Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,079)
- Primeira Turma Ordinária (16,582)
- Primeira Turma Ordinária (16,499)
- Primeira Turma Ordinária (16,374)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,098)
- Segunda Turma Ordinária d (14,576)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,567)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (86,067)
- Terceira Câmara (68,611)
- Segunda Câmara (57,558)
- Primeira Câmara (21,900)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (129,102)
- Segunda Seção de Julgamen (116,246)
- Primeira Seção de Julgame (78,191)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,426)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,618)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,281)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,929)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,938)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,877)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,802)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,962)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,676)
- 2010 (18,059)
- 2026 (17,170)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (21,392)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10925.720113/2014-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2014
INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos da SÚMULA CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
CONDUTA. ADEQUAÇÃO À NORMA TRIBUTÁRIA PENAL. OCORRÊNCIA.
No âmbito administrativo, à autoridade julgadora cumpre, tão somente, aferir se a conduta descrita na peça de autuação amolda-se à prevista na norma de sanção que serviu de suporte para a aplicação da penalidade, circunstância que, no caso sob apreciação, resta indubitável.
Numero da decisão: 1301-001.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luís Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2014 INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da SÚMULA CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONDUTA. ADEQUAÇÃO À NORMA TRIBUTÁRIA PENAL. OCORRÊNCIA. No âmbito administrativo, à autoridade julgadora cumpre, tão somente, aferir se a conduta descrita na peça de autuação amolda-se à prevista na norma de sanção que serviu de suporte para a aplicação da penalidade, circunstância que, no caso sob apreciação, resta indubitável.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10925.720113/2014-61
anomes_publicacao_s : 201512
conteudo_id_s : 5554295
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1301-001.850
nome_arquivo_s : Decisao_10925720113201461.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : WILSON FERNANDES GUIMARAES
nome_arquivo_pdf_s : 10925720113201461_5554295.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luís Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
id : 6232684
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048121760546816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1868; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 260 1 259 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.720113/201461 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.850 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de dezembro de 2015 Matéria MULTA REGULAMENTAR COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Recorrente VALPASA INDÚSTRIA DE PAPEL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2014 INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da SÚMULA CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONDUTA. ADEQUAÇÃO À NORMA TRIBUTÁRIA PENAL. OCORRÊNCIA. No âmbito administrativo, à autoridade julgadora cumpre, tão somente, aferir se a conduta descrita na peça de autuação amoldase à prevista na norma de sanção que serviu de suporte para a aplicação da penalidade, circunstância que, no caso sob apreciação, resta indubitável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luís Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 01 13 /2 01 4- 61 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10925.720113/201461 Acórdão n.º 1301001.850 S1C3T1 Fl. 261 2 Relatório Cuida o presente processo de exigência de MULTA REGULAMENTAR, formalizada em decorrência da constatação de COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. Em sede de impugnação (fls. 126/138), a autuada trouxe alegações direcionadas para as seguintes matérias: violação ao direito de petição e ao direito de propriedade (multa confiscatória); violação ao postulado da proporcionalidade; e inexistência de ato ilícito a ser penalizado. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, Minas Gerais, apreciando as razões trazidas pela defesa, decidiu, por meio do acórdão nº 09 52.534, de 26 de junho de 2014, pela procedência do lançamento tributário. Referida decisão foi assim ementada: COMPENSAÇÃO Compensação que utiliza crédito oriundo de titulo público deve ser considerada como não declarada. MULTA REGULAMENTAR O destino da multa regulamentar está intimamente ligado ao dos processos que guardam os PER/Dcomps. Ou seja, se não declaração dqa compensação for mantida naqueles processos, a multa há que ser mantida. Se for derrubada total ou parcialmente, a multa deve acompanhar esta decisão1 Às fls. 197/213, foi juntado o recurso voluntário protocolizado em 28 de julho de 2014, em que, basicamente, a contribuinte renova a argumentação expendida na peça impugnatória. É o Relatório. 1 Transcrição literal. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10925.720113/201461 Acórdão n.º 1301001.850 S1C3T1 Fl. 262 3 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Em conformidade com a peça de autuação, à contribuinte, ora Recorrente, foi imputada a realização de COMPENSAÇÃO CONSIDERADA COMO NÃO DECLARADA nos termos da legislação de regência. Em virtude de tal imputação, foi aplicada a multa de ofício de 75%, com suporte no disposto no § 4º do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, abaixo transcrito. Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ... § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) O inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, estabelece: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) ... § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) ... II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do DecretoLei no 491, de 5 de março de 1969; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) c) refirase a título público; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 262DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10925.720113/201461 Acórdão n.º 1301001.850 S1C3T1 Fl. 263 4 d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) No caso vertente, o crédito indicado pela contribuinte para fins de compensação tributária está representado por valores correspondentes a imóveis de sua propriedade que foram desapropriados pelo IBAMA, restando evidente, assim, que ele, o crédito, não se refere a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. Em sede de recurso voluntário, repisando argumentos veiculados por meio da peça impugnatória anteriormente apresentada, a contribuinte tece considerações no sentido de que a multa aplicada representa violação aos seus direitos fundamentais, tais como: devido processo legal; ampla defesa e contraditório; e vedação ao confisco. Em suma, a contribuinte sustenta que o dispositivo legal que serviu de lastro à aplicação da penalidade colide com a Constituição Federal. Tais questionamentos, como é cediço, não podem ser objeto de apreciação em seara administrativa, conforme súmula CARF nº 2, abaixo transcrita. SÚMULA CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Adiante, a Recorrente declina argumentos com intuito de demonstrar que, no caso, inexiste ato ilícito a ser penalizado. Alega que "a multa prevista no art. 18 § 4º da Lei nº 10.833/03 impõe pena aos contribuintes pelo simples exercício regular dos seus direitos, qual seja, o de peticionar aos entes da administração pública, e não por ato ilícito por eles praticados". Mais uma vez, a argumentação expendida pela Recorrente direcionase no sentido de contestar o dispositivo legal, sem, contudo, negar que adotou a conduta nele prevista e autorizadora da aplicação da sanção. No caso vertente, a contribuinte apresentou declaração de compensação indicando como crédito disponibilidades que não guardam qualquer relação com tributos ou contribuições administrados pela Receita Federal, motivo pelo qual referida compensação foi considerada como NÃO DECLARADA. A referida COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA em virtude da indicação de crédito não se refira a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, tem tratamento específico na legislação tributária, qual seja, aplicação de penalidade, nos exatos termos do disposto no § 4º do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003. Diante do exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. "documento assinado digitalmente" Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 263DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10925.720113/201461 Acórdão n.º 1301001.850 S1C3T1 Fl. 264 5 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 16643.720032/2013-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
LUCROS NO EXTERIOR. COLIGADAS. PARAÍSOS FISCAIS. NÃO SITUADA.
Em face da decisão proferida pelo STF no julgamento da ADI nº 2.588, afasta-se a tributação efetuada com base no artigo 74 da MP nº 2.158-35/01 sobre lucros auferidos no exterior por empresas coligadas não situadas em paraísos fiscais.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 1401-001.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009, 2010 LUCROS NO EXTERIOR. COLIGADAS. PARAÍSOS FISCAIS. NÃO SITUADA. Em face da decisão proferida pelo STF no julgamento da ADI nº 2.588, afasta-se a tributação efetuada com base no artigo 74 da MP nº 2.158-35/01 sobre lucros auferidos no exterior por empresas coligadas não situadas em paraísos fiscais. Recurso de Ofício Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16643.720032/2013-22
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5567374
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1401-001.497
nome_arquivo_s : Decisao_16643720032201322.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RICARDO MAROZZI GREGORIO
nome_arquivo_pdf_s : 16643720032201322_5567374.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
id : 6276117
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048121773129728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1766; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 918 1 917 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16643.720032/201322 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1401001.497 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de janeiro de 2016 Matéria IRPJ. Tributação de lucros obtidos no exterior. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CERVEJARIAS REUNIDAS SKOL CARACU S.A. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 LUCROS NO EXTERIOR. COLIGADAS. PARAÍSOS FISCAIS. NÃO SITUADA. Em face da decisão proferida pelo STF no julgamento da ADI nº 2.588, afastase a tributação efetuada com base no artigo 74 da MP nº 2.15835/01 sobre lucros auferidos no exterior por empresas coligadas não situadas em “paraísos fiscais”. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 72 00 32 /2 01 3- 22 Fl. 918DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16643.720032/201322 Acórdão n.º 1401001.497 S1C4T1 Fl. 919 2 Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso. Tratase de recurso de ofício contra acórdão proferido pela DRJ/Brasília que concluiu pela improcedência total dos lançamentos efetuados. No mesmo acórdão, recorreuse de ofício em face da exoneração de crédito tributário que superou o limite previsto na Portaria MF nº 03/2008. Os créditos tributários lançados, no âmbito da Demac/SP, referentes ao IRPJ e à CSLL, devidos nos períodos de apuração correspondentes aos anoscalendário de 2008 a 2010, totalizaram o valor de R$ 161.560.093,58. A autuação foi motivada pela não computação dos lucros auferidos no exterior nas bases de cálculo daqueles tributos. Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: É detalhado que o sujeito passivo, nas datas autuadas, detinha participação no capital das investidas HOHNECK S/A e LAMBIC HOLDING S/A, ambas com sede na Argentina, nos percentuais de 49,31% e 21,90%, respectivamente, e, assim, os ganhos produzidos por esses investimentos societários, avaliados pelo método da equivalência patrimonial, devem ser computados nos valores tributáveis pelo IRPJ e pela CSLL, na forma da Lei nº. 9.249, de 1995, art. 25 e §§ 2º e 3º; Instrução Normativa SRF nº. 213, de 2002, art. 6º; e Medida Provisória nº. 2.15835, de 2001, arts. 21 e 74. Consta a ressalva de que a pretensão do fisco brasileiro não recai sobre os contribuintes domiciliados na Argentina, e sim sobre o acréscimo patrimonial obtido pela investidora nacional, que se consideram disponibilizados na data do balanço, conforme art. 74 da precitada MP nº. 2.15835, de 2001, de forma que, nesta circunstância, não se está atropelando a Convenção para Evitar a Dupla Tributação em Matéria de Impostos sobre a Renda e o Capital BrasilArgentina (Dec. nº. 87.896, de 1982). A contribuinte foi cientificada das exigências por via postal em 19/07/2013 (AR à fl. 777), e, irresignada com a acusação fiscal, apresentou em data de 19/08/2013 a impugnação acostada às fls. 804/825, da qual se extrai a síntese exposta a seguir. DA INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVO LEGAL Frisa que, consoante detalha textualmente o TFV, o sustentáculo jurídico da exigência tributária é a disponibilidade ficta dos lucros auferidos por investidas da impugnante com domicílio no exterior, nos termos definidos pelo art. 74 da MP nº. 2.15835, de 2001, a respeito do qual, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº. 2.588, julgou parcialmente procedente a ação para, com eficácia erga omnes e efeito vinculante, conferir Fl. 919DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16643.720032/201322 Acórdão n.º 1401001.497 S1C4T1 Fl. 920 3 interpretação conforme, no sentido de que o art. 74 da MP nº. 2.15835/2001 não se aplica às empresas coligadas localizadas em países sem tributação favorecida (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei). No caso concreto, conforme é reconhecido pela própria autoridade fiscal, a impugnante era detentora de 49,31% do capital da HOHNECK e de 12,90% do capital da LAMBIC, sendo as investidas, portanto, coligadas e localizadas na Argentina (não paraíso fiscal), aplicandose, assim, a decisão da Corte Maior, a qual entendeu que tais investimentos não são alcançados pela incidência da tributação prevista no art. 74 da MP nº. 2.15835/2001. Destaca que, nos moldes proferidos, a decisão do STF produz de imediato a eficácia prevista no art. 102, § 2º., da Constituição Federal, assim como no art. 28 da Lei nº. 9.868, de 1999, parágrafo único, reproduzindo excertos doutrinários a respeito da matéria. DO TRATADO FIRMADO ENTRE BRASIL E ARGENTINA Diante da remota eventualidade de rejeição do argumento supra, aponta que há outros motivos para não prevalecerem os lançamentos, em vista das disposições expressas na Convenção firmada entre o Brasil e a Argentina para Evitar a Dupla Tributação e prevenir a Evasão Fiscal (aprovada pelo Decreto Legislativo nº. 74, de 1981 e promulgada pelo Decreto Presidencial nº. 87.896, de 1982), isto porque o art. 98 do CTN estabelece de forma clara que os tratados e convenções internacionais prevalecem sobre a legislação tributária interna, e, no mesmo sentido, o art. 997 do RIR/99. Nesse contexto, ainda que se entenda que, como sustenta a fiscalização, o que está sendo tributado não é o lucro das empresas argentinas (o que seria vedado pelo art. 7º do Tratado), mas sim o lucro da empresa brasileira, de qualquer modo no caso específico do Tratado BrasilArgentina e dos investimentos detidos pela impugnante, mesmo como ficção de dividendos, esta tributação é expressamente vedada. Cita em defesa de sua tese a redação dos arts. 10, §§ 1º e 2º e 23, § 2º, do referido Tratado, para concluir que mesmo que válida fosse a ficção de pagamento dos dividendos, estes teriam sido tributados na Argentina, e, por conseqüência, estariam isentos de tributação do IRPJ no Brasil, estendendose esse entendimento também à CSLL, por ser exação de natureza semelhante ao IRPJ, trazendo a esse respeito citações da jurisprudência e da doutrina. DA NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO Admitindo, apenas a título de argumentação, que ainda assim prevaleça a exigência fiscal, desde já impugna a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, argumentando que, seja por enfoque literal, teleológico ou sistemático, a única interpretação possível do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, é que o dispositivo autoriza a incidência de juros somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o valor da multa de ofício lançada, até porque referido artigo disciplina os acréscimos moratórios incidentes sobre os débitos em atraso que ainda não foram objeto de lançamento. Ilustra sua defesa com jurisprudência administrativa, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, acrescentando que o art. 43, parágrafo único, da mesma Lei nº. 9.430, de 1996, corrobora o entendimento de que os juros não Fl. 920DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16643.720032/201322 Acórdão n.º 1401001.497 S1C4T1 Fl. 921 4 incidem sobre a multa de ofício não isolada, pois caso contrário haveria violação não só ao próprio dispositivo como também aos arts. 5º, II e 150, I, da CF/88 e ao art. 97 do CTN. Ao apreciar a impugnação apresentada, a 2ª Turma da já mencionada DRJ/Brasília proferiu o Acórdão nº 0354.935, de 13 de setembro de 2013, por meio do qual decidiu pela improcedência total dos lançamentos efetuados. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 ADI. EFEITOS. EMPRESAS COLIGADAS. PAÍS SEM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA. Por força do efeito da decisão proferida pelo STF no julgamento da ADI nº. 2.588, cabe afastar a tributação efetuada com base no art. 74 da MP nº. 2.15835, de 2001, sobre a equivalência patrimonial de investimentos de empresa nacional no capital de coligadas localizadas na Argentina. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009, 2010 LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplicase ao lançamento da CSLL o decidido em relação ao IRPJ exigido a partir de infrações da mesma natureza. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O valor do crédito tributário exonerado pela decisão de primeira instância supera aquele previsto no artigo 2º da Portaria MF nº 375/2001, com o valor alterado pela Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008 (tributos e encargos de multa superior a R$ 1.000.000,00), motivo pelo qual o recurso de ofício interposto deve ser conhecido. Fl. 921DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16643.720032/201322 Acórdão n.º 1401001.497 S1C4T1 Fl. 922 5 A exigência do presente processo foi fundamentada no comando legal veiculado no artigo 74 da MP nº 2.15835/01, verbis: Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Como se sabe, a constitucionalidade desse artigo foi analisada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na ADI nº 2.588 e seu julgamento definitivo veio a ser conhecido na sessão plenária de 10/04/2013, com resultado publicado em 18/04/2013, com o seguinte teor: Decisão: Prosseguindo no julgamento, o Tribunal, por maioria, julgou parcialmente procedente a ação para, com eficácia erga omnes e efeito vinculante, conferir interpretação conforme, no sentido de que o art. 74 da MP nº 2.15835/2001 não se aplica às empresas “coligadas” localizadas em países sem tributação favorecida (não “paraísos fiscais”), e que o referido dispositivo se aplica às empresas “controladas” localizadas em países de tributação favorecida ou desprovidos de controles societários e fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei), vencidos os Ministros Marco Aurélio, Sepúlveda Pertence, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. O Tribunal deliberou pela não aplicabilidade retroativa do parágrafo único do art. 74 da MP nº 2.15835/ 2001. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa, que lavrará o acórdão. Não participaram da votação os Ministros Teori Zavascki, Rosa Weber, Luiz Fux, Dias Toffoli e Cármen Lúcia, por sucederem a ministros que votaram em assentadas anteriores. Impedido o Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 10.04.2013. (grifei) Portanto, no caso de lucros auferidos por coligadas localizadas em países sem tributação favorecida, o STF declarou que o artigo 74 da MP nº 2.15835/01 é inconstitucional. Os lançamentos, conforme explicitado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 764 a 776), decorrem de lucros auferidos pelas empresas HOHNECK S.A. e LAMBIC HOLDING S.A., cujas participações societárias detidas pela empresa autuada eram, respectivamente, de 49,31% e 12,90%. Fl. 922DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16643.720032/201322 Acórdão n.º 1401001.497 S1C4T1 Fl. 923 6 As hipóteses de controle e coligação1, estão reproduzidas no Regulamento do Imposto de Renda (aprovado pelo Decreto nº 3.000/99) com o seguinte conteúdo: Art.384. Serão avaliados pelo valor de patrimônio líquido os investimentos relevantes da pessoa jurídica (Lei nº 6.404, de 1976, art. 248, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 67, inciso XI): I em sociedades controladas; e II em sociedades coligadas sobre cuja administração tenha influência, ou de que participe com vinte por cento ou mais do capital social. §1º São coligadas as sociedades quando uma participa, com dez por cento ou mais, do capital da outra, sem controlála (Lei nº 6.404, de 1976, art. 243, §1º). §2º Considerase controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores (Lei nº 6.404, de 1976, art. 243, §2º). (grifei) Assim, quaisquer participações superiores a 10% do capital da investida configuram a coligação, desde que a investidora não possua direitos que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores. Esta última circunstância, no entanto, não foi apontada pela fiscalização. Ao contrário, sempre que fez referência, no Termo de Verificação Fiscal, à hipótese do artigo 25 da Lei nº 9.249/95 que deveria ser aplicada ao caso, destacou os trechos que tratavam das “coligadas” (fls. 767 e 774). Além disso, nas três DIPJ entregues pela empresa, o percentual sobre o capital votante é sempre idêntico ao percentual sobre o capital total (49,3% e 12,9% Vide fls. 213, 249 e 287). Ademais, os demonstrativos da estrutura societária do grupo empresarial apresentados à fiscalização indicam que o controle das empresas HOHNECK ARGENTINA e LAMBIC ARGENTINA deveriam ser exercidos pela empresa AMBEV (detentora das participações societárias equivalentes, respectivamente, à 50,7% e 87,1% (fls. 447 a 449). Por outro lado, para conferir praticabilidade à aplicação das regras que definem os chamados “paraísos fiscais” (países ou dependências com tributação favorecida e regimes fiscais privilegiados), a Instrução Normativa SRF nº 188/02, depois revogada, bem como a Instrução Normativa nº 1.037/10, listaram essas hipóteses. Em ambos os textos, a Argentina não se encontra na lista dos países com tributação favorecida. 1 Como a empresa foi optante pelo RTT nos anos de 2008 (fls. 184) e 2009 (fls. 218) e a opção era obrigatória no ano de 2010, não se aplicavam à época dos fatos as novas alterações sobre as regras de coligação e controle promovidas pela Lei nº 11.638/07 e 11.941/09. Fl. 923DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16643.720032/201322 Acórdão n.º 1401001.497 S1C4T1 Fl. 924 7 Resta, então, claro o enquadramento do presente caso na situação declarada inconstitucional pelo STF. O afastamento da aplicação de dispositivo de lei que já tenha sido declarado inconstitucional com eficácia erga omnes e efeito vinculante pelo STF é uma medida que se impõe para toda a Administração Pública. No âmbito deste Colegiado, confirase o que dispõe o artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (...) Portanto, correta a decisão recorrida que afastou a tributação de caso que se enquadra na hipótese de artigo declarado inconstitucional com eficácia erga omnes e efeito vinculante. Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso necessário. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 924DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 11/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.721417/2013-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2007, 2008
PAGAMENTOS SEM CAUSA. INCIDÊNCIA DO IRRF.
Ficam sujeitos à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
Numero da decisão: 1402-002.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada e ao recurso voluntário do coobrigado, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Mateus Ciccone, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2007, 2008 PAGAMENTOS SEM CAUSA. INCIDÊNCIA DO IRRF. Ficam sujeitos à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.721417/2013-61
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5574830
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1402-002.118
nome_arquivo_s : Decisao_19515721417201361.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : LEONARDO DE ANDRADE COUTO
nome_arquivo_pdf_s : 19515721417201361_5574830.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada e ao recurso voluntário do coobrigado, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Mateus Ciccone, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
id : 6310080
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:46:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048121811927040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2180; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.737 1 1.736 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.721417/201361 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1402002.118 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 01 de março de 2016 Matéria IRRF PAGAMENTOS SEM CAUSA Recorrentes FAZENDA NACIONAL CASA VERRE INDÚSTRIA E COMÉRCIO EIRELI ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Aplicase a norma de decadência do art. 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN) aos casos de tributos submetidos ao regime de lançamento por homologação quando o sujeito passivo não realizar os pagamentos ditos antecipados, contandose o prazo qüinqüenal a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. No caso de tributos em relação aos quais o sujeito passivo é responsável tributário pela retenção, esse procedimento não equivaleria à antecipação de pagamento realizada pelo próprio contribuinte, referida no art. 150 do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007, 2008 PAGAMENTOS SEM CAUSA. INCIDÊNCIA DO IRRF. Ficam sujeitos à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada e ao recurso voluntário do coobrigado, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 14 17 /2 01 3- 61 Fl. 1737DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Mateus Ciccone, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1738DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721417/201361 Acórdão n.º 1402002.118 S1C4T2 Fl. 1.738 3 Relatório Tratase de auto de infração à legislação do Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, lavrado em 20/06/2013, pela Delegacia Especial de Fiscalização – DEFIS em São Paulo/SP, para constituir o crédito tributário no total de R$ 10.681.062,26 (incluídos o principal, a multa de ofício de 75% e a multa qualificada de 150%, e os juros de mora devidos até a data da lavratura), tendo em conta as irregularidades apuradas, nos anoscalendário 2007 e 2008, descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 195/206, parte integrante da peça acusatória. Foram analisados extratos bancários de titularidade do sujeito passivo em diversas instituições financeiras. Após intimações para que fosse justificados pagamentos e transferências para diversas pessoas físicas e jurídicas, restaram diversos pagamentos não justificados e não escriturados que sofreram a incidência do IRRF como pagamentos sem causa, nos termos do art. 674 do RIR/99. As irregularidades referentes aos pagamentos registrados na contabilidade foram apenadas com multa de 75% e as demais com multa de 150%. Em impugnação a autuada sustenta, sinteticamente: A ocorrência da decadência; Excesso na utilização do MPF; Não houve omissão de receita e nem há justificativa para a imputação da multa qualificada, pois foram prestados todos os esclarecimentos requeridos; Não se justifica a tributação do IRRF pois todos os pagamentos guardam relação com as atividades exercidas pela autuada; e: Não caberia a responsabilidade solidária do sócio, pois não ocorreu o fato imputado e o art. 135 do CTN deveria ser analisado em conjunto com o art. 134, implicando que a responsabilização do sócio só poderia ocorrer na liquidação da sociedade A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento prolatou o Acórdão 1656.3330 acolhendo parcialmente a decadência. Nas demais questões, manteve o lançamento. Devidamente cientificado, o sujeito passivo recorre a este Colegiado ratificando as razões expedidas na peça impugnatória. É o relatório. Fl. 1739DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O recurso voluntário da pessoa jurídica autuada e do coobrigado foram apresentados tempestivamente e por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual deles conheço. Registrese que a impugnação da pessoa jurídica, supostamente não apresentada, foi trazida por cópia junto com o recurso voluntário. A arguição de decadência já foi enfrentada pela decisão recorrida tendo sido parcialmente provida e objeto de recurso de ofício, em relação ao qual voto por negarlhe provimento, eis que o acórdão questionado aplicou corretamente a regra do inciso I, do art. 173 do CTN. Registrese que, diversamente do suscitado em sede de recurso voluntário, a regra aplicada pela decisão recorrida não teve por base a ocorrência de fraude. Assim se manifestou o acórdão; [...] Na verdade, a apuração de pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa constituise em indício de irregularidades, alçado ao status de presunção legal que permite concluir que, até prova em contrário, os pagamentos se encontram no campo de incidência do IRRF, configurandose claramente como hipóteses de incidência de tributo, sujeitas a lançamento de ofício, e não a lançamento por homologação, sendo aplicável o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN, tendo por termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. [...] Mesmo que assim não o fosse, a manutenção da multa qualificada, como se verá em momento posterior deste voto, levaria a contagem do prazo para o inciso I, do art. 173, nos moldes decididos pela decisão recorrida. Sendo assim, rejeitase a arguição de decadência suscitada no recurso voluntário. O suposto excesso em relação ao MPF não ocorreu, pois houve a devida alteração para inclusão do IRRF, conforme documento de fl.3. A questão da omissão de receita é estranha ao feito e tratada no processo 19515.721416/201316. Também naquele processo foi abordada a questão do sigilo bancário nos seguintes termos: O fornecimento de informações bancárias pelas instituições financeiras à autoridade fiscalizadora não constitui quebra de sigilo, nos termos do inciso III, do § 3º, do artigo 1º da Lei Complementar nº 105/01, observadas as disposições do artigo 6º dessa mesma norma. Com previsão expressa, não há ilegalidade na obtenção dessas informações: Fl. 1740DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721417/201361 Acórdão n.º 1402002.118 S1C4T2 Fl. 1.739 5 Art. 1o As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (......) § 3o Não constitui violação do dever de sigilo: (.......) III – o fornecimento das informações de que trata o § 2o do art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996; (......) (grifo acrescido) Por sua vez, a Lei nº 10.174/01 deu nova redação ao art. 11 da Lei nº 9.311/96 de forma a permitir que as informações bancárias fossem utilizadas na constituição de crédito tributário relativo a outros tributos administrados pela Receita Federal, além da CPMF: Art. 1o O art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 11................................................................. ............................................................................" "§ 3o A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores." (NR) (grifo acrescido) A aplicabilidade dos dispositivos legais em comento só poderia ser afastada por decisão judicial nesse sentido específica para o sujeito passivo ou Acórdão do STF proferido em caráter definitivo com eficácia universal. No mérito, a interessada sustenta que todos os pagamentos guardam relação com as atividades da empresa. Entretanto não apresentou qualquer documento na impugnação ou no recurso. Ressaltese que tal procedimento foi mantido mesmo após a decisão recorrida ter se manifestado de forma esmiuçada sobre cada um dos valores questionados e justificado plenamente o posicionamento de não acatálos. Por questões práticas não transcreverei a criteriosa análise feita pela decisão recorrida mas adoto aqui as mesmas razões de decidir quanto à não aceitação dos pagamentos. Em relação à multa qualificada, todos os pagamentos foram feitos à margem da escrituração de forma a ocultar as operações e os impactos tributários. Correta a imputação da exasperadora. A sujeição passiva solidária justificase pelo fato do sócio ter praticados atos lesivos à pessoa jurídica com impactos tributários qual seja, a utilização de recursos da Fl. 1741DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 empresa para pagamento de despesas particulares, enquadrandose perfeitamente no art. 135, do CTN. De todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica e do coobrigado. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 1742DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 15/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001862/2002-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
LEI COMPLEMENTAR Nº 105 de 2001. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS AO FISCO. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL.
A Constituição Federal de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º).
O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, facultou à Receita Federal a utilização de informações sobre movimentação financeira, resguardado o devido sigilo, para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. Jurisprudência do STJ, em sede de recursos repetitivos (REsp 1134665 SP).
APLICAÇÃO DA LEI. RETROATIVIDADE.
O artigo 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. Súmula CARF nº 35.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Para fatos ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26:
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO DE TODOS OS CO-TITULARES. NECESSIDADE. SÚMULA CARF Nº 29.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-003.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do total lançado como omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, o valor de R$ 79.951,29, relativo à conta corrente no Banco Itaú S/A, vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA, que declarou a nulidade por vício formal em relação a essa conta corrente.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 LEI COMPLEMENTAR Nº 105 de 2001. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS AO FISCO. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. A Constituição Federal de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, facultou à Receita Federal a utilização de informações sobre movimentação financeira, resguardado o devido sigilo, para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. Jurisprudência do STJ, em sede de recursos repetitivos (REsp 1134665 SP). APLICAÇÃO DA LEI. RETROATIVIDADE. O artigo 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. Súmula CARF nº 35. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para fatos ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO DE TODOS OS CO-TITULARES. NECESSIDADE. SÚMULA CARF Nº 29. Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.001862/2002-58
anomes_publicacao_s : 201601
conteudo_id_s : 5559615
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2202-003.068
nome_arquivo_s : Decisao_19515001862200258.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
nome_arquivo_pdf_s : 19515001862200258_5559615.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do total lançado como omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, o valor de R$ 79.951,29, relativo à conta corrente no Banco Itaú S/A, vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA, que declarou a nulidade por vício formal em relação a essa conta corrente. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
id : 6255762
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048121828704256
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2518; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 242 1 241 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001862/200258 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.068 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de dezembro de 2015 Matéria IRPF Recorrente ROBERTO JOSÉ DE ARAÚJO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 LEI COMPLEMENTAR Nº 105 de 2001. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS AO FISCO. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. A Constituição Federal de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, facultou à Receita Federal a utilização de informações sobre movimentação financeira, resguardado o devido sigilo, para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. Jurisprudência do STJ, em sede de recursos repetitivos (REsp 1134665 SP). APLICAÇÃO DA LEI. RETROATIVIDADE. O artigo 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Súmula CARF nº 35. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para fatos ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 18 62 /2 00 2- 58 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.001862/200258 Acórdão n.º 2202003.068 S2C2T2 Fl. 243 2 instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO DE TODOS OS COTITULARES. NECESSIDADE. SÚMULA CARF Nº 29. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do total lançado como omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, o valor de R$ 79.951,29, relativo à conta corrente no Banco Itaú S/A, vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA, que declarou a nulidade por vício formal em relação a essa conta corrente. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Fl. 243DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.001862/200258 Acórdão n.º 2202003.068 S2C2T2 Fl. 244 3 Em desfavor do contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração relativo ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, do exercício de 1999, ano calendário de 1998, onde lhe foram exigidos R$ 121.171,09 a título de imposto, acrescido de multa de ofício proporcional, no percentual de 75%, e mais juros de mora calculados pela taxa Selic. No Termo de verificação Fiscal, que consta da folha 168 e seguintes, narra a Autoridade Fiscal que Roberto José de Araújo entregou tempestivamente sua DIRPF/1999, incluindo como dependentes o cônjuge Etelvina Gabriel de Almeida e os filhos Luciane Gabriel de Almeida Araújo, Rodrigo Gabriel de Almeida Araújo e Fernando Gabriel de Almeida Araújo. O procedimento fiscal foi instaurado inicialmente em nome de Etelvina, a fim de verificar movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados, no ano em questão, sendo posteriormente estendido a Roberto José, considerando que ele apresentara a DIRPF, informando Etelvina como dependente. Informou ainda a Fiscalização, na folha 170, que: Conforme informação fornecida pelo Banco Itaú S/A em 15/05/2002 (doc. de fls. 123), a conta corrente n° 215468 é titulada pelo cônjuge Etelvina Gabriel de Almeida e cotitulada pelo fiscalizado, e a conta corrente n° 409376, titulada pelo cônjuge Etelvina Gabriel de Almeida e cotitulada pela filha Luciane Gabriel de Almeida Araújo e por Delvair Luiza Almeida. A cotitular Luciane Gabriel de Almeida Araújo, todavia, conforme se observou, foi incluída como dependente na Declaração de Ajuste Anual do fiscalizado, porém, indevidamente, uma vez que foi apresentada por esta, Declaração de Ajuste Anual do ano calendário de 1998 como proprietária de microempresa (doc. de fls. 164).(grifei) E na folha 171, continuou: O fiscalizado e cônjuge, regularmente intimados, não lograram apresentar, até a presente data, qualquer documento capaz de justificar a origem dos recursos utilizados nas operações discriminadas nas relações de fls. 129 a 136.(destaquei) Tendo em vista que a conta corrente n° 409376 mantida no Banco Itaú S/A, conforme informação prestada pela instituição financeira, é titulada pelo cônjuge do fiscalizado, e cotitulada por Luciane Gabriel Almeida Araújo e Delvair Luiza Almeida, foi atribuído à titular, a terça parte dos recursos depositados/creditados nessa conta corrente (relação de fls. 161 a 163), com base no artigo 1° , parágrafo 2° da IN n° 246 de novembro de 2002 . Tais valores, adicionados aos recursos não comprovados, depositados/creditados na conta corrente n° 215468 do Banco Itaú S/A, foram caracterizados como omissão de rendimentos, na forma do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, alterado pelo artigo 4° da Lei n° 9.481/97 e artigo 849 do RIR/99. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.001862/200258 Acórdão n.º 2202003.068 S2C2T2 Fl. 245 4 Bem, em resumo, a Fiscalização apurou duas infrações, que restringiramse: 1) à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários em contas correntes mantidas no Banco Itaú S/A (encerramento do Termo, fl. 173) cuja origem dos recursos não foi comprovada e 2) glosa de dedução correspondente à dependente Luciane Gabriel Almeida Araújo, uma vez que a mesma apresentara declaração em separado. Inconformado com o lançamento tributário, o Contribuinte apresentou Impugnação, conforme fl. 182 e seguintes, onde alegou em suma que a autuação caracterizava "verdadeiro confisco" a seu patrimônio; a exigência de tributo com base em depósitos bancários era "condenada" na doutrina e jurisprudência; a presunção legal poria em risco princípios constitucionais e a Fiscalização não estabeleceu qualquer nexo entre os valores apurados e fatos que pudessem representar omissão de rendimentos. Sua manifestação foi tratada pela DRJ II em São Paulo/SP, que, em suma, assentou não ter sido Impugnada a matéria relativa à glosa de dependente, estando, portanto, fora do litígio; defendeu a manutenção do lançamento com base na presunção legal estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tratando da ausência de apresentação de documentos pelo Contribuinte, da inversão do ônus da prova e dos princípios da legalidade e capacidade contributiva. Discorreu ainda sobre as posições doutrinárias e jurisprudenciais que foram citadas e colacionadas pelo Impugnante. Assim, deuse a decisão de 1ª instância, para considerar procedente o lançamento. Cientificado em 14/08/2008, conforme Aviso de Recebimento na folha 214, o Contribuinte apresentou recurso voluntário em 15/09/2008, com protocolo na folha 215. Em sede de recurso, assim, em resumo, repisa os argumentos da Impugnação, para manifestar sua inconformidade: a) Constatada a movimentação de recursos em montantes incompatíveis com aqueles informados em sua declaração, a Fiscalização solicitou documentos relativos às contas correntes de sua titularidade/cônjuge, mas ocorre que, além dos extratos de movimentação, que apresentou conforme requerido, não possui qualquer outro documento que pudesse servir aos esclarecimentos solicitados; b) Diz que a movimentação financeira constatada decorre de revenda de "produtos do Paraguai", pertencentes a terceiros, pelo cônjuge e filhos, e que cabialhes um percentual de 20% sobre o valor da venda. Propõe que se considere apenas 20% do valor dos depósitos e o divida por 4, para esposa e três filhos, chegandose a uma renda "inexpressiva". c) Transcreve o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, negritando os parágrafos 3º, II, 5º e 6º; d) Fala da imposição da multa de ofício e transcreve jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes que se refere a "qualificação da multa"; e) Copia, então, tudo o que já dissera na Impugnação. PEDE o acolhimento e o provimento de seu recurso para julgar improcedente a autuação fiscal ou, alternativamente, que a autuação seja proporcional à renda auferida, excluindose inclusive a multa de 75%. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.001862/200258 Acórdão n.º 2202003.068 S2C2T2 Fl. 246 5 É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. Conheço do recurso, uma vez que tempestivo, conforme relatado, e com condições de admissibilidade. Esclareço que a ciência foi dada no dia 14 de agosto de 2008 e o término da contagem do prazo para a interposição do recurso caiu em 13 de setembro, um dia de sábado, transferindose, portanto, para 15 de setembro, dia da apresentação do recurso. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a existente após a digitalização do processo, transformado em meio magnético. (formato .pdf) Bem, como já assentado pela DRJ, a infração correspondente à glosa de dedução relativa a uma dependente que apresentou declaração em separado, naquele exercício, está fora do litígio, uma vez que não questionada pelo Recorrente e, inclusive, já foram adotadas as medidas para a transferência da parcela do crédito para outro processo. De início, como o lançamento objeto do presente processo versa sobre depósitos bancários de origem não comprovada, esclareço que o contribuinte, regularmente intimado, apresentou à fiscalização os extratos que serviram de base à apuração fiscal, como ele mesmo diz no recurso. A matéria relativa à utilização de informações bancárias por parte da RFB encontrase pacificada no STJ, que decidiu, em sede de recurso repetitivo, que a autoridade fazendária pode ter acesso às operações bancárias do contribuinte até mesmo para constituição de créditos tributários anteriores à vigência da Lei Complementar nº 105 de 2001, ainda que sem o crivo do Poder Judiciário. A ementa do acórdão submetido ao rito do art. 543C do CPC está assim redigida: QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. ... 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a Fl. 246DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.001862/200258 Acórdão n.º 2202003.068 S2C2T2 Fl. 247 6 impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. ... 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). ... 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. ... 20. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(REsp 1134665 SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Outrossim, esclareço que conforme artigo 72 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, as "decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória" pelos seus membros. Sobre a matéria relativa à tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada há várias delas em vigor, que indicam entendimentos convergentes, em inúmeros julgamentos. A utilização de súmulas, que também são aplicadas pelos Tribunais Judiciários, visa a conferir confiança, segurança e eficiência aos julgamentos administrativos, dentre outros princípios a serem observados pela Administração Pública. Diz a Súmula CARF nº 35: O artigo 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.001862/200258 Acórdão n.º 2202003.068 S2C2T2 Fl. 248 7 MÉRITO OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O Contribuinte também reconhece que ele e sua esposa, cotitulares de contas bancárias, foram regularmente intimados a comprovar, mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos depositados. Porém, diz que não possui, nem nunca possuiu, qualquer documentação. Os recursos seriam provenientes da revenda de produtos provenientes do Paraguai, sendo que a atividade proporcionaria à esposa e as três filhos apenas "20% de rendimentos" sobre o valor da venda. Primeiro não se tem nenhuma prova de que a origem dos depósitos seria a revenda de tais produtos, segundo, muito menos, que o rendimento seria de 20%. Quanto aos argumentos do Recorrente no sentido de que não é possível a autuação com base apenas nos depósitos bancários, sem que o Fisco demonstre a existência de renda, no conceito dado pelo artigo 43 do CTN, diz o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.001862/200258 Acórdão n.º 2202003.068 S2C2T2 Fl. 249 8 § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Ainda tocante a essa matéria, relativa a autuação com base apenas em presunção de renda caracterizada pelos depósitos bancários, baseada exclusivamente nos extratos, destaco que já há entendimento pacificado no âmbito do CARF, com a seguinte Súmula, que é de aplicação obrigatória por estes Conselheiros: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Isso porque existe, no caso, a inversão do ônus da prova, não necessitando o Fisco demonstrar que aquele depósito tratase de ingresso patrimonial inédito na esfera de disponibilidade do contribuinte, portanto passível de tributação, cabendo ao sujeito passivo demonstrar o contrário. As presunções legais são admitidas em diversos casos para fins de tributação e isso não é inovação ou exclusividade da legislação brasileira. Assim, os extratos bancários constantes dos autos (fls. 38 ss.) são suficientes para a comprovação dos depósitos bancários e sobre estes é correta a aplicação da presunção de omissão de rendimentos, quando o contribuinte, regularmente intimado, não demonstra, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. A comprovação da origem dos recursos deve ser feita "individualizadamente", como expressamente prescrito no § 3º do artigo 42, da Lei em comento. Ou seja, feito o lançamento fiscal, onde se demonstra a existência de depósitos em conta corrente de titularidade do contribuinte, no auto de infração lavrado com observância da legislação tributária, cabe a esse, conforme dispositivo legal acima transcrito, identificar, individualizadamente, a origem de cada depósito. Se era revenda de produtos, com rendimento de 20%, onde estão identificadas as entradas e saídas do numerário, quem são os clientes e fornecedores, como se chegou a esse percentual? Isso é o que estabelece a lei, não sendo possível ilidir o lançamento fiscal, que apontou um a um os créditos a serem justificados, com uma alegação genérica. O contribuinte diz que devese basear o lançamento proporcionalmente a sua disponibilidade patrimonial, mas a Súmula CARF nº 26, acima transcrita, que consolida o entendimento jurisprudencial deste CARF, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.001862/200258 Acórdão n.º 2202003.068 S2C2T2 Fl. 250 9 Ou seja, a jurisprudência antiga que só aceitava a autuação com base em depósitos bancários se houvesse a demonstração de consumo da renda ou acréscimo patrimonial está superada, prevalecendo a presunção legal e a inversão do ônus da prova. De fato, a presunção legal aqui discutida é relativa, mas o ônus de provar a origem dos depósitos é do Contribuinte, no caso. Quanto à inexistência de recibos de depósitos ou cópias dos cheques ou controles referentes a suas contas correntes, vejamos em destaque a parte do caput do artigo 42: "... regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." Ora, se não fosse obrigado a manter qualquer documentação que desse suporte à sua movimentação bancária, para, quando intimado, comprovar ao Fisco sua atividade informal de revenda de mercadorias, que sentido teria essa parte sublinhada do dispositivo legal? DA TITULARIDADE DAS CONTAS BANCÁRIAS Preceitua o artigo 124, I, do CTN que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Obviamente que o casal, aqui nestes autos, enquadrase nessa situação, ambos interessados na movimentação da conta da qual eram cotitulares. Diz BECHO: “Que é ter interesse comum no fato gerador? Parecenos ser quando há mais de uma pessoa ocupando o mesmo pólo de uma relação jurídica....Há situações econômicas em que mais de uma pessoa ocupa uma mesma posição em relação a outras. É o que ocorre na copropriedade. Quando houver mais de um proprietário (contribuinte), haverá solidariedade entre eles. (BECHO, Renato Lopes. A Responsabilidade Tributária dos Sócios tem fundamento legal? RDDT 182/107, nov/2010, apud PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.952) E arremata o parágrafo único do artigo 124 do CTN que “a solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem”. No caso da conta nº 215468, que conforme o Termo de verificação Fiscal era titulada pelo Contribuinte e seu cônjuge, ambos foram regularmente intimados a comprovar a origem dos depósitos e, considerando que apresentaram declaração em conjunto, figurando um como dependente do outro, a apuração deuse naquele que apresentouse como titular na declaração de rendimentos. Não é o caso, portanto, de se falar no § 6º do artigo 42, porque ele aplicase apenas quando os cotitulares apresentam declaração em separado: § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (sublinhei) Fl. 250DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.001862/200258 Acórdão n.º 2202003.068 S2C2T2 Fl. 251 10 Entretanto, para a conta nº 409376, a Fiscalização apontou que eram co titulares Etelvina, Luciane (filha) e Delvair Luiza de Almeida (Termo, fl. 170). Nesse caso, importante transcrever Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. (sublinhei) Tendo a Fiscalização, no curso do procedimento fiscal, constatado que a conta pertencia às três titulares acima citadas, tinha por obrigação intimar as três, para a comprovação da origem dos depósitos. Não o fez. Isso decorre da exigência contida no parágrafo 6º acima destacado. A Fiscalização dividiu por três o valor dos depósitos para efetuar a apuração do tributo, mas não intimou todas as cotitulares, não se encontrando nos autos prova da intimação tampouco menção a isso no Termo de Verificação Fiscal. É de se destacar que tal parágrafo só foi incluído pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e o Auto de Infração foi lavrado em 08/01/2003, mas a lei estava em vigor e produzindo efeitos. Também, ressalto que a Fiscalização estava ciente que Luciane Almeida Araújo apresentara declaração em separado, sendo esse inclusive o motivo da outra infração apontada no Auto, para a glosa de dedução com dependente, e que Delvair Luiza não figura como dependente na declaração do Contribuinte sob fiscalização. Por fim, em relação à conta ter sido usada "por terceiros", dizendo que seriam eles sua esposa e filhos, primeiro não traz, como já se disse, nenhuma prova, segundo a esposa é uma das titulares da conta, não podendo ser dita "terceiro". Preceitua o artigo 121 do CTN que contribuinte é aquele que tenha relação pessoal e direta como o fato gerador da obrigação tributária. No caso, a obrigação apurada decorre dos depósitos e quem seriam os contribuintes, na ausência de qualquer prova em contrário, que não os titulares da conta bancária? Esse é o entendimento também já sumulado desta instância recursal: Súmula CARF nº 32: A titularidade das depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros.(sublinhei) DOS LIMITES PARA A TRIBUTAÇÃO COM BASE NOS DEPÓSITOS, NO CASO DE PESSOA FÍSICA Verifico no rol de depósitos (fl. 132 e ss.) na conta nº 215468 sobre os quais os Contribuintes foram intimados a apresentar comprovação da origem que apenas um valor é superior a R$ 12.000,00, qual seja, um depósito de R$ 20.000,00 em 11/09/1998. Considerando que o total de depósitos cuja origem não foi comprovada na conta com dois cotitulares foi de R$ 359.590,85 (fl. 171), estão observados os limites estabelecidos no inciso II, do parágrafo 3º Fl. 251DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.001862/200258 Acórdão n.º 2202003.068 S2C2T2 Fl. 252 11 do dispositivo legal em comento, não havendo razão para o destaque que fez o Contribuinte, na peça recursal. Vejamos a interpretação dada pela jurisprudência consolidada deste CARF, para os limites do art. 42, § 3º, II, da Lei nº 9.430/96, conforme Súmula CARF nº 61: Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Os depósitos iguais ou inferiores a R$ 12.000,00, no caso, importam em R$ 339.590,85 (o total apurado menos o citado depósito de R$ 20.000,00) e, mesmo considerando a existência de dois titulares, a soma para cada um ainda é bem maior que R$ 80.000,00. DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA Neste aspecto, importante frisar que a falta de recolhimento do imposto constatada nos autos enseja sua exigência por meio de lançamento de ofício, com a aplicação da multa de ofício de 75%, prevista na Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 44, inciso I, que dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” A jurisprudência colacionada pelo Recorrente referese à multa qualificada, que tem seu percentual dobrado, para 150%, quando se constata a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o que não foi o caso. Portanto, falar aqui em "qualificação da multa" é totalmente descabido, bastando observar que a Fiscalização não a aplicou, no auto de infração. Portanto, a cobrança da multa lançada de 75% está devidamente amparada no dispositivo legal citado e importante lembrar da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto a tratarse de "confisco", importante esclarecer que o princípio da vedação de tributo confiscatório não é um preceito matemático, envolve conceito jurídico indeterminado, é critério informador da atividade do legislador e do Poder Judiciário, a quem caberia reconhecer eventual inconstitucionalidade de tributo ou penalidade, a pretexto de serem confiscatórios. CONCLUSÃO Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, considerando que a conta nº 409376 no Banco Itaú S/A tinha três titulares bem identificadas no Termo de Verificação Fiscal e, na ausência de intimação das três para justificar a origem dos depósitos, Fl. 252DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 19515.001862/200258 Acórdão n.º 2202003.068 S2C2T2 Fl. 253 12 aplicandose a Súmula CARF nº 29, VOTO por dar provimento parcial ao recurso para excluir do total lançado como omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, o valor de R$ 79.951,29, da referida conta, discriminado mensalmente na folha 172. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003080/2006-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
AMOSTRA GRÁTIS. BRINDES. DESPESAS. DEDUTIBILIDADE.
A dedução de despesas com amostra grátis na apuração do lucro real é permitida, observando o limite de 5% da receita líquida obtida na venda dos produtos, situação não aplicada ao gasto com brindes, cuja dedução é expressamente vedada.
DESPESA COM COMBUSTÍVEL. GLOSA IMPROCEDENTE.
É improcedente a glosa da despesa com combustível, fundamentada apenas na ausência de menção à placa do veículo abastecido no campo de descrição da nota fiscal.
ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. GLOSA IMPROCEDENTE.
Improcedente a glosa de encargos de depreciação quando verificado que o sistema de controle do ativo imobilizado e de sua respectiva depreciação está adequado à legislação fiscal.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
O decidido quanto à infração que além de implicar o lançamento de IRPJ provoca o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) também se aplica a este outro lançamento naquilo em que for cabível.
Numero da decisão: 1401-001.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas-Bôas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 AMOSTRA GRÁTIS. BRINDES. DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. A dedução de despesas com amostra grátis na apuração do lucro real é permitida, observando o limite de 5% da receita líquida obtida na venda dos produtos, situação não aplicada ao gasto com brindes, cuja dedução é expressamente vedada. DESPESA COM COMBUSTÍVEL. GLOSA IMPROCEDENTE. É improcedente a glosa da despesa com combustível, fundamentada apenas na ausência de menção à placa do veículo abastecido no campo de descrição da nota fiscal. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. GLOSA IMPROCEDENTE. Improcedente a glosa de encargos de depreciação quando verificado que o sistema de controle do ativo imobilizado e de sua respectiva depreciação está adequado à legislação fiscal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido quanto à infração que além de implicar o lançamento de IRPJ provoca o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) também se aplica a este outro lançamento naquilo em que for cabível.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 19515.003080/2006-87
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5567060
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1401-001.499
nome_arquivo_s : Decisao_19515003080200687.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANTONIO BEZERRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 19515003080200687_5567060.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas-Bôas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
id : 6274819
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048121834995712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1982; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1.578 1 1.577 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003080/200687 Recurso nº 999.999 De Ofício Acórdão nº 1401001.499 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de janeiro de 2016 Matéria IRPJ/Reflexos Recorrente PRODUTOS ROCHE QUÍMICOS E FARMACÊUTICOS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 AMOSTRA GRÁTIS. BRINDES. DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. A dedução de despesas com amostra grátis na apuração do lucro real é permitida, observando o limite de 5% da receita líquida obtida na venda dos produtos, situação não aplicada ao gasto com brindes, cuja dedução é expressamente vedada. DESPESA COM COMBUSTÍVEL. GLOSA IMPROCEDENTE. É improcedente a glosa da despesa com combustível, fundamentada apenas na ausência de menção à placa do veículo abastecido no campo de descrição da nota fiscal. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. GLOSA IMPROCEDENTE. Improcedente a glosa de encargos de depreciação quando verificado que o sistema de controle do ativo imobilizado e de sua respectiva depreciação está adequado à legislação fiscal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido quanto à infração que além de implicar o lançamento de IRPJ provoca o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) também se aplica a este outro lançamento naquilo em que for cabível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 30 80 /2 00 6- 87 Fl. 4885DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.579 2 (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar VillasBôas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Fl. 4886DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.580 3 Relatório Tratase de recurso de ofício no Acórdão nº 1624.165, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo ISP. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo parte deste relatório apenas naquilo que é pertinente ao exame do recurso de ofício: Tratase de impugnação a auto de infração lavrado com fundamento em glosa de despesas, em que foi constituído crédito tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no valor de R$ 14.820.346,03 e, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no valor de R$ 5.335.324,53, neles incluídos a multa e o juros moratórios devidos até 30.11.2006 (As. 1.008/1.019). Os enquadramentos legais encontramse grafados nos campos específicos do auto de infração. " A autuação está fundamentada em três "Termos de 'Apresentação de Documentos e de Constatação", numerados de 01 a 03. Cada um desses termos, por sua vez, estão acompanhados por três anexos, sendo que nos de n° 01 de cada um deles estão discriminados os lançamentos contábeis de despesas que a contribuinte conseguiu demonstrar a dedutibilidade com documentação hábil. Já nos Anexos 02 e 03 estão relacionados valores de despesas não comprovados, pelos motivos que se seguem: I) Termo de Apresentação de Documentos e de Constatação n° 01 (fls. 471/479): Conta "41812990 Propagandae Publicidade Outras", no montante de R$ 993.684,91, uma vez que não foi apresentado qualquer comprovante (Anexo 2); Conta "ST421501 Máquinas e Equipamentos (Statutory)", no montante de R$ 12.487.117,43, uma vez que não foi apresentado qualquer comprovante e, no caso de depreciações, faltou apresentar os demonstrativos de cálculos (Anexo 2); . Conta "ST421504 Máquinas de Escritório (Statutory)", no montante de R$ 1.269.212,24, uma vez que não foi apresentado qualquer comprovante e, no caso de depreciações, faltou apresentar os demonstrativos de cálculos (Anexo 2); • Conta "41812990 Propaganda e Publicidade Outras", no montante de R$ 942.246,28, uma vez que os comprovantes apresentados foram considerados inábeis (Anexo 3); II) Termo de Apresentação de Documentos e de Constatação n° 02 (fls. 969/982): Contas "41410301 Manutenção de Software", "41710103 Combustíveis e Óleos Lubrificantes", "41810310 Material de Campanha em TV", "41810910 Promoção Escrit. Literat. Impressa", "41410902 Manutenção de Instal, e Equiptos", "41412901 Ativos Imobilizados de Baixo Valor Outr", "41811110 Amostra Distribuída ICMS/IPI", "41811610 Congressos", no montante.de R$ 1.857.442,63, uma vez que não foi apresentado qualquer comprovante (Anexo2); • Contas "41410301 Manutenção de Software", "41710103 ', Combustíveis, e Óleos Lubrificantes", "41810910 Promoção Escrit. Literat. Impressa", "41.410902 — Manutenção de Instal, e Equiptos.", "41811610 Congressos", no montante de R$ 3.618.137,13, uma vez que os comprovantes apresentados foram , , considerados inábeis (Anexo 3); Fl. 4887DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.581 4 III) Termo de Apresentação de Documentos e de Constatação n° 03 (fls. 999/1005): • Contas "41710101 Hospedagem" e "41710102 Alimentação", no montante de R$ 424.263,61, uma vez que não foi apresentado qualquer documento (Anexo 2); ¡ • Conta "41710101 Hospedagem", no montante de~ R$ 1.373.604,56, uma vez que os documentos apresentados foram considerados inábeis (Anexo 3); Intimada da autuação em'28.12.2006, a contribuinte apresentou a peça impugnatória (fls. 1030/1114) em 22.01.2007, cujas alegações, em síntese, são as que.se seguem: , , (i) Merece ser anulada a autuação ou retificado seu valor, uma vez que a contribuinte apresentou, no anocalendário de 2001, saldos negativos de IRPJ (R$ 3.296.740,92) e de CSLL (R$ 1.386.099,95), que sequer foram mencionados na presente autuação, conforme atesta sua DIPJ (Doc. 7); (ii) A Impugnante atua no ramo farmacêutico, cabendo aos médicos a prescrição de medicamentos, de modo que o trabalho de promoção institucional ou dos produtos junto a esses profissionais é essencial, haja vista que a propaganda de medicamentos é vedada; (iii) As verbas de marketing com eventos e congressos/passagens, hospedagens, elaboração de materiais promocionais, sejam catálogos, livros sobre matéria médica, etc. estão estritamente vinculadas às atividades da empresa e são absolutamente necessárias para sua sobrevivência; (iv) A fiscalização, em momento algum, levantou, qualquer suspeita em relação a favorecimento indevido de terceiros, inexistindo alegação de que as notas seriam inidôneas ou que haveria indícios de fraude, ao contrário, as despesas foram registradas, os "valores são consentâneos com os tipos de produtos e serviços envolvidos; (v) As despesas de publicidade glosadas e discriminadas no Anexo 2 do Termo n° 01 foram comprovadas pelos documentos numerados de 1 a 13 [vols. 7 e 8], colocados à disposição da fiscalização, mas que não foram objeto de análise; (vi) Os encargos de depreciação glosados e elencados no Anexo 2 do Termo n° 01 poderiam ser comprovados se a fiscalização tivesse requisitado o relatório de qualquer lançamento de seu software que controla o imobilizado e que contém o registro do valor de depreciação apropriado em relação a cada um dos itens do ativo imobilizado ("LITs"), mas que não foi feito; (vii) Contudo, não seria materialmente possível imprimir os relatórios de todos os itens do imobilizado, fazer referência com todos os "LITs", demonstrar as taxas adotadas para cada um e segregar todas as notas fiscais, identificando cada item do imobilizado, uma vez que a quantidade de documentos e referências seria "monstruosa". (viii) Não obstante, a impugnante fez juntar, por amostragem, notas fiscais e demonstrativos de cálculos de alguns dos itens que compõem cada um dos tipos de bens elencados pela autoridade autuante (docs. "REFERÊNCIA A" até "REFERÊNCIA I", bem como doCs. "PROVA 01" até "PROVA 24"), cujas despesas de depreciação foram objeto de glosa [vols. 9 e 10]; (ix) As glosas referentes ao Anexo 3 do Termo n° 01 (documentação supostamente inábil), não se justificam por qualquer das hipóteses indicadas pelo agente fazendário, sendo a seguir apresentados os argumentos que apontam a incorreção do lançamento efetuado e documentos 1 a 17 [vols. 10 e 11]; Fl. 4888DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.582 5 (x) A Impugnante, em relação às despesas glosadas por ausência de tradução juramentada, traz os seguintes documentos: propostas, invoices e contratos de câmbio, sendo que a tradução juramentada está sendo providenciada. As despesas comprovadas estão relacionadas a (Documento 1) patrocínio de site que congrega artigos médicos e estudos de casos, entre outros, para que médicos "patrocinados" pela empresa tenham acesso a esses dados, em um ambiente personalizado que permita a divulgação de dados da Impugnante; (Documento 2) prestação de serviços pela MediTech, empresa que presta serviços de assessoria de marketing e treinamento a empresa da área farmacêutica; e (Documentos 3 e 4) prestação de serviços com GardinerCaldwell Communications Ltd, em relação à publicação de material vinculado a tratamento e estudos de caso vinculados ao câncer; (xi) Em relação à glosa decorrente da ausência de apresentação do contrato de prestação de serviço ou proposta de prestação de serviço com pedido de compra, dos comprovantes de pagamento, do relatório para justificativa da despesa e de evidências da realização do serviço, a Impugnante apresenta os Documentos n° 5, 8,9, 10, l1e 13; (xii) Quanto à glosa decorrente de ausência de apresentação de folha de pagamento de salários e demais proventos para comprovação das despesas (documentos comprobatórios da realização da despesa), a Impugnante apresenta os Documentos 6, 7 e 12; (xiii) Em relação à glosa com fundamento em ausência de apresentação do contrato de prestação de serviço, dos comprovantes de pagamento e de evidências da realização do serviço, a Impugnante junta, os Documentos 14, 16 e 17; (xiv) Já a glosa decorrente da divergência entre o valor do documento 15 apresentado com os registros contábeis decorre do fato da diferença de R$ 5.819,55, entre o valor constante do recibo, de R$ 29.096,00, e do lançamento contábil de R$ 34.915,55, corresponder áo percentual exato de 20% referente à contribuição da empresa ao INSS; (xv) Quanto às glosas referentes ao Anexo 2 do Termo n° 02, .constituídas sob a alegação de que não foram apresentados quaisquer documentos capazes de validar seus lançamentos, foram apresentados os documentos numerados de 1 a 33 [vols. 11 e 12] que demonstram a necessidade, efetividade e usualidade dos valores glosados, observando que o lançamento referente ao documento 1 foi glosado em duplicidade; (xvi) As glosas relativas ao Anexo 3 do Termo n° 02 correspondem a despesas relativas, em sua maioria, a Congressos, além daquelas atinentes a Promoção Literária, Manutenção de Software, Manutenção de Instalação .de Equipamento e Combustíveis e óleos realizadas durante o anocalendário de 2001, estando comprovadas pelos Documentos de n° 1 ao 70 [vols. .12 ao 21]; (xvii) Quanto às glosas referentes ao Anexo 2 do Termo n° 03, constituídas sob a alegação de que não foram apresentados quaisquer documentos capazes de validar seus lançamentos, referentes a gastos com viagens e representações, foram apresentados os documentos numerados de 1 a 13 [vols. 21 e 22] dão lastro a esses gastos; (xviii) Relativamente às glosas relativas ao Anexo 3 do Termo n° 03, também referentes a viagens e representações, os gastos estão amparados pelos Documentos'de n°s. 1 ao 25 [vols. 22 e 23]; A contribuinte trouxe com sua impugnação planilha contendo encargos de depreciação de alguns itens de seu ativo imobilizado, escolhidos aleatoriamente, a título exemplificativo, tendo aduzido que cada uma das rubricas de despesas de depreciação discriminadas pela autoridade fazendária abarcaria uma infinidade de itens de seu imobilizado, razão pela qual os correspondentes relatórios provocariam uma produção de material tão vultosa, a ponto de tornar inexequível a auditoria, em tempo razoável, de todo a documentação gerada. Fl. 4889DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.583 6 Dado o caso concreto, entendeu esse relator ser necessária a realização de diligência para verificar a regularidade desse item de despesa com base em amostragem, tendo sido os autos encaminhados à Delegacia de Fiscalização em São Paulo, com a solicitação de que a autoridade fiscal analisasse os documentos de fls. 1.533/1.874, bem como requisitasse da contribuinte quaisquer outras informações e documentos necessários ao esclarecimento da regularidade dos gastos incorridos com despesas de depreciação, conforme despacho de fls. 4505/4506. Às fls. 4631/4634, o autor do feito fiscal e diligenciante elaborou relatórios em que concluiu que as depreciações reconhecidas pela contribuinte, no montante de R$ 13.756.329,67, foram^adequadas. Notificada do relatório de diligência, a contribuinte manifestouse às fls. 4635/4636, em que afirma a correção de seus procedimentos e pede que seja julgada improcedente a autuação. A DRJ, por unanimidade de votos, considerou PROCEDENTE EM PARTE o lançamento e RECORRENDO DE OFÍCIO da parte CANCELADA, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 DIPJ. SALDOS NEGATIVOS. COMPENSAÇÃO POSTERIOR. LANÇAMENTO. RETIFICAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Verificado que saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados em Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica referentes ao ano fiscalizado foram/Compensados com débitos de períodosbase posteriores, improcedente a alegação de retificação do lançamento. | TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido quanto à infração que além de implicar o lançamento de IRPJ provoca o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) também se aplica a este outro lançamento naquilo em que for cabível. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 COMPROVANTES DE PAGAMENTO. NATUREZA DO GASTO. É mantida a glosa de despesas quando o contribuinte deixa de apresentar ^comprovantes de pagamento ou documentos necessários para se verificar a natureza do gasto e aferir sua necessidade, usualidade e normalidade para a manutenção das atividades da pessoa jurídica. AMOSTRA GRÁTIS. BRINDES. DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. A dedução de despesas com amostra grátis na apuração do lucro real é permitida, observando o limite de 5% da receita líquida obtida na venda dos produtos, situação não aplicada ao gasto com brindes, cuja dedução é expressamente vedada. DESPESA COM COMBUSTÍVEL. GLOSA IMPROCEDENTE. É improcedente a glosa da despesa com combustível, fundamentada apenas na ausência de menção à placa do veículo abastecido no campo de descrição da nota fiscal. Fl. 4890DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.584 7 ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. GLOSA IMPROCEDENTE. Improcedente a glosa de encargos de depreciação quando verificado que o sistema de controle do ativo imobilizado e de sua respectiva depreciação está adequado à legislação fiscal. É o relatório. Fl. 4891DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.585 8 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade. O Contribuinte, conforme petição de fls.4860 e documentos acostados, abdica da discussão administrativa na matéria remanescente do recurso voluntário em caráter irrevogável e irretratável, ao ingressar no parcelamento, nos seguintes termos: Tendo em vista a manutenção de parcela do crédito tributário e a reabertura do prazo para adesão ao programa de parcelamento e pagamento à vista com os benefícios previstos na Lei n.° 11.941/09, por força do artigo 17 da Lei n.° 12.865/131, a Requerente efetuou o pagamento dos débitos nos termos abaixo: a) Débito de IRPJ Código 2917: o valor principal de R$1.996.616,57 e o valor dos juros de R$2.217.472,31, já considerando a redução de 45% prevista pela lei, foram devidamente quitados conforme guia DARF (Doe. 01); b) Débito de CSLL Código 2973: o valor principal de R$718.781,03 e o valor dos juros de R$798.290,03, já considerando a redução de 45% prevista pela lei, foram devidamente quitados conforme as guia DARF (Doe. 01) Sendo assim, em cumprimento aos requisitos legais, mais precisamente ao artigo 14 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 07/2013, a Requerente desiste da discussão tão somente acerca dos débitos mantidos pela DRJ e regularmente quitados conforme documentos de arrecadação acostados à presente petição. Portanto, a lide circunscrevese apenas à análise do recurso de ofício. RECURSO DE OFÍCIO TERMO DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E DE CONSTATAÇÃO N° 01 Anexo 2 O único item que foi cancelado desse Termo (Anexo 2) foi o que se refere à glosa de depreciação. Glosa de depreciação Uma das glosas efetuadas foi sobre os encargos de depreciação que não teriam sido comprovados, segundo o fiscal, pela falta de apresentação de demonstrativos de cálculos que pudessem demonstrar o cumprimento das normas regulamentares, especificamente, o disposto nos artigos 307 a 313 do RIR/99 (fls. 471/479). Fl. 4892DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.586 9 A contribuinte em sua impugnação alegou que a fiscalização poderia terlhe requisitado o relatório de qualquer lançamento do sistema que conteria o registro do valor de depreciação apropriado em relação a cada um dos itens do ativo imobilizado ("LITs"), mas que não foi feito. Complementa que não seria materialmente possível imprimir os relatórios de todos os itens do imobilizado, fazer referência com todos os "LITs", demonstrar as taxas adotadas para cada um e segregar todas as notas fiscais, identificando cada item do imobilizado, uma vez que a quantidade de documentos e referências seria "monstruosa". A fim de provar que suas alegações eram consistentes, juntou, por amostragem, notas fiscais e demonstrativos de cálculos de alguns dos itens que compõem cada um dos tipos de bens elencados pela autoridade autuante (fls. 1.533/1.874), cujas despesas de depreciação foram objeto de glosa. A DRJ, por sua vez, sensibilizouse com o pleito do contribuinte e com o conjunto de provas carreado aos autos e baixou o processo em diligência para que o autuante fizesse uma amostragem de dados e aprofundasse a auditoria, bem assim analisasse os documentos juntados (fls. 1.533/1874). O diligenciante elaborou relatório cujas conclusões, juntadas às fls. 4633/4634, dão total razão ao contribuinte: "(...) III DAS CONCLUSÕES Em decorrência desta diligência, concluímos, com relação às despesas de Depreciação de R$ 13.756.329,67, que: a) Pelos documentos e explicações apresentadas pelo contribuinte os valores das depreciações 'glosadas" pela fiscalização, objeto parcial dos Autos de Infração às fls. 1008 a 1018 (Volume 6), foram realizadas" por processamento eletrônico de dados, pelo aplicativo denominado 'SAP R/3'. b) As explicações e demonstrações realizadas pelo contribuinte durante esta diligência, deramnos a convicção de que o aplicativo software') 'SAP R/3', cumpriu adequadamente em 2001, o Regulamento de Imposto de Renda, no que se refere a incorporação de bens no Ativo Imobilizado e a realização das depreciações. Isto posto, considerando que, S.M.J., o Sistema de Processamento de Dados utilizado para realização das imobilizações.e depreciações, no curso do ano de . 2001, adequouse às regras estabelecidas pela Receita Federal, e que os testes de validação dos valores das depreciações, igualmente revelaram serem consistentes, concluímos, dentro dessa premissa estatística, que o montante de R$ 13.756.329.67. correspondente a parte das depreciações realizadas em 2001. também foi adequado. (...)" Portanto, revisados os autos e não tendo nada a reparar na decisão de piso que considerou também o resultado de diligência em sentido favorável ao contribuinte, NEGO provimento a este item do Recurso de ofício. Fl. 4893DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.587 10 ANEXO 3 Ainda referente ao Termo de Constatação nº1: A Contribuinte ainda na fase impugnatória trouxe documentos para comprovar as despesas de publicidade referentes à conta "41812990 Propaganda e Publicidade", relacionadas no Anexo 3, não aceitas pelo fiscal porque os documentos apresentados durante a fase de fiscalização foram considerados inábeis, conforme os seguintes critérios: As glosas foram efetivadas porque o contribuinte não apresentou os seguintes documentos: (4) os contratos, os comprovantes de pagamento e, tampouco, as evidências dos serviços prestados; (5) os respectivos contratos de prestação de serviços ou proposta de prestação de serviços com pedido de compra; (7) os comprovantes de pagamentos; (8) tradução juramentada dos contratos, uma vez que estão em língua estrangeira, com respectivos valores em moeda estrangeira; (10) relatório explicativo para justificar a despesa como necessária às atividades da empresa; (16) evidências da realização dos serviços contratados; (18) não apresentou a "folha de pagamento" de salários e demais proventos, para comprovar a despesa; (19) o valor do documento apresentado não confere com os registros contábeis. Despesa Data doe. Valor Motivo da glosa N* Docs. Publicidade 03.05.2001 89.373,75 8 1 Publicidade 30.07.2001 116.008,52 8 2 Publicidade 02.11.2001 41.559,47 8 3 Publicidade 02.11.2001 40.356,88 8 4 Publicidade 24.04.2001 68.965,52 5,7,10 e 16 5 Publicidade 29.11.200! 48.000,00 18 6 Publicidade 01.11.2001 48.000,00 18 7 Publicidade . 09.01.2001 61.166,55 5.7,10 e 16 8 Publicidade 05.01.2001 33.413,00 5,7,10 e 16 9 Publicidade 27.03.2001 68.965,52 5,7,10 e 16 10 Publicidade 11.10.2001 76.826,00 5,7,10 e 16 11 Publicidade 17.07.2001 37.950,00 18 12 Publicidade 11.12.2001 34.020,00 5,7, 10 e 16 13 Publicidade 15.10.2001 43.760,00 4 14 Publicidade 23.07.2001 34.915,55 19 15 Publicidade 24.05.2001 68.965,52 4 16 Publicidade 24.08.2001 30.000,00 4 17 A DRJ cancelou apenas o lançamento referente ao doc. 15 porque o contribuinte justificou a incoerência inicial de dados apresentados inicialmente ao fiscal, nos seguintes termos: O doc. 15 é composto de um Recibo de Pagamento .a Autônomo RPA, no valor bruto de R$ 29.096 (centavos ilegíveis) que, depois das deduções de R$ 7.641,48 e R$ indicam um valor líquido de R$ 20.000,00. Também foi juntado comprovante, bancário do referido pagamento. A glosa foi motivada porque o valor contabilizado de despesa, de R$ 34,915,55, não conferia com aquele constante do recibo, de R$ 29.096. Sucede que a diferença de R$ 5.819,5 corresponde a exatamente ao valor da contribuição da empresa ao INSS incidente em V/i obre R$ 29.096. Fl. 4894DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.588 11 Portanto, sendo plausível a explicação dada pelo contribuinte e, uma vez que a glosa foi motivada unicamente em razão da referida diferença, essa despesa de R$ 34.915,55 deve ser considerada dedutível. Sendo pertinente a explicação trazida pelo contribuinte para justificar a diferença, adoto as mesmas razões de decidir do voto condutor, negando provimento ao recurso de ofício neste item. TERMO DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E DE CONSTATAÇÃO N° 02 Anexo 2 O Anexo 2 deste Termo de Constatação referese à glosa de despesas efetuadas sob o fundamento de que a fiscalizada não apresentou, durante a fiscalização, qualquer documento comprobatório dos respectivos lançamentos contábeis. A Contribuinte então juntou na fase impugnatória os documentos de n°s. 1/33 (fls. 2055/2314) e os relacionou a cada um dos lançamentos discriminados no Anexo 2 Desses documentos a DRJ acatou apenas os docs 18 a 25, que se referem a saídas de mercadorias a título de amostra grátis, nos seguintes termos: Os docs. 18 a 25 são relatórios e notas fiscais correspondentes a saídas de mercadorias a título de amostra grátis. Fazse necessário diferenciar brindes de amostras e determinar a natureza da despesa em comento, uma vez que a lei a Lei n° 9.249, de26 de dezembro de 1995, no art. 13, VII, tornou as despesas com brindes indedutíveis. _ Considerase brinde a mercadoria que não constitua objeto normal da atividade da empresa, adquirida com a finalidade'específica de distribuição gratuita ao consumidor ou ao usuário final. O brinde se destina a promover a empresa, e não necessariamente o produto, conforme analisado no item 7 do Parecer Normativo CST n° 15, de 1º de abril de 1976: "7. Os 'brindes' se destinam a promover a organização ou empresa e não necessariamente seus produtos, distinguindose, portanto, das "amostras". Podem, todavia, ser a elas assemelhados, desde que representados, exclusivamente, por objetos distribuídos gratuitamente, com a finalidade de promoção, e que sejam de "diminuto ou nenhum valor comercial", conforme em relação àquelas" estabelece o artigo 9o, inciso IV, do Regulamento do Imposto Sobre Produtos Industrializados (Decreto n° 70.172, de i 18.02.1972), podendo ter, não obstante, alguma utilidade." Já a amostra visa à promoção do produto. A definição de amostra, constante do Novo'Dicionário Eletrônico Aurélio versão 6.0.1, esclarece o que aqui foi dito: '"2: Porção, fragmento ou unidade de um produto natural ou fabricado destituído de valor comercial, e apresentado para demonstrar sua natureza, qualidade ou tipo: amostra grátis\amostra de trigo, de aço, de azulejo.'' No presente caso, as despesas correspondem . a porções de produtos produzidos pela empresa (Saridon, Softclix II), constituindose, portanto, em Fl. 4895DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.589 12 amostras, cujas condições de dedutibilidade estão regulamentadas pelo RIR/1999, art. 366, V,'alíneas "a" a "c", in verbis: "Art. 366. São admitidos, como despesas de propaganda, desde que diretamente relacionados com a atividade explorada pela empresa e respeitado o regime de competência, observado, ainda, o disposto no art. 249, parágrafo único, inciso VIII (Lei n°'4.506, de 1964, art. 54, e Lei nº 7.450, de 1985, art. 54): . . V o valor das amostras, tributáveis ou não pelo imposto sobre produtos 1 industrializados, distribuídas gratuitamente por laboratórios químicos ou farmacêuticos e por outras empresas que utilizem esse sistema de promoção de venda de seus produtos, sendo indispensável: a) que a distribuição das amostras seja contabilizada, nos livros de escrituração da empresa, pelo preço de custo real; b) que a saída das amostras esteja documentada com a emissão das correspondentes notas fiscais; c) que o valor das amostras: distribuídas em cada anocalendário não ultrapasse os limites estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, tendo em vista a natureza do negócio, até o máximo de cinco por cento da receita obtida na venda dos produtos. (...) Resta claro ser dedutível, como despesa de propaganda, o valor das amostras distribuídas, até o máximo de 5% (cinco por cento) da receita líquida que, segundo entendimento fixado pela Receita Federal, mediante o Parecer Normativo CST n° 17, de 27 de fevereiro de 1976, é aquela obtida na venda de todos os produtos da mesma linha (farmacêuticos), consoante consignado em sua ementa: "EMENTA O percentual de 5 % limitativo da despesa de propaganda com amostras, aplicase à receita bruta global dos produtos elaborados (art. 191., e, III, do Regulamento do Imposto de Renda/75). 0 valor das amostras è o do seu custo de produção, conforme o disposto no art. 161:, do Regulamento do Imposto, de Renda/75." A despesa correspondente a esses lançamentos (docs. 18/25) totalizou R$ 396.993,89 (...). Por sua vez, a Demonstração do Resultado da contribuinte (fls. 259) aponta que o montante de despesas com amostras distribuídas foi de R$ 10.430.309,43 que, para ser dedutível, deveria a empresa contar com uma receita líquida de no mínimo R$ 208.606.188,60. A receita líquida constante da declaração da interessada no anocalendário de 2001 (fls. 20) totalizou R$ 752.204.183,52, bem acima daquele mínimo. Dessa forma, não prospera a glosa levada a efeito de R$ 396.993,89. Nada a reparar na decisão de piso que acatou os documentos comprobatórios das amostras grátis e verificou ainda os demais critérios para o aceite das mesmas, tudo conforme legislação de regência. Portanto, nego provimento ao recurso de ofício em relação a este item. Fl. 4896DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.590 13 ANEXO 3 do TC nº 2 . ^ A contribuinte trouxe, na fase impugnatória, sob os n°s. 01/70 (fls. 2315/4048), documentos para comprovar as despesas.atribuídas às contas "41810910 Promoção Escrit. Literat Impressa", "41811610 Congressos", "4140301 Manutenção de Software", "41410902 Manutenção de Instal. e Equiptos." e "41710103 Combustíveis e Óleos Lubrificantes", relacionadas.no Anexo 3, que foram rejeitadas porque os documentos apresentados durante a fase de fiscalização foram considerados inábeis pelo autuante, a partir das seguintes justificativas: (1) Todos os tíquetes de passagens e nem os relatórios para todas as despesas de passagens e seguros; (2) As Notas Fiscais, os relatórios de despesas de cada hóspede, a identificação dos hóspedes, as justificativas das despesas e os recibos de pagamento; (3) Os comprovantes de reembolsos das diárias extras e. despesas dos acompanhantes, não participantes diretos do evento; (4) Os contratos, os comprovantes de pagamento e, tampouco, as evidências dos serviços prestados; (5) Os respectivos contratos de prestação de serviços ou proposta de prestação de serviços com pedido de compra; (6) Os contratos de participação nos eventos e as respectivas justificativas; (7) Os comprovantes de pagamentos; (8) Tradução juramentada dos contratos, uma vez que estão em língua estrangeira, com respectivos valores em s moeda estrangeira; (9) Contrato de câmbio, comprovando a remessa dos valores, via Banco Central do Brasil; (10) Relatório explicativo para justificar a despesa como necessária às atividades da empresa; (16) Evidências da realização dos serviços contratados; (17) Contrato de patrocínio, comprovando, dentro das normas legais, a dedutibilidade da despesa; (18) Não apresentou a "folha de pagamento" de salários e demais proventos, para comprovar a despesa; (19) O valor do documento apresentado não confere com os registros contábeis; (20) Cessão gratuita a diversos médicos, de passagens aéreas, fretamento de aviões e hospedagens, no Brasil e no exterior, para a participação em Congressos (não,constou, sequer, a identificação completa e nem a especialidade dos médicos beneficiados, suas funções nesses congressos e a contrapartida para a empresa); (21) Na respectiva nota fiscal do combustível a placa do veículo; (22) Apenas a nota fiscal do fornecedor, sem especificar o evento. Os motivos que foram alvos do recurso de ofício estão negritados. Conta data doe. • Valor Motivos Documentos Literat. Impressa 21.02.2001 48.400,00 (21) 1 LU at.lmpressa 26.06.2001 33.824,00 (21) 2 O lançamento foi cancelado para os docs 1 e 2, pela DRJ, nos seguintes termos: Os documentos 01 e 02 consistem em notas fiscais emitidas por "MARPRINT EDITORA, FOTOLITO E GRÁFICA LTDÁ." que teriam sido recusadas pelo autuante sob o fundamento n° 21, qual seja "Na respectiva Nota Fiscal do Combustível, a placa do veículo ..." Fl. 4897DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.591 14 O nome da conta "41810910 Promoção Escrit. Literat. Impressa" e os documentos apresentados indicam que se trataria de dispêndio com serviços de impressão e não, de aquisição de combustível. Assim, ante a impropriedade do fundamento deduzido pelo atuante para rejeitar as notas fiscais não pode prosperar as glosas efetuadas de R$ 48.400,00 e R$ 33.824,00. Como se vê, a DRJ acertadamente cancelou o lançamento por absoluta impropriedade na fundamentação aduzida pela fiscalização. Portanto, NEGO provimento ao Recurso de ofício para este item também. Conta data doe. • Valor Motivos DocumeDocumentos (...) Congressos . 05.04.2001 39.600,00 (7) 32 Congressos 03.09.2001 44.000,00 (5)e(16) 33 Congre Congressos 08.01.2001 27.658,80 (7) (7)* 34 Congressos 11.04.2001 25.000,00 (7) 35 Congressos 12.09.2001 34.500,00 (7) 36 Congressos 22.01.2001 48.640,00 (7) 37 Congressos 22.01.2001 41.640.00 (7) 37 Congressos 22,03.2001 0 87.000,00 (7) 38 C Congressos 23.03.2001 3333333 32.400,00 (7) 39 Congressos 24.04.2001 50.000,00 (7) 40 41 Congressos ► 31.07.2001 72C000.00 (7) 42 Os docs. 32, 34, 35, 36, 37, 38, 39, 40 e 42, foram cancelados pela DRJ, nos seguintes termos: O doc. 32 consiste em contrato em que a Impugnante se compromete a patrocinar evento em"Florianópolis ligado à Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica SBOC, tendo como contrapartida o direito de ocupar e expor seus produtos em um stand de 56 m2, localizado em área de realização do acontecimento, conforme consta do item 2 do referido instrumento. Às fls. 3511 consta relatório de pagamentos do Itaú em que consta o pagamento efetuado pela Impugnante do valor estabelecido no contrato em favor da SBOC. Assim, entendo que restou comprovada a despesa de R$ 39.600,00. (...) Os docs.34, 35, 36, 37, 38, 39, 40 e 42 também são compostos de instrumentos contratuais em que a Impugnante loca espaço para montagem de stands em eventos da área de saúde para divulgação institucional e de produtos, estando todos eles acompanhados dos relatórios de pagamentos do Itaú para as entidades organizadoras, conforme se verifica, respectivamente, às fls. 3534 (R$ 27.658,80), 3542 (R$ 25.000,00), 3548 (R$ 34.500,00), 3555 (R$ 48.640,00 e R$ 41.640,00), 3566 (R$ 87.000,00), 3574 (R$ 32.400,00), 3580 (R$50.000,00) e 3595 (R$ 72.000,00). Assim, entendo que restaram comprovadas tais gastos no montante de R$ 418.838,80. Fl. 4898DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.592 15 Como se vê, o contribuinte desincumbiuse perfeitamente ao trazer aos autos a prova apontada pela fiscalização que faltava para comprovar as respectivas despesas, que no caso foi apenas a prova do dispêndio financeiro. Nada a reparar, portanto, na decisão de piso. Nego provimento ao recurso de ofício nesses itens. Doc 33 Conforme tabela acima, o item 33 (doc 33) sofreu glosa motivado pelas seguintes justificativas do fiscal: (5) Os respectivos contratos de prestação de serviços ou proposta de prestação de serviços com pedido de compra; (6) Os contratos de participação nos eventos e as respectivas justificativas A DRJ, acertadamente, considerou as provas trazidas aos autos como suficientes para provar a despesas: O doc. 33 consiste em nota fiscalfatura de serviços de cenografia de evento realizado na "Casa das Caldeiras", duplicata emitida pelo mesmo emitente da nota fiscal "DAPEMA PRODUÇÕES CINEMATOGRÁFICAS LTDA.", pedido de compra do serviço em que consta a informação "REF. A CENÁRIO CONVENÇÃO IXEL", orçamentos de outras empresas,1 cópias de mensagens eletrônicas a respeito desse evento trocadas por pessoas que teriam cuidado desse assunto dentro da ROCHE. O Ixel é um medicamento produzido pela contribuinte e o evento teria a finalidade de divulgálo. À época da fiscalização foram apresentadas a nota fiscal e a duplicata, sendo que a ausência do pedido de compra desse serviço foi um dos motivos da rejeição desse lançamentos. Entendo que a juntada desse documento em sede de impugnação e das mensagens eletrônicas das pessoas envolvidas nas negociações do evento são suficientes para aceitar comprovação do gasto, não devendo se sustentar a glosa levada a efeito de R$ 44.000,00. Por não ter nada a reparar na decisão de piso, nego provimento ao recurso de ofício neste item também. Docs 47 e 53 Conta data doc. • Valor Motivos DocumeDocumentos (...) Congressos 13.08.2001 26.000,00 (5)e(l6) 47 Congressos 13.08.2001 43.547.00 (5)e(16) 53 Conforme tabela acima, o item 47 e 53 (docs 47 e 53) sofreram glosas motivadas pelas seguintes justificativas do fiscal: (5) Os respectivos contratos de prestação de serviços ou proposta de prestação de serviços com pedido de compra e (16) Evidências da realização dos serviços contratados. Fl. 4899DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.593 16 A DRJ, acertadamente considerou o conjunto dos documentos que vieram em complemento como suficientes para superar os motivos ensejadores das glosas: O doc. 47 é composto por nota fiscal, pedido de compra referente a locação de stand nox Congresso Brasileiro de Obesidade, proposta do prestador de serviços e mensagens eletrônicas entre funcionários da contribuinte versando sobre a contratação do serviço. Entendo que esses documentos são suficientes para superar os motivos que levaram à glosa da respectiva despesa que, assim, deveser considerada comprovada no valor de R$ 26.000,00. (...) O doc. 53 consiste em nota fiscal relativo a adiantamento de metade do valor do custo de locação de satélite e equipamentos em evento realizado na "Casa das Caldeiras", no dia 14.09.2001, para lançamento do medicamento Ixel. Também está juntado o pedido de compra desse serviço, orçamentos, mensagens eletrônicas entre funcionários envolvidos no processo de compra do serviço. Entendo que os documentos apresentados superam os motivos que levaram à glosa da despesa registrada no respectivo lançamento contábil e ela deve ser considerada como comprovada no valor de R$ 43.547,00. Nego provimento a este recurso de ofício. Docs. 68, 69 e 70 Combustíveis 02.01.2001 1,559.50 (21) 68 Combustíveis 01.11.2001 1.384,56 (21) 69 Combustíveis 01.02.2001 1.268,57 (21) 70 Conforme tabela acima, os itens 68,69 e 70 (docs 68,69 e 70) sofreram glosas motivada pela seguintes justificativa do fiscal: (21) Na respectiva nota fiscal do combustível [falta constar a] placa do veículo ... A DRJ cancelou os lançamentos , nos seguintes termos: Os lançamentos relativos aos docs. 68; 69 e 70 correspondem a despesas com combustíveis. Os documentos apresentados em impugnação são cópias de notas fiscais que já haviam sido apresentadas ao autuante em.fase de fiscalização, conforme consta de fls. 966, 967 e 968. O autuante glosou essas despesas sob o único fundamento de que não constava das notas fiscais apresentadas o número da placa dos veículos abastecidos. As notas fiscais foram emitidas por "AUTO POSTO DA PRAÇA LTDA.", sendo identificável a razão social da Impugnante como destinatária das mercadorias fornecidas. Consta da descrição das notas fiscais que elas se referem a abastecimento de combustível referente ao mês anterior em que elas foram emitidas. . Certamente, se o número dá placa do veículo já estivesse contida na descrição da nota fiscal, a presunção da legitimidade do gasto descrito no documento fiscal seria mais evidente. Todavia, não é condição de dedutibilidade de despesas com combustíveis que conste da nota fiscal o número da placa do veículo abastecido. Caso remanescesse dúvida acerca desses eventos ou dos veículos abastecidos, o autuante poderia ter intimado a contribuinte a apresentar relatórios de utilização Fl. 4900DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.594 17 dos veículos, e outros documentos que permitissem vinculálos ou não,aos referidos abastecimentos. Todavia, como isso não se sucedeu durante a ação fiscal, as notas fiscais, em princípio,, são, instrumentos hábeis a demonstrar a compra dos produtos nelas descritos e, se o autuante não as desabilitou como documentos fiscais idôneos, a mera ausência de menção à placa do veículo abastecido não é fundamento suficiente par a. afastar o reconhecimento do gasto. Também concordo que não é motivo bastante o suficiente para proceder com a glosa o fundamento único de que não constava das notas fiscais apresentadas o número da placa dos veículos abastecidos. O fiscal autuante deveria ter aprofundado mais as investigações, solicitando, como foi referenciado pela DRJ, a apresentação de relatórios de utilização de veículos ou outros controles gerenciais a mais, o que não foi feito. Portanto, nego provimento também a este item. TERMO DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E DE CONSTATAÇÃO N° 03 Anexo 2 O Anexo 2 do TC n° 03 referese à glosa de despesas relativas às contas "41710101 Hospedagem" e "41710102 Alimentação", sob o fundamento de que a fiscalizada não apresentou qualquer documento para comprovar os respectivos lançamentos contábeis. A contribuinte juntou os documentos de n°s. 1/13 (fls. 4050/4400) e os relacionou a cada um dos lançamentos discriminados no Anexo 2, destacandose abaixo apenas os registros que digam respeito ao recurso de ofício: Despesa Data doc. Valor N° doe. (...) Viagens e representações 10.10.2001 12.057,33 4 Viagens e representações 14.03.2001 107.844,19 7 A DRJ cancelou acertadamente as respectivas glosas, uma vez que foi identificado que tais registros haviam sido alvos de estornos. Eis as palavras da DRJ: Doc 04 consiste em impressão de telas do sistema "SAP" que registram o estorno do lançamento de despesa de R$ 12.057,33, de 10.10.2001, objeto da glosa do auditorfiscal. Entendo que os documentos' apresentados são suficientes para comprovar o estorno e, assin é indevida a glosa. O doc. 07 consiste em impressão de telas do sistema "SAP" que registram o lançamento, em 26.03.2001, de despesa de R$ 107.844,19 e, na mesma data, estorno de idêntico valor. Entendo que os documentos apresentados são suficientes para comprovar o estorno e, assim, é indevida a glosa. Fl. 4901DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 19515.003080/200687 Acórdão n.º 1401001.499 S1C4T1 Fl. 1.595 18 Portanto, nego provimento a estes itens do recurso de ofício. TERMO DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E DE CONSTATAÇÃO N° 03 ANEXO 2 DOC. 04 Despesa Data doc. Valor Motivos Doc. Viagens e representações 05.11.2001 12.679,52 13 4 O lançamento foi cancelado para o doc. 04, pela DRJ, nos seguintes termos: O doc. 4está vinculado ao lançamento de R$ 12.679,52, do dia 05.11.2001, que traz o histórico "PROV. REF. HOSPEDAGEM MARA RÚBIA DOS SANTOS" e aponta o motivo (13) para sua glosa. Às fls. 1004/1005, onde se encontra a relação dos lançamentos glosados do Anexo 3, percebese que o motivo (13) não consta da nota que descreve o fundamento das glosas. Portanto, ante a inexistência de fundamento para a referida glosa, ela não deve prosperar e o gasto deve ser considerado dedutível. Como se vê, a DRJ acertadamente cancelou o lançamento por absoluta impropriedade na fundamentação aduzida pela fiscalização, eis que o motivo apontado (13) é inexistente na tabela de motivos elaborada pelo fiscal autuante. Portanto, NEGO provimento ao Recurso de ofício para este item também. Tributação reflexa O decidido quanto à infração que além de implicar o lançamento de IRPJ provoca o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) também se aplica a este outro lançamento naquilo em que for cabível. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 4902DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.011169/2005-88
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Oct 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos da Súmula nº 11 do CARF, não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-004.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente 2ª Câmara / 3ª Seção
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015)
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (relator), Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim (presidente), Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da Súmula nº 11 do CARF, não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Recurso a que se nega provimento.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 13 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10580.011169/2005-88
anomes_publicacao_s : 201510
conteudo_id_s : 5535551
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 13 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3802-004.024
nome_arquivo_s : Decisao_10580011169200588.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10580011169200588_5535551.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente 2ª Câmara / 3ª Seção (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015) Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (relator), Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim (presidente), Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
id : 6157602
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048121841287168
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1908; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 343 1 342 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.011169/200588 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802004.024 – 2ª Turma Especial Sessão de 27 de janeiro de 2015 Matéria Auto de infração COFINS Recorrente CATO CLÍNICA DE ACIDENTADOS TRAUMATOLOGIA E ORTOPEDIA S/C LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 IMPUGNAÇÃO. ARGUMENTOS JÁ ADUZIDOS EM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A opção pela via judicial importa em renúncia à instância administrativa, tornando definitivo o crédito tributário lançado, cuja legitimidade obedecerá ao decidido pelo Poder Judiciário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. APLICAÇÃO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da Súmula nº 11 do CARF, “não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal”. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente 2ª Câmara / 3ª Seção (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 11 69 /2 00 5- 88 Fl. 358DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por JOEL MIYAZAKI 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (relator), Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim (presidente), Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Preliminarmente, ressalto que, nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc para a formalização do acórdão, considerando o resultado do julgamento nos termos da ATA da correspondente sessão de julgamento. Por bem retratar os fatos, reproduzo, abaixo, o relatório que foi objeto da decisão recorrida: Tratase de Auto de Infração de fls. 03/43, para exigir a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, no período de apuração de janeiro de 1999 a dezembro de 2003, no valor de R$ 663.935,86 correspondente à contribuição, acrescida de multa de oficio e juros de mora, haja vista que da análise do Mandado de Segurança n° 2002.33.000073660, impetrado pelo SINDHOSBA, relativo a cobrança da Cofins das sociedades civis, ficou constatado que o Tribunal Regional Federal reformou a sentença a quo, dando provimento ao apelo da Fazenda Nacional. Consta ainda, na Descrição dos Fatos, que as quantias pagas e informadas nas DCTF foram consideradas conforme arquivos da RFB. O enquadramento legal do lançamento, fl. 07, inclui: arts. 1°, 2°, da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; arts. 2°, 3° e 8° da Lei n° 9.718, de 1998, com as alterações da Media Provisória n° 12.807, de 1999 e reedições, art. 2°, II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524, de 2002. Cientificada desse Auto de Infração em 12/12/2005, a interessada apresentou a Impugnação (fls.52/64) alegando que: • a Secretaria da Receita Federal lavrou o auto de infração visando a cobrança dos valores recolhidos relativos a Cofins, informados em DCTF, sob o fundamento de reforma pelo TRF da sentença exarada em favor da interessada no MS n° 2002.33.000073660, que levou à juízo a ilegalidade na cobrança desta contribuição; • o auditor fiscal valeuse apenas da cópia de consulta processual adquirida na internet, que além de falta de embasamento legal, demonstra atitude arbitrária do fisco que exige multa de 75% mesmo sabendo da existência de ação judicial que discute a mesma matéria; • com a Lei Complementar n° 70/91 o legislador isentou determinadas sociedades do recolhimento da Cofins nos termos o art. 6°, conforme teor do Decreto 2.397/87, mas para surpresa, a Lei n° 9.430/96, dispôs no art. 56 o contrário, revogando a norma isencional, o que representa ilegalidade no sistema jurídico, conforme entendimento pacificado do STJ, Súmula 276; conforme transcrição de jurisprudência; • não havendo dúvidas quanto a isenção da Cofins, discutese quanto a decisão judicial em nome do SINDHOSBA em beneficio de seus associados, que se encontra em pleno vigor, em favor da impugnante, Fl. 359DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10580.011169/200588 Acórdão n.º 3802004.024 S3TE02 Fl. 344 3 pois não tendo tal veredicto sido publicado, o que existe é vaga informação, constante do acompanhamento processual de reforma da sentença. Tal afirmação não pode prosperar, não se sabendo ao certo que entendimento foi adotado pelo TRF ou se este apreciou o mérito da questão; • em data posterior a lavratura do auto de infração, o próprio TRF expediu certidão de objeto e pé, doc. 03, nesta não constando a informação de que a sentença fora reformada, sendo assim o auto de infração é nulo de pleno direito, lavrado na vigência da sentença judicial que autorizou a suspensão do recolhimento, bem como descumprimento judicial pelo auditor que assinou o auto de infração; • o raciocínio da autuação se baseia no entendimento de que inexistindo sentença favorável por suposta reforma pelo TRF, cabe considerar o período objeto da suspensão tributária como falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins, mas os supostos débitos ainda não existem, pois sua existência é intrinsecamente relacionada com a decisão judicial definitiva a ser proferida na mencionada ação judicial coletiva, logo a questão se encontra sub judice; • estando pendente a discussão meritório sobre a legitimidade de tais valores, encontrase o contribuinte regular, e a precipitação do auditor fiscal poderia resultar no absurdo de concluir a discussão administrativa antes mesmo do trânsito em julgado do processo judicial; • inexistência de dolo, fraude ou simulação, cancelamento da multa imposta, vincular a multa ao valor da movimentação comercial que já foi objeto de tributação, além de trazer possibilidade de dupla tributação, fere os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, conforme transcrição; • o artigo 150, IV, CR estabelece a utilização do tributo com efeito de confisco, sendo que a multa e os juros decorrentes de descumprimento da obrigação tributária também se submetem a esses patamares constitucionais válidos para tributação, conforme citações que transcreve; • requer o julgamento pela improcedência e arquivamento deste processo. A primeira instância, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares de nulidade argüidas, não conheceu da impugnação quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e conheceu da impugnação concernente ao questionamento da penalidade para excluir a multa de ofício calculada no percentual 75%. O acórdão recorrido foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Tratandose de matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, não se conhece da impugnação, quanto ao mérito, Fl. 360DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por JOEL MIYAZAKI 4 por ter o mesmo objeto da ação judicial, em respeito ao princípio da unicidade de jurisdição contemplado na Carta Magna. MULTA DE OFÍCIO. LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Incabível o lançamento da multa de ofício na constituição de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa na forma do art. 151, inciso IV, do Código Tributário Nacional. Lançamento Procedente em Parte Cientificado da referida decisão em 11/05/2009 (fls. 152), o sujeito passivo apresentou, em 10/06/2009 (fls. 178), o recurso voluntário de fls. 178/185 onde defende a possibilidade de utilização simultânea das vias judicial e administrativa, a extinção dos créditos executados anteriores a 12 de dezembro de 2000 por força da decadência (artigo 173 do CTN), e à suposta existência de ação judicial em seu favor, o que impossibilitaria a cobrança dos créditos tributários objeto do lançamento. Diante o exposto requer seja dado provimento ao seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios, redator ad hoc designado para formalizar a decisão, uma vez que o conselheiro relator, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, não mais compõe este colegiado, retratando, assim, a hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015: O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual há que ser conhecido. Não resta dúvida de que a exigência objeto do presente processo administrativo foi submetida ao Poder Judiciário, conforme reconhece o próprio sujeito passivo. Nesse sentido, esclarecedora a informação exarada pelo SECAT às fls. 340/341, abaixo transcrita parcialmente: [...] 4. Não obstante decisão da DRJ/SDR relativa à concomitância entre processos administrativo e judicial, por meio da qual suscita o princípio da unicidade de jurisdição, o contribuinte optou por discutir o tema por ocasião da interposição de Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) do Ministério da Fazenda, apresentado em 10/06/2009. Conforme se verifica no documento de fls. 178 a 185, além de discutir a possibilidade de simultaneidade entre as vias, o recorrente suscita dois outros pontos que até então não haviam sido prequestionados. Resolve, então, argüir decadência relativamente à parte do crédito tributário lançado, bem como se aproveita de suposta decisão judicial a seu favor, nos autos de outro processo judicial, de n° 2004.33.00.0183790/BA, até então desconhecido, para pleitear a nulidade do lançamento e a suspensão da cobrança. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10580.011169/200588 Acórdão n.º 3802004.024 S3TE02 Fl. 345 5 5. Por meio do Mandado de Segurança Coletivo n° 2002.33.00.0073660, o contribuinte buscou o afastamento da exigência da Cofins de seus associados, ao argumento de que a Lei n° 9.430/96, Lei Ordinária, não poderia ter revogado a isenção concedida pela Lei Complementar n° 70/91, no seu art. 6°, II, às sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada, uma vez que Lei Ordinária não pode revogar Lei Complementar sem implicar desrespeito ao princípio da hierarquia das Leis. 6. O processo judicial já transitou em julgado, em 25/06/2008, em sede de Apelação em Mandado de Segurança, desfavoravelmente ao impetrante, ao fundamento de que não restou demonstrada a satisfação das exigências do DecretoLei n° 2.397/87, referentes ao registro civil das pessoas jurídicas e à constituição exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no país, não podendo prosperar tal pleito proposto por sindicato de categoria sem identificação e qualificação dos seus associados (fls. 330 a 332). 7. No mesmo sentido, por meio do Mandado de Segurança Coletivo nº 2004.33.00.0183790/BA, impetrado pela Associação de Hospitais e Serviços de Saúde do Estado da Bahia (AHSEB), buscouse igualmente o reconhecimento da isenção concedida pela LC n° 70/91, tendo havido a concessão da segurança em primeira instância e posterior reforma pelo TRF, que deu provimento à Apelação interposta pela Fazenda Nacional, com publicação da decisão em 05/02/2010 (fls. 333 a 340). 8. Diante do exposto, tendo em vista inexistência de qualquer provimento judicial favorável ao contribuinte, a consequência teórica seria a reativação da cobrança administrativa, uma vez que não constam informações de depósitos judiciais ou pagamentos relacionados ao CT lançado. No entanto, pelo fato de o contribuinte ter interposto Recurso Voluntário ao CARF, conforme já relatado, por meio do qual pretende discutir outros pontos além do que é objeto das referidas ações judiciais, conforme descrito no item 4, proponho o encaminhamento do presente PAF ao Contencioso deste Secat, com o fim específico de: atualizar o sistema Profisc para a situação "suspensão de exigibilidade por interposição de Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos fiscais"; e encaminhar o processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), para apreciação. (grifos nossos) Em vista da concomitância entre as demandas judicial e administrativa, a autoridade recorrida não se manifestou sobre tal questão de direito em respeito ao princípio da unidade de jurisdição, previsto no artigo 5o, inciso XXXV, da Constituição Federal. Para questões como essa a Secretaria da Receita Federal do Brasil determina sejam adotadas as providências contempladas no Ato Declaratório Normativo SRF/COSIT nº 03, de 14/02/1996, cujas partes de interesse estão seguem abaixo reproduzidas: [...] Fl. 362DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por JOEL MIYAZAKI 6 a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto; [...] c) no caso da letra 'a', a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito [...]; (grifo nosso) Importa ressaltar que referido Ato Declaratório se fundamenta no artigo 62, parágrafo único, do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, bem como do artigo 1º, § 2º, do Decretolei nº 1.737, de 20 de dezembro de 1979, e ainda do artigo 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980. Portanto, dada a renúncia à instância administrativa no que concerne à exigência da COFINS, resta apreciar unicamente o argumento (de ordem pública) relativo à extinção, por decadência, dos créditos tributários anteriores a 12 de dezembro de 2000. Na ocasião da sessão de julgamento (em 27/01/2015), essa questão foi levada à Turma pelo conselheiro relator como relativa a prescrição intercorrente, conforme minuta do voto apresentado à época, abaixo transcrita: Verificase que o presente Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os seus requisitos positivos. Portanto, dele tomo conhecimento e passo analisar o mérito. A lide administrativa se limita aos pedidos de reconhecimento de prescrição intercorrente e ao reconhecimento da prescrição do direito de ação executiva dos créditos tributário por parte da Fazenda Nacional. Em que pese a matéria trazida ao presente recurso ser uma inovação recursal, nada impede, ao meu ver, o seu conhecimento para debate, já que tratase de matéria de ordem pública e pode ser reconhecida, de ofício, em qualquer fase do processo. E, nesse sentido, a primeira questão: prescrição intercorrente, não há como ser provida. Conforme se infere da Súmula Carf nº 11 “não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal”. Portanto, não há como reconhecêla. Com relação ao reconhecimento da prescrição do direito de ação executiva fiscal, ao meu ver, não se aplica ao caso porquanto necessário se faz a constituição definitiva do crédito tributário (artigo 174 do CTN). Veja: o prazo de decadência começa a correr desde o momento em que o direito nasce; a prescrição, por sua vez, desde o momento em que o direito é violado, ameaçado ou desrespeitado. A decadência supõe um direito que, embora nascido, não se tornou efetivo pela falta de exercício. De outro, a prescrição supõe um direito nascido e efetivo, mas que pereceu pela falta de proteção pela ação judicial cabível. O Código Tributário Nacional prevê dois prazos preclusivos: surgindo a obrigação tributária, nasce para a Fazenda Pública o direito formativo de constituir o crédito tributário, no prazo de decadência de cinco Fl. 363DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10580.011169/200588 Acórdão n.º 3802004.024 S3TE02 Fl. 346 7 anos, não sujeito a interrupção ou suspensão (CTN, art. 173); constituído o crédito tributário, a Fazenda Pública tem o direito de haver a prestação tributária, direito que se extingue (prazo de decadência, portanto), decorridos outros cinco anos (CTN, art. 174). Este segundo prazo, impropriamente denominado de prescricional, está, porém, sujeito a interrupção (CTN, art. 174, § único) e à suspensão. Feita as considerações acima, concluo que, no presente caso, nenhuma razão assiste ao contribuinte. Conclusão Posto isto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e NEGOLHE provimento para manter a decisão ora combatida nos seus exatos termos. Este, portanto, foi o entendimento proferido pelo conselheiro relator na ocasião em que o feito foi julgado, entendimento o qual reproduzo por força do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc Fl. 364DF CARF MF Impresso em 13/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 15504.726536/2011-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
Numero da decisão: 9202-003.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez que negavam provimento ao recurso. (Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 15504.726536/2011-16
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5569416
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9202-003.723
nome_arquivo_s : Decisao_15504726536201116.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 15504726536201116_5569416.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez que negavam provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
id : 6288571
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048121850724352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2246; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 809 1 808 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15504.726536/201116 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.723 – 2ª Turma Sessão de 28 de janeiro de 2016 Matéria Contribuições Previdencárias Recorrente Fazenda Nacional Interessado Integral Engenharia Ltda ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidas as Conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Maria Teresa Martinez Lopez que negavam provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 65 36 /2 01 1- 16 Fl. 809DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 15504.726536/201116 Acórdão n.º 9202003.723 CSRFT2 Fl. 810 2 Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2402004.062, prolatado pela 2a Turma Ordinária da 4a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 15 de abril de 2014 (efls. 775 a 782). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e a decisão a seguir: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 USO DE VEÍCULO DE EMPREGADO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE RESSARCIMENTO DE DESPESAS. NÃO CONFIGURAÇÃO DE LOCAÇÃO. INTEGRAÇÃO DO SALÁRIOCONTRIBUIÇÃO. Não houve a devida comprovação do ressarcimento de despesas por uso de veículo de empregado, não configurando a hipótese do art. 28, § 9º, alínea s da lei 8.212/91. PAGAMENTO POR SUPOSTOS SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOAS JURÍDICAS QUE O FISCO ENTENDEU SEREM PRESTADOS POR PESSOAS FÍSICAS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRÁRIO. Deixando de comprovar que os pagamentos foram, de fato, para pessoas jurídicas, presumese, com base nos documentos acostados, tratarse de pessoas físicas. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de inconstitucionalidade ou ilegalidade, salvo nos casos previstos no art. 103A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF. RECÁLCULO DAS MULTAS. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. Tendose em conta a alteração da legislação que trata das multas previdenciárias, devese analisar a situação específica de cada caso e optar pela penalidade que seja mais benéfica ao contribuinte. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 15504.726536/201116 Acórdão n.º 9202003.723 CSRFT2 Fl. 811 3 ALUGUEL DE VEÍCULOS COM MOTORISTA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. REDUÇÃO DE BASE DE CÁLCULO. Em vista da contratação de fretes e carretos, incide contribuição previdenciária sobre base de cálculo reduzida a 20% sobre os valores pagos a título de alugueis de veículos com motorista. Recurso Voluntário Provido em Parte. DECISÃO: Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que, quanto à parcela relativa ao fretes e carretos, seja ajustada a base de cálculo desse lançamento ao percentual de 20% em substituição aos 100% utilizados pela autoridade fiscal; e: a) com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/1996; e b) com relação ao auto de infração de obrigação acessória, para adequação da multa aplicada ao artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica. Enviados os autos à Fazenda Nacional em 05/09/2014 (efl. 783) para fins de ciência da decisão, insurgindose contra esta, sua Procuradoria apresenta, em 06/10/2014 (efl. 796), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 784 a 795). Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, decidido pela 6ª Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 206001.782, datado de 04 de fevereiro de 2009 e pela 1a. Turma Ordinária da 4a. Cãmara da 2a. Seção deste CARF no Acórdão 240100.127, de 06 de maio de 2009, cujas ementas e decisões estão a seguir transcritas: Acórdão 206001.782 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 27/10/2006 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI Nº 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO Nº 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP CORESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS MULTA RETROATIVIDADE A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999: “informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de Fl. 811DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 15504.726536/201116 Acórdão n.º 9202003.723 CSRFT2 Fl. 812 4 contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela empresa Incentive House é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. A fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Se assim não o fosse, estaríamos falando de uma empresa pessoa jurídica, com capacidade de pensar e agir. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: Por unanimidade de votos, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para adequar o valor da multa ao disciplinado pela MP n° 449/2008. Acórdão CSRF 240100.127 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, tratase de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória decorrente de Notificação Fiscal, onde fora reconhecida a decadência do artigo 150, § 4º, do CTN, impondo seja levada a efeito a mesma decisão nestes autos em face da relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação Fl. 812DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 15504.726536/201116 Acórdão n.º 9202003.723 CSRFT2 Fl. 813 5 acessória, a empresa apresentar a GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA APLICAÇÃO Na superveniência de legislação que se revele mais favorável ao contribuinte no caso da aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, aplicase o princípio da retroatividade benigna da lei aos casos não definitivamente julgados, conforme estabelece o CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Decisão: I) Por unanimidade de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas ate a competência 11/2000; II) Por maioria de votos, em declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2001. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira (relatora), que votaram por declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2000; e III) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para recalcular o valor da multa de acordo com o disciplinado 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a titulo de multa nas NFLD correlatas. Designado para redigir o voto vencedor, na parte referente à decadência o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda que: a) haveria de se aplicar, à situação fática, o art. 35A da Lei no. 8.212, de 24 de julho de 1991, quando da comparação da penalidade mais benéfica ao contribuinte. devendo ser efetuado o seguinte cálculo: somar as multas aplicadas na sistemática antiga (art. 35, II e art. 32, IV, da norma revogada) e comparar o resultado desta operação com a multa prevista no art. 35A da mesma Lei no. 8.212, de 1991, introduzido pela Medida Provisória no. 449, de 2008, e que remete ao art. 44, inciso I da Lei no. 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (percentual de 75%). Rejeita, assim, a comparação feita separadamente pelo vergastado: a) entre a multa prevista no art. 32, IV da norma revogada como o novo art. 32A da Lei no. 8.212, de 24 de 1991, aplicandose aqui a norma mais benéfica ao contribuinte e, separadamente, b) entre a multa prevista no art. 35, II da mesma Lei, revogado e o percentual de 75%. b) Entende restringirse o art. 32A do diploma, citado pelo vergastado, ao lançamento de multa isolada quando houver tãosomente o descumprimento da obrigação acessória prevista no inciso IV do caput do art. 32 da mesma Lei no. 8.212, de 1991, não cabendo sua aplicação simultânea ao art. 35A citado, sob pena de bis in idem. Entende que, sempre que houver lançamento das contribuições previdenciárias vinculado ao descumprimento das obrigações principal e acessória, há que se utilizar, agora, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, o teor do art. 35A daquele diploma, consoante o cálculo Fl. 813DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 15504.726536/201116 Acórdão n.º 9202003.723 CSRFT2 Fl. 814 6 acima mencionado. Ressalta, ainda, entender que o art. 44, I da Lei no. 9.430, de 1996, referenciado pelo mencionado art. 35A, abarca tanto a conduta de descumprimento da obrigação principal como da acessória e a consonância de tal entendimento com o estabelecido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, em seu art. 4o. inciso I, utilizada de forma plena no lançamento e que respalda a comparação defendida pela recorrente. Requer, assim, que seja conhecido o recurso e lhe seja dado provimento recurso, a fim de que prevaleça a forma de cálculo da retroatividade benéfica em conformidade com o que dispõe a mencionada Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 2010. O recurso foi admitido pelo despacho de efls. 3503 a 3507. Encaminhados os autos à autuada para fins de ciência, ocorrida em 27/01/2015 (efl. 805), a contribuinte quedou inerte quanto à apresentação de Recurso Especial de sua iniciativa e/ou contrarrazões, permanecendo, assim, sob apreciação, tão somente o pleito fazendário. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Sob análise, a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendose as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 814DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 15504.726536/201116 Acórdão n.º 9202003.723 CSRFT2 Fl. 815 7 dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições Fl. 815DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 15504.726536/201116 Acórdão n.º 9202003.723 CSRFT2 Fl. 816 8 geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 816DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 15504.726536/201116 Acórdão n.º 9202003.723 CSRFT2 Fl. 817 9 pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 817DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 15504.726536/201116 Acórdão n.º 9202003.723 CSRFT2 Fl. 818 10 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se Fl. 818DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 15504.726536/201116 Acórdão n.º 9202003.723 CSRFT2 Fl. 819 11 refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por segregar o referido recálculo da seguinte forma: a) para as competências de fevereiro, março, agosto, setembro e outubro de 2008 (02/2008, 03/2008, 08/2008, 09/2008 e 10/2008), comparação entre a multa estabelecida pelo art. 35, II da Lei no. 8.212, de 1991, com o percentual de 75%, estabelecido pelo art. 44, inciso I da Lei no. 9.430, de 1996, mantendose dos dois o menor (aplicação mais benéfica); b) para a competência 01/2008, comparação a ser realizada entre o disposto no art. 32, IV e § 5o. da redação anterior da mesma Lei no. 8.212, de 1991, antes da edição da MP, e o disposto no art. 32A da referida Lei no. 8.212, de 1991, mantendose, também, das duas multas a mais benéfica ao contribuinte. Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, no sentido de que se deva fazer a comparação de forma segregada, ouso discordar. Entendo a propósito que, em verdade, o referido art. 35 da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter, agora a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo tanto a constatação, através de procedimento de ofício, de falta de pagamento, como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Fl. 819DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 15504.726536/201116 Acórdão n.º 9202003.723 CSRFT2 Fl. 820 12 Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as Fl. 820DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 15504.726536/201116 Acórdão n.º 9202003.723 CSRFT2 Fl. 821 13 prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de Fl. 821DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 15504.726536/201116 Acórdão n.º 9202003.723 CSRFT2 Fl. 822 14 infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. No caso sob análise, verifico que permanecem em em litígio, quanto à aplicação da retroatividade benéfica: a) a multa aplicada aos débitos cujos fatos geradores ocorreram antes da vigência da MP no, 449, de 2008, constantes dos AIs 37.358.4598, 37.358.4601 e 37.358.4644 (débitos de obrigação principal) e b) a multa aplicada através do AI 37.358.4560, aplicada por haver a empresa infringido o disposto no inciso IV do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, também para competências (fatos geradores) anteriores à vigência Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado, agora ao caso sob análise, entendo que, para todos os débitos cujos fatos geradores ocorreram antes da vigência da MP no. 449. de 2008, devase restabelecer as penalidades originalmente lançadas nos AIs em questão, limitada, desta forma, a soma das penalidades aplicáveis à cada competência ao percentual de 75% dos valores devidos a título de obrigação principal, na forma de demonstrativo de efl. 372, sem que se deva falar em comparação segregada de multas, na forma proposta pelo vergastado. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO Processo nº 15504.726536/201116 Acórdão n.º 9202003.723 CSRFT2 Fl. 823 15 Este percentual é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, restabelecendose as penalidades na forma que lançadas nos autos de infração sob análise no presente feito. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Fl. 823DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREI TAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721125/2013-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
DEPÓSITO JUDICIAL DO MONTANTE INTEGRAL. LANÇAMENTO
PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. DESNECESSIDADE.
Quando os valores depositados judicialmente para discussão da alíquota aplicável à CSLL correspondem, integralmente, à diferença entre o montante confessado e pago em DCTF e aquele questionado no Poder Judiciário, descabe a lavratura da Auto de Infração, inclusive para o fim de afastar a decadência, posto que o entendimento no STJ é firme no sentido de que o depósito efetuado corresponde a lançamento.
Numero da decisão: 1201-001.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011, 2012, 2013 DEPÓSITO JUDICIAL DO MONTANTE INTEGRAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. DESNECESSIDADE. Quando os valores depositados judicialmente para discussão da alíquota aplicável à CSLL correspondem, integralmente, à diferença entre o montante confessado e pago em DCTF e aquele questionado no Poder Judiciário, descabe a lavratura da Auto de Infração, inclusive para o fim de afastar a decadência, posto que o entendimento no STJ é firme no sentido de que o depósito efetuado corresponde a lançamento.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16327.721125/2013-57
anomes_publicacao_s : 201601
conteudo_id_s : 5556333
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1201-001.218
nome_arquivo_s : Decisao_16327721125201357.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
nome_arquivo_pdf_s : 16327721125201357_5556333.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
id : 6243294
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048121886375936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1741; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.721125/201357 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1201001.218 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 8 de dezembro de 2015 Matéria Auto de Infração Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO TOYOTA DO BRASIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011, 2012, 2013 DEPÓSITO JUDICIAL DO MONTANTE INTEGRAL. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. DESNECESSIDADE. Quando os valores depositados judicialmente para discussão da alíquota aplicável à CSLL correspondem, integralmente, à diferença entre o montante confessado e pago em DCTF e aquele questionado no Poder Judiciário, descabe a lavratura da Auto de Infração, inclusive para o fim de afastar a decadência, posto que o entendimento no STJ é firme no sentido de que o depósito efetuado corresponde a lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 11 25 /2 01 3- 57 Fl. 448DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16327.721125/201357 Acórdão n.º 1201001.218 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de Auto de Infração contra o BANCO TOYOTA DO BRASIL S/A, para a exigência da CSLL relativa aos anos de 2011, 2012 e 2013, no valor total de R$ 16.928.853,29. No Termo de Verificação Fiscal de fl. 14, a autoridade fiscal informou que procedeu à revisão interna da DIPJ e da DCTF dos períodos citados, tendo em vista que o contribuinte discutia judicialmente a alíquota aplicável na apuração da CSLL e havia efetuado depósitos judiciais. Conforme relatado na decisão recorrida, Decidiu a autoridade fiscal promover o lançamento de ofício, com exigibilidade suspensa e sem aplicação de multa de ofício, em face da seguinte constatação: “Ocorre que o contribuinte informou em DCTF os valores apenas nas estimativas mensais, não tendo informado os valores de ajuste anual, o que obriga ao lançamento do crédito tributário correspondente aos ajustes anuais não pagos para que não surja eventual discussão sobre o lapso decadencial.” Elaborou planilha (fl. 15), na qual identifica todos os débitos de estimativas mensais de CSLL declarados pela empresa em DCTF e suas vinculações a “pagamentos com DARF” e “suspensão”. Cientificada do auto de infração de fls. 03/11, em 15/10/2013, a contribuinte, irresignada, apresentou, em 14/11/2013, a impugnação de fls. 30/43. Inicia a impugnante, em sua peça de defesa, prestando os seguintes esclarecimentos: “3. A Impugnante é instituição financeira com carteira de investimento, de arrendamento mercantil e de crédito, financiamento e investimento, de acordo com seu estatuto social e está sujeita ao recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro, instituída pela Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, a qual elegeu como sujeitos passivos da obrigação tributária as pessoas jurídicas em geral. 4. Visando à determinação do "quantum" a ser pago a título dessa contribuição social, o referido diploma legal definiu a base de cálculo como o valor do resultado do exercício antes da provisão para o imposto de renda (art. 2o). 5. Contudo, ao invés de manter uma única alíquota aplicável a todos os contribuintes, a Medida Provisória n° 413, de 03 de Fl. 449DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16327.721125/201357 Acórdão n.º 1201001.218 S1C2T1 Fl. 4 3 janeiro de 2008, por meio de seu artigo 17, alterou o artigo 3o da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1998, majorando a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do setor financeiro em geral de 9% para 15%, a qual foi posteriormente convertida na Lei n° 11.727/08. (...) 6. Segundo o disposto no artigo 18 da referida Medida Provisória, ela somente surtiria efeitos, em relação ao seu artigo 17, após o 1o dia do quarto mês subsequente ao da publicação desse diploma. 7. Ocorre que a referida majoração não poderia ter sido efetuada por meio de Medida Provisória, uma vez que a autorização para tratamento desigual entre contribuintes foi autorizada somente pela Emenda Constitucional n° 20/98, a qual não poderia ser regulada por Medida Provisória, como no presente caso. 8. Em virtude disso, a Impugnante impetrou Mandado de Segurança, em 30/06/2008, visando afastar a inconstitucionalidade incorrida na majoração da alíquota de CSLL em face das instituições financeiras. O Mandado de Segurança foi autuado sob o número 2008.61.00.0153394 e distribuído para a 19a Vara Cível da Justiça Federal da Subseção Judiciária de São Paulo. 9. Visando garantir a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a Impugnante requereu a concessão de medida liminar para que fosse autorizado o depósito dos valores em discussão, a qual foi deferida. Em razão disso, a Impugnante vem efetuando judicialmente depósito dos valores referentes a diferença entre alíquota de 9% e 15% sobre a base de cálculo da CSLL. 10. Para tanto, a Impugnante apura e informa na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) o valor devido a título de CSLL considerando a alíquota de 15%, a qual é transmitida para Receita Federal, informando o pagamento da parcela incontroversa da CSLL (alíquota de 9%) e o valor do montante que foi depositado nos autos do Mandado de Segurança relativo a parcela controversa da CSLL (diferença entre a alíquota de 9% e 15%).” Em seguida, adentrando em suas razões de defesa, alega a impugnante que, a despeito do seu correto procedimento, foi acusada pela Fiscalização de não ter declarado como devido a título de ajuste anual de CSLL os seguintes valores: no ano calendário de 2011, R$ 4.936.390,85; no anocalendário de 2012, R$ 6.319.845,37 e no anocalendário de 2013, R$ 4.530.779,89. Elabora, então, tabela para demonstrar que os montantes lançados correspondem exatamente aos valores depositados judicialmente no Mandado de Segurança n° 2008.61.00.0153394. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16327.721125/201357 Acórdão n.º 1201001.218 S1C2T1 Fl. 5 4 Deduz a suplicante: “18. Consoante se infere da autuação fiscal, no entendimento do I. Fiscal os valores depositados judicialmente deveriam ter sido recolhidos e declarados como ajuste anual e não como antecipação da referida contribuição. Provavelmente, esse entendimento se deu, em razão de que os valores recolhidos estão com código de antecipação de estimativas (2469) e os demais valores estão depositados judicialmente. Em outras palavras, a fiscalização apurou o valor total da CSLL devida nos respectivos anos, identificou valores que foram recolhidos a título de antecipação, e concluiu que a diferença deveria ser lançada como se ajuste fosse.” Nesse contexto, protesta pelo cancelamento do auto de infração, pois “(i) os valores lançados no Auto de Infração não se tratam de mero ajuste anual de CSLL e, além disso, (ii) o crédito tributário ora exigido está devidamente constituído, seja por declaração em DCTF, seja por declaração na DIPJ, seja em razão do depósito do montante integral realizado na ação judicial.” Assevera a impugnante: “20. Nos períodos autuados, a Impugnante apurava de janeiro a novembro a CSLL por estimativa, com base na receita bruta, e no mês de dezembro apurava a CSLL com base em balancete de suspensão e redução, a alíquota de 15%, declarando o valor devido mensalmente na DCTF, como determina a legislação. Considerando o fato de que a Impugnante está discutindo judicialmente a majoração da alíquota da CSLL de 9% para 15%, mensalmente ela informava o valor total devido e também o pagamento do valor incontroverso e o depósito judicial do montante em discussão. 21. Especificamente, no final do período, a Impugnante apurava a estimativa da CSLL com base no balancete de suspensão ou redução, o que fazia com que ao final do período de apuração não houvesse nenhum ajuste a ser realizado. Tanto isso é verdade que nos três períodos da autuação não havia ajuste a ser realizado. Todavia, como a apuração ainda se referia ao encerramento de cada período base, o valor apontado como devido, na essência, ainda possuía a natureza de antecipação e não de ajuste. Esse é o regime jurídico expressamente consagrado pela Lei 9.430/96. (...) 24. O lançamento efetuado pela Fiscalização referese ao valor das estimativas mensais de CSLL que foram depositadas judicialmente e informadas na DCTF. Basta um simples cotejo analítico entre a coluna "suspensão" do anexo I acima indicado, que é parte integrante da autuação fiscal, com as DCTF's entregues à Receita Federal e acostadas à Impugnação, para se verificar que o valor exigido nesse Auto de Fl. 451DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16327.721125/201357 Acórdão n.º 1201001.218 S1C2T1 Fl. 6 5 Infração se refere aos valores depositados judicialmente, os quais, inclusive, já haviam sido devidamente constituídos por meio de DCTF e DIRPJ. 25. Não há dúvida de que o presente Auto de Infração deve ser cancelado, pois lançou valores a título de ajuste quando na verdade se trataria de antecipação. Além disso, adotou como base justamente os valores depositados judicialmente a título de CSLL. 26. E, ainda que assim não fosse, fato é que o crédito já está devidamente constituído, não sendo necessária a lavratura de auto de infração para prevenir a decadência, como se pretende fazer. 27. A constituição dos créditos objeto desse processo já ocorreu seja por meio de declaração na DCTF, seja por meio da entrega da Declaração de Informação Econômica da Pessoa Jurídica (DIPJ) ou, ainda, por meio da realização dos depósitos judiciais do montante integral controverso de CSLL.” Para corroborar seu argumentação, a suplicante se reporta tanto à jurisprudência administrativa, citando precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), como judiciais, apontando julgados do STJ e de Tribunais Regionais Federais. Ao final, pede o cancelamento do auto de infração ou pelo menos que sejam afastados os juros de mora, considerando que os depósitos foram efetuados no montante integral. Em sessão de 7 de fevereiro de 2014, a 2a Turma da Delegacia de Julgamento de Brasília, por unanimidade de votos, julgou procedente a impugnação e cancelou o Auto de Infração. Da decisão foi apresentado Recurso de Ofício, por força do limite de alçada. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. A discussão nos autos diz respeito ao tratamento fiscal destinado ao controle de valores que o Contribuinte depositou judicialmente, no bojo de Mandado de Segurança Fl. 452DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16327.721125/201357 Acórdão n.º 1201001.218 S1C2T1 Fl. 7 6 impetrado para discutir a diferença entre as alíquotas de 9% e 15% incidentes sobre a base de cálculo da CSLL. Conforme relatado em primeira instância, a empresa apurou os valores da CSLL com alíquota de 15% e informou nas respectivas DCTF o pagamento da parcela incontroversa, relativa à alíquota de 9%, além de consignar o montante depositado judicialmente, que corresponde à diferença em litígio. Mediante revisão interna, a fiscalização lavrou Auto de Infração contra supostos ajustes anuais, dos períodos entre 2011 e 2013, que não teriam sido pagos. Contudo, a decisão recorrida constatou que não havia discrepância de valores ou irregularidade na conduta do Contribuinte, conforme transcrição a seguir: Primeiramente, releva ressaltar que a integralidade dos depósitos judiciais realizados foi conferida pela Fiscalização. Não há qualquer dúvida de que o caso sob exame trata de depósito judicial integral. Em segundo lugar, cabe destacar que a contribuinte juntou, com sua peça de impugnação, as DIPJ, as DCTF e os DARF dos aludidos períodos (fls. 139/429). Do exame dessa documentação, confirmase a perfeita compatibilidade das DIPJ com as DCTF e a correção da planilha elaborada pela impugnante (fl. 15), na qual identifica todos os débitos de estimativas mensais de CSLL declarados pela empresa em DCTF e suas vinculações a “pagamentos com DARF” e “suspensão”. Confirmase, pois, que, nos aludidos anos, a contribuinte apurou, de janeiro a novembro, a CSLL por estimativa, com base na receita bruta, e no mês de dezembro, a CSLL com base em balancete de suspensão e redução, à alíquota de 15%, declarando o valor devido mensalmente na DCTF, o que fez com que ao final do período de apuração não houvesse nenhum ajuste a ser realizado. Assim, como os valores depositados judicialmente correspondem exatamente aos valores declarados na DCTF e na DIPJ, não procede a acusação fiscal de que os ajustes anuais de CSLL dos anoscalendário de 2011 a 2013 não foram pagos. (grifamos) Quanto ao lançamento efetuado, entendeu a DRJ pela sua desnecessidade, não sendo cabível o argumento de prevenção da decadência, posto que os valores em litígio e depositados judicialmente já estão confessados em DCTF, que é o documento hábil para eventual cobrança. Ademais, o entendimento do STJ é no sentido de que o depósito do montante integral equivale ao lançamento e torna desnecessária qualquer providência adicional do Fisco, inclusive para fins de decadência, como se pode depreender, entre outros, do quanto decidido no EREsp 898.992/PR, Primeira Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ 27/08/2007, cuja ementa estabelece, verbis: Fl. 453DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16327.721125/201357 Acórdão n.º 1201001.218 S1C2T1 Fl. 8 7 PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. ART. 151, II, DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONVERSÃO EM RENDA. DECADÊNCIA. 1. Com o depósito do montante integral temse verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Se a Fazenda aceita como integral o depósito, para fins de suspensão da exigibilidade do crédito, aquiesceu expressa ou tacitamente com o valor indicado pelo contribuinte, o que equivale à homologação fiscal prevista no art. 150, § 4o, do CTN. 2. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontrase constituído o crédito tributário, razão pela qual não há mais falar no transcurso do prazo decadencial nem na necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. 3. "No lançamento por homologação, o contribuinte, ocorrido o fato gerador, deve calcular e recolher o montante devido, independente de provocação. Se, em vez de efetuar o recolhimento simplesmente, resolve questionar judicialmente a obrigação tributária, efetuando o depósito, este faz as vezes do recolhimento, sujeito, porém, à decisão final transitada em julgado. Não há que se dizer que o decurso do prazo decadencial, durante a demanda, extinga o crédito tributário, implicando a perda superveniente do objeto da demanda e o direito ao levantamento do depósito. Tal conclusão seria equivocada, pois o depósito, que é predestinado legalmente à conversão em caso de improcedência da demanda, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, equiparase ao pagamento no que diz respeito ao cumprimento das obrigações do contribuinte, sendo que o decurso do tempo sem lançamento de ofício pela autoridade implica lançamento tácito no montante exato do depósito" (Leandro Paulsen, "Direito Tributário", Livraria do Advogado, 7a ed, p. 1.227). 4. Embargos de divergência não providos. (grifamos) Também não se cogita do lançamento como forma de evitar a possibilidade de o Contribuinte, no bojo do processo judicial, efetuar o levantamento dos montantes depositados, circunstância que justificaria a providência fiscal. Isso porque é forte no STJ o entendimento de que o depósito só pode ser levantado pelo interessado ao término da demanda e desde que o resultado lhe seja favorável. Nesse sentido reproduzimos, a título de exemplo, Ementa do REsp 252.432/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Rel. p/ Acórdão Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 02.06.2005, DJ 28.11.2005, verbis: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. DEPÓSITO EFETUADO COM O OBJETIVO DE SUSPENDER A EXIGIBILIDADE DO Fl. 454DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16327.721125/201357 Acórdão n.º 1201001.218 S1C2T1 Fl. 9 8 CRÉDITO TRIBUTÁRIO, NOS AUTOS DE MANDADO DE SEGURANÇA EM QUE SE DISCUTE A LEGITIMIDADE DO TRIBUTO. VINCULAÇÃO DO DESTINO DO DEPÓSITO AO DESFECHO DA DEMANDA EM QUE EFETUADO. 1. O depósito do montante integral do crédito tributário, na forma do art. 151, II, do CTN, é faculdade de que dispõe o contribuinte para suspender sua exigibilidade. Uma vez realizado, porém, o depósito passa a cumprir também a função de garantia do pagamento do tributo questionado, permanecendo indisponível até o trânsito em julgado da sentença e tendo seu destino estritamente vinculado ao resultado daquela demanda em cujos autos se efetivou. 2. No caso concreto, transitou em julgado a sentença denegatória do mandado de segurança em cujos autos foi efetuado o depósito, após o provimento do recurso extraordinário da Fazenda pelo STF, sendo devida, por essa razão, a conversão daquele valor em renda à parte vitoriosa — o que não impede a recorrente de buscar, pelas vias próprias, a restituição das quantias que, com base em causa de pedir não apreciada naquela impetração, entenda lhe serem devidas. 3. Voto pelo desprovimento do recurso especial.” (grifamos) Assim, entendo que não merece reparos a decisão recorrida, que concluiu pela desnecessidade do lançamento e seu consequente cancelamento, conforme entendimento jurisprudencial consolidado no Superior Tribunal de Justiça. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso de Ofício e, no mérito, NEGOLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 455DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/ 12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
score : 1.0
Numero do processo: 18088.720335/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2010 a 31/12/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
MULTA ISOLADA. VERBAS NÃO SUBMETIDAS À REPERCUSSÃO GERAL NEM AO RECURSO REPETITIVO. EVIDENTE INTUITO DE FALSIDADE NA DECLARAÇÃO. JUSTIFICATIVA PARA SUA APLICAÇÃO.
É justificável a exigência da multa isolada quando o sujeito passivo tenha procedido com evidente intuito de falsidade nas informações declaradas na GFIP, minuciosamente justificado e comprovado nos autos.
É vedada a compensação da contribuição devida com créditos não comprovados (ilíquidos e incertos), quando sua exigibilidade está sendo questionada judicialmente e ainda não se operou o trânsito em julgado, e aqueles oriundos de verbas que constituem, perante a legislação, base de cálculo de contribuições previdenciárias.
MULTA ISOLADA. VERBAS SUBMETIDAS À REPERCUSSÃO GERAL E/OU AO RECURSO REPETITIVO. COM DECISÃO PROFERIDA PELA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO EVIDÊNCIA DO INTUITO DE FALSIDADE NA DECLARAÇÃO.
Não caracteriza falsidade a opção do sujeito passivo compensar verba que já fora reconhecida pelo STF e/ou STJ, na sistemática dos artigos 543-B e 543-C da Lei 5.869/1973, como verba não sujeita à incidência de contribuição previdenciária, mesmo estando discutindo a natureza dessa verba no âmbito do Poder Judiciário em processo específico do contribuinte e sem o trânsito em julgado.
Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher em parte os embargos de declaração PARA: (i) rejeitar a aplicação da multa isolada para a verba intitulada de terço constitucional de férias; e (ii) para as demais verbas compensadas, conferir integração ao acórdão embargado no sentido de dar-lhe aclaramento, concedendo-lhe efeitos infringentes (modificativos) para que seja sanada a obscuridade apontada no voto condutor do acórdão embargado e, por consectário lógico, seja mantida no lançamento fiscal a multa isolada de 150%, a teor do art. 89, §10, da Lei 8.212/1991.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2010 a 31/12/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. MULTA ISOLADA. VERBAS NÃO SUBMETIDAS À REPERCUSSÃO GERAL NEM AO RECURSO REPETITIVO. EVIDENTE INTUITO DE FALSIDADE NA DECLARAÇÃO. JUSTIFICATIVA PARA SUA APLICAÇÃO. É justificável a exigência da multa isolada quando o sujeito passivo tenha procedido com evidente intuito de falsidade nas informações declaradas na GFIP, minuciosamente justificado e comprovado nos autos. É vedada a compensação da contribuição devida com créditos não comprovados (ilíquidos e incertos), quando sua exigibilidade está sendo questionada judicialmente e ainda não se operou o trânsito em julgado, e aqueles oriundos de verbas que constituem, perante a legislação, base de cálculo de contribuições previdenciárias. MULTA ISOLADA. VERBAS SUBMETIDAS À REPERCUSSÃO GERAL E/OU AO RECURSO REPETITIVO. COM DECISÃO PROFERIDA PELA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO EVIDÊNCIA DO INTUITO DE FALSIDADE NA DECLARAÇÃO. Não caracteriza falsidade a opção do sujeito passivo compensar verba que já fora reconhecida pelo STF e/ou STJ, na sistemática dos artigos 543-B e 543-C da Lei 5.869/1973, como verba não sujeita à incidência de contribuição previdenciária, mesmo estando discutindo a natureza dessa verba no âmbito do Poder Judiciário em processo específico do contribuinte e sem o trânsito em julgado. Embargos Acolhidos em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 26 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 18088.720335/2011-51
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5569983
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 26 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-004.812
nome_arquivo_s : Decisao_18088720335201151.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RONALDO DE LIMA MACEDO
nome_arquivo_pdf_s : 18088720335201151_5569983.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher em parte os embargos de declaração PARA: (i) rejeitar a aplicação da multa isolada para a verba intitulada de terço constitucional de férias; e (ii) para as demais verbas compensadas, conferir integração ao acórdão embargado no sentido de dar-lhe aclaramento, concedendo-lhe efeitos infringentes (modificativos) para que seja sanada a obscuridade apontada no voto condutor do acórdão embargado e, por consectário lógico, seja mantida no lançamento fiscal a multa isolada de 150%, a teor do art. 89, §10, da Lei 8.212/1991. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
id : 6290856
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048121891618816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2377; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18088.720335/201151 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2402004.812 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2016 Matéria EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Embargante FAZENDA NACIONAL (PGFN) Interessado MUNICÍPIO DE RINCÃO PREFEITURA MUNICIPAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2010 a 31/12/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é correto o manejo dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. MULTA ISOLADA. VERBAS NÃO SUBMETIDAS À REPERCUSSÃO GERAL NEM AO RECURSO REPETITIVO. EVIDENTE INTUITO DE FALSIDADE NA DECLARAÇÃO. JUSTIFICATIVA PARA SUA APLICAÇÃO. É justificável a exigência da multa isolada quando o sujeito passivo tenha procedido com evidente intuito de falsidade nas informações declaradas na GFIP, minuciosamente justificado e comprovado nos autos. É vedada a compensação da contribuição devida com créditos não comprovados (ilíquidos e incertos), quando sua exigibilidade está sendo questionada judicialmente e ainda não se operou o trânsito em julgado, e aqueles oriundos de verbas que constituem, perante a legislação, base de cálculo de contribuições previdenciárias. MULTA ISOLADA. VERBAS SUBMETIDAS À REPERCUSSÃO GERAL E/OU AO RECURSO REPETITIVO. COM DECISÃO PROFERIDA PELA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO EVIDÊNCIA DO INTUITO DE FALSIDADE NA DECLARAÇÃO. Não caracteriza falsidade a opção do sujeito passivo compensar verba que já fora reconhecida pelo STF e/ou STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543 C da Lei 5.869/1973, como verba não sujeita à incidência de contribuição previdenciária, mesmo estando discutindo a natureza dessa verba no âmbito do Poder Judiciário em processo específico do contribuinte e sem o trânsito em julgado. Embargos Acolhidos em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 03 35 /2 01 1- 51 Fl. 2012DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher em parte os embargos de declaração PARA: (i) rejeitar a aplicação da multa isolada para a verba intitulada de terço constitucional de férias; e (ii) para as demais verbas compensadas, conferir integração ao acórdão embargado no sentido de darlhe aclaramento, concedendolhe efeitos infringentes (modificativos) para que seja sanada a obscuridade apontada no voto condutor do acórdão embargado e, por consectário lógico, seja mantida no lançamento fiscal a multa isolada de 150%, a teor do art. 89, §10, da Lei 8.212/1991. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 2013DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18088.720335/201151 Acórdão n.º 2402004.812 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional (ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN), em face do Acórdão nº 2402004.641 da 2ª Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF. No Acórdão em questão, ficou consignado na Ementa o seguinte: “[...] Ementa: I DO RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO. Quando a decisão de primeira instância está devidamente consubstanciada no arcabouço jurídicotributário, o recurso de ofício (remessa necessária) será negado. II – DO RECURSO VOLUNTÁRIO. PROVIDO EM PARTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade oriunda de uma suposta falta de fundamentação dos fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. HIPÓTESES DE INCIDÊNCIA. A contribuição a cargo da empresa incide sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestaram serviço. O salário de contribuição do empregado corresponde à remuneração auferida, assim entendida como sendo a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados, a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRAZO PRESCRICIONAL. DESOBEDECIDO. A compensação de contribuições previdenciárias está sujeita às limitações legais e à homologação pela fiscalização, não sendo um direito absoluto do contribuinte. O direito de compensar contribuições pagas indevidamente extinguese em cinco anos contados do dia seguinte ao do recolhimento ou do pagamento indevido. Fl. 2014DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 MULTA ISOLADA. LANÇAMENTO COM FALSIDADE NA GFIP. INOCORRÊNCIA. Não é justificável a exigência da multa isolada quando o Fisco não comprove, por meio de elementos mínimos juntados aos autos, a conduta da Recorrente com o intuito de falsidade da declaração apresentada. O cabimento da multa isolada, no caso de compensação indevida na GFIP, depende da comprovação da falsidade da declaração por parte do Fisco, não se caracterizando falsidade o mero exercício do direito de compensação em relação a verbas cuja não incidência não tenha sido declarada por decisão judicial transitada em julgado. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte. [...]” O acórdão recorrido concluiu o seguinte: “[...] CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso de ofício e NEGAR LHE PROVIMENTO. E, CONHECER do recurso voluntário e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para que sejam excluídos, em sua totalidade, os valores oriundos da multa isolada (150%), nos termos do voto. [...]” A Embargante (Fazenda Nacional) afirma ter ocorrido obscuridade nos fundamentos do voto condutor do acórdão ora embargado, eis que a matéria em debate encontrarseia obscura, quando indica acusação genérica de falsidade, na medida em que a mesma se ampara nas compensações realizadas com crédito objeto de discussão judicial, sem o necessário trânsito em julgado. Segundo a Embargante, essas compensações foram efetuadas no período de 05/2010 a 13/2010 e inseridas na discussão inaugurada em sede de mandado de segurança impetrado pelo contribuinte para questionar a incidência de contribuições previdenciárias sobre: a) horas extras; b) terço constitucional de férias e outras verbas. Neste ponto, transcreve se o relatório fiscal: “[...] 1. Este relatório é parte integrante do Auto de Infração de contribuições devidas à Seguridade Social no período de 05/2010 a 13/2010. Os lançamentos aqui constantes decorreram de glosa de compensações efetuadas em desconformidade com os ditames da lei. 2. Através do Processo 000487952.2010.4.03.6120 o MUNICÍPIO DE RINCÃO impetrou o presente mandado de segurança, com pedido de liminar, “objetivando obter ordem que declare a inexistência de relação jurídica referente à contribuição previdenciária patronal incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de (a) horas extras, (b) terço constitucional de férias e demais verbas de natureza indenizatória/compensatória que não integram o salário do segurado de acordo com o art. 201, II da CF/88, cuja contribuição foi considerada indevida a partir de RE 345.458/RS, pelo STF (....) Fl. 2015DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18088.720335/201151 Acórdão n.º 2402004.812 S2C4T2 Fl. 4 5 9. (...) E, comprovada falsidade da declaração apresentada, estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual de 150%, que terá como base de cálculo, o valor total do débito indevidamente compensado, conforme prevê os §§ 9º e 10º do artigo 89 da Lei 8.212/91, in verbis: (...) 13. É vedada a compensação do crédito objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório. (...) [...]” A Fazenda Nacional afirma que “(...) Neste ponto, é preciso esclarecer se o colegiado entende que esta conduta (compensação de crédito sob discussão judicial sem o trânsito em julgado), apontada pelo fiscal, por si só, não configuraria falsidade, hipótese de incidência da multa isolada de 150%”. Enfim, a Fazenda Nacional (União) requer o recebimento e acolhimento do presente embargos, para sanar/retificar o vício existente no acórdão recorrido, acima apontado. É o relatório. Fl. 2016DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O Recurso é tempestivo e dele farei apreciação. No que tange à multa isolada de 150%, o conteúdo do acórdão ora embargado registrou o entendimento de que “(...) Diante da falta de elementos mínimos que comprovem a espécie de inexistência dos valores compensados, poderia entenderse que as compensações de contribuições previdenciárias realizadas pela Recorrente, sem a observância das regras estabelecidas na legislação previdenciária, englobariam também as contribuições em que o direito de efetuar a compensação se encontra prescrito. Essa compensação de valores prescritos pelo lapso temporal de 5 (cinco) anos, a contar da data do efetivo pagamento indevido, decorre dos valores recolhidos nas competências 04/2000 a 04/2005, considerando o início das compensações em 05/2010”. E conclui que o Fisco teria imputado ao sujeito passivo uma conduta genérica, indireta, de falsidade das informações contidas nas GFIP’s, sem especificar exatamente se os valores compensados, em sua totalidade, efetivamente não foram recolhidos à Previdência Social. Por sua vez, a Embargante (Fazenda Nacional) afirma que os valores compensados decorrem de verbas constantes de discussão judicial sem o trânsito em julgado. Nesse ponto, constatase que o processo somente se refere às compensações inseridas na discussão inaugurada em sede de mandado de segurança (Processo 0004879 52.2010.4.03.6120) impetrado pelo sujeito passivo para questionar a incidência de contribuições previdenciárias sobre: horas extras; terço constitucional de férias; e outras verbas; conforme itens 2 a 13 do Relatório Fiscal, o qual registrou: “2. Através do Processo 000487952.2010.4.03.6120 o MUNICÍPIO DE RINCÃO impetrou o presente mandado de segurança, com pedido de liminar, “objetivando obter ordem que declare a inexistência de relação jurídica referente à contribuição previdenciária patronal incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de (a) horas extras, (b) terço constitucional de férias e demais verbas de natureza indenizatória/compensatória que não integram o salário do segurado de acordo com o art. 201, II da CF/88, cuja contribuição foi considerada indevida a partir de RE 345.458/RS, pelo STF (....). 13. É vedada a compensação do crédito objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório.” Fl. 2017DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18088.720335/201151 Acórdão n.º 2402004.812 S2C4T2 Fl. 5 7 Em face do fato de que as compensações realizadas pelo sujeito passivo nas GFIP’s decorrem de um suposto crédito sob discussão judicial sem o trânsito em julgado, entendese que o acórdão embargado merece ser integrado, já que o seu conteúdo – ao registrar que o Fisco teria imputado ao sujeito passivo uma conduta genérica, indireta, de falsidade das informações contidas nas GFIP’s – possui obscuridade/omissão em decorrência da falta de exame específico da regra contida no art. 170A do CTN. Assim, acatase parcialmente a alegação da Embargante pelas seguintes razões fáticas e jurídicas a seguir delineadas. I MULTA ISOLADA PARA VERBAS NÃO SUBMETIDAS À REPERCUSSÃO GERAL NEM AO RECURSO REPETITIVO Quanto à aplicação da multa isolada, ao contrário do entendimento manifestado no acórdão embargado, entendese que o Fisco demonstrou a hipótese de falsidade da declaração apresentada nas GFIP’s. O sujeito passivo afirma que as compensações foram efetivadas e informadas com base na legislação previdenciária vigente à época do fato gerador e aponta que as verbas pagas a título de horas extras, de terço constitucional de férias, de abonos de insalubridade, noturno, de gratificação e de periculosidade teriam natureza indenizatória/compensatória, fora do campo de incidência da contribuição previdenciária. Decorre dos elementos probatórios juntados aos autos que o sujeito passivo realizou, por meio de situações que não espelhavam a sua realidade fática contábil, operações fiscais com o intuito de burlar o Fisco, já que ele não detinha, em parte, o direito de compensação materializado em seus registros contábeis. Pelo contrário, o seu suposto direito compensatório provinha de um crédito sob discussão judicial sem o trânsito em julgado, consubstanciado no mandado de segurança (Processo 000487952.2010.4.03.6120) impetrado para questionar a incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas. O artigo 170A do CTN informa da impossibilidade do aproveitamento de créditos, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Isso está evidenciado no Relatório Fiscal (itens 2 a 13), visto que o sujeito passivo inseriu nas GFIP’s informação não verdadeira, declarando créditos impedidos legalmente de compensação, ou seja, não passíveis legalmente de compensação. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001). Os elementos probatórios, contidos no Relatório Fiscal e nos seus anexos, permitem evidenciar que o sujeito passivo, embora tenha apresentada GFIP para as competências 05/2010 a 13/2010, baseouse exclusivamente no fato de que detinha um suposto crédito, oriundo de discussão judicial sem o trânsito em julgado, para realizar a compensação, mesmo tendo o conhecimento legal de sua impossibilidade e de um crédito incerto. Esse fato é distinto da hipótese prevista no art. 89 da Lei 8.212/1991, que somente permite a compensação Fl. 2018DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 de valor líquido e certo, oriundo de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, que não foi o caso dos autos. A conduta dissimuladora ou falsidade na declaração do sujeito passivo encontrase evidenciada no momento em que inseriu dados e informações que não correspondem à realidade fática da empresa e, por consectário lógico, apresentou irregularidades na formalização das compensações realizadas por meio das GFIP’s nas competências 05/2010 a 13/2010, já que havia impedimento legal para a realização da compensação, a teor do art. 170A do CTN. Devemos analisar se o §10 do art. 89 da Lei 8.212/91 exige dolo específico ou não para a falsidade. Observase que tal dispositivo não exige dolo específico ou faz menção à Lei 4.502/64. Exigese apenas a falsidade de declaração como infração. Sendo infração tributária, esta se submete à regra geral do art. 136 do CTN que determina que a responsabilidade por infrações tributárias independe da intenção do agente, ou seja, independe de dolo. Assim, não temos que averiguar a intenção do agente em praticar a falsidade de declaração, mas apenas se esta foi praticada. Assim, falsa é a declaração sobre um fato que não corresponde à realidade ou não é compatível com o que se esperava que fosse colocado na GFIP, já que, para a realização da compensação, a regra do art. 170 do CTN exige que o crédito seja líquido e certo. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (g.n.) Diante desse quadro, entendo correto, em parte, o procedimento adotado pelo Fisco de que o sujeito passivo agiu com perfeito conhecimento dos fatos e do direito, mediante aplicação de condutas totalmente injustificáveis perante a escrituração contábil e fiscal. Logo, está caracterizada, em parte, a prática pela autuada da conduta tipificada no art. 89, §10, da Lei 8.212/1991 c/c art. 44, § 1º, da Lei 9.430/1996, que decorre a aplicação da multa isolada de 150%. Lei 8.212/1991: Art. 89. (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (g.n.) Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 2019DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18088.720335/201151 Acórdão n.º 2402004.812 S2C4T2 Fl. 6 9 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) Ressaltase que, com a edição da Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008 (posteriormente convertida na Lei 11.941/2009, de 27 de maio de 2009), foi introduzido o §10 do art. 89 da Lei 8.212/1991. Assim, para os fatos ocorridos a partir da publicação da Medida Provisória n° 449/2008, aplicam se os dispositivos da Lei 9.430/1996, nos casos de lançamento de ofício. II MULTA ISOLADA PARA VERBAS SUBMETIDAS À REPERCUSSÃO GERAL E/OU AO RECURSO REPETITIVO COM DECISÃO PROFERIDA. Inicialmente, esclareço que o termo “em parte” inserido na análise anterior (item I acima) referese à caracterização da falsidade para a aplicação da multa isolada daquelas verbas submetidas à repercussão (STF) e/ou recurso repetitivo (STJ). Extraise do contexto fático dos procedimentos administrativos tributários que os sujeitos passivos que não ingressaram com ações judiciais podem compensar administrativamente créditos que acreditem possuir, a teor do art. 89 da Lei 8.212/1991. Caso o Fisco discorde desse entendimento, esses contribuintes ainda podem questionar essa decisão administrativamente, a teor das regras estampadas no Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo tributário federal. Se, durante o processamento desse inconformismo na esfera administrativa, o STF proferir decisão definitiva em sede de repercussão geral e/ou o STJ em sede de repetitivo (artigos 543B e 543C da Lei 5.869/1973 Código de Processo Civil – CPC), reconhecendo o direito dos sujeitos passivos de que determinada verba não deva ser submetida à incidência de contribuição previdenciária, os julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) deve aplicar o entendimento do STF e/ou do STJ, com base no disposto no artigo 62, §2o do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015. Portaria MF n° 343 (Regimento Interno do CARF): Art. 62. (...) § 2o As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Sendo assim, estamos diante de uma situação em que o sujeito passivo que optou por não levar a discussão ao Judiciário será beneficiado pela aplicação das decisões do STF e/ou STJ ao seu caso imediatamente. Enquanto aquele sujeito passivo que optou por levar Fl. 2020DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 a discussão ao Judiciário, com receio que seu crédito prescrevesse, deva esperar mais para ter as mesmas decisões do STF e/ou STJ aplicadas ao seu caso e, além disso, ser caracterizado como falsidade a sua opção pela compensação exclusivamente da verba submetida à sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei 5.869/1973 (Código de Processo Civil CPC). Nesse passo a passo, vislumbrase também que, no momento em que o STF e/ou STJ reconhecem que a verba não deve ser submetida à incidência de contribuição previdenciária e fora submetida sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei 5.869/1973, o direito de realizar a compensação tornase certo ou no mínimo afastase da incerteza, tornando se uma compensação distinta daquela prevista no art. 170A do CTN. Assim, impõese a afirma que não caracteriza falsidade a opção do sujeito passivo compensar verba que já fora reconhecida pelo STF e/ou STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei 5.869/1973, como verba não sujeita à incidência de contribuição previdenciária, mesmo estando discutindo a natureza dessa verba no âmbito do Poder Judiciário em processo específico do contribuinte e sem o trânsito em julgado, pois no caso estamos diante da aplicação, em tese, da regra estampada no artigo 62, §2o do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015. Diante disso, entendo que, para a verba intitulada de terço constitucional de férias, não deverá ser aplicada a multa isolada, já que esta verba foi reconhecida como não sujeita à incidência de contribuição previdenciária nos termos do REsp 1.230.957RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 26/2/2014 (Info 536/STJ, 1ª Seção) e do AgRg no REsp 1.240.038PR, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 8/4/2014 (Info 541/STJ, 1ª Turma), submetidos à sistemática do art. 543C do CPC. Deixo consignado que, apesar de o STJ ter decidido a questão do caráter indenizatório da verba paga a título de terço constitucional de férias, sob o rito de recurso repetitivo (REsp nº 1.230.957/RS), o caso ainda está em discussão no STF (RE 593.068), e, portanto, a sua eficácia encontrase suspensa, aguardando a decisão da Corte Constitucional. III QUESTÕES POSTULADAS NA PEÇA RECURSAL SUJEITO PASSIVO Com relação às questões postuladas na peça recursal do sujeito passivo, elas foram devidamente refutadas nos fundamentos do acórdão ora embargado. Assim, pelas razões fáticas e jurídicas, as alegações do sujeito passivo não devem ser acatadas, conforme delineamento registrado no acórdão embargado. Com isso, manifestome pela necessidade de integração do acórdão ora embargado, passando sua CONCLUSAO a conter o seguinte registro: “[...] CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso de ofício e NEGAR PROVIMENTO. E CONHECER do recurso voluntário e NEGAR PROVIMENTO, nos termos do voto. [...]” Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. IV CONCLUSÃO DOS EMBARGOS Voto no sentido de ACOLHER EM PARTE OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pela Fazenda Nacional PARA: (i) rejeitar a aplicação da multa Fl. 2021DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18088.720335/201151 Acórdão n.º 2402004.812 S2C4T2 Fl. 7 11 isolada tão somente para a glosa da verba intitulada de terço constitucional de férias (item “II”); e (ii) para as demais verbas glosadas pelo Fisco, conferir integração ao acórdão embargado no sentido de darlhe aclaramento, dandolhe efeitos infringentes (modificativos) para que seja sanada a obscuridade apontada no voto condutor do acórdão embargado e, por consectário lógico, seja mantida no lançamento fiscal a multa isolada de 150%, a teor do art. 89, §10, da Lei 8.212/1991. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 2022DF CARF MF Impresso em 26/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 10469.729694/2011-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
Ementa:
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. MATÉRIA SUBMETIDA AO PODER JUDICIÁRIO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1.
"Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial".
SELEÇÃO DE CONTRIBUINTE. CONTESTAÇÃO DOS CRITÉRIOS. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
Não procede a alegação de nulidade do auto de infração com base em pessoalidade e parcialidade dos critérios adotados na referida seleção, já que a seleção de contribuintes submetidos à auditoria fiscal é um critério da autoridade fiscal e consiste numa etapa anterior ao início do procedimento fiscal.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. PRESUNÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS
É tributável, por presunção, a omissão de rendimentos resultante de acréscimo patrimonial a descoberto, não justificado pelos rendimentos declarados e/ou sem demonstração da origem dos recursos.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DINHEIRO EM ESPÉCIE. ORIGEM DE RECURSOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A simples declaração do dinheiro em espécie, sem a comprovação de movimentação financeira em data próxima ao final do ano, não é suficiente para demonstrar a disponibilidade do recurso, mormente quando o valor é incompatível com o movimento financeiro no exercício.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. EMPRÉSTIMOS COMPROVAÇÃO.
A justificação para o empréstimo deve basear-se em outros meios, como a transferência de numerário, coincidente em datas e valores.
Numero da decisão: 2201-002.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente-Substituto.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 21/12/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente-Substituto), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, momentaneamente, o Presidente da Turma Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR. Recurso apreciado na sessão de 09/12 às 09:00h.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 Ementa: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. MATÉRIA SUBMETIDA AO PODER JUDICIÁRIO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". SELEÇÃO DE CONTRIBUINTE. CONTESTAÇÃO DOS CRITÉRIOS. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procede a alegação de nulidade do auto de infração com base em pessoalidade e parcialidade dos critérios adotados na referida seleção, já que a seleção de contribuintes submetidos à auditoria fiscal é um critério da autoridade fiscal e consiste numa etapa anterior ao início do procedimento fiscal. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. PRESUNÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS É tributável, por presunção, a omissão de rendimentos resultante de acréscimo patrimonial a descoberto, não justificado pelos rendimentos declarados e/ou sem demonstração da origem dos recursos. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DINHEIRO EM ESPÉCIE. ORIGEM DE RECURSOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A simples declaração do dinheiro em espécie, sem a comprovação de movimentação financeira em data próxima ao final do ano, não é suficiente para demonstrar a disponibilidade do recurso, mormente quando o valor é incompatível com o movimento financeiro no exercício. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. EMPRÉSTIMOS COMPROVAÇÃO. A justificação para o empréstimo deve basear-se em outros meios, como a transferência de numerário, coincidente em datas e valores.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10469.729694/2011-88
anomes_publicacao_s : 201601
conteudo_id_s : 5559572
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2201-002.717
nome_arquivo_s : Decisao_10469729694201188.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : EDUARDO TADEU FARAH
nome_arquivo_pdf_s : 10469729694201188_5559572.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI - Presidente-Substituto. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH - Relator. EDITADO EM: 21/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (Presidente-Substituto), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, momentaneamente, o Presidente da Turma Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR. Recurso apreciado na sessão de 09/12 às 09:00h.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
id : 6255719
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048121898958848
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2184; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10469.729694/201188 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.717 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria IRPF Recorrente LUZIANE GIL DIAS DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 Ementa: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. MATÉRIA SUBMETIDA AO PODER JUDICIÁRIO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". SELEÇÃO DE CONTRIBUINTE. CONTESTAÇÃO DOS CRITÉRIOS. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procede a alegação de nulidade do auto de infração com base em pessoalidade e parcialidade dos critérios adotados na referida seleção, já que a seleção de contribuintes submetidos à auditoria fiscal é um critério da autoridade fiscal e consiste numa etapa anterior ao início do procedimento fiscal. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. PRESUNÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS É tributável, por presunção, a omissão de rendimentos resultante de acréscimo patrimonial a descoberto, não justificado pelos rendimentos declarados e/ou sem demonstração da origem dos recursos. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DINHEIRO EM ESPÉCIE. ORIGEM DE RECURSOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A simples declaração do dinheiro em espécie, sem a comprovação de movimentação financeira em data próxima ao final do ano, não é suficiente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 96 94 /2 01 1- 88 Fl. 566DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 para demonstrar a disponibilidade do recurso, mormente quando o valor é incompatível com o movimento financeiro no exercício. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. EMPRÉSTIMOS COMPROVAÇÃO. A justificação para o empréstimo deve basearse em outros meios, como a transferência de numerário, coincidente em datas e valores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI PresidenteSubstituto. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 21/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI (PresidenteSubstituto), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA CROSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), MÁRCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Ausente, momentaneamente, o Presidente da Turma Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR. Recurso apreciado na sessão de 09/12 às 09:00h. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2006, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 02/26, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 28.019,36, calculado até 30/11/2011. A fiscalização apurou omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto. Cientificada do lançamento, a contribuinte apresenta Impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: 9. A contribuinte, através de seu procurador habilitado, protocolou na DRF Caruaru a impugnação ao lançamento em 26/01/2012 (fls. 298/352). Informou inicialmente que é cônjuge do servidor Saulo de Tarso Muniz dos Santos, o qual exerceu de Fl. 567DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10469.729694/201188 Acórdão n.º 2201002.717 S2C2T1 Fl. 3 3 julho/2007 até o dia 25/03/2011 o cargo de Delegado da Receita Federal. Teceu várias considerações sobre o desrespeito a princípios constitucionais que regem a ação da Administração Pública, citando diversos doutrinadores. Fez um paralelo da situação pessoal do seu cônjuge com a do personagem Joseph K., do romance “O Processo”, de Franz Kafka. Quanto ao mérito das infrações apontadas, insurgiuse contra o acréscimo patrimonial a descoberto, contestando a desconsideração de origens tais como lucros isentos e saldos de disponibilidades. Preliminares de nulidade do procedimento fiscal 9.1 Preliminarmente foram reiterados os argumentos sobre ilegalidades ou irregularidades na abertura do procedimento fiscal, aduzidos nas respostas da contribuinte às intimações que lhe foram enviadas no curso da ação, a qual foi considerada “de exceção”. Segundo a contribuinte, o procedimento fiscal deve ser anulado, pois: (i) não lhe foi fornecida a cópia do RPF, documento considerado essencial para a sua ampla defesa, haja vista conter a motivação da ação fiscal; (ii) houve desvio de finalidade da fiscalização, sendo esta transformada em fase instrutória de procedimento administrativo disciplinar, com vistas a conseguir o enquadramento do seu cônjuge, servidor federal, em improbidade administrativa; (iii) alcançou a fiscalizada e mais seis pessoas a ele ligadas; (iv) abrangeu o período de cinco exercícios, quando o correto seria restringir a um exercício apenas (Portaria RFB/GAB/SUFIS nº 2.370/2010, art. 5º); (v) foi conduzida por três auditoras fiscais, quando o usual, em relação à fiscalização de pessoas físicas, é que seja conduzida por um auditor apenas; (vi) a lotação das auditoras é Natal (RN), quando o domicílio fiscal da contribuinte é outro; (vii) exigiuse a comprovação de todos os valores lançados nas declarações, até mesmo os irrisórios, quando o correto é aterse a um ou alguns pontos específicos com indícios de irregularidades; (viii) reiterouse a exigência de apresentação de documentos fora da disponibilidade da contribuinte, por situação alheia a sua vontade; (ix) foi programada no momento em que o cônjuge da contribuinte encontrase respondendo a processo administrativo disciplinar. 9.2 Foi também alegada a ilegalidade no encaminhamento para a Fiscalização, antes da conclusão, do processo administrativo disciplinar envolvendo seu cônjuge, contrariando o disposto no Decreto nº 3.781/2001 e no art. 1º, §2º da Portaria RFB nº 11.230/2007. Preliminar de ausência da ciência do lançamento 9.3 No item VI de sua defesa, à fl. 350, a contribuinte reclama de não ter sido devidamente cientificada do lançamento com as seguintes afirmações: Preliminar de decadência do direito de lançar 9.4 Outra preliminar levantada pela defendente foi a decadência. Aduz que a regra aplicável para a contagem do Fl. 568DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 prazo decadencial é a do art. 150, §4º do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Portanto, o lançamento não foi efetuado dentro do prazo legal. Impugnação Defesa no mérito 10. Quanto ao mérito das infrações apontadas, a contribuinte (fls. 336/341) reitera as informações prestadas em resposta às intimações no curso do procedimento fiscal, declarandose impossibilitada de provar a origem de seus rendimentos porque os documentos comprobatórios dos mesmos foram apreendidos e a devolução não foi efetuada pela Polícia Federal. Na conclusão de sua defesa de mérito, a contribuinte afirma textualmente (fl. 339): “Assim, não pode prevalecer, sob nenhum aspecto, a acusação de ocorrência de acréscimo patrimonial a descoberto, ou qualquer outra infração tributária, a uma por sua absoluta improcedência/inexistência, a duas porque de qualquer acusação não pode a contribuinte minimamente se defender haja vista que todos os seus documentos encontramse de posse da Polícia Federal que insiste, DE MANEIRA ABSURDAMENTE BIZARRA, em não devolvêlos, mesmo consciente de que a Receita Federal os tem requerido da contribuinte e que eles são essenciais ao exercício do legítimo DIREITO DE DEFESA”. 10.1 Sobre o acréscimo patrimonial a descoberto, alega que “sem dispor dos documentos que foram apreendidos pela Polícia Federal e que não lhe foram devolvidos, não pode o contribuinte defenderse nestes pontos no que tange à comprovação dos rendimentos isentos e nãotributáveis”. Cabe esclarecer que, às fls. 209/228 ao apresentar resposta ao Termo de Constatação Fiscal, houve contestação aos seguintes tópicos desconsiderados como origens de recursos: (i) os rendimentos isentos e não tributáveis no valor de R$ 200.000,00; (ii) as disponibilidades financeiras constantes da declaração no valor de R$ 518.897,82, e; (iii) as dívidas e ônus reais no valor de R$ 48.000,00. Impugnação Pedidos 11. Ao final, a contribuinte formulou os seguintes pedidos (fls. 351/352): “Diante de todos os questionamentos expostos, resta requerer à Autoridade Julgadora administrativa da Secretaria da Receita Federal (DRJ/RECIFE/PE – 4ª. RF) o justo reconhecimento da improcedência absoluta do Auto de Infração proposto para exigir da autuada LUZIANE GIL DIAS DA SILVA IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA, onde utilizou a fiscalização da RFB, indevida e injustamente, de presunções, ficções, invencionices desarrimadas da realidade fática, e, mais grave ainda, com expressa e deliberada violação do amplo e sagrado Direito de Defesa, bem como dos Princípios que devem nortear o agir da Administração Pública, em especial o da Legalidade e o da Moralidade. Diante disso e de todos os questionamentos suscitados, cabe aduzir: a) Que seja reconhecida a improcedência/nulidade do auto de infração lavrado, por violação ao Decreto nº. 3.781, de 02/04/2001, art. 1º. e ao disposto no parágrafo 2º do art. 1º da Portaria RFB nº. 11.230, de 09/11/2007, já que o Processo Administrativo Disciplinar PARALISADO contra o servidor SAULO DE TARSO Fl. 569DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10469.729694/201188 Acórdão n.º 2201002.717 S2C2T1 Fl. 4 5 MUNIZ DOS SANTOS, que o motiva não fora concluído, e por o procedimento haver sido programado com evidente DESVIO DE FINALIDADE caracterizado pelo ABUSO DE PODER acima delineado; Optando o fisco por manter, apesar das evidências, a cobrança do IRPF da pessoa física de LUZIANE GIL DIAS DA SILVA, reconhecidamente esse equívoco é suficiente para tomar o lançamento em questão ilegítimo e juridicamente NULO; b) que seja determinada a NULIDADE do procedimento fiscal haja vista ter sido conduzido durante todo o tempo com evidente CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA DO CONTRIBUINTE, que permanece sem dispor dos documentos que comprovam os fatos lançados em suas declarações; c) Que, para os períodos fiscais do ano de 2006, o fisco já decaiu do seu direito de lançar, nos termos do par. 4º . do art. 150 do Código Tributário Nacional, uma vez que não promoveu a ciência regular do lançamento; A 5ª Turma da DRJ em Recife/PE julgou improcedente a Impugnação, conforme ementas abaixo transcritas: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Mantémse o lançamento fundado em acréscimo patrimonial a descoberto quando a contribuinte não demonstra, por meio de documentos hábeis e idôneos, a origem desse acréscimo. Em se tratando de presunção legal relativa, cabe a contribuinte o ônus da prova quanto à origem dos recursos que justifiquem seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. PRELIMINARES DE NULIDADE. Estando os atos administrativos consubstanciadores do lançamento revestidos de suas formalidades essenciais e, não tendo restado comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. Impugnação Improcedente A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 22/09/2013 (fl. 474) e, em 26/09/2013, interpôs o recurso de fls. 475/532, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos tendo em vista o acréscimo patrimonial a descoberto, relativamente a fatos ocorridos no anocalendário 2006. Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar as inúmeras preliminares suscitadas pela recorrente. Sobre a alegação de cerceamento do direito de defesa, em razão da não disponibilização dos documentos apreendidos pela Polícia Federal/Receita Federal do Brasil, verificase que a própria recorrente informa que, ante às infrutíferas tentativas de obter os documentos, optou por impetrar Mandado de Segurança (MS nº 000043132.2010.4.05.8300). Assim, relativamente à preliminar supra, ocorreu a renúncia à instância administrativa. Essa questão, inclusive, já foi objeto de Súmula deste Órgão. Tratase da Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ressaltese que é irrelevante que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é definitiva, ou seja, insuscetível de retratação. Assim, como a matéria foi submetida à apreciação do Poder Judiciário, a contribuinte renunciou à esfera administrativa e, consequentemente, resta afastada a competência do órgão julgador administrativo para apreciar a mesma matéria. No que tange à alegação de falta de motivação para instauração do procedimento fiscal, bem como ofensa ao Decreto nº 3.781/2001 e ao § 2º do art. 1º da Portaria RFB nº 11.230/2007, cumpre esclarecer que o art. 142 do Código Tributário Nacional é por demais claro quando estabelece que compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente. Com efeito, independentemente do Decreto nº 3.781/2001 e da Portaria RFB nº 11.230/2007, todo o cidadão é passível de ser escolhido para uma auditoria fiscal, já que essa escolha visa o atendimento ao interesse público. Não se pode perder de vista que a motivação do processo administrativo disciplinar não se confunde com a motivação do procedimento fiscal, já que a motivação, para a infração constante dos autos, é a omissão de rendimentos tendo em vista o acréscimo patrimonial a descoberto. Ademais, a alegação de ofensa aos princípios constitucionais não pode ser suscitada em sede administrativa, consoante dispõe a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, é improcedente a alegação de falta de motivação para instauração do procedimento fiscal. Em relação à alegação de decadência, cabe esclarecer que a omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurada em bases Fl. 571DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10469.729694/201188 Acórdão n.º 2201002.717 S2C2T1 Fl. 5 7 mensais, como ocorre com vários tipos de rendimentos auferidos pelas pessoas físicas, em consonância com as disposições da Lei nº 7.713/1988, e tributadas na Declaração de Ajuste Anual. Nos casos em que não ocorre a antecipação do pagamento do imposto, conforme se infere da DIRPF às fls. 44/48, devese aplicar o Recurso Especial nº 973.733/SC c/c art. 543C do CPC c/c § 2º do art. 62 do RICARF (Portaria MF nº 343/2015), contandose o prazo de decadência a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I do art. 173 do CTN: Art. 173 — O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Assim, o fato gerador do IRPF referente ao anocalendário de 2006 perfezse em 31 de dezembro daquele ano. Sendo assim, o primeiro dia para a contagem do prazo de decadência iniciase em 01 de janeiro de 2008 e, considerando o lapso temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, a data fatal completase em 31 de dezembro de 2012. Desse modo, como a ciência ao Auto de Infração ocorreu em 28/12/2011 (fl. 291), não operou a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2006. Encerrada a apreciação das questões preliminares, passase ao exame do mérito. No mérito, cumpre trazer a lume a legislação que serviu de base ao lançamento, no caso, os arts. 1º, 2o e 3o da Lei no 7.713/1988: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2o O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3o O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9o a 14 desta Lei. § 1o Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidas em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. [...] § 4o A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou Fl. 572DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (grifei) Da leitura dos dispositivos legais acima, depreendese que se devem confrontar, mensalmente, as mutações patrimoniais com os rendimentos auferidos para se apurar a evolução patrimonial do contribuinte. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), pois demonstrada pelo fisco a existência de acréscimos patrimoniais a descoberto presumese a ocorrência de omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte justificar a origem de tais acréscimos com rendimentos já tributados, isentos, não tributáveis ou de tributação exclusiva. Permanecendo injustificados tais acréscimos, prevalece a presunção relativa de que provêm de fonte ou atividade não declaradas, com o objetivo de subtraílas à tributação devida. Passando às questões pontuais de mérito, alega a recorrente que a fiscalização desconsiderou, como origem na planilha do cálculo do acréscimo patrimonial a descoberto, o saldo em “dinheiro em espécie” lançado em 31/12/2005, no valor de R$ 518.897,82 (fl. 46). De início, cumpre reproduzir o histórico constante na Declaração de Bens e Direito consignado em sua Declaração de Ajuste à fl. 46: Diversos saldos mantidos com Hildete Muniz dos Santos e Saulo de Tarso Muniz dos Santos, agregados a valores pertencentes a pessoa jurídica. Do exposto, verificase que a contribuinte simplesmente consignou em sua Declaração de Ajuste que os valores mantidos em espécie são procedentes de outras pessoas físicas, bem como de pessoa jurídica. Entretanto, não foi apontada, individualmente, a origem efetiva da evolução do recurso que culminou em um saldo final em 31/12/2006 no valor de R$ 518.897,82 (fl. 46). Com efeito, os dados constantes da Declaração de Ajuste e de bens do contribuinte são informações prestadas voluntariamente, sob sua responsabilidade, e sujeitos a comprovação, se o fisco entender necessária. O art. 806 do Decreto nº 3000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), assim determina: Art. 806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei nº 4.069, de 1962, art. 51, § 1º). Resta claro que todo o contribuinte do imposto de renda está sujeito a comprovar, mediante documentos e esclarecimentos, os rendimentos auferidos e as alterações ocorridas em seu patrimônio sempre que intimado a fazêlo, quando da revisão da declaração de rendimentos. A jurisprudência deste Órgão é firme no sentido de que a simples informação consignada como “dinheiro em espécie”, sem a comprovação de movimentação financeira em data próxima ao final do ano, não é suficiente para demonstrar a disponibilidade do recurso, mormente quando o valor informado é incompatível com a movimentação financeira do contribuinte. Vejase: IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR ACRÉSCIMO PATRIMONIAL NÃO COBERTO PELOS RENDIMENTOS DECLARADOS. DINHEIRO EM CAIXA: a Fl. 573DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10469.729694/201188 Acórdão n.º 2201002.717 S2C2T1 Fl. 6 9 simples declaração sem a comprovação de movimentação financeira em data próxima ao final do ano não é suficiente para demonstrar a disponibilidade do recurso. (Ac. 102 43.863/99) IRPF CONTRIBUINTE SOB PROCEDIMENTO FISCAL NUMERÁRIO DECLARADO SEM SUPORTE Valores declarados fora de prazo e sob procedimento de ofício como "dinheiro em espécie", "dinheiro em caixa", "disponibilidade em moeda nacional" e outras rubricas semelhantes não podem ser aceitos para justificar fontes de recursos, salvo prova inconteste de sua existência no término do anobase em que tal disponibilidade for declarada. (Acs. 10417.144/99, 104 17.215/99) (grifei) Frisese ainda que o rendimento tributável informado em sua Declaração de Ajuste foi de R$ 17.357,91; entretanto o saldo final em 31/12/2006, relativo ao “dinheiro em espécie” representou o montante de R$ 538.897,82 (fl. 46). Quanto às outras origens de recursos desconsideradas pela fiscalização, quais sejam: lucros recebidos e empréstimos contraídos com a pessoa jurídica, acompanho integralmente o entendimento da autoridade fiscal de que em razão da falta de comprovação, não há como considerálas como disponibilidade na planilha de acréscimo patrimonial a descoberto. Não se pode perder de vista que quando não está presente nos autos prova objetiva da ocorrência de determinada situação, a autoridade julgadora formará sua livre convicção, na forma do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção (...) Ante a todo o exposto, voto por não conhecer da preliminar de cerceamento do direito de defesa, por concomitância com a ação judicial e, em relação às demais preliminares, rejeitálas. Quanto ao mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 574DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Fl. 575DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
