas operação sob análise, foi levada pelo contribuinte à apreciação pelo Poder Judiciário, conforme se verifica no pedido do Mandado de Segurança impetrado pela Recorrente: V O PEDIDO V.1. Impende, pois, seja concedida a segurança, LIMINARMENTE, inaudita altera pars, nos termos do inciso II, do artigo 7°, da Lei n° 1.533/51 e do inciso IV, do artigo 151, do Código Tributário Nacional, assegurando à IMPETRANTE, o direito de realizar o desembaraço aduaneiro da aeronave Cessna modelo 560, série no 5605517, Pratt & Whitney PW545B, sérien° lado esquerdo PCEDD0039, série n° lado direito PCEDD0032 importada, sem o recolhimento do IPI, que lhe será exigido na ocasião, reconhecendo a inexistência de relação jurídicotributária entre a União e a IMPETRANTE concernente na tributação do IPI sobre o ingresso da predita aeronave no território nacional objeto de contrato de arrendamento mercantil sem opção de compra, sustando todo e qualquer ato da Autoridade IMPETRADA contendo exigências e autuações, até decisão final do mandamus. (...) V.3. Pede, mais, a final, em obediência aos princípios insertos no ordenamento jurídico pátrio, CONCEDIDA A SEGURANÇA, julgando procedente in totum o pedido da IMPETRANTE, confirmandose a liminar pedida e declarando a ilegalidade e inconstitucionalidade da atitude da atitude (sic) adotada pela administração tributária, por ato da Autoridade Coatora. (...) Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10611.002223/200751 Acórdão n.º 3302005.698 S3C3T2 Fl. 287 8 A decisão proferida pelo judiciário confirma que a discussão sobre a incidência do IPI na operação sob análise foi objeto do Mandado de Segurança: Processo n° 2004.0526612 DECISÃO Tratase de MANDADO DE SEGURANÇA impetrado por ALPHAVILLE URBANISMO S/A contra ato. possivelmente ilegal, do INSPETOR DA ALFÂNDEGA RECEITA FEDERAL DO AEROPORTO INTERNACIONAL TANCREDO DE ALMEIDA NEVES, EM CONFINS/MG, objetivando, em sede de liminar, realizar o desembaraço aduaneiro da aeronave Cessna modelo 560, n" de série 5605517, sem o recolhimento prévio de IPI. (...) É o breve relatório. (...) Diante de todo o exposto, com fundamento no art. 7º, II, da Lei 1.533/51, concedo, em parte, a liminar pleiteada, para determinar à autoridade coatora que se abstenha de exigir o pagamento do IPI no momento do desembaraço aduaneiro da aeronave CESSNA modelo 560, série n. 5605517, Pratt & Whitney PW545B, importada pela impetrante. Entretanto, como já dito acima e diante do poder geral de cautela conferido ao Juiz, condiciono a concessão da liminar, ao recolhimento judicial do valor da exação, ora questionada (IPI), já que essa quantia poderá ser levantada sem a necessidade de uma demorada ação de repetição de indébito, caso a impetrante obtenha sucesso ao final do presente processo. O valor do IPI deverá ser calculado pela autoridade aduaneira e o depósito feito em conta judicial à disposição deste juízo, obrigandose a impetrante a apresentar seu comprovante no ato de liberação da aeronave. (...) Portanto, houve a renúncia de sua discussão no âmbito administrativo, conforme disposto no art. 1º, §2º, do Decretolei nº 1.737/1979 e no art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/1980. Em face dessa opção, o tratamento a ser dispensado ao presente processo no âmbito administrativo quanto ao mérito da questão é o previsto no Parecer Normativo (PN) Cosit n.º 07, de 22/08/2014, o qual conclui que, in verbis: Conclusão 21. Por todo o exposto, concluise que: a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10611.002223/200751 Acórdão n.º 3302005.698 S3C3T2 Fl. 288 9 procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; b) por conseguinte, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que concerne à matéria distinta; c) a renúncia às instâncias administrativas abrange os processos de constituição de crédito tributário, de reconhecimento de direito creditório do contribuinte (restituição, ressarcimento e compensação), de aplicação de pena de perdimento e qualquer outro processo que envolva a aplicação da legislação tributária ou aduaneira; d) a decisão judicial transitada em julgado, seja esta anterior ou posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável; e) a renúncia às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal aos seus procedimentos, a despeito do ingresso do sujeito passivo em juízo; proferirá, assim, decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, e deixará de apreciar suas razões e de conhecer de eventual petição por ele apresentada, encaminhando o processo para a inscrição em DAU do débito, quando existente, salvo a ocorrência de hipótese que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, nos termos dos incisos II, IV e V do art. 151 do CTN; f) o mesmo raciocínio se aplica, no que couber, aos processos administrativos em que não se discuta a exigibilidade do crédito tributário lançado de ofício, mas envolvam quaisquer outras matérias de interesse do sujeito passivo, que ele opte por submeter ao exame do Poder Judiciário (nestes casos, de igual modo, o curso do processo administrativo não será suspenso, ressalvada decisão judicial incidental determinando sua suspensão); g) a competência para declarar a concomitância de instâncias e seus efeitos é da autoridade competente para decidir sobre a matéria na fase processual em que se encontra o processo administrativo, qualquer que seja o rito a que esteja submetido; h) se, no ato da impugnação do lançamento, da manifestação de inconformidade ou da interposição de qualquer espécie de recurso, o interessado não informar que a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, em desobediência ao disposto no inciso V do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, e ficar constatada a concomitância total ou parcial com processo judicial, deverá o Delegado ou o InspetorChefe da RFB negar o seguimento da impugnação ou da manifestação quanto ao objeto coincidente; i)é irrelevante, na espécie, que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é definitiva, insuscetível de retratação; j) a definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação; Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10611.002223/200751 Acórdão n.º 3302005.698 S3C3T2 Fl. 289 10 k) o disposto neste Parecer aplicase de igual modo a qualquer modalidade de processo administrativo no âmbito da RFB, ainda que sujeito a rito processual diverso do Decreto n° 70.235, l) a configuração da concomitância entre as esferas administrativa e judicial não impede a aplicação do disposto no art. 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, c/c a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 1. de 12 de fevereiro de 2014; m) ficam revogados o Parecer MF/SRF/COSIT/GAB n° 27, de 13 de fevereiro de 1996 e o ADN Cosit n° 3. de 14 de fevereiro de 1996.(grifei) (destaquei) Este é, inclusive, o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF n° 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Verificase que o disposto na alínea “a” do referido Parecer Normativo estabelece a renúncia ou desistência às instâncias administrativas, quando da propositura de ação judicial pelo contribuinte com o mesmo objeto da autuação. No presente caso, em razão de parte dos argumentos ofertados na peça de defesa, temse caracterizada a situação de que trata a alínea “a” da conclusão do Parecer Normativo Cosit n.º 07, de 22/8/2014. Deste modo, correta a decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação apresentada pela Recorrente. III Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 289DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.724693/2010-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A OUTRAS ENTIDADES. VERBAS REMUNERATÓRIAS. ISENÇÃO
Os mesmos critérios de isenção dispostos na Lei nº 8.212/91, relativos às verbas remuneratórias sobre as quais incide contribuição previdenciária, aplicam-se às contribuições devidas a outras entidades e fundos.
ASSISTÊNCIA MÉDICA. NECESSIDADE DE EXTENSÃO À TOTALIDADE DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
O pagamento de assistência médica, em desacordo com a norma legal, vigente à época dos fatos geradores, integra a base de cálculo do salário-de-contribuição para fins de contribuição previdenciária, sendo expressamente exigido que a empresa disponibilize a participação no plano à totalidade dos seus segurados empregados e dirigentes para que deixe de incidir contribuição previdenciária sobre valores pagos a esse título.
Numero da decisão: 2202-004.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
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VERBAS REMUNERATÓRIAS. ISENÇÃO Os mesmos critérios de isenção dispostos na Lei nº 8.212/91, relativos às verbas remuneratórias sobre as quais incide contribuição previdenciária, aplicamse às contribuições devidas a outras entidades e fundos. ASSISTÊNCIA MÉDICA. NECESSIDADE DE EXTENSÃO À TOTALIDADE DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento de assistência médica, em desacordo com a norma legal, vigente à época dos fatos geradores, integra a base de cálculo do saláriode contribuição para fins de contribuição previdenciária, sendo expressamente exigido que a empresa disponibilize a participação no plano à totalidade dos seus segurados empregados e dirigentes para que deixe de incidir contribuição previdenciária sobre valores pagos a esse título. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 46 93 /2 01 0- 36 Fl. 406DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 1536.405, proferido pela 7a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), que julgou procedente o lançamento, mantendo a cobrança do crédito tributário. Pela clareza, reproduzo o relatório do acórdão recorrido, na parte relativa à autuação: O Auto de Infração DEBCAD n° 37.273.7145 referese às contribuições sociais, destinadas a outras entidades (terceiros), incidentes sobre os pagamentos efetuados aos empregados da empresa, a título de assistência médica. O sujeito passivo gira sob a denominação social de "TERMACO TERMINAIS MARÍTIMOS DE CONTAINERS E SERVIÇOS ACESSÓRIOS LTDA", com sede no município de Fortaleza/CE, tem como objetivo social principal o transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e tem como atividade secundária a operação portuária de terminais de carga e o depósito de mercadorias para terceiros. A Auditoria Fiscal foi autorizada pelo Mandado de Procedimento Fiscal 03.1.01.00200901445 e foi lavrado o Termo de Início do Procedimento Fiscal TIPF, em 29 de janeiro de 2010, com ciência do contribuinte em 04 de fevereiro de 2010. No referido termo foram solicitados livros contábeis (livro diário e razão), balancetes contábeis, folhas de pagamento de todos os segurados da empresa, contratos e notas fiscais de serviços prestados por empresas. A empresa forneceu a fiscalização folhas de pagamento, livro diano e livro razão, em meio papel e digital, balancetes contábeis, contrato com a empresa HAPVIDA ASSISTÊNCIA MÉDICA para prestação de serviços médicos com as respectivas notas fiscais e ainda notas fiscais de serviços de assistência médica prestados por outras empresas. Após a análise do contrato apresentado e das notas fiscais de serviços prestados de assistência médica, verificouse que o contribuinte disponibilizou, no período fiscalizado, benefícios de assistência médica para a matriz, filiais em Fortaleza e para Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10380.724693/201036 Acórdão n.º 2202004.589 S2C2T2 Fl. 407 3 filial 11.552.312/001015 em SalvadorBA. Relata a Fiscalização que não foi disponibilizado para os demais estabelecimentos tal benefício e para que este benefício não seja considerado base de cálculo para contribuições sociais, destinadas a outras entidades, fazse necessário, segundo a legislação previdenciária, que seja estendido a todos os segurados e dirigentes que prestarem serviços à empresa, conforme estabelece o art. 28 § 9o, alínea "q" da Lei 8.212/91. Foi solicitado ao contribuinte, através do Termo de Intimação Fiscal 002, datado de 08 de setembro de 2010, com ciência do contribuinte em 15 de setembro de 2010, a relação de empregados e/ou diretores beneficiários de serviços de assistência médica e/ou odontológica oferecidos pela empresa. O contribuinte apresentou uma relação (documento anexado aos autos) onde constam apenas empregados da matriz, filiais em Fortaleza e filial 11.552.312/001015 em SalvadorBA. Os demais estabelecimentos não estão atingidos pelo benefício da assistência médica. Como o contribuinte não estendeu o benefício da assistência médica a todos os empregados e diretores da empresa, a auditoria fiscal considerou todos os valores pagos a título de assistência médica como salário de contribuição para o cálculo das contribuições sociais, destinadas a outras entidades, tomando como base os valores constantes da contabilidade na conta contábil 311010021 ASSISTÊNCIA MÉDICA e as notas fiscais emitidas pelos prestadores de serviços de assistência médica. Abaixo estão relacionados os levantamentos que originaram o crédito tributário com a descrição da respectiva origem: "AM1 Assistência médica sem GFIP (até a competência 11/2008)", neste levantamento estão lançadas as contribuições sociais destinadas a outras entidades, incidentes sobre remunerações pagas aos empregados da empresa, a título de assistência médica, com competências até 11/2008. "AM2 Assistência médica sem GFIP (a partir da competência 12/2008)", neste levantamento estão lançadas as contribuições sociais destinadas a outras entidades, incidentes sobre remunerações pagas aos empregados da empresa, a título de assistência médica, com competências a partir de 12/2008. Da Multa Aplicada A Fiscalização constatou que nas competências a partir de 12/2008, foi atribuída multa de ofício de 75%, prevista no Art. 44, I, da Lei 9430/96, que passou a ter aplicabilidade em relação às contribuições previdenciárias e de outras entidades, a partir da Lei n° 11.941 de 2009. Nas competências de 01/2007 a 11/2008 foi aplicada a multa de mora de 24%, prevista na Lei 8.212/91, conforme descrito nos Fundamentos Legais do Débito FLD, anexo a este auto de infração. Fl. 408DF CARF MF 4 Da Impugnação A ciência da autuação se deu em 17/11/2010. A impugnação foi interposta em 16/12/2010, alegando, em síntese: Nulidade da autuação cerceamento à ampla defesa e ao contraditório; Improcedência da autuação em razão do Principio da Autonomia dos Estabelecimentos; Impossibilidade da incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de assistência médica em razão do caráter nãoremuneratório das mesmas. A impugnação que foi julgada improcedente pela DRJ/SDR, cuja decisão teve a seguinte ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A descrição pormenorizada dos fatos geradores no Auto de Infração afasta a ocorrência do cerceamento do direito de defesa. PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. PREVISÃO LEGAL E REGULAMENTAR. IMPOSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO. O Processo Administrativo Fiscal possui prazo para impugnação previsto na legislação, não podendo ser alterado pelos servidores da administração tributária. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ASSISTÊNCIA MÉDICA. COBERTURA NÃO ATENDE À TOTALIDADE DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES DA EMPRESA. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. É devida a contribuição previdenciária sobre as verbas referentes a assistência médicohospitalar quando não atendidas as condições previstas nas exclusões do art. 28, § 9 °, alínea "q'\ da Lei 8.212/91. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte foi cientificada do Acórdão da DRJ/SDR em 08/10/2014. Inconformada com a decisão, apresentou Recurso Voluntário em 06/11/2014 (efls. 364/376), alegando, em apertada síntese, o seguinte: · Da não aplicação do art. 28 às contribuições sociais destinadas a terceiros Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10380.724693/201036 Acórdão n.º 2202004.589 S2C2T2 Fl. 408 5 · a impossibilidade de incidência de contribuição previdenciária sobre assistência médica. Por fim, pede a improcedência da autuação. É o relatório. Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Do mérito Da não aplicação do art. 28 às contribuições sociais destinadas a terceiros Alega a recorrente que o § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 trata da hipótese de exclusão do salário de contribuição para fins de base de cálculo da contribuição previdenciária e não da contribuição destinada a terceiros, por isso, a esta não se aplicaria. Analisando os argumentos esboçados em impugnação (fls. 336/365), verifica se que em nenhum momento a recorrente se insurgiu a essa questão, que agora traz em recurso voluntário, o que representa verdadeira inovação de tema não alegado no recurso inaugural, acarretando a sua preclusão consumativa, nos termos dos arts. 16, III e 17 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997)." Entretanto, para fins de conhecimento, informo à recorrente que a contribuição de terceiros, segue a mesma metodologia da apuração da contribuição previdenciária nos termos dos dispositivos abaixo transcritos: Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007 Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, Fl. 410DF CARF MF 6 cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (Vide Decreto nº 6.103, de 2007). [...] § 3o As obrigações previstas na Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, relativas às contribuições sociais de que trata o caput deste artigo serão cumpridas perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil. Art. 3º As atribuições de que trata o art. 2º desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (Vide Decreto nº 6.103, de 2007). [...] § 2º O disposto no caput deste artigo abrangerá exclusivamente contribuições cuja base de cálculo seja a mesma das que incidem sobre a remuneração paga, devida ou creditada a segurados do Regime Geral de Previdência Social ou instituídas sobre outras bases a título de substituição. § 3o As contribuições de que trata o caput deste artigo sujeitamse aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios daquelas referidas no art. 2o desta Lei, inclusive no que diz respeito à cobrança judicial. § 6o Equiparamse a contribuições de terceiros, para fins desta Lei, as destinadas ao Fundo Aeroviário FA, à Diretoria de Portos e Costas do Comando da Marinha DPC e ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA e a do salárioeducação. (Grifei). Portanto, os mesmos critérios de isenção dispostos na Lei nº 8.212/91, relativos às verbas remuneratórias sobre as quais incide contribuição previdenciária, aplicamse às contribuições devidas a outras entidades e fundos. Contribuição previdenciária sobre assistência médica. Incidência nos termos de dispositivo legal vigente à época dos fatos geradores A recorrente alega não existir incidência de contribuição previdenciária sobre assistência médica, porque esta não tem natureza salarial. Não prospera o argumento da defesa. Em sentido contrário à essa alegação, melhor análise não poderia ser feita que a apresentada no voto do Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, proferido no Acórdão nº 2401004.286, de 13/04/2016, que adoto como razões de decidir: Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei nº Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10380.724693/201036 Acórdão n.º 2202004.589 S2C2T2 Fl. 409 7 5.452/43 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. Hoje, não mais. [...] Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo "remuneração" esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195,1, alínea "a", estabelece: Constituição Federal de 1988 Art 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, a "folha de salários", propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, por todos os lançamentos efetuados em favor do trabalhador em contraprestação direta pelo trabalho efetivo prestado à empresa, acrescido dos "demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício", parcela esta que abraça todas as demais rubricas devidas ao trabalhador em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontram se abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Nessa perspectiva, todo e qualquer lançamento a conta de despesa da empresa representativa de rubrica paga, devida ou creditada a segurado obrigatório do RGPS, que tiver por motivação e origem o trabalho realizado pela pessoa física em favor do Contribuinte, ostentará natureza jurídica remuneratória, e como tal, base de cálculo das contribuições previdenciarias. Fl. 412DF CARF MF 8 Na prática, inexiste dificuldade em tal discernimento. Basta hipoteticamente suprimir o trabalho realizado pela pessoa física na consecução do objeto social da sociedade. A importância que deixar de ser vertida a essa pessoa corresponderá, assim, à parcela do trabalho que o obreiro dedicou à empresa. Ao revés, a fração que ainda for devida à pessoa, independentemente do eventual labor físico ou intelectual por ela realizado, representará mera liberalidade do empregador. Como visto, o próprio Legislador Constituinte honrou deixar consignado no Texto Constitucional a real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque: as contribuições previdenciárias incidem não somente a "folha de salários", como também, sobre os "demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer titulo, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício". Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência do conceito de salário (Instituto de Direito do Trabalho) para abraçar os ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) [...] §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n° 20, de 1998) Assim, a contar da EC nº 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no beneficio previdenciário do empregado. [...] A norma constitucional acima citada não exclui da tributação, de maneira alguma, as rubricas recebidas em espécie de forma eventual. A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Ocorre, contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que o conceito trabalhista mencionado, compreendendo não somente o Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10380.724693/201036 Acórdão n.º 2202004.589 S2C2T2 Fl. 410 9 SALÁRIO (instituto de direito do trabalho), mas, também, os INCENTIVOS SALARIAIS, assim como os BENEFÍCIOS. Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram o conceito de Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do art. 28 da Lei n° 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º. Leinº8.212,de24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa: (Redação dada pela Lei nº9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) [...] Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciarias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo "remunerações" encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Em verdade, até mesmo a remuneração referente ao tempo ocioso em que o empregado permanecer à disposição do empregador não escapa da amplitude do conceito de salário de contribuição. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o "total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título ". Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: Fl. 414DF CARF MF 10 1 Remuneração Básica Também denominada "Verbas de natureza Salarial". Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros, 3 Benefícios Quase sempre denominados como "remuneração indireta". Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou "in natura", que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciarias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9o do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: [...] Portanto, no caso dos autos, considero que a recorrente deveria ter obedecido o disposto no art. 28, § 9º, alínea "q", da Lei nº 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores, estendendo a assistência médica a todos os seus segurados, de todos os estabelecimentos da empresa, a fim de que pudesse gozar da isenção disposta na Lei. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias. Fl. 415DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13064.720062/2014-42
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA.
Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se referem aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 9202-006.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se referem aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal.
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REGIME DE COMPETÊNCIA. Deve ser aplicado o regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, no que se referem aos rendimentos recebidos acumuladamente, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, conforme decidido em sede de recurso repetitivo pelo Supremo Tribunal Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 06 4. 72 00 62 /2 01 4- 42 Fl. 121DF CARF MF 2 Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2402.004.893 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 26 de janeiro de 2016, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 2: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JULGAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL. Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406 realizado sob o rito do art. 543B do CPC, não prosperando, assim, lançamento constituído em desacordo com tal entendimento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte, foi efetuado lançamento de ofício, tendo em vista a omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista. Dentro do prazo regulamentar, a Contribuinte apresentou impugnação, fls. 1 e seguintes. Com a análise da impugnação apresentada, a Delegacia da Receita Federal de do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro (RJ) julgou procedente o lançamento fiscal, fls. 69 e seguintes. Em decorrência da análise do Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, por meio do Acórdão n.º 2402.004.893, foi dado provimento ao recurso, fls. 2 e seguintes. Após ciência da referida decisão, foi interposto Recurso Especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional, por entender a recorrente que deve ser mantido do lançamento relativo à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, determinandose, tão somente, o recálculo do imposto de renda com base nas tabelas progressivas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13064.720062/201442 Acórdão n.º 9202006.872 CSRFT2 Fl. 3 3 Foi realizado exame de admissibilidade, fls. 108 a 112, sendo dado seguimento ao citado Recurso para a rediscussão da questão suscitada. No que se refere ao mérito, a Recorrente aduz, em síntese, que: a) devese utilizar nos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido recebidos; b) não se justifica a derrubada integral do auto de infração, mas, que seja recalculado o valor do imposto, tomandose como base o decidido em sede de recurso repetitivo e recentemente pelo Excelso Pretório; c) deve ser reformado o v. acórdão recorrido, para que seja o cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. Cientificada, a contribuinte não se manifestou. É o relatório Voto Conselheiro Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade, consoante o Despacho de fls. 108 a 112. Consoante narrado, a controvérsia suscitada tem como objeto a discussão acerca da manutenção do lançamento referente à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, em decorrência do regime contábil aplicado ao lançamento, que teve reconhecida sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. Muito se discute, neste Colegiado, sobre os efeitos da decisão proferida no mencionado RE, que tratou da aplicação do regime de cobrança do imposto de renda incidente "sobre as verbas recebidas, de forma acumulada, em ação judicial", se regime de caixa, previsto no art. 12 da Lei 7.713/88 ou de competência (posteriormente positivado pelo art. 12 A do mesmo diploma legal). Com o reconhecimento da inconstitucionalidade parcial sem redução de texto do art. 12 da Lei 7.713/88, o que determinou a orientação para aplicação do regime de competência, para alguns Conselheiros, os lançamentos relativos aos períodos anteriores à MP 497/2010, que alterou a redação do art. 12A da Lei 7.713/88, devem ser desconstituídos em Fl. 123DF CARF MF 4 sua integralidade, pois eivado de vício material, em razão da utilização de critério jurídico equivocado (regime de caixa, quando deveria ser regime de competência). Por outro lado, há entendimento diverso no sentido da manutenção parcial do lançamento com a adequação do lançamento ao regime de competência, pois não há que se falar em vício, mas sim em procedência parcial do lançamento. Compulsandose o RE 614.406, temse que a inconstitucionalidade reconhecida foi parcial e sem redução de texto, ou seja, em uma interpretação conforme a constituição, como se extrai do trecho abaixo da ementa do Acórdão do TRF4: 3. Afastado o regime de caixa, no caso concreto, situação excepcional a justificar a adoção da técnica de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto ou interpretação conforme a constituição, diante da presunção de legitimidade e constitucionalidade dos atos emanados do Poder Legislativo e porque casos símeis a este não possuem espectro de abrangência universal. (...). Segundo ensina Pedro Lenza, o STF pode determinar que a mácula da inconstitucionalidade reside em determinada aplicação da lei, ou em dado sentido interpretativo. Neste último caso, o STF indica qual seria a interpretação conforme, pela qual não se configura a inconstitucionalidade. Cabe destacar que não foi declarada a inconstitucionalidade do artigo de lei, razão pela qual não se poderia considerar a nulidade do dispositivo, mas sim a aplicação de uma interpretação conforme, o que afasta a existência de tal nulidade. Corroborando o exposto, cabe mencionar o art. 97 da CF que estabelece a cláusula de reserva de plenário, de modo que "somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público". Destacase a existência de mitigação da mencionada cláusula, dentre outras, quando o Tribunal utilizar a técnica de interpretação conforme a Constituição, pois não haverá declaração de inconstitucionalidade propriamente dita. Portanto, restou decidida, na ocasião do julgamento do RE em comento, a aplicação do regime de competência, quando da cobrança do imposto de renda, diante exercício do dever fundamental de pagar o tributo, em observância aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, sendo mantida a exação, naquele caso, em razão da interpretação atribuída. Ademais, não se vislumbra a existência de prejuízo ao contribuinte, tendo em vista que o recálculo a ser aplicado se mostra mais benéfico que o originário, motivo deve ser reformada a decisão recorrida. Assim, entendo inexistente vício insanável apto a macular o lançamento, sendo imperiosa apenas a aplicação do regime de competência, a fim de atender a interpretação conforme a constituição decorrente da análise do RE 614.406. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para no mérito DARLHE PROVIMENTO para afastar a nulidade declarada, determinando o retorno dos autos à turma a quo para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13064.720062/201442 Acórdão n.º 9202006.872 CSRFT2 Fl. 4 5 (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.723080/2012-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO - REGISTRO DE RESERVA DE CAPITAL
Por ter ilicitamente deslocado bases tributáveis para empresa optante pelo lucro presumido, ainda que esta não esteja obrigada ao registro de reserva de capital, a ausência deste registro que deveria ter sido feito na empresa autuada, descumpre requisito para usufruir do benefício de dedução de subvenção para investimento.
PAT. DIREITO À DEDUÇÃO.
A pessoa jurídica que tiver Programas de Alimentação do Trabalhador aprovados pelo Ministério do Trabalho, respeitado o limite estabelecido na legislação, pode deduzir do imposto de renda o valor equivalente a 15% do total das despesas de custeio efetuadas no período de apuração. Trata-se de previsão legal.
Não se pode atribuir efeitos ao reenquadramento para exigir da Embargante tributo, mas deixar de atribuir efeitos para considerar as deduções a que faz jus por expressa previsão legal.
Deixar de assegurar ao Embargante o direito de usufruir do referido incentivo, que em nada tem relação com o tributo lançado, seria aplicar ao contribuinte dupla punição, a primeira seria a penalidade prevista em lei, a segunda, a glosa de um incentivo a que faz jus, sem previsão legal, acrescente-se.
JUROS SOBRE MULTA
Sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n° 9.430/96.
Numero da decisão: 1401-002.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente os embargos para, na parte conhecida, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso apenas em relação ao Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Lívia De Carli Germano Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO - REGISTRO DE RESERVA DE CAPITAL Por ter ilicitamente deslocado bases tributáveis para empresa optante pelo lucro presumido, ainda que esta não esteja obrigada ao registro de reserva de capital, a ausência deste registro que deveria ter sido feito na empresa autuada, descumpre requisito para usufruir do benefício de dedução de subvenção para investimento. PAT. DIREITO À DEDUÇÃO. A pessoa jurídica que tiver Programas de Alimentação do Trabalhador aprovados pelo Ministério do Trabalho, respeitado o limite estabelecido na legislação, pode deduzir do imposto de renda o valor equivalente a 15% do total das despesas de custeio efetuadas no período de apuração. Trata-se de previsão legal. Não se pode atribuir efeitos ao reenquadramento para exigir da Embargante tributo, mas deixar de atribuir efeitos para considerar as deduções a que faz jus por expressa previsão legal. Deixar de assegurar ao Embargante o direito de usufruir do referido incentivo, que em nada tem relação com o tributo lançado, seria aplicar ao contribuinte dupla punição, a primeira seria a penalidade prevista em lei, a segunda, a glosa de um incentivo a que faz jus, sem previsão legal, acrescente-se. JUROS SOBRE MULTA Sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n° 9.430/96.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente os embargos para, na parte conhecida, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso apenas em relação ao Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Lívia De Carli Germano Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1899; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 6.996 1 6.995 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.723080/201249 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1401002.285 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de fevereiro de 2018 Matéria IRPJ Embargante PARATI SA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO REGISTRO DE RESERVA DE CAPITAL Por ter ilicitamente deslocado bases tributáveis para empresa optante pelo lucro presumido, ainda que esta não esteja obrigada ao registro de reserva de capital, a ausência deste registro que deveria ter sido feito na empresa autuada, descumpre requisito para usufruir do benefício de dedução de subvenção para investimento. PAT. DIREITO À DEDUÇÃO. A pessoa jurídica que tiver Programas de Alimentação do Trabalhador aprovados pelo Ministério do Trabalho, respeitado o limite estabelecido na legislação, pode deduzir do imposto de renda o valor equivalente a 15% do total das despesas de custeio efetuadas no período de apuração. Tratase de previsão legal. Não se pode atribuir efeitos ao reenquadramento para exigir da Embargante tributo, mas deixar de atribuir efeitos para considerar as deduções a que faz jus por expressa previsão legal. Deixar de assegurar ao Embargante o direito de usufruir do referido incentivo, que em nada tem relação com o tributo lançado, seria aplicar ao contribuinte dupla punição, a primeira seria a penalidade prevista em lei, a segunda, a glosa de um incentivo a que faz jus, sem previsão legal, acrescentese. JUROS SOBRE MULTA Sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n° 9.430/96. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 30 80 /2 01 2- 49 Fl. 6996DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente os embargos para, na parte conhecida, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso apenas em relação ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Lívia De Carli Germano Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Fl. 6997DF CARF MF Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401002.285 S1C4T1 Fl. 6.997 3 Relatório Tratase de embargos declaratórios opostos pela contribuinte em epígrafe, em conjunto com os seguintes responsáveis tributários: (i) Angelo Fantin; (ii) Mauro Fantin; e (iii) Ritmo Investimentos S/A. Afirmam os embargantes que a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, ao prolatar o acórdão 1401001.675, incorreu em omissões, conforme trechos de seus embargos a seguir reproduzidos: II.1 DA AUSÊNCIA DE ANÁLISE DOS ARGUMENTOS DE MÉRITO E DOCUMENTOS QUE DEMONSTRAM QUE A AUTUAÇÃO NÃO MERECE PROSPERAR PREJUDICIAL DE MÉRITO No voto vencedor do acórdão, proferido em apenas duas laudas, não se analisou os elementos abordados pela embargante em suas razões de defesa. Pela leitura da referida decisão é possível notar que houve análise superficial dos fatos e provas apresentadas, essenciais para a compreensão e deslinde da causa. Para que não restem dúvidas quanto a singeleza da decisão, colacionase o trecho que abordou a questão da suposta simulação: (fls. 6.762 dos autos). Em primeiro lugar, uma empresa não precisa ser efêmera para ser empregada como empresa veículo ou para viabilizar operações engendradas com o propósito de economizar ilicitamente tributos. A curta vida de uma empresa é um indício amiúde considerado para se caracterizar os planejamentos ilícitos. Todavia, a caracterização desse fato, por si só, apto par comprovar evasões fiscais; de igual sorte, a ausência desse fato também não é um dado capaz de qualificar como lícita toda e qualquer manipulação que vise economizar tributos. O que deve ser examinado é o conjunto de elementos; aliás, conjunto este que foi considerado suficiente pelo próprio relator para a afirmação fiscal de que houve manejo de preços entre partes relacionadas para ludibriar a tributação de vários tributos. Denotase do trecho acima que não houve qualquer menção aos fundamentos e provas apresentados pelos embargantes. A decisão cingese em afirmar que se deve examinar o conjunto de elementos que, por sua vez, foi devidamente apreciado pelo relator para afirmar que houve manejo de preço entre as partes. Ora, mesmo afirmando que se faz necessário examinar o conjunto probatório, o fato é que não houve tal análise no voto vencedor. Não há como se acatar a tese de que bastou para os julgadores as considerações e análises feitas pelo relator da causa para considerar que no caso houve simulação (vide destaque do trecho do voto acima colacionado). Tal argumento além de frágil é contraditório posto que o voto do relator foi vencido no caso em exame. (...) II.2 DO ICMS E INCENTIVO FISCAL FUNDOPEM/RS Nas folhas 28, 29 e 30 do relatório de fiscalização são demonstrados os valores do ICMS destacados nas notas fiscais de saídas da Pádua para Parati e Terceiros, bem como, o valor do incentivo fiscal do FUNDOPEM/RS adicionados ao cálculo do imposto de renda e contribuição social sobre o lucro. Como bem explicado no recurso voluntário, não procede a metodologia adotada pela fiscalização pelo simples fato de que se está a tributar subvenção para investimento, procedimento absolutamente ilegal. (...) Extraise, assim, que o entendimento converge no sentido de que são consideradas subvenções para investimentos aquelas que, mesmo que em função de redução de impostos, sejam efetiva e especificamente aplicadas pelo beneficiário nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. (...) Fl. 6998DF CARF MF 4 Verificase, assim, que o entendimento converge no sentido de caracterizar a subvenção para investimento, como aquelas concedidas pelo Poder Público como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos (como é o caso do FUNDOPEM / RS). E como o auto de infração não questiona a afetiva aplicação dos recursos no desenvolvimento da empresa, indevido é o lançamento também nesse aspecto. Nesta linha, como bem explicado nas peças de defesa, na medida em que o ICMS foi contabilizado pelo valor líquido, o incentivo fiscal do FUNDOPEM foi considerado nos registros contábeis. (...) Sobre o tema acima narrado não houve manifestação no v. acórdão. Logo, devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão no acórdão de ponto sobre o qual a mesa julgadora deveria se pronunciar. II.3 ICMS FATURAMENTO PÁDUA X PARATI TERCEIROS Outro ponto não analisado no v. acórdão diz respeito ao argumento de que o fisco adicionou na base de cálculo do IRPJ/CSLL os valores referentes ao ICMS das vendas da PÁDUA para Parati e para terceiros, no montante de R$ 1.936.200,49 em 2006, R$ 1.760.190,64 em 2007 e R$ 1.403.208,41 em 2008. Tal inclusão, além de ser indevida, baseouse em valores equivocados, uma vez que o lançamento com base na diferença entre o total do ICMS apurado na Pádua e o valor do incentivo fiscal do Fundopem/RS é incorreto. Com o procedimento de apurar por diferença, o fisco desconsiderou indevidamente o ICMS sobre as vendas que a Pádua efetivamente fez para Terceiros não o considerando como despesa dedutível na apuração do IRPJ e CSLL. Sobre esse tema requerse análise desta Egrégia Mesa Julgadora. II.4 DAS VENDAS DA PÁDUA PARA TERCEIROS Os valores das vendas para terceiros considerados pela fiscalização, para fins de tributação do IRPJ/CSSL (informados no anexo “PARATI S/A – IRPJ/CSSL – DEMONSTRATIVO ANEXO AOS AUTOS DE INFRAÇÃO/RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO), foram R$ 645.606,06 em 2006, R$ 830.342,94 em 2007 e R$ 5.220.093,17 em 2008. Entretanto, o critério adotado pela fiscalização para encontrar o valor da receita das vendas para terceiros foi calcular a diferença entre a receita bruta de vendas informadas no DRE da Pádua e os ajustes efetuados na consolidação (exclusões das operações internas da Parati). As embargantes, por sua vez, quando da elaboração das razões de impugnação, apenas para demonstrar o equívoco da fiscalização ao apurar as operações com terceiros por diferença, utilizaram a base de cálculo do PIS/COFINS. Ressaltase que o correto é considerar o valor que consta nas notas fiscais de vendas da Pádua para terceiros (que foram entregues à fiscalização). Para corrigir o equívoco relatado, foi juntado demonstrativo das vendas efetuadas para terceiros, elaborado com base nas notas fiscais de venda, considerando o valor que deveria ter sido considerado pela fiscalização. (Anexo III das contrarrazões em face do relatório de diligência fiscal elaborado a pedido da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em SalvadorBA). Pelo apresentado, não resta dúvida quanto ao erro na metodologia aplicada pela fiscalização, vez que como demonstrado, o correto para se apurar os valores exatos é utilizar, como diretriz, as notas fiscais de vendas da Pádua para terceiros. Quanto ao erro em tela o v. acórdão foi silente o que demonstra a ocorrência de omissão no julgado ora questionado. II.5 DO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT O Fisco considerou as deduções para o PAT de R$ 9.014,77 em 2006, R$ 15.613,67 em 2007 e R$ 5.129,32 em 2008, o que representava 4% do IRPJ à alíquota de 15% antes dos ajustes efetuados indevidamente pelo fisco “DEMONSTRATIVO ANEXO AOS AUTOS DE INFRAÇÃO/RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO – PARATI – IRPJ/CSSL. No relatório de diligência fiscal a fiscalização discorda integralmente da dedução do benefício fiscal das despesas com o PAT da Pádua Ltda. na realização da reconstituição da base de cálculo do lucro real da Parati. (...) Apesar da fiscalização não concordar com a aplicação do benefício, apontou deduções para o PAT de R$ 9.014,77 em 2006, R$ 15.613,67 em 2007 e R$ 5.129,32 em 2008, o que representava 4% do IRPJ à alíquota de 15% antes dos ajustes efetuados indevidamente pelo fisco “DEMONSTRATIVO ANEXO AOS AUTOS DE INFRAÇÃO/RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO – PARATI – IRPJ/CSSL. Como é cediço, a pessoa jurídica que tiver Programas de Alimentação do Trabalhador aprovados pelo Ministério do Trabalho, respeitado o limite estabelecido na legislação, pode deduzir do Fl. 6999DF CARF MF Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401002.285 S1C4T1 Fl. 6.998 5 imposto de renda o valor equivalente a 15% do total das despesas de custeio efetuadas no período de apuração. A dedução a este título não pode exceder, isoladamente, a 4% do imposto de renda devido. Eventuais excessos podem ser transferidos para dedução nos dois anoscalendário subsequentes (Decreto nº 3.000, de 1999, art. 582). (...) Diante do exposto, não há dúvidas de que se deve considerar o incentivo fiscal no limite dos 4% (quatro por cento) sobre o imposto devido na alíquota de 15%. Para o cálculo dos 15% sobre os custos incorridos, além dos já considerados pela fiscalização, deve considerar os limites não utilizados nos dois anos anteriores e os custos incorridos pela Pádua nos períodos do auto de infração. (...) Por derradeiro, apenas com a existência de decisão judicial transitada em julgado que reconheça a ocorrência de crime é que se podem afastar benefícios fiscais concedidos. Quanto ao capítulo acima não houve manifestação no acórdão vencedor proferido. Desta feita, para que não haja II.6 DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGIR JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO No recurso voluntário questionouse a exigência dos juros sobre a multa de ofício. Entretanto tal argumento não foi apreciado. Por tal razão opõemse os presentes embargos de declaração. (...) III DA OMISSÃO QUANTO AO APONTAMENTO DO FUNDAMENTO E DOS DISPOSITIVOS LEGAIS QUE EMBASARAM O VOTO VENCEDOR – NECESSIDADE DE PREQUESTIONAMENTO DA MATÉRIA LEGAL Pela análise do Relatório de Fiscalização objeto do Auto de Infração, verificase que a autoridade fiscal imputou a Embargante a prática de fraude e “simulação fraudulenta” (art. 72 da Lei nº 4.502/64) ao visar auferir supostas vantagens fiscais na relação entre as empresas Parati S/A e Pádua Ltda. O Relator, no voto vencido, trouxe o apontamento de que o superfaturamento de preços praticados em operações realizadas entre pessoas ligadas possui tratamento próprio na legislação que versa sobre distribuição disfarçada de lucros (art. 464, VI, 466, parágrafo único e 467, IV do RIR/99). Prosseguindo no voto, o Relator aponta que a fiscalização não autuou a ora Embargante por tal motivo, mas por “simulação fraudulenta”, não tendo demonstrado a referida simulação fraudulenta e nem restado comprovada a distribuição disfarçada de lucros2. Como apontado acima, o sucinto voto vencedor (fl. 6.7616.763) manteve parcialmente o lançamento entendendo que “a distribuição disfarçada de lucro nada mais é do que uma presunção legal de um planejamento tributário ilícito. É uma forma, que não exclui outras, à disposição da autoridade fiscal para comprovar a ilicitude do negócio jurídico”. (...) O voto vencedor diverge do voto do relator entendendo ter havido um planejamento tributário ilícito por meio de uma distribuição disfarçada de lucros, mas se omite quanto ao fato de que (i) a autuação não ter versado sobre distribuição disfarçada de lucros (mas sobre fraude) e (ii) quais seriam os dispositivos legais que embasariam o entendimento exposto no voto vencido. Em relação ao primeiro ponto, a inovação da fundamentação e do embasamento legal do Auto de Infração é vedada à autoridade julgadora, já que tal deve gerar necessariamente a nulidade da autuação, fato este que deve ser apreciado. A alteração do critério jurídico adotado pela autoridade administrativa no exercício do lançamento é vedada, nos termos do art. 146 do CTN. Em relação à omissão do voto vencedor quanto ao embasamento legal, tal deve ser sanada, com a menção aos dispositivos legais que possibilitariam a desconsideração da personalidade jurídica ocorrida no presente caso. Neste ponto, a fim de que não seja obstaculizada a interposição de eventual recurso às instâncias superiores, fazse necessário que sejam mencionados expressamente quais foram os dispositivos violados pelo embargante. Tal pedido coaduna com o que dispõe o artigo 67, § 1º do Regimento do CARF: “não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente”. Logo, para que a embargante não seja prejudicada quando da interposição de eventual recurso especial, requer seja (i) analisada a alteração da fundamentação e embasamento legal pelo voto vencedor (alteração do critério jurídico adotado pela autoridade administrativa responsável pelo Fl. 7000DF CARF MF 6 lançamento art. 146 do CTN) e (ii) indicados expressamente os dispositivos legais que embasem as conclusões do voto vencedor, inclusive para fins de prequestionamento. (...) Por meio do despacho de fls. 6.9766.984, os embargos foram admitidos em relação aos itens II.2, II.3, II.4, II.5, II.6. Não foram admitidos, porém, quanto aos itens: II.1, III É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Em apertada síntese, o feito diz respeito à autuação do contribuinte por planejamento tributário abusivo. A acusação é a de deslocamento ilícito das suas bases tributárias submetidas ao lucro real para a pessoa ligada PÀDUA, que era tributada pelo lucro real. DO ICMS E INCENTIVO FISCAL FUNDOPEM/RS Em relação a esse item, a defesa assim aduz em seu recurso voluntário: Após, tece considerações acerca da natureza do incentivo como subvenção para investimento. Por fim, aduz que PADUA não registrou o valor como reserva de capital, porque tal exigência é apenas para o lucro real. A Procuradoria, por seu turno, teceu também considerações sobre o tema, dentre as quais, vale reproduzir o seguinte trecho: No caso, os requisitos não foram integralmente cumpridos, pois a Pádua contabilizava o ICMS devido pelo seu valor líquido, não registrando os benefícios obtidos como reserva de capital. De acordo com o relatório da diligência fiscal, os números mostram que a “subvenção” do triênio 20062008 não foi levada a conta de Reserva de Capital, não absorveu prejuízos (até porque a PÁDUA era BASTANTE lucrativa), nem foi integralizada ao capital social. E mais, conforme destacado pela fiscalização, ao contabilizar as despesas com Icms líquidas do incentivo, acabou por contribuir para a formação dos lucros contábeis (que em muito superam os respectivos lucros presumidos da PÁDUA) que foram quase que integralmente distribuídos aos sócios e internalizados na PARATI a título de adiantamentos para futuros aumento de capital. Fl. 7001DF CARF MF Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401002.285 S1C4T1 Fl. 6.999 7 Ora, se os valores não foram registados em reserva de capital, mas sim pelo seu valor líquido, é certo que não cumpriram a destinação imposta por lei para ter direito à isenção, ou seja, não houve aplicação nos ativos da empresa para expansão das atividades e aumento de produção. As despesas com ICMS foram registradas pelo valor líquido, o que provocou aumento no resultado da empresa, sendo distribuídos aos sócios. Logo, pelo descumprimento dos requisitos trazidos por lei, correta a inclusão dos valores na base de cálculo dos tributos. Pois bem. A defesa alega que as subvenções não foram registradas em conta de reserva de capital, porque a PADUA não estava obrigada a tanto. No entanto, a autuação foi justamente a de deslocamento de bases tributárias da contribuinte, tributada pelo lucro real, para PADUA. Ora, ao assim proceder, isto é, deslocar os valores para outra empresa, ela própria também deixou de cumprir o requisito de registrar em reserva de capital. É uma consequência lógica, portanto, a desconsideração do valor como benefício fiscal de subvenção de investimento, uma vez que foi deslocado ilicitamente e, assim, descumpriuse, no mínimo, requisito de registro como reserva de capital. Conheço, pois, os embargos nesse item para, no mérito, negar provimento. ICMS FATURAMENTO PÁDUA X PARATI TERCEIROS Quanto ao item II.3 dos embargos, transcrevemos o inteiro teor do seu recurso voluntário: Por outro lado, a PFN assim contrapõe: Conforme constou da DRJ, o questionamento da empresa acerca dos valores lançados foi objeto de análise pela autoridade fiscal, em diligência determinada pela autoridade de primeira instância. Ao final, a fiscalização reconheceu a necessidade de se realizar o seguinte ajuste: reduzir o valor adicionado a título de Icms em 2006 de R$ 1.936.200,49 para R$ 1.921.172,78 (R$ 15.027,71). Intimada, a empresa concordou com o equívoco, o que levou a exclusão do montante mencionado acima, mantendose o restante. No recurso, a empresa questiona novamente o cálculo efetuado pelo Fisco, mas sem identificar os erros e qual o valor que entende correto. A alegação desacompanhada de qualquer prova impede que seja revisto o montante adicionado ao lançamento, mormente após a minuciosa análise realizada durante a diligência fiscal. De fato, a DRJ, após analisar o resultado de diligência assim proferiu: Fl. 7002DF CARF MF 8 Assim, acato o resultado da diligência, para ajustar o demonstrativo PARATI S/A IRPJ/CSSL DEMONSTRATIVO ANEXO AOS AUTOS DE INFRAÇÃO/RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO, excluindo o valor de R$ 15.027,71 das despesas com ICMS no ano calendário de 2006. Notese, portanto, que o recurso não ataca diretamente a decisão de primeiro grau e, conseguintemente, não aponta especificamente a sua discórdia. Conheço, pois, os embargos nesse item para, no mérito, negar provimento com o fim de manter a decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos. DAS VENDAS DA PÁDUA PARA TERCEIROS Em relação a esse item, a defesa assim contestou em seu recurso voluntário: Fl. 7003DF CARF MF Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401002.285 S1C4T1 Fl. 7.000 9 Não há, porém, erro na metodologia empregada pela autoridade ao se calcar nas demonstrações elaboradas pela própria contribuinte, pois seus valores representam a consolidação das próprias notas fiscais. Conheço, pois, os embargos nesse item para, no mérito, negar provimento. DO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT Em relação a esse item, o recurso voluntário guarda idêntico teor das razões submetidas à autoridade julgadora de primeiro grau, seja em sede de impugnação, seja na manifestação quanto ao resultado de diligência. Por seu turno, a DRJ assim fundamentou sua decisão: 25 Incorreções contidas na apuração consolidada Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT Com referência ao PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador a impugnante afirma que o “fisco considerou as deduções para o PAT de R$ 9.014,77 em 2006, R$ 15.613,67 em 2007 e R$ 5.129,32 em 2008, o que representava 4% do IRPJ à alíquota de 15% antes dos ajustes efetuados indevidamente, conforme "DEMONSTRATIVO ANEXO AOS AUTOS DE INFRAÇÃO/RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO PARATI IRPJ/CSSL”. Afirma que teve despesas de custeio devidamente informado nas DIPJs nos seguintes valores: [seguiu tabela] “Ao reconstituir a base de cálculo do IRPJ o fisco não considerou o total do incentivo admitido pela legislação fiscal”: [seguiu tabela] “Diante do exposto, o fisco deve considerar o incentivo fiscal no limite dos 4% (quatro por cento) sobre o imposto devido na alíquota de 15%”. A matéria foi, também, submetida à diligência, retornando com a seguinte informação prestada pelo fisco: A Autuada insurgese quanto ao não recálculo do incentivo fiscal atinente ao PAT pela Fiscalização, defendendo que uma nova mensuração do imposto contribuinte, principalmente quando este incorre (em tese) em cometimento de crime contra a ordem tributária. Vejamos o que a esse título dispõe o artigo 59 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995; ...todo e qualquer ajuste efetuado pela Fiscalização que implique lançamento de Irpj com base no lucro real, se admissível fosse a argumentação da PARATI, deveria vir precedida de recálculo de ofício do PAT, ainda que precluso o direito, o que não encontra eco nas orientações administrativas e nas decisões neste âmbito e na jurisprudência; ..,ao Fisco não compete nenhuma ação no sentido de atribuir ao sujeito passivo qualquer benefício fiscal de ofício, notadamente quando os parâmetros que serviriam de cálculo estejam intrinsecamente relacionados aos temas objeto do contencioso. se o contribuinte não houvesse se evadido de sua capacidade e obrigação de recolher os tributos efetivamente devidos, poderia, diante da legislação que rege o incentivo, calculálo nos limites estabelecidos e dele fazer proveito, não assistindo à Fiscalização a possibilidade de atribuir ao sujeito passivo qualquer benefício que, em essência, decorre do regular e tempestivo exercício de direito do seu destinatário. Fl. 7004DF CARF MF 10 Intimado do resultado da diligência a impugnante se manifesta da seguinte forma: O entendimento exposto pela fiscalização no Relatório de Diligência Fiscal é flagrantemente contraditório, já que "reenquadrou" a empresa Pádua Ltda. como filial da empresa Parati S/A e realizou a reconstituição da base de cálculo do lucro real, contudo deixou de observar os limites legais passíveis de dedução das despesas com o PAT. Apesar da fiscalização não concordar com a aplicação do benefício, apontou deduções para o PAT de R$ 9.014,77 em 2006, R$ 15.613,67 em 2007 e R$ 5.129,32 em 2008, o que representava 4% do IRPJ à alíquota de 15% antes dos ajustes efetuados indevidamente; ...convém esclarecer que não é de competência do Poder Executivo, através da Administração Tributária, considerar determinado fato como se crime fosse. Apenas a manifestação do Poder Judiciário, através de sentença penal condenatória, poderá dar ensejo à aplicação das penalidades do artigo 59 da Lei n° 9.069/95. A partir dessa condenação é que ser torna possível a aplicação da aludida norma no que se refere à perda de benefícios fiscais. Como se vê, a matéria aqui em litígio, diz respeito a possibilidade ou não de se recalcular os valores do benefício fiscal relativo ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, em função de nova base tributária apurada por meio de lançamento de ofício com exigência do IRPJ, quando as razões que motivaram a exigência, decorrem de atos praticados pelo contribuinte que poderiam, em tese, se constituir em crime tributário. Enquanto a fiscalização entende que não lhe cabe a concessão de benefícios fiscais de ofício a contribuintes em procedimentos de fiscalização, principalmente quando estes incorrem em crimes contra a ordem tributária, a impugnante contesta afirmando que falece competência às autoridades, para considerar determinados fatos como crimes tributários, matéria reservada ao Poder Judiciário através de sentença penal condenatória. Inicialmente devese pontuar, que de fato ao fisco não compete considerar determinado ato ou procedimento adotado pelo contribuinte como crime tributário, matéria reservada ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. Entretanto, a constatação de atos ou fatos que possam se caracterizar como sonegação, fraude ou conluio conforme definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, fatos estes que por sua vez, em tese, integrariam os tipos penais definidos nos arts. 1º e 2º da Lei no 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e nos arts. 168A e 337A do Código Penal, se constituem em critério determinante de diversas conseqüências tributárias que se inserem na competência legal das autoridades fiscais. Assim, ao se deparar com fatos que possam se caracterizar como fraude, conluio ou sonegação conforme definição dos arts. 71,72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, além da obrigação de efetuar o lançamento como determinado pelo art. 149, do CTN, deverá a autoridade fiscal qualificar a multa aplicada majorando o seu percentual de 75% para 150% (art. 44 da Lei 9.430/1996) e encaminhar Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público (art. 83 da Lei 9.430/1996), seguindo os procedimentos estabelecidos na Portaria RFB nº 2.439, de 21 de dezembro de 2010 alterada pela Portaria RFB nº 3.182, de 29 de julho de 2011: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata II – (...); Fl. 7005DF CARF MF Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401002.285 S1C4T1 Fl. 7.001 11 § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Crime contra a Ordem Tributária Art. 83. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária previstos nos arts. 1º e 2º da Lei no 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e aos crimes contra a Previdência Social, previstos nos arts. 168A e 337A do DecretoLei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), será encaminhada ao Ministério Público depois de proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). Portaria RFB nº 2.439, de 21 de dezembro de 2010 Alterada pela Portaria RFB nº 3.182, de 29 de julho de 2011. DO DEVER DE REPRESENTAR Art. 1 º O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) deverá formalizar representação fiscal para fins penais perante o Delegado ou InspetorChefe da Receita Federal do Brasil responsável pelo controle do processo administrativo fiscal sempre que, no exercício de suas atribuições, identificar atos ou fatos que, em tese, configurem crime contra a ordem tributária ou contra a Previdência Social. Além das conseqüências acima previstas, os fatos que possam se caracterizar como fraude, conluio ou sonegação conforme definição dos arts. 71,72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, e que, também, se constituam na motivação do lançamento fiscal, são absolutamente incompatíveis com o exercício ou fruição de qualquer benefício fiscal, a teor do que dispõe o art. 59 da Lei nº 9.069, de 29/06/1995 e o art. 128, da Instrução Normativa SRF nº 267, e 23/12/2003, que trata especificamente dos incentivos fiscais no âmbito do IRPJ, entre estes, o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT: LEI Nº 9.069, DE 29 DE JUNHO DE 1995. Art. 59. A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária (Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990), bem assim a falta de emissão de notas fiscais, nos termos da Lei nº 8.846, de 21 de janeiro de 1994, acarretarão à pessoa jurídica infratora a perda, no anocalendário correspondente, dos incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária. Instrução Normativa SRF nº 267, de 23 de dezembro de 2002 Incentivos Fiscais de Dedução do Imposto Seção I Programa de Alimentação do Trabalhador Disposições Gerais Perda do direito a usufruir dos incentivos e benefícios fiscais Art. 128. A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária (Lei n º 8.137, de 27 de dezembro de 1990), bem assim a falta de emissão de notas fiscais, nos termos da Lei n º 8.846, de 21 de janeiro de 1994, acarretarão à pessoa jurídica infratora a perda, no anocalendário Fl. 7006DF CARF MF 12 correspondente, dos incentivos e benefícios de redução ou isenção previstos na legislação tributária. Obs: Grifei Registrese que no exercício da suas atribuições, em nenhum instante a autoridade fiscal afirma existir crime tributário, mas fatos que, em tese, poderiam se configurar em crimes tributários, e que por esta razão, devem ser encaminhados para o Ministério Publico depois de proferida a decisão final sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente na esfera administrativa, através de representação fiscal para fins penais, o que vale dizer que nos crimes contra a ordem tributária, a aplicação da lei tributária em relação a fatos que, em tese, possam se constituir em crimes tributários precede a aplicação da lei penal. Acatar a argumentação da defesa, de que a aplicação da lei tributária a fatos concretos que poderiam, em tese, se caracterizar como fraude, conluio ou sonegação, por autoridades fiscais, só poderia ocorrer depois da manifestação do Poder Judiciário reconhecendo a prática de crimes tributários, equivaleria a retirar a autonomia do direito tributário submetendoo e condicionandoo ao direito penal, o que não é juridicamente possível já que estes se integram e se complementam. Ademais o exercício do direito aos benefícios fiscais concedidos no âmbito do Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, é uma faculdade que compete ao titular deste direito, que deve ser exercido em tempo próprio e segundo as regras específicas vigentes na época da sua fruição, não cabendo às autoridades fiscais, a sua concessão de ofício retroagindo no tempo os seus efeitos para alcançar os períodos pretéritos objeto dos lançamentos, especialmente se estes se fundamentaram em fatos caracterizados pela fraude. Assim, ratifico o entendimento do fisco de que não assiste à Fiscalização a possibilidade de atribuir ao sujeito passivo qualquer benefício que, em essência, decorre do regular e tempestivo exercício de direito do seu destinatário, rejeitando as alegações de defesa quanto ao Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. Concordo plenamente com essas razões. Ademais, alinhase com a jurisprudência do CARF. Transcrevo acórdão exemplificativo: INCENTIVO FISCAL. PROGRAMAS SOCIAIS. DEDUÇÃO. FORMALIZAÇÃO. O processo administrativo fiscal não se constitui em instrumento jurídico apropriado para o sujeito passivo formalizar ou elevar o montante da dedução do incentivo fiscal, seja a título de Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), Fundo da Criança e do Adolescente ou Programa Nacional de Apoio à Cultura (PRONAC). (AC 1402002.513, de 17 de maio de 2017, da lavra do Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves). A decisão, pois, deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGIR JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Por fim, no tocante aos juros sobre multa de ofício, entendo que se trata de tema de âmbito da fase não contenciosa, uma vez que não é objeto do lançamento, mas sim da atividade de cobrança, a qual não está submetida ao crivo deste colegiado. Por isso, dele não tomaria conhecimento. Essa, porém, não tem sido a posição adotada por este colegiado que previamente tem decidido conhecer a questão. Assim, passo a enfrentála. De início, vale reproduzir acórdão em que também se conheceu do assunto, no qual foram considerados devidos os juros: Fl. 7007DF CARF MF Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401002.285 S1C4T1 Fl. 7.002 13 Número do Recurso: 155344 Câmara: PRIMEIRA CÂMARA Número do Processo: 10845.000196/9534 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ E OUTRO Recorrente: PRÓPRIA S.A. ADMINISTRAÇÃO E IMÓVEIS (SUCEDIDA POR BRASCOR S.A. IMÓVEIS E PORTICIPAÇÕES) Recorrida/Interessado: 2ª TURMA/DRJSALVADOR/BA Data da Sessão: 25/05/2007 00:00:00 Relator: Sandra Maria Faroni Decisão: Acórdão 10196177 Resultado: DPPU DAR PROVIMENTO PARCIAL POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Inteiro Teor do Acórdão Ementa: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora. Em se tratando de tributos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31/12/1994, sobre a multa por lançamento de ofício incidem, a partir de 1º de janeiro de 1997, juros de mora calculados segundo a Selic. Assim tem se inclinado a jurisprudência deste Conselho e com ela me alinho. Dois artigos da Lei n° 9.430/96 conduzemme a essa posição e abaixo os transcrevo: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (...) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do Fl. 7008DF CARF MF 14 prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. É importante notar que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, para todas as situações, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos. Tal dispositivo, combinado com o art. 43 (onde se prevê a multa isolada ou acompanhada de tributo) e seu parágrafo único, levanos à conclusão de que os juros de mora devem incidir sobre a multa de ofício, após o seu vencimento. Conclusão Voto, pois, por conhecer parcialmente os embargos oferecidos para, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Voto Vencedor Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Redator designado. Com a devida vênia ao excelente voto do Nobre Colega Relator, divirjo em parte das suas conclusões. Resta claro que a fiscalização “reenquadrou” a empresa Pádua Ltda. como filial da empresa Parati S/A e realizou a reconstituição da base de cálculo do lucro real, contudo deixou de observar os limites legais passíveis de dedução das despesas com o PAT. Assim, a própria fiscalização reconhece que deixou de observar a legislação ao realizar a reconstituição, por entender que o contribuinte teria “evadido de sua capacidade e obrigação de recolher os tributos”, em flagrante ofensa ao disposto nas Leis nº 6.321/76 e 9.532/97. Como destacado pelo relator, a matéria aqui em litígio, diz respeito a possibilidade ou não de se recalcular os valores do benefício fiscal relativo ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, em função de nova base tributária apurada por meio de lançamento de ofício com exigência do IRPJ, quando as razões que motivaram a exigência, decorrem de atos praticados pelo contribuinte que poderiam, em tese, se constituir em crime tributário. A fiscalização entende que não lhe cabe a concessão de benefícios fiscais de ofício a contribuintes em procedimentos de fiscalização, principalmente quando estes incorrem em crimes contra a ordem tributária, a impugnante contesta afirmando que falece competência às autoridades, para considerar determinados fatos como crimes tributários, matéria reservada ao Poder Judiciário através de sentença penal condenatória. Como bem pontuou a Embargante, Apesar da fiscalização não concordar com a aplicação do benefício, apontou deduções para o PAT de R$ 9.014,77 em 2006, R$ 15.613,67 em Fl. 7009DF CARF MF Processo nº 10925.723080/201249 Acórdão n.º 1401002.285 S1C4T1 Fl. 7.003 15 2007 e R$ 5.129,32 em 2008, o que representava 4% do IRPJ à alíquota de 15% antes dos ajustes efetuados indevidamente pelo fisco “DEMONSTRATIVO ANEXO AOS AUTOS DE INFRAÇÃO/RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO – PARATI – IRPJ/CSSL. A pessoa jurídica que tiver Programas de Alimentação do Trabalhador aprovados pelo Ministério do Trabalho, respeitado o limite estabelecido na legislação, pode deduzir do imposto de renda o valor equivalente a 15% do total das despesas de custeio efetuadas no período de apuração. Tratase de previsão legal. O fato é que ao desconsiderar os negócios jurídicos realizados pela Embargante e enquadrar a Pádua como filial da Recorrente, resta evidente a necessidade de recalcular a sua apuração, como foi feito. Entretanto, não se pode atribuir efeitos ao reenquadramento para exigir da Embargante tributo, mas deixar de atribuir efeitos para considerar as deduções a que faz jus por expressa previsão legal. Outrossim, não há o que se falar em preclusão do direito à dedução vez que a empresa o fez, mas de acordo com os limites de faturamento que declarou à época. Por obvio, recalculando esse faturamento, também deve ser recalculado o incentivo atinente ao PAT. Ora, deixar de assegurar ao Recorrente o direito de usufruir do referido incentivo, que em nada tem relação com o tributo lançado, seria aplicar ao contribuinte dupla punição, a primeira seria a penalidade prevista em lei, a segunda, a glosa de um incentivo a que faz jus, sem previsão legal, acrescentese. Outrossim, veja que o fundamento do fiscal e das decisões recorridas para negar o direito à dedução, em muito se funda no fato de o contribuinte ter cometido fraude. Entretanto, a punição específica para tal conduta. Assim, face o exposto, voto por dar provimento aos Embargos, aplicando os efeitos infringentes para reconhecer o direito à Embargante de deduzir o incentivo fiscal do PET com base nas receitas apuradas no presente lançamento. Nos demais termos acompanho o voto do relator. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 7010DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.101561/2005-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA
Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
Numero da decisão: 9303-006.897
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. Recorrente ARAUPEL S,A, Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 10 15 61 /2 00 5- 11 Fl. 515DF CARF MF Processo nº 11080.101561/200511 Acórdão n.º 9303006.897 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 330100.581, que, na parte de interesse, decidiu que a cessão onerosa de créditos do ICMS deve compor a base de cálculo das contribuições (PIS/Pasep e Cofins). Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto à incidência das contribuições sobre os valores oriundos de transferência de crédito de ICMS para terceiros. Em síntese, argumenta o recorrente que tais valores não se caracterizam como receita. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara competente da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Após ciência do despacho, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.890, de 13/06/2018, proferido no julgamento do processo 11080.101559/200542, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.890): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, em respeito ao art. 67 do RICARF/2015, vez que comprovada a divergência. Quanto ao cerne da lide, especificamente à discussão acerca da incidência de PIS sobre as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS, vêse que deve ser reconhecida a ilegitimidade da inclusão na base de cálculo do PIS das r. receitas referentes à transferência de créditos de ICMS a terceiros. Ora, já houve decisão proferida no Recurso Extraordinário n° 606.107/RS que restou assim ementado: “IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA Fl. 516DF CARF MF Processo nº 11080.101561/200511 Acórdão n.º 9303006.897 CSRFT3 Fl. 4 3 EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestar lhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos, imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. Fl. 517DF CARF MF Processo nº 11080.101561/200511 Acórdão n.º 9303006.897 CSRFT3 Fl. 5 4 VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. Constatase que a decisão proferida no RE 606.107/RS, em sede de repercussão geral, deve ser aplicada de acordo com o disposto no RICARF: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Em vista de todo o exposto, dou provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo." Importante ressalvar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o acúmulo de créditos do ICMS também foi decorrente de exportações para o exterior. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 518DF CARF MF
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