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Numero do processo: 11020.720392/2007-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
COFINS - RESSARCIMENTO - CRÉDITOS EXPORTAÇÃO - GLOSA REFERENTE A TRIBUTO NÃO CONSTITUÍDO - IMPOSSIBILIDADE.
Na análise de Pedido de Ressarcimento cabe a autoridade fiscal verificar a existência e adequação do crédito pleiteado pelo contribuinte para, em momento posterior, quando for o caso, promover a compensação de ofício, com débitos que estejam eventualmente constituídos e em aberto. Se constatado que determinado valor não foi submetido à tributação pelo contribuinte, cabe ao Fisco, primeiramente, promover o lançamento, para que então esteja autorizado a promover sua cobrança. Imprescindível a constituição do crédito tributário (débito) para que possa ser promovida sua cobrança. Descabida a glosa de créditos cujo ressarcimento foi pleiteado, com base em débito inexistente, posto que não constituído, seja pelo contribuinte, seja pelo Fisco. Impossível, ainda, a compensação de ofício de débito não constituído.
COFINS - BASE DE CÁLCULO - CRÉDITO DE ICMS - NÃO INCIDÊNCIA.
A transferência de créditos de ICMS para terceiros está prevista na legislação estadual específica, e representa mera mutação patrimonial. Na hipótese não há que obtenção de novas receitas.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.436
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Maria da Conceição Arnaldo Jacó acompanharam a relatora pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora.
EDITADO EM: 27/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Gileno Gurjão Barreto, Paulo Guilherme Deroulede, Alexandre Gomes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 COFINS - RESSARCIMENTO - CRÉDITOS EXPORTAÇÃO - GLOSA REFERENTE A TRIBUTO NÃO CONSTITUÍDO - IMPOSSIBILIDADE. Na análise de Pedido de Ressarcimento cabe a autoridade fiscal verificar a existência e adequação do crédito pleiteado pelo contribuinte para, em momento posterior, quando for o caso, promover a compensação de ofício, com débitos que estejam eventualmente constituídos e em aberto. Se constatado que determinado valor não foi submetido à tributação pelo contribuinte, cabe ao Fisco, primeiramente, promover o lançamento, para que então esteja autorizado a promover sua cobrança. Imprescindível a constituição do crédito tributário (débito) para que possa ser promovida sua cobrança. Descabida a glosa de créditos cujo ressarcimento foi pleiteado, com base em débito inexistente, posto que não constituído, seja pelo contribuinte, seja pelo Fisco. Impossível, ainda, a compensação de ofício de débito não constituído. COFINS - BASE DE CÁLCULO - CRÉDITO DE ICMS - NÃO INCIDÊNCIA. A transferência de créditos de ICMS para terceiros está prevista na legislação estadual específica, e representa mera mutação patrimonial. Na hipótese não há que obtenção de novas receitas. Recurso Voluntário Provido.
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Na análise de Pedido de Ressarcimento cabe a autoridade fiscal verificar a existência e adequação do crédito pleiteado pelo contribuinte para, em momento posterior, quando for o caso, promover a compensação de ofício, com débitos que estejam eventualmente constituídos e em aberto. Se constatado que determinado valor não foi submetido à tributação pelo contribuinte, cabe ao Fisco, primeiramente, promover o lançamento, para que então esteja autorizado a promover sua cobrança. Imprescindível a constituição do crédito tributário (débito) para que possa ser promovida sua cobrança. Descabida a glosa de créditos cujo ressarcimento foi pleiteado, com base em “débito” inexistente, posto que não constituído, seja pelo contribuinte, seja pelo Fisco. Impossível, ainda, a compensação de ofício de débito não constituído. COFINS BASE DE CÁLCULO CRÉDITO DE ICMS NÃO INCIDÊNCIA. A transferência de créditos de ICMS para terceiros está prevista na legislação estadual específica, e representa mera mutação patrimonial. Na hipótese não há que obtenção de novas receitas. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède e Maria da Conceição Arnaldo Jacó acompanharam a relatora pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 03 92 /2 00 7- 90 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. EDITADO EM: 27/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabiola Cassiano Keramidas, Gileno Gurjão Barreto, Paulo Guilherme Deroulede, Alexandre Gomes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de COFINS recolhido pelo regime da não cumulatividade. Por retratar a realidade dos fatos, adoto o relatório da decisão de primeira instância administrativa, verbis: “O contribuinte supracitado solicitou ressarcimento de contribuição não cumulativa (COFINS não cumulativa), conforme pedido constante nos autos. O pedido foi deferido parcialmente, visto que o contribuinte não considerou na base de cálculo do tributo devido o valor das cessões de créditos de ICMS. O interessado apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, endereçada a esta Delegacia de Julgamento, onde discorda da glosa efetuada. Alega que haveria uma alteração qualitativa da classificação contábil, que não implicaria em receita tributável, e, por isso, não existe previsão legal para a tributação. Admite, para fins de argumentação, que se de receita se tratasse, ela seria qualificada como receita de exportação e estaria isenta e imune à incidência das contribuições ao PIS e COFINS, pois a exportação é a causa imediata da manutenção dos créditos e de sua transferência para terceiros. Traz doutrina e jurisprudência para fundamentar seus raciocínios de defesa.” Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.720392/200790 Acórdão n.º 3302002.436 S3C3T2 Fl. 11 3 Após analisar as alegações trazidas pela Recorrente, a Segunda Turma da DRJ de Porto Alegre lavrou o acórdão nº 1024.182, por meio do qual manteve a glosa realizada pela autoridade administrativa com base na seguinte ementa, a saber: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CESSÃO DE ICMS INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS . A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a edição dos arts.7°, 8° e 9° da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada.” Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário por meio do qual reiterou as razões trazidas em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de COFINS, decorrente do resultado positivo (saldo credor) do período apurado (1) com base nos insumos utilizados pela contribuinte em sua atividade, os quais foram devidamente quantificados e apresentados à fiscalização (valor positivo) e (2) na indicação do valor devido a título de COFINS, regularmente declarado em DCTF (valor negativo). Conforme se verifica dos termos do relatório da Fiscalização (fls. 09/10), in casu, a glosa dos créditos ocorreu em razão de a fiscalização entender que o contribuinte não calculou seu débito de COFINS do período (item 2 acima citado) da forma correta, a saber: “No período contemplado pelo presente processo, o contribuinte efetuou operações de transferências de créditos de ICMS a terceiros, mas não reconheceu as receitas decorrentes dessas alienações de direitos a terceiros. Não obstante, o art. 1° da lei 10.833/03 determina que a base de cálculo da COFINS abrange todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua classificação contábil ou denominação e, por outro lado, não cita essas receitas dentre as exclusões da base de cálculo enumeradas em seu §3°: Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 “Lei 10.833, de 29/12/2003: Art. 1 A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1 Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas á demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2 A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3 Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota O (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda de álcool para fins carburantes; (NR da lei 10.865/04) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. A alienação a terceiros de bens e direitos do seu ativo — seja do circulante, realizável a longo prazo ou permanente, importa no auferimento de receitas. É o que dita a Resolução n° 774, de 16/12/1994, do Conselho Federal de Contabilidade, que aprovou o apêndice à Resolução sobre os Princípios Fundamentais de Contabilidade: Resolução N° 774, de 16112194, do CFC: 2.6.3 ALGUNS DETALHES SOBRE AS RECEITAS E SEU RECONHECIMENTO A receita é considerada realizada no momento em que há a venda de bens e direitos da Entidade entendida a palavra "bem" em sentido amplo, incluindo toda sorte de mercadorias, produtos, serviços, inclusive equipamentos e imóveis , com a transferência da sua propriedade para Fl. 103DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.720392/200790 Acórdão n.º 3302002.436 S3C3T2 Fl. 12 5 terceiros, efetuando estes o pagamento em dinheiro ou assumindo compromisso firme de fazêlo num prazo qualquer.” Isto é, o crédito em questão não foi glosado pela insuficiência/irregularidade de insumos, mas pelo entendimento de que a Recorrente, ao calcular o COFINS devido no período, deixou de considerar na base de cálculo do tributo o valor relativo ao Crédito de ICMS não cumulativo, o que gerou a conclusão de recolhimento a menor do tributo. O problema, portanto, da equação apresentada, é no quantum que representa o débito, não no valor crédito. Neste sentido, tendo o Fisco constatado que a Recorrente não apurou (não lançou e não pagou) tais débitos, ao manifestarse sobre o direito ao ressarcimento de créditos que a Recorrente apurou (objeto do Pedido de Ressarcimento ora sob análise), houve por bem glosar parte dos créditos pleiteados. Ou seja, na análise da procedência ou não dos créditos apurados pela Recorrente, cujo ressarcimento pleiteou, o Fisco lhe negou o direito a parte de tais créditos, porque “descontou”, do total de créditos pleiteados, o débito de COFINS que não foi anteriormente apurado pela Recorrente (sobre o crédito de ICMS, acima referido). Pareceme, evidente, que o Agente Fiscal incorreu em grave erro. Afinal, confundiu a análise do crédito de COFINS – cujo pedido de ressarcimento pleiteado é objeto dos autos – com um débito de COFINS que deixou de ser apurado e lançado pela contribuinte. Promoveu verdadeira compensação de ofício sem que, contudo, o valor do débito tivesse sido antes constituído. Realizou, portanto, cobrança de tributo sem o respectivo lançamento. Ora, o Agente Fiscal concluiu através de suas verificações, que a Recorrente deixou de incluir determinado valor na base de cálculo da COFINS (correspondente ao crédito de ICMS). E tal conclusão se deu porque a Recorrente não declarou este valor em sua DCTF e, consequentemente, deixou de constituir este tributo. Neste momento, portanto, a fiscalização localizou valor não lançado que em seu entender seria devido pela Recorrente. Deveria, então, promover, em primeiro lugar, o lançamento de tal valore, para que fosse possível estabelecer sua cobrança (ou compensação de ofício). Afinal, é cediço que para que seja possível cobrar quaisquer valores, a título de tributo, estes devem estar definitivamente constituídos – seja através de lançamento por homologação (Art. 150,§4º do CTN), seja através de lançamento de oficio (Art. 142 do CTN). Entretanto, no presente caso, considerando que a Recorrente não ofereceu tais valores à tributação – daí, inclusive que surgiu o questionamento fiscal – e que nestes autos não foi efetuado nenhum lançamento de ofício, os valores em questão jamais foram constituídos definitivamente. Assim, faltalhes requisito essencial para a pretensa cobrança, por parte da Autoridade Fiscal. Esta razão já seria suficiente para a improcedência da glosa em comento. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 Vale destacar, que com isso não entendo que a fiscalização deve ressarcir os contribuintes de valores aos quais eles não têm direito. Na hipótese de o mencionado débito ter sido adequadamente constituído, o procedimento correto que o Fisco deveria ter adotado seria o de (i) verificar a procedência (e deferimento) do crédito pleiteado e, posteriormente, (ii) avaliar se existiam débitos do contribuinte em aberto, (iii) para então promover a compensação de ofício (que deveria seguir o rito estabelecido pela IN nº 900/08). Ou seja, a administração, da mesma forma, não procederia à mencionada restituição. De toda forma, equivocado o procedimento que foi adotado no presente caso, de glosar o “crédito” a que o contribuinte tem direito, em razão de ter sido constatada a apuração e manutenção em aberto de “débitos” da contribuição. Afinal, na análise da procedência do direito ao “crédito” o Fisco deveria ter deferido integralmente o direito do contribuinte e, em momento posterior, se fosse o caso (ou seja, se houvesse crédito constituído e aberto), promover a quitação de eventual “débito” (constituído e em aberto) com o “crédito” reconhecido, efetuando, nestes termos, a compensação de oficio e a restituição do valor (crédito) remanescente. Assim, também sob esse prisma está inadequado o procedimento adotado pela Autoridade Fiscal. De todo modo, considerando que o débito em questão não foi sequer constituído, não haveria também condições de se promover a compensação de ofício nos moldes referidos. Tendo em vista que o julgamento é realizado por um órgão colegiado, em vista da possibilidade de meus pares não concordarem com minhas conclusões preliminares, por si só suficientes para cancelar a exigência desta exação, passo a analisar o mérito da glosa. Vejamos. De acordo com os autos, a autoridade administrativa entende que deve ser incluído na base de cálculo do PIS e Cofins o produto da venda de créditos acumulados de ICMS, uma vez que a regra matriz deste tributo determina sua incidência sobre a totalidade de receitas. É o que se depreende do caput do artigo 1º, da Lei nº 10.833/03, a saber: “Lei 10.833, de 29/12/2003. Art. 1° A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.” (destaquei) Ao analisar todo o texto da norma legal, concluo que a questão em discussão depende exatamente de conceituar o valor que se pretende tributar como receita, pois é este o critério que define a tributação, tanto que o legislador pretendeu buscar a receita onde quer que se encontrasse, mesmo que estivesse registrada em classificação contábil diversa. Em meu entender, exatamente neste ponto que o legislador deixou de se preocupar com a forma, definindose pela essência, quando acenou que a tributação independe de o valor estar registrado como receita, sendo necessário que seja efetivamente uma receita. Neste aspecto, o valor recebido como pagamento pelo crédito acumulado de ICMS não está adequado ao conceito de receita que o legislador originário pretendeu alcançar. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11020.720392/200790 Acórdão n.º 3302002.436 S3C3T2 Fl. 13 7 Inicialmente, é necessário esclarecer que o saldo credor de ICMS, no demonstrativo contábil da apuração do resultado do exercício, será sempre o valor do "débito" do ICMS, pois é o resultado negativo da conjunção dos créditos referentes aos valores de ICMS pago pela Recorrente nas aquisições (registrados na conta de passivo exigível) com os débitos deste mesmo ICMS recebidos pela Recorrente nas operações de venda. Em razão do princípio da não cumulatividade, nas operações de venda de mercadorias, a nota fiscal é emitida com o destaque do ICMS devido, que é pago pelo contribuinte final e deduzido dos créditos de ICMS até então pagos pela contribuinte, somente quando o valor dos créditos, no mês, supera o de débitos, a contribuinte apura saldo de ICMS a recuperar. Conforme lecionado pelo ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto1, “Os créditos acumulados já foram "débitos", de outra pessoa jurídica, cuja receita fora tributada pelo COFINS e está no preço da mercadoria pago por esta contribuinte. Os créditos serão ativo próprio, a ser deduzido do passivo, em contas patrimoniais. Afirmar que a cessão de créditos seria receita seria o mesmo que tentar tributar os créditos de ICMS como se receitas fossem; o que seria absolutamente incoerente do ponto de vista contábil e, consequentemerite, jurídico.” A transferência de créditos de ICMS para terceiros está prevista na legislação estadual específica, e representa mera mutação patrimonial, em valores idênticos, sem obtenção de receitas. Neste sentido, em sentido oposto ao entendimento da DRF, entendo que somente haveria que se falar em tributação se houvesse algum ágio na operação em comento, momento em que poderia ser imaginado um aumento patrimonial. Desta forma, com razão a Recorrente em não incluir na base de cálculo do COFINS o valor referente à venda de crédito acumulado de ICMS. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para garantir o direito à restituição integral do crédito de COFINS, objeto deste processo. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora 1 Julgamento do processo administrativo nº 11065.005554/200316, Recurso nº 130.416; Acórdão nº 20179.964. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 01/0 3/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 14041.000147/2009-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1996 a 31/12/1996
LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE FOI REALIZADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL. VÍCIO MATERIAL.
Conforme previsto no art. 173, II, do CTN, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.
Não tendo o Fisco comprovado a expedição da intimação ou a data em que o sujeito passivo teve ciência da decisão que anulou o lançamento anterior, o lançamento é nulo por vício material, vez que não restou comprovado que o lançamento substituto foi realizado dentro do prazo decadencial.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-003.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material por falta de elementos comprobatórios da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade por vício formal, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela inexistência de vício material em função da possibilidade de aplicação da data de ciência presumida, prevista no §2º, inciso II do artigo 23 do Decreto 70.235/72.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1996 a 31/12/1996 LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE FOI REALIZADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL. VÍCIO MATERIAL. Conforme previsto no art. 173, II, do CTN, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Não tendo o Fisco comprovado a expedição da intimação ou a data em que o sujeito passivo teve ciência da decisão que anulou o lançamento anterior, o lançamento é nulo por vício material, vez que não restou comprovado que o lançamento substituto foi realizado dentro do prazo decadencial. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 47 /2 00 9- 74 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do lançamento por vício material por falta de elementos comprobatórios da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade por vício formal, nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela inexistência de vício material em função da possibilidade de aplicação da data de ciência presumida, prevista no §2º, inciso II do artigo 23 do Decreto 70.235/72. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES Processo nº 14041.000147/200974 Acórdão n.º 2402003.757 S2C4T2 Fl. 126 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 18/02/2009, decorrente do não recolhimento dos valores referentes à contribuição dos segurados, no período de 01/07/1996 a 31/12/1996. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 27/35), este lançamento foi efetuado em decorrência da anulação das NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087 pelo Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 42/71) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília – DF, ao analisar o presente caso (fls. 75/86), julgou o lançamento procedente, entendendo que (i) na hipótese de lançamento substitutivo, o prazo decadencial é de 5 anos a contar da decisão definitiva que anulou o lançamento anterior; (ii) as decisões administrativas só são validas a partir da ciência do interessado; (iii) as duas empresas respondem solidariamente e sem benefício de ordem; (iv) é regular a notificação somente em face da Via Engenharia; (v) a Recorrente poderia ter elidido a sua responsabilidade, apresentando documentos, como não o fez, é correta a aplicação da aferição indireta; (vi) é devida a multa incidente sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas; e (vii) as decisões colacionadas não constituem normas complementares de direito tributário. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 88/97) argumentando que: (i) o prazo decadencial encerrase 5 anos após a lavratura do acórdão que anulou os lançamentos anteriores por vício formal; (ii) o crédito já decaiu para o legítimo contribuinte; (iii) a autoridade tributária arbitrou quem seria o responsável pelo tributo e discricionariamente perdoou o contribuinte; e (iv) a Recorrente não é responsável solidário, não devendo sofrer a incidência da multa. Analisando o recurso interposto, este Conselho determinou a conversão em diligência (fls. 110/112), requerendo a juntada de (i) cópia do AR (ou documento equivalente) que comprove a data em que o contribuinte foi notificado das decisões que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087; (ii) cópia da carta encaminhada ao contribuinte, mencionada no item 2 no Relatório Fiscal; e (iii) cópia integral dos autos relativos às NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087. Em resposta à determinação formulada por este Conselho (fls. 121/122), a autoridade fiscal informou que não localizou os documentos solicitados por ocasião da conversão em diligência. É o relatório. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente argumenta que o prazo decadencial de que trata o art. 173, inc. II, do CTN é de 5 anos a contar da data em que foi proferido o acórdão que anulou o lançamento anterior (31/10/2003), e não da data de intimação da referida decisão (18/02/2004). Isso porque, segundo o contribuinte, desta decisão não caberia mais recurso, sendo, portanto, definitiva desde a sua lavratura. Afirma, consequentemente, que o crédito tributário está decaído, posto que o presente lançamento só foi constituído em 18/02/2009, com a intimação do sujeito passivo. No entanto, sem razão a Recorrente no ponto. Analisando o art. 173, II, do CTN, verificase que o prazo decadencial para o Fisco substituir o lançamento anulado por vício formal é de 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado o lançamento anterior, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado”. Para que se possa averiguar se a decisão que anulou o lançamento anterior é definitiva é necessário analisar a legislação atinente ao processo administrativo. Em primeiro lugar, o artigo 42, II, do Decreto 70.235/1972 considera uma decisão definitiva quando dela não couber mais recurso ou quando transcorrido o prazo para a sua interposição. Vejase: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Verificado o não cabimento de recurso ou então o transcurso do prazo para sua interposição, poderia até se considerar que aquela decisão seria definitiva. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES Processo nº 14041.000147/200974 Acórdão n.º 2402003.757 S2C4T2 Fl. 127 5 Contudo, a decisão somente pode ser considerada definitiva, para qualquer finalidade, se ela for válida. A decisão, para que seja válida e produza seus efeitos, como todo ato administrativo,está sujeita à publicidade, nos termos do artigo 37, caput, da Constituição Federal e do artigo 2º, parágrafo único, V, da Lei 9.784/1999: CF Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: Lei 9.784/1999 Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: V divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição; No entanto, não basta apenas a publicidade dos atos administrativos pelos meios oficiais. Deve haver a publicação restrita às partes que integram o processo administrativo. Os artigos 26 a 28 da Lei 9.784/1999 determinam a obrigatoriedade da intimação dos interessados acerca de todos os atos do processo administrativo: Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências. Art. 28. Devem ser objeto de intimação os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ônus, sanções ou restrição ao exercício de direitos e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse. Neste sentido, as intimações expedidas no processo administrativo se materializam com a ciência do sujeito passivo, de acordo com o que prevê o artigo 23 do Decreto 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; Fl. 129DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES 6 Verificase, portanto, que a decisão, para que seja considerada perfeita, válida e eficaz precisa necessariamente cumprir todos os requisitos de validade previstos na legislação, quais sejam, (i) publicidade, (ii) intimação do interessado e (iii) prova de que o sujeito passivo foi cientificado do seu teor. Somente com o cumprimento desses requisitos é que se pode afirmar que a decisão é válida e, portanto, no presente caso, definitiva. Deste modo, entendo que a data de início da contagem do prazo decadencial prevista no artigo 173, II, do CTN é a data da ciência do sujeito passivo da decisão que anulou o lançamento anterior e não a data em que foi proferido o acórdão que anulou o lançamento anterior, como afirma a Recorrente. Muito embora não vingue o entendimento do contribuinte neste ponto, entendo que, por outro motivo, deve o presente recurso ser julgado procedente. Explicase. No presente caso, como já mencionado, este Conselho determinou a conversão do julgamento em diligência, para que restasse comprovada a expedição da intimação da Recorrente, por meio de cópia da carta encaminhada à parte, a respeito das decisões que anularam as NFLD’s nº 35.019.6095 e 35.019.6087, bem como cópia do AR assinado pela Recorrente, comprovando a sua ciência dessas decisões. No entanto, a autoridade fiscal informou que não localizou os documentos solicitados. Ou seja, a autoridade fiscal não comprovou o marco inicial do prazo decadencial para o lançamento substituto, qual seja, a data da intimação da Recorrente das decisões que anularam os lançamentos anteriores.Consequentemente, não restou comprovado que o lançamento substituto foi efetuado dentro do prazo decadencial previsto no artigo 173, II, do CTN. Importa salientar que a previsão do artigo 23, II, §2º, II do Decreto 70.235/1972 não se aplica ao presente caso. Isso porque, o objetivo do referido dispositivo é fixar a data de recebimento quando há prova inequívoca de que a intimação do sujeito passivo foi expedida. No entanto, no presente caso, a autoridade fiscal sequer fez prova da expedição da intimação. Assim, considerando que o Fisco deixou de fundamentar no relatório fiscal,bem como por ocasião das demais oportunidades concedidas pelo órgão julgador, o termo inicial do prazo decadencial para efetuar o lançamento substituto,verificase que houve desrespeito ao artigo 50 da Lei 9.784/1999, que determina que os atos administrativos deverão ser motivados e, consequentemente, ofensa ao artigo 5°, LV, da Constituição Federal, que garante ao sujeito passivo o contraditório e a ampla defesa, requisitos indispensáveis para a validade da autuação. Sendo assim,entendo que a atuação padece de vício material, ante a deficiência de conteúdo do lançamento, em razão de não ter sido demonstrado pela fiscalização o termo inicial para contagem da decadência, para se verificar se o lançamento substituto foi efetuado dentro do prazo ou não, devendo ser a autuação anulada com base no artigo 59, II, do Decreto 70.235/1972. Quando a fiscalização não observa na sua atividade os elementos intrínsecos do lançamento (no caso, comprovação de que o lançamento foi efetuado dentro do prazo decadencial), ela certamente estará infringindo a disposição legal pertinente, importando na existência de um vício material. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES Processo nº 14041.000147/200974 Acórdão n.º 2402003.757 S2C4T2 Fl. 128 7 Nesse sentido, leciona Leandro Paulsen1: “Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei.” Vejase, assim, que a ocorrência do vício material está diretamente ligada com a deformidade do conteúdo do lançamento, que acaba por exigir indevidamente tributos do sujeito passivo, em ofensa, inclusive, ao princípio da legalidade, situação inaceitável nas relações do fisco com o contribuinte. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para DAR LHE PROVIMENTO, a fim de que o presente lançamento seja anulado por vício material. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. 1 Paulsen, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Editora: ESMAFE, 2010. p. 1194. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 25/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIR O DOMINGUES
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Numero do processo: 18471.001642/2007-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2202-000.464
Decisão: RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: Pedro Anan Junior
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decisao_txt : RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 01 64 2/ 20 07 -2 0 Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/04/2013 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 18471.001642/200720 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.464 S2C2T2 Fl. 97 2 RELATÓRIO Tratase de Auto de Infração relativo ao anocalendário de 2002, de fls. 159/167, lavrado em 10/12/2007, em face do contribuinte acima identificado, no montante de R$ 7.722.091,45 (sete milhões, setecentos e vinte e dois mil, noventa e um reais e quarenta e cinco centavos), sendo R$ 2.402.046,25 (dois milhões , quatrocentos e dois mil, quarenta e seis reais e vinte e cinco centavos) de imposto de renda da pessoa fisica; R$ 1.704.251,81 (um milhão, setecentos e quatro mil, duzentos e cinqüenta e um reais e oitenta e um centavos) de juros de mora calculados até 30/11/2007; R$ 3.603.069,37 (três milhões, seiscentos e três mil, sessenta e nove reais e trinta e sete centavos) de multa proporcional de 150% calculada sobre o principal e R$ 12.724,02 (doze mil, setecentos e vinte e quatro reais e dois centavos) de multa exigida isoladamente. No Relatório de Encerramento da Ação Fiscal, de fls. 155/158, as Auditoras Fiscais da Receita Federal do Brasil — AFRFB, designadas pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° 07.1.90.00200700426/0 , fazem um histórico dos fatos que levaram à autuação. O sujeito passivo informou, em 16/04/07, que possuía as seguintes contas bancárias: Banco Bradesco, Agência 01444, conta 164526; BankBoston, Agência Ipanema, conta 23.0517.00 e UNIBANCO, Agência 598, conta 1315426, juntando os extratos de fls. 19/82. Em duas novas intimações fiscais, de 18/06/07, fls. 84, e de 03/08/07, fls. 91, foi solicitado ao contribuinte a comprovação da origem dos depósitos relacionados em planilha de fls. 85/87, assim como requereram as AFRFB a informação acerca da existência de outras contas correntes além das já citadas. Informam as autoridades autuantes que tal pedido deveuse ao fato de ter sido observado no dossiê de programação da fiscalização a movimentação de valores muito acima daqueles constantes nos extratos apresentados, em especial em relação à instituição financeira UNIBANCO. As AFRFB's solicitaram, ainda, nas referidas intimações, a apresentação dos comprovantes de pagamento do carnêleão e a relação dos rendimentos recebidos a titulo de lucros distribuídos, com a documentação contábil e bancária respectiva. Em nenhuma das respostas aos Termos de Fiscalização emitidos, o contribuinte se referiu A. existência de outras contas bancárias. Em 28/08/07, considerando a manifesta intenção do contribuinte em omitir da fiscalização conta bancária com expressiva movimentação, foi solicitada a quebra do sigilo administrativo através da emissão de Requisição de Movimentação Financeira — RMF para a instituição financeira UNIBANCO, que, em resposta, apresentou os extratos referentes à conta Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/04/2013 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 18471.001642/200720 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.464 S2C2T2 Fl. 98 3 n° 1315426, relacionada pelo contribuinte, e à conta n° 1310104, omitida em suas respostas, ambas da Agência 598. Em 08/10/07, as autoras do procedimento fiscal encaminharam ao contribuinte cópia dos extratos bancários, intimandoo a comprovar a origem dos mesmos e esclarecer o motivo pelo qual omitiu a sua existência e deixou de apresentálos à fiscalização. Alegou o sujeito passivo que houve lapso de organização no seu acervo documental e que nãO se deu conta da existência da conta, além de que houve curto espaço de tempo para comprovação dos depósitos. As autoridades autuantes elaboraram demonstrativo com a totalização mensal dos depósitos nas contas ifs 1315426 e 1310104 do UNIBANCO e conta n° 23051700 do BANKBOSTON, os quais serviram de base ao lançamento. Como o interessado não disponibilizou elemento de convicção quanto a estes depósitos, foi lavrado o presente AutodeInfração, com base no art. 42 da Lei 9.430/96, pela omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. Devidamente cientificado do lançamento por meio dos Correios, em 11/12/2007, fls. 179 verso, apresentou o autuado impugnação tempestiva, de fls. 183/197. A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Rio de Janeiro– DRJ/RJOII, negou provimento a impugnação, nos termos do acórdão 1321.960, de 24 de outubro de 2008. Devidamente cientificado dessa decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário. É o relatório. Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/04/2013 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 18471.001642/200720 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.464 S2C2T2 Fl. 99 4 VOTO Conselheiro Pedro Anan Junior, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral pela utilização de dados obtidos com base em RMF. Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/04/2013 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 18471.001642/200720 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.464 S2C2T2 Fl. 100 5 Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/04/2013 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 18471.001642/200720 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.464 S2C2T2 Fl. 101 6 concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/04/2013 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 18471.001642/200720 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.464 S2C2T2 Fl. 102 7 parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/04/2013 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR
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Numero do processo: 10970.000168/2008-67
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
TRANSPORTADORA. SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGA. SUBCONTRATAÇÃO. RECEITA BRUTA PARA FINS DA LEGISLAÇÃO DO SIMPLES.
A Lei nº 9.317/96, vigente à época dos fatos geradores, considerava receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos (art.2º, §2º). A sociedade comprovadamente transportadora deve oferecer à tributação a totalidade da receita bruta auferida, ainda que posteriormente tenha subcontratado terceiros para a concretização do negócio jurídico de prestação de serviços de transporte.
Numero da decisão: 9101-001.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Relator
Participaram ainda do presente julgamento: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Orlando José Gonçalves Bueno (Suplente Convocado), José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz
Nome do relator: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 TRANSPORTADORA. SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGA. SUBCONTRATAÇÃO. RECEITA BRUTA PARA FINS DA LEGISLAÇÃO DO SIMPLES. A Lei nº 9.317/96, vigente à época dos fatos geradores, considerava receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos (art.2º, §2º). A sociedade comprovadamente transportadora deve oferecer à tributação a totalidade da receita bruta auferida, ainda que posteriormente tenha subcontratado terceiros para a concretização do negócio jurídico de prestação de serviços de transporte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Relator Participaram ainda do presente julgamento: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Orlando José Gonçalves Bueno (Suplente Convocado), José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz
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SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGA. SUBCONTRATAÇÃO. RECEITA BRUTA PARA FINS DA LEGISLAÇÃO DO SIMPLES. A Lei nº 9.317/96, vigente à época dos fatos geradores, considerava receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos (art.2º, §2º). A sociedade comprovadamente transportadora deve oferecer à tributação a totalidade da receita bruta auferida, ainda que posteriormente tenha subcontratado terceiros para a concretização do negócio jurídico de prestação de serviços de transporte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 01 68 /2 00 8- 67 Fl. 736DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10970.000168/200867 Acórdão n.º 9101001.427 CSRFT1 Fl. 722 2 Participaram ainda do presente julgamento: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Orlando José Gonçalves Bueno (Suplente Convocado), José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 737DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10970.000168/200867 Acórdão n.º 9101001.427 CSRFT1 Fl. 723 3 Relatório Trata o processo de autos de infração de exigências de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e Contribuição para a Seguridade Social (INSS), calculados sob a sistemática do Simples, decorrentes da constatação de que o autuado omitiu receitas, cujo montante não lhe permitiria permanecer no regime simplificado (infração 01), e de que teria efetuado recolhimentos a menor (infração 02). O contribuinte, inconformado com o acórdão nº 120100.202 (fls.629/631), proferido pela Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento, interpôs recurso especial de divergência (fls.644/661). O acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: “TRANSPORTE DE CARGA. A empresa que habitualmente contrata com interessados serviços de frete em nome próprio, que emite conhecimento de transporte em nome próprio e tem como objeto social exclusivamente a prestação de serviço de transporte, deve ser considerada transportadora, sendo irrelevante, para fins da qualificação jurídica dessa atividade, que o efetivo transporte seja realizado por terceiros subcontratados para esse fim. O preço ajustado com o subcontratado é custo para a contratante, custo esse que, para as empresas optantes pelo SIMPLES, não pode ser levado em conta no calculo tributos e contribuições devidos com base nessa sistemática.” O recorrente sustenta, em síntese: a) ao contrário do acórdão recorrido, os paradigmas demonstrariam que sua receita bruta limitarseia à diferença entre os valores recebidos e os transferidos a terceiros subcontratados; b) em se tratando de transporte de cargas com a utilização de terceiros, a receita bruta compreenderia apenas o valores a título de agenciamento, não o valor integral da operação; c) não se poderia permitir que a receita bruta contemplasse receitas não derivadas de sua atividade empresarial, sobretudo porque não incorporadas ao seu patrimônio; d) cheques efetuados a terceiros, subcontratados para a prestação dos serviços de transporte, comprovariam a composição da receita bruta, que se limitaria à diferença entre os valores recebidos e os montantes repassados a terceiros. Por meio do despacho de fls.709/711 admitiuse o recurso especial. Fl. 738DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10970.000168/200867 Acórdão n.º 9101001.427 CSRFT1 Fl. 724 4 A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) apresentou contrarrazões às folhas 715/719. Entende que o recorrente deixou de anexas as provas da alegada atividade de agenciamento, necessárias para infirmar a constatação de que incorrera em omissão de receitas em contratos de frete celebrado por conta própria e não em nome de terceiros. Além do mais, seu contrato social, que traz como objeto exatamente o transporte de cargas, e cópias de conhecimentos de transporte firmados em nome próprio permitiriam enquadrálo como transportador, não como agenciador nos moldes do art.710 do Código Civil. É o relatório. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10970.000168/200867 Acórdão n.º 9101001.427 CSRFT1 Fl. 725 5 Voto Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva , Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade do recurso especial, dele se toma conhecimento. A discussão submetida à este colegiado diz respeito apenas à infração 01, ou seja, à composição da receita bruta do contribuinte. Como antecipado no relatório, entende o recorrente que, por ter subcontratado a realização dos serviços de transporte por ele celebrados, sua receita limitarse ia à diferença entre os valores recebidos e os montantes repassados a terceiros, tendo agido como mero agenciador. Apesar de nesta instância, em regra não ser o palco para se apreciar provas, na espécie, para que se equacione a divergência de interpretação, tal tarefa é inevitável para que possa se decidir sobre a posição do sujeito passivo nos negócios jurídicos celebrados, e que ocasionaram a autuação. Ao contrário do que sustenta, é possível concluir dos autos que não resta qualquer dúvida sobre ter sido o sujeito passivo contratado como transportador, como bem posto no acórdão recorrido. Senão, vejamos, as seguintes provas: no contrato social (fl.157) e na sua consolidação (fl.159), consta expressamente que o objeto social limitase ao “transporte de cargas em geral”; na Declaração Simplificada de Pessoa Jurídica – Simples (fl.559/572) declara não ser contribuinte do ISS, o que contraria a alegação de mero intermediário; informa como Código da Atividade Econômico (CNAE Fiscal) o número 60.267/02, que corresponde a “Transporte rodoviário de cargas em geral, intermunicipal, interestadual e internacional”; além de declarar não ter auferido qualquer receita a título de prestação de serviços; Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas emitidos pelo próprio contribuinte (fls.92/154). Acrescentese ser inconteste o recebimento das receitas apontadas pela fiscalização, decorrentes de contratos de transporte celebrados pelo recorrente, que posteriormente resolveu valerse de terceiros para a realização dos serviços. Para fins de aplicação da Lei nº 9.317/96, que dispôs sobre o regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte e instituiu o Simples, “considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos” (art.2º, §2º). Fl. 740DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10970.000168/200867 Acórdão n.º 9101001.427 CSRFT1 Fl. 726 6 Sendo assim, em situações como a ora tratada, em que robusto é o acervo probatório que aponta convergentemente para o auferimento de receitas decorrentes de serviços contratados pelo próprio contribuinte (“operações de conta própria”), não há outra interpretação a ser conferida senão a de que, não obstante a alegada subcontratação, a receita bruta, para fins de tributação, deve ser a integralmente percebida. O fato de o recorrente ter adimplido os contratos de transporte mediante terceiros não interfere nas partes que celebraram tais negócios jurídicos. Os Conhecimentos de Transporte retratam os polos envolvidos. Dispõe a Lei nº 11.442, de 05/01/07: “Art. 6o O transporte rodoviário de cargas será efetuado sob contrato ou conhecimento de transporte, que deverá conter informações para a completa identificação das partes e dos serviços e de natureza fiscal.” Apesar de expressamente revogadas, para melhor entender as características dos Conhecimentos de Transporte é pertinente mencionar as disposições do Decreto nº 89.874, de 28/06/84, que tratavam, inclusive, da responsabilidade na hipótese de subcontratação: “Art. 14 O contrato de transporte rodoviário de bens estabelece as relações entre o usuário do transporte e o transportador comercial, obrigandose o transportador, mediante remuneração através de frete, a transportar os bens do local em que os receber até o local especificado para sua entrega. Parágrafo único Ao contrato de transporte aplicamse as normas e preceitos da legislação civil e comercial, bem como, na hipótese de transporte internacional de carga, tratados, convenções e acordos a que tenha se obrigado o Brasil. Art. 15 O Conhecimento de Transporte é o documento que formaliza o contrato de transporte, através do qual o transportador: I Obrigase a executar ou fazer executar o transporte de bens, do local em que os receber até o local designado para sua entrega ao destinatário, à pessoa para quem o Conhecimento de Transporte Rodoviário tenha sido devidamente endossado, ou ao portador do Conhecimento; II Assume responsabilidade pela execução do transporte, bem como pelos atos ou omissões de pessoas físicas ou jurídicas que, como seus subcontratados, agentes ou prepostos, intervêm na sua execução.” À luz do Código Civil, não se desconhece ser o transportador o responsável pela emissão do conhecimento de transporte, tendo responsabilidade pela condução da coisa até o seu destino: “Art. 744. Ao receber a coisa, o transportador emitirá conhecimento com a menção dos dados que a identifiquem, obedecido o disposto em lei especial. Fl. 741DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10970.000168/200867 Acórdão n.º 9101001.427 CSRFT1 Fl. 727 7 Parágrafo único. O transportador poderá exigir que o remetente lhe entregue, devidamente assinada, a relação discriminada das coisas a serem transportadas, em duas vias, uma das quais, por ele devidamente autenticada, ficará fazendo parte integrante do conhecimento. ..... Art. 750. A responsabilidade do transportador, limitada ao valor constante do conhecimento, começa no momento em que ele, ou seus prepostos, recebem a coisa; termina quando é entregue ao destinatário, ou depositada em juízo, se aquele não for encontrado.” Atualmente, a completa identificação dos subcontratados deve constar do próprio Conhecimento de Transporte, nos termos da Resolução nº 3.056, de 12/03/09, expedida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres, que dispõe sobre o exercício da atividade de transporte rodoviário de cargas por conta de terceiros e mediante remuneração: “Art. 23. O Conhecimento de Transporte é o documento que caracteriza a operação de transporte e deverá conter, no mínimo, as seguintes informações: I o número de ordem e da via; II o nome, a razão ou denominação social, CPF ou CNPJ, o RNTRC e o endereço do transportador emitente e dos subcontratados, se houver; III o nome, a razão ou denominação social, CPF ou CNPJ, e o endereço do embarcador, do destinatário e do consignatário da carga, se houver; IV o endereço do local onde o transportador receberá e entregará a carga; V a descrição da natureza da carga, a quantidade de volumes ou de peças e o seu peso bruto, seu acondicionamento, marcas particulares e números de identificação da embalagem ou da própria carga, quando não embalada ou o número da Nota Fiscal, ou das Notas Fiscais no caso de carga fracionada; VI o valor do frete, com a indicação do responsável pelo seu pagamento; VII o valor do Pedágio desde a origem até o destino; VIII a identificação da seguradora e o número da apólice do seguro e de sua averbação, quando for o caso; IX as condições especiais de transporte, se existirem; e X o local e a data da emissão. “ A respeito das cópias dos cheques acostados ao recurso especial, em nada auxiliam o recorrente. Quando muito, e, ainda assim, se acompanhadas de outros elementos de prova, podem representar pagamentos a pessoas físicas e jurídicas por ele subcontratadas para a realização dos serviços de transporte. Ou seja, podem indicar apenas o adimplemento de uma obrigação, sem efeitos fiscais no caso tratado nos autos. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10970.000168/200867 Acórdão n.º 9101001.427 CSRFT1 Fl. 728 8 A propósito, o colegiado que proferiu o acórdão recorrido estabilizou a valoração probatória com a seguinte conclusão: “...A recorrente não produziu nenhuma prova de que atuava como mera intermediária das transportadoras (...). Não trouxe nenhum contrato de agenciamento com as empresas transportadoras subcontratadas”. Por fim, para afastar as demais alegações do recorrente, valhome das considerações abaixo, extraídas do acórdão proferido pela Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, de lavra do agora Conselheiro da Primeira Seção de Julgamento do CARF, Marcelo Cuba Netto: “No mérito, o Novo Código Civil, ao tratar dos contratos de agência e distribuição, assim dispõe em seu art. 710: Art. 710. Pelo contrato de agência, uma pessoa assume, em caráter não eventual e sem vínculos de dependência, a obrigação de promover, a conta de outra, mediante retribuição, a realização de certos negócios, em zona determinada, caracterizandose a distribuição quando o agente tiver a sua disposição a coisa a ser negociada. (grifouse) Pela simples leitura do dispositivo legal acima transcrito, bem como dos que lhe sucedem (arts. 711 a 721 do NCC), fica claro que a qualificação jurídica da atividade econômica exercida pela autuada não é a de agenciamento de serviços de transporte. Isso porque, além de outras notas que também diferenciam a atividade efetivamente exercida pela defendente da atividade de agenciamento, a contribuinte celebra, por conta própria, e não em conta de terceiros, os contratos de frete com as empresas que desejam remeter seus produtos a outras localidades. Agenciamento de transporte existe, por exemplo, quando uma transportadora de cargas e/ou encomendas de âmbito regional, nacional ou mesmo internacional, celebra contrato com uma empresa local, cabendo à primeira a efetiva prestação, por conta própria, do serviço de transporte, e à última, a realização de venda do serviço aos interessados locais, a emissão dos conhecimentos de transporte em nome da transportadora, a realização da coleta e entrega das cargas e/ou encomendas desde o endereço indicado pelo interessado até o pátio da transportadora e viceversa, e a realização dos serviços de carga e descarga dos caminhões da transportadora. Nesse exemplo, de fato, a atividade econômica da empresa local é mesmo o agenciamento de transporte. Situação totalmente distinta é a que se passa com a ora impugnante. Presta ela, como se observa nos conhecimentos de fls. 92/154, serviços de transporte rodoviário de cargas em nome próprio, e não e nome alheio. O fato de subcontratar terceiros para realização do efetivo transporte das cargas em nada modifica essa situação. Em outras palavras, a operação em que a transportadora contrata o serviço de frete com o interessado, emite o respectivo Fl. 743DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10970.000168/200867 Acórdão n.º 9101001.427 CSRFT1 Fl. 729 9 conhecimento de transporte, e recebe, em nome próprio, o valor total constante daquele documento, caracteriza atividade de transporte. A eventual operação posterior, em que a transportadora contrata terceiro para a efetiva realização do serviço de frete, sem emissão de novo conhecimento de transporte, caracteriza subcontratação e não agenciamento.” Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial. (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Fl. 744DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO
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Numero do processo: 15540.000686/2009-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS.
É responsável pelo crédito tributário a pessoa que, embora não componha formalmente o quadro social da pessoa jurídica, possui a condição de sócio de fato, com poderes de gerência.
PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. MULTA QUALIFICADA.
É cabível a imposição de multa qualificada à hipótese de presunção legal de omissão de receita fundada em depósitos bancários cuja origem não tenha sido comprovada pelo sujeito passivo, desde que os elementos presentes nos autos sejam suficientes à comprovação da prática dolosa de um dos tipos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Inteligência da Súmula CARF nº 25.
Numero da decisão: 1201-000.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos recursos apresentados pela contribuinte e pelo responsável tributário. Ausentes os Conselheiros Rafael Correia Fuso e João Carlos de Lima Junior, tendo participado do julgamento o Conselheiro André Almeida Blanco (suplente convocado).
(documento assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e André Almeida Blanco.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Presumemse oriundos de receitas omitidas os recursos depositados em contas correntes bancárias de titularidade do sujeito passivo quando este, regularmente intimado para tanto, deixa de comprovar sua origem. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. É responsável pelo crédito tributário a pessoa que, embora não componha formalmente o quadro social da pessoa jurídica, possui a condição de sócio de fato, com poderes de gerência. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. MULTA QUALIFICADA. É cabível a imposição de multa qualificada à hipótese de presunção legal de omissão de receita fundada em depósitos bancários cuja origem não tenha sido comprovada pelo sujeito passivo, desde que os elementos presentes nos autos sejam suficientes à comprovação da prática dolosa de um dos tipos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Inteligência da Súmula CARF nº 25. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos recursos apresentados pela contribuinte e pelo responsável tributário. Ausentes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 06 86 /2 00 9- 45 Fl. 434DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15540.000686/200945 Acórdão n.º 1201000.955 S1C2T1 Fl. 3 2 os Conselheiros Rafael Correia Fuso e João Carlos de Lima Junior, tendo participado do julgamento o Conselheiro André Almeida Blanco (suplente convocado). (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e André Almeida Blanco. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Contra a contribuinte foram lavrados os autos de infração de fls. 05/08 e fls. 18/38, para exigência de IRPJ com base no lucro presumido, contribuição para o PIS, Cofins e CSLL relativos ao anocalendário de 2005. A autoridade tributária relata, resumidamente, o seguinte, no termo de constatação fiscal de fls. 09/16: a) o termo de início do procedimento fiscal foi recebido no domicílio tributário da contribuinte pelo Sr. Álvaro Barcelos Lourenço Ávila, que o assinou e declarou sua condição de gerente (fls. 48/49); b) o Sr. Jorge Ferreira Dias, que consta no contrato social da fiscalizada como sócio majoritário, foi convocado a prestar esclarecimentos acerca de sua participação na empresa, tendo então informado, entre outras coisas, que: (i) não se lembrava do ano em que ingressou na sociedade; (ii) à época, fora procurado para assumir a empresa, não tendo havido desembolso de capital em sua aquisição; (iii) não se lembrava a quem pertencia o imóvel onde funcionava a empresa, e que era o Sr. Álvaro Barcelos Lourenço Ávila que fazia pagamentos, recebimentos e toda movimentação do negócio; c) intimado, o HSBC, banco em que a contribuinte mantinha conta corrente, informou que todos os cheques acima de R$ 10.000,00 emitidos pela empresa foram assinados pelo Sr. Álvaro Barcelos Lourenço Ávila, o qual possuía procuração para fazêlo; d) os autos de infração foram lavrados em virtude de a contribuinte, intimada para tanto, não haver logrado êxito em comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas correntes bancárias; e) foi aplicada multa qualificada (150%) sobre o valor dos tributos e contribuições lançados, tendo em vista que o emprego de interposta pessoa na administração da empresa configura fraude; f) o Sr. Álvaro Barcelos Lourenço Ávila foi qualificado como responsável solidário pelo crédito tributário lançado, uma vez ser ele, de fato, o sóciogerente da empresa. O Sr. Jorge Fl. 435DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15540.000686/200945 Acórdão n.º 1201000.955 S1C2T1 Fl. 4 3 Ferreira Dias foi qualificado como responsável pelo crédito tributário, por sua participação no ato de interposição de pessoas. A exigência foi impugnada pela contribuinte e pelo Sr. Álvaro Barcelos Lourenço Ávila. Havendo a DRJ de origem decidido pela procedência do lançamento (fls. 316/320), a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário, pedindo, ao final, o cancelamento da exigência, sob as seguintes alegações, em síntese (fls. 325/335): a) os depósitos na conta corrente no HSBC estão todos inseridos no livro Diário apresentado no decorrer da fiscalização; b) a autoridade deixou de deduzir o IRPJ, PIS, Cofins e CSLL já pagos quando da apresentação da declaração de renda, o que caracteriza bis in idem; c) absurda a imposição da multa de 150%, já que já que não houve evidente intuito de fraude. Mesmo que, por amor ao debate, os depósitos na conta bancária do HSBC não estivessem contabilizados, ainda assim seria apenas a falta de lançamento e não fraude; d) caberia à fiscalização comprovar a origem dos depósitos realizados nas contas correntes bancárias; e) depósitos bancários não são, por si só, rendimento tributável, já que podem ter origem em transferência de capital e outros; f) são inconstitucionais os arts. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001; g) o Tribunal Federal de Recursos, através da Súmula 182, consolidou entendimento segundo o qual “é ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em depósitos bancários”. Na mesma linha tem decidido a Câmara Superior de Recursos Fiscais. Em 12/11/2010 esta Turma resolveu converter o julgamento em diligência a fim de que o Sr. Álvaro Barcelos Lourenço Ávila fosse cientificado da decisão de primeiro grau, para fins de pagamento ou interposição de recurso voluntário, haja vista que apenas a pessoa jurídica havia sido intimada para tanto. No retorno dos autos verificouse que a autoridade local, por engano, intimou novamente a pessoa jurídica, ao invés de intimar a pessoa física do Sr. Álvaro Barcelos Lourenço Ávila, como solicitado na diligência, razão pela qual o processo foi outra vez baixado para cumprimento da exigência. Regularmente intimado da decisão de 1º grau, o responsável tributário, Sr. Álvaro Barcelos Lourenço Ávila, apresentou recurso voluntário alegando, resumidamente, o seguinte (fls. 388/403): a) a autoridade fiscal deixou de deduzir os custos e despesas incorridos pela empresa e registrados em seus livros Diário e de Apuração do ICMS. Desconsiderou, também, o imposto de renda pago na DIPJ/2006, incidindo assim em bis in idem; b) a conta no HSBS está devidamente escriturada no livro Diário, sendo absurdo o fiscal ter considerado depósitos e investimentos realizados junto a esta instituição financeira como omissão de receitas; Fl. 436DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15540.000686/200945 Acórdão n.º 1201000.955 S1C2T1 Fl. 5 4 c) absurda também a imposição da multa qualificada, uma vez que a empresa escriturou todos os seus livros e contabilizou sua única conta corrente bancária; d) segundo a legislação em vigor, o ora recorrente não pode ser responsabilidade pela infração supostamente cometida pela pessoa jurídica; e) é inconstitucional o ato administrativo de lançamento ora combatido. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Dos Depósitos de Origem não Comprovada Sobre a omissão de receita caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada o art. 42 da Lei nº 9.430/96 assim estabelece: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) No caso a contribuinte, atendendo a intimação fiscal, apresentou os extratos de sua conta corrente bancária mantida junto ao HSBC, relativamente ao ano de 2005. Instada a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos ali depositados, a fiscalizada não o fez, motivo pelo qual a autoridade, corretamente, presumiu que tais recursos tiveram origem em receitas omitidas. Alega a interessada, primeiramente, que caberia à fiscalização comprovar a origem dos depósitos realizados nas contas correntes bancárias. Incorreta a afirmação pois, por se tratar de presunção legal, invertese o ônus da prova, cabendo então ao sujeito passivo, e não ao fisco, comprovar a origem dos recursos depositados em sua conta corrente bancária. Afirma ainda a interessada que a origem daqueles recursos está discriminada no livro Diário, apresentado no decorrer da fiscalização. Quanto a isso há que se dizer que no início da auditoria a fiscalizada informou não haver localizado os livros Diário, Caixa e Apuração do ICMS. O livro Diário agora referido pela contribuinte, alegadamente entregue no curso da ação fiscal, não se encontra juntado aos autos. Seja como for, o citado livro é insuficiente para provar a origem Fl. 437DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15540.000686/200945 Acórdão n.º 1201000.955 S1C2T1 Fl. 6 5 dos recursos depositados na conta corrente da empresa, sendo necessária também a apresentação dos documentos que ampararam os registros contábeis ali realizados, tal como solicitado pela fiscalização e até agora não juntados pela interessada. Diz ainda a interessada que depósitos bancários não são, por si só, rendimento tributável sendo ilegal o lançamento assim efetuado, tal como entendem o TFR por meio de sua Súmula 182, bem como a Câmara Superior de Recursos Fiscais. Também aqui não assiste razão à defesa. É que tanto a Súmula 182 do extinto TFR, quanto as decisões administrativas apontadas no voluntário, referemse a fatos geradores ocorridos antes do advento da Lei nº 9.430/96 cujo art. 42 expressamente legitimou o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Alega também a defesa que a autoridade fiscal deixou de deduzir dos tributos lançados os valores pagos ou declarados espontaneamente, bem como deixou de considerar as despesas e custos incorridos pela pessoa jurídica. Pois bem, no que toca aos tributos pagos ou declarados o demonstrativo de fl. 17 deixa claro que a autoridade promoveu a dedução ora contestada. Quanto aos custos e despesas é de se notar que o regime de apuração do IRPJ e da CSLL adotado pela contribuinte no ano de 2005 foi o lucro presumido, o qual não admite a dedução de custos e despesas efetivamente incorridos, haja vista estarem embutidos no coeficiente de presunção próprio da atividade da empresa. Por fim, no que concerne as alegações de inconstitucionalidade dos arts. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001 há que se registrar, de início, que os extratos bancários foram apresentados pela própria contribuinte, em atendimento à intimação fiscal, daí porque eventual declaração de inconstitucionalidade da referida Lei Complementar não maculará a exigência do IRPJ e reflexos. A instituição financeira somente apresentou, mediante requisição da fiscalização, os cheques de valor superior a R$ 10.000,00 emitidos (e não depositados) pela pessoa jurídica. Tal providência foi tomada pelo auditor com vistas a robustecer sua tese de que o Sr. Álvaro Barcelos Lourenço Ávila era sócio “de fato” da autuada. Seja como for, a teor do disposto no art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e na Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 3) Da Multa Qualificada Relativamente ao ano de 2005 a contribuinte, apesar de haver declarado em sua DIPJ/2006 ter auferido receita bruta da ordem de R$ 1.000.000,00, recebeu uma grande quantidade de depósitos em sua conta corrente bancária no HSBC que, somados, superam a cifra de R$ 40.000.000,00. Argumenta a defesa que, ainda que admitida a ocorrência da infração, não houve evidente intuito de fraude a ensejar a imposição da multa qualificada. Pois bem, a grande quantidade dos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, aliada a seu significativo montante, são evidências suficientes para me convencer, Fl. 438DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15540.000686/200945 Acórdão n.º 1201000.955 S1C2T1 Fl. 7 6 para além de qualquer dúvida razoável, que a omissão de receitas decorreu de dolo da contribuinte. Pois não é razoável admitirse que tenha sido fruto de mero erro ou negligência o fato de a pessoa jurídica deixar de comprovar a origem, não de uma dúzia de depósitos ao longo do ano de 2006, mas de centenas deles, os quais, somados, superam a vultosa quantia de R$ 40.000.000,00. Mas há mais. Restou cabalmente provado que o Sr. Jorge Ferreira Dias, que no contrato social da autuada consta como sócio gerente possuidor 95% de suas cotas, é em verdade interposta pessoa do Sr. Álvaro Barcelos Lourenço Ávila, verdadeiro “dono” da empresa. O termo de verificação fiscal é rico de informações acerca da interposição de pessoas em comento, sendo elucidativo destacar entre elas as seguintes: a) a fiscalização foi recebida pelo Sr. Álvaro Barcelos Lourenço Ávila que assinou o termo de início de fiscalização declaradose gerente da empresa. Foi verificado posteriormente que esta pessoa não possuía vínculo “formal” com a pessoa jurídica; b) em depoimento prestado à fiscalização o Sr. Jorge Ferreira Dias, sócio de direito, não soube prestar esclarecimentos simples acerca dos negócios da empresa; c) a pessoa jurídica está sediada em imóvel de propriedade da Imobiliária Fluminense de Niterói Ltda., cujos sócios são o Sr. Álvaro Barcelos Lourenço Ávila e o Sr. Álvaro Barcelos Lourenço Ávila Junior; d) todos os cheques emitidos pela autuada com valor superior a R$ 10.000.00 foram assinados pelo Sr. Álvaro Barcelos Lourenço Ávila; e) o Sr. Álvaro Barcelos Lourenço Ávila possui procuração onde lhe é outorgado plenos poderes para gerir a pessoa jurídica. Pois bem, a grande quantidade dos depósitos de origem não comprovada, cujo somatório é aproximadamente 40 vezes o valor da receita declarada no ano de 2005, aliada à interposição de pessoas, é suficiente para me convencer, para além de qualquer dúvida razoável, o evidente intuito da contribuinte em fraudar o fisco. 4) Da Responsabilidade Tributária As provas trazidas aos autos pela autoridade lançadora, examinadas no item anterior, são tão robustas que o Sr. Álvaro Barcelos Lourenço Ávila, acusado de ser “sócio de fato” da autuada, não as contestou. Limitouse a discutir questões meramente de direito. Pois bem, quanto à alegação de que a legislação não ampara seu enquadramento como responsável tributário é de se dizer que o art. 135, III, do CTN é claro ao dispor que é responsável pelos créditos tributários da pessoa jurídica o gerente que tenha agido com infração à lei, desde que dolosamente. Esse é exatamente o caso dos autos. O Sr. Álvaro Barcelos Lourenço Ávila, apesar de não figurar formalmente no contrato social da autuada, é “sócio de fato” com poderes de gerência. Havendo agido dolosamente, conforme visto no item anterior deste voto, tornouse responsável pelos créditos tributários devidos pela empresa. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15540.000686/200945 Acórdão n.º 1201000.955 S1C2T1 Fl. 8 7 No que concerne à alegação de inconstitucionalidade dos arts. 5º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001, reportome ao que já foi dito ao final do item 2 do voto. 5) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento aos recursos da contribuinte e do responsável tributário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 440DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 p or FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10880.979201/2009-73
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/12/2003
PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do crédito tributário.
Numero da decisão: 3803-006.071
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 21/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demes Brito, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ÔNUS DO CONTRIBUINTE. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. Compete ao contribuinte o ônus da prova mediante apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal e de documentos hábeis e idôneos à comprovação dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Corintho Oliveira Machado Presidente e Relator. EDITADO EM: 21/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demes Brito, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 92 01 /2 00 9- 73 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/05 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 01 e 02) relativa ao pagamento indevido ou maior de COFINS— cód. 2172, no montante de R$ 69,83, ocorrido em 13/07/2001, com débito próprio de PIS — cód. 8109. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 17/11/2005, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fl. 03, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada por inexistência do crédito. Segundo o Despacho Decisório o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade as fls. 07, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas: A requerente tem como objeto social o transporte rodoviário de cargas e na execução desses serviços seus veículos estão sujeitos ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras. Por força do artigo 2° da Lei n°10.209/2001, o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional ou rendimento tributável da empresa não constituindo base de incidência de contribuições social ou previdenciárias. Portanto os valores recebidos a titulo de pedágio pela Requerente, obrigatoriamente destacados no campo especifico do conhecimento de transporte rodoviário, conforme prevê o 5S' único do mesmo artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, não deveriam ter composto a base de cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Ocorre que por desconhecimento até então pela Requerente desse fato, os valores relativos ao pedágio vinham sendo considerados como receita da empresa e, conseqüentemente, incluidos na base de calculo de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Tendo tomado conhecimento da não incidência dos impostos federais sobre os valores recebidos a titulo de pedágio, a Requerente efetuou levantamento dos valores pagos a maior relativos ao prazo prescricional, e efetuou pedido de restituição conforme PER/DCOMP n°29527.05688.141105.1.2.045487, relativo ao período de Fl. 60DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/05 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.979201/200973 Acórdão n.º 3803006.071 S3TE03 Fl. 3 3 apuração jun/2001. Nesse período, conforme poderá ser constatado pela planilha anexa, foram destacados nos conhecimentos de transporte o valor correspondente a R$ 2.327,80, relativo ao pedágio, valor esse que não deveria ter integrado a base de cálculo do imposto. Sendo feita a verificação poderá ser constatado que o percentual do imposto aplicado sobre a diferença acima informada corresponde exatamente ao crédito pleiteado e compensado pela Requerente. A DRJ em SÃO PAULO I/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade ficando a decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/12/2003 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade, e requer conversão do julgamento em diligência a fim de que seja apurada a existência do seu direito creditório. A Repartição de origem encaminhou os presentes autos para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Relatado. Passase ao Voto. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/05 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O caso destes autos reflete situação análoga, da mesma recorrente, bastante discutida em reunião deste Colegiado, em outubro do ano passado, que teve por relatoria o eminente conselheiro Juliano Eduardo Lirani, processo nº 10880.979151/200924, em que por unanimidade de votos foi negado provimento ao recurso voluntário. Vale destacar trecho do relator daquele acórdão que merece aplicação neste momento: (...) Com efeito, de fato retirase da legislação acima citada que o pedágio não integra o valor do frete, logo num primeiro momento assiste razão ao contribuinte. Entretanto, o interessado, necessariamente, deve constituir prova do seu direito no processo administrativo fiscal, sob pena do colegiado indeferir o pleito formulado. Compulsando os autos, verificase que o contribuinte insiste no fato de que a relação dos conhecimentos de transporte perfaz prova suficiente para demonstrar o seu direito. Contudo, compreendo que não lhe assiste razão, uma vez que é indispensável a apresentação do Livro Razão e do Livro Diário, justamente com o objetivo de comprovar a existência dos pagamentos indevidos, pois mera relação dos conhecimentos de transportes não são suficientes para apurar do crédito. Quanto ao pedido de diligência, cumpre lembrar que precluiu o direito do sujeito passivo, com fundamento no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Ainda mais, quando o contribuinte não anexou nem mesmo indícios que lhes sejam favoráveis para que este relator se convencesse, ainda que ligeiramente, do direito creditório alegado. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso.(...) Posto isso, voto pelo DESPROVIMENTO do recurso voluntário. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 62DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/05 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.979201/200973 Acórdão n.º 3803006.071 S3TE03 Fl. 4 5 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 26/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 21/05 /2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11610.004650/2003-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/02/2003
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS COM CRÉDITOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS MEDIANTE CESSÃO. IMPEDIMENTO LEGAL
A Lei 10.637, de 2002, que alterou a redação do art. 74 da Lei 9.430, de 1996, impede a compensação de débitos com créditos de terceiros, alcançando o pedido apresentado neste processo, protocolado após sua vigência. Tampouco dispõe o contribuinte de medida judicial que ampare a compensação pleiteada neste processo.
Numero da decisão: 3401-002.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, em afastar a nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fernando Cleto Marques Duarte (relator), Jean Cleuter Simões Mendonça e Angela Sartori, que davam provimento. Designada a Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios para redigir o voto vencedor
assinado digitalmente
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
assinado digitalmente
FERNANDO DUARTE MARQUES CLETO DUARTE Relator.
assinado digitalmente
MÔNICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS - Redatora Designada
EDITADO EM: 10/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Mônica Monteiro Garcia de los Rios (suplente).
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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Recorrente ELIANE S.A REVESTIMENTOS CERÂMICOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 28/02/2003 NULIDADE. COMPETÊNCIA PARA APRECIAR PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Nos termos das instruções normativas vigentes, a competência para apreciar declaração de compensação é da unidade local da Receita Federal que tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do contribuinte. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2003 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS COM CRÉDITOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS MEDIANTE CESSÃO. IMPEDIMENTO LEGAL A Lei 10.637, de 2002, que alterou a redação do art. 74 da Lei 9.430, de 1996, impede a compensação de débitos com créditos de terceiros, alcançando o pedido apresentado neste processo, protocolado após sua vigência. Tampouco dispõe o contribuinte de medida judicial que ampare a compensação pleiteada neste processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, em afastar a nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fernando Cleto Marques Duarte (relator), Jean Cleuter Simões Mendonça e Angela Sartori, que davam provimento. Designada a Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios para redigir o voto vencedor AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 46 50 /2 00 3- 13 Fl. 286DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESA R ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS 2 assinado digitalmente JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. assinado digitalmente FERNANDO DUARTE MARQUES CLETO DUARTE Relator. assinado digitalmente MÔNICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Redatora Designada EDITADO EM: 10/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, Angela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Mônica Monteiro Garcia de los Rios (suplente). Relatório Trata o presente processo de Pedido de Compensação (fl. 01) no valor de R$461.990,74, cuja data do fato gerador é 28.2.2003. A contribuinte em epígrafe pretende compensar débitos com créditos de terceiros, no caso da Nitriflex S.A Indústria e Comércio. A empresa Nitriflex S.A Indústria e Comércio impetrou ação (nº 98.0016658 0) na Justiça Federal, Seção Judiciária do Rio de Janeiro, na qual foram reconhecidos créditos a seu favor. Essa mesma contribuinte impetrou Mandado de Segurança, visando compensar seus créditos com débitos de terceiros. O mandado de segurança impetrado originalmente na 5ª Vara Federal, em São João de MeritiRJ, em recurso de apelação, subiu ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2). A decisão proferida pelo TRF2 deu provimento ao Recurso (fls. 13/20), invalidando a limitação prevista na IN SRF nº 41/2000, que vedava a compensação com débitos de terceiros. Em 5.12.2005, a Delegacia da Receita Federal em Florianópolis/SC, através de Despacho Decisório, não homologou a compensação declarada neste processo, tendo em vista que a partir de 1º.10.2002, a legislação de regência das compensações, relativas a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, veda, expressamente, a compensação de débitos de uma contribuinte com crédito de terceiros, afirmando, também, a ementa do mesmo despacho decisório, que perde o objeto a decisão proferida em mandado de segurança, quando baseada em legislação que veio a ser revogada e substituída por outra. A contribuinte foi cientificada da decisão em 21.3.2006 e, em 28.3.2006, protocolou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que: a) Em 21.7.1998, a contribuinte Nitriflex S.A. Indústria e Comércio impetrou Mandado de Segurança para, em nome do princípio constitucional da não cumulatividade do IPI, obter reconhecimento de crédito desse imposto, na aquisição de matériasprimas, produtos Fl. 287DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESA R ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11610.004650/200313 Acórdão n.º 3401002.216 S3C4T1 Fl. 274 3 intermediários e materiais de embalagem, isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero, nos dez anos anteriores à impetração, tendo transitado em julgado em 18.04.2001, acórdão do TRF 2ª Região, favorável à pretensão do impetrante; b) Entende que a coisa julgada material impede a aplicação da Lei nº 10.637/2002, que limita a disponibilidade do crédito de IPI, porque, no caso, esse crédito foi reconhecido por decisão judicial transitada em julgado. A limitação legal apontada no Despacho Decisório só é aplicável aos créditos nascidos posteriormente à entrada da decisão em vigor e admitir o contrário resultaria no descumprimento de uma ordem judicial, no desrespeito à coisa julgada material e aos princípios da nãocumulatividade do IPI e da irretroatividade das leis; c) Foi proposto o Mandado de Segurança em questão para impedir que a IN SRF nº 41/2000 obstasse a livre disposição do crédito de IPI, conquistado em juízo, pelo estabelecimento Nitriflex S.A. Indústria e Comércio e as disposições da citada IN foram repetidas na IN nº 21/2002. Além disso, em 12.9.2003, transitou em julgado acórdão proferido pelo TRF da 2ª Região, confirmando o direito de livre disposição do crédito decorrente de decisão judicial, em causa; d) Com base no dispositivo previsto na IN SRF nº 600/2005, alega a incompetência da Delegacia da Receita Federal de Florianópolis/SC para decidir acerca das compensações em questão, uma vez que os créditos oferecidos como lastro provinham de terceiro, cujo domicílio tributário pertencia à jurisdição da Delegacia da Receita Federal de Nova Iguaçu/RJ; e) Mesmo tendo o Delegado de Nova Iguaçu trazido para si o deverpoder da homologação das compensações em questão, restandolhe o prazo dos arts. 48 e 49 da Lei nº 9.784/1999 para reconhecer tal homologação, temse que a homologação tácita ocorreu por decurso de prazo no dia 6.9.2005, já que o processo de homologação de nº 13746.000474/200501 foi instruído em 5.7.2005 e ainda se encontra sem decisão. Por todo o exposto, a contribuinte requereu a reforma do Despacho Decisório em discussão para que seja homologada a DCOMP apresentada, com a consequente extinção e baixa dos débitos compensados, com respeito aos quais pediu pela suspensão de exigibilidade, enquanto tramita a Manifestação de Inconformidade. Em 13.5.2009, a 2ª Turma da DRJ/RPO julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, em síntese, porque compensações declaradas a partir de 1º.10.2002, de débitos de sujeito passivo com crédito de terceiros, esbarram em inequívoca disposição legal, impeditiva de compensações da espécie. Sendo descabida a pretensão de legitimar compensações de débitos da requerente com crédito de terceiro, declaradas após 1º10.2002, pretensão essa fundada em decisão judicial, que afastou a vedação, outrora inexistente, em instrução normativa. Em 15.4.2010, a contribuinte foi cientificada da decisão e, em 6.5.2010, protocolou Recurso Voluntário, alegando, em síntese: a) A decisão proferida pela DRFB de Florianópolis/SC acarreta a nulidade de todos os atos posteriores. A Manifestação de Inconformidade foi interposta com base numa decisão nula e posteriormente foi julgada pela DRJ de Ribeirão Preto/SP. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESA R ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS 4 b) A decisão transitada em julgado proferida no Mandado de Segurança em questão afastou o óbice previsto na IN SRF nº 41/2000, sob a fundamentação de que a norma não poderia incidir nas compensações cujo crédito é resultante de fatos geradores anteriores à sua instituição. Neste contexto, qualquer legislação instituída posteriormente à data dos fatos geradores do crédito da Nitriflex não pode regular as compensações tributárias com ele efetuadas. c) A coisa julgada estabilizou entre a Nitriflex e o Fisco, relação jurídica segundo a qual o crédito de IPI, no tocante ao seu aproveitamento, sujeitase à legislação em vigor na época da ocorrência dos fatos geradores do crédito, ocorridos entre agosto de 1988 e julho de 1998. d) A norma não pode retroagir para limitar o aproveitamento do crédito de IPI da Nitriflex, sujeito à legislação em vigor na época da ocorrência dos fatos geradores. Por fim, a contribuinte requer a reforma do acórdão proferido de forma que seja acolhida a alegação de nulidade das decisões proferidas, uma vez que a competência absoluta para analisar as compensações efetuadas pela recorrente seria da DRFB de Nova Iguaçu/RJ. Caso não seja esse o entendimento desta Turma, requer a contribuinte que seja reconhecido e provido o Recurso Voluntário para que sejam homologadas as compensações tributárias efetuadas pela recorrente, com a consequente extinção e baixa dos débitos. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Fernando Duarte Marques Cleto Este recurso apresenta os requisitos de tempestividade e cumpre os pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Em suma, a contribuinte protocolou pedido de compensação de créditos de IPI cuja data do fato gerador é fev/2003. Não logrando êxito em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário onde defende a possibilidade de compensação débitos com créditos de terceiros. De imediato, analiso a preliminar suscitada pela recorrente, no sentido de que a decisão prolatada pela DRFB de Florianópolis/SC seria nula, visto que a competência absoluta para julgar a análise das compensações seria da DRFB de Nova Iguaçu/RJ, domicílio fiscal do detentor do crédito cedido. Conquanto se enxergue possível incompetência da DRFB de Florianópolis, devemos atentar para o quanto disposto no art. 59, parágrafo 3º, do Decreto 70.235/72, o qual abaixo transcrevo: “Art. 59 – São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 289DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESA R ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11610.004650/200313 Acórdão n.º 3401002.216 S3C4T1 Fl. 275 5 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta”. Ressaltase que é notório que julgamento do mérito deste processo, nesta Sessão, está de acordo com o princípio da duração razoável do processo, tutelado pela nossa Carta Maior (art. 5º, inc. LXVIII), bem como do princípio da economia processual. Assim, uma vez que entendo assistir razão à contribuinte, portanto minha decisão, no mérito, será a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, afasto, pois, a preliminar suscitada. Passo, agora, a enfrentar o mérito. A cessão de crédito é instituto do direito civil, regulamentado pelo art. 286 do Código Civil brasileiro, que abaixo transcrevo, o qual dispõe que o credor pode ceder o seu crédito a terceiro desde que não seja contrário à natureza da obrigação, à lei ou à convenção com o devedor. “Art. 286. O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boafé, se não constar do instrumento da obrigação.” No caso em tela, o crédito tributário oriundo de decisão transitada em julgado em ação ordinária pode ser perfeitamente objeto de contrato de cessão, pois não se opõe à natureza da obrigação, à lei ou convenção. É importante mencionar a vedação legal vigente em relação à compensação de débitos tributários com créditos adquiridos de terceiros mediante cessão, conforme dispõe o art. 74, § 12, Inc. II, alínea “a” e “b” da Lei nº. 9.430/96, que transcrevo abaixo (grifamos): “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) Fl. 290DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESA R ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS 6 § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no § 3o deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do DecretoLei no 491, de 5 de março de 1969; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004)” Contudo, o presente recurso merece ser provido, já que, in casu, deve ser observada a legislação em vigor à época do ajuizamento da ação, Lei 9.430/96, isto é, a vedação instituída pelas Leis 10.637/02 e 11.051/04 não se aplica à situação da recorrente. Além do mais, a decisão judicial proferida a favor da Nitriflex, no sentido de que seus créditos possam ser compensados com débitos de terceiros, há de ser cumprida. No sentido do expendido, o TRF da Segunda Região já se pronunciou afastando a aplicação da Lei 10.637/02 e seguintes na compensação do crédito da própria Nitriflex com débitos de terceiros, numa situação similar a esta, conforme se pode observar no seguinte julgado: “APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. DIREITO À COMPENSAÇÃO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. COISA JULGADA. COMPENSAÇÕES CONSIDERADAS NÃO DECLARADAS. EFEITO SUSPENSIVO DAS MANIFESTAÇÕES DE INCONFORMIDADE. A impetrante, amparada por decisões judiciais e administrativas definitivas, efetuou, entre os anos de 2005 e 2009, compensações tributárias de débitos próprios com crédito de IPI cedido pela empresa Nitriflex S/A Indústria e Comércio, gerando o PA nº 10980.010640/200516 e os apensos 10980.011274/200512 e 10980.00871/200775. In casu, houve decisão judicial (fls. 178), proferida nos autos da Apelação em Mandado de Segurança nº 024199/RJ, que reconheceu o direito ao crédito de IPI à empresa coligada NITRIFLEX S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO, referente a fatos geradores ocorridos entre 1988 e 1998, transitada em julgado em 18/04/2001 (fls. 186). Tal crédito foi homologado administrativamente no PA nº 10735.0000019918 (fls. 381/385), e transferido à Impetrante, com amparo na decisão judicial proferida nos autos dos Embargos de Declaração em Embargos de Declaração, na Apelação em Mandado de segurança nº 40852 (Origem MS nº 2001.51.10.0010250), transitada em julgado em 12/09/2003 (fls. 389). Com efeito, a decisão administrativa impugnada considerou como não declarada a compensação com base na alínea 'a' do inciso II do § 12 do artigo 74 da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei 11.051/04. OCORRE, PORÉM, QUE A VEDAÇÃO INSTITUÍDA PELAS LEIS 10.637/02 E 11.051/04 NÃO SE APLICA À SITUAÇÃO DA IMPETRANTE, QUE EXERCEU DIREITO RECONHECIDO NO MS 98.00166580, EM 16/12/1998, CUJO ACÓRDÃO TRANSITOU EM JULGADO EM ABRIL DE 2001. Embora, naquela ação não tenha sido reconhecido, expressamente, o direito da NITRIFLEX, titular do crédito, de Fl. 291DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESA R ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11610.004650/200313 Acórdão n.º 3401002.216 S3C4T1 Fl. 276 7 repassálo a terceiros. A CESSÃO DO CRÉDITO A TERCEIROS, ENTRE OS QUAIS A AUTORA, FOI DEFERIDA JUDICIALMENTE NO MS 2001.51.10.0010250, NO EXAME DA AMS 2001.02.01.0352326, PELO TRF/2, EM 16/09/2002, COM TRÂNSITO EM JULGADO EM 26/08/2003. NO CASO, PREVALECEU, PORTANTO, A TESE DA IRRETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO LIMITADORA DO DIREITO À PLENA DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO, PARA ALCANÇAR FATOS CONSUMADOS SOB A ÉGIDE DE NORMAS QUE O GARANTIAM EXPRESSAMENTE, A SABER, ARTIGO 170 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL E ARTIGOS 73 E 74 DA LEI Nº 9.430/96, REGULAMENTADOS PELA IN/SRF 21/97. Portanto, reconhecida a coisa julgada em relação à existência de crédito de IPI da empresa NITRIFLEX S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO, bem como em relação à possibilidade de transferência desse crédito a terceiros, no caso a Impetrante, impõese o afastamento da vedação do § 13 do art. 74 da Lei nº 9/430/96, para permitir o processamento da manifestação de inconformidade da Impetrante, com suspensão da exigibilidade dos créditos tributários discutidos no processo administrativo nº 10980.010640/200516 e os apensos 10980.011274/200512 e 10980.00871/200775. Remessa necessária e apelação improvidas”.(grifo meu) (MS 2001.51.10.0010250 Col. 4ª Turma do TRF da 2ª Região Relator: Luiz Antonio Soares) Vale ressaltar que esta decisão, que afastou a aplicação da Lei 10.637/02, foi proferida pelo mesmo órgão julgador que prolatou a decisão definitiva deferindo a compensação de crédito com débito de terceiros, tendo reafirmado esse direito com relação a compensações realizadas posteriormente (este entendimento foi reiterado, ao menos, por mais duas vezes: nas apelações n.º 2008.51.10.0007785 e 2008.51.10.0014054, publicados em 14/01/2013). Frente a todo o exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo o direito da contribuinte de efetuar a compensação requerida, devendo, no entanto, a autoridade responsável verificar se os créditos são suficientes para tal compensação. É como voto! Sala das Sessões, em 23 de abril de 2013. assinado digitalmente Fernando Duarte Marques Cleto – Relator. Voto Vencedor Com a devida vênia, divirjo do ilustre relator quanto à consignação, em seu voto, de que a DRF de Florianópolis seria incompetente para não homologar a compensação em foco, e também quanto ao mérito. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESA R ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS 8 Da alegada incompetência da DRF/Florianópolis O Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiro de fls. 01 foi apresentado pela então Maximiliano Gaindzinski S/A – Ind. de Azulejos Eliane em 2003, quando, administrativamente, não existia mais previsão para a compensação com créditos de terceiros, pois já se encontrava vigente a Lei 10.637, de 20021, e IN SRF 210, de 2002, que vedavam tal compensação. O pedido de compensação foi analisado pela DRF de Florianópolis em 5/12/2005 (fls. 31 a 34), quando vigia a IN SRF 460, de 2004. Vejamos os comandos das mencionadas instruções no que diz respeito à competência para apreciação de declarações de compensação: IN SRF 210, de 2002, art. 31 § 5º A homologação de Declaração de Compensação apresentada pelo sujeito passivo à SRF será promovida pelo titular da DRF, Derat ou Deinf que, à data do despacho de homologação, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do sujeito passivo, observado, quanto ao reconhecimento do direito creditório, o disposto no § 6º. IN SRF 460, de 2004 Art. 47.A homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo à SRF será promovida pelo titular da DRF, da Derat ou da Deinf que, à data da homologação, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. Percebese que as instruções normativas remetem à unidade da Receita Federal que tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo a competência para pronunciarse sobre a declaração de compensação, ou seja, para homologar, ou nãohomologar, a compensação declarada. No caso, o pedido de compensação foi apresentado pela Maximiliano Gaindzinski S/A – Ind. de Azulejos Eliane, CNPJ 86.532.538/000162 na Derat/São Paulo, indicando débitos da Eliane, que, à época da apresentação do pedido, situavase no município de São Paulo. Quando da apreciação do pleito foi verificado que ocorrera mudança do domicílio tributário do contribuinte (Eliane) para o município de Cocal do Sul, em Santa Catarina, jurisdicionado pela ARF/Crisciúma/SC e, por conseqüência, pela DRF/Florianópolis. Importante observar que as instruções que vigiam quando da apresentação do pedido de fls. 01 não mais traziam os procedimento, nem estabeleciam competências, para análise de pedidos de compensação de créditos com débitos de terceiros, pois, administrativamente, tal modalidade de compensação deixou de existir com a publicação da IN SRF 41, de 2000. Isso, por certo, gerou dúvidas quanto à competência para a prática dos atos relativos a solicitações sem previsão, tanto por parte do Fisco quanto do contribuinte. 1 Art. 49. O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 74 O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos PRÓPRIOS relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (realce não original) Fl. 293DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESA R ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11610.004650/200313 Acórdão n.º 3401002.216 S3C4T1 Fl. 277 9 A Recorrente insiste em aplicar as regras definidoras de competência da IN 21, de 1997, que remetia à unidade de origem de jurisdição sobre o estabelecimento detentor do crédito a competência para pronunciarse sobre pedidos de compensação atrelados ao crédito. Todavia, entendo que essa não é uma solução cabível a este imbróglio, visto não ser possível aplicar legislação que já havia sido revogada antes da apresentação do pleito. No caso, quando da apresentação do pedido de fls. 01 já vigia a IN SRF 210, de 2002, que, por óbvio, não definia competência específica para apreciação de declaração de compensação lastreada em créditos de terceiros, definindo a competência para apreciar a compensação, regra geral, à unidade de jurisdição do sujeito passivo que apresentar a declaração. Portanto, não há que se falar em incompetência da DRF de Florianópolis ao proferir o Despacho Decisório que nãohomologou a compensação tratada nestes autos. Superada essa questão preliminar, necessário adentrar no exame do mérito. Do alcance das ordens judiciais envolvidas no litígio Em princípio, importa ressalvar que não está em discussão o direito da Nitriflex S/A Indústria e Comércio aos créditos obtidos mediante ação judicial transitada em julgado (Mandado de Segurança processo 98.00166580). A celeuma travada nestes autos diz respeito ao direito de utilização desses créditos da Nitriflex pela Eliane S/A, por tratarse de compensação com débitos de terceiros solicitada após a vigência da Lei 10.637, de 2002, que vedou tal modalidade de compensação. Diversamente do que alegou a Recorrente em seu recurso voluntário, o MS 98.00166580, que transitou em julgado, não “tornou líquida e certa a possibilidade jurídica de a empresa dispor de forma livre do seu crédito”, o que, no seu entender, teria lhe garantido o direito de transferir seus créditos a terceiros para compensação de débitos destes últimos. Diversamente, o direito que lhe foi garantido foi o de compensar o “crédito presumido” do IPI com o imposto a recolher ao final do processo industrial. Diante disso, e não apenas para “resguardar” direito já reconhecido, a Nitriflex buscou a tutela judicial pleiteando o direito de utilizar os créditos oriundos do citado MS na compensação de débitos de terceiros. Tal demanda foi travada nos autos do Mandado de Segurança 2001.51.10.0010250, cujo pedido foi para assegurar “o direito líquido e certo da impetrante de transferir o citado crédito para terceiros, ainda que não optantes pelo REFIS, sendo afastada a limitação imposta pela Instrução Normativa SRF nº 41 de 04/04/00”. O Acórdão do TRF da 2ª Região, de 16/09/2002 (autos do MS 2001.51.10.0010250, exame da AMS 2001.02.01.0352326), transcrito pelo ilustre relator em seu voto, foi favorável à impetrante (Nitriflex). Essa decisão mencionou, expressamente, que a vedação instituída pelas Leis 10.637, de 2002, e 11.051, de 2004, não se aplicaria à situação da Nitriflex, que teve reconhecido o direito à cessão de créditos a terceiros para compensação de débitos destes antes da vigência da Lei 10.637. Entendeu o magistrado que estaria ocorrendo retroatividade da legislação restritiva posterior, atingindo, indevidamente, o alcance da coisa julgada. Todavia, essa decisão favorável à Nitriflex, proferida pelo TRF da 2ª Região em 16/09/2002, transitada em julgado em 12/09/2003 (MS 2001.51.10.0010250), tratou de pedido de compensação discutido no processo administrativo 10980.010640/200516, que é Fl. 294DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESA R ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS 10 relativo a outra empresa (não é da Eline). Ou seja, a Recorrente não dispõe de ordem judicial que ampare a compensação pleiteada neste processo. Partindo dessa constatação concluise que a nãohomologação da compensação tratada neste processo não representa desrespeito aos comandos judiciais obtidos até a presente data. Isso permite adotar o entendimento do Fisco e da DRJ de Ribeirão Preto, ao qual me filio, de que a compensação solicitada nestes autos não encontra amparo legal, em virtude da vedação imposta pelo art. 49 da Lei 10.637, que deu nova redação ao art. 74 da Lei 9.430, de 1996. Com essas considerações, voto por afastar a nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, para manter a nãohomologação da compensação solicitada à fl. 01. assinado digitalmente Mônica Monteiro Garcia de los Rios Redatora Designada Fl. 295DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por JULIO CESA R ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS
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Numero do processo: 16643.000061/2010-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 07/05/2005 a 20/12/2005
PROGRAMAS DE COMPUTADOR. LICENÇA DE USO. COMERCIALIZAÇÃO. IMPORTAÇÃO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR.
Até 31 de dezembro de 2005, a empresa signatária de contratos de cessão de licença de uso e de direitos de comercialização de programa de computador (software), independentemente de estarem atrelados à transferência de tecnologia, era contribuinte da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico relativamente às remessas efetuadas ao exterior.
CIDE. BASE DE CÁLCULO. IRRF.
O imposto de renda na fonte devido pelo beneficiário, cujo ônus tenha sido assumido pela pessoa jurídica detentora de licença de uso compõe a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, por integrar o valor da remuneração paga.
Numero da decisão: 3201-001.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Daniel Mariz Gudino e Luciano Lopes de Almeida Moraes. O Conselheiro Daniel Mariz Gudino redigirá declaração de voto.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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LICENÇA DE USO. COMERCIALIZAÇÃO. IMPORTAÇÃO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR. Até 31 de dezembro de 2005, a empresa signatária de contratos de cessão de licença de uso e de direitos de comercialização de programa de computador (software), independentemente de estarem atrelados à transferência de tecnologia, era contribuinte da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico relativamente às remessas efetuadas ao exterior. CIDE. BASE DE CÁLCULO. IRRF. O imposto de renda na fonte devido pelo beneficiário, cujo ônus tenha sido assumido pela pessoa jurídica detentora de licença de uso compõe a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, por integrar o valor da remuneração paga. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Daniel Mariz Gudino e Luciano Lopes de Almeida Moraes. O Conselheiro Daniel Mariz Gudino redigirá declaração de voto. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 00 61 /2 01 0- 21 Fl. 6746DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo baixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida Cuida o presente processo da lavratura – contra o sujeito passivo em epígrafe – do Auto de Infração às fls. 287 a 291, cuja ciência ocorreu em 9/4/2010 (fl. 314), sendo constituído o crédito tributário no valor total de R$6.637.937,07, que inclui contribuição, juros de mora (calculados até 31/3/2010) e multa, relativamente à contribuição de intervenção no domínio econômico – remessas ao exterior (CIDE), cujo período de apuração se refere a 7/7/2005 a 20/12/2005; bem como a descrição dos fatos e enquadramento legal constam às fls. 291, 297 e 311. Constam às fls. 292 a 297 demonstrativos anexos ao Auto de Infração; às fls. 300 a 312, o Termo de Verificação Fiscal. 2. No Termo de Verificação Fiscal, consta a ocorrência de irregularidades fiscais, verificadas pela Autoridade a quo durante a realização da ação fiscal, iniciada em 21/9/2009 (fl. 300). Eis, abaixo, fragmentos de texto que constam nesse documento oficial: 2.1. Consta às fls. 300 e 301: Consiste a fiscalizada em uma sociedade por quotas de responsabilidade limitada, cujos objetivos sociais são: produção, desenvolvimento, licenciamento e/ou cessão de direitos de uso de programas de computador (software); instalações de programas; implantação de programas e aplicações; treinamento de pessoal; análise e processamento de dados; suporte e manutenção de programas de computador; importação e exportação de programas de computador; tradução, publicação e comercialização de periódicos, livros, manuais, impressos e material didático em geral; intermediação de negócios relativos à sua área de atuação; participação no capital social de outras empresas; comércio de móveis, utensílios e suprimentos de informática; e comercialização e representação de computadores e microcomputadores, inclusive similares, acessórios periféricos, partes e peças, com preponderância da atividade de desenvolvimento de software sob encomenda e outras consultorias em software ,conforme preceitua o instrumento particular de 17ª alteração contratual (à fl. 25). 2.2. Consta à fl. 302: A CIDE foi instituída pelo art. 2° da referida Lei, alterado pela Lei n° 10.332, de 19/12/2001, nos seguintes termos: Fl. 6747DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000061/201021 Acórdão n.º 3201001.518 S3C2T1 Fl. 2.319 3 "Art. 20 Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (...) §2° A partir de 1° de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer titulo, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (redação dada pela Lei n° 10.332/2001). (grifos não originais) Como se vê, a partir de 1° de janeiro de 2002, ampliouse as hipóteses de incidência da CIDE, através da inclusão das remessas ao exterior a titulo de serviços técnicos, de assistência administrativa e semelhantes, e de royalties "a qualquer titulo", [...] 2.3. Consta às fls. 303 e 304: Sendo assim, o fato gerador da CIDE é a remessa de divisas para o exterior para pagamentos relativos aos contratos a que se refere a Lei n° 10.168/2000, com a nova redação dada pela Lei n° 10.332/2001, dentre eles, o de royalties. Uma das atividades desenvolvidas pela empresa Brasoftware Informática Ltda. é a de licenciamento e cessão de direitos de uso de programas de computador (software), atividade esta que é objeto de contratos celebrados com as empresas Microsoft Licensing G.P., estabelecida em Reno, Nevada, EUA, e Software Spectrum, estabelecida em Garland, Texas, EUA (fls. 111 a 157). Com base nos referidos contratos, no período de julho de 2005 a dezembro de 2006, a empresa efetuou remessas as empresas norteamericanas (conforme planilha de fl. 168 e contratos de câmbio de 2005 as fls. 48 a 110), em contraprestação pelo direito de comercialização e distribuição de programas de computador de autoria das empresas estrangeiras, importâncias essas que, pela sua natureza, caracterizamse como royalties. O contribuinte da CIDERemessas é a fonte pagadora do rendimento localizado no Brasil, conforme determinado no caput do art. 2° da Lei nº 10.168/2000, com a nova redação dada pela Lei n° 10.332/2001, ou seja, a empresa fiscalizada. [...] No "Dicionário de Economia", Editora Bloch, Arthur Seldon define royalty da seguinte maneira. Fl. 6748DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI 4 "ROYALTY. Pagamento feito, por uma pessoa, física ou jurídica, ao dono de propriedade ou ao criador de um trabalho original, para o privilégio de explorálo comercialmente. É, essencialmente, um método de partilhar o rendimento das vendas de um produto entre os que concorrem com o financiamento e a habilidade de comercialização e os que contribuem com a propriedade intelectual sob a forma de uma realização original." (grifo não original)." Em outras palavras, o criador da obra transfere a outrem a possibilidade de explorála, mediante uma paga — os royalties, justificada em função do potencial proveito econômico obtido pelo adquirente da obra. Do ponto de vista tributário, segundo o que consta no Decreto n° 355, de 2 de dezembro de 1.991, artigo 12, item 3, o termo royalty designa pagamentos de qualquer natureza efetuados em contrapartida pelo uso ou pelo direito ao uso de direitos autorais sobre obra literária, artística ou cientifica (inclusive filmes cinematográficos, filmes ou fitas para transmissão de radio ou televisão); sobre qualquer patente, marca de indústria ou de comércio, desenho ou modelo, plano, fórmula ou processo secretos; ou pelo uso ou pelo direito ao uso de equipamento industrial, comercial ou cientifico; ou pela informação relativa a experiência industrial, comercial, ou cientifica. Com efeito, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a empresa fornecedora das licenças de uso de softwares fora do pais, correspondem a pagamentos de royalties a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. Bem antes disso, a Lei n°4506, de 30/01/1964, embora tratar de imposto de renda de pessoas físicas, já classificava os direitos autorais como royalties em seu artigo 22. A Instrução Normativa SRF n° 252, de 03 de dezembro de 2002, que dispõe especificamente sobre o imposto de renda na fonte devido por pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, também classifica a exploração de direitos autorais como espécie de royalty [...] 2.4. Consta à fl. 305: Em que pese a fiscalizada afirmar reiteradamente nas ocasiões em que prestou esclarecimentos a esta fiscalização (fls. 6 a 22; 162 a 167; e 242 a 245), que os valores que remeteu ao exterior não podem ser considerados como royalties, os contratos que ensejaram tais remessas (fls. 111 a 157) têm por objeto direito de comercialização e licenciamento de softwares produzidos pelas empresas estrangeiras, ou seja, exploração comercial sujeita a pagamento de royalties. Outrossim, os respectivos contratos de câmbio (fls. 48 a 110) comprovam que TODAS as operações de câmbio foram fechadas com código de natureza 48110, o qual referese a "exportação de serviços / direitos autorais sobre programas de computador". Fl. 6749DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000061/201021 Acórdão n.º 3201001.518 S3C2T1 Fl. 2.320 5 A empresa [...] não recolheu qualquer valor relativo à CIDE, cuja responsabilidade e encargo cabem à empresa que efetuou as remessas, ou seja, a fiscalizada. 2.5. Consta à fl. 308: [...] os softwares "de prateleira" ou "cópias múltiplas" recebem tratamento de "mercadoria" e possuem as seguintes características: a) Fabricados em larga escala b) De livre comercialização no mercado C) Incorporados ao meio físico (CD / DVD) d) Comercializados no varejo e) Sofrem incidência do ICMS, do IPI e do II A situação in casu não guarda correspondência com o conceito [de software “de prateleira”] [...], uma vez que, conforme esclarecido às fls. 243 e 244 o cliente recebe apenas uma cópia do software e o instala em diversas máquinas, tantas quanto houver pactuado no contrato de licença. Portanto, na essência, tratase claramente de prestação de serviço e não de venda de mercadoria, uma vez que o cliente adquire o direito de uso da obra intelectual propriamente dita, e não um bem material. Ademais, a comercialização dos softwares objeto da presente fiscalização não se dá através do varejo, dáse por meio de contratos de sublicenciamento de "Grandes Contas" (expressão utilizada nos contratos) que podem abranger centenas ou milhares de instalações através de apenas uma cópia matriz ("máster copy"), sendo que atualmente, como informa o fiscalizado (fls. 243) sequer há a necessidade de transitar pelo meio físico, pois os "kits" são recebidos pelo cliente eletronicamente por meio da ferramenta denominada "Digital by Choice". Outrossim, o fato dos softwares não se constituírem em bem físico faz com que não sofram incidência dos impostos aduaneiros, conforme a própria fiscalizada confirmou em resposta à sexta pergunta do Termo de Intimação n ° 05 (fls. 244), reforçando ainda mais o entendimento de que se trata de serviços e não de mercadorias. Por fim, ainda cabe observar que a própria norma que dispõe sobre o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), Lei Complementar n° 116, de 31/07/2003, (Lista de Serviços Anexa), trata a cessão de direito de uso de software como serviço, como se vê: "1 Serviços de informática e congêneres. (...) Fl. 6750DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI 6 1.05 Licenciamento ou cessão de direito de uso de programas de computação." 2.6. Consta à fl. 309: [...] em 28/02/2007, data em que a Lei n° 11.452 foi publicada, os softwares comercializados sem transferência de tecnologia foram retirados do campo de incidência da CIDE, com efeitos retroativos a 1°/01/2006. Considerando que a lei foi clara em relação ao inicio de seus efeitos, não pode o contribuinte interpretála de forma mais ampla a seu favor, estendendo seus efeitos benignos por prazo indeterminado. Tal dispositivo veio sedimentar o entendimento de que havia incidência da CIDE sobre a remuneração por direitos de comercialização e distribuição de programas de computador sem transferência de tecnologia até 2005, pois, do contrário, não haveria razão para a lei delimitar especificamente os efeitos daquele dispositivo. Deste modo, por tudo aqui exposto e com base na legislação vigente, podemos concluir que no período compreendido entre 01/07/2005 e 31/12/2005, os valores remetidos pela empresa Brasoftware Informática Ltda. às empresas Microsoft Licensing G.P. e Software Spectrum, sediadas nos Estados Unidos, a titulo de remuneração pela comercialização de licença de uso de programas de computador (software), estão sujeitas ao pagamento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE). 2.7. Consta à fl. 311: A base de cálculo da CIDE é o valor efetivamente pago, creditado, entregue, empregado ou remetido a residente ou domiciliado no exterior, ainda que a fonte pagadora brasileira tenha assumido o ônus do Imposto de Renda Retido na Fonte, o que não ocorreu no caso em tela, uma vez que a fiscalizada efetuou as retenções e remeteu o valor liquido, tendo a empresa estrangeira suportado o encargo do IRRF. Com base nos valores constantes dos contratos de cambio e lançados na contabilidade, [discriminaramse à fl. 311] [...] os valores devidos relativos à CIDE: [...] A ação fiscal ora relatada tem como embasamento legal: Artigos 2° e 3° da Lei n° 10.168, de 29/12/2000, Artigo 6° da Lei n° 10.332, de 19/12/2001, Artigos 20 e 21 da Lei n° 11.452, de 27/02/2007. [...] Fl. 6751DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000061/201021 Acórdão n.º 3201001.518 S3C2T1 Fl. 2.321 7 Os valores relacionados no item 5, que totalizam R$ 2.937.758,19, serão objeto de lançamento de oficio, acrescidos da multa prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96, bem como dos correspondentes juros de mora. 3. Irresignada com os lançamentos, em 10/5/2010 (fl. 320), apresentou a Contribuinte Impugnação às fls. 320 a 371, acompanhada de documentos juntados aos autos, e, valendose de doutrina e jurisprudência pátria, em síntese, assim se manifesta : 3.1. Consta às fls. 320 e 321: [...] [inicialmente, requer a Contribuinte que] seja decretado o cancelamento do Auto de Infração e Intimação [...] nos termos das razões abaixo transcritas. Requer, ainda, que eventuais notificações, intimações correspondências de qualquer ordem relativas ao presente processo, sejam encaminhas ao endereço da empresa, supra declinado, e também, por cópia, ao escritório de seu(s) advogado(s) [...]. 3.2. Consta à fl. 322: [...] [a Contribuinte] no exercício de suas atividades firmou contrato de comercialização, sem exclusividade, com a Microsoft Lincensing GP, com estabelecimento em [...] USA, vinculada a Microsoft Corporation, contrato este que concedeu direito à ora Impugnante de comercializar e fornecer programas de computador da referida empresa norte americana, conforme cópia do contrato e seus anexos em sua língua original e também traduzido para a língua pátria por Tradutora Pública e Intérprete Comercial juntados à presente defesa [...]. [...] Também com o mesmo objeto comercial firmou contrato com a SOFTWARE SPECTRUM. Por conta desses contratos com a Microsoft e a SPECTRUM, a Impugnante fez várias remessas ao exterior no ano de 2005, fazendo o respectivo pagamento do Imposto de Renda retido na Fonte sobre rendimentos pagos a beneficiários residentes no exterior. [negrejouse nesta transcrição] Contudo, o ilustre auditor fiscal autuante entendeu, equivocadamente, que seria devido a Contribuição sobre Intervenção no Domínio Econômico — CIDE sobre essas remessas, o que resultou na lavratura indevida do Auto de Infração que ora se impugna. [negrejouse nesta transcrição] 3.3. Consta à fl. 324: Fl. 6752DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI 8 [...] ao fundamentar a sua autuação, [...] [a Autoridade Fiscal] se perde nas várias hipóteses de incidência e na efetiva atividade comercial da Impugnante. Ora fala em "licenciamento e cessão de direitos de uso de programas" (2° parágrafo da página 4 do Termo de Verificação Fiscal), ora em contraprestação pelo direito de comercialização e distribuição de programas de computador de autoria de empresas estrangeiras ( parágrafo 3° da página 4 do Termo de Verificação Fiscal), ora royalties, ora em direitos autorais, etc., Com a devida vênia, o que se verifica da fundamentação do AI é que o i. auditor, não sabendo identificar qual seria o fato gerador in casu, procura cercar todas as hipóteses de incidência da CIDE para "encaixar" as operações da Impugnante numa delas, o que torna nula sua exigência. De fato, o que lavrou o i. auditor fiscal foi um auto de infração totalmente equivocado, que sequer respeita a Lei n°. 11.452, de 27 de fevereiro de 2007, que incluiu o § 1° A no art. 2° da Lei 10.168/2000 [...]: [...] [...] a verdade é que o i. auditor tentou o impossível, eis que não há na Lei 10.168/2000 hipótese de incidência da CIDE nas operações da Impugnante com a Microsoft. É o que se passa a demonstrar. 3.4. Consta às fls. 326 e 327: [...] do exame destas normas [é dizer, o disposto nos art. 1º e 2º e seus parágrafos 1º ao 3º, da Lei n.º 10.168, de 2000,] podese dizer que constituem fatos geradores da CIDE: 1) a detenção de licença de uso de conhecimentos tecnológicos; 2) aquisição de conhecimentos tecnológicos; 3) transferência de tecnologia; 4) serviços técnicos; 5) assistência administrativa e semelhantes; e 6) remessa de royalties. Todas as hipóteses de incidência estão prevista no art. 2° da Lei 10.168/2000, sendo as 3 primeiras no caput, e as 3 últimas no seu parágrafo 2°. Revendose, agora, os contrato da Impugnante com a Microsoft, do qual resultaram parte das remessas ao exterior, que foram objeto da equivocada autuação, ora impugnada, verificase que a empresa norte americana concedeu direito a ora Impugnante de comercializar e fornecer seus programas de computador, ou seja, o escopo do contrato preenche a atividade de comercialização de softwares da Impugnante. O mesmo ocorre com o contrato firmado com a SPECTRUM. Fl. 6753DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000061/201021 Acórdão n.º 3201001.518 S3C2T1 Fl. 2.322 9 [...] cotejandose, pois o objeto destes contratos comerciais internacionais com as hipóteses de incidência descritas acima [...] não são as remessas fatos geradores da CIDE prevista na Lei 10.168/2000. [...] a Impugnante pede para cotejar uma a uma das hipóteses de incidência com a efetiva atividade comercial da Impugnante da qual resultaram as remessas equivocadamente tributadas. O art. 2° [...] [da Lei n.º 10.168, de 2000] trata primeiramente da detenção da (1) licença de uso, mas qual licença de uso? [...] a hipótese referida do fato gerador é a (1) detenção da licença de uso de conhecimentos tecnológicos. [...] tal hipótese não se encaixa no contrato entre a impugnante e empresa norte americana, por conseguinte, não podem ser as remessas objetos da CIDE. Ainda que se quisesse alargar [...] o conceito de licença de uso [...] para abranger licença de uso de programa de computador, não poderiam ser objetos da CIDE as remessas efetuadas porque a Impugnante detém os direitos de comercialização ou direitos de distribuição, o que são bem diferentes da licença de uso de software, direito este exercido pelo usuário final, isto é, o cliente da Impugnante que paga para ter o direito de uso. [...] a Impugnante tem o direito de comercializar o software, hipótese de não incidência, e o seu cliente, destinatário final, é que detém o direito de uso. [...] a licença de uso, de que trata o art. 2° da Lei 10.168/2000 e que é fato gerador da CIDE, é distinta da licença de uso de software, basta reler o § 1°A do referido art. 2° para perceber que a licença de uso ou direitos de comercialização não está sob a incidência da referida contribuição. [...] quer se dê a interpretação literal ao referido art. 2°, quer se procure alargar o conceito de direito de uso não há como incidir a contribuição nas remessas efetuadas pela Impugnante à Microsoft e à SPECTRUM. Da mesma forma, não se trata, por evidente, de remessas por (2) aquisição de conhecimentos tecnológicos nem de (3) transferência de tecnologia haja vista que se trata de comercialização dos chamados softwares de prateleira, uma vez que são programas fechados, onde o códigofonte dos softwares não é transmitido. 3.5. À fl. 328 foi trasladado excerto de voto de acórdão da 7ª Câmara do então 1º Conselho de Contribuintes em que resta consignado que [...] para que se defina a natureza jurídica de tais pagamentos, é imperativo destacar que a criação e o desenvolvimento de programa de computador estão sujeitos à proteção do direito autoral no Brasil. É o que se depreende da leitura do art. 7º da Lei n° 9.610 (Lei dos Direitos Autorais), de Fl. 6754DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI 10 19 de fevereiro de 1998 [...], de que se valeu a Contribuinte para pretender afastar a incidência da CIDE ao caso em tela, e, à fl. 329, afirma: A legislação específica, mencionada no parágrafo [1º do art. 7º da Lei n.º 9.610, de 1998] [...] é a Lei n° 9.609, de 19 de fevereiro de 1998, que, em seu art. 2°, dispõe que o regime de proteção à propriedade intelectual dos programas de computador é o mesmo conferido às outras obras protegidas pelo direito autoral. 3.6. Às fls. 330 e 331, a Contribuinte assim se manifesta acerca do viria a ser comercialização de software: [...] quando uma empresa, e até mesmo uma pessoa física, adquire um software de prateleira uma multiusuários, não se compra diversos CDs ou DVDs que são os suportes físicos atuais dos programas, comprase, geralmente, um só suporte físico, o qual é instalado em tantos computadores quantos forem necessários e de acordo com a quantidade de licenças de uso. [...] ora Impugnante vende, vez por outra, um só suporte físico, mas com várias licenças de uso, para multiusuários, sendo o programa instalado nos vários computadores, de acordo com a quantidade de licença. [...] uma empresa com milhares de funcionários irá comprar milhares de CDs para cada computador!!! Onde depois arquivaria tais CDs, e a sua manutenção, etc???? Portanto, a hipótese dos autos é efetivamente de comercialização de software de prateleira ou cópias múltiplas, o que afasta a tributação pela CIDE, nos termos da própria solução de consulta citada pelo fiscal., 3.7. Consta ainda à fl. 331: [...] [quanto] às hipóteses de incidência da lei, por mais forte razão o caso dos autos não se configura (4) serviços técnicos, (5) nem assistência administrativas e semelhantes. [...] A hipótese dos autos não se identifica com a definição de royalties da primeira parte da letra "d", supra, porque as remessas são feitas exatamente aos próprios autores dos softwares, a Microsoft e SPECTRUM, o que exclui a possibilidade de classificar o caso como pagamento de royalties, consoante a parte final da [...] letra "d" [do art. 22 da Lei n.º 4.506, de 1964]. [...] [...] as remessas efetuadas pela Impugnante às empresas estrangeiras decorrem da comercialização dos softwares daquelas e não de qualquer das hipóteses de incidência da Lei 10.168/2000, nem mesmo referente royalties, porque de royalties também não se trata. 3.8. Consta à fl. 332: Fl. 6755DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000061/201021 Acórdão n.º 3201001.518 S3C2T1 Fl. 2.323 11 [...] foi publicada Solução de Divergência n° 27, de 30/maio/08, inclusive citada rapidamente no Auto de Infração, onde, após analisar também a referida lei, a CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação – COSIT conclui que: " EMENTA: Não estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda na Fonte (IRRF) nem à incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) os valores remetidos ao exterior em pagamento pela aquisição ou pela licença de direitos de comercialização de software sob a modalidade de cópias múltiplas ("software de prateleira")" [...] [...] recente julgado da CARF ensina que a Solução de Divergência "passa a compor as normas complementares de direito tributário, VINCULANDO A ADMINISTRAÇÃO, que a partir de então passa a constituir "entendimento que a própria administração deverá adotar". 3.9. Consta à fl. 337: [...] a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico sobre softwares não é devida, nem jamais o foi, em caso de remessas ao exterior decorrentes de contrato de comercialização de softwares sem transferência de tecnologia, pois nunca esteve presente a obrigação fiscal em tal hipótese. E nem se alegue que a intenção do legislador, ao inserir o §1°A ao artigo 2°, da Lei n°. 10.168/2000, seria a de isentar os contribuintes do pagamento do tributo em questão. Ora, é conceito básico de hermenêutica jurídica que a lei não contém palavras inúteis, assim quisesse o legislador que aqui fosse concedida isenção do tributo, teria ele dessa forma se expressado, referindose à isenção da CIDE com todas as letras e não a não incidência. 3.10. Consta às fls. 338 a 341 e 343: [...] ao esclarecer, pela lei interpretativa n°. 11.452/2007, que as remessas decorrentes de contrato de comercialização de softwares, sem transferência de tecnologia, estariam no campo do instituto da não incidência da CIDE, o legislador pretendeu acabar, definitivamente, com qualquer dúvida que pudesse existir sobre o alcance da mencionada contribuição. [...] cumpre afastar qualquer equivocado entendimento de que o artigo 21, da Lei n°. 11.452/2007, ao restringir aplicação do artigo 20 desta mesma lei às operações ocorridas a partir de janeiro de 2006, estaria se referindo à primeira parte do §1°A, ou seja, a não incidência da CIDE. [...] Fl. 6756DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI 12 [...] o artigo 21, da Lei n° 11.452/2007, ao mencionar que o disposto no art. 20 produziria efeitos a partir de 1º de janeiro de 2006, somente poderia se referir a parte final de tal dispositivo. [...] [...] os arts. 20 e 21 da Lei n°. 11.452/2007 têm que ser interpretados de forma a não entrarem em conflito, sem que se tornem nulos os seus termos, sob pena de virarem um nada jurídico. [...] [...] o art. 20 [da Lei n.º 11.452, de 2007] [...] dispõe de forma interpretativa, que a CIDE NÃO INCIDE sobre direitos de comercialização e distribuição de softwares, "salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia". [...] se NÃO INCIDE jamais incidiu, visto que o instituto de não incidência não admite lapso temporal. [...] o art. 21 [da Lei n.º 11.452, de 2007] [...] diz que o disposto no art. 20 produz efeitos a partir de 1° de janeiro de 2006. Ora, como a não incidência, ao contrário da isenção, não admite restrição temporal, como harmonizar estes dois artigos em face das regras de hermenêutica? Pela interpretação integrativa e lógica, o lapso temporal previsto no artigo 21 somente poderia, portanto, ser aplicado à parte do art. 20 com a qual não haverá contradição. Em outras palavras, como não pode haver limitação à não incidência, a restrição temporal (a partir de 1° de janeiro de 2006) somente pode ser aplicada à parte final do artigo 20: "(...) salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia". Ou seja, como a restrição temporal não pode ser aplicada à hipótese de não incidência, tal restrição somente pode ser imposta à parte do dispositivo que trata da incidência da CIDE = "salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia". Este é, aliás, único alcance possível para o disposto no artigo 21, da Lei nº 11.452/2007, pois somente os fatos geradores da CIDE, isto é, somente os fatos concretos suscetíveis de gerar a obrigação fiscal, in casu, as remessas decorrentes de contratos com transferência de tecnologia, poderiam ser delimitados no tempo por uma norma. [...] Ou seja, as remessas ao exterior decorrentes de contrato de comercialização de softwares COM transferência de tecnologia teriam a incidência da CIDE a partir de janeiro de 2006. E, de outro lado, as remessas ao exterior decorrentes da remuneração pela licença do uso ou de direitos de Fl. 6757DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000061/201021 Acórdão n.º 3201001.518 S3C2T1 Fl. 2.324 13 comercialização ou distribuição de programas de computador permanecem fora do campo de tributação pela CIDE. [...] Caso assim não se interprete, [...] terseia que o artigo 21, da Lei n°. 11.452/2007 seria manifestamente ilegal, pois, nos termos do artigo 110 do CTN, [...] "a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos". [...] [é dizer], o artigo 21 da Lei n°. 11.452/2007 não pode pretender a determinação de marco inicial para a não incidência de determinado tributo, uma vez que tal instituto, ao significar a inexistência de obrigação fisca1, não admite tal limitação temporal. [...] Resta patente, pois, o bom direito da Impugnante, pelo que deve ser cancelado o auto de infração. 3.11. Consta à fl. 343 e 344: Com a edição do Decreto n°4.195, de 110402, regulamentando a Lei 10.168, ficou consagrado desde então o entendimento da não incidência na CIDE, nos pagamentos relativos à software, uma vez que o referido diploma legal numerou expressamente os contratos e os tipos de pagamentos que estariam sujeitos à CIDE, e que dentre eles não se encontram os pagamentos à relativos aquisição de licenças de uso ou direitos de distribuição ou de comercialização de programas de computadores " software", seja para distribuição e comercialização no Pais ou para uso próprio. [...] Confirase: na lista taxativa de contratos sujeitos à CIDE Tecnologia contida no Decreto N° 4.195/2002, supra transcrita, não se encontram os contratos tendo por objeto aquisição de licenças de uso ou direitos de distribuição ou de comercialização de programas de computadores " software. 3.12. Às fls. 344 e 345, valese a Contribuinte de pareceres do Poder Público que albergam sua afirmação de que: [...] que a Lei N° 11.452/07 teve efeito de norma interpretativa, objetivando afastar as discussões sobre a incidência da CIDE Tecnologia nas remessas da espécie mencionadas na referida lei e que eficácia da declaração contida na nova lei retroage à data da edição da Lei 10.168/00. 3.13. Consta à fl. 346 e 347: [...] o Sr. Agente Fiscal que lavrou o Auto de Infração ora impugnado fez nele [no Termo de Verificação Fiscal] inserir argumentações no sentido de que as remessas em pagamento de remuneração pela comercialização de licença de uso de Fl. 6758DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI 14 programas de computador (software) realizadas pela Impugnante seriam tributadas pela CIDE porque se confundem com "royalties". [...] Há o pleno convencimento da Requerente [...] que as operações de remessa por ela feitas ao exterior, noticiadas e feitas acompanhar da correspondente documentação no bojo das respostas aos TERMOS DE INTIMAÇÃO N°S 04, 05 E 06 (MANDADO N° 08.1.71.002009001348), enquadramse (todas) como "remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador". [...] os termos "direitos de comercialização ou distribuição" não foram cunhados pela lei N° 11.452/2007. [...] A portaria n° 181, de 280989, do Ministério da Fazenda [...] determinou que "Serão tributados na forma dos arts. 554 e 555, I, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 85.450, de 4 de dezembro de 1980 RIR/80, os rendimentos correspondentes a DIREITOS AUTORAIS pagos a beneficiários, residentes ou domiciliados no exterior na aquisição de programas de computadores " software", para distribuição e comercialização no Pais ou para uso próprio, sob a modalidade de cópia unica" 3.13. À fl. 348 a 350, valese a Contribuinte da Carta Circular n.º 2.682, de 1996, do Banco Central do Brasil, bem como do disposto na Lei n.º 7.646, de 1987, e Lei n.º 9.609, de 1998, para afastar da tributação da CIDE as remessas que fez ao exterior. 3.14. Consta às fls. 350 a 352: As operações cursadas pela Requerente em nada se assimilam ao pagamento de "royalties" (artigo 710 do RIR/1999). De fato, essas remessas gozam de tributação especifica no artigo 709 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto N° 3.000, de 26/03/199): [...] [...] a expressa citação contida às fls. 6 do "Termo de Verificação Fiscal CIDE", dando conta que "os respectivos contratos de câmbio (fls. 48 a 110) comprovam que TODAS as operações de câmbio foram fechadas com código de natureza 48.110, o qual referese a "exportação de serviços/direitos autorais sobre programas de computador" representa efeito contrário ao pretendido pelo emitente do Auto de Infração impugnado: Primeiro: porque todas as remessas ao exterior em pagamento de operações com software (seja esse software "desenvolvidos por encomenda" com ou sem transferência de tecnologia seja o software de "cópia única", seja ainda o software de "cópia múltipla"), são cursadas utilizando esse mesmo tipo contrato; Fl. 6759DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000061/201021 Acórdão n.º 3201001.518 S3C2T1 Fl. 2.325 15 Segundo: porque, conforme acima informado, todas as vezes que o Banco Central regulamentou as remessas em remuneração por aquisição de software ele se utilizou de expressões tais como: [...] Terceiro: porque o código completo e o título correto dessas remessas são diversos daqueles transcritos no autos, respectivamente: “48.110.5009590 — SERV. DIV. — DIR AUTORAIS SOBRE PROG DE COMPUTADOR” Esses elementos revelam que, embora a "natureza" indicada nos contratos de cambio eleito pelo BACEN para dar curso às remessas em pagamento de software não reflita com precisão "direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador”, as regulamentações pretéritas publicadas pelo Banco Central sempre definiram essas operações como "Direitos de Comercialização" ou "Aquisição de Software". [...] as leis de software (tanto a lei N° 7.646/87, quanto a N° 9.609/98), conferiram ao programa de computador proteção jurídica da mesma natureza dos direitos autorais. Essa última lei de 1998, inclusive, manteve a proteção à luz do direito autoral, porém conferiu maior amplitude à proteção, elevandoa para nível idêntico àquele conferido às obras literárias. [...] [...] a lei [n.º 9.609, de 1998] não diz que "programa de computador é obra literária"; nem sustenta "programa de computador é direito autoral". [...] [...] Não se pode confundir, porém, o tipo de proteção conferida ao software, nem a legislação que será utilizada para essa mesma proteção com as modalidades de exploração econômica (mais precisamente, com a comercialização e distribuição de programas de computador). Uma obra musical também goza da proteção pela mesma "legislação de direitos autorais e conexos". No entanto, a circulação econômica de cópias dessa mesma obra (gravada em CD ou DVD) configura circulação de mercadoria, ou mais precisamente, comercialização. Igualmente, embora o programa de computador esteja protegido como obra literária pela legislação de direito autoral, a circulação de cópias do programa, configura comercialização. Assim, toda empresa signatária de CONTRATOS DE DISTRIBUIÇÃO de programas de computador – tão como a Impugnante – se obriga a pagar àquele que lhe confere autorização para exploração econômica desse mesmo programa, a correspondente "REMUNERAÇÃO DE DIREITOS DE Fl. 6760DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI 16 COMERCIALIZAÇÃO OU DISTRIBUIÇÃO" de programa de computador (que a Lei 11.452/07 declarou fora do campo de incidência da CIDE). É o pagamento dessa REMUNERAÇÃO que lhe assegura o DIREITO DE COMERCIALIZAÇÃO. A remuneração decorrente da outorga de tais DIREITOS DE COMERCIALIZAÇÃO OU DISTRIBUIÇÃO não se confunde com "direitos autorais" ("royalties") 3.15. Às fls. 353 a 357, servese a Contribuinte do conteúdo de Soluções de Consulta da Secretaria da Receita Federal do Brasil para rechaçar o disposto na Solução de Consulta n.º 236, de 2007, pois afirma que esta trataria: [...] especificamente da aquisição de licença para USO PRÓPRIO e não de remessas em pagamento de remuneração dos DIREITOS DE COMERCIALIZAÇÃO ou direitos de Distribuição de programas de computador; Aponta duas únicas categorias de software (fls. 8): "os programas elaborados especialmente para certo usuário exprimem verdadeira prestação de serviços" e como contrapartida, "os programas de computador, feitos por empresas em larga escala e de maneira uniforme, são mercadorias, de livre comercialização no mercado". 3.16. Consta à fl. 357 e 358: [...] os documentos acostados aos autos atestam que os bens comercializados pela Impugnante não são produzidos para atender as especificas necessidades do cliente; logo, pertencem à outra categoria. [...] para os efeitos de definir se as operações de que tratam o auto de infração submetese ou não a incidência da CIDE no período abrangido pelo auto, nenhuma relevância tem as distinções de modalidades de "entrega do software" ao cessionário ou licenciado de que trata o item 26.2 da solução de divergência ("autorizada a comercialização, o software será fornecido ao cessionário ou licenciado em cópias múltiplas para simples revenda, ou em cópia única, para reprodução"). É que, tanto uma quanto a outra modalidade, o objeto essencial do contrato será a exploração econômica de software de "cópias múltiplas" ou seja, "programaspadrão, reproduzidos em larga escala", absolutamente idênticos àqueles que, em outra modalidade contratual, também são "vendidos no varejo em lojas especializadas, magazines e até em supermercados a um grupo indeterminado de pessoas". 3.17. Consta à fl. 358: O contrato de distribuição entre a Impugnante e suas representadas (Microsoft e Spectrum) têm por objeto a exploração econômica de programas que não são produzidos para atender as especificas necessidades do cliente; logo, objeto Fl. 6761DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000061/201021 Acórdão n.º 3201001.518 S3C2T1 Fl. 2.326 17 essencial do negócio são programas da outra espécie, qual seja, "cópias múltiplas". 3.17.1. Para corroborar essa afirmação, assevera a Contribuinte que apresentou faturas comerciais juntadas aos autos com sua Impugnação e que instruíram os processos de fechamento de câmbio das remessas ao exterior de forma que pretende comprovar que: [...] a Defendente realiza cotidianamente operações de alto valor envolvendo de comercialização de software de "cópias múltiplas" (reproduzidos em larga escala, usualmente "vendidos no varejo em lojas especializada magazines e até em supermercados a um grupo indeterminado de pessoas'). [fl. 359] 3.18. Às fls. 359 a 362, revela a Contribuinte as decisões judiciais, no âmbito da Justiça Estadual do Estado de São Paulo, relativamente a conflito de competência que haveria na tributação do ISS e ICMS incidentes sobre as atividades por ela realizadas. 3.19. Consta às fls. 363 e 364: [...] o inciso III [do art. 146 da Constituição Federal de 1988] [...] induz à conclusão de que a exigência de contribuição de intervenção no domínio econômico deve ser precedida de lei complementar. [...] [...] a Impugnante, conhecedora do Regimento do CARF, rebate e não pode se curvar ao dispositivo que procura vedar ao processo administrativo o julgamento à luz da Constituição. Isto porque a própria Constituição garante a todos acesso à esfera administrativa e qualquer norma que proíba o julgamento nesta instância à luz dos preceitos constitucionais estará indo contra a Lei Maior. [...] Assim, há que ser analisada, examinada, julgada também esta impugnação à luz dos princípios constitucionais invocados, razão pela qual há que ser observado a Jurisprudência acima citada para afastar a incidência da CIDE na hipótese sob julgamento. 3.19.1. Às fls. 365 e 366, valese a Contribuinte de parecer da consultoria jurídica do Ministério da Ciência e Tecnologia que se manifesta acerca do art. 2º da Lei n.º 10.168, de 2000, para afastar a incidência da CIDE no caso em tela, e conclui: À vista de mais esse entendimento de não incidência da CIDE no caso sob julgamento, verificase que o contrato de distribuição de software, celebrado pela Impugnante, não se amolda à redação da Lei 10.168/2000. [fl. 366] 3.20. Consta às fls. 366 e 367: Fl. 6762DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI 18 [...] a base de cálculo da contribuição é, na hipótese, o valor de cada remessa às empresas estrangeiras sem o valor do imposto de renda na base imponível, portanto, o que deveria ter feito o i. auditor seria apurar a CIDE utilizando apenas os valores dos contratos de câmbio no período autuado. Ocorreu, pois, no auto de infração o alargamento da base de cálculo da CIDE sem previsão legal. Com efeito, conforme se apontou acima, o auto tomou como base de cálculo para estipular o montante da CIDE que pretendeu exigir, o valor total das remessas, antes da dedução do Imposto de Renda na Fonte. [...] Desse erro na emissão do Auto impugnado, resultou, pois, uma elevação artificial de 15% (quinze por cento) em cada um dos valores listados na coluna "Valor Devido — CIDE". Por decorrência do inchamento dissimulado dos valores apontados na coluna "Valor Devido — CIDE", acabaram inflados: o valor apontado como sendo a "Contribuição" (aponta R$ 2.937.758,21 em lugar de R$ 2.497.094,47); o valor indicado como "Juros de Mora" (aponta R$ 1.496.860,27 em lugar de R$ 1.272.331,22); o valor indicado como "Multa Proporcional" (aponta R$2.203.318,59 em lugar de R$ 1.872.820,80); e por último, o valor do "Crédito Tributário Apurado" (aponta R$6.637.937,07 em lugar de R$ 5.642.246,50); 3.21. À fl. 368, consta rechaço da Contribuinte quanto a que a Autoridade Fiscal teria tributado duas remessas ao exterior no valor de R$232.248,14 e R$228.191,01 que teriam ocorrido em 13/01/2006, de forma que assim se manifesta: [...] o entendimento expresso pela fiscalização não esta correto já que a CIDE nunca incidiu sobre as remessas em pagamentos de Remuneração pela Comercialização de licença de uso de programas de computador (software). No entanto, se a própria fiscalização sustenta que "a partir de 2006" a CIDE não é devida, a manutenção na lista de operações que pretendeu arrecadar, de recolhimentos que se venceriam no período que o próprio agente fiscalizador reconheceu expressamente como indevida a CIDE, representaria verdadeira exação fiscal, repugnável mesmo na esfera administrativa. 3.22. Às fls. 369 e 370, combate a Contribuinte a aplicação da multa de ofício. Assim, em essência, argumenta: equivocase [...] o auto de infração quando comina a multa da Lei 9.430/96, art. 44, pois tal dispositivo é genérico e, portanto, só é utilizado ainda que equivocadamente, no entender da Impugnante na vacância de norma penal especifica. [...] Portanto, a aplicação de norma penal inadequada ao tipo pena configura flagrante desrespeito ao principio constitucional da tipicidade [...]. Fl. 6763DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000061/201021 Acórdão n.º 3201001.518 S3C2T1 Fl. 2.327 19 Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em.São Paulo I, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontram se consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Cumpridos os requisitos dispostos no art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 1972, ademais, não havendo ocorrência do previsto no art. 59 de mesmo diploma legal, não há que falarse em cancelamento ou anulação de Auto de Infração. CIDE. REMESSAS AO EXTERIOR. PAGAMENTOS DE ROYALTIES. CONTRATOS DE LICENÇA DE USO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR (SOFTWARE). Anteriormente a 1º/01/2006, sendo o contribuinte signatário de contrato de distribuição comercial, cessão ou licença de uso de programa de computador ocupava a condição de sujeito passivo da CIDE incidente sobre as remessas efetuadas ao exterior, sob a forma de remuneração ou royalties. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Descabe ser apreciado, no âmbito administrativo, alegação de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma, afora observância da hipótese prevista no art. 26A do Decreto n.º 70.235, de 1972 e alterações posteriores. CIDE. BASE DE CÁLCULO. A contribuição incide sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações contraídas, sendo considerada líquida a quantia enviada ao exterior. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Fl. 6764DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI 20 Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A exigência fiscal tem por objeto valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, por conta de pagamento de royalties, que configurariam a hipótese de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDERoyalties – estabelecida no parágrafo 2º do art. 2º da Lei n.º 10.168, de 2000. As remessas de valores foram efetuadas em decorrência de contratos cujo objeto foi a cessão de direitos de comercialização e licenciamento de programas de computador de autoria de empresas estrangeiras. A definição da lide, portanto, exige que se analise se os fatos praticados pela recorrente enquadramse nas hipóteses previstas no artigo 2º da Lei nº 10.168/2000, com a redação dada pela Lei nº 10.332/2001, vigente à época dos fatos geradores deste processo, que assim dispõe: Art. 2o Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. § 1o Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 2o A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. § 3o A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2 o deste artigo. § 4o A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento). Fl. 6765DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000061/201021 Acórdão n.º 3201001.518 S3C2T1 Fl. 2.328 21 § 5o O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador. (grifo nosso) Da leitura do dispositivo acima constatase que a CIDERoyalties é devida sempre que houver pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. O termo royalty tem origem na Ciência da Economia, sendo conceituado por Arthur Seldon nestes termos: ROYALTY. Pagamento feito, por uma pessoa, física ou jurídica, ao dono de propriedade ou ao criador de um trabalho original, para o privilégio de explorálo comercialmente. É, essencialmente, um método de partilhar o rendimento das vendas de um produto entre os que concorrem com o financiamento e a habilidade de comercialização e os que contribuem com a propriedade intelectual sob a forma de uma realização original. O sistema de royalty é comumente usado, por exemplo, quando um autor ou tradutor é pago por um editor segundo uma percentagem do preço de capa de um livro; quando um proprietário fundiário é pago por uma companhia mineradora para o privilégio de explorar o subsolo da sua terra; quando o dono de uma patente é pago por um fabricante pelo direito de reproduzir sua invenção. (Dicionário de Economia, Editora Bloch) O pagamento de royalties, portanto, objetiva partilhar o rendimento de um produto entre aquele que detém a propriedade intelectual deste e aquele que efetivamente explora este produto, colocandoo no mercado consumidor. O conceito de royalties para fins tributários encontrase previsto no artigo 22 da Lei nº 4.506/64: Art. 22. Serão classificados como "royalties" os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: a) direito de colhêr ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploraçâo de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. Parágrafo único. Os juros de mora e quaisquer outras compensações pelo atraso no pagamento dos "royalties" acompanharão a classificação dêstes. (grifo nosso) Fl. 6766DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI 22 O professor Alberto Xavier, em análise a legislação referente aos royalties, esclarece que: À luz do direito interno, o royalty é uma categoria de rendimentos que representa a remuneração pelo uso, fruição e exploração de determinados direitos, diferenciandose assim dos aluguéis que representam a retribuição do capital aplicado em bens corpóreos, e dos juros, que exprimem a contrapartida do capital financeiro. [...] No direito interno, os direitos que dão lugar à percepção de royalties são o direito de colher ou extrair recursos vegetais , inclusive florestais; o direito de pesquisar e extrair recursos minerais; o uso ou exploração de invenções , processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; a exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou da obra (art. 22 da Lei 4.506, de 1964). (Direito Tributário Internacional do Brasil. Rio de Janeiro, Forense, pg. 617/618) Dito isto, temos que os rendimentos decorrentes da exploração de direito autoral classificamse como royalties, salvo se recebidos pelo autor ou criador da obra. Verificase ainda que a Lei nº 9.610/98 em seu artigo 7º, XIII, inclui os programas de computador entre as obras intelectuais com direitos autorais protegidos: Art. 7º São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como: [...] XII os programas de computador; [...] §1º Os programas de computador são objeto de legislação específica, observadas as disposições desta Lei que lhes sejam aplicáveis.(grifo nosso) O regramento específico referente a proteção da propriedade intelectual de programa de computador e de sua comercialização foi estabelecido pela Lei nº 9.609/98, dispondo em seu artigo 2º que “O regime de proteção à propriedade intelectual de programa de computador é o conferido às obras literárias pela legislação de direitos autorais e conexos vigentes no País, observado o disposto nesta Lei.” A Lei nº 9.609/98 estabelece em seu artigo 4º que os direitos relativos ao programa de computador desenvolvido por empregado durante a vigência de contrato de trabalho pertencem ao empregador: Art. 4º Salvo estipulação em contrário, pertencerão exclusivamente ao empregador, contratante de serviços ou órgão público, os direitos relativos ao programa de computador, Fl. 6767DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000061/201021 Acórdão n.º 3201001.518 S3C2T1 Fl. 2.329 23 desenvolvido e elaborado durante a vigência de contrato ou de vínculo estatutário, expressamente destinado à pesquisa e desenvolvimento, ou em que a atividade do empregado, contratado de serviço ou servidor seja prevista, ou ainda, que decorra da própria natureza dos encargos concernentes a esses vínculos. § 1º Ressalvado ajuste em contrário, a compensação do trabalho ou serviço prestado limitarseá à remuneração ou ao salário convencionado. § 2º Pertencerão, com exclusividade, ao empregado, contratado de serviço ou servidor os direitos concernentes a programa de computador gerado sem relação com o contrato de trabalho, prestação de serviços ou vínculo estatutário, e sem a utilização de recursos, informações tecnológicas, segredos industriais e de negócios, materiais, instalações ou equipamentos do empregador, da empresa ou entidade com a qual o empregador mantenha contrato de prestação de serviços ou assemelhados, do contratante de serviços ou órgão público. § 3º O tratamento previsto neste artigo será aplicado nos casos em que o programa de computador for desenvolvido por bolsistas, estagiários e assemelhados. (grifo nosso) Tal dispositivo, contudo, não significa ser o empregador o autor intelectual do programa de computador, apenas define quem é o proprietário dos direitos sobre este bem. A autoria de uma obra, necessariamente, recai sobre a pessoa natural que cria o bem ou a obra. Este conceito encontrase positivado no artigo 11 da Lei nº 9.610/98, que estabelece que apenas as pessoas físicas criadoras da obra protegida podem ser consideradas autores: Art. 11. Autor é a pessoa física criadora de obra literária, artística ou científica. Parágrafo único. A proteção concedida ao autor poderá aplicar se às pessoas jurídicas nos casos previstos nesta Lei. Mostrase ainda importante para a resolução da lide observarse o disposto no artigo 5º da Lei nº 9.609/98 e no artigo 49 da Lei nº 9.610/98: Lei nº 9.609/98 Art. 5º Os direitos sobre as derivações autorizadas pelo titular dos direitos de programa de computador, inclusive sua exploração econômica, pertencerão à pessoa autorizada que as fizer, salvo estipulação contratual em contrário. Lei nº 9.610/98 Art. 49. Os direitos de autor poderão ser total ou parcialmente transferidos a terceiros, por ele ou por seus sucessores, a título universal ou singular, pessoalmente ou por meio de representantes com poderes especiais, por meio de Fl. 6768DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI 24 licenciamento, concessão, cessão ou por outros meios admitidos em Direito, obedecidas as seguintes limitações: [...] (grifo nosso) Constatase, portanto, que apenas o titular dos direitos autorais sobre um programa de computador pode explorálo economicamente, podendo, contudo, transferir esses direitos, total ou parcialmente, a terceiros. A Lei nº 9.609/98, em seus artigos 9º, 10 e 11, estabelece que estes direitos podem ser transferidos mediante a celebração de contratos de uso, de comercialização e de transferência de tecnologia, nestes termos: Art. 9º O uso de programa de computador no País será objeto de contrato de licença. Parágrafo único. Na hipótese de eventual inexistência do contrato referido no caput deste artigo, o documento fiscal relativo à aquisição ou licenciamento de cópia servirá para comprovação da regularidade do seu uso. Art. 10. Os atos e contratos de licença de direitos de comercialização referentes a programas de computador de origem externa deverão fixar, quanto aos tributos e encargos exigíveis, a responsabilidade pelos respectivos pagamentos e estabelecerão a remuneração do titular dos direitos de programa de computador residente ou domiciliado no exterior. § 1º Serão nulas as cláusulas que: I limitem a produção, a distribuição ou a comercialização, em violação às disposições normativas em vigor; II eximam qualquer dos contratantes das responsabilidades por eventuais ações de terceiros, decorrentes de vícios, defeitos ou violação de direitos de autor. § 2º O remetente do correspondente valor em moeda estrangeira, em pagamento da remuneração de que se trata, conservará em seu poder, pelo prazo de cinco anos, todos os documentos necessários à comprovação da licitude das remessas e da sua conformidade ao caput deste artigo. Art. 11. Nos casos de transferência de tecnologia de programa de computador, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial fará o registro dos respectivos contratos, para que produzam efeitos em relação a terceiros. Parágrafo único. Para o registro de que trata este artigo, é obrigatória a entrega, por parte do fornecedor ao receptor de tecnologia, da documentação completa, em especial do código fonte comentado, memorial descritivo, especificações funcionais internas, diagramas, fluxogramas e outros dados técnicos necessários à absorção da tecnologia. Diante do estudo acima exposto, concluise que os direitos de comercialização de programas de computador incluemse entre os direitos autorais, são parcelas integrantes destes, o que os enquadra no conceito de royalties, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. Em sendo enquadrado como royalties, configuram fato gerador da CIDERoyalties. Fl. 6769DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000061/201021 Acórdão n.º 3201001.518 S3C2T1 Fl. 2.330 25 Este entendimento, inclusive, encontrase em sintonia com o decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 930301.864, conforme ementa transcrita abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002 CIDEROYALTIES. REMESSA DE ROYATIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR INCIDÊNCIA. O pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior são hipóteses de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico criada pela Lei 10.168/2000. Para que a contribuição seja devida, basta que qualquer dessas hipóteses seja concretizada no mundo fenomênico. O pagamento de royalties a residentes ou domiciliados no exterior royalties, a título de contraprestação exigida em decorrência de obrigação contratual, seja qual for o objeto do contrato, faz surgir a obrigação tributária referente a essa CIDE. (Ac 930301.864. sessão de 6/3/2012. relator Conselheiro Henrique Pinheiro Torres) Observase ainda que a definição da hipótese de incidência do tributo exige a verificação se a comercialização destes programas de computador efetivaramse por meio dos denominados softwares de prateleira (off the shelf) ou por softwares de cópia única. Como softwares de prateleira enquadramse aqueles que são produzidos em larga escala, usualmente comercializados no varejo, em cópias múltiplas, enquanto os softwares de cópia única seriam aqueles produzidos para atender às necessidades específicas do encomendante. Em se tratando de softwares de prateleira, embora seja decorrente de uma obra intelectual, constatase uma preponderância do seu perfil de mercadoria. Desta forma, dada as características essenciais de operação mercantil, sujeitamse a incidência de tributos que oneram estas operações, como o Imposto de Importação (II) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Por outro lado, quando se trata de aquisição de programa em cópia única, desenvolvido por encomenda ou adquirido como "cópia master", para fins de reprodução futura, há nítida preponderância da obra intelectual sobre o meio físico, devendo a remuneração obtida pelo autor ser tratada como rendimento decorrente de cessão de direitos autorais. Como consequência, as remessas feitas ao exterior em decorrência de contratos de licença de direitos de comercialização referentes a programas de computador em cópia única submetemse à incidência da CIDERoyalties, enquanto as importações de programas em cópias múltiplas não correspondem a esta hipótese de incidência. Este entendimento encontra amparo em decisões dos Tribunais Superiores, como a expedida pelo STF no julgamento do RE 176.626/SP, que possui a seguinte ementa: Fl. 6770DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI 26 III. Programa de computador ("software"): tratamento tributário: distinção necessária. Não tendo por objeto uma mercadoria, mas um bem incorpóreo, sobre as operações de "licenciamento ou cessão do direito de uso de programas de computador", "matéria exclusiva da lide ", efetivamente não podem os Estados instituir ICMS: dessa impossibilidade, entretanto, não resulta que, de logo, se esteja também a subtrair do campo constitucional de incidência do ICMS a circulação de cópias ou exemplares dos programas de computador produzidos em série e comercializados no varejo — como a do chamado “software de prateleira” (off the shelf) — os quais, materializando o corpus mechanicum da criação intelectual do programa, constituem mercadorias postas no comércio. Reproduzse ainda excerto do voto do Ministro Sepúlveda Pertence, que é claro ao negar a condição de licenciado ou de cessionário de licença de uso ao comerciante que revende cópias múltiplas de software: [...]O comerciante que adquire exemplares para revenda, mantendoos em estoque ou expondoos em sua loja, não assume a condição de licenciado ou cessionário dos direitos de uso, que, em conseqüência, não pode transferir ao comprador: sua posição, aí, é a mesma do vendedor de livros ou de discos, que não negocia com os direitos do autor, mas com o corpus mechanicum de obra intelectual que nele se materializa. (grifo nosso) Assim sendo, a CIDERoyalties incidirá apenas quando os valores remetidos ao exterior forem em decorrência da comercialização de programas de computador por softwares de cópia única, dado corresponder a pagamento de direitos autorais. Esclarecese ainda que este entendimento referese apenas ao período compreendido entre 1º/1/2002 e 31/12/2005. O marco inicial em 1º/1/2002 foi estabelecido pela Lei 10.332/2001, que alterou a redação do §2º do artigo 2º da Lei nº 10.168/2000 ampliando o campo de incidência da contribuição, fazendoa incidir sobre o pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties a residentes ou domiciliados no exterior. A Lei nº 11.452/2007, por sua vez, modificou novamente a exação ao inserir o §1ºA neste artigo 2º da Lei nº 10.168/2000: Art. 20. O art. 2o da Lei no 10.168, de 29 de dezembro de 2000, alterado pela Lei no 10.332, de 19 de dezembro de 2001, passa a vigorar acrescido do seguinte § 1oA: “Art. 2o .................................................................................. .................................................................................. § 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. .................................................................................. ” (NR) Fl. 6771DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000061/201021 Acórdão n.º 3201001.518 S3C2T1 Fl. 2.331 27 Art. 21. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos em relação ao disposto no art. 20 a partir de 1o de janeiro de 2006. A partir da produção de efeitos desta norma, estabelecida para a data de 1º/1/2006, exigese para a incidência da CIDERoyalties que a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador seja acompanhada de transferência de tecnologia. Ressaltese que antes da inclusão do citado §1ºA no artigo em comento o diploma legal não estipulava qualquer restrição ou vinculação do pagamento dos royalties a contratos de tecnologia, definindo a incidência da contribuição sobre o pagamento de royalties a qualquer título. Desta forma, diante da inovação na legislação pátria trazida pelo §1ºA do artigo 2º da Lei nº nº 10.168/2000, o dispositivo em comento não pode ser considerado como de caráter interpretativo, impedindo sua aplicação a fatos pretéritos, anteriores a data definida pela Lei nº 11.452/2007 para a produção de seus efeitos. Por fim, restam necessários ainda alguns esclarecimentos acerca do Decreto nº 4.195/2002, que regulamenta a Lei nº 10.168/2000, com as alterações promovidas pela Lei 10.332/2001. O artigo 10 deste Decreto apresenta rol de espécies contratuais passíveis de incidência da CIDERoyalties, nestes termos: Art. 10. A contribuição de que trata o art. 2o da Lei no 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: I fornecimento de tecnologia; II prestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; b) serviços técnicos especializados; III serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; IV cessão e licença de uso de marcas; e V cessão e licença de exploração de patentes. O dispositivo acima citado teve como objetivo afirmar que, após as alterações promovidas pela Lei nº 10.332/2001, também sujeitamse a CIDERoyalties todas as remunerações pagas em decorrência de serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior (artigo 2º, §2º da Lei nº 10.168/2000), inclusive aqueles onde não ocorre a transferência de tecnologia. Não se trata, contudo, de um rol taxativo, como defende a recorrente, mas sim exemplificativo, como nem poderia deixar de ser, haja vista tratarse de ato emitido pelo Presidente da República, e não pelo Congresso Nacional. Fl. 6772DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI 28 Como se sabe, a Constituição Federal, ao delegar competência a União e as demais pessoas políticas para definir a regra matriz de incidência de cada tributo, determinou que o exercício desta competência deve ser feito por meio de lei, ato este emitido pelo poder legislativo. O decreto, ato administrativo formal de competência privativa do Presidente da República, quando possui conteúdo normativo, tem como função regular a fiel execução das leis. Este ato, todavia, não pode inovar no ordenamento jurídico; limitase a esclarecer o conteúdo das leis, sem lhes aumentar ou restringir o espetro de incidência. Desta forma, em tendo a Lei nº 10.168/2000, com as alterações promovidas pela Lei 10.332/2001, estabelecido a base de cálculo da CIDERoyalties de forma ampla, abrangendo o pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, não poderia um decreto presidencial limitar a hipótese de incidência tributária por meio de um rol taxativo de contratos passíveis de incidência. O entendimento acima foi confirmado pelo legislador quando da publicação da Lei nº 11.452/2007, que incluiu no artigo 2º da Lei nº 10.168/2000 o §1ºA, já citado. Ora, se o legislador, expressamente, excluí da hipótese de incidência da CIDE a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia, é porque antes da vigência desta modificação da Lei 10.168/2000 (a partir de 1º/1/2006) a contribuição incidia sobre estes contratos. Dito isto, resta claro que o rol de contratos previstos no artigo 10 do Decreto nº 4.195/2002 é meramente exemplificativo, sendo a hipótese de incidência tributária definida nos termos do artigo 2º da Lei nº 10.168/2000. Após a definição das questões de direito envolvidas, mostrase necessário determinar se os fatos trazidos aos autos correspondem a hipótese de incidência da CIDE Royalties. A recorrente inicia seu recurso voluntário afirmando que a exigência fiscal tem por objeto as remessas efetivadas no período compreendido entre julho de 2005 e dezembro de 2005, decorrentes da comercialização dos chamados "softwares de prateleira". Estando o período de apuração definido como anterior a produção de efeitos da Lei nº 11.452/2007, e, consequentemente, não sendo exigida vinculação do pagamento dos royalties a contratos de tecnologia, devese verificar se as remessas ao exterior são decorrentes da venda de “softwares de prateleira”, como aduz a recorrente, ou se decorrem da cessão de direitos de comercialização e licenciamento de programas de computador em cópia única, como definido pela fiscalização. O contrato firmado pela recorrente com a empresa Microsoft Licensing GP (fls 182 a 201), denominado de Contrato de Revendedor Direto para Grandes Contas (América Latina) de 2004/2005, tem seu objeto delimitado em sua cláusula 1: 1. Objeto O objeto deste Contrato é estabelecer a estrutura através da qual a MLGP autoriza a Revendedora, na qualidade de Revendedora não exclusiva, a distribuir Produtos, Componentes de Fl. 6773DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000061/201021 Acórdão n.º 3201001.518 S3C2T1 Fl. 2.332 29 Documentações c Materiais de Licenciamento referentes aos programas de licenciamento da Microsoft conforme especificados no(s) Adendo(s) ao presente instrumento, a Clientes baseados no Território. Exceto se indicado em contrário em qualquer Adendo aplicável anexo ao presente instrumento, o termo "Território" significa o Brasil, onde a Revendedora esta baseada, A Revendedora só poderá distribuir os Produtos, os Componentes de Documentação e os Materiais de Licenciamento a Clientes que forem pessoas jurídicas devidamente constituídas de acordo com as leis do, e localizadas no, Território, e que tiverem designado a Revendedora nos Contratos de Clientes correspondentes. A recorrente, portanto, possui contrato com a empresa Microsoft que lhe autoriza distribuir, sem exclusividade, os produtos, componentes e licenças referente a seus programas de computador. A definição dos clientes, contudo, é restrita a pessoas jurídica, não sendo permitida a venda a pessoas físicas. Tal fato, por si só, já impede a venda no comércio varejista, característica da venda de softwares em cópias múltiplas. Observase ainda neste contrato a presença de inúmeras obrigações assumidas pela recorrente, obrigações que não são características da venda de “softwares de prateleira”. A cláusula 2.5, a, exige que os pedidos sejam feitos apenas em relação a clientes já cadastrados e aceitos pela Microsoft: 2.5. Pedidos e Pagamentos à MLGP (a) A Revendedora se compromete a apresentar à MLGP apenas pedidos de Produtos, Componentes de Documentação e Materiais de Licenciamento para os quais a Revendedora tenha recebido solicitação por escrito de Clientes, de acordo com os termos e condições dos respectivos Contratos de Cliente. A MLGP poderá, a qualquer momento, solicitar documentação para comprovar tais solicitações dos Clientes, e se reserva o direito de não processar quaisquer modificações de pedidos nos termos da subseção (b) (v) abaixo, caso tal comprovação não seja devidamente apresentada. (grifo nosso) A cláusula 2.9 deste contrato estabelece a obrigação da recorrente de nomear um representante para a função de Administrador de Programa da Revendedora: 2.9. Funções dos Administradores do Programa Para cada Programa de Licenciamento, conforme especificado no(s) Adendo(s) anexo(s), a Revendedora nomeará um representante para a função de Administrador de Programa da Revendedora. A Revendedora concorda em disponibilizar essa pessoa, além de outros membros da equipe de vendas da Revendedora, para treinamento sobre o Programa de Licenciamento Microsoft e sobre as políticas de licenciamento relacionadas a tais Produtos, nos locais e nas datas conforme Fl. 6774DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI 30 solicitados, de maneira razoável, pela MLGP. A(s) pessoa(s) designada(s) pela Revendedora como seus Administrador(es) de Programa deverão ter bons conhecimentos sobre os produtos Microsoft e respectivos Programas de Licenciamento. 0(s) Administrador (es) de Programa ficarão responsáveis por administrar todos os Clientes da Revendedora e por divulgar todas as informações sobre os programas, conforme necessárias dentro da organização da Revendedora, e, em conjunto com o Gerente de Conta ou com o Contato da Microsoft, ficarão responsáveis por resolver quaisquer problemas referentes a determinado Cliente. 0(s) Administrador (es) de Programa da Revendedora serão as pessoas designadas na página de assinaturas. A Revendedora fornecerá à MLGP notificação por escrito, com antecedência mínima de dez (10) dias, sobre qualquer mudança ou substituição de pessoa(s) que estiverem desempenhando papel ou função de Administrador de Programa. (grifo nosso) A inclusão de novos clientes exige ainda a anuência da Microsoft: 2.10. Clientes Novos Periodicamente, a MLGP deverá especificar os termos e condições através dos quais a Revendedora pode solicitar novos Clientes dentro do Programa de Licenciamentos conforme identificado nos Adendos, incluindo, sem restrições, exigências de volume mínimo de compra. A MLGP se reserva o direito de aceitar ou rejeitar, a seu exclusivo critério, qualquer Contrato de Cliente novo. (grifo nosso) A cláusula 2.13 exige a designação de um funcionário em tempo integral para a função de Coordenador de treinamento interno: 2.13. Treinamento Além de suas obrigações consoante a Seção 2.9 acima, a Revendedora devera designar um (1) funcionário qualificado em tempo integral para exercer a função de Coordenador de treinamento Interno, para atividades relacionadas a este Contrato. O Coordenador de Treinamento Interno devera assegurar que todo o pessoal da Revendedora envolvido na venda, marketing e administração deste Contrato tenham concluído, e continuem a empreender e a completar, qualquer treinamento necessário, além de fazer todos os cursos e obter todos os certificados fornecidos periodicamente pela MLGP, as expensas da Revendedora. A cláusula 3.2 permite ainda a Microsoft cancelar os contratos efetuados pela recorrente com clientes. Já a clausula 4.4 define o direito da Microsoft de verificar e exigir o atendimento de compromisso e metas por parte da recorrente, referente ao desempenho das obrigações contratuais. Ressaltase ainda o direito da Microsoft de auditar a contabilidade da recorrente, previsto na cláusula 8: Fl. 6775DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000061/201021 Acórdão n.º 3201001.518 S3C2T1 Fl. 2.333 31 8. Direito de Auditar Durante o prazo de vigência deste Contrato, e durante um prazo de três (3) anos contados a partir do término deste Contrato, a Revendedora manterá e conservará todos os livros e registros pertinentes (de acordo com as regras, regulamentos, resoluções, princípios e práticas contábeis conforme aceitas na jurisdição da Revendedora) conforme relacionados ao desempenho deste Contrato pela Revendedora, incluindo, sem restrições, documentos referentes a aquisição, entrega e destruição de Produtos. No nesmo período, ás expensas da MLGP e mediante notificação por escrito com antecedência de 18 horas à Revendedora (exceto para auditorias referentes a software falsificado), a MLGP ou o representante designado por ela poderão conduzir auditorias nos. livros, registros, operações, processos e instalações aplicáveis da Revendedora, durante qualquer determinado período de tempo, para verificar cumprimento, pela Revendedora, dos termos deste Contrato. Qualquer auditoria desse tipo será conduzida por contador público autorizado ("CPA") cujos honorários serão pagos pela MLGP. O CPA se comprometera, por escrito, a não revelar a terceiros nem os resultados da auditoria, nem qualquer informação relacionada à Revendedora. A Revendedora deverá corrigir imediatamente quaisquer erros e omissões encontrados (incluindo quaisquer deficiências de pagamentos pelos Produtos) conforme descobertos pelas auditorias. Qualquer auditoria desse tipo ocorrerá durante horário comercial normal, nos escritórios da Revendedora, sem interferir de maneira não razoável com as atividades comerciais da Revendedora. A Revendedora disponibilizará a MGLP acesso a todos os livros, registros, operações, processos e instalações que MLGP possa necessitar para concluir uma auditoria correta e cuidadosa. Se for a auditoria for conduzida com notificação aviso, a Revendedora deverá disponibilizar todos os livros, registros e operações aplicáveis a MLGP no início da auditoria. A Revendedora pagará a MLGP (a) custos da auditoria, caso qualquer auditoria descobrir discrepância de 2% ou mais na quantia relatada durante o período de auditoria aplicável e (b) o preço do Produto que a Revendedora deixou de relatar. Caso MLGP tenha feito quaisquer recomendações comercialmente razoáveis à Revendedora em relação à manutenção de registros, a Revendedora deverá implantar tais recomendações dentro de um prazo razoável conforme objeto de acordo mútuo. Constatase ainda que as obrigações assumidas pela recorrente com a empresa Software Spectrum são semelhantes as dispostas com a Microsoft. Da leitura dos contratos resta claro que as atividades da recorrente correspondem a distribuição, não exclusiva, no país, de programas de computador, cujos direitos autorais pertencem a empresas estrangeiras. Estas empresas cederam os direitos de comercialização de seus produtos, acompanhados das respectivas licenças, a clientes definidos como grandes empresas. Fl. 6776DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI 32 A recorrente incumbiase de celebrar os contratos de licença de uso dos programas de computador com estes clientes Do exposto, concluise que a atividade da recorrente tem características de verdadeiro sublicenciamento dos programas de computados pertencentes à Microsoft e a Spectrum às empresas brasileiras. Atua como representante comercial destas, tendo inclusive que prestar contas em relação à sua produtividade e à qualidade dos serviços prestados Não se trata de contrato com o objetivo de venda de softwares em cópias múltiplas, com caráter de mercadoria, mas sim de cessão de direito de comercialização e distribuição de programas de computador em cópia única, a grandes clientes, decorrente de seus direitos autorais. Tal fato configura a hipótese de incidência prevista no artigo 2º, §2º da Lei nº 10.168/2000, com redação dada pela Lei nº 10.332/2001. Esclarecese, conforme já explicitado, que à época dos fatos geradores objeto do auto de infração a caracterização da hipótese de incidência da CIDERoyalties em relação à remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador não exigia que o pagamento dos royalties fossem atrelados a contratos de transferência de tecnologia. Quanto ao argumento de que os valores teriam sido pagos ao autor da obra, e, diante do previsto no artigo 22, alínea “d”, da Lei nº 4.506/64, não se enquadrariam como royalties, conforme já exposto, a lei de proteção aos direitos autorais define como autor da obra intelectual protegida a pessoa física criadora, esclarecendo que a proteção concedida ao autor pode aplicarse as pessoas jurídicas detentoras destes direitos. No caso em tela, a Microsoft e a Spectrum eram titulares dos direitos autorais, contudo não eram os autores dos programas de computadores, a luz do disposto no artigo 11 da Lei nº 9.610/98, razão pela qual os valores percebidos em decorrência da exploração destes direitos autorais caracterizamse como royalties. A recorrente alega ainda a inconstitucionalidade da exação tendo em vista a falta de prévia regulamentação por Lei Complementar. Em atenção ao alegado, esclarecese que a Súmula CARF nº 2, de observância obrigatória por este colegiado, define que o CARF não é competente para apreciar as alegações de inconstitucionalidade de leis tributárias, razão pela qual não será conhecido o presente questionamento. Quanto aos questionamentos acerca da base de cálculo da Contribuição para Intervenção no Domínio Econômico, o §3º do art. 2º da Lei nº 10.168/2000 a define nestes termos: Art. 2º [...] § 3o A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2o deste artigo.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001)(grifo nosso) Fl. 6777DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000061/201021 Acórdão n.º 3201001.518 S3C2T1 Fl. 2.334 33 Da leitura do dispositivo acima, extraise que a contribuição incide sobre a remuneração decorrente da cessão dos direitos de comercialização. E por remuneração entendese todos os valores pagos, devidos ou creditados em decorrência de determinada obrigação contratual. A contribuinte, contratualmente, obrigouse a reter e recolher os valores devidos a título de IRRF. Ela, desta forma, assumiu o ônus do imposto de renda devido pelo beneficiário. Como consequência, ao reter o valor devido pelas empresas Microsoft e Spectrum, a recorrente deixou de enviar os valores a estas empresas. Tal fato, contudo, não retira dos valores retidos a característica de corresponderem a remuneração decorrente da cessão dos direitos de comercialização dos programas de computador. Assim, mostrase correta a inclusão na base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico os valores retidos a título de IRRF. Quanto ao argumento de inconstitucionalidade da exigência da multa e dos juros em decorrência da ausência de norma penal específica, conforma já salientado, a Súmula CARF nº 2, de observância obrigatória por este colegiado, define que o CARF não é competente para apreciar as alegações de inconstitucionalidade de leis tributárias, razão pela qual o pleito não pode ser concedido. Diante do exposto, voto por não dar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Declaração de Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Em que pese a clareza e o brilhantismo do voto do relator, fazse necessário considerar que, no caso concreto – comercialização ou distribuição de programas de computador sem transferência de tecnologia –, a norma contida no art. 2º, § 1A, da Lei nº 10.168, de 2000, com redação dada pela Lei nº 11.452, de 2007, comporta mais de uma interpretação, sendo que, na visão de alguns, a interpretação adotada pelo voto vencedor não é a mais adequada. A primeira interpretação possível é a de que o referido dispositivo legal é meramente interpretativo, razão pela qual a sua aplicação poderia perfeitamente retroagir, nos termos do art. 106, inc. I, do Código Tributário Nacional. Por essa razão, o lançamento ora guerreado não poderia prosperar. A segunda interpretação possível é a de que a segunda parte do referido dispositivo legal teria limitado uma das hipóteses de não incidência da CIDE instituída pela Lei Fl. 6778DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI 34 nº 10.168, de 2000, uma vez que nem sempre os programas de computador são comercializados ou distribuídos sem transferência de tecnologia, nos termos do art. 11, parágrafo único, da Lei nº 9.609, de 1998. Confirase: Lei nº 10.168/00 Art. 1º. [...] § 1º. [...] § 1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (Grifouse) Lei nº 9.609/98 Art. 11. Nos casos de transferência de tecnologia de programa de computador, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial fará o registro dos respectivos contratos, para que produzam efeitos em relação a terceiros. Parágrafo único. Para o registro de que trata este artigo, é obrigatória a entrega, por parte do fornecedor ao receptor de tecnologia, da documentação completa, em especial do código fonte comentado, memorial descritivo, especificações funcionais internas, diagramas, fluxogramas e outros dados técnicos necessários à absorção da tecnologia. Ainda segundo os defensores dessa interpretação, essa limitação da hipótese de não incidência da CIDE equivaleria à instituição de CIDE sobre nova hipótese de incidência, razão pela qual esse dispositivo legal somente poderia ser aplicado para fatos geradores ocorridos posteriormente à data da publicação da Lei nº 11.452, de 2007, em respeito ao princípio da irretroatividade da lei tributária. Na visão deste julgador que ora apresenta declaração de voto, a interpretação mais adequada é a primeira entre as apresentadas acima. Isso porque, desde a alteração promovida na Lei nº 10.168, de 2000, pela Lei nº 10.332, de 2001, a CIDE passou a incidir sobre pagamentos de royalties de qualquer natureza, desde que realizados por pessoa jurídica domiciliada no Brasil a benefíciario residente ou domiciliado no exterior. Sendo assim, ao inserir no art. 1º da Lei nº 10.168, de 2000, o seu § 1ºA, o legislador objetivou esclarecer que não incide a CIDE sobre os royalties pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos ao exterior, em decorrência de contrato de comercialização ou distribuição de programa de computador sem transferência de tecnologia. Com a máxima vênia ao entendimento que prevaleceu no colegiado, é pouco razoável entender que o legislador criou uma nova hipótese de não incidência da CIDE a partir da edição da Lei nº 11.452, de 2007. Uma coisa é instituir um benefício fiscal para dispensar o pagamento do tributo em determinada hipótese de incidência (isenção); outra bem diferente é criar, pela via infraconstitucional, uma hipótese de não incidência (imunidade). Esta seria uma conduta totalmente anormal, atípica e quiçá inconstitucional do legislador ordinário. Com efeito, firmase na presente declaração de voto as razões da divergência. Daniel Mariz Gudiño Fl. 6779DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16643.000061/201021 Acórdão n.º 3201001.518 S3C2T1 Fl. 2.335 35 Fl. 6780DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 14751.720202/2012-35
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 30/06/2011
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS. MULTA DE MORA. OBSERVÂNCIA DA NORMA MAIS BENÉFICA
Constitui infração à legislação previdenciária a empresa apresentar GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, art. 106 do CTN.
Autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da vigência da MP n° 449/1996, vislumbra-se a possibilidade de, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, reduzir a penalidade para adequá-la ao artigo 32-A da Lei nº 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para aplicar a multa do art. 32-A, inciso I da lei 8.212/91, caso seja mais benéfica ao contribuinte.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Léo Meirelles do Amaral e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS. MULTA DE MORA. OBSERVÂNCIA DA NORMA MAIS BENÉFICA Constitui infração à legislação previdenciária a empresa apresentar GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas. A lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, art. 106 do CTN. Autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da vigência da MP n° 449/1996, vislumbrase a possibilidade de, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, reduzir a penalidade para adequála ao artigo 32A da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para aplicar a multa do art. 32A, inciso I da lei 8.212/91, caso seja mais benéfica ao contribuinte. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 72 02 02 /2 01 2- 35 Fl. 569DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14751.720202/201235 Acórdão n.º 2803003.177 S2TE03 Fl. 570 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Léo Meirelles do Amaral e Eduardo de Oliveira. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14751.720202/201235 Acórdão n.º 2803003.177 S2TE03 Fl. 571 3 Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte CHURRASCARIA CABO BRANCO LTDA. em face de acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), que, por unanimidade de votos, negou provimento à impugnação mantendo o crédito tributário exigido. 2. Na espécie, após procedimento fiscal, lavrouse quatro autos de infração contra o contribuinte referentes ao período de 01/2010 a 12/2010, a saber: a) Auto de Infração nº 51.028.3713, que trata de obrigação principal referente à rubrica das contribuições descontadas dos segurados; b) Auto de Infração nº 51.028.3721, que trata de obrigação principal referente à rubrica das contribuições patronais (RAT e FAP); c) Auto de Infração nº 51.028.3730, que trata de obrigação principal referente à rubrica das contribuições destinadas a terceiros; e d) Auto de Infração nº 51.028.3748, que trata de obrigação acessória (multa). 3. Transcrevos excertos do relatório fiscal (fls. 35/45), nos quais se verifica a motivação da lavratura dos autos de infração, in verbis: “Nas Folhas de Pagamento apresentadas à fiscalização, verificouse que não há identificação das bases de cálculo das contribuições previdenciárias e para Terceiros incidentes sobre os pagamentos de férias e verbas rescisórias, que são exibidos pelos seus valores brutos nas rubricas "0033 (FERIAS)" e "0034 (RESCISÃO)", respectivamente, conforme resumos mensais anexos. As bases de cálculo das contribuições acima mencionadas e o INSS descontado dos empregados de férias ou demitidos foram, então, obtidos a partir dos "Recibos de Férias" e "Termos de Rescisão do Contrato de Trabalho TRCT" anexos. Ainda nas Folhas de Pagamento apresentadas, constatouse que a empresa não considerou como bases de cálculo as remunerações pagas a menores aprendizes em diversas competências. As correspondentes contribuições previdenciárias (parte dos segurados e patronal) e para Terceiros foram apuradas pela fiscalização e lançadas nos Autos de Infração n° 51.028.3756, 51.028.3764 e 51.028.3772, que integram o Processo n° 14751.720201/201291. Cumpre mencionar que a empresa encontrase beneficiada por medida liminar proferida nos autos da Ação Ordinária n° 441976.2009.4.05.8200 Classe 29, ora em andamento, que Fl. 571DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14751.720202/201235 Acórdão n.º 2803003.177 S2TE03 Fl. 572 4 deferiu em parte pedido de antecipação da tutela e determinou a suspensão da exigibilidade do recolhimento das contribuições previdenciárias, parte patronal (art. 22 da Lei n° 8.212/91), incidentes sobre os valores pagos a título de adicional de férias. Para prevenir a decadência, tais contribuições foram lançadas no Auto de Infração n° 51.028.3780, que integra o Processo n° 14751.720.200/201246 e que deverá permanecer sobrestado até o trânsito em julgado da ação judicial. As contribuições para Outras Entidades e Fundos (Terceiros) incidentes sobre o adicional de férias não foram abrangidas pela decisão judicial e constam do Auto de Infração n° 51.028.3730. Uma vez que os autos de infração lavrados por falta ou insuficiência de recolhimento se referem a contribuições não declaradas em GFIP, foram consideradas como parâmetros de comparação, na apuração dos valores lançados, as GFIP relacionadas no Quadro 01 a seguir, enviadas pela e empresa antes do início da ação fiscal, conforme comprovantes de declaração anexos. Confrontandose o saláriofamília e o saláriomaternidade dos resumos mensais das folhas de pagamento com as respectivas informações declaradas em GFIP, constatouse a existência de valores não declarados, demonstrados no Quadro 02 abaixo, que foram utilizados a título de crédito em favor da empresa no Auto de Infração n° 51.028.3713, conforme se verifica na coluna "DEDUÇÕES" do relatório "DD DISCRIMINATIVO DO DÉBITO". Não há outras deduções passíveis de apropriação em favor da empresa relativamente ao período fiscalizado {01 a 13/2010) haja vista que: a) A empresa não efetuou qualquer pagamento em Guia da Previdência Social GPS antes do início da ação fiscal e b) Os créditos previdenciários constituídos antes do início da ação fiscal, representados pelos "Débito Confessado em GFIP DCG" n° 39.787.6483 e 39.787.6491, ora em fase de execução judicial, correspondem exclusivamente a valores declarados em GFIP, ao passo que os presentes autos se referem a contribuições não declaradas. O "Fator Acidentário de Prevenção FAP" é um multiplicador variável de 0,5000 a 2,0000 pontos, a ser aplicado sobre a alíquota da contribuição para custeio dos benefícios decorrentes dos "Riscos Ambientais do Trabalho RAT" e é disponibilizado por empresa, anualmente, pela Previdência Social, com base m dados dos 02 anos anteriores. Verificouse que a empresa informou o FAP igual a 0,5000 nas GFIP relacionadas no Quadro 01, quando o correto seria 1,0000, já que a Previdência Social não divulgou o referido Fl. 572DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14751.720202/201235 Acórdão n.º 2803003.177 S2TE03 Fl. 573 5 multiplicador para o ano de 2010, implicando redução indevida do "RAT ajustado" (RAT x FAP) e conseqüente cálculo a menor da respectiva contribuição. Nos relatórios que compõem os Autos de Infração por insuficiência ou falta de recolhimento (51.028.3713, 51.028.3721 e 51.028.3730), as informações encontramse agrupadas, conforme suas características, em módulos denominados "LEVANTAMENTOS'.” 4. A contribuinte foi intimada da constituição do crédito tributário em 24.11.2012 (fls. 424) e, por não se conformar apresentou impugnação (fls. 428/462) ao lançamento fiscal. 5. De sua vez, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), ao julgar a peça impugantória rejeitou os argumentos da contribuinte, tendo proferido o acórdão lavrado com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 30/06/2011 DIFERENÇA DE ALÍQUOTA DO FAP. INFORMAÇÕES EM GFIP. Em sendo constatado que o empregador pessoa jurídica descumpriu a obrigação acessória, ao apresentar GFIP com dados incorretos em relação aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, é cabível a constituição, de ofício, dos créditos previdenciários suplementares. PERÍCIAS E PRAZO PARA PRODUÇÃO DE PROVAS Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, e não sendo necessário conhecimento técnicocientífico especializado para sua análise, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. É considerado não formulado o pedido de perícia sem indicação do nome, endereço e qualificação profissional do perito. Está precluso o direito de produção de novas provas documentais. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” 6. A contribuinte foi intimadaa da referida decisão em 06.09.2013, conforme faz prova o AR da ECT de fls. 530, tendo interposto o Recurso Voluntário de fls. 531/536, acompanhado dos documentos de fls. 537/566. 7. Em suas razões recursais, a Recorrente, limitandose ao Auto de Infração nº. 51.028.3721 (referente à rubrica das contribuições patronais – RAT e FAP), argumenta que, em que pese ter informado em GFIP o percentual de 0,5% referente à obrigação FAP, os valores efetivamente recolhidos a esse título observaram o percentual de 1%. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14751.720202/201235 Acórdão n.º 2803003.177 S2TE03 Fl. 574 6 8. Ademais, assinala que a incorreção quanto ao percentual decorreu de mero erro formal, não devendo ser considerado para fins de autuação fiscal. 9. Ao final, postula o acolhimento de seu recurso e, no mérito, o cancelamento do débito fiscal. 10. Não tendo havido contrarrazões por parte da Fazenda Nacional, os autos foram remetidos a este Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14751.720202/201235 Acórdão n.º 2803003.177 S2TE03 Fl. 575 7 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DO MÉRITO 2. A princípio, saliento que a contribuinte não impugnou em seu recurso voluntário os créditos tributários erigidos dos autos de infração nº 51.028.3713, 51.028.3730 e 51.028.3748, o que, em razão da preclusão administrativa, os torna definitivos. 3. Quanto ao auto de infração 51.028.3721, a própria empresa informa em seu recurso que declarou em GFIP valores inferiores ao que deveria constar na declaração referente ao FAP das competências 01/2010 a 13/2010, o que também pode se constatar dos próprios documentos acostados aos autos, em total consonância com o considerado pelo auditor fiscal no momento da autuação. 4. Portanto, tendo sido verificado que houve inexatidão nas declarações em GFIP e que os procedimentos adotados pela autoridade fiscal estão isentos de vícios, devese manter o crédito previdenciário em relação à diferença de alíquotas aplicadas na rubrica RAT em função do erro no percentual do FAP. 5. No entanto, tendo em vista a superveniência de legislação mais benéfica no que se refere à penalidade por descumprimento de obrigação acessória, passo à análise dessa matéria. 6. Sucede que a Lei n.º 11.941, de 2009, alterou a Lei n.º 8.212/91 para abrandar os valores da multa aplicada: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14751.720202/201235 Acórdão n.º 2803003.177 S2TE03 Fl. 576 8 § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” 7. Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. 8. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. 9. Fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos Fl. 576DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14751.720202/201235 Acórdão n.º 2803003.177 S2TE03 Fl. 577 9 federais), percebese que as regras diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. (...). Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições (...). Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 10. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. 11. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: “Auto de Infração sem Tributo Fl. 577DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14751.720202/201235 Acórdão n.º 2803003.177 S2TE03 Fl. 578 10 Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” 12. Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A, da Lei n° 8.212/1991, que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. 13. Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. 14. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Fl. 578DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14751.720202/201235 Acórdão n.º 2803003.177 S2TE03 Fl. 579 11 Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” 15. No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n° 449/1996, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...). Fl. 579DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 14751.720202/201235 Acórdão n.º 2803003.177 S2TE03 Fl. 580 12 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” 16. E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas existem limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. 17. Dos apontamentos precedentes, importante frisar que, como regra, a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, conforme estabelece o art. 106 do CTN. 18. Assim, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Porém, nos casos em que a multa contida no auto de infração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. 19. Razão pela qual entendo que os valores impostos pelo fisco devem ser retificados, conforme o novo regramento do citado artigo 32A, se mais benéfico para o contribuinte. CONCLUSÃO 20. Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito dar lhe provimento parcial com a aplicação da multa prevista no art. 32A, I, da Lei nº 8.212/91, caso seja mais benéfica ao contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 08/0 4/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 10140.721246/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Léo Meirelles do Amaral , Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1338; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10140.721246/201210 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.348 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 20 de fevereiro de 2014 Assunto DIFERENÇAS DE CONTRIBUIÇÕES, TERCEIROS, SIMPLES Recorrente CONTAFÁCIL SERVIÇOS EXPRESSOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Léo Meirelles do Amaral , Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 40 .7 21 24 6/ 20 12 -1 0 Fl. 525DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721246/201210 Resolução nº 2401000.348 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO O presente AI de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.338.6036, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela destinada a terceiros, referentes as diferenças de contribuições declaradas em GFIP, considerando a exclusão da empresa do SIMPLES. Os fatos geradores compreendem o no período de 07/2007 a 12/2008, inclusive 13 salário. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 22 e seguintes, diante da constatação e caracterização de grupo econômico de fato e da consideração da receita bruta do grupo, elaborouse representação fiscal, propondo a exclusão do contribuinte Pagueaqui Recebimentos e Serviços Ltda do regime tributário Simples Nacional, previsto na Lei Complementar 123, de 14/12/2006. O Ato Declaratório Executivo ADE n°. 14, de 21/05/2012, publicado no Diário Oficial da União n°. 99, Seção 1, de 23/05/2012, estabeleceu a exclusão do contribuinte do Simples Nacional com efeitos retroativos a partir de 01/07/2007. O ADE estabeleceu ainda o prazo de 30 dias, contados da ciência deste, para a apresentação de manifestação de inconformidade. A ação fiscal estendeuse a todas as empresas, as quais são geridas pelo casal Arthur Lemos Nogueira e Deyse Liliana Faccin, com suporte técnico do contador Luiz Fernando Ferreira da Silva. São elas: 1 Contafacil Serviços Expressos Ltda – EPP; 2 Maisfacil Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda – ME; 3 ContafacilMS Cobranças Atendimentos e Serviços Ltda – ME e 4 Pagueaqui Recebimento e Serviços Ltda – EPP; 5 ContafácilES Cobranças Atendimentos e Serviços LtdaME. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 28/05/2012, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 29/05/2012. Consta informação fiscal fls. 442, acerca da cientificação dos sujeitos passivos – grupo econômico, onde consta a seguinte informação: No dia 24/05/2012 foram entregues as cópias dos ADE´s nº 11, 12, 13, 14 e 15, de 21/05/2012, e da "Representação Fiscal Exclusão do Simples" e seus anexos a Arthur Lemos Nogueira (Pagueaqui Recebimentos e Serviços Ltda EPP, CNPJ 04.716.037/000171, e Maisfacil Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda ME, CNPJ 09.555.050/000100) e a Deyse Liliana Faccin Nogueira (Contafacil Serviços Expressos Ltda– EPP, CNPJ 06.253.153/000127, Contafacil Fl. 526DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721246/201210 Resolução nº 2401000.348 S2C4T1 Fl. 4 3 MS Cobranças Atendimentos e Serviços Ltda ME, CNPJ 11.467.807/000155 e ContafacilES Cobranças Atendimentos e Serviços Ltda ME, CNPJ 11.471.415/000160), conforme atestam os "Termos de Entrega de Cópia de Documento". Isto ocorreu na rua Rachid Neder, nº 115, Bairro Monte Castelo, Campo GrandeMS, endereço onde mantêm escritório comercial. 2. No dia 29/05/2012, conforme anteriormente agendado, compareci neste mesmo endereço para colher ciência nos autos de infração e termos de sujeição passiva solidária lavrados contra estas empresas. Desta feita, entretanto, Arthur Lemos e Deyse Liliana informaram que receberiam apenas os autos e termos das empresas Pagueaqui Recebimentos e Serviços Ltda EPP, Maisfacil Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda ME e ContafacilMS Cobranças Atendimentos e Serviços Ltda ME, conforme orientação recebida de seu advogado. 3. Diante disto, os autos de infração e termos de sujeição passiva solidária lavrados contra as empresas Contafacil Serviços Expressos Ltda – EPP e ContafacilES Cobranças Atendimentos e Serviços Ltda ME foram encaminhados por via postal para o endereço cadastral das sedes destes contribuintes, qual seja, rua Gonçalves Luiz Martins, nº 371, Centro, JaraguariMS. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 431 a 439. 2 – a exclusão de ofício das empresas optantes pelo SIMPLES NACIONAL deverá ocorrer em observância à forma regulamentada pelo CGSN (Art. 29, § 3o). Ainda, a lei complementar assinala o marco a partir do qual são aplicáveis as regras gerais da tributação no caso das empresas excluídas: a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão (Art. 32, caput); 3 – de acordo com as disposições regulamentares a exclusão das microempresas e empresas de pequeno porte do SIMPLES NACIONAL somente se torna eficaz a partir do seu trânsito em julgado administrativo, isto é, a partir do momento em que houver decisão administrativa definitiva e desfavorável ao contribuinte. Isto, para o caso de o contribuinte ter impugnado o termo de exclusão; 4 a autoridade autuante constituiu o crédito tributário contra os impugnantes com base nas normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, sem que ela estivesse sujeita ao regime jurídico geral da tributação. A primeira impugnante, quando da lavratura do auto de infração, sujeitavase ao regime do SIMPLES NACIONAL e não às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas; 5 a autoridade fiscal autuou a primeira impugnante por violação à legislação tributária geral quando ela estava sujeita às normas do regime simplificado. De fato, ela pretendeu conferir à representação fiscal, mera proposta de exclusão, efeitos jurídicos que ela não possui; 6 tendo a primeira impugnante apresentado tempestivamente sua manifestação de inconformidade contra a exclusão, esta não produz efeitos enquanto não se tornar definitiva a decisão favorável ao Fisco, Fl. 527DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721246/201210 Resolução nº 2401000.348 S2C4T1 Fl. 5 4 caso ocorra. Assim, a primeira impugnante continua sujeita às normas do SIMPLES NACIONAL; 7 o Art. 75, § 5o, da Resolução CGSN n. 94/2011 prevê expressamente que é condição sine qua non para que se aperfeiçoe a exclusão de qualquer micro ou pequena empresa, que esta exclusão seja registrada no Portal do Simples Nacional na internet, sem o que não produz qualquer efeito; 8 a exclusão da primeira impugnante do SIMPLES NACIONAL, no caso em tela, é ineficaz, ainda não se tornou efetiva, na forma do Art. 32, caput c.c Art. 75, § 3o, da Resolução CGSN n. 94/2011. Em consequência, autuação é ilegal, pois que fundada em normas legais inaplicáveis, no caso, o regime geral da seguridade social previsto na Lei n.8.212/91 e seu regulamento. DAS MULTAS DE MORA E DE OFÍCIO. 9 – há que se reconhecer a impossibilidade de aplicação aos impugnantes da multa prevista pelo Art. 35 da Lei n. 8.212/91, como pretendido pela autoridade fazendária; 10 uma vez excluída a empresa do SIMPLES NACIONAL, ela ficará sujeita ao recolhimento dos valores tributários devidos acrescidos, tão somente, de juros de moras, consoante Art. 32, § 1 o , da LC 123/2006; 11 – existe procedimento específico para a exclusão da ME ou EPP do SIMPLES NACIONAL. Primeiro, há que se excluíla, desenquadrála efetivamente, ou seja, com uma decisão definitiva no âmbito administrativo desfavorável ao contribuinte (Art. 75, § 3o , RCGSN 94/2011). Ato subsequente, à empresa deverá ser concedido prazo de 30 dias, na forma do Art. 160, caput, do CTN, já que não há previsão legislativa expressa a respeito, para que se efetue o pagamento "da totalidade ou da diferença dos respectivos tributos, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência", o que deverá ocorrer acrescidos, tãosomente, de juros de mora; 12 há que se instaurar, de modo sucessivo dois procedimentos administrativos distintos, quais sejam: O primeiro, visando a exclusão da ME ou da EPP do SIMPLES NACIONAL e, o segundo, na eventualidade de, tendo sido definitivamente excluída a empresa, e transcorrido in albis o prazo para pagamento do crédito tributário devido com o acréscimo dos juros de mora, a fiscalização de ofício, visando a aplicação das penalidades pecuniárias cabíveis, sendo que este último é absolutamente dependente do primeiro. 13 ilegal e indevida a aplicação das multas de mora e de ofício, pois embora proposta sua exclusão do SIMPLES NACIONAL, ela ainda não se tornou definitiva, já que impugnada; e se tivesse sido efetivamente excluída, a LC 123/2006, regulamentada pela RCGSN n.94/2011, impõe como procedimento obrigatório, que se fixe o prazo para pagamento do crédito tributário eventualmente devido acrescido tão somente dos juros de mora. Somente depois disso, se escoado o prazo referido sem o pagamento na forma como prevista pelo Art.32, § 1 o , da LC 123/2003, poderseia falar em procedimento fiscalizatório de ofício com a consequente aplicação das penalidades. Fl. 528DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721246/201210 Resolução nº 2401000.348 S2C4T1 Fl. 6 5 14 a autuação fiscal é improcedente, por ausência do fato antecedente a fundamentarlhe a imputação do crédito tributário na forma como pretendida e por violação ao Art. 29, I c.c § 3 o e Art. 32, caput e § 1 o , ambos da Lei Complementar n.123/2006, os quais disciplinam o procedimento de exclusão das ME's e EPP's do SIMPLES NACIONAL. Do Pedido Os impugnantes requerem: 1 – Seja anulado o auto de infração DEBCAD n. 37.338.60361, afastandose, por conseguinte, a cobrança dos valores exigidos; 2 protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, especialmente pela juntada de novos documentos, diligências e, se necessário, testemunhas, a fim de alcançar a verdade material e a legalidade objetiva que informam o processo administrativo tributário; O recorrente anexou a sua impugnação cópia da manifestação de inconformidade no processo n. 10140.721138/201247, no qual questiona a sua exclusão do SIMPLES, fls. 452 a 466. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 477 a 484, destacando àquela autoridade que embora exista manifestação de inconformidade referente a sua exclusão do SIMPLES, ainda pendente de julgamento perante a DRF, tal fato não representa óbice ao lançamento do crédito tributário, podendo este ser anulado em caso de decisão transitada em julgado a favor do contribuinte. Transcrevese abaixo, ementa do referido acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 EXCLUSÃO DO SIMPLES Os procedimentos atinentes ao ato de exclusão de empresas do programa Simples Nacional devem ser contestados em processo próprio, ou seja, em manifestação de inconformidade apresentada em razão do Ato Declaratório Executivo que determinou a exclusão. MULTAS DE MORA MULTA DE OFÍCIO. Excluídas do Simples Nacional, as empresas sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, sendo que os créditos tributários apurados serão acrescidos, tãosomente, de juros de mora, quando o pagamento for efetuado antes do início de procedimento de ofício. JUNTADA POSTERIOR DE PROVA O prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A DRF apresentou embargos ao acórdão proferido, fl. 486. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela empresa CONTA FÁCIL SERVIÇOS EXPRESSOS LTDA, ARTHUR LEMOS NOGUEIRA E DEYSE LILIANA FACCIN, conforme fls. 507 a 518, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, quais sejam: Fl. 529DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721246/201210 Resolução nº 2401000.348 S2C4T1 Fl. 7 6 (i)preliminarmente, improcedência da autuação em razão razão da falta de definitividade da exclusão da primeira recorrente do SIMPLES NACIONAL, conforme Arts. 29 c.c. 32 da Lei Complementar n. 123/2006 e Art. 75, §§ 3o e 4o da Resolução CGSN 94/2011; (ii) aplicação indevida das multas de mora e de ofício, por inobservância ao devido processo legamente estabelecido para exclusão e autuação das MEs e EPPS, em contrariedade ao Art. 32, § 1o , da lei complementar n. 123/2006; A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721246/201210 Resolução nº 2401000.348 S2C4T1 Fl. 8 7 VOTO Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 520. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Pela análise dos autos identificase que o fato que ensejou a lavratura dos Autos de infração nos moldes em que se encontram, foi indevido enquadramento no SIMPLES de acordo com informações prestadas pelo próprio auditor fiscal em seu relatório e na Representação de Exclusão, face a carcaterização de grupo econômico de fato. Importante mencionar que o presente processo encontrase vinculado ao processo n. 10140.7212452012 75, onde foi lançada a obrigação principal. A autoridade julgadora de 1ª instância julgou o AI procedente, destacando que embora exista manifestação de inconformidade referente a sua exclusão do SIMPLES, ainda pendente de julgamento perante a DRF, tal fato não representa óbice ao lançamento do crédito tributário, podendo este ser anulado em caso de decisão transitada em julgado a favor do contribuinte. Todavia, ao contrario do que entendeu referido julgador e mesmo considerando terem sido apresentados e rebatidos diversos argumentos em sede de recurso, entendo haver uma questão prejudicial ao presente julgamento. À decisão da procedência ou não do presente autodeinfração está ligado à sorte da Representação Fiscal – Exclusão do SIMPLES, Processo n. 10140.721138/201247, considerando que as contribuições aqui lançadas deramse exclusivamente pela exclusão da empresa do sistema SIMPLES. Contudo, após pesquisas no sistema do CARF, não se identificou decisão final a respeito das mesma, ou mesmo ter sido o processo distribuído. Em ´pesquisa ao sistema e processo foi possível identificar a existência de despacho determinando o arquivamento do processo, porém existe pedido de juntada de documentos em aberto, onde conta recurso voluntário do recorrente. Assim, para evitar decisões discordantes fazse imprescindível primeiro a análise da Representação de Exclusão, para só então julgarse a procedência da presente autuação e de todas as suas correlatadas. Dessa forma, entendo que o melhor encaminhamento é determinar o retorno do processo à DRFB jurisdicionante, devendo o autodeinfração ficar sobrestado aguardando o julgamento das do AI conexa(s). Tão logo o processo de Representação Fiscal – Exclusão do SIMPLES, Processo n. 10140.721138/201247 seja julgado no âmbito do CARF, devem os autos retornar ao CARF para que seja dado prosseguimento ao julgamento. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721246/201210 Resolução nº 2401000.348 S2C4T1 Fl. 9 8 CONCLUSÃO: Voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, devendo ser sobrestado este autodeinfração até o transito em julgado da Representação Fiscal – Exclusão do SIMPLES, Processo n. 10140.721138/201247. Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado deve ser conferida vistas ao recorrente, abrindose prazo normativo para manifestação. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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