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Numero do processo: 10930.905872/2012-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, torna-se incabível a nulidade arguida.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO
É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.030
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrente A. M. R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 NULIDADE. INEXISTÊNCIA Demonstrada no despacho decisório e decisão de piso a motivação quanto ao indeferimento do indébito pleiteado, tornase incabível a nulidade arguida. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO É incabível o pedido de diligência visando trazer aos autos a documentação que deixou de ser apresentada, pelo contribuinte, no momento processual oportuno. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 58 72 /2 01 2- 61 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10930.905872/201261 Acórdão n.º 3302005.030 S3C3T2 Fl. 3 2 Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, que não homologou a compensação declarada por meio de Per/Dcomp uma vez que o crédito informado já estava integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte . Na manifestação apresentada, a contribuinte aduz que, sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada, por isso, pede que seja recebido o recurso e declarada a nulidade do despacho decisório emitido. Segundo afirma, em resumo: não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade; não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; a autoridade administrativa deve obediência à legalidade e que seus atos devem ser motivados, para que se possa promover a defesa do ato; a não homologação ocorreu por uma questão de sistema de informática, já que o crédito propriamente dito sequer foi apreciado e carece de definição o significado de "disponibilidade do crédito" no despacho decisório. Contudo, acredita se tratar de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restando crédito disponível para ser restituído. Mas, salienta, diversas poderiam ser as situações que acarretariam a restituição do valor recolhido. Contesta a falta de intimação para que pudesse fazer os esclarecimentos necessários, acarretando o cerceamento ao seu direito de ampla defesa. Enfim, diz que o pedido formulado tem como fundamento a inclusão indevida na base de cálculo da contribuição não só da receita decorrente de seu faturamento, mas de outras receitas que não deveriam compôla, conforme inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal, em outras ações já transitadas em julgado. Em relação à produção de provas, diz que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06040.908. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após regularmente cientificada, apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. Ao final requer que sejam os autos remetidos à Delegacia de origem, para que sejam promovidas diligências necessárias à comprovação do crédito. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10930.905872/201261 Acórdão n.º 3302005.030 S3C3T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.004, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.901828/201362, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.004): PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. DAS NULIDADES Observase que a matéria litigiosa trazida na peça recursal prendese basicamente a arguição de nulidades: a) do despacho decisório que não declinou os motivos do indeferimento de seu pleito, bem como não analisou o mérito do pedido de restituição/ compensação postulado pela empresa, tampouco intimou o interessado a fazer os esclarecimentos necessários a comprovar o alegado, ensejando portanto cerceamento do direito de defesa; b) nulidade da decisão de primeira instância, por ausência de fundamentação e por obstar a produção das provas necessárias, já que sequer é sabido o que não foi reconhecido. Analisase a seguir as nulidades suscitadas. Da fundamentação do despacho decisório Observase que a peça decisória originase do processamento eletrônico das compensações, segundo a legislação de regência da matéria, tendo explícita fundamentação quanto à indisponibilidade do crédito pleiteado, cujos dados demonstrados no referido despacho decisório, seja quanto aos valores do crédito e débitos declarados, estão amparados na PER/DECOMP acostada aos autos. Conclui assim referido despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, crédito disponível para compensação pretendida. Notese que essa situação fática, inclusive é ratificada da pela própria recorrente, quando infere que do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do DARF e o crédito declarado em DCTF, não restou crédito disponível para ser restituído, no Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10930.905872/201261 Acórdão n.º 3302005.030 S3C3T2 Fl. 5 4 entanto, tece considerações sobre outras formas de verificação do suposto indébito. Vêse portanto que o despacho decisório apresentou a motivação adequada à situação em exame, respaldandose nos dados oriundos da PER/DECOMP transmitida pelo próprio sujeito passivo. Notese ainda que a contribuinte foi regularmente cientificada do despacho decisório, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, o que lhe oportunizou o exercício do contraditório e da ampla defesa, comparecendo assim aos autos, com a manifestação de inconformidade que inaugurou a lide e recurso voluntário nas referidas instâncias administrativas, onde demonstra perfeita cognição dos fatos demonstrados no despacho decisório pela linha argumentativa apresentada. Instaurada a lide, esse é o momento processual para que a contribuinte apresente os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, inexistindo omissão da autoridade administrativa quanto às intimações suscitadas, visto que os dados utilizados no referido despacho foram fornecidos pelo próprio sujeito passivo, prescindindo assim de motivação para que referida autoridade administrativa diligenciasse com vistas a perquirir a origem do crédito, já que o tratamento inicial dos dados revelou a indisponibilidade do crédito pleiteado. Da fundamentação da decisão de piso Igualmente não prospera a nulidade arguida quanto à suposta falta de motivação da decisão de piso, haja vista que a leitura da referida peça revela que todas as preliminares suscitadas foram devidamente fundamentadas, bem como a análise meritória do pleito, quanto aos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Assim a r. turma julgadora demonstrou fundamentadamente a motivação de sua decisão, exercendo assim a prerrogativa da livre convicção motivada na apreciação das provas dos autos, conforme lhe assegura o 1art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ante as considerações acima não se vislumbra qualquer mácula no referido despacho decisório, tampouco na decisão de piso, que enseje a declaração de nulidade, visto que além da observância da norma processual específica, Decreto nº 70.235, de 1972, também atendem às normas dispostas nos arts. 2º e 50, da Lei nº 9.784, de 1999. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA A contribuinte requer a realização de diligência, visando demonstrar nessa oportunidade, as provas que lastreiam o crédito pleiteado. Em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório, bem como o disciplinamento na norma processual, quanto a um pedido de diligência. 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10930.905872/201261 Acórdão n.º 3302005.030 S3C3T2 Fl. 6 5 Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, verifica se: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações.(grifei). Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observese que a premissa para verificar a origem do crédito, que é a constatação do indébito, inexiste no presente caso, visto que restou demonstrado no citado despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. Ressaltese que, no presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, cabendo ao requerente de um suposto direito creditório demonstrar ao fisco, os livros e documentos exigidos pela legislação para a comprovação de seu direito. Neste sentido, a recorrente teve a oportunidade processual, uma vez que lhe foram assegurados o contraditório e ampla defesa, quando da apresentação da manifestação de inconformidade de apresentar documentos/livros que demonstrem à Administração Tributária o suposto o crédito pleiteado. Com efeito, como já ressaltado, a própria recorrente destaca inferir quanto ao despacho decisório que se trata de encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o crédito declarado em DCTF, aventando porém estirem outras situações que acarretariam a restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo da exação, no entanto permaneceu silente quando do oportuno momento processual de trazer as provas que lastreiam o seu crédito pleiteado e assim, ensejar uma diligência pelo órgão a quo para verificar a materialidade do crédito arguido, porém a recorrente limitouse em suas peças defensórias a aduzir alegações e solicitar diligências sem demonstrar o lastro probatório que se faz necessário, em se tratando de direito creditório pleiteado, como já destacado. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10930.905872/201261 Acórdão n.º 3302005.030 S3C3T2 Fl. 7 6 Por oportuno, registre o que prevê o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 18 – A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’.”(grifei). Verificase assim que o deferimento de um pedido de diligência ou perícia, pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria ou colher determinada prova, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida, ou ainda que se faça premente uma análise que exija conhecimentos técnicos específicos, o que não é o caso dos autos, cuja documentação objeto da diligência solicitada deixou de ser apresentada em momento oportuno quando da apresentação da manifestação de inconformidade, tampouco apresentou a Requerente até então a demonstração de qualquer impedimento para realização de seu mister. Observese ainda que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja do fisco ou da Recorrente. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. DA APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS Protesta a Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou a recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. Pelo exposto, não há reparos na decisão de piso, uma vez que escudada no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, não acatou a solicitação de Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10930.905872/201261 Acórdão n.º 3302005.030 S3C3T2 Fl. 8 7 apresentação posterior de prova, diferente do prazo estabelecido, destacando em reforço argumentativo, que sequer foram juntadas aos autos quaisquer documentos necessários à sua análise. MÉRITO Da inexistência probatória Tendo em vista que a questão dos autos diz respeito ao instituto da compensação, forma de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156 do CTN, e disciplinada no art. 170 do referido diploma legal, há exigências fundamentais para que possa ser operacionalizada a compensação, no âmbito do Direito Tributário, sendo as principais: (1) a necessidade de lei que autorize a compensação; e (2) que os créditos de titularidade do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Dizse assim que um crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, a certeza diz respeito à existência do crédito e a liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do contribuinte e existindo lei que preveja a compensação, procederseá ao encontro das dívidas. Nesse mister, a compensação está disciplinada nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, no caso em apreço, quanto à questão meritória, destaca a recorrente que ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Assevera ainda que incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôla e nesse sentido utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Ocorre que a recorrente ao enfatizar essa questão o faz de forma genérica, sem identificar quais receitas compuseram indevidamente a base de cálculo da COFINS, tampouco acosta aos autos quaisquer elementos probatórios que o respalde, tais como livros/documentos que sejam passíveis de análise por essa turma julgadora. A lei estabelece o dever de motivação do ato administrativo, que no caso em apreço restou perfeitamente demonstrada a motivação das peças decisórias até então analisadas. Ocorre que o artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece os requisitos a serem cumpridos pelo contribuinte quando da apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade, entre os quais, na dicção do inciso III do art. 16, do citado diploma legal a matéria posta em lide há de ser expressamente contestada, ou seja há de demonstrar o interessado [...os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. No caso em exame, embora pondere a interessada que está respaldada na decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal, no sentido da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das referidas Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10930.905872/201261 Acórdão n.º 3302005.030 S3C3T2 Fl. 9 8 contribuições, cabe à interessada a prova da existência de seu direito, demonstrando a liquidez e certeza dos créditos alegados, utilizados para extinção do crédito tributário sob condição resolutória, através da apresentação, dos livros e documentos estabelecidos pela legislação para a comprovação da exatidão de suas informações, quando da inauguração da lide, haja vista que declarou à Administração Tributária possuir um montante de crédito, utilizado para extinguir os débitos compensados. No entanto, como já exposto em sede preliminar, a recorrente não se desincumbiu do ônus probatório que lhe competia para demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, já que em suas peças defensórias deixou de carrear aos autos qualquer elemento probatório que lastreie o seu pleito. Cabe registrar que a matéria em exame encontra precedente no âmbito deste Egrégio Conselho, com relação ao mesmo sujeito passivo, nos termos do Ac nº 3803004.798 , de 26/11/2013, a seguir ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da declaração de compensação transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO.COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do alegado sob pena de desprovimento do recurso. MOMENTO POSTERIOR DE PRODUÇÃO DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), em especial no Decreto 70.235/72, não havendo como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS, E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10930.905872/201261 Acórdão n.º 3302005.030 S3C3T2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu rejeitar as preliminares suscitadas, e no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 87DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.001024/2005-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 15/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. EDITADO EM: 15/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração (fls. 5/16) que exigem IRPJ e CSLL, relativos ao AC 2000, em razão da imputação das seguintes infrações: 001 CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS GLOSA DE CUSTOS RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 01 02 4/ 20 05 -1 8 Fl. 4057DF CARF MF Processo nº 18471.001024/200518 Resolução nº 1201000.323 S1C2T1 Fl. 3 2 Com o termo datado em 09/03/2005, intimação o contribuinte a apresentar planilhas de apuração das amortizações no valor de R$929.308,13. A empresa respondeu que a apuração das amortizações encontramse evidenciadas no livro Razão e Balancetes. Em 10/05/2005, intimamos o contribuinte apresentar cálculos das amortizações. Em 17/05 o contribuinte respondeu informando que as planilhas de apoio aos cálculos não estavam disponíveis. Diante do exposto e como a empresa não logrou comprovar os cálculo do custo de amortização, não nos restou outra alternativa que a lavratura do presente Auto de Infração. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 31/12/2000 R$ 929.308,13 75,00 ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, e 300, do RIR/99. 002 GLOSAS DE DESPESAS FINANCEIRAS Despesas financeiras contabilizadas e não comprovadas, conforme termo de intimação datado em 09/03/2005, no qual o contribuinte declarou que as despesas encontramse evidenciadas no livro Razão. Como a empresa não apresentou documentos que justificasse as valores lançados à titulo de despesas financeiras , lavramos o presente Auto de Infração. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 31/12/2000 R$ 241.808,38 75,00 ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 251, e parágrafo único, 299 e §§ Io e 2 o , e 374, inciso I, do RIR/99. 003 GLOSAS DE VARIAÇÕES MONETÁRIAS PASSIVAS VARIAÇÕES CAMBIAIS Com o termo datado em 05/03/2005 ,intimamos o contribuinte a apresentar documentação legal e idônea que comprovasse os cálculos das variações cambiais passivas no valor de R$2.914.669,23 . Em 08/03/2005 o contribuinte declarou que as variações cambiais estão claramente evidenciados no livro Razão e Balancete. Em 10/05/2005 , intimamos a apresentar planilha de cálculo detalhada das variações cambiais passiva. Em 17/05 a empresa declarou que as planilhas de apoio aos cálculos não estavam disponíveis , mas que encontravamse claramente evidenciados no livro Razão e Balancetes. Diante do exposto e como o contribuinte até a presente data não logrou apresentar documentação legal e idônea que comprovasse as despesas citadas , não nos restou outra alternativa, que a lavratura do presente auto de infração. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 31/12/2000 R$ 2.914.669,23 75,00 A contribuinte apresentou impugnações contra a exigência do IRPJ (fls. 23/36) e também da CSLL (fls. 303/316). Por bem sintetizar os argumentos invocados nas defesas, reproduzo parte do relatório do Acórdão da DRJ (fls. 587/589): Fl. 4058DF CARF MF Processo nº 18471.001024/200518 Resolução nº 1201000.323 S1C2T1 Fl. 4 3 "Nulidade da autuação 14 — a autuação fiscal é nula, porque a sua capitulação legal não é pertinente, nem está adequada às infrações nela descritas, havendo vício formal consistente na ofensa ao art. 10, inciso IV do Decreto n° 70.235, de 1972; 15 — a acusação se baseou na falta de apresentação de planilhas/demonstrativos de cálculos e nenhum dos dispositivos mencionados impõe ao Interessado a obrigação ou o ônus de elaborá los; 16 — os fatos são comprovados, não por planilhas, mas sim por documentos, constituídos, no caso, pelos contratos de aquisição e cessão de direitos, bem como pelos recibos e notas fiscais emitidos pelo próprio Interessado ou por seus clientes/fornecedores e, ainda, por extratos bancários, documentos esses que foram efetivamente apresentados ao AuditorFiscal; 17— "os cálculos demonstrativos da exatidão numérica dos lançamentos contábeis das sociedades contribuintes competem aos próprios agentes da fiscalização"; Mérito 18 todos os fatos estão comprovados por documentos hábeis aos quais a lei confere valor probante, os quais foram apresentados e postos à disposição da fiscalização; 19 Às fls. 27/28 (parágrafos 11 a 15) e fls. 307/308 (parágrafos 14 a 18), o Interessado faz considerações gerais sobre a atividade empresarial da sociedade, para em seguida contestar as três infrações, alegando em síntese que: Custos ou despesas não comprovadas (glosa de custos): 20 o registro na conta n° 5111.00009 — "Amortizações de Direitos Autorais" se refere aos valores das amortizações mensais dos contratos de aquisições de direitos para exibição de filmes estrangeiros, cujo saldo era de R$ 929.308,13 no ano base 2000; 21— as amortizações foram feitas de acordo com o prazo contratual, respeitandose o regime de competência; 22 — Glosa de despesas financeiras e 23 — Glosa de variações monetárias passivas (variações cambiais): 24 "estes dois itens, embora separados, têm a mesma fonte e origem"; 25 — as chamadas despesas financeiras representam um grupo de contas, demonstrado no parágrafo 22 da impugnação (fl. 30), composto por: variação monetária passiva (R$ 240.192,77), despesas bancárias (R$ 133,09), prejuízos de aplicações financeiras (R$ 1.469,11) e juros e correção monetária (R$ 13,41); 26 — as contas despesas bancárias, prejuízos de aplicações financeiras e juros e correção monetária são verificáveis pela documentação Fl. 4059DF CARF MF Processo nº 18471.001024/200518 Resolução nº 1201000.323 S1C2T1 Fl. 5 4 consistente nos contratos, extratos bancários, diário, balancetes e razões postos à disposição da fiscalização; 27 — a conta variação monetária passiva representa uma conta de atualização monetária vinculada à variação da TR, prevista nos contratos de cessão de direitos, cujos valores são lançados para atualizar a conta do passivo denominada "contratos" que demonstra as obrigações que o Interessado tem perante seus clientes, durante todo o prazo contratual; 28 — a conta variação monetária passiva do item III contabiliza as variações de natureza cambial, prevista em contratos. Tal fato a difere da conta homônima do item II quanto ao índice de atualização e ao valor registrado; 29 a fiscalização poderia ter analisado estas contas através da documentação colocada à disposição: contratos, notas fiscais, razões analíticos, diários, balancetes e extratos bancários; 30 — os esclarecimentos efetuados na impugnação e as planilhas apresentadas em anexo são suficientes para comprovar a improcedência das infrações; 31 Encerra requerendo: 32 realização de prova pericial (art. 16, IV, do Decreto n° 70.235, de 1972) a cargo de servidor habilitado, a fim de responder os quesitos formulados às fls 34/35 e 314/315 de sua impugnação. Justifica seu pedido face à controvérsia referente à suposta falta de comprovação de fatos contábeis e sua adequação aos livros e documentos contábeis, indicando profissional às fls. 35 e 316; 33 — realização de diligência fiscal, pela própria autoridade autuante ou por outro servidor que vier a ser designado, destinada a apurar os fatos objeto dos quesitos da perícia. Solicita que a diligência seja realizada previamente a perícia, como medida de economia processual, visto que se as infrações forem desconstituídas na diligência a perícia se tornará dispensável; 34 — nulidade da autuação ou; 35 — improcedência do auto de infração; [...] As impugnações foram julgadas improcedentes por meio do Acórdão n° 12 20.181 da DRJ/RJO (fls. 585/592), cuja ementa foi assim redigida: "NULIDADE. DEFICIÊNCIA NO ENQUADRAMENTO LEGAL. Rejeitase o pedido de nulidade do auto de infração fundado em deficiência no enquadramento legal, se a impugnação evidencia plena compreensão do conteúdo e da motivação do lançamento. PERÍCIA. REQUISITOS. Fl. 4060DF CARF MF Processo nº 18471.001024/200518 Resolução nº 1201000.323 S1C2T1 Fl. 6 5 Não se tratando de procedimento que visa satisfazer necessidade técnica, científica e especializada, em que o julgador dependa de profissional habilitado para assistilo, deve ser indeferido o pedido de perícia. DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. O procedimento de diligência não visa coletar provas que o interessado tem por dever juntar aos autos, quando da apresentação da impugnação. DESPESAS/CUSTOSINDEDUTÍVEIS. GLOSA. Mantémse o lançamento, se não comprovada a dedutibilidade da despesa/custos glosados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz em razão da relação de causa e efeito que os vincula. Lançamento Procedente " A empresa interpôs recurso voluntário (fls. 596/616). Reitera os argumentos de defesa e anexa outros elementos de prova, alegando já terem sido entregues durante o processo fiscalizatório, tais como cópias dos contratos celebrados com fornecedores e clientes, cópias de notas fiscais, Livros Razão e extratos de contas bancárias. Após encaminhamento do recurso voluntário ao CARF, o julgamento foi convertido em diligência (Resolução n° 1202000.091 fls. 1.756/1.759), para que a autoridade fiscal se manifestasse sobre os documentos juntados com a impugnação e com o recurso voluntário, nos seguintes pontos: a) baseado nos documentos juntados com a impugnação, fls. 43 a 582, e com o recurso voluntário, fls. 670 a 1746, elaborar relatório informando se a autuada logrou comprovar adequadamente a origem das despesas/custos glosados, objeto da presente autuação; b) caso a comprovação tenha sido parcial, indicar os motivos da não aceitação bem como informar os valores do IRPJ e da CSLL que devem subsistir no lançamento ora examinado. c) cientificar a recorrente do conteúdo do despacho mencionado no item anterior, com intimação para se manifestar, querendo, no prazo de 30 dias; d) após, retorno a este CARF para julgamento do recurso voluntário. Em atendimento, a autoridade fiscal de origem preparou o Relatório Fiscal de Diligência (fls. 1.763/1.780), relatando que que: Fl. 4061DF CARF MF Processo nº 18471.001024/200518 Resolução nº 1201000.323 S1C2T1 Fl. 7 6 De toda documentação apresentada pelo contribuinte, quando de sua impugnação (Fls 43 a 582) ou do recurso ao CARF (Fls 668 a 1746), constatamos: 86 planilhas de cálculo (exibição de filmes e de direitos autorais) 29 contratos (exibição de filmes e de direitos autorais). Das 86 planilhas, 57 delas não estavam acompanhadas dos respectivos contratos. Assim, por falta de documentos hábeis, as planilhas não foram analisadas pela autoridade fiscal. Decidimos então, nos manifestar, analisando as características dos contratos vinculados as demais planilhas. A fiscalização ainda esclarece que (i) desconsiderou os contratos sem assinatura e aqueles apresentados em língua estrangeira; (ii) dos contratos de Cessão de Direitos apresentados às fls 666 a 678, não consta cláusula de atualização monetária vinculada à TR; (iii) os demais contratos de Exibição de Filmes (fls. 679 a 785) gerariam receitas para a autuada, e não despesas; e (iv) a glosa também deve ser mantida por que se tratam de despesas com variações cambiais relativas a contratos de Cessão de Direitos celebrados entre a autuada e clientes nacionais, os quais possuem cláusula de pagamento pela variação do dólar norte americano, o que é proibido pela lei brasileira. Nesse contexto, e após analisada a documentação, a autoridade diligenciante reconheceu a comprovação parcial de determinados custos/despesas, conforme resumo de fls. 1.780. Ao se manifestar sobre o relatório fiscal da diligência (fls. 1.784/1.800), a contribuinte pede o cancelamento integral. Para tanto, alega, em resumo: que apresentou toda a documentação contábil e fiscal quando solicitada; que a diligência, além de ser nula em face da inovação do lançamento, viola a busca pela verdade material e cerceia o direito de ampla defesa; que os cálculos relativos às despesas com amortização, infração (i), foram apresentados pela Recorrente nas planilhas apresentadas e estão refletidos em sua contabilidade de forma correta, ao contrário do cálculo equivocado feito pela a fiscalização. Quanto à glosa das despesas financeiras (infração (ii)), explica que a conta n° 5611.00007 seria influenciada apenas pelos contratos de cessão de direitos e exibição de filmes celebrados com empresas nacionais, os quais possuem expressa previsão de atualização monetária pela TR de uma parte (a outra é dólar), cuja contrapartida é a conta de passivo denominada "Contratos". A abertura da conta ocorreu a fim de manter o equilíbrio contratual, uma vez que, se assim não tivesse procedido, teria gerado um descasamento entre as contas "Contas a Receber" (Ativo) e "Contratos" (Passivo), conforme demonstra. No tocante à infração (iii) variações cambiais passivas, a Recorrente sustenta que: Fl. 4062DF CARF MF Processo nº 18471.001024/200518 Resolução nº 1201000.323 S1C2T1 Fl. 8 7 a diligência partiu de premissas equivocadas, seja porque (i) não há que se falar em indexação da dívida ao dólar, e sim em preço de contrato, o qual é celebrado em dólar e pago em moeda corrente nacional, prática esta considerada legítima pela jurisprudência pátria, seja porque (ii) o disposto no artigo 123 do CTN não tem qualquer relação com o caso em exame; os valores contratados foram efetivamente pagos em moeda nacional, considerando a variação cambial. Assim, conforme o contrato foi sendo realizado (pago), foi levado em conta o ajuste de preço decorrente da variação cambial para fins de faturamento (receita), bem como para atualização do passivo (despesa), a fim de manter o equilíbrio contratual; e todas as receitas provenientes dos contratos em questão foram oferecidas à tributação regularmente, sem qualquer transferência de responsabilidade tributária; Por fim, a empresa anexa contratos (fls. 1.832 a 1.947) que alega já ter apresentados no curso do procedimento fiscal, mas que não teriam sido regularmente juntados no processo. Os autos foram encaminhados para a 2a Câmara da 2 a Turma Ordinária da 1a Seção de Julgamento do CARF que, por meio de nova Resolução (1202000.144 fls. 2.301), entendeu pela necessidade da conversão do julgamento em diligência, para que as alegações e documentos juntados sejam de fato apreciados. Em atendimento, e após a emissão de 5 (cinco) intimações, todas respondidas pela contribuinte, a autoridade fiscal de origem elaborou o Relatório Fiscal de fls. 3.225/3.268, acatando as provas apenas parcialmente, em conformidade com o quadro abaixo. DA CONCLUSÃO DA DILIGENCIA REALIZADA 1CUSTO DE AMORTIZAÇÃO R$ 929.308,13 DESPESA COMPROVADA R$ 442.062,22 GLOSA MANTIDA R$ 487.245,91 2DESPESAS FINANCEIRAS R$ 241.808,28 DESPESA COMPROVADA R$ 1.615,61 GLOSA MANTIDA R$ 240.192,67 3VARIAÇÃO MONETÁRIA PASSIVA R$ 2.914.669,23 DESPESA COMPROVADA R$ 485.954,95 GLOSA MANTIDA R$ 2.428.714,28 Cientificada do relatório, a Recorrente apresentou Manifestação. Anexa mais documentos (fls. 3.297/3.478) para rebater algumas premissas usadas pelo auditor fiscal; reitera argumentos do recurso voluntário; sustenta que os lançamentos teriam sido atingidos pela prescrição por paralisação do processo por mais de três anos (cf. Lei 9.873/1999, art. 1, par. 1); esclarece que, assim como na primeira diligência, a segunda, apesar de decorridos quase 4 Fl. 4063DF CARF MF Processo nº 18471.001024/200518 Resolução nº 1201000.323 S1C2T1 Fl. 9 8 anos, ainda assim não respondeu as dúvidas levantadas pelo Colegiado; e afirma existir 9 (nove) erros que maculam o trabalho da autoridade diligenciante, tratando de cada um deles em itens específicos na Manifestação. Em seguida o contribuinte apresenta manifestação complementar (fls. 3.491/3.493), instruída com documentação adicional (fls. 3.494/4.054), pugnando pelo reconhecimento da improcedência das alegações fiscais. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli O recurso voluntário é tempestivo e atende os requisitos legais. Dele, portanto, tomo conhecimento. Durante a fase de fiscalização, o auditor fiscal responsável intimou a autuada, em mais de uma oportunidade, a apresentar planilhas de cálculo que demonstrassem a origem dos valores registrados como despesas/custos de amortização, despesas financeiras e despesas de variações monetárias/cambiais (fls. 3 e 5) A autuada chegou a informar (fls. 6) que tais planilhas ou demonstrativos não estavam disponíveis, fls. 03 a 06. Este fato, de acordo com o motivo descrito nos Autos de Infração (fls. 8/9), ensejou a glosa das referidas despesas por falta de comprovação. Na impugnação, porém, a empresa trouxe demonstrativos de cálculo, individualizados por conta contábil e em ordem cronológica, que indicam a movimentação financeira das contas que representam os contratos de exibição de filmes e de direitos autorais (fls. 43 a 582), bem como os respectivos índices de atualização e de amortizações/variações monetárias. A DRJ entendeu que os demonstrativos, por si só, não seriam suficientes para a dedução do dispêndio, uma vez que não estariam respaldados com documentos hábeis e idôneos, tais como os contratos celebrados com os fornecedores/clientes, notas fiscais e os respectivos livros contábeis. Esses documentos reclamados pela decisão de piso foram apresentados pelo contribuinte junto com o recurso voluntário (fls. 670 a 1.746), o que levou a conversão do julgamento em diligência. Por ocasião da diligência, a autoridade diligenciante concluiu por acatar como comprovadas as despesas/custos que relaciona, excluindo da tributação os valores lá indicados. Como bem observou o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator do voto que ensejou a Resolução de fls. 2.301: Analisando o relatório fiscal de diligência, constatase que a fiscalização detevese em examinar os documentos juntados ao processo por ocasião da impugnação e do recurso voluntário, como Fl. 4064DF CARF MF Processo nº 18471.001024/200518 Resolução nº 1201000.323 S1C2T1 Fl. 10 9 solicitado na Resolução n° 1202000.091, emitida por esta Turma de Julgamento. Conforme citado no relatório, encontrase nos autos 86 planilhas demonstrando a apropriação de despesas, sendo que apenas 29 delas estavam acompanhadas dos respectivos contratos. Assim, por falta de documentos hábeis, as planilhas foram parcialmente analisadas pela autoridade fiscal. Desses 29 contratos, foram relacionados os contratos aceitos como prova da contabilização das despesas, concluindose por excluir da tributação as despesas justificadas. Como se vê, a autoridade fiscal cumpriu com a sua obrigação na tarefa que lhe foi incumbida. Já da análise da resposta à diligência, verificase que a autuada traz um elemento até então não abordado. Tratase da forma de contabilização das receitas e das despesas dos contratos celebrados com fornecedores no exterior e seus clientes no Brasil. Diz que a forma contábil adotada leva em conta o ajuste de preço, decorrente da variação monetária/cambial para fins de faturamento (receita), concomitantemente com a atualização dos contratos correspondentes registrados no passivo (despesa), tendo como objetivo manter o equilíbrio contratual. A forma de contabilização encontrase reproduzida no relatório desta Resolução. Verificase que no momento da aquisição dos direitos autorais haveria o registro em conta do ativo permanente e sua contrapartida em conta do passivo, correspondente a obrigação de pagar atualizada pela variação cambial, tendo em vista cláusula contratual. À medida que os pagamentos ao exterior são efetuados, a sociedade credita o caixa e reduz o passivo. A amortização do ativo permanente teria como contrapartida débito de conta relativa à despesa com amortização. Os débitos e créditos do resultado ocorreriam ao longo do prazo contratual, os quais, na maioria dos casos, excediam o período de apuração fiscal. No que tange a cessão dos direitos autorais para emissoras de televisão no Brasil, os registros contábeis destas operações seriam efetuados da seguinte forma: debita ativo correspondente a "contas a receber", que seria atualizado pelo índice estipulado contratualmente (US$ ou TR), que geraria variação cambial/monetária ativa, e, em contrapartida, credita um passivo "contratos", o qual também seria atualizado pelo índice estipulado contratualmente (US$ ou TR) que geraria variação monetária/cambial passiva. À medida que a sociedade recebia os valores correspondentes à cessão dos direitos autorais debitase a conta caixa em contrapartida a uma redução do ativo. Já à medida que decorre o prazo do contrato de cessão celebrado com empresa do exterior, haveria um lançamento a débito da conta do passivo "contratos", cuja contrapartida seria uma receita de amortização, ao mesmo tempo em que as contas de ativo (contas a receber) e passivo (contratos) eram corrigidas monetariamente e geravam variação cambial ou monetária ativa e passiva. Assim, em que pese já ter sido efetuada diligência na empresa autuada, ainda restam dúvidas quanto à forma de contabilização das receitas/despesas, tais como: i) a autuada não vende seus produtos Fl. 4065DF CARF MF Processo nº 18471.001024/200518 Resolução nº 1201000.323 S1C2T1 Fl. 11 10 (direitos de exibição de filmes) ao exterior, mas apenas os adquire; no entanto, estaria sendo contabilizado valores de receita relativos à "variação cambial ativa"; ii) as receitas de "variação cambial ativa" se originariam de contratos celebrados em moeda estrangeira com empresas sediadas no Brasil, vedados por lei; no entanto, caberia verificar se essas receitas também deveriam ser anuladas da mesma forma que as despesas de "variação cambial passiva" foram glosadas pela fiscalização. A título exemplificativo. O balancete da autuada relativo a dezembro/2000, fls. 1.741, demonstra a contabilização de "variação cambial ativa" no valor de R$ 2.482.073,19. No mesmo Balancete, encontrase registrado o valor de R$ 2.914.669,23, a título de "variação cambial passiva", este último glosado pela fiscalização, fls. 1745. Como se percebe, o registro de "variação cambial ativa", sem existir vendas ao exterior, poderia explicar a forma de contabilização que vinha/vem sendo adotada pela empresa, o que traria reflexos na apuração do lucro líquido. O contribuinte alega que a forma de contabilização dos contratos é que leva a essa situação, postulando abater, das despesas de variação cambial, as receitas de variação cambial equivalentes/correspondentes. Essa questão precisa ser melhor esclarecida, para que se possa analisar, com mais precisão, se todas as despesas contabilizadas como "variação cambial passiva", não comprovadas, devem ser consideradas indedutíveis na apuração do lucro líquido do período. Alternativamente, poderia ser considerado que parte dessas despesas seriam anuladas pelas receitas correspondentes devido a forma de contabilização adotada. Idêntico raciocínio ocorre em relação às despesas de "variação monetária passiva" e suas receitas correspondentes. Tal fato, pode não ter sido devidamente apreciado pelo agente do fisco, o que poderia acarretar a exigência de tributos de forma inapropriada. Verificase também que, na resposta à diligência, a recorrente faz a reapresentação de cópias dos contratos objeto do lançamento (fls. 1832 a 1947), mencionando que os mesmos já teriam sido apresentados no curso do procedimento fiscal. A fiscalização menciona em seu relatório de diligência que alguns contratos não foram aceitos por não estarem assinados ou por estarem redigidos em língua estrangeira. Compulsando os autos, percebese que existem contratos, juntados com a resposta da diligência, que suprem essas deficiências, conforme se verifica, exemplificadamente, nos contratos de fls. 1887/1889 (com tradução) e fls. 1933 (com assinatura). Em que pese o fato de já estar precluso o direito de trazer novas provas na fase recursal, consoante dispõe os §§s 4° e 5° do art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, é de se levar em consideração o fato de que, tanto o procedimento fiscal como a diligência, terem sido realizados com pouca ou nenhuma participação da fiscalizada, o que vem contribuindo para a ocorrência de informações desencontradas e a juntada de documentos feita de forma incompleta. Além disso, a defesa alega que Fl. 4066DF CARF MF Processo nº 18471.001024/200518 Resolução nº 1201000.323 S1C2T1 Fl. 12 11 todos os documentos, contratos, notas fiscais, extratos bancários, livros fiscais e declarações já teriam sido devidamente apresentados por ocasião do procedimento fiscal (fls. 04/06), motivo pelo qual podese entender como razoável aceitar para exame os contratos ora juntados com a resposta da diligência. Em vista do exposto e, em razão das incertezas que permanecem no exame das matérias discutidas, proponho que o julgamento do recurso seja convertido em nova DILIGÊNCIA, retornando o processo à unidade de origem, DEFIC/Rio de Janeiro/RJ, para que a autoridade fiscal se manifeste sobre os argumentos e documentos juntados com a resposta da diligência, nos seguintes pontos: a) analisar as alegações do contribuinte quanto à forma de contabilização dos contratos mencionada na resposta à diligência, fls. 1809 a 1815, especialmente em relação aos registros de receitas e despesas de variação monetária/cambial glosados, informando se a forma adotada: i) se verifica na prática; ii) se essa forma estaria correta; e iii) se teria alguma influência no lançamento fiscal ora examinado (o contribuinte alega que parte das despesas de variação monetária/cambial seriam anuladas pelas receitas correspondentes); b) baseado nos documentos juntados com a resposta da diligência, contratos de fls. 1832 a 1947, informar se a autuada logrou comprovar a origem das despesas/custos glosados, objeto da presente autuação, quantificando os valores passíveis de aceitação como despesa; c) caso entenda necessário, intimar a autuada a prestar esclarecimentos a respeito das informações requeridas nos dois itens precedentes; [...] A autoridade fiscal de origem, após intimar e receber respostas da contribuinte em cinco oportunidades, se manifestou no sentido de que apenas alguns dos valores glosados restaram comprovados, mantendo a cobrança em relação aos demais. Da análise do Relatório Fiscal (fls. 3.225/3.268), porém, de plano noto a ausência de uma resposta objetiva acerca do item "a" da Resolução. Mais precisamente, a fiscalização não chegou a analisar a mecânica contábil empregada pela empresa, notadamente o argumento de que parte das despesas de variação monetária/cambial seriam anuladas pelas receitas correspondentes, mesmo tendo sido chamada a assim proceder (vide item "a" acima). Outro ponto que chama atenção no Relatório Fiscal diz respeito a constatação de que o contribuinte nunca teria entregue as memórias de cálculo das despesas glosadas, o que, de acordo com o que alega a empresa, seria uma inverdade. Quanto ao mérito da revisão do valor da glosa, o contribuinte afirma existir ao menos 9 (nove) erros que ensejam a nulidade do trabalho fiscal, razão pela qual solicita ao menos a realização de nova diligência por um auditor fiscal diferente. Os vícios (erros) apontados podem ser assim sintetizados: Fl. 4067DF CARF MF Processo nº 18471.001024/200518 Resolução nº 1201000.323 S1C2T1 Fl. 13 12 erro 1: o relatório indica a apresentação de 86 planilhas de cálculo dos Contratos de Exibição de Filmes, mas o correto seriam 87. Foi deixado de fora o demonstrativo relativo ao contrato da Rádio e TV Bandeirantes (n. 004/98 Fls. 55). erro 2: o ilustre fiscal não identificou que nos contratos de câmbio apresentados haviam remessas para pagamento de parcelas de mais de um contrato. Com isso o agente fiscal apresentou em seu Relatório remessas muito superiores àquelas efetivamente devidas a Paramount nos contratos 001 e 002, de 1997, deixando de alocar parcelas pagas nos contratos de câmbio a outros contratos da Paramount. Nesse ponto, a fim de elucidar melhor a questão, a Recorrente apresenta um resumo das remessas realizadas para pagamentos dos Contratos de Cessão de Direitos referente às fls. 11 a 13 do Relatório Fiscal, considerando os dados dos contratos e as informações fornecidas pelo BACEN, com as correspondentes liquidações. Anexa, também, correspondência da Paramount dando plena quitação das dívidas existentes com a Recorrente. erro 3: a constatação pela autoridade diligenciante (Página 15 do Relatório) de que a Recorrente teria deixado de apresentar memória de cálculo das variações cambiais de 12 contratos lá listados, demonstra que de fato não houve o devido entendimento do mecanismo contábil das operações de aquisição de cessão de direitos de exibição de filmes adotado pelo contribuinte, pois solicita comprovação de contratos quitados antes do período autuado (AC 2000), o que não faz sentido. Se o fiscal tivesse verificado o saldo constante dos balancetes do AC 2000 (conta 2141 Passivo), teria facilmente constatado que a empresa não possuía mais qualquer obrigação a pagar aos fornecedores indicados. erro 4: o agente fiscal alega na página 15 e 16 do Relatório que não houve comprovação clara da contabilização dos lançamentos escriturados, mas sim genéricas. No entanto, não tece nenhum comentário sobre os exemplos práticos trazidos pela empresa em suas peças processuais justamente para demonstrar a lógica do procedimento que adota, o que demonstra ao menos a falta de interesse em conhecer a prática adotada. erro 5: a fiscalização sustenta (páginas 16 e 17 do RF) que, dos 20 contratos de aquisição de direitos autorais apresentados na impugnação e recurso, apenas 7 deles estariam escriturados no passivo da Recorrente. Com isso conclui que os outros 13 contratos apresentados não haviam sido registrados na contabilidade da empresa. Mais uma vez fica evidente o desconhecimento do Ilustre Fiscal no tocante às informações prestadas e de toda documentação fornecida. Isto porque, na linha do que explana, os contratos contabilizados no Passivo da Recorrente eram apenas aqueles cuja a empresa ainda tinha parcelas a serem quitadas com os fornecedores estrangeiros (os 07 contratos acima listados). Os demais contratos (13) relativos às operações de aquisição de "Direitos Autorais" fornecidos pela Recorrente, referemse àqueles que, embora completamente quitados, ainda eram passíveis de amortização. Ou seja, são os contratos representativos das amortizações registrados na conta contábil 1321.00014 Direitos Autorais. Logo, não existe falta de contabilização dos contratos como quer crer o Ilustre Fiscal. Outro ponto suscitado na página 17 do Relatório Fiscal trata da falta de apresentação dos contratos de câmbio relativos aos contratos de exibição de filmes da Paramount n°s 004/95, 009/98 e 012/98. Mesmo alegando já ter entregue tais documentos no decorrer do procedimento de fiscalização, a Recorrente apensa (como Doc. 06) em sua Manifestação relatório emitido pelo Banco Central do Brasil BACEN listando todas as Fl. 4068DF CARF MF Processo nº 18471.001024/200518 Resolução nº 1201000.323 S1C2T1 Fl. 14 13 remessas feitas através de contrato de câmbio para liquidação de suas operações com os fornecedores estrangeiros em razão dos contratos de Exibição de Filmes. erro 6: a fiscalização atesta (folha 17 do RF) que, dos 67 (sessenta e sete) contratos de cessão de direitos autorais, somente 39 (trinta e nove) teriam sido escriturados no ano calendário de 2000, bem como que não foram juntados ao processo 10 (dez) contratos ali relacionados. Essa alegação beira o absurdo, segundo afirma a Recorrente, uma vez que todos os contratos elencados foram devidamente entregues e constam do processo, conforme quadro que indica as folhas processuais onde encontramse cada um desses 10 (dez) contratos. erro 7: Nas páginas 20 a 41 do Relatório Fiscal, o auditor fiscal apresenta seus cálculos concernentes à amortização e de variação cambial dos Contratos de Cessão de Direitos Autorais com empresas no exterior, apurandose, desta forma, os valores do custo com Amortização Contrato Preço Fixo (Cta. 5111.00009) e das despesas de Variações Cambiais Passivas (Cta. 5611.00004), bem como apresenta os cálculos das Variações Cambiais Passivas (Cta. 5611.00004) relativas aos contratos de "Cessão de Direitos" com empresas nacionais. Segundo a Recorrente tais cálculos estão equivocados por possuírem algumas inconsistências, a saber: (i) não utilização de todos os contratos para fins de cálculo das amortizações, conforme quadro indicativo e suas respectivas memórias de cálculos (Doc. 07). (ii) equívoco quanto ao número de meses de duração de cada contrato de Direitos Autorais adquiridos de empresas no exterior, e que servem para definir o número de parcelas a serem amortizadas. Neste particular, o Sr. Fiscal apresentou em seus cálculos prazos de duração dos contratos descritos nas páginas 20 a 25 do seu Relatório Fiscal completamente diferentes dos prazos originais estipulados em cada contrato. Mais precisamente, o fisco utilizou prazos muito superiores aqueles previstos contratualmente o que, por óbvio, acaba por impactar no valor da amortização mensal, reduzindose sensivelmente o seu valor, conforme demonstrado. (iii) não foi considerado, no tocante ao contrato da Paramount 004/95, celebrado em setembro de 1995, os efeitos da correção monetária de balanço, na qual os contribuintes deveriam submeter seu Ativo Permanente aos índices de correção da época de forma a minimizar os efeitos corrosivos inflacionários. Assim, o valor em reais do contrato da Paramount 004/95 adotado pelo fiscal mediante simples conversão do dólar norte americano da época não está correto, já que os efeitos da correção monetária de balanço acabaram acrescentado o valor em reais, que em janeiro de 1996 montava em R$ 510.019,44. (iv) em relação à variação cambial dos contratos de Direitos Autorais (Cta. 5611.00004), não foram considerados os pagamentos de parcelas de contratos mediante operações de câmbio junto ao BACEN, além de existir divergências nas taxas de câmbio adotadas. (v) no tocante à variação cambial passiva apurada nos contratos de Cessão de Direitos (Exibição) com empresas nacionais, o Ilustre Fiscal adota metodologia própria para apuração dos valores nas folhas 20 a 41 do seu Relatório Fiscal, completamente oposta ao critério efetivamente utilizado pela Recorrente e que em momento algum foi questionado. Fl. 4069DF CARF MF Processo nº 18471.001024/200518 Resolução nº 1201000.323 S1C2T1 Fl. 15 14 erro 8: na página 42 do RF, a fiscalização se vale de uma premissa errada quanto a não previsão contratual de incidência de TR nos contratos de exibição de filmes com empresas nacionais (variações monetárias passivas conta 5611.00007). Ao contrário do quanto alegado, os contratos possuem sim cláusula nesse sentido, conforme demonstrado exemplificativamente. erro 9: da análise da "Planilha de Apuração de Cálculo da Amortização e Variação Cambial" constante da página 43 do Relatório Fiscal, o fiscal cometeu outro equívoco, qual seja, a utilização de taxa de dólar diferente da que se utilizou no 1o Relatório Fiscal. Em seguida a contribuinte apresenta outra petição (fls. 3.491 e seguintes), manifestandose da seguinte forma: [...] realizando o trabalho que deveria ter sido realizado pelo AFRFB, a Requerente comprovou as origens das despesas financeiras, despesas com variações monetárias passivas/cambiais e as amortizações de direitos autorais deduzidas do lucro real, de forma que não subsiste o crédito tributário a título de IRPJ e CSLL para o ano calendário de 2000. Para tanto demonstrou que os contratos de câmbio fornecidos comprovam as remessas realizadas para pagamento das obrigações com fornecedores estrangeiros, relativamente diversos Contratos de Cessão de Direitos firmados pela Requerente com a Paramount e não apenas os de número 001 e 002 de 1997. Para elucidar melhor a questão, foram apresentadas planilhas demonstrando que foram realizadas as remessas para pagamento dos Contratos de Cessão de Direitos, as quais são corroboradas pelos seguintes Contratos de Câmbio da Paramount em anexo: Contrato de Câmbio Paramount n° 001/94 (Doc. 01); Contrato de Câmbio Paramount n° 001/95 (Doc. 02); Contrato de Câmbio Paramount n° 002/95 (Doc. 03); Contrato de Câmbio Paramount n° 007/98 (Doc. 04); Contrato de Câmbio Paramount n° 001/99 (Doc. 05); Contrato de Câmbio Paramount n° 002/99 (Doc. 06); Destacase que a realização de operações de câmbio para quitação dos referidos contratos pode ser comprovada pelo relatório do Banco Central do Brasil de Registro das Operações de Câmbio (Doc. 07). Além disso, demonstrou que nos contratos de exibição de filmes consta expressamente que o preço do contrato corresponde a uma parte em dólar norte americano e o restante em TR. Destacase que na manifestação ao relatório fiscal a Requerente fez tal demonstração por amostragem, evitando, com isso, que esta fosse mais extensa do que a versão apresentada. Assim, nesta oportunidade, para evitar qualquer questionamento, apresenta cópia de todos os Aditivos de Contratos com cláusulas de atualização pela Taxa Referencial (TR) que Fl. 4070DF CARF MF Processo nº 18471.001024/200518 Resolução nº 1201000.323 S1C2T1 Fl. 16 15 discriminados, em 2000, na conta "Variação Monetária Passiva" (Doc.08) Ademais, para que não paire qualquer dúvida quanto a regularidade do procedimento adotado pela Requerente, em complemento aos documentos já anexados aos autos, apresenta os abaixo listados: Planilha de variações cambiais (Doc. 09); Planilha de variações monetárias (Doc. 10); Planilha de amortização da cessão de direitos autorais (Doc. 11); Dessa forma, a Requerente reitera os argumentos expostos na manifestação ao relatório fiscal, pugnando pelo reconhecimento da improcedência das alegações fiscais contidas no Relatório Fiscal ora combatido. Percebese, assim, que a Recorrente insiste na falta de compreensão do procedimento contábil por parte da fiscalização, contrapondo o cálculo elaborado como resultado do trabalho fiscal através de exemplos pontuais e alegações diretas que evidenciam a existência de equívocos (chamados de "9 erros") que contaminariam o trabalho fiscal. Além disso, cumpre notar que a Recorrente ainda selecionou e apresentou documentos (identificados nas manifestações) pretensamente tido como não entregues ou omissos, na tentativa de reforçar a improcedência dos lançamentos. Nesse estado de coisas, entendo que, além da análise dos aspectos contábeis, a documentação e os argumentos invocados pela Recorrente nas manifestações à diligência (fls. 3.297/3.478 e 3.491/4.054) também devem ser apreciados e melhor analisados. Tratamse, segundo penso, de elementos inerentes à dialética processual, trazidos nos autos do presente processo com motivação adequada e na tentativa de questionar o mérito da glosa que foi mantida em primeira instância. Não vejo essa situação enquadrarse como hipótese de preclusão ou intempestividade de prova, mas sim de legítimo exercício de ampla defesa e necessidade de busca pela verdade material. Em que pese já terem sido efetuadas outras duas diligências, a minha opinião é a de que o conjunto probatório dos autos ainda gera dúvidas quanto à procedência ou não da autuação e devem ser melhor investigados. No que diz respeito ao pedido da Recorrente relativo à nomeação de autoridade fiscal distinta, apesar de não me opor ao pleito, este deve ser analisado pelo órgão designador competente, não competindo esta ordem ao presente Julgador. Pelo exposto, proponho a conversão do julgamento em DILIGÊNCIA, retornando o processo à unidade de origem, para que a autoridade fiscal designada se manifeste sobre os argumentos e documentos juntados com as respostas da diligência (fls. 3.297/3.478 e 3.491/4.054), nos seguintes pontos: a) informar se as alegações do contribuinte quanto à forma de contabilização dos contratos mencionada na resposta à diligência, fls. 1.809 a 1.815, especialmente em relação aos Fl. 4071DF CARF MF Processo nº 18471.001024/200518 Resolução nº 1201000.323 S1C2T1 Fl. 17 16 registros de receitas e despesas de variação monetária/cambial glosados (o contribuinte alega que parte das despesas de variação monetária/cambial seriam anuladas pelas receitas correspondentes), são verdadeiras; b) verificar a existência dos 9 (nove) equívocos apontados pelo contribuinte na sua resposta de fls. 3.297/3.478, manifestandose sobre cada um deles individualmente; c) analisar se, diante do conjunto probatório acostado, especialmente a resposta e documentos de fls. 3.491/4.054, ainda assim permanece a caracterização de ausência de entrega de memória de cálculo das variações cambiais, conforme relatado no Relatório Fiscal de fls. 3.238; d) com base nos documentos juntados e esclarecimentos prestados (fls. 3.297/3.478 e 3.491/4.054), justificar se a empresa autuada logrou comprovar a origem dos custos e despesas objeto da glosa, identificando eventuais valores aceitos como comprovados. O resultado da diligência deve constar de relatório conclusivo que aborde todos os pontos em questão e do qual a contribuinte deverá ser intimada para se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. Após isso devem os autos retornar ao CARF para julgamento do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 4072DF CARF MF
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Numero do processo: 10735.903834/2012-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
INSUMOS DESONERADOS. PRINCÍPIO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. IPI. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
INSUMOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O adquirente de produto isento e oriundo da Zona Franca de Manaus não possui direito ao crédito presumido.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.219
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Raphael Madeira Abad, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. IPI. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62 do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. INSUMOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O adquirente de produto isento e oriundo da Zona Franca de Manaus não possui direito ao crédito presumido. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 38 34 /2 01 2- 80 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10735.903834/201280 Acórdão n.º 3302005.219 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Raphael Madeira Abad, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de IPI que foi indeferido pelo Despacho Decisório (Eletrônico) do Delegado da Receita Federal do Brasil em Uberlândia/MG, que não reconheceu na sua totalidade o crédito pleiteado através de PER/DCOMP e não homologando as compensações vinculadas que excediam o limite do montante porventura reconhecido. O crédito foi apurado pelo estabelecimento filial, inscrito no CNPJ sob nº 00.455.985/000492. Os motivos do indeferimento foram a constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado e a ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Na Informação Fiscal que acompanha o DDE a justificativa para a glosa assim foi expressa: “Referido estabelecimento industrial opera dentro da planta industrial de um fabricante de óleos vegetais para alimentação, onde produz com exclusividade embalagens "pet" de 900 ml. (garrafas plásticas), classificadas na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) no códigofiscal 3923.30.00, tributadas à alíquota de 15%. Com base nas vias originais das notas fiscais de aquisições colocadas à nossa disposição, constatamos que a quase totalidade dos citados insumos foram adquiridos da empresa Valfilm Amazônia Ind. e Com. Ltda., estabelecida na Zona Franca de Manaus, com a isenção do IPI prevista no art° 69, inciso II do Decreto n° 4.544/2002 (art° 81, inciso II do Decreto n° 7.212/2010). Mesmo hão havendo imposto destacado nas referidas notas fiscais, a Interessada em sua escrita fiscal aproveitou créditos presumidos do mesmo na ordem de 15% sobre valor do insumo adquirido. (grifei). Intimada a informar e identificar a base legal em que se baseou para aproveitar citados créditos presumidos, a mesma assim se pronunciou: "A empresa adquire produtos originários da Zona Franca de Manaus, classificação fiscal 3923.30.00 tributados na TIPI à alíquota de 15% (quinze por cento), mas que em face do disposto no artigo 69, inciso II, do Decreto n° 4.544/2002 (art. 81, inciso II do Decreto n° 7.212/2010) são isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados. Por esse motivo, com base no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999: nos artigos 164, 165 e 167, do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto n° 4.544/2002 (RIPI), na nãocumulatividade do IPI prevista no art. 153, IV, § 3o, II da Constituição Federal de Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10735.903834/201280 Acórdão n.º 3302005.219 S3C3T2 Fl. 4 3 1988 e alicerçada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal conforme decisão originada do RE212.484/RS, DJ de 27/1198, nos períodos compreendidos do 1o trimestre de 2008 ao 4o trimestre de 2010 creditouse do imposto calculado à alíquota de 15% (quinze por cento) sobre o valor das compras efetuadas, a título de crédito presumido. ...” Inconformada com a decisão proferida, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, com as alegações a seguir sintetizadas. Inicialmente, alega a tempestividade da manifestação. Sustenta que não estaria comprovado que a intimação por via postal teria sido improfícua, fato que teria ensejado a intimação por edital. Diz ter ficado sabendo que o débito compensado já se encontrava em cobrança final em 05 de novembro de 2013, quando verificou que o processo administrativo havia sido incluído no Relatório de Situação Fiscal emitido pela Receita Federal do Brasil na situação “DEVEDOR”. E assim, considerando que nesta data a Requerente foi devidamente intimada, o prazo para contestação encerraria em 05 de dezembro de 2013. Alega ainda que, até a presente data, sequer teria obtido cópia do Processo Administrativo Eletrônico. Quanto ao mérito, defende o aproveitamento de crédito de IPI referente a aquisições de insumos fornecidos pela empresa Valfilm Amazônia Indústria e Comércio Ltda., com a isenção prevista no art. 9º do Decretolei 288/1967 e do então vigente artigo 69, II, do RIPI/2002. Considera equivocado o posicionamento do AuditorFiscal no sentido de que o simples fato de não ter sido cobrado imposto na etapa produtiva antecedente impediria o aproveitamento do crédito pelo adquirente do produto beneficiado na etapa subsequente, pois esse entendimento seria incompatível com o princípio da nãocumulatividade do IPI, sobre o qual discorre. Reportase ao entendimento manifestado pelo Exmo. Ministro Nelson Jobim no voto vencedor do Recurso Extraordinário n.° 212.4842/RS, julgado pelo Tribunal Pleno do E. Supremo Tribunal Federal, que transcreve em parte. Ataca também a menção ao Parecer PGFN n.° 405/2003, que não teria eficácia normativa em relação ao presente caso, pois referese à possibilidade de creditamento do IPI nas aquisições de insumos tributados à alíquota zero, não havendo nenhuma relação com as operações isentas do IPI, provenientes da Zona Franca de Manaus de que se trata neste processo. Sustenta que a circunstância de se tratar de insumos provenientes da ZFM daria ainda mais guarida ao seu direito pois se trata de isenção peculiar, com natureza de incentivo regional, que somente será efetivo se o direito ao crédito for mantido em favor do adquirente. Tanto que o próprio E. Supremo Tribunal Federal consignou recentemente no julgamento do Recurso Extraordinário n.° 566.819 que o julgamento ali proferido para as hipóteses de creditamento de IPI decorrente de aquisições de insumos isentos não contempla os casos de insumos beneficiados por isenção concedida à Zona Franca de Manaus. Finalizando, solicita o cancelamento dos débitos e o arquivamento do processo administrativo. Uma vez que se encontrava esgotado o prazo para apresentação da manifestação de inconformidade, o interessado interpôs ação de mandado de segurança (M.S n° 0002832.23.2013.4.02.5120) junto à 2a Vara Federal de Nova Iguaçu, na qual obteve liminar que assegurou a suspensão da exigibilidade dos débitos compensados e o direito ao exame de manifestação de inconformidade, nos seguintes termos: "(...) DEFIRO A LIMINAR Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10735.903834/201280 Acórdão n.º 3302005.219 S3C3T2 Fl. 5 4 para suspender a exigibilidade do crédito tributário objeto dos processos administrativos arrolados na inicial, devendo as manifestações de inconformidade apresentadas nos referidos processos administrativos (n°s 10735.903830/201200, 10735.903831/201246. 10735.903832/201291, 10735.903833/201235, 10735.903834/201280. 10735.903835/2012 24, 10735.903836/201279, 10735.903838/201268. 10735.903839/201211, 10735.903840/201237, 10735903.829/201277 e 10735.903837/201213) serem processadas e encaminhadas para julgamento.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 10053.124. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.216, de 26 de fevereiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10735.903831/201246, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.216): "Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Em pesquisa no site deste E. Conselho constatei que foi formalizado o processo nº 19515.721546/201278, decorrente de autuação fiscal na referida empresa em relação à glosa de créditos indevidos por aquisições de insumos isentos, provenientes da empresa Valfilm Amazônia Indústria e Comércio Ltda., localizada na Zona Franca de Manaus, isenta de IPI nos termos dos art. 69, I e II e 134, II do Decreto nº 4.544/2002. Informa o referido processo que as glosas foram efetuadas após a auditoria fiscal nos Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento PER transmitidos para utilização dos saldos credores do IPI apurados pela Lorenpet, no período de apuração de 1º trimestre/2007 ao 4º trimestre/2008. Estando o PER/DCOMP do presente processo abrangido na referida autuação, adoto como fundamento decisório o voto proferido no Acórdão nº 3301003.626, de 23/05/2017, com escopo no artigo 50, § 1º da Lei nº 9.784, de Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10735.903834/201280 Acórdão n.º 3302005.219 S3C3T2 Fl. 6 5 1999, cuja ementa e excertos do voto estão a seguir transcritos, na parte de interesse: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. INAPLICABILIDADE DOS ART. 150, §4º E 173 DO CTN. Os prazos decadenciais previstos nos art. 150, §4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito de IPI escriturado. ISENÇÃO. CREDITAMENTO DE AQUISIÇÕES DE MATÉRIA PRIMA.ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSSIBILIDADE. Nas operações isentas, como não há cobrança de IPI na saída, então não há direito creditório a ser escriturado, sob pena de violação ao princípio da nãocumulatividade, previsto no art. 153, § 3º, II, da CF/88, art. 49 do CTN, art.25 da Lei nº 4.502/1964 e art. 11 da Lei nº 9.779/1999. Recurso Voluntário Negado. Excertos do voto: Glosa dos créditos de IPI relativo à aquisição de matériaprima com isenção de IPI Não há reparos a serem feitos na decisão de piso, pois a legislação tributária não permite a apropriação de créditos escriturais na aquisição de matériasprimas isentas aplicadas na industrialização, provenientes da Zona Franca de Manaus, como a seguir se expõe. A nãocumulatividade estabelecida no art. 153, § 3º, II, da CF, implica que os produtos que tenham sido tributados pelo IPI geram créditos na entrada em estabelecimentos contribuintes para fins de compensação com o que for devido a título desse mesmo tributo em saídas tributadas realizadas num período de apuração, confrontados os créditos e débitos no RAIPI. A nãocumulatividade voltase à quantificação tributária nas várias etapas de processo produtivo plurifásico, com a finalidade de evitar que a última etapa da cadeia (venda ao consumidor final) seja onerada pelo que se agregou em cada fase anterior. Disso decorre que se não houver recolhimento de IPI na operação precedente, não há que se falar em creditamento, assim, se a entrada de matériaprima for não tributada (alíquota zero, isenção ou nãoincidência),então não haverá direito a crédito escritural correspondente à entrada. Posteriormente ao julgamento do RE nº 212.484, citado pela Recorrente, o STF, nos RE nº 370.682SC e nº 353.657PR, decidiu de modo contrário à sua pretensão: Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10735.903834/201280 Acórdão n.º 3302005.219 S3C3T2 Fl. 7 6 Recurso extraordinário. Tributário. 2. IPI. Crédito Presumido. Insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da nãocumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 4. Recurso extraordinário provido. RE 370.682SC, DJ 19/12/2007. E, IPI. INSUMO. ALÍQUOTA ZERO. AUSÊNCIA DE DIREITO AO CREDITAMENTO. Conforme disposto no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal, observase o princípio da nãocumulatividade compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, ante o que não se pode cogitar de direito a crédito quando o insumo entra na indústria considerada a alíquota zero. IPI. INSUMO. ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO.INEXISTÊNCIA DO DIREITO. EFICÁCIA. Descabe, em face do texto constitucional regedor do Imposto sobre Produtos Industrializados e do sistema jurisdicional brasileiro, a modulação de efeitos do pronunciamento do Supremo, com isso sendo emprestada à Carta da República a maior eficácia possível, consagrandose o princípio da segurança jurídica. RE 353.657PR, DJ 07/03/2008. Em seguida, o STF, no julgamento do RE nº 566.819, alinhou a negativa da possibilidade de creditamento em relação a insumo adquirido sob qualquer regime de desoneração, assentando que insumo isento não dá direito a crédito de IPI:(grifei) IP. CRÉDITO. A regra constitucional direciona ao crédito do valor cobrado na operação anterior. IPI. CRÉDITO. INSUMO ISENTO. Em decorrência do sistema tributário constitucional, o instituto da isenção não gera, por si só, direito a crédito. IPI CRÉDITO. DIFERENÇA. INSUMO. ALÍQUOTA. A prática de alíquota menor para alguns, passível de ser rotulada como isenção parcial não gera o direito a diferença de crédito, considerada a do produto final. RE 566.819, DJ 10022011. Ademais, não há qualquer vinculabilidade do RE nº 212.484, uma vez que o RE nº 592.891, em repercussão geral, ainda não julgado, tratará também do direito ao crédito por aquisições isentas da ZFM, quer isto dizer que não há posicionamento assentado do STF sobre a questão específica da Zona Franca de Manaus. Requer a Recorrente o sobrestamento deste processo até decisão final de mérito no RE nº 592.891. Todavia, não há previsão Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10735.903834/201280 Acórdão n.º 3302005.219 S3C3T2 Fl. 8 7 regimental para essa suspensão, no RICARF atualmente em vigência, Portaria nº 343/2015. Por fim, devese destacar que o RE nº 566.819 deve ser adotado para os casos em que os produtos sejam provenientes da Zona Franca de Manaus, uma vez que a lógica da desoneração é a mesma. O STJ, em recurso repetitivo, no REsp nº 1.134.903 SP, DJ 24/06/2010, consignou a impossibilidade de creditamento nas entradas isentas:(grifei). PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA FIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não cumulatividade (Precedentes oriundos do Pleno do Supremo Tribunal Federal: (RE 370.682, Rel. Ministro Ilmar Galvão, julgado em 25.06.2007, DJe165 DIVULG 18.12.2007 PUBLIC 19.12.2007 DJ 19.12.2007; e RE 353.657, Rel. Ministro Marco Aurélio, julgado em 25.06.2007, DJe041 DIVULG 06.03.2008 PUBLIC 07.03.2008) 2. É que a compensação, à luz do princípio constitucional da nãocumulatividade (erigido pelo artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988), darseá somente com o que foi anteriormente cobrado, sendo certo que nada há a compensar se nada foi cobrado na operação anterior. 3. Deveras, a análise da violação do artigo 49, do CTN, revelase insindicável ao Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista sua umbilical conexão com o disposto no artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição (princípio da nãocumulatividade),matéria de índole eminentemente constitucional, cuja apreciação incumbe, exclusivamente, ao Supremo Tribunal Federal. 4. Entrementes, no que concerne às operações de aquisição de matériaprima ou insumo não tributado ou sujeito à alíquota zero, é mister a submissão do STJ à exegese consolidada pela Excelsa Corte, como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal. 5. Outrossim, o artigo 481, do Codex Processual, no seu parágrafo único, por influxo do princípio da economia processual, determina que "os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a arguição de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes ou do plenário, do Supremo Tribunal Federal sobre a questão”. 6. Ao revés, não se revela cognoscível a insurgência especial atinente às operações de aquisição de Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10735.903834/201280 Acórdão n.º 3302005.219 S3C3T2 Fl. 9 8 matériaprima ou insumo isento, uma vez pendente, no Supremo Tribunal Federal, a discussão acerca da aplicabilidade, à espécie, da orientação firmada nos Recursos Extraordinários 353.657 e 370.682 (que versaram sobre operações não tributadas e/ou sujeitas à alíquota zero) ou da manutenção da tese firmada no Recurso Extraordinário 212.484 (Tribunal Pleno, julgado em 05.03.1998, DJ 27.11.1998), problemática que poderá vir a ser solucionada quando do julgamento do Recurso Extraordinário 590.809, submetido ao rito do artigo 543B, do CPC (repercussão geral). 7. In casu, o acórdão regional consignou que: "Autorizase a apropriação dos créditos decorrentes de insumos, matériaprima e material de embalagem adquiridos sob o regime de isenção, tão somente quando o forem junto à Zona Franca de Manaus, certo que inviável o aproveitamento dos créditos para a hipótese de insumos que não foram tributados ou suportaram a incidência à alíquota zero, na medida em que a providência substancia, em verdade, agravo ao quanto estabelecido no art. 153, § 3°, inciso II da Lei Fundamental, já que havida opção pelo método de subtração variante imposto sobre imposto, o qual não se compadece com tais creditamentos inerentes que são à variável base sobre base, que não foi o prestigiado pelo nosso ordenamento constitucional." 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Em seguida, o REsp nº 1.429.525SP, DJ 20/02/2014, com base no recurso repetitivo acima, expressamente indicou:(grifei). TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS E MATÉRIASPRIMAS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU FAVORECIDOS COM ALÍQUOTA ZERO PROVENIENTES DA ZONA FRANCA DE MANAUS. TEMA JÁ JULGADO EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO (ART. 557, CPC). Do voto do relator Mauro Campbell Marques extraise o seguinte trecho: De observar que, muito embora o item "6" da ementa suso transcrita indique a negativa de conhecimento dos recursos especiais onde se discute o direito ao creditamento relativo às operações de aquisição de matériaprima ou insumo isento, mutatis mutandis, tendo já havido o julgamento da matéria pelo STF, deve ser utilizada a mesma lógica para ser conhecido o recurso e aplicada a jurisprudência do Pretório Excelso, prestigiando a uniformização jurisprudencial e a isonomia fiscal, indiferente tratarse de isenção proveniente da Zona Franca de Manaus, posto que a lógica é a mesma.(grifei). Por conseguinte, nas operações isentas, como não há cobrança de IPI na saída, então não há direito creditório a ser escriturado, sob pena de violação do princípio da não cumulatividade, previsto no art. 153, § 3º, II, da CF/88, art. 49 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10735.903834/201280 Acórdão n.º 3302005.219 S3C3T2 Fl. 10 9 do CTN, art. 25 da Lei nº 4.502/1964 e art. 11 da Lei nº 9.779/1999. No sentido de impossibilidade de creditamento na entrada de insumos isentos da Zona Franca de Manaus, citese o acórdão nº 3403003.242 (j. 16/09/2014), no qual a Recorrente Lorenpet figura também como parte: Assunto: Imposto sobre Produtos IndustrializadosIPI Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 IPI. DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA PRIMA ISENTA. ZONA FRANCA DE MANAUS.IMPOSSIBILIDADE. O Supremo Tribunal Federal já entendeu, no passado, pelo direito de crédito de IPI nas aquisições de matériasprimas isentas (RE 212.484), o que chegou a ser estendido às aquisições sujeitas à alíquota zero (RE 350.446), mas este entendimento foi posteriormente alterado, passando a mesma Corte a entender que não há direito de crédito em relação às aquisições não tributadas e sujeitas à alíquota zero (RE 370.682), depois estendendo o mesmo entendimento em relação às aquisições isentas (RE 566.819), de maneira que a jurisprudência atual é no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas dão direito ao crédito do imposto. Nada obstante o Supremo Tribunal Federal tenha reconhecido existir a Repercussão Geral especificamente em relação à aquisição de produtos isentos da Zona Franca de Manaus ZFM (Tema 322; RE 592.891), isto não equivale ao reconhecimento do direito de crédito, além de que, não pode este Tribunal Administrativo analisar a constitucionalidade das leis (Súmula CARF nº 1). Conjuntura dos fatos que autoriza a aplicação ao presente caso do entendimento do STF no RE 566.819, visto não haver decisão em contrário no RE 592.891. Precedente (Acórdão 3403003.050, Rel. Cons. Luiz Rogério Sawaya Batista, j. 22/07/2014). Recurso negado. Além disso, a Súmula CARF n° 18 prescreve que a aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Entendo que a alíquota zero e a isenção têm a mesma repercussão de não gerarem recolhimento na entrada, o que veda o creditamento, como acima já se defendeu. Ainda na mesma linha de impossibilidade de creditamento na entrada de insumos isentos da Zona Franca de Manaus, citase o julgado de 27/09/2016, proferido no processo 19515.001412/201075, da mesma empresa conforme a seguir ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10735.903834/201280 Acórdão n.º 3302005.219 S3C3T2 Fl. 11 10 Data do fato gerador: 31/08/2005, 30/09/2006, 30/11/2006, 31/12/2006 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.DECADÊNCIA. Nos casos em que há pagamento antecipado do imposto, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário será de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). CREDITAMENTO. IPI. INSUMOS DESONERADOS. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não dá direito ao creditamento do tributo, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não umulatividade. Cabe destacar que neste processo a empresa apresentou recurso especial, o qual foi negado seguimento de forma definitiva, uma vez que o acórdão recorrido observou decisão do STJ proferida sob a sistemática dos recursos repetitivos. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio cingese ao direito a créditos de IPI nas aquisições de insumos isentos provenientes da Zona Franca de Manaus. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10735.903834/201280 Acórdão n.º 3302005.219 S3C3T2 Fl. 12 11 Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.001651/2005-02
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
CONTRARRAZÕES. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Não são conhecidas as contrarrazões apresentadas fora do prazo de 15 dias previsto no artigo 68 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, instituído pela Portaria MF nº 256/2009.
Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
EXCLUSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. ATIVIDADE VEDADA. ARTIGO 9º, XIII, DA LEI Nº 9.317/1996. PROVA.
Não há fundamento para a exclusão da pessoa jurídica do regime do SIMPLES por desrespeito ao inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, se não restar provada a efetiva prestação de serviços constante da acusação.
Numero da decisão: 9101-003.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Re^go - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 CONTRARRAZÕES. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Não são conhecidas as contrarrazões apresentadas fora do prazo de 15 dias previsto no artigo 68 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, instituído pela Portaria MF nº 256/2009. Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 EXCLUSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. ATIVIDADE VEDADA. ARTIGO 9º, XIII, DA LEI Nº 9.317/1996. PROVA. Não há fundamento para a exclusão da pessoa jurídica do regime do SIMPLES por desrespeito ao inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, se não restar provada a efetiva prestação de serviços constante da acusação.
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INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Não são conhecidas as contrarrazões apresentadas fora do prazo de 15 dias previsto no artigo 68 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, instituído pela Portaria MF nº 256/2009. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. ATIVIDADE VEDADA. ARTIGO 9º, XIII, DA LEI Nº 9.317/1996. PROVA. Não há fundamento para a exclusão da pessoa jurídica do regime do SIMPLES por desrespeito ao inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, se não restar provada a efetiva prestação de serviços constante da acusação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 16 51 /2 00 5- 02 Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13971.001651/200502 Acórdão n.º 9101003.388 CSRFT1 Fl. 214 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela PGFN, em face do acórdão nº 1301001.076, da 1ª Turma Ordinária/3ª Câmara do CARF, assim ementado: “Anocalendário: 2002 SIMPLES/EXCLUSÃO. Empresas prestadoras de serviços de processamento de dados não se enquadram entre as que exercem atividades impeditivas de enquadramento no SIMPLES.” De acordo com o voto condutor do aresto recorrido: A) o objeto social da recorrida, desde quando denominada Benner Serviços Ltda, é comercialização de sistemas de computadores, locação de sistemas de processamento de dados e prestação de serviços de processamento de dados; B) os contratos de fls. 45/49 e as notas fiscais nº 187/190 e 152/155, juntados por amostragem pela Delegacia da Receita Previdenciária em Blumenau, na representação de fls. 01/03, expõem a realização de serviços de processamento de dados, instalação e manutenção de sistemas, serviços de testes em sistemas e serviços de elaboração de documentação, que não estão sujeitos à vedação ao Simples regido pela Lei nº 9.617/1996. Ciência da PGFN em 28/12/2012, à fl. 153. Recurso Especial da PGFN interposto no dia 07/01/2013. Nessa oportunidade, apresenta o acórdão nº 30237857, o qual assentou o entendimento de que a atividade de processamento de dados inclui a atividade de programação, que está incluída nas vedações do inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996. Seguindo nessa linha, a PGFN requer que o Recurso Especial seja conhecido e, no mérito, provido, para reformar o acórdão recorrido, restaurandose a decisão de primeira instância. Ciência da recorrida no dia 02/04/2013, à fl. 167. Contrarrazões apresentadas por via postal, com carimbo do dia 14/05/2013, aposto pelos Correios no envelope de remessa, conforme efl. 192. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13971.001651/200502 Acórdão n.º 9101003.388 CSRFT1 Fl. 215 3 Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Na interposição do presente Recurso Especial, foram atendidos os requisitos de recorribilidade. Dele conheço. Antes de prosseguir no exame de mérito, impõese consignar que as contrarrazões da recorrida foram apresentadas fora do prazo de 15 dias previsto no artigo 68 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, instituído pela Portaria MF nº 256/2009. Por esse motivo, não serão conhecidas. De acordo com o relatório de fls. 61/64, a recorrida foi excluída do Simples por desenvolver programas informatizados e comercializálos, assegurando sua posterior manutenção, servindose, para tanto, de mão de obra composta por programadores, analistas de sistemas, consultores e técnicos de implantação. A autoridade fiscal descreve, ainda, que o contrato social e alterações posteriores, às fls. 07/39, mencionam que o objeto social compreende a comercialização de sistemas para computadores, locação de sistemas de processamento de dados, treinamento e instrução na área de processamento de dados. Também alude às fichas de registro de empregados, às fls. 40/44, e à folha de pagamentos de salários, às 52/56, que apontariam o emprego de mão de obra constituída basicamente por programadores, analistas de sistemas, consultores e técnicos de implantação. Por fim, assinala que o contrato de fls. 45/49 evidencia a prestação de serviços de instalação e manutenção de sistemas. Ao final do relatório, à fl. 64, afirmouse que a situação excludente foi constatada em 01/03/1999, com o registro de remunerações pagas/devidas a programadores e analistas de sistemas na folha de pagamento do mês de março de 1999 (fls. 52/56). Na verdade, a folha de pagamentos não comprova a prestação de serviços e, sim, a contratação de mão de obra, assim como as fichas de registro de empregados, às fls. 40/44. Estas, por sua vez, somente desvelam a contratação de empregados em 2000 (fl. 40), 2002 (fl. 41) e 2004 (fls. 42/44). Portanto, tais fichas sequer refletem fatos ocorridos em 1999, marco temporal fixado na acusação. Já no contrato de prestação de serviços de instalação e manutenção de sistemas, às fls. 45/49, datado de 15 de janeiro de 1998, com prazo de duração de 12 meses, previuse a renovação automática por igual período, desde que ausente manifestação em contrário das partes contratantes. Isso pode sugerir, a princípio, que os serviços de instalação e manutenção de sistemas, então convencionados, avançaram ao anocalendário de 1999. No entanto, o contrato de prestação de serviços de instalação e manutenção de sistemas, ora em foco, não comprova nada além da obrigação que as partes assumiram. Em outras palavras, o contrato de fls. 45/49 é insuficiente para atestar a execução da obrigação convencionada. Por último, cabe ressaltar que a autoridade fiscal também coletou notas fiscais de prestação de serviços, às fls. 50/51, só que emitidas em 2004 e 2005, distantes do marco temporal de 1999 e dele desprendidas, uma vez ausente qualquer evidência de vínculo entre esse marco temporal e os serviços referidos nessas notas fiscais. Em suma, não há prova consistente para suportar a afirmação de que a recorrida prestou serviços vedados, no ano calendário de 1999. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13971.001651/200502 Acórdão n.º 9101003.388 CSRFT1 Fl. 216 4 É preciso fixar a atenção no verbo “prestar”, ao qual se associa o objeto "serviços profissionais", ambos inscritos no tipo legal do inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, os quais deslocam o ônus da prova para a Fiscalização. Ou seja, só a efetiva prestação de serviços vedados dá causa à exclusão do Simples com base no inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996. Nesses termos, devese reconhecer que a Administração Tributária fracassou na produção da prova da efetiva prestação de serviço interditado ao Simples, pois os documentos reunidos nos autos para esse fim não são aptos a demonstrar que a recorrida prestou os serviços descritos na peça acusatória. Ademais, a mera previsão no objeto social apenas demarca as atividades que os sócios da pessoa jurídica se propõem a empreender, o que não significa que se obrigam a exercêlas ou que tenham sido exercidas. Portanto, em face do exposto, conheço do Recurso Especial da PGFN para, no mérito, negar lhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 216DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.925663/2012-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.090
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para determinar à Unidade de Origem que promova as correções do despacho decisório considerando a DCTF retificadora. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para determinar à Unidade de Origem que promova as correções do despacho decisório considerando a DCTF retificadora. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologara a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando que retificara a DCTF, bem como o Dacon, de forma a adequá los às diferenças e créditos apurados para o período. A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse embasar o indébito tributário alegado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 25 66 3/ 20 12 -2 2 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10680.925663/201222 Resolução nº 3201001.090 S3C2T1 Fl. 144 2 Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou a existência do crédito postulado, alegando o seguinte: a) retificou o Dacon antes da transmissão do Per/DComp; b) na Manifestação de Inconformidade, esclareceu que o débito estava incorretamente informado na DCTF original, motivo de sua retificação, mas corretamente lançado no Dacon; c) houve espontaneidade na retificação da DCTF pois ocorrera antes da ciência do despacho decisório, conforme documentos demonstrativos da situação; d) a DCTF retificadora é prova do indébito do qual decorre o direito creditório; e) a recusa em aceitação da DCTF retificadora viola o art. 147 do CTN e art. 9º da IN RFB nº 1.110/2010; f) inferese do Dacon e da DCTF retificadores que, no período de apuração destes autos, não havia débitos, assim o recolhimento por DARF do valor erroneamente informado nas declarações originais tornaramse indevidos, constituindose crédito do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.083, de 30/01/2018, proferido no julgamento do processo 10680.925656/201221, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.083): Em face de debates surgidos em sessão de julgamento, fui designada redatora da posição vencedora em decorrência de divergência aberta. Como se verifica pelo relato dos fatos, a compensação declarada pelo Contribuinte não foi admitida em razão de o crédito informado, decorrente de pagamento indevido ou a maior, estar vinculado a débito regularmente declarado em DCTF. Contudo, tendo sido demonstrado que a referida DCTF foi retificada pelo contribuinte anteriormente à cientificação do Despacho Decisório, temse que o crédito deve ser analisado em face das informações constantes do documento retificador, que substitui integralmente o original. Isso não significa afirmar que o crédito informado não possa ser averiguado pela Fiscalização, notadamente em razão do fato de que a retificação ocorreu posteriormente à emissão do Despacho Decisório e, Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10680.925663/201222 Resolução nº 3201001.090 S3C2T1 Fl. 145 3 portanto, em face de informações constantes nos sistemas da RFB naquele momento. Tratase de situação na qual a análise inicial deve ser revista em face do documento retificador admitido pela RFB. Desse modo, e em respeito ao Princípio da Verdade Material, propõese a conversão do feito em diligência para que a Autoridade Lançadora efetue nova análise da compensação efetuada a partir das informações constantes na DCTF retificadora, podendo intimar o Contribuinte a apresentar documentos que entenda necessários, além daqueles já apresentados nos presentes autos. Após, concedase o prazo de 30 (trinta) dias ao Contribuinte para que se manifeste acerca do resultado da diligência. Concluída a instrução do feito, retornem os autos para julgamento. Da mesma forma que ocorreu no paradigma, neste processo, o contribuinte retificou a DCTF antes da ciência do despacho decisório. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Lançadora efetue nova análise da compensação efetuada a partir das informações constantes na DCTF retificadora, podendo intimar o Contribuinte a apresentar documentos que entender necessários, além daqueles já apresentados nos presentes autos. Após, concedase o prazo de 30 (trinta) dias ao Contribuinte para que se manifeste acerca do resultado da diligência. Concluída a instrução do feito, retornem os autos para julgamento. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 145DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.005385/2001-32
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1995
TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIES A QUO E PRAZO PARA EXERCÍCIO DO DIREITO. ART. 62, §2º, DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Pedido de Restituição apresentado em 01/06/2001.
O CARF está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543-B e 543-C, do CPC (art. 62-A do Anexo II do RICARF). Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621-RS, bem como aquele esposado pelo STJ no REsp nº 1.269.570-MG, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, formalizados antes da vigência da Lei Complementar (LC) nº 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, como no caso em tela, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, §4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Tese dos 5 + 5. Somente com a vigência do art. 3º da LC nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. SÚMULA CARF Nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Afastada a decisão sobre a decadência/ prescrição do indébito, que justificou anteriormente a negativa ao pedido de restituição, os autos devem retornar à DRF de origem (DRF/Belo Horizonte) para nova decisão sobre o pleito em questão.
Numero da decisão: 9101-003.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para afastar a negativa em relação ao pedido de restituição, com retorno dos autos à Unidade de Origem.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para afastar a negativa em relação ao pedido de restituição, com retorno dos autos à Unidade de Origem. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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USIMINAS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1995 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIES A QUO E PRAZO PARA EXERCÍCIO DO DIREITO. ART. 62, §2º, DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Pedido de Restituição apresentado em 01/06/2001. O CARF está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C, do CPC (art. 62A do Anexo II do RICARF). Assim, conforme entendimento firmado pelo STF no RE nº 566.621RS, bem como aquele esposado pelo STJ no REsp nº 1.269.570MG, para os pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, formalizados antes da vigência da Lei Complementar (LC) nº 118, de 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, como no caso em tela, o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação é de cinco anos, conforme o artigo 150, §4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido. Tese dos 5 + 5. Somente com a vigência do art. 3º da LC nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. SÚMULA CARF Nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Afastada a decisão sobre a decadência/ prescrição do indébito, que justificou anteriormente a negativa ao pedido de restituição, os autos devem retornar à DRF de origem (DRF/Belo Horizonte) para nova decisão sobre o pleito em questão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 53 85 /2 00 1- 32 Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10680.005385/200132 Acórdão n.º 9101003.453 CSRFT1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial para afastar a negativa em relação ao pedido de restituição, com retorno dos autos à Unidade de Origem. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), pelo qual a contribuinte alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto ao que se decidiu sobre prescrição/decadência de direito creditório reivindicado em pedido de restituição apresentado antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 180100.105, de 01/10/2009, por meio do qual a 1ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiu manter a negativa do direito creditório reivindicado pela contribuinte, em razão de sua prescrição/ decadência. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1995 Restituição Anocalendário 1995 DECADÊNCIA OCORRÊNCIA. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de saldo negativo de CSLL recolhidos como estimativa em 1995 extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da entrega da DIRPJ. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, declarar a decadência do pedido de restituição/compensação, vencida a Conselheira Cheryl Berno (Relatora) que adota a tese dos dez anos. Designado o Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10680.005385/200132 Acórdão n.º 9101003.453 CSRFT1 Fl. 4 3 Conselheiro Rogério Garcia Peres para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral pela Recorrente Dr. Enio Barbosa de Biasi CRC/SP n° 188170252/00. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento do recurso, foram apresentados os argumentos descritos a seguir: DO CABIMENTO DO RECURSO. DAS PRELIMINARES DE OFENSA À SÚMULA 91 E AO ARTIGO 62A DO RICARF. as decisões ora recorridas, por não admitirem o direto ao pleito de restituição de indébitos no prazo prescricional de 10 (dez) contados do fato gerador, negam vigência, a um só tempo, ao art. 62A o RICARF, assim como à Súmula n° 91 desta Corte Administrativa, pelo que, devem ser reformadas em caráter preliminar, o que desde o logo se requer; DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL RELACIONADA AO RECONHECIMENTO DE OFÍCIO, DA DECADÊNCIA DO DIREITO AO INDEFERIMENTO DAS COMPENSAÇÕES. a decisão ora recorrida dá interpretação divergente da que lhe tinha dado outros órgãos julgadores deste E. Tribunal Administrativo, nos termos do art. 67 de seu Regimento Interno, o que, para os fins do disposto no § 4° do mesmo artigo, passa a indicar como julgamentos paradigmas da divergência, ao final colacionados: 1) Acórdão n° 9101001.914 "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Ano calendário: 1995. IRPJ/CSLL. RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. PRAZO PRESCRICIONAL. O prazo prescricional para o pedido de repetição saldo negativo de IRPJ/CSLL, com apuração anual, é de 10 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte do anocalendário subsequente ao encerramento do período de apuração (data da ocorrência do fato gerador), para pedidos protocolizados até o dia 8 de junho de 2005 (anterior à vigência da Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005). RE 566.621/RS com repercussão geral. Art. 62A do RICARF. Recurso Especial da Fazenda Nacional negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, com retorno à origem." como facilmente se percebe, a divergência do acórdão recorrido, integrado pela decisão proferida em sede de Embargos de Declaração, com o atual posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cristalizada no Acórdão n° 9101001.914, é gritante; enquanto o v. acórdão recorrido consigna que "(...) o direito de postular a restituição do saldo negativo de CSLL, referente ao anocalendário de 1995 teve seu dies a quo Fl. 571DF CARF MF Processo nº 10680.005385/200132 Acórdão n.º 9101003.453 CSRFT1 Fl. 5 4 no dia 29/03/2001, já que a DIRPJ foi entregue em 28/03/1996. Como os pleitos da Recorrente foram formalizados em data posterior, 1/06/2001, é evidente o transcurso do prazo decadencial." (fl. 290), o v. acórdão 9101001.914 paradigma, com acerto, representando o atual posicionamento deste Colegiado não deixa a menor sombra de dúvida que, o Contribuinte possui o prazo de 10 (dez) anos para pleitear a restituição dos valores indevidamente recolhidos, desde que protocolados antes à vigência da LC 118/2005; em outras palavras, o v. acórdão recorrido aplica o (indevido) prazo de 5 (cinco) anos para pleitear a restituição do indébito, ao passo que o v. acórdão paradigma, concede o prazo de 10 (dez) anos para a Recorrente solicitar a devolução do tributo recolhido indevidamente aos cofres públicos, autorizando, neste contexto, o conhecimento do presente Recurso Especial; ademais, o v. acórdão recorrido não viola somente o entendimento da atual jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como também o entendimento da Primeira Seção deste Colegiado. Apesar de a transcrição do v. acórdão paradigma Acórdão n° 9101001.914 já ser mais do que suficiente para o processamento (e provimento) deste Recurso Especial, a Recorrente indica, igualmente, o seguinte acórdão como divergente: 2) Acórdão n° 1102000.915 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. Ano calendário: 1995, 1996, 1997, 1998, 1999. PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 9 DE JUNHO DE 2005. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do RE n° 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 9 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4º, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após a ocorrência do fato gerador. Como o pedido de restituição de CSLL foi protocolado em 27/12/2002, permanece o direito de se pleitear a restituição pretendida, relativa a pagamentos efetuados nos anos de 1995 e 1996, já que engloba apenas tributos com fatos geradores ocorridos após 27/12/1992. Recurso Voluntário Provido em Parte." desta forma, comprovada a indiscutível divergência jurisprudencial entre o v. acórdão recorrido (Acórdão 180100.105) com os acórdãos 9101001.914 e 1102000.915 prolatados, respectivamente, pela Câmara Superior de Recursos Fiscais e pela Primeira Seção deste Colegiado, é indiscutível que o presente Recurso Especial que trata exclusivamente do prazo para a Recorrente pleitear a restituição do indébito deve ser conhecido e provido em seu mérito, com a determinação do retorno dos autos para a repartição de origem apurar o quantum a ser restituído; DO MÉRITO RECURSO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10680.005385/200132 Acórdão n.º 9101003.453 CSRFT1 Fl. 6 5 DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005 (aplicação do art. 62A do RICARF em razão do julgamento do RE 566.621/RS). no que diz com o direito creditório da Recorrente, conforme exaustivamente demonstrado, não reconhecido em nenhum grau de jurisdição do presente processo, com fundamento de que estaria fulminado pela decadência por ocasião de seu exercício, vislumbra se a ocorrência de fato superveniente ao julgamento ora recorrido, consubstanciado na declaração de inconstitucionalidade da aplicação da LC 118/2005 a casos pretéritos, sendo este o caso dos presentes autos; com efeito, em data de 04/08/2011, o E.S.T.F., em sede de julgamento de repercussão geral, proferiu decisão em sentido contrário ao do acórdão recorrido; ressaltese que o caso foi julgado nos moldes do artigo 543B do Código de Processo Civil4. Por seu turno, nos termos do referido artigo 62A do Regimento interno deste Conselho, as decisões definitivas, proferidas de acordo com o comando do artigo 543B do CPC, vinculam os conselheiros, que devem reproduzilas em seus julgamentos; e, justamente por essa razão, a Recorrente opôs Embargos de Declaração para que simplesmente fosse cumprido o regimento interno desta Corte, contudo, os declaratórios foram rejeitados, abrindo a via do presente Recurso Especial; cumpre, por importante, ressaltar que o §1° do referido artigo 62A do Regimento Interno do CARF determina que processo administrativo em que se discuta questão com repercussão geral reconhecida pelo STF deve ficar sobrestado, o que seria o caso dos presentes autos, pelo que, o julgamento havido e ora recorrido não obedeceu aos comandos prescritos; quanto ao julgamento realizado pelo E.S.T.F., reconheceuse que, apesar de a Lei Complementar 118/2005 ter se intitulado interpretativa, inovou no ordenamento jurídico, vez que reduziu o prazo para repetição ou compensação de indébitos, dos chamados "10 (dez)" anos contados do o fato gerador, nos casos de lançamento por homologação, para "5 (cinco)" anos, contados do pagamento indevido; desta forma, restou julgado que, a fim de não ofender à Constituição Federal, o artigo 4º da Lei Complementar 118/2005, somente se aplica aos processos posteriores à entrada em vigor de referida lei, exatamente, o caso dos presentes autos, contrariando o acórdão ora recorrido; vejase o teor da ementa em questão, extraída do acórdão do Recurso Extraordinário 566.621/RS, paradigma da repercussão geral: [...]; no caso dos autos, o lídimo direito a pleitear a restituição do tributo recolhido indevidamente é incontestável, já que toda a discussão gravitou em um único sentido de que o prazo seria de 5 (cinco) anos, em total descompasso com o decidido pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal; isso porque, o direito creditório pleiteado (e sequer analisado) foi gerado durante o anocalendário de 1995, com o primeiro DARF sendo recolhido em 20.01.1995 e o último recolhimento realizado em 29.03.1996, ao tempo que o Pedido de Restituição foi Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10680.005385/200132 Acórdão n.º 9101003.453 CSRFT1 Fl. 7 6 protocolado em 01.06.2001, dentro, portanto, do prazo de 10 (dez) anos contatos do pagamento indevido; neste particular e sem maiores delongas em razão da pacificação do tema, tendo em vista que a matéria travada nos autos se refere unicamente à já pacificada discussão de que o Contribuinte possui o prazo de 10 (dez) anos para pleitear a restituição do indébito antes da entrada em vigor da LC 188/2005, este Nobre Conselheiro Relator deve aplicar o disposto no artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, o qual reza que esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas de STF em sede de Repercussão Geral nos seguintes termos: [...]; dando integral cumprimento ao Regimento Interno deste Egrégio Conselho e em sintonia com o decidido pelo Egrégio STF são os diversos precedentes jurisprudenciais desta Segunda Instância Administrativa, conforme se infere de diversos julgados (Acórdão 9900000.728; Acórdão 9900000.459; Acórdão 9900000.767; Acórdão 1801000.970; Acórdão 930301.985; Acórdão 1801001.485; Acórdão 9101001.522; Acórdão 9101 001.654; Acórdão 3102001.844; Acórdão 2401003.108; Acórdão 1102000.915); tal entendimento foi petrificado através da Súmula n° 91: Súmula CARF n° 91: "Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador." no caso em exame, sob quaisquer ângulos, tendo como marco inicial o pagamento indevido ou a data dos fatos geradores, inexistem dúvidas de que o Pedido de Restituição protocolado em 01.06.2001, referente ao saldo credor de CSLL apurado no ano calendário de 1995, foi dentro do prazo de 10 (dez) anos; face ao exposto, resta evidente que o acórdão ora recorrido não está em consonância com o entendimento do S.T.F. e deste Egrégio Colegiado, devendo, por isso, ser reformado; desta forma, com base no art. 62A, do RICARF, a Recorrente requer a aplicação do referido dispositivo para, em cumprimento ao decidido pelo Plenário do STF (RE 566.621/RS) na forma do art. 543B do Código de Processo Civil, bem como em sintonia com a recentíssima Súmula 91 desde Egrégio Colegiado, requerer a reforma do acórdão recorrido, para fins de que lhe seja aplicado o entendimento exarado pelo S.T.F. no caso em concreto; DO PEDIDO. em face de todo exposto, requer, respeitosamente a esta C. Câmara Superior, o acolhimento da preliminar argüida, reformandose as decisões ora recorridas, para, aplicandose o art. 62A do RICARF, bem como a Súmula 91, de 09.12.2013 deste Egrégio Tribunal, reconhecer o direito ao pleito restitutório no período de 10 (dez) anos a contar do fato gerador, relativamente ao Pedido de Restituição efetuado em 01.06.2001, referente aos recolhimentos efetuados a maior de CSLL do anocalendário de 1995 (20.01.1995 até 29.03.1996); Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10680.005385/200132 Acórdão n.º 9101003.453 CSRFT1 Fl. 8 7 Assim não se entendendo, requer seja o presente RECURSO ESPECIAL conhecido, processado e provido para, nos termos das decisões conflitantes com o acórdão ora recorrido, e em consonância com o entendimento verificado pelo Plenário do STF na forma definida pelo art. 543B do CPC (RE 566.621/RS), reformar a decisão recorrida. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, a Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 1300 000.118, exarado em 14/04/2015, deu seguimento ao recurso, fundamentando sua decisão na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Ao analisar a questão suscitada pela Recorrente, em face aos acórdãos ditos paradigmas, verifico que a Recorrente logrou comprovar que houve interpretação diferente entre Câmaras deste Conselho, quanto ao prazo prescricional para os pedidos de restituição/compensação protocolizados antes de junho de 2005, havendo, posteriormente, sido editado por este órgão de julgamento a Súmula nº 91, a seguir transcrita, que versa sobre a matéria: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Por conseguinte, restando configurada a divergência arguida pela recorrente, devese dar seguimento ao presente Recurso Especial. Em 08/05/2015, a PGFN comunicou que foi cientificada do despacho que deu seguimento ao recurso especial da contribuinte, e não apresentou contrarrazões ao recurso. É o relatório. Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10680.005385/200132 Acórdão n.º 9101003.453 CSRFT1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. A contribuinte suscitou divergência de interpretação da legislação tributária em relação à decisão que considerou decaído/prescrito o direito creditório por ela reivindicado em Pedido de Restituição apresentado em 01/06/2001, antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005. Ela busca a reforma do acórdão recorrido, para que prevaleça o entendimento de que o prazo prescricional para os pedidos de restituição/compensação formulados antes do advento da LC n° 118/05 é de 10 (dez) anos, e não de 5 (cinco) anos, como entendeu o acórdão recorrido. O direito creditório pleiteado no referido Pedido de Restituição (fl. 01) corresponde a saldo de CSLL recolhida a maior no anocalendário de 1995. Esse pedido de restituição estava acompanhado de um Pedido de Compensação (fl. 02). Entretanto, em momento posterior, a contribuinte apresentou petição solicitando o cancelamento desse pedido de compensação (fls. 67/68), de modo que o crédito ficasse disponível para oportunamente ser utilizado. A divergência entre o acórdão recorrido e os paradigmas cingese à questão do prazo para os contribuintes pleitearem restituição de direito creditório. Não deixo de perceber que a contribuinte registra seu inconformismo com o acórdão recorrido, tratandoo também como uma questão preliminar de seu recurso especial. Contudo, as questões por ela suscitadas, atinentes ao art. 62A do antigo RICARF e à Súmula CARF n° 91, configuram o próprio mérito do recurso especial, e é nessa seara que elas devem ser examinadas. Conforme o § 2º do artigo 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, esta Corte Administrativa deve reproduzir as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C do CPC. No que tange ao objeto do presente recurso, houve pronunciamento do STF no julgamento do RE nº 566.621 Rio Grande do Sul, Relatora Exma. Ministra Ellen Gracie, bem como do STJ no julgamento do REsp nº 1.269.570 Minas Gerais, Relator Exmo. Ministro Mauro Campbell Marques, com efeito repetitivo, ao qual o CARF deve se curvar, conforme expressa disposição regimental. O entendimento exarado pelas Cortes Superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação, para os pedidos protocolados antes da vigência da Lei Complementar 118, de Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10680.005385/200132 Acórdão n.º 9101003.453 CSRFT1 Fl. 10 9 2005, ou seja, antes de 09/06/2005, como no caso, é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º, do CTN, somado ao prazo de cinco anos, previsto no artigo 168, I, desse mesmo código. Tese dos 5 + 5. O referido acórdão do Supremo Tribunal Federal (STF) restou assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO –VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permite se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10680.005385/200132 Acórdão n.º 9101003.453 CSRFT1 Fl. 11 10 Recurso extraordinário desprovido. Segue a ementa do mencionado acórdão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que foi prolatado após a decisão do STF: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 3º, DA LC 118/2005. POSICIONAMENTO DO STF. ALTERAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SUPERADO ENTENDIMENTO FIRMADO ANTERIORMENTE TAMBÉM EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. 1. O acórdão proveniente da Corte Especial na AI nos Eresp nº 644.736/PE, Relator o Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 27.08.2007, e o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009, firmaram o entendimento no sentido de que o art. 3º da LC 118/2005 somente pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. Sendo assim, a jurisprudência deste STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior. 2. No entanto, o mesmo tema recebeu julgamento pelo STF no RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011, onde foi fixado marco para a aplicação do regime novo de prazo prescricional levandose em consideração a data do ajuizamento da ação (e não mais a data do pagamento) em confronto com a data da vigência da lei nova (9.6.2005). 3. Tendo a jurisprudência deste STJ sido construída em interpretação de princípios constitucionais, urge inclinarse esta Casa ao decidido pela Corte Suprema competente para dar a palavra final em temas de tal jaez, notadamente em havendo julgamento de mérito em repercussão geral (arts. 543A e 543B, do CPC). Desse modo, para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º, do CTN. 4. Superado o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009. 5. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008." (Grifos no original) O entendimento acima foi inclusive sumulado por este Tribunal Administrativo conforme a seguir: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Como a reivindicação do direito creditório ocorreu em 01/06/2001, antes portanto de 09/06/2005, a contribuinte se enquadrava na sistemática do prazo de dez anos, a contar do fato gerador, para pleitear a restituição do tributo pago indevidamente ou a maior. Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10680.005385/200132 Acórdão n.º 9101003.453 CSRFT1 Fl. 12 11 Nessa data de 01/06/2001, ela poderia reivindicar indébitos relacionados a fatos geradores ocorridos até 01/06/1991, que não haveria decadência/prescrição do direito creditório. No caso, o direito creditório reivindicado é proveniente de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1995 (fato gerador ocorrido em 31/12/1995), e, assim, ele não estava atingido pela decadência/prescrição na data de apresentação do pedido de restituição (em 01/06/2001). Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso especial da contribuinte, para afastar a negativa em relação ao pedido de restituição de fl. 01, que estava fundamentada na decadência/prescrição do direito creditório, devendo os autos retornarem à DRF de origem (DRF/Belo Horizonte) para nova decisão sobre o pleito em questão. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 579DF CARF MF
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Numero do processo: 14774.000113/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
GLOSA DE CRÉDITOS DO IPI. INEXISTÊNCIA DE PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE.
Os prazos decadenciais previstos nos artigos 150, §4º e 173 do CTN aplicam-se somente ao direito de constituir o crédito tributário e não ao direito de glosar o crédito do IPI escriturado, para o qual não existe determinação legal a respeito da matéria.
PEDIDO RESSARCIMENTO CUMULADO COM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR NO FINAL DO TRIMESTRE CALENDÁRIO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de homologação as compensações declaradas pelo contribuinte se comprovado nos autos que, no final trimestre calendário, não havia saldo credor do IPI passível de ressarcimento ou compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 GLOSA DE CRÉDITOS DO IPI. INEXISTÊNCIA DE PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. Os prazos decadenciais previstos nos artigos 150, §4º e 173 do CTN aplicam se somente ao direito de constituir o crédito tributário e não ao direito de glosar o crédito do IPI escriturado, para o qual não existe determinação legal a respeito da matéria. PEDIDO RESSARCIMENTO CUMULADO COM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE SALDO CREDOR NO FINAL DO TRIMESTRE CALENDÁRIO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de homologação as compensações declaradas pelo contribuinte se comprovado nos autos que, no final trimestre calendário, não havia saldo credor do IPI passível de ressarcimento ou compensação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 77 4. 00 01 13 /2 00 9- 13 Fl. 924DF CARF MF 2 José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório integrante da Resolução nº 3302000.466, de 11 de dezembro de 2014, que segue transcrito: Tratase de pedido de ressarcimento de IPI no montante de R$ 4.393.597,14, referente ao terceiro trimestre de 2004. Em virtude dos pedidos de ressarcimento apresentados, foi realizada fiscalização no estabelecimento tendo sido localizadas irregularidades que culminaram na reescrita dos livros contábeis. Por retratar a realidade dos fatos, peço vênia a meus pares para reproduzir o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, a saber: “Do Processo Administrativo A empresa transmitiu, em 12/11/2004, o Pedido de Ressarcimento (PER/DCOMP n° 06489.44712.081204.1.7.019009) do saldo credor acumulado do IPI, no 3º Trimestre/2004, à Receita Federal do Brasil, no valor de R$ 4.393.597,14 (Quatro milhões, trezentos e noventa e três mil, quinhentos e noventa e sete reais e catorze centavos), conforme fl. 02. Para fins de análise do referido PER/DCOMP, foi formalizado o processo administrativo MF n° 14774.000113/200913. A partir do início da fiscalização, a empresa foi devidamente intimada a apresentar documentos, consoante Termos de Intimação, às fl. 170/175, 176, 177, 178, 179 a 180, 181, 277 a 280, além do Termo de Reintimação, de fl. 168/169. Ressaltese que o PER/DCOMP em questão se refere a supostos créditos de IPI de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens empregados, no período do 3º Trimestre/2004, na industrialização promovida pelo estabelecimento. Às fl. 436/457, encontrase Termo de Informação Fiscal elaborado pela Auditoria Fiscal, onde responsáveis pelos exames expõem os fatos e o direito aplicável à espécie e informam, em minúcias, aspectos relativos à análise efetuada. Destaco o que entendo como relevante ao exame de mérito, a ser apresentado, em nosso decisório. Em seu relato, a Fiscalização, de forma criteriosa, destacou pontos (itens) relacionados com a análise efetuada, que subsidiaram a conclusão final, quais sejam: créditos do IPI; créditos ressarcíveis de IPI; créditos não ressarcíveis de IPI; reclassificação de créditos; débitos de IPI; apuração do saldo credor ressarcível; verificação dos saldos Fl. 925DF CARF MF Processo nº 14774.000113/200913 Acórdão n.º 3302005.315 S3C3T2 Fl. 925 3 credores após o trimestre; e demonstrativo dos totais solicitado e reconhecido do PER/DCOMP. Em tais tópicos (itens), as Autoridades responsáveis pela análise do Pedido de Ressarcimento detalham e discriminam a forma como chegaram aos valores finais, identificando as razões orientadoras no sentido de subsidiar a Autoridade Administrativa competente a proferir Despacho Decisório sobre o alegado direito creditório de Contribuinte. Tudo devidamente explicitado, ao final, em Demonstrativo, de fl. 435, dos autos. Em conclusão, as referidas Autoridades Fiscais sugeriram o indeferimento total do PER/DCOMP, com a conseqüente não homologação das Declarações de Compensação apresentadas pelo contribuinte, submetendo suas considerações à instância superior. Do Despacho Decisório A partir da análise efetuada pelos Auditores Fiscais, relatadas anteriormente, concordando com os fundamentos expostos no Termo de Informação Fiscal, parte integrante dos autos, a DRF/REC, por meio de Despacho Decisório, indeferiu o Pedido de Ressarcimento, em questão, ante o reconhecimento da inexistência de créditos por parte da Interessada, com a conseqüente não homologação das compensações objeto do presente processo administrativo. Da Manifestação de Inconformidade Inconformada com a decisão administrativa, de cujo teor foi cientificada em 17/09/2009, fl 461, a Requerente apresentou, em 16/10/2009, a Manifestação de Inconformidade, de fl. 463/805, onde apresenta, em síntese, as seguintes razões de discordância: 1) começa por destacar seu ramo de atividade, ressaltando que, até hoje, promove a comercialização de bebidas alcoólicas, diretamente importadas ou importadas por outros estabelecimentos de sua titularidade e recebidas em transferência, e fabricadas por terceiros mediante a remessa de insumos, sob sua encomenda ou sob a encomenda de outros estabelecimentos de sua titularidade, sendo, portanto, regular contribuinte do IPI; 2) em razão de ter gerado saldos credores de IPI, passou a utilizar esses créditos para compensação com seus próprios débitos de tributos federais, transmitindo os competentes Pedidos de Ressarcimento de IPI/Declarações de Compensação PERD/ COMP; 3) em procedimento fiscal instaurado, em fevereiro de 2009, a fiscalização federal considerou que o estabelecimento praticou infrações relativas ao crédito e ao pagamento do IPI, desde 2004 a maio de 2008, sendo, em conseqüência, lavrado, em julho de 2009, AI de nº “10480.721782/200959”. Não concorda com o entendimento da fiscalização no sentido da inexistência de qualquer direito a ressarcimento no tocante ao 3º trimestre de 2004; Fl. 926DF CARF MF 4 4) afirma a Manifestante que os créditos de IPI lançados, além de legítimos, são passíveis de ressarcimento. Os débitos de IPI exigidos no auto de infração, de que decorre o PAF no 10480.721782/200969, os quais resultaram na inexistência de saldos credores seriam indevidos; 5) Salienta que os débitos de tributos federais objeto das compensações não homologadas em decorrência do não reconhecimento do direito creditório encontramse, desde já, com a exigibilidade suspensa, diante da apresentação da Manifestação de Inconformidade; 6) salienta que o julgamento da presente Manifestação de Inconformidade deve ser sobrestado até o encerramento da discussão administrativa em curso no PAF n° 10480.721782/200969, processo originário. O julgamento acerca do mérito da existência ou não de saldo credor do IPI no 3° Trimestre/2004, a ser realizado nos presentes autos dependerá, por óbvio, do quanto for decidido no PAF n° 10480.721782/200969; 7) argúi preliminar de decadência parcial, alegando que foi cientificada da lavratura do AI que decorre o PAF n° 10480.721782/200969, em 03/08/2009, ou seja, cinco anos após a verificação dos respectivos fatos geradores ocorridos no período de janeiro até 03/08/2004; 8) realiza operações de industrialização sob encomenda, na condição de encomendante, com estabelecimento de terceiros; 9) não pode prevalecer a reclassificação de créditos de IPI promovida pela fiscalização, uma vez que a qualificação como créditos com direito a ressarcimento foi expressamente reconhecida pela RFB, na Solução de Consulta no 57/2002; 10) não concorda com a reclassificação de crédito de IPI relacionado com a aquisição de produtos que seria relacionado com material de embalagem (insumos). Também afirma que nenhum dos motivos externados pela Autoridade Fiscal no sentido da glosa de créditos seria a ela aplicáveis; 11) passa a rebater conclusões do Fisco no sentido das operações envolvendo as bebidas Vodca Smirnoff e Uísque Bell’s, que se submetem à sistemática da Lei 7.798/89 (classe de valor do IPI). Afirma não ter adotado classes de valores de IPI inferiores àquelas legalmente impostas para os referidos produtos. Afirma ter comprovado a total improcedência desses pretensos débitos de IPI, nos autos do processo 10480.721782/200959. Reproduz as alegações defensórias externadas no mencionado processo.” Após analisar as razões de inconformidade, a 6ª Turma da DRJ/REC proferiu o acórdão 1136.621 (fls.821/828), que restou da seguinte forma ementado: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade dos débitos oriundos das compensações nãohomologadas decorre automaticamente da interposição de manifestação de inconformidade tempestiva, não Fl. 927DF CARF MF Processo nº 14774.000113/200913 Acórdão n.º 3302005.315 S3C3T2 Fl. 926 5 cabendo, portanto, qualquer manifestação por parte do Órgão Julgador Administrativo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONEXÃO. Apenas questões que tratam de pleitos individualizados, formulados pela requerente, ensejam análises igualmente individualizadas e distintas por parte do órgão julgador competente. Constatada a conexão entre processos, sendo julgado o processo principal, desnecessária a análise de questões nos autos do outro processo, quando já superadas nos autos do dito principal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” – destacamos. Em resumo, a decisão de primeira instância administrativa reconheceu que as principais matérias em discussão nos presentes autos foram tratadas nos autos do processo administrativo no 10480.721782/200969, razão pela qual no presente caso a turma de julgamento apenas apreciou a questão referente à conexão e suspensão do julgamento. Diz a mencionada decisão: “No presente procedimento fiscal, a DRF/REC indeferiu o pedido de ressarcimento de IPI, do 3° trimestre/2004, por não existir créditos favoráveis à Interessada, considerando, portanto, não homologadas as compensações realizadas, por indevidas. Tudo em consonância com a legislação que rege o tema, devidamente fundamentado nos Termos e Relatórios integrantes dos autos. Registrese que as glosas dos créditos efetivadas pela fiscalização, no procedimento fiscal que resultou na lavratura do AI 10480.721782/200969, foram confirmadas quando do julgamento do citado PAF, não restando outra alternativa senão concordar com o conteúdo do Despacho Decisório (DRF/REC), que indeferiu o Pedido de Ressarcimento, com a conseqüente não homologação das compensações objeto do presente processo administrativo.” – destacamos. Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 838/885), por meio do qual reiterou suas razões de inconformidade, reiterando o pedido de conexão deste processo ao 10480.721782/200969. Sob o argumento de que o julgamento do mérito do presente processo estava vinculado ao julgamento do mérito do processo nº 10480.721782/200969, por meio da referida Resolução, este Colegiado converteu o julgamento em diligência, para requerer prioridade no julgamento do recurso especial interposto no âmbito do citado processo e, após tal julgamento, a decisão proferida fosse anexada aos presentes autos, para o julgamento definitivo do presente recurso voluntário. Fl. 928DF CARF MF 6 Em cumprimento ao determinado na citada diligência, foram colacionados aos autos os despachos de admissibilidade e reexame de admissibilidade do recurso especial (fls. 915/918), em que, de forma definitiva, foi negado seguimento ao referido recurso especial. Em 22/6/2015, a recorrente foi cientificada do resultado da diligência, mas não se manifestou a respeito. Com a conclusão da diligência, os autos retornaram a este Conselho para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Não há controvérsia quanto ao fato de que o julgamento do mérito do presente processo estava vinculado ao que decidido no julgamento do mérito do processo nº 10480.721782/200969. Nesse sentido, o voto condutor do julgado recorrido, expressamente, asseverou que todas as questões trazidas aos presentes autos, que foram objeto de análise no mencionado processo, não foram analisadas no referido julgamento, a saber, as questões sobre preliminar de decadência, glosas de créditos efetivadas pela fiscalização (insumos não considerados como MP, ME ou PI), eventual direito a créditos relacionados com as suas operações (por encomenda), não adoção de classes de valores de IPI inferiores àquelas legalmente impostas, além da reclassificação de créditos por parte da fiscalização. De outra parte, foram enfrentados no citado julgamento apenas os pontos da lide relativos a: “solução de consulta, pedido de sobrestamento do presente PAF e pedido de suspensão de exigibilidade.” Da mesma forma, no recurso em apreço, a recorrente também confirmou que o julgamento do mérito da existência ou não de saldo credor do IPI no 3° trimestre de 2004 dependia do quanto decidido no âmbito citado processo. Para que não reste dúvida, transcreve se o seguinte excerto extraído do citado recurso: Em outras palavras, dúvidas não restam que o julgamento acerca do mérito da existência ou não de saldo credor do IPI no 3° Trimestre/2004 a ser realizado nos presentes autos, dependerá do quanto for decidido no PAF n° 10480.721782/200969, se apresentando, nesse contexto, a necessidade de sobrestamento dos presentes autos até que ocorra o julgamento do referido processo, em última instância administrativa. (grifos do original) Acontece que, em razão da intempestividade, o recurso voluntário interposto no âmbito citado processo não foi conhecido, conforme explicitado nos enunciados da ementa do Acórdão nº 3403002.141, de 25 de abril de 2013,que seguem transcritos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/05/2008 Fl. 929DF CARF MF Processo nº 14774.000113/200913 Acórdão n.º 3302005.315 S3C3T2 Fl. 927 7 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. NOTIFICAÇÃO. CAIXA POSTAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO ELETRÔNICO. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. ART. 23, III, § 2º, III, § 4º, II, E § 5º, DO PAF. Quando o contribuinte adere à Caixa Postal, pelo Módulo e CAC do site da Receita Federal, seu domicílio tributário passa a ser o endereço eletrônico, de modo que a notificação passa a acontecer na forma do art. 23, III, do Decreto nº 70.235/72. Depois de disponibilizada na Caixa Postal, a notificação considerase realizada 15 dias depois, caso o contribuinte não a acesse antes. É indiferente, no entanto, o fato de o contribuinte ter acessado a Caixa Postal depois de esgotado este prazo ou ter dado ciência pessoal ou tomado ciência por outra forma. Esgotado o prazo de 15 dias para tomar conhecimento, começou o prazo de 30 dias para a interposição de recurso voluntário. O recurso interposto depois desta data é intempestivo. Recurso voluntário não conhecido. Essa decisão tornouse definitiva na esfera administrativa, após rejeição dos embargos de declaração do contribuinte e a não admissibilidade do recurso especial por ele interposto. Diante dessa circunstância, todas as questões suscitadas na peça impugnatória e reiteradas no presente recurso voluntário, incluindo as meritórias analisadas no voto condutor do acórdão de primeiro grau prolatado no processo nº 10480.721782/200969, serão todas elas apreciadas a seguir. No presente recurso, a interessada suscitou os seguintes pontos: 1º) impossibilidade de ressarcimento de créditos do IPI incidente sobre o retorno de produtos industrializados por encomenda; 2º) decadência do direito da glosar créditos do IPI e exigir valores desse imposto em relação ao pedidos de ressarcimento de saldo credor do IPI do 3º trimestre de 2004; 3º) improcedência do auto infração, lavrado em 3/8/2009, integrante do processo nº 10480.721782/200969; e 4º) equívoco do acordo recorrido ao não reconhecer a necessidade de sobrestamento do julgamento deste processo até que ocorra o julgamento do processo nº 10480.721782/200969. O terceiro e quarto ponto não serão aqui analisados. O terceiro por se tratar de matéria estranha aos presentes autos, que trata de ressarcimento de créditos do IPI do 3º trimestre de 2004 mediante compensação, e que foi objeto de decisão definitiva na esfera administrativa, conforme anteriormente informado. O quarto por se tratar de matéria superada, ante a decisão definitiva prolatada no citado processo. Assim, resta a ser analisado apenas os 1º e 2º pontos da controvérsia suscitados no recurso voluntário. E dada a característica de matéria prejudicial de mérito, iniciase pela apreciação da alegada decadência. Da decadência do direito da glosar créditos escriturais do IPI Fl. 930DF CARF MF 8 No presente recurso, a recorrente a alegou que não era admissível a manutenção de qualquer exigência de IPI relacionada aos meses de fevereiro, março, abril, maio, junho e julho de 2004 e em relação às saídas de produtos realizadas nos dias 1, 2 e 3 de agosto de 2004 e tampouco que tais exigências produzissem “quaisquer efeitos na determinação dos saldos credores ao final do 3o trimestre de 2004, posto que tais períodos encontramse fulminados pela decadência”, uma vez que fora cientificada da lavratura do auto de infração no dia 3/8/2009, ou seja, “cinco anos após a verificação dos respectivos fatos geradores ocorridos no período de janeiro até 03/08/2004.” Inicialmente, cabe esclarecer que, por se tratar de matéria estranha aos presentes autos, obviamente, a análise da decadência do direito de lançar revelase totalmente despicienda para deslinde da presente lide. Pela mesma razão, aqui também não cabe a análise da decadência do ajuste realizado no 1º decêndio de julho de 2004, lançado na coluna total de “Débitos Apurados pela Fiscalização” do “DEMONSTRATIVO DE CRÉDITOS E DÉBITOS (RESSARCIMENTO DEIPI) DO 3º TRIMESTRE/2004 (fl. 436), que, segundo o item VII do Termo de Informação Fiscal (fls. 451/453), corresponde aos valores dos débitos apurados (deduzido dos créditos apurados) no período do 2º decêndio de fevereiro de 2004 até o 1º decêndio de julho de 2004, no total de R$ 3.892.681,16, uma vez que tais valores foram lançados no Auto de Infração encartado no citado processo nº 10480.721782/200969 (fls. 292/361). Tais valores encontram se discriminados no Demonstrativo de Reconstituição de Escrita Fiscal (fls. 362/368). Além disso, com base no “DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO 3o TRIMESTRE/2004” (fl. 437), verificase que o referido ajuste foi feito com o evidente propósito de demonstrar que, em vez de saldo credor de período anterior, no valor de R$ 1.711.117,15, a recorrente tinha, de fato, saldo devedor de período anterior, no valor de R$ 1.762.817,59. Portanto, no caso, o que fez fiscalização foi apenas a verificação e a demonstração de que não existia o valor do saldo credor informado pela recorrente. E em relação a esse procedimento de verificação ou apuração de créditos passível ou não de ressarcimento, inequivocamente, não há na legislação tributária federal qualquer preceito normativo que estabeleça o prazo decadencial. Diferentemente do que ocorre com a atividade de lançamento ou de constituição de crédito tributário. No caso, revelase oportuno esclarecer que os presentes autos tratam da análise do Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) n° 06489.44712.081204.1.7.019009, em que pleiteado suposto saldo credor acumulado do IPI no final do 3º trimestre de 2004, no valor total de R$ 4.393.597,14, o qual foi quase integralmente utilizado nas compensações dos débitos, no valor total de R$ 4.393.420,23, declarados nas Declarações de Compensação (DComp) de nºs: 0648944712.081204.1.7.019009, 2371739116.181104.1.3.015043, 02265.47983.081204.1.7.010304, 24628.72219.081204.1.7.019700; 19435.19741.081204.1.3.010982, 30827.78013.101204.1.3.014008 e 1322537590.151204.13.018483. Nesse contexto, sabese que não há legislação tributária federal a fixação de prazo para análise de pedido de ressarcimento ou de restituição de tributos. Somente em relação a compensação declarada foi fixado o prazo de 5 (cinco) anos, contado a entrega da Declaração de Compensação (DComp) para homologação da compensação declarada que, no presente caso, nos termos do art. 741, § 5º, do Lei 9.430/1996, com redação da pela Lei 1 "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 931DF CARF MF Processo nº 14774.000113/200913 Acórdão n.º 3302005.315 S3C3T2 Fl. 928 9 10.833/2003. E no caso vertente, tal prazo foi plenamente obedecido, haja vista que a DComp mais antiga foi entregue em 8/12/2004 e a recorrente foi cientificada do Despacho Decisório (fls. 462/463) não homologatório das compensações no dia 17/9/2009 (fls. 522/524). Logo, não houve homologação tácita das compensações declaradas, por inexistência do crédito informado. Este foi o objetivo principal do procedimento fiscal que resultou na elaboração da Informação Fiscal de 439/461 e no correspondente Despacho Decisório de fls. 462/463. Em relação a decadência do direito de verificar ou apurar a legitimidade dos créditos pleiteados pelos contribuinte ou, em outras palavras, em relação à decadência do direito de glosar créditos indevidos ou não existentes também não há prazo estabelecido na legislação tributária federal. No caso, o que a recorrente pleiteia é a extensão da regra sobre a decadência do direito de constituir o crédito tributário, prevista para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, fixada no art. 150, § 4º, do CTN, também para o direito de a fiscalização proceder a apuração ou glosa de créditos escriturais do IPI, o que não encontra respaldo no ordenamento jurídico do País, por falta de previsão legal nesse sentido. A fixação de prazo de decadência ou prescrição, sabidamente, é matéria de lei, logo, sem lei que estabeleça o prazo de decadência para o procedimento de apuração ou glosa de créditos não pode o intérprete substituir a função indelegável do Poder Legislativo sobre o assunto. A análise da matéria não é nova neste Colegiado. Com efeito, na Sessão de 24 de agosto de 2016, no julgamento dos embargos de declaração interpostos nos autos do processo nº 16095.720120/201388, por meio Acórdão nº 3302003.346, com base no primoroso voto do nobre Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, este Colegiado decidiu, por unanimidade, que os “prazos decadenciais previstos nos artigos 150, § 4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito de IPI escriturado”. O enunciado das ementas do referido julgado ficaram assim redigidas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008, 01/06/2008 a 30/06/2008, 01/09/2008 a 30/09/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão do colegiado em ponto sobre o qual deveria pronunciar. DECADÊNCIA. GLOSA DE CRÉDITOS DE IPI. INAPLICABILIDADE DOS ARTIGOS 150, §4º E 173 DO CTN. [...] § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)" Fl. 932DF CARF MF 10 Os prazos decadenciais previstos nos artigos 150, §4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito de IPI escriturado. Embargos acolhidos em parte. Crédito Tributário Mantido em parte. E por refletir o entendimento deste Conselheiro, com respaldo no art. 50, § 1º, da Lei 9.784/1999, aqui adotase como razão de decidir os mesmos fundamentos exarados no voto condutor do referido julgado da lavra do i. Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, cujos excertos pertinentes sequem transcritos: Relativamente ao prazo decadencial para a constituição de crédito tributário, a matéria encontrase pacificada no STJ, com o julgamento do REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do CPC (recursos repetitivos), cuja decisão definitiva deve ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho, por força da aplicação do artigo 62A do Anexo II do RICARF. Nos termos do julgamento do REsp 973.733/SC, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário dos tributos sujeitos a pagamento antecipado (lançamento por homologação) regese pelo art. 150, §4º do CTN, quando ocorre pagamento antecipado, ainda que inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em dolo, fraude ou simulação. Inexistindo pagamento ou ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo passa a ser regido pelo art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), ou seu parágrafo único, se verificada a existência de medidas preparatórias indispensáveis ao lançamento. Assim, a tese defendida pela recorrente de que a homologação do pagamento se refere à atividade exercida não encontra guarida no Superior Tribunal de Justiça. Entretanto, razão assiste à recorrente quanto à equiparação a pagamento homologável da dedução dos débitos escriturados com créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher, nos termos do artigo 124 do RIPI/2002, vigente à época dos fatos: Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Fl. 933DF CARF MF Processo nº 14774.000113/200913 Acórdão n.º 3302005.315 S3C3T2 Fl. 929 11 Neste sentido, citase Acórdão nº 3403003.172, proferido pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento: DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS. SALDO CREDOR A dedução dos débitos, no período de apuração do IPI, dos créditos admitidos, de que resulta saldo credor equivale a pagamento e é hábil para deslocar a contagem do prazo decadencial para a regra do § 4º do art. 150 do CTN. Embora correta, esta tese defendida pela recorrente não se aplica ao caso presente, pois os prazos decadenciais previstos nos artigos 150, § 4º e 173 do CTN se referem ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito escriturado. A glosa repercute na apuração do IPI quando o contribuinte o utiliza para dedução de débitos, gerando saldos devedores de IPI, estes sim sujeitos ao prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. Pelos mesmos fundamentos apresentados no voto transcrito, este Relator também entende que o regramento sobre a decadência, em especial, os prazos decadenciais previstos tanto no art. 150, § 4º, quanto no art. 173, ambos do CTN, aplicase apenas ao direito de constituir o crédito tributário, mediante lançamento, mas não se aplica ao direito de glosar créditos escriturais do IPI, por se tratar de situação distinta não alcançada pelos citados preceitos legais. Com base nessas considerações e por falta de previsão legal, resta demonstrado que não existe a alegada decadência suscitada pela recorrente, em decorrência, deve ser mantido incólume o procedimento fiscal de apuração do valor crédito pleiteado. Da reclassificação dos créditos não passíveis de ressarcimento Previamente, é pertinente esclarecer que os créditos não passíveis ressarcimento não se confundem com os créditos indevidos. Estes últimos são crédito ilegítimos, por conseguinte, não devem ser registrados na escrita fiscal do contribuinte, porém, se registrados estarão sujeito a glosa por parte da fiscalização. Já os créditos não passíveis de ressarcimento são créditos legítimos, porém, para eles não há previsão legal de ressarcimento em espécie ou mediante compensação. Esse tipo de crédito pode ser mantido na escrita fiscal do contribuinte, para dedução com os débitos do imposto apurados no próprio período de apuração e nos períodos de apuração posteriores. Além disso, se objeto de pedido de ressarcimento, certamente, o pleito será indeferido, por falta de previsão legal. De acordo com o item VI da Termo de Informação Fiscal (fls. 448/450), apurou a fiscalização que os produtos que retornaram da industrialização por encomenda não foram utilizados pela recorrente no seu processo industrial como matéria prima, produto intermediário e material de embalagem. Tais produtos ingressaram no estabelecimento da recorrente já prontos para serem vendidos e consumidos pelo comprador final. Dada essa condição, entendeu a fiscalização que as notas fiscais relativas a essas operações de aquisição (com créditos expressivos de IPI) não eram passíveis de ressarcimento. E diante dessa Fl. 934DF CARF MF 12 constatação, tais créditos foram reclassificados da condição de créditos ressarcíveis para créditos não ressarcíveis ou passíveis de ressarcimento na “(Planilha 01) Demonstrativo das Notas Fiscais de Entradas com RECLASSIFICAÇÃO DE CRÉDITOS de Ressarciveis para Não Ressarciveis do 3° Trimestre/2004” (fls. 413/421), cujo valor total dos créditos reclassificados, apurados no 3º trimestre de 2004, foi de R$ 5.343.554,40. Esse valor, discriminado por decêndio do 3º trimestre de 2004, encontrase replicado nas colunas “D”, “H” e “I” do do “DEMONSTRATIVO DE CRÉDITOS E DÉBITOS (RESSARCIMENTO DEIPI) DO 3º TRIMESTRE/2004 (fl. 436). De outra parte, no recurso em apreço, a recorrente alegou que tais créditos, no valor de R$ 5.343.554,40, eram passíveis de ressarcimento, uma vez que assegurado pelo art. 4o, II, § 1o, da Lei 7.798/1989, com redação dada pela Medida Provisória 2.15835/2001, e autorizado pela Solução de Consulta SRRF/8ª RF/Disit nº 57, de 12 de abril de 2002 (Processo n° 13804.001083/200130), em que a matriz da recorrente figurou como consulente. O referido preceito legal tem a seguinte redação, in verbis: Art. 4º Os produtos sujeitos aos regimes de que trata esta Lei pagarão o imposto uma única vez, ressalvado o disposto no § 1o: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) a) os nacionais, na saída do estabelecimento industrial ou do estabelecimento equiparado a industrial; b) os estrangeiros, por ocasião do desembaraço aduaneiro. § 1º Quando a industrialização se der por encomenda, o imposto será devido na saída do produto: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I do estabelecimento que o industrializar; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II do estabelecimento encomendante, se industrial ou equiparado a industrial, que poderá creditarse do imposto cobrado conforme o inciso I. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) O referido preceito legal assegura apenas o crédito do imposto, mas não o ressarcimento em espécie ou mediante compensação, conforme alegado pela recorrente, uma vez que sequer foi mencionada às formas de utilização de eventual saldo credor acumulado ao final trimestre. No mesmo sentido, também contrariando o alegado pela recorrente, o entendimento exarado na referida Solução de Consulta (fls. 796/804), cujo enunciado da ementa, segue transcrito: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 57 de 12 de Abril de 2002 ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI EMENTA: BEBIDAS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO INSTITUÍDO PELA LEI nº 7.798, DE 1989. OPERAÇÕES DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. A partir de 1º de abril de 2000, quando começou a produzir efeitos o art. 34 da MP nº 1.9911 5, de 2000, atualmente, art. 33 Fl. 935DF CARF MF Processo nº 14774.000113/200913 Acórdão n.º 3302005.315 S3C3T2 Fl. 930 13 da MP nº 2.15835, de 2001, os produtos nacionais incluídos no regime de tributação instituído pela Lei nº 7.798, de 1989, industrializados por encomenda, ficaram sujeitos à incidência do IPI, obrigatoriamente, quando da saída do estabelecimento do industrializador e quando da saída do estabelecimento do encomendante, se industrial ou equiparado a industrial, o qual poderá creditarse do respectivo imposto cobrado pelo industrializador sobre os mesmos produtos. Em face das novas normas específicas que disciplinam a incidência do IPI segundo o regime da Lei nº 7.798, de 1989, em operações de industrialização por encomenda, não mais existe a possibilidade de o retorno ao encomendante dos bens resultantes da industrialização ser efetuado com suspensão do imposto nos termos do art. 40, VIII, do vigente RIPI, nem de o estabelecimento encomendante dar posteriormente saída a esses bens com destino a outros estabelecimentos da mesma empresa, equiparados a industrial, para comércio, aplicando a suspensão prevista no inciso XI do art. 40 do RIPI. Sendo obrigatoriamente tributada a saída dos produtos do estabelecimento do industrializador, nada obsta a que o encomendante destaque o IPI nas remessas de insumos que fizer àquele estabelecimento, para aplicação nos produtos objeto da encomenda. (grifos não originais) Em consonância com o referido preceito legal, a simples leitura do enunciado da ementa da referida Solução de Consulta esclarece e manifesta o entendimento de que ao estabelecimento encomendante (caso da recorrente) é assegurado o direito de creditarse do IPI destacados nas notas fiscais emitidas pelo estabelecimento industrializador dos produtos por encomenda, mas, assim como o referido preceito legal, nada disse sobre as formas de utilização do saldo dos referidos créditos. Além disso, embora no item 16 da referida Solução de Consulta, tenha sido mencionado, obiter dictum, as formas de utilização do crédito do IPI “consoante as normas constantes da IN SRF nº 33, de 4 de março de 1999, em especial em seu art. 2º2”, que compreende tanto a dedução do próprio imposto (art. 2º, § 2º, I), quanto o ressarcimento ou compensação (art. 2º, § 2º, II), no item seguinte (item 17) foi expressamente mencionado que não estavam “corretos os entendimentos apresentados pela consulente, sintetizados nos itens 3, 2 "Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: I quando do recebimento da respectiva nota fiscal, na hipótese de entrada simbólica dos referidos insumos; II no período de apuração da efetiva entrada dos referidos insumos no estabelecimento industrial, nos demais casos. § 1º O aproveitamento dos créditos a que faz menção o caput darseá, inicialmente, por compensação do imposto devido pelas saídas dos produtos do estabelecimento industrial no período de apuração em que forem escriturados. § 2º No caso de remanescer saldo credor, após efetuada a compensação referida no parágrafo anterior, será adotado o seguinte procedimento: I o saldo credor remanescente de cada período de apuração será transferido para o período de apuração subseqüente; II ao final de cada trimestrecalendário, permanecendo saldo credor, esse poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação, na forma da Instrução Normativa SRF Nº 21, de 10 de março de 1997. § 3º Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT)." Fl. 936DF CARF MF 14 4 e 5 do relatório acima, nem, evidentemente, os procedimentos por ela adotados de acordo com tais entendimentos”. Para facilitar a compreensão, transcrevese a seguir os mencionados itens: 16. O estabelecimento encomendante, por sua vez, poderá creditarse do IPI incidente sobre os insumos adquiridos para emprego nos produtos industrializados por encomenda, os quais remeter ao industrializador, bem assim do imposto cobrado pelo industrializador ao lhe retornar os bens resultantes da industrialização, objeto da encomenda. Esses créditos serão utilizados consoante as normas constantes da IN SRF n 33, de 4 de março de 1999, em especial em seu art. 2 . 17. Finalizando, deixese claro que, de acordo com as considerações presentemente feitas, não são corretos os entendimentos apresentados pela consulente, sintetizados nos itens 3, 4 e 5 do relatório acima, nem, evidentemente, os procedimentos por ela adotados de acordo com tais entendimentos, após a eficácia do art. 34 da MP nº 1.99115, de 2000. E o item 4 do relatório integrante da citada Solução de Consulta, cujo entendimento e procedimentos foram reputados incorretos, trata especificamente da consulta formulada pela recorrente sobre a possibilidade de utilização do saldo credor dos referidos créditos acumulados no final do trimestre. Para que não reste dúvida a respeito, transcrevese a seguir o citado item: 4. Entende, além do mais, que, nessas circunstâncias, o estabelecimento encomendante pode manter em sua escrita fiscal os créditos relativos ao IPI incidente nas aquisições de insumos remetidos a terceiros para aplicação nos produtos industrializados por encomenda, bem assim os créditos relativos ao imposto lançado por esses industrializadores nas notas fiscais de retorno da industrialização, como exigido pelo § 1º, inciso I, do art. 4º da Lei nº 7.798, de 1989, na redação dada pelo art. 33 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Esses créditos seriam utilizados conforme previsto no art. 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e na Instrução Normativa nº 33, de 4 de março de 1999. Ou seja, seriam inicialmente abatidos do IPI devido pelo estabelecimento encomendante pelas operações tributadas que realizasse e, havendo saldo de créditos acumulado, remanescente ao final de cada trimestre, poderia o respectivo valor ser objeto de ressarcimento ou de compensação com outros tributos e contribuições federais devidos pela consulente, inclusive por seus demais estabelecimentos. Considerando o disposto no art. 14 da Instrução Normativa nº 21, de 10 de março de 1997, alterada pela Instrução Normativa nº 73, de 15 de setembro de 1997, em se tratando de compensação com o próprio IPI devido por outros estabelecimentos, poderia ser concretizada independentemente de autorização. Dessa forma, o estabelecimento encomendante, ao final de cada trimestre, poderia, segundo a consulente, compensar seu excedente de créditos do IPI com os débitos daquele imposto dos demais estabelecimentos da empresa, simplesmente efetuando a escrituração do valor a compensar na rubrica “Débitos do Imposto Estorno de Créditos” de seu livro modelo 8, adotando o estabelecimento beneficiário o Fl. 937DF CARF MF Processo nº 14774.000113/200913 Acórdão n.º 3302005.315 S3C3T2 Fl. 931 15 procedimento complementar, isto é, efetuando o correspondente lançamento em contrapartida sob a rubrica “Créditos do Imposto Outros Créditos”, de seu livro modelo 8 e discriminando no espaço reservado a observações a origem dos créditos assim recebidos. Tais procedimentos permitiriam, a seu ver, a efetivação da compensação sem emissão de nota fiscal. A leitura conjunta dos itens transcritos não deixa qualquer dúvida que, diferentemente do alegado pela recorrente, a referida Solução de Consulta, expressamente, mencionou que o saldo credor remanescente, acumulado ao final do trimestre calendário, decorrentes dos referidos créditos, não poderia se rutilizado mediante ressarcimento em espécie ou compensação, conforme assegurado no art. 11 da Lei 9.779/1999 e no art. 2º, § 2º, II, da Instrução Normativa SRF 33/1999. Assim, embora a recorrente tenha feito uma leitura seletiva e um esforço retórico enorme para demonstrar que a referida Solução de Consulta havia lhe autorizado a utilizar o saldo de tais créditos, remanescente ao final de cada trimestre, mediante ressarcimento ou compensação com outros tributos e contribuições federais devidos pela consulente, inclusive por seus demais estabelecimentos, a leitura integral do texto da referida Solução de Consulta expressa, exatamente, o contrário, isto é, que a recorrente não poderia utilizar o saldo credor remanescente no final de cada trimestre para fins de ressarcimento ou compensação. Além disso, a leitura combinada dos fundamentos e do enunciado da ementa apresentados na citada SC não deixa qualquer dúvida que o único entendimento manifestado pela recorrente e anuído pelo Órgão consultado foi a forma de tributação na saída do estabelecimento encomendante e encomendatário, bem como o direito de creditarse do imposto, que foi sintetizado no item 2 do relatório integrante da referida SC, que segue transcrito: 2. Entende a consulente, por um lado, que, ao invés de efetuar as remessas de insumos para industrialização por encomenda com suspensão do IPI, poderia passar a tributálas normalmente, pois a suspensão, no caso, como explicitado pelo Parecer Normativo CST nº 234, de 1972, seria uma faculdade e não uma obrigação. Se assim procedesse, o autor da industrialização poderia, consequentemente, creditarse do imposto lançado no respectivo documento fiscal, como previsto no inciso III do art. 147 do atual RIPI. (grifos não originais) Veja que a redação do item 2, o único cujo entendimento manifestado pela consulente foi considerado correto, induvidosamente, não tratou da forma de utilização do saldo credor remanescente dos referidos créditos, o que ocorreu somente no item 4, cujo entendimento foi, expressamente, reputado incorreto pelo Órgão consultado. Assim, ao registrar tais créditos como passíveis de ressarcimento em espécie ou mediante compensação, na sua escrituração contábil e fiscal, a recorrente procedeu de forma contrária ao entendimento exarado na referida Solução de Consulta, que fora por ela própria formulada, e ao assim proceder, inequivocamente, descumpriu a orientação que fora por ela demanda do Órgão da Administração tributária. Fl. 938DF CARF MF 16 De outra parte, ao reclassificar os referidos créditos de ressarcíveis para não ressarcíveis, a fiscalização procedeu de acordo com a legislação vigente e em consonância com entendimento explicitado na dita SC. Portanto, agiu com acerto a fiscalização e não merece qualquer reparo o questionado procedimento reclassificatório em apreço. Entretanto, ainda que fosse procedente a alegação da recorrente, o que se admite apenas para argumentar, a análise do “DEONSTRATIVO DA APURAÇÃO APÓS O PERÍODO DO RESSARCIMENTO DO 30 TRIMESTRE/2004” (fl. 438) revela que, nos períodos de apuração seguintes, a recorrente utilizou mais do que valor do saldo credor remanescente (ressarcível e não ressarcível) no final do 3º trimestre de 2004, uma vez que foi constatado a existência de saldo devedor, no valor de R$ 32.559,36, no 3º decêndio de outubro de 2004, portanto, antes da apresentação do pedido de ressarcimento em apreço, que ocorreu no dia 8/12/2004; ou seja, quando apresentou o presente pedido de ressarcimento, a recorrente já tinha utilizado a totalidade do saldo credor existente no final do 3º trimestre de 2004, passível de ressarcimento ou não, apurado pela fiscalização. Dessa forma, no caso em tela, a mera reclassificação dos créditos não teria nenhum resultado prático, haja vista que, no final do citado trimestre, não havia saldo credor de espécie alguma. Por todas essas razões, não há reparo ser feito no escorreito procedimento fiscal em questão. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por negar provimento ao recurso voluntário, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 939DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.001258/2003-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Anos calendário: 2001, 2002
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO PARCIAL DO DIREITO CREDITÓRIO. RECURSO PARCIALMENTE ACOLHIDO. Comprovado recolhimentos a maior do que o imposto devido, é de se reconhecer o saldo creditório como meio apto a validar as compensações até o limite do efetivo crédito.
Recurso voluntário provido em parte
Numero da decisão: 1402-000.602
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o crédito referente ao saldo negativo no ano-calendário de 2001, no valor de R$ 67.968,30, homologando as compensações declaradas até o limite do direito creditório reconhecido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Moises Giacomelli Nunes da Silva
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente ARIEL LOCADORA DE VEÍCULOS, EQUIPAMENTOS ESPECIAIS, SERVIÇOS E COMÉRCIO LTDA. Recorrida 2ª TURMA DRJ CAMPO GRANDE/MS Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anoscalendário: 2001, 2002 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO PARCIAL DO DIREITO CREDITÓRIO. RECURSO PARCIALMENTE ACOLHIDO. Comprovado recolhimentos a maior do que o imposto devido, é de se reconhecer o saldo creditório como meio apto a validar as compensações até o limite do efetivo crédito. Recurso voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o crédito referente ao saldo negativo no anocalendário de 2001, no valor de R$ 67.968,30, homologando as compensações declaradas até o limite do direito creditório reconhecido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 15/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10183.001258/200337 Acórdão n.º 140200.602 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Na declaração de compensação que apresentou em 25/04/2003 a recorrente informou, para o anocalendário de 2002, saldo negativo no montante de R$ 64.606,41 e requereu a utilização de parte deste crédito para pagar débitos de IRPJ do primeiro trimestre do anocalendário de 2003, no valor de R$ 21.734,21, abaixo relacionados: Trib. PA Valor originário compensado (R$) IRPJ 01/2003 14.436,48 IRPJ 03/2003 7.297,73 Posteriormente, a recorrente formalizou as declarações de compensação de fls. 10/34, nas datas e formas abaixo indicadas: Fls. PER/DCOMP Tipo Transmissão Trib. PA Valor originário compensado (R$) 10/14 07117.74663.140803.1.3.023324 original 14/08/03 IRPJ 04/03 5.278,94 IRPJ 05/03 2.516,63 IRPJ 06/03 6.755,50 15/18 22320.31871.150803.1.7.0276332 retificadora 15/08/03 IRPJ 04/03 5.278,94 IRPJ 05/03 2.516,63 IRPJ 06/03 6.755,50 19/22 42559.77350.130704.1.3.022964 original 13/07/04 IRPJ 06/04 1.139,16 23/26 36401.60351.220105.1.3.029174 original 22/01/05 IRPJ 12/04 14.522,54 CSLL 12/04 8.663,35 27/30 38685.29422.140205.1.3.029809 original 14/02/05 IRPJ 01/05 140,94 CSLL 01/05 88,09 31/34 07173.21166.200106.13.029565 original 20/01/06 IRPJ 12/05 7.399,65 Na ficha 12 da DIPJ, do anocalendário de 2000, cuja cópia consta da fl. 47, a recorrente informou imposto de renda pago por estimativa no valor de R$ 28.526,54 e, ao final do ano, saldo de imposto a pagar igual a R$ 0,00. No anocalendário de 2001, a recorrente apurou saldo negativo de imposto de renda a pagar no valor de (R$ 75.920,43), conforme demonstra a DIPJ de fl. 195. Na DIPJ do anocalendário de 2002, na ficha 12 A, a recorrente informou saldo negativo de IRPJ a pagar no valor de R$ 38.069,11 (fl. 44), sendo que em relação a este ano, no mês de janeiro, apurou imposto a pagar a título de estimativas no montante de R$ 49.383,13 (fl. 40). Na DCTF de fl. 45, a recorrente informou que o valor da estimativa do mês de janeiro de 2002 estava sendo compensado com saldo negativo de 31/12/2000. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 15/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10183.001258/200337 Acórdão n.º 140200.602 S1C4T2 Fl. 3 3 Ocorre que, em 31/12/2000, a DIPJ da recorrente não registrava saldo negativo, o que vez com que, inicialmente, no despacho de fls. 50 a 53, em vez de saldo negativo de R$ 38.069,11, fosse apurado imposto a pagar de R$ 11.314,02 (49.383,13 – 38.069,11 = 11.314,02). Após do despacho de fls. 50/53, do ano de 2006, a contribuinte aponta que houve erro material no preenchimento da DCTF de fl. 45, pois o saldo negativo utilizado na estimativa de janeiro de 2002 não correspondia ao ano de 2000, mas sim 2001. Na ocasião, apresentou novas PER/DCOMP e DCTF retificadoras, conforme demonstrado no quadro abaixo: PER/DCOMP Tipo Transmissão Trib. PA Valor originário compensado (R$) 21879.56159.111108.1.3.027041 original 11/11/2006 IRPJ 01/03 14.438,48 IRPJ 03/03 7.297,73 14085.47505.111106.1.7.025770 retificadora 11/11/2006 IRPJ 04/03 5.278,9 IRPJ 05/03 2.516,6 IRPJ 06/03 5.457,50 27147.96931.111106.1.7.027330 retificadora 11/11/2006 IRPJ 05/03 1.298,0 IRPJ 05/04 1.139,16 04319.21482.131106.1.7.024400 retificadora 13/11/2006 IRPJ 12/04 4.522,54 CSLL 12/04 8.663,3 31957.18014.131106.1.7.020662 retificadora 13/11/2006 IRPJ 01/05 140,94 CSLL 01/05 88,09 21969.66986.161106.1.7.029800 retificadora 16/11/2006 CSLL 12/04 7.399,6 Concomitantemente com as retificações acima, a recorrente apresentou as seguintes declarações de compensação: PER/DCOMP Tipo Transmissão Trib. PA Valor originário compensado (R$) 29719.42749.111108.1.3.029095 original 11/11/2006 IRPJ 01/02 49,383,1 04828.71978.141106.1.3.022680 original 14/11/2006 CSLL 12/04 127,5 08060.72701.210907.1.3.023608 original 21/09/2007 IRPJ 01/03 14,436,47 IRPJ 03/03 7.170,0 34411.10726.210907.1.3.027320 original 21/09/2007 IRPJ 03/03 127,7 IRPJ 04/03 5.278,9 IRPJ 05/03 2.516,6 IRPJ 06/03 6.755,5 18117.44278.210907.1.3.028840 original 21/09/2007 IRPJ 06/04 1.139,1 IRPJ 12/04 14.522,5 IRPJ 01/05 140,9 IRPJ 12/05 7.399,6 24221.68000.210907.1.3.027288 original 21/09/2007 IRPJ 02/07 447,8 PIS 04/07 120,02 PIS 08/07 57,29 COFINS 04/07 552,8 COFINS 08/07 263,8 39023.58168.240907.1.3.023561 original 24/09/2007 CSLL 12/05 1.174,7 39071.91382.240907.1.3.027710 original 24/09/2007 CSLL 02/07 218,00 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 15/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10183.001258/200337 Acórdão n.º 140200.602 S1C4T2 Fl. 4 4 Em 21/09/2007, a contribuinte apresentou outras PER/DCOMP para cancelar algumas das PER/DCOMP entregues anteriormente, conforme quadro que segue: PER/DCOMP DATA PER/DCOMP CANCELADA DATA 10837.74118.210907.1.8.020667 21/09/2007 07117.74663.140803.1.3.023324 14/08/2003 22288.52394.200907.1.8.025844 20/09/2007 42559.77350.130704.1.3.022964 13/07/2004 37128.32698.210907.1.8.025531 21/09/2007 36401.60351.220150.1.3.029174 22/01/2005 00051.42845.210907.1.8.023857 21/09/2007 38685.29422.140205.1.3.029809 14/02/2005 36491.70290.210907.1,.8.022753 21/09/2007 07173.21166.200106.1.3.029565 20/01/2006 10780.78884.210907.1.8.025704 21/09/2007 21879.56159.111108.1.3.027041 11/11/2006 15662.85814.210907.1.8.020082 21/09/2007 04828.71976.141106.1.3.022660 14/11/2006 Em face das retificações apontada nos autos e da entrega de novas PER/DCOMP, foi proferido outro despacho decisório, em 18/02/2008 (fls. 252/260), com as seguintes conclusões ratificadas pelo acórdão recorrido: “CONCLUSÃO: a) HOMOLOGAR PARCIALMENTE a compensação declarada através do PER/DCOMP n° 29719.4274.06.1.3.029095 (tabela 3), até o limite do direito creditório a título de saldo negativo de CSSL comprovado para o anocalendário 2001 no valor de R$ 19.559,28 (dezenove mil, quinhentos e cinqüenta e nove reais e vinte e oito centavos), sobre o qual incidirão juros SELIC de acordo com o artigo 52 da IN SRF n° 600/05; b) HOMOLOGADAS as compensações declaradas através do formulário de folhas 1 e 2 (tabela 1), PER/DCOMP n° 07117.74663.140803.1.3.023324, retificado pelo PER/DCOMP n° 22320.31871.150803.1.7.027632 (tabela 1) e pelo PER/DCOMP n° 42559.77350.130704.1.3.022964 (tabela 1) e HOMOLOGADA PARCIALMENTE a lê compensação declarada através do PER/DCOMP n° 36401.60351.220105.1.3.029174 (tabela 1), até o limite do direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ comprovado para o anocalendário 2002 no valor de R$ 38.069,11 (trinta e oito mil, sessenta e nove reais e onze centavos), sobre o qual incidirão juros SELIC de acordo com o artigo 52 da IN SRF n° 600/05; c) NÃO HOMOLOGADAS as compensações declaradas através dos PER/DCOMPs ns., 38685.29422.140205.1.3.029809 e, 07173.21166.200106.1.3.029565 (tabela 1), 24221.68000.210907.1.3.027288, 39023.58166.240907.1.3.02 3561 e 30971.91382.240907.1.3.027710 (tabela 4); d) NÃO ADMITIDOS os Pedidos de Cancelamento/Declarações Retificadoras relacionados na tabela 2; e) ADMITIDOS os Pedidos de Cancelamento ns. 15662.85614.210907.1.8.02 0082 (tabela 3) e 10780.78884.210907.1.8.025704 (tabela 4); Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 15/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10183.001258/200337 Acórdão n.º 140200.602 S1C4T2 Fl. 5 5 f) Consideradas NÃO DECLARADAS as compensações pretendidas através dos PER/DCOMPs ns. 08060.72701.210907.1.3.023606 (tabela 3), 34411.10726.210907.1.3.027320 (tabela 4) e 18117.44278.210907.1.3.028840 (tabela 4); g) Cancelados os lançamentos de oficio a título de IRPJ efetuados através do processo n° 10183.004051/200667 Auto de Infração. 29. Ressaltese que para as compensações consideradas não declaradas não cabe manifestação de inconformidade cumprindo o disposto no § 2° do artigo 31 da IN SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005.” Intimada em 15/06/2009 (fl. 291), do acórdão que ratificou a decisão acima, em 15/07/2009 (fls. 293/298), parte ingressou com recurso alegando em síntese: a) que no mês de janeiro de 2002, o cálculo de estimativa do IRPJ a pagar totalizou R$ 49.383,13, e este valor foi compensado com saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2000, sem formalização de processo, conforme DCTF do primeiro semestre de 2002; b) que houve erro material consistente na apresentação da DCTF com ano equivocado, onde o correto seria informar anocalendário 2001, conforme faz prova a DIPJ de 2002; c) assim, cabível a compensação do imposto apurado em 2002, com o saldo negativo de 2001, conforme retificação de pagamentos na PERDCOMP no. 29719.42749.111106.1.3.029095 e DCTF retificadora com recibo registrado sob nº 0332298116 de 14/11/2006; d) o despacho decisório em sua conclusão homologou parcialmente o pedido de compensação declarada pelo PER/DCOMP 29719.42749.111106.1.3.029095, até o suposto limite credito título de saldo negativo de IRPJ comprovado para o anocalendário 2001, no valor de R$ 19.559,28; e) na DIPJ do anocalendário de 2001, o saldo negativo é de R$ 75.920,43: Cálculo do IRPJ do anocalendário 2001 Declarado (R$)Ficha 12 A DIPJ IRPJ 9.314,44 DEDUÇÕES () Programa de alimentação do trabalhador 372,58 () IRPJ Mensal Pago por estimativa 84.862,29 IRPJ a pagar 75.920,43 f) Que o saldo negativo do ano de 2001 é decorrente dos seguintes valores: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 15/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10183.001258/200337 Acórdão n.º 140200.602 S1C4T2 Fl. 6 6 Mês DIPJ a pagar Pago DARF Compensado Pagamento indevido ou a pagar maior Tributo PA Valor Total Jan/01 10.487,64 0,00 4.403,20 2362 31/03/00 5.437,43 6.084,44 2362 31/03/00 9.682,30 Fev/01 7.412,25 0,00 1.745,87 2362 31/03/00 5.437,43 15.174,69 2362 30/04/00 13.509,03 491,69 2362 31/05/00 12.319,35 Mar/01 9.034,82 0,00 9.034,82 2362 31/05/00 12.319,35 Abr/01 16.428,63 0,00 4.335,72 2362 31/05/00 12.319,35 12.092,90 2362 30/06/00 13.432,64 Mai/01 25.500,46 22.502,65 2.997,82 2362 30/06/00 13.432,64 Jun/01 5.998,49 5.998,49 0,00 Jul/01 0,00 0,00 0,00 Ago/01 0,00 0,00 0,00 Set/01 0,00 0,00 0,00 Out/01 0,00 0,00 0,00 Nov/01 0,00 0,00 0,00 Dez/01 0,00 0,00 0,00 TOTAL 84.862,29 28.501,14 56.361,15 g) No Despacho foi subtraído do crédito da Recorrente o valor de R$ 56.361,15, referente aos pagamentos mensais de janeiro a maio de 2001, que foram compensados e apresentados nas DCTF dos períodos, com pagamentos efetuados através de DARF, no anocalendário de 2000; h) embora exista um erro material na compensação destes valores com pagamentos indevidos ou a maior de IRPJ anocalendário 2000, mas onde todos os DARF devidamente pagos foram apresentados, é improcedente a retirada dos valores do saldo negativo de IRPJ 2001, não considerando os pagamentos efetuados no anocalendário de 2000, como saldo negativo de IRPJ 2000, e sim como pagamento indevido ou a maior do período; e que em nenhum momento deixa de recolher os impostos devidos para a Receita Federal; i) por fim, a retirada deste valor tempestivamente, acarretará em lesão do direito da Recorrente, uma vez que os DARF em análise, já superam o prazo superior a 05 anos, e neste período os valores estavam sendo objetos de análise no processo 10183.001258/200337, impedindo qualquer manifestação em relação a estes créditos, resultando em perda definitiva, caso não compensados. Por fim, registro que da análise dos autos ativese ao fato de que às fls. 276 e seguintes constam os DARF`s de pagamento das estimativas apontadas no quadro acima, cujos valores referemse ao ano de 2000. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 15/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10183.001258/200337 Acórdão n.º 140200.602 S1C4T2 Fl. 7 7 Voto Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n°. 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. No anocalendário de 2001, conforme quadro abaixo, a contribuinte apurou saldo negativo de R$ 75.920,43: Cálculo do IRPJ do anocalendário 2001 Declarado (R$)Ficha 12 A DIPJ IRPJ 9.314,44 DEDUÇÕES () Programa de alimentação do trabalhador 372,58 () IRPJ Mensal Pago por estimativa 84.862,29 IRPJ a pagar 75.920,43 As estimativas, do anocalendário de 2001, no valor de R$ 84.862,29, foram satisfeitas por meio dos DARF recolhidos nos meses de maio e junho, no montante de R$ 28.501,14 e a diferença de R$ 56.361,15 compensada. Mês DIPJ a pagar Pago DARF Compensado Pagamento indevido ou a pagar maior Tributo PA Valor Total Jan/01 10.487,64 0,00 4.403,20 2362 31/03/00 5.437,43 6.084,44 2362 31/03/00 9.682,30 Fev/01 7.412,25 0,00 1.745,87 2362 31/03/00 5.437,43 15.174,69 2362 30/04/00 13.509,03 491,69 2362 31/05/00 12.319,35 Mar/01 9.034,82 0,00 9.034,82 2362 31/05/00 12.319,35 Abr/01 16.428,63 0,00 4.335,72 2362 31/05/00 12.319,35 12.092,90 2362 30/06/00 13.432,64 Mai/01 25.500,46 22.502,65 2.997,82 2362 30/06/00 13.432,64 Jun/01 5.998,49 5.998,49 0,00 Jul/01 0,00 0,00 0,00 Ago/01 0,00 0,00 0,00 Set/01 0,00 0,00 0,00 Out/01 0,00 0,00 0,00 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 15/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10183.001258/200337 Acórdão n.º 140200.602 S1C4T2 Fl. 8 8 Nov/01 0,00 0,00 0,00 Dez/01 0,00 0,00 0,00 TOTAL 84.862,29 28.501,14 56.361,15 O quadro acima indica o ponto da controvérsia que produz reflexos nas compensações. No momento que a recorrente informava, para o ano de 2000, saldo negativo igual a R$ 0,00, não poderia compensar estimativas de 2001 com saldo negativo do ano anterior. Foi com base nesta linha de raciocínio que a autoridade fiscal proferiu o seguinte despacho: a) HOMOLOGAR PARCIALMENTE a compensação declarada através do PER/DCOMP n° 29719.4274.06.1.3.029095 (tabela 3), até o limite do direito creditório a título de saldo negativo de CSSL comprovado para o anocalendário 2001 no valor de R$ 19.559,28. Os R$ 19.559,28 de saldos negativos reconhecidos para o anocalendário de 2001 são resultantes do saldo negativo inicialmente informado, no valor de R$ 75.920,43 R$ 56.361,15, correspondente a estimativas de 2001, compensadas com saldo negativo de 2000, ano em que a recorrente informou saldo negativo igual a R$ 0,00. R$ 75.950,43 – 56.361,15 = 19.559,28 Após o despacho, a recorrente destaca que as compensações de tributos devidos em 2001 não se tratam de saldo negativo, mas sim de pagamentos indevidos a título de erro na sistemática que adotou para calcular e recolher seus tributos. Tenho que a matéria deve ser analisada tendo por norte a existência dos efetivos créditos superando a questão de se tratar de saldo negativo ou pagamento indevido, pois tanto um quanto o outro são hábeis para embasar compensações. Neste sentido, passo a analisar as provas existentes nos autos, o que faço ilustrando no quadro abaixo: PA Código Vencimento Valor fls Comprovante sistema da receita 03/00 2362 28.04.00 9.682,30 276 211 p. 5 03/00 2362 28.04.00 5.437,43* 277 211 p. 6 04/00 2362 31.05.00 13.509,03 278 212 p. 7 05/00 2362 30.06.00 12.319,25 279 212 p. 9 30.06.2000 2362 31.07.00 13.432,63 280 213 p. 11 Total sem a multa e juros da competência 03 54.308,68 Total com a multa e juros da competência 03 55.027,19 *Este valor está acrescido de multa de R$ 592,14 e juros de 54,37, totalizando o DARF a importância de R$ 6.083,94 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 15/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10183.001258/200337 Acórdão n.º 140200.602 S1C4T2 Fl. 9 9 Além dos valores acima referidos, o “SINAL CONSULTA PAGAMENTO” do sistema da Receita, cuja cópia consta a partir da fl. 211, em relação ao anocalendário de 2000, registra a quitação dos seguintes valores a título de estimativas do IRPJ, no código 2362: PA CÓDIGO RECEITA VALOR DO PAGAMENTO FLS. DOS AUTOS 31/01/00 2362 8.221,20 211 p. 4 31/01/00 2362 3.151,95 213 p. 10 29/02/00 2362 7.632,23 211 p. 3 28/02/00 2362 2.782,86 212 p. 8 27/09/00 2362 110,19 213 p. 4 Total 21.898,43 Os valores especificados nos quadro acima somam R$ 76.925,62. No entanto, é necessário que se analise os dados referentes à apuração do IRPJ, em 2000, para saber qual o montante efetivamente apurado. Neste sentido, transcrevo as informações da ficha 11: DIPJ ANOCALENDÁRIO 2000 – FICHA 11 período apuração IRPJ incentivos fiscais IRPJ meses anteriores IF a pagar comprovante pagamento – fl. 15% adicional 01 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 02 1,845,97 0,00 73,48 0,00 1.772,13 DCTF 214 03 0,00 0,00 0,00 1.772,13 1.772,13 04 0,00 0,00 0,00 1.772,13 1.772,13 05 0,00 0,00 0,00 1.772,13 1.772,13 06 5.605,50 0,00 0,00 1.772,13 3.609,15 DCTF – 215 (1) 07 8.032,66 0,00 321,31 5.381,28 2.330,07 DCTF – 216(2 08 8.688,00 0,00 347,53 7.711,35 629,42 DCTF 217 09 15.580,99 0,00 503,24 8.340,77 3.736,98 DCTF 218 10 20.385,49 0,00 815,42 12.077,75 7.492,32 DCTF 219 11 26.020,99 0,00 1.040,84 19.570,07 5.410,08 DCTF – 220(2) 12 29.715,15 0,00 1.188,61 24.980,15 3.546,39 DCTF – 222 (3) Total 29.715,15 0,00 1.888,61 28.526,54 (1) Examinando as DCTFs de fls. 215, 216, 217 e 218 e comprovante de pagamento de fls. 211 p. 4, no valor de R$ 8.221,20, percebese que a recorrente utilizou o valor recolhido no mês janeiro de 2000 (R$ 8.221,20) para compensar as estimativas devidas nos meses de junho, julho agosto e setembro de 2000. (2) Examinando a DCTF de fl. 220 e o comprovante de pagamento de fl. 221 p. 3, verificase que a recorrente utilizou o valor recolhido no mês de fevereiro de 2000, (R$ 7.632,23), especificado à fl. 211 p. 3, para quitar estimativa do mês de novembro e dezembro de 2000. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 15/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10183.001258/200337 Acórdão n.º 140200.602 S1C4T2 Fl. 10 10 (3) Em dezembro de 2002, cujo vencimento deuse em janeiro de 2003, a recorrente utilizou o valor pago no mês de março (9.682,30 fl. 211 p. 5), para realizar a compensação. As DCTF de fls. 214 a 222 e as notas acima demonstram que as “estimativas” de R$ 28.526,54 não foram recolhidas, mas sim compensadas com os pagamentos indevidos. Está demonstrado nos autos que foram realizados pagamentos, no ano de 2000, a título de IR (Código 2362), no valor de R$ 76.925,62, que diminuído do imposto devido gera um saldo negativo de R$ 48.409,08, conforme segue demonstrado: Anocalendário 2000 IRJP () PAT Imposto devido estimativas comprovadas incluindo pagamentos indevidos que extrapolaram o valor das estimativas devidas SALDO IRPJ 29.715,15 1.188,61 28.526,54 76.935,62 (48.409,08) Antes de prosseguir na análise dos números, registro que as estimativas contribuem para a apuração de eventual saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, mas com ele não se confundem. É o saldo negativo, apurado ao final do período, que se mostra passível de restituição e/ou compensação. O valor pago a título de estimativa de IRPJ ou de CSLL é antecipação do imposto devido no encerramento do período de apuração. É no final do anocalendário que se apura o imposto devido e dele subtraise o valor das estimativas, o IRRF e demais deduções, chegandose ao imposto a pagar que pode possuir saldo positivo ou negativo. A propósito do tema, em julgamento anterior já destaquei, como razões de decidir: “Pagamento a maior e saldo negativo são figuras distintas. Ocorre o pagamento a maior quando, em determinado período de apuração, geralmente mensal, o valor da obrigação tributária a pagar é de “x” e o contribuinte recolheu “x” + “y”. A importância paga a maior, representada por “y”, pode ser objeto de compensação a partir da efetivação do pagamento tão logo processado o pagamento, quer seja no dia seguinte ou no mês seguinte. Por sua vez, em relação ao saldo negativo, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real se concretiza no final de cada ano calendário, é a partir deste momento que se encontra o saldo do imposto a pagar ou o montante do saldo negativo a ser compensado, nos termos do inciso II, do § 1º, do artigo 6º da Lei nº 9.430, de 1996.” (grifei) Fl. 10DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 15/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10183.001258/200337 Acórdão n.º 140200.602 S1C4T2 Fl. 11 11 “Art. 6° .... § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior.” § 2º. O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do artigo 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 3º. O prazo a que se refere o inciso I do § 1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente.” Retomando a matéria, tenho que o saldo negativo de R$ 48.409,08, do ano de 2000, pode ser utilizado em compensações do ano de 2001. Assim, dos R$ 56.361,15, que a recorrente utilizou em suas compensações no ano de 2001, ela somente podia utilizar R$ 48.409,08, ficando assim ajustado o saldo negativo de 2001: Cálculo do IRPJ do anocalendário 2001 Declarado (R$) Ficha 12 A DIPJ Ajustado (R$) IRPJ 9.314,44 9.314,44 DEDUÇÕES () Programa de alimentação do trabalhador 372,58 372,58 () IRPJ Mensal Pago por estimativa 84.862,29 76.910,22* IRPJ a pagar 75.920,43 67.968,30 *Valores pg. com DARF ( 28.501,14) + Valores comp. admitidas (48.409,08) = 76.910,22 Comprovado que o saldo negativo do anocalendário de 2001 é de R$ 67.969,30 e não R$ 19.559,28, especificado na letra a do despacho decisório, é de se dar Fl. 11DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 15/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10183.001258/200337 Acórdão n.º 140200.602 S1C4T2 Fl. 12 12 parcial provimento ao recurso para homologar as compensações declaradas até o limite do direito creditório a título de saldo negativo de CSSL, comprovado para o anocalendário 2001. Quanto às compensações referentes ao crédito do saldo negativo do ano calendário de 2002, no valor de R$ 38.069,11, reconhecido pela decisão “a quo”, não há o que ser decidido. ISSO POSTO, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o crédito referente ao saldo negativo no anocalendário de 2001, no valor de R$ 67.968,30, homologando as compensações declaradas até o limite do direito creditório reconhecido. É o voto. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 15/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 10880.689986/2009-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
NULIDADE. DECISÃO COM TERMOS IGUAIS AOS DE OUTRAS PROFERIDAS EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
A simples verificação da existência de decisões de mesmo teor e termos em processos administrativos distintos, mas de um mesmo contribuinte, não configura, objetivamente, cerceamento de defesa.
A verificação de nulidade das decisões administrativas pela constatação de ocorrência de cerceamento de defesa depende, primeiramente, da demonstração clara, concreta e específica de como o decisório causou prejuízo às prerrogativas postulatórias da parte e seu direito.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE RETIFICADORA. NECESSIDADE DE PROVA HÁBIL.
O reconhecimento de direito creditório oriundo pagamento utilizado para a quitação de débito declarado e constituído pelo próprio o contribuinte demanda a comprovação, mediante documentação adequada, hábil e pertinente, da ocorrência de recolhimento a maior ou indevido.
Numero da decisão: 1402-002.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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DECISÃO COM TERMOS IGUAIS AOS DE OUTRAS PROFERIDAS EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A simples verificação da existência de decisões de mesmo teor e termos em processos administrativos distintos, mas de um mesmo contribuinte, não configura, objetivamente, cerceamento de defesa. A verificação de nulidade das decisões administrativas pela constatação de ocorrência de cerceamento de defesa depende, primeiramente, da demonstração clara, concreta e específica de como o decisório causou prejuízo às prerrogativas postulatórias da parte e seu direito. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE RETIFICADORA. NECESSIDADE DE PROVA HÁBIL. O reconhecimento de direito creditório oriundo pagamento utilizado para a quitação de débito declarado e constituído pelo próprio o contribuinte demanda a comprovação, mediante documentação adequada, hábil e pertinente, da ocorrência de recolhimento a maior ou indevido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 99 86 /2 00 9- 95 Fl. 2443DF CARF MF Processo nº 10880.689986/200995 Acórdão n.º 1402002.865 S1C4T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que expressamente deixou de homologar suposto crédito de IRPJ, declarado em DCOMP, por não ter sido constatada qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que apurou novos valores para seus débitos de PIS e de COFINS do período, verificando que havia recolhido tais tributos indevidamente ou a maior sobre receitas derivadas da venda de alguns produtos sujeitos à alíquota zero e por não ter excluído o ICMS sobre vendas das bases de cálculo dessas contribuições. Também afirma que teve reconhecido em Ação Declaratória cumulada com Repetição de Indébito n° 94.00116799, créditos de FINSOCIAL compensados com débitos da mesma espécie. Tal suposto recolhimento indevido ou a maior teria gerado uma base de cálculo de IRPJ e CSLL (lucro) maior e incorreta, devido ao estornos dos créditos de PIS e de COFINS sobre receitas sujeitas a alíquota zero, gerando um aumento do custo. Assim, procedeu o Contribuinte a dezenas de compensações de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL, incluindo a presente. Também relata que fora indevidamente autuada (Processo Administrativo n° 19515.000772/200754), sendo na ocasião alertada pelo próprio Agente Fiscal que estava recolhendo tributos sobre uma base de cálculo majorada, especificamente em relação àquelas contribuições. Alega que procedeu à retificação das DACONs correspondentes, mas não foi possível retificar a DCTF pois estava sob fiscalização naquela época. Afirma que o processo deve ser baixado em diligência para que seja confirmada a regularidade das compensações efetuadas e, ao final, requer a homologação integral da compensação em tela. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento integral à defesa, por não ter a Contribuinte logrado êxito na comprovação da sua pretensão creditória. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, alegando, preliminarmente, a nulidade do v. Acórdão recorrido e de outros, pelo fato destas decisões possuírem termos idênticos em suas razões. No mérito, em suma, limitase a repetir as razões da Manifestação de Inconformidade. Fl. 2444DF CARF MF Processo nº 10880.689986/200995 Acórdão n.º 1402002.865 S1C4T2 Fl. 4 3 Ainda, acostou complementos ao Recurso Voluntário, referentes a estudo e Laudo emitido por Auditores Independentes, acostandoos aos autos, bem como noticiando o julgamento do E. Supremo Tribunal Federal referente à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de IRPJ. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.855, de 26.01.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.689993/200997. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.855): O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Preliminarmente, alega a Recorrente ser nulo o v. Acórdão recorrido (bem outros decisórios de mesma instância, proferidos em feitos atinentes a outras de suas DCOMPs noticiadas nestes autos) pelo fato destes repetirem ipsis litteris seus termos, denotando teor idêntico. O ocorrido implicaria em cerceamento de defesa. Primeiramente, temos que atualmente, no processamento e julgamento de causas, administrativas e judiciais, a adoção de decisões repetitivas, ou mesmo de minutas padrão, é a inquestionável realidade, erigida sobre os corolários da praticidade, da racionalidade, da economia processual e da duração razoável do processo. Per si, o fato de decisões possuírem semelhante ou até igual teor não é capaz de representar, objetivamente, cerceamento de defesa do contribuinte (ou mesmo da Fazenda Nacional). Para tanto seria necessária a demonstração, concreta e específica, pela parte, da ocorrência de prejuízo ao seu direito, explicando e apontando como tal repetição feriu a defesa empreendida na demanda. Fl. 2445DF CARF MF Processo nº 10880.689986/200995 Acórdão n.º 1402002.865 S1C4T2 Fl. 5 4 Posto isso, ausente tal demonstração, deve ser rejeitada a preliminar alegada pela Recorrente. Ainda, deve anteceder a devida apreciação do mérito a decisão sobre o conhecimento da nova documentação acostada pela Recorrente, inclusive após seu Recurso Voluntário, tratandose de Laudos emitidos por Auditores Independentes. Este Conselheiro entende que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado à luz do princípio da busca pela verdade material, vez que na esfera administrativa de jurisdição não pode prevalecer o prestígio da instrumentalidade do processo em detrimento do materialidade dos direitos alegados no curso do processo. Também deve ser feita uma interpretação sistemática do referido Decreto, que não só veicula exceções ao determinado no § 4º de seu art. 16, assim como autoriza o Julgador a solicitar diligências quando mostramse necessários outros elementos e providências para a formação da sua livre convicção. Assim, apresentase viável o conhecimento de documentação após a apresentação da Impugnação ou da Manifestação de Inconformidade. Porém, cabe ao Julgador, nesse caso, uma verificação prévia de pertinência, necessidade e colaboração dos elementos novos acostados com o desfecho técnico da demanda. Tais Laudos acostados neste feito resumemse a planilhas elaboradas pelos Auditores Independentes, com breves e poucos comentários, sem conter qualquer documentação contábil ou fiscal, bem como, expressamente, versam sobre cálculos referente a apuração de PIS e COFINS. Nada se menciona sobre o IRPJ e eventuais reflexos. Primeiramente, tabelas elaboradas pelo próprio contribuinte, ou mesmo por terceiros, têm valor probante extremamente relativo (ou nenhum, digase) se desacompanhados da documentação contábil e fiscal em que foram baseados. Não obstante e principalmente, o processo administrativo em tela tem como origem suposto crédito de IRPJ, o qual não fora homologado por ausência de verificação e comprovação da existência de recolhimento a maior ou indevido em relação ao documento de arrecadação apontado. Dessa forma, o novo cálculo de apuração de PIS e COFINS devidos no período, seja por exclusão de operações sujeitas à alíquota zero ou pela exclusão do ICMS da sua base de cálculo, não possui qualquer relevância ou conexão direta para a demonstração de que o recolhimento de IRPJ, que especificamente teria dado origem ao crédito pretendido, foi efetuado a maior ou indevidamente. Posto isso, não se conhece da documentação acostada após a interposição do Recurso Voluntário. No que tange ao mérito, assim como procedido pela DRJ a quo, todas as matérias alheias a esta demanda, referentes as informações e alegações trazidas pela Recorrente acerca de Fl. 2446DF CARF MF Processo nº 10880.689986/200995 Acórdão n.º 1402002.865 S1C4T2 Fl. 6 5 supostos créditos de FINSOCIAL, de PIS e de COFINS, Autuações e Ações Judiciais relacionadas a tais tributos, que não são objeto do DCOMP apreciado, serão devidamente desconsideradas e não conhecidas, inclusive colaborando para uma decisão mais hígida e clara. O que fora alegado pela Contribuinte que realmente se relaciona com seu pleito compensatório é que, ao constatar que considerou indevidamente créditos de PIS e COFINS sobre produtos tributadas sob alíquota zero, efetuou o estorno desses créditos em sua contabilidade, o que teria resultado na redução do lucro e, consequentemente, ao pagamento de IRPJ e CSLL a maior no mesmo período, dando margem, então, ao seu pretendido crédito. É certo que tal alegação é plausível. Todavia, o Recorrente não procedeu a qualquer demonstração de como, efetivamente, teria se operado tal redução em sua apuração do IRPJ e muito menos produzido qualquer prova sobre tal ocorrência contábil, com reflexos tributários. Em suas razões consta apenas tal afirmação, abstrata e genérica, de redução das bases tributáveis do IRPJ pelo estorno de crédito de PIS e COFINS. Ora, a simples afirmação textual em peças de defesas da ocorrência de um fato que levou à redução da apuração de um determinado tributo, claramente, não basta para configurar e provar um recolhimento a maior ou indevido, sobretudo quando confirmada pela Unidade de Fiscalização a precisão quantitativa do débito que o recolhimento em questão extinguiu. Nos processos administrativos referente a restituição e compensação é ônus do contribuinte a prova de seu crédito, devendo trazer aos autos demonstrações precisas e conjunto fáticoprobatório que ateste cabalmente sua existência, certeza e liquidez, desconstruindo, assim, os fundamentos de sua não homologação. Em acréscimo, frisese que a própria Contribuinte afirma que não teria procedido à retificação da DCTF em que o débito de IRPJ, saldado com o DARF que teria dado origem ao crédito agora perquirido (vez que supostamente alterada a monta de tal débito, revelando pagamento a maior/indevido). Em momento algum foi acostada sua versão retificadora. Por sua vez, a entrega de DCTF constitui confissão de débito tributário. E, como já mencionado, o pagamento supostamente a maior/indevido que gerou o crédito ora pleiteado foi precisamente alocado para saldar tal obrigação constituída, perfeitamente no seu valor. Assim, juridicamente e para todos os fins fiscais, não foi apresentado nenhum elemento (DCTF retificadora ou provas contábeis) que possa desconstituir ou alterar tal débito, devido e exigível monta pela qual declarado na DCTF do período. Desse modo, não foi devidamente comprovada a existência crédito de IRPJ alegado na DCOMP em tela. Fl. 2447DF CARF MF Processo nº 10880.689986/200995 Acórdão n.º 1402002.865 S1C4T2 Fl. 7 6 E digase que, ainda que a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS possa, em alguns casos, ter reflexos diretos na apuração do IRPJ, não foi devidamente alegado, demonstrado ou mesmo provado pela Contribuinte como tal redução teria, também, culminado no recolhimento a maior/indevido que originou crédito especificamente pleiteado na DCOMP objeto do presente feito. Por fim, frisese que não há qualquer necessidade da realização de diligência, vez que presentes e demonstrados todos elementos necessários ao convencimento motivado e à devida fundamentação do presente voto, observado o disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o v. Acórdão recorrido, para não reconhecer o crédito pretendido. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 2448DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.002276/2008-78
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
SIMPLES NACIONAL. EMPRESA COM PENDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE INSCRIÇÃO AUTOMÁTICA NO SIMPLES NACIONAL.
Nos termos do §4º do art. 16 da Lei Complementar nº 123/2006, se a empresa estiver impedida de optar por alguma vedação imposta por esta Lei Complementar, não será considerada inscrita no Simples Nacional em 1º de julho de 2007.
SIMPLES NACIONAL. DECURSO DE PRAZO. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO.
Excepcionalmente, para o ano-calendário de 2007, a opção pelo Simples Nacional poderá ser realizada do primeiro dia útil de julho de 2007 até 20 de agosto de 2007. A solicitação intempestiva é motivo de indeferimento da opção.
Numero da decisão: 1001-000.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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EMPRESA COM PENDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE INSCRIÇÃO AUTOMÁTICA NO SIMPLES NACIONAL. Nos termos do §4º do art. 16 da Lei Complementar nº 123/2006, se a empresa estiver impedida de optar por alguma vedação imposta por esta Lei Complementar, não será considerada inscrita no Simples Nacional em 1º de julho de 2007. SIMPLES NACIONAL. DECURSO DE PRAZO. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Excepcionalmente, para o anocalendário de 2007, a opção pelo Simples Nacional poderá ser realizada do primeiro dia útil de julho de 2007 até 20 de agosto de 2007. A solicitação intempestiva é motivo de indeferimento da opção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 22 76 /2 00 8- 78 Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10660.002276/200878 Acórdão n.º 1001000.290 S1C0T1 Fl. 234 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Juiz de Fora (MG), mediante o Acórdão nº 0937.878, de 23/11/2011 (efls. 190/194), objetivando a reforma do referido julgado. O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância bem sintetiza o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlo: Tratase de Pedido de Inclusão no Simples Nacional (SN), fls. 0108 (no dia 27/06/2008, conforme carimbo de protocolo à fl. 1), retroativa ao período de 1º/07/2007 a 31/12/2007, sob a razão fundamental de que a pendência cadastral impeditiva, junto ao Estado de Minas Gerais, fl. 18, foi corrigida em tempo hábil. (O destaque foi acrescido para completar a informação) Já o Parecer DRF/VAR/SAORT 141/2011, fl. 134, em síntese, aponta que: (grifos não constam do original) De acordo com a tela "Consulta Histórico da Empresa no Simples Nacional" (fl. 119), verificase que não houve, por parte do contribuinte, solicitação de opção pelo Simples Nacional, dentro do prazo legal, previsto na Resolução CGSN supracitada (em referência à de nº 004/2007). Após a regularização da pendência junto ao Estado de Minas Gerais, o contribuinte deveria dentro do prazo, solicitar a inclusão no Simples Nacional. [...] de acordo com a tela "Consulta Histórico da Empresa no Simples Nacional" a requerente solicitou a opção pelo Simples Nacional, via internet, em 08/01/2008, tendo a mesma sido deferida com efeitos a partir de 01/01/2008. [...] tendo em vista a não caracterização do erro de fato e o contribuinte não ter formalizado a opção pelo Simples Nacional, via internet, no prazo legal, com vistas a ser optante a partir de 01/07/2007, proponho o INDEFERIMENTO do pedido [...]. No Despacho Decisório que aprovou aquele Parecer, fl. 136, foi indeferido o Pedido e mantida a não inclusão no SN e proposto o cancelamento da DASN retificadora correspondente àquele período, que teria sido apresentada indevidamente (fl. 122). A manifestação de inconformidade pode ser assim resumida: [...] por várias vezes, [...] solicitou nova tela de pendências junto ao Estado, [...] aquela repartição encontravase imensamente Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10660.002276/200878 Acórdão n.º 1001000.290 S1C0T1 Fl. 235 3 acumulada de serviço [...] no período de implantação do cadastro sincronizado, motivo que impediu a recorrente de promover sua inclusão em decorrência de que o Sistema daquela repartição se encontrava em período de adaptação e tecnicamente não permitia seu acesso ao programa. [...] naquela oportunidade preenchia todos os requisitos necessários para se integrar ao Simples Nacional, [...] uma simples irregularidade cadastral, embora não seja motivo de impedimento para seu enquadramento, foi regularizada em tempo ficando a mercê do Sistema da Receita Estadual que não liberou o sistema. [...] no r. despacho decisório, da DRF VARGINHA, traz no seu bojo manifestação confirmando regularização junto à Receita Estadual [...] [...] desde sua constituição vem recolhendo seus impostos, taxas e contribuições de acordo com a legislação que rege o Sistema Simples. [...] foram juntadas na defesa inicial cópias das declarações PJSI referente aos anos de 2005 a 2007 e nesta oportunidade faz juntada dos recibos de entrega das DASN referente aos anos de 2009 a 2011. [...] os impostos devidos a partir de julho de 2007, foram recolhidos no DAS — [...] demonstrando assim [...] seu interesse em ser optante do Simples, tanto é verdade que foi regularmente enquadrada no SIMPLES NACIONAL para os anos de 2008 a 2011, conforme comprovantes de recolhimentos que ora se junta dos anos de 2009 a 2011. [...] a recorrente realmente não conseguiu solicitar seu enquadramento ao SIMPLES NACIONAL, por culpa única e exclusiva da Fazenda Estadual, vez que seu sistema tecnicamente não permitia acesso para requerer a inclusão. Para demonstrar concretamente sua situação de regularidade juntase nesta oportunidade Certidão Negativa dos anos de 2007 e 2011. [...] comprovada a ocorrência de erro de fato, provocado pela Receita Estadual, cabendo alegar [...] o disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 16 [...]. De mais a mais, a Lei complementar 127/07, acabou por ratificar esse entendimento, eis que modificou o parágrafo 4°, do artigo 16, da Lei complementar 123/06, asseverando que seriam consideradas inscritas no Simples Nacional, em 1° de Julho de 2.007, todas as microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo regime tributário da Lei 9.317/96, exatamente o caso da recorrente, com o que a questão, agora com base em texto legal, já se acha resolvida. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade e publicou acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10660.002276/200878 Acórdão n.º 1001000.290 S1C0T1 Fl. 236 4 Anocalendário: 2007 OPÇÃO. PENDÊNCIA NÃO REGULARIZADA. INDEFERIMENTO. Não regularizada pendência impeditiva do ingresso ao Simples Nacional, mantémse o indeferimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Ciente da decisão de primeira instância em 05/03/2012, conforme Aviso de Recebimento à efl. 201, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 02/04/2012, à efls. 202/231, conforme carimbo aposto à efl. 202. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional, feito em papel, no dia 27/06/2008, em virtude de a solicitação de opção ter sido feita após o prazo legal de 20 de agosto de 2007. A empresa possuía pendência cadastral que impediu a sua inscrição automática em 1º de julho de 2007. A base legal da vedação para a inscrição automática no Simples Nacional é o §4º do art. 16 da Lei Complementar nº. 123/2006, cujo texto foi incluído pela LC nº. 127/2007, verbis: Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) § 4º Serão consideradas inscritas no Simples Nacional, em 1º de julho de 2007, as microempresas e empresas de pequeno porte regularmente optantes pelo regime tributário de que trata a Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, salvo as que estiverem impedidas de optar por alguma vedação imposta por esta Lei Complementar. (grifo nosso) Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10660.002276/200878 Acórdão n.º 1001000.290 S1C0T1 Fl. 237 5 Nesse particular, mediante os art. 7° e 17, ambos da Resolução CGSN n° 004/2007, o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN), assim dispôs sobre a forma e prazo de ingresso no regime especial: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1° A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3° deste artigo e observado o disposto no § 3° do artigo 21. (...) Art. 17. Excepcionalmente, para o anocalendário de 2007, a opção a que se refere o art. 7º poderá ser realizada do primeiro dia útil de julho de 2007 até 20 de agosto de 2007, produzindo efeitos a partir de 1º de julho de 2007. (Redação dada pelo(a) Resolução CGSN nº 19, de 13 de agosto de 2007) No recurso interposto a recorrente reitera os argumentos trazidos em sede de primeira instância, além de atacar esta decisão. Transcrevese parte destes argumentos, apenas no que interessam ao presente, a seguir: que não foi automaticamente enquadrada no Simples Nacional devido a uma pendência cadastral junto ao fisco do Estado de Minas Gerais, (...) Entretanto, apesar da correção tempestiva o sistema da repartição Fiscal do Estado não permitiu solicitação do enquadramento dentro do prazo legal"; que o parecer da Delegacia da Receita Federal em Varginha desconsiderou totalmente o fato de que o Sistema Fiscal do Estado de Minas Gerais não foi atualizado no prazo previsto. que contesta o argumento do julgamento de primeira instância "que a requerente não comprovou a impossibilidade de solicitar a opção pelo Simples Nacional do prazo previsto na Resolução CGSN n° 4/2007, circunstância que por si só não alberga a tese do erro de fato" pois, "consultando os autos, verificase que após a correção da irregularidade cadastral, a requerente tentou por várias vezes seu enquadramento e tecnicamente não foi possível por desatualização do sistema fiscal do Estado, restando claro que ficou impossibilitada de efetivar a opção". que o julgamento de primeira instância, "para desconstituir a intenção inequívoca da requerente em aderir ao SN, se baseia ao Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 16/2002, e ainda que não estava comprovada nos autos a pretensão de sua inclusão ao SN. Pois, os recolhimentos dos impostos devidos a partir de julho de 2007 no DAS na realidade de toda a matéria de prova de recolhimento, não há um único que tenha interseção com o período de 1707/2007 a 31/12/2007". que "naquela oportunidade não se encontrava impedida, pois se tratava de uma simples pendência cadastral, então em tempo algum existiu alguma vedação que pudesse impedir sua inclusão no Simples Nacional, aliás, o que houve foi a impossibilidade por motivo alheio a sua vontade, ou seja sistema da Receita Estadual não permitiu a solicitação mesmo já havendo a correção do cadastro...". Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10660.002276/200878 Acórdão n.º 1001000.290 S1C0T1 Fl. 238 6 que a contrário do que afirma o julgador a quo, houve de sua parte uma "intenção inequívoca de aderir ao Simples Nacional, está comprovadamente demonstrada por meio de recolhimentos tempestivos, conforme cópias dos Documentos de Arrecadação do Simples Nacional, referente ao período de 1707/2007 a 31/12/2007, bem como, cópia da Declaração PJSI, que mais uma vez são juntados". e que, "por fim, restou comprovado que não existia nenhuma vedação imposta pela Lei que pudesse impedir sua opção pelo Simples Nacional, apenas uma pendência de simples ordem cadastral". que "está demonstrando, portanto, a ocorrência de erro de fato, cabendo alegar aqui o disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 16, de 02 de outubro de 2002" A recorrente, por fim, colaciona três julgados do CARF com decisões favoráveis à inclusão retroativa no Simples. Anexa os seguintes documentos: (efls. 213/224): DARF SIMPLES, Jan a Dez/2017 (alguns já apresentados no pedido 1º semestre); (efls. 219/231): Recibo de entrega de DAS ORIGINAIS dos AC 2004 a 2010, exceto do AC 2007, cujo recibo de entrega é de DAS RETIFICADORA datado de 30/06/2008 (eFL. 228) (. Outros documentos relevantes constantes no processo: (efl. 23) Tela de Consulta de extrato de Conta Corrente Fiscal Consolidado Inscrição Estadual Declarações de jan a mar/2007: suspensas e de mai/2007: omisso entrega; (efls. 24/29) Recibos de transmissão de arquivos SAPI Sistema de Apuração e Pagamentos Informatizado Fazenda Estadual MG: Declarações de Movimento e Datas de transmissão: jan/2007 (23/03/2007); fev/2007 (23/03/2007); mar/2007 (30/04/2007); abr/2007 (23/08/2007); mai/2007 (23/08/2007); e jun/2007 (23/08/2007); (efl. 119/120) TelaS de Consulta Histórico da Empresa no Simples Nacional Solicitação de Opção para o Simples Nacional para o AC2008 realizada em 08/01/2008 DEFERIDA Código da Solicitação: 00.02.01.61.75 Analisando os fatos, constatase nos autos e no relato acima, que a migração automática do Simples Federal para o Simples Nacional, em 1º de julho de 2007, não foi realizada devido a uma pendência cadastral junto ao Estado de Minas Gerais, cuja existência a própria recorrente reconhece em seu recurso voluntário, ao afirmar que regularizou a pendência. Não obstante a migração da empresa não ter se dado de forma automática face ao impedimento citado, considerando que a regularização foi efetuada em 26/06/2007 (como afirma a recorrente), a mesma deveria ter feito a solicitação de opção para o AC2007 Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10660.002276/200878 Acórdão n.º 1001000.290 S1C0T1 Fl. 239 7 dentro do prazo estabelecido na norma (20/08/2007), pois possuía quase dois (2) meses para assim proceder. A regularização tempestiva de pendências e a solicitação de opção, também de forma tempestiva, são condições sine qua non para o acesso ao regime de tributação do Simples Nacional, nos termos da legislação transcrita acima. Uma vez que a recorrente somente efetuou o pedido de inclusão no Simples Nacional em 27/06/2008, a empresa, por decurso de prazo, perdeu o direito de opção pelo Simples Nacional, nos termos estabelecido pela Resolução CGSN nº 19/2007. Além de a recorrente não ter comprovado a impossibilidade de solicitar a opção pelo Simples Nacional do prazo previsto, o fato de ter feito o pedido de inclusão retroativa somente em 27/06/2008, portanto, mais de DEZ (10) MESES após o vencimento do prazo, por si só já inquinam a sua alegação de erro de fato e do pedido de aplicação do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16/2002, destarte não há como ser aplicada ao caso em tela. A invocada demora na atualização do sistema estadual para a retirada da condição impeditiva de cadastro irregular na Fazenda Estadual não tem o condão de ser considerada como erro de fato e seus argumentos para reificar a sua intenção inequívoca não prospera ante ao fato de ter solicitado a opção pelo SN com tal lapso de tempo da data limite. Quanto à alegação de que o sistema fiscal do Estado de Minas Gerais deu azo ao atraso na regularização cadastral, não há norma legal relevando a inobservância do prazo em razão de suposta morosidade de algum órgão. Quanto aos arestos administrativos transcritos, não cabe ao agente do Fisco nem a este CARF deixar de aplicar a legislação tributária com base em decisões judiciais ou de seus próprios colegiados em que o sujeito passivo não foi parte do processo ou decisões sem efeito erga omnes. Esta última assertiva está reforçada no próprio Regimento Interno deste tribunal, em especial em seus artigos 62, 72 e 74. Cabe esclarecer que a autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, seja pelo artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Assim, a partir do momento em que a norma é inserida em nosso sistema legislativo, é obrigação da autoridade administrativa a sua aplicação, não cabendo ao julgador administrativo expressar seu juízo de valor por eventuais injustiças que esta norma tenha causado, não podendo decidir dando à lei interpretação diversa daquela consagrada pela Administração, papel este incumbido aos tribunais competentes, se for o caso. Outrossim, o art. 79C da Lei Complementar nº. 123/2006 dispõe sobre as empresas que se enquadravam no Simples Federal mas não ingressaram no Simples Nacional, verbis: Art. 79C. A microempresa e a empresa de pequeno porte que, em 30 de junho de 2007, se enquadravam no regime previsto na Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e que não ingressaram no regime previsto no art. 12 desta Lei Complementar sujeitar Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10660.002276/200878 Acórdão n.º 1001000.290 S1C0T1 Fl. 240 8 seão, a partir de 1o de julho de 2007, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Por todo o exposto, face ao decurso de prazo para fazer a solicitação de opção pelo Simples Nacional, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário mantendose o indeferimento da opção pelo Simples Nacional, relativo ao anocalendário 2007. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 240DF CARF MF
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