Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,235)
- Segunda Câmara (27,802)
- Primeira Câmara (25,085)
- Segunda Turma Ordinária d (17,417)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,076)
- Primeira Turma Ordinária (15,870)
- Primeira Turma Ordinária (15,862)
- Primeira Turma Ordinária (15,851)
- Segunda Turma Ordinária d (15,719)
- Segunda Turma Ordinária d (14,277)
- Primeira Turma Ordinária (12,970)
- Primeira Turma Ordinária (12,280)
- Segunda Turma Ordinária d (12,256)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (84,103)
- Terceira Câmara (66,411)
- Segunda Câmara (54,642)
- Primeira Câmara (19,299)
- 3ª SEÇÃO (16,076)
- 2ª SEÇÃO (11,243)
- 1ª SEÇÃO (6,794)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,446)
- Segunda Seção de Julgamen (113,241)
- Primeira Seção de Julgame (75,650)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,918)
- Câmara Superior de Recurs (37,709)
- Terceiro Conselho de Cont (25,973)
- IPI- processos NT - ressa (5,010)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,864)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,245)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,627)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,201)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,645)
- HELCIO LAFETA REIS (3,513)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,899)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,614)
- WILDERSON BOTTO (2,602)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,084)
- 2021 (35,828)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,045)
- 2024 (25,915)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,467)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,246)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,078)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,840)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 11070.720002/2012-53
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Dec 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
CONSIGNAÇÃO. MODALIDADES TRADICIONAIS. CONSIGNAÇÃO POR COMISSÃO. CONSIGNAÇÃO POR VENDAS.
Tradicionalmente, a consignação comporta duas modalidades contratuais: consignação por comissão e consignação por vendas; naquela, o consignatário recebe a mercadoria mas a venda ocorre por conta e ordem do consignante, tendo aquele apenas tem o direito a uma comissão; nesta, o consignatário vende a mercadoria por conta própria, via de regra por valor superior ao fixado pelo consignante, na medida em que aquele somente se obriga a prestar contas com este pelo valor fixado.
CONSIGNAÇÃO POR COMISSÃO. ATUAL CONTRATO DE COMISSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
No Código Civil a consignação por comissão corresponde ao contrato de comissão, que é modalidade de prestação de serviços, em que a receita é composta pelas comissões.
CONSIGNAÇÃO POR VENDAS. ATUAL CONTRATO ESTIMATÓRIO. TRANSFERÊNCIA DE DOMÍNIO.
No Código Civil atual a consignação por vendas, que corresponde ao contrato estimatório (capítulo III do título VI do Direito das Obrigações), o consignatário adquire mercadoria do consignante com efetiva transferência de domínio, eis que: i) situa-se topicamente próximo da compra e venda (capítulo I) dentro de agrupamento (capítulos I a IV) em que o proprietário transfere a titularidade sobre a coisa; ii) incide a regra do res perit domino, tal qual na compra e venda.
JORNAIS, REVISTAS E PERIÓDICOS. REMESSA EM CONSIGNAÇÃO. NATUREZA JURÍDICA. CONTRATO ESTIMATÓRIO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. RECEITA BRUTA. VALOR DA AQUISIÇÃO SOMADO À MARGEM DE LUCRO.
A operação pela qual a editora remete jornais e periódicos a distribuidor, para venda em consignação configura contrato estimatório, em que há duas vendas simultâneas e sucessivas, uma do consignante para o consignatário e outra deste para o terceiro, de modo que a receita bruta do distribuidor é o valor da aquisição somado à margem de lucro.
Numero da decisão: 1801-001.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Massao Chinen - Relator
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Leonardo Mendonça Marques, Maria de Lourdes Ramirez e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ROBERTO MASSAO CHINEN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201312
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 CONSIGNAÇÃO. MODALIDADES TRADICIONAIS. CONSIGNAÇÃO POR COMISSÃO. CONSIGNAÇÃO POR VENDAS. Tradicionalmente, a consignação comporta duas modalidades contratuais: consignação por comissão e consignação por vendas; naquela, o consignatário recebe a mercadoria mas a venda ocorre por conta e ordem do consignante, tendo aquele apenas tem o direito a uma comissão; nesta, o consignatário vende a mercadoria por conta própria, via de regra por valor superior ao fixado pelo consignante, na medida em que aquele somente se obriga a prestar contas com este pelo valor fixado. CONSIGNAÇÃO POR COMISSÃO. ATUAL CONTRATO DE COMISSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. No Código Civil a consignação por comissão corresponde ao contrato de comissão, que é modalidade de prestação de serviços, em que a receita é composta pelas comissões. CONSIGNAÇÃO POR VENDAS. ATUAL CONTRATO ESTIMATÓRIO. TRANSFERÊNCIA DE DOMÍNIO. No Código Civil atual a consignação por vendas, que corresponde ao contrato estimatório (capítulo III do título VI do Direito das Obrigações), o consignatário adquire mercadoria do consignante com efetiva transferência de domínio, eis que: i) situa-se topicamente próximo da compra e venda (capítulo I) dentro de agrupamento (capítulos I a IV) em que o proprietário transfere a titularidade sobre a coisa; ii) incide a regra do res perit domino, tal qual na compra e venda. JORNAIS, REVISTAS E PERIÓDICOS. REMESSA EM CONSIGNAÇÃO. NATUREZA JURÍDICA. CONTRATO ESTIMATÓRIO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. RECEITA BRUTA. VALOR DA AQUISIÇÃO SOMADO À MARGEM DE LUCRO. A operação pela qual a editora remete jornais e periódicos a distribuidor, para venda em consignação configura contrato estimatório, em que há duas vendas simultâneas e sucessivas, uma do consignante para o consignatário e outra deste para o terceiro, de modo que a receita bruta do distribuidor é o valor da aquisição somado à margem de lucro.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 13 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11070.720002/2012-53
anomes_publicacao_s : 201312
conteudo_id_s : 5313755
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 13 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1801-001.790
nome_arquivo_s : Decisao_11070720002201253.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ROBERTO MASSAO CHINEN
nome_arquivo_pdf_s : 11070720002201253_5313755.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Roberto Massao Chinen - Relator Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Leonardo Mendonça Marques, Maria de Lourdes Ramirez e Ana de Barros Fernandes.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
id : 5220748
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046371296083968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2326; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11070.720002/201253 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.790 – 1ª Turma Especial Sessão de 03 de dezembro de 2013 Matéria Exclusão Simples Nacional e Auto de Infração IRPJ e reflexos. Recorrente REDILER DISTRIBUIDORA REVISTAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO COMPLETA DO LIVRO CAIXA. FALTA DE EMISSÃO DE NOTA FISCAL. INÍCIO DOS EFEITOS. MOMENTO DA PRÁTICA DA INFRAÇÃO. Correta a exclusão do Simples Nacional, quando se constatam, comprovadamente: i) omissão de receitas, ii) prática reiterada de infração à legislação tributária, iii) falta de escrituração completa de livro caixa, e iv) falta de emissão de nota fiscal de venda ou prestação de serviço, com termo inicial dos efeitos o período em que foram praticadas as infrações. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 CONSIGNAÇÃO. MODALIDADES TRADICIONAIS. CONSIGNAÇÃO POR COMISSÃO. CONSIGNAÇÃO POR VENDAS. Tradicionalmente, a consignação comporta duas modalidades contratuais: consignação por comissão e consignação por vendas; naquela, o consignatário recebe a mercadoria mas a venda ocorre por conta e ordem do consignante, tendo aquele apenas tem o direito a uma comissão; nesta, o consignatário vende a mercadoria por conta própria, via de regra por valor superior ao fixado pelo consignante, na medida em que aquele somente se obriga a prestar contas com este pelo valor fixado. CONSIGNAÇÃO POR COMISSÃO. ATUAL CONTRATO DE COMISSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. No Código Civil a consignação por comissão corresponde ao contrato de comissão, que é modalidade de prestação de serviços, em que a receita é composta pelas comissões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 00 02 /2 01 2- 53 Fl. 674DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 CONSIGNAÇÃO POR VENDAS. ATUAL CONTRATO ESTIMATÓRIO. TRANSFERÊNCIA DE DOMÍNIO. No Código Civil atual a consignação por vendas, que corresponde ao contrato estimatório (capítulo III do título VI do Direito das Obrigações), o consignatário adquire mercadoria do consignante com efetiva transferência de domínio, eis que: i) situase topicamente próximo da compra e venda (capítulo I) dentro de agrupamento (capítulos I a IV) em que o proprietário transfere a titularidade sobre a coisa; ii) incide a regra do res perit domino, tal qual na compra e venda. JORNAIS, REVISTAS E PERIÓDICOS. REMESSA EM CONSIGNAÇÃO. NATUREZA JURÍDICA. CONTRATO ESTIMATÓRIO. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. RECEITA BRUTA. VALOR DA AQUISIÇÃO SOMADO À MARGEM DE LUCRO. A operação pela qual a editora remete jornais e periódicos a distribuidor, para venda em consignação configura contrato estimatório, em que há duas vendas simultâneas e sucessivas, uma do consignante para o consignatário e outra deste para o terceiro, de modo que a receita bruta do distribuidor é o valor da aquisição somado à margem de lucro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Roberto Massao Chinen Relator Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Leonardo Mendonça Marques, Maria de Lourdes Ramirez e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o processo de exclusão do Simples Nacional e auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos, anos calendários 2007 a 2009. Pelo Ato Declaratório Executivo DRF/SAO nº 001, de 06 de janeiro de 2012, à fl. 218, o contribuinte foi excluído do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/07/2007, por motivos de omissão de receitas, prática reiterada de infração, falta de escrituração completa de livro caixa e falta de emissão de nota fiscal. O auto de infração de IRPJ (fls. 458/495) exige o recolhimento de R$ 102.624,68 de imposto e R$ 116.321,17 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações: Fl. 675DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.720002/201253 Acórdão n.º 1801001.790 S1TE01 Fl. 3 3 Omissão de receitas. Revenda de mercadorias: nos períodos de 07/2007 a 12/2007, 01/2008 a 12/2008, 01/2009 a 11/2009. Enquadramento legal no art. 3° da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995; arts. 518, 519 e 528 do RIR/99. Multa de 150%; Receitas escrituradas e não declaradas. Revenda de mercadorias: nos períodos de 07/2007 a 12/2007, 01/2008 a 12/2008, 01/2009 a 03/2009, 05/2009 a 09/2009 e 11/2009. Enquadramento legal no art. 3° da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995; arts. 518 e 519 §1° inciso III “a” e §§ 4° e 5° do RIR/99. Multa de 75%; Receitas escrituradas e não declaradas. Prestação de serviços: nos períodos de 07/2007 a 12/2007, 01/2008 a 12/2008, 01/2009 a 12/2009. Enquadramento legal no art. 3° da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995; arts. 518 e 519 do RIR/99. Multa de 75%; O auto de infração de CSLL (fls. 495/533) exige o recolhimento de R$ 53.478,31 de contribuição e R$ 75.526,15 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações: Omissão de Receita. Falta de recolhimento sobre receitas omitidas: nos períodos de 07/2007 a 12/2007, 01/2008 a 12/2008, 01/2009 a 11/2009. Enquadramento legal nos art. 2°, 3° da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 2°, 24, §2° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 29 inciso I da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 37 da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002; art. 22 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003. Multa de 150%; Receitas escrituradas e não declaradas. Falta de recolhimento da CSLL: nos períodos de 07/2007 a 12/2007, 01/2008 a 12/2008, 01/2009 a 12/2009. Enquadramento legal nos art. 2°, 3° da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 2°, 24, §2° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 29 inciso I da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 37 da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002; art. 22 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003. Multa de 150%; O auto de infração de Cofins (fls. 534/549) exige o recolhimento de R$ 146.858,54 de contribuição e R$ 208.526,56 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações: Incidência cumulativa padrão. Insuficiência de recolhimento da Cofins: nos períodos de 07/2007 a 12/2007, 01/2008 a 12/2008, 01/2009 a 12/2009. Enquadramento legal nos arts. 2°, 3°, 8° da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998; art. 1° da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991. Multa de 75%; Incidência cumulativa padrão. Omissão de receitas sujeitas à Cofins: nos períodos de 07/2007 a 12/2007, 01/2008 a 12/2008, 01/2009 a 11/2009. Enquadramento legal nos arts. 2°, 3°, 8° da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998; art. 1° da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991; art. 24, §2° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Multa de 150%; O auto de infração de PIS (fls. 550/565) exige o recolhimento de R$ 31.812,09 de contribuição e R$ 45.175,17 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações: Fl. 676DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Incidência cumulativa padrão. Insuficiência de recolhimento do PIS: nos períodos de 07/2007 a 12/2007, 01/2008 a 12/2008, 01/2009 a 12/2009. Enquadramento legal nos arts. 2° inciso I, 8° inciso I, 9° da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998; art. 1° e 3° da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970; arts. 2° e 3° da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. Multa de 75%; Incidência cumulativa padrão. Omissão de receita sujeita ao PIS: nos períodos de 07/2007 a 12/2007, 01/2008 a 12/2008, 01/2009 a 11/2009. Enquadramento legal nos arts. 2° inciso I, 8° inciso I, 9° da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998; art. 1° e 3° da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970; arts. 2° e 3° da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998; art. 24, §2° da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Multa de 150%; Foi interposta impugnação contra o ADE (fls. 221/227) e contra os lançamentos (fls. 572/586), que foram julgadas improcedentes pela DRJ/Porto Alegre, conforme acórdão de fls. 637/641, prolatado em 06/06/2012. Cientificada da decisão em 22/06/2012, conforme AR de fl. 642, tempestivamente, em 19/07/2012, o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário de fls. 644/658, acompanhado dos documentos de fls. 659/660, que se resume a seguir: a. Alega que é prestadora de serviços, não pratica atos de comércio, e por conseqüencia os lançamentos devem ser afastados, com a manutenção da opção ao Simples Nacional. Subsidiariamente, entende que os efeitos da exclusão do Simples se dá a partir do trânsito em julgado da decisão; b. Contesta o motivo da exclusão relativo à sonegação, e explica que decorre do entendimento de que a empresa não é mera prestadora de serviços, mas sim quem comercializa exemplares editoriais para pontos de venda da região de atuação. Afirma que toda a discussão sobre a pertinência ou não da exclusão e dos lançamentos reside na natureza jurídica das atividades desenvolvidas pela Recorrente; c. Esclarece que é unicamente uma das diversas distribuidoras regionais do Grupo Abril, tendo sido contratada exclusivamente pela Treelog, empresa que faz parte do Grupo Abril e que é responsável unicamente pela logística; que é o único contrato da Recorrente; que o presente é reconhecido pela Autoridade Coatora; d. Explica que a Treelog subcontratou, portanto, a logística, cabendo à Recorrente: abastecer os pontos de venda da região de atuação, sendo eles os responsáveis pela comercialização; e abastecer os entregadores com os exemplares de assinaturas. Informa que isso encontrase no site da Treelog, quando faz referência ao exército/batalhão, informação juntada nos autos, que são os responsáveis pela venda e a entrega de assinaturas em "curto prazo"; que o site da Treelog, ao descrever sua historia, traz a estrutura logística que possui, reconhecendo que tem uma rede de 248 distribuidores regionais (Durante os finais de semana, um exército de 5,3 mil entregadores conclui a entrega de 780 mil exemplares de revistas em todo o Brasil em apenas 16 horas); que em outro item do site há informação de que a Treelog possui 205 distribuidores regionais, responsáveis pela entrega porta a porta em 2,6 mil municípios e entrega de produtos em mais de 30 mil pontos de venda, entre bancas, livrarias, supermercados, lojas de conveniência, padarias e outros; e. Conclui que descabe à Recorrente fazer qualquer ingerência sobre a forma de atuação na distribuição e venda dos exemplares. Tem sim é que unicamente cumprir as regras impostas pela Treelog, que são aplicadas em todo o Brasil; que não pode então: alterar a região de atuação, diminuindoa ou aumentandoa; o tempo de entrega; o preço Fl. 677DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.720002/201253 Acórdão n.º 1801001.790 S1TE01 Fl. 4 5 do produto e, portanto, sua margem de lucro; e a época de devolução dos produtos não comercializados pelos pontos de venda;. f. Alega que isso pode ser confirmado tanto no site da Treelog como no contrato imposto à Recorrente, que traz no item Nossos diferenciais, o que segue: recebimento, triagem, conferência, armazenagem e distribuição; piking (manuseio e separação dos produtos), packing (empacotamento) e etiquetagem; manuseio e montagem de kits, inclusive os produtos complexo e frágeis; entrega porta a porta; assessoria ao planejamento e à revisão de projetos logísticos; parceria para impressão e expedição diretamente da Gráfica Abril; g. Acrescenta que, para o desenvolvimento de dita prestação de serviços, recebe comissão de acordo com o resultado da região. Tem, portanto, um contrato de risco, onde a comissão pelo serviço prestado dependerá do montante comercializado (tanto nos pontos de venda como no número de assinantes) pelas editoras em cada período. A política de venda, no entanto, é exclusiva da DGB (Grupo Abril), que terceirizou a logística para a Treelog, que contratou outras empresas de distribuição para cada uma das etapas até o consumidor final. Uma dessas terceirizadas é a Recorrente; h. Contesta o entendimento contido no auto de infração (fl. 454), de que a Recorrente teria dois tipos de receita (remuneração de comissão de editoras e o produto da compra e venda da Treelog). Afirma que as duas operações são a mesma coisa, porque não tem qualquer relação com editoras, e que os únicos exemplares que recebe são os remetidos pela Treelog, para que a Recorrente distribua na região; i. Reclama que o narrado poderia ser facilmente constatado com mera averiguação, mas que a Autoridade Fiscal preferiu se apegar a uma imposição contratual da Treelog, que em nada representa a realidade. Tanto assim que a mesma atividade é prestada desde 2000 e somente em 2008 houve a alteração contratual considerada pela fiscalização, a qual foi imposta unilateralmente, sob pena de perda da representação da região; j. Justifica que as partes haviam firmado em 13 de dezembro de 2000, de forma equivocada, um instrumento de contrato de prestação de serviços de distribuição, quando na verdade, de fato e de direito, tratavase de uma contratação de outra natureza jurídica, correspondente a uma Venda e Compra em Regime de Consignação de Mercadorias, por meio do qual a DINAP entregava à distribuidora, em regime de consignação de mercadorias, publicações que a mesma viesse a adquirir junto às Editoras, nacionais ou estrangeiras, para que a distribuidora, sem exclusividade, pudesse revendêlas a terceiros, bancas de jornais e revistas e/ou em pontos alternativos por ela tradicionalmente atendidos; que dita previsão data de out/07 e destoa da realidade porque, na verdade, a Impugnante tem duas únicas responsabilidades: i) receber os exemplares para distribuílos nos pontos de venda da região de atuação, cabendo a ela depois recolher os exemplares não comercializados e o valor correspondente a diferença entre a venda e a comissão do ponto de venda e transferilo às editoras; ii) receber os exemplares de assinantes e fazer a logística até cada um dos entregadores; k. Frisa que, apesar de ter ciência de que lhe foi imputado um ônus estranho à realidade, não teve alternativa senão assinálo, o que em nada a vincula para efeitos tributários, conforme o parágrafo único do artigos 116 e 123 do CTN, e doutrina; Fl. 678DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 l. Alega que o entendimento equivocado acabou por ensejar efeito confiscatório, que inviabilizará a atividade; que o confisco é de fácil constatação porque, como demonstrado nos documentos juntados pela Treelog, foi comercializado no período de apuração o montante de R$ 3.766.535,29, mas coube à Recorrente unicamente 10% desse valor pago a título de comissão, enquanto que ao responsável pelos pontos de venda a comissão era de 18%; que há menção de que no período de 2004 a 2009, a receita da Recorrente foi de R$ 1.180.651,90 (10%) do preço de capa comercializado no período), enquanto que o lançamento considerou uma receita de R$ 3.766.535,29 (equivalente a 100% do preço de capa comercializado no período), no período de jul/07 a nov/09; m. Argumenta que, se mantido então o entendimento recorrido, a Recorrente estará sendo responsabilizada pela tributação de todos os integrantes da cadeia, ou seja, desde as editoras até o responsável pelo ponto final (supermercados, livrarias, lojas de conveniências, bancas); n. Afirma que, segundo o contrato anterior, vigente de dez/00 a out/08, tratavase de contrato de comissão mercantil que tem como objeto promover e distribuir as publicações editadas pela comitente; que a cláusula sobre a remuneração, item "8", prevê que a comissária receberá comissões pelas vendas das publicações; que as comissões devidas correspondem ao percentual sobre o preço de capa das publicações vendidas; que essa previsão representa a realidade da Impugnante até os dias de hoje, mesmo após a "Alteração Contratual"; o. Acrescenta que a própria Treelog reconheceu (fl. 149) que a Recorrente é distribuidora; p. Resume que: i) DGB contratou a Treelog para fazer a logística até os pontos de venda; ii) a Treelog está sediada em São Paulo, fazendo o transporte para este Estado via aérea; iii) em Porto Alegre há uma empresa contratada pela Treelog, que é responsável pela retirada no aeroporto e pelo transporte dos exemplares até às distribuidoras regionais, uma delas a Impugnante; iv) chegada a mercadoria na Impugnante, ela é responsável por fazer a repartição para cada ponto de venda das cidades que compõem a região; v) a partir disso a Treelog tem um calendário denominado Chamada de Encalhe, que é a devolução dos exemplares não comercializados, cabendo a Impugnante recolhêlos nos pontos de venda e remeter à Treelog, através da empresa de transporte; vi) a partir da devolução, a Treelog contabiliza a diferença entre exemplares enviados e os devolvidos, cabendo à Impugnante recolher a quantia junto aos pontos de venda (que dos 100% retém 18% e a diferença, equivalente a 82%, paga através de depósito bancário à Impugnante), que retém sua comissão (de 82% retém 10%) e, a diferença (72%), repassa à Treelog; q. Entende ser absurda a decisão quando analisado o fato de que o lançamento se deu sobre operações comerciais que a fiscalizada realizou vendendo revistas adquiridas da Treelog (fl. 454), pois a Treelog não vende revistas, é uma empresa de logística, sendo, portanto, absurda a conclusão que pautou os lançamentos e a exclusão do Simples. Reclama que foi apurado o mês de jul/07 e seguintes enquanto que fundamentado na alteração contratual, firmada somente em out/08, o que, por si só, prejudica a conclusão da Autoridade Fiscal; r. Aduz que a exclusão afronta a Constituição Federal, que trouxe previsão de tratamento jurídico diferenciado às empresas de pequeno porte, a qual busca diminuir a carga tributária das microempresas e das empresas de pequeno porte; que o legislador extrapolou a competência ao prever um sem número de hipóteses que levariam a exclusão do Simples Nacional; que o próprio §3° do artigo 75, da Resolução CGSN n° 94/11, Fl. 679DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.720002/201253 Acórdão n.º 1801001.790 S1TE01 Fl. 5 7 prevê que o termo de exclusão se tornará efetivo quando a decisão definitiva for desfavorável ao contribuinte; s. Ao final, requer: i) afastar a integralidade dos lançamentos, por inexistir compra e venda nas atividades desenvolvidas pela Recorrente, tendo sido integralmente recolhido sobre sua única atividade: a prestação de serviços; ii) subsidiariamente, seja afastado o período de jul/07 a out/08, época em que foi formalizado o contrato considerado pela Fiscalização com a Treelog, determinando a apuração do lançamento mantido; iii) reconhecer a inconstitucionalidade da exclusão de ofício do Simples Nacional; iv) subsidiariamente, seja reconhecido que a decisão tenha efeito a partir do trânsito em julgado. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Massao Chinen, Relator. Conheço do recurso interposto, por tempestivo. O presente processo é composto por dois objetos: exclusão do Simples Nacional e lançamentos do IRPJ e reflexos dos períodos 2007 a 2009. A exclusão é matéria prejudicial em relação ao lançamento, por isso é analisada primeiramente. Exclusão do Simples Nacional. A DRF/Santo Ângelo excluiu o contribuinte do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/07/2007, pelos seguintes motivos: i) omissão de receitas, ii) prática reiterada de infração à legislação tributária, iii) falta de escrituração completa de livro caixa, e iv) falta de emissão de nota fiscal de venda ou prestação de serviço. O exame da matéria revela que há motivos mais do que suficientes para manter a exclusão. As apontadas motivações para a exclusão encontram previsão legal no art. 29 da Lei Complementar n° 123/2006, que define também o termo de início dos efeitos da exclusão: Art. 26. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional ficam obrigadas a: I emitir documento fiscal de venda ou prestação de serviço, de acordo com instruções expedidas pelo Comitê Gestor; [...] Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: [...] V tiver sido constatada prática reiterada de infração ao disposto nesta Lei Complementar; Fl. 680DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 [...] VIII houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; [...] XI houver descumprimento reiterado da obrigação contida no inciso I do caput do art. 26; [...] § 1o Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. A fiscalizada explora o ramo de “distribuição em consignação, por conta e ordem de terceiros e comércio de revistas, livros, jornais e publicações do ramo”, conforme contrato social consolidado, à fl. 20. Pelo Termo de Início de Fiscalização, às fls. 07/08, o contribuinte foi intimado a apresentar livros e documentos fiscais dos anos 2007 a 2009. Ao examinar o Livro Caixa, a autoridade fiscal constatou que nela não havia registros da conta bancária mantida no Banrisul, cuja movimentação era relevante (R$ 948.873,29 em 2007, R$ 1.254.863,20 em 2008 e R$ 1.762.264,83 em 2009), superior ao faturamento declarado. Provada, portanto, a situação excludente do inciso VIII. A maior parte do faturamento da fiscalizada decorre da relação contratual com a empresa Treelog SA Logística e Distribuição. Conforme melhor analisado no exame dos lançamentos, o auditor fiscal apurou, mediante diligência, que a Rediler Distribuidora de Revistas adquire periódicos em consignação do referido fornecedor e os distribui para as bancas da região, por conta e risco destas e da fiscalizada. Além disso, a Rediler também presta o serviço de entrega de revistas aos assinantes da região, mediante remuneração paga pelas editoras. Durante o período fiscalizado, a Treelog comercializou R$ 3.766.535,29 à fiscalizada, com emissão de nota fiscal com CFOP 6.114. Por outro lado, a Rediler escriturou somente duas notas fiscais de prestação de serviços para a Treelog, perfazendo R$ 418,81 de receita oferecida à tributação. Quanto às vendas em consignação dos periódicos adquiridos da Treelog, não foi apresentado nenhum documento fiscal. Provada, portanto, a situação excludente do inciso XI. A omissão de receitas será melhor apreciada na análise dos lançamentos. A prática reiterada da omissão de receitas e de emissão de nota fiscal justificam a situação excludente do inciso V. O termo inicial dos efeitos da exclusão também não merece reparo, já que foi fixado em conformidade com o disposto no art. 29, §1°, ou seja, a partir do próprio mês da prática das situações excludentes, o que ocorria desde o momento da primeira opção pelo Simples Nacional, em 01/07/2007. Na peça de defesa, no que diz respeito à exclusão do Simples, a recorrente contesta somente a sonegação, o termo inicial dos efeitos da exclusão e a constitucionalidade da exclusão. Como não houve nenhum questionamento a respeito da escrituração incompleta do Livro Caixa nem da falta de emissão de notas fiscais, confirmamse essas situações excludentes, o que já é suficiente para manter a exclusão do Simples Nacional. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.720002/201253 Acórdão n.º 1801001.790 S1TE01 Fl. 6 9 Ao contestar a data inicial dos efeitos da exclusão, a interessada alega que o §3° do artigo 75, da Resolução CGSN n° 94/11 estipula que o termo de exclusão se tornará efetivo quando a decisão definitiva for desfavorável ao contribuinte. Entretanto, verificase que as regras definidas para os efeitos da exclusão na Resolução não destoam da Lei Complementar n° 123/2006. O termo “efetivo”, utilizado no dispositivo citado, tem o significado de “definitivo”, já que a decisão poderá ser revertida nas instâncias julgadoras. Da Exclusão de Ofício Art. 75. A competência para excluir de ofício a ME ou EPP do Simples Nacional é: (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 29, § 5 º ; art. 33) [...] § 3 º Na hipótese de a ME ou EPP impugnar o termo de exclusão, este se tornará efetivo quando a decisão definitiva for desfavorável ao contribuinte, observandose, quanto aos efeitos da exclusão, o disposto no art. 76. (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 39, § 6 º ) [...] Dos Efeitos da Exclusão de Ofício Art. 76. A exclusão de ofício da ME ou da EPP do Simples Nacional produzirá efeitos: [...] V a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo nova opção pelo Simples Nacional pelos 3 (três) anoscalendário subsequentes, nas seguintes hipóteses: (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 29, incisos II a XII e § 1 º ) [...] d) tiver sido constatada prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar n º 123, de 2006; [...] g) houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; [...] j) não emitir documento fiscal de venda ou prestação de serviço, de forma reiterada, observado o disposto nos arts. 57 a 59 e ressalvadas as prerrogativas do MEI nos termos da alínea “a” do inciso II do art. 97; ( Redação dada pela Resolução CGSN nº 101, de 19 de setembro de 2012 ) A propósito das reclamações sobre inconstitucionalidades das normas do Simples, cabe observar o disposto na súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 Finalmente, os questionamentos sobre a omissão serão apreciados na sequencia, na análise dos lançamentos. Pelo exposto, voto por julgar improcedente o recurso voluntário, para manter o ADE, com efeitos a partir de 01/07/2007. Autos de Infração. IRPJ. CSLL. PIS. Cofins. AC 2007 a 2009 Confirmada a exclusão do Simples, com efeitos a partir de 01/07/2007, a conseqüência imposta pela legislação (art. 3° da Lei Complementar n° 123/2006) é que o contribuinte sujeitase às regras das demais pessoas jurídicas, podendo optar pelo lucro real trimestral ou anual, ou lucro presumido. Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. [...] § 2o Para efeito do disposto no caput deste artigo, o sujeito passivo poderá optar pelo recolhimento do imposto de renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido na forma do lucro presumido, lucro real trimestral ou anual. Nesse sentido, a autoridade fiscal intimou devidamente a fiscalizada para manifestarse sobre o regime de tributação, conforme Termo de Intimação de fl. 233, ao que foi respondido que a opção era pelo lucro presumido, sob protesto de que deverseia aguardar o julgamento final do processo administrativo. Ao final da auditoria, a fiscalização apurou três infrações. A primeira decorre de omissão de receitas, com multa de 150%; as demais resultam dos valores declarados na Declaração Simplificada, relativos às receitas de revenda de mercadorias e de prestação de serviços. As receitas omitidas tem origem na relação que a Rediler Distribuidora de Revistas mantém com a empresa Treelog SA Logística e Distribuição. No início da ação fiscal, o contribuinte apresentou cópia do contrato firmado entre essas empresas; quando indagado sobre as notas fiscais de compras em consignação, alegou que não estava de posse das mesmas, fato este que motivou o procedimento de diligência naquele fornecedor, às fls. 140/150. A Treelog encaminhou arquivos digitais, com dados de notas fiscais de sua emissão, com CFOP 6.114 (venda de mercadorias adquirida ou recebida de terceiros remetida anteriormente em consignação mercantil), as quais totalizaram, durante o período fiscalizado, R$ 3.766.535,29, conforme planilha de fl. 451. Posteriormente, a Treelog encaminhou cópia das notas fiscais, juntadas às fls. 415/444. O contrato, firmado em 30/10/2007, foi juntado às fls. 239/246. A partir de seu conteúdo, a fiscalização chegou às seguintes conclusões, narradas no TVF de fls. 450/455: i) o contrato não é de prestação de serviço e sim de compra e venda em consignação (cláusula 1ª); ii) os riscos correm por conta da Rediler, a não devolução de revistas se presume a venda (cláusula 3ª, cláusula 5ª, §2°); iii) cabe à Rediler 28% dos valores arrecadados nos pontos de venda (cláusula 6ª). De fato, confiramse a seguir os trechos relevantes do que foi acordado: As partes, de mútuo e comum acordo, decidem de boafé celebrar o presente INSTRUMENTO PARTICULAR DE RETIFICAÇÃO E RATIFICAÇÃO DO CONTRATO DE Venda e Compra de Publicações, em Regime de Consignação que se Fl. 683DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.720002/201253 Acórdão n.º 1801001.790 S1TE01 Fl. 7 11 encontra em plena vigência para que nele passe a constar os exatos termos e condições que já vêm sendo regularmente observados entre as partes contratantes, passando o mesmo a conter a seguinte redação: DO OBJETO: CLÁUSULA 1ª A TREELOG entregará à DISTRIBUIDORA, em regime de consignação de mercadorias. Publicações que tiver formalmente adquirido junto às Editoras, nacionais ou estrangeiras, para que esta última possa revendêlas a terceiros, bancas de jornais e revistas e em pontos alternativos por ela atendidos dentro das condições estipuladas no presente contrato. [...] DOS REGISTROS DE VENDA E COMPRA: CLÁUSULA 3ª Todas as Publicações serão adquiridas pela DISTRIBUIDORA em regime de consignação de mercadorias suportada pelos documentos fiscais previstos na legislação respectiva. Parágrafo 1° Os documentos fiscais citados conterão, obrigatoriamente, as seguintes informações: a) os títulos das Publicações; b) o número da edição das Publicações; c) as quantidades das Publicações; d) os preços unitários de cada Publicação. Parágrafo 2o A DISTRITBUIDORA terá 5 (cinco) dias úteis, a partir da data do recebimento das Publicações, para informar qualquer divergência encontrada entre os documentos fiscais e a quantidade de Publicações recebida; Parágrafo 3o Expirado esse prazo, a será tido entre as partes como correta a emissão da documentação fiscal correspondente às Publicações encaminhadas, presumindose como vendida a quantidade de exemplares que não for devolvida por ocasião do acerto das vendas em consignação, devendo a DISTRIBUIDORA pagar o preço correspondente líquido do percentual de desconto. [...] DA DEVOLUÇÃO DAS PUBLICAÇÕES: CLÁUSULA 5ª A DISTRIBUIDORA devolverá à TREELOG os exemplares não vendidos de cada edição, nos prazos e condições fixados pela TREELOG e constantes do documento denominado ''Chamada de Encalhe", nos termos do Regime Especial fiscal aprovado para esse tipo de operação. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 Parágrafo 1° Os custos decorrentes da devolução dos exemplares não vendidos serão suportados integralmente pela TREELOG. Parágrafo 2° Caso as Publicações não sejam devolvidas em perfeito estado de conservação ou faltando complementos (e.g. brindes, valedesconto, etc.), a TREELOG poderá não as aceitar, considerandoas vendidas, sem efetuar o retorno dos exemplares não aceitos à DISTRIBUIDORA, destinando os mesmo à destruição. Parágrafo 3° Caso as Publicações não sejam devolvidas no prazo estipulado, a TREELOG poderá considerálas como vendidas, ficando a seu exclusivo critério a sua devolução do prazo originalmente previsto. Parágrafo 4° Quaisquer divergências encontradas entre os documentos fiscais e as respectivas Publicações que os acompanham deverão ser comunicadas à TREELOG pela Distribuidora, por intermédio do site a ser indicado pela mesma com as instruções dc uso, no prazo máximo de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento das PUBLICAÇÕES. DO PREÇO CLÁUSULA 6ª A DISTRIBUIDORA deverá pagar a TREELOG o preço correspondente às vendas das publicações a ser obtido mediante a adoção dos seguintes procedimentos: a) na Chamada de Encalhe a DISTRIBUIDORA fará constar a quantidade de exemplares que estão sendo devolvidos, e a venda apurada em relação a cada edição das Publicações entregues para venda; b) nessa Chamada de Encalhe constará também o percentual de desconto previamente ajustado entre as partes para cada Publicação que, via de regra, será de 28% sobre o preço de capa. Para as situações de exceção as partes deverão definir previamente o percentual de desconto aplicável sobre o preço de capa, fazendo constar essa informação da respectiva Chamada de Encalhe; c) a Chamada de Encalhe conterá, ainda, a data de vencimento da obrigação de pagamento devida pela DISTRIBUIDORA à TREELOG; d) O pagamento devido pela DISTRIUIDORA à TREELOG poderá ser feito mediante boleto bancário ou depósito em conta corrente no prazo fixado conforme letra”c" anterior. O auditor fiscal observou que, na definição do preço, o percentual fixado no pacto foi de 28% do preço de capa, sem esclarecimentos sobre se esse percentual cabia totalmente à Rediler ou se incluía o ganho dos pontos de venda. Pelo Termo de Intimação de fl. 196, a autuada foi questionada se o montante que consta nas notas fiscais corresponde a 72% do montante arrecadado pelos pontos de venda; foi também intimada a se manifestar sobre os valores levantados em diligência. Na resposta, às fls. 201/203, a empresa declarou que: Fl. 685DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.720002/201253 Acórdão n.º 1801001.790 S1TE01 Fl. 8 13 · a Contribuinte vem dizer que é responsável pela logística do Grupo Abril, recebendo comissão pela prestação de serviços. Para tanto, o Grupo Abril entrega na sede da Contribuinte os exemplares em consignação, cabendo a ela distribuir nos pontos de venda da região de atuação. Posteriormente, a Editora faz a denominada "chamada de encalhe", ou seja, solicita que a Contribuinte retorne nos pontos de venda para recolher os exemplares não comercializados; · Sobre a diferença entre os exemplares recebidos em consignação e os devolvidos, o ponto de venda retém o percentual descrito nas declarações ora juntadas, depositando o restante em conta da Contribuinte. A partir disso, a Contribuinte retém a comissão pela prestação de serviços e repassa a diferença à Editora; · Dessa forma, o percentual de 28% informado pelo Grupo Abril representa a soma da remuneração da Contribuinte e dos pontos de venda. E mais: a comissão dos pontos de venda pode variar de 10 a 16%, dependendo da região em que se localiza. Foi por essa razão que a Contribuinte solicitou Declaração dos maiores pontos, onde reconhecem o percentual e a forma de identificação do depósito realizado junto ao Banrisul, especialmente o número correspondente ao dígito do centavo; · Juntase, por outro lado, as Notas Fiscais emitidas pelo Grupo Abril no período de apuração, que demonstram os exemplares recebidos em consignação. O presente decorre do fato de que Contribuinte é mera prestadora de serviços, sendo a responsável tanto pela distribuição e recolhimento dos exemplares, como pela cobrança do valor da venda, transferindoa para a Editora, consubstanciado em Contrato já juntado aos autos; · O esposado pode ser facilmente confirmado através de mera comparação entre a soma de depósitos do Banrisul e as transferências realizados à Editora; · Demonstrado então mais uma vez que o volume de transações financeiras existentes em conta de titularidade da Contribuinte se referem a prestação de serviços realizada em favor do Grupo Abril, recebendo pequeno percentual a título de comissão pelo serviço. Nova intimação foi lavrada (fls. 236), solicitando à fiscalizada que discriminasse os valores mensais que lhe nas vendas em consignação efetuadas para as pontos de vendas da região. Na resposta, o contribuinte apresentou a planilha de fl. 237/238, discriminando mês a mês os valores que couberam à Treelog, as comissões do ponto de venda e a sua comissão. A partir desses dados, a fiscalização elaborou o seguinte demonstrativo de faturamento da Rediler, consistente nos valores repassados à Treelog somados às suas comissões: MÊS COMPRAS TREELOG GANHO REDILER FATURAMENTO jul/07 100.956,05 16.461,45 117.417,50 ago/07 123.988,19 20.191,14 144.179,33 set/07 94.667,00 15.455,71 110.122,71 out/07 130.221,13 21.088,60 151.309,73 nov/07 108.182,01 17.657,72 125.839,73 dez/07 106.876,99 17.468,62 124.345,61 Fl. 686DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 14 jan/08 128.752,42 21.092,23 149.844,65 fev/08 79.128,29 12.965,50 92.093,79 mar/08 242.147,41 26.703,48 268.850,89 abr/08 160.342,61 26.358,78 186.701,39 mai/08 113.911,23 18.706,13 132.617,36 jun/08 117.742,84 19.429,82 137.172,66 jul/08 148.202,53 24.359,59 172.562,12 ago/08 128.045,72 21.062,70 149.108,42 set/08 125.595,99 20.749,23 146.345,22 out/08 151.650,87 24.992,67 176.643,54 ov/08 131.042,49 21.689,02 152.731,51 dez/08 121.019,27 20.011,22 141.030,49 jan/09 143.910,20 23.694,63 167.604,83 fev/09 96.307,25 15.874,98 112.182,23 mar/09 157.815,43 26.000,50 183.815,93 abr/09 163.434,46 26.969,92 190.404,38 mai/09 122.069,43 20.131,29 142.200,72 jun/09 125.821,73 20.739,92 146.561,65 jul/09 143.754,45 23.731,16 167.485,61 ago/09 117.560,34 19.376,24 136.936,58 set/09 146.449,21 24.182,03 170.631,24 out/09 119.656,64 19.601,93 139.258,57 nov/09 117.283,11 19.232,26 136.515,37 No recurso voluntário, a recorrente alega, em síntese que: i) é prestadora de serviços, não pratica atos de comércio; ii) a Treelog subcontratou a logística, cabendo à Recorrente abastecer os pontos de venda da região de atuação, sendo eles os responsáveis pela comercialização, conforme informações contidas no site do fornecedor; iii) para o desenvolvimento de dita prestação de serviços, recebe comissão de acordo com o resultado da região, configurando um contrato de risco, onde a comissão pelo serviço prestado dependerá do montante comercializado; iv) o contrato é uma imposição da Treelog, sob pena de perda da representação da região, que em nada representa a realidade; v) as partes haviam firmado em 13 de dezembro de 2000, de forma equivocada, um instrumento de contrato de prestação de serviços de distribuição, quando na verdade, de fato e de direito, tratavase de uma contratação de outra natureza jurídica, correspondente a uma Venda e Compra em Regime de Consignação de Mercadorias; vi) a própria Treelog reconheceu (fl. 149) que a Recorrente é distribuidora; vii) houve lançamentos a partir de julho/2007, mas o contrato foi firmado somente em outubro de 2008. A recorrente defende a tese de que não pratica atos de comércio, e insiste que presta serviços de distribuição para a Treelog, atuando desde o recebimento do produto até a entrega nos pontos de venda, sendo que toda a comercialização fica à cargo do fornecedor. No entanto, o contrato firmado entre as partes bem como as notas fiscais emitidas pelo fornecedor não suportam essa alegação. A cláusula 1ª do contrato (fl. 239) diz claramente que a fiscalizada Fl. 687DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.720002/201253 Acórdão n.º 1801001.790 S1TE01 Fl. 9 15 receberá da Treelog, “em regime de consignação” publicações para que ela possa “revendêlas” a terceiros. Nas notas fiscais (fls. 415/444) emitidas pelo fornecedor contra a Rediler consta como natureza da operação: “VENDA MERC ADQ ENV CONSIGNAÇÃO”. Ademais, o contrato de distribuição não é incompatível com atos de compra e venda. Pelo contrário, tratase de uma forma de intermediar as negociações de compra e venda, conforme leciona Fábio Ulhoa Coelho, no seguinte trecho doutrinário: A distribuiçãointermediação é o contrato de colaboração empresarial pelo qual um dos empresários contratantes (distribuidor) tem a obrigação de comercializar os produtos do outro (distribuído). É contrato atípico, regido pelas cláusulas livremente pactuadas pelas partes. (COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de Direito Comercial. Volume 3. São Paulo: Saraiva, 2006, p. 103). O professor comenta a escolha do legislador que previu a figura do distribuidor no art. 710 do Código Civil, como espécie do contrato de agência, quando o agente dispuser da coisa negociada. E afirma que a compra e venda de mercadorias é elemento essencial no contrato de distribuição: Art. 710. Pelo contrato de agência, uma pessoa assume, em caráter não eventual e sem vínculos de dependência, a obrigação de promover, à conta de outra, mediante retribuição, a realização de certos negócios, em zona determinada, caracterizandose a distribuição quando o agente tiver à sua disposição a coisa a ser negociada. ____________________________________________________ Na prática empresarial de há muito assentada, “distribuição” é o nome do contrato de colaboração por intermediação, em que a compra e venda de mercadorias entre os contratantes é um ingrediente necessário. (Ibid., p. 124). Entendo, portanto, que a atividade exercida pela fiscalizada é de natureza comercial; mais especificamente, tratase de compra e venda por consignação. O passo seguinte é definir qual o regime tributário dessa forma de transação comercial, a fim de seja respondida a questão crucial do presente litígio, qual seja, se o faturamento da fiscalizada resumese às comissões recebidas ou se a essas devemse somar os valores de aqusição. A Administração Tributária já se pronunciou sobre esse tema, por ocasião da Solução de Divergência Cosit n° 9, de 01/08/2007, e firmou o entendimento pela segunda opção, de acordo com as seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ COMPRA E VENDA DE JORNAIS, REVISTAS E PERIÓDICOS EM CONSIGNAÇÃO. RECEITA BRUTA. A receita bruta das vendas de mercadorias em consignação é o produto da venda dos bens, aí incluído o valor de aquisição mais o lucro, se houver, podendo ser excluídos desse cômputo Fl. 688DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 16 somente os valores correspondentes às vendas canceladas, aos descontos incondicionais concedidos e aos impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 44; Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 31; Decreto nº 3.000, de 1999, art. 219 e 224. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL COMPRA E VENDA DE JORNAIS, REVISTAS E PERIÓDICOS EM CONSIGNAÇÃO. RECEITA BRUTA. A receita bruta das vendas de mercadorias em consignação é o produto da venda dos bens, aí incluído o valor de aquisição mais o lucro, se houver, podendo ser excluídos desse cômputo somente os valores correspondentes às vendas canceladas, aos descontos incondicionais concedidos e aos impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. Dispositivos Legais: Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 2º, § 1º, alínea ‘c’; Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 31. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS COMPRA E VENDA DE JORNAIS, REVISTAS E PERIÓDICOS EM CONSIGNAÇÃO. RECEITA BRUTA. Na apuração da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, a receita bruta corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na legislação. Tal regra aplicase inclusive às operações de compra e venda de jornais, revistas e periódicos. Dispositivos Legais: Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, arts. 2º e 3º; Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 93, inciso V, e Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, inciso IX do art. 10 e inciso V do art. 15. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP COMPRA E VENDA DE JORNAIS, REVISTAS E PERIÓDICOS EM CONSIGNAÇÃO. RECEITA BRUTA. Na apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, a receita bruta corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, admitidas apenas as exclusões expressamente Fl. 689DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.720002/201253 Acórdão n.º 1801001.790 S1TE01 Fl. 10 17 previstas na legislação. Tal regra aplicase inclusive às operações de compra e venda de jornais, revistas e periódicos. Dispositivos Legais: Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 2º e 3º; Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, art. 93, inciso V, e Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, inciso IX do art. 10. Convém registrar que o caso analisado pelo Órgão Central é idêntico ao do presente processo, conforme se verifica pelo seguinte roteiro de operações. Observese que até mesmo os termos utilizados são os mesmos: 1) Recebimento das publicações – ocorre todo dia útil, e a remessa é acompanhada de Nota Fiscal, com natureza de operação de “consignação”, contendo: DATA DE RECOLHIMENTO (data em que o jornaleiro deve devolver à consulente as publicações recebidas, mas não vendidas), VALOR UNITÁRIO (preço de capa – preço máximo admitido no contrato), DESCONTO (resultado bruto máximo que pode ser auferido com a venda, compreendendo o resultado bruto máximo da distribuidora e do jornaleiro), e VALOR TOTAL (quantia a ser paga pela distribuidora caso não devolva nada até a data de recolhimento); 2) Distribuição das publicações aos jornaleiros – todo dia útil os jornaleiros recebem as publicações acompanhadas de um documento interno denominado Nota de Envio; 3) Chamada de Encalhe do Consignante – documento interno, de controle de devolução das publicações não vendidas, posto à disposição da consulente, semanalmente, pelo fornecedor (consignante), na qual se apura o valor total da devolução a preço de custo da distribuidora; 4) Chamada de Encalhe da Consulente – documento interno, de controle de devolução das publicações não vendidas pelos jornaleiros, posto à disposição dos mesmos, semanalmente pelo distribuidor (recorrente), em sistemática baseada na Chamada de Encalhe do Consignante; 5) Recebimento do Encalhe do jornaleiro – semanalmente, o jornaleiro devolve ao distribuidor, as publicações não vendidas, acompanhadas de uma via da Chamada de Encalhe; 6) Levantamento da conta do jornaleiro – semanalmente, o distribuidor faz o levantamento da conta de cada jornaleiro, emitindo documento denominado “Lista de Recolhimento”. Nesse documento, de acordo com o que consta nas fls. 47 e 48 deste processo, se apura o valor total a ser pago pelo jornaleiro ao distribuidor da seguinte forma: Total Enviado () Total Devolvido (=) Venda Total Fl. 690DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 18 () Desconto (=) Venda Líquida ou Valor a ser pago pelo jornaleiro à distribuidora; 7) Recebimento do preço – semanalmente, o jornaleiro paga ao distribuidor (recorrente) o débito apontado na Lista de Recolhimento; 8) Levantamento da conta do distribuidor (recorrente) – semanalmente o distribuidor procede ao levantamento de sua conta, devolvendo ao fornecedor (consignante), a última página da Chamada de Encalhe, na qual se apura o valor a ser pago pela distribuidora da seguinte maneira (conforme fl. 44): Valor Bruto a pagar () Valor das Devoluções () Diferença Chamada de Encalhe (+/) Acertos – Créd/Débito () Débito Disk Banca (=) Valor a Depositar Este levantamento gerará o boleto bancário a ser pago pela recorrente; 9) Emissão de Nota Fiscal de devolução de encalhe – no dia do levantamento da conta do distribuidor (consulente) é emitida Nota Fiscal correspondente à devolução do encalhe do distribuidor ao fornecedor (consignante), pelo preço de custo, isto é, o valor de capa menos 24 %; 10) Devolução do encalhe – semanal; 11) Pagamento das publicações vendidas – semanal, utilizando boleto bancário gerado na operação de Levantamento da conta do distribuidor; 12) Emissão da Nota Fiscal das vendas – mensalmente, conforme declara a recorrente distribuidora, é emitida Nota fiscal de venda a cada jornaleiro, pelo preço real de venda, geralmente o preço de capa da publicação, tudo, de acordo com alegação da recorrente, em consonância com o regime especial de emissão de documentos concedido pela Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda do Estado de São Paulo. Com base em doutrina de Rubens Gomes de Souza, a solução de divergência parte da diferenciação que existe entre duas modalidades de consignação, quais sejam: consignação por comissão e consignação por venda. Essas duas modalidades contratuais foram incorporadas no Código Civil de 2002, sob o nomem juris de contrato de comissão (arts. 693 a 709) e contrato estimatório (arts. 534 a 537). Na consignação por comissão o consignatário recebe a mercadoria mas a venda ocorre por conta e ordem do consignante, tendo aquele apenas tem o direito a uma comissão. Já na consignação por venda o consignatário vende a mercadoria por conta própria, e via de regra por valor superior ao fixado pelo consignante, na medida em que aquele somente se obriga a prestar contas com este pelo valor fixado. Neste Fl. 691DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.720002/201253 Acórdão n.º 1801001.790 S1TE01 Fl. 11 19 caso, como o consignatário vende em seu próprio nome, há duas vendas simultâneas: uma do consignante ao consignatário e outra do consignatário ao terceiro. 15. Pelos elementos conceituais expostos por Rubens Gomes de Souza, na “consignação por comissão”, o consignante remete a mercadoria ao consignatário, que vende por conta e ordem do consignante, a preço previamente ajustado por este. Nesse caso, o consignante tem apenas o direito a uma comissão pelo serviço prestado (de comercialização da mercadoria) e presta contas ao consignatário, pelo preço total da venda. Esta modalidade de consignação corresponde ao contrato de comissão mercantil, antes regulado pelo Código Comercial, na parte em que foi revogado, hoje contrato de comissão, regulado pelos arts. 683 a 709 do Novo Código Civil (Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002). 16. Na “consignação por vendas”, o consignante remete a mercadoria ao consignatário, que a vende por sua própria conta e ordem, a um preço geralmente acima do fixado pelo consignante. O consignatário fica obrigado a prestar contas ao consignante apenas pelo preço fixado por este, salvo se preferir, no prazo estabelecido, restituirlhe a mercadoria consignada. Esta modalidade corresponde ao contrato estimatório, hoje regulado pelo Novo Código Civil, nos seus arts. 534 a 537. Prosseguindo em sua argumentação, a Cosit ressalta que, na consignação por vendas o risco corre por conta do consignatário, que é o que ocorre no caso das mercadorias entregues para as distribuidoras de revistas, as quais respondem pelos itens não vendidos a consumidor final e não restituídos ao consignante. Segundo esse raciocínio, a consignação por vendas (ou contrato estimatório) se distingue do contrato de compra e venda tão somente quanto ao momento da transferência de domínio, já que nesta ocorre com a tradição, e naquela se dá quando o bem é vendido a terceiro. E conclui que os efeitos tributários são os mesmos da compra e venda. Tanto a recorrente quanto o jornaleiro (seu cliente) comercializam referidas mercadorias por sua própria conta e ordem, tendo em vista que responderão por quaisquer eventos que os impossibilitem de devolver aquelas mercadorias no prazo estipulado, estando sujeitos ao pagamento dos valores relativos às mercadorias não restituídas. Tal fato se evidencia em trecho da consulta da recorrente constante na fl. 04, transcrito abaixo, ao qual não caberia outra interpretação em relação às atividades da recorrente, senão a de que as mesmas são exercidas por sua própria conta e risco, respondendo à sua fornecedora, não pelo valor que receberá do jornaleiro ou pelo valor de capa de citadas publicações, mas sim pelo valor pré estabelecido que constará no boleto bancário gerado pelo Levantamento de conta do distribuidor (item 13, subitem 08): [...] Noutras palavras: se o encalhe não chegar ao depósito do consignante até a data limite indicada, a consulente fica obrigada a pagar o preço ajustado, como se vendido fosse. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 20 [...] Verificase ainda do exposto, ser a compra e venda de mercadorias em consignação por vendas – contrato estimatório – diferente da compra e venda de mercadorias única e tão somente quanto ao momento da transferência do domínio do bem. Na compra e venda, ela ocorre com a tradição; no contrato estimatório, no momento em que o consignatário vende os bens a terceiro ou decide ficar com eles, pagando ao consignante o preço previamente ajustado. No momento da venda a terceiro dos bens recebidos em consignação, ocorrem duas operações simultâneas de venda: do consignante para o consignatário e deste para o terceiro. A receita bruta auferida pelo consignatário nessa modalidade de consignação decorre assim, da venda a terceiros, por conta própria, dos bens recebidos em consignação, admitidas apenas as exclusões e deduções expressamente previstas na legislação. Na minha avaliação, também entendo que não há diferença entre os contratos estimatório e a compra e venda que justifique a diferença de tratamento tributário. A proximidade entre essas duas modalidades contratuais é constatada até mesmo pela posição tópica no Código Civil, em cujo título VI arrolamse vinte espécies típicas de contrato. O contrato estimatório (capítulo III) vem na seqüência ao da compra e venda (capítulo I), seguido da troca ou permuta, enquanto que a comissão (antiga consignação por comissão) situase bem distante, no capítulo XI. Importante observar que a prestação de serviço se posiciona a meio termo, no capítulo VII, a denotar que as modalidades subsequentes, incluindo a comissão e excluindo o contrato estimatório, são espécies de prestação de serviços. Título VI Das Várias Espécies de Contrato Capítulo I Da Compra e Venda Capítulo II Da Troca ou Permuta Capítulo III Do Contrato Estimatório Capítulo IV Da Doação Capítulo V Da Locação de Coisas Capítulo VI Do Empréstimo Capítulo VII Da Prestação de Serviço Capítulo VIII Da Empreitada Capítulo IX Do Depósito Capítulo X Do Mandato Capítulo XI Da Comissão Capítulo XII Da Agência e Distribuição Capítulo XIII Da Corretagem Capítulo XIV Do Transporte Fl. 693DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.720002/201253 Acórdão n.º 1801001.790 S1TE01 Fl. 12 21 Capítulo XV Do Seguro Capítulo XVI Da Constituição de Renda Capítulo XVII Do Jogo e da Aposta Capítulo XVIII Da Fiança Capítulo XIX Da Transação Capítulo XX Do Compromisso Um segundo aspecto relevante, que também deriva dessa análise global do posicionamento dos contratos no estatuto civil, é que, até o capítulo IV (doação) cada contrato opera com transferência de domínio, o que deixa de ocorrer nas demais espécies contratuais. O domínio, ou seja, a titularidade do bem, determina uma série de conseqüências, entre elas o risco da perda, idéia essa condensada na regra res perit domino, segundo a qual a coisa perece para o dono, ou seja, o proprietário sofre as consequencias da perda involuntária da coisa. Esse princípio que, segundo a doutrina, tem origem préromana, encontrase acolhido no Código Civil, no Título I do Direito das Obrigações, como regras básicas das obrigações de dar e restituir, artigos 234, 238 e 240: Art. 234. Se, no caso do artigo antecedente, a coisa se perder, sem culpa do devedor, antes da tradição, ou pendente a condição suspensiva, fica resolvida a obrigação para ambas as partes; se a perda resultar de culpa do devedor, responderá este pelo equivalente e mais perdas e danos. Art. 238. Se a obrigação for de restituir coisa certa, e esta, sem culpa do devedor, se perder antes da tradição, sofrerá o credor a perda, e a obrigação se resolverá, ressalvados os seus direitos até o dia da perda. Art. 240. Se a coisa restituível se deteriorar sem culpa do devedor, recebêlaá o credor, tal qual se ache, sem direito a indenização; se por culpa do devedor, observarseá o disposto no art. 239. Especificamente, no contrato de compra e venda, o res perit domino aparece no art. 492: Art. 492. Até o momento da tradição, os riscos da coisa correm por conta do vendedor, e os do preço por conta do comprador. No contrato estimatório, ainda que a transferência de domínio não ocorra até o instante da venda a terceiro, mesmo assim é o consignatário que sofre o risco da perda do bem, como se já tivesse o domínio, de acordo com o art. 535 do Código Civil: Art. 535. O consignatário não se exonera da obrigação de pagar o preço, se a restituição da coisa, em sua integridade, se tornar impossível, ainda que por fato a ele não imputável. No caso em tela, os contratantes decidiram acolher essa regra de forma expressa no contrato, na já citada cláusula 5ª, que a seguir se repete: Fl. 694DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 22 DA DEVOLUÇÃO DAS PUBLICAÇÕES: CLÁUSULA 5ª A DISTRIBUIDORA devolverá à TREELOG os exemplares não vendidos de cada edição, nos prazos e condições fixados pela TREELOG e constantes do documento denominado ''Chamada de Encalhe", nos termos do Regime Especial fiscal aprovado para esse tipo de operação. Parágrafo 1° Os custos decorrentes da devolução dos exemplares não vendidos serão suportados integralmente pela TREELOG. Parágrafo 2° Caso as Publicações não sejam devolvidas em perfeito estado de conservação ou faltando complementos (e.g. brindes, valedesconto, etc.), a TREELOG poderá não as aceitar, considerandoas vendidas, sem efetuar o retorno dos exemplares não aceitos à DISTRIBUIDORA, destinando os mesmo à destruição. Parágrafo 3° Caso as Publicações não sejam devolvidas no prazo estipulado, a TREELOG poderá considerálas como vendidas, ficando a seu exclusivo critério a sua devolução do prazo originalmente previsto. Parágrafo 4° Quaisquer divergências encontradas entre os documentos fiscais e as respectivas Publicações que os acompanham deverão ser comunicadas à TREELOG pela Distribuidora, por intermédio do site a ser indicado pela mesma com as instruções dc uso, no prazo máximo de 5 (cinco) dias, a contar do recebimento das PUBLICAÇÕES. Tudo isso conduz à conclusão de que no contrato estimatório há efetiva transferência de domínio, ainda que em momento postergado, comparativamente ao que ocorre na compra e venda, na qual se dá com a tradição. Tal postergação não é relevante, até porque o próprio Código Civil contempla a figura da venda com reserva de domínio (arts. 521 a 529), pelo qual a propriedade é transferida somente no momento da quitação do preço. Subseção IV Da Venda com Reserva de Domínio Art. 521. Na venda de coisa móvel, pode o vendedor reservar para si a propriedade, até que o preço esteja integralmente pago. Em conclusão, convençome de que o contrato estimatório não é prestação de serviços, pois se o fosse, o legislador teriao disciplinado após o capítulo VII do título VI do Código Civil, que demarca o início dos tipos de prestação de serviços. Se o legislador optou por definir o contrato estimatório no capítulo III, ali ao lado da compra e venda (capítulo I), e antes da doação (capítulo IV), dentro de agrupamento (capítulos I a IV) em que o proprietário transfere a titularidades sobre a coisa, é porque se trata de contratos afins, com efetiva transferência de domínio. Conseqüentemente, entendo que o contrato estimatório pelo qual a empresa recebe periódicos de fornecedor e os vende em consignação a terceiros, sujeitase aos mesmos efeitos tributários da compra e venda, porque há transferência de domínio, da consignante para a consignatária, ainda que esta, instantânea mas sucessivamente, transfirao a terceiro. E assim como na revenda de mercadoria, a receita bruta da consignatária é o valor da aquisição somado à sua margem de lucro. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.720002/201253 Acórdão n.º 1801001.790 S1TE01 Fl. 13 23 A título de reforço, constatei a existência de um precedente na jurisprudência do CARF nessa matéria, e a decisão foi no mesmo sentido de que a receita bruta do distribuidor é o preço de aquisição somado ao lucro. A propósito, nesse julgado, o fornecedor dos periódicos também era a Treelog. Processo nº 15563.000772/200990 Acórdão nº 180201.376 – 2ª Turma Especial Sessão de 13 de setembro de 2012 COMPRA E VENDA DE JORNAIS, REVISTAS E PERIÓDICOS EM CONSIGNAÇÃO. RECEITA BRUTA. A receita bruta auferida pelo consignatário com a venda de mercadorias que lhe foram entregues em consignação, na modalidade de contrato estimatório, é o produto da venda destas mercadorias, aí incluído o valor de aquisição mais o lucro, se houver, podendo ser excluídos desse cômputo somente os valores correspondentes às vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos. Quanto ao argumento de que o contrato foi uma imposição da Treelog, sob pena de perda da representação da região, que em nada representaria a realidade, entendo tratarse uma contradição terminológica. Se a recorrente admite que assinou um contrato, cujo traço mais característico é a livre disposição de vontades para negociar, não pode dizer que o fornecedor lhe impôs os termos firmados. Cabe a ela ou suscitar a nulidade dos negócios, por ausência de vontade, ou aceitar suas conseqüências. Finalmente, rejeito também o pleito de considerar os lançamentos somente a partir da data da firmação do contrato, que a recorrente alegar ter sido efetuado em outubro de 2008. Na verdade, o contrato foi assinado em 30/10/2007, embora tenha sido registrado em cartório somente em 29/10/2008, conforme fl. 246. Entretanto, o próprio instrumento contratual, na cláusula 9ª, é claro ao estipular que o pacto vige desde 13/12/2000, tratandose de uma ratificação do que já estava avençado desde então. DA VIGÊNCIA E RESCISÃO CLÁUSULA 9ª As partes ratificam o termo inicial de vigência da presente contratação como sendo 13 de Dezembro de 2000 que deverá vigorar por prazo indeterminado, podendo ser rescindido: a) por acordo entre as partes, manifestado por escrito, a qualquer tempo: b) por qualquer das partes, imotivadamente, mediante aviso prévio por escrito de, no mínimo, 60 (sessenta) dias, subsistindo sempre, eventuais responsabilidades decorrentes deste instrumento; c) por motivos de força maior. CONCLUSÃO. Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário, para manter a exclusão do Simples e os lançamentos. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 24 (assinado digitalmente) Roberto Massao Chinen Fl. 697DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.721329/2012-00
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005
INÉPCIA DO RECURSO. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE RECURSAL.
É inepto o recurso não orientado pela dialeticidade recursal, segundo a qual os motivos da contrariedade, bem como a necessidade de reforma da decisão atacada, devem ser expostos de forma clara e objetiva.
Numero da decisão: 3803-004.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, em razão de sua inépcia.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 INÉPCIA DO RECURSO. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE RECURSAL. É inepto o recurso não orientado pela dialeticidade recursal, segundo a qual os motivos da contrariedade, bem como a necessidade de reforma da decisão atacada, devem ser expostos de forma clara e objetiva.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10680.721329/2012-00
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5309998
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3803-004.605
nome_arquivo_s : Decisao_10680721329201200.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : HELCIO LAFETA REIS
nome_arquivo_pdf_s : 10680721329201200_5309998.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, em razão de sua inépcia. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
id : 5192735
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046371322298368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1678; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 104 1 103 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.721329/201200 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803004.605 – 3ª Turma Especial Sessão de 22 de outubro de 2013 Matéria PIS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente HOSPITAL MATER DEI S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 INÉPCIA DO RECURSO. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE RECURSAL. É inepto o recurso não orientado pela dialeticidade recursal, segundo a qual os motivos da contrariedade, bem como a necessidade de reforma da decisão atacada, devem ser expostos de forma clara e objetiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, em razão de sua inépcia. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 13 29 /2 01 2- 00 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 01/11/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10680.721329/201200 Acórdão n.º 3803004.605 S3TE03 Fl. 105 2 Conforme consta do despacho de fl. 103, os presentes autos foram formalizados para fins de julgamento do recurso voluntário interposto pelo contribuinte, em contraposição à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG proferida no âmbito do processo administrativo nº 10680.933059/200974, processo esse encerrado no sistema da Receita Federal em razão do reconhecimento integral do direito creditório ali analisado. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DComp), nº 28075.14941.080409.1.7.040706, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, no valor atualizado de R$ 8.295,66, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DComp já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a homologação da compensação declarada, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, que exercera o seu direito, assegurado por lei, de compensar os créditos apurados em sua contabilidade, não podendo a falta de retificação da DCTF e das demais obrigações tributárias ser motivo de indeferimento da restituição do indébito devidamente demonstrado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do DARF e do despacho decisório. A DRJ Belo Horizonte/MG julgou procedente a Manifestação de Inconformidade, com o reconhecimento do direito creditório, em razão do fato de que, diferentemente do alegado pelo contribuinte, ele havia, sim, retificado a DCTF, no prazo legal, tendo declarado um débito equivalente ao informado no Dacon, débito esse que, confrontado com o montante recolhido, indicaria a existência de saldo credor no valor original de R$ 7.528,20, tudo em conformidade com o art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 903, de 2008. Ressaltou o julgador de piso que, naquele momento, não se procedera à análise de outros PER/DComps em que, eventualmente, se estivesse pleiteando a utilização do mesmo crédito, cabendo à repartição de origem a operacionalização da homologação da compensação declarada até o limite do direito creditório reconhecido. De acordo com o Termo de Ciência e Notificação (fl. 28) enviado ao contribuinte, o crédito total reconhecido neste processo não havia sido suficiente para compensar o débito informado neste processo e aquele declarado no PER/DComp nº 23645.55261.080409.1.7.046782. O agente fiscal destacou que o contribuinte, se fosse o caso, poderia recorrer ao CARF no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do referido termo. Cientificado do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG em 17 de fevereiro de 2012, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 15 de março do mesmo ano e requereu a reforma da decisão de primeira instância, com a homologação total da compensação declarada, argumentado que, na decisão atacada, não se teria reconhecido a DCTF retificadora, em flagrante confronto às disposições da Instrução Normativa RFB nº 903, de 2008, da Lei nº 9.430, de 1996, e do art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 105DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 01/11/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10680.721329/201200 Acórdão n.º 3803004.605 S3TE03 Fl. 106 3 Argumentou o Recorrente que, neste processo, diferentemente do alegado pelo julgador de piso, não se procedera ao tratamento manual e individualizado da declaração de compensação, o que violaria o princípio da isonomia, com indevido tratamento privilegiado da Fazenda Pública, em desfavor do contribuinte, dado o não reconhecimento da retificação de suas obrigações tributárias. Junto à peça recursal, o contribuinte trouxe aos autos, além das cópias que já haviam sido apresentadas na primeira instância, cópias do acórdão recorrido, da DCTF retificadora e do Dacon retificador. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão das questões a seguir abordadas. Conforme se verifica do relatório supra, a DRJ Belo Horizonte/MG reconheceu a totalidade do direito creditório declarado pelo contribuinte neste processo, tendo se fundamentado nas retificações da DCTF e do Dacon, ambas efetuadas no prazo legal, não obstante o então Manifestante ter afirmado, peremptoriamente, a inocorrência dessas mesmas retificações. Constou expressamente da decisão recorrida que, no momento do julgamento, não se procedera à análise de outros PER/DComps em que, eventualmente, se estivesse pleiteando a utilização do mesmo crédito, verificação essa que caberia à repartição de origem no momento da operacionalização da homologação da compensação, até o limite do direito creditório reconhecido. Verificase que a decisão da Delegacia de Julgamento configurouse ilíquida, pois que, expressamente, condicionou a execução do acórdão à verificação de existência de outras declarações de compensação envolvendo o mesmo direito creditório, tarefa essa necessária ao aperfeiçoamento da decisão da Delegacia de Julgamento. De acordo com o Termo de Ciência e Notificação (fl. 28), o contribuinte foi informado que o saldo creditório reconhecido pela Delegacia de Julgamento não teria sido suficiente para homologar totalmente a compensação declarada em razão da existência de outro PER/DComp, de nº 23645.55261.080409.1.7.046782, em que o mesmo crédito havia sido pleiteado para quitar outro débito de sua titularidade. Contudo, no Recurso Voluntário, ao invés de se contrapor à decisão da repartição de origem que, na execução do acórdão da Delegacia de Julgamento, homologou apenas parcialmente a compensação declarada, o contribuinte passa a se insurgir quanto a um alegado não reconhecimento da DCTF retificadora por parte do julgador de piso, alegação essa totalmente desvinculada da realidade fática dos autos, pois foi o mesmo relator, e não o contribuinte, que trouxe aos autos a informação acerca da existência de DCTF e Dacon retificadores. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 01/11/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10680.721329/201200 Acórdão n.º 3803004.605 S3TE03 Fl. 107 4 Alega o Recorrente, expressamente, que a Delegacia de Julgamento indeferira a sua solicitação, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, afirmação essa totalmente alheia ao conteúdo da decisão recorrida. Confrontandose o teor da DCTF retificadora com a decisão recorrida, constatase que os valores indicados pelo relator de primeira instância coincidem com aqueles retificados, não se justificando as alegações de não reconhecimento da retificação e de indeferimento do pedido. O Recorrente não faz qualquer referência ao outro processo administrativo em que o mesmo crédito fora declarado, pautando sua defesa no alegado não reconhecimento das retificações da DCTF e do Dacon, alegações essas, conforme já dito, totalmente opostas ao que havia sido arguido na Manifestação de Inconformidade, quando a sua defesa se centrara na inexigibilidade de retificação das declarações para fins de deferimento do indébito. Notase que o Recorrente, ao mesmo tempo em que inova em relação a sua defesa, contrariando a regra prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 19721, argui questões alheias aos fatos presentes nos autos e, o que é pior, não refuta o elemento central que restou controvertido, qual seja, o fundamento fático que ensejou a homologação apenas parcial da compensação declarada, evidenciandose ausência de contestação ou, em outros termos, ausência de lide, o que torna o processo definitivamente julgado. Nesse contexto, temse por configurada a ausência de dialeticidade recursal, não se encontrando expostos, de forma clara e objetiva, os motivos da contrariedade e a necessidade de reforma da decisão atacada, o que inviabiliza o conhecimento do recurso. Segundo Humberto Theodoro Júnior, “[pelo] princípio da dialeticidade exige se que todo recurso seja formulado por meio de petição na qual a parte, não apenas manifeste sua inconformidade com o ato judicial impugnado, mas, também e necessariamente, indique os motivos de fato e direito pelos quais requer o novo julgamento da questão nele cogitada” 2. E acrescento eu, motivos de fato e direito que encontrem respaldo nos dados e documentos presentes nos autos. Com base no teor do inciso II do parágrafo único do art. 295 do Código de Processo Civil, é possível constatar que se considera inepto o pedido em que da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão. Nos presentes autos, a questão que restou em aberto após a decisão de primeira instância, reafirmese, foi somente a execução do acórdão por parte da repartição de origem no sentido de homologar apenas parcialmente a compensação declarada, em razão da existência de outro processo em que o mesmo crédito havia sido informado, fato esse não abordado, nem de longe, pelo Recorrente. O pedido de reforma da decisão de primeira instância, também, evidencia o desencontro dos argumentos aduzidos pelo Recorrente em relação à realidade dos autos, uma vez que a DRJ Belo Horizonte/MG reconheceu totalmente o direito creditório pleiteado, nada havendo em sua decisão que desfavoreça o Recorrente, muito pelo contrário. 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2 THEODORO JÚNIOR, Humberto. O processo civil brasileiro no limiar do novo século. Rio de Janeiro: Forense, 1999, p. 169. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 01/11/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10680.721329/201200 Acórdão n.º 3803004.605 S3TE03 Fl. 108 5 A despeito do desconhecimento externado pelo então Manifestante quanto à retificação de suas declarações, foi a autoridade julgadora que trouxe esse dado aos autos, frise se, dado esse fundamental à decisão então tomada. Não fosse a pesquisa efetuada pelo relator de piso nos sistemas internos da Receita Federal, o encaminhamento deste processo teria sido outro, muito provavelmente o indeferimento da totalidade do direito creditório por ausência de prova do indébito reclamado, uma vez que nenhum elemento de prova foi trazido aos autos para comprovar a existência do alegado pagamento a maior. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso, em razão de sua inépcia. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 01/11/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 13063.000690/2008-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2007
Ementa:
NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA.
Não é nula a decisão que obedeceu aos ritos do Decreto n° 270.235/72 que regula o Processo Administrativo Fiscal, ainda mais quando não se vislumbra nos autos qualquer prejuízo ao princípio da ampla defesa, que foi plenamente observado pelas autoridades fiscal e julgadora e exercitada plenamente pelo interessado, tanto na peça impugnatória quanto no recurso voluntário. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa o indeferimento fundamentado do pedido de perícia contábil que o julgador entenda prescindível para o deslinde da questão.
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.A lavratura do auto de infração com observância dos requisitos legais e a entrega ao contribuinte dos demonstrativos nele mencionados, por meio de termo de constatação fiscal, dando-lhe conhecimento do inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado, inclusive dos valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributada, descaracterizam cerceamento do direito de defesa.
CONTESTAÇÃO, ALEGAÇÕES GENÉRICAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. EQUIPARAÇÃO.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido contraditada de forma pontual, sobre a qual o recorrente se restringe a fazer afirmações genéricas, sem atacar diretamente a questão de fato ou de direito.DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA.
Improcedente é a alegação de decadência dos lançamentos anteriores a agosto de 2003, uma vez que, ao contrário do que afirma a Recorrente, os autos de infração não exigem nenhuma competência anterior a agosto de 2003.
CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO PARCIAL DO RECURSO VOLUNTÁRIO. OBEDIÊNCIA AO DECIDIDO PELO JUDICIÁRIO.
Conforme estatui a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
No cumprimento do julgado administrativo, cabe à autoridade fiscal observar, também, as decisões judiciais vigentes que, eventualmente, prejudiquem a cobrança do crédito tributário lançado, com suspensão da exigibilidade, por força de ordem judicial.
PIS. COFINS. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES PRÓPRIAS DAS OPERADORES DE PLANOS DE SAÚDE, LEI Nº 9.718/98, ART. 3º, § 9º, III. LEI Nº 12.876/2013. ART. 106, I, DO CTN.
Configuram indenizações de eventos ocorridos, para o efeito da dedução da base de cálculo prevista no art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98, os pagamentos realizados pelas cooperativas para terceiros (tais como médicos, clínicas, hospitais e laboratórios credenciados), para suportar os atendimentos (tais como consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, cirurgias, terapias etc), a que deram causa os usuários dos planos de saúde independente de se tratar de usuários da própria operadora ou de outras operadoras, desde que tenham sido efetivamente pagos, reduzidos dos valores reembolsados pelas outras operadoras. Interpretação essa expressamente fixada pela superveniente Lei nº 12.876/2013, que criou o § 9º-A do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, que se aplica ao caso dos autos, nos termos do art. 106, I, do CTN. Precedentes do CARF.
Recurso Voluntário parcialmente não conhecido; na parte conhecida, dar parcial provimento.
Numero da decisão: 3202-001.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário; na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Rafael Lima Marques, OAB/RS 46.963.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2007 Ementa: NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA. Não é nula a decisão que obedeceu aos ritos do Decreto n° 270.235/72 que regula o Processo Administrativo Fiscal, ainda mais quando não se vislumbra nos autos qualquer prejuízo ao princípio da ampla defesa, que foi plenamente observado pelas autoridades fiscal e julgadora e exercitada plenamente pelo interessado, tanto na peça impugnatória quanto no recurso voluntário. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa o indeferimento fundamentado do pedido de perícia contábil que o julgador entenda prescindível para o deslinde da questão. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.A lavratura do auto de infração com observância dos requisitos legais e a entrega ao contribuinte dos demonstrativos nele mencionados, por meio de termo de constatação fiscal, dando-lhe conhecimento do inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado, inclusive dos valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributada, descaracterizam cerceamento do direito de defesa. CONTESTAÇÃO, ALEGAÇÕES GENÉRICAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. EQUIPARAÇÃO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido contraditada de forma pontual, sobre a qual o recorrente se restringe a fazer afirmações genéricas, sem atacar diretamente a questão de fato ou de direito.DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. Improcedente é a alegação de decadência dos lançamentos anteriores a agosto de 2003, uma vez que, ao contrário do que afirma a Recorrente, os autos de infração não exigem nenhuma competência anterior a agosto de 2003. CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO PARCIAL DO RECURSO VOLUNTÁRIO. OBEDIÊNCIA AO DECIDIDO PELO JUDICIÁRIO. Conforme estatui a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. No cumprimento do julgado administrativo, cabe à autoridade fiscal observar, também, as decisões judiciais vigentes que, eventualmente, prejudiquem a cobrança do crédito tributário lançado, com suspensão da exigibilidade, por força de ordem judicial. PIS. COFINS. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES PRÓPRIAS DAS OPERADORES DE PLANOS DE SAÚDE, LEI Nº 9.718/98, ART. 3º, § 9º, III. LEI Nº 12.876/2013. ART. 106, I, DO CTN. Configuram indenizações de eventos ocorridos, para o efeito da dedução da base de cálculo prevista no art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98, os pagamentos realizados pelas cooperativas para terceiros (tais como médicos, clínicas, hospitais e laboratórios credenciados), para suportar os atendimentos (tais como consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, cirurgias, terapias etc), a que deram causa os usuários dos planos de saúde independente de se tratar de usuários da própria operadora ou de outras operadoras, desde que tenham sido efetivamente pagos, reduzidos dos valores reembolsados pelas outras operadoras. Interpretação essa expressamente fixada pela superveniente Lei nº 12.876/2013, que criou o § 9º-A do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, que se aplica ao caso dos autos, nos termos do art. 106, I, do CTN. Precedentes do CARF. Recurso Voluntário parcialmente não conhecido; na parte conhecida, dar parcial provimento.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13063.000690/2008-70
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5321724
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3202-001.010
nome_arquivo_s : Decisao_13063000690200870.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
nome_arquivo_pdf_s : 13063000690200870_5321724.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário; na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Rafael Lima Marques, OAB/RS 46.963. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
id : 5279435
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046371325444096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2363; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 1.210 1 1.209 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13063.000690/200870 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202000.983 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2013 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PIS/COFINS. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente UNIMED SANTA ROSA SOCIEDADE COOPERATIVA DE SERVIÇO MÉDICO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2007 Ementa: NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA. Não é nula a decisão que obedeceu aos ritos do Decreto n° 270.235/72 que regula o Processo Administrativo Fiscal, ainda mais quando não se vislumbra nos autos qualquer prejuízo ao princípio da ampla defesa, que foi plenamente observado pelas autoridades fiscal e julgadora e exercitada plenamente pelo interessado, tanto na peça impugnatória quanto no recurso voluntário. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa o indeferimento fundamentado do pedido de perícia contábil que o julgador entenda prescindível para o deslinde da questão. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.A lavratura do auto de infração com observância dos requisitos legais e a entrega ao contribuinte dos demonstrativos nele mencionados, por meio de termo de constatação fiscal, dandolhe conhecimento do inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado, inclusive dos valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributada, descaracterizam cerceamento do direito de defesa. CONTESTAÇÃO, ALEGAÇÕES GENÉRICAS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. EQUIPARAÇÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido contraditada de forma pontual, sobre a qual o recorrente se restringe a fazer afirmações genéricas, sem atacar diretamente a questão de fato ou de direito.DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 06 3. 00 06 90 /2 00 8- 70 Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 Improcedente é a alegação de decadência dos lançamentos anteriores a agosto de 2003, uma vez que, ao contrário do que afirma a Recorrente, os autos de infração não exigem nenhuma competência anterior a agosto de 2003. CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO PARCIAL DO RECURSO VOLUNTÁRIO. OBEDIÊNCIA AO DECIDIDO PELO JUDICIÁRIO. Conforme estatui a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. No cumprimento do julgado administrativo, cabe à autoridade fiscal observar, também, as decisões judiciais vigentes que, eventualmente, prejudiquem a cobrança do crédito tributário lançado, com suspensão da exigibilidade, por força de ordem judicial. PIS. COFINS. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES PRÓPRIAS DAS OPERADORES DE PLANOS DE SAÚDE, LEI Nº 9.718/98, ART. 3º, § 9º, III. LEI Nº 12.876/2013. ART. 106, I, DO CTN. Configuram indenizações de eventos ocorridos, para o efeito da dedução da base de cálculo prevista no art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98, os pagamentos realizados pelas cooperativas para terceiros (tais como médicos, clínicas, hospitais e laboratórios credenciados), para suportar os atendimentos (tais como consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, cirurgias, terapias etc), a que deram causa os usuários dos planos de saúde independente de se tratar de usuários da própria operadora ou de outras operadoras, desde que tenham sido efetivamente pagos, reduzidos dos valores reembolsados pelas outras operadoras. Interpretação essa expressamente fixada pela superveniente Lei nº 12.876/2013, que criou o § 9ºA do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, que se aplica ao caso dos autos, nos termos do art. 106, I, do CTN. Precedentes do CARF. Recurso Voluntário parcialmente não conhecido; na parte conhecida, dar parcial provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário; na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Rafael Lima Marques, OAB/RS 46.963. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13063.000690/200870 Acórdão n.º 3202000.983 S3C2T2 Fl. 1.211 3 Relatório O presente litígio, consoante relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, fl. 1112, decorre da lavratura de três autos de infração distintos, a saber : a) o primeiro formalizou a exigência de PIS, com intimação para recolhimento do valor de R$ 156.561,98, referente a fatos geradores entre 31/08/2003 e 31/08/2007. Esse valor (principal) foi acrescido de juros moratórios. O crédito tributário encontravase com a exigibilidade suspensa por força de decisão judicial proferida pelo STJ nos autos do processo nº 2001.71.00.0157608 da 7ª Vara Federal de Porto Alegre (art. 151, incisos II e IV do CTN). Constou base legal. Houve ciência em 29/08/2008; b) o segundo formalizou a exigência de COFINS, com intimação para recolhimento do valor de R$ 988.544,62, referente a fatos geradores entre 31/08/2003 e 31/08/2007. Esse valor (principal) foi acrescido de juros moratórios. O crédito tributário encontravase com a exigibilidade suspensa por força de decisão judicial proferida pelo STJ nos autos do processo nº 2001.71.00.0067462 da 6ª Vara Federal de Porto Alegre (art. 151,incisos II e IV do CTN). Constou fundamentação legal. Houve ciência em 29/08/2008; c) o terceiro formalizou a exigência de COFINS, com intimação para recolhimento do valor de R$ 20.260,94, referente a fatos geradores entre 31/01/2005 e 31/08/2007. Esse valor (principal) foi acrescido de juros moratórios. O crédito tributário encontravase com a exigibilidade suspensa por força de decisão judicial proferida pelo STJ nos autos do processo nº 2001.71.00.0067462 da 6ª Vara Federal de Porto Alegre (art. 151, incisos II e IV do CTN). Constou fundamentação legal. Houve ciência em 29/08/2008. Cientificada da lavratura dos autos de infração, a contribuinte apresentou impugnação, advogando a nulidade ou a improcedência da autuação. Apreciando a defesa da impugnante ora recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre – DRJ/POÁ julgou manteve o lançamento integralmente, pelas fundamentações resumidas na ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Comprovado que o sujeito passivo tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do lançamento e que lhe foi oferecido prazo para defesa, não há como prosperar a tese de nulidade por cerceamento do contraditório e da ampla defesa. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 PAD. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. A proposição de ação judicial, antes ou após o início da ação fiscal, importa na renuncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação mandamental. REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. PEDIDO GENÉRICO. Considerase não formulado pedido genérico de diligência, por desatender a dispositivo legal que requer indicação de quesitos sobre matéria objeto de discordância. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2007 JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA. Os juros de mora são cabíveis seja qual for o motivo determinante da falta, ainda que o crédito tributário esteja com a exigibilidade suspensa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não conformada com o acórdão recorrido (fls. 1.111), a cooperativa interpôs recurso voluntário, pedindo que fosse anulada a decisão da DRJ, porque o indeferimento da diligência solicitada implicaria em cerceamento do seu direito de defesa. A recorrente pediu, também, que fosse anulado o auto de infração, pois, na sua ótica, este não permitiria a exata compreensão da controvérsia. No mérito, a contribuinte pediu que fosse reconhecida a decadência dos créditos tributários anteriores a agosto de 2003, além da improcedência total do lançamento, considerando que esse procedimento da autoridade fiscal teria violado o ato cooperativo e utilizado a receita bruta como base de cálculo do PIS/COFINS, a qual foi declarada inconstitucional pelo STF – ambos os temas discutidos em ações judiciais das quais a recorrente é parte. Sustenta, ainda, que houve glosa indevida de deduções sobre provisões técnicas, permitidas pelo art. 3º, § 9º, II, da Lei nº 9.718/98 e que foram incluídos valores na base de cálculo do PIS/COFINS, cuja exclusão seria autorizada pelo art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98. Por fim, a cooperativa pede seja destacado que os autos de infração foram lavrados com exigibilidade suspensa, por força de ordem judicial, de modo a evitar que os lançamentos sejam remetidos para cobrança depois do julgamento definitivo do caso pelo CARF. Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13063.000690/200870 Acórdão n.º 3202000.983 S3C2T2 Fl. 1.212 5 O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Preliminar: ausência de nulidade da decisão da DRJ Preliminarmente, antes de adentrarmos ao mérito do presente litígio, fazse necessário apreciar o pedido de nulidade da decisão da DRJPOA, porque não teria deferido a diligência postulada pela Recorrente. A preliminar suscitada pelo Recorrente não deve prevalecer, pois foi correto o indeferimento, pela DRJ/POA, da diligência formulada sem atender ao disposto nos art. 35 e 36 do Decreto nº 7.574/2011 (PAF). In verbis: Art. 35. A realização de diligências e de perícias será determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a pedido do impugnante, quando entendêlas necessárias para a apreciação da matéria litigada. (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1o) Art. 36. A impugnação mencionará as diligências ou perícias que o sujeito passivo pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, e, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito deverão constar da impugnação. (Decreto no 70.235, de 1972, art. 16, inciso IV, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). Efetivamente, em sua manifestação de inconformidade (fl. 1.071), a Recorrente pediu a realização de diligência, a fim de que fosse comprovado, que não se discutiu na ação judicial n° 2001.71.00.0067462 a questão da possibilidade de as operadoras de planos de assistência à saúde poderem deduzir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades (art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98, na redação dada pela MP nº 2.158 35/2001). No entanto, a referida diligência é desnecessária para a apreciação da matéria litigada, uma vez que os limites da ação judicial n° 2001.71.00.0067462 são comprovados pelo exame das cópias das principais peças do processo judicial juntadas aos autos (fl. 708 e ss.). Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 6 Além disso, a Recorrente não formulou os quesitos referentes aos exames desejados, e, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito, na sua impugnação, o que desatende o art. 16, IV, do antigo PAF (art. 36 do novo PAF). Destarte, rejeito a preliminar de nulidade do acórdão da DRJ/POA, por inexistir, in casu, cerceamento do direito de defesa da Recorrente. Preliminar: ausência de nulidade do auto de infração Adentrando no mérito do recurso, também deve ser rejeitada a pretensão do contribuinte de ver decretada a nulidade da autuação, porque esta, supostamente, não permitia entender o objeto da autuação. Diferentemente do asseverado pela cooperativa, as três autuações ora julgadas foram devidamente lavradas, havendo, inclusive, o Termo de Constatação Fiscal de PIS e COFINS, fl. 971/ss, que didaticamente explica as razões dos lançamentos, inclusive em relação ao método de rateio da tributação das Outras Receitasgrupo 33, “já que não foi possível identificar na escrita contábil os custos com associados e os custos com não associados vinculados a essas receitas” (fl. 989). Ademais, o fato de a impugnação e o recurso voluntário contestarem item a item o mérito de cada lançamento revela que os autos de infração são precisos quantos aos seus fundamentos jurídicos e factuais. Mérito: ausência de decadência Igualmente improcedente é a alegação de decadência dos lançamentos anteriores a agosto de 2003, uma vez que, ao contrário do que afirma a Recorrente, os autos de infração não exigem nenhuma competência anterior a agosto de 2003, conforme afirmou o Termo de Constatação Fiscal de PIS e COFINS (fls. 791 e ss.) e o acordão recorrido da DRJ/POA (fls. 1.111/1.121). Leiase respectivamente: Informamos, todavia, que devido à superveniência da Súmula Vinculante STF nº 08, de junho de 2008, que declarou a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, não foram objeto de verificação/apuração os débitos de PIS e da COFINS relativos aos períodos de apuração 01/2001 a 07/2003, por estarem atingidos pela decadência. ****************** Visto que o contribuinte tomou ciência dos lançamentos em 29/08/2008 e que não foram exigidos valores anteriores ao fato gerador 31/08/2003, concluise que não ocorreu a decadência de nenhum dos períodos apurados. Mérito: concomitância parcial comprovada No que diz respeito a improcedência da cobrança do PIS/COFINS sobre atos cooperativos, alegandose a vigência de isenção, prevista no art. 6º da LC nº 9.718/98, ou não incidência pela própria natureza jurídica do conceito de ato cooperativo, além da inconstitucionalidade da incidência sobre a receita bruta, disposta no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, irretocável o acórdão recorrido da DRJ/POA, quando afirma que tais matérias não podem ser apreciadas, porque os citados temas são, concomitantemente, discutidos no Judiciário, no Mandado de Segurança Coletivo nº 92.00108008 (COFINS), na Ação ordinária nº 2001.71.00.0067462 (COFINS), na Ação Ordinária nº 97.00.030148(PIS) e na Ação Ordinária nº 2001.71.00.0157608 (PIS), relacionadas às fls. 971 e ss. Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13063.000690/200870 Acórdão n.º 3202000.983 S3C2T2 Fl. 1.213 7 Deveras, também nessa parte, o acórdão recorrido está em consonância com a jurisprudência dominante do colendo CARF, consolidada na Súmula CARF nº 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Notese, por oportuno, que não é verdadeiro o argumento constante do Recurso Voluntário, de que a Ação ordinária nº 2001.71.00.0067462 e a Ação Ordinária nº 2001.71.00.0157608 (PIS) não discutem a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Basta ler as fls. 715/717 (inicial), as fls. 751/754 (acórdão do TRF/4) e as fls. 1.178/1.180 (inicial) para verificar o contrário. Por esse motivo, merece ser não conhecido o Recurso Voluntário quanto a não incidência do PIS/COFINS sobre atos cooperativos ou receitas diversas do faturamento, com base na Súmula CARF nº 1. Entretanto, tem razão a Recorrente, na parte em que afirma ter incorrido em equívoco o acórdão da DRJPOA, supondo que algumas questões faziam parte das mencionadas ações judiciais. Com efeito, diversamente do que assentou o acórdão recorrido, as indigitadas ações judiciais não tratam das matérias relativas à incidência indevida de PIS/COFINS sobre receitas expressamente dedutíveis, por força do art. 3º, § 9º, incisos II e III, da Lei nº 9.718/98. Por isso, passo a apreciar tais assuntos sob essa exclusiva perspectiva. Mérito: aplicação do art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98 e contratos com coparticipação Debatese, neste ponto, sobre a possibilidade ou não de dedução da base de cálculo prevista no art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98, dos pagamentos realizados pelas cooperativas para terceiros (tais como médicos, clínicas, hospitais e laboratórios credenciados), para suportar os atendimentos (tais como consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, cirurgias, terapias etc), a que deram causa os usuários dos planos de saúde independente de se tratar de usuários da própria operadora ou de outras operadoras, reduzidos, evidentemente, dos valores reembolsados pelas outras operadoras. De acordo com a fiscalização autuante (fl. 982), a dedução prevista no art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98 aplicase só as indenizações pagas em relação às despesas com o atendimento de clientes/associados de outras operadoras de planos de saúde, que tenham sido superiores ao custo do valor recebido a título de transferência de responsabilidade. Para a autuação, o art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98 não abrange as indenizações pagas para fazer frente aos custos com terceiros em prol de associados ou clientes/beneficiários da própria UNIMED, o que fez com que fossem glosadas as deduções a esse título. Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 8 Ao seu turno, na perspectiva da Recorrente, a glosa efetuada constitui distinção não contemplada pelo indicado dispositivo legal. O deslinde da controvérsia passa pelo exame do art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98 assim redigido: § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Como se observa do inciso III, a dedução do PIS/COFINS é autorizada sobre as indenizações auferidas, diminuídas das quantias recebidas a título de transferência de responsabilidade. Como exemplifica o caso dos autos, a partir do texto do enunciado legal, temse se delineado duas interpretações no âmbito dos debates tributários judiciais e administrativos. A primeira delas seria a de que todas as indenizações pagas, correspondentes aos eventos ocorridos, sejam excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS, devendo, todavia, as operadoras de planos de assistência à saúde abaterem desse valor, se for o caso, as importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. Nesse sentido, orientase a recente jurisprudência da 3ª Seção do CARF, como se observam das ementas abaixo: PIS/COFINS. COOPERATIVAS DE SERVIÇOS MÉDICOS. DEDUÇÕES DAS OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. APLICAÇÃO. ART. 3º, § 9º, III, DA LEI 9.718/98. INDENIZAÇÕES CORRESPONDENTES AOS EVENTOS OCORRIDOS. CONCEITO. ALCANCE. Configuram indenizações de eventos ocorridos, para o efeito da dedução da base de cálculo prevista no art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98, os pagamentos realizados pelas cooperativas para terceiros (tais como médicos, clínicas, hospitais e laboratórios credenciados), para suportar os atendimentos (tais como consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, cirurgias, terapias etc), a que deram causa os usuários dos planos de saúde independente de se tratar de usuários da própria operadora ou de outras operadoras, desde que tenham sido efetivamente pagos, reduzidos dos valores reembolsados pelas outras operadoras. (PAF nº 13063.000694/200858. Acórdão nº 3403002.049 – 4ª Câmara / 3ª Turma/3ª Seção Ordinária. Relator IVAN ALLEGRETTI. Julgado em abril/2013) ***** Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13063.000690/200870 Acórdão n.º 3202000.983 S3C2T2 Fl. 1.214 9 COOPERATIVAS MÉDICAS PIS/COFINS MEDIDA PROVISOŔIA Nº 2.158/35 POSSIBILIDADES DE EXCLUSÃO INDENIZAÇÕES REFERENTES A EVENTOS OCORRIDOS CONCEITO Grande polêmica alcança a exclusão de base de cálculo prevista no inciso III, § 9º, artigo 2º da MP 2.15835, que assim determina: “III — o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades”. Este dispositivo diverge, por consectário lógico, não equivale ao inciso “I”, que possibilita a exclusão de valores repassados para as congêneres contratadas com transferência de responsabilidade. O inciso “III” permite a exclusão dos valores repassados aos credenciados, sem transferência de responsabilidade, que ao invés de receberem valores fixos mensais, recebem indenizações por eventos efetivamente ocorridos. Em nenhuma hipótese se permite a exclusão da base de cálculo de valores referentes à rede própria. (...) (Acórdão nº 3302001.765, PA nº 13971.002373/200411, Rel. Cons. FABÍOLA CASSIANO KERAMIDAS, j. 21/08/2012) A segunda exegese, capitaneada pela COSIT e acolhida pelo acórdão recorrido, somente aceita a exclusão da base de cálculo do PIS/COFINS a indenizações pagas, correspondentes aos eventos ocorridos, quando for o caso de transferência de responsabilidades. Confirase a Solução de Consulta COSIT nº 06/2010: Solução de Consulta COSIT nº 06, de 8 de novembro de 2010 (ação judicial): EMENTA: O disposto no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, não permite que as operadoras de planos de assistência à saúde deduzam da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários (clientes), por meio de estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de saúde, visto que tais contribuições incidem sobre o faturamento (receita bruta) mensal e não sobre o resultado. O inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, somente autoriza as operadoras de planos de assistência à saúde a deduzirem da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep o valor correspondente às indenizações efetivamente pagas por uma operadora, referente aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários (clientes) pertencentes à outra operadora de plano de assistência à saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade. Depois de muito refletir sobre o tema, entendo que a melhor exegese do art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/1998 é aquela que autoriza a exclusão da base de cálculo do PIS/COFINS de todas as indenizações pagas pela Recorrente a terceiros, seja em prol dos seus clientes seja em prol de clientes de outras operadoras de planos de saúde. Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 10 É que nessas hipóteses, onde o seu cliente ou o cliente de outra operadora de plano de saúde utiliza os serviços de terceiros, a referida norma jurídica qualificou esses dispêndios como sendo indenizações correspondentes aos eventos ocorridos. Tanto isso é verdade que, quem defende a tese contrária, sustenta sua interpretação na parte final do inciso III do art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/1998, a qual permite, por óbvio, que devem ser reduzidos do montante a ser excluído da base de cálculo os valores reembolsados pelas outras operadoras (“transferência de responsabilidade”). Dito de outro modo: não houvesse a parte final do inciso III do art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/1998 (parte, digase, extremamente importante, pois impede a exclusão da base de cálculo o custo da contribuinte já restituído por outra operadora de plano de saúde) dificilmente haveria divergência entre o contribuinte e o Fisco, de que as indenizações correspondentes aos eventos ocorridos abarcam todas as despesas pagas pela Recorrente a terceiros credenciados, em benefício dos seus clientes ou de clientes de outras operadoras de planos de saúde. Ora, se a própria lei dispõe que tais valores são indenizações seria contraditório a mesma norma jurídica qualificar o indigitado montante como receita, conceito este completamente avesso à definição de reparação patrimonial. É preciso ter em mente que a indenização possui relação com um bem do patrimônio, o qual deve ser tomado como referencial para identificação do acréscimo patrimonial em conjunto com a respectiva indenização, tomandose como parâmetro a posição anterior. In casu, a indenização recebida pela operadora de plano de saúde corresponde exatamente a perda patrimonial decorrente do pagamento a terceiros em prol de seus clientes ou dos clientes de outras operadoras. Considerando que a reposição do status quo ante não pode ser conceituada como receita, é certo que a interpretação correta do inciso III do art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/1998 vai ao encontro do pleito da Recorrente. Nesse diapasão, independentemente dessas argumentações, vêse que houve esclarecimento quanto à exclusão da base de cálculo do PIS e COFINS em relação a esses eventos – com o advento da Lei 12.876/2013 (publicada em 25.10.2013). Tal lei clarifica, através do art. 19 – onde insere o § 9ºA ao art. 3º da Lei 9.718/98 , o que segue: “Art. 3º.......................................................... § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida.” Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13063.000690/200870 Acórdão n.º 3202000.983 S3C2T2 Fl. 1.215 11 Ora, o novel § 9ºA do art. 3º da Lei 9.718/98 trouxe o esclarecimento de que o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos é o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora. Norma essa, manifestamente, interpretativa acerca do inciso III do art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/1998, devendo, por isso, ser aplicada ao presente caso, por força do art. 106, I, do CTN, ao dispor que “a lei aplicase a ato ou fato pretérito em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa”. A rigor, a exclusão do valor pago a terceiros em prol de clientes de outras operadoras já se enquadra na expressão “coresponsabilidade cedidas”, contida no inciso I do art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/1998. In verbis: §9oNa determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir:(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. É o que didaticamente explica o seguinte julgado da lavra da Ilma. Conselheira FABÍOLA KERAMIDAS: COOPERATIVAS MÉDICAS PIS/ COFINS MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.15835 POSSIBILIDADES DE EXCLUSÃO CORESPONSABILIDADE CEDIDA CONCEITO Nas operadoras de planos de saúde OPS entendese por despesas decorrentes de “coresponsabilidade cedidas” aquelas resultantes dos valores pagos à outras operadores para que estas façam o atendimento de seus beneficiários, sendo que neste caso ocorre a transferência de responsabilidade ou transferência de risco para esta segunda operadora que vai atender os beneficiários. Em outras palavras, tratase de valor mensal, pago a operadoras contratadas chamadas congêneres para estas assumirem a responsabilidade pela cobertura de assistência à saúde de determinados grupos de beneficiários ou usuários dos planos de saúde da OPS contratante. COOPERATIVAS MÉDICAS PIS/ COFINS MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.15835 POSSIBILIDADES DE EXCLUSÃO INDENIZAÇÕES REFERENTES A EVENTOS OCORRIDOS CONCEITO Grande polêmica alcança a exclusão de base de cálculo prevista no inciso III, §9º, artigo 2º da MP 2.15835, que assim determina: “III — o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades”. Este dispositivo diverge, por consectário Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 12 lógico, não equivale ao inciso “I”, que possibilita a exclusão de valores repassados para as congêneres contratadas com transferência de responsabilidade. O inciso “III” permite a exclusão dos valores repassados aos credenciados, sem transferência de responsabilidade, que ao invés de receberem valores fixos mensais, recebem indenizações por eventos efetivamente ocorridos. Em nenhuma hipótese se permite a exclusão da base de cálculo de valores referentes à rede própria. [PAF nº 13971.002373/200411. Acórdão nº 3302001.765 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária/3ª Seção. Rela. FABÍOLA KERAMIDAS. Julgado em 21 de agosto de 2012]. Ademais, conforme explica a própria autuação, na modalidade de co participação, a empresa Recorrente vende planos de saúde, cobrando do contratante do plano um valor fixo a título de mensalidade e outro valor variável em função da efetiva utilização dos serviços por parte da contratante, valor esse denominado de coparticipação do usuário, que corresponde a um percentual a ser pago sobre o valor das consultas, exames internações etc (fl. 986). Na interpretação da fiscalização, “tanto a parte fixa quanto a parte variável ingressam nos cofres da UNIMED e representam receita da empresa”, sendo, por essa razão, que fez incidir o PIS/COFINS sobre o referido montante. Todavia, é justamente para evitar tal distorção na cobrança de PIS/COFINS das operadoras de saúde, que foi permitida a dedução de indenizações, alusivas aos pagamentos destinados a terceiros, no termos do art. 3º, § 9º, III, da Lei nº 9.718/98, abatidos das importâncias já ressarcidas por outras operadoras de plano de saúde, no âmbito das co participações cedidas. Em suma: merece ser provido o Recurso Voluntário, para reconhecer a improcedência do lançamento, na parte em que não efetuou a dedução prevista no inciso III do art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718/98, referente aos pagamentos realizados pelas operadoras de planos de saúde aos terceiros credenciados – tais como médicos, laboratórios, clínicas e hospitais – em razão dos atendimentos realizados para a cobertura dos planos de saúde – tais como consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, terapias etc –, independente de se referirem a contratantes/associados da própria operadora ou de outra operadora de saúde, limitandose aos valores efetivamente pagos, reduzidos, ainda, dos valores que sejam recuperados de outras operadoras de saúde. Mérito: aplicação do art. 3º, § 9º, II, da Lei nº 9.718/98 para provisões técnicas. Alegação genérica que não infirma os fundamentos do lançamento. Deve ser desprovido, por igual, o Recurso Voluntário, na parte em que defende que houve glosa indevida de deduções sobre provisões técnicas, permitidas pelo art. 3º, § 9º, II, da Lei nº 9.718/98. É que o motivo da sobredita glosa, realizada pela fiscalização, não foi divergência de interpretação jurídica. Foi divergência fática encontrada entre os valores deduzidos e as importâncias registradas na escrita contábil, consoante se observa da fl. 983 dos autos, não tendo a Recorrente se desincumbido de apresentar nenhum contraponto a essa afirmação da auditoria fiscal. Da suspensão da exigibilidade por força de ordem judicial Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13063.000690/200870 Acórdão n.º 3202000.983 S3C2T2 Fl. 1.216 13 Por fim, o pedido recursal para que conste, na conclusão do presente julgado, tal como ocorreu na autuação fiscal, que o crédito tributário foi lavrado com exigibilidade suspensa por força de ordem judicial, merece ser acolhido para evitar eventuais equívocos no cumprimento do acórdão ora lavrado. Conclusão Ante o exposto, voto para: a) Não conhecer parcialmente o recurso voluntário, nos termos da Súmula CARF nº 01, no que diz respeito ao conceito de ato cooperativo e a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, discutidos no Mandado de Segurança Coletivo nº 92.00108008 (COFINS), na Ação ordinária nº 2001.71.00.0067462 (COFINS), na Ação Ordinária nº 97.00.030148(PIS) e na Ação Ordinária nº 2001.71.00.0157608 (PIS); b) Conhecer o recurso voluntário para rejeitar as preliminares de nulidade do acórdão da DRJ/POA e de nulidade do auto de infração. c) Conhecer o recurso para dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a improcedência do lançamento, na parte em que não efetuou a exclusão da base de cálculo, prevista no inciso III do art. 3º, §§ 9º e 9ºA, da Lei nº 9.718/98, referente aos pagamentos realizados pelas operadoras de planos de saúde aos terceiros credenciados – tais como médicos, laboratórios, clínicas e hospitais – em razão dos atendimentos realizados para a cobertura dos planos de saúde – tais como consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, terapias etc –, independente de se referirem a contratantes/associados da própria operadora ou de outra operadora de saúde, limitandose aos valores efetivamente pagos, reduzidos, ainda, dos valores que sejam recuperados de outras operadoras de saúde. Destaquese, por fim, que, no cumprimento do julgado, a autoridade fiscal também deve observar o teor das decisões e a tramitação do Mandado de Segurança Coletivo nº 92.00108008 (COFINS), da Ação ordinária nº 2001.71.00.0067462 (COFINS), da Ação Ordinária nº 97.00.030148(PIS) e da Ação Ordinária nº 2001.71.00.0157608 (PIS), de modo a prosseguir ou não, conforme o caso, com a cobrança do crédito tributário lançado com suspensão da exigibilidade. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 14 Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 17/01/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 31/01/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10665.001529/2008-46
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
À falta de um conjunto forte de indícios nos autos capaz de ensejar dúvidas quanto à idoneidade das declarações e recibos de pagamento firmados pelos respectivos profissionais da área da saúde, restabelecem-se as deduções glosadas pela Notificação de Lançamento.
Não se deve levar em consideração o documento que informa o dispêndio de despesas médicas realizadas em ano-calendário distinto daquele que serviu de base para o lançamento.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$10.000,00 (dez mil reais), nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Melo. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. À falta de um conjunto forte de indícios nos autos capaz de ensejar dúvidas quanto à idoneidade das declarações e recibos de pagamento firmados pelos respectivos profissionais da área da saúde, restabelecem-se as deduções glosadas pela Notificação de Lançamento. Não se deve levar em consideração o documento que informa o dispêndio de despesas médicas realizadas em ano-calendário distinto daquele que serviu de base para o lançamento. Recurso voluntário provido em parte.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10665.001529/2008-46
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5322296
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2802-002.632
nome_arquivo_s : Decisao_10665001529200846.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JACI DE ASSIS JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10665001529200846_5322296.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$10.000,00 (dez mil reais), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Melo. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
id : 5284895
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046371331735552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1736; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 66 1 65 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.001529/200846 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.632 – 2ª Turma Especial Sessão de 21 de janeiro de 2014 Matéria IRPF Recorrente NEIDE SILVA COELHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. À falta de um conjunto forte de indícios nos autos capaz de ensejar dúvidas quanto à idoneidade das declarações e recibos de pagamento firmados pelos respectivos profissionais da área da saúde, restabelecemse as deduções glosadas pela Notificação de Lançamento. Não se deve levar em consideração o documento que informa o dispêndio de despesas médicas realizadas em anocalendário distinto daquele que serviu de base para o lançamento. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$10.000,00 (dez mil reais), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 15 29 /2 00 8- 46 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Melo. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Trata o presente processo de exigência de crédito tributário formalizada pela Notificação de Lançamento, fls. 06 a 08, em virtude da revisão dos dados informados na Declaração de Ajuste Anual do exercício 2006, anocalendário 2005. De acordo com a complementação da DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL, houve: Glosa do valor de R$ 10.000,00, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação com documentação adequada. A contribuinte apresentou os recibos incompletos, não informam o beneficiário do tratamento. A contribuinte apresentou impugnação instruída com documentos, fls. 01 a 21, informando que em sua declaração de rendimentos onde se lê Karine Rodrigues Ferreira, no valor R$ 7.000,00, lêse no valor de R$ 3.000,00 e R$ 4.000,00 para Lucas Vivalde Silva, cujos recibos, inexplicavelmente, não foram aceitos pela fiscalização. Aduz que os recibos encontramse nos autos, com identificação do beneficiário e dos valores pagos, constando nome e CPF, de acordo com o exigido na legislação do Imposto de Renda Pessoa Física e que "o pagamento foi feito em parcelas". Alega que, em anexo, consta o relatório expedido pelos profissionais, explicando o tratamento e a forma de pagamento recebida por eles. Transcreve a Pergunta n° 318 do livro Perguntas e Respostas, editado pela Secretaria da Receita Federal, para afirmar que a comprovação foi efetuada com apresentação de recibo, conforme exigido. A auditoria exigiu comprovação de pagamento por cheque nominal, o que não foi possível, pois teria se preocupado apenas com o recibo, que é o documento exigido na legislação. Somente na falta de recibo, é que outra forma poderia ser exigida. Diz que a autuação é equivocada, para não dizer abusiva. Cita Acórdãos sobre Despesas Médicas. Por fim, alega que "O documento apresentado é verdadeiro e firmado pelo seu autor, com firma reconhecida, conforme anexo." Aguarda manifestação favorável ao seu pedido. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte – DRJ/BHE, fls. 30 a 33, julgou improcedente a impugnação nos termos de suas ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10665.001529/200846 Acórdão n.º 2802002.632 S2TE02 Fl. 67 3 GLOSA DE DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO O direito à dedução de despesas médicas e odontológicas está condicionado à comprovação da efetividade da prestação dos serviços e dos correspondentes pagamentos. Cabe ao contribuinte, mediante apresentação de documentos hábeis e idôneos, o ônus probatório da regularidade das deduções pleiteadas em sua Declaração de Ajuste Anual. Mantidas as glosas pelo não atendimento dos requisitos legais exigidos para acolhimento das deduções, bem como pela não comprovação do efetivo pagamento das despesas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada em 22/06/2011, quartafeira, véspera do feriado de Corpus Christi, fls. 43 (processo digital), a contribuinte ingressou recurso voluntário em 25/07/2011, segundafeira, fls. 45 a 51, alegando, em síntese, que: O recurso é tempestivo. Apresentou todos os recibos médicos originais, acompanhados de declaração firmada pelos respectivos profissionais, com firma reconhecida, na qual foi especificado que o tratamento foi prestado à pessoa da recorrente e a relação dos pagamentos realizados. Aduz que cometeu equívoco no preenchimento de sua declaração de rendimentos, quando informou o valor de R$ 4.000,00, pago ao profissional Lucas Vivaldes da Silva, como se fora pago à profissional Katarine Rodrigues Ferreira. Diz que essa questão já teria sido devidamente esclarecida à auditora fiscal, conforme resposta entregue em 05/05/2008, no sentido de que ambos profissionais trabalham no mesmo consultório, com a mesma secretária, que utiliza o mesmo tipo de recibo. Conclui que deve ser considerada a dedução de despesas médicas pagas aos seguintes profissionais: Karine Rodrigues Ferreira R$ 3.000,00; Frederico Pereira Nogueira R$ 3.000,00; Lucas Vivaldes Silva R$ 7.000,00 Requer que seja alterado o valor do imposto de renda suplementar de R$2.750,00, para imposto de renda a restituir no valor de R$ 825,00. É o relatório. Voto Fl. 68DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado numa segundafeira, haja vista ter sido sábado o termo final do trintídio estabelecido para tanto e, por preencher os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, dele tomo conhecimento. Ressaltese, inicialmente, que o âmbito da discussão nesse processo administrativo circunscrevese à glosa de despesas médicas em relação aos seguintes profissionais da área de saúde, relacionados no campo PAGAMENTOS E DOAÇÕES EFETUADOS de sua declaração de ajuste anual, fls. 25,verso: Karine Rodrigues Ferreira R$ 7.000,00; Frederico Pereira Nogueira R$ 3.000,00. Para comprovar as despesas médicas acima especificadas, a contribuinte anexa aos autos os recibos e as declarações firmadas pelos seguintes profissionais de saúde, fls. 09 a 22. Frederico Pereira Nogueira, no valor de R$ 3.000,00, datada de 06/06/2008, indicando a contribuinte como beneficiária do tratamento, fls. 15; Karine Rodrigues Ferreira, no valor de R$ 3.000,00, datada de 06/06/2008, idem, fls. 16; Lucas Vivaldes Silva, no valor de R$ 4.000,00, datada de 06/06/2008, idem, fls. 17. consta das fls. 20/21, planos de tratamentos e orçamentos dos profissionais Lucas Vivaldes Silva e Karine Rodrigues Ferreira, nos valores de R$4.000,00 e R$ 3.000,00, respectivamente. Do exame das respectivas declarações, constatase que nela há a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF da profissional que prestou os serviços e detalha ter sido a contribuinte a paciente submetida a tratamento, bem como a época e os valores cobrados e recebidos pelo tratamento, equivalentes àqueles consignados pela contribuinte como dedução em sua declaração de rendimentos (no valor de R$ 10.000,00). Em casos dessa natureza, este Colegiado tem reiteradamente decidido que os recibos e declarações emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas. Nesse caso, firmouse o entendimento de que o poderdever de o fisco intimar o contribuinte a comprovar o efetivo desembolso e a prestação do serviço somente se justifica no caso de se constatar fortes indícios de que a documentação apresentada se configurar inidônea. Em relação à matéria, também ficou pacificado que a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador, tendo como ponto de partida a imputação feita no lançamento. Observese que a fiscalização não fez nenhuma objeção quanto ao fato de o contribuinte haver apresentado os recibos de fls. 17, conforme resposta do contribuinte, fls. 56 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10665.001529/200846 Acórdão n.º 2802002.632 S2TE02 Fl. 68 5 (processo digital) ao Termo de Intimação Fiscal, fls. 27, haja vista que a glosa teve por fundamento somente o fato de os recibos apresentados pela contribuinte estariam incompletos, pois não informam o beneficiário do tratamento. Ademais, verificase que os recibos apresentados em conjunto com as declarações firmadas pelos profissionais Lucas Vivaldes Silva e Karine Rodrigues Ferreira suprem a falta de indicação do beneficiário do tratamento, apontada pela Notificação de Lançamento. Temse também que os planos de tratamento de emissão desses profissionais apontam que referidos profissionais prestaram serviços que totalizam R$ 7.000,00, mesmo valor consignado pela contribuinte em sua declaração de rendimentos como pagamento efetuado somente à profissional Karine Rodrigues Ferreira. Esses fatos, bem como a coincidência entre o valor declarado e o somatório dos recibos e declarações apresentados, a meu ver, constituem elementos suficientes e capazes para caracterizar a hipótese de erro de preenchimento de declaração apresentada pela recorrente. Tratandose de erro material de preenchimento de declaração de ajuste anual, sua regularização se torna possível, por força do disposto no art. 149 do Código Tributário Nacional. Ressaltese que o recorrente menciona indevidamente na peça recursal a declaração de fls. 09, no valor de R$7.000,00, que não deve ser levada em consideração no presente julgamento, uma vez que esse documento está relacionado à matéria tributada no ano calendário de 2006, objeto de lançamento formalizado em outro processo administrativo. Portanto, infundado o requerimento acerca do direito à restituição do valor R$825,00, pleiteado pela recorrente. À falta de um conjunto forte de indícios capaz de ensejar dúvidas quanto à idoneidade das declarações e recibos de pagamento firmados pelos mencionados profissionais da área da saúde, há que se restabelecer a dedução glosada pela Notificação de Lançamento, no valor de R$ 10.000,00. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para tão somente restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$10.000,00 (dez mil reais). (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 70DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 12893.000004/2006-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
ISENÇÃO. CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.
Fazem jus à isenção do imposto os proventos de aposentadoria, pensão ou reforma recebidos por contribuinte portador de doença especificada em lei, comprovada por meio de laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados e dos Municípios.
Numero da decisão: 2102-002.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Atílio Pitarelli e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, que davam provimento.
Assinado Digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA DOS SANTOS
Presidente
Assinado digitalmente
CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA
Redator Ad Hoc
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Raimundo Tosta dos Santos, Núbia Matos de Moura, Rubens Maurício Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Atílio Pitareli e Acácia Sayuri Wakasugi.
Nome do relator: ACACIA SAYURI WAKASUGI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201306
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 ISENÇÃO. CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Fazem jus à isenção do imposto os proventos de aposentadoria, pensão ou reforma recebidos por contribuinte portador de doença especificada em lei, comprovada por meio de laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados e dos Municípios.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 12893.000004/2006-63
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5326219
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2102-002.607
nome_arquivo_s : Decisao_12893000004200663.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ACACIA SAYURI WAKASUGI
nome_arquivo_pdf_s : 12893000004200663_5326219.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Atílio Pitarelli e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, que davam provimento. Assinado Digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA DOS SANTOS Presidente Assinado digitalmente CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Redator Ad Hoc Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Raimundo Tosta dos Santos, Núbia Matos de Moura, Rubens Maurício Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Atílio Pitareli e Acácia Sayuri Wakasugi.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
id : 5308032
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:18:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046371333832704
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1804; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 73 1 72 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12893.000004/200663 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.607 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2013 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física IRPF Recorrente SILVIO RIBEIRO DE CAMARGO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 ISENÇÃO. CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Fazem jus à isenção do imposto os proventos de aposentadoria, pensão ou reforma recebidos por contribuinte portador de doença especificada em lei, comprovada por meio de laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados e dos Municípios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Atílio Pitarelli e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, que davam provimento. Assinado Digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA DOS SANTOS Presidente Assinado digitalmente CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Redator Ad Hoc Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Raimundo Tosta dos Santos, Núbia Matos de Moura, Rubens Maurício Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Atílio Pitareli e Acácia Sayuri Wakasugi. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 3. 00 00 04 /2 00 6- 63 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 23/12/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 12893.000004/200663 Acórdão n.º 2102002.607 S2C1T2 Fl. 74 2 Relatório Após revisão da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte SILVIO RIBEIRO DE CAMARGO, inscrito no CPF nº 196.716.28834, relativo ao Exercício de 2005, AnoCalendário de 2004, efetuada pelo Fisco, quando foram alterados rendimentos recebidos de pessoas jurídicas para R$ 48.890,23, devido à omissão de rendimentos recebidos do INSS e do Banco Bradesco S/A. Com isto, foi expedida a Notificação de Lançamento de fls. 40/43, acerca do saldo de imposto a pagar que lhe exige o recolhimento de crédito tributário nos seguintes termos: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA COMPLEMENTAR (Sujeito à multa de ofício) R$ 3.767,56 MULTA DE OFÍCIO (Passível de redução) R$ 2.825,67 JUROS DE MORA (Calculados até 31/10/2006) R$ 906,09 VALOR DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO R$ 7.499,32 Cientificado do lançamento por meio do AR de fls. 46, em 28/10/2006, o contribuinte, apresentou sua defesa em 17/11/2006, as fls. 0102, aduzindo em apertada síntese que desde o ano de 2000 está isento do recolhimento do imposto de renda pessoa física tendo em vista ser portador de cardiopatia grave, sendo submetido a Angioplastia, com implantação do “Stent”. Alega ainda que o lançamento é improcedente, pois não pode ser apenado por falta de mera formalidade fiscal. Informa que os rendimentos da fonte pagadora Banco Bradesco S/A são decorrentes de empréstimo consignado em folha de pagamento, através de sua empregadora Nigro Alumínio Ltda. Protesta pela juntada de comprovante do efetivo empréstimo através de documentos solicitados ao Banco Bradesco S/A. Por fim, impugna o lançamento de oficio e a imposição da multa. Junta aos autos cópia dos demonstrativos de pagamento, documentos de fls. 15/31, a Declaração de Ajuste Anual Simplificada do exercício de 2005 e os comprovantes de rendimentos pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte do anocalendário de 2004.(fls. 36/39). A 4ª Turma da DRJ/BSA, Brasília/DF, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0326.066, de 24 de julho de 2008 (fls. 5762), decidiu, por unanimidade, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, que foi assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOAFÍSICA IRPF Exercício: 2005 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 23/12/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 12893.000004/200663 Acórdão n.º 2102002.607 S2C1T2 Fl. 75 3 Para serem isentos do, imposto de renda pessoa física, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que o interessado é portador de uma das moléstias apontadas na legislação de regência. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Será efetuado lançamento de oficio no caso de omissão de rendimentos tributáveis percebidos pelo dependente e omitidos na declaração de ajuste anual. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, não podendo o contribuinte apresentála em outro momento a menos que demonstre motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente, á destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Lançamento Procedente.” O contribuinte tomou ciência da decisão a quo, em 20/08/2008, conforme aviso de recebimento constante as fls. 65, da qual interpôs recurso voluntário em 17/09/2008 (fls. 6670), repisando os termos da impugnação, em síntese, argumentando que desde o ao de 1999 vem efetuando tratamento médico e que no ano de 2000 sofreu infarto agudo do miocárdio, resultando em um cateterismo e angioplastia, com implante de “stent” e que desde então faz uso de vasta e variada medicação. Sustenta que o entendimento demonstrado na decisão da DRJ é inconstitucional, ofendendo o princípio da dignidade humana. No que tange aos valores da fonte pagadora Banco Bradesco S/A, alega que se trata de empréstimo consignado em folha de pagamento, efetuado por meio de sua empregadora Nigro Alumínio Ltda. Requer ao cabo, a procedência do Recurso Voluntário, para reconhecer o direito de isenção pleiteado. Junta cópia da carteira de identidade as fls. 71. É o relatório. Voto Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi Relatora O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n°. 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Sendo assim, conheçoo e passo ao exame. Conforme já relatado, o Recorrente pugnou pelo reconhecimento da isenção de parte de seus proventos de aposentadoria, tendo em vista ser portador de moléstia grave, nos termos do que dispõe o artigo 39, § 4º do RIR/99. Nesse sentido, analisando os documentos apresentados, observo: Fl. 83DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 23/12/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 12893.000004/200663 Acórdão n.º 2102002.607 S2C1T2 Fl. 76 4 i. Fls. 15/16 – Ofício da Previdência Social (nº Ref. PT 35373.000230/200538, NB 46/088.296.935/8), datado de 04 de abril de 2005, o qual informa ao recorrente que em face de avaliação médico pericial, este fora considerado portador de patologia (cardiopatia grave) que o isenta do Imposto de Renda, ocorrendo a alteração do benefício. ii. Fls. 17/21 Laudo médico assinado por Joaquim M. R. Filho (cardiologista CRM 40.423), datado de 07/03/2005, o qual atesta que o recorrente é portador de cardiopatia importante, tendo sido submetido a uma angioplastia com ‘stent’, apresentando ainda diabetes, HAS tudo ocorrido no ano de 2000. Portanto, verifico que o contribuinte comprovou mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial a existência de moléstia grave, nos termos do que preconiza o §4º do artigo 39 da RIR/99, que assim dispõe: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...) §4 Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). Como se vê, a solução da lide cingese à comprovação da moléstia e se os rendimentos são provenientes de aposentadoria e o cerne da questão a ser aqui examinada, portanto, é se os documentos apresentado se prestam como documento hábeis e idôneos a comprovar essas duas condições. Nessa linha para provar que é portadora de moléstia grave foi apresentado juntamente com o Recurso Voluntário, o Ofício do Instituto Social de Seguridade Social (INSS), assinado por médico perito da instituição, onde está expresso que o contribuinte enquadrase em doença especificada em Lei (CID 120), 07/03/2005 desde que se enquadra nas moléstia que isentam do IR. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 23/12/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 12893.000004/200663 Acórdão n.º 2102002.607 S2C1T2 Fl. 77 5 Neste sentir, temse que o auto de infração e o processo em análise abrange o anocalendário 2004, exercício 2005, época em que nos termos do próprio laudo pericial o recorrente não estava amparado pelo benefício da isenção, haja vista que esta se deu por efetivada apenas em 07/03/2005, mesmo tendo sido encontrado nos autos do processo um segundo laudo (fls. 200) em que o médico atesta que Silvio Ribeiro de Camargo havia sofrido infarto do miocárdio no ano de 2000, mas a doença ainda não estava atestada como cardiopatia grave, o que ocorreu apenas em 07/03/2005 conforme posicionamento pericial. Segundo dispõe o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10, de 16/05/96, temse que: I a isenção a que se referem os incisos XII e XXXV do art. 5º IN SRF nº 025/96 se aplica aos rendimentos recebidos a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial; Neste sentir, como constou no Laudo do Médico Perito da Previdência Social que a moléstia grafe fora efetivada apenas em 07/03/2005, não há reparos a serem feitos na decisão da DRJ, visto que no momento do recebimento dos proventos os vergastados pela fiscalização, estes não estavam amparados pelo benefício da isenção. Pelo exposto VOTO POR NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO do contribuinte. Sala das Sessões, em 20 de junho de 2013. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Redator Ad Hoc Fl. 85DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 23/12/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720348/2012-97
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2008 a 31/12/2008
RECOLHIMENTO APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. CONTINUIDADE DOS ATOS PROCEDIMENTAIS. PERDA DA ESPONTANEIDADE.
O pagamento de contribuições previdenciárias efetuado pelo sujeito passivo após o início da ação fiscal não pode ser considerado espontâneo, devendo ser exigido o tributo com seus consectários legais. Apenas no caso de inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias implicaria a recuperação da espontaneidade do sujeito passivo, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse tempo
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-002.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2008 a 31/12/2008 RECOLHIMENTO APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. CONTINUIDADE DOS ATOS PROCEDIMENTAIS. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O pagamento de contribuições previdenciárias efetuado pelo sujeito passivo após o início da ação fiscal não pode ser considerado espontâneo, devendo ser exigido o tributo com seus consectários legais. Apenas no caso de inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias implicaria a recuperação da espontaneidade do sujeito passivo, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse tempo Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 02 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 16095.720348/2012-97
anomes_publicacao_s : 201401
conteudo_id_s : 5315610
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 02 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2403-002.346
nome_arquivo_s : Decisao_16095720348201297.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
nome_arquivo_pdf_s : 16095720348201297_5315610.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
id : 5240934
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046371338027008
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1721; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16095.720348/201297 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.346 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 19 de novembro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente F.W. TECNOLOGIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PEÇAS PARA MÁQUINAS OPERATRIZES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2008 a 31/12/2008 RECOLHIMENTO APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. CONTINUIDADE DOS ATOS PROCEDIMENTAIS. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O pagamento de contribuições previdenciárias efetuado pelo sujeito passivo após o início da ação fiscal não pode ser considerado espontâneo, devendo ser exigido o tributo com seus consectários legais. Apenas no caso de inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias implicaria a recuperação da espontaneidade do sujeito passivo, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse tempo Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 03 48 /2 01 2- 97 Fl. 303DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16095.720348/201297 Acórdão n.º 2403002.346 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI DEBCAD nº 51.016.4684 (EMPRESA) no valor original de R$ 160.130,33 (cento e sessenta mil cento e trinta reais e trinta e três centavos), lavrado em face de F.W. TECNOLOGIA IND. E COM. PEÇAS PARA MÁQUINAS OPERATRIZES LTDA, compreendendo as contribuições descontadas dos segurados empregados e contribuintes individuais nas competências de 01/2009 a 13/2009, não declaradas em GFIP e não recolhidas. No Relatório Fiscal, fls. 203/204, o fiscal informa que serviram de base ao lançamento, as folhas de pagamento de salários, e os Livros Contábeis Diários (Livros Contábeis Diários N. 10 e n. 11, registrados na JUCESP) e os Livros Auxiliares Razão do período de débito. Das contribuições consignadas nas folhas de pagamento, foram deduzidas as declaradas em GFIPs, antes do início da ação fiscal. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 221/222. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 6ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento no em Campinas – SP, DRJ/CPS, prolatou o Acórdão n° 05 40.038, de fls. 276/281, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 RECOLHIMENTO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O pagamento de contribuições previdenciárias efetuado pelo sujeito passivo após o início da ação fiscal não pode ser considerado espontâneo, devendo ser exigido o tributo com seus consectários legais. Implica a procedência do lançamento formalizado de ofício, devendo ser deduzidos da exigência os valores objeto do recolhimento após a decisão administrativa definitiva. REPRESENTAÇÃO FISCAL. A Representação Fiscal para Fins Penais é formalizada na presença de fato que possa configurar crime em tese, no dever de ofício da fiscalização, não sendo da competência Fl. 305DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 da autoridade julgadora administrativa a análise de seu mérito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 289/293, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, alegando em suma que realizou o pagamento das contribuições em cobrança antes da lavratura do auto de infração, demonstrando sua boafé no pagamento. É o relatório. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16095.720348/201297 Acórdão n.º 2403002.346 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documentos de fls. 286 e 289 temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA ESPONTANEIDADE DO SUJEITO PASSIVO – DO PAGAMENTO O recorrente afirma que o auto foi lavrado em 22/10/2012, tendo ele tomado ciência no dia seguinte e, por ter realizado os pagamentos referentes aos meses de 01/2009 a 13/2009, realizados ao longo do mês de setembro de 2012. No entanto, a espontaneidade é afastada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração, conforme o art. 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional – CTN, in verbis: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. O recorrente tomou ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, em 07/03/2012, fl. 03. Foi intimado diversas vezes ao longo do anocalendário de 2012: Termo de Intimação Fiscal 01, em 12/04/2012, fl. 12; Termo de Intimação Fiscal 02 em 15/06/2012, fl. 13; Termo de Intimação Fiscal 03, 14/08/2012, fl. 45 e; Termo de Reintimação 01/08/2012. Os pagamentos foram realizados ao longo do mês de setembro de 2012, conforme documentos que instruem a impugnação. Portanto, em razão de não ter o fiscal ficado inerte no procedimento inquisitório fiscal, não é de se aplicar a Súmula n. 75 deste Conselho, in verbis: Súmula CARF nº 75: A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Em razão disso, há de ser afastada a espontaneidade do sujeito passivo. Os pagamentos efetuados por ele, após a ciência do auto de infração deverão ser levados em consideração quando da liquidação do crédito, fase posterior à presente. Por não tecer o recorrente outros argumentos de fato ou de direito capazes de infirmar a autuação fiscal, não merece provimento o recurso. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar provimento. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 308DF CARF MF Impresso em 02/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10880.690786/2009-85
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.325
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Vencidos os conselheiros Belchior Melo de Sousa e Corintho Oliveira Machado que negavam provimento ao recurso.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
numero_processo_s : 10880.690786/2009-85
conteudo_id_s : 5316076
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-000.325
nome_arquivo_s : Decisao_10880690786200985.pdf
nome_relator_s : JULIANO EDUARDO LIRANI
nome_arquivo_pdf_s : 10880690786200985_5316076.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Vencidos os conselheiros Belchior Melo de Sousa e Corintho Oliveira Machado que negavam provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
id : 5246363
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:17:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046371340124160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1885; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 281 1 280 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.690786/200985 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3803000.325 – 3ª Turma Especial Data 20 de agosto de 2013 Assunto COFINS PER/DCOMP Recorrente THYSSENKRUPP BILSTEIN BRASIL MOLAS E COMPONENTES DE SUSPENSAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Vencidos os conselheiros Belchior Melo de Sousa e Corintho Oliveira Machado que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado – Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado. Relatório Cuidase de declaração de compensação formalizada em 30/05/2009, com o propósito de extinguir débitos no valor de R$ 46.358,07, com créditos no valor de R$ 27.717,83 proveniente do recolhimento indevido realizado por meio do DARF no valor de R$ 418.542,80 recolhido em 15.06.2004, código 2171. O despacho decisório anexo à fl. 07 não homologou a compensação pleiteada, sob o pressuposto de que foram localizados pagamentos integralmente utilizados para quitação Fl. 367DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.690786/200985 Resolução nº 3803000.325 S3TE03 Fl. 282 2 de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cumpre informar de que o contribuinte não retificou DCTF e nem DACON, sob o argumento de que tal procedimento não seria necessário para reconhecer o crédito. Em sua Manifestação de Inconformidade às fls. 10/30, o contribuinte se limita a apresentar planilhas para provar o seu direito creditório e afirma ter ocorrido erro material no preenchimento da DCTF. Sustenta que o crédito tem origem no pagamento indevido da COFINS em relação as operações de “vendas destinadas ao exterior por meio de empresa comercial exportadora”, bem como “vendas para empresas comerciais fabricantes”. Afirma que deixou de anexar as notas fiscais de venda de mercadorias em razão da enorme quantidade de documentos e por conta disso requer a realização de diligência na sede da empresa. Às fls. 303/312 a DRJ de São Paulo apreciou a Manifestação de Inconformidade e se manifestou por meio do Acórdão n.º 1632.902 13 ª Turma da DRJ/SP1, mas ratificou o entendimento antes exarado no despacho decisório, no sentido de que o contribuinte não logrou êxito em demonstrar a existência de seu crédito, bem como em razão da DCTF constituirse em confissão de dívida. Os julgadores de piso, ainda negaram o pedido de apresentação de provas após a Manifestação de Inconformidade, bem como o pedido de diligência, principalmente em razão de que o contribuinte não apresentou contratos comerciais, notas fiscais, ainda que fosse por amostragem, nem teria demonstrado se as empresas “RassiniNHK – Autopeças” e “Magneti Marelli Cofap Autopeças Ltda”, fabricam veículos e máquinas relacionados no art. 1º da Lei nº 10.485/02, ou as autopeças constantes dos Anexos I e II desta mesma Lei. Destacam ainda que a recorrente não juntou aos autos CNPJs destas empresas para que a fiscalização apurasse suas atividades. Em seu recurso voluntário, o contribuinte insiste na necessidade da realização de diligência na sede da empresa com a finalidade de se apurar a existência do crédito, que por sua vez tem origem na apuração errônea da COFINS no período de janeiro/2003 e dezembro/2007. Renova seus argumentos em relação a tributação indevida de suas receitas no que se refere as operações de venda destinadas ao exterior por meio de empresa comercial exportadora e vendas a empresas comerciais fabricantes. Neste contexto, sustenta que as empresas para as quais vendeu mercadorias têm por objeto a atividade de comercial fabricante, por isso deveriam ter sido aplicadas as alíquotas “comuns” do PIS e da COFINS de 1,65% e 7,6%, respectivamente, e não as alíquotas “diferenciadas” de 2,3% e 10,8%, conforme dispõe o artigo 3º, incisos I e II, da Lei nº 10.485/02. Em relação as receitas resultantes de operações de “exportação indireta”, ou seja, vendas realizadas por empresa comercial exportadora, afirma que não incide PIS e COFINS, nos termos dos artigos 5º, III, da Lei nº 10.637/02 e 6º, III, da Lei nº 10.833/03. Faz questão de destacar ter preenchido equivocadamente o CFOP n.º 5101, enquanto que o correto era CFOP n.º 5501, no tocante as operações de exportação. Juntamente com o Recurso Voluntário, anexa aos autos (Doc. 03), 2 (duas) notas fiscais emitidas para as empresas RassiniNHK – Autopeças e Magneti Marelli Cofap Fl. 368DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.690786/200985 Resolução nº 3803000.325 S3TE03 Fl. 283 3 Autopeças Ltda, com o propósito de demonstrar que possui relação comercial com tais empresas. Já em relação as saídas para à exportação, anexou memorandos de exportação (Doc. 04). Por fim, colaciona julgados deste colegiado com o fito de demonstrar que deve prevalecer o princípio da verdade material diante da forma. Requisita a conversão do julgamento em diligência e indica perita, inclusive já formulando quesitos. É o relatório. Voto Conselheiro Juliano Eduardo Lirani Tratase de recurso voluntário tempestivo e por isso merece ser conhecido, uma vez que atende aos requisitos de admissibilidade. Analisando o Acórdão exarado pela DRJ, observo que esta fundamentou adequadamente o indeferimento a compensação do PER/DCOMP em análise e aplicou com rigor as regras processuais existentes no Decreto n.º 70.235/72, bem como no artigo 74 da Lei n.º 9.430/96. É evidente que o PER/DCOMP apresentado tem por finalidade realizar o encontro de contas entre os débitos pertencentes ao sujeito passivo e os créditos fazendários, cabendo ao Fisco homologálo ou não. Também é verdade que a DCTF tem efeito de confissão de dívida, motivo pelo qual perfaz ônus do contribuinte constituir prova da inexistência do débito confessado por meio da apresentação de documentos idôneos. Assim, uma vez não trazidos aos autos, até a decisão de primeiro grau, as nota fiscais por amostragem e principalmente provas da exportação das mercadorias, agiu corretamente os julgadores quando negaram o pedido de diligência formulado pelo recorrente. Deste modo, o contribuinte concorreu com a decisão denegatória, na medida em que deixou de anexar aos autos provas robustas em seu favor e optou por juntar apenas planilhas por ele elaboradas, as quais em nada auxiliaram no convencimento da autoridade julgadora. Em outras palavras, o que pretendo dizer é que não há reparos a fazer na decisão da DRJ, pois no momento em que esta foi proferida não haviam provas capazes de socorrer o contribuinte, seja em relação a homologação da compensação, seja em relação a realização de diligência. Logo, sob o enfoque do princípio da ampla defesa, não houve qualquer prejuízo à ampla defesa. Entretanto, com a interposição do Recurso Voluntária a situação é outra. Pois, se antes o contribuinte não havia colacionado qualquer prova capaz de garantir robustez ao seu direito, agora quero crer que isso não acontece mais. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.690786/200985 Resolução nº 3803000.325 S3TE03 Fl. 284 4 Contudo, antes de ingressar ao mérito das provas acostadas, primeiro é necessário compreender os fundamentos que sustentam o direito creditório alegado. Inicialmente, o contribuinte argumentou que não configura hipótese de incidência do PIS e COFINS as receitas provenientes de exportação indireta não incide, nos termos dos artigos 5º, III, da Lei nº 10.637/02 e 6º, III, da Lei nº 10.833/03. Lei n.º 10.637/2002: Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I (...) II (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Já a Lei n.º 10.833/2003 apregoa regra semelhante: Lei n.º 10.833/2003: Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I (...) II (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Com efeito, uma vez constatada receita advinda de vendas a empresa comercial exportadora e cuja operação tenha por objetivo colocar o produto no mercado consumidor de outro país, por certo que não há que se falar em nascimento da obrigação tributária das contribuições. Ora, aqui se está diante de uma questão objetiva que não admite juízo de valor. Assim, uma vez que o contribuinte agora trouxe em seu Recurso Voluntário, “Memorando de Exportação”, por meio do qual faz prova de que praticou operações indireta de exportação para a Argentina no ano de 2005, por certo que, fortalece sobremaneira o seu direito a realização da diligência pleiteada, uma vez que demonstrou a verossimilhança do seu direito creditório. Todavia, evidentemente que será necessário reabrir a instrução processual a fim de que se apure se efetivamente se foram recolhidas as contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas a empresa comercial exportadora, pois não sendo constatado o recolhimento indevido, evidentemente que o PER/DCOMP apresentado não deve ser homologado. Cabe aqui o comentário de que estou convencido não se tratar da transferência de ônus tributário para o Fisco na verificação da inexistência do fato imponível das contribuições, e conseqüentemente do direito ao crédito, mas tão somente oportunizar que o contribuinte disponibilize a Fazenda Nacional outros Memorandos de Exportação para comprovar ter ocorrido vendas de mercadorias a empresa comercial exportadora com o fim de exportação. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.690786/200985 Resolução nº 3803000.325 S3TE03 Fl. 285 5 Quanto a segunda parcela do direito creditório, o contribuinte afirma que se origina de vendas realizadas às empresas RassiniNHK – Autopeças e Magneti Marelli Cofap Autopeças Ltda. Ora, é verdade que somente com o Recurso Voluntário o contribuinte anexou aos autos prova de que tais empresas tem por finalidade a fabricação de peças e acessórios para veículos. Entretanto, ainda assim, manifesto entendimento de que está adequadamente comprovado que a recorrente vendeu mercadorias para ambas as empresas, pois anexou notas fiscais datadas de 2005, por intermédio das quais se confirma o nome daquelas empresas. Além do que, é importante mencionar que os CNPJs agora juntados também comprovam se tratarem de empresas que possuem como objeto a fabricação de peças. Neste contexto, a Lei n.º 10.485/2002 prevê que as contribuições terão alíquotas reduzidas, quando ocorrer operações de vendas para empresas fabricantes de peças, conforme definidos nos Anexos I e II desta lei, nos seguintes termos: Lei nº 10.485/02: Art. 3o As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), respectivamente, nas vendas para fabricante: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) de veículos e máquinas relacionados no art. 1o desta Lei; ou (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) de autopeças constantes dos Anexos I e II desta Lei, quando destinadas à fabricação de produtos neles relacionados; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores.(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim, uma vez demonstrado que a recorrente vendeu mercadorias para empresas fabricantes de peças, por meio das notas fiscais anexadas, por certo que as alíquotas incidentes sobre as contribuições sofrem redução, conforme se verifica acima, ou seja, 1,65 % e 7,6 %, respectivamente para o PIS e COFINS. Por fim, rejeito o pedido de perícia em face da sua desnecessidade, principalmente em razão de que a lide repousa sobre a inércia do contribuinte em relação as provas de seu direito, deficiência esta que será solucionada por meio da diligência. Lembro ainda que caso o contribuinte tivesse apresentado livros contábeis, todas as notas fiscais de venda, bem como todos os memorandos de exportação, por certo que não seria o caso de converter o julgamento em diligência, mas talvez reconhecer o direito creditório, desde que as provas fossem claras como a luz solar. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.690786/200985 Resolução nº 3803000.325 S3TE03 Fl. 286 6 Contudo, justamente em razão de que há apenas fortes indícios de que o contribuinte possui o direito que alega ter, opto por converter o julgamento em diligência com a finalidade de que a repartição de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado, bem como que seja intimado o contribuinte a se manifestar após a realização da diligência. É o voto. Sala das sessões, 20 de agosto de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 372DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/10/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001378/2007-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2004
CRÉDITO PRESUMIDO. REGIME ALTERNATIVO. INCUBAÇÃO E CRIAÇÃO DE FRANGOS PARA ABATE.
As atividades de incubação de ovos e de criação de frangos para abate são processos biológicos que não se subsumem ao conceito de industrialização. O valor dos custos com insumos empregados nessa fase do processo produtivo devem ser excluídos do cálculo do crédito presumido de IPI.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. MATÉRIA RESOLVIDA PELO STJ EM RECURSO REPETITIVO.
De acordo com precedente do E. STJ submetido ao regime do artigo 543-C do CPC (REsp nº 993.164), e aplicável ao processo administrativo fiscal por força do artigo 62-A do RICARF, o produtor exportador pode apropriar crédito presumido de IPI sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. MATÉRIA RESOLVIDA PELO STJ EM RECURSO REPETITIVO. REGIME ALTERNATIVO DA LEI Nº 10.276/01. APLICAÇÃO.
O entendimento do STJ firmado no REsp nº 993.164 aplica-se também ao crédito presumido apurado pelo regime alternativo da Lei nº 10.276/01.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-002.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte aproveitar o crédito presumido em relação às aquisições de pessoas físicas e cooperativas no regime alternativo da Lei nº 10.276/2001. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (relator) e Alexandre Kern. Designado o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz. Esteve presente ao julgamento o Dr. Richardy Espíndola da Silva, OAB/SC nº 21.733.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
(Assinado com certificado digital)
Marcos Tranchesi Ortiz - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2004 CRÉDITO PRESUMIDO. REGIME ALTERNATIVO. INCUBAÇÃO E CRIAÇÃO DE FRANGOS PARA ABATE. As atividades de incubação de ovos e de criação de frangos para abate são processos biológicos que não se subsumem ao conceito de industrialização. O valor dos custos com insumos empregados nessa fase do processo produtivo devem ser excluídos do cálculo do crédito presumido de IPI. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. MATÉRIA RESOLVIDA PELO STJ EM RECURSO REPETITIVO. De acordo com precedente do E. STJ submetido ao regime do artigo 543-C do CPC (REsp nº 993.164), e aplicável ao processo administrativo fiscal por força do artigo 62-A do RICARF, o produtor exportador pode apropriar crédito presumido de IPI sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. MATÉRIA RESOLVIDA PELO STJ EM RECURSO REPETITIVO. REGIME ALTERNATIVO DA LEI Nº 10.276/01. APLICAÇÃO. O entendimento do STJ firmado no REsp nº 993.164 aplica-se também ao crédito presumido apurado pelo regime alternativo da Lei nº 10.276/01. Recurso voluntário provido em parte.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 22 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11516.001378/2007-11
anomes_publicacao_s : 201311
conteudo_id_s : 5309985
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3403-002.536
nome_arquivo_s : Decisao_11516001378200711.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 11516001378200711_5309985.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte aproveitar o crédito presumido em relação às aquisições de pessoas físicas e cooperativas no regime alternativo da Lei nº 10.276/2001. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (relator) e Alexandre Kern. Designado o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz. Esteve presente ao julgamento o Dr. Richardy Espíndola da Silva, OAB/SC nº 21.733. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. (Assinado com certificado digital) Marcos Tranchesi Ortiz - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
id : 5192722
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:16:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046371354804224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2205; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 7 1 6 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.001378/200711 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403002.536 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 23 de outubro de 2013 Matéria RESSARCIMENTO DE IPI Recorrente AGROVÊNETO S/A INDÚSTRIA DE ALIMENTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2004 CRÉDITO PRESUMIDO. REGIME ALTERNATIVO. INCUBAÇÃO E CRIAÇÃO DE FRANGOS PARA ABATE. As atividades de incubação de ovos e de criação de frangos para abate são processos biológicos que não se subsumem ao conceito de industrialização. O valor dos custos com insumos empregados nessa fase do processo produtivo devem ser excluídos do cálculo do crédito presumido de IPI. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. MATÉRIA RESOLVIDA PELO STJ EM RECURSO REPETITIVO. De acordo com precedente do E. STJ submetido ao regime do artigo 543C do CPC (REsp nº 993.164), e aplicável ao processo administrativo fiscal por força do artigo 62A do RICARF, o produtor exportador pode apropriar crédito presumido de IPI sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. MATÉRIA RESOLVIDA PELO STJ EM RECURSO REPETITIVO. REGIME ALTERNATIVO DA LEI Nº 10.276/01. APLICAÇÃO. O entendimento do STJ firmado no REsp nº 993.164 aplicase também ao crédito presumido apurado pelo regime alternativo da Lei nº 10.276/01. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte aproveitar o crédito AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 13 78 /2 00 7- 11 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 presumido em relação às aquisições de pessoas físicas e cooperativas no regime alternativo da Lei nº 10.276/2001. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim (relator) e Alexandre Kern. Designado o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz. Esteve presente ao julgamento o Dr. Richardy Espíndola da Silva, OAB/SC nº 21.733. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. (Assinado com certificado digital) Marcos Tranchesi Ortiz Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI, relativo ao ao 3º Trimestre de 2003, formulado com base no regime alternativo da Lei nº 10.276/2001, sem custo integrado. A empresa produz frangos inteiros, cortes de frango e miúdos de frango congelados ou resfriados. Pesquisa efetuada no sistema DWAduaneiro demonstrou que durante o período de janeiro de 2002 a dezembro de 2004 a empresa exportou produtos classificados na NCM 0207.14.00 (pedaços e miudezas de galos e galinhas, congelados) e NCM 1602.32.00 (preparações alimentares/conservas de carne, miudezas ou de sangue de galos e de galinhas). A autoridade administrativa reconheceu parcialmente o direito de crédito, em virtude de ter efetuado glosas do cálculo do crédito presumido. Foram feitas as seguintes glosas: 1) O valor dos insumos aplicados na produção de ração, pelo fato da ração não ser matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem aplicado na fabricação dos produtos exportados e também em razão de os insumos terem sido adquiridos de pessoas físicas e cooperativas (Tabela 1, fl. 104). A ração não é exportada; 2) O valor dos insumos aplicados na produção dos produtos exportados, mas que foram adquiridos de pessoas físicas e cooperativas (Tabela 2, fl. 105); 3) O valor das aquisições utilizadas nas demais atividades da pessoa jurídica, como matrizes para postura de ovos, milho em grãos, ovos férteis, pintos de um dia, serviços de incubação de ovos (que a empresa entende que se tratam de serviços de industrialização por encomenda), etc. (Tabela 3, fl. 105). Todos os itens foram glosados porque esses insumos não são aplicados no processo produtivo e alguns deles foram adquiridos de pessoas físicas. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11516.001378/200711 Acórdão n.º 3403002.536 S3C4T3 Fl. 8 3 O crédito ora requerido foi vinculado às declarações de compensação 27616.17581.290304.1.3.016014, que foi homologada parcialmente, e 24563.47713.070404.1.3.014651, 27739.78969.140404.1.3.013956 e 29251.88654.280404.1.3.014776, que não foram homologadas, conforme quadro 7 (fl. 113). Em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte alegou que foram citados pela fiscalização atos administrativos já revogados, o que teria cerceado a defesa, dando causa à nulidade. No mérito, em síntese, alegou que, considerando o conceito de imunidade o despacho decisório caminhou contra a Constituição e a legislação, sendo que não se pode afirmar que esta última concedeu o crédito presumido apenas nas aquisições oneradas pelas contribuições do PIS e da COFINS, portanto, não há justificativa legal para as glosas das aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Ademais, o cálculo do crédito presumido deve abranger todos os custos necessários para a manutenção da fonte produtiva e exportadora, com é o caso dos gastos com ovos, incubação, remédios, farelo de soja, milho, sal, óleo de soja, proteínas, etc... Considerando que o produto final da contribuinte é o frango, não se poderia glosar a incubação de ovos, pois é etapa anterior da industrialização que pode ser caracterizada como industrialização por encomenda, até porque a atividade agroindustrial do interessado é caracterizada como industrial pela transformação da proteína vegetal em animal. Confirma tal hipótese a definição de atividade rural dada pelo manual do INSS e pela Lei n° 8023/90, bem como pela declaração de inconstitucionalidade, dada pelo STF, da Lei n° 8870/94, donde se concluiria que não incide o FUNRURAL sobre a produção própria, ou seja, se a própria agroindústria está produzindo insumos, estes devem constar na base de cálculo do crédito presumido, lembrando que os pintos enviados, em regime de parceria rural, para aviários, são de propriedade da contribuinte. Também confirmaria o entendimento do interessado a legislação do drawback quando classifica os insumos utilizados na fabricação de ração como parte final do produto produzido pela impugnante, sendo que se forem utilizados marcadores na alimentação dos frangos e houver uma análise dos cortes, facilmente se comprovará que eles foram utilizados no processo produtivo da carne de frango destinado ao exterior. Encerrou requerendo o total deferimento do pedido. A 2ª Turma da DRJ – Ribeirão Preto julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Foi afastada a alegação de cerceamento de defesa, sob o argumento de que as glosas não foram fundamentadas especificamente nas instruções normativas citadas. A fiscalização citou os vários atos para traçar um panorama histórico da evolução da legislação para melhor compreensão da fundamentação. Quanto ao mérito, foi decidido que somente estão aptos a gerarem crédito presumido as matériasprimas, produtos intermediários e os materiais de embalagem empregados na fase industrial, que é iniciada com o abate das aves. Ficou decidido que não há direito ao crédito presumido em relação aos insumos aplicados na fabricação de ração e nem em relação a qualquer outro insumo aplicado na fase de criação dos frangos, conforme pacífica jurisprudência retratada pelos Acórdãos 202 15.014, 20215.015, 20215.020. Foi negado o direito à tomada do crédito sobre aquisições de pessoas físicas e cooperativas, em razão dessas aquisições serem desoneradas das contribuições ao PIS e Cofins. Regularmente notificada do acórdão em 18/08/2010, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 17/09/2010 por meio do qual reprisou e reforçou as alegações de impugnação. É o relatório. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 Voto Vencido Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, merece ser conhecido pelo colegiado. O contribuinte alegou em preliminar a nulidade do despacho em que a autoridade administrativa glosou parte do crédito presumido. Segundo o contribuinte, a nulidade residiria no fato de a fiscalização ter citado instruções normativas que teriam sido editadas posteriormente aos fatos geradores. Não existe a nulidade alegada. A uma porque o contribuinte se defende dos fatos que lhe são imputados e não do enquadramento legal. E a duas, porque o exame da informação fiscal (fls. 98 e 99), revela que a fiscalização citou todos os atos que regularam o crédito presumido desde a sua instituição e que foram se sucedendo ao longo do tempo, com o objetivo de traçar um panorama da situação legal e não com o objetivo de fundamentar as glosas. A fundamentação das glosas foi feita efetivamente com base no art. 1º da Lei nº 10.276/2001 e nas Instruções Normativas nº 69/2001 e 315, de 03/04/2003, conforme se verifica nas fls. 106 a 112. Considerando que o contribuinte compreendeu a natureza dos fatos que lhe foram imputados e que apresentou manifestação de inconformidade e recurso voluntário atacando especificamente as glosas efetuadas, há que se rejeitar a alegação de cerceamento de defesa. No mérito, são basicamente duas questões a serem resolvidas por este colegiado: 1) se as atividades de incubação e criação de frangos constituem uma operação englobada pelo conceito de industrialização; e 2) se aquisições de pessoas físicas e cooperativas dão direito ao crédito presumido no regime de apuração alternativo da Lei nº 10.276/2001. Segundo o fluxograma apresentado pela defesa, o processo produtivo dos frangos abatidos e dos cortes e miudezas de frango iniciase com a fabricação da ração, incubação e criação dos pintos, terminando com a embalagem das aves abatidas e dos cortes de frango para exportação. Entretanto, por mais que a defesa enxergue seu processo produtivo como sendo unitário e se prenda a essa característica para sustentar que todos os insumos empregados na manutenção da atividade produtiva devem gerar o crédito presumido, para os aplicadores do direito é inegável que o processo de obtenção dos produtos finais da recorrente passa por duas fases. A primeira, que pode ser denominada de criação das aves. E a segunda, que se inicia com o abate das aves, que é a fase industrial propriamente dita. A verificação da existência ou da inexistência do direito à apuração do crédito presumido em relação à fase de criação das aves deve ser buscado nas leis que instituíram o incentivo. O art. 1º, § 1º da Lei nº 10.276/2001, ao dispor sobre a base de cálculo do crédito presumido no regime alternativo, referiuse a matériasprimas, produtos intermediários, Fl. 275DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11516.001378/200711 Acórdão n.º 3403002.536 S3C4T3 Fl. 9 5 materiais de embalagem, energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo. Já o § 5º do mesmo art. 1º dispõe que se aplicam ao regime alternativo as demais normas estabelecidas na Lei nº 9.363/96. Nesse passo, o art. 3º, parágrafo único, da Lei nº 9.363/96 determina que se aplique de forma subsidiária a legislação do IPI para o estabelecimento dos conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. A legislação do IPI não dispõe expressamente sobre o conceito de produção, mas estabelece os conceitos de “estabelecimento produtor” (art. 3º da Lei nº 4.502/64), de “operação de industrialização” (art. 4º do RIPI/2002) e de “produto industrializado” (art. 3º do RIPI/2002). Segundo o art. 3º da Lei nº 4.502/64, estabelecimento produtor é todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Segundo o art. 4º do RIPI/2002, industrialização é qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou que o aperfeiçoe para consumo (como a transformação, o beneficiamento, a montagem, o acondicionamento e o recondicionamento). Segundo o art. 3º do RIPI/2002, produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida como industrialização, ainda que incompleta, parcial ou intermediária. Desses enunciados legais inferese que o conceito de produção aplicável no âmbito do IPI se identifica com uma “operação”, ou seja, uma atividade que consista em transformar, beneficiar, montar, acondicionar ou recondicionar. Observese que ao contrário do que alegou a defesa, não existe nenhuma dúvida na interpretação das Leis nº 9.363/96 e 10.276/2001. Esses diplomas legais abstiveram se de estabelecer os conceitos de produção, matériaprima, produto intermediário e material de embalagem e determinaram de modo imperativo que tais conceitos, para o fim de apuração do crédito presumido de IPI, deveriam ser os mesmos adotados no âmbito da legislação desse imposto. Embora a defesa tenha se esforçado em tentar demonstrar que a fase de incubação e criação das aves integra o processo produtivo, é de clareza vítrea que tais atividades são constituídas por processos biológicos, que não se enquadram no conceito legal de operação industrial previsto no art. 4º do RIPI/2002. Não se tratando a incubação de ovos e a criação das aves de operações de industrialização, não há direito de aproveitar o crédito presumido em relação a nenhum dos custos incorridos nesta fase, estando corretas as glosas efetuadas pela fiscalização. Enquadramse nesta fundamentação: a ração, o milho, a soja, o farelo e os demais insumos utilizados na sua fabricação, conforme Tabela 1 (fl. 104) e os produtos e serviços correlatos à incubação discriminados na Tabela 3 (fl. 105). Fl. 276DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 No que tange ao processo industrial propriamente dito, que se inicia a partir do abate das aves, verificase que a fiscalização não questionou a natureza das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, mas questionou suas origens, ou seja, glosou as aquisições provenientes de pessoas físicas e cooperativas. Insurgiuse a defesa quanto à glosa das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem de pessoas físicas, sob o argumento de que a IN 23/97 foi declarada ilegal e que Lei nº 9.363/96 autoriza que o crédito seja calculado sobre o valor total das aquisições. Conquanto o STJ tenha decidido em sede de recurso repetitivo (RESP 993.164) que a IN 23/97 é ilegal na parte em que excluiu do cálculo as aquisições de pessoas físicas, não se pode olvidar que no caso concreto o contribuinte optou pelo regime alternativo da Lei nº 10.276/2001 e que os fatos geradores se referem ao 3º Trimestre de 2003, os quais são regidos pelas Instruções Normativas nº 69/2001 e 315, de 03/04/2003. O art. 1º, § 1º da Lei nº 10.276/2001, estabelece com todas as letras que: “(...) § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I ... (...)” Assim, no regime alternativo, a própria lei instituidora do regime estabelece expressamente que somente aquisições sujeitas à incidência das contribuições é que estão aptas a integrarem a base de cálculo do benefício. Não é possível aplicar art. 62A do RICARF e a jurisprudência sedimentada do STJ ao caso concreto, pois a ilegalidade da restrição contida na IN 23/97 foi analisada à luz da Lei nº 9.363/96 e não em relação ao regime alternativo. Sendo assim, está correta a glosa efetuada pela fiscalização, pois no regime alternativo somente geram direito ao crédito presumido as aquisições sobre as quais houve a incidência das contribuições ao PIS e à Cofins, o que não é o caso das aquisições de pessoas físicas. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Voto Vencedor Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, redator designado. Durante muito tempo, o tema do direito ao crédito presumido do IPI relativamente às aquisições de não contribuintes de PIS e de COFINS suscitou acesa controvérsia nos contenciosos administrativo e judicial. Mencionese, por todos, o acórdão nº Fl. 277DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11516.001378/200711 Acórdão n.º 3403002.536 S3C4T3 Fl. 10 7 0203.405 proferido pela 2ª Turma da CSRF em 1º de setembro de 2008, no qual, por apertada maioria, prevaleceu a tese favorável ao contribuinte. Em 13 de setembro de 2010, contudo, o tema encontrou desfecho perene no E. STJ nos autos do REsp nº 993.164, julgado sob a sistemática dos “recursos repetitivos” (CPC, art. 543C). Na ocasião, decidiuse que o exportador faz jus ao crédito presumido independentemente da efetiva incidência de PIS e COFINS na operação de aquisição dos insumos. O entendimento restou, inclusive, sumulado: “Súmula STJ nº 494. O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do Pis/Pasep”. O solução dada ao tema pelo STJ deve, pois, sem maiores cogitações, ser reproduzida por este colegiado, a teor do art. 62A do Regimento Interno. Consigno, apenas, o seguinte aspecto relevante a este caso. Segundo se infere dos autos, a recorrente apurou o crédito pelo regime alternativo da Lei nº 10.276/01. O leading case do STJ não se refere expressamente a esse regime alternativo, mas apenas ao regime originário da Lei nº 9.363/96, então regulamentado pela IN/SRF nº 23/97. Não identifico, entretanto, nesse específico aspecto relativo à incidência de PIS e COFINS, normas diversas nos regimes convencional e alternativo. Eis os respectivos textos legais: “Lei nº 9.363/06. Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo”. “Lei nº 10.276/01. Art. 1º. Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Fl. 278DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. §1º. A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput”. As passagens se equivalem. Delas emanam idêntica norma. A leitura do acórdão proferido no REsp nº 993.164 revela que o STJ entendeu que a incidência aludida no art. 1º da Lei nº 9.363/96 não é necessariamente a da etapa de aquisição do insumo pelo exportador. Confirase: “É que a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição”. É de se aplicar, à expressão “custos sobre os quais incidiram as contribuições”, usada na Lei nº 10.276/01, o mesmo entendimento sufragado pelo STJ à expressão “contribuições incidentes sobre as respectivas aquisições”, usada na Lei nº 9.363/96. Neste particular, pois, divirjo da orientação seguida pelo ilustre Relator, Conselheiro Antonio Carlos Atulim, entendendo que a exegese firmada, sob o regime de recursos repetitivos, no REsp nº 993.164, é de aplicação mandatória também ao crédito presumido calculado pelo método alternativo da Lei nº 10.276/01. (Assinado com certificado digital) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 279DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/11/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
score : 1.0
Numero do processo: 10882.910115/2011-41
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000
PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10882.910115/2011-41
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5326195
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-002.240
nome_arquivo_s : Decisao_10882910115201141.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : SOLON SEHN
nome_arquivo_pdf_s : 10882910115201141_5326195.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS - Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
id : 5308008
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:18:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046371360047104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1762; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 42 1 41 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.910115/201141 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802002.240 – 2ª Turma Especial Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria COFINSCOMPENSAÇÃO Recorrente FERTIBRÁS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 91 01 15 /2 01 1- 41 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 22): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de Apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 Ementa: RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Sendo diferentes os regimes pelos quais a restituição e a compensação podem ou não ser viabilizadas, e por falta de previsão legal, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Por sua vez, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade alegando ter ocorrido a homologação tácita do pedido, devido ao decurso de cinco anos entre a apresentação do PER/Dcomp e a prolação do despacho decisório. A DRJ entendeu que o prazo estipulado no §5º, do art. 74, não seria aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição, em decorrência da diversidade do regime jurídico da restituição e da compensação, bem como por ausência de previsão legal. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 32, reitera a alegação de homologação tácita, requerendo o provimento do recurso voluntário e a consequente reforma da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10882.910115/201141 Acórdão n.º 3802002.240 S3TE02 Fl. 43 3 Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 10/05/2013 (fls. 30), interpondo recurso tempestivo em 03/06/2013 (fls. 32). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. A Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime de autocompensação, que ressaltadas as contribuições previdenciárias compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário é considerada tacitamente homologada após o decurso do prazo de cinco anos, nos termos do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). Notase, portanto, que o prazo do §5º do art. 74 não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. O fato destes serem transmitidos pelo mesmo instrumento da declaração de compensação (o PER/Dcomp) não autoriza nem mesmo por analogia, como sustentou a Recorrente a aplicação do prazo de cinco anos para a homologação tácita, até porque, ao contrário do que ocorre na compensação, não haveria uma extinção do crédito tributário prévia a ser homologada. Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 45DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 10783.901336/2009-21
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
DCOMP. HOMOLOGAÇÃO INTEGRAL EM FUNÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. EXTINÇÃO DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DECLARADOS. INEXISTÊNCIA DE CONTENCIOSO. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
No caso das declarações de compensação apresentadas pelo sujeito passivo a manifestação de inconformidade é direcionada contra sua não-homologação, a qual, se julgada improcedente, poderá ser objeto de recurso junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Extintos os créditos tributários declarados finda o contencioso, razão pela qual não há mais nada a discutir em sede de recurso voluntário.
Recurso voluntário não conhecido
Numero da decisão: 3802-002.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO INTEGRAL EM FUNÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. EXTINÇÃO DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DECLARADOS. INEXISTÊNCIA DE CONTENCIOSO. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. No caso das declarações de compensação apresentadas pelo sujeito passivo a manifestação de inconformidade é direcionada contra sua não-homologação, a qual, se julgada improcedente, poderá ser objeto de recurso junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Extintos os créditos tributários declarados finda o contencioso, razão pela qual não há mais nada a discutir em sede de recurso voluntário. Recurso voluntário não conhecido
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10783.901336/2009-21
anomes_publicacao_s : 201402
conteudo_id_s : 5324138
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-002.336
nome_arquivo_s : Decisao_10783901336200921.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
nome_arquivo_pdf_s : 10783901336200921_5324138.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
id : 5295295
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:18:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046371364241408
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2063; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 306 1 305 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.901336/200921 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802002.336 – 2ª Turma Especial Sessão de 28 de janeiro de 2014 Matéria PER Eletrônico Ressarcimento de IPI (crédito presumido) Recorrente Realcafé Solúvel do Brasil S.A. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO INTEGRAL EM FUNÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. EXTINÇÃO DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DECLARADOS. INEXISTÊNCIA DE CONTENCIOSO. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. No caso das declarações de compensação apresentadas pelo sujeito passivo a manifestação de inconformidade é direcionada contra sua nãohomologação, a qual, se julgada improcedente, poderá ser objeto de recurso junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Extintos os créditos tributários declarados finda o contencioso, razão pela qual não há mais nada a discutir em sede de recurso voluntário. Recurso voluntário não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 13 36 /2 00 9- 21 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ Juiz de Fora (fls. 244/278), a qual, por unanimidade de votos, deferiu a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada, no seguinte sentido: Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, DEFERIR A SOLICITAÇÃO CONTIDA NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, no tocante ao valor pleiteado, discordando, no entanto, dos fundamentos apresentados pelo contribuinte. Sendo assim, reconhecese como crédito presumido do trimestre a quantia de R$ 361.398,65 e reconhece se o saldo credor pleiteado de R$ 344.540,04. Deduzido o montante ora reconhecido como saldo credor do 4º trimestre da quantia de RS 273.615,54, já reconhecida no Despacho Decisório, resta deferir na presente decisão a quantia de R$ 70.924,50, para utilização na homologação das compensações declaradas pelo contribuinte na proporção do crédito ora reconhecido. Restando, saldo credor, este deverá ser ressarcido ao contribuinte. Reproduzo, abaixo, o relatório objeto da decisão recorrida: Trata o presente processo de PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI (saldo credor), PER nº 36956.69900.280104.1.1.010921, no montante de R$ 344.540,04. O incentivo fiscal, relativo ao 4º Trimestre do anocalendário de 2003, foi calculado sob os fundamentos das Leis n os 9.363, 13/12/1996, e 10.637, de 30/12/2002 (regime nãocumulativo para o PIS). Ao ressarcimento, o contribuinte atrelou DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO – DCOMP, abaixo relacionadas, para compensar os débitos no montante de R$ 302.608,56 (valores originais): PER/DCOMP REALCAFE VALOR TOTAL CRÉDITO TOTAL DÉBITO/ VALOR PER TIPO DOCUMENTO 21221.73942.160305.1.7.010679 344.540,04 26.201,22 Declaração de Compensação 00614.79861.170305.1.3.015339 344.540,04 65.968,40 Declaração de Compensação 03276.31642.240305.1.3.015122 344.540,04 34.031,00 Declaração de Compensação 33134.71942.260405.1.3.014209 344.540,04 30.563,33 Declaração de Compensação 40699.17864.290405.1.3.010795 344.540,04 14.480,86 Declaração de Compensação 23645.43483.040505.1.3.015328 344.540,04 24.937,86 Declaração de Compensação 27782.84008.250505.1.3.010116 344.540,04 15.770,79 Declaração de Compensação 40522.43390.080605.1.3.013758 344.540,04 32.934,06 Declaração de Compensação 06802.67397.290605.1.3.011616 344.540,04 15.876,68 Declaração de Compensação 20895.40875.210906.1.7.016198 344.540,04 41.844,36 Declaração de Compensação A análise da petição do interessado se deu por via eletrônica, combinada com procedimento fiscal para apuração do incentivo solicitado. Dos procedimentos adotados, fiscal e eletrônico, resultou o Despacho Decisório de fl. 20, com o deferimento parcial do saldo credor requerido e, consequentemente, a homologação parcial das compensações declaradas. Fundamentouse o ato decisório nos seguintes termos: Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: RS 344.540,04 Valor do crédito reconhecido: RS 273.615,54 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão dos seguinte(s) motivo(s): Fl. 307DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10783.901336/200921 Acórdão n.º 3802002.336 S3TE02 Fl. 307 3 Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido, em procedimento fiscal. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP 06802.67397.290605.1.3.011616. NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 20895.40875.210906.1.7.016198 Não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) PER/DCOMP 36956.69900.280104.1.1.010921 O valor deferido ao contribuinte foi consequência única e exclusiva do trabalho fiscal, uma vez que o processamento eletrônico não trouxe alterações para os cálculos realizados pela fiscalização. Foi o procedimento fiscal o responsável pelos ajustes efetuados na receita de exportação, na receita operacional bruta, nos insumos consumidos que resultou na redução do crédito presumido de IPI, deles decorrendo, diretamente sobre o incentivo fiscal, a glosa de R$ 70.924,50 lançada sobre os valores apurados pelo contribuinte. No TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL de fls. 21/35 foram delineadas as verificações e alterações procedidas pela fiscalização. As saídas para exportação apresentadas no PER foram verificadas por amostragem mediante consulta ao sistema Siscomex, com a análise do número do DDE, da data de embarque dos produtos e do respectivo valor da receita de exportação. A receita operacional bruta foi verificada mediante consulta à DIPJ, aos Balancetes e ao Livro Registro de Apuração do IPI. Quanto aos insumos, foram glosados as aquisições efetuadas por intermédio de cooperativas, no caso, o café em grão adquirido de cooperativas, e de pessoas físicas, por tratarem de aquisições não sujeitas ao PIS e à Cofins. Também foram objeto de glosa os valores relativos ao consumo de energia elétrica e combustíveis, não conceituados como matériaprima ou produto intermediário; embalagens, quando destinadas ao ativo imobilizado ou uso e consumo fora do processo produtivo; mercadorias classificadas como uso e consumo; valores lançados sem especificação. As aquisições não aceitas foram relacionadas no DEMONSTRATIVO DAS AQUISIÇÕES NÃO ACEITAS2003, às fls. 183/184. Cientificado do deferimento parcial de seu pleito, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 03/18. Preliminarmente, contestou o cálculo do crédito presumido, em razão de o despacho decisório não reconhecer, nos meses de novembro e dezembro, valores que ultrapassaram seu cálculo. Isto é, quando o crédito Fl. 308DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 presumido, de acordo com os cálculos da fiscalização, eram superiores ao que ele próprio apurou, limitouse o despacho decisório a deferir os valores pleiteados no PER/DCOMP. Também requereu a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e alegou o cerceamento de seu direito de defesa. No seu entender, as informações complementares anexas ao despacho decisório informam apenas valores glosados sem esclarecer detidamente quais insumos foram excluídos. Tal circunstância conduziu a apresentação de defesa por presunção, em clara afronta aos princípios do contraditório, da ampla defesa e a própria motivação dos atos administrativos. No mérito, o contribuinte fez a defesa do crédito presumido de IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, como incentivo às exportações. Discorreu sobre o direito ao crédito presumido decorrente de aquisições de pessoas físicas e cooperativasnão contribuintes do PIS e da Cofins. No mesmo diapasão, reclamou o direito de computar na base de cálculo do crédito presumido os gastos com energia elétrica, combustíveis e os custos com máquinas e equipamentos e com a geração de vapor. Com relação à receita operacional bruta, alegou inconsistência do cálculo da fiscalização que até dezembro de 2003, excluiu a quantia de R$ 23.111.939,66, mas manteve a inclusão da quantia de R$ 5.077.771,19, ambas referentes à comercialização de café em grão verde nos mercados interno e externo. No seu entender, ou se considera a totalidade da receita referente à venda de café em grão verde, ou nada se considera. Tal prática, se realmente ocorreu, se deveu à aplicação do inc. I do art. 8º da IN SRF nº 23, de 2007. Alegou o contribuinte que o Conselho de Contribuintes tem posição distinta , uma vez que se posiciona por não se adicionar à receita de exportação e à receita operacional bruta valores relativos às exportações de produtos adquiridos de terceiros (acórdão nº 201 80362, de 20/06/2007, processo nº 13971.000075/9941). Iniciado exame dos autos, houve por bem a então relatora enviar o processo em diligência para nova apuração do crédito presumido, tendo em vista que, em se tratando de crédito presumido relativo ao 4º trimestre do anocalendário de 2003, admitirseia computar as aquisições efetuadas por intermédio das cooperativas na apuração do benefício. Tal foi feito, inclusive com o respectivo recálculo, consolidado à fl. 196, dando novo valor ao benefício, aumentandoo para R$ 290.820,75. Sobre esse novo valor do crédito presumido, manifestouse o contribuinte, às fls. 210/212, alegando que a diligência não havia sido bem cumprida. Sobre a diligência e o mérito da contestação concluiu: Às fls. 172, o preclaro auditor fiscal diz ter cumprido o seu mister e declara que “às fls. 164, constam os valores dos créditos presumidos apurados pelo contribuinte, pela fiscalização e o valor das glosas”. Contudo, data vênia a diligência não foi bem cumprida, senão vejamos: a) houve expressa determinação para que fosse apurado o montante das aquisições de café efetuadas perante cooperativas, segregando estas aquisições, bem como, que os cálculos fossem refeitos, para acréscimo das aquisições de cooperativas; b) nas fls. 150 fezse a segregação determinada, sendo que foram constatadas aquisições de cooperativas na ordem de R$ 1.174.250,00 e, c) nas fls. 164, a fiscalização apurou na linha Créd. Pré. Mês de Novembro R$ 195.548,31, enquanto que, na linha CP Apurado Fiscalização no Fl. 309DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10783.901336/200921 Acórdão n.º 3802002.336 S3TE02 Fl. 308 5 mesmo mês, consta o valor de R$ 122.244,43, restando incerto o crédito apresentado. Concluindo, a glosa anterior de R$70.924,50, deve ser revista por absoluta inconsistência da diligência fiscal, como aliás se requer. Depois da realização da diligência e da respectiva manifestação do interessado, os autos retornaram à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, MG – DRJ/JFA/MG, para prosseguimento. A decisão de primeira instância, muito embora tenha reconhecido integralmente o montante do crédito reclamado na declaração de compensação, acatou apenas em parte os argumentos apresentados pelo sujeito passivo. O correspondente acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Somente podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao produto novo, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização e desde que não correspondam a bens do ativo permanente. Dessa maneira, a energia elétrica, os combustíveis, materiais de manutenção de instalação, máquinas e equipamentos, etc, elementos que não atuam diretamente sobre o produto, não se enquadram nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário (PN CST, nº 65, de 1979; Lei nº 9.363, de 1996). 2. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVA, CONTRIBUINTES DO IPI. Em face da legislação do PIS e da Cofins, respectivamente, a partir de outubro de 1999 e janeiro de 2000, e da regulamentação do crédito presumido pela IN SRF nº 313, de 2003, não há porque excluir, da base de cálculo do incentivo, as aquisições realizadas por intermédio de Cooperativas de Produtores. Entretanto, em face da disposição contida na IN SRF nº 103, de 1997, as aquisições de cooperativa, efetuadas até 02/04/2003, não integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI. 3. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS O afastamento da discussão acerca da composição da base de cálculo do crédito presumido, no tocante às aquisições realizadas por intermédio de pessoas físicas, em razão da conjugação do Parecer PGFN/CRJ/nº 2016, de 2011, e do Despacho do Ministério da Fazenda, SN, de 13/12/2011, publicado no DOU na pág. Nº 00057, em 15/12/2011, do Ato Declaratório da PGFN nº 14, de 20/12/2011, publicado na pág. 00037 do DOU, de 22/12/2011, bem como do art. 26A, § 6º, incs. I e II, do Decreto 70.235, de 06/03/1972, nas condições tratadas e atendidas nos citados atos, obriga a inserção das referidas aquisições na base de cálculo do crédito presumido de IPI. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A apresentação minuciosa de manifestação de inconformidade com base nas informações constantes do Despacho Decisório, do Termo de Verificação Fiscal e planilhas que o acompanham afastam a alegação de cerceamento do direito de defesa e, consequentemente, a nulidade do ato decisório expedido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, que jurisdiciona o domicílio fiscal do contribuinte. Manifestação de Inconformidade Procedente Direito Creditório Reconhecido Cientificada da referida decisão em 27/09/2012 (conf. despacho de fls. 280 do processo eletrônico), a interessada, em 25/10/2012 (fls. 282), apresentou o recurso voluntário de fls. 282/301, onde reitera a legitimidade do reconhecimento do direito creditório decorrente da integralidade das aquisições de cooperativas, bem como dos gastos com energia elétrica, combustíveis e os custos com máquinas e equipamentos e com a geração do vapor. Contesta, ainda, a forma de apuração da receita operacional bruta, requerendo a realização de diligência para fins de verificação quanto à correção do cálculo realizado pela fiscalização. Diante do exposto, requer seja dado provimento ao seu recurso, “com o conseqüente deferimento da totalidade do ressarcimento/compensação acrescido dos valores inerentes aos insumos e à parcela das aquisições de cooperativas indevidamente glosadas”. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Conforme relatado, vêse que muito embora o direito creditório reclamado tenha sido reconhecido na sua integralidade, o sujeito passivo se manifesta contrariamente a algumas questões de direito não acolhidas pela primeira instância. Especificamente, reclama o reconhecimento integral das aquisições de cooperativas, os gastos com energia elétrica, combustíveis e os custos com máquinas e equipamentos e com a geração do vapor. Consta da decisão de primeira instância que o cômputo das aquisições de cooperativas passou a ser admitido a partir de abril de 2003 (em função da publicação da IN SRF nº 313, de 2003). Diante disso, a primeira instância já adicionou “à base de cálculo do crédito presumido a quantia de R$ 440.000,00, referente à aquisição de café, no mês de maio de 2003 e demais ocorridas nos meses subseqüentes”. Como o pleito diz respeito a pedido de ressarcimento do IPI relativo ao 4º Trimestre do anocalendário de 2003, resta evidente que não haveria nada a discutir concernente à inclusão de aquisições de cooperativas no cômputo do crédito presumido, já que todas as aquisições do período, ou melhor, a partir de abril de 2003, já foram computadas. Mas a recorrente também se insurge contra a não consideração, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, dos gastos com energia elétrica e com combustíveis, e dos custos com máquinas e equipamentos e com a geração de vapor. Igualmente se manifesta sobre o cálculo da receita operacional bruta para fins de apuração do crédito. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10783.901336/200921 Acórdão n.º 3802002.336 S3TE02 Fl. 309 7 Todavia, nenhuma discussão há que ser desenvolvida no presente processo, uma vez que, como já dito, o direito creditório reclamado foi integralmente deferido, não se podendo, pois, tomar conhecimento do recurso formulado pela interessada. Com efeito, não existe crédito tributário em litígio, e não está em discussão nenhuma restrição a direito do sujeito passivo ou a questão própria de processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária, esta sujeita a processo e a rito específicos. Aliás, o crédito em litígio é o critério básico para a definição da competência da Seção do CARF sobre os processos de compensação, conforme prescreve o § 1º do artigo 7º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho – RICARF (aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009). E a extinção do débito, por qualquer de suas modalidades, importa em desistência do recurso (artigo 78, § 2º, do RICARF). No caso das declarações de compensação apresentadas pelo sujeito passivo a manifestação de inconformidade é direcionada contra sua nãohomologação, a qual, se julgada improcedente, poderá ser objeto de recurso junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (artigo 74, §§ 9º e 10 da Lei nº 9.430/96). Não há como sustentar, portanto, a existência de contencioso considerando a homologação integral dos débitos declarados pela interessada. Por fim, a título de informação, destaco que as questões aventadas pela suplicante em seu recurso foram integralmente debatidas nos autos do processo nº 10783.901479/200691, também em nome da interessada, julgado por esta Turma em 27/11/2013. O acórdão em tela (nº 3802002.308) foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA OPERACIONAL BRUTA. BASE DE CÁLCULO. Para fins de apuração do crédito presumido do IPI, a receita operacional bruta deverá ser apurada considerando apenas aquela decorrente dos produtos industrializados pela empresa e destinados aos mercados externo e interno. As receitas de exportação também devem seguir o mesmo padrão, sendo assim admitidas, na apuração da relação percentual, unicamente as exportações de produtos industrializados pela pessoa jurídica. Assim, na base de cálculo do crédito presumido não deverão ser considerados, nem na receita de exportação, nem na receita operacional bruta, os valores das receitas de vendas de produtos não industrializados pela empresa, para os quais não foram utilizados quaisquer insumos, como, por exemplo, os produtos adquiridos de terceiros e vendidos nos mercados interno e externo e os produtos classificados como nãotributados. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ADMISSIBILIDADE. Os montantes correspondentes aos insumos adquiridos de cooperativas, utilizados na industrialização dos produtos exportados, integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI (STJ, REsp 993.154MG, submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e aplicado por força do artigo 62A do RICARF). Fl. 312DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 8 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÕES DE ENERGIA ELÉTRICA E DE COMBUSTÍVEIS. CUSTOS COM A GERAÇÃO DE VAPOR E COM MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e de energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou de produto intermediário (Súmula CARF nº 19). Pela mesma razão também não podem integrar a base de cálculo do crédito presumido os custos com a geração de vapor e com máquinas e equipamentos. Recurso ao qual se dá parcial provimento. Da conclusão Caracterizada, pois, a inexistência de interesse recursal, voto para não conhecer do recurso formulado pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 28 de janeiro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 313DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
score : 1.0
