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Numero do processo: 13116.720259/2013-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa na qual esteja escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária.
BASE DE CÁLCULO. FISCO ESTADUAL.
Na falta de apresentação dos livros comerciais e fiscais de escrituração obrigatória, é lícito o lançamento que tomou por base os valores informados pelo próprio contribuinte ao Fisco estadual.
MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO OU APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÕES ZERADAS. SONEGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO.
A conduta do contribuinte, consistente em apresentação de Declarações zeradas à administração tributária federal, quando provado que auferiu receitas, tanto que as declarou corretamente ao fisco estadual, subsume-se perfeitamente à figura da sonegação fiscal (impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade tributária da ocorrência do fato gerador), justificando a qualificação da penalidade.
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA.
Mantém-se o agravamento da multa de ofício nos casos em que o sujeito passivo não atende as intimações fiscais para prestar esclarecimentos e documentos.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
REGIME CUMULATIVO. Estão sujeitas à incidência cumulativa da Cofins as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro arbitrado.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
REGIME CUMULATIVO. Estão sujeitas à incidência cumulativa do PIS as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro arbitrado.
Recurso voluntário desprovido.
Numero da decisão: 1402-001.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernanda Carvalho Alvares, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Cristiane Silva Costa, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 ARBITRAMENTO DO LUCRO. O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa na qual esteja escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária. BASE DE CÁLCULO. FISCO ESTADUAL. Na falta de apresentação dos livros comerciais e fiscais de escrituração obrigatória, é lícito o lançamento que tomou por base os valores informados pelo próprio contribuinte ao Fisco estadual. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO OU APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÕES ZERADAS. SONEGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. A conduta do contribuinte, consistente em apresentação de Declarações zeradas à administração tributária federal, quando provado que auferiu receitas, tanto que as declarou corretamente ao fisco estadual, subsume-se perfeitamente à figura da sonegação fiscal (impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade tributária da ocorrência do fato gerador), justificando a qualificação da penalidade. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Mantém-se o agravamento da multa de ofício nos casos em que o sujeito passivo não atende as intimações fiscais para prestar esclarecimentos e documentos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS REGIME CUMULATIVO. Estão sujeitas à incidência cumulativa da Cofins as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro arbitrado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP REGIME CUMULATIVO. Estão sujeitas à incidência cumulativa do PIS as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro arbitrado. Recurso voluntário desprovido.
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Recorrida 4ª Turma da DRJ/BHE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 ARBITRAMENTO DO LUCRO. O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa na qual esteja escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária. BASE DE CÁLCULO. FISCO ESTADUAL. Na falta de apresentação dos livros comerciais e fiscais de escrituração obrigatória, é lícito o lançamento que tomou por base os valores informados pelo próprio contribuinte ao Fisco estadual. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO OU APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÕES ZERADAS. SONEGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. A conduta do contribuinte, consistente em apresentação de Declarações “zeradas” à administração tributária federal, quando provado que auferiu receitas, tanto que as declarou corretamente ao fisco estadual, subsumese perfeitamente à figura da sonegação fiscal (impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade tributária da ocorrência do fato gerador), justificando a qualificação da penalidade. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Mantémse o agravamento da multa de ofício nos casos em que o sujeito passivo não atende as intimações fiscais para prestar esclarecimentos e documentos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 02 59 /2 01 3- 48 Fl. 684DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.720259/201348 Acórdão n.º 1402001.898 S1C4T2 Fl. 3 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS REGIME CUMULATIVO. Estão sujeitas à incidência cumulativa da Cofins as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro arbitrado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP REGIME CUMULATIVO. Estão sujeitas à incidência cumulativa do PIS as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro arbitrado. Recurso voluntário desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernanda Carvalho Alvares, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Cristiane Silva Costa, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.720259/201348 Acórdão n.º 1402001.898 S1C4T2 Fl. 4 3 Relatório Trata o presente processo de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls.3/43), cumulados com juros e multa de ofício qualificada e agravada (225%), referentes ao anocalendário de 2009, apurados sob as regras do lucro arbitrado e lavrados em razão (i) da falta de apresentação de livros e documentos de sua escrituração; e (ii) da suposta omissão de receitas da atividade, decorrente da venda de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros (revenda de mercadorias). Em síntese, contanos o Termo de Verificação Fiscal (fls. 45/51) que, através das informações obtidas junto à Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás SEFAZ/GO, restou constatado que a autuada efetuou vendas no montante de R$ 17.717.460,32. No entanto, a Contribuinte transmitiu a DIPJ/2010 (AC 2009) e as DACON’s de 01/2009 a 12/2009 zeradas (fls. 173/226 e 229/540), bem como deixou de entregar as DCTF’s de janeiro a dezembro/2009 (fls. 227). Assim, por meio de termos lavrados em 21/05/2012, 21/06/2012 e 14/11/2012 (fls. 55/57, 61/64 e 116/117), a Contribuinte foi intimada a esclarecer as razões das divergências apuradas entre as informações declaradas à RFB e as obtidas junto à SEFAZ/GO, relativas às saídas dos estabelecimentos da empresa no montante de R$ 17.717.460,32, bem como apresentar livros e documentos fiscais. Diante das condutas praticas e da omissão da Contribuinte no atendimento aos termos de intimação lavrados, procedeuse (i) ao arbitramento de seu lucro, com base na receita bruta declarada à SEFAZ/GO; (ii) à qualificação e ao agravamento da multa de ofício. A sócia administradora da empresa, Rozy Gonzaga Victor (CPF 795.080.65168), foi responsabilizada solidariamente pelo crédito tributário lançado, com fulcro no art. 135, inc. III do CTN, consoante Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 52/54). Cientificada dos lançamentos em 18/02/2013 (fls. 556/557), a Contribuinte apresentou impugnação (fls. 567/586), repetida às fls. 603/622, onde expõe suas razões de irresignação, a seguir resumidas: 1) A ausência de documentos fiscais não impede a apuração do crédito tributário por outros meios, que demonstrem com maior fidedignidade o valor, que não pelo seu mero arbitramento. 2) Caso assim não se proceda, o fisco engendra, como bem aponta o Superior Tribunal de Justiça, em pauta fiscal, o que é vedado pela legislação. 3) O arbitramento não se coaduna com a forma de apuração da base de cálculo do imposto de renda escolhida pela contribuinte, que é o Lucro Real, não bastando o mero faturamento para se aferir a existência de lucro real, sendo necessário um cotejo de despesas, receitas, devidamente ajustadas, para se aferir se houve lucro ou prejuízo, para o Fl. 686DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.720259/201348 Acórdão n.º 1402001.898 S1C4T2 Fl. 5 4 imposto de renda, ou se houve base positiva, ou negativa, para a contribuição social sobre o lucro. 4) No tocante ao PIS e à COFINS, tal fato ganha ainda maior relevo, haja vista a necessidade de se fazer cotejo com os créditos apurados e controlados no DACON, pois, ainda que se considere a base imponível o faturamento, o optante do lucro real, em fase antecedente, tem o direito legal (arts 3º, das Lei 10.637/02 e 10.833/03) de abater do valor das receitas auferidas o montante de créditos que lhe possibilitem reduzir a base de cálculo. 5) O arbitramento é forma excepcionalíssima, somente possível após a instauração do devido processo legal, e a regra é que se apurem os valores pelos documentos ofertados pelo contribuinte. 6) A dupla majoração da multa de ofício de 75% pela qualificação e pelo agravamento carecem de respaldo jurídico à luz da jurisprudência do CARF. Além disso, a majoração e a qualificação se lastrearam em uma única e mesma justificativa: a relutância do contribuinte em entregar documentos fiscais, o que não se confunde com fraude. 7) O que caracteriza a fraude fiscal é o dolo, cuja definição é dada pelo direito penal: caracterizase pela prática de uma ação ou omissão intencionalmente criminosa, tendente a impedir a ocorrência do fato gerador, como se observa na falsificação de documento, na emissão de nota fiscal espelhada ou calçada, na adulteração de documentos contábeis, na venda de mercadorias sem documentação fiscal, no lançamento nos livros fiscais de documento inidôneo ou falso, dentre outras. 8) A acusação que lhe é feita é a de omitir dados da movimentação financeira, que pode ser aferida mediante programa da Receita Federal. 9) No tocante ao agravamento, há notório bis in idem, que não encontra respaldo na jurisprudência do CARF. Conforme fls. 558/562, a intimação da responsável solidária se fez por intermédio de edital afixado em 22/02/2013. No entanto, os lançamentos não foram impugnados pela responsável solidária. Analisando o caso, os membros da 4ª Turma da DRJ/BHE, por maioria de votos, julgaram improcedente a impugnação apresentada, mantendo integralmente o crédito tributário (fls. 637/646). Restou vencido o julgador Antonio Chaves Barreto quanto à qualificação da multa de ofício. O aresto restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando o contribuinte, tributado com base no lucro real ou presumido, não apresentar os livros e documentos de sua escrituração. BASE DE CÁLCULO FISCO ESTADUAL. Na falta de apresentação dos livros comerciais e fiscais de escrituração Fl. 687DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.720259/201348 Acórdão n.º 1402001.898 S1C4T2 Fl. 6 5 obrigatória, é lícito o lançamento que tomou por base os valores informados pelo próprio contribuinte ao Fisco estadual. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA E AGRAVADA. A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, sujeitandose ainda o autuado ao agravamento da exigência para 225% nos casos em que deixar de atender a intimações expedidas pela autoridade fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 REGIME CUMULATIVO. Estão sujeitas à incidência cumulativa da Cofins as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro arbitrado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 REGIME CUMULATIVO. Estão sujeitas à incidência cumulativa do PIS as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro arbitrado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 652/673), repisando os argumentos de sua peça impugnatória. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. Arbitramento O recurso voluntário da Contribuinte não inova as razões de defesa, senão, como visto, repisa os argumentos de sua peça impugnatória. No entanto, a decisão recorrida não merece reforma. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.720259/201348 Acórdão n.º 1402001.898 S1C4T2 Fl. 7 6 Conforme consignou o julgador a quo, ao contrário do que alega a Recorrente, na hipótese evidenciada nos autos – falta de apresentação à autoridade fiscal dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal do sujeito passivo –, a legislação de regência determina a tributação com base no lucro arbitrado, o que foi corretamente feito pelo autuante. É o que estabelece o inc. III do artigo 530 do RIR/99: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): ... III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527. De se notar que, a Recorrente teve três oportunidades, separadas por lapso de aproximadamente cinco meses, de apresentar sua escrituração contábil, bem como seu Livro de Apuração do Lucro Real, o que não logrou fazer, nem mesmo na impugnação ou no recurso voluntário. Diante da total desídia da Recorrente, não restou alternativa à Autoridade Fiscal senão determinar a base do cálculo do IRPJ e da CSLL com base nos critérios do arbitramento, diante da absoluta falta de meios de apuração do lucro real e em perfeita obediência ao disposto na legislação tributária. No mais, descabidas as alegações de que teria havido presunção de renda, ou ainda de que teria sido adotada “pauta fiscal”, uma vez que o arbitramento teve por fundamento as receitas declaradas pela própria Recorrente ao Fisco estadual, além de ter observado percentuais de arbitramento fixados em lei. A receita omitida apurada também serviu de base para a determinação do PIS e da COFINS. E, tratandose de pessoa jurídica tributada com base no lucro arbitrado, a apuração das contribuições deve se dar segundo o regime cumulativo, nos termos da legislação específica dessas contribuições. Com efeito, estão perfeitamente caracterizados os pressupostos que autorizam o arbitramento do lucro e corretos os critérios adotados para sua determinação. Multa qualificada A Lei nº. 9.430/96 determina a qualificação da multa proporcional de ofício, majorandoa de 75% para 150%, nas hipóteses em que a conduta evasiva do contribuinte tenha sido imbuída de sonegação e/ou fraude, remetendo às configurações hipotéticas de ambas as figuras definidas na Lei nº 4.502/64. Os respectivos textos são os seguintes: Lei nº 9.430/96 Fl. 689DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.720259/201348 Acórdão n.º 1402001.898 S1C4T2 Fl. 8 7 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Lei nº 4.502/64 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Como se percebe, o conluio não chega a ser uma terceira hipótese qualificadora autônoma. Para sua configuração como qualificadora, é necessário, portanto, que haja sonegação e/ou fraude orquestradas por meio de ajuste doloso entre duas ou mais pessoas (físicas ou jurídicas). Destarte, a qualificação da multa proporcional de ofício deve ser feita apenas quando a autoridade fiscal identificar e comprovar a ocorrência de sonegação e/ou fraude. E apenas pode ser considerado sonegação ou fraude, para essa finalidade, aquilo que esteja conforme o preceito estabelecido pelos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64. Assim, para fins de qualificação da multa proporcional de ofício, analisando se as características textuais das definições empreendidas pelos artigos 71 e 72, temos que a sonegação e a fraude são condutas (ação ou omissão) dolosas. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13116.720259/201348 Acórdão n.º 1402001.898 S1C4T2 Fl. 9 8 Com isso, para qualificar a multa proporcional de ofício, a autoridade fiscal deve identificar e comprovar a ocorrência da conduta dolosa do sujeito passivo, ou seja, o ânimo do agente de prejudicar ou fraudar, a conduta (ação ou omissão) intencional perniciosa. Noutra palavras, exigese convicção, por meio de um conjunto probatório suficiente, de que o sujeito passivo agiu de máfé e cometeu a conduta dolosa de sonegação e/ou fraude. Vale notar, que a necessidade de prova cabal do cometimento do ilícito fiscal que envolva sonegação e/ou fraude, como condição para a qualificação da multa de ofício, tem sido reconhecida pela jurisprudência mais atual deste Conselho. No caso presente, a fiscalização justifica a qualificação da multa de ofício em razão (i) da entrega da DIPJ/2010 e DACON’s de 01/2009 a 12/2009 zeradas; e (ii) da omissão na entrega das DCTF’s 01/2009 a 12/2009, condutas, no seu entender, tipificadas no artigo 71 da Lei nº 4.502, de 1964 (sonegação). Ora, a conduta do contribuinte, consistente em apresentação de Declarações “zeradas” à administração tributária federal, quando provado que auferiu receitas, tanto que as declarou corretamente ao fisco estadual, subsumese perfeitamente à figura da sonegação fiscal (impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade tributária da ocorrência do fato gerador), justificando a qualificação da penalidade. Dessa forma, deve ser mantida a multa de ofício qualificada de 150%. Multa agravada A total desídia da Recorrente no trato das intimações fiscais autoriza o agravamento da multa de ofício lançada, em estrita consonância com a legislação de regência. Logo, deve ser mantido o agravamento da multa. Conclusão Posto isso, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário para (i) manter o arbitramento do lucro e os créditos tributários lançados; e (ii) manter a qualificação e o agravamento da multa de ofício. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 691DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 16682.720343/2013-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 30/11/2001 a 30/12/2001
IRRF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS SITUADOS NO BRASIL. SOCIEDADE ALIENANTE NO EXTERIOR. INTERPOSIÇÃO DE SOCIEDADES ESTRANGEIRAS.
É responsabilidade do adquirente, na condição de responsável tributário, a retenção e o recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre o ganho de capital de residentes ou domiciliados no exterior na alienação de bens situados no Brasil. Devem ser desconsideradas as interposições de empresas no exterior, por meio de conduta planejada, para simular uma situação diferente da real alienação, sendo o ganho de capital apurado no momento em que a compra e venda foi definitivamente constituída.
MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA.
Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (Súmula CARF nº 47).
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE SOCIEDADES ESTRANGEIRAS. NEGÓCIO. SIMULAÇÃO. APLICABILIDADE.
Aplica-se multa qualificada quando as partes, adquirente no Brasil e alienante no exterior, utilizam-se, de forma planejada, de operações estruturadas para simular uma situação diferente da real, para afastar a tributação do Ganho de Capital auferido pela sociedade estrangeira na alienação de empresa sediada no Brasil.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem os juros de mora.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2201-002.666
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nathália Mesquita Ceia e Gustavo Lian Haddad, que deram provimento integral ao recurso, e German Alejandro San Martín Fernández, que deu provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício e excluir os juros de mora sobre ela incidentes. Fizeram sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, OAB/SP 83.755, e pela Fazenda Nacional a Dra. Lívia da Silva Queiroz.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 30/11/2001 a 30/12/2001 IRRF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS SITUADOS NO BRASIL. SOCIEDADE ALIENANTE NO EXTERIOR. INTERPOSIÇÃO DE SOCIEDADES ESTRANGEIRAS. É responsabilidade do adquirente, na condição de responsável tributário, a retenção e o recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre o ganho de capital de residentes ou domiciliados no exterior na alienação de bens situados no Brasil. Devem ser desconsideradas as interposições de empresas no exterior, por meio de conduta planejada, para simular uma situação diferente da real alienação, sendo o ganho de capital apurado no momento em que a compra e venda foi definitivamente constituída. MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (Súmula CARF nº 47). MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE SOCIEDADES ESTRANGEIRAS. NEGÓCIO. SIMULAÇÃO. APLICABILIDADE. Aplicase multa qualificada quando as partes, adquirente no Brasil e alienante no exterior, utilizamse, de forma planejada, de operações estruturadas para simular uma situação diferente da real, para afastar a tributação do Ganho de Capital auferido pela sociedade estrangeira na alienação de empresa sediada no Brasil. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 03 43 /2 01 3- 25 Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem os juros de mora. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Nathália Mesquita Ceia e Gustavo Lian Haddad, que deram provimento integral ao recurso, e German Alejandro San Martín Fernández, que deu provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício e excluir os juros de mora sobre ela incidentes. Fizeram sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, OAB/SP 83.755, e pela Fazenda Nacional a Dra. Lívia da Silva Queiroz. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad, Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathalia Mesquita Ceia. Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 16682.720343/201325 Acórdão n.º 2201002.666 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório No presente processo foi lavrado auto de infração (fls. 1.100 a 1.137) relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), Cód. 2932, no valor de R$ 270.544.449,88, com multa de ofício qualificada no percentual de 150%, sobre os quais incidem juros de mora. De acordo com a “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fl. 751) o lançamento foi decorrente da falta de recolhimento do IRRF devido pela empresa como responsável tributário, incidente sobre o Ganho de Capital auferido por sociedades domiciliadas no exterior na alienação de participações societárias relativas à sociedade domiciliada no Brasil – ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO LIMITADA, tendo o fato gerador ocorrido em 25 de novembro de 2008. Conforme descrito no “Termo de Verificação Fiscal” (fl. 861) a sociedade teria operado uma reestruturação societária com simulação e ocorrência de ato ilícito por abuso de direito, mediante extrapolação dos limites do fim econômico, da função social e a boafé objetiva, bem como pela ocorrência de fraude à lei na utilização de operações estruturadas que isoladamente aparentavam licitude, mas no conjunto dos atos demonstravam outra realidade. A empresa, além da infração corrente, teria deduzido indevidamente despesas relativas à amortização de ágio constituído na aquisição de participação societária com a utilização de empresa veículo. Tal operação, sem qualquer propósito econômico, visava unicamente beneficiarse, de forma artificial, da previsão legal da dedutibilidade do ágio. E, como haveria evidente intuito de fraude, teria sido aplicada a multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento). A este processo, entretanto, coube unicamente a apuração da infração relacionada à falta de recolhimento, na qualidade de responsável tributário, do IRRF incidente sobre ganho de capital auferido na alienação da participação societária. As outras infrações foram apuradas no processo nº 16682.721208/201216. A operação, segundo a fiscalização, consistiria na aquisição pelo Grupo COSAN das quotas DA ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO LTDA., pertencentes às sociedades holandesas EXXONMOBIL INTERNATIONAL HOLDINGS B.V. e EXXONMOBIL BRAZIL HOLDINGS B.V. Porém, com o objetivo de fugir da incidência do imposto de renda retido na fonte (IRRF), na qualidade de responsável tributário, bem como para deduzir das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL as despesas com a amortização do ágio constituído na referida aquisição, teriam sido engendradas várias operações, envolvendo reestruturações societárias. Em ambos os casos, o planejamento tributário teria envolvido “a criação, utilização e extinção de empresas veículos [diferentes para cada uma das infrações], desprovidas de propósito negocial e criadas unicamente com vistas a promover economia tributária.” As operações foram organizadas em ordem cronológica no “Termo de Verificação Fiscal”, resumidos no quadro a seguir: Evento Data Operação 1° 19/03/2008 Constituição da sociedade COSANPAR PARTICIPAÇÕES LTDA. (COSANPAR), com a integralização do capital social no valor de R$ 1.000,00 pelas sociedades USINA DA Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 BARRA S/A AÇÚCAR E ÁLCOOL (USINA) [99,90%] e AGRÍCOLA PONTE ALTA S/A (AGRÍCOLA) [0,10%]. 2º 23/04/2008 Contrato de Compra e Venda de participações em duas cooperativas ainda não criadas que deteriam 100% das ações da ESSO Brasileira de Petróleo, firmado entre EXXONMOBIL INTERNATIONAL HOLDINGS B.V. (EXXONMOBIL INTERNATIONAL) e EXXONMOBIL BRAZIL HOLDINGS B.V. (EXXONMOBIL BRAZIL) [subsidiária integral da anterior], na qualidade de Fornecedoras, e COSAN S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO (COSAN) e USINA, na qualidade de compradoras. O contrato foi posteriormente alterado para a retirada da COSAN do negócio, ingressando em seu lugar a empresa veículo COSANPAR 3º 03/10/2008 Transferência de 458.848 quotas emitidas pela ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO LTDA. (ESSO) da sua controladora anterior – EXXONMOBIL BRAZIL – para a EXXONMOBIL INTERNATIONAL (a primeira era subsidiária integral da segunda). Até então, a antiga controladora detinha 99,99% do capital social da investida. Na mesma data a EXXONMOBIL INTERNATIONAL e a EXXONMOBIL BRAZIL transferem suas quotas de participação na ESSO às recém criadas cooperativas holandesas – BRAZIL INTERNATIONAL HOLDINGS COOPERATIEF U.A. (BIH) e a BRAZIL HOLDINGS COOPERATIEF U.A. (BHC) – passando estas últimas a possuírem 482.998 [participação no capital social da ESSO equivalente a R$ 139.359.412,94] e 2 quotas [participação no capital social da ESSO de R$ 577,06], respectivamente. O capital social da ESSO passou a ser de R$ 139.359.990,00, dividido em 483.000 quotas no valor de R$ 288,53 cada uma, sendo 482.998 quotas [R$ 139.359.412,94], equivalentes a 99,99958% do total, subscritas e integralizadas pela BIH e 2 quotas [R$ 577,05], equivalentes a 0,00042% do total, subscritas e integralizadas pela BHC. 4º 06/10/2008 Transformação da COSANPAR PARTICIPAÇÕES LTDA. em Sociedade Anônima com aumento do capital social em R$ 557.378.790,00, integralizado pela COSAN. A AGRÍCOLA se retira do investimento da COSANPAR, e a sociedade passa a ser controlada pela COSAN, tendo como outro sócio minoritário a USINA. Ressaltase que as pessoas físicas Rubens Ometto Silveira Mello e Pedro Isamu Mizutani eram diretores/presidentes tanto das sócias/acionistas da COSANPAR PARTICIPAÇÕES S/A [USINA DA BARRA S/A AÇÚCAR E ÁLCOOL e AGRÍCOLA PONTE ALTA S/A] quanto da COSAN S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO 5º 13 e 14/10/2008 Registro dos CNPJ das "cooperativas sediadas na Holanda" [Empresas Veículos], 10 dias após a transferência das cotas para as cooperativas holandesas. 6º 07/11/2008 Deliberação dos acionistas da COSANPAR (a COSAN detinha 99,999% de suas ações), para aquisição das participações societárias representativas da totalidade do capital social de duas sociedades cooperativas sediadas na Holanda, as quais detinham os ativos de comercialização e distribuição de combustíveis da EXXONMOBIL no BRASIL (representados pela ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO LIMITADA, cuja razão social foi posteriormente alterada para COSAN LUBRIFICANTES E ESPECIALIDADES S/A) no sentido de autorizar ordens de pagamento, a realização de remessas para o exterior, a título de disponibilidades ou outro título, bem como todos os atos e pagamentos correlatos, até o valor de US$ 989.000.000. Na mesma data, foi celebrado o contrato de alienação fiduciária das quotas da ESSO em favor dos titulares das notas promissórias de 1ª emissão da COSAN com aditamento no dia seguinte. O contrato foi celebrado entre a COSAN e a PENTÁGONO S/A DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS. 7º 17/11/2008 Na escrituração da COSANPAR foram integralizados os valores de R$ 49.400.000,00 e R$ 1.100.000.000,00, sendo o primeiro valor em contrapartida a AFACEMPRESAS LIGADAS e o segundo a BANCO BRADESCO. Tal integralização foi realizada pela sua controladora – COSAN. 8º 25/11/2008 Alteração do contrato original firmado em 23/04/2008 entre EXXONMOBIL INTERNATIONAL e COSAN, de forma que a COSAN transformase em sociedade anônima e passa a denominarse COSAN COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES S.A (COSAN COMBUSTÍVEIS). 9º 1º/12/2008 Contratos de Transferência de Participação de uma Cooperativa e escritura, sendo: Em relação à BIH, a transferência da participação da EXXONMOBIL BRAZIL HOLDINGS BV e da EXONMOBIL INTERNATIONAL HOLDINGS BV, para, respectivamente, as cessionárias USINA AS BARRA S.A. AÇÚCAR E ÁLCOOL e a COSANPAR PARTICIPAÇÕES S.A. Em relação à BHC, a transferência da participação da EXXONMOBIL BRAZIL HOLDINGS BV e da EXONMOBIL INTERNATIONAL HOLDINGS BV, para, respectivamente, as cessionárias USINA AS BARRA S.A. AÇÚCAR E ÁLCOOL e a Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 16682.720343/201325 Acórdão n.º 2201002.666 S2C2T1 Fl. 4 5 COSANPAR PARTICIPAÇÕES S.A. 10º 04/12/2008 Ratificação da transferência de numerário realizada, em 04/12/2008, no valor de R$ 70.885.000,00 da conta da COSANPAR PARTICIPAÇÕES S/A para sua controladora COSAN S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO. Autorização para transferências do valor individual por transferência de até R$ 250.000.000,00, nos próximos seis meses, igualmente da COSANPAR para sua controladora COSAN S/A. 11º 08/12/2008 Trigésima Sétima Alteração do Contrato Social da ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO LIMITADA, na qual consta a resolução das suas únicas sócias são BIH e a BHC, de alienarem fiduciariamente a totalidade das quotas de emissão da ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO LIMITADA, bem como os direitos dela decorrentes, em favor dos titulares das notas promissórias da 1ª emissão da COSAN S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO. 12º 18/12/2008 Liquidação das cooperativas BIH e BHC. 13º 19/01/2009 Alteração de Contrato Social para a Transformação de Sociedade Limitada em Sociedade por Ações, permitindo que COSANPAR agora controlasse diretamente, e não mais indiretamente, a ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO. Nesse mesmo instrumento, a ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO LTDA. transformase em sociedade anônima e passa a denominarse COSAN COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES S.A. 14º 23/06/2009 Deliberação sobre a incorporação da COSANPAR pela COSAN COMBUSTÍVEIS (antiga ESSO) – incorporação reversa, na qual a sociedade controlada COSAN COMBUSTÍVEIS incorporou sua controladora COSANPAR Na operação, foi transferido para COSAN COMBUSTÍVEIS (atualmente COSAN LUBRIFICANTES E ESPECIALIDADES, a Fiscalizada) o ágio em Investimentos, gerado originalmente em sua controladora COSANPAR, quando da aquisição, por esta, das participações societárias nas "cooperativas holandesas". O ágio transferido passou a ser deduzido do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido nos anos subsequentes. Cientificada pessoalmente por meio de seus procuradores, a requerente impugnou o lançamento, cujas razões de defesas foram assim resumidas no acórdão recorrido: 1) as operações mencionadas na autuação foram praticadas pelo Grupo Cosan em estrita consonância com o ordenamento jurídico vigente à época dos fatos e com o evidente propósito negocial, qual seja de aumentar seu portfólio de investimentos e seu potencial de competitividade por meio da entrada em um novo segmento econômico: o setor de combustíveis e lubrificantes; 2) que em 2008, o Grupo Cosan negociou e adquiriu ativos do Grupo Exxonmobil no exterior, o que resultou, posteriormente, no controle da Esso Brasileira de Petróleo, antiga denominação da impugnante, operação a qual não se sujeita a retenção do IR/Fonte; 3) que a aquisição indireta do controle acionário da autuada, por meio de criação de duas cooperativas holandesas, foi uma imposição do Grupo Exxonmobil para que o negócio fosse realizado, pois desejavam que o contrato fosse celebrado no exterior, regido pelas leis do Reino Unido, e que fosse eleita uma Câmara de arbitragem internacional para a solução de eventuais conflitos decorrentes da aquisição; 4) a opção pela criação das cooperativas holandesas BIH e BHC, teve como motivação a falta de interesse do Grupo Cosan adquirir uma empresa com mais de 10 anos de existência, o que implicaria em potenciais contingências das quais poderia ser responsabilizada por sucessão, bem como a ausência de grande burocracia para criação desse tipo de sociedade na Holanda, as quais possuíam uma tributação mais favorecida em relação às demais figuras societárias; 5) o tratamento fiscal atribuído as operações realizadas seria o mesmo caso tivesse sido realizada a venda direta das participações na sociedade holding holandesa Exxonmobil BR, razão pela qual não poderiam ser consideradas as cooperativas criadas como “empresas veículo” simuladas, conforme indevidamente afirmou a Fiscalização; Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 6) o propósito negocial da constituição das cooperativas BIH e BHC consistiu na desnecessidade de realização de trabalhos de diligência jurídica, financeira e contábil, caso fosse feita a aquisição das holdings Exxonmobil BR e Exxonmobil International, o que reduziu consideravelmente os custos do Grupo Cosan e a probabilidade de atrair para si potencial contingência fiscal e principalmente o fato de os vendedores terem imposto a estrutura do negócio por fazerem jus a benefícios societários e fiscais na Holanda com a criação de tais sociedades; 7) o curto período de existência das cooperativas teve como único intuito o de simplificar a estrutura societária do Grupo Cosan após a aquisição das cooperativas, no entanto tais sociedades efetivamente realizaram todos os registros contábeis exigidos pelas normas societárias e fiscais no breve período de suas existências; 8) as operações empreendidas foram efetuadas com absoluta transparência, no exercício de opção fiscal, não se tratando de planejamento tributário, o que afastaria a alegação de fraude à lei, simulação e abuso de direito; 9) a ausência de previsão legal para incidência do IR/Fonte para aquisição de bens localizados no exterior, no caso as participações societárias de sociedades estrangeiras, haja vista que o art. 26 da Lei nº 10.833/2003 determina a retenção no caso de alienação de bens localizados no Brasil; 10) o erro na apuração da matéria tributável, no tocante ao aspecto temporal do fato gerador, pois foi considerado na autuação como 25/11/2008 a data da ocorrência do fato gerador do IR/Fonte, sendo que nesta data havia sido realizada apenas a segunda transferência de valores referente à aquisição das participações societárias nas cooperativas holandesas da Cosanpar para a Exxonmobil Capital N.V., ao passo que a alienação ocorreu efetivamente em 01/12/2008, o que resultaria na nulidade da autuação; 11) o erro na apuração do fato gerador, por equívoco na determinação do custo de aquisição registrado no Bacen, na medida que a autoridade fiscal considerou como o custo o capital social demonstrado no “extrato de investimento das cooperativas” no valor de R$ 139.359.990,00, quando o correto seria o equivalente ao investimento registrado no Bacen na importância de US$ 111.033.536,40, correspondente a soma dos valores relativos ao investimento total nas duas cooperativas holandesas; 12) insurgese contra o reajuste das bases de cálculo efetuado pela autoridade lançadora, por ausência de motivação e da indicação do dispositivo legal cuja previsão ensejaria no reajuste da base de cálculo, e tendo em vista que não teria assumido o ônus financeiro desse tributo, conforme disposto no art. 725, do RIR/99; 13) afirma que na hipótese de ser considerado devido o IR/Fonte sobre a operação autuada, o valor do ágio objeto do lançamento constante dos autos do PAF nº 16682.721208/201216, deverá ser majorado em razão do acréscimo do custo de aquisição do investimento pela adição do valor do IR/Fonte no preço da operação; 14) a impossibilidade do lançamento da multa de ofício na hipótese de responsabilidade tributária por sucessão efetuada após o evento sucessório, a teor do que dispõe o art. 132 do CTN, em função do caráter personalíssimo da penalidade aplicada; 15) a impossibilidade de aplicação da multa agravada, devido à inexistência de comprovação de sonegação, fraude ou conluio, tendo em vista que prestou as informações e forneceu os documentos requeridos pelo agente fiscal no curso da fiscalização, bem como declarou ao Fisco, registrou e arquivou devidamente todos os atos societários relacionados à autuação; 16) afirma, ainda, que os procedimentos por ela praticados decorreram de interpretação de lei, o que não pode ser confundido com ato ilícito, importando na inexistência de dolo ou má fé, o que impede a aplicação da multa agravada; 17) a ilegalidade da cobrança de juros moratórios aplicados sobre a multa de ofício, por ausência de previsão legal, posto que o art. 13 da Lei nº 9.065/95, combinada com Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 16682.720343/201325 Acórdão n.º 2201002.666 S2C2T1 Fl. 5 7 o art. 84 da lei nº 8.981/95, estabelecem a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC apenas sobre tributos; Por fim, requer que seja recebida, conhecida e provida sua impugnação, para o fim de serem desconstituídos os créditos tributários, e a exigência fiscal cancelada na sua integralidade; e, subsidiariamente, o reconhecimento do erro na apuração da matéria tributária em razão do equívoco na determinação do aspecto temporal do fato gerador, e do erro na determinação do custo de aquisição registrado no Bacen, o indevido reajuste da base de cálculo; a impossibilidade do lançamento da multa de ofício na hipótese de responsabilidade tributária por sucessão, a impossibilidade de aplicação da multa agravada, a ilegalidade da cobrança dos juros sobre a multa de ofício lançada, e o ajuste no valor do ágio na hipótese de prevalecer a cobrança do IR/Fonte, objeto do PAF nº 16682.721208/201216. A 5ª Turma de Julgamento da DRJ/Rio de Janeiro I (fls. 1002 a 1021) decidiu, por unanimidade de votos, considerar o lançamento integralmente procedente. Cientificada da decisão em 17 de outubro de 2013, a recorrente interpôs recurso voluntário no dia 13 do mês seguinte, validado pelo sistema de autenticação de arquivos digitais, no qual repete os argumentos apresentados na impugnação e rebate a decisão de primeira instância arguindo que a DRJ adotara, como único fundamento, o entendimento equivocado trazido pela fiscalização de que o Grupo COSAN teria, desde o início das negociações, a intenção de adquirir a ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO e, por isso, deveria ter realizado a aquisição direta destes ativos no Brasil, sujeitandose à incidência de Imposto de Renda na Fonte. Da mesma foram, alega que a decisão recorrida apenas reiterou as conclusões do auditor quanto ao cumprimento pela recorrente dos limites exigidos pela doutrina para a validade do “planejamento”, o qual teria havido, nos termos do recurso, uma nítida observância ao propósito negocial. O PGFN apresentou as contrarrazões ao recurso voluntário, destacando que, não obstante a existência de outros requisitos à aplicação do artigo 26 da Lei nº 10.833, de 2003, apenas um deles seria objeto de discussão nos autos: “identificar se o objeto do negócio firmado entre os Grupos EXXONMOBIL e COSAN é formado pela empresa brasileira ESSO ou pelas cooperativas holandesas BIH e BHC.” Alega o D. Procurador que, pela análise dos fatos, as partes envolvidas negociaram a empresa brasileira ESSO, e não duas cooperativas holandesas, que sequer existiam à época em que o contrato de compra e venda foi celebrado entre o Grupo EXXONMOBIL e o Grupo COSAN. Ainda, em que pese as partes terem declarado (e defenderem exaustivamente) que acordaram a alienação de duas cooperativas holandesas, da leitura do contrato observase que o seu conteúdo se volta exclusivamente à empresa ESSO. Também, que as cooperativas holandesas a serem criadas quase não são mencionadas no contrato. O conteúdo deste disciplinaria a transferência da empresa ESSO, citada como “Sociedade” ou “Sociedades” e determinaria todas as condições (direitos e deveres) pelas quais deveriam ser transmitidas ao Grupo COSAN A Procuradoria da Fazenda evidencia outros fatos que demonstraria o real objeto do negócio no que diz respeito aos aspectos peculiares que envolveram a operação, como a curta existência das cooperativas holandesas e o endereço ser o mesmo da EXXONMOBIL INTERNATIONAL HOLDINGS B.V. Quanto à responsabilidade do Grupo COSAN pela retenção do imposto de renda na fonte, a PGFN argui que as razões apresentadas pela recorrente atestam que o Grupo Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 8 estrangeiro, além de buscar evitar a retenção do Imposto de Renda na Fonte no Brasil, teria adotado uma conduta exclusivamente fiscal na Holanda, o que não seria um propósito negocial. Em segundo lugar, que era absolutamente desnecessário eventual deslocamento do objeto da alienação para outro país, uma vez que de acordo com o entendimento da Súmula 335 e RE 90961, do STJ, é válida a eleição de foro em contratos internacionais. Terceiro, mesmo que houvesse razões negociais para o deslocamento do objeto do contrato de compra e venda, esse objetivo não seria possível de ser alcançado, uma vez que o resultado das operações praticadas seria a transferência da empresa brasileira ESSO do Grupo EXXONMOBIL para o Grupo COSAN. E quarto, que a COSANPAR, na qualidade de responsável tributário pela retenção do IR/Fonte, responde objetivamente por eventual parcela do imposto não paga, haja vista que substitui o contribuinte (Grupo EXXONMOBIL). No que diz respeito à qualificação da multa, entende a PGFN que não assiste razão à recorrente, pois, tal como fora constatado pelo Auditor Fiscal, os Grupos EXXONMOBIL e COSAN praticaram atos simulados com o exclusivo intuito de evitar a ocorrência do fato gerador do tributo, que seria devido caso a simulação não ocorresse. A incoerência entre a vontade declarada (negociação das cooperativas holandesas) e a vontade real (negociação de empresa brasileira) seria incontestável na leitura da cláusula 1, do qual destaca: 1. DEFINIÇÕES E INTERPRETAÇÃO omissis “Negócio(s) Excluído(s)” significa(m) o(s) negócio(s) e Marcas Registradas das Sociedades descritos no Apêndice 1.1(b) do presente Contrato, que são excluídos da venda e que, antes da Conclusão, serão vendidos ou transferidos para a Fornecedora ou uma de suas Coligadas sem maiores obrigações por parte das Sociedades. (grifos da PGFN) E, ainda tratando da qualificação, concluí a PGFN: “Ora, se a compra e venda envolvia as cooperativas holandesas, por que então a definição dos negócios que seriam excluídos dessa compra e venda abrange os negócios e as marcas registradas da ESSO?”. Assim, seria evidente a fraude. Tanto seria o conhecimento das partes quanto ao artificialismo das cooperativas holandesas que haveria uma cláusula do contrato de compra e venda, a 6.2(ii), cujo conteúdo prevê o dever de o Grupo EXXONMOBIL indenizar o Grupo COSAN em razão da retenção de imposto de renda decorrente. No tocante à validade do aspecto temporal do fato gerador, a PGFN considera correta e irretocável a conclusão adotada pela DRJ Rio de Janeiro ao considerar que “o contrato de compra e venda do controle acionário indireto da autuada foi celebrado em 23/04/2008, tendo por objeto de coisa futura [...], sendo alterado através de aditivo celebrado em 25/11/2008, quando o objeto já era coisa atual”. Em relação à base de cálculo apurada, a PGFN argumenta que não seria possível aferir o montante de investimentos feitos na ESSO com base nas simples telas de consulta do BACEM. Além disso, os Grupos COSAN e EXXONMOBIL teriam estabelecido a alienação da ESSO em 23 de abril de 2008 e, de acordo com o contrato de compra e venda, durante o chamado “Período Intermediário”, o qual abrange o dia da assinatura do contrato até a data da sua conclusão, o Grupo EXXONMOBIL assumiu o compromisso de que não receberia da ESSO nenhum pagamento de qualquer tipo. Portanto, o valor constante das telas de consulta do BACEN (de 07/11/2008) como reinvestimentos não traduzem montantes aportados pelo Grupo EXXONMOBIL na ESSO, mas sim lucros que já eram destinados ao Grupo COSAN. Relativamente ao alegado erro de reajuste da base de cálculo pelo “Gross up”, a leitura do contrato de compra e venda (cláusula 13.3) permitiria aferir que o Grupo COSAN assumiu o Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 16682.720343/201325 Acórdão n.º 2201002.666 S2C2T1 Fl. 6 9 compromisso de pagar o preço ao Grupo EXXONMOBIL pelo seu valor líquido, livre de qualquer imposto. No que se refere ao acréscimo do IRRF ao custo de aquisição, a PGFN diz que o imposto a ser retido quando da aquisição da ESSO não era devido por qualquer empresa do Grupo COSAN, mas sim pelo Grupo EXXONMOBIL. Caberia ao Grupo COSAN apenas ter retido parte do pagamento devido a título de IRRF na qualidade de responsável tributário. Portanto, seria impossível acrescentar tal valor ao custo de aquisição. Sobre a aplicação da multa de ofício, a PGFN argui que os princípios oriundos de outras áreas do direito são inadequados para orientar a interpretação das normas que regem a sucessão entre pessoas jurídicas no âmbito do direito tributário. O princípio da personalização da pena se refere àquelas intransmissíveis, dispostas nas leis penais, cuja característica é a corporalidade. As penas que incidem sobre o patrimônio não seriam corporais. A doutrina majoritária subscreveria o entendimento de que o sucessor é o responsável pelas multas devidas pelo sucedido, pois as multas, conforme o art. 113 do CTN, são obrigações tributárias. Também, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, já teria sido prolatada decisão favorável ao Fisco (acórdão proferido no julgamento do Recurso Extraordinário n.º 83.613/SP), a qual aduziu que o princípio da personalização da pena não tem guarida no direito tributário, e que a tese da intransmissibilidade das multas fiscais deve ser evitada, sob pena de criar um instrumento de fraude ao Fisco. Citando os Acórdãos CSRF/0202.589 e CSRF/0202.623 diz que esse também seria o entendimento deste Tribunal Administrativo. Por fim, no que concerne à legalidade da cobrança de juros sobre a multa, afirma que, em função do disposto nos artigos 43 e 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não há dúvida acerca da obrigatoriedade da atualização monetária dos créditos tributários devidos pelos sujeitos passivos, entre eles, a multa de lançamento de ofício É o relatório. Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 10 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que a recorrente foi intimada da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentar. Para melhor compreensão dos fatos, a auditoria, aproveitando os diagramas apresentados pela recorrente, faz demonstração das alterações nas estruturas societárias ocorrida no negócio, com os respectivos percentuais de participação, na qual inicia com a USINA DA BARRA S/A AÇÚCAR E ÁLCOOL e COSAN S/A proprietárias da COSANPAR PARTICIPAÇÕES S/A e a EXXONMOBIL BRAZIL HOLDINGS BV e EXXONMOBIL INTERNATIONAL HOLDINGS BV proprietárias da ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO LTDA., finalizando com COSAN S/A INDÚSTRIA E COMERCIO detentora de 100% do capital da ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO LTDA., posteriormente denominada COSAN COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES S/A, didaticamente registrados nos autos. A empresa recorre da decisão de primeira instância que manteve integralmente o lançamento. Para fins de análise do recurso, as questões serão agrupadas nos seguintes tópicos: (a) o negócio; (b) a não retenção do imposto de renda na fonte e validade do lançamento; (c) a multa de Ofício e sua qualificação; e (d) os juros sobre a multa de ofício. I – O negócio Em relação ao negócio, a matéria discutida nestes autos é se caberia a retenção do imposto de renda na fonte sobre a operação de compra e venda descrita pela auditoria. A recorrente argui que as alterações societárias adotadas pelo Grupo COSAN se deram de forma lícita e adequada para atingir o objetivo final de aumentar seu portfólio de investimentos, com a aquisição de duas participações societárias localizadas no exterior, que resultaram, posteriormente, no controle da Esso Brasileira de Petróleo. Alega que as condutas adotadas estariam fora do campo de planejamento tributário, pois: as condições do negócio, com a criação das cooperativas holandesas, teriam sido impostas de forma unilateral pelo Grupo EXXONMOBIL; existiam incentivos regulatórios e fiscais na Holanda beneficiando os vendedores; e a aquisição das duas cooperativas recémcriadas, apesar de sua curta existência em decorrência da reestruturação do Grupo COSAN, trazia benefícios negociais à recorrente. A PGFN contraargumenta dizendo que, não obstante a existência de três requisitos à aplicação do artigo 26 da Lei nº 10.833, de 2003, “apenas um deles é objeto de discussão nos autos, qual seja: identificar objeto do negócio firmado entre os Grupos EXXONMOBIL e COSAN é formado pela empresa brasileira ESSO ou pelas cooperativas holandesas BRAZIL INTERNATIONAL HOLDINGS COOPERATIEF U.A (BIH) e BRAZIL HOLDINGS COOPERATIEF U.A. (BHC). Também rebate os argumentos de que não se justificaria a negociação da forma conduzida pelo simples fato de submeter o contrato à legislação do Reino Unido, pois para tal opção, era absolutamente desnecessário eventual deslocamento do objeto da alienação para outro país, já que, de acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal (Súmula 335 e RE 90961), é válida a eleição de foro em contratos internacionais. Ou seja, o contrato em questão poderia ter como objeto as quotas da empresa Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 16682.720343/201325 Acórdão n.º 2201002.666 S2C2T1 Fl. 7 11 ESSO e se submeter, por opção das partes, à legislação do Reino Unido para eventual discussão dos seus termos. Compulsando os autos, observase que os atos praticados pelo Grupo COSAN evidenciam de fato a aquisição da empresa ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO e não as cooperativas BIH e BHC, senão vejamos: a) As cooperativas holandesas BIH e BHC sequer existiam à época em que foi celebrado o contrato de compra e venda entre o Grupo EXXONMOBIL e o Grupo COSAN, em 23 de abril de 2008. Elas somente foram constituídas no curso da negociação, em 03 de outubro de 2008, conforme expressamente registrado no contrato de compra e venda. Até 03 de outubro, a EXXONMOBIL INTERNATIONAL HOLDINGS B.V. e EXXONMOBIL BRAZIL HOLDINGS B.V eram as “únicas sócias da ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO”, conforme registra a Trigésima Sexta alteração contratual da ESSO (fl. 615 a 623). Em 25 de novembro a COSAN se retira do negócio, sendo substituída pela COSANPAR, que, assim como as cooperativas, era uma empresa veículo. b) O contrato de compra e venda assinado pelas partes não se refere à compra ou venda de uma holding ou das cooperativas, como alega a recorrente. Seu conteúdo está relacionado a uma empresa operacional, no caso a ESSO, verdadeiro objeto do negócio. Isso fica claro no referido contrato em que são citados textualmente, entre outros, aspectos dos contratos de arrendamentos, como “em relação ao arrendamento de determinadas áreas incluídas na propriedade chamada Complexo Ilha do Governador”; na forma manutenção dos contratos; nas questões de garantia relacionadas à “Receita Líquida”; nos veículos laborais, como a garantia de, no mínimo 12 meses, dos benefícios aos funcionários; no aspecto fiscal, inclusive na defesa das “Questões de COFINS”; na propriedade de imóveis da ESSO; nas marcas registradas, pois era permitido no “Contrato de Licenciamento de Marca de Combustíveis e o Contrato Principal de Lubrificantes, o direito de continuar a usar no País coberto por essas Licenças durante um período com término 5 (cinco) anos e 10 (dez) anos, respectivamente, após a Data de Conclusão, as Marcas usadas nos negócios da Sociedade”. Nenhuma dessas obrigações poderia se referir às cooperativas, que foram extintas em 18 de dezembro de 2008. c) O curto prazo de existência das cooperativas holandesas, criadas em três de outubro e transferidas ao Grupo COSAN em primeiro de dezembro para, em seguida, no dia 18 serem liquidadas – ou seja, com um funcionamento de pouco mais de dois meses e liquidadas logo após suas transferências. A recorrente defende que as operações não podem ser analisadas simplesmente do ponto de vista dos atos societários considerados isoladamente, tal como fez o auditorfiscal, fato repetido pela turma de julgamento em primeira instância e diz: “não se pode analisar a operação ‘quadro a quadro’, é necessário analisála como um todo. Vale dizer: não basta ver os fatos tais como descritos fotografia a fotografia, mas sim analisar o filme como um todo.” Ocorre que é exatamente esse filme como um todo que leva à conclusão de simulação do negócio, cujo real objetivo era a aquisição da empresa ESSO. Nesse aspecto vale a pena transcrever dois parágrafos das folhas 1.078 e 1.097 dos autos, constante do recurso voluntário: De fato, conforme demonstrado, as operações societárias ("várias fotografias") que culminaram com a aquisição direta das cooperativas holandesas e, Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 12 indiretamente, de sua controlada no Brasil (Esso ora Impugnante), visavam, desde sempre, a expansão de suas atividades em novos setores econômicos no Brasil e posterior simplificação da estrutura societária. [...] Com relação ao curto período de existência das cooperativas, de fato, o único intuito na liquidação foi o de simplificar a estrutura societária do Grupo Cosan após a aquisição das cooperativas. Tendo em vista que a reorganização societária para venda das participações foi efetuada pelos vendedores, não havia mais razão para manter estas sociedades ativas sob a perspectiva do Grupo Cosan. Ainda, cabe destacar que a liquidação destas sociedades se deu em conformidade com a legislação local holandesa e com a legislação brasileira, com observância de todos os requisitos previstos nas normas societárias de ambos os Países. (grifos nossos). A aquisição dos ativos da EXXONMOBIL no Brasil foi, à época, amplamente noticiado no Brasil, em jornais, sites e revistas especializadas em função do comunicado ao mercado realizado pelo Grupo COSAN. De fato, foi isso que ocorreu. As transcrições reforçam o posicionamento defendido no lançamento, a partir da apuração realizada pela fiscalização, de que o conjunto de operações societárias praticadas pelo Grupo COSAN visavam dar uma aparência diferente ao negócio jurídico, quando, na verdade, o objetivo era a aquisição da empresa ESSO, e não das cooperativas holandesas. A tentativa de se demonstrar que a operação fora efetuada desta forma para justificar eventuais benefícios auferidos pelo Grupo EXXONMOBIL, ao invés demonstrar o propósito negocial, robustece, ao contrário, o entendimento de que a simulação fora orquestrada entre as partes contratantes para proveitos comuns nas condutas, exclusivamente, fiscais, no Brasil e na Holanda, já que ambas colheriam frutos da situação. II – A não retenção do imposto de renda na fonte e validade do lançamento A recorrente alega que a operação não se sujeitaria a retenção de Imposto de Renda na Fonte, pois, como os ativos não estariam localizados no Brasil, há ausência de previsão legal para incidência do imposto. E, não seria devida retenção do imposto, mesmo que tivesse ocorrido a venda direta das participações na sociedade holding holandesa Exxonmobil BR. Vencida esta questão, argui que houve erro na apuração da matéria tributável, no tocante ao aspecto temporal do fato gerador, que deveria ser 1º de dezembro de 2008, data da efetiva alienação, e não 25 de novembro como considerado no lançamento, o que acarretaria na nulidade da autuação. Diz que o entendimento trazido aos autos pela DRJ, de que a alienação se concretiza na assinatura do contrato, não está legalmente fundamentada e vai de encontro aos artigos 481 e 1.267 do Código Civil. Alega também erro na apuração do fato gerador, por equívoco na determinação do custo de aquisição registrado no BACEN, já que a autoridade fiscal considerou como o custo o capital social demonstrado no “extrato de investimento das cooperativas”, quando o correto seria o equivalente ao investimento registrado no BACEN, correspondente a soma do investimento total nas cooperativas holandesas. Ainda, que seria indevido o reajuste das bases de cálculo efetuado pela autoridade lançadora, por ausência de motivação e da indicação do dispositivo legal cuja previsão ensejaria tal reajuste, e por não lhe caber o ônus financeiro desse tributo, conforme disposto no art. 725, do RIR/99. Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 16682.720343/201325 Acórdão n.º 2201002.666 S2C2T1 Fl. 8 13 Por fim, no caso de ser considerado devido o imposto de renda na fonte sobre a operação autuada, o valor do ágio apurado no Processo Fiscal nº 16682.721208/201216, deveria ser majorado em razão do acréscimo do custo de aquisição do investimento pela adição do valor do IRRF no preço da operação. Sobre o primeiro ponto, como já foi observado no item anterior, descabe as observações de que o negócio foi de um jeito, mas poderia ser de outro, pois não se está apreciando nestes autos o que poderia ter sido feito, mas o que de fato os elementos constantes dos autos permitem compreender: que a operação consistiu, efetivamente, na aquisição pela COSAN S. A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO das quotas emitidas pela empresa ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO, pessoa jurídica residente no Brasil, pertencente ao Grupo EXXOMMOBIL, sediado na Holanda, com a interposição de duas cooperativas sem qualquer propósito negocial. E, na qualidade de responsável tributário pela retenção do IRRF, a adquirente responde objetivamente por eventual parcela do imposto não paga, haja vista que substitui o contribuinte, tal qual como fundamentado no auto de infração, nos termos do art. 26 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 26. O adquirente, pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no Brasil, ou o procurador, quando o adquirente for residente ou domiciliado no exterior, fica responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital a que se refere o art. 18 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, auferido por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior que alienar bens localizados no Brasil. A ocorrência do fato gerador do IRRF incidente sobre o ganho de capital pago por fonte situada no país a pessoa jurídica residente no exterior, como citado no auto de infração e decisão recorrida, está fundamentada na alínea “a” do inciso I e § 2º do art. 685 do RIR/99. A interposição das cooperativas holandesas, seja por opção do Grupo EXXONMOBIL ou interesse do Grupo COSAN, não pode ser oposta aos interesses do Fisco. Ainda que tenha sido imposição do grupo estrangeiro, a adquirente, na qualidade de responsável pela retenção do IRRF, deveria ter observado a artificialidade orquestrada e ter retido o imposto devido. No segundo ponto, sobre o aspecto temporal do fato gerador, tem razão a decisão recorrida, cujo trecho tomo a liberdade de transcrever: O contrato de compra e venda do controle acionário indireto da autuada foi celebrado em 23/04/2008, tendo por objeto de coisa futura (participação em sociedade que seria constituída futuramente), em conformidade com a dicção do art. 483, do Código Civil, sendo alterado através de aditivo celebrado em 25/11/2008, quando o objeto já era coisa atual, posto que existente, situação em que houve substituição do adquirente original, pela empresa veículo, posteriormente incorporada pela fiscalizada, esta última é a data da efetiva alienação das participações societárias que deram azo ao ganho de capital, objeto do lançamento. É importante esclarecer que no presente voto foi considerado como negócios jurídicos simulados a celebração de contrato de transferência das participações societárias nas cooperativas holandesas, firmado em 01/12/2008 entre a ExxonMobil Internacional e Exxonmobil BR e Cosanpar e a Usina, razão pela qual não se pode considerar esta data como a de efetiva ocorrência do fato gerador do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital, tal qual alegado pela impugnante. Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 14 A PGFN, nas contrarrazões, cita o Código Tributário Nacional (CTN) nos dispositivos do Capítulo II, destacando que se considera ocorrido o fato gerador e seus efeitos (art. 116 e inciso II) desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável, e indaga qual seria, nos termos do direito aplicável, o momento em que a compra e venda foi definitivamente constituída, e a partir de qual momento os grupos econômicos teriam assumido seus compromissos de forma definitiva, sem possibilidade de qualquer alteração. A DRJ, como acima transcrito, expôs no acórdão recorrido que esse momento seria a celebração do termo aditivo em 25 de novembro de 2008, quando se estabeleceu de forma definitiva a compra e venda entre os Grupos COSAN e EXXOMOBIL. Ou seja, a partir deste momento já seria certo e irrevogável a transferência do bem em contrapartida do recebimento do preço pactuado, já que foi considerado como negócio jurídico simulado a celebração de contrato de transferência das participações societárias nas cooperativas holandesas, firmado em 1º de dezembro de 2008 entre a EXXONMOBIL INTERNACIONAL e EXXONMOBIL BR e COSANPAR e a USINA. Verificase nos autos que o Aditivo de 25 de novembro de 2008 veio para permitir que a COSANPAR substituísse a parte original do negócio, sua controladora COSAN S. A. INDÚSTRIA E COMÉRCIO. Naquele momento, houve uma celebração contratual, substituindose o adquirente e mantendose a cessão anterior. Esse é o momento de fato da ocorrência do fato gerador. Portanto, nesse sentido, considero correto o lançamento. Outro ponto debatido pela recorrente diz respeito à base de cálculo, seja porque teria havido equivoco na determinação do custo de aquisição registrado no BACEN, não se observando a soma dos investimentos, seja porque seria indevido o reajuste das bases de cálculo (Gross up) efetuado pela autoridade lançadora. Os valores apurados pela fiscalização com base na escrituração da empresa, conforme folha 41/69 do “Termo de Verificação Fiscal”, foram: Data Fechamento Montante em US$ Taxa Montante em R$ Doc. SAP 21/11/2008 214.353.314,10 2,4277 520.385.540,64 100.000.400 25/11/2008 500.000.000,00 2,3056 1.152.800.000,00 100.000.457 25/11/2008 26.921.260,87 2,3056 62.069.659,06 100.000.401 28/11/2008 (26.921.260,87) 2,3331 (62.809.993,74) 100.000.868 TOTAL 714.353.314,10 1.672.445.205,97 O capital registrado da sociedade alienada foi o obtido no extrato de investimento das cooperativas no Banco Central fornecido pela fiscalizada, mesmo valor constante da alteração do contrato social da autuada efetuada em 3 de outubro de 2008 e registrada em 17 de novembro do mesmo ano, no montante de R$ 139.359.990,00. Com base nesses valores foi apurado um ganho de capital no valor de R$ 1.533.085.216,60, o qual correspondeu à diferença entre o montante pago pelas participações societárias de R$ 1.672.445.206,00, equivalente a US$ 714.353.314,10, e o correspondente ao capital social registrado da sociedade alienada de R$ 139.359.990,00. O valor foi ajustado para R$ 1.803.629.665,88 (valor apurado no ganho de capital dividido por 0,85). A recorrente, arguindo nulidade do lançamento, contesta esse cálculo e afirma que o custo da aquisição de sua participação societária não seria apenas o capital social inicial da ESSO, mas a totalidade dos investimentos feitos por seus controladores até a data da Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 16682.720343/201325 Acórdão n.º 2201002.666 S2C2T1 Fl. 9 15 transferência da empresa ao Grupo COSAN. Assim, o custo seria de US$ 111.033.536,40, correspondendo à R$ 261.561.701,70. Entretanto, não é possível aferir os reinvestimentos somente a partir das telas de consultas do BACEN, uma vez que, pelo que dispunha o contrato de compra e venda, durante o chamado “Período Intermediário”, o qual abrange o dia da assinatura do contrato até a data da sua conclusão, o Grupo EXXONMOBIL assumiu o compromisso de que não receberia da ESSO nenhum pagamento de qualquer tipo, conforme dispunha o conteúdo da cláusula 5.14(xvii): 5.14 [...] c) [...], a Fornecedora deverá providenciar para que as Sociedades não: [...] (xvii) efetuem nenhum pagamento de qualquer tipo (inclusive, entre outros, qualquer pagamento a partir da conta de um sócio, pagamento de juros especiais, redução de capital, distribuição ou pagamento de qualquer taxa de consultoria, assessoria, administração, serviço, aconselhamento, monitoramento ou outra taxa, bônus, ou pagamento de qualquer tipo) para a Fornecedora ou qualquer uma de suas Afiliadas (exceto a Sociedade), exceto um pagamento por mercadorias recebidas ou serviços reais prestados em termos e condições normais de mercado. (grifo nosso) Assim, considerando que o contrato fora assinado em 23 de abril de 2008, e que a partir desta data o lucro da ESSO não poderia mais ser destinado ao Grupo EXXOMOBIL, não há como apurar o que seria reinvestimento ou lucros destinados ao Grupo COSAN. Portanto, ante a previsão contratual de que a empresa brasileira não repassaria mais recursos ao Grupo EXXOMOBIL, tais valores não podem ser aceitos como custo de aquisição da empresa adquirida. No mesmo sentido, alega nulidade, por erro de apuração da base de cálculo do tributo pela ausência de motivação e fundamentação legal para essa majoração, ou, a título argumentativo, a exclusão desses valores adicionais. Como muito bem observado pela PGFN, o Grupo COSAN assumiu expressamente o ônus financeiro pelo IRRF, conforme abaixo transcrito do contrato de compra e venda, cabendo, portanto o reajuste da base de cálculo de acordo com o artigo 725 do RIR/99. Vejase o diz a cláusula 13.3 do contrato: 13.3 Com exceção de valores a serem pagos de acordo com a Cláusula 13.4.3, todas as somas devidas pelas Compradoras ou pelas Sociedades nos termos deste Contrato serão líquidas de qualquer Imposto retido na fonte. Se as Compradoras ou as Sociedades foram obrigadas por qualquer Legislação aplicável a deduzir Impostos de ou em relação a qualquer soma devida nos termos deste Contrato à Fornecedora ou suas Afiliadas, o valor pago será aumentado na medida necessária para assegurar que, depois de efetuadas todas as deduções exigidas, a Fornecedora ou suas Afiliadas recebam valor igual à soma que teria sido recebida se nenhuma tal dedução tivesse sido necessária. Caso as Compradoras ou as Sociedades sejam obrigadas por Legislação aplicável a efetuar esses pagamentos, esses pagamentos serão tratados como pagos à Pessoa em relação à qual a dedução e retenção tiverem sido realizadas, e as Compradoras ou as Sociedades entregarão a Fornecedora ou suas Afiliadas cópia autêntica dos documentos fiscais atestando o recolhimento do Imposto retido na fonte dentro de período de 30 dias a contar da data de pagamento. Caso a Fornecedora ou suas Afiliadas sejam consideradas responsáveis por pagamento devido pelas Compradoras ou pelas Sociedades de acordo com esta Cláusula, as Compradoras Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 16 defenderão, manterão isentas e indenizarão a Fornecedora ou suas Afiliadas. (grifo nosso). Assim, ao efetuar o pagamento de forma líquida, sem a retenção do valor devido, a recorrente assumiu o ônus do imposto devido pelo beneficiário sobre o ganho de capital na alienação da participação societária, calculado na forma expressa na cláusula 13.3, acima transcrita. E, por último, a recorrente defende que, na hipótese de ser considerado devido o imposto de renda na fonte sobre a operação autuada, o valor do ágio objeto PAF nº 16682.721208/201216 deveria ser majorado em razão do acréscimo do custo de aquisição do investimento pela adição do valor do IRPF no preço da operação. Entretanto, essa demanda não tem razão de existir, já que são coisas distintas. O imposto de renda sobre o ganho de capital na alienação da participação societária era devido pelo Grupo EXXOMOBIL, tendo a recorrente nessa relação entre o contribuinte e o fisco apenas a incumbência de responsável tributário. Também, concordo com os argumentos apresentados nas contrarrazões da PGFN de que, caso se admitisse a influência do imposto retido no valor do custo, estarseía diante de uma interessante situação, na qual, “tal como uma espiral crescente e infinita, o aumento do custo de aquisição pelo acréscimo do valor do imposto faria aumentar novamente o imposto, e assim por diante.” Assim sendo, considero neste aspecto que está correta a decisão recorrida, não havendo qualquer nulidade do lançamento quanto ao valor do imposto apurado. III – A multa de ofício e sua qualificação A recorrente alega que não cabe multa de ofício na hipótese de responsabilidade tributária por sucessão efetuada após o evento sucessório, a teor do que dispõe o art. 132 do CTN, em função do caráter personalíssimo da penalidade aplicada, e que descabe a qualificação da multa devido à inexistência de comprovação de sonegação, fraude ou conluio, bem como por ter prestado todas as informações e fornecido os documentos requeridos, cujos atos estavam devidamente estavam declarados e registrados. Também, que os procedimentos adotados decorreram de interpretação de lei, o que não pode ser confundido com ato ilícito, importando na inexistência de dolo ou má fé. Especificamente, que a multa de ofício não poderia ser exigida da recorrente (anteriormente denominada ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO LTDA.), na qualidade de sucessora por incorporação da COSANPAR, sociedade que teria supostamente praticado a infração ora combatida. Inicialmente, não cabe razão a recorrente quanto ao caráter personalíssimo da lei, supostamente abrangido pelo art. 132 do CTN, na qual a responsabilidade do sucessor decairia apenas pelos créditos tributários no sentido estrito, não abrangendo as multas aplicadas. Esse não é o entendimento dominante da doutrina, como destacou a PGFN nas suas contrarrazões: Com efeito, não se desconhece que parte da doutrina, ressaltase minoritária, entende que o artigo acima teria previsto a responsabilidade do sucessor apenas pelos créditos tributários (sentido estrito) devidos pela pessoa jurídica sucedida, e não pelas multas decorrentes de lançamento de ofício para exigir os tributos não pagos. No contraponto, a PGFN citou autores como Gaetano Paetano Paciello [(PACIELLO, Gaetano, in Caderno de Pesquisas Tributárias, Vol. 4 (Sanções Tributárias), Editora Resenha Tributária, pp. 108 a 109], José Carlos de Sousa Costa Neves e Djalma de Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 16682.720343/201325 Acórdão n.º 2201002.666 S2C2T1 Fl. 10 17 Campos [(NEVES, José Carlos de S. C., e CAMPOS, Djalma, in Caderno de Pesquisas Tributárias, Vol. 4 (Sanções Tributárias), Editora Resenha Tributária, pp. 13 a 20], Zelmo Denari [(DENARI, Zelmo, in Solidariedade e Sucessão Tributária, Saraiva, pp. 135 a 138], bem como as decisões dos Tribunais Superiores, como as proferidas pela Ministra Eliana Calmon [STJ, 2ª Turma, Resp 32967/RS, DJ de 20/03/2000], pelo Ministro Castro Meira [REsp 959389/RS, 2ª Turma, DJe 21/05/2009], pelo Ministro Cordeiro Guerra [Recurso Extraordinário n.º 83.613/SP] e pelo Ministro Justino Ribeiro [TRF, 1ª Região, DJ 20/08/1999]. Cita ainda decisões deste Tribunal Administrativo, como a proferida nos Acórdãos CSRF/0202.589 e CSRF/0202.623. Também, como já observou a decisão recorrida, a multa aplicada tem caráter patrimonial e não se confunde com as penas de outras áreas do direito, no caso do Direito Penal, que é inadequado para orientar as interpretações das normas que regem a sucessão de pessoas jurídicas no âmbito do Direito Tributário. A situação em tela é agravada pelo fato de a sucedida e a sucessora estarem submetida ao mesmo controle acionário antes e depois da sucessão, como se vê nos autos. A matéria já está pacificada no CARF, por meio da Súmula nº 47, a qual diz que é “Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico.” Superada a questão, passaa a analisar a qualificação desta multa. Primeiramente cabe esclarecer que não houve agravamento da multa, e sim qualificação em função da artificialidade dos atos praticados pelo Grupo COSAN para simular os fatos jurídicos que resultaram na aquisição da empresa ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO, no intuito de afastar a incidência do IRRF sobre o Ganho de Capital, devido pelas sociedades alienantes domiciliadas no exterior, cuja responsabilidade pela retenção era das sociedades adquirentes localizadas no Brasil. Como já debatido anteriormente, resta evidente nos autos que os Grupos EXXONMOBIL e COSAN praticaram atos simulados com o exclusivo intuito de evitar a ocorrência do fato gerador do tributo que seria devido caso a simulação não ocorresse. A simulação foi constatada por sucessivos fatos, como o declarado interesse na criação das empresas veículos em função dos incentivos regulatórios e fiscais na Holanda e benefícios negociais ao Grupo COSAN. Caso de fato o planejamento tributário fosse única e exclusiva exigência dos vendedores, não haveria razão para o grupo adquirente não adotar os procedimentos legais na retenção do imposto. Porém, ao que se vê, a adquirente agiu de forma no mínimo conivente ao embarcar na tese da aquisição de empresa domiciliada no exterior. Está mais que evidente que os atos praticados pelo Grupo COSAN, objetivavam apenas e somente a aquisição da empresa ESSO BRASILEIRA DE PETRÓLEO e não as cooperativas holandesas. Aliás, estas sequer existiam à época em que foi celebrado o contrato de compra e venda entre o Grupo EXXONMOBIL e o Grupo COSAN, em 23 de abril de 2008. Naquele contrato tais cooperativas eram denominadas de COOPERATIVA 1 e COOPERATIVA 2 (fl. 307). E, quando criadas, tiveram vida efêmera: foram constituídas no curso da negociação, em 03 de outubro de 2008, e liquidadas em pouco mais de dois meses, 17 dias após a transferência de propriedade. Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 18 O objeto da negociação está devidamemente registrado no contrato de compra e venda assinado pelas partes, cujo conteúdo está relacionado a questões, entre outras, como: o gerenciamento do ativo; a administração dos tributos, inclusive às compensações daqueles administrados pela Receita Federal do Brasil, como o COFINS; o plano de cargos e garantia de emprego e benefício aos funcionários; o uso da marca. Tudo isso referente à empresa de fato adquirida, a ESSO. Nenhuma das obrigações de médio prazo poderia se referir às cooperativas extintas, como se vê no seguinte trecho do contrato: 5.2.4 Capitalização das Sociedades e Obrigações e Responsabilidades das Cooperativas Principais. [...] (b) [...]. Na Data de Conclusão (i) cada Cooperativa Principal será uma Sociedade controladora sem operações, (ii) o único ativo da Cooperativa Principal serão as ações e/ou quotas das Sociedades e caixa ou capital de giro mantido pelas Cooperativas Principais e (iii) exceto quando definido no Anexo 5.2.4(b), nenhuma das Cooperativas Principais terá qualquer reclamação, obrigação, responsabilidade ou dívida de qualquer natureza (seja absoluta, acumulada, contingente ou de outra forma). (grifo nosso) Inclusive, a falta de interesse pelas cooperativas foi declarada pela recorrente, nos seguintes termos, “Tendo em vista que a reorganização societária para venda das participações foi efetuada pelos vendedores, não havia mais razão para manter estas sociedades ativas sob a perspectiva do Grupo COSAN.” Portanto, a suposta aquisição de uma empresa estrangeira é uma simulação, enquadrandose a conduta na hipótese de qualificação da multa de ofício, na forma prevista no §1º e inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. IV – Os juros sobre a multa de ofício A recorrente alega que seria ilegal a cobrança de juros moratórios aplicados sobre a multa de ofício, por ausência de previsão legal, posto que o art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995, combinada com o art. 84 da lei nº 8.981, de 1995, estabelecem a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC apenas sobre tributos. Vale observar que aqui não se discute a aplicação da taxa SELIC nos acréscimos moratórios, mas apenas a incidência dos juros sobre a multa de ofício. Pelo que dispõe o art. 161 do CTN, chegase à conclusão de que os juros moratórios não apenas incidem sobre o principal, mas também sobre a multa de ofício proporcional, já que ambos compõem o crédito tributário constituído: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1 Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2 O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. A Lei nº 9.430, de 1996, ao tratar da formalização da exigência de crédito tributário composto exclusivamente por multa ou juros de mora diz, expressamente, no parágrafo único do art. 43 que incidirão juros de mora à taxa Selic, conforme se observa a seguir: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 16682.720343/201325 Acórdão n.º 2201002.666 S2C2T1 Fl. 11 19 Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifos nossos) Ademais, o entendimento de se considerar legítima a incidência de juros de mora sobre a multa fiscal punitiva encontra sustentação na jurisprudência da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/12), que reiterou o entendimento no sentido de ser “legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário”, seguindo a linha adotada pela Segunda Turma do STJ (REsp nº 1.129.990/PR, em 1/9/2009). Também, no âmbito do CARF, verificase esse entendimento, conforme consta nos Acórdão nº 920201.806, 910100.539, CSRF0400.651. Isto posto, voto em NEGAR provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 2/03/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 13161.000293/2006-28
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO VIA LAUDO PERICIAL, AVERBAÇÃO TEMPESTIVA E RELATÓRIO VISTORIA IBAMA. AUSÊNCIA ADA. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO.
Tratando-se de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente Laudo Pericial, Relatório Vistoria do IBAMA e Averbação (Reserva Legal) à margem da matrícula do imóvel, formalizada antes da ocorrência do fato gerador, ainda que não apresentado Ato Declaratório Ambiental - ADA, impõe-se o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material.
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ISENÇÃO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. AUSÊNCIA.
Para fins de exclusão da área tributável, a área de preservação permanente (APP) do imóvel rural deve ser obrigatoriamente informada em Ato Declaratório Ambiental (ADA), em relação a fatos geradores ocorridos após o exercício de 2000.
No presente caso, a APP não foi informada em ADA, motivo da manutenção do lançamento neste ponto.
Numero da decisão: 9202-003.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a área de reserva legal averbada. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão(suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad, que votaram por dar provimento parcial em maior extensão.
Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
Presidente
(assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira
Relator
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Redator Designado
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO VIA LAUDO PERICIAL, AVERBAÇÃO TEMPESTIVA E RELATÓRIO VISTORIA IBAMA. AUSÊNCIA ADA. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente Laudo Pericial, Relatório Vistoria do IBAMA e Averbação (Reserva Legal) à margem da matrícula do imóvel, formalizada antes da ocorrência do fato gerador, ainda que não apresentado Ato Declaratório Ambiental ADA, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. ISENÇÃO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. AUSÊNCIA. Para fins de exclusão da área tributável, a área de preservação permanente (APP) do imóvel rural deve ser obrigatoriamente informada em Ato Declaratório Ambiental (ADA), em relação a fatos geradores ocorridos após o exercício de 2000. No presente caso, a APP não foi informada em ADA, motivo da manutenção do lançamento neste ponto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 02 93 /2 00 6- 28 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a área de reserva legal averbada. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão(suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad, que votaram por dar provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente (assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator Designado Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Fl. 165DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13161.000293/200628 Acórdão n.º 9202003.564 CSRFT2 Fl. 165 3 Relatório TÚLIO ALVES FILHO, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 20/06/2006 (AR fl. 34) exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 2002, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Austrália”, localizado no município de Deodápolis/MS, cadastrado na RFB sob o nº 19204426 conforme peça inaugural do feito, às fls. 25/33, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, consubstanciada no Acórdão n° 0414.363/2008, às fls. 56/59, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 1a Turma Especial, em 12/05/2010, por maioria de votos, achou por bem NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 28010.533, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL I TR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. A partir do exercício de 2001, para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, por expressa previsão legal, em se tratando de áreas de preservação permanente e utilização limitada, é indispensável que se comprove que houve a comunicação, tempestivamente, ao órgão de fiscalização ambiental, por meio de documento hábil. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. As áreas de reserva legal, para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, devem estar averbadas no Registro de Imóveis competente até a data de ocorrência do fato gerador. Recurso negado.” Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Especial, às fls. 96/102, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Fl. 166DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, defendendo ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras/Turmas dos Conselhos/CARF e da própria Câmara Superior de Recursos Fiscais respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 30335.736, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência argüida. Sustenta que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, uma vez impor que a comprovação da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para fins de não incidência do ITR, independe da requisição tempestiva do Ato Declaratório Ambiental – ADA, sobretudo quando aludidas áreas se encontram averbadas à margem da matrícula do imóvel (Reserva Legal), bem como lastreadas em Laudo Técnico com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica – ART e Relatório de Vistoria do IBAMA, ao contrário do que restou decidido pelo julgado recorrido. Contrapõese ao entendimento da Turma recorrida, defendendo que as áreas de reserva legal e preservação permanente, conquanto que devidamente comprovadas mediante Laudo Técnico, Averbação e Relatório Ibama, devem ser excluídas da base de cálculo do Imposto Territorial Rural, mormente quando aludidos documentos não foram objeto de contestação pela autoridade lançadora e/ou julgadora. Infere que a legislação de regência estabelece que o contribuinte não está obrigado a promover a comprovação prévia das áreas declaradas como isentas em sua Declaração de ITR, ou mesmo apresentar ADA tempestivo, conforme se verifica do artigo 10, § 7°, da Lei n° 9.393/1996, na redação dada pela MP n° 2.16667/2001. No entanto, assevera que, mesmo desobrigada, a autuada apresentou Laudo Técnico e Relatório do IBAMA, além dos registros imobiliários, comprovando a existência de referidas áreas. Por fim, repisa os argumentos lançados em sede de recurso voluntário, requerendo o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial do contribuinte, sob o argumento de que o recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes a propósito da mesma matéria, conforme Despacho S/N/2012, às efls. 142/143. Instada se manifestar a propósito do Recurso Especial do Contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, às efls. 145/162, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13161.000293/200628 Acórdão n.º 9202003.564 CSRFT2 Fl. 166 5 Voto Vencido Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF a divergência suscitada pelo Contribuinte, conheço do Recurso Especial e passo ao exame das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende o recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões das demais Câmaras/Turmas dos Conselhos/CARF e, bem assim, da Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito da mesma matéria. A fazer prevalecer sua pretensão, infere que o entendimento consubstanciado no Acórdão nº 30335.736, ora adotado como paradigma, determina que a comprovação da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para fins de não incidência do ITR, independe do requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental – ADA, notadamente quando devidamente comprovadas a partir de prévia averbação à margem da matrícula do imóvel, bem como lastreadas em Laudo Técnico com a respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica – ART e Relatório de Vistoria do Ibama, ao contrário do que restou decidido pela Turma recorrida. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da exigência do Ato Declaratório Ambiental, ou mesmo a protocolização tempestiva de seu requerimento, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural sobre as áreas de reserva legal e preservação permanente. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão do contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, em consonância com a farta e mansa jurisprudência administrativa, impondo a reforma do Acórdão recorrido com o fito de restabelecer a ordem legal nesse sentido, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; Fl. 168DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (grifamos) Como se extrai dos dispositivos legais encimados, em nosso entendimento, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA não é, em si, exclusiva condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo às glebas de terra destinadas à reserva legal e preservação permanente, na forma que sustenta a recorrente. Entrementes, afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, impende esclarecer que este Egrégio Colegiado já sedimentou o entendimento de que inexiste previsão legal, anteriormente à vigência da Lei no 10.165, de 28/12/2000, contemplando a exigência do ADA para efeito de não incidência de ITR sobre as áreas de preservação permanente e/ou de reserva legal. Aliás, o Pleno da CSRF, em 08/12/2009, aprovou a Súmula n° 41, tratando do tema nos seguintes termos: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Por outro lado, para os exercícios de 2001 em diante, após o advento da Lei no 10.165, de 28/12/2000, que alterou a Lei no 6.938/1981, entende parte dos julgadores deste Colegiado que a protocolização atempado do ADA passou a ser exclusiva exigência legal, para fins de fruição da isenção em comento. Somente a título elucidativo, não sendo a requisição atempada do ADA, anteriormente ao exercício 2000, condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a Fl. 169DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13161.000293/200628 Acórdão n.º 9202003.564 CSRFT2 Fl. 167 7 auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação estabeleça, para os exercícios posteriores a 2000, em face da intempestividade e/ou ausência do ADA, o reconhecimento da inexistência das áreas de reserva legal e preservação permanente decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, o mero requerimento do ADA, não se perfaz no único meio de se comprovar a existência ou não daquelas áreas. Assim, realizado o lançamento de ITR com base em glosa da reserva legal e preservação permanente, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pela não requisição tempestiva do ADA, e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à aludidas áreas, como aqui se vislumbra. Aliás, a jurisprudência Judicial que se ocupou do tema, notadamente após a edição da Lei n° 10.165/2000, corrobora o entendimento encimado, ressaltando, inclusive, que a MP n° 2.166/2001, por ser posterior ao primeiro Diploma Legal, o revogou, fazendo prevalecer, assim, a verdade material. Ou seja, ainda que não apresentado e/ou requerido o ADA no prazo legal, conquanto que o contribuinte comprove a existência das áreas declaradas como de preservação permanente e/ou reserva legal, mediante documentação hábil e idônea, quando intimado para tanto ou mesmo autuado, devese admitilas para fins de apuração do ITR, consoante se extrai dos julgados assim ementados: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. LEI N. 9.393/96 E CÓDIGO FLORESTAL (LEI N. 4.771/65). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP. 2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106 DO CTN. 1. "Ilegítima a exigência prevista na Instrução Normativa SRF 73/2000 quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA comprovando as áreas de preservação permanente e reserva legal na área total como condição para dedução da base de cálculo do Imposto Territorial Rural ITR, tendo em vista que a previsão legal não a exige para todas as áreas em questão, mas, tãosomente, para aquelas relacionadas no art. 3º, do Código Florestal" (AMS 2005.35.000112067/GO, Rel. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, DJ de 10.05.2007). 2. A Lei n. 10.165/00 inseriu o art. 17O na Lei n. 6.938/81, exigindo para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da área tributável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). 3. Consoante a jurisprudência do STJ, a MP 2.16667/2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do Fl. 170DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 art. 106 do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior, dispensando a apresentação prévia do Ato Declaratório Ambiental no termos do art. 17O da Lei n. 6.938/81, com a redação dada pela Lei n. 10.165/00. 4. Apelação provida.” (8ª Turma do TRF da 1ª Região AMS 2005.36.00.0087250/MT eDJF1 p.334 de 20/11/2009) “EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. APRESENTAÇÃO ADA. AVERBAÇÃO MATRÍCULA. DESNECESSIDADE. ÁREAS DE PASTAGENS. DIAT DOCUMENTO DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO. DEMOSTRAÇÃO DE EQUÍVICO. ÔNUS DO FISCO. 1. Não se faz mais necessária a apresentação do ADA para a configuração de áreas de reserva legal e consequente exclusão do ITR incidente sobre tais áreas, a teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 (redação da MP 2.16667/01). Tal regra, por ter cunho interpretativo (art. 106, I, CTN), retroage para beneficiar os contribuintes. 2. A isenção decorrente do reconhecimento da área não tributável pelo ITR não fica condicionada à averbação, a qual possui tão somente o condão de declarar uma situação jurídica já existente, não possuindo caráter constitutivo. 3. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo art. 16 da Lei nº 4.771/65. 4. Cabe ao Fisco demonstrar que houve equívoco no DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR, passível de fundamentar o lançamento do débito de ofício, de conformidade com o art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, o que não restou evidenciado na hipótese dos autos. 5. Apelação e remessa oficial desprovidas.” (2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região APELAÇÃO CÍVEL Nº 2008.70.00.0062742/PR 28 de junho de 2011) Como se observa, em face da legislação posterior (MP n° 2.166/2001) mais benéfica, dispensando o contribuinte de comprovação prévia das áreas declaradas em sua DITR, não se pode exigir a apresentação e/ou requisição do ADA para fins do benefício fiscal em epígrafe, mormente em homenagem ao princípio da retroatividade benigna da referida norma, em detrimento a alteração introduzida anteriormente pela Lei n° 10.165/2000. Mais a mais, com esteio no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. Assim, afora a exigência de apresentação do ADA contemplada pela legislação vigente à época do fato gerador do tributo em debate, o mesmo entendimento levado a efeito na área de reserva legal deve ser adotado para a preservação permanente, sobretudo em face do disposto no artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, a qual estabelece que a isenção em epígrafe sobre aludidas áreas, independe de prévia comprovação (requisição atempada do Fl. 171DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13161.000293/200628 Acórdão n.º 9202003.564 CSRFT2 Fl. 168 9 ADA), bastando que o contribuinte a declare como tal na DITR, ficando sujeito ao pagamento do imposto devidamente corrigido na hipótese de falsidade na informação. Melhor elucidando, o que torna ainda mais digno de realce, em vista deste evidente conflito entre as normas que regulamentam a matéria, impõese privilegiar a verdade real, ou seja, a comprovação material da área declarada pelo contribuinte como de reserva legal e preservação permanente, o que se constata na hipótese dos autos, como se verifica da Averbação procedida à margem da escritura do imóvel (antes da ocorrência do fato gerador), às fls. 43V (reconhecida pela própria autoridade lançadora – área de 621,5 ha), do Laudo Técnico delimitando precisamente referidas áreas, às fls. 46/53, bem como Relatório de Vistoria do IBAMA, às fls. 44/45, afastando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento eleito pela autuada. Nesse sentido, o certo é que a Averbação (Reserva Legal), o Laudo Técnico e o Relatório do Ibama, apresentados pelo contribuinte, se prestam a comprovar a existência das áreas de preservação permanente e reserva legal, rechaçando de uma vez por todas a pretensão da Fazenda Nacional, mormente em homenagem ao princípio da verdade material. Partindo dessas premissas, tratandose de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea trazida à colação pelo contribuinte, ainda que não apresentado o ADA, impõese o restabelecimento de tais áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito da fruição da isenção em comento, sob pena se fazer prevalecer o formalismo em detrimento do princípio da verdade material. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE E DARLHE PROVIMENTO, para rechaçar as glosas das áreas de reserva legal (no limite da averbação 621,5 ha) e preservação permanente (valor declarado – 111,80 ha), pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 172DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Redator designado. Com todo respeito ao nobre relator, acompanho seu voto PARCIALMENTE, pois divirjo de sua conclusão quanto à Área de Preservação Permanente (APP). Antes de nossa análise sobre a questão da APP, cabe ressaltar a importância do Ato Declaratório Ambiental (ADA). O ADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental e possui como função cadastramento as áreas de interesse ambiental declaradas, permitindo o controle e verificação dessas áreas pelo órgão responsável pela área ambiental. Com essa declaração, aos órgãos responsáveis, e pela busca da preservação ambiental dessas áreas, o Estado concede isenção tributária quanto ao ITR. Cabe esclarecer que a isenção tributária, como a incidência, decorre de lei. É o próprio poder público competente para exigir tributo que tem o poder de isentar É a isenção um caso de exclusão tributária, de dispensa do crédito tributário, conforme determina o I, Art. 175 do Código Tributário Nacional (CTN). Com essa benesse estatal, isenção, buscase, portanto, uma conduta dos cidadãos. No caso, o objetivo é a preservação das áreas declaradas, pela fiscalização das áreas informadas pelo ADA. Buscase estimular a preservação e proteção da flora e das florestas e, conseqüentemente, contribuir para a conservação da natureza e melhor qualidade de vida. Feito o ressalte, cabe analisarmos, no caso em questão, se o contribuinte agiu conforme a legislação. O lançamento referese ao ano de 2002 e nos autos não encontramos ADA entregue ao IBAMA. Na análise dos autos, é nosso dever verificar se a exigência está em consonância com o que determina a legislação sobre a matéria. Portanto, cabe a este colegiado decidir sobre a causa, aplicando o direito à espécie. Na legislação está expressa a determinação para a entrega do ADA. Lei 6.938/1981: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13161.000293/200628 Acórdão n.º 9202003.564 CSRFT2 Fl. 169 11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1o A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Esclarecemos, também, que a exigência de entrega do ADA não foi alterada pela mudança da Lei 9.393/1996, incluída pela Medida Provisória (MP) 2.16667, de 2001: Lei 9393/1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. ... § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. De forma clara a legislação afirma que a declaração (ADA) para fim de isenção do ITR não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante. Ou seja, o declarante informa o que conceitua como correto, sem prévia comprovação da sua parte, cabendo aos órgãos da administração pública solicitarem, ou não, a posterior comprovação. Não se deve confundir prévia comprovação do declarado com entrega de declaração, que são dois atos totalmente distintos. O Decreto regulamentador do ITR também possui determinação nesse sentido. Decreto 4.382/2002: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente; ... Fl. 174DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 12 § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e Portanto, como o ADA não foi apresentado para comprovação da APP, correto está o lançamento, motivo da negativa do provimento do recurso especial do sujeito passivo neste ponto, APP. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, acompanhando o relator quanto à ARL e negando provimento ao recurso do contribuinte quanto à APP, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 175DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10073.903430/2009-21
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-004.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano DAmorim (Presidente), Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Waldir Navarro Bezerra e Francisco José Barroso Rios.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da declaração de compensação é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D’Amorim (Presidente), Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Waldir Navarro Bezerra e Francisco José Barroso Rios. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 34 30 /2 00 9- 21 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Por bem explicitar os fatos ocorridos até o presente momento processual, adotase o relatório formulado pela autoridade julgadora de primeira instância nos seguintes termos: “Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP n° 01670.16305.300309.1.7.042705, em 30/03/2009, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, em 14/09/2001, a título de Contribuição para a COFINS, atinente ao período de apuração 08/2001, com débito da CSLL, referente ao período de apuração 4° Trim./2004 no valor de R$ 2.873,93. Por meio do Despacho Decisório de folha 6, o Delegado da DRF VOLTA REDONDA, não homologou a compensação declarada, ao argumento de que o crédito analisado foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada, inconformada, ingressou, em 18/11/2009, com a manifestação de inconformidade de fls. 11 a 14, na qual alega, em síntese, que: Apurou créditos de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior a qual se utilizou dos benefícios legais e que no momento do procedimento das compensações PER/DCOMP informou corretamente todos os dados constantes no DARF como também o crédito, já identificado no referido despacho decisório acima mencionado; Desta forma, procedeuse à transmissão do referido documento aos sistemas da Receita Federal e posteriormente retificado de acordo com o recibo de entrega via internet pelo Agente Receptor SERPRO; Recebeu o Despacho Decisório com data de emissão 07/10/2009 informando de que "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”; Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior; Exerceu o seu direito conforme disposto na legislação vigente da época em que procederam as referidas compensações e utilizouse dos mecanismos exigidos pela Receita Federal, ou seja, PER/DCOMP, para finalizar o processo de compensação de pagamento indevido ou a maior, sendo que apenas não procedeu a retificação das DCTFs e demais obrigações acessórias; Fl. 77DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.903430/200921 Acórdão n.º 3802004.002 S3TE02 Fl. 112 3 No caso específico, o valor da contribuição para a COFINS utilizado na referida compensação foi através do código da receita 2172, no valor de R$ 32.946,75 com data de recolhimento em 15/06/2004, enquadrandose na hipótese legal de "pagamento a maior ou indevido", e tratandose de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, tendo assim sua compensação amparada conforme cita o Art. 74 da Lei 9.430/96; 7) São estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Manifestação de Inconformidade: a) Da inexistência do crédito para a compensação constante no PER/DCOMP e respectivo DARF; b) Do direito em retificaras DCTFs e demais obrigações acessórias.” Ao analisar a impugnação, a 4a Turma da DRJ do Rio de Janeiro II rejeitou os argumentos do contribuinte, em acórdão assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformado com a decisão recorrida, o contribuinte apresentou tempestivamente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos expendidos em sede de impugnação. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Por intermédio de seu Recurso Voluntário, o Recorrente busca desconstituir as razões de negativa de sua manifestação de inconformidade pela instância originária, em decisão que teve como principal fundamento a ausência de comprovação do direito creditório pelo sujeito passivo. Entendo que o recurso não deve ser provido. Isso porque, desde sua origem, o Recorrente não comprova a materialidade de seus créditos. A questão se mostra ainda mais nítida a partir do momento em que o Recorrente foi instado a se manifestar sobre o assunto pela DRJ, pois esta foi a razão pela negativa de acolhida à sua manifestação de inconformidade. A resposta apresentada em sede recursal para isso, ao invés de ser a apresentação do material probante, foi a suposta desnecessidade de prova, e mesmo a irregularidade das normas administrativas que exigem a demonstração de prova para compensação. Segundo o Recorrente, bastaria a apresentação da DCOMP para que a compensação se efetivasse. Ora, não somente as normas administrativas existem para regulamentar as leis e garantir sua fiel execução no caso dos decretos (art. 84, IV, da CRFB e art. 99 do CTN), como também o próprio CTN reconhece em atos normativos administrativos a função de norma complementar à legislação tributária (art. 100, I), como também o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao instituto da compensação, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza, na forma do art. 170, do CTN. Neste espeque, o Recorrente, mesmo instado a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que houve de fato o pagamento dos DARF’s indicados no PER/DCOMP. A rigor, o mero fato de a linha argumentativa do sujeito passivo ser sinuosa, com argumentações distintas para o suposto crédito a ser compensado, já denota ausência de liquidez e certeza do crédito, a teor do art. 170 do CTN – lei complementar que dispõe sobre normas gerais em matéria de legislação tributária. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de compensação ou ressarcimento, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser compensado no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a compensação pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.903430/200921 Acórdão n.º 3802004.002 S3TE02 Fl. 113 5 (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 80DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10240.002243/2007-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Tendo sido regularmente intimada a contribuinte, não se há falar em nulidade do procedimento, sobretudo quando existente nos autos prova da regularidade da ação fiscal.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO DOS ATOS PRATICADOS PELOS AGENTES FISCAIS.
O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF, é instrumento de controle criado pela Administração com o objetivo de assegurar ao sujeito passivo que o fiscal identificado está autorizado a fiscalizá-lo. A atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional.
SIGILO BANCÁRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. LC 105/2001. SÚMULA CARF N. 02.
Tendo sido observados todos os ditames da Lei Complementar 105/2001, não se há falar em invalidade da obtenção dos dados bancários da contribuinte. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS.
Nos termos do Art. 42 da Lei 9.430/96, caracterizam omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA DE OFÍCIO. DESPROPORCIONALIDADE. DESCABIMENTO.
Tendo sido aplicada a multa de ofício nos termos e limites do Art. 44 da Lei 9.430/96, não se há falar em exame a respeito da sua desproporcionalidade.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N. 4
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1301-001.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimaraes, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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Depósitos Bancários Recorrente M E PAZ ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Tendo sido regularmente intimada a contribuinte, não se há falar em nulidade do procedimento, sobretudo quando existente nos autos prova da regularidade da ação fiscal. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO DOS ATOS PRATICADOS PELOS AGENTES FISCAIS. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, é instrumento de controle criado pela Administração com o objetivo de assegurar ao sujeito passivo que o fiscal identificado está autorizado a fiscalizálo. A atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. SIGILO BANCÁRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. LC 105/2001. SÚMULA CARF N. 02. Tendo sido observados todos os ditames da Lei Complementar 105/2001, não se há falar em invalidade da obtenção dos dados bancários da contribuinte. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Nos termos do Art. 42 da Lei 9.430/96, caracterizam omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 22 43 /2 00 7- 98 Fl. 572DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 2 documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO. DESPROPORCIONALIDADE. DESCABIMENTO. Tendo sido aplicada a multa de ofício nos termos e limites do Art. 44 da Lei 9.430/96, não se há falar em exame a respeito da sua desproporcionalidade. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF N. 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Luiz Tadeu Matosinho Machado, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimaraes, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10240.002243/200798 Acórdão n.º 1301001.734 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Do relatório oferecido pela r. decisão de primeira instância, destaco: Versa o presente processo sobre o(s) Auto(s) de Infração de fls. 2023, 2831, 3639, 4447 e 5255, relativo(s) aos tributos e contribuições integrantes do SIMPLES (IRPJ, PIS, CSLL, COFINS e INSS), ano(s) calendário 2002, com crédito total apurado no valor de R$ 2.159.408,61, incluindo o principal, a multa de oficio e os juros de mora, atualizados até 30/11/2007. 0(a) contribuinte tomou ciência do(s) lançamento(s) em 07/12/2007 (fls. 20v). De acordo com a Descrição dos Fatos do(s) Auto(s) de Infração, o contribuinte incorreu na(s) seguinte(s) infração(Oes): Omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Também é parte integrante dos Autos de Infração o Termo de Verificação de Infração de folhas 6273, bem como os Anexos I a VII de folhas 37137. O(a) contribuinte apresentou sua(s) impugnação(iies) ao(s) lançamento(s) em 20/12/2007 (fls. 373434), na(s) qual(is) alegou em síntese que: Da preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa 1. No inicio da ação fiscal não tomou conhecimento do objeto da ação fiscal; 2. Solicitou prorrogação de prazo para apresentação dos documentos, mas diante da dificuldade de obtenção destes, solicitou novo prazo, que foi negado pela fiscalização; 3. Estes fatos foram prejudiciais ao exercício do contraditório e da ampla defesa; 4. O art. 10 do Decreto n° 70.235 assegura o acompanhamento dos trabalhos de auditoria realizados em sua contabilidade; 5. O art. LV do art. 5° da CF 88 assegura o contraditório e a ampla defesa no processo administrativo; 6. Não teve conhecimento prévio das prorrogações do Mandato de Procedimento Fiscal; 7. A descrição dos fatos do Auto de Infração não revela os procedimentos adotados na auditoria, não faz referência às provas, não mostra as bases de cálculo dos tributos e nem a forma de apuração; 8. Não houve a discriminação dos fatos motivadores e nem mesmo apontados os dispositivos legais aplicados nas penalidades; 9. A descrição dos fatos é uma exigência do art. 10 do Decreto n° 70.235/72; Fl. 574DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 4 10. A motivação dos atos administrativos consiste na descrição pormenorizada dos fatos que ensejaram sua expedição; 11. A ausência da motivação do ato do lançamento ofende os princípios constitucionais do devido processo legal e da ampla defesa, devendo, portanto, ser decretada a nulidade do lançamento, nos termos do art. 53, II, do Decreto n° 70.235/72; Da multa de oficio 12. Não poderia ser exigida a multa no percentual aplicado porque as sanções não podem ser utilizadas como instrumento de arrecadação; 13. Deve haver uma proporcionalidade entre a penalidade aplicada e as infrações cometidas; 14. A multa aplicada representa um verdadeiro confisco; 15. Na ausência de fraude a multa deve apenas ter o condão de advertir e orientar o contribuinte; 16. O STF, em sede de ADIN contra dispositivo do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias do Estado do Rio de Janeiro, já se pronunciou no sentido do caráter de confisco da multa desproporcional à infração; 17. O Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul, no julgamento do Recurso de Apelação n° 2004.0099177, reduziu a multa de 110% para 10% por reconhecer seu caráter confiscatório; 18. A jurisprudência mais recente passou a fixar a multa num patamar máximo de 2%; Dos juros de mora 19. O art. 192, inciso VIII, § 3°, da Constituição Federal e o art. 161, § 1°, do CTN estabelecem juros num percentual máximo de 1% ao mês; 20. Não se pode admitir que o Governo Federal, através de seus agentes, pratique crime de usura, utilizando taxas maiores do que a estabelecida pela Carta Magna; 21. A aplicação de juros superiores a 12% a.a. é inconstitucional; 22. O art. 192, inciso VIII, § 3°, da Constituição Federal é auto aplicável; 23. A 2a Turma do STJ acolheu a argüição de inconstitucionalidade da utilização da taxa SELIC na esfera tributária; 24. A taxa SELIC representa um verdadeiro aumento de tributo, afrontando o art. 150, inciso I, da Constituição Federal; 25. A Fazenda Nacional, na devolução dos créditos tributários, não corrige o crédito pela taxa SELIC, mas para receber seus créditos aplica a referida taxa; 26. A atualização da correção monetária, travestida de taxa de juros, deve ser feita com base no IPC, mais benéfica ao contribuinte. Nesse sentido, várias decisões do 1° Conselho de Contribuintes; Da omissão de receitas 27. O legislador infraconstitucional não pode ampliar o conceito constitucional de renda, nem presumila, pela simples análise dos depósitos bancários; Fl. 575DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10240.002243/200798 Acórdão n.º 1301001.734 S1C3T1 Fl. 4 5 28. A presunção legal precisa estar apoiada na repetida e comprovada correlação natural das coisas. Assim, entre o fato conhecido — depósito bancário — e o desconhecido, presumido — renda — deve haver uma correlação direta e segura; 29. No caso da recorrente, a presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96 é inadequada, posto que entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos não há correlação lógica e segura; 30. Comprovou integralmente a origem dos depósitos bancários; 31. A movimentação bancária não corporifica o fato gerador do imposto de renda; 32. Corroboram este entendimento o Acórdão n° 10417.494 do 1° Conselho de Contribuintes e o Acórdão CSRF/0102.741; 33. A Súmula n° 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos consignou ser ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos bancários; Da inconstitucionalidade da LC n°105/2001 34. O MPF foi todo originado pela utilização retroativa da Lei Complementar n° 105/2001, que permite a RFB a quebra do sigilo bancário dos contribuintes; 35. O fato representa um desrespeito ao sigilo fiscal do contribuinte, consagrado no art. 5°, X, da Constituição Federal, além de violar os princípios da irretroatividade das leis e da segurança jurídica; Da imutabilidade do lançamento 36. O Auto de Infração é ilegítimo, na forma do art. 146 do CTN, por efetivar um novo lançamento com base em critérios jurídicos diferentes; Da base de cálculo do PIS, da COFINS e da CSLL 37. A aplicação do conceito de receita ou faturamento preconizado pelo § 1° da Lei n° 10.833/2003 não pode subsistir, visto que receita é tudo aquilo que é recebido pelo contribuinte como contraprestação de seus serviços, logo, tudo aquilo que se tratar de reembolso ou repasse não poderá ser inserido no conceito de renda; 38. O conteúdo das disposições da Lei n° 10.833/2003 são equivalentes ao disposto nos artigos 10 a 3° da Lei n° 9.718/98. Assim, a Lei n° 10.833/2003 também trouxe modificação do conceito de faturamento conferido originalmente pela LC 70/91; 39. O STF declarou a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, por ter ampliado indevidamente a base de cálculo da exação, através do novo conceito dado ao faturamento; 40. Dada a semelhança entre as Leis n° 9.718/98 e 10.833/03, vislumbrase a inconstitucionalidade dos art. 1° a 16 da Lei n° 10.833/2003; 41. O fato gerador do PIS, COFINS e CSLL deve incidir unicamente sobre as vendas constatadas pelo caixa; 42. As receitas financeiras das empresas comerciais e prestadoras de serviços não podem ser utilizadas para compor o conceito de receita bruta, por não corresponderem a definição de faturamento, no caso, decorrente da pratica de atos de natureza comercial. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 6 Por fim a recorrente, além da nulidade e insubsistência do lançamento, ainda requer a expedição de Certidão Positiva com efeitos de Negativa e o direcionamento, exclusivo, das intimações ao procurador. A partir da análise dessas circunstâncias fáticas, entendeu a douta turma julgadora de primeira instância pela PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO, aduzindo, na ementa de seu acórdão, as seguintes e específicas razões: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. Sao improficuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULAÇÃO DA ADMINISTRATIVA. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores pois não faz parte da legislação tributária de que fala o artigo 96 do Código Tributário Nacional, salvo quando tenha gerado uma súmula vinculante, nos termos da Emenda Constitucional n.° 45, DOU de 31/12/2004. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. ENTENDIMENTO ADMINISTRATIVO. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. As alegações de inconstitucionalidade ou de ilegalidade somente são apreciadas nos julgamentos administrativos quando houver expressa autorização. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NÃO OCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da Fiscalização, não implicando nulidade do procedimento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. MULTA DE OFÍCIO. A imposição da cobrança de multa de oficio decorre da lei em vigor que deve ser aplicada pelos agentes públicos, sob pena de responsabilidade. MULTA DE OFÍCIO.CONFISCO. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10240.002243/200798 Acórdão n.º 1301001.734 S1C3T1 Fl. 5 7 Ê inaplicável o conceito de confisco e de ofensa à capacidade contributiva em relação A. aplicação da multa de oficio, que não se reveste do caráter de tributo. JUROS. TAXA SELIC. A imposição da cobrança dos juros de mora com base na taxa SELIC decorre da lei em vigor que deve ser aplicada pelos agentes públicos, sob pena de responsabilidade. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ONUS DA PROVA. FATO INDICIARIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal iuris tantum inverte o ônus da prova. Nesse caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. SIGILO BANCÁRIO. É licito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. A obtenção de informações junto as instituições financeiras, por parte da administração tributária, a par de amparada legalmente, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de oficio. Lançamento Procedente Regularmente intimada a contribuinte, por ela foi então interposto o seu competente Recurso Voluntário, redarguindo todas as matérias antes apresentadas em sua Impugnação, com destaque aos seguintes pontos: A nulidade do lançamento fiscal por desobediência ao artigo 10 do Decreto 70.235/72; Nulidade do lançamento fiscal por desobediência ao princípio documental previsto no art. 196do Código Tributário Nacional Inteligência do Art. 142 do Código Tributário Nacional Nulidade do lançamento fiscal por ausência de motivação; Desproporcionalidade e efeito confiscatório da multa aplicada a) A necessária proporcionalidade entre a multa aplicada e a infração cometida b) Dos juros de mora c) Da aplicação da taxa SELIC como juros de mora O Conceito constitucional d renda Depósitos bancários e a presunção de omissão de rendimentos renda por ficção legal Fl. 578DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 8 Inconstitucionalidade da Lei Complementar 105 O Princípio da imodificabilidade do lançamento por utilização de critério jurídico diferente A base de cálculo apresentada e a nova jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e Tribunal Regional Federal da 1a Região Em rápida síntese, esse é o relatório. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10240.002243/200798 Acórdão n.º 1301001.734 S1C3T1 Fl. 6 9 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER. Sendo tempestivo o Recurso Voluntário interposto, dele conheço. Os presentes autos tratam, objetivamente, de lançamento efetivado pelos agentes da fiscalização fazendária que, após a instauração do regular procedimento fiscal contra a contribuinte e o seu não atendimento da determinação de apresentação dos competentes registros contábeis/fiscais, acabou por ver emitido o regular RMF, apurandose, a partir daí, a divergência entre os montantes movimentados em sua respectiva conta bancária, e, no caso, os montantes informados a título de receitas recebidas no período. Em face dessas considerações, contra ela foi então lavrado o competente Auto de Infração, instaurandose, então, a partir da sua impugnação, a presente fase contenciosa do Processo Administrativo Fiscal Federal. Após a decisão de primeira instância, conforme se verifica nos autos, a contribuinte interpõe então o seu Recurso Voluntário, simplesmente "reproduzindo" todas as argumentações enfrentadas em sua impugnação, pretendendo, com isso, a reforma da decisão de origem. De logo, insta destacar que em momento algum da peça recursal a contribuinte traça qualquer análise material específica a respeito da natureza dos depósitos apontados, pretendendo, ao revés, a desconstituição do lançamento, exclusivamente, a partir das considerações técnicas gerais por ela ali então apresentadas. Vejamos então. Da nulidade por (suposta) inobservância das disposições do Art. 10 do Decreto 70.235/72 A primeira consideração apresentada pela recorrente seria, objetivamente, a suposta inobservância dos ditames do mencionado Art. 10 do Decreto 70.235/72 quando do recebimento do "Termo de início da Fiscalização". Ora, com todas as vênias, a argumentação trazida pela ora recorrente não merece prosperar, sobretudo porque, ao contrário do que pretende afirmar, as disposições do mencionado Art. 10 foram sim, devidamente observadas quando da lavratura do Auto de Infração, que é, objetivamente, o tema tratado no referido dispositivo. Vejamos, mais uma vez, do que trata o mencionado artigo: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; Fl. 580DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 10 II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Ademais, a contribuinte fora regularmente intimada para a apresentação de sua documentação fiscal, que, confessadamente, não fora por ela (até hoje!) atendido. Diante disso, não há que se falar em qualquer nulidade do lançamento, tendo em vista que, no caso, perfeitamente atendidas. Da (suposta) nulidade por ausência de motivação Neste tópico, sustenta a recorrente a existência de supostas nulidades decorrentes de ausência de conhecimento de prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal, e, ainda, de definição, em seus termos, dos específicos limites da fiscalização desenvolvida. A questão em torno da discussão da validade do procedimento fiscal a partir de supostos vícios existentes no Mandado de Procedimento Fiscal é tema já há tempos superado pela doutrina e pela jurisprudência do Processo Administrativo Fiscal Federal, sobretudo por reconhecer o referido documento como nada mais que instrumento de controle interno dos atos dos agentes da fiscalização, não gerando, por si, qualquer nulidade no procedimento. A respeito deste assunto, inclusive, já tivemos a oportunidade de manifestar nosso entendimento, conforme se afere, inclusive, no seguinte aresto produzido por esta Turma, dentre tantos outros então existentes: Número do Processo 10280.722214/201075 Contribuinte COMERCIAL DE ALIMENTOS ESTRELA LTDA Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão Relator(a) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Nº Acórdão 1301001.316 Tributo / Matéria Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSÊCA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca De Menezes (Presidente), Paulo Jakson Da Silva Lucas, Carlos Augusto De Andrade Jenier, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10240.002243/200798 Acórdão n.º 1301001.734 S1C3T1 Fl. 7 11 Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO DOS ATOS PRATICADOS PELOS AGENTES FISCAIS. VÍCIOS RELACIONADOS À NOTIFICAÇÃO OU PRORROGAÇÃO. QUESTÕES QUE NÃO CAUSAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, é instrumento de controle criado pela Administração com o objetivo de assegurar ao sujeito passivo que o fiscal identificado está autorizado a fiscalizálo. Se ocorrerem problemas com a emissão, ciência ou prorrogação do MPF, não são invalidados os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Por essa razão, entendo já há tempos superadas todas as discussões em torno da validade do procedimento a partir de análise das circunstâncias próprias do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, razão porque, então, rejeito integralmente a preliminar aduzida. Sobre a inconstitucionalidade da obtenção de informações bancárias sem a prévia quebra do sigilo bancário por determinação judicial – inconstitucionalidade da LC 105/2001 A par dessas considerações preambulares, verificase que a insurgência própria trazida no recurso interposto, referese à discussão pretendida pela contribuinte a respeito da inconstitucionalidade das disposições da Lei Complementar no 105/2001, e, no caso, a obtenção, pelos agentes da fiscalização fazendária , de informações a respeito da movimentação bancária dos contribuintes sem a prévia determinação de quebra de sigilo bancário pelas respectivas autoridades judiciárias. Antes, entretanto, de qualquer consideração a respeito da matéria, cumpre aqui destacar então o que expressamente previsto na norma em referência, ressaltando, especificamente, a autorização legal de obtenção das referidas informações. Vejamos: Art. 1o As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3o Não constitui violação do dever de sigilo: I – a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; Fl. 582DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 12 II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III – o fornecimento das informações de que trata o §2o do art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV – a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V – a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2o, 3o, 4o, 5o, 6o, 7o e 9 desta Lei Complementar. (...) Art. 5o O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (Regulamento) § 1o Consideramse operações financeiras, para os efeitos deste artigo: I – depósitos à vista e a prazo, inclusive em conta de poupança; II – pagamentos efetuados em moeda corrente ou em cheques; III – emissão de ordens de crédito ou documentos assemelhados; IV – resgates em contas de depósitos à vista ou a prazo, inclusive de poupança; V – contratos de mútuo; VI – descontos de duplicatas, notas promissórias e outros títulos de crédito; VII – aquisições e vendas de títulos de renda fixa ou variável; VIII – aplicações em fundos de investimentos; IX – aquisições de moeda estrangeira; X – conversões de moeda estrangeira em moeda nacional; XI – transferências de moeda e outros valores para o exterior; XII – operações com ouro, ativo financeiro; XIII operações com cartão de crédito; XIV operações de arrendamento mercantil; e XV – quaisquer outras operações de natureza semelhante que venham a ser autorizadas pelo Banco Central do Brasil, Comissão de Valores Mobiliários ou outro órgão competente. § 2o As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. § 3o Não se incluem entre as informações de que trata este artigo as operações financeiras efetuadas pelas administrações direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 4o Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada Fl. 583DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10240.002243/200798 Acórdão n.º 1301001.734 S1C3T1 Fl. 8 13 poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. § 5o As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. A partir da análise dessas disposições, verificase que, sob o ponto de vista estritamente legal, não se configura a “quebra do sigilo bancário” a prestação de informações pelas instituições financeiras e bancárias aos agentes da Fiscalização Fazendária quando por eles requerido. A (in)constitucionalidade dessas disposições, é bem verdade, ainda hoje é tema debatido na doutrina e jurisprudência pátria, estando pendente ainda a apreciação da questão pelo Supremo Tribunal Federal, que, a respeito do assunto, já expressamente reconheceu a repercussão geral da matéria quando do destaque das disposições do RE 601314 (Relator: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI). Nada obstante, considerando que a avaliação a respeito da constitucionalidade das normas é competência própria da atuação do Poder Judiciário, aplicandose, na atuação administrativa, a necessária presunção de validade dos comandos legais, destacase, a esse respeito, os dizeres específicos da Súmula CARF no 2 que assim, inclusive, especificamente já se pronuncia: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante dessas razões, afasto a análise a respeito da (in)constitucionalidade das disposições da LC no 105/2001 pretendida pelo recorrente e, com isso, presumindo válidas as informações contidas nos autos a partir da expedição das competentes Requisições de Movimentação Financeiras – RMF’s aqui então especificamente retratadas. Da aplicação da presunção de omissão de receitas Continuando suas razões, a contribuinte sustenta também a invalidade da aplicação de presunção de receitas na espécie, destacando, novamente, ofensa a princípios constitucionais como proporcionalidade, razoabilidade, legalidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, etc. A aplicação, no caso, da presunção de omissão de receitas, vale destacar, decorrem, especificamente, da aplicação das disposições do Art. 42 da Lei 9.430/96, que, sobre a matéria, assim então especificamente destaca: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 584DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 14 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (destaques nossos) Por essas disposições, verificase que, obtendo os agentes da fiscalização as informações a respeito das movimentações financeiras realizadas nas contascorrentes da fiscalizada e não tendo ela apresentado, ao tempo e modo devido, os específicos e devidos registros dos respectivos montantes em sua contabilidade com a comprovação de sua origem e natureza, perfeitamente válida, mais uma vez, se mostra a aplicação da presunção de omissão de receitas, da forma como efetivada, não se podendo aqui, portanto, deixarse de observar a especifica determinação legal aqui apontada. À fiscalizada, insistase, assistiria o direito de efetivamente desconstituir as presunções aplicadas, apresentando, quando devidamente intimada para tanto, as respectivas comprovações a respeito da origem e natureza dos apontados recursos, o que, mais uma vez, não se verifica no presente caso. Diante disso, perfeitamente válida e regular, no caso, se verifica a aplicação da presunção de omissão de receitas promovida na atuação realizada, não se havendo falar aqui, absolutamente, em qualquer invalidade das disposições do Art. 42 da Lei 9.430/96 (Súmula CARF no 2) e, ainda, em qualquer ofensa a princípios da razoabilidade, proporcionalidade, contraditório, ampla defesa ou qualquer outra disposição constitucional apontada. Aliás, apenas para registros necessários, verificase que toda a discussão pretendida pela contribuinte no que diz respeito à definição da base de cálculo das Contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS e a indicada "nova jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Regional Federal da 1a Região" representa, a bem de ver, matéria completamente estranha ao presente feito, sobretudo porque a discussão aqui tratada Fl. 585DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10240.002243/200798 Acórdão n.º 1301001.734 S1C3T1 Fl. 9 15 não se refere à regular incidência daqueles tributos, mas sim, antes de tudo, à apuração de receitas a partir da configuração própria do caráter omissivo da contribuinte, o que, por si só, já aponta, aqui também, a sua total e completa rejeição. Da (des)proporcionalidade da multa aplicada A respeito desse último tópico, sustenta ainda a recorrente a invalidade da manutenção do lançamento, tendo em vista o caráter confiscatório da multa aplicada, e, no caso, a necessidade de sua redução, nos termos por ele ali então especificamente destacado. Em primeiro lugar, é relevante observar que, no que tange à multa de ofício aplicada, o que se extrai das informações constes no Auto de Infração lavrado é que ela fora definida no patamar "simples" de 75% (Setenta e cinco por cento), sem qualquer qualificadora ou outra forma de majoração. A partir dessa verificação, destacase que todas as discussões pretendidas pela contribuinte a respeito do montante da multa aplicada relacionamse com a discussão sobre a validade/constitucionalidade da exigência, o que, conforme aqui antes já apontado, é tema completamente vedado a esta instância administrativa de julgamento, novamente, nos termos da apontada Súmula CARF n. 2. Apenas a título de destaque, a previsão legal da multa aplicada encontrase nas expressas disposições do Art. 44 da Lei 9.430/96, que, sobre o assunto, então, assim hoje especificamente determina: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 586DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 16 V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Redação dada pela Lei nº 12.249, de 2010) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Redação dada pela Lei nº 12.249, de 2010) II – (VETADO). (Redação dada pela Lei nº 12.249, de 2010) (Grifos e destaques nossos) Em face dessas considerações, reconhecendo a perfeita regularidade da aplicação da multa no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) da forma como especificamente constante nas disposições do Auto de Infração lavrado, entendo, no caso, pela completa e total impossibilidade de acolhimento das razões da contribuinterecorrente, razão porque, então, rejeito também este tópico do recurso interposto. Dos juros sobre a multa Por fim, um dos temas que tem, de forma recorrente, sido argüido em diversos casos neste Conselho, tem sido a discussão a respeito da incidência (ou não) dos percentuais de juros de mora sobre os montantes da apontada multa de ofício. Inicialmente, é de se destacar que, a rigor, a aplicação de juros de mora sobre o montante do crédito tributário constituído e inadimplido, em nosso sistema possui expressa e específica base legal, sendo, a seu respeito, fundamental o destaque das disposições do Art. 161 do CTN, que, sobre o assunto, assim então especificamente destaca: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Da leitura dessas disposições, verificase já, de antemão, um tratamento legal distinto aplicado pelas disposições normativas de regência para o que seja o “crédito tributário” Fl. 587DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10240.002243/200798 Acórdão n.º 1301001.734 S1C3T1 Fl. 10 17 propriamente dito, e, no caso, as penalidades aplicadas, expressamente destacando que os juros de mora incidem (apenas) sobre aqueles, e não sobre todos os valores ali mencionados. Sendo essa a exegese que entendo adequada para o referido dispositivo legal, penso que, pela sua própria dicção, os juros de mora devem incidir sobre o montante próprio (e exclusivo) do crédito tributário, não cabendo, assim, a sua aplicação sobre o montante da multa de ofício aplicada que, inclusive, possui expressa excepcionalização pela mencionada disposição normativa. Em que pese, entretanto, as nossas considerações teóricas sobre a matéria, verificase que, pelo entendimento majoritário neste colegiado, têmse afastado a conclusão aqui então apontada, reconhecendose, por outra vai, que o montante das penalidades aplicáveis (multa de mora e de ofício) integram, por natureza, o conceito próprio do montante do “crédito tributário”, de forma que, então, tornase legítima a aplicação dos referidos juros de mora, também, sobre o montante da multa de ofício aplicada. Resguardando o meu entendimento pessoal a respeito da matéria, curvome, no caso, ao posicionamento da douta maioria, destacando, então, a possibilidade plena de aplicação dos juros de mora sobre o montante da multa de ofício aplicada. Nessa linha, destaco que o Decretolei nº 1.736/79, dispôs sobre os acréscimos moratórios incidentes sobre os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, destacando: Art 3º Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1º do Decretolei nº 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis nº 1.569, de 8 de agosto de 1977, e nº 1.645, de 11 de dezembro de 1978. Ou seja, o valor originário do débito, sobre o qual incidem os juros de mora, não exclui a multa de ofício. De acordo com o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal (ou seja, débitos de natureza tributária), cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5° (Selic), a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A regularidade da incidência da taxa SELIC como forma de correção dos montantes do crédito tributário é tema hoje plenamente pacificado na jurisprudência deste CARF, sendo de se destacar, em relação a esse assunto, as disposições da Súmula CARF no 4, que, sobre o assunto, assim então especificamente assenta: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são Fl. 588DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 18 devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em face dessas considerações, entendo, no caso, pela perfeita validade da incidência dos juros SELIC sobre as multas aplicadas, nos termos e condições estabelecidos pelo ordenamento jurídico pátrio. Conclusão Diante do tudo o que aqui exposto, encaminho o meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário da contribuinte, mantendo assim, em todos os seus termos, o lançamento efetivado. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 589DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/01/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10814.728016/2012-10
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 07/08/2012
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos arts. 9 e 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento.
CESSÃO DO NOME PARA UTILIZAÇÃO EM OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. MULTA PREVISTA NO ART. 33, DA LEI Nº 11.488/07.
A pessoa jurídica que ceder seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com intuito de ocultar os reais intervenientes ou beneficiários sujeita-se à multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo esta ser inferior a R$ 5.000,00, nos termos do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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NULIDADE. Estando presentes os requisitos formais previstos nos arts. 9 e 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento. CESSÃO DO NOME PARA UTILIZAÇÃO EM OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. MULTA PREVISTA NO ART. 33, DA LEI Nº 11.488/07. A pessoa jurídica que ceder seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com intuito de ocultar os reais intervenientes ou beneficiários sujeitase à multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo esta ser inferior a R$ 5.000,00, nos termos do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 72 80 16 /2 01 2- 10 Fl. 221DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10814.728016/201210 Acórdão n.º 3801005.289 S3TE01 Fl. 11 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10814.728016/201210 Acórdão n.º 3801005.289 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Cuida o presente sobre exigência de crédito tributário no valor de R$ 5.000,00, formalizada contra a interessada em epígrafe, em 19/11/2012, a título de multa por de 10% sobre o valor da operação com base no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. Relata a Fiscalização que a autuada cedeu seu nome para a realização de operação de comércio exterior de terceiros, ocultando a real adquirente das mercadorias importadas – Casa Fortaleza Comércio de Tecidos Ltda; e que, com base no Decreto nº 6.759/2009, art. 689, inc. XXII, a empresa foi punida com a aplicação da pena de perdimento das mercadorias mediante lavratura do auto de perdimento das mercadorias – processo nº 10814.728015/201267; a descrição dos fatos se encontra no processo de Auto de Infração de Perdimento das Mercadorias. Regularmente intimada, em 22/11/2012 (fl. 119) apresentou impugnação de fls. 133/143, em 19/12/2012, alegando, em preliminar, cerceamento do direito de defesa porque a fiscalização, na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração, aponta um auto de infração lavrado na unidade do Porto de Santos, para uma DI completamente diversa da DI de que se trata no presente, valendose de uma prova emprestada (processo nº 11128.722376/201209), com o equívoco de considerar um fato que se encontrase sub judice; por isso pugna pela nulidade do auto de infração; no mérito, alega que a Casa Fortaleza Comércio de Tecidos Ltda. e a Tapeçaria Macpiso Ltda são firmas interdependentes, citando o art. 612 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI 2010), e esclarece que o Sr. Jorge Al Makul é sócio fundador da Casa Fortaleza, criada em 07/10/1968, e da Macpiso, constituída em 02/06/1993, conforme fichas cadastrais de fls. 165/183; diz, ainda, que ele retirouse desta última que, atualmente tem como sócios seus filhos Fabiano Al Makul e Daniel Al Maku, mas tem procuração da impugnante, assim como seus filhos são procuradores da Fortaleza (fls. 185/188); havendo parentesco entre os sócios de uma e de outra, configura relação de interdependência, mas não de ocultação do real adquirente, porque é lícita a existência de interdependentes; cita exemplos de empresas interdependentes, em que uma delas tem a função principal de importar e a outra de comercializar, mencionando os supermercados, as lojas de roupas, afirmando que a impugnante tem capacidade operacional – fato não questionado pela fiscalização, importa mercadorias com recurso próprio e revende para terceiros; diz ser notório o fato de que a fiscalização fez uma ilação sem fundamento porque não há legislação que exija estoque de Fl. 223DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10814.728016/201210 Acórdão n.º 3801005.289 S3TE01 Fl. 13 4 mercadoria por um dado tempo para não se configurar ocultação de terceiro adquirente, aduzindo que montadoras japonesas trabalham com o sistema just in time – mercadorias entram na fábrica e são imediatamente consumidos; não há estoque, nem por isto considerase ocultação de terceira pessoa ou cessão de nome a terceiro; além disso, a impugnante revende as mercadorias importadas para diversas empresas, sendo que a Fortaleza (suposta ocultada) adquiriu apenas 38,77% das vendas efetuadas pela impugnante; a impugnante importa mercadorias e revende para seus clientes, inclusive a Casa Fortaleza; aponta outro equívoco na capitulação da sanção aplicada se refere a falta de destaque do IPI nas operações de revenda de mercadoria, argumentando que para o enquadramento de ocultação do real adquirente não há previsão legal da falta de recolhimento de IPI; a venda posteriori, ainda que no dia seguinte, não pode ser considerado ocultação de sujeito passivo, ainda mais, porque as empresas são interdependentes, nos termos do disposto na Lei nº 4.502, art. 42, parágrafo único, inciso I; para o caso em tela, o auditor verificou que a impugnante efetua operações com recursos próprios (tem capacidade) e que vende habitualmente para diversas empresas, que as venda à interdependente é de apenas 38,77%, mas concluiu pela ocultação do real adquirente. A Impugnante é a legítima importadora e revende estes bens para diversas empresas inclusive para a "em tese" ocultada Casa Fortaleza, ou seja a Impugnante é a real beneficiária das operações de comércio exterior, não caracterizado a hipótese de incidência da multa por cessão de nome à terceiro está prevista no art. 33 da Lei 11.488/2007. A DRJ1 em São Paulo (SP) julgou improcedente a impugnação. MULTA POR CESSÃO DO NOME. Dano ao erário. Ocultação dos reais intervenientes na operação de importação. Apuração mediante regular processo com aplicação da pena de perdimento significa comprovação da ocorrência de cessão do nome, infração prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007 Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, descreve os fatos inconformada com as premissas do acórdão recorrido. Inicialmente pontua que é de conhecimento geral que os autos de perdimento lavrados pela aduana brasileira são julgados procedentes pela própria administração pública, esta unanimidade é decorrente do previsto no art. 27, parágrafo quarto do DecretoLei n° 1.455 de 1976 que estabeleceu que as ações fiscais que resultem em perdimento de mercadoria serão julgadas em instância única e pelo chefe da unidade preparadora do auto de infração, isto é pelo próprio delegado da Alfândega. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10814.728016/201210 Acórdão n.º 3801005.289 S3TE01 Fl. 14 5 Assim, o corporativismo da unidade preparadora associado a ausência de recurso administrativo à instância superior produzem esta distorção no julgamento dos autos de perdimento de mercadoria. Destaca que a recorrente vende seus produtos adquiridos do exterior com recursos próprios e para diversas empresas inclusive para a Casa Fortaleza que pertence ao mesmo grupo econômico da família Al Makul. Insiste que a recorrente tem conhecimento e capacidade econômica e é a única responsável pelas suas aquisições tanto nacionais como internacionais. Menciona que além dos fatos já apontados na impugnação, surgiu um fato novo que enseja nova análise da questão Cessão de Nome a terceiro. Por solicitação da Alfândega do Aeroporto Internacional de Guarulhos em São Paulo a Delegacia de Fiscalização de São Paulo DEFIS abriu um procedimento fiscal sobre a empresa Casa Fortaleza, através do MPFD n° 0819000.2013018719, este fato está descrito na descrição sumária do MPF (doc. 01). A fiscalização efetuou uma diligência fiscal na suposta empresa oculta Casa Fortaleza Comércio de Tecidos Ltda. a fim de verificar a denúncia da Alfândega de existência de ocultação de real adquirente das mercadorias importadas pela Recorrente. Esclarece que ficou constatado que as empresas Macpiso e Fortaleza pertencem ao mesmo grupo econômico sendo que a empresa Casa Fortaleza vende e compra mercadorias a Recorrente, existindo uma conta corrente entre as empresas com um saldo credor a favor da Casa Fortaleza, visto que o volume de vendas para a recorrente é maior do que o volume de compra. Argumenta que a conclusão do citado relatório é de que não há elementos na empresa fiscalizada que demonstrem a existência de encomenda informal. Persiste na afirmativa de que a recorrente revende suas mercadorias importadas para diversos clientes, mas também adquire mercadorias no comércio interno, principalmente da empresa Casa Fortaleza, assim inexistindo ocultação de real adquirente e consequente cessão de nome à terceiro. Reitera todos os termos da impugnação apresentada e protesta pela juntada deste nova prova tendo em vista a hipótese prevista no artigo 16, § 4º , alínea 'b”, do Decreto n° 70.235/72, em razão do princípio da verdade material que impera no Processo Administrativo. Por fim, requer o cancelamento do presente auto em sua integralidade. É o relatório. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10814.728016/201210 Acórdão n.º 3801005.289 S3TE01 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente reitera em sua peça recursal todos os termos da impugnação apresentada. Em preliminar sustenta o cerceamento do direito de defesa pela utilização de uma prova emprestada, um auto de infração lavrado na unidade do Porto de Santos, processo de perdimento nº 11128.722376/201209. Como bem assentado pela decisão de 1ª instância, equivocase a recorrente neste ponto. A autoridade fiscal mencionou na descrição dos fatos deste lançamento o auto de infração lavrado pela fiscalização da Alfândega de Santos tãosomente para evidenciar o modus operandi da recorrente. Não se trata de prova emprestada, uma vez que as respectivas Declarações de Importação são distintas e este processo tem como especificidade o despacho aduaneiro referente à DI nº 12/14430297. Ademais, em que pese os esforços da recorrente em caracterizar uma nulidade, as argumentações não procedem, visto que no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que o auto de infração foi lavrado por servidor competente e o inciso II aplicase, apenas, aos casos de despachos e decisões, ressaltando que o auto de infração enquadrase na categoria de atos e termos processuais prevista no inciso I do aludido artigo. Ao contrário do alegado de que a autuação não pode prosperar, o lançamento de ofício observou o procedimento previsto no Decreto nº 70.235/72, em especial os requisitos formais estabelecidos nos arts. 9 e 10, de sorte que as alegações de eventuais vícios no lançamento, em especial a de prova emprestada, não podem prevalecer, mormente quando se constata que o sujeito passivo demonstra conhecer os fatos motivadores da autuação. Por seu turno, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória nos termos do § único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), isto é, quando o AuditorFiscal identificar uma infração à legislação tributária, ele tem o dever funcional de efetuar o lançamento correspondente a esta infração ou, no caso de ser Fl. 226DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10814.728016/201210 Acórdão n.º 3801005.289 S3TE01 Fl. 16 7 incompetente para formalizar a exigência, representar para seu chefe imediato, que, por seu turno, adotará as providências necessárias para a constituição do crédito tributário. Destarte, este lançamento de ofício contém todos os elementos necessários e suficientes para a constituição do crédito tributário, inclusive uma robusta descrição dos fatos. De sorte que não há que se falar em violação ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, pois a requerente teve a oportunidade de apresentar robusta impugnação, além das razões coerentes desse recurso voluntário, inclusive apresentou uma petição a destempo com diversos documentos importantes para a solução do litígio. Nessas manifestações evidenciamse a correta percepção da matéria e da motivação do lançamento. Por tais razões, são insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração, posto que não houve transgressão aos requisitos formais legalmente exigidos e a requerente pode exercer sua defesa plena, após ter ciência dos fatos motivadores da exigência. No mérito, a recorrente sustenta essencialmente que a Casa Fortaleza Comércio de Tecidos Ltda. e a Tapeçaria Macpiso Ltda são firmas interdependentes, segundo o disposto o art. 612 do Decreto nº 7.212/2010, portanto não há que se falar em ocultação do sujeito passivo. Mais uma vez sem razão a interessada. De fato, as empresas interdependentes também estão sujeitas a todas as disposições legais que regem o controle aduaneiro. Neste esteira, a interessada não observou o disposto no art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 634, de 24/03/2006: IN SRF 634/2006 Art. 3º O importador por encomenda, ao registrar DI, deverá informar, em campo próprio, o número de inscrição do encomendante no CNPJ. Registrese por oportuno que, a caracterização como encomendante resulta em diversos efeitos jurídicos relevantes tais como; cumprimento das obrigações acessórias previstas na IN SRF 634/2006; a prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com seu capital social ou o patrimônio líquido; a responsabilidade solidária quanto ao imposto de importação; a responsabilidade conjunta ou isolada, quanto às infrações aduaneiras; a sujeição ao pagamento dos tributos relativos ao IPI de sua saída por contribuinte por equiparação; a aplicação das regras de preços de transferência de que trata a Lei nº 9.430/96. Quanto à falta de destaque do IPI, o estabelecimento importador equiparase a estabelecimento industrial nos termos do 9º, inciso I, do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI), enquanto o estabelecimento atacadista ou varejista que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importado por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, segundo o disposto no art. 9º, inciso I, do RIPI, também se equipara a industrial. Logo são contribuintes do IPI e sujeitos à obrigação principal, o pagamento do tributo. Assim sendo, a ocultação do encomendante traz de forma inequívoca prejuízo ao controle aduaneiro, bem como a não sujeição dos reais encomendantes às conseqüências tributárias relativas ao demais tributos. A atividade da autoridade administrativa é vinculada e tem que coibir tais condutas. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10814.728016/201210 Acórdão n.º 3801005.289 S3TE01 Fl. 17 8 Não se pode perder de vista que durante o despacho aduaneiro a interessada admitiu que estava realizando uma importação por encomenda em favor da Casa Fortaleza, o que torna este fato incontroverso. O conjunto probatório é farto no sentido de que a interessada nesta operação ocultou o real adquirente das mercadorias, senão vejamos: modus oprandi no ano de 2012, entrada e saída integral das mercadorias importadas em dias subseqüentes, a quebra da cadeia do IPI, pedido de vinculação entre a recorrente e a empresa Casa Fortaleza e da habilitação desta no Siscomex após intimações da fiscalização etc. Quanto à alegação de fato novo trazida no recurso voluntário, em que ficou constatado em diligência fiscal de que não há elementos na empresa Casa Fortaleza que demonstram a existência de encomenda informal, verificase que a diligência apurou fatos distintos destes, em especial, a falta de destaque do IPI, de sorte que a alegação não merece maiores considerações. Ressaltase que nesta diligência a empresa Casa Fortaleza mais uma vez admite que o lançamento constante deste processo é decorrente de uma importação por encomenda, item 13 do Relatório de Trabalho Fiscal. Em remate, os fatos comprovam que a empresa importadora agiu em nome de outra empresa, ainda que interdependente, e omitiu esta informação dos controles aduaneiros, pois no campo destinado à informação do adquirente e do encomendante, a recorrente informou seu próprio CNPJ e Razão Social, configurando assim a infração prevista no art. 33 da Lei 11.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Ante ao exposto, voto no sentido negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 228DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10814.728016/201210 Acórdão n.º 3801005.289 S3TE01 Fl. 18 9 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 30/03/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10768.010249/2002-85
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/1998, 31/12/1999
SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO - MULTA DE OFÍCIO -SOCIEDADES PERTENCENTES AO MESMO GRUPO ECONÔMICO NA DATA DA INFRAÇÃO - INFRAÇÃO É VERIFICADA APÓS O FATO GERADOR - OCORRÊNCIA.
Ocorre sucessão por incorporação em relação à penalidade quando, na data da infração, sucessora e sucedida pertenciam ao mesmo grupo econômico. Considera-se como data da infração, a data da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 9101-001.698
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONHECER o recurso da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, relatora, José Ricardo da Silva e Jorge Celso Freire da Silva. No mérito, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional, para reconhecer que na data do fato gerador as empresas já pertenciam ao mesmo grupo econômico e, portanto, a multa se transfere e é aplicada relativamente ao principal mantido, com retorno à câmara a quo, para análise da qualificação da multa. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, relatora, e José Ricardo da Silva, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento e ao mérito, o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior. O Conselheiro Valmir Sandri declarou-se impedido de votar, sendo substituído pelo conselheiro Paulo Roberto Cortêz (Suplente convocado).
(documento assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
KAREM JUREIDINI DIAS - Relator.
(documento assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Viviane Vidal Wagner (suplente convocada), Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Plínio Rodrigues de Lima, João Carlos de Lima Junior e Suzy Gomes Hoffmann. Ausentes, justificadamente os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente) e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz.
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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Ocorre sucessão por incorporação em relação à penalidade quando, na data da infração, sucessora e sucedida pertenciam ao mesmo grupo econômico. Considerase como data da infração, a data da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em CONHECER o recurso da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, relatora, José Ricardo da Silva e Jorge Celso Freire da Silva. No mérito, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional, para reconhecer que na data do fato gerador as empresas já pertenciam ao mesmo grupo econômico e, portanto, a multa se transfere e é aplicada relativamente ao principal mantido, com retorno à câmara a quo, para análise da qualificação da multa. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias, relatora, e José Ricardo da Silva, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento e ao mérito, o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior. O Conselheiro Valmir Sandri declarouse impedido de votar, sendo substituído pelo conselheiro Paulo Roberto Cortêz (Suplente convocado). (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 02 49 /2 00 2- 85 Fl. 3385DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 2 LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (documento assinado digitalmente) KAREM JUREIDINI DIAS Relator. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Viviane Vidal Wagner (suplente convocada), Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Plínio Rodrigues de Lima, João Carlos de Lima Junior e Suzy Gomes Hoffmann. Ausentes, justificadamente os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente) e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte, em face do Acórdão n° 10194.717. O auto de infração exige IRPJ e CSLL, referente aos anoscalendário de 1998 e 2000, bem como de multa de ofício qualificada em 150%. Impugnado o lançamento e realizada diligência, sobreveio acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que o julgou procedente. Interposto Recurso Voluntário, o acórdão da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte, por maioria de votos, rejeitou as preliminares de nulidade suscitadas, e, no mérito, por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso para afastar a glosa das despesas com a remuneração do mútuo, bem assim a imposição da multa de ofício. A decisão recorrida foi ementada nos seguintes termos: ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA A indicação da pessoa jurídica constituída à época dos fatos, com a ciência do lançamento para a sua responsável sucessora, é procedimento regular, que não pode provocar nulidade, pois ausente qualquer prejuízo para o contribuinte, haja vista inexistir cerceamento de defesa. Nesses casos, o formalismo não pode prevalecer. NULIDADE DA INTIMAÇÃO – INEXISTÊNCIA – Valida a ciência tomada por pessoa com vinculação notória tanto com a incorporada quanto com a incorporadora, além de procurador da holding. NULIDADE – COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO – VALIDADE – A teor do disposto no artigo 9º, §§ 2º e 3º, do Decreto 70.235/72, os procedimentos quanto ao lançamento serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. A formalização da exigência previne a jurisdição e Fl. 3386DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10768.010249/200285 Acórdão n.º 9101001.698 CSRFT1 Fl. 3.387 3 prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. OPERAÇÕES EM BOLSA – ARTIFICIALISMO – GERAÇÃO DE PREJUÍZO – INDEDUTIBILIDADE – Comprova o artificialismo das operações de venda com posterior recompra de ações mutuadas, em conjunto: 1) a coincidência de pessoas diretoras das pessoas jurídicas envolvidas, bem como da corretora única intermediadora; 2) a pouca liquidez das ações, praticamente negociadas somente pelas pessoas jurídicas envolvidas: 3) o preço de negociação bastante superior ao valor patrimonial das ações; 4) o notório conhecimento, pelos diretores comuns das empresas envolvidas, das condições patrimoniais das empresas cujas ações foram negociadas,; 5) a drástica redução das cotações das ações após a realização das operações destacadas pela fiscalização; e 6) a nãotributação do ganho obtido pelos fundos estrangeiros, administrados pelo mesmo grupo societário da recorrente, posicionados na ponta lucrativa, e que constituíam a vasta maioria dos vendedores das ações, com exceção de um único fundo nacional. O prejuízo gerado artificialmente não obedece aos requisitos de normalidade e ususalidade necessários à dedutibilidade do mesmo. Legítimo o custo referente ao mútuo de ações, pois sob esta operação, isoladamente, não se pode argüir qualquer irregularidade. MULTA – INAPLICABILIDADE – SUCESSÃO – AUTORIZAÇÃO DO BACEN – EFEITOS – A incorporação opera seus efeitos na data da assembléia, conforme a Lei das Sociedades Anônimas. A autorização do Banco Central regula apenas efeitos futuros, a saber: “(a) reconhecer que as exigências ligadas à saúde da incorporadora estão atendidas e aprovar o que foi feito; (b) exigir que sejam promovidas medidas de regularização da situação em dimensão e prazo a ser fixadas; e (c) caso não sejam promovidas tais medidas, decretar a liquidação extrajudicial da pessoa jurídica incorporadora. SELIC – JUROS DE MORA – A aplicação dos juros de mora pela taxa Selic está ancorada em norma legal, sendo vedado a este Conselho negarlhe validade em face de argumentos de sua inconstitucionalidade. Recurso voluntário parcialmente provido.A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 288/296), no qual requer a reforma do acórdão recorrido na parte em que exclui do lançamento a multa isolada. Aponta como paradigma o acórdão nº 20279948, no qual firmouse o entendimento de que “é devida a multa isolada decorrente de diferenças apuradas em compensação indevida e declaração inexata prestada em DCTF pelo contribuinte, conforme disposto no artigo 90 da MP nº 2.158/2001, nos termos do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, atualmente modificada pela Lei nº 11.196/2005”. Em face da referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando contrariedade ao artigo 132 do Código Tributário Nacional. Segundo a Fazenda Nacional, de acordo com os documentos constantes dos autos, em 29/01/2002, houve AGE que decidiu pela incorporação do Bank of America – Liberal S.A., porém, o arquivamento do ato somente ocorreu em 07/11/2002, após aprovação pelo Banco Central do Brasil. O contribuinte foi cientificado do auto de infração em 13/06/2002, ou seja, antes do arquivamento da ata da AGE de incorporação. Aduz, ainda, que consoante jurisprudência da Câmara Superior de Fl. 3387DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 4 Recursos Fiscais (acórdão CSRF0105.546), a multa de ofício é transferida ao incorporador, quando ambas as empresas, incorporadora e incorporada, faziam parte do mesmo grupo. Requer, assim, a manutenção da multa de ofício em relação ao sucessor. O despacho de fls. 2.344 deu seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, tendo o contribuinte apresentado suas contrarrazões às fls. 2.624/2.650. O contribuinte também interpôs Recurso Especial de fls. 2.352/2.384. Entretanto, em petição de fls. 2.979 apresenta pedido de desistência do recurso, a fim de incluir os débitos no parcelamento. Ressalva que não incluiu a multa qualificada em 150%, uma vez que esta é objeto de recurso da Fazenda Nacional. Ou seja, está definitivamente transitado em julgado o cancelamento da glosa de despesas, já que, quando o contribuinte aderiu ao parcelamento, tal glosa já havia sido cancelada e não foi objeto de Recurso da Fazenda. Da mesma forma, os lançamentos mantidos restaram definitivamente julgados, tendo em vista a desistência do Recurso Especial do contribuinte em razão da adesão ao parcelamento. Resta controvertido, portanto, apenas a questão da multa, se permanece sua exclusão ou, se provido o recurso da Fazenda, deverá ser decidido pela Câmara a quo se a mesma deve ser no patamar qualificado ou não. Isto porque, apesar do contribuinte ter se insurgido também quanto à qualificação da multa em seu Recurso Voluntário, tal aspecto não restou decidido porque, naquela ocasião, foi integralmente cancelada a multa, sob o fundamento do artigo 132 do Código Tributário Nacional. É o relatório. Voto Vencido Conselheira KAREM JUREIDINI DIAS, Relatora. Delimitando a lide, é objeto de julgamento apenas o Recurso Especial da Fazenda Nacional, interposto em face de acórdão não unânime. O Recurso Especial do contribuinte foi objeto de desistência em razão da adesão ao parcelamento, como dito no relatório. O Recurso Especial da Fazenda Nacional requer a manutenção da multa de ofício, tendo em vista que (i) o arquivamento dos atos de incorporação apenas ocorreram após a cientificação da incorporada; e (ii) consoante jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais (acórdão CSRF0105.546), a multa de ofício é transferida ao incorporador, quando ambas as empresas, incorporadora e incorporada, faziam parte do mesmo grupo econômico. A controvérsia, portanto, se refere à possibilidade de imputação de multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida. Quanto a essa segunda divergência, há que se atentar, preliminarmente, para o fato da matéria já ter sido tratada nos próprios fundamentos do lançamento e, ao meu ver, acabou por ser posta expressamente fora dos fatos que fundamentaram o lançamento de ofício. Explico, conforme apontado nos Memoriais de Julgamento apresentados pela interessada em sessão anterior, a Autoridade Lançadora só cobrou da Recorrida a multa sob o fundamento de que a incorporação ocorreu apenas no momento da sua aprovação pelo Banco Central, jamais tratando da situação hipotética de incorporadora e incorporada fazerem parte do mesmo grupo econômico em período anterior a tal aprovação. Noutras palavras, entendi que no próprio Termo de Verificação Fiscal, temse que seria o caso de afastar a multa de ofício em Fl. 3388DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10768.010249/200285 Acórdão n.º 9101001.698 CSRFT1 Fl. 3.388 5 razão da incorporação, o que só não ocorreu porque, segundo a fiscalização, a incorporação teria se dado em momento diverso daquele que entendeu por ocorrido o contribuinte. Nessa medida, a fundamentação para a exigência da multa no presente caso cingiuse à discussão acerca do momento em que ocorrida a incorporação, sendo apenas esse fato determinante para entender que sucessor e sucedida faziam parte do mesmo grupo econômico. Em suma, me parece que se a fundamentação para a imputação da multa já tratou da sucessão e fundamentou a não aplicação da regra que lhe determina a exclusão em função exclusivamente da data do arquivamento dos atos de incorporação, não se poderia, nesse momento, recorrer para requerer a manutenção da multa sobre outro fundamento que não aquele específico relativo ao arquivamento dos atos de incorporação, que se restringem ao primeiro item do Recurso Especial da d. Fazenda Nacional. Ressaltese que não houve interposição de Embargos de Declaração em relação ao Acórdão recorrido, pelo que a matéria fática, relativa a segunda divergência, se conhecido o Recurso Especial nessa parte, será analisada apenas no âmbito dessa Câmara Superior de Recursos Fiscais. Por essa razão, entendo que o Recurso Especial deve ser parcialmente conhecido apenas quanto à 1ª divergência. Entretanto, se vencida nessa preliminar, passo a análise de ambas as divergências apresentadas no Recurso da d. Fazenda Nacional. A responsabilidade na sucessão, nos casos de pessoa jurídica resultante de fusão, transformação ou incorporação, como é o presente caso, é regida pelo artigo 132 do Código Tributário Nacional: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. A interpretação mais adequada é de que o dispositivo, ao se referir a tributos, incluiu além do valor principal somente os juros de mora. Tratase, inclusive, de interpretação em conformidade com o princípio da personalização da pena. A regra é a não inclusão das penalidades nos casos de sucessão do artigo 132 do Código Tributário Nacional. Excepcionam a regra geral, ou seja, há sucessão também quanto à penalidade apenas nas seguintes hipóteses: i) quando o lançamento é anterior à sucessão, caso em que o crédito tributário já foi constituído e incorporado ao passivo da sociedade e, daí não se trata de sucessão na imputação da multa, mas de responsabilidade no adimplemento do crédito tributário outrora constituído. Vale dizer, a sucessora já adquiriu/sucedeu ciente desse passivo; ii) quando o lançamento, apensar de ser posterior ao evento sucessório, reportarse a infração cometida à época em que sucessora e sucedida estavam sob controle comum ou faziam parte do grupo econômico. Isso faz todo sentido porquanto se presume que a sucessora participou ou tomou Fl. 3389DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 6 conhecimento da infração cometida, assumindo o risco e justificando assim que a multa lhe seja imputada. Para melhor descrever a interpretação do artigo 132, ao menos de sua norma geral, adoto aqui as conclusões do Professor Paulo de Barros Carvalho, em Parecer juntado pela interessada: “quanto ao tributo devido, se o evento tributário foi praticado pelo sucedido, a pessoa que sobrevém por qualquer modalidade, inclusive por incorporação, fica obrigada ao pagamento de quantia equivalente ao tributo devido, não sendo essa situação alterada pelo fato do lançamento ter sido realizado antes ou depois da operação sucessória; quanto à penalidade pecuniária, decorrendo o ilícito tributário de atos de determinada pessoa somente ela responde pela sanção originada (...) a responsabilidade por sucessão abrange apenas os créditos tributário, entendidos como valores devidos a título de tributo, como expressamente referido no artigo 132, que regulamenta as sucessões empresariais”. No entanto, a regra, que visa garantir a personalização da pena, comporta algumas exceções, dentre as quais as hipóteses em que o lançamento é anterior à sucessão, ou seja, quando o crédito tributário já foi constituído e incorporado ao passivo da sociedade sucedida quando do ato da sucessão. Não se trata de uma verdadeira exceção à sucessão, tal como regulada pelo artigo 132 do CTN, mas de mera transferência do débito (incluindo penalidades) que já integravam o patrimônio da sucedida quando do evento sucessório. Nesse sentido, Marco Aurélio Greco, em Parecer juntado pela interessa, afirma: “se o auto de infração for lavrado antes da data da incorporação terá sido diretamente contra a incorporada e o montante da respectiva multa passou a constituir débito pecuniário que integra seu patrimônio. Como a incorporação implica a absorção de todos os elementos patrimoniais (ativos e passivos) da incorporada, a incorporadora passa a ser sucessora na responsabilidade patrimonial respectiva. Ou seja, a data da lavratura do auto de infração é relevante”. Esta é inclusive uma das alegações da Recorrente (Fazenda Nacional), de que a incorporação teria ocorrido posteriormente ao lançamento, o que de fato geraria a necessidade de pagamento da multa pela sucedida. A Recorrente argumenta que a incorporação apenas se deu no momento de arquivamento dos atos, em 07/11/2002. Ainda, outra exceção se refere à hipótese consolidada pela Súmula 47 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no sentido de que, embora o lançamento seja posterior ao evento sucessório, há comprovação de que não houve mudança de controle acionário ou que incorporada e a incorporadora estavam no mesmo grupo econômico. Vejase acórdão que fundamenta a Súmula “MULTA DE OFÍCIO SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR SUCESSÃO ENTRE EMPRESAS COLIGADAS E CONTROLADAS EXONERAÇÃO IMPOSSIBILIDADE. Tratandose de sucessão entre empresas ligadas, coligadas ou controladas, devese manter a multa de ofício lançada na empresa incorporada, já que é manifesta a interveniência da incorporadora nos procedimentos da incorporada, notadamente quando é patente a presença de empresas do grupo econômico na operação financeira que culminou com o procedimento fiscal. (Ac. 1º CC – 10617.143/08)” Tratase da outra exceção alegada pela Recorrente, que já tratei anteriormente dentre as exceções às disposições do artigo 132. Alega a Recorrente que, mesmo assumindo ser o lançamento posterior à sucessão, sucessora e sucedida faziam parte do mesmo grupo econômico, o que demandaria a aplicação da Súmula 47 do CARF. Passo a apreciar ambos os argumentos, na premissa de que concordo com as duas exceções tratadas. Fl. 3390DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10768.010249/200285 Acórdão n.º 9101001.698 CSRFT1 Fl. 3.389 7 Em primeiro lugar, no tocante à alegação de ter o auto de infração sido lavrado anteriormente à sucessão, adoto as razões do acórdão recorrido no sentido de que a incorporação operou seus efeitos perante o fisco desde a data da assembléia, conforme a Lei das Sociedades Anônimas, sendo certo que a autorização do Banco Central regula apenas alguns efeitos futuros: “(a) reconhecer que as exigências ligadas à saúde da incorporadora estão atendidas e aprovar o que foi feito; (b) exigir que sejam promovidas medidas de regularização da situação em dimensão e prazo a ser fixadas; e (c) caso não sejam promovidas tais medidas, decretar a liquidação extrajudicial da pessoa jurídica incorporadora”. De acordo com os autos, a Assembleia Geral Extraordinária que aprovou a incorporação do Banco Liberal pelo Bank of America – Brasil foi realizada em 29/01/2002, conforme relatado pela própria autoridade autuante (relatório do acórdão recorrido fl. 2.203). Ainda, na mesma folha, o relatório menciona que a autoridade autuante verificou haver carta encaminhada pela interessa ao Banco Central, solicitando aprovação das deliberações. Menciona que tais cartas estão acostadas às fls. 219/249, datadas de 30/1/2002, portanto, dentro do prazo para a submissão dos atos societários ao Banco Central, conforme restou verificado também pelo acórdão recorrido. Neste passo, para fins fiscais, a data de incorporação é aquela prevista na legislação societária, e se refere à data da assembleia que decidiu pela incorporação, in casu, 29/01/2002. Tendo em vista que o auto de infração foi notificado ao contribuinte em 20/06/2002, de se afastar o argumento da Fazenda Nacional neste ponto. Vale dizer, o lançamento foi efetuado após a incorporação. Quanto à segunda alegação da Recorrente, de que sucessora e sucedida faziam parte do mesmo grupo econômico, entendo necessária a análise da Súmula CARF nº 47, consolidada pelo Pleno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e à qual os Conselheiros estão vinculados, por força do Regimento Interno do CARF: Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Em seu Recurso Especial, busca a Recorrente, mencionando documentos societários, demonstrar que as empresas faziam parte do mesmo grupo econômico: Consoante os documentos constantes dos autos (fls. 24), em 24/1/1998 eram acionistas do Banco Liberal as sociedades Nations Bank Brasil Holdings Ltda. (controlador), LFS Liberal Financial Services e Participações Ltda., e as pessoas fisicas Aldo Floris, Antonio Carlos Braga Lemgruber e Lauro Alberto De Luca. A análise dos demais documentos demonstra que essa composição acionaria continuou praticamente idêntica até o ano de 2000 (vide fls. 32 – AGE de 30/4/1999, fls. 39 AGE de 10/4/2000, fls. 41 AGE de 26/4/2000, fls. 44 AGE de 28/4/2000, fls. 46 AGE de 4/7/2000, fls. 48 AGE de 29/8/2000, fls. 49 AGE de 5/10/2000, em que restou alterado o nome do Banco Liberal para Bank of América Liberal S/A). Fl. 3391DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 8 No documento de fls. 60 (AGE de 21/12/2000) o acionista Nations Bank Brasil Holdings Ltda. foi substituído pela sociedade Bank of América Brasil Holdings Ltda., permanecendo os demais acionistas Aldo Floris, Antonio Carlos Braga Lemgruber e LFS — Liberal Financial Services. E a• composição acionária permanece igual na AGE de 1/3/2001 (fls. 59). O protocolo de incorporação do Bank of América — Liberal S/A pelo Bank of América — Brasil S/A (fls. 235 dos autos), datado de 29/1/2002, apresenta ambas as sociedades controladas pela mesma pessoa jurídica, Bank of América Brasil Holdings Ltda. Em verdade, a substituição do acionista Nations Bank Brasil Holdings Ltda. pela sociedade Bank of América Brasil Holdings Ltda. (AGE de 21/12/2000) não deve ser vista como alteração no controle efetivo das operações do Recorrido, tendo em vista que o Bank of America é decorrente da fusão entre o Nations Bank e o BankAmerica, amplamente noticiada na imprensa, ocorrida em 1998. Prova do fato de que o Banco Liberal (cuja denominação, como já visto, foi alterada para Bank of América — Liberal S/A) fazia parte do mesmo grupo econômico do Bank of América está nos documentos de fls. 1492 a 1494, que são cópias das demonstrações financeiras da sociedade publicadas no Diário Oficial de 6/4/1999 e de 29/3/2000. Na publicação de 6/4/1999, consta, no cabeçalho, a seguinte expressão: "Liberal — a BankofAmerica Company". E, na publicação de 29/3/2000, é dito textualmente que "já no inicio deste novo ano de 2000, o acionista controlador Bank of América aumentou sua participação no Banco Liberal de 51% para 70%, demonstrando o seu fin ne compromisso de fortalecer ainda mais os negócios do Banco no Brasil". Ou seja, em 1999, quando ainda constava como acionista controlador do Banco Liberal a sociedade Nations Bank Brasil Holdings Ltda., a publicação deixava claro que se tratava de empresa do grupo Bank of América. Assim, as provas constantes dos autos demonstram que ambas as sociedades, incorporadora (Bank of America — Brasil S/A) e incorporada (Bank of América — Liberal S/A) eram controladas pela mesma sociedade (Bank of América Brasil Holdings Ltda), e, ainda, que o Banco Liberal era integrante do grupo econômico controlado pelo Bank of América (resultado da fusão entre Nations Bank e BankAmerica) desde 1998, antes da data em que os ilícitos ocorreram (31/12/1998 e 31/12/1999). De outra parte, em suas contrarrazões, busca o contribuinte demonstrar que à época dos supostos ilícitos, as sociedades não estavam sob o mesmo controle: De acordo com a Fazenda Nacional, em 24.1.1998 eram acionistas do Banco Liberal as sociedade Nations Bank Brasil Holdings Ltda. (controlador), LFS Liberal Finance Services e Participações Ltda., e as pessoas físicas Aldo Floris, Antonio Carlos Braga Lembruger e Lauro Alberto de Luca. Em 21.12.2000, o acionista Nations Bank Brasil Holdings Ltda. foi Fl. 3392DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10768.010249/200285 Acórdão n.º 9101001.698 CSRFT1 Fl. 3.390 9 substituído pela sociedade Bank of America Brasil Holdings Ltda. No entanto, no entender da Fazenda, a substituição do acionista Nations Bank Brasil Holdings Ltda. pela sociedade Bank of America Brasil Holdings Ltda. não deveria ser vista como o momento da alteração efetiva do controle das operações do Banco Liberal, pois o Bank of America seria fruto da fusão entre o Nations Bank e o BankAmerica, ocorrida em 1998. Com base nessa alegação, a Fazenda Nacional mencionou uma decisão recente dessa E. Câmara Superior de Recursos na qual decidiuse que a incorporadora responde pelas multas aplicadas à incorporada caso as empresas estivessem sob domínio comum à época dos fatos questionados (Acórdão CRSF/ 0105.546). No entanto, por não ter sido feita a análise acurada dos fatos, o pressuposto de que se vale a Fazenda é absolutamente equivocado. Em junho de 1998, quando os empréstimos foram realizados, o controlador da Recorrida no Brasil era o Bank of America Brasil Holdings Ltda. Por outro lado, nessa mesma data, o acionista controlador do Banco Liberal era o Nations Bank Brasil Holding Ltda. A incorporação do Nations Bank (controlador do Banco Liberal) pelo Bank of America Corporation (controlador do Bank of America Brasil Holdings Ltda.), mencionada pela Fazenda Nacional, somente ocorreu em 30.9.1998, após, portanto, a contratação das operações de empréstimo de ações. Mas mesmo assim ainda não havia o controle do Banco Liberal. Esse controle somente ocorreu em 4.4.2001, quando o Bank of America Brasil Holdings Ltda. adquiriu a totalidade das ações do Banco Liberal, assumindo integralmente a sua administração. Vale frisar que antes da aquisição da totalidade das ações, a administração do Banco Liberal era exercida pelo Nations Bank e um dos antigos acionistas controladores do Banco Liberal, por meio de um Management Agreement. Esse acordo somente foi rescindido em 9.4.2001, após a compra do restante das ações realizada em 4.4.2001. Não havia, assim, qualquer ingerência da Recorrida sobre o Banco Liberal, e tampouco qualquer poder de controle do controlador da Recorrida sobre o controlador do Banco Liberal. Vale ressaltar que a decisão invocada pela Fazenda Nacional tem como pressuposto o fato de incorporada e incorporadora sempre terem pertencido a um mesmo controlador, o que não ocorreu no caso sob análise, não servindo, assim, como paradigma. Além disso, para que fosse plausível o novo argumento trazido aos autos pela Fazenda Nacional, seria necessário comprovar, além do controle comum (o que não existia), uma fraude engendrada pelo eventual controlador das duas empresas, a fim de que o ato de incorporação fosse efetuado com a finalidade de Fl. 3393DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 10 evitar o pagamento das multas. No entanto, não há e nunca houve esse intuito fraudulento. É bem verdade que à época da incorporação e consequentemente do lançamento, respectivamente em 29/01/2002 e em 20/06/2002, sucedida e sucessora faziam parte do mesmo grupo econômico. Sobre esse fato, não há sequer divergência. No entanto, não me parecem ser essas as datas em que deve o fisco comprovar que sucessora e sucedida faziam parte do mesmo grupo econômico, para fins da aplicação da Súmula 47 do CARF. Até porque, se assim fosse interpretada, o artigo 132 jamais se aplicaria, uma vez que para o ato de incorporação temse antes uma aquisição, se já não pertencentes as empresas ao mesmo grupo. Incorporase sempre, portanto, a empresa que já faz parte do mesmo grupo econômico, seja de longa data, seja por recente aquisição. Referida Súmula tem por objetivo impedir que sob a alegação de que deve ser aplicado o artigo 132 do Código Tributário Nacional, atos infracionais deixem de ser punidos quando, no mesmo grupo econômico, promovese a incorporação. Ou seja, apesar da ciência do próprio cometimento da infração, os sócios/investidores fogem da punição, praticando simplesmente atos de incorporação. Exatamente como mencionei no início do voto, temse exceção da aplicação à regra do artigo 132 do Código Tributário Nacional, quando o lançamento, apesar de ser posterior ao evento sucessório, reportarse à infração cometida à época em que sucessora e sucedida estavam sob controle comum ou faziam parte do mesmo grupo econômico. Isso faz todo sentido porquanto presumese que a sucessora participou ou tomou conhecimento da infração cometida, assumindo o risco e justificando assim que a multa lhe seja imputada. Devese, então, analisar o momento em que a infração foi cometida. Há aqui, uma primeira divergência entre a Recorrente e a interessada. A Recorrente aponta que os ilícitos ocorreram em 31/12/1998 e 31/12/1999, data dos fatos geradores, enquanto que a interessada aponta para a data de julho de 1998, momento em que os empréstimos entre as sociedades, e que originou o lançamento, foram realizados. Pareceme que tal divergência está na data a partir da qual as sociedades (sucedida e sucessora) estavam no mesmo grupo econômico, o que passo a analisar. A interessada afirma em suas contrarrazões que, em 04/04/2001, quando o Bank of America Brasil Holdings Ltda. adquiriu a totalidade das ações do Banco Liberal, passou a haver controle comum, pois nesse momento aquele assumiu integralmente a administração deste. No entanto, para a Fazenda Nacional, as pessoas jurídicas incorporada e incorporadora passaram a ser do mesmo grupo econômico em 30/09/1998, quando, segundo relata, houve a incorporação do Nations Bank (controlador do Banco Liberal) pelo Bank of America Corporation (controlador do Bank of America Brasil Holdings Ltda.). Destaco novamente o trecho: A incorporação do Nations Bank (controlador do Banco Liberal) pelo Bank of America Corporation (controlador do Bank of America Brasil Holdings Ltda.), mencionada pela Fazenda Nacional, somente ocorreu em 30.9.1998, após, portanto, a contratação das operações de empréstimo de ações. Mas mesmo assim ainda não havia o controle do Banco Liberal. Esse controle somente ocorreu em 4.4.2001, quando o Bank of America Brasil Holdings Ltda. adquiriu a totalidade das ações do Banco Liberal, assumindo integralmente a sua administração. Fl. 3394DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10768.010249/200285 Acórdão n.º 9101001.698 CSRFT1 Fl. 3.391 11 É bem verdade que os fatos geradores se referem ao final do anocalendário, qual seja, 31/12/1998 e 31/12/1999. Ou seja, a infração relacionada aos efeitos do mútuo, melhor dizendo, a infração relativa ao IRPJ a CSLL se reporta aos citados fatos geradores. Via de regra, assim contaria a data do evento para aplicação da Súmula n° 47. Nada obstante, no caso específico dos autos, as infrações fiscais ocorreram por conta da contestação de validade de um determinado evento, validade esta contestada inclusive sob acusação de dolo. Tal evento corresponde aos empréstimos realizados em junho de 1998, data em que o Banco Liberal não tinha qualquer relação com o Bank of America, no Brasil ou no Exterior e presumo, não pode ter compactuado com ato doloso, pelo que dele não teria conhecimento. É por essa razão que entendo que a infração para efeito de aplicação da Súmula, especificamente em razão da descaracterização de um determinado negócio com acusação de dolo deve se reportar a essa última data. Se assim é, mesmo que acolhido o argumento da Fazenda Nacional de que já em 30/09/1998 as sociedades faziam parte do mesmo grupo, importa que tal data é posterior ao evento descaracterizado e que culminou com o lançamento que reportase aos fatos gerados de dezembro de 1998 e 1999, ou seja, os empréstimos foram realizados em julho de 1998. Por tudo quanto exposto, no mérito, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da d. Procuradoria. É como voto. Sala das Sessões, em 17 de julho de 2013 (ASSINADO DIGITALMENTE) KAREM JUREIDINI DIAS Relatora Voto Vencedor Conselheiro João Carlos de Lima Junior, redator designado. Em que pese as bem fundamentadas razões exposta pela Relatora, peço vênia para delas discordar. Inicialmente, lembro que, em sede de Recurso Especial, a Fazenda Nacional afirmou que o acórdão recorrido contrariou as provas constantes dos autos, bem como o art. 132 do CTN, razão pela qual pugnou pela manutenção da multa de ofício, em razão dos seguintes argumentos: (i) A incorporação do Bank of América — Liberal S/A ocorreu após a lavratura do auto de infração – nesse ponto arguiu que, enquanto a Fl. 3395DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 12 incorporação não for levada a registro, quem responde é a incorporada. E, no caso, o auto de infração foi lavrado quando a incorporação ainda não estava arquivada (07/11/2002), e portanto não havia alternativa para o fiscal senão lavrar o auto de infração contra o Bank of América — Liberal S/A. Quanto à multa imputada contra a sucedida, sustentou que esta incorporase a seu eu patrimônio, devendo por ela responder o sucessor. (ii) A multa de ofício é transferida ao incorporador, quando ambas as empresas, incorporadora e incorporada, faziam parte do mesmo grupo econômico – Nesse ponto afirmou que as provas constantes nos autos demonstram que ambas as sociedades, incorporadora (Bank of América — Brasil S/A) e incorporada (Bank of América — Liberal S/A) eram controladas pela mesma sociedade (Bank of América Brasil Holdings Ltda), e, ainda, que o Banco Liberal era integrante do grupo econômico controlado pelo Bank of América (resultado da fusão entre Nations Bank e Bank America) desde 1998, antes da data em que os ilícito ocorreram (31/12/1998 e 31/12/1999). Preliminarmente, cabe a análise do conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. A ilustre relatora, em seu voto, entendeu que apenas a primeira divergência levantada pela Recorrente deveria ser analisada, isto porque, se o fundamento trazido no Auto de Infração para a incidência da multa de ofício foi exclusivamente a data do arquivamento dos atos de incorporação, ou seja, se houve a sucessão da penalidade, sob o fundamento de que a efetiva incorporação ocorreu após a ciência da sucedida da autuação, não cabe, neste momento, requerer a manutenção da multa por outro fundamento que não aquele específico relativo ao momento da efetiva incorporação. Nesse ponto transcrevo trecho do voto: “(...) a Autoridade Lançadora só cobrou da Recorrida a multa sob o fundamento de que a incorporação ocorreu apenas no momento da sua aprovação pelo Banco Central, jamais tratando da situação hipotética de incorporadora e incorporada fazerem parte do mesmo grupo econômico em período anterior a tal aprovação.” Noutras palavras, entendi que no próprio Termo de Verificação Fiscal, temse que seria o caso de afastar a multa de ofício em razão da incorporação, o que só não ocorreu porque, segundo a fiscalização, a incorporação teria se dado em momento diverso daquele que entendeu por ocorrido o contribuinte. Nessa medida, a fundamentação para a exigência da multa no presente caso cingiuse à Fl. 3396DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10768.010249/200285 Acórdão n.º 9101001.698 CSRFT1 Fl. 3.392 13 discussão acerca do momento em que ocorrida a incorporação, sendo apenas esse fato determinante para entender que sucessor e sucedida faziam parte do mesmo grupo econômico.” Meu entendimento diverge do exposto pela Relatora, conforme razões que seguem. No auto de infração encontramos a delimitação da matéria a ser debatida que, no caso, trata da possibilidade ou não de transmissão dos débitos por multas tributárias em virtude de sucessão por incorporação, fusão ou cisão. No caso dos autos, a acusação afirma a ocorrência de sucessão. Vejase que a fiscalização traz a questão da data da ocorrência da incorporação, que considerou efetivada em 07/11/2002, data do arquivamento do ato, apenas como argumento para a ocorrência da sucessão, pretendendo afastar a discussão em relação a esta questão. Cumpre destacar que não estamos falando de erro na fundamentação ou descrição dos fatos, pois a fiscalização procedeu à autuação com fundamento na existência de sucessão. O que se debate é a ocorrência da sucessão, pois esta é a matéria que fundamentou o auto de infração. Cabe a este tribunal, portanto, verificar se houve ou não sucessão, o argumento utilizado pela fiscalização no momento da autuação não restringe a análise da matéria em debate. Assim, conheço o Recurso da Fazenda Nacional. Superada a questão preliminar, passo à análise do mérito. Em relação a interpretação do artigo 132 do CTN, acompanho o entendimento exposto pela Relatora. Nesse ponto, cabe destacar o seguinte trecho do voto: “A regra é a não inclusão das penalidades nos casos de sucessão do artigo 132 do Código Tributário Nacional. Excepcionam a regra geral, ou seja, há sucessão também quanto à penalidade apenas nas seguintes hipóteses: i) quando o lançamento é anterior à sucessão, caso em que o crédito tributário já foi constituído e incorporado ao passivo da sociedade e, daí não se trata de sucessão na imputação da multa, mas de Fl. 3397DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 14 responsabilidade no adimplemento do crédito tributário outrora constituído. Vale dizer, a sucessora já adquiriu/sucedeu ciente desse passivo; ii) quando o lançamento, apensar de ser posterior ao evento sucessório, reportarse a infração cometida à época em que sucessora e sucedida estavam sob controle comum ou faziam parte do grupo econômico. Isso faz todo sentido porquanto se presume que a sucessora participou ou tomou conhecimento da infração cometida, assumindo o risco e justificando assim que a multa lhe seja imputada.” A divergência surge em relação à conclusão alcançada, que foi no seguinte sentido: “É bem verdade que os fatos geradores se referem ao final do ano calendário, qual seja, 31/12/1998 e 31/12/1999. Ou seja, a infração relacionada aos efeitos do mútuo, melhor dizendo, a infração relativa ao IRPJ a CSLL se reporta aos citados fatos geradores. Via de regra, assim contaria a data do evento para aplicação da Súmula n° 47. Nada obstante, no caso específico dos autos, as infrações fiscais ocorreram por conta da contestação de validade de um determinado evento, validade esta contestada inclusive sob acusação de dolo. Tal evento corresponde aos empréstimos realizados em junho de 1998, data em que o Banco Liberal não tinha qualquer relação com o Bank of America, no Brasil ou no Exterior e presumo, não pode ter compactuado com ato doloso, pelo que dele não teria conhecimento.” Observo, primeiramente, que não há controvérsia em relação a ocorrência da incorporação, bem como que as sociedades pertenciam ao mesmo grupo econômico desde 30/09/1998, o que foi muito bem demonstrado pela fiscalização e aceito pela Relatora. Entretanto, para fins de aplicação do disposto na súmula CARF 47, o que deve ser considerado é o momento da ocorrência do fato gerador e não o momento do evento descaracterizado no auto de infração. Em que pese ser a infração decorrente da glosa de despesas tidas com os contratos de mútuo, os quais foram descaracterizados, o fato gerador do IRPJ e da CSLL ocorreu apenas ao final do ano calendário, momento em que é possível apurar o imposto efetivamente devido, após as exclusões, deduções, adições previstos em lei e verificar, então, se houve ou não ilícito. Assim, o ilício que gerou a aplicação da penalidade ocorreu com o fato gerador. Para melhor compreensão, basta imaginarmos que se houvesse uma fiscalização durante o ano calendário, não seria aplicada qualquer penalidade, pois sequer Fl. 3398DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10768.010249/200285 Acórdão n.º 9101001.698 CSRFT1 Fl. 3.393 15 haveria um ilícito, já que este somente poderá ser verificado após a ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL. Assim, tendo em vista que os fatos geradores se deram em 31/12/1998 e 31/12/1999 e que as sociedades faziam parte do mesmo grupo econômico desde 09/1998, nos termos do disposto da súmula CARF 47, é cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida. Do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, para reconhecer que na data do fato gerador as empresas já pertenciam ao mesmo grupo econômico e, portanto, a multa se transfere e é aplicada relativamente ao principal mantido, com retorno à câmara a quo, para análise da qualificação da multa. É como voto. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – Redator designado. Fl. 3399DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/0 2/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13656.000500/2001-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RENÚNCIA
Não se conhece do recurso do qual a Recorrente renunciou ao direito sobre o qual se funda nos termos do Artigo 78 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3301-002.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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RENÚNCIA Não se conhece do recurso do qual a Recorrente renunciou ao direito sobre o qual se funda nos termos do Artigo 78 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Fábia Regina Freitas, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 00 05 00 /2 00 1- 78 Fl. 2204DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13656.000500/200178 Acórdão n.º 3301002.650 S3C3T1 Fl. 2.205 2 Relatório Adoto o relatório da resolução de fls. 20751, assim expresso: O estabelecimento industrial, acima qualificado, requereu ressarcimento do saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados 1PI. decorrente da aquisição de insumos tributados, aplicados na industrialização de produtos, no 3o trimestre de 2001. no valor de R$ 1.423.364,19, com supedâneo no art. 11 da Lei n 9.779, de 19 de janeiro de 1999 regulamentado pela Instrução Normativa SRF n 33, de 4 de março de 1999, conforme pedido da folha 1. 1.1 A análise prévia do pleito propôs seu parcial indeferimento, propondo o reconhecendo o direito creditório de R$ 1.127.128,72. A glosa, no valor de R$ 296.235,77 referese ao valor do IPI destacado nas notas fiscais emitidas por Comércio de Embalagens Plásticas Minasul Ltda. CNPJ n^ 03.940.311/000129, arroladas nas fls. 230 a 231, consideradas inidôneas pelas razões elencadas no Termo de Constatação Fiscal das fls. 217 a 229. O DRFPCS acolheu a proposição da Fiscalização, exarando o Despacho Decisório das folhas 233. Apensado ao presente encontra(m)se o(s) processo(s) n° 13656.000283/200621. 2 Regularmente intimado da decisão (ciência, fl. 1.953), mas inconformado, o requerente formulou a reclamação das folhas 1.918 a 1.926, subscrita por seu procurador devidamente habilitado nos autos (instrumento de mandato nas folhas 1.927 a 1.954). Após síntese dos fatos relacionados com a demanda, manifesta sua inconformidade, alegando que. da análise do Termo de Constatação Fiscal (fls. 217 a 229), não logrou identificar os motivos que levaram a Fiscalização a concluir que as operações descritas nas notas fiscais arroladas em anexo ao Despacho Decisório ora sub judice não ocorreram. 2.1 Destaca que, na fundamentação do Termo de Verificação Fiscal, (a) não há qualquer referência específica que sugira a inocorrência das operações geradoras dos créditos; (b) a omissão do transportador não invalida os conhecimentos de transporte que documentam as referidas notas fiscais; (c) não há comprovação cabal de que o fornecedor Minasul não tenha operado durante os meses de abril e junho de 2002; (d) que as declarações da contadora do fornecedor corroboram a constatação lógica de que o mesmo esteve operante entre abril e junho de 2002, e; (e) que o fornecedor esteve inativo apenas em 2004. Soma a esse conjunto de alegações o fato de que, à época das operações, inexistia qualquer declaração expedida pelos 1 Os números apontados por esse Conselheiro se referem ao processo digital. Fl. 2205DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13656.000500/200178 Acórdão n.º 3301002.650 S3C3T1 Fl. 2.206 3 fiscos federal ou estadual quanto à inidoneidade da sociedade empresarial. 2.2 Atesta ainda que apresentou à Fiscalização cópias dos conhecimentos de transporte, que evidenciariam que, efetivamente, pagou pelas aquisições feitas à Minasul ou a terceiros, por solicitação desse. Cita e transcreve ementas de acórdãos do Segundo Conselho de Contribuintes. Brada pelo respeito ao princípio da verdade material, dissertando sobre ele. Cita e transcreve mais ementas do Segundo Conselho de Contribuintes. Pede acolhida para sua manifestação, com a conseqüente reforma do Despacho Decisório, a fim de que seja ressarcido do crédito de que se julga titular. Essa Turma baixou o presente processo em diligência para os fins de que a DRF de origem examinasse os documentos juntados pela Recorrente e aclarasse quais os reais motivos que ensejaram a glosa de parte dos valores pleiteados pela recorrente, a título de ressarcimento de IPI, entendo ser necessário converter o presente julgamento em diligência, para que os documentos apresentados pela recorrente sejam apreciados pela unidade de origem, inclusive os documentos juntados por ocasião do recurso. Encaminhado o processo para diligência a Recorrente às fls. 2098 informou que o Pedido de Ressarcimento objeto do presente processo teve as suas respectivas compensações incluídas no programa de parcelamento instituído pela Lei n.° 11.941/2009 pelo que perdeu o seu objeto. A DRF relatou o ocorrido e encaminhou o presente processo para julgamento. É o que importa relatar. Fl. 2206DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13656.000500/200178 Acórdão n.º 3301002.650 S3C3T1 Fl. 2.207 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Conforme apontado no relatório a Recorrente renunciou ao seu direito. Assim se expressa o artigo 78 do regimento interno desse Conselho: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Assim, o presente processo perdeu o objeto, nada mais havendo a ser discutido. Nesse sentido voto por não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 2207DF CARF MF Impresso em 15/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 13/04/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 14041.001159/2008-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
NULIDADE. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE PELO LUCRO REAL ANUAL DESCONSIDERADA PELA FISCALIZAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO PELO LUCRO REAL TRIMESTRAL. ILEGALIDADE.
Foi desconsiderada, de maneira equivocada pela Fiscalização, a opção da contribuinte pelo lucro real anual. Portanto, os lançamentos de ofício efetuados pela autoridade tributária adotando como regime de tributação o lucro real trimestral padecem de suporte legal, encontram-se em desacordo com a legislação em regência e afrontam os critérios material e temporal previstos no artigo 142 do CTN, razão pela qual devem ser considerados nulos.
DECADÊNCIA. CONFISSÃO DE DÉBITOS. COMPENSAÇÃO. DCTF. PAGAMENTOS. PARCIAL. PRAZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Tendo se constatado confissão de débitos ou recolhimentos espontâneos pelo sujeito passivo, ainda que parciais, o prazo decadencial para constituição de crédito tributário relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, segundo a regra expressa do art. 150, § 4°, do CTN.
QUESTÕES DE FATO. COMPROVAÇÃO DE EXTINÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR MEIO DE PAGAMENTOS OU COMPENSAÇÕES. RETENÇÕES. COMPROVAÇÃO POR NOTAS FISCAIS.
Compensações transmitidas por meio de PER/DCOMP, espontaneamente, antes do início da ação fiscal, e devidamente homologadas, extinguem crédito tributário, ainda que tenha sido confessado apenas uma parcela do valor lançado de ofício. Da mesma maneira, a apresentação de notas fiscais e comprovantes de retenção demonstrando as retenções na fonte efetuadas pela fonte pagadora mostram-se eficazes para comprovar as deduções da contribuinte a título de tributos retidos na fonte.
CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS COM BASE NO MESMO FATO E MATÉRIA TRIBUTÁVEL.
O decidido em relação ao IRPJ estende-se aos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, vez que formalizados com base nos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável
Numero da decisão: 1401-001.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maurício Pereira Faro, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Antonio Bezerra Neto. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE PELO LUCRO REAL ANUAL DESCONSIDERADA PELA FISCALIZAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO PELO LUCRO REAL TRIMESTRAL. ILEGALIDADE. Foi desconsiderada, de maneira equivocada pela Fiscalização, a opção da contribuinte pelo lucro real anual. Portanto, os lançamentos de ofício efetuados pela autoridade tributária adotando como regime de tributação o lucro real trimestral padecem de suporte legal, encontram-se em desacordo com a legislação em regência e afrontam os critérios material e temporal previstos no artigo 142 do CTN, razão pela qual devem ser considerados nulos. DECADÊNCIA. CONFISSÃO DE DÉBITOS. COMPENSAÇÃO. DCTF. PAGAMENTOS. PARCIAL. PRAZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Tendo se constatado confissão de débitos ou recolhimentos espontâneos pelo sujeito passivo, ainda que parciais, o prazo decadencial para constituição de crédito tributário relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, segundo a regra expressa do art. 150, § 4°, do CTN. QUESTÕES DE FATO. COMPROVAÇÃO DE EXTINÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR MEIO DE PAGAMENTOS OU COMPENSAÇÕES. RETENÇÕES. COMPROVAÇÃO POR NOTAS FISCAIS. Compensações transmitidas por meio de PER/DCOMP, espontaneamente, antes do início da ação fiscal, e devidamente homologadas, extinguem crédito tributário, ainda que tenha sido confessado apenas uma parcela do valor lançado de ofício. Da mesma maneira, a apresentação de notas fiscais e comprovantes de retenção demonstrando as retenções na fonte efetuadas pela fonte pagadora mostram-se eficazes para comprovar as deduções da contribuinte a título de tributos retidos na fonte. CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS COM BASE NO MESMO FATO E MATÉRIA TRIBUTÁVEL. O decidido em relação ao IRPJ estende-se aos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, vez que formalizados com base nos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maurício Pereira Faro, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Antonio Bezerra Neto. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2501; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1.578 1 1.577 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14041.001159/200835 Recurso nº 999.999 De Ofício Acórdão nº 1401001.411 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de março de 2015 Matéria IRJP/Reflexos Recorrente MICROLOG INFORMÁTICA E TECNOLOGIA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE PELO LUCRO REAL ANUAL DESCONSIDERADA PELA FISCALIZAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO PELO LUCRO REAL TRIMESTRAL. ILEGALIDADE. Foi desconsiderada, de maneira equivocada pela Fiscalização, a opção da contribuinte pelo lucro real anual. Portanto, os lançamentos de ofício efetuados pela autoridade tributária adotando como regime de tributação o lucro real trimestral padecem de suporte legal, encontramse em desacordo com a legislação em regência e afrontam os critérios material e temporal previstos no artigo 142 do CTN, razão pela qual devem ser considerados nulos. DECADÊNCIA. CONFISSÃO DE DÉBITOS. COMPENSAÇÃO. DCTF. PAGAMENTOS. PARCIAL. PRAZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Tendo se constatado confissão de débitos ou recolhimentos espontâneos pelo sujeito passivo, ainda que parciais, o prazo decadencial para constituição de crédito tributário relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, segundo a regra expressa do art. 150, § 4°, do CTN. QUESTÕES DE FATO. COMPROVAÇÃO DE EXTINÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR MEIO DE PAGAMENTOS OU COMPENSAÇÕES. RETENÇÕES. COMPROVAÇÃO POR NOTAS FISCAIS. Compensações transmitidas por meio de PER/DCOMP, espontaneamente, antes do início da ação fiscal, e devidamente homologadas, extinguem crédito tributário, ainda que tenha sido confessado apenas uma parcela do valor lançado de ofício. Da mesma maneira, a apresentação de notas fiscais e comprovantes de retenção demonstrando as retenções na fonte efetuadas pela fonte pagadora mostramse eficazes para comprovar as deduções da contribuinte a título de tributos retidos na fonte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 11 59 /2 00 8- 35 Fl. 10771DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001159/200835 Acórdão n.º 1401001.411 S1C4T1 Fl. 1.579 2 CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS COM BASE NO MESMO FATO E MATÉRIA TRIBUTÁVEL. O decidido em relação ao IRPJ estendese aos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, vez que formalizados com base nos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maurício Pereira Faro, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Antonio Bezerra Neto. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira. Fl. 10772DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001159/200835 Acórdão n.º 1401001.411 S1C4T1 Fl. 1.580 3 Relatório Tratase de recurso de ofício no Acórdão nº 0351.170, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em BrasíliaDF. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: O presente processo foi inicialmente instruído em papel e posteriormente digitalizado. Nesse sentido, quando se fizer referência á numeração das folhas, sem nenhuma outra observação, tratase dos autos digitalizados. Por outro lado, caso a referência estiver acompanhada da expressão "AP", tratase da paginação correspondente aos autos em papel. Em 12/11/2008, foram lavrados contra a interessada os Autos de Infração do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, atinentes aos anoscalendário de 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007, cujo crédito tributário lançado de ofício perfaz o montante de R$5.156.053,93, assim discriminados por exação fiscal: Os lançamentos decorrentes de CSLL, PIS e Cofins encontramse consolidados nos autos de infração a seguir: Auto de Infração do IRPJ (fls. 11/43) Imposto Juros de Mora (calculados até 31/10/2008) Multa Proporcional (75%) Total R$1.446.525,55 R$396.075,10 R$1.084.894,13 R$2.927.494,78 Infrações Calendário Enquadramento Legal Diferença Apurada Entre o Valor Escriturado e o Declarado/Pago * 2004, 2005, 2006, 2007 247 e 841 do RIR/99 Diferença Apurada Entre o Valor Escriturado e o Declarado/Pago ** 224, 518, 519 e 841, inciso III, do RIR/99 Lucro Real / ** Lucro Presumido Os lançamentos decorrentes de CSLL, PIS e Cofins encontramse consolidados nos autos de infração a seguir: Auto de Infração da CSLL (fls. 45/61) Contribuição Juros de Mora (calculados até 31/10/2008) Multa Proporcional (75%) R$678.939,27 R$196.975,68 R$509.204,43 R$1.385.119,38 Auto de Infração da Cofins (fls. 63/71) Cofins Juros de Mora (calculados até 31/10/2008) Multa Proporcional (75%) R$309.554,69 R$69.555,93 R$232.166,01 R$611.276,63 Fl. 10773DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001159/200835 Acórdão n.º 1401001.411 S1C4T1 Fl. 1.581 4 Auto de Infração do PIS/Pasep (fls. 73/81) Juros de Mora (calculados até 31/10/2008) Multa Proporcional (75%) R$119.816,16 R$22.484,87 R$89.862,11 R$232.163,14 I. Autuação Fiscal Os autos de infração foram instruídos com os documentos às fl. 41/1970AP, entre os quais o Termo de Verificação Fiscal às fl. 1957/1966AP. Foram identificadas pela Fiscalização a ocorrência de três infrações tributárias. Todavia, nos presentes autos, encontrase formalizada apenas uma infração, qual seja, a diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago. Foi constatada a partir do procedimento de verificações obrigatórias, no qual foram encontradas divergências entre os valores dos tributos informados nas DCTF e os valores escriturados relativamente aos anoscalendário 2003 a 2007. Intimado, o contribuinte apresentou esclarecimentos e documentos às fl. 357/380AP. A partir da análise dos dados nos sistemas internos da Receita Federal e da documentação probatória apresentada pela contribuinte, a autoridade tributária consolidou os quadros demonstrativos de fls. 1961/1966AP, no qual confirmou a ocorrência de diferenças entre tributos escriturados e declarados/pagos, razão pela qual efetuou os lançamentos de ofício de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 1957/1966AP ainda discorre sobre duas outras infrações, receita operacional omitida receita não contabilizada e despesa operacional não necessária, que se encontram formalizadas nos autos do processo n° 14041.001176/200872, e já foram apreciadas por esta colenda 2a Turma de Julgamento de Brasília, ocasião em que foi proferido o acórdão n° 03 35.152 na sessão de 15 de janeiro de 2010. II. Impugnação Cientificado pessoalmente dos lançamentos em 13/11/2008, o sujeito passivo apresentou a impugnação às fl. 1972/2022 em 15/12/2008, instruída com os documentos às fl. 2023/4800. Registrese que, na presente impugnação, a contribuinte discorreu sobre as nulidades e, no mérito, a respeito das três infrações tributárias identificadas pela Fiscalização no decorrer da fase inquisitória. A seguir, uma breve síntese das exposições da defesa. Preliminares. Nulidade por cerceamento do direito de defesa. Não há concatenação e coerência entre os fatos e fundamentos utilizados para motivar os lançamentos, deixando margens para interpretações dúbias; a narração da autoridade fiscal é impossível de ser compreendida, inclusive, frente ao vernáculo nacional; durante a narrativa a autoridade fiscal cometeu lamentáveis tropeços e embaraços, como ao citar que a nota fiscal n° 1154 era de 09/06/2008 quando na realidade é dos Fl. 10774DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001159/200835 Acórdão n.º 1401001.411 S1C4T1 Fl. 1.582 5 idos de 2004; tais fatos impossibilitam a apresentação de sua defesa, o que, à luz dos incisos II e IV do art. 295 do Código de Processo Civil (CPC), conduz à conclusão de que o auto de infração é inepto, autorizando a extinção do mesmo sem análise do mérito; além disso a nulidade é patente frente ao disposto no art. 50 da Lei n° 9.784/99, que disciplina que os atos administrativos deverão ser motivados de modo explícito, claro e congruente, e com a indicação dos fatos e fundamentos jurídicos que os embasaram. Dos princípios da verdade material, da legalidade e da moralidade administrativa. O auditor, apesar de verificar que a impugnante não mediu esforços no sentido de diligenciar acerca das informações solicitadas, lavrou o presente auto de infração, negandolhe oportunidade de buscar a verdade material, violando os princípios da ampla defesa e contraditório, estabelecidos no art 5°, inciso LV da Constituição Federal (CF), bem assim os princípios da legalidade e da moralidade presentes no art. 37 da CF e constantes também do art. 2° da Lei n° 9784/99. A fiscalização não se valeu de todos os meios necessários para averiguar a ocorrência do fato gerador, nem possibilitou a impugnante fazêlo, ante a obscuridade das solicitações e informações prestadas pelo fiscal. Nesse sentido Ives Gandra e acórdãos do Conselho de Contribuintes. Caso assim não entenda o julgador, requer que os autos sejam baixados em diligência para que se proceda uma melhor e necessária análise dos fatos e fundamentos apontados pelo fiscal, com base na documentação ora acostada e na base de dados da Receita Federal. Mérito. Receita operacional omitida. O auditor lavrou o auto nesta parte sob o argumento de que o valor do 1RPJ e contribuições apurados pela fiscalizada em sua escrituração no ano de 2004 não foi declarado na correspondente DCTF nem recolhido mediante DARF. Alegou, ainda, que a DCTF está inexata e que hipoteticamente houve uma redução do valor a pagar, efetivando o lançamento da suposta diferença. Discorre no item 4 do TVF que a divergência se localiza na DIPJ de 2005 no valor de R$47.114.302,56, enquanto na Dacon consta RS 48.982.737,50, e que, portanto, a diferença apurada perfaz o montante de R$1.868.880,08, e que se deveu a vendas efetuadas para entrega futura, sendo o valor de R$1.728.880,08 na rubrica 2030101090001, e os R$139.554,56 restantes referemse a NF n° 1154, de 09/06/2004. Acontece que em um primeiro momento contábil a empresa vendeu um produto a terceiros, emitindo nota fiscal para entrega futura (simples faturamento) de n° 1154 (doe. 27), em 09/06/2004, no valor de RS 139.554,86, e no segundo momento, quando da efetiva entrega do produto ao cliente, emitiu nota fiscal n° 1182 (doc: 28), no mesmo valor, em 21/06/2004, momento em que a receita é oferecida à tributação. O fiscal somente atentou para o primeiro momento da operação contábil/fiscal, não verificando o segundomomento, em que procedeu ao reconhecimento da receita, conforme demonstrado no Diário, no balancete, na memória de cálculo do PIS e da Cofins e na DCTF, referentes ao mês 06/2004, onde consta a Nota Fiscal no valor de R$ 139.845,00 (doc. 23 a 29). Não houve Darf ou pagamento a apresentar porque ocorreu compensação do crédito de despesa e retenção na fonte. Os lançamentos contábeis obedeceram ao princípio da competência constante da Resolução CFC n° 750/93. A forma procedida pelo fiscal padece de vício, gerando nulidade do lançamento. Despesa operacional não necessária. O fiscal recebeu todas as justificativas possíveis relativas ao motivo da despesa, mas as ignorou. Considerandose o tempo transcorrido entre a data da emissão da referida nota fiscal c a data da autuação, bem assim as mudanças ocorridas na gerencia que cuidava das programações, mesmo com todas as tentativas em localizar as provas do evento, não é mais viável precisar maiores detalhes sobre a operação. Ademais, o valor da despesa é irrisório se comparada ao volume de receita da empresa (0,064136%). A despesa encontra Fl. 10775DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001159/200835 Acórdão n.º 1401001.411 S1C4T1 Fl. 1.583 6 respaldo no Parecer Normativo n° 322/71. A despesa é certamente proveniente de participação em evento de negócio de sua atividade laborai. Pede a extinção do crédito tributário de IRPJ e de CSLL Divergência entre escrituração contábil e DCTF 2003 a 2007. (1) Os valores contábeis provisionados são compensados com os valores retidos, restando um saldo a pagar que é informado em DCTF. Na DCTF somente se informa o valor líquido das retenções. A autoridade fiscal deixou de considerar as compensações. Exemplo de erro: Cofins de janeiro de 2003 o fiscal apurou um valor não informado em DCTF de R$ 18.184,92, considerando apenas as retenções relativas às NF 4462, ,4441 e 4477, de RS 6.240,00, RS 1.646,10 e R$ 11.925,21, respectivamente. Deixou de considerar outras retenções que perfazem exatamente no valor lançado: NF 4410 (RS 5.340,00), NF 4465 (RS 10.276,03) e NF ,4480 (RS 2.568,90). Houve o cometimento de erro semelhante em todos os lançamentos, o que está demonstrado nas planilhas às fl. 2005/2009. (2) A dedução dos valores retidos na fonte esta autorizada no art. 64 da Lei n° 9.430/96, não sendo necessário pedido de compensação. (3) Junta toda a documentação comprobatória, tributo a tributo, e explicações contábeis relevantes (doc. 30/33). Além disso, tais dados podem ser obtidos nos registros da Receita Federal (Dirf e Siafe). (4) Caso a documentação não seja suficiente, solicita a realização de perícia contábil. (5) Demonstra (fl. 2005/2009), por tributo e por ano, que os valores dos tributos foram na verdade extintos com créditos de retenção e com pagamento via Darf. Da multa. A multa deve seguir a sorte do principal: sendo este inexigível, também o é a multa. Além disso, a multa de 75% é confiscatória. Perícia. Protesta pela realização de perícia nos termos do art. 16, IV do Decreto n° 70.235/72 (PAF). A prova pericial não pode ser indeferida consoante art. 38, § 2°, da Lei n° 9.784/99, pois necessária à busca da verdade material. Indica perito e elabora os quesitos às fl. 2021. Juros de mora. Seguem a sorte do principal, devendo ser afastados. III. Primeira Diligência Os autos foram encaminhados a esta Delegacia de Julgamento (DRJ/BSB) em 03/02/2009, conforme despacho à fl. 4801AP, tendo sido direcionado à 2a Turma desta unidade em 11/02/2009. Posteriormente, em novembro de 2009, quando da primeira análise dos autos, o julgador administrativo, designado como relator, solicitou a anexação de extratos relativos à DCTF, PER/Dcomp e DIPJ do contribuinte, obtidos nos sistemas da Receita Federal (fl. 4807/4825AP). Por sua vez, foi elaborado despacho de fls. 4827/4832AP, propondo a realização de diligência pela unidade de origem para fossem esclarecidas as seguintes questões: Fl. 10776DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001159/200835 Acórdão n.º 1401001.411 S1C4T1 Fl. 1.584 7 • O motivo pelo qual a autoridade fiscal efetuou os lançamentos de IRPJ e de CSLL relativos aos anos 2004 a 2007 com apuração trimestral; • Como a autoridade fiscal obteve os valores do PIS retido e dos créditos dedutíveis para o fato gerador ocorrido em janeiro de 2007, elaborando, para tanto, demonstrativo de apuração com indicação das páginas onde estão as informações utilizadas; • Como a autoridade fiscal obteve valor do PIS retido para o fato gerador ocorrido em fevereiro de 2007, elaborando, para tanto, demonstrativo de apuração com indicação das páginas onde estão as informações utilizadas. IV. Informação Fiscal da Primeira Diligência Foi apresentado pela autoridade fiscal o resultado da primeira diligência, por meio da informação Fiscal às fls. 4835/4836AP instruída com os documentos às fl. 4837/4841AP, no qual foram prestados os seguintes esclarecimentos: • Em relação ao PIS de janeiro de 2007 o valor das retenções originou se da efetiva comprovação do contribuinte da retenção da Cofíns de somente RS 742.332,10 (fl. 1809/1837AP), relativo ao faturamento de R$24.744.070,00, ensejando o valor de retenção de PIS de R$ 160:836,46 (0,65%). O valor dos créditos é proveniente da informação prestada no Dacon, ficha 06A, item 24 (fl. 4835/4836); • Em relação ao PIS de fevereiro de 2007 o valor das retenções originouse da efetiva comprovação do contribuinte da retenção da Cofins de somente R$ 160.217,71 (fl. 1839/1851AP), relativo ao faturamento de R$5.340.590,33, ensejando o valor de retenção de PIS de R$ 34.713,84 (0,65%). O valor dos créditos é proveniente da informação prestada no Dacon, ficha 06A, item 24 (fl. 4837/4838); • A forma de tributação adotada para os lançamentos de IRPJ e CSLL para os anos 2005 e 2006 decorreu da falta de recolhimentos destes tributos por estimativa, conforme tela do Sinal0l (fl. 4839AP). V. Petição da Contribuinte Manifestandose Sobre a Primeira Diligência Cientificado da referida informação fiscal em 28/01/2010, conforme "AR" à fl. 4843AP, o sujeito passivo apresentou petição de fls. 4844/4849AP em 08/02/2010, instruída com os documentos às fls. 4850/5115AP, no qual argumentou o seguinte: • Em relação ao PIS de janeiro de 2007 voltou a repetir a planilha apresentada quando da impugnação, alegando equívoco da autoridade fiscal na apuração das retenções e dos créditos, bem assim, ao não reconhecer o pagamento do saldo da contribuição por meio de Per/Dcomp; • Em relação ao PIS de fevereiro de 2007 voltou a repetir a planilha apresentada quando da impugnação, alegando equívoco da autoridade fiscal na apuração das retenções e dos créditos, bem assim, ao não reconhecer o pagamento do saldo da contribuição por meio de Per/Dcomp; Fl. 10777DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001159/200835 Acórdão n.º 1401001.411 S1C4T1 Fl. 1.585 8 • Em relação aos lançamentos de IRPJ e de CSLL dos anos 2005 e 2006 conforme DIPJ anexas adotou forma de tributação pelo lucro real anual. Ainda, na petição, requereu o contribuinte para posterior apresentação de documentos probatórios referentes aos comprovantes de retenção na fonte do PIS relativos às notas fiscais dos anexos 4 a 10 marcados como "não localizado". Posteriormente, em 15/03/2010, o sujeito passivo apresentou uma petição complementar às fls. 5116/5117AP, instruída com os documentos às fl. 5118/5130 AP, para anexar relatórios que complementam as informações já prestadas, os quais não estavam disponíveis quando apresentou a petição de 08/02/2010AP. VI. Segunda Diligência O julgador administrativo da DRJ, designado como relator, ao analisar a resposta encaminhada pela Fiscalização e as petições apresentadas pelo contribuinte, referentes à primeira diligência, resolveu elaborar um novo despacho, de fls. 5169/5182AP, no qual tratou dos pontos assinalados nos parágrafos em sequência. PIS. Fevereiro de 2007. Quando da impugnação e da petição apresentada em face ao resultado da primeira diligência, o sujeito passivo trouxe aos autos novos extratos do Siafi e comprovantes anuais de retenção com o intuito de complementar os documentos não apresentados durante a fiscalização, quais sejam, os extratos de fls. 3437/3490, 4888/4940, 5027/5069 e 5123/5125AP (para fatos geradores janeiro e fevereiro de 2007). Ressaltese que entre estes estão documentos já apresentados durante a fase inquisitória. Ocorre que tais documentos, por si só, não fazem prova da retenção, razão pela qual a autoridade julgadora entendeu que o contribuinte deveria ser intimado para apresentar: • as cópias das notas fiscais a que se referem as retenções indicadas nos extratos e comprovantes carreados aos autos. Caso a retenção indicada se refira a mais de uma nota fiscal, também deverão ser anexadas cópias das notas fiscais que não integrem aquele período de apuração. Tal medida é necessária para os extratos e comprovantes onde não há indicação das notas a que se referem (não serve a indicação manual do contribuinte); • declarações das fontes pagadoras com informação das notas a que se referem cada uma das retenções, na ausência das notas. Em havendo mais de uma nota para determinado mês, a declaração da fonte pagadora deverá detalhar todas as notas e as retenções respectivas; • cópia do livro Razão referente à conta de PIS a recuperar (ou equivalente) onde, esperase, estejam registradas, de forma individualizada por nota/aplicação, cada uma das retenções deduzidas pelo total na conta de provisão (PIS a recolher), bem assim os créditos levantados pelo contribuinte; • caso a conta de PIS a recuperar não esteja detalhada por cada retenção, o sujeito passivo deverá elaborar planilha que liste as retenções efetuadas (valor, código retenção c nota( fiscal/aplicação) que integram o montante deduzido na conta de provisão, após abatido o valor do crédito do regime não cumulativo, devendo haver coincidência de valor com este. Fl. 10778DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001159/200835 Acórdão n.º 1401001.411 S1C4T1 Fl. 1.586 9 PIS. Janeiro de 2007. Após a análise do resultado da primeira diligência e da resposta do contribuinte, remanesceram duas divergências: • 1a divergência a autoridade fiscal considerou dedução de PIS retido na fonte no valor de R$ 160.836,46, enquanto o contribuinte disse que foram retidos RS 191.876,69; • 2a divergência a autoridade fiscal considerou dedução de credito no valor de R$ 236.923,53. Já o contribuinte deduziu o montante de RS291.074,23 (RS 60.532,63 mais RS 230.541,60); Assim, tornase necessário intimar o sujeito passivo a apresentar cópia do Razão da conta de PIS a recuperar/compensar (ou conta equivalente) a fim de ser possível identificar os montantes dos créditos e das retenções que foram transferidos para a conta de provisão (PIS a recolher/compensar). Caso não haja detalhamento das retenções e dos créditos apurados nesta conta, o contribuinte deverá elaborar planilha que liste as retenções efetuadas (valor, código retenção e nota fiscal/aplicação) e os créditos apurados de tal forma que a somatória destes seja igual ao montante deduzido na conta de provisão. Uma vez atendido o pedido, será possível analisar a 1a divergência, mediante verificação do valor do crédito efetivamente escriturado e deduzido na conta de provisão, em procedimento similar ao adotado pela Fiscalização. Quanto à 2a divergência, será necessária comprovação documental de cada retenção na fonte efetuada. Observese que para comprovar as retenções não validadas pela autoridade fiscal, o sujeito passivo anexou aos autos as cópias de extratos do Siafi e de comprovantes anuais de retenção , os quais estão as fls 3491/3530, 4888/4940, 5027/5069 e 5123/5125AP (para os fatos geradores janeiro e fevereiro de 2007). Vale ressaltar que, dentre os documentos acostados, encontramse alguns que já foram apresentados no decorrer da fase inquisitória, ou seja, já teriam sido considerados pela autoridade autuante. Cofins. Fevereiro de 2007. Após a análise do resultado da primeira diligência e da resposta do contribuinte, remanesceu uma divergência, qual seja, a autoridade fiscal considerou dedução de Cofins retida na fonte no valor de RS 160.217,71, enquanto o contribuinte alega que a retenção foi no montante de R$ 231.925,23. Para a devida análise, será necessária comprovação documental de cada retenção na fonte efetuada. Observese que para comprovar as retenções não validadas pela autoridade fiscal, o sujeito passivo apresentou novos extratos do Siafi e comprovantes anuais de retenção com o intuito de complementar os documentos não apresentados durante a fiscalização. Tais extratos estão às fl. 3367/3408AP, bem assim às fl. 4888/4940, 5027/5069 e 5123/5125AP (para ps fatos geradores janeiro e fevereiro de 2007). Vale ressaltar que, dentre os documentos acostados, encontramse alguns que já foram apresentados no decorrer da fase inquisitória, ou seja, já teriam sido considerados pela autoridade autuante. VII. Informação Fiscal da Segunda Diligência Foi apresentado pela autoridade fiscal o resultado da segunda diligência, por meio da informação Fiscal às fls. 5325/5326AP, no qual foram prestados os seguintes esclarecimentos a seguir. Fl. 10779DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001159/200835 Acórdão n.º 1401001.411 S1C4T1 Fl. 1.587 10 Retenções Na Fonte. A partir dos demonstrativos elaborados pela contribuinte e correspondentes documentos apresentados, obtevese o quadro que demonstra as retenções efetivamente comprovadas: Tributo Retenções Comprovadas (fls. 5299/5301) PIS jan/07 189.337,83 PIS fev/07 28.910,05 Cofins fev/07 125.060,55 Contabilidade. A recorrente apresentou o original do Livro Razão e respectivas cópias, contendo os registros contábeis do PIS e da Cofins, relativos aos meses abrangidos pela diligência e outros, assim como os termos da Abertura e Encerramento. Por sua vez, o Despacho de Encaminhamento de fl. 10682 informa que o contribuinte foi cientificado a Informação Fiscal, e propõe o retorno do processo à DRJ/Brasília para apreciação. É o relatório. A DRJ, por unanimidade de votos, considerou procedente em parte o lançamento e RECORRENDO DE OFÍCIO da parte CANCELADA, tendo o Acórdão sido assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 NULIDADE. HIPÓTESES. Os lançamentos passíveis de nulidade são os realizados por autoridade incompetente, nos termos do art. 59, I, do Decreto n° 70.235/72 (PAF), ou com ausência de algum dos requisitos essenciais do auto de infração, fixados no art. 10 do PAF, e dos lançamentos em geral, constantes do art. 142 do (CTN). Tais situações não ocorreram nos lançamentos contestados. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE PROCESSUAL. O art. 5°, inciso LV da CF/88 garante o direito ao contraditório e à ampla defesa apenas em fase de contencioso (ou seja, litigiosa), o que somente ocorre na esfera administrativa quando da apresentação de impugnação ao lançamento efetuado. DESCRIÇÃO DOS FATOS. IDENTIFICAÇÃO DAS INFRAÇÕES COMETIDAS. Na espécie a descrição dos fatos permite identificar as razões que justificaram os lançamentos. Na hipótese da descrição dos fatos não permitir uma adequada defesa, e o defeito não pude ser saneado, tal fato ensejará a improcedência do lançamento, mas não sua nulidade. Fl. 10780DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001159/200835 Acórdão n.º 1401001.411 S1C4T1 Fl. 1.588 11 NULIDADE. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE PELO LUCRO REAL ANUAL DESCONSIDERADA PELA FISCALIZAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO PELO LUCRO REAL TRIMESTRAL. ILEGALIDADE. Foi desconsiderada, de maneira equivocada pela Fiscalização, a opção da contribuinte pelo lucro real anual. Portanto, os lançamentos de ofício efetuados pela autoridade tributária adotando como regime de tributação o lucro real trimestral padecem de suporte legal, encontramse em desacordo com a legislação em regência e afrontam os critérios material e temporal previstos no artigo 142 do CTN, razão pela qual devem ser considerados nulos. DECADÊNCIA. CONFISSÃO DE DÉBITOS. COMPENSAÇÃO. DCTF. PAGAMENTOS. PARCIAL. PRAZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Tendo se constatado confissão de débitos ou recolhimentos espontâneos pelo sujeito passivo, ainda que parciais, o prazo decadencial para constituição de crédito tributário relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, segundo a regra expressa do art. 150, § 4°, do CTN. QUESTÕES DE FATO. COMPROVAÇÃO DE EXTINÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR MEIO DE PAGAMENTOS OU COMPENSAÇÕES. RETENÇÕES. COMPROVAÇÃO POR NOTAS FISCAIS. Compensações transmitidas por meio de PER/DCOMP, espontaneamente, antes do início da ação fiscal, e devidamente homologadas, extinguem crédito tributário, ainda que tenha sido confessado apenas uma parcela do valor lançado de ofício. Da mesma maneira, a apresentação de notas fiscais e comprovantes de retenção demonstrando as retenções na fonte efetuadas pela fonte pagadora mostramse eficazes para comprovar as deduções da contribuinte a título de tributos retidos na fonte. DEDUÇÕES. LIVRO RAZÃO. LANÇAMENTO CONTÁBIL SINTÉTICO. ESCRITURAÇÃO INSUFICIENTE PARA DEMONSTRAR OS VALORES SEGREGADOS. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO HÁBIL PARA LASTREAR O LANÇAMENTO. Lançamento contábil sintético no livro Razão, por si só, não se mostra suficiente para demonstrar as deduções, ainda mais se considerando o fato de que a conta contábil era utilizada para registrar valores não apenas de deduções, mas também de retenções, e que a contribuinte, apesar de ter sido diligenciada a demonstrar os lançamentos individualizados, optou por permanecer silente. Assim, restou caracterizada situação no qual a escrituração não se encontrava acompanhada de documentação hábil para conferir lastro ao lançamento, conforme predica o art. 923 do RIR/99. ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. FALTA DE COMPETÊNCIA. Não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar a constitucionalidade de lançamento fiscal cujos fundamentos encontramse amparados em lei. Fl. 10781DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001159/200835 Acórdão n.º 1401001.411 S1C4T1 Fl. 1.589 12 CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS COM BASE NO MESMO FATO E MATÉRIA TRIBUTÁVEL. O decidido em relação ao IRPJ estendese aos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, vez que formalizados com base nos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. O contribuinte não interpôs recurso voluntário, tendo sido apartado para outro processos os créditos tributários mantidos pela DRJ, motivo pelo qual faz parte da lide apenas o julgamento do Recurso de Ofício. É o relatório. Fl. 10782DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001159/200835 Acórdão n.º 1401001.411 S1C4T1 Fl. 1.590 13 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator DELIMITAÇÃO DA LIDE Conforme relatado, tratase de analisar apenas o Recurso de Ofício, pois o contribuinte não recorreu da parte mantida pela DRJ. Sendo assim, tomo conhecimento do Recurso de Ofício, pois foram atendidos os requisitos de admissibilidade. Esclarecimentos Iniciais Por pertinente, transcrevo os esclarecimentos da DRJ: Conforme já exposto no Relatório, a ação fiscal em debate identificou a ocorrência de três infrações tributárias, quais sejam, (1) diferença entre o valor escriturado e o declarado/pago, (2) receita operacional omitida receita não contabilizada e (3) despesa operacional não necessária. Os presentes autos tratam da infração (1). As infrações (2) e (3) foram formalizadas em outro processo administrativo, n° 14041.001176/200872. Na ocasião, a impugnante apresentou defesa, alegando a ocorrência de nulidades e questionando, no mérito, as infrações, litígio já apreciado por esta 2a Turma de Julgamento de Brasília, dando resultado ao acórdão n° 03 35.152 na sessão de 15 de janeiro de 2010. A DRJ cancelou os autos de infração do IRPJ e CSLL, fundamentalmente, por erro no critério material e temporal do lançamento de ofício. O Contribuinte optou pela apuração anual do IRPJ e CSLL e a fiscalização lançou de ofício com apuração trimestral Eis os exatos termos do cancelamento feito pela DRJ: Verificando os lançamentos do IRPJ e da CSLL, emerge questão de cabe ser analisada de ofício, em respeito aos princípios do controle da legalidade e da verdade material, que norteiam o processo administrativo tributário. A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas pode ser determinado com base no lucro real, presumido ou arbitrado. No caso do lucro real, o período de apuração pode ser o trimestral ou o anual. Sendo trimestral, os períodos são encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, e, no anual, o encerramento ocorre em 31 de dezembro de cada ano. Fl. 10783DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001159/200835 Acórdão n.º 1401001.411 S1C4T1 Fl. 1.591 14 Optandose pelo regime de tributação anual, a pessoa jurídica deverá, a cada mês, efetuar a determinação da base de cálculo do imposto de renda, com base em dois parâmetros, quais sejam, (1) a aplicação de percentuais previstos na sobre a receita bruta auferida ou (2) mediante balanço ou balancete de suspensão ou redução, e, sendo apurado valor a pagar, deverá efetuar o pagamento por estimativa. Tratase da disposição literal dos artigos 1° e 2° da Lei n° 9.430, de 1996: CAPÍTULO I IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Seção I Apuração da Base de Cálculo Período de Apuração Trimestral Art. 1° A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. § 1° Nos casos de incorporação, fusão ou cisão, a apuração da base de cálculo e do imposto de renda devido será efetuada na data do evento, observado o disposto no art. 21 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995. § 2° Na extinção da pessoa jurídica, pelo encerramento da liquidação, a apuração da base de cálculo e do imposto devido será efetuada na data desse evento. Pagamento por Estimativa Art. 2° A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15. da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1° e 2°do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1° O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2° A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3° A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1° e 2°do artigo anterior. (grifei) Por sua vez, a opção pelo regime anual do período de apuração será manifestada com o pagamento da estimativa relativa ao mês de janeiro ou o início de atividade, conforme dispõe o art. 3° da Lei n° 9.430, de 1996. Ressaltese que, caso Fl. 10784DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001159/200835 Acórdão n.º 1401001.411 S1C4T1 Fl. 1.592 15 de a pessoa jurídica optar pelo lucro real anual, e efetuar a determinação da base de cálculo com base no balanço ou balancete de suspensão ou redução já no mês de janeiro, e a apuração resultar em prejuízo, obviamente não será necessário o pagamento da estimativa, por falta de objeto. No caso em análise, a Fiscalização efetuou os lançamentos de ofício de IRPJ e CSLL, referentes aos anoscalendário de 2004, 2005, 2006 e 2007, apurando o imposto com base no período de apuração trimestral. Contudo, aos analisar os autos, resolveu o julgador administrativo designado como relator na ocasião encaminhar em 25/11/2009 diligência de fls. 9681/9691, no qual fez o seguinte questionamento para a Fiscalização: 1) Consoante extratos do sistema IRPJ anexados às fl. 4820/4825, para os anoscalendário 2004, 2005, 2006 e 2007 o sujeito passivo apurou lucro real anual. Todavia, os lançamentos de IRPJ e CSLL foram feitos com apuração trimestral. Não encontrei nos autos qualquer exposição do motivo da alteração da forma de tributação optada pelo contribuinte. Então, solicito informar onde estã a necessária justificativa: nos autos de infração ou no TVF? (grifei) Por sua vez, a Fiscalização, por meio da Informação Fiscal de fls. 9698/9700, prestou o esclarecimento a seguir: Com relação ao motivo de alteração da forma de tributação optada pelo contribuinte, em relação aos lançamentos de IRPJ e CSII realizados pela fiscalização com apuração trimestral, cabe ressaltar, que não existem recolhimentos de IRPJ nos anos de 2005 e 2006, que justifique a apresentação na forma de lucro Real Anual, por estimativa, nos termos dos artigos 221 e 222 do RIR/99 e tela de consulta do SINAI01 anexa aos autos (fl. 4839). São os fatos. Analisando as DIPJ da contribuinte, observase que, para os anoscalendário de 2004, 2005, 2006 e 2007, foi feita a opção pelo lucro real anual, e o cálculo da estimativa com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução. Verificase também, em consulta aos sistemas internos, às fls. 10688/10694, que a impugnante efetuou pagamentos de estimativa, códigos de receita 2362 e 5993, em todos os anoscalendários ora analisados. Portanto, a autoridade tributária desconsiderou de maneira equivocada, sem nenhum amparo legal, a opção efetuada pela contribuinte, e efetuou os lançamentos de ofício de IRPJ e CSLL, relativos aos anoscalendário de 2004, 2005, 2006 e 2007, em desacordo com a legislação em regência, em afronta aos critérios material e temporal previstos no artigo 142 do CTN. No caso concreto, deveria a Fiscalização ter apurado o lucro real em 31 de dezembro de cada anocalendário, para então efetuar o lançamento do tributo devido. Ainda, caberia calcular as estimativas devidas, e efetuar o lançamento de multa isolada sobre os valores não recolhidos, com fulcro no art. 44, inciso II da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 10785DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001159/200835 Acórdão n.º 1401001.411 S1C4T1 Fl. 1.593 16 Assim, tendo em vista a ilegalidade demonstrada, devem ser afastados os lançamentos de ofício de IRPJ e CSLL, relativos aos anoscalendário de 2004, 2005, 2006 e 2007, efetuados com base no período trimestral. Como se vê, o fiscal deveria ter lançado no lucro real anual e não no lucro real trimestral, pois que atendeu aos requisitos da lei para fazêlo, qual seja fez pagamentos de estimativas (fls. 10688/10694, códigos de receita 2362 e 5993); declarou a opção “lucro real anual” em DIPJ e levantou balancetes de suspensão em às fls. 10688/10694, que a impugnante efetuou pagamentos de estimativa, códigos de receita 2362 e 5993, em todos os anos calendários ora analisados. A DRJ foi inclusive muito cautelosa ao cancelar os lançamentos sob esse argumento, tendo baixado o processo em diligência para verificar as justificativas da fiscalização, que não foram pertinentes. Assim, deveria a Fiscalização ter apurado o lucro real em 31 de dezembro de cada anocalendário, para então efetuar o lançamento do tributo devido. E, se fosse o caso, poderia efetuar o lançamento de multa isolada sobre os valores não recolhidos, por falta das estimativas não pagas. Portanto, patente está a ilegalidade demonstrada, devendo ser mantido o afastamento dos lançamentos de ofício de IRPJ e CSLL, relativos aos anoscalendário de 2004, 2005, 2006 e 2007, efetuados com base no período trimestral. Decadência A DRJ também cancelou parte do lançamento os lançamentos de ofício de IRPJ, relativos ao F.G. 31/03/2003 e 30/06/2003, e Cofins F.G. 31/03/2003, em função da decadência 3. Prejudicial de Mérito. Decadência Não obstante a contribuinte não ter questionado sobre a decadência, tratase de matéria de ordem pública, que requer apreciação de ofício pela autoridade julgadora, independentemente de arguição pela parte interessada. Conforme Parecer PGFN/CAT n°. 1.617, de 2008, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, cujo entendimento vincula os órgãos da administração fazendária, tendo havido pagamento espontâneo pelo sujeito passivo, ainda que parcial, o prazo decadencial para constituição de crédito tributário relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, segundo a regra expressa do art. 150, § 4°, do CTN. Contudo, caso não haja pagamento espontâneo por parte do sujeito passivo, aplicase a regra geral, do inc. I, art. 173, do CTN. Merece registro, a princípio, que a ciência dos Autos de Infração deuse em 13/11/2008. Foram efetuados lançamentos de ofício de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins referentes aos anoscalendário de 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007. Atendose ao anocalendário de 2003, verificase, pelo demonstrativo elaborado pela Fiscalização às fls. 3937, anexo ao Termo de Verificação Fiscal, que Fl. 10786DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001159/200835 Acórdão n.º 1401001.411 S1C4T1 Fl. 1.594 17 foram confessados pela contribuinte débitos de IRPJ, relativos ao F.G. 31/03/2003 e 30/06/2003, e de Cofins, F.G. 31/03/2003. Portanto, no caso concreto, tendo em vista a confissão de débitos por meio de DCTF, ainda que em valores parciais, aplicase o disposto no art. 150, § 4°, do CTN. Nesse contexto, o termo para contagem decadencial adota como referência a data 13/11/2003, considerandose que a ciência dos Autos de Infração foi dada em 13/11/2008. Assim, os lançamentos de ofício de IRPJ, relativos ao F.G. 31/03/2003 e 30/06/2003, e Cofins F.G. 31/03/2003, encontramse estão fulminados pela decadência. Comungo com a DRJ que os débitos confessados fazem as vezes de pagamentos para efeito de aplicação da regra do art. 150, 4o, na esteira atual da jurisprudência atual do STJ, como foi o caso. Quanto à matéria, adoto, portanto, a posição consolidada do STJ: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PETIÇÃO DE RECURSO ESPECIAL ASSINADA POR ADVOGADO SEM PROCURAÇÃO NOS AUTOS. SÚMULA 115/STJ. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. COMPETÊNCIA DA SUPREMA CORTE. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. ..... 3. Nos créditos tributários relativos à contribuição previdenciária – tributo sujeito a lançamento por homologação – cujo pagamento não foi antecipado pelo contribuinte, caso em que se aplica o art. 173, I, do CTN, deve o prazo decadencial de cinco anos para a sua constituição ser contado a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Portanto, escorreito o acórdão recorrido, o qual entendeu pela exigibilidade integral dos débitos referentes ao ano base de 1992. ..... 7. Recurso especial não conhecido.(Segunda Turma, REsp 1154592 / PR, Min. Castro Meira, Julg. 20/05/2010, DJe 02/06/2010). AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. 1. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando inocorre o pagamento antecipado pelo contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de ofício substitutivo é determinado pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. 2. Orientação reafirmada pela Primeira Seção desta Corte, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, Fl. 10787DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001159/200835 Acórdão n.º 1401001.411 S1C4T1 Fl. 1.595 18 sob o rito dos recursos repetitivos (Código de Processo Civil, artigo 543C). 3. Agravo regimental improvido. (Primeira Turma, AgRg no REsp 1120220 / PR, Min. Hamilton Carvalhido, Julg. 18/05/2010, DJe 02/06/2010) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). ..... 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (Primeira Seção, REsp 973.733/SC, Min. Luiz Fux, Julg. 12/08/2009, DJe 18/09/2009) . Dessa forma, a regra do art. art. 150, § 4º do CTN, no caso de pagamento se aplica de igual forma para a Cofins. Portanto, nego provimento também nessa prejudicial de mérito. Fl. 10788DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001159/200835 Acórdão n.º 1401001.411 S1C4T1 Fl. 1.596 19 Em resumo, até este ponto do presente voto, em razão de nulidade, já foram revisados os afastamentos dos lançamentos de ofício de IRPJ (F.G. 30/06/2004, 30/09/2004, 30/09/2005, 31/12/2005, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/09/2007 e 31/12/2007) e CSLL (31/03/2005, 30/06/2005, 31/12/2005, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 e 31/03/2007), e, por serem acolhidos pela decadência, os lançamentos de ofício de IRPJ (F.G. 31/03/2003, 30/06/2003) e Cofins (F.G. 31/01/2003). EXTINÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR MEIO DE PAGAMENTOS OU COMPENSAÇÕES. RETENÇÕES. COMPROVAÇÃO POR NOTAS FISCAIS Por fim, a DRJ também cancelou parte dos fatos geradores por questões de fato e probatórios, onde foi verificado que a documentação apresentada pelo contribuinte mostravase hábil para comprovar, na fase contenciosa, pagamentos, retenções e deduções glosados pela Fiscalização na fase inquisitória. Em resumo, a DRJ cancelou parte dos lançamentos em função de identificação, no retorno de diligência, de compensações transmitidas por meio de PER/DCOMP, espontaneamente, antes do início da ação fiscal, e devidamente homologadas, extinguindo assim o crédito tributário, ainda que tenha sido confessado apenas uma parcela do valor lançado de ofício. De outra parte, a apresentação de notas fiscais e comprovantes de retenção demonstrando as retenções na fonte efetuadas pela fonte pagadora mostramse eficazes para comprovar as deduções da contribuinte a título de tributos retidos na fonte. A esse respeito, revisados os autos, comungo do mesmo entendimento da DRJ, adotando como razões de decidir os fundamentos da DRJ, os quais não merecem qualquer reparo: 4.1. IRPJ (F.G. 31/12/2003). (...) Ocorre que, ao analisar os documentos acostados pela impugnante, restaram demonstradas, além daquelas acatadas pela autoridade fiscal, as seguintes retenções: Mês Fonte Pagadora Valor Retido Total IRRF Fls. dos Autos dez/03 Tribunal Regional do Trabalho da 1a Região 7.891,65 1.618,80 4623 dez/03 BankBoston 3.586,85 3.586,85 4691 TOTAL 5.205,65 No caso da apuração do IRRF referente ao TRF da 1a Região Fiscal, tratase da retenção de pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, prevista no art. 64 da Lei n 9.430, de 1996, c/c o caput do art. Fl. 10789DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001159/200835 Acórdão n.º 1401001.411 S1C4T1 Fl. 1.597 20 15 da Lei n° 9.249, de 1995. Assim, no rateio das retenções, cabe ao IRRF o percentual de 1,20% (equivalente a 15% multiplicado por 8%). Nesse sentido, restaram demonstradas as retenções no valor de R$5.205,65, que, adicionadas ao montante de R$27.577,79, perfazem o total de R$32.783,44. Portanto, deve o lançamento de ofício ser revisado, nos termos do quadro a seguir: IRPJ Valor Devido IRRF Pagamentos Lançamento de Ofício Mantido A B C D E = B C D 31/12/2003 279.526,19 32.783,44 202.429,30 44.313,45 4.2. PIS (F.G. 31/01/2007). O quadro a seguir demonstra a diferença apurada pela Fiscalização, que resultou no lançamento de ofício de PIS relativo a janeiro de 2007: PIS Contabilidad e DCTF / Pagamentos Retenções Deduções Lançamento de Ofício A B C D E F = B C D E 31/01/200 7 493.173,92 0,00 160.836,46 236.923,53 95.413,93 (...) No que se refere ás retenções, destacou a autoridade julgadora que seria necessária, também, comprovação documental de cada retenção na fonte efetuada. Em resposta à segunda diligência, encaminhou a Fiscalização a Informação Fiscal de fls. 10673/10675, no qual teceu as seguintes considerações: (1) sobre as retenções, restou comprovado o valor de R$189.337,83; (2) sobre as deduções, a contribuinte apresentou o original do livro Razão e respectivas cópias, além dos Termos de Abertura e Encerramento. Por sua vez, a contribuinte, uma vez cientificada, não se manifestou sobre o resultado da diligência, conforme despacho da DRF/Brasília de fl. 10682. São os fatos. As contestações da impugnante residem no valor apurado como pagamentos, retenções e deduções. No que se refere ao débito tributário de valor R$10.222,90, tratase de valor extinto por compensação já homologada, transmitida no PER/DCOMP n° 13474.02369.201207.1.3.040986, encaminhado espontaneamente, em 20/12/2007 (antes do início da ação fiscal que se deu em 27/12/2007), como se pode observar no extrato de fls. 10695/10700. Quanto às retenções, a Fiscalização elaborou quadro demonstrativo de fls. 10621, no qual apurou valor retido de R$189.337,83. Portanto, cabe alterar o valor considerado a título de retenções, de R$160.836,46 para R$189.337,83. Fl. 10790DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001159/200835 Acórdão n.º 1401001.411 S1C4T1 Fl. 1.598 21 (...) Portanto, deve o lançamento de ofício ser revisado, nos termos do quadro a seguir: PIS Contabilidade DCTF / Pagamentos Retenções Deduções Lançamento de Ofício Mantido A B C D E F = B C D E 31/01/200 7 493.173,92 10.222,90 189.337,83 236.923,53 56.689,66 4.3. PIS (F.G. 28/02/2007). O quadro a seguir demonstra a diferença apurada pela Fiscalização, que resultou no lançamento de ofício de PIS relativo a fevereiro de 2007: PIS Contabilidade DCTF / Pagamentos Retenções Deduções Lançamento de Ofício A B C D E F = B C D E 28/02/200 7 128.514,08 0,00 34.713,84 69.398,01 24.402,23 No que se refere ao débito tributário de valor R$9.863,69, tratase de valor extinto por compensação já homologada, transmitida no PER/DCOMP n° 13474.02369.201207.1.3.040986, encaminhado espontaneamente, em 20/12/2007 (antes do início da ação fiscal que se deu em 27/12/2007), como se pode observar no extrato de fls. 10695/10700. (...) Portanto, deve o lançamento de ofício ser revisado, nos termos do quadro a seguir: PIS Contabilidad e DCTF / Pagamentos Retenções Deduções Lançamento de Ofício Mantido A B C D E F = B C D E 28/02/2007 128.514,08 9.863,69 34.713,84 69.398,01 14.538,54 4.4. Cofins (F.G. 31/01/2007). O quadro a seguir demonstra a diferença apurada pela Fiscalização, que resultou no lançamento de ofício de Cofins relativo a janeiro de 2007: Cofins Contabilidad e DCTF / Pagamentos Retenções Deduções Lançamento de Ofício A B C D E F = B C D E 31/01/200 7 2.271.588,97 0,00 742.322,10 1.354.567,41 174.699,46 Por sua vez, a impugnante alegou que teria (1) efetuado pagamento no valor de R$31.436,02 e (2) direito à retenção no montante de R$885.585,57. Fl. 10791DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001159/200835 Acórdão n.º 1401001.411 S1C4T1 Fl. 1.599 22 (...) No que se refere ao débito tributário de valor R$31.436,02, tratase de valor extinto por compensação já homologada, transmitida no PER/DCOMP n° 36984.46546.201207.1.3.04 5698, encaminhado espontaneamente, em 20/12/2007 (antes do início da ação fiscal que se deu em 27/12/2007), como se pode observar no extrato de fls. 10695/10700. Quanto às retenções, apesar de o relator das diligências não ter direcionado nenhuma providência relativa à Cofins P.A. 31/01/2007, por outro lado, encaminhou análise referente ao PIS P.A. 31/01/2007. Como resultado, a Fiscalização elaborou a planilha demonstrativa de fl. 10621, no qual, valendose da análise de cada nota fiscal, destacou o valor correspondente ao PIS retido. Nesse mesma toada, foi elaborada, para o presente voto, planilha demonstrativa acostada à fl. 10703, no qual se aproveitou o levantamento efetuado pela Fiscalização, para determinar o somatório das retenções de Cofins no mês de janeiro de 2007, mediante aplicação da alíquota da contribuição social sobre o valor da nota fiscal, perfazendo o resultado de R$870.788,56. Portanto, deve o lançamento de ofício ser revisado, nos termos do quadro a seguir: Cofins Contabilidade DCTF / Pagamentos Retenções Deduções Lançamento de Ofício Mantido A B C D E F = B C D E 31/01/200 7 2.271.588,97 31.436,02 870.788,56 1.354.567,41 14.796,98 4.5. Cofins (F.G. 28/02/2007). O quadro a seguir demonstra a diferença apurada pela Fiscalização, que resultou no lançamento de ofício de Cofins relativo a fevereiro de 2007: Cofins Contabilidade DCTF / Pagamentos Retenções Deduções Lançamento de Ofício A B C D E F = B C D E 28/02/200 7 591.943,66 0,00 160.217,71 315.055,64 116.670,31 Por sua vez, a impugnante alegou que teria (1) efetuado pagamento no valor de R$44.962,79 e (2) direito à retenção no montante de R$231.925,23. (...) São os fatos. As contestações da impugnante residem no valor apurado como pagamentos e retenções. (...) Fl. 10792DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 14041.001159/200835 Acórdão n.º 1401001.411 S1C4T1 Fl. 1.600 23 No que se refere ao débito tributário de valor R$44.962,79, tratase de valor extinto por compensação já homologada, transmitida no PER/DCOMP n° 36984.46546.201207.1.3.04 5698, encaminhado espontaneamente, em 20/12/2007 (antes do início da ação fiscal que se deu em 27/12/2007), como se pode observar no extrato de fls. 10695/10700. Quanto às retenções, o valor apurado pela Fiscalização na resposta à diligência foi de R$125.060,55, ou seja, montante inferior ao apurado no decorrer da fase inquisitória, de R$160.217,71. Tendo em vista que neste momento processual não cabe agravar o lançamento, cabe ser mantido, a título de retenções, o valor de R$160.217,71. Portanto, deve o lançamento de ofício ser revisado, nos termos do quadro a seguir: Cofins Contabilidade DCTF / Pagamentos Retenções Deduções Lançamento de Ofício Mantido A B C D E F = B C D E 28/02/200 7 591.943,66 44.962,79 160.217,71 315.055,64 71.707,52 Portanto, revisados os autos, constato a correção do Acórdão recorrido, adotando as mesmas razões de decidir do voto condutor, negando provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 10793DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 31/03/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10680.915583/2009-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA FISCAL. CRÉDITO SUFICIENTE.
Uma vez confirmado, mediante diligência, a procedência do direito creditório decorrente de pagamento a maior, deve ser deferida a restituição e homologada as compensações até o limite do crédito reconhecido pela respectiva verificação fiscal.
Recurso Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3402-002.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/07/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA FISCAL. CRÉDITO SUFICIENTE. Uma vez confirmado, mediante diligência, a procedência do direito creditório decorrente de pagamento a maior, deve ser deferida a restituição e homologada as compensações até o limite do crédito reconhecido pela respectiva verificação fiscal. Recurso Parcialmente Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA FISCAL. CRÉDITO SUFICIENTE. Uma vez confirmado, mediante diligência, a procedência do direito creditório decorrente de pagamento a maior, deve ser deferida a restituição e homologada as compensações até o limite do crédito reconhecido pela respectiva verificação fiscal. Recurso Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 55 83 /2 00 9- 63 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10680.915583/200963 Acórdão n.º 3402002.533 S3C4T2 Fl. 199 3 Relatório Versa o processo de compensação declarada no PER/DCOMP, de nº 26560.84115.151206.1.3.044281, no qual foi apontado como origem do crédito, pagamento indevido ou a maior realizado pelo sujeito passivo no valor R$ 85.940,51 (oitenta e cinco mil, novecentos e quarenta reais e cinquenta e um centavos), relativo à COFINS no período de 31/07/2003. O Despacho Decisório Eletrônico de fls. 04 – numeração eletrônica, não homologou a compensação pretendida ao argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos da contribuinte, não restando saldo creditório disponível. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do despacho decisório de fls. 04 – numeração eletrônica, em 29/04/2009, o contribuinte inconformado com a decisão proferida, apresentou, em 29/05/2009, Manifestação de Inconformidade de fls. 02/03 – numeração eletrônica. Na Manifestação apresentada, o contribuinte alegou que a homologação do pedido de compensação não ocorreu devido a um equivoco no ajuste da sua DCTF que deixou de refletir o pagamento indevido a maior, assim, em 28/05/2009, na tentativa de demonstrar o pagamento indevido, retificou a DCTF do 3º trimestre de 2003, bem como anexou cópia da declaração retificadora apontada. DO JULGAMENTO DA 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na Manifestação de Inconformidade apresentada, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, proferiu o Acórdão de nº. 0237.260, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2003 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL.COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. O prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 200DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Direito Creditório Não Reconhecido A 1ª Turma da DRJ/BHE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por entender que as retificações feitas pelo contribuinte (após o despacho decisório), em 28/05/2009, estão atingidas pelo instituto da decadência. DO RECURSO Cientificado em 08/02/2012, da Decisão da 1ª Turma da DRJ/BHE, por meio de AR de fl. 44 – numeração eletrônica, o contribuinte apresentou em 14/03/2012, Recurso Voluntário a este Conselho, asseverando que a origem do direito creditório decorre de decisão judicial transitada em julgado em 17/02/2006, obtida nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0092865 na qual pleiteava a não exigência da Cofins sobre a receita bruta total, prevista na Lei nº. 9.718/98. Portanto, após trânsito em julgado, o Recorrente passou a transmitir PER/Dcomp’s relativos aos recolhimentos efetivados a partir do período de novembro/2002, período a partir do qual passou a recolher mediante DARF a parcela da Cofins apurada sobre “Outras receitas”. Anexou à peça recursal cópias da certidão de inteiro teor emitida pelo TRF da 1ª Região acerca do Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0092865, bem como, petição inicial, sentença e decisão final, com respectiva certidão de trânsito em julgado, Ofício TRF1 nº 0154/02 – STTUR, de 05/02/2003 ordenando a conversão em renda dos depósitos judiciais, Ofício CEF nº 349/2003, confirmando a conversão em renda dos depósitos judiciais; Livro Razão do exercício de 2003 e Extrato de pagamentos obtidos junto à RFB. DO JULGAMENTO DA 2ª INSTÂNCIA Através da Resolução n°.3402000.611, a 2ª TO da 4ª Câmara da 3ª Seção deste Conselho, ao apreciar o recurso interposto pelo contribuinte, entendendo que o processo não reunia condições de receber um justo julgamento, houve por bem em converter o mesmo em diligência para que fossem adotadas as providências transcritas abaixo: a) Pautandose na decisão transitada em julgado da ação judicial, verifique a composição da base de cálculo adotada pela Recorrente ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais emitidas, a escrita contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes, com relação ao mês em que está sendo apontada a existência de crédito utilizado para compensação veiculada na DCOMP em análise; b) Manifestese conclusivamente sobre a existência (ou não) de pagamento indevido ou a maior que o devido, bem como, havendo crédito, qual o seu respectivo montante; c) Após, seja dado vistas do “Relatório Final da Diligência” ao sujeito passivo, para que, querendo, se manifeste no prazo de no mínimo 30 (trinta) dias, retornando os autos para reinclusão em pauta de julgamento neste Conselho. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10680.915583/200963 Acórdão n.º 3402002.533 S3C4T2 Fl. 200 5 DA REALIZAÇÃO DA DILIGÊNCIA: Através do termo de intimação fiscal de fl. 167 – numeração eletrônica, o contribuinte foi intimado, em 17/03/2014 (tomou conhecimento por meio do portal eCAC), para apresentar no prazo 20 (vinte) dias a contar da data do recebimento da intimação, os Balancetes mensais de julho a outubro de 2003 – parte relativa às receitas auferidas. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou o balancete solicitado (fls. 171 a 179), bem como a memória de cálculo com as contas que expurgou da base de cálculo da contribuição (fl. 182). Também consta aos autos a solicitação de esclarecimentos sobre quais receitas que compunham as contas Garantia Ampliada, Retorno de seguro, Retorno de Despachante, Retorno de Acessórios e Descontos Obtidos. A resposta do contribuinte à solicitação está na fl. 185. A autoridade preparadora afirma no relatório de diligência fiscal de fls. 191 e 192 – numeração eletrônica, que os valores apresentados pela contribuinte são coerentes com o balancete apresentado e totalizam R$ 2.864.683,73, logo, aplicando a esse valor a alíquota da Cofins (3%) se obtém o valor de R$ 85.940,51, valor esse que é informado pela contribuinte como crédito de pagamento a maior. Contudo, ressaltou que o demonstrativo incluiu as contas Garantia Ampliada, Retorno de Seguro, Retorno de Despachante e Retorno de Acessórios, constituídas por receitas diretamente vinculadas à atividade operacional da empresa, no caso a revenda de veículos seminovos, que não devem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Tendo em vista o exposto, a Autoridade Preparadora refez os cálculos reconhecendo o valor de R$ 84.365,74 como pagamento a maior da Cofins. O contribuinte foi informado do relatório da Autoridade Preparadora por meio da caixa postal eCAC. Conforme as fls. 194 e 195 demonstram, a abertura do documento ocorreu em 16/05/2014 e a ciência por decurso de prazo ocorreu em 23/05/2014. Por fim, não houve manifestação do contribuinte. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, numerado até a folha 197 (cento e noventa e sete), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Atendidos os pressupostos de admissibilidade e tempestividade, conforme verificação efetuada já por conta do julgamento anterior, e, constatado o cumprimento da diligência nos termos em que solicitados na Resolução nº 3402000.611 entendo que possui agora, este processo, condições de receber um julgamento justo. A análise dos autos dá conta de que o despacho decisório indeferiu declaração de compensação, e consequentemente, manteve exigível crédito tributário sobre os tributos compensados, do que gerou insuficiência de recolhimentos, ante à conclusão da Fiscalização de que as retificações feitas pelo contribuinte (após o despacho decisório), na data de 29/04/2009, estariam atingidas pelo instituto da decadência. No entanto, tenho me posicionado no sentido de que quem origina o crédito é o pagamento indevido, e não a retificação (ou não) da DCTF (seja ela possível ou não, pelo decurso do prazo). A questão do prazo para se retificar a DCTF, no caso em concreto, é irrelevante para verificar se houve pagamento a maior, pois que não é a DCTF que constitui o crédito tributário, mas sim o pagamento indevido. E o pagamento indevido é decorrência de reconhecimento contido em decisão judicial própria do contribuinte, o que muda este caso na comparação com os casos de mero pagamento indevido em DARF. Neste caso, é a ação judicial, transitada em julgado em 02/2006, que permite a compensação, e não meramente o pagamento indevido feito sem ação. Superado isso, diante falta de análise do crédito pleiteado pela Recorrente até o momento, esta Turma determinou a realização de diligência fiscal a fim de verificar a existência (ou não) de pagamento indevido ou a maior que o devido, bem como, havendo crédito, qual o seu respectivo montante. A referida Diligência chegou às seguintes conclusões: Originalmente, o contribuinte apurou a Cofins sobre uma base de cálculo de R$ 15.828.394,22, obtendo o valor a pagar de R$ 474.851,83, conforme DIPJ 2004 (fl. 187). A DCTF apresentava débito de R$ 474.851,82, vinculado a dois pagamentos, de R$ 388.911,31 e R$ 85.940,51 (fl. 188). Embora a DIPJ permaneça a mesma, a DCTF foi retificada e processada pelo Fiscel, que apresenta hoje o débito no valor de R$ 388.911,31, vinculado ao pagamento de mesmo valor. (fl. 189). Quanto ao pagamento de R$ 85.940,51, encontrase reservado para utilização no presente processo (fl. 190). O demonstrativo enviado pela empresa discrimina as contas que considera excluídas da base de cálculo da Cofins. Os valores informados são coerentes com o balancete apresentado e totalizam R$ 2.864.683,73. Aplicando a esse valor a alíquota da Cofins (3%) obtemos R$ 85.940,51, que é o valor informado como crédito de pagamento a maior. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10680.915583/200963 Acórdão n.º 3402002.533 S3C4T2 Fl. 201 7 Porém, o demonstrativo inclui as contas “Garantia Ampliada”, “Retorno de Seguro”, “Retorno de Despachante” e “Retorno de Acessórios”, constituídas por receitas diretamente vinculadas à atividade operacional da empresa, no caso a revenda de veículos seminovos, que não devem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Por este motivo, os cálculos da empresa foram refeitos, conforme demonstrado a seguir: (...) Diante do exposto, sou pelo reconhecimento do crédito de pagamento a maior da Cofins, período de apuração julho de 2003, no valor de R$ 84.365,74. Observase que, a Autoridade Preparadora expressamente afirmou que ao se aplicar o disposto na decisão judicial em favor da Recorrente, reconheceuse a existência de pagamento a maior da Cofins, período de apuração julho de 2003, porém, houve por bem refazer o cálculo do crédito pleiteado pelo contribuinte por considerar que, nos cálculos da Recorrente, as receitas diretamente vinculadas à atividade operacional da empresa, no caso a revenda de veículos seminovos, não deveriam ter sido excluídas da base de cálculo da contribuição. Desta maneira, a Autoridade Preparadora glosou parte do crédito pleiteado, conforme se verifica no relatório de diligência fiscal. Porém, em face do reconhecimento de que apenas poderiam ser submetidas à tributação as receitas que preenchessem o conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS/COFINS promovida pelo §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, tenho que as receitas operacionais, porém que não decorram de “faturamento”, assim entendido com a receita da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, não podem ser incluídos na base imponível das contribuições em análise. Deste modo, as receitas decorrentes de “Garantia Ampliada”, “Retorno de Seguro”, “Retorno de Despachante” e “Retorno de Acessórios”, revestemse de natureza de “outras receitas operacionais”, mas não se caracteriza como faturamento. Daí porque entendo ser equivocada a glosa realizada pela Autoridade Preparadora, posto que tais exclusões acabam ofendendo ao conceito de faturamento, contrariando o comando da declaração de inconstitucionalidade antes mencionada, de modo que, ao executar o comando desta decisão, deverá a autoridade preparadora afastar a glosa dos créditos sobre as rubricas acima mencionadas, homologando a compensação até o montante do credito disponível. Esta a razão – para que dúvidas não remanesçam – do porque do provimento ser parcial. Assim sendo, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito já levantado pela diligência, bem como para determinar a exclusão da base de cálculo da contribuição no período em questão, dos valores relativos à Fl. 204DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 “Garantia Ampliada”, “Retorno de Seguro”, “Retorno de Despachante” e “Retorno de Acessórios” e, por fim, determinar a homologação da compensação até o limite do crédito reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 1/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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