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Numero do processo: 11080.721409/2012-89
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO.
O pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124-A.
Mantém-se a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte não comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade.
DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL
Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo.
Numero da decisão: 2003-000.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(Assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Francisco Ibiapino Luz - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. O pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124-A. Mantém-se a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte não comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL Admite-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo.
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DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. O pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124A. Mantémse a glosa das despesas de pensão alimentícia judicial que o contribuinte não comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a respectiva dedutibilidade. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL Admitese documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda que apresentada a destempo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (Assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 14 09 /2 01 2- 89 Fl. 96DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte com o fito de extinguir crédito tributário constituído mediante Notificação de Lançamento. Notificação de Lançamento Foi constituído crédito tributário no valor de R$ 18.567,77, referente a Imposto de Renda Pessoa Física IRPF do exercício de 2009, anobase de 2008, apurado em Notificação de Lançamento, decorrente de glosa de pensão alimentícia judicial no montante de R$ 40.549,00, conforme abaixo (fls. 31/35): 1. do valor declarado, foi comprovada a quantia de R$ 7.591,00, que já foi considerada pelo autuante; 2. o valor de R$ 40.549,00 não foi comprovado pelo autuado, já que os extratos bancários não identificam o depositante, como também houve transferências a destinatária não beneficiada com a pensão judicial. Impugnação Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, solicitando juntada de documentos e alegando se tratar do pagamento de pensão judicial em virtude do atendimento das normas do Direito de família (fls. 02/15). Julgamento de Primeira Instância A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre, por unanimidade, julgou procedente em parte a pretensão externada por meio de mencionada contestação, sob os seguintes fundamentos (fls. 65/67): 1. os pagamentos efetuados a Débora Pereira Marques não podem ser deduzidos na DAA do anocalendário de 2008, porque a pensão foi fixada em escritura pública somente em 25/01/2012; 2. o montante de R$ 41.175,00 destinado a Carmem de Fátima Teles de Oliveira mais os filhos Caroline e Eduardo foram devidamente comprovados; 3. cabe restabelecer a dedução de R$ 33.584,00. Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, solicitando juntada de documentos e alegando em síntese (fls. 73/90): Fl. 97DF CARF MF Processo nº 11080.721409/201289 Acórdão n.º 2003000.049 S2C0T3 Fl. 96 3 1. desde julho de 1997, o recorrente paga pensão alimentícia ao filho no valor de 1,3 salários mínimos mensais, depositados em conta bancária da mãe, Débora Pereira Marques; 2. junta aos autos uma declaração da mães, Débora Pereira Marques, comprovando o pagamento da pensão do anocalendário de 2008 no valor de R$ 7.000,00; 3. anexa escritura pública lavrada em 25/01/2012, ratificando a pensão alimentícia devida ao filho no valor de 1,3 salários mínimos; 4. o filho obteve o CPF somente em 2011, razão porque, em anos anteriores, os pagamentos eram feitos em nome da mãe; 5. a escritura pública não fixou a pensão alimentícia, pois apenas ratificou o ajustado anteriormente, ao reconhecer que tais pagamentos já vinham sendo efetivados desde 1997; 6. há mais de 10 (dez) anos vem declarando referida pensão, sem haver manifestação em contrário da RFB anteriormente. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz Relator Admissibilidade O Recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 06/10/2013 (fls. 70), e a Peça recursal foi recebida em 04/11/2013 (fls. 73), dentro do prazo legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Preliminares Não se aplica, porquanto sem alegação na fase recursal. Documentação apresentada em fase recursal É pertinente registrar ser razoável a admissão de documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que é titular o contribuintes, quando em confronto com a ação do Estado, ainda se apresentada em fase recursal. Com efeito, tratase de entendimento que vem sendo adotado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao qual me filio, pois, como se há verificar, aplicáveis ao feito os seguintes princípios: 1. do devido processo legal (CF, de 1988, art. 5º, inciso LIV), vinculando a intervenção Estatal à forma estabelecida em lei; Fl. 98DF CARF MF 4 2. da ampla defesa e do contraditório (CF, de 1988, art. 5º, inciso LV), tutelando a liberdade de defesa ampla, “...com os meios e recursos a ela inerentes, englobados na garantia, refletindo todos os seus desdobramentos, sem interpretação restritiva”. Logo, correlata a apresentação de provas (defesa) pertinentes ao debate inaugurado no litígio (contraditório), já que inadmissível acatar este sem pressupor a existência daquela; (grifo nosso) 3. da verdade material (princípio implícito, decorrente dos princípios da ampla defesa e do interesse público), asseverando que, quanto ao alegado por ocasião da instauração do litígio, devese trazer aos autos aquilo que, realmente, ocorreu. Evidentemente, o documento extemporâneo deve guardar pertinência com a matéria controvertida na reclamação, sob pena de operarse a preclusão; 4. do formalismo moderado (Lei nº 9.784, de 1999, art. 2º, incisos VI, IX, X, XIII e Decreto nº 70.235, de 1972, art. 2º, caput), manifestando que os atos processuais administrativos, em regra, não dependem de forma , ou terão forma simples, respeitados os requisitos imprescindíveis à razoável segurança jurídica processual. Ainda assim, acatamse aqueles praticados de modo diverso do exigido em lei, quando suprido o desígnio legal. Mérito Consoante visto no Relatório, a lide se restringe à pretensão de dedutibilidade da pensão alimentícia no valor remanescente de R$ 6.965,00 (R$ 40.549,00 R$ 33.584,00) supostamente acordada em escritura pública desde 1997. Nesse cenário, é de se verificar que, consoante a Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "f", o pagamento de pensão alimentícia judicial é dedutível na apuração do imposto de renda devido, quando restar comprovado seu efetivo pagamento, como também o atendimento das normas do Direito de Família, em virtude do cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou, a partir de 28 de março de 2008, da escritura pública a que se refere a Lei nº 5.869, de 1973, art. 1.124A, nesses termos: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: [...] f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; Fl. 99DF CARF MF Processo nº 11080.721409/201289 Acórdão n.º 2003000.049 S2C0T3 Fl. 97 5 O recorrente afirma que a Escritura Pública lavrada em 25/01/2012 apenas ratificou aludida pensão alimentícia ajustada anteriormente, ao reconhecer que tais pagamentos já vinham sendo efetivados desde 1997. Tocante a isso, vale a transcrição do seguinte excerto de mencionado Documento (fls.84): "E, perante mim, pelos declarante [...] me foi dito, (sic) o seguinte: que em 29 de julho de 1997 lavraram a Escritura [...] paga a título de pensão alimentícia ao filho menor reconhecido, o valor de um vírgula três (1,3) salários mínimos nacional, desde julho de 1997 [...]. No entanto, diversamente disso, na referenciada Escritura Pública de Reconhecimento de Filho lavrada em 29/07/1997 (fls. 82/83), nada consta acerca do suposto ajuste de alimentos fixado nessa segunda Convenção registrada em 2012. Assim entendido, o recorrente não logrou comprovar que mencionada despesa em litígio decorria do cumprimento de obrigação correspondente às normas do Direito de família. Mais especificamente, as partes nada mais fizeram do que fixar, no Acordo de 2012, a obrigação de alimentos em quantia equivalente àquela que já vinha sendo cumprida, desde 1997, por deliberalidade do alimentante. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso interposto, restando mantida a glosa de pensão alimentícia judicial no valor de R$ 6.965,00. É como voto. (Assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz Relator Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.904031/2012-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. FALTA DE AMPARO LEGAL PARA COMPENSAÇÃO.
O crédito de CIDE/REMESSAS conferido pelo artigo 4º da Medida Provisória nº 2.159-70/2001, aplicável ás importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de royalties referentes a contratos de exploração de patentes ou uso de marcas, deve ser utilizado exclusivamente para fins de dedução da própria CIDE incidente em operações posteriores, relativas ás mesmas royalties referidas, não havendo previsão legal para utilização deste crédito em compensação.
PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Tendo sido juntados aos autos documentos que comprovam a apuração da CIDE/REMESSAS com o uso da redução, pela utilização do crédito concedido pelo artigo 4º da MP nº 2.159-70/2001, referente a período anterior, não restando crédito disponível e, não sendo apresentado nenhum elemento comprobatório que contradiga tal cálculo, não resta comprovado o crédito alegado.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. CRITÉRIO DO JULGADOR.
As diligências devem ser decididas a critério do julgador, que decide se estas são necessárias e imprescindíveis a formação de sua convicção para decidir a questão debatida nos autos.
Numero da decisão: 3301-006.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvadoe Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. FALTA DE AMPARO LEGAL PARA COMPENSAÇÃO. O crédito de CIDE/REMESSAS conferido pelo artigo 4º da Medida Provisória nº 2.159-70/2001, aplicável ás importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de royalties referentes a contratos de exploração de patentes ou uso de marcas, deve ser utilizado exclusivamente para fins de dedução da própria CIDE incidente em operações posteriores, relativas ás mesmas royalties referidas, não havendo previsão legal para utilização deste crédito em compensação. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Tendo sido juntados aos autos documentos que comprovam a apuração da CIDE/REMESSAS com o uso da redução, pela utilização do crédito concedido pelo artigo 4º da MP nº 2.159-70/2001, referente a período anterior, não restando crédito disponível e, não sendo apresentado nenhum elemento comprobatório que contradiga tal cálculo, não resta comprovado o crédito alegado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. CRITÉRIO DO JULGADOR. As diligências devem ser decididas a critério do julgador, que decide se estas são necessárias e imprescindíveis a formação de sua convicção para decidir a questão debatida nos autos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira - Presidente. Assinado digitalmente Ari Vendramini - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvadoe Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. FALTA DE AMPARO LEGAL PARA COMPENSAÇÃO. O crédito de CIDE/REMESSAS conferido pelo artigo 4º da Medida Provisória nº 2.15970/2001, aplicável ás importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de royalties referentes a contratos de exploração de patentes ou uso de marcas, deve ser utilizado exclusivamente para fins de dedução da própria CIDE incidente em operações posteriores, relativas ás mesmas royalties referidas, não havendo previsão legal para utilização deste crédito em compensação. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Tendo sido juntados aos autos documentos que comprovam a apuração da CIDE/REMESSAS com o uso da redução, pela utilização do crédito concedido pelo artigo 4º da MP nº 2.15970/2001, referente a período anterior, não restando crédito disponível e, não sendo apresentado nenhum elemento comprobatório que contradiga tal cálculo, não resta comprovado o crédito alegado. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. CRITÉRIO DO JULGADOR. As diligências devem ser decididas a critério do julgador, que decide se estas são necessárias e imprescindíveis a formação de sua convicção para decidir a questão debatida nos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 40 31 /2 01 2- 16 Fl. 105DF CARF MF 2 Winderley Morais Pereira Presidente. Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvadoe Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Tratase de processo formalizado para o tratamento manual da Declaração de Compensação – DCOMP , de nº 23994.23409.140311.1.3.043055, onde se declara a compensação de pagamento indevido ou maior de CIDE/REMESSAS – código 8741, no valor de R$ 39.173,84 (referente ao DARF recolhido em 15/09/2010 no valor de R$ 130.579,45), referente ao fato gerador ocorrido em agosto/2010, com débito da própria CIDE/REMESSAS – código 8741, referente ao período de apuração março/2011. 2 Em análise eletrônica da DCOMP transmitida, a unidade de origem (DRF/MANAUS/AM) emitiu o Despacho Decisório nº de rastreamento 040052085 (fls. 27 dos autos digitais), não homologando a compensação, contra o qual a recorrente apresenta suas razões de irresignação, chegando até este CARF.. 3. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adotamos o relatório do Acórdão da DRJ/RIO DE JANEIRO 1 : Trata o presente processo da Declaração de Compensação de nº 23994.23409.140311.1.3.043055, a qual utilizou em suas compensações suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de CIDE, período de apuração de 31/8/2010, no valor total original de R$ 39.173,84 (fls. 3842). O pagamento em tela foi realizado no montante total de R$ 130.579,45, sendo indicado um crédito de R$ 39.173,84, o qual foi totalmente utilizado na presente DCOMP. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico – 43, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente utilizado para a quitação do próprio débito de CIDE (código 8741) ao qual estava destinado, não restando crédito a ser utilizado na compensação em questão, a qual foi não homologada. Cientificado da decisão em 14/11/2012, o interessado apresentou, em 14/12/2012, manifestação de inconformidade (0209) alegando que seu direito creditório tem fundamento no artigo 4º da Medida Provisória nº 2.15970/2001, o qual afirma terlhe outorgado o direito de compensar tal crédito com débitos do mesmo tributo, conforme o fez através da Dcomp em tela. Prossegue em sua defesa, solicitando a realização de diligência em seus livros fiscais e contábeis para aferição do crédito, alegando que nenhuma diligência foi efetuada, tendo em vista que a decisão se pautou tãosomente nas informações prestadas no PER/DCOMP. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10283.904031/201216 Acórdão n.º 3301006.113 S3C3T1 Fl. 106 3 Finaliza a peça recursal solicitando que a manifestação de inconformidade seja julgada procedente com amparo nas informações prestadas à RFB, bem como nos documentos examinados por meio de diligência, e, protesta ainda pela juntada de novos documentos antes da decisão deste Colegiado. É o relatório. 4. Decidindo a matéria impugnada, a DRJ/RIO DE JANEIRO 1 exarou o Acórdão de nº 12.72.725 – 15ª Turma, aqui combatido, que assim restou ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 PROTESTO PELA APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL APÓS A IMPUGNAÇÃO. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal a prova documental deve ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não se verificou no caso em análise. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de diligência quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador, bem como quando não preenchidos os requisitos legais previstos para sua formulação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2010 CIDE/REMESSAS. CRÉDITO PREVISTO NO ART. 4º DA MP 2.159 70/2001. APROVEITAMENTO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O crédito de CIDE previsto no art. 4º da MP nº 2.15970/2001 não tem natureza de pagamento indevido. Logo, não pode ser utilizado em Declaração de Compensação, mas tão somente para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DCOMP. NÃO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Não tendo sido comprovado o direito creditório oriundo de pagamento indevido, deixase de homologar da compensação realizada com o referido crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 5. Inconformado com tal decisão, o requerente apresentou Recurso Voluntário, onde traz, como razões de defesa, os seguintes argumentos : Fl. 107DF CARF MF 4 O Relator, em seu voto, afastou a pretensão da Recorrente de realizar perícia e/ou diligência nos seus livros fiscais e contábeis sob o argumento da desnecessidade de produção desse tipo de prova técnica, alegando que esta seria desnecessária, ou, mais ainda, que a Recorrente deveria ter juntado toda a documentação necessária no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade. verificase que o acórdão ora recorrido deixou de reconhecer o direito creditório do contribuinte, alegando que não se trata de pagamento indevido ou a maior, posto o valor de R$ 130.579,45 ter sido totalmente absorvido pelo débito da CIDE, informado pelo contribuinte. Além disso, o julgado em questão também entendeu que o crédito referente à MP 2.15972/2001 no recolhimento de CIDE sobre a remessa de royalties somente pode ser utilizado na dedução das contribuições sobre operações posteriores, e não pode ser pleiteada em Pedido de Compensação. Evidente o erro in judicando do acórdão ora recorrido. Entre as formas de comprovar o direito alegado, a lei elegeu uma delas como sendo a perícia. A Receita Federal do Brasil, em dispositivos legais que regulamentam diversos procedimentos administrativos de fiscalização, adota a denominação de diligência fiscal, eleita inclusive pelo próprio Decreto n° 70.235/67, como também pelas Instruções Normativas n° 900/2008 e pela atual IN SRF 1.300/2012. Negar a realização de perícia para buscar a verdade material discutida no processo administrativo vai de encontro à Constituição Federal, ao mesmo tempo em que cerceia o direito de defesa do contribuinte. As autoridades administrativas a quo somente negam o direito da recorrente à realização de diligência fiscal porque temem que o direito creditório do contribuinte seja evidenciado, o que inapelavelmente ocorrerá, caso sejam analisados os livros fiscais e contábeis da empresa. Para a autoridade fiscal, é muito mais cômodo vulnerar os princípios do Contraditório e da Ampla Defesa, negando a realização da diligência, posto que assim o direito à compensação não será posto em evidência. Não está se discutindo neste processo a legitimidade do pagamento da CIDE, ou seja, se é legítima ou não a cobrança, mas tão somente a diferença paga a maior que não fora deduzida na forme determinada pela referida medida provisória. O crédito, portanto, é originário de pagamento a maior da CIDE, sendo a utilização do mesmo prevista na Medida Provisória n° 2.15970, de 24 de Agosto de 2001, em seu artigo 4°. Não há, portanto, como negar a existência do crédito que se encontra comprovado pelos documentos anexos ao processo, inclusive com O DARF comprobatório do pagamento no total de R$ 130.579,45 e dos demonstrativos de apuração da CIDE, incidente sobre a importância remetida para o exterior a título de róialties, relativos aos contratos de exploração mantidos com a empresa coligada sediada no Japão. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10283.904031/201216 Acórdão n.º 3301006.113 S3C3T1 Fl. 107 5 Nos autos administrativos constam o valor da remessa para o exterior, a data dessa remessa, o DARF comprovando o pagamento e o fechamento do câmbio. Esses elementos são mais do que suficientes para calcular a CIDE devida e, com conhecimento da MP 2.159 70/2001, calcular o valor da dedução que deixou de ser feita pela Recorrente. Através de uma simples operação matemática e superficial análise da MP, restaria comprovado o crédito reclamado pela ora Recorrente. Em relação ao direito à compensação, uma vez apurado o crédito em beneficio do contribuinte, não poderá haver resistência do fisco federal por estar amparado na legislação tributária, especificamente no artigo 74, da Lei n. 9.430/96 Além de estar amparada pelo artigo 40, da Medida Provisória n° 2.15970, de 24 de Agosto de 2001, que lhe dá o direito ao crédito, a recorrente tem abrigo ainda no dispositivo legal acima transcrito, autorizador do pleito de compensação. Acrescentese, ademais, que a compensação está sendo pleiteada entre tributos da mesma espécie, ou seja, CIDE com CIDE, na forma determina pela Medida Provisória em referência, contrapondose ao que menciona o acórdão recorrido É justamente isso que a Recorrente esta pretendendo, ou seja, comunicar através da Declaração de Compensação que está aproveitando o crédito para DEDUZIR parte da CIDE calculada, sob fato gerador semelhante, no exercício seguinte. É inegável a existência do pagamento a maior ou indevido, haja vista não ter sido deduzido do valor da CIDE apurado na remessa realizada em fevereiro de 2010, o crédito decorrente do artigo 4o. da Medida Provisória n. 2.15970/2001, perfeitamente demonstrado na manifestação de inconformidade, relativamente à CIDE paga no ano de 2010, no montante de R$ 117.246,17. O fato de a Recorrente ter utilizado o sistema PERD/COMP para pleitear a restituição/compensação não lhe retira o direito ao reconhecimento do crédito, por ser essa a forma determinada pela Receita Federal para o contribuinte fazer o encontro de dívidas com o fisco federal. A interpretação adotada pelo acórdão recorrido em relação ao inciso II, do parágrafo 1o. do artigo 4o. da referida medida provisória, é tacanha e vai de encontro aos princípios da administração tributária. Quando a lei diz "II será utilizada, exclusivamente, para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores, relativas a róialties previstos no caput deste artigo", não está excluindo o direito do contribuinte de pleitear a restituição de valores pagos a maior ou indevidamente. Basta analisar uma situação hipotética de um contribuinte que tenha efetuado o pagamento a maior de CIDE nos moldes da MP 2.159/2001, para um único contrato de róialties. Esse contribuinte, pela análise do julgador, não terá o direito de pleitear a restituição ou compensação do valor pago a maior? Sendo a resposta positiva, haverá o enriquecimento sem causa do Fisco, o que é vedado na legislação pátria. Logo, é evidente o direito à compensação da recorrente, razão pela qual o Isto posto, a Recorrente pede a Vossas Excelências: Fl. 109DF CARF MF 6 a) com amparo nos argumentos aduzidos, a reforma total do ACÓRDÃO N° 1272.726 15' Turma da DRJ/RJI, a fim de, se entenderem necessário, determinar diligência nos livros fiscais e contábeis da Recorrente, relativamente ao cálculo da CIDE, incidente sobre royalties calculadas no ano calendário de 2010, conforme documentos demonstrativos nos autos; b) a homologação do direito de crédito pleiteado, bem como a extinção do débito, nos moldes requeridos na Manifestação de Inconformidade e neste Recurso Voluntário. 6. Os autos vieram a mim distribuídos para relatar. É o relatório. Voto Conselheiro Ari Vendramini 7. Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. 9. A discussão nos presentes autos cingese ao direito a compensar crédito de CIDEREMESSAS, oriundo de alegado pagamento a maior, com débito da própria CIDE/REMESSAS. 10. A solução da questão está na própria legislação do tributo. 11. A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE foi instituída pelo artigo 2º da Lei 10.168, DOU 30/12/2000, como forma de atendimento ao Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação (art.1º da mesma lei). O referido art.2º, em sua redação atual, estabelece: “Art. 2o Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Medida Provisória nº 510, de 2010) § 1o Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) § 2o A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10283.904031/201216 Acórdão n.º 3301006.113 S3C3T1 Fl. 108 7 artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 3o A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2o deste artigo.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 4o A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento).(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 5o O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador.(Parágrafo incluído pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 6o Não se aplica a Contribuição de que trata o caput quando o contratante for órgão ou entidade da administração direta, autárquica e fundacional da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e o contratado for instituição de ensino ou pesquisa situada no exterior, para o oferecimento de curso ou atividade de treinamento ou qualificação profissional a servidores civis ou militares do respectivo ente estatal, órgão ou entidade. “(Incluído pela Lei nº 12.402, de 2011) 12. A própria recorrente detalha os fatos : Para cumprir com o contrato de uso e de licença de marca assinadó com a SHOWA CORPORATION, a Requerente faz remessas periódicas de valores para o exterior, configurando, portanto, o fato gerador para a cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico — CIDE. Realizando o fechamento do câmbio no dia 25/08/2010 (Janeiro/Junho 2010),a empresa Recorrente realizou a remessá de R$ 1.674.979,29, conforme se vê na Planilha de Cálculo para Compensação de CIDE anexa, da qual apurouse o valor do tributo em questão em R$ 130.579,45. , 0Corre que, no mesmo período, a empresa tinha crédito de CIDE no montante de R$ • 36.918,47, originário do DARF de 15/03/2010, no' valor de R$ 117.246,17, documento anexo, relativo ao beneficio albergado na MEDIDA PROVISÓRIA N° 2.159, DE 24 DE AGOSTO DE 2159, de 24 de agosto de 2001, em seu artigo 4º. O percentual de crédito aplicada pela Recorrente corresponde à letra "c" .do § 1°, do dispositivo legal acima transcrito, o que se percebe por simples operação matemática ao se aplicar o índice multiplicador.. Crédito esse 'que será deduzido das contribuições, posteriores relativas a ROYALTIES. Dessa forma, o crédito de R$ 36.918,47 diz respeito ao valor atualizado de R$ 35.173,85, , originalmente relativo aos 30% referidos 'no dispositivo legal supramencionado, e que foi Fl. 111DF CARF MF 8 informado para compènsação scom o valor da CIDE apurada e paga ém 15/09/2010, Período de Apuração Agosto/2010, conforme os documentos anéxos. 13. A partir da documentação juntada pelo contribuinte, anexa aos autos (planilhas fls. 28 autos digitais e DARF fl 29), verificase que o contribuinte apurou a CIDE sobre remessas ao exterior no anocalendário de 2010 (de julho a dezembro), recolhendo valor via DARF correspondente á CIDE devida (R$ 130.579,45), o qual gerou um crédito de CIDE no valor de R$ R$ 39.173,84, o qual foi utilizado como redução da CIDE devida no período seguinte (MARÇO/2011) – remessa de R$ 1.847.008,10 – CIDE DEVIDA R$ 184.700,81 – CRÉDITO REDUTOR R$ 39.173,84 (+ juros selic R$ 1.739,32 = R$ 40.913,15) – CIDE PAGA R$ 143.787,66. Já este pagamento gerou um crédito de R$ 43.136,30 a ser utilizado como redutor em operações posteriores. Dessa maneira, no período em que houve apuração de CIDE – Remessas, houve o aproveitamento do crédito correspondente ao valor recolhido, não restando configurado o pagamento indevido ou a maior pleiteado. 14. A redução se deu em decorrência do aproveitamento de crédito de parte da CIDE recolhida em período anterior. O §1º , Inciso I, letra c) do artigo 4º da Medida Provisória nº 2.159 70/2000, com a ressalva contida no Inciso II, assim estabelece : “Art. 4º É concedido crédito incidente sobre a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, instituída pela Lei no 10.168, de 2000, aplicável às importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de róialties referentes a contratos de exploração de patentes e de uso de marcas. § 1º O crédito referido no caput: I será determinado com base na contribuição devida, incidente sobre pagamentos, créditos, entregas, emprego ou remessa ao exterior a título de róialties de que trata o caput deste artigo, mediante utilização dos seguintes percentuais: a) cem por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2001 até 31 de dezembro de 2003; b) setenta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008; c) trinta por cento, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1o de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013; II será utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores, relativas a róialties previstos no caput deste artigo.” 15. Verificase na legislação transcrita que o artigo 4º da Medida Provisória nº 2.15970, de 2000, concedeu crédito incidente sobre a CIDEREMESSAS, aplicável á importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de royalties referentes a contratos de patentes e de uso de marcas. O crédito seria determinado com base na CIDEROYALTIES devida pela utilização do percentual de 30% (setenta por cento) relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1º/01/2004 a 31/12/2008, e será utilizado, exclusivamente, para fins de dedução da CIDEREMESSAS incidente em operações posteriores, relativas a royalties descritos no caput do mesmo artigo. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10283.904031/201216 Acórdão n.º 3301006.113 S3C3T1 Fl. 109 9 16. Percebese, dessa maneira, que a CIDE tem como base de cálculo os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior. As quantias a serem remetidas são apuradas nos termos de contrato de tecnologia estabelecido entre as partes. 17. Quanto ao crédito concedido pelo artigo 4º da MP 2.15970/2000, este deve ser utilizado, exclusivamente, para dedução da CIDE incidente em operações posteriores, ou seja, não há previsão legal para utilização deste crédito para compensação, como pretende a recorrente. 18. Como bem destacado pela decisão de piso, a recorrente não apresentou documentos que comprovassem que o pagamento da CIDE foi indevido, muito menos anexou aos autos o contrato exigido pela legislação para qualificarse como pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. 19. Por derradeiro, quanto ao pedido de realização de diligência, esta deve ser realizada quando existem fatos a serem esclarecidos, diante de documentos apresentados, ou de alegações imprecisas, que necessitam de esclarecimentos, sempre a critério do julgador que decidirá se tais diligências são necessárias ou imprescindíveis para formação de sua convicção. 20. No caso em exame nos presentes autos, diante das provas juntadas pela recorrente nos autos, não há necessidade de diligências para que se esclareça o direito guerreado, por tal motivo, indefiro o pedido de diligência. Conclusão 21. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário e NÃO RECONHEÇO o direito creditório pleiteado, não havendo, portanto, crédito disponível para compensação. É o meu voto Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.908330/2011-75
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
Numero da decisão: 1003-000.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. INEXATIDÃO MATERIAL. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 83 30 /2 01 1- 75 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10735.908330/201175 Acórdão n.º 1003000.638 S1C0T3 Fl. 117 2 A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 37282.92278.280508.1.3.049409, em 28.05.2008, efls. 1626, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior efetuado pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, código 6106, do mês de agosto do anocalendário de 2004 no valor de R$7.123,57 contido no DARF de R$8.299,69 arrecadado em 10.09.2004, para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, efl. 32, que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 7.123,57 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172. de 25 de outubro de 1956 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 2ª Turma/DRJ/SPO/SP nº 1659.509, de 17.07.2014, efls. 3745: DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 30.09.2014, efl. 50, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 17.10.2014, efls. 61110, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: A motivação dessa compensação devea exclusão por OFÍCIO da empresa pelo Simples Nacional movido por uma a Ação Fiscal onde foi lavrados Autos de Infração pela DEFIS/RJO, PROCESSO nº 18471.001472/200783 Exclusão do Simples Nacional Portaria SRF 6129/2005 (anexo II), onde a fiscalização retroagiu a opção do Simples Nacional dos anoscalendário de 2004 até 30/06/2007 e notificou a empresa apresentar as Declarações de Imposto de Renda pelo Lucro Presumido ou Real e as DCTF's, mas a empresa somente conseguiu transmitir as DCTF's e não transmitir as Declarações de Imposto de Renda (DIPJ's), pois havia declarações de Simples Nacional processadas. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10735.908330/201175 Acórdão n.º 1003000.638 S1C0T3 Fl. 118 3 Devido a essa ao Auto de Infração de exclusão, a empresa apresentou defesa através do Processo nº 18471.001400/200736 e que, tem despacho decisório do Acórdão 1228.52 da permanência no Simples Nacional, conforme decisão (Anexo III). No que concerne ao pedido conclui que: Já que a empresa não conseguiu transmitir as declarações de DIPJ's e não consegue compensar os débitos declarados em DCTF's, então, que a DCTF transmitida nesse período seja cancelada e conseqüentemente o débito em questão (anexo IV). À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito, requer que seja acolhida o presente Recurso. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente diz que "não conseguiu transmitir as declarações de DIPJ's e não consegue compensar os débitos declarados em DCTF's, então, que a DCTF transmitida nesse período seja cancelada e conseqüentemente o débito em questão". O Parecer Normativo Cosit nº 08, de 03 de setembro de 2014, prevê: Conclusão 81. Em face do exposto, concluise que: a) a revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do CTN, quais sejam: quando a lei assim o determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes; b) a retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração; Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10735.908330/201175 Acórdão n.º 1003000.638 S1C0T3 Fl. 119 4 c) a revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a DCTF e mesmo a DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes; d) compete à autoridade administrativa da unidade da RFB na qual foi formalizada a exigência fiscal proceder à revisão de ofício do lançamento, inclusive para as revisões relativas à tributação previdenciária; e) o despacho decisório é o instrumento adequado para que a autoridade administrativa local efetue a revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, a retificação de ofício de débito confessado em declaração, e a revisão de ofício de despacho decisório que decidiu sobre reconhecimento de direito creditório e compensação efetuada; f) a revisão de ofício nas hipóteses aqui tratadas não se insere nas reclamações e recursos de que trata o art. 151, III, do CTN, regulados pelo Decreto nº 70.235, de 1972, tampouco a ela se aplica a possibilidade de qualquer recurso, uma vez que, ainda que possa ser originada de uma provocação do contribuinte, é procedimento unilateral da Administração, e não um processo para solução de litígios; g) todavia, para os casos de reconhecimento de direito creditório e de homologação de compensação alterados em virtude de revisão de ofício do despacho decisório que tenha implicado prejuízo ao contribuinte, em atenção ao devido processo legal, deve ser concedido o prazo de trinta dias para o sujeito passivo apresentar manifestação de inconformidade e, sendo o caso, recurso voluntário, no rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972, enquadrandose o débito objeto da compensação no disposto no inciso III do art. 151 do CTN. Por conseguinte, a revisão de ofício cabe a autoridade administrativa, nos termos do caput do art. 149 do Código Tributário Nacional, do art. 270 do Anexo I do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil (RFB), aprovado pela Portaria MF nº 430, de 09 de outubro de 2017. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10735.908330/201175 Acórdão n.º 1003000.638 S1C0T3 Fl. 120 5 Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de débitos tributários. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10735.908330/201175 Acórdão n.º 1003000.638 S1C0T3 Fl. 121 6 149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 170 do Código Tributário Nacional). Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. A Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." No presente caso, a partir das características do DARF discriminado no Per/DComp foi identificada a alocação para quitação de débitos da Recorrente, não restando crédito disponível para compensação. Verificase que todos os documentos constantes nos autos foram analisados. As informações constantes na peça de defesa não podem ser consideradas, pois não foram produzidos no processo elementos de prova mediante assentos contábeis e fiscais que evidenciem as alegações ali constantes, nos termos do art. 145 e art. 147 do Código Tributário Nacional, bem como art. 15, art. 16 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que estabelecem critérios de adoção do princípio da verdade material. Observese que não foram carreados aos autos pela Recorrente os dados essenciais a produzir um conjunto probatório robusto da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Consta no Acórdão da 2ª Turma/DRJ/SPO/SP nº 1659.509, de 17.07.2014, efls. 3745, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): 6. No caso concreto, o Contribuinte declarou débito para o IRPJ (código 236201 (PJ em geral obrigada ao Lucro Real/Estimativa Mensal; Período de Apuração: Outubro/2005 (R$ 7.123,57); data de vencimento: 30/11/2005) e apontou o documento de arrecadação (DARF) como origem do pretendido crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela Insurgente foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão (fl. 32). Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10735.908330/201175 Acórdão n.º 1003000.638 S1C0T3 Fl. 122 7 6.1. O referido DD aponta como causa da não homologação o fato de que foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando, quanto ao DARF apresentado, crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 6.2. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revelou a inexistência do pretenso crédito declarado e requerido para compensação. 6.3. Em suma, os motivos da não homologação residiram nas próprias declarações e documentos produzidos pela Insurgente. Estes foram, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. 7. Por oportuno, registrese que, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública. 8. O Contribuinte questiona o Despacho Decisório, que não homologou a compensação, alegando que foi excluída do Simples Federal, sendo pertinente o aproveitamento dos débitos devidos pela tributação do Lucro Presumido. 8.1. Efetuada pesquisa no sistema Sief/Fiscel da RFB constatouse que o DARF indicado no DD (nº 4640175378 – R$ 8.299,69) foi devidamente processado, tendo seu valor alocado ao débito do Simples Federal referente ao Período de Apuração Agosto/2004 (R$ 7.774,40), bem como ao PER/DCOMP 13156.38012.270108.1.3.04 6888 (Homologado Totalmente), não restando crédito a ser aproveitado no PERDCOMP [...] 8.2. Assim, encontrase correto o Despacho Decisório, ao consignar que o crédito reivindicado pela contribuinte no DARF, no valor de R$ 8.299,69 (período de apuração – 31/08/2004; data de arrecadação – 10/09/2004; código de receita – 6106 (Pagamento de Microempresa e Empresa de Pequeno Porte Simples), foi alocado ao débito do Simples Federal referente ao Período de Apuração Agosto/2004 (R$ 7.774,40), bem como ao PER/DCOMP 13156.38012.270108.1.3.046888 (Homologado Totalmente). 8.3. No contraditório apresentado a recorrente alega que foi excluída do Simples Federal, sendo pertinente o aproveitamento dos débitos devidos pela tributação do Lucro Presumido. 8.4. Em pesquisa efetuada no sistema CNPJ constatouse que a defendente foi incluída no Simples Federal com efeitos a partir da data de início do regime (01/01/1997), sendo excluída apenas em 30/06/2007, quando ocorreu o encerramento desta sistemática de tributação. Referido sistema também informa que a empresa entregou sua Declaração Simplificada para o anocalendário 2004, inexistindo recepção de Declaração em outro regime de tributação para o mencionado anocalendário [...] 8.6. Ademais, conforme o art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o prazo para apresentação de provas documentais visando a esclarecer eventual equívoco consubstanciado em ato da Administração finda no mesmo prazo para a apresentação da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de o Contribuinte fazêlo em outra oportunidade. 9. Além disso, cabe asseverar que a Autoridade Julgadora vêse livre quanto ao convencimento quando da apreciação das provas trazidas aos autos, consoante previsto no art. 29 do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10735.908330/201175 Acórdão n.º 1003000.638 S1C0T3 Fl. 123 8 9.1. Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no Despacho Decisório, com documentação hábil, idônea e suficiente, afigurase correto o não reconhecimento do direito creditório pleiteado e, consequentemente, a não homologação da compensação requerida. Conforme os registros internos da RFB copiados fielmente no voto condutor da decisão de primeira instância, o suposto direito creditório pleiteado foi integralmente utilizados para quitação de débitos, que se encontram extintos. O processo nº 18471.001472/200783 de exclusão do Simples encontrase no Arquivo Geral da SAMF/RJ desde 24.06.2009 e o processo nº 18471.001400/200736 de Auto de Infração do Simples encontrase no Arquivo Digital Órgãos Centrais RFB/MF desde 09.09.2015, efls. 106115, de modo que as respectivas decisões são definitivas. Ainda restou comprovada a inclusão da Recorrente na sistemática do Simples (Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996) no período 01.01.1997 a 30.06.2007, bem como pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (DarfSimples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada no anocalendário de 2004. Temse que nos estritos termos legais este entendimento está de acordo com o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.907144/2009-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.102
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Walker Araújo que negava provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Presidente Substituto e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Walker Araújo que negava provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1481; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.907144/200902 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302001.102 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 24 de abril de 2019 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente TRÊS RIOS AUTOMÓVEIS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro Walker Araújo que negava provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP, de crédito de contribuições que teria sido recolhido a maior, com débito(s) da própria interessada. A unidade de jurisdição não reconheceu o direito creditório pleiteado, conforme Despacho Decisório que instrui os autos. Cientificada do despacho e da cobrança do débito declarado no PER/DComp, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, na qual alega que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 35 .9 07 14 4/ 20 09 -0 2 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10735.907144/200902 Resolução nº 3302001.102 S3C3T2 Fl. 3 2 Na base de cálculo do valor originalmente apurado estavam incluídos os valores relativos às comissões das vendas diretas realizadas pela Volkswagen do Brasil; Nas vendas diretas feitas pela Volkswagen do Brasil diretamente ao comprador, o Concessionário, no caso a TRÊS RIOS AUTOMÓVEIS S.A., recebe uma comissão por ser intermediário na operação de venda; Tratase de uma "prestação de serviços", na qual é exigida a emissão de Nota Fiscal de Serviços. Tal receita é contabilizada como "receita operacional por venda de serviços". Nesta condição, como a comissão é inferior a 9% (nove por cento), para efeito de PIS e COFINS, a tributação se dá pela alíquota zero; A fundamentação legal é a Lei n° 10.485 de 03.07.2002 (D.O.U.: 04.07.2002); Constatada a diferença na determinação da base de cálculo, foi apresentada DACON retificadora. Cabe ressaltar que não foi possível fazer a retificação da DCTF, porque o programa acusava erro quando era informado um valor diferente de débito para um pagamento a maior. Face ao exposto, a Impugnante apresenta seu pedido para que essa Delegacia de Julgamento reconheça seu direito ao crédito e declare homologada a compensação declarada. A 17ª Turma da DRJ Rio de Janeiro (RJ) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme acórdão acostado aos autos, cuja ementa é parcialmente transcrita a seguir: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual reproduz os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade e solicita a possibilidade de juntada de novos documentos no prazo de 60 dias. Termina petição recursal requerendo o provimento do recurso voluntário para fins de que seja reconhecido o direito creditório e integralmente homologada a compensação declarada. Posteriormente, dentro do prazo requerido, apresentou os documentos: que solicita sejam analisados. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10735.907144/200902 Resolução nº 3302001.102 S3C3T2 Fl. 4 3 É o breve relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302001.089, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10735.903534/200903, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302001.089): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. A instância a quo, utilizou como razão de decidir a falta de provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: No caso em tela, o contribuinte deveria apresentar ao Fisco os comprovantes fiscais e contábeis – documentos de arrecadação e livros fiscais e contábeis – relativos ao crédito pleiteado, sob pena de seu suposto direito não poder ser exercido por falta de requisito fático, que é a liquidez e certeza deste. Em vez de comprovar como apurou o novo valor devido do(a) Cofins em ago/05, o interessado limitouse a afirmar que efetuou pagamento indevido, sem demonstrar contabilmente como teria sido apurado este novo valor, o que deveria ter feito. O recorrente, em sede de recurso voluntário, também não apresentou um único documento que comprovasse seu direito creditório, apenas solicitou o prazo de 60 dias para apresentar os documentos. Dentro dos 60 dias solicitados no recurso voluntário, o recorrente apresentou petição requisitando a análise dos seguintes documentos: termo de abertura e encerramento do livro 00007, folhas 32/134 do balancete analítico do período 09/2005e o comprovante de recolhimento no valor de R$ 9.278,00. A questão que surge está ligada ao direito de apresentação de documentos a qualquer momento processual em nome da verdade material. Entendo que depende do tipo de processo que está em análise. Nos casos de procedimentos referentes a despacho eletrônico de pedido de restituição, onde o sujeito passivo não é intimado pela unidade preparadora para prestar informações jurídicas acerca do crédito requisitado, o primeiro momento que ele tem para se pronunciar sobre questões de direito é na manifestação de inconformidade. Porém, nem Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10735.907144/200902 Resolução nº 3302001.102 S3C3T2 Fl. 5 4 todo patrono é operador do direito ou está familiarizado com a instrução probatória, podendo deixar de providenciar documentos relevantes, pelo simples fato de desconhecer sua importância. Por esse motivo, se o sujeito passivo não se manteve inerte, buscando sempre participar da instrução probatória, não vejo motivos para negar a apreciação de documentos acostados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário. Acontece que nem na manifestação de inconformidade, nem no recurso voluntário, o recorrente apresentou documentos que comprovassem as questões de direito por ele alagadas que embasariam seu indébito tributário. Posteriormente, conforme já mencionado, foram acostados aos autos documentos que embasariam seu pedido de restituição. Ocorre que os documentos acostados, caso autênticos, podem sugerir que o sujeito passivo efetuou recolhimentos indevidos. Não posso deixar de admitir que os fatos produzidos extemporaneamente geraram grande dúvida, o que impossibilita meu julgamento nesta assentada. Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, é a literalidade do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Assim, entendo que as alegações e as provas produzidas pelo recorrente nesta fase recursal devem ser analisadas com mais profundidade pela Unidade Preparadora nos termos do Parecer Cosit n° 02/2015. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem avalie a autenticidade dos documentos acostados após a interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essas dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência para que órgão de origem avalie a autenticidade dos documentos acostados após a interposição do recurso voluntário, analise a existência do Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10735.907144/200902 Resolução nº 3302001.102 S3C3T2 Fl. 6 5 indébito tributário e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essas dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 117DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.969885/2009-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO.
ERRO DE FATO.
Erro de fato no preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei.
Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem deferir o pedido de repetição do indébito ou homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014.
Numero da decisão: 1401-003.372
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restituir os autos à Unidade de Origem para que faça a análise da liquidez e certeza do crédito pretendido, verificando sua existência, suficiência e disponibilidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 15374.963787/2009-98, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ Recorrente EPANOR S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE FATO. Erro de fato no preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhecese a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem deferir o pedido de repetição do indébito ou homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restituir os autos à Unidade de Origem para que faça a análise da liquidez e certeza do crédito pretendido, verificando sua existência, suficiência e disponibilidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 15374.963787/200998, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 98 85 /2 00 9- 39 Fl. 187DF CARF MF Processo nº 15374.969885/200939 Acórdão n.º 1401003.372 S1C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário ao Acórdão 1151.855 proferido pela Quarta Turma da DRJ/REC em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, ocasião em que não reconheceu o alegado direito creditório. A seguir, transcrevo os termos e fundamentos da decisão recorrida: A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação – PER/DCOMP por meio da qual compensou crédito do IRPJ, do período de apuração de 31/01/2005, com os débitos relacionados. O crédito informado, no valor original na data da transmissão de R$ 66.558,14(...). Por meio do Despacho Decisório Eletrônico a Autoridade Competente resolveu NÃO HOMOLOGAR a compensação se fundamentando no fato de o DARF informado já ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando o seguinte: Alega que este crédito foi requerido em outra Per/Dcomp, porém esta foi cancelada por erros na informação do tipo de crédito. Expressamente requer: Voto A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dela se conhecendo. Analisando os elementos constantes dos autos, verificamos a ocorrência dos seguintes fatos: em 21/05/2007, a contribuinte transmitiu a PER/DCOMP em lide; Fl. 188DF CARF MF Processo nº 15374.969885/200939 Acórdão n.º 1401003.372 S1C4T1 Fl. 4 3 em 07/10/2009 foi emitido o Despacho Decisório, o qual decidiu pela não homologação do PER/DCOMP em lide, tendo em vista que o crédito analisado, pelas características do DARF discriminado no PER/DCOMP, tinha sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte; Consta como DCTF ativa no sistema para o período de apuração de 31/01/2005 a declaração abaixo: Nesta Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF ativa consta confessado o débito do IRPJ cód. 2362 para o período de apuração de 31/01/2005 o valor de R$ 104.288,02 e vinculação do crédito no mesmo valor referente ao recolhimento efetuado. Desta forma, o crédito pleiteado pela contribuinte encontrase alocado a um débito confessado pela própria impugnante. Dos fatos narrados acima, verificamos que a Delegacia da Receita Federal jurisdicionante do contribuinte, ao examinar a existência, ou não, do pretendido direito creditório, não poderia nortear sua análise senão a partir dos elementos contidos na Declaração de Compensação e na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF ativa à época, entregue pela contribuinte e constante dos sistemas de controle da RFB. Não merece reparo, portanto, a decisão prolatada por aquela autoridade, não homologando a compensação declarada. Por outro lado, também não apresentou os Livros Fiscais e Contábeis com os respectivos demonstrativos que viessem a demonstrar o erro dos valores informados em DCTF e que justificassem a redução do IRPJ confessado. Diante da ausência da apresentação dos livros fiscais e contábeis que justificassem a redução do valor do IRPJ e da não retificação da DCTF anteriormente à decisão da Autoridade Administrativa por meio do Despacho Decisório, este não merece reparo ao não conceder o direito creditório tendo em vista o crédito analisado encontrarse integralmente utilizado para quitação do crédito informado em DCTF. O Código Tributário Nacional – CTN determina, em seu artigo 170, o seguinte: Fl. 189DF CARF MF Processo nº 15374.969885/200939 Acórdão n.º 1401003.372 S1C4T1 Fl. 5 4 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Em não havendo liquidez e certeza quanto ao suposto crédito contra a Fazenda Nacional, não deve ser homologada a DCOMP a ele vinculada. CONCLUSÃO Diante da análise procedida, VOTO pela IMPROCEDÊNCIA da Manifestação de Inconformidade, para manter o Despacho Decisório em lide que NÃO HOMOLOGOU a PER/DCOMP constante dos autos. Cientificada da decisão do referido acórdão, o Contribuinte interpõe Recurso Voluntário onde, após um breve relato do indeferimento do seu pleito, alegou que no ano de 2005 não apurou imposto a pagar, entretanto, recolheu, por equívoco, estimativa de imposto mensal no valor de R$ 104.288,02, ref. período de janeiro/2005. Que para aproveitar este crédito, utilizou diversas compensações, que indica em seu recurso; que não foi realizada nenhuma intimação e/ou diligência para apurar a existência de crédito e inexistência de estimativa no ano de 2005; não obstante, inexiste o referido débito, conforme DIPJ, LALUR e balancete registrado em Diário. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.371, de 17/04/2019, proferido no julgamento do Processo nº 15374.963787/2009 98, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1401003.371): Preenchidos os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário apresentado, dele conheço. Conforme relatoriado, a Recorrente informou como crédito, no Perd/Dcomp a que alude o Despacho Decisório, um valor pago de IRPJ/estimativa de R$ 104.288,02 (janeiro/2005), que reputa como pagamento indevido, cujo pedido inicialmente foi indeferido pelo Despacho Decisório. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 15374.969885/200939 Acórdão n.º 1401003.372 S1C4T1 Fl. 6 5 Observese que na manifestação de inconformidade junto ao Acórdão da DRJ, a Recorrente não esclareceu que tipo de crédito se tratava, o fazendo somente agora em seu recurso voluntário. No sentido de demonstrar a liquidez e certeza de seu crédito, traz a sua DIPJ de 2005 onde encontrase ali declarado que não há lucro real positivo, além de balancetes, razão analítico e LALUR. Destaquese que tais documentos, trazidos somente agora, deveriam ter sido apresentados para a apreciação da DRJ, aliás, no voto condutor da decisão de piso consta que: Por outro lado, também não apresentou os Livros Fiscais e Contábeis com os respectivos demonstrativos que viessem a demonstrar o erro dos valores informados em DCTF e que justificassem a redução do IRPJ confessado. Entendo que o crédito informado na DCOMP, constatado sendo proveniente de um pagamento indevido, pode ser tratado como saldo negativo de IRPJ de 2005, pois utilizado em DCOMP para compensação com débitos de 2006, como aliás, sugere a Recorrente quando afirmou que "caso não se entenda pela existência de pagamento indevido, tendo em vista que, em 31/12/2005, não foi apurado lucro real a ser tributado pelo IRPJ, deve ser reconhecido este valor de R$ 104.288,02 como saldo negativo a ser compensado." Em assim sendo, estaríamos diante de um claro erro no preenchimento da DCOMP, equívoco este que pode ser superado com base no Parecer Normativo COSIT nº 8, de 2014, que a seguir se reproduz excertos: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DE DÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, quais sejam: quando a lei assim o determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser Fl. 191DF CARF MF Processo nº 15374.969885/200939 Acórdão n.º 1401003.372 S1C4T1 Fl. 7 6 efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. No sentido de não se suprimir instâncias de julgamento, entendo que deva ser oportunizado ao Contribuinte, após as intimações necessárias, sejam os documentos analisados a fim de se verificar a existência ou não do crédito alegado. Tudo se insere, inclusive, dentro do princípio pela busca da verdade material, uma vez que já se tem nos autos alguns documentos, ainda que só apresentados em sede recursal. Desta forma, comprovado o erro de fato no preenchimento da DCOMP, entendo cabível, seguindo orientação do PN 08/2014, que o processo seja encaminhado à Unidade de Origem para realização da revisão de ofício. Conclusão Voto por dar provimento parcial ao recurso para restituir os autos à Unidade de Origem para que faça a análise da liquidez e certeza do crédito pretendido, verificando sua existência, suficiência e disponibilidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Aplicase a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, no sentido de dar provimento parcial ao recurso para restituir os autos à Unidade de Origem para que faça a análise da liquidez e certeza do crédito pretendido, verificando sua existência, suficiência e disponibilidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 192DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.720750/2011-56
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - VERBA INDENIZATÓRIA - ISENÇÃO
Cabe ao contribuinte comprovar que os rendimentos auferidos são isentos, vez que o instituto da isenção é a exceção no ordenamento jurídico e sempre instituído mediante lei.
IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE (RRA).
Os rendimentos recebidos acumuladamente, para fins de incidência de IRPF, devem respeitar o regime de competência, conforme decisão do STF no RE 614.406/RS.
Numero da decisão: 2002-001.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que se refaça os cálculos do lançamento do IRPF mês a mês, sob regime de competência.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS - VERBA INDENIZATÓRIA - ISENÇÃO Cabe ao contribuinte comprovar que os rendimentos auferidos são isentos, vez que o instituto da isenção é a exceção no ordenamento jurídico e sempre instituído mediante lei. IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE (RRA). Os rendimentos recebidos acumuladamente, para fins de incidência de IRPF, devem respeitar o regime de competência, conforme decisão do STF no RE 614.406/RS.
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IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTES DE AÇÃO JUDICIAL. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE (RRA). Os rendimentos recebidos acumuladamente, para fins de incidência de IRPF, devem respeitar o regime de competência, conforme decisão do STF no RE 614.406/RS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que se refaça os cálculos do lançamento do IRPF mês a mês, sob regime de competência. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 07 50 /2 01 1- 56 Fl. 97DF CARF MF 2 Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 10 a 18), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, dedução indevida de dependente, dedução indevida de despesas médicas, dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública e dedução indevida com despesas com instrução Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 12.892,12, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 65, que, conforme decisão da DRJ, o contribuinte alega: Da Impugnação A Notificação de Lançamento foi lavrada em 06/06/2011. O contribuinte foi cientificado em 17/06/2011 e ingressou com impugnação em 14/07/2011, alegando, em síntese: Quanto a Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica: Que foi concedida uma diferença sobre seus proventos, na proporção de 28,86% por erro exclusivo da União e que portanto são de natureza indenizatória. Que as verbas indenizatórias não se sujeitam ao IR. Que os valores pagos pela sentença foram levantados por meio de precatório e pago pela Caixa Econômica Federal e que fora retido o valor de R$ 833,60 para compensação do Imposto de Renda Pessoa Física. Que como tratavase da Caixa Econômica Federal (empresa pública), bem como a retenção na fonte do valor do tributo, concluiu que dispensava a sua menção na DIRPF. Do Rendimento da Cônjuge Concorda com a omissão. Das Deduções legais Deixou de apresentar os comprovantes de despesas médicas e com instrução, por encontrarse recolhido em Instituto Prisional; Que desconhece a legislação tributária; Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10945.720750/201156 Acórdão n.º 2002001.025 S2C0T2 Fl. 98 3 Do Pedido Que seja reconhecido o caráter indenizatório da verba recebida, para que se considere os fatos geradores mês a mês; Que seja revisada a base de cálculo do tributo referente ao precatório e aplicado tão somente a alíquota de 3%; Sejam afastadas as multas aplicadas, bem como seja possibilitado o pagamento parcelado da mora e juros; Seja aceito os documentos apresentados para que justifiquem os gastos com despesas médicas e com instrução referente a DIRPF. A impugnação foi apreciada na 22ª Turma da DRJ/SPO que, por unanimidade, em 17/03/2015, no acórdão 1666.702, às efls. 79 a 85, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, às efls. 90 a 94, no qual alega, em resumo, que: · os valores considerados omissos são oriundos de ação judicial proferida nos autos do processo nº 9400.096793/PR e são de natureza indenizatória; · se aplicado o regime de competência, estaria sob a guarida da faixa de isenção do IRPF; · concorda com a omissão dos rendimentos da cônjuge. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 30/03/2015, efls. 88, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 17/04/2015, efls. 90, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O presente processo assentase na omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, dedução indevida de dependente, dedução indevida de despesas médicas, dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública e dedução indevida com despesas com instrução Fl. 99DF CARF MF 4 Conforme decisão de piso, o contribuinte concordou com a omissão de rendimentos recebidos pela cônjuge, sendo mantidas as demais autuações. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte não apresenta defesa quanto a dedução indevida com dependente, dedução indevida de despesas médicas, dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública e dedução indevida com despesas com instrução, atraindo a redação do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Logo, a lide restringese a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica oriundos de ação judicial proferida nos autos do processo nº 9400.096793/PR. Da natureza indenizatória da verba A nossa Carta Magna de 1988 erigiu competências tributárias aos três entes, rigidamente postas, sobretudo quanto a criação de impostos. Conforme artigo 153 do texto constitucional, compete a União, dentre outros, a instituição do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I importação de produtos estrangeiros; II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; IV produtos industrializados; V operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários; VI propriedade territorial rural; VII grandes fortunas, nos termos de lei complementar. (...) Segundo define o parágrafo 2º, do supracitado artigo, o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade. O princípio da generalidade permitirá a efetivação dos princípios da universalidade, pessoalidade e capacidade contributiva, na medida em que atua no critério pessoal do conseqüente da regra matriz de incidência tributária, determinando que todas as Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10945.720750/201156 Acórdão n.º 2002001.025 S2C0T2 Fl. 99 5 pessoas físicas – a integralidade desse universo que esteja no território nacional, que auferir renda e proventos de qualquer natureza terá obrigação de efetuar o pagamento do imposto, salvo exceções prevista na própria lei. Já o princípio da universalidade atuará sobre o aspecto material do antecedente da regra matriz de incidência tributária, afinal determina que a incidência do imposto alcançará todas as rendas e proventos, de qualquer espécie, independente da denominação ou fonte. Por fim, o princípio da progressividade também será aplicado sobre o critério quantitativo do conseqüente da rega matriz, nesse caso para a fixação da alíquota do imposto. Tal princípio implicará na incidência gradativa, em percentual maior e, pretensamente de modo progressivo, à medida que se dá o correspondente aumento da base de cálculo do imposto ou acréscimo patrimonial, ou seja, quanto maior o acréscimo patrimonial maior será a alíquota do imposto devido pelo contribuinte. Logo, a regra geral é a oferta da totalidade dos rendimentos auferidos pelo contribuinte à tributação. Contudo, em circunstâncias excepcionais e taxativas, a lei em sentido estrito pode conceder isenção do imposto de renda, ou qualquer outro tributo, a determinadas situações. É o que se extrai do caput do artigo 176 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Ainda, conforme o inciso II, do artigo 111 do mesmo diploma legal, interpretase literalmente as hipóteses de isenção: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Fl. 101DF CARF MF 6 Assim, cabe ao contribuinte comprovar que aqueles rendimentos auferidos são isentos. No caso, o contribuinte alega que os rendimentos objeto do auto de infração tem natureza jurídica de indenização, contudo, limitouse a meras ilações, sem qualquer prova documental que corrobore com seu pleito. Logo, não há que se aplicar o instituto da isenção aos rendimentos em comento. Da omissão de rendimentos (aplicação do regime de competência) Conforme os autos, o lançamento tributário foi baseado em omissão de rendimentos recebidos de ação judicial promovida pelo contribuinte, da qual foi beneficiário de valores recebidos por meio de ação judicial. Tais valores foram recebidos no curso do processo nº 9400.096793/PR. A DRJ manteve a autuação sob os seguintes fundamentos: Inferese que o lançamento em exame foi realizado com base na Declaração de Imposto Retido na Fonte – DIRF original entregue pela fonte pagadora Caixa Econômica Federal à Receita Federal do Brasil, onde consta que o notificado auferiu rendimentos tributáveis no período no valor total de R$ 27.786,81, com imposto retido na fonte no valor de R$ 833,60. Portanto deve ser mantido o lançamento da omissão de rendimentos do titular, conforme realizado pela autoridade lançadora. Tratase, os presentes autos, de caso rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) e da divergência de interpretação do Fisco e dos contribuintes, referendados pelo Judiciário, em relação a redação do artigo 12 da Lei nº 7.713/98, recentemente sepultada pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do RE 614.406/RS, já adotada na jurisprudência deste CARF: IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). (Acórdão nº 9202003.695 27/01/2016) Para a Receita Federal do Brasil (RFB), quando, por qualquer fato, determinada pessoa física auferia rendimentos acumuladamente, provenientes do trabalho e de benefícios previdenciários, dentre eles a aposentadoria, em detrimento ao pagamento mensal, maneira usual, para fins de incidência do IRPF, adotariase o regime de caixa, tributando o Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10945.720750/201156 Acórdão n.º 2002001.025 S2C0T2 Fl. 100 7 montante global, independentemente da divisão do valor total pelos meses em que as parcelas seriam devidas. Por óbvio, os contribuintes insurgiramse em face de tal entendimento, acionando o Poder Judiciário que, à luz dos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, isonomia e da capacidade contributiva, a incidência do IRPF deve considerar as datas e alíquotas vigentes em que de fato a verba seria devida, respeitando o regime de competência, já que não se pode transferir o ônus tributário ao contribuinte pessoa física, por exemplo, por dificuldade financeira da fonte pagadora. Obviamente que tais decisões, até o RE 614.406/RS, sempre foram concedidas individualmente aos contribuintes, gerando efeito entre as partes, jamais erga omnes. Contudo, com a decisão da Suprema Corte, cabe a este CARF aplicar a ratio decidendi ali exposada. Sobre o tema, leciona Hiromi Higuchi: No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto na fonte incidirá sobre o total dos rendimentos pagos no mês, inclusive sua atualização monetária e juros (art. 640 do RIR/99). O valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização, poderá ser deduzido para apurar a base de cálculo do imposto. Além dos casos de pagamentos acumulados de salários de vários meses, por dificuldade financeira da fonte pagadora, esse fato ocorre nas revisões judiciais de aluguéis comerciais quando as diferenças mensais em litígio são depositadas à disposição da justiça. No caso de salários há injustiça porque a alíquota de 27,5% incidirá sobre salários que isoladamente pagos estariam isentos do imposto. Há injustiça até na dedução de dependentes. O STJ vem, reiteradamente, decidindo que no cálculo do imposto incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, nos termos previstos no art. 521 do RIR (Decreto nº 85.450/80). A aparente antinomia desse dispositivo com o art. 12 da Lei nº 7.713/88 se resolve pela seguinte exegese: este último disciplina o momento da incidência; o outro, o modo de calcular o imposto. (...) O STF declarou a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, no RE 614.406/RS em repercussão geral. (grifos nossos) A fundamentação do voto vencedor prolatado pelo Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, no processo 10830.720626/201340, é precisa: Fl. 103DF CARF MF 8 Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar no que diz respeito à existência de vício material no lançamento e/ou de utilização de critério jurídico equivocado, que levassem à necessidade de desconstituição integral do lançamento, na forma proposta pelo Colegiado recorrido. Sem dúvida, reconhecese aqui, em linha com o recorrido, que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto, porém, que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do TRF4 acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer, na forma ali determinada, a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, não se estando destarte, diante de utilização de critério jurídico equivocado ou vício material no lançamento efetuado. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento, constantes de efl. 21, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese,ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10945.720750/201156 Acórdão n.º 2002001.025 S2C0T2 Fl. 101 9 respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, note se, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, no sentido de determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência. Ainda, considerando que a desconstitituição do lançamento propugnada pelo Colegiado a quo levou ao não exame de alegações constantes do Recurso Voluntário do Contribuinte (mais especificamente quanto à isenção alegadamente aplicável aos rendimentos recebidos), de se retornar o feito ao Colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do Recurso Voluntário Assim, determino a aplicação do regime de competência para a tributação dos valores auferidos. Diante do exposto, conheço do presente Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, para, no mérito, darlhe parcial provimento para que se refaça os cálculos do lançamento do IRPF mês a mês, sob regime de competência. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 105DF CARF MF 10 Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.720095/2012-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009, 2010
DECADÊNCIA. APERFEIÇOAMENTO DO LANÇAMENTO AUTO DE INFRAÇÃO ORIGINÁRIO.
O aperfeiçoamento do lançamento, de acordo com o que dispõe a legislação em regência, especificamente o artigo 142 do CTN, se deu no momento da lavratura do Auto de Infração originário, através da devida ciência do contribuinte.
In casu, a diligência fiscal serviu apenas para elucidar eventuais dúvidas da autoridade julgadora de primeira instância.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO EXISTÊNCIA
Após a determinação da diligência requerendo esclarecimentos, foi efetuado o relatório de diligência explicitando de maneira pormenorizada a motivação da acusação fiscal, não havendo que se falar em nulidade.
SUJEITO PASSIVO DA RELAÇÃO TRIBUTÁRIA. PESSOA FÍSICA.
Uma vez constatados depósitos de origem não comprovada em conta bancária da pessoa física, o auto de infração deve ser lavrado contra esta, pois reveste-se da condição de sujeito passivo da obrigação, nos termos do art. 121 do Código Tributário Nacional.
SIGILO BANCÁRIO. PROCEDIMENTO FISCAL.
O Supremo Tribunal Federal definiu a questão em sede de Repercussão Geral no RE n° 601.314, e consolidou a tese: O art. 6° da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realize a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o traslado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM PARCIALMENTE COMPROVADA.
Presume-se omissão de rendimentos os valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove a origem dos recursos. Os depósitos cuja origem não tributada foi devidamente identificada devem ser excluídos da autuação.
DEDUÇÃO. VALORES INFORMADOS NAS DECLARAÇÕES DO CONTRIBUINTE E JÁ TRIBUTADOS. FALTA DE PROVAS.
Inexistência de coincidência entre os documentos apontados pelo contribuinte e as declarações, não sendo possível acolher as deduções pretendidas pelo contribuinte, por falta de provas.
Numero da decisão: 2401-006.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar a decadência. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o rendimento de R$ 32.506,00 no ano-calendário 2008 e R$ 43.822,80 no ano-calendário 2009, relativos a rendimentos declarados já oferecidos à tributação. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora) e Matheus Soares Leite, que declaravam a decadência. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à decadência, o conselheiro Rayd Santana Ferreira.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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APERFEIÇOAMENTO DO LANÇAMENTO AUTO DE INFRAÇÃO ORIGINÁRIO. O aperfeiçoamento do lançamento, de acordo com o que dispõe a legislação em regência, especificamente o artigo 142 do CTN, se deu no momento da lavratura do Auto de Infração originário, através da devida ciência do contribuinte. In casu, a diligência fiscal serviu apenas para elucidar eventuais dúvidas da autoridade julgadora de primeira instância. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO EXISTÊNCIA Após a determinação da diligência requerendo esclarecimentos, foi efetuado o relatório de diligência explicitando de maneira pormenorizada a motivação da acusação fiscal, não havendo que se falar em nulidade. SUJEITO PASSIVO DA RELAÇÃO TRIBUTÁRIA. PESSOA FÍSICA. Uma vez constatados depósitos de origem não comprovada em conta bancária da pessoa física, o auto de infração deve ser lavrado contra esta, pois revestese da condição de sujeito passivo da obrigação, nos termos do art. 121 do Código Tributário Nacional. SIGILO BANCÁRIO. PROCEDIMENTO FISCAL. O Supremo Tribunal Federal definiu a questão em sede de Repercussão Geral no RE n° 601.314, e consolidou a tese: O art. 6° da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realize a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o traslado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 00 95 /2 01 2- 66 Fl. 3166DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201266 Acórdão n.º 2401006.085 S2C4T1 Fl. 3 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM PARCIALMENTE COMPROVADA. Presumese omissão de rendimentos os valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove a origem dos recursos. Os depósitos cuja origem não tributada foi devidamente identificada devem ser excluídos da autuação. DEDUÇÃO. VALORES INFORMADOS NAS DECLARAÇÕES DO CONTRIBUINTE E JÁ TRIBUTADOS. FALTA DE PROVAS. Inexistência de coincidência entre os documentos apontados pelo contribuinte e as declarações, não sendo possível acolher as deduções pretendidas pelo contribuinte, por falta de provas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar a decadência. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o rendimento de R$ 32.506,00 no anocalendário 2008 e R$ 43.822,80 no anocalendário 2009, relativos a rendimentos declarados já oferecidos à tributação. Vencidos os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto (relatora) e Matheus Soares Leite, que declaravam a decadência. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à decadência, o conselheiro Rayd Santana Ferreira. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. (Assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Fl. 3167DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201266 Acórdão n.º 2401006.085 S2C4T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife PE (DRJ/REC) que julgou parcialmente procedente o lançamento, conforme ementa do Acórdão nº 1158.993 (fls. 3091 3111): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009, 2010 SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros, registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. IRPF. DECADÊNCIA, NÃO CABE A ALEGAÇÃO. Pela a regra do §4º do art. 150 do CTN lançamento por homologação o direito da fazenda pública constituir o crédito de IRPF começa a contar de 31 de dezembro de ano calendário de ocorrência do fato gerador. O IRPF tem fato gerador complexivo que só se aperfeiçoa ao final de cada ano calendário. Quando não há pagamento antecipado do IRPF, a regra que se aplica é a do art. 173, I do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS, DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A legislação vigente autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o sujeito passivo titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Também são considerados como rendimentos omitidos, os depósitos de origem não comprovada não oferecidos à tributação. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO RELATIVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrências das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na mesma forma como presumidos pela lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 3168DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201266 Acórdão n.º 2401006.085 S2C4T1 Fl. 5 4 Exercício: 2009, 2010 JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. EFEITOS. Os efeitos da jurisprudência judicial e administrativa no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil somente se aplicam às partes nelas envolvidas, não possuindo caráter normativo exceto nos casos previstos em lei. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O presente processo trata de Auto de infração lavrado contra o Contribuinte (fls. 1703/1707), para cobrança de Imposto de Renda Pessoa Física, no valor de R$ 1.019.214,00, relativo aos exercícios de 2009 e 2010, bem como de juros moratórios, no valor de R$ 282.131,53 (calculado até 31/08/2012), e multa proporcional no valor de R$ 764.410,49. De acordo com a Descrição Dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 1705/1715) a Autuação tem por fundamento a OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. O Contribuinte tomou ciência da lavratura do Auto de Infração, pessoalmente, em 14/09/2012, e, em 15/10/2012, apresentou sua Impugnação de fls. 2043 a 2064. Como fundamento de sua defesa argumentou: 1. Que o ato de lançamento é nulo, tendo em vista que a auditoria federal não informou quais seriam os depósitos cuja origem não foi comprovada, além de que não constam nos autos quaisquer justificativas para a recusa de considerável parcela da documentação comprobatória apresentada; 2. Que as provas obtidas para a autuação são ilícitas, tendo em vista que não havia autorização judicial para quebra do sigilo bancário da empresa 3. No mérito, defendeu: a. Que, mesmo havendo reconhecimento expresso que os valores recebidos decorreram do exercício da atividade empresária, a Fiscalização insistiu em lançar o tributo e as multas em face da pessoa física; b. Que sejam considerados os valores já declarados pelo contribuinte na DAA, uma vez que não existe dispositivo legal que permita ao Fisco presumir que as importâncias espontaneamente declaradas não transitaram pelas contas bancárias do Contribuinte; c. Que seja revisto o lançamento com base na apresentação de documentos aptos a justificar os ingressos em suas contas bancárias. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/REC para julgamento, que, através do Despacho nº 3.744/15 (fls. 3.015/3.019), converteu o feito em Fl. 3169DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201266 Acórdão n.º 2401006.085 S2C4T1 Fl. 6 5 diligência e requereu o esclarecimento dos motivos pelos quais a autoridades fiscal não levou em consideração alguns dos documentos apresentados pelo Contribuinte à título de justificativa pelos depósitos bancários em seu favor. Como resposta à determinação da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, o Agente Fiscal apresentou a manifestação de fls. 3028 a 3075. Nessa oportunidade, procurou justificar todos os motivos que levaram à desconsideração de parcela dos documentos acostados aos autos pelo Contribuinte. Uma vez cientificado do resultado da Diligência Fiscal, o Autuado juntou sua defesa (fls. 3080 a 3083), oportunidade na qual alegou: 1. Que a autoridade Fiscal se ocupou em rebater os pontos alegados na defesa conduta esta que não encontra respaldo no rito do processo administrativo fiscal federal. Por esse motivo, requer que sejam desconsideradas as informações trazidas pela auditoria; 2. Que o resultado da diligência apenas comprova a razão do Impugnante ao argumentar que o ato administrativo de lançamento se encontrava viciado por não apresentar justificativa para a desconsideração de parcela dos documentos apresentados pelo Contribuinte; 3. Que se consumou a decadência do lançamento, afirmando que o mesmo somente se aperfeiçoou no dia 21.07.2017, data na qual tomou ciência da diligência e, consequentemente, das justificativas nela formalizadas. Diante do exposto, o processo foi remetido novamente à 1ª Turma da DRJ/REC, para que novamente apreciassem a discussão. Na oportunidade, os julgadores de primeira instância decidiram pela PARCIAL PROCEDÊNCIA do lançamento, excluindo da base de incidência tributária o valor de R$ 6.000,00 (seis mil reais), uma vez que comprovado ser referente a uma transferência de outra conta bancária do recorrente. Todos os demais argumentos foram refutados pela Autoridade Julgadora (fls. 3091/3111). Em 14/02/2018 o Contribuinte tomou ciência do Acórdão (AR – fl. 3137) e, em 13/03/2018, interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 3140 a 3161, onde: 1. Inicialmente, evidencia que a Autuação não foi devidamente fundamentada, o que implica em sua nulidade por cerceamento do direito de defesa do Contribuinte; 2. Argumenta que, caso se considere válido o lançamento, há de se considerar que este somente se aperfeiçoou com a intimação do contribuinte acerca do resultado da Diligência Fiscal na primeira instância, motivo pelo qual haveria se consumado a decadência; 3. Aduz que a obtenção dos dados bancários do Contribuinte não se deu nos conformes da legalidade, uma vez que não foi comprovada a indispensabilidade desses extratos; 4. No mérito: Fl. 3170DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201266 Acórdão n.º 2401006.085 S2C4T1 Fl. 7 6 a. Sustenta que foi apresentada vasta documentação comprovando que os rendimentos do Contribuinte são oriundos da atividade de intermediação e administração da construção civil, o que implica em clara atividade de natureza empresarial e justifica a incidência do IRPJ; b. Relata que não foram expressamente indicados os depósitos cujas origem consideraramse desconhecidas; c. Afirma que houve erro na eleição do sujeito passivo, pois os lançamentos não deveriam ter sido lançados na pessoa física; d. Alega que não foi apresentada justificativa para a desconsideração dos documentos apresentados na oportunidade da fiscalização; e. Solicita que sejam deduzidos da base de incidência os valores que já foram declarados como tributáveis na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda do Contribuinte. É o relatório Voto Vencido Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Da decadência O Recorrente afirma que o lançamento apenas aperfeiçoouse após a sua intimação do resultado da Diligência Fiscal, razão pela qual supostamente teria ultrapassado o prazo decadencial para constituição do débito. Pois bem. Após a apresentação da impugnação por parte do contribuinte, a DRJ determinou a realização de diligência nos seguintes termos: 10. Considerando a necessidade de prover o processo dos elementos necessários ao julgamento da lide, considerando ainda o disposto no art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, proponho o encaminhamento do presente processo à DRF São Bernardo do Campo para que a autoridade lançadora exponha os motivos pelo qual a documentação apresentada pelo contribuinte não foi Fl. 3171DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201266 Acórdão n.º 2401006.085 S2C4T1 Fl. 8 7 considerada hábil a comprovar a origem dos depósitos bancários listados na Planilha "Valores Contestados e não Excluídos". 10.1. Após realizada a diligência, solicito que o contribuinte seja cientificado da motivação da recusa da documentação apresentada para fins de comprovação da origem dos depósitos bancários, sendolhe concedido novo prazo para manifestação. Verificase que foram constatadas falhas no lançamento, em virtude da falta de motivação, razão porque houve necessidade de complementação da das razões que ensejaram o lançamento, o que resultou em lançamento substitutivo com conteúdo alterado, incluindo vasta motivação com relação à recusa de documentos para a comprovação da origem dos depósitos, trazendo clareza à acusação fiscal, conforme se verifica do Relatório Fiscal após a diligência realizada por determinação da DRJ (fls. 3.028/3.072). Do lançamento deve ser regularmente notificado o sujeito passivo (art. 145 do CTN) e, para o seu aperfeiçoamento, imprescindível se faz que a acusação fiscal venha acompanhada com todos os elementos que compõem o lançamento, dentre eles, a motivação, o cálculo do montante devido, a fim de dar conhecimento ao contribuinte da acusação que lhe é imposta. Vejamos como dispõe o Decreto nº 70.235/72 acerca da formalização do crédito tributário: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Nesse diapasão, o lançamento para a exigência do crédito tributário somente se aperfeiçoou em 21.07.2017, data na qual o sujeito passivo tomou ciência da diligência e, consequentemente, das justificativas nela formalizadas e que completaram a acusação fiscal, a qual deve vir acompanhada de todos os elementos indispensáveis à sua comprovação. Como a presente demanda trata da exigência de Imposto de Renda relativo aos exercícios de 2009 e 2010, tanto com base no art. 150, § 4º, como com base no 173, I do CTN, já se operou a decadência dos créditos tributários em discussão. Caso reste vencida nesse ponto, necessário se faz a apreciação dos demais argumentos aduzidos na peça recursal. Nulidade do Lançamento por falta de fundamentação e do cerceamento do direito de defesa A maioria do colegiado votou por afastar a decadência considerando como válido o lançamento desde a sua origem, firmando entendimentos que os esclarecimentos Fl. 3172DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201266 Acórdão n.º 2401006.085 S2C4T1 Fl. 9 8 complementares foram requeridos pela autoridade julgadora de primeira instância para subsidiar a sua convicção, tendo em vista o preceito normativo do artigo 29 do Decreto 70.235/72: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Dessa forma, tomando como base a decisão colegiada, passamos à análise das razões recursais. Consoante alegado pelo Contribuinte, o Lançamento Tributário encontrase eivado por vício de nulidade. De acordo com o Recurso apresentado, a Autoridade Fiscal não teria apresentado as razões que a levaram a desconsiderar os documentos comprobatórios disponibilizados pelo Contribuinte. Após a determinação da diligência requerendo esclarecimentos, foi efetuado o relatório de diligência explicitando de maneira pormenorizada a motivação da acusação fiscal, não havendo que se falar em nulidade. Do erro na eleição do sujeito passivo. O Recorrente afirma que teria havido erro na eleição do sujeito passivo, pois, no seu entender, o auto de infração não poderia ter sido lançado contra sua pessoa física, tendo em vista que teria sido demonstrado que a movimentação financeira seria decorrente de atividade empresarial (fl 2969). Ocorre que, conforme mencionado pela autoridade autuante no Termo de Verificação e de Constatação de Ação Fiscal e relatório de diligência (fl. 1713/1714; 3.028/3.072), os valores comprovados como referentes à Pessoa Jurídica foram devidamente excluídos, mantendose tão somente os depósitos considerados como sem comprovação. Desse modo, uma vez constatados depósitos de origem não comprovada em conta bancária da pessoa física, o auto de infração deve ser lavrado contra esta, pois revestese da condição de sujeito passivo da obrigação, nos termos do art. 121 do Código Tributário Nacional: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Dessa forma, não há que se falar em erro na eleição do sujeito passivo. Fl. 3173DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201266 Acórdão n.º 2401006.085 S2C4T1 Fl. 10 9 Quebra de Sigilo Bancário O Contribuinte alega que houve quebra do seu sigilo bancário sem que se atendesse ao critério legal da indispensabilidade para a fiscalização. Entretanto, entendemos que o procedimento de fiscalização encontra pleno respaldo na legislação pertinente. O Plenário do Supremo Tribunal Federal firmou entendimento, por meio do julgamento de cinco processos (ADIs 2397 2386, 2389, 2390, 2397 e 2406) no sentido de que os dispositivos da Lei Complementar n° 105/2001 não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros não havendo ofensa à Constituição Federal. Destaquese ainda que o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória por este Conselho: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por tais razões, rejeitase a preliminar suscitada pelo contribuinte. Mérito O presente Processo Administrativo trata da exigência de Imposto de Renda da Pessoa Física decorrente da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Cabe inicialmente esclarecer que as questões atinentes à inconstitucionalidade de lei tributária não são oponíveis na esfera do contencioso administrativo, conforme se destaca do enunciado da Súmula nº 2, assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, não cabe ao órgão julgador administrativo o pronunciamento acerca da inconstitucionalidade da presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, por ultrapassar a sua competência funcional. Da Comprovação da origem dos depósitos O Contribuinte alega em suas razões recursais, restou plenamente comprovado nos autos do presente processo que os valores que circularam por suas contas bancárias são originários da atividade de intermediação de negócios de construção civil. Nesses termos, faz menção a uma série de documentos que foram apresentados às autoridades fiscais e, de acordo com o seu entendimento, são plenamente capazes de demonstrar a origem dos depósitos auditados e sua natureza empresarial. Por esse motivo sustenta que estarseia diante de uma hipótese de incidência do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. Acontece que os documentos apresentados no presente processo não são capazes de comprovar a efetiva origem dos ingressos discriminados. Os contratos acostados sequer fazem menção à quaisquer comissões ou quantias a serem repassadas ao Recorrente. Fl. 3174DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201266 Acórdão n.º 2401006.085 S2C4T1 Fl. 11 10 Ademais, inexistem documentos que logrem êxito em comprovar a efetiva natureza comercial dos rendimentos tributados. Simplesmente juntar contratos firmados por terceiros e tentar vinculálos a certos depósitos, sem que haja qualquer identidade de datas ou valores, ou mesmo indicação em linguagem de prova que convergisse na comprovação da origem dos depósitos, é medida infrutífera, uma vez que não é suficiente para afastar a presunção do Art. 42 da Lei 9.430/96. Dessa forma, não sendo atendidos aos critérios quantitativos e temporais, ao menos de forma convergente, se mostra imprestável a vasta documentação apresentada pelo Contribuinte, sendo esta incapaz de atestar a natureza empresarial dos recebimentos e, consequentemente, a suposta incidência do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. No caso em análise, apenas um depósito teve a origem devidamente comprovada pelo contribuinte, qual seja o realizado no dia 28/03/2008, no valor de R$ 6.000,00 (seis mil reais), uma vez que verificouse que esse ingresso decorreu da transferência de uma outra conta bancária de sua titularidade, conforme documentos de fls. 2302, 2303 e 2304, os quais foram excluídos do lançamento, nos termos já expostos pela Decisão de Primeira Instância. Dedução dos valores informados nas Declarações de Ajuste Anual do Contribuinte Com relação a dedução dos valores declarados pelos contribuintes da importância apurada pela fiscalização à título de depósitos bancários de origem desconhecida, cabe ressaltar que essa possibilidade tem por fundamento o princípio da boafé, portanto, é de se considerar que, havendo sido declarados, naquele anobase, quaisquer rendimentos tributáveis, parcela das omissões já integraram os registros fiscais do Recorrente. Logo, constitui direito do Contribuinte que sejam excluídos da apuração os valores já apurados nas competentes Declarações de Ajuste Anual, como rendimentos tributáveis, nos exercícios em que sejam constatadas as omissões. Portanto, devem ser excluídos do lançamento o rendimento de R$ 32.506,00 no anocalendário 2008 e R$ 43.822,80 no anocalendário 2009, relativos a rendimentos declarados já oferecidos à tributação. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir o rendimento de R$ 32.506,00 no anocalendário 2008 e R$ 43.822,80 no anocalendário 2009, relativos a rendimentos declarados já oferecidos à tributação. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 3175DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201266 Acórdão n.º 2401006.085 S2C4T1 Fl. 12 11 Voto Vencedor Conselheiro Rayd Santana Ferreira Redator Designado Não obstante as sempre bem fundamentadas razões da ilustre Conselheira Relatora, peço vênia para manifestar entendimento divergente, por vislumbrar na hipótese vertente conclusão diversa da adotada pela nobre julgadora, apenas quanto a decadência do crédito tributário, impondo manter incólume o Acórdão Recorrido, como passaremos a demonstrar. DA DECADÊNCIA APERFEIÇOAMENTO DO LANÇAMENTO Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Ao fim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando as Contribuições Previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos submetidos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das Fl. 3176DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201266 Acórdão n.º 2401006.085 S2C4T1 Fl. 13 12 informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que apurar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as Contribuições Sociais Previdenciárias deve observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo o entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 3177DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201266 Acórdão n.º 2401006.085 S2C4T1 Fl. 14 13 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Códex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 3178DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201266 Acórdão n.º 2401006.085 S2C4T1 Fl. 15 14 Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento das contribuições, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. In casu, porém, despiciendas maiores elucidações a propósito da matéria, o ponto nodal da demanda é fixar se o Auto de Infração se perfectibilizou no momento da primeira intimação (Relatório Fiscal originário) ou da intimação do "Resultado da Diligência". Pois bem. No que se refere à diligência realizada, é válido acrescentar o que dispõe o art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/1993: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’. A realização de diligências e perícias tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide. Acrescentese ainda que o novo Código de Processo Civil estabeleceu a prática de um contraditório substancial participativo e não apenas formal, no sentido de ouvir as partes interessadas anteriormente à tomada de decisão, evitando assim as "decisõessurpresa". Assim, a autoridade julgadora de primeira instância solicitou uma diligência no intuito de ouvir a autoridade lançadora no que se refere à alegação de ausência de motivação e, posteriormente, foi dada nova chance ao contribuinte para se manifestar quanto à insuficiência probatória. Registrese que o lançamento foi efetuado por autoridade competente e observou os requisitos contidos no Código Tributário Nacional (CTN), instituído pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, e no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, especificando sujeito passivo, enquadramento legal, fato gerador da obrigação, matéria tributável, cálculo do montante devido, penalidade aplicada e prazo para recolhimento ou impugnação, com indicação de cargo e número de matrícula do autuante. Dessa maneira, evidenciase que foram oferecidas condições para que o contribuinte identificasse os fundamentos da autuação realizada, propiciandolhe todos os meios para manifestar suas razões de defesa. Acrescentese ainda que, no caso em questão, a legislação tributária determinou a inversão do ônus da prova, cabendo ao impugnante ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Ademais, essa prova deve ser feita individualmente em relação a cada depósito, conforme veremos a seguir, não devendo prosperar, portanto, a alegação do sujeito passivo de que caso o contribuinte indique a origem dos depósitos, mesmo que de maneira geral, não pode a autoridade fiscal, simplesmente, Fl. 3179DF CARF MF Processo nº 10932.720095/201266 Acórdão n.º 2401006.085 S2C4T1 Fl. 16 15 quedarse inerte, como se a tributação dos depósitos bancários fosse a única forma possível de autuação. Sendo assim, mais uma vez, o auto de infração não foi lavrado com falha de motivação, principalmente quando, conforme declara o próprio contribuinte, a contestação da origem dos depósitos é feita de forma generalizada. Cabe apenas à autoridade fiscal demonstrar a ocorrência da presunção legal, ou seja, a existência de depósitos bancários cuja comprovação não foi feita de forma individualizada e, portanto, não atendeu ao requisito exigido. Dito isto, a meu ver, resta claro que o aperfeiçoamento do lançamento, de acordo com o que dispõe a legislação em regência, especificamente o artigo 142 do CTN, se deu no momento da lavratura do Auto de Infração originário, através da devida ciência do contribuinte. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância parcial com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e NEGARLHE PROVIMENTO para afastar a decadência do crédito tributário, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 3180DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004185/2007-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RELAÇÃO INDIVIDUALIZADA. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. NECESSIDADE. REQUISITO MATERIAL EXIGIDO EM LEI. NULIDADE.
Para a lavratura de lançamento com base na presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, a legislação exige, como condição necessária, a regular intimação do contribuinte para a comprovação, com documentação hábil e idônea, da origem dos depósitos bancários elencados de forma individualizada. Esta intimação deve ser prévia à autuação fiscal a fim de conceder a oportunidade efetiva de se comprovar a origem dos recursos antes do lançamento.
O fato de não existir, antes da lavratura do auto de infração, a relação individualizada de depósitos investigados pela autoridade fiscal, ou, ainda, de ocorrer a intimação seguida de imediato lançamento, sem prazo para comprovar a origem, acarreta vício material tendo como consequência a nulidade do lançamento.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. FLUXO FINANCEIRO MENSAL. CONSIDERAÇÃO DE SALDO DISPONÍVEL EM MESES ANTERIORES. POSSIBILIDADE.
O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado, mensalmente, considerando-se todos os ingressos e dispêndios realizados no mês pelo contribuinte. Para fins de renda declarada disponível deve ser considerado o saldo positivo disponível no mês anterior, sob pena de não restar configurada a comprovação, por parte da autoridade lançadora, dos gastos e aplicações em montante superior aos recursos e origens.
Numero da decisão: 2201-005.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RELAÇÃO INDIVIDUALIZADA. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. NECESSIDADE. REQUISITO MATERIAL EXIGIDO EM LEI. NULIDADE. Para a lavratura de lançamento com base na presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, a legislação exige, como condição necessária, a regular intimação do contribuinte para a comprovação, com documentação hábil e idônea, da origem dos depósitos bancários elencados de forma individualizada. Esta intimação deve ser prévia à autuação fiscal a fim de conceder a oportunidade efetiva de se comprovar a origem dos recursos antes do lançamento. O fato de não existir, antes da lavratura do auto de infração, a relação individualizada de depósitos investigados pela autoridade fiscal, ou, ainda, de ocorrer a intimação seguida de imediato lançamento, sem prazo para comprovar a origem, acarreta vício material tendo como consequência a nulidade do lançamento. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. FLUXO FINANCEIRO MENSAL. CONSIDERAÇÃO DE SALDO DISPONÍVEL EM MESES ANTERIORES. POSSIBILIDADE. O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado, mensalmente, considerando-se todos os ingressos e dispêndios realizados no mês pelo contribuinte. Para fins de renda declarada disponível deve ser considerado o saldo positivo disponível no mês anterior, sob pena de não restar configurada a comprovação, por parte da autoridade lançadora, dos gastos e aplicações em montante superior aos recursos e origens.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. Recorrente MARIA EMILIA PILEGGI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RELAÇÃO INDIVIDUALIZADA. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. NECESSIDADE. REQUISITO MATERIAL EXIGIDO EM LEI. NULIDADE. Para a lavratura de lançamento com base na presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, a legislação exige, como condição necessária, a regular intimação do contribuinte para a comprovação, com documentação hábil e idônea, da origem dos depósitos bancários elencados de forma individualizada. Esta intimação deve ser prévia à autuação fiscal a fim de conceder a oportunidade efetiva de se comprovar a origem dos recursos antes do lançamento. O fato de não existir, antes da lavratura do auto de infração, a relação individualizada de depósitos investigados pela autoridade fiscal, ou, ainda, de ocorrer a intimação seguida de imediato lançamento, sem prazo para comprovar a origem, acarreta vício material tendo como consequência a nulidade do lançamento. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. FLUXO FINANCEIRO MENSAL. CONSIDERAÇÃO DE SALDO DISPONÍVEL EM MESES ANTERIORES. POSSIBILIDADE. O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado, mensalmente, considerandose todos os ingressos e dispêndios realizados no mês pelo contribuinte. Para fins de renda declarada disponível deve ser considerado o saldo positivo disponível no mês anterior, sob pena de não restar configurada a comprovação, por parte da autoridade lançadora, dos gastos e aplicações em montante superior aos recursos e origens. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 41 85 /2 00 7- 34 Fl. 801DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 802 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 679/751, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo II/SP, de fls. 650/671, a qual julgou procedente o lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física – IRPF de fls. 514/524, lavrado em 17/12/2007, relativo aos anos calendários de 2002 a 2005, com ciência do RECORRENTE em 17/12/2007, conforme extrato de fls. 525. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado por: (i) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada; e por (ii) acréscimo patrimonial a descoberto, no valor total de R$ 2.395.791,74, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal – TVF, acostado às fls. 500/513 o contribuinte não logrou em comprovar a origem de todos os depósitos recebidos em suas contas correntes mantidas no Banco Itaú e no Banco do Estado de São Paulo S/A (incorporado pelo Banco Santander). Razão pela qual a autoridade fiscalizadora efetuou o lançamento dos seguintes montantes: Fl. 802DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 803 3 As planilhas com os depósitos individualizados sem origem comprovadas estão nas fls. 474/481. Também de acordo com o Termo de Verificação e de Conclusão Fiscal – TVF de fls. 500/513, durante a fiscalização constatouse o excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados comprovados. A fiscalização, então, elaborou a planilha de demonstrativo da evolução mensal patrimonial, indicando os bens/direitos adquiridos, a situação (declarados ou omitidos) e os valores aceitos ou atribuídos (fls. 483/488). Esta análise ensejou o lançamento por acréscimo patrimonial a descoberto, assim sintetizado: Fl. 803DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 804 4 Por fim, consta no TVF a apuração de ganho de capital, decorrente da alienação de imóveis, ante a correção do custo de aquisição, em valor inferior àquele declarado pelo contribuinte (fls. 512), além do arbitramento em relação ao valor de venda de um dos imóveis (dos R$ 900.000,00 inicialmente declarados para R$ 1.570.000,00, conforme Parecer Técnico 071/2007 – 5ª CCR do MPF). Contudo, o auto de infração não faz menção a nenhum lançamento por ganho de capital. Da Impugnação A RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 545/645. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela DRJ em São Paulo II/SP, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: Cientificada do lançamento por via postal na data de 17/12/2007, conforme Aviso de Recebimento — AR de fls. 459, a contribuinte apresentou na data de 15/01/2008, a impugnação de fls. 473 a 573, instruída pelos documentos de fls. 574/575, aduzindo, em síntese, o que segue: • A Impugnante requereu que lhe fossem fornecidas cópias reprográficas do Processo Administrativo Fiscal e do Dossiê do Contribuinte. Contudo, somente lhe foram fornecidas as cópias do Processo Administrativo Fiscal, sendolhe negado o fornecimento das cópias do Dossiê do Contribuinte, sob o argumento de que tal fornecimento não encontra fundamento legal e que, se atendido o pedido, seria posto em risco todo o trabalho efetuado no curso da fiscalização; • Assim, negado o acesso o acesso a documentos que lhe dizem respeito e que, certamente, comprovariam a origem e a forma irregular como a presente ação fiscal se desenvolveu, além da demonstração cabal do desvio de finalidade, o Poder Público Fl. 804DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 805 5 deixou de atender a princípios constitucionais básicos, tais quais o da legalidade, da publicidade, do contraditório e da ampla defesa; • Na pressa de lavrar o auto a qualquer custo, os agentes fiscais esqueceramse de citar as disposições legais infringidas e a penalidade aplicável a cada caso, sendo que a ausência de tais fundamentos legais tornam o auto de infração nulo e, por conseqüência, absolutamente imprestável; • As observações exaradas pelo Agente Fiscal são destituídas de fundamentação legal e tal procedimento faz com que o contribuinte não tenha como se defender dada a inexistência do tipo legal a ser contraditado; • A Receita ;Federal do Brasil obteve inesperada ajuda da Procuradoria Regional da República em São Paulo, recepcionando um tal Parecer Técnico 071/2007 5' CCR e seu Anexo Laudo de Avaliação, não tendo dado à Impugnante a oportunidade nem de conhecer esse documento nem de fazerlhe resistência legal durante a ação fiscal; • Na hipótese de querer quebrar a confiabilidade inerente ao documento público, há que se trazer à colação, provas robustas e incontestes dos vícios existentes naquele instrumento, o que não foi feito no caso vertente. Neste sentido, transcreve dezenas de julgados das Delegacias de Julgamento da Receita Federal e do Conselho de Contribuintes; • O arbitramento procedido exclusivamente com base no Laudo fornecido pela Procuradoria Regional da República é incabível, tendo em vista que a fiscalização dispunha de vários dados para a formação de sua convicção, a saber; a escritura de compra e venda; os recibos de recolhimento dos tributos de transmissão; os dados contidos na declaração ' de rendimentos do anobase entregue tempestivamente pela Impugnante, os quais jamais foram contestados pelos agentes do fisco; • Valeuse a fiscalização da Lei Complementar 105/2001 e do Decreto 3.724/2001, duas excrescências legislativas cuja constitucionalidade já se encontra em discussão através de Ação Direta de Inconstitucionalidade junto ao Supremo Tribunal Federal; • Não há qualquer fundamento jurídico que justifique a quebra do sigilo bancário da contribuinte sem que haja autorização judicial para tanto, sendo que as provas colhidas sem este requisito são nulas de pleno direito não podendo valer como base de cálculo para o lançamento; • A fiscalização simplesmente desconsiderou quaisquer saídas da suposta conta corrente da Impugnante, tomando por base somente as entradas, por isso resta evidente a total inconsistência do Auto de Infração; Fl. 805DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 806 6 • Em relação à venda do veículo AUDI A4, a alegação de que apenas o verso do documento fora apresentada não é verdadeira, como se verifica dos autos do PAF. Também, o fato da blindagem do veículo ter sido informada apenas no exercício posterior em nada modifica a situação fiscal da contribuinte eis que, se o problema tivesse existido no ano anterior, sua correção teria efeito retificador no ano seguinte. Tal argumento, portanto, igualmente não autoriza a glosa efetuada; • Com referência à doação efetuada entre mãe e filha, a ausência de tal soma nos extratos bancários da contribuinte não é suficiente para dizer que esta não dispunha de tal importância, pois esta poderia, por exemplo, ter essa verba em espécie em seu poder; • No Termo de Verificação Fiscal em nenhum momento há referência a solicitação de comprovação de valores em poder da contribuinte; • A adoção da Taxa SELIC é ilegal e inconstitucional e contraria a regra contida no artigo 161, § 1°, do CTN, sendo sua cobrança improcedente; • Ao final requer seja a Impugnante notificada da hora e local da sessão de julgamento por esta Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, para que possa assistir à sessão, pessoalmente ou através de advogado, entregar memoriais, sustentar oralmente, etc; e protesta por provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas, inclusive ajuntada posterior de documentos. Da Decisão da DRJ Quando do julgamento do caso, a DRJ em São Paulo II/SP julgou parcialmente procedente o lançamento, conforme ementa abaixo (fls. 650/671). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004 e 2005 CERCEAMENTO DE DEFESA. A falta de vistas ao dossiê formalizado pela fiscalização não caracteriza cerceamento ao direito de defesa, na medida em que, todos os elementos necessários à elaboração da impugnação estão presentes no conteúdo do processo administrativo de cobrança do crédito tributário. Preliminar rejeitada. SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento administrativo regularmente instaurado, não constitui quebra do sigilo bancário a obtenção, pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, de dados sobre a movimentação bancária dos contribuintes com base em valores da CPMF. Preliminar rejeitada. Fl. 806DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 807 7 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DERENDIMENTOS A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. A utilização da taxa SELIC como juros moratórios decorre de expressa disposição legal. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Inadmissível a juntada posterior de provas quando a impossibilidade de sua apresentação oportuna não for causada por motivo de força maior. SUSTENTAÇÃO ORAL. JULGAMENTO PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Não cabe sustentação oral pelo contribuinte na primeira instância do julgamento administrativo, por falta de previsão legal. Esse instrumento de defesa está previsto na fase recursal, perante o Conselho de Contribuintes, caso o autuado recorra da decisão e proteste por sua produção naquela instância superior. Lançamento Procedente Do Recurso Voluntário A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 17/4/2009, conforme AR de fl. 678, apresentou o recurso voluntário de fls. 679/751 em 15/5/2009. Em suas razões, alegou a decadência/prescrição do crédito tributário, por não observação do art. 24 da Lei nº 11.457/2007, pois a decisão administrativa foi proferida em prazo superior aos 360 dias a contar do protocolo de sua defesa. No mais, reiterou os argumentos de sua impugnação, discorrendo também sobre o cerceamento do direito de defesa em razão da impossibilidade da prática da sustentação oral no julgamento de primeira instância, o que o tornaria nulo. Fl. 807DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 808 8 Do Mandado De Segurança Também em face da decisão da DRJ, a RECORRENTE impetrou mandado de segurança pleiteando a nulidade da decisão da DRJ, sob o fundamento de cerceamento do direito de defesa, ante a ausência de intimação do contribuinte para participar do julgamento (MS nº 2009.61.00.0099069). Como se observa da sentença de fls. 754/758, a segurança pleiteada foi denegada, sob o argumento de ausência de cerceamento de defesa. Retirada de Pauta de Julgamento O presente processo foi incluído na pauta do dia 14/02/2019. Contudo, na semana que antecedeu a sessão de julgamento, a contribuinte apresentou petição em que solicitou a retirada do processo da pauta, com base no art. 56, §1º, do RICARF, a fim de confeccionar memoriais, preparar sustentação oral e apresentar provas técnicas em sua defesa (fls. 763/766). Assim, foi atendido o pedido de retirada do processo de pauta. Este processo, então, retornou na pauta do mês subsequente, especificamente no dia 13/03/2019. No entanto, em 08/03/2019 a contribuinte apresentou petição de fls. 782/800 através da qual apresentou questões de ordem pública com base nos seguintes tópicos: I. Uso indevido de apenas uma fonte para o lançamento tributário (Tema de Repercussão Geral nº 842 do STF); II. Falta de intimação para comprovação da origem dos depósitos bancários precedente ao auto de infração; III. Erro material na análise da evolução patrimonial da contribuinte. Consequentemente, este processo foi retirado de pauta por proposta deste Conselheiro Relator, em razão da necessidade de análise das questões relevantes suscitadas mediante a petição juntada aos autos na semana que antecedeu o julgamento. Submetida à avaliação do colegiado, a proposta foi acolhida pela unanimidade dos membros da Turma. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Fl. 808DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 809 9 Apesar do Recurso Voluntário do contribuinte possuir 72 páginas, percebese que são estes os pontos atacados pelo contribuinte: (i) decadência do crédito tributário (fls 680); (ii) nulidade do acórdão por falta de fundamentação legal do auto de infração (fls. 692); (iii) nulidade do arbitramento com base Parecer Técnico 071/2007 – 5ªa CCR, desconsiderando a escritura pública de compra e venda (fls. 692); (iv) nulidade da decisão da DRJ por ausência de manifestação da autoridade julgadora quanto à impossibilidade de arbitramento (fls 719); (v) da ilegalidade da quebra do sigilo bancário (fl. 719); (vi) rebateu a presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários e afirmou não terem sido consideradas as despesas/saídas nas contas bancárias (fl. 720); (vii) do erro da decisão da DRJ ao afirmar que o contribuinte não apresentou todos os documentos relativos ao veículo AUDI A4 (fls 721); (viii) reitera todos os argumentos da impugnação quanto a doação de quantia para sua filha (fls.722); (ix) a nulidade do acórdão da DRJ por ausência de manifestação expressa quanto aos valores em poder do contribuinte (fls. 723); (x) a ilegalidade da taxa Selic (fls. 724); (xi) a nulidade da decisão da DRJ por cerceamento do direito de defesa, ante a impossibilidade da prática da sustentação oral no julgamento de primeira instância (fls. 728); (xii) a ilegalidade da portaria nº 258/2001, que disciplina a constituição das turmas e funcionamento das delegacias da receita federal de julgamento (fls. 731). Contudo, em nova petição apresentada às fls. 782/800, a RECORRENTE suscitou questões de ordem pública relativos ao cerceamento do direito de defesa, eis que não foi intimada para comprovação da origem dos depósitos bancários na fase que antecedeu a lavratura do auto de infração, assim como teria havido erro material na construção da planilha de sua evolução patrimonial, o que prejudicaria o lançamento com base no APD identificado. Desta forma, analisarseá os argumentos do contribuinte em cada um dos fundamentos acima aduzidos. PRELIMINARES Alegação de nulidade do auto de infração por ausência da fundamentação legal. A RECORRENTE alega nulidade do auto de infração ocasionada pelo cerceamento de defesa, sob um argumento genérico de suposta ausência de exibição do fundamento legal das infrações. No processo administrativo federal são tidos como nulos os atos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Por sua vez, o art. 10 também Decreto nº 70.235/1972 elenca os requisitos obrigatórios mínimos do auto de infração, in vebis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; Fl. 809DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 810 10 V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. (...) Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Desta forma, para ser considerado nulo, o lançamento tem que ter sido realizado por pessoa incompetente ou violar a ampla defesa do contribuinte. Ademais, a violação à ampla defesa deve sempre ser comprovada, ou ao menos existir fortes indícios do prejuízo sofrido pelo contribuinte. Pois bem, perceba que o contribuinte em sua peça recursal se limita a alegações genéricas, alegando suposta ausência de exibição do fundamento legal. Ora, basta olhar para o auto de infração para observar que houve enquadramento legal (fls. 521 e 523). Desta forma, não há como prosperar a alegação de nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa. Da prescrição intercorrente no processo administrativo Defende a RECORRENTE a decadência/prescrição do crédito tributário ante o transcurso de mais de 360 dias entre o protocolo da impugnação e o julgamento da DRJ, com base no art. 24 da Lei nº 11.457/2007. Perceba que, apesar da RECORRENTE denominar o instituto de “decadência”, em verdade, ele pleiteia o reconhecimento da prescrição intercorrente. No entanto, de acordo com a Súmula nº 11 deste CARF, vinculante, conforme Portaria MF nº 277, não se aplica prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. a conferir: “Súmula CARF nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” Portanto, incabíveis as alegações de prescrição intercorrente no âmbito do processo administrativo fiscal. Fl. 810DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 811 11 Da nulidade da decisão da DRJ por cerceamento de defesa Defende a RECORRENTE a nulidade da Decisão da DRJ por cerceamento do direito de defesa, na medida em que não houve sua intimação para participar do julgamento, tampouco foi concedido possibilidade do seu advogado efetuar sustentação oral. Acontece que, conforme se infere dos autos, a RECORRENTE impetrou Mandado de Segurança buscando o reconhecimento desta suposta ilegalidade (MS nº 2009.61.00.0099069), conforme sentença de fls. 754/758. Como cediço, a propositura de ação judicial pelo sujeito passivo implica renúncia as instâncias administrativas, nos termos da súmula 1 do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, ante a renúncia do RECORRENTE, tais argumentos não devem ser conhecidos. Ademais, importante esclarecer que a referida decisão transitou em julgado em 27/02/2018, após o STF rejeitar o agravo interposto pela RECORRENTE com a finalidade de destrancar o seu Recurso Extraordinário (imagem abaixo): Fl. 811DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 812 12 Com o trânsito em julgado, prevaleceu a sentença de fls. 754/758, mantida pelo acórdão proferido pelo TRF da 3ª Região, com a seguinte ementa: MANDADO DE SEGURANÇA DIREITO ADMINISTRATIVO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ALEGAÇÃO DE NULIDADE À CONTA DE VIOLAÇÃO AO "DEVIDO PROCESSO LEGAL": INOCORRÊNCIA MATÉRIA REGIDA À EXAUSTÃO PELO DECRETO Nº 70.235/72, QUE NÃO PREVÊ AS PROVIDÊNCIAS DESEJADAS PELA CONTRIBUINTE IMPOSSIBILIDADE DE O JUDICIÁRIO TORNARSE GERADOR DE PROVIDÊNCIAS "PROCESSUAIS "INOVADORAS APELO DESPROVIDO. O Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal e o procedimento de consulta, não prevê as providências desejadas pela contribuinte/impetrante (notificação pessoal da data do julgamento, produção de prova testemunhal e oportunidade para "sustentação oral", perante o órgão julgador colegiado). No processo administrativo fiscal assegurase o contraditório e a ampla defesa do contribuinte na apresentação de sua impugnação escrita, que é ilimitada, bem como lhe facultando o duplo grau de jurisdição. Não é atribuição do Judiciário (que não é legislador positivo) debruçarse sobre a normatização processualadministrativa e nela inserir menos ainda criar em certo caso concreto novos atos procedimentais ou providências, a título de suplementar uma suposta insuficiência das regras existentes à luz do devido processo legal. Fl. 812DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 813 13 Sentença denegatória do writ mantida. Atualmente, os autos do processo judicial encontramse ativos tãosomente em para execução de multas impostas pelo STF (processo judicial eletrônico nº 5027471 84.2018.4.03.6100), conforme demonstra o acompanhamento processual da JFSP: Portanto, não conheço do pedido da RECORRENTE. Da Quebra do Sigilo Bancário Quanto a este argumento, a RECORRENTE apenas a ratificou “tudo quanto foi dito na Impugnação a respeito desta matéria, propugnandose pela nulidade das provas colhidas em desacordo com o sistema jurídico de vigência”. Contudo, não merecem prosperar as alegações da RECORRENTE de que houve quebra ilegal de seu sigilo bancário. Afirma a contribuinte que houve a irregular quebra de seu sigilo bancário, na medida que “valeuse a fiscalização da Lei Complementar 105/2001 e do Decreto 3724/2001, duas excrescências legislativas cuja constitucionalidade já se encontra em discussão através de Ação Direta de Inconstitucionalidade junto ao Supremo Tribunal Federal” Fl. 813DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 814 14 De acordo com o que consta do TVF (fl. 507): “O não fornecimento das informações financeiras configurou embaraço à fiscalização, como previsto no inciso I do artigo 33 da Lei n° 9430/96. Fato circunstanciado, em 17/04/2007, mediante a lavratura do Termo de Embaraço à Fiscalização (AR de 26/04/2007). Por decorrência e diante da indispensabilidade do acesso a essas informações, foi quebrado o sigilo bancário da fiscalizada, nos termos do artigo 6° da Lei Complementar n° 105/2001, regulamentado pelo Decreto n° 3.724/2001. Emitiuse as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMFs) de nos 08.1.90.002007003195 e 08.1.90.002007 003187, destinadas às instituições financeiras – Banco Itaú S/A e Banco do Estado de São Paulo S/A, incorporado pelo Banco Santander Banespa S/A. Em 16 e 20 de junho de 2007, respectivamente; o requisitado foi atendido, permitindo a continuidade do procedimento.” Com base nesses extratos, que representam prova concreta dos depósitos nas contas bancárias, que a autoridade fiscal lançou mão da presunção legal contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 para efetuar o presente lançamento (conforme exposto em tópico específico deste voto). Importante esclarecer que a solicitação dos mencionados extratos às instituições financeiras para a instauração de processo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições é autorizada pelo art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e o art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96 (com redação dada pela Lei nº 10.174/2001): LC 105/2001 Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Lei nº 9.311/96 Art. 11. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação. (...) Fl. 814DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 815 15 § 3º A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. (Redação dada pela Lei nº 10.174, de 2001) Sobre o tema, o STF já julgou a legalidade e constitucionalidade dos dispositivos acima transcritos, conforme decisão proferida nos autos do processo paradigma nº RE 601314, transitada em julgado no dia 11/10/2016, em que foi fixada a seguinte tese em repercussão geral (tema 225): I O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal; II A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, § 1º, do CTN. Nesse sentido, não prosperam as alegações de inconstitucionalidade levantadas pela RECORRENTE sobre a obtenção de informações bancárias requisitadas diretamente às instituições financeiras com base no art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001. Devese esclarecer, ainda, que, de acordo com o disposto na Súmula nº 02 deste órgão julgador, esta é matéria estranha à sua competência: “SÚMULA CARF Nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Portanto, não prosperam as alegações de defesa. Alegação de nulidade do auto de infração pela falta de intimação, precedente ao lançamento, para comprovação da origem dos depósitos bancários. Cerceamento do direito de defesa. A RECORRENTE alega nulidade do auto de infração, ocasionada pelo cerceamento de defesa, sob o argumento de que deixou de ser intimada para comprovar a origem dos depósitos bancários antes da lavratura do auto de infração. Como visto, no processo administrativo federal são tidos como nulos os atos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos já citados arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/1972. Desta forma, para ser considerado nulo, o lançamento tem que ter sido realizado por pessoa incompetente ou violar a ampla defesa do contribuinte. Ademais, a Fl. 815DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 816 16 violação à ampla defesa deve sempre ser comprovada, ou ao menos existir fortes indícios do prejuízo sofrido pelo contribuinte. Pois bem, percebese que a contribuinte, em petição apresentada às fls. 782/800, argumenta que a autoridade fiscal não a intimou para comprovar a origem dos depósitos bancários antes do lançamento do crédito tributário e que somente lhe foi apresentada a relação individualizada dos depósitos quando da sua intimação do auto de infração em comento. Para embasar suas alegações, a RECORRENTE narra de forma cronológica o acontecimento dos fatos ocorridos antes da lavratura do auto de infração. Conforma consta no TVF (fls. 500/513), a RECORRENTE foi incialmente intimada a apresentar, dentre uma série de documentos, os seus extratos bancários. Como não atendeu a este ponto específico, a autoridade fiscal lavrou o Termo de Embaraço à Fiscalização de 17/04/2007 (fl. 204) e obteve os extratos bancários por meio de RMFs expedidas ao Banco Santander e Banco Itaú, conforme trecho abaixo extraído do TVF (fl. 507): “Por decorrência e diante da indispensabilidade do acesso a essas informações, foi quebrado o sigilo bancário da fiscalizada, nos termos do artigo 6° da Lei Complementar n° 105/2001, regulamentado pelo Decreto n° 3.724/2001. Emitiuse as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMFs) de n os . 08.1.90.002007003195 e 08.1.90.002007 003187, destinadas às instituições financeiras – Banco Itaú S/A e Banco do Estado de São Paulo S/A, incorporado pelo Banco Santander Banespa S/A. Em 16 e 20 de junho de 2007, respectivamente, o requisitado foi atendido, permitindo a continuidade do procedimento.” Os extratos foram fornecidos pelo Banco Itaú através de documentação datada de 21/06/2017 (fls. 212/217) e Banco Santander por meio da documentação datada de 20/06/2017 (fls. 218/336). Concomitantemente ao recebimento dos extratos bancários, a autoridade lançadora lavrou o Termo de Prosseguimento de Ação Fiscal nº 01 (fl. 337), datado de 20/06/2007. No TVF, a autoridade fiscal afirmou que este Termo de Prosseguimento teve como objeto manter as “solicitações consignadas nos termos anteriores e não atendidas até aquela esta data, excetuandose a movimentação financeira em razão solicitação da quebra do sigilo bancário” (fl. 503). Como visto, o Termo de Prosseguimento de Ação Fiscal nº 01 foi elaborado no mesmo dia do documento através do qual o e Banco Santander remeteu os extratos bancários à autoridade fiscal, ou seja, em 20/06/2017 (fls. 218/336), e foi anterior ao documento elaborado pelo Banco Itaú para a remessa dos extratos bancários da RECORRENTE, documentação, esta, datada de 21/06/2017 (fls. 212/217). Portanto, quando a RECORRENTE foi intimada do Termo de Prosseguimento de Ação Fiscal nº 01, não existia a relação individualizada de depósitos cuja origem foi solicitada a comprovação por parte da contribuinte. Após o Termo de Prosseguimento de Ação Fiscal nº 01, foi elaborado o Termo de Intimação Fiscal nº 02, datado de 08/08/2007 (fls. 339/340). Contudo, conforme expõe o TVF, referido Termo de Intimação teve por objeto apenas a requisição de documentos Fl. 816DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 817 17 envolvendo a doação do valor de R$ 222.195,95 informados na declaração de ajuste da RECORRENTE como efetuado à Adriana Pileggi (fl. 503): “O Termo de Intimação Fiscal n° 02 foi lavrado, em 08/08/2007 (ciência postal registrada em 09/08/2007), para requisitar da fiscalizada a comprovação, mediante documentação em sua forma original (DOC, recibo de depósito, cheque administrativo ou qualquer modalidade de transferência bancária), do valor de R$ 222.195,95, registrado na sua Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2004/anocalendário 2003 (Dirpf/2004), no quadro 7 Pagamentos e Doações, como efetuados à Adriana Pileggi de Soveral, CPF n°. 112.883.32807. Neste Termo, ressaltouse a importância da prova documental a ser exibida a esta fiscalização, a qual deveria contemplar o efetivo pagamento e/ou doação, vinculandose a este(a), a origem dos recursos, coincidentes em datas e valores, tendo sido observado que o solicitado já fora objeto de intimação anterior.” A RECORRENTE apresentou suas razões ao mencionado Termo de Intimação Fiscal nº 02, conforme resposta de fl. 342. Após esta intimação, não houve qualquer outra solicitação ou intimação da RECORRENTE até a lavratura do Auto de Infração em 17/12/2007 (fls. 519/523), o qual seguiu acompanhado do TVF (fls. 500/513) e da relação individualizada de depósitos cuja origem não foi comprovada (fls. 474/482). Ou seja, apesar de o TVF (fl. 507) afirmar que, “reiteradamente intimada, a fiscalizada deixou de comprovar integralmente, por meio de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos creditados/depositados, no curso dos anoscalendário de 2002 a 2004”, percebese que não houve, durante a fase de fiscalização, qualquer intimação da contribuinte acompanhada da relação individualizada dos depósitos para que a mesma comprovasse a origem. Devese esclarecer que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda. Por outro lado, o mesmo dispositivo legal aponta que o contribuinte deve ser regularmente intimado para comprovar a origem dos recursos, nos seguintes termos: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações." Tanto que, nos termos do §3º do referido art. 42 da Lei nº 9.430/1996, a legislação aponta para a necessidade de análise individual de cada um dos depósitos: § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: Fl. 817DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 818 18 I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) Ou seja, para a composição da base de cálculo com os créditos omitidos, é condição necessária a apresentação ao contribuinte da relação individualizada dos créditos apontados como sem origem comprovada, o que permite, dentre outras garantias, o exercício da ampla defesa e contraditório por parte do contribuinte. Esta condição não foi observada no presente caso, já que somente quando da lavratura do auto de infração foi que a RECORRENTE teve acesso à relação individualizada dos créditos cuja comprovação da origem foi requisitada pela autoridade fiscal. É necessário também expor que a intimação do contribuinte para tomar ciência da relação individual de depósitos investigados pela autoridade fiscal deve ocorrer na fase que antecede a lavratura do auto de infração, sob pena de cerceamento do direito de defesa. No caso, entendo que aplicase – de forma indireta – o teor da Súmula nº 29 deste CARF, a qual trata do lançamento com base em depósitos bancários envolvendo contas conjuntas. É que, de acordo com referida súmula, todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de exclusão, da base de cálculo do lançamento, dos valores referentes às contas conjuntas em relação às quais não se intimou todos os cotitulares: Súmula CARF nº 29 Os cotitulares da conta bancária que apresentem declaração de rendimentos em separado devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de exclusão, da base de cálculo do lançamento, dos valores referentes às contas conjuntas em relação às quais não se intimou todos os co titulares. O presente caso não envolve contas conjuntas. No entanto, o teor desta súmula é importante para demonstrar o entendimento da jurisprudência no sentido de que a intimação do titular da conta bancária para comprovar a origem dos depósitos deve ocorrer “na fase que precede à lavratura do auto de infração”. Ou seja, não há convalidação do ato caso o mesmo seja efetuado após a lavratura do auto de infração. Esta observação é particularmente importante ao presente caso pois, como visto, os extratos bancários da RECORRENTE foram obtidos por meio de RMFs e somente quando da lavratura do auto de infração foi que a RECORRENTE tomou ciência da relação individual de depósitos cuja comprovação da origem estava sendo requisitada pela fiscalização. Fl. 818DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 819 19 Ou seja, somente com o lançamento pronto foi que ocorreu a intimação da RECORRENTE para comprovar a origem dos depósitos. Sob o tema, esclareçase que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a autoridade fiscal agir conforme estabelece a lei, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” O art. 42 da Lei nº 9.430/96 estabelece que o titular da conta bancária deve ser regularmente intimado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira. Ademais, o §3º do mesmo dispositivo legal aponta para a necessidade de elaboração da relação individualizada dos depósitos a serem comprovados. Transcrevo abaixo julgados do CARF sobre o tema: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2005 DA OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE REQUISITO. NULIDADE. A falta de intimação à interessada solicitando a comprovação, com documentação hábil e idônea, da origem dos depósitos bancários, devidamente individualizado, acarreta vício material, tendo como consequência a nulidade do lançamento. (acórdão nº 1402003.608; julgado em 11/12/2018) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003 RECURSO DE OFÍCIO. Atendidos os limites vigentes do recurso de ofício, deve ser conhecido e analisado no mérito. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 Fl. 819DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 820 20 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/1996. INTIMAÇÃO COMPROVAÇÃO PRÉVIA. Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, a intimação fiscal para comprovar os depósitos bancários deve ocorrer previamente à autução fiscal. (...) (acórdão nº 1402003.213; julgado em 12/06/2018) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2002 (...) DEPÓSITO BANCÁRIO. VÍCIO NA INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, é requisito essencial para a presunção de omissão de rendimento a prévia intimação do titular da conta bancária. A falta de intimação é vício material que gera nulidade do lançamento. Súmula CARF nº 29. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO. INTIMAÇÃO REGULAR. O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 exige a regular intimação do Contribuinte para que se estabeleça a presunção em seu desfavor. Não se trata de requisito formal, sendo necessário conceder a oportunidade efetiva, ao sujeito passivo, de comprovar a origem dos recursos antes do lançamento. A intimação seguida de imediato lançamento, sem prazo para comprovar a origem, não é suficiente para que se estabeleça a presunção legal. (...) (acórdão nº 2202003.832; julgado em 09/05/2017) Como no presente caso as condições do art. 42 da Lei nº 9.430/96 não foram observadas antes da lavratura do auto de infração, forçoso reconhecer a nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa da RECORRENTE, em relação à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada. MÉRITO Acréscimo Patrimonial a Descoberto Em que pese haver menções no termo de verificação fiscal quanto ao ganho de capital auferido em decorrência da alienação do apartamento n° 61 do Edifício Conde de Fl. 820DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 821 21 Oxford, localizado à Rua Domingos Fernandes, 230 – Jd. Paulista/São Paulo e do apartamento n° 71 do Edifício Piazza Di Spagna, sito à Praça Pereira Coutinho n° 175 – Jardim Paulista/São Paulo, o presente processo não contempla qualquer lançamento decorrente dos mencionados fatos envolvendo ganho de capital. O presente lançamento foi realizado por Acréscimo Patrimonial a Descoberto, considerando os sinais exteriores de riqueza, com base no art. 55, XIII, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99): Art.55. São também tributáveis: XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; O entendimento firme deste CARF é no sentido de que o lançamento de imposto de renda com base na presunção de omissão de rendimentos, com base no acréscimo patrimonial a descoberto, é possível quando a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1996 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Constituise rendimento tributável o valor correspondente ao acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis declarados, não tributáveis, isentos, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA FLUXO FINANCEIRO. BASE DE CALCULO APURAÇÃO MENSAL ÔNUS DA PROVA O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado, mensalmente, considerandose todos os ingressos e dispêndios realizados no mês, pelo contribuinte. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível (tributada, não tributada ou tributada exclusivamente na fonte). Recurso negado. (processo nº 11543.000484/200165; 2ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; julgamento em 14/05/2014) Acontece que, no presente caso, a autoridade fiscalizadora errou na apuração do acréscimo patrimonial, na medida em que desconsiderou o saldo disponível para o mês seguinte (disponibilidade financeira do RECORRENTE), conforme se infere das planilhas de fls.483/488. Explico. Fl. 821DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 822 22 Da análise da planilha elaborada pela fiscalização, inferese que ela fez uma comparação, mêsamês, dos rendimentos e dos dispêndios/aplicações da RECORRENTE, e nos meses em que os dispêndios foram superiores aos rendimentos, efetuou o lançamento, conforme exemplificado pelo lançamento de dezembro/2003 (fls. 483): · Total de receitas de dezembro/2003 (A): R$ 31.784,04 · Total de despesas de dezembro/2003 (B): R$ 48.084,53 · Lançamento (BA): R$ 48.084,53 R$ 31.784,04 = R$ 16.336,49 Acontece que, conforme se infere pela própria planilha, a autoridade fiscalizadora desconsiderou as sobras dos meses anteriores, que constituem saldo disponível para o mês seguinte (fls.483). Conforme acima destacado, é dever da autoridade lançadora comprovar gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível. Por renda declarada disponível obviamente se inclui a renda obtida nos meses anteriores do anocalendário, e não apenas a renda auferida no mês em que ocorrer o dispêndio. Nesse sentido, considerando apenas os rendimentos auferidos no ano de 2003, constantes na própria planilha elaborada pela fiscalização, o saldo disponível para uso no mês de dezembro/2003 deveria ser de R$ 228.485,36 (representado pelos recursos da ordem de R$ 31.748,04 no próprio mês acrescido de R$ 196.737,32 do somatório dos saldos disponíveis nos meses anteriores), o que faria frente às despesas da ordem de R$ 48.084,53 no mencionado mês de dez/2003. Destacase que o campo “SALDO DISOPNÍVEL DO MÊS ANTERIOR”, na parte dos rendimentos da planilha, é sempre mantido em branco. E que os valores dos rendimentos são exatamente iguais àqueles declarados em DIRF (fls.70). Pois bem, conforme dito no relatório fiscal, foram esses os lançamentos por acréscimo patrimonial a descoberto: Fl. 822DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 823 23 Nesse mesmo sentido, somando as receitas e despesas/dispêndios informado na planilha de fl. 485, constatase que o saldo disponível para utilização (sem considerar o saldo positivo no ano anterior) era de R$ 280.090,78 no mês de março/2004; de R$ 251.552,75 para o mês de maio/2004; e de R$ 3.471.394,54 para o mês de dezembro/2004, valores esses que fazem frente aos acréscimos apontados como descobertos, conforme tabela acima. Portanto, não houve acréscimo patrimonial, pois havia saldo disponível do mês anterior para arcar com todos os dispêndios/aplicações realizadas. O mesmo é válido para o ano de 2005 (fl. 487). A autoridade fiscalizadora lança um suposto acréscimo patrimonial de R$ 968.097,60 no mês de dezembro/2005, mas desconsidera o saldo acumulado disponível de aproximadamente R$ 1.009.531,37 (sem considerar o saldo positivo no ano anterior). Portanto, entendo que deve ser afastado o lançamento relativo ao APD apurado. Por conseguinte, entendo como prejudicado todos os argumentos da RECORRENTE relacionados ao lançamento por acréscimo patrimonial a descoberto, quais sejam: (vii) do erro da decisão da DRJ ao afirmar que o contribuinte não apresentou todos os documentos relativos ao veículo AUDI A4 (fls 721); (viii) reitera todos os argumentos da impugnação quanto a doação de quantia para sua filha (fls.722); (ix) a nulidade do acórdão da DRJ por ausência de manifestação expressa quanto aos valores em poder do contribuinte (fls. 723);; Por fim, como já exaustivamente aduzido, não houve qualquer lançamento por ganho de capital referente à alienação do apartamento n° 61 do Edifício Conde de Oxford, localizado à Rua Domingos Fernandes, 230 – Jd. Paulista/São Paulo e do apartamento n° 71 do Edifício Piazza Di Spagna, sito à Praça Pereira Coutinho n° 175 – Jardim Paulista/São Paulo. Desta forma, também entendo como prejudicado os argumentos do contribuinte acerca da (iii) nulidade do arbitramento com base Parecer Técnico 071/2007 — 5a CCR, desconsiderando a escritura pública de compra e venda (fls. 692) ); (iv) nulidade da decisão da DRJ por ausência de manifestação da autoridade julgadora quanto à impossibilidade de arbitramento (fls 719). Ademais, caso houvesse a imputação de infração decorrente do ganho de capital, a diferença apontada pela autoridade como recebimento a maior omitido pela contribuinte (no caso, os R$ 670.000,00) deveria integrar a linha de recursos/origens “2 RENDS. OMITIDOS APURADOS PELA FISCALIZAÇÃO” na planilha de verificação da evolução patrimonial, assim como integraram os rendimentos apontados como omitidos em decorrência da infração relativa aos depósitos bancários sem origem comprovada; Fl. 823DF CARF MF Processo nº 19515.004185/200734 Acórdão n.º 2201005.086 S2C2T1 Fl. 824 24 ou seja, seria mais um valor disponível para fins de cálculo do APD. Contudo, repitase, não houve lavratura do auto de infração por ganho de capital, neste processo. Tendo em vista o cancelamento integral do lançamento envolvendo tanto os depósitos bancários como também o APD, deixo de analisar as demais razões recursais apresentadas pela RECORRENTE. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer a improcedência do lançamento por acréscimo patrimonial a descoberto, assim como do lançamento por omissão de rendimentos caracterizado por depósitos sem origem comprovada, conforme razões acima apresentadas. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 824DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.015179/2007-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003
IRPF. RENDIMENTO. PERITO OU ESPECIALISTA ONU OU AGÊNCIAS. ISENÇÃO.
A Receita Federal do Brasil está impedida de constituir ou exigir créditos tributários relativos à incidência do IRPF sobre os rendimentos do trabalho recebidos por peritos de assistência técnica contratados no Brasil para atuarem como consultores da ONU ou de suas Agências Especializadas, nem inscrevê-los em Dívida Ativa da União, devendo, ainda, rever de ofício os lançamentos e as inscrições já efetuadas, respeitados os prazos que limitam o exercício de direitos por parte dos contribuintes, em razão das disposições expressas no REsp nº 1.306.393/DF, julgado pelo STJ na sistemática prevista no art. 543-C do Código de Processo Civil (CPC), e tendo em vista a Nota PGFN/CRJ nº 1.549, de 2012.
ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO.
O ônus da prova para desconstituição do crédito lançado é do contribuinte beneficiário.
DECADÊNCIA.
Sendo a decadência matéria de ordem pública, deve ser conhecida de ofício.
Numero da decisão: 2402-007.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, também por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, excluindo-se da base de cálculo do tributo lançado o valor referente à renda recebida da Unesco.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Relator.
Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Wilderson Botto (suplente convocado). Ausente a Conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto.
Nome do relator: PAULO SERGIO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, também por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, excluindo-se da base de cálculo do tributo lançado o valor referente à renda recebida da Unesco. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira- Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva - Relator. Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Wilderson Botto (suplente convocado). Ausente a Conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto.
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RENDIMENTO. PERITO OU ESPECIALISTA ONU OU AGÊNCIAS. ISENÇÃO. A Receita Federal do Brasil está impedida de constituir ou exigir créditos tributários relativos à incidência do IRPF sobre os rendimentos do trabalho recebidos por peritos de assistência técnica contratados no Brasil para atuarem como consultores da ONU ou de suas Agências Especializadas, nem inscrevêlos em Dívida Ativa da União, devendo, ainda, rever de ofício os lançamentos e as inscrições já efetuadas, respeitados os prazos que limitam o exercício de direitos por parte dos contribuintes, em razão das disposições expressas no REsp nº 1.306.393/DF, julgado pelo STJ na sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), e tendo em vista a Nota PGFN/CRJ nº 1.549, de 2012. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. O ônus da prova para desconstituição do crédito lançado é do contribuinte beneficiário. DECADÊNCIA. Sendo a decadência matéria de ordem pública, deve ser conhecida de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, também por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, excluindose da base de cálculo do tributo lançado o valor referente à renda recebida da Unesco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 01 51 79 /2 00 7- 45 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10166.015179/200745 Acórdão n.º 2402007.188 S2C4T2 Fl. 100 2 (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Relator. Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Wilderson Botto (suplente convocado). Ausente a Conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 77) pelo qual o recorrente se indispõe contra acórdão que decidiu pela procedência meramente parcial de impugnação apresentada contra lançamento de IRPF, referente aos anoscalendário de 2003, no valor total de 3.607,72 (incluídos juros e multa), incidente sobre omissão de rendimentos, dedução indevida de contribuição à previdência oficial e dedução indevida e imposto de renda retido na fonte. Colacionase abaixo excerto da decisão recorrida, onde consta relato dos pontos questionados na impugnação apresentada naquela oportunidade: Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10166.015179/200745 Acórdão n.º 2402007.188 S2C4T2 Fl. 101 3 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10166.015179/200745 Acórdão n.º 2402007.188 S2C4T2 Fl. 102 4 Além dessas matérias abordadas na impugnação, o contribuinte inova no recurso voluntário, alegando a ocorrência de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito analisado. Ao examinar o processo, entendendo a autoridade de piso 1) que a renda do contribuinte recebida do UNESCO (órgão vinculado à ONU) não se enquadra entre as hipóteses legais de isenção, manteve o tributo lançado; 2) que não foi comprovada o desconto de parte da contribuição previdenciária oficial declarada, manteve a glosa de 68,28; 3) que não foi comprovado parte da retenção de imposto de renda na fonte, manteve a glosa de 772,12, de forma que, ao final, foi decido pela procedência parcial da impugnação. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário trazendo, em síntese, os mesmos argumentos apresentados no primeiro grau, agregando porém questionamentos a cerca da ocorrência de decadência e de cumulação indevida de penalidades. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio da Silva, Relator. Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais para sua admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Decadência No que tange à alegação de decadência, não obstante tratese de inovação em relação aos argumentos da impugnação apresentada à autoridade de piso, por tratarse de matéria de ordem pública, aqui se analisa. Assim, quanto à alegação de decadência, considerando que os fatos geradores em apreço ocorreram no decorrer do anocalendário de 2003 e tendo o fisco 5 anos para constituição do crédito tributário incidente, constatase tanto pelo critério de contagem do prazo decadencial previsto no §4º do Art. 150 como pelo critério do §1º do art. 171, do Código Tributário Nacional, que o direto de o fisco lançar o crédito não foi atingido, posto que o lançamento foi realizado em 08.11.2007 (fls. 43). Da omissão de renda Examinando os documentos verificase que os rendimentos questionados foram recebidos por prestação de serviço de consultor à Unesco, agência oficial ligada às Organização das Nações Unidas (ONU.) Quanto à tal fato, vale observar, que existe pronunciamento da Coordenação Geral de Tributação (COSIT) entendendo que os rendimentos pagos a prestadores de serviços contratados no Brasil para prestar serviços à órgão oficial ligado à ONU (Solução de Consulta nº 194 Cosit, de 05.08.2015) não devem ser objeto de lançamento ou devem, mesmo, ser revistos de ofício. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10166.015179/200745 Acórdão n.º 2402007.188 S2C4T2 Fl. 103 5 PERITOS DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA. AGÊNCIA ESPECIALIZADA DA ONU. A Receita Federal do Brasil está impedida de constituir ou exigir créditos tributários relativos à incidência do IRPF sobre os rendimentos do trabalho recebidos por peritos de assistência técnica contratados no Brasil para atuarem como consultores da ONU ou de suas Agências Especializadas, nem inscrevêlos em Dívida Ativa da União, devendo, ainda, rever de ofício os lançamentos e as inscrições já efetuadas, respeitados os prazos que limitam o exercício de direitos por parte dos contribuintes, em razão das disposições expressas no REsp nº 1.306.393/DF, julgado pelo STJ na sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), e tendo em vista a Nota PGFN/CRJ nº 1.549, de 2012. Dispositivos Legais: Decreto nº 59.308, de 23 de setembro de 1966; Decreto nº 52.288, de 24 de junho de 1963; Decreto nº 27.784, de 16 de fevereiro de 1950; Nota PGFN/CRJ nº 1.549, de 3 de dezembro de 2012; REsp nº 1.306.393/DF; Solução de Consulta Cosit nº 64, de 7 de março de 2014. Nesse mesmo sentido pronunciouse a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional NOTA PGFN/ CRJ / N º 1104 /2017, entendendo, pela Portaria PGFN/Nº 502/2016, que é dispensável a contestação ou a apresentação de recursos sobre fato relacionado à decisão exarada no REsp. 1.306.393/DF, evolvendo demandas que pleiteiam a isenção do IRPF sobre: (i) os rendimentos do trabalho auferidos por perito de assistência técnica (art. IV, 2, d, do Decreto nº 59.308, de 1996), a serviço da ONU, contratado no Brasil para trabalhar nos seus demais programas, bem como sobre: (ii) os rendimentos do trabalho auferidos por perito de assistência técnica (art. IV, 2, d, do Decreto nº 59.308, de 1996), contratado no Brasil a serviço das Agências Especializadas da ONU listadas expressamente no Decreto nº 59.308, de 1966, desde que o recebimento dos valores decorra única e exclusivamente das atividades prestadas a esses organismos internacionais. Em razão disso, deve ser afastada a tributação incidentes sobre tal remuneração, objeto do lançamento sob exame. Quanto à dedução indevida de contribuição à previdência oficial e à dedução de retenção do imposto de renda na fonte Sobre as alegações apresentadas pelo contribuinte envolvendo a exigência tributária incidente dedução indevida de contribuição à previdência oficial e de imposto de renda retido na fonte, o recurso apresentado apenas repete as alegações da impugnação, assim, em razão de o entendimento a ser adotado neste voto não diferir do constante no acórdão recorrido, colacionase excerto dessa decisão, tratando da matéria. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10166.015179/200745 Acórdão n.º 2402007.188 S2C4T2 Fl. 104 6 Da cumulação indevida de penalidades Sobre a alegação apresentada pelo contribuinte quanto a uma suposta ocorrência de cumulação indevida de penalidades, em razão de tratarse de inovação processual, haja vista tal matéria não ter sido impugnada na instância de piso, deixase de conhecêla. Conclusão Posto isso, voto por CONHECER EM PARTE o recurso voluntário e, no mérito, dessa parte conhecida, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso apresentado, a fim de excluir da base de cálculo do tributo a remuneração recebida da UNESCO, com cálculo de eventual crédito residual a ser realizado pela unidade de origem. Assinado digitalmente Paulo Sergio da Silva – Relator Fl. 104DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.006667/2009-99
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Sergio Abelson- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson- Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan.
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ANOCALENDÁRIO 2008 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, consoante a Súmula CARF nº 49. Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sergio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 0819.189, da 3a Turma da DRJ/FOR, que negou provimento à impugnação, apresentada pela ora recorrente, contra o Auto de Infração que exigiu o crédito tributário, relativamente a multa pelo atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 66 67 /2 00 9- 99 Fl. 32DF CARF MF 2 Resumo, a seguir o relatório: Cuidam os presentes autos de Impugnação manejada pela interessada contra a Notificação de Lançamento de fls. 02, mediante a qual lhe foi cobrada multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF relativa ao segundo semestre de 2008. Segundo o documento de fls. 02, a interessada entregou em 14/04/2009 a DCTF do segundo semestre de 2008, cujo prazo de entrega se exaurira em 07/04/2009. Em sua defesa, alega a interessada que: "Tendo em vista que por motivos superiores ou seja, pane no computador de nossa empresa, não foi possível cumprir o prazo legal para entrega da DCTF só podendo fazer a entrega no dia 14/04/2009, tal qual o espanto a notificação de lançamento de multa por este pequeno atrazo (sic) que ocorreu não por vontade própria mas por força maior." [...] nós fizemos a entrega por livre e espontânea vontade não fomos intimados ou notificados para a referida entrega". "Diz o Código Tributário Nacional: 'Ao procurar o órgão competente para sanar quaisquer irregularidades e cumprir formalidade legal antes de qualquer notificação ou solicitação, fica o contribuinte isento de que seja aplicada multa ou outras penalidades pelo referido cumprimento". [...] a Receita Federal descumpriu tacitamente o preceito legal do CTN acima citado, portanto solicitamos que seja tornado sem efeito a cobrança de multa [...]." A recorrente foi cientificada da decisão em 20/12/2010 (fl 25) e apresentou o seu recurso voluntário em 18/01/2011 (fl 26). Voto Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, e que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A recorrente alega, basicamente, as mesmas razões apresentadas em sua impugnação requerendo que: 1 Ao fazer o julgamento do recurso imposto junto ao Delegado da Receita Federal de Julgamento, a 30 turma da DRJ/FOR não atendeu ao que diz o art. 138 do CTN que em seu teor diz: "Ao procurar o órgão competente para sanar quaisquer irregularidade e cumprir formalidade legal antes de qualquer notificação ou solicitação, fica o contribuinte isento de que seja aplicada multa ou outras penalidades pelo referido cumprimento. 2 Nos cumprimos nossa obrigação legal mesmo sem que tivéssemos sidos notificados, e a Receita Federal do Brasil, descumpriu tacitamente o preceito legal do CTN acima citado, pois no momento da entrega (14.04.2009) foi que a receita por meio eletrônico enviou a mensagem com notificação, pois apesar dela haver Fl. 33DF CARF MF Processo nº 10380.006667/200999 Acórdão n.º 1001001.148 S1C0T1 Fl. 3 3 marcado a data de entrega dia 07.04.2009 nos dias seguintes a data não fomos notificados, após a entrega foi que a receita federal tomou tal atitude, solicitamos que seja tornado sem efeito a cobrança de multa pelo cumprimento desta obrigação pois será um ato de JUSTIÇA. A DRJ proferiu seu voto no sentido de que: ALEGAÇÃO DE MOTIVO DE FORCA MAIOR A apresentação da DCTF é uma obrigação acessória que compete ao Sujeito Passivo da obrigação tributária, sendo irrelevante, para qualquer efeito, ai incluído o de eximilo da multa por atraso na entrega da Declaração, o fato de o sujeito passivo haver incumbido o seu contador de preenchêla e entregála à Receita Federal. Além disso, a própria cautela do Profissional Contabilista aconselha que, para serem evitados imprevistos de última hora, devem ser praticados os atos sob sua responsabilidade, dentre os quais a entrega da DCTF, com a devida antecedência. Somese ao que foi dito que não constitui força maior eventual pane em equipamento de informática (computador) no escritório do Contabilista responsável pela escrituração do Contribuinte/Empresa, fato, inclusive, não comprovado pelo Impugnante. No ponto, aliás, por bem retratar o entendimento para o qual convirjo acerca desse mesmo tema, reproduzo excerto do voto do Julgador Andre Suaki dos Santos, consignado no já mencionado Acórdão DRI/FNS n.° 5.859, de 22/04/2005, e que diz o seguinte (omiti, ver fl 11): ... A entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, relativas ao anocalendário 2008, era disciplinada pela Instrução Normativa SRF 786, de 19/11/2007, que estabelecia o seguinte, quanto as pessoas jurídicas obrigadas a sua apresentação: ... Como se depreende da leitura dos dispositivos acima transcritos, é indiscutível que a interessada, por se subsumir à situação fática descrita no artigo 2°, e não se enquadrar em qualquer das hipóteses excludentes arroladas nos incisos do artigo 5 0, estava obrigada a entregar, nos prazos legalmente fixados, as DCTF relativas aos dois semestres do anocalendário 2008. A competência do Secretário da RFB para instituir obrigações acessórias por meio de Instruções Normativas está prevista na Portaria MF n° 118, de 28 de junho de 1984, mediante a qual o Ministro da Fazenda delegou ao titular da RFB a competência que lhe fora legalmente atribuída pelo artigo 5° do DecretoLei n° 2.124, de 13 de junho de 1984, conforme se depreende da leitura dos dispositivos abaixo transcritos (cita a legislação aplicável, qual seja DecretoLei n°2.124, de 13 de junho de 1984, PORTARIA No. 118 DE 28 /06 /1984 MINISTÉRIO DA FAZENDA MF , Instrução Normativa n° 126, de 30 de outubro de 1998. A seguir, apresenta a base legal da aplicação da multa, ou seja o art. 7° da Lei 10.426/2002. Fl. 34DF CARF MF 4 Por último, concluí que não cabe a alegação da denúncia espontânea, prevista no artigo 138, do Código Tributário Nacional CTN, com base no art. 113 do CTN, segundo o qual: Art. 113.A obrigação tributária é principal ou acessória. parag. 3° A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. a inobservância do cumprimento de uma obrigação acessória, a converte em obrigação principal. ... Cita jurisprudência do Extinto Conselho de Contribuinte e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A seguir, expõe: Inobstante a argumentação até aqui expendida, resta claro, como demonstrado alhures, que havia legislação vigente e eficaz sancionando a conduta da interessada, não competindo a este julgador afastar sua aplicação. A autoridade fiscal (lançadora e julgadora) não se pode furtar ao cumprimento das determinações da legislação tributária, pois sua atividade é plenamente vinculada, sob pena de responsabilidade funcional (art. 3° e parágrafo único do art. 142 do CTN). Por sua vez o artigo 141 do mesmo CTN determina: O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, Assim, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, deve limitarse em aplicar a lei regularmente inserida no mundo jurídico, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Nesse sentido, observese o que dispõe o artigo 26A do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) Na mesma linha opera o disposto no artigo 7° da Portaria MF n° 58, de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento: Art. 7° O julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei n°8.112, de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos. Em síntese, tratandose de processo administrativo fiscal, basta, para a formação do convencimento da autoridade julgadora, norma jurídica vigente e apta a incidir; se é válida ou não, já se cuida de questionamento a ser apreciado pelo Poder Judiciário, e, mesmo assim, para que a tutela beneficie o contribuinte, (1) deve ele Fl. 35DF CARF MF Processo nº 10380.006667/200999 Acórdão n.º 1001001.148 S1C0T1 Fl. 4 5 ser parte interessada na contenda judicial, ou, se não, (2) deve referida tutela emanar, em última análise, do STF. Como antes já se demonstrou, a instituição da obrigação acessória de entrega da DCTF, bem como a cominação de multa pelo seu descumprimento ou cumprimento a destempo, estão amparadas, no que se refere ao anocalendário 2008, respectivamente, no DecretoLei n°2.124, de 13 de junho de 1984 (reiterado pela Lei n°9.779, de 19 de janeiro de 1999), e na Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, ambos vigentes e eficazes ao tempo da autuação ora debatida. Ante a argumentação acima exposta, não pode prosperar o pedido de cancelamento da Notificação de Lançamento de fls. 02 com fundamento na aplicação do instituto jurídicotributário da Denúncia Espontânea de Infrações, consagrado no artigo 138 do CTN. Adicionalmente ao correto arrazoado, apresentado no acórdão da DRJ, acrescento que a alegação da denúncia espontânea, prevista no artigo 138, do Código Tributário Nacional CTN, em casos de penalidade por atraso na entrega de declaração, já foi objeto de súmula por este CARF a n°49, como versa: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Assim, não assiste razão a recorrente e, portanto, nego provimento ao presente Recurso Voluntário e mantenho o crédito tributário apurado. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 36DF CARF MF
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