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Numero do processo: 12898.000553/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009
JUROS NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA FORA DA BOLSA.
Comprovado o pagamento de juros recebidos a título de reajuste em pagamento parcelado de alienação de bens ou direitos, excluindo os juros do valor de alienação na apuração do ganho de capital.
GANHO DE CAPITAL. PAGAMENTO PARCIAL DO IRPF NO PRAZO LEGALMENTE PREVISTO.
Pagamentos reconhecidos através de DARF. Conjunto probatório que afasta a fundamentação do lançamento e da decisão da DRJ.
Numero da decisão: 2201-004.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
NOME DO REDATOR - Redator designado.
EDITADO EM: 05/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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Comprovado o pagamento de juros recebidos a título de reajuste em pagamento parcelado de alienação de bens ou direitos, excluindo os juros do valor de alienação na apuração do ganho de capital. GANHO DE CAPITAL. PAGAMENTO PARCIAL DO IRPF NO PRAZO LEGALMENTE PREVISTO. Pagamentos reconhecidos através de DARF. Conjunto probatório que afasta a fundamentação do lançamento e da decisão da DRJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para darlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 05 53 /2 00 9- 31 Fl. 439DF CARF MF Processo nº 12898.000553/200931 Acórdão n.º 2201004.120 S2C2T1 Fl. 436 2 NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 05/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório 1 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte contra decisão da DRJRJ2 que manteve o lançamento em parte de Imposto de Renda sobre a omissão de ganho de capital durante o exercício de 2003 em decorrência de diversas transferências pela contribuinte de imóveis para fins de integralização ao capital social da empresa 3A Esteves Empreendimentos Ltda. em que era sócia com seu cônjuge. 2 Adoto inicialmente como complemento ao relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 324/332) por sua clareza e precisão: “A pessoa física em epígrafe, em 05/06/2009, formalizou tempestivamente uma manifestação contrária ao Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física, lavrado em 04/05/2009, que apurou o crédito tributário relativo aos meses de maio, agosto e novembro do Anocalendário de 2008 e fevereiro de 2009, no valor de R$ 3.144.756,21 (três milhões cento e quarenta e quatro mil setecentos e cinqüenta e seis reais e vinte e um centavos), incluídos os juros de mora, calculados até 30/04/2009, conforme demonstrado no Auto de InfraçãoAI, fls.258 a 265 do Processo. 2. A ação fiscal teve início com a lavratura do Termo de Início do Procedimento Fiscal, de 08/10/2008, fl. 04 do presente Processo, no qual a Autoridade Fiscal solicitou documentos comprobatórios dos valores do custo e da alienação das ações ordinárias [da Drogasmil S.A] transferidas em Fl. 440DF CARF MF Processo nº 12898.000553/200931 Acórdão n.º 2201004.120 S2C2T1 Fl. 437 3 21/05/2008, em relação às quais o Contribuinte pretendia usufruir a isenção de Imposto de Renda incidente sobre o ganho de capital, tendo por isso impetrado o Mandado de Segurança nº 2008.51.01.0280208 na 3ª Vara Federal do Rio de Janeiro. No Termo de Intimação da fl. 251 foi solicitada a cópia da Certidão de Casamento da Fiscalizada. Ao processo foram anexados os documentos das fls. 09 a 248, exibidos pela Contribuinte no decorrer da ação fiscal. 3. De acordo com o teor da Descrição dos Fatos do Auto de Infração, fls. 260 a 262, a Impugnante, que impetrou Mandado de Segurança com o fim de afastar a incidência de IRPF sobre o ganho de capital na alienação de participação societária, quando regularmente intimada em 10/10/2008, apresentou esclarecimentos e cópias de documentos, mostrando considerar, como data de aquisição das ações alienadas, março de 1969, fls. 06 a 248. Esta seria a data da constituição da sociedade denominada Distribuidora de Produtos Farmacêuticos e Perfumaria Victória Ltda., com 6.000 quotas distribuídas entre os dois sócios João Gualberto Affonso do Amaral e Agenor Afonso do Amaral. Com o falecimento do Sr. João Gualberto em abril de 2001, a Contribuinte, sua viúva, recebeu 250.001 ações da então Drogasmil , fls. 134 a 136; e 162. 3.1. Em 08/2007 a Contribuinte alienou 4.636 dessas ações, restando 245.365, fls. 141 a 143. Em 04/2008 foram emitidas novas ações, tendo sido 99.723 subscritas pela Interessada ao preço de R$ 4,60 cada uma. Em 05/2008 foram por ela alienadas as 345.088 ações pelo valor total de R$ 20.412.886,74 pago em quatro parcelas: R$ 12.846.088,56 em 05/2008; R$ 3.024.278,51 em 08/2008; R$ 3.134.248,51 em 11/2008; e R$ 1.408.271,16 em 02/2009. Assim, para a apuração do ganho de capital foram consideradas as seguintes datas: aquisição 04/2001 no valor de R$ 1.048.633,21 pelo custo médio ponderado, fl. 266; data de alienação 05/2008 pelo valor total de 20.412.886,74, fls. 192 a 239. O ganho de capital foi de R$ 19.364.553,53, diferido em razão da alienação a prazo, conforme demonstrado no relato fiscal, fl. 261. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 12898.000553/200931 Acórdão n.º 2201004.120 S2C2T1 Fl. 438 4 3.2. Foi realizado pela Contribuinte um Depósito Judicial correspondente ao IR incidente sobre o ganho de capital na venda das ações e, em atenção ao art. 151, II do Crédito Tributário Nacional, deuse a constituição do crédito tributário com a exigibilidade suspensa. 4. Em sua impugnação de fls. 297 a 308, a Interessada diz que prevendo um eventual questionamento por parte do fisco sobre a apuração do Imposto de Renda incidente sobre o ganho de capital de R$ 19.364.553,53, resultante da venda de ações, impetrou o Mandado de Segurança Preventivo nº 2008.51.01.0280208 e realizou o depósito judicial do IRPF que entende não ser devido, conforme demonstra: 4.1. Em relação ao Imposto de Renda que considerou devido, a Impugnante realizou os seguintes pagamentos: Em vista do Mandado de Segurança a Fiscalização constituiu o crédito tributário com a exigibilidade suspensa, com o fim de prevenir a decadência. 4.2. Uma vez discutido o mérito na esfera judicial, vem a Impugnante limitandose a questionar alguns vícios que teria identificado na apuração do crédito exigido, a saber: (i) a inclusão de juros no valor da 2ª parcela da alienação, contrariando o teor do art. 123, § 6º do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000/ 99 e do art. 19, § 3º da IN SRF nº 84/ 2001, que Fl. 442DF CARF MF Processo nº 12898.000553/200931 Acórdão n.º 2201004.120 S2C2T1 Fl. 439 5 transcreve nas fls. 302 e 303; (ii) a exigência de crédito extinto (art. 156. I do Código Tributário Nacional), com a desconsideração dos pagamentos já efetuados pela Impugnante relativos ao IRPF por ela tido como devidos — Documentos de Arrecadação de Receitas Federais Darf, Código 4600, nas fls. 330 a 333. 4.3. A segunda parcela de R$ 3.024.278,51, recebida em agosto de 2008 pela alienação das ações, englobaria o valor principal de R$ 3.002.016,26 e os juros de R$ 22.262,25 calculados com base na taxa LIBOR anualmente aplicável, conforme combinado na Cláusula 1.3 do 2º Acordo sobre Capital de Giro Operacional, que anexa à defesa, fls. 334 a 341. A tomada daquele montante no cálculo do Lançamento terseia dado em dissonância com o art. 123, § 6º do RIR/ 99 e com o art. 19, § 3º da Instrução Normativa SRF nº 84/2001, reproduzidos nas fls. 302 e 303. Ainda na fl. 303, transcrição de entendimento da Superintendência Regional da Receita Federal SRRF da 8ª Região Fiscal a respeito do tema. 4.3.1. Afirma, ainda, a Impugnante que os aludidos juros já teriam sido objeto de retenção na Fonte, bem como os juros da terceira parcela no valor de R$ 46.249,75, conforme registrado no Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Anocalendário 2008 emitido pela Casa Saba Brasil Holdings Ltda., fl. 343. 4.3.1.1. A Defendente insere na peça impugnatória um quadro no qual constam o valor que corresponderia ao principal recebido pelo pagamento da segunda parcela; o ganho de capital apurado sobre esse valor; e o imposto que seria devido no período de apuração, agosto de 2008, R$ 427.111,86. fl. 304. 4.3.1.2. O equívoco da Fiscalização feriria o disposto no art. 142 do CTN em relação à determinação da matéria tributável, culminando na invalidade do Lançamento (copia o dispositivo citado na fl. 305 e texto doutrinário de José Souto Maior Borges, nas fls. 305 e 306). Por isso requer seja julgado improcedente o Lançamento. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 12898.000553/200931 Acórdão n.º 2201004.120 S2C2T1 Fl. 440 6 4.4. Retoma a Impugnante o argumento atinente aos recolhimentos já realizados, não considerados na ação fiscal. Insiste que estes deveriam ter sido deduzidos no cálculo do Imposto devido, por corresponderem a créditos extintos pelo pagamento, na forma do art. 151, I do CTN. O crédito remanescente encontrarseia com a exigibilidade suspensa, por força do inciso II do mesmo dispositivo legal. 4.5. Requer seja julgado improcedente o lançamento em razão do vício material ocorrido na apuração do crédito tributário e que sejam reconhecidos os recolhimentos de IRPF relativos ao Ganho de Capital na alienação das ações e deduzidos os juros. 3 – A decisão de piso manteve em parte o lançamento conforme ementa abaixo indicada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2008, 2009 TRIBUTÁRIO. IRRF. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. IMPUGNAÇÃO QUESTIONA NULIDADE DO LANÇAMENTO. São apreciáveis as questões de ordem preliminar da impugnação que não traz questões meritórias em razão da propositura de ação judicial contra a Fazenda Nacional com o mesmo objeto do lançamento JUROS NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA FORA DA BOLSA. Só quando comprovadamente recebidos a título de reajuste em pagamento parcelado de alienação de bens ou direitos, os juros não compõem o valor de alienação na apuração do ganho de capital. GANHO DE CAPITAL. PAGAMENTO PARCIAL DO IRPF NO PRAZO LEGALMENTE PREVISTO. Fl. 444DF CARF MF Processo nº 12898.000553/200931 Acórdão n.º 2201004.120 S2C2T1 Fl. 441 7 Consideramse, na apuração do crédito tributário, os pagamentos do Imposto de Renda incidente sobre ganho de capital, realizados no prazo legalmente previsto. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido 4 – O contribuinte interpõe recurso voluntário às fls. 572/594, mantendo a mesma linha da defesa. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 5 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 6 – No caso são dois tópicos questionados pelo contribuinte que são: (i) erro na apuração do ganho de capital e violação do artigo 142 do CTN e (ii) da desconsideração dos pagamentos efetuados Erro na apuração do ganho de capital e violação do artigo 142 do CTN 7 – O recorrente alega que houve aumento na base de cálculo do ganho de capital na apuração da 2ª parcela de R$ 3.024.278,51, recebida em agosto de 2008 pela alienação das ações, englobaria o valor principal de R$ 3.002.016,26 e os juros de R$ 22.262,25 calculados com base na taxa LIBOR anualmente aplicável, conforme combinado na Fl. 445DF CARF MF Processo nº 12898.000553/200931 Acórdão n.º 2201004.120 S2C2T1 Fl. 442 8 Cláusula 1.3 do 2º Acordo sobre Capital de Giro Operacional, que anexa à defesa, fls. 334 a 341. 8 – A DRJ assim se manifestou acerca desse ponto, verbis: “8. No tocante ao montante da segunda parcela da venda do lote das ações de propriedade da Interessada, embora seja de fato prevista no art. 123, §6º do RIR, Decreto nº 3.000/99, e no art. 19 § 3º da Instrução Normativa SRF nº 84/ 2001, a exclusão dos juros da apuração do ganho de capital obtido na operação de transferência das ações fora da bolsa, os documentos trazidos pela Impugnante aos autos não corroboram o seu argumento. O Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Anocalendário 2008 emitido pela Casa Saba Brasil Holdings Ltda., da fl. 343, que tem como beneficiária dos rendimentos a Sra. Cláudia Amaral, informa aluguéis e royalties, no campo natureza dos rendimentos. Além disso, a importância paga pela Casa Saba Brasil de R$ 68.512,00 diverge da alegada pela Impugnante como sendo relativa aos juros da segunda parcela da compra das ações, R$ 22.262,25. O mesmo acontece com o valor do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, no Comprovante, R$ 17.743,16, em lugar dos R$ 5.573,30 alegados. Na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf Anocalendário 2008, com Código da Receita 3208, próprio de aluguéis e royalties, entregue pela Casa Saba, ora juntada ao Processo, constam essas mesmas informações, fl. 354. De todo modo, a natureza dos rendimentos de aluguéis e royalties não equivale à de juros de reajuste de parcela paga. 8.1. O outro documento anexado à defesa emitido pela Casa Saba, o 2º Acordo sobre Capital de Giro Operacional, faz menção apenas ao total dos juros a pagar aos acionistas vendedores, vinculados à segunda parcela do pagamento das ações, seriam R$ 158.082,12, sem constar, contudo, uma especificação da fração que caberia, sob esse título, a cada um dos vendedores, fls. 337 e 338. Fl. 446DF CARF MF Processo nº 12898.000553/200931 Acórdão n.º 2201004.120 S2C2T1 Fl. 443 9 8.2. O recibo de quitação assinado pela vendedora, Sra. Cláudia, por não se tratar de documento com dados registrados pela Compradora, não constitui prova suficiente para o argumento apresentado, fl. 342, não motivando, por isso, a revisão do lançamento.” 9 – Quanto a argumentação do contribuinte sobre a nulidade do lançamento por vício material em decorrência da suposta apuração da matéria tributável no ganho de capital em detrimento do art. 142 do CTN, entendo que não houve, pois a autoridade fiscal apenas considerou com base nos elementos probatórios da relação privada atinente à alienação das cotas, a inclusão de parcelas que devido a sua natureza questionável no momento do lançamento tiveram um aumento da base de cálculo, que, caso procedentes os argumentos do contribuinte, essa instância revisora poderia simplesmente excluílas da composição da base de cálculo, contudo não houve equívoco na apuração da matéria tributável que é o ganho de capital. 10 – Teria nulidade no caso, se a autoridade lançadora tivesse escolhido na apuração do ganho de capital, ao invés da diferença em relação ao custo de aquisição e da alienação das cotas, por exemplo, escolhido na apuração total, eventual lucro da empresa alienada ou receita da empresa, enfim. Portanto, nessa parte entendo que não há nulidade a ser declarada no lançamento conforme exposto pela recorrente. 11 – No mérito dessa questão é matéria de fato e valoração das provas juntadas, que no meu sentir o contribuinte se desincumbiu do ônus pelo conjunto probatório, ao contrário do que constatado pela instância de piso que analisou a documentação de forma individual. 12 – Analisando os documentos de fls. 354, (DIRF da Casa Saba Brasil Holdings Ltda) constando como beneficiária a recorrente e fls. 343 (Informe de rendimentos) e Fl. 447DF CARF MF Processo nº 12898.000553/200931 Acórdão n.º 2201004.120 S2C2T1 Fl. 444 10 recibo de fls. 342, além dos esclarecimentos do contribuinte, faço como minhas como razões de decidir os itens abaixo indicados no recurso: Fl. 448DF CARF MF Processo nº 12898.000553/200931 Acórdão n.º 2201004.120 S2C2T1 Fl. 445 11 13 – Quanto a parte da decisão de piso que em seu item 8.1 entende que deveria o contribuinte especificar a fração que caberia, a cada um dos vendedores em relação ao documento na parte de fls. 337 e 338, entendo que tal ônus, em relação a eventual diferença caberia à fiscalização questionar, fato que sequer foi levantado no relatório fiscal que segue no auto de infração de fls. 258/268. 14 – Portanto, nesse tópico dou provimento ao recurso para que seja excluída da base de cálculo o valor de R$ 22.262,25 reconhecidos a título de juros. Da desconsideração dos pagamentos efetuados 15 – Quanto a esse tópico a DRJ deu parcialmente provimento, sendo que o contribuinte questiona os demais DARF não reconhecidos, a DRJ assim se manifestou: “9. Em relação ao reclamo de os pagamentos do Imposto de Renda realizados por meio dos Documentos de Arrecadação de Receitas Federais Darfs, Código 4600, Fl. 449DF CARF MF Processo nº 12898.000553/200931 Acórdão n.º 2201004.120 S2C2T1 Fl. 446 12 próprio de IR incidente sobre ganho de capital, fls. 330 a 333, confirmados no Sistema Integrado de Informações EconômicoFiscais – Sief, notase inicialmente que os recolhimentos realizados em 23/12/2008 e 31/03/2009, embora com prazos de vencimento nos Darfs 30/12/2008 e 31/03/2009 nessa ordem, apontam como período de apuração 21/05/2008. A Interessada alega que esses dois Documentos de Arrecadação dizem respeito aos períodos de apuração novembro/ 2008 e fevereiro/ 2009, contudo, em razão das informações divergentes no próprio Documento, não há como virem a ser considerados em revisão de lançamento; antes precisariam ser retificados a pedido da Contribuinte, formalizado em Pedidos de Retificação de DarfRedarfs, formulários disponibilizados no sítio da Receita Federal do Brasil na rede mundial de computadores, Internet, www.receita.fazenda.gov.br , a serem entregues no Centro de Atendimento ao ContribuinteCac da jurisdição do seu domicílio fiscal. 9.1. Quanto aos Darfs dos pagamentos realizados em 30/06/2008 e 30/09/2008, com período de apuração maio/ 2008 e agosto/ 2008 respectivamente, estes serão deduzidos do Imposto apurado na ação fiscal, conforme demonstrativo a seguir:” 16 – Quanto a questão dos recolhimentos através dos DARF entendo que houve a comprovação conforme indicado em seu item 56 do referido recurso informando a retificação às fls. 420/421 dos autos. Conclusão 17 Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito DOU PROVIMENTO para excluir do valor da base de cálculo o valor de R$ 22.262,25 conforme Fl. 450DF CARF MF Processo nº 12898.000553/200931 Acórdão n.º 2201004.120 S2C2T1 Fl. 447 13 fundamentação e reconheço os valores dos DARF de fls. 420/421 devendo a autoridade preparadora efetuar as retificações de acordo com essa decisão. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 451DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14033.003573/2008-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 30/09/1988 a 30/09/1995
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ERRO MATERIAL CONSTATADO. SANEAMENTO.
Constatada a existência de erro material no resultado constante da ata de julgamento, tal vício deve ser sanado em sede de embargos declaratórios.
Embargos acolhidos, sem efeitos infringentes, para fins de fazer registrar o resultado correto do julgamento realizado, formalizado através de acórdão, conforme indicado a seguir: "Por unanimidade de votos, decidiu-se pelo retorno dos autos à 1ª instância para novo julgamento, por inexistir a concomitância em que se fundamentou o Acórdão recorrido, nos termos do voto da relatora".
Numero da decisão: 3301-004.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios opostos, sem efeitos infringentes, tão somente para fins de sanar o erro material identificado no acórdão embargado, fazendo-se o registro do correto resultado do julgado, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente).
Nome do relator: Maria Eduarda Alencar Câmara Simões
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 30/09/1988 a 30/09/1995 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ERRO MATERIAL CONSTATADO. SANEAMENTO. Constatada a existência de erro material no resultado constante da ata de julgamento, tal vício deve ser sanado em sede de embargos declaratórios. Embargos acolhidos, sem efeitos infringentes, para fins de fazer registrar o resultado correto do julgamento realizado, formalizado através de acórdão, conforme indicado a seguir: "Por unanimidade de votos, decidiu-se pelo retorno dos autos à 1ª instância para novo julgamento, por inexistir a concomitância em que se fundamentou o Acórdão recorrido, nos termos do voto da relatora".
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios opostos, sem efeitos infringentes, tão somente para fins de sanar o erro material identificado no acórdão embargado, fazendo-se o registro do correto resultado do julgado, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente).
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ERRO MATERIAL CONSTATADO. SANEAMENTO. Constatada a existência de erro material no resultado constante da ata de julgamento, tal vício deve ser sanado em sede de embargos declaratórios. Embargos acolhidos, sem efeitos infringentes, para fins de fazer registrar o resultado correto do julgamento realizado, formalizado através de acórdão, conforme indicado a seguir: "Por unanimidade de votos, decidiuse pelo retorno dos autos à 1ª instância para novo julgamento, por inexistir a concomitância em que se fundamentou o Acórdão recorrido, nos termos do voto da relatora". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios opostos, sem efeitos infringentes, tão somente para fins de sanar o erro material identificado no acórdão embargado, fazendose o registro do correto resultado do julgado, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 35 73 /2 00 8- 88 Fl. 963DF CARF MF 2 Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente). Fl. 964DF CARF MF Processo nº 14033.003573/200888 Acórdão n.º 3301004.194 S3C3T1 Fl. 964 3 Relatório Em sessão de julgamento realizada em 24/04/2017 foram julgados tanto o Proc. 14033.003573/200888 quanto o Proc. 10166.727381/201281, processos esses conexos. No primeiro processo (14033.003573/200888), foi declarada a nulidade da decisão proferida pela DRJ, tendo sido solicitada a remessa dos autos àquela instância de julgamento, para que fosse proferido novo julgamento, procedimento este que deveria ser formalizado através de acórdão. No segundo processo (10166.727381/201281), foi determinado o sobrestamento dos autos, para que se aguardasse em secretaria até o retorno ao CARF do Proc. 14033.003573/200888, para que fossem julgados em conjunto, em razão da conexão entre ambos. Neste segundo caso, a decisão deveria ser formalizada por meio de resolução. Acontece que, no momento da formalização dos respectivos acórdãos, verifiquei que a ata de julgamento indicou, por equívoco, a conclusão trocada de um e outro processo, tendo constado a conclusão do Proc. 14033.003573/200888 no Proc. 10166.727381/201281 e viceversa. É o que se extrai da transcrição da ata a seguir colacionada: Relator(a): MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES Processo: 10166.727381/201281 Recorrente: BRB BANCO DE BRASILIA SA e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 3301003.457 Decisão: Por unanimidade de votos, decidiuse pelo retorno dos autos à 1ª instância para novo julgamento, por inexistir a concomitância em que se fundamentou o Acórdão recorrido, nos termos do voto da relatora. Relator(a): MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES Processo: 14033.003573/200888 Nome do Contribuinte: BRB BANCO DE BRASILIA SA Resolução 3301000.322 Decisão: Por unanimidade de votos, decidiuse pelo sobrestamento do processo em face de sua conexão com o processo 10166.727381/201281, que retornou a DRJ para novo julgamento, nos termos do voto da relatora. Sendo assim, esta Relatora, com fulcro no que lhe autoriza o art. 65, parágrafo 1º, inciso I, do Regimento Interno deste Conselho, interpôs embargos declaratórios, Fl. 965DF CARF MF 4 no intuito de que o erro material constante da ata de julgamento fosse devidamente sanado, fazendo constar de forma correta o resultado de julgamento realizado em um e outro caso. Os referidos embargos foram admitidos conforme despacho do presidente desta turma à fls. 962 dos autos. É o que havia de relevante para relatar. Fl. 966DF CARF MF Processo nº 14033.003573/200888 Acórdão n.º 3301004.194 S3C3T1 Fl. 965 5 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: Os embargos opostos foram admitidos conforme despacho constante dos autos, portanto, passo a apreciálos. Conforme acima relatado, houve um erro material na indicação na ata de julgamento, tendo constado de forma equivocada os resultados realizados no presente processo (14033.003573/200888) e no processo a ele conexo (10166.727381/201281). Indicase a seguir o resultado correto que deveria ter constado da ata de julgamento: Relator(a): MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES Processo: 14033.003573/200888 Nome do Contribuinte: BRB BANCO DE BRASILIA SA Acórdão Decisão: Por unanimidade de votos, decidiuse pelo retorno dos autos à 1ª instância para novo julgamento, por inexistir a concomitância em que se fundamentou o Acórdão recorrido, nos termos do voto da relatora. Relator(a): MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES Processo: 10166.727381/201281 Recorrente: BRB BANCO DE BRASILIA SA e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Resolução Decisão: Por unanimidade de votos, decidiuse pelo sobrestamento do processo em face de sua conexão com o processo 14033.003573/200888, que retornou a DRJ para novo julgamento, nos termos do voto da relatora. Ou seja, quanto ao processo ora analisado (14033.003573/200888), deveria ter sido registrado, através de acórdão, o seguinte resultado de julgamento: "Por unanimidade de votos, decidiuse pelo retorno dos autos à 1ª instância para novo julgamento, por inexistir a concomitância em que se fundamentou o Acórdão recorrido, nos termos do voto da relatora". Sendo assim, os embargos declaratórios deverão ser acolhidos, sem efeitos infringentes, tão somente para fins de sanar o erro material identificado na ata de julgamento, fazendose o registro do correto resultado do presente julgado, conforme acima indicado, inclusive para que a secretaria possa cumprir o que fora julgado. É como voto. Fl. 967DF CARF MF 6 Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 968DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.923135/2012-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 20/03/2008
CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE.
No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento.
AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa.
COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA
Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.846
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 20/03/2008 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado.
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nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 20/03/2008 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 31 35 /2 01 2- 82 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10880.923135/201282 Acórdão n.º 3302004.846 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada não foi homologada na sua totalidade, tendo em vista que o valor do pagamento tido como origem do crédito pretendido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade apresentada, a contribuinte salienta que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias, recolhendoas nos seus devidos prazos ou por força maior, com os devidos encargos legais, por isso discorda do débito cobrado no Despacho Decisório. Diz ser detentora de crédito decorrente de pagamento supostamente indevido ou a maior, que foi utilizado para compensar débito no mesmo valor, cuja data de vencimento é a mesma do recolhimento. Lembra que não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados em Per/Dcomp e não imputou multa e juros sobre os débitos compensados porque são do mesmo período de apuração. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06045.310. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da Declaração de Compensação, na forma da legislação de regência. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese que: · existe nulidade do despacho decisório e do acórdão recorrido por ausência de motivação, dada a generalidade da fundamentação sem aferir o real motivo do indeferimento ou o equívoco cometido pela recorrente, com consequente cerceamento do direito de defesa; · o despacho que não homologa o pedido de compensação deve conter, tal qual o auto de infração, a descrição do fato, disposição legal infringida e multa aplicável; · não houve prejuízo para o Erário, pois apenas houve erro na rubrica no DARF, e não atraso no recolhimento; · a cobrança de multa de mora sem atraso no recolhimento constitui enriquecimento sem causa Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10880.923135/201282 Acórdão n.º 3302004.846 S3C3T2 Fl. 4 3 · não há que se falar em juros de mora uma vez que, no caso, o período de apuração é o mesmo para o crédito e o débito. · subsidiariamente solicita diligência para reexame dos documentos; · reitera a necessidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em análise , finalmente · solicita que a advogada da causa seja intimada e informada de todas as publicações sob pena de arguição de nulidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.825, de 25 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.923119/201290, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.825): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Do pedido do subscritor do recurso (advogada) para recebimento de futuras publicações/intimações no endereço por ela indicado. No Processo Administrativo Fiscal PAF o artigo 10 do Decreto nº 7.574 estabelece as formas de intimação sempre direcionadas ao próprio contribuinte. Por sua vez o artigo 26 e seguintes da Lei nº 9.784, de 1999 Processo Administrativo Federal também não prevê que o advogado possa ser comunicado dos atos de interesse do administrado que em última instância é quem sofrerá seus efeitos. Atentese, ainda, que a intimação em sede de PAF é de competência da RFB não havendo pronunciamento normativo do CARF amparando a pretensão, assim sendo, indefiro o pedido. Do alegado cerceamento ao direito de defesa Sem razão a Recorrente. O Despacho Decisório de fl, 17, assim como a Decisão recorrida estão perfeitamente fundamentados, com enquadramento legal, descrição dos fatos e cálculo da valoração (detalhamento da compensação, valores devedores e Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10880.923135/201282 Acórdão n.º 3302004.846 S3C3T2 Fl. 5 4 emissão de DARF, fl. 11), portanto não há que se falar em nulidade de atos ou cerceamento ao direito de defesa. Mérito Cuida o presente processo de erro cometido pela Recorrente no preenchimento de código em DARF pago, cujo valor a Recorrente deseja aproveitar para pagamento do débito correspondente ao código/tributo correto sem, entretanto, sofrer os acréscimos legais da multa de mora. A recorrente não alega qualquer tipo de erro nos débitos nem há notícia de que os mesmos não tenham sido informados nas correspondentes declarações entregues antes do PerDcomp, assim sendo, os fatos mostramse incontroversos e dispensam diligência. Não se vislumbra incorreção no procedimento da RFB na análise do PerDcomp que culminou com cobrança de débitos indevidamente compensados em virtude do contribuinte não ter considerado a multa de mora no pagamento/compensação dos débitos. Pois bem, um tributo só é considerado efetivamente pago, total ou parcialmente, quando o sistema de dados da Fazenda Nacional compara o código informado no DARF com o correspondente código do débito informado em declaração específica e faz a vinculação entre ambos. Caso contrário o valor recolhido equivocadamente permanece "em aberto" como crédito e não como pagamento, podendo por isso ser restituído acrescido dos juros compensatórios. Por outro lado o débito formalmente declarado, que não corresponde ao código informado equivocadamente no DARF, continua sem quitação e a sofrer os acréscimos de juros e multa de mora. Optando ou não a contribuinte pela compensação, sempre haverá cobrança de mora se o débito não foi formalmente liquidado na data do vencimento, independente de quando tenha sido realizado o pagamento indevido. A sistemática de análise de PerDcomp não altera essas duas situações distintas e independentes (pagamento indevido e pagamento em atraso), pois ela apenas faz o encontro de contas na data da entrega do PerdComp, momento da valoração do crédito para restituição e automática conversão em pagamento do débito em aberto, total ou parcialmente, mediante compensação. Repitase que este encontro de contas sempre será desfavorável ao contribuinte tendo em vista que o código do débito1, 1 Lei 9.430, de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10880.923135/201282 Acórdão n.º 3302004.846 S3C3T2 Fl. 6 5 correspondente ao código correto que deveria constar no DARF, não foi encontrado pelo sistema e assim o débito em aberto sofre acréscimos da multa de mora diária mais juros de mora mensais até a data a entrega do Perdcomp, enquanto que (ii) o crédito2 a ser restituído e compensando sofre somente os juros compensatórios mensais, calculados também até a data da entrega do PerDcomp. Em resumo, se no momento da valoração, ou seja na data da transmissão da PerDcomp, o débito que se buscou compensar já estava sujeito a acréscimos moratórios, e o crédito com seus acréscimos não foram suficientes para quitálos, então a compensação é homologada parcialmente e o saldo residual do débito considerado indevidamente compensado, exigindose, em consequência, seu pagamento com os acréscimos legais3. A mesma sistemática se repete em sucessivos PerDcomp quando existe saldo residual de crédito na compensação homologada a ser aproveitado em outro(s) PerdComp. A situação parece injusta mormente porque o pagamento indevido ou a maior decorre em regra de um erro do contribuinte que não pretendia ficar em mora, porém não é o caso de se aplicar o art. 108 do CTN, pois verificase que não foi a RFB que deu causa ao erro. Ademais, mesmo sem levar em consideração os transtornos e custos que os erros causam à administração, há de se observar ainda que o julgador administrativo está vinculado à lei, ainda na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 2 Art. 72. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: II houver a entrega da Declaração de Compensação ...; § 1º No cálculo dos juros de que trata o caput, observarseá, como termo inicial da incidência: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) III na hipótese de pagamento indevido ou a maior: c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; 3 Lei nº 9.430 /1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito... § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IN 900/2009 Art. 38. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10880.923135/201282 Acórdão n.º 3302004.846 S3C3T2 Fl. 7 6 que esta reflita apenas aspectos sobre cumprimento dos prazos e forma de apuração dos valores, e assim não pode deixar de reconhecer a aplicação destas formalidades legais utilizadas para cálculo da restituição de pagamentos indevidos e para cobrança de débitos vencidos, independente deste tipo de erro cometido pela contribuinte que o deixou em mora. Não se vislumbra ilegalidade no procedimento da Receita Federal e tampouco enriquecimento ilícito da União, pois decorrente da lei. Conclusão Diante de tudo que foi exposto, rejeito a preliminar arguida, e no mérito nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o(s) débito(s) que se procuravam compensar já se encontravam vencidos na data em que foi transmitida a DCOMP inicial. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 202DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.721298/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 12/01/2005 a 23/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. EXISTÊNCIA.
Acolhem-se os embargos de declaração apresentados pelo embargante, visto que restaram comprovados os alegados vícios de omissão e contradição no acórdão embargado.
Numero da decisão: 3302-005.374
Decisão: Embargos acolhidos.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração, para rerratificar o acórdão embargado, com efeitos infringentes, nos termos do voto da relatora, vencido o Conselheiro Walker Araújo que entendia pela impossibilidade de aplicação da retroatividade benigna do prazo estabelecido na IN RFB nº 1.096/2010.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 12/01/2005 a 23/12/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. EXISTÊNCIA. Acolhemse os embargos de declaração apresentados pelo embargante, visto que restaram comprovados os alegados vícios de omissão e contradição no acórdão embargado. Embargos acolhidos. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os embargos de declaração, para rerratificar o acórdão embargado, com efeitos infringentes, nos termos do voto da relatora, vencido o Conselheiro Walker Araújo que entendia pela impossibilidade de aplicação da retroatividade benigna do prazo estabelecido na IN RFB nº 1.096/2010. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 12 98 /2 00 9- 12 Fl. 542DF CARF MF 2 Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo. Relatório Trata o presente processo de Embargos opostos pelo contribuinte em face do acórdão nº 3302004.306, proferido em 25/05/2017, pela 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 3ª Seção do CARF, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 12/01/2005 a 23/12/2005 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE.APLICABILIDADE. Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 12/01/2005 a 23/12/2005 RETROATIVIDADE BENIGNA. IN RFB nº 1.096, de 2010 INAPLICABILIDADE Comprovado nos autos que os dados do embarque foram extemporâneos ao prazo de 2 (dois dias), previsto na IN SRF nº 510, de 2005, vigente à época dos fatos, deixase de aplicar a retroatividade benigna com base na alínea “b” do inciso II, do artigo 106, do CTN, em face da edição, no curso do processo da IN RFB nº 1.096, de 2010, que manteve o prazo de 7 (sete) dias, independentemente do modal do transporte, visto que o atraso nas informações é superior a 7 (sete). . A Embargante alega: a) Omissão quanto ao erro de cálculo e quanto à ausência de provas, e b) Contradição Com base nas razões aduzidas no despacho de fls. 538/541, com fundamento no art. 65, § 3º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF 259/2009 (RICARF/2009), o presidente da 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 3ª Seção do CARF, reconheceu a procedência dos alegados vícios de omissão quanto ao erro de cálculo suscitado pela recorrente (item 3.1), assim como quanto à contradição apontada (item 3.3). Destaca a Embargante: a) Omissão quanto ao erro de cálculo Fl. 543DF CARF MF Processo nº 10830.721298/200912 Acórdão n.º 3302005.374 S3C3T2 Fl. 342 3 Às fls. 195/197 de seu Recurso Voluntário, a Embargante demonstrou que os valores mantidos e exonerados foram corretamente discriminados no v. acórdão recorrido, conforme entendimento firmado pela 23ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal em São Paulo (SP1) na referida decisão. Porém, por um mero erro de cálculo, o total apresentado não corresponde à soma dos valores das multas descritas no demonstrativo, que deveria ser de R$ 330.000,00 e não de R$ 325.000,00. Porém, tal questão deixou de ser apreciada no v. acórdão ora embargado. Assim, requer a Embargante respeitosamente a esta Colenda Turma que se pronuncie expressamente sobre o valor do crédito fiscal mantido pelo v. acórdão recorrido, que deveria ser de R$ 570.000,00, e não de R$ 575.000,00. b) Contradição No v. acórdão embargado, restou plenamente reconhecido que à época dos embarques ocorridos até 14/02/2005 vigia norma procedimental que não dispunha do prazo a ser observado para a prestação das informações, tendo este requisito sido estabelecido apenas pela IN SRF nº 510, de 14/02/2005, que instituiu prazo de 2 dias para tanto e, posteriormente, pela IN SRF nº 1.096/2010, que ampliou este prazo para 7 dias. (...) No entanto, ao referendar o acerto da decisão embargada quanto à aplicação retroativa das alterações normativas, para excluir da cobrança os embarques informados dentro do prazo de sete dias, uma vez que benéfica à Embargante, manteve todos os outros cuja informação ultrapassou o prazo de sete dias, inclusive aqueles ocorridos até 14/02/2005, quando não havia prazo a ser observado, em razão da indeterminação da norma. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade Uma vez cumpridos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos presentes embargos de declaração, para análise dos alegados vício de omissão e contradição. a) Omissão quanto ao erro de cálculo Quanto ao erro de cálculo, tem razão a recorrente, foi um mero erro material na decisão de piso, no somatório das parcelas referentes aos valores mantidos e exonerados, nos demonstrativos de fls.167/172, os quais ficam assim compreendidos. Fl. 544DF CARF MF 4 Valores mantidos São 96 (noventa e seis) períodos de R$ 5.000,00 que totalizam R$ 480.000,00 , mais 9 (nove) períodos de R$ 10.000,00, que totalizam R$ 90.000,00, representando um total mantido de R$ 570.000,00. Valores exonerados são 54(cinquenta e quatro) períodos de R$ 5.000,00 que totalizam R$ 270.000,00 , mais 6 (seis) períodos de R$ 10.000,00, que totalizam R$ 60.000,00, representando um total exonerado de R$ 330.000,00. De modo que o crédito referente à citada multa, na decisão de piso deve corresponder aos seguintes valores: VALOR LANÇADO = VALOR MANTIDO + VALOR EXONERADO R$ 900.000,00 = R$ 570.000,00 + R$ 330.000,00. b) Contradição Observase do teor do acórdão embargado que não houve contradição na fundamentação, no entanto o dispositivo não refletiu a fundamentação quanto à abordagem normativa referente aos embarques ocorridos até 14/02/2005, quando vigia a IN SRF nº 28, de 1994: Assim fundamenta o acórdão embargado: Pela planilha de fls.59/94, constatase que os dados dos embarques compreendem o período de 12/01/2005 a 23/12/2005. Dispunha a IN SRF nº 28, de 1994: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Em cumprimento à determinação acima gizada, a então SRF, com o escopo de normatizar os procedimentos editou a IN SRF nº 510, de 2005, que definiu o prazo de comunicação em 02(dois) dias, aplicado ao caso concreto para a exigência em lide: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque.(grifei). § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo." (NR)(grifei). Notese que, objetivamente estabelece o dispositivo legal ([artigo 107, IV, alínea “e”, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação da Lei n.º 10.833, de 2003) uma sanção quando da Fl. 545DF CARF MF Processo nº 10830.721298/200912 Acórdão n.º 3302005.374 S3C3T2 Fl. 343 5 ocorrência do seguinte pressuposto fático: ....deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. À época dos embarque, ocorridos até 14/02/2005, vigia a IN SRF nº 28, de 1994, com o seguinte enunciado [Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX]. Já para os embarques ocorridos a partir de 15/02/2005, estava em vigor IN SRF nº 510, 14/02/2005, DOU de 15/02/2005. (...) Ocorre que no curso processual, foi editada a IN RFB nº 1.096, de 2010, que manteve o prazo de 7 (sete) dias, independentemente do modal do transporte. (...) Assim deduzse da situação fática, à época dos embarques, ocorridos até 14/02/2005, que a norma procedimental não dispunha do prazo a ser observado para a prestação das informações, requisito esse que só foi estabelecido pela IN SRF nº 510, de 14/02/2005, DOU de 15/02/2005, que ampara os embarques ocorridos a partir de 15/02/2005.(grifos originais) (...) Restou portanto mantida a exigência da multa para os embarques que ultrapassaram o prazo de sete dias da data do embarque. Agiu com acerto a decisão de piso, visto que a análise fática ante as alterações normativas já referidas se adequou à aplicação do disposto no art. 106 do CTN que estabelece, em caráter excepcional, a eficácia retroativa da lei tributária, ou seja a retroatividade benigna, nos termos da alínea “b” do inciso II do já referido dispositivo legal. Agora em sede de segunda instância já não pode ser aplicável a mesma linha interpretativa, visto da planilha de fls. fls.59/94, verificase que os prazos foram excedidos em mais de 7 (sete) dias à data do embarque, impossibilitando assim para esses a retroatividade benigna. Desse modo mantémse a exigência formalizada aos embarques cujo prazo excedeu a 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário.(grifei). Observase que o acórdão embargado analisando a evolução normativa disciplinada pelas Instruções Normativas: a) IN SRF nº 28, de 1994, b) IN SRF nº 510, 14/02/2005, DOU de 15/02/2005 e, c) IN RFB nº 1.096, de 2010, afastou a exigência com Fl. 546DF CARF MF 6 relação à multa referente aos embarques, ocorridos até 14/02/2005 e manteve exigência formalizada referente aos embarques cujo prazo excedeu a 7 (sete) dias, contado da data da realização do embarque, devendo pois o dispositivo refletir referida fundamentação. Em virtude da alteração na parte dispositiva para refletir a fundamentação do acórdão embargado, ficam ementas e dispositivo assim alterados: Ementa: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 12/01/2005 a 23/12/2005 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. NORMA POSTERIOR AO EMBARQUE. VIGÊNCIA. INAPLICABILIDADE Inaplicável a multa prevista na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei nº 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833, de 2003, referente aos embarques, ocorridos até 14/02/2005, visto que à época dos referidos embarques a IN SRF nº 28, de 1994, não dispunha de um prazo e sim de um conceito jurídico indeterminado, "imediatamente após realizado o embarque". Somente com a IN SRF nº 510, de 14/02/2005, DOU de 15/02/2005, houve a determinação de um prazo para que o responsável pela carga, registrasse no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE. APLICABILIDADE. Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 12/01/2005 a 23/12/2005 RETROATIVIDADE BENIGNA. IN RFB nº 1.096, de 2010 INAPLICABILIDADE Comprovado nos autos que os dados do embarque foram extemporâneos ao prazo de 2 (dois dias), previsto na IN SRF nº 510, de 2005, vigente à época dos fatos, deixase de aplicar a retroatividade benigna com base na alínea “b” do inciso II, do artigo 106, do CTN, em face da edição, no curso do processo da IN RFB nº 1.096, de 2010, que manteve o prazo de 7 (sete) dias, independentemente do modal do transporte, visto que o atraso nas informações é superior a 7 (sete)." Dispositivo: "Ante o exposto, VOTO POR, Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10830.721298/200912 Acórdão n.º 3302005.374 S3C3T2 Fl. 344 7 1) RECONHECER que os valores mantidos pela decisão de piso correspondem ao montante de R$ 570.000,00, e que os valores exonerados correspondem ao montante de R$ R$ 330.000,00; 2) REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS E NO MÉRITO, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para excluir a multa referente aos embarques, ocorridos até 14/02/2005." Diante do exposto, acolho os presentes embargos, para rerratificar o Acórdão embargado, com efeitos infringentes, nos termos dos fundamentos acima consignados. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 548DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10814.730643/2014-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 21/10/2014
MOTIVAÇÃO. DEFICIÊNCIA. VÍCIO FORMAL. NULIDADE.
A deficiência na motivação do auto de infração que caracteriza cerceamento no direito de defesa da contribuinte enseja a declaração de sua nulidade por vício formal.
Recurso Voluntário provido
Numero da decisão: 3402-004.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para declarar a nulidade do auto de infração por vício formal. Ausente, momentânea e justificadamente, o Conselheiro Suplente Rodolfo Tsuboi.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 21/10/2014 MOTIVAÇÃO. DEFICIÊNCIA. VÍCIO FORMAL. NULIDADE. A deficiência na motivação do auto de infração que caracteriza cerceamento no direito de defesa da contribuinte enseja a declaração de sua nulidade por vício formal. Recurso Voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para declarar a nulidade do auto de infração por vício formal. Ausente, momentânea e justificadamente, o Conselheiro Suplente Rodolfo Tsuboi. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 73 06 43 /2 01 4- 74 Fl. 274DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em São Paulo que julgou improcedente a impugnação da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 21/10/2014 PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO A atuação não foi contestada, pois o autuado se limitou a expressar seu inconformismo, sem questionar quaisquer aspectos, formais ou de mérito, do lançamento, atraindo, assim, a incidência do art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, com a redação da Lei nº 9532/1997. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Versa o processo sobre auto de infração relativo à exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria pela impossibilidade de sua apreensão, no montante de R$69.729,50, sob a seguinte fundamentação constante no Termo de Verificação Fiscal: (...) Em 03/04/2014, em procedimento fiscalizatório de rotina das cargas constantes do vôo AAL 951 /JFK, procedente de Nova Iorque/EUA, a Eqop "C" desta Evig constatou que parte da carga (dois volumes) não estava manifestada no MANTRA (Sistema Integrado de Gerência do Manifesto, do Transito e do Armazenamento) ou no manifesto de carga existente à bordo. Em 04/04/2014, o contribuinte identificado neste auto de conversão de perdimento em multa tomou ciência do Termo de Retenção Evig n° 30/2014. A carga objeto do presente auto estava amparada pelo conhecimento aéreo (AWB) n° 001 7556 1905, house 820975. consignado a Panalpina Ltda, e foi armazenada pelo DSIC 891.1401.8815. A não manifestação da carga em questão constituiuse em infração ao disposto no art. 42, "caput" do Decreto 6759/09 (Regulamento Aduaneiro): Art.42. O responsável pelo veículo apresentará à autoridade aduaneira, na forma e no momento estabelecidos em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, o manifesto de carga, com cópia dos conhecimentos correspondentes, e a lista de sobressalentes e provisões de bordo (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 39, caput). A empresa Helocópteros do Brasil S/A HELIBRAS, na condição de importadora da carga retida, interpôs pedido de concessão de liminar em Mandado de Segurança na Justiça Federal, subseção judiciária de Guarulhos, estado de São Paulo. Em 12 de agosto de 2014, nos autos do Mandado de Segurança (MS) n° 000549673.2014.403.6119, foi concedido o pedido de segurança na liminar em questão, determinando a liberação e continuidade do processo de importação das mercadorias. Em 21/10/2014, através da Declaração de ImportaçãoDI 14/20286244, a carga em questão, com valor declarado na DI (anexa), de R$ 69.729,50, foi devidamente desembaraçada. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10814.730643/201474 Acórdão n.º 3402004.982 S3C4T2 Fl. 275 3 No entanto, dispõe o art. 73 e seus parágrafos da Lei 10873/03: "Art 73. Verificada a impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua não localização ou consumo, extinguirseá o processo administrativo instaurado para apuração da infração capitulada como dano ao Erário. § 1° Na hipótese prevista no caput , será instaurado processo administrativo para aplicação da multa prevista no § 3°do art. 23 do DecretoLei n° 1.455. de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002 § 2o A multa a que se refere o § 1o será exigida mediante lançamento de ofício, que será processado e julgado nos termos da legislação que rege a determinação e exigência dos demais créditos tributários da União." Desse modo, em cumprimento ao disposto no dispositivo legal retro mencionado, e para resguardar os interesses da Fazenda Nacional, lavramos o presente auto de infração de conversão do perdimento em multa, lavrado em nome da companhia transportadora das mercadorias ora convertidas, American Airlines, Inc., CNPJ 36212637/000512, em valor igual a cem por cento das mercadorias apreendidas e posteriormente liberadas. A multa foi calculada de acordo com os valores constantes Nas Declarações de Importação e na de Remessa acima, num total de R$ 69.729,50. (...) A autuada apresentou impugnação, alegando, em síntese, que seria descabido exigirlhe os tributos relativos à importação da mercadoria, a título de ressarcimento ao Erário, uma que vez que esses já foram devidamente recolhidos quando do despacho aduaneiro promovido pelo importador. A Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da impugnante, sob o seguinte voto condutor: Voto A impugnação é admissível e dela tomo conhecimento. Preliminarmente, não há que se falar de concomitância, uma vez que o impetrante da ação judicial e o impugnante são pessoas distintas. Quanto ao mérito, a autoridade não explicitou em qual hipótese de perdimento a situação fática descrita se enquadraria, ainda que se possa presumir ser a do inciso IV do art. 689 do RA (“existente a bordo do veículo, sem registro em manifesto, em documento de efeito equivalente ou em outras declarações”), o que poderia, em tese, caracterizar cerceamento de direito de defesa. Contudo, o teor da impugnação é um semsentido! A autoridade autuante acusa o impugnante de descumprir de um dever procedimental ligado ao controle aduaneiro, sem se refererir a questões tributárias, mas este se limita a reclama de uma inexistente exigência de tributos já pagos, sem atacar quaisquer aspectos da autuação – aspectos formais, pertinência dos dispositivos normativos invocados, a qualificação dos fatos etc. Fl. 276DF CARF MF 4 Assim, é atraída ao caso em tela a incidência do art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, com a redação da Lei nº 9532/1997 (“Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”). Logo, em vista do exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação e manutenção do crédito lançado. Cientificada em 18/02/2016, a interessada interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese: nulidade do auto de infração em face de: i) inexistência de relação entre o dispositivo citado e o quadro fático; ii) violação à decisão judicial; e iii) cerceamento de defesa pela não indicação do dispositivo violado. inaplicabilidade da pena de perdimento e da multa substitutiva, tendo em vista: i) a declaração dos bens no Mantra após o pouso da aeronave e da identificação dos bens pelo AWB; ii) a regularização da importação por meio do DSIC; iii) a ausência de dolo ou de dano ao erário e a possibilidade de relevação da penalidade; iv) a falta de razoabilidade e proporcionalidade; e v) a impossibilidade de as mercadorias importadas responderem por descumprimento de obrigação imputado à transportadora. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Como já adiantado pelo julgador a quo, carece o auto de infração do enquadramento legal da infração, mas ao contrário do que concluiu, a deficiência na argumentação constante na impugnação torna ainda mais difícil, em face do cerceamento do direito de defesa, a possibilidade de manutenção da autuação. Não obstante a fiscalização tenha sustentado que a "não manifestação da carga em questão constituiuse em infração ao disposto no art. 42, "caput" do Decreto 6.759/09 (Regulamento Aduaneiro)", deixou de argumentar porque tal irregularidade acarretaria a pena de perdimento da mercadoria prevista no caput do art. 689 do Regulamento Aduaneiro/2009, sem se olvidar que, no referido artigo, há a consolidação da tipificação de 22 infrações diferentes (nos incisos I a XXII) puníveis com a mesma pena. Diante da ausência de outras informações adicionais na autuação, poderseia aventar que a infração imputada pela fiscalização poderia ser a prevista no inciso IV, ou mesmo a do inciso I do art. 689 do Regulamento Aduaneiro/2009, a depender do local em que carga foi encontrada, nestes termos: Art.689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e §1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10814.730643/201474 Acórdão n.º 3402004.982 S3C4T2 Fl. 276 5 I em operação de carga ou já carregada em qualquer veículo, ou dele descarregada ou em descarga, sem ordem, despacho ou licença, por escrito, da autoridade aduaneira, ou sem o cumprimento de outra formalidade essencial estabelecida em texto normativo; (...) IV existente a bordo do veículo, sem registro em manifesto, em documento de efeito equivalente ou em outras declarações; (...) A fiscalização não informou, mas consta na fl. 160 do processo, na decisão proferida no Agravo de Instrumento, que houve um auto de infração anterior para a aplicação da pena perdimento às mercadorias, conforme abaixo: Verificase que o processo nº 10814.723291/201409, lavrado com base no art. 689, IV do Regulamento Aduaneiro/2009, foi objeto de julgamento em instância única de forma desfavorável à autuada, mas foi posteriormente extinto em face da aplicação da multa substitutiva, objeto do presente processo, a teor do art. 689, §3º do Regulamento Aduaneiro/2009: Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e §1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (...) §1º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 1972 (...) (...) § 3o Na hipótese prevista no § 1o, após a instauração do processo administrativo para aplicação da multa, será extinto o processo administrativo para apuração da infração capitulada como dano ao Erário (Lei nº 10.833, de 2003, art. 73, caput e § 1º). Tivesse a fiscalização informado que a presente ação fiscal originouse daquela outra que redundou na pena de perdimento, juntando suas peças principais, poderseia Fl. 278DF CARF MF 6 até considerar a possibilidade de saneamento da ausência de enquadramento legal. 1 Poderia também o julgador a quo, mas não o fez, ter solicitado a lavratura de auto de infração complementar, nos termos do §3º do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, dentro do prazo decadencial, sem cerceamento do direito de defesa e sem supressão de instância. Ademais, a fiscalização autuante também não se deu ao trabalho de argumentar em que sentido a liberação das mercadorias por determinação judicial em sede de mandado de segurança caracterizaria a situação de "impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua nãolocalização ou consumo" ou de que a mercadoria não foi localizada, ou tinha sido consumida ou revendida, para o enquadramento no art. 73 da Lei nº 10.833/2003 ou no art. 23, §3º do Decretolei nº 1.455/76: LEI No 10.833, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2003: Art. 73. Verificada a impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua não localização ou consumo, extinguirseá o processo administrativo instaurado para apuração da infração capitulada como dano ao Erário. § 1o Na hipótese prevista no caput, será instaurado processo administrativo para aplicação da multa prevista no § 3o do art. 23 do DecretoLei no 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002. DECRETOLEI Nº 1.455, DE 7 DE ABRIL DE 1976: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) [grifei] Como se vê acima, não é qualquer impossibilidade de apreensão que enseja a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro, mas somente aquela que seja decorrente da não localização da mercadoria ou do seu consumo ou revenda. No caso, não se sabe se algum desses eventos teriam ocorrido no mundo concreto. Como esclarecem Neder e López2, "além de a autoridade administrativa apresentar as razões de fato e de direito que a levaram para determinada conclusão, também deve demonstrar o nexo causal existente entre elas", sendo que, com relação ao lançamento, a motivação é a "demonstração, nos autos, pelo agente fiscal, dos fundamentos fáticos e jurídicos" da ocorrência do fato gerador do tributo ou da multa. Acrescentam os autores que a "ausência de motivação incluise entre os vícios de formalização", que podem ser convalidados 1 Conforme salientam Neder e López, "o erro na menção da alínea ou incisão do dispositivo legal citado nos autos, em princípio, não invalida o ato. Se o próprio contribuinte demonstra, nos autos, o pleno conhecimento da matéria, citando, inclusive, o dispositivo legal que deveria ter sido utilizado, os órgãos julgadores têm entendido que a descrição dos fatos no auto de infração permitiu o exercício do pleno direito de defesa" (NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Dialética, 2002, p. 143). 2 NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Dialética, 2002, p. 414/415. Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10814.730643/201474 Acórdão n.º 3402004.982 S3C4T2 Fl. 277 7 "com a prática de novo ato, sanando a ilegalidade desde que não se cause cerceamento do direito de defesa ao administrado". Dispõe o art. 50, caput e §1º da Lei nº 9.874/99 sobre a obrigatoriedade de motivação do ato administrativo, nos seguintes termos: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...) Determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72 que o auto de infração deve conter, obrigatoriamente, entre outros itens, "a descrição do fato" e "a disposição legal infringida e a penalidade aplicável". De outra parte, dispõe o art. 59, II desse Decreto que são nulos os despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa. Assim, pelo exposto, diante da deficiência na motivação do auto de infração, no que concerne à infração punível com a pena de perdimento das mercadorias e à multa que lhe substitui, que ocasionou o cerceamento do direito de defesa da autuada, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade do auto de infração por vício formal. É como voto. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Conselheira Relatora Fl. 280DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.001895/2004-19
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
RECURSO ESPECIAL. CONFLITO COM SÚMULA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do Recurso Especial que conflita com a jurisprudência sedimentada em Súmula do CARF.
Numero da decisão: 9101-003.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13830.001892/2004-77, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999 RECURSO ESPECIAL. CONFLITO COM SÚMULA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do Recurso Especial que conflita com a jurisprudência sedimentada em Súmula do CARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13830.001892/2004-77, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 RECURSO ESPECIAL. CONFLITO COM SÚMULA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do Recurso Especial que conflita com a jurisprudência sedimentada em Súmula do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13830.001892/200477, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 18 95 /2 00 4- 19 Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13830.001895/200419 Acórdão n.º 9101003.337 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), com a alegação de dissídio interpretativo em relação ao acórdão ofertado como paradigma de nº 10513.642, assim ementado: “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL — COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA — LIMITE DE 30% A base de calculo negativa da Contribuição Social, apurada a partir de períodos de apuração referentes ao ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com o saldo compensável, apurado a partir do ano calendário de 1992, ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação específica, observado o limite máximo de redução de trinta por cento.” Nessa oportunidade, a PGFN aduz a não aplicação da limitação de 30%, na compensação da base negativa da CSLL de períodos anteriores, para o resultado decorrente da atividade rural, somente surgiu no ordenamento jurídico com a edição do artigo 42 da Medida Provisória nº 199115/2000. A recorrida apresenta contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9101003.335, de 17.01.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13830.001892/200477. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 9101003.335): O presente Recurso Especial da PGFN é tempestivo. Entretanto, a decisão a ser proferida sobre o conhecimento do presente apelo a esta instância especial depende da solução sobre a questão deduzida pela recorrida, quando expõe que o acórdão ofertado como paradigma conflita com a jurisprudência do CARF que se consolidou sobre o tema em estudo. Com efeito, a Súmula CARF nº 53 está assim redigida: “Não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural o limite de 30% do lucro líquido ajustado, relativamente à compensação da base de cálculo negativa de CSLL, mesmo para os fatos ocorridos antes da vigência do art. 42 da Medida Provisória n° 199115, de 10 de março de 2000.” Por outro lado, o acórdão ofertado como paradigma assentou o seguinte entendimento da turma que o exarou: “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL — COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA — LIMITE DE 30% A base de calculo Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13830.001895/200419 Acórdão n.º 9101003.337 CSRFT1 Fl. 4 3 negativa da Contribuição Social, apurada a partir de períodos de apuração referentes ao anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com o saldo compensável, apurado a partir do ano calendário de 1992, ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação específica, observado o limite máximo de redução de trinta por cento.” Portanto, é indubitável que há colisão entre o paradigma ofertado e a Súmula CARF nº 53, pois aquele acolheu a trava de 30%, relativamente à compensação da base de cálculo negativa da CSLL, para as pessoas jurídicas que exploram a atividade rural, ao passo que o entendimento jurisprudencial sedimentado na Súmula CARF nº 53 repudia a supracitada limitação. Nesses termos, é preciso ter em conta o disposto no artigo 67, §§ 9º e 12, inciso III, do Anexo II do vigente Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. [...] § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. [...] § 12. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: [...] III Súmula ou Resolução do Pleno do CARF.” Em face do exposto, não se deve conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a teor do que consta no artigo 67, § 12, inciso III, do Anexo II do vigente Regimento Interno do CARF. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 177DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000374/2006-57
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
LANÇAMENTO DE OFÍCIO - MULTA AGRAVADA - NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS - CABIMENTO.
Cabível a aplicação da multa agravada sempre que o contribuinte deixar de, nos prazos estipulados, prestar esclarecimentos em resposta a intimações da autoridade fiscal realizadas consoante o permissivo legal.
Numero da decisão: 9202-006.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 LANÇAMENTO DE OFÍCIO - MULTA AGRAVADA - NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS - CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa agravada sempre que o contribuinte deixar de, nos prazos estipulados, prestar esclarecimentos em resposta a intimações da autoridade fiscal realizadas consoante o permissivo legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
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Cabível a aplicação da multa agravada sempre que o contribuinte deixar de, nos prazos estipulados, prestar esclarecimentos em resposta a intimações da autoridade fiscal realizadas consoante o permissivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 03 74 /2 00 6- 57 Fl. 214DF CARF MF Processo nº 14041.000374/200657 Acórdão n.º 9202006.509 CSRFT2 Fl. 215 2 Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2201001.338, prolatado pela 1a Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 27 de outubro de 2011 (efls. 136 a 141). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 Ementa: DEDUÇÃO. DESPESAS DE INSTRUÇÃO. Comprovada a efetividade da despesa com instrução de dependente, mediante a apresentação do correspondente recibo emitido pela instituição de educação, deve ser restabelecida a dedução, respeitado o limite individual para cada dependente MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. INAPLICABILIDADE. O não atendimento às intimações da fiscalização, quando a omissão não representar embaraço à apuração da infração e à lavratura do auto de infração, não pode ensejar o agravamento da multa de ofício lançada. DEDUÇÃO. DEPENDENTE Apenas as pessoas relacionadas no art. 35, da Lei nº 9.250, de 1995, é que ensejam a dedução a título de dependente, tendo em vista tratarse de matéria sob reserva de Lei. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a despesa com instrução no valor de R$3.400,00 relativa ao exercício de 2002 e reduzir a multa de ofício agravada de 112,5% para 75%. Vencido o conselheiro Eduardo Tadeu Farah que mantinha o agravamento da multa. Enviados os autos à Fazenda Nacional em 25/01/2012 (efl. 143) para fins de ciência da decisão, insurgindose contra aquela, sua Procuradoria apresenta, em 31/01/2012 (e fl. 151), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 144 a 150). O recurso foi regularmente admitido pelos despachos de efls. 180 a 183, dizendo respeito exclusivamente à redução do agravamento da multa ao percentual de 75%. Quanto à matéria, alegase divergência em relação ao decidido, em 09/09/2003, no Acórdão 10613.502, de lavra da 6a. Câmara do então 1o. Conselho de Fl. 215DF CARF MF Processo nº 14041.000374/200657 Acórdão n.º 9202006.509 CSRFT2 Fl. 216 3 Contribuintes, bem como ao decidido pela 2a. Câmara do referido 1o. Conselho, agora no Acórdão 10248.549, prolatado em 24 de maio de 2007, de ementas e decisões a seguir transcritas. Acórdão 10613.502 LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE Incabível falarse em irretroatividade da lei que amplia os meios de fiscalização, pois esse princípio atinge somente os aspectos materiais do lançamento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a provada origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. MULTA AGRAVADA Cabível o agravamento de 112,5% no percentual da multa de lançamento de ofício quanto comprovado que o sujeito passivo não atendeu às intimações fiscais para a apresentação de informações relacionadas com as atividades do fiscalizado. Decisão: por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Edison Carlos Femandes (Relator), Orlando José Gonçalves Bueno e Romeu Buenode Camargo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Antonio de Paula. Acórdão 10248.549 NULIDADE DO LANÇAMENTO Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender às formalidades legais e for efetuado por servidor competente. APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO RETROATIVIDADE DA LEI Nº 10.174, de 2001 Ao suprimir a vedação existente no art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, a Lei nº 10.174, de 2001, ampliou os poderes de investigação do Fisco, sendo aplicável retroativamente essa nova legislação, por força do que dispõe o § 1º do art. 144 do Código Tributário Nacional. SIGILO BANCÁRIO Os agentes do Físico podem ter acesso a informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação do sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 14041.000374/200657 Acórdão n.º 9202006.509 CSRFT2 Fl. 217 4 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. DECISÕES ADMINISTRATIVAS – NÃO VINCULAÇÃO As decisões administrativas citadas pela defesa não são normas complementares, na forma do art. 100 do CTN, e, por conseguinte, não vinculam as decisões desta instância julgadora, restringindose aos casos julgados e às partes inseridas no respectivo processo do qual resultou a decisão. JUROS DE MORA. TAXA SELIC – É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora superior a 1%. A partir de 01.01.1995, os juros de mora serão equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. MULTA AGRAVADA – Nos termos da legislação em vigor, o desatendimento às intimações fiscais dá ensejo ao agravamento de ofício para 112,50%, conforme os termos do art. 44, § 2º da Lei 9.430/1996. Preliminares rejeitadas. Recurso negado. Decisão: por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade da decisão de primeira instância e de quebra do sigilo bancário. Por maioria de votos, REJEITAR as preliminares: (1) de irretroatividade da Lei n° 10.174, de 2001. Vencido o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva que a acolhe e apresenta declaração de voto, (2) de erro no critério temporal, suscitada pelo Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira que fica vencido e apresenta declaração de voto. No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda: a) o agravamento da multa prevista na Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 não é ato discricionário do agente administrativo, pelo contrário, é imperativo. No momento em que o sujeito passivo pratica alguma das condutas previstas, cabe o agravamento da penalidade, não competindo ao agente administrativo fazer juízo de legalidade ou proporcionalidade. Ora, se não há nenhuma dúvida de que o Recorrido não atendeu de modo completo às solicitações do fisco, não há que se falar em redução da penalidade, já que a lei não diminui o percentual da multa nesses casos; Fl. 217DF CARF MF Processo nº 14041.000374/200657 Acórdão n.º 9202006.509 CSRFT2 Fl. 218 5 b) Sob a ótica do art. 97 do CTN, vêse que a Câmara a quo criou nova hipótese de redução de penalidade não prevista na legislação. Assim, deve ser restabelecido o percentual de 112,5% inicialmente aplicado pela fiscalização, já que a conduta praticada enquadrase na hipótese do art. 44, §2º da Lei nº 9.430, de 1996 e não há nenhuma exceção quando a autuação fiscal decorre da presunção de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996; Requer, assim que seja admitido o recurso e, no mérito lhe seja dado provimento, a fim de que seja reformado o r. acórdão nos termos da fundamentação supra. Encaminhados os autos ao autuado para fins de ciência, ocorrida em 06/06/2013 (efl. 187), o contribuinte quedou inerte quanto à apresentação de contrarrazões, após intimado. De se notar, todavia, que o contribuinte anteriormente, já havia obtido cópia dos autos onde já constava o pleito fazendário, tendo apresentado, em 01/06/2012, contrarrazões, inicialmente anexadas às efls. 174 a 177, onde requereu a manutenção da redução do agravamento. Submetido o Recurso à apreciação desta Turma, verificou o Colegiado que as contrarrazões citadas encontravamse incompletas (com ausência de páginas), daí tendo se convertido o julgamento em diligência (Resolução de efls. 197 a 201), para fins de juntada das contrarrazões completas, agora devidamente anexadas às efls. 203 a 209. Nas referidas contrarrazões, o contribuinte alega: a) Que entendimento do acórdão recorrido esta de acordo com a sistemática tributária e com as decisões do Conselho de Contribuinte merecendo, portanto, ser mantido. A aplicação da multa de oficio em conjunto com o tributo tem incidência originada na inobservância da norma jurídica o que importa em sanção, aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é consequente. Contudo, o que esta em discussão não é a exigência ou não da multa, e sim a aplicação do percentual de 112,5% como decorrente de conduta especifica, relacionada ao não atendimento às intimações fiscais. A exasperação da multa no percentual convencional de 75% envolve circunstâncias que devem ser analisadas caso a caso. Desse modo, a decisão pela ocorrência da desobediência envolve um procedimento de valoração da conduta absolutamente distinto da simples aplicação da multa convencional sancionatória do descumprimento da norma tributária; b) Conforme restou esclarecido no acórdão recorrido, não se quedou inerte, respondeu as intimações solicitando prorrogações. Ademais, de acordo com a informação constante na fl. 117, os Termos de Intimação Fiscal constantes nas fls. 05, 61, 63 e 66, foram recebidas por terceiros conforme pode se conferir as assinaturas nas AR's (fls. 27, 62, 64, 67 e 115) que não são dele ou de sua companheira Gardênia de Sousa Pereira. Ainda, que mora em Condomínio em fase de regularização e que sua residência ficava sozinha durante o dia, ocorrendo o recebimento, naquela época, de correspondências após vários dias ou até mesmo meses da entrega na Administração do Condomínio. Após várias reclamações dos moradores, atualmente as entregas de correspondência teriam sido regularizadas. Ainda, que o CEP do local onde mora foi alterado pela Empresa de Correios e Telegráfos — ECT, de 73.017005 para 73.225901 (em pesquisas diversas este CEP ainda não é reconhecido), outro motivo que dificultou o recebimento de correspondências diversas; c) A multa não deve ser vista como um fim em si mesma, ela serve para sancionar a postura daqueles que promovem o embaraço ao desenvolvimento da ação fiscal. O Fl. 218DF CARF MF Processo nº 14041.000374/200657 Acórdão n.º 9202006.509 CSRFT2 Fl. 219 6 que no caso não ocorreu, conforme restou entendido no acórdão recorrido. A aplicação da multa, conforme dito no recurso especial apresentado é um ato administrativo vinculado. Contudo, a exasperação da multa de 75% para 112,5% exige o não atendimento total às intimações lavradas pelo Fisco e a clara tentativa de obstaculizar a ação fiscal levada a efeito, o que não ocorreu nos autos em análise, pois o não atendimento a última intimação do Fisco não causou embaraço ã fiscalização. Anexa decisões do Conselho de Contribuintes e do Conselho administrativo de Recursos Fiscais, favoráveis ao descabimento do agravamento da multa de oficio quando não restar provado o elemento subjetivo dessa sanção, qual seja, o descaso do contribuinte quanto à fiscalização a que está submetido. Requer, assim, que seja mantido acórdão recorrido, nos termos em que foi exarado, ou seja, mantendose a multa no valor de 75%, deduzindo, ainda, ao final das mesmas contrarrazões, pedido adicional, no sentido de que se corrija, às fls. 119, 138, 139 e 140, o nome de sua dependente: onde consta Maria Vilas Boas da Silva, deveria constar Giselle Vilas Boas da Silva. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma e indicação de divergência, o recurso atende a tais requisitos de admissibilidade. Faço notar que ainda que se trate, aqui, de infração diversa dos paradigmas (contrariamente ao afirmado pela Fazenda Nacional em seu pleito, não se está aqui a tratar infração decorrente da aplicação da presunção constante do art. 42 da Lei no. 9.430, de 1996), entendo que, transmudandose o caso presente aos Colegiados paradigmáticos, entenderiam aqueles Colegiados pela necessidade manutenção do agravamento, uma vez que, notese, concluem pelo cabimento deste sempre que não houver atendimento a intimações para prestar esclarecimentos, o que se verifica no caso em questão. Tendo o Colegiado a quo rejeitado tal agravamento, resta caracterizada a divergência interpretativa. Portanto, conheço do Recurso e passo, assim, à análise de mérito. Em análise, o art. 44, § 2o., inciso I, da Lei no. 9.430, de 1996, em sua redação vigente à época do lançamento, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 219DF CARF MF Processo nº 14041.000374/200657 Acórdão n.º 9202006.509 CSRFT2 Fl. 220 7 II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o. O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o. Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Como já tive oportunidade de me manifestar em outros feitos no âmbito deste CARF, entendo, com a devida vênia a posicionamentos diversos (que vinculam a caracterização do agravamento à existência ou não de possibilidade de obtenção pela Fiscalização dos elementos de interesse objeto de intimação e/ou à existência de prejuízo/embaraço à referida Fiscalização), que a correta aplicação do dispositivo acima é no sentido de que sempre que restar comprovado o nãoatendimento de intimações por parte do Fl. 220DF CARF MF Processo nº 14041.000374/200657 Acórdão n.º 9202006.509 CSRFT2 Fl. 221 8 contribuinte, uma vez realizadas as citadas intimações consoante o permissivo legal para tal, de se aplicar a multa agravada de 112,5%. Entendo que a intenção do legislador, ao editar o referido dispositivo, foi o de reforçar o poder da autoridade fiscalizadora, no sentido de evitar que intimações sejam simplesmente "ignoradas" ou seja "não respondidas", violandose, assim, o dever de colaboração do contribuinte para com o Fisco, sem que tal fato conduzisse a sanção. Em meu entendimento, independe a referida sanção do fato da Fiscalização, anteriormente ou posteriormente à prática da conduta expressamente descrita no dispositivo acima (no caso, em seu §2o., I , não prestar esclarecimentos no prazo marcado pela intimação), ter acesso aos elementos de interesse, seja por sua iniciativa, através de meios próprios e/ou através de instrumentos alternativos instituídos pelo legislador tributário, seja por posterior entrega voluntária do contribuinte. Ou seja, entendo que uma vez caracterizada, no curso da ação fiscal, a conduta prevista pelo dispositivo, de não prestação de esclarecimentos no prazo hábil, de se aplicar a penalidade. Assim, portanto, alinhome à interpretação propugnada pela recorrente e pelos paradigmas colacionados aos autos. Enxergo mesmo, no dispositivo tributário em comento, semelhanças com a formulação comumente empregada pelo legislador penal para a definição de tipos omissivos próprios, onde a prática da conduta omissiva (por definição, necessariamente volitiva) leva imediatamente à cominação de sanção, de forma que também é de se admitir, in casu, o afastamento da aplicação da referida penalidade tributária, caso se vislumbre ocorrência de motivo de força maior (com o consequente afastamento da conduta), afastandose, nesta hipótese, a caracterização de omissão na prestação de esclarecimentos dentro do prazo. Feita tal digressão, verifico, através da correta descrição constante do Termo de Verificação Fiscal às efls. 17 a 25 e, ainda, ao compulsar os autos, que, no caso em questão, ficou devidamente caracterizada a não prestação de informações por parte do autuado, sem que se possa cogitar de força maior. O que se conclui é que, in casu, o autuado notadamente quedou inerte quanto ao fornecimento de quaisquer esclarecimentos ou justificativas para o não atendimento dos termos de efls. 65 (mesmo após duas prorrogações) e 68, caracterizada, destarte, a prática da conduta determinada pelo art. 44, §2o., I, da Lei no. 9.430, de 1996. Ainda a propósito, quanto aos argumentos trazidos em sede de contrarrazões pelo autuado, quanto: a) à assinatura de terceiros (que não o autuado e/ou sua companheira) nos avisos de recebimento de termos de intimação e b) à mudança de CEP, decorrente de residir o contribuinte em terras sob regularização (o que, alegadamente, dificultaria o recebimento de correspondências), de se notar que tanto a assinatura do recebedor dos ARs de efls. 66 e 69 como o endereço constantes dos termos de efls. 65 e 68 e são exatamente os mesmos utilizados para encaminhamento e onde se registrou o recebimento: a) do primeiro termo de intimação de efl. 65 (que restou não atendido, mas que se evidencia recebido pelo autuado, visto que objeto de solicitação de prorrogação incontroversa), e Fl. 221DF CARF MF Processo nº 14041.000374/200657 Acórdão n.º 9202006.509 CSRFT2 Fl. 222 9 b) do auto de infração (consoante AR de efl. 28), encaminhado quando do encerramento da ação fiscal e também devidamente recebido, visto que, ressaltese, regular e tempestivamente impugnado na forma de efl. 71. Tais constatações leva à conclusão da pouca razoabilidade do não atendimento ter se dado por qualquer motivo de força maior que pudesse levar à eventual hipótese de não recebimento (hipótese que, assim, deve se rechaçar a partir da evidência constante dos autos). Assim, de se manter o agravamento da multa no patamar de 112,5%. Por fim, não conheço do pedido deduzido em sede de contrarrazões quanto à retificação de nome de dependente no corpo do processo, por se tratar de matéria inteiramente estranha ao presente litígio e fora da competência deste Colegiado. Destarte, diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a fim de que seja restabelecido o agravamento da multa lançada de 75% ao percentual de 112,5%. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Fl. 222DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.001427/2010-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício:2008
DACON. MULTA POR ATRASO.
A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2008
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA PARA SE PRONUNCIAR.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO/DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
ALCANCE.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula CARF n° 49).
Numero da decisão: 1402-000.638
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA PARA SE PRONUNCIAR. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO/DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ALCANCE. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Súmula CARF n° 49). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Fl. 57DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001427/201030 Acórdão n.º 140200.638 S1C4T2 Fl. 53 2 Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 58DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001427/201030 Acórdão n.º 140200.638 S1C4T2 Fl. 54 3 Relatório SC Transporte e Construções Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 3ª Turma da DRJ Belém/PA, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase de Notificação de Lançamento (fl. 13) expedida para aplicação de multa pelo atraso na entrega do Dacon referente a agosto de 2008, no valor de R$ 15.527,97, com redução para R$ 7.763,98 em virtude da entrega espontânea. Inexistindo no processo comprovante da ciência da Notificação, considerase tempestiva a impugnação de fls. 01/12, na qual a empresa traz, em síntese, os seguintes argumentos: a) Inexistem motivos para a aplicação da multa e da multa de mora, uma vez que a denúncia espontânea é o reconhecimento do erro, cabendo apenas o recolhimento do valor devido com juros; b) Reclama da falta de oportunidade do contribuinte valerse do contraditório e da ampla defesa, sugerindo a utilização de um "processo administrativo sancionador", citando como exemplo o que ocorreria na Espanha; c) Aponta ilegalidade na multa fixada, por caracterizar confisco, além de ferir uma série de outros princípios constitucionais; d) Defende que é inconstitucional e ilegal a utilização da taxa Selic para fins tributários.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 01 19.323 (fls. 2426) de 28/09/2010, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “DACON. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a inconstitucionalidade das leis. MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A multa pelo atraso na entrega do Dacon objetiva compensar o sujeito ativo pelo prejuízo causado em virtude de descumprimento de uma obrigação que lhe é devida, não sendo Fl. 59DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001427/201030 Acórdão n.º 140200.638 S1C4T2 Fl. 55 4 alcançada pela denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 14/01/2011 (A.R. de fl. 29), a interessada interpôs recurso voluntário em 14/02/2011 (fls. 3040) onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Das alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade De início, no que tange às alegações de inconstitucionalidade ou ilegalidade apresentadas, cumpre reforçar, em consonância com a argumentação trazida na decisão da DRJ, que não cabe a esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda (CARF) apreciar questões de ordem constitucional ou de legalidade de leis vigentes em nosso ordenamento jurídico. Tal entendimento é, inclusive, objeto da súmula nº 2 deste Conselho, publicada no DOU de 22/12/2009, a seguir transcrita: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Deixase, pois, de se pronunciar quanto ao argumento trazido nesse ponto. Da denúncia espontânea Quanto a esse ponto, há que se esclarecer que o pressuposto lógico da denúncia espontânea é a declaração de fato desconhecido pela autoridade, o que não ocorre na entrega intempestiva do Dacon, vez que o atraso se torna conhecido pelo simples decurso do prazo fixado para a seu entrega. Ademais, a multa pelo atraso na entrega do Dacon está explicitamente prevista no art. 7o da Lei n° 10.426/2002, pelo que não há que se questionar a sua validade. Por fim, ressaltese ser essa, tal qual a anterior, matéria sumulada por este Conselho (Súmula CARF n° 49), nos seguintes termos: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Descabido, pois, o recurso quanto a esse tópico. Do direito ao contraditório e à ampla defesa Por bem representar o entendimento sobre esse ponto, peço vênia para transcrever a decisão de primeira instância, no que atine ao direito ao contraditório e à ampla defesa da recorrente. “Cabe esclarecer que a fase litigiosa do procedimento fiscal se instaura com a impugnação tempestiva , conforme art. 14 do Decreto n° 70.235/1972, verbis: Fl. 60DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001427/201030 Acórdão n.º 140200.638 S1C4T2 Fl. 56 5 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Os princípios do contraditório e da ampla defesa estão garantidos aos litigantes, tanto no processo administrativo, quanto no judicial. No processo administrativo, o litígio só vem a ser instaurado a partir da impugnação tempestiva da exigência, na chamada fase contenciosa, não se podendo cogitar de preterição do direito de defesa antes de materializada a própria exigência fiscal, por intermédio de auto de infração ou notificação do lançamento. A ação fiscal é uma fase préprocessual, ou seja, é uma fase de atuação exclusiva as autoridade tributária, na qual os agentes da Administração Tributária. Imbuídos dos poderes de fiscalização que lhes são conferidos pelos artigos 194, 195 e 197 a 200, todos do Código Tributário Nacional, verificam e investigam o cumprimento das obrigações tributárias e obtém elementos que demonstrem a ocorrência do fato gerador. Assim, a primeira fase do procedimento, a fase oficiosa, é de atuação exclusiva da autoridade tributária. Nesta fase, de caráter inquisitorial, o contribuinte tem uma participação de natureza passiva. Devendo cooperar e atender à fiscalização quando solicitado, no próprio interesse de demonstrar o cumprimento daquelas obrigações. Não há, ainda, exigência de crédito tributário formalizada, inexistindo, conseqüentemente, resistência a ser oposta pelo sujeito fiscalizado. Logo, antes da impugnação. não há litígio, não há contraditório e o procedimento é levado a efeito de oficio, pelo Fisco. Portanto, inexiste processo, assim entendido como meio para solução de litígios, haja vista ainda não haver litígio. A pretensão da Fazenda ainda não se concretizou. Logo, não há que se falar em preterição ao direito de defesa da contribuinte no transcurso da ação fiscal. A partir da lavratura do auto de infração ou notificação de lançamento, na hipótese de discordar da exigência, é que o contribuinte, respaldado pelas garantias constitucionais ao contraditório e à ampla defesa, passa a participar ativamente, inaugurando o processo administrativo de exigência de crédito tributário, apresentando sua impugnação. o que, in casu, assim procedeu o litigante ao impugnar com os documentos de fls. 1/12.” Mérito Conforme já mencionado, a multa pelo atraso na entrega do Dacon está positivada no art. 7o da Lei n° 10.426/2002, in verbis: "Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconómicoFiscais da Pessoa Jurídica D1PJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRE e Demonstrativo de Apuração de contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, Fl. 61DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001427/201030 Acórdão n.º 140200.638 S1C4T2 Fl. 57 6 no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei 11.051, de 2004) [...] III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3 deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação ,d a lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I RS 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II RS 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. ..." (grifouse) Ex positis, tendo em vista que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) foi entregue após o prazo previsto pela legislação tributária, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Sala das Sessões, em 1 de julho de 2011 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 62DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.001427/201030 Acórdão n.º 140200.638 S1C4T2 Fl. 58 7 Fl. 63DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC Assinado digitalmente em 18/07/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, 18/07/2011 por ALBERTINA S ILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 16561.720007/2011-97
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006, 2007, 2008
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE CONTROLADA NO EXTERIOR COM OS SEUS PRÓPRIOS PREJUÍZOS.
Os prejuízos apurados por uma controlada ou coligada, no exterior, podem ser compensados com lucros dessa mesma controlada ou coligada.
Numero da decisão: 9101-003.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no me´rito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas concluso~es, quanto ao conhecimento do recurso, os conselheiros Rafael Vidal de Arau´jo, Fla´vio Franco Corre^a e Adriana Gomes Re^go. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no me´rito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fla´vio Franco Corre^a.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator
(assinado digitalmente)
Fla´vio Franco Corre^a - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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As multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa SELIC. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006, 2007, 2008 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE CONTROLADA NO EXTERIOR COM OS SEUS PRÓPRIOS PREJUÍZOS. Os prejuízos apurados por uma controlada ou coligada, no exterior, podem ser compensados com lucros dessa mesma controlada ou coligada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões, quanto ao conhecimento do recurso, os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Flávio Franco Correâ e Adriana Gomes Rêgo. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 07 /2 01 1- 97 Fl. 1566DF CARF MF Processo nº 16561.720007/201197 Acórdão n.º 9101003.372 CSRFT1 Fl. 1.567 2 Adriana Gomes Rego Presidente (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator (assinado digitalmente) Flávio Franco Correâ Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratamse de recursos especiais interpostos por LOUIS DREYFUS COMMODITIES BRASIL S/A (doravante “contribuinte”) e pela PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL (doravante “PFN”) em face do acórdão n. 1301001.858 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela então 1a Turma Ordinária, 3a Câmara, 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O processo envolve a adição à base de cálculo de IRPJ e de CSLL de lucros auferidos por controladas da contribuinte domiciliadas no exterior (“Coinbra Investment and Trading Limited” e “Coinbra International Trading N.V”). Conforme a seguir relatado, as matérias admitidas nos aludidos recursos especiais dizem respeito à (i) possibilidade de compensação de resultados positivos de controlada no exterior com os seus próprios prejuízos apurados em exercícios anteriores (IN 213/02, art. 4o , par. 2o); (ii) juros de mora sobre a multa de ofício. A Turma Ordinária decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a existen̂cia de prejuízos de controladas da contribuinte no exterior passíveis de compensacã̧o com os seus lucros auferidos por essa mesma controlada em anos subsequentes. O acórdão a quo restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007, 2008, 2009 LUCROS AUFERIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO COM PREJUÍZOS ANTERIORES. POSSIBILIDADE. PROVA. Havendo nos autos provas suficientes de prejuízos apurados pela controlada no exterior, em períodos anteriores, fato confirmado inclusive mediante diligência fiscal, cabível sua compensação com os lucros auferidos por essa mesma controlada. A mera falta de transcrição, no livro Diário da controladora no Brasil, das demonstrações financeiras da controlada no exterior não deve ser Fl. 1567DF CARF MF Processo nº 16561.720007/201197 Acórdão n.º 9101003.372 CSRFT1 Fl. 1.568 3 impeditivo para essa compensação, desde que, como é o caso, haja prova suficiente e aceita pelo Fisco de que os prejuízos efetivamente ocorreram. LUCROS AUFERIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. AJUSTES. MARCAÇÃO A MERCADO. IMPOSSIBILIDADE. Os lucros auferidos por controlada no exterior, a serem adicionados ao resultado da controladora no Brasil, são os lucros contábeis, a serem apurados pela controlada com base na legislação de seu domicílio fiscal. Tais lucros devem ser demonstrados segundo as normas da legislação brasileira. Inexistindo a previsão legal de ajustes a serem feitos ao lucro contábil apurado pela controlada no exterior, essa pretensão não pode ser acatada. LUCROS AUFERIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO COM PREJUÍZOS AUFERIDOS PELA CONTROLADA EM EXERCÍCIOS ANTERIORES. CONVERSÃO EM REAIS. Os lucros, bem assim os prejuízos, são apurados no exterior pela controlada. O montante a ser adicionado ao resultado da controladora no Brasil é o valor líquido, correspondente ao lucro da controlada no período, deduzido de prejuízos apurados em períodos anteriores. Tal dedução há que ser feita na moeda em que apurados os lucros e os prejuízos. Somente após a determinação do saldo líquido a ser adicionado ao resultado da controladora no Brasil é que se fará a conversão para moeda nacional, na data prevista no § 4o do art. 25 da lei no 9.249/1995. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007, 2008, 2009 JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. A PFN interpôs recurso especial, requerendo seja declarada a ilegalidade do art. 4o da IN SRF n. 213/2002, com o restabelecimento integral da autuação fiscal (efls. 1333 e seg.), o qual foi admitido por despacho (efls. 1345 e seg.). O contribuinte apresentou contrarrazões, no qual requer não seja conhecido o recurso especial da PFN e, se admitido, requer o seu não provimento (efls. 1476 e seg.). O contribuinte também interpôs recurso especial, requerendo a reforma do acórdão a quo quanto às seguintes matérias: (i) adoção de critérios contábeis brasileiros na apuração do resultado auferido por controlada no exterior (neutralizaçaõ dos ajustes de marcação a mercado); e (ii) incidência de juros de mora sobre a multa de ofício (efls. 1381 e seg.). O aludido recurso foi admitido apenas parcialmente por despacho, que decidiu conhecer apenas a segunda matéria em questão (efls. 1501 e seg.). Em face do seguimento apenas parcial de seu recurso especial, o contribuinte manejou agravo (efls. 1517 e seg.), o qual foi rejeitado por despacho do então i. Presidente da CSRF (efls. 1534 e seg.). A PFN apresentou contrarrazões ao recurso especial, na qual, embora não se oponha ao conhecimento do recurso especial do contribuinte, requer lhe seja negado provimento (efls. 1555 e seg.). Fl. 1568DF CARF MF Processo nº 16561.720007/201197 Acórdão n.º 9101003.372 CSRFT1 Fl. 1.569 4 Concluise, com isso, o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, relator. Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou os requisitos para a interposição do recurso especial do contribuinte, adotandoo como razões de decidir quanto à parcela parcialmente conhecida. Quanto ao recurso especial interposto pela PFN, o contribuinte apresentou, em suas contrarrazões, oposição ao seu conhecimento. Alega o contribuinte que a matéria contra a qual se insurge a PFN não foi prequestionada no acórdão recorrido, bem como não teria sido analiticamente demonstrados os pontos do acórdão recorrido que divergiriam do acórdão paradigma apresentado. No caso, a PFN apresenta como paradigma de divergência o acórdão n. 1302 001.317, que restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 ART. 4º da IN SRF 213/02. ILEGALIDADE A interpretação da Receita Federal, albergada no art. 4º da IN SRF 213/02, extrapola os parâmetros hermenêuticos das normas legais que regem a matéria e, por isso, não é uma interpretação razoável do quadro normativo legal. A observância, pelo contribuinte, do art. 4º da IN SRF 213/02 exclui a imposição de penalidades e a cobrança de juros de mora sobre o tributo lançado. Alega a PFN que o referido acórdão divergiria da decisão recorrida, a qual reconheceu a possibilidade de compensação de prejuízos fiscais de controlada no exterior com os seus próprios prejuízos apurados em exercícios anteriores. De início, é forçoso reconhecer que o requisito do prequestionamento, por força regimental, é imposto apenas em relação ao contribuinte e não para a PFN. É o que se verifica no art. 67, § 5o, Anexo II, do RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 5o. O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. Usufruindo dessa vantagem regimental para a interposição do recurso especial, a PFN indicou, com a sua transcrição, o trecho do acórdão recorrido em que considerouse livre de dúvidas a possibilidade de compensação de lucros da controlada no exterior com os seus próprios prejuízos, contrapondoo com o acórdão indicado como paradigma, que considerou tal compensação, cuja possibilidade encontravase expressamente prevista no art. 4o, par. 2o, da IN 213/02, carente de respaldo legal. Fl. 1569DF CARF MF Processo nº 16561.720007/201197 Acórdão n.º 9101003.372 CSRFT1 Fl. 1.570 5 Ademais, parece correto compreender que, assim como a fiscalização e a DRJ, a Turma a quo considerou como certa a possibilidade da referida compensação, consignado expressamente que “inexiste controvérsia acerca do direito, em tese, à compensação de prejuízos de exercícios anteriores da Coinbra International Trading com os lucros auferidos por essa mesma pessoa jurídica, a serem tributados no Brasil por sua controladora”. Contudo, também é certo que o acórdão recorrido fez expressa referência à IN SRF n. 213/02, art. 4o, transcrevendoo no bojo da discussão objeto do recurso especial da PFN (efls. 1321) Nesse cenário, consideradas as normas regimentais referidas, compreendo que não podem ser acolhidas as oposições do contribuinte ao conhecimento do recurso especial interposto pela PFN, devendo ser mantido o despacho que considerou presentes os requisitos para a sua admissibilidade. 1. Recurso especial da PFN: lucros auferidos por controlada no exterior e compensação de prejuízos fiscais apurado pela própria controlada estrangeira em períodos anteriores (voto vencedor). A matéria objeto do recurso especial da PFN já foi objeto de análise por este Colegiado da 1a Turma da CSRF. Citese, por exemplo, o acórdão n. 9101002.332, de 04.05.2016, que, por unanimidade de votos, compreendeu aplicável a regra do art. 4o da IN SRF 213/02, com destaque ao seguinte trecho de sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE CONTROLADA NO EXTERIOR COM OS SEUS PRÓPRIOS PREJUÍZOS. Os prejuízos apurados por uma controlada ou coligada, no exterior, podem ser compensados com lucros dessa mesma controlada ou coligada. Notese o que dispõe a legislação tributária, a qual certamente influenciou o contribuinte para a prática de seus atos, qual seja, a IN SRF 213/02: Art. 4º É vedada a compensação de prejuízos de filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, com os lucros auferidos pela pessoa jurídica no Brasil. § 1º Os prejuízos a que se refere este artigo são aqueles apurados com base na escrituração contábil da filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, efetuada segundo as normas legais do país de seu domicílio, correspondentes aos períodos iniciados a partir do anocalendário de 1996. § 2º Os prejuízos apurados por uma controlada ou coligada, no exterior, somente poderão ser compensados com lucros dessa mesma controlada ou coligada. Compreendo que o dispositivo em questão dá respaldo aos atos praticados pelo contribuinte, gozando de base legal suficiente para tanto. O contribuinte procedeu conforme o disposto no art. 4o da IN SRF 213/02, cumprindo o ônus de demonstrar a efetiva escrituração dos prejuízos fiscais de sua controlada no exterior, bem como a correta compensação destes com os lucros auferidos pela própria controlada no exterior. Esse foi, inclusive, o núcleo da decisão a quo. Ademais, não há qualquer ofensa ao art. 25 da Lei 9.249/95, que veiculou vedação para que prejuízos e perdas decorrentes das operações de controladas no exterior fossem compensados com lucros auferidos no Brasil. Na verdade, a mesma vedação constou expressamente no caput do aludido art. 4o da IN SRF n. 213/02. Ocorre que esse não é o caso Fl. 1570DF CARF MF Processo nº 16561.720007/201197 Acórdão n.º 9101003.372 CSRFT1 Fl. 1.571 6 dos autos. Não se compensou prejuízos da controlada estrangeira com lucros da controladora brasileira: os prejuízos da controlada estrangeira de exercícios anteriores influenciou os seus próprios resultados. O art. 4o , par. 2o, da IN 213/02, apenas vivifica o art. 43 do CTN, em consonância com a diretriz da tributação da renda enquanto acréscimo patrimonial, esclarecendo que o resultado positivo das controladas deve considerar os seus próprios prejuízos acumulados. O lucro da controlada no exterior verificado após esse expediente, então, deveria ser submetido à tributação por sua controladora brasileira. Por fim, deve ser julgado legítimo o agir do contribuinte que se pautou nessa expressa e correta orientação da administração fiscal, inclusive pelos princípios da proteção da confiança e da segurança jurídica, pilares fundamentais do sistema tributário brasileiro. 2. Recurso especial do contribuinte: a incidência de juros de mora sobre multa de ofício (voto vencido). No caso, a controvérsia interpretativa não se refere necessariamente à norma dos arts. 113 ou 139 do CTN. No âmbito do CTN, a questão reside mais precisamente na norma que se constrói a partir de seu art. 161. O art. 161 do CTN, cumprindo o papel previsto no art. 146 da Constituição Federal, estabelece norma geral, aplicável a todos os entes da federação, quanto à incidência de juros de mora, no percentual de 1%, sobre o crédito não integralmente pago no vencimento. Expressamente, contudo, o seu § 1° resguarda a cada um dos entes federados a competência para estabelecer regramento próprio. Cada ente federado, por meio de seu respectivo Poder Legislativo, poderá prescrever regramento próprio, com taxa de juros diferente daquela prevista na norma geral (1%) ou, por exemplo, prever a incidência de juros de mora tanto sobre o débito principal quanto sobre as multas ou, ainda, estabelecer que os juros incidam apenas sobre o valor do débito principal, mas não sobre o das multas. A União, no caso, é exemplo de unidade federativa que, de longa data, produz regramentos próprios quanto à incidência de juros de mora sobre o crédito não integralmente pago no vencimento. Assim o fazendo, a União encontra resguardo jurídico no art. 161 do CTN, mas afasta a eficácia da norma geral veiculada neste dispositivo. Portanto, para a solução do caso concreto, a questão não se esgota com a compreensão da norma geral veiculada pelo CTN. É necessário saber qual o tratamento foi atribuído pelo legislador ordinário à matéria, o que obriga que se considere o teor da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na Fl. 1571DF CARF MF Processo nº 16561.720007/201197 Acórdão n.º 9101003.372 CSRFT1 Fl. 1.572 7 legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como se pode observar, valendose de sua competência, o legislador ordinário decidiu: prever a incidência de juros de mora sobre multas isoladas pagos em atraso (Lei n. 9.430/96, art. 43); prever a incidência de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições pagos em atraso (Lei n. 9.430/96, art. 61); não prever nada quanto à incidência de juros de mora sobre multas de ofício. A evolução legislativa demonstra que não se trata de um silêncio insignificante, mas expressão de decisão consciente do legislador. As leis que se sucederam, em especial, o Decretolei n. 2.232/87, a Lei n. 7.691/88, a Lei n. 7.738/89, a Lei n. 7.799/89, a Lei n. 8.218/91, a Lei n. 8.383/91, a Lei n. 8.981/95, a Lei n. 9.430/96, a Lei n. 10.522/02, demonstram que a decisão do legislador variou no tempo, por vezes determinando a incidência de juros sobre a multa de ofício, por vezes a excluindo. Há uma diferenciação relevante: o dispositivo não estabelece, por si, a incidência de alguma taxa de juros sobre a multa, mas possibilita que leis específicas a estabeleça.1 Essa retrospectiva é relevante para constatar que o legislador competente não agiu ao acaso: tratase de silêncio eloquente do legislador que, ao tutelar a matéria, deixou conscientemente de prever a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Este já foi o entendimento adotado por este Tribunal administrativo, inclusive no âmbito da 1ª Turma da CSRF, como se observa dos seguintes exemplos: RECURSO ESPECIAL – CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional quando inexiste similitude fática entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa ofício aplicada. (Processo nº 10680.002472/200723. Acórdão n. 9101000.722. CSRF, 15.12.2010.) JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. 1 Nesse sentido, vide, por exemplo: FAJERSZTAJN, Bruno. Exigência de juros de mora sobre as multas de ofício no âmbito da Secretaria da Receita Federal, in Revista Dialética de Direito Tributário v. 132. São Paulo : Dialética, 2006, p. 27 e seg. Fl. 1572DF CARF MF Processo nº 16561.720007/201197 Acórdão n.º 9101003.372 CSRFT1 Fl. 1.573 8 (Processo nº 16327.004079/200275. Acórdão n. 10196.008. TO, 01.03.2007) INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio. (Processo nº 10980.013431/200605. Acórdão nº 10196.607, TO, 06.03.2008) JUROS DE MORA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC. — É cabível, no lançamento de oficio, a cobrança de juros de mora sobre o tributo ou contribuição, calculados com base na variação acumulada da Taxa Selic. Referidos juros não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, decorrente de fatos geradores ocorridos a partir de 1/01/1997, por absoluta falta de previsão legal. (Processo nº 16327.004252/200235. Acórdão nº 20216.397, TO, data da publicação 14.06.2005) (grifo nosso) Fazse necessário, portanto, reconhecer que assiste razão ao contribuinte em seu recurso especial. Pelo exposto, voto no sentido de CONHECER ambos os recursos interpostos, nos termos dos despachos de admissibilidade, para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da PFN e DAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 1573DF CARF MF Processo nº 16561.720007/201197 Acórdão n.º 9101003.372 CSRFT1 Fl. 1.574 9 Voto Vencedor Conselheiro Flávio Franco Corrêa. Coubeme o voto vencedor no tocante à solução da lide circunscrita à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, suscitada pelo contribuinte. O ponto crucial da dúvida está na redação do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Mais especificamente, objetivase descortinar se, nos débitos a que se refere o § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, estão incluídos o tributo suprimido ao Erário e a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício, ou somente o valor do tributo suprimido. De início, devese aludir à disposição normativa de onde emana a vedação à incidência de juros de mora sobre a multa de mora, conforme prevê o parágrafo único do artigo 16 do Decretolei nº 2.323/1987, com a redação dada pelo artigo 6º do Decretolei nº 2.331/1987, verbis: “Art. 6º. Os arts. 15 e 16 do Decretolei nº 2.323, de 26 de fevereiro de 1987, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 15. Os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, para com o Fundo de Investimento Social (Finsocial) e para com o Fundo de Participação PISPasep, não pagos no vencimento, serão acrescidos de multa de mora. Parágrafo único. A multa de mora será de vinte por cento sobre o valor monetariamente atualizado do tributo ou contribuição, sendo reduzida a dez por cento se o pagamento for efetuado até o último dia útil do terceiro mês subseqüente àquele em que tiver ocorrido o vencimento do débito. Art. 16. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, para com o Fundo de Participação PISPasep, assim como aqueles decorrentes de empréstimo compulsórios, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do mês seguinte ao do vencimento, à razão de um por cento Fl. 1574DF CARF MF Processo nº 16561.720007/201197 Acórdão n.º 9101003.372 CSRFT1 Fl. 1.575 10 ao mês calendário ou fração e calculados sobre o valor monetariamente atualizado na forma deste decretolei. Parágrafo único. Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo anterior." Percebase que o Decretolei nº 2.323/1987, ao ressalvar a multa de mora, não vedou a incidência dos juros de mora sobre a multa proporcional aplicada mediante lançamento de ofício. Por outro lado, o § 3º do artigo 950 do Decreto nº 3000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99) estabelece que a multa de mora não deve aplicada se o tributo suprimido ao Erário já tiver servido de base de cálculo para a multa proporcional decorrente de lançamento de ofício, verbis: “Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1º). § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2º). § 3º A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício.” (grifei) Assim, a expressão “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”, constante do caput do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, deve ser interpretada no sentido de compreender, para fins de incidência dos precitados juros moratórios, a diferença do tributo não recolhida até a data de seu vencimento, em razão de sua equivocada determinação, e a consequente multa aplicada mediante lançamento de ofício. Para tal empreitada exegética, é preciso considerar os artigos 113, § 1º; 139 e 161, caput e § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN), verbis: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Fl. 1575DF CARF MF Processo nº 16561.720007/201197 Acórdão n.º 9101003.372 CSRFT1 Fl. 1.576 11 § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” A teor dos artigos suprarreferidos: a) o crédito tributário é uma decorrência da obrigação tributária principal (CTN, artigo 139); b) essa obrigação tem por objeto o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária imposta como consequência do descumprimento do dever legal de entregar ao Estadocredor, no prazo legal, o valor integral do tributo, apurado em consonância com as normas legais (CTN, § 1º do artigo 113); c) o crédito não integralmente pago no vencimento, de que trata o caput do artigo 161 do CTN, não se resume ao valor do tributo suprimido ao Erário, porquanto a infração consistente na supressão do tributo é fato gerador da multa proporcional a ser aplicada mediante lançamento de ofício. Portanto, o § 3º do artigo 161 do CTN abarca o valor do tributo suprimido e a multa a ser aplicada de ofício, em decorrência da supressão do tributo. Em apoio à interpretação aqui defendida, trazse à colação o Resp nº 1.129.990PR, publicado no Dje no dia 14/09/2009, relator Ministro Castro Meira: “Da sistemática instituída pelo art. 113, caput e parágrafos, do Código Tributário NacionalCTN, extraise que o objetivo do legislador foi estabelecer um regime único de cobrança para as exações e as penalidades pecuniárias, as quais caracterizam e definem a obrigação tributária principal, de cunho essencialmente patrimonialista, que dá origem ao crédito tributário e suas conhecidas prerrogativas, como, a título de exemplo, cobrança por meio de execução distinta fundada em Certidão de Dívida AtivaCDA. A expressão "crédito tributário" é mais ampla do que o conceito de tributo, pois abrange também as penalidades decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias. Em sede doutrinária, ensina o Desembargador Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria que, "havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§ 3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa, que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados aos tributos " (Código Tributário Nacional Comentado: Doutrina e Jurisprudência, Artigo por Artigo. Coord.: Vladimir Passos de Freitas. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2ª ed., 2004, p. 546) De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. (grifei) Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Fl. 1576DF CARF MF Processo nº 16561.720007/201197 Acórdão n.º 9101003.372 CSRFT1 Fl. 1.577 12 Rematando, confirase a lição de Bruno Fajerstajn, encampada por Leandro Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 9ª ed., 2007, p. 1.027 1.028): "A partir da redação do dispositivo, fica evidente que os tributos não podem corresponder à aplicação de sanção pela prática de ato ilícito, diferentemente da penalidade, a qual, em sua essência, representa uma sanção decorrente do descumprimento de uma obrigação. A despeito das diferenças existentes entre os dois institutos, ambos são prestações pecuniárias devidas ao Estado. E no caso em estudo, as penalidades decorrem justamente do descumprimento de obrigação de recolher tributos. Diante disso, ainda que inconfundíveis, o tributo e a penalidade dele decorrente são figuras intimamente relacionadas. Ciente disso, o Código Tributário Nacional, ao definir o crédito tributário e a respectiva obrigação, incluiu nesses conceitos tanto os tributos como as penalidades. (grifei) Com efeito, o art. 139 do Código Tributário Nacional define crédito tributário nos seguintes termos: 'Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta'. Já a obrigação principal é definida no art. 113 e no parágrafo 1º. Vejase: 'Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente'. Como se vê, o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis. No entanto, essa equiparação, muito útil para fins de arrecadação e administração fiscal, não identifica a natureza jurídica dos institutos. (...) (grifei) O Código Tributário Nacional tratou da incidência de juros de mora em seu art. 161. Confirase: 'Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito' A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito' não integralmente recolhido no vencimento. Fl. 1577DF CARF MF Processo nº 16561.720007/201197 Acórdão n.º 9101003.372 CSRFT1 Fl. 1.578 13 Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário. E conforme demonstrado no item anterior, o crédito tributário decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. (grifos no original) Sendo assim, considerando o disposto no caput do art. 161 acima transcrito, é possível concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre as multas" (Exigência de Juros de Mora sobre as Multas de Ofício no Âmbito da Secretaria da Receita Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 132, p. 29, setembro de 2006). (grifos no original) Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial.”(grifos no original) Essa é a diretriz a ser seguida, para se descortinar o alcance do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, fundamento legal da multa aplicada no caso concreto. Do preceito acima invocado, destacase a incidência de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Facilmente se infere que as multas ora comentadas só nascem porque há tributo devido a ser exigido de ofício. Não houvesse tributo sonegado, não haveria multa proporcional a ser lançada de ofício. Essa deve ser a linha de raciocínio para o desvendamento do que se pode entender no âmbito da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições.” Pelas razões acima referidas, as multas proporcionais aplicadas em lançamento de ofício, por descumprimento a mandamento legal que estabelece a determinação do valor de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil a ser recolhido no prazo legal, estão inseridas na compreensão do § 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo, portanto, suscetíveis à incidência de juros de mora à taxa Selic. Alfim, salientase que a Câmara Superior já decidiu segundo a linha exegética aqui anunciada: “JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL— A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic”. (Acórdão CSRF/0400.651, de 18/09/2007, processo nº 16327.002231/200285, Relator Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.” (Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010, processo nº 16327.002243/9971, Relator Conselheiro Valmir Sandri, Redatora Designada Conselheira. Viviane Vidal Wagner) Fl. 1578DF CARF MF Processo nº 16561.720007/201197 Acórdão n.º 9101003.372 CSRFT1 Fl. 1.579 14 À luz dos argumentos expostos, devese negar provimento ao pleito referente ao reconhecimento da ilegalidade da incidência dos juros de mora calculado com base na taxa SELIC sobre a multa aplicada. Conclusão: conheço do Recurso Especial do contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 1579DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.924525/2012-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 20/04/2007
CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE.
No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento.
AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa.
COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA
Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.868
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1955; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.924525/201270 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.868 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de outubro de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO. DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 20/04/2007 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 45 25 /2 01 2- 70 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10880.924525/201270 Acórdão n.º 3302004.868 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada não foi homologada na sua totalidade, tendo em vista que o valor do pagamento tido como origem do crédito pretendido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade apresentada, a contribuinte salienta que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias, recolhendoas nos seus devidos prazos ou por força maior, com os devidos encargos legais, por isso discorda do débito cobrado no Despacho Decisório. Diz ser detentora de crédito decorrente de pagamento supostamente indevido ou a maior, que foi utilizado para compensar débito no mesmo valor, cuja data de vencimento é a mesma do recolhimento. Lembra que não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados em Per/Dcomp e não imputou multa e juros sobre os débitos compensados porque são do mesmo período de apuração. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06045.339. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da Declaração de Compensação, na forma da legislação de regência. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese que: · existe nulidade do despacho decisório e do acórdão recorrido por ausência de motivação, dada a generalidade da fundamentação sem aferir o real motivo do indeferimento ou o equívoco cometido pela recorrente, com consequente cerceamento do direito de defesa; · o despacho que não homologa o pedido de compensação deve conter, tal qual o auto de infração, a descrição do fato, disposição legal infringida e multa aplicável; · não houve prejuízo para o Erário, pois apenas houve erro na rubrica no DARF, e não atraso no recolhimento; · a cobrança de multa de mora sem atraso no recolhimento constitui enriquecimento sem causa Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10880.924525/201270 Acórdão n.º 3302004.868 S3C3T2 Fl. 4 3 · não há que se falar em juros de mora uma vez que, no caso, o período de apuração é o mesmo para o crédito e o débito. · subsidiariamente solicita diligência para reexame dos documentos; · reitera a necessidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em análise , finalmente · solicita que a advogada da causa seja intimada e informada de todas as publicações sob pena de arguição de nulidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.825, de 25 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.923119/201290, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.825): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Do pedido do subscritor do recurso (advogada) para recebimento de futuras publicações/intimações no endereço por ela indicado. No Processo Administrativo Fiscal PAF o artigo 10 do Decreto nº 7.574 estabelece as formas de intimação sempre direcionadas ao próprio contribuinte. Por sua vez o artigo 26 e seguintes da Lei nº 9.784, de 1999 Processo Administrativo Federal também não prevê que o advogado possa ser comunicado dos atos de interesse do administrado que em última instância é quem sofrerá seus efeitos. Atentese, ainda, que a intimação em sede de PAF é de competência da RFB não havendo pronunciamento normativo do CARF amparando a pretensão, assim sendo, indefiro o pedido. Do alegado cerceamento ao direito de defesa Sem razão a Recorrente. O Despacho Decisório de fl, 17, assim como a Decisão recorrida estão perfeitamente fundamentados, com enquadramento legal, descrição dos fatos e cálculo da valoração (detalhamento da compensação, valores devedores e Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10880.924525/201270 Acórdão n.º 3302004.868 S3C3T2 Fl. 5 4 emissão de DARF, fl. 11), portanto não há que se falar em nulidade de atos ou cerceamento ao direito de defesa. Mérito Cuida o presente processo de erro cometido pela Recorrente no preenchimento de código em DARF pago, cujo valor a Recorrente deseja aproveitar para pagamento do débito correspondente ao código/tributo correto sem, entretanto, sofrer os acréscimos legais da multa de mora. A recorrente não alega qualquer tipo de erro nos débitos nem há notícia de que os mesmos não tenham sido informados nas correspondentes declarações entregues antes do PerDcomp, assim sendo, os fatos mostramse incontroversos e dispensam diligência. Não se vislumbra incorreção no procedimento da RFB na análise do PerDcomp que culminou com cobrança de débitos indevidamente compensados em virtude do contribuinte não ter considerado a multa de mora no pagamento/compensação dos débitos. Pois bem, um tributo só é considerado efetivamente pago, total ou parcialmente, quando o sistema de dados da Fazenda Nacional compara o código informado no DARF com o correspondente código do débito informado em declaração específica e faz a vinculação entre ambos. Caso contrário o valor recolhido equivocadamente permanece "em aberto" como crédito e não como pagamento, podendo por isso ser restituído acrescido dos juros compensatórios. Por outro lado o débito formalmente declarado, que não corresponde ao código informado equivocadamente no DARF, continua sem quitação e a sofrer os acréscimos de juros e multa de mora. Optando ou não a contribuinte pela compensação, sempre haverá cobrança de mora se o débito não foi formalmente liquidado na data do vencimento, independente de quando tenha sido realizado o pagamento indevido. A sistemática de análise de PerDcomp não altera essas duas situações distintas e independentes (pagamento indevido e pagamento em atraso), pois ela apenas faz o encontro de contas na data da entrega do PerdComp, momento da valoração do crédito para restituição e automática conversão em pagamento do débito em aberto, total ou parcialmente, mediante compensação. Repitase que este encontro de contas sempre será desfavorável ao contribuinte tendo em vista que o código do débito1, 1 Lei 9.430, de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10880.924525/201270 Acórdão n.º 3302004.868 S3C3T2 Fl. 6 5 correspondente ao código correto que deveria constar no DARF, não foi encontrado pelo sistema e assim o débito em aberto sofre acréscimos da multa de mora diária mais juros de mora mensais até a data a entrega do Perdcomp, enquanto que (ii) o crédito2 a ser restituído e compensando sofre somente os juros compensatórios mensais, calculados também até a data da entrega do PerDcomp. Em resumo, se no momento da valoração, ou seja na data da transmissão da PerDcomp, o débito que se buscou compensar já estava sujeito a acréscimos moratórios, e o crédito com seus acréscimos não foram suficientes para quitálos, então a compensação é homologada parcialmente e o saldo residual do débito considerado indevidamente compensado, exigindose, em consequência, seu pagamento com os acréscimos legais3. A mesma sistemática se repete em sucessivos PerDcomp quando existe saldo residual de crédito na compensação homologada a ser aproveitado em outro(s) PerdComp. A situação parece injusta mormente porque o pagamento indevido ou a maior decorre em regra de um erro do contribuinte que não pretendia ficar em mora, porém não é o caso de se aplicar o art. 108 do CTN, pois verificase que não foi a RFB que deu causa ao erro. Ademais, mesmo sem levar em consideração os transtornos e custos que os erros causam à administração, há de se observar ainda que o julgador administrativo está vinculado à lei, ainda na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 2 Art. 72. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: II houver a entrega da Declaração de Compensação ...; § 1º No cálculo dos juros de que trata o caput, observarseá, como termo inicial da incidência: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) III na hipótese de pagamento indevido ou a maior: c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; 3 Lei nº 9.430 /1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito... § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IN 900/2009 Art. 38. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10880.924525/201270 Acórdão n.º 3302004.868 S3C3T2 Fl. 7 6 que esta reflita apenas aspectos sobre cumprimento dos prazos e forma de apuração dos valores, e assim não pode deixar de reconhecer a aplicação destas formalidades legais utilizadas para cálculo da restituição de pagamentos indevidos e para cobrança de débitos vencidos, independente deste tipo de erro cometido pela contribuinte que o deixou em mora. Não se vislumbra ilegalidade no procedimento da Receita Federal e tampouco enriquecimento ilícito da União, pois decorrente da lei. Conclusão Diante de tudo que foi exposto, rejeito a preliminar arguida, e no mérito nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o(s) débito(s) que se procuravam compensar já se encontravam vencidos na data em que foi transmitida a DCOMP inicial. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 168DF CARF MF
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